Após trinta anos de atuação no jornalismo cultural e musical brazuca e mantendo no ar há catorze anos o site/blog de cultura pop e rock alternativo mais legal da web BR, o jornalista zapper publica “Escadaria para o inferno”, sua primeira incursão literária e que chega aos leitores neste sábado, com festa de lançamento e noite de autógrafos na véspera de mais um aniversário do escriba eternamente loker/rocker, na Sensorial Discos/SP; nesse post especial você fica sabendo de detalhes sobre o livro e de como será a “bebemoração” literária/rock’n’roll que marca seu lançamento; mais: o festival Três Olhos também rola nesse finde em Sampa, com show dos Mutantes e de novíssimos grupos do cenário alternativo paulistano; Morrissey e Noel Gallagher, dois GIGANTES do rock planetário que ainda importa, lançam seus novos discos; e mesmo em um momento de crise bravíssima no circuito rock alternativo paulistano o novo Clube VU (com inspirações sonoras e imagéticas na obra do lendário Velvet Underground) abre suas portas na capital paulista também nesse sábado (ufa!); e mais isso e aquilo tudo no site/blog zapper, onde felizmente a decadência informativa e textual ainda não chegou (já em outros espaços “pobreloaders” na web… hihihi) (postão em mega construção!)

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop em discos, livros, filmes, shows, baladas etc.)

 

***Calor infernal na tarde do sabadão paulistano, com o blogão zapper entrando no ar em sua primeira parte e falando de uma renca de paradas que prometem tornar este finde agitadíssimo. Aos fatos, entonces!

 

***A semana dos gigantes, I: Morrissey – Sim, o motivo da nota de abertura de Microfonia é mesmo o novo álbum de estúdio daquele que é considerado por boa parte da humanidade como o inglês mais genial e legal ainda vivo na face da Terra. Sim, ele mesmo, “tia” Morrisséia, aliás Morrisey, ou Moz pros fãs. “Low In High School” é o décimo primeiro disco solo do ex-vocalista dos Smiths desde que a banda que o tornou célebre acabou e ele começou a lançar trabalhos sozinho, em 1988. E é o primeiro cd inédito dele em três anos – o último, “World Peace Is None Of Your Business”, saiu em 2014. “Low in…” saiu oficialmente sexta-feira passada na Inglaterra. Estas linhas rockers online ainda não escutaram o dito cujo. Afinal estamos numa correria insana por conta do lançamento do nosso livro e que acontece amanhã. Mas enfim, o que esperar do novo álbum do amado e ainda gigante Morrissey? Que ele seja no mínimo ok. Sim, claro, Moz não precisa provar mais nada pra ninguém. Aos 58 anos de idade já deixou seu nome eternizado na história do rock mundial, apenas por ter escrito as letras que escreveu e cantado as canções que cantou nos quatro FENOMENAIS discos de estúdio dos Smiths (eternamente uma das 5 bandas da nossa vida). Perto desses quatro LPs inatacáveis e imortais sua carreira solo é até dispensável – sim, sejamos honestos e não fãs fanáticos: Zapeu gosto muito da sua estréia solo com o “Viva Hate”, que saiu em 1988 (e que teria sido na verdade o quinto disco de estúdio dos “Silvas”, caso eles não tivessem acabado no ano anterior). Depois, se formos bastante rigorosos, vamos chegar a conclusão de que o bardo de Manchester ainda gravou mais um ótimo/impecável trabalho solo (“Your Arsenal”, de 1992) e só. Claro, ele nunca se permitiu lançar algo de qualidade realmente ruim. E mesmo um disco mediano de Morrissey ainda dá um pau gigante em tudo o que o vergonhoso, pífio e irrelevante rock da era da web (principalmente de 2000’ pra cá) anda lançando. Quanto a isso não há dúvida. Mas reiterando: o que a bicha velha tinha que legar de CLÁSSICO e INESQUECÍVEL para a humanidade ela já legou, junto aos Smiths. Uma banda que, em quatro discos de vinil e em quatro momentos iluminados, deixou para a História algumas das pérolas poéticas e musicais mais sublimes e avassaladoras que a Cultura universal poderia ter produzido. Enfim, assim que passar o tumulto com o lançamento do livro fináttico, vamos resenhar sim “Low In High School” por aqui com a devida atenção. O primeiro single do álbum (“Spent The Day In Bed”) ao menos é bem bacana. E sendo que tanto o disco quanto o single você pode conferir abaixo.

 

***A semana dos gigantes, II: Noel Gallagher – e ontem foi a vez de o gênio Noel Gallagher (o homem que comandou o saudoso e inesquecível Oasis por quase duas décadas) também lançar seu novo trampo solo. “Who Built The Moon” é o terceiro álbum solitário do gigante guitarrista, e já coleciona fartos elogios na rock press gringa e nos veículos musicais midiáticos que importam. Claro, Zap’n’roll ainda não ouviu o dito cujo (correria total nesse sabadão, com o lançamento de nosso livro logo menos lá na Sensorial Discos) e o fará assim que a situação se acalmar por aqui além de resenhar o cd nestas linhas online o quanto antes, beleusma? Mas enquanto isso você pode escutar o disco inteiro aí embaixo.

 

***O novo e bacanudo festival que já está agitando Sampalândia nesse finde – é o Três Olhos Music Festival, primeira empreitada no gênero da Hasta La Vista Produções. A festona rocker começou há pouco na tarde deste sábado, está rolando lá no Tropical Butantã (na zona oeste de Sampa), tem um line up bacaníssimo (com bandas indies da novíssima safra, entre elas a Bike) e Os Mutantes como headliners. Precisa mais? Corre pra lá que ainda dá tempo de sobra de curtir a baladona rock’n’roll, sendo que todas as infos sobre o evento estão aqui: http://www.3omf.com.br/.

 

***Dj set zapper amanhã, domingão, no Grind – yeeeeesssss! Além de estar lançando HOJE o livro “Escadaria para o inferno”, o jornalista eternamente loker/rocker/gonzo não economizou nas bebemorações neste finde. Como também chega aos 5.5 de existência nesse domingo (leia-se amanhã), ele irá festejar como sempre fazendo sua já clássica e esporrenta DJ set no Grind, a domingueira rock mais famosa do Brasil e comandada há quase 20 anos pelo super DJ André Pomba. Finaski assume as pick-up`s a partir das três da madruga e te espera por lá, com uma seleção rocker pra derrubar qualquer um na pista. Bora lá!

 

***E mais notas na Microfonia irão entrando aqui ao longo da semana vindoura, okays? Agora vamos direto ao assunto porque a correria está monstro por aqui hoje. Vamos ver do que trata, afinal, o primeiro livro lançado pelo sujeito que escreve esse espaço virtual Popper há quase década e meia.

 

 

AGITO LITERÁRIO NO MONDO ROCKER: “ESCADARIA PARA O INFERNO”, O PRIMEIRO LIVRO DO JORNALISTA ZAPPER E ETERNAMENTE LOKER, CHEGA AOS LEITORES FINALMENTE NESTE SÁBADO

Acontece finalmente neste sábado, 25 de novembro, o lançamento de “Escadaria para o inferno”, provavelmente o ÚNICO livro que este jornalista irá publicar pois imagina que não terá tempo suficiente em vida para escrever outro. E sem drama algum em relação a isso: saindo este já nos damos por satisfeitos e com ele iremos completar a tríade que, reza o clichê existencial, todo ser humano precisa fazer ao longo de sua vida: plantar uma árvore, ter um filho (tivemos/temos, embora pai e filho não se falem e não se vejam pessoalmente há séculos) e escrever um livro. Com o lançamento deste sábado na Sensorial Discos/SP completa-se então essa tríade, no nosso caso. Missão fináttica TERRENA cumprida? Talvez…

É pensando no lançamento desse tomo e agora avançando pela tarde insuportalvemente calorenta que o blog resolveu dividir com vocês infos sobre o livro e também algumas considerações e pensamentos soltos sobre ele e sobre seu autor, divididos por tópicos. A eles.

 

***O LIVRO – “Escadaria para o inferno” está pronto há uns 3 anos já. Nesse período mudou de nome (o título inicial era “Memórias de um jornalista junkie”, que acabou entrando agora na edição final e oficial como sub-título) e passou por pelo menos três editoras, todas pequenas. Uma se interessou mas não tinha dinheiro para bancar o dito cujo. A segunda queria rachar os custos da publicação com o autor, o que obviamente foi recusado. E a última queria que fosse mudada muita coisa no livro original (o título, inclusive) o que também não foi aceito. Fomos salvos quando encontramos a turma da Kazuá, onde chegamos através do queridão Edner Morelli (que acabou de lançar por lá também seu terceiro livro de poemas, “Cenário”), músico, professor (de Letras), escritor e dileto amigo do jornalista zapper há décadas. Foi o melhor lar editorial que poderíamos ter encontrado pois trata-se de uma editora pequena mas que tem um cuidado quase artesanal com cada livro publicado por ela. Fora que a equipe de lá é total maluca, libertária, transgressora, transgressiva, culturalmente DEGENERADA pode-se dizer, rsrs. Pelo conteúdo que se encerra em “Escadaria…” o livro não poderia ter encontrado lugar melhor. E somos absolutamente sinceros nisso.

 

***O QUE É E DE ONDE SURGIU A IDEIA – Todos já sabem: o titular deste espaço de cultura pop online é jornalista musical e cultural há mais de 30 anos. Já passou (e tem orgulho disso) por alguns dos maiores veículos da imprensa brasileira, como repórter ou colaborador. Ao longo desse tempo todo ele foi colecionando milhares de histórias (todas reais) absolutamente MALUCAS, surreais e quase inacreditáveis de enfiações desvairadas de pé na lama em sexo, álcool, drogas e rock’n’roll, muitas dessas ao lado de gente bastante conhecida. E toda vez que contávamos alguma dessas histórias para algum (a) amigo (a), a reação de espanto de quem ouvia era imediata e o comentário inevitável: “porra Finas, isso dá um livro! Ou até um FILME! Rsrs”. Foi então que tivemos enfim a ideia de escrever o tal livro. Mas a primeira versão dele era algo preguiçosa, podemos afirmar. Apenas reunimos alguns dos melhores posts de Zap’n’roll, que existe há 14 anos, e tal qual eles foram escritos, foram organizados em um provável e futuro livro. Mostramos esse material ao chapa Marcelo Viegas (que conhecemos há quase 20 anos), então trampando como editor na Ideal Edições. Foi dom “Priegas” quem leu o material e disse: “as histórias são de fato ótimas. Mas deixa de ser preguiçoso, cria vergonha na cara, senta na frente do computador e escreve um livro de VERDADE, não reproduzindo apenas posts que já foram publicados no seu blog. Lembre APENAS das histórias malucas e as conte como aconteceram, dando tom textual de crônica ou romance em cima delas”. Foi o que acabamos fazendo, no final das contas. E por ter vivido a vida que viveu (intensa na maior parte do seu tempo, com o sujeito aqui sempre “plugado” em 220 wolts, sempre ansioso, agitado, e quase sempre total alucicrazy nas baladas noturnas e em muitos momentos da sua vida profissional, enquanto cobria shows, festivais, entrevistando bandas e músicos etc.), sempre no limite da sanidade, conseguiu colecionar esse turbilhão de histórias quase inacreditáveis. Separamos 20 delas para publicar no livro. Que sim, tem uma narrativa auto-biográfica mas que não se trata de uma biografia na pura acepção do termo literário. Uma narrativa que desvela loucuras ao lado de gente como John Lydon (o homem que um dia foi Johnny Rotten e cantou nos Sex Pistols), Evan Dando (dos Lemonheads), Nasi (nosso brother que canta no Ira! até hoje), João Gordo, Lobão, Helinho Flanders (o amado singer do Vanguart) etc, etc. Ficamos bastante satisfeitos com o resultado do livro. A Kazuá também, ao que parece. Veremos o que VOCÊS, futuros leitores (assim esperamos) do mesmo irão achar.

 

***NÃO HÁ MORALISMOS NO LIVRO, NEM NO SEU AUTOR – As mais de 140 páginas de “Escadaria para o inferno” estão repletas de narrativas envolvendo sexo desenfreado, consumo abusivo de drogas e álcool e tudo aquilo que provavelmente “choca” a moral e os bons costumes, ainda mais nesses tempos de total intolerância e de uma sociedade cada vez mais moralista hipócrita e babaca, reacionária e conservadora ao extremo. Bem sabemeos que somos um jornalista ainda mezzo loker, eternamente rocker e já quase um VELHO (mas jamais obsoleto) desajustado na alma e no coração, e inadequado na existência. Um sujeito perenemente à margem do que é considerado “normal” pelo senso comum estúpido da raça humana idem. Isso incomoda? Um pouco, às vezes e não há como negar. Nos arrependemos de ser assim ou de termos sido assim na maior parte de nossa existência? Nem um pouco e o livro deixa isso bem claro: não há MORALISMO algum na narrativa dos capítulos dele (20 ao todo). Tudo é contado com distanciamento moral absoluto (apesar de estarmos no olho do furacão em todos os episódios que estão ali descritos) pois sempre dizemos que, se pudéssemos voltar no tempo mudaríamos muito pouco essa trajetória. Provavelmente teríamos feito tudo novamente, evitando cometer excessos aqui e ali e também evitando consumir aditivos que de fato não deveríamos ter consumido ao longo da vida. Mas no final o livro tenta transmitir ao leitor mais ou menos a mesma sensação que o já clássico filme “Trainspotting” passou a todos que o assistiram: a vida de um JUNKIE é isso. Ele escolheu viver dessa forma. Cada um que escolha viver a sua vida da forma que melhor lhe convier.

 

***NÃO FOI FÁCIL TER TIDO UMA EXISTÊNCIA QUASE TOTALMENTE JUNKIE – Não mesmo. Sem moralismos novamente mas NÃO recomendamos a vida que tivemos para ninguém, embora tenhamos nos divertido horrores. Como jornalista o sujeito aqui poderia estar muito bem hoje, profissional e financeiramente falando. Não estamos, claro. Muito longe de estar, inclusive. Zap’n’roll poderia ter se tornado um “jornalista” total careta e bunda-mole e provavelmente estaria enorme de gordo, casado com uma esposa chata, com filhos, tendo uma amante igualmente chata e trampando em alguma redação de algum mega veículo de mídia e ganhando seus 10 mil dinheiros (ou mais) por mês. Mas escolheu o caminho torto e da loucura, óbvio. E foi perdendo grandes empregos e grandes oportunidades na imprensa, claro, pois além de ser um maluco em tempo quase integral também sempre teve o gênio e o sangue italiano quente e explosivo, o que o fez brigar com muita gente (a imprensa é um dos meios profissionais mais escrotos, hostis e terríveis para se trabalhar, uma autêntica piscina de tubarões e uma fogueira das vaidades insuportável na maioria das vezes). Certa vez o jornalista Luiz Fernando Sá (que foi nosso chefe nas revistas IstoÉ e Interview, e atualmente ocupa alto cargo na editora Três) nos disse: “você já teve ótimas oportunidades e portas abertas na sua vida, que muita gente igualmente competente quis ter e não teve. E você foi desperdiçando todas essas oportunidades”. Talvez ele tenha razão, no final das contas. E num dia, almoçando com amado “sobrinho” Luiz Cesar Pimentel (que é o autor do texto que está na “orelha” do livro), perguntamos a ele onde tínhamos errado no meio do nosso caminho. Onde deveríamos ter entrado na curva à direita, e acabamos entrando na da esquerda. “Finas, cada um tem suas escolhas na vida. Você fez as suas. E paga um preço por elas, simples.”. Nisso ele tem total razão. Fizemos nossas escolhas e pagamos o preço por elas. Sabemos que nossa existência não foi nada fácil. E continua não sendo, inclusive: este jornalista rocker é adicto (dependente químico) há anos. Não deveria nem beber mais nada alcoólico. Mas quem disse que não conseguimos beber? O zapper AMO beber. Só que bebe maaaaais que todo mundo e NÃO fico ébrio. Fica, sim, com um desejo quase incontrolável de ASPIRAR cocaína, quando não de voltar a fumar crack, essa droga do inferno que realmente odiamos. Então hoje em dia procuramos controlar ao máximo o consumo alcoólico. Quando vemos que estamos chegando a ponto de sair do controle, damos um jeito de parar. Senão sabemos que a vaca irá inevitavelmente para o brejo, sendo que também sabemos que somos muito melhor e mais sociável quando não estamos “bicudaço” de cocaine e transtornados de álcool (e Marião Bortolotto, que assina o texto da contra-capa do livro, também sabe muito bem disso, ahahaha: “Fininho” estava um doce de sociabilidade no último sábado lá no Cemitério de Automóveis, não é Marião? Rsrs). Fora que algumas lembranças nos atormentam e ainda nos traumatizam ao máximo. Por exemplo: é algo total crazy você estar JANTANDO num churras rodízio (como estávamos na última sexta-feira, no Tendall Grill, onde sempre fazemos um repasto semanal há uns 30 anos já) e, do nada, começar a TREMER por dentro por se lembrar que, ali perto, tem uma “biqueira” de crack, onde freqüentamos e fumamos “pedrinhas” anos atrás. Sendo que nesse período (anos atrás), este jornalista estando com dinheiro no bolso ou na conta estaria ali naquela área (no centrão de Sampa) não jantando no tal churras rodízio mas sim, na tal biqueira e fumando “pedras”. Felizmente isso já passou. Mas ainda restam as (por vezes) tormentosas lembranças. E essas irão nos acompanhar até a morte, pelo jeito. Mas novamente, sem ressacas morais: fizemos o que queríamos fazer. Que a molecada aproveite MESMO enquanto é jovem (a pirralhada no mundo atual está CARETA demais pro nosso gosto, vocês concordam?) e tem a vida toda pela frente. Que TREPE HORRORES, beba até cair, cheire, fume o que quiser e boa. Um dia a idade adulta irá chegar, o corpo irá pedir arrego e aí será a hora de tirar o pé do acelerador e levar uma existência, hã, mais tranqüila digamos assim. E sem olhar para trás e ter arrependimentos, mas pensando: sim, vivi a vida com gosto. E tirei ótimas lições, mesmo dos piores momentos. É isso.

 

***FIM DA HISTÓRIA? – Talvez. Além do lançamento do livro, este Finaski também irá chegar aos 5.5 de vida neste domingo, 26 de novembro Ele se sente algo envelhecido no corpo já, embora muitas amigas digam que ainda é um coroa charmoso e sedutor (ahahaha, jezuiz… será mesmo?). Mas a cabeça, essa felizmente continua a mil. E mais jovem do que muito pirralho de 20 anos de idade. Apenas queríamos estar um pouco melhor de dindin, rsrs. Mas fato é que a maioria do país está quebrado e muitos dos que conhecemos também. De modos que não há muito o que fazer quanto a isso a não ser torcer por dias melhores (FORA TEMER, seu bandido merda do caralho!). Amores, romances e paixões aos quase 5.5 de vida? Tivemos centenas (vamos repetir: CENTENAS) de mulheres na vida (e na cama) ao longo da existência. E chegamos a conclusão inefável de que apenas umas quatro delas realmente fizeram este loker perder o juízo. Ele teria se casado com a Flavia (quando tinha meus 28 anos de idade), que se tornou uma advogada muito bem sucedida, está casada e com filho. Ou com a Tania (já aos 41) que desapareceu (deve ter encontrado o homem “sem vícios” que ela queria encontrar para contrair matrimônio; com este blogger maloker ela jamais iria “casar” pois como a própria ruiva puta e malvada disse certa vez: “Humberto, você é ÓTIMO pra sair, se divertir, cheirar, beber, trepar, mas NÃO pra casar. Quando eu me casar não vou querer nada disso pra mim”. Ok, rsrs), com a Rudja (de Macapá), de quem somos amigos até hoje e que AMAMOS toda a família dela. Ou com a Neidinha Rodrigues, aquela magrela branquela linda, deliciosa, peituda, mega inteligente e fã de literatura (como este velho jornalista) que é uma “demônia” na cama mas que, infelizmente, é CASADA (o que não nos impediu de ficar trepando com ela por um ano). Teríamos casado e ficado pra sempre com uma dessas quatro mulheres incríveis. Mesmo sabendo que talvez não estivesse mais com nenhuma delas até hoje. Mas as tivemos, ao menos. E deu certo o tempo que tinha que dar. E agora? (suspiro…) Agora imaginamos que nosso tempo já tenha se esgotado. E que não haverá mais tempo para que um novo amor surja na vida de Finas. De modos que ele segue sozinho. E provavelmente vai morrer sozinho. Por isso agora entende, mais do que nunca, porque Van Gogh morreu sozinho e sem uma das orelhas. Porque Jack Kerouac (o homem que nos deu o clássico beat “On The Road”) morreu aos 47 anos de idade (muito jovem ainda) quando vivia com a mãe, e foi levado por uma cirrose ocasionado pelo consumo excessivo de vinho licoroso (adoramos). Também compreende porque Rimbaud se foi, sozinho e sem uma das pernas (amputada por causa de um tumor) e porque J. D. Salinger (o gênio que nos deu “O apanhador no campo de centeio”) preferiu terminar sua vida, já velhíssimo, isolado do mundo no alto de uma montanha. Talvez este será mesmo nosso fim (e não nos importamos que seja, aliás até almejamos que seja, num certo sentido): sozinho mas contente e em paz, no alto da montanha mágica, lá em São Thomé Das Letras. Publicado “Escadaria para o inferno”, é pra lá que pretendemos ir pra morar, em 2018.

 

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E a semana que está quase acabando já foi agitadíssima em se tratando da divulgação do livro zapper. Ele já foi parar nas mãos de alguns dos principais personagens que fazem há anos a cena rocker paulistana acontecer: o lendário produtor e cappo do selo indie Baratos Afins, queridão Luiz Calanca, além de nosso igualmente eterno e amadorado DJ e produtor cultural André Pomba. Na grande imprensa a repercussão também já começou, com este Finaski tendo dado entrevista na última quarta-feira no programa “Filhos Da Pátria” na KissFM, e que é apresentado pelo brother Clemente. Fora a visitinha de cortesia que fizemos à redação do diário Folha De S. Paulo (um dos maiores jornais do país) e onde fomos super bem recebidos pelo também queridão Ivan Finotti e pela fofura que é a repórter Amanda Nogueira. E nas próximas semanas o agito em torno do livro vai prosseguir, pode esperar!

 

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“Escadaria para o inferno” já está à venda no site da editora Kazuá, que pode ser acessado aqui: …

A festa de lançamento e noite de autógrafos do livro você já sabe: acontece neste sábado, 25 de novembro, a partir das oito da noite, na sempre bacaníssima Sensorial Discos – que fica na rua Augusta, 2389, Jardins, zona sul de São Paulo (fone 11/3333-1914, WWW.sensorialdiscos.com.br). Durante a bebemoração literária e rock’n’roll vão rolar shows das bandas Psychotria, Jonnata Doll & Os Garotos Solventes e Jenni Sex, além de DJs set bacanudas no lounge dos sempre ótimos André Pomba e Vanessa Porto. A entrada pra balada? Treze miseráveis dindins, rsrs. Cola lá que o blog te espera com todo o carinho do mundo!

 

 

O NOVO BAR ROCKER UNDER DE SAMPA: O CLUBE VU ABRE SUAS PORTAS TAMBÉM NESSE SÁBADO

Yep, sabadon mais agitadon do que esse em Sampalândia, só em 2018, rsrs. Pois mesmo com a crise existencial, mercadológica, artística e de público que o rock vem enfrentando já há alguns anos lá fora e aqui também, ainda há alguns MALUCOS que mantêm a fé no gênero musical mais genial e importante da música mundial nos últimos 70 anos.

Ele está quase morto? Talvez. Anda total em baixa no circuito noturno alternativo paulistano (sempre é bom lembrar: em um ano e meio nada menos do que quatro dos mais tradicionais clubes de rock da capital paulista fecharam suas portas)? Pode ser, também. Mas nada disso abalou a confiança de três sócios que se uniram para fazer funcionar e ferver a partir de hoje, na Barra Funda (bairro da zona oeste paulistana), o novíssimo Clube VU. Com toda sua inspiração (do espaço a decoração, da fachada aos nomes que irão batizar os drinks exclusivos da casa) vinda da obra gigante do lendário Velvet Underground (uma das mais fundamentais bandas de toda a história do rock’n’roll, o VU promete manter acesa a chama do rock na noite under de Sampa. Para isso vai apostar em drinks e coquetéis especialíssimos, em uma programação temática variada ao longo dos dias da semana e, principalmente, em um público mais adulto, que já passou dos 30 mas que ainda curte sair à noite para beber e dançar ao som do bom e velho rock.

Dos três sócios da nova empreitada do circuito de entretenimento de São Paulo, dois são velhos conhecidos da cena rocker da cidade: Claudio Medusa (que durante quase uma década foi proprietário do finado Astronete, na rua Augusta) e nosso “quase” xará, o jornalista Ivan Finotti, um dos nomes mais conhecidos e respeitados do jornalismo cultural e musical da equipe do caderno Ilustrada, do jornal diário Folha De S. Paulo. E foi com mr. Ivan que Zap’n’roll bateu um papo rápido esta semana, para saber o que podemos esperar do Clube VU. Os principais trechos do papo seguem abaixo.

 

Zap’n’roll – Você poderia explicar, resumidamente, o conceito do novo Club VU? Como surgiu a idéia, quando surgiu, o que vai tocar por lá, como será o atendimento, ambiente, carta de bebidas e comidas (se houver) etc?

 

Ivan Finotti – é Clube V.U., em português. Por ser jornalista, tento ao máximo manter as palavras na nossa língua. Lá no Clube V.U., por exemplo, bebe-se gim e uísque, não gin nem whisky.

Manias à parte, o Claudio Medusa estava atrás de uma nova empreitada após o fechamento do Astronete em 2016. Nós já haviamos aberto juntos o Alberta #3 em 2010, com a Thea Severino e a Noemi Silva. Então eu não via como criar algo muito diferente daquilo.

Então apareceu a artista plástica Suemi Uemura, amante de drinques e frequentadora de bares de coquetelaria. Com ela, bolamos o conceito de uma balada com drinques tão bem feitos quanto nesses bares, que estão em alta na cidade nos últimos tempos. Vai ser um desafio atender 300 pessoas dessa forma, mas temos um balcão de 11 metros e excelentes barmen e barwomen.

 

 

 

 

Zap – é sabido que o rock está em baixa (infelizmente) nesse momento, mesmo no chamado circuito noturno alternativo de Sampa. Tanto que clubs bacanas como Astronete (que era de propriedade do Medusa, seu sócio nessa nova empreitada), Inferno Club, Funhouse e Matrix (que voltou a reabrir há poucas semanas) fecharam suas portas nos últimos meses. Dessa forma não é temerário investir em um novo espaço apenas dedicado ao rock? Ou o VU vai mirar também outros públicos, com festas variadas em noites especificas?

 

Finotti – O rock é o gênero que liga toda a semana, mas as festas são variadas. Na segunda-feira, receberemos chefes de bar de diversas casas da cidade para fazerem seus drinques em nosso balcão. Na terça, exibiremos filmes icônicos no telão , enquanto você desfruta seu coquetél. Nesses dias, de entrada gratuita, abriremos a pista se houver público para isso. Na quarta-feira a casa está fechada, mas não é bem assim. Você pode abri-la para a sua festa de aniversário, por exemplo. A quinta é inspirada nas musas transexuais de Lou Reed, imortalizadas em canções do Velvet Underground, como Candy Darling e Lady Godiva. Essa noite terá uma pegada mais pop. A sexta traz o lado B do rock, com clássicos desconhecidos dos anos 60, 70 e 80, além de soul. E o sábado é para a turma que ama o indie e tudo isso que a gente falou antes também.

 

 

 

 

Zap – São três sócios na nova casa, sendo que um deles, Claudio Medusa, é um conhecido personagem da noite alternativa paulistana. Já você é um dos nomes mais conhecidos do atual jornalismo cultural brasileiro, trabalhando na Folha Ilustrada, do jornal Folha De S. Paulo (um dos maiores diários brasileiros). E é sabido que você também ama rock’n’roll, especialmente Bob Dylan, rsrs. O que o levou a investir nessa nova atividade, aparentemente muito distante do universo do jornalismo?

 

Finotti – Eu amo ser jornalista e investir nessa atividade nunca foi uma forma de escapar do emprego. Pretendo seguir mais 15 anos no jornalismo. Acontece que eu também amo música e fazer parte de uma casa noturna (inspirado pelo mau amigo André Barcinski, que abriu a Clash em 2007) foi a forma que encontrei de estar mais próximo dela. Você falou em Bob Dylan e realmente o Alberta #3 foi completamente inspirado nele. Dois anos depois, abrimos o restaurante Ramona, meio Dylan, meio Ramones, também na avenida São Luís. Fiquei quatro meses fazendo a trilha sonora e os frequentadores se surpreendem com a música de lá. Há três meses, reabrimos o bar Stônia, no subterrâneo do Ramona. Homenageia os Stones. Agora, o V.U. é a casa noturna do Velvet Underground, o grupo que mais influenciou e menos vendeu da história do rock. A banda de Lou Reed, Nico e Andy Warhol. Temos muito veludo vermelho por lá. E a cachaça da casa chama Heroin, como a canção deles.

 

 

 

Zap – falando em musica e em rock’n’roll, o que você mais curte? Apenas bandas clássicas e antigas ou também fica atento às bandas mais novas?

 

Finotti – Só as clássicas. E as novas que parecem velhas.

 

 

 

Zap – pra encerrar: na sua opinião, qual o futuro do rock nesse momento (aqui e lá fora) e de casas noturnas que ainda se dedicam ao gênero? Ele, o rock, dará a volta por cima e irá reinar novamente como reinou na música mundial por quase 70 anos? Ou isso não vai mais acontecer?

 

Finotti – Eu acho que não vai mais reinar. Já foi esse tempo. Mas não vai acabar, sempre haverá um bando de malucos como você para dar um pouco de fôlego ao rock.

 

***Todas as infos sobre a abertura do Clube VU hoje à noite (como entrada gratuita durante toda a madrugada), você encontra aqui:

 

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E claaaaaro que esta é a primeira parte do postão que está entrando no ar, sendo que ele ainda seguira em construção até a próxima semana, quando irá entrar muito mais por aqui, beleusma? Mas por enquanto isso pois daqui a pouco estaremos rumando para a Sensorial Discos, para fazer nossa estréia literária com regabofe rock’n’roll e cervejeiro, okays? Cola lá você que ainda da tempo. Te esperamos!

E até logo menos com bem mais por aqui.

 

(enviado por Finatti às 19hs.)

 

 

AMPLIAÇÃO FINAL e GIGANTE!!! Com papos sobre o novo disco do The Killers, sobre o Três Olhos Music Festival (que rola agora em novembro em Sampa, com show dos Mutantes), com recuerdos do Echo & The Bumnymen e uma ANÁLISE social zapper demonstrando por que o CRACK não vai ser derrotado no triste bananão tropical brazuca – Na sombria, imbecilizada e triste era pós-moderna, pós-revolução digital e quando a internet e a web produziram uma legião de IDIOTAS e praticamente MATARAM o rock’n’roll (emburrecendo e tornando igualmente idiotas bandas e ouvintes) o já velhíssimo (e desconhecido hoje em dia) quarteto psicodélico australiano The Church lança um disco primoroso e eivado de ambiências espaciais e melancólicas; um dos jornalistas gigantes da imprensa musical brasileira dos anos 80’e 90’, o amigo zapper Fernando Naporano fala ao blog sobre seu novo livro de poesia, que teve lançamento semana passada em Sampa; e mais uma renca de assuntos bacanudos sobre rock alternativo e cultura pop que você só encontra aqui mesmo, no espaço rocker online que está muito looooonge de ser “pobreloader”, hihihi (postão AMPLIADO e total CONCLUÍDO em 4/11/2017)

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A cultura pop e o rock mundial atual estão mesmo morrendo já que as novíssimas gerações de músicos e artistas em geral produzem apenas obras sem relevância alguma; assim cabe a veteranos como o quarteto australiano The Church (acima) continuar lançando discos com qualidade sonora quase sublime; a mesma qualidade encontrada nos versos dos poemas escritos pelo jornalista Fernando Naporano (abaixo, ao lado de Zap’n’roll e do dramaturgo Mário Bortolotto), nome lendário da rock press brasileira e que esteve essa semana em São Paulo para lançar sua nova obra literária

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MAIS MICROFONIA (com atualização e finalização das notas de cultura pop e rock em 4/11/2017)

***NADA DE NOVO NO ROCK MEIA BOCA DO THE KILLERS – Estas linhas zappers sempre consideraram a banda de Brandon Flowers como fazendo parte do segundo (ou até terceiro) escalão do rock americano dos anos 2000’. Fora que o vocalista possui um incorrigível complexo vira-lata de sub Freddie Mercury. No mais o rock do Killers é pretensioso, chumbrega, histriônico e histérico. Nada contra, tem quem ame. Finaski DETESTA e até tentou gostar, mas desistiu depois que viu a gig deles no finado Tim Festival de 2007 (lá se vão 10 anos…), numa noite que ainda teve Arctic Monkeys (com estes foi o contrário: o blog não suportava os macaquinhos e se apaixonou por eles depois de enlouquecer com o show). Tudo era pavorosamente cafona durante a apresentação do quarteto de Las Vegas: o cenário montado no palco, a performance da banda, o desempenho afetado e bisonho do front man. Zap’n’roll não agüentou meia hora e caiu fora dali (já eram 4 e meia da manhã quando decidi ir embora) pois queria meter a napa em cocaine (e meteu, assim que encontrou a dita cuja na biqueira onde foi buscar) depois de estar “trêbado” de vodka com energético (o blog estava credenciado e com acesso a uma área onde estava rolando open bar; foi um DESASTRE, claro, rsrs). Voltando aos “matadores”: o grupo existe há 16 anos, Flowers tem 36 de idade e pelo jeito não irão mudar a sua forma de pensar e fazer música. “The Man”, o primeiro single do novo álbum deles (“Wonderfull Wonderfull”), o primeiro em cinco anos inclusive, tenta emular rock com nuances dance ao estilo Bowie na fase “Fame” ou “Scary Monsters”. Mas é frouxa. O segundo single do novo trabalho, “Run for Cover” é um pouco melhor e mais acelerado/agressivo no instrumental. Mas ainda assim peca pelo excesso de cafonice (inclusive no vídeo promocional). Ou seja: Killers já deveria ter desistido. Numa era (a da web e dos anos 2000’) onde o rock definitivamente morreu e onde a música pop virou uma mixórdia gigante (com pop stars surgindo e desaparecendo aos borbotões diariamente, ao sabor do número de views e likes dos fãs em redes sociais e no YouTube), a turma de Brandon Flowers não vai renovar seu público com o som chocho e imutável que faz há década e meia – e que rendeu inclusive apenas 5 cds até hoje, prova da enorme dificuldade que o conjunto possui em compor. Pede pra sair, Brandon!

 

***O disco novo (para audição na íntegra) e os novos singles promocionais dos “Matadores” aí embaixo para quem quiser conferir.

 

*** JÁ ECHO & THE BUNNYMEN POSSUI AQUELE BRILHO INTENSO E ETERNO DE GENIALIDADE ROCKER, E QUE NUNCA MAIS IRÁ SE REPETIR – o blog zapper sentiu uma vontade enorme de falar agora sobre o Echo & The Bunnymen. Talvez porque tenha tocado a imortal e indescritível (em sua melodia, beleza poética e sonora imbatíveis e gigantescas) “The Killing Moon” há pouco na rádio classic rock (yep, ela e os “homens coelho” já se tornaram… classic rock, rsrs) da TV Net. Sim, a música cansou de tocar em tudo quanto é lugar (rádios, pistas de dança dos porões unders e nem tão unders assim de casas noturnas Brasil e mundo afora) nas últimas três décadas. Se tornou carne-de-vaca até. Mas quando você fica algum tempo sem ouvi-la e do nada se depara com aquela progressão de acordes, aquela melodia bordada com arranjos sublimes de cordas, numa sonoridade que vai se desenvolvendo em um crescendo algo estóico e grandioso até explodir em um solo magnífico de guitarra, você se surpreende pela milésima vez e se pergunta: como uma banda conseguiu compor tamanho brilho intenso de genialidade rocker? E por que isso não se repete mais na história da música e do próprio rocknroll? Aliás onde foi que o rock dos anos 2000’ e da CRETINA era da web começou a dar errado e afundou de vez na mediocridade, se tornando irrelevante e quase morto para as gerações atuais (tão estúpidas quanto o próprio rock em si dos dias de hoje)? Além de sua beleza imensurável, “The Killing Moon” também possui uma letra que é de um torpor poético inigualável. E por fim, é cantada por um vocalista que SABIA, ele mesmo, ser um dos cantores mais PORTENTOSOS do chamado pós-punk inglês. Além de tudo a música é apenas UMA das insuperáveis faixas de um disco insuperável na carreira do próprio Echo: “Ocean Rain”, o quarto álbum de estúdio do quarteto (que ainda tinha o sublime guitarrista Will Sergeant, o baixista fenomenal que era Les Pattinson e o batera monstro que era Pete De Freitas, uma formação dos sonhos de qualquer rocker e do inferno para se ouvir e ver ao vivo) e que saiu em maio de 1984. Irrepreensível da primeira à última música, está eternamente na nossa lista pessoal dos dez melhores discos de rock de todos os tempos, apenas isso. Não se gravam nem se lançam mais LPs como esse. E nem existem mais bandas assim. E nem vai existir, pode esquecer. Você escuta “The Killing Moon” e pensa com total horror no que existe hoje em dia: Imagine Dragons, The 1975, War On Drugs e DROGAS gigantes e semelhantes. Não dá nem pra comparar, é covardia, além de dar PENA da molecada atual por conta do que ela tem para ouvir em termos de música. O único senão que nos entristece em relação aos “homens coelho” é que nem Ian “Big Mac” McCulloch e nem Will souberam a hora de parar com tudo. Assistimos a pelo menos uns cinco shows do grupo ao longo de mais de 30 anos de jornalismo musical. A primeira vez (com a formação ainda original e clássica), em maio de 1987 no Palácio do Anhembi em Sampa, foi algo COLOSSAL. Depois, em 1999 (e com o conjunto já sem o baixista Les Pattinson e o batera Pete, que morreu em um acidente de moto uma década antes), já não foi nem de longe a mesma gig sublime mas, ainda assim, o blog se emocionou lá na finada Via Funchal. E na sequencia o Echo começou a vir a todo instante pra cá, os trabalhos inéditos que foram lançando se tornaram cada vez piores e vergonha alheia perto do que já haviam gravado nos anos 80’, a voz TROVEJANTE de mr. Big Mac (detonada por cigarros, álcool e drugs) foi pra casa do caralho e a última vez que os vimos ao vivo (em 2000’e alguma coisa, naquela porra longe pra cacete que é o Citibank Hall) foi um de sas tre. Cansamos ali da banda, que já rastejava como um moribundo ou doente terminal. E assim permanece até o momento, ao que parece. Mas sentimos saudades gigantescas e insuperáveis do Echo & The Bunnymen dos anos 80’. E de tudo que vivemos e ouvimos ao som deles. Éramos jovens (tinha 22 anos de idade quando “Ocean Rain” foi lançado), apaixonados por poesia, por grande rocknroll, e loucos para viver, loucos para amar, loucos para escapar para qualquer lugar bem longe da mediocridade existencial e do horror humano cotidiano. Por isso vamos amar e venerar para sempre uma canção clássica e imortal como é “The Killing Moon”. Estávamos vivos e jovens na hora, no momento certo, no tempo certo. E agradecemos aos céus por isso. Amém.

 

***Ficou de bobeira no feriadão de Finados em Sampa? Então anota na sua agenda para este sabadão (4 de novembro, quando o postão zapper está sendo finalmente concluído): tem mais uma edição do sempre bacaníssimo festival under “Volume Morto” e que acontece no Espaço Zé Presidente, na Vila Madalena (zona oeste da capital paulista). Vão rolar gigs do sempre ótimo Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, do músico curitibano Giovanni Caruso e mais uma renca de atrações legais, sendo que você pode conferir todas as infos aqui: https://www.facebook.com/events/1555874571102714/.

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Jonnata Doll canta à frente dos Garotos Solventes nesse sábado, em show em Sampa (foto Jairo Lavia)

 

***Outro fest bacaníssimo que rola agora em novembro em Sampa é o Três Olhos Music Festival, que acontece no próximo dia 25 de novembro, sábado em si, a partir das três da tarde no Tropical Butantã (zona oeste de Sampa). Vai ter como headliner o sempre imperdível show dos Mutantes (um dos nomes GIGANTES da história do rock mundial), além de participações de grupos da novíssima safra indie, como o Bike. Como as gigs irão começar e acabar cedo dá tempo de você curtir o evento de caráter bastante psicodélico e depois ainda ir conferir o lançamento do livro “Escadaria para o inferno”, na Sensorial Discos. Tudo sobre o Três Olhos Music Fest você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/121708945128350/.

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O gigante Mutantes, a principal atração do Três Olhos Music Festival, que acontece agora em novembro em São Paulo

 

***E por enquanto é isso, fechando a atualização das notas microfônicas, rsrs. Continuem lendo o postão que lá pra semana que vem voltamos na área com post inédito, beleusma? Então ta!

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, o rock, shows, discos, livros, filmes, TV, comportamento etc.)

 

***O blog zapper já está em ritmo total e louco de lançamento do livro “Escadaria para o inferno” e sobre o qual você já leu bastante aqui mesmo, em nosso post anterior. Mas agora é oficial: o primeiro livro escrito pelo jornalista eternamente gonzo, loker e rocker, será lançado com festão dia 25 de novembro na Sensorial Discos/SP (que fica lá na rua Augusta na parte em que ela corta lo chiquérrimo bairro dos Jardins), em evento que promete ABALAR a noite alternativa paulistana. Já há página oficial da festona aberta no Facebook e onde você pode conferir absolutamente todos os detalhes sobre a mesma. Vai aqui: https://www.facebook.com/events/135199137131252/?active_tab=about.

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***Beck Hansen está de volta finalmente. O pequeno gênio americano que encantou o mundo nos anos 90’ com sua até então inédita e inimaginável combinação de hip hop com folk music lançou há pouco “Colors”. É o décimo terceiro trabalho de estúdio do rocker loiro, saiu há apenas duas semanas e estas linhas bloggers poppers ainda não escutaram o dito cujo por inteiro, mas farão isso o quanto antes. E você pode ouvir o cd todo aí embaixo, sendo que como todo mundo já sabe ao menos o primeiro single do álbum (a fodástica “Dreams”) é bom pra carajo.

 

***E Noel Gallagher aproveitou sua passagem pelo Brasil (abrindo as gigs do U2 em Sampa) e foi parar no programa do Danilo Gentili! Não, você NÃO leu errado. O sujeito que passou vinte anos comandando o Oasis foi no talk show noturno do SBT, onde deu uma entrevista pra lá de hilária. E que você pode conferir a dita cuja abaixo:

 

***Um BOCETAÇO moreno mineiro. Quem é ela? Segredo, por enquanto. Mas é amiga zapper de Belo Horizonte, onde dividiu com o velho jornalistas loker brejas, sessão de cinema e a CAMA no último feriado. Ela tem vinte e quatro anos de idade, AMA o velho safado e degenerado que é Charles Bukowski (como nós amamos também, aliás foi a literatura do célebre escritor americano que uniu Zap’n’roll e a deusa morena mineira para um finde de papos, brejas e sexo incendiário, rsrs) e grande rock’n’roll e gigante MPB. O zapper perdeu o juízo pela garota, claro. E está tentando convencê-la a ser a próxima musa rocker destas linhas online. Fiquem na torcida pra que a gente consiga. Porque ela é uma XOTAÇA inigualável!

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Fã do velho ordinário e safado essa DEUSA morena mineira (acima e abaixo, após ser devorada na cama pelo jornalista loker calhorda) enlouqueceu o zapper canalha há duas semanas na capital mineira, durante uma noite de brejas, sessões de cinema e TREPADA infernal onde a divina PUTA de tetas sublimes e xoxota idem, após gozar SENTADA no pau grosso zapper, ficou de quatro e pediu: “ME FODE!”. Ela é uma garota delicious total, linda, inteligente ao cubo e o blog está tentando convencê-la a posar como nossa nova musa rocker; portanto torçam para que ela aceita porque a mineirinha é mesmo um bo ce ta ço!

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***Postão do blogão entrando no ar em ritmo de correria total já na noite de quinta-feira. Então vamos ampliando e atualizando aos poucos as notas aqui na sessão Microfonia, beleusma? Mas enquanto essa ampliação não vem vamos aí embaixo falar do novo discaço de uma veteraníssima banda do rock planetário, o ainda genial The Church.

 

 

HÁ QUASE QUATRO DÉCADAS NA ATIVA, O ROCK PSICODÉLICO DO AUSTRALIANO THE CHURCH AINDA SE MANTÉM VIVO E GRANDIOSO

São quase quarenta anos de atividade e de rock’n’roll nunca menos do que ótimo. Surgido na Austrália em 1980, o quarteto The Church lançou alguns dos melhores álbuns do rock psicodélico de guitarras do mundo entre as décadas de 80’e 90’. Ameaçou se tornar um grupo gigante (quando estourou com o disco “Starfish” nos EUA, em 1988) mas seu rock de caráter reflexivo, melancólico e espacial, além das letras que eram quase poemas simbolistas de desalento amoroso/existencial (todas escritas e cantadas pelo líder, baixista e fundador do conjunto, Steve Kilbey, um apaixonado por poesia maldita e simbolista francesa de nomes como Lautréamont, Rimbaud e Baudelaire), encontrava enorme receptividade junto à critica musical mas nem tanto junto aos milhões de ouvintes que sustentavam as vendagens de discos. Assim a “Igreja” foi a “promessa” que acabou não dando certo, em termos mercadológicos – deu apenas no citado “Starfish”. Isso no entanto não determinou jamais o fim das atividades do quarteto. E ele se manteve e se mantém ativo até os dias atuais, lançando ainda ótimos trabalhos. Como o seu novíssimo cd de estúdio, que saiu há apenas duas semanas. “Man Woman Life Death Infinity” chegou às lojas em sua versão física (lá fora, aqui sem previsão de lançamento) no dia 10 de outubro. É um disco belíssimo e algo tristonho. E com uma qualidade musical e textual que NÃO se consegue encontrar na produção dos grupelhos atuais. O que não é pouco em se tratando de Church, cujos integrantes já passaram dos sessenta anos de idade (o baixista, letrista e vocalista Kilbey está com sessenta e três).

Claro, a pirralhada ultra informada (eivada de informações inúteis, na verdade) e burra da geração web nem deve saber mais o que é ou o que foi The Church. E Zap’n’roll conheceu e conhece a banda há muuuuuito tempo. Há mais de trinta anos, para ser mais exato: em 1986, quando o autor destas linhas rockers/bloggers estava iniciando sua trajetória como jornalista musical, o então pequeno selo RGE (braço da gigante Som Livre, que pertence até hoje ao conglomerado Globo de comunicação) e que era especializado em música sertaneja (!!!), do nada adquiriu os direitos para lançar no Brasil dois LPs de um novo grupo de rock australiano que estava sendo considerado pela rock press gringa como uma das promessas da nova safra de bandas de guitar rock de então. Foi assim que saíram por aqui “The Blurred Crusade” (o segundo disco do grupo, de 1982) e “Remote Luxury” (editado em 1983). Os dois acabaram indo parar nas mãos do jovem jornalista zapper, que àquela altura havia começado a receber os primeiros “suplementos” de LPs que as gravadoras enviavam regularmente aos críticos musicais, para que estes endeusassem ou destruíssem os ditos cujos em suas análises publicadas em jornais e revistas. Pois o autor deste blog enlouqueceu quando escutou a pequena obra-prima que era/é “The Blurred…”, um álbum eivado de acepções folksters e também psicodélicas, com melodias perfeitas, guitarras poderosas, baladas belíssimas e um vocalista que transmutava poesia simbolista em versos pop, cantados com a dolência e doçura vocal de um Rimbaud transfigurado em um amalgama de Jim Morrison com Bob Dylan. Era IMPOSSÍVEL não se quedar de paixão louca pelo LP e assim o jovem repórter musical passou a acompanhar todos os passos seguintes do The Church.

Esses passos renderam os discos “Heyday” (de 1985) e “Starfish”, lançado três anos depois. A essa altura o Church já havia ultrapassado as fronteiras australianas e angariava cada vez mais fãs na Europa e nos Estados Unidos, onde o som do conjunto passou a ser tratado pela imprensa como “the next big thing” do rock’n’roll planetário. E “Starfish”, gravado pela formação clássica do quarteto (além de Kilbey no baixo e vocais também havia os ótimos guitarristas Peter Koppes e Marty Wilson-Piper, além do batera Richard Ploog) e puxado pelo belíssimo e melancólico single “Under The Milky Way”, invadiu as rádios do mundo inteiro, Brasil incluso (o que permitiu que a banda viesse se apresentar aqui em outubro de 1988). Aclamado pela imprensa e adorado pelo público americano, o Church estava mesmo se tornando a bola da vez no rock mundial.

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O novo disco do australiano The Church: há quase 40 anos na ativa e ainda fazendo rock’n’roll sublime

 

Mas algo deu errado no meio dessa trajetória. Os muitos trabalhos que se seguiram ao estrondoso sucesso alcançado por “Starfish” jamais se igualaram ao impacto mercadológico obtido pelo álbum de 1988. O público também diminuiu, interessado em que estava em sons não tão cerebralmente complexos (ainda que bastante pop e radiofônicos em boa parte das canções do grupo) e mais acessíveis e de fácil assimilação. Tudo isso acabou também afetando as relações do Church com as grandes gravadoras e menos de uma década após ameaçar se tornar um dos maiores nomes do rock’n’roll mundial, o conjunto liderado por Steve Kilbey voltou a se tornar um grupo semi-independente, lançando seus CDs por selos menores. Isso não impediu que a banda continuasse com uma produção bastante profícua e de alta densidade e qualidade musical. Algo que se mantém até os dias atuais, como pode ser ouvindo no novo disco inédito deles.

Nesse sentido, “Man Woman…” é magnífico e chega perto do sublime. Como se não houvessem passado quase três décadas desde “Starfish”, o Church retoma ambiências bucólicas, melancólicas, contemplativas e psicodélicas que seduzem o ouvinte por completo por oferecer estruturas e construções sonoras e melódicas belíssimas, como dificilmente se encontra no rock atual. Basta mergulhar os ouvidos na quase majestosa “Another Century” (que abre o disco com um impactante space rock incomum na rock music dos tempos atuais) para se perceber o quão grandioso permanece o som do quarteto. E há muito mais nas certeiras e sucintas dez faixas do álbum: “Submarine” abraça a psicodelia e ambiências bordadas com ruídos espaciais com primor e delicadeza sonora. Já “Undersea” transporta o ouvinte aos primórdios da musicalidade do Church, de quando o grupo iniciou sua trajetória em 1980. E o ápice de um CD que já pode figurar na lista dos melhores lançamentos de 2017 chega na dobradinha “Before The DeLuge” e “I don’t Now How I don’t Now”. A primeira é um guitar rock de nuances psicodélicas como a banda sempre soube engendrar muito bem ao longo de sua carreira, e pode constar das grandes músicas já compostas pelo conjunto. E a outra… simplesmente uma road folk rock ballad também mezzo psicodélica, de uma beleza melódica e atmosfera sônica incomparáveis e infinitamente superior a qualquer “esgoto” musical feito pelos grupelhos do circuito rocker atual. Daquelas canções que você escuta centenas de vezes seguidas sem se cansar dela. Como se não bastasse ainda há momentos preciosos em “In Your Fog”e em “Dark Waltz”, que fecha o disco plena de contrição e reflexão sonora melancólica, como se Kilbey estivesse recitando um poema simbolista e sombrio ao cantar a letra, esta adornada por instrumentação reverente com pianos e guitarras que provocam plena sinestesia em quem está ouvindo a faixa.

É enfim um trabalho primoroso e ultra digno para um conjunto que está em plena forma e há quase quatro décadas fazendo rock’n’roll com alma e coração maiúsculos. The Church não se rendeu às modas fugazes que devoram a música pop desde sempre. Nem sucumbiu à tentação do estrelismo, da arrogância artística e da prepotência que devora muitos rock stars. E que por isso fazem com que carreiras musicais hoje não durem absolutamente nada em um oceano de mediocridade e onde grupos e artistas solo surgem e desaparecem ao sabor de um clic na internet. Não, The Church não é nada disso e é MUITO MAIOR que tudo isso. A prova está aí, com este álbum de beleza indescritível. Com ele a “Igreja” de reverendo Kilbey pode até se aposentar, pois já terão deixado para a história do rock obras atemporais, magníficas, clássicas e eternas como essa que acabaram de lançar.

 

***Mais sobre The Church, vai aqui: https://thechurchband.net/. E aqui também: https://www.facebook.com/thechurchband/.

 

 

O TRACK LIST DO NOVO CD DO THE CHURCH

1 – Another Century

2 – Submarine

3 – For King Knife

4 – Undersea

5 – Before The DeLuge

6 – I Don’t Now How I Don’t Now

7 – A Face In A Film

8 – In Your Fog

9 – Something Out There Is Wrong

10 – Dark Waltz

 

 

O NOVO ÁLBUM DO CHURCH AÍ EMBAIXO

Para audição na íntegra.

 

E O PRIMEIRO SINGLE DO NOVO DISCO

 

HÁ QUASE 30 ANOS MATÉRIAS SOBRE THE CHURCH INAUGURAVAM A TRAJETÓRIA ZAPPER NA GRANDE IMPRENSA MUSICAL BRASILEIRA

Como já mencionou acima, no tópico resenhando o novo álbum do The Church, Zap’n’roll conheceu a banda em 1986, quando recebeu da gravadora RGE dois LPs do grupo que ela estava lançando no Brasil. Dois anos depois, já em plena ascensão em sua ainda curta carreira jornalística, o jovem repórter rocker (com apenas vinte e quatro anos de idade) estreava como colaborador da revista mensal Somtrês – a primeira grande publicação nacional voltada a assuntos musicais. E nesse mesmo ano, 1988, o jovem Finaski foi ainda mais longe: em setembro entrou para o time de críticos da ultra prestigiada página de música do Caderno 2, o suplemento cultural do diário paulistano O Estado De S. Paulo (na época, um dos quatro jornais de maior circulação do Brasil). A página era editada pelo célebre jornalista Luis Antonio Giron. E entre seus colaboradores estavam nomes gigantes da crítica musical da época, como Pepe Escobar, Kid Vinil e Fernando Naporano.

Pois Zap’n’roll fez matérias sobre a vinda do Church ao Brasil para shows (que aconteceram em outubro daquele ano), tanto na Somtrês quanto no CAD 2 – uma análise sobre a trajetória musical do grupo foi o texto de estréia deste blogger zapper no caderno cultural do jornal.

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O início da trajetória jornalística de Zap’n’roll na grande imprensa musical brasileira passa pelo The Church: em 1988 o então ainda jovem repórter fez matérias sobre a banda australiana para a revista Somtrês (acima) e quando estreou como crítico na lendária página musical do Caderno 2 do jornal O Estado De S. Paulo (abaixo), em setembro daquele ano

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A gig da “Igreja” em Sampa foi inesquecível e para muito poucos. Rolou no finado (e ótimo) ProjetoSP, um galpão enorme no bairro da Barra Funda (zona oeste de Sampa) e onde cabiam cerca de cinco mil pessoas. Por lá passaram (em gigs todas testemunhadas por este espaço virtual) Might Lemon Drops, Iggy Pop, Jethro Tull, Jesus & Mary Chain, Nick Cave, Cocteau Twins, Sisters Of Mercy, The Mission, Legião Urbana e muitos outros. E na noite do Church, infelizmente, apenas cerca de trezentas pessoas tiveram a sorte de ver e ouvir ao vivo o quarteto liderado por Steve Kilbey.

Foi um show fantástico. E inesquecível. Como eram e serão para sempre aqueles tempos, que nunca mais irão se repetir em termos de bandas, de shows de rock e de grande jornalismo cultural e musical.

 

 

UM DOS NOMES LENDÁRIOS DO JORNALISMO ROCK BRASILEIRO DOS ANOS 80’ E 90’, FERNANDO NAPORANO LANÇA SEU NOVO LIVRO DE POESIA E FALA COM EXCLUSIVIDADE AO BLOGÃO ZAPPER

Foi breve mas adorável a noite de uma terça-feira muito aprazível (uns 20 graus de temperatura, e isso com o sórdido calor primaveril já castigando Sampa durante o dia) no clima “paulistanês”. Zapnroll foi no bar/teatro Cemitério de Automóveis, do queridíssimo Marião Bortolotto, prestigiar a noite de autógrafos e o lançamento de “A respiração da rosa”, o novo livro de poemas de um nome GIGANTE do jornalismo musical e cultural que importou no Brasil nos anos 80 e 90: nosso amigo de décadas dom Fernando Naporano.

Estas linhas online e ele se conhecem pessoalmente há quase 30 anos. E não se viam também pessoalmente há mais de 25, pelo menos. Na real o blog já o conhecia de nome antes de conhecê-lo pessoalmente. O jovem futuro repórter (esse aqui mesmo, rsrs) amava jornalismo musical, sonhava em ser um jornalista musical um dia e era um pós-adolescente que DEVORAVA textos sobre música em revistas e jornais (pode esquecer: não existia internet quando o sujeito aqui tinha seus 22 anos de idade, e nos informávamos NA RAÇA, ou seja: através de publicações nacionais e importadas, e escutando os poucos programas especializados em rock que havia na TV e em rádios como a 97FM de Santo André ou a então recém-nascida 89FM). Foi assim que começamos a ler matérias escritas por gente como Pepe Escobar, nosso eterno mestre Luis Antonio Giron e Naporano em si, quando eles assinavam resenhas e reportagens musicais clássicas e sublimes em veículos como as revistas Somtrês e Bizz, e jornais como O Estado De S. Paulo.

Então Finaski mesmo se tornou jornalista, em 1986. E dois anos depois já estreava como repórter de música na revista semanal IstoÉ. E em substituição justamente a… Fernando Naporano, que havia ido para a inesquecível e sensacional página de música que era editada no Caderno 2, do Estadão, por “pai” Luis Antonio Giron. E logo em seguida à nossa entrada na IstoÉ, este mesmo Finaski também começou a colaborar com a mesma página musical do Caderno 2 – que era, numa palavra, FANTÁSTICA. A pirralha geração atual da torta e quase inútil era da web, pode esquecer: vocês NUNCA MAIS terão um jornalismo musical como o que foi feito há 30 anos no diário paulistano Estadão. E fizemos parte daquilo, daquela história. E nos orgulhamos mega de ter feito.

Foi lá no Oesp, enfim, que conhecemos dom Fernando. E nos tornamos amigos, como somos até hoje. Este então ainda jovem repórter se sentia um jornalista verdadeiramente feliz por um lado (tinha “apenas” 25 anos de idade e dois na profissão!) e um ANÃO no meio de dois GIGANTES como Naporano e o nosso saudoso e inesquecível Kid Vinil. Mas ambos se tornaram nossos amigos queridos e NUNCA nos trataram como se fôssemos inferior aos dois, na questão cultural, intelectual e profissional. E o blog escreveria um LIVRO aqui nesse post, com histórias memoráveis e bizarras dos bastidores da redação de um dos jornais que naquela época era (e continua sendo) um dos quatro maiores diários do Brasil. Como num dia em que mr. Giron, em desespero, se viu sem nenhuma matéria de CAPA decente para a edição do dia seguinte do Caderno 2. Ligou para Naporano pedindo socorro. Apenas UMA HORA depois Fernando entregou um texto sobre as então novas tendências do rock inglês. Giron ficou extasiado e ainda alfinetou o jovem Finas no dia seguinte: “O Naporano me salvou ontem. VOCÊ não conseguiria fazer o mesmo, nunca!”. Rsrs. Ficamos putos com a alfinetada, claro. Mas sabíamos que LAG falava aquilo pro nosso próprio bem. Tanto que o amamos até hoje como um irmão mais velho. Foi e continua sendo nosso mestre eterno, sendo que é dele o prefácio do livro (que sai agora em novembro), “Escadaria para o inferno”.

Outro episódio bastante surreal e engraçado foi quando FN lançou o primeiro mini LP da sua banda (da qual ele era o vocalista e letrista e cuja sonoridade ele mesmo definia como “regressive rock”, wow!), a cult Maria Angélica Não Mora Mais Aqui. Rolou então um saudável e merecido “jabá” editorial no Caderno 2 do Estadão sobre o lançamento. Com Giron convocando Finaski para fazer uma entrevista com Fernando, e Kid Vinil para resenhar o disco num box da entrevista. Nosso loiro eterno merecia o espaço pois ele era então um dos jornalistas mais brilhantes do suplemento cultural do diário. E afinal, se a revista Bizz também fazia o mesmo (elogiando sem parar em suas páginas as bandas formadas por jornalistas e colaboradores da própria publicação, sendo que essas bandas nem de longe possuíam a mesma qualidade do Maria Angélica), porque nós do CAD 2 não podíamos fazer o mesmo pelo grupo do querido FN? Pois então… rsrs.

Estas linhas rockers bloggers se lembraram dessas histórias e muitas outras lá no sempre aconchegante bar do Marião (esse “véio” ranzinza e rabugento como também somos, ahahahaha. E que além de também ser um querido amigo fináttico é outro GÊNIO da poesia e dramaturgia undeground que ainda importa nesse Brasil tristemente bestializado e emburrecido no século da pós-internet e das redes sociais) enquanto papeava com Fernando, tomava uma breja e folheava seu livro, que parece maravilhoso e digno da melhor poesia dos malditos franceses (Rimbaud, Baudelaire, Lautréamont) ou dos ingleses (William Blake e Dylan Thomas). “Quando findam as sensações que ainda tremem em carmim?”, é a pergunta que abre o primeiro leque de poemas do tomo. Foi uma noite agradabilíssima, enfim. Revemos pessoalmente um amigo com quem não tínhamos contato cara a cara há quase três décadas. O loiro continua como sempre foi: elegante, humilde, gentil, papo imperdível. E sempre trajando camisas com estampas psicodélicas e tomando seu whisky. E se hoje Zap’n’roll se sente, aos quase 5.5 de existência, de certa forma muito orgulhoso por ter pertencido àquela que talvez tenha sido a ÚLTIMA geração de jornalistas musicais de fato GENIAIS (modéstia às favas nesse momento) da imprensa brasileira, devemos isso a caras como Fernando Naporano. Por termos lido seus textos na nossa juventude e depois por termos sido colegas de redação dele e nos tornado, por fim, amigos pessoais.

Valeu, dear. E sucesso para “A respiração da Rosa”. Sendo que deixamos o próprio Fernando Naporano falar mais sobre seus novos livros de poesia, em bate-papo exclusivo com o site zapper, e cujos principais trechos você confere abaixo.

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Um dos nomes mais lendários da rock press brazuca dos anos 80’e 90’, o jornalista Fernando Naporano (acima), que reside há muitos anos na Europa, voltou ao Brasil para lançar em São Paulo seu mais recente livro de poemas (abaixo) (foto: Caio Augusto Braga)

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Zapnroll – Talvez a geração mais nova, dos anos 2000, não saiba mas você foi um dos principais nomes do jornalismo musical (e rock) brasileiro nas décadas de 80 e 90. E de repente, do nada, decidiu sair de cena e ir embora do Brasil, isso há quase trinta anos. Por que tomou essa decisão, afinal?

 

Fernando Naporano – Sou aquele que, no comando de minha finada banda Maria Angélica Não Mora Mais Aqui,- ainda em 84 – escreveu “British Caledonian”, um ácido Manifesto-Anti-Brasil, muito antes de tornar-se moda reclamar e falar mal do país. Num caráter mais extremo compus “Eu Gostei Da Guerra”, cuja letra cairia como uma luva para os dias atuais do Brasil. Como ingressei em grande imprensa ainda em plena adolescência, fiz o que pude e o que nem poderia fazer. Abri caminhos nas diretrizes da imprensa musical numa época em que ninguém levava a cultura do rock a sério. Dei uma nova dimensão ao tecido musical e abordei a música, sobretudo como uma Obra De Arte. Inaugurei em grandes jornais um cardume de inventividades, fossem pílulas de notícias de bastidores, fossem entrevistas telefônicas com bandas internacionais que estavam a explodir nos umbrais dos anos 80. Mas seja com a minha pessoa – magnética e dona de atitudes desafiadoras -, seja com minha banda – única e sui generis que viveu numa panorâmica flácida, pretenciosa e repetitiva –, o Brasil me boicotou demais, me feriu em excesso e me desrespeitou o tanto quanto (im) possível. Ao virar correspondente internacional, morando em Londres e, posteriormente, em Los Angeles, e a escrever para veículos internacionais, meu nome virou sinônimo de respeito. Atualmente tanto a banda como meus 25 anos de imprensa vem ganhando uma dimensão até de culto.

 

Zap – Mora onde atualmente e o que faz por lá, além de escrever e publicar seus livros de poesia?

 

Naporano – Moro Europa-Afora, atualmente em Madri. Me dedico integralmente a poesia, minha paixão primordial desde meus 7 anos de idade.Obviamente, tenho outras atividades, entre elas a de tradutor e professor de língua inglesa.

 

Zap – Como foi essa transição da música e do rocknroll para a escrita? Afinal você tinha um intenso envolvimento com a cena musical alternativa de São Paulo no final dos anos 80, quando cantou à frente do grupo Maria Angélica Não Mora Mais Aqui.

 

Naporano – Nunca houve transição alguma. A escrita – que começa aos 7 anos quando esboçava versinhos de amor a minha professor primária – vem muito antes de qualquer outra coisa. A poesia sempre me acompanhou desde a infância. Hoje, além de várias obras devidamente finalizadas, acumulo um material que daria para uns 10 livros. Isso sem falar que, se eu fizesse compilações de meus escritos jornalísticos com centenas de entrevistas, seria material para outros 5 livros. Nunca tive carinho ou envolvimento algum com qualquer cena “alternativa” ou “mainstream”. Sempre abominei ambos os lados. Fui e serei sempre um verdadeiro “outsider”. À margem de tudo e de todos. Personalidade e atitudes únicas, sem jamais fazer concessões.

 

Zap – Você também passou pelas redações dos principais veículos de mídia impressa do país, jornais como FolhaSP e Estadão, além de revistas como IstoÉ, Bizz e Interview. Como você vê o jornalismo musical hoje no Brasil e no mundo? Ele perdeu mesmo o romantismo e a excelência cultural de trinta anos atrás e caminha para uma inefável morte?

 

Naporano – Eu acredito ser algo devidamente morto e sepultado. A internet deu cabo de tudo. Todos são jornalistas. Como diria o Mestre Raul, “é muita estrela para pouca constelação. Não há, por assim concluir, nenhum rastro de “romantismo”ou de “excelência cultural”. O jornalismo de “Auteur” – que sempre foi o meu caso – não tem mais espaço no lamaçal do automatismo e da escrita liquída.

 

Zap – Vamos falar dos livros que o escritor e poeta Fernando Naporano está lançando, claro. São três tomos diferentes e gostaria que você explicasse melhor o conteúdo de cada um deles.

 

Naporano – Os três livros lançados esse ano possuem o mesmo pano de fundo, ou seja, uma veia poética voltada ao simbolismo, ao intimismo do reino das sinestesias baudelairianas e dos “paraísos artificiais”. “A Coerência Das Águas” (Poética Edições, Portugal) é uma deambulação pelos segredos místicos e contemplativos da existência. Envolve muitos elementos de astrologia, – diga-se de passagem, minha religião – magia e platonismo. “Detestável Liberdade” (Abstract Editions, Espanha) é um exercício sobre o horror em ser livre. Reflete a terminal solidão produzida pela Liberdade. É um relato sobre minha vida nomade-errante dos últimos anos, vivida em cidades como Casablanca, Paris, Lisboa, Los Angeles e Lanzarote. “A Respiração Da Rosa” (Córrego Editora, Brasil) é diferente dos citados acima. É um livro de temperamento pictórico, uma deambulatória ode às artes plásticas buscando uma reflexão sobre o sentimento do amor quando vivido em pleno vazio existencial.

 

Zap – Qual é a sua escola literária e poética? Você se encaixa em qual vertente? E seus autores preferidos tanto na prosa quanto na poesia, quais são?

 

Naporano – Minha escola literária é o amor. Minha escola poética é essa grande Aventura de viver. Minha arte se encaixa entre um palpitante hermetismo metafísico e um simbolismo profundamente imagético. Na infância minha base foram coleções de contos de fadas. Havia uma série de volumes, se calhar, da editora Melhoramentos que eram os “Melhores Contos De Fadas” da China, Hungria, Índia, França, Bélgica, Espanha, etc. Um bocadito mais tarde li clássicos de Stevenson, Melville, Lewis Carroll, Cervantes, Flaubert, Alexandre Dumas e outros. Com poesia minhas primeiras leituras, na altura de meus 13 anos, foram Álvares De Azevedo, Fernando Pessoa, Byron, Keats, Fagundes Varela, Heine, Shelley, etc. Ao adquirir o livro ”Anotações Para Um Apocalipse” do Claudio Willer, lá havia um poema do – já então meu amigo – Roberto Piva onde eram citados “Apóstolos da Desordem” tais como Freud, Desnos, Michaux, Artaud, Rimbaud, Blake, etc . Então, anotei os nomes e indo a bibliotecas passei a ler um por por um. Em termos de poesia, já na minha maturidade, eu citaria William Blake, Kavafis, Trakl, Dylan Thomas, William Wordsworth, Y.B.Yeats, Rilke, Novalis, Leopardi, Emily Dickinson, René Char, Eugénio De Andrade, Sylvia Plath, Nuno Júdice, Paul Celan, Fernando Pessoa, Adonis e por todos aqueles e aquelas cuja a iluminação é exaustiva e permanente.

 

Zap – Para encerrar: ao que parece você pretende retomar a carreira de front man do Maria Angélica. Mas ainda há espaço para bandas como ela nos dias de hoje? E para a poesia, também haveria espaço ainda?

 

Naporano – Não, não pretendo de forma alguma voltar com o Maria Angélica Não Mora Mais Aqui de forma atuante em palcos. Isso fez parte de uma época que não volta jamais e de uma conjuntura de visceral delírio. Acredito que a máxima da ópera-rock de Ian Anderson cai bem aqui : “Too Old To Rock’n’Roll; Too Young To Die”. Acho que hoje – uma vez que parte da mídia que sempre me boicotou em suas panelinhas abomináveis não é mais atuante – a banda teria muito mais espaço e os vôos seriam muito mais altos. Exemplo disso é o documentário “Guitar Days” de Caio Augusto Braga a ser exibido em 2018 [nota do site zapper: documentário no qual o jornalista Finaski também aparece, dando um depoimento sobre a cena alternativa rock brasileira dos anos 90’]. Nesse filme, há bandas dos anos 90 e 00 que apontam a influência do Maria Angélica bem como reconhecem de forma reverencial meu desempenho enquanto jornalista. Pretendo sim lançar um álbum (em português, por acaso) inédito do Maria bem como dezenas de canções inéditas. O formato ideal seria uma box-set de 3 Cds (com 78 minutos cada) de apenas material inédito e ao vivo. Assim como busco editores para meus novos livros de poesia, a busca é a mesma em achar uma gravadora ou alguém que banque – com direito a livreto – a box set do Maria, a qual vai se chamar “They Could Have Been Bigger Than The Television Personalities”, em alusão a um álbum dos TV’s.

 

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ANÁLISE ZAPPER: LADO A LADO A OPULÊNCIA GOVERNAMENTAL E OS MISERÁVEIS DO CRACK – E POR QUE ESSA DROGA MALDITA NÃO VAI SER DERROTADA AQUI NA PORRA DO BANANÃO TROPICAL

Semana passada Zap’n’roll ficou absurdamente impressionado com o CONTRASTE gigante e digno de uma ficção cientifica cinematográfica surreal, à la “Blade Runner” (só que REAL), quando o blog e sua amiga Gisélia presenciaram no trajeto entre a estação da Luz (onde descemos do metrô) e a sede da Secretaria Estadual da Cultura, onde estas linhas bloggers tinham uma rápida reunião agendada com nosso amado amigo de décadas e agitador cultural, André Pomba. Não são nem 500 metros de caminhada. Mas é/foi algo verdadeiramente impressionante.

A sede da Secult/SP, todos sabem, está localizada bem no CORAÇÃO da tristemente miserável CRACOLÂNDIA paulistana. E o prédio que abriga a Secult, a reformada antiga estação de trem Julio Prestes, é algo magnífico e que causa deslumbramento aos olhos de qualquer um. Construção em estilo clássico, foi reformado e restaurado há alguns anos, mantendo o padrão e estilo arquitetônico original. Lá, além da sede da Secult ainda funciona também a prestigiadíssima sala São Paulo, um dos melhores e mais nobres espaços da capital paulista para concertos de música erudita. É, em suma, um prédio exuberante e que desvela toda a opulência arquitetônica e financeira que envolve alguns endereços do poder público estadual, comandado há mais de 20 anos pelo tucanato – na real nem poderia ser diferente afinal São Paulo, mesmo com a crise monstro que se abate sobre nosso arrasado bananão tropical, ainda é o Estado mais rico do Brasil.

Porém (sempre há um porém…), causa CHOQUE a qualquer um que passe por aquela região o tal contraste monstro que mencionamos no começo desse texto. A menos de 100 metros da entrada principal da Secult (na rua Mauá) e já nas escadas e portas (algumas fechadas) da fachada da secretaria, este jornalista e Gisélia passaram por pequenos aglomerados que reuniam algumas dezenas de viciados em crack. Todos com seus cachimbos à mostra (em plena luz do dia), todos se entorpecendo ou já entorpecidos e completamente alheios ao ir e vir de quem passava ao lado deles. Todos muito miseráveis, sujos, maltrapilhos mesmo. Uma espécie de escória sub-humana que a sociedade “normal” parece ter esquecido por completo ou que prefere ignorar mesmo, na cara larga. Um usuário em particular chamou a atenção da Gigi e penalizou o coração dela, dado o estado de DEGRADAÇÃO em que ele se encontrava: sujo, vestido com TRAPOS e solitário num degrau (a apenas uns 10 passos da entrada principal da Secult, muito bem vigiada e policiada por viaturas da PM e da guarda civil, além de policiais também fora das viaturas e circulando no entorno da entrada), ele raspava o que restava de seu cachimbo para tentar dar uma última tragada nessa droga do inferno, que o blog mesmo fumou durante quase uma década. E zilhões de vezes fumou ali mesmo, na cracolândia ao lado dos “nóias”, em madrugadas insanas após sair completamente enlouquecido de álcool de alguma balada open bar e desesperado para dar uma TRAGADA numa pedrinha em cima de um cachimbo.

Depois que saímos da Secult, fomos em direção à Sta Cecília (bairro também colado ali) pois o jornalista e agora quase escritor também (rsrs) tinha uma reunião na editora Kazuá. Ao passarmos pela praça bem à frente do prédio da secretaria (e que durante muitas décadas abrigou a antiga rodoviária de Sampa) Zap’n’roll mostrou pra sua amiga, mais à frente e à nossa direita, o já tristemente célebre “fluxo”, que é onde se aglomeram mesmo os consumidores de crack e onde a droga é vendida livremente. É uma autêntica multidão gigante de ZUMBIS (quase mortos-vivos mesmo, ao estilo “walking dead”) pipando pedras em cachimbos improvisados (ou em latinhas usadas de breja e refri, em copos de água mineral, onde for possível) em tempo integral, dia e noite. Noite e dia. A visão então é/foi essa e muito clara aos olhos de qualquer observador minimamente mais atento: atrás de nós a impressionante OPULÊNCIA visual e financeira da Secretaria Estadual da Cultura de SP. E um pouco à frente de nós (e a apenas alguns metros da opulência governamental), o mais pavoroso e DEGRADANTE cenário da TOTAL decadência e miséria humanas. Um cenário composto por uma multidão de gente que perdeu tudo: dignidade, respeito, saúde, moradia, amor próprio etc. Que permanece alheia ao mundo real e que parece até viver em outra dimensão ou outro planeta que não a Terra. E, por fim, uma multidão de seres humanos IGUAIS A NÓS mas que, infelizmente, parece ter sido totalmente esquecida por uma sociedade cada vez mais insensível, egoísta, intolerante, moralista hipócrita, conservadora, hostil de verdade e que prefere ignorar os que estão na miséria final da existência humana (que é viver na cracolândia) como se aquilo lá não fosse problema de ninguém. “Não tenho nada a ver com isso, eles que se fodam e o governo e a POLÍCIA que resolvam e cuidem deles”, deve ser o pensamento de muitos que passam por ali diariamente.

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Zap’n’roll ao lado da frase que está pintada em todas as unidades móveis de polícia comunitária, espalhadas pelo entorno da cracolândia no centrão da capital paulista: não, o crack NÃO vai ser vencido no Brasil, infelizmente (foto: Gisélia Camelo)

 

É algo dantesco e surreal ao cubo. Nem o melhor e mais premiado roteirista de Hollywood conseguiria conceber um enredo de ficção tão impactante e tão fiel a uma REALIDADE que NÃO É FICÇÃO.

E este espaço virtual mesmo chegou a uma triste conclusão, que dividiu com Gisélia: não, NÃO É POSSÍVEL VENCER O CRACK, ao contrário do que diz a frase estampada ao ao nosso lado aí na foto que ilustra este comentário social zapper. Aliás pedimos pra Gi tirar essa foto (na frente de uma das muitas unidades móveis de polícia comunitária que estão espalhadas por ali, no entorno da cracolândia) por PURA PROVOCAÇÃO, claro. Porque não, o crack NÃO VAI SER VENCIDO num país onde o poder público e os governos (federal e estadual) não possuem ESTRUTURA de ponta para combater o problema. Uma estrutura mega complexa que envolve questões de saúde pública (com apoio médico e psicológico aos dependentes da droga), de trabalho (conseguir reinserir essas pessoas num mercado formal de emprego), de educação, lazer, cultura e também de inteligência policial (para combater o tráfico em si). E não, não é com um prefeito IDIOTA, coxa, insensível e que nada entende de HUMANIDADE, como João Dória ESCÓRIA Dólar é, e que quer internar à força usuários, que vai se resolver o problema. Não é fazendo operações pontuais por ali, jogando bombas de gás e jatos d’água nos usuários, que vai se acabar com aquela zumbilândia – mesmo porque o PCC MANDA ALI. E ganha milhões ali. E o (des) governo paulista deixou o PCC se tornar a orcrim gigante que é hoje e agora é quase IMPOSSÍVEL removê-lo da cracolândia, que já existe há mais de 20 anos.

E por fim, nunca será possível vencer a epidemia de crack que tomou conta do Brasil justamente por vivermos num dos países mais CORRUPTOS do mundo, que possui a classe política mais IMUNDA do universo e onde bilhões (vejam bem: isso aqui ainda é uma das dez maiores economias do planeta, mesmo com toda a grana gigantesca que escorre sem dó pelo ralo da corrupção endêmica que nos assola) somem nas mãos desses políticos e de parte da iniciativa privada que também é corrupta e corrompe agentes públicos. Você acha mesmo que esse pessoal escroto e do inferno está a fim de resolver o problema dos miseráveis em estágio final de degradação humana que este jornalista e sua amiga viram pelas ruas do centro de São Paulo, fumando crack em pleno dia? Se você acredita nisso e leu até aqui, jezuiz e parabéns… seu pensamento é ainda mais surreal do que as cenas tristes que presenciamos no centrão “blade runner” de Sampalândia.

 

 

FIM DE JOGO

Yeah. Mais um postão finalizado, no meião do feriadão de Finados. Sendo que o blogão zapper deseja que o feriado esteja sendo ótimo pra toda galere. E lembrando sempre: dia 25 de novembro tem lançamento de “Escadaria para o inferno”, na Sensorial Discos/SP. Te esperamos por lá!

E logo menos voltamos aqui com novo post inédito. Até mais!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 4/11/2017 às 4hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL MONSTRO! Com atualização das notinhas da Microfonia (e onde você encontra novos vídeos e áudios do L7, do Wry, a estréia solo do ex-vocalista do Oasis, Liam Gallagher, e os caralho), mais entrevistas com os escritores e músicos Marcelo Viegas e Cassiano Fagundes etc (ufa!) – AGORA VAI e infelizmente com a mega tristíssima notícia na música mundial: SILÊNCIO GIGANTESCO no rock’n’roll com a morte do gênio Tom Petty, que se foi anteontem nos Estados Unidos; mais: em post especial sobre lançamentos de LIVROS dedicados à cultura pop e a música em geral (um mercado que, mesmo com a crise bravíssima que assola o triste bananão tropical, tem seu nicho de público e segue ativo), o blog zapper fala de alguns títulos que chegaram há pouco às livrarias; e também anuncia (finalmente e oficialmente!) orgulhosamente o lançamento de “Escadaria para o inferno”, o primeiro volume escrito pelo jornalista eternamente rocker/loker (esse aqui mesmo, autor destas linhas poppers online, ulalá!) e que sai do forno em novembro! E ainda: como foi o showzaço do The Who (já a gig internacional de 2017 no Brasil?) em Sampa pela ótica não jornalística e sim de um FÃ da banda, em texto especial para este espaço rock virtual, comentários sobre o line up do Lollapalooza BR 2018, a morte de um gênio da imprensa mundial (ele mesmo, o fundador da revista Playboy, a que alegrou nossa existência com nudes incríveis das melhores BOCETAS da história da cultura pop) e mais isso e aquilo tudo que você sempre encontra por aqui! (postão mega AMPLIADO e finalmente FINALIZADO em 6/10/2017)

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O rock americano e mundial perde mais um gênio inesquecível: Tom Petty (acima) se vai mas deixa para sempre uma obra musical gigante e que ainda irá embalar muitas gerações rockers; as mesmas gerações que não irão precisar esperar tanto para ler “Escadaria para o inferno”, o primeiro livro escrito pelo jornalista musical autor destas linhas poppers virtuais (abaixo: Zap’n’roll na sede da editora Kazuá, ao lado de Evandro Rhoden, o dono da empresa, e a capa do tomo, que será lançado agora em novembro)

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MICROFONIA, PARTE II

(reverberando a cultura pop no rock, em filmes, livros e discos)

(com ampliação e finalização das notas na sexta-feira, 6 de outubro de 2017)

***IDA A BELZONTE – yep. Há algum tempo já sem sair de Sampa pra acompanhar de perto outras cenas musicais legais espalhadas por este Brasil afora (e os motivos pra diminuição desses rolês são vários, mas basicamente podem ser resumidos em dois: a) todo mundo está quebrado no país e diminuíram drasticamente os convites ao site/blog zapper pra cobrir eventos fora de Sampa, mesmo porque quase ninguém está com grana pra produzir eventos; e b) a indie scene nacional meio que está quase total morta, não? Sobram bandas, sempre, mas falta QUALIDADE a elas e quem se interesse por elas, simples assim), Zap’n’roll vai dar um “pulinho” até a capital dos mineiros na próxima semana. Vai passar o feriadão prolongado por lá (e aproveitar pra se encontrar com duas das mineiras mais lindas, gatas, rockers e queridas que o autor destas linhas bloggers tem como amigas atualmente, as morenaças Juliana Marta e Thays Karolinne, duas doçuras como seres humanas) pra conferir algumas bandas locais e se inteirar da movimentação rock’n’roll na capital de Minas Gerais. E se achar interessante o que ver e escutar o blog irá comentar aqui na sequencia, claaaaaro. Então fiquem (e fiquemos) atentos aos sons sempre bacanas que vêem lá das Gerais.

 

***ESTRÉIA SOLO DO LIAM – yeeeeesssss! O caçula dos manos Gallagher e que um dia cantou à frente do saudoso Oasis, enfim voa solo. E mostrou para o mundo nessa sextona em si sua estréia individual, o álbum “As You Were”, que o site zapper ainda vai ouvir com calma e depois comentar aqui, pode esperar. Mas se você NÃO agüenta esperar, já pode escutá-lo aí embaixo.

 

***A VOLTA DO L7 – uma das grandes bandas da era grunge, o quarteto feminino americano L7 anunciou nas redes sociais seu comeback aos estúdios de gravação após ficar dezoito anos sem gravar material inédito. Este espaço rocker virtual sempre tem o pé atrás com grupos que ficam séculos hibernando e, de repente, resolvem sair da tumba pra gravar e tocar ao vivo novamente. O resultado geralmente não é nada bom. Mas no caso das meninas (ou tiazonas atualmente, já que todas elas estão com mais de cinquentinha de idade nas costas), que fizeram um show absolutamente DEMOLIDOR no Brasil em 1993 (no finado e saudoso festival Hollywood Rock, na mesma edição que trouxe na mesma noite em que elas se apresentaram também o Nirvana, e o zapper loker/rocker estava na gig, claro), talvez dê pra esperar um novo disco bacanão. Ao menos a primeira faixa que elas divulgaram do disco vindouro (e cujo áudio está aí embaixo) é uma cacetada esporrenta, como não se vê sendo feita pelas bandinhas bundinhas atuais. Isso aê: se a pirralhada nova não mostra competência em serviço, os VELHOS (ou velhas, no caso) mostram, uia!

 

***NOVO DO WRY EM 2018 – sim, o já clássico quarteto indie guitar sorocabano (dos melhores nomes do rock BR das últimas duas décadas), sempre liderado pelo queridão vocalista e guitarrista Mario Bross (dileto amigo zapper de anos já também), anunciou seu novo trabalho de estúdio para o ano que vem, e que deve sair pela carioca Deck Disc. Como prévia deste novo cd a banda lançou na web esta lindíssima balada (que você pode ouvir e ver aí embaixo), e que ganhou igualmente vídeo belíssimo e bucólico, bem de acordo com a melodia da música (suave, introspectiva e onde Mario deixa sua guitarra um pouco de lado para centrar fogo nos teclados). Fora que o vídeo ainda conta com a participação especialíssima da liiiiindaaaaa modelo e atriz Duda Caciatori, dileta amiga deste espaço online desde que ela era uma pós-adolescente recém chegada a Sorocaba (Duda nasceu em Santa Catarina). No Wry este site/blog sempre bota fé. E tem certeza de que vem discão por aí!

 

***FREJAT EM SAMPA – o finde (já estamos na noite de sextona em si) promete em Sampalândia. Após tocar na última edição do Rock In Rio o ex-vocalista e guitarrista do Barão Vermelho (ou será ele um eterno barão? Rsrs) se apresenta na capital paulista neste finde, na Tom Brasil. E o blog vai lá já que foi convidado pelo empresário do cantor (queridíssimo amigo deste blog há séculos), o chapa Rafael Borges, a ir curtir a gig. E se você também se interessou, todas as infos sobre o show estão aqui: https://www.facebook.com/events/429038194158029/.

 

***ARTE DEGENERADA ATACA! – e no domingão em si tem mais: a mui legal editora paulistana Kazuá (e que lança mês que vem a primeira incursão literária do jornalista maloker) vai promover o evento chamado Festival da Arte DEGENERADA. Isso mesmo: uma série de atividades culturais que irão ter início no meio da tarde na sede da editora e se estenderão pelas ruas próximas com sarau literário, shows musicais (como a apresentação do trio Psychotria, que também vai tocar na festa de lançamento do nosso livro) e muito mais. É a forma que a Kazuá e todos os que estão ligados a ela (como agora nós também estamos) encontrou de enfrentar essa calhorda, cretina e caretaça mega onde neo conservadora de extrema direita que ameaça todo o país. E que também ameaça tolher a liberdade artística e de expressão. De modos que o site/blog zapper convida todo o seu leitorado de Sampa a ir lá e prestigiar, okays? Mais infos aqui: https://www.facebook.com/events/279018369259110/.

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***E FIM DE PAPO! – chega, néan. Microfonia atualizada e ampliada, postão monstrão no ar (com mais de cinqüenta mil caracteres de texto, wow!) e final de semana chegou novamente. Então Finaski vai parar por aqui, sendo que iremos voltar com novo post assim que possível e quando assuntos realmente relevantes na cultura pop assim o exigirem de nós, uia! Beleusma? Então ta! Até a próxima e desde já ótimo feriadão semana que vem pra toda a galere que nos acompanha. Até!

 

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop no rock, em filmes, livros e discos)

***Beleza? Postão zapper entrando no ar já no meio da semana. De modos que até o final desta mesma semana iremos ampliando e atualizando as notas aqui da seção Microfonia, ok?

 

***Sobre o Lollapalooza BR 2018 – Pois como sempre o blog zapper é honesto, rigoroso e imparcial nas suas análises musicais, também iremos ser nesse caso – e olha que já xingamos bastante o festival que rola em Interlagos, em suas últimas edições. Posto isso, estas linhas rockers virtuais estão quase achando que a edição de março vindouro é a MELHOR do Lollapalooza nos últimos anos. Ainda que não tenha Radiohead tem muita coisa decentíssima ali – e as tranqueiras de sempre também, óbvio. Começando pelo que vale a pena: Pearl Jam, sim mais uma vez. Pra quem nunca conseguiu assistir, é imperdível e showzaço, sempre. Vimos três vezes já e na última (no próprio Lolla, na edição de 2013) chegamos a chorar em alguns momentos da gig, de tão emocionados que ficamos. Fora a turma do Eddie Veder Tb vai ter Liam Gallagher, Lana Del Rey (wow!), Royal Blood (wow!!), The National (wooooowwwww!!!) e até o velho homem dos Talking Heads, mr. David Byrne. Yep, e ainda vai ter o pavoroso The Killers (talvez a banda mais insuportável a ter surgido na indie scene americana dos anos 2000’), o LCD Soundsystem (que muita gente igual ao “brogui” sem noção Pobreload superestima demais, e este blog não vê a menor graça no som feito pelo “gênio” James Murphy) e até o Red Hot Chili Peppers, que acabou de tocar no Rock In Rio. Na ala nacional? Muita coisa boa pra se conferir também: Tiê, nossos queridões do Vanguart, Plutão já foi planeta e… PORRAN, o incrível Luneta Mágica de Manaus, sensacional formação indie/MPB/psicodélica meio que descoberta por Zapnroll há três anos e que agora merecidamente irá mostrar seu som pra um grande público em Sampa. Claro, o Lollapalooza vai continuar tendo seus enormes defeitos já mostrados nas edições anteriores: ingressos a preços extorsivos, público coxinha mais interessado em aparecer, ver e ser visto, tirar selfies e ficar se distraindo no parque de diversões que será montado no autódromo, ao invés de prestar atenção na MÚSICA que irá rolar nos palcos. Mas mesmo com tudo isso nos arriscamos a dizer que o festival paulistano será muito melhor que o Rock In Rio. E essencialmente mais… rock no final das contas. Bora então selecionar as atrações que mais valem a pena e se programar desde já pra ir para o longínquo (e ponha longínquo nisso…) Interlagos em março de 2018.

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As atrações do Lollapalooza BR 2018: talvez o melhor line do festival em suas últimas edições

 

***E logo menos, como já dissemos aí em cima, entram mais notas aqui no Microfonia. Mas agora vamos pros tópicos em si do postão, começando com nossa homenagem a um dos maiores gênios da história do rock americano e que infelizmente partiu no último final de semana.

 

 

TOM PETTY E SEUS CORAÇÕES PARTIDOS IRÃO ACALENTAR PARA SEMPRE NOSSAS ALMAS COM SUAS LINDAS, INESQUECÍVEIS E PODEROSAS CANÇÕES

A morte, que nunca manda recado, veio e levou anteontem, segunda-feira, 2 de outubro de 2017, Thomas Earl Petty, um dos sujeitos mais gente fina e um dos músicos, compositores e cantores mais geniais surgidos na história do rock americano em todos os tempos. Tinha 66 anos de idade. Foi fulminado por um “heart attack” no último domingo. Chegou a ser socorrido e levado para um hospital. Mas sua atividade cerebral já havia cessado o coração era mantido em funcionamento por aparelhos. Ontem à noite o cantor foi enfim declarado oficialmente morto pelo seu empresário.

Zap’n’roll conheceu Tom Petty (seu nome artístico) ainda na adolescência, lá pelos 17 anos de idade. Mas se tornou mega fã e admirador da obra musical dele bem mais tarde, quando tinha seus 26 e já trabalhava como jornalista na área musical – naquela época, especificamente na editoria de cultura da revista IstoÉ (que naquele tempo, 1989, era sensacional e não o LIXO editorial na qual ela se transformou nos dias atuais). Era abril de 1989 e Tom, então quase um quarentão, lançou seu primeiro disco solo, sem a banda (os Heartbreakers) que o acompanhava desde 1976, quando o grupo estreou em disco. A essa altura ele já tinha uma trajetória ultra respeitada pela critica rock americana, um séquito enorme de fãs e sete álbuns lançados.

Mas foi “Full Moon Fever”, seu primeiro vôo solitário e lançado naquele abril de 1989, que marcou para sempre o autor do site zapper em relação à sua música. Não que os outros trabalhos lançados por ele fossem ruins ou medianos (muito longe de ser, Petty sempre primou por uma grande criatividade e rigorosa qualidade nas suas composições). Mas “Full Moon…”, mesmo lançando mão de todos os procedimentos musicais (rock de raiz classudo, country music e rock sulista com primor nas melodias e riffs, além de estrutura melódica ultra radiofônica e capaz de sensibilizar até o mais duro dos corações) que já haviam consagrado Tom Petty como músico, cantor e letrista, ainda assim colocou de joelhos público e jornalistas, pela beleza imensurável de suas canções primorosas e perfeitas. Os rocks eram afiadíssimos, poderosos e dançantes. As baladas então… de despedaçar qualquer alma.

Foi o LP enfim (sim, naquela época era LP e tivemos “Full Moon Fever” em vinil) que tornou definitivamente Petty um dos gigantes do rock mundial de então – o álbum vendeu milhões de cópias no ano de seu lançamento, foi parar no topo da lista dos mais vendidos da Billboard e seus hit singles chegaram a tocar sem parar em todas as rádios do planeta (Brasil incluso) e na MTV. Afinal, quantos discos você conhece que abrem com duas canções MONSTRO (na sua beleza sonora) como “Full Moon…” abre? Sim, estamos falando de “Free Fallin” e “I Won’t Back Down”. Duas músicas que já se tornaram mega clássicos do cancioneiro pop norte-americano.

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O cantor, compositor e guitarrista americano Tom Petty (acima) e uma das suas obras gigantes, o álbum “Full Moon Fever” (abaixo): não existe mais discos nem gênios assim no rock dos anos 2000′

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E como se não bastasse tudo isso Tom ainda era ótima praça e gente finíssima. Daqueles sujeitos sempre gentis ao máximo, engajado em causas sociais, com zero de arrogância e ego, total pé no chão como artista. Era aquele tipo de cara que você queria ter como cunhado ou irmão mais velho (ou novo).

E foi esse sujeito bacaníssimo e músico inigualável (que no auge de sua carreria também participou do super grupo Travelling Wilburys junto com George Harrison, Bob Dylan e Roy Orbison)  que dona morte tirou de nós no final da noite de ontem, sendo que ele ainda estava em plena atividade na sua trajetória musical (tinha acabado de fazer uma turnê super bem sucedida pelos EUA, baseada no seu derradeiro trabalho de estúdio, o muito bom “Hypnotic Eye”, lançado há três anos). Assim como ele já se foram David Bowie, George Michael, Prince, Michael Jackson, Lemmy Kilmister, Scott Weiland, Kurt Cobain e outros gênios da história do rock e da música pop. E a cada vez que um gênio desse porte se vai o mundo fica ainda mais vazio de idéias do que já está. Aos poucos a arte contemporânea (música, literatura, cinema, o que for) vai perdendo o que resta de relevante nela. E a tendência é que fiquem apenas escombros nesse planeta já tão miseravelmente devastado por ignorância, violência, miséria social, bestialidade e boçalidade. Renato Russo estava coberto de razão quando dizia que “a ignorância é vizinha da maldade”. Com artistas que realmente importaram e impactaram nossas vidas morrendo aos poucos, o que restará para a humanidade celebrar musicalmente daqui a 20 ou 30 anos? Nada, provavelmente.

Vai na paz, Tom. Nem sabemos se iremos nos encontrar por aí algum dia, em alguma outra estação – taí, não o assistimos ao vivo e gostaríamos de ter visto um show seu. Mas se essa estação existir de fato, você já está animando a todos por aí com seus rocks e baladas imortais. Sim, suas canções serão para sempre imortais. E te agradecemos de coração por ter feito a trilha sonora inesquecível de muitos momentos da vida deste Finaski e de milhões de pessoas pelo mundo afora.

 

TOM PETTY AÍ EMBAIXO, NO CLÁSSICO IMORTAL “FULL MOON FEVER”

 

E NO VÍDEO DE “FREE FALLIN”

 

DEMOROU MAS FINALMENTE VAI SER LANÇADO: EM NOVEMBRO CHEGA “ESCADARIA PARA O INFERNO”, O PRIMEIRO LIVRO DO JORNALISTA MAIS LOKER DA HISTÓRIA DA IMPRENSA MUSICAL BRASILEIRA

Yep. Foram mais de trinta anos atuando no jornalismo cultural e musical brasileiro e paulistano, com passagens por redações de grandes jornais e revistas (Somtrês, IstoÉ, Bizz, Interview, Rolling Stone, Estadão, FolhaSP, Jornal Da Tarde, Gazeta Mercantil etc.). Período (iniciado em 1986 e que perdura até os dias atuais, só que agora cuidando da parte editorial da ONG Associação Cultural Dynamite, além de editar este site/blog) em que o jornalista eternamente rocker e muitas vezes completamente loker colecionou zilhões de estórias absolutamente malucas ao longo de uma trajetória onde Zap’n’roll entrevistou muita gente conhecida (no rock BR e gringo), foi a centenas de shows, festas, eventos, baladas e, claaaaaro, enfiou os dois pés na lama sem dó nem piedade em sexo e drogas variadas. Foi quando percebeu que, ao recordar essas estórias e sempre que as dividia com amigos, o autor deste espaço virtual tinha um vasto material para compor um livro interessantíssimo no final das contas. Opinião compartilhada por quem escutava os relatos quase surreais e insanos apresentados pelo zapper. “Wow, você precisa escrever um LIVRO! E que pode virar até um FILME!”, era o que mais ouvíamos quando contávamos nossas aventuras (ou seriam desventuras? Rsrs) ao longo de três décadas.

Pois essas aventuras finalmente foram reunidas em um volume e agora irão chegar ao conhecimento do público consumidor de livros. Com lançamento pela editora Kazuá e marcado para o dia 25 de novembro (último sábado do mês e, por acaso, véspera do aniversário do jornalista zapper), “Escadaria para o inferno”, nossa primeira aventura literária, reúne vinte estórias envolvendo aquele que é considerado por muitos de seus colegas como o jornalista mais junkie e maluquete da história da imprensa cultural brasileira. Sendo que na verdade havia (ou há) ainda outras dezenas de episódios que acabaram ficando de fora do livro, já que o autor preferiu se concentrar naqueles que mais chamam a atenção pelos personagens envolvidos nas estórias. Assim há capítulos engraçadíssimos e contando as confusões nas quais o sempre e legitimo gonzo Finaski se meteu. E que o fez perder shows de Paul McCartney e Nação Zumbi, discutir (literalmente, quase partindo para a briga) com nomes como John Lydon e Lobão, ficar doidão de cocaine durante entrevista com o vocalista Nasi (do grupo Ira!), se transformar momentaneamente em “avião” de drogas de músicos da banda de hard rock alemã Scorpions e também do músico americano Evan Dando (do grupo Lemonheads), e até “salvar” o apresentador de TV e vocalista da banda punk Ratos Do Porão, João Gordo, do vicio dele em crack, ulalá!

Há uma grande dose de humor negro perpassando todo os capítulos de “Escadaria para o inferno”. Mas o conteúdo do livro também desvela um lado bastante sombrio, traumático e trágico dessa trajetória fináttica pelo submundo do jornalismo musical nacional. É quando o volume foca no período em que o jornalista fumou crack, um vício que consumiu quase uma década de sua existência. Um livro corajoso enfim. Sem moralismos hipócritas, sem preconceito de qualquer espécie. E muito divertido no final das contas, e que encontrou na editora Kazuá (um modesto selo paulistano mas que trata com cuidado e apuro gráfico, artístico e editorial cada um de seus lançamentos) seu “lar” ideal. Dirigida por Evandro Rhoden (um gaúcho quarentão formado em Filosofia e com paixão gigantesca por cinema), a Kazuá procura focar seus lançamentos na área da poesia. Mas também gosta de literatura subversiva/transgressiva, como é o caso do tomo escrito pelo autor do blog zapper. “Confio no livro. E também no autor dele”, disse Evandro quando assinamos com a editora o contrato de publicação de “Escadaria para o inferno”.

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Zapn’n’roll na sede da editora Kazuá (acima), assina o contrato de lançamento de “Escadaria para o inferno” (abaixo, sendo observado pelo dono da editora, Evandro Rhoden), primeiro livro do jornalista musical; o volume chega às livrarias mês que vem

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Então finalmente ele está a caminho, após três anos da sua conclusão. E chega às livrarias em novembro. Sendo que no dia 25 daquele mês, sábado, haverá festa de lançamento e noite de autógrafos da obra na sempre bacaníssima Sensorial Discos SP (lá na rua Augusta, região dos Jardins), com shows das bandas Psychotria, Jonnata Doll & Os garotos solventes (fazendo set acústico) e Jenni Sex. E ainda DJs set (no lounge) dos super DJs e amados André Pomba e Vanessa Porto.

Todos estão convidados a comparecer. Inclusive a matilha de cães fakes e covardes que há anos latem no painel do leitor do blog, dizendo que o livro jamais iria ser lançado. Pois então: a hora de “Escadaria…” finalmente chegou. Agora a cachorrada covardona pode latir à vontade com mais força ainda, rsrs. E depois passar na Sensorial pra tomar uma breja por nossa conta. A gente paga, ahahahaha.

 

E MESMO COM O PAÍS ATOLADO NA CRISE DO GOVERNO GOLPISTA DE MERDA, O MERCADO DE LIVROS MUSICAIS MANTÉM UM PÚBLICO FIEL

País com população historicamente pouco afeita ao habito da leitura, o Brasil nem de longe possui um dos mercados literários mais relevantes do mundo. Pra piorar ainda mais as vendas no setor, a crise econômica e política pela qual atravessa o triste bananão tropical há três anos (graças ao desgoverno golpista e sujo instalado em Brasília e comandado pelo PIOR CRÁPULA que já ocupou a cadeira de presidente do Brasil), reduziu um pouco mais ainda as vendas, os investimentos em novos autores, a abertura de novas editoras e os lançamentos de novos títulos editoriais.

Mas nem tudo ficou ou está perdido, afinal. E muito curiosamente um determinado nicho do mercado editorial continua sobrevivendo e resistindo heroicamente aos tempos ultra sombrios pelos quais a cultura nacional está passando: o de livros dedicados a assuntos musicais – notadamente o de biografias sobre bandas e artistas solo. Somente nas últimas semanas chegaram ao mercado ao menos quatro novos títulos editoriais voltados a temas musicais. “Apenas um rapaz latino americano”, biografia do recentemente falecido cantor e compositor gigante da MPB que foi Belchior, foi escrito pelo jornalista Jotabê Medeiros (amigo destas linhas bloggers musicais há três décadas) e lançada pela novíssima editora Todavia. Já “Ondas Tropicais”, de autoria da dupla Claudia Assef e Alexandre de Melo e publicado pela editora Matrix, conta a trajetória da radialista e DJ Sonia Abreu (também dileta amiga pessoal zapper há décadas), que inclusive é descrita no tomo como “a primeira DJ do Brasil”. Não só: tem também “Ouça este livro”, do músico, produtor e pesquisador musical Cassiano Fagundes (mais um querido amigo destas linhas rockers online e que toca até hoje num dos melhores nomes do indie rock nacional na última década e meia, o grupo curitibano Bad Folks), e cujo volume foi editado pelo pequeno selo paranaense Barbante. Trata-se de um compêndio reunido por Fagundes onde ele desvela histórias curiosíssimas e bizarras envolvendo nomes lendários do rock’n’roll, como David Bowie, Rick Wakeman etc.

Há, portanto, espaço, mercado editorial e, principalmente, público para esse tipo de livro? Na opinião de Marcelo Viegas, sim. Ele que durante quatro anos, foi o editor responsável pela publicação dos livros lançados pela editora paulista Ideal (e que editou, entre outras dezenas de títulos, a biografia de Ian Curtis, o lendário e suicidado ex-vocalista do finado Joy Division), detalha muito bem sua visão deste mercado, em bate-papo com Zap’n’roll: “Sim, há um público interessado nesse tipo de literatura, mas é como você mesmo disse: trata-se de um nicho. E, como tal, deve ser entendido e abordado de acordo com as suas características. A boa notícia é que um dos mantras do mercado editorial versa justamente sobre essa necessidade de encontrar e trabalhar um nicho (de preferência um nicho que você conheça bem). Muitos profissionais dessa área insistem que o futuro das editoras passa justamente por essa capacidade de eleger um nicho e direcionar o seu foco editorial nesse sentido”.

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O autor do blog zapper ao lado do seu parça e jornalista Jotabê Medeiros, no lançamento da biografia do cantor Belchior (acima); abaixo o escritor e ex-editor de livros Marcelo Viegas, com seu primeiro livro: ele acha que hoje há mais espaço para volumes falando de assuntos musicais do que havia anos atrás

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Viegas, que também acaba de lançar seu próprio livro (“Então – coletânea de entrevistas sobre música, skate e arte”, edição do autor), vai mais longe: “Na minha opinião esse mercado (dos livros de música) ainda tem muito pra crescer. Se você comparar com alguns anos atrás, a diferença é perceptível: antes, havia meia dúzia de livros de música disponíveis em edições brasileiras; hoje, as prateleiras das livrarias estão repletas de bons títulos, desde coisas mais mainstream até títulos mais alternativos”.

Um dos modos (não o único, claro) de manter esse “nicho” de mercado editorial ativo e funcionando bem, segundo Marcelo (que além de editor de editora também já foi dono de loja de discos, vocalista de banda de rock e até proprietário de selo musical), é cada autor de um novo livro cuidar pessoalmente de todas as etapas atinentes ao mesmo. “O meu livro foi uma tentativa de botar a mão em todas as etapas do processo, no velho e bom esquema do “faça você mesmo”. Atuei como autor, editor, publisher, cuidei do marketing, redes sociais, assessoria de imprensa, distribuição e financeiro. Foi uma espécie de laboratório complementar ao MBA em Book Publishing que estou fazendo”, explica ele. “Pela natureza insana da empreitada, sabia que seria inviável trabalhar com uma tiragem grande. Por isso, optei por fazer apenas 300 exemplares. Como já tive selo musical nos anos 1990 (Short Records), isso também serviu como lembrete das dificuldades de escoar os famosos mil discos. Não queria cometer os erros do passado e ficar olhando para as caixas de livros aqui em casa. Disse pra mim mesmo: “menos é mais”. E coloquei o livro na rua”, completa.

De modos que, mesmo com todo o terror econômico, político e CULTURAL pelo qual estamos passando (mais abaixo, nesse mesmo postão, iremos comentar sobre a onda ultra reacionária e conservadora da extrema direita e de parte da ogra e completamente bestializada e boçal sociedade brasileira, que agora se volta contra exposições de arte e intervenções artísticas em museus, como a que aconteceu semana passada no MAM SP, e que causou enorme discussão e ataques de fúria conservadora nas redes sociais) nesse momento, traz alguma satisfação a este espaço online de cultura pop a constatação de que, sim, o mercado editorial voltado ao mundo da música, ainda possui um público leitor fiel e que compra livros. Menos mal. Sinal de que a Idade das Trevas ainda não dominou completamente este triste bananão tropical. E que ainda há alguma esperança no final do túnel para estes tempos mega sombrios que estamos vivendo.

 

 

BATE PAPO COM CASSIANO FAGUNDES, AUTOR DE “OUÇA ESTE LIVRO”

Além de agora também ser escritor o músico Cassiano Fagundes é pesquisador, tradutor e um dos músicos mais atuantes na cena rock independente da região sul brasileira na última década e meia. Ele é um dos fundadores, inclusive, de uma das bandas do coração destas linhas rockers online, o curitibano Bad Folks, uma das formações mais legais da capital paranaense dos anos 2000’.

No bate-papo abaixo Cassiano fala sobre seu primeiro lançamento literário e também sobre o momento atual do mercado editorial voltado para livros cujo assunto é o nosso sempre amado rock’n’roll.

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O músico, tradutor, pesquisador e agora também escritor Cassiano Fagundes, e seu primeiro livro: estórias bizarras e engraçadas envolvendo rockstars, para ampliar um mercado editorial (o de livros sobre música) que continua resistindo à crise

 

Zap’n’roll – A idéia do seu livro é muito legal. Contar estórias algo bizarras envolvendo nomes conhecidos da história do rock, associando a essas estórias uma play list de sons que o leitor pode ir atrás pra se deleitar. Como surgiu a idéia desse formato editorial, afinal? E como foi que você fez a pesquisa pra reunir tanto as estórias quanto as play lists?

 

Cassiano Fagundes – O livro nasceu de meu trabalho em um portal de música da GVT, o PMC. Trabalhei dois anos lá, programando a rádio, resenhando discos e escrevendo notícias sobre música. Também fazia uma coluna sobre histórias, aventuras e desventuras de personagens do mundo da música pop. Esse foi o ponto de partida.

 

Zap – Você é músico também, e há anos milita na cena indie nacional, já tendo participado de vários grupos como o ótimo Bad Folks, por exemplo. Em quais bandas toca hoje em dia? Está muito difícil viver na cena musical alternativa atualmente?

 

Cassiano – Desde o Bad Folks, muita coisa rolou. Em 2008, montei o Cassim & Barbária em Floripa, com músicos experientes do indie catarinense. Essa banda foi longe, literalmente: Fizemos duas turnês na América do Norte. Uma delas, de 11 mil KM pelo continente, tocando com bandas de todos os cantos do mundo, em festivais como o SXSW e Pop Montreal. Depois, tocamos em festivais no Brasil, na Argentina e ajudamos a estruturar um circuito indie catarinense, que acabou não se consolidando por causa das dificuldades inerentes de se morar em um país complexo como o nosso. O Cassim & Barbária lançou 3 discos, tocamos com alguns de nossos ídolos (Faust e Damo Suzuki, do Can) e fizemos muito barulho. Mas é difícil fazer isso baseado em Floripa, sobretudo depois de tudo que já fizemos no meio independente, com pouco ou nenhum retorno material, ainda que com bastante satisfação artística. Estamos voltando a ensaiar e vamos lançar disco e shows em 2018. Em 2010 fiz a trilha sonora da peça “A Vênus das Peles”. O espetáculo baseado no texto de Sascher Masosch, que deu origem ao termo “masoquismo”, pediu um som bem sombrio, o que consegui influenciado pelo Kristjoff Komeda (trilhas dos filmes do Roman Polanski, como A Dança dos Vampiros). A peça fez duas temporadas no Teatro Guairinha, de Curitiba. Em Curitiba, em 2012, montei o Cacique Revenge com a Andreza e a Babi do The Shorts, mais o Rafa Martins que tinha tocado no Copacabana Club, e o André Tobler, um punk velho da cidade muito famoso por aquelas bandas por fazer uma percussão muito estranha. Essa foi uma das melhores coisas que fiz na vida: Jorge Ben com Sonic Youth e Fela Kuti. Mas tivemos que colocar a banda na geladeira depois de gravar um EP muito legal produzido no estúdio Ouié em Floripa (onde por causa dessa gravação, o Audac gravou com o produtor americano Gordon Raphael (Strokes) – o estúdio fica literalmente em uma praia, e tem dezenas de geringonças vintage que fazem tua banda soar muito bem). O Cacique Revenge era parte de um projeto chamado Desfiles Fantastique, que montamos com a artista Lisa Simpson – amplificamos sua máquina de costura e eu manipulava o som, que se combinava com a banda, enquanto Lisa costurava roupas de modelos na corpo delas, no palco. Em Floripa fiz um som também com o inglês Rob Williams, mais o Xuxu, que tocava comigo no C&B, e Gerson, baterista do Mar de Quirino, banda lendária do sul da ilha. O nome era The Cassberts. Rob era um cara do britpop de verdade. De volta a Floripa em 2014 para um Mestrado e um Doutorado em Estudos da Tradução, gravei um disco novo com o Cassim & Barbária e montei uma banda com meu orientador italiano e meu parceiro musical ítalo-argentino (Jeronimo Gonzalez) que fazia versões alternativas para clássicos e lados B da música italiana, e gravamos até Bowie em Italiano. E agora, estou lançando o DON, que é uma espécie de som para replicantes tropicais, baseado no Tao e na fase Berlin de Bowie com Iggy. Não sei o que dizer sobre a cena indie brasileira. Acho que, salvo raras exceções, falta profissionalismo e sobra talento, mas sempre foi assim. O Brasil não é o único país onde fazer música independente é uma coisa difícil – talvez só haja mais respaldo e caminhos mais bem traçados nos países anglófonos, embora até neles, a coisa não seja nem um pouco fácil. Minha postura sempre foi a de ser um artista que usa a música como uma de suas ferramentas de expressão e construção de sentidos. Por isso, nunca quis entrar numa de vida de músico, levar banda para viver em SP e fazer circuito de casas, de imprensa, beija-mãos e tudo isso. Mas creio que se você quer crescer como artista na cena indie, tem que botar o pé na estrada e fazer toda a via crucis o tempo inteiro, e viver isso 24 horas por dia, todos os dias da semana. Poucos fazem isso. Tocar em banda de rock no Brasil virou uma espécie de futebol de fim de semana de jovens de classe média. Dos poucos que ainda curtem rock, claro. Não é à toa que os Boogarins são os Boogarins: o som é bom, mas a postura profissional e a atitude são melhor ainda. Isso falta no Brasil, e sempre faltou. As pessoas em nosso país bizarro dão muito valor à fama, à notoriedade, a fazer cena, e esquecem o conteúdo, que se consegue com ensaio, show, ensaio, show, composição, referência. Para fazer música boa você tem que ter referências, investigar sons, conhecer estéticas, bandas do estilo no qual se propõe se alicerçar. Não vejo isso acontecer. O resultado é um monte de banda soando exatamente como as bandas hype anglófonas do momento. Daí, prefiro a cena argentina, exatamente por haver lá uma ideia de se buscar originalidade a partir de referências. Basicamente, o que sempre faltou na cena indie brasileira foi profissionalismo e conhecimento estético. E humildade. O cara começa a aparecer um pouco mais, e já age como pop star. Até alguns jornalistas ligados à cena agem como reis de meia pataca – você felizmente não é um deles e nunca foi, e sua autenticidade sempre me chamou a atenção! Convivi com artistas famosos que depois de uma sessão de autógrafos recolhiam as latas de cerveja que tinham bebido e as levavam no lixo, limpavam a mesa, e falavam com todo mundo de igual pra igual. Em festivais como o SXSW, tem banda que acabou de tocar pra 500 pessoas que desce do palco e vai vender CD e falar com o público numa boa. Aqui no Brasil, só vi o Boogarins fazerem isso até hoje. Sou muito fã deles – mais da atitude do que do som, mas eles são o que as boas bandas brasileiras da cena indie deveriam ser.

 

Zap – Há espaço, na sua visão, para um livro como o seu em um mercado editorial como o brasileiro onde a crise econômica também atingiu em cheio? Há um público especifico na sua opinião para esse tipo de literatura? Foi complicado achar uma editora que se dispusesse a viabilizar o projeto?

 

Cassiano – Há espaço, mas ele é limitado, como tudo relacionado a esse universo de música. Mas isso nunca foi uma preocupação. Na verdade, fiquei surpreso pela recepção do Ouça Este Livro. Todos os tipos de pessoas estão o lendo e curtindo as playlists. E em relação à editora, foi ela quem me fez a proposta de fazê-lo e lançá-lo. O mérito é mais da Editora Barbante que meu.

 

Zap – Qual foi a tiragem do livro? E como está sendo a repercussão dele em termos midiáticos e de venda?

 

Cassiano – A tiragem é de 500 livros. Tivemos alguma repercussão nas duas cidades onde já lançamos (Curitiba e Floripa). Ele vendeu bem nos lançamentos, e agora vamos fazer algo em outras cidades também.

 

Zap – pra encerrar: cite cinco bandas ou artistas da sua vida, hehe.

 

Cassiano – Só cinco? Sacanagem. Amanhã, ela muda. Mas vamos lá:

1 – Joy Division

2 – Bob Dylan

3 – Can

4 – Buffalo Springfield

5 – Suicide

 

 

ROCK NO SESC POMPÉIA COM O FAR FROM ALASKA

Yep, lá fomos nós (estas linhas rockers bloggers e o brother, amigão e ótimo fotógrafo Jairo Lavia) conferir a gig do quinteto Far From Alaska (que é de Natal/RN mas já ficou residência em Sampa há algum tempo) na choperia do SESC Pompéia, na última quinta-feira. Noite propícia pra um show de rock: garoa e 19 graus na capital paulista (delícia!), a choperia do Pompéia é dos melhores locais para shows de Sampalândia e a dupla tinha curiosidade em assistir a banda ao vivo – o blog perdeu a apresentação deles há cerca de dois meses no festival Circadélica, em Sorocaba, porque chegamos atrasados ao local onde os grupos estavam se apresentando.

O FFA já existe há cinco anos. Gravou dois bons álbuns de estúdio (o mais recente saiu há cerca de um mês), angariou simpatia da crítica musical e da mídia rock mais alternativa (ou do que resta dela). Com isso angariou também um bom séquito de fãs – havia cerca de 300 deles lá no SESC (ok, os ingressos nas unidades da entidade possuem valores sempre bem em conta para qualquer bolso), isso numa quinta-feira de tempo feio em SP. Entre estes dezenas de garotas rockers bonitinhas e gostosonas com visual caprichado, cabelos descoloridos etc. Na ala masculina (a maioria bem pirralha ainda), muitas t-shirts de bandas e tênis nos pés. E, sim, o grupo já andou tocando nos EUA e na Europa, e por aqui em festivais grandões como o Lollapalooza BR.

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A vocalista e a tecladista do grupo Far From Alaska, em show semana passada na choperia do Sesc Pompéia, em São Paulo: em disco a banda é muito boa, mas ao vivo… (foto: Jairo Lavia)

Mas… e o som? Foi aí que o bicho pegou. O quinteto já mostrou que funciona bem em estúdio, que tem competência instrumental, peso nas músicas (se for pra definir a sonoridade do conjunto,  o blog zapper diria que se trata de uma colisão frontal entre Queens Of The Stone Age com Primal Scream, temperado com riffs de guitarras hard rock) e que seus músicos também são bons – destaque seja feito para a vocalista Emmily Barreto, que canta com um inglês PERFEITO (no sotaque e na pronúncia). Mas algo não funcionou lá no SESC, tanto que tanto este jornalista quanto Jairo saíram algo decepcionados de lá. A banda soou repetitiva ao vivo, como se estivesse tocando a mesma música seguidas vezes e dando a cada take apenas alguma variação melódica em relação a versão anterior.

A impressão que ficou foi essa: que o FFA é ok, mas looooonge de ser tudo isso que “broguis” sem noção, hypeiros e arroz-de-festa (né, Pobreload!) querem fazer crer que a turma de Natal é. Ao vivo (pelo menos foi essa a impressão que deixaram NESTA GIG) eles parecem render bem menos que em estúdio. Tanto que Jairo Lavia disparou: “a melhor coisa dessa banda é a vocalista cantando em inglês”. Com “amigos” desse naipe uma banda não precisa mesmo de inimigos, hihi.

 

 

MAIS MORTES NA CULTURA POP – LÁ SE FOI HUGH HEFNER, O HOMEM QUE DEU AO MUNDO A PLAYBOY

Yep. Todos se vão um dia (desse mundo ninguém sairá vivo, de forma alguma) e com ele não seria diferente. Também na última quinta-feira foi anunciada nos EUA a morte de Hugh Hefner. Ele mesmo, o homem que deu ao mundo uma das publicações mais revolucionárias da história da imprensa em todos os tempos, a revista Playboy. Hefner morreu na mansão onde morava há décadas, em Los Angeles, de causas naturais. Tinha 91 anos de idade.

Taí um sujeito que Zap’n’roll admirava. Devemos muito a ele. Criou uma revista de linha editorial libertária e ultra avançada para sua época (os ultra conservadores e moralistas anos 50’, ainda mais nos Estados Unidos). Uma revista que desafiou convenções, defendeu a liberdade total sexual e de expressão e, principalmente, mostrou algumas das MELHORES XOXOTAÇAS (todas nuas em pêlo) da cultura pop (atrizes, modelos, cantoras, escritoras etc.) em todos os tempos – a capa da edição inaugural da publicação, com a deusa Marilyn Monroe nela, se tornou um clássico jornalístico imbatível e eterno. Quem NUNCA bateu uma PUNHETA (ou SIRIRICA, vá lá) folheando uma edição da Playboy em seus anos adolescentes ou jovens, não soube o que era iniciação ou “educação” sexual, rsrs. O blog mesmo colecionou durante anos a edição brasileira, que também teve capas inesquecíveis – como a que trouxe aquele BOCETAÇO PELUDAÇO (amamos xoxotas peludas como florestas amazônicas, rsrs) pertencente à deusa Claudia Ohana.

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Hugh Hefner (acima, com suas “coelhinhas”), o homem que fundou a Playboy: ele soube viver a vida, e ainda deu ao mundo uma das melhores revistas da história da imprensa em todos os tempos, e em cujas páginas ficaram nuas deusas como Marilyn Monroe e a brasileira Claudia Ohana (ambas abaixo), esta última com sua BOCETA PELUDAÇA que fazia a alegria dos machos, em oposição a essa escrota ditadura estética dos tempos atuais, a que determina que moças “boas” são aquelas que mantêm suas XOXOTAS LISINHAS e depiladinhas. Caso contrário a guria é uma… porca e vagabunda, uia!

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Hugh Hefner ficou miliardário com a revista – e com justiça. Numa época em que não havia internet, nem a estupidez das redes sociais, apps e sites gratuitos de vídeos e filmes pornôs explícitos/hardcore sem conteúdo algum (apenas trepação pura e simples), a Playboy com suas xotas nuas insuperáveis e seu ótimo conteúdo editorial (as gigantescas reportagens centrais e especiais eram imperdíveis e de leitura obrigatória, quase tanto como ver os nudes femininos que cada edição trazia) salvava nossa existência do tédio cotidiano e alegrava nossos olhos nos transportando para um mundo de sonhos, de paraísos idílicos, platônicos, surreais e abstratos – e inatingíveis para a maioria de quem lia a revista. E talvez nesse fator é que justamente residia a suprema graça da Playboy.

Valeu Hugh por tornar nossas vidas, inevitavelmente medíocres em grande parte dela, muito mais divertidas ao menos quando éramos jovens. Hoje com o mundo e a raça humana miseravelmente atolados até o pescoço no conservadorismo, na boçalidade e no moralismo hipócrita dignos da idade das trevas (em plena era da web e da evolução digital máxima), talvez nem seja possível e nem haja mais espaço para sujeitos visionários e libertários como você. E nem para publicações como a Playboy.

 

AINDA SOBRE O SHOWZAÇO DO THE WHO EM SAMPA – A PROVÁVEL MELHOR GIG ROCK DO ANO NO BRASIL ANALISADA PELO OLHAR DE UM MEGA FÃ DA BANDA

O show do gigante inglês The Who (que tocou pela primeira vez no Brasil apenas este ano, mais de cinqüenta anos após o surgimento da banda na Inglaterra) já aconteceu há duas semanas em Sampa e no Rio. Mas como estas linhas online sempre defenderam e continuam defendendo, não há prazo para se comentar aqui sobre grandes discos, grandes livros, filmes e SHOWS de rock – ainda mais nessa escrota era digital da web onde todos querem atropelar a todos e publicar tudo antes de todo mundo, mesmo que isso implique em postar em sites, blogs e redes sociais um texto completamente PORCO e eivado de erros de informação e grafia.

Zap’n’roll JAMAIS vai cair nessa armadilha. Daí publicarmos nosso material aqui sem pressa alguma, no seu devido tempo. De modos que aí embaixo mostramos com satisfação as linhas que encomendamos ao nosso dileto amigo de anos, o publicitário Valdir Angeli, sobre o show que ele presenciou do Who no estádio do Palmeiras, na capital paulista. Velho fã da banda e conhecedor da obra dela como poucos, Valdir descreveu com um olhar bastante subjetivo o que presenciou na noite do último 21 de setembro. Um olhar de fã enfim – sendo que foi exatamente isso que o site zapper lhe pediu: que procurasse EVITAR um texto técnico e jornalístico.

Leiam e divirtam-se!

 

Por Valdir Angeli, especial para Zap’n’roll

 

Sabendo que eu iria estar assistindo ao vivo ao show do The Who, lá no Allianz Parque, o responsável por este blog não descansou enquanto não conseguiu a promessa de algumas impressões deste mero fã do grupo, que aqui vos está escrevendo. Aceitei a empreitada mas adianto que eu sou bastante suspeito nas minhas observações, já que essa aí é a minha banda de estimação, já há uns quarenta anos, mais ou menos. Em assim sendo eu tentarei passar a vocês, da forma mais imparcial que eu possa conseguir, como me foi solicitado, o que senti e observei durante o que foi um dos maiores momentos da minha vida.

Assistir ao The Who ao vivo, depois de uma espera de mais de quarenta anos… O que é que a gente pode dizer numa situação dessas? Pra começar, eu adianto a vocês que, até por ter acompanhado a carreira da banda desde 1968 ou 69, por aí…, no fundo estava com um certo medo de uma grande decepção. Por todas as dezenas de álbuns oficiais e piratas contendo gravações de shows de diversas fases de sua carreira, que eu andei ouvindo nos últimos anos, eu realmente estava achando que essa turnê (que pela primeira vez incluiu a América do Sul) poderia ser uma grande bola furada. Afinal, os dois membros sobreviventes da banda original já passaram dos setenta, e a idade costuma pesar…

Eu me preocupei à toa! Os caras (leia-se: o Pete Townshend e o Roger Daltrey, os dois membros originais da banda) chegaram por aqui com todo o gás, querendo provar que estão bem vivos, e que são melhores (eles sabem muito bem disso) do que a grande maioria dos pirralhos que se metem hoje em dia a fazer rock por aí. Chegaram e arrasaram! Com uma carreira de mais de cinqüenta anos nas costas, eles desfilaram em sua apresentação as maiores pérolas de um repertório (de autoria própria, diga-se de passagem) que inclui desde o iê-iê- iê (“I Can’t Explain”) ao hard rock (“Won’t Get Fooled Again”), desde as baladas (“Behind Blue Eyes”) até experimentos com música eletrônica (“Baba O’Riley”), do pop descarado (“Substitute”) ao funk (“Eminence Front”), e do psicodelismo dos sessenta (“I Can See For Miles”) até o rock progressivo (“The Rock”, um interlúdio instrumental extraído da ópera ‘Quadrophenia’, não incluído, por sinal, no set list do Rock In Rio, cuja apresentação foi eqüivocadamente dirigida a uma platéia que, seja lá por ignorância, seja lá pelo que for, estava mais interessada em ficar batendo papo ou checando seus smartphones enquanto aguardava o show de uma banda hoje completamente irrelevante, o Guns N’ Roses). Tudo bem que o Who quase não faz mais os famosos improvisos que imperavam em seus memoráveis shows dos saudosos anos setenta (vide o famoso album ‘Live At Leeds’), mas o formato altamente detalhista e exaustivamente ensaiado ao qual eles se prendem hoje é até adequado a estes anos excessivamente cínicos, frios, impessoais e tecnológicos.

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O gigante rocker inglês The Who tocando há duas semanas na capital paulista e emocionando o público que foi conferir a gig: provavelmente o MELHOR show internacional de 2017 no Brasil, desde já

 

Mas, em resumo, a conclusão à qual eu cheguei foi a de que aquilo que eu assisti lá no estádio foi não simplesmente um show de rock, mas uma verdadeira aula de História, além de um enorme “flashback” da minha vida, permeada que foi pelos discos que o grupo lançou por todos esses anos (foi impossível ser frio o suficiente para não chegar às lágrimas durante a apresentação do acima citado “The Rock”, com o telão exibindo praticamente todos os eventos relevantes – no rock e fora dele – ocorridos nos últimos cinqüenta anos, culminando com o ataque às Torres Gêmeas em New York. Arrepiante…!). Minha maior surpresa enquanto eu via lá, in loco, a coisa toda (eu me beliscava, pois ainda não acreditava estar ali na frente deles – ou, pelo menos de metade deles, dada a falta dos falecidos John Entwistle e Keith Moon, da formação original) foi constatar que Daltrey e Townshend não se limitaram a fazer uma apresentação burocrática, mas interpretaram seu vasto legado com real gosto, se emocionando (principalmente o Pete), com tesão de tocar e cantar, e com um verdadeiro prazer de estar ali… Mesmo contando com um total de seis músicos contratados para segurar a apresentação (o John Entwistle, principalmente, faz uma puta falta; seu baixo era a espinha dorsal do conjunto) , muito do pique dessa tour atual, eu creio, deve-se ao baterista – aliás, uma atração à parte por aqui, devido à sua simpatia e seu alto astral – que há algum tempo o Who achou para substituir o venerável Keith Moon. Sim, Zak Starkey tem sido nesta tour (fora os dois membros originais, é claro) a grande atração da banda, não só por ser filho do grande Ringo Starr (o baterista dos Beatles, para quem não sabe) mas, principalmente, por ser afilhado do próprio Moon, membro original da banda. O que eu vi lá no estádio me deixou boquiaberto: o moleque (Moleque? Ele já passa dos cinqüenta anos de idade) não só honrou seu pai, mas fez jus à toda a performance ao mesmo tempo anárquica e precisa do seu padrinho, ainda por cima não se limitando a simplesmente copiá-lo, mas criando uma interpretação própria, com viradas e grooves que harmonizavam maravilhosamente com o todo da execução da banda e davam a energia necessária à performance.

Mas só depois de sair do Estádio, correndo para pegar em tempo o último trem do Metrô para casa, foi que a ficha caiu: Pete e Roger, apesar dos detratores que acham que eles já deveriam ter se aposentado, ainda estão na estrada não por mera teimosia ou para ganhar uns trocados extras. É verdade que, com uma obra igual a que eles construíram nos mais de cinqüenta anos de atividade eles praticamente não tem mais nada que acrescentar à história do Rock, e nem precisam provar nada a esta altura do campeonato, mas o que eles fazem hoje é alguma coisa parecida com uma missão: não deixar o Rock And Roll morrer e, de certa forma, ensinar às novas gerações o que a Música (com “M” maiúsculo) – e o Rock em particular – já foi um dia.

Eu, humildemente, agradeço aos céus por ter estado lá.

God save The Who!

 

(Valdir Angeli, 62, é publicitário e colecionador compulsivo de discos de rock, que compra há mais de quarenta anos. É um dos maiores especialistas na obra do The Who que o blog conhece)

 

SOBRE A ONDA ULTRA REACIONÁRIA E MORALISTA AVANÇANDO COM TUDO NESSE TRISTE BANANÃO TROPICAL

Nos últimos dias tomou proporções assustadoras a onde de histeria capitaneada pelo sórdido MBL (Movimento BOSTA Livre, como estas linhas bloggers gostam de chamar jocosamente a entidade comandada pelo jovem japira reacionário de direita e tristemente conhecido como Kim COCÔ) e por parte da atual sociedade brasileira, tomada por uma gigantesca onda de neo conservadorismo moral extremo. E um dos principais difusores dessa histeria, claro, é o TRIBUNAL SUMÁRIO de julgamentos morais e comportamentais no qual se transformou o FaceCU. Uma rede social onde se VOMITA merda demais, preconceito demais e que traduz melhor do que ninguém o AVANÇO algo já bastante ASSUSTADOR dessa onda neo conservadora ao extremo na sociedade brasileira. Ou, como resumiu muito bem o gênio gigante italiano Umberto Eco, pouco antes de ele morrer: “a internet deu voz a uma LEGIÃO de IDIOTAS”.

Estas linhas bloggers de cultura pop e comportamento observa com muita tristeza essa legião de idiotas e moralistas hipócritas se manifestando. Alguns deles inclusive e infelizmente AMIGOS zappers. E fica pensando: onde isso vai parar? O assunto da semana foi/é e continua sendo a exposição no MAM SP, onde uma mãe entrou com sua filha pequena e esta “interagiu” com um modelo que estava NU (fazia parte da performance do evento) na mostra. A “interação”, no caso, se resumiu a um toque da criança na PERNA do modelo nu, que estava simulando uma estátua, mas uma estátua viva, de carne e osso.

Foi e está sendo uma GRITARIA na web (nas redes sociais variadas) por conta dessa exposição. Capitaneando a grita está o japonês total reaça e IMBECIL e sem neurônios que é o Kim Cocô, que lidera o TORPE e ESCROTO MBL (Movimento BOSTA Livre). E não para por aí: também já houve ataque reaça contra o Itaú Cultural, na avenida Paulista em Sampa. A FolhaSP informou em matéria que uma petição online (já com 81 mil assinaturas) está pedindo o FECHAMENTO do MAM – pessoas pedindo aqui o FECHAMENTO DE UM MUSEU, um espaço CULTURAL quando, em países CIVILIZADOS (como França, Inglaterra e Japão, por exemplo), esses espaços são cada vez mais ampliados e disseminados pois têm total apoio da população e do poder público? Quais serão os próximos espaços culturais a serem atingidos? O MASP? O novíssimo (e, pelo que contam, sensacional) Instituto Moreira Salles? Já não bastou o SATÃder cancelar a exposição sobre diversidade de gêneros em Porto Alegre (com obras de, pasmem, gênios da arte brasileira reconhecidos no mundo inteiro, nomes como Lygia Clark, Cândido Portinari etc.)? E também um juiz PROIBIR uma peça teatral no SESC de Jundiaí apenas porque esta retratava Jesus como sendo um transexual (sendo que felizmente o SESC conseguiu derrubar o veto jurídico através de uma Liminar e a peça voltará a ser apresentada)? Onde tudo isso vai parar assim???

A exposição do MAM tinha aviso na entrada, deixando BEM CLARO que haveria NUDES lá dentro. Ou seja: na nossa opinião, VAI QUEM QUER (e ainda mais se estiver acompanhado/a de CRIANÇAS). Quem não quer ou se sente incomodado não entra, simples. É a forma mais JUSTA e DEMOCRÁTICA de se lidar com a questão. Toda forma de CENSURA é PÉSSIMA, ainda mais quando essa censura se volta contra a produção e manifestações artísticas em geral. Isso remete aos tempos mais HORRENDOS da história recente do Brasil, o período negro da ditadura militar e onde músicas, livros, discos, filmes e peças de teatro eram censuradas aos borbotões, e gigantes da nossa música como Gilberto Gil e Caetano Veloso tiveram que se exilar fora do país. De modos que qualquer pessoa com o mínimo de bom senso não quer isso NUNCA MAIS por aqui.

O autor destas linhas virtuais está lançando seu primeiro livro, “Escadaria para o inferno”, daqui a um mês. Ele está REPLETO de estórias de sexo, drogas, putarias, rocknroll, loucuras variadas. Será que vamos ter que colocar uma tarja nele com a recomendação de que sua leitura é DESACONSELHÁVEL para menores de 18 anos?

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Garota menor de idade interage com modelo vivo nu (acima) em performance puramente artística no MAM SP, semana passada (e sem nenhum traço de erotização no evento); abaixo a tropa reacionária de evangélicos fundamentalistas da extrema direita boçal que está ganhando cada vez mais espaço na sociedade brasileira mostra suas garras IMUNDAS, atacando a performance e o MAM. Está na hora de REAGIRMOS contra esse moralismo, preconceito e intolerância total bestial e babaca, certo?

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A Constituição brasileira (que, de resto, vive sendo RASGADA por todo mundo hoje em dia, do poder Executivo ao Judiciário, passando pelo Legislativo) de 1988, EXTINGUIU a censura no país, é bom que se saiba disso. Então qualquer forma de censura a qualquer manifestação artística já se configura como uma AFRONTA à carta magna do Brasil. Mas os neo conservadores (que entendem tanto de arte quanto este blog da vida sexual dos marcianos) estão se lixando pra isso, não é? Querem mesmo é tocar o terror moralista da idade das trevas adiante, como se todos aqui quisessem e precisassem viver novamente em pleno século XI, na Idade Média, onde bruxas eram QUEIMADAS VIVAS em público apenas por serem… bruxas.

O país está ficando tenso demais, perigoso demais, assustadoramente conservador demais. E o Brasil não era assim há 30 anos, nem de longe. E enquanto se grita aqui contra obras de arte, exposições etc, a exploração sexual infantil (isso sim algo deplorável e a ser combatido) corre solta e aumenta cada dia mais no país todo. A violência contra a mulher e a nação LGBT também aumenta cada dia mais pelo país afora. Idem a violência contra jovens pobres e negros. E não vemos NENHUM (vamos repetir: NENHUM) militante de direita reacionária ou evangélico fundamentalista ou a turma do MBL gritar ou protestar contra essas barbáries todas já tão institucionalizadas na raiz da cada vez mais bestial e boçal sociedade brasileira. Não é à toa que João Escória ganhou eleição em São Paulo, assim como o “bispo” Crivella se tornou prefeito do Rio. E é total sintomático e compreensível que um MONSTRO, OGRO e DONTE MENTAL TOTAL (em seu conservadorismo, machismo e moralismo extremo) como Jair BolsoNAZI esteja em segundo lugar nas intenções de voto para presidente em 2018, e que seja recebido aos gritos (como já foi visto em vídeos no YouTube) de “BolsoMITO” em vários locais por onde passa.

Pobre Brasil… que TRISTEZA temos (e vergonha também) desse país e da sua população, em pleno 2017, em plena era digital. Tempos muito sombrios se anunciam por aqui. Tempos de NAZISMO e FASCISMO social. E todo mundo sabe no que deu o nazismo na Alemanha, o fascismo na Itália e, apenas para ser mais contemporâneo, o que está dando o ESTADO ISLÂMICO no Oriente Médio atual. Não preciso dizer mais nada, certo? Portanto que a sociedade progressista e que ainda possui apreço pela liberdade de expressão RESISTA com toda a sua força possível a esse ataque brutal do neo conservadorismo e do moralismo hipócrita em território brasileiro. Caso contrário iremos mesmo direto para o fundo do poço, com uma possível ditadura MILITAR (e ainda por cima CRISTÃ) novamente ameaçando tomar o poder no país.

FORA REAÇAS E CARETAS! Zap’n’roll deseja apenas que vocês se calem e fiquem para sempre confinados em sua enorme e triste ignorância cultural, mental e existencial. E que deixe quem não quer participar dela em paz. Simples assim.

 

“Não viemos ao mundo para manifestar nossos PRECONCEITOS MORAIS”.

(Oscar Wilde/”O retrato de Dorian Gray”)

 

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FIM DE FESTA, UFA!

Maior mega post das últimas semanas hein! Leitura para vocês degustarem pelas próximas semanas sem parar, hihihi.

Mas tudo precisa acabar uma hora, não? Então paramos por aqui (finalmente, rsrs), mas prometendo voltar com novo post em breve, okays?

Até mais entonces!

 

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 6/10/2017 às 21:15hs.)

Em post especial sobre lançamentos de LIVROS dedicados à cultura pop e a música em geral (um mercado que, mesmo com a crise bravíssima que assola o triste bananão tropical, tem seu nicho de público e segue ativo), o blog zapper fala de alguns títulos que chegaram há pouco às livrarias; e também anuncia (finalmente e oficialmente!) orgulhosamente o lançamento de “Escadaria para o inferno”, o volume escrito pelo jornalista eternamente rocker/loker (esse aqui mesmo, autor destas linhas poppers online, ulalá!) e que sai do forno em novembro! Mais: como foi o showzaço do The Who (já a gig internacional de 2017 no Brasil?) em Sampa, pela ótica não jornalística e sim de um FÃ da banda, em texto especial para este espaço rock virtual, o line up do Lollapalooza BR 2018 e mais isso e aquilo tudo que você sempre encontra por aqui! (postão em SUPER CONSTRUÇÃO, claaaaarooooo! Com esta primeira parte entrando no ar pra falar EXCLUSIVAMENTE do lançamento do livro total rocker do zapper eternamente loker!)

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Escadaria-para-o-Inferno

Três anos após estar pronto e depois de passar por três editoras que queriam mexer em seu conteúdo, o livro “Escadaria para o inferno”, primeiro texto literário escrito pelo jornalista zapper eternamente rocker, locker e gonzo (abaixo), sai finalmente em novembro vindouro, com festa de lançamento dia 25 daquele mês na Sensorial Discos/SP

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Era pra ser um novo POSTÃO, aquele que iria entrar HOJE no ar, aqui no nosso já mega longevo (14 anos na web BR!) espaço rocker online. Mas a emoção é tanta nesse momento e está tão difícil segurar a mesma que, sim, esse postão irá chegar aqui já no comecinho da próxima semana (falando como sempre de assuntos bacanudos, como o mercado editorial de livros sobre música e que continua resistindo à crise, comentários sobre o line up do Lollapalooza BR 2018 e mais uma renca de paradas sempre total dignas da leitura do nosso dileto leitorado). Promessa de zapper sempre rocker e ainda algo loker.

 

Mas então vamos aqui ao que interessa: sem muitas legendas ou TEXTÃO nesse post, já que o melhor é deixar as IMAGENS falarem por si.

 

Apenas acrescentamos que este livro está pronto há quase 3 anos. Passou por três editoras que não o compreenderam em sua essência e queriam mudar essa essência. E agora finalmente ele encontrou seu LAR ideal, e que entendeu de fato e de verdade que uma “escadaria para o inferno” pode levar a um compêndio de estórias sensacionais, e que resgatam uma trajetória de vida junkie, louca, alucinada e muitas vezes incrível ou quase trágica.

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Bem-vindo NOSSO SEGUNDO FILHO (o primeiro já fizemos, há 26 anos)!

 

E pra galera não esquecer: lançamento (com noite de autógrafos) em 25 de novembro, sábado, a partir das 8 da noite, na Sensorial Discos/SP (rua Augusta, 2389, Jardins). Com shows bacanudos de Psychotria, Jonnata Doll & Os Garotos Solventes (set acústico) e Jenni Sex, além de DJs set igualmente fodonas dos super DJs André Pomba e Vanessa Porto.

 

E para todos aqueles que vivem uma existência total ROCKNROLL, este Finaski e seu livro saúdam vocês!

 

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“Escadaria para o inferno”, escrito por Humberto Finatti, é um lançamento da editora Kazuá. A qualquer momento o livro estará em pré venda no site da editora, em http://editorakazua.com.br/.

 

XXX

 

Pronto, fakes merdões e cuzões do inferno, losers lambe bagos do “pobreloader” LR, podem se MATAR de ódio e vir aqui encher o saco na covardia total, no painel do leitor do nosso “humirde” blog. Finaski deixa, ahahahaha. Chupa, bando de otários!

 

(enviado por Finatti às 17:30hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL E MONSTRUOSA, UHÚ! Com a abertura do Rock In Rio 2017, mostrando os novos discos do The National e The Cult, falando de grandes perdas essa semana para o rock’n’roll e mostrando mais fotos incríveis da tesudíssima e gatíssima musa rocker Flávia Dias! – Depois de quatro anos longe dos estúdios o Queens Of The Stone Age volta GIGANTE com seu novo álbum inédito, se mantendo como uma das pouquíssimas bandas relevantes no rock mundial dos anos 2000’; tem musa rocker gostosíssima esta semana? Claaaaaro: novamente atendendo a pedidos, oferecemos ao nosso distinto e dileto leitorado macho (cado) uma nova batelada de imagens tesudíssimas da gatíssima Flavinha, um demônio em forma de sereia que ama poesia beat e loucuras variadas; e mais isso e aquilo tudo que você só encontra mesmo aqui, no espaço de cultura pop mais legal da web BR há catorze anos! (postão AMPLIADÃO e finalmente total concluído, em 15/9/2017)

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Com discaço novo que acaba de sair o americano Queens Of The Stone Age (acima) mostra mais uma vez que continua sendo uma das únicas bandas do rock mundial que vale a pena dos anos 2000’pra cá; e mesmo com o nosso miserável bananão tropical totalmente afundado na lama, um setor da cultura pop se mantém mais ativo do que nunca e lançando bons títulos: é o mercado editorial voltado a livros sobre musica e biografias em geral, como a do saudoso e genial cantor Belchior, cujo volume teve noite de autógrafos essa semana em Sampa (abaixo, com Zapnroll dando um abraço no seu amigo Jotabê Medeiros, jornalista e amigo zapper há quase trinta anos)

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MAIS MICROFONIA

(com Rock In Rio começando SEM Lady Gaga, a mais nova “flechada” de Janot contra o conde Drácula golpista, o mais recente e bom disco do velho Cult, a morte de um baterista gigante da história do rock e também de uma jovem e gatinha cantora indie rocker americana,  e mais isso e aquilo tudo)

 

***Entonces, conforme prometido (aqui se promete e se cumpre, uia! Rsrs), entrando agora no ar, já no final da sextona, 15 de setembro, a ampliação gigante desse post zapper. E como ele finalizamos os trabalhos aqui também, ao menos por enquanto néan. Mas caaaaalma que ainda tem mais notinhas aí embaixo e os complementos todos. Inclusive falando do Rock In Rio 2017, que começa hoje na cidade Marabichosa. Vai lendo aí embaixo e divirta-se!

 

***Rodrigo Janot está se despedindo da PGR. Mas ontem ainda teve tempo pra disparar a nova denúncia (“enquanto houver BAMBU lá vai FLECHA!”) criminal contra o MAIOR BANDIDO que já existiu na história da política brasileira: ele mesmo, esse velho desgraçado e imundo, esse conde Drácula do Planalto chamado Michel Temer. Claro que todos nós sabemos que esse filho da puta vai novamente ter sua pele salva pela Câmara dos Deputados em Brasília, tão corrupta e imunda quanto ele. E teremos que agüentar esse LIXO humano e político até o final de 2018. O consolo que nos resta é que esse VERME sairá da presidência do Brasil mais imundo do que pau de galinheiro. E se houver justiça aqui, depois que ele deixar a presidência vai passar alguns anos MOFANDO na cadeia, onde é o seu merecido lugar.

 

***A grata surpresa desta semana que está chegando ao foi… o último cd do The Cult, que toca na primeira noite do festival SP Trip, no próximo dia 21 de setembro, abrindo pro gigante The Who. O álbum se chama “Hidden City”e já saiu há mais de um ano – foi lançado em fevereiro de 2016. O site zapper ainda não tinha escutado o dito cujo, assume. Aliás não ouvíamos Cult há séculos na verdade. Mas como a banda está vindo aí e pretendemos estar lá na noite em que eles vão tocar (pedimos credenciamento e se rolar ótimo, porque grana pra pagar o ingresso sem chance; e se conseguirmos ir vai ser mesmo por causa do Who, óbvio), resolvemos ver a quantas eles andam e fomos matar nossa curiosidade em relação ao último trabalho deles de estúdio. Sendo que Zapnroll não esperava mais nada do grupo já há muitos anos. Vejam bem: os vimos no auge ao vivo quando estiveram pela primeira vez no Brasil, em 1991. Era a turnê do “Sonic Temple” (que eles haviam lançado em 1989), Finaski trampava na revista IstoÉ, estava casado e foi no único show que eles fizeram então por aqui, no ginásio do Ibirapuera, em Sampa. Que lotou, claro (15 mil malucos lá dentro). E foi uma gig inesquecível. Depois o conjunto começou a descer a ladeira, tanto em disco quanto ao vivo. Se não for engano assistimos a turma mais duas vezes e aí então largamos mão deles. Foi em 1994 (no finado Olympia), onde a performance já não foi lá nenhum primor, longe disso inclusive. E depois em 1999’, numa festa de aniversário da 89fm (ah, aquela noite… o sujeito aqui era apaixonado pela linda Ana Cristina B., que foi ao show com ele e CHUPOU O PINTO do jornalista rapidamente no back stage, num momento em que fomos nele… saudades dessa puta inigualável, com quem o então trintão jornalista teria se casado…), e onde a banda se mostrou horrível no palco. Depois eles ainda voltaram pra cá em 2006, 2011 e 2013, é isso mesmo produção? Se estivermos equivocados, plis, podem nos corrigir. Nunca mais fizemos questão de vê-los ao vivo. Mesmo porque os discos que também foram lançando se tornaram irrelevantes, daqueles que ninguém viu nem ouviu. Mas este “Hidden City” muda UM POUCO o contexto da parada. Guarda pouca similitude com os imbatíveis “Love” (de 1985) e “Electric” (de 1987) que sim, ficaram algo datados já musicalmente falando, mas que permanecem como dois clássicos do pós-punk inglês dos anos 80’. Enfim, a sonoridade atual está hard rock, e algo sombria e melancólica nas ambiências e nas melodias. Ouvimos apenas uma vez e de cara já simpatizamos com “Dark Energy” (que abre bem o disco), “No Love Lost” (mezzo pós-punk e sombria na sua condução), “Birds Of Paradise” e “Sound and Fury”, que fecha tudo com pianos e guitarras agônicas, em clima de final dos tempos. E sim, notamos uma queda na qualidade das músicas na segunda metade do álbum mas ainda assim, para um grupo que está há mais de 30 anos na estrada e cujos integrantes principais (o vocalista Ian Astbury e o guitarrista Billy Duffy) estão com 55 e 56 anos nas costas, não dá pra reclamar. Fora que Ian continua mantendo bom vocal. E Billy sempre foi um puta guitarrista. De modos que essa porra poderá render bem ao vivo, no final das contas. É o que pretendemos e esperamos conseguir conferir e saber no próximo dia 21 de setembro. E sendo que você conferir o novo disco do velho Cult na íntegra aí embaixo.

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A dupla eterna do velho Cult (Ian Astbury e Billy Duffy, acima) e seu novo disco (abaixo): o grupo continua em forma

 

***E quem também lançou novo discão após quatro anos longe dos estúdios foi o sempre lindo e incrível The National. “Sleep Well Beast”, a nova e belíssima obra sônica de Matt Berninger, foi lançado oficialmente no último dia 8 de setembro e estas linhas virtuais ainda estão, hã, degustando o dito cujo. Sendo que em breve faremos uma análise detalhada dele por aqui, mas você já pode escutar o discão aí embaixo, na íntegra.

 

***Uma das mais queridas amigas zappers, a DJ Silmara Oliveira, faz niver semana que vem. E vai comemorar como gosta e da melhor forma possível, fazendo o que ela faz mega super bem: animando a pista como DJ convidada da festona que pretende reviver os dias de gloria do Anny44, que foi um dos clubs rockers mais legais de Sampa nos anos 80’. Vai rolar muito gothic sound e anos 80’, claaaaaro. E Zapnroll já confirmou presença, pra dar um beijão na Sil, reencontrar velhos amigos e também por saber que vai ser uma noitada bacaníssima. Interessou? Tudo sobre a festa aqui: https://www.facebook.com/events/1443940582357044/?acontext=%7B%22ref%22%3A%223%22%2C%22ref_newsfeed_story_type%22%3A%22regular%22%2C%22action_history%22%3A%22null%22%7D&pnref=story

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Silmara Oliveira, querida amiga zapper e uma das ótimas djs da cena alternativa paulistana, toca semana que vem em festa na Vila Madalena

 

*** AMOR E CARINHO ETERNO PARA OS QUE SE FORAM ESSA SEMANA – Yep. A morte de alguém ainda choca e entristece bastante estas linhas rockers bloggers. Ainda mais quando ela leva pessoas que admiramos mesmo sem ter conhecido pessoalmente, mesmo que distantes de nós e do nosso mundo. Pessoas com as quais sentimos algum tipo de identificação, afinidade cultural, comportamental, musical etc. E choca ainda mais quando nos damos conta de que era alguém ainda muito jovem, cheia de vida, fazendo bom rock, boa arte e contribuindo de alguma forma para que o mundo e a raça humana sejam menos escrotos do que estão sendo nos dias que correm. Então essa semana perdemos dois na batalha contra o câncer (sendo que Zapnroll também já teve o seu), no rock americano. Um deles o grande Grant Hart, baterista e fundador do gigante e essencial Husker Du. A outra, essa lindinha aí na foto com a banda onde ela cantava, o Those Darlins. Jessi Zazu tinha apenas 28 anos. Cantava bem e a banda era bacana, uma das bem legais da cena americana alternativa dos anos 2000’. É isso. Desse mundo selvagem ninguém nunca sairá vivo mesmo. Já Grant Hart se foi jovem ainda. 56 anos. Fundador e baterista de uma BANDA FUNDAMENTAL da história de todo o rock’n’roll. Sem eles (sendo que tivemos em vinil os ESSENCIAIS “Candy Apple Grey” e “Warehouse – songs & histories”, há 30 anos) não teria existido Pixies. E sem Pixies não teria havido Nirvana, uma das cinco bandas da nossa vida (pra sempre!) e o último grupo que valeu a pena nessa porra de rocknroll. Rip, Grant Hart e Jessi Zazu. Se houver alguma outra estação por aí, além dessa desgraça chamada Planeta Terra, esperamos reencontrar vocês um dia nela, e trocarmos uma idéia e fazer um som.

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Jessi Zazu (acima, à frente dos Those Darlins) e Grant Hart (abaixo, um dos fundadores do seminal trio americano Husker Du): ambos nos deixaram essa semana, derrubados pelo câncer

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***Entonces é isso. Microfonia parando por aqui. Agora segue lendo o postão que tem muuuuuita info nele, ainda com a “engordada” que foi dada na parada, beleusma? Então vamos Nelson!

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, a política, discos, filmes, shows, comportamento etc.)

 

***Notinhas da “Microfonia” em construção. A primeira parte do post do site zapper está entrando no ar na véspera do feriadão em si, de modos que iremos alimentando isso aqui ao longo da próxima semana e sempre que um assunto relevante merecer nossa atenção na cultura pop e na cena rocker alternativa.

 

***E já que estamos falando em feriadón, tem muita gente que vai ficar em Sampa durante o mesmo. É o seu caso? Então tem baladona bacanuda na sextona em si pra ir: mais uma edição do já bombado Bailindie da saudade. Que desta vez vai rolar lá na Vila Madalena. Os detalhes e todas as infos sobre ele estão aqui: https://www.facebook.com/events/2107541696156504/.

 

Já se você prefere curtir um rock’n’roll no meio do mato, dentro da natureza e tals, também sem problema. O sempre incrível Simplão Rock Bar (que fica numa chácara, em Paranapiacaba), da nossa eternamente mui amada Cris Doidona, abriga a partir de HOJE a sexta edição do festival “Independência e Rock”. Vai ter uma renca de bandas legais (entre elas os queridos do Betty57) e rola até domingo, sendo que as infos todas sobre a festona na floresta você acessa aqui: https://www.facebook.com/events/121775775134074/?acontext=%7B%22ref%22%3A%2229%22%2C%22ref_notif_type%22%3A%22plan_reminder%22%2C%22action_history%22%3A%22null%22%7D&notif_t=plan_reminder&notif_id=1504735183380872.

 

***E por enquanto é isso, povo. Mas após o feriadão em si fiquem atentos que mais infos irão aparecer aqui no Microfonia, que por hora encerra com a IMAGEM aí embaixo desta semana. Claaaaaro, os R$ 51 milhões do Geddel, muito bem abrigados na nova sede da Casa da Moeda. Onde? Ora, em Salvador, Bahia, MEU REI! Hihihi.

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COMEÇA MAIS UM ROCK IN RIO, QUE MOSTRA COMO UM DOS MAIORES FESTIVAIS DO MUNDO REFLETE SEU TEMPO E COMO ELE NÃO TEM MAIS QUASE NADA A VER COM… ROCK

São onze da noite da sexta, 15 de setembro de 2017 (quando este postão zapper está finalmente sendo ampliado e finalizado). Dia da abertura de mais uma edição do Rock In Rio, hoje um dos maiores festivais de música (e não apenas de rock) do mundo e marca empresarial mais do que consolidada.

Zapnroll está nele, vai nele? Nope, vai acompanhar o que for possível “do sofá” mesmo, no conforto do seu lar. Mesmo porque o que queremos realmente ver ao vivo estará aqui mesmo em Sampa, semana que vem.

Este espaço rocker no entanto teria um livro pra escrever aqui sobre o festival, sobre o RIR de ontem e de hoje e sobre o que ele significou para a cultura pop brasileira. Ao invés disso vamos resumir toda a parada deste tópico nesse excelente texto algo memorialista que o querido chapa André Forastieri publicou em sua página no Faceboquete. E complementamos com a nossa própria visão do evento, na reposta que demos nos comentários desse mesmo post do Forasta. Os dois textos seguem abaixo, tal como foram redigidos no FB. Com certeza trarão ótima leitura e uma ótima visão ao nosso dileto leitorado, sobre o que foi ou é atuamente o festival criado há trinta e dois anos por Bob Medina.

 

De André Forastieri:

Eu tinha 19 anos e estava sozinho no ônibus Copacabana-Cidade do Rock, com o coração na boca. Meu primeiro dia no Rio de Janeiro. Meu primeiro dia de Rock In Rio.

Já morava sozinho em São Paulo há dois anos, mas tive que pedir aprovação para os meus pais mesmo assim. Eu não tinha grana para ir, só estudava. Não encrencaram, ajudaram. Descolaram até um lugar para eu ficar hospedado.

Moleza total. Noite no barrão do festival, dia num mega-apê lotado de obras de arte e livros louquíssimos do Umberto, meu primo cardiologista society, marchand, descoladésimo, que mal vi enquanto estava lá. Morreu jovem, como muita gente boa naqueles 80 e 90.

Umberto trabalhava e badalava como um louco, jantava fora todo dia. A geladeira dele só tinha guaraná e iogurte de morango. Vivi de sanduba na rua meus dias de Rock In Rio. E salada de frango do Bob’s e Malt 90 de noite.

O engraçado é que eu não armei a viagem com ninguém, mesmo sabendo de alguns conhecidos que iam. Não lembro por que foi assim. Encontrei lá, que eu me lembre, dois colegas de colegial, Paulo Cabral – colega jornalista – e Viviane Zveiter, minha amiga de infância.

Foi a última vez que vi Viviane – quer dizer, até 2008, aniversário de 25 anos de formatura do colegial. Ela estava igualzinha. Eu, 25 quilos mais pesado. Hope I die before I get old, indeed…

A ironia é que em 85 meu negócio era punk e new wave fazia séculos, e eu estava me sentindo um pouco traído com New Wave ter virado gel com glitter para cabelo. Que ondinha é essa de B-52’s, Legal Tender? Eu era fã dos caras desde 1980!

Fiquei mais chateado ainda porque os artistas que eu mais gostava, o próprio B-52’s, Go-Go’s, Nina Hagen e tal, fizeram umas porcarias de show. Os brasileirinhos, coitados, mal a gente escutava, Paralamas, Kid Abelha, Blitz. O Rock In Rio foi dos dinossauros: Queen, AC/DC, Whitesnake, Yes, Iron Maiden.

Eles é que sabiam tocar em descampados com uma acústica de pesadelo. Fui lá pra implicar com a velharada. Não era e nunca fui metaleiro. Mas tive que me render. Me converti ao AC/DC, que achava coisa pra jacu, lá mesmo.

Até hoje cravo sem dúvida nenhuma: o melhor show do festival foi o Queen. Só estando lá para ver. Outro que aquela maldita praga levou, Freddie Mercury.

O Rock In Rio, de uma maneira esquisita, foi o Woodstock do Brasil: rock, amor e lama, um divisor de águas geracional. Não tínhamos voto direto para presidente, mas pelo menos a gente estava livre dos generais. Chega de mau humor. Chega de tromba. Chega de patrulha ideológica. Chega de Fagner, Gonzaguinha, Simone, chororô. Let’s rock!

Não arrumei uma namorada lá, mas tentei bastante. Me atolei no gramado e nos lagos de esgoto que se formavam nos banheiros. Meus tênis viraram blocos de barro. Voltei do Rio de havaianas (com meia! estava frio!), cheguei uma da matina. Dormi na rodoviária de SP, para pegar o primeiro ônibus para Piracicaba sete da manhã. Eu tinha me transformado em outro cara.

Foi bom, tudo foi lindo, foi uma aventura. Sem risco, mas para minha parca experiência da época, uma aventura mesmo assim. Perto das maluquices que conhecidos fizeram, tive um festival de playboy total. O mano Paulo César Martin, o Paulão do Garagem, fritou o braço com o óleo da batata frita e foi enfaixado ver o Ozzy!

O Rock In Rio teve consequências diretas na minha vida. Porque durante o festival, foi realizada uma pesquisa com o público sobre a viabilidade de uma revista sobre rock no Brasil. Em termos de leitores, de anunciantes e tal.

Foi com base nesses resultados que ela foi lançada no Brasil alguns meses depois: Bizz. Ideia de executivos e jornalistas roqueiros, que xavecaram os chefões na Abril. Hei, Carlos Arruda, aquele abraço!

Seis anos depois, eu era editor da Bizz, cabeludo, e passei o Rock In Rio 2 inteiro instalado numa suíte do Copacabana Palace. Dormia de dia, dividia a piscina com o George Michael à tarde, enfiava o pé na jaca noite adentro, nos shows, nas salas Vip das gravadoras e num after que não acabava nunca. Meus dias de rockstar. Dava autógrafo na rua, juro.

Em 2001, voltei for fun, com grandes amigos, para um final de semana regado a REM e Guns N’Roses. Fiquei feliz de ter ido. E nunca mais voltei.

Agora tem outro Rock In Rio. E parece menos legal do que o meu primeiro, porque não tem bandas com cheiro de novidade. Isso ficou para outros festivais, grandes como o Lollapalloza, do tamanho certo como o Popload. Mas também parece mais legal, porque tem eventos paralelos sensacionais, como o GameXP, uma espécie de filial da Comic Con Experience no meio do Rock in Rio, recheada de jogatina, gibi e companhia.

Duvido que voltarei um dia ao Rock in Rio. Festival requer energia jovem. Só se for com meu moleque, que começa a gostar de rock, e rock velho. O ingresso para o Deep Purple está comprado.

E o do São Paulo Trip também. Anotem aí, jovenzinhos: hope you get old before you die. Te vejo no show do The Who!

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O gigante e ultra clássico The Who: pela primeira vez no Brasil e a MELHOR e PRINCIPAL atração do Rock In Rio 2017

 

De Zapnroll:

De volta ao passado total agora. Também estive naquela lama toda e nunca mais esqueci. Eu tinha 22 anos de idade e fui nos três últimos dias, depois de encher muito o saco da minha saudosa mama Janet, que bancou toda a operação. Queen na sexta foi INESQUECÍVEL (já tinha sido 4 anos antes aqui em SP mesmo, no estádio do Morumbi, meu segundo show internacional; o primeiro foi, imagine, o Genesis em 1977 no ginásio do Ibirapuera, quando eu tinha 14 anos de idade e fui com a mana mais velha, a Jaque). Eu também não era fã de heavy MERDAL (nunca fui) mas era o que tinha pro sábado (penúltimo dia) e fiquei sem voz depois de tanto berrar no show do AC/DC, que realmente foi fodástico. Domingo, último dia, fui sem voz pra cidade do rock (ou pra lama do rock, rsrs). Vi Yes, Barão Vermelho e foi aquilo.

 

Quando rolou o segundo RIR, em 1991 (no Maracanã) eu já era jornalista (estava trabalhando na editoria de cultura da IstoÉ desde 1988) como você. E tal qual o Sr também me esbaldei na área vip, onde só entravam jornalistas e convidados e artistas, claro. Inclusive me lembro que apenas a “tenda” da gravadora Warner estava lotada e badalada – as outras estavam às moscas, rsrs. Logo descobri por que: havia um open bar (opa!) ali com salgadinhos e CAIXAS E CAIXAS com garrafas de whisky Logan (o whisky da moda então, por causa do Collor, uia!) que eram abertos na nossa frente e os atendentes enchiam nossos copos sem pudor ou culpa alguma. Depois do segundo copo cheio até a boca comecei a ficar com o cérebro ébrio e mergulhado em nevoas e brumas de álcool e achei que era melhor dar um gole desse meu copo cheio pro Supla, ahahahaha. Dali a pouco chegou do meu lado o queridão Guto Goffi (já éramos chegados naquela época, e ele era como sempre foi o batera gente finíssima do Barão Vermelho), me AGARROU pela cintura (ele é alto pra porra) e me tirou do chão, gritando “Finaaaaaaattiiiiiii!”. E eu algo bêbado pedindo: “me coloca no chão, porra!”. Depois da bebedeira desci pro gramado do estádio, pra ver o show do Guns N`Shit. Achei uma porcaria (com exceção do momento em que eles tocaram a ótima “Civil War”, que sempre gostei), ainda mais que pouco antes o Faith No More tinha causado comoção com seu set. E fim.

 

Voltei no Rock In Rio em 2001, na noite que teve Beck, Foo Fighters e REM. Aí já não tinha mais lama, já havia telões, eu continuava no jornalismo musical (que como bem e sempre frisa mestre Luis Antonio Giron, morreu na era da web, junto com todo o jornalismo de cultura pop no final das contas), escrevendo para a (imaginem) revistona da rádio Transamérica. E lá fui eu pra ver principalmente a turma de Michel Stipe, eternamente uma das 5 bandas da minha vida. E fui bem LOKO pra aquela noite do RIR, rsrs. Namorava com uma gostosa e loka arquiteta de 24 anos de idade, que AMAVA chapar a cabeça com ácido, ahahahaha. Ela então levou 2 “doces” pra tomarmos durante os shows. Fora que “apertou” uma tora gigante de marijuana pra fumarmos também. Então fumamos o beck e tomamos os doces, cada um o seu, no intervalo do show do Foo Fighters pro REM. Na metade da gig da banda do Michael, do Peter Buck e do Mike Mills (e mais alguns músicos convidados) o “negócio” começou a bater. A cor vermelha do camisão do Michael, reproduzida em tamanho gigante no telão, estourava na minha cara. E de repente eu comecei a ver aqueles cones gigantes da Aol (lembra, Forasta? Ela era uma das patrocinadoras do festival), que tinham ao lado do palco começarem a AVANÇAR na minha direção, e achei que ia ser DEVORADO por eles, ahahahaha. Tudo acabou com eu e a girlfriend estirados no chão, olhando pro céu (que estava limpo e cheio de estrelas) e felizes como dois pintos na chuva.

 

Assim como você nunca mais voltei no RIR. E acho que nem vou mais. Não dá pra negar que o festival se tornou um dos maiores do mundo e mega se profissionalizou. Assim como não dá pra negar que inovações como o espaço gigante para games é total bem vindo e sintonizado com a época atual. Mas… e a MÚSICA em si? E a PROGRAMAÇÃO MUSICAL? Essa já era né. Basta conferir toda a grade de atrações. Dá pra separar nos dedos o que tem de realmente importante pra se ver ali (eu contei e separei Céu com Boogarins, Naçäo Zumbi com Ney Matogrosso, The Kills e The Who, e acho que só. Sendo que Kills e Who também tocam semana que vem aqui mesmo em Sampa e espero conseguir ir aos shows). Mas no final das contas o que importa isso, não é mesmo? Quase ninguém mais vai ao RIR pela música, como já bem frisou nosso prezado André Barcinski. O grosso do público quer ir mesmo na roda gigante, na tirolesa, tirar selfie adoidado, comer, paquerar, ver, ser visto e FODA-SE o que ta rolando no palco. São os tempos da música e da cultura pop em 2017, na era cibernética. O romantismo e a poesia que havia nessa história ficaram lá atrás, há 32 anos, embalsamados para sempre na lama do primeiro e inesquecível Rock In Rio. É isso.

 

Valeu pelas lembranças, Forasta. Pelas suas e por trazer à tona as minhas também.

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A entrada principal do primeiro Rock In Rio, em janeiro de 1985: a poesia e o romantismo que existiam no festival ficou lá atrás, embalsamada na lama do tempo

 

A PROGRAMAÇÃO DO ROCK IN RIO 2017

15 de setembro (sexta)

Palco Mundo

19h – Ivete Sangalo

21h – Pet Shop Boys

22h35 – 5 Seconds of Summer

0h25 – Lady Gaga (headliner)

 

Palco Sunset

16h30 – Céu e Boogarins

 

16 de setembro (sábado)

Palco Mundo

19h – Skank

21h – Shawn Mendes

22h35 – Fergie

0h25 – Maroon 5 (headliner)

 

Palco Sunset

16h30 – Blitz & Alice Caymmi & Davi Moraes

18h – Charles Bradley & His Extraordinaires

20h – Miguel e Emicida

 

17 de setembro (domingo)

Palco Mundo

19h – Frejat

21h – WALK THE MOON

22h35 – Alicia Keys

0h25 – Justin Timberlake (headliner)

 

Palco Sunset

18h – Maria Rita e Melody Gardot

20h – Nile Rodgers & Chic

 

21 de setembro (quinta)

Palco Mundo

19h – Scalene

21h – Fall Out Boy

22h35 – Def Leppard

0h25 – Aerosmith (headliner)

 

Palco Sunset

16h30 – The Pretty Reckless

18h – The Kills

20h – Alice Cooper & Arthur Brown

 

22 de setembro (sexta)

Palco Mundo

19h – Jota Quest

21h – Alter Bridge

22h35 – Tears for Fears

0h25 – Bon Jovi (headliner)

 

Palco Sunset

20h – Ney Matogrosso & Nação Zumbi

 

23 de setembro (sábado)

Palco Mundo

19h – Titãs

21h – Incubus

22h35 – The Who (headliner)

0h25 – Guns n’ Roses (headliner)

 

Palco Sunset

18h – Bomba Estéreo & Karol Conka

20h – Cee Lo Green & IZA

 

24 de setembro (domingo)

Palco Mundo

19h – Capital Inicial

21h – The Offspring

22h35 – Thirty Seconds to Mars

0h25 – Red Hot Chili Peppers (headliner)

 

Palco Sunset

15h05 – Ego Kill Talent

16h30 – Dr. Pheabes e Supla

18h – Republica

20h – Sepultura

 

 

HÁ MAIS DE VINTE ANOS NA ESTRADA O QUEENS OF THE STONE AGE RESSURGE FODÃO COM DISCO INÉDITO, E MOSTRA QUE AINDA É A GRANDE BANDA ROCKER DOS ANOS 2000’

Talvez a última (e melhor) grande banda de rock ainda em atividade de 2000’pra cá, o americano Queens Of The Stone Age provocou comoção no mondo pop com o lançamento no último dia 25 de agosto de seu novo álbum de estúdio, “Villains”, que inclusive já deve estar ganhando edição física nacional – na web ele já está total disponível para audição nos Spotify espalhados pela rede. É o sétimo trabalho inédito da turma liderada pelo genial guitarrista, vocalista e letrista Josh Homme e que surge após o grupo passar bons quatro anos longe dos estúdios de gravação. E como de hábito na trajetória musical deles o disco já chegou causando barulho (o que era inevitável, em se tratando de QOTSA) e despertando as mais diversas reações entre os fãs e ouvintes em geral: a maioria, como sempre, amou o novo esporro sônico das Rainhas da idade da pedra. Mas também teve quem torcesse o nariz, achando a nova coleção de canções fracas, repetitivas, mais do mesmo e… pop e dançantes em demasia. Hã?

Quem não gostou da nova obra rocker de Homme e Cia e achou o cd “pop” e dançante demais, por certo está ruim do ouvido, mezzo surdo e deve ter implicado com o fato de o grupo ter convocado para pilotar a produção do álbum ninguém menos do que Mark Ronson. Ele mesmo, o produtor, músico e DJ inglês que transformou a saudosa Amy Winehouse em superstar quando meteu a mão na direção musical do hoje clássico (e excelente, musicalmente falando) “Back To Black”, o segundo rebento sonoro de Amy e que vendeu milhões de cópias e a deixou milionária. Muita gente do rock torce o nariz para o trabalho de Ronson por considerá-lo pop e radiofônico em excesso, muito pelo seu envolvimento em trabalhos de nomes como Lady Gaga, Adele, Lily Allen ou Bruno Mars. No entanto Mark se tornou uma celebridade na música planetária de anos pra cá justamente por trafegar com desenvoltura tanto na seara mais pop quanto no rock mais ortodoxo, o que lhe garantiu reconhecimento crítico e prestigio junto aos músicos. Hoje seu nome se tornou praticamente uma grife e sinônimo/garantia de que o trabalho produzido por ele irá se tornar sucesso junto à mídia e ao público.

E não deverá ser diferente com este “Villains”, do QOTSA. Óbvio que o mérito maior de o disco ter saído mais uma vez no capricho e com a qualidade de sempre é mesmo da própria banda. Mas de fato Ronson deu uma bem vinda e providencial oxigenada e “swingada” nas melodias e na seção rítmica do grupo, o que fica bastante evidente em (por exemplo) “The Way You Used To Do”, o primeiro single de trabalho do novo cd. Porém as guitarras porradas, por vezes chapadas e mezzo psicodélicas que constroem a já famosa ambiência “stoner” do som do conjunto continuam lá, espalhadas por todo o disco. Sendo que elas literalmente destroem o nosso sistema auditivo em “Domesticated Animals”, em “Head Like A Haunted House” ou ainda em “Un-Reborn Again”. Além disso também chama a atenção a textura sombria, quase goth, que permeia faixas como “Fortress” (possivelmente o ponto alto de um ótimo álbum) e “Villains Of Circumstance”, que fecha de maneira bastante impactante e agônica um disco que felizmente é bastante conciso (nove músicas em menos de cinqüenta minutos), uma raridade nos tempos atuais onde artistas gravam e lançam tranqueiras insuportáveis que enchem o saco e nossos ouvidos muitas vezes por mais de uma hora seguida.

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O novo discaço do QOTSA: já na lista dos melhores de 2017

Yep, “Villains” é um grande disco – e já está indo para a lista dos melhores de 2017 do site zapper, que aliás ainda tem bem poucos títulos na concorrência. Se considerarmos que a banda já tem mais de duas décadas de existência (sendo que ela está finalmente conseguindo manter um line up fixo há um bom par de anos já e contando com, entre outros, o guitarrista Troy Van Leeuwen e o tecladista Dean Fertita) e que Josh Homme (que está com a inflexão vocal melhor do que nunca, com seu mezzo falsete quase sempre contido modulando-se com perfeição às melodias de cada faixa) está com quarenta e quatro anos de idade, não é difícil chegar a conclusão de que o QOTSA ainda dá um pau em 90% das bandinhas medíocres atuais, todas elas chafurdadas em um roquinho irrelevante e que já está na UTI (respirando por aparelhos) há tempos. E nem seria o caso de comparar o novo trabalho com discaços do início da carreira deles, como “Rated R” ou “Songs For The Deaf”, pois vai ter gente chata dizendo que “aquilo sim era STONER ROCK fodão”. De fato era. E mesmo sendo, o grupo já naquela época adicionava esse tempero algo dançante nas suas melodias. De resto, algum problema ou demérito em dar uma atualizada na sonoridade do conjunto sem no entanto descaracterizá-lo e torná-lo superficial? Nenhum, no entender destas linhas rockers online.

Pois que o Queens Of The Stone Age continue fodástico assim por muito tempo ainda. E nunca é demais lembrar: a turma, que já fez grandes gigs por aqui, volta ao Brasil no começo de 2018, junto com os Foo Fighters. Que venham. Serão muito bem recebidos por todos nós, seus fãs leais e incondicionais.

 

***a maioria da rock press gringa recebeu muito bem “Villains”, como mostram as cotações dadas ao álbum pelo Consequence Of Sound, pelo Guardian e pela Rolling Stone americana.

 

O TRACK LIST DO NOVO DISCO DO QOTSA

  1. “Feet Don’t Fail Me”
  2. “The Way You Used to Do”
  3. “Domesticated Animals”
  4. “Fortress”
  5. “Head Like a Haunted House”
  6. “Un-Reborn Again”
  7. “Hideaway”
  8. “The Evil Has Landed”
  9. “Villains of Circumstance”

 

 

E O CD PARA AUDIÇÃO NA ÍNTEGRA AÍ EMBAIXO

 

AS RAINHAS DA IDADE DA PEDRA, ALGUMAS DE SUAS GIGS NO BRASIL E O JORNALISTA ROCKER/LOKER LOUCURANDO NELAS

***O QOTSA já é meio que macaco véio em terras brazucas. A primeira vez que a banda tocou por aqui foi na terceira edição do festival Rock In Rio, em janeiro de 2001 (a mesma edição que também trouxe Foo Fighters, Beck, REM, Neil Young e Oasis, entre outros). A turma liderada por Josh Homme existia há pouco mais de três anos, tinha dois discos de estúdio no currículo e já era uma das sensações do circuito alternativo do rock planetário. E CAUSOU, claro, na sua gig no RIR, com o ex-baixista Nick Oliveri entrando no palco completamente PELADO – sendo que ele permaneceu assim durante todo o show. Não deu outra: assim que a apresentação terminou Nick foi “gentilmente” convidado a ir preso até o distrito policial mais próximo, onde foi liberado após se explicar pro delegado de plantão e pagar fiança. “Ué, sempre vejo VÍDEOS do carnaval carioca onde todo mundo aparece completamente sem ROUPA. Então pensei que também não haveria problema em eu tocar assim”, disse ele na época. Alguém discorda do loki? Rsrs.

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O ex-baixista do QOTSA, Nick Oliveri, toca PELADO no RIR de 2001; terminado o show o músico foi em cana por atentado ao pudor. “Ué, mas todo mundo não fica pelado aqui no carnaval?”, indagou ele após pagar fiança e ser liberado, uia! 

 

***Na sequencia a banda voltou ao Brasil em 2010 (na primeira edição do sensacional e saudoso festival SWU), em 2013 (na segunda edição do Lollapalooza BR) e em 2014 (finalmente em show solo e único na capital paulista e que abarrotou o Espaço Das Américas, com oito mil malucos pulando lá dentro ao som do grupo). Destes o jornalista eternamente rocker só perdeu mesmo o de 2014. Vamos ver se, véio que estamos, nos animamos pra rever Josh Homme e Cia agora em 2018, junto com os Foo Fighters.

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Dupla fodona do rock mundial: Josh Homme e Dave Ghrol, os líderes do QOTSA e dos Foo Fighters; ambas tocam juntas no Brasil no começo de 2018

 

***Das gigs vistas pelo site zapper, a melhor e a que nos traz ótimas lembranças foi mesmo a de 2010, na segunda noite do festival SWU. Fazia um frio dantesco (cerca de 11 graus, isso em pleno mês de outubro) na arena Maeda, em Itú (cidade próxima à capital paulista). Antes do QOTSA entrar em cena no palco 2 os Pixies já haviam feito uma apresentação pra lá de preguiçosa e burocrática no palco 1. O frio não dava trégua. E o autor destas linhas online, credenciado como jornalista que estava, aguardava na área de imprensa (bem na frente do palco) o início da gig do Queens. Junto com ele estavam sua então girlfriend naquela época (a francesa/macapaense Rudja) e nosso eterno “gordito de mi corazón”, o Wladymir Cruz (o poderoso boss do site Zona Punk). Pois não deu outra: quando o show começou o povaréu foi à loucura e o frio que fazia todos baterem os dentes, desapareceu como por milagre. Foi um set infernal e num dos seus momentos mais violentos (quando o conjunto atacou a esporrenta “Little Sister”) o autor deste espaço rocker virtual perdeu o pouco de juízo que ainda lhe restava naquele momento e não se conteve: se esqueceu que tinha mais de quarenta e cinco anos nas costas e, tal qual um adolescente maluco, literalmente se ATIROU na grade que separava a área de imprensa do palco. Isso para irritação de sua namorada que, do alto dos seus então vinte e três aninhos, chamou a atenção do “tiozão” rock’n’roll: “para com isso! Você está parecendo uma criança alucinada!”. Oras, afinal estávamos num show de rock (e, ainda por cima, do Queens Of The Stone Age) ou numa missa dominical? Rsrs.

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O zapper eternamente loker/rocker e sua ex-girlfriend, no meio da muvuca do festival SWU e durante a apresentação do Queens Of The Stone Age, em outubro de 2010: o frio que estava arrasador na arena Maeda simplesmente SUMIU quando Josh Homme e sua turma começaram a devastação sonora no palco (foto: Wladymir Cruz)

 

***Yep, Josh Homme nunca escondeu sua predileção por drugs, rsrs. Tanto que a letra do clássico “Feel Good Hit Of The Summer” começa justamente assim: “Nicotina, valium, Vicodin, marijuana, ecstasy, álcool, COCAÍNA!”. Uia!

 

***E sim, Josh continua com sua dancinha “sensual” ao vivo (não é, Carolina Calanca?), enquanto a banda dispara anátemas sonoros que rasgam o sistema auditivo de qualquer um. Como este Finaski sempre gosta de ressaltar: se todas as bandas de heavy metal burrão fossem como o Queens Of The Stone Age, o HM estaria salvo como gênero rocker e não seria a merda gigante que é. Ponto.

 

**********

ANÁLISE: O FIM PARECE REALMENTE PRÓXIMO PRO CIRCUITO DE BARES DE ROCK ALTERNATIVO EM SAMPA – E OS MOTIVOS SÃO… (LEIAM, ORAS! RSRS)

Entonces: Zapnroll foi ao bar paulistano DJ Club, que fica na alameda Franca, região dos Jardins (área nobre da capital paulista, próxima a avenida Paulista) no finde passado. Foi lá principalmente pra rever sua super querida amiga Vanessa Porto, e prestigiar a dj set que ele iria fazer (Vanessa, além de ser uma queridíssima amiga há mais de década, é uma das melhores DJs do que ainda resta da cena rocker noturna paulistana). Como chegamos relativamente cedo (pros nossos padrões habituais) por lá, deu pra papear legal com ela e ainda curtir bastante o som que rolava tanto na pista principal quanto no lounge.

Foi aí que começamos e tivemos tempo para ANALISAR o ambiente, a música que estava rolando e as pessoas que estavam por lá. E percebemos que muita coisa mudou ali desde a última vez em que fomos ao local.

O DJ Club é velhinho já. Deve existir há uns quinze anos ou mais. E durante boa parte desses anos foi um dos principais clubes de indie rock de Sampalândia. Vivia lotadaço, principalmente aos sábados, quando uma horda de indie kids (eles trajando invariavelmente calças apertadíssimas, t-shirts de bandas de indie rock e tênis All Star; elas também com t-shirts de bandas mas geralmente customizadas ou bem justas e coladas ao corpo, pra realçar as peitolas ou peitões, muita mini saia e botas de cano alto) invadia em peso o lugar pra dançar ao som da sua banda predileta até o dia clarear. O site zapper mesmo freqüentou muito ali no seu auge. E claaaaaro, algumas vezes ficou total alucicrazy por lá, chapado de álcool em excesso e de cocaine idem.

(abrindo um parêntese meio grandinho aqui: Finaski nunca esquece, inclusive, de uma das últimas festas em que foi lá, isso há uns seis anos. O loki aqui ainda cheirava muuuuuita cocaína. Foi já doidão e “trabalhado na maldade” pro Dj Club. Lá pelas tantas, já estando como o diabo gostava e tomando um drink, uma gin tônica, a vimos do nosso lado. Estava de camiseta branca justíssima e calça preta. Bonita de rosto, cabelos lisos e compridos. E peitos GIGANTES. Não deu outra: fomos pra cima, entabulamos um papo qualquer sobre um som qualquer que tinha acabado de rolar e ela deu atenção. O papo degenerou pra noitadas, amenidades sobre rock, comportamento, loucuras e DROGAS. Ela disse que gostava de TECAR farinha de vez em quando. O loki aqui disse que tinha. Fomos pro banheiro. Finaski esticou uma pra ela. Foi aí que FODEU literalmente a noite, rsrs. Ela queria e queria mais. A que tinha estava acabando. Então como já estava acabando a madrugada o zapper sugeriu que ela fosse com ele. Ela foi. Descobrimos que éramos quase VIZINHOS, morando na avenida Jabaquara, a poucos quarteirões um do outro. Como o jornalista doidão não tinha muita grana já àquela altura da manhã e os dois queriam mais, novamente ele sugeriu que a dupla rachasse uma “parada”. Ela topou. O zapper teve que ir buscar a “encomenda” na famosa rua Alba, que era mais perto de onde estávamos do que a comunidade de Heliópolis (onde ele sempre ia em busca do “produto”). Foi e voltou o mais rápido que pôde já que além de estar no apto onde ela morava SOZINHA (não deve morar mais) com a dita cuja, ele queria aspirar mais e também MAMAR naquelas tetas gigantes, ahahaha. Enfim, resumindo a ópera: ele saiu bem loko daquele apê quando já eram umas 9 da manhã de mais um triste domingo na nossa existência cinza. Se MAMOU nos peitões da loca? Não, rsrs. O máximo que conseguiu da moça foi ela TIRAR a camiseta e mostrar sua comissão de frente – os bicos eram de fato gigantescos e de enlouquecer um macho. Mas ficou nisso. E nunca mais viu a figura, mesmo ela morando pertíssimo de casa)

Voltando ao DJ Club: a madrugada foi muito mais tranqüila e normal por lá. O bar e a pista tinham bastante gente? Sim. Mas longe de estar LOTADO como lotava há alguns anos. Também notamos mudança significativa no público freqüentador. Os indie kids saíram de cena. Agora há uma mistura heterogênea de coxinhas, playbas, alguns metaleiros cabeludos (trajando inclusive camisetas do Merdallica), e ainda alguns remanescentes e cultores de rock mais alternativo (tinha um garoto com uma camiseta do Joy Division, outro com uma dos Ramones, e só). Sim, ainda tinha muitos garotos e garotas (sempre muito gostosas e vistosas) na faixa dos vinte anos de idade. Mas a maioria do público ali presente parecia mais velha, na faixa dos 25/30 anos.

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A gatíssima, super DJ e old friend amiga zapper Vanessa Porto, ao lado de Zapnroll na porta do DJ Club, na semana passada (acima); o club continua ótimo, o som é incrível a madrugada toda e onde toca muito anos 80’e seus mega clássicos como os imbatíveis Smiths (abaixo), que literalmente arrancou o povo do chão. Mas infelizmente ao que parece o fim está mesmo próximo para as casas dedicadas ao rock em Sampalândia

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O som nas duas pistas? Muito bom, total rock e bem ok. Mas contamos nos DEDOS o que rolou de bandas de rock que surgiram do ano 2000’ pra cá, a saber: Arctic Monkeys, Kaiser Chiefs, The Killers (aff, como Zapnroll DETESTA essa porra), Franz Ferdinand, Alabama Shakes (no lounge), Interpol e She Wants Revenge – também tocou Queens Of The Stone Age (com a sempre fodíssima “No One Knows”) mas eles não contam porque a banda surgiu bem antes do ano 2000’. De resto, rolou absolutamente apenas VELHARIAS e autênticos cavalos de batalha das pistas com mais de 25/30 anos de idade. E todo mundo dançando, pulando e quase GRITANDO loucamente ao som dessas velharias, especialmente em hits já mega clássico e imbatíveis como “Boys Don`t Cry” (do Cure), “Bigmouth Strikes Again” (dos Smiths e que literalmente arrancou o povo do chão da pista de dança), “London Calling” (do Clash), “Private Idaho” (dos B-52’s) ou qualquer uma dos Ramones (tocou pelo menos duas dos pais americanos do punk).

O que significa o que relatamos no parágrafo acima? Algumas coisas: a) que não está havendo RENOVAÇÃO alguma no rock de 17 anos pra cá. Não há renovação de bandas, de músicas, nem de PÚBLICO. Sim, claro, existem ainda milhares de novos grupos surgindo todos os dias (a maioria, ruins de doer) mas quem se importa com eles em um momento em que a PIRRALHADA imbecil da era da web (e sendo que é essa pirralhada que ainda é o grosso do contingente que escuta e consome música no mundo) só quer saber de música eletrônica, pop descartável americano e inglês, e todo o grande lixão musical daqui mesmo (representado por sertanojos, feminejas, funk burrão e axé brucutu)? O que nos leva à conclusão b) sem bandas novas e hits novos e de qualidade, o que impera nas pistas dos bares que ainda se dedicam ao rock (uma atitude heróica essa desses bares, devemos exarar) é isso mesmo: clássicos de 25/30 anos atrás. E sendo que todos eles são sempre os mesmos e tocam em todos as pistas (seja ela do Dj Club, do Madame Satã ou da Tex, na rua Augusta); c) pistas estas que estão vendo justamente seu público mais jovem minguar (e o de mais idade ainda permanecer nelas) porque a molecada  DEFINITIVAMENTE não está mais nem aí para o rock’n’roll; e por fim, d) tudo isso é ruim? Sem dúvida. Desalentador ficar escutando as mesmas músicas nos bares que ainda resistem tocando rock? De forma alguma: são clássicos já atemporais e imbatíveis. Daquelas músicas que você escuta mil vezes seguidas sem se cansar delas. Algo que NENHUMA (vamos repetir: nenhuma) banda atual consegue compor. E nem vai conseguir, provavelmente.

Então saímos bem satisfeitos do Dj Club naquela madrugada, por tudo o que escutamos por lá. Mas também algo melancólico por nos darmos conta de que, talvez, mais um histórico bar da cena rocker under paulistana esteja a caminho do seu fim, como já se foram o Astronete, o Matrix, o Inferno e a Funhouse recentemente. Sinal de que os tempos atuais acabaram mesmo para e com o rock’roll.

 

MUSA ROCKER EM REPETECO DELIRANTE! ATENDENDO A PEDIDOS, UMA NOVA BATELADA DE FOTOS DA TESUDÍSSIMA (E COMO!) FLÁVIA DIAS!

Yep, não teve como. Bastou o post original onde a moça mostrou sua abusada e deliciosa nudez cair no seu mural no Faceboquete, para que uma turba ensandecida de amigos e fãs dela pedisse bis e um novo ensaio. E Zap’n’roll, sempre atenta aos “anseios” (uia!) de seu dileto leitorado masculino, resolveu ouvir os apelos (ou o “chamado das ruas”, hihi). Portanto aí embaixo repetimos a entrevista original com a gatíssima Flavinha, sua seção original de fotos e novas imagens clicadas com esmero pelo seu love boy, Daniel Inácio. E, de bônus luxuoso, um dos muitos poemas escritos pela garota, inspirado no clássico “Uivo”, do escritor norte-americano Allen Ginsberg.

Apreciem sem NENHUMA moderação!

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A sereia louca e tesuda e seus amores literários

 

IMAGEMMUSAFLAVIAVII

Buk, não me abandone JAMAIS!

 

IMAGEMMUSAFLAVIAVI

Meus diários secretos e repletos de devassidão carnal…

 

IMAGEMMUSAFLAVIAV

Fuck you, asshole!

 

IMAGEMMUSAFLAVIAIV

Sou leitora dedicada e aplicada

 

IMAGEMMUSAFLAVIAII

Sempre fui, aliás

 

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Duvida? VEM ME CATAR ENTÃO, se for capaz! (difícil! Já amo meu DRAGÃO CARALHUDO!)

 

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Mas tudo bem, eu deixo você escutar Stones do meu ladinho assim

 

 

XXX

 

Nome: Flavia Dias.

 

Idade: 39.

 

De onde é: São Paulo.

 

Mora onde e com quem: Moro na masmorra de um castelo com um dragão caralhudo.

 

O que faz: Escrevo e leio almas. E nos intervalos, se pedir com jeitinho, eu faço tudo.

 

O que estudou: O único diploma que tenho não serve pra porra nenhuma. E me recuso dizer que tenho ensino médio completo porque pra mim, nada que é médio pode ser completo. E vou dizer-lhes mais: em meio livro do Dostoiévski aprendi muito mais do que em todas as escolas que estudei. A minha ignorância vem do bolso mesmo, porque acho que nem berço eu tive. Enfim, eu leio.

 

Três discos: Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets. (E de preferência com muitos Baurets),

 

Uah Bap-Lu-Bap-Lah-Béinn-Bum!  (Toca Raul!! ) e Beggars Banquet (The Rolling Stones, porque aquela noite foi incrível)

 

Três bandas ou artistas: Rita Lee, Janis Joplin, Rolling Stones.

 

Três filmes: Psicose, Taxi Driver, Um estranho no ninho.

 

Três diretores: Quentin Tarantino, Charlie Chaplin, Steven Spielberg.

 

Três livros: Notas do Subsolo (Dostoiévski), Pergunte ao pó (John Fante), Misto Quente (Bukowski).

 

Um show inesquecível: Inesquecível mesmo foi o primeiro. Titãs. Eu tinha uns doze anos, e até hoje me arrepio quando lembro da multidão mandando as oncinhas pintadas, as zebrinhas listradas e os coelhinhos peludos se fuderem. Foi mágico. Acho que nem foi o show mais foda que eu fui, mas foi o único que eu estava sóbria, deve ser por isso que eu lembro.

 

Como o blog conheceu Flavinha: ela é super amiga de uma outra musa rocker zapper, a escritora e roteirista Juliana Frank. Foi assim que, algum tempo atrás, o velho jornalista ainda loker conheceu a morenaça pessoalmente, quando todos estavam “derrubando” algumas brejas no bar Cemitério de Automóveis, do dramaturgo Mário Bortolotto. Conheceram e não se desgrudaram mais: o blog estava no último finde no apê de Flávia, tomando um ótimo cabernet sauvignon chileno e admirando sua incrível coleção de livros (ela é fã dos russos e dos beats americanos, entre outros). Mas enfim, chega de papo, rsrs. Podem preparar as bronhas, ulalá! Aí embaixo o ensaio fodástico de miss Flávia, em imagens registradas pelo seu love boy, o fotógrafo e técnico de som Daniel Inácio.

 

XXX

 

E UM POEMA DA GATA

 

“URRO”

Eu vi um sobrevivente de outra geração encostado em um balcão sujo, de um bar sujo, bebendo uísque falso em um copo de extrato de tomate engordurado. Ele estava feliz da vida porque tinha acabado de comer uma puta banguela que tem tatuado no cóccix o nome do cantor Wando. escutei esse homem dizer QUE perdeu um dos testículos no lápis de um valentão da escola,

QUE apanhava da sua mãe com vara de marmelo quando se masturbava na frente das visitas desagradáveis enquanto seu irmão caçula tocava piano,

QUE foi enrabado pelo padrasto quando seu saco ainda nem tinha pentelhos,

QUE aos dezoito anos perdeu o cabaço dentro de uma buceta promíscua com um caso grave de gonorreia,

QUE fumou maconha da lata e deixou a mulher que amava enfiar o dedo em seu cu durante uma foda incrível em Arraial do Cabo,

QUE fugiu da mulher que amava porque amava outra mulher que ainda não o amava,

QUE tomava lisérgicos e chorava em frente a tv se comparando com o coiote,

QUE deixou um eco do seu grito na Pedra Lisa de Paranapiacaba quando escorregou e descobriu que podia voar,

QUE pulou de um trem andando só pra desejar um bom dia para a dona dos olhos mais bonitos que ele já viu,

QUE pescou um peixe alcoólatra do aquário de uma vizinha gorda que se masturbava com um pepino besuntado com óleo Johnson,

QUE bateu punheta lendo os livros do Marquês de Sade,

QUE desceu tão baixo que pra tocar no chão teve que erguer os braços,

QUE subiu do céu ladeira abaixo direto para um inferno frio e cheio de pecadores arrependidos e incapazes de chorar,

QUE bateu o pau mole na cara de um anão homossexual em um cinema de filmes pornográficos,

QUE mijou dentro do vinho tinto de um padre porque ele deixou sua castidade no rabo de um coroinha,

QUE fez amor com uma abóbora morna assistindo a Rita Cadillac no cassino do Chacrinha,

QUE foi preso depois de cortar com uma gilete o caralho de um estuprador de crianças pobres,

QUE achou a vida demorada durante toda a pena que cumpriu dentro de uma latrina mal cheirosa e cheia de olhos sangrentos enforcando o seu sono,

QUE enterrou a mãe odiada sem derramar nenhuma lágrima falsa,

QUE não voltou porque nunca teve pra onde…

QUE seu sítio fica no meio fio de um cruzamento qualquer de uma rua de asfalto gasto onde se pode ver alguns trilhos de bonde,

QUE gosta de ser invisível e de passar através de desprezos aclarados sem nenhuma sombra de dúvidas,

QUE urinou na samambaia de uma vizinha gostosa de um sargento ruivo da polícia militar,

QUE limpou o cu com um bilhete de loteria premiado e o descartou junto com um monte de merda na privada de um banheiro público,

QUE pra casar com a solidão fodeu com a vida dentro de uma caçamba lixosa mergulhado em um lago de chorume,

E QUE a puta banguela com a tatuagem do Wando no cóccix é a mulher que ele ama, e ele vai tirar ela daquele lugar miserável e vai levá-la para a melhor sarjeta desta cidade. Porque ele a ama. E também porque a carne dela ainda está boa para comer por mais uns mil anos.

 

(Flávia Dias, SP, 2017)

 

E UFA! FIM DE PAPO!

Agora acabou meeeeesmooooo! Também pudera, ulalá! O maior POSTAÇO zapper dos últimos tempos, hein! Assim até vale a pena esperar um pouco mais por cada novo post aqui no site campeão em cultura pop – enquanto isso, outros “broguis” pobreloaders penam com seus postecos irrelevantes diários, ô dó, ahahahahaha.

Então ficamos por aqui, beleusma? Já é sextona à noite, o RIR 2017 começou, o conde Drácula continua lá no Planalto e o jornalista eternamente loker/rocker se vai. Deixando um beijo GIGANTE no coração de duas garotas/gatas que estão tornando a vida dele e a alma dele muito menos cinza de tempos pra cá. Amor pra Anna “Kika” Rodrigues e pra Thays Karolline, hoje e sempre!

Até a próxima, rockers & lovers!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 15/9/2017,  às 23hs.)

 

AMPLIAÇÃO “QUASE” FINAL (nuca se sabe, né?), com texto analisando o episódio sobre machismo e relação abusiva que pode acabar com a carreira do Apanhador Só, além de papos com o Vespas Mandarinas e mais NUDES da total musa rocker delicious Paloma, uhú! – Agosto está sendo mesmo o mês do cachorro louco, com o blog zapper tendo seu notebook afanado e, logo em seguida, sendo infectado por uma bactéria quase mortal na garganta; ainda assim cá estamos com novo post e onde falamos da exposição ultra rock’n’roll que está chegando a Sampa mostrando a trajetória gigante e inesquecível do Nirvana, uma das últimas bandas que valeram a pena serem ouvidas e adoradas por milhões de fãs; mais: um caso de MACHISMO que pode decretar o fim de uma das boas bandas da indie scene nacional dos anos 2000’, papos com o Vespas Mandarinas (que lança seu segundo álbum com show neste finde na capital paulista) e mais imagens inéditas da super musa Paloma, que encantou nosso dileto leitorado há duas semanas, ulalá! (postão ampliadão e finalizado em 21/8/2017)

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O genial e inesquecível guitarrista e vocalista Kurt Cobain comanda a apresentação do trio Nirvana no festival Hollywood Rock, que aconteceu em janeiro de 1993 em São Paulo (acima e abaixo, com a banda no camarim momentos antes do show); uma mega exposição (abaixo) documentando a curta porém intensa trajetória do grupo será aberta em São Paulo agora em setembro   

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Rarely displayed memorabilia including iconic clothing and musical instruments of the late Kurt Cobain of the legendary grunge band Nirvana, are on display at the "Nirvana: Taking Punk to the Masses" exhibition of the Experience Music Project (EMP) in Seattle on April 15, 2011. This EMP exhibit, which opens to the public on April 16, is the most extensive assembly of memorabilia from Seattle's 'grunge rock years' and focuses on bands like Soundgarden, Alice in Chains, Pearl Jam and especially the band Nirvana and the life and 1994 suicide death of Cobain, that band's iconic leader. REUTERS/Anthony Bolante (UNITED STATES - Tags: ENTERTAINMENT SOCIETY)

MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, o rock, cinema, livros, discos, comportamento e sociedade)

 

***MICROFONIA EDIÇÃO ESPECIAL: O EPISÓDIO SOBRE MACHISMO E RELAÇÃO ABUSIVA QUE PODE POR FIM À CARREIRA DO APANHADOR SÓ – foi o assunto que dominou a indie scene nacional (ou o que resta dela) na semana passada, em sites e blogs especializados (menos na Pobreload claaaaaro, que só se importa em tentar fabricar fake news e hypes inúteis e total irrelevantes, que não irão fazer diferença alguma na vida de ninguém) e em redes sociais como o faceboquete. Com seu terceiro disco (intitulado “Meio que tudo é um”) lançado no início deste mês, o trio gaúcho Apanhador Só (que existe já quase década e meia, lançou três álbuns de estúdio e é um dos bons nomes do rock independente nacional dos anos 2000’) se preparava para cair na estrada, na turnê de divulgação do trabalho. Tudo foi repentinamente interrompido quando a escritora, jornalista e apresentadora de rádio Clara Corleone, ex-companheira do guitarrista da banda Felipe Zancanaro, resolveu abrir publicamente na sua página no FB como havia sido terrível sua relação com o músico durante o período em que conviveram. Segundo ela se tratava de uma relação “abusiva” e “machista”, onde Felipe a teria traído mais de quarenta vezes e a ferido fisicamente durante uma das muitas discussões do casal, causando uma fratura num dos dedos de uma das mãos da garota.

A gaúcha de Porto Alegre resolveu tomar essa atitude (depois de estar separada de Felipe já há três anos) quando se deparou com o conteúdo e o contexto da canção “Livre, leve e louca”, que integra o novo cd do trio (que além de Zancanaro ainda conta com o vocalista e guitarrista Alexandre Kumpinski e o batera Fernão Agra). A letra da faixa é uma espécie de libelo e exaltação a todas as mulheres que são livres e libertarias no seu comportamento e no seu modo de viver. Ou seja, exalta justamente o modo contrário como Felipe se comportava com Clara.

Logo o assunto particular e que se tornou público, envolvendo o ex-relacionamento de ambos, se transformou em um pandemônio na web. Até o momento a postagem de Clara recebeu mais de 54 mil curtidas no seu FB. Já Felipe decidiu se desculpar publicamente com a ex-companheira pela forma como ele a tratou durante o tempo em que ficaram juntos. Fez isso também no seu perfil no FB mas pouco adiantou: está sendo literalmente linchado e massacrado pelo já célebre e pavoroso “tribunal do feicibuqui”. O assunto ganhou tamanha repercussão que foi parar no noticiário da FolhaSP online, no portal G1 e também no site da revista Rolling Stone. E o Apanhador Só, sob pressão e no olho do furacão da parada, simplesmente resolveu suspender suas atividades e sem previsão de volta. Ao menos por enquanto.

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Fim da linha pro trio gaúcho Apanhador Só?

 

Tudo isso é muito tenso e triste, claro. Como já dissemos mais acima o grupo é um dos nomes bacanas que surgiu na cena alternativa brazuca nos últimos anos. E na opinião destas linhas online, não pode ser punido ou massacrado por conta da conduta pessoal totalmente reprovável de um dos seus integrantes, durante o tempo em que ele permaneceu com sua ex-garota. Yep, Zap’n’roll deplora e sempre será contra o machismo e as relações amorosas/emocionais abusivas. Mas também irá lamentar muito se o Apanhador Só chegar ao fim por conta deste episódio.

Dos muitos textos e analises postados na web sobre a questão, gostamos particularmente deste aqui: https://seteiris.com.br/2017/08/19/o-apanhador-so-o-machismo-travestido-da-cena-alternativa-e-o-tribunal-do-feicebuque/. Sendo que o perfil de Clara Corleone na rede social pode ser acessado aqui: https://www.facebook.com/clara.corleone.3. E o de Felipe Zancanaro aqui: https://www.facebook.com/felipezancanaro. Sendo que o site zapper está entrando em contato com ambos para que eles se manifestem aqui sobre a situação, se assim o quiserem.

Também estamos pensando em convidar Clara para ser a nova musa rocker de Zap’n’roll. Afinal ela é uma gaúcha total delicious, como você pode conferir nas imagens abaixo (e que também estão no seu FB). Vamos ver o que rola e logo informamos aqui ao nosso sempre dileto leitorado.

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***Apanhador Só aí embaixo – com seu novo álbum para audição na íntegra, além do vídeo para a já antiga “Nescafé”, um dos melhores momentos da trajetória do trio rock gaúcho.

 

***Mais notícias aqui? Irão surgindo ao longo dessa semana, se algo realmente digno de nota aparecer na cultura pop e no rock, okays? Fiquem de olho então!

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TALVEZ A ÚLTIMA BANDA GIGANTE DA HISTÓRIA DO ROCK, O NIRVANA INVADE NOVAMENTE O BRASIL EM MEGA EXPOSIÇÃO DEDICADA AO TRIO

Parece que foi ontem. Mas já se passaram longos vinte e quatro anos desde que o trio grunge americano Nirvana, liderado pelo inesquecível e hoje mitológico guitarrista e vocalista Kurt Cobain (e que ainda contava com o baixista Kris Novoselic e o baterista Dave Grohl, que após o fim do conjunto montou o Foo Fighters) se apresentou no Brasil, no extinto festival Hollywood Rock. Foi em janeiro de 1993, o grupo estava no auge da sua curta trajetória (iniciada em 1987) após estourar mundialmente com o ultra clássico álbum “Nevermind” (lançado em 1991 e que vendeu rapidamente mais de 10 milhões de cópias) e a humanidade queria ver o conjunto ao vivo – sendo que aqui não foi diferente e na noite da gig 70 mil pessoas foram ao estádio do Morumbi, o autor destas linhas rockers bloggers incluso. Assim, duas décadas depois desta primeira “invasão” promovida em solo brazuca pelo trio, o Nirvana volta novamente ao Brasil. Mas desta vez através da mega exposição “Nirvana: Taking Punk To The Masses”, que está em cartaz no Rio De Janeiro até 22 de agosto, no Museu Histórico Nacional. Em seguida a expo aterrisa em São Paulo, onde ficará instalada no Parque do Ibirapuera de 12 de setembro até 12 de dezembro.

Todo mundo que esteve no Morumbi naquela noite de 16 de janeiro de 1993 sabe que a apresentação do conjunto foi péssima. Naquela época, surfando no mega sucesso de “Nevermind”, o Nirvana alternava ótimas e terríveis apresentações ao vivo. E na turnê pela América Do Sul não foi diferente. Em novembro de 1992 o grupo se apresentou em Buenos Aires, na Argentina. Quem esteve presente garante que foi um show espetacular. Já aqui, dois meses depois, os paulistanos não tiveram a mesma sorte. Reza a lenda (sempre as lendas…) que Kurt Cobain entrou em parafuso quando chegou a São Paulo. Queria e precisava desesperadamente tomar heroína. Como a droga não foi encontrada para ele em Sampa, a produção da banda promoveu um autêntico assalto à farmácia que havia no lobby do hotel Maksoud Plaza (onde os grupos que iriam se apresentar no festival foram hospedados), literalmente limpando o estoque de “bolas” e calmantes que havia no local. Kurt se entupiu de várias dessas bolas, ingerindo-as com álcool. Não deu outra: quando adentrou o palco no estádio, sua cabeça estava em outra rotação e em outro planeta, como bem relata o jornalista Pablo Miyazawa (ex-editor da revista Rolling Stone) em texto publicado na web há oito anos e que pode ser lido aqui: http://rollingstone.uol.com.br/noticia/estou-aqui-me-divirta-um-relato-sobre-o-show-do-nirvana-em-sao-paulo-em-1993/#imagem0.

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A mega exposição dedicada ao Nirvana (acima e abaixo) está chegando a São Paulo; ela será aberta ao público no próximo dia 12 de setembro, no Parque do Ibirapuera, na capital paulista  

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Mas se o show em Sampa há mais de duas décadas foi ruim, a exposição que está chegando à capital paulista é ótima e caprichada. Durante três meses quem for ao Parque do Ibirapuera poderá conferir, através de mais de duzentas peças (entre imagens, vídeos, fotos, roupas, instrumentos, cartazes de shows e eventos etc.), toda a curta porém impactante e histórica trajetória do Nirvana no rock’n’roll mundial dos anos 90’. Uma trajetória que começou na pequenina cidade de Aberdeen em 1987, pulou para a lendária Seattle e ali, em pouco mais de seis anos de existência o Nirvana mudou totalmente as concepções do rock até então. Escrevendo canções pesadas, com pegada punk mas eivadas de melodias pop e radiofônicas, Kurt Cobain deu voz a toda uma geração ao cantar suas letras sobre inadequação existencial, desencanto emocional e amoroso, rebeldia jovem e contestação social. Incrível é que, com tal tipo de sonoridade e de temas abordados nas letras, o Nirvana tenha chegado onde chegou, se tornando a maior banda do mundo no início dos anos 90’ e tendo vendido até hoje mais de setenta e cinco milhões de cópias de seus álbuns.

Eles foram, continuam sendo e serão para sempre uma das cinco bandas da vida do autor deste blog. E se o rock de hoje está morto e a geração da web não se importa mais com música que transmita contestação e inconformismo existencial, não importa. A obra magistral de Kurt e do Nirvana estarão aí para sempre para nos lembrar que, sim, o rock’n’roll gigante e que foi o gênero musical mais importante de todos os tempos em termos políticos e sociais, existirá para sempre. Mesmo que apenas nos discos e em nossas mais caras lembranças.

 

***Tudo sobre a exposição do Nirvana em São Paulo aqui: https://www.facebook.com/events/102736220348115/.

 

 

MINI DIÁRIO SENTIMENTAL – O NIRVANA, O GRUNGE E OS ANOS 90’ EM SAMPA

***O Nirvana surgiu em 1987 em Aberdeen, cidadela próxima a Seattle, capital do Estado americano de Washington. O gênio por trás da banda era o compositor, guitarrista, letrista e vocalista Kurt Cobain, claro. Tendo passado uma infância e adolescência totalmente atormentada por problemas familiares, Kurt deu vazão a esses tormentos através do rock e de suas composições. A ascensão do grupo foi bastante rápida: em 1989 já saia o disco de estréia, “Bleach” (que, novamente reza a lenda, teria custado a bagatela de US$ 600 dólares para ser gravado e produzido por Jack Endino; você consegue imaginar qualquer bandinha ridícula e de merda do rock BR gravando um disco fodástico pelo mesmo valor? Pois é…). Pesado mas com melodias assobiáveis, foi bem recebido por crítica e público, e emplacou ao menos um hit nas rádios, a sensacional “About A Girl”.

 

***Mas o estouro mesmo veio com “Nevermind”, lançado em 24 de setembro de 1991. Interessada no grupo a gigante Geffen (que estava montando então um cast com bandas de rock alternativas) arrancou o Nirvana do selo SubPop, lar da geração grunge (a turma que usava camisas de flanela e cuja sonoridade dos grupos se inspirava no punk rock ou no hard/heavy rock de nomes como Black Sabbath) de Seattle e que estava dominando o mundo via Pearl Jam, Soundgarden, Alice In Chains, Screaming Trees etc. Tão barulhento quanto o primeiro disco mas com um verniz pop nas melodias (cortesia do genial produtor Butch Vig) que tornava as canções ultra radiofônicas, “Nevermind” explodiu em vendagens rapidamente e estourou nas rádios do mundo inteiro (Brasil incluso) com o mega hit “Smells Like Teen Spirit”. No final daquele ano o álbum estava vendendo cem mil cópias por semana apenas nos Estados Unidos. E foi parar no primeiro lugar da Billboard, expulsando de lá Madonna e Michael Jackson que viviam se alternando na posição.

 

***Com o sucesso mundial, todo mundo queria ver a banda ao vivo. E ao mesmo tempo em que vendia milhões de discos e ficava literalmente milionário, Kurt Cobain começava a dar mostras visíveis de seu total desconforto emocional com a nova vida de rock star. O seu consumo de heroína (droga que ele usava desde a adolescência) disparou. E o Nirvana passou a alternar apresentações memoráveis com outras absolutamente pavorosas.

 

***Como o jornalista zapper conheceu a banda? Ele trabalhava como repórter de música no finado diário paulistano Folha Da Tarde (hoje, AgoraSP). Um belo dia recebe um telefonema na redação da inesquecível e sempre ultra fofa e querida assessora de imprensa da gravadora RCA brasileira, a Miriam Martinez. “Fininho [ela chamava carinhosamente o sujeito aqui dessa forma], to te mandando um suplemento bacana de novos lançamentos de rock da gravadora. E queria que você prestasse especial atenção ao disco do NIRVANA. Eles estão ESTOURADÍSSIMOS nos EUA, são a banda do momento por lá!”. Quando recebeu a sacola com os LPs, Zap’n’roll foi ouvir com atenção o tal Nirvana. Caiu imediatamente de amor pela banda. E nunca mais deixou de amá-la.

 

***Quando foi anunciada a escalação do Hollywood Rock que iria acontecer em janeiro de 1993 no Brasil, a nação rocker brazuca literalmente enlouqueceu. Iria ser a edição “grunge” do festival, com shows do Red Hot Chili Peppers, Alice In Chains, L7 e… Nirvana! O zapper, então com 30 anos de idade e já totalmente integrado ao espírito grunge da época (vivia andando com uma jaqueta de couro amarrada na cintura, além de ostentar um vistoso cavanhaque no queixo), também entrou em polvorosa. Munido de sua credencial jornalística foi nas três noites do festival. Na sexta-feira Red Hot levantou o povaréu no estádio do Morumbi. Antes o Alice In Chains havia feito um set competente porém algo melancólico e arrastado (muito por conta da performance do vocalista Laney Staley, outro notório fã de miss heroin). Inclusive foi no intervalo entre as duas gigs que Finaski conheceu, na sala de imprensa do estádio, mr. André Pomba, então diretor de redação da revista Dynamite e onde o jornalista trintão havia começado a colaborar. Ele e Pomba são amigos pessoais até hoje.

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São Paulo, 16 de janeiro de 1993: antes de subir ao palco montado no estádio do Morumbi para se apresentar na edição daquele ano do festival Hollywood Rock, o trio Nirvana posa para foto na banheira do camarim do estádio; o show foi horrível e o grupo chegou ao fim um ano depois com o suicídio de Kurt Cobain, mas entrou para a história como talvez a última grande banda do rock’n’roll   

 

***Após o show da sexta Zap’n’roll se mandou sozinho pro centro da cidade. Lá foi comer um lanche no bairro do Bixiga. Foi quando deu de cara com o XOXOTAÇO Jade. Quem? Uma ex-gothic girl que vivia vestida como eterna viúva e que freqüentava o lendário Espaço Retrô, o club alternativo mais mítico da história da noite under paulistana. Jade era muito fã do jornalista loker/rocker e já havia TREPADO com ele algumas vezes. E era um BO CE TÃO. Não deu outra: o sujeito aqui literalmente arrastou a garota (que já não era mais goth, e estava trajando uma minúscula bermuda jeans e uma camiseta amarela justíssima, que realçava seus peitaços) para o apê onde morava, na rua Frei Caneca. Lá a foda rolou novamente, claaaaaro. Sendo que a frase inesquecível daquela madrugada foi “me come, ME COME!”, disparada pela cadelona enquanto ela era TRAÇADA de ladinho pelo jornalista putão. Depois daquela madrugada o zapper loker nunca mais viu Jade novamente.

 

***No sábado as garotas do L7 levaram o Morumba abaixo com seu set. Em seguida veio o Nirvana, com setenta mil pessoas aguardando desesperadas a entrada do trio em cena. Foi um fiasco e o horror que todos sabem e que entrou para a história dos shows de rock no Brasil. Mas era o Nirvana que estava ali, tocando. “O show está uma MERDA mas foda-se! É o Nirvana e EU estou aqui”, foi tudo o que Zap’n’roll conseguiu exclamar (ou gritar) enquanto o trio tocava “Molly`s Lips”, a célebre cover dos Vaselines.

 

***O melhor daquela noite rolou, na verdade, após os shows terem acabado no Morumbi. Zap’n’roll saiu do estádio e rumou para o Der Temple, então o bar rocker mais maluco e genial da noite paulistana, e que ficava no baixo Augusta (colado onde funcionou até alguns anos atrás o saudoso Astronete). Lá chegando foi bebericar umas brejas, até que um verdadeiro TUMULTO se instalou na porta: tinham acabado de chegar lá parte da entourage do Nirvana, incluso o casal Kurt Cobain/Courtney Love! O dono do Der Temple não teve dúvidas: mandou FECHAR imediatamente a porta de ferro do bar. Quem quisesse sair, sem problema. Mas entrar não entrava mais ninguém. E assim Kurt passou toda a madrugada lá, a uns cinco passos do autor deste blog (que em nenhum momento se animou a ir trocar algumas palavras com ele pois já havia gente demais em cima do sujeito). E antes que clareasse o dia o jornalista loker/rocker novamente se deu bem: descolou uma outra xota ávida por rôla e foi pro seu apê (que ficava a 300 metros dali) com a dita cuja, para mais uma madrugada/manhã de foda insana. Kurt e Courtney? Todo mundo sabe como a noite deles acabou: com o casal descendo a rua Augusta atrás de cocaine e distribuindo notas de cem dólares para as putas que viam pelo caminho.

 

***Tudo acabou em 5 de abril de 1994. Meses antes a banda havia lançado “In Utero”, seu terceiro disco de estúdio. E Kurt já havia tentado se matar em um quarto de hotel, durante a turnê promocional do disco pela Itália. A tentativa (feita com calmantes misturados com champagne) não deu certo. Mas naquela noite de 2 ou 3 de abril, ele conseguiu o que queria. Sozinho em sua mansão em Seattle (Courtney estava excursionando com sua banda, o Hole) e entupido de heroína, ele deu um tiro de espingarda na própria boca. Acabava ali o Nirvana, que entrou para a história como talvez a última banda GIGANTE e que valeu a pena ser ouvida no rock’n’roll.

 

***O autor destas linhas rockers online ficou sabendo da morte de Kurt na noite de 5 de abril. Ele havia acabado de jantar no centro de Sampa (na lanchonete Estadão, onde sempre fazia suas refeições naquela época) e foi pro ponto esperar o busão que o levaria para o bairro do Cambuci, onde estava morando. Antes de chegar ao ponto deu uma espiada em alguns jornais do dia seguinte que já haviam chegado à banca de revistas. Num deles, o inesquecível “Noticias Populares”, havia a manchete: “Rock Star se mata com tiro na cabeça”. Quando se aproximou e leu com mais atenção, o sujeito que está relembrando estes fatos agora entrou em choque. Foi pra casa, e passou boa parte daquela madrugada escutando “Bleach”, com os olhos cheios de lágrimas. Desde então o Nirvana se tornou uma das cinco bandas da vida do autor destas linhas virtuais. E assim permanecerá sendo, até que não estejamos mais neste mundo.

 

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Em alguns vídeos de músicas que já se tornaram clássicos do rock, e também para audição na íntegra de seus três álbuns de estúdio.

 

MENOS ROCK E MAIS POP E MANDANDO BEM AO VIVO, VESPAS MANDARINAS LANÇARAM SEU SEGUNDO DISCO COM SHOW EM SP

Grupo formado já há oito anos em Sampa e atualmente integrado pelos guitarristas, cantores e compositores Thadeu Meneguini e Chuck Hipólitho (ambos amigos pessoais destas linhas zappers e com looooonga ficha corrida na indie rock scene paulistana), o Vespas Mandarinas está em pleno trabalho de divulgação do seu segundo álbum de estúdio, “Daqui pro futuro”, lançado pelo selo carioca DeckDisc no começo deste ano. No último sábado a banda (que ao vivo ganha a adição de mais cinco músicos, dois deles inclusive compondo um naipe de metais) se apresentou no Centro Cultural São Paulo para uma razoável quantidade de fãs barulhentos (a maioria, garotas na faixa dos 17/20 anos de idade) e mostrou que, de fato, as músicas do novo trabalho (bem mais pop do que o cd de estréia lançado em 2013, o “Animal Nacional”) rendem bem mais ao vivo do que em estúdio.

Boa parte da crítica especializada em rock (ou do que resta dela) detestou o álbum e o espinafrou em sites e blogs. Mas também houve resenhas positivas, como o publicado na revista IstoÉ online. O que o jornalista zapper acha da banda, afinal? Bien, não morremos de amores por ela, sendo que um amizade muito longa e carinhosa une o autor deste blog à dupla Thadeu e Chuck. Mas gostamos do que vimos ao vivo no sábado à noite lá no CCSP.

Antes do show acontecer o site zapper bateu um papo com Thadeu Meneguini, via Faceboquete, na semana passada. Ele discorre sobre o trabalho da banda e diz o que achou das críticas recebidas pelo novo disco das Vespas Mandarinas. Confira abaixo.

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A dupla de frente do Vespas Mandarinas, Thadeu e Chuck, comandam a banda acima no último sábado em Sampa, durante show no Centro Cultural São Paulo (acima); após a gig confraternização nos camarins entre o jornalista rocker zapper e seus amigos de longa data (abaixo)

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Zap’n’roll – O Vespas Mandarinas lançou seu segundo álbum, “Daqui pro futuro”, no último final de semana com show em São Paulo. Apesar de ter sido bem gravado e produzido (por Michel Kuaker e Rafael Ramos) e de contar com várias participações especiais de destaque (como o baterista Yuka e o guitarrista Edgard Scandurra), o trabalho recebeu várias críticas negativas, nodamente em sites como MonkeyBuzz, Scream&Yell e no Caderno 2, do jornal O Estado De S. Paulo. A que você atribui essa recepção negativa por parte dos jornalistas? Foi a imprensa que não entendeu o cd como devia ou foi o Vespas que errou a mão de fato no novo álbum?

 

Thadeu Meneguini – Eu atribuo a falta de sensibilidade, bom senso e boa vontade. Atribuo ao baixíssimo nível intelectual e cultural dessa espécie. Teve gente falando que faltou verdade, mas a verdade é que eles nunca chegaram perto de nada que fosse real. Eles não sabem lidar com nada que saia das sua bolhas ou expectativas… Os caras do Screm Yell, por exemplo, chegaram ao ponto até de pedir desculpa porque ficou claro, na análise deles, uma rusga pessoal.  Eles perderam o senso na análise da música pra analisar apenas a imagem, o que enxergaram, não o que ouviram. Um jornalista que fala de harmonia sem saber quem é Schönberg é uma fraude. A nossa música tá aí e veio pra ficar e eles, portanto, já enfiaram o rabo entre as pernas. Mas também recebeu críticas muito positivas como a do Mauro Ferreira no G1, e do Celso Masson na Istoé. Com esse novo trabalho a gente também foi tocar no Altas Horas do Serginho Groissman. Ou seja o mainstream tá entendendo muito mais os nossos passos… eu quero mais é que o Scren Yell se exploda, que se foda.

 

Zap – ok. Mas houve de fato mudanças claras do primeiro para o segundo disco. “Animal nacional” possuía uma sonoridade mais rock e pesada. Já o novo investiu em nuances mais pop. A que você atribui essa mudança de direção musical?

 

Thadeu – Atribuo a uma evolução natural… algo que já estava implícito em todos os meus trabalhos, inclusive nos meus trabalhos anteriores às Vespas… sempre fui da música pop, sempre tive uma relação intima e profunda com o rock nacional e com o estudo profundo da música. O André Abujamra uma vez me disse que existia uma relação da meu modo de compor com a “música de câmara”. Eu sinto que não devo deixar de seguir essa “natureza” pra agradar ao público X ou Y.  Eu procuro isso, apesar dos nossos tempos bicudos… apesar do Chico Buarque ter “decretado” o fim da canção ela me chama e eu não pretendo me desviar disso. Tudo o que eu quero é cantar com você um refrão e fazer uma boa canção. Ainda é o meu desejo mais profundo

 

Zap – Você fala em tempos “bicudos”… é sabido que o rock está infelizmente em baixa atualmente no Brasil, e mesmo lá fora também, em termos de repercussão midiática e de público, já que as pessoas estão muito mais interessadas nesse momento em outros gêneros musicais, como sertanejo e funk. Bandas de rock continuam a existir, claro. Mas a pergunta é: ainda existe público para elas? Ainda há quem queira ir a shows, assistir vídeos na web ou os fãs de rock’n’roll desapareceram definitivamente?

 

Thadeu – Eu acho que tem um público ávido por uma banda como Vespas Mandarinas… a gente só não consegue falar pra um público maior do que temos conseguido porque nessa crise falta mesmo investimento nesse sentido por parte da gravadora e dos empresários. Mas a nossa parte a gente fez: a música é boa! Cara a verdade é que não pintou uma banda de rock com carisma e sonoridade pujante pra se sobrepor a tudo isso… como fizeram Paralamas, Charlie Brown, Raimundos, Skank ou o Rappa. Vc acha que o publico brasileiro quer ouvir uma banda de colégio semi progressiva vinda de goiana e produzida pelo zézinho que nunca sai do seu puleiro… ou uma banda paulista que não exala um mínimo de sexo na sua performance e música… eu prefiro Maiara e Maraisa do que muitas das bandas de indie rock de hoje em dia…

 

Zap – Certo. Pra encerrar: o vídeo da faixa de trabalho foi produzido pela equipe da Kondzilla, produtora que está em alta no mercado mas com foco totalmente direcionado ao funk e ao rap. O que levou a banda a procurá-la para realizar seu clip? Houve alguma sugestão da Deck Disc nesse sentido?

 

Thadeu – Kondzilla é meu amigo pessoal. E a quem perguntar pode dizer. Eu sou desses…

 

BLUES NO PARQUE, COM JOE SATRIANI

 

Satriani esquenta noite fria paulistana em show gratuito no Parque do Ibirapuera

 

Jairo Lavia (texto e fotos), especial para Zap’n’roll

 

(show realizado domingo passado em São Paulo, sendo que Joe não faz exatamente o tipo de rock que este espaço rocker curte. Mas Jairo esteve lá, conferiu, gostou do que viu e ouviu e traz seu relato pro site zapper)

 

Joe Satriani, não inventou o termo guitar hero…. Longe disso, antes dele veio Eddie Van Halen e, antes deste, Pete Townshend e Jimi Hendrix. O primeiro era mestre do tapping, o segundo adorava estilhaçar a sua Stratocaster, o último, o maior deles, via o instrumento como parte de ritual que foi eternizado em chamas no Festival de Monterrey.

 

Satriani deve muito de sua inspiração a eles e deles extraiu um pouco do seu eclético som, moldando o seu próprio tempero rock and blues sem ser tão rebelde e performático.

 

A sua geração pós Eddie Van Halen é de um estilista aos extremos: a técnica das seis cordas levadas ao seu limite. Antes de ingressar aos estúdios e palcos, ainda ajudou na formação de guitarristas como Alex Skolnick (Testament), Kirk Hammett (Metallica) e Steve Vai, este último a quem ele próprio deve muito no início da carreira e que mais tarde excursionaria com o projeto G3.

 

E sem as estripulias do seu amigo Vai e o egocentrismo característico de Malmsteen – outro que destacaria na metade dos anos 80 o seleto grupo de guitarristas virtuosos – Satriani voltou ao Brasil pela oitava vez, agora para uma apresentação gratuita dentro do Projeto Samsung Best of Blues no Parque do Ibirapuera.

 

Um show digno de agradar a gregos e troianos… Aos 61 anos, o carequinha “Satch” que aparenta pelo menos uns vinte a menos, esbanjou muito fôlego e simpatia, esquentando a multidão na noite fria paulistana.  Dos roqueiros mais velhos classic rocks à juventude que dá seus primeiros passos na audição sonora de Satriani aos frequentadores habituais que aproveitaram o domingo no parque com a família e filhos para estender até tarde da noite.

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O guitarrista americano Joe Satriani em dois momentos de sua apresentação (acima e abaixo), semana passada em Sampa   

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A gig em vias de encerramento da sua turnê Surfing to Shockwave Tour, que já desembarcou por aqui no ano passado, ainda contou com a abertura do talentoso guitarrista Artur Menezes. Pouco conhecido por aqui e que que há seis anos vive em Los Angeles, ele proporcionou um ótimo aperitivo da melhor toada moderna do gênero, com pitadas a lá Stevie Ray Vaughan.

 

O relógio já batia 19h30 quando Satriani entrou no Auditório Oscar Niemeyer, cujo palco se volta para a área externa neste tipo de apresentação ao ar livre, acompanhado de Marco Minnemann (bateria), Bryan Beller (baixo) e Mike Keneally (teclados e guitarra).

 

Antes o astro da noite já tinha brindado o público com uma passagem de som de uns 40 minutos a tarde por volta das 14h. No setlist, mesclas do material do último álbum com as mais antigas composições instrumentais de Surfing with the Alien (o melhor e que o consagrou), Flying in a Blue Dream e The Extremist.

 

A abertura da estonteante Shockwave Supernova para jorrar a sua destreza e pegada, seguida de Satch Boogie e Flying in a Blue Dream às outras mais recentes, Crazy Joe e On Peregrine Wings. Esta última, aliás, o músico revelou durante coletiva de imprensa que antecedeu o show ser inspirada na música brasileira (“Eu sempre pego alguma influência musical quando venho ao país”).

 

Já Summer Song também não podia ficar de fora (este seu maior hit, cujo clipe era repetido à exaustão na MTV em 1992). Do álbum Surfing with the Alien, que completa 30 anos, Joe ainda tocou Ice 9 e a bela melodia de Always with me Always with you na segunda metade do espetáculo, que muita gente já deve ter ouvido o seu soado choroso sem ao menos saber de sua origem. E para fechar, Arthur Menezes voltou ao palco para uma digna jam de blues com muito feeling ao lado do mestre.

 

Um único e precioso detalhe arranhou um pouco a apresentação: o som. Foram constantes as reclamações do som baixo e da equalização logo recaindo na guitarra do astro principal.

 

***Jairo Lavia, 42, é jornalista e fotógrafo, especializado em música e cinema.

 

MAIS IMAGENS DA TESUDÍSSIMA MUSA PALOMA SILVA!

Yeeeeesssss! Ela causou comoção com seus nudes no último postão zapper. Tanto que resolvemos repetir a dose nesse post, com mais imagens inéditas dessa pirralha gostosíssima de apenas 18 aninhos de idade. E que namora com um homem 30 anos mais velho, o gaitista (da banda Fábrica de Animais) e chapa Flávio Vajman.

Apreciem sem moderação alguma, uia!

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FECHANDO A TAMPA

Yep, por enquanto é isso mas poderemos voltar nesse mesmo post (especialmente na seção “Microfonia”) se algo realmente interessante assim o exigir. Okays? Então até logo menos por aqui, com o site de cultura pop e rock alternativo mais legal da web BR já há catorze anos!

 

 

(ampliado e atualizado por Finatti em 21/8/2017 às 16hs.)

Em post emergencial com mais imagens e menos texto o blog zapper lamenta a volta de uma banda que já foi sensacional (o Arcade Fire) e que acabou de lançar um disco ruim, e também fala da perda de um nome gigante da MPB, de um showzaço grátis que rola neste finde em Sampa e de mais algumas poucas paradas aê, enquanto o novo postão não chega de fato

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Acesse a Vintage nas redes sociais: https://www.facebook.com/vintagelandmodavintage/

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O americano Arcade Fire (acima), liderado pelo vocalista e guitarrista Win Buttler (abaixo), lança seu novo e ruim disco de estúdio, mostrando que uma das poucas outrora ótimas bandas do rock planetário dos anos 2000′, ao que parece também começou sua descida rumo à decadência

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Foram e continuam sendo dias (ou semanas) bastante complicados na vida de Zap`n`roll. O blog foi há dois finais de semana para Sorocaba com a missão de cobrir o bacaníssimo festival indie Circadélica que rolou por lá, foi organizado e produzido pela turma querida do grupo Wry e que reuniu muitos nomes beeeeem legais da indie scene nacional. Enfim, tudo estava ótimo até o final da noite de domingo quando, na volta para o bastante luxuoso hotel em que a produção do evento nos hospedou, dois malacos armados em uma moto colaram ao lado do loker aqui e simplesmente levaram a bolsa onde estava o seu notebook, nossa atualmente principal ferramenta de trabalho.
Zap`n`roll sentiu seu mundo literalmente desabar e não havia o que fazer naquele instante. A volta sem o note para Sampa foi dolorosa e passamos os últimos dez dias penando sem o equipamento – aliás o jornalista zapper nunca havia ficado tanto tempo sem um notebook desde 2011, quando começou a utilizar este tipo de computador portátil.
Mas tudo se resolve, mesmo que aos poucos e na raça. Então já com um novo velho note em mãos cá estamos novamente. Com um post menor e emergencial, é verdade e mais para lembrar ao nosso sempre dileto leitorado que estamos aqui, vivos e sem abandonar quem nos acompanha. Sendo que na semana que vem, se nada der errado, estaremos publicando outro post, este como sempre com textão e todas aquelas análises e opiniões polêmicas que você só encontra aqui, certo?
De modos que vamos aí embaixo a alguns assuntos em textos rápidos, tipo express mesmo, apenas para não deixar passar mais uma semana em branco. Vamos que vamos!

 

***O Arcade Fire, que confirmou duas gigs no Brasil em dezembro (8, sextona, no Rio De Janeiro, e sabadão, 9, em Sampa, lá no estacionamento do Anhembi), enfim lançou “Everything Now”, seu quinto álbum de estúdio nesses dezesseis anos de carreira. Pode esquecer aquela banda fantástica que lançou um sublime álbum de estréia em 2004 (o até hoje imbatível “Funeral”), repleto de ambiências sonoras e melódicas variadas, intensas e algo melancólicas. A versão 2017 do AF caiu despudoradamente em nuances pop dançantes, algo que já havia se pronunciando no CD anterior do grupo, “Reflektor”. E o problema nem é esse direcionamento musical mais pop/dance. O trabalho sofre mesmo de falta de profundidade estética e orgânica, o que pode ser facilmente percebido após duas audições. Resvalando no superficial e quase irrelevante em termos artísticos, o novo álbum de Win Buttler e cia infelizmente indica que um dos poucos ótimos nomes do rock planetário dos anos 2000′ começou sua descida rumo à decadência artística – mas tem “brogui vizinho” arroz-de-festa que continua amando, hihihi.

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Capa do novo álbum do Arcade Fire

 

***Sendo que o novo disco do AF pode ser conferido aí embaixo, além também do mais recente single do conjunto, “Electric Blue”.

 

***Já a produção do Lollapalooza BR 2018 divulgou as datas do festival ano que vem. Ele acontece novamente em Interlagos, em três noites: 23, 24 e 25 de março. E com prováveis headliners como LCD Soundsystem (argh…), Red Hot Chili Peppers (de novo?), The Killers (aaaaargh!) e Pearl Jam (também de novo?), não custa perguntar: alguém vai mesmo gastar sua suada bufunfa nessa porra?

 

***Showzaço fodíssimo, como sempre, foi o que Jonnata Doll e seus guris solventes mostraram no domingo passado no Centro Cultural São Paulo. O rock nacional, mesmo o independente, está mais morto do que vivo. Mas bandaças como Jonnata e os Boogarins (sendo que uma não tem absolutamente NADA a ver com a outra, em termos sonoros: a primeira resgata com fúria o proto punk, o glam rock e o pós-punk dos 80’ com ótimas letras em português; a outra mergulha com ambiências e melodias sublimes na psicodelia sessentista e setentista) são geniais EXCEÇÕES nesse oceano de grupelhos inúteis da atual geração rock BR e talvez duas das melhores formações que surgiram no rock brazuca nos anos 2000′. Foi uma porrada sônica e que está muito bem registrada aí embaixo, nas sempre ótimas imagens do expert fotógrafo rocker Jairo Lavia.

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Jonnata Doll (acima) arrasa mais uma vez com sua performance semana passada, em Sampa; após a gig, no camarim, dupla rocker de respeito (o vocalista dos Garotos Solventes e o blogger loker) se confraternizamFINATTIJONNATA17

 

***E neste finde tem mais rock alternativo de ótima cepa no CCSP. Sobem ao palco por lá amanhã, sábado, os sorocabanos já lendários do Wry, acompanhados do noise guitar dos mineiros do Lava Divers. Começa às oito da noite e é DE GRÇA, sendo que o CCSP fica na rua Vergueiro 1.000, ao lado da estação de metrô do mesmo nome. Programão rock’n’roll pra este sábado!

 

***Vão-se os ÓTIMOS, ficam os bandidos. Luiz Melodia, nome gigante da MPB que importa, nos deixou, vencido por um câncer. Enquanto isso o vampiro e Conde Drácula do Planalto segue por lá, comprando o Congresso Nacional e comandando a QUADRILHA que saqueia sem dó este pobre e miserável bananão desdentado. Rip Negro Gato. Um dia nos reencontramos numa outra estação, se ela existir mesmo.

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Negro Gato, gênio da MPB, infelizmente nos deixou para sempre

 

***Então é isso. Como já explicamos este é um post menor e emergencial (com mais imagens e menos texto), enquanto ainda estamos nos adaptando ao novo notebook. Mas fica a promessa de que, na semana que vem, tudo voltará ao normal por aqui, okays? Então até lá, sempre com o melhor da cultura pop e do rock alternativo.

XXX

Zap’n’roll manda um beijo no coração da Gisélia Silva, da Patrícia Ariane e da Patrícia Santos, que sempre estarão dentro da alma zapper!

 

(enviado por Finatti às 18hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL, falando dos trinta anos do primeiro álbum dos Guns N’ Roses, do novo disco da deusa Lana Del Rey e com o blog se mandando para Sorocaba, para acompanhar o festival Circadélica – O blog de cultura pop e rock alternativo mais legal da web BR chega aos catorze anos de existência (wow!), sempre com muito a dizer e comemorando com DJ set fodona neste domingo em Sampa! Mais: o festival Circadélica invade Sorocaba na próxima semana (e nós estaremos lá, acompanhando tudo bem de perto) prometendo reviver os ótimos tempos do Junta Tribo; sobre a festança indie rocker batemos um papo com Mario Bross, vocalista do sempre bacaníssimo Wry e um dos idealizadores do evento; e como não é todo dia que um espaço na blogosfera brazuca celebra quase uma década e meia de jornalismo total rock’n’roll, nosso presente ao dileto leitorado zapper vem à altura da data: a DE LI CIO SA musa rocker Paloma, tesão total de apenas dezoito aninhos de idade, ulalá! (postão COMPLETÃO e total concluído em 22/7/2017)

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Ao longo de catorze anos de existência Zap’n’roll acompanhou muito de perto (e continua acompanhando) a cena rock independente brasileira, de bandas como o já clássico quarteto indie guitar sorocabano Wry (acima) ou novas como o potiguar Farm From Alaska (abaixo); ambas se apresentam semana que vem no festival Circadélica e o blog zapper estará lá vendo de perto toda a movimentação como de resto sempre viu e descobriu (e continua descobrindo) ótimos novos grupos, e também incríveis musas rockers como a deste post, a gatíssima Paloma (abaixo, ao lado de Finaski)

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MAIS MICROFONIA: OS TRINTA ANOS DE UM CLÁSSICO DO ROCK, A MORTE DO VOCALISTA DO LINKIN PARK, NOVO DISCO DA DEUSA LANA DEL RAY AND MORE…

 

***Trinta anos de um clássico da história recente do rock – “Appetite For Destruction”, o disco de estréia da turma de Axl Rose completou 30 aninhos ontem, sextona em si (o postão zapper está sendo concluído já no sabadão, 22 de julho). Foi lançado exatamente em 21 de julho de 1987. E o mundo naquela época era muuuuuito diferente do que é hoje. Pra começar (e todos também já estão cansados de saber disso) não havia essas merdas digitais todas da era da web (redes sociais, apps, plataformas musicais, YouTube, Deezer, SoundCloud, Spotify) que, num certo sentido, AJUDARAM MUITO A MATAR a música, a qualidade artística dos músicos e do que eles produzem e o PRAZER de se escutar música (seja rock, mpb, pop, o que for). Numa época (1987) em que a MTV ainda engatinhava nos EUA e fora ela só podíamos ouvir/ver música nas rádios e nas TVs, a banda tinha que ser FODONA mesmo para acontecer. Os caras tinham que ser MÚSICOS DE VERDADE e tocar na raça, serem bons pra caralho. E o Guns, em seu primeiro disco e em sua formação clássica, ERA TUDO ISSO. Você pode amar ou ODIAR o grupo, mas essa constatação é inexorável e inescapável. Era o quinteto certo na hora certa e no lugar certo. Um bando de junkies cabeludos, sujos, arruaceiros e ótimos músicos, loucos para tocar, para tomar todas as drogas possíveis e comer todas as bocetas disponíveis. Fazendo um hard rock potente, de guitarras agressivas, muito bem tocadas mas com melodias repletas de apelo pop e radiofônico, o GNR engendrou em um único LP alguns dos hoje mais lendários clássicos da história recente do rock’n’roll. E o blog acompanhou bem de perto tudo aquilo naquela época – é uma das vantagens de se ter 5.4 nas costas: você está ficando velhão, sem dúvida. Mas isso lhe garantiu testemunhar fatos que nunca mais irão se repetir no rock’n’roll, ainda mais nos dias que correm, onde ele está quase morto e enterrado. “Appetite…” não estourou de imediato. Começou vendendo bem e quando porradas como “Welcome To The Jungle”, “Paradise City” e (principalmente esta) “Sweet Child O’ Mine” tomaram de assalto as rádios no mundo inteiro (Brasil incluso), o rolo compressor gunner se tornou monstro e a devastação foi inevitável na cena rock de então. Em questão de alguns meses a bolachona de vinil vendeu mais de 30 milhões de cópias e o grupo se tornou a maior banda do mundo então. Nessa época inclusive o jornalista zapper escrevia para a página de música do Caderno 2, do jornal O Estado De S. Paulo. O editor de música do caderno era nosso querido mestre eterno, Luis Antonio Giron. Lembramos como se fosse hoje: Finaski entrando uma tarde na redação do Estadão e mr. Giron em pânico: “precisamos dar uma CAPA para o Guns ‘N Roses! Eles estão DOMINANDO o mundo!”. E estavam mesmo. O restante da história todo mundo conhece de cor e assaltado. O grupo ainda lançou um trabalho quase primoroso (os dois álbuns duplos “Use Your Illusion”, I e II, em 1991) e depois nunca mais foi o mesmo. Corroído por drogas, brigas internas selvagens, demissões sumárias de membros e saídas voluntárias (e nada amigáveis) de outros (tudo por conta do ego descomunal e descontrolado de Axl), o Guns foi descendo a ladeira sem dó. Ao vivo? Nem eram tudo isso: o blog assistiu ao grupo por duas vezes, em janeiro de 1991 (no estádio do Maracanã, na segunda edição do Rock In Rio), e quase um ano depois (em novembro de 1992) aqui mesmo em Sampa, lá no estacionamento do sambódromo do Anhembi. Nas duas ocasiões achamos a gig bastante sacal na verdade, sendo que um dos poucos momentos em que nos empolgamos foi quando tocaram “Civil War”, talvez a música que estas linhas online mais gostam do conjunto até hoje. Enfim, a banda está aí na ativa até hoje. Vai inclusive tocar aqui no bananão pela milésima vez em setembro (no Rock In Rio e no festival SP Trip, que vai rolar em Sampa). Há muito se tornou uma caricatura, um cover pálido de si mesma e que nem em sonho lembra os tempos do grupo fodástico e furioso que incendiou o mundo com “Appetite For Destruction”, mesmo estando novamente contando com o gênio Slash nas guitarras. E o blog mesmo nunca morreu de amores por eles. Mas reconhecemos que “Appetite…” foi O DISCO de rock há 30 anos, em julho de 1987. Um álbum como não se faz mais hoje em dia. E nunca mais será feito, aceitem isso. Pois não há mais BANDAS DE ROCK fodonas e com CULHÃO para gravar um disco desse calibre.

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A formação clássica e original do Guns N’ Roses (acima) e que gravou o disco de estréia da banda, “Appetite For Destruction”, que comemorou trinta anos ontem, 21 de julho: não se fazem mais álbuns de rock assim hoje em dia, infelizmente

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***Rip Chester – a nota triste da semana foi o suicídio do vocalista da já velhusca e cafona banda de nu mental Linkin Park, Chester Bennington. Com problemas de depressão e um histórico de consumo de álcool e drogas, o cantor resolveu dar fim à própria vida se enforcando. O blog lamenta, óbvio, a perda humana. Mas não muda sua opinião: LP sempre foi uma banda sacal e quase totalmente irrelevante para a história do rock.

 

***A deusa de volta – ela mesma, o bocetaço cantante que é Lana Del Ray, deu ao mundo ontem seu novo álbum de estúdio. “Lust For Life” ainda está sendo degustado por estas linhas bloggers poppers, que irá falar melhor sobre ele em breve. Mas pros fãs e interessados, ele pode ser ouvido na íntegra aí embaixo.

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***E pau no cu da nação coxa! – ela mesma, que bateu panela pedindo a saída de Dilma e agora agüenta levar no rabo sem dó e sem vaselina o caralho flácido do Conde Drácula do Planalto, o golpista mais filho da puta e ordinário que já desgovernou o Brasil. Felizes com o aumento da gasolina? Chupa nação coxa otária! E agüente caludinha. Vocês merecem se foder!

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***Indo pro interior – yep, Zap’n’roll está se mandando pra Sorocaba (a Manchester paulista), onde fica até domingo à noite para acompanhar toda a movimentação em torno do festival Circadélica, evento indie mais do que bacana organizado pela turma do grupo Wry. Então a gente volta no próximo post com a cobertura e todos os detalhes da festona rocker, falouzes?

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MICROFONIA

(reverberando cultura pop, política, comportamento, sociedade)

 

***Nenhuma novidade esta semana (que está chegando ao fim hoje, sabadão em si, quando o blog está entrando no ar) na vergonhosa política do bananão do quinto mundo dos infernos. Lulão condenado pelo tirano de Curitiba, vampiro golpista comprando todos os deputados da CCJ da Câmara, para barrar o avanço da denúncia contra ele (por corrupção) e por aí vai. Tudo muito desalentador aqui nesse sentido. E assim segue o pobre Brasil, terra dos coxas e reaças estúpidos de direita…

 

***Uma das bandas que estão se destacando na atual cena alternativa nacional, o Farm From Alaska, acaba de soltar nas plataformas digitais seu novo vídeo, para a música “Cobra”. A banda potiguar é um dos destaques do festival Circadélica semana que vem, em Sorocaba – e sobre o qual você lê em todos os detalhes ao longo desse post. O vídeo do FFA você confere abaixo.

 

***Yep, ainda estamos devendo aqui uma resenha no capricho de “Beijo Estranho”, o novo álbum dos queridos Vanguart e que já foi lançado há um tempinho. O blog promete agilizar essa resenha para o quanto antes aqui, ok? Enquanto isso, se você ainda NÃO escutou o dito cujo pode fazê-lo aí embaixo, na íntegra.

 

***E nem dá pra esquecer: amanhã, domingão em si, tem super DJ set de aniversário dos catorze anos destas linhas rockers bloggers lá no Grind, a domingueira rock’n’roll mais bombada do Brasil há quase vinte anos. Vai perder? Não? Então se informe sobre o festão aqui: https://www.facebook.com/events/1932745850329012/?acontext=%7B%22ref%22%3A%222%22%2C%22ref_dashboard_filter%22%3A%22upcoming%22%2C%22action_history%22%3A%22[%7B%5C%22surface%5C%22%3A%5C%22dashboard%5C%22%2C%5C%22mechanism%5C%22%3A%5C%22main_list%5C%22%2C%5C%22extra_data%5C%22%3A[]%7D]%22%7D.

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***Ao longo da semana iremos ampliando e atualizando as notícias na sessão Microfonia. Mas por enquanto vamos falar dos catorze anos de um blog de cultura pop e rock alternativo que continua fazendo a diferença na web BR – esse aqui mesmo, alguma dúvida?

 

 

14 ANOS DO BLOG DE CULTURA POP E ROCK ALTERNATIVO QUE FAZ A DIFERENÇA NA WEB BR – BORA COMEMORAR!

Yep. Tudo começou em 2003, quando a Dynamite e seu site ainda engatinhavam na era digital. Convidado pelo eternamente amado “editador” e melhor amigo André Pomba, passamos a escrever a coluna semana Zap’n’roll que, de resto, já havia sido publicada durante dois anos (de 1993 a 1995) na edição impressa da extinta e saudosa revista Dynamite.

E 14 anos após sua estréia na versão online, a Zap’n’roll segue no ar, firme e forte. Tem cerca de 70 mil acessos mensais e é um dos sites/blogs mais acessados da web BR na área de cultura pop e rock alternativo. Nunca traímos nossas convicções (artísticas, estéticas, culturais, comportamentais, políticas e sociais) em nossos textos. O blog sempre foi e continua sendo o que é, aqui e nas redes sociais. Por conta disso fizemos muitas inimizades nesses anos todos. Mas também angariamos a simpatia de muita gente. E nos divertimos muito fazendo o que gostamos, mesmo não ganhando quase nada em termos de grana. Viajamos o Brasil todo, conhecemos pessoas, bandas, cenas. E isso não tem preço.

Como vamos comemorar esses 14 anos? Na maior e melhor domingueira rock’n’roll do Brasil, claaaaaro! O já velhinho (uia!) mas JAMAIS obsoleto jornalista rocker/loker assume as pick-up’s do Grind neste domingo, 16 de julho, a partir das 3 da matina. E como sempre, prometemos uma super DJ set para a qual contamos com a presença de vários amigos queridos e também do nosso sempre dileto leitorado.

E que ainda venham senão muitos, ao menos alguns anos ainda com o blog zapper no ar – afinal, nada é para sempre e tudo acaba um dia. Mas enquanto aqui estivermos aqui iremos sempre pautar nossa linha editorial por aquilo que marcou essa quase década e meia de existência deste espaço rock online: a paixão absoluta pelo rock’n’roll e pela cultura pop que alimenta nossos dias e noites e que são e serão perenemente a razão de um mundo minimamente menos cinza e menos caótico.

Tamo junto, galera! Aqui e domingo no Grind lá no baixo Augusta. Bora dançar e comemorar! Nos vemos por lá!

 

 

O BLOG ZAPPER – 14 ANOS DE CULTURA POP E ROCK ALTERNATIVO NA WEB BR RESUMIDOS EM ALGUMAS IMAGENS

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Entrevistando Robert Smith, o eterno vocalista do Cure, em São Paulo, janeiro de 1996

 

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Ao lado da deusa loira Kim Gordon (ex-baixista do saudoso e gigante indie Sonic Youth), em Sampa, novembro de 2005

 

FINATTIFREJATSP2013

Com o chapa de décadas, Roberto Frejat (ex-Barão Vermelho),  2013

 

FINATTINASIEDGARD

Cercado pelos Ira’s Edgard Scandurra e Nasi, 2014

 

FINATTIHELINHOVANGS

Com Helinho Flanders (Vanguart), 2014

 

FESTIVAL CIRCADÉLICA CHEGA À SUA SEGUNDA EDIÇÃO PROMETENDO REVIVER OS TEMPOS INCRÍVEIS DO JUNTA TRIBO E DA CENA INDIE GUITAR BRAZUCA DOS ANOS 90’

Não há como negar ou disfarçar a situação atual do bananão tropical, em todos os sentidos. O Brasil, passando por aquela que talvez seja a maior crise econômica e política de toda a sua história (cortesia de um desgoverno golpista, corrupto, bandido e eivado de ratazanas graúdas que se apoderaram da máquina pública e do poder e que não querem largar dele), está literalmente quebrado. Isso se reflete em todos os setores e atividades, na Cultura inclusive. E mais ainda no nosso amado rock’n’roll, gênero que além de tudo sofre já há alguns anos uma acentuada derrocada em termos de popularidade e de falta de espaço e apelo junto à mídia e ao grande público (seduzido que está por aberrações musicais como sertanojo universotário, axé burrão e funk ostentação/proibidão, que amealham milhões de ouvintes e seguidores em redes sociais e plataformas digitais variadas). Com um panorama tão desalentador desses, vem a pergunta: ainda há espaço e interesse do público (ainda que seja um nicho de mercado) para um festival que reúna em um final de semana numa cidade do interior paulista, alguns dos melhores nomes da cena rock independente brazuca? Se depender do Circadélica, que terá sua terceira edição nos próximos dias 22 e 23 de julho (sábado e domingo da semana que vem) em Sorocaba, sim, ainda há muito espaço para um evento deste naipe. E também um grande público a fim de curtir toda a experiência sonora e extra-musical que o festival promete entregar.

Organizado e produzido pela brava e corajosa turma do grupo sorocabano Wry (um dos orgulhos da indie guitar scene nacional já há vinte anos), o Circadélica teve uma primeira (e modesta) edição em 2001. Depois o festival sofreu uma interrupção por quinze anos até retornar agora,  mais forte e robusto em sua edição 2017. Ela acontece semana que vem em Sorocaba, nos dias 22 e 23 de julho (sábado e domingo), quando trinta e quatro das provavelmente mais representativas bandas alternativas brasileiras (com destaque maior para algumas e menor para outras) irão se revezar a partir do meio-dia em dois palcos montados no bairro Jardim Vergueiro. E além do festival em si haverá também festas paralelas a partir da noite da próxima quinta-feira no Asteroid Bar, um dos endereços mais conhecidos da cena rock da cidade, e que também é tocado pela turma do Wry, quarteto que é dileto amigo destas linhas bloggers rockers desde sempre.

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Um dos nomes já históricos da indie scene nacional que ainda importa: o quinteto paulistano Ludovic é uma das atrações do festival Circadélica, semana que vem em Sorocaba

 

O Circadélica 2017 vai promover até um mezzo encontro de gerações, pois vai ter gigs de nomes já históricos da cena independente (como os paulistanos Ludovic e Dead Fish, além do próprio Wry), e também abrir seus palcos para algumas revelações recentes desta mesma cena, como Plutão já foi Planeta, Maglore, Farm From Alaska, Boogarins, Vespas Mandarinas etc. Há também alguns nomes bombados e na ótica deste espaço online, superestimados (como Liniker & Os Caramelows). E grupos hoje totalmente irrelevantes e dispensáveis (alguém ainda se importa em assistir a um show do goiano MQN?). Mas são detalhes menores em um line up que, no todo, está bastante caprichado e mostrando um excelente panorama do que rola nesse momento no rock alternativo nacional. Que, sim, ainda resiste heroicamente nas trincheiras e em tempos tão adversos para ele como os de hoje.

Zap’n’roll, que durante quase duas décadas acompanhou muito de perto grande parte da movimentação da cena independente brasileira em todas as regiões do país, também estará acompanhando o Circadélica lá em Sorocaba. Mas antes de irmos para a “Manchester” paulista (na próxima sexta-feira), batemos um papo sobre o festival com o produtor do mesmo, Mario Bross (o “baixinho” gente finíssima que canta e toca guitarra à frente do Wry), nosso chapa há anos já. Ele explica melhor os detalhes do festival e revela suas expectativas sobre o mesmo. Então confira aí embaixo os principais trechos deste bate-papo.

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Dupla rocker de respeito: Zap’n’roll e Mario Bross (vocalista e guitarrista do Wry), um dos organizadores do festival Circadélica, se encontram após show da banda em Sampa (foto: Fabrício Vianna)

 

Zap’n’roll – Pra começar antes de falarmos de música e do evento propriamente, uma questão de ordem conjuntural eu diria: o país está passando por uma de suas piores crises econômicas e institucionais em todos os tempos. Além disso é visível que o momento infelizmente é bem desfavorável para a cena rock nacional, inclusive a independente. Bandas temos, muitas e boas. Mas falta espaço na mídia, as pessoas emburreceram terrivelmente em seu gosto musical e gêneros como sertanejo, funk e axé dominam todos os espaços possíveis. Com tudo isso é possível fazer um festival como o Circadélica, contar com um bom público e bom resultado financeiro, midiático etc? Ou se trata na realidade de promover um evento que seria um verdadeiro ato de resistência do indie rock em um cenário tão hostil a ele?

 

Mario Bros – É complexo dizer com detalhes, mas afirmo que é muito dificil fazer, temos que contar com o bom senso de todos, para não cobrar super mega caro, pedir desconto em todo e qualquer material de técnica e produção e tentar patrocínio. Conseguimos um apoio bem legal da TNT e outros menores, mas foi isso. Dinheiro mesmo não conseguimos nenhum, vai ser na raça, através dos ingressos e de parte do bar. Mesmo com a crise as pessoas gostam de música, as mesmas pessoas que gostam de funk na balada, gostam de rock também. O publico jovem é mais aberto e muito ecletico. Resumindo, é dificil fazer, a gente gosta de fazer e acho que tem um publico ainda.

 

Zap – certo. É a terceira edição do festival. O que mudou nele do primeiro pra agora?

 

Mario – Basicamente está maior, tem uma tenda a mais, ou seja, dois palcos. Muito mais coisas pra fazer, comer e se entreter. E os side shows que rolam no Asteroid são também vários, domingo agora, quinta, sexta, sábado à noite e segunda, que decretamos feriado em Sorocaba hahaha. A linha artística continua passeando pelo rock, indie, rap, pesado, folk, eletronic, hard core e punk e pop.

 

Zap – observando o line up verifico que há uma grande variedade de estilos presentes, além de já um quase encontro de gerações, rsrs. Há grupos clássicos como o Ludovic e revelações recentes e muito bem vindas, como o Maglore. Como foi o processo de montar esse line up? E quais são os destaques na sua opinião?

 

Mario – Quis usar da mesma linha de pensamento que faço no Asteroid, sendo eclético dentro de um espectro que curto. Mais as idéias dos associados do baile, chegamos nesse line up. Queríamos um pouco de tudo tendo como base o indie ou rock alternativo. Não consigo te dizer quais são meus destaques, me simpatizo com todas as bandas, não tem nenhuma aqui que desgosto ou acho que não deveria estar ou que deveria ser outra no lugar. Estamos bem contentes, sério!

 

Zap – ok. Agora passemos a uma questão que também permeia a cena alternativa nacional há anos. Uma cena inclusive que este blog acompanha muito de perto há pelo menos uma década e meia. E por acompanhar sou plenamente sabedor das dificuldades que se é montar um festival independente. Entre elas a questão de se conseguir patrocínio e pagar cachê para as bandas. Nesse aspecto o Circadélica conseguiu chegar a um acordo satisfatório com os grupos sobre esse tema?

 

Mario – Lógico que gostaria que fosse melhor o acordo com algumas bandas e que pudéssemos pagar melhor pra outras. Mas acho que conseguimos um equilíbrio. E agradeço publicamente aqui todas as bandas que aceitaram tocar no festival prontamente!

 

Zap – a pergunta anterior tem um motivo e vou dizer qual é: porque durante um bom par de anos (no começo dos anos 2000’) a cena nacional foi explorada na cara larga pela malfadada quadrilha do coletivo Fora Do Eixo que, comandada pelo produtor tristemente conhecido como Pablo Capilantra (e contando com o apoio irrestrito do Sr. Fabrício Nobre, vocalista do grupo MQN, que irá se apresentar no Circadélica), conseguiu amealhar bons milhões da teta pública (através da participação em editais da Petrobras, por exemplo) e sendo que parte desses recursos obtidos poderiam ter ido parar nas mãos das bandas que tocaram nos festivais promovidos pelo FDE, a título de cachê. Isso nunca aconteceu e NENHUMA banda que tocou no FDE nunca viu um tostão em termos de cachê. Claro que essa situação não se aplica ao Circadélica, um festival sério, sem dinheiro público envolvido e organizado por um músico e produtor (você mesmo) que o blog conhece há anos e sabe da sua honestidade, integridade e amor pela cena musical. Enfim, o blog se sente quase na obrigação de fazer essa observação e aproveita para saber o que você acha de produtores de festivais que EXPLORAM as bandas que tocam nesses eventos (como os que eram realizados pelo FDE) sem nada fazer por elas além de lhes dar um palco para tocar. Você acha que isso continua acontecendo muito no Brasil ou a mentalidade de quem produz eventos na cena rock alternativa está mudando?

 

Mario – Sinceramente não tenho comentários sobre isso, não sei como funciona, não morava aqui nessa época, peguei um rabo de uma história que envolvia o FDE, mas nunca me aprofundei ou me interessei em saber. Acho difícil dizer qualquer coisa Finatti.

 

Zap – Além de produtor e organizador do Circadélica você toca guitarra e canta à frente do Wry há duas décadas, sendo que a banda já se tornou um clássico do indie guitar brasileiro. Como é conseguir manter um grupo ativo por tanto na cena independente nacional, ainda mais com ela lutando sempre com todo o tipo de dificuldades? O que a banda pretende mostrar no seu show no Circadélica?

 

Mario – Então amo produzir musicas, amo desafios relacionados a banda. O que muitos vêem como problema, eu não vejo. Lógico que já me incomodei com coisas que aconteceram em algum momento ou outro. Mas acho que usei isso pra melhorar. Também já fui cabeça dura, mas decidi abrir a cabeça. Hoje em dia estudo lírica, teórica e prática, piano e voz, sempre querendo melhorar. No Circadélica estaremos mostrando algumas coisas novas e alguns clássicos. Mas já aviso que a coisa mais antiga que tocamos em nossos shows hoje em dia é dois sons do “Flames in the Head”, de 2006.

 

Zap – Pra encerrar: você acha que o festival pode ou poderá reeditar os tempos de glória da cena alternativa nacional, quando foram realizadas as históricas e inesquecíveis edições do festival Junta Tribo, em Campinas?

 

Mario – Nostalgia não é muito do meu gosto, de vez em quando sinto, lapsos da saudade. Mas vivo mesmo o momento. Com todo o respeito a história, sem ela não seríamos nada. Acho que o valor do Juntatribo é imenso e pavimentou o caminho pra tudo isso de hoje. Mas nós estamos aqui hoje pra fazer uma nova história com todos os personagens de hoje, sendo eles de longa data ou nascidos hoje. Espero que seja lindo, como foi o Juntatribo ou o primeiro Circadélica!

 

***Tudo sobre o festival Circadélica aqui: http://circadelica.com.br/. E aqui também: https://www.facebook.com/circadelica/.

 

***Zap’n’roll estará a partir da próxima sexta-feira (21 de julho) em Sorocaba, acompanhando ao vivo toda a movimentação e todos os shows do festival, cuja cobertura estará aqui logo após o encerramento do evento.

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MUSA ZAPPER DO MÊS DO ROCK E COMEMORANDO NOSSOS CATORZE ANINHOS DE VIDA – A NOVINHA, LINDONA E TESUDAÇA PALOMA, UHÚ!

Nome: Paloma Silva.

Idade: 18 anos.

De: São Paulo/SP

Mora em: São Paulo/SP.

Formada em: nada, por enquanto. Pretendo cursar jornalismo.

Trabalha em: assistente de fotógrafo, modelo.

Três livros: “Só garotos” (Patti Smith), “Crônicas de um amor louco” (Charles Bukowski), “Leite derramado”  (Chico Buarque).

Três bandas/artistas: Chico Buarque, Beatles e Fábrica De Animais.

Três discos: “A divina comédia” (Mutantes), “Blue & lonesome” (Rolling Stones), “Envelhecido 12 anos” (Bêbados habilidosos).

Três filmes: “Poderoso chefão” (de Mario Puzo), “Pulp Fiction” (de Quentin Tarantino), “Hair” (de Galt MacDermot).

Três diretores de cinema: Francis Ford Coppola, Sergio Leone e Alfred Hitchcock.

Show inesquecível: Ainda não teve um.

Como o blog conheceu a nossa delicious musa deste post: Palominha além de ser essa gataça morena, namora com o músico e gaitista Flávio Vajman, que faz parte do grupo Fábrica De Animais. O jornalista zapper e Flávio são amigos de longa data. E quando o autor deste blog conheceu a girlgfriend do músico, além de se tornar amigo dela não teve dúvidas: a convidou imediatamente para fazer este ensaio. Ela topou e agora nosso dileto leitorado macho (cado) e também feminino (por que não?) pode conferir abaixo mais uma sensacional sequencia de imagens que só estas linhas poppers podem proporcionar. Apreciem sem nenhuma moderação!

 

(fotos: Jairo Lavia. Produção: Zap’n’roll. Locação: Sensorial Discos. O blog agradece a força dada ao ensaio pelo querido Antonio Lucio Fonseca, proprietário da Sensorial)

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(in) Discretamente vestida, para iniciar os trabalhos

 

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Sim, eu amo rock’n’roll

 

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Cerveja e poesia ao cair do dia

 

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Eu piso no amor porque ele sempre será um cão dos diabos

 

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Meus discos e meus livros me bastam, às vezes

 

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Um cigarro pra descontrair e fazer cia à liberdade corporal

 

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Ela AMA ter velhos (como Buk e seu namorido) no meio de suas lindas coxas

 

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As melhores cias para a garota incendiária: Bowie, Buk e Velvet Underground

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FIM DE PAPO

Postão sendo concluído já no sabadão, 22 de julho. E o blogão indo logo ali em Sorocaba city, pra acompanhar o festival Circadélica. Semana que vem contamos como foi o rolê rocker, okays?

Então tchau pra quem fica em Sampa nesse finde!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 22/7/2017, às 11hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL, falando sobre a exposição em torno da trajetória do Nirvana no Rio De Janeiro, e os 27 anos da morte do gênio inesquecível que foi Cazuza – Com um disco bacanão recém lançado o quarteto inglês Ride, ícone da geração shoegazer britânica dos 90’, mostra que o rock de duas décadas e meia atrás era muito mais legal do que o que é feito pelas bundonas bandas atuais e onde até a indie scene rock planetária anda mega meia boca; mais: a volta do folker Fleet Foxes, o indie guitar noventista do Delays, a inútil ilusão oferecida por redes sociais como o Facebook, o fim de mais um bar alternativo bacana em Sampa (a Funhouse) e uma musa rocker japonesa QUARENTONA (wow!) e repleta de tattoos, que deixa muita pirralha de vinte aninhos no chinelo, ulalá! (postão AMPLIADO E FINALIZADO, em 8/7/2017)

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Com a falência atual da cultura pop e do rock’n’roll, cabe aos veteranos mostrar ótimo serviço: o shoegazer inglês Ride (acima) lança novo e muito bom álbum após mais de duas décadas sem gravar material inédito; já o também britânico Delays (abaixo) vai na mesma pegada sonora, prestando vassalagem ao indie guitar noventista; e até nossa musa desta edição, a lindona japa girl Gláucia (também abaixo), mostra que as quarentonas rockers são muitas vezes mais interessantes e apetitosas do que as “pirralhas” atuais

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MINI DIÁRIO SENTIMENTAL E MEMÓRIAS FINÁTTICAS – E NAQUELE SÁBADO, HÁ 27 ANOS, NO RIO DE JANEIRO… O BLOG ASSISTIA LEGIÃO URBANA AO VIVO ENQUANTO CAZUZA IA PRO CÉU COM DIAMANTES

Onde vocês estavam há 27 anos, exatamente em 7 de julho de 1990? Bom, vocês o blog não sabe. Zap’n’roll estava no Rio de Janeiro à noite, no Jockey Club do balneário carioca. Junto estavam ali outras 50 mil pessoas. Todas vibrando ao máximo e em êxtase sensorial absoluto com o show que a Legião Urbana estava então fazendo no local. Era mais uma apresentação da turnê do bombadíssimo álbum “As Quatro Estações” (que havia saído menos de um ano antes e já havia vendido, até aquela data, mais de um milhão de cópias). Finaski era repórter da editoria de cultura da revista IstoÉ. E havia passado os últimos dois meses daquele ano acompanhando a banda em algumas apresentações, para escrever um perfil dela para a revista. Esse show no Rio seria o último que ele iria assistir antes de escrever e entregar o texto para publicação. Depois que a revista foi para as bancas com a reportagem, ainda assistiu novamente o grupo aqui mesmo em Sampa, no estádio do Palmeiras, dois meses depois.

 

Muito aconteceu naquele final de semana da gig carioca da Legião. Acontecimentos que, inclusive, estão descritos num dos primeiros capítulos do livro, “Escadaria para o inferno” (que está na mão de numa nova e promissora editora e que talvez o coloque nas livrarias ainda este ano). Na véspera da ida pro Rio o jornalista loker/zapper se trancou em casa (no apto em que morava, na rua “Gay” Caneca) com a magrela Pati, com quem então estava de “namorico” (pois Finas havia sido “dispensado” semanas antes pela futura mãe do seu único filho). Pati era bonitinha mas ordinária: gostava de rock mas não possuía grandes atributos intelectuais. Mas FODIA bem. De modos que ela foi pra casa naquela sexta-feira e lá passamos a noite/madrugada, primeiro fodendo bastante. Depois o loki autor deste espaço blogger rocker foi cheirar cocaína ao longo da madrugada, enquanto papeava com ela e escutava discos da Legião. Quando o pó acabou foi tentar dormir (já era quase de manhã) e obviamente “fritou” bastante até conseguir. Mas enfim pegou no sono.

 

No meio da tarde (umas 4 da tarde, pra ser mais exato) foi acordado com o interfone tocando. Era o queridão Ivan Cláudio, que trabalhava com este repórter na IstoÉ. Ele estava em pânico e apavorado. Sabia como seu colega de redação era, hã, “irresponsável” com compromissos e horários. Entrou no apê tenso. “Finatti! Pelo amor de deus! Você precisa ir pra Congonhas, pegar um vôo e ir pro Rio!”. Sim, o bloggrt loker. Ainda estava sonolento (com Pati ainda deitada na cama também, PELADA e coberta apenas por uma colcha) e acordando aos poucos, em câmera lenta. E Ivan cada vez mais ansioso. Foi quando ele disse: “nem sei se o Renato vai subir no palco e cantar. O Cazuza MORREU hoje pela manhã”.

 

Sim. Caju, 32 anos de idade, um dos maiores poetas da história da música brasileira em todos os tempos, um dos nomes GIGANTES do rock BR dos anos 80’ e amigo pessoal de Renato Russo, havia finalmente sido vencido pela AIDS (e contra a qual ele lutava bravamente desde 1986 mais ou menos) na manhã daquele sábado, 7 de julho de 1990. Veio então a dúvida: haveria afinal ou não o show da Legião?

 

Finas não podia ficar conjecturando sobre isso. Arrumou sua bolsa de viagem, se despedi da Pati e de Ivan, pegou um táxi e se mandou pro aeroporto. Conseguiu pegar o vôo da ponte aérea das 7 da noite. Chegou no Rio às 8, foi pro hotel, tomou um banho rápido, se trocou e foi pro Jockey. A apresentação aconteceu, para o nosso alivio e das outras 50 mil pessoas que estavam lá. Renato Russo falou sobre Cazuza antes de a banda começar a tocar. E foi uma gig  i n e s q u e c í v e l. Só quem esteve lá, como nós estivemos, pode saber disso.

 

Vinte e sete anos se passaram. Estamos com 5.4 nas costas, sozinho (quer dizer, emocionalmente sozinho; trepadas sempre surgem pelo caminho, mas seguimos solteiro) e sempre reiterando o que sempre comentamos aqui. A cultura pop e a música brasileira (incluso aí o rock nacional e todos os outros gêneros possíveis) MORRERAM (pelo menos em termos qualitativos e de relevância artística) na era da web, do zap zap, das redes sociais babacas fúteis e inúteis/superficiais. Por isso mesmo que não conseguimos esquecer e deixar de curtir, ouvir e admirar bandas como Legião Urbana e artistas como Cazuza e Renato Russo, que também iria morrer de AIDS seis anos depois, em outubro de 1996.

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Em 7 de julho de 1990 (há 27 anos), Cazuza morria no Rio De Janeiro, aos 32 anos de idade, vitimado pela AIDS; ele e Renato Russo, vocalista da Legião Urbana, foram os dois principais cantores e letristas da inesquecível geração rock BR dos anos 80’, o que pode ser facilmente visto no vídeo abaixo, com a Legião tocando na mesma noite de 7 de julho daquele ano, para 50 mil pessoas no Jockey Club carioca; e Zap’n’roll estava nesse show

 

Os dois fazem muita falta. E nunca mais irão surgir letristas como ambos, com a verve poética sublime que eles possuíam. Isso é liquido e certo. Mas pelo menos a obra musical deles é eterna e está aí, para quem quiser ouvir para todo o sempre.

 

Naquela ida ao Rio também conhecemos a Flávia, em pleno vôo de SP pro balneário. O avião estava vazio e sentamos ao lado dela de propósito pois a havíamos achado gostosona (com peitaços sensacionais) e simpática (não muito bonita na verdade, com aqueles cabelos loiros cacheados, sendo que nunca tivemos muito apreço por loiras e ruivas). Pedimos um whisky pra comissária de bordo (sim, naquela época servia-se whisky nos vôos da ponte aérea Rio/SP) e puxamos papo com ela enquanto bebericava o dito cujo. Quando descobrimos que ela amava David Bowie, Raul Seixas e o escritor e dramaturgo gay francês Jean Genet, enlouquecemos. Ao descermos no Santos Dumont, no Rio, o blog a puxou pelo braço e a levou pro hotel. No quarto nos beijamos furiosamente na boca mas ela disse: “eu NÃO VOU DAR PRA VOCÊ HOJE. Preciso ir pra Niterói ver minha mãe [que era separada do pai dela e estava enfrentando um câncer em estado terminal], e você tem que ir fazer sua reportagem. Amanhã eu venho pra cá e durmo aqui com você”.

 

E assim foi. Fomos ver a Legião, e ela foi ver a mãe dela. No domingo à noite ela cumpriu a palavra. Foi pro hotel e lá dormiu com o jornalista, proporcionando a ele uma das melhores FODAS que tinha dado na vida até então. O zapper se apaixonou perdidamente por ela, claro. Mas total atrapalhado que sempre foi, fez tudo errado. A mãe do filho do jornalista reapareceu, engravidou e o zapper perdeu Flávia para sempre. Hoje ela é uma advogada muito bem sucedida, casada e mãe de um filho. É a vida…

 

(suspiro…)

 

A mãe do nosso filho se separou deste maluco dois anos depois. Ela não agüentou conviver com um loki de 28 anos de idade, que era um jornalista bastante conhecido e repórter de uma das principais revistas semanais de informação do Brasil, e que a CHIFRAVA a torto e a direito (sim, era um tarado compulsivo por bocetas; e sejamos honestos e sem moralismo, hipocrisia ou machismo aqui, mas mulheres AMAM dar pra sujeitos comprometidos e que possuem uma certa visibilidade pública, como o blog possuía por ser jornalista), além de viver se entupindo de cocaine (ela detestava drogas) e whisky. Ninguém agüentaria muito tempo na real, e acho que ela suportou até demais.

 

Se estas linhas saudosistas se arrependem de algo? Não. Não adianta remoer, se arrepender ou ter remorso dos erros cometidos, buscando algum tipo de alento, redenção ou perdão deles, desses erros. Melhor APRENDER com eles e tentar EVITAR errar novamente. Nesse sentido achamos que aprendemos (ainda que a duras penas) alguma coisa com nossos erros e nessas mais de cinco décadas de existência.

 

Se sentimos saudades de algo? Sim, claro, muita saudade. Dos anos 80’ e 90’, do mundo muito mais legal e menos reaça e careta do que é hoje, do rock brasileiro genial daquela época, de tudo que vivemos, ouvimos, curtimos e vimos, dos shows que acompanhamos, das reportagens que fizemos, dos lugares bacanas onde trabalhamos. Dos nossos anos jovens enfim. Nos divertimos pra caralho no final das contas e não podemos jamais nos queixar. Tudo passa e ficam as lembranças, ótimas e ruins. Então hoje nos lembramos de Cazuza, de Renato Russo, da Legião Urbana, daquele show que vimos naquela noite de 7 de julho de 1990 no Rio, da Flavia que conhecemos no avião. Nos lembramos de tudo isso e dizemos a nós mesmos que, sim, fomos felizes afinal em alguns momentos de uma vida quase perenemente cinza na alma e no coração. E quem sabe um dia, se houver alguma outra estação além dessa escrota aqui na Terra, a gente reencontra Cazuza, Russo e mama Janet, todos eles arianos e lá no céu com diamantes.

 

MINI DIÁRIO SENTIMENTAL E MEMÓRIAS FINÁTTICAS, II – ELES SERÃO ETERNAMENTE UMA DAS CINCO BANDAS DA VIDA ZAPPER

Zap’n’roll escreveria um LIVRO aqui sobre o trio inesquecível formado pelo igualmente inesquecível e saudoso gênio Kurt Cobain, mais Kris Novoselic e Dave Grohl. Porém a história deles parece estar muito bem contada e resumida na expo que está em cartaz no Rio De Janeiro, e que chega a Sampa em setembro.

 

Estamos ficando velhos, bem sabemos. Mas não há remorsos, ressentimentos ou arrependimentos em nós pelo que passamos, vimos, ouvimos e vivemos nos nossos já longos 5.4 de existência. Há com certeza uma grande saudade e nostalgia de tudo aquilo. Mas vivemos o MELHOR que pudemos e no momento CERTO tudo o que tinha e tivemos que presenciar. Se fossemos um adolescente nesse momento, teríamos perdido milhões de paradas imperdíveis e que fizeram parte para sempre da nossa vida. Como o show do Nirvana em São Paulo, em janeiro de 1993, no estádio do Morumbi no festival Hollywood Rock (foi nele que conhecemos pessoalmente o amado André Pomba, inclusive). Estávamos lá. E TESTEMUNHAMOS a PÉSSIMA apresentação de Kurt e cia. O show foi ruim, caótico, quase medonho. Mas era o Nirvana no palco. Por isso mesmo, enquanto eles tocavam a cover de “Molly’s Lips” (da obscura banda Vaselines), o blog pulava como um louco na pista do gramado do estádio, até gritar para uma amiga (não lembramos mais quem estava conosco naquela gig) minha, ao nosso lado: “O show está uma MERDA, mas FODA-SE! É o NIRVANA e EU estou aqui!”.

 

(suspiro…)

 

Kurt ficou milionário com o grupo, se tornou um mega star mundial e meio que passou a DETESTAR tudo isso. Quando começou a banda, vivia dizendo que se contentaria com ela tocando apenas em palcos minúsculos e em butecos idem, para platéias ibidem. Quando o trio passou a encarar multidões de mais de 50 mil pessoas nas suas apresentações ao vivo, algo desandou em Cobain e seu cérebro deu tilt. O resultado todo mundo sabe. Um tiro de espingarda disparado por ele mesmo contra os próprios miolos. A essa altura muitas vezes ele já se achava não um rock star, mas apenas… um idiota (como cantou em “Dumb”).

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Uma mega exposição em cartaz no Rio revive todo o legado do Nirvana (acima, Kurt Cobain em ação numa gig da banda); em setembro o evento chega a capital paulista

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O blog muitas vezes se senti e ainda se sente também um idiota. Faz parte. Mas como sabemos que talvez não nos reste mais muitos anos por aqui afinal, suportamos hoje com mais sapiência e resignação esse sentimento de idiotia, de inadequação emocional e existencial. Um dia tudo isso acaba no final das contas.

 

Saudades Kurt. Você estará sempre no coração de Finaski. E nos vemos aqui em Sampa em setembro, na sua expo sobre o Nirvana.

 

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EDITORIAL COMPORTAMENTAL/POLÍTICO – ENQUANTO O PAÍS AFUNDA, A NAÇÃO VIRTUAL IMBECIL FAZ “INVEJINHA” PROS AMIGOS NOS FACEMERDAS DA VIDA

Com a aproximação das datas de alguns grandes shows internacionais marcados para o segundo semestre no Brasil, nunca o FaceTRUQUE (ou FaceMERDA) cumpriu tão bem sua função quase PRIMORDIAL: a de fazer boa parte dos OTÁRIOS que estão nele se sentirem “popstars”, nem que seja por um dia apenas, uma postagem e uns 15 likes nela (atualizando o clássico vaticínio do gênio Andy Warhol: “no futuro todos serão FAMOSOS por 15 LIKES”, ahahaha). Fora que FAZER INVEJA nos “amigos” virtuais é a tônica de muitas postagens (incluso aí a de vários amigos do blog lá na rede social escrota). Então todo mundo reclama que está “falido” mas haja post pra exibir (uia!) com empáfia foto de ingresso comprado pro show do Paul McCartney, do festival SP Trip (que vai reunir um MONTE DE LIXO de bandas velhonas e cafonas de heavy metal, e onde se salva apenas o gigante The Who no line up) ou do U2 (o quarteto irlandês teve que marcar uma terceira apresentação aqui, já que os tickets para as duas primeiras se esgotaram em questão de poucas horas). Agora pra responder por inbox a uma oferta com preço ridículo de anúncio neste blog (“vou fazer de conta que não vi e não li”, embora a rede social denuncie que a mensagem foi VISUALIZADA, rsrs)… silêncio ENSURDECEDOR. Seria CÔMICO, se não fosse ridículo e algo detestável esse comportamento ESCROTO.

Um comportamento, de resto, nos leva a questão POLÍTICA desta postagem. Enquanto você fica aí fazendo invejinha nos “amigos” virtuais, postando fotos dos tickets que acaba de comprar pra aquele showzaço gringo imperdível (com preço astronômico e sempre extorsivo, é bom ressaltar, o que torna o comprador do ingresso um OTÁRIO ainda maior, mas é claro que ele PRECISA mostrar na rede social que está de bem com a vida e que vai ao tal show, onde irá tirar muitas selfies alegres e sensacionais e na verdade pouco vai se lixar para a apresentação que está rolando no palco e pela qual ele deu seu CU para conseguir pagar o valor abusivo do ingresso), o Brasil AFUNDA sem dó sob o NÃO comando do Bela Lugosi do Planalto. Ele mesmo, o golpista, vampiro e CHEFE DA QUADRILHA MAIS PERIGOSA do país.

Enfim, se você leu até aqui e se participa festivamente desse comportamento cretino de fazer “invejinha” com seus postecos em rede social enquanto todo mundo se fode (você incluso) nesse bananão miserável, achamos que está na hora de o Sr (ou srta) rever sua postura “virtual”. Ou não?

 

MICROFONIA

(reverberando cultura pop, política, comportamento e sociedade)

 

***“Gimme Danger”, o documentário realizado em 2016 sobre a trajetória dos gigantes e seminais Stooges, passou durante a programação do In Edit Brasil deste ano, que se encerrou semana passada. Nem tinha como ser um doc ruim. Dirigido pelo genial Jim Jarmusch (de quem somos fãs desde sempre) e conduzido em boa parte pela narração da lenda Iggy Pop, “Gimme Danger” desvela em detalhes a trajetória de uma banda que foi fundamental para toda a história do rock’n’roll. E continua sendo até hoje. Aliás enquanto o blog assistia ao filme (a sala do cine Olido, no centrão de Sampa, lotou de gente de todas as idades, de adolescentes a um velhinho que sentou bem ao nosso lado o que suscitou a dúvida: ele estava ali por mera curiosidade e sem saber do que tratava o longa ou era mesmo um fã de décadas dos “Patetas”?), pela enésima vez chegamos à conclusão de sempre: o mundo se tornou mesmo inculto e irremediavelmente BOÇAL em termos de arte na era da web. O ser humano chegou ao ápice do avanço tecnológico e digital. E no entanto nunca regrediu tanto em termos de ARTE e de sólida formação cultural e intelectual. Ou você acha que a música, o rock, o cinema, a literatura e as artes de hoje em dia ainda irão revelar algum gênio cuja obra será reverenciada daqui a 30 ou 40 anos, como a dos Stooges e de Iggy Pop é até hoje? Talvez a LITERATURA atual em si ainda produza alguma obra gigante e revele algum (a) escritor (a) fenomenal, posto que a arte da escrita talvez ainda esteja um pouco mais imune do que as outras ao vazio e ao horror de futilidade, ignorância e superficialidade que a cultura da web, da internet e das redes sociais impôs e impõe às pessoas. Mas esperar que ainda surjam ícones como James Osterberg e álbuns clássicos como os três gravados pelos Stooges (o primeiro, homônimo, e mais “Funhouse” e “Raw Power”) nos tempos atuais, pode esquecer: isso NÃO VAI MAIS ACONTECER. Então diante disso, até que estas linhas zappers se sentem confortáveis nos seus 5.4 de existência. Pois tivemos os três discos essenciais da banda em vinil. Mais do que isso: conseguimos assistir Iggy Pop e os Stooges ao vivo. Iggy em 1988 (há quase 30 anos!) no extinto ProjetoSP (que ficava no bairro da Barra Funda, em São Paulo, um galpão enorme onde cabiam 5 mil pessoas e que na noite da gig do Iguana não recebeu mais do que metade da lotação do lugar). Depois, ainda conseguimos testemunhar a reunião da banda no festival Claro Que É Rock (inesquecível, numa noite que ainda teve Sonic Youth e Nin Inch Nails), em novembro de 2005, na noite do aniversário de 43 anos de idade do jornalista eternamente rocker. Foi fantástico e guardamos os dois shows eternamente em nossas mais caras lembranças. “Gimme Danger” chega a ser emocionante em alguns momentos (fora que as tiradas certeiras de Iggy em seus depoimentos provocam ótimas gargalhadas na platéia). Jarmusch colocou seu talento de cineasta a serviço de um simples mas bem amarrado (no roteiro e na edição de imagens históricas da trajetória do grupo) documentário (de resto Jim sempre foi da turma do rock, basta lembrar que é dele também o magnífico “Sobre café & cigarros”, que foca na carreira de Tom Waits). No filme, lá pelas tantas, Iggy brinca que “ainda irá enterrar muitos amigos”. De fato: dos Stooges já se foram os irmãos Asheton (Ron e Scott), além do baixista Dave Alexander. E da própria santíssima trindade total genial e LOKA dos anos 70’ (Bowie, Lou Reed e Iggy Pop), está sobrando apenas mr. Osterberg, hoje na tranqüilidade dos seus 70 anos de idade e de quem olha para trás, para a selvageria que era sua existência junkie e à frente das apresentações igualmente selvagens de sua banda sem nostalgia, mas com o sentimento de estar em paz consigo mesmo e de ter muito orgulho por ter escrito alguns dos capítulos mais extraordinários desse tal de rock’n’roll que todos nós amamos e que ajudou a tornar a humanidade um pouco (ou muito) mais feliz e relevante culturalmente falando, no século XX.

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O “iguana” Iggy Pop tem sua trajetória e a de sua banda, o seminal The Stooges, esmiuçada com classe no documentário “Gimme Danger” (acima); abaixo, o cantor durante seu primeiro show no Brasil, em 1988 no ProjetoSP em São Paulo

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***O som indie pop legal do desconhecido Delays – Uma banda indie inglesa já velhinha, desconhecida mas bacana – é o quarteto Delays, que surgiu em 2001, lançou seu primeiro álbum (o bem legal “Faded Seaside Glamour”) apenas em 2004 e de lá pra cá mais três álbuns, o último deles em 2010 (lá se vão sete anos…). Zap’n’roll resolveu falar deles porque enquanto a OGRADA vive se descabelando e berrando na frente da TV sempre por causa do futeMERDA, o blog ocupa seu tempo com paradas mais legais, como ouvir o primeiro disco dos Delays. Que é repleto de canções com melodias doces, bucólicas (mas não chatas) e encantadoras. Lembra muito o indie pop noventista de grupos como The La’s (alguém se lembra deles?) e o vocal em falsete do guitarrista e cantor Greg Gilbert nos remete diretamente para uma Londres gelada e encoberta por fog, lá por 1993. O cd todo é bacana (não sensacional, mas muito bom de se ouvir), trilha perfeita para uma noite fria de inverno. E nele há pelo menos uma pequena obra-prima, aquela pop song quase perfeita: “Nearer Than Heaven”, que inclusive sempre toca na rádio New Rock da TV NET. É uma banda velhinha já, que não lança novo material há 7 anos mas que quase ninguém deve conhecer por aqui. Então se você também ODEIA futebol como estas linhas bloggers odeiam, taí a dica sonora desta edição do Microfonia. Melhor escutar o Delays do que ficar perdendo tempo com futeMERDA na TV.

 

***postão zapper entrando no ar em pleno domingão de inverno em Sampa, néan. E hoje à noite é dia de rock neném, com a domingueira rock Grind. E sendo que ontem, sabadón, rolou mais uma exibição do bacaníssimo documentário “Time Will Burn”, que radiografa com precisão toda a indie guitar scene brasileira dos anos 90’. Dirigido pelo chapa Marko Panayotis e já exibido em algumas telonas paulistanas ao longo de 2016, “Time…” ganha ainda mais uma projeção na próxima terça-feira às nove meia da noite, no cine Sesc (que fica ali na rua Augusta em direção aos Jardins, próximo à estação Consolação do metrô). Detalhe: assim como ontem a exibição na terça também será gratuita e os ingressos podem ser retirados uma hora antes do início da sessão. E sim: Zap’n’roll faz uma “ponta” no doc (uia!), no final dele. Mais não dá pra contar e o melhor é ir lá conferir.

 

***já outro doc igualmente bacanudo sobre a cena indie nacional dos 90’, “Guitar Days”, deverá finalmente ser lançado comercialmente até setembro próximo. É o que informa o brother Caio Augusto, diretor do filme (e atualmente morando na Espanha), em bate-papo com o blog esta semana. Segundo ele o longa (que também tem a participação deste jornalista rocker/loker, dando depoimento sobre uma cena que ele acompanhou muito de perto naquela época) será primeiramente exibido em alguns eventos específicos em alguns países europeus. Depois chega ao Brasil. Vamos aguardar.

 

***E a notícia lindona e bacanuda deste domingão invernal (que bom e que delícia): Morrissey, a nossa BICHONA fofa e mais amada de todos os tempos no rock e na cultura pop mundial enfim ganhando sua cinebiografia, wow! Ela foca na juventude dele e termina quando Moz se encontra com Johnny Marr – daí em diante e o resto da história todo mundo conhece de cor. Perfeito! O longa estréia em agosto na Inglaterra e fica a torcida para que ele chegue o quanto antes aos cinemas aqui do triste bananão tropical.

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Uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, os inesquecíveis Smiths (acima): a cinebiografia do vocalista Morrisey chega mês que vem aos cinemas da Inglaterra

 

***mês do rock, I: é este julho mesmo, que começou ontem, sendo que dia 13 em si é o Dia Mundial do Rock (desde 1985, quando foi realizado o lendário concerto Live Aid). E para comemorar haverá alguns eventos bem legais espalhados pelo circuito alternativo de Sampa. Entre eles uma super DJ set do blog comemorando também nossos catorze anos de existência, na domingueira rocker mais famosa do Brasil, o Grind (comandada há quase vinte anos pelo super DJ André Pomba). Anote na agenda desde já: vai rolar dia 16 de julho, domingo no Espaço Desmanche, na rua Augusta 765, centrão de Sampa.

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O jornalista zapper/loker mandando ver nas cdj’s no começo deste ano, em Maringá (PR): a nova dj set do blog, comemorando nossos catorze anos de existência, rola no próximo dia 16 de julho no Grind/SP

 

***mês do rock, II: já o Centro Cultural São Paulo (localizado no bairro do Paraíso, zona sul da capital paulista e colado no metrô Vergueiro), um dos espaços culturais mais bacanas de Sampalândia, também vai reservar todo o mês de julho para abrigar o evento “Centro do Rock”. A programação é variada, com shows, debates, exibições de filmes etc. Há bobagens gigantes espalhadas ao longo do evento (quem precisa de show do inútil e esquecível grupo MQN a essa altura do campeonato? Mas é claaaaaro que o vocalista da banda, o escroque monstro que atende pela alcunha de “diabo bacon”, sempre dá um jeito de se imiscuir nessas paradas) e debates igualmente inúteis (como o que vai reunir o tristemente conhecido Alex “Porcão” Antunes e o nosso “vizinho” responsável pelo blog Pobreload, ops, Popload) que certamente terão audiência pífia de público. Mas felizmente também vão rolar gigs imperdíveis (como a do sempre ótimo Jonnata Doll & Os Garotos Solventes) e sessões de cinema idem (vai passar “Control”, a cinebiografia de Ian Curtis, e também o sensacional, hilário e imperdível “A festa nunca termina”, sobre a cena rock de Manchester nos anos 80’ e 90’). Enfim, dá pra pegar algo de bom ao longo da programação no CCSP, que está toda aqui: http://www.centrocultural.sp.gov.br/.

 

***Mês do rock, III: e no final da semana que vem o circuito noturno rocker alternativo de Sampa vai ferver com gosto. Na sexta-feira rola a quarta edição do Bailindie da saudade (todas as infos aqui: https://www.facebook.com/events/259032921168603/). E no sabadão em si, 8 de julho, tem gig do Verônica Decide Morrer na Funhouse (que está fechando as portas, mais sobre o evento aqui: https://www.facebook.com/events/532166090240885/?acontext=%7B%22source%22%3A5%2C%22page_id_source%22%3A138776301124%2C%22action_history%22%3A[%7B%22surface%22%3A%22page%22%2C%22mechanism%22%3A%22main_list%22%2C%22extra_data%22%3A%22%7B%5C%22page_id%5C%22%3A138776301124%2C%5C%22tour_id%5C%22%3Anull%7D%22%7D]%2C%22has_source%22%3Atrue%7D) e também mais uma edição da sempre animadíssima balada Call The Cops, comandada pelo DJ Ricardo Fernandes e acontecendo novamente no Olga 17 (detalhes aqui: https://www.facebook.com/events/1355983417842144/). Ou seja: motivos de sobra para NÃO ficar em casa, certo?

 

***sexo aos montes, drogas idem, putarias variadas… vem aí finalmente o filme que conta a história do palhaço Gozo, ops, Bozo, que reinou entre a criançada (opa!) nas manhãs da televisão brasileira nos anos 80’. Você se lembra? Se não lembra se prepare, ulalá! A estréia do longa está prometida para o mês que vem.

 

***pois é, a última sexta-feira (leia-se anteontem) foi realmente um dia NEGRO para o país LIXO chamado Brasil. Cheirécio Neves de volta ao senado federal, o LONGA MANUS e HOMEM DA MALA Rocha Loures solto etc. O país realmente ACABOU. Alguém ainda tem dúvida quanto a isso?

 

***e ao longo da próxima semana (que está começando hoje na verdade) as notas da seção Microfonia irão sendo ampliadas com novas infos, se algum fato relevante merecer nossa atenção. Estamos e estaremos sempre de olho nas movimentações da cultura pop e do rock alternativo, pode ficar sussa.

 

 

APÓS MAIS DE DUAS DÉCADAS LONGE DOS ESTÚDIOS O SHOEGAZER RIDE VOLTA COM DISCÃO INÉDITO, DANDO UM POUCO MAIS DE DIGNIDADE AOS TEMPOS TOTAL SOMBRIOS E IRRELEVANTES DO ROCK ATUAL

Foi um dos comebacks mais aguardados deste ano até o momento, no indie rock planetário. Em um tempo sombrio, onde a cultura pop e o rock alternativo desceram sem dó em direção ao abismo mais profundo da irrelevância artística e musical, o quarteto inglês Ride (um dos nomes mais emblemáticos da geração shoegazer que dominou o rock britânico nos anos 90’) finalmente saiu de sua hibernação de mais de vinte anos longe dos estúdios de gravação. E deu ao mundo há duas semanas “Weather Diaries”, seu quinto álbum inédito em uma trajetória de quase três décadas. O disco (que já foi comentado rapidamente aqui mesmo, em nosso post anterior) é muito bom, mostra uma banda de meia idade (com os integrantes beirando os cinqüenta anos de idade) em boa forma e que editou um trabalho que permanece fiel às suas origens e influências sonoras, sem se preocupar em dar um verniz atual (com intervenções sonoras pseudo modernosas e contemporâneas) e inútil ao que funciona bem em sua versão clássica e original. Mais do que isso, as novas composições do grupo desvelam pela enésima vez o que todos nós já sabemos: o rock’n’roll da cretina era da web foi mesmo pro buraco. Resta a conjuntos veteranos como o Ride trazer ainda um pouco de alento e dignidade ao gênero musical que já foi o mais importante de toda a história da música mundial.

Em um tempo (o de hoje) onde a música se tornou algo bastante descartável, imediatista e fugaz, com zilhões de “popstars” surgindo e desaparecendo diariamente sem deixar rastro, o Ride já pode ser considerado como uma banda quase jurássica. Surgido há quase trinta anos (foi formado em 1988) na cidade inglesa de Oxford, o grupo formado pelos guitarristas e vocalistas Mark Gardener e Andy Bell, pelo baixista Steve Queralt e pelo baterista Laurence Colbert já foi aclamado pela imprensa e pelo público quando lançou seu primeiro álbum, “Nowhere”, em 1990. Alinhando-se à facção shoegazing britânica (composta por conjuntos que engendravam melodias oníricas, tristonhas e contemplativas, e tratadas com guitarras encharcadas de noise e feedback aliadas a vocais dolentes e algo sombrios) de grupos como Lush, My Bloody Valentine, The Jesus & Mary Chain e Slowdive (que também retornou à ativa este ano, lançando um primoroso disco inédito) o quarteto logo se destacou pela grande potência sônica e qualidade artística de sua estréia. “Nowhere”, lançado pelo célebre selo Creation Records (e que foi o lar da banda durante toda a primeira fase de sua existência), era tão bom que ganhou o título de “álbum do ano” em 1990, em votação dos críticos do finado semanário musical Melody Maker. Isso fez com que o Ride angariasse uma enorme legião de fãs apaixonados e também fez o conjunto estourar nas rádios inglesas com o lindíssimo single “Vapour Trail”. Eram os anos 90’, a era do shoegazer (com os integrantes das bandas tocando ao vivo de cabeça baixa, olhando para os próprios sapatos), das ruas enevoadas de Londres e da barulhenta melancolia indie guitar vertida em canções sublimes.

Com o sucesso alcançado já no primeiro trabalho, o grupo não pensou em mudar a fórmula no segundo disco. E assim “Going Blank Again” saiu em 1992 trazendo o mesmo (e ótimo) Ride da estréia. Novamente barulhento, novamente com melodias doces e melancólicas, e mais um single (“Twisterella”) que varreu as rádios rock inglesas. O cd colocou o grupo no topo mais uma vez e permitiu a ele experimentar uma ligeira mudança de rota no álbum seguinte. Editado em junho de 1994, “Carnival Of Light” mostrava os garotos de Oxford mergulhando em… nuances sessentistas e folkster americanas, com muitos eflúvios de Byrds nas faixas de mais um cd que foi novamente super bem recebido por crítica e público. Mas a essa altura algo já não ia bem INTERNAMENTE no Ride. A dupla de frente do quarteto (Mark e Andy) começou a se desentender por conta das célebres e sempre danosas “diferenças musicais”. As brigas entre ambos começaram a se tornar freqüentes e isso enfim transpareceu com nitidez no quarto cd do grupo, “Tarantula”, lançado em março de 1996. Era um disco bem abaixo do que o conjunto havia mostrado nos seus três primeiros álbuns. E por conta disso, foi repelido pela rock press inglesa que viu nele apenas uma pálida sombra do que o Ride havia mostrado até então. Ainda assim a banda saiu em turnê para promover o trabalho. Mas o clima havia ficado mesmo insustentável e ao final da excursão o Ride encerrou de forma algo melancólica suas atividades. Dos quatro integrantes apenas Andy Bell se manteve em alguma evidência no cenário rocker inglês, indo tocar baixo no Oasis e permanecendo na função no grupo dos manos Gallagher até o fim dele, em 2009.

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Capa do novo disco do Ride: após mais de vinte anos longe dos estúdios, a volta com um discão que evoca o melhor shoegazer dos anos 90′

 

Foi preciso então mais de vinte anos para que a turma shoegazer de Oxford resolvesse voltar às atividades. Com um relativo revival shoegazing tomando conta do rock alternativo britânico nos últimos meses (com Slowdive e The Jesus & Mary Chain lançado novos e ótimos discos, após séculos longe dos estúdios de gravação), o Ride também achou que era hora de voltar. E o fez através deste bacaníssimo “Weather Diaries”, que resgata de forma competente a sonoridade que transformou o conjunto num dos ícones máximos do indie guitar dos anos 90’ na Inglaterra. Com onze faixas e pouco mais de cinqüenta minutos de duração “Weather…” se equilibra muito bem entre faixas de puro noise e feedback com outras de tonalidades mais sombrias e com melodias mais contemplativas e melancólicas. Há pelo menos quatro longas canções (todas com seis minutos de duração ou mais) que demonstram como o grupo sabe engendrar com maestria melodias construídas a partir de guitarras a um só tempo ásperas e doces. É o caso de “Lannoy Point” (que abre o cd), da faixa-título, de “Cali” (um dos melhores momentos do álbum) e de “White Sands”, que encerra tudo com brumas melódicas e harmônicas tristonhas e lúgubres, bem de acordo com os tempos sombrios em que estamos vivendo. Ao mesmo tempo há espaço para o vigor rápido, acelerado e conciso de “Charm Assault” (o primeiro single de trabalho do cd), “All I Want” e da sensacional “Lateral Alice”, que evoca os tempos de “Twisterella” e poderá se tornar um hit nas pistas de rock alternativo.

O mundo está ruim em todos os sentidos. O aquecimento global devora o planeta, a raça humana nunca esteve tão reacionária e conservadora nos últimos trinta anos como agora e a cultura pop (incluso nela o rock’n’roll) desceu sem dó a ladeira da mediocridade e irrelevância artística. As bandas atuais não duram nada e são ruins e fúteis de dar pena. O Ride sabe disso tudo e voltou com um disco onde parece querer dizer (ou cantar) ao ouvinte: “sim, já somos velhos e estamos aqui ainda, vivos. E mostrando talvez mais qualidade e dignidade do que 90% da geração atual”. É bem por aí: “Weather Diaries” pode não ser uma obra-prima. Mas numa época em que nada mais parece fazer sentindo ou parece fazer grande diferença e impactar nossas tristes existências em termos musicais, ouvir essas novas onze músicas do velho shoegazer inglês traz grande alento à alma e aos sentidos. E mostra que o grande rock de guitarras ainda vive e nos encanta, mesmo quando feito por senhores na casa do meio século de vida.

 

***mais sobre o Ride, vai aqui: https://www.thebandride.com/, e aqui: https://www.facebook.com/RideOX4/.

 

***o grupo está em turnê de divulgação de “Weather Diaries”. Tocam na Europa e Reino Unido até o final desse ano. E há boatos e uma pequena possibilidade de que venham para o Brasil em 2018. Vamos torcer!

 

 

AS FAIXAS DO NOVO ÁLBUM DO RIDE

1.”Lannoy Point”

2.”Charm Assault”

3.”All I Want”

4.”Home Is a Feeling”

5.”Weather Diaries”

6.”Rocket Silver Symphony”

7.”Lateral Alice”

8.”Cali”

9.”Integration Tape”

10.”Impermanence”

11.”White Sands”

 

 

A BANDA AÍ EMBAIXO

Nos vídeos para os singles “Charm Assault” e “All I Want”.

 

E O NOVO DISCO AÍ EMBAIXO, PARA AUDIÇÃO NA ÍNTEGRA

 

MAIS RIDE: UM ÁLBUM CLÁSSICO DO GRUPO PARA RELEMBRAR

Yep, o belíssimo “Going Blank Again”, lançado em março de 1992, ou seja, há vinte e cinco anos e que continua musicalmente imbatível até hoje.

 

 

O FIM DE MAIS UM BAR ALTERNATIVO INCRÍVEL DE SAMPA, A FUNHOUSE

Após o fechamento do Astronete, Matrix e Inferno, endereços que marcaram época no circuito rock alternativo noturno da capital paulista, agora é chegada a vez do sobradinho da Funhouse informar que vai deixar de existir. Funcionando há mais de década e meia na rua Bela Cintra, centrão de Sampa, a Fun (como é carinhosamente conhecida pelos freqüentadores) encerra suas atividades no final de julho agora. Até lá ainda vai manter uma programação bacanuda nos finais de semana, sendo que o blog pretende ir no dia 8 de julho pra se despedir de lá assistindo à gig do Verônica Decide Morrer.

Zap’n’roll foi menos infeliz nas noites em que foi à Funhouse. O blog discotecou lá numa madrugada há uns 10 anos ou mais (numa festa da extinta revista Dynamite). Enfiamos o pé na lama ali, em álcool e cocaine. Paqueramos e trepamos com xotas rockers lokers tatuadas. Brigamos com um dos ex-donos (pai da filha da escritora Clarah Averbuck, de quem ainda somos amigos distante e embora não falemos com ela há séculos). E dançamos muito som incrível na pista, além de presenciar muitos shows sensacionais por lá. Fora que a Fun teve uma das hostess mais legais, loiras e lindas da night under paulistana, a sempre gatíssima e gente finíssima Dani Buarque, da banda BBGG.

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A pista do sobradinho que abriga a Funhouse/SP: a ferveção infelizmente chega ao fim este mês

 

Mas tudo chega ao fim um dia, não é? E assim se confirma mais uma vez o que sempre andamos dizendo aqui: a cultura pop e o indie rock acabaram de vez nos anos 2000’, infelizmente. Saudades das décadas de 90’ e 80’, quando o mundo e as pessoas eram muito menos estúpidas e boçais do que são hoje. Os 80’/90’ nunca mais irão voltar. E pras novas e imbecilizadas gerações da era das redes sociais inúteis só irá restar isso mesmo: funk ostentação burrão, sertanojo universotário, axé brega, pop idem etc. Triste fim para a raça humana na era da web… ao menos na cultura pop e no quase extinto rock’n’roll.

Rip Funhouse. Foi um imenso prazer passar algumas madrugadas inesquecíveis no seu interior. Dia 8 de julho próximo será a nossa última por lá, para uma despedida rocker como ela deve ser.

 

 

UMA MUSA REALMENTE ROCKER: A JAPA GIRL GLAUCIA, UMA QUARENTONA TATUADA QUE DEIXA MUITA PIRRALHA DE VINTE NO CHINELO, WOW!

Nome: Glaucia Yatsuda.

Idade: 43 anos.

De: Lins/SP.

Mora em: Maringá/PR, com os filhos pequenos e papi.

Formada em: Geografia.

Trabalha em: técnica em mecatrônica.

Três bandas/artistas:T-Rex, Nick Cave e The Tamborines.

Três discos: “The destruction off small ideas” (65 Five Days of Static), “Best Hit AKG” (Asian Kung Fu Generation) e “Rumble the best of Link Wray”.

Três diretores de cinema: Peter Greennway, David Linch e Akira Kurossawa.

Três filmes: “Depois da vida” (de Hirokazu Koreeda), “Down by Law” (de Jim Jarmusch) e “Viagem de Chihiro” (de Hyao Miyazaki).

Três livros: “Admirável mundo novo” (Aldous Huxley), “Akira” (Katsuhiro Otomo) e “Belas Maldições” (Neil Gaiman – Terry Pratchett).

Show inesquecível: 65 Days of Static em Osaka, 2006.

Como o blog conheceu essa incrível musa rocker japa total delicious: ela é uma das melhores amigas da produtora de moda Patrícia Ramirez, que por sua vez é dileta amiga zapper há séculos. Ambas residem em Maringá, norte do Paraná e onde Zap’n’roll fez uma ótima DJ set no início deste ano no infelizmente finado The Joy Bar. Vai daí que o velho jornalista rocker e responsável por estas linhas bloggers lokers se encantou pela japa quarentona, resolveu paquerá-la (opa!) e a convidou para fazer este ensaio. Que você agora se delicia com ele aí embaixo, com as ótimas imagens clicadas pelo fotógrafo Paulo José e com produção de Paty Ramirez e Nay Oliveira. Aprecie sem moderação alguma!

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A vulva recoberta por pelos, colocando em xeque a ditadura estética atual das púbis total depiladas

 

 

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Me abro e me permito apenas para ele…

 

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Pele branca, olhos puxados, tattoos espalhadas pelo corpo: a japa girl perfeita?

 

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Devaneios na pequena tela, ou a busca por alguém…

 

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Segredos orientais que se escondem por entre as pernas…

 

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O vermelho é o fogo que nos atrai

 

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Venha me devorar!

 

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FIM DE TRANSMISSÃO

Postão ampliado em 8 de julho, relembrando Nirvana, Cazuza e Legião Urbana. Na semana que vem tem mais, beleusma?

 

Até lá então!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 8/7/2017 às 18:30hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL, com os novos discos do Ride e da Lorde e também todas as infos sobre a edição 2017 do festival de documentários In Edit Brasil – Com o mondo indie rocker planetário em quase completa dormência e irrelevância o blog analisa com rigor e sem babação de ovos a “banda da vez” e que acabou de lançar seu primeiro álbum cheio nos EUA: o Cigarettes After Sex, que por pouco não provocou BOCEJOS nestas sempre rigorosas linhas zappers; mais: com shows confirmados (a partir de setembro) de The Who, U2 e a deusa inglesa PJ Harvey, o triste bananão tropical (esse aqui mesmo) ao menos terá um final de 2017 mais animado e menos modorrento; o julgamento da chapa Dilma/Temer pelo STE (que absolveu o vampiro golpista) e as lastimáveis condições do sistema prisional brasileiro só mostram e constatam pela milésima vez o que todos já estão carecas de saber mas têm vergonha de admitir: o Brasil é um país LIXO e quinto mundo dos infernos, infelizmente…; e um autêntico DELEITE e COLÍRIO gigante para nosso leitorado fã de nudes tesudos e despudorados ao máximo: um ensaio pra lá de delirante com nossa primeira dama das musas do blog, a eternamente lindíssima e incrível Jully DeLarge em todo o seu esplendor de nove meses de GRAVIDEZ gloriosa, e prestes a se tornar mãe! (postão AMPLIADÃO E TOTAL CONCLUÍDO, em 16/6/2017)

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Informações: (11) 9 8320-0700 (whats app) e também aqui: https://www.facebook.com/events/1905708276384988/?acontext=%7B%22action_history%22%3A%22null%22%7D

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A indie rock scene planetária está em crise brava de criatividade e de qualidade artística; assim uma banda como a Cigarettes After Sex (acima), mesmo sendo não muito mais que competente, causa enorme falatório no mondo rocker e nas redes sociais por conta do lançamento do seu primeiro álbum de estúdio, um trabalho que, de resto, está muito longe das obras-primas lançadas, por exemplo, pela deusa PJ Harvey (abaixo) que retorna ao Brasil para show em novembro, mesmo mês do aniversário do jornalista zapper/loker que continua sabendo o que é bom em termos de cultura pop (basta ver a imagem também abaixo: ele ao lado da nossa sempre eterna musa rocker number one, a deusa Jully DeLarge, que vai ser mamãe daqui a pouco!)

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MAIS MICROFONIA: NO FERIADÃO MODORRENTO DE PORCUS TRISTIS, O NOVO DISCO DO RIDE CHEGA PRA ANIMAR O POVO ROCKER

Exatamente. O feriado de PORCUS TRISTIS em si já está chegando ao seu final (só que ele vai ser estendido por todo o finde, claaaaaro) e acabou sendo bastante animado no final das contas. Pois saiu HOJE “Weather Diaries”, o disco que marca oficialmente a volta do grande Ride. Na Inglaterra o álbum saiu oficialmente nesta sexta-feira. Aqui no bananão e em se tratando de plataforma física (cd e vinil), jamé. Mas com a internet aí, foda-se. Está ao alcance de quem quiser escutar. É o primeiro trabalho de estúdio inédito do quarteto inglês (que surgiu em Oxford, em 1988) em mais de duas décadas – o último disco deles havia sido o algo fracote e melancólico “Tarantula”, que saiu em março de 1996 e decretou então o fim do conjunto naquela época. Sendo que o Ride foi um GIGANTE da geração shoegazer britânica dos anos 90’, com pelo menos três álbuns memoráveis em sua trajetória (“Nowhere”, de 1990; “Going Blank Again”, de 1992; e “Carnival Of Light”, lançado em 1994 e o nosso preferido deles). Depois é o que se sabe: veio a queda, o fim da banda e cada um foi pra um lado, inclusive com o guitarrista e vocalista Andy Bell indo parar no Oasis, onde tocou baixo também até o grupo dos manos Gallagher chegar ao fim, em 2009. O que estas linhas bloggers rockers acharam do comeback deles? Bien, nossa percepção inicial (ouvimos o cd apenas duas vezes, até o momento) é de que para um bando de coroas que ficou mais de duas décadas longe dos estúdios de gravação, eles voltaram bem – algumas músicas bem longas (como “Lannoy Point” e “Cali”) são ótimas, sendo que talvez a melhor de todo o álbum seja mesmo “Lateral Alice”, curta, rápida e barulhenta. Se comparado aos primeiros trabalhos digamos que o novo é mediano, mas ainda assim ok. Agora, se comparado ao LIXO que está o rock atual (até mesmo em sua acepção mais, hã, alternativa), trata-se de um disco muito bom. Mas enfim, que eles sejam bem-vindos de volta. “Weather Diaries” será com certeza o destaque do próximo post da Zap’n’roll. E quem sabe o grupo não resolve dar uma passadinha pelo Brasil, já que estão em turnê de divulgação do cd. Não custa sonhar, né?

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O velho mas ainda muito bom shoegazer do britânico Ride: novo disco, após duas décadas de ausência

 

***Mais movimentação no mondo pop também nessa sextona de meio de feriadão brazuca: saiu finalmente o segundo disco da gatinha Lorde. Que chega três anos depois de sua estréia que a transformou em ídolo pop planetário com apenas dezesseis anos de idade. O novo trampo dela, sobre o qual falaremos melhor no próximo post, pode ser ouvido aí embaixo.

 

***Tá de bobeira em Sampa no feriadão? Pois está rolando na cidade a edição 2017 do In Edit Brasil, o maior festival de documentários musicais do mundo. Tem docs sobre os Stooges (wow!), sobre a Tropicália e também pelo menos quatro que detêm seu olhar sobre a história do punk rock, que está comemorando quarenta anos de existência. A programação completa do In Edit pode ser conferida aqui: http://br.in-edit.org/.

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Os inesquecíveis The Stooges: com doc sobre a banda no In Edit Brasil

 

***E também rola neste finde mais uma edição da Parada do Orgulho LGBT em Sampa, domingo o dia todo na avenida Paulista. São esperadas mais de 3 milhões de pessoas e o evento é o maior do mundo no gênero. O blog pretende estar nela (pois há anos que não marcamos presença na parada) mesmo porque nosso apoio à diversidade sexual e ao RESPEITO e à tolerância em relação a questões de gênero é total. Não dá pra aceitar uma sociedade homofóbica como ainda é a brasileira. Muito menos a intolerância religiosa em um país onde o Estado é LAICO (segundo a Constituição) mas que, na real, vive sob pressão de grupos como os evangélicos por exemplo (os maiores inimigos da nação gay). Então fikadika: todos pra Paulista nesse domingão!

 

***Sim, sim, estamos devendo uma resenha sobre o disco de estréia do grupo de surf music instrumental paulistano Pultones. Bem como quem ganhou o cd deles que andamos botando em sorteio por aqui. No próximo post desovamos essa parada de vez, ok?

 

***E agora é fim de transmissão mesmo. Meião de feriadão e Zap’n’roll vai curtir o que resta dele tomando vinho, fumando um beck e dando uma bela foda com uma boceta amiga, hihihi. Portanto: até o próximo post e tchau pra quem fica!

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EDITORIAL POLÍTICO:

BRASIL, O PAÍS LIXO TOTAL E DE QUINTO MUNDO DOS INFERNOS – VOCÊ AINDA TEM ALGUMA DÚVIDA DISSO?

Dois episódios que aconteceram na semana passada e que corroboram o título do editorial político/social que abre este post de Zap’n’roll. Primeiro: o “Profissão Repórter”, como sempre brilhantemente conduzido pelo Caco Barcellos e em sua edição da última quarta-feira, foi absolutamente DEVASTADOR. Ele mostrou o que é o sistema prisional brasileiro como um todo. E, por tabela, exemplificou e resumiu no final das contas o que todos nós estamos carecas de saber mas fingimos (ou tentamos fingir) não saber: isso aqui, esse país chamado BRASIL, é um LIXO TOTAL. Uma nação de QUINTO MUNDO (dos infernos) e que se jacta ser de primeiro mundo. Um primeiro mundo que só existe na cabeça dos super ricos que vivem aqui ou da classe média ogra e burrona que acha que metrópoles horrendas como São Paulo, Rio e Porto Alegre possuem algo de civilizado. Dá até dó dos idiotas que batem no peito e cantam com alegria incontida e retardada o “sou brasileiro com muito orgulho”.

Esses OTÁRIOS deveriam ter assistido o jornalístico comandado por Caco. O programa foi até COVARDE em certo sentido, quando comparou o sistema prisional daqui com o da Noruega (esse sim um país de PRIMEIRÍSSIMO MUNDO). Alguns detalhes, para quem não assistiu:

 

***o governo brasileiro gasta com cada preso do país por ano, em média, R$ 45 mil reais. Você acha muito? Na Noruega o custo anual do governo pra manter cada presidiário (e dar-lhe condições de ser reintegrado à sociedade) é de R$ 390 mil reais! Detalhe: esse gasto governamental tem APOIO TOTAL da população.

 

***mais: no presídio de segurança máxima na Noruega, em cada cela (que fica aberta durante o dia e só é trancada à noite) o preso tem: cama confortável, armário, televisão (de led), frigobar e banheiro decente, além de acesso a um mini mercado onde ele pode comprar o que desejar. Mais? Tem mais: ele também pode fazer cursos de capacitação (como de chef de cozinha) e para aqueles que possuem pendores artísticos (como ser músico, por exemplo) há até um ESTÚDIO onde o preso pode gravar composições e aprender a tocar e a cantar.

 

***tudo isso tem sua justificativa, dada pelo diretor do presídio norueguês: “Quando ele, o preso, sair daqui, poderá ser SEU VIZINHO. Você prefere ter um vizinho VIOLENTO, CHEIO DE ÓDIO dentro de si ou alguém que cumpriu sua pena e voltou plenamente recuperado ao convívio social?”. Simples assim.

 

***e aqui? Ahahahahaha, aqui é a BARBÁRIE, claro. Lá na Noruega, frigobar nas celas. Aqui os pobres diabos bebem água INFESTADA de BARATAS, vivem em celas superlotadas e cheias de RATOS (ratos mesmo, aquele bicho que todos odeiam e que transmite uma série de doenças) e vão desenvolvendo enfermidades como tuberculose ou enfrentando surtos como o de SARNA. Ao ser entrevistado pela equipe do programa, um preso declarou (com total razão em suas palavras): “isso aqui é DESUMANO. O sujeito entra aqui e depois sai com mais ÓDIO de tudo, com mais ódio do que ele tinha antes de entrar”.

Precisa ser dito mais alguma coisa? Se sim, melhor você conferir o programa na íntegra, neste link: http://g1.globo.com/profissao-reporter/noticia/2017/06/ratos-baratas-e-doencas-como-sarna-hiv-tuberculose-e-sifilis-sao-comuns-em-presidios-brasileiros.html.

Este blog realmente desistiu disso aqui. Temos TOTAL VERGONHA de ser brasileiro. Um país cujo sistema prisional HORRENDO (e que reflete, de resto, o que é a nossa sociedade como um todo: boçal, bestial, ignorante, conservadora, egoísta na relação entre os quem têm muito e os que não têm nada, atrasada, inculta etc.) é apenas a face mais cruel de uma nação que definitivamente NÃO DEU CERTO. Também esperar o quê de um país onde a classe política é vil e imunda ao máximo, e onde o próprio PRESIDENTE DA REPÚBLICA é um CRIMINOSO e chefe de quadrilha já PILHADO pelas autoridades policiais e judiciárias em diversos CRIMES de assalto ao erário e ao bolso da população?

Caia na real quando você for cantar que é “brasileiro com muito orgulho”: vivemos no LIXO e na RABEIRA do mundo. Somos apenas isso: um QUINTO MUNDO DOS INFERNOS. E nada além disso.

E para completar, o segundo episódio e que dominou a atenção de toda a mídia (da nanica à mega): o julgamento da chapa Dilma/Temer pelo STE. Terminou com a ABSOLVIÇÃO do velho BANDIDO e ESCROTO que preside de forma golpista o Estado brasileiro. Alguém aí ainda tinha alguma dúvida de que ele iria escapar?

É isso. Vamos pra cultura pop e pro rock alternativo, que nos traz ainda um pouco de alegria e satisfação.

 

 

MICROFONIA

(reverberando a cultura pop e a política/sociedade em discos, livros, filmes, shows, baladas etc.)

 

*** foi SEN SA CIO NAL a noite do último sábado no estúdio Lâmina (no centrão de Sampa), com o grupo Les Boomerangs fazendo um set inteiramente dedicado ao gênio francês Serge Gainsbourg. Versões rockers, claro. Nunca imaginamos escutar “Je T’aime” (o mega clássico dos motéis e trepadas de todos nós) com tanta microfonia, distorção e “apitos” na guitarra, hihihi. O Lâmina (localizado num incrível prédio histórico ao lado do metrô São Bento) lotou de gatas gostosíssimas, a DJ set pós-show foi fodástica (Smiths, Bowie, Siouxsie, Joy Division, Les Rita Mitsouko etc.), encontramos amigos queridos (como a gata Persie Oliveira, vocalista das Groupies do Papa, e o Leo Fazio, da banda Molodoys) e nos divertimos e rimos muito com os papos do nosso irmão de coração, o sempre gentleman, divertido e super guitarrista Gabriel Coimbra Guedes. Que venham outras baladas iguais!

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Dupla rocker de respeito máximo no último sabadão, pela madruga baladeira de Sampalândia: o jornalista gonzo/zapper/loker e o super guitarrista Gabriel Guedes

 

***A maleta Mallu Magalhães lançou seu novo álbum, “Vem”, na última sexta-feira. Sério, será que alguém ainda se importa? Com o bananão pegando fogo ao que parece Mallu continua vivendo em outro universo, com suas músicas “fofinhas”, de pegada pop/MPB completamente despolitizada e desconectada do momento trágico pelo qual o país está passando. Nem vamos perder tempo resenhando o álbum, mas para quem tiver curiosidade em ouvir ele está aí embaixo.

 

***para não esquecer tão cedo: abaixo, quem votou contra e a favor da cassação do velhote sujo e ordinário que preside o Brasil. Que vergonha, STE…

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E esse CRETINO, merda e serviçal do governo golpista RI da nossa cara, claro! 

 

*** o episódio em que dois MONSTROS bestiais e boçais torturaram e TATUARAM na testa de um garoto a frase “sou ladrão e vacilão” (por ele supostamente ter tentado roubar a bicicleta de um dos vizinhos da dupla que praticou essa barbárie no moleque), merece todo o repúdio possível. E demonstra também claramente a que ponto chegou a selvageria, bestialidade e boçalidade da sociedade brasileira supostamente “civilizada”. Estamos caminhando para uma nação NAZISTA no final das contas. Pois se vocês bem se recordam eram os NAZISTAS que marcavam a pele dos judeus com ferro em brasa, durante a Segunda Guerra, para depois exterminá-los nos campos de concentração. Até quando, Brasil LIXO e de população selvagem ao máximo?

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A imagem da barbárie social, da boçalidade e bestialidade sem limites do brasileiro atual: dois monstros e covardes fizeram essa tatuagem na testa de um adolescente de 17 anos por ele supostamente ter tentado roubar uma bicicleta; o Brasil regredindo aos tempos do nazismo…

 

***e calma que ao longo desta semana (que começou nesta segundona, dia dos namoridos) mais notas irão entrando aqui no Microfonia, beleusma? Então guentaê e até já!

 

 

CIGARETTES AFTER SEX, O NOVO (MAS NEM TANTO) HYPE DO MONDO ROCKER, LANÇA SEU PRIMEIRO DISCO – E CUJA AUDIÇÃO QUASE PROVOCOU SONO NO BLOG ZAPPER

O mondo pop/rock planetário, mesmo na seara mais, hã, alternativa, está assim mesmo há alguns anos já: vagando à deriva, infestado de hypes que duram apenas alguns singles, alguns discos (quando não apenas um), uma temporada de verão, e depois desaparecem tão rápido quanto surgiram. Fora que a qualidade artística de grupos e artistas solo despencou rumo a um abismo profundo de quinze anos pra cá. Então quando surge algo minimamente mais razoável ou um pouco acima da mediocridade media reinante atualmente no planeta, a banda em questão já desponta como a próxima salvação do rock’n’roll. Gera hype nos sites e blogs especializados em música, gritaria e tumulto nas redes sociais e plataformas visuais e musicais (Spotify, YouTube), e adoração imediata de milhões de fãs virtuais de ocasião. Tudo muito fugaz, imediatista e ilusório, claro. Mas continua acontecendo e dando sobrevida ao rock e suas variações de gênero. E dentro desse panorama o grupo da vez é o quarteto americano Cigarettes After Sex, que lançou oficialmente na última sexta-feira, dia 9 de junho seu primeiro álbum completo de estúdio. Antes o grupo liderado pelo vocalista, letrista e principal compositor Greg Gonzalez, já havia lançado uma série de singles que bombaram na web e colocaram o conjunto em evidência não apenas nos EUA mas também na Europa.

O CAS (como já está sendo carinhosamente chamado pelos fãs) é essencialmente e musicalmente o que sai da mente algo melancólica e sensível de Gonzalez. Bom letrista, compositor, vocalista e instrumentista, ele formou a banda há quase uma década (mais precisamente em 2008) na cidade de El Paso, no estado americano do Texas. E para dar vazão às suas músicas eivadas de ambiências melancólicas e de eflúvios de shoegazer e dream pop, Greg foi se cercando de músicos que eram amigos próximos. Além dele ninguém ficou exatamente fixo no grupo nesses anos todos, sendo que a formação atual se completa com Jacob Tomsky (baterista),  Phillip Tubbs (teclados), e Randy Miller (baixo). Foi com esse line up que a banda sedimentou e amadureceu seu trabalho, lançado agora o primeiro álbum completo e após ter bastante receptividade da crítica e de fãs para seus primeiros singles (como “Affection”, editado em 2015, e “K”, lançado um ano depois, além de um cover bizarro para uma canção do finado grupo hard brega setentista Reo Speedwagon, também lançado como single há dois anos), que acabaram tendo milhares de visualizações no YouTube e angariaram um bom séquito de fãs ardorosos para o quarteto em pouco tempo. Fãs brasileiros inclusive, que já pululam pelas redes sociais e estão se desmanchando de amor pelo Cigarettes em redes sociais como o faceboquete.

Mas e daí? Qual é a do CAS, afinal? É um grupo que vale a pena? É o grande lançamento de 2017 até agora, como bradou um conhecido e bastante lambão, preguiçoso e bundão repórter/blogueiro da FolhaSP online (ele mesmo, o beócio Thales de Menezes) e que, não satisfeito em PEIDAR pela boca sua vassalagem estúpida e exagerada ao grupo, ainda comparou-o aos inesquecíveis Smiths? Quanta IGNORÂNCIA jornalística e musical, rsrs. Não há dúvida, ao se ouvir as canções dos singles do conjunto e também as faixas que estão no seu disco de estréia, que Greg Gonzalez é um compositor habilidoso, melodista idem e um letrista sensível que, tal qual Morrissey mostrou de forma sublime à frente dos Smiths há três décadas, expõe suas tragédias pessoais, amorosas e emocionais de maneira bastante intensa nos versos que compõe. E aí não importa se o desencanto e desalento amoroso se refere a uma relação afetiva homo ou hétero. Vale mais aqui discorrer sobre o que é o amor no final das contas: quase sempre uma pequena (ou, em alguns casos, monstruosa) tragédia existencial, tingida pelos matizes mais cinzas e sombrios que possam existir. Para dar voz, corpo e sentido a essas letras intensas mas igualmente introspectivas, melancólicas e reflexivas, o cantor lança mão de um vocal suave, tristonho, com inflexões agudas (muitas vezes quase sugerindo que é uma MULHER que está cantando), bucólico e contemplativo no final das contas.

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Capa de estreia do disco do CAS: canções dream pop sonolentas

Seria o suficiente para se construir um ótimo trabalho? Aparentemente sim. Mas ocorre que as dez faixas do CD (distribuídas por quase quarenta e sete minutos de duração) foram bordadas com tanta lassidão e contemplação/melancolia instrumental que a audição acaba por se tornar um périplo altamente cansativo para o ouvinte. Não há quase variação alguma entre os temas, seja na abertura com “K”, ou no quase dream pop que se encerra em “Each Time You Fall In Love” (onde fica nítida a sensação de estarmos escutando um vocal feminino, já que Gonzalez capricha na inflexão em falsete), ou ainda em “Apocalypse”, “Flash”, “Sweet” ou “John Wayne”, todas elas invariavelmente conduzidas pelas guitarras elétricas ou acústicas tocadas por Greg, e pontuadas por percussão suave e intervenções discretas de teclado. Tudo muito bem tocado, arranjado e produzido, não há dúvida. Mas já na metade da audição se torna indisfarçável a sensação de quase sonolência que começa a envolver o ouvinte.

Se for para comparar, há bandas e discos muito melhores nos anos 80’, 90’ e de 2000’ pra cá. Na questão da angústia amorosa/emocional e do amor platônico e/ou irrealizável vertido em versos, Morrissey indubitavelmente fez muito melhor pelo rock e pelo pop nos Smiths – aliás a temática que se encerra nas letras do CAS talvez seja de fato o único detalhe que aproxima o grupo americano do inesquecível quarteto liderado por Moz e Johnny Marr. E de alguns anos pra cá, talvez grupos como Beach House e The XX (principalmente este) exibam mais consistência artístico/musical e com uma sonoridade um pouco mais animada, que não provoca letargia em quem escuta. Assim a estréia em álbum cheio do Cigarettes After Sex se revela um pouco acima da média da irrelevância que contamina a maioria das bandas da indie rock scene atual. Mas isso não é suficiente, nem de longe, para afirmar que o trabalho homônimo do conjunto é o grande lançamento de 2017. Ele está longe disso, bem longe. E se não procurar maturar e aprimorar com afinco sua concepção sonora, a irrelevância e o esquecimento por parte da mídia e do público virá logo. Afinal e infelizmente a volubilidade e a volatilidade dos fãs em relação aos seus “ídolos” é um dos maiores problemas para a música, para o pop e o rock nestes tempos superficiais e fúteis da web. A maldita era digital, onde uma canção de quatro minutos se tornou acessório dispensável que serve apenas de fundo musical para tarefas comezinhas. E que, por conta disso e dessa função bastante inglória, ela precisa ter muito mais estofo qualitativo para impactar e marcar quem a escuta.

 

 

O TRACK LIST DO DISCO DE ESTREIA DO CAS

1.”K.”

2.”Each Time You Fall in Love”

3.”Sunsetz”

4.”Apocalypse”

5.”Flash”

6.”Sweet”

7.”Opera House”

8.”Truly”

9.”John Wayne”

10.”Young & Dumb”

 

 

UMA LETRA DO ÁLBUM

(da faixa de abertura do cd, “K)

Eu me lembro de quando notei que você gostava de mim também

Estávamos sentados em um restaurante esperando a conta

Nós tínhamos feito amor mais cedo naquele dia, sem amarras

Mas eu poderia dizer que algo tinha mudado como você olhou para mim naquele momento

 

Kristen, volte logo

Eu estive esperando você voltar para a cama

Quando você acende a vela

 

E no Lower East Side você está dançando comigo agora

E eu estou tirando fotos de você com flores na parede

Acho que eu gosto mais quando você está vestida de preto da cabeça aos pés

Acho que eu gosto mais de você quando você está só comigo

E ninguém mais

 

Kristen, volte logo

Eu estive esperando você voltar para a cama

Quando você acende a vela

 

Estou beijando você deitada no meu quarto

Segurando você até você cair no sono

E é tão bom quanto eu sabia que seria

Fique comigo, eu não quero que você saia

 

Kristen, volte logo

Eu estive esperando você voltar para a cama

Quando você acende a vela

 

 

O CD DE ESTREIA DA BANDA PARA AUDIÇÃO NA ÍNTEGRA, ABAIXO

 

 

 

COM SHOWS DE THE WHO, U2 E PJ HARVEY A PARTIR DE SETEMBRO, O BANANÃO TROPICAL PROMETE TER UM FINAL DE ANO UM POUCO MAIS ANIMADO

Yep. O Brasilzão está parecendo terra arrasada na seara política e econômica, a corrupção desmantelou o país, o golpista sujo de merda não quer arrancar sua bunda imunda da cadeira de presidente nem a pau e assim seguimos. Mas não é que, mesmo com toda essa desgraceira atormentando diariamente a vida da galera, ao menos no circuito pop/rock iremos ter alguma alegria nos meses finais deste ano? É que vêm aí (como todo mundo já está sabendo) algumas gigs que prometem ser fodásticas e imperdíveis, a partir de setembro. O blog explica por quê:

 

***THE WHO – toca em Sampa no dia 21 de setembro, na primeira noite do festival SP Trip. A abertura (com The Cult e a porra do tal After Bridge) nem importa. O que vale mesmo é poder conferir pela primeira vez (e talvez a única) por aqui uma gig daquela que talvez é a última e mega lendária banda da história do rock’n’roll que ainda não havia se apresentado no Brasil. E foda-se que, para os sectários, será uma gig com apenas “meio Who”, com Roger Daltrey nos vocais e o gênio Pete Townshend nas guitarras. A banda que acompanha a dupla é das melhores. E poderemos todos CHORAR ao escutar ao vivo clássicos inesquecíveis e imbatíveis que fazem parte de nossas vidas e histórias, como “My Generation”, “I Can’t Explain”, “Baba O’riley”, “Pinball Wizard”, “Who Are You”, “Substitute” etc. Absolutamente IM PER DÍ VEL!

 

***U2 – o velho e sempre competentíssimo no palco quarteto irlandês volta ao Brasil, na turnê que celebra os trinta anos do álbum “The Joshua Tree”, lançado em 1987. Pra quem nunca os viu ao vivo por aqui (estas linhas zappers já assistiram a banda on stage por duas vezes) é também um show quas imperdível, ainda mais que ele terá a abertura luxuosíssima de um certo Noel Gallagher. Vai ser dia 19 de outubro no estádio do Morumbi, em Sampalândia, claro!

 

***PJ Harvey – Estas linhas eternamente indie rockers AMAM Polly Jean Harvey. Sempre amamos, desde que ela se lançou ao mundo com “Dry” em 1992 (lá se vão 25 anos…). E ela segue como nossa deusa máster do rock inglês que importa de duas décadas e meia pra cá. Pelos discos fantásticos que ela lançou ao longo desses anos todos (como “To Bring You My Love”, de 1995, ou “White Chalk”, editado em 2007, ou ainda o fenomenal “Let England Shake”, que saiu em 2011), pelo show inesquecível que vimos dela em 2004 (no finado Free Jazz Festival) e por ela ser a linda magrela loka e desajustada que é. Zap’n’roll se casaria com essa mulher, rsrs. Então e finalmente PJ Harvey volta enfim pra cá, depois de 13 anos. Vai tocar num festival em Sampa dia 15 de novembro, no Memorial da América Latina. O local é ótimo, o festival nem tanto: muito espalhafatoso, muito imodesto para seu padrão mediano e como sempre com ingressos a preços extorsivos – incluso aí a detestável pista Premium, que sempre foi combatida pelo “prezado” jornalista que organiza a parada mas que acabou sendo incorporada ao evento para, quem sabe, deixar o bolso do pobreloader um pouco mais cheio – e o dos pobres fãs mais vazios. Mas rever PJ Harvey no palco valerá o sacrifício, acho. Se o blog conseguir assistir a gig da nossa amada deusa magrela e, antes, do Who em setembro, já nos daremos por satisfeitos nesse novamente sinistro 2017. Depois de ver novamente Polly Jean ao vivo, o Brasil pode acabar e explodir de vez.

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Linda, magra, loka, deusa do indie rock inglês que ainda importa: PJ Harvey finalmente de volta ao Brasil

 

MUSA ROCKER EDIÇÃO ESPECIAL – A GLORIOSA E IMBATÍVEL NUDEZ DA DEUSA JULLY DE LARGE, QUE VAI SER MAMÃE EM DUAS SEMANAS!

O blog a conheceu pessoalmente há quase uma década, quando ela tinha então apenas dezessete aninhos de pura e total tesudisse e gostosura. Mas desde aquela época já era uma garota total rocker e muito abusada: subiu ao palco de uma finada casa noturna do baixo Augusta (na realidade o local ainda existe, mas deixou de ser um clube de rock para oferecer open bar com som que varia de pop/rock até funk), durante um show da banda Daniel Belleza & Os Corações em Fúria, e sem pudor algum dançou exibindo seus peitaços. O jornalista eternamente rocker (e então ainda bastante loker) também estava presente no local naquela madrugada. Terminado o show do grupo, foi conversar com a garota. Nasceu ali uma amizade que perdura até hoje. Uma amizade tão carinhosa inclusive que ela chama o sujeito aqui de “tio Finatti”, hehehe.

Quase dez anos depois Jully DeLarge se tornou um dos nomes mais conhecidos da cena cult alt porn nacional. Já participou de centenas de ensaios, vídeos, filmes alternativos etc. Linda, gostosa, inteligente, toda tatuada e fã de rock’n’roll, ela sabe explorar como ninguém seu visual e suas potencialidades. E já fez vários ensaios para estas linhas rockers bloggers, além de ter feito performances em eventos promovidos por Zap’n’roll – como na festa de onze anos do blog, realizada em maio de 2014.

De lá pra cá Jully casou, descasou, mudou de Sampa e encontrou um novo amor lá em Jaboatão dos Guararapes, na região metropolitana do Recife. Casou novamente e tão feliz está com o novo relacionamento que agora vai se tornar mãe: sua primeira filha, Luna Madalena, deve nascer até o final deste mês. De modos que não poderíamos render homenagem mais bacana à nossa eterna musa rocker number one do que mostrar os gloriosos NUDES de sua belíssima gravidez. Imagens que mostram que nossa gatona continuará sendo uma mãe libertária, libertina e total rock’n’roll, sempre!

Apreciem sem moderação! E se quiserem saber mais sobre essa deusa da cultura pop alternativa brazuca, basta ir nesses links: https://www.facebook.com/jullydelarge69, https://www.facebook.com/jully.delarge e https://www.instagram.com/vidalibertina/. Sendo que o ensaio completo das fotos que estão aqui pode ser visto em https://www.safada.tv/mae-nao-imaculada/.

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A nossa musa rocker suprema, Jully DeLarge: mostrando toda sua esplendorosa gravidez e também em imagem de três anos atrás (acima), durante sua performance na festa de aniversário dos onze anos de Zap’n’roll: uma gata tesuda e total libertária, sempre!

 

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FIM DE PAPO

Pronto! Postão atualizado e ampliado em pleno meião de feriadão, rsrs. Mas agora chega que a sextona de Finaski vai ser regada a vinho, marijuana e um xoxotão amigo, hihihi. De modos que logo menos voltamos aqui com um novo postão inédito, okays?

É isso então. Tchau pra quem fica!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por por Finatti em 16/6/2017 às 16hs.)