O bacana novo disco solo do Graham Coxon, e que ninguém comentou na blogosfera rock brazuca. O mimimi invejoso de sempre no painel do leitor zapper. Tickets FREE pras gigs do Radio Dept. em Sampa e Rio. O dia em que o zapper deu um “cano” no grande Tom Zé (adivinhem o motivo, hihi). Os 14 anos do projeto Grind. E o pobre Brasil vê a corrupção sem fim e a sacanagem política foder o país… (plus: o novo discão dos Dandy Warhols) (ampliado, atualizado e finalizado em 23/6/2012)

Graham Coxon (acima), guitarrista do grande e já lendário Blur (abaixo): enquanto um dos ícones do britpop não decide o que fazer do seu futuro, o músico das seis cordas vai lançando discos solos bacaninhas

 

Mimimi daqui, corrupção e sacanagem dali.
Tem sido uma semana, hã, estranha. Sentimentos de inadequação existencial e melancolia voltaram a flertar com a alma (ela existe, afinal?) de Zap’n’roll. Além disso o zapper que sempre foi muito politizado e interessado nas questões políticas e sociais que são caras ao país, foi ficando cada vez mais estarrecido ao acompanhar o noticiário nos jornais, na internet e na tv, sobre o lodaçal de corrupção e sacanagem política em que o país está cada vez mais mergulhado. Yep pode parecer estranho falar sobre isso aqui, em um blog eminentemente voltado à cobertura e a análise da cultura pop brazuca e planetária, e à cena rock alternativa daqui e da gringa. Mas é que o panorama está ficando tão absurdamente degradado na esfera política (e qualquer um minimamente informado e que acompanha jornais e telejornais, já percebeu isso), que não dá pra escapar de comentar o tema aqui. Enquanto isso e por outro lado, enquanto o blog continua batendo recordes de acesso, audiência, comentários dos leitores (cinqüenta e dois no último post) e recomendações em redes sociais (setenta, também no último post), a eterna e incansável e sacal turma do “mimimi” insiste em torrar o saco no painel do leitor, com suas mensagens fakes, covardonas, insultuosas, agressivas, ressentidas, invejosas e por vezes até hilárias (de tão ridículas que chegam a ser). É muito óbvio que o autor deste espaço online tira essa turma de babacas de letra e até se diverte com eles, pois sabe que isso só aumenta a audiência do blogão zapper. A questão que nos intriga é: será que esse pessoal por acaso se preocupa com tudo o que está acontecendo no país em que eles vivem? Ou são um bando de idiotas, gente à toa na vida, despolitizados, tigres ignorantes e imbecis que não estão aí com nada, e contanto que tenham seu salário no final do mês foda-se o país, sua política e sua sociedade? Pra esse bando de desocupados, talvez sua única diversão seja mesmo gritar por futebol e encher o saco no painel dos leitores zappers. Uma existência triste e medíocre a desse povo, no final das contas. Enquanto isso o país pega fogo. E justamente por estar pegando fogo é que estas linhas virtuais se preocupam muito mais com isso do que com otários relinchando semanalmente, no espaço reservado ao nosso sempre dileto e amado leitorado. Então bora pra mais um postão, que vai falar do nosso horror político atual, das desventuras do blogger loker (relembrando o dia em que ele deu um “cano” no gênio Tom Zé), do lecal disco solo lançado por um certo Graham Coxon (e que ninguém comentou por aqui, na blogosfera brazuca de cultura pop que importa). e mais algumas paradas aê.

 

* Começando as notinhas semanais com a “imagem política da semana”. Uma imagem absurda, torpe, calhorda e que demonstra que a política, no Brasil, assumiu na cara larga seu vale-tudo e a disputa por poder a qualquer preço, custe o que custar. Zap’n’roll sempre foi simpatizante (não militante, isso jamais) do PT, desde que o partido foi fundado. Mas de anos pra cá está cada vez mais decepcionado e desencantado com os rumos que o partido tomou. A gota d’água foi o Sr. Lula correr para os braços do eterno ladrão Paulo Maluf, em busca de apoio do partido malufista à candidatura de Fernando Haddad à prefeitura de Sampa, nas eleições deste ano. Luíza Erundina, a até então vice na chapa petista, não engoliu e dignamente caiu fora da campanha. E a foto de Lula apertando a mão de Maluf (urgh!) correu o país. É essa aí embaixo.

 A imagem que não quer calar e que ninguém imaginaria que um dia seria registrada: Lula de mãos dadas com Maluf. É o fim das ideologias no país onde a política assumiu o vale-tudo, a corrupção e a busca pelo poder custe o que custar

 

* Com isso, o blog desiste de vez do PT. E começa a pensar em quem vai votar para prefeito de São Paulo este ano – Serra, nem fodendo também!

 

* Como se não bastasse essa desonra e vergonha petista, a Assembléia Legislativa do pequenino Estado do Amapá foi parar nos noticiários das grandes redes nacionais de tv. O motivo, bidú, é a autêntica quadrilha que se instalou por lá. Yeah, os deputados de lá tiraram a máscara e assumiram sua porção bandida, praticando zilhões de patifarias e delinqüências variadas – com gente que trabalha lá ganhando mais de quarenta mil reais por mês. A sangria nos cofres públicos amapaenses, praticada pelos próprios deputados do Estado, se tornou tão escandalosa que motivou uma investigação do Ministério Público do Amapá. Resultado: a Promotora responsável pela investigação teve que ir a Brasília pedir garantias de vida ao Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (ele e nada no Ministério é a mesma coisa), pois começou a receber ameaças. Isso é o Brasil de hoje.

 

* E fora o juiz responsável pelo inquérito do caso do bicheiro Carlinhos Caichoeira, que pediu afastamento do caso ontem, por também estar recebendo ameaças de morte.

 

* Enquanto isso o populacho, o povo burro, pobre e desdentado, se matava de alegria anteontem com a vitória da porra do Coríntians, e que levou o “timão” à final da Libertadores. O blog só tem isso a dizer: que o Coríntians vá pra puta que o pariu.

 

* Enquanto o Brasil mergulha em retrocesso social, político e comportamental, o vizinho Uruguai avança rumo à modernidade do vigente século XXI. O presidente uruguaio José Mujica está para enviar ao Congresso de lá, projeto de lei que LEGALIZA a produção e comercialização da MACONHA em todo o país, sob controle total do Estado. Ou seja: quem quiser plantar e vender sem problema, desde que sob supervisão governamental e pagando os devidos impostos. Todo mundo sai ganhando: governo, produtores e consumidores da erva. Acaba o tráfico, a violência gerada por ele, o risco que consumidores correm ao ir atrás do produto etc. Nota mil pro governo uruguaio por esta iniciativa, que pelo visto está muito longe de um dia acontecer no retrógrado Brasil – onde, quem diria, o ex-presidente FHC se tornou um quase solitário defensor da legalização da maconha. Pois é… aqui plantar e vender marijuana não pode. Roubar e corromper pode, indiscriminadamente.

 A marijuana está para ter seu plantio e comercialização legalizados no moderno e avançado Uruguai. Já no corrupto, retrógrado e atrasado Brasilzão…

 

* Terminada a parte de “indignação política e social destas linhas bloggers”, de volta à música e ao rock’n’roll, que torna nossa existência um pouco mais alegre.  Pois entonces: não basta ele ter sido ex-guitarrista do Oasis e gênio do rock nas última duas décadas. E também não basta ele ter lançado um dos melhores discos de 2011, o “Noel Gallagher’s High Flying Birds”. Noel, o grande, ainda lança vídeos fodaços pra promover o disco. Como esse aí embaixo, que começou a circular esta semana na web:

 

* Alô Planeta Terra 2012, câmbio! A produção do festival vai convocar a jornalistada a qualquer momento para uma coletiva de imprensa, onde será anunciado o line up deste ano. Conforme o blog já antecipou no último post, é forte a possibilidade de o gênio Jack White estar nele. Comentários que chegam das Nações Unidas (a avenida em Sampa onde fica a sede do portal) até o zapper bem-informado, dão conta de que também estarão na esbórnia indie rock o grande Kasabian (que lançou um discaço em 2011), o Mumford & Sons (o blog gosta muito do folk/pop suave desses ingleses) e o Pulp, mega venerado pela nação indie brazuca. Se for tudo isso mesmo, vai ser fodão. A qualquer momento damos um “extra” aqui a respeito, ok?

 A lenda britpop Pulp (acima) e o Kasabian (abaixo): a caminho do Planeta Terra 2012?

* E info “secreta” que chega até estas linhas zappers notívagas, na madruga de quinta pra sextona em si (quando o post está sendo finalizado): um produtor independente de Sampa, que já fez parte de um saudoso e histórico grupo indie guitar (o Starfish100), está costurando a vinda do célebre The Telescopes (shoegazer inglês fodão dos 90’, e venerado pela galera under com mais de trinta de idade) pra cá, agora no segundo semestre de 2012. Mais infos a respeito serão postadas aqui assim que soubermos maaaaaisssss sobre a parada.

 

* DUPLAS DE ROCK, UMA TENDÊNCIA DO POP NOS ANOS 2000? – pode ser. Se você pensar que um dos grandes nomes do rock mundial na última década e meia, o finado The White Stripes, era formado apenas por dois músicos (Jack e Meg White, óbvio) e que o Black Keys, um dos nomes gigantes do rock alternativo americano atual, também é formado por uma dupla (o guitarrista e vocalista Dan Auerbach e o baterista Patrick Carney), dá pra começar a falar em tendência. O BK, inclusive, existe já há uma década, estourou com o ótimo “El Camino” (lançado em 2011) e está começando a influenciar outros músicos a montarem bandas com apenas dois integrantes. Caso do novato e ainda bem desconhecido (nem o blog conhecia, rsrs) duo My Goodness, que foi apresentado a estas linhas rockers por amigos do Facebook. Não há grandes infos sobre o duo na web; o que se sabe é que eles têm um álbum lançado (homônimo) no ano passado, e um vídeo bacanudo (que você pode conferir aí embaixo), que dá pistas do que é o som deles. Fora isso, já se observa também na indie scene paulistana a formação de alguns grupos com apenas dois integrantes (e geralmente no esquema guitarra e bateria), como o caso do novíssimo e já badalado Madrid, formado pelo querido ex-CSS Adriano Cintra (velho amigo deste blog) e pela Marina, ex-vocalista do Bonde do Rolê. Enfim, se a tendência vai mesmo pegar e se transformar em algo mais sólido entre os novos grupos daqui e da gringa, aí só o tempo pra dizer, no?

 O duo americano Black Keys, um dos melhores nomes do atual rock planetário: já inspirando as novíssimas duplas rockers

* Aí embaixo, dois vídeos bacaninhas de duas duplas idem: o Black Kays e o My Goodness.

Black Keys – “Gold on the Ceiling” 

My Goodness – “I’ve Got A Notion”

 

* Falando no Madrid, Zap’n’roll bateu um papo enooooorme ontem à tarde, via chat(o) do faceboquete, com o Adriano Cintra. E o blog também está ouvindo, agora e com certa exclusividade, o álbum de estréia da dupla, que tem show de lançamento no próximo dia 3 de julho no Sesc Pompéia, em Sampa. À primeira audição o disco é lindão (até rimou, hihi), todo bucólico, com nuances algo melancólicas e muitos pianos e até sopros em algumas faixas. Muito distante do electro-rock do CSS e do rock garageiro, básico e esporrento do Thee Butcher’s Orchestra. Anyway, o blog gostou do que ouviu até agora (sendo que algumas faixas já andam circulando na web há algum tempo, mas não o disco todo e na versão mixada e pronta pra ser lançada, a que o blog teve acesso) e esse papão com o Adriano vai aparecer por aqui a qualquer momento, pode esperar.

Dupla rock’n’roll do barulho fervendo na “naite” under de Sampalândia: Zap’n’roll e seu amigão Adriano Cintra, que está lançando o disco de estréia do seu projeto Madrid

* Que mais? Si, si, a deusa Fiona Apple lançando disco novo. E a também deusa Cat Power vindo com o seu novo álbum. Mas o blog por enquanto não vai falar de nenhuma das duas, pois (pra infelicidade do “fã da popload”, hihi) não se trata de pauta importante para este post zapper.

 

* Importante sim é falar que Graham Coxon, o também grande guitarrista do Blur (acaba ou não acaba, afinal?) lançou um disquinho solo bacanão em abril passado. E que ninguém, na blogosfera brazuca de rock alternativo, se deu ao trabalho de esmiuçar. Bien, lá vamos nós fazer isso, aí embaixo.

 

 

ENQUANTO O BLUR NÃO DECIDE SEU FUTURO, GRAHAM COXON CUIDA DO SEU
O quarteto Blur, já uma lenda do britpop, vai acabar novamente ou não? Não se sabe. Em fevereiro último o grupo lançou seu primeiro single inédito desde 2003 e anunciou que um novo disco de estúdio sairia este ano. Só que nas últimas semanas o vocalista Damon Albarn disse a jornalistas ingleses que, depois da participação da banda no show de encerramento dos jogos olímpicos em Londres (no dia 12 de agosto e onde também irão tocar New Order e Specials), o Blur vai mesmo encerrar atividades – e desta vez para sempre, ao que parece. Pelo sim, pelo não, o guitarrista Graham Coxon está cuidando da sua vida e de sua carreira solo que já soma oito discos, incluso aí o bacanudo “A+E”, lançado em abril deste ano.

 

Yep, o trabalho já saiu há quase três meses, não foi lançado em plataforma física no Brasil (nem vai, embora lá fora tenha sido editado pela Parlophone, aqui distribuída pela Universal) e nem precisa, pois é facilmente “baixável” na web. E o blog decidiu falar dele com mais atenção agora pois como já cansamos de repetir aqui, nunca é tarde para se falar de bons (ou ótimos) trabalhos, ainda mais quando ninguém na blogosfera de rock alternativo brazuca que importa se dignificou a fazer isso.

 

Todo mundo que acompanhou a trajetória do Blur e ama o conjunto (como é o caso destas linhas rockers britpoppers) sabe que um dos fatores que tornaram o grupo um dos mais queridos na Inglaterra tanto pelos fãs quanto pela imprensa, foi justamente a ótima formação cultural e musical de seus integrantes. E o guitarrista Graham Coxon não era exceção: um dos fundadores da banda (ao lado de Damon, do baixista Alex James e do batera Dave Rowntree), Coxon também se desenvolveu como multiinstrumentista de grande talento, além de ótimo compositor e eventual vocalista do quarteto. Isso permtiu que ele tocasse uma carreria individual paralela à do Blur, e que começou há catorze anos, em 1998 sendo que um de seus álbuns, “Happiness in Magazines” (de 2004), chegou a ser lançado no Brasil, com a devida resenha publicada aqui (na época, a coluna Zap’n’roll).

Capa de “A+E”, novo solo do guitarrista Graham Coxon: enquanto o Blur não se decide, o músico vai lançando seus discos 

 

Pois este “A+E” é um disco de indie guitar rock pop básico, ao mesmo tempo melódico e radiofônico, mas também estranhíssimo em alguns momentos. Contando com a colaboração do produtor Ben Hillier (que tocou bateria e alguns teclados no disco), Coxon chegou a gravar vinte e uma músicas. Destas dez entraram em um álbum enxuto e onde ele, além de compor, tocar guitarra e cantar em todas as  faixas, ainda se virou no baixo, bateria e teclados. O resultado, em alguns momentos, lembra muito as britsongs mais agressivas do Blur (ao estilo “Song 2”), principalmente em “Advice” e “City Hall”, que abrem o cd com guitarras aceleradas e baixão estridente (no caso de “City…”). Por sua vez “What’ll It Take” e “Meet and Drink and Pollinate” (esta com distorções nos vocalizes e baixão anguloso à moda New Order) investem em camadas de teclados e sintetizadores para construir uma melodia dançante, próximo do sinthpop oitentista. Desce bem em qualquer pista de dança.
Mas Graham se dá melhor mesmo nas músicas em que ele resgata as nuances do britpop – e nisso o disco está bem servido de ótimas canções, como “Bah Singer” e até mesmo na estranha “Knife In The Cast”, lenta (quase arrastada) e conduzida pelo baixo em primeiro plano, com intervenções pontuais da guitarra.

 

E querendo mostrar, afinal, que fez um disco algo fora do padrão pop/rock de hoje, o guitarrista deixou talvez o melhor momento do álbum para o seu final. “Ooh, yeh yeh”, também o primeiro single de trabalho (e já com clip rodando há algum tempo na MTV e YouTube) é uma das melhores guitar pop songs que estas linhas rockers online tiveram o prazer de ouvir nos últimos meses. Poderia estar perfeitamente no primeiro ou segundo disco do Blur. Mas Graham Coxon, aos quarenta e três anos de idade, a compôs apenas agora, em 2012. É daquelas faixas que valem quase por um disco inteiro. E cuja audição mostra que, em meio à péssima qualidade musical que reina hoje no rock planetário, alguns pequenos gênios como Graham Coxon ainda resistem.

 

Pode ir atrás de “A+E” sem susto. O blog zapper garante.

 

 

O TRACK LIST DE “A+E”
1.”Advice”
2.”City Hall”
3.”What’ll It Take”
4.”Meet and Drink and Pollinate”
5.”The Truth”
6.”Seven Naked Valleys”
7.”Running for Your Life”
8.”Bah Singer”
9.”Knife in the Cast”
10.”Ooh, Yeh Yeh”

 

 

E GRAHAM COXON AÍ EMBAIXO
No clip da ótima “Ooh, Yeh Yeh”, o single de trabalho do disco.

 

WEB RADIO DUCA, CENA E FESTIVAL BACANA – O ROCK TAMBÉM ROLA EM… MANAUS!
E não? Muito graças aos agitos promovidos pelo jornalista, radialista e vocalista Sandro Correia, popularmente conhecido por lá como Sandro Nine. Zap’n’roll conheceu pessoalmente a figura no final do ano passado em Boa Vista (capital de Roraima, pros manés sudestinos que não conhecem nada de geografia do extremo Norte e acham, de maneira imbecil diga-se, que o Brasil acaba em Brasília), quando o blog foi até lá pra cobrir o bacanão festival Tomarrock. “Finatti, você precisa conhecer o Sandro. Ele é o Tony Wilson de Manaus!”, falou pro sujeito aqui o também amigão e músico Victor Matheus (vocalista e guitarrista do trio Veludo Branco). Pois o autor destas linhas online não apenas conheceu o “Tony Wilson” manauara como também ficou super amigo do sujeito – uma das cenas mais divertidas dessa nova amizade foi ver a dupla, em plena última noite do Tomarrock (enquanto a droga pesada For Fun se esgoelava no palco do ginásio do Sesc de Boa Vista), tomando brejas e discorrendo sobre a obra de uma paixão comum de ambos: a linda, louca e tesuda rainha do indie inglês, PJ Harvey. Uia!

Sandro é gente finíssima e de uma humildade impressionante. E está à frente da web radio Manifesto Norte (que pode ser acessada em WWW.manifestonorte.com), que já foi comentada aqui no último post. Pois a emissora online, há pouquíssimo tempo no ar, é tão bacana que estas linhas rockers se tornaram fãs da rádio. E por conta disso o blog fez duas rápidas perguntas pro querido Sandro, via Faebook, na última madrugada. Nas respostas ele fala da rádio, da sua banda (a Nicotines) e dá uma geral na atual cena rock da capital do Amazonas. Leia aí embaixo:

 O jornalista e vocalista Sandro Correia (com a camiseta do CBGB’s), com a turma rocker de Manaus

Zap’n’roll – Como surgiu a idéia da rádio e quando ela entrou em funcionamento na web? Fale também um pouco da sua trajetória de jornalista musical aí em Manaus.

 

Sandro Correia – Bom, eu tinha um programa numa web radio aqui em Manaus há uns 3 anos. Lá eu apresentava 4 programas, sempre com temática indie e undreground. Daí eu tive de me mudar pra Roraima e foi lá, trabalhando na assessoria de comunicação do coletivo Canoa, foi que eu vi que dava pra fazer uma web radio com viés de divulgar a cena rock da região Norte. O projeto foi feito, mas até entao não se concretizava, e tinha a cobrança da moçada que ficava na escuta do meu programa. Então esse ano meu irmao Marcelo Augusto, junto com os amigos William Dángelo (também jornalista), Robson Santos e eu, montamos a rádio Manifesto Norte – o espaço da música independente tocando músicas de bandas de Manaus e de toda a regioa Norte.

 

Zap – E como teve início sua carreira de jornalista e seu envolvimento com a cena musical daí? Você também canta em uma banda, a Nicotines…

 

Sandro – Eu tenho 40 anos, cresci ouvindo e vendo muitas bandas de rock, assim como o surgimento da cena rock local nos anos 80’, tipo 84, 85, por ai. Li muita [revista] Somtrês, Bizz etc, lendo resenhas do Alex Antunes, André Barcinski e de você Finatti. Então eu sempre escrevia algo que raramente publicava, foi então que eu entrei pra faculdade de jornalismo e lá pude desenvolver melhor minha habilidade pra escrever. Meu pai foi jornalista político nos anos 70’, então tava na veia. Meu primeiro trabalho mesmo foi cobrir o festival Grito rock Roraima em 2010, como jornalista do coletivo Canoa, lá trabalhei na cobertura com web radio e web tv. Eu já tinha o meu blog Manifesto rock, sempre escrevendo resenhas de shows, cds das bandas e etc. Hoje eu também trabalho como produtor cultural, tenho um projeto com bandas independentes na Saraiva megastore Manaus, projeto Riffs desplugados que jáa tem um ano de vida. Esse projeto consiste em pocket shows acústicos com bandas da cena rock de Manaus que tenham trabalho autoral e o evento criou fortes laços com Roraima. Lá já passaram bandas e artistas do extremo Norte. Sobre o Nicotines, em 5 anos de banda já tocamos em 2 festivais independentes, o Tomarock em 2011 e o Grito Rock Bonfim (fronteira com a Guiana Inglesa) ambos em Roraima, e no próximo dia 7 de julho a banda vaio abrir o show da banda cearense Platique Noir. A banda tá naquela fase, mente aberta e pé no chão. O lance é ao menos sermos reconhecidos na nossa região, estamos preparando nosso priemtio EP “Café, Martinis e Cigarros”. A cena rock de Manaus tá num momento muito bacana, algo que não se via há anos. Pra você ter uma idéia, só no ano passado 14 bandas circularam por festivais pela regioa Norte, Brasil afora e na Europa (caso da Nekrost, banda de heavy metal que tocou no Wacken open air, na Alemnha). A Evil Syndicate, outra banda do metal extremo, tocou em grandes festivais da região Norte. E ao redor do boom da cena rock de Manaus tem os festivais. Como o nosso “Até o Tucupi”, realizado pelo coletivo Difusão e que vai acontecer em Setembro.

 

* Interessou em ouvir a Manifesto Rock? Como já foi informado mais acima, vai lá: www.manifestorock.com

 

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DIÁRIO SENTIMENTAL – UM “CANO” NO GÊNIO TOM ZÉ (ELE NÃO MERECIA, RSRS)
Em algumas entrevistas dadas nos últimos anos, o mega rockstar David Bowie (hoje recluso, aos sessenta e cinco anos de idade) sempre ressalta sua dificuldade em rememorar fatos de sua vida pessoal durante o ano de 1976. Segundo o Camaleão foi um período de consumo desenfreado de drugs – principalmente cocaína –, o que colaborou e muito para que sua memória daquela época sofresse um autêntico “apagão”.

 

É mais ou menos o que ocorre, por vezes, com Zap’n’roll. O blogger loker eventualmente não consegue identificar com precisão algumas datas, períodos e locais onde aconteceram alguns eventos de sua trajetória pessoal e profissional, devido ao consumo desenfreado de aditivos ilícitos que permeou a existência do sujeito aqui durante anos. Por exemplo, para se recordar de como o jornalista gonzo e (atualmente, ex) junky deu um autêntico “cano” em uma entrevista com um dos gênios da música brasileira e do movimento tropicalista (algo que o profissional zapper hoje jamais faria, dada a seriedade e responsabilidade com que ele encara suas tarefas profissionais atualmente, mas sem caretice, plis!), o autor destas linhas online teve que fazer uma autêntica “varredura” mental em sua vida no período de 1990 a 1998 – ano em que efetivamente rolou a história a seguir.

 

Tom Zé sempre foi considerado como um dos gênios da música brasileira que importa. Um dos fundadores do Tropicalismo nos anos 60’, no entanto ele entrou no limbo musical da MPB nos anos seguintes (por possuir um trabalho experimental e avançado demais para a época), enquanto Caetano e Gil se tornavam popstars. E o bom e velho (e sempre humilde e simpático) Tom assim permaneceu, até ser redescoberto musicalmente por ninguém menos do que o ex-Talking Heads David Byrne. Com seu prestígio no rock planetário, Byrne tirou Tom Zé desse “limbo” artístico e recolocou o músico baiano em evidência novamente, com muita justiça diga-se. Tom voltou a ser celebrado como gênio, foi redescoberto por uma nova geração de fãs e nunca foi um estouro de vendas. Mas conseguiu se manter ativo desde então, lançando periodicamente bons discos e fazendo turnês pelo Brasil e também na gringa.

 

Foi no lançamento de um desses discos (“Com defeito de fabricação”, editado em 1998) que Zap’n’roll conseguiu emplacar uma pauta sobre o músico, para a extinta revista Bizz, onde o jornalista loker colaborava eventualmente desde 1995. Publicação musical mais influente do país no final dos anos 80’/início dos 90’ (em uma época em que não existia internet nem MTV, nem cobertura ostensiva dos grandes jornais diários em cima de assuntos de cultura pop) a Bizz chegou a vender duzentos mil exemplares por mês. Com o advento justamente da MTV e do início da era da web, entrou em decadência já a partir da segunda metade dos anos 90’. Ainda assim possuía certa relevância editorial, quando o zapper ainda jovem jornalista trintão e bem doidón começou a publicar textos nela. A revista era editada pela Azul, uma subsidária da poderosa editora Abril, que também publicava a Interview. Quando o sujeito aqui foi trampar na Interview logo se enturmou com a redação da Bizz (na época dirigida por Felipe Zobaran, pelo saudoso Celso Pucci e pelo sempre competente Sérgio Martins, hoje repórter da asquerosa Veja), e passou a colaborar por lá também.

 

Foi tudo muito bem até justamente por volta de 1998. A Interview tinha fechado, a Azul foi incorporada de vez pela Abril, Celso Pucci infelizmente morreu, Sérgio Martins foi para a revista Época e a Bizz foi parar nas mãos do célebre PS (hoje, “eminência parda” da edição brasileira de uma grande revista de música americana). O distinto jornalista sempre se mostrou simpático ao autor destas linhas online, mas meio que começou a “dificultar” a vida zapper na Bizz. Em outras palavras: estava cada vez mais foda emplacar uma pauta por lá. Até que veio a parada do lançamento do novo álbum de Tom Zé. O que motivou a sugestão de pauta para a revista, e um dia qualquer. Zap’n’roll, ao telefone: “Porra, o Tom Zé tá lançando seu novo disco. E hoje ele é artista Cult aqui e lá fora, graças ao David Byrne e bla bla blá”. PS, então editor-chefe da Bizz: “Pode fazer! Podemos dar uma matéria até bem grande, com umas três páginas. O prazo de entrega é uma semana. E o valor do ‘frila’ é…”.

O cantor, compositor e gênio Tropicalista Tom Zé: ele levou um “cano” do zapper loker em uma entrevista, sem merecer, rsrs. A matéria foi feita, afinal, mas nunca publicada (e aí o “cano” foi da extinta revista Bizz e do seu então editor-chefe, hihi)

 

Tava de bom tamanho. A grana não era nenhuma fortuna (longe de ser, inclusive), mas como o autor destas linhas rockers memorialistas sempre amou o que fazia e faz (escrever sobre música), estava ótimo. Começou então a articulação para a entrevista, com papos com a assessora de imprensa de Tom e mais bla bla blá. O encontro foi marcado para um dia de semana, pela manhã (por volta das onze horas) no apartamento onde o cantor e compositor mora até hoje, em uma rua do bairro das Perdizes, na zona oeste de Sampa. Tudo lindo, tudo ótimo: entrevista marcada, material de pesquisa levantado, era relaxar e gozar, hihi. Não haveria mal algum em dar uma “saidinha” básica na “naite”, tomar uma breja rápida com algum chegado e depois ir pra casa, já que o jornalista eterno pé-de-cana morava na região da Liberdade, centrão de Sampalândia, e relativamente próximo da residência do gênio tropicalista.

 

Deu tudo errado, claaaaaro. E começou a dar quando o zapper, sempre em busca de emoções “fortes”, aceitou convite de uns brothers pra ir rachar “uma parada” de cinqüenta pilas da tia B. Quem? Tia B, uma senhora já de idade, rotunda, simpática e acima de qualquer suspeita, que tinha um aconchegante barzinho nas imediações da praça Roosevelt. Pois o tal boteco era apenas um disfarce e lá se comprava um petecão de cinco gramas de cocaine por cinqüenta pilas. E diferentemente da farinha de trigo porca que circula hoje pelo centrão de Sampa (onde o crack domina atualmente e infelizmente, na verdade), o padê da querida tia B era tiro e queda: bastava um risco bem dado pro sujeito ficar doidão.

 

Não deu outra: adquirido o “produto”, começou a via sacra pelos bares da Augusta. Horas passando, Zap’n’roll (que tinha bancado metade do negócio) ficando bicudo e lesado ao extremo. Quando deu por si, o dia estava… clareando. Soou o alarme do pânico: como estar inteiro, com a cara boa pra entrevistar Tom Zé às onze da matina se já eram quase sete da manhã e o gonzo junky estava literalmente “estragado”, com as pupilas querendo saltar pra fora dos olhos? Correria pra ir embora. Chegada em casa oito da matina. Boca seca, pedindo mais álcool. Uma conferida no espelho do banheiro: olhos ainda total “estalados”. Não ia dar certo. Às nove, gaguejando e “travando” pra falar, o jornalista maluco resolve ligar para a casa de Tom Zé, que já devia estar acordado. Atende a esposa dele. Zap’n’roll: “posso falar com o Tom um minuto? Estou com uma entrevista marcada com ele e…”. Ela: “ah, sim. Minutinho, vou chamar”. O músico veio ao telefone e o gonzolino despirocado por mais uma noitada movida a devastação nasal, caprichou na sua melhor voz de “mal estar físico” (nem precisava): “Tom, aqui é o Finatti. Querido, mil perdões mas estou péssimo! Comi algo ontem que me fez muito mal a noite toda e estou indo num hospital agora, pra ver o que está acontecendo comigo. É possível remarcamos a entrevista pra amanhã ou o mais breve possível?”. Foi um alívio ouvir do músico, com a simpatia e humildade que sempre foram sua marca registrada: “rapaz, vá cuidar de você, que é isso? Espero que não seja nada grave. Podemos fazer sim amanhã, se você estiver melhor”. Ufa!

 

Problema resolvido, era se recuperar para não dar novo “balão” em Tom Zé no dia seguinte. A entrevista foi feita, ficou boa mas obviamente o “sumiço” do repórter na hora marcada para a entrevista foi parar no ouvido do editor-chefe da Bizz. Que cobrou explicações quando Zap’n’roll foi na redação entregar o texto (naquela época, ainda não havia e-mail para se mandar os textos para a redação): “o que aconteceu que você NÃO apareceu na casa do Tom Zé no dia marcado para a entrevista? O nosso fotógrafo foi. Mas você, não!”. O zapper: “passei mal a noite toda, comi algo estragado, sei lá. Mas remarquei o encontro, fiz a parada e o texto está aqui. Qual o problema?”.

 

Aparentemente não havia mais problema. Foi uma matéria custosa (inclusive para ser transcrita e editada), tinha ficado ok e o autor deste diário confessional recebeu o pagamento combinado por ela. Mas o texto JAMAIS foi publicado na Bizz, rsrs. Ou seja: no final, Tom Zé levou um cano maior ainda da própria revista. Mas este só o querido PS pode explicar, um dia. Se ele quiser, claro.

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA
* Discos: O novo solo do Graham Coxon e “This Machine”, discaço que o já veterano indie americano The Dandy Warhols lançou em abril deste ano – e que, com a possível exceção do blog escrito pelo nosso “inimigo cordial” André Barcinski, ninguém teve a coragem de comentar na blogosfera brazuca de rock e cultura pop. Pode ir atrás que é bom pra caralho, sendo que estas linhas virtuais irão falar melhor do cd em nossos próximos posts, ok?

 Os ainda grandes da cena indie americana, The Dandy Warhols: novo discão que o blog comenta melhor nos próximos posts

 

* Filmes: o nacional “A febre do rato” merece e precisa ser visto antes que saia de cartaz. E, claaaaaro, a dupla dinâmica Tim Burton e Johnny Depp estão de volta em grande forma, em “Sombras da noite”. Dois ótimos motivos pra sair de casa nesse frio e mergulhar no escurinho do cinema.

 

* Baladas: complemento zapper mezzo atrasado e sendo finalizado a toque de caixa, pois daqui a instantes o sujeito aqui também vai se dar ao direito de ir pra esbórnia, hehe. Então, tipo rapidez: cai no Beco (rua Augusta, 609, centrão rocker de Sampalândia) hoje, sábado, que vai rolar por lá a “festa junina” da casa, com open bar e tudo, wow!///Já amanhã, domingão… sai de baixo: o já ultra clássico projeto Grind, comandado pelo super DJ André Pomba, chega aos catorze anos de existência na Loca (que fica na rua Frei Caneca, 916, Consolação, centro de Sampa). O autor deste blog desconhece alguma festa na “naite” under paulistana que tenha durado tanto tempo e o Grind merece: pioneiro na questão de bombar uma noite rock pro público gls, acabou se tornando uma das melhores baladas alternativas da capital paulista. O blogger maloker já aprontou mil loucuras ali e vai estar lá neste domingo, com certeza. E se você nunca foi, veja aí embaixo a matéria feita pelo programa do Chato, ops, Otávio Mesquita (na Band), sobre o Grind, quando o projeto completou onze anos – com direito a aparição rápida de Zap’n’roll, àquela altura já completamente bicudo de tudo, hihi. Enfim, cola lá que a festa vai ser fodona!

 

 

SOLTANDO PRÊMIOS E DANDO INGRESSOS, UIA!
Yeah! Tem um kit com DVDs e CDs da ST2 já há um tempo esperando pra ser desovado. Bien, ele vai cair nas mãos da:

 

* Eliana Martins, de São Paulo/SP.

 

Mas calmaê que semana que vem tem show gringo indie bacanudo na área. Então corre lá no hfinatti@gmail.com, que é a sua última chance de faturar:

 

* UM PAR DE INGRESSOS pros shows do The Radio Dept. semana que vem, dia 6 no Beco/SP, e dia 8 no teatro Odisséia, no Rio. Corre que ainda dá tempo de participar!

 

* E inda um PAR DE VIPS pro festão de catorze anos do Grind amanhã, na Loca. O (a) vencedor (a) desta promo será avisado (a) até às 18 horas deste domingo, por e-mail, ok? Então corre aê!

 

E FIM DE PAPO!
Tá bão, né? Postão finalmente concluído e agora brejas e álcool nos esperam na deliciosa e fria noite paulistana. O blog se vai e deixa beijos quentes e queridos na Adriana Ribeiro, na Samara Noronha e na Camila Valente, sempre! Até a semana que vem!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 23/6/2012, às 23hs.)

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