O bacana indie guitar do alemão Tusq (ao vivo no Brasil, e com promo de tickets pro show aqui no blogão zapper). E o desaparecimento de um mito do punk rock nacional

O bacana grupo alemão Tusq (acima) está em turnê pelo Brasil. E abaixo o saudoso Redson literalmente “voa” em show da banda Cólera: morte prematura do músico deixou o punk brasileiro de luto

Post modesto hoje.
Mesmo aqui, no blogão em endereço próprio. Isso porque Zap’n’roll se viu quase sem clima pra fazer seu post desta semana. Afinal, na noite da última terça-feira faleceu repentinamente um dos maiores nomes do punk rock brasileiro em todos os tempos: o vocalista, letrista, guitarrista e líder do trio paulistano Cólera, Redson Pozzi. Que além de artista de primeira grandeza, ainda foi amigo pessoal do autor deste blog durante anos. Quando soube da morte do músico, o blogger sempre sentimental entrou em choque e ficou maus emocionalmente, sendo que só começou a melhorar seu ânimo ontem, quinta-feira, após se encontrar com sua sempre querida girlfriend Helena Lucas. Mas aí a semana já estava acabando, o blog deixou de ir pro Rio (pra curtir a mega festa de quinto aniversário da Rolling Stone, que rolou anteontem no Morro da Urca; foi a primeira vez que o sujeito aqui não compareceu a uma festa de aniversário da maior revista de cultura pop do Brasil), não foi ontem ao show do Tokyo Police Club e está aqui, colocando este   post modesto no ar, nesta insuportavelmente quente tarde de sexta-feira, quando Sampalândia está mais para a “quentura” de Boa Vista, Belém e Macapá, do que pro frio gélido que o autor destas linhas rockers online sempre amou. Enfim, é isso: aí embaixo as notinhas legais desta semana, um papo sobre o bacana quarteto indie guitar alemão Tusq (que está excursionando pelo Brasil) e a homenagem do blog ao saudoso Redson, um cara que ajudou a construir a grande história do rock deste país nos últimos trinta anos.

* Quem – além das cem mil pessoas que estavam lá – viu ontem pela “Grobo” a quarta noite do Rock In Rio? Bien, o sujeito aqui ficou dando uma “zoiada” enquanto escrevia no note. E achou bizarro a putaça Ke$ha quebrando uma guitarra no seu show. Stevie Wonder? Quem queria saber do preto véio quando um xoxotaço igualmente preto estava roubando o show nos teclados? Pois é…

* Mais Rock In Rio: claaaaaro que você já viu a vergonha alheia patrocinada pela Christiane “doidona” Torloni, e que roda à loka há uma semana no YouTube. Mas o blog mostra aí embaixo, mais uma vez, hihi. Fora nosso amigão Rogério Flausino, o que participa do vídeo “eu vou sem droga nenhuma” e foi flagrado na área vip do festival, com a boca torta e mordendo a língua (literalmente) de tão bicudo que estava, uia! Dizem as más línguas que o rapaz experimentou uma “pura” ali, diretamente da Bolívia, rsrs.

Christiane Torloni em: “Hoje é dia de rock, bebê!”. Uia!

* E enquanto o pop deita e rola no Rock In Rio, a Folha online de hoje mostra uma lista bizarra: a de cinquenta e dois grandes shows que irão rolar em Sampa em outubro. Veja a lista aqui: http://guia.folha.com.br/shows/982912-veja-52-grandes-shows-que-agitam-sp-em-outubro.shtml . E conte nos dedos quantos deste total são shows que realmente merecem o exagerado adjetivo de “grande” (grande em quê, afinal?).

* A “crise” na venda de tickets para grandes shows de rock agora no final do ano: a gig extra do Pearl Jam ainda tem ingressos sobrando e isso obrigou a produtora T4F a por anúncio da turnê em horário nobre na Globo. O SWU, ao que parece, também está com dificuldades para desovar sua pacoteira de ingressos. O  mesmo não deverá rolar quando o mega esperado Foo Fighters der as caras por aqui, entre abril/maio do ano que vem, né? A banda do super boa praça Dave Grohl arrasou aqui em 2001, no Rock In Rio III, e nunca mais voltou. Agora, gigante como está, faz turnê monstro pela América Do Norte. Em abril, enfim, descem pra cá, com uma primeira data já confirmada em Buenos Aires, no dia 12 de maio. No Brasil, a tour é de responsabilidade da T4F e o grupo deve tocar com certeza na primeira edição do Lollapalooza brasileiro, que vai acontecer em Sampa nos dias 7 e 8 de abril.

* Moral da história: alguém duvida de que os ingressos pro show do FF aqui vão evaporar assim que forem colocados à venda?

* Noel Gallagher na capa da NME (aí embaixo) desta semana. O disco solo está vindo aí. Será que vai ser melhor do que o Beady Eye, do mano Liam? Hum…

* Mas grande mesmo, aqui, era o punk rock do Cólera. Que esta semana nos deixou órfãos com a morte do querido Redson, infelizmente. E é sobre isso que você lê agora, aí embaixo.

A MORTE DE UM GIGANTE DO PUNK BRASILEIRO

“Às vezes tenho medo
Às vezes sinto minha mão
Presa pelo ar
E quando eu olho em volta
Encontro uma multidão
Presa pelo ar.

Às vezes tenho raiva
Às vezes sinto que a ilusão
Me faz recuar
Pois muita gente mente
Pois muita gente dá a mão
Só pra empurrar”.
(“Medo”, faixa de abertura do disco “Pela Paz Em Todo o Mundo”, lançado pelo grupo punk Cólera em 1986)

Já passava da meia-noite da última quarta-feira quando a timeline do Twitter de Zap’n’roll começou a ser bombardeada por uma série de tuites dando conta da morte repentina de um gênio, ícone e lenda do punk rock brasileiro. O guitarrista, letrista, compositor e vocalista Redson, do seminal trio paulistano Cólera, tinha sofrido um infarto (ao que parece, fulminante) e morreu, aos quarenta e nove anos de idade.

Foi um choque para o autor destas linhas zappers. E está sendo até agora. Afinal o autor deste blog foi amigo pessoal de Redson (cujo nome completo era Edson Lopes Pozzi) durante anos. E embora não tivesse contato pessoal com o artista nos últimos anos, nunca deixou de admirar e reconhecer a importância do trabalho de sua banda, o Cólera, na formação do rock brasileiro nas últimas três décadas.

O Cólera surgiu na periferia de São Paulo em 1979.  E em pouco tempo já se destacava entre a facção das primeiras e clássicas bandas do movimento punk paulistano, como Ratos De Porão, Inocentes e 365 (atenção: este último vai tocar nesta sexta-feira no Dynamite Pub, na rua Treze De Maio, 363, Bixiga, região central de Sampa, com sua formação quase original: Finho nos vocais, Ari Baltazar nas guitarras e Mirão na bateria. O show rola dentro da festa Back To The 80’s, comandada pela super DJ Silmara). Durante os anos em que foi um “dirty punk” (dos dezoito aos vinte e dois de idade), Zap’n’roll cansou de assistir shows do trio (que era completado pelo baixista Val e pelo baterista Pierre). E o blog jamais se esquece de uma madrugada, lá por 1987, quando esperava um busão que jamais aparecia na avenida Cruzeiro do Sul, em Santana (zona norte paulistana e reduto dos punks na época). Do nada, o autor destas linhas bloggers se viu cercado por um grupo de punks algo agressivos, que interpelaram o sujeito aqui do porquê de ele estar vestindo uma camiseta do… Cólera. Foi preciso “explicar” aos punks com cara de nenhum amigo que o zapper era jornalista musical (sim, em início de carreira), fã de punk rock e amigo do pessoal do Cólera. Após dizer tudo isso, foi “liberado” mas com a “recomendação” de que não ficasse “dando mole por ali”.

“Pela Paz…”: um clássico eterno do punk brasileiro

O trio foi pioneiro em vários sentidos. E ao invés de professar a estética punk baseada na ideologia do caos e da destruição como objetivo de conseguir mudanças e conquistas políticas e sociais, o Cólera inaugurou no Brasil o chamado “punk pacifista” e que gerou obras-primas como “Tente Mudar o Amanhã” (o primeiro álbum completo deles, lançado em 1984) e “Pela Paz Em Todo o Mundo” (lançado dois anos depois, em 1986). Este último ficou célebre pela sua capa amarela e com o mapa-mundi desenhado nela e chegou a vender quase 90 mil cópias, um estouro para os padrões da cena independente (onde o Cólera nasceu, se criou e nunca saiu dela, mesmo tendo sido intensamente cortejado por majors do disco quando o punk brasileiro se tornou “Cult” e virou “hit” entre playbas e modernos, quando os Inocentes foram contratados pela gigante Warner e chegaram a lançar três discos pela gravadora).

Claro, você jovem leitor deste espaço online, nunca deve ter ouvido falar do Cólera. Mas a banda influenciou toda a geração 80’ de Brasília (inclusos aí Capital Inicial, Plebe Rude e Legião Urbana, que tinham verdadeira adoração pelo trio paulistano), foi o primeiro grupo punk independente brasileiro a excursionar pela Europa (nos anos 80, e sem nenhum apoio financeiro de qualquer instituição pública ou privada, ou de algum selo ou gravadora), repetiu a façanha nos anos 2000 e também foi pioneiro na criação do punk de discurso ambientalista, quando lançou o disco “Verde, não devaste!”, em 1989 (há mais de vinte anos!). Um discurso tão em moda nos dias atuais, e muitas vezes praticado de maneira sectária e nada objetiva/produtiva por autênticos eco-chatos, o que nunca foi o caso da banda comandada por Redson.

Ele era um cara calmo, ponderado, simpático, sempre atencioso com todo mundo. Colecionou alguns inimigos durante o tempo em que esteve à frente do Cólera – afinal, quem produz arte que vale à pena e tem caráter e dignidade, sempre vai despertar raiva e inveja em quem é um zero à esquerda. E o trio continuava na ativa até os dias atuais: estava fazendo a excursão “30 anos ao vivo no Brasil” e se preparava para lançar seu novo trabalho de estúdio, “Acorde acorde acorde” (o primeiro disco de inéditas desde “Deixe a Terra em paz!”, lançado pelo extinto selo Devil Discos, em 2004), que sairia em breve (ainda será lançado?) pela DeckDisc.

Com a morte de Redson, o rock brasileiro fica mais pobre e perde um grande compositor e letrista, sempre empenhado em causas sociais, ambientais e políticas. Ele nunca ficou  rico com sua banda punk, nem mega famoso aqui. Nunca tocou para multidões. Mas conseguiu ter o respeito e a admiração que pragas como Rogério Flausino, Cláudia Leitte, Luan Santana e outros do mesmo naipe dariam a mãe pra ter. E jamais terão.

Vai em paz, amigão e grande punk rocker de corpo e alma. Toca, por nós, alguns de seus clássicos de forma bem barulhenta, no ouvido surdo de Deus. Um dia a gente se encontra por aí!

* Por uma trágica coincidência, a nova edição online da revista Dynamite (disponível para leitura em pdf, aqui no portal) traz uma mega entrevista com o Cólera e Redson. Vai lá e dá uma lida!

* E enquanto essas linhas bloggers bem tristes eram finalizadas, demos uma “zapeada” pela web, por sites e blogs de rock e cultura pop. Folha online, iG e o site da Rolling Stone deram notas curtas sobre o falecimento de Redson. Já blogs “mudernos” de cultura pop (como Remix e outros, que apenas se preocupam com o último peido fedido do pop/rock planetário) nada disseram. Claro: falta cultura e informação pra isso, pra deter o olhar sobre o que acontece aqui mesmo, no rock alternativo brasileiro. Lamentável…

CÓLERA AÍ EMBAIXO    
Em vídeo deste ano, registrando trecho da apresentação da banda no tradicional festival “Verdurada”, em São Paulo. Gravado no dia 6 de junho, mostra o trio tocando o clássico “Pela Paz Em Todo o Mundo”.

* Hoje à noite, no Dynamite Pub (que fica na rua Treze De Maio, 363, Bixiga, centrão rocker de Sampa), rola um show que tem tudo pra ser histórico: o clássico punk 365 sobe ao palco pra tocar seu caminhão de hits históricos do punk paulistano, e prometendo fazer uma grande homenagem ao Redson. O show rola dentro da sempre animada festa “Back To The 80’s”, comandada pela super e querida DJ Silmara Oliveira. Cola lá que vai ser bacana!
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O post está modesto mas ainda não terminou. Voltaê mais tarde que ainda vai entrar um papo sobre o legal grupo alemão Tusq, além do roteiro de baladas indies legais pro finde.

O blog vai ali resolver umas paradas e volta daqui a pouco, pra encerrar o negócio por aqui. Enquanto isso, você pode ir lá no hfinatti@gmail.com, pra tentar a sorte e ganhar:

* DOIS INGRESSOS para o festival Planeta Terra 2011, que rola dia 5 de novembro em São Paulo;

* E TRÊS PARES de ingressos pra conferir o show dos alemães Tusq no Beco203 em Sampa, no próximo dia 5 de outubro, sendo que quem ganhar seu par também vai levar de bônus um cd do Tusq e um do grupo paulistano Eletrofan, que também vai tocar na balada.

Certo? Então até daqui a pouco, com maaaaais por aqui!

(enviado por Finatti às 17hs.)

“Nevermind” e o dia em que o rock rachou. O fim do REM (e a morte de boa parte do rock que importa, junto) O Primal Scream toca “Screamadelica” em Sampa. A deusa Scarlet Johansson peladona pela web. E uma “amiguinha” da biate Paris Hilton (só podia…) dá uma aula de boquete (uia!) em um super vídeo hardcore sex, wow! (versão final em 24/9/2011)

O gênio Michael Stipe e sua banda, REM (acima): eles souberam a hora de parar. E terminaram no auge, como o Nirvana (abaixo), cujo mega clássico álbum “Nevermind” completa vinte anos neste sábado

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UP TO DATE – Post completão no início da tarde de um sabadão aprazível em Sampa. No Rio, ontem, começou o Pop In Rio, hihi. Com Milton Cagamento cantando “Love Of My Life”, do Queen (e fazendo Freddie Mercury revirar na tumba), Kate Perry mostrando que é xoxotuda, a biba véia Elton John emocionando a tiazada, e a vadiaça Rihanna mostrando que canta muito (ela ficou melhor depois que levou uns sopapos do ex, o malaco Chris Brown, rsrs).

É isso aê: hoje a esbórnia continua no balneário. Mas o blog vai mesmo é se acabar no show do Primal Scream, wow!

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Um dia terrível.
Anteontem, quarta-feira, talvez tenha sido exatamente isso: um dia terrível. Ou, pelo menos, um dos mais desagradáveis e problemáticos vividos por Zap’n’roll nos últimos dois meses, quando ele começou a namorar com a universitária e também blogueira Helena Lucas. E até por conta desse dia, hã, eivado de acontecimentos e sentimentos desagradáveis, este post que você começa a ler agora atrasou sensivelmente para ser levado ao ar – era para ele já estar aqui desde ontem, quinta-feira. Mas não deu: primeiro, havia conflitos de ordem particular se imiscuindo entre o casal rocker. Brigas e desentendimentos que afetam cotidianamente qualquer casal normal. Depois, o autor deste blog se viu diante de pendências profissionais e jornalísticas que tonaram seu dia ainda mais tenso. E, por fim, quando tudo parecia caminhar para a normalidade veio a mega notícia bombástica que abalou toda a nação rock’n’roll, em pleno meio da semana: o genial e gigante e lendário trio americano REM (amado desde sempre por estas linhas zappers, um dos cinco grupos da vida do sujeito que escreve este espaço online e, reconhecidamente, um dos maiores nomes de toda a história do rock) anunciava em sua página oficial na internet que estava encerrando sua carreira. Foi um choque monstro e de repercussão tamanha que imediatamente todas as redes sociais (Facebook, Twitter etc) e sites/blogs musicais, além de portais de notícias e até telejornais (como o Jornal Da Globo) passaram a se ocupar do assunto – o zapper sempre sentimental e ultra abalado pela notícia, ele mesmo postou alguns vídeos e fez diversos comentários a respeito do fim da banda em seu mural no Facebook. Foi aí que o blogger fã do trio (que já foi quarteto em boa parte de sua carreira) de Athens desabou de vez. Não havia mais como fazer nada no final daquele dia terrível, quase trágico. Foi preciso uma pausa de quase vinte e quatro horas para reorganizar as idéias e até a própria pauta deste post, que teria (e ainda tem) como um dos temas principais os vinte anos do lançamento do clássico “Nevermind”, que se completam neste sábado, 24 de setembro. Outro assunto já fartamente esmiuçado pela web de cultura pop nos últimos dias, afinal trata-se do último clássico parido pelo rock’n’roll contemporâneo, além de ser o álbum que elevou o Nirvana à condição de mega banda e que também dinamitou a fronteira que separava o rock alternativo do mainstream musical. Mas, mesmo já tendo sido fartamente comentado, ainda assim o niver de “Nevermind” precisava passar pela análise “sentimental” do blogão mais legal de cultura pop da web brasileira. Afinal, o autor destas linhas virtuais acompanhou tudo bem de perto: o lançamento do disco no Brasil, a explosão do Nirvana, os shows que o grupo fez por aqui em 1993 etc, etc. Assim como acompanhou a transformação do REM também em mega banda (mas sem nunca perder a qualidade artística e o respeito que o trio tinha quando ainda surfava no underground do rock americano). Na verdade há muitas conexões entre Nirvana e REM (sendo que Michael Stipe adorava Kurt Cobain). Um acabou no auge, por força do suicídio de seu vocalista e líder. O outro, após três décadas de uma trajetória brilhante e inatacável, também decidiu parar ainda no auge, para preservar uma carreira que será sempre lembrada como uma das mais importantes e sensacionais da história da música. E tudo isso na véspera em que um outro grupo genial do rock inglês, o Primal Scream, começa sua nova turnê brazuca, onde irá tocar na íntegra outro disco lendário e essencial do rock, o chapado e chapante “Screamadelica”. Na real e na boa, sem papo de saudosista/ranzinza, não se faz mais hoje em dia grupos como Nirvana, REM e Primal Scream. É o que blog vai tentar mostrar nesse post, com histórias sobre estes grupos que dariam enormes diários sentimentais. Vamos a elas então, com a alma e o coração eternamente gratos por podermos ouvir para sempre as obras-primas legadas por Michael Stipe, Kurt Cobain e seus companheiros de jornada rocker.

* E na semana em que o REM chegou ao fim e “Nevermind” completa duas décadas, hoje começa a primavera (saudades do inverno) e também a quarta edição brasileira do Rock In Rio. Não se fala – quase – em outro assunto na mídia de cultura pop (seja ela eletrônica, impressa ou na web) e o blog não se alongar muito em comentar o festival. Apenas vai admitir que, sim, o RIR se transformou em uma marca mega bem sucedida mas que hoje tem muito pouco a ver com o rock em si. O blog esteve nas três edições anteriores do festival (em 1985, 1991 e 2001). Na primeira, há vinte e seis anos, a estrutura já era grande e de ponta (para a época) mas não havia telões, não havia transmissão via internet, nada disso. Mesmo assim o som foi mega potente e o zapper rocker (então um pirralho pós adolescente de vinte anos de idade e que ainda sonhava em ser jornalista) viu grandes gigs ali, de bandas que ainda estavam em seu auge (como o Queen e o AC/DC, por exemplo). Seis anos depois o festival se mudou para o estádio do Maracanã e estas linhas bloggers, já então trampando na revista semanal Istoé, acompanhou tudo da área de imprensa, se entupindo de whisky Logan e batendo animados papos com figuras como Supla e o querido Guto Goffi, batera do Barão Vermelho. O então ainda jovem jornalista tinha ido em apenas uma noite, a que o Guns N’Roses literalmente lotou o estádio, e justamente pra ver qual era a de Axl Rose, o grande (naquele instante) rock star do planeta. Achou o show uma bela merda e ficou chapado com a apresentação do sensacional Faith No More. E em 2001… foi a glória. Namorando com uma arquiteta mega crazy, um xotaço que fodia horrores e que vivia movida a ácido e maconha, lá se foi Zap’n’roll para o festival, no dia 13 de janeiro daquele ano. Foi a inesquecível noite em que tocaram Beck (o cantor, plis), Foo Fighters e REM – mas isso contamos melhor mais aí embaixo, no tópico sobre o fim da banda de Michael Stipe. E agora, RIR 2011. Há muita música pop ali e quase nada de rock, na verdade. E isso foi bem observado pelo rotundo e já secular Thales De Menezes, em texto publicado hoje na FolhaSP. Mas é a música pop que ainda vende discos físicos e ingressos pra shows hoje em dia, não? Então, pra quem vai pro balneário, bom festival e boa diversão com Cláudia Leitte, Milton Cagamento, Rihanna e todas as “dorgas” que o festival tanto tem combatido em sua campanha anti-drogas. O blog fica por SP mesmo, à espera de Pearl Jam, Strokes, Beady Eye, Black Rebel Motorcycle Club, Ash etc, etc, etc.

* Bien, bien, semana passada o blogão zapper deitou elogios ao novo disco deles. E agora a banda estampa, com todas as honras, a capa da NME desta semana. Essa mesma, aí embaixo. Vai atrás do novo álbum dos caras, que é coisa fina!

* Falando em “coisa fina”, quem ainda não viu as fotos “ao natural” do bocetaço Scarlet Johansson que andaram (e ainda andam) circulando pela web, merece levar uns cascudos na orelha. Ok, ok, o blog vai fazer mais esse favor ao seu dileto leitorado e reproduzir as ditas cujas aí embaixo, para deleite dos punheteiros e siririqueiras de plantão, uia!

Scalert, a xoxota boa: ela quis brincar de ficar peladinha, e as fotos foram parar na web, claaaaaaro!

* Agora, vadiagem na cara laaaaarga no mondo pop é isso aí: a boneca que atende pelo singelo nome de Kim Kardashian, e que se auto-intitula “atriz”, “modelo” e “socialite” (hum…), também se mostra, em um vídeo que circula há tempos na web, uma excelente professora de… blowjob, wow! Sério: a moçoila, que é amiga íntima da também cadelaça Paris Hilton (só podia), mostra suas habilidades na arte de ser tri-boqueteira (como diria a gaúcha loiruda, peituda e amiga destas linhas bloggers safadas, a querida Pâmela Brandão) exatamente aqui:
http://www.pornhub.com/view_video.php?viewkey=2125162372

* Quer saber mais sobre a “distinta” garota? Ora, ela tem até página em português na Wikipedia. Vai lá: http://pt.wikipedia.org/wiki/Kim_Kardashian

* Deixando a putaria de lado e voltando a assuntos, hã, midiáticos. Quem acompanha este espaço blogger rocker vai se lembrar que, no post da semana passada, o texto de abertura falava sobre a saudade que este já velho jornalista sente dos tempos em que não havia internet, e do prazer de ler um jornal, livro e/ou revista impressa, além de ouvir discos de VERDADE (em vinil ou cd, que seja). Pois entonces: o blog tenta, aos poucos, recuperar velhos hábitos. Assim é que na última segunda-feira, trouxe pra casa um exemplar da FolhaSP. Foi ler o caderno Folhateen (onde inclusive o sujeito colaborou algumas vezes, há mais de década e meia, fazendo uma capa com a Legião Urbana, em 1994, quando a saudosa banda do gênio Renato Russo fez seus últimos shows em São Paulo), pra ver a quantas anda o dito cujo. A matéria de capa estava ok e com tema muito apropriado – a discriminação que a galera bissexual sofre por parte tanto de héteros quanto dos gays. Mas o blog realmente sentiu falta da coluna “Escuta Aqui”, que foi publicada durante anos no Folhateen e que se extinguiu este ano, há alguns meses. Era uma coluna bacana, polêmica, informativa e opinativa (algo que está em falta na imprensa cultural dos dias atuais) e que o autor deste blog acompanhou por anos. No lugar dela, hoje, há uma página de música que se detém sobre banalidades – como a escolha de uma banda pra tocar no Rock In Rio e que foi julgada mais pela sua aparência do que pelos “dotes” musicais (com direito a uma declaração estúpida sobre como a música se transformou em um “produto”, disparada como sempre pelo boçal Luciano Huck). Fora a idiotice do autor da coluna “Internets” em afirmar que “já era” ler jornais, livros e revistas apenas no papel. Tsc, tsc, tsc. É isso um possível resumo do Folhateen atual. Um caderno que já foi beeeem legal mas…

* O TUSQ VEM AÍ – hã? Quem? Tusq, quarteto indie alemão (sério) que começa uma tour de oito shows pelo Brasil a partir do próximo dia 29, no Centro Cultural São Paulo, em Sampa, sendo que aqui o grupo também vai se apresentar em animada madrugada rocker no sempre bacana Beco203, em noite promovida pelos amigos portais de cultura pop Scream&Yell e Urbanaque. O blog zapper, assume, não conhecia a banda. Mas aí o chapa, jornalista e produtor musical Itaici Brunetti procurou o blog, pedindo uma “forcinha” na divulgação da excursão. “Os caras são bons, Finatti. O som deles lembra algo de Charlatans, Joy Division. E já excursionaram lá fora com o Teenage Fanclub”, comentou Itaici animado, em papo telefônico com o blog. Anyway, Zap’n’roll foi conferir dois vídeos do Tusq e achou bacana a música “You And I”, que você confere aí embaixo. Tirando o vocal com forte sotaque alemão (óbvio) do cantor e tecladista (!) Uli, o som deles lembra mesmo o indie guitar inglês do final dos 80’/início dos 90’. Na tour brasileira o Tusq será acompanhado pelo grupo paulistano Eletrofan. E na semana que vem falamos mais dos dois conjuntos por aqui. Mas você já pode ir no final do post e mandar um alô amigo pra aquele notório e-mail, pois lá estão em sorteio três pares de convites pro show do Tusq no Beco, além de CDs dos alemães e do Eletrofan. Vai lá e boa sorte!

Tusq – “You And I”

* IMAGEM DA SEMANA, HIHI – La dolce vitta de adolescentes e pós-adolescentes fãs de rock e em busca de um contato mais próximo e, hã, “caloroso” com seus “ídalos”, rsrs. Na pic abaixo, as meninas que escrevem o bacanudo blog Female Rock Squad (http://femalerocksquad.wordpress.com/), entre elas a gilfriend do sujeito aqui, se encontram com o batera Chad Smith, dos Red Hot Chili Peppers (que fizeram uma gig meio assim… meia-boca na verdade, na última quarta-feira, em Sampalândia), ontem, na porta do hotel em que a banda estava hospedada, em Sampa. Yep, a “tietagem” é algo saudável no rock e na música pop. Até o autor destas linhas bloggers rockers já tietou alguém, algum dia. E você, não?

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As meninas do Female Rock Squad: tietando com gosto o grandalhão Chad Smith

 Tanto tietou que Zap’n’roll se emocionou e se entristeceu de verdade com a notícia do fim do REM. Eles vão deixar saudades, com certeza, como você vai ler aí embaixo.

O REM CHEGA AO FIM E, COM ELE, BOA PARTE DO ROCK QUE IMPORTA
Agora só escombros aqui e no rock’n’roll da pós-modernidade e do mundo globalizado/digitalizado via internet. Estamos em 2011. E não há mais nada a fazer.

Corta para 13 de janeiro de 2001.

Tinha sido uma madrugada realmente incrível, alucinante, fantástica, sensacional, fodástica e mais todos os adjetivos que você puder e quiser incluir aqui. O corpo estava cansado, as pernas estavam doendo, o cérebro ainda estava em parafuso pela ingestão de meio ácido lisérgico e de algumas tragadas dadas num cigarrão de marijuana. Voz não havia mais – ela tinha sucumbido diante do esforço das cordas vocais em acompanhar um coro de quase duzentas mil vozes durante mais de uma hora e meia. Restava esticar o corpo no gramado algo molhado e contemplar o céu, que estava limpo e coberto de estrelas. Mas o descanso durou pouco: logo, alguns seguranças vieram em nossa direção (de quem digita estas linhas em tom de diário sentimental, e de Vânia, uma arquiteta cavaluda, bocetuda, que fodia horrores e era fã de ácido e maconha e que então estava namorando com o autor deste blog) e pediram com o que lhes era possível de gentileza, que nos dirigíssemos para a saída da “cidade do rock”. Restou ir para a praia mais próxima, ver o dia clarear lá mesmo, tomar algumas brejas e se mandar depois para o terminal rodoviário Novo Rio, e lá pegar o primeiro busão de volta a Sampa.

Para trás havia ficado uma noite memorável do Rock In Rio III, onde tocaram o cantor Beck, os sempre ótimos ao vivo Foo Fighters (em noite que era aniversário de Dave Grohl) e o REM. Durante anos cogitou-se uma gig do grupo de Michael Stipe no Brasil. E ela jamais acontecia. E o autor deste blog, mega ultra apaixonado pelo grupo desde que o havia ouvido pela primeira vez (lá por 1985, quando saiu aqui o disco “Fables of the Reconstruction”, dentro de uma série ridícula batizada “New Rock Collection”, vejam só), se impacientava a cada nova turnê programada e jamais efetivada por aqui. O já então jornalista mezzo conhecido começou a se programar para assistir algum show da banda no exterior mesmo. Com uma irmã morando na Espanha e amigos residindo em Londres, pelo menos a questão da acomodação estaria resolvida caso o conjunto tocasse pela Europa.

Mas a ida para o exterior, para ver um show do REM em alguma turnê, também jamais deu certo. E quando tudo parecia meio que perdido, eis que a organização do Rock In Rio finalmente anunciou a vinda da banda ao festival. Zap’n’roll ficou eufórico tal qual um adolescente diante de sua banda preferida. E o blog se preparou durante dias para ir àquele show inesquecível. E foi. E viu a camisa vermelha de Michel Stipe estourar na cara deste blogger loker, através dos telões. E sentiu que os cones gigantes da Aol (então, uma das mega patrocinadoras do festival) vinham em sua direção, para devorá-lo. E enlouqueceu quando a banda começou o set com “What’s The Frequency, Kennethy?”. E se emocionou até quase chorar durante “So Central Rain”, “The One I Love”, “Eeverybody Hurts” e “Losing My Religion”. Banda irretocável no palco, Michael Stipe fitando a multidão e o sujeito aqui realizando um sonho que parecia irrealizável. Um sonho que se repetiria, afinal, sete anos depois, em novembro de 2008, quando o grupo voltou ao Brasil. Desta vez tocando no Rio e em São Paulo, na Via Funchal, onde o zapper assistiu a gig ao lado do querido super monge japa zen, ou Pablo Miyazawa para os mais chegados. E onde pequenas gotas de água encharcaram os olhos do então já veterano jornalista, quando o REM tocou mais uma vez “Losing My Religion” e “Nightswimming”. Foi novamente emocionante e inesquecível.

Volta para setembro de 2011.

O trio de Athens: digno e grande até na hora de anunciar o fim da carreira

Na última quarta-feira, dia 21, um comunicado breve postado na página oficial do REM na internet, comunicou o fim da banda. O trio que tocou junto durante exatos trinta anos (a banda nasceu em 1980, mas lançou “Chronic Town”, seu primeiro ep, em 1981) informou aos fãs que estavam encerrando suas atividades por julgar que já havia feito tudo o que poderia ter feito em sua trajetória no rock’n’roll. “Um homem sábio disse uma vez: – ‘A habilidade em assistir a uma festa é saber quando é a hora de sair’. Nós construímos algo extraordinário juntos. Fizemos essa coisa toda. E agora vamos andar pra longe disso.”Espero que nossos fãs não pensem que essa foi uma decisão fácil, mas tudo deve acabar, e nós quisemos fazer isso bem, fazer do nosso jeito.”Temos que agradecer a todas as pessoas que nos ajudaram a ser o REM, para estes 31 anos, a nossa mais profunda gratidão àqueles que nos permitiram fazer isso. Foi incrível.”, escreveu Michael Stipe. E ele está coberto de razão. Até na hora de decidir encerrar sua carreira o REM foi mega digno e grande. Foi sábio até não poder mais. Terminou sua jornada ainda em grande forma e de certa maneira no auge, já que “Collapse Into Now”, o disco lançado no início deste ano, entra fácil na lista dos melhores de 2011. Se 70% dos grupos que ainda existem e insistem em carreiras ridículas, cafonas, detestáveis, que nada mais têm a acrescentar aos fãs e ao público em geral porque se tornaram apenas rentáveis caça-níqueis (e às vezes, nem isso), muita mega vergonha alheia seria evitada no rock. Exemplos estão aí aos montes: The Who, Deep Purple, Iron Maiden, Red Hot Chili Peppers…

O blog não vai esmiuçar aqui a trajetória do REM e sua importância vital para o rock nas últimas três décadas. Não vai relembrar pela enésima vez a história do grupo que começou em Athens, formado por quatro amigos de faculdade (Stipe, o guitarrista Peter Buck, o baixista Mike Mills e o batera Bill Berry) e que iniciou sua caminhada no underground americano para, em questão de cinco anos, dominar o rock mainstream graças às incríveis melodias compostas por Buck, Mills e Berry, e à intensidade poética das letras escritas por Michael Stipe. O blog não vai listar aqui as dezenas de clássicos gravados por uma banda que soube como ninguém combinar nuances folk/country com a aceleração melódica do punk. Nem tampouco escrever, pela enésima vez, que o REM é uma das cinco bandas da vida do sujeito aqui (as outras são Stones, Smiths, Clash e Nirvana) e que pelo menos dois ou três discos do grupo (“Murmur”, “Document” e “Automatic For The People”) podem entrar tranquilamente na lista dos vinte melhores álbuns de rock de todos os tempos.

Mas Zap’n’roll vai dizer, sim, que o fim do REM leva consigo boa parte do pouco que resta de essencial no rock mundial atual. Não se fazem mais bandas com a qualidade musical e poética que o REM tinha. Não surgem mais rockstars hoje em dia com o carisma, a simpatia, a humildade e o mega caráter de um Michael Stipe. Está tudo muito cinza, plúmbeo, nublado no horizonte. E não há nada que indique que esta situação vá mudar.

Valeu Stipe, Mills e Buck. A banda se vai mas a obra vai permanecer gigante. Para sempre!

O FIM, POR ELES MESMOS
Peter Buck (ex-guitarrista): “Uma das coisas que sempre foi tão grande sobre estar no REM foi o fato de que os registros e as canções que escrevemos significava tanto para os nossos fãs como eles significavam para nós. Foi, e ainda é, muito importante para nós fazer o certo por você. Ser uma parte de sua vida foi um presente inacreditável. Obrigado.”Mike, Michael, Bill, Bertis, e eu a pé como grandes amigos. Eu sei que vou estar vendo eles no futuro, assim como eu sei que vou estar vendo todos os que nos seguiram e nos apoiaram ao longo dos anos. Mesmo se for só no corredor de vinil de sua loja de discos local, ou em pé na parte de trás de um clube: assistindo a um grupo de jovens de 19 anos tentando mudar o mundo “.

Mike Mills (ex-baixista):
“Sempre fomos uma banda no verdadeiro sentido da palavra, irmãos que verdadeiramente se amam e se respeitam. Nos sentimos uma espécie de pioneiros nisso… Não há nenhuma desarmonia aqui, nenhuma queda, sem advogados. Fizemos esta decisão em conjunto, de forma amigável uns com os outros com os melhores interesses no coração. O tempo só se sente bem. ”

REM AÍ EMBAIXO
Em quatro momentos clássicos e avassaladores: nos vídeos oficiais das músicas “Shine Happy People” e “Drive”; e durante a apresentação no Rock In Rio de 2001, com a banda tocando as intensas e lindíssimas “The One I Love” e “Losing My Religion”.

REM – “Shine Happy People”

REM – “Drive”

REM – “The One I Love” ao vivo, no Rock In Rio 2001

REM – “Losing My Religion” ao vivo, também no Rock In Rio 2001

 

 E SP VIVEU SUA NOITE SHOEGAZER COM O THE PAINS OF BEING PURE AT HEART
Yep. E foi na semana passada, na Clash Club, em Sampa. E poucos blogs deram a devida atenção ao show do quarteto americano, que foi beeeeem legal no final das contas.

O blogão zapper esteve na gig e já resenhou a mesma no endereço do blog no portal Dynamite. Para quem não leu lá, o texto está reproduzido aí embaixo:

Não tinha como dar errado. Noite agradavelmente fria em Sampalândia, céu nublado, temperatura por volta dos 15 graus. Aí, por algumas horas, cerca de quinhentas pessoas se sentiram meio que em Londres, nos early 90’, em um clube esfumaçado e curtindo um mini-festival com grupos indie guitar e shoegazer.

O clube, no caso, era o Clash, localizado num bairro da zona oeste de Sampa. E o festival era o Four Fest, em sua segunda edição. Que foi fechada pela gig dos ótimos ao vivo The Pains Of Being Pure At Heart.

O quarteto americano, você já está careca de ler aqui, presta vassalagem incondicional ao indie guitar e ao shoegazer inglês de duas décadas atrás – aquele que fez bandas como My Bloody Valentine, Jesus & Mary Chain, Ride e Lush legarem grandes clássicos para a história recente do rock. O que ninguém esperava era que a banda fosse ainda melhor ao vivo do que nos seus dois bons álbuns lançados até o momento (bien, na verdade o primeiro, que leva apenas o nome do conjunto, é sensacional). Por melhor ainda, entenda-se: show contagiante, algumas músicas cantadas em coro pelos fãs animados e o grupo imprimindo ainda mais noise e distorção às suas guitarras, tornando suas lindas melodias power pop bem mais barulhentas que nas gravações de estúdio.

 O guitarrista e vocalista Kip Berman comanda a celebração indie/shoegazer, no show do The Pains Of Being Pure At Heart, anteontem em São Paulo (foto: Helena Lucas Rodrigues)

Tudo comandado pelo tímido, porém simpático vocalista e guitarrista Kip Berman, que começou o set junto com a banda tocando “Belong”, a faixa-título do cd que eles lançaram no início deste ano. Foi um show curto porém eficiente, onde não faltaram as doces (e estridentes, nos riffs das guitarras) “This Love Is Fucking Right” e “Stay Alive”, dois “semi hits” do álbum de estréia do grupo. Curioso foi ver o baixista Alex Naidus vestido com uma camiseta do… Corintians (jezuiz…). E ainda perguntando pro público: “vocês aprovam a camiseta que estou usando?”. Recebeu aplausos de alguns e vaias de outros, claro.

E curioso, também, foi notar a enorme presença de tipos blasé na Clash, tanto entre os cuecas quanto as calcinhas (mais estas) presentes. A grande maioria, pirralhos (as) produzidos (as), com ar de indieota, e que estava mais preocupada em circular, ver e ser vista (lançando sempre aquele olhar “eu sou o famoso ninguém. E você, é o famoso quem?”) do que propriamente curtir o show.

Mas valeu a noite. Que venham outras edições bacanas do Four Fest como foi essa, de anteontem, na Clash Club em Sampa.

PÚBLICA LANÇA SEU NOVO DISCO HOJE EM SAMPA, NO BECO203
O quinteto gaúcho Pública, formado pelo vocalista e guitarrista Pedro Metz, pelo também guitarrista Guri Assis Brasil, pelo tecladista Luciano Leaes, pelo baixista Guilherme Almeida e pelo batera Alexandre Papel (que entrou no lugar de Cachaça, que saiu do grupo quando ele se mudou pra São Paulo, há um ano e meio), existe há uma década. É, sem favor algum, um dos grandes nomes do rock independente brasileiro dos anos 2000. E reafirma essa condição ao lançar seu novo álbum de estúdio, “Canções de Guerra”, que será disponibilizado para download na internet a partir da semana que vem, e terá lançamento em cd hoje, com show no Bec0203 (que fica na rua Augusta, 609, centrão rocker de Sampa).
Zap’n’roll teve acesso ao disco, com exclusividade, e o está ouvindo desde a última quarta-feira. É um disco belíssimo, denso, com ótimas músicas, ótimas letras, e que mereceu todo um cuidado especial no processo de gravação, mixagem e masterização – etapas fundamentais na elaboração de um trabalho musical e que, em muitos casos, pode determinar seu sucesso ou fracasso artístico. No caso do novo álbum dos gaúchos, ele foi masterizado nos Estados Unidos pelo engenheiro Brian Lucey, que já trabalhou com a banda Black Keys.

“Canções de Guerra” é algo diferente dos dois discos anteriores da banda – os também ótimos “Polaris”, de 2006 (e que na época em que foi lançado, ganhou resenha com quatro estrelas na revista Rolling Stone, em texto assinado pelo blogger rocker), e “Como num filme sem um fim”, editado em 2009. Se neles o Pública evocava referências de Beatles, rock BR 80’ (à Legião Urbana) e pós-punk e indie guitar inglês (Smiths e Oasis), no novo trabalho percebe-se mais introspecção melódica (com climas densos e utilização de pianos) e menos apelo imediato à canções de formato ultra radiofônico. Isso fica evidente em “Apagar das Luzes” e “Silenciou”, que fecham o trabalho de maneira algo tensa, angustiada. E também nas lindíssimas mas algo melancólicas “O homem” e “Cartas de Guerra”, esta última com backing vocals femininos oníricos, além de uma melodia sessentista que remete total à fase mais contemplativa dos Beatles.

Os gaúchos do Pública: show hoje à noite em Sampa, pra lançar o novo álbum, “Canções De Guerra”

Mas é claro que o grupo não se esqueceu como fazer música de alto apelo pop/radiofônico na melodia – e, ainda assim, mantendo a qualidade musical em alto nível. Exemplo claro disso são “Das coisas que eu não fui” (que abre o disco, com um baixão mezzo funkeado), “Corpo Fechado” (o primeiro single de trabalho do álbum, que já ganhou clip fodão e já em rotação no YouTube e na MTV), música onde o vocalista Pedro Metz expõe suas impressões sobre fé e religião, e as sensacionais “Pouca estrada pra cedo envelhecer” e “John”. Ambas tem muito de “road song” (no naipe de “Casa abandonada”, do disco “Como num filme sem um fim”) em suas levadas melódicas, conduzidas por violões e que “grudam” no ouvinte na primeira audição. “John”, homenagem de Pedro a John Lennon, é inclusive a música preferida do trabalho por estas linhas zappers, e já séria candidata a uma das canções de 2011 no rock indie nacional.

Falou-se em climas densos e algo angustiados mais acima, para definir parte do que é o novo trabalho do Pública. Yep, “Canções de Guerra” reflete, muito, a angústia que cerca a existência humana nos dias de hoje. O próprio Pedro Metz reafirma isso. E talvez por examinar essa “angústia” com exatidão e refinado acabamento textual e musical, é que o álbum se torne tão interessante de se ouvir. É um disco grande e que mantém o Pública no top dez do atual rock brasileiro. Ainda bem!

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NEVERMIND – DUAS DÉCADAS DE UM CLÁSSICO ETERNO E IMBATÍVEL
Parece que saiu ontem. Mas não: “Nevermind”, o segundo disco de estúdio da curta (porém intensa e essencial) carreira discográfica do trio Nirvana, completa exatos vinte anos de existência hoje, sábado. Lançado em 24 de setembro de 1991 nos Estados Unidos, o hoje mítico álbum de capa azul e com a foto de um bebê mergulhado em uma piscina, rachou o rock de então ao meio. A trinca formada por Kurt Cobains (vocais, guitarras), Chris Novoselic (baixo) e Dave Grohl (bateria), surgida na cena grunge de Seattle em 1987, já havia lançado um fodaço primeiro disco em 1989 – o cru, garageiro, punk e pesado “Bleach”. Um álbum que foi mega bem recebido pela musical press e pelo público mas que vendeu modestamente.
Quando “Nevermind” saiu, houve uma mudança radical na cena rock americana. Foi como se um tsunami varresse tudo que encontrava pela frente. Barulhento mas com melodias pop, com letras intensas sobre inadequação existencial e uma produção primorosa do gênio Butch Vig, o disco disparou em vendagem. Deu um pé na bunda de Michael Jackson e Madonna, arrancando ambos dos primeiros lugares das paradas americanas. E, de repente, o mundo cantava “Smells Like Teen Spirit”. E o rock dito “alternativo” tomou de assalto o mainstream e rompeu a barreira que separava um de outro.

O Nirvana em Seattle: a última grande banda do rock

O resto todo mundo sabe e não é preciso ficar repetindo aqui. Cobain se foi em 1994, após se entupir de heroína e meter uma azeitona na própria cabeça. A morte do líder decretou o fim da banda, que acabou no auge e preservou assim seu trabalho imaculado para a posteridade. Nesta semana zilhões de homenagens foram feitas ao grupo e ao álbum “Nevermind” no mundo todo, com shows-tributo memoráveis rolando em Seattle. E o último grande clássico da história recente do rock ganhou uma reedição de luxo, com quatro (!) CDs, contendo todo o material original remasterizado além de incluir uma batelada de extras (faixas demo, registros ao vivo etc.). O track list dessa edição especial de “Nevermind” (que já vazou na web, claaaaaro!) você confere logo aí embaixo.

Mas antes, a “homenagem” destas linhas bloggers rockers ao Nirvana. Feita através de alguns “recuerdos” pessoais do autor deste blog, e que envolvem o trio que, há duas décadas, promoveu a última grande revolução comportamental e artística no rock’n’roll.

* “NEVERMIND” NO BRASIL – o álbum que tornaria o Nirvana um gigante na cena rock mundial saiu em setembro de 1991 nos Estados Unidos. No final do mesmo ano ele chegava em edição nacional em vinil (o cd ainda engatinhava aqui) ao Brasil, através de um “pacote” de lançamentos da gravadora BMG/Ariola que incluía mais quatro outras bandas. Zap’n’roll era repórter do caderno “Show”, do jornal Folha Da Tarde (atual AgoraSP), e recebeu o suplemento da gravadora, enviado pela sempre fofa Miriam Martinez (hoje, assessora de imprensa da casa de shows paulistana Via Funchal). “Fininho, ouça com carinho essa banda nova, o Nirvana. Eles são ótimos!”, disse Miroca ao jornalista rocker por telefone, após enviar os discos a ele. Zap’n’roll atendeu o pedido de Miriam. E virou fã imediato do trio de Seattle.

* O SHOW DESASTROSO NO HOLLYWOOD ROCK DE 1993 – “Nevermind” estourou no mundo inteiro e a banda começou a ficar requisitadíssima para tocar em todos os lugares possíveis. E os problemas de Kurt com drogas se tornaram o assunto do dia na mídia musical. A enfiação de pé na lama constante do vocalista em álcool, heroína, bolas e etc, fazia com que o grupo alternasse ótimas performances ao vivo com outras simplesmente desastrosas. Quando foi anunciado que o Nirvana estaria no Brasil em janeiro de 1993, no line up do festival Hollywood Rock, a nação rocker brazuca ficou em polvorosa. Um mês antes, o trio fez uma gig devastadora em Buenos Aires, para quarenta e cinco mil pessoas. E quando adentrou o palco do estádio do Morumbi, em São Paulo, o desastre se anunciou: Cobain, chapado de calmantes misturados com álcool, entrou se arrastando em cena. A rotação leeeeenta de Kurt foi percebida pelo estádio inteiro (e havia setenta mil pessoas lá, entre elas o autor destas linhas online) e o show foi caminhando aos trancos e barrancos. Zap’n’roll, fazendo o modelo grunge então em voga (jaqueta de couro amarrada na cintura, bermudão e cavanhaque, uia!), mesmo assim pulava e berrava como um alucinado. “O show tá uma merda! Mas foda-se, é o Nirvana”, disparou o jornalista trintão para uma amiga sua, que estava com ele no Morumba.

Kurt e seu violão, no Acústico MTV: gênio imortal

* A BALADA PÓS-SHOW NO BAIXO AUGUSTA, WOW! – Apagadas as luzes no Morumbi, hora de enfrentar o inferno de retornar ao centro da cidade. Zap’n’roll morava no apê da rua Frei Caneca, onde havia casado e se separado há poucas semanas de sua ex-mulher. Sozinho, com o apê entregue às pulgas e passando por uma fase emocional e profissional bastante negra (semanas depois, ele entregaria o apartamento, que era alugado, pra ir passar um período morando com seu dileto amigo Phillipe Britto), sempre chapado e se entupindo de cocaine e álcool, o jornalista que havia acabado de pedir demissão (caso não o fizesse, seria demitido) da revista IstoÉ se mandou para o bar Der Temple, que ficava poucos metros abaixo de onde hoje se localizam os bares Outs e Inferno, na rua Augusta. O Der Temple, cujo dono era o lendário Giggio (hoje proprietário dos bares Matrix e Beat Club), era então o inferninho rock alternativo mais badalado de Sampalândia. Pois eis que, minutos após o autor deste blog chegar ao local, começa um tumulto na porta. Giggio mandou fechar tudo e ordenou aos seguranças: “se alguém quiser sair, beleza. Entrar não entra mais ninguém!”. O motivo da ordem e do alvoroço? Ninguém menos do que Kurt Cobain (acompanhado, claaaaaro, pela mega biate Courtney Love) havia chegado ao local, levado até lá por João Gordo (que já era VJ da MTV) e, na época, inimigo mortal do jornalista loker – hoje, Gordo e Zap’n’roll voltaram a ser bons amigos. Pois Zap’n’roll passou boa parte da madrugada a dois passos do casal Cobain/Love, que estava simplesmente desesperado em busca de algo que “chapasse” os dois. E em nenhum momento se animou em ir papear com ou “tietar” a dupla. Até que lá pelas cinco da matina, ele topou com ela! Quem? Jade, uma putinha deliciosa, ex-gótica e freqüentadora do saudoso Espaço Retrô e onde Zap’n’roll conheceu a figura e passou a trepar esporadicamente com ela. Jade agora era uma garota indie e fã de grunge, mas continuava mega cadela como sempre tinha sido. E tinha birra do zapper maluco pois queria namorar com ele, mesmo ele sendo… casado. Anyway, quando viu aquele xotaço espremido em uma bermuda justíssima e os peitões balançando dentro de uma camiseta preta igualmente justa, o jornalista se esqueceu de que Kurt Cobain estava no Der Temple e tratou de “arrastar” Jade para o apê entregue às pulgas, na Frei Caneca. A noite terminou em foda violenta e ordinária, com a cachorra levando rola de ladinho e gritando “me come, me come!”.

* O SUICÍDIO DO ROCKSTAR – tinha sido um dia cansativo. Zap’n’roll estava trampando na redação da revista Dynamite e também colaborava com a revista Interview. Era começo de abril de 1994. Já no final da noite e antes de voltar para casa (agora, o blogger andarilho morava em um apartamento antigo e grande, no bairro do Cambuci), houve uma parada estratégica na lanchonete Estadão, para “jantar” o célebre sanduíche de pernil que lá é servido (o melhor de Sampa, talvez). Lanche feito, caminhada em direção ao metrô e parada rápida diante de uma banca de jornais 24 horas. Ainda existia o hoje mítico e cultuado “Notícias Populares”, o famoso diário paulistano que, se fosse “torcido” pelo leitor, jorrava sangue, rsrs. Foi nele que Zap’n’roll leu a manchete: “Rockstar se mata com tiro na cabeça”. O rockstar era Kurt Cobain. O autor destas linhas virtuais entrou em choque. Foi correndo pra sua casa e quando lá chegou, começou a ouvir sem parar o vinil de “Bleach”. Foi o fim do Nirvana. E o começo da decadência do rock’n’roll – que se estende até hoje.

O TRACK LIST DA REEDIÇÃO DE LUXO DE “NEVERMIND”

CD1: Remastered+B-Sides
01. Smells Like Teen Spirit
02. In Bloom
03. Come As You Are
04. Breed
05. Lithium
06. Polly
07. Territorial Pissings
08. Drain You
09. Lounge Act
10. Stay Away
11. On A Plain
12. Something In The Way
13. Endless, Nameless
14. Even In His Youth [b-side]
15. Aneurysm [b-side]
16. Curmudgeon [b-side]
17. D-7 [live at the bbc]
18. Been A Son [live]
19. School [live]
20. Drain You [live]
21. Sliver [live]
22. Polly [live]

CD2: Smart Sessions
23. In Bloom
24. Immodium (Breed)
25. Lithium
26. Polly
27. Pay To Play
28. Here She Comes Now
29. Dive
30. Sappy

CD2: The Boombox Rehearsals and BBC Live
31. Smells Like Teen Spirit
32. Verse Chorus Verse
33. Territorial Pissings
34. Lounge Act
35. Come as You Are
36. Old Age
37. Something in the Way
38. On a Plain
39. Drain You (Live)
40. Something in the Way (Live)

 CD3: The Devonshire Mixes
41. Smells Like Teen Spirit
42. In Bloom
43. Come As You Are
44. Breed
45. Lithium
46. Territorial Pissings
47. Drain You
48. Lounge Act
49. Stay Away
50. On A Plain
51. Something In The Way

 CD4: Live At The Paramount Theatre
52. Jesus Doesn?t Want Me For A Sunbeam
53. Aneurysm
54. Drain You
55. School
56. Floyd The Barber
57. Smells Like Teen Spirit
58. About A Girl
59. Polly
60. Breed
61. Sliver
62. Love Buzz
63. Lithium
64. Been A Son
65. Negative Creep
66. On A Plain
67. Blew
68. Rape Me
69. Territorial Pissings
70. Endless, Nameless

O BLOGÃO ZAPPER INDICA
* Disco: a reedição de luxo e comemorativa ao vigésimo aniversário de “Nevermind”, do Nirvana. Alguma dúvida?

* DVDs: o sensacional Primal Scream está em turnê pelo Brasil (ontem a gig foi no Rio; hoje à noite é a vez de os paulistanos curtirem ao vivo o show em que a banda toca, na íntegra, seu fodaço álbum “Screamadelica”, além de um caminhão de hits). E a ST2 não perdeu tempo: mandou para as lojas os DVDs “Scremadelica Live” e “Classic Album – Screamadelica”. O primeiro registra um show da turnê que agora passa por aqui. E o segundo é um doc (acrescido de cd com áudio da turnê atual) que conta como foi a gravação (e a chapação louca em estúdio) daquele que é um marco na história recente do rock, com sua mistura louca de guitarras, bases dançantes e psicodelia. Se você não vai ao show hoje, pelo menos faça um favor a si mesmo e vá atrás de um dos dois DVDs.

Um dos dvds que estão saindo aqui pela gravadora ST2

* Show imperdível: esse mesmo, comentado aí em cima. O Primal Scream de Bobby Gillespie e Mani (o loucaço ex-baixista dos inesquecíveis Stone Roses) sobe ao palco do HSBC Brasil a partir da dez da noite. Ainda há tickets à venda. E Zap’n’roll vai estar por lá, claaaaaro!

* Baladenhas no sabadón: depois de curtir a piração do Primal Scream, a solução ése jogar na “naite”, né? O que fazer, então? Bien, cair na Outs (rua Augusta, 486, centrão rocker de Sampa) onde o indie Zebra Zebra faz show de lançamento de seu primeiro cd, que está saindo pela Pisces Records. Ainda pelo baixo Augusta, mas no Inferno (no 501 da rua), rola mais uma edição da animada festa Glam Nation, com tributo ao AC/DC. E no Beco203 (também na Augusta, mas no 609) tem gig do velho gaúcho Wander Wildner. Poucas mas boas opões pra hoje. Escolha a sua, se monte e se jogue, sempre!
 

E DESOVANDO ALGUNS PRÊMIOS, QUE JÁ É HORA!
Yep! O povo já tá reclamando, então vamos ver quem ganhou o quê por aqui:

* Yasmin Leitte Crivos, São Paulo/SP, e Marcos Fortuna, Rio De Janeiro/RJ: ficaram cada um com uma cópia do DVD “Screamadelica Live”, do Primal Scream;

* Amanda Iole Rios, Assis/SP: ganhou kit com dez CDs da Pisces Records.

Bão, né? Tá triste? Ainda não foi dessa vez que a sorte lhe sorriu por aqui? Pois não desista, amigão: vai lá no hfinatti@gmail.com, que continuam em disputa:

* INGRESSOS para o Planeta Terra festival, dia 5 de novembro em São Paulo;

* E TRÊS PARES de ingressos para o show do quarteto indie alemão Tusq, que toca dia 5 de outubro no Beco203, em Sampa.

Fechou? Então vai nessa e boa sorte!

E TCHAU PRA QUEM FICA!
Já é tarde do sabadão, o post ficou gigantão e agora o blogger rocker vai almoçar com sua querida girlfriend, a Helena, pra comemorar dois meses de namoro. E à noite a parada vai ser no show do Primal Scream. Então ficamos assim: semana que vem tem mais no blogão campeão quando o assunto é cultura pop. Te mais!      

(finalizado por Finatti em 24/9/2011, às 14hs.)

O novo Kasabian é fodão e o blog cai de amores pelo disco. Mais: saudades dos tempos antigos, a guerra na blogosfera de cultura pop, a gilfriend zapper assumindo que (às vezes) anda sem… langerie (wow!), e o The Pains Of Being Pure At Heart hoje em Sampa

O quarteto inglês Kasabian: de volta fodão em “Velociraptor!”

Banzo dos tempos antigos.
É verdade. E como. Foram dias estranhos, os últimos, vividos pelo autor destas linhas rockers online. Desde a última segunda-feira o blog acordou diariamente de sonhos intranqüilos (remember a frase inicial do clássico “A Metamorfose”, de Franz Kafka). E também com pensamentos estranhos, muito estranhos. Era como se uma enorme e aparentemente inexplicável insatisfação e inadequação existencial permeassem continuamente o âmago da alma do sujeito aqui. Até que ontem, quarta-feira, Zap’n’roll identificou pelo menos UM dos motivos (há outros, com certeza) desse perene e inefável sentimento de insatisfação: a saudade de tempos que não voltam mais. Tempos em que não havia internet, sites, blogs, troca de arquivos musicais, YouTube, nada disso. Claro, estas linhas bloggers não são contra o avanço tecnológico dos dias que correm, nem contra a democratização e globalização da informação via web. Mas, de repente, quem digita estas linhas sentiu uma saudade enorme de ir na banca e comprar jornais pra ler (hábito que ele matinha há pelo menos três décadas, umas três vezes por semana no mínimo; agora, todo dia é a mesma rotina: ler portais como Uol, Terra, sites como NME, Folha online, Rolling Stone e zilhões de blogs concorrentes na área de cultura pop e rock alternativo. Tudo muito cansativo, às vezes, ou quase sempre). Ou de ler um livro de papel mesmo (ainda mais se tratando de alguém que, como o blogger eterno fã de literatura, leu mais duzentos clássicos da poesia e literatura mundial). Ou ainda de ir ao cinema (bom, pelo menos isso o blog fez na semana passada, ao lado da amada girlfriend Helena Lucas), de voltar a ouvir discos de vinil e de conversar com amigos por telefone ou pessoalmente (ao invés de ficar teclando pelo MSN ou pelo chatíssimo chat do Facebook), além de sair com eles pra tomar algumas e curtir alguma balada bacana. O blogger saudosista sentiu até mesmo falta de sua primeira máquina de escrever portátil, que ganhou de sua avó quando tinha treze anos de idade e decidiu que iria ser jornalista. Enfim, esse “banzo” todo foi um dos motivos pelos quais estas linhas virtuais mergulharam em, hã, mais uma crise existencial – esta, felizmente, de grau médio. Mas incômoda o suficiente pra deixar o autor deste espaço online em crise criativa para escrever este post, e levantar alguns questionamentos: de que serve a blogosfera de cultura pop afinal, quando a velocidade feérica atual das informações e análises joga tudo instantaneamente em tuites (no Twitter, óbvio) e no mural do Facebook? Qual irá ser o futuro e a utilidade, logo menos, de blogs como Zap’n’roll, Popload, Remix (só pra ficar nos mais conhecidos neste momento) e tantos zilhões de outros que gravitam na blogosfera? Pra que comentar o que todo mundo já comentou segundos antes, numa disputa maluca pra ver quem posta primeiro determinado assunto? Nesse panorama autofágico de informação violenta via sites e blogs, qual seria o diferencial que destacaria este ou aquele espaço? A análise mais detalhada e rigorosa de um disco, filme, livro ou notícia? E se sim, a molecada de hoje tem saco pra ler essas análises ou simplesmente dá um foda-se pra isso? Muitos questionamentos, enfim. Muitas perguntas perscrutando o cérebro e a alma sempre inquieta deste já veterano jornalista. Um jornalista que esta semana, de repente, se viu sem saco algum pra Twitter, Facebook, música ouvida na web e até para ligar seu próprio notebook. Deu uma vontade danada, de verdade, de entrar numa cápsula do tempo e voltar lá pra 1985, mais ou menos. Mas como nada disso é possível e como a concorrência na blogosfera de cultura pop está cada vez mais violenta, cá estamos nós novamente. Procurando falar de tudo um pouco na cultura pop, e procurando manter o diferencial deste blog com análises bacanas e polêmicas dos assuntos aqui abordados. Como, por exemplo, o novo disco dos ingleses do Kasabian, uma banda que resiste heroicamente já há uma década – um fenômeno de durabilidade nestes tempos fúteis e voláteis de hypes meteóricos e ultra descartáveis, disseminados via internet – , e que está lançando um discão. Então vamos tentar espantar o “bode” da saudade e partir pra mais um post. Este mesmo, que você já está lendo.

* Aliás, além do novo álbum do Kasabian uma renca de lançamentos de rock da gringa andou vazando na web, nos últimos dias. Tem a volta do grande Wilco, o novo do Bombay Bicycle Club (que está escalado pra tocar no Planeta Terra, dia 5 de novembro em Sampalândia) e até o disco de covers que mr. Scott Weiland gravou. Todos eles já devidamente “capturados” no HD do note zapper, e que logo menos serão comentados aqui.

O grande Wilco já está com disco novo circulando na web

* O Bombay Bicycle Club, inclusive, está na capa da (semi falida) NME desta semana. Banda já com meia década de existência, acabou de lançar seu terceiro álbum, o “A Different Kind Of Fix”, que foi bem recebido pela rock press britânica e conquistou até o coração do nosso sempre rigoroso chapa Cristiano Viteck, com seu folk rock de contornos mais pop. Como já falado aí em cima, logo menos estas linhas zappers irão falar melhor do cd, pode esperar.

* E, xiiiii… falando em Scott Weiland, lá vem… o Stone Temple Pilots acaba de cancelar (ou “adiar”) algumas datas do final de sua turnê americana porque mr. Weiland estaria com problemas nas cordas vocais e, sob ordens médicas, vai precisar poupar sua garganta por algum tempo. Hum… não custa lembrar que o grupo está escalado pra tocar na última noite do festival SWU, dia 14 de novembro em Paulínia. Ou seja: já tem fã e produtor de festival aqui com o cu na mão…

* A bizarra “guerra” dos blogs de cultura pop, pra ver quem é o mais “informado”, atual e “muderno”. Um elege o Foster The People a banda sensação da temporada. O outro deita falação e babação de ovos pro Grouplove. E o leitor que não é bobo (claro, tem sempre a indieotada que acredita nessa bobagem toda) e está cansado de hypes diários que desaparecem na manhã seguinte, ignora solenemente tudo isso, hihi.

* Entonces, enquanto o Terra ganhou Interpol, Bombay Bicycle Club etc, o SWU encarna a autêntica Torre de Babel rocker e acrescenta os ótimos Modest Mouse e Ash ao seu line up, nas noites de 13 e 14 de novembro. Já na primeira noite em Paulínia estará o mala e boçal Tyler The Creator, a última grande estupidez parida pelo hip hop americano. Sério, tem quem goste e tal, mas não dá pra ir num festival em uma noite onde irão tocar Black Eyed Peas e Tyler The Creator. Por enquanto, estas linhas bloggers rockers irão ao SWU apenas na última noite mesmo (que vai ser fodona, com Sonic Youth, Black Rebel Motorcycle Club, Ash e Stone Temple Pilots). Talvez role de ir também no dia 13. Mas na primeira noite, definitivamente: NÃO!

O festival SWU ficou com o line ainda mais legal, com a inclusão nele dos ótimos grupos indies Ash (acima) e Modest Mouse (abaixo). Mas como nada nunca é perfeito, teremos que aguentar também na primeira noite do SWU esse imbecil (abaixo da foto do Modest Mouse) chamado Tyler The Creator

* E o sempre grande Macaco Bong vai abrir o show do System Of A Down, no próximo dia 1 de outubro em Sampa. Tudo ótimo, a banda é bacana e merece. O blog é amigo do trio e tem o maior respeito por ele. Mas… não estariam, com isso, os “Fora do Eixo” se rendendo e se locupletando ao/no mainstream que eles tanto xingavam e abominavam? Hein???

* E no meio dessa renca de shows gringos que estão lotando a agenda brazuca neste já quase final de 2011, eis que Carl Barat (ele mesmo, que um dia tocou guitarra e cantou nos Libertines) anunciou, via Twitter, que vem tocar… aqui! E trazendo Dave Rowntree (que um dia tocou bateria no Blur) junto. Ainda não há detalhes de quando e onde será (ou serão) a(s) gig(s) mas, vem cá: o blog preferia um milhão de vezes ver o Blur mesmo por aqui.

* FRASE (ERÓTICA) DA SEMANA, HIHI – “Amanhã eu vou sair sem calcinha!” (dita ontem pela blogueira, rocker, estudante de Letras e girlfriend zapper, a lindona Helena Lucas, quando ela comentava com o sujeito aqui como pretende ir hoje, ao lado dele, no show do The Pains Of Being Pure At Heart, na Clash Club. Garota moderna e de atitude é isso aí! Por isso mesmo que o autor deste blog está caído de amor pela garota, hehe)

O casal interracial mais rock’n’roll do pedaço: ela é linda e ousada. E o zapper adooooora a ousadia dela, rsrs

* Coisa mais linda: hoje tem The Pains Of Being Pure At Heart em Sampa, no FourFest lá na Clash Club, né? O TPOBPAH é uma das bandas novas americanas preferidas destas linhas online. Com dois discos lançados, presta vassalagem com maestria ao shoegazer inglês dos anos 90’, fazendo das melodias doces e barulhentas sua razão de existir. Gig bacana, pra não se perder, e com uma banda que está apenas no começo de sua trajetória. O blog vai estar por lá à noite. E você? No final deste post, inclusive, tem os nomes de quem vai na faixa hoje na Clash, curtir o FourFest por conta do blog. Dá uma olhada lá!

* Coisa mais linda, II: o primeiro vídeo de trabalho do álbum de estréia do bacanudo Quarto Negro, “Desconocidos”, que deve chegar às lojas em seu formato físico até o final deste mês. Formado pelo guitarrista e vocalista Edu Praça (que tocou guitarra no grande e saudoso Ludovic), pelo pianista Thiago Klein e pelo baixista Fábio Brazil, o Quarto Negro existe há cerca de dois anos e passou os últimos meses “exilado” em Barcelona (na Espanha, seu mané), onde gravou seu álbum de estréia. Zap’n’roll já ouviu com alguma “exclusividade” o trabalho (já que ele ainda não foi disponibilizado na web) e achou tudo meio denso, opressivo e angustiante, musical e melodicamente falando. E por isso mesmo, muito bom. Anyway, dá uma olhada aí embaixo no clip de “Vesânia II (Delírio Mútuo)”, sendo que estas linhas virtuais voltarão a falar da estréia da banda nos próximos posts.

* Coisa mais linda, III: o novo disco do Kasabian, sobre o qual estas linhas zappers falam melhor aí embaixo.

A VOLTA POR CIMA DO KASABIAN
Não é mole manter uma carreira musical por mais de uma década. Ainda mais em tempos de troca desvairada de músicas pela web, e em tempos onde hypes fuleiros surgem e desaparecem diariamente. Nesse panorama por vezes desalentador e agressivo em termos de ascensão e queda ultra rápida de bandas, o quarteto inglês Kasabian até que está resistindo bem. O grupo lança oficialmente amanhã, na Inglaterra, seu quarto disco de estúdio, “Velociraptor!”. Como está saindo pela gigante Columbia, o álbum tem chances de ganhar edição nacional. Mas se não rolar, no problem: ele já vazou na rede há dias.

O blog zapper gosta do Kasabian. A banda, que surgiu em 1999 em Leicester, lançou um primeiro disco fodástico em 2004, e que levava apenas o nome do conjunto. Formado pelo vocalista e guitarrista Tom Meighan, pelo também guitarrista (e principal compositor do grupo) Sergio Pizzorno, pelo baixista Chris Edwards e pelo baterista Ian Matthews, o Kasabian reeditava para o novo milênio, em sua estréia, a explosiva combinação engendrada por Stone Roses e Primal Scream uma década e meia antes: guitarras indies e bases dance/psicodélicas. Havia muito do primeiro álbum dos Roses na estréia do Kasabian. E “Club Foot”, que abria o disco, se tornou um hit pelas pistas do mundo afora.

Mas aí vieram, na sequencia,  dois trabalhos quase desastrosos, porque muito abaixo do que o grupo havia conseguido no primeiro álbum. “Empire”, editado em 2006, tentou reeditar a estética musical do anterior, mas nem de longe ostentando o mesmo brilhantismo nas composições. Quando “West Ryder Pauper Lunatic Asylum” foi lançado então, em 2009 (sendo que, um pouco antes, a banda veio tocar no Brasil, na segunda edição do festival Planeta Terra), quase ninguém mais estava prestando atenção no Kasabian, e a banda estava perigosamente ameaçada de ser enterrada sem dó pelos hypes do momento.

O novo disco do Kasabian: tornando o grupo relevante mais uma vez

Foi aí que o quarteto acordou e resolveu botar pra foder novamente. E agora dá a volta por cima (e como!) com este bacanudo “Velociraptor!”, onde o grupo reaprendeu a trabalhar os elementos presentes em sua estréia há sete anos, e acrescentando a eles novas possibilidades sonoras. Por exemplo: há ambiências de música oriental adornando a psicodelia dançante de “Let’s Roll Like We Used To”, que abre o cd, e também em “Acid Turkish Bath (Shelter from the Storm)”. Esta é a faixa mais longa do álbum (mais de seis minutos de duração) e também a melhor: trata-se de uma “Kashmir” mais dançante e “turbinada” por chapação de ácido e maconha.

Fora isso, há outros ótimos momentos em “Velociraptor!”, como a própria faixa-título (em cadência acelerada, daí talvez o motivo de a banda ter batizado o trabalho com este nome, que também identifica aquele sinistro dinossauro, lembram?), ou ainda baladas bucólicas, como a algo beatle (!) “La Fee Verte” (conduzida por violões e clima psicodélico) e a linda “Neon Noon”, que fecha o disco. “Days Are Forgotten”, o primeiro single de trabalho, é algo próxima do indie dance de “Club Foot”.
É um álbum, enfim, que respira mais o ambiente musical inglês dos anos 90’, e passa longe da tosquice sonora produzida pelas bandas atuais.

Talvez por estar, como comentado no início deste post, com esgares de saudosismo esta semana, é que o blog tenha gostado tanto do novo Kasabian. Mas o trabalho de fato recoloca o quarteto entre os melhores grupos surgidos na Velha Ilha, na última década. Com fôlego renovado por um bom novo disco, quem sabe o Kasabian consiga durar mais uns dez anos.

 

KASABIAN AÍ EMBAIXO
No vídeo de “Days Are Forgotten”, o primeiro single extraído do álbum “Velociraptor!”, que chega às lojas inglesas amanhã.

O BLOGÃO ZAPPER INDICA
* Disco I: “Velociraptor!”, o novo dos ingleses do Kasabian. Pode caçar na web que ele já está dando sopa nele.

* Disco II: O quarteto paulistano The Concept continua sendo, talvez, a grande indie guitar band brasileira com referências do sagrado shoegazer britânico dos 90’. O blog viu um show espetacular deles no último sábado, na casa noturna Urban Lounge, e saiu de lá com o novo ep do grupo, “Reconstruction”. Que pode ser encontrado na Locomotiva Discos (que fica na Galeria Nova Barão – Rua Barão de Itapetininga, 37, Loja 51, Rua Alta, com entrada também pela Rua Sete de Abril, 154, Metrô Anhangabaú / República,
Telefone: 3257 5938). Vai atrás que vale a pena!

* Baladas JÁ! Yes! O finde “prolongado” já começa hoje, quinta-feira, quando tem o FourFest na Clash Club (rua Barra Funda, 969, Barra Funda, zona oeste de Sampa), com showzão do The Pains of Being Pure At Heart. Depois, você pode acabar a madruga lá na Loca (rua Frei Caneca, 916, Consolação, centro de São Paulo), onde rola a bombadíssima festa Loucuras, comandada pelo nosso mega querido DJ André Pomba.///Amanhã, sextona em si, tem mais uma edição da sempre bacana festa Sonido, comandada pela bela e super DJ Vanessa Porto, no Container (que fica na rua Bela Cintra, 483, Consolação, centrão rocker de Sampa).///E no sabadón tem Vivendo do Ócio na Outs (rua Augusta, 486, centro de Sampa), festona de segundo aniversário da Pop&Wave no Inferno (também na Augusta, mas no 501) e mais uma edição da festa “Delicious” na Funhouse (que fica na Bela Cintra, 567), com DJ set da turma gaúcha dos Volantes e também do brother Pedro Metz, vocalista do Pública. É isso, mano e mana: vai lá e bate o esqueleto, hihi.

QUEM VAI NA FAIXA ASSISTIR HOJE A GIG DAS DORES DE UM CORAÇÃO PURO, WOW!
Os nomes já foram divulgados anteontem na Zap Dynamite, mas aí estão novamente, pra quem ainda não viu lá:

* Fernando Dotta e Guilherme Gaspar, ambos de São Paulo.

Mas não fique triste! Vai lá no hfinatti@gmail.com, que continuam em disputa:

* INGRESSOS pro Planeta Terra 2011, que rola dia 5 de novembro em São Paulo;

* Duas cópias do DVD “Screamadelica Live”, do Primal Scream;

* E um kit com DEZ CDs do selo Pisces Records.

Bão, né?

E NA SEMANA QUE VEM…
Esse blog vai de fato voltar a fazer barulho, com um super diário sentimental sobre os vinte anos de lançamento de um certo “Nevermind”, de um certo Nirvana. Yep, todo mundo já falou ou está falando disso, mas como o disco saiu em 24 de setembro de 1991, Zap’n’roll vai deixar pra semana que vem o seu post sobre essa que foi a última obra-prima da história recente do rock. E, claro, só aqui no diário sentimental zapper você vai saber como foi a noite do autor deste blog após o show da banda no Hollywood Rock de 1993, no bar Der Temple (com Kurt Cobain chapando os miolos a poucos centímetros de distância do sujeito aqui), e depois no apê onde ele morava, na rua Frei Caneca, fodendo a xota boa da putinha Jade (um ex-affair zapper, que pedia aos gritos: “me come! Me come!”, uia!).

Fora que vai ter Primal Scream no sabadão, dia 24. Vai ser, mesmo, uma semana fucking great. Então espera até lá que a parada vai ser hot!

FUOMOS!
Ficamos por aqui, porque à noite o blogger rocker vai na Clash curtir o FourFest, ao lado da igualmente rocker e mezzo crazy Helena Lucas.
Semana que vem tem mais aqui. Mas na Zap Dynamite entram novidades logo menos. É isso aê! Até! 

(enviado por Finatti às 17:30hs.) 

Um mini-recesso zapper, pro blog voltar com tudo semana que vem! Falando de Kasabian, Wilco, Nirvana, Primal Scream e os caralho!

Kasabian (acima), Wilco e Primal Scream (aí embaixo): todos eles serão falados e comentados aqui no blogão zapper, que volta com tudo novamente na semana que vem. Aguardem!

Yep. Ia ter postão ontem, sexta, mas com o acúmulo de discos novos pra ouvir, saídas noturnas (na quinta-feira) e mais isso e aquilo, acabou não rolando.

Então estas linhas rockers bloggers resolveram se dar um mini “recesso”, pra voltar à toda na próxima semana. Aí sim o bicho volta a pegar como sempre por aqui, com papos sobre o Kasabian e o Wilco, e também sobre o The Pains Of Being Pure At Heart (que, não custa lembrar, toca em Sampa, na Clash Club, na próxima quinta-feira, dia 15 de setembro), o Primal Scream (que toca também em Sampa, mas no dia 24, e sendo que a gravadora ST2 acaba de mandar para as lojas mais um DVD da banda, o “Classic Album – Screamadelica”) e sobre um certo disco aí, que vai fazer vinte anos, que mudou radicalmente a história do rock nas duas últimas décadas e que, por isso mesmo, vai merecer um “diário sentimental” destas linhas online, recheado – claro! – de histórias cabulosas de sex and drugs.

Beleusma? Vai pra balada hoje, sabadão? Então não esquece: tem showzão do The Concept (banda já clássica do indie guitar brazuca) e do Magic Crayon no Urban Lounge, que fica na rua Carlos Vicari, 263, na Lapa (zona oeste paulistana). É por lá que estas linhas zappers vão estar hoje.

E não esquece de ir no hfinatti@gmail.com, que lá continua a autêntica guerra por:

* DOIS INGRESSOS para o show do The Pains Of Being Pure At Heart, semana que vem na Clash Club;

* Mais INGRESSOS pro Planeta Terra 2011, dia 5 de novembro em São Paulo;

* Dois exemplares do DVD  “Screamadelica Live”, do Primal Scream;

* E um kit com DEZ CDs do selo Pisces Records.

É isso? Yep, semana que vem o blogão volta como sempre: com tudo e atropelando, hehe. Bom finde pro nosso dileto leitorado!

(enviado por Finatti às 16hs.)

O novo The Drums mostra que hypes inúteis e efêmeros são mesmo a cara da música de hoje, no século da web. E a campanha anti-drogas do Rock In Rio mostra que a hipocrisia moral e o neo-conservadorismo social não tem limites (plus: Pisces Records e Anna Calvi, a que canta pra caralho!)

 

The Drums e seu novo álbum: disco péssimo, para enterrar de vez mais um hype desnecessário

Hipocrisia, conservadorismo e tecnologia.
Tudo junto, misturado e caminhando lado a lado nos dias de hoje. E vai ser sobre isso, ou muito sobre isso, que este post do blogão zapper vai tratar. Nope, não se trata de papo de coroa ranzinza, careta ou “antiquado” (como ele foi classificado, ontem, de brincs claro, pela sua girlfriend Leninha Lucas, apenas porque o sujeito aqui, para espanto da estudante de letras de vinte e um aninhos de idade, disse achar a dupla eletrônica Thievery Corporation um saco. Lembrando que o duo já tem quase duas décadas de existência; quem é o “antiquado” afinal, quando Zap’n’roll na verdade está plugado em nomes como Vaccines e Anna Calvi? Hein pretinha??? Rsrs). Mas sim, de se dar conta de como o mundo mudou muito nos últimos anos – e pra pior, muito pior, em alguns aspectos. Senão, vejamos: a web está aí, disponibilizando informação farta e música de graça pra todo mundo que tenha um PC e conexão em casa. Maravilha. Democratizou a produção e a difusão da música (santa internet, pai dos indies antes órfãos, daqui e da gringa). Mas, por outro lado, como bem disse o jornalista Simon Reynolds em entrevista publicada no blog de mr. André Barcinski (e cujos alguns trechos foram reproduzidos aqui, no nosso último post), essa mesma “democracia” musical e digital meio que acabou com a música, não? Acabou com o prazer de ir na loja, comprar um disco e apreciá-lo com calma, faixa a faixa, lendo letras e fichas técnicas no encarte. Vai daí que hoje a molecada baixa trocentos discos no HD do PC (ou note) e acaba ouvindo nenhum. Ou escuta hoje e esquece amanhã, pra eleger logo em seguida outro artista “preferido do dia” (não é nem da semana mais). Isso gera hypes ultra efêmeros e, em 90% dos casos atuais, ruins de verdade, e que daqui a meses ninguém irá mais lembrar deles. Caso do grupo americano The Drums, que acaba de lançar seu novo (e péssimo) álbum e que vai ter o mesmo destino, logo menos, de milhares de bandas atuais: o esquecimento. E isso é a parte, hã, “musical” e “tecnológica” dos dias que correm. O neo conservadorismo atrelado a tudo isso se expressa, por exemplo, na hedionda (esse seria mesmo o termo mais adequado pra designar o fato) campanha anti-drogas desencadeada por artistas que irão participar da edição 2011 do Rock In Rio, que acontece no final deste mês lá no balneário carioca. Hedionda porque extremamente hipócrita em termos morais e, pior, ainda patrocinada por “artistas”, que deveriam ser as pessoas mais liberais, esclarecidas e despossuídas de preconceito na face da Terra. Enfim, trata-se de uma escrotice absurda, bem de acordo com o novo milênio onde as pessoas em geral e a garotada em particular, está muuuuuito mais careta e conservadora do que há duas décadas e meia. E isso é ruim, muito ruim. Tão ruim que o blog vai sentar o cacete nessa parada babaca hoje, neste post que começa agora. Bora ler, então!

* Foi maus, galere: semana passada o post ficou incompleto e mais paradas estavam programadas pra entrar nele, no sábado à tarde. Infelizmente não deu, graças à vida sempre atribulada do blogger atrapalhado. Vamos ver se esse post de hoje entra inteirinho no ar. Se não entrar, sem enrolações, o que faltar fica mesmo pra semana que vem, okays?

* A semana foi bem agitada, no? Simple Plan confirmado no line up do SWU (na última noite, 14 de novembro. Vem cá: ainda cabe mais alguém nessa noite no festival ecológico que vai rolar em Paulínia? Hein?), show extra da biba Justin no Morumbi (no dia 9 de outubro, já que os tickets pro dia 8 se evaporaram em questão de horas, aliás isso está virando moda na venda de ingressos pra showa gringos que rolam aqui. São os tempos de internet, néam?), Berlusconi chamando a Itália (onde ele ainda é Primeiro Ministro) de “país de merda” e… a campanha anti-dorgas deflagrada por alguns dos “artistas” que vão estar no Rock In Rio, uia! Mas sobre essa última nota, comentamos melhor aí embaixo, hihi.

* Começou a desandar a nova programação da MTV. O “Na Brasa”, apresentado pelo boa praça China, continua diário. Mas o “Big Audio”, pilotado pelo Chuck, deixou de ser diário e passa a ser semanal, a partir desta semana. Hum…

* Que beleusma!!! O grande Scott Weiland (mais conhecido como vocalista dos Stone Temple Pilots, que toca no festival SWU em novembro, e “sonho de consumo” da nossa amada tia biba e super DJ, André Pomba) lançou esta semana um disco só de covers. Batizado “A Compilation Of Scott Weiland Cover Songs”, o disco traz a interpretação pessoal do junky lead Singer do STP para canções de gente como Stone Roses, Nirvana, Smiths, David Bowie, New York Dolls, Radiohead, Rolling Stones, Flaming Lips e Depeche Mode. Nada mal hein! O blog ainda não ouviu o dito cujo, mas bota fé que Weiland fez um trabalho decente.

Scott Weiland (acima), se arriscou a fazer cover de, entre outros, Stone Roses (abaixo), lenda do guitar inglês dos 90′. Deve ter ficado bão!

* Que beleusma, II: The Pains Of Being Pure at Heart, uma das melhores e mais doces bandas Power pop destes tempos, como você que acompanha estas linhas rockers bloggers, toca no próximo dia 15 de setembro em Sampa, na Clash Club, dentro do Fourfest. Agora, o que você ainda não sabia é: promo de ingressos rolando pro showzão a partir de hoje, aqui neste espaço online, graças à parceria feita entre o blog e a Agência Nova, que está produzindo o festival. Vai lá, no final do post, e pode começar a pedir pra ganhar seu ticket, hehe.

* Aliás, falando no The Pains… há uma boa entrevista com eles aqui: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/967455-pains-of-being-pure-at-heart-traz-seu-pop-barulhento-ao-brasil.shtml . Foi feita pela Juliana Zambelo, que escreve bem e fazia um blog bacana sobre novidades do indie rock (faz, ainda? Estas linhas zappers gostariam de saber), sem o “deslumbramento” que anda gritando em outros espaços semelhantes na blogosfera.

* E falando em blogosfera de cultura pop e rock alternativo: parece que miss Carol Nogueira ficou algo brava e incomodada com o nosso comentário a respeito do seu blog, o “Remix”, publicado na Folha online. E o “recesso” relâmpago da Popload, acaba de chegar ao fim: dear Luscious já está na área novamente, de volta ao seu lar original, o portal Uol. Estávamos com saudades de você, hihi.

* Que beleusma, III: novos vídeos bacanas aí embaixo, de duas bandas da nossa heróica indie scene brazuca: o mineiro Câmera e o sul mato-grossense Imitáveis. Dá uma olhada:

Câmera – “Time Will”

Imitáveis  – “Eu não sou o Roberto”

* Que tristeza: essa ridícula campanha anti-drogas, deflagrada pelo Rock In Rio. E o blog diz o que pensa a respeito aí embaixo.

* ROCK IN RIO: AS DROGAS ESTÃO, QUASE TODAS, LÁ! – foi assim: semana passada, entra matéria triunfante no Fantástico (ou em alguma edição do Jornal Nacional, o blog agora não se recorda) anunciando que alguns artistas que estarão na edição deste ano do Rock In Rio, se uniram pra fazer uma campanha anti-drogas, patrocinada pelo festival. Sob a eterna ladainha de que “os jovens estão em perigo, estão morrendo e bla bla blá”, esse povo sem noção, ex-junky arrependido (muitos deles), neo conservador e reacionário ao cubo, que faz música de qualidade artística pra lá de duvidosa e, por fim, falso moralista e hipócrita, se juntou e gravou um vídeo que já roda à toda no YouTube e na tv aberta. O tal vídeo, você irá ver logo aí embaixo, é a vergonha alheia total. Mas o que realmente irrita essas linhas bloggers é se dar conta do quanto a sociedade atual está cada dia mais regredindo em termos comportamentais, e em termos de preconceito e tolerância. É sabido que desde o advento da Aids, há três décadas, uma nova onda neo conservadora se abateu sobre a humanidade. O que não se esperava era que uma classe como os chamados “artistas” (que lida com criação artística e cultural, seja ela música, cinema, literatura, artes plásticas, o que for, ou seja, teoricamente são pessoas mais, hã, esclarecidas), embarcasse no mais torpe e hipócrita moralismo reacionário, e se colocasse à disposição para participar de uma “campanha” que, no fundo, é puro preconceito comportamental. Vem cá: o sujeito não curte dorgas ou é um ex-viciado? Beleusma: ele que cuide da vida dele sem querer doutrinar, moralizar ou patrulhar o comportamento de quem não concorda com ele. O ser humano tem que ser livre pra decidir o que fazer da sua vida, do seu corpo, e arcar com as conseqüências – sejam elas positivas ou negativas – de suas escolhas. Só assim a vida das pessoas funciona. Não é sendo pressionado e/ou patrulhado que usuários de drogas (uns usam por prazer, diversão, e recreação esporádica; outros se tornam dependentes químicos e a esses cabe tratamento médico, se a pessoa assim o desejar também) vão parar de consumi-las. Você consegue imaginar um sujeito com o cantor Lobão (com quem estas linhas online já tiveram desavenças sérias, o que não impede o blog de continuar respeito o cara como músico e pessoa), que já consumiu todas as drogas possíveis, participando de uma campanha babaca dessas? Óbvio que não, por big Wolf sabe que cada um tem que fazer o que sua vontade pede, sem ingerência de terceiros. Será que, ao invés de participar de uma campanha idiota dessas, quem está no vídeo alguma vez fez alguma doação para algum centro de reabilitação de dependentes químicos? O blog duvida que tenha feito. E, por fim, há no tal vídeo pelo menos um artista que Zap’n’roll cansou de acompanhar em “maldades nasais”, hihi – e não iremos citar o nome da figura em questão por razões óbvias. No final, dá vontade de mandar esse povo pra lá de hipócrita tomar no cu, mas nem precisa: as drogas que eles estão supostamente combatendo, irão estar de qualquer forma no Rock In Rio. E drogas pesadas, acredite, de alto poder danoso ao cérebro humano. Que o digam artistas “geniais” do naipe de Cláudia Leite, Rogério Flausino e Milton Cagamento, uia!

Cláudia Leite (acima) e Rogério Flausino (abaixo): duas drogas das mais pesadíssimas e mega danosas ao cérebro, rsrs. E ambas estarão no Rock In Rio

* Aí embaixo, o vídeo anti-dorgas do Rock In Rio. Que beleza!

* É, é a semana das drogas pesadas, de fato. Outra desse naipe é o novo disco do grupo The Drums. Vai lendo. 

THE DRUMS – MAIS UM PEIDO FEDIDO E FUGAZ DO POP/ROCK ATUAL
O quinteto The Drums (yep, agora uma banda, hã, completa, que no início se resumia ao duo formado pelo vocalista, tecladista e guitarrista Jonathan Pierce, e pelo também guitarrista, baixista e tecladista Jacob Graham; a eles se juntaram os músicos Connor Hanwick, Myles Matheny e, pasme, Chris Stein, maridão da loiruda Debbie Harry, baterista até hoje do Blondie e que anda tocando com o Drums ao vivo) existe há cinco anos. Surgiu em Nova York, em 2006, e chegou a ser mega badalado quando lançou seu primeiro disco, homônimo, no ano passado. Um conhecido jornalista musical paulistano, à época, chegou a dar meia página pra banda no caderno Ilustrada, da FolhaSP, elegendo-a a nova “sensação” do rock. Não era e nem vai ser. E o novo álbum do Drums, “Portamento”, que chega às lojas em seu formato cd na semana que vem (sendo que na web ele já vazou há dias), deixa isso muito claro.

O primeiro trabalho do conjunto, então uma dupla (como citado aí em cima) já não era nenhuma maravilha. Buscando referências no pós-punk inglês oitentista e também em algo de sinth pop, o Drums engendrou um disco que soava como um mix de Smiths com esgares dos primeiros álbuns do Cure (notadamente “Three Imaginary Boys” e “Pornography”) e melodias construídas sobre cordas sintetizadas de baixo, com guitarras esparsas perpassando tudo. Nada digno de nota mas, por algum mistério/motivo inexplicável, o grupo chamou a atenção da rock press gringa e brazuca também (com a já citada mega exagerada matéria publicada na FolhaSP, em seu caderno “cultural”). “Let’s Go Surfing” (aquela, da melodia acompanhada por um assobio o tempo todo) se transformou em semi-hit, com direito até a aparecer como trilha em comercial de uma marca de carros. Foi o suficiente pra banda se destacar em alguns festivais europeus e até a fazer gigs em Sampalândia, tocando para uma diminuta platéia de indieotas, daqueles que babam por qualquer bobagem “muderna”.

Desce o pano.

A capa de “Portamento”: um disco quase indefensável

“Portamento”, o novo trabalho, consegue ser bem pior que a estréia do Drums. Isso porque o conjunto não avançou um milímetro no sentido de expandir seus horizontes musicais. O vocalista Jonathan Pierce andou afirmando, em entrevistas, que o novo disco seria mais “eletrônico”. E de fato, é: as bases sintetizadas dominam todas as doze faixas do cd e não há uma sequer que se destaque. Aliás, é impressionante como o álbum consegue ser reto, linear ao extremo do começo ao fim, sem nenhuma variação melódica. Não importa a música que você esteja ouvindo (“Book Of Revelation”, “Days”, “I Need A Doctor”, “In The Could” ou “Money”, esta última o primeiro single de trabalho), todas soam extremamente iguais e engessadas na mesma fórmula: melodia acelerada, baixo metálico e guitarrinha pop oitentista ornamentando o vocal adolescente de Pierce. Não dá.

É um disco quase indefensável, artisticamente falando. Na boa, Nova York já deu ao mundo bandas melhores na última década, e que trafegavam no circuito do Drums (Interpol, o melhor exemplo). Bem de acordo com o título de uma de suas músicas, The Drums está precisando muito mais do que um médico. O grupo já está na UTI, no seu segundo disco. E pelo jeito, só um milagre pra tirá-lo de lá.

THE DRUMS AÍ EMBAIXO
No vídeo de “Money”, o primeiro single do álbum “Portamento”, que sai oficialmente no próximo dia 12 de setembro.

UM EXEMPLO DE GARRA E BATALHA INDEPENDENTE: A PISCES RECORDS
Os tempos são duros, bicudos. No século da web quase não se compra mais música em sua velhusca plataforma física, o cd. Gravadoras mainstream foram pro saco e tiveram que adaptar seu negócio aos novos tempos. E a cena independente, aqui e lá fora, também sobrevive como pode. Se por um lado a cultura musical digital proporcionou às bandas e artistas em geral a democratização do acesso à tecnologia de gravação “caseira”, além de também facilitar total a divulgação e distribuição de sua música, por outro os grupos lutam para ainda lançar e conseguir vender seus discos em cd, além de conseguir formar público e obter espaços pra tocar.

É aí que surge o selo Pisces Records. Já um veterano na indie scene nacional, com década e meia de existência, a gravadora surgiu em Bauru, interior de São Paulo, fundada pelo agitador cultural Ulysses Cristianini. E depois de colocar no mercado quase noventa títulos em cd de diversas bandas (algumas muito conhecidas, como o Dance Of Days, que acaba de lançar seu novo cd pelo selo), a Pisces se mudou para a capital paulista, onde pretende fixar seus negócios.

Trata-se de um exemplo de honestidade e garra na cena alternativa, onde tudo sempre foi mega difícil – e ficou um pouco pior, depois do advento da troca gratuita de arquivos musicais pela internet. O blog zapper, sempre atento às movimentações da indie scene, acompanha há tempos o trabalho da gravadora. E por considerar que ela é um exemplo de garra em um cenário em que hoje poucos se arriscariam a continuar (lançando CDs de forma total independente), é que fomos bater um papo com mr. Ulysses, o sujeito que comanda a Pisces Records. O resultado deste bate-papo você lê aí embaixo: 

O gigante indie Dance Of Days, que acaba de ter seu novo cd lançado pela Pisces Records

Zap’n’roll – Como e quando surgiu a Pisces records? Por que você resolveu mexer com um selo independente de música? Por vaidade, por curtir realmente música ou por achar que poderia viver desse tipo de negócio?

Ulysses Cristianini – A Pisces records surgiu nos anos 90’ mais precisamente em 96, por eu ser um fã de música underground e desconhecida e pelo difícil acesso na época, comecei como uma distro de fitas demos, e foi evoluindo até chegar a ser um selo. Eu sempre soube que não poderia viver 100% disso, mas como sempre gostei muito e me dediquei passando, claro, por altos e baixos. Sigo acreditando, investindo e me dedicando a este sonho. Hoje em dia posso dizer que pago minhas contas com este trampo, mas o mesmo envolve outras prestações de serviços, como prensagem por exemplo. Acredito que quando se faz algo que realmente gosta você alcança seus objetivos, mesmo que o caminho seja árduo!

Zap – Sim, com certeza. Mas, além do selo e das prestações de serviço que ele envolve (como prensagem e distribuição), você tem alguma outra fonte de renda ou alguma outra atividade profissional? O que você fazia antes de criar a Pisces Records, na sua cidade, Bauru?

Ulysses – Eu tive uma empresa familiar no ramo de material elétrico e outros trabalhos paralelos em lojas de discos e livrarias, mas atualmente a Pisces banca meu aluguel. Sempre acreditei que toda forma de experiência é benéfica, pois posteriormente você poderá aplicá-la em seu ramo independente de qual seja. Então experiências na área de venda, administração, estoque, compras, público foi muito bom para chegar a onde estou atualmente. Tive experiência em financeiro e rh em uma agência de publicidade também… tudo isto acrescenta na hora de ter seu próprio negocio. O segredo é a organização e administração!

Zap – Muito bem! E nesses quinze anos de atividades do selo, o que você destacaria na trajetória dele? Quais os lançamentos mais bacanas ou que lhe deram mais satisfação? Quantos discos possui o catálogo da Pisces? Qual foi a banda mais “estrela” e difícil de trabalhar com ela, a que lhe deu mais dor-de-cabeça em todos os sentidos? Alguma história hilária ou bizarra envolvendo a gravadora nessa
década e meia?

Ulysses – Bem o reconhecimento geral na mídia, ver o selo ser indicado a prêmios, ser citado em revista de escala nacional são coisas que dão muita satisfação. Saber que alguns canais internacionais e artistas também tem conhecimento de seu trabalho, ídolos como Steve Turner do Mudhoney ou Bill Bartel do White Flag virarem amigos. Ou mesmo o contato com o Oswaldo do Made in Brazil, o Daniel do Módulo 1000, Thomas do Felinni e Akira do Akira S e as garotas que erraram, ter este gama de pessoas da qual sou muito fã desde de moleque apoiando, elogiando e trabalhando junto a ti é otimo! Sobre os lançamentos eu gosto de tudo…

Zap – Você não respondeu a parte “polêmica” da pergunta, rsrs.

Ulysses – É difícil destacar algo, mas posso citar alguns dos mais relevantes, tais quais Plastique Noir, Pullovers, Rob K and Uncle Butcher, Darma Lovers, Mopho, Tomada, Detetives, The Gilbertos, entre outras bandas. Bem, sobre a parte “polemica”… na verdade toda banda se sente estrela a partir do momento que um selo tem interesse no trabalho dela, não posso generalizar claro, mas sempre no processo do lançamento surge aquela pressão… é quando você sente que a banda realmente esta começando e não sabe como funcionam as coisas… casos de bandas que ficam falando que outro selo esta no pé deles e tals… este tipo de coisa não desce mais, principalmente nesta atual situação, muitos selos parando e os novos são praticamente bebês que tem muito o que aprender e não chegam ao 10 lançamentos. Mas assim, artista que tenha me dado problema com estrelismo e afins, nunca tive. Eu sou uma pessoa com muita paciência, às vezes até abusam da minha boa vontade, mas não percebem que estou nessa pela música e não por eles! Não me lembro de historias bizarras ou hilárias… infelizmente… estamos com 88 lançamentos em catalogo e mais uns 40/50 a serem lançados alguns até atrasados não irei negar!

Ulysses Cristianini, o chefão da Pisces: fé na cena alternativa

Zap – Vale a pena lançar cds de rock de bandas desconhecidas, em um mundo onde todo mundo ouve e baixa música na internet e onde parece que não há mais interesse das pessoas em comprar música em plataforma física?

Ulysses – Realmente é um pouco complicado, e colocando no papel digo que não é viável de forma alguma, mesmo assim se for uma banda ativa que faz shows e afins, consegue sim vender 1000 cópias. Por isso hoje em dia trabalhamos como parceiros de algumas bandas, dividimos custos e afins para facilitar o escoamento do álbum, deixando a parte de venda em shows para a banda e a de distro para lojas pela Pisces. Mas pelo meu ponto de vista existe sim interesse na compra de material físico, atualmente ando vendo alguns lançamentos da Pisces saindo muito, coisa que há pouco tempo não acontecia, então não acredito que a cultura digital tenha afetado o mercado fonográfico independente, foi somente uma fase, claro que pesou e muito, mas esta acabando e logo volta tudo ao seu devido lugar e com o lado bom: a morte das majors! Rsrsrs.

Zap – Você acredita que o cd ainda vai sobreviver por muitos anos?

Ulysses – Sim vai durar um bom tempo sim, veja a Alternative Tentacles [ndb: gravadora fundada pelo ex-vocalista dos Dead Kennedys, Jello Biafra] lançando fitas cassetes ainda! Então para os independentes o cd vai ser uma ótima ferramenta por muito tempo! Mas não irei mentir que o próximo passo da Pisces é fazer somente LPs, ou seja, voltar lá atrás, se for se basear no mercado fonografico nacional. Ah, claro, o mercado digital, ou melhor a venda em formato digital, esta andando muito bem internacionalmente, mas não afeta os outros formatos, cultura de download gratuito e pirataria só rola em poucos países.

Zap – Quais os próximos lançamentos importantes da Piscies na cena indie nacional? Parece que você está gravando os novos trabalhos dos Forgotten Boys e do Rock Rocket.

Ulysses – Bom, do que vem por aí estes seriam os mais conhecidos vamos dizer assim na cena musical nacional, vamos ter também um novo EP do Zefirina Bomba e um ao vivo do Made in Brazil em breve. Temos outros lançamentos ainda a confirmar no decorrer desta semana, e por isso não irei citar, mas ainda vão rolar outros lançamentos do mesmo nível… pra fecharmos o pacote! rs

Zap – Planos e perspectivas para os próximos meses?

Ulysses – Bem, estamos fechando por um tempo nossas contratações e lançamentos, veja bem não vamos desativar muito menos fechar as portas, mas estamos mudando alguns detalhes em nosso trabalho, iremos focar em alguns artistas principais, ampliar o quadro de serviços incluindo agenciamento de shows de alguns artistas do cast, temos o projeto do Pisces club na qual iremos reeditar praticamente todo o catálogo em LP, temos o projeto “Pisces apresenta” da qual iremos lançar cds a preços baixíssimos com bandas novas e promissoras, o projeto dos relançamentos de bandas indies dos anos 80’ e 90’ e um projeto ao estilo Nuggets [célebre marca de coletânea de psicodelia dos anos 60’] com bandas de garagem psicodélicas nacionais dos anos 60’/70’, também da qual iniciaremos com o relançamento do clássico “Não fale com as paredes”, do Módulo 1000. Tudo isto sendo executado nos moldes de um selo independente, claro!
Mas de momento estamos fazendo todos os ajustes para a fixação do selo na capital de São Paulo, ajustes burocráticos e afins.

Zap – Se você pudesse lançar um grande nome do rock mundial, em qualquer época da história da música, quem você iria querer lançar aqui?

Ulysses – Beatles claro! Mas teria muitos outros, no Brasil se tivesse na minha época Mutantes, Secos & Molhados e Novos Baianos, estariam no meu cast também rsrs. Nirvana e REM são bandas que também a Pisces cobiçaria, rsrs. Black Sabbath, Led Zeppelin, The Doors e Jimi Hendrix… muitas bandas, seria uma tentação… por ser eclético é difícil falar mesmo, mas acredito que Beatles estaria no topo…

O BLOGÃO ZAPPER INDICA
* Disco: o blog custou mas se rendeu a ela. Quem? Anna Calvi, oras, a nova musa do rock inglês. Ok, o álbum de estréia da gatona de vinte e nove anos de idade saiu em janeiro desse ano, mas estas linhas online não deram muita bola pra ele. Foi preciso que vários amigos chegassem e dissessem “Finas, você precisa falar da Anna Calvi!”, para que o blog, enfim, fosse ouvir sua estréia. Um discaço fodido! A mulher, além de ter um vozeirão, ainda compõe lindas canções que combinam, com maestria, a melancolia dark oitentista com nuances de folkismo e até música flamenca. “Desire”, o novo single do disco (e que leva apenas o nome dela) é um escândalo de beleza – veja o vídeo aí embaixo. E faixas como “First We Kiss” e “The Devil” também não ficam atrás. O cd, claaaaaro, não saiu aqui (lá fora foi editado pela Domino Records) mas isso pouco importa: ele está aí na web, ao alcance de um clic no seu mouse. Já tem o voto do blog para estar entre os melhores do ano. 

Anna Calvi (acima) e seu cd de estréia (abaixo): além de gata, canta pra carajo!

* Filme: 500 mil pessoas estariam erradas? É provável que não. afinal, é esse até o momento o número de espectadores brasileiros que já assistiram “Planeta dos Macacos – a origem”. O blog mesmo ainda não assistiu mas pretende conferir até o feriado da próxima quarta-feira, mesmo porque as cotações e resenhas têm sido positivas. Lembrando: NÃO é um remake do clássico de 1967, protagonizado por Charlton Heston, nem também do filme rodado há uma década pelo gênio Tim Burton.

* Baladas no frio, brrr: yep, o clima anda bão pra ficar em casa. Mas pra sair também. Então bora aproveitar o sabadão deste finde, que tá coalhado de boas intenções no circuito alternativo. Começando no Inferno (rua Augusta, 501, centrão rocker de Sampalândia), onde rola a festa de dois anos do bombado projeto Pop&Wave, onde só rola anos 80’. Subindo um pouco mais o baixo Augusta, lá na já veterana Funhouse (rua Bela Cintra, 567, Consolação, centro de Sampa), tem festona pra comemorar o niver do DJ Ivan Sabian. E descendo em direção aos Jardins, no Club Sattva (que fica na Alameda Itú, 1564, zona sul paulistana), vai rolar a festa Lado B, só com rock anos 90’, tocado nas pick-up’s pelos grandes Adriano Pacianotto, Plínio, Julio e Wlad Cruz.///Domingão? Grind, claaaaaro, na Loca (rua Frei Caneca, 916, Consolação), sob o já clássico comando de André Pomba.///Na terça, véspera do feriado em si, tem balada reagge no Inferno. E na próxima quinta-feira, dia 9 de setembro, um grande encontro de dois trios fodões da indie scene nacional no StudioSP (lá no 595 da Augusta): Macaco Bong e Nevilton. Bão né? foda-se o frio: ponha sua jaqueta jeans ou de couro e se jogue!

E AUMENTA O SACO DE BONDADES DO BLOG, UHÚ!!!
Yeeeeesssss! Vai correndo no hfinatti@gmail.com, que a parada está duríssima por lá. afinal, a pacoteira de prêmios só aumenta, a saber:

* INGRESSOS pro Planeta Terra 2011, que rola em 5 de novembro em Sampa;

* Kit com DEZ (isso mesmo, dez) CDs da Pisces Records;

* Duas cópias do dvd “Screamadelica Live”, do Primal Scream;

* E DOIS INGRESSOS para o Fourfest, que rola no próximo dia 15 de setembro na Clash Club, com showzão imperdível do incrível The Pains of Being Pure at Heart. Uma parceria extra bacana entre o blog e a Agência Nova, produtora do festival.

Certo, manos e manas? Então tá!

E FIM DE PAPO
Que o post tá bacanudo e grandão, como todo mundo gosta. Na semana que vem tem mais aqui e também na Zap’n’roll do portal Dynamite, okays? Beijos nas crianças e até mais! 

(enviado por Finatti às 23hs.)