O duo Madrid e seu discão de estréia. Adriano Cintra dá entrevista gigante e EXCLUSIVA para o blog, onde DETONA o CSS. Mais: todos os detalhes do festão de entrega do Prêmio Dynamite, daqui a duas semanas. O (até o momento) meia-boca line up do Planeta Terra 2012, e mais isso e aquilo tudo, uia! (plus: a turnê dos Los Porongas pelo extremo Norte brasileiro) (ampliado, atualizado e finalizado em 30/6/2012)

 A dupla Adriano e Marina na capa do álbum de estréia do Madrid (acima), e o CSS (abaixo), ex-banda do músico: mudança radical no novo projeto musical e disparando contra Lovefoxxx e cia em entrevistão pro blogão zapper

 

As mudanças de comportamento e a “guerra” na blogosfera.
Dois assuntos aparentemente desconexos entre si, mas que fustigam o pensamento de Zap’n’roll na madrugada aprazivelmente fria de quinta pra sexta-feira, quando o novo post destas linhas online está sendo escrito. A primeira questão (a mudança de comportamento) começou a perpassar as reflexões do autor deste blog quando ele deteve seu olhar, também na última madrugada, no texto escrito por um célebre colega seu de blogosfera – e que você vai saber quem é logo mais aí embaixo, se continuar lendo o post. O texto escrito pelo jornalista em questão fazia um resgate de um lendário grupo inglês dos anos 80’, que produzia uma sonoridade contemplativa, bucólica e que hoje a “modernidade” crítica chama usualmente de dream pop. E justamente pelo grupo abordado no referido texto é que o zapper sempre atento e observador concluiu que as pessoas mudam sim e muito, ao longo de sua existência. Mudam seu comportamento, seu modo de enxergar o mundo, suas atitudes, seus gostos culturais (e musicais, por tabela), mudam seus valores morais, sociais etc. Se todas essas mudanças são para pior ou melhor, é outra looooonga discussão. Mas voltando ao texto do nosso prezado colega de blogosfera, ele sinaliza que o jornalista que o escreveu mudou muito nos últimos vinte anos – e este blog pode dizer isso com conhecimento de causa pois conhece a figura pessoalmente (embora nunca tenha convivido com o mesmo ou tenha tido exatamente laços de amizade com ele), e acompanha seu trabalho profissional desde 1990 pelo menos. Mudou em termos de gosto musical já que, pelas dezenas de textos que já publicou em seu blog ele sinaliza que hoje, maduro e com mais de quarenta anos de idade, possui uma amplitude e ecletismo musical ultra saudável e que inexisita no então jovem jornalista que, nos anos 90’, só gostava praticamente de rock pesado, grunge, punk e podreiras similares. Na outra ponta dos devaneios zappers vem a questão de uma pseudo “guerra” entre blogs amigos (caso deste aqui e da vizinha Popload, do Uol). Uma “guerra” que na verdade não existe (ao menos na concepção do autor destas linhas rockers virtuais), e que tenta ser criada e alimentada por gente à toa, desocupada e desprovida de cérebro, e que vive de enviar mensagens fakes e covardes para o painel do leitor zapper com o intuito de criar esse suposto “clima de guerra”. Um ótimo exemplo disso é o manezinho que envia mensagens assinando “fã da popload” e que agora, semanalmente, vem até aqui tentar desancar o trabalho destas linhas bloggers rockers, e tentando jogar Zap’n’roll contra a Popload escrita pelo sempre querido amigo Lúcio Ribeiro), pra ver o circo pegar fogo. Que bobagem, tsc, tsc… cada blog tem sua importância nessa parada toda, cada um tem seu espaço e seu fiel e dileto leitorado – e o deste blog felizmente só aumenta a cada semana. Não estamos aqui pra sermos melhores do que ninguém e nem pra estar na frente de ninguém. O que nos interessa é levar boa informação e boa análise a quem nos lê, mesmo que eventualmente publiquemos assuntos que já foram notícia ou foram comentados em outros espaços. Como o Madrid, por exemplo: o novo projeto do chapa Adriano Cintra, ex-CSS (e amigo pessoal deste jornalista, há uma década e meia) tem o show de lançamento de seu primeiro disco na próxima semana, em São Paulo. Pois o blogão zapper publica neste post uma entrevista gigante com o músico (e que foi feita na semana passada), onde ele explica todos os motivos que o levaram a deixar o bem famoso e rentável CSS. Estamos dando uma matéria que já foi comentada em outros espaços midiáticos? Com certeza. Mas Zap’n’roll sabe como tratar o assunto e sabe do diferencial que seu material editorial possui, em relação aos outros. Por isso, se vale um conselho pra essa gente escrota, babaca, careta e covarde (como diria o saudoso poeta Cazuza) que assina “fã da popload”, ele é – e aí entra uma possível conexão entre mudança de comportamento (remeber Ira!) e “guerra de blogs” que na verdade não existe: mude seu comportamento, amigão. Deixe de ser chato, hostil e otário. O mundo moderno anda complicado demais pra pessoas como você continuar agindo como tigres humanos que viviam na ignorância e obscurantismo da Idade Média. Mude seu comportamento. Talvez você se torne um ser humano mais feliz e menos rancoroso, invejoso e babaca.

 

* E começando as notinhas semanais com aquela que já rodou por toda a web (na NME, na Folha online, no site da Rolling Stone e também no nosso querido espaço vizinho que o “fã da popload” ama, hihi). Liam Gallagher não se conteve e soltou a garganta ontem na Inglaterra, em show do seu Beady Eye, cantando “Rock’n’roll Star” e “Morning Glory”, do Oasis. Foi a primeira vez que Liam cantou alguma música de sua ex-banda desde que ela chegou ao fim, em 2009. E isso tem um significado muito claro: o Gallagher mais novo sabe que o meia-boca Beady Eye vai ter vida curta. Logo, logo ele irá voltar para os braços do irmão Noel, pra quem sabe…

 

* O Beady Eye, é bom não esquecer, é uma das bandas de abertura (!) dos mega shows com tickets total esgotados que os Stone Roses fazem neste finde, na sua natal Manchester.

Liam, o Gallagher mais novo, cantou Oasis esta semana e vai abrir shows dos Stone Roses. Será que ele está mais “humirde” e menos arrogante, afinal?

* Como estas linhas rockers online anteciparam, a produção do festival Planeta Terra começou a soltar esta semana os primeiros nomes de quem vai estar na edição deste ano do evento. E tome o chatíssimo Maccabees, mais Kings Of Leon (que fez um show péssimo no SWU em 2010) e Gossip (que o blog acha ok apenas). Assim, como está nesse momento, o line up do Terra é o pior das últimas edições. Óbvio que muita coisa ainda está sendo negociada e fechada. Assim, é cruzar os dedos e torcer para que venham também Garbage (esse já entregou no seu Twitter oficial que estará no Brasil este ano), Mumford & Sons (que vai inclusive lançar seu novo disco em setembro) e Kasabian. Aí sim vai valer a pena ir até o Jockey Club de Sampa.

Kings Of Leon (acima) e Maccabees (abaixo), duas das atrações confirmadas no Planeta Terra 2012, que começou mal de atrações

 

* Mas por essa estas linhas zappers não esperavam MEEEEESMOOO. Há alguns dias (ou semanas?) sem ler o “Confraria de tolos”, blog escrito pelo nosso “inimigo cordial” André Barcinski na Folha online (e, sem querer fazer média alguma, um dos melhores espaços de rock e cultura pop na blogosfera brazuca atual), agora de madrugada fomos dar uma “zoiada” no dito cujo.
E eis que pegamos Barça falando do… Cocteau Twins. Wooooow! Se você não sabe o que foi a banda, leia o blog dele, está tudo (mais ou menos) lá. Mas o que espanta é ver um sujeito, hoje careca e quarentão, rasgando elogios a uma banda que, vinte anos atrás (quando Barcinski AMAVA heavy metal, podreiras sonoras variadas e punk rock), ele devia odiar e achar a coisa mais insuportável do mundo. Conclusão óbvia: as pessoas envelhecem e mudam seu gosto musical (se pra pior ou melhor, é outra discussão), ampliam-no e o lapidam. Pelo jeito, é o caso do nosso “colega” de blogosfera.

 

Pra quem não tem idéia do que era a sonoiridade do Cocteau Twins, dá uma sacada no video aí embaixo, da música “Ivo”, que abre o álbum “Treasure”, lançado pelo grupo em 1986.

 

* Em tempo: estas linhas online gostam muito de alguns discos do Cocteau Twins (não todos). Inclusive a estréia do jornalista zapper estréia como profissional da mídia musical, em uma grande revista mensal e de circulação nacional foi em janeiro de 1987, na extinta Somtrês, quando ele resenhou lá (e falou bem) o “Treasure”, um dos melhores trabalhos da banda. O título da resenha era, se não nos falha a memória (uia), “Suavidade na tenda dos bem moderninhos” (isso, vale repetir, em janeiro de 1987, há vinte e dois anos!).

 

* Em tempo, II: ao vivo a banda era chatíssima e soporífera. Zap’n’roll descobriu isso quando o Cocteau Twins tocou aqui em 1990, no extinto ProjetoSP, na Barra Funda. O show foi um horror (nem a “parede de guitarras” construída no palco salvou a parada) de tão sonoleeeeeento e chato. O zapper sempre beberrão não aguentou e na metade da gig foi pro bar, pra beber. Bons tempos, enfim…

 

* PRÊMIO DYNAMITE: ÚLTIMA CHANCE PARA VOTAR – a votação para escolher os melhores do ano no Prêmio Dynamite de Música Independente 2012 termina amanhã, sábado, às 23:59 horas. Se você ainda não escolheu seus artistas preferidos, vai lá no site (http://www.premiodynamite.com.br/ ) e vota. Até o momento em que estas linhas bloggers poppers estavam sendo finalizadas, já haviam sido computados quase trinta mil votos. E a festa de entrega dos troféus aos vencedores – que volta depois de doiSs anos de ausência – promete ser bacanésima: ela acontece no próximo dia 11 de julho no teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Os mestres de cerimônia do evento serão a lindaça (e querida amiga zapper) Bianca Jhordão (vocalista do grupo Leela, que está prestes a lançar seu novo álbum, pela Pisces Records) e o eterno punk Clemente. Vão rolar shows do retornado Viper e mais Leela, Inocentes, Lipstick e… Maria Alcina, uia! Sendo que o sujeito aqui em pessoa vai entregar um dos troféus da noite. Além disso, paralelamente à premiação em si, também vai acontecer a Mostra do Prêmio Dynamite, com debates e shows legais entre os dias 6 e 7 de julho, no Centro Cultural da Juventude – mais sobre a Mostra você fica sabendo aqui: http://www.facebook.com/events/349317451804607/ . É isso aê, galere: vamos prestigiar DE FATO (ao invés de de mentira, como certas Ongs “fora do eixo” costumam fazer) a cena independente nacional votando e prestigiando a maior premiação da música alternativa brasileira!

O Leela vai tocar na entrega do Prêmio Dynamite 2012 

 

* Bien, que mais nessa já noite de sexta-feira? Adèle grávida do primeiro rebento, Tom Cruise dando uma botinada na (já) ex-mulher etc. Bobagens poppers enfim. Melhor ir logo pra explosiva entrevistona que Adriano Cintra concedeu com EXCLUSIVIDADE ao blog, e onde ele literalmente detona sua ex-banda, a CSS. Além de falar do seu novo projeto, o Madrid, claaaaaro. Então bora ler o ping-pong aí embaixo.

 

 

CSS JÁ ELVIS – AGORA ADRIANO CINTRA SÓ QUER SABER DO MADRID
Ele voltou – em termos – ao underground musical paulistano, onde nasceu e se criou. Você, jovem leitor zapper, pode não ter a noção exata de quem é Adriano Cintra. Mas o multiinstrumentista (toca bateria, guitarra, baixo, teclados e sopros), compositor, arranjador e produtor musical circula há quase duas décadas no rock alternativo de Sampa. As primeiras bandas foram o Ultrasom e o Supermarket, no início dos anos 90’. Depois veio o trio garage punk Thee Butcher’s Orchestra, que se tornou gigante na indie scene paulistana e projetou o trabalho de Adriano também no circuito rock independente europeu. Foi também, nessa época, que ele e Zap’n’roll se tornaram amigos.

 

E aí entrou em cena o combo electro-rock CSS (Cansei de Ser Sexy). Você e todo mundo sabe: a banda era Adriano mais cinco garotas (depois, apenas quatro) fazendo uma maçaroca barulhenta ao vivo – o grupo chegou a tocar, de graça, em festa da extitna revista Dynamite (e promovida pelo autor deste blog), no tradicional bar paulistano Outs. Isso lá por 2004. Aí a banda foi aprimorando seu som, Adriano foi fazendo contatos aqui e ali, conseguiu um contrato com o lendário selo SubPop (de Seattle e que deu ao mundo o grunge de Nirvana e Soundgarden) e… voilá! De repente o CSS era o nome um dos nomes mais “hot” do novo rock planetário dos anos 2000. Capa na NME, headliner em festivais pelo mundo afora, fama, dinheiro entrando e… tretas, muitas tretas. Que culminaram com a saída de Adriano Cintra (o “cérebro” e principal compositor do grupo) do CSS, no final do ano passado.

 

Isso é um resumo possível da história até aqui. Agora, aos trinta e oito anos de idade, o querido e velho Adriano está de volta com o seu novo projeto musical, o duo Madrid. Ao lado da cantora e compositora Marina (ex-integrante do grupo curitibano Bonde do Rolê), Adriano compôs uma batelada de belíssimas canções tramadas com violões, pianos e sopros. Tudo moldado em ambiências bucólicas, suaves e algo melancólicas (leia a resenha do álbum mais aí embaixo), em um disco que será lançado com um show na chopperia do Sesc eiapéia, em São Paulo, na próxima terça-feira, 3 de julho.

 

Mas o que rolou afinal por trás da saída de Adriano do CSS? E o que é o Madrid e o que o músico espera conseguir com sua nova empreitada musical? É o que você fica sabendo abaixo, na entrevista gigante e exclusiva que estas linhas zappers fizeram com o seu velho amigo na semana passada, via Facebook.

Dupla do barulho fazendo um entrevistão rock’n’roll: Zap’n’roll e Adriano 

 

Zap’n’roll – Você está lançando o primeiro álbum de seu novo projeto musical, o Madrid. O que esperar desse projeto e de um músico que já foi de uma formação histórica do indie guitar rock paulistano e que fundou um dos grandes nomes do electro-rock mundial nos anos 2000, o CSS?

 

Adriano Cintra – Tem a ver com minha primeira banda, o Ultrasom, onde eu tocava piano e cantava. É um disco lo fi, gravei tudo na minha sala, com poucos microfones. A Marina é incrivel, nos demos muito bem. Ela compõe, arranja, produz Desde o Caxabaxa [outro finado projeto musical de Adriano] eu não trabalhava com uma pessoa tão criativa.

 

Zap – Sim, e vocês dois são multiinstrumentistas. Mesmo assim, houve a adição de mais algum músico extra nas sessões de estúdio? E nos shows, serão apenas vocês dois mesmo ou pensa em montar uma banda maior?

 

Adriano – No disco só tem eu e ela. Eu toquei piano, bateria, baixo, algumas guitarras, sax e trompete. Ela tocou violão, guitarra, glockenspiel, órgão… Ao vivo contamos com dois músicos amigos nossos: O Rodrigo Sanches na bateria (foi ele que mixou o primeiro e o terceiro disco do CSS e gravou o segundo) e o Fil na guitarra. Ao vivo os arranjos são mais simples que no disco, mas tá soando super bem.

 

Zap – Ok. E sobre o quê falam as canções do Madrid?

 

Adriano – Separação, morte, maldade, desilusão, traição.

 

Zap – Esses temas presentes no trabalho do Madrid (separação, morte, maldade, desilusão, traição) têm a ver com o seu passado no CSS e os problemas que culminaram com a sua saída do grupo?

 

Adriano – claro, kkkkk. Então. Minha saída do CSS foi um dos períodos mais sofridos da minha vida. As pessoas acham que eu sou muito bafonzeiro, que xingo, que isso que aquilo. Mas ninguém parece entender que eu gostava daquelas meninas. De verdade. Era como se fossem da minha família. Eu tinha um sentimento de proteção com relação a elas fora do normal, talvez até por isso eu as tenha poupado tanto durante todo o processo. Eu as mimava de certa forma. E o dia que a japonesa [Lovefoxxx, vocalista do CSS] parou de falar comigo do NADA… Foi assim, um dia ela acordou e resolveu que não queria mais ser minha amiga. Olha, aquilo pra mim foi a morte. Eu demorei pra sair da banda, eu esperava que as coisas melhrassem mas só pioraram. Esse negócio aconteceu em janeiro de 2011. Até novembro, quando eu saí, as coisas se tornaram insustentáveis. Ela me excluia. Ela começou a fazer um grupo onde eu não era convidado. Eu fiquei muito deprimido. Foi praticamente um bullying. Quando eu saí, e foi assim, eu mandei um email bem ridículo falando AH ENTÃO VOCÊS VÃO PARAR DE ME PAGAR? ENTÃO EU TO FORA. Ninguem nem respondeu, tipo eu tava no fundo esperando um email NAAAAÃO, NÃO SE VÁ! Mas acho que era o que elas estavam planejando! E daí eu passei por todas as etapas do luto, neguei, fiquei com raiva, deprimi. E isso tudo influenciou as composições do Madrid, esse álbum foi composto e gravado em dois meses e meio. Pa pum.

 

Zap – Ok. E hoje, passado um ano dasua saída, você já descobriu o que motivou essa atitude da Lovefoxxx? Porque, embora muitas pessoas não saibam, a priori quem teve a idéia de montar a banda e efetivamente a montou foi você. Quando o CSS começou a estourar no rock planetário, não havia nenhum contrato formal que definia essas questões de quem era o autor das canções e de como eram divididos os lucros entre os músicos da banda?

 

Adriano – Nunca descobri o motivo. Desconheço, cansei de tentar adivinhar. Quem montou a banda na verdade foi a IRACEMA. Que pulou fora em 2008. Olha, eu sou o compositor do CSS, isso é uma questão de publishing. Eu nunca dividi a edição das músicas com ela, então eu continuo sendo dono das músicas, da propriedade intelectual que são as músicas. Muitas tem letras da Lovefoxxx, então ela também é dona das músicas que tem letras dela. Não exite motivo para eu proibir elas de tocarem minhas músicas pois cada vez que tocam eu ganho dinheiro. O que elas queriam parar de me pagar era o mísero salário da banda. Eu tirei licença médica por conta de um reumatismo no dedo mínimo. Eu ia voltar a tocar um mês depois. E elas querendo cortar meu salário. Sendo que no show elas estavam usando até meus backing vocals gravados. O grande problema era esse. Eu sempre ganhei mais dinheiro que todas elas, eu era o compositor da banda. E o produtor. Daí aproveitando que eu saí da banda, elas não me pagaram nem pela produção do ultimo disco da banda. E quer saber? Que enfiem esse dinheiro no rabo, nem era muito dinheiro assim. Mendigas. Passado o baque da tristeza de ter sido descartado, eu consegui ver as coisas como elas são. Essas meninas são umas patricinhas do Itaim [Bibi, bairro nobre da zona sul paulistana], que não têm noção do que significa trabalhar. Camelei um ano e meio pra fazer essa porra de último disco. Não ficou do jeito que eu queria. Usaram meu estudio,meus instrumentos, minha paciência. Minha VIDA. E não me pagam o que estava acertado? Daí o melhor foi a desculpa do empresário, querendo me dar o truque que não era aquele valor combinado. Sendo que eu tinha guardado o email onde ELE me oferecia o valor. Gente baixa, rasteira. E agora ficam lá tocando minhas músicas (fazendo dinheiro pra mim) pagando de MINAS DE BANDA. Quero muito ver que tipo de música elas vão compor. “BEER! VODKA! PROVOLNE!”. Vai ser tipo isso, creio eu. E outras assim, bem bem pretensiosas onde a japonesa vai chavecar algum bofe, tentnado fazer poesia.

 

Zap – Há duas fases bem distintas do CSS. A primeira, de grupo electro-rock no underground paulistano, sendo que vocês chegaram a tocar em festa da revista Dynamite, produzida por mim lá no Clube Outs, hehe. A segunda é quando a banda começa a ficar realmente grande (e nessa fase o único show que assisti do grupo foi no festival Mada, em Natal, anos atrás), é contratada pela SubPop, sai na capa da NME e começa a tocar nos principais festivais de rock do mundo. A mudança de um estágio para o outro provocou, de certa forma, algum impacto psicológico ou emocional em você e nas outras integrantes? Vocês estavam ganhando muito dinheiro, afinal? E como isso tudo se refletiu na vida pessoal de vocês todos?

 

Adriano – Eu nunca ganhei MUITO dinheiro com a banda. O que eu ganhei eu gastei morando fora. Houve o imbróglio com o ex-empresário, que me dá vontade de vomitar. Seria a vez que eu ganharia uma grana, e por isso entenda “uau, vou comprar meu apartamentINHO de 60 metros quadrados”. E o dinheiro evaporou. Depois, ganhamos dinheiro que gastei morando fora, morei quatro anos em Londres. Aluguel caro, comida cara. Psicologicamente acho que algumas pessoas na banda começaram a se levar a sério demais. Eu nunca me deixei levar por aquilo, pra mim era trampo, era chato pra caralho, não dava pra dormir, eu era alcoólatra. Eu não to nem aí de conhecer gente famosa. Eu detesto gente, caguei. “AI, OLHA A PEACHES”. Caguei. Olha, o “DAVID GROHL”. Caguei. Eu nunca, nunca puxei papo com essa gente. “MEU DEUS, VAMOS TOCAR ANTES DO SONIC YOUTH”. Mano, eu nem cheguei perto deles, imagina ir la pagar pau e ser mal tratado? Ia acabar com minha vida. Bom, eu sou um bicho né. Mas tinha nego da banda que STALKEAVA essa gente. Ia atrás, puxava assunto, tirava foto, trocava email. Putz, acho muito escroto. Muito deslumbre. Sabe o pior? No fim, eu tava me questionando, será que eu tinha que mudar? Será que eu sou tao insuportável assim? Daí eu fui la e tirei UMA FOTO COM O DAVID GROHL, hahaha. E sabe o que aconteceu? Aquela piranha do Kills me tratou mega mal e eu quase mandei ela à merda, groupie do caralho.

Lovefoxxx, a vocalista do CSS, segundo Adriano Cintra: “deslumbrada” e “não sabe cantar”, uia! 

 

Zap – E da parte das garotas, você sentia que havia um certo deslumbramento delas em estar ficando famosas e convivendo com outros rock stars? A Lovefoxxx chegou a noivar (ou casar) com o vocalista do trio inglês Klaxons, que também já teve seus quinze minutos de fama, rsrs.

 

Adriano –  Elas super deslumbraram. Patético. Me constrangia muito.

 

Zap – Ceeeeerto. E falando ainda de problemas com grana, direitos autorais de músicas etc, os problemas que você teve com o primeiro empresário do CSS foram, afinal, solucionados? Sei que você já falou muito sobre isso em entrevistas anteriores mas o que aconteceu afinal, a ponto de vocês demitirem o sujeito da função de empresário da banda?

 

Adriano – Há um processo criminal acontecendo. Essas coisas demoram anos. Mas eu vou até o fim.

 

Zap – Mas você pode detalhar o que acontceu?

 

Adriano – Ai, que horror. Meu advogado mandou eu não ficar falando disso, kakakakaka. É preguiça! A gente era burro, ele era mais burro ainda. E a merda espalhou na cara de todo mundo. Pra você ter idéia como as coisas são, desde 2007 eu nunca mais vi essa pessoa. Nem por acaso na rua. Não sei o que faz, onde frequenta, quem são os coitados que estão andando com ele hoje em dia. Quero que exploda.

 

Zap – Ok. E no auge do sucesso do CSS como você se sentia estando no meio daquele turbilhão de shows, entrevistas, festivais etc? Como era viver nesse, hã, “glamour” de fama, drugs, festas, sexo etc? Hoje, de volta ao cenário independente nacional, você de alguma forma sente falta daqueles tempos com o CSS?

 

Adriano – Olha, eu no auge bebia uma garrafa de vodka inteira por dia. Você acha que eu LEMBRO? Eu no fundo detestava tudo aquilo, nada era do jeito que tinha que ser, era tudo caótico, errado, a gente sempre se fudendo, nunca tinha tempo pra dormir, tinha dia que pegávams cinco vôos! Quando a banda deu um break pra fazer o terceiro disco eu parei de beber, comecei a fazer academia 6X por semana. Eu gosto de acordar cedo, dormir cedo. Não gosto mais de boate. Eu gosto de rotina. Agora com o Madrid eu vou fazer as coisas do jeito certo. Vamos viajar? Ok. Vamos marcar os vôos pensando que temos que DORMIR. ANTES DE VOAR. Kkkkkkk.

 

Zap – Ou seja: no final das contas, nem havia tanto glamour assim. Ou se havia, ele cobrava um preço alto, né?

 

Adriano – Véio, não tem glamour nenhum. Tocamos várias vezes na BBC. Tinha que estar lá as seis da manha pra passar som. Ninguém merece. Daí ficava lá o dia todo no camarim. Fazendo o que? Bebendo né. E comendo. É muito deprê. Glamour é você mesmo fazer suas coisas. Finatti, eu sou punk. Sempre gravei meus discos. Mixei. Fiz as estampas das camisetas. Silkei as camisetas. Vendi as camisetas. Quando você entra no jogo grande, vc não faz mais nada! É deprê.

 

Zap – Na minha avaliação pessoal, e sem querer fazer média com você, o CSS vai acabar em breve. E Lovefoxxx vai tentar a óbvia carreira solo, que também não vai durar muito. É o que eu acho. E você, o que acha em relação ao futuro delas?

 

Adriano – Quero que explodam. Mano, vai ver aquela MERDA de música que ela canta com o Steve Aoki. Aquele imbecil do Steve Aoki. Japonês deslumbrado, hipster wigga maldito. Mano, a voz dela tem tanto autotune que perdeu pra CHER. Ela pode gravar mais cinco músicas com auqele autotune terrivel. Até a hora que ninguem mais aguentar aquele efeito. Porque ela não consegue cantar sem efeito. Eu tenho aqui umas gravações que fizemos num puta estudio nos EUA. Se eu soltar isso, ela vai se dar descarga de vergonha.

 

Zap – Sensacional a entrevista, dear. Você lembrou dos tempos do Ultrasom, sua primeira banda. Teve também o Supermarket e, claaaaaro, o grande Butchers Orchestra, que na verdade foi a banda que te projetou como músico. Mudou muito a cena indie paulistana daquela época pra hoje? Como você se sente participando novamente dessa cena, após passar alguns anos em uma banda mega do pop planetário? Pretende tentar fazer carreira internacional também com o Madrid ou isso não está nos seus planos?

 

Adriano – Acho que hoje em dia tá bem deprê. Não tem onde tocar… tá puxado. Cade o Juke Joint? Então, já temos uma carreira fora. A agencia que marca nossos shows é inglesa. Estamos marcando uma turnê européia em outubro. Estamos negociando com uma empresaria americana para nos representar. A Marina mora em Londres. Para nos vai ser natural continuar tocando fora, eu tenho mais contatos lá fora que aqui!

 

 

MADRID, O DISCO, JÁ É UM DOS GRANDES LANÇAMENTOS DE 2012
Quem conhece o músico Adriano Cintra pelo que ele compôs, gravou e tocou com o trio garage/punk Thee Butcher’s Orchestra e com o (durante alguns anos) bombado combo electro CSS, não vai reconhecê-lo em seu novo projeto musical. E quem não tem referência alguma de sua trajetória vai se surpreender e admirar sua versatilidade em trafegar em ambiências sonoras tão díspares. Sim, porque “Madrid”, o disco que Adriano lança no próximo dia 9 de julho (pelo próprio selo criado pelo músico), em parceria com a também compositora e cantora Marina Vello, não tem absolutamente nada a ver com a sonoridade dos ex-grupos em que Cintra atuou.

 

É um álbum, antes de tudo, gravado na equação low fi – onde menos é mais. Mas nem por isso (pela gravação simples, com poucos instrumentos e sem nenhum rebuscamento na parte técnica e de mixagem) o trabalho é menos precioso e impactante. Pelo contrário: há todo um esmero melódico e instrumental, todo um cuidado com letras e vocais e que dificilmente se encontra nas atuais produções do pop/rock alternativo, seja daqui ou de fora.

 O multiinstrumentista Adriano: além de tocar, ele também se arrisca nos vocais na estréia em disco do Madrid

 

São canções contemplativas e tristonhas as que estão no disco de estréia do Madrid. Boa parte delas engendradas apenas com piano e voz. Em alguns momentos surgem violões e sopros (tocados por Adriano). As letras falam de traição, separação, desilusão (como o próprio músico revela na entrevista ao blog), em alusão à sua saída do CSS. E desse inventário, dessa expiação de dores emocionais causadas pelo rompimento entre ele e sua ex-banda, surgem músicas demolidoras como “Sibilings” (levada por violões algo dramáticos), “Sad Song” (aí é o piano que comanda a melodia e onde Adriano permite se arriscar nos vocais, dividindo-os com Marina; além disso há sopros que imprimem à música um quê de trilha para casais desiludidos em uma mesa de bar enfumaçado) e “Poison” (Adriano novamente nos vocais, e aqui destilando um “veneno” bem mortífero na letra, em referência ao seu passado recente no CSS). Como se não bastasse, Marina também enterra seu passado no Bonde do Rolê e se revela uma extraordinária cantora (com pronúncia em inglês impecável, diga-se) em “I’ve Been Around” (onde sua interpreação deixa qualquer Lana Del Rey da vida comendo poeira) e “Bride Dress”, o momento mais intenso e espetacular de um trabalho que beira a perfeição musical.

 

Há momentos, hã, mais animados em “Free Fall” (onde surge uma escaleta) e no “quase” low fi indie rock que é “Your Hand”. Porém estas duas faixas não destoam em nada do contexto que abarca o trabalho. “Madrid”, o disco, é sem nenhum favor já um dos grandes momentos do indie rock de 2012. Pode ter certeza disso.

 

* O duo Madrid lança seu primeiro álbum com um show na próxima terça-feira em São Paulo, no Sesc Pompéia, às nove da noite. A entrada será gratuita.

 

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA
* Disco: a estréia do Madrid, o novo projeto de Adriano Cintra, ex-CSS. O álbum tem show de lançamento no Sesc Pompéia (rua Clélia, 93, Pompéia, zona oeste paulistana), na próxima terça-feira, 3 de julho, às nove da noite. E o que é melhor: de graça!

 

* Los Porongas no extremo Norte brasileiro: uma das dez melhores bandas do rock independente brasileiro dos anos 2000, os fodásticos Los Porongas, realizam um sonho antigo: fazer uma tour por várias cidades da região Norte do Brasil. Nada mais natural pois, apesar de radicado há alguns anos em Sampa, o quarteto formado por Diogo Soares (vocais), Carlos Gadelha (guitarras), Magrão (baixo) e Jorge Anzol (bateria) na verdade nasceu em Rio Branco, no Acre. A sonoridade única que o grupo construiu em seus dois excepcionais álbuns de estúdio, agora poderá ser conferida ao vivo pela galera do extremo Norte. A tour começou ontem (sexta-feira), em Belém do Pará. Segue hoje (sábado, 30 de junho) em Macapá (e daqui estas linhas online mandam um super abraço pro queridão Otto Ramos e toda a turma do coletivo Palafita, que está organizando o evento por lá), onde a banda toca no Centro de Difusão Cultural Azevedo Picanço, com abertura luxuosa do local e também ótimo Vila Vintém (uma das bandas daquela região mais bacanas que o blog teve o prazer de conhecer e ouvir). E nos próximos dias a banda também irá se apresentar em Rio Branco, Porto Velho, Boa Vista e Manaus. Sucesso pra empreitada é o que estas linhas online desejam aos amados Poronguinhas, porque eles merecem! E se você de Macapá ou está passando hoje pela cidade, não perca a gig de forma alguma!

O quarteto Los Porongas: o grande rock do Acre em turné pelo Norte brasileiro; hoje, o show é em Macapá

 

* Baladas no finde? Vem que tem! Hoje, sabadão em si (quando este post está sendo concluído), tem a incendiária DJ set mensal do blog lá no clube Outs (que fica na rua Augusta, 486). Das duas e meia da matina até às quatro e meia o blogger dublê de DJ vai derrubar a pista com o melhor do indie rock planetário. Cola lá que vai ser fooooodaaaaa!///Já no sempre bombado Astronete (também na Augusta, no 335) rola a noite de despedida da festa “Discotexxx”, que animou os sábados do bar nos últimos quatro anos. O DJ convidado é o super André Pomba, que amanhã (domingão) também comanda a mega festa Grind, na Loca (rua Frei Caneca, 916, Consolação, centro de Sampa), onde aliás o blog também faz DJ set no próximo dia 29 de julho. Tá bão, né? Se monte, se jogue pra esbórnia que hoje é sabadão, porra!

 

RADIO DEPT – ÚLTIMA CHAMADA!
Tá marcando, manezão? Então se aprumaê. Vai lá no hfinatti@gmail.com, que é a última chamada pra você tentar descolar:

 

* UM PAR DE INGRESSOS pros shows do bacanudo shoegazer sueco do The Radio Dept, semana que vem. Os tickets são pra gig em Sampa (na próxima sexta-feira, 6 de julho, no BecoSP) e no Rio (dia 8, domingo, no teatro Odisséia). Tá nessa? Então boa sorte!

 

AGORA É FIM MESMO!
Yes! Postão grandão e bacanão como nosso dileto leitorado ama, hehe. Agora o zapper sempre rocker vai bater um rango, passear pelo centrão de Sampa e se preparar para a grande noitada de putaria rock’n’roll que vai rolar hoje, na Outs. Quem quiser aparecer, o convite está mais do que feito. Nos vemos por lá! E por aqui também novamente, na semana que vem. Até!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 30/6/2012, às 15hs.)

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