AMPLIAÇÃO EXTRA E FINAL! Falando da MORTE do amado KID VINL, dos vinte anos de “Ok Computer” (a obra-prima do Radiohead), da hecatombe nuclear política que está sacudindo o bananão tropical e dando a programação da Virada Cultural fracote, que rola este finde em Sampa – Com o rock planetário dos anos 2000’ praticamente morto e enterrado, duas bandaças inglesas já veteranas soltam seus novos discos e reafirmam pela enésima vez o que todos já estão carecas de saber: apenas grupos com duas décadas ou mais de estrada, como Kasabian e Slowdive (este, lançando seu primeiro disco inédito em vinte e dois anos) é que estão salvando o rock’n’roll atual da extinção definitiva, sendo que neste post zapper você confere análises detalhadas (ao invés de ler a mixórdia que é geralmente publicada num certo “pobreloa…” blog vizinho) sobre os dois álbuns em questão, além de já saber como foi a gig do Slowdive ONTEM em Sampa; mais: é de BABAR nossa nova, sensacional e total delicious musa rocker, a gatíssima Flávia Dias, ulalá! Não acredita? Vai aí embaixo no post e veja com seus próprios olhos, oras (postão COMPLETÃO e AMPLIADÃO, finalizado em 20/5/2017)

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Com o rock’n’roll dos anos 2000’ definitivamente quase morto e total irrelevante, resta apelar para os veteranos como o Slowdive (acima, se apresentando ontem à noite na capital paulista) e o Kasabian (abaixo), que acabam de lançar dois ótimos álbuns

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ADEUS AO AMADO KID VINIL, NOSSO INESQUECÍVEL HERÓI DO BRASIL

Foi uma semana bastante maluca. Começou com os boiadeiros delatando todo mundo e explodindo a política nacional, não deixando nada em pé. Prosseguiu com Chris Cornell se matando aos 52 anos de idade – ironia das ironias: no dia (18 de maio) em que se completaram 37 anos da morte de outro gênio gigante da história do rock mundial, o igualmente suicidado Ian Curtis. E por fim, veio a sexta-feira. Que parecia que iria ser um dia tranqüilo, onde finalizamos o post da Zap’n’roll e o coloquei no ar, onde fomos cuidar de assuntos pessoais no centro da cidade e depois fomos tomar uma breja amiga com os mui queridos por nós Luiz Calanca e Gisélia. E sendo que depois fomos jantar num churras rodízio onde o blog faz um bom repasto todas as sextas-feiras.

Mas mais uma vez não foi uma sexta-feira normal. Quando Finaski estava saindo de casa, pouco depois das 5 da tarde, uma amiga o chamou inbox dizendo “ele se foi!”. Não entendemos muito bem e como estávamos já atrasados, desligamos o notebook e fomos para o metrô. Foi apenas quando já estávamos  caminho do centro que começamos a pensar que, há um mês e meio, nosso irmão Johnny Hansen havia partido deste mundo. E por conta desse pensamento, entramos em pânico: “será que ele TAMBÉM SE FOI?”.

Sim, ele se foi. Ao chegar na loja Baratos Afins, foi a primeira coisa que perguntamos ao Luizinho. Ele confirmou. Os olhos se encheram de água. Sim, sabemos que desse mundo ninguém sairá vivo. E pensamos muito na nossa própria morte todos os dias. Um pensamento que nos acompanha desde que éramos jovem e que agora, aos 5.4 de vida e depois de ter passado por um câncer, nos fustiga mais do que nunca – apenas IDIOTAS e pessoas de cabeça OCA (daquelas que postam imbecilidades astrológicas nos FB da vida) é que não refletem sobre a questão da finitude da existência humana.  E não, não temos medo algum da morte. Temos apenas medo de não ter tempo hábil para realizar alguns poucos projetos que ainda sonhamos em realizar. De resto temos medo é de não sair logo desse mundo horrendo, miserável, sinistro e tenebroso em que todos nós vivemos. Temos medo de ir vendo quase todos os amigos com os quais convivemos e amamos por longos anos irem embora enquanto permanecemos aqui, ficando cada vez mais velhos, caquéticos, solitários, melancólicos e angustiados.

WS52 SÃO PAULO 13/05/2015 -  ENTREVISTA / KID VINIL / CADERNO 2 - Entrevista com Kid Vinil. FOTO:WERTHER SANTANA/ESTADÃO
O amado Kid Vinil, amigo pessoal de Zap’n’roll por 30 anos: mais uma perda gigante para a cena rock brasileira

É isso. Zap’n’roll achou que seu AMIGO PESSOAL de mais de 30 anos de convivência, Antonio Carlos Senefonte, nosso mui amado por todos Kid Vinil (um artista genial e um ser humano sem igual, encantador, generoso, humilde e pra lá de atencioso e sempre super bem humorado com todos, mesmo com aqueles que ele não conhecia, daí tantas manifestações nas redes sociais de pesar pelo falecimento dele), iria se recuperar do delicado estado de saúde em que se encontrava já há um mês, desde que sofreu um AVC após um show no interior de Minas Gerais. Isso não aconteceu. E assim como Hansen nos deixou numa sexta-feira triste e desalentadora, Kid tb se foi ontem.

Rip queridão. Nunca iremos me esquecer das ótimas risadas que demos ao seu lado, dos papos que tivemos ao vivo em programas que vc apresentava nas rádios Brasil 2000 e 97fm, das discotecagens que você fez em festas noturnas promovidas pelo blog, e nem de tudo que aprendemos com você em termos de rock’n’roll (aaaaaah… aquelas fitinhas cassete que você nos gravou nos anos 90’, com os primeiros singles de umas tais bandas chamadas Oasis, Suede e Ride… quanta saudade!). Nunca, nunca iremos esquecer.

Você estará para sempre no nosso coração, esteja onde estiver agora. Quem sabe um dia a gente se encontra novamente por aí, em alguma outra estação.

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, discos, shows, filmes, livros, baladas etc)

 

***Como todos já estão sabendo, lá se foi o gigante Chris Cornell, que resolveu dar um fim na própria existência aos cinqüenta e dois anos de idade. O eterno e lendário vocalista do Soundgarden ainda estava em plena forma e era jovem ainda. Mas o blog até entende sua atitude: ele deve ter realmente ficado com o saco cheio desse mundo escroto e perenemente cinza no qual vive a igualmente escrota raça humana – um mundo onde apenas IDIOTAS encontram motivos para rir e sorrir. Rip, Chris!

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Chris Cornell: muito jovem ainda para o rock’n’roll e também para ter partido

 

***Cornell se foi. Scott Weiland também. Antes dos dois já tinham ido Layne Staley (do Alice In Chains) e Kurt Cobain. Quem restou da inesquecível geração grunge de Seattle? Eddie Veder, Mark Lanegan e a turma do Mudhoney. Por enquanto…

 

***A edição deste ano da Virada Cultural acontece neste finde (o postão zapper está sendo concluído no começo de uma chuvosa tarde de sextona, 19 de maio, em Sampa) e é provavelmente a mais fraca de todos os tempos. Atrações demais, qualidade de menos e nada impactante como nos anos anteriores. De qualquer forma dá pra “pescar” algo no meio das novecentas apresentações programadas, sendo que o blog pretende conferir as gigs do duo The Baggios e do baiano Maglore (no sábado à noite, no palco rock da rua 7 de abril), além da sempre gata Tiê (no Centro Cultural São Paulo, já na madrugada do domingo), da selvática Karina Buhr (também no CCSP, mas no domingão à tarde) e o sensacional trio rock instrumental gaúcho Pata De Elefante (novamente no palco 7 de abril, no final da tarde de domingo). Pra quem se interessar a programação completa da Virada está aqui: http://viradacultural.prefeitura.sp.gov.br/, e aqui também: https://www.facebook.com/viradaculturaloficial/?hc_location=ufi.

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Duas gatas que valem a pena ver suas gigs na Virada Cultural deste final de semana em Sampa: Tiê (acima) e Karina Buhr (abaixo)

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***Já na semana que vem, mais especificamente na quinta-feira (25 de maio) rola a festa TinyBox – No Hits, no clube Alberta (que fica no centrão de Sampa). Promovido pelo chapa e agitador cultural e dj Ricardo Lopes, o evento pretende centrar a dj set toda apenas em lados “b” e faixas esquecidas do rock alternativo dos anos 80’ até os 2000’. A proposta é bem bacana e interessante e estas linhas bloggers pretendem estar lá, sendo que todas as infos pra quem quiser conferir a balada estão aqui: https://www.facebook.com/events/635931713268902/?active_tab=about.

 

***E fechando a tampa, claaaaaro, não poderíamos deixar de falar algo sobre a HECATOMBE NUCLEAR política detonada pela delação (abastecida com áudios, fotos e filmagens) dos manos boiadeiros donos da JBS. É o FIM finalmente (e vivemos para ver este dia chegar) do desgracento vampiro bandido golpista que ocupa a cadeira de presidente desse triste bananão tropical, além do seu PARSA quadrilheiro, o COCALERO Aébrio Fezes. Se dessa vez os dois não rodarem, Zap’n’roll sinceramente DESISTE dessa porra de país. A conferir…

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OS GRANDES KASABIAN E SLOWDIVE LANÇAM SEUS NOVOS DISCOS E CONFIRMAM MAIS UMA VEZ: O ROCK’N’ROLL AINDA ESTÁ VIVO GRAÇAS A VETERANOS COMO ESSAS DUAS BANDAÇAS INGLESAS

Yep, são duas das melhores formações que o rock inglês pode oferecer ao mundo nos últimos vinte e cinco anos. E ambos os grupos lançaram na semana passada (no mesmo dia, inclusive) seus novos álbuns de estúdio. São discos distintos entre si pois o som de um grupo nada tem a ver com o outro. No entanto tanto o indie dançante e que combina guitarras com eletrônica do Kasabian quanto o shoegazer clássico do Slowdive acabam de colocar nas lojas dois discos que já podem entrar facilmente na lista dos melhores lançamentos de 2017 – e sendo que nenhum dos dois CDs deverá ganhar edição física brasileira, o que não quer dizer praticamente nada nestes tempos onde tudo pode ser escutado de graça na web. O quarteto liderado pelo vocalista Tom Meighan e pelo guitarrista Sergio Pizzorno mantém uma impressionante consistência musical e artística em “For Crying Out Loud”. Já o veterano Slowdive reaparece com um impecável e homônimo trabalho inédito, após passar mais de vinte anos longe dos estúdios.

Surgido em Reading, na Inglaterra, em 1989, o Slowdive (atualmente integrado pelos vocalistas e guitarristas Neil Halstead e Rachel Goswell, pelo também guitarrista Christian Savill, pelo baixista Nick Chaplin e pelo baterista Simon Scott) logo se destacou na então nascente cena indie shoegazer inglesa, composta por aquelas bandas cujos integrantes tocavam de cabeça baixa no palco (quase que olhando apenas para os próprios pés) e cujas melodias das canções combinavam guitarras noise com ambiências tristonhas emoldurando letras oníricas. O primeiro álbum no entanto demorou um pouco a sair e foi lançado apenas em 1991, recebendo boa aceitação por parte da imprensa e do público. Com os dois discos seguintes (editados em 1993 e 1995) o Slowdive consolidou sua posição no cenário alternativo britânico e se tornou uma espécie de cult band até interromper sem grandes explicações suas atividades no mesmo ano em que lançou seu terceiro trabalho de estúdio. O conjunto ficou então quase duas décadas inativo e voltou a fazer apresentações ao vivo em 2014. E agora, vinte e dois anos depois do lançamento do último disco inédito, a banda finalmente mostra ao mondo rock que seu shoegazer noventista não ficou datado. Pelo contrário, está mais bonito e atual do que nunca e se mostrando imensamente necessário no atual esmaecido rock’n’roll planetário.

“Slowdive”, o álbum, mantém todos os procedimentos musicais que seduziram fãs e crítica no início dos anos 90’. São apenas oito canções e nelas estão as melodias contemplativas, melancólicas e bucólicas, os vocais lassos e vaporosos e as guitarras estridentes e tratadas com pedaleira. Essa ambiência resulta em momentos sublimes como o single “Star Roving”, seguramente uma das músicas mais bonitas já compostas pelo grupo e também candidata a um dos singles deste ano. Mas há mais no cd: “Sugar For The Pill” é de uma candura, docilidade, e bucolismo tristonho que encantam alma e coração do ouvinte, com seu baixo poderoso e sua condução melódica suave. Uma faixa com elementos sonoros preciosos e que praticamente inexistem no rock atual, que parece ter desaprendido como compor grandes músicas. E o Slowdive, ao contrário, manteve sua qualidade e seu conhecimento composicional inalterado, sendo que “No Longer Making Time” e “Falling Ashes” (que encerra o disco com seus oito minutos de impressionante clima melancólico, bordada com as notas oníricas e reflexivas de um piano que parece ser a reprodução sonora de uma alma tingida de inefável matiz cinza) demonstram isso de forma inebriante e inquestionável.

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Os novos discos do Slowdive (acima) e Kasabian (abaixo): dois veteranos que ainda trazem relevância e dignidade ao rock

 

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E o também já veterano Kasabian? Retorna com fôlego ultra renovado nesse mega dançante (mas também eivado de guitarras envenenadas) “For Crying Out Loud”, que levou três anos para ser lançado e sucede o igualmente muito bom “48:13”, editado em 2014. Já com duas décadas de existência o quarteto formado em 1997 na cidade inglesa de Leicester por Tom Meighan (vocais), Sergio Pizzorno (guitarras e vocais, além de principal compositor do grupo), Chris Edwards (baixo) e Ian Matthews (bateria) lançou até o momento seis álbuns de estúdio que nunca foram menos do que bons. A estréia em disco em 2004 com o homônimo “Kasabian” já colocou o conjunto em evidência entre crítica e público muito por conta das ótimas composições engendradas por Pizzorno, que habilidosamente mixava guitarras algo psicodélicas com melodias dançantes e bordadas com ambiências eletrônicas. Foi assim que a banda fez estourar seu primeiro hit, “Club Foot”, recriando no Reino Unido o mesmo clima de uma década antes, quando os Stone Roses também lançaram mão da mesma fórmula musical para chegar ao topo do rock inglês. Inclusive não deixou de haver quem enxergasse no Kasabian um êmulo do grupo do vocalista Ian Brown.

Mas o quarteto mostrou nos quatro discos seguintes que possuía uma personalidade musical muito forte e própria, notadamente no cd “Velociraptor!”, lançado em 2011. E agora consegue exibir novamente coleção de canções empolgantes e que já tornam este “For Crying…” um dos candidatos a figurar na lista dos melhores álbuns de rock deste ano. Sendo que não há nenhum grande segredo aqui: o Kasabian apenas procurou reeditar o que já vem fazendo muito bem há vinte anos. Assim o cd abre já em clima de total party com “III Ray (The King)” e prossegue dessa forma no primeiro single de trabalho, “You’re In Love With A Psycho”. “Good Fight”, “Wasted” e “Comeback Kid” mantém em temperatura elevada o clima de combustão reinante no trabalho, que exibe o grupo flertando também com nuances de reggae (em “Sixteen Blocks”) e resgatando o clima “madchester” dos tempos de “Fools Gold” (dos Stone Roses) nos mais de oito de minutos de “Are You Looking For Action”, que combina à perfeição guitarras, mezzo psicodelia e ritmo dançante. Melhor impossível.

Trata-se enfim, de um trabalho que desvela a grande capacidade do Kasabian em manter-se relevante em um tempo onde bandas não duram absolutamente nada e onde a sonoridade dos discos se torna obsoleta e enferrujada em questão de semanas. Pois este espertíssimo e ótimo “For Crying Out Loud”, em que pese sua capa bastante cafona (mostrando o velhote que é o road chefe do conjunto se debulhando em lágrimas), está bem longe da ferrugem. E mostra que o Kasabian felizmente continua sendo um dos grandes nomes do rock inglês dos anos 2000’.

 

 

O TRACK LIST DO NOVO ÁLBUM DO SLOWDIVE

1.”Slomo”

2.”Star Roving”

3.”Don’t Know Why”

4.”Sugar for the Pill”

5.”Everyone Knows”

6.”No Longer Making Time”

7.”Go Get It”

8.”Falling Ashes”

 

 

E O TRACK LIST DO NOVO KASABIAN

1.”Ill Ray (The King)”

2.”You’re in Love with a Psycho”

3.”Twentyfourseven”

4.”Good Fight”

5.”Wasted”

6.”Comeback Kid”

7.”The Party Never Ends”

8.”Are You Looking for Action?”

9.”All Through the Night”

10.”Sixteen Blocks”

11.”Bless This Acid House”

12.”Put Your Life on It”

 

 

OS NOVOS DISCOS DAS DUAS BANDAS AÍ EMBAIXO, NA ÍNTEGRA

 

 

E OS VÍDEOS DOS NOVOS SINGLES DE AMBAS

 

 

SLOWDIVE AO VIVO EM SP ONTEM, DOMINGO

Yep. A cult band shoegazer inglesa se apresentou na noite de ontem em Sampa. O blog acompanhou a gig e relata em detalhes como foi ela, através do texto do nosso colaborador Pedro Damian. Leia abaixo.

 

Precisamos falar de Slowdive

 

(Por Pedro Damian, especial para Zap’n’roll)

Serei honesto: quando decidi abrir o blog Shoegazer Alive em 2008 e comecei a compartilhar músicas do estilo shoegaze, um dos meus objetivos era tornar o gênero conhecido a ponto de criar um zumzum que chegasse aos ouvidos dos ícones (My Bloody Valentine, Slowdive, Ride, Swervedriver) e de alguma forma os motivasse a voltar à ativa – visto que todos seus membros estavam em outros projetos. A febre dos blogs na época instrumentalizou outros ativistas musicais a fazer o mesmo e 9 anos depois estou aqui, em pleno dia das mães, em frente ao palco do Cine Jóia, em São Paulo, onde o Slowdive se apresenta pela primeira vez no Brasil, fechando a terceira edição do Balaclava Fest. Posso dizer que a meta está mais que alcançada.

O Slowdive foi formado em Reading, Inglaterra, no final dos anos 80, por Neil Halstead (vocal e guitarra), Rachel Goswell (vocais, guitarra, teclado e pandeiro), Nick Chaplin (baixo), Christian Savill (guitarra) e Simon Scott (bateria). Sua discografia é composta por 4 trabalhos: Just For A Day (1991), Souvlaki (1993) e Pygmalion (1995) e o recente Slowdive, lançado no último dia 5. A banda encerrou o mesmo festival que trouxe em 2016 o Swervedriver, outro ícone shoegazer, mas de menor dimensão que o Slowdive. Muitos fãs que conheceram os ingleses via blog estavam no Cine Jóia, assim como os veteranos como eu que tiveram seu primeiro contato por meio de programas de rádio antenados (do mestre Kid Vinil, por exemplo, à época na Brasil 2000) e depois foram comprar os CDs importados em lojas especializadas (em São Paulo na Galeria do Rock e na Galeria Presidente). Analisando a imensa fila que se formou à porta do local

momentos antes da abertura das portas, previ que começado o festival dificilmente encontaria aqueles bocós que vemos normalmente em grandes festivais, de costas para o palco, fazendo selfies com caretas estúpidas e se preocupando mais em encher a cara do que com o que se passa no palco. Errei em parte. Sempre vai ter um ou outro boçal pra encher o saco de quem gosta de música. Porém, neste festival foram em número reduzido. Ainda bem.

A programação do terceiro Balaclava Fest foi variada e interessante. Abrindo os trabalhos o duo americano de guitarpop Widowspeak apresentou músicas de seus três discos (Widowspeak, de 2011, Almanac, de 2012, All Yours, de 2015) e do EP The Swamps, de 2013. Formada pela dupla Molly Hamilton (voz e guitarra) e Robert Earl Thomas (guitarra), que ao vivo costuma se apresentar com o baixista Willy Muse e o baterista James Jano (os quais não vieram para este show no Brasil, deixando só a dupla no palco), agrada pela baladas agridoces, quase folksters, que ganham suavidade com a bela voz de Molly. O ponto alto da apresentação ocorreu quase no final, na penúltima música, com uma versão arrebatadora de Wicked Game, tema do seriado Twin Peaks e que ficou famosa na voz de Chris Isaak.

Na sequência o indie americano do Clearance trouxe repertório baseado no último disco Rapid Rewards, de 2015, e algumas músicas novas. Ao vivo, Mike Bellis

(vocal e guitarra), Kevin Fairbairn (Guitarra), Greg Obis (baixo) e Arthur Velez (bateria) mostraram o mesmo que no disco citado. Se você ouve a música e não sabe quem está tocando, vai dizer que é Pavement. As mesmas inflexões vocais do Stephen Malkmus, as mesmas guitarras quebradas, mesma seção rítmica, estrutura das músicas… Já as músicas novas fogem um pouco desse quase plágio, colocando um pé no indie rock mais tradicional. Quem ama esse tipo de som como eu, adorou. Quem não conhecia bem ou não gostou deu as costas e foi tomar uma cerveja.

Missão terrível coube ao E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, banda paulistana de post-rock, formada por Lucas Theodoro, Luden Viana, Luccas Villela e Rafael Jonke, que viria a seguir: atrair a atenção do público que, naquela altura estava voltada para o show principal. O trabalho instrumental é refinado. Percebe-se que as músicas – poucas e longas – são bem trabalhadas e a banda deu o seu melhor para levantar o público, que a esta altura já lotava o Cine Joia. E conseguiu entusiasmar boa parte da galera, principalmente nas músicas mais pesadas, que flertam com o post-metal. Taí uma banda de futuro, ao menos no estreito nicho que atua, o rock instrumental. Terminado o show, encontro com duas grandes figuras desse segmento, Lucas Lippaus e Elson Barbosa [nota do editor do blog: mais conhecido como Elson BarBOSTA, rsrs], membros do Herod e capitães do selo Sinewave, especializado nesse tipo de som. Embora contente com a apresentação do E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, Elson vaticinava o que esperava do show do Slowdive: “Vai ser lindo!”. A presença de vários músicos de post-rock no show do Slowdive não é à toa. Mesmo na

Inglaterra a banda é considerada como uma precursora do gênero, com suas canções em que o instrumental predomina sobre as letras e as estruturas musicais rebuscadas. Muitos consideram o terceiro álbum, Pygmalion, o primeiro disco de post-rock.

Um dos destaques do Balaclava Fest foi a pontualidade. Todos os shows começaram, se não na hora, poucos minutos depois do agendado. E o Slowdive, à maneira e à educação de seu país de origem, entrou com uma pontualidade britânica, às 21:20, como estava previsto pela organização do festival. Antes de passar ao setlist, algumas considerações gerais sobre o Slowdive e seus membros. A entrada triunfal de Rachel e o carinho com que foi recebida pelo público não deixa dúvidas: ela é a líder, a cara e o coração do Slowdive. Afastada dos palcos por 6 anos, devido a um problema no ouvido – que quase abreviou sua carreira – retornou timidamente à música como convidada especial de shows acustícos feitos pelo amigo Neil Halstead, em 2013 (isso é fácil de achar no youtube). Nem parece a Rachel de hoje: carinha de nerd, óculos… aparência quase de uma estudante ou dona de casa. No palco do Cine Joia, Rachel foi um vulcão: tocou

teclado (instrumento introduzido neste retorno da banda), pandeiro, guitarra, e, claro, nos brindou com sua belíssima voz! Por sinal, nas músicas novas, há uma gritante diferença nos vocais: Rachel “roubou” partes que no disco eram cantadas apenas por Neil. Interessante que seu entusiasmo contrasta com a frieza de grande parte das músicas do Slowdive, que, definitivamente, não foram feitas para o agito.

Já Neil Halstead, que costuma ser contido e bastante tímido nas apresentações, demonstrou uma simpatia e desinibição inesperados. Se Rachel é o coração da banda, Neil é o poeta. O construtor das letras que são feitas para se harmonizar musicalmente com as melodias. Seu talento nesse sentido é mais perceptível no Mojave 3, banda paralela que mantém com Rachel, aonde a tristeza das letras dão sentido às canções. Na guitarra ele é o número 2, que participa em alguns solos e no “wall of sound” das músicas características do Slowdive.

Já o engenheiro por trás do “wall of sound” da banda é Christian Savill, a guitarra número 1 e de onde saem os timbres que sustentam as melodias e caracterizam o som do Slowdive. Todos os sons mais agudos e os principais reverbs saem de lá. Seu trabalho é quase matemático… a elaboração de camadas e camadas de timbres, e noise de todos os tipos.

A “cozinha” do Slowdive, formada por Nick Chaplin (baixo) e Simon Scott (batera), devido à característica da banda, sempre ficou em segundo plano. Mas nas

novas músicas isso mudou. Não que o noise tenha sido deixado de lado em “Slowdive” em favor de músicas mais “pop”. Mas a participação do baixo e bateria ficou mais evidente. Até houve o caso de um pocket show realizado nos Estados Unidos em que o baixo do Nick foi mixado à frente das guitarras em Star Roving, em uma versão acelerada da música. Foi uma experiência única e que ficou bem interessante. No Brasil, entretanto, a versão tocada foi a do disco.

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O Slowdive ao vivo ontem em Sampa: emocionando a velha guarda shoegazer (foto divulgação)

O show no Brasil foi aberto com Slomo, a mesma música que abre o disco novo (que para mim deveria ser o título de Star Roving, que tem mais a ver – entendendo-se Slomo como uma junção dos nomes das bandas Slowdive e Mojave 3). A música mantém o mesmo ritmo lento das canções do Slowdive, com poucos momentos de noise, vocais esparsos de Neil e Rachel. A guitarra de Christian Savill conduz toda a canção, com seus timbres agudos e melódicos. Na sequência,  as duas primeiras músicas do Slowdive, incluídas no EP homônimo de 1990: “Slowdive” e “Avalyn”. Ambas trazem o wall of sound que caracterizou o shoegaze em seus primórdios: a primeira mais pop, com estruturas bem definidas, e a segunda mais viajante, com ampla passagem instrumental. “Catch the Breeze” encerra esse bloco das antigas, trazendo outro shoegazer clássico, inserido no álbum Just For A Day, de 1991. Foi a primeira música em que o público começou a se manifestar. Até então todos (exceto aqueles de sempre que vão aos shows para conversar e infernizar a vida dos outros, como pode ser comprovado em vídeos do show que upei no Youtube) estavam curtindo o show em silêncio.

“Crazy For You”, a música que se segue e que tem apena uma frase (Crazy for lovin’ you, repetida 9 vezes), mostra a incrível versatilidade de Neil em brincar com a sonoridade das palavras e estruturas musicais. Uma das músicas mais rápidas do set, com pouco mais de 4 minutos. Faz parte do terceiro álbum, Pygmalion, o mais experimental da banda. A seguir, um novo clássico, “Star Roving”, certamente a música do Slowdive com ritmo mais acelerado. Lembra muito Mojave 3, projeto paralelo de Rachel e Neil. O público respondeu com entusiasmo. Pela receptividade das músicas novas, o Slowdive fez uma grande jogada para se reinventar e manter-se relevante no atual cenário musical.

A sétima música continuou a missão de manter os espectadores agitados. “Souvlaki Space Station”, do segundo álbum, “Souvlaki”, mostra o lado space rock do Slowdive, gênero em que eles também mostram maestria, com um vasto repertório de efeitos. A seguir, outra música nova, “No Longer Making Time” que, junto com “Sugar For A Pill” dá a cara do novo Slowdive: ainda com ritmo lento, quase arrastado, com passagens quase minimalistas mescladas com um arranjo vocal perfeito entre Neil e Rachel.

Dagger, de Souvlaki, quebrou totalmente o ritmo da apresentação e surpreendeu a todos, inclusive a mim. Neil pegou sua guitarra e cantou a emotiva balada sem auxílio de outros instrumentos, inclusive pedais. Momento “acústico” do Slowdive. No final, até Neil bateu palmas para a platéia (alguns cantaram junto a letra).

As 4 músicas subsequentes foram o ponto alto do show. Alison, a bela música que abre Souvlaki, e que parece ter sido composta na fase anterior da banda, do shoegaze clássico do primeiro álbum (Just For A Day), ouriçou o povão (ao que parece Souvlaki era o favorito da galera). Muita gente cantando junto. Sugar For the Pill, uma das melhores do novo álbum, também conquistou uma receptividade surpreendente. Para mim é a melhor música do ano até agora. Mais uma vez, Rachel divide os vocais com Neil (enquanto no álbum, só aparece a voz do cantor). A seguir viria o que eu consideraria o ponto alto do espetáculo (até a música seguinte): When the Sun Hits, provavelmente a música mais conhecida do Slowdive. A perfeição de sua execução, o brilhante “wall of sound” entre

estrofes e refrão, faziam com que acreditasse que estava certo em minha previsão.

Não estava. Mesmo já tendo ouvido à exaustão tanto “When the Sun Hits” como “Golden Hair”, a cover de Syd Barret com que fecharam o show no set normal, não achava que a homenagem que fizeram ao ex-Pink Floyd soasse tão emocionante ao vivo. Que me desculpem Kevin Shields e Mark Gardner (os quais criaram impressionantes “wall of sounds” nas apresentações das músicas You Made Me Realize e Drive Blind, do My Bloody Valentine e Ride, respectivamente). Mas os seis minutos instrumentais de Golden Hair somam ao caótico noise ensurdecedor das músicas citadas das outras bandas shoegaze uma emoção que só grandes artistas conseguem criar.

Uma pausa para tomar água e o Slowdive volta para as duas músicas finais. “She Calls”, do terceiro EP da banda, Morningrise, de 1991, apesar de ser da fase inicial da banda mostra caminhos instrumentais que seriam retomados em Pygmalion. Muito noise, vocais esparsos, porém mais “desesperados” que o normal por parte da Rachel. Para encerrar, “40 Days”, do Souvlaki, encerra uma apresentação magnífica com chave de ouro. Uma das canções mais pop e mais emocionais escritas por esse gênio chamado Neil Halstead.

Uma noite gloriosa para os fãs de música, que poderia ter sido um pouco mais satisfatória por conta de algumas características típicas de shows em São Paulo e que parecem não mudar nunca. Primeiro, o preço das bebidas: uma latinha de Bud por 13 dilmas e Stella por 15 é um absurdo. Segundo: estacionamentos ao redor que fecham às 11 da noite (exata hora do encerramento dos shows). Como tive que sair para pegar o carro, não foi possível tentar conseguir uma foto com a banda nos camarins. Paciência.

O que o Slowdive mostrou compensa qualquer frustração. Oferece um estado de êxtase que compensa os aborrecimentos do dia a dia, cada vez mais frequentes.

 

***Pedro Damian, 51 anos de idade, é jornalista, fã de shoegazer britânico dos anos 90’ e editor do blog Shoegaze Alive (https://shoegazeralive9.blogspot.com.br/).

 

***O blog quer deixar registrado aqui que lamenta o profundo menosprezo e falta de atenção (além de também falta de respeito e educação) com que a produtora do show do Slowdive, Balaclava, tratou estas linhas zappers. Entramos em contato com os sócios da produtora (os músicos Fernando Dotta e Raphael Farah) em busca de infos sobre credenciamento para o evento. E nenhum dos dois sequer se dignificou a responder algo. Faz parte e pelo menos temos nesse post uma excelente cobertura da gig, através do ótimo texto do amigão Pedro Damina. Por certo a Balaclava só se importa em ganhar dinheiro com seus festivais e não faz questão que eles sejam cobertos jornalisticamente por um blog como Zap’n’roll, que tem cerca de 70 mil acessos mensais.

 

 

SLOWDIVE AO VIVO ONTEM EM SAMPA

Em dois momentos da gig, registrados no YouTube por Pedro Damian.

 

HÁ VINTE ANOS O RADIOHEAD LANÇAVA A OBRA-PRIMA “OK COMPUTER”, UM DOS ÚLTIMOS GRANDES DISCOS DA HISTÓRIA RECENTE DO ROCK

É realmente incrível como, à medida em que vamos envelhecendo, os anos parecem avançar de maneira muito mais rápida. Meteórica, até. É o caso dos últimos 20 anos da vida do autor destas linhas bloggers rockers: 1997 parece que foi ontem. E no entanto muita coisa mudou no mundo e na nossa existência nessas duas décadas.

Onde você estava em 21 de maio de 1997? Bien, este já velho jornalista rocker (e ainda loker) havia acabado de se mudar para uma república de estudantes no bairro da Liberdade, centrão selvagem e loki de Sampa (uma das piores fases da nossa vida quase sempre loka: sobrevivendo de frilas jornalísticos esporádicos, morando numa república, fumando crack etc. Mas mesmo assim, as BOCETAS não faltavam rsrs). E na Inglaterra o quinteto Radiohead estava lançando o disco que o tornou definitivamente mega banda: “Ok Computer”, talvez um dos últimos grandes álbuns da história recente do rock’n’roll mundial.

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O quinteto inglês Radiohead (acima) e sua obra-prima, “Ok Computer” (abaixo): um dos últimos álbuns seminais da história recente do rock mundial

CAPARADIOHEADOKCOMPUTER

 

O grupo liderado pelo eternamente estranhíssimo vocalista e letrista Thom Yorke vinha de dois trabalhos muito bem sucedidos (“Pablo Honey” e “The Bends”) mas que ainda meio que aprisionavam o conjunto na estreita redoma do indie guitar rock. Foi quando Yorke e o restante da turma literalmente piraram, soltaram suas amarras musicais e deu no que deu: “Ok Computer” era (e continua sendo) uma obra-prima sem igual. Ampliou os horizontes musicais do grupo quase ao infinito, e fez a transição perfeita entre o indie guitar inicial da banda e a sonoridade experimental e o art rock que a partir de então seria a marca registrada deles – e que, sejamos honestos, rendeu discos bem sacais na trajetória do Radiohead, como os posteriores “Kid A” e “Amnesiac”, progs demais pro gosto zapper.

Mas “Ok Computer” permanece, 20 anos após seu lançamento, como marco definitivo da trajetória do “Cabeça de rádio”. O disco que tem “Paranoid Android”, “Airbag”, “No Surprises” e, principalmente, a imbatível “Karma Police”. Yep, depois dele o quinteto ainda lançou trabalhos dignos de nota (“Hail To The Thief”, “In Rainbows”, o recente “A Moon Shaped Pool”), um único realmente ruim (“The King Of Limbs”) e segue na ativa – inclusive está em turnê mundial de promoção do último disco e talvez apareçam novamente aqui em 2018. Fica a nossa torcida em relação a isso. E para celebrar as duas décadas de “Ok Computer”, nada melhor do que escutar novamente essa obra-prima, que está aí embaixo na integra.

 

 

OS DIAS ERAM ASSIM EM 1997, QUANDO “OK COMPUTER” FOI LANÇADO

***não havia internet, cels, apps e redes sociais no mundo em 1997. E por isso mesmo, definitivamente, o ser humano era mais feliz, menos solitário, menos egoísta, menos careta e mais liberal.

 

***mas Thom Yorke previa justamente um mundo sombrio, dominado por computadores e bastante desajustado nas relações humanas, nas letras das canções de “Ok Computer”.

 

***o disco era complicado e difícil, não restava dúvida quanto a isso. A gravadora do grupo (a Parlophone) ficou decepcionada com o material entregue pela banda e previu que o álbum seria um fracasso de vendas. Pois “Ok Computer” emplacou nada menos do que quatro singles nas paradas e rádios do mundo inteiro. E é até hoje o disco mais vendido da história do Radiohead. Ou seja: os ouvintes de música mundo afora também eram mais inteligentes e cultos naqueles tempos. E se tornaram muito mais BURROS de 20 anos pra cá.

 

***como o blog conheceu “Ok Computer?”. Bien, Finaski já conhecia o Radiohead, óbvio. Mas não era nenhum fã de carteirinha do conjunto. Foi quando começou a ter um “affair” com uma magrela de bunda e peitos miúdos que morava no bairro do Belém, começo da zona leste de Sampa, e que AMAVA ser fodida no cu pequeno pela grossa rola fináttica, rsrs. Ela nem era muito bonita. Mas tinha uma cultura elevadíssima para a sua pouquíssima idade (20 anos). E literalmente AMAVA o Radiohead. Foi de tanto freqüentar sua casa e ouvir zilhões de vezes “Ok Computer” na sua cia que o sujeito aqui acabou se rendendo à genialidade do disco.

 

***em Sampa a maior lenda do circuito alternativo noturno da cidade estava chegando enfim ao fim: o Espaço Retrô (só quem freqüentou e viveu momentos inesquecíveis e incríveis ali sabe o que aquilo significou em nossas vidas e em nossos anos jovens) fechou suas portas em 1998. Ano em que o Radiohead acabou também se transformando em febre por aqui.

 

***uma febre tão grande que levou este Finaski a sugerir ao nosso eterno e amado Pomba (então “editador-chefe” da edição impressa da revista Dynamite, uma das principais publicações de rock do Brasil naquela época) que déssemos uma CAPA para a banda na revista. Essa capa veio na última edição de 1998, em texto/perfil do grupo assinado por Zap’n’roll e complementado por uma entrevista exclusiva que o nosso então correspondente em Londres, Celso Barbieri, conseguiu com o vocalista Thom Yorke.

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A extinta revista alternativa Dynamite e sua edição de dezembro de 1998: a capada publicação registrou a explosão mundial (Brasil incluso) de popularidade do Radiohead

***yep, não existem mais bandas como o Radiohead nos anos 2000’. Nem discos como “Ok Computer”. E muito menos revistas como a saudosa Dynamite – na boa: a imprensa musical e rock brasileira literalmente ACABOU. Ou você ainda duvida disso?

 

 

MUSA ROCKER TOTAL DELICIOUS – A LINDAÇA E GOSTOSASSA FLÁVIA DIAS

Nome: Flavia Dias.

Idade: 38 e alguns quebrados.

De onde é: São Paulo.

Mora onde e com quem: Moro na masmorra de um castelo com um dragão caralhudo.

O que faz: Escrevo e leio almas. E nos intervalos, se pedir com jeitinho, eu faço tudo.

O que estudou: O único diploma que tenho não serve pra porra nenhuma. E me recuso dizer que tenho ensino médio completo porque pra mim, nada que é médio pode ser completo. E vou dizer-lhes mais: em meio livro do Dostoiévski aprendi muito mais do que em todas as escolas que estudei. A minha ignorância vem do bolso mesmo, porque acho que nem berço eu tive. Enfim, eu leio.

Três discos: Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets. (E de preferência com muitos Baurets),

Uah Bap-Lu-Bap-Lah-Béinn-Bum!  (Toca Raul!! ) e Beggars Banquet (The Rolling Stones (porque aquela noite foi incrível)

Três bandas ou artistas: Rita Lee, Janis Joplin, Rolling Stones.

 

Três filmes: Psicose, Taxi Driver, Um estranho no ninho.

Três diretores: Quentin Tarantino, Charlie Chaplin, Steven Spielberg.

Três livros: Notas do Subsolo (Dostoiévski), Pergunte ao pó (John Fante), Misto Quente (Bukowski).

Um show inesquecível: Inesquecível mesmo foi o primeiro. Titãs. Eu tinha uns doze anos, e até hoje me arrepio quando lembro da multidão mandando as oncinhas pintadas, as zebrinhas listradas, e os coelhinhos peludos se fuderem. Foi mágico. Acho que nem foi o show mais foda que eu fui, mas foi o único que eu estava sóbria, deve ser por isso que eu lembro.

Como o blog conheceu Flavinha: ela é super amiga de uma outra amigaça (e também musa rocker) zapper, a escritora e roteirista Juliana Frank. Foi assim que, algum tempo atrás, o velho jornalista ainda loker conheceu a morenaça pessoalmente, quando todos estavam “derrubando” algumas brejas no bar Cemitério de Automóveis, do dramaturgo Mário Bortolotto. Conheceram e não se desgrudaram mais: o blog estava no último finde no apê de Flávia, tomando um ótimo cabernet sauvignon chileno e admirando sua incrível coleção de livros (ela é fã dos russos e dos beats americanos, entre outros). Mas enfim, chega de papo, rsrs. Podem preparar as bronhas, ulalá! Aí embaixo o ensaio fodástico de miss Flávia, em imagens registradas pelo seu Love boy, o fotógrafo Daniel Inácio.

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Ela ama (assim como o blog também ama) os Stones

 

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Ela ama Allen Ginsberg

 

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Ela ama vinho e letras

 

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Ela ama se desnudar e refletir

 

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Ela AMA nos provocar e nos enlouquecer

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E FIM DE PAPO

Postão já está gigantão, néan? Então ficamos definitivamente por aqui porque a sextona já chegou e tem Virada Cultural em Sampa nesse finde. De modos que deixamos para o próximo post (sem falta!) uma análise mais bacana sobre o novo álbum do Vanguart (“Beijo Estranho”) e também sobre a estréia em cd da banda surf instrumental paulistana Pultones, sendo que o disco deles está em sorteio lá no hfinatti@gmail.com.

Beleusma? Então é isso. Logo menos voltamos aqui com postão inédito do blog que há catorze anos se mantém como um dos campeões de audiência da blogosfera brazuca de cultura pop. Até mais!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 19/5/2017 às 15hs.)

Maio outonal chegou e com ele uma das festas rockers mais lendárias e clássicas da noite alternativa paulistana celebra suas quase duas décadas de existência! O Grind, comandado pelo super DJ André Pomba, chega aos dezenove anos em novo local e neste post especial o blog zapper relembra essa trajetória contando claaaaaro algumas histórias realmente absurdas, malucas e bizarras que aconteceram por lá, todas obviamente repletas de sexo, drogas e rock’n’roll; entre essas histórias aquela que compõe um capítulo inédito do livro idem “Escadaria para o inferno” e que publicamos aqui com exclusividade: a noite/madrugada em que Evan Dando, ex-líder e vocalista do célebre grupo americano Lemonheads, ficou total “bicudo” de cocaine na pista do Grind após ter sido “servido” com “farinha” pelo jornalista “dublê de dealer” – esse aqui mesmo, ulalá!

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Duas bandas clássicas e imbatíveis na preferência da garotada que freqüenta a badaladíssima festa Grind há quase duas décadas: o saudoso e inesquecível quarteto punk Ramones (acima) e o também extinto Hole (abaixo), aquele mesmo da cadelona e viúva de Kurt Cobain, Courtney Love

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MICROFONIA – REVERBERANDO A CULTURA POP

(com shows, discos, livros, filmes, baladas, festivais etc.)

 

***SOBRE O FESTIVAL SP TRIP, OS INGRESSOS COM PREÇOS EXTORSIVOS E A VELHARIA QUE VAI TOCAR NELE – É ÓBVIO (e não havia dúvidas quanto a isso) que o valor cobrado pelos tickets é um ASSALTO ao bolso de quem pretende ir na parada, e isso já era mais do que esperado dada a já secular ganância sem tamanho que permeia a atuação de produtoras de shows internacionais no Brasil. Mesmo com o país estando falido e no buraco o SP Trip terá ingresso custando 780 mangos (a pista Premium, para todas as noites). A conta é simples: com o dólar na faixa dos três reais (vamos arredondar a cotação porque ela muda todo dia) isso significa que quem quiser tentar ir na famigerada pista premium vai ter que desembolsar quase 300 DÓLARES por ela POR DIA, ao cambio atual. E nunca é demais lembrar: shows e festivais do mesmo porte na Europa e Estados Unidos (onde tudo geralmente é muito mais bem organizado do que aqui em termos de estrutura, transporte, atendimento ao público etc.) têm ingressos cujo valor máximo dificilmente ultrapassa os 100 dólares. Mas aqui é o triste bananão tropical, sempre. A terra da Lava Jato, da república da Odebrecht e do fã de música OTÁRIO, que sempre será ROUBADO no seu bolso por produtoras espertalhonas porque elas sabem que esse bando de IDIOTAS (aqueles que vão a gigs) paga MESMO o que elas cobram por shows gringos. Afinal hoje em dia apenas uma pequena parte do público que vai a estes festivais está ali e gastou sua grana suada por amor real à música e às bandas que estão tocando. O grosso de quem está lá só quer sair bem na balada e na selfie, pra depois postar no FaceMERDA e fazer INVEJA nos amigos. Que be le za, hein! Sobre o line up do SP Trip? O blog poderia escrever um livro aqui sobre o que pensa. Mas vamos tentar resumir a ópera, analisando cada dia da escalação divulgada:

 

***21 de setembro (quinta-feira), com The Who, The Cult e o tal Alter Bridge. Talvez seja a única noite que valha mesmo a pena ir nesse autêntico PARQUE JURÁSSICO de velhos gagás, gordos, flácidos e balofos do rock’n’roll. Yep, o Who também está velhão, caindo aos pedaços e é hoje apenas MEIO Who original (com Roger Daltrey e Pete Townshend). Mas nunca veio ao Brasil, é a última grande banda da história do rock que nunca havia tocado aqui e são um dos nossos heróis eternos no rock mundial. The Cult? Vimos um show inesquecível deles em 1991, no ginásio do Ibirapuera/SP, que lotou até o teto. O grupo estava no auge e a gig foi fodástica. Hoje estão mais caídos e por baixo do que a banda do Zé ruela da esquina. Mas vamos dar o beneficio da dúvida ao grupo, mais uma vez. Alter Bridge? Jornalistas não são obrigados a conhecer tudo e reconhecemos nossas limitações: não sabemos quase nada sobre eles e nem fazemos questão de saber.

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O gigante The Who: talvez a ÚNICA atração que vale a pena no festival SP Trip

***23 de setembro (sábado), com Bon Jovi e… The Kills (hã???)! Pois então (e lá vem a opinião surpresa fináttica): se tem alguém que envelheceu com alguma DIGNIDADE (em disco e ao vivo) nessa parada foi justamente (quem diria…) o Bon Jovi. Eles sempre mandaram mega bem ao vivo e você pode DETESTAR o grupo (não tenho quase nenhuma simpatia pela obra musical dele) mas não pode NEGAR isso. Tanto que vimos um show arrasa quarteirão deles em janeiro de 1990, no festival Hollywood Rock, quando botaram o lotado estádio do Morumbi abaixo. The Kills abrindo? É talvez o lance mais BIZARRO de todo o festival. Iríamos lá apenas pra ver a dupla, que adoramos. Mas achamos que o Kills vai é se foder tocando num estádio gigante e ainda por cima diante de uma platéia HOSTIL à espera de Jon Bon Jovi e Cia.

 

***24 de setembro (domingo), com Aerosmith e Def Leppard. Meo deos, chega de Aerosmith aqui, não? Já deram o que tinham que dar e o blog mesmo os viu por duas vezes (em 1994, foi sensacional, e depois em 2007, já não tão bom como na primeira vez). Deff Lepard??? Porran, quem precisa gastar grana com esse leopardo surdo chumbrega, geriátrico e representante do que de PIOR existiu no hard rock/heavy merdal britânico dos anos 80’? Só não ganha como PIOR noite do festival porque ainda tem a última, aí embaixo.

 

***26 de setembro (terça-feira), com Guns ‘N MERDA e Alice Cooper. Só mesmo OTÁRIOS, IMBECIS COMPLETOS e FANÁTICOS pra gastar 780 pilas e ir no estádio do Palmeiras nessa noite. Guns é aquela decadência total (mesmo contando novamente com Slash nas guitarras) que todos nós já sabemos, com Axl baleia branca velho, barrigudo e sem voz no palco, tudo isso transformando a banda em cover de si mesma – e cover dos piores. Tia Alice? Porran, já foi tão relevante na história do rock e hoje em dia… se esqueceu da aposentadoria e fica passando vergonha alheia pelos palcos do mundo, rsrs.

 

***Que mais? Sextona véspera de feriadão movimentadíssima, néan? No Brasilzão, greve geral (FORA TEMER!). E no mondo pop estão saindo os novos álbuns do Mark Lanegan, da Feist e do grupo virtual Gorillaz (yep, ele ainda existe). Fora o novo do Kasabian (um dos grupos prediletos destas linhas rockers bloggers na geração de 2000’ pra cá), que seria lançado hoje também mas foi adiado pra semana que vem. Bien, está tudo pra audição no Spotify já, e na medida do possível iremos comentando melhor todos por aqui, ok?

 

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GRIND, A SUPER DOMINGUEIRA ROCKER MAIS BADALADA DA NOITE UNDER PAULISTANA, CHEGA AOS 19 ANOS COM FÔLEGO RENOVADO

Em uma área tão volátil, volúvel e imprevisível como a cena cultural noturna de uma grande metrópole (com seus bares, restaurantes, casas de shows e clubes para dançar) uma festa (ou evento) voltada para um nicho específico de público (o que curte rock alternativo e cujo grosso dos freqüentadores pertence à comunidade lgbt) permanecer na ativa ininterruptamente por quase vinte anos é uma raridade, ainda mais nesses tempos de falência econômica do país e onde bares e casas noturnas abrem e fecham diariamente aos borbotões e num piscar de olhos. Pois o já mais que longevo Grind – a rock project for mix people, conseguiu a façanha. Criado e comandado por André Pomba (um dos DJs mais conhecidos da noite paulistana) no longínquo ano de 1998, o Grind reinou absoluto nas noites de domingo por quase duas décadas no clube A Lôca. Agora em novo endereço há menos de um mês (no Espaço Desmanche, na rua Augusta, próximo ao centro de Sampa) a festa tem a missão de permanecer bombada e de renovar seu público. E parece estar conseguindo: nas primeiras semanas no novo local o projeto recebeu uma média de quatrocentos pagantes.

Mas como tudo começou, afinal? Para saber precisamos voltar ao meio dos anos 90’, quando o editor da revista alternativa Dynamite, André Pomba Cagni, tinha voltado de uma de suas então habituais viagens aos Estados Unidos. Lá, além de ter visitado comunidades gays no circuito cultural de algumas metrópoles americanas (o que reforçou sua decisão de assumir sua homossexualidade), Pomba descobriu alguns clubes noturnos gls que mantinham noites voltadas especificamente para tocar rock na pista – e isso para um público (o gay) habitualmente mais afeito à música eletrônica. Impressionado com a receptividade da galera homo a essas noites rockers, o jornalista e produtor de eventos voltou para o Brasil disposto a fazer algo semelhante aqui. Bastava achar um local em São Paulo que “comprasse” e desse espaço à idéia, viabilizando-a. Foi quando Pomba passou a freqüentar o clube A Loca em 1995, e que estava funcionando há cerca de dois anos na rua Frei Caneca, próximo à avenida Paulista e notório reduto da comunidade gay paulistana. Nessa época o clubinho gls mantinha noites de música eletrônica bombadas às sextas-feiras e aos sábados, mas não funcionava aos domingos sendo que os proprietários queriam montar uma programação dominical que preenchesse o espaço também no dia habitualmente mais morto da semana. Foi então que mr. Pomba entrou em contato com a direção da casa e propôs seu plano: fazer um projeto voltado ao público gls (ou lgbt) aos domingos, mas em horário de matinê (das oito da noite à meia-noite) e que tocasse basicamente rock na pista, com algo de música pop e anos 80’. A Loca gostou da proposta e fechou parceria com o jornalista. A festa, batizada Grind, estreou em maio de 1998.

Não demorou muito para a novidade chamar a atenção não apenas do público gay que freqüentava A Loca, mas também de fãs de rock que não tinham o que fazer aos domingos à noite. Em poucos meses de funcionamento a festa começou a encher. Tempos depois seu horário precisou ser ampliado por conta da demanda do público e também porque muita gente queria chegar mais tarde ao clube para beber e dançar. Assim o Grind teve seu horário estendido para até às duas da manhã de segunda-feira. Foi o que bastou para o evento começar a lotar a Loca aos domingos, sendo que no auge da festa (entre os anos 2000’ e 2010) não raro cerca de mil pessoas passavam pelo clube ao longo da madrugada e em plena segunda-feira. Foi quando o Grind passou a funcionar até às seis horas da manhã (!) e foi nessa época que a própria Zap’n’roll fez muitas DJs set (como convidado) na festa, além de ter participado de momentos louquíssimos e bizarros dentro do clubino gls – sendo que algumas dessas estórias estão contadas logo mais aí embaixo, em um mini diário sentimental.

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Outra banda clássica das domingueiras do Grind: a goth inglesa The Cure

O tempo foi passando e o Grind resistiu bem na Loca, se tornando um clássico da noite under paulistana aos domingos. Mas com a crise econômica enfrentada pelo país nos últimos anos e com um certo desgaste enfrentado pelo próprio clube que o abrigava (com queda na freqüência de público, além da concorrência de outras casas noturnas que foram sendo abertas e também focadas no público gay), o Grind acabou mudando de endereço. Há quase um mês está funcionando no Espaço Desmanche, na rua Augusta. E lá, ao menos por enquanto, viu seu público e seu fôlego se renovar como adolescente que ainda é. Um adolescente que chega aos vinte anos de existência apenas em 2018. E que se depender do fundador André Pomba, vai manter bibas e heteros fãs de rock ainda total animados por muitas e muitas noites de domingo nos próximos anos.

 

***E nesse domingo, véspera do feriado de 1 de maio (dia mundial do trabalho), o Grind promete ficar mais lotado do que nunca. Tá a fim de ir na balada e quer saber tudo sobre ela? Vai aqui: https://www.facebook.com/events/1138482239631930/.

 

***E como esse post é especial sobre os dezenove anos da domingueira rocker mais badalada da noite paulistana, o blog vai ser generoso com o seu sempre dileto leitorado. Vai AGORA no hfinatti@gmail.com, manda uma mensagem fofa (uia!) pra gente e se habilite a concorrer a um PAR DE INGRESSOS VIPS pra ir na edição deste finde do Grind. Informaremos por e-mail ou telefone (deixe seu número na mensagem) quem ganhar o mimo, até o final da tarde deste domingo, 30 de abril, ok?

 

 

ENTREVISTA COM O DJ ANDRÉ POMBA SOBRE A NOVA FASE DO GRIND

(publicada originalmente no blog no post de 29 de março passado)

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O super dj André Pomba (acima), que criou o projeto Grind em 1998; a festa chega aos dezenove anos de existência agora em novo local, o Espaço Desmanche onde a dupla Pomba e Zap’n’roll (abaixo) se confraternizaram semanas atrás

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Zap’n’roll  – O Grind se tornou um clássico da noite alternativa paulistana. Permaneceu por 19 anos no club A Loca e esta semana anunciou sua saída de lá? O que houve, afinal?

 

André Pomba – Simplificando bastante, foram divergências financeiras e administrativas que foram se acentuando até o rompimento ser inevitável. Como considero minha relação com o clube como a de uma família, acabou-se tolerando muita coisa por conta dos 19 anos de convívio diário. Agora bola pra frente! Espero que o Clube Alôca possa recuperar sua posição na noite paulistana e da minha parte estou com entusiasmo renovado para novos desafios.

 

 

 

Zap – O projeto, ao que parece, vai continuar mas em novo endereço. E já há, também ao que parece, várias casas noturnas interessadas em abrigar a domingueira pop/rock mais famosa da capital paulista. Você já se decidiu qual será o novo lar do Grind?

 

Pomba – sim, no dia seguinte ao anunciar a minha saída recebi várias propostas, conversei com vários donos de casas noturnas. Sempre entendi que precisava de um local na região do Baixo Augusta com uma estrutura similar à Alôca, com duas pistas, palco pra shows e vários ambientes. Então foi fácil fechar com o DJ Click para fazer no Espaço Desmanche (onde era o mítico Vegas). A diferença é que o Grind agora vai começar a meia-noite, assim que encerrar a matinê da casa, de música brasileira, chamada Tereza.

 

Zap – Quando o projeto reestréia?

 

Pomba – em 9 de abril, domingo meia-noite, com uma super festa de aniversário: a minha mesmo de 53 anos ahahah

 

 

 

Zap – Haverá alguma diferença no Grind por conta da sua mudança de local ou ele seguirá mantendo a formula musical que o consagrou por quase duas décadas na Loca?

 

Pomba – sendo objetivo: uma pista tocará rock como sempre tocamos de todas as épocas e outra pop mais atual. O importante é saber se reciclar sem perder a essência. Acho que conseguiremos trazer um público novo que já frequenta os clubes do Click (Tex, Desmanche e Blitz), com a galera que já frequenta o Grind há anos, como a eterna missa de domingo dos loucos da noite paulistana!

 

 

TOP 10 DO GRIND – OS CLÁSSICOS IMBATÍVEIS DA DOMINGUEIRA ROCKER MAIS FAMOSA DE SAMPA

Ao longo de quase duas décadas de existência o DJ André Pomba, fundador do projeto Grind, animou a pista da festa com zilhões de músicas fodonas e cobrindo todas as épocas e estilos do rock mundial. Mas entre estas algumas se tornaram autênticos clássicos que não podiam ficar de fora do set list jamais. São essas músicas que você confere nos vídeos abaixo, num top ten elaborado pelo próprio Pomba e que reúne os maiores sucessos da domingueira rock’n’roll até hoje.

 

MINI DIÁRIO SENTIMENTAL – RÁPIDAS HISTÓRIAS SELVAGENS DE SEXO, DROGAS, LOUCARAS E ROCK’N’ROLL QUE SÓ PODERIAM ROLAR NO GRIND, ULALÁ!

***Boquete na pista de dança, ao lado da cabine do DJ, e aspirada de cocaine em CIMA do PAU – o autor deste diário algo sórdido e cafajeste a conheceu em meados de 2004. Ela era uma jornalista que havia acabado de se formar no curso e se interessou por um texto de Finaski, publicado em algum site no qual ele já escrevia naquela época. Enviou um e-mail e foi aí que tudo começou. O zapper namorava então uma pretaça deliciosa e gigante, de 1,80m de altura e que trepava alucinadamente mas com a qual ele pouco tinha afinidade intelectual/cultural (nosso querido e eterno melhor amigo, Andre Pomba, sempre dizia sobre nosso relacionamento: “vocês dois se dão bem APENAS na cama. Fora dela são um DESASTRE”. Era verdadeira a avaliação dele). Mas então recebemos o e-mail dela, que se chamava T.R.A. (vamos chamá-la apenas pelas iniciais do seu nome). Muito inteligente, fã de rock, de literatura, cinema etc. Tínhamos muitas afinidades. E ela era muito jovem, apenas 21 anos de idade. O blogger rocker estava com 41. Começamos uma intensa troca de correspondência eletrônica, passamos a conversar pelo hoje jurássico MSN, por telefone (fixo, naquela época) e finalmente marcamos um encontro PESSOAL, em alguma noite/madrugada qualquer de abril de 2004 (pouco tempo antes da saudosa mama Janet falecer). Nos encontramos no metrô Consolação, em Sampa. Ela era LINDÍSSIMA: cabelos ruivos, formas apetitosas (peitos medianos, nem grandes nem pequenos) e um rosto de bonequinha de porcelana chinesa. Descemos a rua Augusta e fomos pros bares de rock que lá existiam. Bebemos bastante vinho num deles. Depois fomos (novamente) pro Madame Satã (ela era e é fã de rock BR anos 80’ e das bandas inglesas da época). Lá, no porão escuro do casarão, os MALHOS começaram. Até que o jornalista já cheio de péssimas intenções conseguiu convencê-la a vir pra casa, em uma kit no bairro da Vila Mariana (começo da zona sul de São Paulo, bairro bom de classe média chique, coxa, chata e esnobe, e onde o blog mora até hoje). A trepada foi monstruosa, com a moça copulando em todas as posições possíveis. Dormimos abraçados e pelados e quando acordamos, houve mais uma trepada furiosa. Depois ela foi embora pra sua casa – morava longe, em Mauá, Grande SP, e sozinha pois apesar de muito jovem já era órfã de pai e mãe. Claro, Zap’n’roll se apaixonou loucamente pela garota e queria se livrar da pretona. Foi um período terrível, até que meses depois a negona descobriu tudo e chutou o namorado traidor (e na real não nos incomodamos tanto com isso, afinal). O rapaz aqui então investiu com tudo em T. mas começou a descobrir que ela não era tão meiga e doce como imaginávamos. Uma “perva” em determinadas atitudes e situações, era uma vadiaça escolada na arte de foder com homens COMPROMETIDOS, apesar da pouca idade. Fomos descobrindo isso apenas com o tempo de convívio e de affair com ela – foram quase 4 anos ao todo, de 2004 a meados de 2008. Queria ter ficado com ela para sempre. Mas ela, também fã de cocaína e de devastações alcoólicas oceânicas como o jornalista loker, de FODER a TRÊS (sim, trepamos eu e ela e mais uma terceira pessoa em pelo menos duas ocasiões, uma ela sendo comida por mim e mais um outro homem; em outra, ela e uma amiga minha se comendo e ME comendo) e de loucurar em baladas noturnas, me disse certa vez, algo FEMINISTA que era (e nunca mais esqueci dessa frase): “Humberto, você é ÓTIMO pra se DIVERTIR. Pra sair, pra ir num show, pra dançar e beber num bar, pra TREPAR e CHEIRAR pó. Mas eu NUNCA vou NAMORAR ou CASAR com você. Quando eu for me casar com alguém vou querer um homem sem VÍCIOS”. E assim foi. Continuamos juntos até 2008, mais ou menos. E numa de nossas últimas saídas e trepadas, fomos um domingo no clube gls A Loca, onde o DJ Pomba fazia a domingueira rocker Grind. Bebemos, dançamos. Em certa altura da madrugada, num cantinho da pista de dança ao lado da cabine do DJ, ela sussurrou no ouvido do jornalista: “abre sua calça e tira o pau pra fora”. Abri. Ela, CADELAÇA escolada que era, se agachou furtivamente e CHUPOU o pinto por longos minutos ali mesmo, enquanto o restante da pista dançava enlouquecidamente. Final da balada o casal foi pra casa. Ela queria CHEIRAR pó. O autor deste diário canalha tinha um pouco e por incrível que pareça não estava a fim – estava mesmo era com vontade de fodê-la e sabia que se cheirasse também, o pinto não iria levantar. Então lhe disse: “só você vai cheirar. E depois vamos trepar”. Ela: “ok. Mas eu NÃO vou cheirar no SEU PINTO, isso é ultrajante!”. Retrucamos: “se não for em cima do meu PINTO não tem coca pra você!”. Ela reclamou, protestou mas acabou aceitando minha exigência pois a vontade de aspirar uma carreira de pó era maior do que sua honra, dignidade, moral e orgulho, que foram todos pra casa do caralho no final das contas. Então ela cheirou uma ENORME taturana de pó em cima do pau duro desse coroa sórdido, calhorda e também algo imoral. Ficou louquíssima em alguns minutos. E foi fodida na boca, na boceta e no cu sem reclamar de nada. Nos separamos tempos depois. Nunca mais a vi e lá se vão quase nove anos que não a reencontro. O já velho jornalista quis ficar com ela e eventualmente sente saudades dela. Temos seu número fixo de telefone até hoje e esse número não mudou. Ligamos um dia, semanas atrás. Uma voz masculina atendeu e desligamos. Ela, finalmente, deve ter encontrado o homem sem VÍCIOS que tanto queria. E deve estar feliz com ele – ou não…

 

***Jornalista bicudo de cocaine dando entrevista a milhão – era a noite/madrugada de onze anos do projeto Grind, em maio de 2009. A pista do clube A Loca estava lotada como sempre. E especificamente naquela noite uma equipe do programa que era apresentado por Otávio Mesquita (mais conhecido como “Chato” Mesquita) nas madrugadas da Band, foi ao clubinho da rua Gay, ops, Frei Caneca, para fazer uma matéria sobre a domingueira rocker mais badalada do underground paulistano. Filmaram o público, a pista, os outros ambientes, fizeram algumas entrevistas. Entre estas, com o DJ Pomba e… voilá! Com o jornalista então naquela época ainda total LOKER de plantão, hihihi. Com o detalhe: o autor deste blog tinha acabado de praticar uma devastação nasal gigantesca num dos banheiros da boate, aspirando uma autêntica TATURANA de padê (que estava muito bom, diga-se). Logo em seguida foi já doidão para a cabine de som, onde Pomba estava dando entrevista para a repórter da TV Band. Terminada a entrevista o homem que criou o Grind teve a “ótima” idéia de indicar Finaski para também ser entrevistado. “Ele é um dos jornalistas mais conhecidos da imprensa musical e freqüenta nossa festa há anos, por isso pode dar um bom depoimento”, disse o inocente Pombinha à repórter, que ligou um refletor na cara ESTALADA do a essa altura já FRITO (nos neurônios) jornalista, empunhou um microfone na frente dele e pediu para que o mesmo falasse algo sobre a domingueira rock’n’roll. O que se seguiu foi bizarro ao cubo: com as pupilas saltando pra fora dos olhos mr. Finas falou ao menos 300 mil palavras em minúsculos 30 segundos. A tal repórter desligou a câmera e o microfone, agradeceu e saiu da cabine. Foi quando Pomba veio no ouvido do autor deste diário maluco e cochichou: “se ela conseguiu entender DUAS palavras do que você disse foi muito, rsrs”. Mas não é que a matéria dias depois foi ao ar na televisão e com o DEPOIMENTO (ou o que deu pra aproveitar dele, uia!) fináttico incluso nela? Pois é, rsrs.

 

***”Acabou, ACABOU!!!” – aconteceu na mesma madrugada em que rolou a festa de onze anos da domingueira rocker. Entre as centenas de xoxotas que estavam circulando pelos vários ambientes da Loca, ELA era uma das mais… locas, rsrs. Peituda, roupa decotada, sapato com salto alto, feição de cadela ordinária e bastante chapada (de álcool? Cocaine? Tudo ao mesmo tempo?), a figura não tinha pudor algum em se insinuar pros machos presentes. Primeiro deu mole para um amigo deste jornalista que, por estar acompanhado da namorada, dispensou a oferecida. Algum tempo depois veio pra cima do próprio zapper, mas fazendo cu doce. Quando o autor deste diário sem vergonha resolveu criar coragem e TENTAR algo com a figura (afinal o jornalista maloker também estava turbinadíssimo de pó e nessas condições nunca conseguia paquerar ninguém de forma civilizada e sem cometer alguma cagada pelo caminho), eis que um brucutu com cara de poucos amigos a puxou pelo braço e ambos saíram de onde estávamos. A essa altura já eram quase cinco da matina, Zap’n’roll estava ficando fora de combate e não teve dúvida em aceitar uma carona quando sua amiga Nathália “beuda” Traffica disse que estava indo embora. Fomos. Apenas no dia seguinte o blogger rocker ficou sabendo como a festa dos onze anos do Grind QUASE acabou, rsrs. Quem relembra é o próprio André Pomba: “eram quase cinco da manhã e o som continuava à toda, com a pista lotada e todo mundo dançando. De repente, DO NADA, aquela LOCA subiu a escadinha da cabine, invadiu a mesma e começou a TENTAR derrubar tudo no chão (fios, cabos, as disqueteiras), enquanto gritava como uma alucinada: ‘acabou, ACABOU!’. Só tive tempo de ABRAÇAR e segurar as cdj’s até que um segurança veio e conseguiu tirar a maluca da cabine”. E quem era a maluca, afinal? A mesma que estava dando mole pros machos no meio da madrugada, no bar. De modos que este jornalista e Pomba chegaram à seguinte conclusão: o brucutu corno devia ser algo da moçoila. Cansou de passar a madrugada vendo a dita cuja se esfregando em outros barbudos, deu uma botinada na vagaba e ela, inconsolável (uia!), INVADIU a cabine de som pra gritar que tudo tinha acabado. Só não se sabe até hoje se o que tinha acabado era o namoro dela ou se ela queria ACABAR com a balada, rsrs.

 

***Evan Dando, dos Lemonheads, TRAVADO de farinha na pista – ulalá! Essa merece um capítulo ESPECIAL que você lê abaixo no próximo tópico, hehe.

 

 

EXCLUSIVO E INÉDITO! A NOITE/MADRUGADA EM QUE O MÚSICO AMERICANO EVAN DANDO FICOU BICUDAÇO DE PADÊ NO GRIND, UIA!

Mais uma história bizarra que só poderia ter rolado na festa Grind, claro! E aqui contada em detalhes neste capítulo do ainda inédito livro “Escadaria para o inferno”, de autoria do jornalista Finaski e com previsão de lançamento para o segundo semestre deste ano. Confiram!

 

Capítulo 9 – Sendo “dealer” de Evan Dando, dos Lemonheads

 

A garotada que hoje tem 20 e poucos anos não deve ter conhecido ou não se lembra mais dos Lemonheads. Mas o trio indie guitar americano foi uma das bandas mais legais do rock nos anos 90’. Liderado pelo vocalista, compositor e guitarrista Evan Dando o grupo surgiu em Boston por volta de 1986, lançou seu primeiro disco no ano seguinte e começou a fazer mega barulho entre a mídia e o público fã de rock em pouco tempo, até estourar nos EUA com o álbum “It’s A Shame About Ray”, editado em 1992. Tornaram-se então a bola da vez no mercado musical americano (o Lemonheads, até ali gravando por selos independentes, foi capturado pela major Warner Music por onde lançou “It’s A Shame…”, que em poucos meses chegou à marca de um milhão de discos vendidos). E o sucesso não era difícil de explicar: Dando, além de ótimo compositor, letrista e vocalista era um deus loiro de beleza apolínea, daqueles que faziam as menininhas ficarem com as xoxotas encharcadas nos shows da banda. E som do conjunto era o melhor que o guitar rock americano podia oferecer naquele momento: melodias radiofônicas e assobiáveis mas com um pé na aceleração e urgência herdadas do punk. Não demorou pra Dando e cia se tornarem os ídolos das matinês.

Assim como também não demorou pra eles virem tocar no Brasil, que começava a entrar com força no circuito internacional de shows de rock. Desta maneira foi anunciado no segundo semestre de 1994 a realização de um festival internacional em Santos, no litoral paulista, bancado por uma marca de tênis e que traria entre outras bandas o Lemonheads. Os shows seriam na praia e de graça. Óbvio que fui até lá sendo que eu estava, aos 31 anos de idade, namorando com um bocetaço de 18, a Greta (que tinha peitos tão grandes e deliciosos que ela mesma mamava neles quando estávamos trepando), com quem o jornalista trintão e doidão deu uma foda rápida, em plena praia (numa parte mais afastada da muvuca onde estavam rolando os shows), antes de a gig de Evan Dando e cia. começar. Foi um show bacana, no final das contas.

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Evan Dando (acima), ex-líder e vocalista do trio americano The Lemonheads (abaixo): ele também ficou “bicudo” de cocaine no Grind, hihihi

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E logo depois de tocar no Brasil e atropelado pelo imediatismo pop que já consumia a indústria musical há duas décadas, o Lemonheads começou a entrar em decadência nos EUA pois o público adolescente precisava ser alimentado ad eternum por novidades rockers mais quentes a cada nova semana. Foi nesse processo de queda de popularidade que o trio voltou ao Brasil em mais duas ocasiões: em 1997 e depois, em 2004. Nessa última turnê por aqui a formação original do conjunto já tinha se dispersado e dela só restava mesmo o fundador Evan Dando. E foi também nessa última visita do grupo a Sampa que o autor deste livro de memórias e esbórnias rock’n’roll se viu transformado em dealer do loiro vocalista dos Lemonheads.

A gig havia rolado no extinto Palace (casa de shows que existiu em Moema, na zona sul paulistana, e onde assisti a alguns momentos históricos e inesquecíveis do rock mundial, como a primeira vez em que os Ramones tocaram no Brasil, em 1987). Terminada a apresentação (que tinha sido num domingo) eu descolei uma carona e me mandei pro club A Loca (o inferninho gay/GLS mais famoso do Brasil e onde aos domingos aconteceu durante quase 20 anos a noitada Grind, comandada pelo dj André Pomba e que toca apenas rock na pista, até o sol raiar). Lá estava eu há algum tempo já, bebericando minha habitual Gim tônica (meu drink preferido quando vou na Loca, sempre com muito Gim e pouca água tônica), quando veio conversar comigo o argentino Alejandro (uma das figuras mais carimbadas da cena alternativa paulistana, produtor e guitarrista de várias bandas indies da capital paulista), e que foi logo dando o toque: “Finatti, me ajuda numa missão…”. Eu, já imaginando a merda voando na minha direção: “lá vem… fala aí”. Ele: “to com o Evan Dando comigo e ele quer pó!”. Eu arregalei os olhos e vi que, do lado do argentino, estava mesmo um sujeito loiro, cara de lesado e que não queria muito papo com ninguém. Queria apenas ficar mais loki do que aparentemente já estava. Alejandro insistiu: “tô com cem mangos aqui que ele me deu. Onde podemos ir pegar essa parada?”.

Não havia escapatória, óbvio. E lá fomos eu e o hermano mala no carro dele (uma daquelas peruas Chevrolet antigonas, de quatro portas) até o Cambuci, que era o local mais próximo onde eu poderia desenrolar a “missão”. Lá, na rua Muniz de Sousa, funcionava uma biqueira lendária (não sei se funciona até hoje) e que eu havia descoberto quando havia morado no final da rua dos Lavapés, entre 1994 e 1995. O “padê” que o pessoal vendia lá era bem servido, de boa qualidade (não espetacular, mas dava pra chapar os neurônios) e custava dez pilas cada peteca. Fomos lá. Peguei dez petecas e combinei com Alejandro: “entrega meia dúzia pra ele e cada um de nós fica com duas”. O argentino topou e voltamos pra Loca. Lá chegando reencontramos o rock estar loiro já um tanto ansioso pra dar uma cafungada e entregamos a “encomenda” dele. Eu fui imediatamente pro banheiro dar uma aspirada no pó branco. E fui pra pista dançar.

A última visão que eu tive dentro da Loca naquele domingo, há mais de uma década, se tornou um clássico imagético, rsrs. Eu já bem “bicudo”, resolvi ir pagar minha comanda de consumação e cair fora dali pois já eram cinco da manhã. E quando passei pelo bar em direção ao caixa, apenas vi aquele sujeito loiro, totalmente “travado”, sentado no chão do lugar, com as pernas dobradas em posição de lótus e sem conseguir abrir a boca pra falar absolutamente nada. Coisas que só a cocaína faz em você, hihihi – inclusive em rock stars.

 

 

CD BACANA EM PROMOÇÃO

Yep. Ainda há pessoas no mundo que gostam de escutar música em plataforma FÍSICA (leia-se: CDs e LPs), como o autor deste blog por exemplo. De modos que depois de muuuuuito tempo vamos colocar um disquinho pra sorteio aqui. Trata-se do álbum de estréia do grupo surf music instrumental paulistano The Pultones, e que acaba de ser lançado pelo sempre venerável selo Baratos Afins. Interessou? Então vai no hfinatti@gmail.com e pede pra concorrer, sendo que no próximo post falamos quem ganhou o dito cujo além de comentar mais detalhadamente sobre o trampo dos moleques, okays?

 

 

E FIM DE PAPO

Pronto, postão chegou ao fim. Em plena sextona de greve geral no bananão tropical estamos aqui, no trabalho, ulalá! Mas tem feriadão até segunda-feira próxima, de modos que todos terão bastante tempo pra ler com calma o post zapper, beleusma?

Então é isso. Bom feriado pra todo mundo e nos vemos novamente pelos próximos dias ou semanas. Até lá!

 

(enviado por Finatti às 17:30hs.)

Depois da perda irreparável do saudoso, inesquecível e grande Johnny Hansen (que deixou órfão o rock independente nacional há quase duas semanas), é a vez do queridaço Kid Vinil (nosso eterno Herói do Brasil) ter problema seríssimo de saúde, dando susto monstro na indie scene nacional e mostrando como a SOLIDARIEDADE humana INEXISTE nesses tempos total escrotos da web e das redes sociais

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Dias sombrios dominam a cena rock BR: o grande e queridíssimo Kid Vinil (nosso amado Herói do Brasil, foto acima) passou mal após show no interior de Minas Gerais no último final de semana, e segue internado em coma induzido em um hospital em São Paulo; o fato ocorre apenas duas semanas depois de a cena indie nacional ter perdido o também lendário músico Johnny Hansen (abaixo, ao lado de Zap’n’roll), criador do grupo electro rock Harry nos anos 80’

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A essa altura todos já estão sabendo que Antonio Carlos Senefonte, mais conhecido no rock brasileiro que ainda importa como Kid Vinil, está internado em um hospital em São Paulo, em coma induzido (isso até a tarde desta quinta-feira, quando este post do blog está sendo publicado), após ter passado mal no último final de semana no interior de Minas Gerais, onde estava realizando um show tributo ao rock BR dos anos 80’. Além de amigo pessoal do autor deste espaço rocker há pelo menos três décadas, Kid tem uma gigantesca folha corrida de ótimos serviços prestados ao rock brasileiro. À frente de bandas como Verminose e Magazine, como produtor e diretor de gravadoras, DJ ou apresentador de zilhões de programas de rádio que marcaram época (atualmente, comanda programa com seu próprio nome às quintas-feiras à noite, na 89fm de São Paulo), Kid sempre foi e continua sendo referência quando o assunto é cultura pop e rock’n’roll em terras brasileiras. Fora que ele é a simpatia e afabilidade em grau máximo.

Zap’n’roll conheceu Kid Vinil quando o ainda futuro jornalista era um jovem fã de rock’n’roll alternativo. Chegamos a escutá-lo no programa “Rock Sanduiche”, que ele fazia junto com o também graaaaande Leopoldo Rey, na finada Excelsior FM (isso lá pro final dos anos 80’). Mas foi somente depois que nos tornamos jornalista musical profissional (lá pelos idos de 1986) que o conhecemos pessoalmente e nos tornamos amigos. Desde então nunca mais perdemos contato, mesmo que passássemos longos períodos sem nos falar. São inesquecíveis as visitas didáticas ao apê em que ele morava, nos anos 80’, na rua Almirante Marques Leão, no Bixiga (centrão rocker de Sampa). Era um apto pequeno e ABARROTADO de discos. E sempre havia novidades lá. Foi com ele que Finaski escutou pela primeira vez o single “Supersonic” de um certo Oasis, que estava então bombando na Inglaterra. Foi lá também naquele apê que ele nos gravou uma fitinha cassete com os primeiros singles do Suede e do Ride – isso em 1993, mais ou menos. Sendo que o blog é eternamente grato a ele por ter-nos apresentado todos esses gigantes do indie guitar e do britpop dos 90’.

Hoje estamos aqui, preocupadíssimos com ele. Já perdemos o amado Johnny Hansen (o gênio que fundou o grupo electro rock Harry, nos anos 80’) há quase duas semanas (que serão completadas nessa sexta-feira). E não queremos perder mais alguém ultra querido por nós e por todos que curtem rock no Brasil, em tão pouco tempo. Por isso pedimos aos céus que mantenha Kidão vivo ainda por muitos e muitos anos. Só isso. O mundo já anda escroto e chato demais pra ficarmos sem uma pessoa como ele.

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O grupo new wave brasileiro Magazine nos anos 80′, com Kid Vinil à frente

 

CAMPANHA EM FAVOR DE KID VINIL MOSTRA O QUÃO EGOÍSTA E INSENSÍVEL SE TORNOU O SER HUMANO NA ERA DA WEB E DAS REDES SOCIAIS

O repentino e inesperado problema de saúde enfrentado por Kid Vinil no último final de semana pegou a todos de surpresa – inclusive os familiares dele. Kid havia acabado de se apresentar na cidade de Conselheiro Lafaiete (em Minas Gerais), quando sentiu-se mal nos camarins. Foi socorrido e levado às pressas a um hospital local, onde foi colocado em coma induzido pelos médicos. Diabético há muitos anos e já com idade razoavelmente avançada (sessenta e dois anos), Kid sofreu um infarto que também gerou complicações na oxigenação do seu cérebro. Com os limitados recursos à disposição no hospital para onde ele havia sido levado a equipe que fez os primeiros atendimentos recomendou que ele fosse transferido com urgência para São Paulo. E se possível, de helicóptero.

A transferência felizmente aconteceu na última terça-feira e até o momento em que este post está sendo concluído, Kid Vinil segue internado em um hospital particular no bairro da Vila Mariana, zona sul da capital paulista. Mas para conseguir trazer o cantor e apresentador para Sampa sua família teve que abrir uma também inesperada e emergencial campanha pública de arrecadação de recursos, pedindo doações via internet e redes sociais já que o custo da operação para fazer o translado dele seria em torno de R$ 15 mil reais. Uma grana razoável e que a maioria das pessoas não possui disponível, ainda mais com o país quebrado como está. E mesmo Kid, que felizmente tem uma situação financeira mais estável e confortável do que boa parte dos brasileiros, não dispunha dessa quantia. Nem ele nem sua família.

A campanha foi aberta e, coordenada pela sua sobrinha de Kid (Raquel Senefonte), felizmente obteve o resultado necessário. A quantia foi levantada e Kid removido para São Paulo. Raquel também agradeceu publicamente quem colaborou e deu a campanha por encerrada, mostrando a seriedade e lisura da mesma.

Mas mesmo assim, se tratando de algo seríssimo (uma vida humana) e envolvendo uma figura pública e mega querida por milhares de pessoas, começaram a chover zilhões de postagens imbecis no Facebook ao longo da semana, zombando e pondo em dúvida o caráter e a seriedade do pedido feito pela família de Antonio Senefonte. Algumas dessas postagens foram escritas inclusive por pessoas que estão entre os amigos deste jornalista e pelas quais temos simpatia. “Não dou um centavo”, disse uma das publicações. Outra mensagem (esta de alguém que não conhecemos e nem é nosso “amigo” no faceboquete) foi além e disparou: “o que ele tem na coleção de discos dele dá pra pagar tranquilamente seu translado para São Paulo”.

Um clássico da new wave brasileira dos anos 80′: o grupo Magazine, com Kid Vinil nos vocais, e sua hilária “Tic Tic Nervoso”, cuja letra permanece mais atual do que nunca

Tudo isso demonstra a que ponto chegou a ignorância, a falta de solidariedade e o egoísmo humano na era da web e das redes sociais. A família do Kid não iria fazer um pedido público de ajuda financeira se não estivesse precisando. R$ 15 mil é muito dinheiro no final das contas (quer dizer, para nós, meros mortais, não para os corruptores e corrompidos pela Odebrecht). Conhecemos Kidão pessoalmente há 30 anos pelo menos. Ele possui (ou já possuiu) uma situação financeira um pouco melhor do que a maioria? Certamente (sempre mantinha sua coleção abastecida de novidades, sempre viajava pro exterior etc). Mas o país está realmente quebrado e sabe-se lá se isso não afetou tb suas finanças. Mas independente disso, vamos repetir, há a questão da SOLIDARIEDADE HUMANA nesse episódio. Todos aqui têm enorme carinho por Kid, o blog em particular por tudo de bom que ele nos proporcionou em termos de conhecimento musical e rocker, e também pelos muitos momentos agradáveis que passamos ao seu lado. Então em nenhum momento colocamos em questão a situação financeira dele (se é ótima ou péssima) quando decidimos também fazer uma modestíssima contribuição para ajudar nas despesas com seu translado para São Paulo. De modos que a tristíssima lição que este episódio deixa é que, definitivamente, a SOLIDARIEDADE da raça humana parece mesmo ter ido pra casa do caralho nesses tempos obscuros, egoístas, moralistas hipócritas, reacionários e ultra conservadores. Ninguém está a fim de ajudar ninguém e o blog mesmo passou por essa experiência bastante desagradável quando teve um tumor maligno na garganta há 3 anos e meio e também precisou pedir socorro público. Na época poucos nos ajudaram de fato (e somos gratos até hoje aos que nos prestaram essa ajuda), sendo que muitos negaram socorro na cara larga e mais um tanto simplesmente ignorou o pedido de ajuda. Óbvio, ninguém tem obrigação de fazer nada por ninguém mas atitudes desse naipe e a simples desconfiança de um pedido de ajuda em rede social, partindo de uma família de alguém que precisa de socorro médico urgente (não importa quem seja a pessoa, se trata de uma VIDA HUMANA que está em jogo), demonstra bem a que nível chegou o senso de (falta de) solidariedade e a sensibilidade das pessoas. Não quer ajudar? Beleza, direito seu. Mas não seja ESCROTO a ponto de desdenhar, ridicularizar ou DUVIDAR publicamente de quem está pedindo ajuda.

Os animais irracionais estão melhores do que nós. E mais solidários também, sem dúvida. E isso é lamentável. Apenas isso.

 

Estas linhas zappers desejam toda a força pro Kid Vinil. Estamos torcendo aqui pra que logo menos todos nós possamos novamente ouvir sua voz na 89fm, e dar boas risadas com suas tiradas impagáveis. Já basta termos perdido Hansen há quinze dias. Que Antonio Carlos Senefonte permaneça ainda por muitos anos ao nosso lado!

 

Após mais este post extra, Zap’n’roll pretende voltar ao rimo normal na próxima semana, depois do feriadão deste finde. E espera sinceramente que não precise voltar aqui em caráter extraordinário, para noticiar algo ruim como fizemos em nossos dois últimos posts. É isso. Beijos carinhosos em nosso dileto leitorado.

 

(enviado por Finatti às 15hs.)

SILÊNCIO gigante e ultra respeitoso no rock brasileiro que ainda importa: Johnny Hansen, cantor, compositor, multiinstrumentista e fundador do lendário grupo electro rock Harry (uma das cult bands mais essenciais do rock BR dos anos 80’) morre em Santos (litoral paulista) aos cinquenta e seis anos de idade, deixando mais uma lacuna monstro e irreparável na música nacional; nesse post extra o blog zapper (cujo autor foi amigo pessoal do músico durante quase três décadas) presta sua homenagem a um dos artistas mais geniais e criativos (e sem ter tido o devido reconhecimento em relação à sua genialidade) que já surgiram por aqui

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Silêncio gigantesco e sombras no rock independente nacional que importa: o músico santista Johnny Hansen (acima, foto: Jairo Lavia), fundador, guitarrista e vocalista da cult band electro rock Harry (abaixo) sai de cena, vitimado por infarto fulminante, tornando a já empobrecida indie scene rock brasileira ainda mais raquítica e irrelevante

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Tinha sido uma sexta-feira estranha, a de anteontem (este post está sendo escrito e publicado excepcionalmente no domingo, 9 de abril). Aliás a semana toda havia sido muito estranha e complicada na vida de Zap’n’roll: problemas (pessoais e profissionais) demais, soluções de menos e foi assim que os dias foram seguindo. Quando o final de semana chegou não houve mudanças significativas nesse quadro. E já no final da tarde de sexta-feira, quando o autor deste blog foi ao centro de São Paulo para cuidar de assuntos pessoais, ele mesmo meio que vaticinou em sua página no Facebook: “algo me diz que meu finde será uma droga…”. E como num presságio ruim (muito ruim, na verdade) a notícia devastadora veio poucas horas mais tarde. Ao chegar em casa (já depois da meia-noite) e após jantar com um casal querido (a escritora Juliana Frank, nossa musa rocker do post zapper anterior a esse, e o tatuador Fábio Martins), a caixa de e-mails e de mensagens de Finaski estava repleta de mensagens atônitas: Johnny Hansen, músico santista de cinqüenta e seis anos de idade, fundador da banda Harry nos anos 80’ (e que seguia em atividade até hoje), havia morrido na cidade do litoral paulista, vitimado por um ataque cardíaco fulminante. O final de semana destas linhas rockers bloggers acabou exatamente ali.

A notícia da morte de Hansen se tornou ainda mais trágica e devastadora para o autor deste blog pelos laços de amizade que uniam músico e jornalista há quase três décadas – o que torna ainda mais dolorosa a missão de escrever este post. Ambos se conheceram em algum momento em 1988. O Harry era, então, uma banda do rock underground paulistano em ascensão junto à mídia e a um público que, embora ainda reduzido, ia aumentando aos poucos. O grupo tinha sido fundado por Hansen (responsável pelos vocais e guitarras) três anos antes em Santos, junto com os músicos e amigos Cesar Di Giacomo (na bateria) e Johnsson (no baixo). Logo em seguida se uniu a eles o produtor e músico eletrônico Roberto Verta (outro dileto amigo pessoal deste espaço virtual). Em 1986 lançaram um primeiro EP pelo selo indie Woop Boop Discos, que teve boa repercussão midiática. Mas foi quando o primeiro álbum completo, “Fairy Tales”, saiu em 1988 que o Harry recebeu aprovação quase unânime da imprensa musical: mixando rock com eletrônica como nenhum artista ainda tinha ousado fazer no Brasil, o Harry mostrou uma sonoridade única e que estava pelo menos vinte anos à frente do seu tempo. O álbum era tão bom que o então ainda jovem repórter Finaski foi entrevistar o quarteto para uma matéria que seria (e foi) publicada na capa do Caderno 2, do diário paulistano O Estado De S. Paulo (onde Zap’n’roll estava então trabalhando), logo após o lançamento do disco. Foi aí, nessa entrevista, que músico e jornalista se conheceram pessoalmente e se tornaram amigos. Uma amizade que nunca mais se rompeu e permaneceu até esta semana, chegando ao fim infelizmente porque o beijo inescapável da morte veio buscar o nosso querido e inesquecível músico e amigo.

De 1988 em diante a trajetória do Harry foi bastante errática. O grupo lançou mais alguns poucos discos (entre eles “Vessels’ Town”, editado em 1990, e a coletânea “Chemical Archives”, lançada em 1994 e que reunia material dos discos de estúdio além de canções inéditas) e foi paralisando seu trabalho e os shows ao vivo aos poucos, por motivos diversos. Hansen passou algum tempo morando em Fortaleza (Ceará), onde foi cuidar de uma loja de discos, Roberto Verta foi chamado para trabalhar como diretor artístico em uma das maiores produtoras de shows internacionais do Brasil e esses fatores acabaram impossibilitando a continuidade do conjunto. Anos depois e já de volta ao Sudeste, Hansen passou a dividir sua moradia fixa entre a cidade natal Santos e a paradisíaca e minúscula São Thomé Das Letras (no sul de Minas Gerais), onde passava longas temporadas com a ativista ecológica Jackie Nunes (que cuida de uma ONG voltada à proteção de animais domésticos em situação vulnerável), com quem acabou se casando. E mesmo com o Harry não lançando novo material ou se apresentando ao vivo, Johnny Hansen nunca deixou de produzir música ou de exercer seu oficio de artista musical. Pelo contrário: ele vivia envolvido em zilhões de projetos, tocando com diversos grupos independentes. Também estava sempre gravando material inédito para possíveis lançamentos futuros. Acabou se tornando um dos músicos mais requisitados para tocar na noite de São Thomé (cidade com pouco mais de seis mil habitantes mas que concentra dezenas de barzinhos com música ao vivo por ser um dos pólos turísticos mais conhecidos do Brasil, com dezenas de cachoeiras, trilhas e lendas e mitologias sobre povos antigos e visitas de extra terrestres), e paralela a toda essa atividade procurava manter viva a marca Harry que, a essa altura e embora não muito ativa, já havia se tornado um dos nomes mais cultuados do rock BR dos anos 80’, com uma legião imensa de fãs na web e nas redes sociais.

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O quarteto electro rock Harry (uma das lendas do indie rock BR) em foto da sua formação nos anos 80’ (acima); abaixo as capas da versão original do clássico “Fairy Tales” (lançado em 1988) e de sua versão “elétrica”, editada em 2015

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CAPAHARRY2015

 

Foram nesses últimos anos inclusive, durante sua permanência em São Thomé, que Hansen e este jornalista se tornaram mais próximos do que nunca. Zap’n’roll, sabidamente apaixonado que é pela cidadela Mineira (e onde vai há mais de vinte e cinco anos), sempre passou suas viradas de ano por lá. E era sempre um prazer ver nessas temporadas em Thomé Hansen tocando nos bares da cidade, com o seu trio Maximum Overdrive. Também foram inesquecíveis os longos e ótimos papos que rolavam enquanto pizzas saborosas eram degustadas pelos dois amigos e pela sempre espirituosa Jackie.

Nos últimos anos Hansen passou mais tempo em Santos do que no sul de Minas, decidido que estava a retomar com força a carreira do Harry. Se reuniu com os antigos companheiros de banda e junto a eles lançou o sensacional “Electric Fairy Tales”, no final de 2015. Era nada menos do que uma versão ELÉTRICA e rocker (com guitarras, baixo e bateria) para o clássico álbum de 1988, e o primeiro lançamento inédito do grupo em mais de vinte anos, pois além das faixas do disco original retrabalhadas para a versão rock, o cd ainda trazia uma batelada de canções inéditas. Novamente foi recebido efusivamente não apenas pela mídia especializada mas também pela legião de fãs angariados ao longo de quase trinta anos. E finalmente então o grupo voltou a se apresentar ao vivo, fazendo gigs elogiadíssimas como a que aconteceu em outubro do ano passado na Clash Club, na capital paulista.

Johnny Hansen (que fazia o tipo durão, ranzinza e algo politicamente reaça nas redes sociais mas que, ao vivo, era um gentleman e a doçura em pessoa como ser humano) estava animado com a volta da banda. E sempre enfiado num estúdio, já havia registrado material inédito suficiente para possivelmente lançar mais dois CDs do Harry. Além de multiinstrumentista genial (que dominava guitarra e teclados como poucos no Brasil) também possuía conhecimento ENCICLOPÉDICO de música e rock’n’roll – certa vez ele disse ao blog que tinha mais de 25 mil discos completos arquivados no HD do seu computador.

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Acima: o Harry se apresenta na Clash Club em São Paulo, em outubro de 2016, no show de lançamento do álbum “Electric Fairy Tales”; nas fotos abaixo dois momentos de Zap’n’roll com a banda e seu fundador: em 2006 num bar na Vila Madalena (zona oeste da capital paulista), após uma gig do Harry, e no réveillon de 2015 em São Thomé Das Letras, com o inseparável amigão Johnny Hansen

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Infelizmente tudo acabou esta semana, uma trajetória que ainda poderia render ótima música bruscamente interrompida por um infarto fatal. Hansen ainda era muito novo para nos deixar. Mas como já havia cantado Renato Russo muitos anos atrás: “Os bons morrem antes”.

E nós ficamos aqui, amargando a saudade e a melancolia pela perda de um amigo pessoal gigante e um músico com qualidade artística difícil de ser encontrada atualmente no completamente raquítico panorama da música e do rock brasileiro. De modos que o blog zapper deixa aqui registrada a sua homenagem e sua saudade imensurável e dolorosa nesse momento.

Rip Hansen. Um dia nos encontramos por aí, em alguma outra estação – se ela de fato existir.

 

***O Harry se tornou uma das principais cult bands do rock alternativo brasileiro em todos os tempos. E Johnny Hansen era um dos músicos mais respeitados dessa cena. No entanto até a tarde deste domingo apenas um mega portal de notícias, o G1, registrou o falecimento do músico. Sites decadentes como o da revista Rolling Stone Brasil, portais como UOL e Folha online, além de blogs de cultura pop como o “vizinho” Popload (ou seria Pobreload?), que se comprazem em publicar apenas imbecilidades como “o melhor do Twitter”, comeram mosca e não deram um pio sobre a morte do queridão Hansen. E assim se comprova mais uma vez o quão vergonhosa está a cobertura de cultura pop e rock alternativo pela mídia brazuca (virtual ou impressa) nos tempos atuais. Lamentável.

 

 

PARA OUVIR O HARRY AÍ EMBAIXO

Nas versões original de “Fairy Tales” na íntegra, lançado em 1988, e parte da regravação rock e “elétrica” do álbum, editada em 2015.

 

 

UM CLÁSSICO DO HARRY – SOLDIERS

(do álbum “Fairy Tales”, de 1988)

 

Soldados

 

Eu ouço os soldados, eu ouço eles vêm

Eu tenho certeza que a noite vai ser longa

 

Eu ouço as pessoas, eu ouço eles vêm

Eles não vêem a luz, eles não têm nenhuma diversão

 

Ouvi dizer que eles vêm

 

Estamos aguardando

sangue e suor de alguém

calor de alguém para tirar

 

(enviado por Finatti às 16:30hs.)

AMPLIAÇÃO LEGAL no postão gigantão (informando com EXCLUSIVIDADE o novo endereço do Grind, a domingueira rocker mais famosa da noite paulistana, resumindo como foi o Lolla BR 2017 e dando infos sobre festas legais neste finde em Sampa, com gig do grupo Trem Fantasma)! – Com o rock’n’roll planetário da era da web total flácido, caído e irrelevante, quem ainda salva a parada são os VELHÕES dos anos 80’ como os ainda gigantes The Jesus & Mary Chain e Depeche Mode (que toca no Brasil em março do ano que vem, em gig única na capital paulista), que acabam de lançar seus novos discos e sobre os quais você lê nesse post zapper; a volta da musa rocker do blog com uma gata total abusada e fã de sexo, rock’n’roll, jazz, literatura (ela já publicou quatro livros!) e poesia, ulalá! E as notícias hot do mondo alternativo e da cultura pop em Microfonia, como a edição deste ano do Lollapalooza BR que rola neste finde em Sampa, além da estréia da continuação do clássico cinematográfico da cultura pop, “Trainspotting” e da vinda do shoegazer noventista Slowdive para gig única no Brasil em maio (postão BOMBATOR, atualizado e ampliado em 29/3/2017)

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Dois gigantes do pós-punk britânico dos anos 80’ voltam com novos discos fodões: The Jesus & Mary Chain (acima, em imagem clássica da banda) e Depeche Mode (abaixo, em foto da atual turnê mundial e que chega ao Brasil apenas em março do ano que vem) se mostram em forma e também ensinam aos grupelhos atuais como ainda fazer rock’n’roll relevante

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MICROFONIA, PARTE II

(ampliando o que já estava ótimo!)

***Festa Grind muda de endereço – yep, por quase duas décadas a domingueira rocker mais clássica e célebre da noite under paulistana, comandada pelo super DJ André Pomba, foi abrigada no clubinho gls A Loca. Mas como tudo acaba um dia o Grind saiu de lá há duas semanas (por divergências entre a casa e o DJ Pomba) e já deve estrear em novo endereço neste domingo – provavelmente no clube Desmanche, na rua Augusta. Zap’n’roll cansou de freqüentar o Grind na Loca e aprontou tudo o que pôde nele: foram inesquecíveis nossas trepadas nos banheiros e no dark room, as devastações nasais e as DJs set que sempre fazíamos por lá na semana do nosso aniversário. Agora o blog deseja que o mesmo sucesso continue no novo local, sendo que estamos enviando ao fofolete Pomba algumas perguntas sobre a nova fase da festa rock’n’roll que anima pra valer o povo aos domingões em Sampalândia.

 

***EXTRA! – Definido o novo local e a data da reestréia do lendário Projeto Grind, do DJ Pomba, que acaba de conceder ao blog, em matéria EXCLUSIVA, uma mini-entrevista sobre o assunto. Leiam abaixo:

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Dupla rock’n’roll eterna: Zap’n’roll e o DJ Pomba, que comanda há quase duas décadas a festa Grind; ela muda de local a partir da semana que vem

Zap’n’roll  – O Grind se tornou um clássico da noite alternativa paulistana. Permaneceu por 19 anos no club A Loca e esta semana anunciou sua saída de lá? O que houve, afinal?

André Pomba – Simplificando bastante, foram divergências financeiras e administrativas que foram se acentuando até o rompimento ser inevitável. Como considero minha relação com o clube como a de uma família, acabou-se tolerando muita coisa por conta dos 19 anos de convívio diário. Agora bola pra frente! Espero que o Clube Alôca possa recuperar sua posição na noite paulistana e da minha parte estou com entusiasmo renovado para novos desafios.

 

Zap – O projeto, ao que parece, vai continuar mas em novo endereço. E já há, também ao que parece, várias casas noturnas interessadas em abrigar a domingueira pop/rock mais famosa da capital paulista. Você já se decidiu qual será o novo lar do Grind?

Pomba – sim, no dia seguinte ao anunciar a minha saída recebi várias propostas, conversei com várias donos de casas noturnas. Sempre entendi que precisava de um local na região do Baixo Augusta com uma estrutura similar à Alôca, com duas pistas, palco pra shows e vários ambientes. Então foi fácil fechar com o DJ Click para fazer no Espaço Desmanche (onde era o mítico Vegas). A diferença é que o Grind agora vai começar a meia-noite, assim que encerrar a matinê da casa, de música brasileira, chamada Tereza.

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O super DJ André Pomba, um dos nomes mais conhecidos da noite paulistana, ao lado do também DJ e produtor de eventos Click; a lendária domingueira rocker Grind reestréia no próximo dia 9 de abril, domingo, na casa noturna Espaço Desmanche, na rua Augusta em Sampa

 

Zap – Quando o projeto reestréia?

Pomba – em 9 de abril, domingo meia-noite, com uma super festa de aniversário: a minha mesmo de 53 anos ahahah

 

Zap – Haverá alguma diferença no Grind por conta da sua mudança de local ou ele seguirá mantendo a formula musical que o consagrou por quase duas décadas na Loca?

Pomba – sendo objetivos: uma pista tocará rock como sempre tocamos de todas as épocas e outra pop mais atual. O importante é saber se reciclar sem perder a essência. Acho que conseguiremos trazer um público novo que já frequenta os clubes do Click (Tex, Desmanche e Blitz), com a galera que já frequenta o Grind há anos, como a eterna missa de domingo dos loucos da noite paulistana!

 

***Como foi o Lolla BR 2017 – num resumo ultra rápido e sendo que acompanhamos o festival no conforto do nosso sofá cama? Bão, vamos lá. Merdallica: foi a MERDA cover de si mesma que já era esperada, nenhuma novidade (além das músicas do disco novo inclusas no set). The XX: o trio electro dream pop inglês mostrou que é um dos pouquíssimos nomes relevantes do rock dos anos 2000’. Melodias oníricas e impecáveis, bordadas com esmero e melancolia. Duran Duran: os velhões do new romantic oitentista vieram botando pra foder e fizeram a multidão (de velhos, novos, os caralho) cair na dança sem culpa. Enfeixaram um caminhão de hits em uma exígua hora de apresentação e ainda se deram ao luxo de deixar clássicos como “Save A Prayer” e “The Reflex” de fora do repertório. Foi provavelmente o MELHOR show de todo o festival. The Strokes: já estavam péssimos em disco há séculos. E agora também perderam a mão ao vivo: gig preguiçosa, Julian Casablancas gordola e se arrastando no palco como um mamute e os guitarristas errando as notas em algumas passagens. O set começou ruim, engatou um pouco no meio e terminou pior ainda. Nem de longe lembrou a banda que esteve aqui pela primeira vez em 2005 (no finado Tim Festival) e fez uma apresentação INSANA para um público idem. E sobre Lolla, é isso. Chega, né?

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Merdallica no Lolla BR 2017: a merda de sempre (fotos: produção Lollapalooza)

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O trio inglês The XX: lindas canções com melodias oníricas

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Os velhões do Duran Duran: melhor show do festival

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Os Strokes: já estavam ruins em disco e agora estão também no palco, com gig preguiçosa e erros nas passagens das músicas

 

***Trem Fantasma na área – um dos melhores grupos da novíssima cena independente brazuca, o quarteto curitibano estará em Sampa neste final de semana (leia-se: 31 de março e 1 de abril). Eles vêm fazer gigs de lançamento do seu primeiro disco completo, o muito bom “Lapso”, que saiu no final do ano passado e que traz doses concentradas de rock setentista e psicodelia. O grupo toca na sextona em si, DE GRAÇA, em pocket show às sete da noite na Fnac da avenida Paulista. E também no sábado no bar Serralheria, sendo que todas as infos sobre as duas apresentações estão aqui: https://www.facebook.com/events/682653255256160/. E você pode conhecer o som da galera aí embaixo:

 

***Festa legal, I – a lindaça e gatíssima DJ Vanessa Porto (dileta amiga destas linhas bloggers rockers) comanda bailão rock’n’roll nessa sexta-feira, na Barra Funda, com direito a gig do ótimo trio surf instrumental paulistano Os Brutus. Quer saber onde rola? Vai aqui: https://www.facebook.com/events/242991809497407/?notif_t=plan_edited&notif_id=1490813406969489.

 

***Festa legal, II – já no sabadão em si, 1 de abril, tem mais uma edição da sempre ótima Combo Hits, comandada pelos queridões DJs Romani e João Pedro Ramos, lá no Lab Club, no baixo Augusta. Garantia de ótimos sons pra dançar a madrugada toda, sendo que as infos completas sobre a balada estão aqui: https://www.facebook.com/events/1924928314406258/?active_tab=about.

 

***É isso, rockers & lovers. Agora postão encerrado meeeeesmooooo – ao menos por enquanto, hihihi. Muak!

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, o rock, discos, bandas, shows, livros, filmes, baladas etc.)

***Lollapalooza BR 2017 – rola neste finde em Sampa, né. E está muito evidente já que a programação deste ano é a mais fraca de todas as edições até agora e que, por isso mesmo, deverá haver sobra recorde de ingressos (eles ainda estão sendo vendidos pelo site do festival e também nas bilheterias do autódromo de Interlagos, onde vai rolar a maratona musical a partir de amanhã, sabadão em si). Também quem quer ver Merdallica pela enésima vez? Yep, tem algumas atrações bacanas aqui e ali no line up (como The XX, Rancid, Duran Duran e The Strokes, além de brasileiros como a sempre ótima Céu) mas absolutamente NADA que justifique o preço absurdamente extorsivo que estão cobrando pelos tickets. Mas enfim, se você vai boa sorte, sendo que todas as infos do Lolla podem ser acessados aqui: https://www.facebook.com/LollapaloozaBR/?fref=ts, e aqui: https://www.lollapaloozabr.com/. Estas linhas rockers bloggers vão acompanhar sim os dois dias de shows… no conforto da sua cama, pelo canal Multishow, uia!

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Strokes: eles fecham o Lollapalooza BR 2017 neste domingo

***Temples perdendo a mão no segundo álbum – yep, o quarteto inglês surgido em 2012 e que era uma das grandes promessas do rock britânico do novo milênio, desceu a ladeira em seu segundo disco, “Volcano”, que foi lançado no começo deste mês. Sobrou muito pouco das ambiências ultra sessentistas e psicodélicas que encantaram o mundo em “Sun Structures”, a estréia do grupo em 2014. Há boas melodias nas doze faixas do novo cd (que você pode conferir na íntegra abaixo) mas nada que chegue perto do primeiro e impactante álbum dos garotos. E assim mais um raro bom nome do rock atual é vencido pela maldição do segundo disco, infelizmente…

 

***A volta de “Trainspotting” – yeeeeesssss! Entrou ontem em cartaz nos cinemas brasileiros “T2 Trainspotting”, a continuação da saga dos quatro amigos escoceses viciados em heroína e que colocou o mundo e a cultura pop de cabeça pra baixo há vinte anos, quando o primeiro filme foi lançado. Duas décadas depois o novo longa mostra como está hoje a vida de Renton (o personagem central da trama, interpretado novamente por Ewan McGregor, claaaaaro!) e seus comparsas, tudo novamente sob a direção do mesmo Danny Boyle que realizou o filme de 1996. Todas as criticas à continuação têm sido mega elogiosas e tai um programão cinematográfico para os próximos dias.

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***Nova edição do Bailindie da saudade – o primeiro deu super certo e levou uma multidão de trintões e quarentões fãs de shoegazer e indie noise guitar rock ao centrão de Sampa há um mês. Daí que os DJs Plínio, Dina e Bispo vão colocar todo mundo pra dançar novamente ao som de My Bloody Valentine, Jesus & Mary Chain, Ride, Oasis, Happy Mondays, Blur, Lush etc, etc, etc. Anote na agenda: vai ser no próximo dia 7 de abril, sexta-feira, sendo que todas as infos estão aqui: https://www.facebook.com/events/1817114361871504/.

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***Anote na agenda, II –  o redivivo shoegazer Slowdive toca em São Paulo, no Cine Joia, dia 14 de maio, um domingo. Os tickets já estão à venda e mais infos você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/1167045813403956/.

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O shoegazer inglês Slowdive: gig em Sampa, em maio

***Anote na agenda, III –  antes quem também toca em Sampa é o músico carioca Raf F. Guimarães. Com uma carreira de quase duas décadas já e fazendo um rock experimental, psicodélico e low fi, Raf já lançou mais de vinte trabalhos, entre discos próprios e participações em outros projetos. Seu som é totalmente anti comercial e difícil até mesmo para os padrões da indie scene nacional. Interesssou? Ele se apresenta solo e apenas com guitarra e voz dia 13 de abril (véspera do feriado da sexta-feira santa) na Sensorial Discos.

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***É isso? Yep, por enquanto é.

 

 

O ROCK DO NOVO MILÊNIO SEGUE CAINDO AOS PEDAÇOS E OS VELHÕES JESUS & MARY CHAIN E DEPECHE MODE RETORNAM PRA COLOCAR ORDEM NO GALINHEIRO ROCKER

Estamos em março de 2017 e o rock’n’roll da era da web (mesmo aquele, hã, mais alternativo) segue mal das pernas, quase que totalmente irrelevante e com a grande maioria das bandas lançando discos musicalmente inúteis e insípidos, que desaparecem da memória de zilhões de ouvintes infiéis tão rápido quanto surgiram e foram escutados. Assim não é surpresa alguma que duas bandaças inglesas do anos 80’, ambas ainda na ativa, causem tanto estardalhaço com os seus novos álbuns de estúdio. O gigante do pop/rock eletrônico Depeche Mode colocou no mercado no último dia 17 de março o cd “Spirit”, seu décimo quarto trabalho de estúdio, e logo em seguida caiu na estrada se lançando em turnê mundial (a “Global Spirit Tour”) que os trará a um show único no Brasil, em São Paulo, no dia 27 de março de 2018. Já o Jesus & Mary Chain dos irmãos Jim e William Reid (ambos guitarristas, vocalistas e compositores de toda a obra do grupo) lança oficialmente HOJE no mundo todo “Damage & Joy” (que já está disponível para audição em plataformas virtuais, como o Spotify), seu primeiro trabalho inédito em estúdio depois de dezenove anos de ausência. E tanto o disco do Depeche quanto do Jesus devem ganhar edição nacional logo menos.

O barulho causado pelos novos trabalhos de dois conjuntos que já estão há mais de três décadas na ativa se justifica plenamente. Ambos estão muito acima em termos de qualidade musical e artística do que é lançado pelas atuais bandinhas novinhas do rock planetário. Mesmo o Depeche Mode, que veio com um disco mais lento e anti comercial, ainda mostra fôlego renovado para um grupo cujos integrantes (o vocalista Dave Gahan, o guitarrista, vocalista e letrista Martin Gore e o tecladista Andrew Fletcher) já passaram da casa dos cinqüenta anos de idade. O mesmo se dá com JMC: os manos Reid também já passaram dos cinquentinha de vida há tempos. Ainda assim soltaram um discão vibrante, que se equilibra muito bem entre melodias aceleradas e tramadas com guitarras barulhentas (a especialidade deles) e momentos mais dolentes. É o primeiro cd deles desde 1998 (quando editaram o também muito bom “Munki”) e, na comparação, soam melhor que o comeback do DM (cujo último registro de estúdio havia sido “Delta Machine”, em 2013). Mas de qualquer forma os dois discos deixam os lançamentos dos grupelhos atuais comendo poeira.

A trajetória do Jesus & Mary Chain sempre foi instável e atribulada, mas pontuada por discos essenciais na história recente do rock’n’roll. Fundada pelos irmãos Jim e William Reid em 1983, a banda escocesa logo se tornou célebre por apresentar sets ao vivo que duravam apenas vinte minutos e onde os integrantes tocavam no palco de costas para a platéia. Quando o disco de estréia foi lançado em novembro de 1985, recebeu aclamação unânime da imprensa especializada: “Psychocandy” se tornou um marco do pós-punk britânico e do noise guitar por apresentar canções curtas (o álbum durava menos de quarenta minutos) e onde doces e lindas melodias eram soterradas por uma parede sonora de microfonia e distorção. Já em “Darklands”, o segundo trabalho editado em 1987, o JMC se mostrava menos barulhento mas em compensação apresentava uma batelada de canções climáticas e sombrias, que novamente receberam aprovação da rock press planetária e dos fãs. Daí em diante o conjunto foi passando por uma série de alterações em sua formação (sendo que Bobby Gillespie, o homem que há quase três décadas comanda o Primal Scream, foi o primeiro baterista do grupo dos irmãos Reid) mas sempre mantendo o núcleo central em torno de Jim e William. Uma dupla que registrou para a história do rock’n’roll LPs nunca menos do que muito bons, como “Automatic” (de 1989 e cuja turnê os trouxe pela primeira vez ao Brasil, em 1990) e “Munki” (o derradeiro trabalho deles, lançado em 1998, sendo que o grupo ficou quase vinte anos sem gravar nada inédito). Mas mesmo lançando esses álbuns com qualidade infinitamente superior ao que se ouve no rock atual Jesus era uma banda problemática fora do estúdio, muito por conta das enfiações de pé na lama em álcool e drugs dos irmãos Reid, além das constantes brigas entre eles – não raro os dois saíam mesmo na porrada. Isso foi um dos principais motivos da longuíssima hibernação do grupo e de sua ausência dos estúdios de gravação. Uma ausência que só foi quebrada agora (sendo que o grupo nunca tinha oficialmente encerrado atividades e volta e meia reaparecia para shows ao vivo), dezenove anos depois do último cd, com o lançamento de “Damage & Joy”.

Pois se o grupo anda se mostrando flácido ao vivo de anos pra cá (nas duas vezes em que retornou ao Brasil, em 2008 e 2014, as gigs foram ruins de doer), ele mostra vigor adolescente e dá um banho de rock’n’roll classudo e noise no novo disco. Isso já havia sido mostrado nos dois primeiros singles que antecederam ao lançamento do cd completo, “Amputation” e “Always Sad”. E o trabalho como um todo só confirmou as expectativas: faixas como “All Things Pass” (talvez a melhor de um álbum que já pode estar na lista dos melhores lançamentos de 2017) e “The Two Of Us” possuem guitarras aceleradas e barulhentas mas, ao mesmo tempo, são incrivelmente dançantes e radiofônicas. Por outro lado o grupo não se envergonha de emular a si próprio, como em “Song For A Secret”, que parece irmã gêmea da lindíssima “Sometimes Always”, que eles gravaram no álbum “Stoned & Dethroned”, em 1993 – inclusive com direito a inclusão de vocais femininos na canção. Como se não bastasse o bom resultado obtido nessas músicas, Jesus ainda deu uma atualizada no seu noise guitar, convidando a novata diva pop Sky Ferreira para fazer os vocais em “Black And Blues”. O disco foi produzido pelo músico Youth (lendário baixista do Killing Joke), que também tocou baixo nele. E é ótimo ver e ouvir um nome já tão veterano do rock inglês reaparecer em grande forma (ao menos em disco), tirando o rock’n’roll atual do abismo criativo e qualitativo no qual ele se encontra.

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Os novos discos do Jesus & Mary Chain (acima, que está sendo lançado oficialmente hoje) e Depeche Mode (abaixo): dois ótimos comebacks de “velhões” dos anos 80’ que seguem em plena forma no rock’n’roll

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A intenção parece ter sido a mesma para o igualmente mega veterano Depeche Mode com “Spirit”, seu novo álbum de estúdio, que saiu há uma semana: tirar o rock’n’roll de hoje do buraco. Conseguiram? Até certo ponto. O cd foi precedido por um single razoavelmente empolgante e com letra altamente política, “Where’s The Revolution”. Porém o restante do disco foge de canções mais melódicas e/ou radiofônicas e do electropop dançante que era a marca registrada da banda nos anos iniciais da sua trajetória. Ainda bastante eletrônico mas sem muito espaço para guitarras, o novo álbum do DM engendra uma batelada de canções lentas e com ambiência sonora muitas vezes sombria (caso de “Going Backwards”, “Scum” ou “You Move”) e que custam a cair no gosto do ouvinte, ainda que algumas dessas faixas (como “Cover Me”) produzam sensação alentadora de melancolia e reflexão existencial em quem as escuta. Resquícios do DM eletrônico e também dançante surgem muito pontualmente ao longo do trabalho, e talvez o melhor exemplo disso esteja mesmo em “So Much Love”, um electrogoth mezzo industrial que sugere um mix improvável de Depeche Mode com Joy Division.

Nem de longe é um disco ruim, no final das contas. Mas certamente irá ter assimilação imediata difícil por parte dos fãs, principalmente nas apresentações ao vivo da nova turnê mundial, que já teve início. De qualquer forma tanto The Jesus & Mary Chain quanto Depeche Mode, com seus novos e super bem vindos álbuns de estúdio, deixam claro o que todos nós já estamos carecas de saber (e ouvir): o rock dos anos 2000’ está praticamente morto e enterrado. E ele só é salvo e resgatado da sepultura quando velhões como JMC e DM ressurgem das tumbas e mostram como se faz a parada. Pois que continuem mostrando ainda por muito tempo.

 

***The Jesus & Mary Chain esteve por três vezes no Brasil: em 1990, 2008 e 2014. O primeiro show, no extinto ProjetoSP, foi barulhento, ensurdecedor e inesquecível. Já os dois últimos foram quase desastrosos, com os irmãos Reid preguiçosos no palco e chegando ao descalabro de errar feio em alguns riffs de guitarra e passagens melódicas. O grupo já está em nova turnê, promovendo o novo álbum. Não há previsão de nova visita ao Brasil.

 

***Já o Depeche Mode esteve uma única vez aqui, em 1994, na também finada casa de shows Olympia, em Sampa. Era a excursão promovendo um discaço da banda, o “Songs Of Faith And Devotion”, lançado um ano antes. Mas o show foi sofrível – o autor deste blog estava nele. Depois o grupo anunciou nova passagem por aqui em 2009, e ingressos para as gigs chegaram a ser postos à venda. Nada feito: um mês antes de desembarcar no bananão o conjunto cancelou a turnê sem maiores explicações. Agora o site oficial da banda confirma que ela vai tocar aqui em 27 de março de 2018. Vai ser um único show no país, na capital paulista no estádio do Palmeiras. Os ingressos para o mesmo devem começar a ser vendidos no mês que vem.

 

 

O SETLIST DO NOVO DEPECHE MODE

1.”Going Backwards”

2.”Where’s the Revolution”

3.”The Worst Crime”

4.”Scum”

5.”You Move”

6.”Cover Me”

7.”Eternal”

8.”Poison Heart”

9.”So Much Love”

10.”Poorman”

11.”No More (This Is The Last Time)”

12.”Fail”

 

 

O SETLIST DO NOVO JESUS & MARY CHAIN

1.”Amputation”

2.”War on Peace”

3.”All Things Pass”

4.”Always Sad”

5.”Songs for a Secret”

6.”The Two of Us” 4:12

7.”Los Feliz (Blues and Greens)”

8.”Mood Rider”

9.”Presidici (Et Chapaquiditch)”

10.”Get on Home”

11.”Facing Up to the Facts”

12.”Simian Split”

13.”Black and Blues”

14.”Can’t Stop the Rock”

 

 

OS NOVOS DISCOS DO DM E DO JMC AÍ EMBAIXO

Para audição na íntegra, via Spotify.

 

E OS VÍDEOS PROMOCIONAIS DOS NOVOS SINGLES DOS DOIS GRUPOS

 

A NOSSA PRIMEIRA MUSA ROCKER DE 2017! ABUSADA, ESCRITORA, FÃ DE SEXO, JAZZ, POESIA E ROCK’N’ROLL, WOW!

Nome: Juliana Frank.

Idade: 32 anos.

De: São Paulo, capital.

Mora em: São Paulo.

O que estudou: “fiz umas oito faculdades, não acabei nenhuma”.

O que faz: além de escritora (já publicou quatro livros) é roteirista de animação na produtora Coala Filmes.

Três discos: “A Kind Of Blue” (John Coltrane), “Galos de briga” (João Bosco) e “$O$” (Die Antwoord).

Três artistas: Lana Del Rey, Tim Buckley e Die Antwoord.

Três filmes: “O sabor da melancia”, “Leaving Las Vegas” e “Casablanca”.

Três diretores de cinema: Tsai Ming Liang, Robert Rodrigues e Sergio Leone.

Três livros: “Diário de um ano ruim” (Coetezze), “Rayuela” (Julio Cortazar) e “Las Redes Del Poder” (Foucault).

Um show inesquecível: The Rolling Stones no Rio De Janeiro, 2006, na praia de Copacabana.

O que ela tem a dizer sobre… sexo, rsrs: “Já fiz sexo matrimonial, sexo com faxina, ménage (apesar de considerar grupal um tanto confuso, sou muito concentrada e acabo me dando mal). Já fiz sexo maconhada, de pé na rede e o diabo a quatro. Mas o maior delírio do sexo mesmo é o amor.  Tem uma frase que adoro, do Miguel Esteves Cardoso: ‘Mas o amor é fudido. E gostei de fodê-lo contigo’”.

Como o blog conheceu a garota: Zap’n’roll conhece Juliana Frank desde que ela era uma pirralha “aborrescente” dos seus dezesseis anos de idade (rsrs). Ela vivia com a turma que trabalhava na redação da saudosa revista Dynamite e era fã (vejam só) de heavy metal e gothic rock. Este já velho jornalista rocker (e ainda loker) se tornou então amigo dela, embora a considerasse na época um tanto “maletinha” (como quase todo “aborrescente”, no final das contas), hihihi. A dupla permanece amiga até hoje e miss Ju se tornou um mulherão aos trinta e dois anos de idade: é fã de jazz (e de rock ainda, não perdeu o amor pelo gênero), estudou Letras e Filosofia e publicou quatro livros, entre eles o delicioso “Uísque e vergonha”, que foi publicado em 2016. Quer conhecer pesoalmente a moçoila? Ela bate cartão no bar/teatro Cemitério De Automóveis (cujo um dos proprietários é o dramaturgo e queridão Mário Bortolotto), que fica na rua Frei Caneca, centrão de Sampalândia. E seu perfil no faceboquete pode ser acessado aqui: https://www.facebook.com/profile.php?id=100011415196359.

E agora marmanjos e marmanjas, deleitem-se aí embaixo com os total delicious NUDES de miss Juliana, wow!

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Uma câmera na mão e um corpo desnudo pedindo tudo

 

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“Só os VIRTUOSOS sabem pecar de verdade” (do livro “Uísque e vergonha”, 2016)

 

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Gatinho feliz

 

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Gatinho feliz, II

 

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O jornalista eternamente loker e sua amiga e musa rocker

 

E PARAMOS POR AQUI

Postão bacanão, néan. Recheado com papos sobre a volta dos gigantes Jesus & Mary Chain e Depeche Mode, turbinado com uma tesudíssima musa rocker e também com as últimas do mondo pop/rock e da cultura pop. De modos que ficamos por aqui e retornamos logo menos, assim que novos e palpitantes assuntos exigirem a volta do blogão campeão em rock alternativo e cultura pop. Até o próximo post então, com beijos quentes e doces no nosso sempre dileto leitorado.

 

(atualizado e ampliado por Finatti  em 29/3/2017às 18hs.)

Em sua nova fase editorial o blog zapper se permite publicar postagens especiais; e NESSE postinho extra celebramos não o dia internacional da mulher que é comemorado hoje (uma bobagem/idiotia repleta de hipocrisia, já que as mulheres deveriam ser respeitadas e valorizadas ao máximo TODOS os dias do ano, e não apenas em uma data específica) mas, sim, a confirmação da vinda ao Brasil do gigante e lenda viva do rock’n’roll The Who, uhú!

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NEW YORK, NY - FEBRUARY 28:  The Who's Roger Daltrey and Pete Townsend perform during the Who Cares Benefit For Teen Cancer America Memorial Sloan-Kettering Cancer Center at The Theater at Madison Square Garden on February 28, 2013 in New York City.  (Photo by Rick Diamond/Getty Images)
O gigante The Who na atual turnê mundial, com a dupla imbatível Roger Daltrey (vocais) e Pete Townshend (guitarras): shows no Brasil confirmados para setembro próximo

 

Yep, este post extrinha (com total merecimento do tema) já está meio que explicado no seu título, néan? Hoje é dia internacional da mulher. Ok. Foda-se! Zap’n’roll odeia qualquer tipo de data comercial comemorativa, seja lá qual for ela – detestamos até nosso próprio aniversário inclusive, rsrs. Então preferimos falar algumas poucas mas necessárias linhas sobre o que de fato nos empolgou de ontem para hoje: a confirmação enfim da vinda do histórico, clássico, mega lendário e ainda gigante grupo inglês The Who ao Brasil em setembro próximo. Embora o próprio empresário da banda já tivesse anunciado, durante entrevista em Londres há algumas semanas, que o conjunto viria esse ano finalmente para o Brasil, ainda tinha muita gente que duvidava. Pois a organização do Rock In Rio confirmou ontem: eles tocam na edição deste ano do festival carioca no dia 23 de setembro, ao lado do Guns ‘N Roses (que vai passar humilhação pública monstro nesse dia por tocar na mesma data que o Who, ahahahahahaha).

Vai haver shows também em Sampa, claro. E talvez em Porto Alegre. Falta apenas divulgarem as datas. E muitos vão chiar dizendo que o que vem aí não é o Who original mas apenas MEIO Who (pois o batera Keith Moon e o baixista John Entwistle foram pro saco há séculos já; um morto por overdose de soníferos, o outro, por excesso de devastação nasal com cocaine), contando ainda com o vocalista monstro que é Roger Daltrey e o guitar heroe e gênio Pete Townshend.

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Imagem da formação clássica do Who, com Pete Townshend “voando” com sua guitarra em primeiro plano

Novamente: foda-se! Desde já é uma gig imperdível por zilhões de motivos. E talvez o principal deles seja mesmo que The Who é a última grande banda de toda a história do rock’n’roll ainda em atividade e que nunca tocou no Brasil. E também deverá ser a única turnê deles por aqui: Daltrey e Townshend estão septuagenários e o conjunto, na atividade há meio século, deve estar pensando na aposentadoria já.

Então temos um encontro marcado em setembro com os heróis mods e da classe trabalhadora inglesa dos sixties. E quem tiver sempre na alma e no coração o ainda grande rock que importa, que nos siga!

Aí embaixo links pra você curtir alguns dos momentos mais brilhantes da trajetória do Who, além do set list da atual turnê deles. Boa audição!

 

  • Obs: e semana que vem o blogão volta em edição normal, falando entre outros assuntos do novo disco dos ingleses do Temples.

 

 

O SET LIST DA ATUAL TURNÊ

I Can’t Explain

The Seeker

Who Are You

The Kids Are Alright

I Can See for Miles

My Generation

Behind Blue Eyes

Bargain

Join Together

You Better You Bet

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Won’t Get Fooled Again

 

(enviado por Finatti às 17:30hs.)

 

No blogão zapper sempre programação normal e NADICA de carnaval! Então bora ver a novíssima e REAL cena indie brazuca que importa (e não aquela “ilha da fantasia indie” de um certo e já mezzo decadente blog “vizinho”, uia!), com a cantora sergipana Héloa e o trio rock cearense Oto Gris; mais: segue a imundície sem fim na política nacional; um tópico relembrando o grande Smashing Pumpkins e tudo o que importa na cultura pop (como a volta da geração shoegazer inglesa, através dos novos singles do Jesus & Mary Chain, Ride e Slowdive) na seção Microfonia que agora passa a abrir cada novo post do blog

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Mesmo estando passando por um de seus piores momentos, a cena musical independente brasileira continua revelando artistas surpreendentes pela qualidade da sua música, como é o caso da novíssima cantora sergipana Héloa (acima) e que acaba de lançar um muito bom disco de estreia; já lá fora, com a derrocada qualitativa do rock atual, a velha guarda do shoegazer e do indie guitar noise britânico ensaia uma volta com tudo em 2017, sendo que um dos grupos dos anos 90’ que prometem disco inédito ainda para este ano é o britânico Ride (abaixo), que lançou esta semana suas primeiras músicas inéditas em mais de duas décadas

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, o rock, discos, bandas, shows, livros, filmes, baladas etc.)

 

***A volta do indie guitar noise e do shoegazer dos 90’ – É a melhor notícia do mondo rocker esta semana: já que o rock de hoje está uma “melda”, bora voltar ao passado. No caso, ao classudo e inesquecível indie shoegazer e ao noise guitar dos 90’. Se nada der errado ambos voltam a sacudir o rock’n’roll planetário nesse sombrio 2017, através dos retornos do Jesus & Mary Chain, do Slowdive e do fantástico quarteto Ride. O JMC, dos irmãos Reid, lança seu novo álbum, “Damage & Joy” em 24 de março. É o primeiro trabalho inédito deles desde “Munki”, que saiu em 1998. E a banda já disponibilizou na web os dois primeiros singles do novo álbum, que são beeeeem legais. Então a expectativa pro cd completo é a melhor possível. Já o Ride (a quem devemos ao saudoso DJ Toninho, do também saudoso Espaço Retrô, ter conhecido essa banda magnífica que embalou muitas madrugadas finátticas malucas há mais de vinte anos, movidas a álcool e cocaine em porões escuros do circuito under paulistano) também saiu das catacumbas no ano passado. E promete igualmente disco inédito para esse ano ainda. O primeiro single desse disco saiu ontem (apenas o áudio) e se chama “Charm Assault”. É bacanuda também e faz prever que teremos um bom álbum completo – que segundo a banda, sai em algum momento no segundo semestre. Por fim o inglês Slowdive, um dos nomes mais cultuados do shoegazer britânico nos 90’, também está preparando seu primeiro disco inédito em mais de duas décadas. Uma amostra do novo trabalho está no novo single, “Star Rowing”, que saiu mês passado e é que sensacional. E bien, você pode ouvir todos os novos singles do JMC, do Ride e do Slowdive aí embaixo:

 

***Ryan Adams incansável! – e não? O ainda jovem (quarenta e dois anos de idade) pequeno gênio do rock country folk mezzo indie americano já lançou nada menos do que dezesseis álbuns de estúdio desde o ano 2000’, o que dá uma média de quase um disco inédito a cada ano. O mais recente, “Prisoner”, foi lançado na semana passada, já está colecionando elogios pela rock press gringa e o blog gostou bastante do que ouviu nele.

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***Festa goth/erótica bacana em pleno carnaval – yeeeeesssss! O já tradicional festival goth/erótico/sadomasô Libertine vai realizar edição especial durante o reinado de momo nesse sábado de carnaval, 25 de fevereiro. Como sempre as sonoridades gothic rock, pós-punk e anos 80’ irão dominar a pista e a balada acontece no Enfarta Madalena, na Vila Madalena, zona oeste de Sampa. Não gosta de folia momesca, quer ir na festona e saber tudo sobre ela? Vai aqui: https://www.facebook.com/events/1791819211077815/.

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***E semana que vem bailão indie da terceira idade – um dia todos acabaríamos chegando inevitavelmente a ISSO, rsrs. Como não há incrivelmente mais espaços alternativos em Sampa (isso, numa cidade com mais de doze milhões de habitantes e milhares de bares e casas noturnas) para se dançar e curtir indie guitar rock, noise e shoegazer noventista, os djs Plínio (que tocou no inesquecível Espaço Retrô) e Dina (do Café Elétrico) tiveram a ideia mais do que bacaníssima: vão comandar o Bailindie da saudade no próximo dia 3 de março, no centro de Sampa. Então foda-se que estamos todos véios e tiozões já. Vamos lá todos nós com nossas bengalinhas dançar a noite toda sons do naipe de Jesus & Mary Chain, Ride, Slowdive, Lush, Stone Roses, My Bloody Valentine, Happy Mondays e até um Blur, Oasis ou Elastica. Promete ser uma das festas mais legais deste início de ano no circuito under paulistano, que anda mesmo caidaço (depois dos fechamentos do Astronete, do Matrix e do Inferno Club) nesses tempos tenebrosos onde ex-casas noturnas de rock do baixo Augusta agora tocam até funk porqueira em suas noitadas open bar igualmente porcas. Mais sobre o bailão pros “velhinhos” indies transviados e ainda lokers e rockers (como o autor deste blog), você confere aqui: https://www.facebook.com/events/730073647155857/.

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***Bowie, o melhor mesmo depois de morto – major Tom/Ziggy Stardust nos deixou há um ano e voltou para as estrelas. Mesmo assim o gênio eterno continua brilhando: “Black Star”, o álbum que ele lançou dois dias antes de morrer, acabou de ganhar o Brit Awards 2017 nas categorias melhor disco e melhor cantor. O BA é a principal premiação musical inglesa, espécie de “Oscar” da música britânica. Isso aê: o “camaleão” será eternamente um dos maiores gênios que surgiram no rock mundial.

 

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A REAL E AINDA ÓTIMA ATUAL CENA DA MÚSICA INDEPENDENTE BRASILEIRA – NESSE POST COM A NOVÍSSIMA CANTORA SERGIPANA HÉLOA E COM O TRIO POST ROCK CEARENSE OTO GRIS

Mesmo passando por um dos piores momentos de sua história nas últimas duas décadas, a cena independente nacional ainda assim surpreende vez por outra quem a acompanha de perto (como este espaço blogger, e isso já há mais de vinte anos também). Foi o que aconteceu quando tomamos contato com os discos de estreia da cantora sergipana Héloa e do trio cearense Oto Gris. O blog não conhecia nenhum dos dois até duas semanas atrás. Héloa foi descoberta enquanto o jornalista zapper “fuçava” em sites de música (nossa obrigação, no final das contas) atrás de novidades ou de algo digno de nota, quando deu de cara com a notícia de que a cantora estaria lançando seu primeiro álbum completo com show em São Paulo – e que rolou no final de semana passado, no Itaú Cultural. Já a banda Oto Gris foi indicação preciosa do queridão amigo e vocalista do grupo Los Porongas, Diogo Soares.

Quem é Héloa, afinal? Ela nasceu em Sergipe, tem vinte e oito anos de idade e se mudou para São Paulo há cerca de um ano. Já veio para a capital paulista trazendo uma bagagem artística valiosa: canta desde a adolescência, além de ser bailarina e atriz de teatro. E aqui começou a se enturmar com outros músicos conhecidos da cena alternativa nacional e que, tal qual ela, eram/são “estrangeiros” em Sampa mas todos já devidamente incorporados à melhor paisagem sonora do atual circuito indie paulistano. Foi assim que Héloa conheceu nomes como o cantor e compositor cearense Daniel Groove, o produtor e ex-guitarrista dos Porongas, João Vasconcelos, e os músicos Carlos Gadelha (atual guitarrista dos Porongas) e Guri Assis Brasil (ex-guitarrista da ótima banda gaúcha Pública).

Trabalhando junto com seus novos amigos de forma disciplinada e com bastante empenho, Héloa foi desenvolvendo as composições que formam o material de seu primeiro disco. Sendo que há de se ressaltar que ela é basicamente uma interprete: das dez faixas de “Eu”, seu cd de estreia, a cantora assina a autoria de apenas uma delas (“A avenida”), em parceria com Eduardo Escariz. O restante do álbum é composto por canções escritas por amigos como Daniel Groove (autor de “Super herói”, “Se você disser que vem” e “Meus amigos”, esta última em pareceria com o paraense Saulo Duarte) além de trazer versões para “Caravana” (de Geraldo Azevedo e Alceu Valença) e “Crua” (composta pelo pernambucano e ex-Mundo Livre, Otto).

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A gata sergipana Héloa (acima, se apresentando semana passada no Itaú Cultural, em São Paulo) e o trio cearense Oto Gris (abaixo): duas bacanudas revelações da novíssima safra musical independente nacional

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É uma leva de canções e autores que desvela bem por onde trafega a música da sergipana: ela deambula com desenvoltura pela MPB tradicional mas também se aproximando de ambiências mais rockers (o que fica evidente nas melodias e no bom trabalho dos guitarristas Allen Alencar, Eduardo Escariz e João Vasconcelos no estúdio, e Carlinhos e Guri Assis que acompanham a cantora ao vivo). Com músicas que possuem letras bem acima da média do que se ouve atualmente e com um vocal afinadíssimo e que agrada bastante ao ouvinte por conta de sua inflexão poderosa, Héloa pode, merece e deve alcançar públicos bem maiores nos próximos meses. Em uma geração (a de 2000’ pra cá) que revelou poucas mas ótimas cantoras brasileiras (como Céu, Tulipa Ruiz e Tiê), a bela morena nordestina já tem lugar assegurado entre as boas revelações dessa geração.

E é do nordeste também que vem o trio rock Oto Gris (pobre Sampalândia… enquanto aqui a cena alternativa definha e sofre com a falta de renovação de artistas que possuam uma qualidade mínima, no restante do Brasil boas surpresas continuam surgindo, felizmente). Egresso de Fortaleza e formado por Davi Serrano (vocais e guitarras), Jonas Gomes (baixo) e Victor Bluhm (bateria e samples) o grupo é novíssimo (foi formado há cerca de dois anos) e também fixou residência em São Paulo, onde gravou no estúdio Cambuci Roots (do músico e produtor João Vasconcelos) seu disco de estreia, “Avoa”. É um cd que foge bastante dos padrões do que se ouve atualmente no rock alternativo brasileiro: com canções cujas melodias bucólicas e contemplativas flanam por paisagens suaves, reflexivas e algo melancólicas, Oto Gris evoca algo de post rock em sua sonoridade mas sem a chatice e a pretensão de bandas como o Mogwai, por exemplo. O vocal de David sussurra letras que desvelam imagens metafóricas sobre a impossibilidade do sentimento amoroso (como em “Práticas de mergulho-vôo”, onde ele canta: “Confesso/Não estar tudo bem/Sem um teto, sem freio/E agora sem você”), tudo emoldurado por guitarras plácidas envoltas em brumas engendradas por efeitos de samples.

Trata-se, enfim, de um trabalho que deve ser apreciado com calma e atenção, em uma noite solitária e chuvosa, regada a bom vinho e um bom beck, rsrs. Mas, sobretudo, Oto Gris e Héloa mostram duas faces bastante distintas de uma nova cena alternativa brasileira que, sim, ainda consegue surpreender quem a acompanha com lançamentos dignos como é o caso da cantora sergipana e do trio cearense.

 

 

 

PARA OUVIR HÉLOA E OTO GRIS

Aí embaixo, com os álbuns de estreia de ambos na íntegra, além dos vídeos promocionais para os singles de trabalho da cantora e do trio de Fortaleza.

 

DOC SOBRE OS SMASHING PUMPKINS MOSTRA COMO A BANDA ERA FODÁSTICA E COMO O ROCK DE HOJE, DEFINITIVAMENTE, ACABOU

Madrugada dessas rolou um ótimo doc sobre os Smashing Pumpkins no Canal Bis (um dos preferidos do blog na TV paga, ao lado do Canal Brasil). O SP está na ativa até hoje. Mas é claro que ele já se tornou irrelevante há séculos e o trabalho atual do gênio (sim, ele é ou ao menos foi) e OBCECADO Billy Corgan não chega na sola do sapato do que a banda conseguiu em seus primeiros três e fundamentais discos (“Gish”, de 1991; “Siamese Dream”, de 1993 e “ Mellon Collie and the Infinite Sadness”, que foi editado no final de 1995 e, mesmo sendo um cd duplo, vendeu na época quase 20 milhões de discos). É a grande fase do quarteto que além de Billy nas composições, guitarras e vocais, tinha o japa James Iha na outra guitarra, a loiruda D’Arcy no baixo e o batera MONSTRO Jimmy Chamberlin – além de ter contado com os trampos de outro gênio, Butch Vig, na produção de seus dois primeiros álbuns de estúdio. Uma grande fase não apenas para o próprio SP mas para todo o rock daquela época (com o grunge vivendo seu auge e bandas como Nirvana, Pearl Jam, Screaming Trees e Mudhoney lançando apenas discaços e dominando a cena rock americana).

Cada vez mais o sujeito que escreve estas linhas bloggers anda se sentindo melancólico, solitário e precocemente ENVELHECIDO aos 5.4 de existência. Mas aí quando começamos a ficar muito tristonhos e assistimos um doc como esse dos Pumpkins, o matiz cinza sai um pouco de cena e nossa minha alma e coração se colorem novamente um pouco mais. Afinal, se tivéssemos esses mesmos 5.4 nas costas não teríamos assistido o SP AO VIVO duas vezes: a primeira no auge da banda, no festival Hollywood Rock em janeiro de 1996, no estádio do Pacaembu lotado, na turnê do “Mellon Collie…” e com uma massa gigantesca e total alucicrazy se estapeando na frente do palco pra poder ver e ouvir o quarteto o mais perto possível. E a segunda vez na extinta casa de shows Olympia/SP, no bairro da Lapa, quando eles voltaram ao Brasil na turnê do álbum “Adore”. Aí o conjunto já não era mais o mesmo (Jimmy tinha sido expulso do grupo por Billy, em decorrência do célebre caso em que o baterista quase foi pro saco em um hotel nos EUA, depois de tomar uma involuntária overdose de heroína) e a gig foi… estranhíssima. Não ruim, mas estranha, incômoda, sonolenta em alguns momentos.

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As “Abóboras esmagadas” no início da sua carreira, no começo dos anos 90’: um dos últimos grandes momentos da história do rock’n’roll de duas décadas e meia pra cá

 

Mas as melhores lembranças que ficam mesmo deles é de sua fase inicial. Aquele som poderoso que mixava psicodelia, barulho, dream pop, algo de heavy rock e até uma pitada de prog rock, tudo isso engendrado com guitarras estupendas e com melodias ótimas dando suporte a letras idem, marcou Finaski e fez parte da nossa vida rock’n’roll na passagem dos 20 pros meus 30 anos de idade. E como sempre dizemos, talvez tenha sido mesmo a última grande fase do rock’n’roll. Não querendo ser rabugento, velho ranzinza, estar preso ao passado ou qualquer coisa do tipo mas a real é: EXISTE alguma banda HOJE que consiga gravar e lançar um álbum como “Gish”, por exemplo? E que esse disco consiga seduzir (mesmo que sendo ouvido de graça pela web) milhões de adolescentes e jovens mundo afora? Apenas pra saber.

É triste mas inescapável: o rock de HOJE que se tornou uma imbecilidade e foi tomado por uma irrelevância sem tamanho. Sim, ainda surgem bandas legais aqui e ali (como o inglês Temples ou o brasileiro Nocturno), mas é muito pouco diante das obras-primas que já foram lançadas ao longo de mais de meio século de existência do gênero. De modos então que o blog deseja mesmo é vida ETERNA aos discos clássicos do rock’n’roll e respeito e amor igualmente eterno à trajetória de bandas como o Smashing Pumpkins. E é ouvindo “Siamese Dream” que o velho (mas ainda rocker e loker) jornalista encerra este texto.

 

A IMUNDICIE POLÍTICA BRASILEIRA CHEGA AO ÁPICE – E A NAÇÃO “COXA” VERDE-AMARELA, COVARDE E CONIVENTE COM ESSA IMUNDICIE, SE CALA E NÃO BATE MAIS PANELAS

O horror é aqui. Aqui mesmo, nesse Brasil miserável, vira lata, falido de todas as formas e absolutamente FODIDO pela classe política mais IMUNDA, SUJA, NOJENTA, BANDIDA, CORRUPTA e DETESTÁVEL do Universo. Quem leu o romance “O coração das trevas” (obra-prima do escritor Joseph Conrad e um dos livros de cabeceira do blog desde a nossa adolescência, livro que foi magistralmente transformado pelo gênio Francis Ford Coppola no clássico cinematográfico “Apocalypse Now” em 1979; o livro de Conrad foi escrito no final do século XIX), sabe como ele termina: com o agonizante personagem Kurtz, após saber que iria ser morto pelo sr. Marlow e tendo sido mortalmente golpeado por este, sussurrando “The horror, the horror!”. Esse horror a que se referia Kurtz no livro era sobre toda a degeneração da civilização ocidental e dos seus mais básicos preceitos de conduta ética, moral, cívica enfim.

Nem Conrad viveu no ou conheceu nosso país. Coppola muito menos (embora já tenha andado por aqui, décadas atrás). Tivessem conhecido a fundo esse país que se tornou o próprio quinto mundo dos infernos do “baixo clero” das nações do mundo inteiro, teriam chegado a conclusão de que “HORROR” é o Brasil. Sem apelação.

É essa a conclusão a que se chega, pela enésima vez, quando se termina de assistir uma rodada dos telejornais da noite (mais especificamente JN da Globo, JC da TV Cultura e as duas edições do Jornal da nanica TV Gazeta, que tem infelizmente alguma audiência apenas na capital paulista), em qualquer dia da semana. Dá EMBRULHO no estômago de ver todo o noticiário político dessas noites sangrentas – como de resto têm sido todos os dias nos últimos meses. O caos segue reinando agora no Rio De Janeiro e em Belo Horizonte (depois de ter reinado por dez dias no ES). Enquanto isso Alexandre de Moraes, o CRÁPULA que todos nós sabemos que ele é, foi mesmo confirmado como novo Minsitro do STF, com a missão (claaaaaro!) de, na Suprema Corte do país, tentar salvar a QUADRILHA do PMDBosta das garras da Lava Jato, simples assim. E nem uma palavra dele sobre o caos que rolou no ES (foram 143 mortos nos dez dias de horror capixaba, o DOBRO dos mortos no acidente com o avião da Chapecoense e que COMOVEU o Brasil por quase um mês seguido, oh…). Fora isso a bancada da quadrilha do partido que nesse momento comanda o governo GOLPISTA instalado no Brasil (ele mesmo, o PMDBosta) indicou o senador Edison Lobão (!) para ser o presidente da CCJ do Senado. Ele mesmo, Lobão, já investigado em dois inquéritos na Lava Jato. Que be le za!

Para não dizer que houve apenas notícias ruins na seara política nacional nessa semana, há de se destacar também que o STJ do Rio De Janeiro CAÇOU os mandatos do governador Pezão (também do PMDBosta) e de seu vice (Francisco Dornelles) por abuso de pode econômico na última eleição no Estado. Ainda cabe recurso e a dupla permanece no cargo enquanto o recurso não for julgado. Mas vejam bem: é a dupla que também DESGOVERNA o Estado do Rio, o mesmo pobre Rio (que um dia já foi um dos cartões postais do mundo) que já tem um ex-governador preso (Sérgio Cabral) e outro em prisão domiciliar (Garotinho). Mais: a polícia Federal também indiciou Rodrigo Maia (o presidente da Câmara, que be le za!!!) por suspeita de corrupção, em mais uma etapa da Lava Jato. E assim segue a política nacional.

Sempre repitimos isso e vamos repetir novamente: estamos com 5.4 de vida nas costas. Que a política brasileira sempre foi suja e corrupta, não há dúvida alguma. Mas Zap’n’roll não se lembra, em cinco décadas de existência, de ela ter chegado ao estágio de PODRIDÃO em que chegou nos dias atuais. O FEDOR é insuportável. É muito banditismo em Brasília e também na maioria dos Estados. E banditismo de TERNO E GRAVATA, não de criminosos assaltando as pessoas nas ruas das cidades à mão armada, sendo que isso também está fora de controle no país graças à horrenda distribuição de renda que reina eternamente aqui (tornando os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais miseráveis) e também à corrupção que suga todo o dinheiro que deveria ir para a segurança pública, saúde, educação etc, tornando as futuras gerações menos selvagens e bestiais e com mais opções para conseguir ser alguma coisa na vida do que simplesmente ter apenas a opção de ir parar na criminalidade via tráfico de drogas, contrabando de armas ou simplesmente roubando o cidadão comum e indefeso, que paga uma fortuna em impostos e não recebe nada e nenhum benefício público em troca.

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O exemplo mais bem acabado da FALÊNCIA do Estado brasileiro e da IMUNDICIE política que reina aqui está no que aconteceu no Espírito Santo e também no Rio De Janeiro. E a tendência é esse quadro se ALASTRAR pelo restante do país. Há ALGUM político que se salva nessa terra horrenda e devastada pela bandidagem institucionalizada na esfera pública? Muito poucos, que o blog se lembre. Somos muito simpáticos ao trabalho do Randolfe Rodrigues (senador pelo Amapá), também do Chico Alencar (deputado do PSOL), da Luiza Erundina (também do PSOL) e do véio Eduardo Suplicy. Seriam eles (e mais muito poucos, que não lembramos os nomes agora) nos quais ainda confiamos politicamente. O resto é o resto, e resto da pior espécie que torna o Brasil uma das nações mais VERGONHOSAS do planeta em termos políticos. Em qualquer país com um mínimo de decência na esfera pública, 90% dos políticos brasileiros atuais estariam ATRÁS DAS GRADES, e não exercendo mandato ou qualquer cargo público que fosse. O jornalista zapper se lembra perfeitamente o que aconteceu há umas duas décadas no Japão (um dos países com uma das classes políticas mais ÍNTEGRAS do planeta) quando um político de lá, descoberto em flagrante pela imprensa japonesa envolvido em um escândalo gigante de corrupção, humilhado e com sua trajetória política LIQUIDADA por conta do escândalo no qual havia se envolvido, reuniu emissoras de TV para fazer um pronunciamento e, ao concluir esse pronunciamento, disse: “não sou mais digno de continuar vivendo. E peço perdão ao povo japonês pelo que fiz”. Ato contínuo abriu uma pasta executiva, tirou de dentro dela uma PISTOLA e SE MATOU com um tiro na boca.

Você imagina algum político fazendo o mesmo aqui? Se acontecesse, haveria SUICÍDIOS EM MASSA em Brasília. Mas não: aqui todos eles, quando pilhados em flagrante em esquemas de corrupção e mesmo com fartas provas colhidas pela polícia federal ou pelo Ministério Público Federal, vão a público e na imprensa e com a maior cara larga da galáxia, NEGAM TUDO. “Eu? JAMAIS cometi qualquer ato ilícito e que desabone minha conduta de homem público. E DESAFIO alguém a PROVAR ALGO CONTRA MIM!”.

Mas o pior disso tudo nem é essa sórdida classe política mas sim o eleitorado BURRO e complemente conservador e imbecil que elegeu essa corja. Que o brasileiro nunca soube votar é um fato histórico desde os tempos que isso aqui era uma colônia portuguesa. Agora chegamos a um ponto de ACOVARDAMENTO social em que o brasileiro só é valente para gritar, ROUBAR e matar seu semelhante nas ruas. Para ir para essas mesmas ruas e pedir a CABEÇA de políticos imundos, nem um pio. Nem mesmo da classe média e da nação COXA idiota e reaça de direita, que foi bater panelas nas ruas pedindo o impeachment de Dilma. Como se a situação hoje estivesse minimamente melhor do que quando o PT estava no poder (e repetindo aqui também o que já dissemos antes: o petismo também cagou e roubou tudo o que pôde durante sua permanência no comando da máquina pública e deve PAGAR JUDICIALMENTE por seus crimes; mas… e as outras QUADRILHAS políticas do país, notadamente PMDB e PSDB, sairão ILESAS e IMPUNES dessa história?). muito pelo contrário: em quase um ano de governo golpista, o fundo do poço parece não ter fim para o Brasil. E a coxarada verde-e-amarela segue caludinha, sentido dor quase orgásmica com o cabo da panela enfiada em seu rabo até o talo mas sonhando com um super-homem (Sérgio Moro? Ahahahaha) que venha salvá-la, ulalá!

Amigos e leitores diletos vão reclamar por certo mais uma vez que estamos abandonando (como jornalista de cultura pop) nosso olhar e comentários sobre rock’n’roll e rock alternativo. Talvez. É que o desalento político e social tem nos consumido diariamente como ser humano. Daí publicarmos textos desta natureza ultimamente aqui e em nossa página no faceboquete. Mas feita ESTA postagem vamos TENTAR publicar menos textos sobre a imundície política brasileira. Não adianta mesmo ficar indignado aqui ou na rede social. Não resolve. O Brasil, ao que parece e pelo desenrolar dos acontecimentos, só vai sair do horror em que se encontra na hora em que houver um LEVANTE SANGRENTO da população nas ruas.

 

***Obs: e Moreira Franco (o “Angorá”, na delação de corrupção da Odebrecht) conseguiu se manter Ministro e com foro privilegiado. Decisão do STF. Traduzindo: tá tudo DOMINADO pelo governo GOLPISTA e seus asseclas. Novamente citando Conrad: o horror, o horror!

 

 

FIM DE TRANSMISSÃO

O postão fica por aqui mas voltamos com o que importa na cultura pop, no rock, na política e na sociedade em algum momento depois da esbórnia nacional por conta dos festejos momescos. Até breve!

 

(enviado por Finatti às 13hs.)

Hollas povo! Blogão zapper de volta em sua versão 2017, o ano que promete ser tão pavoroso e horroroso quanto foi 2016, alguma dúvida quanto a isso? De modos que este espaço online retorna com mudanças em sua pauta editorial – mais focada no comportamento e na política, mas ainda mantendo também o olhar sobre o rock alternativo e a cultura pop em geral; e com os tempos bicudíssimos pelos quais estamos passando fazemos o convite: não está na hora de IRMOS TODOS PRA RUA E PRO PAU PRA VALER?

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2017 já chegou chegando com o mesmo horror e a mesma crise (social, moral, ética, política e econômica) vivenciada pelo país em 2016; assim o blog retorna com nova linha editorial e adotando um viés mais comportamental e político em seus posts, mas sem abandonar o rock e a cultura pop, além de lamentar profundamente neste primeiro post do ano o falecimento de dona Marisa Letícia que, ao lado de Lula (ambos acima) deu exemplo de humildade e simplicidade ao povo brasileiro; por outro lado seguimos atentos aos movimentos do rock’n’roll planetário e da cultura pop em geral na nova seção Microfonia, que destaca aqui o novo e vindouro disco do veterano Blondie (abaixo)

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Bem-vindos a 2017. O ano do monstro do pântano, do cachorro louco, do trem desgovernado, chame como quiser. Exagero? Sério que você acha que estamos exagerando? Vejamos: no primeiro mês do ano (janeiro, sempre o pior dos meses, como já bem observou o saudoso grupo paulistano Ludovic) o sistema prisional brasileiro entrou em colapso absoluto. Dominados por facções criminosas (como PCC e Comando Vermelho) cada vez mais poderosas alguns presídios do país (especialmente nas regiões Norte e Nordeste, as mais desassistidas pelo poder público desde que o Brasil existe como nação) deram show de horror (com direito a repercussão gigante na mídia internacional), com mais de uma centena de presos sendo massacrados por integrantes de facções rivais. Boa parte dos assassinatos teve requintes de crueldade extrema, com cabeças sendo decepadas. Pior: diante de tal barbárie boa parte da estúpida população classe média reaça de direita brasileira salivou de satisfação, torcendo para que houvesse um massacre por dia nas prisões pelo país afora – a clássica “higienização social”, defendida por gente que possui merda na cabeça ao invés de neurônios. Um pensamento estúpido e hediondo enfim, típico de quem se tornou bestial, selvagem, é ignorante e não possui o mínimo conhecimento histórico e/ou social dos problemas que corroem esse país vira lata e de quinto mundo chamado Brasil.

O que mais? Dívida pública fora de controle – superou a casa dos R$ 150 bilhões. PEC do inferno e do fim do mundo arrasando a educação e saúde públicas pelos próximos vinte anos, sendo que a educação pública brasileira já está no buraco há séculos. Estados como Rio De Janeiro e Rio Grande Do Sul absolutamente FALIDOS. Mais de doze milhões de desempregados espalhados pelos quatro cantos do país. Lava Jato andando a passos de tartaruga. Ok, nunca imaginamos que veríamos figurões como Eduardo Cunha, Eike Batista, Marcelo Odebrecht e dois ex-GOVERNADORES de Estado (no caso, Sérgio Cabral e Anthony Garotinho, ambos do Rio De Janeiro) atrás das grades. Mas, e o resto? E os mais de duzentos políticos citados nas delações da Odebrecht? Por que ainda não foram processados e, se provada sua culpa, também não foram condenados à prisão? Por que Sérgio Moro, comandante-em-chefe da Lava Jato, se mostra tão tirano e PARCIAL em várias de suas decisões e sentenças? Onde está a QUADRILHA do PSDB nessa parada, com vários políticos já citados em dezenas de delações e nenhum deles realmente investigados pela força tarefa de Curitiba, como se estivessem estranhamente BLINDADOS pela Justiça e pelos processos investigatórios em curso? O que parece é que há conchavos e tenebrosas transações na calada da madrugada à vista, entre os Três Poderes para mitigar ao máximo possível os resultados finais das investigações. E o Ministro Teori? O avião em que ele estava caiu ou FOI CAÍDO?

Tudo isso que está aí em cima foi pensado e repensado como tema do primeiro post deste ano de Zap’n’roll. Yep, o blog mudou e vai mudar mais ao longo dos próximos meses. Saem os diversos tópicos que eram publicados em formato de revista eletrônica/virtual, entra via de regra (poderá haver exceções de acordo com o que rolar ao longo da semana em que o post for publicado) um tópico ÚNICO (como este que você está lendo) e abordando um tema específico, como estamos fazendo nesta reestreia do blog em 2017. E além deste tópico único e mais longo a seção “Microfonia” (ahá!) substitui o “O blog zapper indica” ao final de cada post, falando em poucas linhas do que importa e reverbera na cultura pop, no comportamento, em discos, bandas, filmes, livros, TV, baladas, passeios, exposições, viagens, acontecimentos variados etc.

De modos que voltemos ao tema que deu início a este tópico: como está o país nesse exato momento. Sim, as coisas estão ruins no Brasil. Muito ruins, diríamos. O autor deste blog está com 5.4 de existência nas costas. Passou sua infância e toda a sua adolescência vivendo em um país que foi conduzido politicamente por uma ditadura militar que durou mais de duas décadas e que é em grande parte responsável pela situação algo calamitosa que enfrentamos atualmente. Graduado que é em curso de História, Zap’n’roll compreende muito bem toda a estrutura e toda a trajetória que nos últimos quarenta anos levou a nação a chegar ao abismo em que ela se encontra nesse momento. O país já esteve ruim, fato (quem quiser ter uma aula portentosa sobre as últimas quatro décadas do Brasil na esfera social, política e econômica, basta ler “A segunda mais antiga profissão do mundo”, tomo reunindo textos do inesquecível Paulo Francis, um dos maiores nomes da história do jornalismo brasileiro, sendo que o livro foi lançado no final do ano passado pela editora Três Estrelas, braço editorial do grupo que edita o jornal Folha De S. Paulo). Mas nunca como agora, talvez. Os (des) governos militares, que tomaram o poder em 1964 e só saíram dele em 1985 pensavam no “Brasil Grande”. Daí o investimento em obras faraônicas (como a usina hidrelétrica de Itaipu ou a rodovia Transamazônica, que não foi concluída até hoje) que trouxeram endividamento público monstro ao país, além de enriquecer ilegalmente o bolso de muito general – só que naquela época o regime militar controlava toda a informação de mídia, daí que o populacho jamais ficava sabendo dos desvios de milhões e da corrupção que campeava solta na esfera pública, exatamente como ocorre hoje. Ao menos agora felizmente estamos numa democracia (ainda que frágil e que precisa ser fortalecida ao máximo e a todo custo), e temos acesso total à informação e a tudo (ou quase tudo) que ocorre no país. Por isso é um erro crasso e grosseiro achar que todos os males e mazelas do país surgiram de década e meia pra cá, com os governos petistas. E não, o blog não está fazendo defesa aqui do petismo e jamais irá se colocar como advogado do PT, de Lula, Dilma, de quem quer que seja. O que queremos dizer é simples e básico: absolutamente TODOS os governos e todos os partidos que estiveram no poder e na gerência do Brasil e da máquina pública pós-ditadura militar, herdaram os piores vícios dessa ditadura. Todos (tanto PT quanto PSDB, PMDB e partidos nanicos e menos importantes no espectro político nacional) cometeram zilhões de erros, todos se locupletaram e se lambuzaram quando estiveram no comando da nação. Fernando Collor, o primeiro presidente eleito democraticamente após a ditadura? Foi impichado por ser o facínora que todos sabem que ele é. O sociólogo Fernando Henrique? Fez um primeiro mandato ok e se perdeu na busca pela reeleição, deixando o país novamente sob a sombra da inflação, além de tornar os ricos mais ricos e os pobres mais pobres do que nunca. O metalúrgico Lula? Cometeu sim zilhões de erros. Mas fez o Brasil prosperar durante seus dois mandatos, tirou mais de quarenta milhões de pessoas da pobreza absoluta e deixou o governo com recorde de aprovação popular. Seu maior erro: fazer sua sucessora, Dilma, aquele poste e aquele poço de teimosia e arrogância que todos nós também sabemos que ela é.

O impeachment dela foi justo? Óbvio que não e quem tem um mínimo de massa encefálica sabe que os objetivos para o impichamento de Dilma eram claríssimos: deter a Lava Jato a qualquer custo (ou ao menos minimizar um pouco seu efeito devastador na classe política brasileira, a mais CORRUPTA e IMUNDA do universo) e fazer as reformas que vão deixar os muito ricos do país (cerca de 1% da população) cada vez mais ricos e os restantes 99% cada vez mais falidos e fodidos. Mas é claaaaaro que a coxarada BURRA e ESTÚPIDA (o grosso de nossa classe média egoísta, ignorante, reacionária e conservadora como só ela sabe ser) que saiu às ruas e bateu panela pedindo a destituição da presidente não entende nada disso e achou que o (des) governo golpista do mordomo de filme de terror chamado Michel Temer (ele próprio envolvido até o pescoço na Lava Jato) iria resolver todos os problemas do Brasil da noite para o dia. Não resolveu, claro. Aliás tudo está muito pior do que há seis meses. Mas coxa otário que é coxa otário não dá o braço a torcer: com o cabo da panela agora enfiado no rabo ele amarga quietinho e caludinho o desastre que apoiou, via movimentos reaças como o MBL e através de políticos populistas e sem um pingo de envergadura moral para exigir o mínimo de lisura no trato da coisa pública.

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Não deixa de ser um certo alivio ver figurões pilantras como Eike Batista e Sérgio Cabral (acima) atrás das grades; mas a situação do país continua horrenda e parece estar chegando a tal grau de esfacelamento das instituições que talvez seja necessário ocorrer aqui o que aconteceu na Revolução Francesa: decepar algumas centenas de cabeças de políticos imundos na guilhotina (abaixo); assim, quem sabe, o Brasil entra nos trilhos novamente

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E o que mais espanta em todo esse quadro absolutamente assustador é como a população brasileira se mostra completamente inerte, passiva, dócil, serviçal e subserviente diante de tudo o que está acontecendo. Chega a ser um paradoxo estarrecedor e inexplicável: o Brasil se tornou um dos países mais VIOLENTOS DO MUNDO. A sociedade é bruta, bestial, selvagem e ignorante. Aqui se mata por qualquer motivo, do mais fútil (discussão e briga entre bêbados numa mesa de bar) ao mais torpe (em roubos seguidos de morte, por exemplo). Você sai para a rua para trabalhar sem saber se irá voltar vivo para casa no final do dia. Os dados já fartamente publicados em centenas de matérias na mídia impressa e eletrônica atestam: são cerca de 60 MIL ASSASSINATOS POR ANO no Brasil. Uma autêntica carnificina e guerra civil não declarada. Isso sem contar os números assustadores de atos de violência contra as mulheres (estupro incluso, óbvio), também dos mais altos do planeta. E isso também sem contar a violência policial no país, que possui um dos efetivos mais truculentos e vergonhosamente mal preparados e remunerados do mundo.

Pois é essa mesma população, tão bestial e violenta e que agride e mata o outro por qualquer motivo, que se mostra absolutamente passiva e inerte diante de toda a calhordice/canalhice que a nossa classe política nos impõe diariamente – em qualquer país minimamente sério do planeta nomes como Renan Calheiros, Romero Jucá, Aécio Neves e Geraldo Alckmin estariam atrás das grades, e não ocupando cargos públicos ou políticos. . Parecemos carneirinhos quando o assunto é algum escândalo político. Não sabemos votar desde sempre (isso é um fato inquestionável). E nos comprazemos em reclamar apenas em redes sociais, quando não estamos mais ocupados em dar likes em memes estúpidos ou em fotos fúteis, inúteis e superficiais. Isso tudo é o Brasil, o país que foi celebremente definido na frase do presidente francês Charles De Gaule: “O Brasil NÃO É UM PAÍS SÉRIO”. Nunca foi, aliás. E pelo jeito não será jamais.

O autor deste blog sempre foi contra a violência e contra matar quem quer que seja. Mas a situação do país está chegando (ou já chegou) a um tal ponto que talvez apenas uma solução RADICAL resolva a situação por aqui. Qual seria essa solução? Algo na linha da Revolução Francesa, quando a população pobre e oprimida foi PRA RUA E PRO PAU PRA VALER, e todo mundo sabe o que aconteceu: centenas de cabeças de políticos sujos e que não estavam nem aí para o populacho foram decepadas nas gilhotinas. Talvez fosse o caso de acontecer algo semelhante por aqui…

O Brasil é um país ruim? É o fim do mundo? Claro que não. Somos ainda a décima economia do planeta. O país possui uma beleza natural avassaladora (estas linhas online sabem muito bem disso pois conhecem o Brasil de norte a sul), é riquíssimo em recursos naturais e sua agricultura é das mais poderosas do mundo. Rola muito dinheiro aqui. Mas infelizmente a maior parte dessa grana gigantesca escoa pelo ralo sem fundo da corrupção. Outra parte, também gigantesca, fica nas mãos dos super ricos que existem aqui (vale repetir: cerca de 1% da população). E o resto… bien, o que sobra tem que ser dividido entre os 99% restantes da população. Não há nação e sociedade que resista a isso pelo resto da vida.

Se você leu até aqui, ótimo. Se gostou e concordou, melhor ainda. Se detestou, o painel do leitor está lá para que você faça seus comentários. Mas basicamente é isso e é essa a nova postura editorial do blog: um assunto importante do momento por post. E para abrir os trabalhos neste por enquanto mega tenebroso 2017, achamos que tínhamos a OBRIGAÇÃO de nos posicionar e falar sobre o que pensamos da situação atual do Brasil. Agora aí embaixo tem a seção “Microfonia”, mais leve e com o que reverbera (em poucas linhas) ainda na cultura pop.

É isso. Zap’n’roll, ano 14 no ar. Segue o jogo!

 

***Obs e fikadika: os textos do chapa André Forastieri (tanto no seu blog quanto na sua página no Facebook) continuam primorosos e radiografam com precisão como está a situação no Brasil atual. Um dos últimos é esse aí embaixo, que tomamos a liberdade de reproduzir no blog zapper. Leiam!

 

XXX

 

(texto postado por André Forastieri em seu Facebook, esta semana)

 

Sabemos hoje o mesmo que sabíamos no dia que Teori Zavascki morreu. O avião caiu. O juiz e os outros morreram. Foi a chuva, falha mecânica, barbeiragem do piloto? A Aeronáutica divulgou laudo dizendo que os dados extraídos do gravador “não apontam qualquer anormalidade nos sistemas da aeronave.” Foi assassinato? São dezenas, talvez centenas de pessoas que se beneficiaram da morte dele. Estão sendo investigados?

Não sabemos. Já mudamos de assunto. Agora é Eike Batista. A careca. A cela. O que ele almoça e janta. A reação dos filhos. Luma nas redes sociais. A prisão de Eike vem no momento perfeito para nos fazer esquecer Teori. Tirar o foco dos “acordos” da União com o Rio, que força arrocho no funcionalismo e privatização (e outros Estados estão na fila). Distrai da reeleição de Rodrigo Maia para a presidência da Câmara. Do acordo no Senado, com Eunício de Oliveira, o tesoureiro do PMDB, na presidência, e Renan como líder do governo.

Para não falar das “reformas” que nos aguardam, da Previdência para começar. Da ajuda bilionário às teles, da Operação Oi… a lista vai longe.

Distrai, principalmente, de Carmem Lúcia Antunes Rocha, presidente do Supremo Tribunal Federal, sempre elogiadíssima, reservada, discreta, técnica, teve até Caetano Veloso cantando para ela quando foi empossada…

Carmem Lúcia homologou as 77 delações premiadas da Odebrecht. Mantém sigilo sobre todas. O procurador geral da República, Rodrigo Janot, não pediu a suspenção do sigilo. Por quê? Não explica. Nem ela.

O sigilo vai até quando? É difícil e fácil responder. Em casos anteriores Janot pediu a Teori que fosse suspenso o sigilo. No caso de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, foram só vinte dias. No caso do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, foram 166 dias.

Agora são 77 delações, só da Odebrecht. Podem demorar vinte dias, 166 dias, mais, menos. Podem ficar pro dia de São Nunca. A delação de Otávio Azevedo, ex-executivo da construtora Andrade Gutierrez, foi homologada em 6 de abril de 2016. Até agora seu conteúdo é secreto.

E é facílimo responder. O sigilo vai durar o tempo necessário para que vazamentos seletivos abatam os inimigos políticos do governo. Até que acordos sejam feitos para que os poderosos citados nas delações negociem saídas. Até que a missão do atual governo seja cumprida.

Atenção: o governo não é o Planalto. O governo é o amálgama de interesses entre o Executivo, Legislativo e Judiciário. O que os une é a submissão ao grande Capital e a compreensão que a maioria dos brasileiros não tem noção do que acontece no Brasil, nem imaginação para sonhar com outro país, e muito menos energia para construi-lo. O que move o Brasil é a inércia.

Foi nessa prostração, na falta de proteína do nosso povo, que apostaram os governos que se seguiram à ditadura, do PSDB e do PT. Os únicos partidos de verdade do país, porque orgânicos, representantes de grupos sociais de verdade. Governaram com o pior da política brasileira. Enricaram os ricos, deram umas esmolas para os pobres, garantiram sua parte. Lambuzaram-se. É o habitual em política, aqui e em qualquer lugar – aqui com mais ganância e descaramento, talvez.

Quando a economia global virou, o cobertor encurtou. Alguém ia ter que pagar a conta. Temos uma elite ultra-privilegiada: não paga impostos, nem na jurídica, nem na física; nem imposto de herança. Tem os maiores rendimentos do planeta Terra, bastando manter seu dinheiro no banco, emprestado ao governo, que é seu empregado. Assim se empurrou a conta para a classe média, os pobres e os miseráveis. É o que Dilma fez. É o que Temer faz, de maneira ainda mais cruel e inconsequente, começando pela PEC do Teto, chamada pela ONU de “o mais radical pacote de austeridade do planeta”.

O impeachment teve outras três funções importantes. A primeira foi exterminar o PT, o que foi feito (com a devida colaboração do próprio PT, que desperdiçou seu capital simbólico e seu mandato histórico). Falta retirar os direitos políticos de Lula, o que inevitavelmente virá ainda em 2017.

A segunda missão da conspiração era, com a desculpa de que o país e os estados estão “quebrados”, forçar privatizações a toque de caixa. A preço amigo, para empresas amigas, e naturalmente com as devidas comissões enchendo os devidos bolsos. É o que está acontecendo. E o terceiro objetivo era minimizar os estragos da Lava Jato.

É evidente que os políticos no Executivo e no Legislativo não tinham como fazer tudo isso sem a colaboração do Judiciário. Mas a História é dinâmica, seus atores são múltiplos, e quanto mais complexa a sociedade, maior a probabilidade dos melhores planos darem com os burros n´água.

O Brasil não seguiu o roteiro previsto. Nem na economia e na política, que seguem afundando, nem na Justiça. A Lava-Jato é um pequeno e patético passo na direção de um Brasil mais transparente; a turma de Moro, messiânica e parcial; mas bem melhor que nada. E ver na cadeia Marcelo Odebrecht, Eike, Cunha etc. deve tirar o sono de muitos bacanas.

Que bacanas? Não sabemos. É sigilo…

Das 77 delações, conhecemos os nomes citados em apenas uma delação. Alguns famosos: Aécio, Pallocci, Romário, Skaf, Renan, Mantega, Geddel, Romero Jucá, Eliseu Padilha, Kátia Abreu, Eunício Oliveira, Rodrigo Maia. Entre os que ocupam cargo no governo: Antônio Imbassahy (novo secretário de governo de Temer), Bruno Araújo (Ministro das Cidades) , Kassab, Moreira Franco… e Temer. Faltam 76 delações. Imagine o que vem – ou viria – por aí.

Além de manter sob sigilo as delações, Carmem Lúcia faz suspense sobre o método que usará para selecionar o novo relator da Lava-Jato. A maioria aposta que ela vai optar pelo sorteio. E é muito provável que somente entre os integrantes da Segunda Turma do STF: Gilmar Mendes, Toffoli, Lewandoski e Celso de Mello. Nenhum especialmente fã da Lava Jato, para dizer o mínimo. Mesmo que fosse entre os dez integrantes do plenário, a perspectiva é nada animadora – ainda mais considerando esse sigilo sem fim e sem lógica.

A cereja no bolo: nesta quarta-feira, no mesmo dia que Carmem Lúcia determina como será a escolha do relator, também está na sua mesa uma ação que pode… transformá-la em Presidente da República.

É a ação da Rede Sustentabilidade, que questiona se um réu no STF pode ocupar a linha de sucessão da presidência. O julgamento foi inciado no dia 3 de novembro. O relator, Marco Aurélio Mello, e outros cinco ministros votaram pela impossibildade de haver réus na linha sucessória. Réus como… Rodrigo Maia e Eunício de Oliveira. Se o STF seguir nessa linha, em caso de afastamento de Temer, quem assumiria a presidência seria a presidente do STF, a própria Carmem Lúcia. É um caso chocante conflito de interesses, mas a gente não se choca com mais nada.

O que faria Teori se estivesse vivo? Jamais saberemos. Felizmente para um grande número de poderosos, ele está morto.

O conluio Executivo-Legislativo-Judiciário botou suas cartas na mesa. Ao que parece, a jogada é empurrar com a barriga a Lava-Jato, aprovar as “reformas” que der, privatizar tudo voando e chegar até 2018 fora da cadeia e com os bolsos cheios. Se a situação fugir do controle, e Temer perder o mandato, improvável, assume – veja só – Carmem Lúcia.

Com ela ou com Temer, em 2018 tem eleição e em 2019 teremos outro governo. Que será o mesmo governo. Porque será o mesmo STF e os mesmos políticos, obedecendo aos interesses dos mesmos poderosos. E segue a farsa…

São cartas marcadas. Difícil virar o jogo. Talvez o melhor seja virar a mesa.

 

XXX

 

MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, o rock, discos, bandas, shows, livros, filmes, baladas etc.)

 

***Barão sem Frejat – a cena rock BR oitentista foi agitada logo no início do ano com a notícia da saída do guitarrista e vocalista Roberto Frejat do Barão Vermelho. Frejat, amigo pessoal destas linhas bloggers rockers há anos, criou sua identidade na banda onde atuou por mais de três décadas. Prefere agora seguir carreira solo. Os barões remanescentes (entre eles os fundadores Guto Goffi e Maurício Barros) anunciaram que o grupo segue em frente: para cantar no conjunto foi convocado Rodrigo Suricato, do grupo homônimo e revelado no programa The Voice Brazil, da TV Globo. E a turma já quer sair em nova turnê a partir de maio próximo. Daqui o blog deseja sorte e sucesso tanto a Frejat em fase solo quanto ao Barão em sua nova formação.

 

***Psicodelia e não romance na praia brava – Ademir Assunção é da velha e grande geração de jornalistas lokers/rockers da imprensa cultural brasileira que importou nos anos 80’ e parte dos 90’. E além de jornalista publicou mais de uma dezena de livros. O mais recente, “Ninguém na praia brava”, saiu no final de 2016 (editora Patuá) e Zap’n’roll está devorando o mesmo com prazer absoluto. Trata-se de uma ficção psicodélica e maluca, onde o personagem principal (o escritor chamado Ninguém) se isola numa praia onde pretende escrever um romance que depois será vendido a um grande estúdio em Hollywood, tornando o autor do livro milionário. Isso é um resumo (im) possível do livro de 192 páginas, mas ele possui um texto total desconstrutivista, não linear e repleto de referencias à cultura pop e ao rock’n’roll. Interessou? Vai na página do Ademir (que também já gravou um disco, “Viralatas de Córdoba”, que saiu há uns três anos mas sobre ele falamos melhor em outro post) no Facebook: https://www.facebook.com/ademir.assuncao?fref=ts. Ou então entra no site da Patuá: http://www.editorapatua.com.br/index.php.

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***Velhões do rock’n’roll de volta – já que o “novo” rock planetário parece estar mais morto do que vivo atualmente (tem o novo disco dos ingleses do Temples, “Volcano”, saindo agora no começo de março; já é alguma coisa), cabe à velha guarda manter-se na ativa. Depeche Mode e Blondie anunciaram seus novos lançamentos: “Spirit”, o novo do DM chega às lojas em 5 de março e a banda cai na estrada logo em seguida, jurando que dessa vez passa pela América Do Sul. Já o lendário combo new wave americano liderado eternamente pela loiraça Debbie Harry vem com “Pollinator”, que sai em 17 de maio e que traz uma renca de participações especiais (Laurie Anderson, a lenda Johnny Marr e Nick Valensi, um dos guitarristas dos Strokes). Não é por nada não mas o blog zapper bota mais fé no álbum do Blondie. A conferir ambos logo menos, sendo que as capas dos referidos CDs estão aí embaixo e também o primeiro single (áudio) extraído do novo trampo do Blondie.

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***Rock nacional pra conferir – é a estreia do quarteto paulistano Kamboja, que lançou seu primeiro cd pelo sempre venerável selo Baratos Afins. A praia dos caras é heavy/classic rock setentista (algo entre ZZ Top e Kiss), o som não é exatamente o que o autor destas linhas online curte, mas dentro do que eles se propõem a fazer é um disco de responsa. Fora que o batera é o figuraça Paulão, que também toca no Baranga e é um dos sujeitos mais queridos na cena rock paulistana. Vale a pena conferir e você pode saber mais sobre o grupo aqui: https://www.facebook.com/BandaKamboja/.

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***Prêmio especial para o jornalista loker e eternamente rocker – yep, rolou a edição 2017 do Prêmio Dynamite de Música Independente, no último dia 25 de janeiro. Zap’n’roll concorreu na categoria melhor blog mas não ganhou (quem levou foi o Tenho Mais Discos do Que Amigos). Porém fomos surpreendidos (de verdade!) com um troféu especial que ganhamos em reconhecimento à nossa trajetória de trinta anos no jornalismo musical brasileiro. Este Finaski agradece emocionado ao querido André Pomba e a toda a equipe que organiza uma das premiações mais importantes da música brasileira há mais de uma década.

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O jornalista ainda loker e eternamente rocker exibe o seu troféu especial do prêmio Dynamite, ganho em reconhecimento à sua trajetória de 30 anos no jornalismo musical brazuca

 

***E no último finde em Maringá (PR)… – rolou Noitão Zap’n’roll com DJ set matadora do blog. Foi no bar The Joy (pequeno, aconchegante e charmosíssimo na sua decoração) e a madrugada foi incrível, com discotecagem também do brother Flávio Silva. Finde incrível, ótimos sons, ótima bebida (muuuuuita vodka Skyy com energético) e o carinho e a atenção dos queridões Paty Ramirez, Vanessa e Anderson. Valeu turma e queremos voltar para nova noitada assim que possível.

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Zap’n’roll bota pra foder no noitão do blog no último finde em Maringá, Paraná: até as paredes dançaram!

 

***Duas baladas legais pra este sabadão em Sampa, 4 de fevereiro em si –  a festa K7 no Alberta (https://www.facebook.com/events/1863573717218896/?active_tab=about) e edição especial da Glam Nation (que rolava no finado Inferno Club), dessa vez no Olga 17 (https://www.facebook.com/events/632139330306508/). Escolha a sua e caia na pista!

 

 

FIM DE TRANSMISSÃO

E assim termina o primeiro postão zapper de 2017. Blog mais político e social mas ainda de olho no rock alternativo e na cultura pop. Ficamos por aqui com a alma e o coração algo cinzas pelo falecimento de dona Marisa Letícia e deixando nosso carinho, afeto e condolências à Lula e a toda sua família. Força Lulão!

E nos vemos novamente no próximo post. Até lá!

 

(enviado por Finatti às 13hs.)

TCHAU 2016! Um ano que foi do INFERNO em todos os sentidos possíveis, que já vai mega tarde e que não vai deixar saudade alguma; e para encerrar esses doze meses pavorosos com alguma alegria e dignidade o blog traz a sua modesta lista de melhores do ano (no rock e em mais alguns setores da cultura pop), além de brindar os leitores como um “presente” de ano novo: um super ensaio total NUDE e safado com um casal rock’n’roll total, uhú!

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2016 será lembrando (ou esquecido?) como o ano do horror no mundo e do inferno na cultura pop; ainda assim os últimos doze meses viram o rock alternativo ser salvo por nomes como a deusa inglesa PJ Harvey (acima) ou a revelação do indie rock brazuca, Jonnata Doll & Os Garotos Solventes (abaixo)

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Fim de jogo melancólico para um 2016 idem.

Sim, talvez Zap’n’roll esteja nos últimos tempos mais azedo e amargo e cinza na alma (seja lá o que for ela) e no coração, do que habitualmente já é. Na real (e como já bem observou mana Jaqueline, que conhece melhor do que ninguém o titular deste blog) o autor destas linhas rockers virtuais sempre foi um INADEQUADO e DESAJUSTADO emocional e existencial. E isso não vai mudar aos 5.4 de vida. Assim a melancolia perene só aumenta nesse período de festas (ilusórias e algo falsas também) de fim de ano. Festas que nunca nos fizeram grande sentido no final das contas. E o pouco que havia de sentido para nós nelas se foi em definitivo quando mama Janet se foi, há 12 anos. Talvez todo esse nosso universo perenemente cinza já esteja meio que cansando alguns (ou muitos) aqui, e por conseqüência afastando “amigos” (reais ou virtuais) e leitores, visto que a regra do MUNDO VIRTUAL é bem clara: o mundo pode estar um CAOS TOTAL (atentados terroristas com caminhões, embaixador abatido a tiros diante de câmeras de tv, Brasil vira lata na maior crise e buraco da sua história, estupidez, ignorância e neo conservadorismo se generalizando pela sociedade global, a daqui inclusa etc.) mas em redes sociais como o FACETRUQUE (ótima definição dada pra ele pelo querido capixaba Alex Sobrinho), por exemplo,  todos são MEGA FELIZES, suas vidas são PERFEITAS, o mundo está ÓTIMO e não temos nada do que reclamar – até mesmo porque precisamos fazer INVEJA a quem lê nossas postagens, não é? Então o blogger zapper deve mesmo ser um ALIEN em total desajuste, pois não se sente compelido a agir dessa forma, de maneira alguma. Prefere ser o que é, ainda que isso custe o AFASTAMENTO dos, hã, “amigos”. No entanto o blog prefere mesmo olhar o mundo com a crueza e a realidade dura que os olhos exigem ao observar o que se passa em nossa própria existência e ao redor dela. Claro, não está fácil para ninguém, diria o outro. Então por que insistir em brumas ilusórias e surreais de felicidade quando na verdade a grande maioria da humanidade vive mergulhada em matizes totalmente infelizes? Finaski escreve como sempre na madrugada (é quando o silêncio total e a solidão do ato da escrita permitem que o raciocínio tenha a reflexão e a fluidez máxima, algo que jamais se consegue durante a confusão barulhenta do dia). E escrevendo especificamente este último editorial do blog em 2016, pensamos no pouco que ainda almejamos no que resta de nossa jornada nesse mundo (e se é que existe outro além dele), que não deve durar muito mais. Pensamos basicamente em ter um livro publicado e passar alguns (poucos que sejam) anos tranqüilos morando na montanha mágica. Conseguindo isso, já nos daremos totalmente por satisfeitos. Enquanto isso não acontece e não se resolve, continuamos mergulhados nas reflexões cinzas e amargas de sempre pois apenas elas nos dão a real dimensão do quão infrutífera e cruel é a existência humana no final das contas. Afinal o ano que está terminando não traz absolutamente NENHUM MOTIVO para comemorações ou felicidade. Principalmente na esfera política, social e também na cultura pop. Aliás temos consciência de que andamos escrevendo cada vez menos sobre música (e rock) aqui. E cada vez mais sobre política, sobre angústias existenciais etc. Não é preciso refletir muito para se saber o motivo dessa postura editorial: o rock’n’roll está morto, simples. E quando dizemos isso nos referimos à renovação do gênero em si. Uma renovação quase inexistente de 16 anos pra cá. Houve ainda um espasmo de novidade e criatividade com alguns novos nomes realmente muito bons como The Strokes (no primeiro disco), Interpol (idem), Franz Ferdinand (ibidem), Arctic Monkeys, Arcade Fire, The Raveonettes e mais alguns poucos. E depois? O que vimos e ouvimos então? O silêncio paulatino das guitarras e o avanço de gêneros hoje bem mais populares no pop, como música eletrônica, rap, hip hop e as xotonas cantantes ao estilo Beyoncé, Rihanna etc. O fenômeno do desmonte do rock’n’roll se tornou algo tão sério que uma gigante lendária da indústria de instrumentos, lançou uma campanha publicitária em 2016 SUPLICANDO aos jovens para que eles NÃO DEIXASSEM DE COMPRAR GUITARRAS. E não é só na gringa que o rock está praticamente morto. No Brasil (esse tristíssimo e miserável bananão tropical, fodido e falido, total vira lata e de população/sociedade burra, ignorante e bestial em grau máximo) é a mesma situação: o rock sumiu da mídia, das rádios, da TV, de boa parte da web. A cultura pop de massa (ela também em total e franca decadência cultural e qualitativa), música inclusa no pacote, acompanha o gosto médio do que o populacho quer consumir. E nesse momento o populacho gosta e consome em doses elevadas no bananão podre a música que é a cara desses tempos estúpidos, reacionários, amorfos, anestesiados onde não há mais discussão e debate de idéias, nem transgressão ou subversão artística. É a música dos conformistas e BURROS, que aceitam passivamente e sem bater mais panela alguma ver o país afundar e ser tragado por uma crise brutal, enquanto um desgoverno golpista de merda caga e anda para todos. Qual a trilha desse bananão e dessa sociedade imbecil? Não é preciso ser nenhum gênio pra descobrir: ela está aí na boca do povo, com os hits porcos de sempre no axé burrão, no sertanojo universotário, no pagode machista e dor-de-corno de quinta categoria, no funk ostentação podrão de hits como “Tá tranqüilo, ta favorável”, “Metralhadora” e outras idiotices do mesmo calibre. E quem ainda dá alguma sobrevida ao rock são VELHOS como, por exemplo, Noel Gallagher (o gênio que carregava o Oasis nas costas e que irá fazer cinqüenta anos de idade em 2017) ou Nando Reis (o sujeito que comandou por duas décadas o baixo nos Titãs e que continua sendo um dos maiores e melhores compositores e hit makers do pop brasileiro, e que está já com cinqüenta e três nas costas). Ambos tiveram programas dedicados a eles esta semana no canal Bis (Gallagher se apresentando no Jools Holland; Nando, no “Pop na estrada”) e mostraram que ainda dão dignidade, criatividade e força ao que resta de rock’n’roll no mundo e na cultura pop. De resto um gênero que perdeu mesmo sua capacidade de renovação e isso até no indie rock brazuca, que nunca esteve tão imbecilizado, criativamente falando (sendo que há exceções nesse quadro pavoroso, claro, e algumas delas esse ano foram bandas como Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, Rios Voadores, Trem Fantasma, The Baggios, Carne Doce e Vinyl Laranja). Ou você acredita mesmo na balela bombardeada pelo blog Pobreload e seu autor, nosso “prezado” Lucio Ribeiro (aquele eterno adolescente com síndrome de Peter Pan, mesmo estando com mais de cinquentinha de idade já, uia!), que delira com sua ilha da fantasia indie onde o indie rock nacional nunca esteve tão bem? Fala sério… Então, quando escrevemos que o rock’n’roll morreu ou está à beira da morte, é nesse sentido: de que ele não se renovou, perdeu o rumo estético e está aí, totalmente irrelevante e à deriva no final desse 2016. Bandas ainda existem aos milhares aqui e pelo mundo todo. Mas elas duram cada vez menos, são cada vez menos dignas de nota e o que gravam e postam na internet é ouvido uma ou duas vezes por quem se dispõe a ouvir o material e depois esse mesmo ouvinte já descarta o que ouviu, interessado em que está em escutar outra banda inútil e esquecível em tempo recorde. Pois fato é que nenhuma banda atual consegue mais ter prazo de validade enorme, como os grupos clássicos tiveram. Porém o rock’n’roll será eterno, sim, e justamente pelo que ele já legou de fantástico e clássico para a música mundial: todas as obras gigantes de nomes idem (Stones, Who, Led Zep, Ramones, Clash, Doors, Velvet, Smiths, Joy Division, Echo & The Bunnymen, REM, Nirvana, Oasis etc, etc, etc.) estão aí, eternizadas e registradas de forma sublime para quem quiser sempre ouvir. Então, velho que também está ficando (ranzinza? Rabugento? Talvez…) este zapper prefere ficar com os VELHOS (mas jamais obsoletos) iguais a nós, quando o assunto é rock. Enfim é isso: assim como o mundo todo e a humanidade talvez estejam mesmo no fim da sua história, o rock’n’roll pelo jeito chegou ao fim da sua. E este velho jornalista loker, que será um amante apaixonado e devotado pelo rock ad eternum, irá sim sempre amar quem fez esta história musical que foi a trilha sonora principal da nossa existência. Uma trilha que irá permanecer em nós até nosso derradeiro respirar, que esperamos não demore muitos anos mais. E pelo menos, enquanto esse último respiro não chega, esse horrendo 2016 dá finalmente seu adeus – e já vai tarde, sem deixar saudade alguma. Vamos então ao post derradeiro desse ano, com nossas modestas escolhas sobre o que achamos de melhor no que ainda resta de ótimo no rock’n’roll e na música em geral. E dando de brinde ao nosso dileto leitorado um último ensaio imagético e erótico no capricho, com um CASAL total rocker. Ao menos isso: imagens mega sensuais para fechar e colorir um pouco um ano desastroso para um mundo idem.

 

 

E no último post deste ano e que está entrando no ar nessa tarde de calor senegalesco de sextona pré virada de ano, sem notinhas iniciais. Mas apenas deixamos mais uma vez nosso rip e nossa saudade para cinco GIGANTES da história da música pop e do cinema e que nos deixaram em 2016.

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FIM DE JOGO PARA 2016, UM ANO PAVOROSO NO ROCK E NA CULTURA POP EM GERAL – MAS AINDA ASSIM O BLOG ZAPPER APRESENTA SUA MODESTÍSSIMA LISTA DOS MELHORES DOS ÚLTIMOS DOZE MESES

Yep, como já cansamos de escrever e repetir aqui nos últimos tempos, o rock’n’roll planetário e a cultura pop em geral também estão sofrendo horrores com estes tempos onde a falta de criatividade e de qualidade artística reinam no mondo pop – no rock em particular. Dessa forma estas linhas online, que sempre foram algo avessas a listas de “melhores do ano”, ficaram pasmas ao verificar como publicações gringas publicaram, ao longo das últimas semanas, zilhões de listas com os “melhores álbuns de 2016”. Listas que foram sendo regurgitadas por aqui através de blogs “vizinhos” que vivem de empurrar hypes duvidosos e inúteis aos seus já parcos leitores. E não eram listas pequenas, não: a maioria conseguiu listar 50 MELHORES DISCOS (!!!) neste ano. E até o famigeradao “Tenho mais discos que amigos” (e mais discos do que leitores também, provavelmente) conseguiu a façanha de listar igualmente 50 grandes discos nacionais para este ano que finalmente está dizendo adeus.

Na boa? Haja enrolação, embromação e boa vontade para montar essas listas. Zap’n’roll, sempre mais honesta e sabedora da falência qualitativa que se instalou no rock daqui e de fora, vai direto ao ponto. E elenca (que palavra chic, uia!) aí embaixo aqueles POUCOS que, na nossa opinião, salvaram 2016 do naufrágio completo na música e na cultura pop em geral. Veja os nossos eleitos e fique avonts para discordar, claaaaaro!

 

 

CINCO DISCOS GRINGOS GLORIOSOS NESTE TRÁGICO 2016

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  1. David Bowie/”BlackStar”
  2. J. Harvey/”The Hope Six Demolition Project”
  3. Teenage Fanclub/”Here”
  4. Leonard Cohen/”You Want It Darker”
  5. Radiohead/”A Moon Shaped Pool”.

 

 

CINCO DISCOS NACIONAIS QUE SALVARAM O ROCK E A MPB ESTE ANO

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1.Céu/”Tropix”

2. Jonnata Doll & Os Garotos Solventes/”Crocodilo”

3.Sabotage/”Sabotage”

4. Metá Metá/”MM3”

5. Rios Voadores/”Rios Voadores”.

 

 

UM FILME MARCANTE DE 2016

“Aquarius”, de Kléber Mendonça. Alguma dúvida?

 

 

UM LIVRO

“A segunda mais antiga profissão do mundo”, coletânea de textos da lenda do jornalismo brazuca que foi Paulo Francis.

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O SHOW DO ANO

Os Stones, claaaaaro!

 

 

E O MICO DO ANO

A série “O boom do indie nacional”, criada pela “ilha da fantasia indie” que é o blog Pobreloa…, quer dizer, Popload.

 

 

E PARA FECHAR BEM UM ANO PÉSSIMO, NOSSO PRESENTE DE NATAL PROS LEITORES ZAPPERS: UM CASAL TOTAL ROCKER E MEGA SAFADO/DEVASSO, WOW!

Yep, 2016 foi um ano pra lá de pavoroso em todos os sentidos, néan. E como se não bastasse todo esse pavor (crise econômica monstro, país no buraco total, violência urbana e social fora de controle, cultura pop aos pedaços e rock’n’roll planetário praticamente extinto), há ainda aquele ingrediente extra, a “cereja no bolo”: a nova mega onda conservadora planetária, que atinge todos os países, Brasil incluso no pacote.

De modos que nosso célebre tópico “musa rocker” andou sumido do blog, não é mesmo? Sim, ele hibernou por um tempo bom, até porque os tempos atuais são total refratários a qualquer tipo de “ousadia” – editorial e em blogs, inclusive.

Mas enfim, como este é finalmente o ÚLTIMO post zapper deste cabuloso (e ponha cabuloso nisso) 2016, resolvemos tirar o tópico de seu período, hã, sabático. E como uma espécie de brinde ao nosso sempre fiel e diletíssimo leitorado, trazemos para fechar bem este ano cruel não uma musa mas um CASAL ROCKER em ensaio total nude ousado, abusado e safado. Acompanhe abaixo os textos sobre quem são eles e como estas linhas online conheceu a dupla. Além de se locupletar com as imagens, claaaaaro!

 

ELA

Quem: Marcelle Louzada.

De onde: sou do mundo sou Minas Gerais. Moro no centro da São Paulo desvairada, vale do Anhangabau.

Idade: 35 anos.

O que faz: artista do corpo, pesquisadora das artes. Doutoranda em educação pela Unicamp.

Três artistas: Patti Smith, Rita Lee e Karina Bhur.

Três discos: “Horses” (Patti Smith), “Hoje é o primeiro dia do resto de sua vida” (Rita Lee) e “Selvática” (Karina Bhur).

Três filmes: “Je vos salue  Marie”, “Zabriskie Point” e “Sonhos”.

Livros: “Flicks” (Ziraldo), “Macunaíma” (Mario de Andrade) e “A revolução dos bichos” (George  Orwell).

Três diretores de cinema: Zé do Caixão, Jean Luc Goddard e Federico Fellini.

Três escritores: Ziraldo, Mario de Andrade e Italo Calvino.

Show inesquecível: Jonnata doll e os Garotos Solventes no vale do Anhangabaú em São Paulo, 2016.

 

ELE

Quem: Jonnata Araújo.

De onde: Fortaleza (Ceará).

Mora em: São Paulo, capital.

Idade: 35.

O que faz: vocalista, letrista e compositor na banda Jonnata Doll & Os Garotos Solventes,

Três artistas : Ramones, Dago Red (Fortaleza/CE) e Iggy Pop.

Três discos: “It’s Time For” (Jonathan richiman), “Lust for life” (Iggy Pop) e “Uhuu” (Cidadão Instigado).

Três livros: “Misto quente” (Charles Bukowski), “Junky” (William Burroughs) e “Crônica da províncias em chamas” (Airton Uchoa Neto).

Três filmes: “A noite dos mortos-vivos”, “O império contra-ataca” e “A montanha sagrada”.

Três diretores de cinema: George Romero, David Cronemberg e Lucio Fulci.

Três autores literários: Isaac Assimov, Wiliam Burroughs e Jack Kerouack.

Show inesquecível: da banda cearence Dago Red,  em 1997 no padang padang, atigo espaço de show de rock na pria de iracema em Fortaleza. Foi a primiera vez que vi uma banda de punk rock tocando algo, falou diretamente comigo, todos da banda chapados e com uma energia incrível e ao contrário da maioria de bandas punks da época, todas com letras engajadas, as letras do dago red falavam de coisas que eu sentia: tristeza, sexo, drogas, amor, ateísmo e musicalmente eu entendi o que era uma guitar band e um pedal fuzz ali. Depois disso fui na casa do Robério, o vocalista, e saí com um monte de discos emprestados: Velvet, Iggy Pop, Husker Du, Mercenárias, Smack, Inocentes, Pixies e aí minha vida mudou depois disso e achei meu som.

 

Sobre o casal e como o blog os conheceu: Marcelle e Jonnata têm a mesma idade, total afinidade cultural e intelectual e moram juntos em um aconchegante apê de um dormitório no centrão rocker de Sampa. Cercados por discos de vinil e livros, o casal leva uma vida bastante agitada: ela está fazendo doutorando na área de Humanas; ele sempre fazendo shows e cantando à frente dos Garotos Solventes, banda da qual é vocalista. Além disso Jonnata participou de várias gigs da turnê que comemorou os trinta anos do lançamento do primeiro álbum da Legião Urbana, tocando e cantando ao lado de Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá ao longo de todo 2016.

E estas linhas sempre total rockers conheceu Jonnata, Marcelle e a banda há apenas alguns meses, após assistir uma apresentação do grupo durante uma peça de teatro marginal, em Sampa. Foi paixão à primeira vista pelo conjunto e agora o blog já tem os Solventes e o casal rock’n’roll no nosso coração.

Mas chega de bla bla blá, rsrsrs. Aí embaixo nosso dileto leitorado confere um ensaio fodíssimo e tesudo da dupla, especialmente para Zap’n’roll. É o nosso presente para fechar BEM este ano horroroso que foi 2016. Então deleitem-se e apreciem sem NENHUMA moderação, uia!

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FIM DE PAPO E TCHAU PORRA DE 2016

Foi um ano pra lá de terrivel, e todos já estão carecas de saber disso. E o próprio blog zapper em si também passou seus perrengues – tanto que nosso último post de 2016 está entrando no ar somente hoje, 30 de dezembro, no apagar das luzes desse ano funesto. Entonces agora é um período de férias curtas (que ninguém é de ferro), pra que possamos voltar no pique pra enfrentar um ano novo que promete ser tão terrivel quanto o velho que está acabando. E haverá como sempre mudanças por aqui no novo ano. Sendo que talvez o blog até mude de nome e de perfil editorial, mas tudo isso ainda está sendo estudado.

Por hora é isso. Voltamos por aqui lá pelo dia 20 de janeiro, se nenhum atropelo acontecer antes pelo caminho. De modos que desejamos de coração a todos um ótimo novo ano. A situação não tá mole pra ninguém e 2017 vai vir fervendo também. Então que todos entrem com o pé direito e com fé no Grande lá em cima para suportar mais uma longa jornada.

Até 2017, turma!

 

(enviado por Finatti às 16hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL! Com um RESUMÃO político da semana, o anúncio dos primeiros (e inúteis) shows de rock internacionais de 2017 e as indicações culturais e o roteiro de baladas do blog – Em mais uma semana pavorosa e surreal para o país VIRA LATA TOTAL (esse mesmo aqui, o Brasil miserável) e atolado na MERDA até o pescoço, e com todo mundo contando os dias pro horrendo 2016 acabar de uma vez por todas, mais uma vez é o grande e VELHÍSSIMO rock’n’roll dos imortais Rolling Stones (com o seu novo e fodástico disco) que salva a todos e traz alguma alívio pra galera; e a falência geral do bananão tropical continua se refletindo inclusive na cena musical independente brazuca: neste final de semana algo melancólico fecha as portas na capital paulista o lendário bar Matrix, que foi um dos principais lares de uma cena indie que infelizmente também está no buraco e morrendo aos poucos (uma cena que vive um “boom” somente na ilha da fantasia indie estúpida criada por um certo blog “vizinho”), como iremos mostrar e comentar em detalhes neste post zapper (postão COMPLETÃO e totalmente concluído em 16/12/2016)

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O mundo está no buraco e o Brasil mais ainda; assim apenas o velho e ÓTIMO rock’n’roll nos dá algum alivio, que vem dessa vez através do novo discão dos Rolling Stones (acima), tão bom quanto o cd que os Rios Voadores (abaixo) lançaram esse ano, lutando pra se manter em uma cena independente (a brasileira) quase falida mas que ainda produz, em termos de cultura pop, musas rockers como a gataça Marcelle Louzada (também abaixo)

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FECHANDO A TAMPA DO POSTÃO: A GRANDE VERGONHA E RAIVA QUE O BLOG SENTE DE SER… BRASILEIRO – E TAMBÉM SHOWS INÚTEIS EM 2017 A CAMINHO E O FIM DO PROGRAMA DO JÔ

  • Final de semana chegou e com ele, a finalização desse post zapper. Assim, vamos a um RESUMO desta semana nesse país total fodido (pela classe política imunda e calhorda ao máximo que aliás está onde está porque foi VOTADA e ELEITA por um BANDO de OTÁRIOS e BURROS ao máximo) e vira lata que é este miserável Brasil.

 

  • PEC do fim do mundo: aprovada em segundo turno pela QUADRILHA do senado federal. Beleusma. Absolutamente TODOS IRÃO SE FODER – inclusive DIREITOPATAS e COXAS/PATOS IDIOTAS que ainda estão apoiando o desgoverno do GOLPISTA DO INFERNO.

 

  • Depoimento/delação de Marcelo Odebrecht: o CAPPO e dono da maior empreiteira do país começou seu depoimento/delação ontem, falando por 10 HORAS (!!!) na primeira rodada de informações ao MPF e à Justiça Federal no Paraná. Vai falar ainda até esta sexta-feira. Se apenas ALGUMAS LINHAS da sua delação VAZAREM provavelmente o MUNDO ACABA em Brasília. E estamos TORCENDO TOTALMENTE POR ESSE FIM.

 

  • Quadrilhas do Congresso e do Senado federal total de COSTAS para o populacho que os elegeu: alguma dúvida quanto a isso? Basta ver como foi esta semana na capital do Brasil, aquela MERDA chamada Brasília.

 

  • Protestos e pancadaria generalizada pelo país afora: yep. Teve protesto e quebra-quebra contra a aprovação da PEC dos infernos em várias capitais. Em Porto Alegre manifestantes estraçalharam vidros em portas de agências bancárias. Aqui em Sampa, na avenida Paulista, foi LINDO ver o povaréu finalmente CRIANDO CORAGEM e INVADINDO o prédio daquela escrotice gigante chamada Fiesp, e tocando o terror lá dentro com rojões, bolinhas de gude, o que fosse possível enfim. Sempre fomos contra a violência em passeatas mas estamos quase começando a concordar e a APOIAR atos como os de hoje. O país não tem mais jeito. E só quando o povão começar a ESPANCAR os políticos (na porrada mesmo, e não metaforicamente) e empresários corruptos (muitos deles encastelados dentro da porra da Fiesp), talvez comece a haver alguma chance de o Brasil sair da LAMA e do buraco no qual está metido.

 

  • Reação/repressão aos manifestantes: claaaaaro que as forças policiais entraram em ação durante os protestos desta semana e meteram cassetete, spray de pimenta e balas de borracha em quem estava protestando. Nas fotos abaixo, registradas pelo querido e ótimo fotógrafo Jairo Lavia, uma pequena “amostra” da atuação da PM SUJA e TRUCULENTA do geraldinho alckmerda (o desgovernador de SP, o “santo” segundo a delação da Odebrecht, uia!) durante a manifestação na avenida Paulista. A vítima dos PMs: uma pobre estudante (uma JOVEM e MULHER, pelamor!), DOMINADA por vários guardas e enfiada À FORÇA numa viatura apenas porque estava… protestando contra a PEC do demônio e do desgoverno golpista.

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  • País RACISTA DO CARALHO: foi o que mostrou uma das matérias da edição de quarta-feira última do Jornal Da Cultura, e que você pode assistir no vídeo aí embaixo nos comentários, a partir dos 38 minutos e 40 segundos de exibição do telejornal. A reportagem nos deixou com NOJO e LOUCOS de RAIVA: mostra como a sociedade brasileira (boa parte dela composta por uma classe média ESTÚPIDA e BRANCA, que se acha IGUAL à minúscula elite triliardária que de fato MANDA nisso aqui), que é composta em sua maioria por afro-descendentes, continua tão RACISTA quanto sempre foi na verdade. O JC mostrou uma entrevista feita com algumas pessoas, que foram instadas a analisar algumas fotos de pessoas nas mesmas situações e com os mesmos visuais. Com uma diferença: primeiramente o grupo de pessoas mostradas era de BRANCOS. O segundo grupo era de NEGROS. Veja o resultado das respostas de quem analisou os dois grupos no vídeo da tele reportagem, aí embaixo.

  • Resumindo a ópera: Finaski deve estar mesmo ficando velho, ranzinza e rabugento ao máximo. Porque a RAIVA e VERGONHA disso aqui, desse país que está se transformando em um LIXO de nação, só aumentam. Sério, quando tínhamos 20/25/30 anos, isso não estava assim. E olha que tínhamos acabado de sair de duas décadas de ditadura e de governo militar e ainda estávamos enfrentando uma hiper inflação (HERANÇA dos milicos) que no final de 1986 estava em 60% ao mês. E mesmo assim a situação não estava como está hoje, social, política e economicamente falando.

 

 

  • Bien, além desse resumão político da semana aí em cima, a sextona (16 de dezembro) está, hã, “quentíssima”: até Silas Malafaia (uia!), o pastor mega REAÇA do inferno e “exemplo” de correção moral e ética (uuuuuiiiiiaaaaa!), também acaba de cair nas garras da Polícia Federal, por envolvimento em esquemas, hã, nada éticos e morais. Ulalá! Os fiéis sentam e choram, hihihi.

 

 

  • Aí a assessoria de imprensa (administrada por um chegado destas linhas rockers bloggers) dispara e-mail BOMBÁSTICO anunciando um dos GRANDES shows internacionais de rock no bananão tropical, em 2017. Qual banda??? O “sensacional” e “imperdível”… King Diamond! Ahahahahahaha. Foi maus, o blog não conseguiu conter o riso diante da piada.

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  • Pior é a anunciada também hoje turnê conjunta no Brasil reunindo ninguém menos que… James Taylor e Elton John. Rola entre março e abril, em Curitiba, Porto Alegre, Rio e Sampa. Os ASILOS de todo o país já estão em polvorosa com a notícia, rsrs.

 

 

  • E hoje é a despedida do gênio Jô Soares de seu programa de entrevistas. Foram vinte e oito anos no ar, entre SBT e Globo. O “Gordo” vai deixar saudades e fazer muita falta, com certeza. Mas é isso. Fim de uma era, sendo que o mundo está mesmo ficando sem gênios que valham a pena em todos os setores da existência humana.

 

 

  • E é isso: 2016 vai se  despedindo sem deixar saudade alguma. Semana que vem tem o último post deste ano do blog. Nos vemos nele então. Até lá!

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Um país total VIRA LATA (o Brasil) atolado na MERDA até o pescoço.

A primeira frase do editorial que abre este penúltimo post de Zap’n’roll nesse pavoroso 2016 que está finalmente e felizmente chegando ao fim (sendo que 2017 promete ser tão horrendo quanto, se não for pior), pode ser e parecer pesada em demasia. Mas ela reflete fielmente o que o autor deste blog pensa da realidade atual brasileira – e com certeza milhões de pessoas a essa altura dos acontecimentos está pensando da mesma forma. Inclusive a nação neo conservadora de direita e COXA brasileira, essa mesma que foi pra rua pedir o impeachment de Dilma e que segue apoiando (por enquanto em silêncio e com o rabo enfiado no meio das pernas) esse desgoverno GOLPISTA dos infernos, comandado pelo vampiro e mordomo de filme de terror que ocupa nesse momento a cadeira de presidente da República. E a razão para dizermos que este bananão tropical miserável está atolado até o pescoço na MERDA plena e fedorenta decorre de mais uma semana (esta que está chegando já ao fim; a primeira parte do postão está entrando no ar na tarde de sexta-feira, 9 de dezembro) onde o INACREDITÁVEL aconteceu na terra brasilis. Quando na última segunda-feira o eminente Ministro Marco Aurélio de Mello, um dos mais dignos e confiáveis do STF (a Corte mais alta do país), expediu liminar AFASTANDO o ultra canalha, pulha e bandido Renan Calheiros de suas funções como presidente do Senado, em decisão acertadíssima vale exarar (afinal Renan tem contra ele nada menos do que ONZE inquéritos sendo analisados no STF; em um deles já é RÉU na ação, traduzindo: em qualquer país minimamente sério do planeta um sujeito desse naipe estaria na CADEIA, e não presidindo o senado da nação; mas isso aqui é o Brasil, claaaaaro), ninguém poderia imaginar, nem em sonho, o que aconteceria na sequencia. E o que aconteceu todos já sabem: Renan PEITOU o STF, se recusou a receber o oficial de Justiça da Corte pra assinar a decisão que o afastava do cargo, e ainda por cima SE MANTEVE na condição de presidente do Senado Federal. Dois dias depois o plenário do STF se reuniu em caráter de urgência pra decidir sobre o caso. O resultado do julgamento da liminar de Marco Aurélio todos também já estão sabendo: por 6 votos a 3 os Ministros do Supremo decidiram MANTER o chefe de quadrilha das Alagoas no cargo que ocupa, afastando-o apenas da linha sucessória da presidência do país. Uma decisão que significou várias paradas, entre elas: se de onde deveria partir o exemplo CORRETO de RESPEITO à Lei, isso não aconteceu, então por que você aí, cidadão comum que está enfretando uma ação penal (por qual motivo seja) vai ACEITAR uma decisão judicial desfavorável a você? Pelo jeito é mais fácil tacar o foda-se e dizer: “não vou cumprir, e daí?”. De modos que além de toda a crise pela qual estamos passando nesse momento acabamos de ver enterrada aqui também um dos preceitos BÁSICOS da Lei: a de que decisão judicial não se discute, se CUMPRE. Pelo visto nem isso mais existe nesse triste Brasil a partir da atitude de enfrentamento do “coronel” Renan, que HUMILHOU o STF – e a Corte aceitou essa humilhação de cabeça abaixada. E assim seguimos aqui… Brasília segue DESTRUINDO o restante do país. Os IMUNDOS políticos brasileiros há muito já perderam totalmente qualquer resquício de vergonha. CAGAM em cima de toda a população e legislam apenas em causa própria, como se o restante do país não existisse. Onde tudo isso vai parar, afinal? Como será 2017? Nesse momento estas linhas bloggers sempre dedicadas à cultura pop (mas falando muito sobre a situação política nacional neste editorial e nos nossos posts mais recentes, não há como fugir do tema sob pena de passarmos a impressão de que somos totalmente alienados; não é assim que agem certos blogs “vizinhos” de cultura pop?) nem se arriscam a prever algo – mas achamos que o próximo ano será igual a este, se não for pior. Por isso o que podemos fazer aqui é isso mesmo: lamentar e ficar com a alma aos pedaços ao testemunharmos pessoalmente o DESMONTE do Brasil. Um desmonte que já chegou inclusive e implacavelmente à cena musical independente brazuca. Uma cena que está quase completamente FALIDA, com bares e espaços para shows fechando, bandas acabando ou não levando ninguém aos seus shows etc, etc. Uma situação trágica e que só não é mostrada pelo nosso blog “vizinho”, aquele mesmo que vive numa delirante ilha da fantasia indie, que ENGANA seus pobres leitores (falando de um ridículo boom da cena indie nacional atual) e que não tem a coragem suficiente pra ser sincero e honesto com quem o lê. Iremos, enfim, falar desse assunto melhor nesse post que está começando agora. E também iremos escrever ao menos sobre um assunto bastante agradável: o novo discaço da maior banda de rock de todos os tempos, os Rolling Stones. Pois é… quando tudo parece realmente perdido, só mesmo o ótimo e velho rock’n’roll para dar algum alívio ao nosso coração, à nossa alma e ao nosso sistema auditivo, néan. Bora então ler mais um post zapper. Venha conosco!

 

 

  • Ainda sobre política: a metranca .100 da delação da Odebrecht começa enfim a mirar a QUADRILHA tucanalha. Será que agora o PSDBosta se FODE e CAI?

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  • Enquanto isso o digníssimo juiz Sérgio Moro mostra como é JUSTO e IMPARCIAL em sua atuação profissional, através dessa fotoca aí embaixo, que já VIRALIZOU na web.

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  • E as PANELAS, que fim levaram? Esse mesmo, aí embaixo, uia!

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  • Indo pro bom e velho rock’n’roll: o Jesus & Mary Chain, lenda gigante do rock inglês dos 80’ lança novo disco de estúdio após quase vinte anos de ausência – o último cd, “Munky”, foi editado em 1998. Pois então: “Damage and Joy”, o novo esporro sônico dos irmãos Jim e William Reid chegará ao mundo em março vindouro. Ao vivo o JMC anda capenga há anos já. Mas em estúdio eles continuam mandando muito bem. A conferir então.

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  • Quem também anunciou volta é o barulhento e experimental At The Drive In, cujo último álbum saiu em 2000’. A malokerada está em estúdio trabalhando em novo disco e já soltou no YouTube uma amostra do mesmo, a esporrenta “Governed by Contagions”. Se o cd inteiro for nesse naipe, vai ser uma paulada!

 

  • E mais notícia rocker bacanuda: o genial velhão Neil Young acaba de também soltar na web seu novo trampo, “Peace Trail”, sobre o qual falaremos melhor mais pra frente mas que você já pode escutar integralmente aí embaixo.

 

  • A nota chata da semana: o falecimento do baixista e vocalista Greg Lake, ex-Emerson Lake & Palmer, gigante do jurássico prog rock dos 70’. Lake foi pro saco vitimado por um câncer. Rip.

 

 

  • E não, o blog zapper não vai embarcar na onda de listas GIGANTES com os melhores do ano, aliás já está com o saco bem cheio dessas listas. A nossa, que será publicada no post derradeiro de 2016 (provavelmente na semana do natal), será beeeeem reduzida. Com no máximo cinco discos gringos e uns dois brasileiros. E olhe lá!

 

 

  • IMAGEM TESÃO TOTAL DA SEMANA! – yeeeeesssss! Aí embaixo um APERITIVO para o nosso dileto leitorado macho (cado) da nossa próxima musa rocker. Ela mesma, Marcelle Louzada, 35 anos de puro tesão. Fora que a garota, que faz doutorado em Sociologia e namora com o queridão Jonnata Doll (vocalista dos Garotos Solventes), é total do rock’n’roll. Vão se preparando aê e aguardem o ensaio com ela, que vai ser fodástico!

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  • Nada fodástica é a atual cena indie nacional. Que aliás está FALIDA, ao contrário do que vive babando um certo blog “vizinho”. Mas como Zap’n’roll só fala VERDADES, você confere aí embaixo um retrato FIEL e PRECISO de como anda a indie scene rock brazuca atualmente. Bora lá!

 

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ESPECIAL A REAL CENA INDIE NACIONAL ATUAL: BARES E ESPAÇOS PARA SHOWS ALTERNATIVOS FECHANDO, BANDAS TOCANDO PRA NINGUÉM ETC. E ENQUANTO ISSO O BLOG “VIZINHO” POBRELOAD CONTINUA ILUDINDO SEU LEITORADO COM SUA ILHA DA FANTASIA EDITORIAL, CHAMADA DE “BOOM DO INDIE NACIONAL”, UIA!

Está sendo mais uma semana infernal a que está terminando entre hoje (sexta-feira) e amanhã (sabadão em si). Mais uma semana onde o país vira lata total (nosso pobre Brasil) se vê cada mais vez mais atolado na merda de uma crise política e econômica (ambas alimentadas por escândalos de corrupção infindáveis) que parece interminável e que pode DERRETER por completo o país a qualquer momento. Incluso nesse derretimento total a nossa querida e, nesse momento, triste e maltratada cena musical independente.

Yep, a indie secene rock brazuca também está sofrendo com a crise monstro que se abateu sobre o bananão tropical. E como está… sinceramente, Zap’n’roll queria sempre trazer em cada novo post somente boas notícias para seu dileto leitorado. E especificamente nesse post até há ÓTIMAS notícias (o novo discão dos Rolling Stones, o novo álbum do velhão e genial Neil Young, as voltas do Jesus & Mary Chain e At The Drive In etc). Só que, INFELIZMENTE, nenhuma dessas notícias se refere ao rock brasileiro (ele existe ainda?), seja ele mainstream (ainda existe?) ou independente (está às portas da morte também). Mais IRRITANTE ainda é se dar conta de que, diante do quadro tenebroso que estamos vendo atualmente, um blog de cultura pop outrora respeitado na web BR, o Popload, escrito pelo jornalista Lúcio Ribeiro (hoje mais empresário da noite do que propriamente jornalista e blogueiro), INSISTE em iludir seu ainda fiel séquito de leitores com uma série editorial intitulada “O boom da cena indie nacional”, uma autêntica ILHA DA FANTASIA INDIE que vende a (falsa) idéia de que a cena alternativa brasileira atual nunca esteve tão bem. Não está. Aliás está atravessando um dos seus PIORES momenos desde que o autor destas linhas bloggers rockers acompanha essa mesma cena, há mais de vinte anos já.

Exagero do blog zapper? Infelizmente não – até gostaríamos que fosse exgero e pessimismo exacerbado nosso. Mas ao longo desse infernal 2016 que insiste em não morrer (mas que felizmente irá desaparecer pra sempre em mais três semanas; pena que 2017 vem aí aparentando ser tão cruel ou PIOR do que este ano está sendo, em todos os sentidos possíveis) as PÉSSIMAS notícias para a indie scene foram se acumulando durante as semanas e os meses do ano. Só o blog “Pobreload” foi vendo o contrário. E por certo nosso “vizinho” não foi vendo (e muito menos comentando) o fechamento de bares e espaços para shows lendários e históricos da noite under paulistana, como o Astronete (que encerrou atividades em 2015 mas cuja repercussão do seu fechamento permanece até hoje) e o Hangar110. Mais? Todo mundo já está sabendo que amanhã, sabadão, dia 10 de dezembro, o Matrix também vai se despedir após mais de duas décadas de funcionamento (e já falamos bastante sobre o que foi o Matrix e sobre seu desaparecimento em nosso post anterior a esse, vai lá dar uma conferida no texto) na capital paulista. Não só: o também já clássico Inferno Club, no baixo Augusta, e que durante uma década abrigou shows nacionais e gringos sensacionais (o blog assistiu ali uma inesquecível gig do grupo americano Bellrays), além de ótimas festas onde abundavam xoxotões total lokas e repletas de tatuagens, anunciou o fim de suas atividades. O club ainda irá ter eventos até o final deste mês de dezembro. Com o apagar das luzes de 2016 o Inferno também irá extinguir seu fogo.

Veja bem: no parágrafo acima o blog se deteve APENAS na questão do fechamento de espaços para shows e bares dedicados ao rock alternativo na capital paulista (e nem vamos entrar em outros pontos relativos aos espaços que ainda estão funcionando, como o fato de muitos deles simplesmente não promoverem mais shows ao vivo porque isso não atrai mais público, ou pior ainda: outros aderiram ao esquema “open bar PORQUEIRA”, com entrada a preço fixo e bebida ruim avonts mais discotecagem que mistura funk, eletronices e UM POUCO de rock’n’roll, o que tem garantido uma até certo ponto rentável sobrevida a esses espaços). Quando o assunto se amplia para bandas e locais para apresentações ao vivo então, aí o buraco parece não ter fundo. De anos pra cá a cena indie nacional CRESCEU em tamanho e quantidade de bandas? Sim, certamente. Mas ao mesmo tempo também aumentou (e muito) a indigência qualitativa e artística dessas bandas, o que acaba tornando as mesmas quase que completamente (em sua grande maioria) IRRELEVANTES para o público. Hoje em dia, graças às facilidades tecnológicas da era da web, todo mundo consegue gravar um disco até mesmo no quintal de casa. E também graças a essa mesma tecnologia todo mundo posta o que gravou na internet (no YouTube, no Instamerda, nas redes sociais e plataformas diversas, como Deezer, Bandcamp, Soundcloud e os caralho) e se sente imediatamente um pop star, ulalá! Quando o “artista” então estoura em “curtidas” na sua página no faceboquete, aí fodeu! O ego vai pras alturas e o sujeito se sente o máximo. Isso tudo é lindão… no mundo surreal e IRREAL da nuvem virtual e ilusória das redes sociais e do blog Pobreload, claaaaaro. Porque quando a banda da esquina marca um show em qualquer espelunca ainda com espaço disponível para gigs e abre evento no Facebook, com 500 “fãs” confirmando “presença” na parada e na hora surgem de fato no local apenas uns 30 gatos suados e pingados (menos de 10% do total dos que haviam confirmados VIRTUALMENTE que estariam presentes na bagaça), a CHORADEIRA é gigante, gritante e geral. E não adianta a banda da esquina ter já 50 mil fãs em sua pagina na rede social MENTIROSA: ela, a banda, irá continuar AMARGANDO fazer sets ao vivo para vinte ou trinta malucos (metade deles, vale ressaltar, entrando na faixa, com o nome na lista vip por serem amigos ou parentes dos músicos).

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As bandas The Baggios (acima, de Sergipe) e Maglore (abaixo, da Bahia) que tocaram ontem à  noite no Centro Cultural São Paulo, dentro da programação do festival SIM São Paulo: dois bons grupos que sofrem os efeitos da crise em cima de uma cena alternativa quase falida (fotos: Jairo Lavia)

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Enfim, uma situação desalentadora em todos os sentidos. E que infelizmente atinge inclusive as bandas ÓTIMAS que ainda existem na cena independente brasileira – sim, essas bandas são muito poucas atualmente, mas existem e resistem. Exemplos dessa situação trágica abundam: semanas atrás o incrível Los Porongas (do Acre e que reside há quase uma década em São Paulo) tocou para menos de cinqüenta pessoas no badalado Z Carniceria, na zona oeste de Sampa. Semanas depois foi a vez de Rios Voadores (de Brasília) e Jonnata Doll & Os Garotos Solventes (de Fortaleza mas morando em Sampalândia), duas das MELHORES bandas da atual cena indie nacional e que lançaram dois dos MELHORES discos nacionais deste ano (até o momento), também tocarem para um público bem reduzido (ainda assim e felizmente, um pouco mais numeroso do que o que viu a apresentação dos Porongas) no mesmo Z Carniceria. Quer mais? Tem mais (ou menos, na verdade): a Luneta Mágica, de Manaus, é outro nome espetacular da cena alternativa brasileira. Já estão com dois ótimos discos lançados. E mesmo assim enfrenta dificuldades atualmente para marcar shows e tocar até mesmo na capital do Amazonas, cidade natal do conjunto.

De dez anos pra cá talvez o único grupo que se tornou realmente GRANDE na cena independente (tocando atualmente sempre pra platéias com no mínimo quinhentas pessoas) é o cuiabano (também residindo em Sampa há anos já) Vanguart, descoberto por este blog mesmo há mais de uma década na capital do Mato Grosso, quando para lá fomos para cobrir um festival alternativo em pleno carnaval. E nessa última década a situação só piorou para a indie scene nacional. Bandas surgem e desaparecem aos montes, todos os dias. As que sobrevivem, mesmo tendo um ótimo trabalho, só ganham algum dinheiro quando conseguem emplacar uma apresentação em algum SESC da vida (e que paga cachês em torno de R$ 6 mil temers mesmo a grupos iniciantes), mesmo que o show não tenha público algum. Ou então conseguem boa exposição na mídia (o que não significa retorno financeiro ou de público imediato) quando se encaixam em eventos como o SIM, que está acontecendo essa semana em São Paulo: trata-se da Semana Internacional de Música, que espalhou por vários locais da cidade uma extensa programação composta de shows ao vivo, palestras, mesas de debates, exibições de filmes e vídeos etc. Tudo isso tentando atrair um público que custa cada vez mais a dar as caras em gigs de bandas indies, mesmo que algumas poucas delas sejam ótimas (a grande maioria é ruim de doer). Foi o caso dos shows acompanhados pelo blog zapper ontem à noite no Centro Cultural São Paulo, quando subiram ao palco o The Baggios (de Sergipe) e o Maglore (da Bahia). Dois conjuntos decentíssimos em suas acepções sonoras e que, milagrosamente, conseguiram atrair um bom número de espectadores para o CCSP. Detalhe: a entrada para os shows foi GRATUITA.

Fora que eventos como o SIM São Paulo só conseguem se viabilizar quando a produtora responsável consegue captar alguns milhares (ou milhões, dependendo do caso) de reais junto a patrocinadores, públicos ou privados, algo que também está cada vez mais impossível de acontecer nesses tempos mega bicudos pelos quais estamos passando. No caso do SIM (que já está em seu quarto ano de realização) a organização conseguiu bons patrocínios da cerveja Skol, da Coca-Cola, do ProacSP (programa de incentivo à Cultura do governo paulista) e do BNDES. E quem não consegue entrar numa benesse desse tipo ou não tem a sorte de descolar uma MAMADA desse naipe, se vira como pode. Exemplo desse “se virar como der” e da resistência FONOGRÁFICA independente a essa crise gigantesca pode ser vista na atuação do selo paulistano Baratos Afins, coligado à já histórica loja do mesmo nome. Capitaneada há mais de trinta anos pelo produtor Luiz Calanca (dileto amigo pessoal destas linhas rockers virtuais), a Baratos conseguiu lançar em 2016 cinco novos CDs, sendo o mais recente deles da banda de hard rock Kamboja (sobre o qual o blog irá falar melhor até o primeiro post de 2017). Mas o próprio Calanca admite que os tempos estão muito mais difíceis do que até poucos anos atrás.

É essa a REAL situação da REAL cena indie nacional. Infelizmente. Mas é claro que alguns ainda preferem enxergar a dura e triste realidade de outra forma, como o blog PobreLoad (e sendo justos aqui: prezado Lúcio Ribeiro já foi um jornalista importantíssimo na imprensa de cultura pop nacional, além de bom amigo zapper durante muitos anos; agora além de estarmos com a relação de amizade um tanto “azedada” por divergências de opinião profissional e ideológica, estas linhas bloggers lamentam que Luscious tenha se tornado um jornalista PREGUIÇOSO e quase total chapa branca, que fala bem de tudo e para quem está tudo LINDO no rock e na cena indie nacional, ahahahaha). Enquanto isso essa cena só definha. Pois o que resta a nós é justamente isso: torcer no final deste tópico especial para que a cena rock alternativa brasileira se recupere e volte aos seus dias de glória, como foi no anos 80’ e 90’. E se essa recuperação vai de fato acontecer, só o tempo dirá.

 

OS IMORTAIS ROLLING STONES ESTÃO DE VOLTA, COM UM DISCAÇO DE… COVERS DE CLÁSSICOS DO BLUES

Com cinqüenta e quatro anos de INESTIMÁVEIS e ESPETACULARES serviços prestados ao rock’n’roll mundial, os “vovôs” ingleses dos Rolling Stones (a maior banda de todos tempos, que já está acima do bem e do mal e que é o grupo supremo no coração zapper) voltam a surpreender o mondo rocker quando ninguém mais esperava lá um grande lançamento de estúdio com a assinatura do conjunto. Pois “Blue & Lonesome”, lançado pela turma de Mick Jagger, Keith Richards, Ronnie Wood e Charlie Watts há cerca de duas semanas não apenas salva o ano rock de 2016 (e até quase seu final se mostrava como um dos PIORES dos últimos tempos, em termos de novos discos), como ainda traz os RS em seu melhor momento desde, talvez, “Tattoo You”, o hoje já clássico álbum editado por eles em 1981. E detalhe: a nova obra stoniana, como milhões de fãs já estão sabendo, não traz composições inéditas do conjunto mas sim… uma impecável reunião de doze covers de clássicos do blues.

E há outros detalhes que também chamam a atenção em relação ao novo trabalho musical dos Stones. A banda não lançava um cd inédito há mais de uma década –  “A Bigger Band”, o registro de estúdio anterior, saiu há onze anos, em 2005. Pois após esse gigantesco período de “férias”, deu a louca em Jagger e cia: do nada eles resolveram se enfurnar em um estúdio em Londres, em dezembro de 2015. E não precisaram do que mais de três dias (!!!) para sair de lá com esse “Blue & Lonesome” totalmente gravado. Sendo que a opção por resgatar clássicos da história do blues a essa altura da existência da banda, parece fazer todo o sentido do mundo. Afinal e mesmo sendo quem são (a maior banda de rock’n’roll de todos os tempos), os Stones não se viram imunes à passagem do tempo e ao desgaste criativo e artístico. Tanto é que suas últimas tentativas de continuar produzindo material próprio e inédito, soaram bastante sofríveis (o citado “A Bigger Bang”), quando não francamente consgtrangedoras (caso de “Bridges To Babylon”, lançado pelo grupo em 1997 e que merecidamente desapareceu da memória até dos fãs mais mais aguerridos).

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O novo discaço da maior banda de rock de todos os tempos: só covers de clássicos do blues

Assim a opção por regravar clássicos da história do blues soa perfeitamente compreensível: ao invés de arriscar gravar novas composições inéditas e que pudessem novamente atestar o desgaste criativo do conjunto, os Stones fizeram um mergulho e uma viagem sem nostalgia às suas raízes bluesísticas – yep, a matriz sonora do grupo sempre foi o blues e o R&B, algo totalmente perceptível nos primeiros discos lançados pela banda. O resultado desse mergulho é algo portentoso: em doze faixas os “vovôs” dão sua visão sonora a canções de bluesmen lendários como Howlin’ Wolf, Memphis Slim, Little Water e Willie Dixon, de quem regravaram o imbatível clássico “I Can’t Quit You Baby” (e que anteriormente já havia sido “coverizada” por outro monstro da história do rock, o Led Zeppelin, que fez uma versão pesadíssima da música no seu disco de estréia, em 1969). Não só: os dois primeiros singles extraídos do disco (e que já ganharam vídeos promocionais) mostram a potência implementada pelo conjunto às regravações, e aí é um prazer ouvir Mick Jagger alternando vocais bluesy com solos de harmônica em “Hate To See You Go”. Ou ainda ver o trabalho de guitarra do gênio imortal que é Keith Richards em “Ride ‘Em On Down”.

Não teve erro, não deu ruim. Com “Blue & Lonesome” a maior banda de rock de todos os tempos apenas ratificou o que todos nós já estamos carecas de saber: quando os Stones querem APAVORAR, eles apavoram. E sem a existência desses velhões imbatíveis, o rock teria deixado de escrever e legar para a história da música muitas de suas paginais mais incríveis. Ainda bem que eles existem e que ainda estão aí, em plena atividade. Pois que não nos deixem órfãos tão cedo.

 

 

O TRACK LIST DO NOVO DISCO DOS ROLLING STONES

1.”Just Your Fool”

2.”Commit a Crime”

3.”Blue and Lonesome”

4.”All of Your Love”

5.”I Gotta Go”

6.”Everybody Knows About My Good Thing”

7.”Ride ‘Em On Down”

8.”Hate to See You Go”

9.”Hoo Doo Blues”

10.”Little Rain”

11.”Just Like I Treat You”

12.”I Can’t Quit You Baby”

 

 

“BLUE & LONESOME” PARA AUDIÇÃO COMPLETA, AÍ EMBAIXO

 

E OS DOIS PRIMEIROS VÍDEOS TIRADOS DO ÁLBUM

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

Disco: o novo e fodástico dos Rolling Stones, óbvio.

 

Livro: “A segunda mais antiga profissão do mundo” (editora Três Estrelas) reúne textos publicados pelo genial, saudoso e inesquecível Paulo Francis no jornal Folha De S. Paulo, nos anos 90’. É um livro ESSENCIAL para se compreender boa parte da história política e cultural brasileira nas últimas três décadas, além de uma AULA de jornalismo onde Francis, impecável como sempre foi em seu trabalho, mostra para a geração atual porque ele foi talvez o maior nome da imprensa nacional  nos anos 70’, 80’ e 90’. A escrita de PF carregava tudo o que falta à mídia nos dias de hoje: honestidade, sinceridade, virulência, cultura, informação, elegância e erudição. Ele faz muita falta. Mas ao menos podemos relembrar sua pena magnífica através desse volume imperdível.

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Gig total rock’n’roll pra hoje: os Pin Ups, ícone máximo do indie guitar noise paulistano e nacional dos 90’, continuam a toda ao vivo. E fazem a última grande balada noturna alternativa do ano hoje, sextona em si (16 de dezembro, quando esse postão está enfim sendo finalizado), lá no Z Carniceria (que fica na avenida Faria Lima, 724, Pinheiros, zona oeste paulistana). A banda sobe ao palco por volta da meia-noite e é a pedida imperdível pra hoje à noite, sendo que mais infos sobre o show você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/1116619501802465/.

 

Evento bacana para janeiro: é o festival “Volume Morto”, qie vai rolar dia 15 do mês que vem, logo  no comecinho de 2017, em Sampa. Organizado por Jonnata Araújo (vocalista dos esporrentos e ótimos Garotos Solventes), vai reunir shows de várias bandas alternativas, exposições, performances e até LEITURAS, a cargo de Zap’n’roll (que foi convidado a participar, aceitou e ainda vai estudar o que irá ler no palco, durante um dos intervalos entre as gigs dos grupos que irão tocar). Vai ser num domingão, e promete ser bacanão sendo que voltaremos a falar do assunto após as férias do blog, que começam semana que vem. Mas você já pode ir se agendando pra curtir a parada, e se informar sobre ela aqui: https://www.facebook.com/events/2063098163916451/.

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Baladas para este finde: final de ano já aí, natal e reveillon se aproximando e as baladas under já também tirando o time de campo. Assim, fora o showzão de hoje à noite dos Pin Ups, pouco há pra se fazer neste finde em Sampa, sendo que semana que vem todo mundo já estará pensando mais é em pular fora de Sampalândia pra algum lugar sussa e sem a correria infernal da capital. Bien, hoje também tem show da lenda Harry (junto com o Garage Fuzz) lá no Torto Bar, em Santos (avenida Siqueira Campos, 800).///Sabadão? Boa pedida é ir tomar uma breja no bar teatro Cemitério De Automóveis, do queridão Mario Bortolotto, lá na rua Frei Caneca, 384, Consolação, centro de Sampa.///E domingão, como sempre, é noite de projeto Grind na Loca (rua Frei Caneca, 916), a melhor domingieira rock’n’roll de Sampa e há dezoito anos (!!!) comandada pelo super dj André Pomba. Falouzes? Então capricha no modelon e se joga!

 

E FIM DE FEIRA

Yep. Postão chegou ao fim. E com ele esse 2016 dos infernos também está indo finalmente e felizmente pra casa do caralho. Semana que vem voltamos com o ÚLTIMO post do ano do blog zapper. Publicando nele nossa rápida e pequena lista com os melhores discos do ano. E TAMBÉM, de presente de natal, um ENSAIO FOTOGRÁFICO rock’n’roll que vai enlouquecer nosso dileto leitorado, ainda mais nesses tempos total reaça em que estamos vivendo. Pela primeira vez o blog irá mostrar um CASAL rocker bacaníssimo em sua INTIMIDADE. Ficou curioso? Beleusma: deixamos já aí embaixo, pra fechar este post, um APERITIVO do que virá na semana que vem. Apreciem sem moderação. E até a próxima!

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(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 16/12/2016 às 17hs.)