A segunda edição do gigante festival Lollapalooza Brasil invade Sampa neste finde, com showzaços (espera-se!) de Pearl Jam, Black Keys, QOTSA, Franz Ferdinand, Alabama Shakes e os caralho, e o blogger sempre sentimental relembra algumas gigs de algumas dessas bandas que ele já assistiu; a lenda electro-goth oitentista Depeche Mode balança o mondo rocker com o seu novo álbum, devidamente resenhado neste post (agora vai!); e mais isso e aquilo tudo, inclusive com os nomes de quem vai NA FAIXA e por conta do blog, no Lolla BR 2013 (plus: ampliação e finalização GIGANTES, contando parte do que foi o Lollapalooza no último finde em Sampa, inclusive com a fofoca do quase pugilato entre o autor deste blog e um conhecido jornalista histérico da rock press nacional) (finalizado em 2/4/2013)

Dois front-man de peso e que já deixaram registrados seus nomes na grande história do rock’n’roll mundial: Eddie Vedder (acima), vocalista do Pearl Jam, encerra o gigante festival Lollapalooza BR 2013 neste domingo, no Jockey Club, em São Paulo; o mesmo festival que irá contar com mais uma gig explosiva de Josh Homme (abaixo) e seu fodástico Queens Of The Stone Age

 

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UP TO DATE GIGANTE: O LOLLAPALOOZA BR 2013 (RESUMIDO) E MAIS ALGUMAS COISINHAS…
Pois entonces, a essa altura a humanidade já sabe como foi a segunda edição do Lollapalooza BR, graças a veloz cobertura midiática desses tempos de internet. Mas o blog zapper não poderia deixar de também transmitir suas impressões sobre o que rolou no Jockey Club de Sampa, no último, ainda que de forma bastante resumida – nunca é demais lembrar: o jornalista gonzo/loker que publica este blog há uma década, está passando por tratamento médico devido ao seu problema de saúde recém-descoberto.

 

Foi inclusive por conta deste problema (o tumor canceroso que se instalou na garganta do sujeito aqui) que Zap’n’roll quase perdeu o festival inteiro. Com boa parte da garganta bastante dolorida de sexta-feira para sábado, o blog preferiu deixar a cobertura dos dois primeiros dias nas mãos do mega queridaço Luciano Victor Oliveira, amigo destas linhas online há anos e experiente repórter e fotógrafo em coberturas deste naipe.

 

O texto que você aí embaixo, em quase sua totalidade, é do Luciano. O blog só fez questão mesmo, de manter sob sua rédea, a análise do showzaço que fechou o Lolla deste ano, protagonizado pelo ainda gigante grunge Pearl Jam. Então leia aí e veja como foi a esbórnia rocker lá no Jockey.

Por Luciano Victor, especial para Zap’n’roll

Primeiro Dia – 28-03

Na chegada ao local do evento, no Jockey Club de São Paulo, notei uma organização ímpar! As filas milimetricamente organizadas, a guarda municipal e a polícia militar orientando todos e tirando dúvidas, nenhum sinal de uma mínima confusão e centenas de pessoas
esperando a sua vez para entrar.

 

OS SHOWS
Copacabana Club: o show chegou a ofuscar outro show que acontecia no mesmo horário, a banda indie “Of Monsters and Men”. De um lado os curitibanos eram a mais pura empolgação em meio a um ótimo público para o horário, do outro, o septeto islandês também empolgava, porém de uma maneira mais branda. Jogo ganho para os Copas, 1×0!
Mas e a lama que assolava o público entre um palco e outro? As pessoas ficaram chateadas, mas a ignoravam tão logo pisavam nela. Assim é o rock!

 

Cake: Após alguns anos longe dos palcos brasileiros, os norte americanos do Cake arrastaram um excelente público para o seu show. O show que começou pontualmente as 17:15 foi bom, mas não aquilo que se esperava de uma fábrica de hits alternativos. Um tarde de chuva, clima familiar e clássico da banda e covers (também clássicos),
como: “Never There”, “I will Survive” “War Pigs”, “Frank Sinatra”, “Long Time” entre tantas outras preencheram a vontade do fãs, mas ficou longe do que se esperava. Não foi um show ruim, pelo contrário, foi um ótimo show, mas com muitas falas de John MacCrea o show se tornou comum e fugiu de um possível brilhantismo, mesmo assim foi bom, muito bom!

 

Flaming Lips: o que era aquilo? Se for um show de Wayne Coyne, não deve ser um show normal! Podem ter certeza, não será algo “normal”, nada convencional. E assim foi. Pontualmente as 18:30 com o céu escurecendo a banda adentra ao palco e seu vocalista segurando um bebê de brinquedo dentro de algo parecido com um móbile. O palco era uma mistura de luzes vermelhas e azuis, um fundo de leds como se fosse uma tela de monitor
de áudio. Complicado? Não! Apenas experimentalismo elevado a enésima potência com um público hipnotizado pelo que via a sua frente. O mundo era psicodélico e na maioria das vezes é mais fácil complicar do que se fazer entender. Assim é o Flaming Lips, se no palco anterior (Cake) o som estava caindo para um volume menor, no palco dos lábios flamejantes o som beirava o limite dos graves e agudos, tomando conta do ambiente! Um espetáculo de insanidade de luz, cores e loucura sonora. Só faltou o Tom Zé! O mundo é psicodélico e na maioria das vezes é mais fácil complicar do que se fazer
entender, assim são os Flaming Lips. Os sons graves, agudos, cantos a capela, um verdadeiro espetáculo de luz e cores.

 

Wayne Coyne informou ao final de uma canção que seu bebê estava dormindo. What??? Um mundo estranho e uma banda que instalou um pouco de medo e delírio em São Paulo!

 

Para normalizar um pouco as coisas, a massa ganhou um show mais “normal” do Passion Pit. A banda empolgou a turba que a essa altura quase lotava o Jockey Club (52 mil pessoas segundo a produção).
Batidas secas e ao mesmo tempo cheias vindas da bateria, vocal harmonioso e uma banda com canções indies e também dançantes. Harmonias oitentistas e empolgação juvenil, uma combinação que conquistou a multidão no palco alternativo. O mundo de sexta-feira era indie, aprendam logo de uma vez e as evidências estavam por toda a parte.

 

Senhoras e Senhores, com vocês o The Killers!
Até então nenhuma banda tinha atrasado um minuto sequer, cronometragem do início ao fim dos shows perfeita, mas estrelas podem se dar ao luxo de atrasinhos, ainda mais quando são irrisórios oito minutos.
E assim foi, oito minutos após o horário previsto, o The Killers entraram como um verdadeiro arrasa quarteirões! Brandon Flowers com uma jaqueta preta discreta, cabelos milimetricamente cortados e
seus parceiros tomaram o Lollapalooza de assalto! Em menos de 3 minutos o público estava domado, conquistado e fascinado com “Mr.Brightside”. Os figurinos extravagantes e o ar oitentista ficaram definitivamente para trás. As músicas soavam mais pujantes e rápidas e o público, principalmente o feminino, delirou! De uma vez por todas os americanos são headliners e estão parelhos com as grandes bandas do rock n roll!
Afinal de contas, 52 mil pessoas não podem estar erradas (nota do editor do blog: se formos raciocinar por essa lógica, querido Luciano “Carioca”, então eu vou dizer que milhões de brasileiros não podem estar errados por gostar de escrotices musicais ao cubo como breganejos universotários, axé machista e sexista e pagode corno, certo? Sejamos francos e honestos: Killers é uma das piores deformações surgidas no rock dos anos 2000’, e sua popularidade só comprova, pela enésima vez, o quão burro é o gosto musical do populacho mediano e ignorante). O rock de arena ainda tem seu grandioso lugar em um festival dominado por indies.

 

A simples presença de Mike Patton a frente de uma banda arrasta uma verdadeira turba para ver o “homem das mil vozes” e claro, no Lollapalooza a frente de seu Tomhawk não foi nada diferente. Experimentalismos, um baterista possuído e uma banda a fim de tocar pesado, fórmula certeira que não atraiu apenas fãs e curiosos, pessoas comuns na sua enorme maioria mas também o vocalista de uma famosa banda, quem? Mr. Josh Homme estava ao lado
do palco para curtir o show como um fã normal, e ver a bateria ensandecida de John Stanier, ex-integrante do Helmet.
Por mais alternativa que fosse o Tomhawk, com o status de “coolguy” a presença de Mike Patton confere a banda uma aura de cult. O show transcorreu normal até grande parte da multidão começar a gritar p#$* car*# a plenos pulmões, relembrando o último show no Brasil de outra banda de Patton, o Faith No More.
Ironicamente Patton disse em português que não tinha entendido as palavras para em seguida emendar as mesmas e começar outra canção.
Com direito a mais alguns palavrões de praxe e um elogio a John Stanier, que  foichamado em português de cachaceiro pelo vocalista, o show terminou com a alma em júbilo dos ardorosos fãs de Patton.

 

Two Door Cinema Club: Os novos queridinhos da mídia levaram mais uma multidão para ver seu show no festival. Uma banda indie alçada a condição de “cool” com seu rock redondinho e melodias assobiáveis.
Pegada rockeira, visual despojado e criticas favoráveis e positivas da imprensa, a banda entrou no palco e justificou tudo isso com um show afiado e bastante aplaudido.

 

Franz Ferdinand e a pista de dança indie! Uma pista de dança indie, assim pode ser denominada o show do FF no Lollapaloza. Um caminhão de hits, uma banda afiada em um horário meio fora dos padrões para a
banda, e um público ensandecido dançando sem parar. Se na sexta feira o público divulgado pela produção foi de 52 mil pessoas, no sábado
os 55 mil presentes enchiam ainda mais o Jockey Club, e a sensação é de que boa parte estava lá para ver o FF.
E quem encontramos no meio do show? Ele, a lenda e bardo gaúcho que tinha tocado mais cedo, Frank Jorge. Solicito e simpático, o mítico e lendário Frank estava em meio a turba curtindo um som como todos os mortais.

Queens Of The Stone Age: Talvez naquela altura do campeonato, a multidão já fosse maior que na sexta-feira, não saberemos mas milhares de pessoas ecoaram uma única voz quando o QOTA entrou pontualmente no palco antes das sete da noite. A banda capitaneada por outro “coolguy” do rock, Josh Hommer (aquele mesmo presente na lateral do palco do Tomhawk) começou até leve, com a faixa “The Lost Art of Keeping a Secret”, mas em seguida desceu a lenha com “No One Knows”, daí meus amigos, meninos eu vi a terra tremer, juro! A terceira canção “First It Giveth” manteve o ritmo do público, todos pulando e mesmo com um palco quase espartano (apenas continha a logo da banda ao fundo) a banda veio pronta para uma batalha, sem dar tempo de ninguém respirar, a essa altura a pergunta era apenas uma: alguém que tocar depois, terá alguma chance? Mais 12 músicas e alegria chegava ao fim. Ou apenas começava…

 

Criolo: Criolo é um daqueles artistas que chegou ao limite de citar em algumas entrevistas que se o seu último álbum não desse certo e ele finalmente estourasse ou acontecesse, ele
desistiria da música. Sorte de todos nós que o álbum aconteceu e hoje Criolo é o “cara”! Em seu auge criativo, uma fábrica de hits, um disco perfeito e todo o público que foi conferir o QOTA, só teve o trabalho de se virar e assistir Criolo, na minha modesta opinião, um verdadeiro doutrinador da massa! Um artista brasileiro que enfrentou de igual para igual gigantes do rock mundial em seu quintal, como se fosse apenas mais um show, mas que show!
Criolo trouxe toda a sua banda, naipe de metais, jaqueta de torcida organizada, roupa em estilo africano e nem pediu licença para arrebatar o público. Ora era um reggae, ora um rap nervoso, ora um música com cara de dor de cotovelo, o
que importava era que mesmo que para ele “não exista amor em SP”, ele provou que sim, o amor pode vir de seu show iluminado e denso. E como todo bom artista brasileiro, claro que rolou o tradicional “Fora Feliciano”, pois
o bom e velho contexto político não poderia ficar de fora.

 

The Black Keys: após excelentes shows restava ao duo The Black Keys provar que o estrondoso sucesso de “El Camino”, seu último trabalho não tinha sido por acaso. Sem muito alarde, Dan Auerbach e Patrick Carney entraram no palco e mais um showzaço começava! Com a faixa “Howlin´ for You” o duo apoiado por alguns músicos, começava a dominar o Jockey Club… O duo não precisou se esforçar muito, apesar de tanto o baterista quanto o guitarrista
suarem as suas camisas, mais um jogo estava ganho.
Com uma guitarra pesada e garageira e bateria seca, o BK seguiu a risca sua cartilha de entrelaçar o show com hits matadores e músicas mais obscuras de outros álbuns. O jeito meio nerd da banda engana a primeira vista, pois os músicos são verdadeiros soldados do rock.
Sem muitas firulas, sem artifícios e muito suor e sorrisos o duo provou que o sucesso chegou de maneira árdua, muito trabalho e dedicação.
Não faltaram os hits matadores como “Tighten Up”, “Lonely Boy”, “Run Right Back” e “Gold On The Ceiling”. Uma verdadeira arca de tesouros de hits!
E assim terminava mais uma excelente noite do Lolapalooza!

 

 

E NO FINAL, O AINDA GIGANTE PEARL JAM EMOCIONA 60 MIL PESSOAS NO JOCKEY

Por Humberto Finatti, editor de Zap’n’roll

O blog precisava MUITO escrever esse textoe postá-lo aqui. Fim do show do Pearl Jam. Fim do Lollapalooza BR 2013. Pelo que mostrou duas horas em cima do palco a banda está total perdoada pela babaquice de não autorizar a transmissão ao vivo da sua gig (e última forma: o PJ finalmente autorizou a exibição da gig: ela será mostrada neste sábado, 6 de abril, pelo canal Multishow, às nove e meia da noite).

Porran, o que falar? Que Zap’n’roll deve MESMO estar se tornando um tiozão mega sentimental pois vaaaaárias vezes os olhos encheram de água durante o set. Que foi intenso, repleto de canções mais rocks, rápidas e potentes, mas sem abandonar os momentos de lirismo que só Eddie Vedder e sua turma sabem fazer.

Sério, estas linhas online se DEVIAM esse show: em 2005 perdemos mais da metade, em 2011 não vimos. E no último domingo (este post está sendo concluído na madrugada de segunda pra terça-feira), no meio de uma multidão de 60 mil pessoas (impossível chegar perto do palco, o blog ficou na lateral direita dele, mas ouvindo tudo no talo e acompanhando muito pelo telão, que exibiu tudo em p&b nostálgico até o bis, e também de olho no palco, um pouco distante de onde estámos), vibramos com “D-Evolution”, com “Daughter”, “Go” (já no final), “Even Flow”, “Jeremy” e todos aqueles hinos que fazem parte de nossa vida rocker nos últimos vinte anos. Sim, as lágrimas desceram pelo rosto em “Black”. E também e principalmente em “Alive”, que NÃO fechou o show – o PJ encerra agora suas gigs com uma lindaça cover pra “Baba O’Riley”, mega clássico do The Who. Aliás quantas bandas ousam encerrar seu show com um cover magnífico de um clássico insuperável da história do rock?

 

Pois o PJ ousa. Porque sabe que tem cacife pra isso. A banda no palco estava uma porrada (McCready e Gossard precisos nos riffs e nos solos; Ament e Cameron fodões segurando tudo na “cozinha”, perfeito!).

E Eddie Vedder… parecia uma criança feliz. E desejou feliz Páscoa em português, se lembrou do amigo Johnny Ramone (“toda vez que a zenti vem pra cá, eu me lembro do meu amigo Johnny Ramone”, disse em português carregado mas corretíssimo) e parabenizou São Paulo “por respeitar o casamento de pessoas do mesmo sexo”.

 

Foi isso. No horizonte, uma linda lua iluminava a noite outonal paulistana. Não sabemos quem virá ao Lolla BR do ano que vem, nem mesmo se estaremos vivos até lá (a inquietude da possibilidade de uma morte próxima perpassou os pensamentos do blogger emotivo várias vezes, durante o show). Só sabemos que, depois de hoje e do Cure semana que vem, talvez possamos “fechar nossa conta” nessa emocionante vida acompanhando grandes shows de rock. Se logo menos Zap’n’roll não estiver mais por aqui saberá que, sim, quase tudo valeu a pena. E que, tal qual o personagem de Camus em “O Estrangeiro”, fomos sim felizes.

Eddie Vedder voa no set do Pearl Jam, no último domingo em Sampa: show inesquecível desde já!

 

* O blog agradece de coração, nesse momento complicado pelo qual está passando, em termos de saúde, o carinho e compreensão com os quais foi credenciado, recebido e tratado pelas queridas Elisa Marques e Fabiane Abel (além de toda a equipe comandada por elas), da imprensa da Geo (produtora do festival). Esperamos nos ver novamente em 2014. Valeu, garotas!

 

* E sem notas de bastidores desta vez. Ou apenas uma, a se lamentar profundamente: Zap’n’roll se encontrou com poucos e queridos conhecidos na ala de imprensa do festival (estavam por lá os prezadíssimos Luiz Cesar Pimentel, do portal R7, o casal vj doçura da MTV, Chuck e Gaía, a mais que amada assessora Míriam Martinez, o carioca boa praça Pedro Só etc, etc, etc.). Mas é óbvio que entre tanta gente simpática, querida, bacana e principalmente HUMILDE estava um autêntico tranqueira do jornalismo musical.

 

Era o Sr. PC, editor-assistente da poderosa revista Rolling Stone, publicação na qual o blog colaborou com mega orgulho por vários anos. Inimigo declarado do autor deste blog, uma pessoa miserável de alma e comportamento histérico em público, o dito cujo deu um show de cretinice quando o blog passou perto dele.

Na verdade Zap’n’roll, distraída como só ela sabe ser (e ainda mais dopada por doses de Codeína, que andam amenizando a ardência na garganta e palato zapper), estava procurando uma mesa disponível, onde ela pudesse instalar seu notebook para começar a escrever, isso no intervalo entre as gigs do The Hives (que, o blog assume, foi fodona) e do Planet Hemp. Encontrada a tal mesa e quando se preparava pra sentar nela, o blog começou a ouvir alguém gritar de forma absurda e absolutamente histérica: “Finatti, essa mesa é da ROLLING STONE e estamos trabalhando aqui e eu NÃO quero você aqui, portanto SAIA daqui!”.

 

Era PC em pessoa, sempre baixo (no trato com as pessoas), sempre tampinha (fisicamente) e sempre ultra rotundo, despejando suas frustrações pessoais, raivas e histeria em cima de um “inimigo” seu – no caso, o autor destas linhas virtuais.

 

Não deu outra: o blog foi imediatamente comunicar o insulto e grosseria a uma das garotas que estavam fazendo atendimento à imprensa. E perguntou a ela: “as mesas colocadas à disposição da imprensa têm “donos” (veículos) específicos? “De forma alguma”, respondeu ela solicitamente, completando: “você pode se sentar onde melhor lhe convir”.

 

Foi o suficiente pro sujeito aqui (que apesar de estar com um tumor na garganta não leva desaforo pra casa, muito menos de um verme qualquer) voltar a tal mesa e disparar pro histérico de plantão que lá estava: “você alugou a mesa? Não? Então VÁ TOMAR NO SEU CU! E cale a sua boca, respeite meu estado de saúde antes que eu perca a paciência”. E lá se sentou (por pouco tempo, felizmente).

 

É um episódio bastante desabonador (principalmente em um momento em que o autor do blog zapper, notório no passado por ser um brigão quase incorrigível, está em momento “ternura” com todo mundo em sua vida), patrocinado por uma figura que trabalha em uma das mais importantes mídias do país. O que cabe a pergunta: até quando o editor-chefe da publicação, o querido super monge japa zen Pablo Miyazawa (um dos mais diletos amigos pessoais que o blog tem na grande imprensa) vai permitir que um sujeito desse nível, que DENIGRE a imagem da revista com esse tipo de atitude (e aí não importa se ele é um ótimo jornalista: seus atributos profissionais caem por terra diante de atitudes escabrosas como a que ele teve na sala de imprensa do Lollapalooza), continue trabalhando na redação da Rolling Stone? Por muito menos o autor deste espaço online foi desligado da publicação, em episódio onde o blog assume que errou e quando o editor-chefe era o também querido Ricardo Cruz (hoje, comandando a redação da edição brasileira da GQ).

 

A indagação está aí (aqui), de público. Ficamos aguardando a resposta.

 

PICS DO LOLLA 2013

(fotos: Luciano Victor, Roberto Auad e imprensa do Lollapalooza BR 2013)

O final apoteótico do Pearl Jam no Lollapalooza BR 2013: triunfo do ótimo rock’n’roll diante de 60 mil pessoas

Planet Hempo em ação no palco: ainda pela legalização da maconha (e o blog apoia!) e pedindo pela saída do estrume Marcos Feliciano. Showzaço!

 

O punk pop dos suecos do Hives mostrou que ainda está em forma total: uma das melhores gigs de todo o festival

 

Público curte o dia na área do Lolla…

 

…para à noite delirar no showzão do Pearl Jam

 

Homens do rock’n’roll: o vj super boa praça e velho amigo destas linhas online, Chuck (também vocalista e guitarrista dos Vespas Mandarinas), ao lado de Zap’n’roll, na sala de imprensa do festival

 

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Sexo, ternura, violência e QOTSA na madruga.
Yep. Este post começou a ser pensado realmente na noite de anteontem, quarta-feira, quando Zap’n’roll fazia sua refeição noturna na padoca vinte e quatro horas ao lado de sua house, e junto com a amada Maru Mardou Fox – que tem tornado a vida zapper mais feliz nas últimas semanas. A janta foi ótima e estava deliciosa (estrogonofe de camarão, arroz e batata palha), apesar da ardência e dor mastigatória pelas quais o autor destas linhas online tem passado nas últimas semanas, toda vez que mastiga algo ou ingere líquidos, tudo cortesia do maldito Carcinoma Espino celular que avança inclemente na garganta e palato do jornalista ainda rocker e que JAMAIS vai se deixar entregar ou se lamentar por estar com um problema de saúde deste naipe (fora que, de resto, em algumas semanas o tratamento médico para combater o dragãozinho será iniciado e temos fé que seremos bem sucedidos nessa empreitada). Se comentamos aqui sobre o problema é porque isso sempre foi uma característica muito particular destas linhas virtuais (e todo o nosso dileto leitorado que nos acompanha há anos sabe muito bem disso): expor em carne viva e aos olhos de todos que nos lêem o que se passa na vida pessoal do autor do blog, e isso sem intuito algum de angariar alguma espécie de piedade daqueles que estão lendo estas linhas bloggers – como insinuou uma infeliz e imbecil figurinha escrota, ilustre desconhecida e complexada estudante de filosofia em Manaus, que era uma falsa “amiga” do autor deste blog lá no faceboquete, e que dia desses foi no mural dele vomitar a asneira de que “clamamos por dó o tempo todo aqui”, ahahahaha. Declaração mais sem noção do que essa, impossível. Afinal, solidariedade é algo muito bom e todas as manifestações solidárias que temos recebido desde que o tumor foi confirmado, são muito bem-vindas. Mas sentimentos de dó, piedade e compaixão, estes são dispensáveis porque além de ofender a dignidade alheia na maioria das vezes soam incômodos, forçados e algo mentirosos. Mas… voltando ao início deste texto (rsrs): quando retornaram da padoca o blogger e a linda negra Maru começaram a se “paquerar” e partiram para o que de mais natural pode acontecer entre casais em um momento desses: o interlúdio carnal, wow. E ele veio intenso, terno, carinhoso, selvagem, tudo misturado ao mesmo tempo e com um elemento inusitado: a trilha sonora que o embalou. Yeah, aí sim surgiu o lado bizarro da parada: enquanto o casal se deleitava carnalmente, na MTV rolava incrivelmente um especial com ninguém menos do que… Queens Of The Stone Age. Sim, a fodaça e gigante banda do gênio Josh Homme (aliás, um dos pouquíssimos gênios do rock dos anos 2000’ pra cá) e que se apresenta neste sábado, 30 de março, na segunda noite do festival Lollapalooza Brasil 2013. Foi um instante intenso, repleto de tesão e experiência sensorial única: afinal não é todo dia que você pode dar uma trepada sensacional com uma garota idem ouvindo… QOTSA. E foi isso que aconteceu agora e que deu novo ânimo, gás e inspiração para o jornalista ainda rocker/loker escrever esta abertura e este post, onde vamos falar muito do Lolla BR deste ano. Sim, a vida está aí e nos ensina lições diárias. A de hoje é que, mesmo com um tumor consumindo sua garganta, você ainda está vivo, pode continuar vivo e fazendo o que quer, o que ama e curte. Se o último suspiro vier de fato e estiver próximo, ali na próxima esquina, iremos felizes, sem mágoas e remorsos e sabedores que vivenciamos intensamente tudo o que foi possível em nossa vida. Vivenciamos inclusive grandes garotas como a Maru e grandes festivais, como o Lollapalooza 2013, que começa hoje. Entonces, bora pra ele (pro festival) e pra ler este post também.

 

* Um post que começa engajadíssimo na campanha “Fora Marco Feliciano!”. E fora ONTEM! Sério, não dá pra manter na presidência da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara Federal um pastor escroque e reacionário e conservador da pior espécie, e que cansou de proferir publicamente declarações homofóbicas e racistas. Mas como no Brasil tudo é possível e a piada é sempre sem graça… enfim, vamos ver quanto tempo essa figura lamentável se mantém no posto de presidente da Comissão dos Direitos Humanos.

Feliciano, seu GRANDE MERDA: vai tomar no cu e pede pra sair! 

 

* Aliás, durante muitos anos o autor destas linhas imaginou que o Brasil e seu povo fossem uma das nações mais liberais do mundo, em termos de avanços sociais e comportamentais. Ledo engano. Percebe-se claramente, de anos pra cá, que infelizmente a população brasileira está se tornando cada vez mais reacionária, conservadora e moralista. Um ótimo exemplo disso: pesquisa realizada recentemente pelo Data Folha (o instituto de pesquisas do jornal FolhaSP), apontou que 54% da população brasileira é CONTRA a união civil de pessoas do mesmo sexo. Mais do que preocupante o resultado da pesquisa demonstra o quão lamentavelmente estamos RETROCENDO em nosso pensamento. Se continuarmos assim, daqui a pouco o país irá estar defendendo a pena de morte e outras barbaridades por aqui.

 

* Enquanto o pensamento do brasileiro médio retrocede em termos comportamentais, o do americano também médio (e que sempre foi ultra conservador) avança. Lá a campanha midiática a favor do casamento gay é intensa. E a semanal Time (uma das maiores revistas de informação do mundo) estampou esta capa aí embaixo, na sua edição desta semana. Não seria o caso de alguma publicação por aqui (Isto É, Carta Capital, Época, Rolling Stone) fazer o mesmo e se engajar nesse tema socialmente tão caro e importante?

A capa da revista americana Time desta semana: alguma publicação brasileira teria coragem semelhante? 

 

* Bien, bora pra música e pro rock. O mega festival Lollapalooza domina Sampalândia a partir de hoje e é claaaaaro que o blog vai falar bastante sobre o evento mais aí embaixo. Mas aqui em cima (opa!), nas nossas notas incicais, é preciso destacar que estão armando uma possível participação do gênio Josh Homme (o cérebro por trás do Queens Of The Stone Age) na gig do Pearl Jam, que vai encerrar o Lolla na noite do próximo domingo. Mano, se isso realmente acontecer, VAI SER O BICHO!

 

* E essa nota é pro nosso leitorado, hã, acima dos trinta – já que a pirralhada que lê estas linhas virtuais absolutamente não deve saber do que se trata nem de quem iremos falar agora. Pois entonces: fazendo varredura de pesquisa na web para compor este post, eis que o blog descobre que o House Of Love está vivo e não só: o grupo também acaba de lançar um novo disco na Inglaterra. Ok mas… que cazzo é House Of Love? Um dos quartetos mais brilhantes da cena shoegazer britânica do final dos 80’/início dos 90’, o HOL causou comoção com o seu álbum de estréia, homônimo, editado em 1988. O disco saiu pelo lendário selo Creation (que deu ao mundo lendas como Oasis e Primal Scream) e com suas camadas e camadas de guitarras em noise pleno, seus vocais dolentes e bucólicos dando suporta a letras e melodias ultra tristonhas, enlouqueceu a rock press na época e ganhou todas as eleições de “melhor disco do ano” de 1988. Mas aí o grupo seguiu uma carreira um tanto errática, lançou álbuns que nunca mais repercutiram como na sua estréia e depois de alguns anos a banda quase que caiu em um completo ostracismo, mesmo nunca tendo encerrado oficialmente suas atividades. O último trabalho de estúdio do conjunto havia sido “Days Run Away”, editado em 2005. E agora, oito anos depois, sai este “She Paints Words In Red”, que está dando sopa na web e que estas linhas bloggers sempre curiosas já capturaram em seu note. O blog espera sinceramente que seja, no mínimo, um bom disco. E assim que fizer uma audição acurada do mesmo, irá transmitir suas impressões por aqui, pode esperar.

Ulalá! Um dos nomes mais importantes do shoegazer britânico dos 90′, o quarteto House Of Love, está de volta com disco novo 

 

* Bão, Stones de headliner no Glastonbury 2013 (a pensão pros filhos do bocudo Mick Jagger está garantida por mais alguns anos, hihi), Sir Paul McCartney em nova turnê brazuca, Alicia Keys no Rock In Rio… são os fatos que alegraram o mondo pop de ontem pra hoje. Vamos então ver como vai ser a alegria no Jockey Club de Sampa neste finde, quando ele irá abrigar a partir de hoje a segunda edição do gigante Lollapalooza Brasil.

 

 

LOLLA BR 2013 – MUITOS SHOWS, MAS POUCOS QUE VALEM REAMENTE A PENA ASSISTIR
Ninguém duvida ou discute a importância de termos, aqui, uma versão brasileira de um festival de música gigantesco como o Lollapalooza. Nascido pelas mãos de Perry Farrell (vocalista e líder do hoje mítico Jane’s Addiction) há duas décadas nos Estados Unidos, como espaço para agrupar bandas que eram cultuadas pelo público mas não tinham visibilidade na grande mídia, o Lolla ganhou tal dimensão que hoje se transformou em uma marca ultra bem-sucedida e inclusive exportada para outros países, como o Chile e o Brasil, onde ele aconteceu pela primeira vez no ano passado, tendo como headliners ninguém menos do que o Foo Fighters e o Arctic Monkeys.

 

Bien, e a edição deste ano? Ampliado em mais um dia (agora são três), o festival volta novamente ao Jockey Club de São Paulo, onde foi aberto na manhã de hoje, sexta-feira. Ao todo serão sessenta atrações espalhadas por toda a programação e aí é que entra em cena o grande “problema” de “montar” a programação de um festival desse porte. Definitivamente incluído no roteiro mundial de grandes turnês e festivais internacionais de rock – e isso já há anos – o Brasil hoje sofre justamente pela falta de opções e novidades genuínas quando produtores vão atrás de contratar elencos para eventos semelhantes ao Lolla. Além disso é público e notório que o setor de entretenimento está entrando em crise no país por conta do número exagerado de atrações que atualmente aportam por aqui ao longo do ano, além do preço sempre exorbitante que produtoras insistem em cobrar pelos ingressos desses shows e/ou festivais. Somados os dois fatores, o resultado é evidente: o público anda sumindo de grandes gigs internacionais. Basta lembrar que Madonna e Lady Gaga encalharam ingressos em suas turnês brasileira do ano passado. E a própria edição 2013 do Lollapalooza não conseguiu esgotar totalmente seus tickets para os três dias.

 

De qualquer forma há bastante espaço na grade de programação deste ano para a cena alternativa nacional (justo ela, que anda tão pobre de novos e ótimos talentos). Na ala internacional há zilhões de grupos que já se apresentaram no Brasil por diversas vezes (Kaiser Chiefs, que está em franca decadência, além Cake, Passion Pit, Flaming Lips etc, etc, etc.) sendo que o headliner de hoje, o insuportável The Killers, já tocou no país em outras duas ocasiões. Amanhã, sábado, será mesmo o melhor dia do festival: vão subir nos palcos montados no Jockey nomes como Alabama Shakes (a grande revelação do soul e do R&B americano dos últimos anos, e cuja vocalista, a negona Brittany Howard, é um show à parte), Franz Ferdinand (já velhos conhecidos dos brasileiros, mas sempre garantia de um bom show), Tomahawk (uma das muitas facetas do loucaço Mike Patton, vocalista do Faith No More), o IMPERDÍVEL Queens Of The Stone Age (nem é preciso comentar aqui a importância da banda do gênio Josh Homme para a história recente do rock) e a grande revelação que é o Black Keys – que apesar de já existir há mais de uma década, só estourou mesmo com os seus dois últimos discos, entre eles o fodástico “El Camino”, lançado no final de 2011.

 

E domingo é dia de Pearl Jam, óbvio. Pode esquecer todo o resto (a não ser que você seja um mega curioso por novidades musicais) e chegar no Lolla no final do dia: gigante do rock’n’roll que importa nas últimas duas décadas, um dos últimos sobreviventes da grande geração grunge de Seattle, o PJ vem pela terceira vez ao Brasil (as outras duas foram em 2005 e 2011) e mais uma vez deverá fazer uma multidão de fãs chorar quando entoar, no palco, hinos como “Alive”, “Black” ou “Jeremy”. Fora isso e movimentando a economia da cidade de maneira bastante acentuada, o Lollapalooza continua sendo mais do que bem-vindo no Brasil. E já com sua edição 2014 confirmada pela produção da Geo (a empresa que organiza o festival), o desejo que fica, não só do blog mas também de milhões de fãs que suam a camisa pra ir a shows de rock, é: line up mais instigante no ano que vem. E preços mais camaradas para os ingressos. Só isso.

 

 

LOLLAPALOOZA BR 2013 – QUEM TOCA HOJE

Palco Cidade Jardim
Perrosky
Agridoce
The Temper Trap
The Flaming Lips
The Killers

 

PALCO BUTANTÃ
Holger
Of Monsters And Men
Cake
Deadmaus

 

PALCO ALTERNATIVO
Tokyo Savannah
Copacabana Club
Crystal Castles
Passion Pit

 

PALCO PERRY
Bruno Barudi
Boos In Drama
Dirtyloud
Porter Robinson
Dj Marky
Knife Party

 

PALCO KIDPALOOZA
Dakota
Oficina de bateria com Igor Cavalera
Dazantiga
Revoltz

 

LOLLA 2013 – AMANHÃ, SÁBADO
PALCO CIDADE JARDIM
Stop Play Moon
Toro Y Moi
Two Door Cinema Club
Queens Of The Stone Age
The Black Keys

 

PALCO BUTANTÃ
Graforréia Xilarmônica
Tomahawk
Franz Ferdinand
A Perfect Circle

 

PALCO ALTERNATIVO
Ludov
Gary Clarck Jr.
Alabama Shakes

 

PALCO PERRY
Classic
William Naraine
Lennox
Zeds Dead
Nas
Madeon
Steve Aoki

 

LOLLAPALOOZA 2013 –  DOMINGO
PALCO CIDADE JARDIM
Baia
Lirinha+Eddie
Puscifer
The Hives
Pearl Jam

 

PALCO BUTANTÃ
Vivendo do Ócio
Foals
Kaiser Chiefs
Planet Hemp

 

PALCO ALTERNATIVO
Wannabe Jalva
República
Vanguart
Hot Chip

 

PALCO PERRY
Wehbba
Database
Mix Hell
Felguk
Rusko
Major Lazer
Kaskade

 

* Tudo sobre o festival? Vai lá: http://www.lollapaloozabr.com/ .

 

 

MICRO DIÁRIO SENTIMENTAL – PJ, FF E QOTSA VISTOS PELO BLOG
Como falamos aí em cima, no tópico principal sobre o Lollapalooza BR 2013, o Brasil se inseriu de tal forma no circuito internacional de shows de anos pra cá, que hoje uma das maiores dificuldades das produtoras que organizam gigs solo ou mega festivais é justamente conseguir trazer pra cá alguém que ainda NÃO tenha tocado no país. E o Lolla não é exceção nesse quadro: boa parte das bandas que estarão se apresentando a partir de hoje no Jockey Club, em Sampalândia, já esteve por aqui em outras ocasiões.
É o caso, por exemplo, de três das melhores atrações do Lolla 2013: o gigante grunge americano Pearl Jam, o indie escocês Franz Ferdinand e o stoner metal porrada e fodaço do Queens Of The Stone Age. Zap’n’roll já assistiu as três bandas ao vivo, em diferentes ocasiões. E recorda aí embaixo, em textos rápidos, como foram as gigs destes grupos que deverão ser responsáveis por alguns dos melhores momentos do rock que vai rolar neste finde na capital paulista.

 

* PEARL JAM/SÃO PAULO/ESTÁDIO DO PACAEMBÚ, 3/12/2005 – depois de anos de espera por parte dos fãs o gigante grunge de Seattle anunciou que finalmente viria ao Brasil. Cinco shows, sendo dois deles em Sampa, no velho estádio do Pacaembú. As duas noites lotaram. O blogger naquela época ultra loker vivia mergulhado em devastações nasais e em oceanos de álcool. E também fodia compulsivamente com sua grande paixão de então, a linda, gostosa, junky e putaça Tânia A., que adorava levar cacete grosso na boceta em chamas quando estava chapada de cocaine. O casal viva às turras e na semana do show do PJ, haviam combinados de irem juntos à gig. Deu tudo errado: o blog não conseguiu um convite extra pra sua amada cadela ruiva, ela ficou putíssima com isso e mais um pau rolou, via telefone, justamente quando o sujeito aqui precisava se mandar pro Pacaembú. Não deu outra: o zapper sempre atrasado chegou já quase na metade da apresentação do quinteto liderado por Eddie Vedder – sendo que o blog também perdeu o incrível show de abertura, feito pelo Mudhoney. Ainda assim os cerca de quarenta minutos de gig vistos pelo jornalista melancólico e solitário (em meio a uma multidão de quarenta mil pessoas) foram inesquecíveis. E tudo acabou com “Alive”, quando Zap’n’roll não se conteve e derramou algumas lágrimas de seus olhos. Agora, em 2013 e neste domingo, não daremos margem para atrasos: estas linhas online estarão já às sete da noite no Jockey Club, por total precaução. E esperam se emocionar (talvez pela última vez) com o show completo de um grupo que, vinte anos depois de seu aparecimento, continua genial, fodaço e íntegro como sempre foi, desde o início.

Comoção no estádio do Pacaembú em São Paulo, em dezembro de 2005: o Pearl Jam encerra o show com “Alive” (acima) e leva Zap’n’roll às lágrimas

 

* FRAZ FERDINAND/SÃO PAULO/ESTÁDIO DO MORUMBI, 21/2/2006 – na verdade o show principal era do gigante U2, que estava finalmente retornando ao país após sua primeira aparição por aqui, em 1998. E o quarteto liderado pelo eterno boa praça Bono resolveu trazer a tiracolo, pra fazer a abertura das gigs, um novato quarteto escocês que estava causando furor na Grã-Bretanha. Um tal de… Franz Ferdinand. O blog, que então era repórter/colaborador de música do caderno de variedades do finado (e naquela época, poderosíssimo) diário Gazeta Mercantil, foi ao Morumba municiado de uma credencial especial e gigante, que lhe dava direito a circular em quase todo o estádio, inclusive na cobiçada área mega vip montada pelo supermercado Pão-De-Açucar (o patrocinador da turnê) e onde se servia whisky irlandês aos baldes, além de cerveja (idem) e champagne Chandon (ibidem). Quando os quatro escoceses adentraram o palco, o jornalista pé-de-cana (e que, àquela altura, já estava bem “mamadão”) se mandou da área mega vip pro meio da multidão que se espremia na outra área vip – esta, na frente do palco. O zapper sempre antenado com as últimas tendências e novidades do mondo pop/rock, já era razoavelmente fã do Franz Ferdinand. E se tornou admirador ferrenho do grupo depois dessa apresentação, já que a turma deu o sangue no palco mesmo tocando para um estádio onde cerca de setenta mil pessoas permaneciam no mais completo silêncio, pois ninguém ali conhecia Alex Kapranos e cia. Podem ter certeza: o FF vai fazer uma gig explosiva amanhã no final da tarde, no Lolla BR.

O U2 voltou ao Brasil em fevereiro de 2006 e trouxe, como “abertura luxuosa” de seus shows o então ainda desconhecido quarteto escocês Franz Ferdinand. E o blog, claaaaaro, esteve na gig, municiado com essa poderosa credencial (aí em cima) que permitiu ao jornalista loker e pé-de-cana se afogar em um oceano de whisky irlandês e champagne Chandon, uia!

 

* QUEENS OF THE STONE AGE/FESTIVAL SWU/ARENA MAEDA, ITÚ/SP, 10/10/2010 – mais uma gig inesquecível da vida de quase três décadas de shows acompanhados pelo zapper maloker, uia! Era a segunda noite do festival ecológico SWU (que, estas linhas virtuais torcem, volte a acontecer pois eles conseguiram realizar duas edições fantásticas). Fazia um frio do cão na arena Maeda, em Itú (interior de São Paulo). Tão frio que a macapaense Rudja, então a grande paixão do autor deste blog e que o acompanhava na cobertura do festival, reclamava a todo instante: “não agüento mais esse frio! Tá saindo fumacinha da minha boca!” (e tava mesmo; agora imaginem um frio desses sentido por uma garota acostumada em uma cidade, Macapá, onde a temperatura média o ano todo gira em torno dos trinta e dois graus…). Mas foi o QOTSA adentrar o palco (após um momento de relativa tensão e atraso no começo do set do grupo, já que havia ocorrido uma pane no sistema de som) e o frio, como num passe de mágica, desapareceu: o gênio Josh Homme pôs seus demônios pra fora e o povo que estava pendurado na grade (este jornalista incluso, ao lado da Rudja e do nosso querido gordito, mr. Wladimir Cruz, o homem do Zona Punk) que separava o palco da área vip foi literalmente à loucura. O combo liderado por Josh é uma máquina de esporro sonoro ao vivo; o repertório da banda (com todas aquelas músicas urdidas brilhantemente entre a psicodelia insana e o stoner/heavy rock mais chapado possível) é um escândalo. E o show… bien, quando o grupo disparou “Little Sister” o sujeito que relembra estes fatos não se conteve e, tal qual um adolescente insano, literalmente se JOGOU na grade, distribuindo pontapés a granel em quem estava perto dele (o que deixou a Rudjinha ligeiramente irritada, hihi). Enfim, gig animal e que deverá se repetir neste sábado, no Jockey paulistano. Quem estiver por lá, verá!

O fodaço Queens Of The Stone Age mata a pau em seu show no festival SWU 2010 (acima, o vídeo que registra o momento em que a banda ataca a esporrenta “Little Sister”), em Itú. A gig foi tão animal que o zapper enloquecido não resistiu e se jogou na grade que separava o palco da área vip, pra irritação da gata rocker macapaense Rudja (abaixo, ao lado de Zap’n’roll e em pic registrada pelo queridão Wladimir Cruz), que também estava no festival e sofrendo com o frio de 11 graus que fazia na fazenda Maeda

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E nem pensem que acabou! Este post está em enooooorme construção em pleno feriadão da Semana Santa, uia! Então colaê mais tarde que até o final da noite desta sextona lokona (e que promete, uhú!), entra muuuuuito mais por aqui. E, claaaaaro, não esquecemos da promo feita pelo blog em torno do Lollapalooza. Você mandou seu e-mail? Então olha aí embaixo e confere se o seu nome está entre os três felizardos que vão NA FAIXA no Lollapallooza 2013, a partir de hoje:

 

* Marianne Abel Okawa, de Presidente Prudente/SP;

 

* Alicia Marcondes Fontenelle, de Santos/SP;

 

* E Gilson Fernando Argentino (!!!), do Rio De Janeiro/RJ.

 

Os três sortudos já foram devidamente contatados pelo blog via e-mail, com todas as instruções para retirar seus tickets e irem curtir felizes a maratona rocker que rola a partir de hoje lá no Jockey Club. Bons shows, galere!

 

 

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E FIM DE PAPO POR ENQUANTO
O finde foi cansativo e o tumorzinho zapper anda infernizando a garganta do jornalista tiozão. Portanto a crítica do novo álbum do Depeche Mode e mais um monte de paradas fica pro próximo post, que sai ainda até o final desta semana quando iremos falar de outra lenda do rock mundial e que toca em Sampalândia neste finde. Quem? O Cure, claaaaaro.
Até logo menos então!

 

(ampliado e finalizado por Finatti em 2/4/2013 às 5hs.)

Yep, o novo disco dos Strokes cai na web e mostra que a banda ainda sabe fazer bom rock’n’roll; sem apelar para “mudernidades” ocas e imbecis, o também gigante bripop Suede volta com álbum inédito e bacana, após onze anos sem gravar. Mais: quando o encontro de dois sujeitos cinqüentões do rock’n’roll (o vocalista e guitarrista Roberto Frejat e o autor deste blog) produz uma reflexão sobre a vida, a morte, a cultura pop e sobre a grande fugacidade que é a existência humana, no final das contas… (postaço completo e mega ampliado, com histórias cabulosas da primeira aparição dos Strokes no Brasil, e a ÚLTIMA CHANCE para concorrer a tickets FREE pro festival Lollapalooza BR 2013) (versão final em 22/03/2013)

Mais uma vez o rock planetário reafirma uma tendência atual: bandas já veteranas como os Strokes (acima) ou o Depeche Mode (abaixo) é que continuam a lançar grandes discos; ou, no mínimo, trabalhos aceitáveis, visto que as bandinhas podres atuais não conseguem mais fazer álbuns que prestem 

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UP TO DATE, PRA MANTER O POSTÃO EM DIA
* Yep. Concluindo os trabalhos por aqui já na sexta-feira, o blog informa que está confirmada a DJ set zapper no próximo dia 6 de abril, sábado (por acaso, a noite do show do The Cure em Sampa), na festona “Onde os sóbrios não têm vez”, lá no Clube Outs (que fica na rua Augusta, 486, centrão de Sampalândia). Antes porém, na próxima sexta-feira, 29 de março (sexta Santa, no?), Zap’n’roll faz DJ set na noite rocker do bombadíssimo clube Blitz Haus, também na rua Augusta.

 

* Falando em um mundo onde quem é sóbrio NÃO tem mesmo vez, o blog sentiu isso na pele na semana passada no Cine Jóia, quando foi conferir a gig do vocalista e guitarrista Paul Banks – que foi legal e tal. Lá pelas tantas, no intervalo entre duas músicas, o antes notório jornalista pé-de-cana foi até o caixa da casa, para comprar uma inocente latinha de energético. Efetuada a compra, pagamento feito, o atendente encara o autor desta esbórnia virtual por alguns segundos, esperando ouvir mais algum pedido. Como isso não acontece, pergunta: “só isso mesmo, o energético?” (tipo: “caralho, não vai comprar uma dose de whisky ou vodka, pra tomar com essa porra?”). O sujeito aqui se sentiu como se fosse mesmo um Et. em um mundo onde apenas os ébrios têm vez, uia!

 

* Essa sensação só piorou no último sábado, quando o blog foi conferir mais uma gig do super Barão Vermelho, em Sampa, dentro da turnê comemorativa dos trinta anos da banda. Show encerrado lá fomos nós pro camarim, pra papear rapidamente com os velhos amigos e queridões Frejat e Guto Goffi. Backstage lotado, Guto tomando um copão de whisky, os frigo bares lotados de latas de breja estupidamente geladas… o autor destas linhas online não agüentou ficar muito tempo ali sem poder beber nada alcoólico (uma autêntica tortura, isso) e se mandou pro baixo Augusta com a sua querida Maru. E durante o trajeto ficou pensando em sua existência de meio século de rock’n’roll, na de Frejat (que também está com a mesma idade, 5.0), na questão de sermos autênticos SOBREVIVENTES de uma vida bem loka, e que já levou muitos pelo caminho (comos os saudosos Cazuza e Renato Russo, que não viveram o suficiente pra contar sua própria história). E a conclusão foi a mesma que temos tido nas últimas semanas: o fim é inevitável, e o beijo frio e sereno da irá chegar, só não se sabe quando. Se tivermos tempo de contarmos a NOSSA história dessa aventura insana de cinco décadas de existência total rock’n’roll (em um livro que poderá sair ainda este ano), já nos daremos por felizes.

Dupla rock’n’roll da pesada e de mega responsa se reencontra no último sábado, em Sampa: o guitarrista e vocalista Roberto Frejat e Zap’n’roll no camarim do HSBC Brasil, após showzaço do Barão Vermelho. Ambos com cinco décadas de rock nas costas, ambos sobreviventes de uma vida insana e ambos com zilhões de histórias para contar (foto: Maru Mardou Fox)

 

* E Hudson, o da dupla caipira, mostrando que é um sertanejo rock’n’roll, sim senhor: preso duas vezes em menos de vinte e quatro horas portando espingardas, armas sem registro, munição de uso exclusivo do Exército e… maconha. Ulalá!

 

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“Meu joelho dói/E não há nada a fazer agora”.
Esses dois versos fazem parte da enorme letra de “A montanha mágica”, uma das melhores músicas já compostas por Renato Russo e pela sempre saudosa Legião Urbana. Ela está incluída no álbum “V”, lançado pelo grupo em 1991. Nem é um dos discos preferidos de Zap’n’roll na discografia da Legião – que considera os três primeiros trabalhos do conjunto como essenciais na história do rock brasileiro dos anos 80’. Mas “A montanha mágica” sempre falou alto ao cérebro e ao espírito do autor deste espaço blogger rocker, sempre ANGUSTIOU o sujeito aqui a cada nova audição dela. A música escrita por Russo detalhava, através de metáforas imagéticas ou de versos diretos, os terríveis efeitos colaterais que a ingestão de heroína provocava no organismo do líder da Legião Urbana, que chegou a se viciar na droga durante alguns meses durante as gravações e excursão do álbum “As Quatro Estações” (lançado no final de 1989). E se hoje o blog começa seu já tradicional longo texto inicial citando dois versos da letra de “A montanha mágica”, não é sem motivo. Os últimos dois dias foram totalmente chuvosos, plúmbeos e aprazivelmente frios em Sampa, bem ao gosto do jornalista que escreve este blog há uma década e que é um incurável, eterno e célebre fã de temperaturas baixíssimas e invernos rigorosos. Além disso, também há dias a garganta e o palato (parte mole do céu da boca, por onde engolimos os alimentos mastigados) zapper estão lenta e progressivamente piorando, contaminados e atacados que estão pelo Carcinoma Espinocelular que ali surgiu. Já há duas semanas essas dores e ardências no lado direito superior da boca (e que se tornam algo insuportáveis no processo de mastigação de alimentos e ingestão de líquidos) têm sido controladas com doses de Codeína, tomadas de seis em seis horas. No entanto, mesmo tomando o medicamento, estas linhas online pela primeira vez deixaram um prato quase inteiro de saborosa comida (saladas variadas, costelinhas de porco, bistecas etc.) de lado no último sábado, no restaurante onde o blog habitualmente faz suas refeições, porque a dor que insistia em se imiscuir durante a refeição tirou deste escriba qualquer prazer e vontade de continuar comendo. E assim está sendo, de lá pra cá: o autor deste espaço virtual está comendo cada vez menos (o que por um lado será até bom, pois irá implicar na redução de alguns quilos em nosso corpo) e hoje, de repente, se viu pensando na música de Renato Russo, mas com uma leve alteração na letra: “minha boca dói/E não há nada a fazer agora…”. E ainda assim, mesmo com todos esses pensamentos trespassando céleres a mente do autor deste blog, estamos aqui neste texto inicial do post pra reafirmar o que sempre temos dito desde que anunciamos que estávamos acometidos de um tumor canceroso: estas linhas online JAMAIS vão se arrepender de qualquer coisa que tenhamos feito em nosso meio século de existência nesse mundo. Não há porque se arrepender (só os que possuem a alma pequena e são covardes é que se arrependem de algo durante sua permanência no mundo dos vivos) e provavelmente teríamos feito tudo novamente, evitando cometer alguns excessos e erros pelo caminho. Afinal, como o blog já cansou de reiterar: a vida é muito curta. E a juventude, mais curta ainda. Então que ambas (a vida e a juventude) sejam aproveitadas em toda a sua intensidade e loucura. A mesma intensidade que continua a mover a existência destas linhas apaixonadas por rock alternativo e por cultura pop. A mesma intensidade que continua a mover bandas como Strokes e Suede (que acabaram de lançar discos bacanas) e que provoca uma grande reflexão existencial no jornalista zapper quando ele se vê diante de outro cinqüentão rocker de responsa e atitude, o vocalista e guitarrista Roberto Frejat (do grande Barão Vermelho). Após assistir a mais um showzaço do quinteto carioca em Sampa, no último finde, e de bater um papo rápido com seu dileto amigo pessoal (já há um bom par de anos) Frejat no camarim, o blogger ainda loker mas cada vez mais reflexivo e consciente de que talvez o beijo sereno da morte esteja cada vez mais perto de si, chegou a uma conclusão de que talvez valha para todos nós: sim, precisamos viver intensamente, avidamente e, ao mesmo tempo, deixar nossa marca registrada neste mundo. Pois por mais que religiões diversas propaguem suas crenças infinitas em uma existência post-mortem igualmente infinita, ainda não fomos capazes de decifrar apenas este gigantesco e insondável mistério, que aliás é o que angustia e amedronta de fato Zap’n’roll (que não tem e nunca teve medo da morte em si): se há ou haverá algo pela frente, depois que nossos olhos se fecharem em definitivo e dermos nosso último suspiro. É isso. Bem-vindos a mais um postão zapper!

 

* E a semana (passada) terminou/começou (a nova) quente, néan. Temos novo Papa. E temos também uma renca de discaços novos dando sopa na web, como há tempos não rolava. Todos de bandaças que todos nós amamos. O novo do Suede (“Bloodsports”) já circula na rede há algum tempo. “Delta Machine”, da lenda eletrônica Depeche Mode, caiu na internet há alguns dias. E por fim, ontem, pipocou feliz na web o esperadíssimo “Comedown Machine”, dos Strokes, e que chega com pinta de resgatar (ao menos em parte) os primeiros e gloriosos tempos do conjunto liderado pelo vocalista playboy fashion Julian Casablancas. O novo álbum do quinteto nova iorquino está resenhado neste post, logo mais aí embaixo, no nosso tópico principal desta semana. Já os CDs do Suede e Depeche também irão sendo devidamente “dichavados” (opa!) por aqui, neste e nos próximos posts.

 

* Ainda sobre o já veterano trio eletrônico inglês Depeche Mode: “Delta Machine”, o novo trabalho do grupo, chega às lojas de discos lá fora nesta sexta-feira, em seu velhusco formato cd – sendo que na internet ele está voando leve e solto. O álbum, que também vai ganhar edição nacional em breve, já está sendo considerado como o melhor disco lançado em anos pela banda. Esta, por sua vez, anunciou em entrevista coletiva concedida ontem que o trio virá sim para a América do Sul, no início de 2014 – não custa lembrar: era pra eles terem tocado aqui em setembro de 2009, sendo que as datas já estavam agendadas e ingressos tinham começado a ser vendidos. Na última hora as gigs brasileiras foram canceladas por (segundo a versão oficial dada na época) “problemas na agenda” do conjunto. Problemas estes que, espera-se, não impeçam novamente de o DM vir tocar por aqui.

 

* O grupo tocou uma única vez no Brasil, em 1994, na turnê mundial do ótimo álbum “Songs Of Faith & Devotion”, que havia sido lançado no ano anterior. A gig em Sampa aconteceu no extinto Olympia e o blog, claro, estava lá. Foi um show mediano na verdade: o baterista Alan Wilder havia acabado de deixar o grupo e eles não renderam tudo o que podiam no palco. Mas a história mais BIZARRA dessa passagem do DM por terras brazucas rolou, óbvio, em um imbróglio envolvendo como de hábito o ilustre autor destas linhas rockers malokers, hihi. No mesmo dia da apresentação em Sampalândia a assessoria do evento agendou algumas entrevistas individuais com os integrantes do conjunto. Uma dessas entrevistas seria para a então poderosa edição impressa da revista Dynamite (que circulava nacionalmente, tinha excelente tiragem para uma publicação alternativa etc, etc, etc.) e o repórter que iria cuidar da matéria era o sujeito aqui. Iria mas não foi porque, segundo se recorda nossa mui querida Pat Get (na época, a responsável por uma das colunas mais lidas da Dynamite, a “Pat Get World”), rolou a seguinte treta naquela tarde: “O que o leitor da Dynamite não vai ler na cobertura do show é que o nosso repórter Humberto Finatti me liga todo esbaforido e pede socorro: ‘Pat! Tenho que entrevistar o cara do Depeche Mode mas estou atrasado, ainda nem tomei banho e passei shampoo no meu cabelón, aaaiii! Me salva!’. Moral da história: lá fui eu [Pat] me enfiar num bumba às vinte pras quatro da tarde, sendo que a entrevista estava marcada para as quatro. Resultado: dançamos, óbvio, sendo que o Sr. Finatti ainda chegou depois no lobby do hotel e deu show de negão com a assessora de imprensa, pois esta havia lhe informado que atrasos não seriam tolerados”. Bons tempos enfim, hehehe.

 

* Hot também foi a notícia divulgada ontem, terça-feira, de que a gig do Cure em Sampa, marcada para o próximo dia 6 de abril, mudou de endereço. O show sai do estádio do Morumbi e cai lá no estacionamento do sambódromo do Anhembi (na zona norte paulistana), que era um dos locais inicialmente previstos para a realização do evento. É muito óbvio o que rolou: a produtora XYZ Live (responsável pela volta de Bob Smith e cia ao país) queria mesmo era fazer dois concertos do Cure em Sampa, no famigerado Espaço das Américas. Como a banda só dispunha de duas datas brasileiras dentro de sua turnê latino americana, o local previsto seria o Anhembi. Que no entanto – e agora se sabe – estava com sua área reservada para eventos ligados à Fórmula Indy, na data marcada para o show, 6 de abril. A XYZ então, em desespero de causa, jogou a apresentação para o Morumba, mesmo sabendo que o Cure, a essa altura do campeonato, JAMAIS iria lotar um estádio daquele tamanho (e ainda mais com os “precinhos” mui camaradas sendo cobrados pelos tickets…). Aí o que rolou? A prefeitura liberou o sambódromo (por algum problema de readequação das datas da Fórmula Indy) e a XYZ espertamente não esperou nem um segundo pra transferir a gig pra lá. Bien, quem já assistiu a concertos ali (como este blog, que perdeu a conta dos shows gringos que viu por lá) sabe que o local é um horror, um autêntico cemitério de concreto que é transformado em “arena rock” para abrigar shows. Sim, sim, é mais fácil chegar lá (com estações de metrô a menos de um quilômetro de distância) do que no Morumbi e nesse aspecto a mudança de local vai facilitar a vida de todo mundo que quer ver o Cure. Mas a grande pergunta nesse momento é: e quem adquiriu tickets para cadeiras no estádio do Morumbi? No estacionamento do Anhembi haverá com certeza apenas DUAS configurações (pista normal e a maldita pista Premium) e fim de papo. Ou você acha que a XYZ, trambiqueira e gananciosa como só ela sabe ser, vai montar arquibancadas com cadeiras lá no sambódromo? Vamos aguardar e ver como vai ficar essa parada aê.

 Bob Smith em ação: o show do Cure agora vai rolar no sambódromo do Anhembi, em Sampa,. na mesma data inicial: 6 de abril

 

* Pop/rock stars fora da lei! Yeah! Apenas esta semana (ou melhor, no último finde) dois nomes beeeeem conhecidos do mondo pop/rock foram presos pelas autoridades policiais norte-americanas. Na madrugada de sábado Beth Ditto, a gordona doidona vocalista do Gossip, encheu a cara de álcool e lá pras tantas começou a brigar dentro de um bar em que ela estava, em Portland. A polícia foi chamada e miss Ditto foi em cana, de onde saiu após pagar fiança. Já o velhão Peter Murphy, ainda o vocalista do old goth Bauhaus, também foi preso no sábado, após bater seu carro – sendo que ele estava chapado de álcool e metanfetamina quando foi detido pelos guardas da cidade de Glendale, na Califórnia. Também pagou uma fiança polpuda e vai responder processo em liberdade em função do ocorrido. Ah, la dolce vitta desse povo loker rocker, uia.

Os rockstars fora da lei: a gordoidona Beth Ditto (acima), vocalista do Gossip, e Peter Murphy (abaixo), ainda cantando no velho goth Bauhaus, foram parar no xilindró nos EUA esta semana, por aprontarem demais por lá, uia!

 

 

* ZAP’N’ROLL DEZ ANOS! – A FESTA E AS DJ SET – entonces, a vida anda dura, tumores querem dar uma rasteira no autor destas heróicas, bravas e já decanas linhas bloggers poppers, mas a gente segue em frente. E em abril próximo o blog de cultura pop e rock alternativo mais legal da web brasileira, chega a uma década de publicação ininterrupta. Não é mole durar tanto, resistir durante tantos anos em um mundo absolutamente volátil e fugaz como é o da internet e da própria blogosfera. Nesses dez anos estas linhas zappers viram zilhões de blogs focados no mesmo assunto surgirem e desaparecerem da noite para o dia. Foram poucos os que mantiveram um fiel e dileto leitorado como o nosso (e talvez, também, como a Popload do querido Lúcio Ribeiro). Assim uma data tão significativa não poderia passar sem uma bela comemoração, certo? Então esta comemoração já começa na semana que vem, no dia 29 de março (primeiro dia, inclusive, do gigante festival Lollapalooza, que vai rolar em São Paulo), sexta-feira, quando Zap’n’roll promete fazer DJ set arrasadora no novo e bombadíssimo club Blitz Haus (capitaneado pelo nosso sempre fofo e querido “sobrinho” Click). Na semana seguinte, dia 6 (não por acaso, também a data da apresentação do Cure em Sampa), sabadão em si, o blog deverá assumir as pick-up’s do clube Outs, na despirocada noite “Onde os sóbrios não têm vez” (sendo que esta DJ set ainda está para ser confirmada). E finalmente no dia 20 de abril, sábado, haverá a grande festa de dez anos destas linhas online, com showzaços da Luneta Mágica, Algarve, Coyotes California e Doutor Jupter no Dyanamite Pub, além das DJ sets do sujeito aqui e do super André Pomba. Melhor que isso impossível, não? Afinal são dez anos descobrindo novas bandas, apoiando a cena independente nacional e cobrindo como ninguém assuntos de cultura pop. Então chegue junto, vá se informando por aqui e participe de umas esbórnias rockers que irão rolar. Pois a festa é nossa e sua também!

 

* Novo nome que promete na indie scene nacional: Moxine. O trio é liderado pela cantora e compositora Mônica Agena, e ela canta e compõe bem (o blog está ouvindo neste momento algumas de suas músicas no site dela, que pode ser acessado em http://www.moxine.com.br/,), sendo que eles lançaram há pouco o álbum “Hot December” e farão show do mesmo nesta quinta-feira no Sesc de Santos, a partir das nove da noite. O blog vai até lá conferir o som da moçoila, ao lado do seu sempre dileto pupilo Tiago Bolzan, e promete falar mais do Moxine por aqui mesmo, nos próximos posts. Mas adianta que ela tem algo da deusa inglesa PJ Harvey no timbre de sua voz e também nas ambiências melódicas das canções. Por enquanto, você pode conferir este vídeo deles aí embaixo, para a música “Baby, baby”.

O trio Moxine (acima) e o vídeo para a canção “Baby baby” (abaixo): nova promessa da cena indie nacional

 

 

* Agora sim! A Justiça de São Paulo determinou, através de sentença, que o Credicard Hall, uma das maiores (e piores, pela péssima acústica, localização e atendimento ao público) casas de shows paulistanas, está OBRIGADO a receber clientes em suas instalações mesmo que eles levem consigo alimentos e bebidas. Era uma vergonha o que acontecia por lá: além de pagar caro (e muito) pelos ingressos para assistir seus artistas preferidos, o cliente era impedido de entrar no local se levasse consigo algum tipo de alimento ou bebida – e o motivo dessa proibição é óbvio: também arrancar o máximo de grana possível do público, cobrando preços absolutamente extorsivos pelos produtos comercializados lá dentro. A empresa Time For Fun, proprietária do Credicard Hall, já avisou que vai recorrer. Vamos ficar na torcida para que a decisão Judicial seja mantida pois a exploração aqui, em terras brazucas, é cruel em cima do pessoal que vai a shows.

 

* Bien, mas a grande notícia da semana mesmo é o novo álbum dos nossos ainda heróis indies dos Strokes. Yep, o novo disco já caiu na web. E eles mostraram que ainda podem dar a volta por cima. Vai lendo aí embaixo.

 

 

O MONDO ROCKER RESPIRA ALIVIADO! OS STROKES AINDA SABEM FAZER BOAS MÚSICAS
Depois do fiasco materializado pela banda em seu último álbum de estúdio (o pavoroso “Angles”, lançado em 2011), os zilhões de fãs mundo afora do quinteto americano Strokes ficaram mesmo em pânico. Se o conjunto levou cinco anos para gravar e lançar o pior disco de sua carreira o que viria então agora, com os nova iorquinos anunciando novo trabalho já para o começo de 2013? A redenção, felizmente: “Comedown Machine”, o quinto disco dos Strokes e com lançamento oficial e mundial (Brasil incluso) previsto para a semana que vem, ainda está longe de se igualar ao primeiro e já clássico álbum do grupo, o fodástico “Is This It?” (de 2001). Mas o cd – que vazou ontem por todos os poros da web – mostra claramente que a banda se redimiu de seu pesadelo musical de dois anos atrás. Aqui, neste novo trabalho de estúdio, talvez estejam as melhores músicas compostas pelo quinteto desde o seu segundo disco, “Room On Fire”, editado em 2003.

É o velho Strokes querendo soar em 2013 como era há onze anos. Para conseguir isso, havia apenas um caminho a seguir: extirpar qualquer referência ao que rola atualmente no rock planetário, evitar diluições melódicas ou soluções musicais “mudernosas” e se concentrar naquilo que eles sabem fazer de melhor: prestar vassalagem ao proto punk novaiorquino dos anos 70’ e à blank generation de então, evocando melodias, harmonias, vocais e arranjos que remetem à Television, Lou Reed, The Modern Lovers etc. Foi exatamente isso que o grupo fez. E o resultado sonoro saiu satisfatório.

Ok, há quem (muita gente, na verdade) vá gritar contra o primeiro single de trabalho que o grupo divulgou, a faixa “One Way Trigger”, um pastiche (involuntário?) que o grupo teria cometido em cima do tecno brega, um dos ritmos musicais atualmente dominantes no Norte brasileiro – notadamente em capitais como Belém do Pará. Mas se ouvida agora, com o devido distanciamento crítico e sem o impacto inicial das primeiras e novidadeiras audições, qualquer ouvido mediano irá perceber que “One Way…” possui boa trama de guitarras, melodia swingada, bons vocais em falsete e uma indisfarçável reverência a canções do pop inglês oitentista, como “Take On Me”, do Ahá.

O novo álbum dos Strokes: ainda longe da estréia (em termos de qualidade) mas com músicas boas o suficiente pra manter a banda na ativa por mais alguns anos

 

Mas se é pra tomar mesmo como base o restante do cd, o dileto leitor/ouvinte zapper irá constatar que é um enorme prazer re-ouvir os Strokes quase como a banda era em… 2001. Assim é que a poderosíssima “All The Time” (talvez o grande momento do álbum e que ganhou belíssimo vídeo com recortes de imagens do cotidiano do grupo e também de apresentações dele pelo mundo, inclusive no festival brasileiro Planeta Terra, no ano retrasado) dispara conduzida por guitarras agressivas e melodia sinuosa, que poderia muito bem fazer par com “Modern Age” ou “Barely Legal”. E não só: “Welcome To Japan” exibe uma levada funky musculosa mas sem ser chata. A faixa-título do disco talvez seja o punk rock que o conjunto não conseguia gravar desde mil novecentos e bolinha e “50 50”, com sua percussão eletrônica, ruídos de guitarra e melodia reflexiva e sombria também pode ser inscrita entre as melhores músicas já compostas pelos Strokes. Fora que “Happy Ending” e “Call It Fate Call It Karma” fecham condignamente um trabalho de menos de quarenta minutos de duração e que se apóia essencialmente em guitarras aceleradas e bem tocadas (por conta de Albert Hammond Jr. e Nick Valensi), melodias quase redondas e ótimas pra dançar e um vocal total em forma, cortesia de mr. Julian Casablancas.

Yep, nunca mais vai ser como no primeiro e inesquecível álbum de estúdio. Mas este “Comedown Machine” recoloca os Strokes (uma banda que já soava cansada de si mesma e que parecia estar na linha de tiro do rock mundial) como um dos ainda grandes grupos em atividade no planeta. Em um tempo em que o rock’n’roll está irremediavelmente acometido por covardia, ignorância e burrice musical plena (e percebemos isso em 90% dos novos conjuntos e dos discos lançados atualmente), um quinteto já veterano como os Strokes lançar um disco bacana já é um feito e tanto. Ainda bem!

 

Este é o último álbum do contrato dos Strokes com sua gravadora, a RCA. Daqui para a frente não se sabe o que será do grupo. Talvez ele vá se tornar um nome gigante da indie scene mundial, por que não? E segundo os próprios integrantes, por enquanto não há planos de uma turnê para divulgar o disco.

 

 

O SET LIST DE “COMEDOWN MACHINE”
1.”Tap Out”
2.”All the Time”
3.”One Way Trigger”
4.”Welcome to Japan”
5.”80’s Comedown Machine”
6.”50/50″
7.”Slow Animals”
8.”Partners in Crime”
9.”Chances”
10.”Happy Ending”
11.”Call It Fate, Call It Karma”

 

 

STROKES AÍ EMBAIXO
No video do single “All The Time”, um dos melhores momentos do novo disco do quinteto americano.

 

 

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STROKES NO BRASIL EM 2005: ÁLCOOL, DORGAS (MUITAS) E CRACK (INCLUSIVE)
Eram anos, dias, tempos insanos ainda na vida do blogger então ultra loker. O blog/coluna Zap’n’roll já existia, o jornalista gonzo que a escrevia (como escreve, até hoje) vivia na esbórnia e na putaria sem fim, editando textos pro portal Dynamite, cobrindo shows e chapando a cabeça com quantidades oceânicas de álcool e drugs, muitas drugs. Inclusive o maldito crack, que ele havia experimentando anos antes e agora lutava para se livrar (o que iria felizmente conseguir algum tempo depois).

 

Veio então o Tim Festival de 2005. E após duras negociações e muita boataria, anunciou-se que finalmente os Strokes tocariam no Brasil, para ser os headliners do festival – em Sampa, ele rolou no dia 23 de outubro, um domingo, no estacionamento do sambódromo do Anhembi (zona norte da cidade). Os ingressos se esgotaram rapidinho e o show foi incandescente – o vocalista Julian Casablancas magrinho (nada a ver com o shape bujão redondo que ele ostenta atualmente), a banda com apenas os dois primeiros discos lançados mas tocando canções inéditas que estariam no terceiro álbum de estúdio (o “First Impressions Of Earth”, que sairia no ano seguinte), o público ensandecido… foi inesquecível. O autor destas linhas sempre memorialistas e malucas, com uma credencial pendurada no pescoço, ainda conseguiu “contrabandear” a linda, tesuda, totosa, tetutda e velha e queridaça amiga Lily Salles (ou Punkynha, pros amigos) pra área vip, bem na cara do palco. Ela, fã doente de Julian, por pouco não subiu no palco pra falar no ouvindo do vocalista: “Hey baby, fuck me your bastard!”.

 

A gig foi sensacional. Acabou mais de três da manhã – em uma noite em que o Kings Of Leon, tocando pela primeira vez no Brasil, fez um set horrendo e pavoroso, dado o estado calamitoso de chapação de cocaine em que os moleques do grupo se encontravam. O mesmo estado, aliás, em que o autor deste blog ficaria também, dali a pouco, mas por outro motivo: ele se encontrou com a linda Pricila (o sobrenome será omitido, por questões óbvias), a magérrima musicista clássica (ela tocava/toca violino, em uma orquestra), fã de rock, very loki e por quem o blogger nutria uma paixão, hã, platônica. Junto dela estava um amigo do Paraná, que tinha vindo a Sampa pra conferir o Tim Fest. Trio reunido, o que fazer? Foram de táxi pras “biqueiras” da Água Espraiada (já beeeeem na zona sul paulistana), atrás de pó. E incrivelmente o “produto” estava em falta por lá, pelo menos em três “bocas” visitadas pela trinca. Só havia maconha e… crack, a droga infernal.

 

Não deu outra: já eram dez da manhã de uma segunda-feira cinzenta e junky quando o trio deu suas últimas tragadas em cachimbos improvisados, na house do jornalista maluco ao cubo. Haviam sido muitas as “pedras” consumidas. Era preciso tomar algo alcoólico urgente, pra “cortar” a nóia das pipadas. E lá se foi o trio, em busca de um buteco aberto, que vendesse breja e destilados, àquela hora da manhã.

 

Uma vida insana e rock’n’roll, de fato. Pricila continua linda, encaretou e está namorando sério. Do seu amigo paranaense o blog não teve mais notícias. E o zapper que relembra esta história está aqui, ainda vivo (e hoje aposentado em álcool e dorgas, por força do destino e da saúde ameaçada por um Carcinoma), para contá-la. É isso: vida breve, vida louca e intensa, sempre!

 

 

O SET LIST DO QUE OS STROKES TOCARAM EM SAMPA, EM 2005
The End Has No End
12:51
New York City Cops
Juicebox
Someday
Soma
Automatic Stop
Hawaii
Barely Legal
Trying Your Luck
Last Nite
What Ever Happened?
Razorblade
Alone, Together
Heart in a Cage
Is This It
I Can’t Win
Take It or Leave It

 

Bis:
Hard to Explain
The Modern Age
Reptilia

 

 

E O SHOW DELES NO TIM FEST 2005 AÍ EMBAIXO
Em vídeo completo, mas da apresentação no Rio De Janeiro, em 21 de outubro daquele ano, na Praça da Apoteose.

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA
* Disco I: “Comedown Machine”, o novo dos Strokes. Deu novo fôlego a um grupo que parecia condenado à sair de cena.

 

* Disco II: O Suede ainda reina no britpop. Não se contentou em fazer um show bacanudo na última edição do festival Planeta Terra, em Sampa, em 2012. Mesmo ficando mais de uma década sem gravar, agora reaparece com este “Bloodsports” que ganhou, com justiça, altas cotações na rock press gringa (quatro estrelas, entre cinco possíveis, na Mojo e no AllMusic): o cd se equilibra muito bem entre baladas melancólicas e rocks de inspiração glam, com guitarras poderosas e melodias dançantes. E o vocal de Brett Anderson continua total em forma. O resultado aparece em faixas fodonas como “It Starts And Ends With You” (o primeiro single de trabalho do álbum) ou ainda a espetacular “Hit Me” (talvez a música preferida do blog entre as canções do novo trabalho). Se todas as bandas ficassem uma década sem gravar e voltassem com um discaço, como o Suede voltou, o rock atual estaria bem menos insuportável, com certeza.

O quinteto Suede (acima, ao vivo na última edição do festival Planeta Terra, em Sampa, no final de 2012) ficou mais de uma década sem gravar disco inédito, mas voltou muito bem em “Bloodsports” (abaixo)

 

* Baladíssimas: post sendo encerrado já na sextona e todo mundo doido pra curtir o finde, néan? Então bora ver o que sucede: hoje, sexta-feira em si, tem a noite rock lá na Blitz Haus (rua Augusta, 657, Consolação, centrão de Sampa), que está bombadíssima e onde o blog faz DJ set na próxima semana, também na sexta (santa, uia!). Também hoje, mas no sempre rock’n’roll ao cubo Astronete (no 335 da Augusta), tem DJ set mega especial de Mickey Leigh, ninguém menos do que irmão da lenda Joey Ramone, que um dia cantou nuns certos Ramones. Pois é…///Ainda quer mais? Bora fazer esbórnia no sabadão também, e aí a pedida é ir no Poison Rock (que fica lá na rua Mourato Coelho, 651, Vila Madalena, zona oeste de Sampa), quando o super DJ Demoh irá comemorar mais um niver tocando muito anos 80’, britpop e clássic rock. Então prepara o modelón e se joga, porra!

 

 

LOLLAPALOOZA BR NA FAIXA! ÚLTIMA CHAMADA!!!
Claaaaaro! O Lolla BR 2013 já rola na semana que vem e ninguém quer ficar de fora da parada, no? Então VOA literalmente no hfinatti@gmail.com, que vai ser sua última chance de ganhar:

 

* UM INGRESSO para cada noite do festival. Os vencedores da promo serão avisados por e-mail até a tarde da próxima quinta-feira, dia 28 de março, sendo que na mensagem estarão todas as infos sobre como retirar os tickets. Vai lá e boa sorte!

 

 

THIS IS THE END
Sim, é o fim esta semana. O post demorou a ser concluído mas ficou bacanudo. Hoje, sexta, o blog fica sussa em casa cuidando da linda Maru Mardou Fox (que torceu o pezinho direito ontem, na eterna correria do metrô de Sampa). E amanhã, sabadón em si, espera estar bem (pois nesse exato instante, às seis da manhã de sexta-feira e quando o post finalmente está concluído, a garganta zapper está… sangrando) ir cantar parabéns pro DJ Demoh, nosso brother de ano. É isso. Semana que vem, entre quinta e sexta-feira, estaremos por aqui novamente. Até lá!

 

(este post vai pra mama Janet Finatti, que se viva estivesse, hoje estaria completando oitenta e um anos de vida. Saudades, dear. Pelo jeito, logo menos vamos nos reencontrar por aí…)

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 22/3/2013, às 6hs.)  

Provavelmente chapado de álcool, entupido de bolas e de cocaine o anarfa Chorão, vocalista do medonho Charlie Brown Jr., pede pra sair e protagoniza uma morte total rock’n’roll no mais do que medíocre roquinho BR. Mais: “Next Day”, o novo discão de David Bowie, mostra que ele continua gênio aos sessenta e seis anos de idade; a volta do Low Dream, uma lenda do indie guitar brazuca; e mais um monte de paradas aê – como aqueles TICKETS FREE (!!!) pro Lollapalooza BR e também pra gig do Paul Banks! (atualização gigante e final em 12/3/2013)

O mundo da cultura pop e a ignorância do populacho é assim mesmo: uma lenda do indie guitar nacional da melhor estirpe, o brasiliense Low Dream (acima), banda cult dos anos 90’, retorna agora para alegria de seu pequeno mas fiel séquito de seguidores; enquanto isso a massa da manobra cada vez mais burra chora copiosamente a morte do vocalista Chorão (abaixo), ex-líder de uma das maiores deformações e aberrações já surgidas no rock BR, o horrendo Charlie Brown Jr.

 

“Meu escritório é na praia/Eu não sou da sua laia”.
Esse verso de rima ultra pobre e consistência intelectual/comportamental medíocre, faz parte da letra de um dos maiores sucessos da carreira do grupo santista Charlie Brown Jr. Aliás total medíocre foi a trajetória do CBJr. e de seu líder, o vocalista e letrista Chorão, cujo nome real era Alexandre Magno Abrão, nascido em Sampa e radicado anos depois na cidade do litoral paulista). E mesmo assim, sendo um conjunto porco, medíocre musical e textualmente, o CBJr. fez sucesso e vendeu quase cinco milhões de discos em quase vinte anos de existência, o que dá bem a medida de como o populacho inculto brasileiro ama consumir arte de baixíssima qualidade. Mas como todo carnaval tem seu fim o conjunto deverá pendurar definitivamente as chuteiras já que Chorão foi pro saco na última terça-feira: o cantor foi encontrado morto de madrugada na cobertura que tinha no bairro paulistano de Pinheiros, e onde se instalava quando estava na capital paulista. Ele tinha quarenta e dois anos de idade, o apartamento estava em estado deplorável e pelo que a polícia encontrou lá, não é nada difícil concluir que o vocalista foi pro vinagre após fazer uma esbórnia onde se entupiu de álcool, bolas variadas e cocaine, claaaaaro. Zap’n’roll, óbvio, não deseja a morte de ninguém, nem de seu pior inimigo (seja lá quem for ele) mas não vai santificar um bronco e ignorante do calibre de Chorão apenas porque a figura morreu – algo de resto muito típico na cultura ocidental: morreu (mesmo que seja Hitler), virou Deus e não tinha defeitos, apenas qualidades. Não é por aí e é esse um dos tópicos que o blogão aborda nesse post, findando já quase uma semana em que o mundo também foi sacudido pela morte do presidente venezuelano Hugo Chávez, em que se confirmou que o novo trabalho do camaleão David Bowie é de fato um discão e, por fim, em que se teve a notícia mais bacana do indie rock brazuca nos últimos meses: a volta do sensacional Low Dream, uma das melhores formações indie guitar da história do rock brasileiro. Tudo está bem esmiuçado aí embaixo, em um post que começa a ser construído agora, nesta tarde de quinta-feira horrivelmente quente em Sampalândia. Uma construção que promete ir loooonge, beeeeem longe…

 

* Entonces. Hugo Chávez morreu na terça-feira, Chorão também e… pouca gente comentou mas quem também foi pro céu é (ou era) o guitarrista gênio Alvin Lee. Ele tinha sessenta e oito anos de idade e morreu depois de sofrer complicações decorrentes de um procedimento cirúrgico de rotina. O jovem e dileto leitor zapper nem deve se dar conta de quem foi o sujeito. Mas Alvin foi o fundador (em 1996) e líder do grupo inglês Ten Years After, um GIGANTE do rock’n’roll cok nuances bluesísticas e jazzísticas do final da década de sessenta/início dos anos 70’. Considerado um dos melhores guitarristas de sua geração, Alvin influenciou um monte de gente e deixou pelo menos meia dúzia de obras-primas registradas para a posteridade da música. Isso sim foi uma perda fenomenal para o rock planetário esta semana.

 

* Já sobre o “caudilho” da Venezuela, o blog não vai se estender muito, néan? Chávez era o que todos nós sabemos: um ditador disfarçado de democrata, populista até o talo e que tirou sim milhões de venezuelanos da pobreza graças à grana conseguida com a venda de petróleo. Mas por trás de um regime aparentemente, hã, democrático, havia um presidente que queria se perpetuar no poder até a sua morte (e foi assim mesmo, no final das contas), que combatia a oposição a ferro e fogo, que manipulava os meios de comunicação do país (fechando emissoras de rádio e tv que eram contrárias a ele) e que mandava no Congresso e no Supremo Tribunal Federal do país. Assim ficava fácil posar de democrata e pai dos pobres, não? De qualquer forma: rip Hugo Chávez.

O amado Chávez se foi: mais um caudilho populista que desaparece no msierável continente latino-americano

 

* Encerrada a sessão “obituário” do blog (rsrs), vamos à cultura pop e ao rock. Estréia finalmente em 3 de maio o longa “Somos tão jovens”, a cinebiografia enfim feita sobre o início da trajetória musical do saudoso e inesquecível Renato Russo. O filme foca a vida do vocalista da Legião Urbana da adolescência até o momento em que ele se torna mega rock star e a Legião se transforma na maior banda da história do rock brasileiro – uma história aliás que o autor deste blog acompanhou muuuuuito de perto, durante os anos em que conviveu com Russo, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, assistindo desde o primeiro show do trio em São Paulo (no mítico Napalm, lá por 1983 e quando não haviam mais do que cinqüenta pessoas no local), até ver o conjunto tocando em estádios para cinquenta mil pessoas. Essa etapa final (e gigante) da história da Legião, ao que tudo indica, não foi privilegiada nas filmagens mas, ainda assim, é interessante pra quem não sabe como tudo começou entender os primórdios do grupo. O blog torce pra que seja um filmão (igual é a cinebio do também inesquecível Cazuza) e o cartaz do longa e o trailer dele você confere aí embaixo.

 

 

* Show do Paul Banks chegando. E como você já deve estar sabendo, o set do (ex?) guitarrista e vocalista do Interpol iria ser no Cine Metrópole, no centrão de Sampa. O local mudou e agora a gig rola na próxima quinta-feira, 14 de março, lá no também bacanudo Cine Jóia (cujo um dos sócios, por acaso, é o nosso sempre querido dear Luscious Ribeiro). E sim, você tá mega a fim de ir conferir o trabalho solo do Paul, mas tá na pindaíba total, certo? Ok, ok: vai aí embaixo no final do post que, como sempre, o blogão campeão em promos bacanas vai resolver o seu problema, hehe.

Paul Banks, o homem que comanda(va?) os vocais e guitarras no Interpol: show semana que vem em Sampalândia, no Cine Jóia, e com promo de ingressos free adivinha onde?

 

* Cantinho dos manos Gallagher, uia! Enquanto o guitarrista Jay Mehler deixou o grande Kassabian pra se juntar ao não tão grande Beady Eye (o combo rocker comandado pelo sempe trêfego Liam Gallagher), Noel disparou uma das melhores frases desta semana no mondo pop/rock: “meu gato é mais rock’n’roll que o Justin Bieber”. Wow! Alguém duvida?

 

* E ultra rock’n’roll vai ser a festa de uma década de existência deste espaço blogger rocker, como não? A esbórnia vai rolar no dia 20 de abril, sábado, pela primeira vez no Dynamite Pub (o charmoso bar da ONG Dynamite, claaaaaro), com showzaços confirmados das bandas Algarve, Coyotes California, A Luneta Mágica (de Manaus, em participação muito especial) e Doutor Jupter. Fora que as pick-up’s irão .pegar fogo sob o comando do super DJ André Pomba e do autor destas linhas virtuais. Então comece a se preparar desde já porque a balada vai ser histórica. Nos próximos posts iremos dar mais detalhes do festão, pode esperar.

Duas bandaças da indie scene nacional que importa: A Luneta Mágica (de Manaus, acima) e Doutor Jupter (abaixo), estarão na festa de dez anos do blogão zapper, que acontece dia 20 de abril em Sampa, no Dynamite Pub

 

* Ah, lá dolce vita das celebridades, modelos, cachorras, cadelas e putanas que todos nós amamos, hihihi. A vacuda da vez é a Carol Narizinho, claaaaaro. Aquela mesma, que faz os machos sem cérebro delirar diante da tv, quando ela desfila no programa “Pânico”, da Band. Pois a moçoila está tendo seus quinze minutos de glória também na mídia impressa já que é capa da revista Playboy deste mês, como você pode conferir aí embaixo. Uma vez putana…

Carol Narizinho, esse xoxotaço inigualável e com um rabaço pra aguentar rôla grossa, degusta um inocente pedaço de melancia (acima), uia! Não é à toa que a cadeluda foi parar na capa da Playboy deste mês (abaixo)

 

* Aliás, hoje é o Dia Internacional da Mulher! Então o blog não poderia deixar de homenagear aquelas sem as quais nós, machos empedernidos, não seríamos absolutamente nada, hehe. E nossa homenagem vai através da lembrança do que o venerável Marcelo Nova diz, antes de começar a cantar a música “Silvia” (aquela cujo refrão era/é “Ô Silvia!/Piraaaaanha!”, hihihi), no inesquecível álbum “Viva!”, lançado pelo Camisa De Vênus, em 1986. Olha só: “Hoje é o Dia Internacional da Mulher (o show, realizado e gravado em Santos, foi mesmo em 8 de março). Então nós queremos dizer que AMAMOS as mulheres. E vou mais longe: acho mesmo que as mulheres devem tomar o poder no mundo, porque elas têm mais tato e mais sensibilidade.
Bom, agora que nós já enchemos o ego de vcs, PODEM ARRIAR AS CALÇOLINHAS e vamos botar pra foder!!!”. Ahahahaha, o Camisa era mesmo fodástico nessa época.

 

* Tão fodástico quanto continua sendo um certo David Bowie que, aos sessenta e seis anos de idade, lança um discão após ficar uma década sem gravar. Lê aí embaixo e você irá concordar com o blog.

 

 

DAVID BOWIE AOS SESSENTA E SEIS – DEIXANDO O MEDÍOCRE ROCK ATUAL NO CHINELO
Uma vez gênio, gênio eterno da história do grande rock mundial que realmente importa. E é muito fácil chegar a essa conclusão depois de várias audições, durante dias e dias, de “The Next Day”, o novo discão do cantor e compositor inglês David Bowie. Aos sessenta e seis anos de idade o “Camaleão” não se deixou abater pelo tempo nem pelos dez anos que passou ausente dos estúdios de gravação. Ele gravou uma coleção de canções primorosas no decorrer dos últimos dois anos e que finalmente chegaram às lojas no velho formato físico do cd na última sexta-feira – na web o álbum já havia vazado há dias. O trabalho inclusive terá edição nacional, via Sony Music.

 

Quando anunciou, logo no início deste ano, que iria lançar um disco com material inédito em março, Bowie causou comoção, estupor e furor no mondo pop/rock. Afinal todos julgavam que um dos maiores nomes do rock em todos os tempos estava definitivamente aposentado: ele havia lançado seu último disco, o mediano “Reality”, em 2003. Desde então DB permanecia recluso em seu apartamento em Nova York (onde mora há anos com a esposa, a modelo Iman, e a filha do casal), saindo apenas para alguns passeios pela cidade e para visitas ocasionais a museus. Convidado a participar da festa de encerramento dos últimos jogos Olímpicos (em agosto passado), o Camaleão simplesmente recusou a oferta. Portanto, já era dado como certo que Bowie não mais voltaria aos estúdios de gravação.

 

Ledo engano da humanidade. Em completo segredo David Bowie reuniu sua banda e o produtor e velho amigo Tony Visconti (responsável pela produção e engenharia de som de vários dos mais memoráveis álbuns do cantor) e começou uma série de sessões de gravação, que foram sendo realizadas ao longo dos últimos dois anos. Quando fez sessenta e seis anos de idade, no último dia 8 de janeiro, Bowie anunciou ao mundo que iria lançar um novo trabalho de estúdio. E junto ao anúncio divulgou via YouTube o primeiro single de trabalho do novo disco, a belíssima e melancólica canção “Where Are We Now?”. Foi apenas uma pequena e primorosa amostra do que estava por vir.

Capa do novo álbum de David Bowie: aos sessenta e seis anos de idade, o gênio mostra ao medíocre rock de hoje como ainda se faz um grande disco

 

E esta ausência e a espera de uma década por um novo cd de um dos maiores gênios da música planetária não foi em vão. Antes de querer soar “muderno”, “contemporâneo” ou de querer embarcar em alguma novidade pop fácil e fugaz, David Bowie fez o que sempre soube fazer de melhor: ser ele mesmo e engendrar músicas sublimes e atemporais. É assim que o disco começa com guitarras nervosas e swingadas na faixa-título, para depois enveredar para algo próximo de um jazz/rock igualmente nervoso, em “Dirty Boys” (que é pontuada por um sax elegantíssimo ao longo de sua melodia). Como se não bastasse na sequência temos “The Stars (Are Out Tonight)”, rock acelerado que lembra os melhores momentos do inesquecível álbum “Scary Monsters”, editado em 1980. A já citada “Where Are We Now?” talvez seja o momento mais bucólico, plácido e melancólico de todo o disco, uma música onde Bowie relembra os tempos em que residiu em Berlim, no final dos anos 70’. Fora ela o álbum segue mergulhado em rocks e momentos acachapantes (como “Boss Of Me” e suas guitarras setentistas, e ainda “Dancing Out In Space” e “Heat”, que fecha o trabalho com uma melodia densa e sombria, tramada com violões e teclados soturnos e acompanhando a interpretação vocal de Bowie no mesmo naipe).

 

Se analisarmos “The Next Day” pelo prisma de que ele foi pensado, criado, composto e gravado por um homem de quase sete décadas de vida, iremos sim chegar à conclusão de que estamos diante de uma pequena obra-prima, e que pode ser tranquilamente colocada ao lado dos melhores discos já lançados pelo cantor. E quando ouvimos este retorno triunfal de David Bowie ao mundo da música, nos damos conta de como o rock de hoje está pobre em todos os aspectos: pobre de idéias, pobre de conceitos musicais, paupérrimo de boas letras. Talvez seja necessário juntar umas dez bandas atuais pra que elas consigam gravar algo próximo deste “The Next Day”, um trabalho que – com o próprio Bowie já informou – não terá turnê de divulgação. Não faz mal: o álbum já cumpre exemplarmente a sua função. A de mostrar que mesmo afundando em mediocridade, o rock mundial de ontem e de hoje será eternamente lembrado por gênios como David Bowie.

 

 

O TRACK LIST DE “THE NEXT DAY”
1.”The Next Day”1
2.”Dirty Boys”
3.”The Stars (Are Out Tonight)”
4.”Love Is Lost”
5.”Where Are We Now?”
6.”Valentine’s Day”
7.”If You Can See Me”
8.”I’d Rather Be High”
9.”Boss of Me”
10.”Dancing Out in Space”
11.”How Does the Grass Grow?”
12.”(You Will) Set the World On Fire”
13.”You Feel So Lonely You Could Die”
14.”Heat”

 

 

DAVIB BOWIE AÍ EMBAIXO
Nos videos dos dois primeiros singles de trabalho do album “The Next Day”: as músicas “The Stars (Are Out Tonight)” e “Where Are We Now?”

 

 

 

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CHORÃO – UMA MORTE ULTRA ROCK’N’ROLL PÕE FIM (FELIZMENTE) À TRAJETÓRIA DE UMA BANDA ULTRA MEDÍOCRE
Este postão zapper, iniciado na última sexta-feira, está sendo concluído agora, entre a noite de segunda-feira e a madrugada de terça, 12 de março. Já faz portanto uma semana que o vocalista Chorão, o ex-líder do Charlie Brown Jr. (uma das maiores deformações artísticas surgidas no rock brasileiro dos anos 90’), foi encontrado morto em seu apartamento de cobertura, no elegante bairro de Pinheiros (reduto da classe média alta paulistana), na zona oeste da capital paulista. E mesmo assim o assunto continua rendendo – e como. Chorão, da noite pro dia, foi canonizado santo e transformado em “poeta” (segundo palavras de outro emérito imbecil da mídia eletrônica atual brazuca, o insuportável Marcos Mion) do nível de Renato Russo ou Cazuza. Homenagens pipocaram em todos os telejornais das grandes redes televisivas e até o sisudo programa “Ensaio”, da tv Cultura, desenterrou uma entrevista com o letrista e vocalista, e reprisou a dita cuja na noite do último domingo.

 

Bão, e daí? Daê que a morte desse autêntico imbecil, e que representou o que de PIOR poderia ter existido no rock brasileiro dos anos 90’ (uma década bastante infeliz pro rock nacional, diga-se), provocou a comoção esperada nas redes sociais e só comprova o que o blog diz todo dia: quando algum assunto realmente sério e relevante é abordado nos faceboquetes da vida (corrupção política, miséria social no Nordeste, a quase completa falta de estrutura de um país que pretende abrigar Copa do Mundo e Olimpíada e zilhões de etcs.), a massa BURRA e FÚTIL das redes sociais absolutamente não abre a boca.
Mas bastou morrer o vocalista do Charlie Brown Jr. e voilá: todos se manifestam de maneira eloqüente, como se tivéssemos perdido o maior gênio da história da humanidade.

 

Sem chance. Estas linhas online não desejam a morte de ninguém, nem do nosso pior inimigo (que nem imaginamos quem possa ser). Mas vamos ser honestos e sinceros com nós mesmos: esse sujeito não vai fazer a menor falta, muito menos aquele horror musical no qual ele atuava como vocalista. E estamos escrevendo isso no âmbito estritamente artístico, em se tratando de rock brasileiro. O blog não sabe como ele era como pessoa (e os relatos que temos são os piores possíveis) pois felizmente nunca convivemos com ele. Mas musicalmente Charlie Brown Jr. era de uma pobreza musical e textual de dar dó, vergonha alheia total. Só estourou e fez o sucesso que fez porque mesmo sendo um analfabeto de primeira (ou última) linha, Chorão foi esperto o suficiente pra engendrar um mix de rap com hardcore e algumas pitadas de reggae, dando suporte a letras (mal escritas, simplistas ao extremo e que não raro continham erros grosseiros de gramática em sua composição) que falavam dos problemas cotidianos da juventude burra desse país. Daí a empatia imediata que ele conseguiu junto ao público, angariando milhões de fãs.

 

Claro que todo carnaval tem seu fim (né Marcelo Camelo, esse sim um compositor e letrista de mão cheia) e o Charlie Brown começou a descer a ladeira, atropelado por outras imbecilidades musicais mais atraentes ao populacho sem cérebro (funk pancadão carioca, pagode de corno paulistano e breganejo universotário). O grupo santista não resistiu à pressão desses novos gêneros e já estava em franca decadência. Deu no que deu: separado da mulher e sem o sucesso de antes, mr. Chorão entrou em depressão e em parafuso emocional. Pelo menos (e ao que parece) teve uma morte total rock’n’roll: chapado de álcool, entupido de bolas e de cocaine.

O Charlie Brown Jr., banda do finado vocalista Chorão: retrato perfeito de uma geração burra e que desce cada vez mais a ladeira em termos culturais

 

Mas não vai deixar saudades, com certeza. E o blog não vai ficar endeusando um anarfa musical desse naipe apenas porque ele morreu, ponto. Afinal no mesmo dia do falecimento desse “gênio” do rock nacional, também morreu uma lenda do rock inglês, o guitarrista Alvin Lee (esse sim um músico fenomenal e que junto ao grupo Ten Years After, escreveu alguns dos momentos mais sublimes do rock’n’roll britânico na virada dos anos 60’ pros 70’, sendo que o chapa Dum DeLucca analisa com bastante precisão a trajetória de Alvim no mais recente post do seu blog, o Jukebox, lá no portal Dynamite). E aí fica a pergunta: essa geração de jovens brasileiros cretinos vai lamentar a morte de Alvin Lee? Aliás, ao menos sabe quem foi o sujeito?

 

Óbvio que não sabe. Porque infelizmente cada geração produz os “gênios” que merece. Alguém argumentou que Chorão fez sucesso com sua banda escrota porque ele tinha vindo das ruas e não da elite burguesa. Assim sendo ele vivenciava o que cantava e conseguiu a enooooorme empatia com o seu público graças a letras que eram uma radiografia precisa do que a molecada vivia em seu cotidiano. Ok. Só que depois de vinte anos de carreira o cantor do CBJr. já tinha uma patrimônio pessoal que o distanciava bem dessa pseudo “realidade das ruas” que ele cantava com tanto orgulho em suas músicas.

 

E assim caminhamos. Nos anos sessenta nossos ídolos eram Gil, Caetano e a Tropicália. Nos setenta tivemos o imortal Raul Seixas. Nos anos oitenta o rock BR de grande estirpe tomou o poder. Depois começou a queda: nos 90’ tivemos essa excrescência chamada Charlie Brown Jr., que agora faz a garotada chorar copiosamente a morte de seu líder. Dos anos 2000’ pra cá é o que se sabe: os mega ídolos nacionais são pagodeiros iletrados (Thiaguinho e cia.), cantores/as de axé com repertório horrendo (Ivete Sangalo) e bandas de rock “sentimentais” que são a vergonha alheia total (Strike, For Fun, Cine, Restart). Até quando o Brasil vai chafurdar nessa ignorância cultural sem fim é o que estas linhas rockers online gostariam de poder adivinhar…

 

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O LADO Z DO ROCK BR DOS 90’ – O SUBLIME SHOEGAZER LOW DREAM ANUNCIA SEU COMEBACK E CAUSA FUROR NA INDIE SCENE NACIONAL

Pois entonces: houve uma época, lá pelos idos dos early 90’, que existiu DE FATO uma cena rock alternativa sublime no Brasil. Em um tempo onde não havia internet nem a tecnologia disponível atualmente para se gravar música, em que a MTV estava dando seus primeiros passos, onde não havia publicações especializadas em música e a cobertura musical dos cadernos culturais dos grandes diários não era ostensiva como hoje, tudo era muito mais difícil. E mesmo assim, mesmo com toda essa situação bastante adversa, alguns grupos foram surgindo e se tornando lenda na cena alternativa nacional. Eram bandas que, além de serem ótimas musicalmente, tinham total inspiração na psicodelia e no shoegazer inglês do final dos anos 80’/início dos 90’. E uma dessas bandas, a brasiliense Low Dream, anunciou há poucos dias em sua página no Facebook que está voltando com a sua formação original, para uma série de shows no decorrer de 2013. Notícia mais empolgante, impossível.

 

A Low Dream surgiu em Brasília em algum momento do início dos anos 90’. Foi engendrada pelos irmãos Giulliano (vocais, guitarras, composições) e Giovanni (bateria) Fernandes, que pouco tempo depois receberam a adesão de Samuel Lobo no baixo e Luis Eduardo na segunda guitarra. A paixão comum dos quatro era mesmo pelas sublimes emenações da psicodelia, do noise e do shoegazer que então varria a Inglaterra através de nomes como Jesus & Mary Chain, Lush, Ride ou My Bloody Valentine. Vieram os ensaios, os primeiros shows e, em 1995, saiu a estréia em disco do grupo com o acachapante “Between my Dreams and the Real Things”. O trabalho provocou comoção na então rock press brazuca (e da qual o sujeito aqui já fazia parte, escrevendo textos para a poderosa revista Interview e também para a prestigiosa edição impressa da revista Dynamite), amealhou uma legião de fãs para o conjunto e deixou surpresos até mesmo músicos de mega bandas brasilienses já consagradas, como a Legião Urbana. Foi o próprio vocalista da Legião, Renato Russo, que disparou em uma entrevista ao Caderno 2, do jornal O Estado De S. Paulo: “Eu não sei como eles [do Low Dream] conseguem tirar aquele som de guitarra, aqueles timbres. A gente tenta na Legião, mas não consegue!”. Esse “som de guitarra” a que Russo se referiu na entrevista, era um dos segredos da alma do grupo: Giulliano ia fundo nas distorções e no noise tramado com uma muralha de pedais de efeitos. E no entanto, por trás de uma autêntica “parede” de ruídos e barulho, surgiam as mais doces melodias, embalando os vocais suaves, bucólicos e melancólicos do guitarrista.

 

Tudo isso se repetiu no disco seguinte do LD, “Reaching For Balloons”. A essa altura a banda já era mito na indie scene, ao lado dos também geniais brincando de deus (da Bahia) e Sonic Disruptor (de Guarulhos, na Grande São Paulo), sendo que o autor destas linhas rockers já, hã, “tiazonas” no jornalismo musical (uia!) acabou escrevendo uma matéria gigante sobre os três grupos numa das edições impressas da revista Dynamite – isso lá por volta de 1996. A reportagem, modéstia às favas, ficou tão bacana que o Low Dream agradeceu colocando o nome do jornalista rocker loker na lista de agradecimentos do encarte de seu segundo cd.

O quarteto brasiliense, em foto P&B clássica dos anos 90′: as sublimes guitarras indies/shoegazer voltam pra mostrar pro pífio rock br atual como se faz música

 

 

Era um momento sem igual para a cena rock underground brasileira. As bandas de fato eram sensacionais na questão da qualidade musical e textual, lutavam contra uma série de dificuldades e ainda assim lançavam discos memoráveis e que estavam zilhões de anos à frente da imbecilidade e ignorância sônica que reina hoje no pobre roquinho BR, seja na cena independente ou no que resta do mainstream. Mas como tudo que é ótimo sempre acaba, essa cena indie shoegazer nacional foi se evanescendo. Por motivos diversos os grupos foram encerrando atividades e com o Low Dream não foi diferente. Após fazer algumas gigs memoráveis por boa parte do país (inesquecível foi a noite em que eles tocaram no Espaço Retrô, em Sampa: a melhor indie guitar band brasileira de então se apresentando em um muquifo alternativo lendário e glorioso; não à toa mais de duzentas pessoas abarrotaram a casa, entre elas o autor deste texto, ao lado de suas queridas irmãs Adriana e Vera Ribeiro), o quarteto brasiliense silenciou suas guitarras. Nunca encerrou oficialmente suas atividades. Mas também nunca mais gravou discos ou se apresentou ao vivo.

 

E eis que agora, após mais de uma década e meia de silêncio, o Low Dream resolveu votar às atividades. Inicialmente para shows apenas, que deverão acontecer a partir do segundo semestre – no momento o grupo está reunido em Brasília e realizando os primeiros ensaios para a turnê, sendo que a banda deverá passar por São Paulo, com certeza. É, enfim, talvez a melhor notícia na seara do rock brasileiro em anos. Que o Low Dream venha e toque novamente nossos corações, almas e mentes, mostrando para toda uma geração emburrecida e entorpecida pela ignorância dos dias que correm que, sim, o indie rock brasileiro já foi GIGANTE um dia, em termos de musicalidade, melodias e letras insuperáveis.

 

* Você não conhece o som do Low Dream e se interessou após ler o que está escrito aí em cima? Vai lá então: https://www.facebook.com/lowdreamband ou https://soundcloud.com/lowdream .

 

LOW DREAM AÍ EMBAIXO
Em um vídeo algo raro da época (1996), para a belíssima canção “From the ocean inside your bewitched eyes”, uma das faixas do segundo álbum lançado pela banda.

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA
* Discos: os dois CDs lançados pelo grupo brasiliense Low Dream nos anos 90’, e que podem ser ouvidos no Soundcloud do grupo (endereço aí em cima, no tópico sobre eles).

 

* Filmes: sem grandes estréias no último finde e com boa parte dos longas que venceram o Oscar 2013 ainda em cartaz, o blog vai recomendar uma fita nacional bacaníssima: “O som ao redor” possui edição de som primorosa, roteiro bem construído e ótimas atuações de um elenco praticamente desconhecido do grande público. O filme está em cartaz em apenas UMA sala em Sampa (no Espaço Itaú de Cinema, na rua Augusta), portanto se você ainda não assistiu corra, antes que ele saia de cartaz.

 

* Baladas já pro finde: e não? Com o postão zapper sendo finalizado já na madrugada de terça-feira, podemos dar uma geral no que já vai rolar neste próximo final de semana. Então bora lá: na quinta-feira em si tem o aguardado show solo de Paul Banks (guitarrista e vocalista do Interpol), que se apresenta no Cine Jóia (lá na praça Carlos Gomes, 82, metrô Liberdade, centrão de São Paulo). Depois você pode (e deve!) esticar a balada no baixo Augusta, e lá as opções são o Astronete (no 335), a Outs (com open bar, no 486) ou a Blitz Haus (no 657).///Já na sextona em si o super DJ André Pomba sempre comanda DJ set mega rock’n’roll no já veterano Dj Club (que fica na Alameda Franca, 241, Jardins, zona sul de Sampa).///E sabadão tem novamente showzaço do Barão Vermelho em Sampa (lá no HSBC Brasil, laaaaaá no fundão da zona sul paulistana, na altura do número dezenove mil da avenida Nações Unidas). Depois, você mesmo decide onde continuar a noitada, néan? Então se joga, porra!

 

 

LOLLA BR E PAUL BANKS CHAMANDO!
Yeeeeesssss! Vai correndo no hfinatti@gmail.com que lá estão à sua espera:

 

* UM INGRESSO pra cada noite do festival Lollapalooza BR 2013, que rola no final do mês em São Paulo;

 

* E UM PAR DE CONVITES para o show solo do Paul Banks, que acontece nesta quinta-feira no Cine Jóia, também em São Paulo, sendo que o (a) vencedor (a) desta promo será avisado por e-mail até o final da tarde da própria quinta-feira. Esta promo é mais uma parceria super bacanuda entre o blogão zapper e as produtoras Playbook e NMEClub Brasil.

 

 

O FIM, ENFIM
O post começou a ser escrito na última sexta-feira e está sendo concluído finalmente agora, já alta madrugada de terça-feira. De modos que uma nova postagem gigante talvez venha mesmo somente na semana que vem – mas se algo bombástico movimentar o mondo pop/rock, é claro que iremos informar aqui, através de uma nota extra. De qualquer forma, como já temos comentado nas últimas semanas, a rotina zapper vai continuar sendo alterada nos próximos meses. Não é fácil lutar contra um monstrinho que está instalado na sua garganta e que poderá levá-lo para sete palmos embaixo da terra. Porém, se isso vier de fato a acontecer, fica a lição e as recordações que tivemos nesta madrugada, enquanto finalizávamos estas linhas virtuais e na MTV passava uma Video Collection sensacional, inteira dedicada aos Smiths (uma das cinco bandas da vida de Zap’n’roll): a de que ao olharmos para trás nos damos conta de que, sim, tudo o que fizemos valeu a pena pois nossa alma jamais foi ou irá se permitir ser pequena. E é muito difícil manter a alma grande em um mundo onde as pessoas perderam totalmente a noção de amor, civilidade, compreensão, carinho, afeto e respeito pelo próximo. Um mundo onde um motorista playboy e bêbado, sem alma e sem coração, atropela um ciclista na avenida Paulista (em São Paulo) no domingo pela manhã e, além de não prestar socorro à vítima, ainda JOGA FORA EM UM RIACHO o braço da mesma, que foi arrancado no atropelamento e que ficou preso no para-brisa do automóvel. É esse mundo total desumano que enfrentamos diariamente e que só podemos suportar se tivermos a alma do tamanho do Universo. Uma alma grande o suficiente pra aceitar que nosso corpo é finito e que um dia não estaremos mais aqui, tragados que seja pelos males da vida moderna, como tumores cancerígenos. O blog se vai e deixa um mega e apaixonado beijo pra linda negra Maru Mardou Fox, que está chegando amanhã (quarta-feira) a Sampa, vindo lá do sempre amado Norte brasileiro. É isso aí. Até o próximo post, galere!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 121/3/2013 às 5:00hs.)