Fim de jogo para 2010!

 Os canadenses do Arcade Fire: banda, disco e música de 2010. Eles merecem, e estão a caminho do Rock In Rio 2011É, fim de jogo mesmo…Mais um ano termina e, como sempre fazemos no último post do blog a cada doze meses, hoje publicamos um balanço rápido e rasteiro do que mais chamou a atenção destas linhas zappers em 2010, no rock alternativo planetário e na cultura pop em geral. São – é sempre bom lembrar – opiniões absolutamente pessoais e ninguém é obrigado a concordar com elas. Mas este espaço rocker blogger acredita que conseguiu fazer um bom resumo do que rolou durante todo o ano. E foi um ano ruim para o rock indie (opinião compartilhada com o blog, por exemplo, pelo querido Pablo Miyazawa, o homem que dirige a redação da Rolling Stone) mas bacana para o cinema, para a liteteratura e, principalmente, para a área dos shows gringos que invadiram com tudo o país, com direito a mega festivais como o SWU e o Planeta Terra. Enfim, dá uma lida aí embaixo na lista dos melhores de 2010 pela  Zap’n’roll e concorde – ou discorde – à vontade. Afinal, o respeito aqui pelo leitor, pela democracia e pela liberdade de expressão é total. Certo, mano? Vamos nelson então.A BANDA DE 2010ARCADE FIRE – Porque é fodona e também porque lançou um discaço este ano, “The Suburbs”. Emergindo da cena independente canadense há apenas sete anos, o grupo liderado pelo guitarrista e vocalista Win Butler tomou de assalto o mainstream este ano sem regredir um milímetro em sua qualidade musical. O álbum lançado em 2010 é o ápice de um conjunto que combina musicalidade barroca, psicodelia, guitarras indies, melodias pungentes e letras que refletem sobre as dores da existência humana com uma sensibilidade raramente conseguida no pop/rock atual. Por tudo isso, não tem pra ninguém: Arcade Fire (que deverá estar no Rock In Rio 2011) é a banda do ano.O DISCO DE 2010“The Suburbs”, também do Arcade Fire, oras. E por todos os motivos já escritos aí em cima.A MÚSICA E O VÍDEO DE 2010Novamente “The Suburbs”, do Arcade Fire.MAIS QUATRO DISCOS PARA LEMBRAR DE 2010“High Violet” – The National”Plastic Beach” – The Gorillaz”The Fool” – Warpaint”Innerspeaker” – Tame ImpalaSHOW GRINGO DE 2010Ok, ok, muita gente vai dizer que foi o do Paul McCartney, com muita justiça. Mas o blog vai votar em um dos que ele assistiu, né? E dentre esses, não teve pra ninguém: Queens Of The Stone Age no festival SWU, em Itú. Na cabeça, sem apelação.Josh Homme e o QOTSA em ação, no festival SWU: ele é o cara!TRÊS DISCOS NACIONAIS DE 2010Os gaúchos dos Cartolas: um dos poucos grupos do rock BR a lançar um disco realmente fodão em 2010“Quase certeza absoluta” – Cartolas/RS (www.cartolas.com.br)”Umbando” – Umbando/GO (www.umbando.com.br)”Baudelaires” – The Baudelaires/PA (www.myspace.com/baudelairesband)TRÊS APOSTAS NACIONAIS DO BLOG PARA 2011Inimitáveis, de Cuiabá, e Baudelaires, de Belém: o indie rock paulistano está ficando mesmo pra trás…Os Inimitáveis – de CuiabáThe Baudelaires – de Belém do ParáVila Vintém – De Macapá, AmapáUM LIVRO DE 2010“No buraco”, o novo romance escrito pelo guitarrista Tony Bellotto, dos Titãs.UM FILME DE 2010“A rede social”, que conta como foi criado o Facebook.Esse pirralho nerd criou o Facebook, ficou bilionário e sua história está contada no melhor filme de 2010CANAL DE TVDiscoveryPROGRAMA DE TVA Liga, na Band.VERGONHA DO ANOO aumento salarial de 62% que os bandidos do Congresso Nacional deram a si mesmos, na semana passada.ÚLTIMA DESOVA DE PRÊMIOS DO ANO!Claaaaaro! O papai Noel zapper não vai deixar seus ansiosos leitores na mão. Então confere aí embaixo se você ganhou um presentinho de natal do blog, hehe:* Livro “Só garotos”, escrito pela Patti Smith: vai pra Marilza Soares Campos, de Brasília/DF;* Kit de cds e dvds da ST2: fica com Cássia Rita Fialho, de São Paulo/SP* Camisetas da Cuma Virtual: vão para Rudá Jr. e Deja Suassurana, ambos de Macapá/AP* Kit de cds da Lab344: o sorteio continua valendo até janeiro galere, pois a gravadora só irá enviar o material após o reveillon, ok? Portanto, pode continuar mandando seu pedido para o notório hfinatti@gmail.com .E É ISSO! AGORA FÉRIAS QUE O BLOG MERECE!Fim de papo e começo de festa, rsrs. O blog não vai desejar feliz natal pra ninguém pois não tem o menor apreço pela data. Mas vai sim desejar que 2011 seja um super ano pra todo mundo que acompanha estas linhas rockers bloggers já há mais de sete anos. E encerramos por aqui as atividades em 2010. Hoje à noite o sempre dodjo zapper vai enfiar o pé na lama lá na Outs (rua Augusta,. 486, centrão rocker de Sampa), quando rola o fecho de ouro do ano, com showzaço dos Forgotten Boys. Amanhã, sextona em si, o blog se manda pra Macapá e fica por lá até o começo de janeiro. E voltamos aqui lá pelo dia 13 do mês que vem, às vésperas do primeiro grande show de 2011 (o da Amy Winehouse, claro) e para dar o start nos trampos de mais um ano rock’n’roll. Então é isso. Beijos e abraços na galere, em especial nos Felipes (Brito e Almeida), no Luiz Zaffa, na Lily Punkinha, nas manas Adriana e Vera Ribeiro, no sempre amado André Pomba, nos queridaços Hugo Santos e Marilda Vieira, na família Santos de Macapá (a futura sogra, pelo menos o blog assim espera, Telma e os futuros cunhados Carine, Rudá e Robenson) e nela, sempre (apesar de desleixos e mancadas habituais, mas não propositais), a muito amada já há quase dois anos, Rudja Catrine.Até 2011, povo!(enviado por Finatti às 15hs.)

E no penúltimo post do ano… Cure X Iron Maiden, Lobão X Zap’n’roll, um livro pop bacana e mais algumas coisinhas…

  O velho goth Cure: tão antigo quanto o metaleiro Iron Maiden. Mas a turma de Bob Smith continua sendo legalAh, a hipocrisia do natal…Pode parecer uma frase pesada, ofensiva até para a maioria das pessoas ou dos que praticam a religião cristã (e o autor deste blog, embora um agnóstico convicto, tem total respeito por todas as religiões embora não seja adepto de nenhuma delas, além de também acreditar totalmente que existe alguma “força superior” lá em cima que criou tudo o que está aqui na Terra e no Universo em geral; uma força que está muito além das exegeses humanas, moralistas, reacionárias, conservadoras e eivadas de preconceitos e que são disseminadas pela maioria das religiões), mas é bem por aí mesmo. Você, dileto e ainda jovem leitor destas linhas rockers online, já parou pra observar como quase todo mundo fica tomado por um sentimento de bondade e solidariedade com o mundo nesta época do ano? E por que raios nos outros onze meses seguintes esse mesmo quase todo mundo tasca um foda-se pra quem está do seu lado, num autêntico salve-se quem puder? Zap’n’roll começou a elocubrar sobre isso quando, algumas horas antes de começar a digitar este post, estava fazendo um aprazível passeio noturno, de carro, pelas ruas de Sampalândia, com seu amigão Luiz Zalath (baixista da banda Umburana69). O blog passou pela avenida Paulista. Decoração natalina lindona, com destaque para a praça de natal montada em cima do palco onde vai acontecer o show da virada, no reveillon. As duas pistas da avenida atravancadas em plena onze e meia da noite. Todo mundo com sorriso estampado no rosto e bla bla blá. E daí? Daí que o sujeito que escreve este blog, sem querer ser chato, ranzinza ou “do contra”, considera que a humanidade seria mais honesta consigo mesma se ela estivesse permanentemente imbuída do espírito natalino, o ano todo. Ou então, que mantivesse sua insensibilidade, seu egoísmo latente destes tempos, seu cada vez mais visível “cada um por si” também na época do natal. Zap’n’roll é um sujeito modesto, longe de possuir grandes recursos materiais e/ou monetários. Mas vive com conforto. E jamais se furta em ajudar alguém quando solicitado nesse sentido, e quando o pedido de ajuda está ao seu alcance. Mas quantos agem assim, desta forma? Enfim, é isso. Discorrendo sobre a grande farsa de felicidade e a grande hipocrisia que é o natal (uma festa para a qual o jornalista já a caminho dos 5.0 não dá a menor pelota, desde que a querida e saudosa mama Janet se foi, há seis anos), é que damos o start no penúltimo post deste ano. Nele você lerá textos sobre alguns embates curiosos, bizarros e até engraçados, como a comparação entre as bandas Cure e Iron Maiden, e a “briga” que rolou (nos anos 90’, é bom esclarecer) entre Zap’n’roll e Lobão. Depois, semana que vem, tem a lista dos melhores de 2010 na opinião destas linhas zappers e depois… natal, reveillon e sossego por quinze dias em Macapá, ao lado da ainda amada Rudja, a que vive sendo uma “pimenta” com o sujeito aqui, rsrs. Mas como bem frisou o jornalista Aydano André Motta anteontem, no Programa do Jô: “com a mulher que você ama, há duas alternativas para lidar com ela: ou você chuta o pau da barraca ou fica quieto e obedece, rsrs”. O autor destas linhas virtuais, claro, vai pela segunda opção. É melhor, podem areditar em um sujeito que já tem anos de experiência no assunto. E chega de enrolation. Ao post, povo!* Tanta violência, mas tanta ternura. Enquanto o post vai sendo “construído”, na MTV rola o Lab Teco Apple, que está fodástico nessa madruga de quarta pra quinta-feira. Começou com “The Suburbs”, a magistral faixa-título do igualmente magistral novo álbum do Arcade Fire. A direção, pra quem ainda não viu (será possível?) é do gênio Spike Jonze. Combinação melhor impossível.* Aliás, dá uma recordada no vídeo de “The Suburbs” aí embaixo. Na modestíssima opinião destas linhas rockers virtuais, talvez a música de 2010, no rock planetário.* Passou Metric também, outra banda legal, mas looooonge de ser fodona como o Arcade Fire. Ok, os canadenses fazem um indie guitar rock potente (algo mezzo new wave), estão na estrada há mais de uma década e têm quatro discos lançados – o último, “Fantasies”, saiu em abril de 2009 e é bem legal. Fora que a vocalista Emily Haines é um xotão loiro tesudo – uma Debbie Harry pro novo milênio? Pode ser. Mas enfim, como o grupo não lançou disco novo este ano, ficamos na expectativa pra ver se em 2011 o Metric reaperece com O disco.* Frase da semana: “por trás de todo homofóbico existe uma bicha enrustida”. Proferida no Debate MTV sobre direitos dos homossexuais. O blog assina embaixo.* E, sim, já passou uma semana mas vamos lá: Stone Temple Pilots semana passada na Via Funchal foi bem legal. Poderia ter sido zilhões de vezes melhor se o som da melhor casa de shows gringos de grande porte em Sampa, não estivesse atipicamente mal equalizado e muito embolado (opinião do blog, compartilhada pelos chapas editores da Rolling Stone, Pablo Miyazawa e Paulo Terron). Enfim, o STP dedicou a primeira metade do set para as músicas mais recentes e tal. Depois atacou os clássicos, e aí o povo que estava presente (umas quatro mil pessoas) foi à loucura. Claro, Scott Weilland está bem acabadão (fisicamente falando), mas ainda manda muito nos vocais. A banda é entrosadíssima e também segura o pique no alto o tempo todo. Foi uma gig fodona no final das contas, pra encerrar muito bem 2010 no quesito shows internacionais. Agora é fazer um retiro estratégico até 15 de janeiro, quando a temporada 2011 começa com Amy Winehouse em Sampa e os caralho.* A madrugada pós-STP na Via Funchal é que foi insana. Acompanhado do amigão Felipe Vito, Zap’n’roll se mandou pro baixo Augusta – municiado, claaaaaro, de substâncias propícias a uma devastação da membrana nasal, rsrs. A primeira parada foi na festa “Loucuras”, comandada pelo dj André Pomba, e que estava festejando seu oitavo ano de vida. Depois a esbórnia foi longe. O blog voltou pra sua house às nove da manhã de sexta. Destruído e fora de combate, óbvio. Sério, o sujeito aqui já não tem mais saúde pra baladas desse naipe, uia!* QUEM CONSEGUE UM TICKET PRO U2? – o primeiro grande drama de 2011, óbvio, é a autêntica guerra pelos tickets pra ver U2 com o Muse em abril. O último – e definitivo – show foi marcado para 13 de abril, também no Morumbi, e os ingressos para o público em geral (leia-se o populacho, que não é cliente de cartão de crédito ou banco patrocinador da turnê) começam a ser vendidos nesta segunda-feira, 20. As entradas para a segunda aprsentação se esgotaram em menos de doze horas anteontem. Como sempre, houve empurra-empurra e confusão nos postos de venda “física” em Sampa. Fora que a venda por telefone ou pelo site da T4F estava um caos. Teve fã que se revoltou com a situação e postou vídeo no YouTube protestando. Há dezenas de relatos dando conta de que os cambistas compraram centenas de tickets nas bilheterias autorizadas e imediatamente começavam a fazer a festa, revendendo os mesmos tickets por preços absurdos. O que o blog tem a dizer sobre isso tudo? Que, em um certo sentido, em um mega-show como o de uma banda como o U2, tumultos assim na venda antecipada dos ingressos não é exclusividade brasileira. Problemas desse naipe rolam em qualquer parte do mundo, mesmo em países mega civilizados e organizados (em termos de show biz) como Inglaterra ou Estados Unidos. É claro que aqui tudo sempre é potencializado pelo descaso, pela desorganização e amadorismo com os quais as produtoras locais de eventos culturais tratam a realização de seus eventos. Acaba dando no que dá e quem paga o pato, óbvio, é o fã. Buenas, para quem for tentar garantir seu passaporte para a derradeira chance de ver Bono e cia, o blog zapper só pode desejar: boa sorte!* Rápido e rasteiro no mondo rocker: entonces, “Collapse Into Now”, o novo do REM (com participações especiais de Eddie Vedder e Patti Smith) chega às lojas em março – mas o iTunes vai disponibilizar as doze faixas na web (pagas, claro) a partir desta segunda-feira.///Não é uma fofura? O super boa-praça Dave Grohl também vai estar no novo filme dos Muppets, que chega aos cinemas em 2011. Zap’n’roll sempre foi mega fã dos Muppets. E também dos Foo Fighters que, pelo visto, finalmente voltam ao Brasil em abril próximo.///O grande Johnny Depp, que está lançando seu novo longa (“O turista”, que também conta com a xoxotaça Angelina Jolie), afirmou em entrevista promocional do filme que está cansado e gostaria de se aposentar do seu trampo nas telas. Really? Depp, que tem a idade do autor destas linhas rockers bloggers (47 aninhos, indo pros 48) é um dos gigantes do cinema dos últimos vinte anos e estas linhas pop online consideram que ele ainda tem muito a oferecer pro cinema. Aposenta não, Johnny!Johnny Depp já pensa na aposentadoria das telas. Carma, homem!* Tava demorando, mas começou a “mpbzação” do Rock In Rio 2011. Estarão no festival Marcelo Camelo, Arnaldo Antunes e Tulipa Ruiz. Pelo menos são três nomes que ainda fazem música de alta qualidade, dentro do empobrecido panorama da atual música pop que se faz no país. Se continuar assim e não baixar o nível do line up do evento, menomale.* Bien, bien, vamos lá: Zap’n’roll X Lobão – uma briga histórica nos anos 90’. E porque Cure ainda é legal e Iron Maiden, não. Vai lendo, espume de raiva ou divirta-se a valer, rsrs.O DIA EM QUE LOBÃO CAIU DE PAU EM CIMA DO BLOGGER LOKER – UMA BRIGA HISTÓRICA NOS 90’“Finas, você está citado na biografia do Lobão, ’50 anos a mil’! Já viu?”. Quem dá a info e faz a pergunta, via msn na tarde da última quarta-feira, é o chapa Dennis Rodrigues, vocalista da bacanuda banda garageira/jovem guarda cuiabana Inimitáveis, uma das revelações do indie rock nacional deste ano e aposta do blog para 2011.Nope, Zap’n’roll não estava sabendo da citação. Do livro sim, óbvio. Trata-se da biografia de Lobão, lançada pela editora Nova Fronteira no final de novembro último e que o blog, assume, ainda não teve a oportunidade de ler (neste momento a parte “literária” do hd de cultura pop do jornalista zapper está ocupada lendo “No buraco”, o novo romance de Tony Bellotto, e “Só garotos”, o volume escrito por Patti Smith onde ela relembra os anos loucos que passou ao lado do falecido fotógrafo Robert Mapplethorpe). Trata-se de um catatau de quase 600 páginas, escrito pelo próprio Lobão em parceria com Cláudio Tognoli, jornalista paulistano amigo destas linhas pop online e um dos melhores textos da imprensa brasileira nas últimas duas décadas. Bastante comentado na mídia de cultura pop nas últimas semanas, “50 anos a mil” se tornou um dos destaques dos lançamentos literários neste final de ano.E o blog achou curioso – pra não dizer bizarro e engraçado – ser citado na bio do Lobo uivador, inegavelmente um dos quatro grandes compositores e letristas do rock brasileiro dos anos 80’ – os outros três foram Renato Russo, Arnaldo Antunes e Cazuza. Curioso porque o jornalista blogger conviveu alguns anos com o cantor (entre seu auge e o período de “baixa” na carreira musical, nos anos 90’), fez algumas entrevistas com ele e por conta da última delas, publicada em dezembro de 1995 na saudosa e fodástica revista Interview, Lobão brigou feio com o zapper gonzo, num episódio provavelmente já contado aqui quando dedicamos um post ao lançamento do disco “Lobão – Acústico MTV”, que saiu há três anos.Zap’n’roll pediu a Dennis que enviasse, por email, o trecho do livro onde o autor do blog é citado. Trata-se de uma parte da resenha publicada na revista Istoé, em 1989 (onde então o sujeito aqui trabalhava, como repórter da editoria de Cultura), sobre o disco “Sob o sol de Parador”, lançado por Lobão naquele ano. Uma resenha favorável ao álbum, diga-se, já que de fato o disco era bem legal.Ele (na foto, com a querida Pitty) já brigou com Zap’n’roll. Mas cita o autor deste blog em sua biografiaLobão, pelos comentários já ouvidos por este espaço online, escreveu uma auto-biografia honestíssima, onde não esconde nada de sua trajetória, tampouco do seu lendário envolvimento com drogas e a enfiação de pé na lama nelas. Óbvio que a entrevista publicada na Interview e a briga motivada por ela o cantor preferiu omitir (ou se “esqueceu” dela) na biografia. Foi um episódio realmente algo desagradável. Ele havia lançado, em 1995, o disco “Nostalgia da modernidade”, o primeiro por uma grande gravadora (na época, a Virgin), após passar um período de independência musical “forçada”. Após duras negociações, conseguiu-se que ele falasse com a Interview (uma revista que era chic, poderosa, formadora de opinião e tal, mas que era evitada por muitos artistas por causa do conteúdo “explosivo” de suas célebres entrevistas), sendo que o escalado para fazer a matéria foi justamente seu velho conhecido Finas – então, repórter de música da publicação. O blog se recorda até hoje da sessão da entrevista, realizada durante um suculento jantar regado a whisky Black Label, em um flat na zona sul paulistana. Como de hábito, Lobão disparou mundos e fundos contra vários de seus “colegas” de ofício, em especial a cantora Fernanda Abreu, que foi duramente atacada por ele com declarações deste naipe: “Ela é uma curiosa que está fazendo música bonitinha, com perfumaria. Ela não sabe cantar direito. Ela não sabe falar direito! É uma pessoa praticamente nula”.O foda foi que, dali a exatos 30 dias, Lobão iria se apresentar no Hollywood Rock de janeiro de 1996, em uma super banda organizada por Gilberto Gil e que, entre outros, iria também contar justamente com a participação de… Fernanda Abreu. A entrevista havia sido gravada e quando a revista foi para as bancas com ela, o bicho pegou. Lobão tentou a todo custo “desdizer” o que disse, negou suas declarações e chamou este repórter de “canalha”, em uma entrevista publicada no jornal “O Globo”. E quando ambos se encontraram novamente em carne-e-osso (no lobby do hotel paulistano Maksoud Plaza, onde as bandas que iriam tocar no Hollywood Rock estavam hospedadas e onde o jornalista rocker estava dando “plantão”, cobrindo o festival para a revista Dynamite), faltou pouco para rolar uma cena de pugilato entre músico e jornalista. Aos berros, Lobão começou a insultar o autor deste blog, terminando a discussão com um sonoro “Você é burro, Finatti!”. Ao que o zapper, que não leva desaforo pra casa, respondeu: “e você é um fodido, que mesmo estando na merda não desce do salto alto”. Lá se vão catorze anos desse episódio. Ambos (cantor e jornalista) nunca mais se falaram desde então.O blog vai procurar ler “50 anos a mil”, assim que possível, pois ainda tem uma grande admiração pelo ARTISTA Lobão, um dos melhores músicos já surgidos na história da música e do rock brasileiro. Ele também manda bem no comando do Debate MTV e do “Lobotomia” – e parece que, infelizmente, ambos os programas sairão da grade da emissora no ano que vem. Mas pela PESSOA de João Luiz Wordenbag (seu nome de batismo), infelizmente, hoje o autor deste espaço virtual não tem mais nenhum apreço. É isso. A vida é doce… ou cruel, dependendo do ponto de vista.Abaixo, a reprodução do trecho da bio de Lobão, onde é citada a resenha escrita pelo blog para o disco “Sob o sol de Parador”.CURE X IRON MAIDEN – O PRIMEIRO AINDA É LEGAL; O SEGUNDO…É público e notório para quem acompanha este blog desde que ele existe. E também pra quem conhece a trajetória jornalística zapper de longa data. O autor deste espaço virtual rocker nunca foi fã de heavy metal, na nossa modestíssima e mega pessoal opinião um dos gêneros mais sacais dentro da história do rock’n’roll. Vai daí que, justamente por esta “aversão” ao estilo é que este tópico é mesmo, na cara larga, uma provocação aos metaleiros xiitas – aliás, eles ainda existem?Claro, o gênero possui nomes gigantes, lendários e que com um ótimo trabalho, souberam dar dignidade e grandeza ao metal, ampliando conceitual, artistica e esteticamente um tipo de música que por si só já é bastante limitado. Grupos como Led Zeppelin, Black Sabbath, Metallica e, mais recentemente, Nirvana e Queens Of The Stone Age (que são, sim, grupos de heavy metal, só que em outra variação do estilo) são inatacáveis e estão acima do bem e do mal.Não é o caso do Iron Maiden, claro. O velhusco, ultrapassado, conservador e pentelho grupo de heavy metal britânico está aí, imutável, fazendo o mesmo tipo de metal há 34 anos. Por isso mesmo que o Iron já encheu o saco, deu o que tinha que dar e não mobiliza mais multidões de fãs fanáticos pelo mundo. Apenas no Brasil, o país que aceita tudo na boa.Pode parecer uma comparação algo esdrúxula e bizarra mas vamos lá: o Iron está na ativa desde 1976, ano em que também nasceu outro gigante do rock inglês, o pós-punk The Cure, que logo se tornou lenda e ídolo da confraria gótica. O Cure, eternamente comandado pelo guitarrista e vocalista Robert Smith, também está na ativa até hoje, mas está muito longe de parecer uma múmia engessada como é o caso da Donzela de Ferro.Por que o Cure ainda é legal e o Iron, um saco? Por zilhões de motivos mas o blog vai citar apenas alguns. O grupo de Bob Smith sempre procurou ampliar seus horizontes sonoros e partir para experiências além do pós-punk – que nem sempre resultaram em grandes discos, é verdade (e o horrendo “Wild Mood Swings”, de 1996, é um bom exemplo disso). Mas de qualquer forma a banda engendrou, ao longo de sua carreira, álbuns fodásticos (e aí podem ser citados “Faith”, “Pornography”, “The Head On The Door”, “Disintegration”, “Wish” etc.) e um caminhão de hits que estão até hoje no imaginário popular. Fora que o fofo Smith, mesmo estando cinquentão e tal, continua mantendo aquele estilão visual extravagante que sempre o caracterizou. E fora que sua própria vida pessoal é estranha e cheia de bizarrices. E fora que, mesmo tendo composto uma batelada de canções sorumbáticas e melancólicas ao longo de três décadas, Smith sempre manteve o bom humor e nunca se levou a sério demais. E, por último, o Cure esteve apenas DUAS vezes no Brasil, sendo que uma terceira volta do conjunto por aqui é sempre aguardada com devoção pelos fãs brasileiros.Cinquentões, metaleiros e cafonas – até na foto promocionalAgora, passemos ao Iron novamente. Ok, a banda liderada pelo baixista Steve Harris e pelo vocalista Bruce Dickinson também possui álbuns clássicos e fodões em sua trajetória – e aí o blog pode citar, de memória, “The Number Of The Beast”, “Powerslave” e, vá lá, “Fear Of The Dark”, lançado em 1992. Só que a banda deveria ter parado justamente ali, em 1992, há quase duas décadas, quando lançou aquele que é provavelmente seu último bom disco. Depois disso, é o que todo mundo está careca de saber (até o metaleiro mais sectário): Bruce saiu, entrou o nulo Blaze Bayle nos vocais, Bruce voltou, o grupo se tornou paródia de si próprio e passou a gravar álbuns maçantes e a fazer turnês caça-níqueis como a que vai novamente (e pela trilionésima vez) pelo Brasil, em março/abril próximos. Iron Maiden no Brasil é a maior carne-de-vaca (de terceira) que pode existir hoje em dia. Fala sério…Fora que o combo heavy metal se leva a sério demais (como não rir daquelas músicas babacas e grandiloquentes, com letras que versam sobre demônios e guerras, compondo um mosaico sônico que deveria servir apenas de rito de passagem pra moleques de quinze anos de idade?), e possui uma vida extra palco que é de uma caretice exemplar, segundo consta a biografia não autorizada “Iron Maiden – 30 anos da Besta”, escrita pelo jornalista inglês Paul Stenning e que acaba de sair no Brasil pela nova editora rocker Beast Books. O chapa Wlad Cruz, o homem que comanda o Zona Punk (www.zonapunk.com.br) já leu o volume e confirma: não há nada muito escandaloso na trajetória pessoal dos músicos do Iron. Aí vem a inefável questão: onde já se viu alguém tocar em uma mega banda de heavy metal, e NÃO se envolver em escândalos de putarias variadas e enfiação de pé na lama com drogas? Novamente: fala sério…Por tudo isso, fica muito claro que o Cure é, ainda hoje, uma banda muuuuuito legal. E o Iron Maiden… bien, sem comentários… Mas como tem gosto pra tudo nesse mundo…BELLOTO – O QUE MANDA BEM NA GUITARRA E NA LITERATURAOs Titãs, que já foram um dos melhores grupos do rock Brasil dos 80’ (não dá pra não gostar de discos fodaços e clássicos como “Cabeça Dinossauro”, “Jesus não tem dentes no país dos banguelas” e “O Blésq Blom”) estão caidaços faz tempo. E deveriam já ter parado pra pensar em uma providencial aposentadoria dos discos e dos palcos. E o seu guitarrista, Tony Bellotto, talvez consciente disso, resolveu também se enveredar pela literatura há alguns anos. Bellotto, que é um dos grandes nomes da guitarra no Brasil, também acabou se revelando um ótimo romancista pop, como mostra a série de livros que ele escreveu nos últimos anos, e cujo personagem central sempre foi o detetive Bellini.Pois não faz muito tempo a Cia das Letras editou o novo livro escrito por Tony. “No buraco”, que conta as agruras de um fictício e fracassado rockstar (o guitarrista e vocalista Teo Zanquis, que participou de uma banda de rock nos anos 80’ e que só teve um único hit em toda a sua trajetória), cinquentão e que relembra seu passado enquanto se envolve emocional e sexualmente com uma pirralha de 19 anos de idade, rocker até a medula e que trampa como vendedora em um sebo de discos no centro de Sampalândia.Bellotto, dos Titãs e a capa do seu novo livro: além de ótimo guitarrista, também um bom escritorLotado de referências pop musicais e literárias, “No buraco” é a delícia total e sua leitura está fazendo a alegria do gonzo zapper nas últimas madrugadas. O texto é fluente e agradável, a trama não possui “cabecismos” que enchem o leitor e mesmo utilizando um vernáculo absolutamente popular e coloquial, ainda assim Bellotto constrói ótimas passagens que prendem total a atenção de quem está lendo a trama. Já tem o voto do blog para um dos livros de 2010. E ainda mostra que os Titãs produziram ao menos dois escritores de muito talento: o mais cerebral e erudito Arnaldo Antunes, e o mais “popular” (e não há nenhum demérito nisso) Tony Bellotto.Se você não leu ainda, pode ir atrás sem medo. E enquanto não vai, dá uma lida aí embaixo em alguns trechos divertidíssimos do livro:“’Vem’, sussurrou.Cinco minutos antes ela tinha confessado que adorava gozar assim, de costas, batendo uma siririca enquanto um cara deslizava pra dentro dela. Eu era o cara.‘Trem bão…’A bunda sorria pra mim como aquelas carinhas amarelas idiotas que te desejam have a nice day nos lugares mais improváveis” (início do capítulo 4, sendo que Zap’n’roll se lembrou de que conhece muito bem uma certa garota que se parece muito, no gosto sexual, com a personagem descrita por Tony aí em cima, rsrs).XXXXX“Existe uma mitologia a respeito da estrada e das bandas de rock. Há também a relação mística de roqueiros com hotéis. Foi na banheira de um hotel em Paris que Jim Morrison morreu. Os membros do The Who costumavam destruir quartos de hotel após os shows. John Entwistle, do The Who, morreu gloriosamente aos cinquenta e oito anos depois de cheirar cocaína e trepar com putas em um hotel em Las Vegas” (capítulo 8, página 38).O BLOGÃO ZAPPER INDICA* Disco: “Fantasies”, do Metric. É do ano passado e tal, mas é legal, sendo que o blog voltou a ouvi-lo quando começou a escrever este post. E dá pra achar fácil na web.* Filme: “A rede social” continua bombando nos cinemas (e não é que Mark Zuckerberg, que fundou a porra do Facebook, acabou de ser eleito a personalidade do ano pela revista Time?). Se vocâ ainda não assistiu, vá correndo assistir. É o filme de 2010, sem dúvida alguma.* Balada rocker em Macapá: mora na capital do Amapá? Vai pra lá passar as festas do final de ano, como o blog está indo na semana que vem? Então marca na agenda, pra não esquecer: o novo point rocker da cidade é o Vitruviano bar, inaugurado em agosto passado e fica bem no centrão da quentíssima (literalmente) capital amapaense. O local funciona de quarta a sábado e abre espaço para música ao vivo variada, que vai da mpb ao rock. E as noites de sábado já estão pegando fogo, claro, pois a banda residente é a The Hide’s, pilotada pelo brother Henrique Colares, um sujeito que toca guitarra pra caralho e que faz covers de grandes clássicos do rock como ninguém. Enfim, é lá que a Hide’s, junto com Zap’n’roll (na discotecagem), está armando uma super festa pra fechar com gosto 2010. Semana que vem o blog dá mais detalhes a respeito e novamente: se você mora em Macapation ou está pela cidade, vai no Vitruviano, que fica na avenida Machado de Assis, entre as ruas Hamilton Silva e Leopoldo Machado.* Baladenhas: natal batendo na porta e todo mundo se preparando pra picar a mula de Sampa. Mas neste finde ainda dá pra curtir algumas baladas no circuito indie. Começando hoje, sextona, quando tem show do Ludov no StudioSP (rua Augusta, 595, centrão de Sampa). Depois, você pode esticar a balada na Outs (também na Augusta, mas no 486), onde o bacanudo trio garageiro Detroit faz o show de lançamento do clip da música “San Marino”.///Também na Outs mas amanhã, sábado, rola showzão dos já veteranos Faichecleres. E logo em frente, no Inferno (no 501 da Augusta), vai ter a última edição deste ano da sempre badaladíssima festa oitentista Pop&Wave, que é onde o zapper baladeiro vai cair na pista antes de se mandar pro extremo Norte, na semana que vem. Certo mano? Vai lá então e boa balada!ÚLTIMOS PRÊMIOS DE 2010!Yes! Ainda não mandou seu pedido de natal pro hfinatti@gmail.com? Então corre que ainda dá tempo de você tentar ganhar:* Um exemplar do livro “Só garotos”, bio bacanuda da Patti Smith lançada há pouco no Brasil pela Cia das Letras;* Um kit de cds mega bacanas do selo carioca Lab344;* Outro kit também bacana, com dvds e cds, da ST2;* E duas camisetas (uma feminina e outra masculina) da Cuma Virtual (www.cumavirtual.com).Okays? Então tá.FIM DE POSTSemana que vem o blog vai ser menor, já vamos avisando. Mas ele vem com os melhores do ano na opinião zapper. E também com as nossas apostas pra 2011 no rock e na cultura pop. Beleusma? Então até lá!(enviado por Finatti às 20hs.)Este post foi escrito ao som do Arcade Fire (“Thr Suburbs” e do Metric (“Fantasies”)Siga o blog no Twitter: www.twitter.com/zapnrollfinatti

O ano chega ao fim com Tame Impala, Two Door Cinema Club, Stone Temple Pilots (uhú!), a nova Rolling Stone, muitos prêmios no blog e os caralho!

Os novos hippies psicodélicos australianos e o electro-rock pós-punk da Irlanda do Norte: dois bons discos pra encerrar o anoBamos? Bamos!Entonces, semana passada o bicho pegou por aqui, pelos lados do zapper já em clima de final de ano. Correria pra fazer o balanço do ano na cultura pop (e depois colocar o resultado aqui), correria para acertar detalhes da viagem daqui a duas semanas (pra passar natal e reveillon no calorzão do extremo norte brazuca), crises de gastrite (yep, o sujeito aqui tem isso, afinal são anos de alimentação total desregrada, consumo de álcool em doses cavalares e também de vários “aditivos” que, hã, dão prazer mental mas que não são exatamente o melhor “alimento” do mundo para o corpo, rsrs) e o postão semanal acabou indo pro saco. Mas como diz o velho clichê do populacho: quebramos mas não vergamos. Assim, tudo em ordem novamente esta semana. O blogão que nunca dorme cá está, pra falar dos discos de estréia de duas bandas que andam muito comentadas na blogosfera rocker atualmente: Tame Impala e Two Door Cinema Club. Ambos os discos, na verdade, foram lançados lá fora no começo deste ano. E eis que, de repente, o australiano Tame Impala começou a virar assunto do dia agora no final de 2010. Já o Two Door está, inclusive, com shows marcados no Brasil logo no começo de 2011. Então nada mais justo do que dar uma “blogada” sobre os dois grupos, e ver se eles realmente valem a atenção que estão tendo na blogosfera pop. Fora isso a semana está agitada, com show do graaaaande Stone Temple Pilots em Sampa. E também com o lançamento da última edição deste ano da Rolling Stone, que traz o… Fresno na capa! (hum…). Pois justamente pra falar sobre essa capa e sobre os rumos que a maior revista de cultura pop do país vai tomar daqui pra frente é que o blog zapper foi bater um papo com o novo editor-chefe da publicação, o querido super monge japa zen Pablo Miyazawa. E, ainda, resolvemos fazer um divertido (e, claaaaaro, polêmico e provocativo) exercício de comparação entre duas bandas da mesma idade, mas de estilos musicais totalmente diferentes: o blog mostra porque o velho gótico Cure ainda é legal e bacana de se curtir, e porque o metal cafona do Iron Maiden já deu o que tinha que dar. Mais??? Vai lendo o post que está começando agora e aproveite bem o dito cujo, porque são apenas mais duas colunas este ano depois desta. Depois, mano, só em 2011 – que está logo ali na frente, né? Então bora lá ler essa bodega!* E, óbvio, o último grande show gringo deste ano em Sampalândia rola hoje à noite, lá na Via Funchal (a melhor casa de shows internacionais da capital paulista, desde sempre). Stone Temple Pilots no palco, o junky Scott Weilland finalmente dando as caras por aqui e todo aquele revival do grunge circa 90’s na área. Vai lendo o post que falamos mais da gig mais aí embaixo, além de dar os nomes dos dois felizardos que vão curtir o showzão por conta do blogão.Scott Weilland e sua gang: botando pra foder hoje em SP* Era de se esperar: os ingressos para o show do U2 com o Muse, dia 9 de abril no Morumbi, evaporaram em poucas horas. Óbvio que foi marcada uma apresentação extra para o dia 10/4. Os tickets começam a ser vendidos semana que vem e não custa lembrar: a pista está saindo pela bagatela de 180 pilas. Boa sorte pra quem vai tentar conseguir um ingresso. A batalha vai ser, como sempre, sangrenta.* E prestatenção: serão apenas mais dois posts zappers este ano: semana que vem e na outra, quando o blogon fará seu tradicional balanço anual com os melhores discos, filmes, livros e shows dos últimos doze meses. Como o hd mental do sujeito aqui anda falhando (pela quantidade absurda de infos nele acumuladas) quem quiser ajudar na escolha dos melhores (e piores) do ano, pode se manifestar no espaço reservado aos comentários dos leitores.* Nenhuma putaria essa semana? Nada de drugs??? Baixaria zero??? É, estamos mesmo já em clima natalino…* Mas o blog acompanhou anteontem mais uma edição do programa “A liga”, apresentado pelo rapper Thaíde e levado ao ar pela Band. O tema desta semana foi “Mitos sexuais”. É interessante a abordagem nada moralista e muito menos maniqueísta do programa sobre os assuntos nele exibidos, o que torna “A liga”, sem nenhum favor, um dos melhores programas jornalísticos da atual tv aberta brasileira. A Band pode não ter a estrutura e os recursos que uma Globo dispõe na edição de um Globo Repórter (que está cada vez mais sacal e careta), por exemplo. Mas compensa com criatividade e lingaguem moderna e contemporânea no roteiro do seu “A liga”. Ponto pro programa, claro.* JOHN LENNON, 30 ANOS ESTA NOITE – então, ontem foi aniversário da morte de um mito e gênio da hsitória do rock mundial e da cultura pop. Lá se vão trinta anos desde que John Lennon, que um dia foi um beatle, ao chegar em casa com a mulher Yoko Ono, levou cinco tiros de um maluco chamado Mark Chapman. Lennon havia lançado há pouco o álbum “Double Fantasy” e retornava do estúdio de gravação quando foi alvejado na porta do prédio Dakota, próximo ao Central Park de Nova York, onde morava com Yoko. Ok, Zap’n’roll não vai ficar aqui fazendo ladainha textual sobre Lennon e sobre uma história que todo mundo já conhece de cor. Mesmo porque, para horror dos fãs de John e fúria da unanimidade sempre subserviente, o autor destas linhas rockers bloggers NUNCA morreu de amores pelos Beatles (é público e notório que o gonzo zapper sempre foi muito mais apaixonado pelos Stones). Claro, o blog nem em sonho discorda da importância da obra de Lennon para a história da cultura planetária, aliás estas linhas online são e sempre foram bem mais fãs dos beatles solo (inclusos aí Paul McCartney e George Harrison) do que juntos. Porém, além de se recordar da trajetória de John o que deveria ser feito hoje pelos “analistas” da cultura pop, é pensar sobre o que mudou na música nestas últimas três décadas e porque hoje em dia não surgem gênios como um John Lennon, ou porque uma canção como “Imagine” (só pra ficar em um único exemplo, dentre milhares que poderiam ser citados aqui de sua trajetória pessoal e com os Beatles) continua tão poderosa e sobrevive imune à passagem do tempo. Será que alguma música de Lady Gaga irá chegar tão longe algum dia? O jornalista rocker tinha apenas dezessete anos quando Lennon morreu, mas se lembra do choque que levou e da comoção que tomou conta do mundo naquele 8 de dezembro de 1980. Foi como se o rock’n’roll em si tivesse desmoronado para sempre. Mas aí os anos foram passando, a música pop se recuperou do choque e seguiu seu curso, se tornando mais pop, superficial, diluída e inculta do que nunca. Lennon faz falta, sim (se não fizesse, não estaria nas capas da NME e da Rolling Stone americana desta semana). Mas falta maior ainda é a de renovação na música de hoje, e do surgimento de gênios semelhantes no rock. Quem sabe um dia novamente…Ele foi um gênio incontestável. Mas mais gente também morreu no dia 8 de dezembro* Hum… e já que é pra registrar datas de falecimento, estas foram lembradas ao blog pelo dileto “sobrinho” Luiz César Pimentel, ex-editor-chefe da saudosa revista Zero, e atualmente um dos editores executivos do portal R7. Também ontem, 8 de dezembro, foi aniversário da morte de Dimebag Darrell, ex-guitarrista do extinto grupo de porrada metal Pantera (“Dimebag também foi cruelmente assassinado a tiros, em cima do palco”, faz questão de lembrar Luiz), e que partiu desta pra melhor em 2004. E fora Dimebag o gênio Tom Jobim também morreu em 8 de dezembro, em 1994. Pois é…* Aluno reprovado mata professor a facadas, no interior de uma universidade em Belzonte. Torcedores covardes do Atlético/MG espancam até a morte outro torcedor, do rival Cruzeiro – o que prova, pela enésima vez, que futebol é mesmo um esporte estúpido e gera monstros com merda no cérebro, ao invés de neurônios. E a pergunta que se faz é: o que está havendo com os mineiros, outrora pacíficos e sossegados? Ou, pior ainda: o brasileiro está a caminho de um irreversível processo de animalização total do seu comportamento social? Pra pensar…* E enquanto a primeira parte deste post vai sendo escrita (na madrugada de terça pra quarta-feira), a cultura pop grita na tv do autor deste blog, sempre ligada nas madrugadas (às vezes sem volume, pra não atrapalhar a idéia que está sendo desenvolvida no texto que irá ser postado aqui). Pois eis que na telinha da Globo, no famigerado Intercine, começa a ser exibido… “Corrida contra o destino”. Não, não o original – e clássico – “Wanishing Point”, rodado em 1971 com o ator Barry Newman interpretando o célebre anti-herói e outsider Kowalski, um ex-fuzileiro naval americano que sai a esmo pelas free ways americanas, dirigindo a toda um Dodge e, por conta disso, começa a ser implacavelmente perseguido pela polícia ao mesmo tempo em que é transformado numa espécie de ídolo popular por um dj de uma emissora de rádio, que passa a narrar sua fuga. O filme exibido ontem na Globo é um remake feito em 1997, não tão bacana quanto o original mas que ainda assim despertou no sempre saudosista jornalista, a lembrança das vezes em que ele assistiu a versão original da obra – no cinema e depois também na tv. Um filme aparentemente simples no roteiro e na estrutura mas que acabou se transformando num ícone cult que radiografou com precisão a grande ressaca americana pós-geração Woodstock e pré-fracasso na Guerra do Vietnã. Fora que “Wanishing Point”, você leitor zapper sabe, virou título de um dos melhores álbuns da carreira do Primal Scream (já que Bobby Gillespie é fanático pela fita), sendo “Kowalski” também o tíutulo de uma das músicas desse álbum. Um filmaço, enfim. Se você ainda não viu, procure na locadora mais próxima (de preferência, a versão original). Ou então, baixe na web mesmo, oras.O anti-herói Kowalski, em cena de “Wanishing Point”: admirado por Bobby Gillespie, do Primal Scream* Filmaço também é “A rede social”, que o blog foi conferir na última segunda-feira. David Ficher, o homem que dirigiu os fodásticos “Seven – os sete pecados capitais” e “Clube da Luta”, de fato imprimiu um olhar mega sarcástico e cínico sobre como Mark Zuckerberg, um nerd gênio da computação e estudante de Harvard, ficou bilionário ao criar o hoje notório Facebook (que literalmente destruiu o Orkut) – e também passando a perna nos outros, inclusive no sócio brasileiro Eduardo Saverin. A direção é ágil, os diálogos são sensacionais e as cenas dos embates judiciais entre os advogados de Zuckerberg e Eduardo (onde o segundo move uma ação milionária contra o primeiro) são de tirar o fôlego de quem está assistindo a fita – nessas, a comentada cena da “cheirada” de cocaine do personagem vivido por Justin Timberlake nos tetões de uma vadia, passa até batida. Fora a climática e futurista trilha composta pelo também gênio Trent Reznor. Enfim, “The Social Network” vai figurar, tranquilamente, na lista dos melhores de 2010 destas linhas bloggers.* 15 Minutos, o humorístico da MTV que revelou Marcelo Adnet, chega finalmente ao fim. E já chega tarde, pois é muito óbvio que a fórmula do programa já estava mega desgastada – isso, desde a época em que o simpático Mano Quiabo foi defenestrado da atração e substituído pelo mongo Quiroga. Agora falta a emissora de clips se tocar de que Quinta Categoria e Comédia MTV também são insuportáveis e precisam urgentemente ser extintos. Saudades da mega anarquia que era promovida por Hermes & Renato (que estão “aprisionados” na Record, diga-se).* Buenas, vamos ver os novos sons do Tame Impala e do Two Door Cinema Club.TAME IMPALA E TWO DOOR CINEMA CLUB – A PSICODELIA E O PÓS-PUNK DANÇANTE REVISITADOSMais um ano vai terminando e, como de hábito nesses anos 2000 dominados pela velocidade e superficialidade da cultura pop difundida via web, zilhões de bandas surgiram na mídia, lançaram seus discos (ainda no formato físico do cd ou apenas em versão online), se tornaram o hype da vez e logo em seguida desapareceram. É o curso natural e inexorável da indústria cultural do século XXI. Nesse panorama, sempre surge algo que realmente vale à pena ser ouvido e guardado para o futuro. E dentre os trocentos grupos comentados ao longo deste ano, Zap’n’roll resolveu abrir espaço neste post para o australiano Tame Impala e para o irlandês Two Door Cinema Club. Ambos já existem há três anos mas lançaram seus primeiros álbuns apenas em 2010. “Innerspeaker”, do Tame Impala, saiu em maio. Já “Tourist History”, do Two Door, foi lançado em março. São discos – e bandas – muito diferentes entre si: o TI resgata a psicodelia e o rock setentista nas faixas de seu disco; o TDCC faz apologia do pós-punk inglês dos 80’, em sua ambiência mais dançante e menos sombria.O quarteto Tame Impala surgiu em 2007 na cidade de Perth, no oeste australiano. Formado pelo guitarrista e vocalista Kevin Parker, pelo também guitarrista Dominic Simper, pelo baixista Nick Allbrook e pelo baterista Jay Watson, o grupo não tem pudor em mergulhar sua sonoridade na psicodelia e no rock quase stoner do final dos 60’/início dos 70’. Há timbres de órgãos vintage espalhados por todas as canções de “Innerspeaker”, guitarras tratadas com pedaleira fuzz e um vocal lasso e sonolento interpretando as canções – algo como se o vocalista Kevin as estivesse cantando às seis da manhã, envolto em brumas de álcool e haxixe. Fora que há todo um cheiro de estrada de terra molhada exalando de faixas como “Desire Be Desire Go” (um dos melhores momentos do disco) ou “Expectations” (que tem mais de seis minutos de duração e termina com uma espécie de “coda” com ruídos psicódelicos). Na real, não se trata de um trabalho regular do começo ao fim – e existem momentos nele em que a banda perde a mão, ao tentar soar mais pop e menos psicodélica (como na chatinha “Solitude Is Bliss”, com levada mezzo funkeada nas guitarras e efeitos de eco na instrumentação). Mas o saldo final do cd é positivo sim e o grupo é bom o suficiente para ter chamado a atenção de gente como Noel Gallagher, o povo do Kasabian e blogs como a Popload, hihi. A questão é saber qual é o prazo de validade de bandas como o Tame Impala nos dias de hoje, nessa desenfreada alternância de hypes na mídia pop. Onde anda o MGMT, por exemplo? Que fim levou o Wolfmother? Claro que um conjunto que assume como influências o Cream, Doors, Jefferson Airplaine e outros mestres da psicodelia sessentista, e que lança um bom disco de estréia, merece todo o crédito do mundo. Assim, fica a torcida destas linhas rockers bloggers para que o Tame Impala dure um pouco mais do que as novas bandas têm durado no rock atual.As capas dos discos do Tame Impala e do TDCCE o Two Door Cinema Club? O trio formado por Alex Trimble (vocais, guitarras, teclados), Sam Halliday (vocais e guitarras) e Kevin Baird (baixo e vocais) nasceu na Irlanda do Norte também em 2007. Mas lançou os primeiros singles apenas em 2009, quando começou a chamar a atenção da musical press britânica. Quando “Tourist History”, o primeiro – e único, até o momento – álbum, saiu em março deste ano, o grupo já estava razoavelmente badalado na web, em sites e blogs musicais. E o som do TDCC não tem mistério: é pós-punk inglês oitentista mas em sua feição mais dançante e up, sem resvalar nas ambiências sombrias ou tristonhas que dominaram o gênero há três décadas. Há muitas guitarras nas faixas do disco. Mas também há um intenso trabalho de construção eletrônica na sonoridade do grupo, que faz uso de bateria eletrônica e programações rítmicas na maioria das músicas. Assim, o cd abre em pique aceleradíssimo e ultra dançante com “Cigarettes In The Theatre” e “Come Back Home”, que devem funcionar muito bem tanto ao vivo quanto numa pista. O mesmo pique pode ser ouvido em “You’re Not Stubborn”, mas o disco cresce muuuuuito quando entra em cena o pop fofo e sedutor de “Do You Want It All?”. Ou ainda o electro alegre de “Something Good Can Work”, o primeiro single de trabalho do álbum e que vai fazer a festa das bibas que frequentam o clube paulistano A Loca. Resumindo bem a questão, o Two Door remete a um New Order com mais guitarras. E também a algo próximo do que os Pet Shop Boys faziam tão bem em seus primeiros discos.E tal qual o Tame Impala, a grande questão em relação aos irlandeses é: qual irá ser o prazo de validade do grupo? Afinal, por exemplo, onde está o Delphic, outro combo electro comentado aqui mesmo nestas linhas bloggers e que andou sendo faladíssimo na web, pra pouco tempo depois sumir de circulação?É, o pop e o rock do século XXI vivem momentos cruéis, de explosão e implosão contínua de hypes. Tame Impala e Two Door Cinema Club, que lançaram ambos bons discos este ano, estão imersos neste mesmo desafio: sobreviver à implosão de seus hypes.* Para saber mais sobre as duas bandas, vai lá: www.tameimpala.com e www.twodoorcinemaclub.com .* O Two Door Cinema Club toca no Brasil no começo de 2011, com shows marcados para janeiro e fevereiro em Porto Alegre e São Paulo.TWO DOOR CINEMA CLUB AÍ EMBAIXONo vídeo do hit single “Something Good Can Work”ROLLING STONE BR – O FUTURO DA GRANDE REVISTA DE CULTURA POPPublicada há quatro décadas e meia nos Estados Unidos e há quatro anos no Brasil, a revista Rolling Stone continua sendo talvez o maior nome da mídia planetária dedicada à cultura pop. Por isso mesmo ela desperta amor e ódio, admiração e reprovação em doses iguais. Não deve ser fácil comandar a redação de uma publicação de tamanho porte, quando se sabe que milhares (no Brasil; milhões no resto do mundo) de pessoas estão de olho no seu trabalho. Zap’n’roll, ela própria que colaborou durante três anos com a RS Brasil, sabe o peso que é assinar um texto na revista.E a edição brasileira sofreu mudanças no corpo editorial há pouco tempo. Saiu o editor-chefe Ricardo Franca Cruz (que dirigiu muito bem a RS nacional desde sua primeira edição; Quinho agora está à frente da edição nacional da revista masculina GQ, que deve chegar às bancas no início de 2011) e, em seu lugar, assumiu Pablo Miyazawa, que já fazia parte da equipe de redação. Pois foi com o querido super monge japa zen (como Pablo é carinhosamente chamado pelo autor deste blog) que fomos bater um papo, via msn, na tarde da última terça-feira. Abaixo segue a entrevista, onde o novo editor-chefe da RS Brasil fala dos desafios da revista para o próximo ano e como ele vê a mídia pop e a própria música nos dias de hoje.Trinca de responsa do jornalismo de cultura pop brasileiro: dear Luscious Ribeiro (o homem da Popload), Zap’n’roll e Pablo Miyazawa, o novo editor-chefe da Rolling StoneZap’n’roll – A capa da última edição deste ano da revista é dedicada ao grupo gaúcho Fresno. Com todo o respeito ao trabalho da banda, não seria uma capa “menor” em um ano onde a Rolling Stone Brasil já estampou em suas edições artistas como Paul McCartney, por exemplo? Comercial e editorialmente falando, a capa se justifica? A banda, na sua opinião, é suficientemente boa e vende bem para estar na última capa de 2010 da revista?Pablo Miyazawa – Acredito que o fato de ser a última capa de 2010 é algo relativo. Na verdade, procuro valorizar o fato de ser apenas a terceira vez que publicamos uma capa com uma banda de rock brasileira (a primeira vez foi o Cavalera Conspiracy, em março de 2008; a segunda, o NX Zero, em junho do mesmo ano). O Fresno atravessa uma fase diferenciada em se tratando do mercado de música jovem atual, e penso que é a hora ideal de contarmos a história e a trajetória da banda – um momento de transição de nichos e estilos, com um disco que denota essa mudança, além da evolução no discurso e atitude dos integrantes. A revista é pensada e reinventada mês após mês. Pouco importa se a edição de novembro apresentou Paul McCartney na capa. Esse mês é o Fresno. E no mês que vem, será um assunto totalmente diferente. Acredito que é justamente essa variedade, liberdade e ausência de preconceitos alguns dos principais ingredientes que fazem a Rolling Stone agradar o seu leitor.Zap – Muito bem. E como novo editor-chefe da maior revista de cultura pop do país (e, talvez, do mundo), também cabe a pergunta: vai bem ou mal o atual rock brasileiro?Pablo – É complicado simplesmente dizer que “vai mal”. É uma questão de ponto de vista. Nunca houve tantas bandas interessantes se sobressaindo nos nichos – isso pode ser um reflexo da maior utilização da internet por parte das bandas, mas também pode denotar um processo de renovação criativa. Ao mesmo tempo, existe uma lacuna grande a ser preenchida nesse momento – do rock no mainstream -, e que aparentemente não será algo de imediato. Daria para dizer que o jovem de modo geral não se interessa por rock? Também não, e há o sucesso do Restart para indicar o contrário. O jovem quer algo para acreditar, seguir, se dedicar. Não parece haver tanta alternativa disponível, então nem dá para culpá-los. Eu prefiro pensar que há muita música de qualidade sendo produzida para pequenas parcelas de público, e que nossa função, como imprensa, é direcionar os caminhos adequados nesse sentido. Na condição de editor de uma revista como a Rolling Stone, essa é uma de minhas missões.Zap – Você assumiu a chefia da redação há apenas dois meses. Foi uma surpresa para você ser alçado ao cargo de editor-chefe, ou era algo que já havia sido decidido internamente com a saída do Ricardo Cruz?Pablo – Acabou sendo o caminho natural, visto que a continuidade faz parte da política da empresa. O fato de eu fazer parte da equipe da revista desde o início junto ao Ricardo só facilitou essa transição. Mas é claro que uma parte de mim ficou surpresa com a responsabilidade adquirida e com a iminência de encontrar novos desafios. Estou abraçando a ideia, bastante animado e disposto a continuar o ótimo trabalho deixado pelo Ricardo – e o fato de a equipe já estar bastante entrosada ajuda bastante. Afinal, não há trabalho mais coletivo no jornalismo impresso do que o de se fazer uma revista.Zap – Para quem o conhece apenas pelo seu trabalho na Rolling Stone (primeiro como editor e agora, como editor-chefe), você poderia dar um resumo da sua trajetória profissional? Você é um especialista em games, certo? E mantém um blog a respeito do assunto, procede?Pablo – Sim, comecei a trabalhar como jornalista na finada editora Acme (que posteriormente mudaria o nome para Conrad), sociedade dos jornalistas André Forastieri e Rogério de Campos, em 1998. Meus primeiros trabalhos publicados foram em revistas infanto-juvenis, como a Herói, e em revistas de videogame, como Nintendo World. A experiência com revistas jovens foi das mais valiosas, mesmo parecendo específico demais. Não é – me envolver com o universo da “cultura pop” de forma tão contundente acabou me preparando para a situação atual do mercado, em que todo mundo de certa forma é especialista em diversos temas ao mesmo tempo. O videogame acaba por ser um produto que define perfeitamente esse conceito de pluralidade tão em voga hoje. De certa maneira, fazer uma revista de games e a Rolling Stone não são atividades assim tão distantes. No fim das contas, estou conversando com um público semelhante – ele apenas envelheceu um pouco de lá para cá e ampliou seu foco de interesse.Zap – Como jornalista de cultura pop, como você vê a música pop mundial hoje e, dentro dela, o rock? E o jornalismo impresso dedicado à cultura pop, qual será o futuro dele na sua opinião? Irá sobreviver ou será devorado pela cultura digital de sites e blogs?Pablo – Não há momento mais interessante para se dedicar à música – por mais que os próprios artistas pareçam dizer o contrário. O público que quiser se afastar do establishment consegue fazer isso com desenvoltura – há festivais ditos “independentes”, muitos segmentos musicais diversos, a própria internet para abastecer qualquer faminto por novidades. Não é mais preciso se pautar apenas pelos meios de comunicação de massa. Aquele que tiver disposição para garimpar está feito e não tem do que reclamar. Dito isso, é um momento de atenção especial para o jornalismo impresso. Qualquer coisa que eu disser será mera especulação e chover no molhado, visto que não há solução simples para a questão. Iremos sobreviver? Teremos que nos adaptar? Gostaria de saber as respostas. Se bem que escuto a mesma argumentação há pelo menos uns cinco anos. Obviamente, as revistas não terão em alguns anos a mesma presença de mercado que possuem hoje – e isso já é uma tendência real, é só comparar números de 2000 para cá. Resta saber “quando”, e não “como”. A outra questão é “o que” os editores pretendem fazer a respeito. O público, por sua vez, não vai ficar esperando enquanto reinventamos o produto. Ele irá atrás das informações de qualquer maneira. Somos nós que temos que correr atrás do leitor, e não o contrário.Zap – A Rolling Stone continua se mantendo bem, em termos de circulação? Você poderia dar alguns números a respeito?Pablo – Não divulgamos números, mas posso dizer que estamos indo bem. Vendas variam de acordo com os ciclos. Capas de artistas clássicos costumam vender muito bem, talvez mais do que de artistas contemporâneos. Acredito que seja por causa do potencial “colecionável” desse tipo de publicação. As pessoas estão se mostrando preocupadas em manter/guardar a história quando adquirem essas edições “clássicas”. No mais, posso dizer que estamos satisfeitos e surpresos com a receptividade que certas edições de 2010 receberam do leitor.Zap – Cite algumas dessas edições que surpreenderam pela receptividade positiva do leitorPablo – Eu não poderia dizer que foi uma surpresa a excelente resposta à capa do Paul McCartney, mas as capas de Jimi Hendrix (abril) e Rolling Stones (junho) também foram muito bem. Outra surpresa, mas que contraria minha argumentação, foi a ótima venda da edição dos presidenciáveis. Não apenas o fato de publicarmos entrevistas com os três candidatos, mas o fato de apresentarmos os três em capas diferentes, deve ter sido o fator que despertou a curiosidade do leitor.Zap – Quais os planos editoriais para 2011 e enquanto você for o editor-chefe? Mudanças significativas? Você pretende deixar uma “marca” da sua gestão editorial ou apenas dar continuidade a um trabalho que aparentemente tem dado ótimos resultados até agora?Pablo – Seria prepotência dizer que vou deixar uma “marca” ou coisa parecida, mesmo porque, não há data limite para eu permanecer no cargo. É claro que pretendo continuar o trabalho que tem dado ótimos resultados, com pequenas evoluções aqui e ali no que diz respeito a projeto editorial. A Rolling Stone é o que é e não há muito o que se fazer a respeito disso. O importante é ser o mais fiel possível ao projeto inicial, já que seguimos as diretrizes da matriz, e continuar tentando manter a relevância da publicação no mercado brasileiro. Sabemos que não é algo simples, uma vez que muitas das barreiras e adversidades ainda nos são desconhecidas nesse momento. Mas as perspectivas são ótimas para 2011, eu não poderia estar mais animado. O que posso prometer é persistir com nosso compromisso de olhar o Brasil e seus artistas com o olho clínico, atentos aos movimentos do mercado e ao gosto do público. Fazemos a revista para os brasileiros, então seria ideal que cada vez mais brasileiros se vejam retratados nela. É a nossa missão para 2011.Zap – Apenas mais uma pergunta pra encerrar mesmo, pois eu estava me esquecendo dela: a Rolling Stone nasceu nos Estados Unidos em 1967 como uma publicação algo contra-cultural, disposta a ser totalmente contra à caretice jornalística que imperava na imprensa mainstream, mesmo aquela dedicada à cultura pop. Nesse processo ela revelou grandes nomes como Hunter Thompson e Lester Bangs, nomes conhecidos pela sua extrema genialidade textual, mas também pelos metódos pouco ortodoxos de trabalhar: o consumo de drogas, a paixão na escrita, o mergulho pessoal na matéria em questão. Esse estilo produziu momentos memoráveis na história da RS americana mas, com o passar dos anos, a própria revista se agigantou, se tornou ela própria mainstream e sua linha editorial aboliu esse estilo romântico, gonzo, algo porra louca de se fazer jornalismo de cultura pop. Em suma: você acha que não existe mais espaço para este tipo de jornalismo hoje em dia nas páginas da Rolling Stone ou mesmo de outras publicações? Não há mais espaço para jornalistas como Bangs ou mesmo brasielrios como o saudoso Ezequiel Neves?Pablo – Espaço pode até haver – a questão é que o mundo girou e mudou. Aquela visão romântica do jornalismo já não existe mais há tempos. De fato, acho que o jornalismo vive uma crise horrível nesse momento. Jamais nossas feridas foram tão expostas e nossas deficiências tão questionadas pelo leitor do que nessa era de comunicação via redes sociais, o imediatismo do Twitter, etc. Acho que tentar resgatar aquela cultura, ou mesmo aquele espírito, não iria nos ajudar a compreender este mundo em que vivemos hoje, tão camaleônico, urgente e canibal, em que um conceito tradicional como “exclusividade” se torna até sinônimo de piada. Então, não sou romântico nesse sentido. Prefiro ser prático: como fazer para um veículo de comunicação se manter relevante em um momento em que o público praticamente produz e escreve as notícias ele mesmo? Mais do que tentar resgatar tempos que não voltam, acho que precisamos olhar adiante e tentar descobrir para onde esse trem irá seguir.O BLOGÃO ZAPPER INDICA* Discos: “Innerspeaker” do Tame Impala, e “Tourist History” do Two Door Cinema Club. Ambos sem previsão de lançamento no Brasil, mas podem ser baixados facinho na web.* Livro: “Só garotos”, é a biografia da lenda Patti Smith, que a Cia das Letras acaba de mandar para as livrarias. Inclusive no blog da editora (que pode ser alcançado em http://www.blogdacompanhia.com.br/2010/12/because-the-night-belongs-to-readers/comment-page-1/#comment-2139 ) há uma promoção bacana para se ganhar o dito cujo. Mas calma que o livrão da Patti (uma deusa da cena pré-punk novaiorquina dos 70’, e que deu ao mundo uma obra-prima como o álbum “Horses”) também está em promo bacana aqui mesmo no blogon zapper, hehe.O livro de Patti Smith, que acaba de sair no Brasil* Festa na floresta: nunca foi no Simplão de tudo rock bar? Então você não sabe o que está perdendo! Comandado pela mega simpática Cris Mamuska, o Simplão existe há nove anos em um mega aprazível sítio próximo a Paranapiacaba (na Grande São Paulo, na Serra do Mar). Pois é neste finde, no sábado, que rola por lá a festona “Rock’n’blues”, com várias bandas tirando um som de responsa no bar. Fora o clima rural, as bebidas, a chapação, as mulheres etc, etc, etc. Quem quiser saber mais, basta ligar pra se informar: (11) 8148-1790.* E O GRUNGE 90’ VIVE E ESTÁ AQUI! – em Sampa, claaaaaro! Hoje, quinta-feira, a Via Funchal vai tremer com o showzaço do Stone Temple Pilots. É onde o zapper doidão vai estar à noite, após anos esperando para ver on stage o loucaço Scott Weilland e sua banda. Ok, há quem considere o STP como uma banda de segundo escalão da fase áurea do grunge, há vinte anos. Foda-se! O grupo tem hits fodaços, músicas idem e um vocalista junky que já virou mito da história recente do rock’n’roll. Por isso estaremos por lá logo mais. E se você não vai, dá uma olhada aí embaixo no set list da gig do quarteto na última terça-feira, em Santiago do Chile, além de um vídeo de um momento deles no palco, no mesmo show:CrackermanWicked GardenVasolineHeaven & Hot RodsBetween The LinesHickory DichotomyStill RemainsCinnamonBig EmptyDancing Days(Led Zeppelin cover)Silvergun SupermanPlushInterstate Love SongHuckleberry CrumbleDownSex Type ThingBis:Dead & BloatedTrippin’ On A Hole In A Paper HeartStone Temple Pilots – “Plush” ao vivo anteontem, 7/12/2010, em Santiago do Chile* E as baladas? Continuam a todo vapor nestes findes que antecedem o natal, no? Pois a farra já começa hoje, quinta, quando você pode se acabar na festa de oito anos do projeto Loucuras, na Loca (rua Frei Caneca, 916, Consolação, centro de Sampa), comandado pelo super dj André Pomba.///Já amanhã, sextona, tem a sempre bacana festa Glam Nation no Inferno (na rua Augusta, 501, baixo Augusta, claaaaaro).///E no sábado, se você não for na festona que vai rolar no Simplão, em Paranapiacaba, a outra ótima pedida é ir ver a discotecagem sempre fodona da querida Vanessa Porto no Astronete (rua Mathias Aires, 183, Consolação). Captou? Então, se joga!STONE TEMPLE PILOTS: QUEM VAI!E vai mesmo, porque aqui não se brinca em serviço, oxe. Quem vai se acabar hoje na Via Funchal por conta do blog (e que já foi avisado por email) é:* Annamaria Britto Pires, de São José dos Campos/SP, e Mário Roberto Dutra, de São Paulo/SP.Fora isso, finalmente taí quem vai levar o livro “Atravessar o fogo”, com as letras traduzidas do gênio Lou Reed, pra casa:* Letícia Camargo, do Rio De Janeiro/RJ.E como o natal está aí e tals e o saco de bondades do blog sempre aumenta consideravelmente neste época, bamos lá! Mande seu alô pelo hfinatti@gmail.com, que entram em sorteio djá:* Um exemplar de “Só garotos”, a bio da Patti Smith que acaba de sair no Brasil pela Cia das Letras;* Um kit de cds bacanudos da gravadora carioca Lab344, com discos do The National, Interpol (o novo), Pavement e Belle & Sebastian (o novo também);* Outro kit com dvds legais da sempre legal ST2;* E duas camisetas (uma masculina e outra feminina) da confecção ultra pop Cuma, sendo que você dar uma olhada no catálogo de modelos à disposição em www.cumavirtual.comDois dos modelos mega bacanas de t-shirts da confecção CumaTá bom, né? Os nomes dos vencedores desta promo bacaninha serão publicados aqui no último post deste ano, que vai ao ar no dia 23 de dezembro, uia!E CHEEEEEGAAAAA!Outro post gigante, pra ninguém reclamar da ausência da semana passada. Mas agora licençaê que vamos cuidar da vida e, à noite, se acabar no Stone Temple Pilots! Até a semana que vem!(enviado por Finatti às 17hs.)

Calor demais. E o blogon dá uma pausa até a próxima semana…

 Enquanto o blog não volta às atividades normais, você pode ir assistir “A rede social” (que entrou hoje em cartaz). Ou ouvir o grande The National, que acaba de ter um disco lançado no Brasil pelo selo carioca Lab344Yep. A coisa apertou por aqui.Pois eis que após o mega post da semana passada, o jornalista zapper se viu premido por zilhões de pepinos pra resolver – entre eles a viagem, daqui a vinte dias, para passar as festas de final de ano lá no extremo Norte do país, em Macapá, ao lado da futura wife Rudja. De modos que ontem o autor deste espaço rocker online decidiu que era melhor dar um alô hoje, sextona, informando que estas linhas rockers bloggers voltam com tudo na próxima semana, okays?* Claro, o mondo pop continua literalmente fervendo neste final de ano. Semana que vem tem Stone Temple Pilots em Sampa, com promo de ingressos a todo vapor por aqui – você já mandou seu e-mail pro hfinatti@gmail.com, pra concorrer aos dois tickets que estão em sorteio? Se não mandou, corre que ainda dá tempo – semana que vem nosso “pacote natalino” também será engordado com um kit de lançamentos bacanas do selo carioca Lab344. Tem The National, Interpol e os caralho, e falamos melhor a respeito também no próximo post. E 2011 vai ser tão ou mais fervido do que 2010, no? Vampire Weekend, Amy Winehouse, Black Rebel Motorcycle Club, Coldplay (no Rock In Rio), U2 com Muse (ingressos à venda a partir da semana que vem, e com preço bacanudo na pista, quem diria: 180 pilas) etc, etc. Enfim, o blog fala melhor disso tudo no próximo post, promessa.*E pra quem não quer ficar em casa no finde à noite neste calorão, não custa lembrar: hoje, sexta, tem show de lançamento do álbum “Ecos”, do cantor e guitarrista Thiago Giglio lá na Livraria Cultura do Shopping Bourboun Pompéia (que fica na rua Turiassú, 2100, Pompéia, zona oeste paulistana), sendo que o set começa cedo, às sete e meia da noite. Já na madruga rola a festa Dance To The Underground, no Inferno (rua Augusta, 501, centrão de Sampa), com especial dedicado às trilhas dos filmes do mestre Quentin Tarantino.///Já no sabadão em si, o circuito under está chapado de atrações bacanas, vai vendo: no mesmo Inferno rola mais uma edição da já clássica festa Pop&Wave, dedicada aos anos 80’ e que sempre agita o bar do baixo Augusta. Na Outs, em frente (no 486 da Augusta) a pista vai ser agitada pela super e gatíssima dj Bruna Vicious. Já no Astronete (rua Mathias Aires, 183, Consolação, centro de Sampa), quem dá as caras nas pick-up’s na festa Discotexxx, é o dj André Pomba, o homem do Grind. No Sattva (na praça Roosevelt, 82, centrão rocker de Sampalândia), volta a festa Open Hell, comandada pelo dj Pacianotto e com show da banda Interlude. E por fim – ufa! –, tem show do Bicicleta de Atalaya lá na Livraria da Esquina (rua do Bosques, 1253, Barra Funda, zona oeste de São Paulo), com discotecagem do brother Bruno Montalvão pra fechar a noite. Tá bom, né?* E no cinema, claaaaaro, estreou “A rede social”, que fala sobre a criação do Facebook (e com a famosa cena onde o personagem vivido por Justin Timberlake cheira uma carreiraça de padê nos peitões de uma vagaba) e que já está sendo considerado o filme do ano.* É isso. o blog zapper pára por aqui mas semana que vem retoma sua atividade normal, pode esperar. Pra quem fica: bom finde e boas baladas!(enviado por Finatti às 18:30hs.)