Se o mundo vai acabar amanhã, então diga adeus a ele e tchau pra 2012 em grande estilo: aqui está a lista dos melhores do ano do blogão zapper, um dos únicos que não sofre de preconceito de estilos e de época, que não está velhuscamente atolado no passado, que sabe reconhecer o que realmente há de ótimo no novo rock (daqui e de fora) e que não dá trela pra leitores intolerantes, burros, obtusos e conservadores, uia! (e fim de papo este ano: versão final e ampliada em 27/12/2012. Agora, férias pra quem merece, sendo que o blogão volta no final de janeiro próximo, okays?)

Lista abrangente e mega eclética é assim, rsrs: contempla de fato os melhores lançamentos do ano, sejam eles de um velho e lendário gênio do rock’n’roll mundial como o grande Neil Young (acima), sejam novidades ótimas e bem-vindas da garotada mais nova daqui e lá de fora também, como os escoceses Django Django e o trio amazonense A Luneta Mágica (ambos abaixo). Enquanto isso, outros blogs obtusos e seus leitores idem…

(A Luneta Mágica, foto: Gabriela Andrade) 

 

**********
UP TO DATE – FECHANDO A TAMPA DE 2012
Chega, né? Tudo que tinha que acontecer em 2012 já rolou, hihi. Terminamos assim o ano mesmo com a nossa lista de melhores e que bateu recorde de recomendações nas redes sociais (mais de 120!), o que deixa mais uma vez a certeza de que Zap’n’roll vai entrar em seu décimo ano de publicação como um dos três principais blogs de cultura pop e rock alternativo da web brasileira. E isso nos enche de orgulho e nós só temos a agradecer ao nosso dileto leitorado que nos prestigia e nos acompanha há tanto tempo. Valeu galere!

 

Mas enfim, é isso: o blog volta quente lá pelo dia 20 de janeiro – agora é férias pra quem merece, néan? O natal foi ótimo, o réveillon vai ser melhor ainda (estamos sumindo de Sampa nesta sexta-feira, 28 de dezembro, pro meio do matão Mineiro) e 2013 vem aí, cheio de surpresas e novidades (fim da MTV? Lollapalloza bombando em março? Cure finalmente voltando em abril?). Então é isso, povo: no primeiro post do novo ano iremos falar do novo disco do Rock Rocket (que saiu ao apagar das luzes de 2012) e de mais um monte de paradas bacanudas. Por isso, pra quem fica em Sampa ou vai passear por aí: super entrada em 2013. Em janeiro a gente se vê por aqui novamente!

 

Fim de festa pra 2012, uia! O blogger beberrão entorna um garrafão de vinho tinto na noite de natal (acima), na casa da querida amiga Silvia Ruksenas. Agora, pra recuperar as forças e entrar com tudo em 2013, a parada é ir bater na porta do céu, lá em São Thomé Das Letras (abaixo), no interior de Minas Gerais. É pra lá que o blog se manda a partir de amanhã. E pra toda a galere que nos acompannha: feliz ano novo, sempre com muito rock’n’roll!

 

**********

É bem por aí, hihi. O título algo gigantesco (já uma das marcas registrada destas linhas rockers bloggers) deste último post de 2012, explica muito do pensamento que sempre norteou e que vai continuar norteando Zap’n’roll. Enquanto alguns blogs da web brazuca só exaltam o novo e hypes ultra fugazes e que daqui a quinze minutos ninguém mais vai lembrar deles (e, por conseqüência, estes mesmos blogs desprezam os clássicos do rock’n’roll como se eles nada tivessem significado para a história da música), e outros fazem exatamente o contrário (detestam, numa intolerância algo ignorante, qualquer artista solo ou grupo, nacional ou gringo, que tenha surgido de uma década pra cá), estas linhas online procuram se equilibrar de maneira equânime na questão: analisam com a maior abrangência possível quase tudo o que é lançado no rock planetário ano após ano, sejam estes lançamentos de novos nomes ou de veteranos consagrados. Assim procuramos ser justos com todos e levar ao nosso sempre dileto leitorado ao final de cada ano, um resumo do que de melhor foi produzido nos últimos doze meses no rock, aqui e lá fora também.

 

É claro que os tempos estão, hã, “bicudos” na questão da qualidade musical. Disso ninguém mais duvida: numa época de acesso irrestrito a facilidades tecnológicas e também à música que circula livre e de graça pela internet, a quantidade de lançamentos que brota diariamente na rede é inversamente proporcional à qualidade destes mesmos lançamentos. Ou seja: há gente demais se achando “gênio” no rock dos anos 2000’. E há qualidade de menos entre esses “gênios”.

 

Mas bons nomes e boas obras continuam surgindo sim, basta garimpar e ficar atento. O que o blog zapper JAMAIS irá fazer (e como certos espaço da blogosfera insistem em fazer) é ser arrogante e menosprezar aquilo que ele não gosta ou não consegue compreender. Zap’n’roll jamais vai ser acometido por ataques de senilidade e velhice intelectual e/ou cultural. Jamais vai ser mentiroso dizendo que ouviu um trabalho de um artista sem ter ouvido, apenas pra dizer que tal obra é “fraca”, sendo que a mesma está sendo reconhecida como ótima por vários outros profissionais e espaços dedicados à música. E, por fim, jamais iremos ficar dando confiança pra leitores “tapados” de ouvidos, e que estão aprisionados no bicho-grilismo e no cafona prog/classic/metal rock de décadas passadas. Estes são os piores porque não se renovam, são total refratários ao novo e não conseguem admitir em sua irritante ignorância que, sim, pode haver vida muito inteligente na música e no rock que se faz hoje. Preferem, em sua infinita burrice e preguiça auditiva, chamar pejorativamente um grupo revelação (como a sensacional A Luneta Mágica, de Manaus, um dos destaques do ano que está acabando) pelo diminutivo do nome da banda, sem sequer ter ouvido o som da mesma e saber do que se trata. Tsc, tsc, lamentável pra dizer o mínimo.

 

Feita esta declaração de princípios, este último post de 2012 entrega aos nossos leitores aquilo que o blog ouviu de melhor no ano que está acabando (amanhã, junto com o mundo? Na semana que vem? Não importa, hehe. Ou importa sim: o sujeito aqui está de malas prontas pra ir passar mais um réveillon na deliciosa cidade mineira de São Thomé Das Letras, wow!). São dez discos gringos e cinco nacionais – além de mais alguns filmes, livros, e outros itens da chamada cultura pop que mereceram entrar na lista. Além deles este post também abre espaço especial para falar de um dos últimos lançamentos bacanas deste ano: o novo álbum do trio paulistano Rock Rocket, que será lançado com festa e show hoje à noite em Sampa, lá no Beco do baixo Augusta. Então confira nossas escolhas e fique à vontade pra concordar ou discordar delas. Aqui a democracia reina – e vai reinar sempre, enquanto Zap’n’roll existir.

 

 

DEZ DISCOS DE ROCK GRINGOS PRA LEMBRAR COM TESÃO DE 2012

 

* “Blunderbuss”/Jack White – talvez o único grande gênio do rock mundial do novo milênio, o homem que deu ao mundo bandas fodásticas como The White Stripes e The Raconteurs, acabou lançando seu primeiro disco solo apenas em abril deste ano. De lá pra cá Jack sofreu concorrência de outros grandes lançamentos (como você verá aí embaixo). Mas este seu “Blunderbuss” entra no topo da lista zapper dos melhores de 2012 porque é um álbum realmente acachapante. Nele o vocalista, guitarrista e compositor trafegou com desenvoltura pelo hard rock, pelo blues eletrificado, por ambiências soul e atualizou o rock setentista para os dias de hoje. Com uma batelada de músicas sensacionais (“Sixteen Saltines”, “Freedom at 21” e “Love Interruption”, apenas pra ficar nas mais conhecidas), ótima produção e escudado por uma super banda de apoio nas gravações, “Blunderbuss” mostra que Jack White ainda tem uma longa e brilhante trajetória musical pela frente.

 

 

* “Banga”/Patti Smith – a deusa e poetisa maior da contracultura rock americana da primeira metade dos anos 70’, ficou cinco anos sem gravar mas voltou de forma triunfal com este “Banga”, uma coleção de canções bucólicas, reflexivas e onde ela colocou todo o seu poder de grande pensadora do mundo contemporâneo a serviço de burilar letras que perscrutam o grande mal estar que assola perenemente o planeta em vários aspectos (político, social, econômico). Aos sessenta e cinco anos de idade Patti Smith continua sendo essencial em um tempo em que o rock’n’roll está cada vez mais esmaecido.

 

 

* Howler/America Give Up” – a banda existe há apenas dois anos. O disco de estréia saiu em janeiro passado. E este bando de quatro moleques atrevidos conquistou os Estados Unidos com um som rocker básico, direto e poderoso. Tocaram em Sampa apenas um mês após o lançamento do álbum e quem esteve na gig, lá no Beco/SP (como o blog esteve), constatou que ao vivo o grupo é ainda mais esporrento. Discão de estréia que coloca com merecimento o Howler entre os melhores de 2012.

 

* Django Django/homônimo – psicodelia escocesa à moda anos 2000’. Pode? Com certeza. O blog descobriu tardiamente esta pequena obra-prima lançada pelo quarteto também em janeiro passado. Percussões tribais, guitarras tecendo melodias oníricas e vocais mezzo chapados se unem pra construir músicas que farão a alegria dos amantes da maconha e do bom ácido – de preferência tomados no meio do mato, em São Thomé, hihi. O Django Django é uma das gratas revelações do ano. Fica a torcida para que eles tenham fôlego suficiente pra durar mais alguns verões.

 

* Lotus Plaza/Spooky Action At A Distance – outra descoberta tardia do blog, que uma madrugada qualquer dessas estava assistindo ao Goo (na MTV) e se deparou com um vídeo espetacular, para a música “Black Buzz”, tão espetacular quanto. O Lotus Plaza é um desconhecidíssimo projeto solo do músico americano Lockett Pundt, e este é seu segundo disco. Foi editado em abril passado. Melancolia, guitarras shoegazer e pós-punk à moda Joy Division em doses concentradas e tudo isso… feito por um americano. Só “Black Buzz” já valeria o álbum inteiro, mas o restante do trabalho também é ótimo.

 

* Ben Kweller/Go Fly A Kite – garoto-prodígio do indie rock Americano dos 90’ (foi revelado aos quinze anos de idade, no grupo Radish), Kweller não apenas continua na ativa como lançou essa belezura em fevereiro deste ano. Indo do rock de guitarras indie a baladas tramadas com violões, o agora trintão vocalista e compositor demonstra que continua mega habilidoso em compor melodias que enternecem nossa alma. De quebra, Ben Kweller ainda tocou há um mês em Sampa – com tickets esgotados em apenas duas horas, o que fez estas linhas bloggers perderem o show, grrrrr! Restou o discão pra compensar.

 

* Cat Power/Sun – Chan Marshall continua deusa, linda, louca e uma das melhores compositoras da indie scene americana. Em “Sun” ela se arriscou em ambiências mezzo eletrônicas (isso mesmo!) em algumas faixas. Mas nada que descaracterizasse seu respeitadíssimo trabalho musical. Há lindas músicas espalhadas pelo álbum, que ganhou cotação máxima do jornal inglês The Guardian. Com justiça, diga-se.

 

 

* Bob Mould/Silver Age – essa biba véia é gênio e lenda do rock americano nas últimas três décadas, ponto. Criador do seminal Husker Du, influência declarada de Pixies e Nirvana, Bob continua na ativa e lançou esse autêntico espanco sonoro em setembro último. Canções rápidas, aquelas guitarras ardidas que o celebrizaram no Husker Du e melodias pop e radiofônicas que grudam no seu cérebro, são a receita para se compor mais um grande momento do rock planetário em 2012.

 

 

 

* Tame Impala/Lorenism – mais psicodelia entre os melhores do ano, desta vez através do agora quinteto australiano liderado pelo também gênio Kevin Parker. É o segundo trabalho da banda e ela evoluiu mil por cento em relação ao seu primeiro disco, editado em 2010. Pense numa colisão frontal entre Led Zeppelin e Pink Floyd fase Syd Barrett: aí está o som que transborda nesse sensacional “Lorenism”, pra você ouvir e chapar os miolos com gosto.

 

 

* Neil Young/Psychedelic Pill – outra lenda viva da história do rock’n’roll. Esse véio, aos sessenta e sete anos de idade, continua um MONSTRO. Pois em um intervalo de menos de dois meses Neil lançou nada menos do que DOIS álbuns gigantescos (na qualidade das canções e na duração da músicas). O primeiro foi “Americana”. Na sequência veio este “Psychedelic Pill”. Em ambos ele voltou a tocar junto com o lendário e insuperável Crazy Horse, a banda com a qual registrou suas obras-primas. Zap’n’roll assume que custou a baixar os dois álbuns por não ter absolutamente saco algum com músicas que durem mais do que seis ou sete minutos. Pois apenas Neil Young é capaz de compor peças de dezesseis a vinte e três minutos de duração e que NÃO cansam o ouvinte. Pelo contrário: todas as músicas do disco fluem de maneira agradável e intensa, seja em sua porção mais acústica, seja nas partes mais elétricas e barulhentas. Fora suas letras ácidas, que continuam uma aula à parte em termos de contundência poética. É sério: quando não houver mais gênios como Neil Young na face da Terra, o que vai ser do rock’n’roll? Pra pensar…

 

 

CINCO DISCOS DO ROCK BR QUE FIZERAM A DIFERENÇA EM 2012
* A Luneta Mágica/Amanhã vai ser o melhor dia da sua vida – no topo da (pequena) lista dos melhores do ano no rock brazuca está a estréia deste trio de Manaus. Foi a maior descoberta do blog na indie scene nacional nos últimos tempos (alô Karla Sanches, se não fosse tu procurando estas linhas online jamais iríamos saber da existência da Luneta, hehe). O grupo formado pelos vocalistas e multiinstrumentistas Pablo Araújo, Diego Souza e Chico Só existe há cerca de dois anos e lançou esta obra-prima em agosto passado. É um escândalo de melodias belíssimas e introspectivas combinando violões e guitarras (por vezes indies, por vezes etéreas) com percussão eletrônica, psicodelia e bucolismo existencial. Um caleidoscópio de cores extasiantes que remetem tanto a Los Hermanos quanto a My Bloody Valentine. E tudo isso com letras em português que desvelam imagens poéticas que tocam fundo na alma do ouvinte: “…Ainda somos os mesmos/Gênios embriagados/Esperando pelo sol nascente”. O músico e vj China (dileto amigo destas linhas rockers bloggers) já tocou em seu programa na Oi FM. O esperto produtor paulistano Glauber Amaral (um dos nomes mais destacados na área de produção musical hoje, no país) quer trabalhar com os garotos. E apenas blogs mais desinformados e leitores obtusos destes mesmos blogs ainda não descobriram o som da Luneta Mágica, que deverá ser A BANDA de 2013.
Pra conhecer melhor A Luneta Mágica: http://lunetamagica.bandcamp.com/

 

 

* Transmissor/Nacional – Minas Gerais sempre deu grandes nomes ao rock brasileiro e à MPB em geral. E o quinteto Transmissor não foge à regra. “Nacional” é o segundo álbum do grupo, saiu no começo deste ano e amplia e matura a concepção musical mostrada na sua ótima estréia (no disco “Sociedade do Crivo Mútuo”): rock quase rural mixado com influências do célebre “Clube Da esquina”. E tudo a favor de canções com lindas melodias, daquelas pra sair cantarolando em alguma estrada de terra perdida entre as montanhas de Minas. Os vocais alternados entre Thiago Correa e Jennifer Souza sustentam pequenas jóias musicais (“Sempre”, “Bonina”, a super radiofônica “Só se for domingo”), embaladas tanto por guitarras rockers quanto por violões dolentes. Discão!
Pra conhecer melhor o Transmissor: http://www.transmissor.tv/

 

 

* Quase Coadjuvante/Cartas para a próxima estação – mais Mineiros entre os melhores de 2012, uhú! O quarteto de Belo Horizonte surgiu em 2009 e lançou este seu primeiro álbum em outubro deste ano. São apenas nove músicas, mas todas ótimas e onde as guitarras distorcidas que remetem à Nirvana e Sonic Youth se encontram com melodias ultra radiofônicas e que tocariam fácil em qualquer FM, se elas não fossem imbecis e ainda movidas a jabá. As letras são em bom português e bem cantadas pelo vocalista e guitarrista Jonathan Tadeu. E uma pérola como “Gênio Ruim” ganha fácil o título de melhor música de 2012, pela  sua letra e levada melódica.
Pra conhecer melhor o Quase Coadjuvante: http://quasecoadjuvante.com.br/album/cartas-para-a-pr-xima-esta-o

 

 

* Madrid/homônimo – o projeto musical encabeçado pelo gênio e fofo Adriano Cintra (ex-CSS) e pela linda e loira Marina Vello (ex-Bonde do Rolê) não poderia ficar de fora da lista dos melhores do ano nem em sonho, rsrs. Esqueça o som das ex-bandas da dupla em questão: Adriano e Marina engendraram uma coleção de canções absurdamente melancólicas, lindas e tramadas basicamente com pianos e violões, na famosa equação low fi. Há pouco espaço aqui para dançar alegremente e o álbum todo soa mais como mote sonoro à reflexão profunda. Com vocais em inglês, deverá inclusive fazer “barulho” lá fora também.

 

 

 

* Jair Naves/ E Você Se Sente Numa Cela Escura, Planejando A Sua Fuga, Cavando O Chão Com As Próprias Unhas – o título é gigante e a qualidade do álbum também. Durante quase uma década o bom moço Jair Naves foi vocalista do Ludovic, um dos melhores grupos pós-punk da indie scene paulistana. Banda desfeita, Jair partiu em carreira solo, que rendeu um ep e este primeiro disco completo. Aqui, todas as características da obra musical de Jair estão preservadas e aperfeiçoadas: as letras de intensa dramaticidade poética (“Me assegura que você jamais vai maldizer/ o instante em que você se deu pra mim,/ em que se anulou por mim/… / eu sonho acordado/ com a vingança dos torturados,/ com a mulher que vai envelhecer ao meu lado,/ com o meu pai ressuscitado/…”), os textos enormes e que insistem em não caber na métrica da canção, as músicas de instrumental opressivo e intenso. Não é um disco fácil, de maneira alguma. Jair canta as faixas como se estivesse à beira de um precipício ou como se o mundo fosse realmente acabar amanhã. E nos mostra que a grande música e a grande arte só funciona mesmo desta forma: com intensidade e rigor absoluto na qualidade textual e musical.
Pra conhecer melhor a estréia solo de Jair Naves: http://jairnaves.bandcamp.com/

 

 

EXTRINHAS QUE SE DESTACARAM EM 2012
* Um filme: “Na estrada”, a versão cinematográfica de Walter Salles para o clássico “On The Road”, de Jack Kerouac.

 

* Um livro: nada muito digno de nota foi lançado em 2012. Livros musicais andaram em alta e entre estes pode-se destacar a biografia dos New York Dolls, lançada aqui pela editora Madras.

 

* Um programa de tv: o “Profissão Repórter”, exibido às terças-feiras à noite na Globo e comandado pelo experiente Caco Barcellos, continua show de bola. Já “A Liga”, da Band, decaiu horrores.

 

 **********

(versão final em 27/12/2012, às 19hs.)

Em post modesto e reduzido (pois o blog está preparando sua lista dos melhores de 2012) o espaço zapper fala sobre o fim DE FATO da Via Funchal, analisa o possível fim da MTV, além de falar desses boatos infundados que muitas vezes inundam a blogosfera, e também daquela velha história do comeback de Bob Smith e sua turma ao Brasil (plus: o novo vídeo do Rock Rocket, para a xoxotuda “Maria Eugenia”, uia!)(versão final, ampliada, em 18/12/2012)

Tudo que é ótimo sempre chega ao fim, néan? Em semana que houve boatos sobre o fim do festival Planeta Terra (desmentido, felizmente) e sobre o possível fim da MTV (ainda em suspense…), sobrou mesmo para a ótima Via Funchal (foto acima): a melhor casa de shows musicais de médio porte da capital paulista fecha de fato as portas em 2013; pelo menos a ótima notícia (apurada e confirmada pelo blog zapper) é que Bob Smith e o Cure (abaixo) estão mesmo voltando ao Brasil, em abril/maio 

 

Pois então.
Não dá pra fazer um post com quase cinqüenta mil caracteres (como foi o caso do último) toda semana, néan? Sacumé, final de ano chegando, tudo fica mais calmo (quer dizer, mais ou menos…) no mondo pop/rock, o blog começa a preparar sua lista de melhores de 2012 (que estará por aqui na semana que vem), de modos que hoje Zap’n’roll vem bem modestinha, hehe. Mas ainda assim falando de temas, hã, palpitantes e que andaram sacudindo a galere nos últimos dias. E dá-lhe boatos e especulação sobre o fim da MTV (já comentado aqui no último post), fim do festival Planeta Terra (já desmentido, rsrs), fim das atividades da casa de shows paulistana Via Funchal (confirmado) e a volta do gigante e lenda goth The Cure ao Brasil (esse, sendo investigado agora, já na tarde de sexta-feira, por estas linhas online, sendo que você fica sabendo logo aí embaixo o que apuramos a respeito, uia). De modos que sem muitas delongas esta semana vamos apenas a algumas notas/análises rápidas aí embaixo, a respeito desses assuntos. Lembrando que no próximo post vem a lista dos melhores do ano pelo blog zapper e aí… férias merecidas que ninguém é de ferro, hehe.

 

 

VIA FUNCHAL – O FIM, ENFIM (E INFELIZMENTE)

Jarvis Cocker, vocalista e líder do inglês Pulp, tocando no final de novembro em Sampa, na Via Funchal: quem viu, viu; quem não viu…

Talvez a melhor casa de shows musicais de porte médio (por porte médio, entenda-se um espaço onde cabiam até seis mil pessoas) da capital paulista na última década e meia, a Via Funchal, localizada no bairro de classe média alta da Vila Olímpia (na zona sul de Sampa), vai mesmo fechar suas portas a partir do mês que vem. A informação foi confirmada ao blog há pouco, em conversa informal entre estas linhas online e a querida Míriam Martinez, assessora de imprensa da casa e dileta amiga pessoal zapper há mais de duas décadas.

 

Os boatos sobre o fechamento do local já rolavam fortes há várias semanas. O motivo para o provável fechamento era, senão outro, a especulação imobiliária de sempre e que anda atacando com apetite voraz determinadas regiões da cidade (como a própria Vila Olímpia ou a região no entorno da rua Augusta, no centro de Sampalândia) nos últimos tempos. Pois a Via Funchal acaba de se tornar a mais nova vítima dessa especulação: o terreno onde está localizado o imóvel da casa de shows foi vendido para uma incorporadora. E dentro da própria Via Funchal ninguém se pronuncia oficialmente sobre o assunto mas os dois proprietários do local já autorizaram a querida Míriam a informar que, sim, a Via Funchal localizada na rua do mesmo nome deixa de existir como espaço de shows musicais e outros eventos na área de entretenimento a partir de 2013.

 

O último show musical por lá seria o da cantora Norah Jones, que iria se apresentar na Via Funchal amanhã (sábado), com tickets esgotados. Como Norah cancelou sua turnê no Brasil (em função da morte de seu pai, a lenda Ravi Shankar, ocorrida esta semana nos Estados Unidos), a história musical da casa está definitivamente encerrada.

Zap’n’roll na entrada da Via Funchal, ao final do show do britpop Pulp, no último dia 28 de novembro: o blog perdeu as contas de quantas gigs fodásticas assistiu ali. Vai deixar saudades!

 

O último show visto por Zap’n’roll lá foi o da banda inglesa Pulp, que aconteceu no último dia 28 de novembro. E o blog perdeu a conta de quantas gigs fodásticas ele presenciou ali. New Order, REM, Echo & The Bunnymen, Interpol, Massive Attack, Cat Power, The Kooks, Stone Temple Pilots, Duran Duran, Coldplay…foram incontáveis os grandes momentos rockers presenciados por estas linhas online na casa da rua Funchal.

 

Vai deixar saudades, e muitas. A Via Funchal tinha ótima localização, ótima estrutura para acomodar a platéia (espaço circular com o palco ao fundo, degraus que permitiam a todos assistir com ótima visão o que rolava em cena), ótima acústica, bares estrategicamente localizados na pista etc. Com o seu desaparecimento a maior cidade do país fica ainda mais carente de espaços para shows gringos de médio porte: restam agora o longínquo e tenebroso (na questão de acústica e localização) Credicard Hall e o HSBC Brasil. Sendo que nenhum dos dois jamais superou a VF em termos de funcionalidade.

 

Pra quem viu shows por lá, restam as lembranças. Pra quem não viu, a solução é torcer para que São Paulo ganhe, em breve, um espaço para eventos musicais tão bacana quanto era a, desde já, saudosa Via Funchal.

 

 

**********
O BLOG ZAPPER APUROU: CURE EM ABRIL, COM (POR ENQUANTO) TRÊS SHOWS NO BRASIL
Yep. Que Robert Smith está finalmente voltando ao Brasil com o gigante goth The Cure em 2013, já são favas contadas desde que o próprio Bob anunciou, no primeiro semestre deste ano, que a banda tocaria na América do Sul no ano que vem – sendo que não custa lembrar que nos últimos quinze anos o grupo “prometeu” diversas vezes que voltaria ao Brasil. Promessa nunca cumprida, rsrs.

 

Mas como costumam dizer no jargão popular: agora vai, uia! Esta semana espaços de cultura pop na blogosfera brazuca começaram a trombetear que a turnê sul americana da Cura já estava praticamente fechada e que só faltava o anúncio oficial, que deverá ser feito na próxima semana. De modos que, acompanhando todo esse falatório, estas linhas bloggers curiosas resolveram deixar a preguiça de lado e foram na tarde desta sexta-feira apurar o que há de fato CONCRETO na operação The Cure – Brazil Tour 2013.

 

O blog entrou em contato com um “chegado” seu que, por acaso, presta serviços para a produtora que está negociando (e fechando) a vinda da lenda goth ao Brasil (sendo que eles também irão tocar no Chile e Argentina). Em bate-papo telefônico, o blog apurou o seguinte junto à sua fonte (que pediu sigilo absoluto, pra não foder o trampo dele, óbvio):

 

O Cure vem para a América Do Sul em abril e fica por aqui até o final do mês pois em maio a banda já voa para gigs na Europa. No Brasil, especificamente, irão acontecer (por enquanto) TRÊS shows, na primeira quinzena do mês: em São Paulo, Rio e Porto Alegre. Há a possibilidade de um show extra em Sampa, de acordo com a demanda de ingressos. Também há a possibilidade de rolar uma data ou em Curitiba ou em Belo Horizonte.

 

Os shows em Sampa deverão acontecer (infelizmente) no horrendo Espaço das Américas, onde a referida produtora já realizou vários outros shows gringos importantes. Há duas configurações possíveis para o Cure em Sampa: ou dois shows no Espaço das Américas ou um único na arena Anhembi. Por último: os tickets começarão a ser vendidos a partir de janeiro e, sim, haverá a famigerada pista Premium entre eles.

 

Foi isso que Zap’n’roll apurou na tarde desta sexta-feira, sobre a volta do Cure ao Brasil. Nunca é demais lembrar: a banda liderada por Bob Smith já tocou por duas vezes aqui. A primeira em março de 1987, com gigs sold out por todos os lugares por onde ela passou. A segunda e última vez foi há quase dezessete anos, em janeiro de 1996, na edição daquele ano do extinto festival Hollywood Rock. O grupo tocou então em Sampa (no estádio do Pacaembu) e no Rio (na Apoteose) e enlouqueceu a galera goth com um set que durou quase três horas. Mais ou menos o mesmo tempo que tem durado os shows da atual turnê onde o conjunto, além do vocalista e líder inconteste Robert Smith, ainda conta com o igualmente eterno Simon Gallup no baixo, Roger O’Donnell nos teclados, Jason Cooper na bateria e (voilá!) Reeves Gabrels, que já tocou com o gênio David Bowie no grupo Tin Machine (quem se lembra?)

 

E fora que a passagem do grupo por aqui em 1996 rendeu uma entrevista sensacional para a então ainda edição impressa da revista Dynamite (saudades, saudades…), feita pelo sujeito aqui e que apareceu assim (veja aí embaixo) do ladinho de Bob Smith, em foto tirada durante o bate-papo, no lobby do hotel Maksoud Plaza.

 

É isso. Góticos novos e tiozões (como o zapper que digita estas linhas virtuais) podem preparar os coturnos, os óculos escuros, as capas pretas e começar a desgrenhar as cabeleiras: Cure Brazil tour – abril de 2013. É logo ali…

Sampa, janeiro de 1996: há dezessete anos o Cure veio ao Brasil pela última vez, para se apresentar no extinto festival Hollywood Rock. E antes do show na capital paulista Zap’n’roll (ainda um jovem e morenudo jornalista junky e rocker, hihi) bateu dois dedos de prosa com Robert Smith, hehe. Pois agora chega de saudade: o Cure, felizmente, está vindo novamente aí!

 

 

**********

FECHANDO A TAMPA
Final de ano batendo na cara, entonces vamos fechar logo esse post comentando que, yep, a situação continua indefinida lá pelos lados da MTV. Tudo vai ser sim resolvido em janeiro vindouro e é muito óbvio que ou a emissora muda radicalmente sua grade de programação e volta a se concentrar em MÚSICA e informação ADULTA e de qualidade, ou tchau e benção.

Sobre a boataria que rolou na blogosfera nos últimos dias, dando conta do provável fim do festival Planeta Terra em 2013: a própria direção do portal se encarregou de DESMENTIR o boato, afirmando que o evento rola sim, firme e forte, no final do ano que vem. Tá vendo o que dá querer saber mais que todo mundo e ficar inventando “furos” do além e que não correspondem à realidade?

Por fim, indicações zappers pra esta semana (post sendo finalizado no final da tarde de terça-feira, já): nesta quinta-feira, depois de amanhã em si, tem showzão de lançamento do novo álbum dos queridos Rock Rocket, lá no BecoSP (no baixo Augusta), naquela que promete ser a última grande esbórnia/putaria rocker de 2012, uia! O blog vai estar por lá e nessa mesma quinta-feira teremos o último post zapper deste ano, com a nossa lista de melhores dos últimos doze meses e a resenha do novo trabalho do RR. Por enquanto, de aperitivo, você fica com o novo vídeo deles, para a supimpa “Maria Eugenia”.

E nós estamos de volta aqui nesta quinta-feira, okays? Até logo menos então!

Rock Rocket – “Maria Eugenia”

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 18/12/2012, às 19hs.)

 

Chega de choradeira e de saudade! Após passar por um período rápido de “ócio criativo” (uia!) o blogão volta e põe a casa em ordem e os assuntos em dia: as gigs, os atrasos e o encalhe de tickets de miss Velhonna, o showzaço de um pequeno gênio indie, a morte de gênios do jornalismo e da arquitetura, o niver de um gênio do cinema e… uma mega e exclusiva entrevista com o gigante Barão Vermelho, uma das quatro melhores e mais lendárias bandas do rock BR dos 80’, que está completando trinta anos de estrada e toca neste sábado em Sampa, wow! (plus: resenhas dos discos de Ben Kweller e do Amplexos)(versão atualizada e finalizada em 8/12/2012)

O grande rock’n’roll continua vivo e forte e vai sobreviver sempre assim, seja através das fodásticas músicas do gigante Barão Vermelho (acima, completando trinta anos de estrada e que se apresenta neste sábado em Sampa, sendo que só no blogão zapper você lê uma mega e exclusiva entrevista com o grupo), seja nas singelas canções indie folks do pequeno gênio Ben Kweller (abaixo), que tocou esta semana em Sampa na mesma noite do show da miss Velhonna, e encantou o público que lotou o auditório do Sesc Vila Mariana, em Sampa

 

Saudades do blog?
Nós também estávamos, hihihi. E nestes tempos ultra vorazes da internet, de um mundo pós-digital onde o excesso de informação, a velocidade da mesma e a superficialidade de boa parte também da mesma são norma corrente, passar quase duas semanas sem atualizar um dos blogs mais lidos e acessados da web brasileira de rock alternativo e cultura pop pode parecer estranho e causar apreensão em nosso hoje enorme e sempre dileto leitorado. Mas acontece, faz parte. Ainda mais quando de repente o autor de Zap’n’roll se vê premido por uma série de compromissos noturnos que vão, hã, minando sua disposição em sentar na frente do notebook e escrever estas linhas online. Foi assim semana passada: show na quarta-feira (Pulp), show na quinta (The Cribs), correria na sexta, DJ set no sábado (no sensacional Lab Club, no baixo Augusta, dentro da Tiger Robocop, atualmente uma das festas noturnas mais bombadas do circuito alternativo paulistano) e mais isso e aquilo tudo. Como estamos já em plena vivência de nossos assumidos 5.0 de existência e não temos mais o fôlego e a disposição de um garotão de vinte e poucos anos, foi batendo aquela preguiça (assumimos) master – e enquanto isso o mondo pop/rock pegando fogo, claro. Junto com a preguiça em si também veio o inevitável ataque de uma crise de inadequação existencial mediana e passageira. Daquelas que põem você em cheque, contra a parede, e disparam uma série de dúvidas em seu cérebro: estamos felizes? Fizemos realmente tudo o que queríamos em nossa vida? Somos melhores hoje ou falta-nos algo ou muita coisa ainda? Nos sentimos solitários? Sem amor? Iremos durar muito ainda ou pouco? E ficaremos só no tempo que nos resta? Ou teremos alguém, alguém especial e que seja muito diferente das zilhões de pessoas que passaram pela nossa trajetória nas últimas cinco décadas? Enfim, os questionamentos foram se desencadeando e se avolumando, foi necessário um “ócio criativo” para dar atenção e responder a algumas dessas questões (isso, entre leituras de livros e audições de discos, sempre, e nesse aspecto o imortal velho louco Charles Bukowski tem sido um ótimo companheiro) e finalmente estas linhas virtuais voltam ao seu pique normal, com um postão que pretende sim falar ainda de (e analisar) assuntos que já foram esmiuçados por todo mundo nesses tempos frenéticos mas que, por mais que já pareçam “batidos”, sempre ainda chamam a atenção quando analisados e comentados de uma forma que faz toda a diferença – como sempre tem sido feito aqui, neste que é sem modéstia alguma um dos espaços mais bacanas da blogosfera brazuca quando se trata de dissecar com rigor (e também bom humor, claro) algo importante na esfera da cultura pop. Mas um post que também vai abrir espaço (vejam só!) para uma entrevista enorme e mega exclusiva com dois personagens-chave do rock brasileiro dos anos 80’: o guitarrista, vocalista e compositor Roberto Frejat e o baterista Guto Goffi. Yep, os fundadores do grande Barão Vermelho e que há anos são chapas do autor destas linhas bloggers rockers. A entrevista é mais do que justificável: o Barão é sim um dos maiores nomes da história do rock BR, deu ao país um gênio como o imortal e inesquecível Cazuza (cuja poesia em forma de letra musical será eterna e atual, sempre, além de massacrar a ignorância e a vergonha alheia que dominam hoje a produção textual das ridículas bandinhas do pobre e vergonhoso rock brasileiro) e está completando trinta anos de existência. Para comemorar resolveu cair na estrada por seis meses, sendo que neste sábado a gig única é em Sampa, no velho e longínquo Credicard Hall. Então, vamos lá: de volta à velha forma zapper e isso já às vésperas do final de mais um ano, onde teremos ainda dois ou três posts pela frente. Depois, mais um ócio criativo de final/início de ano. E se o mundo realmente não acabar no próximo dia 21 o blogão campeão em cultura pop volta em 2013 para seu possível último ano de existência (afinal, já são dez anos no ar!), quando ele será encerrado com chave de ouro, com um livro compilando os melhores posts e colunas. Mas por enquanto vamos nos deter aqui e agora, neste post que você está começando a ler. Vai em frente e divirta-se por nossa conta!

 

* Entonces, como já comentado aí em cima, no nosso tradicional texto inicial, a correria de shows foi grande da semana passada pra cá. Resumindo bem a ópera: o Pulp foi ok na Via Funchal (o derradeiro show de rock da melhor casa de shows internacionais da capital paulista? O mistério permanece: quando foi retirar seu convite pra assistir a gig do quinteto britpop, estas linhas online bateram novamente um rápido papo com a sempre queridaça Miriam Martinez, dileta amiga zapper há mais de duas décadas e assessora de imprensa do local. Miroca reiterou mais uma vez o que vem dizendo: que ninguém se manifesta INTERNAMENTE sobre o fechamento da Via Funchal, mas que existe um forte rumor nesse sentido e que tudo deverá ser finalmente esclarecido após a virada do ano. O jeito é aguardar e torcer para que tudo não passe realmente de… boatos). Jarvis Cocker em grande forma aos 4.9, público bem reduzido mas animadão (o blog assistiu boa parte da apresentação ao lado do casal de amigos Daya e Marcos) e mais de duas horas de um show que poderia ter sido mais enxuto – o primeiro bis, todo mundo já soube, teve quatro músicas, um exagero evidente. Como estas linhas virtuais comentaram com alguém, na saída da balada: uma boa apresentação de uma banda pela qual Zap’n’roll nunca morreu de amores, afinal.

 

* Se for pra comparar, os moleques ingleses do Cribs foram muuuuuito melhores na noite seguinte, lá no Beco do baixo Augusta. Show esporrento, casa cheia, ótimas músicas e cerveja gelada deram a tônica da noitada. Fora que o blog reencontrou seu amigo de longa data, mr. Tiago Bolzan e a dupla rocker fã de uma esbórnia noturna ainda foi parar no Astronete e de lá, ainda depois, foi parar em… segredo, rsrs, sendo que a noite foi longa, definitivamente, uia!

 

* Yep: ainda falando em “fechamentos”, o blog de tv da Folha online comenta em sua edição de hoje que o destino da MTV, pra lá de nebuloso, será decidido mês que vem pela cúpula da editora Abril (que administra a emissora). Mas parece que o fim está mesmo próximo lá pelos lados da Alfonso Bovero e o Brasilzão vai ficar sem o seu primeiro canal musical. Também culpa dela mesmo, néan? Uma emissora que já teve Fábio Massari, Gastão Moreira, Jornal da MTV, Lado B, Buzz (quem se lembra?), 120 Minutos (quem se lembra?), Hermes & Renato e os caralho, tudo de altíssimo nível, e hoje se compraz com tranqueiras de última categoria como PC Siqueira, Trolalá (aquela Tatá Werneck é verdadeiramente insuportável, ela e os retardados todos que fazem o programa) e outros programas de auditório pavorosos (Acesso, Provão, Luv, cada um pior do que outro), só podia estar mesmo na linha de tiro. Fora que a concorrência (Multishow, YouTube, PlayTV) está bravíssima. É foda… o blog só assiste a MTV hoje em dia de madrugada (os clips do Na Brasa, Goo e Big Audio) e olhe lá. O resto é, com o perdão do neologismo que não existe, “inassistível”, rsrs. Aguardemos janeiro pra saber a pá de cal vai ser mesmo jogada.

A MTV deverá ir mesmo pro saco em 2013. Também pudera: com “estrelas” como a imbecil Tatá Werneck em sua grade de programação falida, não há mesmo o que fazer…

 

 

* Enquanto isso a turba incauta aguardava ansiosa pelas gigs de miss Velhonna por aqui. Ingressos a preços extorsivos, gente armando acampamento na fila dos locais dos shows há mais de mês, todo sacrifício valeu à pena pra ver (ou rever) a vaconna loira que um dia já foi a grande rainha do pop. Mas… será que valeu mesmo??? No primeiro show da turnê MNDA por aqui, domingo último no Rio, o atraso pro início da apresentação foi de “apenas” três horas. Na terça e quarta-feira em Sampa, a mesa coisa (sendo que na gig de quarta dona Vaconna culpou a chuva pelo atraso, uia!). Fora que há relatos de que em trechos do show Madonna simplesmente apela pro playback na cara larga. Some-se a isso mais um novo episódio de ENCALHE de tickets (dos que estavam sendo vendidos pro show da loira cinquentona), e chega-se à conclusão de que realmente em 2013 as produtoras de eventos musicais internacionais no Brasil vão ter que rever com muito rigor sua política em relação aos preços cobrados pelos ingressos pra se ver shows, concertos, musicais etc. É óbvio que a questão da carteira de estudante se transformou em uma excrescência e uma putaria vergonhosas no Brasil (uma autêntica mina de dinheiro na verdade, onde a porra da Une é uma das maiores responsáveis por esta pilantragem que distribui, em troca de grana, carteirinhas à rodo e pra qualquer um). Porém as produtoras também têm sua parcela de culpa nessa história toda. E não é pouca culpa não pois no Brasil, como sempre, a ganância impera e grita mais alto. Enfim, tudo precisa ser revisto e rediscutido em 2013, sob pena de o país começar a perder ótimos shows devido à baixa procura pelos ingressos. Quem avisa…

Que vergonha Velhonna/Vaconna: fazer os fãs suportarem atrasos de três horas em cada show no Brasil, e ainda por a culpa na chuva. Tsc, tsc…

 

* A propósito desse papo todo sobre meia-entrada em shows, preços abusivos na venda dos ingressos, ganância de produtores etc, a XYZ Live, através da sua assessoria (feita pela Midiorama), anunciou ontem a vinda da biba véia Elton John ao Brasil, em fevereiro próximo. Os shows serão em Porto Alegre, São Paulo e Brasília e… adivinhem! Os preços serão aqueles “camaradas” de sempre e que estão sendo praticados na área de turnês internacionais há tempos já por aqui. Por exemplo, para a gig em Sampa, dia 27 de fevereiro no Jockey Club: o ticket mais barato sairá por 250 mangos (pra uma cadeira que deverá ser lá no cu da pista do Jockey). E o mais caro, para a sempre famigerada “cadeira Premium” (bem na frente do palco, óbvio), será vendido pela bagatela de mil reais. Fala sério… yep, mr. Elton John já prestou serviços mega clássicos e relevantes para a história do rock’n’roll mas, na boa, não dá pra encarar uma apresentação da “tia” por esses valores. Moral da história: mais um encalhe de ingressos à vista.

A bexa véia do rock volta ao Brasil, para shows em fevereiro/março de 2013. Mas com ingressos custando mil pratas, é melhor passar longe

 

* Agora, se estas linhas bloggers lokers estão com algum arrependimento nas últimas quarenta e oito horas, foi de ter perdido o show do mini gênio Ben Kweller na última terça-feira, no Sesc Vila Mariana em Sampa. Yep, o blog já estava sabendo que Ben (aquele garoto que foi revelado aos quinze anos de idade, no grupo Radish e que se lançou em carreira solo em 2002 com o sensacional álbum “Sha Sha”, que chegou a sair no Brasil via Rca/BMG; estas linhas online tinham o cd original, que se perdeu ao longo dos anos. Hoje, o blog mantém o discão arquivado no HD do seu notebook) iria fazer uma inesperada e bizarra tour brasileira há algumas semanas, e chegou a comentar o fato aqui e em sua página no faceboquete. Mas como a memória do sujeito aqui por vezes também falha, e com o oba-oba em torno das vindas do Pulp, Cribs, Madonna etc, deu no que deu: a divulgação da gig em Sampa foi nula – e mesmo assim os ingressos para a apresentação única se esgotaram em espantosas duas horas! Quando o sujeito aqui se lembrou de que haveria o show, já era tarde demais. Sem ingressos pra comprar e sem algum convite fornecido pela assessoria do Sesc ou mesmo pela produtora do show em Sampa (a famigerada Agência Inker, misto de produtora de shows e assessoria de imprensa que só procura todos os jornalistas disponíveis no mercado quando ela, a Inker, está divulgando algo que de antemão ela já sabe que não irá ter repercussão alguma junto à mídia. Quando se trata de um evento com tickets esgotados em poucas horas, dona Inker se “esquece” de muitos jornalistas, por achar que eles são menos jornalistas que os outros. Lamentável, pra dizer o mínimo…), lá se foi a apresentação de Kweller, infelizmente.

 

* O garoto é gênio e o show deve ter sido fodão. Durante um tempo a musical press americana chegou a considerar que Ben Kweller era seríssimo candidato a ser um novo Bob Dylan. Exageros à parte a habilidade do cantor, compositor, guitarrista, pianista e gaitista é visível à primeira audição de “Sha Sha”, um disco recheado de lindas canções e um dos grandes lançamentos do indie rock do novo milênio. A mesma habilidade que pode ser vista e ouvida no seu mais recente álbum, “Go Fly A Kite”, que saiu em fevereiro desse ano e recebeu pouca ou nenhuma atenção da rock press brazuca – mas o blog fala melhor dele nas indicações zappers desta semana, lá no final do post.

 

* Enfim, sorte de quem foi ao Sesc Vila Mariana anteontem. Na mesma noite em Sampa, a exata oposição entre o que resta do carcomido mega mainstream musical planetário (com Madonna no estádio do Morumbi), e o ainda grande e ótimo rock independente americano (Kweller, que veio sozinho, sem banda, e assim mesmo segundo resenha entusiasmada do portal G1, “arrancou o público das cadeiras no teatro do Sesc”). É isso aê!

 

* Aí embaixo, um pouco do que foi o show do nosso herói indie na última terça-feira, em Sampa:

“Full Circle” – Ben Kweller ao vivo no Sesc Vila Mariana em Sampa, na última terça-feira

 

 

* E não, pelamor! Sem fotos do Instagram do show, que isso já encheu o saco nesse mundo de “mudernidadades” ocas e fúteis.

 

* E depois de falarmos bastante de algo tão bacana (o show do Ben Kweller anteontem em Sampa), somos obrigados a nos deparar com uma notícia fedida dessas: o produtor Rick Bonadio (aquele…) vai mostrar em 2013 uma música inédita que ele tem guardada dos… Mamonas Assassinas! A mesma será apresentada durante o reality show que Bonadio vai ganhar no canal musical pago Multishow. Wow!

 

* Puta que pariu! O mundo está mesmo acabando! Vem cá, digam vocês leitores zappers: a essa altura do campeonato, QUEM precisa de uma música inédita dos Mamonas Assassinas??? E, pior, quem precisa ser torturado e obrigado a assistir a um reality show estrelado pelo “gênio” Rick Bonadio? Fala sério Multishow… já não basta a MTV que está indo pro saco?

 

* Jack White, ninguém discute, é um dos poucos gênios do rock mundial dos anos 2000’. Também dono de um dos já eleitos melhores álbuns de 2012 (o fodástico “Blunderbuss”), o guitarrista, vocalista e compositor que um dia deu ao mundo os espetaculares White Stripes e Raconteurs, foi curto e grosso em uma entrevista à revista britânica Squire, sobre o que ele acha do mundo fútil de hoje das celebridades, entre elas Lady Gaga. “É só imagem, não há conteúdo”, disparou ele sobre a loira. Alguém discorda?

O gênio do rock dos anos 2000, Jack White (acima), descendo o cacete na loiraça Lady Gaga (abaixo, na gig dela em Sampa este ano): ele tem razão no que diz 

 

* Jack sabe das coisas. Assim como o grande e histórico Barão Vermelho também sabia – e continua sabendo, como você pode conferir aí embaixo, no bate-papo gigante do blog com Roberto Frejat e Guto Goffi.

 

 

BARÃO VERMELHO – TRINTA ANOS ESTA NOITE…
O nosso jovem e dileto leitorado, que acompanha essas linhas poppers rockers online há tempos, por certo poderá estranhar: “Barão Vermelho na Zap’n’roll? A trôco de quê, afinal?”. Reação imediata e compreensível de uma galera jovem (e quase sem memória alguma, sempre) e pra quem hoje o quinteto carioca é algo, hã, “careta”, “velho” e muuuuuito distante da realidade musical atual de um país dominado (no que resta da indústria musical mainstream e em boa parte de sua mega mídia, seja ela eletrônica, impressa, visual ou radiofônica) por gêneros como sertanejo universitário ou axé.

 

Pois há zilhões de motivos para o lendário, eterno e insubstituível Barão Vermelho estar aqui hoje, como assunto principal deste post zapper. O grupo que surgiu em 1982 no Rio De Janeiro deu à história da música brasileira um de seus maiores poetas, gênios e letristas – Cazuza, óbvio. Além disso o Barão, que na verdade foi fundado pelo baterista Guto Goffi e pelo guitarrista e vocalista Roberto Frejat, fez parte de um momento histórico e hoje clássico do rock nacional: a chamada geração anos 80’, que legou para a música brazuca nomes essenciais como Legião Urbana, Titãs, Paralamas Do Sucesso, Plebe Rude e… o próprio Barão Vermelho, claro. Todas bandas que possuíam uma excelência musical, um nível de qualidade textual e instrumental inimagináveis de se encontrar hoje em dia no porco e pobre rock brasileiro, seja ele ainda mainstrem ou independente (o grosso da produção atual, que foi nivelada abaixo do chão pela turma calhorda e politiqueira da ONG tristemente conhecida como Fora do Eixo, que montou um verdadeiro APARELHAMENTO em Sampa, objetivando poder político e mamação de grana sem fim na teta pública. Enquanto isso, a música e a qualidade musical que se fodam).

 

Só o citado aí em cima já bastaria para justificar este tópico com o Barão Vermelho no blog. Mas ainda há outros motivos também especiais: no ano em que a banda completa trinta anos de trajetória e reedita seu primeiro álbum (“Barão Vermelho”, editado em setembro de 1982), acrescido da faixa inédita “Sorte & Azar” (outro clássico escrito pelo inesquecível Cazuza), os Barões resolveram cair na estrada mais uma vez e por seis meses, para festejar a data. Batizada de “Mais uma dose”, a turnê – a primeira em cinco anos – começou há um mês no Rio De Janeiro e lotou por duas noites seguidas a Fundição Progresso, com fãs enlouquecidos e arrancando os cabelos ao som de “Maior Abandonado”, “Pro dia nascer feliz”, “Declare Guerra”, “Por que a gente é assim?”, “Bete Balanço”, “Pense & Dance” e outras dezenas de hits memoráveis compostos ao longo das últimas três décadas. Neste sábado a turnê chega a São Paulo, onde o grupo se apresenta uma única vez lá no Credicard Hall, a partir das dez da noite.

 

Zap’n’roll há anos convive com o Barão Vermelho. Seja pelos shows que assistiu da banda, pela trilha sonora que ela proporcionou a centenas de momentos (ótimos ou ruins) na vida do autor destas linhas rockers virtuais, seja pela relativa amizade que o sujeito aqui desenvolveu com os queridões Frejat e Guto. E foi justamente esta proximidade com a dupla fundadora do conjunto que possibilitou ao blog conseguir esta entrevista exclusiva, com o guitarrista e o baterista do Barão. Aí embaixo ambos fazem um resumo da trajetória do grupo, contam como era fazer rock no Brasil naquela época e o que eles acham do rock de hoje. Portanto, com nossos jovens leitores zappers: Barão Vermelho! E bora pro show neste sábado, em Sampa. Afinal, vai saber se haverá mais uma nova dose ao vivo de Barão daqui a alguns anos…

A dupla fundadora do Barão Vermelho: Roberto Frejat e Guto Goffi (ao fundo): três décadas de ótimo rock’n’roll made in Brasil

 

Zap’n’roll – A banda ficou cinco anos sem tocar ao vivo. O que o grupo levou a
essa retomada dos shows, além das comemorações de 30 anos de vida?

Roberto Frejat – O motivo é a comemoração dos 30 anos da gravação do primeiro disco acompanhado
da possibilidade de remixar o disco e incluir algumas faixas bônus.

Guto Goffi – O que nos reaproximou foi saudade mesmo, e o compromisso de uma satisfação aos fãs do grupo.

 

Zap – E há planos de um novo disco de estúdio?

Guto – A única coisa que planejamos fazer agora foi a remixagem e remasterização do primeiro LP. Trabalhamos o “Sorte & Azar”, inédita, e a faixa “Nós”, que incluímos no disco da turnê para dar um gás. E a mini turnê de seis meses. Acho que acabamos encontrando uma forma viável de convivência prazerosa e isso pode vir a ser repetido.

 

Zap – Fale sobre a música inédita “Sorte & Azar”, que deveria ter sido incluída no disco de estréia, de 1982, mas só está sendo lançada agora, três décadas depois. Por que ela não entrou no repertório do álbum naquela época, afinal? Como foi o processo para resgatá-la já que havia, ao que parece,
apenas a voz de Cazuza e o instrumental foi adicionado somente agora.

Guto – Acho que foi um presente que o Zeca [nota do blog: Ezequiel Neves, célebre jornalista, descobridor do Barão e que produziu muitos dos discos da banda] deixou pra gente mesmo. A emoção de tocar bateria em cima da voz do amigo já morto foi especial e muito louca. Estava com medo de não caber mais na música. A voz dele está linda como sempre foi. Se tivesse que dar nota seria 10.

Frejat – Isso se deve há várias razões, mas penso que as limitações de tempo de um disco de vinil
e o fato de ser mais uma balada num disco que já tinha dois blues (“Down em mim” e “Bilhetinho azul”)
daria menos pegada ao disco e isso fez com que achássemos melhor não incluí-la. É uma música que sempre gostei muito, mas não lembrava se ela estava completa, se Cazuza
a tinha cantado inteira, afinal esse disco foi gravado em 48 horas de gravação, é muito rápido para tantas músicas.

 

Zap – E por que ela não teria entrado na versão original do disco, na sua opinião? afinal é uma música tão bonita e boa quanto as outras do disco…

Guto – Acho que já tinha muita balada no LP de estréia e o Zeca queria um disco de Rock’n Roll urgente.

 

Zap – Há planos de um novo disco de estúdio?

Frejat – Não, nesse momento isso não me parece necessário, nem interessante.

 

Zap – E depois dessa excursão, com prazo de duração de seis meses, a
banda  pensa em fazer outras ou vão ficar mais um longo período sem se apresentar?

Frejat – Acredito que outra turnê deve demorar muito pra acontecer.
Estamos todos muito dedicados aos nossos trabalhos individuais.

 

Zap – Quando Cazuza saiu da banda, ela cogitou em algum momento encerrar
atividades para sempre?

Guto – Não jamais, o desafio foi provar que banda é um trabalho coletivo, sem heróis ou peças principais. Sabíamos que no quinteto original nós tínhamos cinco bandas encapsuladas. Todos tinham voz própria.

 

Zap – Em recente entrevista Frejat afirmou que respeita as novas bandas  mas que quem sabia mesmo fazer rock era a geração anos 80’. Qual a diferença entre os grupos daquela época e os de hoje?

Frejat – Minha declaração saiu mal reproduzida.
Eu acho que todas as gerações têm seus talentos.
O que eu disse foi que o tipo de rock que fizemos, aquela maneira de abrasileirar
uma linguagem musical internacional teve características muito distintas por conta
dos aspectos históricos da época: estarmos saindo de uma ditadura, como havíamos absorvido toda a história do rock até aquele ponto e morando num país distante e sem tanto acesso à informação. Existe gente fazendo rock bom hoje, só é diferente afinal os tempos são diferentes.

Guto – Fui criado nas ruas, não em playground. Experimentamos de tudo sem consultar o Google, talvez sejam essas as diferenças. O Barão tem uma característica de curtir o rock pré punk, isso nos deu propriedade também.

 

Zap – É sabido que sempre houve um grade hedonismo e glamour na famosa
tríade sexo, drogas e rock’n’roll e os barões não escaparam disso. Hoje,
cinqüentões, qual a visão que vocês tem disso? O rock só funciona com
sexo e drogas ou pode também ser muito bom sem os outros dois?

Guto – Acho isso uma coisa pessoal de cada um, o rock aposta na diversão das pessoas e com essa tríade a coisa rola legal. O mais importante na vida de uma pessoa é a saúde física e mental, com moderação pode se fazer de tudo, é escolha mesmo.

Frejat – Acho que curtimos bastante tudo isso, mas acho que pra fazer rock bem
é necessário talento, criatividade, ou seja boas idéias e muita força de vontade.

 

Zap – O que nos leva a outra questão importante: a sua
opinião sobre questões como legalização das drogas, violência urbana etc. Grandes cidades do país, como São Paulo e Rio, vivem uma guerra civil não
declarada oficialmente mas em curso. Você tem alguma opinião formada
sobre legalização ou não do consumo de drogas?

Frejat – Tenho, acho que droga é problema de saúde e deve ter venda controlada pelo governo, assim como remédio de tarja preta.
E com o dinheiro dos impostos arrecadados com essa venda se financiariam os centros para dependentes que infelizmente  são o custo social de uma sociedade que tem seus doentes e tem de cuidar deles. Acho que a mesma coisa deveria ser feita com o imposto de bebidas alcoólicas e do cigarro com seus dependentes.

 

Zap – Em 2007 o grupo lançou sua biografia, escrita pelo baterista Guto. Absolutamente tudo o que aconteceu na trajetória da banda está ali ou vocês preferiram deixar algo de fora?

Guto – Não é uma biografia sensacionalista, de entregação. Ela é bem documental e verdadeira. Está tudo ali bem claro, só não tem o quem comeu quem, quem cheirou com quem, etc… são bobagens na história de uma banda, a trajetória de conquistas e dificuldades está ali representada. Fiz o livro com o meu guru Ezequiel Neves, isso valeu demais!

Zap’n’roll ao lado do amigão Guto Goffi e do saudoso Ezequiel Neves, no coquetel de lançamento da biografia do Barão Vermelho, na Livraria Cultura em Sampa, no final de 2007

 

Zap – É sabido que a banda está sem gravadora. É uma tendência irreversível no mundo de hoje, da era da web, que grandes grupos como o Barão Vermelho prefiram administrar sua carreira por eles mesmos, sem estar atrelados a uma major do disco?

Guto – Sempre foram as gravadoras que procuraram quem querem contratar e acho que isso deve continuar. Não sei se eles têm interesse pelo Barão? Vamos tocando a bola pra frente, temos muitos trabalhos já lançados e o que virá só o futuro pode responder.

Frejat – Acredito que ser for interessante pode haver um contrato de distribuição ou de investimento
promocional. Poderemos ter parcerias com gravadoras ou outras empresas, mas para isso acontecer tem de haver um envolvimento grande deles no nosso projeto.

 

Zap – Encerrando: vocês pretendem tocar até os setenta anos de idade, como os Stones, ou esta
talvez seja mesmo a última turnê do Barão?

Guto – Eu tenho inveja dos Stones, assisti ao “Shine A Light” do Scorsese, e me enxergo ali naquele personagem. Num grupo a vontade do fazer juntos é o que vale. E tem um ditado que diz, “Sonhou? É seu!” Se isso for verdade estou na direção certa. O Barão Vermelho é um DEUS superior e maior que todos nós, é quase religião mesmo e nessa missa eu quero rezar sempre.

Frejat – Confesso que não pensei nisso ainda, mas se houver uma próxima turnê ela deve demorar bastante
para acontecer, pois tenho muitas coisas para fazer na minha carreira individual e isso me tomará muito tempo.

 

 

BARÃO VERMELHO EM VÍDEOS
Aí embaixo pra você conferir e se preparar pro showzão de amanhã em Sampa (e que segundos infos da assessoria do Credicard Hall, já está com os tickets quase esgotados), dois momentos do grupo, separados por vinte e sete anos um do outro: o primeiro vídeo mostra o show integral da banda no hsitórico Rock In Rio de 1985, com Cazuza nos vocais. E o segundo mostra a volta triunfal do grupo para a turnê “Mais uma dose”, em outubro passado na Fundição Progresso, no Rio De Janeiro.

Barão Vermelho no Rock In Rio 1985 – show completo

 

Barão Vermelho ao vivo na Fundição Progresso/Rio De Janeiro, outubro de 2012

 

 

 

DIÁRIO SENTIMENTAL: DOS ANOS 80’ ATÉ HOJE, QUASE TRÊS DÉCADAS DE HISTÓRIAS ZAPPERS DE ROCK, DRUGS E PUTARIAS AO SOM DO BARÃO VERMELHO
O blogger eternamente loker viveu zilhões de aventuras malucas em seus anos, hã, jovens, ao som do Barão Vermelho. Shows bacanudos, trepadas que foram “articuladas” nessas gigs, devastações nasais, amores feitos e desfeitos… tudo aconteceu na vida de Zap’n’roll tendo como trilha sonora as músicas do Barão.
Então, sem mais delongas, vamos recordar aqui alguns desses instantes inesquecíveis, e que rolaram ao longo das últimas três décadas, hihihi.

 

* O único show visto com Cazuza – Em 1985 o autor deste blog era um moleque pós-aborrescente de seus vinte e dois anos de idade. Fazia cursinho (vejam só!) pra tentar entrar na Eca/Usp (nunca conseguiu, afinal) e lá cursar jornalismo e cinema (duas das maiores paixões do sujeito aqui). Quem bancava tudo (cursinho, baladas etc) era a saudosa mama Janet, claro. Tanto que quando pintou a primeira edição do Rock In Rio, em janeiro daquele ano, o já fanático por rock’n’roll não deu descanso à su mama enquanto ela não comprou pra ele os tickets pras três últimas noites do festival. E foi no ÚLTIMO dia do primeiro RIR que estas linhas rockers bloggers assistiram ao primeiro show do Barão Vermelho de sua vida. O primeiro e também o único com Cazuza nos vocais. Quer dizer, atolado na lama e no meio de uma multidão de cem mil pessoas, em uma época em que não havia telões e toda a tecnologia de som e luz que existe nos dias atuais, o jovem zapper na verdade curtiu o show como pôde. Mas se lembra, sim, que o Barão levantou o povão – afinal a banda estava ali tocando a bordo do estrondoso sucesso do álbum “Maior Abandonado”, que havia sido lançado pouco tempo antes e que vendeu rapidamente cem mil cópias. Meses depois Cazuza iria sair do grupo e este seguiu em frente, com o guitarrista Frejat assumindo os vocais.

 

* “Declare Guerra” e o primeiro show pós-Cazuza – O baque com a saída de Caju foi enorme e a humanidade achou que era o fim do Barão Vermelho. Negativo: o conjunto foi à luta, com Frejat assumindo os vocais. E enquanto Cazuza já lançava em 1985 seu primeiro disco solo (“Exagerado”), os Barões atacaram com “Declare Guerra”, uma boa re-estréia de um grupo que estava sendo julgado “morto” por parte da mídia, por ter perdido seu vocalista e principal letrista. Foi na gig de “Declare Guerra” em Sampa (que aconteceu no teatro do Masp, na avenida Paulista, vejam só!) que Zap’n’roll pela primeira vez trocou algumas palavras rápidas com o pessoal da banda. O então ainda jovem aspirante a jornalista pagou pelo seu ingresso e, no final da apresentação, conseguiu se “infiltrar” nos camarins onde conversou rapidamente com a turma. Foi o primeiro contato com o conjunto, de muuuuuitos que viriam pelos anos seguintes…

 

* 1986 e a entrevista com Cazuza – Em maio de 1986 o zapper finalmente estréia como jornalista profissional, em um pocket magazine chamado “Rock Stars”, e onde ele fez textos sobre os Smiths e sobre Lobão. Ao longo do ano e sem falsa modéstia o autor deste blog foi conquistando cada vez mais espaço na revista, até que a editora que publicava a dita cuja resolveu lançar uma nova revista, em formato grande e que seria voltada exclusivamente ao rock nacional (que estava bombando então de forma avassaladora). Batizada pessimamente de “Zorra”, a revista durou apenas três edições. Mas a capa do número dois foi com Cazuza. Com entrevista feita por Zap’n’roll no final do ano, já que no início de 1987 o cantor iria lançar seu segundo trabalho solo, “Só se for a dois”. Foi a única vez que estas linhas virtuais conversaram longamente com Caju, que já era portador do vírus da Aids mas ainda não havia manifestado os sintomas da doença.

 

* Anos 90’: a morte de Cazuza, no dia de um mega show da Legião Urbana – O blog nunca vai se esquecer do dia em que Cazuza morreu, em 7 de julho de 1990. Era um sábado. Então já com quase vinte e oito anos de idade e trabalhando como repórter na editoria de Cultura da poderosa revista IstoÉ (uma das três maiores semanais do país), Zap’n’roll tinha um compromisso seríssimo naquele sábado: embarcar numa ponte aérea rumo ao Rio De Janeiro, onde iria assistir a um show da Legião Urbana, no Jockey Club carioca. O público estimado: cinqüenta mil pessoas. E o repórter da IstoÉ iria acompanhar a gig porque ele estava preparando uma matéria enorme sobre a banda de Renato Russo, Dado e Bonfá para a revista. Mas a noite anterior havia sido pesada: já em fase bem junky e consumindo muita cocaine, o zapper tinha passado a madrugada tomando whisky e fazendo devastação nasal com sua então namorada da época, a magricela Patrícia Carla. Não deu outra: o jornalista loker acordou ressacudo no meio da tarde, despertado pelo amigo Ivan Cláudio (que também era repórter da IstoÉ e que hoje comanda a editoria de Cultura da publicação) que estava em polvorosa: “Finatti, acorda porra! Você tem que ir pro Rio! E outra: o Cazuza morreu hoje de madrugada. Ele e o Renato eram super amigos. To achando que esse show da Legião nem vai rolar mais!”. Na dúvida, era melhor estar lá pra conferir. O autor destas linhas saudosistas fez o que pôde, então: tomou um banho literalmente voando, botou algumas roupas na mala e se mandou pro aeroporto de Congonhas. Conseguiu pegar o vôo das sete da noite – sendo que o show da Legião estava programado para começar às nove. Foi neste vôo, tomando uma dose de whisky (yep, naquela época servia-se ótimo whisky nos vôos da ponte aérea Rio/SP) que o zapper jovem, morenão, gostoso, cabeludo, jornalista de revista mega influente e garanhão conheceu uma das melhores bocetas de sua vida: a da loiraça peituda Flávia M.J. O jornalista se apaixonou perdidamente por ela, foram várias as fodas alucinadas entre ambos (com direito a metidas no cu da loira) e o relacionamento da dupla daria um diário sentimental à parte aqui, de modos que fica pra uma próxima postagem, hehe. Enfim, o blog desceu no Rio e foi correndo pro hotel onde ficaria hospedado, e onde um par de credenciais já o aguardava para o show da Legião. Que aconteceu normalmente mas com Renato Russo dizendo, antes de começar a apresentação: “Eu quero falar de um cara. Ele é ariano como eu, escreve músicas como eu e canta como eu. Esse show é dedicado ao Cazuza!”.

 

* Anos 90’ em Sampa: a era das discotecas e as putarias “articuladas” em shows do Barão –  Os anos foram passando e entre discos medianos  (“Rock’n’Geral”, de 1987) e outros muito bons (e aqui podem ser incluídos “Carnaval”, de 1988, “Na calada da noite”, de 1990, e “Supermercados da Vida”, lançado em 1992), o grupo deu a volta por cima e se firmou novamente como um dos grandes nomes do rock brasileiro. E para comemorar o sucesso dos últimos discos e o carinho com que sempre era recebido em Sampalândia, o Barão Vermelho resolveu gravar na capital paulista seu primeiro disco ao vivo. “Barão ao vivo” (lançado em 1989) foi registrado em três noites seguidas de shows lotados na danceteria paulistana DamaXoc, localizada em Pinheiros, na zona oeste de Sampa. O zapper – que a essa altura já era chegado da turma e era um dos principais jornalistas musicais do país, escrevendo não apenas na IstoÉ mas também pro Caderno 2, do jornal Estadão – deitou e rolou nessa época, em gigs do Barão. As danceterias estavam na moda em São Paulo (além do Dama também havia o Aeroanta) e um show do Barão Vermelho ali significava um público lotado de xoxotas deliciosas e prontas para o abate, rsrs. Não deu outra: no final de uma das apresentações do Barão no Dama, para registrar o disco ao vivo, o zapper eternamente cafajeste esperava o seu amigo Phillipe Britto ir buscar o carro no estacionamento quando deu de cara com aquela autêntica “cavala”: morenaça e peituda, de mini-saia curtíssima (e deixando à mostra coxas tesudíssimas) e cara de ordinária. O jornalista, óbvio, foi lá dar em cima da moçoila. Mas ela também estava indo embora, com algumas amigas. Conversa rápida daqui, troca de telefones dali (não custa lembrar: não havia celulares, nem internet nem essas porras de redes sociais naquela época, e mesmo assim a humanidade era mais feliz, hehe) e ambos começaram a se paquerar nas semanas seguintes. Até que a distinta resolveu ir um dia no apê em que o jornalista morava (com mama Janet), lá na rua Frei Caneca. Mas por algum motivo inexplicável ela NÃO queria subir no apartamento do autor destas linhas canalhas. A solução encontrada: a convite do jornalista taradão (e a essa altura, já louco pra foder a cavaluda) a dupla foi pro TERRAÇO do prédio, pra “apreciar a paisagem” lá em cima, hihi. A foda rolou lá mesmo, em pé, e a putaça (de quem o blog não se recorda o nome) disse, a certa altura: “Hummm… que pau gostoso!”. Esta foi UMA das muitas trepadas “armadas” pelo blog em shows do Barão Vermelho, uia!

 

* Mais fodas “barônicas”: ela queria um “sanduíche de queijo”. E ganhou… – Disco ao vivo lançado, o Barão Vermelho voltou a São Paulo para fazer a temporada de lançamento do mesmo. E novamente no DamaXoc. O zapper, já beeeeem chegado dos Barões, descolou alguns convites e levou uma pequena galera numa das gigs. E foi nesse show que ele “arquitetou” outra trepada do além, rsrs. No meio da apresentação o jornalista dá de cara com Darlene, um xotaço moreno que era sua amiga de tempos – embora nunca houvesse rolado nada entre ambos. Papo vai, papo vem, Darlene apresenta a AMIGA que estava com ela (e de quem o blog também não se recorda mais qual era o nome). “Fulana, esse aqui é o Finatti, brother e bla bla blá”. A “amiga” era uma delícia cremosa total: baixinha, cabelos curtos e cacheados, tetões apetitosos e vestindo uma micro-saia que deixava toda a sua tesuda coxaça à mostra. O blog literalmente grudou na figura e não largou mais, até o final da apresentação. Os primeiros beijos de língua já começaram a rolar ali mesmo, no DamaXoc, ao final do show. Foi quando o blogger mega crápula convidou: “vamos pra minha casa!”. Ela aceitou. E passou o trajeto inteiro, até o apê da Frei Caneca, pedindo: “to com fome! Quero comer um sanduíche de queijo!”. Naquele horário, não havia onde comprar pelo caminho a porra do sanduba que ela queria. A dupla foi então direto pro apartamento da foda, hihi. Lá chegando, trepada homérica: a baixinha sabia rebolar a xoxota quente como ninguém no pinto grosso zapper. Depois de uma foda que durou horas o casal dormiu feliz. E na manhã seguinte, antes de ir embora, a cachorrinha tomou um belo banho e novamente foi fodida pelo autor deste diário sentimental torpe. A imagem que fica desta manhã: o casal conversando após a trepada, sendo que o sujeito aqui em um instante olhou pros pelos da boceta da mocinha e os viu todos melados e salpicados de porra, uia! Ah sim: o sanduba de queijo não rolou. Mas em compensação a garota ganhou vara, muita vara…

 

* As “devastações nasais” – Não é segredo pra ninguém que os Barões curtiam na boa a tríade sex, drugs and rock’n’roll – hoje, cinqüentões, com certeza devem apreciar apenas um bom vinho ou whisky pós-show. Mas enfim, houve algumas “devastações nasais” pós show que contaram com a presença zapper, outro notório apreciador (naquela época) de cocaine. O bizarro numa dessas ocasiões foi o querido batera Guto Goffi disparar, com a ironia e o sarcasmo em ponto de bala: “Eu ODEIO cocaína!”. Isso depois de mandar uma bem fornida taturana pra dentro de sua napa, hihihi.

 

* A crítica que Frejat não gostou – Em 2006 a gravadora Warner (em parceria com a MTV) resolveu cometer um exagero: lançou uma caixa com nada menos do que três DVDs que compilavam shows ao vivo do Barão Vernelho. Zap’n’roll, que estava então escrevendo matérias para a mui poderosa revista Rolling Stone, ficou incumbido de resenhar a tal caixa. E disse no seu texto o que achava daquilo: que era cansativo pra caralho assistir três DVDs em sequência da mesma banda, por melhor que ela fosse ao vivo – e o Barão sempre foi uma banda FODÍSSIMA ao vivo. A resenha, óbvio, foi lida pelo vocalista e guitarrista Frejat. Que tempos depois comentou com um amigo em comum dele e deste blogger assumidamente fã do Barão: “ah é assim, né? Deixa o Sr. Finatti querer vir tomar um whisky conosco no camarim, depois do nosso show, hehe”. Claro que Frejat disse isso na mais pura zoação e entendeu que a crítica não era ao grupo em si, mas sim em relação ao exagero do lançamento. E claro que neste sábado o blog sentimental e que não vê seus amigos pessoalmente há séculos vai no camarim depois do show, dar um mega abraço em todos eles.

 

* A entrevista com os Barões Guto e Frejat e o diário sentimental aqui publicado vai pros mais que queridos Hugo Santos, Marilda Vieira, Adriana Cristina, Vandré Caldas, Silvia Ruksenas, Ana Mônica, Marciolínio Conserva e Fernão Vale, sendo que Zap’n’roll espera curtir o showzaço do Barão neste sábado ao lado de todos vocês!

 

**********
O BLOGÃO ZAPPER INDICA
Disco I: Garoto gênio/prodígio precoce do indie/folk rock americano noventista (ele começou a se destacar com apenas quinze anos de idade, no grupo Radish), Ben Kweller tocou esta semana em Sampa e mostrou que, aos trinta e um anos de idade, maturou ainda mais suas concepções musicais que remetem à Bob Dylan e ao melhor do rock alternativo dos 90’. Não só: ele lançou um discão no início deste ano, “Go Fly A Kite”, que foi solenemente ignorado pela rock press brazuca – e ele pode ser facilmente encontrado na web. Assim como em sua espetacular estréia há uma década (com o discaço “Sha Sha”),  aqui Ben mantém inalterada a sua enorme habilidade em compor lindas canções e melodias, sejam elas embasadas em tom mais rocker e acelerado (como na abertura de “Mean To Me”), em baladas “estradeiras” de cunho sentimental (como “Full Circle, com ótimos vocais e levada ao piano) ou em road songs preciosas (e aí
“You Can Count On Me”, que fecha o cd, é um ótimo exemplo). Um dos grandes álbuns de 2012, sem dúvida alguma.

O disco deste ano de Ben Kweller: tão bom quanto sua estréia, há uma década

 

Disco II: o rock independente nacional está um lixo, afundado em ignorância textual e musical? Ok. Experimente então emanações de reggae, dub e ambiências afros. É isso que o ouvinte vai encontrar em “A música da Alma”, a estréia em disco do sexteto fluminense (de Volta Redonda) Amplexos. Formado por Guga (Voz e guitarra), Leandro Vilela (Guitarra e vocais), Martché (Teclados e vocais), Leandro Tolentino (percussão), Flávio Polito (Baixo) e Mestre André (Bateria) o grupo já está na ativa há alguns anos – estas linhas zappers ouviram falar deles pela primeira vez através da blogueira macapaense Rudja Santos, isso lá pelo final de 2009. Enfim, “A música da Alma” exibe boas canções onde a tônica é a malemolência melódica típica do reggae e do dub. Há vocais e baterias em eco, há as tradicionais letras de cunho social positivista e, sim, há aproximações com uma linguagem mais rock por conta de riffs de guitarras que se imiscuem sutilmente em várias das faixas do disco. Todas bacanas (como “Falsa Salsa”, “O homem” e “Leão”, as preferidas do blog), bem tocadas, bem arranjadas e bem produzidas (pela dupla Jorge Luiz Almeida e Buguinha, sendo que este último já trabalhou com a Nação Zumbi). Trilha perfeita pra se pensar com calma na vida, enquanto se degusta um bom beck, hehe. Amplexos é um grupo ainda a ser descoberto pela mídia musical brazuca e se você não quer esperar que a mídia os descubra, vai aqui (onde inclusive é possível baixar o disco todo): WWW.amplexos.com .

Capa de “A música da Alma” (acima), disco de estréia do fluminense Amplexos (abaixo): boas emanações de reggae, dub e música afro

 

Baladíssimas!!! Yes! Já no sabadão em si e em clima total de Barão Vermelho (que toca hoje à noite em Sampa, já com ingressos esgotados), vamos curto e grosso ao que dá pra se fazer de bão na madrugada alternativa de Sampa: vai ter mais uma edição “Combo Hits” da bombadíssima festa Tiger Robocop (comandada pelos queridos João Ramos e Romani) lá no Lab Club (no 523 da rua Augusta). Sabadão também é noite mega fervida (sempre!) no Astronete (no 335 da Augusta). E no domingão, pra fechar sempre com chave de ouro o finde tem a super festa Grind, na Loca (rua Frei Caneca, 916, Consolação, centro de Sampa), comandada pelo super DJ André Pomba. É isso: se joga, povo, que já estamos em mês de férias!

 

 

E FIM DE PAPO
Post enorme, como a galera gosta, néan. Foi uma semana estranha, no final das contas: perdemos um gênio do jornalismo brasileiro (Joelmir Beting), o maior gênio de nossa arquitetura (e um dos maiores do mundo), o insubstituível Oscar Niemeyer, e nos demos conta de que um gênio do cinema (Martin Scorsese) chegou aos setenta anos de idade. Ou seja: o mundo está cada vez mais carente de homens ilustres, nas artes, na cultura, na saúde, em tudo no final das contas. Os que ainda exitem já estão velhos (como Scorsese) e infelizmente nos deixarão, mais cedo ou mais tarde. E quando não houver mais nomes vivos dignos de orgulho para a raça humana, o que restará a este pobre e maltratado planeta Terra? Pra pensar… Semana que vem estaremos por aqui novamente, para o penúltimo post de 2012. Até lá!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 8/12/2012, às 16:30hs.)