Os neo-folks (Blitzen Trapper, Bon Iver, Fleet Foxes) atacam. Mais: vai começar a fodelança de shows em 2012 (com Howler, Morrissey, Noel Gallagher, Sisters Of Mercy etc) e muda tudo no blog zapper depois do carnaval

Blitzen Trapper (acima), é a nova sensação do neo folk americano. E o grande Morrissey (abaixo) está de volta ao Brasil, em março

Alooou???

Yep, sabemos, nosso dileto leitorado que jamais abandona estas linhas rockers online, acha que a parada ainda tá meio devagar por aqui em 2012, que já começou faz um mês. Mas isso é normal nessa época do ano. É assim mesmo, aquela malemolência bem típica da porra do país tropical que só acorda mesmo pra vida depois do carnaval. Assim o blog acompanha o ritmo e também anda em marcha algo desacelerada, mas sempre de olhos e ouvidos no que está rolando no mondo pop/rock alternativo e na cultura pop em geral. Fora que após o carnaval mudanças visuais e editoriais bacanas deverão tomar conta deste espaço virtual, que há anos faz a alegria de muita gente – um recorde de tempo em um mundo onde sites, blogs e fenômenos de internet surgem e desaparecem num piscar de olhos (ou numa clicada no mouse). Enquanto essas mudanças não vêm continuamos aqui, e nesta sextona mesmo embaixo de chuva brava em Sampalândia vamos ao rock’n’roll, à esbórnia e às putarias de sempre que nunca podem faltar por aqui, né?

 

* Entonces, sextona com 17 graus de temperatura e a chuva caindo lá fora. Melhor impossível, hihi.

 

* Pior impossível: nota publicada na Folha online de hoje dá conta de que os velhacos Titãs vão fazer uma série de shows especiais em março, em Sampa, tocando na íntegra o clássico álbum “Cabeça Dinossauro”, para comemorar as três décadas de existência da banda. Jezuiz… na boa, Zap’n’roll acha o “Cabeça…” fodaço (um dos discos fundamentais do rock BR dos anos 80’) e enlouqueceu zilhões de vezes ao ouvi-lo (éramos todos jovens, punks, indignados com tudo e querendo mudar o mundo) e também em shows da banda. Isso há uns vinte anos. A grande questão é: não é meio (ou total) ridículo ver estes senhores, na casa dos cinqüenta anos de idade, subirem ao palco para tocar e cantar protestos proto-punks adolescentes (ótimos, diga-se) como “Polícia”, “Igreja”, “Família” etc? Ridículo porque quando foram escritas e gravadas, estas músicas faziam todo o sentido do mundo para os integrantes da banda, que hoje vivem uma realidade muuuuuito diferente daquela quando o trabalho foi registrado. Era 1986 e Arnaldo Antunes e Tony Belloto tinham sido presos (por posse de heroína), não havia a liberdade de expressão e a democracia que existem hoje, ainda não havia eleições diretas (que seriam realizadas em 1989) e havia todo um quadro sócio/político/cultural que motivava a raiva e o protesto indignado. Ok, muitos problemas persistem até hoje, dirão alguns (e aí estão a persistente desigualdade social do país, a repressão policial violenta na cracolândia paulistana, para resolver uma questão que precisa muito mais do que truculência policial para ser resolvido, a corrupção na esfera pública etc, para mostrar isso), o que só reforça a necessidade de que surjam novas obras artísticas iguais a “Cabeça Dinossauro”, para mostrar a indignação das pessoas perante o que está aí. Mas o blog ficaria mais feliz vendo gente NOVA e cheia de sangue quente correndo nas veias fazendo isso. Os Titãs já lançaram muita merda na última década, já estão velhos e ganharam dinheiro o suficiente pra NÃO ter que subir ao palco e cantar músicas que não condizem com a situação atual dos integrantes do grupo.

 

* ENQUANTO ISSO, NA CRACOLÂNDIA… –  como a ocupação da área central de Sampa pela polícia (para tentar acabar com o tráfico e o consumo de drogas por lá) continua sendo um dos assuntos mais palpitantes deste início de ano, estas linhas bloggers investigativas foram fazer seu papel jornalístico por lá. Num dia da semana passada, à noite, o blog pegou uma sessão de cinema lá no centrão (no cine Marabá, que foi super bem reformado há meses e que está com uma programação legal de filmes, a preços decentes). Depois, a título de curiosidade, fomos dar uma volta nas imediações da cracolândia pra ver a quantas anda a situação por lá pois o que se lê na cobertura de mídia do caso é que a polícia está com presença ostensiva na área, pra coibir tráfico e consumo de crack. Pois bem. De fato em travessas da avenida Rio Branco e Ipiranga haviam algumas viaturas estrategicamente posicionadas, o que está dando ao local uma inegável tranqüilidade aos transeuntes, e isso mesmo à noite e em horário já meio avançado (era tipo meia-noite quando o blog andou por lá). Porém, foi só começar a circular por algumas ruelas atrás da avenida São João que logo surgiram uns caras oferecendo: “olha o bloco! Olha o bloco!” (bloco é uma das gírias para a pedra de crack). O blog zapper se fez de interessado e pediu pra ver e um dos que ofereceu mostrou a pedrinha na sua mão – era crack de fato, pois já fumamos essa merda na vida, anos atrás – , enquanto alguns “nóias” tb já se aproximavam oferecendo seus cachimbos para fumar a pedra (em troca de uma “lasca” da mesma pra eles, óbvio). Foi quando dissemos que não iríamos pegar porque tínhamos achado a pedra muito pequena, o cara alegou que estavam todas assim (“ninguém tem droga, por causa da polícia que tá em cima”), e ficou por isso mesmo. Zap’n’roll saiu dali e fui tomar breja no baixo Augusta. E faz esse relato aqui por um simples motivo: uma mini investigação jornalística (antes que algum idiota que odeia o autor deste espaço online diga que ele comprou a pedra e fumou, já vamos avisando que não fumamos mais essa porra; nada contra quem fuma, mas crack é realmente talvez a única droga que o autor deste blog detesto) que mostra o óbvio: o tráfico e consumo de drogas continua na cracolândia. E é de uma inocência sem tamanho do poder público achar que a polícia fazendo pressão ali, vai acabar com o tráfico.
O que é preciso é IMPEDIR que o crack chegue até ali e seja distribuído. Porque depois que ele chega, sempre haverá uma forma de milhares de micro-traficantes continuar a vender as pedrinhas para os interessados. Infelizmente.

Não adianta: cenas como essa aí de cima vão continuar, com a pipação sem fim na cracolândia paulistana

* Voltando à música: Lana Del Rey (a que ninguém agüenta mais ouvir falar) na capa da NME desta semana… o disco da moçoila, que está pra sair, já vazou na web. Mas está difícil de ser “achado” após a guerra declarada pelo governo americano contra Filestubes e Megauploads da vida. Enfim, estas linhas zappers não estão muito animadas pra caçar o álbum. O blog está curtindo muito mais por esses dias o mega clássico “Who’s Next”, lançado pelo The Who em 1971 (e que está eternamente na  lista dos dez melhores discos de rock de todos os tempos, do sujeito que escreve estas linhas online), além do neo-folk do Blitzen Trapper, sobre o qual você vai ler mais logo mais aí embaixo.

Ele se intitula “psicótica”. E a NME a chama de “moderno ícone americano”. Exagero é isso aê…

* Mas a temporada de shows começa quente agora em março, no? Tem Sisters Of Mercy pra nação goth na Via Funchal (em Sampa), no dia 10. E a volta do ser vivo mais maravilhoso do Universo. Quem? Ora, ele mesmo, o mega amado Mozz, como você pode ver aí embaixo:

 

Post-show ?
Brazil
Mar. 7 Porto Alegre – Pepsi On Stage Post-show ?
Mar. 9 Rio de Janeiro – Fundicao Progresso Post-show ?
Mar. 11 Sao Paolo – Espaco das Americas Post-show ?

* E tem o novíssimo e fresco Howler antes, nos dias 24 (em São Paulo, no Beco) e 25 de fevereiro (em Porto Alegre, também no Beco) de fevereiro, logo depois do carnaval. Bien, blogs vizinhos ao nosso consideram o Howler uma espécie de novos Strokes. Já Zap’n’roll acha o grupo legalzin e tal mas nada que vá salvar a humanidade. De qualquer forma, é sempre bom ver uma gig de uma banda que está acontecendo AGORA – e não um bando de velhotes tocando “Cabeça Dinossauro” na íntegra, rsrs.

O americano Howler, já chamado de “novos Strokes”: shows no Brasil mês que vem, em Sampa e em Poa

* A putaria da semana? Não tem, hihi. Pelo menos na área sexual propriamente dita. Mas na web… estas linhas poppers bloggers descobriram que há um novo fake do blog no Twitter. Com mais esse já são três, uia! Ou seja: o sujeito aqui deve ser mesmo alguma espécie de popstar, hihi. Só isso explica porque há três fakes seus no Twitter. Inveja doentia, idiotice ao cubo, rancor gratuito e vida vazia é isso aí!

 

* Fora que nosso dileto inimigo mortal José Bosta Jotalhão Jr. voltou a disparar contra o blog, na sempre inútil comunidade da Bizz, agora em sua versão no faceboquete. Esse pessoal não cansa?

 

* Buenas, é melhor falarmos dos neo-folks que invadiram o rock alternativo dos anos 2000. É mais interessante. E mais legal para os ouvidos. Então o blog vai ali resolver umas paradas e volta logo menos pra comentar sobre essa turma, além de dar as dicas de baladas pro finde e indicações de filmes, livros e discos bacanas pro nosso dileto leitorado. Colaê novamente até que até a tarde deste sábado o post estará completo no ar. Até daqui a pouco, então!

 

(enviado por Finatti às 20hs.)

Começando o ano novo, com os “tiozões” rockers comandando a cena. David Bowie (cocaine e fodas no cu, em mini diário sentimental), Van Halen (e até Blemish e Rock Rocket)… estamos mesmo em 2012??? (versão final e atualizada, com a foda do BBB, em 16/1/2012)

 David Bowie (acima) em sua sensacional fase bichaça louca à la Ziggy Stardust, e o Van Halen (abaixo): os “véios” comandam o agito rocker em pleno 2012 

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E enquanto isso, no podre e famigerado BBB, a foda come solta, hihi:

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É mesmo ano novo?
Às vezes não parece. Afinal, ainda rola uma certa modorra e aquele clima de “férias” atemporais nessa primeira quinzena de janeiro. É sempre assim todo início de ano mas, desta vez, a sensação de que estamos em 1983 (ou 1976) se torna um pouco maior pois os assuntos que dominaram o mondo pop/rock esta semana foram (acredite)… o niver do eterno camaleão David Bowie – comemorado no último domingo –, e a volta do quarteto americano Van Halen. É pouco? Fora que aqui mesmo, no velho Brasil de sempre (entra ano, sai ano, e a ladainha permanece a mesma: ação no centro de Sampa pra acabar com a vergonhosa cracolândia, que lá está fincada há quase vinte anos; reforma ministerial que deixa tudo como está no Ministério corrupto de miss Dilma; as águas do verão arrasando Minas Gerais e Rio De Janeiro etc, etc, etc.), a indie scene se agita com a volta do algo lendário Blemish e também do trio garageiro paulistano Rock Rocket. Isso tem seu lado bom (bandas bacanas de volta à ativa) e ruim (a incômoda sensação de que, como sabiamente escreveu e cantou Cazuza há mais de vinte anos, o mundo se tornou um museu de grandes novidades). E o blogão que jamais pára (mesmo em seu recesso habitual de início de ano) volta hoje, no primeiro post de 2012, falando justamente sobre isso: de estarmos em um novo ano, mas com a sensação de estarmos voltando duas décadas ou mais no tempo. Então vem junto com a Zap’n’roll, que no caminho (ou durante a leitura do blog) a gente explica essa parada.

* Sexta-feira, 13. Dia um tanto cabalístico pro retorno zapper, uia. Mas vamos nessa.

* Bien, começo de ano ainda e tudo beeeem devagar no rock’n’roll brazuca e planetário. Claro, alguns showzinhos e agitos já pipocam aqui e ali mas a chapa vai começar a esquentar mesmo a partir da semana que vem, quando tem show do retornado Blemish em Sampa – sendo que sobre isso falamos melhor logo menos aí embaixo. Daí pra frente o ano rocker vai começar de fato com festa de quinze anos da Pisces Records, show dos velhos góticos do Sisters Of Mercy na Via Funchal (dia 10 de março, com promo de ingressos no blog zapper já sendo articulada, hihi) e o Lollapalooza, claaaaaro! Então vai lendo e acompanhando este espaço online, que iremos dando todos os detalhes dos badalos por aqui assim que eles forem rolando, ok?

* Falando em Lolla BR, saiu a  programação do Coachella 2012. Yep, tem Black Keys como headliner da primeira noite (e com justiça, a dupla americana vive seu melhor momento e “El Camino” é um grande disco), Radiohead fechando outra e Dr. Dree encerrando tudo. Bão, e daí? Daê que o Coachella continua sendo o maior e principal festival dos EUA hoje, mas já foi bem melhor em termos de line up. O que parece é que não há mais novidades para serem mostradas (ok, tem a volta do At The Drive-In este ano; a banda é uma das mais queridas destas linhas rockers online, mas a sua volta no Coachella não vai causar a mesma comoção, por exemplo, que causaram os comebacks do Bauhaus ou do Jesus & Mary Chain), e aí fica tudo meio desinteressante. Fora que zilhões de grupos que estão escalados pra tocar por lá (veja o cartaz aí embaixo), já se apresentaram no Brasil ou vão aparecer por aqui nos próximos meses. Ou seja: agora que o Brasil tem Lollapalooza, SWU e os caralho, não é preciso mais ficar com “invejinha” de festivais gringos, hehe.

* E tem a volta do Prêmio Dynamite de Música Independente este ano, né? Talvez a maior premiação da cena independente nacional, o evento nasceu em 2002 com poucas categorias, foi se agigantando ano a ano até ser interrompido em 2009, quando foi entregue pela última vez. Agora ele está de volta, inclusive para comemorar os vinte anos de existência da revista Dynamite (hoje, publicada em edição online, e talvez o veículo de mídia mais longevo que se tem notícia no país, dedicado ao rock e à cultura pop em geral) e os dez do portal Dynamite online (WWW.dynamite.com.br), onde o blog Zap’n’roll começou como coluna em 2003 e continua hospedado lá também, até os dias de hoje. Como sempre a primeira fase do prêmio será a indicação, através de um júri composto por jornalistas, músicos, produtores culturais e formadores de opinião, de quem irá concorrer aos troféus nas diversas categorias da premiação. Escolhidos os concorrentes (e o blog zapper, que em 2011 foi desmembrado em dois endereços distintos na web, deverá concorrer na categoria de melhor blog, em seu endereço próprio, este aqui mesmo em que você o está lendo, hihi), começa a votação aberta ao público, sendo que a grande festa de anúncio dos vencedores deverá rolar em maio. Até lá é começar a formar torcidas e participar sendo que tudo sobre o Prêmio pode ser encontrado na página do evento no Faceboquete, em http://www.facebook.com/groups/309700289069164/?ref=ts . É isso aê!

* O que é pior: BBB ou o Michel Teló? Depende do ponto de vista. O reality show Global está em seu décimo segundo ano de exibição pois é sucesso garantido de audiência, sempre. Já se tornou clichê dos clichês dizer que o programa apresentado por Pedro Bial se mantém no ar a cada verão porque a (falta de) cultura média do brasileiro se presta a isso, a este tipo de entretenimento raso, banal, fútil, superficial, rasteiro, sem estofo cultural algum, onde o que importa é a exposição de carnes femininas gostosas com pouca ou nenhuma roupa, além das intrigas, fofocas, disputas e baixarias que invariavelmente vão surgindo ao longo do programa. Diante de um panorama dantesco desses o hiper hype repentino em torno do sertanejo Teló se constitui até em um, hã, mal menor. Afinal se você analisar com frieza e distanciamento o cantor paranaense, irá ver que: a) Michel Teló já tem uma carreira de quase oito anos e só agora conseguiu alcançar o mega sucesso, graças ao insuportável hit “Ai se eu te pego”; b) o sujeito é bonitinho, visualmente falando, o que conta (e como) na hora da exposição midiática; c) ele canta bem, possui boa inflexão e a melodia da canção também é boa, grudenta e radiofônica como toda ótima música pop deve ser. Claro, todos esses fatores não eximem a música de Teló de ser uma enorme droga (a letra é de uma rasteirice mental inominável). Mas o fato é que o sucesso planetário que ela alcançou (até agora, com mais de cem milhões de views no YouTube), desbancando das paradas na Europa gente como Adèle e Lady Gaga, só comprova que o apreço por arte ruim (ou péssima) não é prerrogativa exclusiva do brasileiro. Fora que Teló está aproveitando como deve aproveitar o seu momento de popstar, fazendo zilhões de shows e cobrando R$ 150 mil reais por cada apresentação. O blog pode estar enganado mas acha que o próprio cantor sabe que “Ai se eu te pego” terá sucesso efêmero como um hit/hype de verão, exatamente igual à 90% da música pop planetária nesses tempos de internet. Depois, ele cairá no esquecimento e voltará ao quase total anonimato que dominou sua carreira até agora. Nesse sentido, então, Michel Teló será uma praga bem menos perniciosa do que o escroto Big Brother Brasil.

* E só pra provocar nosso dileto leitorado, aí embaixo o vídeo do grande hit deste verão, uia!

Michel Teló – “Ai se eu te pego!”

* A VOLTA DO BLEMISH – banda lendária dos subterrâneos indies de São José dos Campos (interior paulista), onde foi fundada em 1998, a Blemish está de volta à ativa. O quarteto conquistou um público fiel e respeito da mídia rocker no início dos anos 2000’, graças às suas músicas que combinavam eflúvios de distorção e noise com guitarras indies e algo do pós-punk inglês. “Silver Box Song” acabou se tornando um semi-hit e hino nas incendiárias apresentações ao vivo do grupo mas o Blemish sucumbiu aos eternos desafios, problemas e sufocos pelos quais passa qualquer banda independente no Brasil (ainda mais cantando em inglês), e suspendeu suas atividades por volta de 2005. O fundador do conjunto, o guitarrista e vocalista Clóvis Tito se mudou para Londres, chegou a tocar no grupo Drugstore (comandado pela baixista brasileira Isabel Monteiro) e agora, de volta às terras brazucas, resolveu reviver o seu ex-grupo, que foi sempre um dos preferidos destas linhas bloggers rockers na indie scene paulista. Os planos para 2012 são um novo álbum de estúdio, chamado “Transtlantic Broken Dreams” e a volta aos palcos, o que acontece já no próximo dia 18 de janeiro, quando a banda vai se apresentar no Sesc Vila Mariana, em Sampalândia. A atual formação do Blemish inclui, além de Tito, o também guitarrista Luis Naressi, o baixista Ivan Roman e o batera Rodrigo Silva (que também toca em outra bandaça de São José dos Campos, o Alarde). E uma prévia do álbum dos garotos (com quatro músicas, entre elas a shoegazer e chapadona “Falling Star”) pode ser baixada e ouvida aqui: http://www.mediafire.com/?4xonft4r21shkf8 . bem-vindo de volta, Blemish!

Metade do grupo Blemish: de volta um dos grandes nomes do indie guitar nacional

* Quem também começa o ano com novidades é o já veterano trio garageiro/rocker paulistano Rock Rocket, dileto e velho amigo destas linhas virtuais. O RR encerrou 2011 lançando em bacanuda edição em vinil a trilha sonora do filme “Pólvora Negra” (ainda sem previsão de estréia nos cinemas), através do pequeno grande selo Pisces Records – que prepara sua festa de quinze anos de existência para março/abril na casa noturna Beco203, hoje uma das melhores do circuito noturno da capital paulista. O disco já pode ser encontrado em lojas como a Baratos Afins (WWW.baratosafins.com.br) ou Locomotiva Discos (http://www.facebook.com/profile.php?id=1549510600#!/locomotivadiscos), e o trio ainda pretende relançar, pela mesma Pisces, seus dois primeiros discos remasterizados e acrescidos de faixas bônus. Legal, beeeeem legal.

O trio Rock Rocket: disco novo em vinil e relançamento dos dois primeiros cds a caminho

* Bien, bien, não é só de novidades e bandas retrôs que vive o rock neste início de 2012. Está aí o folk americano Bom Iver arrebentando tudo por lá, sendo que o blog ainda está ouvindo os dois discos do grupo para voltar a falar sobre ele por aqui. Já na Velha Ilha os Maccabees foram parar na capa da NME desta semana e seu novo álbum, “Given to the Wild” (o terceiro deles, sendo que a banda existe desde 2004), está recebendo elogios rasgados da musical press gringa. Será que é pra tanto? Hum… logo menos falamos nossas impressões sobre o cd aqui no blogão zapper.

* Mas é fato: os “velhos” é que continuam dominando a mídia rocker neste início de ano. David Bowie e Van Halen que o digam…

BOWIE AOS 65, VAN HALEN DE VOLTA – ESTAMOS MESMO EM 2012???
A impressão é que não. Afinal, nas duas primeiras semanas do novo ano, os assuntos que dominaram o noticiário rocker planetário foram o aniversário do eterno gênio e camaleão David Bowie (que completou sessenta e cinco anos de idade, no último domingo), e a volta do quarteto americano Van Halen, que já está com música nova circulando na web, promete disco de inéditas para breve e vai sair em turnê logo menos pelos Estados Unidos. Isso sem contar o Black Sabbath, que anunciou no final do ano passado que também está de volta com sua formação original e vai lançar este ano o primeiro disco de estúdio com essa formação desde 1978.

Algum problema nisso tudo? Nenhum. David Bowie sempre foi e vai continuar sendo (mesmo que não grave nunca mais nenhuma música em sua vida) um dos nomes fundamentais de toda a história do rock’n’roll mundial, pela abrangência, contundência e qualidade de sua obra – quantos artistas você conhece que anteciparam tantas tendências musicais e influenciaram tanta gente? Poucos, né? E o Van Halen… muita gente vai se espantar com o que vai ler aqui, agora. Mas Zap’n’roll sempre gostou muito da banda dos irmãos Edward e Alex Van Halen, principalmente dos cinco primeiros (e melhores) discos da trajetória deles, os que foram gravados com Dave Lee Roth nos vocais. Eddie sempre foi um guitarrista fenomenal e Roth, apesar de ser eternamente fanfarrão, canastrão, arrogante e histriônico, era um ótimo vocalista e frontman. O Van Halen dava ao hard rock (e, por tabela, ao heavy metal) aquilo que faltava ao gênero: bom humor nas composições, ótimas melodias, músicas barulhentas mas de apelo pop e comercial (algo que um certo Nirvana iria conseguir também, nos anos 90’). Quando Dave resolveu cair fora (pois achou que era grande demais para o grupo e se fodeu em uma carreira solo que nunca deu em nada), o grupo colocou o mala e brega Sammy Hagar nos vocais e o VH se transformou em uma disgusting banda hard pop de FM, com zilhões de hits cafonas e melosos estourando um atrás do outro. O grupo encheu o cu de grana mas nunca mais foi o mesmo. Agora com a volta de Dave Lee Roth e com Eddie ainda em grande forma, podemos esperar que venha um disco bacanudo por aí.

Bowie toca em Sampa, em 1997, durante o festival Close Up Planet: mesmo recluso, sem gravar e sem se apresentar ao vivo, ele continua sendo uma lenda do rock

Enfim, o fato de o aniversário de David Bowie (que realmente está em total reclusão, sem gravar nada há anos e também sem se apresentar ao vivo) e da volta do Van Halen terem dominado o mondo pop/rock esta semana, apenas reflete o estado da música atual, nestes tempos de internet. Com bandas de rock flácidas e bunda-moles ao extremo, que gravam músicas às pencas e as despejam diariamente na internet, onde são vistas e ouvidas para serem esquecidas logo em seguida (por uma legião de ouvintes que trata a música como mero acessório ou trilha de fundo para tarefas cotidianas como estudar, arrumar a casa, jogar games, namorar e trepar), fica fácil para os “velhos” continuar dominando a cena. Pode parecer papo de tiozão ranzinza, mas não é: está difícil um grupo no dias de hoje construir uma carreira que dure ao menos cinco anos e que produza pelo menos três ou quatro discos sensacionais (como os Smiths produziram, por exemplo). Há exceções ainda, claro (e o Arctic Monkeys é uma delas), mas o cenário não é nada animador, infelizmente.

Mas como somos brasileiros e não desistimos nunca, ficamos aqui aguardando ainda pelo surgimento de um novo Nirvana. Ou, quem sabe, um novo The Smiths. Sonhar ainda não custa nada, não é?

DAVID BOWIE AÍ EMBAIXO
Em três grandes momentos de sua carreira, nos vídeos de “Heroes” e “Ashes To Ashes”, além de uma versão ao vivo (registrada em 1983, durante a turnê mundial do álbum “Let’s Dance”) para a sensacional e pesadíssima (psicologicamente falando) “Station To Station”.

 

E A NOVA MÚSICA DO VAN HALEN
Essa aí mesmo, a “Tattoo”

 

DAVID BOWIE – TRÊS MINI HISTÓRIAS DE UM PEQUENO DIÁRIO SENTIMENTAL
David Robert Jones, mundialmente conhecido como David Bowie, sempre foi um dos cantores mais amados do autor destas linhas online. E esteve, com suas canções, presente em muitos dos momentos de loucura, paixão e devassidão do jornalista gonzo por execelência.

Abaixo, recuerdos de três momentos em que o Camaleão do rock foi parte quase fundamental do que estava rolando com o sujeito aqui.

* COCADA BOA AO SOM DE “ASHES TO ASHES” – era 1991 e o ainda jovem e junky jornalista torrava boa parte do que ganhava como repórter da editoria de cultura da revista IstoÉ (de onde sairia ainda naquele ano, após brigar feio com o então mau caráter que era o editor, hoje editor-executivo da reacionária Veja) em garrafas de Jack Daniel’s e sacolés de cocaine, que ele adorava aspirar ouvindo a canção “Ashes To Ashes” – a saga do personagem Major Tom, alterego de Bowie. Pois numa terça-feira qualquer (em plena terça-feira!) daquele ano, o zapper doidón se encontrou com mais dois amigos (um morava em um apê no largo do Arouche, centrão de Sampa e que naquela época ainda ostentava um certo charme, antes de ser invadido pela zumbilândia consumidora de crack) e o trio resolveu fazer uma “vaquinha” pra comprar cinco gramas de farinha – naquela época, ainda se encontrava ótima cocaína em Sampa, em boa quantidade e preço justo, daquela que você cheira e fica sociável ao invés de ficar “bicudo” e “neurado”. Anyway, negócio feito, os três foram pro apê do largo do Arouche. Lá chegando, o zapper “trabalhador” pegou um prato e despejou o conteúdo do sacolé nele, para “trabalhar” o produto. Foi quando a amiga que estava junto (garota rocker, de cabelos escuros e curtos, e de quem Zap’n’roll não se recorda mais o nome) olhou também para o prato, arregalou os olhos e disse: “nossa! Acho que nunca vi tanta cocaína assim, de uma vez!”. Na sala, no aparelho de som, rolava “Ashes To Ashes”. E aquela noite foi longa, muuuuuito longa…

* FLÁVIA M, A LOIRA PEITUDA E LOUCA – ela tinha tetas enormes, cabelos loiros e cacheados. O autor deste blog a conheceu no final da tarde de 7 de julho de 1990, num vôo da ponte aérea Rio/Sampa. Trabalhando então na editoria de cultura da IstoÉ, Zap’n’roll estava a caminho do Rio para cobrir o show que a saudosa Legião Urbana faria naquela noite, para cinqüenta mil pessoas, no Jockey Club carioca, dentro da turnê do álbum “As Quatro Estações” – e no mesmo dia em que também havia morrido outro gigante do rock BR dos 80’, o genial e inesquecível Cazuza. Pois quando entrou no avião, Zap’n’roll ficou maluco quando observou a garota e, sem muita cerimônia, foi se sentar na mesma fileira em que ela estava. O papo rolou solto durante todo o curto trajeto, ambos desembarcaram no Santos Dumont e o jornalista já apaixonado e atirado a puxou pelo braço: “vem comigo até o hotel. Depois você vai embora!” (ela estava indo pra Niterói, visitar sua avó que estava doente). Ela aceitou e foi, mas quando ambos já estavam no quarto avisou antes de se deixar beijar na boca: “você tem que ir fazer seu trabalho. Eu não vou dar pra você hoje! Me liga amanhã em Niterói que eu durmo aqui, antes de voltar pra São Paulo”. E assim foi: no domingo à noite o zapper ligou pra casa da avó da garota. Ela atendeu e disse que em tanto tempo estaria no hotel. E foi mesmo. Foi uma noite alucinada de trepadas idem. Zap’n’roll ficou apaixonadíssimo por Flávia M – o nome dela. Só que a mocinha iria para a Inglaterra na terça-feira, passar férias de trinta dias (presente do papi rico, por ela ter passado no vestibular de direito). Nesse período o autor destas linhas online ficou doente de paixão e saudade em Sampa. Foi quando se enroscou, também, com a futura mãe do seu filho. Quando Flávia voltou de viagem, apaixonada e louca pra ver o sujeito que escreve este mini dário, a confusão estava armada: com qual das duas ficar? Flávia era gostosa, louca, inteligente, rocker e fodia pra caralho – adorava bater siririca durante a foda e quando estava prestes a gozar, ordenava: “vai, mete AGORA no meu cu!”. A ex-esposa do jornalista (então ainda jovem, magro, de cabelo comprido e trabalhando em uma grande revista, ou seja, um sonho de consumo para várias xoxotas) também era bonita, rocker e bacana, mas careta em alguns aspectos (ela detestava qualquer tipo de droga; já Flavinha adorava dar umas “narigadas”, hihi). Enfim, o affair com Flávia terminou justamente quando seu “amante” aqui a levou para assistir ao show de David Bowie no estádio do Palmeiras, em setembro de 1990, dentro da turnê “Sound & Vision”, que passava em revista os hits da trajetória do Camaleão. Após o show, ambos foram trepar e depois a garota deixou o zapper no apê em que ele morava, na rua Frei Caneca. E avisou: “hoje foi a última vez que você me comeu. Essa suburbana que você namora vai engravidar de você, vai se mudar de mala e cuia pra sua casa e vai foder a sua vida”. Foi mais ou menos o que acabou acontecendo. E hoje miss Flávia M é uma respeitável advogada em Sampa – e, pelo que consta ao blog, ainda solteira.

* M H, A PERVA COM ROSTO DE ANJO –  tempos difíceis na vida do jornalista rocker loker. A revista Interview (onde ele trampava como repórter) tinha fechado as portas em outubro do ano anterior. Ainda rolavam frelas aqui e ali, o sujeito já escrevia para a edição impressa da Dynamite mas, com a grana curta e talz, ele foi morar em uma república estudantil no bairro da Liberdade (onde ficou por quase dois anos e onde passou pelo pior período recente de sua existência maluca). As baladas noturnas continuavam, claro, aditivadas por devastações nasais e muito álcool. Foi um período em que o autor destas linhas online ia muito ao bar Nias, na rua dos Pinheiros, então uma das casas noturnas de rock mais badaladas da capital paulista. Foi numa dessas idas ao Nias que Zap’n’roll conheceu M – loira, cabelos curtos, também com belas e grandes tetas e rosto de anjinho. Ela era amiga do grande DJ Demoh (hoje, proprietário do bar Poison, na Vila Madalena) e adorava rock dos anos 80’. O papo começou na pista entre goles de Gin Tônica e alguma canção de… David Bowie. Foi quando o zapper sempre espertalhão lembrou a garota que o Camaleão iria tocar em Sampa novamente, no festival Close Up Planet. E a convidou para ir ao show com ele. A essa altura M já estava bem chapada de álcool. Não deu outra: o jornalista não muito fã de loiras mas encantado com o rosto angelical da figura e também com os peitaços dela, a arrastou pra fora do Nias e a convenceu a ir dar uma “voltinha” com ele até a redação da revista Dynamite, que ficava a 200 metros do bar. Lá chegando, rolou a primeira foda do casal – rápida pois M queria ir embora logo. A dupla combinou de se encontrar novamente e assim ambos foram num sábado para o showzaço que Bowie deu novamente em Sampalândia, sete anos após sua primeira visita – e quando estava em uma fase mais, hã, “eletrônica” (mas o set, ainda assim, foi uma porrada rocker). Terminada a gig o casal rumou para o saudoso Espaço Retrô, em Santa Cecíla (e que já estava prestes a fechar definitivamente as portas) e  dançou e bebeu até quase cinco da matina. Depois a parada óbvia foi um hotel das proximidades (um muquifo, na verdade) em que a dupla se instalou em um quarto com cama de solteiro (não havia mais vagas disponíveis pois a humanidade lota hotéis nos findes, pra trepar). Ali M mostrou sua face perva e autêntica, fazendo espanholas e boquetes com gosto e maestria, até que a porra do sujeito aqui jorrou na sua cara e boca, escorrendo pelo queixo. Encerrada a foda ambos “apagaram” exaustos. E quando acordou o jornalista junky e safado observou que havia marca de porra seca no queixo de sua partner… o affair com M durou algum tempo ainda. Mas aí ela começou a namorar com um sujeito, se casou com ele e se separou alguns anos depois. Hoje ela continua amiga de Zap’n’roll, continua solteira, mora sozinha e continua perva mas com rosto sempre angelical.

O BLOGÃO ZAPPER INDICA
* Disco: o nome da banda é estranho, mas bote fé nela. O Blitzen Trapper é americano (de Portland, no Oregon), existe já há doze anos e lançou seis discos. O mais recente, “American Goldwing”, saiu em setembro passado mas passou batido pelo blog. Que, no entanto, o está ouvindo sem parar desde que ele foi “comentado” por ela (miss CN, em seu blog na Folha online, de onde ela está infelizmente se despedindo, snif, snif…). A praia do BT é o country. Mas não aquele tradicional, caipirão e, sim, um country mais rock, turbinado por guitarras e melodias mais aceleradas. Também não faltam nas músicas do disco os habituais pedais steel e harmônicas emblemáticas do gênero e isso tudo resulta em canções belíssimas, redondas, pegajosas e com vocais preciosos. É, enfim, um discaço que foi pouco comentado aqui no Brasil. E você pode ir sem susto atrás dele na web, onde não é difícil de ser encontrado pra baixar.

Os americanos do Blitzen Trapper: folk acelerado por guitarras rockers

* Filme: “Rock de Brasília – a era de ouro” é um documentário sensacional sobre a geração rock BR dos anos 80’ que colocou Brasília no mapa do rock nacional. Já passou em circuito comercial e o blog o assistiu no último finde, em sessão no Centro Cultural Banco do Brasil. Mostrando a trajetória de bandas como Legião Urbana, Plebe Rude e Capital Inicial, o doc levou o sujeito aqui às lágrimas ao final da exibição, já que Zap’n’roll conviveu bem de perto com toda essa turma. Se você ainda não assistiu, procure ir atrás da versão em DVD porque o filme, além de tudo, é uma aula sobre a história recente, política, social e cultural, do país.

* Baladas: como este post está sendo finalizado já na segunda-feira (uia!), a dica é a volta da festa Fuck Rehab (com open bar, wow!) nesta quarta-feira, lá no Beco203 (que fica na rua Augusta, 609, centrão rocker de Sampa), atualmente a melhor nova casa noturna rocker de Sampa. Mais dicas de baladas pro próximo finde, você lê aqui mesmo no próximo postão da sexta-feira, certo mano?

FIM DE PAPO
Pra começar 2012 tá bão, né? Então ficamos por aqui. Mas se acalme que no finde tem novo post por aqui, okays? Até lá, então.

 

(atualizado e finalizado por Finatti em 16/1/2012, às 12:00hs.)