O blog de rock alternativo e cultura pop mais legal e LONGEVO da web BR está voltando, calma! E virá já comemorando seus quinze anos de existência, com nova linha editorial e outras novidades, pode esperar!

IMAGEMRADIOHEADLIVESP18II Zapnroll começa a comemorar sua década e meia de existência a partir do mês que vem; para tanto o blog de rock alternativo e cultura pop mais legal da web BR vai mudar sua linha e seu foco editorial, se voltando mais para o PASSADO do que para o presente ou mesmo para o ultra SOMBRIO FUTURO da cultura pop; e sendo que GIGANTES como Radiohead (acima, que tocou no último finde em Sampa, em performance bacana mas inferior a de quase dez anos atrás) e o inesquecível David Bowie SEMPRE terão espaço por aqui! IMAGEMBOWIEHEROESII

Entonces: estão com saudades do espaço blogger/rocker mais legal da web BR já há década e meia? Nós também estamos, hehe. Por isso estivemos fora do ar por algum tempo. Para ajustar a nova linha editorial (que virá em breve com algumas novidades), a nova imagem, o novo visual da capa do blog etc. De modos que tudo isso deverá entrar no ar até o final agora deste mês de abril, sendo que o que podemos adiantar é que Zapnroll irá voltar mais seus olhos e seu foco para o PASSADO (!!!).

Yep, isso mesmo: iremos deter nossa linha editorial (ou boa parte dela) na gigantesca relevância que o grande rocknroll já teve na história da música mundial. E o motivo para isso é muito claro, simples e está aí à vista (ou aos ouvidos) de todos: o rock e a cultura pop mundial foram mesmo para o fundo da LATA DO LIXO da história na era escrota da web. E pelo jeito não irão mais sair de lá. De que adianta então tentar descobrir, caçar e empurrar goela abaixo do nosso sempre amado leitorado “novidades” estúpidas, imbecis mesmo, sem estofo e importância musical e artística alguma e que em questão de semanas (ou até mesmo dias) ninguém mais irá lembrar? Essa tarefa (de ficar gastando tempo e espaço com este tipo de novidade completamente INÚTIL) iremos deixar para “vizinhos” e “colegas” que sabem fazer isso bem melhor do que este espaço virtual. Gente tipo “Tenho mais discos que amigos” ou mesmo aquele célebre “brogui” que já foi referencia em termos de rock alternativo e que hoje vive às moscas com suas micro postagens diárias eivadas de bobagens.

Assim, ficamos assim (rsrs): gigantes como David Bowie, Radiohead (que fez um show bacana no último finde em Sampa, mas não tão bacana quanto há quase uma década aqui mesmo, na capital paulista) e Stanley Kubrick (cuja obra prima “2001 – Uma odisseia no espaço”, está completando meio século de existência, sendo que é um filme que continua atualíssimo e até à frente do nosso tempo, ainda mais em um tempo onde o cinema também se tornou um rebotalho boçal de ideias) irão sempre ter total e merecido espaço por aqui. Novidades, se é que elas ainda existem? Também se farão presentes no blog zapper, mas apenas se merecerem MUITO estar aqui.

É isso. Até o final deste mês voltamos aos trampos, com postão e tudo, okays? Mais um pouco só de paciência então e logo a gente volta a bater papo por aqui. Inté!

Adendo: e claaaaaro, haverão algumas festas alusivas aos quinze anos do blog, a partir do mês que vem em Sampa, com DJs set no Grind (do super DJ André Pomba), no Bar do Netão (no baixo Augusta) etc. E em AGOSTO (ahá!) sim, haverá a grande festa de aniversário deste espaço online, com bandaça ao vivo em um dos melhores espaços para shows alternativos da capital paulista. Aguardem!

(enviado por Finatti às 16:15hs.)

MAIS UMA AMPLIAÇÃO EXTRA: Rip Marielle Franco, HEROÍNA de um país que já deixou há muito de ser NAÇÃO! E mais, com o blogão/postão lamentando o fim do semanário musical inglês New Musical Express e também a morte do músico Junior Bertoldi, além de mostrar como a Secult/SP está dando apoio total ao rock em um momento em que o gênero precisa de todo o apoio possível – O rock está MORTO nos anos 2000 e na era escrota da web? Bora então festejar a volta de bandas já velhonas como as Breeders, que acabou de lançar seu primeiro disco em uma década; a Luneta Mágica, quinteto psicodélico/folk fodástico de Manaus e que foi apresentado ao grande público na internet pela primeira vez pelo blog zapper, chega a São Paulo esta semana para se preparar para fazer uma gig na edição deste ano do gigante festival Lollapalooza BR, no final do mês (e de quebra, bate um papo com este espaço popper online); os cinco anos sem o ANARFA e IMBECIL Chorão (finado vocalista do MEDONHO Charlie Brown Jr.) despertam mezzo comoção nas redes sociais e só reafirmam que a geração 2000 da música pop BR segue descendo ladeira abaixo na boçalidade cultural e artística; mais um novo projeto alternativo bacana para animar as noites de domingo na Grande São Paulo e a nossa PRIMEIRA MUSA ROCKER deste ano: a gatíssima e incrível tatuadora rocker Cris Dias, dileta amiga deste jornalista loker, fã de grande literatura e de grande rocknroll, wow! (postão COMPLETÃO e MEGA AMPLIADO, finalizado em 17/3/2018)

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O rock pode estar quase morto mas a cultura pop se transforma, se atualiza e segue na luta pela sobrevivência, com veteranos como as Breeders (acima) lançando novos discos inéditos, e a nova geração rocker mostrando a sua força através de grupos incríveis, como o amazonense Luneta Mágica (abaixo); uma banda tão incrível quanto a nossa primeira musa rocker de 2018, a gataça Cris Dias (abaixo)

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EXTRAS DO EXTRA DA MICROFONIA

***Sem muito a comemorar no país que não é mais nação, e onde agora até uma jovem vereadora negra, guerreira, combativa e que lutava pelos menos favorecidos, foi covardemente abatida a tiros na semana que está findando, no Rio De Janeiro. Comoção nacional e mundial. E Zapnroll apenas diz: rip, heroína Marielle Franco. Somos TODOS VOCÊ!

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***Tem duas festonas bacanudas nessa noite de sábado, 17 de março, em Sampa. Uma delas é a nova edição do festival Volume Morto, organizado pela turma genial do Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, e que rola no bar Zé Presidente, em Pinheiros, com diversos shows, DJs set e os caralho. Tudo sobre a festa aqui: https://www.facebook.com/events/351736938635987/.

 

***A outra festa é o niver de um ano do Bailindie da Saudade. Aquele mesmo, que reúne os “velhinhos” quase da terceira idade (como o autor deste blog, rsrs) e de bengalinha, pra dançar o melhor do indie rock dos 80 e 90. Vai acontecer no sempre ótimo Clube VU, na Barra Funda. Sendo que todas as infos sobre você pode ver aqui: https://www.facebook.com/events/222170778340659/.

 

***E por fim, todos estão mais do que convidados para a nova noite de autógrafos do livro “Escadaria para o inferno”, que acontece em Sampa, no Espaço Cultural Presidenta no próximo dia 23 de março, sextona em si. Vai ter show acústico de Jonnata Doll, DJ set dele também e muito mais. E o livro à venda, claro! Beleusma? Então tá: nos vemos por lá semana que vem. Até!

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MAIS MICROFONIA

 

***Rip NME: O FIM DEFINITIVO DE TODA UMA ERA, DO JORNALISMO ROCK E DA CULTURA POP MUNDIAL – acabou anteontemontem. Poxa… Zapnroll chegou a ter dezenas de exemplares das edições impressas (importadas), que comprava na banca da esquina da avenida Ipiranga com a São Luis (no centro de Sampa, a banca está lá até hoje), e acha que ainda tenho algumas edições guardadas. Isso há uns 25 anos, tempo em que também cansou de comprar a The Face, a Melody Maker e até a I-D. “Nos últimos anos a NME veio perdendo relevância, como de resto todo tipo de crítica. Em um ambiente pulverizado, no qual todo mundo é crítico e todo mundo tem certezas e todo mundo grita, mesmo sem NENHUMA QUALIFICAÇÃO, veículos norteadores de tendências, como a NME, perderam a razão de ser” (trecho do texto escrito pelo Álvaro Pereira Jr, sobre o fim do semanário musical inglês. Aliás o blog adorava ler a coluna “Escuta Aqui”, que o Álvaro escrevia semanalmente no extinto caderno Folhateen, da FolhaSP, lá pelos idos de 1995). É isso. A MALDITA era da internet ACABOU com tudo: com a música e o rock de qualidade, com o JORNALISMO MUSICAL de qualidade, e com todo o resto. Foram-se o glamour, a relevância e a poesia que havia no jornalismo musical impresso, em ler aquelas matérias todas e, no nosso caso, em PRODUZIR essas matérias. E ainda bem que estamos com 5.5 nas costas e vivemos a melhor época de tudo isso. E ainda bem que não estaremos vivos para ver como o mundo musical e a cultura pop irão se tornar daqui pra frente cada vez mais chatos, enfadonhos, sombrios e sem importância alguma na existência cada vez mais BOÇAL da raça humana. Rip, NME. Foi ótimo enquanto durou. Deixará saudades imensas. Abaixo, algumas das capas INCRÍVEIS do semanário musical inglês, que tornou nossa existência menos insalubre e cinza ao longo de mais de seis décadas. Todo mundo que IMPORTOU DE VERDADE na história do rock esteve na capa da NME. Sem mais.

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***PRÊMIO GOVERNADOR DO ESTADO 2018, OU SOBRE ENALTECER QUEM DE FATO TRABALHA PELO ROCK E PELA CULTURA, INDEPENDENTE DE QUESTÕES PARTIDÁRIAS E/OU IDELOGICAS – O autor deste blog esteve na Secretaria Estadual Da Cultura SP anteontem, quinta-feira (o postão zapper está sendo finalizado no sábado, 10 de março), onde aconteceu a última reunião da comissão da qual fomos integrantes (a que definiu os concorrentes, na área musical, ao Prêmio Governador Do Estado 2018). Mais uma vez um encontro bacana e de clima mega agradável. Saímos muito contentes de lá. E por quê? Por alguns motivos. Talvez o principal deles seja que, questões políticas e ideológicas à parte (e todos que acompanham este espaço virtual de cultura pop sabem da nossa preferência político/ideológica) e antes que alguém nos acuse de estar se tornando um “coxinha” de centro-direita (uia, rsrs), Zapnroll se deu conta mais uma vez de que a Secult SP está de fato com uma equipe bacana, de pessoas que trabalham, pensam, vivem e respiram a cultura como um todo e de forma séria e apaixonada.  Basta ver o currículo e a trajetória do Secretario José Luiz Penna: ele já foi músico de banda de rock na juventude, foi filiado ao Partido Comunista Brasileiro, foi ator de teatro. Ou seja, é alguém de fato do ramo e digno dos maiores aplausos pelo trabalho que está desenvolvendo à frente da Pasta. Fora que o nosso amado Pomba (amigo pessoal do Penna) também está na Secult. E esse “baixinho” adorável e nosso melhor amigo há 25 anos, é total do rock como também somos. Por isso mesmo Finaski está mais orgulhoso do que nunca em ter tido participação direta e decisiva na indicação do ótimo Jonnata Doll & Os Garotos Solventes (uma das poucas e das melhores bandas alternativas do que resta de bom no novíssimo rock BR) para concorrer como melhor artista de música, entre os cinco indicados finais e que estão recebendo votação pública através do site da Secretaria (link aí embaixo, no final do texto). Num momento em que o rock, enquanto gênero musical, está passando por um momento crítico (com falta quase total de público e de repercussão junto à mídia), apenas o fato de Joninha e seus guris solventes estarem na disputa decisiva pelo grande prêmio já é uma imensa VITÓRIA nesse momento para todos nós que amamos o rocknroll. A cerimônia de entrega do Prêmio é no próximo dia 26 de março, no teatro Sérgio Cardoso (evento apena para convidados, sorry). E entre os concorrentes na categoria música está um gigante como Mano Brown, vocalista dos Racionais MCs. Mas na boa? Botamos fé que o nosso rock alternativo poderá SURPREENDER na hora decisiva. A conferir, sendo que você pode participar e ajudar Jonnata Doll a ganhar indo aqui: http://premiogovernador.sp.gov.br/2018/votacao-musica.php.

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Zapnroll ao lado do Secretário Estadual da Cultura/SP, José Luis Penna, na última quinta-feira, na sede da Secretaria: sob a gestão dele o rock felizmente e acertadamente está ganhando espaço em um momento em que o gênero perde público e espaço na mídias tradicionais

 

***Rip Junior Bertoldi – nenhum site/blog daqueles que se acham/julgam especializados em cultura pop e rock alternativo (como os famigerados “Pobreload” ou “Tenho mais discos que amigos”) deu a notícia. Muito menos sites maiores como o da decadente revista Rolling Stone Brasil. De modos que não podemos deixar de mencionar o triste acontecimento: no último dia 16 de fevereiro faleceu em Osasco (Grande São Paulo) o querido Junior Bertoldi. Durante quase três décadas Juninho (como era conhecido pelos amigos e no meio musical e rocker) esteve total envolvido na cena rocknroll paulista/paulistana, atuando como músico (fazia parte do duo Troll Porrada Sonora, há mais de vinte anos), produtor (tinha um estúdio muito requisitado em Oz) e organizador de eventos musicais. Sempre super gentil, simpático e de bom humor, Bertoldi sempre fez o que pôde em prol da cena rock alternativa, sendo que o blog zapper atuou por um tempo como assessor informal de imprensa da banda Troll. Ele vai fazer falta numa cena que já está bastante pobre e carente de ótimos elementos por si só. Junior tinha 50 anos de idade e lutava contra um câncer no intestino. Rip, Juninho! Anime o céu por nós com incríveis sets total rock!

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Juninho Bertoldi, da banda paulista Troll: morte prematura encerra carreira bacana na cena rock alternativa de SP

 

***E agora chega, néan. Fim de papo também para as notas do Microfonia sendo que elas voltam em nosso próximo post inédito, beleusma? Nozes!

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MICROFONIA

(reverberações da cultura pop e do mondo rocker alternativo)

 

***MINI EDITORIAL ZAPPER: A INUTILIDADE QUE SE TORNOU ATUALIZAR POSTS COM FREQUENCIA NA BLOGOSFERA BR EM TEMPOS DE FALÊNCIA DA CULTURA POP – yep, o ritmo de atualizações de Zapnroll diminuiu bastante de meses pra cá, assumimos. Isso é reflexo direto dos tempos atuais, da irrelevante era da web que jogou a cultura pop e o rock planetário alternativo (e o que resta do mainstream) em igual irrelevância. Com a música pop lá fora sendo dominada por gêneros mais superficiais (na construção sonora e nas letras total fúteis e superficiais) e amparados inevitavelmente em ambiências eletrônicas, e aqui o ambiente sonoro sendo dominado por sertanojos, feminejas burronas, funk boçal e axé idem, o nosso eternamente amado rock saiu de cena. Voltou a ser ritmo dos subterrâneos, de nicho especifico de público. Está se tornando algo Cult novamente. E não há luz no fim desse túnel e que indique que ele vá novamente dominar a cena musical mundial (como dominou por quase seis décadas) e mobilizar milhões de fãs. Na real o rock está prestes a virar música de museu, como a música clássica se tornou. E esse panorama bastante desalentador se reflete infelizmente neste espaço virtual. Há tempos já sacamos que não vale mais a pena promover atualizações constantes do conteúdo que publicamos aqui. Um motivo é que não há lançamentos relevantes e noticias idem que justifiquem tais atualizações. E o outro é: de que adianta atualizar este espaço a todo instante com notinhas inúteis e que não farão diferença alguma na vida do nosso dileto leitorado? Blogs “vizinhos”, no desespero de se manterem “atualíssimos” e relevantes, publicam várias micro notas diárias que rendem míseros likes e compartilhamentos em redes sociais. O motivo é óbvio: ninguém mais dá importância ao que não importa nem um pouco na música. Então o blog zapper irá preferir manter esse ritmo e esse estilo que já o consagrou: postagens com maior espaço de tempo nas atualizações (de quinze em quinze dias, no mínimo) e conteúdo sempre grandinho, quase uma coluna quinzenal sobre o que de fato ainda importa na cultura pop (e que está infelizmente cada vez menos importante, jornalisticamente falando). Os fakes que pululam em nosso painel do leitor podem latir avonts contra isso, é bem a cara cuzona e covardona deles. Fato é que o post anterior manteve a média de mais de 150 likes e compartilhamentos, o que nos deixa bastante satisfeitos em um tempo onde a “concorrência” pobreloader amarga quase estáticos 19 curtidas em suas postagens inúteis. De modos que vamos em frente, neste 2018 em que Zapnroll chega a uma década e meia de existência.

 

***Oscar 2018 – como faz já há anos o blog se ateve apenas ao que de fato interessa (ao menos para nós) nas cada vez mais sacais cerimônias de entrega do Oscar: as categorias principais. Sendo o que o fato de Gary Oldman ter levado a estatueta de melhor ator por “O destino de uma nação” só reforça a nossa vontade de conferir o filme. Sempre achamos Gary um ator de ultra respeito desde o primeiro filme que assistimos com ele no papel prinicpal – “Syd & Nancy”, de 1986, a cinebio algo ficcional da lenda gigante que é Syd Vicious, o sujeito que um dia tocou baixo nos Sex Pistols. Éramos muito jovem então, e ele também mas já dava pistas ali de que teria uma carreira brilhante pela frente (o conde Drácula vivido por ele no filme magistral de Francis Ford Coppola é inesquecível). De modos que estas linhas bloggers irão assistir o longa, e também “The Post”. “A forma da água”? Nope, dispensável e o fato de ter ganho melhor filme só reforça pela enésima vez que a Academia continua sendo caretíssima e continua amando histórias melosas, por mais inusitadas que elas possam ser/parecer.

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Gary Oldman, um gigante do cinema inglês e um dos atores mais versáteis da história do cinema, seja interpretando o punk Syd Vicious (acima, em 1986) ou o lendário primeiro ministro britânico Winston Churchill (abaixo), papel que acabou de lhe valer o Oscar de melhor ator este ano, no filme “O destino de uma nação”

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***Nova festa de lançamento e noite de autógrafos do livro “Escadaria para o inferno”! – yep, ela já tem data e local pra acontecer: vai ser no próximo dia 23 de março, a partir das dez da noite, no bacaníssimo Espaço Cultural Presidenta (onde funcionava o saudoso bar Astronete, na rua Augusta, 335). Vai rolar show do ótimo grupo Psychotria, DJ set zapper e nosso livro estará à venda por lá, claaaaaro!

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“Escadaria para o inferno”, o primeiro livro escrito pelo jornalista eternamente loker/rocker, terá novo lançamento e noite de autógrafos no próximo dia 23 de março, em Sampa; enquanto isso ele segue vendendo e fazendo a alegria de novos leitores, como o José Ramos (acima, o sujeito que comanda o clube Outs/SP), e o Pedro Damian (abaixo), veterano fã da indie rock scene paulistana

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***Bien, postão novo finalmente entrando no ar em sua primeira parte, já no meião da semana. Vamos então ao que sucede de realmente importante abaixo (com papos com a Luneta Mágica, sobre o novo disco das Breeders etc.) e sendo que novas notas deverão aparecer em Microfonia até concluirmos a postagem, lá pro final desta semana, beleusma?

 

 

O GRANDE LUNETA MÁGICA, DO AMAZONAS, DESEMBARCA EM SAMPA PARA UMA LONGA TEMPORADA, E PARA SE FIRMAR COMO UM DOS PRINCIPAIS NOMES DO QUE RESTA DE BOM NO NOVÍSSIMO ROCK ALTERNATIVO BR

Ao longo dos últimos seis anos o grupo de rock/folk/psicodélico manauara Luneta Mágica avançou de forma bastante surpreendente e consistente em sua trajetória musical. Conjunto descoberto e apresentado ao público brasileiro por estas linhas online em agosto de 2012 (ano em que havia lançado seu primeiro disco inédito), a LM desde então editou mais um cd (“No meu peito”, em março de 2015) e o single “Parte” no final do ano passado. E foi construindo uma reputação musical sólida e uma rede de contatos que finalmente começa a render pontos mega positivos agora. A banda, que passou por alterações em seu line up nos últimos anos (atualmente sendo um quinteto integrado pelos músicos Pablo Henrique Araújo, Erick Omena, Eron Oliveira, Daniel Freire e Victor Neves) mas sempre sob o comando do vocalista, letrista, compositor e guitarrista Pablo, ganhou respeitabilidade da imprensa e angariou um grande séquito de fãs graças a uma musicalidade de ambiências bucólicas e contemplativas, e a letras abstratas que evocam imagens pastorais e/ou intensamente amorosas.

Enfim, é esse Luneta Mágica que desembarcou esta semana na capital paulista, onde se encontra desde a última segunda-feira e onde irá permanecer até o final do mês de março, quando irá se apresentar no line up de seu primeiro mega festival, o Lollapalooza BR deste ano. Logo em seguida o conjunto emenda com sua primeira incursão internacional, indo tocar no já também gigante festival SXSW em Austin, no Texas. Sendo que o LM já conseguiu agendar mais cinco gigs em território americano além do show no SXSW. Aproveitando a estadia paulistana, Zapnroll bateu um papo com o vocalista e letrista Pablo Araújo sobre o momento atual do quinteto. Os principais trechos desse papo estão logo abaixo e, depois dele, republicamos a primeira matéria que fizemos sobre a Luneta Mágica aqui mesmo, em agosto de 2012.

 

Zapnroll – A Luneta Mágica está passando por ótimo momento. Com dois excelentes discos lançados e público aumentando cada vez mais na cena independente nacional, está escalada para se apresentar no final deste mês no gigante festival Lollapalooza BR. Como vocês estão encarando esse momento?

 

Pablo Araújo – A gente sempre fica muito feliz porque sabemos que tudo que está acontecendo é fruto do nosso trabalho, sabe? Temos muito carinho pelo que fazemos e sempre tentamos descobrir maneiras inteligentes de promover nosso som.

 

Zap – Desde que a banda se formou em Manaus, houve mudanças no line up dela. Você considera que a formação atual é a ideal? Há quanto tempo ela está junta?

 

Pablo – Penso que todas as pessoas que passaram pela Luneta contribuiram muito pro crescimento da banda, então é justo falar que o fato de estarmos tendo destaque é uma soma de esforços de várias pessoas. A atual formação tem no mínimo 2 anos, está muito afinada e estou esperando que o próximo disco da banda seja algo muito próximo da sonoridade  que buscamos.

 

Zap – O grupo continua residindo em Manaus, que fica muito distante dos centros culturais, digamos, mais efervescentes do Brasil em termos de rock, como São Paulo e Rio De Janeiro. A banda já cogitou vir morar no Sudeste, como fez o conterrâneo de vocês, o Supercolisor? Isso seria melhor para o conjunto trabalhar a divulgação de sua obra ou é possível fazer isso continuando no Amazonas?

 

Pablo – Até pensamos em morar em SP por um tempo, mas essa mudança só fará sentido quando houver uma demanda maior de shows no Sudeste, caso contrário, preferimos fortalecer o cenário local, que vem se desenvolvendo nos últimos anos. Apesar da distância temos conseguido circular bastante nos últimos anos, isso ajuda muito a banda a se aproximar mais de produtores e músicos de outras regiões do país.

 

Zap – já há planos para um terceiro disco de estúdio, alguma composição nova registrada?

 

Pablo – Sim, a verdade é que estamos planejando o terceiro disco há algum tempo, não temos pressa, queremos reunir o máximo de recursos disponíveis para que o registro saia bem fiel ao que desejamos. A previsão para lançamento é pro primeiro semestre de 2019. Lançamos o single “Parte” pela Sony Music há pouco tempo, ele dá pistas do que pode vir pela frente.

 

Zap – É sabido que o rock está em um momento bastante desfavorável, tanto lá fora como aqui também, em terras brasileiras. O gênero voltou a se tornar um estilo algo subterrâneo, de resistência mesmo, enquanto músicas de apelo mais pop e sem estofo cultural mais denso, como axé, pagode, funk, sertanejo etc, dominam as paradas. Como você observa o cenário atual? Acredita que haverá novamente uma ascensão do rocknroll em termos midiáticos e de público?

 

Pablo – Não há muita saída, principalmente porque em meio a crise financeira e política que nosso país vive, a cultura sempre tende a perder força. O mainstream tá montado pra vender funk e sertanejo no momento, não vejo isso como algo ruim, só acho que há espaço pra todo mundo. A grande mídia acaba esmagando muita gente talentosa que não tem o bolso cheio de dinheiro pra promover seu trabalho.

 

Zap – O que o público pode esperar do Luneta em sua apresentação no Lolla? O horário do show (meio-dia) é bastante ingrato, não?

 

Pablo – Vamos tocar músicas dos nossos dois álbuns no Lolla, tentar fazer um mix do que temos de melhor e misturar tudo isso com uma pitada de improvisações. A banda não tá ligando muito pra essa questão de horário, o fato de ter sido escolhida entre tantas outras do cenário brasileiro já deixa a gente bem feliz.

 

Zap – Como está a expectativa da banda em relação ao SXSW, que vai ser o primeiro festival internacional que vocês irão se apresentar?

 

Pablo – Estamos esperando muita coisa boa vindo desses dois eventos. O SXSW é um festival montado pra revelar novos nomes da música independente mundial, além de ter uma programação bem plural, que vai desde apresentações musicais até feiras tecnológicas. O Lolla dispensa apresentações, esperamos proporcionar boas experiências para quem assistir nossos shows.

 

 

A LUNETA MÁGICA, MAIS UMA INCRÍVEL DESCOBERTA ZAPPER, FAZ PSICODELIA FODONA E BELÍSSIMA NO MEIO DA FLORESTA

 

(texto publicado originalmente em Zapnroll no post de 17 de agosto de 2012)

Manaus, capital do Amazonas, tem realmente uma cena indie rocker incrível, ao que parece. O blog não conhece a cidade ainda (só passou por lá de avião algumas vezes, a caminho de Boa Vista, e pretende de fato dar uma passeada na cidade agora em setembro), mas já teve contato com algumas bandas bem bacanas de lá, como a Tetris (existe ainda?) e o ótimo Mezzatrio (a mesma pergunta: ainda estão na ativa?), uma autêntica orquestra de guitarras que Zap’n’roll teve o privilégio de assistir ao vivo alguns anos atrás, no festival Varadouro (em Rio Branco, no Acre). Mas nada se compara ao desvairio que tomou conta do sujeito que digita estas linhas quando ele começou a ouvir, nos últimos dias, o disco de estréia do trio A Luneta Mágica – que na verdade foi apresentado ao blog por uma amiga do grupo, uma espécie de “quarto integrante” honorário do conjunto, a linda e meiga Karla Sanches.

Pois então: enquanto a maioria dos grupos indies paulistanos cospe arrogância e se compraz em produzir autêntica vergonha alheia travestida de música, a Luneta Mágica mergulha fundo na música em seu estado mais sublime de arte – e não há exagero algum nessa afirmação, muito pelo contrário: causa enorme espanto (o mesmo espanto que atordoou estas linhas online quando ela descobriu o Vanguart em Cuiabá, em 2005, ou conheceu a Mini Box Lunar em Macapá, em 2009) se dar conta de que uma banda assim surgiu em Manaus. E não há nenhum viés preconceituoso nesse espanto. Yep, porque é sabido que apesar de ter uma cena rock alternativa, a capital amazonense é certamente dominada pela música regional e pelos ritmos mais populares da Região Norte.

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Zapnroll junto com a primeira formação da Luneta Mágica, no aeroporto de Manaus, em setembro de 2012

 

E a Luneta Mágica não tem absolutamente nada a ver com isso. O álbum de estréia da banda, que foi lançado há pouco na web (sim, hoje em dia quase não há mais lançamentos em plataforma física entre os grupos independentes; tudo é jogado na internet, com direito a muito lixo, sendo que de vez em nunca surge uma pérola precioso no lodo, como é o caso aqui), tem dez faixas e é um escândalo delirante de canções sublimes, com ambiências melódicas eivadas de psicodelia. Formado por Pablo Araújo (vocais, guitarras, violões), (baixo, guitarra, teclados, percussão, vocais) e Chico Só (guitarras, violões, e baixo), o LM é mix improvável de Beatles (fase beeeem psicodélica dos Fab Four), rock bucólico e pastoral, algo de Los Hermanos (algo, apenas) e deambulações por folk combinado com ruídos e percussão eletrônica – sim, há bateria acústica no disco (tocada pelo músico convidado Eron Oliveira) mas ela não é preponderante na construção rítmica das faixas. Há também – vejam só – um naipe de cordas (violino e violoncelo, ambos tocados também por músicos convidados), e tudo isso resulta na trilha sonora dionisíaca e dos deuses, música para você entorpecer a alma e o cérebro com as mais diáfanas e prazerosas doses de vinho, ácido ou maconha.

Não é brincadeira: os vocais dolentes e sobrepostos, as letras abstratas (“Vem, ainda somos os mesmos/Gênios embriagados/Esperando o sol nascente/Loucos pela noite inteira/Amanhã vai ser/O melhor dia da sua vida”, em “O vento e as árvores”), o bucolismo e a plenitude sônica que se encerra em canções lindíssimas (“Astronauta”, “Não acredito”, “Aqui nunca nasceram heróis”), o torpor alucinógeno que domina trecho de outras (como a repetição quase mântrica da frase “cinco bolas de sorvete por apenas um real”, no final da música que tem o mesmo título) e, por fim, o fortíssimo apelo radiofônico e pop de mais algumas (fato raríssimo e que as bandinhas escrotas da atual cena indie nacional dão a mãe pra conseguir e não conseguem: unir altíssima qualidade musical com apelo pop e radiofônico), como “Largo São Sebastião” (uma música que, se houvesse justiça nesse país, estaria tocando em disaparada nas nossas medíocres redes de rádio, ainda incrivelmente movidas a jabá em plena era da web), fazem da Luneta Mágica a GRANDE banda nova da indie scene nacional em 2012.

 

***Mais sobre a Luneta Mágica, vai aqui: https://www.facebook.com/bandalunetamagica/. E aqui também: https://www.instagram.com/lunetamagica/.

 

 

O NOVO SINGLE DO GRUPO AÍ EMBAIXO, PARA AUDIÇÃO

 

UM FESTIVAL MUSICAL TEEN ESTÚPIDO E OS CINCO ANOS DA MORTE DO IMBECIL CHORÃO DIZEM MUITO SOBRE A BOÇALIDADE CULTURAL DA PIRRALHADA BRAZUCA ATUAL

Um e-mail recebido esta semana pelo blog zapper desvela que a cultura pop foi mesmo pro saco nesse triste bananão tropical, além de mostrar como a imbecilidade AVANÇA sem dó na música do Brasil. Sintam o drama:

 

***“FESTIVAL TEEN reúne as maiores estrelas musicais do YouTube em São Paulo

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Olhem bem para esta foto, e sintam o naipe visual das novas apostas para a música jovem e estúpida brazuca da era da web e das redes sociais, uia!

Com patrocínio da Samsung e do YouTube, festival  aproxima fãs de seus ídolos digitais, com 12 shows e 10 horas de duração, dia 10 de março, na Audio, em São Paulo

 

Fenômeno! Um novo movimento surge no cenário artístico através do YouTube e das redes sociais e, com ele, diversos artistas adolescentes ganham visibilidade impressionante e se transformam em estrelas de grande popularidade. Por que não criar um festival dedicado à produção artística desse novo fenômeno do entretenimento? A agência Fibra Live, com o patrocínio do YouTube e da Samsung, criou o Festival Teen: evento pioneiro, que  estreia em São Paulo e pretende viajar por todo o Brasil com o objetivo de aproximar o público dos seus ídolos do mundo digital”.

Curioso que a assessora que enviou essa estupidez (o press release completo é de chorar, nem vamos copiar aqui) se finge de MORTA quando está divulgando um evento de fato relevante e quando precisamos dela para credenciamento para o dito cujo. Agora como está com essa autêntica BOMBA para emplacar matérias onde for possível (e ela deve estar desesperada tentando conseguir isso), fica enchendo o saco da jornalistada com esse evento musical boçal. Mui esperta a sujeita.

Mas sempre pode piorar, rsrs. Eis que então logo receber o e-mail dando conta do “sensacional” novo evento musical que promete agitar a juvenília brasileira estúpida da era da web, começaram a pipocar nas redes sociais homenagens e lamúrias sobre os cinco anos sem… o “gênio” Chorão, do Charlie BRONHA Jr. Wow! Poxa… aquele ANARFA em grau máximo faz taaaaantaaaaa falta, não é mesmo? E nem precisamos nos estender muito sobre isso, já que o fizemos aqui mesmo quando ele morreu e cujo post completo reproduzimos aí embaixo, pra quem quiser reler o texto ou para quem nunca leu. Só avisando: não ALIVIAMOS nem um pouco pra esse completo IMBECIL por ocasião da morte dele. Com todo o respeito ao cara (e nunca vamos desejar a morte de ninguém, nem mesmo se for o BolsoNAZI ou o Temer), temos que ser honestos quando analisamos a OBRA musical de um artista, correto? E Chorão é o que se sabe e isso não muda porque ele morreu: foi um dos MAIORES OGROS da história do rock brasileiro. Aliás foi com a geração idiota de  Charlie Brown Jr. (e na sequência os emos, os restarts e cines da vida, e aí veio todo o resto: sertanojos, funkeiros burrões etc.) que tudo começou a desandar de vez e descer a ladeira sem dó na música nacional. Alguma dúvida quanto a isso?

 

 

CHORÃO – UMA MORTE ULTRA ROCK’N’ROLL PÕE FIM (FELIZMENTE) À TRAJETÓRIA DE UMA BANDA ULTRA MEDÍOCRE

(texto publicado originalmente em Zapnroll em 8 de março de 2013)

 

Este postão zapper, iniciado na última sexta-feira, está sendo concluído agora, entre a noite de segunda-feira e a madrugada de terça, 12 de março. Já faz portanto uma semana que o vocalista Chorão, o ex-líder do Charlie Brown Jr. (uma das maiores deformações artísticas surgidas no rock brasileiro dos anos 90’), foi encontrado morto em seu apartamento de cobertura, no elegante bairro de Pinheiros (reduto da classe média alta paulistana), na zona oeste da capital paulista. E mesmo assim o assunto continua rendendo – e como. Chorão, da noite pro dia, foi canonizado santo e transformado em “poeta” (segundo palavras de outro emérito imbecil da mídia eletrônica atual brazuca, o insuportável Marcos Mion) do nível de Renato Russo ou Cazuza. Homenagens pipocaram em todos os telejornais das grandes redes televisivas e até o sisudo programa “Ensaio”, da tv Cultura, desenterrou uma entrevista com o letrista e vocalista, e reprisou a dita cuja na noite do último domingo.

Bão, e daí? Daê que a morte desse autêntico imbecil, e que representou o que de PIOR poderia ter existido no rock brasileiro dos anos 90’ (uma década bastante infeliz pro rock nacional, diga-se), provocou a comoção esperada nas redes sociais e só comprova o que o blog diz todo dia: quando algum assunto realmente sério e relevante é abordado nos faceboquetes da vida (corrupção política, miséria social no Nordeste, a quase completa falta de estrutura de um país que pretende abrigar Copa do Mundo e Olimpíada e zilhões de etcs.), a massa BURRA e FÚTIL das redes sociais absolutamente não abre a boca.

Mas bastou morrer o vocalista do Charlie Brown Jr. e voilá: todos se manifestam de maneira eloqüente, como se tivéssemos perdido o maior gênio da história da humanidade.

Sem chance. Estas linhas online não desejam a morte de ninguém, nem do nosso pior inimigo (que nem imaginamos quem possa ser). Mas vamos ser honestos e sinceros com nós mesmos: esse sujeito não vai fazer a menor falta, muito menos aquele horror musical no qual ele atuava como vocalista. E estamos escrevendo isso no âmbito estritamente artístico, em se tratando de rock brasileiro. O blog não sabe como ele era como pessoa (e os relatos que temos são os piores possíveis) pois felizmente nunca convivemos com ele. Mas musicalmente Charlie Brown Jr. era de uma pobreza musical e textual de dar dó, vergonha alheia total. Só estourou e fez o sucesso que fez porque mesmo sendo um analfabeto de primeira (ou última) linha, Chorão foi esperto o suficiente pra engendrar um mix de rap com hardcore e algumas pitadas de reggae, dando suporte a letras (mal escritas, simplistas ao extremo e que não raro continham erros grosseiros de gramática em sua composição) que falavam dos problemas cotidianos da juventude burra desse país. Daí a empatia imediata que ele conseguiu junto ao público, angariando milhões de fãs.

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Há cinco anos o pavoroso Charlie Brown Jr. perdia seu vocalista, o analfabeto Chorão (morto em decorrência de uma overdose de álcool e drogas), e encerrava atividades. Não deixou saudade alguma

Claro que todo carnaval tem seu fim (né Marcelo Camelo, esse sim um compositor e letrista de mão cheia) e o Charlie Brown começou a descer a ladeira, atropelado por outras imbecilidades musicais mais atraentes ao populacho sem cérebro (funk pancadão carioca, pagode de corno paulistano e breganejo universotário). O grupo santista não resistiu à pressão desses novos gêneros e já estava em franca decadência. Deu no que deu: separado da mulher e sem o sucesso de antes, mr. Chorão entrou em depressão e em parafuso emocional. Pelo menos (e ao que parece) teve uma morte total rock’n’roll: chapado de álcool, entupido de bolas e de cocaine.

Mas não vai deixar saudades, com certeza. E o blog não vai ficar endeusando um anarfa musical desse naipe apenas porque ele morreu, ponto. Afinal no mesmo dia do falecimento desse “gênio” do rock nacional, também morreu uma lenda do rock inglês, o guitarrista Alvin Lee (esse sim um músico fenomenal e que junto ao grupo Ten Years After, escreveu alguns dos momentos mais sublimes do rock’n’roll britânico na virada dos anos 60’ pros 70’, sendo que o chapa Dum DeLucca analisa com bastante precisão a trajetória de Alvim no mais recente post do seu blog, o Jukebox, lá no portal Dynamite). E aí fica a pergunta: essa geração de jovens brasileiros cretinos vai lamentar a morte de Alvin Lee? Aliás, ao menos sabe quem foi o sujeito?

Óbvio que não sabe. Porque infelizmente cada geração produz os “gênios” que merece. Alguém argumentou que Chorão fez sucesso com sua banda escrota porque ele tinha vindo das ruas e não da elite burguesa. Assim sendo ele vivenciava o que cantava e conseguiu a enooooorme empatia com o seu público graças a letras que eram uma radiografia precisa do que a molecada vivia em seu cotidiano. Ok. Só que depois de vinte anos de carreira o cantor do CBJr. já tinha uma patrimônio pessoal que o distanciava bem dessa pseudo “realidade das ruas” que ele cantava com tanto orgulho em suas músicas.

E assim caminhamos. Nos anos sessenta nossos ídolos eram Gil, Caetano e a Tropicália. Nos setenta tivemos o imortal Raul Seixas. Nos anos oitenta o rock BR de grande estirpe tomou o poder. Depois começou a queda: nos 90’ tivemos essa excrescência chamada Charlie Brown Jr., que agora faz a garotada chorar copiosamente a morte de seu líder. Dos anos 2000’ pra cá é o que se sabe: os mega ídolos nacionais são pagodeiros iletrados (Thiaguinho e cia.), cantores/as de axé com repertório horrendo (Ivete Sangalo) e bandas de rock “sentimentais” que são a vergonha alheia total (Strike, For Fun, Cine, Restart). Até quando o Brasil vai chafurdar nessa ignorância cultural sem fim é o que estas linhas rockers online gostariam de poder adivinhar…

 

 

UM NOVO PROJETO ALTERNATIVO SURGE NO ABC PAULISTA, PARA ANIMAR AS NOITES DE DOMINGO

O DJ, agitador cultural e fã de rock alternativo Eduardo Gyurkovitz sempre teve um sobrenome, hã, difícil de grafar e de pronunciar. Isso no entanto não o impediu de se tornar um dos personagens mais conhecidos da noite rock alternativa da região do ABC (na Grande São Paulo) e mesmo também na capital paulista, nos últimos trinta anos. Desde muito cedo ligado à cena rocker mais underground da cidade de Santo André (onde nasceu e vive até hoje), Edu produziu e promoveu dezenas de eventos e projetos voltados ao público fã de pós-punk inglês, gothic rock, dark wave, EBM etc ao longo das últimas três décadas, inclusive atuando intensamente como dj nesses eventos. E é justamente por isso, por possuir toda essa bagagem e experiência na cena que ele resolveu investir em sua mais nova empreitada: a festa “After Dark”, que estreia neste domingo em Santo André.

Segundo o próprio idealizador, o objetivo é resgatar os melhores sons do rock underground dos anos 80 e 90, uma época que definitivamente ficou eternizada na história do rocknroll. E fazer a domingueira rock em Santo André tem também o seu motivo de ser já que a cidade, que possui um passado lendário em se tratando de casas noturnas voltadas ao rock, de bandas e tribos alternativas, anda sofrendo com a ausência de empreendimentos voltados a esta mesma cena – como de resto todo o país está sofrendo com isso. E ainda mais num dia da semana considerado como mezzo “morto”, como é o domingo (algo que foi desmentido nos últimos vinte anos pelo sucesso da domingueira “Grind”, comandada em Sampa pelo também mega conhecido DJ André Pomba). Ou seja: trata-se de uma nova e super bem vinda opção para os fãs do rock alternativo no ABC, sejam eles veteranos dos anos 80 e 90 ou das gerações mais novas que ainda amam rock e que não se deixaram contaminar por sertanojo, axé, pagode, funk etc.

Para falar melhor sobre o “After Dark” e explicar como será a festa o blog zapper bateu um papo com Eduardo, e cujos principais trechos você lê a seguir.

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Cartaz da nova festa alternativa (acima) “After Dark”, que rola a partir do próximo domingo na cidade de Santo André; abaixo o organizador, produtor e DJ residente do evento, Eduardo Gyurkovitz

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Zapnroll – “After Dark”, a nova festa/projeto alternativo no qual você está à frente, possui caráter eminentemente saudosista, visto que vai focar sua trilha musical no rock under dos anos 80 e 90. Isso corrobora, na sua opinião, que o rock acabou e morreu mesmo nos anos 2000 e que apenas o que foi feito há 20 ou 30 anos é que vai permanecer como a era clássica do gênero?

 

Eduardo Gyurkovitz – Não, o rock não morreu. Mas a cada década que passa, tentam matar o coitado. Sem dó ou piedade. Este não é o ritmo mais popular ultimamente, mas prossegue em sua caminhada em mais de seis décadas de vida. Quando eu ouço/leio algo sobre a morte do rock, creio que a pessoa está ficando velha e não se conforma com esta realidade. Não consegue ir num festival e abrir a cabeça para bandas novas. Não se arrisca em conhecer algo numa playlist. Não quer sair de sua zona de conforto. Não adianta culpar o rock. Quando olhamos para o som alternativo (nicho menor ainda), noto que ainda hoje proliferam bandas, projetos e músicos com propostas muito interessantes, originais e inovadoras, mas essas já não possuem o mesmo apelo “Cult” que tinham nos anos 80 & 90. A aura de romantismo que envolvia tanto as bandas quanto as canções parece que perdeu a aura underground e se tornou apenas mais uma opção dentre tantas espalhadas pelos podcasts e streamings. A proposta do After dark é trazer de volta essa aura, este apelo “Cult”. E os anos 80 & 90, na minha opinião, foram as décadas mais ricas no sentido de música, moda e comportamento underground.

 

Zap – Qual o público que vocês pretendem atingir? Apenas pessoas com 30 anos de idade ou mais, ou também a garotada mais nova que ainda se encanta pelos anos 80 e quer conhecer melhor o que era feito em termos de rock naquele período?

 

Eduardo – O After Dark surge com a proposta de colocar sob os holofotes (ou luz negra, rsrsrs) as texturas musicais que fizeram dos anos 80 & 90 as décadas mais dançantes de todos os tempos. Na minha opinião música é atemporal, então nosso foco é atingir todos os amantes e apreciadores da musica alternativa, tantos os contemporâneos quanto os mais jovens.

 

Zap – O evento está sediado em Santo André, cidade da Grande São Paulo muito conhecida por ter abrigado uma cena rock alternativa fortíssima nos anos 80, com muitas bandas em atividade naquela época e casas noturnas que marcaram época, como o Front 575. Como está essa cena atualmente na cidade? Ela ainda existe? E como você, já um agitador veterano dessa cena, vê a situação do underground rock dos tempos atuais?

 

Eduardo – O ABC foi um dos principais pólos alternativos nas décadas de 80 & 90. Atualmente a cena under na região está praticamente extinta. Tanto com relação às festas, quanto às bandas. Sobre a cena, enxergo um paradoxo, pois vemos ainda em metrópoles como São Paulo, casas e projetos sustentando a essência underground. Mas percebe-se claramente que, hoje, nenhum desses projetos consegue se sustentar sem aderir, de alguma forma, ao passado. Lembro que, quando era DJ residente do Front 575 o setlist, de ponta a ponta, era composto de novidades. Hoje, mesmo os projetos que tentam manter a mesma essência, não consegue sustentar por muito tempo uma pista e uma vibe forte, sem tocar clássicos do passado que faziam os porões lotarem.

 

Zap – Fale um pouco da sua trajetória como DJ, promoter e agitador de eventos alternativos, para quem não o conhece. Afinal você já atua nessa cena há mais de 30 anos.

 

Eduardo – Atuo há 32 anos. Sou nascido em S. André e minha primeira incursão no som alternativo se deu ao frequentar um bar que havia aqui na cidade chamado Aeroporto. O som ambiente da casa era comandado por fitas K7 que levávamos para o dono tocar. Na época eu conhecia duas lojas de discos onde eu comprava “esses estilos esquisitos”. Era a Wop Bop Discos e a Bossa Nova. Eu gravava meus discos e levava para o Aeroporto. Como o pessoal começou a gostar, os donos resolveram transformar uma área da casa em pista de dança. Surgia o Aeroporto Dancing Pub (1986). E eu assumi, pela primeira vez, as pick-ups como DJ. Em 1989, a casa foi reformada dando lugar ao Front 575, uma das principais casas alternativas de todos os tempos e que marcou época na região. Muita gente de São Paulo, vinha pra cá curtir nosso som. Desde então construí uma carreira como Dj alternativo e frequentemente participo de festas e eventos focados nesses estilos. Já são mais de três décadas dedicados à divulgação do som alternativo.

 

Zap – por fim: tem acompanhado bandas novas? Ou seu coração continua pulsando apenas pelos grandes nomes do passado do rocknroll?

 

Eduardo – Tenho sim, obviamente, rock bom não é apenas rock antigo, como muita gente infelizmente ainda acredita. Tem muitas bandas excelentes fazendo discos legais agora mesmo, procuro acompanhar e alguns artistas tem me chamado a atenção. Por exemplo, eu gosto do estilo de Lana Del Rey;  do duo feminino do Deap Vally; também me chamou a atenção a sonoridade do Dead Sara. Posso nomear mais alguns que, acredito sejam boas promessas como Dirty Sweet, The Temperance Movement e Weird Owl.

 

***A festa After Dark inaugura neste domindo, 11 de março, a partir das 7 da noite, na rua das Figueiras, 271, bairro Jardim, em Santo André. Todas as infos sobre a festa estão aqui: https://www.afterdark.net.br, e aqui também: https://www.facebook.com/events/104007773750759/.

 

 

A PRIMEIRA MUSA ROCKER DE 2018 É MESMO SENSACIONAL E INCRÍVEL: A LINDAÇA TATUADORA CRIS DIAS, WOW!

Nome : Ana Cristina Dias.

Idade: 36 anos.

Nasceu em: São Paulo.

Mora onde e com quem: Juquitiba (Grande SP), sozinha, porém do lado da casa da mamis.

O que faz: tatuadora e body piercer.

Três discos da sua vida: “Anthology” 1, 2 e 3 dos Beatles, “Simples de coração”, dos Engenheiros do Hawaíí, e “No need to argue”, do The Cranberries.

Três artistas ou bandas: Beatles, David Bowie e Humberto Gessinger.

Três livros: “Mulheres”, “Notas de um velho safado” e “Fabulário geral do delírio cotidiano”.

Dois autores: Bukowski e Neil Gaiman.

Três filmes: “Watchmen”, “Death Proof” e “Lost in translation”.

Três diretores de cinema: Quentin Tarantino, Sofia Coppola e Woody Allen.

Um show inesquecível: The Doors em 29/10/2004, no Credicard Hall (que agora é Citibank Hall). Na época eu era muito fã da banda. Chorei praticamente o show inteiro, mesmo tendo só dois integrantes originais da banda, Ray Manzarek e Robby Krieger.

Sobre situação política, social, cultural atual do Brasil: política é assunto que me dá preguiça, mas procuro me informar o suficiente pra não ser uma tapada e jogar meu voto fora. Culturalmente falando, acho que já tivemos momentos melhores, mas é arriscado falar sobre cultura, porque ainda prevalece o gosto pessoal de cada um, por mais duvidoso que possa parecer.

Como o blog zapper conheceu Cris: tanto o jornalista maloker quanto a gata tatuadora frequentavam o saudoso bar Astronete, no baixo Augusta. Foi então que numa noite de loucuragens rockers e alcoólicas, o zapper puxou papo com a moça, que foi super simpática com ele e passou a chamá-lo de “o rocker mais LOKER de todos”, hihihi. Desde então são amigos queridos e estas linhas virtuais adoram o fato de Cris ser, além de uma garota total rocknroll, também mega inteligente, culta e um doce de ser humano, sem a arrogância e a afetação que facilmente contaminariam a personalidade e o ego de uma jovem mulher tão bonita como ela é.

Pois chega de papo e agora podem se deleitar com o fodástico ensaio da nossa primeira super musa deste ano, com imagens registradas pelo fotógrafo Jonathan Despesi. Curtam sem moderação!

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Pensando se desvela seus segredos corporais…

 

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A perfeição pelo ângulo de trás

 

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A perfeição pelo ângulo lateral

 

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Minhas tattoos mostram que meu corpo e minha alma são rocknroll

 

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Enfim, parte do segredo revelado! “Deixem que uma fúria LEGÍTIMA tome conta de vocês!” (Charles Bukowski)

 

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“Amor é pros guitarristas, católicos e fanáticos por xadrez” (Charles Bukowski). Eu sou apenas uma garota algo sem pudor e com todo o ardor do mundo em meu coração e em minha pele com as marcas impressas do que realmente amo

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

***Disco: Uma década sem lançar um disco inédito. E vinte e cinco anos após tocar pela última vez com a formação que se reúne agora novamente, as Breeders lançaram este “All Nerve”, que saiu nos EUA no comecinho de março. Está longe de ser uma obra-prima como foi “Last Splash” (de 1993, e que estourou no mundo todo o mega hit “Cannonball”) mas é muito superior a qualquer disco que se lança no roquinho planetário atual. O cd se equilibra bem entre momentos mais tensos nas guitarras (comandadas pelas irmãs Kim e Kelly Deal, também responsáveis pelos vocais principais em todas as faixas) e “distensões” melódicas, com faixas com ambiências mais calmas. Tudo em enxutos 35 minutos de audição e onde músicas como “Nervous Mary”, “Wait In The Car” (o primeiro single de trabalho) e “Dawn: Making An Effort” poderão empolgar os velhos fãs. Interessou em ouvir a parada toda? O álbum está todinho aí embaixo. Enjoy!

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***Blog de textos poéticos bacana: é o “De Analgésicos & Opioides”, escrito pela amigona zapper Tatiana Pereira. Ela lida com sua paixão por letras, textos e poesia já há mais de duas décadas e prepara seu primeiro livro, que deve sair em breve. Enquanto não sai você pode se deliciar com o ótimo trabalho que ela produz aqui: http://www.deanalgesicoseopioides.com.br/.

 

***Baladenha boa: com o postão zapper sendo finalizado já na noite de sábado, 10 de março, fikadika: hoje tem nova edição da mega legal festa “Monstra”, no igualmente mega legal Clube VU, lá na Barra Funda (zona oeste de Sampa), sendo que todas as infos sobre estão aqui: https://www.facebook.com/events/165517827584612/. Beleusma? Vai lá e se joga, e quem sabe nos “trombamos” enquanto o zapper degusta uma gin Tonica.

 

 

“ESCADARIA PARA O INFERNO” EM PROMOÇÃO NO BLOGÃO, EM FINANCIAMENTO COLETIVO E À VENDA!

Yeeeeesssss! O primeiro livro do eterno jornalista loker/rocker segue em promoção aqui no blog. E para concorrer a um exemplar do mesmo basta ir no hfinatti@gmail.com e mandar um alô por lá pra gente, okays?

Mas se você quer MESMO garantir seu exemplar, anote: ele segue à venda na Sensorial Discos/SP (rua Augusta, 2389, Jardins, zona sul de Sampa, fone 3333-1914) e na loja virtual do site da editora Kazuá, aqui: http://www.editorakazua.net/catalogo/escadaria-para-o-inferno-de-humberto-finatti. E você ainda pode ajudar no financiamento coletivo em torno dele, para arrecadarmos uma grana que nos permita fazer novas festas de lançamento do livro. Para isso, basta ir fazer sua doação aqui: https://www.kickante.com.br/campanhas/lancamentos-do-livro-escadaria-inferno. A firma fináttica agradece desde já quem colaborar, uia!

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E PARAMOS AS MÁQUINAS POR AQUI

Todo carnaval e todo post de blog rocker tem seu fim. O nosso é aqui e agora. Mas em breve voltamos novamente no pedaço, beleusma? Inté!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 17/3/2018, às 17hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL!!! Informando em primeira mão sobre o festão de 40 anos do selo Baratos Afins, analisando (mais uma vez) a morte do rock no Brasil e no mundo, mostrando quem já comprou o livro “Esacadaria para o inferno” e dando um “aperitivo” da nossa próxima musa rocker, uhú! – Hollas 2018, que começou mais SINISTRO do que nunca no fodido, falido e triste bananão tropical não abençoado por NENHUM deus e amaldiçoado por todos os DEMÔNIOS imagináveis; mesmo assim (com Lula condenado em segunda instância e com a nação pato/coxa otária se fodendo cada vez mais e ainda assim gostando de se foder ao máximo) cá estamos, sobrevivendo como possível e chegando aos quinze anos de blogagem rock alternativa e de cultura pop na web BR. Mas Agora vai!!! Postão novão e inaugural deste ano chega chegando agora e vem fervendo, com programação normal e NADICA de carnaval na véspera do reinado de Momo, ulha! Nossa primeira publicação de 2018 traz sim uma entrevista EXCLUSIVA com um gênio do rockabilly americano, o Reverendo Horton Heat (e que poderá fazer shows no Brasil ainda este ano); mais: a morte de um nome lendário do rock alternativo inglês dos anos 90 desperta saudade e ótimas lembranças em um músico indie brazuca; uma entrevista bacanuda com uma das bandas mais importantes da cena rocker goiana há mais de duas décadas e mais isso e aquilo tudo em mais um ano de atividade zapper, que começa aqui e agora! (postão COMPLETÃO e total finalizado em 16/2/2018)

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São tempos mega sombrios e sinistros para a cultura pop em geral e para o rockroll em particular, que resiste como pode à sua precoce quase extinção como gênero musical que mobiliza as massas mundo afora; um dos que resistem é o trio rockabilly americano Reverend Horton Heat (acima), com quem o blog bateu um papo exclusivo e onde o grupo avisa que poderá tocar no Brasil ainda este ano; e outro que resistiu por mais de quarenta anos foi o inglês Mark E. Smith (abaixo), ex-líder do The Fall e que infelizmente morreu em janeiro passado, sendo que o blog zapper relembra sua trajetória neste post

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MAIS MICROFONIA!

***Os 40 anos do selo Baratos Afins – E já que estamos em clima total rocker nesse post, vamos dar a notícia em primeira mão: o mini festival que vai comemorar os 40 anos da loja/selo Baratos Afins, fundada pelo queridão e gênio Luiz Calanca em 1978, acontece de 10 a 13 de maio na chopperia do SESC Pompéia SP. Serão quatro noites de shows com diversas bandas que já passaram pelo selo. Entre elas o sensacional Kafka, quarteto pós-punk paulistano de ambiências ultra sombrias e que gravou apenas dois álbuns pela Baratos antes de encerrar atividades. Calanca sempre diz que se trata de um dos grupos que ele mais gostou de gravar, dentre as centenas de nomes que lançou. Concordamos com ele: “Musikanervosa”, o disco de estreia do conjunto, lançado em 1987, é uma pequena obra prima e que hoje se tornou um clássico cult e obscuro do rock paulistano dos anos 80`. O blog teve o disco em vinil e “Tribos da noite” (que abre o LP) é magnífica e nos transporta para as ruas cobertas de fog de Londres nos idos de 1983/85. Quem dançou na época nos porões escuros do Madame Satã e, um pouco depois, também no Retrô, conhece muito bem o Kafka e jamais esquece a sonoridade dark deles. Um show pra não se perder, ainda mais que será a primeira reunião da formação original da banda em quase 30 anos (!!!)

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O grupo goth paulistano Kafka, tocando ao vivo nos anos 80: atração do festival que vai marcar os 40 anos do selo Baratos Afins

 

***Reunião de LENDAS do rock BR ontem (quinta-feira em si) – yep, trinca poderosa na imagem abaixo: Zapnroll ao lado do produtor Luiz Calanca e do batera Rolando Castelo Jr, que fundou a seminal Patrulha Do Espaço ao lado do eterno “loki” Arnaldo Baptista. Sendo que Jr. também aproveitou pra comprar seu exemplar de “Escadaria para o inferno”, wow!

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop em discos, shows, filmes, livros etc.)

 

***Entonces, cá estamos de volta, e na véspera do início de mais um carnaval no bananão tropical falido e fodido. Yep, já era pra Zap versão 2018 ter surgido mas como sempre ocorrem imprevistos aqui e ali (o último deles, esta semana, foi uma gripe cavalar que literalmente derrubou o autor deste espaço rocker virtual), a reestreia zapper acabou atrasando um pouco. Mas enfim vamos que vamos antes que o maldito “carnival” comece, uia!

 

***E nada mudou muito do final do ano passado pra cá. O país continua na imundície e falência total, com o quadrilhão do MDBosta movendo mundos e fundos pra continuar ROUBANDO tudo o que pode enquanto está no Poder, o Judiciário CONIVENTE dando um jeito de impedir a qualquer custo a candidatura de Lula nas eleições presidenciais deste ano (pois sabe que o barba entrar na disputa, ganha de BARBADA a mesma), o país sem Ministro do Trabalho há um mês já e por aí vai… enquanto isso a nação pato/coxa espera feliz e imbecilizada a chegada da semana momesca. E quando tudo acabar e a quarta-feira de cinzas chegar (com botijão de gás a quase 100 pilas, e litro de gasolina a quase 5 mangos), a choradeira como sempre continuará sendo geral.

 

***O blog zapper nem vai viajar e fica em Sampa neste carnaval. Primeiro por falta de Money. Segundo porque tem muita parada cultural bacana pra se ver aqui pelos próximos dias. Uma delas é a exposição em torno da obra do gênio Jean Michel Basquiat, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil e cujas infos você pode ver aqui: https://www.terra.com.br/diversao/guiadasemana/jean-michel-basquiat-ganha-mega-exposicao-no-ccbb-com-retrospectiva-inedita-saiba-mais,a32db72921f96c2e0917b95b5b17b0ae85c4pmgs.html. E aqui também: http://culturabancodobrasil.com.br/portal/jean-michel-basquiat-obras-da-colecao-mugrabi/.

 

***Que mais? Okays, tudo bem, a partir de hoje só se fala em carnaval na porra do bananão que na real gosta mesmo é disso. E sobra ainda ALGUM ESPAÇO pro rock? Sobra. Tanto que hoje estão saindo oficialmente lá fora os novos álbuns do já veterano Franz Ferdinand (“Always Ascending”) e do MGMT (você se lembra deles?), que vem com “Little Dark Age”. Estas linhas online ainda não escutaram nenhum dos dois e provavelmente vá aproveitar o feriadão momesco gigante pra fazer as audições. Por enquanto disponibilizamos ambos os CDs para audição na íntegra aí embaixo, para que nosso dileto leitorado tire suas próprias conclusões. E se acharmos que vale a pena, iremos resenhar os dois por aqui assim que for possível, beleusma?

 

***E yep, o primeiro livro do autor deste espaço rocker online que segue firme e forte há década e meia na blogosfera BR de cultura pop, “Escadaria para o inferno”, segue vendendo bem e ganha seu primeiro festão de lançamento fora de Sampa. Vai rolar logo após o carnaval no Rio De Janeiro onde estaremos no sábado, 17 de fevereiro, para participar da festa “Bauhaus” (organizada pelos chapas cariocas Kleber Tuma e Wilson Power), onde iremos autografar exemplares do livro fináttico. Quem estiver no balneário no finde pós-Momo está convidado desde já a comparecer, sendo que todas as infos da baladona rock/goth você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/185497448876480/. E aqui também: https://www.facebook.com/events/317273378785958/.

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***Tocando o postão em frente, que já temos muito e um ótimo material para publicar. Mas mais notas poderão entrar aqui ao longo do carnaSHIT ou logo após o fim da folia, se algo de fato relevante acontecer até lá. Bora então que já aí embaixo o blog zapper bate um papo exclusivo com uma lenda do rockabilly americano, o Reverend Horton Heat.

 

LENDA DO ROCKABILLY AMERICANO, REVEREND HORTON HEAT FALA AO BLOG E AVISA QUE PODERÁ TOCAR AINDA ESTE ANO NO BRASIL

Felipe “Nally” Almeida, da Flórida/EUA, especial para Zapnroll

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O músico americano Jim Horton Heat: a banda rockabilly poderá tocar no Brasil ainda este ano

Considerados uma das maiores bandas do rockabilly/psychobilly americano e mundail, os texanos do Reverend Horton Heat se apresentaram no House Of Blues, em Orlando-Florida, poucos dias antes do natal do ano passado. E quem ganhou o presente, ainda que com algum atraso, foram os leitores da ZapNRoll. Em uma rápida, porem bem humorada entrevista concedida no camarim horas antes do show Jim Heath, o “Reverendo” e lider da banda, falou sobre o processo de gravação do último álbum da banda, ‘Rev” (que saiu em 2014 e é o décimo primeiro disco de estúdio do trio em mais de três décadas de atividades), a evolução da banda durante 30 anos de carreira, e sobre as diferenças entre Psychobilly e Rockabilly, a cena pop Americana e sobre possíveis shows no Brasil.

 

Zapnroll – Jim, muito obrigado por atender a Zap n Roll. Como foi o processo de gravação de “Rev”, o ultimo trabalho da banda, lançado em 2014 pelo selo Victory Records?

 

Jim “Reverend Horton Heat” – O album foi gravado inteiramente em Dallas, no Texas. Utilizamos dois estúdios, e o processo de gravação foi muito  tranquilo. Alem de ter escrito as musicas, também produzi e mixei o disco. A sonoridade pode ser considerada mais RockNRoll que os anteriores e ficamos muito felizes do modo que ele foi concebido.

 

Zap – Como foi a receptividade do álbum pela cena Rockabilly/Psychobilly?

 

Jim – A receptividade tem sido ótima! “Smell of Gasoline”, a segunda faixa do álbum, tocou muito nas rádios americanas, e a faixa ” Let Me Show You How To Eat”, foi usada para um comercial de televisão da Rede Subway, expondo a banda para milhares de pessoas. e atingindo o publico mainstream. A turnê do álbum continua firme e forte.

 

Zap – A banda já tem 30 anos de existência, e o que você acha que mudou principalmente desde o primeiro album “Smoke Them If You Got Em”, de 1990 para o “Rev”?

 

Jim – Bom, hoje nós temos 11 discos lançados, então posso dizer que experimentamos muito durante os anos, algumas pessoas nos associam ao Psychobilly, porque anos atrás “Psychobilly Freakout” estourou mas penso que sejamos mais próximos ao Rockabilly ou Bluesy Country Rockabilly. Navegamos na onda Psychobilly, mas acredito que bandas europeias como The Meteors, Batmobile, Demented Are Go e Guana Bats são a essencia do Pychobilly.

 

Zap – Há pouco você mencionou que uma musica do novo álbum foi usada para um comercial de televisão de uma Rede de Fast Food e que o público mainstream foi exposto ao som da banda. Você acompanha a cena pop Americana?

 

Jim – Sinceramente, não! Minha filha é mais interada, talvez eu reconheça algum trecho de musicas da Kate Perry, por exemplo, consiga relacionar a musica com a pessoa mas não acompanho a cena pop. Continuo ouvindo muito The WildTones, Bloodshot Bill, Big Sandy, e Deke Dickerson. Em relação a artistas recentes gosto de uma cantora country chamada Kacey Musgrave e de um cantor e compositor chamado JD McPherson. Também acho legal a pegada dos caras do Greta Van Fleet, com muita influência de Led Zeppelin e Blues Rock.  Muito legal as bandas estarem resgatando a sonoridade dos anos 60 e 70, essa oxigenação é importante.

 

Zap – Jim, vamos finalizar a entrevista e gostaríamos que você mandasse uma mensagem para os fãs brasileiros, que são muitos e pedem demais a banda no pais.

 

Jim – Muito obrigado aos fãs do Brasil, sei que estamos em dívida com vocês. As turnês agora se concentram mais na América do Norte porque a familia do Jimbo e a minha demandam muito mais tempo que antes. Já não viajamos tanto para Europa e vamos a Austrália a cada 3 ou 4 anos, em média. Nossos amigos sempre nos dizem que o público brasileiro é muito acolhedor. Quem sabe 2018 não seja o ano que a banda irá desembarcar no país, está mais do que na hora! (risos)

 

 

E 2018 COMEÇOU COM O INDIE ROCK INGLÊS PERDENDO UM DE SEUS GÊNIOS

Nesses tempos sombrios e de cultura pop quase total decadente ou em crise, e onde o rock planetário está desaparecendo aos poucos (logo menos ele estará presente apenas nos museus musicais e na memória dos fãs), quase ninguém mais lembra ou sequer sabe quem foi Mark E. Smith. Pois o músico, cantor, letrista e compositor nascido em Manchester (o lendário e grande santuário do rock gigante inglês que importou nos anos 80, a cidade que deu ao mundo nomes imortais como Smiths, Joy Division e New Order) liderou por mais de quatro décadas (de 1976 até o começo deste ano) o The Fall, um dos grupos mais expressivos e representativos da cena rocker formada na cidade e que impactou toda a cultura rock britânica de então. Ao longo desses mais de quarenta anos de existência o Fall lançou mais de trinta discos de estúdio (e outra batelada de registros ao vivo). Alguns, como “Bend Sinister” (editado em 1986 e que saiu um ano depois no Brasil, sendo naquela época resenhado por este Finaski na finada revista Somtrês, quando ainda éramos um jovem jornalista musical em início de carreira na imprensa), são hoje tratados como obras clássicas do pós-punk inglês.

Infelizmente o Fall chegou ao fim porque Smtih morreu em 24 de janeiro passado, aos sessenta anos de idade. Fumante compulsivo, ele enfrentava problemas respiratórios sérios há meses já. E enfim nos deixou no começo deste ano, abrindo mais uma lacuna difícil de preencher num gênero musical – o rock – que parece cada vez mais próximo da extinção.

Estas linhas bloggers não poderiam deixar de prestar sua homenagem a Mark. E o faz agora publicando abaixo este texto sobre o músico, escrito pelo escritor e músico Cassiano Fagundes, dileto amigo zapper e que sempre foi fã declarado da obra do Fall. No mais, rip Mark. Um dia a gente se encontra por aí.

 

XXX

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O inglês The Fall, no auge da carreira, no final dos anos 80: um dos grandes nomes do rock de Manchester em todos os tempos

 

Cassiano Fagundes, especial para Zapnroll

Vi o The Fall ao vivo duas vezes: em 1989, no Canecão, no Rio; e em 1999, em NYC, aquela cidade lá no grande norte do supercontinente. O show do Rio marcou minha vida. Eu tinha apenas 16 anos, e estava com o meu primo, o Guilherme, meu companheiro de sons até hoje. O show do Rio mudou minha vida.

Por que? Primeiro, porque a plateia ficava sentada em mesas compridas, dividindo-as com estranhos. E quem sentou conosco? LULU SANTOS. Lá pela terceira canção, ele se levantou e foi embora. Na cabeça de um piá de 16 anos, aquilo significou: “que babaca, que careta do cacete, que bostalhão”. Talvez ele estivesse com dor de dente. Talvez tivesse lembrado de fazer uma ligação urgente e saiu procurando o orelhão mais próximo. Ou talvez tenha sido atingido por uma ideia fulminante de canção, e teve que encontrar o violão mais próximo para compô-la. O lance é que isso ficou em mim como algo não muito legal.

Segundo, porque Mark E. Smith estava particularmente inspirado naquela noite. Não fazia muito tempo que seu casamento com Brix (por quem eu tinha um desejo adolescente muito fértil) tinha terminado. Eu e meu primo chegamos a achar que vimos em determinado momento meia lágrima escorrer de seu rosto.

Terceiro porque foi ali que entendi que músico é uma coisa, e artista é outra um pouquinho ou muito diferente, e para mim, bem preferível. No Canecão, nasceu em mim a ideia de que artistas que se servem da música de uma forma pervertida para criar seus esquemas são os únicos dignos de nota, o resto é reprodutor de fórmula, por melhor que sejam (tipo aquele cara que deixou o show cedo demais). Sem menosprezar os galináceos, digo que até galo depenado canta bem (parafraseando um senhor iluminado que me disse isso, e de quem nunca esquecerei), mas prefiro a elocução que se tornou uma gema da língua inglesa falada, que é a de Smith em canções como “Wrong Place, Right Time” ou “Frenz”, que tem sussurros de Brix, a responsável por tornar o som do Fall mais “palatável” para os ouvidos mais sensíveis do além-mar estadunidense e de quebra, brasilianos.

Se o Ruy Castro não curte Bob Dylan, ele certamente não gostaria do canto descantado e declamante de Mark E. Smith. Não vou xingar o Ruy Castro por isso, ele é um gigante, e talvez não tenha uma ligação suficientemente íntima com as línguas germânicas para entender seus arranjos estéticos (se bem que nem precisaria de muito conhecimento, né? É só curtir a onda, como eu mesmo faço, na maior parte do tempo). E nem vou xingar o Lulu Santos, que, bem ou mal, compôs algumas das canções mais memoráveis da música popular. Já essa gente que reproduz sem nenhuma vergonha a estrutura escravagista luso-brasileira do século 16, sem se dar conta que está na senzala, junto com os famintos e bem longe da Casa-Grande, eu faço questão de dizer: FODAM-SE!!!

Ah, claro: o show de 99 em Noviorque foi aquilo que John Peel dizia sobre o Fall: Sempre igual, sempre diferente.

Vale terminar esse texto dizendo que Mark E. Smith era da classe trabalhadora inglesa, assim como a maioria esmagadora dos bastiões de sua geração, que compreende o punk e o chamado pós-punk. Gente revoltada com o neo-liberalismo desumano de Thatcher e Reagan por princípio e por questão de sobrevivência, que acharia muito estranho alguém gostar de música popular e ser contra os movimentos sociais e o movimento trabalhista. Nos últimos anos, Smith disse besteiras contra imigrantes e refugiados – ele andava irremediavelmente bêbado, Mas também disse coisas como: “”O problema da indústria musical é que ela se tornou muito burguesa. Um negócio da classe-média , como a policia”.

 

 

HÁ 20 ANOS FAZENDO BARULHO NO INDIE ROCK GOIANO, OS MECHANICS COMEÇAM 2018 COM NOVO SINGLE E FAZENDO COMO SEMPRE: NADANDO CONTRA A MARÉ

Você, jovem e dileto leitor zapper (ainda teremos nós jovens e diletos leitores, e será que eles ainda são fãs dessa arte musical quase extinta, chamada rocknroll?), provavelmente nunca ouviu falar do grupo Mechanics. Pois a banda, nascida no underground rocker goiano (a capital do Estado de Goiás e berço das maiores duplas SERTANOJAS do país) há cerca de 20 anos, resiste ao tempo e ao “fracasso” existencial e musical de sua trajetória. Liderado desde o início pelo vocalista e letrista Márcio Jr, o Mechanics foi o primeiro grupo a ter disco lançado pelo célebre e heroico selo Monstro Discos, o mesmo que realiza também há mais de duas décadas o Goiânia Noise, até hoje um dos festivais independentes mais importantes dentro do que resta na cena rock brasileira.

Pois o conjunto segue resistindo ao tempo. E começou 2018 nadando contra a corrente (como sempre). Em um país onde o rock também está indo pra casa do caralho e onde pavores musicais como funk podrão, axé e feminejas estão dominando o mercado musical e mobilizando milhões de fãs e ouvintes (estúpidos e boçais, vale exarar), os Mechanics resistem como podem e inclusive acabam de colocar um novo single para audição nas plataformas digitais. Por isso mesmo fomos atrás de dom Márcio Jr, o homem na linha de frente da banda, para que ele contasse em detalhes o que é o novo lançamento e como anda uma das instituições do rock alternativo de Goiânia rock city. Com sólida formação cultural e intelectual Marcinho deu a ótima entrevista que você confere aí embaixo.

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Os goianos do Mechanics: há 20 anos fazendo rock barulhento em plena terra dos sertanojos

 

Zapnroll – “Fracasso” é o nome do novo single dos Mechanics, banda já lendária da cena indie goiana. Saiu em edição limitadíssima em compacto de vinil há 4 anos e agora foi disponibilizada também nas plataformas virtuais. A banda encara o fracasso artístico e comercial de uma forma, digamos, estética e musical/autoral, ou ele – o fracasso – permeia de fato a trajetória do grupo e se tornou uma espécie de dádiva para vocês?

 

Márcio Jr. – Bom, primeiro vamos acertar as datas aqui. Em outubro de 2014 passamos 03 dias nebulosos em Pirenópolis, cidade turística do interior goiano onde, na época, estava sediado o RockLab, estúdio do grande Gustavo Vezquez – que já produziu, Macaco Bong, Patrulha do Espaço e Black Drawing Chalks. Gravamos 3 músicas ali, sendo que duas delas só viram a luz do dia no compacto lançado ano passado pela Lombra Records. A Lombra é um empreendimento fonográfico do meu grande chapa, escritor, roteirista de HQs e maluco de carteirinha, Biu. Ele tem uma máquina de riscar vinis. Ou seja, produz bolachas em tiragens limitadíssimas como se fossem gravuras. Aí tive a ideia de lançar Fracasso (lado A) e Vietnamérica (lado B ) neste formato. Só que a capa foi feita em xilografia, um zine acompanhava o disco e por aí vai. A ideia é que fosse uma espécie de gravura sonora, peça de colecionador, fritações Andy Warholianas. Este ano resolvemos lançar o single nas plataformas digitais pela Monstro Discos – gravadora que ajudei a fundar e que nasceu 20 anos atrás tendo como peça de estreia justamente um 7 polegadas do Mechanics. Ou seja, 20 anos nessa lama.

 

Zap – Viver perenemente em “fracasso” artístico conferiu no final das contas e na sua opinião, uma credibilidade musical aos Mechanics que talvez inexista em grande parte do rock atual, mesmo na chamada cena alternativa?

 

Márcio – A ideia de Fracasso nasce de um conjunto de questões que são sintomáticas não só no rock, mas no momento em que estamos vivendo. Penso no fracasso como a antítese do sucesso. E o que significa sucesso, hoje?

 

Zap – sim, o que seria sucesso, afinal? Vender milhões de discos (sendo que isso não existe mais, para ninguém) ou obter milhões de audições/visualizações em plataformas virtuais, produzindo música sem estofo artístico algum? Partindo dessa premissa, talvez Mechanics seja uma das bandas mais “fracassadas” da indie scene nacional, não? E no entanto, uma das que possui mais respeitabilidade em termos musicais, certo?

 

Marcio – A letra se esboçou pra mim numa entrevista do saudoso Darcy Ribeiro. Em dado momento, perguntaram a ele se ele se considerava um homem de sucesso ou algo assim. E ele respondeu que tudo que fez ao longo de sua vida resultou em fracasso. Ele quis criar um Universidade espetacular a aberta ao povo brasileiro (a UnB) e fracassou. Ele lutou pela questão indígena e fracassou. Ele passou a vida na defesa do povo brasileiro e também fracassou. Por outro lado, esse fracasso era sua derradeira vitória. Afinal, se ele fracassou, significa que seus opositores venceram. E se tornar um deles teria sido a única derrota, o único fracasso possível. Penso no Mechanics por um prisma semelhante. A banda existe desde 1994. Sem modéstia alguma, somos a pedra fundamental da cena que se formou em Goiânia, tanto do ponto de vista de alavancar esta cena, quanto do ponto de vista estético. Aquilo que se convencionou chamar de rock goiano traz o Mechanics em seu DNA. E estarmos aí, após tanto tempo, fazendo única e exclusivamente o que consideramos relevante, isso pra mim é fracasso. Ou sucesso. Acredito que o rock atravessa uma crise em escala mundial – mas que tem um acento bem forte aqui no Brasil. Isso deriva de vários fatores. Mas tem alguns que eu sempre gosto de levantar. O primeiro deles é a dificuldade de se estabelecer um canal de comunicação com as gerações mais jovens. Mas não penso que a responsabilidade seja exclusiva do rock. Penso que a letargia do público, via redes sociais e facilidades letárgicas da vida contemporânea acabaram por subtrair da molecada o senso de perigo que a conduzia ao rock. Se tudo está ao alcance de um clique, se rebelar contra o quê? Sempre acreditei que o rock exigisse uma dose de transgressão e de perigo. Isso praticamente sumiu do mapa. Não existe rock a favor. Portanto, são tempos obscuros. O que me faz ter mais certeza dos caminhos do Mechanics. Não tenho interesse em tronar absolutamente nada palatável para ninguém. Tudo que interessa é criar coisas que me deixem desconfortavelmente instigado. Fazer música que siga na contracorrente. Realizar shows que sejam experiências únicas e viscerais para quem está presente. E, principalmente, para mim mesmo. O resto não faz muito sentido, hoje, pra mim. Penso que temos um certo grau de respeitabilidade, sim. Mas o respeito que me interessa acima de tudo é o meu próprio. Não é que eu faça música só pra mim, entende? Mas o que me move de fato é olhar pras coisas que produzi e sentir que tudo aquilo é íntegro.

 

Zap – Ótima resposta e ótimas colocações. Aproveitando e para quem não conhece ou nunca ouviu falar dos Mechanics, dê um resumo rápido da trajetória do grupo, seu estilo musical, influências, um momento marcante na trajetória da banda nessas suas duas décadas de existência etc. Qual a formação atual e há quanto tempo ela está junta? O conjunto segue fazendo shows?

 

Marcio – Ficar muito tempo na estrada te dá uma certa perspectiva. Quantas e quantas bandas eu vi começar acabar? Quantas não se iludiram com alguma perspectiva de sucesso? Seguir adiante é só o que me interessa. O Mechanics é uma banda que surgiu em Goiânia em 1994, influenciada por coisas como cinema B, literatura beat, quadrinhos, pornografia, ultraviolência. Musicalmente, bebemos na fonte dos Stooges e quetais. Melvins, Butthole Surfers, Jesus Lizard, Mudhoney… Todas estas coisas sempre estiveram presentes. Mas sempre houve uma influência de artistas mutantes como David Bowie, pela abordagem de estar sempre se deslocando em relação a uma suposta expectativa do público. Fomos a banda que inaugurou a Monstro Discos e a única que tocou em absolutamente todas as 23 edições do Goiânia Noise Festival. Tem um trabalho do qual me orgulho muito: o Music for Anthropomorphics, uma espécie de álbum/graphic novel, que desenvolvemos junto ao genial quadrinista e artista plástico Fabio Zimbres. Um disco que vinha acompanhado de um livro em quadrinhos gestado conjuntamente com o Zimbres. Isso foi parte do meu Mestrado em Comunicação na UnB que acabou gerando o livro teórico COMICZZZT!, que lancei em 2015. Este mesmo projeto gerou uma exposição e agora em 2018 dará origem a um curta-metragem em animação que dirijo ao lado da minha mulher, Márcia Deretti. O livro/disco foi republicado ano passado na Colômbia e terá nova edição no Brasil este ano. Portugal e França estão nessa fila também. É um trabalho que vem se desenvolvendo e se desdobrando há mais de uma década. Depois de mais de dez anos onde estabelecemos um certo padrão no rock goiano – bandas barulhentas, baseadas em guitarras e cantando em inglês – foi a vez de partirmos para um trabalho em Português, o 12 Arcanos, que foi super bem recebido.

 

Zap – Wow, sensacional e isso mostra que a banda está mais ativa do que nunca. O que nos leva a outra questão: como está o rock BR atual? Faça uma análise detalhada se possível, na sua opinião, de como está a cena, tanto a independente como o que resta do mainstream.

 

Marcio – Fizemos vários shows desse disco, muitos deles com a presença do Grupo empreZa, coletivo de artes performáticas daqui, reconhecidos como um dos mais importantes do país. Já tiveram, inclusive, projetos com a deusa da performance mundial Marina Abramovic. Já compusemos trilha sonora para documentários, fizemos shows e disco acústico – ou quase isso – e por aí vai. A hibridação de linguagens é algo que sempre este na raiz da banda. Da formação original, eu e o baixista Little John. O Katú está na guitarra há mais de dez anos. Ricardo Darin, também guitarra – e eventualmente baixo – há bastante tempo também. E temos dois bateristas, Pedro Henrique e Junão Cananéia. Ou seja, temos shows diferentes para cada ocasião. Quanto ao rock, ele sobrevive no underground, nos esgotos da cultura contemporânea. É lá que ele é honesto e fracassado. Do ponto de vista mainstream, praticamente foi varrido do mapa. No Brasil, o público está completamente alheio ao rock. No resto do mundo não é muito diferente. Penso que tenha a ver com aquela bundamolice do público da qual falamos há pouco. Não há mainstream. Chegamos ao ponto em que pega mal pro jovem dizer que gosta de rock. A coisa migrou pra uma caretice e imbecilidade deslavadas, inacreditáveis. Os artistas que catalisam algum senso de transgressão até conseguem aglutinar o público. Mas por qualquer fator que não seja a música.Acho que estamos vivendo um fenômeno sui generis – que eu tenho chamado de pós-música. O que vale para o artista é sua agenda, seu discurso, sua relação com grupos identitários. A música tornou-se irrelevante. Penso que isso ajude a explicar fenômenos como Pablo Vittar. Ele é um agente muito importante hoje. Mas ninguém parece se filiar a ele pela música. Do mesmo modo acontece com festivais e eventos. Naqueles que têm grande público, parece que o que menos interessa é a música. O Rock in Rio ilustra isso de forma explícita. Mas não só ele. Mesmo festivais outrora orientados para a vanguarda musical no Brasil, agora vivem de pesquisa para saber o que leva ou não público – que por sua vez se vincula ao hype e às agendas dos artistas, quase nunca ao seu trabalho musical. A coisa voltou pra um universo pequeno, alternativo, underground. Fracassado, em última instância. Mas é por isso mesmo que a resistência é necessária. Olha só, Finatti. Você mesmo é um exemplo disso. Depois que a Monstro lançou o novo single do Mechanics, ele foi notícia em diversos veículos principalmente os virtuais. Mas a esmagadora maioria se ocupou exclusivamente de reproduzir um press release. Quando pensamos que a cena rock fosse chegar a este ponto? Você, por outro lado, ainda acredita na importância do debate, do trampo de fazer uma entrevista, fazer as ideias circularem. Isso, mais que nunca, é necessário. Isso é que eu entendo por Rock. O resto é só sucesso. E sucesso é para os fracos.

Zap – Mais uma resposta sensacional, hehehe. Sendo que já temos um ótimo material e podemos encerrar o papo com a seguinte questão e aproveitando o “gancho” de tudo o que você expôs acima: como uma gravadora como a Monstro, eminentemente independente, consegue sobreviver durante mais de duas décadas nesse cenário sinistro que você descreveu e no qual o rock e a música atual estão vivendo? Como ela também consegue manter um festival como o Goiânia Noise? Afinal vocês tiveram um ex-sócio que pulou fora (ou foi “pulado”, rsrs) da gravadora e do festival justamente porque ele se importava, ao que parece, apenas com a questão MERCANTILISTA do negócio, e utilizando de esquemas nada abonadores se tornou uma espécie de “reizinho” pançudo da cena rock goiana, fazendo um outro festival que hoje desfruta de relativo sucesso de público e mídia (principalmente entre certos blogs “pobreloaders”, rsrs, que o consideram como a grande eminência da cena rocker da capital de Goiás) justamente por priorizar muito menos as bandas alternativas de fato e dar espaço a artistas caros e renomados e que têm garantia de levar bom público aos seus shows. Fale sobre isso.

 

Marcio – Esta é uma questão espinhosa por causa da proximidade que tenho com a cena daqui. Mas como você tocou no assunto, vamos lá. Fui fundador da Monstro e do Noise ao lado do Leo Bigode. Depois vieram o Fabrício e o Razuk. Em um dado momento, os interesses do Fabrício (que já estava atuando com a Construtora) ficaram conflitantes com os da Monstro e ele teve que seguir adiante sozinho. Muita água já passou debaixo da ponte desde então – eu mesmo deixei a Monstro tempos depois para tocar outros projetos com literatura, animação, cinema, quadrinhos e mesmo um doutorado. O cenário mudou drasticamente. Houve um período em que a coisa mais legal que tínhamos aqui – que me parecia claramente a cena rock mais interessante do país – era o público. Fazíamos festivais com 50 bandas independentes e o público comparecia em peso, interessado em conhecer novos sons, novas propostas. Isso mudou. O público ficou anestesiado pelos novos tempos. A curiosidade foi pras cucuias. Hype. Pós-música. Percebo os heróicos Bigode e Razuk lutando para manter o legado rock da Monstro. Mas não é fácil. E é justamente por isso que é tão importante os caras resistirem e se reiventarem – sem abrir mão dos princípios que nortearam tudo desde o começo. Apostar no independente, criar condições para que bandas relevantes encontrem seu público, botar a molecada pra pensar e viver. Tudo isso é algo muito importante neste momento. Fracassar é preciso! O que acho inadmissível é se curvar ao senso comum. A um hype que não significa absolutamente nada (ao menos para mim). Querer aglutinar a mesma quantidade de público de outrora não é possível no panorama que vivemos. Mas é sempre possível buscar aspectos qualitativos ao invés de quantitativos. É isso que sempre converso com os Monstros. Acredito piamente que, neste momento, o mais importante é fazer os festivais mais radicais possíveis. E se o público for pequeno, who cares? O que interessa é a ousadia do que se faz. Sobre o Fabrício e o Bananada – tenho certeza que é dele que você está falando -, acho que ele está em outra. Ele sequer se coloca como rock. Essa não é – nunca foi – a preocupação primordial dele, do trabalho dele. Sempre que tem alguma atração que me interessa eu vou ao Bananada. (Infelizmente, não é tão frequente quanto no passado.) A estrutura do festival é gigante. Uma festona, mega profissa. Mas é aquilo: a música ali ocupa uma posição meio secundária. Existe um claro interesse em entender tendências para aglutinar um público. Mas nem isso garante sucesso financeiro. Ou seja, são posturas distintas, lidando com uma mesma crise.

 

***Você pode ouvir o novo single dos Mechanics aí embaixo.

 

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SOBRE (MAIS UMA VEZ) A MORTE DO ROCK BR E O QUÊ ISSO TEM A VER COM O BRASIL DE HOJE, EM TERMOS POLITICOS, SOCIAIS E COMPORTAMENTAIS

Estas linhas bloggers eternamente rockers têm escutado muito a rádio rock BR da Tv NET. É de longe nosso canal musical preferido na operadora de TV a cabo já há muitas semanas (os outros três que também ouvimos são new rock, classic rock e MPB) e nem é preciso se estender muito aqui nos motivos pelos quais especificamente este canal musical da Net já conta com nossa devoção absoluta. Basicamente 80% da programação dele foca no rock BR GIGANTE dos anos 80. Uns 10% ficam para clássicos e bandas mais obscuras dos anos 70. E os 10% restantes (se muito) ficam para o rock produzido no país dos anos 2000 pra cá.

Ou seja: tirando um Suricato, um Plutão já foi planeta, um Scalene, um Vanguart, uma Pitty e a turma besta do emocore (NX Zero, Fresno e essas tranqueiras que ninguém aguenta mais ouvir hoje em dia e cuja música envelheceu esteticamente com uma velocidade assustadora), o restante da programação é um autêntico e AVASSALADOR massacre/rolo compressor do que foi produzido no Brasil no rock dos anos 80 – com tudo o de melhor e também o pouco de PIOR que foi feito naquela época. Sim, em meio a zilhões de canções clássicas e inesquecíveis de Secos & Molhados (sempre toca), Casa Das Máquinas (tocou hoje a sensacional “Vou morar no ar”), A Bolha, Legião Urbana, Capital Inicial (a banda tem lá suas boas músicas, sejamos honestos), RPM, Titãs, Paralamas Do Sucesso, Lobão (quando ele era um gênio musical e não o bosta reacionário dos tempos atuais), Lulu Santos, Ultraje A Rigor, Ira!, Barão Vermelho, Cazuza, Biquíni Cavadão, Engenheiros Do Hawaii (que foram sim ótimos pelo menos em seus dois primeiros discos de estúdio), Violeta De Outono (tocou hoje!), Finnis Africae (quem se lembra?), Picassos Falsos (idem, quem também se lembra?), Magazine (quanta saudade do queridão Kid Vinil…), Planet Hemp (já avançando pros anos 90) e Skank (idem), sempre sobra espaço pra tocar algumas podreiras completamente esquecíveis como Doutor Silvana, Uns & Outros (aquela cópia asquerosa da Legião Urbana e que emplacou um único hit em sua falida carreira) e mais alguns poucos que nem merecem ser citados.

Todos os nomes citados acima compõem o grosso da programação do canal musical dedicado ao rock BR da TV Net. Por isso o autor do blog zapper, aos 5.5 de existência e que ouviu e viveu de perto tudo e CONVIVEU intensamente com essa geração de 30 anos atrás, quando dava seus primeiros passos no jornalismo musical que o acompanha profissionalmente até hoje, sente enorme prazer e satisfação ao ficar com o som ligado no canal. Sim, também sente um tanto de nostalgia dos seus anos jovens que nunca mais irão voltar e da saudosa loucura daqueles anos incríveis e alucinados.

De resto (e repetimos isso pela bilionésima vez aqui, de tempos pra cá) essa grade musical do canal rock BR da Net só atesta em definitivo o que todos nós já estamos CARECAS de saber: o rock simplesmente MORREU no Brasil – aliás não só aqui como lá fora também. Morreu, acabou ou foi/está indo para o MUSEU. Quer dizer, bandas novas sempre continuam surgindo e irão continuar aparecendo (com o detalhe de que a maioria das que aparecem atualmente é de uma pobreza musical e textual constrangedora, daí considerarmos que até um suposto “patinho feio” dos anos 80 como o Kid Abelha, hoje pode ser classificado como GENIAL se comparado com o que anda sendo gravado nos dias atuais). Mas não existe mais PÚBLICO interessado em ESCUTAR estas bandas ou ir nos shows delas, ponto. Esqueça. A pirralhada quer saber é de sertanojo, feminejas sofrência brega ao máximo, funkão burrão, axé idem, Anitta, Jojô Todynho, Nego do Borel, um MC qualquer e por aí vai.

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Zapnroll ao lado do Vanguart, uma das ÚNICAS bandas do rock BR que valem a pena nos anos 2000

E tudo isso deságua (ahá!), claro, na questão cultural, política e comportamental de um país e uma sociedade que deu total ERRADO, definitivamente. A cultura e a música brasileira foram mesmo pro fundo do abismo mais profundo e pelo jeito não irão sair nunca mais de lá. E isso na era da tecnologia e da informação máxima, onde todo mundo tem toda a informação do mundo ao alcance das mãos e de um clic no PC ou no celular. Uma raça humana que dispõe de tecnologia de ponta como nunca teve antes e, ao mesmo tempo, também se tornou BOÇAL como não era desde pelo menos a Idade Média. E no caso específico do nosso triste bananão tudo é isso é resultado do descaso de décadas do poder público com educação e cultura (sabem como é, populacho BURRÃO é mais fácil de ser manipulado) e também culpa de uma sociedade idiota, omissa e alienada, que nunca teve apreço por grande Cultura, por ler, por ouvir ótima música, ver ótimos filmes, ir a exposições, peças de teatro, nada enfim que a obrigue PENSAR com um pouco mais de ESFORÇO mental. Aqui reina a cultura da MEDIOCRIDADE artística. O fácil vende fácil em termos de música e de artes em geral. O difícil, esse não vende nada e não dá audiência.

Se o Brasil INVOLUIU de décadas pra cá? Óbvio que sim, e mais uma vez basta escutar durante uma tarde como a de hoje, sextona pós reinado momesco, a radio rock BR da Net pra se perceber isso. Há 30 anos ainda havia poesia no rock BR, contestação social e política etc. E até uma banda mais pop como o Metrô (tocou deles hoje “Tudo pode mudar”; foi quando colocamos no volume máximo a TV e deu vontade de sair pulando de bengalinha pela kit, velhinho da quase terceira idade que já estamos, ahahaha) tinha uma qualidade melódica e harmônica inimagináveis nos “artistas” que hoje ENVERGONHAM a música pop nacional.

E por fim, também tocou hoje “Canos silenciosos”, de mr. Lobão. Sim, aquele que se tornou o ESCROTO e BOÇAL de direita que todos nós sabemos. É inacreditável imaginar que o sujeito que um dia compôs ESSA música e outras obras-primas do rock BR de trinta/quarenta anos atrás, se transformou no que se naquilo que ele é hoje. O que faz concluir que a CRETINICE e o ultra conservadorismo político de direita contaminou não apenas a sociedade estúpida, preconceituosa, selvagem, coxa e otária, mas até o rock brasileiro. O rocknroll, justo ele, o gênero musical que um dia foi o mais combativo, transgressivo e subversivo da história da música. Pois é… fim da história pro rocknroll, pelo jeito e infelizmente.

 

 

ESCADARIA PARA O INFERNO SE ESPALHA PELO BRASIL – E VOCÊ PODE COLABORAR COM NOVOS LANÇAMENTOS DO LIVRO, ADERINDO AO FINANCIAMENTO COLETIVO DELE!

Yeeeeesssss! A primeira incursão literária do jornalista gonzo/zapper eternamente loker/maloker/rocker, lançada em novembro passado em Sampa, segue vendendo bem e se espalhando pelo Brasil de Norte a Sul. Tanto é que a boa repercussão do livro está exigindo que se façam novas festas de lançamento dele fora da capital paulista. A primeira dessas festas acontece neste sábado (amanhã, já que o postão zapper está sendo finalizado na sextona em si, 16 de fevereiro) no Rio De Janeiro, dentro da balada rock/goth “Ceremony” (sendo que todas as infos sobre ela estão aqui: https://www.facebook.com/events/317273378785958/). Já no final de março, em Sampa mesmo, haverá outra noite de autógrafos do livro no espaço cultural Presidenta, no baixo Augusta (onde antes funcionou o lendário bar Astronete). E ainda estão sendo agendados lançamentos do livro até na distante Macapá.

Claro que esses eventos geram custos que Zapnroll não tem condições de cobrir sozinho. Portanto fizemos o que todo mundo faz hoje em dia, para arrecadar fundos para cobrir custos de eventos relacionados a lançamentos de obras artísticas: abrimos um financiamento coletivo no Kickante, e estamos aguardando sua força amiga por lá, para ajudar o jornalista (este mesmo aqui, rsrs) que já fez muito pela cena rock alternativa brazuca nos últimos vinte e cinco anos. Interessou em ajudar? Vai aqui: https://www.kickante.com.br/campanhas/lancamentos-do-livro-escadaria-inferno.

Enquanto isso “Escadaria…” vai arrebanhando leitores felizes (todos elogiando o livro) pelo Brasil afora, como você pode conferir nas imagens abaixo: alguns dos muitos que já compraram a obra literária fináttica. Junte-se você também a eles, comprando seu exemplar aqui: http://www.editorakazua.net/catalogo/escadaria-para-o-inferno-de-humberto-finatti. E ótima descida pela escadaria sinistra!

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Juliana Marta e Letícia Coimbra, as gatas de Belo Horizonte

 

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Alex Sobrinho (Colatina/ES)

 

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Neide Assunção (São Luis/MA)

 

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Leandro Binão/Ipira (SC)

 

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

***Bailindie: a nova edição de uma das festas mais legais do circuito under de Sampa rola amanhã, sábado, 17, lá no já queridíssimo Clube VU. Vai ter inclusive DJ especial da adorável Vera Ribeiro, que estará fazendo aniversário. Todas as infos aqui: https://www.facebook.com/events/200379083883774/.

 

***Musa rocker: a nossa primeira musa de 2018 já está escolhida! É a gata rocker/loker mais legal e amiga destas linhas bloggers online. Fique de olho porque o ensaio com a deusa Cris Dias estará aqui, em nosso próximo post. Mas por enquanto você fica com esse “aperitivo” pra já ir sonhando com o ensaio completo da garota. Beleusma?

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LIVRO “ESCADARIA PARA O INFERNO” EM PROMOÇÃO, UHÚ!

Sim!!! Você ainda não comprou a estreia literária de Finaski porque está com o bolso vazio? No problema, rsrs. Resolveremos JÁ a parada: vai no hfinatti@gmail.com, que tem UM EXEMPLAR do livro dando sopa por lá. O vencedor da promo será anunciado aqui até o início de março, okays?

 

 

FIM DE PAPO

Chega, né? O post ficou lindão e o jornalista loker e agora também escritor está se mandando pro Rio De Janeiro, onde passa o finde para lançar seu livro por lá. De modos que assim que possível a gente volta na área, beleusma? Até mais então, com beijos na galera toda – inclusive nos psicopatas tipo Alex PORCASSO Antunes e Victor Matheus Mattos, os reis da covardia fake no painel do leitor zapper, hihihi.

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 16/2/2018 às 20hs.)

Zapn’n’roll finalmente de volta em sua versão 2018! Há 15 anos o site/blog mais legal da web BR de cultura pop e rock alternativo, uhú!

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Uma lenda viva e gigante do rockablliy americano e que poderá fazer shows este ano no Brasil: o blogão zapper bateu um papo EXCLUSIVO com Reverend Horton Heat, que você confere aqui a partir da próxima segunda-feira (foto: Felipe “Nally” Almeida)

 

Postão novão e inaugural deste ano chega nessa próxima segunda-feira e vem fervendo, com entrevista EXCLUSIVA com o lendário trio rockabilly americano Reverend Horton Heat (que poderá tocar ainda esse ano no Brasil), outra entrevista exclusiva e bombástica com um dos nomes mais lendários do indie rock goiano e mais isso e aquilo tudo que você só encontra no site/blog de cultura pop e rock alternativo mais legal da web BR.

Isso aê! Zap’n’roll, versão 15.0 (há quinze anos no ar!) te espera na próxima segundona. Até lá!

 

(enviado por Finatti às 15hs.)

FIM DE FESTA PARA 2017! Com… ANITTA (vaaaaai MALANDRA CADELONA!), ulalá e tudo o mais que já está nesse post! – Agora vai, ufa! Finalmente estamos de volta e já encerrando os trabalhos nesse pavoroso 2017! E após trinta anos de atuação no jornalismo cultural e musical brazuca e mantendo no ar há catorze anos o site/blog de cultura pop e rock alternativo mais legal da web BR, o jornalista zapper mais MALDITO da rock press brazuca enfim lançou “Escadaria para o inferno”, sua primeira incursão literária e que chegou aos leitores com festão de lançamento e noite de autógrafos na véspera de mais um aniversário do escriba eternamente loker/rocker, na Sensorial Discos/SP no final do mês passado; nesse post especial – provavelmente o derradeiro deste ano – você fica sabendo de detalhes sobre o livro e de como foi a “bebemoração” literária/rock’n’roll que marcou seu lançamento; mais: Morrissey e Noel Gallagher, dois GIGANTES do rock planetário que ainda importa, lançam seus novos discos; e mesmo em um momento de crise bravíssima no circuito rock alternativo paulistano o novo Clube VU (com inspirações sonoras e imagéticas na obra do lendário Velvet Underground) abriu suas portas na capital paulista; e mais isso e aquilo tudo no site/blog zapper onde felizmente a decadência informativa e textual ainda não chegou (já em outros espaços “pobreloaders” na web… hihihi…) (postão COMPLETÃO E TOTAL FINALIZADO/CONCLUÍDO, em 25/12/2017)

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Um autêntico “quem é quem” do ainda grande rock’n’roll BR que importa e do jornalismo cultural/musical brasileiro de duas décadas e meia pra cá se reuniu para prestigiar e prestar vassalagem ao primeiro livro lançado pelo jornalista mais maldito e alucinado da imprensa brasileira nos últimos 30 anos: acima Zap’n’roll ao lado de Luiz Cesar Pimentel (autor do texto da “orelha” do livro), André Jung – ex-batera do gigante Ira! – e Callegari; mais abaixo o zapper papeia com Clemente na rádio KissFM e ainda se vê “cercado” pelos “Andrés” lendas do jornalismo: Forastieri e Barcinski. Isso que é moral, néan? E para DESESPERO dos fakes otários, psicopatas e doentes de inveja, que vão se matar após ler este post, hihihi

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MICROFONIA II: FIM DE PAPO PRA 2017 – E SEM LISTAS DE MELHORES DO ANO MAS FALANDO DE… ANITTA, ULALÁ!

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O XOXOTAÇO carioca Anitta: com justiça a CADELONA funkeira é o grande destaque da música pop brazuca e mundial em 2017. Vaaaaai MALANDRONA CACHORRONA!

 

***Yep, último postão zapper de 2017 sendo finalmente concluído na tarde do dia 25 de dezembro, natal, quem diria… Foda-se o natal, claro. Estas linhas rockers online ABOMINAM o natal, desde sempre. Hipocrisia social e familiar monstro, total. Capitalismo predatório e selvagem em seu grau mais elevado. Chega a ser bizarro: a raça humana se ODIANDO e se matando uns aos outros 364 dias por ano. E de repente, num único dia, todos esquecem esse ódio intenso e se abraçam com amor intenso, fraternal e universal. Para recomeçar imediatamente a PORRADARIA logo aos primeiros segundos do dia 26 de dezembro. Ulalá!

 

***de modos que desejamos mesmo é um ótimo final de ano pro nosso dileto leitorado. E que 2018 seja ao menos um pouco menos dantesco e menos pior do que foram os três últimos anos no falido e fodido bananão tropical.

 

***e pela primeira vez desde que Zap’n’roll existe, NÃO iremos publicar nenhuma lista de “melhores do ano”. E por um motivo muito simples: a cultura pop simplesmente morreu, acabou e se fodeu na porca era boçal da web. Sim, filmes continuam sendo produzidos, livros continuam sendo escritos, discos continuam sendo gravados, bandas novas surgem aos montes todos os dias. Mas é tudo tão fútil, ruim, irrelevante e rapidamente esquecível que nem vale a pena tentar garimpar alguma pérola em meio a tanto lodo fétido. Basta dar uma espiada rápida em algumas listas de melhores álbuns de 2017, como estas linhas zappers se deram ao trabalho de fazer. Spin, BBC, Rolling Stone americana, Consequence Of Sound… nada se salva e o que se vê é um amontoado interminável de discos e artistas que ninguém irá se lembrar mais deles quando saírem as listas de melhores de 2018, daqui a doze meses.

 

***de modos que esse papel algo inútil e ridículo de compilar listas de “melhores”, deixamos para blogs pobreloaders e que também já estão em fim de linha, hihihi. Tão fim de linha que agora inventaram até de reproduzir capas de LPs clássicos da história do rock’n’roll colocando… gatinhos neles, ulalá! Que fofo, ahahahahahahaha.

 

***algum mega destaque de fato e de direito na música pop brazuca e mundial em 2017? Sim: a funkeira carioca Anitta, com todos os méritos e honras que ela merece. Você pode DETESTAR a figura e o som que ela faz. E este espaço blogger Popper se deu ao trabalho de conferir “Vai Malandra!”, seu novo mega hit e que está explodindo na web, no YouTube, no mundo todo, na puta que o pariu. O diagnóstico é inefável: a música é ruim de doer, a letra é imbecil e a construção melódica é paupérrima. Mas há o OUTRO LADO dessa parada: Anitta canta sim com empenho, sabe explorar o potencial VISUAL das imagens, é uma artista mega esforçada e, por fim, é aquele BO CE TA ÇO que todos nós sabemos que é – tendo sido inclusive capa da revista Vip há uns dois anos já. Por tudo isso a gringa está pirando no xotaço cantante carioca. Fora que “Vai Malandra!” é daquelas músicas que grudam instantaneamente no cérebro. Por tudo isso Anitta talvez seja de fato o único gigantesco e merecido destaque musical deste podre 2017 que felizmente está chegando ao fim. Para um mundo que já teve James Brown, Michael Jackson, Madonna, Tim Maia, Hyldon etc, Anitta seria a tranqueira e indigência sonora total. Mas para os tempos atuais, quando a cultura pop foi nivelada ABAIXO do abismo, ela é GÊNIA. Vai que vai, Malandra!

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Um BOCETAÇO sem igual e que está conquistando o mondo pop planetário: Anitta (acima e abaixo) não possui grandes atributos, hã, musicais, mas é a RACHA do inferno com que todas as pirocas do mundo sonham em foder, hihihi

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***E chega, néan. O site/blog zapper agora se dá férias até o final de janeiro próximo. Volta em 2018 para comemorar seus quinze anos de existência – talvez com um show internacional –  e para talvez e finalmente se despedir da web. Falouzes? Boa virada de ano então pra todos vocês, nossos amados/as putos e putas do coração! Inté!

 

 

MICROFONIA

(reverberando a cultura pop em discos, livros, filmes, shows, baladas etc.)

 

***Antes de mais nada é preciso dar um alô ao nosso dileto leitorado sobre o por que do sumiço deste espaço rocker virtual nas últimas semanas. Primeiro o velho noteSHIT Toshiba do jornalista zapper/loker entrou em pane total, o que impediu que mantivéssemos as postagens por aqui em dia, fora que o último post ficou verdadeiramente prejudicado e todo atrapalhado, sem fotos, incompleto no texto etc. Daí o motivo, inclusive, de estarmos repostando parte do material que já estava nele.

 

***2017 quase chegando ao fim – já vai tarde, na verdade. E nem por isso o agito rocker termina: lá se foi o velho (mas jamais obsoleto) jornalista e escritor rocker e (ainda às vezes) loker, assistir ao último show deste ano do projeto “Ira! Folk” e que reúne no palco apenas a dupla central da banda, meus amigos de décadas Edgard Scandurra (nos violões) e Nasi (nos vocais). Ambos desfilando todos aqueles clássicos do Ira! e do gigante rock BR dos anos 80’ que todos nós conhecemos e amamos. Foi no Bourbon Music Street Hall, na última terça-feira. Que é do tamanho de um ovo, pico total de playba e coxas endinheirados, fica em Moema – zona sul chic da capital paulista – e é uma das casas de shows mais caras da capital paulista – o ingresso pra ver a gig custava 130 pilas por cabeça. Mas foda-se tudo isso. Quando Scandurra começou a tocar e Nasi a cantar, o local (que lotou até o teto) veio abaixo. Povaréu cantando contente e feliz e em coro absolutamente TODAS as músicas do set. E depois teve beija mão tradicional no camarim, óbvio. O zapper loker foi lá também, deu um oi rápido pros seus brothers de décadas, tomou uma taça de cabernet e caiu fora. Foi bem bacana no final das contas.

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O jornalista e agora também escritor zapper, ao lado de seus velhos amigos do grande rock BR dos 80′, Nasi e Edgard Scandurra, no camarim do Ira! após gig do grupo na última terça-feira em Sampa

 

***Sendo que neste sábado em si – ou amanhã – rola a talvez última gig bacanuda do ano em Sampa: os sempre amados Vanguart sobem ao palco no Teatro Mars, na região central de Sampa, pra fazer a saideira do ano. Todas as infos do evento aqui: https://www.facebook.com/events/180026795907515/.

 

***E teve também o lançamento de “Escadaria para o inferno”, o primeiro “filhote” do jornalista musical que agora também é escritor, hihi. Foram semanas pesadas de divulgação do livro, com mr. Finaski indo a entrevistas na rádio paulistana KissFM – onde papeou no programa “Filhos Da Pátria” com seu brother de séculos, Clemente, fundador e vocalista dos Inocentes – , gravando outra entrevista para o programa “Nasi Noite Adentro” – apresentado semanalmente no Canal Brasil pelo vocalista do Ira!.que não por acaso também é amigo pessoal zapper há décadas – , e mais isso e aquilo.

 

***Fora a “resenha” – uia! – publicada por dom André Barcinski em seu bombadíssimo blog no Uol, o maior portal de internet da América LaTRINA, rsrs. Barça fez o que se esperava no texto: ESCULACHOU com fervor e gosto o livro e seu autor, ahahahaha. E quem o conhece – como este jornalista o conhece, há mais de 20 anos – sabe que ele é exatamente assim: só não detona a própria mãe porque é filho dela, rsrs. De resto, com amigos como o autor deste espaço online – com “amigos” desse naipe, quem precisa de inimigos? Uia! – lhe pedindo uma “força” na divu do livro, claaaaaro que ele não iria perder a piada. Perde o amigo, mas a piada JAMAIS, rsrs. Sendo que você pode ler o que ele escreveu sobre “Escadaria para o inferno” aqui: https://blogdobarcinski.blogosfera.uol.com.br/2017/12/04/um-perdido-numa-noite-suja-o-estranho-mundo-de-humberto-finatti/.

 

***E teve muito mais sobre o lançamento da obra literária fináttica. Esse “mais” você vai acompanhando mais aí embaixo, ao longo desse post.

 

***O mês dos gigantes, I: Morrissey – Sim, estamos falando – com certa demora e pelos motivos já explicados acima – do novo álbum de estúdio daquele que é considerado por boa parte da humanidade como o inglês mais genial e legal ainda vivo na face da Terra. Sim, ele mesmo, “tia” Morrisséia, aliás Morrisey, ou Moz pros fãs. “Low In High School” é o décimo primeiro disco solo do ex-vocalista dos Smiths desde que a banda que o tornou célebre acabou e ele começou a lançar trabalhos sozinho, em 1988. E é o primeiro cd inédito dele em três anos – o último, “World Peace Is None Of Your Business”, saiu em 2014. “Low in…” saiu mês passado na Inglaterra. Estas linhas rockers online ainda não escutaram o dito cujo. Afinal estamos numa correria insana por conta do lançamento do nosso livro. Mas enfim, o que esperar do novo álbum do amado e ainda gigante Morrissey? Que ele seja no mínimo ok. Sim, claro, Moz não precisa provar mais nada pra ninguém. Aos 58 anos de idade já deixou seu nome eternizado na história do rock mundial, apenas por ter escrito as letras que escreveu e cantado as canções que cantou nos quatro FENOMENAIS discos de estúdio dos Smiths (eternamente uma das 5 bandas da nossa vida). Perto desses quatro LPs inatacáveis e imortais sua carreira solo é até dispensável – sejamos honestos e não fãs fanáticos: Zap’n’roll gosto muito da sua estréia solo com o “Viva Hate”, que saiu em 1988 (e que teria sido na verdade o quinto disco de estúdio dos “Silvas”, caso eles não tivessem acabado no ano anterior). Depois, se formos bastante rigorosos, vamos chegar a conclusão de que o bardo de Manchester ainda gravou mais um ótimo/impecável trabalho solo (“Your Arsenal”, de 1992) e só. Claro, ele nunca se permitiu lançar algo de qualidade realmente ruim. E mesmo um disco mediano de Morrissey ainda dá um pau gigante em tudo o que o vergonhoso, pífio e irrelevante rock da era da web (principalmente de 2000’ pra cá) anda lançando. Quanto a isso não há dúvida. Mas reiterando: o que a bicha velha tinha que legar de CLÁSSICO e INESQUECÍVEL para a humanidade ela já legou, junto aos Smiths. Uma banda que, em quatro discos de vinil e em quatro momentos iluminados, deixou para a História algumas das pérolas poéticas e musicais mais sublimes e avassaladoras que a Cultura universal poderia ter produzido. Enfim, assim que passar o tumulto com o lançamento do livro fináttico, vamos resenhar sim “Low In High School” por aqui com a devida atenção. O primeiro single do álbum (“Spent The Day In Bed”) ao menos é bem bacana. E sendo que tanto o disco quanto o single você pode conferir abaixo.

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***O mês dos gigantes, II: Noel Gallagher – e teve também o lançamento do novo trabalho musical do gênio Noel Gallagher (o homem que comandou o saudoso e inesquecível Oasis por quase duas décadas). “Who Built The Moon” é o terceiro álbum solitário do gigante guitarrista, e já coleciona fartos elogios na rock press gringa e nos veículos musicais midiáticos que importam. Zap’n’roll também ainda não ouviu o dito cujo e o fará assim que a situação se acalmar por aqui além de resenhar o cd nestas linhas online o quanto antes, beleusma? Mas enquanto isso você pode escutar o disco inteiro aí embaixo.

 

***E mais notas na Microfonia irão entrando aqui, nesse provável último post zapper de 2017, ao longo da semana vindoura, okays? Agora vamos direto ao assunto porque a correria está monstro por aqui hoje. Vamos ver do que trata, afinal, o primeiro livro lançado pelo sujeito que escreve esse espaço virtual popper há quase década e meia.

 

 

AGITO LITERÁRIO NO MONDO ROCKER: “ESCADARIA PARA O INFERNO”, O PRIMEIRO LIVRO DO JORNALISTA ZAPPER E ETERNAMENTE LOKER, CHEGOU FINALMENTE AOS LEITORES NO FINAL DE NOVEMBRO ÚLTIMO

Aconteceu finalmente no sabado, 25 de novembro, o lançamento de “Escadaria para o inferno”, provavelmente o ÚNICO livro que este jornalista irá publicar pois imagina que não terá tempo suficiente em vida para escrever outro. E sem drama algum em relação a isso: saindo este já nos damos por satisfeitos e com ele iremos completar a tríade que, reza o clichê existencial, todo ser humano precisa fazer ao longo de sua vida: plantar uma árvore, ter um filho (tivemos/temos, embora pai e filho não se falem e não se vejam pessoalmente há séculos) e escrever um livro. Com o lançamento bombadíssimo e bacaníssimo que rolou na Sensorial Discos/SP completa-se então essa tríade, no nosso caso. Missão fináttica TERRENA cumprida? Talvez…

É pensando no lançamento desse tomo e agora avançando pela tarde insuportalvemente calorenta que o blog resolveu dividir com vocês infos sobre o livro e também algumas considerações e pensamentos soltos sobre ele e sobre seu autor, divididos por tópicos. A eles.

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Noite de lançamento de “Escadaria para o inferno”, o primeiro livro do jornalista Finaski, e que aconteceu no final de novembro em festa badaladíssima na Sensorial Discos/SP: um brinde rock’n’roll à literatura degenerada!

 

***O LIVRO – “Escadaria para o inferno” está pronto há uns 3 anos já. Nesse período mudou de nome (o título inicial era “Memórias de um jornalista junkie”, que acabou entrando agora na edição final e oficial como sub-título) e passou por pelo menos três editoras, todas pequenas. Uma se interessou mas não tinha dinheiro para bancar o dito cujo. A segunda queria rachar os custos da publicação com o autor, o que obviamente foi recusado. E a última queria que fosse mudada muita coisa no livro original (o título, inclusive) o que também não foi aceito. Fomos salvos quando encontramos a turma da Kazuá, onde chegamos através do queridão Edner Morelli (que acabou de lançar por lá também seu terceiro livro de poemas, “Cenário”), músico, professor (de Letras), escritor e amigo do jornalista zapper há décadas. Foi o melhor lar editorial que poderíamos ter encontrado pois trata-se de uma editora modesta mas que tem um cuidado quase artesanal com cada livro publicado por ela. Fora que a equipe de lá é total maluca, libertária, transgressora, transgressiva, culturalmente DEGENERADA pode-se dizer, rsrs. Pelo conteúdo que se encerra em “Escadaria…” o livro não poderia ter encontrado lugar melhor. E somos absolutamente sinceros nisso.

 

***O QUE É E DE ONDE SURGIU A IDEIA – Todos já sabem: o titular deste espaço de cultura pop online é jornalista musical e cultural há mais de 30 anos. Já passou (e tem orgulho disso) por alguns dos maiores veículos da imprensa brasileira, como repórter ou colaborador. Ao longo desse tempo todo ele foi colecionando milhares de histórias (todas reais) absolutamente MALUCAS, surreais e quase inacreditáveis de enfiações desvairadas de pé na lama em sexo, álcool, drogas e rock’n’roll, muitas dessas ao lado de gente bastante conhecida. E toda vez que contávamos alguma dessas histórias para algum (a) amigo (a), a reação de espanto de quem ouvia era imediata e o comentário inevitável: “porra Finas, isso dá um livro! Ou até um FILME! Rsrs”. Foi então que tivemos enfim a ideia de escrever o tal livro. Mas a primeira versão dele era algo preguiçosa, podemos afirmar. Apenas reunimos alguns dos melhores posts de Zap’n’roll, que existe há 14 anos, e tal qual eles foram escritos, foram organizados em um provável e futuro livro. Mostramos esse material ao chapa Marcelo Viegas (que conhecemos há quase 20 anos), então trampando como editor na Ideal Edições. Foi dom “Priegas” quem leu o material e disse: “as histórias são de fato ótimas. Mas deixa de ser preguiçoso, cria vergonha na cara, senta na frente do computador e escreve um livro de VERDADE, não reproduzindo apenas posts que já foram publicados no seu blog. Lembre APENAS das histórias malucas e as conte como aconteceram, dando tom textual de crônica ou romance em cima delas”. Foi o que acabamos fazendo, no final das contas. E por ter vivido a vida que viveu (intensa na maior parte do seu tempo, com o sujeito aqui sempre “plugado” em 220 wolts, sempre ansioso, agitado, e quase sempre total alucicrazy nas baladas noturnas e em muitos momentos da sua vida profissional, enquanto cobria shows, festivais, entrevistando bandas e músicos etc.), sempre no limite da sanidade, conseguiu colecionar esse turbilhão de histórias quase inacreditáveis. Separamos 20 delas para publicar no livro. Que sim, tem uma narrativa auto-biográfica mas que não se trata de uma biografia na pura acepção do termo literário. Uma narrativa que desvela loucuras ao lado de gente como John Lydon (o homem que um dia foi Johnny Rotten e cantou nos Sex Pistols), Evan Dando (dos Lemonheads), Nasi (nosso brother que canta no Ira! até hoje), João Gordo, Lobão, Helinho Flanders (o amado singer do Vanguart) etc, etc. Ficamos bastante satisfeitos com o resultado do livro. A Kazuá também, ao que parece. Veremos o que VOCÊS, futuros leitores (assim esperamos) do mesmo irão achar.

 

***NÃO HÁ MORALISMOS NO LIVRO, NEM NO SEU AUTOR – As mais de 140 páginas de “Escadaria para o inferno” estão repletas de narrativas envolvendo sexo desenfreado, consumo abusivo de drogas e álcool e tudo aquilo que provavelmente “choca” a moral e os bons costumes, ainda mais nesses tempos de total intolerância e de uma sociedade cada vez mais moralista hipócrita e babaca, reacionária e conservadora ao extremo. Bem sabemos que somos um jornalista ainda mezzo loker, eternamente rocker e já quase um VELHO (mas jamais obsoleto) desajustado na alma e no coração, e inadequado na existência. Um sujeito perenemente à margem do que é considerado “normal” pelo senso comum estúpido da raça humana idem. Isso incomoda? Um pouco, às vezes e não há como negar. Nos arrependemos de ser assim ou de termos sido assim na maior parte de nossa existência? Nem um pouco e o livro deixa isso bem claro: não há MORALISMO algum na narrativa dos capítulos dele (20 ao todo). Tudo é contado com distanciamento moral absoluto (apesar de estarmos no olho do furacão em todos os episódios que estão ali descritos) pois sempre dizemos que, se pudéssemos voltar no tempo mudaríamos muito pouco essa trajetória. Provavelmente teríamos feito tudo novamente, evitando cometer excessos aqui e ali e também evitando consumir aditivos que de fato não deveríamos ter consumido ao longo da vida. Mas no final o livro tenta transmitir ao leitor mais ou menos a mesma sensação que o já clássico filme “Trainspotting” passou a todos que o assistiram: a vida de um JUNKIE é isso. Ele escolheu viver dessa forma. Cada um que escolha viver a sua vida da forma que melhor lhe convier.

 

***NÃO FOI FÁCIL TER TIDO UMA EXISTÊNCIA QUASE TOTALMENTE JUNKIE – Não mesmo. Sem moralismos novamente mas NÃO recomendamos a vida que tivemos para ninguém, embora tenhamos nos divertido horrores. Como jornalista o sujeito aqui poderia estar muito bem hoje, profissional e financeiramente falando. Não estamos, claro. Muito longe de estar, inclusive. Zap’n’roll poderia ter se tornado um “jornalista” total careta e bunda-mole e provavelmente estaria enorme de gordo, casado com uma esposa chata, com filhos, tendo uma amante igualmente chata e trampando em alguma redação de algum mega veículo de mídia e ganhando seus 10 mil dinheiros (ou mais) por mês. Mas escolheu o caminho torto e da loucura, óbvio. E foi perdendo grandes empregos e grandes oportunidades na imprensa, claro, pois além de ser um maluco em tempo quase integral também sempre teve o gênio e o sangue italiano quente e explosivo, o que o fez brigar com muita gente (a imprensa é um dos meios profissionais mais escrotos, hostis e terríveis para se trabalhar, uma autêntica piscina de tubarões e uma fogueira das vaidades insuportável na maioria das vezes). Certa vez o jornalista Luiz Fernando Sá (que foi nosso chefe nas revistas IstoÉ e Interview, e atualmente ocupa alto cargo na editora Três) nos disse: “você já teve ótimas oportunidades e portas abertas na sua vida, que muita gente igualmente competente quis ter e não teve. E você foi desperdiçando todas essas oportunidades”. Talvez ele tenha razão, no final das contas. E num dia, almoçando com amado “sobrinho” Luiz Cesar Pimentel (que é o autor do texto que está na “orelha” do livro), perguntamos a ele onde tínhamos errado no meio do nosso caminho. Onde deveríamos ter entrado na curva à direita, e acabamos entrando na da esquerda. “Finas, cada um tem suas escolhas na vida. Você fez as suas. E paga um preço por elas, simples.”. Nisso ele tem total razão. Fizemos nossas escolhas e pagamos o preço por elas. Sabemos que nossa existência não foi nada fácil. E continua não sendo, inclusive: este jornalista rocker é adicto (dependente químico) há anos. Não deveria nem beber mais nada alcoólico. Mas quem disse que não conseguimos beber? O zapper AMA beber. Só que bebe maaaaais que todo mundo e NÃO fico ébrio. Fica, sim, com um desejo quase incontrolável de ASPIRAR cocaína, quando não de voltar a fumar crack, essa droga do inferno que realmente odiamos. Então hoje em dia procuramos controlar ao máximo o consumo alcoólico. Quando vemos que estamos chegando a ponto de sair do controle, damos um jeito de parar. Senão sabemos que a vaca irá inevitavelmente para o brejo, sendo que também sabemos que somos muito melhor e mais sociáveis quando não estamos “bicudaço” de cocaine e transtornados de álcool (e Marião Bortolotto, que assina o texto da contra-capa do livro, também sabe muito bem disso, ahahaha: “Fininho” estava um doce de sociabilidade no último sábado lá no Cemitério de Automóveis, não é Marião? Rsrs). Fora que algumas lembranças nos atormentam e ainda nos traumatizam ao máximo. Por exemplo: é algo total crazy você estar JANTANDO num churras rodízio (como estávamos na última sexta-feira, no Tendall Grill, onde sempre fazemos um repasto semanal há uns 30 anos já) e, do nada, começar a TREMER por dentro por se lembrar que, ali perto, tem uma “biqueira” de crack, onde freqüentamos e fumamos “pedrinhas” anos atrás. Sendo que nesse período (anos atrás), este jornalista estando com dinheiro no bolso ou na conta estaria ali naquela área (no centrão de Sampa) não jantando no tal churras rodízio mas sim, na tal biqueira e fumando “pedras”. Felizmente isso já passou. Mas ainda restam as (por vezes) tormentosas lembranças. E essas irão nos acompanhar até a morte, pelo jeito. Mas novamente, sem ressacas morais: fizemos o que queríamos fazer. Que a molecada aproveite MESMO enquanto é jovem (a pirralhada no mundo atual está CARETA demais pro nosso gosto, vocês concordam?) e tem a vida toda pela frente. Que TREPE HORRORES, beba até cair, cheire, fume o que quiser e boa. Um dia a idade adulta irá chegar, o corpo irá pedir arrego e aí será a hora de tirar o pé do acelerador e levar uma existência, hã, mais tranqüila digamos assim. E sem olhar para trás e ter arrependimentos, mas pensando: sim, vivi a vida com gosto. E tirei ótimas lições, mesmo dos piores momentos. É isso.

 

***FIM DA HISTÓRIA? – Talvez. Além do lançamento do livro, este Finaski também chegou aos 5.5 de vida. Ele se sente algo envelhecido no corpo já, embora muitas amigas digam que ainda é um coroa charmoso e sedutor (ahahaha, jezuiz… será mesmo?). Mas a cabeça, essa felizmente continua a mil. E mais jovem do que muito pirralho de 20 anos de idade. Apenas queríamos estar um pouco melhor de dindin, rsrs. Mas fato é que a maioria do país está quebrado e muitos dos que conhecemos também. De modos que não há muito o que fazer quanto a isso a não ser torcer por dias melhores (FORA TEMER, seu bandido merda do caralho!). Amores, romances e paixões aos 5.5 de vida? Tivemos centenas (vamos repetir: CENTENAS) de mulheres na vida (e na cama) ao longo da existência. E chegamos a conclusão inefável de que apenas umas quatro delas realmente fizeram este loker perder o juízo. Ele teria se casado com a Flavia (quando tinha meus 28 anos de idade), que se tornou uma advogada muito bem sucedida, está casada e com filho. Ou com a Tania (já aos 41) que desapareceu (deve ter encontrado o homem “sem vícios” que ela queria encontrar para contrair matrimônio; com este blogger maloker ela jamais iria “casar” pois como a própria ruiva puta e malvada disse certa vez: “Humberto, você é ÓTIMO pra sair, se divertir, cheirar cocaína, beber, trepar, mas NÃO pra casar. Quando eu me casar não vou querer nada disso pra mim”. Ok, rsrs), com a Rudja (de Macapá), de quem somos amigos até hoje e que AMAMOS toda a família dela. Ou com a Neidinha Rodrigues, aquela magrela branquela linda, deliciosa, peituda, mega inteligente e fã de literatura (como este velho jornalista) que é uma “demônia” na cama mas que, infelizmente, é CASADA (o que não nos impediu de ficar trepando com ela por um ano). Teríamos casado e ficado pra sempre com uma dessas quatro mulheres incríveis. Mesmo sabendo que talvez não estivesse mais com nenhuma delas até hoje. Mas as tivemos, ao menos. E deu certo o tempo que tinha que dar. E agora? (suspiro…) Agora imaginamos que nosso tempo já tenha se esgotado. E que não haverá mais tempo para que um novo amor surja na vida de Finas. De modos que ele segue sozinho. E provavelmente vai morrer sozinho. Por isso agora entende, mais do que nunca, porque Van Gogh morreu sozinho e sem uma das orelhas. Porque Jack Kerouac (o homem que nos deu o clássico beat “On The Road”) morreu aos 47 anos de idade (muito jovem ainda) quando vivia com a mãe, e foi levado por uma cirrose ocasionado pelo consumo excessivo de vinho licoroso (adoramos). Também compreende porque Rimbaud se foi, sozinho e sem uma das pernas (amputada por causa de um tumor) e porque J. D. Salinger (o gênio que nos deu “O apanhador no campo de centeio”) preferiu terminar sua vida, já velhíssimo, isolado do mundo no alto de uma montanha. Talvez este será mesmo nosso fim (e não nos importamos que seja, aliás até almejamos que seja, num certo sentido): sozinho mas contente e em paz, no alto da montanha mágica, lá em São Thomé Das Letras. Publicado “Escadaria para o inferno”, é pra lá que pretendemos ir pra morar, em 2018.

 

XXX

E a semana que está quase acabando já foi agitadíssima em se tratando da divulgação do livro zapper. Ele já foi parar nas mãos de alguns dos principais personagens que fazem há anos a cena rocker paulistana acontecer: o lendário produtor e cappo do selo indie Baratos Afins, queridão Luiz Calanca, além de nosso igualmente eterno e amadorado DJ e produtor cultural André Pomba. Na grande imprensa a repercussão também já começou, com este Finaski tendo dado entrevista na última quarta-feira no programa “Filhos Da Pátria” na KissFM, e que é apresentado pelo brother Clemente. Fora a visitinha de cortesia que fizemos à redação do diário Folha De S. Paulo (um dos maiores jornais do país) e onde fomos super bem recebidos pelo também queridão Ivan Finotti e pela fofura que é a repórter Amanda Nogueira. E nas próximas semanas o agito em torno do livro vai prosseguir, pode esperar!

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Com o produtor musical Luiz Calanca, na sede do selo e loja Baratos Afins/SP

 

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Concedendo entrevista para o “irmão preto” Clemente, no programa “Filhos Da Pátria” na KissFM/SP

 

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Visitando o queridão Ivan Finotti, na redação do diário Folha De S. Paulo

 

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Com o amado super dj André Pomba, na domingueira rock mais badalada do Brasil, o Grind/SP

 

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E tomando algumas com o dramaturgo Mário Bortolotto, autor do texto da contra-capa do livro, no bar/teatro dele, o Cemitério de Automóveis, em Sampa

XXX

 

“Escadaria para o inferno” já está à venda na loja virtual do site da editora Kazuá, que pode ser acessado aqui: WWW.editorakazua.com.br. O livro também está à venda na Sensorial Discos/SP, que pode ser contatada em WWW.sensorialdiscos.com.br ou pelo fone 11 3333-1914. E por fim também na Livraria Cultura em Sampa.

 

 

IMAGENS DE ALGUNS DOS MOMENTOS BACANUDOS DO LANÇAMENTO DO LIVRO, QUE ROLOU NO FINAL DE NOVEMBRO EM SAMPA

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O jornalista gonzo e escritor loker e as amigas gatas

 

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Ganhando bijokas das novas leitoras

 

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Com os brothers André Jung, ex-batera do Ira!, e Jonnata Doll, vocalista da banda Garotos Solventes

 

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Se preparando para dar mais um autógrafo

 

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A loirinha mais linda e meiga, sorrindo ao lado do novo escritor

 

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Leitor degustando e apreciando a nova obra literária

 

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Dedicatória para uma amiga querida

 

 

O NOVO BAR ROCKER UNDER DE SAMPA: O CLUBE VU TAMBÉM ABRIU SUAS PORTAS PARA A GALERA AINDA ROCKER DA CAPITAL PAULISTA

Mesmo com a crise existencial, mercadológica, artística e de público que o rock vem enfrentando já há alguns anos lá fora e aqui também, ainda há alguns MALUCOS que mantêm a fé no gênero musical mais genial e importante da música mundial nos últimos 70 anos.

Ele está quase morto? Talvez. Anda total em baixa no circuito noturno alternativo paulistano (sempre é bom lembrar: em um ano e meio nada menos do que quatro dos mais tradicionais clubes de rock da capital paulista fecharam suas portas)? Pode ser, também. Mas nada disso abalou a confiança de três sócios que se uniram para fazer funcionar e ferver, na Barra Funda (bairro da zona oeste paulistana), o novíssimo Clube VU. Com toda sua inspiração (do espaço a decoração, da fachada aos nomes que irão batizar os drinks exclusivos da casa) vinda da obra gigante do lendário Velvet Underground (uma das mais fundamentais bandas de toda a história do rock’n’roll), o VU promete manter acesa a chama do rock na noite under de Sampa. Para isso vai apostar em drinks e coquetéis especialíssimos, em uma programação temática variada ao longo dos dias da semana e, principalmente, em um público mais adulto, que já passou dos 30 mas que ainda curte sair à noite para beber e dançar ao som do bom e velho rock.

Dos três sócios da nova empreitada do circuito de entretenimento de São Paulo, dois são velhos conhecidos da cena rocker da cidade: Claudio Medusa (que durante quase uma década foi proprietário do finado Astronete, na rua Augusta) e nosso “quase” xará, o jornalista Ivan Finotti, um dos nomes mais conhecidos e respeitados do jornalismo cultural e musical da equipe do caderno Ilustrada, do jornal diário Folha De S. Paulo. E foi com mr. Ivan que Zap’n’roll bateu um papo rápido para saber o que podemos esperar do Clube VU. Os principais trechos do papo seguem abaixo.

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Dupla dinâmica do jornalismo cultural em noitada de bebemoração rock’n’roll na capital paulista: Ivan Finotti e Zap’n’roll na inauguração do novo clube VU; abaixo a fachada da nova casa noturna de Sampa

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Zap’n’roll – Você poderia explicar, resumidamente, o conceito do novo Club VU? Como surgiu a idéia, quando surgiu, o que vai tocar por lá, como será o atendimento, ambiente, carta de bebidas e comidas (se houver) etc?

 

Ivan Finotti – é Clube V.U., em português. Por ser jornalista, tento ao máximo manter as palavras na nossa língua. Lá no Clube V.U., por exemplo, bebe-se gim e uísque, não gin nem whisky. Manias à parte, o Claudio Medusa estava atrás de uma nova empreitada após o fechamento do Astronete em 2016. Nós já haviamos aberto juntos o Alberta #3 em 2010, com a Thea Severino e a Noemi Silva. Então eu não via como criar algo muito diferente daquilo. Então apareceu a artista plástica Suemi Uemura, amante de drinques e frequentadora de bares de coquetelaria. Com ela, bolamos o conceito de uma balada com drinques tão bem feitos quanto nesses bares, que estão em alta na cidade nos últimos tempos. Vai ser um desafio atender 300 pessoas dessa forma, mas temos um balcão de 11 metros e excelentes barmen e barwomen.

 

Zap – é sabido que o rock está em baixa (infelizmente) nesse momento, mesmo no chamado circuito noturno alternativo de Sampa. Tanto que clubs bacanas como Astronete (que era de propriedade do Medusa, seu sócio nessa nova empreitada), Inferno Club, Funhouse e Matrix (que voltou a reabrir há poucas semanas) fecharam suas portas nos últimos meses. Dessa forma não é temerário investir em um novo espaço apenas dedicado ao rock? Ou o VU vai mirar também outros públicos, com festas variadas em noites especificas?

 

Finotti – O rock é o gênero que liga toda a semana, mas as festas são variadas. Na segunda-feira, receberemos chefes de bar de diversas casas da cidade para fazerem seus drinques em nosso balcão. Na terça, exibiremos filmes icônicos no telão , enquanto você desfruta seu coquetél. Nesses dias, de entrada gratuita, abriremos a pista se houver público para isso. Na quarta-feira a casa está fechada, mas não é bem assim. Você pode abri-la para a sua festa de aniversário, por exemplo. A quinta é inspirada nas musas transexuais de Lou Reed, imortalizadas em canções do Velvet Underground, como Candy Darling e Lady Godiva. Essa noite terá uma pegada mais pop. A sexta traz o lado B do rock, com clássicos desconhecidos dos anos 60, 70 e 80, além de soul. E o sábado é para a turma que ama o indie e tudo isso que a gente falou antes também.

 

Zap – São três sócios na nova casa, sendo que um deles, Claudio Medusa, é um conhecido personagem da noite alternativa paulistana. Já você é um dos nomes mais conhecidos do atual jornalismo cultural brasileiro, trabalhando na Folha Ilustrada, do jornal Folha De S. Paulo (um dos maiores diários brasileiros). E é sabido que você também ama rock’n’roll, especialmente Bob Dylan, rsrs. O que o levou a investir nessa nova atividade, aparentemente muito distante do universo do jornalismo?

 

Finotti – Eu amo ser jornalista e investir nessa atividade nunca foi uma forma de escapar do emprego. Pretendo seguir mais 15 anos no jornalismo. Acontece que eu também amo música e fazer parte de uma casa noturna (inspirado pelo meu amigo André Barcinski, que abriu a Clash em 2007) foi a forma que encontrei de estar mais próximo dela. Você falou em Bob Dylan e realmente o Alberta #3 foi completamente inspirado nele. Dois anos depois, abrimos o restaurante Ramona, meio Dylan, meio Ramones, também na avenida São Luís. Fiquei quatro meses fazendo a trilha sonora e os frequentadores se surpreendem com a música de lá. Há três meses, reabrimos o bar Stônia, no subterrâneo do Ramona. Homenageia os Stones. Agora, o V.U. é a casa noturna do Velvet Underground, o grupo que mais influenciou e menos vendeu da história do rock. A banda de Lou Reed, Nico e Andy Warhol. Temos muito veludo vermelho por lá. E a cachaça da casa chama Heroin, como a canção deles.

 

Zap – falando em musica e em rock’n’roll, o que você mais curte? Apenas bandas clássicas e antigas ou também fica atento às bandas mais novas?

 

Finotti – Só as clássicas. E as novas que parecem velhas.

 

Zap – pra encerrar: na sua opinião, qual o futuro do rock nesse momento (aqui e lá fora) e de casas noturnas que ainda se dedicam ao gênero? Ele, o rock, dará a volta por cima e irá reinar novamente como reinou na música mundial por quase 70 anos? Ou isso não vai mais acontecer?

 

Finotti – Eu acho que não vai mais reinar. Já foi esse tempo. Mas não vai acabar, sempre haverá um bando de malucos como você para dar um pouco de fôlego ao rock.

**********

TCHAU 2017, JÁ VAI TARDE!

Mais um ano infernal que chega ao fim. Mas conseguimos sobreviver a ele, felizmente. Então que venha 2018! E que ele traga algum alivio imediato para todos nós – na economia, na cultura pop, na existência humana no final das contas.

O site/blog zapper se dá férias agora, até o final de janeiro quando voltamos por aqui. Até lá desejamos que todos tenham uma super virada na semana que vem e ótimas férias também!

Inté!

 

(atualizado, ampliado e finalizado por Finatti em 25/12/2017, às 17hs.)

 

 

Após trinta anos de atuação no jornalismo cultural e musical brazuca e mantendo no ar há catorze anos o site/blog de cultura pop e rock alternativo mais legal da web BR, o jornalista zapper publica “Escadaria para o inferno”, sua primeira incursão literária e que chega aos leitores neste sábado, com festa de lançamento e noite de autógrafos na véspera de mais um aniversário do escriba eternamente loker/rocker, na Sensorial Discos/SP; nesse post especial você fica sabendo de detalhes sobre o livro e de como será a “bebemoração” literária/rock’n’roll que marca seu lançamento; mais: o festival Três Olhos também rola nesse finde em Sampa, com show dos Mutantes e de novíssimos grupos do cenário alternativo paulistano; Morrissey e Noel Gallagher, dois GIGANTES do rock planetário que ainda importa, lançam seus novos discos; e mesmo em um momento de crise bravíssima no circuito rock alternativo paulistano o novo Clube VU (com inspirações sonoras e imagéticas na obra do lendário Velvet Underground) abre suas portas na capital paulista também nesse sábado (ufa!); e mais isso e aquilo tudo no site/blog zapper, onde felizmente a decadência informativa e textual ainda não chegou (já em outros espaços “pobreloaders” na web… hihihi) (postão em mega construção!)

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop em discos, livros, filmes, shows, baladas etc.)

 

***Calor infernal na tarde do sabadão paulistano, com o blogão zapper entrando no ar em sua primeira parte e falando de uma renca de paradas que prometem tornar este finde agitadíssimo. Aos fatos, entonces!

 

***A semana dos gigantes, I: Morrissey – Sim, o motivo da nota de abertura de Microfonia é mesmo o novo álbum de estúdio daquele que é considerado por boa parte da humanidade como o inglês mais genial e legal ainda vivo na face da Terra. Sim, ele mesmo, “tia” Morrisséia, aliás Morrisey, ou Moz pros fãs. “Low In High School” é o décimo primeiro disco solo do ex-vocalista dos Smiths desde que a banda que o tornou célebre acabou e ele começou a lançar trabalhos sozinho, em 1988. E é o primeiro cd inédito dele em três anos – o último, “World Peace Is None Of Your Business”, saiu em 2014. “Low in…” saiu oficialmente sexta-feira passada na Inglaterra. Estas linhas rockers online ainda não escutaram o dito cujo. Afinal estamos numa correria insana por conta do lançamento do nosso livro e que acontece amanhã. Mas enfim, o que esperar do novo álbum do amado e ainda gigante Morrissey? Que ele seja no mínimo ok. Sim, claro, Moz não precisa provar mais nada pra ninguém. Aos 58 anos de idade já deixou seu nome eternizado na história do rock mundial, apenas por ter escrito as letras que escreveu e cantado as canções que cantou nos quatro FENOMENAIS discos de estúdio dos Smiths (eternamente uma das 5 bandas da nossa vida). Perto desses quatro LPs inatacáveis e imortais sua carreira solo é até dispensável – sim, sejamos honestos e não fãs fanáticos: Zapeu gosto muito da sua estréia solo com o “Viva Hate”, que saiu em 1988 (e que teria sido na verdade o quinto disco de estúdio dos “Silvas”, caso eles não tivessem acabado no ano anterior). Depois, se formos bastante rigorosos, vamos chegar a conclusão de que o bardo de Manchester ainda gravou mais um ótimo/impecável trabalho solo (“Your Arsenal”, de 1992) e só. Claro, ele nunca se permitiu lançar algo de qualidade realmente ruim. E mesmo um disco mediano de Morrissey ainda dá um pau gigante em tudo o que o vergonhoso, pífio e irrelevante rock da era da web (principalmente de 2000’ pra cá) anda lançando. Quanto a isso não há dúvida. Mas reiterando: o que a bicha velha tinha que legar de CLÁSSICO e INESQUECÍVEL para a humanidade ela já legou, junto aos Smiths. Uma banda que, em quatro discos de vinil e em quatro momentos iluminados, deixou para a História algumas das pérolas poéticas e musicais mais sublimes e avassaladoras que a Cultura universal poderia ter produzido. Enfim, assim que passar o tumulto com o lançamento do livro fináttico, vamos resenhar sim “Low In High School” por aqui com a devida atenção. O primeiro single do álbum (“Spent The Day In Bed”) ao menos é bem bacana. E sendo que tanto o disco quanto o single você pode conferir abaixo.

 

***A semana dos gigantes, II: Noel Gallagher – e ontem foi a vez de o gênio Noel Gallagher (o homem que comandou o saudoso e inesquecível Oasis por quase duas décadas) também lançar seu novo trampo solo. “Who Built The Moon” é o terceiro álbum solitário do gigante guitarrista, e já coleciona fartos elogios na rock press gringa e nos veículos musicais midiáticos que importam. Claro, Zap’n’roll ainda não ouviu o dito cujo (correria total nesse sabadão, com o lançamento de nosso livro logo menos lá na Sensorial Discos) e o fará assim que a situação se acalmar por aqui além de resenhar o cd nestas linhas online o quanto antes, beleusma? Mas enquanto isso você pode escutar o disco inteiro aí embaixo.

 

***O novo e bacanudo festival que já está agitando Sampalândia nesse finde – é o Três Olhos Music Festival, primeira empreitada no gênero da Hasta La Vista Produções. A festona rocker começou há pouco na tarde deste sábado, está rolando lá no Tropical Butantã (na zona oeste de Sampa), tem um line up bacaníssimo (com bandas indies da novíssima safra, entre elas a Bike) e Os Mutantes como headliners. Precisa mais? Corre pra lá que ainda dá tempo de sobra de curtir a baladona rock’n’roll, sendo que todas as infos sobre o evento estão aqui: http://www.3omf.com.br/.

 

***Dj set zapper amanhã, domingão, no Grind – yeeeeesssss! Além de estar lançando HOJE o livro “Escadaria para o inferno”, o jornalista eternamente loker/rocker/gonzo não economizou nas bebemorações neste finde. Como também chega aos 5.5 de existência nesse domingo (leia-se amanhã), ele irá festejar como sempre fazendo sua já clássica e esporrenta DJ set no Grind, a domingueira rock mais famosa do Brasil e comandada há quase 20 anos pelo super DJ André Pomba. Finaski assume as pick-up`s a partir das três da madruga e te espera por lá, com uma seleção rocker pra derrubar qualquer um na pista. Bora lá!

 

***E mais notas na Microfonia irão entrando aqui ao longo da semana vindoura, okays? Agora vamos direto ao assunto porque a correria está monstro por aqui hoje. Vamos ver do que trata, afinal, o primeiro livro lançado pelo sujeito que escreve esse espaço virtual Popper há quase década e meia.

 

 

AGITO LITERÁRIO NO MONDO ROCKER: “ESCADARIA PARA O INFERNO”, O PRIMEIRO LIVRO DO JORNALISTA ZAPPER E ETERNAMENTE LOKER, CHEGA AOS LEITORES FINALMENTE NESTE SÁBADO

Acontece finalmente neste sábado, 25 de novembro, o lançamento de “Escadaria para o inferno”, provavelmente o ÚNICO livro que este jornalista irá publicar pois imagina que não terá tempo suficiente em vida para escrever outro. E sem drama algum em relação a isso: saindo este já nos damos por satisfeitos e com ele iremos completar a tríade que, reza o clichê existencial, todo ser humano precisa fazer ao longo de sua vida: plantar uma árvore, ter um filho (tivemos/temos, embora pai e filho não se falem e não se vejam pessoalmente há séculos) e escrever um livro. Com o lançamento deste sábado na Sensorial Discos/SP completa-se então essa tríade, no nosso caso. Missão fináttica TERRENA cumprida? Talvez…

É pensando no lançamento desse tomo e agora avançando pela tarde insuportalvemente calorenta que o blog resolveu dividir com vocês infos sobre o livro e também algumas considerações e pensamentos soltos sobre ele e sobre seu autor, divididos por tópicos. A eles.

 

***O LIVRO – “Escadaria para o inferno” está pronto há uns 3 anos já. Nesse período mudou de nome (o título inicial era “Memórias de um jornalista junkie”, que acabou entrando agora na edição final e oficial como sub-título) e passou por pelo menos três editoras, todas pequenas. Uma se interessou mas não tinha dinheiro para bancar o dito cujo. A segunda queria rachar os custos da publicação com o autor, o que obviamente foi recusado. E a última queria que fosse mudada muita coisa no livro original (o título, inclusive) o que também não foi aceito. Fomos salvos quando encontramos a turma da Kazuá, onde chegamos através do queridão Edner Morelli (que acabou de lançar por lá também seu terceiro livro de poemas, “Cenário”), músico, professor (de Letras), escritor e dileto amigo do jornalista zapper há décadas. Foi o melhor lar editorial que poderíamos ter encontrado pois trata-se de uma editora pequena mas que tem um cuidado quase artesanal com cada livro publicado por ela. Fora que a equipe de lá é total maluca, libertária, transgressora, transgressiva, culturalmente DEGENERADA pode-se dizer, rsrs. Pelo conteúdo que se encerra em “Escadaria…” o livro não poderia ter encontrado lugar melhor. E somos absolutamente sinceros nisso.

 

***O QUE É E DE ONDE SURGIU A IDEIA – Todos já sabem: o titular deste espaço de cultura pop online é jornalista musical e cultural há mais de 30 anos. Já passou (e tem orgulho disso) por alguns dos maiores veículos da imprensa brasileira, como repórter ou colaborador. Ao longo desse tempo todo ele foi colecionando milhares de histórias (todas reais) absolutamente MALUCAS, surreais e quase inacreditáveis de enfiações desvairadas de pé na lama em sexo, álcool, drogas e rock’n’roll, muitas dessas ao lado de gente bastante conhecida. E toda vez que contávamos alguma dessas histórias para algum (a) amigo (a), a reação de espanto de quem ouvia era imediata e o comentário inevitável: “porra Finas, isso dá um livro! Ou até um FILME! Rsrs”. Foi então que tivemos enfim a ideia de escrever o tal livro. Mas a primeira versão dele era algo preguiçosa, podemos afirmar. Apenas reunimos alguns dos melhores posts de Zap’n’roll, que existe há 14 anos, e tal qual eles foram escritos, foram organizados em um provável e futuro livro. Mostramos esse material ao chapa Marcelo Viegas (que conhecemos há quase 20 anos), então trampando como editor na Ideal Edições. Foi dom “Priegas” quem leu o material e disse: “as histórias são de fato ótimas. Mas deixa de ser preguiçoso, cria vergonha na cara, senta na frente do computador e escreve um livro de VERDADE, não reproduzindo apenas posts que já foram publicados no seu blog. Lembre APENAS das histórias malucas e as conte como aconteceram, dando tom textual de crônica ou romance em cima delas”. Foi o que acabamos fazendo, no final das contas. E por ter vivido a vida que viveu (intensa na maior parte do seu tempo, com o sujeito aqui sempre “plugado” em 220 wolts, sempre ansioso, agitado, e quase sempre total alucicrazy nas baladas noturnas e em muitos momentos da sua vida profissional, enquanto cobria shows, festivais, entrevistando bandas e músicos etc.), sempre no limite da sanidade, conseguiu colecionar esse turbilhão de histórias quase inacreditáveis. Separamos 20 delas para publicar no livro. Que sim, tem uma narrativa auto-biográfica mas que não se trata de uma biografia na pura acepção do termo literário. Uma narrativa que desvela loucuras ao lado de gente como John Lydon (o homem que um dia foi Johnny Rotten e cantou nos Sex Pistols), Evan Dando (dos Lemonheads), Nasi (nosso brother que canta no Ira! até hoje), João Gordo, Lobão, Helinho Flanders (o amado singer do Vanguart) etc, etc. Ficamos bastante satisfeitos com o resultado do livro. A Kazuá também, ao que parece. Veremos o que VOCÊS, futuros leitores (assim esperamos) do mesmo irão achar.

 

***NÃO HÁ MORALISMOS NO LIVRO, NEM NO SEU AUTOR – As mais de 140 páginas de “Escadaria para o inferno” estão repletas de narrativas envolvendo sexo desenfreado, consumo abusivo de drogas e álcool e tudo aquilo que provavelmente “choca” a moral e os bons costumes, ainda mais nesses tempos de total intolerância e de uma sociedade cada vez mais moralista hipócrita e babaca, reacionária e conservadora ao extremo. Bem sabemeos que somos um jornalista ainda mezzo loker, eternamente rocker e já quase um VELHO (mas jamais obsoleto) desajustado na alma e no coração, e inadequado na existência. Um sujeito perenemente à margem do que é considerado “normal” pelo senso comum estúpido da raça humana idem. Isso incomoda? Um pouco, às vezes e não há como negar. Nos arrependemos de ser assim ou de termos sido assim na maior parte de nossa existência? Nem um pouco e o livro deixa isso bem claro: não há MORALISMO algum na narrativa dos capítulos dele (20 ao todo). Tudo é contado com distanciamento moral absoluto (apesar de estarmos no olho do furacão em todos os episódios que estão ali descritos) pois sempre dizemos que, se pudéssemos voltar no tempo mudaríamos muito pouco essa trajetória. Provavelmente teríamos feito tudo novamente, evitando cometer excessos aqui e ali e também evitando consumir aditivos que de fato não deveríamos ter consumido ao longo da vida. Mas no final o livro tenta transmitir ao leitor mais ou menos a mesma sensação que o já clássico filme “Trainspotting” passou a todos que o assistiram: a vida de um JUNKIE é isso. Ele escolheu viver dessa forma. Cada um que escolha viver a sua vida da forma que melhor lhe convier.

 

***NÃO FOI FÁCIL TER TIDO UMA EXISTÊNCIA QUASE TOTALMENTE JUNKIE – Não mesmo. Sem moralismos novamente mas NÃO recomendamos a vida que tivemos para ninguém, embora tenhamos nos divertido horrores. Como jornalista o sujeito aqui poderia estar muito bem hoje, profissional e financeiramente falando. Não estamos, claro. Muito longe de estar, inclusive. Zap’n’roll poderia ter se tornado um “jornalista” total careta e bunda-mole e provavelmente estaria enorme de gordo, casado com uma esposa chata, com filhos, tendo uma amante igualmente chata e trampando em alguma redação de algum mega veículo de mídia e ganhando seus 10 mil dinheiros (ou mais) por mês. Mas escolheu o caminho torto e da loucura, óbvio. E foi perdendo grandes empregos e grandes oportunidades na imprensa, claro, pois além de ser um maluco em tempo quase integral também sempre teve o gênio e o sangue italiano quente e explosivo, o que o fez brigar com muita gente (a imprensa é um dos meios profissionais mais escrotos, hostis e terríveis para se trabalhar, uma autêntica piscina de tubarões e uma fogueira das vaidades insuportável na maioria das vezes). Certa vez o jornalista Luiz Fernando Sá (que foi nosso chefe nas revistas IstoÉ e Interview, e atualmente ocupa alto cargo na editora Três) nos disse: “você já teve ótimas oportunidades e portas abertas na sua vida, que muita gente igualmente competente quis ter e não teve. E você foi desperdiçando todas essas oportunidades”. Talvez ele tenha razão, no final das contas. E num dia, almoçando com amado “sobrinho” Luiz Cesar Pimentel (que é o autor do texto que está na “orelha” do livro), perguntamos a ele onde tínhamos errado no meio do nosso caminho. Onde deveríamos ter entrado na curva à direita, e acabamos entrando na da esquerda. “Finas, cada um tem suas escolhas na vida. Você fez as suas. E paga um preço por elas, simples.”. Nisso ele tem total razão. Fizemos nossas escolhas e pagamos o preço por elas. Sabemos que nossa existência não foi nada fácil. E continua não sendo, inclusive: este jornalista rocker é adicto (dependente químico) há anos. Não deveria nem beber mais nada alcoólico. Mas quem disse que não conseguimos beber? O zapper AMO beber. Só que bebe maaaaais que todo mundo e NÃO fico ébrio. Fica, sim, com um desejo quase incontrolável de ASPIRAR cocaína, quando não de voltar a fumar crack, essa droga do inferno que realmente odiamos. Então hoje em dia procuramos controlar ao máximo o consumo alcoólico. Quando vemos que estamos chegando a ponto de sair do controle, damos um jeito de parar. Senão sabemos que a vaca irá inevitavelmente para o brejo, sendo que também sabemos que somos muito melhor e mais sociável quando não estamos “bicudaço” de cocaine e transtornados de álcool (e Marião Bortolotto, que assina o texto da contra-capa do livro, também sabe muito bem disso, ahahaha: “Fininho” estava um doce de sociabilidade no último sábado lá no Cemitério de Automóveis, não é Marião? Rsrs). Fora que algumas lembranças nos atormentam e ainda nos traumatizam ao máximo. Por exemplo: é algo total crazy você estar JANTANDO num churras rodízio (como estávamos na última sexta-feira, no Tendall Grill, onde sempre fazemos um repasto semanal há uns 30 anos já) e, do nada, começar a TREMER por dentro por se lembrar que, ali perto, tem uma “biqueira” de crack, onde freqüentamos e fumamos “pedrinhas” anos atrás. Sendo que nesse período (anos atrás), este jornalista estando com dinheiro no bolso ou na conta estaria ali naquela área (no centrão de Sampa) não jantando no tal churras rodízio mas sim, na tal biqueira e fumando “pedras”. Felizmente isso já passou. Mas ainda restam as (por vezes) tormentosas lembranças. E essas irão nos acompanhar até a morte, pelo jeito. Mas novamente, sem ressacas morais: fizemos o que queríamos fazer. Que a molecada aproveite MESMO enquanto é jovem (a pirralhada no mundo atual está CARETA demais pro nosso gosto, vocês concordam?) e tem a vida toda pela frente. Que TREPE HORRORES, beba até cair, cheire, fume o que quiser e boa. Um dia a idade adulta irá chegar, o corpo irá pedir arrego e aí será a hora de tirar o pé do acelerador e levar uma existência, hã, mais tranqüila digamos assim. E sem olhar para trás e ter arrependimentos, mas pensando: sim, vivi a vida com gosto. E tirei ótimas lições, mesmo dos piores momentos. É isso.

 

***FIM DA HISTÓRIA? – Talvez. Além do lançamento do livro, este Finaski também irá chegar aos 5.5 de vida neste domingo, 26 de novembro Ele se sente algo envelhecido no corpo já, embora muitas amigas digam que ainda é um coroa charmoso e sedutor (ahahaha, jezuiz… será mesmo?). Mas a cabeça, essa felizmente continua a mil. E mais jovem do que muito pirralho de 20 anos de idade. Apenas queríamos estar um pouco melhor de dindin, rsrs. Mas fato é que a maioria do país está quebrado e muitos dos que conhecemos também. De modos que não há muito o que fazer quanto a isso a não ser torcer por dias melhores (FORA TEMER, seu bandido merda do caralho!). Amores, romances e paixões aos quase 5.5 de vida? Tivemos centenas (vamos repetir: CENTENAS) de mulheres na vida (e na cama) ao longo da existência. E chegamos a conclusão inefável de que apenas umas quatro delas realmente fizeram este loker perder o juízo. Ele teria se casado com a Flavia (quando tinha meus 28 anos de idade), que se tornou uma advogada muito bem sucedida, está casada e com filho. Ou com a Tania (já aos 41) que desapareceu (deve ter encontrado o homem “sem vícios” que ela queria encontrar para contrair matrimônio; com este blogger maloker ela jamais iria “casar” pois como a própria ruiva puta e malvada disse certa vez: “Humberto, você é ÓTIMO pra sair, se divertir, cheirar, beber, trepar, mas NÃO pra casar. Quando eu me casar não vou querer nada disso pra mim”. Ok, rsrs), com a Rudja (de Macapá), de quem somos amigos até hoje e que AMAMOS toda a família dela. Ou com a Neidinha Rodrigues, aquela magrela branquela linda, deliciosa, peituda, mega inteligente e fã de literatura (como este velho jornalista) que é uma “demônia” na cama mas que, infelizmente, é CASADA (o que não nos impediu de ficar trepando com ela por um ano). Teríamos casado e ficado pra sempre com uma dessas quatro mulheres incríveis. Mesmo sabendo que talvez não estivesse mais com nenhuma delas até hoje. Mas as tivemos, ao menos. E deu certo o tempo que tinha que dar. E agora? (suspiro…) Agora imaginamos que nosso tempo já tenha se esgotado. E que não haverá mais tempo para que um novo amor surja na vida de Finas. De modos que ele segue sozinho. E provavelmente vai morrer sozinho. Por isso agora entende, mais do que nunca, porque Van Gogh morreu sozinho e sem uma das orelhas. Porque Jack Kerouac (o homem que nos deu o clássico beat “On The Road”) morreu aos 47 anos de idade (muito jovem ainda) quando vivia com a mãe, e foi levado por uma cirrose ocasionado pelo consumo excessivo de vinho licoroso (adoramos). Também compreende porque Rimbaud se foi, sozinho e sem uma das pernas (amputada por causa de um tumor) e porque J. D. Salinger (o gênio que nos deu “O apanhador no campo de centeio”) preferiu terminar sua vida, já velhíssimo, isolado do mundo no alto de uma montanha. Talvez este será mesmo nosso fim (e não nos importamos que seja, aliás até almejamos que seja, num certo sentido): sozinho mas contente e em paz, no alto da montanha mágica, lá em São Thomé Das Letras. Publicado “Escadaria para o inferno”, é pra lá que pretendemos ir pra morar, em 2018.

 

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E a semana que está quase acabando já foi agitadíssima em se tratando da divulgação do livro zapper. Ele já foi parar nas mãos de alguns dos principais personagens que fazem há anos a cena rocker paulistana acontecer: o lendário produtor e cappo do selo indie Baratos Afins, queridão Luiz Calanca, além de nosso igualmente eterno e amadorado DJ e produtor cultural André Pomba. Na grande imprensa a repercussão também já começou, com este Finaski tendo dado entrevista na última quarta-feira no programa “Filhos Da Pátria” na KissFM, e que é apresentado pelo brother Clemente. Fora a visitinha de cortesia que fizemos à redação do diário Folha De S. Paulo (um dos maiores jornais do país) e onde fomos super bem recebidos pelo também queridão Ivan Finotti e pela fofura que é a repórter Amanda Nogueira. E nas próximas semanas o agito em torno do livro vai prosseguir, pode esperar!

 

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“Escadaria para o inferno” já está à venda no site da editora Kazuá, que pode ser acessado aqui: …

A festa de lançamento e noite de autógrafos do livro você já sabe: acontece neste sábado, 25 de novembro, a partir das oito da noite, na sempre bacaníssima Sensorial Discos – que fica na rua Augusta, 2389, Jardins, zona sul de São Paulo (fone 11/3333-1914, WWW.sensorialdiscos.com.br). Durante a bebemoração literária e rock’n’roll vão rolar shows das bandas Psychotria, Jonnata Doll & Os Garotos Solventes e Jenni Sex, além de DJs set bacanudas no lounge dos sempre ótimos André Pomba e Vanessa Porto. A entrada pra balada? Treze miseráveis dindins, rsrs. Cola lá que o blog te espera com todo o carinho do mundo!

 

 

O NOVO BAR ROCKER UNDER DE SAMPA: O CLUBE VU ABRE SUAS PORTAS TAMBÉM NESSE SÁBADO

Yep, sabadon mais agitadon do que esse em Sampalândia, só em 2018, rsrs. Pois mesmo com a crise existencial, mercadológica, artística e de público que o rock vem enfrentando já há alguns anos lá fora e aqui também, ainda há alguns MALUCOS que mantêm a fé no gênero musical mais genial e importante da música mundial nos últimos 70 anos.

Ele está quase morto? Talvez. Anda total em baixa no circuito noturno alternativo paulistano (sempre é bom lembrar: em um ano e meio nada menos do que quatro dos mais tradicionais clubes de rock da capital paulista fecharam suas portas)? Pode ser, também. Mas nada disso abalou a confiança de três sócios que se uniram para fazer funcionar e ferver a partir de hoje, na Barra Funda (bairro da zona oeste paulistana), o novíssimo Clube VU. Com toda sua inspiração (do espaço a decoração, da fachada aos nomes que irão batizar os drinks exclusivos da casa) vinda da obra gigante do lendário Velvet Underground (uma das mais fundamentais bandas de toda a história do rock’n’roll, o VU promete manter acesa a chama do rock na noite under de Sampa. Para isso vai apostar em drinks e coquetéis especialíssimos, em uma programação temática variada ao longo dos dias da semana e, principalmente, em um público mais adulto, que já passou dos 30 mas que ainda curte sair à noite para beber e dançar ao som do bom e velho rock.

Dos três sócios da nova empreitada do circuito de entretenimento de São Paulo, dois são velhos conhecidos da cena rocker da cidade: Claudio Medusa (que durante quase uma década foi proprietário do finado Astronete, na rua Augusta) e nosso “quase” xará, o jornalista Ivan Finotti, um dos nomes mais conhecidos e respeitados do jornalismo cultural e musical da equipe do caderno Ilustrada, do jornal diário Folha De S. Paulo. E foi com mr. Ivan que Zap’n’roll bateu um papo rápido esta semana, para saber o que podemos esperar do Clube VU. Os principais trechos do papo seguem abaixo.

 

Zap’n’roll – Você poderia explicar, resumidamente, o conceito do novo Club VU? Como surgiu a idéia, quando surgiu, o que vai tocar por lá, como será o atendimento, ambiente, carta de bebidas e comidas (se houver) etc?

 

Ivan Finotti – é Clube V.U., em português. Por ser jornalista, tento ao máximo manter as palavras na nossa língua. Lá no Clube V.U., por exemplo, bebe-se gim e uísque, não gin nem whisky.

Manias à parte, o Claudio Medusa estava atrás de uma nova empreitada após o fechamento do Astronete em 2016. Nós já haviamos aberto juntos o Alberta #3 em 2010, com a Thea Severino e a Noemi Silva. Então eu não via como criar algo muito diferente daquilo.

Então apareceu a artista plástica Suemi Uemura, amante de drinques e frequentadora de bares de coquetelaria. Com ela, bolamos o conceito de uma balada com drinques tão bem feitos quanto nesses bares, que estão em alta na cidade nos últimos tempos. Vai ser um desafio atender 300 pessoas dessa forma, mas temos um balcão de 11 metros e excelentes barmen e barwomen.

 

 

 

 

Zap – é sabido que o rock está em baixa (infelizmente) nesse momento, mesmo no chamado circuito noturno alternativo de Sampa. Tanto que clubs bacanas como Astronete (que era de propriedade do Medusa, seu sócio nessa nova empreitada), Inferno Club, Funhouse e Matrix (que voltou a reabrir há poucas semanas) fecharam suas portas nos últimos meses. Dessa forma não é temerário investir em um novo espaço apenas dedicado ao rock? Ou o VU vai mirar também outros públicos, com festas variadas em noites especificas?

 

Finotti – O rock é o gênero que liga toda a semana, mas as festas são variadas. Na segunda-feira, receberemos chefes de bar de diversas casas da cidade para fazerem seus drinques em nosso balcão. Na terça, exibiremos filmes icônicos no telão , enquanto você desfruta seu coquetél. Nesses dias, de entrada gratuita, abriremos a pista se houver público para isso. Na quarta-feira a casa está fechada, mas não é bem assim. Você pode abri-la para a sua festa de aniversário, por exemplo. A quinta é inspirada nas musas transexuais de Lou Reed, imortalizadas em canções do Velvet Underground, como Candy Darling e Lady Godiva. Essa noite terá uma pegada mais pop. A sexta traz o lado B do rock, com clássicos desconhecidos dos anos 60, 70 e 80, além de soul. E o sábado é para a turma que ama o indie e tudo isso que a gente falou antes também.

 

 

 

 

Zap – São três sócios na nova casa, sendo que um deles, Claudio Medusa, é um conhecido personagem da noite alternativa paulistana. Já você é um dos nomes mais conhecidos do atual jornalismo cultural brasileiro, trabalhando na Folha Ilustrada, do jornal Folha De S. Paulo (um dos maiores diários brasileiros). E é sabido que você também ama rock’n’roll, especialmente Bob Dylan, rsrs. O que o levou a investir nessa nova atividade, aparentemente muito distante do universo do jornalismo?

 

Finotti – Eu amo ser jornalista e investir nessa atividade nunca foi uma forma de escapar do emprego. Pretendo seguir mais 15 anos no jornalismo. Acontece que eu também amo música e fazer parte de uma casa noturna (inspirado pelo mau amigo André Barcinski, que abriu a Clash em 2007) foi a forma que encontrei de estar mais próximo dela. Você falou em Bob Dylan e realmente o Alberta #3 foi completamente inspirado nele. Dois anos depois, abrimos o restaurante Ramona, meio Dylan, meio Ramones, também na avenida São Luís. Fiquei quatro meses fazendo a trilha sonora e os frequentadores se surpreendem com a música de lá. Há três meses, reabrimos o bar Stônia, no subterrâneo do Ramona. Homenageia os Stones. Agora, o V.U. é a casa noturna do Velvet Underground, o grupo que mais influenciou e menos vendeu da história do rock. A banda de Lou Reed, Nico e Andy Warhol. Temos muito veludo vermelho por lá. E a cachaça da casa chama Heroin, como a canção deles.

 

 

 

Zap – falando em musica e em rock’n’roll, o que você mais curte? Apenas bandas clássicas e antigas ou também fica atento às bandas mais novas?

 

Finotti – Só as clássicas. E as novas que parecem velhas.

 

 

 

Zap – pra encerrar: na sua opinião, qual o futuro do rock nesse momento (aqui e lá fora) e de casas noturnas que ainda se dedicam ao gênero? Ele, o rock, dará a volta por cima e irá reinar novamente como reinou na música mundial por quase 70 anos? Ou isso não vai mais acontecer?

 

Finotti – Eu acho que não vai mais reinar. Já foi esse tempo. Mas não vai acabar, sempre haverá um bando de malucos como você para dar um pouco de fôlego ao rock.

 

***Todas as infos sobre a abertura do Clube VU hoje à noite (como entrada gratuita durante toda a madrugada), você encontra aqui:

 

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E claaaaaro que esta é a primeira parte do postão que está entrando no ar, sendo que ele ainda seguira em construção até a próxima semana, quando irá entrar muito mais por aqui, beleusma? Mas por enquanto isso pois daqui a pouco estaremos rumando para a Sensorial Discos, para fazer nossa estréia literária com regabofe rock’n’roll e cervejeiro, okays? Cola lá você que ainda da tempo. Te esperamos!

E até logo menos com bem mais por aqui.

 

(enviado por Finatti às 19hs.)

 

 

AMPLIAÇÃO FINAL e GIGANTE!!! Com papos sobre o novo disco do The Killers, sobre o Três Olhos Music Festival (que rola agora em novembro em Sampa, com show dos Mutantes), com recuerdos do Echo & The Bumnymen e uma ANÁLISE social zapper demonstrando por que o CRACK não vai ser derrotado no triste bananão tropical brazuca – Na sombria, imbecilizada e triste era pós-moderna, pós-revolução digital e quando a internet e a web produziram uma legião de IDIOTAS e praticamente MATARAM o rock’n’roll (emburrecendo e tornando igualmente idiotas bandas e ouvintes) o já velhíssimo (e desconhecido hoje em dia) quarteto psicodélico australiano The Church lança um disco primoroso e eivado de ambiências espaciais e melancólicas; um dos jornalistas gigantes da imprensa musical brasileira dos anos 80’e 90’, o amigo zapper Fernando Naporano fala ao blog sobre seu novo livro de poesia, que teve lançamento semana passada em Sampa; e mais uma renca de assuntos bacanudos sobre rock alternativo e cultura pop que você só encontra aqui mesmo, no espaço rocker online que está muito looooonge de ser “pobreloader”, hihihi (postão AMPLIADO e total CONCLUÍDO em 4/11/2017)

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A cultura pop e o rock mundial atual estão mesmo morrendo já que as novíssimas gerações de músicos e artistas em geral produzem apenas obras sem relevância alguma; assim cabe a veteranos como o quarteto australiano The Church (acima) continuar lançando discos com qualidade sonora quase sublime; a mesma qualidade encontrada nos versos dos poemas escritos pelo jornalista Fernando Naporano (abaixo, ao lado de Zap’n’roll e do dramaturgo Mário Bortolotto), nome lendário da rock press brasileira e que esteve essa semana em São Paulo para lançar sua nova obra literária

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MAIS MICROFONIA (com atualização e finalização das notas de cultura pop e rock em 4/11/2017)

***NADA DE NOVO NO ROCK MEIA BOCA DO THE KILLERS – Estas linhas zappers sempre consideraram a banda de Brandon Flowers como fazendo parte do segundo (ou até terceiro) escalão do rock americano dos anos 2000’. Fora que o vocalista possui um incorrigível complexo vira-lata de sub Freddie Mercury. No mais o rock do Killers é pretensioso, chumbrega, histriônico e histérico. Nada contra, tem quem ame. Finaski DETESTA e até tentou gostar, mas desistiu depois que viu a gig deles no finado Tim Festival de 2007 (lá se vão 10 anos…), numa noite que ainda teve Arctic Monkeys (com estes foi o contrário: o blog não suportava os macaquinhos e se apaixonou por eles depois de enlouquecer com o show). Tudo era pavorosamente cafona durante a apresentação do quarteto de Las Vegas: o cenário montado no palco, a performance da banda, o desempenho afetado e bisonho do front man. Zap’n’roll não agüentou meia hora e caiu fora dali (já eram 4 e meia da manhã quando decidi ir embora) pois queria meter a napa em cocaine (e meteu, assim que encontrou a dita cuja na biqueira onde foi buscar) depois de estar “trêbado” de vodka com energético (o blog estava credenciado e com acesso a uma área onde estava rolando open bar; foi um DESASTRE, claro, rsrs). Voltando aos “matadores”: o grupo existe há 16 anos, Flowers tem 36 de idade e pelo jeito não irão mudar a sua forma de pensar e fazer música. “The Man”, o primeiro single do novo álbum deles (“Wonderfull Wonderfull”), o primeiro em cinco anos inclusive, tenta emular rock com nuances dance ao estilo Bowie na fase “Fame” ou “Scary Monsters”. Mas é frouxa. O segundo single do novo trabalho, “Run for Cover” é um pouco melhor e mais acelerado/agressivo no instrumental. Mas ainda assim peca pelo excesso de cafonice (inclusive no vídeo promocional). Ou seja: Killers já deveria ter desistido. Numa era (a da web e dos anos 2000’) onde o rock definitivamente morreu e onde a música pop virou uma mixórdia gigante (com pop stars surgindo e desaparecendo aos borbotões diariamente, ao sabor do número de views e likes dos fãs em redes sociais e no YouTube), a turma de Brandon Flowers não vai renovar seu público com o som chocho e imutável que faz há década e meia – e que rendeu inclusive apenas 5 cds até hoje, prova da enorme dificuldade que o conjunto possui em compor. Pede pra sair, Brandon!

 

***O disco novo (para audição na íntegra) e os novos singles promocionais dos “Matadores” aí embaixo para quem quiser conferir.

 

*** JÁ ECHO & THE BUNNYMEN POSSUI AQUELE BRILHO INTENSO E ETERNO DE GENIALIDADE ROCKER, E QUE NUNCA MAIS IRÁ SE REPETIR – o blog zapper sentiu uma vontade enorme de falar agora sobre o Echo & The Bunnymen. Talvez porque tenha tocado a imortal e indescritível (em sua melodia, beleza poética e sonora imbatíveis e gigantescas) “The Killing Moon” há pouco na rádio classic rock (yep, ela e os “homens coelho” já se tornaram… classic rock, rsrs) da TV Net. Sim, a música cansou de tocar em tudo quanto é lugar (rádios, pistas de dança dos porões unders e nem tão unders assim de casas noturnas Brasil e mundo afora) nas últimas três décadas. Se tornou carne-de-vaca até. Mas quando você fica algum tempo sem ouvi-la e do nada se depara com aquela progressão de acordes, aquela melodia bordada com arranjos sublimes de cordas, numa sonoridade que vai se desenvolvendo em um crescendo algo estóico e grandioso até explodir em um solo magnífico de guitarra, você se surpreende pela milésima vez e se pergunta: como uma banda conseguiu compor tamanho brilho intenso de genialidade rocker? E por que isso não se repete mais na história da música e do próprio rocknroll? Aliás onde foi que o rock dos anos 2000’ e da CRETINA era da web começou a dar errado e afundou de vez na mediocridade, se tornando irrelevante e quase morto para as gerações atuais (tão estúpidas quanto o próprio rock em si dos dias de hoje)? Além de sua beleza imensurável, “The Killing Moon” também possui uma letra que é de um torpor poético inigualável. E por fim, é cantada por um vocalista que SABIA, ele mesmo, ser um dos cantores mais PORTENTOSOS do chamado pós-punk inglês. Além de tudo a música é apenas UMA das insuperáveis faixas de um disco insuperável na carreira do próprio Echo: “Ocean Rain”, o quarto álbum de estúdio do quarteto (que ainda tinha o sublime guitarrista Will Sergeant, o baixista fenomenal que era Les Pattinson e o batera monstro que era Pete De Freitas, uma formação dos sonhos de qualquer rocker e do inferno para se ouvir e ver ao vivo) e que saiu em maio de 1984. Irrepreensível da primeira à última música, está eternamente na nossa lista pessoal dos dez melhores discos de rock de todos os tempos, apenas isso. Não se gravam nem se lançam mais LPs como esse. E nem existem mais bandas assim. E nem vai existir, pode esquecer. Você escuta “The Killing Moon” e pensa com total horror no que existe hoje em dia: Imagine Dragons, The 1975, War On Drugs e DROGAS gigantes e semelhantes. Não dá nem pra comparar, é covardia, além de dar PENA da molecada atual por conta do que ela tem para ouvir em termos de música. O único senão que nos entristece em relação aos “homens coelho” é que nem Ian “Big Mac” McCulloch e nem Will souberam a hora de parar com tudo. Assistimos a pelo menos uns cinco shows do grupo ao longo de mais de 30 anos de jornalismo musical. A primeira vez (com a formação ainda original e clássica), em maio de 1987 no Palácio do Anhembi em Sampa, foi algo COLOSSAL. Depois, em 1999 (e com o conjunto já sem o baixista Les Pattinson e o batera Pete, que morreu em um acidente de moto uma década antes), já não foi nem de longe a mesma gig sublime mas, ainda assim, o blog se emocionou lá na finada Via Funchal. E na sequencia o Echo começou a vir a todo instante pra cá, os trabalhos inéditos que foram lançando se tornaram cada vez piores e vergonha alheia perto do que já haviam gravado nos anos 80’, a voz TROVEJANTE de mr. Big Mac (detonada por cigarros, álcool e drugs) foi pra casa do caralho e a última vez que os vimos ao vivo (em 2000’e alguma coisa, naquela porra longe pra cacete que é o Citibank Hall) foi um de sas tre. Cansamos ali da banda, que já rastejava como um moribundo ou doente terminal. E assim permanece até o momento, ao que parece. Mas sentimos saudades gigantescas e insuperáveis do Echo & The Bunnymen dos anos 80’. E de tudo que vivemos e ouvimos ao som deles. Éramos jovens (tinha 22 anos de idade quando “Ocean Rain” foi lançado), apaixonados por poesia, por grande rocknroll, e loucos para viver, loucos para amar, loucos para escapar para qualquer lugar bem longe da mediocridade existencial e do horror humano cotidiano. Por isso vamos amar e venerar para sempre uma canção clássica e imortal como é “The Killing Moon”. Estávamos vivos e jovens na hora, no momento certo, no tempo certo. E agradecemos aos céus por isso. Amém.

 

***Ficou de bobeira no feriadão de Finados em Sampa? Então anota na sua agenda para este sabadão (4 de novembro, quando o postão zapper está sendo finalmente concluído): tem mais uma edição do sempre bacaníssimo festival under “Volume Morto” e que acontece no Espaço Zé Presidente, na Vila Madalena (zona oeste da capital paulista). Vão rolar gigs do sempre ótimo Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, do músico curitibano Giovanni Caruso e mais uma renca de atrações legais, sendo que você pode conferir todas as infos aqui: https://www.facebook.com/events/1555874571102714/.

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Jonnata Doll canta à frente dos Garotos Solventes nesse sábado, em show em Sampa (foto Jairo Lavia)

 

***Outro fest bacaníssimo que rola agora em novembro em Sampa é o Três Olhos Music Festival, que acontece no próximo dia 25 de novembro, sábado em si, a partir das três da tarde no Tropical Butantã (zona oeste de Sampa). Vai ter como headliner o sempre imperdível show dos Mutantes (um dos nomes GIGANTES da história do rock mundial), além de participações de grupos da novíssima safra indie, como o Bike. Como as gigs irão começar e acabar cedo dá tempo de você curtir o evento de caráter bastante psicodélico e depois ainda ir conferir o lançamento do livro “Escadaria para o inferno”, na Sensorial Discos. Tudo sobre o Três Olhos Music Fest você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/121708945128350/.

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O gigante Mutantes, a principal atração do Três Olhos Music Festival, que acontece agora em novembro em São Paulo

 

***E por enquanto é isso, fechando a atualização das notas microfônicas, rsrs. Continuem lendo o postão que lá pra semana que vem voltamos na área com post inédito, beleusma? Então ta!

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, o rock, shows, discos, livros, filmes, TV, comportamento etc.)

 

***O blog zapper já está em ritmo total e louco de lançamento do livro “Escadaria para o inferno” e sobre o qual você já leu bastante aqui mesmo, em nosso post anterior. Mas agora é oficial: o primeiro livro escrito pelo jornalista eternamente gonzo, loker e rocker, será lançado com festão dia 25 de novembro na Sensorial Discos/SP (que fica lá na rua Augusta na parte em que ela corta lo chiquérrimo bairro dos Jardins), em evento que promete ABALAR a noite alternativa paulistana. Já há página oficial da festona aberta no Facebook e onde você pode conferir absolutamente todos os detalhes sobre a mesma. Vai aqui: https://www.facebook.com/events/135199137131252/?active_tab=about.

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***Beck Hansen está de volta finalmente. O pequeno gênio americano que encantou o mundo nos anos 90’ com sua até então inédita e inimaginável combinação de hip hop com folk music lançou há pouco “Colors”. É o décimo terceiro trabalho de estúdio do rocker loiro, saiu há apenas duas semanas e estas linhas bloggers poppers ainda não escutaram o dito cujo por inteiro, mas farão isso o quanto antes. E você pode ouvir o cd todo aí embaixo, sendo que como todo mundo já sabe ao menos o primeiro single do álbum (a fodástica “Dreams”) é bom pra carajo.

 

***E Noel Gallagher aproveitou sua passagem pelo Brasil (abrindo as gigs do U2 em Sampa) e foi parar no programa do Danilo Gentili! Não, você NÃO leu errado. O sujeito que passou vinte anos comandando o Oasis foi no talk show noturno do SBT, onde deu uma entrevista pra lá de hilária. E que você pode conferir a dita cuja abaixo:

 

***Um BOCETAÇO moreno mineiro. Quem é ela? Segredo, por enquanto. Mas é amiga zapper de Belo Horizonte, onde dividiu com o velho jornalistas loker brejas, sessão de cinema e a CAMA no último feriado. Ela tem vinte e quatro anos de idade, AMA o velho safado e degenerado que é Charles Bukowski (como nós amamos também, aliás foi a literatura do célebre escritor americano que uniu Zap’n’roll e a deusa morena mineira para um finde de papos, brejas e sexo incendiário, rsrs) e grande rock’n’roll e gigante MPB. O zapper perdeu o juízo pela garota, claro. E está tentando convencê-la a ser a próxima musa rocker destas linhas online. Fiquem na torcida pra que a gente consiga. Porque ela é uma XOTAÇA inigualável!

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Fã do velho ordinário e safado essa DEUSA morena mineira (acima e abaixo, após ser devorada na cama pelo jornalista loker calhorda) enlouqueceu o zapper canalha há duas semanas na capital mineira, durante uma noite de brejas, sessões de cinema e TREPADA infernal onde a divina PUTA de tetas sublimes e xoxota idem, após gozar SENTADA no pau grosso zapper, ficou de quatro e pediu: “ME FODE!”. Ela é uma garota delicious total, linda, inteligente ao cubo e o blog está tentando convencê-la a posar como nossa nova musa rocker; portanto torçam para que ela aceita porque a mineirinha é mesmo um bo ce ta ço!

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***Postão do blogão entrando no ar em ritmo de correria total já na noite de quinta-feira. Então vamos ampliando e atualizando aos poucos as notas aqui na sessão Microfonia, beleusma? Mas enquanto essa ampliação não vem vamos aí embaixo falar do novo discaço de uma veteraníssima banda do rock planetário, o ainda genial The Church.

 

 

HÁ QUASE QUATRO DÉCADAS NA ATIVA, O ROCK PSICODÉLICO DO AUSTRALIANO THE CHURCH AINDA SE MANTÉM VIVO E GRANDIOSO

São quase quarenta anos de atividade e de rock’n’roll nunca menos do que ótimo. Surgido na Austrália em 1980, o quarteto The Church lançou alguns dos melhores álbuns do rock psicodélico de guitarras do mundo entre as décadas de 80’e 90’. Ameaçou se tornar um grupo gigante (quando estourou com o disco “Starfish” nos EUA, em 1988) mas seu rock de caráter reflexivo, melancólico e espacial, além das letras que eram quase poemas simbolistas de desalento amoroso/existencial (todas escritas e cantadas pelo líder, baixista e fundador do conjunto, Steve Kilbey, um apaixonado por poesia maldita e simbolista francesa de nomes como Lautréamont, Rimbaud e Baudelaire), encontrava enorme receptividade junto à critica musical mas nem tanto junto aos milhões de ouvintes que sustentavam as vendagens de discos. Assim a “Igreja” foi a “promessa” que acabou não dando certo, em termos mercadológicos – deu apenas no citado “Starfish”. Isso no entanto não determinou jamais o fim das atividades do quarteto. E ele se manteve e se mantém ativo até os dias atuais, lançando ainda ótimos trabalhos. Como o seu novíssimo cd de estúdio, que saiu há apenas duas semanas. “Man Woman Life Death Infinity” chegou às lojas em sua versão física (lá fora, aqui sem previsão de lançamento) no dia 10 de outubro. É um disco belíssimo e algo tristonho. E com uma qualidade musical e textual que NÃO se consegue encontrar na produção dos grupelhos atuais. O que não é pouco em se tratando de Church, cujos integrantes já passaram dos sessenta anos de idade (o baixista, letrista e vocalista Kilbey está com sessenta e três).

Claro, a pirralhada ultra informada (eivada de informações inúteis, na verdade) e burra da geração web nem deve saber mais o que é ou o que foi The Church. E Zap’n’roll conheceu e conhece a banda há muuuuuito tempo. Há mais de trinta anos, para ser mais exato: em 1986, quando o autor destas linhas rockers/bloggers estava iniciando sua trajetória como jornalista musical, o então pequeno selo RGE (braço da gigante Som Livre, que pertence até hoje ao conglomerado Globo de comunicação) e que era especializado em música sertaneja (!!!), do nada adquiriu os direitos para lançar no Brasil dois LPs de um novo grupo de rock australiano que estava sendo considerado pela rock press gringa como uma das promessas da nova safra de bandas de guitar rock de então. Foi assim que saíram por aqui “The Blurred Crusade” (o segundo disco do grupo, de 1982) e “Remote Luxury” (editado em 1983). Os dois acabaram indo parar nas mãos do jovem jornalista zapper, que àquela altura havia começado a receber os primeiros “suplementos” de LPs que as gravadoras enviavam regularmente aos críticos musicais, para que estes endeusassem ou destruíssem os ditos cujos em suas análises publicadas em jornais e revistas. Pois o autor deste blog enlouqueceu quando escutou a pequena obra-prima que era/é “The Blurred…”, um álbum eivado de acepções folksters e também psicodélicas, com melodias perfeitas, guitarras poderosas, baladas belíssimas e um vocalista que transmutava poesia simbolista em versos pop, cantados com a dolência e doçura vocal de um Rimbaud transfigurado em um amalgama de Jim Morrison com Bob Dylan. Era IMPOSSÍVEL não se quedar de paixão louca pelo LP e assim o jovem repórter musical passou a acompanhar todos os passos seguintes do The Church.

Esses passos renderam os discos “Heyday” (de 1985) e “Starfish”, lançado três anos depois. A essa altura o Church já havia ultrapassado as fronteiras australianas e angariava cada vez mais fãs na Europa e nos Estados Unidos, onde o som do conjunto passou a ser tratado pela imprensa como “the next big thing” do rock’n’roll planetário. E “Starfish”, gravado pela formação clássica do quarteto (além de Kilbey no baixo e vocais também havia os ótimos guitarristas Peter Koppes e Marty Wilson-Piper, além do batera Richard Ploog) e puxado pelo belíssimo e melancólico single “Under The Milky Way”, invadiu as rádios do mundo inteiro, Brasil incluso (o que permitiu que a banda viesse se apresentar aqui em outubro de 1988). Aclamado pela imprensa e adorado pelo público americano, o Church estava mesmo se tornando a bola da vez no rock mundial.

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O novo disco do australiano The Church: há quase 40 anos na ativa e ainda fazendo rock’n’roll sublime

 

Mas algo deu errado no meio dessa trajetória. Os muitos trabalhos que se seguiram ao estrondoso sucesso alcançado por “Starfish” jamais se igualaram ao impacto mercadológico obtido pelo álbum de 1988. O público também diminuiu, interessado em que estava em sons não tão cerebralmente complexos (ainda que bastante pop e radiofônicos em boa parte das canções do grupo) e mais acessíveis e de fácil assimilação. Tudo isso acabou também afetando as relações do Church com as grandes gravadoras e menos de uma década após ameaçar se tornar um dos maiores nomes do rock’n’roll mundial, o conjunto liderado por Steve Kilbey voltou a se tornar um grupo semi-independente, lançando seus CDs por selos menores. Isso não impediu que a banda continuasse com uma produção bastante profícua e de alta densidade e qualidade musical. Algo que se mantém até os dias atuais, como pode ser ouvindo no novo disco inédito deles.

Nesse sentido, “Man Woman…” é magnífico e chega perto do sublime. Como se não houvessem passado quase três décadas desde “Starfish”, o Church retoma ambiências bucólicas, melancólicas, contemplativas e psicodélicas que seduzem o ouvinte por completo por oferecer estruturas e construções sonoras e melódicas belíssimas, como dificilmente se encontra no rock atual. Basta mergulhar os ouvidos na quase majestosa “Another Century” (que abre o disco com um impactante space rock incomum na rock music dos tempos atuais) para se perceber o quão grandioso permanece o som do quarteto. E há muito mais nas certeiras e sucintas dez faixas do álbum: “Submarine” abraça a psicodelia e ambiências bordadas com ruídos espaciais com primor e delicadeza sonora. Já “Undersea” transporta o ouvinte aos primórdios da musicalidade do Church, de quando o grupo iniciou sua trajetória em 1980. E o ápice de um CD que já pode figurar na lista dos melhores lançamentos de 2017 chega na dobradinha “Before The DeLuge” e “I don’t Now How I don’t Now”. A primeira é um guitar rock de nuances psicodélicas como a banda sempre soube engendrar muito bem ao longo de sua carreira, e pode constar das grandes músicas já compostas pelo conjunto. E a outra… simplesmente uma road folk rock ballad também mezzo psicodélica, de uma beleza melódica e atmosfera sônica incomparáveis e infinitamente superior a qualquer “esgoto” musical feito pelos grupelhos do circuito rocker atual. Daquelas canções que você escuta centenas de vezes seguidas sem se cansar dela. Como se não bastasse ainda há momentos preciosos em “In Your Fog”e em “Dark Waltz”, que fecha o disco plena de contrição e reflexão sonora melancólica, como se Kilbey estivesse recitando um poema simbolista e sombrio ao cantar a letra, esta adornada por instrumentação reverente com pianos e guitarras que provocam plena sinestesia em quem está ouvindo a faixa.

É enfim um trabalho primoroso e ultra digno para um conjunto que está em plena forma e há quase quatro décadas fazendo rock’n’roll com alma e coração maiúsculos. The Church não se rendeu às modas fugazes que devoram a música pop desde sempre. Nem sucumbiu à tentação do estrelismo, da arrogância artística e da prepotência que devora muitos rock stars. E que por isso fazem com que carreiras musicais hoje não durem absolutamente nada em um oceano de mediocridade e onde grupos e artistas solo surgem e desaparecem ao sabor de um clic na internet. Não, The Church não é nada disso e é MUITO MAIOR que tudo isso. A prova está aí, com este álbum de beleza indescritível. Com ele a “Igreja” de reverendo Kilbey pode até se aposentar, pois já terão deixado para a história do rock obras atemporais, magníficas, clássicas e eternas como essa que acabaram de lançar.

 

***Mais sobre The Church, vai aqui: https://thechurchband.net/. E aqui também: https://www.facebook.com/thechurchband/.

 

 

O TRACK LIST DO NOVO CD DO THE CHURCH

1 – Another Century

2 – Submarine

3 – For King Knife

4 – Undersea

5 – Before The DeLuge

6 – I Don’t Now How I Don’t Now

7 – A Face In A Film

8 – In Your Fog

9 – Something Out There Is Wrong

10 – Dark Waltz

 

 

O NOVO ÁLBUM DO CHURCH AÍ EMBAIXO

Para audição na íntegra.

 

E O PRIMEIRO SINGLE DO NOVO DISCO

 

HÁ QUASE 30 ANOS MATÉRIAS SOBRE THE CHURCH INAUGURAVAM A TRAJETÓRIA ZAPPER NA GRANDE IMPRENSA MUSICAL BRASILEIRA

Como já mencionou acima, no tópico resenhando o novo álbum do The Church, Zap’n’roll conheceu a banda em 1986, quando recebeu da gravadora RGE dois LPs do grupo que ela estava lançando no Brasil. Dois anos depois, já em plena ascensão em sua ainda curta carreira jornalística, o jovem repórter rocker (com apenas vinte e quatro anos de idade) estreava como colaborador da revista mensal Somtrês – a primeira grande publicação nacional voltada a assuntos musicais. E nesse mesmo ano, 1988, o jovem Finaski foi ainda mais longe: em setembro entrou para o time de críticos da ultra prestigiada página de música do Caderno 2, o suplemento cultural do diário paulistano O Estado De S. Paulo (na época, um dos quatro jornais de maior circulação do Brasil). A página era editada pelo célebre jornalista Luis Antonio Giron. E entre seus colaboradores estavam nomes gigantes da crítica musical da época, como Pepe Escobar, Kid Vinil e Fernando Naporano.

Pois Zap’n’roll fez matérias sobre a vinda do Church ao Brasil para shows (que aconteceram em outubro daquele ano), tanto na Somtrês quanto no CAD 2 – uma análise sobre a trajetória musical do grupo foi o texto de estréia deste blogger zapper no caderno cultural do jornal.

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O início da trajetória jornalística de Zap’n’roll na grande imprensa musical brasileira passa pelo The Church: em 1988 o então ainda jovem repórter fez matérias sobre a banda australiana para a revista Somtrês (acima) e quando estreou como crítico na lendária página musical do Caderno 2 do jornal O Estado De S. Paulo (abaixo), em setembro daquele ano

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A gig da “Igreja” em Sampa foi inesquecível e para muito poucos. Rolou no finado (e ótimo) ProjetoSP, um galpão enorme no bairro da Barra Funda (zona oeste de Sampa) e onde cabiam cerca de cinco mil pessoas. Por lá passaram (em gigs todas testemunhadas por este espaço virtual) Might Lemon Drops, Iggy Pop, Jethro Tull, Jesus & Mary Chain, Nick Cave, Cocteau Twins, Sisters Of Mercy, The Mission, Legião Urbana e muitos outros. E na noite do Church, infelizmente, apenas cerca de trezentas pessoas tiveram a sorte de ver e ouvir ao vivo o quarteto liderado por Steve Kilbey.

Foi um show fantástico. E inesquecível. Como eram e serão para sempre aqueles tempos, que nunca mais irão se repetir em termos de bandas, de shows de rock e de grande jornalismo cultural e musical.

 

 

UM DOS NOMES LENDÁRIOS DO JORNALISMO ROCK BRASILEIRO DOS ANOS 80’ E 90’, FERNANDO NAPORANO LANÇA SEU NOVO LIVRO DE POESIA E FALA COM EXCLUSIVIDADE AO BLOGÃO ZAPPER

Foi breve mas adorável a noite de uma terça-feira muito aprazível (uns 20 graus de temperatura, e isso com o sórdido calor primaveril já castigando Sampa durante o dia) no clima “paulistanês”. Zapnroll foi no bar/teatro Cemitério de Automóveis, do queridíssimo Marião Bortolotto, prestigiar a noite de autógrafos e o lançamento de “A respiração da rosa”, o novo livro de poemas de um nome GIGANTE do jornalismo musical e cultural que importou no Brasil nos anos 80 e 90: nosso amigo de décadas dom Fernando Naporano.

Estas linhas online e ele se conhecem pessoalmente há quase 30 anos. E não se viam também pessoalmente há mais de 25, pelo menos. Na real o blog já o conhecia de nome antes de conhecê-lo pessoalmente. O jovem futuro repórter (esse aqui mesmo, rsrs) amava jornalismo musical, sonhava em ser um jornalista musical um dia e era um pós-adolescente que DEVORAVA textos sobre música em revistas e jornais (pode esquecer: não existia internet quando o sujeito aqui tinha seus 22 anos de idade, e nos informávamos NA RAÇA, ou seja: através de publicações nacionais e importadas, e escutando os poucos programas especializados em rock que havia na TV e em rádios como a 97FM de Santo André ou a então recém-nascida 89FM). Foi assim que começamos a ler matérias escritas por gente como Pepe Escobar, nosso eterno mestre Luis Antonio Giron e Naporano em si, quando eles assinavam resenhas e reportagens musicais clássicas e sublimes em veículos como as revistas Somtrês e Bizz, e jornais como O Estado De S. Paulo.

Então Finaski mesmo se tornou jornalista, em 1986. E dois anos depois já estreava como repórter de música na revista semanal IstoÉ. E em substituição justamente a… Fernando Naporano, que havia ido para a inesquecível e sensacional página de música que era editada no Caderno 2, do Estadão, por “pai” Luis Antonio Giron. E logo em seguida à nossa entrada na IstoÉ, este mesmo Finaski também começou a colaborar com a mesma página musical do Caderno 2 – que era, numa palavra, FANTÁSTICA. A pirralha geração atual da torta e quase inútil era da web, pode esquecer: vocês NUNCA MAIS terão um jornalismo musical como o que foi feito há 30 anos no diário paulistano Estadão. E fizemos parte daquilo, daquela história. E nos orgulhamos mega de ter feito.

Foi lá no Oesp, enfim, que conhecemos dom Fernando. E nos tornamos amigos, como somos até hoje. Este então ainda jovem repórter se sentia um jornalista verdadeiramente feliz por um lado (tinha “apenas” 25 anos de idade e dois na profissão!) e um ANÃO no meio de dois GIGANTES como Naporano e o nosso saudoso e inesquecível Kid Vinil. Mas ambos se tornaram nossos amigos queridos e NUNCA nos trataram como se fôssemos inferior aos dois, na questão cultural, intelectual e profissional. E o blog escreveria um LIVRO aqui nesse post, com histórias memoráveis e bizarras dos bastidores da redação de um dos jornais que naquela época era (e continua sendo) um dos quatro maiores diários do Brasil. Como num dia em que mr. Giron, em desespero, se viu sem nenhuma matéria de CAPA decente para a edição do dia seguinte do Caderno 2. Ligou para Naporano pedindo socorro. Apenas UMA HORA depois Fernando entregou um texto sobre as então novas tendências do rock inglês. Giron ficou extasiado e ainda alfinetou o jovem Finas no dia seguinte: “O Naporano me salvou ontem. VOCÊ não conseguiria fazer o mesmo, nunca!”. Rsrs. Ficamos putos com a alfinetada, claro. Mas sabíamos que LAG falava aquilo pro nosso próprio bem. Tanto que o amamos até hoje como um irmão mais velho. Foi e continua sendo nosso mestre eterno, sendo que é dele o prefácio do livro (que sai agora em novembro), “Escadaria para o inferno”.

Outro episódio bastante surreal e engraçado foi quando FN lançou o primeiro mini LP da sua banda (da qual ele era o vocalista e letrista e cuja sonoridade ele mesmo definia como “regressive rock”, wow!), a cult Maria Angélica Não Mora Mais Aqui. Rolou então um saudável e merecido “jabá” editorial no Caderno 2 do Estadão sobre o lançamento. Com Giron convocando Finaski para fazer uma entrevista com Fernando, e Kid Vinil para resenhar o disco num box da entrevista. Nosso loiro eterno merecia o espaço pois ele era então um dos jornalistas mais brilhantes do suplemento cultural do diário. E afinal, se a revista Bizz também fazia o mesmo (elogiando sem parar em suas páginas as bandas formadas por jornalistas e colaboradores da própria publicação, sendo que essas bandas nem de longe possuíam a mesma qualidade do Maria Angélica), porque nós do CAD 2 não podíamos fazer o mesmo pelo grupo do querido FN? Pois então… rsrs.

Estas linhas rockers bloggers se lembraram dessas histórias e muitas outras lá no sempre aconchegante bar do Marião (esse “véio” ranzinza e rabugento como também somos, ahahahaha. E que além de também ser um querido amigo fináttico é outro GÊNIO da poesia e dramaturgia undeground que ainda importa nesse Brasil tristemente bestializado e emburrecido no século da pós-internet e das redes sociais) enquanto papeava com Fernando, tomava uma breja e folheava seu livro, que parece maravilhoso e digno da melhor poesia dos malditos franceses (Rimbaud, Baudelaire, Lautréamont) ou dos ingleses (William Blake e Dylan Thomas). “Quando findam as sensações que ainda tremem em carmim?”, é a pergunta que abre o primeiro leque de poemas do tomo. Foi uma noite agradabilíssima, enfim. Revemos pessoalmente um amigo com quem não tínhamos contato cara a cara há quase três décadas. O loiro continua como sempre foi: elegante, humilde, gentil, papo imperdível. E sempre trajando camisas com estampas psicodélicas e tomando seu whisky. E se hoje Zap’n’roll se sente, aos quase 5.5 de existência, de certa forma muito orgulhoso por ter pertencido àquela que talvez tenha sido a ÚLTIMA geração de jornalistas musicais de fato GENIAIS (modéstia às favas nesse momento) da imprensa brasileira, devemos isso a caras como Fernando Naporano. Por termos lido seus textos na nossa juventude e depois por termos sido colegas de redação dele e nos tornado, por fim, amigos pessoais.

Valeu, dear. E sucesso para “A respiração da Rosa”. Sendo que deixamos o próprio Fernando Naporano falar mais sobre seus novos livros de poesia, em bate-papo exclusivo com o site zapper, e cujos principais trechos você confere abaixo.

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Um dos nomes mais lendários da rock press brazuca dos anos 80’e 90’, o jornalista Fernando Naporano (acima), que reside há muitos anos na Europa, voltou ao Brasil para lançar em São Paulo seu mais recente livro de poemas (abaixo) (foto: Caio Augusto Braga)

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Zapnroll – Talvez a geração mais nova, dos anos 2000, não saiba mas você foi um dos principais nomes do jornalismo musical (e rock) brasileiro nas décadas de 80 e 90. E de repente, do nada, decidiu sair de cena e ir embora do Brasil, isso há quase trinta anos. Por que tomou essa decisão, afinal?

 

Fernando Naporano – Sou aquele que, no comando de minha finada banda Maria Angélica Não Mora Mais Aqui,- ainda em 84 – escreveu “British Caledonian”, um ácido Manifesto-Anti-Brasil, muito antes de tornar-se moda reclamar e falar mal do país. Num caráter mais extremo compus “Eu Gostei Da Guerra”, cuja letra cairia como uma luva para os dias atuais do Brasil. Como ingressei em grande imprensa ainda em plena adolescência, fiz o que pude e o que nem poderia fazer. Abri caminhos nas diretrizes da imprensa musical numa época em que ninguém levava a cultura do rock a sério. Dei uma nova dimensão ao tecido musical e abordei a música, sobretudo como uma Obra De Arte. Inaugurei em grandes jornais um cardume de inventividades, fossem pílulas de notícias de bastidores, fossem entrevistas telefônicas com bandas internacionais que estavam a explodir nos umbrais dos anos 80. Mas seja com a minha pessoa – magnética e dona de atitudes desafiadoras -, seja com minha banda – única e sui generis que viveu numa panorâmica flácida, pretenciosa e repetitiva –, o Brasil me boicotou demais, me feriu em excesso e me desrespeitou o tanto quanto (im) possível. Ao virar correspondente internacional, morando em Londres e, posteriormente, em Los Angeles, e a escrever para veículos internacionais, meu nome virou sinônimo de respeito. Atualmente tanto a banda como meus 25 anos de imprensa vem ganhando uma dimensão até de culto.

 

Zap – Mora onde atualmente e o que faz por lá, além de escrever e publicar seus livros de poesia?

 

Naporano – Moro Europa-Afora, atualmente em Madri. Me dedico integralmente a poesia, minha paixão primordial desde meus 7 anos de idade.Obviamente, tenho outras atividades, entre elas a de tradutor e professor de língua inglesa.

 

Zap – Como foi essa transição da música e do rocknroll para a escrita? Afinal você tinha um intenso envolvimento com a cena musical alternativa de São Paulo no final dos anos 80, quando cantou à frente do grupo Maria Angélica Não Mora Mais Aqui.

 

Naporano – Nunca houve transição alguma. A escrita – que começa aos 7 anos quando esboçava versinhos de amor a minha professor primária – vem muito antes de qualquer outra coisa. A poesia sempre me acompanhou desde a infância. Hoje, além de várias obras devidamente finalizadas, acumulo um material que daria para uns 10 livros. Isso sem falar que, se eu fizesse compilações de meus escritos jornalísticos com centenas de entrevistas, seria material para outros 5 livros. Nunca tive carinho ou envolvimento algum com qualquer cena “alternativa” ou “mainstream”. Sempre abominei ambos os lados. Fui e serei sempre um verdadeiro “outsider”. À margem de tudo e de todos. Personalidade e atitudes únicas, sem jamais fazer concessões.

 

Zap – Você também passou pelas redações dos principais veículos de mídia impressa do país, jornais como FolhaSP e Estadão, além de revistas como IstoÉ, Bizz e Interview. Como você vê o jornalismo musical hoje no Brasil e no mundo? Ele perdeu mesmo o romantismo e a excelência cultural de trinta anos atrás e caminha para uma inefável morte?

 

Naporano – Eu acredito ser algo devidamente morto e sepultado. A internet deu cabo de tudo. Todos são jornalistas. Como diria o Mestre Raul, “é muita estrela para pouca constelação. Não há, por assim concluir, nenhum rastro de “romantismo”ou de “excelência cultural”. O jornalismo de “Auteur” – que sempre foi o meu caso – não tem mais espaço no lamaçal do automatismo e da escrita liquída.

 

Zap – Vamos falar dos livros que o escritor e poeta Fernando Naporano está lançando, claro. São três tomos diferentes e gostaria que você explicasse melhor o conteúdo de cada um deles.

 

Naporano – Os três livros lançados esse ano possuem o mesmo pano de fundo, ou seja, uma veia poética voltada ao simbolismo, ao intimismo do reino das sinestesias baudelairianas e dos “paraísos artificiais”. “A Coerência Das Águas” (Poética Edições, Portugal) é uma deambulação pelos segredos místicos e contemplativos da existência. Envolve muitos elementos de astrologia, – diga-se de passagem, minha religião – magia e platonismo. “Detestável Liberdade” (Abstract Editions, Espanha) é um exercício sobre o horror em ser livre. Reflete a terminal solidão produzida pela Liberdade. É um relato sobre minha vida nomade-errante dos últimos anos, vivida em cidades como Casablanca, Paris, Lisboa, Los Angeles e Lanzarote. “A Respiração Da Rosa” (Córrego Editora, Brasil) é diferente dos citados acima. É um livro de temperamento pictórico, uma deambulatória ode às artes plásticas buscando uma reflexão sobre o sentimento do amor quando vivido em pleno vazio existencial.

 

Zap – Qual é a sua escola literária e poética? Você se encaixa em qual vertente? E seus autores preferidos tanto na prosa quanto na poesia, quais são?

 

Naporano – Minha escola literária é o amor. Minha escola poética é essa grande Aventura de viver. Minha arte se encaixa entre um palpitante hermetismo metafísico e um simbolismo profundamente imagético. Na infância minha base foram coleções de contos de fadas. Havia uma série de volumes, se calhar, da editora Melhoramentos que eram os “Melhores Contos De Fadas” da China, Hungria, Índia, França, Bélgica, Espanha, etc. Um bocadito mais tarde li clássicos de Stevenson, Melville, Lewis Carroll, Cervantes, Flaubert, Alexandre Dumas e outros. Com poesia minhas primeiras leituras, na altura de meus 13 anos, foram Álvares De Azevedo, Fernando Pessoa, Byron, Keats, Fagundes Varela, Heine, Shelley, etc. Ao adquirir o livro ”Anotações Para Um Apocalipse” do Claudio Willer, lá havia um poema do – já então meu amigo – Roberto Piva onde eram citados “Apóstolos da Desordem” tais como Freud, Desnos, Michaux, Artaud, Rimbaud, Blake, etc . Então, anotei os nomes e indo a bibliotecas passei a ler um por por um. Em termos de poesia, já na minha maturidade, eu citaria William Blake, Kavafis, Trakl, Dylan Thomas, William Wordsworth, Y.B.Yeats, Rilke, Novalis, Leopardi, Emily Dickinson, René Char, Eugénio De Andrade, Sylvia Plath, Nuno Júdice, Paul Celan, Fernando Pessoa, Adonis e por todos aqueles e aquelas cuja a iluminação é exaustiva e permanente.

 

Zap – Para encerrar: ao que parece você pretende retomar a carreira de front man do Maria Angélica. Mas ainda há espaço para bandas como ela nos dias de hoje? E para a poesia, também haveria espaço ainda?

 

Naporano – Não, não pretendo de forma alguma voltar com o Maria Angélica Não Mora Mais Aqui de forma atuante em palcos. Isso fez parte de uma época que não volta jamais e de uma conjuntura de visceral delírio. Acredito que a máxima da ópera-rock de Ian Anderson cai bem aqui : “Too Old To Rock’n’Roll; Too Young To Die”. Acho que hoje – uma vez que parte da mídia que sempre me boicotou em suas panelinhas abomináveis não é mais atuante – a banda teria muito mais espaço e os vôos seriam muito mais altos. Exemplo disso é o documentário “Guitar Days” de Caio Augusto Braga a ser exibido em 2018 [nota do site zapper: documentário no qual o jornalista Finaski também aparece, dando um depoimento sobre a cena alternativa rock brasileira dos anos 90’]. Nesse filme, há bandas dos anos 90 e 00 que apontam a influência do Maria Angélica bem como reconhecem de forma reverencial meu desempenho enquanto jornalista. Pretendo sim lançar um álbum (em português, por acaso) inédito do Maria bem como dezenas de canções inéditas. O formato ideal seria uma box-set de 3 Cds (com 78 minutos cada) de apenas material inédito e ao vivo. Assim como busco editores para meus novos livros de poesia, a busca é a mesma em achar uma gravadora ou alguém que banque – com direito a livreto – a box set do Maria, a qual vai se chamar “They Could Have Been Bigger Than The Television Personalities”, em alusão a um álbum dos TV’s.

 

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ANÁLISE ZAPPER: LADO A LADO A OPULÊNCIA GOVERNAMENTAL E OS MISERÁVEIS DO CRACK – E POR QUE ESSA DROGA MALDITA NÃO VAI SER DERROTADA AQUI NA PORRA DO BANANÃO TROPICAL

Semana passada Zap’n’roll ficou absurdamente impressionado com o CONTRASTE gigante e digno de uma ficção cientifica cinematográfica surreal, à la “Blade Runner” (só que REAL), quando o blog e sua amiga Gisélia presenciaram no trajeto entre a estação da Luz (onde descemos do metrô) e a sede da Secretaria Estadual da Cultura, onde estas linhas bloggers tinham uma rápida reunião agendada com nosso amado amigo de décadas e agitador cultural, André Pomba. Não são nem 500 metros de caminhada. Mas é/foi algo verdadeiramente impressionante.

A sede da Secult/SP, todos sabem, está localizada bem no CORAÇÃO da tristemente miserável CRACOLÂNDIA paulistana. E o prédio que abriga a Secult, a reformada antiga estação de trem Julio Prestes, é algo magnífico e que causa deslumbramento aos olhos de qualquer um. Construção em estilo clássico, foi reformado e restaurado há alguns anos, mantendo o padrão e estilo arquitetônico original. Lá, além da sede da Secult ainda funciona também a prestigiadíssima sala São Paulo, um dos melhores e mais nobres espaços da capital paulista para concertos de música erudita. É, em suma, um prédio exuberante e que desvela toda a opulência arquitetônica e financeira que envolve alguns endereços do poder público estadual, comandado há mais de 20 anos pelo tucanato – na real nem poderia ser diferente afinal São Paulo, mesmo com a crise monstro que se abate sobre nosso arrasado bananão tropical, ainda é o Estado mais rico do Brasil.

Porém (sempre há um porém…), causa CHOQUE a qualquer um que passe por aquela região o tal contraste monstro que mencionamos no começo desse texto. A menos de 100 metros da entrada principal da Secult (na rua Mauá) e já nas escadas e portas (algumas fechadas) da fachada da secretaria, este jornalista e Gisélia passaram por pequenos aglomerados que reuniam algumas dezenas de viciados em crack. Todos com seus cachimbos à mostra (em plena luz do dia), todos se entorpecendo ou já entorpecidos e completamente alheios ao ir e vir de quem passava ao lado deles. Todos muito miseráveis, sujos, maltrapilhos mesmo. Uma espécie de escória sub-humana que a sociedade “normal” parece ter esquecido por completo ou que prefere ignorar mesmo, na cara larga. Um usuário em particular chamou a atenção da Gigi e penalizou o coração dela, dado o estado de DEGRADAÇÃO em que ele se encontrava: sujo, vestido com TRAPOS e solitário num degrau (a apenas uns 10 passos da entrada principal da Secult, muito bem vigiada e policiada por viaturas da PM e da guarda civil, além de policiais também fora das viaturas e circulando no entorno da entrada), ele raspava o que restava de seu cachimbo para tentar dar uma última tragada nessa droga do inferno, que o blog mesmo fumou durante quase uma década. E zilhões de vezes fumou ali mesmo, na cracolândia ao lado dos “nóias”, em madrugadas insanas após sair completamente enlouquecido de álcool de alguma balada open bar e desesperado para dar uma TRAGADA numa pedrinha em cima de um cachimbo.

Depois que saímos da Secult, fomos em direção à Sta Cecília (bairro também colado ali) pois o jornalista e agora quase escritor também (rsrs) tinha uma reunião na editora Kazuá. Ao passarmos pela praça bem à frente do prédio da secretaria (e que durante muitas décadas abrigou a antiga rodoviária de Sampa) Zap’n’roll mostrou pra sua amiga, mais à frente e à nossa direita, o já tristemente célebre “fluxo”, que é onde se aglomeram mesmo os consumidores de crack e onde a droga é vendida livremente. É uma autêntica multidão gigante de ZUMBIS (quase mortos-vivos mesmo, ao estilo “walking dead”) pipando pedras em cachimbos improvisados (ou em latinhas usadas de breja e refri, em copos de água mineral, onde for possível) em tempo integral, dia e noite. Noite e dia. A visão então é/foi essa e muito clara aos olhos de qualquer observador minimamente mais atento: atrás de nós a impressionante OPULÊNCIA visual e financeira da Secretaria Estadual da Cultura de SP. E um pouco à frente de nós (e a apenas alguns metros da opulência governamental), o mais pavoroso e DEGRADANTE cenário da TOTAL decadência e miséria humanas. Um cenário composto por uma multidão de gente que perdeu tudo: dignidade, respeito, saúde, moradia, amor próprio etc. Que permanece alheia ao mundo real e que parece até viver em outra dimensão ou outro planeta que não a Terra. E, por fim, uma multidão de seres humanos IGUAIS A NÓS mas que, infelizmente, parece ter sido totalmente esquecida por uma sociedade cada vez mais insensível, egoísta, intolerante, moralista hipócrita, conservadora, hostil de verdade e que prefere ignorar os que estão na miséria final da existência humana (que é viver na cracolândia) como se aquilo lá não fosse problema de ninguém. “Não tenho nada a ver com isso, eles que se fodam e o governo e a POLÍCIA que resolvam e cuidem deles”, deve ser o pensamento de muitos que passam por ali diariamente.

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Zap’n’roll ao lado da frase que está pintada em todas as unidades móveis de polícia comunitária, espalhadas pelo entorno da cracolândia no centrão da capital paulista: não, o crack NÃO vai ser vencido no Brasil, infelizmente (foto: Gisélia Camelo)

 

É algo dantesco e surreal ao cubo. Nem o melhor e mais premiado roteirista de Hollywood conseguiria conceber um enredo de ficção tão impactante e tão fiel a uma REALIDADE que NÃO É FICÇÃO.

E este espaço virtual mesmo chegou a uma triste conclusão, que dividiu com Gisélia: não, NÃO É POSSÍVEL VENCER O CRACK, ao contrário do que diz a frase estampada ao ao nosso lado aí na foto que ilustra este comentário social zapper. Aliás pedimos pra Gi tirar essa foto (na frente de uma das muitas unidades móveis de polícia comunitária que estão espalhadas por ali, no entorno da cracolândia) por PURA PROVOCAÇÃO, claro. Porque não, o crack NÃO VAI SER VENCIDO num país onde o poder público e os governos (federal e estadual) não possuem ESTRUTURA de ponta para combater o problema. Uma estrutura mega complexa que envolve questões de saúde pública (com apoio médico e psicológico aos dependentes da droga), de trabalho (conseguir reinserir essas pessoas num mercado formal de emprego), de educação, lazer, cultura e também de inteligência policial (para combater o tráfico em si). E não, não é com um prefeito IDIOTA, coxa, insensível e que nada entende de HUMANIDADE, como João Dória ESCÓRIA Dólar é, e que quer internar à força usuários, que vai se resolver o problema. Não é fazendo operações pontuais por ali, jogando bombas de gás e jatos d’água nos usuários, que vai se acabar com aquela zumbilândia – mesmo porque o PCC MANDA ALI. E ganha milhões ali. E o (des) governo paulista deixou o PCC se tornar a orcrim gigante que é hoje e agora é quase IMPOSSÍVEL removê-lo da cracolândia, que já existe há mais de 20 anos.

E por fim, nunca será possível vencer a epidemia de crack que tomou conta do Brasil justamente por vivermos num dos países mais CORRUPTOS do mundo, que possui a classe política mais IMUNDA do universo e onde bilhões (vejam bem: isso aqui ainda é uma das dez maiores economias do planeta, mesmo com toda a grana gigantesca que escorre sem dó pelo ralo da corrupção endêmica que nos assola) somem nas mãos desses políticos e de parte da iniciativa privada que também é corrupta e corrompe agentes públicos. Você acha mesmo que esse pessoal escroto e do inferno está a fim de resolver o problema dos miseráveis em estágio final de degradação humana que este jornalista e sua amiga viram pelas ruas do centro de São Paulo, fumando crack em pleno dia? Se você acredita nisso e leu até aqui, jezuiz e parabéns… seu pensamento é ainda mais surreal do que as cenas tristes que presenciamos no centrão “blade runner” de Sampalândia.

 

 

FIM DE JOGO

Yeah. Mais um postão finalizado, no meião do feriadão de Finados. Sendo que o blogão zapper deseja que o feriado esteja sendo ótimo pra toda galere. E lembrando sempre: dia 25 de novembro tem lançamento de “Escadaria para o inferno”, na Sensorial Discos/SP. Te esperamos por lá!

E logo menos voltamos aqui com novo post inédito. Até mais!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 4/11/2017 às 4hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL MONSTRO! Com atualização das notinhas da Microfonia (e onde você encontra novos vídeos e áudios do L7, do Wry, a estréia solo do ex-vocalista do Oasis, Liam Gallagher, e os caralho), mais entrevistas com os escritores e músicos Marcelo Viegas e Cassiano Fagundes etc (ufa!) – AGORA VAI e infelizmente com a mega tristíssima notícia na música mundial: SILÊNCIO GIGANTESCO no rock’n’roll com a morte do gênio Tom Petty, que se foi anteontem nos Estados Unidos; mais: em post especial sobre lançamentos de LIVROS dedicados à cultura pop e a música em geral (um mercado que, mesmo com a crise bravíssima que assola o triste bananão tropical, tem seu nicho de público e segue ativo), o blog zapper fala de alguns títulos que chegaram há pouco às livrarias; e também anuncia (finalmente e oficialmente!) orgulhosamente o lançamento de “Escadaria para o inferno”, o primeiro volume escrito pelo jornalista eternamente rocker/loker (esse aqui mesmo, autor destas linhas poppers online, ulalá!) e que sai do forno em novembro! E ainda: como foi o showzaço do The Who (já a gig internacional de 2017 no Brasil?) em Sampa pela ótica não jornalística e sim de um FÃ da banda, em texto especial para este espaço rock virtual, comentários sobre o line up do Lollapalooza BR 2018, a morte de um gênio da imprensa mundial (ele mesmo, o fundador da revista Playboy, a que alegrou nossa existência com nudes incríveis das melhores BOCETAS da história da cultura pop) e mais isso e aquilo tudo que você sempre encontra por aqui! (postão mega AMPLIADO e finalmente FINALIZADO em 6/10/2017)

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O rock americano e mundial perde mais um gênio inesquecível: Tom Petty (acima) se vai mas deixa para sempre uma obra musical gigante e que ainda irá embalar muitas gerações rockers; as mesmas gerações que não irão precisar esperar tanto para ler “Escadaria para o inferno”, o primeiro livro escrito pelo jornalista musical autor destas linhas poppers virtuais (abaixo: Zap’n’roll na sede da editora Kazuá, ao lado de Evandro Rhoden, o dono da empresa, e a capa do tomo, que será lançado agora em novembro)

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MICROFONIA, PARTE II

(reverberando a cultura pop no rock, em filmes, livros e discos)

(com ampliação e finalização das notas na sexta-feira, 6 de outubro de 2017)

***IDA A BELZONTE – yep. Há algum tempo já sem sair de Sampa pra acompanhar de perto outras cenas musicais legais espalhadas por este Brasil afora (e os motivos pra diminuição desses rolês são vários, mas basicamente podem ser resumidos em dois: a) todo mundo está quebrado no país e diminuíram drasticamente os convites ao site/blog zapper pra cobrir eventos fora de Sampa, mesmo porque quase ninguém está com grana pra produzir eventos; e b) a indie scene nacional meio que está quase total morta, não? Sobram bandas, sempre, mas falta QUALIDADE a elas e quem se interesse por elas, simples assim), Zap’n’roll vai dar um “pulinho” até a capital dos mineiros na próxima semana. Vai passar o feriadão prolongado por lá (e aproveitar pra se encontrar com duas das mineiras mais lindas, gatas, rockers e queridas que o autor destas linhas bloggers tem como amigas atualmente, as morenaças Juliana Marta e Thays Karolinne, duas doçuras como seres humanas) pra conferir algumas bandas locais e se inteirar da movimentação rock’n’roll na capital de Minas Gerais. E se achar interessante o que ver e escutar o blog irá comentar aqui na sequencia, claaaaaro. Então fiquem (e fiquemos) atentos aos sons sempre bacanas que vêem lá das Gerais.

 

***ESTRÉIA SOLO DO LIAM – yeeeeesssss! O caçula dos manos Gallagher e que um dia cantou à frente do saudoso Oasis, enfim voa solo. E mostrou para o mundo nessa sextona em si sua estréia individual, o álbum “As You Were”, que o site zapper ainda vai ouvir com calma e depois comentar aqui, pode esperar. Mas se você NÃO agüenta esperar, já pode escutá-lo aí embaixo.

 

***A VOLTA DO L7 – uma das grandes bandas da era grunge, o quarteto feminino americano L7 anunciou nas redes sociais seu comeback aos estúdios de gravação após ficar dezoito anos sem gravar material inédito. Este espaço rocker virtual sempre tem o pé atrás com grupos que ficam séculos hibernando e, de repente, resolvem sair da tumba pra gravar e tocar ao vivo novamente. O resultado geralmente não é nada bom. Mas no caso das meninas (ou tiazonas atualmente, já que todas elas estão com mais de cinquentinha de idade nas costas), que fizeram um show absolutamente DEMOLIDOR no Brasil em 1993 (no finado e saudoso festival Hollywood Rock, na mesma edição que trouxe na mesma noite em que elas se apresentaram também o Nirvana, e o zapper loker/rocker estava na gig, claro), talvez dê pra esperar um novo disco bacanão. Ao menos a primeira faixa que elas divulgaram do disco vindouro (e cujo áudio está aí embaixo) é uma cacetada esporrenta, como não se vê sendo feita pelas bandinhas bundinhas atuais. Isso aê: se a pirralhada nova não mostra competência em serviço, os VELHOS (ou velhas, no caso) mostram, uia!

 

***NOVO DO WRY EM 2018 – sim, o já clássico quarteto indie guitar sorocabano (dos melhores nomes do rock BR das últimas duas décadas), sempre liderado pelo queridão vocalista e guitarrista Mario Bross (dileto amigo zapper de anos já também), anunciou seu novo trabalho de estúdio para o ano que vem, e que deve sair pela carioca Deck Disc. Como prévia deste novo cd a banda lançou na web esta lindíssima balada (que você pode ouvir e ver aí embaixo), e que ganhou igualmente vídeo belíssimo e bucólico, bem de acordo com a melodia da música (suave, introspectiva e onde Mario deixa sua guitarra um pouco de lado para centrar fogo nos teclados). Fora que o vídeo ainda conta com a participação especialíssima da liiiiindaaaaa modelo e atriz Duda Caciatori, dileta amiga deste espaço online desde que ela era uma pós-adolescente recém chegada a Sorocaba (Duda nasceu em Santa Catarina). No Wry este site/blog sempre bota fé. E tem certeza de que vem discão por aí!

 

***FREJAT EM SAMPA – o finde (já estamos na noite de sextona em si) promete em Sampalândia. Após tocar na última edição do Rock In Rio o ex-vocalista e guitarrista do Barão Vermelho (ou será ele um eterno barão? Rsrs) se apresenta na capital paulista neste finde, na Tom Brasil. E o blog vai lá já que foi convidado pelo empresário do cantor (queridíssimo amigo deste blog há séculos), o chapa Rafael Borges, a ir curtir a gig. E se você também se interessou, todas as infos sobre o show estão aqui: https://www.facebook.com/events/429038194158029/.

 

***ARTE DEGENERADA ATACA! – e no domingão em si tem mais: a mui legal editora paulistana Kazuá (e que lança mês que vem a primeira incursão literária do jornalista maloker) vai promover o evento chamado Festival da Arte DEGENERADA. Isso mesmo: uma série de atividades culturais que irão ter início no meio da tarde na sede da editora e se estenderão pelas ruas próximas com sarau literário, shows musicais (como a apresentação do trio Psychotria, que também vai tocar na festa de lançamento do nosso livro) e muito mais. É a forma que a Kazuá e todos os que estão ligados a ela (como agora nós também estamos) encontrou de enfrentar essa calhorda, cretina e caretaça mega onde neo conservadora de extrema direita que ameaça todo o país. E que também ameaça tolher a liberdade artística e de expressão. De modos que o site/blog zapper convida todo o seu leitorado de Sampa a ir lá e prestigiar, okays? Mais infos aqui: https://www.facebook.com/events/279018369259110/.

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***E FIM DE PAPO! – chega, néan. Microfonia atualizada e ampliada, postão monstrão no ar (com mais de cinqüenta mil caracteres de texto, wow!) e final de semana chegou novamente. Então Finaski vai parar por aqui, sendo que iremos voltar com novo post assim que possível e quando assuntos realmente relevantes na cultura pop assim o exigirem de nós, uia! Beleusma? Então ta! Até a próxima e desde já ótimo feriadão semana que vem pra toda a galere que nos acompanha. Até!

 

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop no rock, em filmes, livros e discos)

***Beleza? Postão zapper entrando no ar já no meio da semana. De modos que até o final desta mesma semana iremos ampliando e atualizando as notas aqui da seção Microfonia, ok?

 

***Sobre o Lollapalooza BR 2018 – Pois como sempre o blog zapper é honesto, rigoroso e imparcial nas suas análises musicais, também iremos ser nesse caso – e olha que já xingamos bastante o festival que rola em Interlagos, em suas últimas edições. Posto isso, estas linhas rockers virtuais estão quase achando que a edição de março vindouro é a MELHOR do Lollapalooza nos últimos anos. Ainda que não tenha Radiohead tem muita coisa decentíssima ali – e as tranqueiras de sempre também, óbvio. Começando pelo que vale a pena: Pearl Jam, sim mais uma vez. Pra quem nunca conseguiu assistir, é imperdível e showzaço, sempre. Vimos três vezes já e na última (no próprio Lolla, na edição de 2013) chegamos a chorar em alguns momentos da gig, de tão emocionados que ficamos. Fora a turma do Eddie Veder Tb vai ter Liam Gallagher, Lana Del Rey (wow!), Royal Blood (wow!!), The National (wooooowwwww!!!) e até o velho homem dos Talking Heads, mr. David Byrne. Yep, e ainda vai ter o pavoroso The Killers (talvez a banda mais insuportável a ter surgido na indie scene americana dos anos 2000’), o LCD Soundsystem (que muita gente igual ao “brogui” sem noção Pobreload superestima demais, e este blog não vê a menor graça no som feito pelo “gênio” James Murphy) e até o Red Hot Chili Peppers, que acabou de tocar no Rock In Rio. Na ala nacional? Muita coisa boa pra se conferir também: Tiê, nossos queridões do Vanguart, Plutão já foi planeta e… PORRAN, o incrível Luneta Mágica de Manaus, sensacional formação indie/MPB/psicodélica meio que descoberta por Zapnroll há três anos e que agora merecidamente irá mostrar seu som pra um grande público em Sampa. Claro, o Lollapalooza vai continuar tendo seus enormes defeitos já mostrados nas edições anteriores: ingressos a preços extorsivos, público coxinha mais interessado em aparecer, ver e ser visto, tirar selfies e ficar se distraindo no parque de diversões que será montado no autódromo, ao invés de prestar atenção na MÚSICA que irá rolar nos palcos. Mas mesmo com tudo isso nos arriscamos a dizer que o festival paulistano será muito melhor que o Rock In Rio. E essencialmente mais… rock no final das contas. Bora então selecionar as atrações que mais valem a pena e se programar desde já pra ir para o longínquo (e ponha longínquo nisso…) Interlagos em março de 2018.

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As atrações do Lollapalooza BR 2018: talvez o melhor line do festival em suas últimas edições

 

***E logo menos, como já dissemos aí em cima, entram mais notas aqui no Microfonia. Mas agora vamos pros tópicos em si do postão, começando com nossa homenagem a um dos maiores gênios da história do rock americano e que infelizmente partiu no último final de semana.

 

 

TOM PETTY E SEUS CORAÇÕES PARTIDOS IRÃO ACALENTAR PARA SEMPRE NOSSAS ALMAS COM SUAS LINDAS, INESQUECÍVEIS E PODEROSAS CANÇÕES

A morte, que nunca manda recado, veio e levou anteontem, segunda-feira, 2 de outubro de 2017, Thomas Earl Petty, um dos sujeitos mais gente fina e um dos músicos, compositores e cantores mais geniais surgidos na história do rock americano em todos os tempos. Tinha 66 anos de idade. Foi fulminado por um “heart attack” no último domingo. Chegou a ser socorrido e levado para um hospital. Mas sua atividade cerebral já havia cessado o coração era mantido em funcionamento por aparelhos. Ontem à noite o cantor foi enfim declarado oficialmente morto pelo seu empresário.

Zap’n’roll conheceu Tom Petty (seu nome artístico) ainda na adolescência, lá pelos 17 anos de idade. Mas se tornou mega fã e admirador da obra musical dele bem mais tarde, quando tinha seus 26 e já trabalhava como jornalista na área musical – naquela época, especificamente na editoria de cultura da revista IstoÉ (que naquele tempo, 1989, era sensacional e não o LIXO editorial na qual ela se transformou nos dias atuais). Era abril de 1989 e Tom, então quase um quarentão, lançou seu primeiro disco solo, sem a banda (os Heartbreakers) que o acompanhava desde 1976, quando o grupo estreou em disco. A essa altura ele já tinha uma trajetória ultra respeitada pela critica rock americana, um séquito enorme de fãs e sete álbuns lançados.

Mas foi “Full Moon Fever”, seu primeiro vôo solitário e lançado naquele abril de 1989, que marcou para sempre o autor do site zapper em relação à sua música. Não que os outros trabalhos lançados por ele fossem ruins ou medianos (muito longe de ser, Petty sempre primou por uma grande criatividade e rigorosa qualidade nas suas composições). Mas “Full Moon…”, mesmo lançando mão de todos os procedimentos musicais (rock de raiz classudo, country music e rock sulista com primor nas melodias e riffs, além de estrutura melódica ultra radiofônica e capaz de sensibilizar até o mais duro dos corações) que já haviam consagrado Tom Petty como músico, cantor e letrista, ainda assim colocou de joelhos público e jornalistas, pela beleza imensurável de suas canções primorosas e perfeitas. Os rocks eram afiadíssimos, poderosos e dançantes. As baladas então… de despedaçar qualquer alma.

Foi o LP enfim (sim, naquela época era LP e tivemos “Full Moon Fever” em vinil) que tornou definitivamente Petty um dos gigantes do rock mundial de então – o álbum vendeu milhões de cópias no ano de seu lançamento, foi parar no topo da lista dos mais vendidos da Billboard e seus hit singles chegaram a tocar sem parar em todas as rádios do planeta (Brasil incluso) e na MTV. Afinal, quantos discos você conhece que abrem com duas canções MONSTRO (na sua beleza sonora) como “Full Moon…” abre? Sim, estamos falando de “Free Fallin” e “I Won’t Back Down”. Duas músicas que já se tornaram mega clássicos do cancioneiro pop norte-americano.

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O cantor, compositor e guitarrista americano Tom Petty (acima) e uma das suas obras gigantes, o álbum “Full Moon Fever” (abaixo): não existe mais discos nem gênios assim no rock dos anos 2000′

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E como se não bastasse tudo isso Tom ainda era ótima praça e gente finíssima. Daqueles sujeitos sempre gentis ao máximo, engajado em causas sociais, com zero de arrogância e ego, total pé no chão como artista. Era aquele tipo de cara que você queria ter como cunhado ou irmão mais velho (ou novo).

E foi esse sujeito bacaníssimo e músico inigualável (que no auge de sua carreria também participou do super grupo Travelling Wilburys junto com George Harrison, Bob Dylan e Roy Orbison)  que dona morte tirou de nós no final da noite de ontem, sendo que ele ainda estava em plena atividade na sua trajetória musical (tinha acabado de fazer uma turnê super bem sucedida pelos EUA, baseada no seu derradeiro trabalho de estúdio, o muito bom “Hypnotic Eye”, lançado há três anos). Assim como ele já se foram David Bowie, George Michael, Prince, Michael Jackson, Lemmy Kilmister, Scott Weiland, Kurt Cobain e outros gênios da história do rock e da música pop. E a cada vez que um gênio desse porte se vai o mundo fica ainda mais vazio de idéias do que já está. Aos poucos a arte contemporânea (música, literatura, cinema, o que for) vai perdendo o que resta de relevante nela. E a tendência é que fiquem apenas escombros nesse planeta já tão miseravelmente devastado por ignorância, violência, miséria social, bestialidade e boçalidade. Renato Russo estava coberto de razão quando dizia que “a ignorância é vizinha da maldade”. Com artistas que realmente importaram e impactaram nossas vidas morrendo aos poucos, o que restará para a humanidade celebrar musicalmente daqui a 20 ou 30 anos? Nada, provavelmente.

Vai na paz, Tom. Nem sabemos se iremos nos encontrar por aí algum dia, em alguma outra estação – taí, não o assistimos ao vivo e gostaríamos de ter visto um show seu. Mas se essa estação existir de fato, você já está animando a todos por aí com seus rocks e baladas imortais. Sim, suas canções serão para sempre imortais. E te agradecemos de coração por ter feito a trilha sonora inesquecível de muitos momentos da vida deste Finaski e de milhões de pessoas pelo mundo afora.

 

TOM PETTY AÍ EMBAIXO, NO CLÁSSICO IMORTAL “FULL MOON FEVER”

 

E NO VÍDEO DE “FREE FALLIN”

 

DEMOROU MAS FINALMENTE VAI SER LANÇADO: EM NOVEMBRO CHEGA “ESCADARIA PARA O INFERNO”, O PRIMEIRO LIVRO DO JORNALISTA MAIS LOKER DA HISTÓRIA DA IMPRENSA MUSICAL BRASILEIRA

Yep. Foram mais de trinta anos atuando no jornalismo cultural e musical brasileiro e paulistano, com passagens por redações de grandes jornais e revistas (Somtrês, IstoÉ, Bizz, Interview, Rolling Stone, Estadão, FolhaSP, Jornal Da Tarde, Gazeta Mercantil etc.). Período (iniciado em 1986 e que perdura até os dias atuais, só que agora cuidando da parte editorial da ONG Associação Cultural Dynamite, além de editar este site/blog) em que o jornalista eternamente rocker e muitas vezes completamente loker colecionou zilhões de estórias absolutamente malucas ao longo de uma trajetória onde Zap’n’roll entrevistou muita gente conhecida (no rock BR e gringo), foi a centenas de shows, festas, eventos, baladas e, claaaaaro, enfiou os dois pés na lama sem dó nem piedade em sexo e drogas variadas. Foi quando percebeu que, ao recordar essas estórias e sempre que as dividia com amigos, o autor deste espaço virtual tinha um vasto material para compor um livro interessantíssimo no final das contas. Opinião compartilhada por quem escutava os relatos quase surreais e insanos apresentados pelo zapper. “Wow, você precisa escrever um LIVRO! E que pode virar até um FILME!”, era o que mais ouvíamos quando contávamos nossas aventuras (ou seriam desventuras? Rsrs) ao longo de três décadas.

Pois essas aventuras finalmente foram reunidas em um volume e agora irão chegar ao conhecimento do público consumidor de livros. Com lançamento pela editora Kazuá e marcado para o dia 25 de novembro (último sábado do mês e, por acaso, véspera do aniversário do jornalista zapper), “Escadaria para o inferno”, nossa primeira aventura literária, reúne vinte estórias envolvendo aquele que é considerado por muitos de seus colegas como o jornalista mais junkie e maluquete da história da imprensa cultural brasileira. Sendo que na verdade havia (ou há) ainda outras dezenas de episódios que acabaram ficando de fora do livro, já que o autor preferiu se concentrar naqueles que mais chamam a atenção pelos personagens envolvidos nas estórias. Assim há capítulos engraçadíssimos e contando as confusões nas quais o sempre e legitimo gonzo Finaski se meteu. E que o fez perder shows de Paul McCartney e Nação Zumbi, discutir (literalmente, quase partindo para a briga) com nomes como John Lydon e Lobão, ficar doidão de cocaine durante entrevista com o vocalista Nasi (do grupo Ira!), se transformar momentaneamente em “avião” de drogas de músicos da banda de hard rock alemã Scorpions e também do músico americano Evan Dando (do grupo Lemonheads), e até “salvar” o apresentador de TV e vocalista da banda punk Ratos Do Porão, João Gordo, do vicio dele em crack, ulalá!

Há uma grande dose de humor negro perpassando todo os capítulos de “Escadaria para o inferno”. Mas o conteúdo do livro também desvela um lado bastante sombrio, traumático e trágico dessa trajetória fináttica pelo submundo do jornalismo musical nacional. É quando o volume foca no período em que o jornalista fumou crack, um vício que consumiu quase uma década de sua existência. Um livro corajoso enfim. Sem moralismos hipócritas, sem preconceito de qualquer espécie. E muito divertido no final das contas, e que encontrou na editora Kazuá (um modesto selo paulistano mas que trata com cuidado e apuro gráfico, artístico e editorial cada um de seus lançamentos) seu “lar” ideal. Dirigida por Evandro Rhoden (um gaúcho quarentão formado em Filosofia e com paixão gigantesca por cinema), a Kazuá procura focar seus lançamentos na área da poesia. Mas também gosta de literatura subversiva/transgressiva, como é o caso do tomo escrito pelo autor do blog zapper. “Confio no livro. E também no autor dele”, disse Evandro quando assinamos com a editora o contrato de publicação de “Escadaria para o inferno”.

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Zapn’n’roll na sede da editora Kazuá (acima), assina o contrato de lançamento de “Escadaria para o inferno” (abaixo, sendo observado pelo dono da editora, Evandro Rhoden), primeiro livro do jornalista musical; o volume chega às livrarias mês que vem

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Então finalmente ele está a caminho, após três anos da sua conclusão. E chega às livrarias em novembro. Sendo que no dia 25 daquele mês, sábado, haverá festa de lançamento e noite de autógrafos da obra na sempre bacaníssima Sensorial Discos SP (lá na rua Augusta, região dos Jardins), com shows das bandas Psychotria, Jonnata Doll & Os garotos solventes (fazendo set acústico) e Jenni Sex. E ainda DJs set (no lounge) dos super DJs e amados André Pomba e Vanessa Porto.

Todos estão convidados a comparecer. Inclusive a matilha de cães fakes e covardes que há anos latem no painel do leitor do blog, dizendo que o livro jamais iria ser lançado. Pois então: a hora de “Escadaria…” finalmente chegou. Agora a cachorrada covardona pode latir à vontade com mais força ainda, rsrs. E depois passar na Sensorial pra tomar uma breja por nossa conta. A gente paga, ahahahaha.

 

E MESMO COM O PAÍS ATOLADO NA CRISE DO GOVERNO GOLPISTA DE MERDA, O MERCADO DE LIVROS MUSICAIS MANTÉM UM PÚBLICO FIEL

País com população historicamente pouco afeita ao habito da leitura, o Brasil nem de longe possui um dos mercados literários mais relevantes do mundo. Pra piorar ainda mais as vendas no setor, a crise econômica e política pela qual atravessa o triste bananão tropical há três anos (graças ao desgoverno golpista e sujo instalado em Brasília e comandado pelo PIOR CRÁPULA que já ocupou a cadeira de presidente do Brasil), reduziu um pouco mais ainda as vendas, os investimentos em novos autores, a abertura de novas editoras e os lançamentos de novos títulos editoriais.

Mas nem tudo ficou ou está perdido, afinal. E muito curiosamente um determinado nicho do mercado editorial continua sobrevivendo e resistindo heroicamente aos tempos ultra sombrios pelos quais a cultura nacional está passando: o de livros dedicados a assuntos musicais – notadamente o de biografias sobre bandas e artistas solo. Somente nas últimas semanas chegaram ao mercado ao menos quatro novos títulos editoriais voltados a temas musicais. “Apenas um rapaz latino americano”, biografia do recentemente falecido cantor e compositor gigante da MPB que foi Belchior, foi escrito pelo jornalista Jotabê Medeiros (amigo destas linhas bloggers musicais há três décadas) e lançada pela novíssima editora Todavia. Já “Ondas Tropicais”, de autoria da dupla Claudia Assef e Alexandre de Melo e publicado pela editora Matrix, conta a trajetória da radialista e DJ Sonia Abreu (também dileta amiga pessoal zapper há décadas), que inclusive é descrita no tomo como “a primeira DJ do Brasil”. Não só: tem também “Ouça este livro”, do músico, produtor e pesquisador musical Cassiano Fagundes (mais um querido amigo destas linhas rockers online e que toca até hoje num dos melhores nomes do indie rock nacional na última década e meia, o grupo curitibano Bad Folks), e cujo volume foi editado pelo pequeno selo paranaense Barbante. Trata-se de um compêndio reunido por Fagundes onde ele desvela histórias curiosíssimas e bizarras envolvendo nomes lendários do rock’n’roll, como David Bowie, Rick Wakeman etc.

Há, portanto, espaço, mercado editorial e, principalmente, público para esse tipo de livro? Na opinião de Marcelo Viegas, sim. Ele que durante quatro anos, foi o editor responsável pela publicação dos livros lançados pela editora paulista Ideal (e que editou, entre outras dezenas de títulos, a biografia de Ian Curtis, o lendário e suicidado ex-vocalista do finado Joy Division), detalha muito bem sua visão deste mercado, em bate-papo com Zap’n’roll: “Sim, há um público interessado nesse tipo de literatura, mas é como você mesmo disse: trata-se de um nicho. E, como tal, deve ser entendido e abordado de acordo com as suas características. A boa notícia é que um dos mantras do mercado editorial versa justamente sobre essa necessidade de encontrar e trabalhar um nicho (de preferência um nicho que você conheça bem). Muitos profissionais dessa área insistem que o futuro das editoras passa justamente por essa capacidade de eleger um nicho e direcionar o seu foco editorial nesse sentido”.

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O autor do blog zapper ao lado do seu parça e jornalista Jotabê Medeiros, no lançamento da biografia do cantor Belchior (acima); abaixo o escritor e ex-editor de livros Marcelo Viegas, com seu primeiro livro: ele acha que hoje há mais espaço para volumes falando de assuntos musicais do que havia anos atrás

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Viegas, que também acaba de lançar seu próprio livro (“Então – coletânea de entrevistas sobre música, skate e arte”, edição do autor), vai mais longe: “Na minha opinião esse mercado (dos livros de música) ainda tem muito pra crescer. Se você comparar com alguns anos atrás, a diferença é perceptível: antes, havia meia dúzia de livros de música disponíveis em edições brasileiras; hoje, as prateleiras das livrarias estão repletas de bons títulos, desde coisas mais mainstream até títulos mais alternativos”.

Um dos modos (não o único, claro) de manter esse “nicho” de mercado editorial ativo e funcionando bem, segundo Marcelo (que além de editor de editora também já foi dono de loja de discos, vocalista de banda de rock e até proprietário de selo musical), é cada autor de um novo livro cuidar pessoalmente de todas as etapas atinentes ao mesmo. “O meu livro foi uma tentativa de botar a mão em todas as etapas do processo, no velho e bom esquema do “faça você mesmo”. Atuei como autor, editor, publisher, cuidei do marketing, redes sociais, assessoria de imprensa, distribuição e financeiro. Foi uma espécie de laboratório complementar ao MBA em Book Publishing que estou fazendo”, explica ele. “Pela natureza insana da empreitada, sabia que seria inviável trabalhar com uma tiragem grande. Por isso, optei por fazer apenas 300 exemplares. Como já tive selo musical nos anos 1990 (Short Records), isso também serviu como lembrete das dificuldades de escoar os famosos mil discos. Não queria cometer os erros do passado e ficar olhando para as caixas de livros aqui em casa. Disse pra mim mesmo: “menos é mais”. E coloquei o livro na rua”, completa.

De modos que, mesmo com todo o terror econômico, político e CULTURAL pelo qual estamos passando (mais abaixo, nesse mesmo postão, iremos comentar sobre a onda ultra reacionária e conservadora da extrema direita e de parte da ogra e completamente bestializada e boçal sociedade brasileira, que agora se volta contra exposições de arte e intervenções artísticas em museus, como a que aconteceu semana passada no MAM SP, e que causou enorme discussão e ataques de fúria conservadora nas redes sociais) nesse momento, traz alguma satisfação a este espaço online de cultura pop a constatação de que, sim, o mercado editorial voltado ao mundo da música, ainda possui um público leitor fiel e que compra livros. Menos mal. Sinal de que a Idade das Trevas ainda não dominou completamente este triste bananão tropical. E que ainda há alguma esperança no final do túnel para estes tempos mega sombrios que estamos vivendo.

 

 

BATE PAPO COM CASSIANO FAGUNDES, AUTOR DE “OUÇA ESTE LIVRO”

Além de agora também ser escritor o músico Cassiano Fagundes é pesquisador, tradutor e um dos músicos mais atuantes na cena rock independente da região sul brasileira na última década e meia. Ele é um dos fundadores, inclusive, de uma das bandas do coração destas linhas rockers online, o curitibano Bad Folks, uma das formações mais legais da capital paranaense dos anos 2000’.

No bate-papo abaixo Cassiano fala sobre seu primeiro lançamento literário e também sobre o momento atual do mercado editorial voltado para livros cujo assunto é o nosso sempre amado rock’n’roll.

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O músico, tradutor, pesquisador e agora também escritor Cassiano Fagundes, e seu primeiro livro: estórias bizarras e engraçadas envolvendo rockstars, para ampliar um mercado editorial (o de livros sobre música) que continua resistindo à crise

 

Zap’n’roll – A idéia do seu livro é muito legal. Contar estórias algo bizarras envolvendo nomes conhecidos da história do rock, associando a essas estórias uma play list de sons que o leitor pode ir atrás pra se deleitar. Como surgiu a idéia desse formato editorial, afinal? E como foi que você fez a pesquisa pra reunir tanto as estórias quanto as play lists?

 

Cassiano Fagundes – O livro nasceu de meu trabalho em um portal de música da GVT, o PMC. Trabalhei dois anos lá, programando a rádio, resenhando discos e escrevendo notícias sobre música. Também fazia uma coluna sobre histórias, aventuras e desventuras de personagens do mundo da música pop. Esse foi o ponto de partida.

 

Zap – Você é músico também, e há anos milita na cena indie nacional, já tendo participado de vários grupos como o ótimo Bad Folks, por exemplo. Em quais bandas toca hoje em dia? Está muito difícil viver na cena musical alternativa atualmente?

 

Cassiano – Desde o Bad Folks, muita coisa rolou. Em 2008, montei o Cassim & Barbária em Floripa, com músicos experientes do indie catarinense. Essa banda foi longe, literalmente: Fizemos duas turnês na América do Norte. Uma delas, de 11 mil KM pelo continente, tocando com bandas de todos os cantos do mundo, em festivais como o SXSW e Pop Montreal. Depois, tocamos em festivais no Brasil, na Argentina e ajudamos a estruturar um circuito indie catarinense, que acabou não se consolidando por causa das dificuldades inerentes de se morar em um país complexo como o nosso. O Cassim & Barbária lançou 3 discos, tocamos com alguns de nossos ídolos (Faust e Damo Suzuki, do Can) e fizemos muito barulho. Mas é difícil fazer isso baseado em Floripa, sobretudo depois de tudo que já fizemos no meio independente, com pouco ou nenhum retorno material, ainda que com bastante satisfação artística. Estamos voltando a ensaiar e vamos lançar disco e shows em 2018. Em 2010 fiz a trilha sonora da peça “A Vênus das Peles”. O espetáculo baseado no texto de Sascher Masosch, que deu origem ao termo “masoquismo”, pediu um som bem sombrio, o que consegui influenciado pelo Kristjoff Komeda (trilhas dos filmes do Roman Polanski, como A Dança dos Vampiros). A peça fez duas temporadas no Teatro Guairinha, de Curitiba. Em Curitiba, em 2012, montei o Cacique Revenge com a Andreza e a Babi do The Shorts, mais o Rafa Martins que tinha tocado no Copacabana Club, e o André Tobler, um punk velho da cidade muito famoso por aquelas bandas por fazer uma percussão muito estranha. Essa foi uma das melhores coisas que fiz na vida: Jorge Ben com Sonic Youth e Fela Kuti. Mas tivemos que colocar a banda na geladeira depois de gravar um EP muito legal produzido no estúdio Ouié em Floripa (onde por causa dessa gravação, o Audac gravou com o produtor americano Gordon Raphael (Strokes) – o estúdio fica literalmente em uma praia, e tem dezenas de geringonças vintage que fazem tua banda soar muito bem). O Cacique Revenge era parte de um projeto chamado Desfiles Fantastique, que montamos com a artista Lisa Simpson – amplificamos sua máquina de costura e eu manipulava o som, que se combinava com a banda, enquanto Lisa costurava roupas de modelos na corpo delas, no palco. Em Floripa fiz um som também com o inglês Rob Williams, mais o Xuxu, que tocava comigo no C&B, e Gerson, baterista do Mar de Quirino, banda lendária do sul da ilha. O nome era The Cassberts. Rob era um cara do britpop de verdade. De volta a Floripa em 2014 para um Mestrado e um Doutorado em Estudos da Tradução, gravei um disco novo com o Cassim & Barbária e montei uma banda com meu orientador italiano e meu parceiro musical ítalo-argentino (Jeronimo Gonzalez) que fazia versões alternativas para clássicos e lados B da música italiana, e gravamos até Bowie em Italiano. E agora, estou lançando o DON, que é uma espécie de som para replicantes tropicais, baseado no Tao e na fase Berlin de Bowie com Iggy. Não sei o que dizer sobre a cena indie brasileira. Acho que, salvo raras exceções, falta profissionalismo e sobra talento, mas sempre foi assim. O Brasil não é o único país onde fazer música independente é uma coisa difícil – talvez só haja mais respaldo e caminhos mais bem traçados nos países anglófonos, embora até neles, a coisa não seja nem um pouco fácil. Minha postura sempre foi a de ser um artista que usa a música como uma de suas ferramentas de expressão e construção de sentidos. Por isso, nunca quis entrar numa de vida de músico, levar banda para viver em SP e fazer circuito de casas, de imprensa, beija-mãos e tudo isso. Mas creio que se você quer crescer como artista na cena indie, tem que botar o pé na estrada e fazer toda a via crucis o tempo inteiro, e viver isso 24 horas por dia, todos os dias da semana. Poucos fazem isso. Tocar em banda de rock no Brasil virou uma espécie de futebol de fim de semana de jovens de classe média. Dos poucos que ainda curtem rock, claro. Não é à toa que os Boogarins são os Boogarins: o som é bom, mas a postura profissional e a atitude são melhor ainda. Isso falta no Brasil, e sempre faltou. As pessoas em nosso país bizarro dão muito valor à fama, à notoriedade, a fazer cena, e esquecem o conteúdo, que se consegue com ensaio, show, ensaio, show, composição, referência. Para fazer música boa você tem que ter referências, investigar sons, conhecer estéticas, bandas do estilo no qual se propõe se alicerçar. Não vejo isso acontecer. O resultado é um monte de banda soando exatamente como as bandas hype anglófonas do momento. Daí, prefiro a cena argentina, exatamente por haver lá uma ideia de se buscar originalidade a partir de referências. Basicamente, o que sempre faltou na cena indie brasileira foi profissionalismo e conhecimento estético. E humildade. O cara começa a aparecer um pouco mais, e já age como pop star. Até alguns jornalistas ligados à cena agem como reis de meia pataca – você felizmente não é um deles e nunca foi, e sua autenticidade sempre me chamou a atenção! Convivi com artistas famosos que depois de uma sessão de autógrafos recolhiam as latas de cerveja que tinham bebido e as levavam no lixo, limpavam a mesa, e falavam com todo mundo de igual pra igual. Em festivais como o SXSW, tem banda que acabou de tocar pra 500 pessoas que desce do palco e vai vender CD e falar com o público numa boa. Aqui no Brasil, só vi o Boogarins fazerem isso até hoje. Sou muito fã deles – mais da atitude do que do som, mas eles são o que as boas bandas brasileiras da cena indie deveriam ser.

 

Zap – Há espaço, na sua visão, para um livro como o seu em um mercado editorial como o brasileiro onde a crise econômica também atingiu em cheio? Há um público especifico na sua opinião para esse tipo de literatura? Foi complicado achar uma editora que se dispusesse a viabilizar o projeto?

 

Cassiano – Há espaço, mas ele é limitado, como tudo relacionado a esse universo de música. Mas isso nunca foi uma preocupação. Na verdade, fiquei surpreso pela recepção do Ouça Este Livro. Todos os tipos de pessoas estão o lendo e curtindo as playlists. E em relação à editora, foi ela quem me fez a proposta de fazê-lo e lançá-lo. O mérito é mais da Editora Barbante que meu.

 

Zap – Qual foi a tiragem do livro? E como está sendo a repercussão dele em termos midiáticos e de venda?

 

Cassiano – A tiragem é de 500 livros. Tivemos alguma repercussão nas duas cidades onde já lançamos (Curitiba e Floripa). Ele vendeu bem nos lançamentos, e agora vamos fazer algo em outras cidades também.

 

Zap – pra encerrar: cite cinco bandas ou artistas da sua vida, hehe.

 

Cassiano – Só cinco? Sacanagem. Amanhã, ela muda. Mas vamos lá:

1 – Joy Division

2 – Bob Dylan

3 – Can

4 – Buffalo Springfield

5 – Suicide

 

 

ROCK NO SESC POMPÉIA COM O FAR FROM ALASKA

Yep, lá fomos nós (estas linhas rockers bloggers e o brother, amigão e ótimo fotógrafo Jairo Lavia) conferir a gig do quinteto Far From Alaska (que é de Natal/RN mas já ficou residência em Sampa há algum tempo) na choperia do SESC Pompéia, na última quinta-feira. Noite propícia pra um show de rock: garoa e 19 graus na capital paulista (delícia!), a choperia do Pompéia é dos melhores locais para shows de Sampalândia e a dupla tinha curiosidade em assistir a banda ao vivo – o blog perdeu a apresentação deles há cerca de dois meses no festival Circadélica, em Sorocaba, porque chegamos atrasados ao local onde os grupos estavam se apresentando.

O FFA já existe há cinco anos. Gravou dois bons álbuns de estúdio (o mais recente saiu há cerca de um mês), angariou simpatia da crítica musical e da mídia rock mais alternativa (ou do que resta dela). Com isso angariou também um bom séquito de fãs – havia cerca de 300 deles lá no SESC (ok, os ingressos nas unidades da entidade possuem valores sempre bem em conta para qualquer bolso), isso numa quinta-feira de tempo feio em SP. Entre estes dezenas de garotas rockers bonitinhas e gostosonas com visual caprichado, cabelos descoloridos etc. Na ala masculina (a maioria bem pirralha ainda), muitas t-shirts de bandas e tênis nos pés. E, sim, o grupo já andou tocando nos EUA e na Europa, e por aqui em festivais grandões como o Lollapalooza BR.

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A vocalista e a tecladista do grupo Far From Alaska, em show semana passada na choperia do Sesc Pompéia, em São Paulo: em disco a banda é muito boa, mas ao vivo… (foto: Jairo Lavia)

Mas… e o som? Foi aí que o bicho pegou. O quinteto já mostrou que funciona bem em estúdio, que tem competência instrumental, peso nas músicas (se for pra definir a sonoridade do conjunto,  o blog zapper diria que se trata de uma colisão frontal entre Queens Of The Stone Age com Primal Scream, temperado com riffs de guitarras hard rock) e que seus músicos também são bons – destaque seja feito para a vocalista Emmily Barreto, que canta com um inglês PERFEITO (no sotaque e na pronúncia). Mas algo não funcionou lá no SESC, tanto que tanto este jornalista quanto Jairo saíram algo decepcionados de lá. A banda soou repetitiva ao vivo, como se estivesse tocando a mesma música seguidas vezes e dando a cada take apenas alguma variação melódica em relação a versão anterior.

A impressão que ficou foi essa: que o FFA é ok, mas looooonge de ser tudo isso que “broguis” sem noção, hypeiros e arroz-de-festa (né, Pobreload!) querem fazer crer que a turma de Natal é. Ao vivo (pelo menos foi essa a impressão que deixaram NESTA GIG) eles parecem render bem menos que em estúdio. Tanto que Jairo Lavia disparou: “a melhor coisa dessa banda é a vocalista cantando em inglês”. Com “amigos” desse naipe uma banda não precisa mesmo de inimigos, hihi.

 

 

MAIS MORTES NA CULTURA POP – LÁ SE FOI HUGH HEFNER, O HOMEM QUE DEU AO MUNDO A PLAYBOY

Yep. Todos se vão um dia (desse mundo ninguém sairá vivo, de forma alguma) e com ele não seria diferente. Também na última quinta-feira foi anunciada nos EUA a morte de Hugh Hefner. Ele mesmo, o homem que deu ao mundo uma das publicações mais revolucionárias da história da imprensa em todos os tempos, a revista Playboy. Hefner morreu na mansão onde morava há décadas, em Los Angeles, de causas naturais. Tinha 91 anos de idade.

Taí um sujeito que Zap’n’roll admirava. Devemos muito a ele. Criou uma revista de linha editorial libertária e ultra avançada para sua época (os ultra conservadores e moralistas anos 50’, ainda mais nos Estados Unidos). Uma revista que desafiou convenções, defendeu a liberdade total sexual e de expressão e, principalmente, mostrou algumas das MELHORES XOXOTAÇAS (todas nuas em pêlo) da cultura pop (atrizes, modelos, cantoras, escritoras etc.) em todos os tempos – a capa da edição inaugural da publicação, com a deusa Marilyn Monroe nela, se tornou um clássico jornalístico imbatível e eterno. Quem NUNCA bateu uma PUNHETA (ou SIRIRICA, vá lá) folheando uma edição da Playboy em seus anos adolescentes ou jovens, não soube o que era iniciação ou “educação” sexual, rsrs. O blog mesmo colecionou durante anos a edição brasileira, que também teve capas inesquecíveis – como a que trouxe aquele BOCETAÇO PELUDAÇO (amamos xoxotas peludas como florestas amazônicas, rsrs) pertencente à deusa Claudia Ohana.

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Hugh Hefner (acima, com suas “coelhinhas”), o homem que fundou a Playboy: ele soube viver a vida, e ainda deu ao mundo uma das melhores revistas da história da imprensa em todos os tempos, e em cujas páginas ficaram nuas deusas como Marilyn Monroe e a brasileira Claudia Ohana (ambas abaixo), esta última com sua BOCETA PELUDAÇA que fazia a alegria dos machos, em oposição a essa escrota ditadura estética dos tempos atuais, a que determina que moças “boas” são aquelas que mantêm suas XOXOTAS LISINHAS e depiladinhas. Caso contrário a guria é uma… porca e vagabunda, uia!

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Hugh Hefner ficou miliardário com a revista – e com justiça. Numa época em que não havia internet, nem a estupidez das redes sociais, apps e sites gratuitos de vídeos e filmes pornôs explícitos/hardcore sem conteúdo algum (apenas trepação pura e simples), a Playboy com suas xotas nuas insuperáveis e seu ótimo conteúdo editorial (as gigantescas reportagens centrais e especiais eram imperdíveis e de leitura obrigatória, quase tanto como ver os nudes femininos que cada edição trazia) salvava nossa existência do tédio cotidiano e alegrava nossos olhos nos transportando para um mundo de sonhos, de paraísos idílicos, platônicos, surreais e abstratos – e inatingíveis para a maioria de quem lia a revista. E talvez nesse fator é que justamente residia a suprema graça da Playboy.

Valeu Hugh por tornar nossas vidas, inevitavelmente medíocres em grande parte dela, muito mais divertidas ao menos quando éramos jovens. Hoje com o mundo e a raça humana miseravelmente atolados até o pescoço no conservadorismo, na boçalidade e no moralismo hipócrita dignos da idade das trevas (em plena era da web e da evolução digital máxima), talvez nem seja possível e nem haja mais espaço para sujeitos visionários e libertários como você. E nem para publicações como a Playboy.

 

AINDA SOBRE O SHOWZAÇO DO THE WHO EM SAMPA – A PROVÁVEL MELHOR GIG ROCK DO ANO NO BRASIL ANALISADA PELO OLHAR DE UM MEGA FÃ DA BANDA

O show do gigante inglês The Who (que tocou pela primeira vez no Brasil apenas este ano, mais de cinqüenta anos após o surgimento da banda na Inglaterra) já aconteceu há duas semanas em Sampa e no Rio. Mas como estas linhas online sempre defenderam e continuam defendendo, não há prazo para se comentar aqui sobre grandes discos, grandes livros, filmes e SHOWS de rock – ainda mais nessa escrota era digital da web onde todos querem atropelar a todos e publicar tudo antes de todo mundo, mesmo que isso implique em postar em sites, blogs e redes sociais um texto completamente PORCO e eivado de erros de informação e grafia.

Zap’n’roll JAMAIS vai cair nessa armadilha. Daí publicarmos nosso material aqui sem pressa alguma, no seu devido tempo. De modos que aí embaixo mostramos com satisfação as linhas que encomendamos ao nosso dileto amigo de anos, o publicitário Valdir Angeli, sobre o show que ele presenciou do Who no estádio do Palmeiras, na capital paulista. Velho fã da banda e conhecedor da obra dela como poucos, Valdir descreveu com um olhar bastante subjetivo o que presenciou na noite do último 21 de setembro. Um olhar de fã enfim – sendo que foi exatamente isso que o site zapper lhe pediu: que procurasse EVITAR um texto técnico e jornalístico.

Leiam e divirtam-se!

 

Por Valdir Angeli, especial para Zap’n’roll

 

Sabendo que eu iria estar assistindo ao vivo ao show do The Who, lá no Allianz Parque, o responsável por este blog não descansou enquanto não conseguiu a promessa de algumas impressões deste mero fã do grupo, que aqui vos está escrevendo. Aceitei a empreitada mas adianto que eu sou bastante suspeito nas minhas observações, já que essa aí é a minha banda de estimação, já há uns quarenta anos, mais ou menos. Em assim sendo eu tentarei passar a vocês, da forma mais imparcial que eu possa conseguir, como me foi solicitado, o que senti e observei durante o que foi um dos maiores momentos da minha vida.

Assistir ao The Who ao vivo, depois de uma espera de mais de quarenta anos… O que é que a gente pode dizer numa situação dessas? Pra começar, eu adianto a vocês que, até por ter acompanhado a carreira da banda desde 1968 ou 69, por aí…, no fundo estava com um certo medo de uma grande decepção. Por todas as dezenas de álbuns oficiais e piratas contendo gravações de shows de diversas fases de sua carreira, que eu andei ouvindo nos últimos anos, eu realmente estava achando que essa turnê (que pela primeira vez incluiu a América do Sul) poderia ser uma grande bola furada. Afinal, os dois membros sobreviventes da banda original já passaram dos setenta, e a idade costuma pesar…

Eu me preocupei à toa! Os caras (leia-se: o Pete Townshend e o Roger Daltrey, os dois membros originais da banda) chegaram por aqui com todo o gás, querendo provar que estão bem vivos, e que são melhores (eles sabem muito bem disso) do que a grande maioria dos pirralhos que se metem hoje em dia a fazer rock por aí. Chegaram e arrasaram! Com uma carreira de mais de cinqüenta anos nas costas, eles desfilaram em sua apresentação as maiores pérolas de um repertório (de autoria própria, diga-se de passagem) que inclui desde o iê-iê- iê (“I Can’t Explain”) ao hard rock (“Won’t Get Fooled Again”), desde as baladas (“Behind Blue Eyes”) até experimentos com música eletrônica (“Baba O’Riley”), do pop descarado (“Substitute”) ao funk (“Eminence Front”), e do psicodelismo dos sessenta (“I Can See For Miles”) até o rock progressivo (“The Rock”, um interlúdio instrumental extraído da ópera ‘Quadrophenia’, não incluído, por sinal, no set list do Rock In Rio, cuja apresentação foi eqüivocadamente dirigida a uma platéia que, seja lá por ignorância, seja lá pelo que for, estava mais interessada em ficar batendo papo ou checando seus smartphones enquanto aguardava o show de uma banda hoje completamente irrelevante, o Guns N’ Roses). Tudo bem que o Who quase não faz mais os famosos improvisos que imperavam em seus memoráveis shows dos saudosos anos setenta (vide o famoso album ‘Live At Leeds’), mas o formato altamente detalhista e exaustivamente ensaiado ao qual eles se prendem hoje é até adequado a estes anos excessivamente cínicos, frios, impessoais e tecnológicos.

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O gigante rocker inglês The Who tocando há duas semanas na capital paulista e emocionando o público que foi conferir a gig: provavelmente o MELHOR show internacional de 2017 no Brasil, desde já

 

Mas, em resumo, a conclusão à qual eu cheguei foi a de que aquilo que eu assisti lá no estádio foi não simplesmente um show de rock, mas uma verdadeira aula de História, além de um enorme “flashback” da minha vida, permeada que foi pelos discos que o grupo lançou por todos esses anos (foi impossível ser frio o suficiente para não chegar às lágrimas durante a apresentação do acima citado “The Rock”, com o telão exibindo praticamente todos os eventos relevantes – no rock e fora dele – ocorridos nos últimos cinqüenta anos, culminando com o ataque às Torres Gêmeas em New York. Arrepiante…!). Minha maior surpresa enquanto eu via lá, in loco, a coisa toda (eu me beliscava, pois ainda não acreditava estar ali na frente deles – ou, pelo menos de metade deles, dada a falta dos falecidos John Entwistle e Keith Moon, da formação original) foi constatar que Daltrey e Townshend não se limitaram a fazer uma apresentação burocrática, mas interpretaram seu vasto legado com real gosto, se emocionando (principalmente o Pete), com tesão de tocar e cantar, e com um verdadeiro prazer de estar ali… Mesmo contando com um total de seis músicos contratados para segurar a apresentação (o John Entwistle, principalmente, faz uma puta falta; seu baixo era a espinha dorsal do conjunto) , muito do pique dessa tour atual, eu creio, deve-se ao baterista – aliás, uma atração à parte por aqui, devido à sua simpatia e seu alto astral – que há algum tempo o Who achou para substituir o venerável Keith Moon. Sim, Zak Starkey tem sido nesta tour (fora os dois membros originais, é claro) a grande atração da banda, não só por ser filho do grande Ringo Starr (o baterista dos Beatles, para quem não sabe) mas, principalmente, por ser afilhado do próprio Moon, membro original da banda. O que eu vi lá no estádio me deixou boquiaberto: o moleque (Moleque? Ele já passa dos cinqüenta anos de idade) não só honrou seu pai, mas fez jus à toda a performance ao mesmo tempo anárquica e precisa do seu padrinho, ainda por cima não se limitando a simplesmente copiá-lo, mas criando uma interpretação própria, com viradas e grooves que harmonizavam maravilhosamente com o todo da execução da banda e davam a energia necessária à performance.

Mas só depois de sair do Estádio, correndo para pegar em tempo o último trem do Metrô para casa, foi que a ficha caiu: Pete e Roger, apesar dos detratores que acham que eles já deveriam ter se aposentado, ainda estão na estrada não por mera teimosia ou para ganhar uns trocados extras. É verdade que, com uma obra igual a que eles construíram nos mais de cinqüenta anos de atividade eles praticamente não tem mais nada que acrescentar à história do Rock, e nem precisam provar nada a esta altura do campeonato, mas o que eles fazem hoje é alguma coisa parecida com uma missão: não deixar o Rock And Roll morrer e, de certa forma, ensinar às novas gerações o que a Música (com “M” maiúsculo) – e o Rock em particular – já foi um dia.

Eu, humildemente, agradeço aos céus por ter estado lá.

God save The Who!

 

(Valdir Angeli, 62, é publicitário e colecionador compulsivo de discos de rock, que compra há mais de quarenta anos. É um dos maiores especialistas na obra do The Who que o blog conhece)

 

SOBRE A ONDA ULTRA REACIONÁRIA E MORALISTA AVANÇANDO COM TUDO NESSE TRISTE BANANÃO TROPICAL

Nos últimos dias tomou proporções assustadoras a onde de histeria capitaneada pelo sórdido MBL (Movimento BOSTA Livre, como estas linhas bloggers gostam de chamar jocosamente a entidade comandada pelo jovem japira reacionário de direita e tristemente conhecido como Kim COCÔ) e por parte da atual sociedade brasileira, tomada por uma gigantesca onda de neo conservadorismo moral extremo. E um dos principais difusores dessa histeria, claro, é o TRIBUNAL SUMÁRIO de julgamentos morais e comportamentais no qual se transformou o FaceCU. Uma rede social onde se VOMITA merda demais, preconceito demais e que traduz melhor do que ninguém o AVANÇO algo já bastante ASSUSTADOR dessa onda neo conservadora ao extremo na sociedade brasileira. Ou, como resumiu muito bem o gênio gigante italiano Umberto Eco, pouco antes de ele morrer: “a internet deu voz a uma LEGIÃO de IDIOTAS”.

Estas linhas bloggers de cultura pop e comportamento observa com muita tristeza essa legião de idiotas e moralistas hipócritas se manifestando. Alguns deles inclusive e infelizmente AMIGOS zappers. E fica pensando: onde isso vai parar? O assunto da semana foi/é e continua sendo a exposição no MAM SP, onde uma mãe entrou com sua filha pequena e esta “interagiu” com um modelo que estava NU (fazia parte da performance do evento) na mostra. A “interação”, no caso, se resumiu a um toque da criança na PERNA do modelo nu, que estava simulando uma estátua, mas uma estátua viva, de carne e osso.

Foi e está sendo uma GRITARIA na web (nas redes sociais variadas) por conta dessa exposição. Capitaneando a grita está o japonês total reaça e IMBECIL e sem neurônios que é o Kim Cocô, que lidera o TORPE e ESCROTO MBL (Movimento BOSTA Livre). E não para por aí: também já houve ataque reaça contra o Itaú Cultural, na avenida Paulista em Sampa. A FolhaSP informou em matéria que uma petição online (já com 81 mil assinaturas) está pedindo o FECHAMENTO do MAM – pessoas pedindo aqui o FECHAMENTO DE UM MUSEU, um espaço CULTURAL quando, em países CIVILIZADOS (como França, Inglaterra e Japão, por exemplo), esses espaços são cada vez mais ampliados e disseminados pois têm total apoio da população e do poder público? Quais serão os próximos espaços culturais a serem atingidos? O MASP? O novíssimo (e, pelo que contam, sensacional) Instituto Moreira Salles? Já não bastou o SATÃder cancelar a exposição sobre diversidade de gêneros em Porto Alegre (com obras de, pasmem, gênios da arte brasileira reconhecidos no mundo inteiro, nomes como Lygia Clark, Cândido Portinari etc.)? E também um juiz PROIBIR uma peça teatral no SESC de Jundiaí apenas porque esta retratava Jesus como sendo um transexual (sendo que felizmente o SESC conseguiu derrubar o veto jurídico através de uma Liminar e a peça voltará a ser apresentada)? Onde tudo isso vai parar assim???

A exposição do MAM tinha aviso na entrada, deixando BEM CLARO que haveria NUDES lá dentro. Ou seja: na nossa opinião, VAI QUEM QUER (e ainda mais se estiver acompanhado/a de CRIANÇAS). Quem não quer ou se sente incomodado não entra, simples. É a forma mais JUSTA e DEMOCRÁTICA de se lidar com a questão. Toda forma de CENSURA é PÉSSIMA, ainda mais quando essa censura se volta contra a produção e manifestações artísticas em geral. Isso remete aos tempos mais HORRENDOS da história recente do Brasil, o período negro da ditadura militar e onde músicas, livros, discos, filmes e peças de teatro eram censuradas aos borbotões, e gigantes da nossa música como Gilberto Gil e Caetano Veloso tiveram que se exilar fora do país. De modos que qualquer pessoa com o mínimo de bom senso não quer isso NUNCA MAIS por aqui.

O autor destas linhas virtuais está lançando seu primeiro livro, “Escadaria para o inferno”, daqui a um mês. Ele está REPLETO de estórias de sexo, drogas, putarias, rocknroll, loucuras variadas. Será que vamos ter que colocar uma tarja nele com a recomendação de que sua leitura é DESACONSELHÁVEL para menores de 18 anos?

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Garota menor de idade interage com modelo vivo nu (acima) em performance puramente artística no MAM SP, semana passada (e sem nenhum traço de erotização no evento); abaixo a tropa reacionária de evangélicos fundamentalistas da extrema direita boçal que está ganhando cada vez mais espaço na sociedade brasileira mostra suas garras IMUNDAS, atacando a performance e o MAM. Está na hora de REAGIRMOS contra esse moralismo, preconceito e intolerância total bestial e babaca, certo?

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A Constituição brasileira (que, de resto, vive sendo RASGADA por todo mundo hoje em dia, do poder Executivo ao Judiciário, passando pelo Legislativo) de 1988, EXTINGUIU a censura no país, é bom que se saiba disso. Então qualquer forma de censura a qualquer manifestação artística já se configura como uma AFRONTA à carta magna do Brasil. Mas os neo conservadores (que entendem tanto de arte quanto este blog da vida sexual dos marcianos) estão se lixando pra isso, não é? Querem mesmo é tocar o terror moralista da idade das trevas adiante, como se todos aqui quisessem e precisassem viver novamente em pleno século XI, na Idade Média, onde bruxas eram QUEIMADAS VIVAS em público apenas por serem… bruxas.

O país está ficando tenso demais, perigoso demais, assustadoramente conservador demais. E o Brasil não era assim há 30 anos, nem de longe. E enquanto se grita aqui contra obras de arte, exposições etc, a exploração sexual infantil (isso sim algo deplorável e a ser combatido) corre solta e aumenta cada dia mais no país todo. A violência contra a mulher e a nação LGBT também aumenta cada dia mais pelo país afora. Idem a violência contra jovens pobres e negros. E não vemos NENHUM (vamos repetir: NENHUM) militante de direita reacionária ou evangélico fundamentalista ou a turma do MBL gritar ou protestar contra essas barbáries todas já tão institucionalizadas na raiz da cada vez mais bestial e boçal sociedade brasileira. Não é à toa que João Escória ganhou eleição em São Paulo, assim como o “bispo” Crivella se tornou prefeito do Rio. E é total sintomático e compreensível que um MONSTRO, OGRO e DONTE MENTAL TOTAL (em seu conservadorismo, machismo e moralismo extremo) como Jair BolsoNAZI esteja em segundo lugar nas intenções de voto para presidente em 2018, e que seja recebido aos gritos (como já foi visto em vídeos no YouTube) de “BolsoMITO” em vários locais por onde passa.

Pobre Brasil… que TRISTEZA temos (e vergonha também) desse país e da sua população, em pleno 2017, em plena era digital. Tempos muito sombrios se anunciam por aqui. Tempos de NAZISMO e FASCISMO social. E todo mundo sabe no que deu o nazismo na Alemanha, o fascismo na Itália e, apenas para ser mais contemporâneo, o que está dando o ESTADO ISLÂMICO no Oriente Médio atual. Não preciso dizer mais nada, certo? Portanto que a sociedade progressista e que ainda possui apreço pela liberdade de expressão RESISTA com toda a sua força possível a esse ataque brutal do neo conservadorismo e do moralismo hipócrita em território brasileiro. Caso contrário iremos mesmo direto para o fundo do poço, com uma possível ditadura MILITAR (e ainda por cima CRISTÃ) novamente ameaçando tomar o poder no país.

FORA REAÇAS E CARETAS! Zap’n’roll deseja apenas que vocês se calem e fiquem para sempre confinados em sua enorme e triste ignorância cultural, mental e existencial. E que deixe quem não quer participar dela em paz. Simples assim.

 

“Não viemos ao mundo para manifestar nossos PRECONCEITOS MORAIS”.

(Oscar Wilde/”O retrato de Dorian Gray”)

 

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FIM DE FESTA, UFA!

Maior mega post das últimas semanas hein! Leitura para vocês degustarem pelas próximas semanas sem parar, hihihi.

Mas tudo precisa acabar uma hora, não? Então paramos por aqui (finalmente, rsrs), mas prometendo voltar com novo post em breve, okays?

Até mais entonces!

 

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 6/10/2017 às 21:15hs.)

Em post especial sobre lançamentos de LIVROS dedicados à cultura pop e a música em geral (um mercado que, mesmo com a crise bravíssima que assola o triste bananão tropical, tem seu nicho de público e segue ativo), o blog zapper fala de alguns títulos que chegaram há pouco às livrarias; e também anuncia (finalmente e oficialmente!) orgulhosamente o lançamento de “Escadaria para o inferno”, o volume escrito pelo jornalista eternamente rocker/loker (esse aqui mesmo, autor destas linhas poppers online, ulalá!) e que sai do forno em novembro! Mais: como foi o showzaço do The Who (já a gig internacional de 2017 no Brasil?) em Sampa, pela ótica não jornalística e sim de um FÃ da banda, em texto especial para este espaço rock virtual, o line up do Lollapalooza BR 2018 e mais isso e aquilo tudo que você sempre encontra por aqui! (postão em SUPER CONSTRUÇÃO, claaaaarooooo! Com esta primeira parte entrando no ar pra falar EXCLUSIVAMENTE do lançamento do livro total rocker do zapper eternamente loker!)

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Escadaria-para-o-Inferno

Três anos após estar pronto e depois de passar por três editoras que queriam mexer em seu conteúdo, o livro “Escadaria para o inferno”, primeiro texto literário escrito pelo jornalista zapper eternamente rocker, locker e gonzo (abaixo), sai finalmente em novembro vindouro, com festa de lançamento dia 25 daquele mês na Sensorial Discos/SP

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Era pra ser um novo POSTÃO, aquele que iria entrar HOJE no ar, aqui no nosso já mega longevo (14 anos na web BR!) espaço rocker online. Mas a emoção é tanta nesse momento e está tão difícil segurar a mesma que, sim, esse postão irá chegar aqui já no comecinho da próxima semana (falando como sempre de assuntos bacanudos, como o mercado editorial de livros sobre música e que continua resistindo à crise, comentários sobre o line up do Lollapalooza BR 2018 e mais uma renca de paradas sempre total dignas da leitura do nosso dileto leitorado). Promessa de zapper sempre rocker e ainda algo loker.

 

Mas então vamos aqui ao que interessa: sem muitas legendas ou TEXTÃO nesse post, já que o melhor é deixar as IMAGENS falarem por si.

 

Apenas acrescentamos que este livro está pronto há quase 3 anos. Passou por três editoras que não o compreenderam em sua essência e queriam mudar essa essência. E agora finalmente ele encontrou seu LAR ideal, e que entendeu de fato e de verdade que uma “escadaria para o inferno” pode levar a um compêndio de estórias sensacionais, e que resgatam uma trajetória de vida junkie, louca, alucinada e muitas vezes incrível ou quase trágica.

Escadaria-para-o-Inferno

 

Bem-vindo NOSSO SEGUNDO FILHO (o primeiro já fizemos, há 26 anos)!

 

E pra galera não esquecer: lançamento (com noite de autógrafos) em 25 de novembro, sábado, a partir das 8 da noite, na Sensorial Discos/SP (rua Augusta, 2389, Jardins). Com shows bacanudos de Psychotria, Jonnata Doll & Os Garotos Solventes (set acústico) e Jenni Sex, além de DJs set igualmente fodonas dos super DJs André Pomba e Vanessa Porto.

 

E para todos aqueles que vivem uma existência total ROCKNROLL, este Finaski e seu livro saúdam vocês!

 

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“Escadaria para o inferno”, escrito por Humberto Finatti, é um lançamento da editora Kazuá. A qualquer momento o livro estará em pré venda no site da editora, em http://editorakazua.com.br/.

 

XXX

 

Pronto, fakes merdões e cuzões do inferno, losers lambe bagos do “pobreloader” LR, podem se MATAR de ódio e vir aqui encher o saco na covardia total, no painel do leitor do nosso “humirde” blog. Finaski deixa, ahahahaha. Chupa, bando de otários!

 

(enviado por Finatti às 17:30hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL E MONSTRUOSA, UHÚ! Com a abertura do Rock In Rio 2017, mostrando os novos discos do The National e The Cult, falando de grandes perdas essa semana para o rock’n’roll e mostrando mais fotos incríveis da tesudíssima e gatíssima musa rocker Flávia Dias! – Depois de quatro anos longe dos estúdios o Queens Of The Stone Age volta GIGANTE com seu novo álbum inédito, se mantendo como uma das pouquíssimas bandas relevantes no rock mundial dos anos 2000’; tem musa rocker gostosíssima esta semana? Claaaaaro: novamente atendendo a pedidos, oferecemos ao nosso distinto e dileto leitorado macho (cado) uma nova batelada de imagens tesudíssimas da gatíssima Flavinha, um demônio em forma de sereia que ama poesia beat e loucuras variadas; e mais isso e aquilo tudo que você só encontra mesmo aqui, no espaço de cultura pop mais legal da web BR há catorze anos! (postão AMPLIADÃO e finalmente total concluído, em 15/9/2017)

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Com discaço novo que acaba de sair o americano Queens Of The Stone Age (acima) mostra mais uma vez que continua sendo uma das únicas bandas do rock mundial que vale a pena dos anos 2000’pra cá; e mesmo com o nosso miserável bananão tropical totalmente afundado na lama, um setor da cultura pop se mantém mais ativo do que nunca e lançando bons títulos: é o mercado editorial voltado a livros sobre musica e biografias em geral, como a do saudoso e genial cantor Belchior, cujo volume teve noite de autógrafos essa semana em Sampa (abaixo, com Zapnroll dando um abraço no seu amigo Jotabê Medeiros, jornalista e amigo zapper há quase trinta anos)

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MAIS MICROFONIA

(com Rock In Rio começando SEM Lady Gaga, a mais nova “flechada” de Janot contra o conde Drácula golpista, o mais recente e bom disco do velho Cult, a morte de um baterista gigante da história do rock e também de uma jovem e gatinha cantora indie rocker americana,  e mais isso e aquilo tudo)

 

***Entonces, conforme prometido (aqui se promete e se cumpre, uia! Rsrs), entrando agora no ar, já no final da sextona, 15 de setembro, a ampliação gigante desse post zapper. E como ele finalizamos os trabalhos aqui também, ao menos por enquanto néan. Mas caaaaalma que ainda tem mais notinhas aí embaixo e os complementos todos. Inclusive falando do Rock In Rio 2017, que começa hoje na cidade Marabichosa. Vai lendo aí embaixo e divirta-se!

 

***Rodrigo Janot está se despedindo da PGR. Mas ontem ainda teve tempo pra disparar a nova denúncia (“enquanto houver BAMBU lá vai FLECHA!”) criminal contra o MAIOR BANDIDO que já existiu na história da política brasileira: ele mesmo, esse velho desgraçado e imundo, esse conde Drácula do Planalto chamado Michel Temer. Claro que todos nós sabemos que esse filho da puta vai novamente ter sua pele salva pela Câmara dos Deputados em Brasília, tão corrupta e imunda quanto ele. E teremos que agüentar esse LIXO humano e político até o final de 2018. O consolo que nos resta é que esse VERME sairá da presidência do Brasil mais imundo do que pau de galinheiro. E se houver justiça aqui, depois que ele deixar a presidência vai passar alguns anos MOFANDO na cadeia, onde é o seu merecido lugar.

 

***A grata surpresa desta semana que está chegando ao foi… o último cd do The Cult, que toca na primeira noite do festival SP Trip, no próximo dia 21 de setembro, abrindo pro gigante The Who. O álbum se chama “Hidden City”e já saiu há mais de um ano – foi lançado em fevereiro de 2016. O site zapper ainda não tinha escutado o dito cujo, assume. Aliás não ouvíamos Cult há séculos na verdade. Mas como a banda está vindo aí e pretendemos estar lá na noite em que eles vão tocar (pedimos credenciamento e se rolar ótimo, porque grana pra pagar o ingresso sem chance; e se conseguirmos ir vai ser mesmo por causa do Who, óbvio), resolvemos ver a quantas eles andam e fomos matar nossa curiosidade em relação ao último trabalho deles de estúdio. Sendo que Zapnroll não esperava mais nada do grupo já há muitos anos. Vejam bem: os vimos no auge ao vivo quando estiveram pela primeira vez no Brasil, em 1991. Era a turnê do “Sonic Temple” (que eles haviam lançado em 1989), Finaski trampava na revista IstoÉ, estava casado e foi no único show que eles fizeram então por aqui, no ginásio do Ibirapuera, em Sampa. Que lotou, claro (15 mil malucos lá dentro). E foi uma gig inesquecível. Depois o conjunto começou a descer a ladeira, tanto em disco quanto ao vivo. Se não for engano assistimos a turma mais duas vezes e aí então largamos mão deles. Foi em 1994 (no finado Olympia), onde a performance já não foi lá nenhum primor, longe disso inclusive. E depois em 1999’, numa festa de aniversário da 89fm (ah, aquela noite… o sujeito aqui era apaixonado pela linda Ana Cristina B., que foi ao show com ele e CHUPOU O PINTO do jornalista rapidamente no back stage, num momento em que fomos nele… saudades dessa puta inigualável, com quem o então trintão jornalista teria se casado…), e onde a banda se mostrou horrível no palco. Depois eles ainda voltaram pra cá em 2006, 2011 e 2013, é isso mesmo produção? Se estivermos equivocados, plis, podem nos corrigir. Nunca mais fizemos questão de vê-los ao vivo. Mesmo porque os discos que também foram lançando se tornaram irrelevantes, daqueles que ninguém viu nem ouviu. Mas este “Hidden City” muda UM POUCO o contexto da parada. Guarda pouca similitude com os imbatíveis “Love” (de 1985) e “Electric” (de 1987) que sim, ficaram algo datados já musicalmente falando, mas que permanecem como dois clássicos do pós-punk inglês dos anos 80’. Enfim, a sonoridade atual está hard rock, e algo sombria e melancólica nas ambiências e nas melodias. Ouvimos apenas uma vez e de cara já simpatizamos com “Dark Energy” (que abre bem o disco), “No Love Lost” (mezzo pós-punk e sombria na sua condução), “Birds Of Paradise” e “Sound and Fury”, que fecha tudo com pianos e guitarras agônicas, em clima de final dos tempos. E sim, notamos uma queda na qualidade das músicas na segunda metade do álbum mas ainda assim, para um grupo que está há mais de 30 anos na estrada e cujos integrantes principais (o vocalista Ian Astbury e o guitarrista Billy Duffy) estão com 55 e 56 anos nas costas, não dá pra reclamar. Fora que Ian continua mantendo bom vocal. E Billy sempre foi um puta guitarrista. De modos que essa porra poderá render bem ao vivo, no final das contas. É o que pretendemos e esperamos conseguir conferir e saber no próximo dia 21 de setembro. E sendo que você conferir o novo disco do velho Cult na íntegra aí embaixo.

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A dupla eterna do velho Cult (Ian Astbury e Billy Duffy, acima) e seu novo disco (abaixo): o grupo continua em forma

 

***E quem também lançou novo discão após quatro anos longe dos estúdios foi o sempre lindo e incrível The National. “Sleep Well Beast”, a nova e belíssima obra sônica de Matt Berninger, foi lançado oficialmente no último dia 8 de setembro e estas linhas virtuais ainda estão, hã, degustando o dito cujo. Sendo que em breve faremos uma análise detalhada dele por aqui, mas você já pode escutar o discão aí embaixo, na íntegra.

 

***Uma das mais queridas amigas zappers, a DJ Silmara Oliveira, faz niver semana que vem. E vai comemorar como gosta e da melhor forma possível, fazendo o que ela faz mega super bem: animando a pista como DJ convidada da festona que pretende reviver os dias de gloria do Anny44, que foi um dos clubs rockers mais legais de Sampa nos anos 80’. Vai rolar muito gothic sound e anos 80’, claaaaaro. E Zapnroll já confirmou presença, pra dar um beijão na Sil, reencontrar velhos amigos e também por saber que vai ser uma noitada bacaníssima. Interessou? Tudo sobre a festa aqui: https://www.facebook.com/events/1443940582357044/?acontext=%7B%22ref%22%3A%223%22%2C%22ref_newsfeed_story_type%22%3A%22regular%22%2C%22action_history%22%3A%22null%22%7D&pnref=story

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Silmara Oliveira, querida amiga zapper e uma das ótimas djs da cena alternativa paulistana, toca semana que vem em festa na Vila Madalena

 

*** AMOR E CARINHO ETERNO PARA OS QUE SE FORAM ESSA SEMANA – Yep. A morte de alguém ainda choca e entristece bastante estas linhas rockers bloggers. Ainda mais quando ela leva pessoas que admiramos mesmo sem ter conhecido pessoalmente, mesmo que distantes de nós e do nosso mundo. Pessoas com as quais sentimos algum tipo de identificação, afinidade cultural, comportamental, musical etc. E choca ainda mais quando nos damos conta de que era alguém ainda muito jovem, cheia de vida, fazendo bom rock, boa arte e contribuindo de alguma forma para que o mundo e a raça humana sejam menos escrotos do que estão sendo nos dias que correm. Então essa semana perdemos dois na batalha contra o câncer (sendo que Zapnroll também já teve o seu), no rock americano. Um deles o grande Grant Hart, baterista e fundador do gigante e essencial Husker Du. A outra, essa lindinha aí na foto com a banda onde ela cantava, o Those Darlins. Jessi Zazu tinha apenas 28 anos. Cantava bem e a banda era bacana, uma das bem legais da cena americana alternativa dos anos 2000’. É isso. Desse mundo selvagem ninguém nunca sairá vivo mesmo. Já Grant Hart se foi jovem ainda. 56 anos. Fundador e baterista de uma BANDA FUNDAMENTAL da história de todo o rock’n’roll. Sem eles (sendo que tivemos em vinil os ESSENCIAIS “Candy Apple Grey” e “Warehouse – songs & histories”, há 30 anos) não teria existido Pixies. E sem Pixies não teria havido Nirvana, uma das cinco bandas da nossa vida (pra sempre!) e o último grupo que valeu a pena nessa porra de rocknroll. Rip, Grant Hart e Jessi Zazu. Se houver alguma outra estação por aí, além dessa desgraça chamada Planeta Terra, esperamos reencontrar vocês um dia nela, e trocarmos uma idéia e fazer um som.

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Jessi Zazu (acima, à frente dos Those Darlins) e Grant Hart (abaixo, um dos fundadores do seminal trio americano Husker Du): ambos nos deixaram essa semana, derrubados pelo câncer

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***Entonces é isso. Microfonia parando por aqui. Agora segue lendo o postão que tem muuuuuita info nele, ainda com a “engordada” que foi dada na parada, beleusma? Então vamos Nelson!

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, a política, discos, filmes, shows, comportamento etc.)

 

***Notinhas da “Microfonia” em construção. A primeira parte do post do site zapper está entrando no ar na véspera do feriadão em si, de modos que iremos alimentando isso aqui ao longo da próxima semana e sempre que um assunto relevante merecer nossa atenção na cultura pop e na cena rocker alternativa.

 

***E já que estamos falando em feriadón, tem muita gente que vai ficar em Sampa durante o mesmo. É o seu caso? Então tem baladona bacanuda na sextona em si pra ir: mais uma edição do já bombado Bailindie da saudade. Que desta vez vai rolar lá na Vila Madalena. Os detalhes e todas as infos sobre ele estão aqui: https://www.facebook.com/events/2107541696156504/.

 

Já se você prefere curtir um rock’n’roll no meio do mato, dentro da natureza e tals, também sem problema. O sempre incrível Simplão Rock Bar (que fica numa chácara, em Paranapiacaba), da nossa eternamente mui amada Cris Doidona, abriga a partir de HOJE a sexta edição do festival “Independência e Rock”. Vai ter uma renca de bandas legais (entre elas os queridos do Betty57) e rola até domingo, sendo que as infos todas sobre a festona na floresta você acessa aqui: https://www.facebook.com/events/121775775134074/?acontext=%7B%22ref%22%3A%2229%22%2C%22ref_notif_type%22%3A%22plan_reminder%22%2C%22action_history%22%3A%22null%22%7D&notif_t=plan_reminder&notif_id=1504735183380872.

 

***E por enquanto é isso, povo. Mas após o feriadão em si fiquem atentos que mais infos irão aparecer aqui no Microfonia, que por hora encerra com a IMAGEM aí embaixo desta semana. Claaaaaro, os R$ 51 milhões do Geddel, muito bem abrigados na nova sede da Casa da Moeda. Onde? Ora, em Salvador, Bahia, MEU REI! Hihihi.

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COMEÇA MAIS UM ROCK IN RIO, QUE MOSTRA COMO UM DOS MAIORES FESTIVAIS DO MUNDO REFLETE SEU TEMPO E COMO ELE NÃO TEM MAIS QUASE NADA A VER COM… ROCK

São onze da noite da sexta, 15 de setembro de 2017 (quando este postão zapper está finalmente sendo ampliado e finalizado). Dia da abertura de mais uma edição do Rock In Rio, hoje um dos maiores festivais de música (e não apenas de rock) do mundo e marca empresarial mais do que consolidada.

Zapnroll está nele, vai nele? Nope, vai acompanhar o que for possível “do sofá” mesmo, no conforto do seu lar. Mesmo porque o que queremos realmente ver ao vivo estará aqui mesmo em Sampa, semana que vem.

Este espaço rocker no entanto teria um livro pra escrever aqui sobre o festival, sobre o RIR de ontem e de hoje e sobre o que ele significou para a cultura pop brasileira. Ao invés disso vamos resumir toda a parada deste tópico nesse excelente texto algo memorialista que o querido chapa André Forastieri publicou em sua página no Faceboquete. E complementamos com a nossa própria visão do evento, na reposta que demos nos comentários desse mesmo post do Forasta. Os dois textos seguem abaixo, tal como foram redigidos no FB. Com certeza trarão ótima leitura e uma ótima visão ao nosso dileto leitorado, sobre o que foi ou é atuamente o festival criado há trinta e dois anos por Bob Medina.

 

De André Forastieri:

Eu tinha 19 anos e estava sozinho no ônibus Copacabana-Cidade do Rock, com o coração na boca. Meu primeiro dia no Rio de Janeiro. Meu primeiro dia de Rock In Rio.

Já morava sozinho em São Paulo há dois anos, mas tive que pedir aprovação para os meus pais mesmo assim. Eu não tinha grana para ir, só estudava. Não encrencaram, ajudaram. Descolaram até um lugar para eu ficar hospedado.

Moleza total. Noite no barrão do festival, dia num mega-apê lotado de obras de arte e livros louquíssimos do Umberto, meu primo cardiologista society, marchand, descoladésimo, que mal vi enquanto estava lá. Morreu jovem, como muita gente boa naqueles 80 e 90.

Umberto trabalhava e badalava como um louco, jantava fora todo dia. A geladeira dele só tinha guaraná e iogurte de morango. Vivi de sanduba na rua meus dias de Rock In Rio. E salada de frango do Bob’s e Malt 90 de noite.

O engraçado é que eu não armei a viagem com ninguém, mesmo sabendo de alguns conhecidos que iam. Não lembro por que foi assim. Encontrei lá, que eu me lembre, dois colegas de colegial, Paulo Cabral – colega jornalista – e Viviane Zveiter, minha amiga de infância.

Foi a última vez que vi Viviane – quer dizer, até 2008, aniversário de 25 anos de formatura do colegial. Ela estava igualzinha. Eu, 25 quilos mais pesado. Hope I die before I get old, indeed…

A ironia é que em 85 meu negócio era punk e new wave fazia séculos, e eu estava me sentindo um pouco traído com New Wave ter virado gel com glitter para cabelo. Que ondinha é essa de B-52’s, Legal Tender? Eu era fã dos caras desde 1980!

Fiquei mais chateado ainda porque os artistas que eu mais gostava, o próprio B-52’s, Go-Go’s, Nina Hagen e tal, fizeram umas porcarias de show. Os brasileirinhos, coitados, mal a gente escutava, Paralamas, Kid Abelha, Blitz. O Rock In Rio foi dos dinossauros: Queen, AC/DC, Whitesnake, Yes, Iron Maiden.

Eles é que sabiam tocar em descampados com uma acústica de pesadelo. Fui lá pra implicar com a velharada. Não era e nunca fui metaleiro. Mas tive que me render. Me converti ao AC/DC, que achava coisa pra jacu, lá mesmo.

Até hoje cravo sem dúvida nenhuma: o melhor show do festival foi o Queen. Só estando lá para ver. Outro que aquela maldita praga levou, Freddie Mercury.

O Rock In Rio, de uma maneira esquisita, foi o Woodstock do Brasil: rock, amor e lama, um divisor de águas geracional. Não tínhamos voto direto para presidente, mas pelo menos a gente estava livre dos generais. Chega de mau humor. Chega de tromba. Chega de patrulha ideológica. Chega de Fagner, Gonzaguinha, Simone, chororô. Let’s rock!

Não arrumei uma namorada lá, mas tentei bastante. Me atolei no gramado e nos lagos de esgoto que se formavam nos banheiros. Meus tênis viraram blocos de barro. Voltei do Rio de havaianas (com meia! estava frio!), cheguei uma da matina. Dormi na rodoviária de SP, para pegar o primeiro ônibus para Piracicaba sete da manhã. Eu tinha me transformado em outro cara.

Foi bom, tudo foi lindo, foi uma aventura. Sem risco, mas para minha parca experiência da época, uma aventura mesmo assim. Perto das maluquices que conhecidos fizeram, tive um festival de playboy total. O mano Paulo César Martin, o Paulão do Garagem, fritou o braço com o óleo da batata frita e foi enfaixado ver o Ozzy!

O Rock In Rio teve consequências diretas na minha vida. Porque durante o festival, foi realizada uma pesquisa com o público sobre a viabilidade de uma revista sobre rock no Brasil. Em termos de leitores, de anunciantes e tal.

Foi com base nesses resultados que ela foi lançada no Brasil alguns meses depois: Bizz. Ideia de executivos e jornalistas roqueiros, que xavecaram os chefões na Abril. Hei, Carlos Arruda, aquele abraço!

Seis anos depois, eu era editor da Bizz, cabeludo, e passei o Rock In Rio 2 inteiro instalado numa suíte do Copacabana Palace. Dormia de dia, dividia a piscina com o George Michael à tarde, enfiava o pé na jaca noite adentro, nos shows, nas salas Vip das gravadoras e num after que não acabava nunca. Meus dias de rockstar. Dava autógrafo na rua, juro.

Em 2001, voltei for fun, com grandes amigos, para um final de semana regado a REM e Guns N’Roses. Fiquei feliz de ter ido. E nunca mais voltei.

Agora tem outro Rock In Rio. E parece menos legal do que o meu primeiro, porque não tem bandas com cheiro de novidade. Isso ficou para outros festivais, grandes como o Lollapalloza, do tamanho certo como o Popload. Mas também parece mais legal, porque tem eventos paralelos sensacionais, como o GameXP, uma espécie de filial da Comic Con Experience no meio do Rock in Rio, recheada de jogatina, gibi e companhia.

Duvido que voltarei um dia ao Rock in Rio. Festival requer energia jovem. Só se for com meu moleque, que começa a gostar de rock, e rock velho. O ingresso para o Deep Purple está comprado.

E o do São Paulo Trip também. Anotem aí, jovenzinhos: hope you get old before you die. Te vejo no show do The Who!

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O gigante e ultra clássico The Who: pela primeira vez no Brasil e a MELHOR e PRINCIPAL atração do Rock In Rio 2017

 

De Zapnroll:

De volta ao passado total agora. Também estive naquela lama toda e nunca mais esqueci. Eu tinha 22 anos de idade e fui nos três últimos dias, depois de encher muito o saco da minha saudosa mama Janet, que bancou toda a operação. Queen na sexta foi INESQUECÍVEL (já tinha sido 4 anos antes aqui em SP mesmo, no estádio do Morumbi, meu segundo show internacional; o primeiro foi, imagine, o Genesis em 1977 no ginásio do Ibirapuera, quando eu tinha 14 anos de idade e fui com a mana mais velha, a Jaque). Eu também não era fã de heavy MERDAL (nunca fui) mas era o que tinha pro sábado (penúltimo dia) e fiquei sem voz depois de tanto berrar no show do AC/DC, que realmente foi fodástico. Domingo, último dia, fui sem voz pra cidade do rock (ou pra lama do rock, rsrs). Vi Yes, Barão Vermelho e foi aquilo.

 

Quando rolou o segundo RIR, em 1991 (no Maracanã) eu já era jornalista (estava trabalhando na editoria de cultura da IstoÉ desde 1988) como você. E tal qual o Sr também me esbaldei na área vip, onde só entravam jornalistas e convidados e artistas, claro. Inclusive me lembro que apenas a “tenda” da gravadora Warner estava lotada e badalada – as outras estavam às moscas, rsrs. Logo descobri por que: havia um open bar (opa!) ali com salgadinhos e CAIXAS E CAIXAS com garrafas de whisky Logan (o whisky da moda então, por causa do Collor, uia!) que eram abertos na nossa frente e os atendentes enchiam nossos copos sem pudor ou culpa alguma. Depois do segundo copo cheio até a boca comecei a ficar com o cérebro ébrio e mergulhado em nevoas e brumas de álcool e achei que era melhor dar um gole desse meu copo cheio pro Supla, ahahahaha. Dali a pouco chegou do meu lado o queridão Guto Goffi (já éramos chegados naquela época, e ele era como sempre foi o batera gente finíssima do Barão Vermelho), me AGARROU pela cintura (ele é alto pra porra) e me tirou do chão, gritando “Finaaaaaaattiiiiiii!”. E eu algo bêbado pedindo: “me coloca no chão, porra!”. Depois da bebedeira desci pro gramado do estádio, pra ver o show do Guns N`Shit. Achei uma porcaria (com exceção do momento em que eles tocaram a ótima “Civil War”, que sempre gostei), ainda mais que pouco antes o Faith No More tinha causado comoção com seu set. E fim.

 

Voltei no Rock In Rio em 2001, na noite que teve Beck, Foo Fighters e REM. Aí já não tinha mais lama, já havia telões, eu continuava no jornalismo musical (que como bem e sempre frisa mestre Luis Antonio Giron, morreu na era da web, junto com todo o jornalismo de cultura pop no final das contas), escrevendo para a (imaginem) revistona da rádio Transamérica. E lá fui eu pra ver principalmente a turma de Michel Stipe, eternamente uma das 5 bandas da minha vida. E fui bem LOKO pra aquela noite do RIR, rsrs. Namorava com uma gostosa e loka arquiteta de 24 anos de idade, que AMAVA chapar a cabeça com ácido, ahahahaha. Ela então levou 2 “doces” pra tomarmos durante os shows. Fora que “apertou” uma tora gigante de marijuana pra fumarmos também. Então fumamos o beck e tomamos os doces, cada um o seu, no intervalo do show do Foo Fighters pro REM. Na metade da gig da banda do Michael, do Peter Buck e do Mike Mills (e mais alguns músicos convidados) o “negócio” começou a bater. A cor vermelha do camisão do Michael, reproduzida em tamanho gigante no telão, estourava na minha cara. E de repente eu comecei a ver aqueles cones gigantes da Aol (lembra, Forasta? Ela era uma das patrocinadoras do festival), que tinham ao lado do palco começarem a AVANÇAR na minha direção, e achei que ia ser DEVORADO por eles, ahahahaha. Tudo acabou com eu e a girlfriend estirados no chão, olhando pro céu (que estava limpo e cheio de estrelas) e felizes como dois pintos na chuva.

 

Assim como você nunca mais voltei no RIR. E acho que nem vou mais. Não dá pra negar que o festival se tornou um dos maiores do mundo e mega se profissionalizou. Assim como não dá pra negar que inovações como o espaço gigante para games é total bem vindo e sintonizado com a época atual. Mas… e a MÚSICA em si? E a PROGRAMAÇÃO MUSICAL? Essa já era né. Basta conferir toda a grade de atrações. Dá pra separar nos dedos o que tem de realmente importante pra se ver ali (eu contei e separei Céu com Boogarins, Naçäo Zumbi com Ney Matogrosso, The Kills e The Who, e acho que só. Sendo que Kills e Who também tocam semana que vem aqui mesmo em Sampa e espero conseguir ir aos shows). Mas no final das contas o que importa isso, não é mesmo? Quase ninguém mais vai ao RIR pela música, como já bem frisou nosso prezado André Barcinski. O grosso do público quer ir mesmo na roda gigante, na tirolesa, tirar selfie adoidado, comer, paquerar, ver, ser visto e FODA-SE o que ta rolando no palco. São os tempos da música e da cultura pop em 2017, na era cibernética. O romantismo e a poesia que havia nessa história ficaram lá atrás, há 32 anos, embalsamados para sempre na lama do primeiro e inesquecível Rock In Rio. É isso.

 

Valeu pelas lembranças, Forasta. Pelas suas e por trazer à tona as minhas também.

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A entrada principal do primeiro Rock In Rio, em janeiro de 1985: a poesia e o romantismo que existiam no festival ficou lá atrás, embalsamada na lama do tempo

 

A PROGRAMAÇÃO DO ROCK IN RIO 2017

15 de setembro (sexta)

Palco Mundo

19h – Ivete Sangalo

21h – Pet Shop Boys

22h35 – 5 Seconds of Summer

0h25 – Lady Gaga (headliner)

 

Palco Sunset

16h30 – Céu e Boogarins

 

16 de setembro (sábado)

Palco Mundo

19h – Skank

21h – Shawn Mendes

22h35 – Fergie

0h25 – Maroon 5 (headliner)

 

Palco Sunset

16h30 – Blitz & Alice Caymmi & Davi Moraes

18h – Charles Bradley & His Extraordinaires

20h – Miguel e Emicida

 

17 de setembro (domingo)

Palco Mundo

19h – Frejat

21h – WALK THE MOON

22h35 – Alicia Keys

0h25 – Justin Timberlake (headliner)

 

Palco Sunset

18h – Maria Rita e Melody Gardot

20h – Nile Rodgers & Chic

 

21 de setembro (quinta)

Palco Mundo

19h – Scalene

21h – Fall Out Boy

22h35 – Def Leppard

0h25 – Aerosmith (headliner)

 

Palco Sunset

16h30 – The Pretty Reckless

18h – The Kills

20h – Alice Cooper & Arthur Brown

 

22 de setembro (sexta)

Palco Mundo

19h – Jota Quest

21h – Alter Bridge

22h35 – Tears for Fears

0h25 – Bon Jovi (headliner)

 

Palco Sunset

20h – Ney Matogrosso & Nação Zumbi

 

23 de setembro (sábado)

Palco Mundo

19h – Titãs

21h – Incubus

22h35 – The Who (headliner)

0h25 – Guns n’ Roses (headliner)

 

Palco Sunset

18h – Bomba Estéreo & Karol Conka

20h – Cee Lo Green & IZA

 

24 de setembro (domingo)

Palco Mundo

19h – Capital Inicial

21h – The Offspring

22h35 – Thirty Seconds to Mars

0h25 – Red Hot Chili Peppers (headliner)

 

Palco Sunset

15h05 – Ego Kill Talent

16h30 – Dr. Pheabes e Supla

18h – Republica

20h – Sepultura

 

 

HÁ MAIS DE VINTE ANOS NA ESTRADA O QUEENS OF THE STONE AGE RESSURGE FODÃO COM DISCO INÉDITO, E MOSTRA QUE AINDA É A GRANDE BANDA ROCKER DOS ANOS 2000’

Talvez a última (e melhor) grande banda de rock ainda em atividade de 2000’pra cá, o americano Queens Of The Stone Age provocou comoção no mondo pop com o lançamento no último dia 25 de agosto de seu novo álbum de estúdio, “Villains”, que inclusive já deve estar ganhando edição física nacional – na web ele já está total disponível para audição nos Spotify espalhados pela rede. É o sétimo trabalho inédito da turma liderada pelo genial guitarrista, vocalista e letrista Josh Homme e que surge após o grupo passar bons quatro anos longe dos estúdios de gravação. E como de hábito na trajetória musical deles o disco já chegou causando barulho (o que era inevitável, em se tratando de QOTSA) e despertando as mais diversas reações entre os fãs e ouvintes em geral: a maioria, como sempre, amou o novo esporro sônico das Rainhas da idade da pedra. Mas também teve quem torcesse o nariz, achando a nova coleção de canções fracas, repetitivas, mais do mesmo e… pop e dançantes em demasia. Hã?

Quem não gostou da nova obra rocker de Homme e Cia e achou o cd “pop” e dançante demais, por certo está ruim do ouvido, mezzo surdo e deve ter implicado com o fato de o grupo ter convocado para pilotar a produção do álbum ninguém menos do que Mark Ronson. Ele mesmo, o produtor, músico e DJ inglês que transformou a saudosa Amy Winehouse em superstar quando meteu a mão na direção musical do hoje clássico (e excelente, musicalmente falando) “Back To Black”, o segundo rebento sonoro de Amy e que vendeu milhões de cópias e a deixou milionária. Muita gente do rock torce o nariz para o trabalho de Ronson por considerá-lo pop e radiofônico em excesso, muito pelo seu envolvimento em trabalhos de nomes como Lady Gaga, Adele, Lily Allen ou Bruno Mars. No entanto Mark se tornou uma celebridade na música planetária de anos pra cá justamente por trafegar com desenvoltura tanto na seara mais pop quanto no rock mais ortodoxo, o que lhe garantiu reconhecimento crítico e prestigio junto aos músicos. Hoje seu nome se tornou praticamente uma grife e sinônimo/garantia de que o trabalho produzido por ele irá se tornar sucesso junto à mídia e ao público.

E não deverá ser diferente com este “Villains”, do QOTSA. Óbvio que o mérito maior de o disco ter saído mais uma vez no capricho e com a qualidade de sempre é mesmo da própria banda. Mas de fato Ronson deu uma bem vinda e providencial oxigenada e “swingada” nas melodias e na seção rítmica do grupo, o que fica bastante evidente em (por exemplo) “The Way You Used To Do”, o primeiro single de trabalho do novo cd. Porém as guitarras porradas, por vezes chapadas e mezzo psicodélicas que constroem a já famosa ambiência “stoner” do som do conjunto continuam lá, espalhadas por todo o disco. Sendo que elas literalmente destroem o nosso sistema auditivo em “Domesticated Animals”, em “Head Like A Haunted House” ou ainda em “Un-Reborn Again”. Além disso também chama a atenção a textura sombria, quase goth, que permeia faixas como “Fortress” (possivelmente o ponto alto de um ótimo álbum) e “Villains Of Circumstance”, que fecha de maneira bastante impactante e agônica um disco que felizmente é bastante conciso (nove músicas em menos de cinqüenta minutos), uma raridade nos tempos atuais onde artistas gravam e lançam tranqueiras insuportáveis que enchem o saco e nossos ouvidos muitas vezes por mais de uma hora seguida.

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O novo discaço do QOTSA: já na lista dos melhores de 2017

Yep, “Villains” é um grande disco – e já está indo para a lista dos melhores de 2017 do site zapper, que aliás ainda tem bem poucos títulos na concorrência. Se considerarmos que a banda já tem mais de duas décadas de existência (sendo que ela está finalmente conseguindo manter um line up fixo há um bom par de anos já e contando com, entre outros, o guitarrista Troy Van Leeuwen e o tecladista Dean Fertita) e que Josh Homme (que está com a inflexão vocal melhor do que nunca, com seu mezzo falsete quase sempre contido modulando-se com perfeição às melodias de cada faixa) está com quarenta e quatro anos de idade, não é difícil chegar a conclusão de que o QOTSA ainda dá um pau em 90% das bandinhas medíocres atuais, todas elas chafurdadas em um roquinho irrelevante e que já está na UTI (respirando por aparelhos) há tempos. E nem seria o caso de comparar o novo trabalho com discaços do início da carreira deles, como “Rated R” ou “Songs For The Deaf”, pois vai ter gente chata dizendo que “aquilo sim era STONER ROCK fodão”. De fato era. E mesmo sendo, o grupo já naquela época adicionava esse tempero algo dançante nas suas melodias. De resto, algum problema ou demérito em dar uma atualizada na sonoridade do conjunto sem no entanto descaracterizá-lo e torná-lo superficial? Nenhum, no entender destas linhas rockers online.

Pois que o Queens Of The Stone Age continue fodástico assim por muito tempo ainda. E nunca é demais lembrar: a turma, que já fez grandes gigs por aqui, volta ao Brasil no começo de 2018, junto com os Foo Fighters. Que venham. Serão muito bem recebidos por todos nós, seus fãs leais e incondicionais.

 

***a maioria da rock press gringa recebeu muito bem “Villains”, como mostram as cotações dadas ao álbum pelo Consequence Of Sound, pelo Guardian e pela Rolling Stone americana.

 

O TRACK LIST DO NOVO DISCO DO QOTSA

  1. “Feet Don’t Fail Me”
  2. “The Way You Used to Do”
  3. “Domesticated Animals”
  4. “Fortress”
  5. “Head Like a Haunted House”
  6. “Un-Reborn Again”
  7. “Hideaway”
  8. “The Evil Has Landed”
  9. “Villains of Circumstance”

 

 

E O CD PARA AUDIÇÃO NA ÍNTEGRA AÍ EMBAIXO

 

AS RAINHAS DA IDADE DA PEDRA, ALGUMAS DE SUAS GIGS NO BRASIL E O JORNALISTA ROCKER/LOKER LOUCURANDO NELAS

***O QOTSA já é meio que macaco véio em terras brazucas. A primeira vez que a banda tocou por aqui foi na terceira edição do festival Rock In Rio, em janeiro de 2001 (a mesma edição que também trouxe Foo Fighters, Beck, REM, Neil Young e Oasis, entre outros). A turma liderada por Josh Homme existia há pouco mais de três anos, tinha dois discos de estúdio no currículo e já era uma das sensações do circuito alternativo do rock planetário. E CAUSOU, claro, na sua gig no RIR, com o ex-baixista Nick Oliveri entrando no palco completamente PELADO – sendo que ele permaneceu assim durante todo o show. Não deu outra: assim que a apresentação terminou Nick foi “gentilmente” convidado a ir preso até o distrito policial mais próximo, onde foi liberado após se explicar pro delegado de plantão e pagar fiança. “Ué, sempre vejo VÍDEOS do carnaval carioca onde todo mundo aparece completamente sem ROUPA. Então pensei que também não haveria problema em eu tocar assim”, disse ele na época. Alguém discorda do loki? Rsrs.

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O ex-baixista do QOTSA, Nick Oliveri, toca PELADO no RIR de 2001; terminado o show o músico foi em cana por atentado ao pudor. “Ué, mas todo mundo não fica pelado aqui no carnaval?”, indagou ele após pagar fiança e ser liberado, uia! 

 

***Na sequencia a banda voltou ao Brasil em 2010 (na primeira edição do sensacional e saudoso festival SWU), em 2013 (na segunda edição do Lollapalooza BR) e em 2014 (finalmente em show solo e único na capital paulista e que abarrotou o Espaço Das Américas, com oito mil malucos pulando lá dentro ao som do grupo). Destes o jornalista eternamente rocker só perdeu mesmo o de 2014. Vamos ver se, véio que estamos, nos animamos pra rever Josh Homme e Cia agora em 2018, junto com os Foo Fighters.

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Dupla fodona do rock mundial: Josh Homme e Dave Ghrol, os líderes do QOTSA e dos Foo Fighters; ambas tocam juntas no Brasil no começo de 2018

 

***Das gigs vistas pelo site zapper, a melhor e a que nos traz ótimas lembranças foi mesmo a de 2010, na segunda noite do festival SWU. Fazia um frio dantesco (cerca de 11 graus, isso em pleno mês de outubro) na arena Maeda, em Itú (cidade próxima à capital paulista). Antes do QOTSA entrar em cena no palco 2 os Pixies já haviam feito uma apresentação pra lá de preguiçosa e burocrática no palco 1. O frio não dava trégua. E o autor destas linhas online, credenciado como jornalista que estava, aguardava na área de imprensa (bem na frente do palco) o início da gig do Queens. Junto com ele estavam sua então girlfriend naquela época (a francesa/macapaense Rudja) e nosso eterno “gordito de mi corazón”, o Wladymir Cruz (o poderoso boss do site Zona Punk). Pois não deu outra: quando o show começou o povaréu foi à loucura e o frio que fazia todos baterem os dentes, desapareceu como por milagre. Foi um set infernal e num dos seus momentos mais violentos (quando o conjunto atacou a esporrenta “Little Sister”) o autor deste espaço rocker virtual perdeu o pouco de juízo que ainda lhe restava naquele momento e não se conteve: se esqueceu que tinha mais de quarenta e cinco anos nas costas e, tal qual um adolescente maluco, literalmente se ATIROU na grade que separava a área de imprensa do palco. Isso para irritação de sua namorada que, do alto dos seus então vinte e três aninhos, chamou a atenção do “tiozão” rock’n’roll: “para com isso! Você está parecendo uma criança alucinada!”. Oras, afinal estávamos num show de rock (e, ainda por cima, do Queens Of The Stone Age) ou numa missa dominical? Rsrs.

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O zapper eternamente loker/rocker e sua ex-girlfriend, no meio da muvuca do festival SWU e durante a apresentação do Queens Of The Stone Age, em outubro de 2010: o frio que estava arrasador na arena Maeda simplesmente SUMIU quando Josh Homme e sua turma começaram a devastação sonora no palco (foto: Wladymir Cruz)

 

***Yep, Josh Homme nunca escondeu sua predileção por drugs, rsrs. Tanto que a letra do clássico “Feel Good Hit Of The Summer” começa justamente assim: “Nicotina, valium, Vicodin, marijuana, ecstasy, álcool, COCAÍNA!”. Uia!

 

***E sim, Josh continua com sua dancinha “sensual” ao vivo (não é, Carolina Calanca?), enquanto a banda dispara anátemas sonoros que rasgam o sistema auditivo de qualquer um. Como este Finaski sempre gosta de ressaltar: se todas as bandas de heavy metal burrão fossem como o Queens Of The Stone Age, o HM estaria salvo como gênero rocker e não seria a merda gigante que é. Ponto.

 

**********

ANÁLISE: O FIM PARECE REALMENTE PRÓXIMO PRO CIRCUITO DE BARES DE ROCK ALTERNATIVO EM SAMPA – E OS MOTIVOS SÃO… (LEIAM, ORAS! RSRS)

Entonces: Zapnroll foi ao bar paulistano DJ Club, que fica na alameda Franca, região dos Jardins (área nobre da capital paulista, próxima a avenida Paulista) no finde passado. Foi lá principalmente pra rever sua super querida amiga Vanessa Porto, e prestigiar a dj set que ele iria fazer (Vanessa, além de ser uma queridíssima amiga há mais de década, é uma das melhores DJs do que ainda resta da cena rocker noturna paulistana). Como chegamos relativamente cedo (pros nossos padrões habituais) por lá, deu pra papear legal com ela e ainda curtir bastante o som que rolava tanto na pista principal quanto no lounge.

Foi aí que começamos e tivemos tempo para ANALISAR o ambiente, a música que estava rolando e as pessoas que estavam por lá. E percebemos que muita coisa mudou ali desde a última vez em que fomos ao local.

O DJ Club é velhinho já. Deve existir há uns quinze anos ou mais. E durante boa parte desses anos foi um dos principais clubes de indie rock de Sampalândia. Vivia lotadaço, principalmente aos sábados, quando uma horda de indie kids (eles trajando invariavelmente calças apertadíssimas, t-shirts de bandas de indie rock e tênis All Star; elas também com t-shirts de bandas mas geralmente customizadas ou bem justas e coladas ao corpo, pra realçar as peitolas ou peitões, muita mini saia e botas de cano alto) invadia em peso o lugar pra dançar ao som da sua banda predileta até o dia clarear. O site zapper mesmo freqüentou muito ali no seu auge. E claaaaaro, algumas vezes ficou total alucicrazy por lá, chapado de álcool em excesso e de cocaine idem.

(abrindo um parêntese meio grandinho aqui: Finaski nunca esquece, inclusive, de uma das últimas festas em que foi lá, isso há uns seis anos. O loki aqui ainda cheirava muuuuuita cocaína. Foi já doidão e “trabalhado na maldade” pro Dj Club. Lá pelas tantas, já estando como o diabo gostava e tomando um drink, uma gin tônica, a vimos do nosso lado. Estava de camiseta branca justíssima e calça preta. Bonita de rosto, cabelos lisos e compridos. E peitos GIGANTES. Não deu outra: fomos pra cima, entabulamos um papo qualquer sobre um som qualquer que tinha acabado de rolar e ela deu atenção. O papo degenerou pra noitadas, amenidades sobre rock, comportamento, loucuras e DROGAS. Ela disse que gostava de TECAR farinha de vez em quando. O loki aqui disse que tinha. Fomos pro banheiro. Finaski esticou uma pra ela. Foi aí que FODEU literalmente a noite, rsrs. Ela queria e queria mais. A que tinha estava acabando. Então como já estava acabando a madrugada o zapper sugeriu que ela fosse com ele. Ela foi. Descobrimos que éramos quase VIZINHOS, morando na avenida Jabaquara, a poucos quarteirões um do outro. Como o jornalista doidão não tinha muita grana já àquela altura da manhã e os dois queriam mais, novamente ele sugeriu que a dupla rachasse uma “parada”. Ela topou. O zapper teve que ir buscar a “encomenda” na famosa rua Alba, que era mais perto de onde estávamos do que a comunidade de Heliópolis (onde ele sempre ia em busca do “produto”). Foi e voltou o mais rápido que pôde já que além de estar no apto onde ela morava SOZINHA (não deve morar mais) com a dita cuja, ele queria aspirar mais e também MAMAR naquelas tetas gigantes, ahahaha. Enfim, resumindo a ópera: ele saiu bem loko daquele apê quando já eram umas 9 da manhã de mais um triste domingo na nossa existência cinza. Se MAMOU nos peitões da loca? Não, rsrs. O máximo que conseguiu da moça foi ela TIRAR a camiseta e mostrar sua comissão de frente – os bicos eram de fato gigantescos e de enlouquecer um macho. Mas ficou nisso. E nunca mais viu a figura, mesmo ela morando pertíssimo de casa)

Voltando ao DJ Club: a madrugada foi muito mais tranqüila e normal por lá. O bar e a pista tinham bastante gente? Sim. Mas longe de estar LOTADO como lotava há alguns anos. Também notamos mudança significativa no público freqüentador. Os indie kids saíram de cena. Agora há uma mistura heterogênea de coxinhas, playbas, alguns metaleiros cabeludos (trajando inclusive camisetas do Merdallica), e ainda alguns remanescentes e cultores de rock mais alternativo (tinha um garoto com uma camiseta do Joy Division, outro com uma dos Ramones, e só). Sim, ainda tinha muitos garotos e garotas (sempre muito gostosas e vistosas) na faixa dos vinte anos de idade. Mas a maioria do público ali presente parecia mais velha, na faixa dos 25/30 anos.

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A gatíssima, super DJ e old friend amiga zapper Vanessa Porto, ao lado de Zapnroll na porta do DJ Club, na semana passada (acima); o club continua ótimo, o som é incrível a madrugada toda e onde toca muito anos 80’e seus mega clássicos como os imbatíveis Smiths (abaixo), que literalmente arrancou o povo do chão. Mas infelizmente ao que parece o fim está mesmo próximo para as casas dedicadas ao rock em Sampalândia

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O som nas duas pistas? Muito bom, total rock e bem ok. Mas contamos nos DEDOS o que rolou de bandas de rock que surgiram do ano 2000’ pra cá, a saber: Arctic Monkeys, Kaiser Chiefs, The Killers (aff, como Zapnroll DETESTA essa porra), Franz Ferdinand, Alabama Shakes (no lounge), Interpol e She Wants Revenge – também tocou Queens Of The Stone Age (com a sempre fodíssima “No One Knows”) mas eles não contam porque a banda surgiu bem antes do ano 2000’. De resto, rolou absolutamente apenas VELHARIAS e autênticos cavalos de batalha das pistas com mais de 25/30 anos de idade. E todo mundo dançando, pulando e quase GRITANDO loucamente ao som dessas velharias, especialmente em hits já mega clássico e imbatíveis como “Boys Don`t Cry” (do Cure), “Bigmouth Strikes Again” (dos Smiths e que literalmente arrancou o povo do chão da pista de dança), “London Calling” (do Clash), “Private Idaho” (dos B-52’s) ou qualquer uma dos Ramones (tocou pelo menos duas dos pais americanos do punk).

O que significa o que relatamos no parágrafo acima? Algumas coisas: a) que não está havendo RENOVAÇÃO alguma no rock de 17 anos pra cá. Não há renovação de bandas, de músicas, nem de PÚBLICO. Sim, claro, existem ainda milhares de novos grupos surgindo todos os dias (a maioria, ruins de doer) mas quem se importa com eles em um momento em que a PIRRALHADA imbecil da era da web (e sendo que é essa pirralhada que ainda é o grosso do contingente que escuta e consome música no mundo) só quer saber de música eletrônica, pop descartável americano e inglês, e todo o grande lixão musical daqui mesmo (representado por sertanojos, feminejas, funk burrão e axé brucutu)? O que nos leva à conclusão b) sem bandas novas e hits novos e de qualidade, o que impera nas pistas dos bares que ainda se dedicam ao rock (uma atitude heróica essa desses bares, devemos exarar) é isso mesmo: clássicos de 25/30 anos atrás. E sendo que todos eles são sempre os mesmos e tocam em todos as pistas (seja ela do Dj Club, do Madame Satã ou da Tex, na rua Augusta); c) pistas estas que estão vendo justamente seu público mais jovem minguar (e o de mais idade ainda permanecer nelas) porque a molecada  DEFINITIVAMENTE não está mais nem aí para o rock’n’roll; e por fim, d) tudo isso é ruim? Sem dúvida. Desalentador ficar escutando as mesmas músicas nos bares que ainda resistem tocando rock? De forma alguma: são clássicos já atemporais e imbatíveis. Daquelas músicas que você escuta mil vezes seguidas sem se cansar delas. Algo que NENHUMA (vamos repetir: nenhuma) banda atual consegue compor. E nem vai conseguir, provavelmente.

Então saímos bem satisfeitos do Dj Club naquela madrugada, por tudo o que escutamos por lá. Mas também algo melancólico por nos darmos conta de que, talvez, mais um histórico bar da cena rocker under paulistana esteja a caminho do seu fim, como já se foram o Astronete, o Matrix, o Inferno e a Funhouse recentemente. Sinal de que os tempos atuais acabaram mesmo para e com o rock’roll.

 

MUSA ROCKER EM REPETECO DELIRANTE! ATENDENDO A PEDIDOS, UMA NOVA BATELADA DE FOTOS DA TESUDÍSSIMA (E COMO!) FLÁVIA DIAS!

Yep, não teve como. Bastou o post original onde a moça mostrou sua abusada e deliciosa nudez cair no seu mural no Faceboquete, para que uma turba ensandecida de amigos e fãs dela pedisse bis e um novo ensaio. E Zap’n’roll, sempre atenta aos “anseios” (uia!) de seu dileto leitorado masculino, resolveu ouvir os apelos (ou o “chamado das ruas”, hihi). Portanto aí embaixo repetimos a entrevista original com a gatíssima Flavinha, sua seção original de fotos e novas imagens clicadas com esmero pelo seu love boy, Daniel Inácio. E, de bônus luxuoso, um dos muitos poemas escritos pela garota, inspirado no clássico “Uivo”, do escritor norte-americano Allen Ginsberg.

Apreciem sem NENHUMA moderação!

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A sereia louca e tesuda e seus amores literários

 

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Buk, não me abandone JAMAIS!

 

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Meus diários secretos e repletos de devassidão carnal…

 

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Fuck you, asshole!

 

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Sou leitora dedicada e aplicada

 

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Sempre fui, aliás

 

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Duvida? VEM ME CATAR ENTÃO, se for capaz! (difícil! Já amo meu DRAGÃO CARALHUDO!)

 

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Mas tudo bem, eu deixo você escutar Stones do meu ladinho assim

 

 

XXX

 

Nome: Flavia Dias.

 

Idade: 39.

 

De onde é: São Paulo.

 

Mora onde e com quem: Moro na masmorra de um castelo com um dragão caralhudo.

 

O que faz: Escrevo e leio almas. E nos intervalos, se pedir com jeitinho, eu faço tudo.

 

O que estudou: O único diploma que tenho não serve pra porra nenhuma. E me recuso dizer que tenho ensino médio completo porque pra mim, nada que é médio pode ser completo. E vou dizer-lhes mais: em meio livro do Dostoiévski aprendi muito mais do que em todas as escolas que estudei. A minha ignorância vem do bolso mesmo, porque acho que nem berço eu tive. Enfim, eu leio.

 

Três discos: Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets. (E de preferência com muitos Baurets),

 

Uah Bap-Lu-Bap-Lah-Béinn-Bum!  (Toca Raul!! ) e Beggars Banquet (The Rolling Stones, porque aquela noite foi incrível)

 

Três bandas ou artistas: Rita Lee, Janis Joplin, Rolling Stones.

 

Três filmes: Psicose, Taxi Driver, Um estranho no ninho.

 

Três diretores: Quentin Tarantino, Charlie Chaplin, Steven Spielberg.

 

Três livros: Notas do Subsolo (Dostoiévski), Pergunte ao pó (John Fante), Misto Quente (Bukowski).

 

Um show inesquecível: Inesquecível mesmo foi o primeiro. Titãs. Eu tinha uns doze anos, e até hoje me arrepio quando lembro da multidão mandando as oncinhas pintadas, as zebrinhas listradas e os coelhinhos peludos se fuderem. Foi mágico. Acho que nem foi o show mais foda que eu fui, mas foi o único que eu estava sóbria, deve ser por isso que eu lembro.

 

Como o blog conheceu Flavinha: ela é super amiga de uma outra musa rocker zapper, a escritora e roteirista Juliana Frank. Foi assim que, algum tempo atrás, o velho jornalista ainda loker conheceu a morenaça pessoalmente, quando todos estavam “derrubando” algumas brejas no bar Cemitério de Automóveis, do dramaturgo Mário Bortolotto. Conheceram e não se desgrudaram mais: o blog estava no último finde no apê de Flávia, tomando um ótimo cabernet sauvignon chileno e admirando sua incrível coleção de livros (ela é fã dos russos e dos beats americanos, entre outros). Mas enfim, chega de papo, rsrs. Podem preparar as bronhas, ulalá! Aí embaixo o ensaio fodástico de miss Flávia, em imagens registradas pelo seu love boy, o fotógrafo e técnico de som Daniel Inácio.

 

XXX

 

E UM POEMA DA GATA

 

“URRO”

Eu vi um sobrevivente de outra geração encostado em um balcão sujo, de um bar sujo, bebendo uísque falso em um copo de extrato de tomate engordurado. Ele estava feliz da vida porque tinha acabado de comer uma puta banguela que tem tatuado no cóccix o nome do cantor Wando. escutei esse homem dizer QUE perdeu um dos testículos no lápis de um valentão da escola,

QUE apanhava da sua mãe com vara de marmelo quando se masturbava na frente das visitas desagradáveis enquanto seu irmão caçula tocava piano,

QUE foi enrabado pelo padrasto quando seu saco ainda nem tinha pentelhos,

QUE aos dezoito anos perdeu o cabaço dentro de uma buceta promíscua com um caso grave de gonorreia,

QUE fumou maconha da lata e deixou a mulher que amava enfiar o dedo em seu cu durante uma foda incrível em Arraial do Cabo,

QUE fugiu da mulher que amava porque amava outra mulher que ainda não o amava,

QUE tomava lisérgicos e chorava em frente a tv se comparando com o coiote,

QUE deixou um eco do seu grito na Pedra Lisa de Paranapiacaba quando escorregou e descobriu que podia voar,

QUE pulou de um trem andando só pra desejar um bom dia para a dona dos olhos mais bonitos que ele já viu,

QUE pescou um peixe alcoólatra do aquário de uma vizinha gorda que se masturbava com um pepino besuntado com óleo Johnson,

QUE bateu punheta lendo os livros do Marquês de Sade,

QUE desceu tão baixo que pra tocar no chão teve que erguer os braços,

QUE subiu do céu ladeira abaixo direto para um inferno frio e cheio de pecadores arrependidos e incapazes de chorar,

QUE bateu o pau mole na cara de um anão homossexual em um cinema de filmes pornográficos,

QUE mijou dentro do vinho tinto de um padre porque ele deixou sua castidade no rabo de um coroinha,

QUE fez amor com uma abóbora morna assistindo a Rita Cadillac no cassino do Chacrinha,

QUE foi preso depois de cortar com uma gilete o caralho de um estuprador de crianças pobres,

QUE achou a vida demorada durante toda a pena que cumpriu dentro de uma latrina mal cheirosa e cheia de olhos sangrentos enforcando o seu sono,

QUE enterrou a mãe odiada sem derramar nenhuma lágrima falsa,

QUE não voltou porque nunca teve pra onde…

QUE seu sítio fica no meio fio de um cruzamento qualquer de uma rua de asfalto gasto onde se pode ver alguns trilhos de bonde,

QUE gosta de ser invisível e de passar através de desprezos aclarados sem nenhuma sombra de dúvidas,

QUE urinou na samambaia de uma vizinha gostosa de um sargento ruivo da polícia militar,

QUE limpou o cu com um bilhete de loteria premiado e o descartou junto com um monte de merda na privada de um banheiro público,

QUE pra casar com a solidão fodeu com a vida dentro de uma caçamba lixosa mergulhado em um lago de chorume,

E QUE a puta banguela com a tatuagem do Wando no cóccix é a mulher que ele ama, e ele vai tirar ela daquele lugar miserável e vai levá-la para a melhor sarjeta desta cidade. Porque ele a ama. E também porque a carne dela ainda está boa para comer por mais uns mil anos.

 

(Flávia Dias, SP, 2017)

 

E UFA! FIM DE PAPO!

Agora acabou meeeeesmooooo! Também pudera, ulalá! O maior POSTAÇO zapper dos últimos tempos, hein! Assim até vale a pena esperar um pouco mais por cada novo post aqui no site campeão em cultura pop – enquanto isso, outros “broguis” pobreloaders penam com seus postecos irrelevantes diários, ô dó, ahahahahaha.

Então ficamos por aqui, beleusma? Já é sextona à noite, o RIR 2017 começou, o conde Drácula continua lá no Planalto e o jornalista eternamente loker/rocker se vai. Deixando um beijo GIGANTE no coração de duas garotas/gatas que estão tornando a vida dele e a alma dele muito menos cinza de tempos pra cá. Amor pra Anna “Kika” Rodrigues e pra Thays Karolline, hoje e sempre!

Até a próxima, rockers & lovers!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 15/9/2017,  às 23hs.)