TCHAU 2016! Um ano que foi do INFERNO em todos os sentidos possíveis, que já vai mega tarde e que não vai deixar saudade alguma; e para encerrar esses doze meses pavorosos com alguma alegria e dignidade o blog traz a sua modesta lista de melhores do ano (no rock e em mais alguns setores da cultura pop), além de brindar os leitores como um “presente” de ano novo: um super ensaio total NUDE e safado com um casal rock’n’roll total, uhú!

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2016 será lembrando (ou esquecido?) como o ano do horror no mundo e do inferno na cultura pop; ainda assim os últimos doze meses viram o rock alternativo ser salvo por nomes como a deusa inglesa PJ Harvey (acima) ou a revelação do indie rock brazuca, Jonnata Doll & Os Garotos Solventes (abaixo)

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Fim de jogo melancólico para um 2016 idem.

Sim, talvez Zap’n’roll esteja nos últimos tempos mais azedo e amargo e cinza na alma (seja lá o que for ela) e no coração, do que habitualmente já é. Na real (e como já bem observou mana Jaqueline, que conhece melhor do que ninguém o titular deste blog) o autor destas linhas rockers virtuais sempre foi um INADEQUADO e DESAJUSTADO emocional e existencial. E isso não vai mudar aos 5.4 de vida. Assim a melancolia perene só aumenta nesse período de festas (ilusórias e algo falsas também) de fim de ano. Festas que nunca nos fizeram grande sentido no final das contas. E o pouco que havia de sentido para nós nelas se foi em definitivo quando mama Janet se foi, há 12 anos. Talvez todo esse nosso universo perenemente cinza já esteja meio que cansando alguns (ou muitos) aqui, e por conseqüência afastando “amigos” (reais ou virtuais) e leitores, visto que a regra do MUNDO VIRTUAL é bem clara: o mundo pode estar um CAOS TOTAL (atentados terroristas com caminhões, embaixador abatido a tiros diante de câmeras de tv, Brasil vira lata na maior crise e buraco da sua história, estupidez, ignorância e neo conservadorismo se generalizando pela sociedade global, a daqui inclusa etc.) mas em redes sociais como o FACETRUQUE (ótima definição dada pra ele pelo querido capixaba Alex Sobrinho), por exemplo,  todos são MEGA FELIZES, suas vidas são PERFEITAS, o mundo está ÓTIMO e não temos nada do que reclamar – até mesmo porque precisamos fazer INVEJA a quem lê nossas postagens, não é? Então o blogger zapper deve mesmo ser um ALIEN em total desajuste, pois não se sente compelido a agir dessa forma, de maneira alguma. Prefere ser o que é, ainda que isso custe o AFASTAMENTO dos, hã, “amigos”. No entanto o blog prefere mesmo olhar o mundo com a crueza e a realidade dura que os olhos exigem ao observar o que se passa em nossa própria existência e ao redor dela. Claro, não está fácil para ninguém, diria o outro. Então por que insistir em brumas ilusórias e surreais de felicidade quando na verdade a grande maioria da humanidade vive mergulhada em matizes totalmente infelizes? Finaski escreve como sempre na madrugada (é quando o silêncio total e a solidão do ato da escrita permitem que o raciocínio tenha a reflexão e a fluidez máxima, algo que jamais se consegue durante a confusão barulhenta do dia). E escrevendo especificamente este último editorial do blog em 2016, pensamos no pouco que ainda almejamos no que resta de nossa jornada nesse mundo (e se é que existe outro além dele), que não deve durar muito mais. Pensamos basicamente em ter um livro publicado e passar alguns (poucos que sejam) anos tranqüilos morando na montanha mágica. Conseguindo isso, já nos daremos totalmente por satisfeitos. Enquanto isso não acontece e não se resolve, continuamos mergulhados nas reflexões cinzas e amargas de sempre pois apenas elas nos dão a real dimensão do quão infrutífera e cruel é a existência humana no final das contas. Afinal o ano que está terminando não traz absolutamente NENHUM MOTIVO para comemorações ou felicidade. Principalmente na esfera política, social e também na cultura pop. Aliás temos consciência de que andamos escrevendo cada vez menos sobre música (e rock) aqui. E cada vez mais sobre política, sobre angústias existenciais etc. Não é preciso refletir muito para se saber o motivo dessa postura editorial: o rock’n’roll está morto, simples. E quando dizemos isso nos referimos à renovação do gênero em si. Uma renovação quase inexistente de 16 anos pra cá. Houve ainda um espasmo de novidade e criatividade com alguns novos nomes realmente muito bons como The Strokes (no primeiro disco), Interpol (idem), Franz Ferdinand (ibidem), Arctic Monkeys, Arcade Fire, The Raveonettes e mais alguns poucos. E depois? O que vimos e ouvimos então? O silêncio paulatino das guitarras e o avanço de gêneros hoje bem mais populares no pop, como música eletrônica, rap, hip hop e as xotonas cantantes ao estilo Beyoncé, Rihanna etc. O fenômeno do desmonte do rock’n’roll se tornou algo tão sério que uma gigante lendária da indústria de instrumentos, lançou uma campanha publicitária em 2016 SUPLICANDO aos jovens para que eles NÃO DEIXASSEM DE COMPRAR GUITARRAS. E não é só na gringa que o rock está praticamente morto. No Brasil (esse tristíssimo e miserável bananão tropical, fodido e falido, total vira lata e de população/sociedade burra, ignorante e bestial em grau máximo) é a mesma situação: o rock sumiu da mídia, das rádios, da TV, de boa parte da web. A cultura pop de massa (ela também em total e franca decadência cultural e qualitativa), música inclusa no pacote, acompanha o gosto médio do que o populacho quer consumir. E nesse momento o populacho gosta e consome em doses elevadas no bananão podre a música que é a cara desses tempos estúpidos, reacionários, amorfos, anestesiados onde não há mais discussão e debate de idéias, nem transgressão ou subversão artística. É a música dos conformistas e BURROS, que aceitam passivamente e sem bater mais panela alguma ver o país afundar e ser tragado por uma crise brutal, enquanto um desgoverno golpista de merda caga e anda para todos. Qual a trilha desse bananão e dessa sociedade imbecil? Não é preciso ser nenhum gênio pra descobrir: ela está aí na boca do povo, com os hits porcos de sempre no axé burrão, no sertanojo universotário, no pagode machista e dor-de-corno de quinta categoria, no funk ostentação podrão de hits como “Tá tranqüilo, ta favorável”, “Metralhadora” e outras idiotices do mesmo calibre. E quem ainda dá alguma sobrevida ao rock são VELHOS como, por exemplo, Noel Gallagher (o gênio que carregava o Oasis nas costas e que irá fazer cinqüenta anos de idade em 2017) ou Nando Reis (o sujeito que comandou por duas décadas o baixo nos Titãs e que continua sendo um dos maiores e melhores compositores e hit makers do pop brasileiro, e que está já com cinqüenta e três nas costas). Ambos tiveram programas dedicados a eles esta semana no canal Bis (Gallagher se apresentando no Jools Holland; Nando, no “Pop na estrada”) e mostraram que ainda dão dignidade, criatividade e força ao que resta de rock’n’roll no mundo e na cultura pop. De resto um gênero que perdeu mesmo sua capacidade de renovação e isso até no indie rock brazuca, que nunca esteve tão imbecilizado, criativamente falando (sendo que há exceções nesse quadro pavoroso, claro, e algumas delas esse ano foram bandas como Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, Rios Voadores, Trem Fantasma, The Baggios, Carne Doce e Vinyl Laranja). Ou você acredita mesmo na balela bombardeada pelo blog Pobreload e seu autor, nosso “prezado” Lucio Ribeiro (aquele eterno adolescente com síndrome de Peter Pan, mesmo estando com mais de cinquentinha de idade já, uia!), que delira com sua ilha da fantasia indie onde o indie rock nacional nunca esteve tão bem? Fala sério… Então, quando escrevemos que o rock’n’roll morreu ou está à beira da morte, é nesse sentido: de que ele não se renovou, perdeu o rumo estético e está aí, totalmente irrelevante e à deriva no final desse 2016. Bandas ainda existem aos milhares aqui e pelo mundo todo. Mas elas duram cada vez menos, são cada vez menos dignas de nota e o que gravam e postam na internet é ouvido uma ou duas vezes por quem se dispõe a ouvir o material e depois esse mesmo ouvinte já descarta o que ouviu, interessado em que está em escutar outra banda inútil e esquecível em tempo recorde. Pois fato é que nenhuma banda atual consegue mais ter prazo de validade enorme, como os grupos clássicos tiveram. Porém o rock’n’roll será eterno, sim, e justamente pelo que ele já legou de fantástico e clássico para a música mundial: todas as obras gigantes de nomes idem (Stones, Who, Led Zep, Ramones, Clash, Doors, Velvet, Smiths, Joy Division, Echo & The Bunnymen, REM, Nirvana, Oasis etc, etc, etc.) estão aí, eternizadas e registradas de forma sublime para quem quiser sempre ouvir. Então, velho que também está ficando (ranzinza? Rabugento? Talvez…) este zapper prefere ficar com os VELHOS (mas jamais obsoletos) iguais a nós, quando o assunto é rock. Enfim é isso: assim como o mundo todo e a humanidade talvez estejam mesmo no fim da sua história, o rock’n’roll pelo jeito chegou ao fim da sua. E este velho jornalista loker, que será um amante apaixonado e devotado pelo rock ad eternum, irá sim sempre amar quem fez esta história musical que foi a trilha sonora principal da nossa existência. Uma trilha que irá permanecer em nós até nosso derradeiro respirar, que esperamos não demore muitos anos mais. E pelo menos, enquanto esse último respiro não chega, esse horrendo 2016 dá finalmente seu adeus – e já vai tarde, sem deixar saudade alguma. Vamos então ao post derradeiro desse ano, com nossas modestas escolhas sobre o que achamos de melhor no que ainda resta de ótimo no rock’n’roll e na música em geral. E dando de brinde ao nosso dileto leitorado um último ensaio imagético e erótico no capricho, com um CASAL total rocker. Ao menos isso: imagens mega sensuais para fechar e colorir um pouco um ano desastroso para um mundo idem.

 

 

E no último post deste ano e que está entrando no ar nessa tarde de calor senegalesco de sextona pré virada de ano, sem notinhas iniciais. Mas apenas deixamos mais uma vez nosso rip e nossa saudade para cinco GIGANTES da história da música pop e do cinema e que nos deixaram em 2016.

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FIM DE JOGO PARA 2016, UM ANO PAVOROSO NO ROCK E NA CULTURA POP EM GERAL – MAS AINDA ASSIM O BLOG ZAPPER APRESENTA SUA MODESTÍSSIMA LISTA DOS MELHORES DOS ÚLTIMOS DOZE MESES

Yep, como já cansamos de escrever e repetir aqui nos últimos tempos, o rock’n’roll planetário e a cultura pop em geral também estão sofrendo horrores com estes tempos onde a falta de criatividade e de qualidade artística reinam no mondo pop – no rock em particular. Dessa forma estas linhas online, que sempre foram algo avessas a listas de “melhores do ano”, ficaram pasmas ao verificar como publicações gringas publicaram, ao longo das últimas semanas, zilhões de listas com os “melhores álbuns de 2016”. Listas que foram sendo regurgitadas por aqui através de blogs “vizinhos” que vivem de empurrar hypes duvidosos e inúteis aos seus já parcos leitores. E não eram listas pequenas, não: a maioria conseguiu listar 50 MELHORES DISCOS (!!!) neste ano. E até o famigeradao “Tenho mais discos que amigos” (e mais discos do que leitores também, provavelmente) conseguiu a façanha de listar igualmente 50 grandes discos nacionais para este ano que finalmente está dizendo adeus.

Na boa? Haja enrolação, embromação e boa vontade para montar essas listas. Zap’n’roll, sempre mais honesta e sabedora da falência qualitativa que se instalou no rock daqui e de fora, vai direto ao ponto. E elenca (que palavra chic, uia!) aí embaixo aqueles POUCOS que, na nossa opinião, salvaram 2016 do naufrágio completo na música e na cultura pop em geral. Veja os nossos eleitos e fique avonts para discordar, claaaaaro!

 

 

CINCO DISCOS GRINGOS GLORIOSOS NESTE TRÁGICO 2016

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  1. David Bowie/”BlackStar”
  2. J. Harvey/”The Hope Six Demolition Project”
  3. Teenage Fanclub/”Here”
  4. Leonard Cohen/”You Want It Darker”
  5. Radiohead/”A Moon Shaped Pool”.

 

 

CINCO DISCOS NACIONAIS QUE SALVARAM O ROCK E A MPB ESTE ANO

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1.Céu/”Tropix”

2. Jonnata Doll & Os Garotos Solventes/”Crocodilo”

3.Sabotage/”Sabotage”

4. Metá Metá/”MM3”

5. Rios Voadores/”Rios Voadores”.

 

 

UM FILME MARCANTE DE 2016

“Aquarius”, de Kléber Mendonça. Alguma dúvida?

 

 

UM LIVRO

“A segunda mais antiga profissão do mundo”, coletânea de textos da lenda do jornalismo brazuca que foi Paulo Francis.

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O SHOW DO ANO

Os Stones, claaaaaro!

 

 

E O MICO DO ANO

A série “O boom do indie nacional”, criada pela “ilha da fantasia indie” que é o blog Pobreloa…, quer dizer, Popload.

 

 

E PARA FECHAR BEM UM ANO PÉSSIMO, NOSSO PRESENTE DE NATAL PROS LEITORES ZAPPERS: UM CASAL TOTAL ROCKER E MEGA SAFADO/DEVASSO, WOW!

Yep, 2016 foi um ano pra lá de pavoroso em todos os sentidos, néan. E como se não bastasse todo esse pavor (crise econômica monstro, país no buraco total, violência urbana e social fora de controle, cultura pop aos pedaços e rock’n’roll planetário praticamente extinto), há ainda aquele ingrediente extra, a “cereja no bolo”: a nova mega onda conservadora planetária, que atinge todos os países, Brasil incluso no pacote.

De modos que nosso célebre tópico “musa rocker” andou sumido do blog, não é mesmo? Sim, ele hibernou por um tempo bom, até porque os tempos atuais são total refratários a qualquer tipo de “ousadia” – editorial e em blogs, inclusive.

Mas enfim, como este é finalmente o ÚLTIMO post zapper deste cabuloso (e ponha cabuloso nisso) 2016, resolvemos tirar o tópico de seu período, hã, sabático. E como uma espécie de brinde ao nosso sempre fiel e diletíssimo leitorado, trazemos para fechar bem este ano cruel não uma musa mas um CASAL ROCKER em ensaio total nude ousado, abusado e safado. Acompanhe abaixo os textos sobre quem são eles e como estas linhas online conheceu a dupla. Além de se locupletar com as imagens, claaaaaro!

 

ELA

Quem: Marcelle Louzada.

De onde: sou do mundo sou Minas Gerais. Moro no centro da São Paulo desvairada, vale do Anhangabau.

Idade: 35 anos.

O que faz: artista do corpo, pesquisadora das artes. Doutoranda em educação pela Unicamp.

Três artistas: Patti Smith, Rita Lee e Karina Bhur.

Três discos: “Horses” (Patti Smith), “Hoje é o primeiro dia do resto de sua vida” (Rita Lee) e “Selvática” (Karina Bhur).

Três filmes: “Je vos salue  Marie”, “Zabriskie Point” e “Sonhos”.

Livros: “Flicks” (Ziraldo), “Macunaíma” (Mario de Andrade) e “A revolução dos bichos” (George  Orwell).

Três diretores de cinema: Zé do Caixão, Jean Luc Goddard e Federico Fellini.

Três escritores: Ziraldo, Mario de Andrade e Italo Calvino.

Show inesquecível: Jonnata doll e os Garotos Solventes no vale do Anhangabaú em São Paulo, 2016.

 

ELE

Quem: Jonnata Araújo.

De onde: Fortaleza (Ceará).

Mora em: São Paulo, capital.

Idade: 35.

O que faz: vocalista, letrista e compositor na banda Jonnata Doll & Os Garotos Solventes,

Três artistas : Ramones, Dago Red (Fortaleza/CE) e Iggy Pop.

Três discos: “It’s Time For” (Jonathan richiman), “Lust for life” (Iggy Pop) e “Uhuu” (Cidadão Instigado).

Três livros: “Misto quente” (Charles Bukowski), “Junky” (William Burroughs) e “Crônica da províncias em chamas” (Airton Uchoa Neto).

Três filmes: “A noite dos mortos-vivos”, “O império contra-ataca” e “A montanha sagrada”.

Três diretores de cinema: George Romero, David Cronemberg e Lucio Fulci.

Três autores literários: Isaac Assimov, Wiliam Burroughs e Jack Kerouack.

Show inesquecível: da banda cearence Dago Red,  em 1997 no padang padang, atigo espaço de show de rock na pria de iracema em Fortaleza. Foi a primiera vez que vi uma banda de punk rock tocando algo, falou diretamente comigo, todos da banda chapados e com uma energia incrível e ao contrário da maioria de bandas punks da época, todas com letras engajadas, as letras do dago red falavam de coisas que eu sentia: tristeza, sexo, drogas, amor, ateísmo e musicalmente eu entendi o que era uma guitar band e um pedal fuzz ali. Depois disso fui na casa do Robério, o vocalista, e saí com um monte de discos emprestados: Velvet, Iggy Pop, Husker Du, Mercenárias, Smack, Inocentes, Pixies e aí minha vida mudou depois disso e achei meu som.

 

Sobre o casal e como o blog os conheceu: Marcelle e Jonnata têm a mesma idade, total afinidade cultural e intelectual e moram juntos em um aconchegante apê de um dormitório no centrão rocker de Sampa. Cercados por discos de vinil e livros, o casal leva uma vida bastante agitada: ela está fazendo doutorando na área de Humanas; ele sempre fazendo shows e cantando à frente dos Garotos Solventes, banda da qual é vocalista. Além disso Jonnata participou de várias gigs da turnê que comemorou os trinta anos do lançamento do primeiro álbum da Legião Urbana, tocando e cantando ao lado de Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá ao longo de todo 2016.

E estas linhas sempre total rockers conheceu Jonnata, Marcelle e a banda há apenas alguns meses, após assistir uma apresentação do grupo durante uma peça de teatro marginal, em Sampa. Foi paixão à primeira vista pelo conjunto e agora o blog já tem os Solventes e o casal rock’n’roll no nosso coração.

Mas chega de bla bla blá, rsrsrs. Aí embaixo nosso dileto leitorado confere um ensaio fodíssimo e tesudo da dupla, especialmente para Zap’n’roll. É o nosso presente para fechar BEM este ano horroroso que foi 2016. Então deleitem-se e apreciem sem NENHUMA moderação, uia!

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FIM DE PAPO E TCHAU PORRA DE 2016

Foi um ano pra lá de terrivel, e todos já estão carecas de saber disso. E o próprio blog zapper em si também passou seus perrengues – tanto que nosso último post de 2016 está entrando no ar somente hoje, 30 de dezembro, no apagar das luzes desse ano funesto. Entonces agora é um período de férias curtas (que ninguém é de ferro), pra que possamos voltar no pique pra enfrentar um ano novo que promete ser tão terrivel quanto o velho que está acabando. E haverá como sempre mudanças por aqui no novo ano. Sendo que talvez o blog até mude de nome e de perfil editorial, mas tudo isso ainda está sendo estudado.

Por hora é isso. Voltamos por aqui lá pelo dia 20 de janeiro, se nenhum atropelo acontecer antes pelo caminho. De modos que desejamos de coração a todos um ótimo novo ano. A situação não tá mole pra ninguém e 2017 vai vir fervendo também. Então que todos entrem com o pé direito e com fé no Grande lá em cima para suportar mais uma longa jornada.

Até 2017, turma!

 

(enviado por Finatti às 16hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL! Com um RESUMÃO político da semana, o anúncio dos primeiros (e inúteis) shows de rock internacionais de 2017 e as indicações culturais e o roteiro de baladas do blog – Em mais uma semana pavorosa e surreal para o país VIRA LATA TOTAL (esse mesmo aqui, o Brasil miserável) e atolado na MERDA até o pescoço, e com todo mundo contando os dias pro horrendo 2016 acabar de uma vez por todas, mais uma vez é o grande e VELHÍSSIMO rock’n’roll dos imortais Rolling Stones (com o seu novo e fodástico disco) que salva a todos e traz alguma alívio pra galera; e a falência geral do bananão tropical continua se refletindo inclusive na cena musical independente brazuca: neste final de semana algo melancólico fecha as portas na capital paulista o lendário bar Matrix, que foi um dos principais lares de uma cena indie que infelizmente também está no buraco e morrendo aos poucos (uma cena que vive um “boom” somente na ilha da fantasia indie estúpida criada por um certo blog “vizinho”), como iremos mostrar e comentar em detalhes neste post zapper (postão COMPLETÃO e totalmente concluído em 16/12/2016)

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O mundo está no buraco e o Brasil mais ainda; assim apenas o velho e ÓTIMO rock’n’roll nos dá algum alivio, que vem dessa vez através do novo discão dos Rolling Stones (acima), tão bom quanto o cd que os Rios Voadores (abaixo) lançaram esse ano, lutando pra se manter em uma cena independente (a brasileira) quase falida mas que ainda produz, em termos de cultura pop, musas rockers como a gataça Marcelle Louzada (também abaixo)

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FECHANDO A TAMPA DO POSTÃO: A GRANDE VERGONHA E RAIVA QUE O BLOG SENTE DE SER… BRASILEIRO – E TAMBÉM SHOWS INÚTEIS EM 2017 A CAMINHO E O FIM DO PROGRAMA DO JÔ

  • Final de semana chegou e com ele, a finalização desse post zapper. Assim, vamos a um RESUMO desta semana nesse país total fodido (pela classe política imunda e calhorda ao máximo que aliás está onde está porque foi VOTADA e ELEITA por um BANDO de OTÁRIOS e BURROS ao máximo) e vira lata que é este miserável Brasil.

 

  • PEC do fim do mundo: aprovada em segundo turno pela QUADRILHA do senado federal. Beleusma. Absolutamente TODOS IRÃO SE FODER – inclusive DIREITOPATAS e COXAS/PATOS IDIOTAS que ainda estão apoiando o desgoverno do GOLPISTA DO INFERNO.

 

  • Depoimento/delação de Marcelo Odebrecht: o CAPPO e dono da maior empreiteira do país começou seu depoimento/delação ontem, falando por 10 HORAS (!!!) na primeira rodada de informações ao MPF e à Justiça Federal no Paraná. Vai falar ainda até esta sexta-feira. Se apenas ALGUMAS LINHAS da sua delação VAZAREM provavelmente o MUNDO ACABA em Brasília. E estamos TORCENDO TOTALMENTE POR ESSE FIM.

 

  • Quadrilhas do Congresso e do Senado federal total de COSTAS para o populacho que os elegeu: alguma dúvida quanto a isso? Basta ver como foi esta semana na capital do Brasil, aquela MERDA chamada Brasília.

 

  • Protestos e pancadaria generalizada pelo país afora: yep. Teve protesto e quebra-quebra contra a aprovação da PEC dos infernos em várias capitais. Em Porto Alegre manifestantes estraçalharam vidros em portas de agências bancárias. Aqui em Sampa, na avenida Paulista, foi LINDO ver o povaréu finalmente CRIANDO CORAGEM e INVADINDO o prédio daquela escrotice gigante chamada Fiesp, e tocando o terror lá dentro com rojões, bolinhas de gude, o que fosse possível enfim. Sempre fomos contra a violência em passeatas mas estamos quase começando a concordar e a APOIAR atos como os de hoje. O país não tem mais jeito. E só quando o povão começar a ESPANCAR os políticos (na porrada mesmo, e não metaforicamente) e empresários corruptos (muitos deles encastelados dentro da porra da Fiesp), talvez comece a haver alguma chance de o Brasil sair da LAMA e do buraco no qual está metido.

 

  • Reação/repressão aos manifestantes: claaaaaro que as forças policiais entraram em ação durante os protestos desta semana e meteram cassetete, spray de pimenta e balas de borracha em quem estava protestando. Nas fotos abaixo, registradas pelo querido e ótimo fotógrafo Jairo Lavia, uma pequena “amostra” da atuação da PM SUJA e TRUCULENTA do geraldinho alckmerda (o desgovernador de SP, o “santo” segundo a delação da Odebrecht, uia!) durante a manifestação na avenida Paulista. A vítima dos PMs: uma pobre estudante (uma JOVEM e MULHER, pelamor!), DOMINADA por vários guardas e enfiada À FORÇA numa viatura apenas porque estava… protestando contra a PEC do demônio e do desgoverno golpista.

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  • País RACISTA DO CARALHO: foi o que mostrou uma das matérias da edição de quarta-feira última do Jornal Da Cultura, e que você pode assistir no vídeo aí embaixo nos comentários, a partir dos 38 minutos e 40 segundos de exibição do telejornal. A reportagem nos deixou com NOJO e LOUCOS de RAIVA: mostra como a sociedade brasileira (boa parte dela composta por uma classe média ESTÚPIDA e BRANCA, que se acha IGUAL à minúscula elite triliardária que de fato MANDA nisso aqui), que é composta em sua maioria por afro-descendentes, continua tão RACISTA quanto sempre foi na verdade. O JC mostrou uma entrevista feita com algumas pessoas, que foram instadas a analisar algumas fotos de pessoas nas mesmas situações e com os mesmos visuais. Com uma diferença: primeiramente o grupo de pessoas mostradas era de BRANCOS. O segundo grupo era de NEGROS. Veja o resultado das respostas de quem analisou os dois grupos no vídeo da tele reportagem, aí embaixo.

  • Resumindo a ópera: Finaski deve estar mesmo ficando velho, ranzinza e rabugento ao máximo. Porque a RAIVA e VERGONHA disso aqui, desse país que está se transformando em um LIXO de nação, só aumentam. Sério, quando tínhamos 20/25/30 anos, isso não estava assim. E olha que tínhamos acabado de sair de duas décadas de ditadura e de governo militar e ainda estávamos enfrentando uma hiper inflação (HERANÇA dos milicos) que no final de 1986 estava em 60% ao mês. E mesmo assim a situação não estava como está hoje, social, política e economicamente falando.

 

 

  • Bien, além desse resumão político da semana aí em cima, a sextona (16 de dezembro) está, hã, “quentíssima”: até Silas Malafaia (uia!), o pastor mega REAÇA do inferno e “exemplo” de correção moral e ética (uuuuuiiiiiaaaaa!), também acaba de cair nas garras da Polícia Federal, por envolvimento em esquemas, hã, nada éticos e morais. Ulalá! Os fiéis sentam e choram, hihihi.

 

 

  • Aí a assessoria de imprensa (administrada por um chegado destas linhas rockers bloggers) dispara e-mail BOMBÁSTICO anunciando um dos GRANDES shows internacionais de rock no bananão tropical, em 2017. Qual banda??? O “sensacional” e “imperdível”… King Diamond! Ahahahahahaha. Foi maus, o blog não conseguiu conter o riso diante da piada.

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  • Pior é a anunciada também hoje turnê conjunta no Brasil reunindo ninguém menos que… James Taylor e Elton John. Rola entre março e abril, em Curitiba, Porto Alegre, Rio e Sampa. Os ASILOS de todo o país já estão em polvorosa com a notícia, rsrs.

 

 

  • E hoje é a despedida do gênio Jô Soares de seu programa de entrevistas. Foram vinte e oito anos no ar, entre SBT e Globo. O “Gordo” vai deixar saudades e fazer muita falta, com certeza. Mas é isso. Fim de uma era, sendo que o mundo está mesmo ficando sem gênios que valham a pena em todos os setores da existência humana.

 

 

  • E é isso: 2016 vai se  despedindo sem deixar saudade alguma. Semana que vem tem o último post deste ano do blog. Nos vemos nele então. Até lá!

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Um país total VIRA LATA (o Brasil) atolado na MERDA até o pescoço.

A primeira frase do editorial que abre este penúltimo post de Zap’n’roll nesse pavoroso 2016 que está finalmente e felizmente chegando ao fim (sendo que 2017 promete ser tão horrendo quanto, se não for pior), pode ser e parecer pesada em demasia. Mas ela reflete fielmente o que o autor deste blog pensa da realidade atual brasileira – e com certeza milhões de pessoas a essa altura dos acontecimentos está pensando da mesma forma. Inclusive a nação neo conservadora de direita e COXA brasileira, essa mesma que foi pra rua pedir o impeachment de Dilma e que segue apoiando (por enquanto em silêncio e com o rabo enfiado no meio das pernas) esse desgoverno GOLPISTA dos infernos, comandado pelo vampiro e mordomo de filme de terror que ocupa nesse momento a cadeira de presidente da República. E a razão para dizermos que este bananão tropical miserável está atolado até o pescoço na MERDA plena e fedorenta decorre de mais uma semana (esta que está chegando já ao fim; a primeira parte do postão está entrando no ar na tarde de sexta-feira, 9 de dezembro) onde o INACREDITÁVEL aconteceu na terra brasilis. Quando na última segunda-feira o eminente Ministro Marco Aurélio de Mello, um dos mais dignos e confiáveis do STF (a Corte mais alta do país), expediu liminar AFASTANDO o ultra canalha, pulha e bandido Renan Calheiros de suas funções como presidente do Senado, em decisão acertadíssima vale exarar (afinal Renan tem contra ele nada menos do que ONZE inquéritos sendo analisados no STF; em um deles já é RÉU na ação, traduzindo: em qualquer país minimamente sério do planeta um sujeito desse naipe estaria na CADEIA, e não presidindo o senado da nação; mas isso aqui é o Brasil, claaaaaro), ninguém poderia imaginar, nem em sonho, o que aconteceria na sequencia. E o que aconteceu todos já sabem: Renan PEITOU o STF, se recusou a receber o oficial de Justiça da Corte pra assinar a decisão que o afastava do cargo, e ainda por cima SE MANTEVE na condição de presidente do Senado Federal. Dois dias depois o plenário do STF se reuniu em caráter de urgência pra decidir sobre o caso. O resultado do julgamento da liminar de Marco Aurélio todos também já estão sabendo: por 6 votos a 3 os Ministros do Supremo decidiram MANTER o chefe de quadrilha das Alagoas no cargo que ocupa, afastando-o apenas da linha sucessória da presidência do país. Uma decisão que significou várias paradas, entre elas: se de onde deveria partir o exemplo CORRETO de RESPEITO à Lei, isso não aconteceu, então por que você aí, cidadão comum que está enfretando uma ação penal (por qual motivo seja) vai ACEITAR uma decisão judicial desfavorável a você? Pelo jeito é mais fácil tacar o foda-se e dizer: “não vou cumprir, e daí?”. De modos que além de toda a crise pela qual estamos passando nesse momento acabamos de ver enterrada aqui também um dos preceitos BÁSICOS da Lei: a de que decisão judicial não se discute, se CUMPRE. Pelo visto nem isso mais existe nesse triste Brasil a partir da atitude de enfrentamento do “coronel” Renan, que HUMILHOU o STF – e a Corte aceitou essa humilhação de cabeça abaixada. E assim seguimos aqui… Brasília segue DESTRUINDO o restante do país. Os IMUNDOS políticos brasileiros há muito já perderam totalmente qualquer resquício de vergonha. CAGAM em cima de toda a população e legislam apenas em causa própria, como se o restante do país não existisse. Onde tudo isso vai parar, afinal? Como será 2017? Nesse momento estas linhas bloggers sempre dedicadas à cultura pop (mas falando muito sobre a situação política nacional neste editorial e nos nossos posts mais recentes, não há como fugir do tema sob pena de passarmos a impressão de que somos totalmente alienados; não é assim que agem certos blogs “vizinhos” de cultura pop?) nem se arriscam a prever algo – mas achamos que o próximo ano será igual a este, se não for pior. Por isso o que podemos fazer aqui é isso mesmo: lamentar e ficar com a alma aos pedaços ao testemunharmos pessoalmente o DESMONTE do Brasil. Um desmonte que já chegou inclusive e implacavelmente à cena musical independente brazuca. Uma cena que está quase completamente FALIDA, com bares e espaços para shows fechando, bandas acabando ou não levando ninguém aos seus shows etc, etc. Uma situação trágica e que só não é mostrada pelo nosso blog “vizinho”, aquele mesmo que vive numa delirante ilha da fantasia indie, que ENGANA seus pobres leitores (falando de um ridículo boom da cena indie nacional atual) e que não tem a coragem suficiente pra ser sincero e honesto com quem o lê. Iremos, enfim, falar desse assunto melhor nesse post que está começando agora. E também iremos escrever ao menos sobre um assunto bastante agradável: o novo discaço da maior banda de rock de todos os tempos, os Rolling Stones. Pois é… quando tudo parece realmente perdido, só mesmo o ótimo e velho rock’n’roll para dar algum alívio ao nosso coração, à nossa alma e ao nosso sistema auditivo, néan. Bora então ler mais um post zapper. Venha conosco!

 

 

  • Ainda sobre política: a metranca .100 da delação da Odebrecht começa enfim a mirar a QUADRILHA tucanalha. Será que agora o PSDBosta se FODE e CAI?

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  • Enquanto isso o digníssimo juiz Sérgio Moro mostra como é JUSTO e IMPARCIAL em sua atuação profissional, através dessa fotoca aí embaixo, que já VIRALIZOU na web.

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  • E as PANELAS, que fim levaram? Esse mesmo, aí embaixo, uia!

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  • Indo pro bom e velho rock’n’roll: o Jesus & Mary Chain, lenda gigante do rock inglês dos 80’ lança novo disco de estúdio após quase vinte anos de ausência – o último cd, “Munky”, foi editado em 1998. Pois então: “Damage and Joy”, o novo esporro sônico dos irmãos Jim e William Reid chegará ao mundo em março vindouro. Ao vivo o JMC anda capenga há anos já. Mas em estúdio eles continuam mandando muito bem. A conferir então.

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  • Quem também anunciou volta é o barulhento e experimental At The Drive In, cujo último álbum saiu em 2000’. A malokerada está em estúdio trabalhando em novo disco e já soltou no YouTube uma amostra do mesmo, a esporrenta “Governed by Contagions”. Se o cd inteiro for nesse naipe, vai ser uma paulada!

 

  • E mais notícia rocker bacanuda: o genial velhão Neil Young acaba de também soltar na web seu novo trampo, “Peace Trail”, sobre o qual falaremos melhor mais pra frente mas que você já pode escutar integralmente aí embaixo.

 

  • A nota chata da semana: o falecimento do baixista e vocalista Greg Lake, ex-Emerson Lake & Palmer, gigante do jurássico prog rock dos 70’. Lake foi pro saco vitimado por um câncer. Rip.

 

 

  • E não, o blog zapper não vai embarcar na onda de listas GIGANTES com os melhores do ano, aliás já está com o saco bem cheio dessas listas. A nossa, que será publicada no post derradeiro de 2016 (provavelmente na semana do natal), será beeeeem reduzida. Com no máximo cinco discos gringos e uns dois brasileiros. E olhe lá!

 

 

  • IMAGEM TESÃO TOTAL DA SEMANA! – yeeeeesssss! Aí embaixo um APERITIVO para o nosso dileto leitorado macho (cado) da nossa próxima musa rocker. Ela mesma, Marcelle Louzada, 35 anos de puro tesão. Fora que a garota, que faz doutorado em Sociologia e namora com o queridão Jonnata Doll (vocalista dos Garotos Solventes), é total do rock’n’roll. Vão se preparando aê e aguardem o ensaio com ela, que vai ser fodástico!

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  • Nada fodástica é a atual cena indie nacional. Que aliás está FALIDA, ao contrário do que vive babando um certo blog “vizinho”. Mas como Zap’n’roll só fala VERDADES, você confere aí embaixo um retrato FIEL e PRECISO de como anda a indie scene rock brazuca atualmente. Bora lá!

 

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ESPECIAL A REAL CENA INDIE NACIONAL ATUAL: BARES E ESPAÇOS PARA SHOWS ALTERNATIVOS FECHANDO, BANDAS TOCANDO PRA NINGUÉM ETC. E ENQUANTO ISSO O BLOG “VIZINHO” POBRELOAD CONTINUA ILUDINDO SEU LEITORADO COM SUA ILHA DA FANTASIA EDITORIAL, CHAMADA DE “BOOM DO INDIE NACIONAL”, UIA!

Está sendo mais uma semana infernal a que está terminando entre hoje (sexta-feira) e amanhã (sabadão em si). Mais uma semana onde o país vira lata total (nosso pobre Brasil) se vê cada mais vez mais atolado na merda de uma crise política e econômica (ambas alimentadas por escândalos de corrupção infindáveis) que parece interminável e que pode DERRETER por completo o país a qualquer momento. Incluso nesse derretimento total a nossa querida e, nesse momento, triste e maltratada cena musical independente.

Yep, a indie secene rock brazuca também está sofrendo com a crise monstro que se abateu sobre o bananão tropical. E como está… sinceramente, Zap’n’roll queria sempre trazer em cada novo post somente boas notícias para seu dileto leitorado. E especificamente nesse post até há ÓTIMAS notícias (o novo discão dos Rolling Stones, o novo álbum do velhão e genial Neil Young, as voltas do Jesus & Mary Chain e At The Drive In etc). Só que, INFELIZMENTE, nenhuma dessas notícias se refere ao rock brasileiro (ele existe ainda?), seja ele mainstream (ainda existe?) ou independente (está às portas da morte também). Mais IRRITANTE ainda é se dar conta de que, diante do quadro tenebroso que estamos vendo atualmente, um blog de cultura pop outrora respeitado na web BR, o Popload, escrito pelo jornalista Lúcio Ribeiro (hoje mais empresário da noite do que propriamente jornalista e blogueiro), INSISTE em iludir seu ainda fiel séquito de leitores com uma série editorial intitulada “O boom da cena indie nacional”, uma autêntica ILHA DA FANTASIA INDIE que vende a (falsa) idéia de que a cena alternativa brasileira atual nunca esteve tão bem. Não está. Aliás está atravessando um dos seus PIORES momenos desde que o autor destas linhas bloggers rockers acompanha essa mesma cena, há mais de vinte anos já.

Exagero do blog zapper? Infelizmente não – até gostaríamos que fosse exgero e pessimismo exacerbado nosso. Mas ao longo desse infernal 2016 que insiste em não morrer (mas que felizmente irá desaparecer pra sempre em mais três semanas; pena que 2017 vem aí aparentando ser tão cruel ou PIOR do que este ano está sendo, em todos os sentidos possíveis) as PÉSSIMAS notícias para a indie scene foram se acumulando durante as semanas e os meses do ano. Só o blog “Pobreload” foi vendo o contrário. E por certo nosso “vizinho” não foi vendo (e muito menos comentando) o fechamento de bares e espaços para shows lendários e históricos da noite under paulistana, como o Astronete (que encerrou atividades em 2015 mas cuja repercussão do seu fechamento permanece até hoje) e o Hangar110. Mais? Todo mundo já está sabendo que amanhã, sabadão, dia 10 de dezembro, o Matrix também vai se despedir após mais de duas décadas de funcionamento (e já falamos bastante sobre o que foi o Matrix e sobre seu desaparecimento em nosso post anterior a esse, vai lá dar uma conferida no texto) na capital paulista. Não só: o também já clássico Inferno Club, no baixo Augusta, e que durante uma década abrigou shows nacionais e gringos sensacionais (o blog assistiu ali uma inesquecível gig do grupo americano Bellrays), além de ótimas festas onde abundavam xoxotões total lokas e repletas de tatuagens, anunciou o fim de suas atividades. O club ainda irá ter eventos até o final deste mês de dezembro. Com o apagar das luzes de 2016 o Inferno também irá extinguir seu fogo.

Veja bem: no parágrafo acima o blog se deteve APENAS na questão do fechamento de espaços para shows e bares dedicados ao rock alternativo na capital paulista (e nem vamos entrar em outros pontos relativos aos espaços que ainda estão funcionando, como o fato de muitos deles simplesmente não promoverem mais shows ao vivo porque isso não atrai mais público, ou pior ainda: outros aderiram ao esquema “open bar PORQUEIRA”, com entrada a preço fixo e bebida ruim avonts mais discotecagem que mistura funk, eletronices e UM POUCO de rock’n’roll, o que tem garantido uma até certo ponto rentável sobrevida a esses espaços). Quando o assunto se amplia para bandas e locais para apresentações ao vivo então, aí o buraco parece não ter fundo. De anos pra cá a cena indie nacional CRESCEU em tamanho e quantidade de bandas? Sim, certamente. Mas ao mesmo tempo também aumentou (e muito) a indigência qualitativa e artística dessas bandas, o que acaba tornando as mesmas quase que completamente (em sua grande maioria) IRRELEVANTES para o público. Hoje em dia, graças às facilidades tecnológicas da era da web, todo mundo consegue gravar um disco até mesmo no quintal de casa. E também graças a essa mesma tecnologia todo mundo posta o que gravou na internet (no YouTube, no Instamerda, nas redes sociais e plataformas diversas, como Deezer, Bandcamp, Soundcloud e os caralho) e se sente imediatamente um pop star, ulalá! Quando o “artista” então estoura em “curtidas” na sua página no faceboquete, aí fodeu! O ego vai pras alturas e o sujeito se sente o máximo. Isso tudo é lindão… no mundo surreal e IRREAL da nuvem virtual e ilusória das redes sociais e do blog Pobreload, claaaaaro. Porque quando a banda da esquina marca um show em qualquer espelunca ainda com espaço disponível para gigs e abre evento no Facebook, com 500 “fãs” confirmando “presença” na parada e na hora surgem de fato no local apenas uns 30 gatos suados e pingados (menos de 10% do total dos que haviam confirmados VIRTUALMENTE que estariam presentes na bagaça), a CHORADEIRA é gigante, gritante e geral. E não adianta a banda da esquina ter já 50 mil fãs em sua pagina na rede social MENTIROSA: ela, a banda, irá continuar AMARGANDO fazer sets ao vivo para vinte ou trinta malucos (metade deles, vale ressaltar, entrando na faixa, com o nome na lista vip por serem amigos ou parentes dos músicos).

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As bandas The Baggios (acima, de Sergipe) e Maglore (abaixo, da Bahia) que tocaram ontem à  noite no Centro Cultural São Paulo, dentro da programação do festival SIM São Paulo: dois bons grupos que sofrem os efeitos da crise em cima de uma cena alternativa quase falida (fotos: Jairo Lavia)

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Enfim, uma situação desalentadora em todos os sentidos. E que infelizmente atinge inclusive as bandas ÓTIMAS que ainda existem na cena independente brasileira – sim, essas bandas são muito poucas atualmente, mas existem e resistem. Exemplos dessa situação trágica abundam: semanas atrás o incrível Los Porongas (do Acre e que reside há quase uma década em São Paulo) tocou para menos de cinqüenta pessoas no badalado Z Carniceria, na zona oeste de Sampa. Semanas depois foi a vez de Rios Voadores (de Brasília) e Jonnata Doll & Os Garotos Solventes (de Fortaleza mas morando em Sampalândia), duas das MELHORES bandas da atual cena indie nacional e que lançaram dois dos MELHORES discos nacionais deste ano (até o momento), também tocarem para um público bem reduzido (ainda assim e felizmente, um pouco mais numeroso do que o que viu a apresentação dos Porongas) no mesmo Z Carniceria. Quer mais? Tem mais (ou menos, na verdade): a Luneta Mágica, de Manaus, é outro nome espetacular da cena alternativa brasileira. Já estão com dois ótimos discos lançados. E mesmo assim enfrenta dificuldades atualmente para marcar shows e tocar até mesmo na capital do Amazonas, cidade natal do conjunto.

De dez anos pra cá talvez o único grupo que se tornou realmente GRANDE na cena independente (tocando atualmente sempre pra platéias com no mínimo quinhentas pessoas) é o cuiabano (também residindo em Sampa há anos já) Vanguart, descoberto por este blog mesmo há mais de uma década na capital do Mato Grosso, quando para lá fomos para cobrir um festival alternativo em pleno carnaval. E nessa última década a situação só piorou para a indie scene nacional. Bandas surgem e desaparecem aos montes, todos os dias. As que sobrevivem, mesmo tendo um ótimo trabalho, só ganham algum dinheiro quando conseguem emplacar uma apresentação em algum SESC da vida (e que paga cachês em torno de R$ 6 mil temers mesmo a grupos iniciantes), mesmo que o show não tenha público algum. Ou então conseguem boa exposição na mídia (o que não significa retorno financeiro ou de público imediato) quando se encaixam em eventos como o SIM, que está acontecendo essa semana em São Paulo: trata-se da Semana Internacional de Música, que espalhou por vários locais da cidade uma extensa programação composta de shows ao vivo, palestras, mesas de debates, exibições de filmes e vídeos etc. Tudo isso tentando atrair um público que custa cada vez mais a dar as caras em gigs de bandas indies, mesmo que algumas poucas delas sejam ótimas (a grande maioria é ruim de doer). Foi o caso dos shows acompanhados pelo blog zapper ontem à noite no Centro Cultural São Paulo, quando subiram ao palco o The Baggios (de Sergipe) e o Maglore (da Bahia). Dois conjuntos decentíssimos em suas acepções sonoras e que, milagrosamente, conseguiram atrair um bom número de espectadores para o CCSP. Detalhe: a entrada para os shows foi GRATUITA.

Fora que eventos como o SIM São Paulo só conseguem se viabilizar quando a produtora responsável consegue captar alguns milhares (ou milhões, dependendo do caso) de reais junto a patrocinadores, públicos ou privados, algo que também está cada vez mais impossível de acontecer nesses tempos mega bicudos pelos quais estamos passando. No caso do SIM (que já está em seu quarto ano de realização) a organização conseguiu bons patrocínios da cerveja Skol, da Coca-Cola, do ProacSP (programa de incentivo à Cultura do governo paulista) e do BNDES. E quem não consegue entrar numa benesse desse tipo ou não tem a sorte de descolar uma MAMADA desse naipe, se vira como pode. Exemplo desse “se virar como der” e da resistência FONOGRÁFICA independente a essa crise gigantesca pode ser vista na atuação do selo paulistano Baratos Afins, coligado à já histórica loja do mesmo nome. Capitaneada há mais de trinta anos pelo produtor Luiz Calanca (dileto amigo pessoal destas linhas rockers virtuais), a Baratos conseguiu lançar em 2016 cinco novos CDs, sendo o mais recente deles da banda de hard rock Kamboja (sobre o qual o blog irá falar melhor até o primeiro post de 2017). Mas o próprio Calanca admite que os tempos estão muito mais difíceis do que até poucos anos atrás.

É essa a REAL situação da REAL cena indie nacional. Infelizmente. Mas é claro que alguns ainda preferem enxergar a dura e triste realidade de outra forma, como o blog PobreLoad (e sendo justos aqui: prezado Lúcio Ribeiro já foi um jornalista importantíssimo na imprensa de cultura pop nacional, além de bom amigo zapper durante muitos anos; agora além de estarmos com a relação de amizade um tanto “azedada” por divergências de opinião profissional e ideológica, estas linhas bloggers lamentam que Luscious tenha se tornado um jornalista PREGUIÇOSO e quase total chapa branca, que fala bem de tudo e para quem está tudo LINDO no rock e na cena indie nacional, ahahahaha). Enquanto isso essa cena só definha. Pois o que resta a nós é justamente isso: torcer no final deste tópico especial para que a cena rock alternativa brasileira se recupere e volte aos seus dias de glória, como foi no anos 80’ e 90’. E se essa recuperação vai de fato acontecer, só o tempo dirá.

 

OS IMORTAIS ROLLING STONES ESTÃO DE VOLTA, COM UM DISCAÇO DE… COVERS DE CLÁSSICOS DO BLUES

Com cinqüenta e quatro anos de INESTIMÁVEIS e ESPETACULARES serviços prestados ao rock’n’roll mundial, os “vovôs” ingleses dos Rolling Stones (a maior banda de todos tempos, que já está acima do bem e do mal e que é o grupo supremo no coração zapper) voltam a surpreender o mondo rocker quando ninguém mais esperava lá um grande lançamento de estúdio com a assinatura do conjunto. Pois “Blue & Lonesome”, lançado pela turma de Mick Jagger, Keith Richards, Ronnie Wood e Charlie Watts há cerca de duas semanas não apenas salva o ano rock de 2016 (e até quase seu final se mostrava como um dos PIORES dos últimos tempos, em termos de novos discos), como ainda traz os RS em seu melhor momento desde, talvez, “Tattoo You”, o hoje já clássico álbum editado por eles em 1981. E detalhe: a nova obra stoniana, como milhões de fãs já estão sabendo, não traz composições inéditas do conjunto mas sim… uma impecável reunião de doze covers de clássicos do blues.

E há outros detalhes que também chamam a atenção em relação ao novo trabalho musical dos Stones. A banda não lançava um cd inédito há mais de uma década –  “A Bigger Band”, o registro de estúdio anterior, saiu há onze anos, em 2005. Pois após esse gigantesco período de “férias”, deu a louca em Jagger e cia: do nada eles resolveram se enfurnar em um estúdio em Londres, em dezembro de 2015. E não precisaram do que mais de três dias (!!!) para sair de lá com esse “Blue & Lonesome” totalmente gravado. Sendo que a opção por resgatar clássicos da história do blues a essa altura da existência da banda, parece fazer todo o sentido do mundo. Afinal e mesmo sendo quem são (a maior banda de rock’n’roll de todos os tempos), os Stones não se viram imunes à passagem do tempo e ao desgaste criativo e artístico. Tanto é que suas últimas tentativas de continuar produzindo material próprio e inédito, soaram bastante sofríveis (o citado “A Bigger Bang”), quando não francamente consgtrangedoras (caso de “Bridges To Babylon”, lançado pelo grupo em 1997 e que merecidamente desapareceu da memória até dos fãs mais mais aguerridos).

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O novo discaço da maior banda de rock de todos os tempos: só covers de clássicos do blues

Assim a opção por regravar clássicos da história do blues soa perfeitamente compreensível: ao invés de arriscar gravar novas composições inéditas e que pudessem novamente atestar o desgaste criativo do conjunto, os Stones fizeram um mergulho e uma viagem sem nostalgia às suas raízes bluesísticas – yep, a matriz sonora do grupo sempre foi o blues e o R&B, algo totalmente perceptível nos primeiros discos lançados pela banda. O resultado desse mergulho é algo portentoso: em doze faixas os “vovôs” dão sua visão sonora a canções de bluesmen lendários como Howlin’ Wolf, Memphis Slim, Little Water e Willie Dixon, de quem regravaram o imbatível clássico “I Can’t Quit You Baby” (e que anteriormente já havia sido “coverizada” por outro monstro da história do rock, o Led Zeppelin, que fez uma versão pesadíssima da música no seu disco de estréia, em 1969). Não só: os dois primeiros singles extraídos do disco (e que já ganharam vídeos promocionais) mostram a potência implementada pelo conjunto às regravações, e aí é um prazer ouvir Mick Jagger alternando vocais bluesy com solos de harmônica em “Hate To See You Go”. Ou ainda ver o trabalho de guitarra do gênio imortal que é Keith Richards em “Ride ‘Em On Down”.

Não teve erro, não deu ruim. Com “Blue & Lonesome” a maior banda de rock de todos os tempos apenas ratificou o que todos nós já estamos carecas de saber: quando os Stones querem APAVORAR, eles apavoram. E sem a existência desses velhões imbatíveis, o rock teria deixado de escrever e legar para a história da música muitas de suas paginais mais incríveis. Ainda bem que eles existem e que ainda estão aí, em plena atividade. Pois que não nos deixem órfãos tão cedo.

 

 

O TRACK LIST DO NOVO DISCO DOS ROLLING STONES

1.”Just Your Fool”

2.”Commit a Crime”

3.”Blue and Lonesome”

4.”All of Your Love”

5.”I Gotta Go”

6.”Everybody Knows About My Good Thing”

7.”Ride ‘Em On Down”

8.”Hate to See You Go”

9.”Hoo Doo Blues”

10.”Little Rain”

11.”Just Like I Treat You”

12.”I Can’t Quit You Baby”

 

 

“BLUE & LONESOME” PARA AUDIÇÃO COMPLETA, AÍ EMBAIXO

 

E OS DOIS PRIMEIROS VÍDEOS TIRADOS DO ÁLBUM

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

Disco: o novo e fodástico dos Rolling Stones, óbvio.

 

Livro: “A segunda mais antiga profissão do mundo” (editora Três Estrelas) reúne textos publicados pelo genial, saudoso e inesquecível Paulo Francis no jornal Folha De S. Paulo, nos anos 90’. É um livro ESSENCIAL para se compreender boa parte da história política e cultural brasileira nas últimas três décadas, além de uma AULA de jornalismo onde Francis, impecável como sempre foi em seu trabalho, mostra para a geração atual porque ele foi talvez o maior nome da imprensa nacional  nos anos 70’, 80’ e 90’. A escrita de PF carregava tudo o que falta à mídia nos dias de hoje: honestidade, sinceridade, virulência, cultura, informação, elegância e erudição. Ele faz muita falta. Mas ao menos podemos relembrar sua pena magnífica através desse volume imperdível.

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Gig total rock’n’roll pra hoje: os Pin Ups, ícone máximo do indie guitar noise paulistano e nacional dos 90’, continuam a toda ao vivo. E fazem a última grande balada noturna alternativa do ano hoje, sextona em si (16 de dezembro, quando esse postão está enfim sendo finalizado), lá no Z Carniceria (que fica na avenida Faria Lima, 724, Pinheiros, zona oeste paulistana). A banda sobe ao palco por volta da meia-noite e é a pedida imperdível pra hoje à noite, sendo que mais infos sobre o show você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/1116619501802465/.

 

Evento bacana para janeiro: é o festival “Volume Morto”, qie vai rolar dia 15 do mês que vem, logo  no comecinho de 2017, em Sampa. Organizado por Jonnata Araújo (vocalista dos esporrentos e ótimos Garotos Solventes), vai reunir shows de várias bandas alternativas, exposições, performances e até LEITURAS, a cargo de Zap’n’roll (que foi convidado a participar, aceitou e ainda vai estudar o que irá ler no palco, durante um dos intervalos entre as gigs dos grupos que irão tocar). Vai ser num domingão, e promete ser bacanão sendo que voltaremos a falar do assunto após as férias do blog, que começam semana que vem. Mas você já pode ir se agendando pra curtir a parada, e se informar sobre ela aqui: https://www.facebook.com/events/2063098163916451/.

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Baladas para este finde: final de ano já aí, natal e reveillon se aproximando e as baladas under já também tirando o time de campo. Assim, fora o showzão de hoje à noite dos Pin Ups, pouco há pra se fazer neste finde em Sampa, sendo que semana que vem todo mundo já estará pensando mais é em pular fora de Sampalândia pra algum lugar sussa e sem a correria infernal da capital. Bien, hoje também tem show da lenda Harry (junto com o Garage Fuzz) lá no Torto Bar, em Santos (avenida Siqueira Campos, 800).///Sabadão? Boa pedida é ir tomar uma breja no bar teatro Cemitério De Automóveis, do queridão Mario Bortolotto, lá na rua Frei Caneca, 384, Consolação, centro de Sampa.///E domingão, como sempre, é noite de projeto Grind na Loca (rua Frei Caneca, 916), a melhor domingieira rock’n’roll de Sampa e há dezoito anos (!!!) comandada pelo super dj André Pomba. Falouzes? Então capricha no modelon e se joga!

 

E FIM DE FEIRA

Yep. Postão chegou ao fim. E com ele esse 2016 dos infernos também está indo finalmente e felizmente pra casa do caralho. Semana que vem voltamos com o ÚLTIMO post do ano do blog zapper. Publicando nele nossa rápida e pequena lista com os melhores discos do ano. E TAMBÉM, de presente de natal, um ENSAIO FOTOGRÁFICO rock’n’roll que vai enlouquecer nosso dileto leitorado, ainda mais nesses tempos total reaça em que estamos vivendo. Pela primeira vez o blog irá mostrar um CASAL rocker bacaníssimo em sua INTIMIDADE. Ficou curioso? Beleusma: deixamos já aí embaixo, pra fechar este post, um APERITIVO do que virá na semana que vem. Apreciem sem moderação. E até a próxima!

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(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 16/12/2016 às 17hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL, falando do fechamento (infelizmente) de mais uma casa clássica do circuito alternativo paulistano, além de comentar sobre os novos discos dos Rolling Stones e dos Raveonettes e também dando o roteiro cultural e de baladas do blog – Em post especial o blog zapper sempre antenado apresenta o Holy White Hounds, nova banda que está dando o que falar no circuito indie dos EUA (e, de quebra, ainda traz uma entrevista com a turma) mas ainda total desconhecida no Brasil; o fim (infelizmente) de mais uma LENDA do circuito de bares alternativos da noite rocker paulistana; com o final de mais um ano (esse trágico e pavoroso 2016) chegando damos um “recuerdo” em algumas das melhores e mais gatíssimas musas rockers que já passaram pelo blog, repostando uma seleção de fotos tesudíssimas das garotas; e dessa vez o papo é seríssimo: 2017 será mesmo talvez o último ano de um espaço virtual (esse aqui mesmo) que há treze anos dá o que falar na blogosfera BR dedicada ao rock alternativo e a cultura pop; e mais um ano na vida do já velho (mas jamais obsoleto) jornalista rocker/loker e que está completando hoje 5.4 de existência (postão ampliado e total finalizado em 2/12/2016)

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O novo post do blog entra no ar no dia em que o jornalista eternamente rocker completa mais um ano de vida, motivo para celebrar com boas novidades no indie rock como a banda americana Holy White Hounds (acima) e também para recordar momentos da trajetória jornalística do zapper (abaixo, ao lado do guitarrista Dado Villa-Lobos, eterno Legião Urbana) e de algumas das MELHORES musas bocetudas que passaram por Zap’n’roll nos últimos anos, como a sempre total delicious Jully De Large (abaixo)

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FECHANDO O POSTÃO: O DESGOVERNO GOLPISTA METENDO NO CU INCLUSIVE DA COXARADA QUE O APÓIA, POR QUE OS STONES SÃO FODA MESMO VELHOS E O MERDALLICA NÃO, O NOVO DISCO DOS RAVEONETTES E O FECHAMENTO DE MAIS UM INCRÍVEL BAR ROCK DE SAMPA

  • Madrugada no pequenino infinito particular do zapper maloker. Passam dois clips em sequência na MTV – yep, o jornalista blogger geralmente deixo a TV ligada no canal musical (ou em outros, vai zappeando de quando em vez pra ver se tá passando algo bacana no Bis, no Canal Brasil ou nos canais de filmes), som baixinho, enquanto lemos ou teclamos na tela do note. Os vídeos em questão são dos novos singles do MERDALLICA e da banda suprema do nosso coração, os velhíssimos e até hoje bacaníssimos e insuperáveis Rolling Stones. Pois então, a audição/visão dos dois um atrás do outro (de resto, já estão há algum tempo no YouTube) permite a qualquer pessoa mais racional e imparcial concluir o óbvio: enquanto o hoje INSUPORTÁVEL quarteto heavy merdal americano repisa clichês musicais ad infinitum e passa vergonha alheia total com uma sonoridade que emula da pior forma possível o que eles já fizeram muito bem, os velhinhos ingleses, quase duas décadas mais velhos que os integrantes do Merdallica, dão show de bola: ao invés de se arriscar a gravar material inédito (e possivelmente ruim) para um novo disco de estúdio, os Stones reviraram um baú de clássicos do blues e saíram do estúdio com um compêndio de faixas escritas por gigantes como Howlin’ Wolf, Memphis Slim, Magic Sam, Little Water e Willie Dixon. Nunca é demais lembrar: a essência do som stoniano é o blues e o R&B, que formatou as melodias e as letras magistralmente compostas por Mick Jagger e Keith Richards. Assim “Blues & Lonesome”, o novo álbum das Pedras Rolantes (o primeiro de estúdio em mais de uma década) chega ao mundo hoje, 2 de dezembro, quando este postão está sendo enfim finalizado. Foi gravado em apenas e inacreditáveis duas semanas, em um estúdio em Londres. E já chega com pinta de DISCAÇO, a julgar pelo que a banda mostra no vídeo de “Hate Too See”. É um prazer auditivo inenarrável ver um “velhinho” como Jagger (que está com 73 anos de idade!) dando sangue nos vocais e inclusive debulhando uma harmônica, além do restante do grupo que também mata a pau na moldura instrumental.

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Os Rolling Stones (aqui, em imagem clássica dos sixties): mesmo VELHÕES eles continuam FODÕES

  • Já o pobre Merdallica… dá engulhos e irritação ver/ouvir o vídeo de “Moth Into Flame” (do novo disco dos velhacos merdaleiros cafonas, “Hardwired… To Self Destruct”). Um amontoado de clichês e POSES regurgitando o que o conjunto já fez e repetiu zilhões de vezes ao longo dos seus 35 anos de existência. Só para soltar essa BOMBA nova o quarteto levou OITO anos. E passou quase um ano no estúdio gravando essa porqueira que certamente ainda vai faturar alguns milhões, tirados dos bolsos dos eternos fãs otários – essa porra de banda, inclusive, é o headliner do Lollapalooza BR 2017, na primeira noite do festival. Na boa: o Merdallica já deveria ter pedido pra sair há uns 20 anos, pelo menos. Seu heavy/thrash merdal BURRÃO, reacionário, machista, envelhecido, ultrapassado e conservador é bem a cara da humanidade atual. E é TUDO o que o rock’n’roll NÃO precisa nos dias de hoje.

 

 

  • A imunda política brasileira deu mais um show de sujeira e oportunismo aproveitando a comoção nacional pela desastre aéreo que vitimou todos os jogadores da Chapecoense, e na calada da madrugada de ontem (quinta-feira) RETALHOU o projeto contra a corrupção durante a votação do mesmo no plenário da Câmara em Brasília. O que foi aprovado se transformou em uma colcha de retalhos do que era o texto original. Beleusma. Com isso a Lava Jato ameaça ir pro saco. E a COXARADA BURRA, estúpida, egoísta e idiota pressentido que vai se foder também, voltou a BATER PANELAS (ulalá!) na noite de ontem. Pois que os coxas se FODAM e levem no CU desse desgoverno golpista sem dó, como nós (que não apoiamos e nunca iremos apoiar essa QUADRILHA DE BANDIDOS que assumiu o poder no país vira lata de população otária) já estamos levando.

 

 

  • A sempre legal dupla dinarmaquesa The Ravevonettes ainda vive! Anunciaram disco novo agora para dezembro e já soltaram single novo do mesmo, a noise e tristonha “Fast Food”, que você pode conferir aí embaixo, junto com os vídeos do Merdallica e dos Stones, citados mais acima.

 

  • Também vai sair single novo dos imortais Smiths (outra das cinco bandas da nossa vida). Trazendo versões demo remixadas e nunca antes lançadas de “The Boy With The Thorn In His Side” e de “Rubber Ring”, sendo que o blog tinha esse single magnífico em vinil de 12 polegadas e rotação 45rpm, que compramos quando ele saiu no Brasil, lá na saudosa Devil Discos, na galeria do rock (isso lá por 1986…)

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  • Fechando a tampa: ainda estamos chorando, viúvas que somos, o fim do Matrix bar em Sampa. E nem nos recuperamos da notícia e estoura outra bomba já quase no final desta semana (o blog está sendo finalizado na sextona em si, 2 de dezembro): o Inferno Club, um dos mais tradicionais espaços do rock underground no baixo Augusta (na capital paulista), também acaba de anunciar que vai encerrar atividades agora em dezembro após uma década de ÓTIMOS serviços prestados ao rock’n’roll. Zap’n’roll perdeu a conta das noites sensacionais que passou por lá, assistindo gigs inesquecíveis de grupos nacionais (Vanguart, Forgotten Boys etc.) e gringos (como o americano Bellrays, que foi realmente fodástico). E também perdeu a noção das loucuras que aprontou por lá, como a que está registrada na imagem abaixo: o jornalista loker/maloker fazendo BACKING VOCALS (uia!) na música “Do amor de morte”, durante um dos inúmeros shows que o sempre bacanudo grupo Daniel Belleza & Os Corações Em Fúria apresentou por lá. Estas linhas online estão em contato com o chapa Joe Klener (o proprietário do Inferno), para que ele diga algumas palavras rápidas sobre o fechamento da casa. E colocamos suas declarações aqui assim que elas chegarem até nós. Mas de qualquer forma é isso: 2016 que não acaba nunca vai fechando sua conta funesta como o ano MAIS PAVOROSO para a cena independente nacional nos últimos tempos. E ainda tem “brog” ilha da fantasia indie que ENGANA seus leitores (né, Popload…), insistindo na tese de que a cena indie nacional vive seu melhor momento. Ahahahahahaha.

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Zap’n’roll faz a linha rock star, cantando com Daniel Belleza no Inferno Club (que infelizmente vai fechar) em Sampa, anos atrás

  • Adendo: já está EVIDENTE que o avião da tal Lamia que caiu matando quase todo o time da Chapecoense, foi pro saco por falta de combustível. Ou seja: ele deveria ter sido REABASTECIDO antes do seu destino final. E não o foi, por aparentemente CONTENÇÃO de GASTOS. E assim fica mais uma vez demonstrado que a GANÂNCIA e IRRESPONSABILIDADE humanas não têm limites. E essa ganância sem limites produziu mais uma tragédia (que poderia ter sido evitada), ceifando 71 vidas.

 

 

  • É isso. Agora fim de transmissão mesmo! Semana que vem estamos na área novamente, no penúltimo post do blog neste pavoroso 2016.

 

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5.4 de existência rocker.

Não é fácil chegar a quase cinco décadas e meia de uma vida que foi, quase toda ela, movida a paixão por conhecimento, por cultura pop, por rock’n’roll – e também por muito sexo e drogas. E se até alguns anos atrás muito inimigos covardes e ferozes de Zap’n’roll acusavam (através de postagens fakes no painel do leitor deste espaço virtual) o autor deste blog dos mais variados absurdos, entre eles o de escondermos nossa idade (por algum tipo de problema emocional em relação a isso) hoje, quando completamos mais um ano nesse mundo sempre cinza e bastante desalentador, o já velho (mas nunca obsoleto) jornalista não tem o menor pudor em assumir seus cinqüenta e quatro anos de vida, que estão sendo completados hoje, sábado. E num (quase impossível) resumo dessas mais de cinco décadas o jornalista zapper pode se gabar de ter tido uma trajetória profissional e pessoal de fato total rock’n’roll. Até o momento foram trinta anos de jornalismo musical (trabalhando/colaborando e escrevendo nos principais veículos de mídia impressa do Brasil, e também produzindo textos e material jornalístico para a chamada imprensa alternativa), treze deles dedicados apenas a este blog. E com passagens por revistas como Somtrês, IstoÉ, Bizz, Interview e Rolling Stone, além de jornais como FolhaSP, Estadão e Gazeta Mercantil, o autor deste espaço online viu e ouviu muito ao longo dos anos. Escutou zilhões de discos e bandas, perdeu a conta de quantos shows e filmes assistiu, de quantos livros leu, de quantas milhões de enfiações de pé na lama em álcool e drugs participou em baladas loucas na noite sem fim de Sampa e em muitas outras cidades pelo país afora. Foram no final das contas tempos gloriosos e bacanas e onde tudo era muuuuuito diferente do que é hoje. O mundo era  muito mais liberal e menos careta no comportamento, as pessoas respiravam e buscavam informação e cultura que valia a pena, não havia intolerância de ordem comportamental, social, sexual, político, religiosa ou de raça. Não havia (não nos níveis que vemos hoje em dia) moralismo hipócrita e conservadorismo exacerbado dominando o pensamento das pessoas. E o mundo e a raça humana pareciam mais felizes, enfim. Trinta anos depois estamos como estamos: a humanidade parece ter regredido aos tempos da Idade das Trevas no pensamento e em seu comportamento. Uma nova e assustadora onda mega neo conservadora de direita avança por todo o planeta (nos EUA, na Europa e também aqui no bananão brazuca) e isso, no final das contas, se reflete também no rock’n’roll e na cultura pop atual. Ambos nunca estiveram tão irrelevantes, desinteressantes e conservadores como nos dias que correm. Talvez por isso mesmo estas linhas bloggers rockers estejam cada vez mais com dificuldade de encontrar boas pautas para publicar aqui. E talvez também por conta disso nós finalmente iremos dizer adeus ao nosso dileto leitorado (que nos acompanhou durante todos esses anos) agora em 2017. Claro, se estas linhas zappers chegarem mesmo ao seu fim iremos produzir outro blog, com um possível leque mais amplo de assuntos a serem abordados em nossa linha editorial. Mas por enquanto ainda seguimos aqui e fazendo o que sempre fizemos bem ao longo de três décadas de jornalismo musical e cultural: indo atrás de novidades – e nesse post que começa agora, entrando no ar em pleno dia dos nossos 5.4 de vida, a novidade se chama Holy White Hounds, nova banda bacana do circuito indie americano e que é apresentada aos brasileiros pelo nosso corespondente nos Estados Unidos, Felipe Almeida. É a forma de nos manter aqui, ao lado de quem nos lê: velhos já, sim. Mas nunca obsoletos, rsrs. É a melhor forma de comemorarmos mais um ano em um mundo e em um planeta que, definitivamente, não é mais o mesmo e que já foi muito mais legal. Então o que nos resta é continuar sendo essa autêntica trincheira de resistência, para que este velho mundão novamente assombrado por reacionarismo e populismo fascista sobreviva a tudo isso e, quem sabe, volte a se tornar novamente um lugar bacana pro ser humano viver e ser feliz.

 

 

  • O blogão não é essencialmente sobre temas políticos (mas está, de alguns pra cá, cada vez mais político em suas postagens). Mas entrando no ar no sabadão em que o sujeito aqui chega aos 5.4 de existência, não dá pra deixar de abrir as nossas notinhas iniciais sem mencionar a morte daquele que talvez tenha sido o maior mito político da humanidade no século XX. Véio Fidel Castro se foi enfim ontem, aos noventa anos de idade. Você pode amá-lo ou odiá-lo. Mas jamais ignorá-lo. É isso: o mundo realmente chegando ao fim. Ao menos como o conhecíamos. Rip.

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  • E foi a semana, na política, em que a IMUNDICIE continuou avassalando Brasília. Pelo menos Geddel, o pilantra, foi defenestrado. Já é o SEXTO ministro do desgoverno GOLPISTA a ter que ser ejetado de sua cadeira. Agora o sempre valente PSOL vai pedir o impichamento do próprio mordomo de filme de terror que ocupa o Palácio do Planalto. Vamos ver se rola…

 

 

  • E já indo pra música e pro rock’n’roll: o novo álbum do MERDALLICA, lançado na semana passada, teve o que merecia: ser ignorado pelos fãs e levar várias porradas das resenhas mais honestas e corajosas, publicadas pela rock press mundo afora. Vem cá: você acha que esses VELHOTES total OBSOLETOS ainda merecem algum crédito de alguém? Pensa…

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O Merdallica PEIDOU seu novo disco e teve a acolhida merecida: fãs nem aí e crítica dando porrada no cd

  • A edição 2016 do SIM São Paulo (Semana Internacional de Música) que rola na capital paulista de 7 a 11 de dezembro próximo, vai ter dezenas de atrações bacanas como shows, palestras, debates etc. envolvendo o povo que ainda faz a cena alternativa musical funcionar. E um dos destaques da programação será a estréia nacional do documentário “Supersonic”, que desvela em detalhes o início da carreira do amado Oasis e a ascenção do grupo dos manos Gallagher na Inglaterra, nos anos 90’. A exibição acontece dia 10 de dezembro no Centro Cultural São Paulo (que fica na rua Vergueiro, 1000, zona sul da cidade), às três e cinco da tarde e a entrada é gratuita (os ingressos precisam ser retirados com uma hora de antecedência). Claaaaaro que estas linhas online prevêem que vai haver tumulto pra assistir o filme mas iremos lá, TENTAR ver o mesmo. Já a programação completa do SIM você pode conferir aqui: http://www.simsaopaulo.com/pb/.

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O super documentário do Oasis: passa dia 10 de dezembro em Sampa, dentro da programa do SIM

  • E a situação anda preta, mas tão preta para o rock’n’roll mundão afora que a lendária marca de guitarras Fender vai lançar uma campanha nos EUA, para IMPLORAR aos jovens para que eles NÃO DEIXEM DE COMPRAR… guitarras! Jezuiz…

 

 

  • E ELA continua sendo um BO CE TA ÇO. Quem? Miss Luciana Gimenez, claaaaro! A comprovação está aí embaixo, nessa foto que ela postou em seu Instagram, anteontem. É, véio Mick Jagger passou mesmo muito bem anos atrás, hihihi.

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  • Final do ano chegando (acaba logo 2016, que você não vai deixar NENHUMA saudade) e começam a pipocar as já célebres e maletas listas de melhores do ano. Uma das primeiras é a do top 50 da NME, sendo que ela dá bem a dimensão de como o ano foi RUIM para o pop e o rock – aliás a música só PIORA de qualidade de anos pra cá, já repararam? Pior são os nossos queridos blogs “vizinhos” (como o inefável Pobreloa…, quer dizer, Popload), que ainda fazem o maior carnaval em torno dessas listinhas meia boca, ulalá! Enfim, se alguém quiser conferir a tal lista da NME, vai lá: http://www.nme.com/list/nme-best-albums-2016-1869261.

 

 

  • E não, Zap’n’roll não vai aderir a essa bobagem de publicar listas esse ano. O blog quer mais é que 2016 desapareça o mais rápido possível, sendo que 2017 também promete ser tenebroso para o rock e para a cultura pop. Infelizmente…

 

 

  • Mas nem tudo é tristeza e lágrimas, uia! Hoje o blogger loker zapper comemora mais um aninho de vida. E pra comemorar não tem melhor jeito: vai rolar DJ SET FODONA do blog neste domingo (leia-se amanhã) no projeto Grind, a domingueira rock mais clássica e classuda da noite paulistana, há 18 anos no ar! Acontece na Loca, que fica lá na rua Frei Caneca, 916 (pertinho do metrô Consolação, região central de Sampa), a partir da meia noite. Cola lá que iremos garantir sua diversão com muito anos 80’, pós-punk e britpop na pista, uhú!

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  • Mas enquanto o domingão não chega e com ele nossa discotecagem no Grind, bora ler aí embaixo sobre a nova sensação do indie rock americano, o Holy White Hounds.

 

 

EXCLUSIVA DO BLOG ZAPPER – DIRETO DOS EUA ENTREVISTAMOS O HOLY WHITE HOUNDS, NOVA SENSAÇÃO DO INDIE ROCK AMERICANO

 

(por Felipe Almeida Nally, de Orlando/EUA, especial para Zap’n’roll)

 

Des Moines, a Capital do pacato Estado de Iowa, é mais conhecida aqui nos Estados Unidos como um dos principais pólos do Agronegócio e do ramo de seguros. Distante dos principais centros culturais como Nova Iorque, Los Angeles e Chicago, a cidade é responsável por abrigar uma das bandas mais interessantes da nova cena alternativa, o Holy White Hounds.

Fundada pelo vocalista Brenton Dean e pelo baixista Ambrose Lupercal a banda iniciou as atividades em 2005, porém só em meados de 2013, com a entrada do guitarrista James Manson e do baterista Seth Luloff, o quarteto começaria a pensar e compor o que seria o album de estréia, “Sparkle Sparkle (Razor & Tie)”, lançado em 2015.

A banda esta na segunda perna da turnê norte americana de divulgação do CD, abrindo os shows dos The Pretty Reckless, e bateu um rápido porém muito bem humorado papo com Zap’n’Roll, minutos antes da apresentação na lendária casa de shows House Of Blues, de Orlando. Os principais trechos da entrevista você confere aí embaixo.

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O quarteto americano Holy White Hounds: Pixies e Franz Ferdinand entre suas influências

Zap n Roll –  A banda tem pouco mais de 10 anos de existência, porém somente em 2015 o álbum de estréia foi lançado. Por que demorou tantos anos?

 

Brenton Dean – Eu e o Ambrose (baixista) começamos a tocar juntos em 2005, mas ainda não era muito serio, e sabíamos que não estávamos ainda preparados para gravar um álbum, esse processo demorou alguns anos, até que há aproximadamente 3 anos e meio o James e o Seth entraram para a banda, e as coisas começaram a tomar forma. O álbum foi produzido pelo Brandon Darner, que ja trabalhou com Imagine Dragons e Radio Moscow, ou seja um produtor tarimbado e que soube extrair a sonoridade que estávamos procurando.

 

Zap n Roll – “Switchblade”, o primeiro single do álbum, virou uma espécie de hit alternativo, as principais college radios daqui tocam a música varias vezes por dia, e esta há semanas no Top 10 Alternativo. Como vocês estão lidando com isso?

 

Brenton – Cara, é incrível, e realmente é isso que você falou, a musica é uma das mais tocadas no pais, é surreal. Inicialmente pensávamos que tocaria bastante na nossa cidade natal, mas a musica chegou ao primeiro lugar das paradas de alternative Rock, e superou nossas expectativas. Gravamos um clipe que esta com aproximadamente 400 mil visualizações no YouTube e estamos tocando muito, inclusive este show é parte da segunda perna da turne norte americana, que tem rodado a America toda.

 

Zap n Roll – Fale um pouco das influencias musicais da banda?

 

Brenton – Bom, quando iniciamos a banda ouvíamos muito The Hives, Franz Ferdinand e Nirvana. Depois, outras influências foram adicionadas, você cresce e ouve outros gêneros musicais, mas fazemos questão de tentar soar o mais original possível, claro que vira e mexe somos comparados com esse ou aquele artista. Pessoas dizem que temos uma dose de Queens of The Stone Age, uma pitada de Beck, um tempero de The Pixies, mas a gente procura não dar muita atenção e continuamos fazendo nosso som, sempre buscando algo autentico e original.

 

Zap n Roll – O fato de a banda ser de Iowa, distante de Nova Iorque e Los Angeles, atrapalha de algum modo a carreira do grupo?

 

James Manson – Na verdade, não. A banda mais conhecida da nossa cidade é o Slipknot, que tem uma sonoridade totalmente diferente da nossa e que coincidentemente eu morava perto de um dos caras. Mas hoje em dia com as mídias sociais, a musica chega em todos os lugares. E é legal eu falar algo. Apesar de termos um single em primeiro lugar nas paradas de Rock Alternativo quem dirige a van somos nós, ou seja, ainda precisamos percorrer um longo caminho, estamos no inicio mesmo. Nós montamos o palco, cuidamos do merchandise e tocamos. Aqui não tem frescura e nem vaidade, talvez por isso conquistamos o respeito de bandas com que temos nos apresentado juntos, como Cake, Cage the Elephant, Rob Zombie e agora os caras do The Pretty Reckless e dos The Struts.

 

Zap n Roll – Falando em tours, como esta sendo essa segunda parte dos shows?

 

Brenton – Está sendo muito legal, confesso que é bastante cansativo porque como te disse anteriormente, nós fazemos tudo. Nossa equipe é muito enxuta e dirigimos a van para os shows, alem de cuidarmos da venda de merchandise e montagem do palco, isso desgasta bastante. Temos feito shows praticamente todos os dias, então às vezes no dia off, passamos de repente 12 horas dirigindo para o próximo show, em outro Estado. Serão quase 35 shows, mas daremos conta do recado! (risos)

 

– James: Nos últimos 3 dias, se eu dormi  mais de 2 horas por noite foi muito, mas amamos fazer isso, e é o que escolhemos. É uma carreira muito difícil, sabemos dos sacrifícios, sentimos falta da família e de casa, mas agora é a hora da banda mostrar para que veio, e tocar para o maior numero de pessoas na America toda.

 

Zap n Roll – Daqui a pouco vocês sobem ao palco. O que vocês gostariam de dizer ao publico Brasileiro?

 

Brenton – Em primeiro lugar, muito obrigado pela oportunidade. A Zap n Roll é o primeiro veículo de comunicação do Brasil e da America do Sul que conversamos. Seria uma honra ir ao Brasil tocar. Obviamente sabemos da existência do Rock in Rio, que é um dos maiores festivais do mundo, da chegada do Lollapalooza em São Paulo, e lembro que você me contou desse festival anual realizado também em São Paulo…

 

Zap n Roll – Virada Cultural?

 

James – Exatamente. É incrível que uma cidade produza um evento que dure 24 horas seguidas, e tenha um monte de palcos espalhados pela cidade, de todos os estilos musicais. Muito interessante. Quem sabe, após a entrevista, a gente seja convidado, iríamos correndo! (risos)

 

Brenton – Ah, queria dizer também: Brasil, vocês estão com tudo, são a bola da vez. Continuem com essas mulheres incríveis, com esse povo animado mas não esqueçam de estudar, ou seja, tenham o pacote todo! (Risos)

 

Quer conhecer mais sobre a banda? Vai aqui: https://www.facebook.com/holywhitehounds/?fref=ts. Ou aqui: http://www.holywhitehounds.com/.

 

 

HOLY WHITE HOUNDS AÍ EMBAIXO

No video de “Switchblade”

 

O FIM DE MAIS UMA LENDA DA NOITE ROCKER ALTERNATIVA DE SAMPA

O mundo como o conhecíamos (e ele era ótimo até bem pouco tempo atrás) definitivamente não existe mais. E o mais recente capítulo final desse velho e saudoso mundo será agora, em 10 de dezembro. É quando irá fechar as portas o Matrix Bar Rock’n’roll, uma das últimas grandes instituições da noite alternativa da capital paulista.

Aberto em 1995 pelo popular Gigio (que antes já havia sido dono do Hoellisch, na praça Roosevelt, e também do Der Temple, na rua Augusta, sendo que foi neste que Kurt Cobain e Courtney Love passaram a madrugada se entupindo de cocaine, bolas e álcool após o show que o Nirvana fez no festival Hollywood Rock, no estádio do Morumbi, em janeiro de 1993) na rua Aspicuelta, na Vila Madalena (bairro boêmio, território de artistas e músicos e repleto de bares, restaurantes e ateliers de arte, na zona oeste paulistana), o Matrix logo se tornou um dos principais espaços para o rock alternativo em Sampa. A pista de dança era (e é, até hoje) minúscula, não havia (como nunca houve) palco para as bandas se apresentarem mas nada disso importava: o som dos DJs (no auge da casa, comandado por Aldo e Sérgio Barbo) era o MELHOR da noite under rocker e maluca, todas as bandas bacanas da indie scene paulistana dos 90’ tocavam lá e o buteco vivia lotado, principalmente de gatas lokas, deliciosas, tatuadas e xoxotudas – e sempre dispostas a ter atos LIBIDINOSOS com você, se o seu papo fosse bom e elas fossem com a sua cara.

E na porta, em pessoa e controlando o fluxo de clientes, ficava sempre o próprio Gigio, o dono da bagaça. Com seu eterno e imutável visual rockabilly, cara sempre fechada e mau humorada, ele ostentava uma feição de poucos amigos tipo “não me enche senão leva porrada!”. E por conta dessa cara “feia” e nada amiga, Gigio colecionou “elogios” ao longo dos anos como, por exemplo, “o sujeito mais antipático do circuito rock paulistano”. Pois é bom que se diga aqui e que se faça justiça a ele: além de ter sido proprietário de alguns dos espaços mais importantes para a cena alternativa da cidade nos anos 90’ e início dos 2000’, pelo menos com o autor deste blog Gigio sempre foi um LORDE e a educação em pessoa. Fora que nunca paguamos pra entrar no Matrix (afinal, além de ser jornalista que vivia envolvido com a cena under paulistana, o zapper loker era conhecido do Gigio desde o Hoellisch). Então passamos boa parte dos nossos anos loucos (entre 1995 e 2005, mais ou menos) indo sem parar no Matrix. E lá o loki aqui bebeu e deitou a napa com gosto nos banheiros do bar, além de dançar muuuuuito naquela pista. Teve uma época, inclusive, que Gigio resolveu fazer uma permuta com Zap’n’roll. Em troca de um banner no blog tínhamos uma consumação mensal generosa lá. Foi o caos, claaaaaro: Finaski saía invariavelmente detonado do buteco, após zilhões de doses de whisky com energético e muitas aspiradas em carreiras gordas de padê.

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Zap’n’roll METENDO O LOKO em DJ set insana no Matrix Bar, em 2001 (há quinze anos!) em Sampa; a lenda da noite rocker paulistana fecha as portas agora dia 10 de dezembro

Mas tudo o que é bom um dia chega ao fim, né? Foi há umas duas semanas que num papo com o também DJ Fabiano, lá na loja Baratos Afins, que ficamos sabendo que o Matrix vai fechar as portas, após 21 anos de ÓTIMOS serviços prestados ao povo que ainda curte rock alternativo em São Paulo. Tão importante quanto foi o Madame Satã e o Espaço Retrô (outras duas lendas da noite alternativa de Sampalândia em todos os tempos) nos anos 80’ e 90’ e, mais recentemente, o Astronete (já nos 2000’), o Matrix chega ao fim por alguns motivos como queda no movimento (não ta fácil pra ninguém e o país está mesmo no buraco, e sem melhora da situação à vista), queda do rock como o gênero musical preferido pela molecada (que, de fato, é quem sustenta a noite, e a molecada está cada vez mais EMBURRECIDA culturalmente e gostando cada vez mais de pop/dance eletrônico boçal, ou então de funk ostentação de quinta categoria, que é o que toca atualmente em bares MENTIROSOS no baixo Augusta, que se dizem de rock, e até já foram do rock, mas hoje entopem de gente graças ao open bar porqueira que fazem e a tocar funkeiras podreiras) etc. E, por fim, tem a questão do próprio Gigio: ele mora há anos em Florianópolis (Santa Catarinha) e vem todos os finais de semana (de avião) pra Sampa, pra cuidar do bar. O sujeito tá ficando velho (deve ser um pouco mais véio do que o sujeito aqui) e deve estar com o saco cheio já. Nós estaríamos, no lugar dele.

Então, segundo o Fabiano nos contou lá na Baratos, o Matrix fecha as portas com uma festa de despedida no próximo dia 10 de dezembro, sabadão em si. Vamos lá, óbvio. Além de ter se divertido horrores ali também fizemos algumas poucas mas ÓTIMAS festas rockers naquele lugar. Como uma em outubro de 2001 (lá se vão quinze anos…), para lançar a edição impressa daquela época da revista Dynamite e que trazia na capa uma entrevista feita pelo jornalista Finas com o baterista de um tal de The Strokes (conhecem? Rsrs), que então estavam estourando com tudo nos EUA e cujo primeiro cd estava sendo lançado no Brasil. Foi uma noite memorável e cuja recordação tá aí embaixo, numa das fotos deste tópico: o zapper de camisa social e gravata (tentando emular o visual da época do Julian Casablancas), discotecando total alucicrazy na também minúscula cabine de som do da pista de dança.

O mundo pode acabar, fato. Rock’n’roll planetário e brazuca quase morto, cultura pop falida e aos pedaços, ser humano bestial, conservador e reacionário como não era em pelo menos três décadas. Onde tudo isso vai dar não sabemos e nem queremos saber pois tivemos a sorte de curtir tudo o que pudemos e aproveitamos ao máximo também enquanto a humanidade ainda era muito mais culta, liberal no comportamento, louca e despudorada do que é hoje. Tivemos realmente essa sorte, disso não podemos nos queixar. E só podemos lamentar pela pirralhada boçal de hoje, que não viveu nada do que nossa geração viveu. E nem irá viver.

 

 

5.4 DE EXISTÊNCIA E 30 ANOS DE JORNALISMO MUSICAL – ALGUMAS IMAGENS QUE RESUMEM BEM ESSA TRAJETÓRIA DO JORNALISTA ETERNAMENTE ROCKER

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Entrevistando Robert Smith (The Cure) em janeiro de 1996

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Com Kim Gordon (ex-baixista do finado Sonic Youth) em São Paulo, em novembro de 2005

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Papos com Frejat, pós-show do Barão Vermelho, Sampa, 2014

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Divulgando edição da revista Dynamite, com Marcelo D2 e Pitty em Sampalândia, meados dos anos 2000′

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Novamente com Pitty, pela night de Sampa

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“Cercado” por Samuel Rosa e Lelo, do Skank, entrega do VMB 2009

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Entrevistando o Ira!, quase no natal de 2000″

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E novamente com Edgard Scandurra e Nasi, mas em 2014, após showzaço do Ira! em São Paulo

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Com povo loker/rocker (Cachorro Grande, Relespúbica) no festival Goiânia Noise, na capital de Goiás, final de 2014

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Abraço afetuoso em Helinho Flanders (Vanguart), em Sampa, 2016

 

RECORDANDO ALGUMAS DAS MELHORES MUSAS ROCKERS QUE JÁ POSARAM PARA ZAP’N’ROLL

Yep, ao longo dos seus treze anos de existência Zap’n’roll tinha (e ainda tem) um tópico de muito sucesso: a musa rocker da semana. Ali era sempre publicado um ensaio de imagens bacanas com garotas amigas ou conhecidas do autor dessas linhas bloggers poppers e que tinham uma formação cultural e comportamental total rock’n’roll. E cada uma delas que posou para o blog produziu seu próprio ensaio com as fotos, sendo que umas eram totalmente desinibidas (ou seja, ficaram totalmente peladas aqui) e outras foram, hã, mais “comedidas” na hora de se mostrar. Mas todas fizeram sucesso com seus ensaios, por serem gatíssimas e terem ótimo gosto musical e cultural.

O blog já está há 13 anos no ar e provavelmente vai ser extinto em 2017, dando lugar a um novo espaço online mais amplo no leque de assuntos (falando, por exemplo, muito de sociedade, política e comportamento, além da cultura pop e do sempre bom e velho rock’n’roll). Ainda estamos estudando o que iremos fazer nesse sentido. Fato é que os tempos atuais estão muito diferentes, mais reacionários e conservadores do que nunca, e talvez também por conta disso o tópico da musa rocker esteja meio ausente do blogão zapper. Assim, resolvemos fazer nesse post uma seleção de algumas das melhores musas que já passaram por aqui e republicamos algumas fotos das garotas.

São dez musas realmente tesudas e espetaculares que você se deleita e recorda a partir de agora, vendo as imagens das deusas aí embaixo.

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Neide R., 34, São Paulo

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Yasmin Takimoto, 20, São Paulo

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Solange De-Ré, 34, Florianópolis

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Bruna Vicious, 27, São Paulo

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Lili O., 28, São Paulo

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Fabi M., 27, São Paulo

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Michelle F., 27, São Paulo

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Madeleine A., 35, São Paulo

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Flávia S., 23, São Paulo

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Zap’n’roll e Jully De Large, São Paulo, 2014

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

  • Disco: “Crocodilo”, o segundo álbum de estúdio do grupo cearense (mas radicado em São Paulo) Jonnata Doll & Os garotos solventes, já é sério candidato a melhor cd de 2016, em um ano em que pouco ou nada digno de nota foi lançado na indie scene nacional (que só vive um “boom” na cabeça oca e delirante da ilha da fantasia indie que o blog Pobreloa…, quer dizer, Popload, insiste em impingir aos seu pobre leitorado). O grupo já foi bem mencionado nestas linhas bloggers rockers em nossas últimas postagens e quem nos acompanha sabe do que se trata: rock’n’roll básico e formatado em ambiências garageiras e proto-punk, com nítidos eflúvios de New York Dolls, The Stooges, Iggy Pop, glam rock, Bowie etc. Jonnata é um vocalista expressivo, escreve letras acima da média (versando sobre drogas, amores desmantelados, existência aos pedaços, caótica e turbulenta) e as músicas tem ótima performance instrumental, com destaque para o guitarrista Edson Van Gogh. “Swing De Fogo” (que abre o disco em levada pós-punk inglesa à la 80’), “Apesar de você ter tesão pela vida” (essa bastante stoniana), “Gari”, “Táxi” e “Cheira Cola” são faixas que REPELEM totalmente a caretice e o bunda-molismo que se instalou no rock independente nacional nos últimos tempos, fofo e MPB demais e ROCK (com guitarras barulhentas) de menos. Só por isso o conjunto já merece todo o crédito do mundo. Interessou e quer saber mais sobre eles? Vai aqui: https://www.facebook.com/jonnatadoll/?fref=ts. Ou aqui: https://jonnatadolleosgarotossolventes.bandcamp.com/. Sendo que o cd pode ser encontrado na capital paulista na Baratos Afins (WWW.baratosafins.com.br, fone 11/3223-3629).

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  • Livro: dos nomes mais conhecidos e respeitados do jornalismo cultural brasileiro nos anos 80’ e 90’, o brother Ademir Assunção está lançando HOJE, sexta-feira, seu novo romance. “Ninguém na praia brava” terá noite de autógrafos a partir das sete da noite no Patuscada – livraria, bar & café (e que fica na rua Luís Murat, 40, Vila Madalena, zona oeste de Sampa). Trata-se (se o blog não estiver enganado nas contas) do décimo terceiro livro publicado por Ademir, em uma produção literária que abarca poesia, ficção e romance. Não só: o loker também já lançou discos (com a banda Fracasso da Raça) e escreveu ótimas matérias para revistas como Somtrês e jornais como O Estado De S. Paulo, fazendo parte da última grande geração de jornalistas que valeu a pena serem lidos na imprensa cultural do país. Estas linhas online vão lá hoje prestigiar o lançamento do tomo e sugere que nosso dileto leitorado também compareça. E nos próximos posts voltaremos a falar de “Ninguém na praia brava”, podem esperar!

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  • Festival SIM São Paulo: como já falamos nesse mesmo post, nas notas inciais, começa na próxima quarta-feira, 7 de dezembro, a edição 2016 da Semana Internacional de Música na capital paulista. A programação é bastante extensa (mais de setenta e sete atrações, entre shows, palestras, debates e exibição de filmes) e variada. E você pode conferir tudo sobre o evento aqui: http://www.simsaopaulo.com/pb/.

Trailer do doc “Supersonic”, que conta a história do Oasis: vai passar na SIM São Paulo

  • Baladas em… baixa? Pois entonces, com a crise brava que assola o país afetando inclusive o circuito alternativo, ta cada vez mais difícil selecionar festas, gigs e eventos interessantes pra destacarmos aqui em nosso roteiro. Matrix fecha na semana que vem. Inferno Club também acaba de anunciar o encerramento das suas atividades. Assim só vai sobrar (principalmente no baixo Augusta) baladas com open bar porqueira e onde o que menos toca é rock, néan? De qualquer forma, bora lá: amanhã, sabadão em si (dia 3), rola a última edição deste ano da bacaníssima festa Call The Cops, comandada pelo DJ e chapa Ricardo Fernandes lá no Alberta (que fica na avenida São Luis, 272, centrão rocker de Sampalândia).///E também amanhã tem Smiths Cover tocando no Inferno Club (no 501 da rua Augusta), numa das últimas baladas que irão rolar no tradicional bar rocker e que infelizmente também vai fechar as portas ao apagar de 2016. Beleusma? É isso. Capricha na produção do visu e se joga!

 

 

TODO CARNAVAL TEM SEU FIM

Inclusive o do postão do blog. Ficamos por aqui mas na semana que vem a gente volta, com o penúltimo post zapper deste ano. Até lá então, com beijos no coração de todos os nossos leitores.

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 2/12/2016 às 17hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL: na madrugada mais triste deste final de um horrendo 2016 o blog chora a morte do gênio, poeta e mestre Leonard Cohen, além de lamentar profundamente a vitória de Trump na eleição americana (e mais o conteúdo que já estava no postão) – A humanidade e o país vira lata (o Brasil) se curvam cada vez mais diante da mega reacionária nova onda ultra conservadora planetária (com Donald Trump ameaçando virar presidente dos EUA e com políticos como João Escória e bispo Crivella assumindo o comando das duas maiores cidades brasileiras); e talvez o grande rock’n’roll de nomes como Brian Jonestown Massacre seja um dos pontos de resistência a esse avanço conservador na sociedade; por que The Strokes e Duran Duran podem ser as melhores atrações do Lollapalooza BR 2017; e a cena indie nacional REAL e que vale a pena (e que você só encontra aqui) destaca o grupo cearense (mas radicado atualmente em Sampa) Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, que inclusive tocam HOJE na capital paulista ao lado do também sensacional Rios Voadores; e blog entrevista a lindinha estudante carioca de apenas dezesseis anos de idade e que causou furor essa semana na web mundial com um tuíte seu zoando a coxarada brazuca imbecil que está apoiando Donald Trump, uia! (postão de LUTO e total finalizado, em 11/11/2016)

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O rock’n’roll planetário atual segue na UTI mas ainda assim se mantém vivo através de ótimas bandas, já veteranas ou novas, e também de ótimos discos; é o caso do americano Brian Jonestown Massacre (acima) e do brasileiro Jonnata Doll & Os Garotos Solventes (abaixo), que acabam de lançar seus novos álbuns

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A música mundial perde um gênio GIGANTE e o pavoroso 2016 nos deixa ainda mais tristes: o bardo canadense Leonard Cohen (acima) morreu ontem (10/11/2016), aos 82 anos de idade

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SILÊNCIO ENSURDECEDOR NA MÚSICA MUNDIAL – 2016 MALDITO NOS TIRA TAMBÉM O GÊNIO, MESTRE E BARDO CANADENSE LEONARD COHEN

O blog está chocado e desalentado na alma. Um arrepio triste e sinistro percorre tudo. Este Finaski costuma ficar bastante melancólico quando fica sabendo do falecimento de alguém querido, mesmo que não seja uma pessoa exatamente do nosso onvívio pessoal. Quando se trata então de um ARTISTA que admiramos muito ou pelo qual temos devoção, nossa alma e coração costumam se despedaçar e ficar totalmente cinzas, mais do que já são habitualmente. Foi assim que ficamos em janeiro desse ano, quando Bowie nos deixou.

E é assim que nos sentimos exatamente agora, quando todos nós que conhecemos e veneramos o GÊNIO, POETA e MESTRE Leonard Cohen, ficamos sabendo do seu desaparecimento. O canadense que deu ao mundo da música algumas de suas canções e discos mais sublimes morreu na noite desta quinta-feira, aos 82 anos e poucas semanas após lançar seu epitáfio musical, outro álbum magistral e lindamente triste, sobre o qual comentamos aqui mesmo, no último post.

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O mestre e poeta (acima) e seu último disco (capa abaixo), lançado há poucas semanas: canções eternas na história da música

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E assim 2016 vai chegando ao seu final (ano maldito, que não acaba nunca), deixando atrás de si um rastro de horror social, econômico e político e uma série de perdas artísticas irrecuperáveis e como há muito não se via nesse mundo cada vez mais desolador e que abriga uma raça humana cada vez mais esfacelada, bestializada e sem ídolos (culturais ou políticos) que possam novamente engrandecer o homem e mostrar-lhe um caminho correto e seguro a seguir.

RIP velhinho GIGANTE. E gratidão por tudo o que você legou para a música e para a humanidade. Se houver alguma outra estação além desta aqui que é o verdadeiro INFERNO, esperamos encontrá-lo um dia, onde quer que você esteja.

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E A VITÓRIA DE TRUMP NOS EUA, OH SHIT!

Yep, contrariando todas as previsões o ogro e boçal bilionário americano Donald Trump levou a melhor nas eleições presidenciais nos EUA. O que isso vai significar para o restante do mundo (e provavelmente não vai significar nada alentador para a humanidade, já vivendo tempos mega sombrios) só saberemos com o tempo.

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As manchetes ATÔNITAS dos jornais americanos (acima): um BOÇAL assume o comando da maior potência do mundo

Mas um fato é inquetionável: a onda ultra neo conservadora avança no planeta, Brasil incluso. E a continuar dessa forma em breve estaremos de volta à Idade Média, quando bruxas eram queimadas em praça pública. E isso em plena era da web e da tecnologia plena, quando as pessoas deveriam estar mais informadas e avançadas no comportamento do que nunca.

Pelo jeito, está dando TUDO ERRADO no final das contas. E infelizmente…

 

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UP TO DATE – O ESPORRO SONICO DE JONNATA DOLL E RIOS VOADORES SEMANA PASSADA EM SAMPA

O cérebro e o sistema auditivo do autor deste blog ainda continuam completamente aturdidos uma semana depois do que vimos/ouvimos ao vivo no Z Carniceria (onde um dia existiu o lendário Aeroanta), em Pinheiros (zona oeste de Sampa). E falamos isso com muita seriedade, se é que se pode definir essa afirmação dessa forma.

Primeiro veio Rios Voadores e sua psicodelia e tropicalismo em ponto de bala, com discão recém-lançado e que rendeu muito no palco. A vocalista Gaivota vestida de noiva loker (à la… Tim Burton) exibiu performance vocal e corporal impecável, sustentada melódica e instrumentalmente por uma banda que já uma das melhores da cena indie nacional nesse momento.

E depois veio Jonnata Doll & seus garotos (putos, selvagens, alucinados, desvairados, alucicrazies) solventes. Dissolveram TUDO no lugar ESPORRANDO um proto garage rock barulhento, cru, furioso, sustentando músicas e letras de completa subversão da moral, da ética e do comportamento “normal” (careta e reaça, na real) do grosso da sociedade atual. Sexo, drogas, desajuste e desencanto emocional, existência em devassidão e junkismo total. Alma e corpo marginais e entorpecidos de loucura total – Jonnata começou a gig trajando calça, coturno e camisa berrante vermelha. Terminou vestindo apenas uma demente e ordinária CALCINHA fio dental (e nope, ele não é gay, namora com a gata Marcelle; talvez seja alguma espécie de criatura pansexual), sendo que no transcorrer da fodelança sônica o loker se jogou no palco, no meio do público (parte dele, formado por COXAS e patricetes caretas e endinheiradas, CHOCADO com o que estava presenciando saiu em debandada antes da apresentação acabar), se esfregou num tapete, seu PAU insistia em ficar pra fora da calcinha mínima e quando a cantora convidada (a também gata loka total Laura Diaz) subiu ao palco os dois se engalfinharam, e aí os PEITOS dela também voaram pra fora da blusa (sem sutiã, vale exarar).

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Esporro rock’n’roll total e como o blog talvez JAMAIS tenha visto no rock BR  em muitos anos: Jonnata Doll & seus garotos solventes detonaram no palco do Z Carniceria em São Paulo, com Jonnata começando a gig VESTIDO (acima) e terminando a apresentação apenas de… calcinha! (abaixo)

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Lou Reed iria pirar, com certeza. Idem Bowie em sua fase Ziggy BICHAÇA LOKA Stardust. Iggy Pop (que se cortava no palco com gilete, na época gloriosa dos Stooges)? Amaria e pediria a banda em casamento. Este blog? Acha que nunca viu NADA IGUAL no rock nacional – e olha que são mais de 30 anos vendo gigs de bandas brasileiras, das nanicas às gigantes.

Rock’n’roll é isso, sempre foi e sempre será. Transgressão, fúria, subversão, garagismo, psicodelia, tropicalismo, tudo junto e misturado como fizeram semana passada Rios Voadores e Jonnata Doll. Um CHUTE NO SACO E NO CU do HORRENDO rock brazuca de hoje, quase morto, total careta (quando não conservador e reaça), moralista, babaquinha, com letras estúpidas e músicas idem. Não é à toa que as duas bandas que botaram fogo no Z Carniceria estão subindo como foguete na ampliação do seu público e na repercussão midiática (olha o Jonnata aê, que está participando da atual turnê que comemora os 30 anos do lançamento do primeiro disco da Legião Urbana, e tocando junto com os ex-legionários Dado e Bonfá).

Longa vida aos Rios Voadores e ao Jonnata Doll & os garotos solventes, é o que deseja sinceramente Zap’n’roll!

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O ASSUSTADOR E ULTRA PERIGOSO AVANÇO DO NEO CONSERVADORISMO RADICAL E REACIONÁRIO, NO BRASIL E NO MUNDO

Um tema mais do que apropriado e necessário para o editorial de abertura deste post de Zap’n’roll (cuja primeira parte está entrando no ar hoje, sexta-feira. Uma semana que está chegando ao fim pautada por vários assuntos, sendo que um dos principais foi a vigília montada por alguns dos nomes mais expressivos da arte e da cultura brasileira, para lembrar os 24 anos do massacre de presos do finado presídio do Carandiru em São Paulo, quando 111 detentos foram MASSACRADOS E FUZILADOS SEM DÓ pela polícia militar de São Paulo. Esta vigília, ocorrida entre a última terça e quarta-feira, foi organizada pelo artista plástico Nuno Ramos. Durante 24 horas seguidas, com transmissão ao vivo pela internet, alguns dos mais expressivos nomes da cultura nacional se revezaram para ler repetida e continuamente os nomes dos cento e onze detentos que foram mortos pela polícia militar de São Paulo em 2 de outubro de 1992, quando a tropa de choque entrou no presídio do Carandiru para conter uma rebelião. Pois causou choque e horror ao blog se deparar com as mensagens e manifestações publicadas na página criada para o evento no Facebook. Particularmente a quantidade GIGANTESCA de postagens escritas por pessoas truculentas, ignorantes, reacionárias, completamente insensíveis e bestializadas em seu pensamento (como se pertencessem à Idade Média ou pior, ao tempo do homem das cavernas), aquelas que defendem o “bandido bom é bandido morto”, que apóiam políticos reacionários ao extremo, populistas, demagogos, machistas e de conduta ética e moral hiper duvidosa (como Jair BolsoNAZI e bispo Crivella), que gritam em defesa da truculência da ação policial contra marginais e que, enfim, estão mostrando no que está se transformando o grosso da sociedade brasileira dentro dessa nova ordem conservadora que assola todo o planeta. Pro leitor destas linhas bloggers ter uma idéia: fomos chamados de tudo ali, quando também resolvemos nos manifestar, e sem os agressores verbais sequer conhecerem o mínimo a respeito do autor deste espaço virtual). De petista, vagabundo, maconheiro, viado, defensor de bandido, lixo humano etc, etc, etc, de tudo fomos qualificados. Tudo isso é MUITO PERIGOSO. Como bem observou o músico Roger Waters (ex-baixista do grupo Pink Floyd), em entrevista à Rolling Stone americana: “a ascensão de Trump é comparável a de Hitler na Alemanha, antes da eclosão da segunda guerra mundial”. E por que estamos citando isso? Porque a ascensão de Trump nos EUA tem total conexão com o avanço da direita reacionária na política e na sociedade brasileira. Lá, o bilionário boçal ameaça ganhar a presidência. Aqui, João Escória Dólar e Crivella já ganharam seus quintais (São Paulo e Rio, os dois maiores colégios eleitorais desse Brasil ogro, vira lata, bestial e quinto mundo dos infernos). Tudo isso nos faz lembrar SIM da ascensão NAZISTA na Alemanha. E todos sabem no que resultou a tomada do poder por Hitler: uma guerra mundial que custou a vida de 50 milhões de pessoas. Este já calejado e velho jornalista rocker não quer estar vivo para ver algo semelhante acontecer novamente, seja aqui mesmo no nosso país ou em outra parte do mundo. E também somos totalmente justos: defendemos o RIGOR DA LEI para todos: marginais comuns, assaltantes, homicidas, estupradores, agressores de mulheres e TAMBÉM POLICIAIS que são BANDIDOS fardados porque cometem crimes tão intoleráveis quanto os que chocam a sociedade e cometidos por marginais NÃO fardados. E somos totalmente CONTRA que se pratique/institucionalize a pena de morte num país (o nosso) onde ela NÃO ESTÁ PREVISTA NO CÓDIGO PENAL. Nos entristece sim e muito quando um policial é morto em serviço ou fora dele, idem se for um cidadão de bem que sofre com o avanço da violência social urbana (já fora de controle no Brasil). Nos entristece ver a VERGONHA que é a PM paulista e no que ela se transformou (truculenta, assassina, pessimamente preparada, equipada e remunerada), graças ao HORROR que é o DESGOVERNO do Estado paulista, há 20 anos nas mãos do PSDBosta que trata a (in) Segurança Pública (e a educação e a saúde) como artigos de ÚLTIMA NECESSIDADE. Junte-se a tudo isso o pensamento CRETINO e RETRÓGRADO de uma classe média estúpida, bestial, ignorante, imbecil, que se acha parte de uma elite ainda pior do que ela e o caldeirão está pronto para explodir. Como bem observou um amigo dileto deste jornalista no FB, essa classe média COXA e OTÁRIA ao máximo ODEIA pretos e pobres. E é em função desse ódio não declarado, SELETIVA: defende a morte de bandidos quando eles são pretos ou pobres. Mas se o facínora for traficante de drogas ou armas e MILIONÁRIO, com mansão, carro importado e conta não declarada na Suíça, aí a dondoca classe média se apaixona por ele, dá o cu, chupa o pinto do canalha e ainda o pede em casamento. O pensamento dessa classe média é o mesmo para políticos PILANTRAS como Eduardo Cunha, BolsoNazi e Crivella: esses são bem quistos porque são FACÍNORAS brancos e bem sucedidos (???). Podem ser machistas, proferir discurso de ódio e intolerância contra negros e gays que sem problema. Eles PODEM! Este desabafo aqui no editorial do post é de puro desalento com essa situação toda. Mas quando sabemos que ainda há pessoas e uma classe artística nesse país miserável que levanta sua voz contra toda essa desgraça neo conservadora, ainda dá pra acreditar que nem tudo está perdido. Por isso mesmo o blog zapper dá os parabéns a TODOS que participaram da vigília, artistas de mega respeito como Paulo Miklos, Bárbara Paz, Zé Celso Martinez Correa, Nuno Ramos, Marina Person etc. Todos merecedores de nosso total aplauso e respeito. E por isso mesmo seguimos aqui neste espaço dedicado ao melhor da cultura pop e do rock alternativo. É por existirem nomes gigantes como Brian Jonestown Massacre ou o menestrel e poeta  Leonard Cohen ainda em atividade na música, que ainda existe alguma sensibilidade e GRANDE ARTE respirando no planeta e chegando aos ouvidos humanos. E que artistas assim continuem produzindo ad eternum. Quem sabe assim a raça humana ainda tenha alguma chance de escapar deste horrendo e trágico destino: o de chafurdar na bestialidade social e comportamental final e que irá levar a todos nós para o mesmo buraco escuro debaixo da terra.

 

 

  • E nada muito digno de nota para começar o post, com nossas tradicioalíssimas notas iniciais. A semana está total morna no mondo pop, sendo que talvez um destaque a ser comentado é sobre a divulgação de “Vegetable Man” por uma emissora de rádio inglesa ontem. Trata-se de uma faixa INÉDITA dos primórdios do Pink Floyd (quando a banda ainda era relevante e antes de se tornar o mega flácido grupo milionário dos anos 80’), composta provavelmente pelo fundador do conjunto, o gênio louco Syd Barrett, em 1965 mas lançada apenas dois anos depois. A música faz parte da gigantesca coletânea “The Early Years – 1965/1972”, que cobre toda a carreira inicial do PF e que deverá sair a qualquer momento. O Box incluirá vinte músicas jamais lançadas oficialmente pelo grupo e nada menos do que SETE LIVROS contando a história dos primeiros anos do conjunto. Beleza, hein!

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O Pink Floyd: música nunca antes lançada em nova coletânea do grupo

  • E também ontem aquele XOXOTAÇO que todos nós amamos, a Juliana Paes, não teve pudores em afirmar durante entrevista no “Adnight”, na “Grobo”: sim, ela sente atração por MULHERES. Wow!

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  • Outro DESTAQUE feminino desta semana é essa também gatinha aí embaixo. O nome dela? Lara Rotenberg. Estudante do ensino médio no Rio De Janeiro e que com apenas dezesseis aninhos de idade causou furor na web planetária com um tuíte seu zoando a turma brasileira coxa, burrona e reaça que apóia a eleição de Trump nos EUA (ahahahaha). Mas a gente fala mais sobre ela e sobre essa parada toda ao longo desse post, okays?

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  • E como a correria nessa sextona está total pelos lados do blog, assim que rolar algo mais, hã, impactante, vamos atualizando as notas iniciais. Por enquanto bora já ir aí embaixo ler sobre o graaaaande Brian Jonestown Massacre.

 

 

O SEMPRE ÓTIMO E JÁ VETERANO (E TOTAL DESCONHECIDO AQUI, NO BRASIL VIRA LATA) BRIAN JONESTOWN MASSACRE LANÇA DISCO NOVO E TOCA NA AMÉRICA DO SUL ESTE MÊS – MENOS NO PAÍS BESTIAL (O NOSSO), CLARO!

Você, dileto e muito jovem leitor zapper, provavelmente nunca ouviu falar do grupo americano Brian Jonestown Massacre. Não fique triste por isso: praticamente NINGUÉM conhece a banda aqui no Brasil sempre vira lata ao máximo. Mas o BJM, surgido em 1990 na California (ou seja, há quase trinta anos) é um dos melhores nomes do indie rock americano dos anos 90’ e que ainda segue em atividade. Não só: lançaram há pouco seu novo álbum de estúdio, o décimo sexto da carreira deles (!) e que se chama “Third World Pyramid”. E, mais incrível: tocam esse mês aqui na América do Sul, em festivais na Argentina e no Chile. Shows no bananão brasileiro? Negativo: segundo o líder da banda, o guitarrista, vocalista, compositor e pequeno grande gênio Anton Newcomb, nenhum produtor brasileiro se interessou em trazer o grupo pra tocar aqui.

O blog zapper, sempre atento às novidades do rock alternativo planetário (e está cada vez mais difícil acompanhar tudo que é lançado pois os discos saem aos borbotões e na era da web isso não significa vantagem alguma: nunca se lançou tantos discos com qualidade TÃO RUIM), resolveu escutar o novo cd do conjunto (atualmente integrado por mais seis músicos, além de Anton) após ler uma resenha mega elogiosa sobre ele no blog do chapa André Barcinski no Uol – aliás Barça publica atualmente um dos melhores blogs sobre cultura pop na internet BR e está também sempre antenadíssimo com os movimentos em torno do indie rock (já a pobre Pobreloa…, quer dizer, Popload… rsrs). E o disco é mesmo fodíssimo em suas ambiências psicodélicas, com melodias eivadas de guitarras espaciais e barulhentas (caso da longuíssima e ótima “Assignment Song”, com mais de nove minutos de duração) e também de eflúvios do shoegazer britânico noventista (e aí um ótimo exemplo é a própria faixa-título). Fora que a banda também engendrou peças instrumentais e sem vocal (uma raridade no rock de hoje), como na tristonha e bela “Oh Bother” e mostra doses bem construídas de noise guitar em “Govemment Beard”.

Com apenas nove faixas e menos de trinta e oito minutos de duração, “Third World…” não cansa jamais o ouvinte que, pelo contrário, termina a audição com gosto de quero mais. Outra raridade nos tempos atuais, quando conjuntos sem estofo artístico lançam discos com mais de uma hora de duração e onde pouco realmente se aproveita em termos musicais.

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O novo disco do BJM: mantendo a qualidade rocker há quase 30 anos

A própria história do BJM é bizarra. Eles começaram praticamente juntos com o também ótimo The Dandy Wharols (outro dos grupos prediletos destas linhas bloggers rockers de 2000’ pra cá), de quem acabaram se tornando muito amigos. Só que enquanto o DW se agigantavam no rock americano e ascendia ao mainstream musical (que ainda existia nos anos 90’) o BJM descia a ladeira da impopularidade, muito por conta do temperamento mega difícil do total loker Anton Newcomb, que viva chapado de drogas variadas, vivia brigando com as gravadoras que se dispunham a contratar a banda e por conta disso tudo quase fodeu a trajetória do conjunto, sendo que a história dos dois grupos e sua relação de amizade foram muito bem esmiuçado anos atrás num documentário chamado “Dig”. Mas o BJM felizmente resiste e se mantém até hoje. Newcomb, aos quarenta e nove anos de idade, está mais “calmo” e reside há alguns anos na Alemanha. E lá segue compondo freneticamente e tocando o conjunto que agora vai se apresentar no Chile e Argentina.

É uma ótima chance para vê-los ao vivo e quem puder se deslocar até os “vizinhos”, não deve perder o show. Se não der pra ir, um ótimo cartão de visitas deles é seu novo trabalho de estúdio. Uma prova de que ainda existe vida inteligente no emburrecido rock’n’roll dos anos 2000’.

 

 

 

E VOCÊ PODE OUVIR O NOVO DISCO DO BJM AÍ EMBAIXO

 

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NESTE POST COM O FODÃO GARAGE PROTO PUNK ROCK DO JONNATA DOLL & OS GAROTOS SOLVENTES

O blog nunca tinha ouvido falar deles até meados do ano passado. Foi quando nossa queridíssima amiga, atriz e produtora teatral Paulinha Micki fez o convite: “Finas, vai ver a nova peça que estou produzindo e atuando, é total subversiva e punk rock, com temática sobre a desconstrução da existência humana. E a trilha sonora é sensacional, tocada ao vivo por uma banda fodíssima!”.

O blog foi ver a tal peça, que realmente era ótima. E se impressionou também com a tal banda que fazia a trilha do espetáculo ali mesmo, ao vivo, fazendo intervenções entre a atuação dos atores e o desenrolar do texto. E quem era a porra do grupo, afinal? Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, formados em Fortaleza (Ceará) e atualmente morando em Sampa.

O grupo é comandado por Jonnata Araújo (o Doll, pros “íntimos”, rsrs), que canta e escreve as letras, todas versando sobre drogas, desajustes emocionais e existenciais e a barra pesada que é viver em um mundo sem perspectiva alguma para a grande maioria das pessoas. E a moldura sonora para essas letras cantadas com entrega e paixão por Jonnata (um sujeito simpático e afável de trinta e cinco anos de idade e que está na estrada do rock’n’roll há quase vinte, desde sua adolescência) vem dos guitarristas Edson e Léo, do baixista Loiro Sujo (ulha!) e do batera Felipe Maia. O som? Proto garage glam punk rock porrada e muito bem tocado, com melodias que fazem quem escuta as músicas querer imediatamente arrancar os pés do chão e sair pulando. Não à toa eles mesmos entregam suas influências em sua página no Facebook: Iggy Pop, Legião Urbana, Smiths, por aí.

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Capa do novo disco da banda Jonnata Doll & Os Garotos Solventes

Da noite que o blog assistiu no centrão de Sampa ao grupo, na peça de teatro que estavam fazendo a trilha sonora até agora, Jonnata Doll e seus garotos solventes estão chamando mais e mais a atenção da mídia (menos daquele nosso blog “vizinho” e sua ilha da fantasia indie, hihi) e angariando cada vez mais público. Com já três CDs lançados (o mais recente, “Crocodilo”, acaba de sair) e fazendo uma exensa agenda de gigs, a banda já ganhou até a simpatia de Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá. E por conta disso, foi convidada a tocar na atual turnê do que restou da Legião Urbana, junto com a turma legionária.

Interessou pela banda? Pois fikadika: eles se apresentam ao vivo HOJE, sexta-feira (quando a primeira parte deste postão zapper está entrando no ar, 4 de novembro, lá no Z Carniceria em Pinheiros, zona oeste da capital paulista e nesse momento um dos melhores picos para shows ao vivo de bandas alternativas em Sampa. Junto com eles também sobe ao palco o igualmente fodão Rios Voadores, de quem o blog já falou bastante no post anterior. Promete ser uma das melhores noites indies em Sampa nos últimos meses e todas as infos sobre a balada total rock’n’roll estão aqui: https://www.facebook.com/events/176328299490933/.

 

 

PRA OUVIR O JD&GS

Vai aí embaixo.

 

E PRA VER A BANDA EM VÍDEOS

Confere aê.

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MUSA ROCKER ULTRA JOVEM DA SEMANA – A LINDINHA E GENTE FINÍSSIMA CARIOCA LARA

Ela tem apenas dezesseis anos de idade. E meio que se tornou uma celebridade na web quando um tuíte seu zoando a coxarada brasileira que estava apoiando a eleição do boçal Donald Trump para a presidência dos EUA (e sim, infelizmente ele ganhou a eleição), viralizou mundo afora. Por conta desse tuíte Lara Rotenberg recebeu espaços generosos na mega mídia, em veículos como a revista Veja (em sua edição online) e o diário paulistano Folha De S. Paulo.

E o blog zapper, sempre atento às movimentações na cultura pop e também na esfera política e comportamental, foi atrás da garota para saber mais sobre ela, como ela vive, o que pensa em termos políticos, sociais e comportamentais, do que gosta na música e no rock’n’roll etc. O resultado do bate papo que estas linhas bloggers tiveram com ela foi uma bacana e agradável entrevista cujos trechos principais você confere aí embaixo.

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A estudante carioca lindinha e gente finíssima, Lara Rotenberg (acima)

Zap’n’roll – Você é uma estudante carioca de apenas dezesseis anos de idade e que ganhou repentina e grande notoriedade por conta de um tuíte seu, onde zoava uma imagem que foi colhida durante uma passeata de apoio realizada em São Paulo à candidatura de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. Por que você resolveu se manifestar a respeito do fato no seu Twitter? E imaginava que o tuíte iria viralizar e causar tamanha repercussão?

 

Lara Rotenberg – Bom, eu tenho o costume de salvar fotos para fazer memes (piadas) com elas depois. Ao ver aquela foto da passeata na minha timeline achei curiosa, e salvei para caso tivesse alguma ideia de legenda engraçada. “Acreditava que se você tem que afirmar que é gay, mulher, negro, etc e que “mesmo assim” vota no Trump, há uma contradição. Essas pessoas podem ser a favor do candidato mas ele com certeza não é “a favor” delas. Comparando com o Brasil, seria o mesmo se fizesse um cartaz “Gays pelo Bolsonaro”, assumidamente homofóbico”. Essa parte dei como resposta para a Folha (diário paulistano). Nunca imaginei que fosse ter essa repercussão. Nos primeiros 5 minutos a interação foi normal, foi no dia seguinte que começou a crescer. Usando o Twitter há vários anos, o tweet de maior alcance que eu tinha tido até então era um (em português) com 5.000 retweets. Já tinha achado um número absurdo. De resto, os mais populares não costumavam passar dos 100 ou 200.

 

Zap – ceeeeerto. Então como agora você é uma quase jovem celebridade, que tal falar um pouco sobre sua vida e seu cotidiano para que os leitores do blog a conheçam melhor? Tipo, algo sobre sua família, seus pais (o que eles fazem e como orientam você em varias questões, como política, cultura, comportamento, educação, sexualidade etc.), o que você estuda e qual profissão pretende seguir. Fique à vontade para falar!

 

Lara – Bom, sou uma estudante do Colégio Pedro II há 5 anos. Pelo o contrário do que muitos pensam, a instituição colaborou para o aumento do meu pensamento crítico, me ensinando a questionar tudo – e não a ser “doutrinada”. De uns anos para cá me envolvi no movimento estudantil e feminista, além de dar total apoio aos LGBT’s e aos negros em sua luta. Meus pais são funcionários públicos, proporcionando atualmente uma vida tranquila de classe média. Ainda não tendo completado o ensino médio, não tenho total certeza do que pretendo seguir quando chegar a faculdade. Não desejo seguir nada que eu não goste somente para “ganhar dinheiro”, então ainda preciso de um longo tempo de reflexão para fazer esta escolha.

 

Zap – Mas pelo que já conversamos e pelas infos do seu perfil no FB percebe-se que você tem grande apreço por cultura e arte, rock principalmente. Pensa ou já pensou na possibilidade de seguir algo nesse sentido em termos profissionais?

 

Lara – Bom, música é a minha paixão. Beatles literalmente mudou minha vida, me permitindo ter momentos incríveis e conhecer pessoas maravilhosas. Além de também ter me introduzido a outras bandas, que fizeram o mesmo. Também tenho gosto pelas artes plásticas, tendo feito algumas pinturas e desenhos. Porém não penso em seguir nada relacionado a isso pois acredito que, dependendo do desgaste causado pelo trabalho, eu pudesse acabar criando uma certa repulsa pelas coisas que amo.

 

Zap – muito bem, ótima resposta! E você sendo tão jovem (dezesseis anos de idade) mas já tão bem esclarecida e formada intelectualmente, não poderíamos deixar de perguntar: como você vê a atual situação do Brasil, na questão política, econômica e social? O que uma garota como você acha dessa nova onda mega conservadora que está dominando boa parte da sociedade (e em todas as classes sociais), inclusive levando adolescentes da sua idade a apoiarem políticos reacionários e conservadores de direita, como Jair Bolsonaro e bispo Crivella?

 

Lara – O mundo está uma loucura. Há falta de empatia para todos os lados. No sistema em que estamos o rico fica mais rico e o pobre fica mais pobre. A salvação é ver como há jovens, como eu, que estão abrindo os olhos para os problemas da sociedade. Que não abaixam a cabeça e dizem “Deus quis assim” ou “É desse jeito desde os primórdios”. Me repulsa ver homens como o Bolsonaro (ou Trump, nos EUA) com grande influencia. No geral me agoniza ver machistas, racistas, homofóbicos, xenofóbicos etc no poder. Sou de esquerda mas não apoio o sistema socialista ou “comunista” (isso porque ele não chegou a se efetivar plenamente). Sou a favor de uma reforma no poder, algo que vise o bem comum onde todos começam da mesma linha de largada. Não há meritocracia num país como o Brasil, não há como comparar as oportunidades de um jovem de periferia que estuda numa escola municipal com as de um jovem de classe média que estuda no Ph. Acredito que o mais importante é realmente focar numa educação pública de qualidade para que todos pudessem partir de um mesmo ponto.

 

Zap – sensacional sua resposta, de verdade. E fico com uma alegria imensa no coração ao constatar que ainda existem adolescentes tão lúcidos e bem informados como você, sobre o que é necessário para termos um país do qual nós possamos REALMENTE nos ORGULHAR dele. Você está de parabéns por pensar como pensa, Larinha (se me permite te chamar assim, rsrs). Então para terminar nosso papo eu não poderia deixar de perguntar sobre suas bandas preferidas, hehe. Já notei que você adora Beatles, Hendrix e Oasis. Quem mais, além deles? E também se quiser falar sobre um livro e autor do seu coração, além de um filme e diretor idem vai matar minha curiosidade, rsrs.

 

Lara – Hahahahaha muito obrigada!!! Minhas bandas favoritas são fáceis, hehe. Em primeiro lugar Beatles, é claro. Em segundo e terceiro Oasis e Zeppelin. Floyd, The Smiths e U2 não sou realmente fã mas curto bastante. Todas as bandas de Classic Rock tem uma espaço no meu coração para lhe ser sincera.

 

Quer ler algumas matérias que saíram com a Lara? Vai aqui: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2016/11/1828672-carioca-de-16-anos-viraliza-nos-eua-ao-zombar-de-ato-pro-trump-na-paulista.shtml. E aqui: http://veja.abril.com.br/blog/virou-viral/nao-acredito-em-meritocracia-em-um-pais-desigual-como-o-brasil-diz-estudante-cujo-post-anti-trump-viralizou-nos-eua/. Sendo que você pode encontrá-la no Facebook: https://www.facebook.com/lara.rotenberg?fref=ts.

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

  • Discos: o novo do Brian Jonestow Massacre e “Crocodilo”, novo do Jonnata Doll & Os Garotos Solventes e sobre o qual falamos ainda e mais detalhdamente no próximo post. Mas você pode escutar na íntegra o esporro garage proto punk da talvez grande banda do atual rock BR aí embaixo:

 

E FIM DO POST COM O BLOG ZAPPER EM LUTO TOTAL

Ainda haviam zilhões de textos e lances legais pra entrar nesse postão (como nossa opinião do porquê considerarmos as gigs dos Strokes e do Duran Duran como as provavelmente melhores do Lollapalooza BR 2017) mas a notícia da morte do gigante Leonard Cohen na noite de ontem arrasou estas linhas bloggers rockers sentimentais, tirou nosso prumo e qualquer vontade de prolongar os trampos nesse post. Fica pra semana que vem, se nossos leitores não se importarem.

(suspiro…)

2016 foi e continua sendo isso mesmo, até sua última gota pelo jeito: um ano HORRENDO, cruel para o mundo e para a raça humana, cada vez mais inculta, bestial e sem nomes de relevância máxima nas artes. Que esse ano MALDITO acabe logo de uma vez. É tudo o que o blog pede nesse momento.

Rip querido Leonard Cohen. Na semana que vem estaremos novamente aqui, e lembrando sempre de ti. Até lá, lovers & rockers.

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 11/11/2016 às 5hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL (destacando a delação da Odebrecht, os perfis das bandas Rios Voadores e Verônica Decide Morrer, além do roteiro cultural e de baladas zappers) – Em tempos onde a cultura pop caminha para o seu final melancólico e onde não há mais heróis e quase nada relevante no rock alternativo mundial, os ainda gigantes e amados escoceses do Teenage Fanclub soltam novo disco lindão e mostram que atualmente apenas os “velhos” é que estão mesmo salvando o rock’n’roll da mediocridade total (e de quebra o blogão relembra histórias saborosas e saudosas das duas vezes em que o grupo se apresentou no Brasil); a REAL e RELEVANTE indie scene nacional está aqui (e não naquele blog vizinho e autêntica “ilha da fantasia indie”) e desta vez falamos do álbum póstumo do saudoso, genial e lendário rapper Sabotage e dos discos de estréia da Rios Voadores (de Brasília) e do Verônica Decide Morrer (de Fortaleza); e mais um monte de paradas bacanudas no blog show de bola quando o assunto é rock e cultura pop (postão totalmente AMPLIADO e FINALIZADO em 28/10/2016)

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Dois lançamentos importantíssimos e que demonstram que são os veteranos ou mesmo aqueles que já se foram que ainda importam na música pop atual, no rock e no rap: o grupo escocês Teenage Fanclub (acima) soltou novo discão há um mês e que agora é bem analisado pelo blogão zapper; e o saudoso rapper Sabotage (abaixo) faz jus à sua fama de gênio com seu álbum póstumo que foi lançado esta semana

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E FECHANDO MEEEEESMO A TAMPA DESSE POST… VEM AÍ A DELAÇÃO BOMBA DA ODEBRECHT!!!

  • Yes!!! Os torpedos gigantes já começaram a ser disparados e a se transformar em manchetes nos jornais, como essa aí embaixo. Será que finalmente o PSDBosta vai começar a ter a sua QUADRILHA também desmantelada? Será que o PMDBosta de Temer vai sobreviver? As próximas semanas serão emocionantes na IMUNDA política brasileira, podem ter certeza disso!

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  • E fim de papo que o postão já está gigantão. Na semana que vem a gente volta com muuuuuito mais por aqui, okays? Até lá!

 

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O power pop sublime e o rapper genial.

Ambos são os destaques musicais desse postão de Zap’n’roll que você começa a ler agora. E nem poderia ser diferente: tanto o quarteto escocês Teenage Fanclub quanto o saudoso rapper paulistano Sabotage tiveram novos discos lançados recentemente (o TFC, que estava há seis anos sem gravar, soltou novo cd há cerca de um mês; já Sabota teve seu trabalho póstumo finalmente editado na última segunda-feira, 17 de outubro). E apesar de trafegarem em linguagens musicais (e ambas, pop) tão diferentes (power pop de guitarras shoegazer e rap na sua acepção clássica), ganham total atenção deste blog por diferentes e variados motivos. No caso dos escoceses, eles sempre pautaram sua produção por uma qualidade sonora muito acima da média que se escuta no rock mundial, ainda mais nos tempos atuais onde o rock’n’roll se tornou quase que totalmente irrelevante (em termos de bandas novas). Fora que o TFC sempre foi um dos conjuntos do coração do autor deste blog e, além disso tudo, lançou um novo trabalho que é melhor do que 95% dos lançamentos de hoje em dia, sendo que estamos falando de um cd gravado por músicos que estão na casa dos cinqüenta anos de idade. Já Sabotage se mantém como um dos nomes GIGANTES do rap brasileiro, mesmo treze anos após sua trágica e violenta morte (foi assassinado por um desafeto, com quatro tiros nas costas, na manhã de 24 de janeiro de 2003). Ele, que antes de descobrir seu pendor artístico e musical foi assaltante e gerente do tráfico de drogas na favela onde havia nascido e residia, se tornou um dos nomes mais expressivos da geração rapper brasileira dos anos 2000’ com o lançamento de apenas UM disco em vida. Quando morreu tinha acabado de concluir as gravações das bases e vocais de seu segundo álbum de estúdio. O mesmo disco que foi sendo burilado e emoldurado musicalmente pela turma do coletivo musical Instituto (parceiros de Sabota desde sempre) e que finalmente ganhou vida plena esta semana. É um cd que mostra toda a dinâmica precisa e preciosa do rapper, além da virulência, potência e atualidade de seus versos ácidos e certeiros, com métrica e poética impecáveis e que desvelam um país (o nosso) que sempre foi caótico em quase todos os sentidos – e que continua assim, mais de dez anos após Sabotage ter composto as músicas que estão no trabalho que agora foi enfim lançado. Então, por tudo isso, nada mais justo do que estas linhas bloggers dedicarem a maior parte desse postão a esses dois lançamentos, além de também mostrarmos as estréias em disco de dois grupos muito promissores da atualmente paupérrima cena indie nacional: Rios Voadores (de Brasília) e Verônica Decide Morrer (de Fortaleza). Em um mundo dominando por um neo conservadorismo que torna as pessoas intolerantes e bastante insensíveis, o lindo disco do Teenage Fanclub é um alento emotivo e tanto. E em um Brasil cada vez deteriorado em seu tecido social e desmantelado por violência urbana e imundície da política e do poder público, ouvir os versos que o gênio Sabotage escreveu há treze anos só reforça a grande questão que pelo jeito jamais irá ser resolvida: até quando seremos esse país vira lata e miserável de QUINTO mundo?

 

 

  • E nossas notas iniciais não poderiam abrir nesse post senão com o ASSUNTO POLÍTICO da semana, claaaaaro. Que foi a (finalmente!) prisão DELE. Quem? Do evangélico do inferno, óbvio. Eduardo Cunha, um dos mais graúdos BANDIDOS da imunda cena política brazuca. Sendo que já surgiram as habituais zilhões de análises e teorias da conspiração na web, tentando desvendar os meandros do enquadramento do sujeito – uma delas: o tirano Sergio Moro estaria fazendo média com o populacho e preparando a prisão de Lula, que seria aceita pelo povaréu sem tanta indignação ou questionamento. Será? Seja como for, o peixe graúdo do PMDBosta foi em cana – e todos nós vivemos para ver isso.

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  • Aliás a IMAGEM da semana não poderia ser outra, hihihi. Aí embaixo: o evangélico do cão e o golpista com cara de mordomo de filme de terror. Um já dançou. E o outro, dança quando?

Brasília - O vice-presidente Michel Temer e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, durante solenidade de entrega da Medalha do Mérito Legislativo 2015 (Antonio Cruz/Agência Brasil)

 

  • No rock’n’roll a semana termina com a produção do Lollapalooza BR divulgando o line up por dia da edição vindoura do festival, em março 2017. O headliner do sabadão (dia 25 daquele mês) é o insuportável Merdallica que, como sempre, vai se apresentar pra uma manada gigantesca de gente ogra, reaça, suarenta, feia e fedida, ahahaha. Já o domingão (dia em que o blog irá até o autódromo de Interlagos) terá The Strokes e os velhões bacanudos do Duran Duran. Aí sim!

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  • E falando em gigs, antes que o blog se esqueça: nessa sexona (leia-se hoje) e sabadão (amanhã) tem apresentação solo da deusa loira e ex-baixista do Sonic Youth, Kim Gordon, em Sampa. Vai rolar  nove da noite no SESC Pinheiros e pelo que consta, ainda há ingressos disponíveis a módicos sessenta pilas (com meia entrada a trintinha). Pois é… o MERCENÁRIO e GANANCIOSO festival Pobreloa…, quer dizer, Popload Gig (organizado pelo hoje empresário da noite e dublê de jornalista, dear Luscious R.) podia se mirar no EXEMPLO do SESC em suas próximas edições, ao invés de tentar ASSALTAR o bolso do público que vai nele.

 

 

  • Antes que o blog se esqueça, II: também amanhã, sabadão em si, tem show solo do chapa David Dafré (o homem das seis cordas no Vanguart) em Sampa. Ele lança seu primeiro ep solo, e você pode conferir todas as infos sobre o evento aqui: https://www.facebook.com/events/1409118652450353/.

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Dupla rock’n’roll amiga: Zap’n’roll e o guitar man do Vanguart, David Dafré; o músico faz show solo nesse sábado em Sampa

  • E ainda sobre shows e turnês (ufa!): o já veteraníssimo tecno pop brit Depeche Mode andou fazendo barulho essa semana, convocando a imprensa na Itália para coletiva onde anunciou novo disco inédito (com lançamento previsto para o começo de 2017), seguido de turnê mundial onde a banda PRETENDE vir inclusive para a América Do Sul. Nunca é demais lembrar: o grupo só tocou uma única vez no Brasil, laaaaá por 1994 (e a apresentação, presenciada pelo jornalista loker rocker, foi PÉSSIMA). Alguns anos atrás uma nova turnê chegou a ser armada por aqui, inclusive com os tickets pros shows tendo sido colocados à venda. Só que na última hora o DM, sem muita explicação, cancelou as apresentações brasileiras. Entonces vamos ver se dessa vez a turma do vocalista Dave Gahan cria vergonha na cara e vem mesmo.

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O Depeche Mode, na coletiva que anunciou o novo álbum de estúdio da banda e sua  nova turnê mundial; será que dessa vez a banda volta ao Brasil?

  • Na boa: alguém ainda se importa com o Kings Of Leon? A banda, que começou tão bem há mais de década e meia, já desceu a ladeira faz tempo – fora que estas linhas online assistiram o grupo três vezes ao vivo, todas ruim de doer. Enfim, a turma lançou seu novo disco na semana passada, “Walls”, o primeiro inédito em três anos. Sinceramente este espaço rocker virtual ainda não teve vontade alguma de escutar o dito cujo. Mas se alguém aê quiser arriscar a audição do mesmo, vai aí embaixo no Spotify.

 

  • E como sempre, com o postão em franca construção, as notinhas iniciais irão sendo ampliadas e atualizadas ao longo dos próximos dias se algo, hã, estrepitoso acontecer. Mas por enquanto vamos de Teenage Fanclub, a lenda power pop escocesa que acaba de lançar mais um discão. E que você confere o que blogão achou dele lendo aí embaixo.

 

 

O POWER POP SHOEGAZER CLASSUDO DO TEENAGE FANCLUB RESISTE AO TEMPO – E VOLTA COM UM DISCO LINDÃO

Em uma era (a da web e dos anos 2000’) onde a cultura pop em geral e o rock alternativo (ou o que resta dele, no mainstream que seja) em particular assiste ao seu próprio desmantelamento e onde nada mais parece ser relevante (a música finalmente se transformou apenas nisso: em fundo para tarefas banais do cotidiano da raça humana quase que totalmente bestializada e escravizada/viciada que está por internet, redes sociais e apps inúteis de smartphones), com artistas solo e bandas durando apenas um single de sucesso e alguns dias (ou horas) apenas bombando na nuvem digital (para logo depois ser completamente esquecido e dando passagem a outro hype tão efêmero quanto aquele que o antecedeu), é um gigantesco prazer e alento aos sentidos, ao coração e à alma saber que uma banda como a escocesa Teenage Fanclub resiste ao tempo, quase três décadas após a sua fundação. Uma das prediletas deste blog desde sempre, a TFC continua professando o que sempre fez muito bem: power pop shoegazer de melodias belíssimas (tramadas a um só tempo com guitarras barulhentas e violões bucólicos, quase pastorais) e vocais dolentes e harmoniosos ao extremo. E é tudo isso que você vai encontrar em “Here”, o novo álbum do grupo, que foi lançado lá fora em 9 de setembro passado. Ele pouco ou nada foi comentado em blogs brazucas dedicados ao indie rock planetário. E o cd sequer deverá ganhar edição nacional. Mas como sempre falamos aqui: nunca é tarde para se comentar sobre um bom ou ótimo lançamento. De modos que o novo trabalho dos escoceses merece ser destacado em Zap’n’roll com todo o louvor.

O grupo dos guitarristas e vocalistas Raymond McGinley e Norman Blake, do baixista Gerard Love e do baterista Francis MacDonald (e que na verdade já há alguns anos atua como membro “informal” e não oficial, da banda) surgiu em 1989, quando boa parte do leitorado zapper sequer era nascido. Este certamente é um dos fatores pelos quais o conjunto é praticamente desconhecido pela pirralhada atual (cuja cultura musical pop se restringe a Lady Gaga ou a One Direction e Imagine Dragons), embora ainda mantenha um séquito bem grande de fãs (inclusive no Brasil) composto por tiozões e na casa dos 40/50 anos de idade, como o autor desta espaço virtual. Não à toa o TFC esteve por duas ocasiões no Brasil, em maio de 2004 (quando lotou por três noites seguidas a chopperia do SESC Pompeia, em São Paulo, além de tocar em um também lotado Curitiba Pop Festival que tinha o então retornado Pixies como grande atração) e depois em maio de 2011, quando novamente esgotou os tickets de duas gigs (uma em Sampa e outra no Rio De Janeiro). Em ambas as passagens por aqui o quarteto emocionou e levou às lágrimas quem foi aos shows (como o autor deste blog foi, sendo que relembramos algumas das histórias dessa época mais aí embaixo, nesse mesmo post), com um público variado (composto por muitos tios e tias mas também por uma garotada entusiasmada por poder escutar ao vivo as canções clássicas daquele conjunto escocês que seu primo/a ou irmão/ã mais velho/a sempre adorou) e que cantou em coro músicas como “Star Sign”, “The Concept”, “I don’t Now”, “Waht You Do To Me”, “Sparky’s Dream” e muitas outras que já entraram para a história do indie rock britânico dos anos 90’.

E nestes quase trinta anos de existência o grupo nunca perdeu a qualidade musical e sempre manteve uma excelência sonora muito acima da média do que se escuta no rock alternativo, principalmente nos tempos atuais. Basta lembrar que o TFC lançou pelo menos uma obra-prima em sua trajetória (o álbum “Bandwagonesque”, editado em 1991 e que ganhou todas as eleições de “melhor disco” naquele ano, nas votações das principais publicações musicais dos EUA e da Inglaterra, e isso em um ano em que saíram também “Nevermind”, do Nirvana,  “Ten”, do Pearl Jam e “Screamadelica”, do Primal Scream, só pra citar outras três obras-primas do rock’n’roll que foram lançadas naquela época) e mais alguns discaços (aí entram tranquilamente na lista “Thirteen”, de 1993, e “Grand Prix”, editado em 1995). E nesses trabalhos todos, o procedimento musical da banda sempre se manteve inalterado, com ela brindando os fãs com as mais lindas canções power pop embebidas em violões plácidos ou em guitarras shoegazer.

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O novo disco dos escoceses do TFC: tiozões que ainda mandam um power guitar pop shoegazer empolgante

“Here”, nesse sentindo, não altera em nada a conduta musical do TFC. Tanto que o disco abre com a linda e empolgante “I’m In Love”, o primeiro single de trabalho do cd e com aquelas guitarras power pop sublimes e uma melodia encantadora dando suporte aos vocais suaves de Norman Black. Daí em diante o disco flui espetacularmente, seja em momentos mais “barulhentos” e acelerados (como em “This Air”ou na ultra radiofônica “Live In The Moment”), seja em músicas mais bucólicas, contemplativas e algo melancólicas – e aí ótimos exemplos são a igualmente belíssima “Hold On”, além de “The Darkest Part Of The Night” e “I Have Nothing More To Say”. Aliás os momentos mais calmos dominam o total de faixas do álbum e nem poderia ser diferente: os “adolescentes” do TFC estão todos na casa dos cinqüenta anos de idade e isso provoca uma desaceleração natural no trabalho composicional. Ainda assim é um disco que HUMILHA 95% da produção rock atual.

Pode não ser como nos tempos de glória de “Bandwagonesque”, e nem poderia ser (lá se vão vinte e cinco anos do lançamento da obra-prima do conjunto). Mas o Teenage Fanclub, parafraseando o título curto e simples de seu novo rebento (o primeiro álbum inédito deles em seis anos), está AQUI. Vivo, forte, fazendo o que sempre soube fazer muito bem (lindas canções power pop para embalar corações apaixonados ou solitários) e dando lição de qualidade musical às novas gerações rockers. Isso já é muito e traz mega alento aos ouvidos e à alma cinza dos fãs. E sim, é bom ter esses “velhinhos” de volta por aqui. Cheers!

 

Sendo que o blog lança nesse post a campanha: #TFCvoltaproBrasil!

 

 

O TRACK LIST DO NOVO DISCO DO TFC

1 I’m in Love 2:40

2 Thin Air 3:10

3 Hold On 3:25

4 The Darkest Part of the Night 3:15

5 I Have Nothing More to Say 4:16

6 I Was Beautiful When I Was Alive 4:44

7 The First Sight 5:07

8 Live in the Moment 3:03

9 Steady State 4:14

10 It’s a Sign 3:36

11 With You 3:57

12 Connected to Life 4:01

 

 

A BANDA AÍ EMBAIXO

No vídeo de “I’m In Love”, o primeiro single de “Here” e que abre o novo trabalho dos escoceses.

 

O NOVO ÁLBUM DO TFC NA ÍNTEGRA PARA AUDIÇÃO

Aí embaixo:

 

MINI DIÁRIO SENTIMENTAL – RECORDAÇÕES DE QUANDO O TFC TOCOU NO BRASIL, E QUANDO O POWER POP SHOEGAZER DA BANDA EMOCIONOU OS FÃS BRASILEIROS

  • O som do Teenage Fanclub entrou na vida do autor deste mini diário sentimental (e que há tempos não era publicado nestas linhas zappers) lá por 1991, quando a banda lançou a obra-prima “Bandwagonesque”. Zap’n’roll tinha então seus vinte e oito anos de idade, trampava na editoria de Cultura da revista IstoÉ e vivia “internado” nos finais de semana no inesquecível e saudoso Espaço Retrô, o muquifo indie mais lendário que já existiu na capital paulista e que ficava no bairro de Santa Cecília (região central da cidade). O então ainda jovem jornalista era amigão do igualmente saudoso DJ Toninho (um negão gigantesco e que só discotecava movido a quilos de cocaine, rsrs), um dos sujeitos mais antenados daquela época (e leia-se: uma época onde não existia internet, redes sociais, apps e nenhuma dessas merdas tecnológicas “mudernas”) e que torrava toda a sua grana basicamente em drogas e discos importados. Pois uma bela madrugada o negão começou a tocar na pista o single (em vinil importado) de “Star Sign”. Zap’n’roll ficou maluco quando ouviu aquele power pop shoegazer arrasa quarteirão. Foi paixão à primeira audição. Tempos depois a gravadora RCA lançou no Brasil a edição em vinil nacional do álbum “Bandwagonesque” (que também se tornou célebre por conta de sua capa, com um saco de um milhão de dólares desenhado nela) e mandou um exemplar dele pro jornalista rocker aqui. Daí pra frente o TFC se tornou um dos grupos mais queridos por Finaski e nunca mais saiu da nossa existência.

 

  • Mal sabia naquela época o blogger loker que, treze anos depois, em 2004, o TFC finalmente viria ao Brasil para shows. Foi em maio de 2004 e foi emocionante: três noites total LOTADAS na chopperia do SESC Pompeia, em São Paulo, de terça a quinta-feira. O zapper foi na primeira noite e a cada clássico despejado no palco, uma lágrima ameaçava escorrer dos olhos de todos que estavam ali. Sendo que o agora já quarentão jornalista sempre rock’n’roll havia feito uma matéria de CAPA com a banda, para a revista Dynamite, justamente por conta da vinda do grupo ao Brasil. A entrevista rolou por telefone com o vocalista e guitarrista Raymond McGinley (que foi mega simpático) e foi feita pela dupla Finatti e Bruninho Palma Fernandes. E tanto a matéria quanto a capa da revista ficaram… lindonas, rsrs.

 

  • Na quinta-feira à noite (quando rolou a gig derradeira do quarteto em Sampa), Zap’n’roll se mandou de busão pra Curitiba (acompanhado da sempre gatíssima, rocker e eterna amiga Taty Soldera), pra acompanhar o Curitiba Pop Festival, cujas atrações principais seriam o então retornado Pixies (após uma década de inatividade) e o… Teenage Fanclub novamente. E aconteceu de TUDO naquele festival, uia! Munido de uma credencial poderosa, o zapper rocker conseguiu assistir a gig do TFC do PALCO, ao lado da banda. Depois foi no camarim dos Pin Ups (que tinham sido reunidos pela produção do evento pra também tocar nele) e lá se entupiu de Jack Daniel’s com o ex-vocalista Luiz, que entrou total chumbado pra tocar. Não deuu outra: o show da banda foi um DESASTRE, rsrs. E não apenas pela lamentável situação etílica do vocalista mas também por conta do nervosismo geral que tomou conta do guitarrista Zé Antonio, da baixista Alê e do batera Marco Butcher. Foi talvez o ÚNICO show ruim dos Pin Ups que estas linhas online presenciaram em sua loooonga trajetória de convivência com a turma.

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Capa da revista Dynamite, edição de maio de 2004 (acima), que trazia matéria e entrevista com o Teenage Fanclub (abaixo), em texto assinado por Zap’n’roll e por Bruno Palma, antecipando como seriam os shows da banda no Brasil naquele ano

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  • Trêbado que estava e acabada a gig daquela noite no evento, o zapper sempre doidón não se intimidou com a capital paranaense (onde tinha amigos mas não conhecia absolutamente NADA por lá, ainda mais os locais onde se poderia obter dorgas ilícitas, hihihi) e partiu pra madrugada em busca de drugs, claaaaaro. Nessa busca algo frenética, ele teve a cia de um conhecido ex-casal rocker de Sampa, até hoje DJs e sócios de um dos mais badalados clubes de rock do baixo Augusta. Eles também tinha ido a Curitiba pra acompanhar o festival e lá tiveram o bom senso de alugar um carro, o que facilitou nossa empreitada. Após alguns contatos com conhecidos de lá e pesquisa do “terreno” (rsrs), todos encontraram o que queriam: o zapper, padê do bom; o casal, uma paranga bem fornida de marijuana. Fomos todos pro hotel onde o loki aqui estava hospedado, nos trancamos no quarto e enquanto o casal chapava o côco de beck o blogger loker esticava primorosas carreiras de pó branco em cima de uma mesinha, e o papo rolou solto até de manhã. Foi divertido, e como!

 

  • Sete anos depois, em maio de 2011, o Teenage Fanclub voltou novamente ao Brasil, para se apresentar em um evento bancado por uma marca de whisky. Em Sampalândia a gig aconteceu no clube The Week e mais uma vez ENTUPIU de fãs o local. E lá estava Finaski mais uma vez, na área vip (um mezanino na lateral do palco), bebendo talagadas de whisky e vibrando com o show. Foi quando aconteceu o lance total BIZARRO da noite: num dos intervalos entre as músicas algum maluco que estava na pista viu o jornalista (ainda bastante conhecido na indie scene naquela época, será que ainda somos hoje em dia? Rsrs) no mezanino, comentou com uma turma e logo começou um coro na pista: “Finaaaattiiii, Finaaaaattiiiii!”. Os músicos do TFC, como bem observou na época o assesssor de imprensa e amigão do blog Hugo Santos, não devem ter entendido absolutamente nada, hehehe.

 

  • O desejo que fica, agora que o grupo acabou de lançar um novo e bacaníssimo disco? VOLTA PRO BRASIL, TFC!

 

 

SABOTAGE, O RAPPER GÊNIO, CONTINUA VIVO E GIGANTE MESMO TREZE ANOS APÓS SUA MORTE

Quatro tiros nas costas calaram na manhã de 29 de janeiro de 2003 a voz do rapper paulistano Sabotage. Ele tinha 29 anos de idade, estava finalizando seu segundo disco – e que finalmente foi lançado, treze anos ser iniciado, na última segunda-feira, 17 de outubro – de estúdio e estava prestes a se tornar o nome mais importante do rap paulistano e nacional naquele momento. Sua voz potente, seus versos contundentes e suas rimas e métricas precisas, radiografando com olhar agudo as mazelas e desigualdades gigantescas de uma sociedade (a nossa) dividida, apodrecida e esfacelada (e que só piorou de lá pra cá) tornaram o “Maestro do Canão” (a favela onde ele nasceu, foi criado e viveu parte de sua vida, trabalhando para o crime e vendendo drogas na zona sul de Sampa antes de descobrir seu pendor artístico inigualável e abraçar o rap como forma de se expressar musicalmente, sendo que o blog esteve muitas vezes ali, no mesmo Canão, atrás de DROGAS e assumimos sem constrangimento ou vergonha esse período da nossa vida, isso há uns dez anos ou mais) um dos nomes de ponta do rap BR, ao lado dos Racionais MC’s. Tanto que Sabota foi elevado à categoria de gênio e sua curta produção musical continua como referência do estilo até hoje, mais de uma década após seu desaparecimento. Não à toa seu álbum póstumo que foi enfim lançado esta semana, já está sendo saudado como um dos principais acontecimentos do rap BR em muitos anos.

O autor destas linhas bloggers poppers nunca foi mega fã de rap. Mas jornalista musical que somos e estudioso das diversas vertentes que deambulam pela música na cultura pop, este Finaski acabou por se tornar um apreciador do gênero. Gostando demais, por exemplo, de “Raio X Brasil” (de 1993) e “Sobrevivendo no Inferno” (lançado em 1997), álbuns dos Racionais que transcenderam a barreira estilística e estética do rap para se tornar a representação sonora mais fiel da degradação do tecido social de um país (o Brasil) onde ricos e muito ricos acham que podem tudo, onde a classe média é estúpida e egoísta ao máximo (e ainda se acha pertencente a uma elite e a uma nação de primeiro mundo que na verdade só existe na cabeça de coxinhas imbecis), e onde pobres não têm vez e direito a nada. Simples assim.

E a obra (curta, vale sempre ressaltar, abortada que foi pela violência urbana sem controle e que há muito já transformou a vida nos grandes centros brasileiros em um autêntico inferno e em uma guerra civil já praticamente declarada) de Sabotage também ia pela mesma pegada, importância e impacto sonoro. Como o blog já disse em vezes anteriores: o rap acabou se tornando, de 25 anos pra cá, talvez a música pop de combate político e social que foi representada pelo punk no final dos anos 70’/início dos 80’.

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Capa do álbum póstumo do rapper Sabotage: já sério candidato a disco nacional de 2016

O álbum póstumo de Sabotage saiu enfim e finalmente na última segunda-feira, 17 de outubro. Com onze canções compostas pelo rapper (e que teve suas bases e vocais gravados por ele dias antes de ser cruel e friamente assassinado por um inimigo dos tempos em que o artista atuava no crime, gerenciando o tráfico de drogas na comunidade do Canão) foi assunto principal em tudo quanto é site (musical ou não) que importa. O disco é fodíssimo: além de possuir letras estupendas e acachapantes e que desvelam todo o talento poético de Sabota para radiografar com olhar ácido e agudo as mazelas que dominam ubiquamente a sociedade brasileira desde sempre, ele ainda recebeu acabamento impressionante ao longo dos últimos treze anos. A turma do coletivo Instituto, que produziu e finalizou a obra (um trabalho minucioso e de artesão e que ainda conta com participações especialíssimas da cantora Céu e de rappers como Dexter e BNegão), soube construir a moldura sonora perfeita para cada canção, como a inclusão de violões no refrão e condução da faixa “Respeito é Lei”, ou ainda a ambiência moderníssima de samba que permeia toda a melodia de “Maloca é Maré”, tudo isso realçando a potência dos versos e da inflexão vocal personalíssima do rapper.

Já tem nosso voto para álbum do ano (principalmente em um momento em que o indie rock nacional, salvo honrosas exceções, está irrelevante e sem nada a dizer aos ouvintes) e se vivo estivesse, Sabotage iria se orgulhar muito dele. E Mauro Mateus dos Santos (o nome de batismo de Sabotage) se foi mas sua obra musical está aí (além de sua participação como ator em filmes como “O Invasor” e “Carandiru”), imune à ação do tempo. Aliás ela nunca foi tão atual quanto agora nesse nosso pobre Brasil… o país “do futuro” que JAMAIS chegou aqui – e que pelo jeito nunca irá chegar.

 

 

PARA OUVIR O DISCO PÓSTUMO E INÉDITO DE SABOTAGE

Vai aí embaixo, no Spotify e no YouTube.

 

DUAS LETRAS DO ÁLBUM

“Canão foi tão bom”

 

Canão foi tão bom, poder falar pro dom

Que aprendi com o jão como obter mais alegria

Cara, sempre informação, sangue puro e bom

Pras drogas basta um simples não, o dom da opinião

A vida é a sua cara, eu me dou bem no som

Na raça, um espectrom, quem sai do rojão

É, tio, sem drama, face a face com o subúrbio

O mandarim, Sabote, o Maurin, o núcleo

Registra e mete a cara, jamais a ideologia falha

Ganha a quem produz um som de jão pros tio, né Ganja?

Falar podre do bairro onde eu nasci, que agradei, pá

A mesma viatura pra enquadrar, lembrar das mina

Mulher, vocês são lindas, vós periferia

A criançada agita, pula amarelinha

aguila gira, ciranda cirandinha é muita treta

Talvez melhor que um menas treta

 

Brooklyn, o que será de ti? Regar a paz, eu vim

Jesus já foi assim, brigas traz intrigas, ai de mim

Se não tolin, zé povim quer meu fim

Se esperar, apodrece, se decompõe

Se a gente faz, corre atrás, pede a paz, eles esquecem

Sempre assim, crocodilo hoje só rasteja em solo fértil

 

Crime, ouro, dólar, bola fora, esquece

Os vermes eleitos querem, seus votos, preferem

Paralisia infantil no morro, cresce

Ele observe, o crime impede, tu confere

A mãe, o pivete, sujeito mais que pé de breque

Se eu to com frio, fome, fúria, trombo, clique-clack

Sei que eles doam, mas não pros morros, pra Unicef

Pobres esquecem, a mãe maior nos aparece e pede

O fim maior está tão breve, filho então que reze

Anda ló, vejo na maló, ó só, ainda mais pobre do que eu

Ai, que dó

Na parte de cima, Morro da Macumba, Catarina

Sem estudo, liga. Criança coroinha

O medo, vejo se aproxima

Às vezes não tem nem pista, veja só que fita

Ele desceu da lotação, sofreu chacina

No bolso uma anistia, de botucão, beck do bom

Um beck muito louco e a maldita, a heroína

A tal da bomba da Hiroshima

Aqui se faz o fim pra periferia

Melhor jogar pra cima que tomar

Tio, vou falar, delito óbvio

Sangue, suor, amor e ódio, roubada

Se não ter fé, tio, se tranca em casa

Não saia, ligue a Tv, talvez você vai ver

Pode crê, me vê num outdoor

Querem me pegar pra ló, vê se pó-

De menor problema saiba até maló

Dou valor pros fó

Ter dó de quem vem se arriscar na vida bandida

O custo de vida dá laço sem nó

Lembra a vó, ó, dá mó dó

Criança na periferia vive sem estudo e só

A mercê da mó, tio, tuisabó

Do mandarim de vol-

Ta pra rima, voz bem lá em cima, essa é a sina

Destino indica a correria de um homem

Alternativa pra criança aprender basta que ensina

Essa é a verdade, criança aprende cedo a ter caráter

A distinguir sua classe, estude, marque

Seja um Martin, às vezes um Luther King, um Sabotage

 

Brooklyn, o que será de ti? Regar a paz, eu vim

Jesus já foi assim, brigas traz intrigas, ai de mim

Se não tolin, zé povim quer meu fim

Se esperar, apodrece, se decompõe

Se a gente faz, corre atrás, pede a paz, eles esquecem

Sempre assim, crocodilo hoje só rasteja em solo fértil

 

“Respeito é Lei”

 

Respeito é lei, eu sei, também

Sempre respeitei, aqui

Brooklin meu lugar, enfim

Águas espraiadas, biquinha, catarina, eu vi

Itapevi, pirituba, mangue, várias quebradas, enfim

Arapuá, heliópolis, é nós na ativa, então, chego assim

Paraisópolis, cachorro louco sempre tem, ali

Cachorro magro, porém sensato

Vejo no brooklin, brooklin

Tô chegando e vou cantando, assim, assim

E… Amigo é coisa, assim, pra se guardar

Que eu vi, que eu vi, que eu vi

 

Aí, ladrão

Demorou, o showman, ninguém me envolve, ninguém

Mas logo sou bem, ei, tô, também, e sou do brooklin

Quem tenta me tirar do rango, enfrenta enxame e o trem

Então, vai, tudo okay, quem errou, passa a vez, ei

Amigo meu, quem? Nada soube de um rei

É o podrão, a máfia, oh, please

Aqui, me paga, trouxe, pois é

Vacilou feio, meio, o clone, o jé e o beck

Ô, zeca, quem dera! Tem samba toda sexta

Tem mais, você conhece o vai-vai, curto essa festa

Carlinhos, presidente, a bela vista vai tremer

Ensaia e lê o samba enrê, os manos aplaudem em pé

Demorou, quem viu

Quem ontem viu, quer ver, hoje

Na paz, tão feliz, pôr a paz, o clima é o monge

O terror vem do céu, mano, como foi cruel!

E arreck-cléu, click-cléu, o povo é um alvo do fel

Quem fez não quer ser réu, se esconde pra não aglomerar

Porque é o remédio dessa fé que não pode acabar

 

Respeito é lei, eu sei, também

Sempre respeitei, aqui

Respeito é lei, eu sei, também

Brooklin, meu lugar, enfim

 

Depois não vem, que não tem, coca não é rapé

Eu sei qual é que é, tem loque que se move a ponta-pé

A minha cara, aqui, se quer passar a mensagem

Mas pode ver que o style de malandro é com khakis

Sou sabotage, sou anti-bala, estilo gângster

Quem tenta me tirar do rango, enfrenta enxame e “o trem”

Atende, aí, fê, pergunta quem

Quem vacilou, plêi-plêi! Moscou, não tem ninguém

Um, dois, três, inspirado em freeman

Cheguei, regressei, ha! Não vivo assim

Eu vivo de realidade, sou sabotage, não tenho imagem, ha

A minha levada é segura, filha da puta

Zona sul não muda o rá-tá-tá, esse é o som

Celo x apoia, é tipo na quebrada, me lembro, emboscada

Fazendo suas performances, fazendo seus ajustes, rajada

Bem assim, fazendo o certo, mais aplicado

Tipo, mandando recado, parceiro bem atentado

Vou chegar

 

Respeito é lei, eu sei, também

Sempre respeitei, aqui

Brooklin, meu lugar, enfim

Águas espraiadas, biquinha, catarina, eu vi

Itapevi, pirituba, mangue, várias quebradas, enfim

Arapuá, heliópolis, é nóis na ativa, então, chego, assim

Paraisópolis, cachorro louco sempre tem, ali

Cachorro magro, porém sensato

Vejo no brooklin, brooklin

Tô chegando e vou cantando, assim, assim

E… Amigo é coisa, assim, pra se guardar

Que eu vi, que eu vi, que eu vi

 

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Nesse post orgulhosamente apresentando:

  • RIOS VOADORES – essa turma incrível surgiu em Brasília há três anos. E bebeu nas melhores fontes e influências possíveis: rock psicodélico sessentista com direito a fartas doses de Mutantes, Arnaldo Baptista, Rita Lee e toda a MPB classuda daquela década. Vai daí que o álbum de estréia do quinteto formado pela lindinha bonequinha Gaivota Naves (vocais, letras), por Marcelo Moura (guitarras, vocais), Tarso Jones (teclados, vocais), Beto Ramos (baixo) e Hélio Miranda (bateria) e lançado há pouco, é um discaço de onze faixas cuja sonoridade transborda tudo o que foi citado aí em cima. Por certo o pessoal da Rios Voadores fumou muuuuuita marijuana (ótimo!) e tomou bastanta ácido (melhor ainda!) para engendrar composições e soluções musicais e melódicas que chapam o ouvinte já na primeira audição. Há rocks poderosos no álbum (que foi gravado em Porto Alegre e lançado não apenas em formato digital mas também físico, no bom e velho vinil), como “Sumiço”, “A diferença” e “Calejado”. Há emulações (no ótimo sentido) de valsa (como em “Praça Central”, com direito a uma sanfona adornando o instrumental da música) e jazz (“Freak Lady”) e duas baladas viajandonas envoltas em psicodelia intensa e belíssima (“Música do Cais” e “Insônia”) e que possuem letras muito acima da média do que se ouve atualmente no indigente rock independente nacional. Junte-se a tudo isso uma ótima vocalista e ótimos músicos e pronto: a estréia em disco da RV já é seria candidata a melhor disco de rock nacional de 2016. Interessou? Vai aqui pra saber mais sobre a banda: https://www.facebook.com/bandariosvoadores/. E sendo que o álbum de estréia pode ser escutado aí embaixo:

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De Brasília, a Rios Voadores exibe orgulhosa seu disco de estréia

 

  • VERÔNICA DECIDE MORRER – Fortaleza, capital do Ceará, mantém a tradição de sempre possuir uma cena rocker independente bacanuda e que vive se renovando. De lá já vieram O Jardim Das Horas, Daniel Groove, Jonatan Doll & Os Garotos Solventes, entre outros. E agora a bola da vez é o quarteto Verônica Decide Morrer, que existe há seis anos e atualmente fixou residência em Sampa. Verônica Valentino (uma bichaça louca e total rock’n’roll? Um travecão rocker alucicrazy? Tudo isso junto?) e Jonaz Sampaio nos vocais, Léo Breedlove nas guitarras e Vladya Mendes na bateria resgatam o punk e o garage glam rock setentista sem nenhum pudor, com melodias dançantes, guitarras em brasa e letras total ácidas e escrachadas que buscam tirar o rock brazuca da gigantesca caretice (bem de acordo com o neo conservadorismo que domina a raça humana) na qual ele está mergulhado. Para isso nada melhor do que reeditar a fase mais louca, alucinada e repleta de putaria da história do rock’n’roll e que foi justamente o glam rock de David Bowie, de Marc Bolan e dos New York Dolls. É o que você vai encontrar em músicas (atenção para os títulos!) como “Testemunha de Trava”, “Lady Cromada” ou “Bicha Invejosa”, uia! Mais sobre o grupo você encontra aqui: https://www.facebook.com/veronicadecidemorrerr/. E pra ouvir o esporro rocker que eles detonam, vai no link aí embaixo.

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

  • Disco: o novo do Teenage Fanclub, alguma dúvida?

 

  • Mostra Internacional de Cinema de São Paulo: em sua quadragésima edição uma das maiores mostras cinematográficas do mundo continua dominando as atenções do circuito cultural da capital paulista. E se você ainda não foi em nenhuma sessão, dá tempo: a mostra rola até o próximo dia 2 de novembro, há várias salas exibindo muitos filmes na faixa e tudo sobre o evento pode ser conferido aqui: http://40.mostra.org/br/home/.

 

  • Baladas, poucas baladas… yep, nada muito digno de nota para este finde, sendo que muitas casas noturnas vão centrar fogo em festas de Halloween. De qualquer forma vai ter show bacana neste sábado à tarde (leia-se amanhã, 29 de outubro, já que o blogão está sendo finalmente concluído na sextona em si) com bandas do Norte brasileiro, como Los Porongas e Kali. Rola no espaço Submundo 177 (e que fica na rua Capitão Cavalcanti, 177, Vila Mariana, zona sul de Sampa) e todas as infos sobre a gig você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/1113383305425985/. ///E no domingão tem sempre a fervida noitada rocker Grind na Loca (rua Frei Caneca, 916, Consolação, centro de São Paulo), já um clássico da noite paulistana comandado há dezoito anos pelo super DJ André Pomba. Diversão garantida! Cola lá e se joga na pista!

 

 

FIM PAPO, FINALMENTE!

O postão está enfim concluído. E foi finalizado em uma semana absolutamente infernal na vida do blogger loker rocker autor destas linhas virtuais. Deve ser o tal inferno astral que existe (ao que parece) pra valer, já que estamos a menos de um mês de comemorarmos mais um aninho de vida. Enfim, foram tretas e mais tretas e conseguimos sobreviver a elas graças ao help de amigos de VERDADE e mega queridos por Zap’n’roll, sempre! Então nos despedimos deixando beijos e abraços pra Eliana Martins, pra lindaaaaa loiraça Michelle Martins, pro queridão mineiro João Carvalho e pro nosso advogado rock’n’roll Weber Abraão Jr. Ter amigos como vocês e poder contar com eles faz toda a diferença na vida de uma pessoa. Valeu de coração pela força, dears!

Semana que vem estamos por aqui novamente. Até lá!

 

(atualizado, ampliado e finalizado por por Finatti em 28/10/2016, às 16hs.)

Em um tempo e em um mundo que aparenta estar no fim algo triste de sua história (em função do neo conservadorismo e da selvageria bestial que dominou a raça humana), o blog zapper fica mega contente com o fato de o gênio imortal Bob Dylan ter ganho o prêmio Nobel de literatura deste ano; e com a alma menos cinza por conta disso vamos preparando o postão da semana que vem, quando iremos falar da REAL e bacana cena indie (e não aquela que é mostrada diariamente pelo “vizinho” Pobreloa…, ops, Popload) e dos discos de estreia das bandas Rios Voadores e Veronica Decide Morrer

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O gênio GIGANTE da história da música: agora tanbém dono de um prêmio Nobel de literatura

 

Yep, mini post especial.

E apenas pra demonstrar a alegria de Zap’n’roll com o fato de o gigante da história da cultura pop, mr. Robert Allen Zimmerman, aliás BOB DYLAN, ter ganho ontem o prêmio Nobel de literatura de 2016.

Yep, todo mundo já soube, já leu, já comentou. Mas estas linhas bloggers rockers também precisavam comentar algo, claro. Afinal a escolha do Nobel provocou comoção, espanto, discussão e controvérsia mundão afora. Dylan mereceu a premiação? Ele é músico ou poeta? E, afinal, o que pode ser considerado LITERATURA na música e MÚSICA na palavra escrita?

Uma discussão quase irrelevante em se tratando de Bob Dylan, é o que pensa o autor destas linhas virtuais. O setentão Bob é o responsável pela criação de alguns dos momentos poéticos mais SUBLIMES da história da música (seja no rock, na folk music, no que for). E a qualidade gigante de versos como os que estão em “Blowin’ In The Wind” ou em “Like A Rolling Stone”, além de álbuns como “Blonde On Blonde” ou “Highway 61 Revisited” (apenas para ficar em pouquíssimos exemplos de uma obra magna e que abarca mais de três dezenas de discos completos) o coloca no mesmo patamar de gênios da literatura como Jack Kerouac, Walt Whitman, William Blake ou Dylan Thomas. Simples assim.

Curiosamente Dylan publicou de fato poucos LIVROS. E seu romance de estréia, “Tarantula”, que o então jovem e futuro jornalista leu há quase trinta anos (lá por 1986), não traduz a genialidade que o menestreal mostrava (e mostra) em suas canções. É uma ficção bastante confusa e com roteiro truncado.

Mas nada disso importa – nem o fato de estas linhas rockers terem assistido um único show de Bob Dylan ao longo de nossa trajetória jornalística, em janeiro de 1990 no festival Hollywood Rock, no estádio do Morumbi em São Paulo. O que importa, nesse momento, é isso: a humanidade pode estar no fim de sua história e não há mais heróis nela. Mas Bob Dylan ainda é um desses talvez últimos heróis. E um herói particular para Zap’n’roll. E por isso o blog se sente com a alma menos cinza ao saber que Bob Zimmerman agora também tem um premio Nobel de literatura.

Parabéns, velho! Você mereceu!

 

  • Ah sim: o show dele em 1990 foi PA VO RO SO de tão ruim. O então já cinqüentão músico entrou de péssimo humor no palco. Passou a gig desconstruindo totalmente suas canções, causando debandada no público que estava no Morumba. O blog ficou até o fim, mas saiu de lá mega decepcionado. E ninguém que estava ali naquela noite entendeu alguma coisa. Curiosamente depois disso Dylan voltou algumas vezes para shows no Brasil. E o blog nunca mais conseguiu assistir o menestrel ao vivo.

 

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Semana que vem: postão inédito de volta, falando da cena indie nacional que de fato vale a pena – e não é essa “ilha da fantasia” que o nosso pobre blog vizinho vive publicando, hihihi.

 

(enviado por Finatti às 16:30hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL! (falando dos shows da VELHARIA rock’n’roll que estão a caminho do Brasil, além do roteiro de baladas e dicas culturais do blogão) – Às vésperas da eleição 2016 (que acontece nesse domingo, quando o Brasil elege seus novos prefeitos e vereadores) o país TOTAL VIRA LATA revela a face mais FASCISTA, OGRA, REACIONÁRIA, INTOLERANTE e BESTIAL de uma sociedade e de um eleitorado que está mais IGNORANTE do que nunca; por isso mesmo o blog zapper fala dos vinte anos (que se completam agora, em 11 de outubro) da morte do inesquecível gênio Renato Russo, que marcou para sempre o rock brasileiro com sua poesia e sua intensa contestação política; e mais: o line up do Lollapalooza BR 2017; a REAL CENA INDIE NACIONAL (e não aquela criada pela “ilha da fantasia indie” de um certo blog “vizinho”), mostrada em um sensacional documentário; o blogão também político entrevista André Pomba, nosso candidato a vereador em Sampa; e mais zilhões de indicações de discos (como o novo das meninas do Warpaint e também do grupo paulistano Fábrica de Animais), shows, livros e baladas no roteiro cultural do blog que é campeão quando o assunto é cultura pop e rock alternativo (postão TOTALMENTE CONCLUÍDO, com ampliação final em 7/10/2016)

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O grande, clássico e inesquecível rock’n’roll da saudosa Legião Urbana (acima) é relembrado em histórias exclusivas nesse post, em homenagem aos vinte anos da morte de Renato Russo; mas o blogão também fala do novo rock planetário que ainda importa, resenhando o novo disco das garotas do Warpaint (abaixo)

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ÚLTIMAS DAS ÚLTIMAS, FECHANDO O POSTÃO

  • Abriram as portas de algum ASILO do rock’n’roll e um bando de VELHÕES vai aportar em terras brazucas até o final do ano e também em 2017. O já gagá Aerosmith e que toca no país ainda este mês, foi anunciado como uma das “novas” atrações do Rock In Rio 2017 – ou seja: as turnês caça níqueis por aqui agora são ANUAIS e na cara larga, uia! Fala sério…

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Eles já estão gagás, e tocam aqui este mês e ano que vem, no Rock In Rio 2017; pelamor…

  • Vai ter também New Order dia 1 de dezembro na capital paulista. Show único no Brasil. Ok, o último disco de estúdio deles, “Music Complete”, é muito bom. Mas ao vivo a banda já está CAIDAÇA há anos. Então essas linhas rockers online batem uma APOSTA como a gig do ex-baixista Peter Hook vai ser mais legal do que o show do NO. Peter toca dia 6 de dezembro, também em Sampa.

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O New Order (à esquerda) e o ex-baixista Peter Hook (à direita): os dois se apresentam em São Paulo em dezembro

  • E amanhã, sabadão em si, tem o Popload Festival, com Wilco e Libertines a infelizmente preços MEGA EXTORSIVOS. O blog não vai no evento (pois JAMAIS iria pagar o que estão cobrando pelos tickets), mas já escalou a queridona Tatiana Pereira para resenhar as gigs pra este espaço rocker blogger. Mas só de curiosidade, e a pergunta vai pro nosso prezado dear Luscious R.: os 8 mil ingressos já se esgotaram? Ou estão SOBRANDO e terão que ser QUEIMADOS na última hora?

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Tem Libertines (foto) e Wilco amanhã em Sampa; pena que o ingresso pra ver os dois seja um autêntico ASSALTO A MÃO ARMADA

  • Que beleza, hein! Outra banda “sensação” da “ilha da fanasia indie” que é o nosso blog “vizinho” (o Pobrel…, ops, Popload, hihi), o inútil Bonde Do Rolê, acaba de ter um SEGREDO revelado: um de seus fundadores também é um dos fundadores do direitista e reacionário Movimento Brasil Livre (o detestável MBL). Oxe, será que Luscious R. também está se tornando um jornalista musical de DIREITA e reaça? Será???

 

  • Fim de transmissão. Semana que vem tem mais!

 

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A RUÍNA DO PT E A LIÇÃO QUE A ELEIÇÃO DO ÚLTIMO DOMINGO NOS DEIXA

O autor deste blog nunca foi petista de carteirinha, mas durante anos simpatizeou muito com o partido e com muitos de seus quadros. Votou em Lula, votou em Dilma (assume sem o menor constrangimento mas com algum arrependimento, principalmente na sua reeleição já que seu segundo mandato foi mesmo um desastre). Sempre amou o velhinho do coração de todos nós, o gigante (na moral e ética irrepreensíveis) Eduardo Suplicy (um dos políticos mais DIGNOS da imunda política brasileira; não por acaso ele acaba de se eleger como o vereador mais votado dessas eleições na capital paulista). Continua sendo fã do infelizmente derrotado Fernando Haddad e também DETESTA muita gente no petismo (Zé Dirceu, por exemplo).

Mas as eleições do último domingo deixam um recado INEQUÍVOCO ao PT: o partido está ARRUINADO, e por sua própria culpa (não à toa quadros históricos e ultra honrados do petismo, como Luiza Erundina, foram abandonando a legenda ao longo dos anos e quanto mais ela se distanciava dos princípios que nortearam sua fundação). Ele se tornou apenas mais um partido igual a todos os outros e a tudo que ele combatia na política – corrupção, bandidagem, pilantragem, roubo na cara larga. Sim, ainda há muita gente digna e honesta ali, mas não dá pra negar que o petismo se transformou num antro de ratazanas graúdas e que se locupletaram quando assumiram o poder e o controle da maquina pública.

Deu no que deu: Haddad derrotado em São Paulo. Os candidatos do partido FORA de quase todas as disputas de segundo turno nas capitais brasileiras (exceções: Rio Branco, no Acre, onde o candidato do partido já levou no primeiro turno, e em Recife, onde o PT está no segundo turno) e por aí vai. Tudo já seria bastante digno de tristeza mas a GRANDE TRAGÉDIA petista ainda produziu mais um efeito DESASTROSO na política: a ruína petista ainda deu combustível para que as forças políticas de direita, reacionárias e conservadoras ao máximo (bem ao gosto do grosso da sociedade brasileira atual) AVANÇASSEM COM TUDO nessas eleições – o Fantástico da Rede GOLPE de televisão  informou (em matéria feita por Roberto Kovalic, um ótimo repórter diga-se) que o PT é o grande derrotado dessas eleições. E os grandes vencedores são os lastimáveis PSDBosta e PMDBosta, dois partidos ainda mais BANDIDOS e quadrilheiros do que o petismo. Só que o PSDB, hoje partido quase de direita (e que também não tem mais nada a ver com os princípios que nortearam a sua fundação) e adotado pela elite suja e egoísta desse país, pode roubar à vontade pois ele conta com a benevolência de parte das instituições jurídicas brasileiras (setores do MPF e dos MPEs, da PGR, da PF e eventualmente até do STF e do STE, né Gilmar Mendes e Sergio Moro). E conta com TOTAL APOIO das grandes corporações de mídia – a FALHA de São Paulo só faltou estampar uma tarja em suas capas ao longo da campanha, dizendo ao leitor: “votem em João Escória, a Folha garante!”.

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E enquanto o PT naufraga sem dó, a esquerda mais à esquerda avança – olha lá o pequeno PSOL (hj muito mais ético do que o atual PT e com nomes bacaníssimos em sua legenda, como a própria Erundina e também Marcelo Freixo, Chico Alencar etc.) disputando o segundo turno no Rio De Janeiro e em Belém, aliás os eleitores dessas duas capitais estão de parabéns por colocar o partido no segundo turno, dando uma LIÇÃO DE INTELIGÊNCIA POLÍTICA ao total conservador e ignorante eleitor paulistano.

Infelizmente é isso. Não há mais saída para o PT. Ele precisa ser IMPLODIDO e REFUNDADO. E com urgência.

 

Adendo: Fernando Haddad cometeu erros e equívocos em sua gestão, sem dúvida – ele é humano e, como tal, falível. Mas seus acertos foram muito maiores do que os erros. Fez uma gestão quase VISIONÁRIA e que daqui a muitos anos, se houver justiça, será reconhecida e terá enfim seu valor admitido.

 

A GIG FODÍSSIMA DO GRUPO HARRY NO ÚLTIMO SÁBADO EM SAMPA

Yep, o combo electro rock do vocalista Johnny Hansen se apresentou no último sábado em Sampa, na Clash Club. Era a gig de lançamento de “Electric Fairy Tales”, a versão rocker do disco lançado pela banda em 1988, e que se tornou um dos marcos do indie rock nacional quando ele acontecia sem a ajuda de redes sociais, de apps, de internet e celulares (já que não havia nada disso). Uma cena fodíssima (e não essa droga atual, que só é incenssada na “ilha da fantasia indie” criada por dear Luscious Ribeiro em seu blog também fantasia, o Popload) e um banda (o Harry) que estava tão à frente do seu tempo que seu som permenece moderníssimo até os dias atuais.

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Hansen (acima), guitarrista e vocalista do grupo Harry (abaixo) comanda o esporro rock eletrônico da banda, no último sábado na capital paulista

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O set foi porrada (com guitarras em chamas, a cargo do “véio” Hansen) e empolgante, fazendo o público pular e dançar com gosto – e foi bem mais gente na Clash do que estas linhas bloggers imaginaram que iria.

 

Valeu, Harry! Que a banda permaneça assim por mais três décadas, hehe.

 

(as fotos, ótimas, que ilustram este texto são de Jairo Lavia)

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O país bestial e total vira lata e as eleições deste domingo.

São os temas que dominam as atenções de todos (nos noticiários dos veículos de mídia, impressos, eletrônicos, digitais, em revistas, jornais, TVs, rádios, sites, blogs etc, etc.) esta semana. Nem poderia ser diferente, com a eleição para novos prefeitos e vereadores batendo à nossa porta – ela acontece amanhã (a primeira parte do novo postão de Zap’n’roll está entrando no ar já na tarde do sabadão) em todo o Brasil. Fora que os acontecimentos das últimas semanas e o quadro político, econômico e social mega tenebroso reinante no país nesse momento praticamente obriga o blog a falar muito em política por aqui, mesmo sendo este um espaço virtual eminentemente dedicado a cultura pop e ao rock alternativo já há mais de treze anos ininterruptos. Pois de semanas pra cá o Brasil assiste algo estupefato a uma série de eventos bastante aterradores: os crimes de conotação política que já mataram mais de vinte candidatos por todo o país nos últimos meses (transformando a terra brasilis num autêntico faroeste caboclo), o avanço da violência social, o aprofundamento da crise econômica (e que nesta semana totalizou doze milhões de desempregados no país) e, muito por conta disso tudo, o AVANÇO das candidaturas políticas ultra conservadoras e de direita – não à toa, quem está melhor colocado nas pesquisas de intenção de voto nas duas maiores cidades do país (São Paulo e Rio De Janeiro) são nomes como bispo Crivella (evangélico e pertencente ao nanico e escroque PRB, no Rio) e João Doria e Celso Russomano (em Sampa). E não à toa TAMBÉM o Tribunal de Justiça de São Paulo anulou na última semana a sentença que condenava setenta e quatro PMs paulistas pela matança ocorrida no tristemente célebre massacre do Carandiru, ocorrido em 1992. É como se a (in) Justiça brasileira OFICIALIZASSE o “bandido bom é bandido MORTO” e concedesse licença OFICIAL para a polícia MATAR indiscriminadamente. Diante desse quadro tão tenebroso vale lembrar da pergunta/exclamação que o gênio Renato Russo já havia feito quase trinta anos atrás à frente da inesquecível Legião Urbana: “QUE PAÍS É ESSE???”. Russo se foi há exatos vinte anos (que serão completados no próximo dia 11 de outubro, quando este post ainda estará no ar) e por isso ele e sua obra musical é um dos destaques do postão que você começa a ler agora. Um postão sendo publicado na véspera de mais uma eleição e onde as perspectivas de mudanças na política e na sociedade brasileira parecem cada vez mais sombrias e/ou remotas. Está na hora, de verdade, de todos nós fazermos uma reflexão profunda sobre o que queremos de fato para nós (como cidadãos) e para o país. E se estas linhas rockers online puderem ajudar nessa reflexão, ótimo. Do jeito que a situação está é que não pode ficar. Então bora começar a leitura de mais um post zapper, sempre do lado do seu dileto leitorado.

 

 

  • O blog já declarou publicamente seu voto para as eleições de amanhã, domingo. Nosso candidato a vereador em Sampa é o DJ e agitador/produtor cultural André Pomba, com quem Zap’n’roll bateu um papo essa semana e cujo resumo desse papo você lê mais aí embaixo, nesse mesmo post. Para prefeito no primeiro turno: Luiza Erundina ou Fernando Haddad (iremos decidir amanhã, após verificarmos as últimas pesquisas de intenção de voto). E estas linhas bloggers fazem o apelo aos seus leitores: NÃO DESPERDICE SEU VOTO AMANHÃ!

 

 

  • E já indo pro rrrrrock nas notas iniciais (que a correria tá grande por aqui, em pleno sabadão), o destaque da semana que está chegando ao fim foi mesmo o anúncio do line up do festival Lollapalooza BR em sua edição vindoura de 2017 (rola nos dias 25 e 26 de março em São Paulo, no autódromo de Interlagos). O que já era esperado foi oficializado pela produção do evento: o insuportável Merdallica é o headliner do festival. Mas também vai ter The Strokes (eba!), Duran Duran (novamente: eba!) e The XX (wow!) entre outros (veja o quadro aí embaixo). Como sempre o esquadrão intermediário de atrações será duro de engolir/assistir mas ao que parece o Lolla BR 2017 está um tiquinho melhor do que as duas últimas edições. Já o preço dos ingressos não mudou nada: continua um ASSALTO à mão armada ao bolso dos fãs.

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O line up da edição 2017 do Lollapalooza BR (acima): os Strokes (abaixo) voltam ao Brasil e são uma das atrações do festival

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  • Quem também está promovendo assalto ao bolso do fã de rock é o Popload Festival. Não custa lembrar: para ver Wilco, Libertines etc semana que vem em Sampa (sábado, dia 8 de outubro) quem se interessar terá que desembolsar até quase 800 pilas por um ticket (da famigerada pista vip, antes tão combatida pelo prezado jornalista Lúcio Ribeiro, um dos produtores do festival). Não só: o evento perdeu o show da banda americana Battles (que desistiu de vir e na real não vai fazer falta alguma) e, pior, causou irritação nos fãs do Wilco devido a enooooorme confusão que foi a venda online ontem dos ingressos para o show extra a preços populares (vinte dinheiros) que o grupo americano faz no dia 9 (domingo) no auditório Ibirapuera. Vai mal o Popload festival desse jeito…

 

 

  • Aí vem aquela notícia redentora para a galera indie rocker e fã do graaaaande e saudoso Sonic Youth: a ex-baixista da banda, a deusa e musa loira Kim Gordon, vai fazer duas gigs neste mês em Sampa, nos dias 21 e 22 de outubro no SESC Pinheiros. Preço do ingresso: suaves sessenta pratas.

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Zap’n’roll ao lado da musa, deusa loira e baixista Kim Gordon, no backstage do festival Claro Que É Rock, em novembro de 2005 em Sampa, ao final da gig do Sonic Youth no evento; Kim se apresenta novamente na capital paulista no final desse mês

  • Pois então: se um show da Kim Gordon numa unidade do SESC pode custar apenas sessenta mangos pro bolso de quem quiser ir, vem a pergunta que não quer calar: por que tanto o Lollapalooza BR quanto o Popload Festival precisam cobrar quase MIL REAIS por um ÚNICO ingresso? Hein???

 

 

  • Bien, vamos nessa. Novo postão zapper entrando a toque de caixa no ar, com sua primeira parte. Calma que vai vir muito mais por aqui ao longo da semana vindoura, inclusive nas notas iniciais que irão sendo atualizadas e ampliadas caso algo relevante mereça ser comentado aqui. Mas por enquanto vamos direto aí embaixo, quando relembramos com histórias inéditas de bastidores os vinte anos sem Renato Russo, o gênio que criou e cantou à frente do gigante Legião Urbana.

 

 

11 DE OUTUBRO DE 1996 – HÁ VINTE ANOS O ROCK BR DOS 80’ PERDIA SEU GÊNIO MAIOR, RENATO RUSSO

(E ZAP’N’ROLL ESTAVA LÁ NO OLHO DO FURACÃO, ACOMPANHANDO TODA A TRAJETÓRIA DA INESQUECÍVEL LEGIÃO URBANA)

Renato Manfredini Jr., ou Renato Russo, fundador e vocalista do grupo brasiliense Legião Urbana, tinha trinta e seis anos de idade quando morreu (em decorrência de complicações causadas pela AIDS) há vinte anos, em 11 de outubro de 1996. A Legião então já existia há quase quinze anos e havia se tornado a maior banda do rock BR dos anos 80’, com discos clássicos em sua discografia, milhões de cópias vendidas de seus álbuns e uma legião gigantesca de fãs espalhados por todo o país. E Zap’n’roll acompanhou muito de perto toda a trajetória da banda de Russo, Renato Rocha (o baixista Billy, também já falecido), Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá.

O que o blog viu, ouviu e viveu ao som da Legião Urbana? Isso daria um LIVRO aqui, de umas 200 páginas mais ou menos. De 1982 a 1994 o autor destas linhas bloggers rockers assistiu a exatamente DEZ SHOWS do grupo. O primeiro, em alguma noite do segundo semestre de 1982, num buraco chamado Napalm e que ficava na rua Marquês de Itú, no centrão de São Paulo. Era um muquifo pós-punk pré-Madame Satã e numa noite a Legião tocou lá. Ainda com Renato Russo tocando baixo e cantando (Renato Rocha, o negão, entraria no conjunto um ano depois). Não havia mais do que 50 pessoas ali e Finaski era uma delas. Três anos depois, em 1985, lá estava o futuro jornalista na Devil Discos, na Galeria do Rock (centro de São Paulo), comprando o primeiro disco do grupo, “Legião Urbana”, aquele de capa branca e apenas com uma foto p&b da banda na frente e verso da capa. Zap’n’roll era BANCÁRIO (imaginem… duramos menos de um ano na profissão), tinha deixado de ser punk (foi durante 4 anos) e aquele disco de capa branca do quarteto de Brasília possuía algumas das melhores músicas que já tínhamos ouvido na vida no então nascente rock BR dos anos 80’.

Pouco mais de um ano depois (em meados de 1986) o jovem zapper acabara de estrear como jornalista profissional numa revisteca chamada Rock Stars, e começou a ganhar CONVITES e credenciamentos para ir a shows. Foi quando finalmente viu a Legião pela segunda vez em um palco: foi num sábado à noite, no SALÃO DE FESTAS do Palmeiras (não, não foi no estádio). Aí já havia umas mil pessoas ali pois além de as músicas da Legião estarem tocando nas rádios, também tocaram no mesmo show o Ira! (já com seu primeiro álbum lançado) e o Capital Inicial (que estava prestes a lançar seu primeiro LP pela Polygram, atual Universal Music). Foi um show tríplice empolgante (o jovem jornalista foi com o seu primo que estudava medicina e que hoje é um respeitável médico cinqüentão e evangélico) e mais uma vez teve a certeza de que a Legião era a GRANDE banda brasileira de então. Foi também a primeira vez que trocou algumas palavras com Renato, no camarim após o final do show.

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Agosto de 1990: a Legião Urbana está no auge, só toca em estádios lotados na turnê do disco “As Quatro Estações” e o jornalista zapper registrou o maior fenômeno do rock BR dos anos 80′ nas páginas da revista IstoÉ (acima e abaixo)

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Em dezembro daquele mesmo 1986 a Legião Urbana voltou a São Paulo para apenas um único show e só com ela mesma no palco. O disco “Dois” havia sido lançado meses antes, estourou nas rádios e em vendagem (mais de meio milhão de discos vendidos em poucos meses) e o grupo de Renato, Dado, Bonfá e Renato Rocha simplesmente LOTOU o ginásio do Ibirapuera, colocando 15 mil pessoas ensadencidas lá dentro.

A partir daí a Legião se tornou gigante e o sujeito aqui também foi crescendo e se tornando conhecido como jornalista musical. Em questão de dois anos passamos a colaborar com a revista Somtrês (então dirigida por Maurício Kubrusly, hoje repórter do quadro “Me leva Brasil”, do Fantástico), depois nos tornamos repórter da revista semanal IstoÉ, do Caderno 2 do jornal O Estado De S. Paulo e mais adiante da revista mensal de estilo e comportamento Interview (poderosíssima naquela época). Foi nesse período, entre 1988 e 1994, que o agora já bem conhecido repórter musical entrevistou a Legião Urbana para matérias gigantes que renderam uma “páginas vermelhas” da IstoÉ (o entrevistão que abre todas a edições da revista até hoje), um matéria de abertura da editoria de Cultura da mesma IstoÉ (na edição de 1 de agosto de 1990; era a turnê do disco “As Quatro Estações”, a maior feita pela banda até então e onde ela só estava tocando em estádios para 40 mil pessoas; acompanhamos umas quatro gigs dessa turnê para poder fazer a matéria, que ocupou três páginas da revista), uma matéria de três página na Interview (edição de janeiro de 1994) e, por fim, uma capa inteira do extinto caderno Folhateen, da Folha De S. Paulo. Nessa época o autor deste blog já era muito próximo da turma toda (inclusive do Rafael Borges, o poderoso manager do conjunto) e rolou um fato bizarro em relação a matéria da Folha: a banda estava estourada (“As quatro estações” havia vendido mais de um milhão de cópias e pelo menos cinco faixas do disco tocavam sem parar em tudo quanto era rádio, desde as fms mais roqueiras às mais bregas) e não tocava há 4 ANOS AO VIVO em São Paulo. Haveria dois shows na capital paulista em setembro, novamente no Palmeiras – e desta vez no ESTÁDIO, com público estimado em 45 mil pessoas em cada noite. A Folha, que se auto-proclamava “o maior jornal do Brasil”, TINHA que dar uma matéria com a banda, de preferência entrevistando-a. Mas o que rolou? Renato se negava terminantemente a falar com o jornal dos Frias desde que o disco “Que País É Este!”, lançado pelo quarteto em 1987, havia sido chamado de “esquálido” em uma resenha assinada pelo crítico Mario Cesar Carvalho no caderno Ilustrada.

Como foi “quebrada” a resistência de Russo em falar com a Folha e saiu enfim a matéria de capa INTEIRA no caderno Folhateen? Simples: um dia Finas resolveu ir na redação da Folha (vivíamos fazendo alguns frilas pra lá) e chegou pra Noely Russo (então editora do Folhateen e que não ia nem um pouco com a cara deste jornalista), dizendo: “se você quiser eu CONSIGO falar com eles e faço a matéria pro caderno”. Ela olhou com total ar de desdém e respondeu: “pode tentar. Se conseguir, a capa do caderno será sua”. Passamos duas semanas enchendo o saco do Rafa por telefone (não havia e-mails, internet, cels, apps, nenhuma dessas porras malditas de hoje em dia) pra conseguir a entrevista, argumentando que seria Finatti quem iria fazer, que iríamos pro Rio ao encontro da banda e bla bla blá. Até que um dia ele respondeu: “Venha pra cá na segunda-feira. Eles vão falar com você. E vão dar a entrevista pra Folha porque é VOCÊ quem vai fazer. Senão não ia rolar”. Moral da história: uma semana antes dos shows em São Paulo em 1990, o Folhateen da FolhaSP dava Legião Urbana na CAPA INTEIRA do caderno, em matéria assinada pelo sujeito aqui. Pra talvez um certo desgosto de miss Noely Russo (onde andará ela, afinal?), rsrs.

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Capa (acima) e reportagem gigante (abaixo) da revista Interview, edição de janeiro de 1994, com matéria com a Legião assinada por Finaski

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Os últimos shows que vimos da Legião foram no final de 1994, ambos no ginásio do Ibirapuera novamente. Era a turnê do álbum “O descobrimento do Brasil” e na primeira noite, quinta-feira, o ginásio não chegou a lotar. Na sexta, tinha gente pendurada no teto. E Zap’n’roll lá, já muito amigo de toda a banda, com nossa sempre credencial “all acess” pendurada no pescoço. Foi nesse último show que vimos deles que, já no bis, Renato Russo foi ao microfone e disse: “a gente vai tocar uma música agora que não tocamos ao vivo faz um tempo já. Mas como um AMIGO nosso pediu ontem pra gente tocar, então vamos tocar”. O “amigo” era este velho Finaski, que na noite anterior e depois do show, já papeando com Russo e a turma no lobby do hotel Maksoud Plaza (onde o conjunto estava hospedado), pediu ao se despedir: “toca ‘Ainda É Cedo’ amanhã. Faz tempo que vocês não a tocam ao vivo”. Russo: “vamos ver Humberto, vamos ver…” (yep, ele estranhamente me chamava pelo primeiro nome, Humberto).

O último show da banda na verdade foi em janeiro de 1995, em Santos. Finaski ligou pro Rafael no Rio e pediu dois convites (o repórter já trintão e doidão namorava com a Greta, uma crioulaça de 19 anos de tetas gigantescas, que estava entrando no curso de Letras na USP e que amava Smiths, Doors, poesia e Legião Urbana; e além de tudo era uma foda do inferno e que amava engolir porra). Ele disse ok, sem problema. O show foi num sábado à noite. O zapper estava morando num apê antigo e grandão no Cambuci, que dividia com o fotógrafo e até hoje querido amigo Luiz Carlos Leite. O final da história é que a Greta chegou no apê, estávamos ambos com uma preguiça gigante de ir parar em Santos, e acabamos preferindo ficar trepando e depois fomos dormir. Foi o ÚNICO show da Legião para o qual o blogger loker tinha CONVITES e deixou de ir. E curiosamente, foi o último da trajetória do grupo.

Nunca mais o blog viu Renato. Ele morreu em 11 de outubro de 1996, aos 36 anos de idade, em decorrência da Aids. E o blog soube da morte dele no meio da tarde daquele dia 11. Morávamos então numa kit na avenida 9 de julho que era a própria sucursal do inferno, e lá vivia me entupindo de cocaína e whisky. Ainda trabalhava na Interview mas a revista já estava pra fechar as portas. E o já muito junkie jornalista musical havia passado uma noite infernal na kit, aspirando quilos de pó com dois ou três amigos. Fritou a manhã toda do dia 11 de outubro. Quando enfim sentiu-se minimamente em condições de sair do apto foi até a rua 7 de abril, no escritório que a queridona amiga Sandra Otilia tinha lá. Finas foi ver se ela queria almoçar junto com o loki aqui. E quando chegou a primeira coisa que ela disse foi: “seu ‘amigo’ Renato Russo morreu essa madrugada, você ficou sabendo?”. Aquilo acabou de vez com o dia já total cinza de Zap’n’roll e que já havia começado da pior forma possível.

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Credencial de um show da Legião Urbana em 1988 (acima), fechado apenas para convidados e no qual o blog esteve presente; abaixo, Zap’n’roll se reencontra com o guitarrista da banda, Dado Villa-Lobos, durante lançamento da sua biografia em Sampa ano passado

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A Legião foi o MAIOR nome do rock BR dos 80’, fato. Renato Russo foi gênio, outro fato (e não adianta amigos como Claudio Medusa, Luiz Calanca e outros desafetos legionários que adoramos dizer que a banda era péssima e Renato uma bicha afetada sem estofo poético; suas letras até hoje são debatidas em aulas de Português em escolas de ensino fundamental, médio e até em cursos de Letras de faculdades). E mais: não vai mais haver bandas com a capacidade musical e textual que a geração 80’ teve, pode esquecer. A cena independente nacional está caindo pelas tabelas (só Lucio Ribeiro, na sua iludida Popload, é que acha que essa cena está “madura”, ahahahaha), bandas não vendem mais discos muito menos enchem casas onde não cabem nem 300 pessoas (deu dó ver um puta grupo como Los Porongas tocando, semanas atrás, para menos de 50 pessoas no bar Z Carniceria, no bairro paulistano de Pinheiros). Estamos mesmo no fim da história do rock e da cultura pop (e talvez da própria humanidade), vivendo tempos de hits relâmpagos, medonhos e esquecíveis como “Tá tranqüilo, tá favorável”, “Gordinho gostoso” e “Metralhadora”.

O que ficou e o que irá ficar ainda por gerações e gerações é a obra de gente como Renato Russo, Cazuza, Cássia Eller, Mutantes, Chico, Caetano, Gil, Dylan, Lennon, Ian Curtis, Morrissey, Kurt Cobain. O resto, de 2000’ pra cá, mais cedo ou mais tarde estará totalmente esquecido e soterrado pela poeira inclemente do tempo.

E este velho jornalista rock’n’roll se sente de certa forma nostálgico e melancólico por saber que tudo da grande na música já foi criado, já passou e se foi. Mas também se sente igualmente contente e com um sorriso no rosto ao olhar para trás e pensar: “sim, eu estava lá. E vivi tudo aquilo de perto. Sorte a minha”.

 

 

LEGIÃO URBANA – OS CINCO PRIMEIROS DISCOS, CLÁSSICOS E IMBATÍVEIS

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E O GRUPO AÍ EMBAIXO

Em também cinco vídeos e áudios de canções inesquecíveis, incluso o show completo que o conjunto fez em 7 de julho de 1990 no Jockey Club do Rio De Janeiro, para cinqüenta mil pessoas.

 

 

ZAP’N’ROLL ORGULHOSAMENTE APRESENTA:

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OU: A GRANDE CENA INDIE QUE EXISTIU NO BRASIL – E NÃO É ESSA ATUAL, CRIADA PELA ILHA DA FANTASIA DE UM CERTO BLOG DE CULTURA POP

Foi emocionante (e também um pouco nostálgico, o blog assume) assistir semana passada a última exibição (dentro do festival de documentários musicais “InEdit Brasil”) do documentário “Time Will Burn – o rock underground brasileiro do início dos anos 90’”. A sala do cine Olido (no centrão rocker de Sampa) não lotou, mas recebeu um bom público (havia uma garotada nova por lá mas a maioria da platéia era composta por tiozões como o autor destas linhas bloggers, rsrs) que aplaudiu o doc de pé ao final da exibição.

O blog escreveria um livro aqui para falar sobre o documentário e também sobre uma cena que acompanhamos totalmente de perto (como fã de rock e como jornalista musical), há 25 anos. Vimos zilhões de shows das bandas mostradas no filme (Pin Ups, Killing Chainsaw, Second Come, Mickey Junkies, DeFalla etc.), freqüentamos quase todos os lugares mostrados (o Retrô em São Paulo era o nosso segundo lar, rsrs; fora que também fomos no Aeroanta, Urbania, Der Temple, Cais etc, etc.) e, enfim, convivemos com a turma dessas bandas todas. Então rever essa cena e essa história toda na tela só ratificou para este jornalista (e para todos que estavam na sala de exibição) que o Brasil já teve, sim, uma cena rock independente SENSACIONAL, mas que infelizmente ficou para sempre aprisionada nos anos 90’. E era um cena grandinha, com ótimas e numerosas bandas e que chegou a atrair bom público pras suas gigs. Exemplo: em determinado momento do doc um dos integrantes do grupo carioca Second Come conta que o quarteto chegou a tocar para 800 pessoas (!!!) no Circo Voador.

E hoje? Hoje é esse DESASTRE que está aí. Uma cena inócua, lotada de bandas PÉSSIMAS e que não levam 30 gatos moribundos e pingados aos seus shows. Uma cena que só está BOMBADA e no seu MELHOR MOMENTO (hã???) na cabeça do prezado Lucio Ribeiro, que criou uma delirante ilha da fantasia indie no seu blog, Popload. Vamos ver até quando ele consegue sustentar essa ilha… aliás, vem cá querido Luscious, nos diga (e batemos uma APOSTA com você): essas bandas que o Sr. menciona no seu blog (Inky, FingerFingerrr, Dom Pescoço etc) conseguem, que seja, enfiar 100 PESSOAS em um show delas com ingresso PAGO pelo público, em algum lugar? Zap’n’roll DU VI DA!

A diferença entre a indie scene nacional dos 90’ e a de hoje é muito clara e óbvia: ali se fazia rock BARULHENTO, com guitarras estridentes e cantado em inglês. Rock é isso, não? Hoje em dia todo mundo canta em português (sofrível e com letras não raro vexatórias em sua verve simplória e adolescente) e insiste em tentar misturar rock de guitarras com a malemolência da MPB tradicional. Não dá, não rola. Se é pra tocar rock que se ponha a guitarra, a distorção e os amplis no talo. Se é pra ser MPB (nada contra, adoramos MPB que seja ÓTIMA, bem composta e classuda), que se tire as guitarras barulhentas e a distorção e o noise das músicas, simples.

Faltou algo em “Time Will Burn”? Sim, sempre falta, né? Sentimos não terem falado do brincando de deus (da Bahia), do Low Dream (de Brasília) e do Sonic Disruptor (de Guarulhos), uma trinca de guitar bands fantástica ali do início dos anos 90’, e que este Finaski mesmo na época apresentou aos leitores da revista Dynamite numa matéria de duas páginas – enquanto isso onde estava mesmo dear Luscious, o homem da Popload? Provavelmente começando sua carreira de jornalista e fazendo bem o que faz até hoje: falando de algum hype irrelevante da gringa e que depois de um tempo ninguém mais vai lembrar do que se tratava.

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O já lendário quarteto indie guitar paulistano Pin Ups (acima, em sua formação clássica dos anos 90′) é um dos destaques do documentário “Time Will Burn”, que mostra a REAL E GRANDE cena indie que existiu no Brasil (e não é essa que é  mostrada a todo instante nos posts do blog Popload); abaixo cena do documentário “Guitar Days”, que foca na mesma cena indie guitar br dos anos 90′ e que ainda vai ser lançado, com depoimento do autor deste blog

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Agora é esperar pelo também documentário “Guitar Days”, produzido e dirigido pelo querido Caio Augusto (quando ele será lançado, afinal?), que foca na mesma cena mas que aparentemente é bem mais abrangente – sendo que neste doc o velho jornalista loker/rocker aqui aparece dando depoimento, hehe. Enfim, são dois docs que mostram o que era e o que foi, de fato, a grande cena rock independente brasileira em todos os tempos. Ou vocês acham que daqui a 20 anos alguém vai se preocupar em fazer um documentário falando de O Terno, FingerFingerrr, Dom Pescoço ou algum desses aí da ilha da fantasia indie da Popload?

 

  • E mais: também na semana passada a cantora Céu fez gig gratuita na área externa do MIS (Museu da Imagem e do Som de São Paulo). Abrindo pra ela estava Aninha Martins, pretinha total delicious e uma das maiores revelações da novíssima cena indie de Recife. O show foi gratuito e lotou. Mas claaaaaro que o blog “vizinho” Popload nunca ouviu falar de Aninha Martins.

 

  • Já o lendário, célebre e mega respeitado selo indie paulistano Baratos Afins (dirigido há três décadas pelo queridão Luiz Calanca, um dos produtores musicais que mais entendem de rock independente nesse país) acaba de lançar o segundo CD do quinteto paulistano Fábrica de Animais, combo rock’n’roll porrada de ótimas guitarras rockers e algo bluesy e que tem como vocalista a atriz de teatro Fernanda D’Umbra. Como? A Popload também não conhece essa banda e nunca falou dela? Sem problema: o blogão zapper dá o serviço e resenha o novo disco do FA no final desse post.

 

  • E por fim, pra registrar: o logotipo especial desse post foi criado pelo artista gráfico agitador cultural, músico e vocalista Falcão Moreno, que canta na banda Coyotes California, quarteto bacaníssimo da zona leste paulistana e que já possui dois discos lançados. Com quase uma década de existência e tendo no seu som as melhores influências do rock funky de grupos como Red Hot Chili Peppers e Faith No More, o CC também NUNCA foi sequer mencionado no nosso blog “vizinho”, uia! Vai mal a ilha da fantasia indie por lá hein!

 

 

TÓPICO POLÍTICO – NA VÉSPERA DA ELEIÇÃO MUNICIPAL O BLOG ENTREVISTA O CANDIDATO A VEREADOR ANDRÉ POMBA

O jornalista, músico, produtor e agitador cultural, DJ e presidente de ONG (a Associação Cultural Dynamite) André Pomba, enfrenta novamente uma disputa político/eleitoral neste domingo. Ele que já foi candidato a vereador e deputado federal em pleitos anteriores, agora se lança novamente na corrida por uma vaga na camara de vereadores da capital paulista. Aos cinqüenta e dois anos de idade, Pomba é candidato pelo Partido Verde (foi filiado ao PSDB por duas décadas mas se desligou do partido tucano há cerca de quatro anos) e com uma plataforma bacana, que privilegia áreas como a cultura (em especial a música e o rock) e temas como a diversidade sexual – gay assumido, ele é um dos militantes LGBT mais aguerridos de São Paulo.

O autor deste blog conhece André Pomba há mais de vinte anos e o tem como um de seus melhores amigos. É uma relação de amizade e profissional que começou em janeiro de 1993 e que perdura até os dias de hoje, tempo em que Zap’n’roll atuou como repórter da extinta revista Dynamite, também do portal Dynamite online (WWW.dynamite.com.br) e, por fim, como editor do blog Zap’n’roll, que começou no portal para depois ganhar vida e endereços próprios na web. Portanto, nada mais natural que estas linhas rockers mas também políticas abram espaço neste post para que Pomba exponha suas idéias e seus objetivos caso consiga se eleger. O bate-papo com ele rolou esta semana e os principais trechos da entrevista você confere abaixo.

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Dupla dinâmica e inseparável há duas décadas: Zap’n’roll e o produtor cultural e candidato a vereador André Pomba

 

Zap’n’roll – você já concorreu a cargos políticos em eleições passadas (para vereador mesmo, em 1992, e mais recentemente para deputado federal) e não conseguiu se eleger. Quais são as perspectivas dessa vez, para a eleição deste domingo próximo?

 

André Pomba – Quando você não tem recursos, justamente vai ampliando a base. A promeira eleição fui lançado para preencher chapa e mesmo assim tive 1500 votos. Já para deputado tive quase 7000 e foi para preparar esta agora a vereador, aonde tenho chances reais, devido a alta renovação que deve ter a Câmara Municipal e a desilusão com os políticos profissionais.

 

Zap – há um consenso generalizado de que a política brasileira se tornou a mais imunda do mundo e que ela precisa mudar com urgência. O fato de ter sido proibida nessa eleição o financiamento de candidatos por empresas privadas já seria um avanço no sentindo dessa mudança urgente e necessária? O que mais, na sua opinião, é preciso mudar na política brasileira?

 

Pomba – Costumo dizer que a política brasileira é pior do que a retratada no seriado americano House of Cards. Realmente o fim do financiamento privado nivelou um pouco mais as chances, embora deve ter ampliado o caixa dois e o dinheiro sujo (corrupção, tráfico). Esperamos que o TSE e o STF puna realmente os criminosos da política, para que os honestos e sem recursos, mas com grande capacidade e história possam se eleger. Para melhorar ainda mais, essa punição e consequente cassação teríam que ser mais ágeis.

 

Zap – você possui um histórico de ativismo cultural (em especial na música e no rock) e em favor da diversidade sexual. É presidente de uma ONG dedicada a projetos culturais e inclusão social, além de ativo militante LGBT. Pretende, se eleito, dar ênfase a essas questões durante seu mandato?

 

Pomba – Costumo dizer que minha atuação será focada em 4 itens: Cultura, diversidade, sustentabilidade e a defesa da noite paulistana. Na área de diversidade, quero discutir a criação de casas de acolhida, para jovens e adolescentes que são expulsos ou vítimas de violência em suas casas e pretendo apresentar uma lei anti-discriminação municipal que puna toda forma de preconceito (racismo, machismo, homofobia, transfobia, de origem, contra pessoas com deficiência etc). Dentro da área cultural pretendo revalorizar as casas de cultura nos bairros, hoje abandonadas; quero cobrar a implantação de um programa de incentivo municipal de cultura; quero efetivar a obrigatoriedade do ensino de música nas escolas e reforçar o caráter de inclusão social através da cultura. Na área de sustentabilidade, pretendo focar na questão do lixo (reciclagem e compostagem), bem como defender com unhas e dentes as parcas áreas verdes da cidade hoje ameaçadas pela especulação imobiliária. Sou coordenador dos Movimentos Noite Paulistana e Em Defesa da Rua Augusta, e vou lutar pelo licenciamento online com renovação automática, apoiar a implantação do projeto São Paulo 24 horas e rever leis que prejudicam o funcionamento de estabelecimentos noturnos. E também buscar a valorização dos profissionais da área (DJs, barmen, hostess etc). Bom, tenho uma ampla gama de propostas e no meu site www.andrepombapv.com.br tem tudo o que defendo para a cidade de São Paulo e minha biografia.

 

Zap – E analisando num espectro mais amplo, o que é preciso ser melhorado em São Paulo através da gestão dos futuros novos vereadores?

 

Pomba – Justamente ter uma câmara mais independente e menos afeita a troca de apoio por cargos e verbas. Não votar em políticos que já estão lá há décadas!

 

Zap – um recado final para seus potenciais eleitores.

 

Pomba – Peço que domingo votem 43969. Porque eu tenho ficha limpa e um histórico de 30 anos de ativismo urbano em vários flancos. Um amigo meu disse que admira minha luta por juntar tribos e bandeiras antagônicas que pouco dialogam, mas que unidas teriam muito a ganhar, como demonstração de força. Rock, cultura, diversidade, sustentabilidade e a defesa da noite paulistana, para muito são temas menores, ante os graves problemas de uma cidade, mas ter essas bandeiras à frente não exclui você brigar por uma cidade com melhor transporte, saúde e educação. Pelo contrário, o empoderamento desses temas transversais ajuda e muito a termos uma cidade melhor e mais justa. E obrigado pelo espaço Finas, e parabéns pela Zap’n’Roll!

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

  • Disco, I: as meninas do americano Warpaint estão de volta após dois anos, e acabam de lançar “Heads Up”, seu quarto disco de estúdio. A banda continua mandando muito bem em sua proposta sonora (nuances de shoegazer e dream pop) e há momentos belíssimos no novo trabalho, sendo que o blog ainda vai voltar a falar melhor dele. Mas você conferir o discão na íntegra aí embaixo:

 

  • Disco, II: o quinteto paulistano Fábrica De Animais (que tem Fernanda D’Umbra nos vocais, Sergio Arara nas guitarras, Flavio Vajman na gaita, Caio Góes no baixo e Cristiano Miranda na bateria) chega ao segundo disco, homônimo, em lançamento do sempre antenado selo Baratos Afins. O procedimento musical do grupo não mudou em relação à sua estréia: ele deambula por planícies onde rock’n’roll de guitarras cruas e abrasivas se mixam a eflúvios bluesisticos – e aí entra em cena a sempre empolgante gaita de Flavinho Vajman. O cd abre porradão com “De quando lamentávamos o disco arranhado” e prosssegue em andamento acelerado com “Jogo de dardos”. Mas estas linhas online preferem os momentos mais calmos e bluesy do disco, como em “Tudo errado” e, principalmente, em “Erro”, onde Fernandinha (que também é atriz de teatro) dá show nos vocais com inflexões suaves e bem moduladas. É álbum pra se escutar em casa numa madrugada fria, de preferência acompanhado de um bom vinho e um baseado. E se as letras das músicas não são exatamente um primor em termos textuais, a banda compensa exibindo um dos já muito bons discos de rock nacional deste triste e já quase findo 2016, onde a indie scene nacional continua a definhar a olhos vistos. Mas é claaaaaro que o Fábrica De Animais, um dos poucos bons conjuntos da cena atual do rock BR, não vai ser mencionada JAMAIS no blog “ilha da fantasia indie” Popload, onde seu autor (mr. Lúcio Ribeiro) só fala de bandas “fodásticas” como FingerFingerrr (quem?), Dom Pescoço (quem??), Inky (quem???) e outras “sensações” da cena independente brazuca atual, uia! Pobres leitores do blog vizinho, hihihi. Pra saber mais sobre o FA, vai aqui: https://www.facebook.com/fabricadeanimais/. E se você interessou, para comprar o cd vai aqui: http://baratosafinsloja.com.br/fabrica-de-animais-fabrica-de-animais-de-quando-lamentavamos-o-disco-arranhado-cd-bra.html.

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  • Livro: “Transformer”, a biografia do saudoso e imortal gênio Lou Reed lançada há pouco no Brasil pela editora Aleph, é um ESCÂNDALO. Em quase quinhentas páginas o autor Victor Bockris esmiúça com profundidade a trajetória pessoal e artística do sujeito que deu ao mundo “apenas” o Velvet Underground, uma das bandas de rock mais influentes de todos os tempos. Lou foi o que todos os seus fãs sabem: controverso, polemico, genial, de temperamento explosivo e rude. De sua adolescência tomando eletrochoques em clinicas psiquiátricas (onde foi internado pelos pais, pois assim eles acreditavam que Reed deixaria suas tendências homossexuais e se tornaria um jovem “normal” e socialmente aceito pelos padrões reacionários e caretas do americano médio comum e estúpido) e passando por toda a sua looooonga trajetória como cantor e compositor (e suas descidas aos infernos das drogas e do submundo de Nova York), está tudo no volume, ainda por cima embalado em belíssima capa dura. Imperdível! Sendo que você pode saber mais sobre o livro aqui: http://www.editoraaleph.com.br/site/transformer-a-historia-completa-de-lou-reed.html.

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Zap’n’roll com o seu exemplar da bio fodona do inesquecível gênio Lou Reed

 

  • Site bacanão: quer saber tudo o que rola na cena cultural de São Carlos, no interior paulista? Basta acessar o RodaMob, editado pela gatíssima jornalista (e amigona zapper) Sarah Mascarenhas, que mostra um panorama gigante de tudo o que acontece por lá, com roteiros de eventos, resenhas, entrevistas com artistas locais e muito mais. Vai aqui e divirta-se: https://www.rodamob.com.br/.

 

  • Baladas: tão devagar, quaaaaase parando neste finde (o postão está sendo finalizado já na sextona em si, 7 de outubro). Então a melhor dica mesmo é pegar um cineminha (“Aquarius” e o doc sobre Janis Joplin, por exemplo, continuam em cartaz no cine Belas Artes) e depois fechar a noite tomando uma breja a preço justo no Outs Pub (na rua Augusta, colado no já clássico Outs em si) ou no Cemitério de Automóveis, do queridão Mario Bortolotto, lá na rua Frei Caneca, quase esquina da rua Paim. Beleusma? Vai que vai!

 

 

E FIM DE PAPO

Que o postão ficou bacanão, né. Semana que vem estamos por aqui novamente. Até lá com beijos no coração da galera.

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 7/10/2016, às 18hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL!!! Com a segunda parte da nossa cobertura máster dos últimos festivais de rock europeus e as dicas culturais e de baladas pro finde – Os tempos estão tristes e sombrios e setembro começa com postão novo zapper (até que enfim!), com multidões marchando pelas ruas contra o governo do GOLPISTA e NAZISTA Michel Temer, e com a notícia de que tem sim Garbage ao vivo no Brasil em dezembro; em tópico mega especial nosso blog dá um SPANKO monstro no vizinho “Popload”, que se tornou uma autêntica “ilha da fantasia indie” e para quem a cena rock independente nacional vive seu melhor momento até hoje (ahahahaha); mais: o blogão mostra como foram bacaníssimos alguns dos mais recentes e últimos festivais de rock que rolaram na Europa, com showzaços de PJ Harvey, Massive Attack e muito mais, sempre no espaço blogger mais legal da web BR (postão ampliado e finalizado em 9/9/2016)

 

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O país vira lata (esse mesmo em que vivemos) vai de mal a pior e isso se reflete na cena indie nacional: enquanto na Europa veteranas alternativas como a deusa inglesa PJ Harvey ainda se mantém fazendo shows empolgantes (acima, no recente Oya Festival, na Noruega) e lançando ótimos discos; aqui a tristeza impera, tristeza que será ao menos amenizada com as gigs do Garbage (abaixo) em dezembro e que também é suportável quando lembramos que pelo menos o grande Vanguart (também abaixo) deu certo em uma cena que segue ladeira abaixo sem dó

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Tempos tristes no Brasil.

Até o papa Francisco comentou, mostrando seu descontentamento com a situação política tenebrosa que se abate sobre esse país (o nosso) vira lata total e que ninguém respeita ou leva a sério lá fora. Também pudera: como respeitar uma nação que possui a classe política mais IMUNDA e ORDINÁRIA do Universo? Uma classe política em que um bando de senadores corruptos e implicados até o cu em inquéritos criminais sobre escândalos de corrupção e desvio de dinheiro público, ejetam do poder uma presidente eleita com mais de cinqüenta milhões de votos num processo totalmente político e sem base jurídica alguma? Dilma errou? Sim, muito. foi totalmente inábil na condução política e econômica do Brasil. É turrona, teimosa como uma porta e sem jogo de cintura algum. No entanto, não é BANDIDA. Não há NENHUM processo ou investigação em curso contra ela em qualquer instância jurídica do país. Logo os erros do seu governo deveriam ser julgados pelo povo nas URNAS, e não por um bando de senadores sem a mínima condição ética ou moral para tirar quem quer que seja da presidência da República. Mas infelizmente a parada no bananão miserável funciona assim e agora só resta resistir (dentro da Lei e da Ordem) a esse desgoverno golpista comandado pelo PMDBosta e pelo mordomo de filme de terror que é Michel Temer. Para isso as passeatas estão sendo diárias, se alastrando pelo país afora e se tornando GIGANTES (como a de ontem, domingo, em São Paulo, quando mais de cem mil pessoas se reuniram na avenida Paulista para gritar “fora Temer!”). Mesmo com a repressão policial MONSTRO em cima dos manifestantes, a ordem é continuar indo para as ruas. E o próprio autor de Zap’n’roll pretende ir no próximo protesto, já marcado para esta quinta-feira, após o feriado de 7 de setembro. De modos que a posição do blog é bem clara: somos CONTRA o governo NAZISTA e GOLPISTA de Michel Temer. E a favor de eleições diretas e em todos os níveis JÁ. Enquanto isso não ocorre estaremos ao lado de todos aqueles que gritam “Fora Temer!”. E sempre também ao lado da VERDADE dos fatos – por isso mesmo estamos rebatendo aqui, nesse post que começa agora, a “ilha da fantasia indie” publicada no “vizinho” Popload, há alguns dias. E para completar este post especial e bacanudo (que custou a chegar mas chegou chegando, hehe), ainda temos uma cobertura mega especial dos mais recentes festivais de rock que rolaram na Europa, em texto primoroso escrito pelo nosso já velho e dileto amigo Ricardo Fernandes. Ou seja: estas linhas zappers continuam fazendo muito bem o que sempre fizeram, que é defender a verdade dos fatos e seguir amando a cultura pop e o  rock alternativo.

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FECHANDO A TAMPA DO POSTÃO BACANÃO

  • Os boatos de bastidores mandam avisar: o Lollapalooza BR 2017 deve ter Radiohead (wow!), Duran Duran (wow!!) e Strokes (ulalá!). E sim, também o insuportável MERDALLICA como um dos seus headliners – já pensou, aquele mar de metaleiros machos feiosos,  suarentos e fedidos pulando como macacos ao som desses velhos boçais do heavy merdal? Jezuiz… rsrs. Tudo será confirmado nas próximas semanas e o blog zapper está de olho, fica sussa.

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O gigante indie Radiohead: a caminho do Lolla BR 2017?

 

 

 

  • Zap’n’roll bate uma APOSTA com seus leitores: a de que irão menos de 30 gatos pingados na maioria das gigs listadas na “avalanche indie” descrita na Pobrel, ops, Popload. Se alguém for, nos diga depois
  • E agora é fim mesmo porque o post já está enooooorme. Semana que vem voltamos com mais por aqui. Até lá!

 

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  • O postão demorou a ser renovado, mas cá estamos. E em plena semana do feriado da Independência do Brasil. E com o país em chamas, gritando “Fora Temer!”. Então, reiterando: Zap’n’roll É CONTRA GOVERNO NAZISTA E GOLPISTA, ponto!

 

 

  • Janaína Paschoal, a LOUCA e HISTÉRICA, socorro!

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  • Vergonha MÁXIMA é a PM truculenta ao máximo, comandada pelo NAZISTA Geraldo Alckmerda, descer o cacete sem dó nos manifestantes que estão indo para as ruas de Sampa contra Temer. Alô MPE, vai ficar CALADO?

 

 

  • E enquanto Dilma se defendia na sessão do Senado que iria votar seu impichamento, um dos nossos “nobres” representantes do povo sacudia alegre um saquinho de padê, sentado em sua mesa. Viralizou na web, claaaaaro! “Olha o saquinho, olha o saquinho! Aeeeeê MULEKE!”.

 

  • A MELHOR notícia do mondo rocker todo mundo já está sabendo: o grande Garbage e nossa musa Shirley Manson (que continua um XOXOTAÇO aos 5.0 de vida) estão de volta ao Brasil em dezembro. Em Sampa o quarteto toca dia 10 de dezembro (sabadão!) no Tropical Butantã. No dia seguinte é a vez do Rio, com gig no Circo Voador. Os preços dos ingressos estão bem decentes e você pode comprar o seu aqui: http://www.clubedoingresso.com/index.php?route=product/product&product_id=1263.

 

  • E com postão novão entrando no ar em plena segunda-feira (pra começar bem a semana), iremos ampliando e atualizando essas notinhas inicias ao longo da semana, até a conclusão total dos trabalhos neste post. Mas agora vamos já direto pro tópico principal, aí embaixo: o blogão zapper desmascarando a “ilha da fantasia indie” criada pelo blog Popload. Bora!

 

 

TÓPICO ESPECIAL: AO CONTRÁRIO DO QUE ANDOU AFIRMANDO O ILUDIDO E SEMPRE FESTEIRO (NO QUE O TERMO TEM DE PIOR) BLOG POPLOAD (QUE JÁ TEVE DIAS MELHORES), A CENA INDIE ROCK BR ESTÁ MAIS MORTA E IRRELEVANTE DO QUE NUNCA – E ISSO PELO JEITO NÃO VAI MUDAR…

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Zap’n’roll e Lúcio Ribeiro, a dupla responsável por dois dos principais blogs de cultura pop da web BR: ambos já foram bons amigos, hoje a amizade entre ambos estão meio azedada

 

Há alguns dias, mais exatamente em 26 de agosto passado, o blog “vizinho” de cultura pop Popload, escrito há quase década e meia pelo mui conhecido jornalista Lúcio Ribeiro, soltou um postão (ou seria peidão?) bombástico, onde afirmava categoricamente (e dando zilhões de exemplos e argumentos para corroborar sua tese) que a cena independente do rock brasileiro vive, em 2016 (o ano em que o país está pegando fogo politicamente, onde uma presidente que cometeu erros crassos na administração da nação mas que era e é honesta, acaba de ser ejetada de seu cargo por um bando de políticos dos mais pilantras; um ano em que a economia brasileira amarga seu sexto trismestre em retração, um ano em que há mais ou menos doze milhões de desempregados pelo país afora) seu MELHOR MOMENTO e onde ela está MADURA como nunca esteve antes. Seria um post apenas hilário, risível, para iludir incautos e oportunista/tendencioso, para agradar meia dúzia de artistas totalmente irrelevantes, que são citados naquele mesmo post. Mas se torna algo digno de ser REBATIDO com vigor, ainda mais por se tratar de ter sido escrito por quem foi – logo nosso dear Luscious, que já teve um passado respeitável como jornalista de cultura pop, que já não é nenhum adolescente (está com mais de cinqüenta anos de idade) embora insista em se comportar como tal, e que sabe, ele mesmo, que a cena independente rock brazuca segue quase morta e mais irrelevante do que nunca neste quase trágico em todos os sentidos ano de 2016. O blog Popload já teve dias melhores, em termos de informação jornalística e musical. E seu titular, nosso por muitos anos grande chapa (vamos reconhecer: sempre nos demos bem com ele, até meses atrás quando atitudes pessoais suas para com o autor destas linhas zappers começaram a azedar essa relação de amizade) LR, também já teve dias melhores como jornalista de alta credibilidade.

Antes de entrar na argumentação esdrúxula publicada na Popload para balizar a tese de que o indie rock nacional vive seu melhor momento (quando, na real, ele está no fundo do poço), vamos traçar um rápido paralelo entre as trajetórias do poploader LR e do autor de Zap’n’roll. O primeiro começou sua carreira profissional nos anos 90’, escrevendo já em grandes veículos como o diário paulistano Folha De S. Paulo. A partir daí Luscious colaborou com os principais veículos de mídia do país e há mais de década é o responsável pelo blog Popload, que já foi (não é mais) referência em termos de informação na área do rock alternativo e da cultura pop. E antes de se tornar o blog quase pífio que é atualmente, a Popload teve um passado memorável como coluna impressa na FolhaSP e depois online, no próprio site da Folha, período em que Luscious (em seu texto sobre a maturidade da indie scene nacional) se gaba de ter visto Cansey de Ser Sexy não sei onde e o falecido trio Los Pirata tocando em um muquifo na rua Augusta (o também extinto bar Orbital provavelmente, e onde o autor deste blog fez algumas festas da também extinta revista Dynamite, sendo que em uma delas um dos DJs convidados foi inclusive… Lúcio Ribeiro!).

Pois então:a trajetória de Zap’n’roll no jornalismo musical brasileiro já é conhecida de cor e salteado por todo nosso dileto leitorado. O autor deste blog publicou seu primeiro texto profissional e PAGO em uma revista em junho de 1986 (há portanto mais de trinta anos). E cerca de uma década depois (quando já havia trabalhado e/ou colaborado com igualmente alguns dos principais órgãos da imprensa brasileira como jornais como o Estado De S. Paulo, ou revistas IstoÉ, Bizz e Interview), já na metade dos anos 90’ o jornalista zapper passou a dedicar seu olhar com atenção a então nascente e forte cena rocker alternativa brasileira, algo que fazemos até hoje, vinte anos depois e mesmo com essa cena atravessando (ao contrário do que firma nosso blog vizinho) seu talvez PIOR momento. Nessas duas décadas cobrindo essa cena, o repórter Finaski (através de matérias aqui mesmo neste blog ou na extinta edição impressa da revista Dynamite) viajou o Brasil cobrindo festivais indies. Promoveu festas em bares no baixo Augusta com bandas que mais tarde iriam se tornar mundialmente conhecidas (caso do também citado por LR Cansei de Ser Sexy, que chegou a tocar em uma festa da revista Dynamite e organizada pelo autor destas linhas online no clube Outs, de GRAÇA, ou melhor: com cachê em troca de anúncio na revista) e que também iriam desaparecer alguns anos depois (quem se lembra hoje em dia do CSS?). Não só: em uma edição do ano de 1995 da revista Dynamite este repórter produziu duas páginas de texto analisando o trabalho dos grupos brincando de deus (o nome da banda baiana era grafado em minúsculas), Low Dream (de Brasília) e Sonic Disruptor (de Guarulhos, em São Paulo), três das MELHORES GUITAR BANDS que já existiram no Btasil, que cantavam apenas em inglês e que ainda assim sempre lotavam os pequenos bares onde se apresentavam – isso em uma época onde não havia internet, celulares, apps, redes sociais e nada disso para divulgar os eventos, que enchiam através da divulgação via flyers impressos ou simplesmente através do boca-a-boca dos fãs. Hoje, com whats app e páginas BOMBANDO de likes na porra do faceboquete, bandas suam para enfiar trinta ou quarenta fãs em qualquer local onde vão se apresentar.

Não só, II: a partir do ano 2000’ o blog zapper se tornou um dos principais da blogosfera da web BR de cultura pop. Com isso aumentaram os convites para cobrir festivais pelo Brasil afora. Ao mesmo tempo Finaski ainda começou a colaborar com a edição brasileira da revista Rolling Stone (que começou a circular aqui em 2006) e nela falou de bandas fodonas da indie scene nacional, como Pública (do Rio Grande Do Sul), Ludovic (de Sampa, e infelizmente já extinto) e Gram (outra bandaça paulistana e que infelizmente também acabou). Além disso e por conta do seu envolvimento com a cena alternativa (sempre acompanhando-a de perto e atentamente como jornalista musical), Zap’n’roll acabou sendo incumbido pela revista Dynamite e seu então editor-chefe (André Pomba), de produzir um festival que ocupou por três noites seguidas as dependências da chopperia do SESC Pompéia, na capital paulista. O Dynamite Independente Festival foi realizado em dois anos consecutivos (em 2003 e 2004), ambos com a produção e curadoria do autor deste blog. Na primeira edição tocaram numa noite memorável Supla e Pitty (então prestes a estourar como a nova rock star brasileira). E na segunda edição do evento, em 2004, a trinca Ludov, Gram e Leela simplesmente lotou a chopperia (com quase oitocentos ingressos vendidos!) na noite de estréia do festival, o que comprova que naquela época SIM a cena under brazuca estava vivendo um ótimo momento, com grupos formando público e levando um número considervel de fãs aos seus shows.

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O vocalista Helinho Flanders, da banda Vanguart, ao lado de Zap’n’roll em 2015: o sexteto cuiabano é talvez a ÚNICA banda indie que deu realmente certo no circuito independente brasileiro de 2005 até hoje

Enquanto isso, onde estava o homem da Popload? Escrevendo sua coluna/blog na Folha online e já naquela época fazendo seu desavisado leitor engolir à força hypes gringos duvidosos (uma mania que ele mantém até hoje) ou mesmo nacionais, como o lamentável trio paulistano Los Pirata, um dos maiores ENGODOS da cena rock indie brazuca e que teve o fim merecido: o total esquecimento. Já o jornalista zapper ao mesmo tempo em que colaborava com a gigante Rolling Stone brasileira, também não descuidava do seu blog e através dele viajava o Brasil, cobrindo festivais. E foi num desses que ele DESCOBRIU JORNALISTICAMENTE o quinteto folk cuiabano Vanguart, no carnaval de 2005 na sempre horrivelmente e infernalmente quente Cuiabá (capital do Mato Grosso), durante um festival que estava rolando por lá e para o qual Zap’n’roll havia sido convidado a acompanhar de perto. O blog voltou pra Sampa encantado com o grupo do vocalista Helinho Flanders e hoje todos sabem o que é o Vanguart: a ÚNICA banda de TODA a indie scene nacional que realmente DEU CERTO e que vive confortavelmente de sua música (financeiramente falando), sempre tocando para espaços lotados com até cinco mil pessoas. Os Vangs inclusive deram tão certo que o vocalista Helinho (até hoje amado amigo dessas linhas rockers bloggers) atualmente em dia pode se dar ao luxo de bancar em parte do próprio bolso uma mini tour européia (como acabou de fazer), para apresentar aos gringos as belíssimas canções de seu primeiro disco solo.

E o restante da atual cena indie nacional? Quem ainda lê a Popload e leu o post o qual estamos rebatendo aqui, vai achar que o rock independente nacional está nesse momento no melhor dos mundos. Não está, nem em sonho. Ou está, apenas para o blog escrito por mr. LR, que faz questão de criar uma “ilha da fantasia” que não existe na realidade de um país bastante arrasado por três anos de recessão econômica e onde a cultura pop (e, junto com ela, a produção musical independente) amarga estar nesse momento em um abismo aparentemente sem fim, onde faltam espaços para shows, falta público e, principalmente, faltam BANDAS DECENTES e que valham a pena ser ouvidas. Exemplo clássico: há uma década grupos como Forgotten Boys e Thee Butcher’s Orchestra conseguiam quase lotar um bar como o clube Outs (na rua Augusta, em São Paulo, e onde cabem quase setecentas pessoas) em plena quinta-feira à noite – o próprio blog fez festas ali com essas duas bandas, com casa cheia. Com o passar dos anos o cenário foi mudando: bons grupos foram desaparecendo da cena, muitos acabaram e bares como o célebre Astronete também acabaram fechando. A Outs, um autêntico “sobrevivente” na Augusta (o clube já completou treze anos de existência), após quase falir (pois ninguém ia mais lá pra ver bandas medíocres tocando ao vivo) teve que se reinventar: há três anos realiza uma festa open bar infernal nas noites de sexta e sábado e onde só rolam DJs set, sem grupos musicais tocando ao vivo. Resultado: bar ENTUPIDO de gente nas duas noites. Do outro lado da rua, em frente à Outs, o também já tradicional Inferno Club faz o que pode para se manter funcionando. Isso significa fazer noitadas e madrugadas rock’n’roll animadas quase sempre por bandas COVERS e não autorais.

Mas na “ilha da fantasia” da Popload, tudo está indo às mil maravilhas. Há uma renca de bandas geniais espalhadas pelo Brasil, que gravam discos a todo momento e fazem shows sem parar. Vem cá: você aí do outro lado da tela do PC por acaso alguma vez OUVIU alguma música do tal FingerFingerrr? Já foi a ALGUM show deles? E o Inky, tem cd deles? Aliás quantas cópias o grupo vendeu até hoje de seus discos? E quantas pessoas eles conseguem levar a uma gig sua? Aldo The Band? Quantos shows conseguiu fazer nos últimos meses? E pra quantas pessoas em cada um deles? Carne Doce? Yep, é um dos (poucos, diga-se) nomes consistentes da atual cena indie nacional. De Goiânia, possui uma vocalista bonita e de voz agradabilíssima e que combina bem nuances de MPB com rock. Mas fora da capital de Goiás o grupo é ainda praticamente desconhecido e quando vem tocar na capital paulista mal consegue encher a “fantástica” (palavras da Popload) Casa Do Mancha, no bairro da Vila Madalena, e onde não cabem mais do que cinqüenta pessoas. Mas na visão algo (ou total) BIZARRA do nosso blog “vizinho”, tudo está indo às mil maravilhas em uma cena que está ultra “madura” e altamente “profissionalizada”, vejam só: as bandas contam agora com apoio e patrocínio de empresas como a Natura (cosméticos), Skol (cervejaria) ou Red Bull (bebidas energéticas). A Popload só se esqueceu de dizer aos seus incautos leitores que empresas sempre bancaram e continuam bancando projetos musicais (inclusive alternativos) pois essas receitas estão previstas em seus orçamentos, são dedutíveis no imposto de renda (os famosos editais públicos…) e no final das contas acabam representando uma NINHARIA para o departamento financeiro dessas marcas, fora que sempre pega bem investir em “produtos culturais”.

Bizarro também é o jornalista LR insistir na tese de que bandas indies nacionais vão dominar o mundo, hihihi. Sejamos realistas: as únicas bandas brasileiras que realmente chegaram a mobilizar multidões de fãs fora do Brasil foram o metaleiro Sepultura e o electro rock do CSS. O primeiro, após passar duas décadas e meia lotando festivais pela Europa e sendo headliner em vários deles, está em franca decadência. Já o CSS (combo de garotas malucas que foram criadas sob a batuta do genial músico, multiinstrumentista e produtor Adriano Cintra, outro dileto amigo destas linhas virtuais há séculos), acabou há tempos. E nem sua vocalista, a maleta e prepotente Lovefoxxx, deixou saudades desaparecendo sem dó do mondo pop. Bizarramente dear Luscious quer fazer seus leitores acreditar que bandas como Black Drawing Chalks (metal stoner também de Goiânia) e Boogarins (também da capital de Goiás e outro dos poucos grupos que merecem algum destaque no cenário atual, pela excelência se suas melodias e composições eivadas de eflúvios da psicodelia rocker sessentista) estão BOMBANDO no exterior. O BDC tentou decolar lá fora e não conseguiu. Os Boogarins já fizeram turnês por circuitos pequenos na Europa e Estados Unidos e foram bem recebidos pelo público (longe de ser numeroso em cada show) e pela imprensa especializada. E bizarramente a Popload chama de “instituição goiana” um sujeito que, na verdade, é um dos picaretas mais escroques que se tem notícia na indie scene nacional nos últimos anos. Enquanto isso o venerável (esse sim!) e mega respeitado (além de heróico) selo goiano Monstro Discos e que há mais de duas décadas realiza na capital de Goiás o Goiânia Noise Festival (até hoje um dos principais festivais independentes do Brasil), além de ter lançado dezenas de grupos bacanas para o rock alternativo nacional, NUNCA é citado na Popload. Qual seria o motivo? E antes que estas linhas zappers se esqueçam: dizer que o meia-boca festival goiano Bananada é o Lollapalooza brasileiro e que o Se Rasgum (em Belém) e o DoSol (em Natal, no Rio Grande Do Norte) seriam as versões brazucas do gigante americano Coachella é de um exagero (e falta de bom senso também, ou simplesmente engodo editorial?) risível e acachapante, além de um total menosprezo pela inteligência do leitor poploader. Se houve algum dia um festival de fato de grandes proporções em Natal (e houve, durante alguns anos), esse festival foi o Mada, produzido pelo agitador cultural Jomardo Jomas e sendo que o blog esteve presente nele em pelo menos duas edições.

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O jornalista zapper com Adriano Cintra (acima), o sujeito que criou o já extinto CSS; abaixo com a turma do já lendário Pin Ups na Virada Cultural 2016, em São Paulo: bandas de um tempo que a cena indie nacional não era a miserável tristeza que é atualmente

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É muito fácil perceber que a cena rock independente nacional já teve dias melhores que os atuais. E já teve bandas muuuuuito melhores também. Há duas décadas e meia o já lendário grupo indie noise guitar paulistano Pin Ups (que teve seu quarto CD de estúdio, “Jodie Foster”, resenhado pelo jornalista Finaski na revista Bizz em 1995; enquanto isso, Lúcio Ribeiro… onde estava mesmo?) lotava o inesquecível Espaço Retrô (o muquifo rocker underground mais célebre que existiu até hoje na capital paulista) por TRÊS NOITES SEGUIDAS. Ok, tudo bem, o Retrô era pequenino e tal mas uma banda alternativa, que não tocava em rádio e em uma época (1990/1992) onde não havia internet e redes sociais para “bombar” eventos do tipo (era tudo na base do flyer impresso e do boca-a-boca), um grupo lotar um bar três noites seguidas era uma proeza e tanto. Aliás esse detalhe nos leva a outro HORROR dos tempos atuais e da atual cena indie quase morta: a praga e o vício das redes sociais, dos apps nos celulares e de toda essa droga virtual que simplesmente ESCRAVIZOU a raça humana. Hoje em dia qualquer bandinha bomba no faceboquete: sua fan Page chega rapidão às vinte mil “curtidas”. E quando ela abre então uma página pra divulgar seu próximo show ao vivo? Wow! Em questão de alguns dias surgem mais de quinhentos fãs confirmando presença na gig. E quando chega o dia e a hora do show REAL, de VERDADE, aí vem a choradeira e o choque de realidade: comparecem ao local do evento menos de 10% dos fãs que haviam GARANTIDO VIRTUALMENTE sua presença na balada rock’n’roll, que triste… um exemplo do que acabamos de citar foi a gig que o quarteto Los Porongas (originário do Acre mas radicado há quase uma década em São Paulo) fez semana passada (na sexta-feira) no tão badalado (por LR e sua Pobrelo…, ops, Popload) Z Carniceria, no bairro paulistano de Pinheiros (que possui uma concentração enorme de bares e casas noturnas e onde as noitadas são sempre muito agitadas nos findes). Já um grupo veterano, os Porongas além de diletos amigos deste blog também são um dos MELHORES nomes do rock BR dos anos 2000’, pela beleza melódica e poder instrumental do conjunto, além das letras de alta densidade poética escritas pelo vocalista Diogo Soares. Pois bem: deu DÓ ver uma banda tão bacana dando o sangue no palco de um bar onde não havia nem CINQUENTA PESSOAS na platéia (isso, vamos repetir, numa SEXTA-FEIRA à noite). Pois é, a indie scene nacional, como diz o blog “ilha da fantasia” chamado Popload, está mesmo bombadíssimo atualmente, uia!

Voltando ao parágrafo anterior: além dos Pin Ups, dos anos 90’ até pelo menos 2005 a cena rock independente brasileira teve sim uma cena estável, de ótimas bandas e muitos festivais (como o JuntaTribo, em Campinas e, já nos anos 2000’, o já decano e célebre Goiânia Noise na capital de Goiás, o Porão Do Rock em Brasília, e o já citado Mada em Natal) que chegaram a atrair um grande público. Foi a época do estouro dos Raimundos e, um pouco mais adiante, da aceitação e aclamação midiática de grupos como Thee Butcher’s Orchestra, Forgotten Boys, Borderlinerz, Rock Rocket, Gram, Ludov, Leela, Pelvs, Pública, Cachorro Grande, Cartolas, Bidê Ou Balde, Daniel Belleza & Os Corações Em Fúria e mais alguns nomes que além de serem ótimos musicalmente ainda conseguiam atrair um público razoável para seus shows. Isso, vale repetir, em uma época onde não existia internet ou redes sociais (anos 90’) ou então quando ambas ainda engatinhavam (a partir dos anos 2000’). Fora que o Brasil vivia outra conjuntura na economia e na política, o que se refletia na cultura e na área musical, incluso a cena rock alternativa: não havia a cruel recessão econômica de agora, não havia desemprego e o país estava crescendo em termos de PIB. Isso se refletia em todos os setores da economia, inclusive na área de entretenimento com bares com espaço para shows abrindo a todo instante ou sempre recebendo bom público naqueles que já estavam funcionando. Bem ou mal as bandas conseguiam gravar e lançar seus discos e formar um bom séquito de fãs, que também compareciam às gigs. Prova disso é que, como já foi dito mais acima neste tópico, a segunda edição do Dynamite Independente Festival, realizada em 2004 na chopperia do SESC Pompéia em São Paulo (evento cujo produtor-chefe executivo foi o autor destas linhas bloggers que não vivem no mundo da fantasia mas, que sim, acompanham a realidade dos fatos, uma realidade infelizmente muito dura e cruel nos tempos atuais) LOTOU o local na sua primeira noite (uma quinta-feira), colocando quase oitocentas pessoas para curtir os shows de Ludov, Gram e Leela – isso, sempre reiterando, sem apoio de apps em celulares, sem divulgação em redes sociais (que estavam engatinhando nessa época) e sem divulgação em mídia eletrônica expressiva (leia-se rádio ou TV). Tudo apenas no boca-a-boca, através de flyers impressos e de divulgação em sites especializados (que já começavam a existir na época, como o portal Dynamite online).

De uma década pra cá tudo mudou rapidamente e infelizmente para pior. Em 2016 o Brasil vive sua maior crise econômica em décadas, a recessão já dura três anos e o país contabiliza a assombrosa marca de doze milhões de desempregados – é como se uma capital do tamanho da cidade de São Paulo estivesse inteira sem trabalhar. Num ambiente assim não há cena musical, mainstream ou principalmente independente, que resista. Em bate-papo com o blog na última quinta-feira (enquanto a dupla degustava uma breja holandesa no Outs Pub, no baixo Augusta) José Ramos, um dos sócios do clube Outs concordou com o pensamento que este espaço virtual lhe expôs, ao comentar com ele sobre a iminente publicação deste tópico rebatendo a “ilha da fantasia indie” criada pelo jornalista LR. “Ele não sabe o que está falando”, disse Zé Carlos. “Bares que mantinham espaço para shows fecharam em sua maioria. A Outs mesmo, se não mudasse seu perfil e não tivesse investido no open bar apenas com DJs set e sem bandas ao vivo, também já teria fechado as portas”. Existem ações ISOLADAS que tentam manter a cena indie acesa? Sim, claro. Bandas também continuam existindo, aos borbotões espalhadas pelo país. Mas a qualidade musical delas decaiu a olhos (ou ouvidos) vistos de anos pra cá, o que contribui para que haja ainda mais sofrimento e debandada de público dentro desta cena. E sim, ainda há ótimos grupos atuando no rock alternativo nacional e que vão se virando como podem dentro de um cenário altamente desalentador. Curiosamente a Popload dificilmente dedica algumas linhas que seja a bandas que realmente valem a pena. Caso do trio instrumental stoner heavy prog Augustine Azul (da Paraíba, recém-descoberto por Zap’n’roll e que foi contratado por um selo americano), ou mesmo do paulistano (também stoner) Necro. Ou ainda de maravilhas do Norte brasileiro como os acreanos Euphônicos e Descordantes, que nunca foram sequer citados nos textos do poploader Luscious R. Ou mesmo o manauara Alaíde Negão ou, ainda, o sensacional grupo paulista Metá Metá, que faz uma experimentação sonora loki combinando música brasileira, algo de jazz e delírios sônicos. Um combo musical tão fodástico que vive, ele sim, excursionando pela Europa e sendo aplaudido pelo público de lá.

Então a verdade VERDADEIRA, infelizmente, é essa. E não aquela que o nosso blog “vizinho” quer fazer seu hoje reduzido leitorado acreditar. Na boa, Lúcio Ribeiro é um jornalista ainda de respeito e um dos grandes nomes da imprensa musical (e rock) brasileira nas últimas duas décadas. Ele e o autor destas linhas bloggers poppers já foram bons amigos – uma amizade que está meio assim, “azeda” desde o ano passado, e por conta de atitudes não muito legais vindas de dear Luscious (atitudes que não cabe serem comentadas aqui). E antes que alguém pense que este tópico rebatendo o post da Popload se configura numa espécie de vingancinha pessoal, negativo: o jornalista zapper resolveu publicar este texto porque ele de fato ficou espantado com a (vamos repetir mais uma vez) “ilha da fantasia INDIE” criada por LR em seu blog. A quem interessa essa “ilha da fantasia”? Ao próprio LR que hoje, sabidamente, parece meio cansado do jornalismo musical (sim, como já dissemos mais acima, o blogueiro poploader já passou dos cinqüenta anos de idade) e está se dando melhor como produtor de shows e festivais (como o Popload Gig, que deve andar rendendo um bom troco para o bolso dele) e como sócio de casas de shows (como o Cine Jóia)? Talvez. Porque outros espaços para shows de rock alternativo ou não existem mais ou estão à míngua (os que ainda sobrevivem). E as bandas… FingerFingerrr, Inky, Aldo The Band… quem é esse povo, mesmo?

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Os Descordantes (acima) e os Euphônicos (abaixo): duas bandaças do Acre (e das melhores da atual péssima indie scene nacional) e que o blog Popload JAMAIS falou delas em seus posts

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A “ilha da fantasia indie” criada pelo blog Popload (e que motivou este tópico contrário na Zap’n’roll) pode ser vista e lida aqui: http://www.popload.com.br/cena/.

 

 

Para ouvir o mais recente álbum do grupo paulistano Metá Metá, vai aí embaixo.

 

 

E NO FINAL DO VERÃO EUROPEU, FESTIVAIS BACANUDOS AGITAM A NORUEGA, FINLÂNDIA E PORTUGAL

Yep, e Zap’n’roll acompanhou alguns deles e traz o que rolou aí embaixo, em texto primoroso do nosso correspondente especial Ricardo Fernandes.

 

Festivais Europeus 2016

Por Ricardo Fernandes, enviado especial de Zap’n’roll

Não sou do tipo que frequenta grandes festivais de música. Eu gosto muito de ver shows, mas próximo ao palco e sem a aglomeração de dezenas de milhares de pessoas em minha volta, então não espere me encontrar num Reading ou Coachella da vida. Aqui no Brasil costumo frequentar o Lollapalooza, mas puramente por falta de opção e no fundo meio contrariado.

Eu já havia ido para festivais pequenos na Europa, como o Festival Beauregard na Normandia, no noroeste da França e o Live fromJodrell Bank em Macclesfield, no noroeste da Inglaterra. Foram duas das melhores experiências em festivais de música que tive na vida. Nesse ano aproveitei a oportunidade de ver três festivais de verão europeu num espaço de pouco mais de dez dias, dois deles em países nórdicos e outro em Portugal. Eu sabia que seria puxado, mas estava fisicamente e mentalmente preparado para o desafio.

Øya Festival, Noruega – Introdução

Amigos brasileiros já haviam me recomendado o Øya (se pronuncia “êia”) em Oslo. Um festival relativamente pequeno, bem organizado, localizado no meio da cidade, com fácil acesso de transporte, com um ambiente tranquilo e um lineup respeitável. Até 2013 o festival era feito no Medieval Park, mas teve que se mudar devido a obras nas linhas de trem. Então, a partir de 2014 o Øya passou a ser realizado no Tøyen Park, um bonito parque próximo ao Museu Munch e ao Jardim Botânico de Oslo, mas ainda assim bem perto do centro da cidade.

Øya Festival, 10 de agosto, quarta-feira

Meu hotel ficava no centro de Oslo e foi moleza chegar no Tøyen Park: apenas duas estações de metrô. Se aqui no Brasil entrar num festival é um teste de paciência, com diversas inspeções e revistas, lá fora é sempre mais fácil. Mostrei meu ingresso e minha carteira de motorista em um dos vários quiosques na entrada e peguei minha pulseira. Após uma rápida revista na entrada eu já estava lá dentro.

A entrada do festival estava enlameada devido à chuva dos dias anteriores e no primeiro dia de festival presenciei a instabilidade do tempo em países escandinavos. Encarei sol, tempo nublado e chuva, tudo no mesmo dia.  O segundo dia de festival foi só de sol e o terceiro só de chuva. Quem disse que seria fácil?Ao menos a previsão do tempo foi certeira em todos os dias, prevendo com precisão de horas qual seria o tempo em cada um dos dias e consegui me preparar, vestindo o tipo de roupa adequada em cada dia.

Após uma rápida volta, deu para sacar os palcos do festival: três palcos em locais abertos do parque (Amfiet, Vindfruen e Hagen), todos em terrenos com inclinação para facilitar a visão do palco, outro palco grande montado em uma tenda (Sirkus), uma pequena tenda de música eletrônica (Hi-FiKlubben) e um palquinho que imitava uma biblioteca (Biblioteket), que comportava a mesma quantidade de pessoas que a Casa do Mancha. Tudo era muito perto, em cinco minutos era possível se deslocar entre os palcos mais distantes entre si.

A primeira banda que vi foi o Sweden por volta de 15:30 no palco Amfiet, o maior de todos. Apesar do nome, o grupo foi formado por dois noruegueses tão fanáticos pelo indie-pop das bandas suecas dos anos 90 que resolveram batizar sua banda com o nome do país vizinho. O público que estava todo espalhado pelo gramado curtiu o rock de guitarras ligeiras e refrãos grudentos, assim como eu também curti. Logo em seguida fui para o Sirkus, onde uma placa ao lado do palco me chamou a atenção: “No CrowdSurfing”. Ao longo do festival percebi que essa placa é totalmente desnecessária. Não consigo imaginar um norueguês sequer fazendo crowdsurfing. Arrisco afirmar que não existe povo mais sussa no mundo do que o norueguês. Aplaudem muito e pulam um pouco, mas não fazem questão de se aglomerar na frente do palco e não empurram ninguém. Na verdade, nem encostam em você. Darei outros exemplos mais para frente.

Às 15:54, um minuto antes do esperado, começou o show deChristine And The Queens, artista francesa que na verdade se chama Héloïse Letissier. Pequena e com visual andrógino, ela apresentou as músicas de seu único álbum “Chaleur Humaine”, uma mistura fina de pop e eletropop. Claramente deslumbrada pela grande quantidade de pessoas que estava vendo seu show logo cedo, Christine falava muito entre as músicas, mostrou que além de cantar bem também sabia dançar ao se juntar a dois dançarinos em certos momentos e ganhou a simpatia do público ao imitar Rihanna e Beyoncé.

De volta ao palco principal, era hora de ver The Last Shadow Puppets, supergrupo inglês liderado por Alex Turner e Miles Kane (ArcticMonkeys e The Rascals, respectivamente). Dei uma de norueguês e fiquei lá atrás, bem no alto, apenas assistindo comportadamente o show. Apesar de gostar bastante de “EverythingYou’ve Come to Expect”, o segundo álbum da banda, achei que não funcionou ao vivo. Mesmo com a adição de um quarteto de cordas, parecia que faltava alguma coisa. Talvez o sentimento negativo tenha sido aumentado por uma certa frieza do público. Talvez um show do The Last Shadow Puppets não funcione de dia. Talvez o grupo somente faça sentido em lugares menores, com uma acústica melhor. Não sei exatamente o que pode ter sido, mas achei o show apático e pretensioso demais.

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O trip hop inglês do Massive Attack (acima): um dos grandes momentos do Oya Festival, que atraiu um público tranquilão na capital da Noruega, Oslo (abaixo) (fotos: Ricardo Fernandes)

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Tinha tempo sobrando até o próximo show que gostaria de ver, então dei uma passada no quiosque que vendia o merchandising das bandas e do festival, onde comprei algumas camisetas.Também fui conferir oHi-FiKlubben, onde Matt Karmil estava tocando para meia dúzia de gatos pingados. Eu havia estranhado que Aurora, uma cantora norueguesa, seria a penúltima a se apresentar no palco principal, mas tudo fez sentido quando vi seu show. A gatíssima e simpaticíssima cantora de vinte anos e apenas um álbum nas costas conseguiu lotar o Amfiet. Fazendoum pop sofisticado e exótico cantado em inglês, ela já está pronta para o mercado internacional, conseguindo merecidamente críticas positivas de veículos como o New York Times e Entertainment Weekly.

O Sirkus era o único lugar que possuía um telão atrás do palco, então foi lá que o M83 teve que se apresentar. Como anoitece tarde nessa época do ano em Oslo, por volta de 22:00, foi providencial que o M83 tenha se apresentado numa tenda escura às 19:50. Eram projetadas imagens de estrelas e galáxias, que combinavam bem com o ambiente etéreo e melancólico do grupo liderado pelo francês Anthony Gonzalez. Amigos ingleses que curtem música eletrônica piraram com o show, mas não achei tudo isso. Foi um bom show, mas nada de outra galáxia, que teve seu ponto alto obviamente com “Midnight City”.

Hora de fazer um lanchinho. Aqui cabe uma observação pertinente: como as coisas são caras na Noruega! Não só a comida, mas tudo é caríssimo. Dizem que a Noruega é o segundo país mais caro do mundo (só perderia para o Japão) e eu acredito nisso. Uma cerveja custava 85 coroas norueguesas (cerca de R$ 34 pelo câmbio oficial) e um sanduíche de pernil custava 120 coroas norueguesas (cerca de R$ 47). A pipoca parecia ter a melhor relação custo/benefício: custava “apenas” o equivalente a R$ 15 e o saco era tão grande que nunca conseguia comer tudo.

Estava comendo tão tranquilamente que até esqueci da hora. Quando olhei o relógio já eram 21:30 e estava começando naquele momento o grande show do dia: MassiveAttack & Young Fathers. Por sorte, cheguei no palco principal em poucos minutos e foi tranquilo conseguir um bom local lá na frente, do lado esquerdo do palco. Definitivamente os noruegueses são tranquilos até demais e estavam todos esparsos vendo contemplativamente o show. Se fosse em qualquer outro lugar do mundo teria que me contentar em ficar no fundo ou usar a força bruta para chegar próximo ao palco. É incrível como os pioneiros do trip hop conseguem reproduzir ao vivo as complicadas texturas das gravações em estúdio. Está tudo lá: as batidas quebradas e hipnóticas, os sintetizadores que criam um clima de tensão, os graves acachapantes, as guitarras distorcidas e os samples bem colocados. Nesse ano o MassiveAttack lançou o ótimo EP “Ritual Spirit”, que possui participação do Young Fathers na faixa “Voodoo in MyBlood” e foi com o trio escocês que o grupo se apresentou no Øya. O público presente só teve a ganhar com isso, que saiu extasiado após quase uma hora e meia de show.

 

Øya Festival, 11 de agosto, quinta-feira

No segundo dia de festival adotei uma estratégia um pouco diferente com relação à minha alimentação. Já que tudo é tão caro em Oslo, não iria almoçar em um restaurante naquele dia e passaria o dia todo comendo somente na área de alimentação do Øya. Não saiu tão barato, mas foi menos caro do que no dia em que comi um salmão e tomei uma cerveja em um restaurante pela bagatela de 400 coroas norueguesas (quase R$ 160). Entre as várias barracas, tinha de tudo um pouco, menos culinária norueguesa, mas isso não foi problema: acabei comendo um ótimo falafel pela módica quantia de 100 coroas norueguesas (R$ 40).

A essa altura, já cansei de falar que tudo era caro, mas pelo menos o festival era extremamente bem organizado. Eu nunca vi tantos banheiros químicos e mictórios, mesmo em festivais com o dobro da capacidade e nunca havia filas para comprar cerveja. Para comprar comida, somente algumas filas nas barracas mais disputadas no final da noite (a minha querida barraca da pipoca era uma delas). A única grande pisada de bola foi com o Wi-Fi gratuito provido pela Cisco para o festival, que funcionou perfeitamente até a metade do primeiro dia, para depois desaparecer e nunca mais funcionar.

Uma curiosidade na Noruega é que o papel moeda já foi praticamente extinto, inclusive dentro do festival. Ninguém usa dinheiro em espécie e vários lugares simplesmente só aceitam pagamentos com cartão com chip. Se você aparece com dinheiro vivo eles olham para você com uma cara de decepção ou de horror. Foi difícil gastar as notas de coroas norueguesas que saquei num caixa eletrônico. Se soubesse que seria assim, não teria sacado nada, pois não faria a menor diferença.

O primeiro show que vi na quinta-feira, um dia dominado pelas mulheres no lineup, foi da Frøder, mais uma cantora norueguesa no estilo electropop. Foi um show regular, nada além disso. Logo em seguida, no palco Vindfruen, quem se apresentou foi a cantora americana Julia Holter. Seu último álbum “HaveYou in MyWilderness”é belíssimo e chegou a ser considerado (com um certo exagero) por algumas publicações (como a Mojo) como o melhor disco do ano passado. Ao vivo, uma formação nada usual: Julia nos vocais e teclados, um baixista tocando um contrabaixo acústico, uma violinista e um baterista. Seu show foi delicado e inebriante de uma forma que nem sentia o tempo passar. Quando Julia anunciou que seria sua última música, não podia acreditar. Eu gostaria de ter ficado horas vendo aquele show.

De volta ao palco principal, estava animado para um dos shows que mais gostaria de ver: The Kills. Para minha decepção, Alison Mosshart e Jamie Hince não subiram ao palco. Quem estava lá era uma moça gordinha que eu não fazia a menor ideia de quem se tratava. Gastei parte de meu plano de dados para descobrir na internet o que havia acontecido: Alison estava com pneumonia, forçando a banda a cancelar vários shows, inclusive esse do Øya Festival. Para tapar o buraco foi chamada SeinaboSey, uma cantora sueca. Fiquei tão decepcionado que mudei de palco, indo parao Hagen ver o Rat Boy, um molecão inglês que faz uma curiosa mistura de hip hop e indie rock.

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O veterano shoegazer britânico Lush (acima) também marcou presença no festival norueguês; abaixo o público faz fila pra comprar pipoca, um dos “hits” entre as comidas vendidas na área do evento

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Para agradar os fãs de música eletrônica, nesse dia foi escalado o Floating Points, pseudônimo usado pelo músico inglês Sam Shepherd, que ao vivo se apresenta com outros quatro músicos. Não cheguei a achar o show ruim, mas tentar equiparar ao vivo a complexidade de seu único álbum “Elaenia” não é tarefa fácil. No final das contas fiquei com a impressão de que ouvir em casa é melhor.

Não planejava ver o show do Mastodon, mas já que estava com tempo sobrando pensei: “vou lá ouvir uma barulheira”. Logo assim que cheguei ao palco Amfiet vi uma figura passando que parecia familiar. “Será que é o Lucio?”, pensei. Cheguei mais perto e era ele mesmo, o querido Lucio Ribeiro. Ele ficou tão espantado quanto eu ao encontrar um brasileiro conhecido num festival em Oslo e conversamos rapidamente sobre os shows que havíamos visto. Expliquei para ele os outros festivais que ainda veria na Europa, tiramos uma selfie e depois só o vi novamente mais uma vez durante todo o festival. Foi um encontro improvável, num local improvável.

Esse dia estava rendendo: antes da última atração da noite ainda deu tempo de ver o folk sofisticado da cantora sueca Amanda Bergman. Eis que surgiu o primeiro conflito de horários no festival: Jamie xx tocaria no Sirkus no mesmo horário em que PJ Harvey se apresentaria no Amfiet. Jamie Smith que me perdoe, mas ele ainda tem que comer muito arroz com feijão para chegar perto de Polly Jean Harvey. Com vinte e cinco anos de carreira, PJ Harvey é uma artista única, inconformada e nunca acomodada. A cada álbum novo PJ Harvey aprende a tocar um novo instrumento e dessa vez foi o saxofone, que ela empunhava ao entrar no palco com sua banda ao som da bateria marcial e solene de “Chain of Keys”. O show foi baseado basicamente no seu último álbum “The Hope Six Demolition Project”, que ficou ainda mais grandioso ao vivo. No final do show, petardos mais antigos de seu repertório como “50ft Queenie”, “Down bytheWater” e “To BringYouMy Love”, uma sequência que até me deixou desnorteado. Não foi apenas o melhor show do Øya Festival, foi o melhor show que vi nesse ano.

 

Øya Festival, 12 de agosto, sexta-feira

O terceiro dia de festival era o dia da chuva e estava preparado para isso. Fui com uma jaqueta impermeável (somente até certo ponto, para ser honesto) e quando saí do metrô ainda ganhei uma capa plástica vermelha do Klassekampen. Dias depois, curioso em saber o que aquilo significava, pesquisei no Google. Klassekampen significa “Luta de Classes” e se tratava de um tabloide que se auto intitula “o jornal diário da esquerda”. Que merda, logo eu que me defino como um liberal clássico caí nessa cilada. Lição aprendida: nunca use uma capa de chuva vermelha se você não sabe o que está escrito nela.

Foi embaixo de uma chuva fraca e insistente que vi o show do Hedvig Mollestad Trio, um power trio instrumental liderado pela maluquete norueguesa Hedvig Mollestad Thomassen, que faz uma interessante mistura de rock psicodélico e free jazz. A chuva aumentou ainda mais no show mais inusitado de todo o festival: Oslo Sinfonietta, uma orquestra com repertório de música contemporânea que tocou “Music for 18 Musicians”, uma peça minimalista composta pelo americano Steve Reich entre 1974 e 1976. Acredite, valeu cada pingo de chuva tomado.

Foi durante o show da Oslo Sinfonietta que matei uma dúvida que eu tinha durante todo o festival: por que as crianças recolhiam todos os copos de cerveja que eram jogados no chão? Para todo lado que olhava, eram crianças e mais crianças carregando pilhas de copos plásticos. Uma senhora me explicou: a organização do festival pagava uma coroa norueguesa (cerca de R$ 0,40) por cada copo, que posteriormente seriam reciclados. A consciência ecológica norueguesa é enorme, mas no fundo se trata de puro sentimento de culpa: a Noruega é um dos maiores exploradores de petróleo do mundo, que agride o meio ambiente desde a extração até o consumo. Deve ser por esse mesmo sentimento de culpa que se veem tantos carros elétricos nas ruas.

Para minha sorte, o próximo show seria na tenda coberta: Lush. Cheguei menos de dez minutos antes do show e (adivinhe só) consegui ficar lá na frente sem maiores problemas. Eu me posicionei na segunda fileira de pessoas, logo atrás da grade. Na minha frente, três crianças, o menorzinho deles sendo pouco maior do que a grade. O show foi brilhante, uma verdadeira viagem no tempo para a época em que o shoegaze dominava a cena alternativa inglesa, mesmo que o termo fosse renegado por algumas bandas. No fundo, foi um pouco triste ficar sem ver os integrantes do Lush por vinte anos e encontrá-los velhos e um pouco acabados, especialmente a guitarrista Emma Anderson (uma MILF de braços pelancudos) e o baixista Phil King (totalmente grisalho, mais parecendo um executivo de multinacional). Mas faz parte da vida envelhecer, não? Eu também mudei. Perdi meus cabelos e estou bem diferente do que era há duas décadas.

A chuva deu uma trégua e fui para o palco principal conferir o show do Eagles Of Death Metal. Até hoje não consegui entender se o grupo é uma paródia no estilo Spinal Tap ou se trata de algo sério. Provavelmente é uma mistura dos dois. O público lá na frente parecia se divertir com os clichês rock’n’roll tocados pela banda, mas achei tudo uma brincadeira sem graça e voltei para o Sirkus depois de umas quatro músicas. Uma plateia formada basicamente por adolescentes estava presente em peso para o show do Chvrches, da pequenina Lauren Mayberry. O synthpop competente executado pelo grupo escocês se sustenta bem ao vivo, ainda mais com a plateia nas mãos. Em alguns momentos a molecada cantava tão alto que até sobrepunha o volume vindo das caixas de som.

O último show que vi no Øya foi justamente aquele me motivou a ir para esse festival e para o Flow Festival na Finlândia dias depois. Eu já havia visto vinte e cinco shows do New Order em diferentes países e assim que acabou o show do Chvrches fui tranquilamente para a grade, me preparando para mais um. Desde os shows do New Order que vi na Rússia em 2013 passei a adotar uma estratégia para mostrar ao grupo que um brasileiro estava na plateia: levar uma bandeira do Brasil (que óbvio). Algumas vezes fui notado, outras não. Dessa vez consegui prender a bandeira na grade, pois havia achado duas abraçadeiras jogadas no chão perto do palco Hagen. Assim, fiquei quase uma hora na grade esperando o show começar.

Depois da saída do baixista Peter Hook e com o lançamento do álbum “Music Complete” no ano passado o veterano New Order voltou revigorado. Os costumeiros erros ao vivo ficaram no passado. O New Order é uma banda muito mais profissional hoje em dia. Apresentaram novos arranjos para algumas velhas músicas, novas projeções e novas músicas no repertório. Foi justamente depois de tocar “Plastic”, uma das músicas novas, que o vocalista Bernard Sumner notou minha bandeira e perguntou: “Você é do Brasil?”. Respondi com um sinal positivo e ele na sequência emendou: “Então você está perdendo os Jogos Olímpicos!”. Haha! Como se eu estivesse preocupado com isso. Apenas encolhi os ombros e abri os braços fazendo aquele gesto “shruggie”, tão característico da internet (¯\_(ツ)_/¯). Pena que o New Order teve pouco mais de uma hora para tocar e seu set ficou restrito a onze músicas, mas ainda assim valeu a pena.

Todos os shows do festival não poderiam passar das 23:00 e foi assim todos os dias. Eu acho ótimo que acabe cedo e se tenha tempo para aproveitar a manhã do dia seguinte. Show não é balada. Era possível sair tranquilamente do Tøyen Park e utilizar o transporte público para voltar para casa, seja de metrô (como eu fazia), bonde ou ônibus. Muitos voltavam de bicicleta e alguns poucos pegavam um táxi. O metrô voltava incrivelmente vazio para o centro da cidade e tenho que confessar que nesses momentos sentia muita inveja da qualidade de vida de quem mora em Oslo.

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OS FESTIVAIS QUE AGITARAM O FINAL DO VERÃO EUROPEU – PARTE FINAL

 

Por Ricardo Fernandes, enviado especial de Zap’n’roll

 

Flow Festival, Finlândia- Introdução

O Flow Festival em Helsinque é uma espécie de irmão do Øya Festival. Acontece mais ou menos na mesma época, com alguma sobreposição de datas, e compartilhando cerca de 80% dos artistas internacionais. Para que tudo não fique muito parecido, alguns headliners só tocam em um dos festivais. Nesse ano, somente o Øya teve PJ Harvey, enquanto que apenas o Flow teve Morrissey. Já tinha visto o Flow aparecer numa lista de festivais nos lugares mais inusitados no mundo (ele é feito em uma antiga usina de energia), então minhas expectativas para esse festival eram altas.
FlowFestival, 14 de agosto, domingo

Perdi o sábado me deslocando de Oslo para Helsinque. Se fosse mais sangue nos olhos poderia ter escolhido um voo mais cedo de forma a chegar a tempo também para o penúltimo dia do Flow, mas foi bom ter descansado um dia. O local do festival é relativamente próximo ao centro da cidade e eu estava hospedado a pouco mais de 1 km de distância. Meu hotel emprestava bicicletas para os hóspedes, mas por algum motivo preferi ir a pé. Foi uma decisão acertada. Apesar de ter chegado cedo, o estacionamento de bicicletas estava completamente abarrotado. Acho que nunca tinha visto tantas bicicletas juntas. As pessoas começavam a improvisar e prender suas bikes em todos os lugares possíveis, até mesmo no alto de árvores. Helsinque não chega a ser uma Amsterdã no uso de bicicletas, mas está quase lá. Quase toda a cidade é plana e possui muitas ciclovias, então a bicicleta possui uma função importante como meio de transporte pelos habitantes locais.

A usina de energia e gás desativada em Suvilahti, região nordeste da cidade, realmente impressiona. Fazer um festival em um antigo complexo industrial foi uma bola dentro da organização do festival, mas achei que estava muvucado demais. Apesar de ocupar aproximadamente o mesmo espaço que o Øya, tive a impressão que havia o dobro de pessoas no Flow. Ambos os festivais estavam com ingressos esgotados, o que me faz concluir que o Flow colocou à venda mais ingressos do que deveria. O festival possuía seis palcos, sendo um palco principal enorme, uma grande tenda que parecia um circo e quatro tendas menores. Não havia muitas opções de comida e também achei que poderiam ter instalado mais bares e banheiros.

Consegui ver o finalzinho do show de Ruger Hauer feat. Regina, a união de esforços de uma dupla de rappers e uma cantora pop da Finlândia no LapinKultaRed Arena, o palco em formato de circo. Não tenho muito o que comentar propriamente sobre o show, mas naquele momento percebi que os finlandeses são bem mais agitados que os frios noruegueses. Logo em seguida, conferi o show deJ.Karjalainen se apresentando no palco principal. Muitas pessoas cantavam todas as suas músicas, mostrando a popularidade desse veterano cantor finlandês. Enquanto isso, na Black Tent, quem estava se apresentando era a gata inglesa Dua Lipa, que faz um moderno amálgama de música pop, hip hop e soul. Seu álbum de estreia que será lançado no ano que vem promete. Fiquem de olho nessa menina!

De volta à Red Arena, quem iria se apresentar era o Daughter, que eu gostaria muito de ter visto em Oslo, mas havia conflitado com o Lush. Consegui um bom local do lado direito do palco, onde pude acompanhar de perto o delicado dream pop com texturas envolventes da banda londrina. Ainda bem que eles se apresentaram em uma tenda fechada. O show não iria funcionar em um palco aberto em plena luz do dia.

Assim que acabou a apresentação fui para a central de controle conversar com Andy Liddle, o iluminador que acompanha o New Order há mais de três décadas e que estava se preparando para o próximo show. Foi ali que encontrei um amigo inglês, que faz parte dos Vikings, o grupo de fãs hardcore do New Order que acompanha a banda por todos os lugares do mundo. Alguns deles possuem mais de uma centena de shows do New Order nas costas e os Vikings até ganharam um número de catálogo da Factory Records (FAC 383), homologado em um documento assinado pelo próprio Tony Wilson. Eu mesmo, prestes a ver meu vigésimo sétimo show do New Order em onze países diferentes, já fui chamado de “Viking verdadeiro” e “filial brasileira dos Vikings”.

Eram cerca de dez Vikings que estavam posicionados para o show em um local estratégico: ao lado do bar. Por falar nisso, vale ressaltar que a Finlândia não é um lugar barato, mas uma cerveja custava “apenas” 7 euros, cerca de 30% menos do que na Noruega. Se vi o show em Oslo bem de perto, ficar ao lado do bar me deixou bem longe, mas estava valendo, já que pelo menos me diverti bastante ao lado dos ingleses arruaceiros. Também fui apresentado a Yuri, um fã finlandês do New Order que chegou a morar dez anos em Manchester devido à sua paixão pelo Manchester United e pelas bandas mancunianas como The Smiths e Stone Roses. Atualmente ele trabalha em uma empresa de segurança e por estar muito envolvido com o MMA conhecia bem o Brasil, tendo ido diversas vezes a São Paulo e Rio de Janeiro.

Por sorte o New Order teve mais tempo para tocar no Flow Festival, de forma que conseguiram encaixar no setlist os clássicos “Regret” e “Your Silent Face”, além de uma arrepiante versão de “Decades” do JoyDivision no bis. Depois do show fomos bater um papo com Andy Robinson, empresário da banda, que confirmou que uma turnê sul-americana do New Order nesse ano estava em processo adiantado de negociações mas foi cancelada pois a banda (leia-se Bernard Sumner) não gostaria de viajar muito no momento. Andy estava visivelmente desapontado, assim como eu e os Vikings, que estavam se preparando para invadir a América do Sul mais uma vez. Quem sabe no ano que vem…

A ala feminina dos Vikings foi para o palco principal ver o show da Sia, mas preferi vazar do festival com os rapazes, onde fomos levados por Yuri até um pub nas proximidades chamado Mäki Kupla. “Esse lugar é uma merda, mas pelo menos a cerveja é barata”, me confidenciou Yuri. Acompanhar os Vikings na bebedeira não é tarefa fácil e na sequência ainda fomos para um pub de visual rock’n’roll mais ajeitadinho, onde ficamos até sermos praticamente expulsos do lugar por estar muito tarde. Que noite! Após me despedir dos Vikings fiquei pensando quando será minha próxima oportunidade de encontrar novamente esse bando de malucos.

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O veteraníssimo inglês New Order (acima), um dos destaques dos festivais vistos por Zap’n’roll; abaixo o bucólico local do festival português Paredes De Coura (fotos: Ricardo Fernandes)

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Festival Paredes de Coura, Portugal- Introdução

Olhando no calendário de festivais de verão europeu não foi difícil escolher outro festival para a sequência do Flow Festival. Na semana seguinte começaria o Paredes de Coura na vila de mesmo nome em Portugal. Já tinha ouvido falar bem desse festival e um amigo português confirmou: “Fui lá uma vez, ver Nine InchNails. O local é perfeito, um anfiteatro natural. Em termos de beleza de cenário é imbatível”. Após conferir a escalação do festival rapidamente a escolha estava definida.

Festival Paredes de Coura, 17 de agosto, quarta-feira

O mesmo amigo de Portugal meu deu a dica para que me hospedasse em Vigo na Espanha e alugasse um carro, pois essa era a cidade com aeroporto mais próxima do festival. Foi isso mesmo que fiz e assim que desembarquei no aeroporto de Vigo aluguei um simpático Smart vermelho. Não foi fácil sair de Helsinque e chegar em Vigo. Tive que tomar três aviões, de três companhias áreas diferentes (Finnair, Air France e Air Europa). Perdi um dia inteiro em voos e aeroportos, mas pelos menos cheguei inteiro e minha mala foi corretamente despachada até o destino final (meu maior medo quando viajo de avião não é uma possível queda, é ter a bagagem extraviada).

Apesar de ter que atravessar uma fronteira entre países a viagem entre Vigo e Paredes de Coura é tranquila e rápida, menos de uma hora. Todas as estradas possuíam um asfalto que mais parecia um tapete e eram bem sinalizadas. Paredes de Coura é uma bela vila de pouco mais de 9000 habitantes no norte de Portugal. Ao contrário do Brasil, onde chamamos qualquer lugar de cidade, Portugal faz uma clara distinção entre aldeia (pequena povoação), vila (localidade mais desenvolvida e de média concentração populacional) e cidade (alta densidade populacional e alta variedade de serviços prestados aos cidadãos, como hospitais e transportes de massa). Portanto, não chame Paredes de Coura de cidade, a menos que queira ser corrigido por um português.

Chegando na vila, não encontrei nenhum estacionamento, então deixei o carro em uma vaga pública um pouco afastada do centro. Poderia ir a pé até o festival, localizado a pouco mais de 1 km, mas fiz a correta escolha de pegar a van do festival. Dividindo espaço na van comigo, muitas pessoas com sacolas e mais sacolas de supermercado. Estavam todos transportando mantimentos para o camping, o local onde fica a maioria dos frequentadores do festival. Boa parte da graça do Paredes de Coura é ficar no camping com os amigos bebendo, ouvindo música, tocando violão ou se banhando no Rio Coura. Dei uma volta pelo camping e percebi que certamente eu era um dos poucos que estava se hospedando em um confortável hotel para o festival. O camping parecia divertido, mas eu já passei da idade de passar perrengue.

Meu amigo tinha razão: o palco principal é um incrível anfiteatro natural, com uma inclinação tão grande que é possível ver perfeitamente o palco de qualquer lugar. Diria que é o segundo lugar mais fantástico onde já vi um show na vida, perdendo somente para o Teatro Grego em Los Angeles, outro local privilegiado pela natureza. Quem teve a missão de abrir o festival foi We Trust ft. Coura All Stars, a união de uma banda do Porto com uma orquestra composta por crianças da região. “Foi um privilégio vir para aqui todos os dias às 9h da manhã, desde abril, ensaiar com eles”, disse André Tentugal, o líder do We Trust. Não havia como duvidar de sua afirmação. Estava tudo perfeitamente ensaiado e o show correu tranquilo, do começo até o fim. Como no primeiro dia de festival o palco secundário ainda estava sem shows, tive que esperar um pouco a apresentação do Best Youth, dupla do Porto que faz uma música sintética e soturna. Na sequência, subiu ao palco o Minor Victories, espécie de supergrupo alternativo formado por membros do Slowdive, Editors e Mogwai. Eles são a prova de que grandes músicos nem sempre fazem grandes bandas. O grupo tem pouco tempo de estrada e talvez evolua no futuro, mas no momento não mostrou a que veio e não conseguiu empolgar o público português.

A atração principal da noite foi o Unknown Mortal Orchestra, os penúltimos a tocar. Em outros festivais, seria pouco provável que o Unknown Mortal Orchestrafosse um headliner, mas aqui no Paredes de Coura eles cumpriram seu papel e conseguiram levantar a galera portuguesa. O rock psicodélico do grupo era cantado pela plateia em vários momentos, o que de certa forma foi surpreendente para mim. Quem fechou a noite foi o Orelha Negra, banda instrumental portuguesa que faz uma mistureba de funk, soul, jazz e trip hop, que conseguiu manter o povo dançando.

A solução do festival para diminuir o lixo gerado é interessante. Você só pode tomar cerveja, vinho ou refrigerante usando um copo do festival, que é obtido mediante uma caução de 2 euros. Se você quiser levar o copo de recordação, pagou 2 euros por ele. Se devolver o copo no bar, recebe de volta seus 2 euros. Portugal é um dos países mais baratos da Europa e cada cerveja de meio litro custava 4 euros (cerca de R$ 15). Tomei quatro cervejas durante o festival e para meu azar fui parado pela polícia portuguesa na volta, que fez um teste do bafômetro comigo. Eu não podia acreditar. Após um primeiro teste dentro do carro, o policial pediu para que estacionasse meu carro e me encaminhou até um etilômetro mais sofisticado, que ocupava toda a traseira de um carro policial. Soprei e apareceu o resultado: 0,48 g/l. Na mesma hora pensei: “Estou fodido, o limite deve ser 0,2 ou algo assim”. Tudo passava pela minha cabeça naquele momento. Vou ser levado a uma delegacia? Vou pagar uma multa? Meu carro alugado será apreendido? Nunca mais poderei dirigir em Portugal? Vou ser preso? Vou ser deportado? Para minha sorte, o limite era 0,50 g/l e fui liberado pelos policiais. Que sorte. Bebi quatro cervejas ao longo de seis horas e ainda assim não estava oficialmente alcoolizado. Talvez minha capacidade de metabolizar o álcool seja maior do que imaginava, mas era melhor não arriscar no dia seguinte.

 

Festival Paredes de Coura, 18 de agosto, quinta-feira

No segundo dia de festival decidi chegar um pouco mais cedo para dar uma voltinha na vila de Paredes de Coura, tomar um café e comer um bolo ou torta. Quando fui até o local onde havia estacionado meu carro em Vigo ele não estava lá! Carro nenhum estava. Havia dezenas de carros naquela rua na noite anterior, mas agora não havia nenhum. Voltei desesperado para o hotel, onde me explicaram o que havia acontecido: estacionei o carro numa área de carga e descarga, onde é permitido estacionar durante a noite, mas não durante o dia. Meu carro havia sido guinchado. E agora? Eu precisava daquele carro para ver o festival em Portugal em poucas horas. Peguei um táxi até o depósito municipal de carros em Vigo, paguei uma multa e em quinze minutos já estava dirigindo o Smart vermelho novamente. Fiquei 144 euros mais pobre, mas pelo menos tinha um carro para me deslocar até o festival.

Foi tudo tão rápido que ainda assim consegui comer um bolo e tomar um café na vila, como eu havia planejado. Por falar em comida, a princípio achei que os quiosques no festival eram poucos, mas a maior parte do tempo eles estavam sem clientes. Certamente quem estava acampado já havia comido no camping e não precisava gastar com comida na área do festival posteriormente. Comigo a situação era diferente. Todos os dias eu me esbaldei com os pregos (sanduíches de carne suína), bifanas (carne bovina) e tripas de Aveiro (uma massa crua doce).

A primeira atração do dia foi Ryley Walker, cantor e violonista que por coincidência estava lançando seu novo álbum “Golden Sings That Have Been Sung” no dia seguinte ao seu show no Paredes de Coura. É uma pena que estava muito cedo e com pouca gente próxima ao palco principal quando Ryley Walker tocou. A plateia parecia dispersa e não prestou muita atenção no delicado folk com pitadas de rock psicodélico e blues do americano de Illinois. Vale ressaltar que os portugueses são um dos povos mais animados que eu já vi em shows, mas parecem ignorar qualquer um que faça um som acústico. A próxima banda a se apresentar foi o Whitney, com seu indie-rock esquisitão e de formação inusitada, com um trompetista e vocais executados pelo baterista Julien Ehrlich. Um drone sobrevoava o público a ponto de chamar a atenção de todos, inclusive da banda. “Eu não gosto de drones”, disse Julien Ehrlich. Eu também não, Julien.

Dei uma passada no palco secundário pela primeira vez, mas não dei sorte. Quem estava se apresentando era a banda de Braga Bed Legs, com um vocalista horrível e cheia de clichês rock’n’roll mais do que batidos. Já havia anoitecido quando o Sleaford Mods subiu ao palco principal. Minimalismo eletrônico ao extremo. Apenas dois caras no palco: Andrew Robert Lindsay Fearn apertando botões num notebook e o vocalista Jason Williamson destilando sua verborragia politizada. A dupla inglesa gerou reações contraditórias no público. Enquanto alguns saíram inconformados na primeira música, outros ecoavam cantos que pareciam vir de um estádio de futebol. “Sleaford Mods! Sleaford Mods! Sleaford Mods!”, berravam eles. “Nós não costumamos ter uma reação positiva dessas em festivais”, disse Jason, enquanto Andrew concordava mexendo a cabeça.

Thee Oh Sees é uma banda sem estrelismos. Foram os próprios músicos do grupo que fizeram a passagem de som no palco e começaram o show com uma antecedência de quatro minutos. Fiz a besteira de ficar lá frente do palco. Eu poucos segundos a banda de garage rock de San Francisco incendiou a molecada portuguesa, que começou a abrir rodas, pular descontroladamente e fazer crowdsurfing. A grama na frente do palco havia virado terra e a terra se levantava na forma de poeira. Alguns começaram a cobrir o rosto com suas camisetas para se proteger. Caos total. Arreguei e fui para trás, mas ainda assim a plateia estava insana. Estava tentando tirar fotos quando um crowdsurfing mal executado fez com que um rapaz caísse em cima de minha cabeça. Poderia ter quebrado meu pescoço. Fiquei feliz de sair inteiro desse show e mais ainda por ver uma banda imbatível ao vivo.

Eis que chegava a hora da grande atração, não apenas do dia, mas de todo o Festival Paredes de Coura. Num primeiro momento me senti tapeado pela volta do LCD Soundsystem, afinal fizeram um estardalhaço com seu show de despedida no Madison Square Garden, que virou um álbum ao vivo e DVD, para voltar apenas cinco anos depois. No entanto, foi com grande satisfação que pude ver James Murphy e sua turma em ação novamente. Foi uma superprodução, com novos arranjos para velhos clássicos, que deram um frescor novo para músicas como “Daft Punk Is Playingat My House”, “Losing My Edge”e “Tribulations”. O final do show foi épico, com uma emocionante versão para “New York, I Love You But You’re Bringing Me Down”. Ainda voltaram para mais duas músicas no bis, “Dance Yrself Clean” e “All My Friends”, que mostram que o LCD Soundsystem continua afiado. Resta saber como será o novo material que dizem estar compondo e se virão para o Brasil no ano que vem. Aguardo ansiosamente uma nova chance de vê-los ao vivo.

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O americano LCD SoundSystem (acima) e o Chvrches (abaixo), um dos atuais “grupos top” de um certo blog vizinho; mas como bem observou nosso correspondente, a banda é fraquinha e não tem condições de ser headliner de um grande festival

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Na volta para Vigo, havia novamente uma blitz policial no mesmo local, mas como havia bebido apenas Coca-Cola e água os policiais não me pararam. Melhor assim.

 

Festival Paredes de Coura, 19 de agosto, sexta-feira

Antes de começar a falar sobre os shows do penúltimo dia, gostaria de divagar um pouco sobre Portugal, que é um dos meus países preferidos no mundo. Ao contrário do que a crença popular diz no Brasil, as portuguesas não têm bigode e costumam ser muito bonitas, magras e elegantes. A comida é a melhor da Europa, o clima é agradável e os preços não são abusivos quando comparados a outros países europeus ou mesmo ao Brasil. Idealmente, um dia quando estiver velhinho vou morar seis meses no Brasil e seis meses em Portugal.

Assim como Ryley Walker no dia anterior, Kevin Morby foi recebido de maneira um pouco fria pelos portugueses. O folk rock do texano foi executado com competência, mas não a ponto de gerar muita reação na plateia. Aplaudiam ao final de cada música e mais nada. Melhor sorte teve a banda norte-americana Crocodiles, que levantou os portugueses com seu noise pop melódico. Eu já estava cansado e decidi adotar uma postura diferente para os outros shows do dia. Ficaria sentado no fundo e me levantaria apenas quando as bandas começassem seus shows. Foi assim com o King Gizzard & the Lizard Wizard, banda australiana que me pareceu melhor em estúdio do que ao vivo. A mistura de rock psicodélico e garage rock malucão dos discos virou um hard rock chato para caramba ao vivo. Nem parecia a mesma banda.

Quem tocou depois no palco principal foi The Vaccines, que aparecia em destaque no material de divulgação do festival, como se fossem uma das principais atrações. Ao vivo provaram que poderiam ter sido o headliner do dia. Mesmo ficando no fundo, não tive sossego. A plateia portuguesa abria rodas e fazia crowdsurfing sem parar. Agitaram de forma insana praticamente em todas as músicas. Curiosamente, “Melody Calling”, possivelmente minha música preferida do Vaccines, gerou uma resposta quase nula na molecada. Cage The Elephant foi outro headliner improvável, mostrando que o Paredes de Coura não deve ter tanta grana assim para contratar grandes nomes de peso. Aposto que se fosse no Brasil, qualquer organização de festival seria detonada nas redes sociais por essa escolha. Para os portugueses, no entanto, não houve problema nenhum. O vocalista Matt Shultz parecia uma criança hiperativa, correndo e pulando de um lado para o outro, tornando a tarefa de fotografá-lo algo quase impossível. Da mesma forma, a plateia parecia uma turba de milhares de adolescentes hiperativos que queriam se divertir até o último minuto de suas vidas.

Passei mais um dia sem beber nada e dessa vez nem havia blitz policial na estrada. Se eu soubesse disso antes…

 

Festival Paredes de Coura, 20 de agosto, sábado

O último dia de festival foi aquele com a escalação mais fraca na minha opinião e também o mais vazio. Conversando com algumas pessoas fiquei sabendo que muita gente já havia saído do camping e voltado para suas casas. O Paredes de Coura se aproximava de seu fim, mas não fiquei abatido pelo cansaço que se acumulava. Aproveitei para fazer uma coisa típica dos europeus, mas que eu mesmo nunca tinha feito: tomar uma taça de vinho num festival. O trauma da blitz de certa forma já estava superado.

Quem começou os trabalhos do último dia foi The Last Internationale, banda nova-iorquina de discurso politizado e rock simples e direto, sem muitas firulas. Serviram como um bom aquecimento para Capitão Fausto, banda de Lisboa com três álbuns editados. Apostaria sem medo que esse foi o show com maior número de crowdsurfings. Se no Øya Festival o crowdsurfing era proibido, no Paredes de Coura era institucionalizado. Os seguranças à beira do palco seguravam cuidadosamente cada um dos meninos e meninas (sim, meninas também) que eram atirados para dentro do cercadinho dos fotógrafos. O rock psicodélico do grupo agradou de forma inesperada, pois nunca tinha visto nesse festival uma banda local gerar uma reação tão entusiasmada por parte do público.

Deu tempo de conferir o show do Motorama no palco secundário, grupo russo de pós-punk que fazia uma apresentação climática e um pouco sombria. Jorge Coelho, promotor português responsável pela vinda do grupo, estava eufórico em uma postagem no Facebook: “Que grande concerto deram os Motorama no Palco Vodafone e que se revelou muito pequeno para os russos.Tudo farei para que a banda regresse a Portugal já em 2017”. Voltando ao palco principal, era hora de The Tallest Man On Earth. Uma bela ironia, considerando-se que o líder Kristian Matsson é bem baixinho, ainda mais para um sueco. Seu indie folk não me agradou muito ao vivo, mas tenho que reconhecer que o rapaz tem carisma e os portugueses parecem ter amado o show. Portugal. The Man subiu ao palco já com o jogo ganho. Como uma banda com um nome desses poderia dar errado num show em Portugal? Também não achei grandes coisas o show, mas novamente os portugas adoraram. Várias pessoas nos ombros dos outros, mais crowdsurfing e mais poeira levantada. Talvez o problema fosse comigo, que já estava bem cansado a essa altura do festival.

Coube ao Chvrches fechar o palco principal. O show deles é bom, mas pareciam muito mais cansados do que no show em Oslo. Em lugar nenhum do mundo o Chvrches seria headliner num festival. A banda possui dois bons álbuns, mas não possuem repertório, nem peso para ser a atração principal. Ainda assim, o trio possuía alguns fãs na plateia, que vibravam a cada música executada. Terminava assim minha maratona de festivais. Três festivais em três países diferentes, em oito dias de shows, num intervalo de onze dias.

 

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Ricardo Augusto Fernandes (acima, ao lado de Zap’n’roll durante a última edição da festa “Call The Cops”, no clube Alberta/SP) e o autor deste blog se conhecem pessoalmente há quase uma década e meia, período em que desenvolveram uma grande amizade. Mas ao contrário de Finaski Ricardo é jornalista eventual, escreve ótimos textos por puro diletantismo, tem um conhecimento enciclopédico de rock’n’roll e rock alternativo e ganha a vida há décadas trabalhando na área de informática, especializado que é no assunto – sendo que ele também publicou reportagens em muitas das edições impressas da saudosa Dynamite. E sim, é fanático pelo New Order, rsrs. Esta cobertura dos festivais que rolaram na Europa foi encomendada a ele por este espaço virtual, que não tem dúvida em afirmar que se trata de um dos melhores relatos já publicados na web BR de cultura pop nos últimos tempos – né Popload?

Valeu, Ricardo!

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

  • Disco: em momento de total falta de lançamentos relevantes no mondo rocker (aqui e lá fora), a melhor indicação destas linhas zappers é de um LP que foi lançado há vinte e cinco anos. Ele mesmo, o clássico absoluto “Nevermind”, que o inesquecível e até hoje gigante Nirvana deu ao mundo no final de 1991. Sendo que neste sábado, dia 10 de setembro (leia-se amanhã, já que o postão está sendo concluído finalmente hoje, sextona em si, 9 de setembro) o single que abria o disco, a hoje clássica “Smell Like Teen Spirit”, era lançado oficialmente. Não há mais bandas como o Nirvana nos dias atuais. Nem caras como Kurt Cobain no rock. E nunca mais irá haver. Então o melhor é re-ouvir esse DISCAÇO, sempre e sempre, que você escutar na integra aí embaixo:

 

  • Nova edição do festival In-Edit Brasil: yeah! A oitava edição do festival que reúne a nata dos documentários musicais começou anteontem em Sampa e prossegue até o próximo dia 18 de setembro, quando serão exibidos nada menos do que cinqenta e sete documentários em diversas salas exibidoras da capital paulista, além de shows ao vivo. Há de tudo para todos os gostos e um dos destaques da Mostra é “Time Will Burn”, documentário fodástico que mostra a inesquecível cena indie guitar paulistana dos anos 90’, quando bandas como Pin Ups, Second Come e Mickey Junkies faziam muuuuuito mais barulho do que a atual cena criada pela “ilha da fantasia indie” do blog “vizinho” Popload. O doc será mostrado no Cine Olido, na galeria do mesmo nome, no centrão de São Paulo, neste domingo (às seis da tarde) e também no próximo dia 21 (quarta-feira), às sete e meia da noite. E você pode saber tudo sobre o In-Edit indo aqui: http://www.in-edit-brasil.com/.

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O quarteto indie noise guitar paulistano Pin Ups: um dos GIGANTES da história do indie rock BR, presente no documentário “Time Will Burn”

  • Show: e dentro da programação do festival o bacanudo combo rocker paulistano (e que nunca foi citado na Pobrel, ops, Popload) Fábrica de Animais toca ao vivo hoje, sextona, na mesma Galeria Olido, a partir das sete da noite. Se programa que dá tempo tranqüilo de assistir a gig.

 

  • Baladenhas: finde fraquinho, fraquinho na seara dos agitos alternartivos. Então sem grandes baladas pra curtir, dá pra se jogar na festa open bar que o site Zona Punk promove hoje à noite no Outs (lá na rua Augusta, 486, centrão rock’n’roll de Sampalândia).///Mas se você quer sair da metrópole, agüenta ir um pouco mais longe e curtir um rock no meio da mata Atlântica, a dica é ir pra Paranapiacaba no Simplão Rock Bar, onde rola a partir de hoje a quinta edição do festival Independência e Rock. Vai ter discotecagens, cine Simplão e shows com bandas legais (como Jonata Doll & Os Garotos Solventes), essas tocando amanhã, sabadão em si. Interessou? Vai aqui, onde tem todas as infos sobre o evento: https://www.facebook.com/events/1348522815175711/. E fora que o Simplão, comandado pela queridaça Cris Mamuska, é um dos locais mais bonitos e bucólicos que estas linhas bloggers rockers já conheceram.///E é isso. Então se programa aê e se joga, porra!

 

 

FIM DE PAPO

Postão monstrão e ótimo (modéstia às favas, uia!) finalmente chega ao fim – tudo acaba uma hora, néan. Então ficamos por aqui mas prometendo voltar com muito mais na semana que vem. Até lá!

 

(ampliado e finalizado por Finatti em 9/9/2016, às 17hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL! (com análise detalhada do segundo disco de estúdio do Ira! e cinco vídeos clássicos da banda, mais o novo disco do MERDALLICA e a indicação do blog ao Prêmio Dynamite de Música Independente 2016) – Agosto, o mês do cachorro louco, também marca os trinta anos do lançamento de outro mega clássico da história do rock brasileiro: “Vivendo e não aprendendo”, do Ira!, que é relembrado neste post especial em análise detalhada, acompanhada de entrevista EXCLUSIVA com André Jung (ex-baterista do grupo paulista) e também de lembranças zappers da época, incluindo nelas um capítulo INÉDITO do livro “Escadaria para o inferno”, que narra um encontro nos anos 90’ movido a cocaine, entre o vocalista Nasi e o jornalista rocker eternamente loker; o novo disco do Cachorro Grande (e que a banda lança com show neste finde na capital paulista) e mais isso e aquilo tudo, sempre no blog campeão quando o papo é cultura pop e rock alternativo (postão TOTAL CONCLUÍDO, em 19/8/2016)

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Há trinta anos (em agosto de 1986) o quarteto paulistano Ira! (acima, em sua formação clássica) lançava a obra-prima “Vivendo e não aprendendo”, que é analisada em detalhes neste postão do blog zapper; abaixo Zap’n’roll entrevista a banda no final de 2000’, na sede da extinta gravadora Abril Music, em São Paulo

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FINALIZANDO O POSTÃO: O FIM DAS OLIM-PIADAS, ERUNDINA BARRADA NO DEBATE, O NOVO DISCO DO MERDALLICA E O BLOGÃO ZAPPER TOTAL BOMBATOR NESTE POSTÃO (MAIS DE 400 LIKES!) CONCORRENDO AO PRÊMIO DYNAMITE

  • Yep, postão finalmente chegando ao fim, néan. E ele chega chegando ao seu final, com mais de quatrocentas curtidas em redes sociais (isso mesmo, você não leu errado). Enquanto isso, os blogs concorrentes… tadinho deles com seus micro posts diários com ZERO likes em cada um, hihi.

 

  • Fora que agora é oficial: a Zap’n’roll, após treze anos no ar, está finalmente concorrendo ao Prêmio Dynamite de Música Independente 2016, na categoria “melhor blog”. Trata-se “apenas” de uma das maiores premiações da cena independente nacional, já sendo entregue há catorze anos. Quer votar na gente? Vai aqui: http://www.premiodynamite.com.br/.

 

  • E agora que o pão e circo (leia-se: olim-PIADAS) no país total vira lata (o Brasil, claro) está chegando ao fim e os ufanistas otários esperneiam histericamente por causa de mixurucas menos de vinte medalhinhas conquistadas, vamos acordar pro choque de realidade: desemprego na casa dos 13% (o maior número da história da economia brasileira), mais de doze milhões de pessoas desempregadas. E aí? FORA TEMER!

 

  • Ah, sim: não se esquecendo que semana que vem começa o julgamento da Dilma.

 

  • A véia e ótima Luiza Erundina (a candidata do blog à prefeitura de Sampa este ano; pra vereador: André Pomba, claro!) está BARRADA nos debates eleitorais que começam a partir da próxima semana (o primeiro rola na Band, nessa segunda-feira). O motivo: ela teve sua participação VETADA pelos escrotos candidatos do PSDBosta, do PMDBosta e do Solidariedade, com base na nova lei eleitoral vigente, que pode não aceitar candidatos em debates de partidos com menos de nove deputados  no Congresso, em Brasília (o Psol, partido de Erundina, tem apenas seis deputados). Óbvio que ela poderia participar se houvesse acordo nesse sentido (o PT não se opôs que ela fosse ao debate), mas é claro que a BANDIDADA política com o cu na mão preferiu barrar a candidata que está em terceiro lugar nas pesquisas, com cerca de 10% das intenções de voto. Esse país é mesmo uma VER GO NHA.

 

  • Por fim: o velhão e cuzão Merdallica anunciou novo disco de estúdio (álbum duplo) para 18 de novembro deste ano. Vai ser o primeiro disco total inédito da banda em pelo menos oito anos. E pra antecipar o lançamento o quarteto divulgou a faixa “Hardwired”, cujo vídeo você pode conferir aí embaixo. É talvez a música mais porrada que o grupo gravou nos últimos vinte e cino anos. Mas isso não muda a opinião destas linhas rockers lokers sobre o conjunto: um bando de tiozões escrotos e miliardários, querendo pagar de barulhentos e malvados para atrair uma nova geração de ouvintes. Não vai funcionar: uma ver MERDALLICA, merdallica forever!

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O Merdallica (acima) vai lançar finalmente dsco novo e antecipou uma amostra do que vem por aí (abaixo): bando de velhotes cuzões metidos a malvados

 

  • É isso. Fim do postão, sendo que semana que vem ele volta total inédito por aqui. Até lá!

 

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Há três décadas, em 1986…

O rock BR dos 80’ experimentava um de seus auges criativos. Em abril daquele ano o trio Paralamas Do Sucesso lançou seu terceiro disco de estúdio, “Selvagem?”, considerado um divisor de águas na trajetória do conjunto (pela sua impactante e precisa combinação de ritmos brasileiros e jamaicanos com o rock’n’roll). Logo em seguida Titãs e Legião Urbana também editaram outras duas obras-primas da história do rock nacional: “Cabeça Dinossauro” (dos Titãs, que saiu em junho daquele ano) e “Dois” (da Legião Urbana, que chegou às lojas de discos um mês depois). Todos eles discos essenciais e que permanecem até hoje como obras capitais do rock brasileiro. Assim como também foi e continua sendo essencial o LP “Vivendo e não aprendendo”, o segundo álbum da carreira do quarteto paulistano Ira!, e que foi lançado oficialmente no final de agosto de 1986, um ano realmente inesquecível do grande rock BR daquela década. Por sua importância e por tudo o que representou e continua representando até os dias atuais, o segundo disco do Ira! é o destaque desta Zap’n’roll que você começa a ler agora. O blog faz uma análise detalhada do trabalho e contextualiza o dito cujo em relação a época em que foi lançado, além de mostrar sua dimensão social e política dentro do então mega efervescente rock que era feito no Brasil. São portanto três décadas desde o seu lançamento e o disco ter permanecido imune ao avançar dos anos, pois pode-se escutá-lo hoje com o mesmo e imenso prazer de trinta anos atrás. É essa atemporalidade que torna álbuns como “Vivendo e não aprendendo” uma obra eterna, extemporânea e com um estofo artístico muito superior à mediocridade que se verifica nos tempos atuais na música brasileira em geral e no nosso rock em particular. Então vamos ao novo post do blog que nunca perde o pique na cultura pop e no rock alternativo. Mesmo quando o país vive clima estúpido e ufanista por causa de jogos olímpicos (enquanto isso, nas tenebrosas reuniões políticas em Brasília, o golpe contra a democracia travestido de impeachment segue seu curso implacável), mesmo com a quase completa irrelevância e o neo conservadorismo que dominam a cultura pop e o mundo no geral nos dias atuais. Mesmo com todo esse cenário adverso continuamos aqui, ao lado do nosso dileto leitorado (seja ele jovem ou já coroa), para lembrar a ele que a humanidade já foi menos careta e muito mais criativa, nos tempos em que eram lançados discos como “Vivendo e não aprendendo”, do gigante Ira!

 

  • Bora lá! Sextona (leia-se hoje) e com ela chega o novo postão zapper. E no dia da abertura do jogos olímpicos do Rio de Janeiro. Na boa? Estas linhas online não agüentam mais ouvir falar de Olimpíada. Que ela e a “Grobo” se fodam (e enquanto isso e enquanto o país vive o clima olímpico ufanista, o golpe contra a democracia travestido de impeachment avança no senado).

 

 

  • O blog também não tá nem aí pra porra do Pokémon Go. Mais uma idiotice gigante pra distrair a massa de manobra imbecil. E com um bônus: os larápios farão a festa nas ruas, ROUBANDO os celulares dos trouxas e distraídos que estiverem exibindo seus smartphones enquanto jogam essa droga.

 

 

  • Vander Lee? Não desejamos a morte de ninguém e que ele descanse em paz. Mas na real? Era músico, compositor e letrista de terceiro escalão, tanto que nunca soltou disco por nenhum selo realmente importante. Fora que boa parte do cancioneiro composto por ele era bem brega. Assim, a morte dele não nos falou ao pau. Mas como nesses tempos de internet fútil e imbecil qualquer um se transforma em sub-celebridade quando bate as botas…

 

 

  • Libertines em Sampa: a grande notícia do dia. Ainda que a gig dos ingleses vá INFELIZMENTE acontecer dentro do MERCENÁRIO Popload Festival, dia 8 de outubro. Mercenário mesmo: há no evento a famigerada pista Premium (que sempre foi tão combatida por um dos organizadores do festival, o prezado jornalista vira-casaca Lucio Ribeiro), cujo valor do ingresso chega a 500 temers. E ainda há ingresso em camarote, que chega a custar absurdos 700 mangos. Tudo bem, vai ter Wilco também e tals, mas com o país no buraco em que está, é uma SACANAGEM sem tamanho negociar tickets por esse valor abjetamente extorsivo. Se o blog vai? Bien, Finaski assistiu a banda em 2004 no finado Free Jazz Festival. E sem Pete Doherty (que tinha acabado de sair do grupo). Foi um show beeeeem meia-boca. Agora, com Pete novamente ao lado de Carl Barat e a bordo de um disquinho bacana (o que eles lançaram no ano passado), a parada deverá ser mais interessante. Então vamos fazer um esforço e ir, COMPRANDO nosso ingresso e COLABORANDO para que mr. LR e sua sócia (a mala Paola Wescher) fiquem um pouquinho mais ricos.

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Carl Barat e Pete Doherty, dos Libertines: finalmente juntos e ao vivo em São Paulo em outubro próximo; pena que o preço dos ingressos pra ver o show seja um assalto ao bolso…

 

  • CACHORRO GRANDE NA ÁREA COM SHOW E DISCO NOVO – Yes! O já veterano quinteto gaúcho (que foi formado em Porto Alegre em 1999, e que fixou residência em Sampalândia já há muitos anos) integrado por Beto Bruno (vocais), Marcelo Gross (guitarras), Rodolfo Krieger (baixo), Gabriel Boizinho (bateria) e Pedro Pelotas (teclados) acabou de lançar esta semana seu oitavo álbum de estúdio. “Electromod”, o disco em questão, foi produzido pelo também gaucho rocker e lenda Edú K (o homem que inventou a banda DeFalla), e a sonoridade do mesmo trafega entre o rock’n’roll básico e classudo de guitarras e ambiências mais eletrônicas, em um mix que eles já haviam explorado no cd anterior (Costa do Marfim”, editado em 2014). A faixa-título título (uma porrada sonora com letra de teor político e contestatório) já circula bem em plataformas na web e a Cachorrada (todos diletos chapas destas linhas rockers virtuais) faz showzão de lançamento do trabalho HOJE, sexta-feira, lá no Cine Jóia (colado no metrô Liberdade, região central da capital paulista), em noitada rock’n’roll que ainda vai ter participação do grande Autoramas. O blog vai estar por lá e ainda vai falar novamente por aqui do novo álbum da turma, sendo que você conferir o dito cujo na íntegra aí embaixo.

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O quinteto rocker gaúcho Cachorro Grande (acima) está de volta e lança seu oitavo álbum de estúdio, que pode ser ouvido aí embaixo; a banda toca hoje à noite na capital paulista, para lançar o trabalho; abaixo o vocalista Beto Bruno ao lado de Zap’n’roll, durante a Virada Cultural de 2015

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  • Sendo que “Electromod” recolou os Cachorros na mídia novamente. A banda até estampou a capa do caderno Ilustrada, da FolhaSP, esta semana. Pena que o autor da matéria é um jornalista mega conhecido pela sua preguiça e por ser um autêntico porcão e lambão de plantão. Mas o quinteto gaúcho mereceu o espaço editorial que lhe foi dado, sem dúvida.
  • Assim como o ainda gigante Ira! continua merecendo todas as atenções do mundo também. “Vivendo e não aprendendo”, o segundo disco de estúdio do grupo paulistano e uma das obras-primas do rock BR dos 80’, completa este mês trinta anos de existência. Então é dele que nos ocupamos a partir de agora neste post, analisando o álbum em si e trazendo uma entrevista EXCLUSIVA com o ex-baterista do conjunto, André Jung, que relembra fatos daquela época inesquecível do rock’n’roll no Brasil. Vai lendo aí embaixo.

 

 

 

AGOSTO DE 1986 – O IRA! LANÇAVA “VIVENDO E NÃO APRENDENDO”, OUTRO CLÁSSICO DA HISTÓRIA DO ROCK BR

Os meses entre abril e agosto de 1986 foram capitais para a história do rock brasileiro dos anos 80’. Foi nesse período exato que foram lançadas quatro das principais obras do rock BR dos 80’: “Selvagem?”, terceiro trabalho de estúdio dos Paralamas Do Sucesso, saiu em abril; logo depois chegava às lojas (em junho) “Cabeça Dinossauro”, o álbum que levou os Titãs ao mega estrelato. Um mês depois (em julho) era a vez de “Dois”, da Legião Urbana, invadir as lojas e rádios, vendendo em pouco tempo a inacreditável marca de seicentas mil cópias. E por fim, em agosto (mais especificamente no dia 25), o quarteto paulistano Ira! também surgia com o seu segundo trabalho de inédias, “Vivendo e não aprendendo”.

Era a prova de fogo do grupo formado pelo extraordinário guitarrista e vocalista Edgard Scandurra, pelo vocalista Marcos “Nasi” Valadão, pelo baixista Ricardo Gaspa e pelo baterista André Jung. Antes desse LP o conjunto havia lançado, pela mesma gravadora Wea, um compacto em 1983 (com as faixas “Pobre Paulista” e “Gritos na multidão”) e, dois anos depois, estreou em álbum completo com “Mudança de comportamento”. O compacto vendeu timidamente e teve pouca execução em rádio. Situação que melhorou um pouco com o primeiro disco cheio e que além de possuir um ótimo repertório, ainda trouxe já algumas faixas bastante radiofônicas – como “Longe de tudo”, “Núcleo Base” e a tristonha e belíssima balada “Tolices”. Mas ainda não era o suficiente para a gravadora que, após os estouros dos álbuns dos Titãs e do Ultraje A Rigor (um ano antes, em 1985, com “Nós vamos invadir sua praia”, que também emplacou uma renca de hits nas fms e vendeu horrores), apostava no Ira! como sendo a bola da vez de seu cast rocker.

A banda, formada em 1981 pelos amigos de adolescência Edgard e Nasi, estreou naquele mesmo ano em um festival punk no teatro Tuca, mantido pela PUC paulista (numa gig a qual o autor deste blog esteve presente, em um episódio que ele descreve em detalhes mais aí embaixo, narrando também outras histórias saborosas e bizarras, vividas com a turma do grupo). Com forte influência do punkismo inglês dos 80’ e também do rock de garagem dos sixties, o Ira! tinha na figura do guitarrista Edgard Scandurra o seu ponto alto: canhoto e tocando sem inverter as cordas, ele iria se tornar nos anos seguintes um dos cinco melhores guitarristas de toda a música brasileira, além de ser compositor dos principais hits do grupo. Então juntou-se a ele um vocalista poderoso e sempre com cara de “enfezado”, além de uma seção rítmica igualmente poderosa (formada por Gaspa e Jung) e estava pronta a receita para o estouro de mais um grande grupo paulistano dos anos 80’. Era apenas questão de tempo para o Ira! chegar lá.

E esse “chegar lá” aconteceu justamente com o lançamento de “Vivendo e não aprendendo”. Era um disco que, como o próprio André Jung comenta na entrevista concedida ao blogão zapper, possuía um repertório com uma força descomunal. Ia de rocks empolgantes como “Envelheço na cidade” (que se tornou um dos muitos hinos do grupo e que é cantada até hoje nos shows em côro pelo público) a faixas de eflúvios punkster (caso de “Nas ruas”, cantada por Scandurra) e passando ainda por outras que mostravam uma sonoridade à frente de seu tempo (como “Vitrine Viva” que mixava rock de guitarras com uma levada hip hop). Porém o que tornou o disco conhecido nacionalmente e fez suas vendas dispararem foi a inclusão da canção “Flores em você” (novamente uma linda balada, e com um magnífico arrnajo de cordas) como tema de abertura da novela daquela época do horário nobre da TV Globo. Em pouco tempo o LP vendeu cerca de duzentos mil cópias e o Ira! se tornou a nova estrela do primeiro escalão do rock paulista e brasileiro.

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“Vivendo e não aprendendo”, o segundo álbum de estúdio do quarteto paulista Ira!, lançado em 25 de agosto de 1986: outro clássico gigante da história do rock BR

Daí em diante são mais de duas décadas de estrada onde aconteceu de tudo no percurso deles. Discos novamente excepcionais e com a música à frente do seu tempo (como “Psicoacústica”, editado em 1988) mas que não repetiram o êxito comercial do segundo álbum, trabalhos de ótima qualidade mas totalmente subestimados e ignorados pela mídia e pelo público (e aí os exemplos são “Clandestino”, de 1990, e “Os Meninos da Rua Paulo”, lançado um ano depois), que já estava ficando interessado em novas tendências musicais mais popularescas (como axé, pagode e música sertaneja) e assim por diante. De repente o Ira! se viu ficando obsoleto e extemporâneo no coração dos fãs e do consumidor de música. Continuava fazendo gigs demolidoras mas as vendas minguavam cada vez mais. O resultado foi a saída do conjunto do cast da Wea com o derradeiro disco editado pelo selo, “Música calma para pessoas nervosas” (de 1993). Daí em diante o quarteto perambulou por selos menores, ainda lançou um grande disco (“Isso É Amor”, apenas com covers, editado em 1999 e que foi muito bem recebido pela crítica) e quando estava à beira do abismo foi salvo pela MTV com a gravação e lançamento do “Acústico Ira!”, em 2004. Revisitando seu repertório em formato não elétrico e contando com participações especiais da nova geração rocker que despontava no país (como a cantora Pitty e o vocalista do grupo mineiro Skank, Samuel Rosa), o Ira! se reencontrou com o público e com o sucesso: o cd vendeu mais de trezentas mil cópias e recolou o quarteto no pódio dos ainda grandes vendedores do rock nacional.

Mas não por muito tempo: após lançar mais um álbum de estúdio (“Invisível Dj”, em 2007) e que teve vendagem novamente pífia, um abalo interno fez com com que o Ira! decretasse o seu fim: o vocalista Nasi entrou em briga feroz e pública com seu irmão, Ayrton Valadão Jr, que era o empresário do conjunto. Nasi abandonou a banda em meio a uma turnê, a briga dos irmãos ganhou as manchetes até no “Fantástico” da TV Globo e se encerrou então a primeira trajetória do quarteto, com sua formação clássica.

Cinco anos depois, em 2012, Nasi e Jr. voltaram a se entender. Fizeram as pazes e anunciaram que o Ira! estava retomando as atividades. Novamente com Scandurra na guitarras mas… para surpresa dos velhos fãs, sem André Jung na bateria e Gaspa no baixo, com a parte rítmica sendo ocupada por músicos convidados. A volta aos palcos enfim aconteceu na Virada Cultural da capital paulista em maio de 2014, diante de uma multidão de mais de vinte mil pessoas. E de lá para cá o grupo permanece na estrada, fazendo shows mas sem ainda anunciar algum material inédito.

Então “Vivendo e não aprendendo”, lançado há exatos trinta anos, permanece como um marco na trajetória do Ira! Um LP de um tempo em que rock’n’roll significava corpo, alma, coração, entrega total. Um trabalho cujo repertório altamente politizado encantou toda uma geração, influenciou outras bandas e entrou para a história do rock brasileiro, ao lado de alguns outros igualmente poucos gigantes. E nos tempos atuais, onde o horror cultural pop domina a molecada sem cérebro com hits como “Metralhadora” e “Tá tranqüilo, tá favorável”, é ótimo saber que o rock brasileiro já foi incrível e que já existiram bandas como o Ira! e um disco como “Vivendo e não aprendendo”. Igual a ele, nunca mais.

 

 

O TRACK LIST DE “VIVENDO E NÃO APRENDENDO”

1.”Envelheço Na Cidade”

2.”Casa De Papel”

3.”Dias de Luta”

4.”Tanto Quanto Eu”

5.”Vitrine Viva”

6.”Flores Em Você”

7.”Quinze Anos (Vivendo E Não Aprendendo)”

8.”Nas Ruas”

9.”Gritos Na Multidão”

10.”Pobre Paulista”

 

 

IRA! AÍ EMBAIXO

Em uma série de vídeos clássicos para músicas idem: “Envelheço na cidade”, “Flores em você”, “Flerte fatal” e, de quebra, o álbum “Vivendo e não aprendendo” para audição na íntegra e ainda a gravação completa do “Acústico MTV – Ira!”, lançado em 2004.

 

 

ENTREVISTA EXCLUSIVA – O EX-BATERA DO IRA! FALA AO BLOG: “A VOLTA DA BANDA É UM VILIPÊNDIO!”

André Jungmann Pinto, recifense de nascença e radicado na capital paulista desde sua infância, está com cinqüenta e cinco anos de idade. Destes dedicou pelo menos vinte e sete a tocar bateria no Ira!, onde entrou logo no início da carreira da banda em substituição ao baterista original Charles Gavin (que acabou se fixando nos Titãs). De 1983 (quando o quarteto lançou seu primeiro compacto) a 2007 (ano em que saiu o derradeiro trabalho de estúdio do grupo, “Invisível DJ”), foi André Jung quem comandou as baquetas do conjunto, em estúdio e ao vivo. Uma longa trajetória e que teve participação essencial na criação de discos clássicos como “Mudança de comportamento” (1985), “Vivendo e não aprendendo” (1986) e “Psicoacústica” (1988).

Por isso mesmo boa parte dos fãs estranhou muito quando o Ira! anunciou seu retorno em 2012 (após ficar parado durante cinco anos) mas tendo apenas o guitarrista Edgard Scandurra e o vocalista Nasi de sua formação clássica, e sem Jung na bateria e Ricardo Gaspa no baixo. Os motivos pelos quais a dupla da seção rítmica original não está no line up atual do Ira! nunca foram muito bem esclarecidos por Scandurra e Nasi e, desta forma, Zap’n’roll não se esquivou de tocar no assunto durante esta entrevista exclusiva que o blog fez com Jung esta semana e onde ele também recordou histórias saborosas vividas durante seu período na banda, em especial na época da gravação, lançamento e turnê de divulgação do segundo LP. Foi um ótimo bate-papo, mesmo porque o autor deste espaço rocker online e o músico se conhecem pessoalmente há mais de duas décadas.

Além disso André Jung segue na atividade musical. Além de ser sócio de uma marca de instrumentos de percussão, ele continua tocando em alguns projetos musicais. Mas tudo isso é assunto para a entrevista concedida ao blogão zapper, e cujos principais trechos você lê abaixo:

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André Jung, durante quase três décadas o baterista da formação clássica do Ira!: “de certa forma a volta da banda é um vilipêndio”

 

Zap’n’roll – “Vivendo e não aprendendo”, o segundo disco lançado pelo Ira! em agosto de 1986, já se tornou um clássico do rock BR dos anos 80’. E está completando trinta anos do seu lançamento. O que você se recorda da época em que ele foi gravado e da turnê de divulgação dele? Como foi o processo todo, a composição, registro das músicas em estúdio etc? Há alguma história divertida ou bizarra que é desconhecida dos fãs da banda?

 

André Jung – uma fase bastante intensa, tínhamos conseguido nos afirmar com o Mudança de Comportamento e estávamos seguros, com um repertório poderoso na manga, e um bom respaldo de crítica. Fui ao Rio e negociei pessoalmente com o Liminha para que ele fizesse a produção. Pouco depois, os Titãs fizeram o mesmo e acabaram por gravar o Cabeça Dinossauro logo antes do Ira! Isso gerou um mal estar que acabou por contaminar a gravação do Vivendo. Certo que não teríamos escolhido o Liminha se soubéssemos da história toda. A questão não era os Titãs, o que queríamos era uma abordagem mais íntima com nosso trabalho, e não mais uma obra “do produtor”. Então desandou. Começamos o disco no [estúdio carioca] Nas Nuvens, e terminamos no [estúdio] Transamérica, SP. Em São Paulo reunimos Peninha e Paulo Junqueiro, lambemos as feridas, e finalizamos o disco. Ainda teve o episódio de Pobre Paulista/Gritos na Multidão: a gravadora queria e insistia para que gravássemos [as duas faixas], o argumento era a baixa tiragem do compacto de estréia da banda e a importância das músicas. Pobre Paulista é aquela encrenca duvidosa mesmo [nota do blog: durante muitos anos o Ira! deixou de tocar essa música ao vivo pois parte da crítica musical julgava que sua letra possuía um teor algo racista, em função dos versos “Não quero ver mais essa gente feia/Não quero ver mais os ignorantes/Eu quero ver gente da minha terra/Eu quero ver gente do meu sangue”] , mas não queríamos gravar as músicas por duas razões. Não queríamos estabelecer comparações com a formação antiga. As músicas não representavam mais o momento da banda. Acabamos por conceder gravar, mas desde que fosse ao vivo. Assim conseguimos evitar que tivéssemos uma delas como música de trabalho do Vivendo… Leninha Brandão foi nossa tour manager, ela era muito bem relacionada e nós éramos encrenqueiros e emburrados. Como era um tempo ainda bastante primitivo no que tange aos equipamentos de som Brasil afora, exigimos viajar com som e luz, fazíamos um monte de shows e ganhávamos pouco, uma vez que nosso custo fixo era muito alto. A música [“Flores em você”] na [abertura] da novela (em horário nobre na TV Globo) nos deu reconhecimento nacional e passamos a viajar para o Norte e Centro Oeste também. Apesar do sucesso do disco, a relação com a Warner não melhorou. E pessoalmente não gosto da sonoridade desse disco e ele não me traz boas recordações. No entanto uma música em especial sempre me é comentada: Dias de Luta. Diversos bateristas profissionais que conheci me disseram que escolheram bateria por causa dessa música. Quando digo diversos é + de 10.

 

Zap – sim, a levada dela é bastante poderosa. E enfim, pelo visto todos esses problemas acabaram não influindo no resultado final do trabalho, visto que o disco é considerado um dos marcos da trajetória do Ira!

 

Jung – a força do repertório era descomunal.

 

Zap – E sobre a turnê que se seguiu ao lançamento do disco, alguma história curiosa? Eu fui naquele show na praça do Relógio, na USP, onde estavam umas vinte mil pessoas (na época falou-se em quarenta mil, mas hoje fazendo uma avaliação mais realista, acho que não chegou a esse número). Foi emocionante…

 

Jung – acho que pode ter passado de 20.000, mas 40 é muito mesmo, foi um show muito foda. Fizemos um puta evento na faixa pra geral. Botamos o Violeta de Outono e o Vultos pra abrir. Paula Toller, Renato Russo e outros vieram pra ver. Paulo Junqueiro na mesa de som, ameaça de chuva direto, aí acabaram os shows de abertura e o Gaspa nada. Os roadies afinaram e aprontaram a bagaça e o Gaspa nada. Aí quando já estava pegando a demora o Gaspa aparece pelo meio do povo, chegou subiu e foi tocar,nem viu o camarim.

 

Zap – Ahahahahahaha, e onde ele estava, afinal?

 

Jung – vacilando por aí.

 

Zap – rsrs, certo. Eu me lembro que fiquei no backstage e consegui ver parte do show na lateral do palco, em cima dele, mas a assessora de imprensa da Wea na época, a Marildinha Vieira, não me dava sossego, rsrs – sendo que eu e ela somos amigos até hoje, hehe. Bien, depois do sucesso do disco a gravadora apostou alto na banda, certo? E aí vocês voltaram dois anos depois com um disco estranhíssimo para a época, o “Psicoacústica”, que no entanto hoje também é considerado como outro marco da carreira do Ira! e cuja sonoridade estava muito à frente do tempo em que ele foi lançado. Mas ele vendeu bem menos do que o “Vivendo…”, né?

 

Jung – muito menos, foi uma ducha fria na gravadora. Havia um consenso que depois de Ultraje e Titãs era a vez do Ira! estourar a boca do balão.

 

Zap – E como vocês lidaram com essa situação? Por que, na sua opinião, o disco vendeu muito menos que o anterior? Vocês quiseram mesmo que “Psicoacústica” tivesse aquela sonoridade mais complexa e não tão comercial e radiofônica?

 

Jung – nós não queríamos fazer esse papel, não éramos mainstream o suficiente para lidar com a farofada geral, também tínhamos nossa própria dinâmica interna. A via Mod estava esgotada, eu e o vocalista só ouvíamos hip-hop, que entendíamos ser o “new” punk. Edgard ainda estava bastante preso ao modelo sixties e com essa dicotomia instalada entramos em estúdio e gravamos um disco conceitual, auto-produzido, experimental e democrático, que vendeu pouco e fez história.

 

Zap – E daí para a frente, infelizmente, é o que todos nós sabemos: o Ira! entrou em curva descendente e, embora tenha lançado ainda ótimos discos (como “Meninos da Rua Paulo”, de 1991, um dos trabalhos mais subestimados da banda na minha modesta opinião), nunca mais conseguiu obter vendagens expressivas. Algo que só foi mudar com o lançamento do “Acústico MTV” em 2004, quando o grupo novamente se reencontrou com o grande público e voltou a vender muitos discos. Desta forma, quais as lembranças que você tem desse longo período de “baixa” em termos comerciais para o grupo, e que durou mais ou menos de 1990 até o ressurgimento midiático e de vendas em 2004?

 

Jung – a volta foi progressiva, começou com Isso é Amor, um disco lindo de versões. Esse disco nos colocou de volta no radar, depois fizemos o “Ao Vivo MTV”, que deu disco de ouro, fizemos o Rock’n Rio com muito sucesso e quando fizemos o Acústico foi consagração.

 

Zap – Sim, claro. Me recordo que, mesmo não vendendo muito, o grupo nunca deixou de fazer shows e estes sempre lotavam. No entanto, após o novo mega sucesso comercial com o “Acústico” e a turnê que se seguiu a ele, vocês novamente lançaram mais dois trabalhos que não obtiveram vendas expressivas. E finalmente houve o “racha” entre Nasi e seu irmão (que era empresário da banda), pondo fim ao Ira! O que você tem a dizer desse período?

 

Jung – o sucesso subiu a cabeça. Muitas solicitações, bajulações, tapinha nas costas e mão na maçaneta, aí nego começa a se achar. Foram tempos em que não existia mais o espírito, gravamos um disco apenas depois, Invisível DJ. Com boas idéias, num corpo sem alma.

 

Zap – Verdade, “Entre seus rins” foi lançado em 2001. E “Invisível DJ” não teve repercussão alguma. Veio a briga entre os irmãos Valadão e o fim do quarteto. Um episódio bastante explorado midiaticamente na época. Mesmo assim, com toda a imprensa noticiando o fato, há algo relacionado a essa briga que não chegou ao conhecimento do público e que você, ainda baterista da banda, tenha guardado em segredo esses anos todos?

 

Jung – cara, o final do Ira! foi muito sofrido para mim, para quem vê de fora as coisas são movidas pelas aparências, dividíamos papéis numa equação construída por convivência, limitações e qualidades de cada um. Grande público, mídia, querem espetáculo, e no fundo o problema é íntimo, não é porque alguém está promovendo agressões com estardalhaço que a real dimensão de uma ruptura como essa é percebida, ela é íntima, então desde o final do Ira! fui tirando o Ira! de mim e hoje sou grato ao destino. Demorou para que eu conseguisse ouvir uma música do Ira!, hoje às vezes escuto um disco inteiro. Foram muitos e não lembro direito, me dá uma boa sensação. Dever cumprido.

 

Zap – o que nos leva ao momento presente, com a volta da banda mas apenas com Nasi e Edgard Scandurra da formação clássica, e sem você e o baixista Gaspa. O que você, como ex-integrante do conjunto, tem a dizer sobre a volta dele? Por que você e Gaspa não foram incluídos nesse comeback, afinal?

 

Jung – não falo pelo Gaspa, não sei o que rolou com ele. Edgard me sondou e eu não tive interesse em tentar. Acho que esse projeto, (acho que é um projeto), poderia se chamar Ira, como a banda foi batizada em sua fase inicial, ou mesmo fazer com Page & Plant,

Zap – por que não teve? Você provavelmente estaria ganhando um ótimo dinheiro agora, rsrs.

 

Jung – dinheiro? Minha banda era a mais foda que tinha, porque o assunto não era dinheiro. Entre outras qualidades eu fui Ira! de corpo e alma.

 

Zap – com certeza. Mas você tocou bateria nela por quase três décadas. Mesmo não tendo sido o baterista original (antes de Jung, Charles Gavin, ex-Titãs, chegou a ocupar o posto no Ira!), você e Gaspa também se tornaram marca registrada do line up do quarteto. Não soa estranho a parte dos fãs que um retorno do Ira! não inclua vocês dois na formação?

 

Jung – claro que soa, de certa forma é um vilipêndio.

 

Zap – e olhando por esse aspecto, não teria sido melhor você ter aceito a “sondagem” do Scandurra e estar tocando com eles? Ou há alguma rusga entre você e a dupla de frente da banda?

 

Jung – Edgard é alguém da minha família, que hoje está distante, o outro não sei mais quem é.

 

Zap – há alguma rusga entre você e Nasi? Foi ele que não quis sua presença na volta do grupo?

 

Jung – eu nunca quis voltar pro grupo.

 

Zap – certo. Mas (e me perdoe a insistência) pela forma como você respondeu sobre Nasi, a impressão é que rolou algum desentendimento entre você e ele.

 

Jung – Humberto, essa história é antiga, já passou.

 

Zap – mas creio que os leitores gostariam de saber dela. Porém se você não quiser falar sobre, tudo bem.

 

Jung – houve muito desentendimento naquela separação, eu não fui poupado, não quero remexer no que deve ficar pra trás.

 

Zap – Ok. Buenas, já temos um ótimo material. E para encerrar, duas questões: o que você anda fazendo atualmente em termos musicais? E por fim, você tocou bateria durante quase trinta anos em uma banda que pertenceu à geração 80’, aquela que é considerada como uma das grandes gerações de toda a história do rock BR, pela importância que ela teve na questão social, política e artística e por todos os discos clássicos que foram lançados naquela época. Dessa forma como você vê o rock que é feito hoje no Brasil? Não há um abismo infinito, qualitativamente falando, entre o que já feito no rock brasileiro de ontem e de hoje?

 

Jung – acho que a geração 80 teve méritos, mas ela é super dimensionada, o rock dos 70 teve bandas incríveis. Anyway hoje o maistream está desastroso e o rock não tem força, nem apelo para furar a maçaroca de mediocridade que entope os veículos tradicionais. Hoje os anos 80’ parecem aqueles anos que não querem acabar. Depois do fim do Ira! recuperei um tesão pela música que estava submerso nas intrigas do dia a dia. Anos atrás fiz uma banda chamada F.A.U.T.

 

Zap – muito bom. E continua com ela? Parece que você se tornou sócio de uma marca conhecida de instrumentos de percussão…

 

Jung – sim, da PBR, empresa que importa a marca Pearl. Essa banda acabou, estou montado um projeto com uma rapaziada bacana e em breve mostramos algo. Também toco na Banda Performática, e nos Desconstrutores, ambos em parceria com Aguilar e Rick Villas Boas.

 

Zap – Ótimo. E pra FECHAR mesmo a entrevista, a pergunta que não pode faltar: seu álbum favorito do Ira!

 

Jung – pode falar mais de um? Mudança de Comportamento, Psicoacústica e Acústico MTV. São esses.

 

 

OS ANOS 80’ E 90’ E O BLOGGER LOKER NA VIDA LOKA, CONVIVENDO COM A TURMA DO IRA!

  • A gênese do grupo Ira! está em um colégio estadual da capital paulista, chamado Brasílio Machado. Localizado até hoje na rua Afonso Celso, no bairro da Vila Mariana (zona sul da cidade), era lá que faziam o ensino fundamental os amigos Edgard Scandurra e Marcos Valadão – futuros guitarrista e vocalista da banda. E também era lá que estudava o “pimpolho” aborrescente Finatti (uia!), na sétima série do ensino fundamental. Foi nessa época que o autor destas linhas bloggers rockers conheceu a dupla que anos depois iria formar o Ira! O ensino fundamental foi concluído por todos e cada um foi pra uma turma diferente no ensino médio. Finaski perdeu a partir daí contato com os dois e não os viu mais. Foi reencontrar a dupla em 1981, num festival punk que estava sendo realizado no teatro Tuca (da PUC/SP). Zap’n’roll era então um jovem “dirty punk” e já conhecia a banda Ira! de “ouvir falar dos caras”. Foi assistir ao show dela na PUC e levou um susto quando viu Scandurra e Marcos (agora já sendo chamado de “Nasi”) à frente do conjunto, no palco. Daí em diante não perdeu mais os passos do Ira!, que lançaria seu primeiro compacto em 1983. Três anos depois e quando o conjunto iria lançar seu clássico segundo álbum de estúdio, o zapper também estreava como jornalista profissional, na revista Rock Stars, em maio de 1986.

 

 

  • Daí em diante são três décadas de jornalismo rock’n’roll e loucuras ao som do Ira! (além de um certo convívio com a turma). O primeiro grande show da banda visto pelo jovem repórter foi aquele em que eles tocaram na praça do relógio da USP, em fins de 1986, para lançar “Vivendo e não aprendendo”. Tendo os grupos alternativos Vultos e Violeta De Outono na abertura, o Ira! arrastou uma multidão de mais de vinte mil pessoas para a gig, que foi sensacional e enfurecida. Uma tarde rocker inesquecível (e como não se faz mais hoje em dia) e que foi documentada pelo autor destas linhas online em uma matéria de quatro páginas intitulada “Rock In USP”, e publicada na edição inaugural da revista Zorra (que era especializada apenas em rock nacional e infelizmente durou apenas três edições), no início de 1987.

 

 

  • De 1988 até a metade dos anos 90’ o já então conhecido jornalista rocker (e já bem loker, por conta de seu sempre exagerado consumo de cocaine nos shows, festas e baladas noturnas que freqüentava) assistiu a zilhões de gigs do Ira! Algumas das mais memoráveis aconteceram na extinta danceteria Dama Xoc (onde o blogger maloker também cansou de ver ao vivo Barão Vermelho, 365, Inocentes e até o RPM, além de também ter presenciado shows inesquecíveis dos Ramones e dos ingleses do New Model Army), onde Zap’n’roll literalmente se jogava no chão ao som do quarteto de Edgard, Nasi, Gaspa e André. Bons tempos que não voltam mais…

 

 

  • E em 1993, quando a banda estava no final de seu contrato com a gravadora Wea, e estava lançando pelo selo o disco “Música calma para pessoas nervosas” (que vendeu menos de três mil cópias, um desastre para quem já havia conseguido disco de platina com o segundo LP), houve a célebre entrevista NÃO feita pelo repórter loki no sobrado onde morava o vocalista Nasi, no bairro de Pinheiros. Uma NÃO entrevista detonada por uma MONTANHA de pó, claro, hihihi. Mas isso está melhor explicado mais aí embaixo, onde o blog publica um capítulo inédito do livro “Escadaria para o inferno”, o que narra em detalhes a história da entrevista que acabou se transformando em samba do crioulo doido, uia!

 

 

  • O repórter Finaski seguiu acompanhando o Ira! de perto, mesmo nos períodos de baixa do conjunto. Até que houve o convite da MTV para que o grupo gravasse seu “acústico”. O disco marcou o reencontro da banda com o sucesso. E o autor destas linhas zappers esteve lá, na gravação do programa.

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Zap’n’roll “cercado”por Edgard Scandurra e Nasi no camarim do Ira!, após show da banda no Audio Club/SP, no final de 2014

 

  • Veio a briga infernal entre os irmãos Valadão (Nasi e Ayrton) e o fim do Ira! Em 2012, a reconciliação e a volta, sem Gaspa e André Jung. A reestréia nos palcos aconteceu na Virada Cultural da capital paulista em 2014, no centro da cidade e diante de uma multidão de mais de vinte mil pessoas. O  blog estava lá. Assim como também esteve em mais outras duas gigs deste comeback do Ira!: em uma noite no auditório (lotado) do SESC Vila Mariana e, tempos depois, na casa noturna Audio Club. No SESC, após o final da gig, se dá o seguinte diálogo hilário entre os velhos conhecidos Finaski e Nasi (ele, munido de um copo de whisky): “estou finalizando meu livro de memórias e vou contar aquele episódio em que nos entupimos de farinha na sua casa, em 1993. Sem problema?”, pergunta o jornalista, dando um riso maroto. Nasi: “sem problema. Tudo o que eu tinhha que falar da minha vida eu também já falei no meu livro. Aliás Finatti, com QUANTOS PROCESSOS você já está nas costas?”. O blogger, espantado: “Eu??? Que eu saiba, apenas um, rsrs”.

 

 

  • Atualmente o grupo está em turnê apenas com Edgard, Nasi e Daniel (filho do guitarrista), fazendo releituras novamente acústicas do seu repertório. O título da turnê: “Ira! Folk”.

 

 

  • E muitos fãs consideram a arte da capa de “Vivendo e não aprendendo” como um dos pontos altos da trajetória do quarteto também na questão gráfica. Quem fez as pinturas para a capa do disco na época foram os artistas Dora Longo Bahia, Ana Ciça, Paulo Monteiro e Camila Trajber.

 

 

  • Quem tiver curiosidade em conhecer o projeto FAUT, do baterista André Jung, basta ir no vídeo aí embaixo.

 

EXCLUSIVO! CAPÍTULO INÉDITO DO LIVRO “ESCADARIA PARA O INFERNO”, COM AS MEMÓRIAS JUNKIES DO JORNALISTA GONZO ZAPPER, AQUI NARRANDO O DIA EM QUE ELE ENTREVISTOU O VOCALISTA NASI ASPIRANDO UMA MONTANHA DE COCAINE, UIA!

 

Capítulo 4 –“Farinhada” boa na casa do vocalista do Ira!

 

Eu sempre gostei muuuuuito do Ira! Além de sempre ter sido amigo dos caras, considero a banda mega digna e um dos grandes nomes do rock paulistano e brasileiro dos anos 80’. Fora que Egard Scandurra é um autêntico monstro das seis cordas. Se você nunca viu o sujeito debulhando sua guitarra ao vivo, em cima de um palco, ainda não viu nada. E com um detalhe: ele é canhoto, e não toca com as cordas invertidas, como Hendrix também não tocava e tal. Se juntarmos uns dez ótimos guitarristas destros, ainda assim eles não conseguirão tocar o que Edgard toca sozinho, sério.

Foi emocionante rever a banda em cima do palco, após sete anos de separação (por conta de brigas do vocalista Nasi com seu irmão, o Jr., que também era empresário do grupo, e que voltou a ser novamente agora que a paz foi selada entre eles e o conjunto finalmente voltou à ativa). Diante de um público de cerca de 30 mil pessoas, o Ira! abriu a edição 2014 da Virada Cultural da cidade de São Paulo em maio daquele ano, e causou emoção e comoção nos velhos e novos fãs ao desfilar todos aqueles clássicos inesquecíveis (“Longe de Tudo”, “Núcleo Base”, “Tolices”, “Tarde Vazia”, “Gritos na Multidão”, “Rubro Zorro”, “Flerte Fatal”, “Nas Ruas” etc, etc, etc.). Agora a banda segue em turnê, percorrendo o Brasil de Norte a Sul durante quase dois anos e fazendo mais de 200 shows.

Mas eu conheço Nasi e Scandurra pessoalmente há milênios. Presenciei o nascimento do Ira! em 1981, vi eles chegarem ao auge em 1986 (com o segundo álbum, “Vivendo e não aprendendo”, que naquela época, empurrado pela música “Flores em Você” que havia sido escolhida como tema de abertura da novela das 9 da tv Globo, vendeu quase 300 mil cópias) e também acompanhei a decadência (injusta) do quarteto (que além de Nasi e Edgard tinha o baixista Gaspa e o batera André Jung, sendo que os dois últimos não estão na formação que voltou agora aos palcos): em 1993, uma década depois de seu nascimento, o Ira! ainda fazia ótimo rock’n’roll mas sua música tinha sido “atropelada” por grupos mais novos e instigantes aos ouvidos da molecada (como Skank, Planet Hemp e Chico Science & Nação Zumbi, além dos Raimundo que logo menos também iriam estourar no país todo), além de ter sido tirado do foco da mídia, que queria saber de nojeiras ao estilo pagode de corno paulistano e axé burrão baiano.

Foi esse Ira! então (já considerado irrelevante pela indústria fonográfica e perdendo público dia a dia) que eu, com meus trinta anos de idade, colaborando com a Interview e escrevendo para a revista Dynamite, me deparei quando a gravadora Warner mandou para a jornalistada o álbum “Música calma para pessoas nervosas”, que estava saindo no final daquele ano. Era o último disco do contrato do conjunto com a gravadora, que não fez absolutamente nada por ele: mandou o suplemento obrigatório para divulgação na imprensa e sequer trabalhou alguma faixa em rádio ou televisão. O resultado foi mais do que óbvio: um fracasso total de vendas – dados oficiais da época indicaram que o disco não chegou a vender duas mil cópias. Isso para uma banda que sete anos antes havia chegado a ganhar disco duplo de ouro.

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Nasi e Finaski, uma dupla de chapas há mais de trinta anos: “Finatti, quantos processos você já tem nas costas?”. Ahahahahaha.

Mas nem por isso o Ira! deixou de continuar merecendo minha admiração, respeito, amor e carinho. Foi então que, com o disco em mãos, eu propus uma matéria com eles para a Dyamite. Mr. André Pomba, nosso eterno “editador”, topou no ato. Eu, já velho chapa dos caras, não tive dificuldades em marcar um bate-papo com o Nasi na casa dele, numa tarde qualquer daquele mês de novembro. A redação da Dynamite naquela época ficava na rua dos Pinheiros, na zona oeste de Sampa. Nasi morava não muito longe dali, num sobrado próximo à avenida Francisco Morato e também próximo ao campus da USP. Quando eu estava pronto pra cumprir minha missão e partir rumo à casa do vocalista do Ira!, liguei pra ele pra dizer que estava indo. Nasi: “Cola aí! Ow, você consegue me trazer um baseado? Eu tô a fim de fumar e estou sem aqui em casa…”. Eu: “poutz, também tô sem. Não fumo muito, você sabe. Eu gosto mais é de dar umas narigadas, hehe”. Ele: “Verdade. Bom, vem pra cá que inclusive tenho uma surpresa pra você!”.

Eu fui. E logo que cheguei Nasi me recebeu com a simpatia de sempre, me levando pro andar de cima do sobrado. Fomos fazer a entrevista num dos quartos, onde uma pilha fantástica de discos de vinil se escorava nas paredes. E antes que eu ligasse o gravador para fazer a entrevista, ele disse: “lembra da surpresa que te falei?”. Ato contínuo puxou debaixo da cama um prato onde havia um autêntico monte Everest de cocaína. Eu olhei aquilo e não acreditei. Meu coração disparou enquanto ele esticava duas carreiras beeeeem gordas para serem aspiradas. Mandei a minha imediatamente. O pó era bonzão. A entrevista começou a ir por água abaixo exatamente ali.

Cerca de uma hora e meia depois (mais ou menos isso, meu senso de tempo e espaço àquela altura já tinha ido pra casa do caralho) nenhum dos dois se entendia mais nas perguntas e respostas, totalmente malucas e sem nexo algum. A dupla, bicudaça, também não aguentava mais cheirar. A entrevista havia se transformado em um autêntico samba do crioulo doido (fui ter certeza disso quando ouvi a fita em casa, no dia seguinte). Saí da residência de mr. Marcos Valadão (o nome real dele) quando o dia estava indo embora e a penumbra se desenhava e caía sobre os prédios e o poluído rio Pinheiros. Saí daquele sobrado parecendo um robozinho, andando como um Robocop pelas ruas do bairro. Não via a hora de chegar no centro (eu ainda morava na avenida 9 de julho, no apartamento do Felipe). E claaaaaro que não consegui aproveitar absolutamente nada do que estava gravado na fita da entrevista. Mas a matéria acabou saindo na Dynamite – em forma de resenha bem extensa do disco. Pelo menos isso, para uma banda que sempre mereceu e vai continuar merecendo muito mais do jornalista loker.

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

  • Disco, I: “Vivendo e não aprendendo”, o clássico imbatível lançado pelo grupo Ira! em 1986.
  • Disco, II: e quando você, já sem esperança alguma, acha que o rock independente brazuca chegou ao fim da sua história e estrada, eis que… wooooow! Surge, diretamente de João Pessoa, na Paraíba (isso mesmo que você leu: na capital da Paraíba) o trio Augustine Azul. Nunca tinha ouvido falar? Nem o blog zapper também, que descobriu a banda essa semana (falha nossa, assumimos) ao ler um texto sobre ela no Facebook (publicado pelo chapa Eduardo Roberto). Bão, e o que é o Augustine Azul? Simplesmente o MELHOR trio instrumental que estas linhas zappers escutam no rock brasileiro em muitos anos. A banda (formada pelo guitarrista João Yor, pelo baixista Jonathan Beltrão e pelo baterista Edgard Moreira) surgiu em 2014 e lançou até o momento um EP e este absurdamente incrível cd intitulado “Lombramorfose”, com seis faixas longas e menos de meia hora de som. Mas o suficiente para o grupo demonstrar a MONSTRUOSA qualidade sonora que possui, com a trinca compondo peças instrumentais que trafegam harmoniosa e espetacularmente por stoner rock, prog rock (sem a chatice habitual que contamina o gênero) e algo de psicodelia. E salta aos ouvidos de quem ouve as faixas como a cama sonora é construída com perfeição absoluta, com espaços para improvisos e solos tanto da guitarra como do baixo, com uma fluidez sonora impressionante e que não cansa jamais quem escuta. Pelo contrário: a cada nova audição o prazer de ouvir a guitarra tecendo melodias, riffs e solos envolventes e a seção rítmica dando um show à parte, só aumenta. É como se o três músicos do Augustine estivessem em uma jam interminável, complexa mas que possui foco e conexão definida entre os instrumentos – algo que faltava por vezes ao já veterano (e quase extinto) Macaco Bong, que também possuía músicos excelentes mas cujas músicas por vezes pareciam perder o controle melódico e harmônico, para se transformar em uma maçaroca sônica movida a maconha, rsrs. Resumindo: “Lombramorfose” (que já saiu nos EUA pelo selo More Fuzz Records) já tem o voto do blog para DISCO DO ANO no rock nacional em 2016. Podem acreditar: um MONSTRO (no melhor sentido do termo) está nascendo na Paraíba. E ele se chama Augustine Azul, sendo que você pode saber mais sobre a trinca aqui: https://www.facebook.com/AugustineAzul/. E ouvir o disco inteiro aqui: http://augustineazul.bandcamp.com/album/lombramorfose.

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O trio rock instrumental paraibano Augustine Azul (acima) e a capa do seu primeiro álbum (abaixo): stoner prog rock fodão e já sério candidato a melhor disco do rock BR em 2016

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  • Baladas no finde: ufa! Blogão tendo o postão finalmente encerrado, néan. E na boa, o finde tá meio assim com poucas opções realmente bacanas pra você curtir no circuito alternativo de Sampalândia. De modos que hoje, sextona em si, a pedida é ir tomar umas brejas no Outs Pub (na rua Augusta, colado no clube Outs), antes de cair no open bar em si do próprio Outs, rsrs.///Sabadão? Tem a estréia da festa Interzone Rock Party, comandada pelo queridão agitador cultural Adriano Pacianotto. Vão rolar shows ao vivo e DJ sets bacanudas, tudo lá na rua Padre João, 522, Penha, zona leste de Sampa. Bora lá! E é isso, sendo que na semana que vem o sabadão vai ferver com gigs do velho Metrô e do trio blues/rock do jornalista e músico Ayrton Mugnaini. Mas isso contamos melhor na… semana que vem, rsrs.

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FIM, ENFIM

E demorou dessa vez, fato. Mas é que o postão lindão e bombator (mais de quatrocentos likes!) sobre o Ira! ficou tão bacana que resolvemos deixar ele o mês inteiro de agosto no ar. Então colaê na semana que vem novamente que aí deverá ter novo post no blog campeão em cultura pop.

Até lá!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 19/8/2016, às 18hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL, falando do neo conservadorismo que está dominando a humanidade e do disco INÉDITO de David Bowie que vai ser lançado ainda este ano! – (e ainda:) O dia mundial do rock já passou (13 de julho) mas ainda em comemoração a ele o blog diz: bem-vindos ao grande e imbatível passado do rock’n’roll! Há trinta anos o mondo rocker tinha os Smiths na Inglaterra (lançando “The Queen Is Dead”) e os Titãs em seu auge no Brasil, lançando o também histórico, clássico e até hoje insuperável “Cabeça Dinossauro”, além de zilhões de outros motivos e bandas para se realmente comemorar a data; e hoje??? Mais terrorismo e sangue na França, com o caminhão da morte espalhando sangue e horror pelas ruas de Nice; a cultura brazuca, que já anda péssima das pernas, perde um gênio do cinema; e mais uma renca de assuntos no postão que custou pacas a chegar dessa vez mas que aí está, sempre com o rock’n’roll e a cultura pop em primeiro lugar (postão FINALIZADO em 23/7/2016)

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Dois nomes gigantes do rock’n’roll classe 1986: os Titãs (acima), hoje em franca decadência, lançaram há trinta anos sua obra-prima, “Cabeça Dinossauro”, um disco que merece ser relembrado nesse post; assim como os Smiths (abaixo) também legaram obras imortais para a história do rock, discos como não se fazem mais hoje em dia, infelizmente

by Stephen Wright, resin print, 1985

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ÚLTIMA, FECHANDO O POSTÃO: NOVO DISCO DO GÊNIO DAVID BOWIE A CAMINHO!

Yep. A notícia foi dada ontem (sexta-feira) e dá conta de que a nova coletânea póstuma do inesquecível Camaleão, vai se chamar “Who Can I Be Now (1974-1976)” e será lanaçada ainda este ano. E o mais importante: a compilação trará na íntegra o disco inédito “The Gouster”, que Bowie registrou ao mesmo tempo em que gravava “Young Americans”, lançado por ele em 1975.

É um período que corresponde ao auge da trajetória de Ziggy Stardust. Então deve vir parada musical ÓTIMA por aí. Vamos aguardar!

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O gênio David Bowie, em sua fase Ziggy Stardust: disco inédito a caminho

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O fim enfim do rock’n’roll.

Ou ainda, o dia em que o rock finalmente morreu, quase parafraseando o título do livro (“O dia em que o rock morreu”) lançado pelo chapa e grande jornalista André Forastieri, há dois anos. Pois após a comemoração de mais um Dia Mundial do Rock (que aconteceu anteontem, 13 de julho) Zap’n’roll reflete cada vez mais sobre um provável fim que JÁ SE ABATEU sobre o gênero musical mais popular, revolucionário e impactante surgido na metade final do século XX. Ele mesmo, o rock’n’roll, que já foi mega relevante em todos os sentidos possíveis (e não apenas no artístico mas principalmente no âmbito político e social da história contemporânea) e que desde o advento do novo milênio, da era da internet e do mundo totalmente globalizado e digitalizado/integrado por redes sociais e apps (muitos deles inúteis) parece ter mergulhado no fundo do abismo da superficialidade, da futilidade e da falta de criatividade e relevância cultural, social e política. Um mergulho sem volta, ao que parece. Papo de jornalista já velho, ranzinza e que passou dos cinqüenta anos de idade? De forma alguma: estamos em julho de 2016 e quando nos damos conta de que discos hoje já clássicos da história do rock, como “The Queen Is Dead” (do inesquecível e insuperável quarteto inglês The Smiths) ou “Cabeça Dinossauro” (dos brasileiros Titãs) estão completando três décadas de seu lançamento e que até hoje não foram superados qualitativamente por nenhuma banda ou lançamento discográfico da nova geração, aqui ou lá fora, não dá mesmo pra escapar da conclusão de que o esgotamento criativo chegou ao pop/rock planetário e que a era dos grandes grupos e dos álbuns clássicos chegou definitivamente ao fim. Pensem: quantos zilhões de grupos surgem e desaparecem com a velocidade de um meteorito nos dias atuais? Quantos emplacam apenas um hit por alguns meses (quando não apenas algumas semanas ou dias) pra depois desaparecer por completo sem deixar nenhum rastro ou saudade? Qual foi a última música que se tornou um hit clássico e duradouro na história recentíssima do rock? “Seven Nation Army”, lançada pelo já finado The White Stripes, há treze anos? Talvez… ou a popíssima e pegajosa “Pumped Up Kicks”, lançada pelo Foster The People (quem, a essa altura???) há cinco anos, que varreu o planeta em 2011 e ninguém mais se lembra dela pois já parece algo do século 19 e que já foi atropelada por milhares de outros hits mais fúteis, vazios e grudentos e cujas únicas serventias parecem ser fazer adolescentes descerebrados pularem em pistas de dança ou em shows, enquanto tiram selfies com os (as) amigos (as)? (abrindo parêntese um pouco mais longo: e pior são blogs de cultura pop que ficam caçando assunto em vários micro-posts diários sem repercussão alguma, falando com estardalhaço de nomes sem importância alguma dentro de um contexto musical SÉRIO e realmente de qualidade, como se esses nomes fossem salvar a humanidade com um peido bombástico e fedorento, né Popload? Aliás nem o bloguinho do nosso vizinho dear L.R. agüenta mais caçar tanta “novidade” irrelevante e sem importância alguma, isso em um esapço que primava por querer ser novidadeiro a todo custo). O autor destas linhas rockers bloggers, elas mesmas no ar já há quase década e meia, sempre defendeu que bandas de rock deveriam durar mesmo apenas o tempo necessário para legar uma obra gigante e inesquecível dentro da música mundial. Caso novamente dos Smiths, que duraram apenas cinco anos (de 1982 a 1987), gravaram quatro obras-primas em estúdio e deram adeus ao mundo sem dó nem piedade – tanto que a Inglaterra passou quase três décadas seguintes procurando o “novo” Smiths e nunca mais encontrou. O problema é que nos tempos atuais os conjuntos não duram absolutamente NADA. E os poucos que duram alguma coisa, nem em sonho conseguem legar um trabalho realmente estupendo do início ao fim e que algum futurólogo possa vaticinar que este trabalho irá se tornar um CLÁSSICO daqui a vinte ou trinta anos. Toda essa situação, enfim, é um tanto tristonha, melancólica. Talvez por isso que o blog zapper esteja ficando com cada vez mais desanimo e preguiça de atualizar seus posts, que demoram cada vez mais a serem renovados – não, não vamos cair mesmo na armadilha “poploader” e de outros blogs que também estão afundando, de querer caçar novidades diárias a qualquer custo e ainda mais onde elas estão cada vez mais indignas de serem mencionadas – yep, novos nomes continuam surgindo aos borbotões (e este espaço virtual escuta centenas deles diariamente na radio “new rock” da TV NET, no Spotify etc.), mas achar entre eles algum que valha realmente uma menção aqui é tarefa das mais ingratas atualmente. Por isso vamos caminhando como podemos nestas linhas online (que na real, talvez sejam extintas mesmo até o início de 2017, quando enfim pretendemos ter lançado o livro “Escadaria para o inferno – memórias de um jornalista junkie”). E falando do que realmente consideramos relevante. Como relembrar neste post que começa agora os trinta anos de “Cabeça Dinossauro”, dos Titãs. Um disco imbatível até hoje. E de uma época inesquecível e igualmente imbatível do rock BR, os anos 80’. Uma época que não irá mais voltar. Ainda mais nos tempos atuais, medíocres, reacionários, conservadores e com pessoas cada vez mais ignorantes, intolerantes e bestiais espalhadas pelos quatro cantos deste triste planeta chamado Terra.

 

  • E apenas pra reforçar o que está escrito aí em cima, no editorial de abertura do post – inclusive poderia ser uma piada ou um texto engraçado esse pra abrir as notas iniciais. Mas na real corrobora e revela apenas UM dos lados trágicos da FALÊNCIA artística e qualitativa que dominou a música brasileira de hoje, o rock nacional em particular. Como jornalista musical que somos (há trinta anos), volta e meia recebemos e-mails de assessorias de imprensa, divulgando artistas e eventos como shows, lançamentos de discos e vídeos etcs. Pois bem, alguns dos últimos que recebemos esta semana (de uma assessoria de resto legal, que trabalha com a cena mais underground e cujo assessor também é um sujeito simpático e sempre prestativo com os jornalistas) nos deram a certeza de que o rock BR dos anos 2000’, mesmo o mais alternativo, está mesmo no fundo do poço. Um dos e-mails divulga as datas da edição deste ano do Matanza Fest, festival já promovido pelo grupo carioca Matanza há alguns anos. O blog zapper sempre DETESTOU o Matanza, banda escrota, machista, sexista e com letras que fariam corar um adolescente com QI de ostra. E como se não bastasse, começamos a prestar atenção nos outros grupos que irão tocar no mesmo festival (em Sampa, pros interessados, ele acontece em 17 de julho agora). No show na capital paulista estarão, ao lado do headliner pavoroso, o Cólera (Cólera sem o grande e saudoso Redson??? Temerário…) e o Zumbis do Espaço (que era ok há anos atrás e sinceramente não sabemos como está atualmente). E nas outras cidades por onde o festival vai passar? No Rio uma das bandas que vai tocar se chama MONSTROS DO ULA ULA. Isso mesmo, você não leu errado: Monstros do Ula Ula. O que ESPERAR de um grupo com um nome ridículo a esse nível? Tem mais. Outro e-mail da mesma assessoria informa que a banda MUQUETA NA OREIA (!!!) anuncia a pré-produção do seu novo disco. Wow! Uma notícia que vai causar uma REVOLUÇÃO/TERREMOTO no rock nacional! Fora que o grupo (veja bem: ele se chama Muqueta na Oreia) é descrito no referido e-mail como uma das “grandes e surpreendentes revelações do cenário do rock/metal nacional”. Jezuiz… Pobres anos 2000’. Nos anos 80’ tivemos Ira!, Legião Urbana, Titãs, Plebe Rude, Ultraje A Rigor, Violeta De Outono, Replicantes, Barão Vermelho. Hoje temos Matanza, Monstros do Ula Ula e Muqueta na Oreia. Ainda é preciso dizer algo mais sobre a MORTE do rock’n’roll aqui e lá fora?

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Muqueta na Oreia, uma das novas, hã, “sensações” do rock BR atual; pobre de nossas orelhas… rsrs

 

  • Bien, de qualquer forma e pra quem é fanático por datas comemorativas tivemos mais um Dia Mundial do Rock. Uma bobagem sem tamanho, claro, e que Zap’n’roll sempre considerou a maior babaquice – rock se vive todos os dias e não em apenas UM DIA da sua vida ou ano. Houve como sempre programações especiais em emissoras de rádio e TV (os canais pagos Brasil e Bis mostraram boas atrações especiais) e bla bla blá. MAS rolou algum evento ao vivo e específico em Sampa, por exemplo, que fosse digno de registro? O blog não ficou sabendo de nenhum…

 

 

  • Digna de nota, infelizmente, foi a notícia da morte ontem (em São Paulo) do cineasta Hector Babenco, de quem estas linhas virtuais eram fãs incondicionais. O diretor que nos legou obras-primas como “Pixote”, “O beijo da mulher aranha” e “Carandiru”, sofreu um ataque cardíaco e se foi aos setenta anos de idade. E assim a cultura nacional fica ainda mais pobre do que já está. Rip, Hector.

 

 

  • Digno de nota, II: “vovô” Mick Jagger continua em plena forma sexual e PAUZUDO aos quase setenta e três anos de idade, uia! Foi divulgado na tarde de hoje que o vocalista da eterna maior banda de rock de todos os tempos (os Rolling Stones, quem mais?) vai ser PAI pela OITAVA vez. A futura mamis é sua atual namorada, a bailarina americana Melanie Hanrick, de vinte e nove aninhos de idade. Ulalá, Mick!

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O novo XOXOTAÇO moreno que mr. Mick Jagger está TRAÇANDO (uia!); o vovô dos Stones acaba de engravidar a moça, uia!

 

 

  • Já na França o terror atacou novamente, com o caminhão da morte matando (até agora) oitenta pessoas nas ruas de Nice. A bestialidade humana chegando ao seu limite. E você aí, achando que o rock de hoje vai mudar algo no mundo…

 

 

  • O bandido e pilantra evangélico Eduardo Cunha começou a ser finalmente EJETADO da Câmara dos Deputados, com o próprio pedindo sua renúncia ao cargo de presidente da casa, na semana passada. E ontem seus últimos recursos contra o pedido de cassação do seu mandato foram rejeitados pela CCJ da Câmara. Óbvio que ainda não há muito a comemorar pois haverão MANOBRAS articuladas para SALVAR o mandato de um dos maiores mafiosos da política brasileira, alguém duvida? A saída definitiva para nos livrarmos dessa PRAGA seria ele ter de fato seu mandato CASSADO pelos colegas (o que parece difícil, mas não impossível) e ainda condenado pelo STF, pra ir passar um bom tempo na cadeia. Mas vamos aguardar o desenrolar dos próximo capítulos desta já looooonga e dantesca novela.

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Vai logo pro inferno, Cunha!

  • IMAGEM BACANUDA DA SEMANA – um casal rocker jovem e estiloso. Ele, vinte e dois anos de idade, fã de Arctic Monkeys e poesia. Ela, vinte e um, fã de Radiohead. Ambos baristas e já moram juntos. Foram descobertos ao acaso no metrô de Sampa pelo blog, que ficou encantado com o visual e a simpatia deles. Então tá aí: Jr. e Julia. Um casal rock’n’roll, sem dúvida!

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  • E ainda sobre o canal Bis: ele andou reprisando nas madrugadas desta semana que está chegando ao fim os episódios do documentário “London Calling – The Untold Story Of British Pop Music”, que foi levado ao ar originalmente pela emissora há dois anos – e naquela época estas linhas online perderam a exibição. Pois foi emocionante recordar, na madrugada de ontem, histórias sobre a cena musical de Manchester nos anos 80’, sobre como se desenvolveram selos com a célebre Factory Records e bandas como Joy Division, The Smiths e Happy Mondays. Tudo pontuado por depoimentos e entrevistas com produtores e jornalistas que contextualizam muito bem a importância social e cultural e o ambiente em que o pós-punk inglês se formou. Para nos darmos conta mais uma vez de que, sim, não haverá mais bandas iguais. E que aquela foi uma das últimas grandes gerações do rock mundial.

 

 

  • Teve showzaço do Saco de Ratos semana passada, no Centro Cultural São Paulo. Quinteto de blues/rock já com quase uma década de existência (foi formado em 2007) e liderado pelo escritor e dramaturgo Mario Bortolotto (nos vocais), o SDR está cada vez melhor e mais afiado no palco (fora que a ambiência acústica do teatro do Centro Cultural São Paulo sempre realça pra caralho a qualidade e a potência musical de uma grande banda ao vivo). As guitarras de Fabio Brum e do japa Marcelo Watanabe estão mais entrosadas e dinamicas do que nunca, e a “cozinha” formada pelo baixista Fabio e pelo batera Rick segura tudo com precisão e peso. As letras escritas e cantadas por Marião são o que os fãs do grupo já sabem: a melhor tradução “bukowskiana” para um universo povoado por marginais, desajustados sociais, boêmios, putas, putos, beberrões e todos aqueles que a sociedade “normal” costuma rejeitar. Foi showzão enfim, gratuito e além disso o blog percebeu que o quinteto está atraindo cada vez mais uma legião de xoxotões gostosíssimos às suas sempre mega animadas gigs. Não foi e perdeu? Sem problema: esses velhacos rockers e blueseiros estão sempre fazendo alguma apresentação pelo circuito de bares alternativos (ou do que resta deste circuito) da capital paulista. Quer saber mais sobre eles? Vai aqui: https://www.facebook.com/BANDA-SACO-DE-RATOS-121151831228419/.

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A turma blueseira do Saco De Ratos (acima) fez showzaço semana passada em Sampa; após a gig o blog se encontra com seu brother e chapa de alguns goles, o grande Mário Bortolotto (abaixo)

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  • Quem está de volta pela milésima vez é o já jurássico gigante indie Pixies. O quarteto do gordão Black Francis anunciou nos últimos dias o lançamento do seu novo álbum de estúdio. “Head Carrier” chega às lojas em setembro e sucede o bom “Indie Cindy”, editado há dois anos. A questão é: o quarteto deixou sua marca inquestionável nos anos 90’ e influenciou até o Nirvana. Mas quase trinta anos depois já ostenta um incômodo odor de anacronismo em seu som. E fica a questão: alguém ainda se importa realmente com os Pixies?

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Na buena: alguém ainda se importa com os Pixies?

 

 

  • Goodbye, I: o baixista Cliff Williams já avisou: vai se aposentar e deixa seu posto no AC/DC assim que acabar a atual turnê do velhão combo hard australiano. Pelo jeito, já passou da hora de a turma liderada por Angus Young pendurar as guitarras.

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O velho Cliff Williams pede pra sair e deixa o posto de baixista do já jurássico AC/DC: está na hora da banda se aposentar, não?

 

 

  • Goodbye, II: quem também anunciou que está tirando o time de campo é o guitarrista Nick McCarthy, que ajudou a fundar o Franz Ferdinand. A banda vai continuar sem ele mas na real o FF deve até hoje um álbum à altura de sua estréia, em 2004.

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Franz já não é mais um quarteto, com a saída de seu guitarrista

 

  • O retorno da baleia branca: Guns N’Roses tocam no Brasil em novembro, com sua formação “clássica” (???). Numa palavra: desecessário.

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Guns toca em novembro no Brasil, com sua formação “clássica” (hã?); desnecessário…

 

  • Bien, bora lá. Com postão novão finalmente entrando no, vamos relembrar os trinta anos de um dos mais importantes discos de toda a história do rock brasileiro. Ele mesmo, “Cabeça Dinossauro”, dos Titãs e sobre o qual falamos melhor a partir de agora, aí embaixo.

 

JUNHO/JULHO s DE 1986 – HÁ TRINTA ANOS O GRANDE ROCK BR ATINGIA UM DE SEUS AUGES COM “CABEÇA DINOSSAURO”, DOS TITÃS

O tempo anda voando de anos pra cá. Parece que foi ontem que um dos mais fundamentais e essenciais discos de toda a história do rock BR foi lançado e que o então jovem jornalista zapper (iniciando-se na profissão de repórter musical) vivia escutando o mesmo no volume máximo no quarto do pequeno apartamento em que morava, na rua Frei Caneca (na região central da capital paulista). Mas na realidade já se passaram trinta anos do lançamento do sensacional “Cabeça Dinossauro”, o disco que marcou o auge da trajetória do hoje totalmente decadente grupo paulistano Titãs. O álbum foi lançado especificamente em junho de 1986 . Mas mesmo já estando em julho e por tudo o que ele significou para o rock nacional, para os fãs e para a própria banda e continua significando, é mais do que justo e necessário relembrarmos e falarmos dele neste post de Zap’n’roll.

Para chegarmos ao disco em si e entender os motivos que levaram o então octeto Titãs a conceber o trabalho da forma como ele foi concebido, é preciso retornar no tempo mais de três décadas e recordar a existência do conjunto desde seu início. Formado por um grupo de amigos músicos que estudavam no colégio Equipe (um dos mais prestigiados da capital paulistana nos anos 70’), os Titãs a princípio se chamavam Titãs do IeIeIê. E estrearam oficialmente em um grande palco profissional em setembro de 1982, no SESC Pompeia, em Sampa. Nos dois anos seguintes o conjunto (formado por OITO músicos e vocalistas) abreviou seu nome apenas para Titãs, foi burilando seu material musical e enfim conseguiu um contrato com o selo Wea (atual Warner Music), onde estrearam em disco em agosto de 1984, com um álbum homônimo. Era um disco bastante pop e que logo emplacou nas rádios a música “Sonífera Ilha”. Razoavelmente bem recebido pela crítica, não vendeu o que a gravadora esperava. Assim mesmo, no ano seguinte, o octeto entrou em estúdio novamente. Desta vez para registrar o LP “Televisão”. É o trabalho que marca a primeira mudança na formação da banda, com a saída do batera André Jung (em seu lugar entrou Charles Gavin), que foi tocar no Ira! Produzido por Lulu Santos, é também o disco que dá mais um hit para o grupo, a faixa-título que estoura nas rádios do Brasil inteiro – além dela também teve boa execução a faixa “Insensível”. Com letra escrita pelo vocalista Arnaldo Antunes (e também cantada pelo próprio), a faixa-título fazia uma inteligente e sagaz crítica ao então maior meio de comunicação de massa do mundo, a TV. E já desvelava que Antunes iria se projetar, ao longo da carreira do conjunto, como um de seus principais e melhores compositores.

“Televisão” melhorou a posição do grupo no rock nacional e dentro da gravadora Wea. Mas ainda faltava ALGO que transformasse os Titãs em uma mega banda, tanto na questão do potencial comercial quanto na aceitação integral pelo público e imprensa. E esse “algo” começou a se desenhar quando o grupo iniciou os preparativos para a gravação de seu terceiro álbum de estúdio. Ao mesmo tempo em que o conjunto pensava a formatação de seu novo trabalho, uma turbulência e nuvem negra inesperada se abateu sobre ele: no final de 1985 o guitarrista Tony Bellotto e o vocalista Arnaldo Antunes foram presos por porte (Tony) e tráfico (Arnaldo) de heroína, que ambos consumiram no apartamento onde residia o vocalista. Quando estava indo para a sua casa, de táxi, Tony foi parado em uma blitz policial. Pego ainda com uma pequena quantidade da droga e pressionado pelos policiais sobre onde a tinha conseguido, o guitarrista acabou confessando que Antunes havia lhe passado o entorpecente. Foram ambos encaminhados a um distrito policial e ao abrir o inquérito sobre o caso o delegado entendeu que Antunes, por ter fornecido a heroína ao seu companheiro de banda, deveria ser enquadrado como traficante. Tony Bellotto pagou fiança e foi libertado quase imediatamente. Já Arnaldo Antunes amargou cerca de trinta dias em cana, sob protestos dos fãs e da classe artística em geral, que se mobilizou pela sua soltura. Quando Arnaldo enfim conseguiu o relaxamento de sua prisão, os Titãs estavam bastante abalados com o episódio. E foi justamente este abalo emocional o principal combustível e motivo para que o novo trabalho de estúdio saísse como saiu.

“Cabeça Dinossauro” foi lançado quase no final de junho de 1986 e começou a bombar algumas faixas em rádio já em julho. O disco era uma cacetada e abordava temas e tocava em feridas que sempre incomodaram a sociedade “normal” (e que incomodam mais ainda atualmente, dado o processo de conservadorismo e retrocesso comportamental e moral que está se verificando no mundo todo). Com uma abordagem sonora muito menos pop que nos dois primeiros discos e investindo pesado em guitarras algo punk, além de melodias barulhentas, dançantes e aceleradas (tudo cortesia do produtor Liminha, que mudou muitas das concepções musicais do conjunto e ampliou seus horizontes a ponto de, durante muito tempo, ser chamado de “o nono titã”), o grupo atacava instituições como a igreja (na faixa do mesmo nome) e a polícia (idem, mesmo nome), além de desancar o estilo de vida e o comportamento médio das pessoas que viviam na sociedade “normal” – e aí temos obras-primas e polaróides instantâneos do que é a vida da grande maioria das pessoas em faixas como “Homem primata”, “Estado violência”, “Tô cansado” e “Porrada”. Era como se a banda quisesse gritar para o mundo seu inconformismo com as prisões (no final das contas desnecessárias, visto que os envolvidos no caso não eram bandidos perigosos mas, sim, artistas) de dois de seus integrantes e manifestar sua posição contra as arbitrariedades de uma sociedade moralista e dominada por preconceitos e conceitos comportamentais arcaicos.

CAPATITAS1986

“Cabeça Dinossauro”, a obra-prima dos Titãs: lançado em junho/julho de 1986, vendeu rapidamente trezentas mil cópias e passou a ter várias músicas tocando sem parar nas rádios, mesmo com sonoridade agressiva e falando de temas espinhosos e atacando instituições como a igreja e a polícia

 

O que ninguém imaginava era que um álbum com esse viés textual e barulhento como ele era, que abordava e atacava temas espinhosos e as convenções sociais caretas (e que, justamente por tudo isso, era considerado “difícil” pela gravadora) se tornasse um estouro de vendas e execução em rádio.

Pois foi exatamente o que aconteceu, para espanto da Wea e da própria banda. Músicas como “Aa Uu”, “Polícia” e “Bichos escrotos” invadiram as rádios e começaram a tocar sem parar. Em pouco tempo “Cabeça Dinossauro” chegava a trezentas mil cópias vendidas (a maior vendagem do grupo até então) e o grupo passou a lotar seus shows, tocando em espaços para até cinco mil pessoas. Ao longo dos meses seguintes o trabalho iria receber diversos prêmios de associações de críticos e jornalistas e a agenda de apresentações lotou: todo mundo queria ver os Titãs ao vivo e pular ao som das porradas sonoras contidas em “Cabeça Dinossauro”.

Foi a consagração e o auge dos Titãs, que estavam ainda apenas em seu terceiro álbum de estúdio. O que veio daí em diante é bastante conhecido. “Jesus não tem dentes no país dos banguelas”, editado em 1987, era uma espécie de “continuação” de “Cabeça Dinossauro”, mas sem o mesmo impacto de seu antecessor. “Go Back”, que saiu em 1988, era um disco ao vivo sem muito brilho. A banda voltou a experimentar o sucesso combinado com grande qualidade artística em “Õ Blésq Blom”, lançado em 1989 e que recebeu novamente aprovação unânime da crítica e teve boa execução de algumas de suas músicas nas rádios. A partir daí começaram as debandadas na formação titânica: Arnaldo Antunes é o primeiro a sair em 1992, logo após o grupo soltar “Tudo ao mesmo tempo agora” um ano antes. “Titanomaquia” (1993, pesadíssimo e considerado o disco “grunge” do agora septeto) e “Domingo” (1995) são talvez os últimos trabalhos dignos de nota na trajetória de um dos mais importantes nomes do rock BR dos anos 80’. Mesmo assim em 1997 o grupo, já entrando em curva artística descendente, obteve seu maior sucesso comercial com o lançamento do “Acústico MTV – Titãs”, que até hoje vendeu mais de um milhão de cópias. Mas nem isso impediu a derrocada qualitativa do conjunto e nem a saída de mais integrantes. Em junho de 2001 o guitarrista Marcelo Frommer foi atropelado e morto por uma moto equanto fazia exercícios e caminhada perto de sua casa. E pouco mais de um ano depois era a vez de o baixista Nando Reis pedir pra sair. O quinteto remanescente permaneceu junto até 2010 quando foi a vez do baterista Charles Gavin pedir a conta (em seu lugar entrou Mario Fabre, que permanece até hoje). E na última segunda-feira quem também anunciou sua saída foi o multiinstrumentista e vocalista Paulo Miklos, após permanecer trinta e cinco anos nos Titãs. Em seu lugar entrou Beto Lee, filho de Rita Lee. E da formação original restam apenas o guitarrista Tony Bellotto, o vocalista Branco Mello e o tecladista Sérgio Brito.

Com mais de três décadas de existência e sem lançar nada digno de nota há pelo menos vinte anos (pelo contrário: CDs como “Volume II”, de 1998, “As dez mais”, de 1999, “Como estão vocês?”, de 2003, “Sacos Plásticos”, de 2009, e “Nheengatu”, que saiu em 2014, são uma vergonha total para um grupo que um dia causou um terremoto no rock brasileiro com apenas três discos lançados), é muito óbvio que os Titãs, reduzidos a um trio original (com dois músicos os acompanhando) e definhando a olhos vistos, deveriam ter simancol e acabar definitivamente com sua trajetória, que já está pra lá de indigna de quinze anos pra cá. Mas alguém já disse que pouquíssimas bandas sabem a hora exata de parar (como o REM soube, por exemplo). E os Titãs já deram mostras de que perderam o timing para encerrar com dignidade sua carreira. Uma carreira que já foi sim gloriosa. E que deixa para sempre um disco imbatível, irrepreensível, já clássico e imortal como é “Cabeça Dinossauro”.

 

“CABEÇA DINOSSAURO” AÍ EMBAIXO

Para ser ouvido na íntegra.

 

TRÊS LETRAS DE UM DISCO DE 1986 E QUE PERMANECEM MAIS ATUAIS DO QUE NUNCA

 

“Polícia”

Dizem que ela existe pra ajudar
Dizem que ela existe pra proteger
Eu sei que ela pode te parar
Eu sei que ela pode te prender
Polícia! Para quem precisa!

Polícia! Para quem precisa de polícia!

Polícia! Para quem precisa!

Polícia! Para quem precisa de polícia!
Dizem pra você obedecer
Dizem pra você responder
Dizem pra você cooperar
Dizem pra você respeitar
Polícia! Para quem precisa!

Polícia! Para quem precisa de polícia!

Polícia! Para quem precisa!

Polícia! Para quem precisa de polícia!

 

“Igreja”

Eu não gosto de padre
Eu não gosto de madre
Eu não gosto de frei.
Eu não gosto de bispo
Eu não gosto de Cristo
Eu não digo amém.
Eu não monto presépio
Eu não gosto do vigário
Nem da missa das seis.
Eu não gosto do terço
Eu não gosto do berço
De Jesus de Belém.
Eu não gosto do papa
Eu não creio na graça
Do milagre de Deus.
Eu não gosto da igreja
Eu não entro na igreja
Não tenho religião.

 

“Estado Violência”

Sinto no meu corpo
A dor que angustia
A lei ao meu redor
A lei que eu não queria

Estado violência
Estado hipocrisia
A lei que não é minha
A lei que eu não queria

Meu corpo não é meu
Meu coração é teu
Atrás de portas frias
O homem está só

Homem em silêncio
Homem na prisão
Homem no escuro
O Futuro da nação

Homem em silêncio
Homem na prisão
Homem no escuro
O Futuro da nação

Estado violência
Deixem-me querer
Estado violência
Deixem-me pensar
Estado violência
Deixem-me sentir
Estado violência
Deixem-me em paz

Estado violência
Deixem-me querer
Estado violência
Deixem-me pensar
Estado violência
Deixem-me sentir
Estado violência
Deixem-me em paz

Estado violência
Deixem-me querer
Estado violência
Deixem-me pensar
Estado violência
Deixem-me sentir
Estado violência
Deixem-me em paz

 

HISTÓRIAS RÁPIDAS E SELVAGENS DE SEXO, DROGAS E ROCK’N’ROLL: OS TITÃS, OS ANOS 80’/90’ E O JOVEM JORNALISTA ZAPPER NA VIDA ROCKER LOKA, AO SOM DA BANDA

  • Zap’n’roll não se lembra exatamente como e quando conheceu o som dos Titãs. Mas já curtia a banda antes de começar sua trajetória como jornalista musical profisional. Foi talvez por volta de 1985 que o então aspirante a repórter musical comprou, na extinta loja Devil Discos (na Galeria Do Rock, no centrão de Sampa), o LP “Televisão”, segundo lançamento da discografia titânica. Finaski gostava do disco mas não morria de amores por ele. Quando “Cabeça Dinossauro” saiu, em junho do ano seguinte (justamente na época em que o autor deste blog começou a fazer suas primeiras colaborações para publicações musicais), tudo mudou e foi paixão louca e instantânea pelo LP à primeira audição. “Cabeça…” literalmente virou a cabeça do jovem repórter e chapou o côco dele, que não perdeu tempo em ir atrás de credenciamento para assistir ao show de lançamento do trabalho, que aconteceu em agosto de 1986 na “lona de circo” que era o ProjetoSP, um dos espaços para gigs então mais badalados da capital paulista na época. E que ficava a menos de duzentos metros de onde o zapper morava (na rua Frei Caneca, atrás da rua Augusta e onde ficava o ProjetoSP). A “lona” lotou na noite do show e quase veio abaixo com a empolgação do público. Zap’n’roll, com seus ainda jovens vinte e três anos de idade, saiu literalmente morto da apresentação.

 

  • Daí em diante o jovem jornalista também foi crescendo em sua profissão e sempre que possível, ia a um show dos Titãs. Veio seu casamento, seu filho, o início das colaborações para a revista Somtrês, a contratação como repórter na editoria de cultura da revista IstoÉ. E entrou em cena também a cocaína e a paixão algo avassaladora do autor deste blog pelo pó branco. Bocetas loucas e calhordas também começaram a surgir aos borbotões na vida do jornalista já a essa altura bastante alucicrazy. Seu casamento foi pro saco por conta desses detalhes. Mas o gosto pelo som dos Titãs permaneceu inalterado.

 

  • Entre 1990/1993, durante as turnês de “Õ Blésq Blom”, “Tudo ao mesmo tempo agora” e “Titanomaquia”, Zap’n’roll assistiu a pelo menos uns cinco shows da banda no período. Em um deles, num ginásio do Ibirapuera (em São Paulo) LOTADO (com quinze mil pessoas lá dentro), o zapper doidão não parou de pular a gig inteira. Quase ao final dela, deu um pulo máster e se desequilibrou (estava com uma bota de couro de salto razoavelmente alto), torcendo o pé direito. Teve que sair do ginásio CARREGADO pelas irmãs Silvia e Sueli Ruksenas. E em seguida ficou de molho três dias em casa, sem poder andar.

 

  • Já em 1993 o autor deste blog e que havia terminado seu casamento um ano antes, namorava com a XOXOTUDÍSSIMA crioula Greta. Ele, trinta e um anos de idade; ela, dezoito. Um bocetaço de mamicaços gigantes e que era uma cadela em grau máximo na hora da foda (quando disparava frases como “seu cavalo, seu cachorro! Me FODE, VAI!”), era fã de rock’n’roll (adorava Doors e Smiths), de maconha, queria fazer faculdade de Letras (e acabou se formando no  curso, na USP) e… não podia beber muito que se transformava em um autêntico exu. Não deu outra: separado da ex-mulher e dividindo um apê com o amigo Felipe Britto na avenida 9 de julho (também no centrão de Sampa), o jornalista namorado do bocetão preto e crazy, armou uma autêntica “caranava do delírio” (expressão criada pelo saudoso Ezequiel Neves) para ir ver um show dos Titãs (dentro da turnê do LP “Titanomaquia”) na extinta casa Olympia (que ficava no bairro da Lapa, zona oeste de Sampa e que era outra das mais badaladas casas de espetáculos musicais da época na cidade). Reuniu Greta e uma turma de amigos no apartamento e lá fez um “esquenta” pra gig, regada a uma garrafa de whisky. Pois eis que miss Greta encheu um copo descartável até a boca e querendo dar uma de fodona, virou o mesmo de uma vez. A big shit estava armada: no meio do caminho para o Olympia a negona simplesmente DESMAIOU na rua e não tinha mais como ir para o show. O zapper ficou absolutamente puto e desesperado. Sem saber o que fazer, pediu a dois dos amigos que o acompanhavam: “peguem um táxi e a levem pra casa, aqui está a chave e grana pro táxi. E depois voltem. Eu não posso perder o show pois estou credenciado e bla bla blá”. Eles atenderam o pedido. Foram, deixaram Greta “confortavelmente” instalada na cama do jornalista e rumaram novamente pro Olympia. O show foi fodástico como de costume (sempre era, naquele tempo) e a surpresa veio quando Zap’n’roll voltou pro apartamento e foi rapidamente ver como estava sua namorada maluca. Ela estava bem e dormindo na cama. Só que… totalmente PELADA! E como ela estava absolutamente desacordada quando foi deixada no apê, permanece até hoje a dúvida: quem teria TIRADO A ROUPA da crioulaça putaça, ela mesma ou… os “amigos” (mui amigos…) do zapper? Uia!

CAPAREVISTAZORRATITAS

  • Os Titãs no auge de sua carreira estrelam a capa da primeira edição da revista Zorra, especializada em rock nacional, em 1987; foi também nessa revista que Zap’n’roll escrevia algumas de suas primeiras matérias musicais
  • Ainda em 1993 o já trintão jornalista rocker estreou como repórter de música da edição brasileira da célebre revista americana Interview – e nela permaneceu até 1996, quando a publicação deixou de circular. Sua primeira entrevista publicada na revista (que era o emprego dos sonhos de qualquer jornalista: ótimo salário, viagens de avião pra tudo quanto era canto, rodadas de whisky oito anos na redação ao final do expediente, portas abertas para festas, coquetéis etc, etc, etc, bastava ligar dizendo que era da redação da Interview que o convite saía no mesmo instante em que era pedido) foi justamente com os Titãs. E curiosamente a matéria derradeira de Finaski na revista também foi com a banda, em 1995, quando ela estava lançando o álbum “Domingo”.

 

  • Em uma das sessões de entrevista para esta matéria, realizada no estúdio paulistano Be Bop (onde o grupo estava gravando o disco “Domingo”), Zap’n’roll conheceu ELA! Quem? Laura, outro BOCETAÇO moreno, cabelos longos e que com apenas vinte e um aninhos de idade já trampava no estúdio, como técnica auxiliar de gravação. Ao ver aquele monumento na sua frente o jornalista sempre paquerador não se conteve: ao final da entrevista foi puxar papo com a garota. Ela lhe ofereceu um café, prontamente aceito. Ambos começaram a falar de música, de rock, de jornalismo. Ela era fã de… PJ Harvey, a deusa inglesa que era e é até hoje uma das paixões musicais do autor destas linhas bloggers/lokers e sempre repletas de histórias saudosas para serem resgatadas aqui. O coração zapper começou a bater mais forte pela moçoila. Os dois trocaram telefones (não havia internet naquela época, nem celulares ou redes sociais; era tudo mais sincero, real, elegante e romântico) e marcaram um encontro para a noite seguinte. Laura foi até a kit onde Finaski a essa altura estava morando (no mesmo prédio em que já havia morado em 1993, na avenida 9 de julho). E lá a dupla passou a noite TREPANDO furiosamente e depois CHEIRANDO cocaine (que a própria garota tinha levado pois ela também apreciava o “esporte”, wow!). Óbvio que o zapper se apaixonou pela boceta “perfeita”: rocker, fã de PJ Harvey e de padê, além de ótima foda na cama. E também por conta dessa paixão, óbvio que o jornalista sempre grudento e carente com suas paixões, começou a SUFOCAR a moça. O resultado foi o esperado: ela foi se afastando aos poucos, até que ambos perderam totalmente o contato. E o repórter musical  nunca mais soube do xoxotaço que ele conheceu em uma bela noite num estúdio de gravação, após entrevistar os Titãs.

 

  • Mas antes que Laurinha sumisse de vez, ela ainda acompanhou Zap’n’roll em uma gig dos Titãs no velho ginásio do Ibirapuera, na turnê do disco “Domingo”. Nessa época e por conta das entrevistas que haviam sido publicadas na Interview, o autor deste espaço online estava razoavelmente próximo do grupo. Foi assim que, show encerrado, ele e Laura foram parar no camarim dos Titãs – que estava cheio pra caralho. Lá pelas tantas o zapper sempre atento percebeu Marcelo Frommer e Branco Mello se dirigindo apressados para um dos BANHEIROS do camarim. Entraram nele e trancaram a porta. O jornalista cara-de-pau foi atrás e começou a bater na porta, dizendo: “também quero!”. Frommer abriu, Finaski entrou e disse: “põe um risco pra mim!”. Branco: “Não!”. Finaski: “Sim!”!. Frommer interveio: “porra, vamos por um risquinho pro Finatti, rsrs”. Aí foram esticadas TRÊS carreiras de cocaine no TAMPO do sanitário. E quando o blogger loker foi cheirar a sua, Branco cantarolou: “É dia de Finatti/Nem precisava tanto!”. Uia!

 

  • O último show que o blog assistiu da banda foi no final de 1995, numa das festas de aniversário da 89fm (a rádio rock, que existe até hoje). Desde então perdeu o contato com os integrantes dos Titãs e nunca mais assistiu a uma gig deles. Nem sentiu falta: com o grupo definhando aos poucos e lançando discos cada vez piores, o zapper preferiu e prefere guardar em sua memória a melhor fase do conjunto e seus momentos de glória, tanto em disco quanto ao vivo. E ambas as fases duraram, no máximo, até 1995. Agora, só escombros titânicos e só ótimas lembranças aqui, de um tempo que não vai voltar nunca mais.

 

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O NEO CONSERVADORISMO MUNDIAL – INCLUSIVE NA CULTURA POP

O que escrever e publicar neste blog, quando o mundo está tão eivada de opiniões preconceituosas, de moralismo hipócrita, de intolerância e conservadorismo expostos sem nenhum pudor ou temor? O que escrever nesta já noite de sábado (quando o post está finalmente sendo finalizado), quando se mora em uma das capitais com população mais reacionária de um país (o Brasil) já ele mesmo cada vez mais reacionário e bestial, além de inculto e ignorante? O neo conservadorismo escroto está dominando e ACABANDO com o mundo inteiro e em todas as instancias da existência humana – inclusive na cultura pop, na música, no outrora revolucionário e ultra transgressor rock’n’roll.

Você acha que não e que isso é papo de um jornalista já tiozão (o autor destas linhas virtuais), ranzinza e rabugento e que está com 5.3 já pesando nas costas? Então tomemos dois exemplos que já há alguns dias vem fustigando nossos pensamentos. Um deles é Pepeu Gomes. Sim, o véio Pepeu, que nem de longe nunca foi um primor como CANTOR, mas é um dos MELHORES GUITARRISTAS da história da música brasileira. Pois então: há mais de trinta anos (em 1983, mais exatamente), Pepeu lançou um disco solo cuja faixa-título se chamava “Masculino & Feminino”. E em cuja letra ele fazia uma alegre e inflamada elegia/apologia da diversidade sexual, quando isso nem era assunto muito recorrente na MPB. Mas a música fez sucesso naquela época justamente por não ser um tema muito explorado até então. E também porque a massa de OUVINTES de música de então era muito menos burra e careta do que o populacho dos tempos atuais.

O outro exemplo: o amado e inesquecível Renato Russo, que morreu em outubro de 1996 (lá se vão quase vinte anos…), pondo fim à Legião Urbana (um dos maiores e melhores grupos do rock nacional em todos os tempos) e nos deixando todos órfãos para sempre. Pois sete anos antes de se mandar desse mundo cada vez mais cuzão em todos os sentidos, Renato gravou “Meninos & Meninas” (no álbum “As Quatro Estações”, lançado em 1989), que também era um libelo sensacional sobre o direito de um ser humano ter de gostar de… garotos e garotas. A letra era fantástica, a música mais ainda e ela tocou horrores nas rádios naquela época, além de ser cantada em coro pelas multidões que iam aos shows da banda – e o blog ESTEVE PRESENTE em muitos desses shows.

Aí vem a pergunta: qual artista brasileiro (seja ele de MPB, axé, pagode, forró, funk, sertanojo, a puta que o pariu que for) aborda com coragem e ousadia algum tema POLÊMICO em suas canções nos dias atuais? Pagodeiros e sertanejos cretinos compõem sobre o que todos já estão carecas de ouvir (e parece que a massa tigrona não se cansa de ouvir isso): dor-de-corno, a gostosa que deu uma bota na bunda do machinho playba e por aí vai. Axezeiros: não sabem falar de outro tema a não ser exaltar a alegria de ser baiano, tudo com português sofrível, claro. Funkeiros (as)? Quando não é uma besta quadrada como a tal Anitta (que é um bocetão, reconheça-se) exaltando o poder feminino através de letras ginasianas, é o funkão proibidão tecendo vassalagem interminável à bandidagem. E nem vamos falar aqui de debilidades mentais como “Metralhadora”, “Tá tranqüilo, tá favorável”, “Gordinho gostoso” e outras aberrações que estouraram nas rádios e viralizaram na web (no YouTube) nos últimos meses ou anos. É fedor cultural/sonoro demais entupindo nossas pobres narinas e ouvidos.

LEGIAOURBANA

A inesquecível Legião Urbana: cantando a diversidade sexual em “Meninos & Meninas”, em um tempo em que o mundo era menos reacionário e careta

Vai mal o ser humano e a cultura da humanidade. Vai mal, não: vai péssima e a arte talvez esteja mesmo no fundo do abismo e com seus dias contados. A nós só restará se resignar com o fato de que não irão surgir mais outro Bob Dylan, outro Jimi Hendrix, outro Jim Morrison, outro Lou Reed, outro Bowie, outro Chico Buarque, Caetano, Gil, Gal, Elis ou mesmo (para sermos, hã, mais recentes e contemporâneos) outro Morrissey, Ian Curtis, Cazuza ou Renato Russo.

E todo esse desmantelamento artístico da cultura pop em geral e da música (e do rock) em particular, nada mais é do que o reflexo de uma humanidade que se tornou isso mesmo: ignorante, inculta, intolerante, burra e bestial. E isso num mundo dominado por alta tecnologia e globalizado pela informação ultra veloz, conectando todo mundo através da internet, de cels, redes sociais sacais, apps imbecis (o Whats app me deixou burro, muito burro demais…) e os caralho.

O que deu errado, afinal de contas? Algum leitor zapper pode dizer?

 

  • A DITADURA ESTÉTICA DAS XOXOTAS RASPADAS – é outro exemplo claríssimo do conservadorismo moral e estético que se abate nos dias de hoje sobre a humanidade. Nosso dileto leitorado (sejam leitores ou LEITORAS) já percebeu que, de anos pra cá, a DITADURA estética IMPÕE que o correto é modelos, atrizes e mulheres comuns exibirem seus sexos total DEPILADOS, sem UM pêlo que seja. Isso, claro, metaforicamente pode ser associado a alguma espécie de HIGIENIZAÇÃO e CORREÇÃO total do mulherio, não apenas na questão física como também MORAL. Seria mais ou menos isso: mulheres depiladas e bem cuidadas são as que possuem correção MORAL e ÉTICA. Quem não se adéqua a esse padrão ESTÚPIDO seria alguma espécie de “vagabunda”, “puta”, “safada” e “PORCA”. Será isso mesmo o certo? Pros dias atuais sim, claaaaaro. Mas há três décadas atrizes idolatradas e amadas pelo povão, como Claudia Ohana, Helena Ramos e Aldine Muller exibiam sem constrangimento seus bocetões PELUDÍSSIMOS, e deixavam a macharada com água na boca. Até mesmo a deusa Demi Moore, em glorioso ensaio feito por ela aos dezenove anos de idade (quando ainda não havia se tornado mega star da indústria do cinema) para uma revista francesa, não teve pudor em exibir sua xotaça totalmente peluda – e Zap’n’roll sempre AMOU bocetas que são verdadeiras matas atlânticas, rsrs. Então fica novamente a questão que não quer calar: o que deu errado com o mundo e o ser humano, afinal?

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Dois XOXOTAÇOS PELUDOS sem igual, de um tempo em que não havia ditadura estética e ultra conservadorismo na humanidade: a deusa Demi Moore (acima, na flor de seus dezenove aninhos de idade) e a nossa brazuca Claudia Ohana (abaixo); bons tempos…

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

  • Disco: sem nada digno de nota sendo lançado nunca é demais re-ouvir “Cabeça Dinossauro”, o clássico dos Titãs. Mais atual do que nunca!
  • Festival da linguagem eletrônica: a edição 2016 do File (Festival internacional da linguagem eletrônica) já está rolando em Sampa, lá no prédio da Fiesp (avenida Paulista, 1313, centro da capital paulista) e vai até 19 de agosto. Quer saber mais? Vai aqui: http://www.fiesp.com.br/agenda/festival-internacional-de-linguagem-eletronica-file/.
  • Baladenhas pro finde: yeah! Postão sendo enfim concluído já na noite de sabadão. Então vamos ver o que rola de bão no circuito alternativo de Sampalândia. Começando pelo já clássico casarão que abriga o Madame Satã (na rua Conselheiro Ramalho, 873, Bixiga, centrão da cidade), e onde hoje rola super DJ set especial dedicado ao imbatível Joy Division, com discotecagem comandada pelo Rodrigo Cyber, pelo Sérgio Barbo e pelo Fábio Vietnica, todos queridos amigos destas linhas online. Mas se você quer pista entupida e open bar infernal, se joga no Outs (na rua Augusta, 486), já um clássico rocker do baixo Augusta.///E pra fechar beeeeem o finde não dá pra perder a domingueira rock’n’roll da boate gls A Loca (na rua Frei Caneca, 916, Consolação, centro de Sampalândia), o projeto Grind comandado há dezoito anos pelo super DJ André Pomba. Beleusma? Então vai nessa que o blog vai também, uia!

 

 

FIM DE JOGO

Mais um postão concluído, certo manos? Então é isso. Semana que vem voltamos aqui, sempre com a cultura pop e o rock alternativo em primeiro lugar. Até lá!

 

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 23/7/2016, às 21hs.)