O bucolismo e o folk barroco do Fleet Foxes, o darkismo dos Raveonettes, a Flora Matos e as garotas lokas e de atitude, e uns ingressos aí pro show de uma lenda escocesa…

 O Fleet Foxes: hippongo, bucólico, campestre e pra quem curte folk anos 70′; os Raveonettes: de volta com um disco melancólico, obscuro e muito bom* Praticar o desapego…* Foi o conselho dado por um leitor, no espaço reservado ao nosso dileto leitorado, no último post. O autor deste blog, embora tenha notoriamente o defeito de se agarrar em excesso ao que lhe dá prazer e satisfação, se agarrar ferrenhamente ao seu passado e às suas intensas paixões, está tentando seguir a lição. Yep, praticar o desapego é bom às vezes. Faz bem aos sentidos, à alma, ao coração. E esse desapego deve se manifestar não somente às questões sentimentais e aos bens materiais, mas em relação a a tudo na vida. Por exemplo: ter desapego a normas e convenções prontas, a opiniões sectárias e imutáveis, a gêneros musicais… não é que neste post haverá espaço tanto pra falar do grupo folk americano Fleet Foxes, quanto à nova sensação feminina do rap brazuca, a Flora Matos? Pois é: lições de desapego, que o zapper aqui está tentando colocar em prática.* Flora Matos é a bola da vez no rap feminino nacional, né? Você já deve ter visto em algum lugar (na MTV, no YouTube) o clip de “Pretin”. Flora, filha de baiano com acreana, nascida em Salvador e morando em Sampa, está na batalha do rap há algum tempo já. Ela é bonita, canta bem, as bases e a melodia de “Pretin” são grudentas e o vídeo da música possui direção eficiente e ótimas coreografias. Mas a letra da música (romântica e algo piegas) deixa a desejar. E quando o blog diz isso não é por ter algum preconceito ou chatice em relação ao rap. Nope: Zap’n’roll considera o rap uma das vertentes mais importantes da música pop, no Brasil inclusive e onde ele é muito forte nas periferias de metrópoles como São Paulo. No entanto, o blog sempre curtiu rap de cunho mais social e político, como o dos Racionais, o do saudoso Sabotage ou o do também aclamado Emicida. Na comparação puramente textual, Flora Matos perde pra essa turma. Mas reiterando: a gostosa morena tem uma puta voz. E ótima noção de composição.Flora Matos: ela é bonita, sensual e canta bem. Mas falta política em seu rap* Fora que Flora tem aquilo que todo mundo adora numa mulher: atitude pra expressar o que pensa, seja numa canção seja em como se comporta na sua vida. Zap’n’roll tem um tesão mortal por garotas assim. E uma grande má vontade com mulherzinhas caretas e muito frágeis emocionalmente (um pouco, vá lá, mas em excesso, ninguém agüenta).* Não é à toa que o blogger rocker e ainda mezzo maluco sempre teve romances tórridos com xoxotas igualmente fãs de rock, putonas na cama, junkies nas baladas e inteligentes e cultas o suficiente pra saber o que vale a pena na vida em termos de sons, leituras etc. Não dá pra deixar de gostar de uma boceta larga e peluda, de peitos enormes, que adora foder horrores e depois ainda dá um teco de cocaine no seu pau (e lambe e chupa o que sobrou com gosto), e ainda se deixa filmar (com uma câmera de celular) pelada, batendo siririca e tecando, enquanto fuma um cigarro e toma brejas e divaga sobre rock’n’roll, discos, filmes, a vida enfim. Uma mulher assim é fantástica e se você encontrar uma pela caminho, fique com ela e não a deixe escapar, mesmo que ela more muuuuuito longe de você.* Bien, se você ainda não viu, o clip de “Pretin”, da Flora Matos, é esse aí embaixo:“Pretin” – Flora Matos* Pintando turnê zapper pelo extremo Norte do país, após alguns meses sem ir pra lá – e o blog está com saudades de passear na região, já que ele tem uma ex-namorada por lá, ótimos amigos e ali estão concentradas algumas das melhores bandas do novíssimo rock BR. Então, o que rola é que o blog deve ir até a longínqua Boa Vista (capital de Roraima) para cobrir um festival de rock lá, no início de junho. Na volta, uma semana em Macapá pra rever amigos e bandas. E depois, ainda um finde na sensacional Belém, terra do Madame Saatan, da Suzana Flag, da La Orchestra Invisível e dos fantásticos Baudelaires, que agora você já sabe quem são, através de nosso último post.* Aliás, está rolando no Twitter e estas linhas rockers online encampam a campanha: Baudelaires abrindo pro Teenage Fanclub, em Sampa.* Fora que nos perdoem as garotas do Sudeste, mas apenas no Norte brasileiro se encontram tetões , em quantidades avassaladoras: * Falando em xotaços e peitões, ela continua divina como sempre! Já deu pra meio mundo no rock’n’roll, está namorando o Jamie Hince (da dupla The Kills), esteve no Brasil em fevereiro último e vai aparecer assim na capa da edição de aniversário da revista (careta, diga-se) Vogue:Kate Moss, o bocetaço de sempre, na capa da Vogue* Si, si, a chapa tá esquentando. Se o SWU, agora com MGMT e Cold War Kids em seu line up, ainda amealhar Foo Fighters e Pearl Jam (ambos com turnês sul americanas fechadas para outubro/novembro), coitado do Rock In Rio…Cold War Kids: escalados pro line up do festival SWU* RIP Neusinha Brizola. Ela foi pro saco ontem no Rio, aos 56 anos de idade. Foi musa da new wave brazuca nos anos 80′, e fez tudo o que quis na vida: cheirou quilos de cocaine e vivia nas páginas policiais dos diários cariocas, infernizando a vida do pai Leonel, que na época era governador do Estado fluminense. Como explicamos mais aí em cima, Neusinha também era uma mulher de atitude.* E bora falar do Fleet Foxes. O FOLK CAMPESTRE DO FLEET FOXES É… (DEPENDE DO SEU ESTADO DE ESPÍRITO)Você é bicho-grilo ou ripongão ainda, em plenos anos 2000? Curte um cabelão comprido, barba, uma estrada empoeirada, acampar com sua xotinha também hippie, ir pra São Thomé Das Letras ou Visconde de Mauá? É chegado em vinho Chapinha, maconha e banjos, bandolins e violões e violas caipiras? Então você vai amar o Fleet Foxes, que lança mundialmente na próxima segunda-feira seu segundo álbum de estúdio, “Helplessness Blues” – que, óbvio, já está rodando à solta na web e não deverá ver a cor de uma edição nacional.Zap’n’roll não é nada disso do que está descrito aí em cima, mas achou o álbum ok. Isto é, até onde um ex-punk, ex fã de ghotic rock e apaixonado pelas guitarras indies (dos 90’ até os dias atuais) e por acepções rockers, hã, mais pesadas e distorcidas (como o grunge de Seattle ou os shoegazers ingleses de duas décadas atrás) se permite achar um disco essencialmente calmo e bucólico, ok. Na verdade o Fleet Foxes surgiu meio que do nada, há cinco anos, em Seattle (yep, a terra do grunge), resgatando o rock rural e o folk americano do final dos 60’/início dos 70’ – coisas como Neil Young (fase acústica), Crosby, Stills & Nash (alguém de nosso jovem leitorado já ouviu falar desse trio?) e Bob Dylan, claro. Lançaram um primeiro ep em 2006 e causaram comoção seu cd de estréia, homônimo, editado em 2008, pela SubPop (yep novamente: o lar sagrado dos grunges). O disco vendeu bem, a crítica gostou, o fã-clube aumentou e se passaram três anos para que o sexteto (sim, o line up deles é grandinho) conseguisse soltar novo trabalho de estúdio.Abundam em “helplessness Blues” canções tramadas com violões, violas, sessões de cordas variadas, pianos e harmonias vocais doces e pungentes. É tudo muuuuuito calmo, bucólico, pastoral e campestre. É como se Woodstock estivesse acontecendo hoje e você estivesse lá, ou então curtindo uma noite friorenta em alguma casinha no meio do mato, se embriagando de vinho e marijuana, e sentado na varanda olhando pro céu estrelado. É bem isso a sonoridade de um disco longo (quase 50 minutos), e que além das melodias doces e calmas das faixas, ainda prende a atenção do ouvinte pelo vocal suave e agudo do cantor Robin Pecknold, talvez o principal compositor e letrista do conjunto e cuja inflexão lembra demais, em alguns momentos, um Neil Young quando jovem. Assim, o disco se esmera em doce contemplação (como em “Montezuma”) e ambiências rurais e folk (aí “Bedouin Dress” ou a incrivelmente doce “Blue-Spotted Tail” são os melhores exemplos, com seus violões suaves e o vocal quase sussurrado). Claro, nem tudo é perfeito no álbum e apesar da sofisticação instrumental que ele exibe (não dá pra não prestar atenção na combinação de pianos e cordas que adorna com esmero uma música como “Battery Kinzie”), por vezes tudo se torna meio cansativo e repetitivo demais – basta ouvir os mais de oito minutos de “The Shine/Na Argument”, pra se cansar um pouco do Fleet Foxes.É um disco que você amar ou detestar, dependendo muito do seu estado de espírito. Zap’n’roll, como já foi dito logo no começo desta análise, achou-o ok. Mas dia desses, irritado que estava com a humanidade e querendo ouvir sons mais barulhentos ou sombrios, rsrs. Enfim, pelo menos é bem produzido e executado. E regurgita total muito do que já foi feito em termos de rock rural, folk etc. Como este blog tem cansado de argumentar com o colega Dum De Lucca, do também ótimo blog Jukebox, não dá pra reinventar a roda. E o Fleet Foxes é o melhor exemplo disso, dessa não reinvenção.* Pra saber mais sobre a banda: www.fleetfoxes.com——————–OS RAVEONETTES DE VOLTA – E NINGUÉM NEM AÍ, INFELIZMENTEEles existem há exatamente uma década e são um dos grupos indie mais legais surgidos nos anos 2000. Tocaram no final do ano passado em Sampa, lotaram a chopperia do Sesc Pompéia e fizeram uma gig fodona.Pois eis que a dupla Raveonettes lançou seu quinto álbum de estúdio no início deste mês e ninguém deu bola por aqui. Uma pena porque “Raven In The Grave” é muito bom. As guitarras saturadas de noise saíram um pouco de cena, e deram lugar a sonoridades sombrias, quase góticas. É como se o Jesus & Mary Chain tivesse, de repente, batido de frente com o Cure.Aí embaixo você confere o primeiro single do álbum, “Recharge & Revolt”, em vídeo que circula já há semanas no YouTube. Dá pra ter uma idéia de como está o disco e o som da dupla, atualmente. E o blog recomenda: vai atrás que o álbum é bonzão. The Raveonettes – “Recharge & Revolt”O BLOG ZAPPER INDICA* Discos: o ep “City Love” (fácil de baixar na web), dos Baudelaires, lá de Belém do Pará; e “Raven In The Grave”, o novo dos Raveonettes.* Balada em Macapá: moras na capital do Amapá ou está de bobeira por lá? Então a parada rock’n’roll na cidade, hoje, é a festa Lounge Rock, no bar Mosaico e produzida pelo chapa e agitador cultural local Darlan Costa. Vai ter show com as bandas locais Vennecy e Novos & Usados, além de um super especial na pista dos Smiths, que vai rolar por conta dos DJs Darlan, Paulo Zab e Rudja (a ex-girlfriend do blogger zapper e uma das mais animadas rockers da cidade). Tudo rola a partir das nove da noite na avenida Presidente Vargas, 2208 (centro de Macapation) e a entrada é uma merreca: cinco pilas. Vai nessa!* Baladas aqui mesmo: yeeeeesssss! Sampalândia em si continua tendo zilhões de baladas alternativas pro povo se jogar pra valer. Então, se a chuva parar, já corre hoje mesmo (quinta-feira), pra festa Cirque Du Container, lá na rua Bela Cintra, 483. Fora a discotecagem sempre fodaça de Márcio Custódio, ainda vai rolar show do sempre bacana Circo Motel.///E amanhã, sextona em si? Tem Black Drawing Chalks e a novata banda Grindhouse Hotel (aê Thiaguito Carandina, vamos conferir essa porra amanhã, hehe) na festa “Dance To The Underground” no Inferno Club (rua Augusta, 501, centrão rocker de Sampa), que também vai contar com discoteagens supimpas de Daniel Belleza, Joe K. e Lu Riot. Ainda na sexta mas lá na Livaria da Esquina (rua do Bosque, 1253, Barra Funda, zona oeste paulistana), tem a festa “Red Box”, sempre pilotada pela gatíssima e ótima DJ Vanessa Porto.///Sabadón? Vem que tem: Opera Multi Steel (pra alegria da confraria gótica) toca no Inferno Club. E o grande Vanguart faz mais uma session de Beatles no StudioSP (rua Augusta, 595), com o seu projeto paralelo VangBeats.///E fechando bem o finde, ufa!, tem a já clássica noitada rocker Grind, na Loca (rua Frei Caneca, 916, Consolação, centro de São Paulo), comandada pelo super DJ André Pomba. Em maio o Grinde está chegando aos seus treze anos de existência (!!!) e o blog, inclusive, vai participar das comemorações, fazendo um DJ set por lá nas próximas semanas. Tá bom, né? Então, bora pra esbórnia!E PRA FECHAR A TAMPA… TEENAGE FANCLUB NA FAIXA!!!Claaaaaro! Só mesmo o blogão campeão em promoções pra descolar essa. Tá certo que o preço do ingresso tá super camarada (cinquentinha, rsrs) mas, mesmo assim, se você estiver naquela pindaíba bravíssima e não quer perder a gig do mega ultra amado quarteto indie guitar escocês, vai no hfinatti@gmail.com, que agora entra em disputa:* QUATRO INGRESSOS para o show da banda no próximo dia 11 de maio em Sampa, no clube The Week.Fechado? Então dedo no mouse e boa sorte!E A QUALQUER MOMENTO…O blog zapper volta com novo post, okays? Por enquanto é isso e ficamos por aqui, deixando mil beijos na Eliane Lunetta, na Ana e na gatíssima Thaíza “Rockabitchy”, de Ponta Grossa (onde o blog vai, em breve, discotecar), e um abraço quebra-ossos no mano André Ganso, também de Ponta Grossa. Inté!(finalizado por Finatti às 19:30hs.)     

E os Baudelaires, de Belém, salvaram o zapper suicida da morte no final do feriadão…

 The Baudelaires, de Belém do Pará: um dos dez melhores nomes do novo rock BR, e que acaba de lançar seu novo EP* “A morte espacial que me ilumina…”* O verso acima é de Mário Faustino, um dos grandes poetas brasileiros dos anos 60’. Mário, que também era diplomata, morreu em um desastre aéreo no Peru, em 27 de novembro de 1962 – um dia após o nascimento do sujeito aqui.* E a citação do verso do poeta, na abertura deste post, não está aí em cima por acaso. Há pouco mais de vinte horas o zapper blogger, sentimental, eternamente carente e com esgares de solidão, se viu tomado por intensos desejos suicidas. Foi a culminância de um feriadão prolongado de excessos, ressentimentos, mágoas, melancolia represada na alma etc. Mesmo com boa parte do feriado tendo sido passada na cia. da mega amada e gatíssima amiga Jaqueline Pereira (uma legítima cria de Hell City, aliás Cuiabá), que veio passear em Sampa, algo não estava bem no âmago do autor deste blog. Na última quarta-feira a enfiação de pé na lama foi grotesca, com álcool e destruição nasal. Na quinta o jornalista rocker loker ficou fora de combate. Na sexta a parada foi na Livraria da Esquina (com Jaque e a também gatenha Nathália “beuda” Machado), onde Diogo Soares (vocalista dos Porongas) e amigos fizeram um sensacional tributo a Roberto Carlos. Foi uma noite suave, de brejas e bom papo e ótima música, mas a cada canção dor-de-amor do Robertão, o autor destas linhas online mergulhava mais e mais em perene tristeza. No sábado, Jaque quis ir à festa Pop&Wave, no Inferno Club e aí então, enquanto ouvia alguma canção do Depeche Mode na pista, o velho jornalista apaixonado e de coração partido se deu conta realmente de que algo estava muito errado dentro dele. O colapso emocional veio ontem à noite, após longa discussão via MSN com a ex-gilrfriend deste blogueiro. Foi quando Zap’n’roll sentiu fastio pela humanidade e achou que o saco dele já havia enchido até o limite.* Quando tudo parecia caminhar para uma morte nada especial ou espacial (e o autor deste blog sempre tem sonhos recorrentes com desastres de avião, e tem certeza de que vai morrer em um acidente aéreo um dia), eis que o garotão de Belém, Andro Pinheiro, vocalista e guitarrista da banda Baudelaires, entra no bate-papo do Facebook e chama o blogger já à beira do abismo: “Finatti, quero te passar em primeira mão nosso novo ep. Pra você comentar ele no teu blog”, disse Andro.* “City Love”, o tal ep, é um escândalo. Leia aí embaixo e você saberá quem são os Baudelaires e por que o disquinho é, numa palavra, fodaço.AS MAIS LINDAS CANÇÕES POWER POP, COM OS BAUDELAIRESBelém, capital do Estado do Pará, no extremo norte brasileiro, tem mais de dois milhões de habitantes. A música que reina ali, ainda, é a MPB e o regional. Mas ritmos como tecno-brega e melody (que combina batidas eletrônicas com música regional) avançam furiosamente já há anos na cidade (tanto que foram objeto de um documentário exibido há alguns meses pela MTV, o “Brega S/A”). E o rock por lá? Pois então: a cena rocker de Belém é hoje, e sem nenhum favor, uma das mais agitadas e geniais de todo o país. É da capital do Pará que saíram, entre outros, Madame Saatan (hoje morando em Sampa), Suzana Flag (e seu guitar pop de contornos quase perfeitos), Sincera, La Orchestra Invisível (um quarteto psicodélico do além) e… The Baudelaires. Um fodaço quarteto indie guitar/Power pop que existe há cerca de dois anos e que acaba de lançar (apenas na web, por enquanto) seu novo ep, chamado “City Love”. O disquinho/discaço de sete faixas já está disponível pra download. E o blog zapper o ouviu ontem à noite, em primeira mão. É um escândalo.O blog conheceu a banda em julho de 2010, quando os viu tocando no festival QuebraMar, na distante Macapá. Com a habitual correria de festivais e vários grupos se apresentando, na verdade o autor destas linhas online viu apenas pedaços do show. Mas gostou do pouco que viu/ouviu. Foi preciso assistir a uma outra apresentação do grupo – desta vez no festival Vaca Amarela, em Goiânia, em setembro passado –, pra sacar que os Baudelaires eram e são uma das melhores formações da novíssima cena rocker paraense e nacional. Foi lá também que Zap’n’roll enfim travou amizade com Andro Pinheiro, guitarrista e vocalista da banda (e que também conta com Marcelo Kahwage nas guitarras, Ariel Nog no baixo e Bruno Baudelaire na bateria), e ganhou dele o álbum “School Days”, lançado em 2010 e o segundo trabalho do conjunto. Quando voltou pra Sampa e começou a ouvir o cd, o blogger fã de power pop e indie guitar ficou maluco de vez: sem nenhum favor, os Baudelaires são, nesse momento, uma das dez melhores bandas em atividade no Brasil.A capa do disquinho/discaço dos paraensesToda a ambiência e referência sonora do quarteto é focada em guitarras indies melodiosas e em power pop perfeito. É uma simbiose dos sonhos entre Beatles, Teenage Fanclub e algo de Weezer e Smiths nas letras sentimentais e confessionais compostas por Andro. Letras escritas em inglês irrepreensível (o vocalista é professor do idioma) e que falam de juventude e velhice, lembranças de romances que se foram e da desilusão amorosa pela qual todos nós passamos em algum momento de nossa existência – um momento mega ultra doloroso, exatamente o que o sujeito aqui está vivenciando neste momento.“City Love” possui sete canções próximas da perfeição sonora. “Say You Want Me” combina guitarras distorcidas e violões e parece saída diretamente do clássico álbum “Bandwagonesque”, do amado Teenage Fanclub (que está chegando ao Brasil para dois shows agora em maio, sendo que os paraenses seriam a banda perfeita e dos sonhos para abrir as gigs dos escoceses). “Pam” tem algo de Weezer na condução melódica e nos vocais. E quando surgem faixas acústicas, levadas apenas por dedilhados precisos e preciosos de violões, acompanhando vocais dolentes ou em falsete, aí seu coração e sua alma já estão entregues ao onírico e ao desejo intenso de estar mega apaixonado e feliz. É essa a sensação provocada por “Oh, Girlfriend” ou “Teletransportation Now”, essa já eleita pelo blog como a música do indie rock BR de 2011 – pelo menos até este momento. É a trilha perfeita para você se afogar em memórias doces, ficar revendo ad infinitum fotos de um amor que se anunciava eterno e se desfez de maneira torpe e melancólica (mas que pelo menos deixou ótimas lembranças), e pensar em solidão e viagens infinitas em estradas desertas e empoeiradas.Pode esquecer Holger e outros hypes sudestinos bombados por outros blogs dedicados ao rock alternativo. The Baudelaires, da longínqua Belém, é a banda. E ao lado de nomes como Transmissor, Los Porongas, Stereovitrola, Cartolas, Pública, Rosie And Me, todos eles (com exceção do mineiro Transmissor) egressos de outros Estados bem longe do Sudeste brazuca (e onde o rock independente vai bem mal das pernas), está fazendo a melhor música que se pode ouvir hoje, no novo rock nacional. Pode botar fé nos moleques. Palavra deste velho jornalista blogger, que acompanha esta cena indie há pelo menos década e meia.* Quer saber mais sobre os Baudelaires? Vai lá: www.myspace.com/baudelairesband* Quer ouvir e baixar o ep “City Love”? vai aqui: http://www.4shared.com/file/QRj-xoxD/The_Baudelaires_-_City_Love__2.html * Em bate-papo com o blog há pouco, via Facebook, Andro Pinheiro disse que pretende lançar o ep em versão física, mas talvez apenas no final deste ano, quando o grupo pretende gravar outro ep. A intenção, segundo ele, é juntar os dois trabalhos e lançar um cd. O grupo também pretende se aventurar no exterior (Andro já tocou no célebre festival americano South By SouthWest com sua outra banda, a Vinil Laranja). Enquanto nada disso acontece, Zap’n’roll sugere que os festivais da Abrafin coloquem os Baudelaires pra circular, inclusive em Sampa.BAUDELAIRES AÍ EMBAIXOEm dois vídeos, para as músicas “Time” e “She’s A Queen”Foo Fighters – “Breakout”, ao vivo no Rock In Rio, 13 de janeiro de 2001Pearl Jam – “Alive”, ao vivo em São Paulo, em 5 de dezembro de 2005The Strokes – “Hard To Explain”, ao vivo no Tim Festival em São Paulo, outubro de 2005——————–É isso. Hoje, terça-feira, tem Noite Fora do Eixo no StudioSP, com banda argentina e dj de Recife. Boa pedida pra começar os agitos da semana.E a partir de quinta tem feriadão em si, né? Mas antes disso o blog volta aqui, a qualquer momento. É só esperar, okays?Até logo menos então!(enviado por Finatti às 17hs.)

E o blog zapper indica…

 Dois gigantes da cena indie nacional tocam juntos hoje, em Sampa: Los Porongas e Transmissor* Discos: uma cacetada de grandes discos que saíram há pouco estão por aí, dando sopa na web, a um clic de serem baixados. O blog está falando dos novos do The Raveonettes, do The Kills e dos Decemberists, que serão beeeeem comentados por aqui logo menos, é só esperar!* Encontro de gigantes da indie scene brazuca: vai rolar hoje, na Livraria da Esquina, um encontro desde já histórico na nova e emergente música brasileira: os acreanos Los Porongas sobem ao palco junto com os mineiros do Transmissor. São duas das melhores bandas de rock do país, hoje. Os Porongas acabaram de lançar seu segundo álbum, o lindíssimo “O segundo depois do silêncio” (que ainda vai merecer uma resenha caprichada aqui nessas linhas zappers). E o Transmissor está prestes a editar seu segundo trabalho de estúdio e continua divulgando, nos shows, o igualmente belíssimo “Sociedade do crivo mútuo”. Show pra lá de imperdível com muito bucolismo musical, rock rural e psicodélico, algo de Mutantes e Beatles e música mineira. Onde? Na rua do Bosque, 1253, Barra Funda, zona oeste paulistana, sendo que o blog vai estar por lá também. Bora!* E na sexta (ou amanhã), no baixo Augusta: tem o também sensacional Pública, no Beco203 (na rua Augusta, colado no StudioSP, centrão rocker de Sampa). É outro showzaço imperdível. E outro no qual o blog também vai marcar presença.

* Leitura: adivinha quem está na capa da NME desta semana? Claaaaaaro, os incríveis Foo Fighters, do super boa praça Dave Grohl. Vale dar uma lidinha, na edição física ou pela web em www.nme.com .

Os Foo Fighters estão na capa da NME desta semana. Eles merecem!——————–Mais? Logo menos aqui no blog que nunca pára, hehe.Até já!(enviado por Finatti às 17hs.

U2 ontem em Sampa – ou de como um mega show de rock ameniza os efeitos de uma gripe devastadora…

O U2 tocando “Sunday Bloody Sunday” ontem em São Paulo, para um Morumbi lotado: mais um show inesquecível de Bono e cia. O blogão (ou, a partir de agora e temporariamente, blog) não vai mentir: achou que desta vez iria perder a gig do gigante quarteto irlandês U2, em sua passagem deste ano por Sampalândia. Três shows na capital paulista com ingressos esgotados há séculos, batalha sangrenta pra se conseguir um ticket, credenciamento de imprensa mega complicado e há duas semanas, o autor destas linhas rockers bloggers desistiu de batalhar pra tentar ir em um dos três concertos que rolaram no último finde e ontem no estádio do Morumbi.Até que… voilá! Começo da semana passada. O telefone toca na kit do sujeito aqui. Do outro lado da linha, um amigão jornalista, dileto chapa destas linhas zappers há séculos. Papos disso e daquilo e bla bla blá, até que surge o assunto U2. “Vai no show, Finatti?”, pergnta ele. “Até agora, não, rsrs”, responde o blog. É quando ele dispara: “se estiver a fim de ir, me dá um toque, te devo essa. O fulano de tal, da produtora da tour, me deu um ticket pro dia 13, eu não vou poder ir por questões de trampo. E se fosse, também iria querer levar a mina comigo e não tem como, não tem ingresso e nem tenho money pra comprar pra ela etc, etc”. Nem foi preciso contar toda a história novamente. Do nada e graças a esse graaaaande amigo, também jornalista, de repente Zap’n’roll se viu com um ticket pra assistir ao último show do U2 em São Paulo – esse mesmo, que rolou ontem no estádio do Morumbi. Mas nem tudo foram flores nessa parada: além de o sujeito aqui estar com uma gripe cavaluda (ele quase desistiu de ir ontem ao Morumba), o ticket ainda era para cadeira superior – ou seja: bem longe do calor da pista e do povaréu que estava pulando na frente do gigantesco palco que serve o U2 na turnê 360 graus.Mas lá fomos nós. Descontando-se o fato de que é um saco assistir a um show desse porte, em um estádio como o Morumbi, na cadeira superior (algo que o blog não fazia há pelo menos uns quinze anos, assistir um show fora da pista em frente ao palco), o saldo foi ok. O palco, a aranha gigante, realmente impressiona. O som devia estar potente na pista mas não chegava com impacto ensurdecedor nas cadeiras, onde o blog estava. E ainda que o cenário tenha sido um tanto over, o repertório fodaço do U2 (que demais eles abrirem o set com “Even Better Than the Real Thing”, a segunda faixa do hoje já clássico “Atchung Baby” e uma das canções preferidas do blog, do repertório do grupo irlandês) supera tudo isso. É sempre emocionante ouvir “Sunday Bloody Sunday” ou “Pride – in the name of Love”. Óbvio que o dueto protagonizado por Bono com o maletaço e insuportável Seu Jorge, cantando uma música do Kraftwerk (!!!) foi total dispensável e, felizmente, não tirou o brilho do espetáculo como um todo.A abertura do Muse? Sim, sim, ok. O trio inglês é competente e tal. Mas está cada vez mais pretensioso e pedante.Zap’n’roll chegou feliz e satisfeita em casa, por volta de duas da matina de hoje – com certeza, Bono andou se divertindo bem mais na “naite” paulistana, em baladas no bar Secreto etc. Mas enfim: não é que o blogger gripado acordou até melhor disposto hoje, depois de passar por mais um grande show de rock’n’roll ontem, em sua vida?  Pois é…——————–Agora, a esbórnia rocker do blog vai começar mesmo é na noite de hoje, quinta-feira, com o showzaço duplo dos Los Porongas e do Transmissor, na Livraria da Esquina/SP. Fora o Pública, que toca amanhã também em Sampa, no Beco. Mas isso o blog conta daqui a pouco, em novo post.Até já!(enviado por Finatti às 16hs.)

O “novo” formato do blog, um bate-papo com Nevilton e mais isso e aquilo, em um post… menor

 O trio paranaense bom de rock’n’roll: the next big thing do rock BR?Entonces, saudades daqui.A semana passada foi problemática. Começou até bem com estas linhas rockers bloggers mandando um post extra, analisando o novo e ótimo disco dos Foo Fighters. Na sequência, tudo desandou: crises de depressão atacaram o sujeito aqui, houve aquele massacre no colégio do Rio e o post do finde foi pro saco. A crise de depressão foi minimizada nos últimos dias mas eventualmente ela volta com força. Pra completar, uma gripe cavalar também resolveu atacar Zap’n’roll desde anteontem – ela deu sinais de melhora apenas hoje pela manhã desta quinta-feira, quando este post está sendo escrito. E, por fim, uma grande mudança editorial no blog zapper, por ordem imperial do querido e amado “editador” André Pomba: posts mais curtos, se possível apenas um assunto por post. Ele quer fazer a experiência por três meses pois acha que posts menores, com menos assuntos e sendo publicados com mais freqüência, irão aumentar a audiência do blog – que já não é pouca, é gigante aliás. O autor destas linhas rockers online é frontalmente contra esta mudança editorial, considera que ela vai descaracterizar e foder total um blog que existe há oito anos nesse formato e que se tornou célebre por causa dele: por causa dos diversos assuntos abordados em um único post, pelas longas e ótimas análises de discos, filmes, livros etc, pelos “causos” pessoais e algo doidões e repletos de sex and drugs relatados em nossos já notórios “diários sentimentais”. Mas enfim, há uma hierarquia na empresa e há interesses em jogo aqui (entre este blogger e seu patrão) e quem manda é a chefia. Portanto, e pelo menos pelos próximos três meses, nosso dileto e fiel leitorado irá ter outro tipo de postagem aqui (e, plis, sem acusações de que queremos seguir o modelo de “blog twitter”, com muita imagem e quase nada de texto, adotada atualmente por outros queridos colegas da web no terreno da blogagem de cultura pop). Se vai dar certo ou não, o tempo dirá. E quem quiser se manifestar a respeito no espaço reservado aos leitores, às ordens!A HORA E A VEZ DE NEVILTON!!!Em uma bela noite no final de 2008, Zap’n’roll estava na sempre quentíssima Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. Cidade rocker ao extremo, chapada de bocetas loucas e quentes (a “colheita” zapper nesse sentindo, ali, na época foi farta, hihi) e com um festival mega bacana, o “Fogo no Cerrado”. O blog estava lá acompanhando a edição daquele ano do festival, quando se deparou com o trio paranaense Nevilton. Imediatamente chapou com o que viu/ouviu e nunca mais deixou de acompanhar a evolução daquele que é, hoje, um dos melhores nomes do novo rock brasileiro.Três anos depois, Nevilton fixou residência em Sampa e se prepara para lançar seu primeiro álbum cheio. E Zap’n’roll foi bater um looooongo papo com o trio, em uma excelente entrevista realizada pelo nosso brother e super colaborador Cristiano Viteck. O resultado desse “colóquio” você lê aí embaixo:Por Cristiano Viteck (entrevista e fotos)“nossa cidade é tão pequena e tão ingênua estamos longe demais das capitais”Nos já distantes anos 80, Humberto Gessinger e sua banda Engenheiros do Havaí fizeram poesia sobre o drama que pode ser para um jovem viver afastado dos grandes centros urbanos, estando, portanto, distante das virtudes e pecados oferecidos pelas metrópoles.O reclame foi registrado na faixa “Longe Demais das Capitais”, sendo o sujeito longínquo a cidade de Porto Alegre. A música pode até fazer sentido, se pensarmos que a capital gaúcha, de certo modo, não tem aquela grandiosidade toda de uma São Paulo da vida… Mas, em todo o caso, os versos de “Longe Demais das Capitais” nunca serviram tão bem como para descrever a epopéia da banda Nevilton.Surgido em 2007, em pouco mais de três anos de atividade o grupo teve uma ascensão inimaginável para uma banda nascida em Umuarama, cidade localizada na região Noroeste, interiorzão do Paraná. Com cerca de 100 mil habitantes, a cidade fica a cerca de 600 Km de Curitiba, tão distante da capital do Estado que é muito mais fácil e rápido chegar ao Paraguai pela Ponte Ayrton Senna, na cidade de Guaíra, distante cerca de 150 Km.Sem qualquer tradição roqueira, Umuarama é regionalmente conhecida pelas suas festas de peões e de sertanejos universitários, tribos que têm muito mais a ver com a principal vocação econômica da cidade, a bovinocultura de corte. É desse cenário improvável que surgiu a principal revelação do rock nacional em 2010, que com apenas um EP com cinco músicas (“Pressuposto”, lançado em fevereiro do ano passado) recebeu elogios rasgados da crítica, conquistou lugar nos palcos dos principais festivais independentes do país e foi até mesmo foi escalada para abrir o recente show do Green Day em São Paulo. Como se não bastasse, tevê coroada a trajetória do EP “Pressuposto” pela revista Rolling Stone, que elegeu o disquinho como o quarto melhor lançamento nacional de 2010 e a faixa “O Morno”, a segunda melhor música.Formado por Nevilton (voz e guitarra), Lobão (baixo e backing vocals) e Chapolla (bateria e backing vocals), o grupo está preparando as malas para mudar-se para São Paulo. Sem pressa, mas confiando no próprio taco, o Nevilton leva na bagagem um disco novo já gravado, esperando apenas a melhor hora/proposta para lançá-lo. E, quem sabe, cumprir a missão da banda que, segundo eles afirmam na entrevista a seguir, “é não deixar o samba morrer”.Nevilton ao vivo: energia de sobraZap’n’roll – Estava nos planos da banda ter uma ascensão tão rápida a partir do lançamento do EP “Pressuposto”?NEVILTON (N): Todo o trabalho que a gente vai fazendo é sempre querendo cada vez mais repercussão e chegar mais longe. Mas, não tínhamos uma meta de ficar entre os melhores discos… O lance foi fazer com muito carinho para que se diferenciasse dos outros discos. O EP tem músicas legais, com uma textura legal. O pessoal viu que estávamos ralando mesmo para o disco sair. Aliado aos shows e muito trabalho, conseguimos ótimas repercussões, acima do que tínhamos esperado.Zap – A banda ainda mora em Umuarama, mas está preparando a mudança pra São Paulo. É uma coisa meio louca isso que está acontecendo com o Nevilton, até porque Umuarama não tem nenhuma tradição roqueira…(N): Em Umuarama houve poucas bandas de rock. A banda que mais conseguiu repercussão, a Hipnoise, foi no final dos anos 90 e começo de 2000 e que era a banda que o Lobão tocava. Essa banda tocou muito na região, mas a ênfase era nos covers de bandas alternativas como Pixies, Weezer. Acho que isso foi parte do processo até que surgisse uma banda que fizesse um som autoral e que mergulhasse de cabeça no trabalho. Espero que o nosso trabalho, não só pra Umuarama, mas para outras cidades interioranas, que não têm essa cultura, que o nosso trabalho possa servir de exemplo para mais bandas de cidades menores trabalharem com garra e irem pra cima que as coisas vão acontecendo. É parte por parte, tijolo a tijolo.Zap – Mudou alguma coisa pra banda em Umuarama ou impera a regra que santo de casa não faz milagre?(N): Rola muito disso de santo de casa não fazer milagre. Mas nossa preocupação não é fazer milagre em Umuarama, nem em Cianorte (cidade do baterista Chapolla). A gente continua fazendo um show ou outro lá. A repercussão junto às pessoas que sempre acompanharam o nosso trabalho não mudou. Acontece de ir em alguns lugares aleatórios e o pessoal diz que já te viu no jornal, na TV e que não imaginava isso quando a gente só tocava na garagem ou no bar lá da cidade. É legal ver como a abrangência aumenta até numa visão micro, uma visão local, na cidade.Zap – Nessa época do ano em 2010, vocês estavam lançando o EP lá  em Umuarama e meses depois estavam tocando pelo Brasil e inclusive abrindo um show para o Green Day em São Paulo. Como lidar com isso?(N): A gente também não sabia… A gente só vai fazendo e querendo fazer cada vez mais. Ano passado, janeiro, fevereiro foram meio parados pra gente. Mas ainda em 10 de fevereiro a gente lançou o disco e nisso já estávamos em São Paulo e saímos em turnê, que já vinha sendo planejada desde dezembro de 2009 junto com o pessoal do Fora do Eixo, que é uma plataforma que tem trabalhado com muitas bandas para aumentar as atividades culturais em vários pontos do país. Cada coisa que vai acontecendo a gente curte muito. Mas, vamos sempre devagar porque a gente sabe que nada vai ser pra sempre assim, com gostinho de novidade. Mas, olha o que a gente é? A gente não é nada ainda. Temos muito que fazer e essa é a motivação.Zap – Quando vocês lançaram o disco e começaram a receber o retorno na forma de críticas positivas da imprensa, de pessoas interessadas no trabalho do Nevilton, como foi isso?(N): A triagem inicial foi ver os veículos onde as pessoas falam de música nova, descobrir uns programas bacanas de rádio… Mandamos o disco para vários lugares e acabou virando uma bola de neve. Alguns lugares-chave começam a falar e vários outros vão na onda mesmo, porque viram que saiu a resenha na Rolling Stone, que saiu na Noize e isso vai virando uma cauda longa, assim… num jeito inocente de falar.Zap – Várias bandas têm surgido no Brasil fora do eixo de São Paulo, como Vanguart, o Macaco Bong, mas ainda assim são bandas centradas em capitais de seus Estados de origem. Mas, entre essas, o Nevilton é a que está realmente longe demais das capitais.LOBÃO (L): A gente tentou não se prender a esses conceitos. Mesmo no interior, se não tinha lugar pra tocar, a gente fez. Se o lugar pra tocar era longe e a van era muito cara, a gente foi de carro. A gente tinha um Uno, o saudoso Átila…(N): Viajamos pra Palmas, no Tocantins, 2.300 km de Umuarama a Palmas, dois dias na estrada pra chegar lá e tocar com Pato Fu, Ratos de Porão… Depois saiu no Estado de Tocantins, talvez o jornal mais bacana de Tocantins, uma puta resenha legal dizendo que quem brilhou na noite foi o Nevilton… Algumas coisas assim que a gente viajou, tocou com garra e conseguiu uma repercussão legal. Isso abre portas para outros festivais chamarem…(L): Vindo de uma cidade pequena, a gente teve que aprender tudo, desde tocar e produzir as músicas, administrar a banda, fazer as artes gráficas, mexer com as mídias sociais. Se a gente estivesse em uma cidade grande teríamos os amigos que fariam. Então, isso foi muito importante pra gente, que hoje consegue fazer sozinho o que uma equipe faria. Com esse know-how de fazer tudo, é possível otimizar a nossa profissão pra atingir o nosso objetivo com mais clareza.(N): Do jeito que a gente está falando parece uma entrevista de negócios. Mas, é um negócio inteiramente punk, nós mesmos fazendo a história…Zap – Vocês estão frequentemente tocando em São Paulo, onde tem incontáveis bandas batalhando um espaço pra tocar. Vocês foram bem recebidos no começo ou teve um certo bairrismo?(L): Não me lembro de ter sentido isso… Muito pelo contrário. Até por a gente ser do interior, rola um interesse maior… Fomos muito bem recebidos, ficamos na casa de bandas de lá, usamos equipamentos delas.Zap – Antes de formar a banda, em 2006, Nevilton e Lobão foram morar um tempo em Los Angeles, nos Estados Unidos. Qual era a ideia de vocês quando se mudaram pra lá? Era aprender como funciona o mercado musical de lá ou o quê?(L): A ideia foi ficar fluente no inglês. E que bom que a gente conheceu a cultura norte-americana e o music business. Assim como a gente tem aqui os cursos do Senac, Sebrae, cursos de microempresas, eles têm monografias, livros sobre music business. Isso é uma coisa muito interessante! A gente trabalhou pra caramba também fora da música. Conseguimos ver o show business funcionando porque a gente também trabalhou em eventos. Então, esse negócio de ir pra lá aprender inglês acabou refletindo diretamente na nossa questão musical. Trabalhamos em estruturas de shows enormes, como do Guns n’ Roses…Zap – Como vocês foram trabalhar num show do Guns n’ Roses?(L): O nosso emprego era ser segurança de eventos.O Nevilton de segurança? (risos)(L): (risos) O Nevilton botava uma ordem na casa que você tinha que ver! Deixava um costeletão e uma cara de mau! (risos). A gente trabalhou tanto na frente recepcionando o público como no backstage, toda a movimentação de iluminação, estrutura física, coisa louca cara!(N): Eu tava sempre muito bem armado com um rádio amador e um farolete. Eu podia chamar reforço a qualquer hora!(L): A gente trabalhou no Oscar também! Vimos vários tipos de eventos, de vários níveis diferentes e percebemos que o negócio é ser profissional. Trabalhando profissionalmente, não tem como dar errado. Zap – E o primeiro álbum, em que pé está  o novo trabalho?(N): Está pronto.(L): Está gravado, masterizado, capa feita. Só falta resolver o lançamento.Zap – Alguma gravadora ou selo interessado?  (L): Propostas existem. Tem gente que procura, quer saber, mas não desenvolve… A gente quer lançar legal, com boa distribuição… Não adianta fechar qualquer negócio só pra lançar.(N): Por isso que ele está pronto há algum tempo e a gente não lançou. Mais cedo ou mais tarde a gente lança. Estamos fazendo bastante shows, tendo boa repercussão, temos um clip pronto pra lançar logo e estamos em pré-produção de um outro clip. Tem muito o que rolar, então não há pressa. E mesmo que o disco seja lançado só por nós, vamos tomar todos os cuidados para que seja divulgado de uma maneira legal e que consiga chegar a todos os lugares. A gente vai fazer bonito…Zap – Abrir o show do Green Day ajudou bastante na divulgação da banda?(L): Tocar pra 30 mil pessoas e abrir o show do Green Day foi bastante emocionante. E a repercussão foi boa. Os fãs do Green Day que viram a gente, alguns adoraram outros não. Mas mesmo quando rolou papo negativo na internet, foi bom porque tinha gente que ia lá e defendia. É legal quando as coisas saem do nosso poder e a gente não controla mais. Dá um pouco de medo porque temos que pensar mais no que estamos fazendo. Mas é legal saber que tem gente que hoje conhece a nossa banda por causa dessa aparição no show do Green Day.Zap – As influências da banda são diversas…(N): Ainda mais agora, com o Chapolla na banda, a salada está completa…CHAPOLA: Eu tenho muito da escola do hardcore, mas também muita coisa de rock, como Led Zeppelin, Queens of The Stone Age, Foo Fighters… E depois que eu entrei na banda comecei a ouvir mais coisas brasileiras. Estou ouvindo até Alceu Valença!(L): Eu tive uma formação alternativa dos anos 80, 90: Superchunk, Pixies, Pearl Jam… Mas eu tenho muito dos anos 50 também e eu tento mixar isso.(N): O Lobão me fez gostar de Pink Floyd também. A gente gosta também de jazz e um monte de bebop estranho… Eu gosto de muita música brasileira, principalmente falando a respeito de letras. Temos ótimos letristas no Brasil como Belchior, Fagner, Chico Buarque, Zé Rodriguez, Zé Geraldo, Alceu Valença. E gosto também de muito rock and roll, da guitarra do Jimmy Page, Jimi Hendrix, Clapton, B. B. King… Ao mesmo tempo gosto desde de Tom Jobim ao Pavement, as guitarras malucas dos Smiths, Modest Mouse, Cake… A gente sempre está escutando várias coisas…Zap – Hoje, então, vocês já  conseguem definir que tipo de banda é a Nevilton, ou vocês ainda estão descobrindo isso? Que rumos musicais a banda deve seguir no futuro?(N): A definição de gênero seria uma banda brasileira. Talvez uma banda brasileira de rock… Com relação ao futuro da banda, talvez a resposta seja a mesma se você tivesse perguntado isso pra mim há três anos ou um ano atrás: é trabalhar cada vez mais e tentar fazer cada vez melhor as coisas pra não decepcionar a galera que já nos acompanha e, ao mesmo tempo, cativar mais pessoas para chegar sempre em mais lugares. A missão é não deixar o samba morrer!NEVILTON AÍ EMBAIXONo clip de “O Morno”——————–É isso? É isso, neste post. Mas colaê que no decorrer da tarde de hoje e de amanhã entram novas postagens por aqui, de acordo com o novo (e imposto) formato do blog zapper. Claro, vamos falar do show do U2 ontem em Sampa (e que encerrou a passagem da banda pelo Brasil) e também dos gigantes da indie scene nacional que tocam entre hoje e amanhã em Sampalândia: Los Porongas, Transmissor e Pública.Até logo menos então!(enviado por Finatti às 13hs.)

“Wasting Light”, o novo Foo Fighters, na área! Merece um extrinha zapper!

 O Foo Fighters é foda e Dave Grohl é o cara: novo discaço deles na área!* Yep. Em algum momento do último finde, o novo álbum dos amados Foo Fighters caiu na web e aí já viu. A humanidade já está ouvindo a nova e esporrenta obra do mega boa praça Dave Grohl e sua turma e este espaço blogger rocker, óbvio, vai dar o seu pitaco sobre o discão, logo aí embaixo.* Mas antes disso, é preciso falar também que foi sensacional o show dos Forgotten Boys no último sábado, no Beco203, lá no baixo Augusta. Agora sem a percussão, com mais uma guitarra e mantendo os teclados na formação, fica evidente a enooooorme vontade dos FB em ser um êmulo quase perfeito dos Stones (fase “Stick Fingers”) ou do Primal Scream (na época do “Give Out But Don’t Give Up”) – e isso é um elogio, porque a banda está ótima no palco, tocando com prazer e, como sempre, arrastando um monte de xoxotas rockers e deliciosas pra suas gigs. O novo álbum do grupo está pra sair e assim que ele ganhar as lojas (ou a internet), voltaremos a falar dos Garotos Esquecidos por aqui.* E o Beco203 é, em si, ótimo também. Espaço dinâmico, enorme, ótimo palco e som e luz de primeira. Fora que o gaúcho Vitor, o  dono da parada (e também do Beco de Poa), e o dear friend Rogério (o gerente mais rock’n’roll do planeta, com passagens pelo club Glória e pelo Rockerz club), também tratam todos com simpatia e cortesia ao cubo. E a discotecagem, no sábado, estava matadora – fazia tempo que o sujeito aqui não dançava tanto, ao som de Strokes, White Stripes, Oasis etc, etc, etc. Moral da história: o blog já virou fã do Beco. E já avisa: dia 15 de abril tem show do Pública por lá.* Amanhã: The National, no Citibank Hall, em Sampa. Na quarta: Human League na Via Funchal. Zap’n’roll vai nos dois. E SP é mesmo uma festa (já outros confins do país…). * Uma festa que vai reunir dois gigantes da indie scene nacional, no próximo dia 14 de abril, quando tocam juntos na capital paulista os mineiros do Transmissor e os acreanos Los Porongas. É o show mais imperdível da temporada, disparado. Vai ser na Livraria da Esquina. Vai perder???* O novo discaço dos Foo Fighters também é imperdível. Veja aí embaixo porque.FOO FIGHTERS VOLTA FODAÇO EM “WASTING LIGHT”Há uma diferença capital entre “Wasting Light”, o novo álbum dos Foo Fighters, programado para chegar oficialmente às lojas no próximo dia 12 de abril (em sua versão física; na web, ele pousou em algum momento do último finde), e o último dos Strokes, “Angles”, que também foi lançado semanas atrás. Onde faltou fôlego para Julian Casablancas e Cia, sobrou no quarentão Dave Grohl, vocalista, guitarrista e principal compositor do FF.É o primeiro disco do novamente quinteto (já que o lendário guitarrista e velho amigão Pat Smear voltou a tocar com a banda. Ele não apenas participou das gravações do disco, como também vai sair em turnê com o conjunto) em quatro anos (“Echoes, Silence, Patience and Grace” foi editado em 2007). Grohl está com quarenta e dois anos de idade; os outros integrantes do FF não são exatamente garotos e o grupo já tem mais de década e meia de existência – ou três vezes mais do que durou o inesquecível Nirvana, onde Dave ficou célebre como baterista. No entanto, nada disso impediu que a banda voltasse com um álbum que é uma autêntica tijolada nos ouvidos, sendo que a porrada já começa logo na abertura, em “Bridge Burning”, onde as guitarras despejam riffs furiosos, Grohl grita como um adolescente faminto por rock e a melodia, acreditem, é extremamente pop e radiofônica. O mesmo ocorre em “Rope”, o primeiro single (e cujo vídeo já foi postado aqui mesmo no blog, sendo que ele está em alta rotação no YouTube e na MTV), e daí pra frente o esporro só aumenta e ganha contornos quase heavy metal em “White Limo” (onde os vocais de Dave surgem distorcidos ao máximo), em “Back & Forth” ou ainda em “A Matter Of Time”, onde Taylor Hawkins dá show na bateria, com condução porrada mas sem perder a elegância. E mesmo em um momento, hã, mais plácido e calmo, como na bonita “These Days”, as alternâncias precisas entre o bucolismo e a explosão instrumental mostram o quanto a banda burilou o disco no estúdio, o quanto ela pensou bem no material a ser lançado nestes quatro anos de ausência. Sem exagero: o FF é a banda metal inteligente, moderna e contemporânea. Algo que o Iron Maiden, por exemplo, tenta continuar sendo mas não consegue mais, e aí passa vergonha alheia.Claro, nem tudo é perfeito no comeback do Foo Fighters: a produção exageradamente “limpa” de Butch Vig (ele mesmo, o homem que pilotou a mesa de som em “Nevermind”, do Nirvana), deixa a ambiência sonora do álbum um tanto pop demais para a barulheira implacável que está concentrada nas faixas. Mas isso é apenas um detalhe e não tira o brilho de “Wasting Light”. Ainda mais quando ouvimos convidados ilustres como Bob Mould (que um dia tocou guitarra no Husker Du) fazendo backing vocals e adicionando mais explosão nas guitarras, em “Dear Rosemary” (não por acaso, uma das músicas mais barulhentas de todo o cd), ou Cris Novoselic (yeah, o outro grande ex-Nirvana) conduzindo o baixo em “I Should Have Known”.Agora resta esperar a banda cair na estrada. Eles já avisaram que vão tocar em garagens de fãs, bares pequenos mas também em grandes festivais – a produtora brasileira T4F tem uma turnê fechada com o grupo. Não há datas e locais acertados ainda, mas o Foo Fighters volta finalmente ao Brasil no segundo semestre deste ano, provavelmente no festival SWU, ou então para datas em algumas capitais.E pelo show inesquecível que deram em 2001 no Rock In Rio e pelo disco que estão lançando agora, os Foo Fighters já são show obrigatório este ano, pra se ver por aqui. Pode ir preparando seu bolso. E seus ouvidos.O TRACK LIST DE “WASTING LIGHT”1. “Bridge Burning”     4:472. “Rope”     4:193. “Dear Rosemary”     4:264. “White Limo”     3:225. “Arlandria”     4:286. “These Days”     4:587. “Back & Forth”     3:528. “A Matter of Time”     4:369. “Miss the Misery”     4:3310. “I Should Have Known”     4:1511. “Walk”  FOO FIGHTERS AÍ EMBAIXOEm dois vídeos: o primeiro com “Rope”, o novo single, e já postado aqui mesmo no blog há algumas semanas; o outro, de um show em Londres, no estádio de Wembley, em 2008, com Dave tocando sozinho boa parte de “Everlong”, e enlouquecendo o público. Pra você se preparar pro show que vem aí…“Everlong”, ao vivo em Londres, em 2008——————–É isso? É isso. Vai curtir o novo álbum de Dave Grohl e sua turma, que até sextona aparece novo post zapper por aqui.Até lá!(enviado por Finatti às 17hs.)