Após uma semana de ausência (justificável) cá estamos novamente! O blogão volta, ainda no clima dos protestos que sacodem o país, pra falar dos dez anos do bar Outs, do novo disco solo do guitarrista de uma mega banda amada por todos os rockers do mundo, do que rola no mondo pop/rock e, enfim, pra contar mais algumas (talvez as últimas) histórias verdadeiramente malucas de sex and drugs envolvendo este jornalista eternamente gonzo, uia!

 O ótimo rock’n’roll planetário continua sendo comandado mesmo pelos “velhões”: o guitarrista do Pearl Jam, Stone Gossard (acima), acaba de lançar seu segundo e bacana disco solo; já os Rolling Stones (abaixo), que NUNCA tinham tocado no gigante festival inglês de Glastonbury, se apresentam na edição 2013 dele, neste finde na Velha Ilha

 

Sentiram saudades?

Pois entonces, semana passada acabou não rolando o tradicional postão de Zap’n’roll que é publicado às sextas-feiras, e houve motivos mais do que justificáveis para a nossa ausência. Com as ruas do país em chamas, protestos (todos justíssimos) pra lá e pra cá, o blogger sempre engajado (ainda, aos 5.0 de existência) participando de uma das manifestações (a que reuniu sessenta e cinco mil pessoas, a maior realizada em Sampa até o momento), o mergulho definitivo nos arquivos da coluna e do blog buscando reunir o material que será publicado no livro “Zap’n’roll – histórias de sexo, drogas, loucuras e rock’n’roll na trajetória do jornalista mais junkie da imprensa musical brasileira” (com previsão de lançamento para o mês de setembro), uma tarefa que já estava mega atrasada pois os textos compilados já deviam ter sido despachados para a editora na semana passada e mais isso e aquilo… não deu outra: no final da tarde da quinta-feira passada o autor destas linhas online já havia sacado que seria impossível escrever um post gigante e colocá-lo no ar até o dia seguinte. Preferiu então manter o blog sem atualização, para voltarmos com tudo esta semana e à nossa velha e boa forma zapper. Fora que foram dias estranhos, os últimos. Na quinta-feira à noite o blog foi até o Beco/SP curtir o show de lançamento do primeiro cd das garotas do Radioativas. Noitada extra bacana, encontro com amigos queridos (como o produtor lenda Luiz Calanca), bom vinho branco rolando nas taças, enfim tudo ok. Depois a madrugada foi esticada no sempre bacanudo Astronete e aí não havia mais o que fazer (às cinco da matina) a não ser rumar de volta pra house. Sextona foi de descanso e sábado idem. Foi quando esgares de melancolia e alguma depressão se imiscuíram no coração e alma do blogger sempre sentimental. Isso acabou com o final de semana do sujeito que digita estas linhas virtuais. Acabou ao ponto de o blog, sempre pronto a curtir boas gigs, simplesmente ter desistido de ir no domingo no Memorial da América Latina, pra conferir os shows do Magic Numbers e da Kate Nash no festival da Cultura Inglesa – óbvio, ninguém aqui iria morrer por perder as duas apresentações. Mas ficou uma sensação estranha no ar… a de que o velho zapper já não tem meeeeesmo aquela disposição e desvario pra assistir tudo o que aparece pela frente. Isso tem o lado bom: ficamos cada vez mais seletivos em tudo em nossa existência – inclusive na questão de assistir shows. Mas também tem o lado algo ruim: fica-se com a incômoda sensação de que já não há nada digno de nota pra se assistir, quando tudo (ou quase tudo) já foi visto em cima de um palco. Bien, tem o Blur em novembro (e esse estas linhas rockers não perdem nem por decreto). E pra compensar a não ida ao Cultura Inglesa este post que começa agora resolveu ouvir com mais atenção o último disco lançado por Kate Nash, e falar algo sobre ele aqui. Afinal, como sempre dizemos, nunca é tarde pra se falar de um álbum bacana ou de um artista idem. Assim como também estamos sempre atentos ao que está saindo já, e por isso mesmo também comentamos aqui sobre o novo disco solo de um certo Stone Gossard – já sacou quem é, néan? E assim seguimos em frente, novamente na área até pelo menos o início de julho próximo, quando tratamentos médicos severos talvez obriguem o blog a se ausentar por períodos mais longos. Mas por enquanto vamos em frente, com o que rola esta semana no nosso sempre amado rock’n’roll e na nossa sempre amada cultura pop.

 

 

* Yep, o festival da Cultura Inglesa parece ter sido bacanudo. O blog que ia lá mas acabou desistindo, acompanhou parte dos shows pela internet, já que eles estavam sendo transmitidos em tempo real. A gig do Magic Numbers emocionou o povaréu presente ao Memorial da América Latina, em Sampa. E o show da inglesinha Kate Nash, o último do dia, também foi beeeeem lecal. Aliás Kate lançou seu último disco em abril passado e pouca gente na blogosfera de rock e cultura pop brasuza deu a devida atenção ao trabalho. Bão, falamos um pouco a respeito dele lá embaixo, nas indicações culturais desta semana.

 

 

* E neste finde rola o gigantesco e monstruoso Glastonbury na Inglaterra, néan. Sonho de consumo de qualquer rocker que se preza, o maior festival de música (de rock?) do planeta começa hoje, em uma fazenda no interior da Inglaterra, e vai até domingo, sempre com muita chuva e lama que não podem faltar num evento desses. De Rolling Stones a Arctic Monkeys, de Mumford & Sons a Nick Cave, a humanidade vai tocar nos cerca de sessenta palcos espalhados pela área do Glasto, sendo que o total de atrações chega a quase duas mil. Sim, claro, o Brasil já aprendeu a fazer grandes e decentes festivais de rock (como o Rock In Rio, o SWU e o Planeta Terra). Mas no dia em que conseguirmos fazer algo PRÓXIMO do que é Glastonbury, aí sim poderemos dizer que não é mais preciso ir pra fora do país pra se ver um festival deste naipe.

O gigante festival de Glastonbury 2013, na capa da NME dessa semana. Merecido!

 

* Bão, enquanto não temos um Glastonbury por aqui mesmo e também enquanto não chega o Planeta Terra 2013, temos modestamente… o mês de aniversário do Clube Outs, uia! Yep, agora em julho o clubinho (ou clubão: lá dentro cabem quase setecentas pessoas) faz programação especial durante todo o mês pra comemorar seus dez anos de existência. E muito aconteceu ali e no baixo Augusta nessa última década, quando vimos zilhões de casas noturnas abrir e fechar, e também vimos grandes bandas tocarem no palco do número 486 da Augusta, como Forgotten Boys, Vanguart, Gram, Ludov, Cachorro Grande etc, etc, etc. Estas linhas online, ela mesma, fez dezenas de eventos por lá (como as festas anuais do blog, e até um projeto fixo às quintas-feiras, a Go Rock, que movimentou o bar por um bom tempo há alguns anos). E toda vez que alguém vem bater no ouvido deste já véio jornalista rocker papos tipo “o rock tá em baixa”, ele pensa na Outs e chega à conclusão de que, não, o rock não está em baixa. Ele sobrevive firme e forte às mudanças mercadológicas no mundo da música e sempre estará presente no coração de quem o ama, wow!

 

 

* Prova da resistência da Outs e de sua capacidade quase infinita de sempre manter o rock’n’roll em alta por lá foi dada no último finde, quando o bar recebeu visitas ilustres. Por lá passaram Carl Barat (a lenda dos Libertines) e o vocalista do Magic Numbers, já que ambos estavam em Sampalândia pra participar do festival da Cultura Inglesa. E Barat não se fez de fresco: ainda subiu no palco e participou do show que estava rolando na casa, com uma banda tributo aos Strokes.

 A festa e a noite rocker nunca terminam na Outs/SP, que recebeu no último finde as visitas ilustres do ex-Libertines Carl Barat (acima) e do vocalista do grupo inglês Magic Numbers

 

 

* E só pra constar: Zap’n’roll faz dj set arrasadora na Outs na semana que vem. Vai ser no sábado, 6 de julho, já dentro das comemorações do aniversário do bar. Galere que lê o blog já está convidada desde já a cair lá porque a noitada vai ser booooouuuuuaaaaa.

 

 

* Falando no dândi Carl Barat, há uma história absurda sobre ele (e que estas linhas bloggers riram muito ao ler a parada) dando sopa na sempre querida “vizinha” Popload, do nosso amado colunista “popstar” dear Luscious Ribeiro. Dá uma lida lá e veja que não apenas o injustiçado Pete Doherty era o doidão de plantão dos Libertines, hihihi.

 

 

* E EM DEZEMBRO TEM KVB EM SÃO PAULO – yep, você nunca deve ter ouvido falar deles. Nem o blog também havia (afinal, jornalistas musicais não são obrigados a conhecer absolutamente TUDO, o tempo todo) até o agitador cultural, blogueiro e dj Renato Malizia vir conversar com estas linhas zappers a respeito e pedir uma força pro evento. “Finatti, vamos trazer o KVB em dezembro e precisamos da tua força! A dupla é ótima e bla bla blá”, disse um dia Renato, em bate-papo com o blog pelo faceboquete. Lá fomos nós então ver o que é o tal KVB. Resumindo bem a ópera: é uma dupla inglesa formada pelo guitarrista e vocalista Nicholas Wood e pela tecladista Kat Day (um tesãozinho, diga-se). O som deles, bacanudo, oscila entre eflúvios noise do Jesus & Mary Chain e o pós-punk sombrio e glacial do Joy Division, sendo que o duo já lançou dois álbuns (o mais recente, “Immaterial Visions”, foi editado em fevereiro passado) e alguns eps. Enfim, o KVB se apresenta em Sampa e também no Rio De Janeiro em dezembro próximo (yep, tá um pouco longe ainda, mas ao menos as gigs já estão confirmadinhas, bem organizadas e tal), nas comemorações do quinto aniversário do blog That Celebrates Itself, escrito pelo Malizia, sendo que as gigs brasileiras também contam com apoio da rádio Antena Zero. Em Sampalândia o show da dupla vai rolar na casa noturna Nostro Mondo, no dia 14 de dezembro. Os tickets pra apresentação já estão à venda por cinquenta mangos (na porta irão custar sessenta e cinco) e um dia antes o KVB toca no Rio De Janeiro, no Audio Rebel (em Botafogo), com ingressos custando quarenta pilas. Bacana a iniciativa e que já conta com apoio deste espaço rocker virtual, sendo que o blog zapper que nunca dorme vai dar um jeito de colocar alguns de seus diletos leitores NA FAIXA no show da dupla. Como? Isso você fica sabendo lá embaixo, no final do post. E se você se interessou pelo som do KVB, vai lá: https://www.facebook.com/thekvb1 ou http://thekvb.bandcamp.com/.

O duo inglês The KVB: shows no Brasil em dezembro

 

 

*Aí embaixo, um vídeo da dupla, pra música “Hands”

 

 

* Si, si, saindo um pouco da cultura pop: as manifestações, afinal, deram em alguma coisa. Tarifas de transporte reduzidas em várias capitais (entre elas, Sampa e Rio), PEC-37 derrubada em votação no Congresso etc. Mas ainda falta muuuuuito pro país ser realmente aquilo que todos nós queremos – com serviços públicos de qualidade e sem corrupção. Por isso a mobilização não pode e não deve parar. É o que o blog deseja, sinceramente.

 

* Assim como desejamos sinceramente que o Brasil leve um SPANKO da Espanha domingo, no Maracanã. Assim deixamos a grande merda que é o futebol de lado e focamos nossa atenção no que realmente é necessário nesse momento: refundar o Brasil, política e socialmente.

 

 

* E ATENÇÃO!!! Num furo de trabalho jornalístico investigativo (uia!), estas linhas bloggers poppers descobriram a verdadeira identidade do deputado Marco Feliciano! Antes de se tornar pastor evangélico, paladino da moral e dos bons costumes e presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara Federal (onde ele quer implantar no país, via projeto de Lei, a “cura gay”) em Brasília, a BICHONA era assim (veja a imagem aí embaixo):

 

 

* Sendo que este vídeo aí embaixo também mostra como Feliciano ganhava com suor (uia!) o pão de cada dia, antes de se tornar deputado. Ulalá!

 

* E chega de bobagem, rsrs. Voltemos ao velho rock’n’roll: música nova do Pixies – a primeira inédita em uma década. E na real? Nada demais, nada que se compare aos clássicos da banda. Começa algo funkeada e só decola (e melhora bastante) mesmo da metade pro fim, quando os back vocals da Kim Deal entram em cena. Enfim, nada que vá virar o rock atual de cabeça pra baixo.

 

 

 

* Bacanão mesmo é o disco solo do Stone Gossard. Ele mesmo, um dos guitarristas do venerável e inatacável Pearl Jam e que, assim na maior maciota, lançou esta semana seu segundo trabalho individual. Que aliás não foi comentado ainda POR NINGUÉM na blogosfera brazuca de cultura pop. Bien, fazemos o serviço pela concorrência, aí embaixo.

 

 

DE FÉRIAS NO PEARL JAM, STONE GOSSARD FAZ DISCO SOLO E MOSTRA QUE A BANDA NÃO É APENAS EDDIE WEDDER

O gigante grunge Pearl Jam existe há mais de duas décadas e é até hoje um dos maiores nomes do rock mundial – esteve em abril passado no Brasil, na segunda edição do festival Lollapalooza BR, arrastou setenta mil fãs ao Jockey Club de São Paulo e fez um set impecável e intenso como sempre em um show de duas horas onde, durante vários momentos, foi difícil conter as lágrimas tamanha a entrega da banda no palco. O quinteto mantém inalterado e inabalável o enorme respeito e prestígio que tem perante público e imprensa. Um público que, muitas vezes, acha que toda a qualidade da música do PJ e tudo o que o conjunto conseguiu até hoje se deve única e exclusivamente ao seu carismático vocalista e letrista, Eddie Vedder. Não é bem por aí e uma ótima prova disso está em “Moonlander”, segundo álbum solo de Stone Gossard, um dos guitarristas da banda. O cd foi lançado sem muito alarde anteontem nos Estados Unidos (não há previsão de lançamento nacional). E mais do quer ser um muito bom disco de rock’n’roll, mostra que por trás de Vedder no PJ existe uma máquina poderosa de compor grandes riffs, grandes melodias e ótimas canções. Talvez sem Gossard e os outros músicos que integram o PJ, o grupo não seria nem sombra do que é.

 

Stone Gossard está com quarenta e seis anos de idade e foi um dos fundadores do Pearl Jam, em 1990. Antes de criar o conjunto (ao lado de Jeff Ament, Mike McCready e Matt Cameron; Vedder entraria logo depois), ele já havia passado pelos hoje míticos Green River e Mother Love Bone, as duas formações responsáveis pela gênese do grunge de Seattle no final dos anos 80’. Quando decidiu montar o PJ já era um guitarrista experiente e calejado na cena rocker da cidade que deu ao mundo um dos últimos grandes movimentos musicais que se tem notícia no pop. O PJ, todo mundo sabe, já se tornou gigante a partir de seu fantástico álbum de estréia, o até hoje insuperável “Ten”, editado em 1991. Daí em diante a história do grupo é mais do que conhecida e Stone Gossard foi se arriscar em uma primeira aventura individual apenas em 2001, quando lançou o álbum “Bayleaf”.

 

Mais de uma década se passou, o Pearl Jam continuou lançando seus discos e eis que Gossard resolveu se arriscar em nova aventura solo. E em um mundo fútil e de aparências como é o rock’n’roll atual, onde artistas ficam abastecendo a mídia com zilhões de infos inúteis e notas dispensáveis quando vão lançar uma obra nova e querem promovê-la a qualquer custo, o guitarrista do Pearl Jam fez exatamente o contrário: foi burilando pacientemente o material desse “Moonlander” e quando julgou que era hora de colocá-lo para a avaliação dos fãs e da rock press, o fez de maneira bastante discreta.

 Capa do novo disco solo de Stone Gossard, guitarrista do Pearl Jam: bom rock’n’roll

 

É um cd muito bom de rock, sem a preocupação de mudar conceitos, sem a ambição de revolucionar algo na miseravelmente pobre musica atual. Stone Gossard faz aqui o que sempre fez bem no Pearl Jam: engendra belas melodias, constrói alguns riffs bastante poderosos e, de quebra, ainda se revela um cantor de boa inflexão – longe de ter o alcance algo épico de Eddie Vedder, mas ainda assim correto o suficiente pra não comprometer nenhuma faixa do disco. O trabalho abre bastante intenso com o rock à moda grunge “I Need Something Different”, uma música que poderia estar tranquilamente em “Vs.”, o segundo álbum do Pearl Jam, lançado em 1993. E daí em diante o cd vai se alternando entre canções mais bucólicas e contemplativas e outras mais agressivas – a “road song” “Bombs Away” e o rockão com levada mezzo boggie de “Witch Doctor” são daqueles momentos pra levantar o povão em um show ao vivo.

 

Mas é curiosamente nos instantes menos abrasivos que Stone Gossard logrou mais êxito nessa sua nova aventura solitária. A própria faixa-título é um ótimo exemplo disso. E o disco se encerra com a lindíssima “Beyond Measure”, que une órgão, piano e guitarra steel em um momento de contemplação e melancolia contida. Eddie Vedder com certeza adoraria cantar essa música. Mas ela está aqui, em um disco solo de Stone Gossard, justamente para mostrar que uma grande banda de rock’n’roll é a junção de diversos e grandes fatores: qualidade dos músicos e das composições do grupo, letras com um mínimo de estofo intelectual, um ótimo vocalista. Esses mesmos grandes fatores que estão quase extintos no rock dos dias que correm. Mas que ainda existem, felizmente, na obra do Pearl Jam e na aventura solo de um dos seus guitarristas.

 

 

O TRACK LIST DE “MOONLANDER”

1.”I Need Something Different”

2.”Moonlander”

3.”Both Live”

4.”Your Flames”

5.”Battle Cry”

6.”King of the Junkies”

7.”I Don’t Want To Go To Bed”

8.”Remain”

9.”Bombs Away”

10.”Witch Doctor”

11.”Beyond Measure”

 

 

DIÁRIO SENTIMENTAL – O DIA EM QUE O ZAPPER LOKER BRIGOU COM JOHN LYDON E COM LULU SANTOS… E AINDA “AJUDOU” JOÃO GORDO A SE LIVRAR DO CRACK, UIA!

Histórias, muitas histórias… recuerdos malucos, insanos, bizarros. O autor destas linhas virtuais eternamente gonzo ao cubo passou por momentos em sua trajetória jornalística que (como bem frisou um amigo próximo do blog, anos atrás) “Deus duvida e o diabo desconhece”, hihihi. Não à toa nos últimos meses o blog fez um intenso trabalho de pesquisa e compilação das melhores colunas e posts que foram publicados aqui, nos últimos dez anos. Vai daí que essa compilação, finalmente organizada, já tem nome: “Zap’n’roll – sexo, drogas, loucuras e rock’n’roll na trajetória do jornalista mais junkie da imprensa musical brasileira”. O arquivo do livro foi enfim despachado para a editora que se interessou por ele e que pretende publicá-lo, em setembro próximo.

 

Foi uma tarefa árdua resgatar os posts (todos sempre enooooormes) que mereciam ter registro definitivo em papel impresso. Afinal são dez anos de existência deste espaço online, tempo em que foram postadas cerca de quinhentas colunas. E claro que o volume terá toda uma atenção especial com o seu lançamento: haverá noite de autógrafos em Sampa (provavelmente em um bar rocker no baixo Augusta) e também no Rio. Assim que todos os detalhes forem definidos você, sempre dileto leitor zapper desde criancinha, irá ficar sabendo.

 

Enfim, com o livro praticamente fechado, eis que o blogger sempre memorialista se lembrou de mais cinco momentos ultra bizarros que rolaram durante sua sempre maluca vida no jornalismo rock de Sampalândia. Estes momentos estão registrados aí embaixo, em um mini diário sentimental – e que será acrescido, se possível, ao livro que está vindo por aí. Leia e role de rir, uia!

 

* QUEBRA PAU COM JOHN LYDON – era 1987 e o então jovem jornalista, que colaborava com a revista “Rock Stars” (uma “revistinha de bolso”, que era publicada por uma editora meia-boca, a Imprima, que faturava uns bons trocados com revistecas que traziam cifras de músicas famosas pra garotada tirar no violão e/ou guitarra) há cerca de um ano, ainda conservava dentro de si a “pureza”, “inocência” e a admiração por ídolos do rock’n’roll planetário que ele tinha desde a adolescência, e antes de se transformar em, hã, “jornalista musical”. Foi quando a produtora Poladian (que já havia trazido ao país Siouxsie e seus Banshees, Cure e Echo & The Bunnymen, tudo isso em um intervalo de pouquíssimos meses, entre 1986 e 1987) anunciou uma turnê do Pil por aqui. Quem? Pil ou Public Image Limited, a cultuada banda de rock “avant gard” que Johnny Rotten, ex-vocalista dos Sex Pistols, havia montado após as pistolas sexuais darem seu último suspiro. Joãozinho Podre agora era um sujeito “elegante” e frequentador do jet-set internacional. Assumindo seu nome de batismo (John Lydon) e casado com uma herdeira de um conglomerado bancário americano, Lydon e o PIl tinham acabado de lançar o elogiadíssimo disco simplesmente batizado “Album”, considerado como uma ruptura nos padrões do rock que estava rolando na época. Pois então: turnê anunciada, o zapper que havia sido punk no final de sua adolescência e ainda nutria uma grande admiração pelo João ex-Podre, foi “escalado” para cobrir a coletiva de imprensa do grupo. E lá se foi ele numa bela tarde qualquer de 1987 para um dos salões de reuniões do chiquérrimo hotel Maksoud Plaza, em Sampa. Ao chegar lá se deparou com um bando de jornalistas afoitos, todos quase se estapeando pra fazer uma pergunta para a “lenda” que estava diante de todos, confortavelmente instalada em um sofá e tomando generosos goles de cerveja. A entrevista foi indo até que o sujeito aqui levantou sua mão e sem esperar que a “intérprete” da coletiva o chamasse, já foi logo disparando: “eu gostaria que você falasse algo sobre sua relação com Syd Vicious e a tumultuada saída dele dos Pistols. Isso sempre ficou meio nebuloso e parece que você não gosta muito de falar sobre isso”. Lydon se irritou de verdade com a pergunta, franziu a testa, mirou os olhos no jovem e impertinente repórter e fuzilou: “não falo sobre Syd. E você faz perguntas longas demais, bla bla blá. Coma merda e morra!”. Ato contínuo soltou um ARROTO enooooorme na cara da jornalistada presente. Qual foi a reação de Zap’n’roll diante da insolência do sujeito e, justo com um sujeito que nunca levava (e que não leva até hoje) desaforo pra casa? Simples e em bom inglês, o autor destas linhas rockers respondeu ao mal educado e grosso Joãozinho ainda podrinho: “E você é um puta dum mal educado! Vai se foder!”. Ato também contínuo, virou as costas e saiu da sala. Pro jovem jornalista e que até ali ainda era FÃ de John Lydon, a entrevista terminara. E por conta desse episódio o futuro repórter gonzo zapper aprendeu a NUNCA MAIS pagar pau e babar ovos pra nenhum artista, por mais que ele gostasse do trabalho desse artista.

 O escrotão John Lydon, durante entrevista coletiva em Sampa, nos anos 80′, dispara para Zap’n’roll: “você faz perguntas muito longas e fala demais. Coma merda e morra!”

 

 

* BATE-BOCA COM LULU SANTOS – 1986 foi o ano em que Zap’n’roll começou a trabalhar como jornalista profissional, fazendo colaborações para algumas revistas e recendo money por elas. Um garotão ainda (vinte e três aninhos de idade), visual sempre rocker (com cabelón comprido, geralmente preso em rabo-de-cavalo) e apaixonado por texto e por música, tudo era festa para o repórter noviço (uia!). Qualquer entrevista coletiva que surgia, lá estava ele metido no meio. E foi assim que o autor deste espaço virtual se viu, numa dessas coletivas, diante de ninguém menos do que… Lulu Santos. O ex-punk (havia deixado o movimento há menos de um ano) e agora recém incorporado aos meandros do jornalismo musical brazuca, simplesmente DETESTAVA o cantor e compositor carioca. E decidiu que iria passar toda a entrevista aporrinhando e confrontando o sujeito. E assim foi: quase uma hora de perguntas hostis e agressivas dirigidas ao pobre Lulu – a essa altura, com as questões sendo levantadas sob protestos de outros “colegas” de ofício (“você está querendo é tumultuar a entrevista”, disse uma peruinha deslumbrada, por certo uma “foca” também em início de carreira e que deveria estar achando o máximo estar ali) e já encontrando um artista pronto a perder a compostura. Foi quando o zapper impiedoso alfinetou mais uma vez o já bastante tenso Lulu. E antes que ele respondesse sua ex-mulher, a jornalista Scarlet Moon (que faleceu este ano, há algumas semanas), saiu em sua defesa em tom áspero: “você está IMPORTUNANDO ele desde que chegou aqui. Se não parar JÁ com isso, vou pedir que se retire da sala!”. A resposta do jovem e bocudo jornalista foi na lata: “não precisa. Eu já estou de saída!”. Se levantou, virou as costas e saiu da sala. Muitos anos depois (por volta de 1995), mais velho e mais sábio, e trampando na poderosa e lendária revista Interview, o autor deste blog voltou a entrevistar Lulu Santos. Ambos se lembraram do embate de quase uma década antes e deram risada juntos. Hoje estas linhas online consideram Lulu um dos grandes nomes do pop e do rock brasileiro dos anos 80’. Não morrem de amores pelo cantor e compositor, mas reconhece sua importância dentro do contexto da história do rock brazuca. Ou seja: só o passar dos anos e a maturidade para nos ensinar algumas coisas nessa vida.

 Lulu Santos: importunado pelo jovem zapper durante toda uma entrevista

 

 

* “DEALER” DOS SCORPIONS – corria o ano de 1997. Fase bastante amarga na trajetória do jornalista zapper. A Interview tinha fechado (um ano antes) e o autor deste diário sentimental sobrevivia fazendo frilas e escrevendo para a edição impressa da revista Dynamite, que então circulava bem por todas as bancas de jornais do país. Era também uma das fases mais “junkie” do sujeito aqui, que vivia literalmente com as duas narinas mergulhadas perenemente em devastações nasais grotescas. Pois foi numa bela noite de uma quinta-feira (quase no final do ano já, se a memória zapper não estiver falhando) que Zap’n’roll saiu da redação da Dynamite (que ficava na rua dos Pinheiros, no bairro homônimo da zona oeste de Sampa) e foi comer algo no bar El Kabong (especializado em comida mexicana e que naquela época era um dos “must” da região). Chegando lá o sujeito pede uma breja quando recebe um cutucão nas suas costas: “Titinatti, preciso de um favor seu”. Hã? Era um dos sócios do bar e que estava acompanhado de ninguém menos que… um dos guitarristas e o baterista da banda alemã de metal chumbrega (mas absurdamente popular no Brasil) Scorpions. O grupo estava em turnê pelo Brasil e iria participar de um festival naquele finde em Sampalândia. E foi cair de para-quedas no El Kabong, onde um dos sócios (naquela época; hoje, ao que parece os donos são outros) se enturmou com eles. E adivinhem o que a dupla queria? Padê, claaaaaro. “Então, Titinatti, é você que sabe onde arruma essa merda. Dá essa força aí. Te damos a grana e você vai buscar”. Nem precisou pedir duas vezes, rsrs. Os caras do Scorpions soltaram duzentos mangos na mão do jornalista que acabava de se transformar em “dealer” (não sabe o que significa essa gíria? Se vira, rapá!) de rockstar gringo. Grana mais do que suficiente pra ir e voltar de táxi e ainda pegar o “produto” pra dupla e também pro próprio autor deste diário confessional, hihihi. O zapper foi e voltou literalmente voando, com duas petecas de cerca de cinco gramas de cocaine cada – e a farinha era bem boa, ao contrário das porqueiras que o povo aspira hoje pela night paulistana. Feita a entrega, o sócio do Kabong queria mais um help pra resolver mais um problema: “eles podem dar um ‘tiro’ lá na redação da Dynamite?” O zapper: “hummm… sim, mas sem o querido Pomba saber pois embora ele seja liberal nessas questões, acho que ele vai ficar meio puto se souber. Vamos lá fazendo de conta que encontrei vocês aqui e quero apresentar a redação da revista pra eles”. E lá se foi o quarteto em direção à redação da Dyna. Lá chegando todos foram (como sempre) acolhedoramente recebidos pelo “pai” Pomba, que entabulou um papo animado com os músicos. O bizarro da cena é que por algumas vezes, durante a conversa, ambos pediam “licença” pra ir no banheiro, rsrs. “Acho que eles tomaram cerveja demais no Kabong”, o blogger loker tentou justificar, sendo que o próprio autor destas linhas malucas, não aguentando mais a vontade de “meter a napa”, também se mandou pra um dos banheiros da redação. O padê era forte e dali a pouco todos se mandaram. E o final daquela noite/madrugada de quinta-feira foi a mais bizarra possível: já bem bicudo, o autor dessas revelações absurdas foi parar na lendária espelunca que era o Espaço Retrô, no bairro de Santa Cecília. O Retrô foi o bar rock underground mais fodástico e inesquecível que Sampa já teve. E naquela noite haveria show do Hateen (em início de carreira) por lá. Não deu outra: ao chegar o zapper doidón já se mandou pro banheiro mais próximo. Cesinha, então baixista do Hateen, percebeu a “movimentação” e foi atrás, intimando: “também quero porra! Põe um risco aí pra mim!”. Zap’n’roll, que não costuma ser miserável com os amigos quando pode, esticou duas taturanas enquanto contava pro seu amigo como tinha conseguido descolar a cocaine. E depois passou o resto da madrugada vendo Cesinha transtornado e gritando no palco, nos intervalos das músicas: “eu cheirei a cocaína do Scorpiooooons!!!”.

 O chumbrega grupo de hard rock alemão Scorpions: o baixista Cesinha (ex-Hateen) cheirou a cocaína deles, hihi

 

 

* DEALER DE EVAN DANDO – episódio semelhante ao relatado acima voltaria a acontecer alguns anos depois, na vida do jornalista eternamente maloker. Em abril de 2004 quem voltou ao Brasil para alguns shows solo foi o dândi Evan Dando. Yep, ele mesmo, o loiro com cara de anjo e que se tornou mega star do indie rock americano no início dos anos 90’ à frente do trio power-pop The Lemonheads. A banda chegou a vender horrores com o seu hoje clássico “It’s A Shame About Ray”, lançado em 1992, e o grupo se apresentou pela primeira vez aqui em 1997. Sete anos depois mr. Dando voltou sozinho e fez um bacana set acústico em Sampa, no finado Palace. A gig foi num domingo. E o que há pra se fazer em um domingo à noite em Sampalândia, ainda mais depois de sair de um show de rock? Ir para a boate gls A Loca, óbvio, onde rola até hoje a festa “Grind”, já um clássico obrigatório das domingueiras e isso há quinze anos! Pois entonces: lá se foi o zapper com a intenção de passar uma madrugada tranquila na Loca. Ficou apenas na intenção, óbvio. Mal tinha colocado seus pés no bar o autor destas linhas junkies foi “interceptado” pelo músico e produtor Alejandro Marjanov (figurinha mais do que carimbada do circuito rock alternativo de Sampalândia, tendo tocado em vários grupos, entre eles Os Detetives). Ele: “adivinha quem tá aqui comigo?”. O blog: “Quem?”. Alejandro: “O Evan Dando. E ele quer pó”. Novamente não deu outra: a dupla de “dealers” por acaso (o jornalista gonzo e Alejandro) pegou uma grana com Dando e rumou de carro para o Cambuci, onde havia a “bocada” mais próxima naquele momento da Loca. Voltaram pro bar com DEZ petequinhas de padê, entregaram meia dúzia pro loiro solitário e cada um ficou com duas pra si. A farinha do Cambuça nem era tudo isso mas ao se aspirar SEIS petecas… a última imagem que o blog tem desta madrugada, antes de se mandar da Loca, é a do ex-vocalista e guitarrista dos Lemonheads SENTADO no chão, bem no meio da pista de dança. Jezuiz…

 O dândi Evan Dando: aspirou uma montanha de padê, travou e ficou sentado no chão da pista da boate gls A Loca

 

 

* CURANDO JOÃO GORDO DO VICIO EM CRACK – esse tópico então… é bizarro ao cubo e só está aqui porque o dileto amigo de anos do blog, o venerável produtor Luiz Calanca, um dia contou a história pra Zap’n’roll entre zilhões de risadas, hehe. Enfim o autor destas linhas rockers bloggers malokers e o apresentador de tv e vocalista do Ratos De Porão (já uma “entidade” da história do punk brasileiro), João Gordo, se conhecem pessoalmente há MILÊNIOS. Desde que ambos eram dirty punks sem eira nem beira. Os anos foram passando, o zapper se tornou jornalista e Gordo entrou como vocalista no RDP por volta de 1983. Mas começou a ficar famoso de fato quando foi contratado como vj da MTV, isso no início dos anos 90’. Foi um período estranhíssimo porque um belo dia, do nada, mr. Gordo se declarou inimigo público número zero do jornalista rocker que escreve este diário. E passou a perseguir o autor deste blog implacavelmente, insultando-o onde podia (em entrevistas em programas de tv, em matérias publicadas em jornais e revistas etc.) além de ameaçá-lo fisicamente quando ambos eventualmente se “trombavam” nos muquifos unders paulistanos. Na real o loker aqui nunca entendeu o motivo pelo qual João Gordo tomou raiva mortal do zapper memorialista. Enfim, vai daí que numa bela noite de 1995 (lá se vão quase vinte anos…) o então ainda descolado jornalista rocker (que estava trampando na revista Interview, e vivia frequentando coquetéis de lançamento disso e daquilo, todos movidos obviamente a whisky doze anos, bocetas incendiárias e cocaine da boa) foi a uma festa de lançamento do primeiro disco solo de Dinho Ouro Preto – yep, o vocalista do Capital Inicial e que naquela época havia brigado com a banda e saído dela. Vejam só o naipe da parada: o blogger zapper morava numa kit na avenida 9 de julho; a festa seria nada menos do que no chiquérrimo restaurante que fica no terraço do edifício Itália (um dos mais altos da capital paulista, com quarenta e três andares), bem próximo do prédio onde o blog morava. Com Zap’n’roll foi um XOXOTAÇO que ele estava QUASE traçando na época (o quase tem uma explicação: a moçoila fazia absolutamente tudo na cama. Chupava, batia punheta, esfregava o caralho em seu grelo pra bater siririca, dava o peitaço pra mamar etc. Só não permitia ser penetrada porque ainda era… virgem, uia!), a deliciosa Tábata, que tinha quinze aninhos de idade mas era uma safada e perva (morenaça de tetões enormes) de fazer inveja à mais rampeira das putas. E além de tudo como gostava de uma devastação nasal… rsrs. Onde estávamos mesmo? Ah, sim: o casal chegou ao terraço do edifício Itália e a humanidade de quem importava no rock nacional na época estava lá: o povo dos Titãs, a estrela da noite (Dinho), mais Dado Villa-Lobos (naquela época ainda guitarrista da Legião Urbana e que tinha um selo musical independente no Rio, o Rock It!, pelo qual justamente estava sendo lançado o disco solo de Dinho Ouro Preto) etc, etc, etc. E as habituais peruas bocetudas de plantão nessas ocasiões, claro. A noite começou a ficar animada, o papo e o whisky rolando solto, o jornalista e sua partner em uma animada roda de bate-papo (onde estavam, entre outros, Mingau, hoje tocando baixo no Ultraje A Rigor) até  que… o sujeito aqui sente um bafo quente no seu cangote (uia!). Se vira pra olhar quem era e dá de cara com João Gordo. “Fodeu, isso aqui vai virar um vexame”, foi tudo o que o jornalista já apavorado conseguiu pensar. Por segundos toda a roda que estava na conversa emudeceu por completo, esperando a tragédia anunciada começar. Foi quando João Gordo estendeu sua mão (!!!) pro blogger atônito e disse: “Finatti, vamos parar de brigar, esquece isso. Tamo véio demais pra esse tipo de coisa. E eu nem sei porque fiquei com birra de você, eu devia estar louco na época”. Dito isso, apertou a mão do autor deste diário inacreditável e saiu andando. Ninguém entendeu lhufas, muito menos o zapper a essa altura mais branco que um cadáver. Foi somente alguns anos depois, quando estava num final de tarde na loja Baratos Afins, na célebre Galeria do Rock, que o autor deste espaço virtual conseguiu entender porque João Gordo resolveu fazer as pazes com ele. Quem contou às gargalhadas a história foi o queridão Luiz Calanca, dono da loja e um dos grandes produtores musicais do rock independente nacional. Luiz: “porra Finatti, o Gordo teve aqui outro dia e contou uma parada hilária. Ele disse que você o CUROU do vício que ele tinha em crack”. O blog: “cumas?”. Calanca: “ah, você sabe que ele e o pessoal da banda tava enfiando o pé na lama em crack. E ele tava tentando deixar o vício. Pois segundo ele me falou, uma noite teve um coquetel lá no Terraço Itália e ele foi e você também tava lá. Pois então: antes de ele subir pro coquetel foi na praça da República [nota do blog: na época, um dos maiores fumódromos de crack de Sampalândia], comprou uma pedra de crack e fumou lá mesmo. Ele me disse que subiu em pânico pro coquetel e, quando viu você, ficou ainda mais em pânico. Resolveu no ato parar de fumar e desse dia em diante nunca mais pipou uma pedrinha que fosse”. Ahahahahahaha, o zapper também se debulhou de rir. E ficou feliz em saber que, graças a ele, João Gordo abandonou o vício do crack, uia!

O apresentador e vocalista João Gordo: salvo do crack graças à Zap’n’roll, uia!

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Disco I: “Moonlander”, novo solo do guitarrista Stone Gossard, que toca no Pearl Jam, claaaaaro.

 

* Disco II: “Girl Talk”, o novo cd de Kate Nash, saiu em abril passado e recebeu pouca atenção da blogosfera brasileira de cultura pop. Pois ele desvela uma cantora e compositora mais madura e com canções de pegada mais rocker e menos pop, como nos primeiros trabalhos. Vale dar uma “orelhada” no dito cujo.

 Kate Nash: mais rock e menos pop em seu novo disco

 

* Disco III: o álbum de estréia do quarteto paulistano Cosmo Shock (formado pelo vocalista e tecladista Cristiano Ratti, pelo guitarrista e vocalista Fábio Farello, pelo baixista Marcos Rolando e pelo batera Mariô Onofre) já entrega suas intenções a partir do trabalho gráfico da capa do cd e do visual dos músicos (todos vestindo gloriosas camisas floridas e com estampas psicodélicas): é rock sessentista, garageiro e psicodelia em doses concentradas. Tudo muito bem construído instrumentalmente, com as melodias encharcadas de pedais fuzz nas guitarras e de intervenções de órgãos vintage nos arranjos. Pra ouvir faixas como “Em frente à igreja”, “Livre é o pássaro” ou “Porque tudo tende a acabar”, tomar um ácido ou fumar uma boa marijuana (ou ambos), e sair feliz por aí, pedalando com a alma e esquecendo que este velho mundo anda cada vez mais chato, careta, reacionário, egoísta e conservador. Se interessou pelo som deles? Vai lá: https://www.facebook.com/pages/Cosmo-Shock/125758387466999?fref=ts. E, sim, é mais um lançamento com a qualidade do selo Baratos Afins.

 A estréia do quarteto paulistano Cosmoshock: psicodelia da boa!

 

* Mostra: aberta ontem no Mis (Museu da Imagem e do Som) de Sampa, a exposição “Larry Clark” faz um mergulho no trabalho do ultra polêmico fotógrafo e cineasta americano. O jovem leitor zapper não vai se lembrar mas foi Clark quem dirigiu os longas “Kids” (de 1995) e “Ken Park” (lançado em 2002). O primeiro causou escândalo nos Estados Unidos ao mostrar um bando de adolescentes da classe média americana sem rumo algum em suas existências, e cujo esporte predileto era trepar em festas regadas a bacanais e consumo intenso de drogas. O longa será inclusive exibido no Mis e a expo, com dezenas de fotos do artista, vai até 25 de agosto, com visitação de terça-feira a domingo das onze às nove da noite. O Mis fica na Avenida Europa, 158, Jardins, zona sul de Sampa.

 Chapada, com os peitões de fora e levando um pico de heroína do companheiro: uma das fotod de Larry Clark, em exposição nos Mis/SP

 

 

* Baladaças! Yeeeeesssss!!! Sextona e o finde chegaram e o povo quer ir pra rua, no? Entonces as boas pedidas de hoje estão todas no baixo Augusta: tem a noite rock’n’roll na Blitz Haus (que fica no 657 da Augusta), dj set especial em homenagem ao Black Keys no Beco (no 609), noitada fodona open bar no Outs (456) e a fodástica discotecagem garageira e sessentista da trinca Luiz Calanca, Claudio Medusa e Sérgio Barbo no Astronete, além de mais um showzaço das Radioativas (no 335). Precisa mais?///Sabadón? Tá meio devagar neste finde, néan? Então fikadika: depois de enfiar o pé na lama na sexta, peça uma pizza e um vinho e fique em casa com seu amor, uia!///E volte com tudo no domingão caindo lá na Loca (rua Frei Caneca, 916, Consolação, centrão de Sampa), onde rola a já clássica domingueira rocker Grind. Isso aê: se joga!

 

 

PROMO NOVA PINTANDO NO PEDAÇO!

Si, si. O show tá looooonge ainda mas você já pode ir se agilizando desde agora: vai lá no hfinatti@gmail, que acaba de entrar em disputa suaaaaave por enquanto:

 

* UM PAR DE INGRESSOS pro show da dupla inglesa KVB, que toca em dezembro em São Paulo. Certo? Tá cedo ainda mas quanto mais você se adiantar no seu pedido, melhor. Fikadika.

 

 

E O FIM, ENFIM

Pois é, não teve post semana passada mas compensamos bem esta semana, pra ninguém reclamar. Então o blog fica por aqui porque o zapper agora vai cuidar de outras paradas, descansar e à noite cair no show das Radioativas lá no baixo Augusta. Semana que vem estaremos na área novamente. Até lá, com um abração especial no chapa e leitor Roberto Auad, que muito nos ajudou nesse post, dando a dica sobre o cd do Stone Gossard.

 

 

(enviado por Finatti às 18:00hs.)

Com fôlego renovado e em um momento em que o país sofre com a ausência de grandes festivais (sem SWU e com Lollapalooza capengando), o Planeta Terra 2013 atropela e mostra força com Blur e Beck, além de trazer o ótimo novato Palma Violets; mais: com a escalada da batalha nas ruas de Sampa em chamas (por conta dos protestos contra o aumento do busão), o blog se posiciona na questão; as movimentações no mondo rock/pop e na cultura pop esta semana; e mini-histórias malucas (com dorgas e brigas com rockstars) de um jornalista idem, pra fechar com classe o livro zapper que vem aí! (plus gigante contando como foram as manifestações ontem em São Paulo) (versão ampliada e finalizada em 18/06/2013, às 13:30hs.)

 O som e a fúria: o novato e bacanudo quarteto garageiro inglês Palma Violets (acima) é anunciado como uma das atrações do festival Planeta Terra 2013; anúncio feito na mesma semana em que Sampalândia teve suas ruas tomadas por uma batalha sangrenta (abaixo) entre manifestantes contra o aumento no preço da tarifa do ônibus, e a péssima, truculenta e total despreparada polícia militar do (des) governador Geraldinho Alckmin

 

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RELATOS DO FRONT DA REVOLUÇÃO PAULISTANA E NACIONAL – OU A REVOLUÇÃO ESTÁ SIM SENDO TELEVISIONADA, E MOSTRADA NAS REDES E MÍDIAS SOCIAIS

* Esse aí em cima é um título possível para o que o blog presenciou ontem. Ele este na nova passeata em São Paulo contra o aumento das tarifas de ônibus na cidade. Conosco foi o querido amigo e professor de sociologia Marcionilio Nery. Ambos percorremos a pé, por cerca de duas horas, algo em torno de 5 kms. Saímos da estação Faria Lima do metrô e acompanhando a multidão que ali tinha se juntado, percorremos toda a avenida Faria Lima, viramos na Juscelino Kubystchek, entramos na Brigadeiro Luís Antônio e a subimos rumo à avenida Paulista, onde Zap’n’roll deu sua participação por encerrada na manifestação. O autor deste texto pegou o metrô na estação Trianon/Masp e chegou são e salvo em casa. Haveria zilhões de lances pra comentar aqui mas vamos tentar resumir beeeeem a ópera. Primeiro: o número de participantes. Dados dão conta de que havia 65 mil pessoas na manifestação. Deve ser algo por aí mesmo porque tinha gente pra caralho. Segundo: durante TODO O TRAJETO, de Pinheiros até a Paulista, a multidão não viu UMA VIATURA SEQUER da polícia militar – eventualmente um helicóptero da corporação fazia rasantes sobre a passeata, para por certo monitorá-la. O que se viu, então? Uma manifestação de DAR GOSTO: absolutamente ordeira, pacífica e sem QUALQUER ATO DE VANDALISMO. Tanto que, bem ao nosso lado, uma cena emblemática dessa total civilidade aconteceu: um garoto começou a pichar uma porta de ferro e imediatamente recebeu uma sonora VAIA de quem estava perto, além de ouvir gritos de “vandalismo não!”. O sujeito parou imediatamente com sua pichação e seguiu em frente, acompanhando a manifestação. Ou seja: depreende-se que onde entra a polícia truculenta do Geraldinho Alckmin, a merda acontece. Como ela não deu as caras em todo o percurso que fizemos, foi tudo lindo e tranquilo. E ouvia-se a frase: “Que coincidência! Não tem polícia, não tem violência!”. Foi bem por aí mesmo. Foi tudo lindo e ordeiro e organizado demais. Durante o trajeto motoristas de ônibus parados nas avenidas buzinaram em apoio à passeata. Uma passeata que, sim, tinha a galera jovem como o grosso dos participantes. Mas também havia gente mais velha (como o tiozão aqui), e pessoas de todos os tipos e classes sociais – e isso também foi mega bacana e válido. Fora os cartazes e gritos de guerra como “Copa do Mundo/Abro mão!/Prefiro dinheiro pra saúde e educação!”. Perfeito! Sério, o blog tinha severas críticas ao movimento e à conduta da molecada de hoje que está na casa dos vinte anos de idade, por acha-la alienada demais, conformada demais, bunda-mole demais, nem aí pro horror que está se instalando na sociedade brasileira. Pois a partir da do que vimos ontem em São Paulo na nova manifestação e da observação de tudo o que rolou nela, estas linhas online mudaram muitos de seus conceitos. Parece que finalmente o brasileiro mais jovem acordou para as questões mais prementes do país nesse momento, e que urgem ser tratadas de frente pelo poder público (não só o preço abusivo de um transporte coletivo em colapso mas também a corrupção e a violência que dominam endemicamente o país, o caos na saúde e educação pública etc, etc, etc.). Este jornalista tinha participado pela última vez de uma manifestação popular em 1992, quando o país pedia a saída do Collor da presidência. Vinte e um anos se passaram e hj, aos 5.0 de vida e com um tumor maligno na garganta, não se importou de percorrer os 5 kms que percorreu a pé. Nos sentimos mais brasileiros e cidadãos do que nunca. Ponderações finais: houve muito terrorismo de informação nas redes sociais. O blog e Marcionilio chegaram tranquilos na estação Faria Lima do metrô, que estava sim mega lotada mas tranquila, sem quase policiamento algum. E não havia esse clima de “revista geral” ou apreensão de celulares como estava sendo divulgado no Facebook. E a maior parte dos manifestantes foi mesmo pra avenida Paulista. Um grupo foi para o Palácio dos Bandeirantes e lá tentou invadir a sede do governo paulista. Por certo esses foram a minoria e eles estão ERRADOS em fazer isso, com certeza. E é CLARO que a grande mídia vai se deter muito mais nisso do que na PACÍFICA e ORDEIRA manifestação que percorreu agora à noite as principais avenidas de Sampa. E agora, Alckmin e Haddad? Saiam dessa! A revolução finalmente chegou aqui – e integrou o país ao resto do mundo.

Coisa linda! 65 mil nas ruas de Sampalândia ontem. Zap’n’roll estava lá!

 

* E um pensamento que ocorreu a este espaço virtual e que, pelo jeito, poucos se deram conta: Onde está, a essa altura do campeonato, o valoroso esquadrão e tropa de choque da turma do Fora do Eixo? Esse pessoal, ano passado, não passou o tempo todo mobilizando a humanidade nas redes sociais para fazer manifestações e passeatas em torno disso e daquilo? Não foram sempre ultra mega máster engajados em tudo? Não foram sempre a favor das liberdades individuais, da Marcha da Maconha, dos atos “existe amor em SP” na praça Roosevelt, durante a campanha pró Haddad, na qual entraram de cabeça? Por que agora estão TÃO CALADOS e se FAZENDO DE MORTOS? Não deveriam estar do lado do povão, manifestando sua indignação contra o aumento das passagens de ônibus na cidade (ou eles não andam de transporte público?), contra a corrupção e a violência sem fim que campeiam no Brasil? Não são reivindicações dignas e justas e que mereçam a ATENÇÃO dessa turma PILANTRA do Fora do Eixo? Curioso, né? Não há UM PIO, uma palavra dessa camarilha nas redes sociais (nem nas páginas deles aqui no faceboquete, nem nas contas que eles mantêm no Twitter) a respeito do que tá rolando em São Paulo. Parece que todos tomaram chá de sumiço ou se mudaram pra Marte. Não é preciso ser nenhum GÊNIO pra saber porque escroques com Pablo Capilé e porcos sujos como Alex Antunes estão de bico fechado e com o cu apertado até as orelhas. Pendurados que estão no saco da prefeitura, ARRANCANDO GRANA GRAÚDA dos cofres municipais, essa corja de PARASITAS não vai mesmo apoiar os protestos ora em curso em Sampa.
E nem precisam estar lá. Quem é sério e quer uma cidade melhor, também quer DISTÂNCIA dessa raça do FDE. Eles que enfiem seu discurso “social” (pro bolso deles) e “de amor a SP” (também pro bolso deles) no cu.

O Grande Beiço (acima) e o porcão pilantra (abaixo): Capilé e Alex Antunes, da ong Fora do Eixo, se fingem de mortos enquanto o país pega fogo

 

 

* Por último, vem cá: esses moleques que conduzem esse tal Movimento Passe Livre estão pensando o quê da vida? Quer dizer que, no entender deles, a manifestação é pura e simplesmente para fazer a tarifa do transporte urbano em SP baixar, sendo que as outras demandas e anseios que estão sendo manifestadas pelo povaréu na passeata (fim da corrupção, da miséria, da violência social, melhoria urgente de saúde e educação pública etc.) são SECUNDÁRIAS e não fazem parte do pleito do MPL? Ou seja: os 65 mil que saíram ontem às ruas de SP são PALHAÇOS no final das contas? Não tá na hora de alguém mandar esses moleques se foder e fazer eles entenderem que, sem adesão popular e sem RESPEITO às outras demandas que a população está exigindo, o movimento deles será um FRACASSO?

* A REVOLUÇÃO EM SAMPA EM VÍDEOS

 

Arnaldo Jabor se retrata do seu comentário equivocado da semana passada

 

Programa Roda Viva de ontem (segunda-feira), entrevistando dois representantes do Movimento Passe Livre

 

 

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Protesto sim, vandalismo e violência NÃO!

O postão zapper desta semana, que começa sempre com um generoso texto introdutório, está sendo escrito na madrugada de quinta pra sexta-feira e no calor dos acontecimentos que varreram as ruas da capital paulista nas últimas horas. Yep, isso aqui é um blog dedicado ao rock alternativo e à cultura pop, e isso já há uma década. Mas não podemos virar as costas e nem fechar os olhos ao que está acontecendo nesse momento na maior cidade do Brasil, por vários e óbvios motivos: porque Zap’n’roll nasceu, se criou e vive em Sampa; porque o autor deste blog, na sua juventude, foi punk durante quatro anos (dos dezoito até os vinte e dois de idade) e, nesse período, CANSOU de participar de protestos públicos contra alguma causa. Protestos que geralmente acabavam como acabam até hoje: com manifestantes sendo presos pela polícia, sendo feridos e agredidos por quem deveria zelar pela nossa integridade física e moral. Então, só com o passar dos anos e chegando, hã, uma certa idade, é que adquirimos a sapiência necessária para vislumbrarmos todos os ângulos de um problema como esse. É o que o blog procura fazer nesse exato momento, aqui nesse texto de abertura do post. A reivindicação do movimento “Passe Livre” é justa e legítima? Completamente. A tarifa de ônibus na capital paulista é caríssima. E a população de baixa renda que trabalha e é obrigada a se submeter a essa tarifa extorsiva recebe, em contrapartida, um transporte público de PÉSSIMA QUALIDADE, provavelmente um dos PIORES do mundo – e aqui, no caso paulistano, isso ocorre especificamente na questão do transporte por ônibus, já que há de se ressaltar que o metrô de Sampa, embora esteja começando a mostrar deficiências por conta da demanda de passageiros que só aumenta, ainda é um dos melhores do mundo nos quesitos conforto, rapidez e qualidade geral do serviço. Enfim, voltando à questão das manifestações: elas são justíssimas e incendiaram as ruas da cidade durante toda esta semana. Mas aí entra outro ângulo a ser examinado no que está rolando: está correta a forma como essas manifestações estão sendo conduzidas? De forma alguma, e aí entra a frase que abre o texto: protesto sim, vandalismo e violência, nunca! Foi um festival de agressividade e destruição o que se viu na noite de terça-feira última, por parte dos manifestantes. Eles destruíram ou depredaram entradas de estações de metrô ao longo da avenida Paulista, tentaram também danificar outros patrimônios públicos e particulares etc. E com esse tipo de atitude estas linhas online JAMAIS irão concordar, ainda que sejamos tachados (como fomos hoje, no Facebook) de reacionários, de estarmos nos tornando um “tiozão conservador” e os caralho. Ninguém mais do que o autor deste espaço online preza pela democracia e pelo respeito e o direito que todo cidadão deve ter de se manifestar sobre o que ele bem entender. Mas a linha entre manifestação e vandalismo às vezes é muito tênue e o resultado acaba sendo o que se viu anteontem pelas ruas de São Paulo. Isso é um lado da moeda. O outro é o que se viu agora à noite, há poucas horas, quando novos protestos rolaram pela cidade: a BOÇAL, TRUCULENTA e totalmente DESPREPARADA polícia militar do grande MERDA que é o (des) governador Geraldinho Alckmin, deu show de incompetência e violência ao tentar reprimir as manifestações. Disparou tiros de bala de borracha a esmo, lançou bombas de gás de efeito moral e disparou spray de pimenta também a esmo, ferindo gente que não tinha nada a ver com a parada e também vários JORNALISTAS, que estavam ali TRABALHANDO ao acompanhar os acontecimentos. O resumo dessa ópera dantesca e lamentável é muito simples: estão TODOS ERRADOS nessa história. Errado está o poder público (e seja qual partido for que está nesse poder) que há séculos já deveria ter entregue à população um transporte público de qualidade mínima e com tarifa com preço condizente ao salário miserável que o trabalhador médio ganha nesse país. Mas não: esse mesmo poder público prefere encher a bunda de empresários milionários, que são os donos das empresas de ônibus, e que faturam milhões com a tarifa sem se preocupar em cuidar da frota, de renová-la, de entregar busões decentes para que as pessoas possam andar neles (do caos que é o trânsito em São Paulo, com os busos trafegando na velocidade média de dez quilômetros por hora, nem vamos entrar em detalhes aqui). Por outra, errados também estão os organizadores dessas manifestações em permitir que GENTE INFILTRADA ALI insufle atos de violência e vandalismo entre os manifestantes. Fala sério: qual a REAL percentagem de TRABALHDORES que ganham pouco e que de fato sofrem com a pesada tarifa de transporte, que estava entre os manifestantes? Como bem frisou a dileta amiga Carolina Calanca (filha do venerável produtor Luiz Calanca): desde quando quem está TRABALHANDO consegue deixar seu posto às cinco da tarde, pra ir protestar contra algo? E quantos filhinhos de papai, autênticos playboys que andam de carro e NUNCA tomaram um busão lotado na vida, estão entre esses manifestantes, e registrando tudo com seus i-Phones? Pelamor, galere: quem é pobre de verdade não tem i-Phone nem marca protesto através dele. Enfim, urge que algo seja feito. O inepto prefeito de São Paulo, o excelentíssimo sr. Fernando Haddad (que recebeu o voto do blog nas últimas eleições, voto do qual já estamos nos arrependendo amargamente) disse que não vai rever o aumento das passagens de ônibus. Vai daí que o movimento “Passe Livre” precisa rever sua estratégia de atuação. Que tal todos entrarem nos busos, pular as catracas e NÃO pagar a passagem? É uma, e isso já foi feito anos atrás em Sampa, com bons resultados. Quanto ao grande MERDA que é o governador Alckmin, e sua polícia VERGONHOSA, não há mais o que fazer: só resta esperar a próxima eleição e torcer para que o populacho não seja burro mais uma vez e ARRANQUE de UMA VEZ POR TODAS o PSDB do governo paulista. É isso. Bora pra mais um postão bacanão (pelo menos isso, hehe), falando do festival Planeta Terra 2013, que ameaça ser o grande evento rocker deste ano em Sampa.

 

 

* Sobre o que tá rolando em Sampa Arnaldo Jabor foi preciso em seu comentário no Jornal da Globo (só perdendo a mão ao defender a atuação escabrosa da polícia militar de São Paulo), como você pode ver no vídeo aí embaixo:

 

 

*E nas imagens aí embaixo (da FolhaSP e Estadão), o clima de guerra na maior cidade do país.

Manifestantes X polícia truculenta: batalha nas ruas de Sampa

 

A tropa de choque do grande merda Alckmin: polícia pra quem precisa (os bandidos de verdade, não quem está protestando contra algo nas ruas)

 

Ele ofereceu flores aos policiais. E foi em cana

 

 

 

* Mais uma vez: protesto legítimo, sim! Violência e vandalismo, JAMAIS!

 

 

* Vinagre: a nova droga predileta de Zap’n’roll, hihihi.

 

 

E na semana em que Sampa ficou em chamas também confirmou-se a volta da tia Morrisey ao Brasil. Mozz vai fazer três shows no país em julho, sendo que na capital paulista ele toca no dia 30 de julho (uma terça-feira), no Credicard Hall. A pré-venda de ingressos, pelo site da Tickets For Fun (www.ticketsforfun.com.br), estava programada pra começar hoje, sexta-feira. A pista sai por 220 mangos, um preço nem assim tão, hã, abusivo. Mas pensa bem: o Credicard Hall é looooonge pra caralho (ruim pra chegar lá, pior pra voltar), o atendimento na casa é péssimo e a acústica de lá é pavorosa. Por tudo isso e também porque já assistiu a um show do ex-vocalista dos Smiths lá por 2000 (no extinto Olympia) é que o blog está completamente sem vontade de fazer qualquer sacrifício para assistir a uma nova gig do ser humano vivo mais maravilhoso que existe. Estas linhas zappers preferem esperar novembro chegar, para rever o Blur – aí sim!

Tia Mozz, de volta ao Brasil: em Sampa o show é no dia 30 de julho

 

* Falando em tickets, muita calmaria em relação à venda dos ingressos pro show do Black Sabbath em outubro, no Campo de Marte, em Sampa. Sinal de que…

 

 

* E curiosamente pouca gente comentando também sobre a edição deste ano do sempre bacanudo festival da Cultura Inglesa – aquele mesmo, que no ano passado trouxe a Sampalândia um show gratuito do Franz Ferdinand. Pois o festival deste ano já está rolando em seus diversos segmentos (música, cinema etc.) e é bom não esquecer: no próximo dia 23 (domingo) tem o encerramento da festa, com shows legais do Magic Numbers e da Kate Nash, lá no Memorial da América Latina (colado na estação Barra Funda do metrô, zona oeste de Sampa), a partir das onze da manhã. E o melhor: novamente de graça – basta retirar seu ingresso no horário comercial na avenida Paulista, 900m térreo. Vai lá!

Os fofinhos ingleses do Magic Numbers (acima) e a folkster Kate Nash (abaixo): eles tocam de graça em Sampa no próximo dia 23, no Memorial da América Latina, dentro do festival da Cultura Inglesa

 

* A NME e suas capas. Aproveitando a turnê que o velho Who vai fazer no segundo semestre (com passagem inclusive pelo Brasil), eis que o semanário musical inglês tascou uma imagem gloriosa da banda (quando ela era jovem e estava no auge) na sua edição desta semana. Veja aí embaixo e chegue mais uma vez àquela velha conclusão: tudo acaba um dia.

 

 

* A putaria da semana por aqui? Claaaaaro, não poderia ser outra senão postarmos mais uma foto esplendorosa do nosso já XOXOTAÇO de estimação, a incrível e cadeluda Julieta De Large, que ganhou um fã clube masculino monstro desde que este espaço virtual publicou fotos tesudíssimas da garota há três semanas. Pois deleitem-se leitores canalhas deste blog, e caprichem na punheta: aí embaixo, mais uma amostra de nossa “pequena” Julie, uia!

Lindaça até não poder mais, delícia cremosa, cavaluda, tesudaça e xana rapadinha: essa é a nossa gataça Julieta, com muito orgulho “sobrinha” por adoção de Zap’n’roll, uia!

 

* Like Clockwork”, o novo trabalho do Queens Of The Stone Age, caminha mesmo para ser o disco do ano (ou, no mínimo, um dos). Além de ser uma porrada de altíssima qualidade, o novo trabalho do gênio Josh Homme e sua gang acaba de conseguir mais uma façanha: foi parar no topo lista dos discos mais vendidos desta semana da prestigiosa revista  Billboard (a americana, não a droga brazuca, editada pelo porcão José Merda Flávio Jr.). O grupo nunca tinha conseguido chegar no topo da Billbo antes. E melhor: tirou de lá ninguém menos do que o novo álbum do hypado (sem merecer) Daft Punk.

Ele é gênio e ponto final: Josh Homme e seu QOTSA chegam ao topo da lista dos mais vendidos da edição americana da revista Billboard

 

* E quem também já foi capa da NME este ano e inclusive estará na edição 2013 do festival Planeta Terra, em Sampa, é o quarteto inglês Palma Violets, pelo qual o blog está caído de paixão desde o início da semana passada. Mas falamos melhor sobre os moleques aí embaixo.

 

 

PLANETA TERRA 2013 JÁ COMEÇA FORTE E ACERTA AO TRAZER O NOVATO PALMA VIOLETS

Yeeeeesssss! A humanidade indie rocker ficou felizaça na semana passada quando a produção do festival Planeta Terra divulgou as primeiras atrações fechadas para a edição deste ano, que rola no dia 9 de novembro em Sampa, lá no Campo De Marte (um dos aeroportos da cidade, que fica colado ao Sambódromo do Anhembi, e que agora também se transformou em espaço para shows, sendo que vai ser lá a gig do Black Sabbath em outubro). Blur vai ser o headliner, e deverá ser o show da vida de muita gente – inclusive do zapper saudosista, que viu a banda no pavoroso Credicard Hall em 1999 e desde então, sonha em assistir mais uma vez a banda ao vivo. O cantor americano Beck foi um dos ídolos da nação indie brazuca durante toda a década de 90’ e ainda tem zilhões de fãs por aqui. E ainda tem o Palma Violets.

 

Quem??? Claaaaaro, você, jovem e dileto leitor destas linhas online, nunca ouviu falar do grupo, de nome feinho mas que está deixando a Velha Ilha em chamas de meses pra cá. Aliás não apenas os leitores desse blog mas uma multidão de gente curiosa nunca tinha ouvido falar do Palma Violets – daí o espanto quando foram anunciados os três primeiros grupos do line up do Planeta Terra, com o povaréu perguntando no Twitter e no faceboquete: “que porra de Palma Violets é essa?”.

 

Zap’n’roll, ela mesma sempre com os dois pés atrás quando ouve falar de alguma banda nova ou de um novo hype sendo bombado a tudo custo na rock press gringa (e reverberado aqui, pelas “repetidoras” de plantão na blogosfera de cultura pop), começou a ouvir falar do PV no final do ano passado. Quarteto surgido em Londres em 2011, com referências de garage e rock’n’roll básico à la sixties. Muito bem. Com Samuel Fryer nos vocais e guitarras, Peter Mayhew nos teclados, Chilli Jesson no baixo e vocais e William Doyle na bateria. No final de fevereiro passado saiu o debut álbum dos moleques, batizado “180”, com onze faixas e pouco mais de quarenta minutos de duração. A crítica gringa recebeu o disco de joelhos. Alguns blogs brazucas também babaram todo o ovo que podiam pro lançamento. O blogão zapper, sempre esperto e na moita, “pescou” o disco e o manteve no HD do seu note – que acabou sendo roubado no aeroporto internacional de Brasília, quando o sujeito aqui estava voltando pra Sampa, após passar alguns dias em Manaus, no final de abril/início de maio. Com o anúncio de que o conjunto estará aqui no Planeta Terra, não houve jeito: o blog foi novamente atrás (na web) da estréia do PV. Pegou o disco e começou a ouvi-lo finalmente na semana passada. E aí?

A ótima estréia dos garotos de Londres: rock garageiro e anos sessenta e eflúvios de The Who e Animals no som do Palma Violets, que toca em São Paulo em novembro

 

Daê que os ouvidos zappers não cansam de escutar “180”. E yep, dessa vez – ao menos dessa vez – a blogosfera nacional dedicada ao rock e à cultura pop está certa ao babar tanto por uma nova banda. Em um mercado disputadíssimo e onde surgem centenas de novos grupelhos candidatos a “sensação da próxima semana” (sendo que infelizmente 90% deles será esquecido em alguns meses), não é fácil lançar um álbum que tenha realmente qualidade acima da média e que consiga manter o nome de quem o lançou em evidência pelos meses seguintes. Pois a estréia do Palma Violets é daquelas pequenas maravilhas que estão se tornando cada vez mais raras hoje em dia no anêmico rock planetário, mesmo aquele gestado longe de grandes corporações musicais. A música dos garotos é simples, básica, mas intensa e, por vezes, até algo épica (nas interpretações vocais da dupla Samuel e Chilli, que cantam com o coração na boca e como se estivessem fazendo a trilha para uma… passeata como as que estamos presenciando nos últimos dias em Sampalândia). E as melodias das canções são lindonas, de chorar de emoção em alguns momentos.

 

O disco abre intenso com “Best Of Friends” (não por acaso o primeiro single de trabalho do grupo, já rodando à toda no YouTube). É uma música que mostra que as melodias do PV são tramadas com guitarras algo limpas, sem muitos efeitos de pedaleira. E um órgão absolutamente vintage (tocado por Peter Mayhew) vai dando suporte a todas as canções. Aí vão surgindo pérolas como “All The Garden Byrds” (uma das músicas mais lindas do disco), “Tom The Drum” (que sim, tem muito de The Who e Animals nela, seja pela riff de guitarra que remete direto a “My Generation”, do Who, ou pela interpretação vocal que nos joga diretamente às inesquecíveis performances de Eric Burdon), “We Found Love” (essa já com nuances mais atuais, como se os Libertines tivessem também dado sua cota de influência ao PV) ou “Step Up for the Cool Cats” (mais garagem sessentista, com órgãos, chocalhos, pandeiros e vocal à “Animals”, impossível). É, no final das contas, um discaço que mostra um grupo muito à frente da concorrência atual (como, por exemplo, The Vaccines, de quem o blog também gosta) ao acertar em cheio em engendrar sua musicalidade com os melhores eflúvios do rock’n’roll dos anos sessenta.

 

Vai durar? Esperamos que sim. “180” já entra na lista dos melhores de 2013 destas linhas rockers bloggers. Eles estarão aqui no final desse ano, no Planeta Terra. Poderiam servir de trilha perfeita para as manifestações civis que estão sacudindo São Paulo nesse momento. E sim, por tudo isso, o blog torce para que o Palma Violets dure bem mais que apenas mais um hype de verão.

 

 

O TRACK LIST DE 180

1.”Best of Friends”

2.”Step Up for the Cool Cats”

3.”All the Garden Birds”

4.”Rattlesnake Highway”

5.”Chicken Dippers”

6.”Last of the Summer Wine”

7.”Tom the Drum”

8.”Johnny Bagga’ Donuts”

9.”We Found Love”

10.”Three Stars”

 

 

PALMA VIOLETS AÍ EMBAIXO

Nos vídeos de “Best of Friends” e “Step Up for the Cool Cats”, os dois primeiros singles do álbum “180”

 

 

 

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Disco: “180”, a incrível estréia do quarteto inglês Palma Violets. Lembrando que o grupo é uma das atrações deste ano do festival Planeta Terra, que rola em novembro em São Paulo.

 

* Festa de lançamento: as garotas do bacana grupo As Radioativas fazem show e festão de lançamento do seu primeiro cd nesta quinta-feira, lá no Beco/SP (que fica na rua Augusta, 609, centrão rocker de Sampalândia). Além das garotas tocando o disco no palco a noitada ainda vai contar com a especialíssima discotecagem do produtor musical Luiz Calanca. Vai perder?

As Radioativas lançam seu primeiro disco com show nesta quinta-feira, no Beco/SP

 

* Baladas: o finde promete ser agitado no circuito alternativo mas como hoje ainda é terça-feira (quando este post está sendo finalmente encerrado), a gente promete trazer o roteirão do que vai rolar em Sampa no próximo post, nesta sexta-feira, okays?

 

 

E ACABOU, NÉAN?

Si, si faltaram as novas histórias malucas de sex, drugs & rock’n’roll vividas pelo zapper sempre maloker. Mas o começo da semana foi corrido (passeatas, manifestações, consulta no HC etc.) e aí o blog promete que essas histórias entram aqui nessa sexta-feira, certo? Até lá então!

 

 

 

 (ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 18/06/2013, às 13:30hs.)

 

Black Sabbath, o velho deus e ícone máximo do metal, finalmente lança seu novo disco com Ozzy nos vocais; CSS, uma banda que talvez não tenha mais nada a dizer – e a cantar; aumentam os boatos sobre o fim da MTV Brasil; mais uma fotoca exclusiva zapper de uma xoxotuda musa indie que andou dando o que falar; e mais isso e aquilo tudo pra você relaxar e ler no finde… (plus: resenha do novo disco do CSS e como foi o festival Woodghotic em Minas Gerais) (versão final em 11/06/2013)

Os velhos do Black Sabbath (acima) ainda dão no couro em novo disco, o primeiro com Ozzy Osbourne nos vocais em trinta e cinco anos; já o outrora hypado CSS (abaixo) lança seu quarto álbum de estúdio e sem o gênio Adriano Cintra por trás, desce a ladeira sem dó

 

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EXTRINHAS FINAIS

E saiu enfim o vídeo de “The God Is Dead?”, o primeiro single do novo álbum do Black Sabbath. Música looooonga (sendo que o disco está bem resenhado aí embaixo) e clip idem, à velha moda sabbáthica. Confere aí embaixo:

 

Da mesma central de boatos do site Glamurama: agora diz-se que a MTV fecha mesmo no final deste ano. E que até lá o canal só irá passar reprises de seus programas. A novela promete ser longa e dolorosa…

 

Fechando a tampa: passar um feriadão em São Thomé Das Letras (no Sul de Minas Gerais) é sempre fodástico. Cidade linda, minúscula, cercada por mato, trilhas e cachoeiras. Tudibom enfim e que na semana passada ficou ainda melhor quando rolou por lá a quarta edição do Woodghotic Festival, evento que reuniu alguns dos melhores nomes do novo ghotic rock e do pós-punk daqui e da gringa também. Fora uma renca de djs paulistanos que invadiu Thomelândia e garantiu muitas horas de som bacanudo durante três noites seguidas. Com boa estrutura de som e luz, preços decentes e ótima localização, o Woodghotic mandou super bem e já tem tudo pra se tornar um evento obrigatório no calendário cultural anual do município. Estas linhas online (que assistiram gigs ótimas do Harry e do Plastique Noir no festival) mandam daqui seu abraço à turma do Escarlatina Obsessiva, que organizou e produziu tudo. Parabéns galere, foi beeeeem legal!

Johnny Hansen, o homem-banda Harry: uma lenda do indie rock eletrônico brazuca agita o palco do festival Woodghotic, em São Thomé Das Letras (Minas Gerais) na semana passada

 

 

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Audiência, responsabilidades, números, dor e solidão/reflexão.

São temas que perpassam a mente de Zap’n’roll quando ela está diante do notebook, em plena madrugada de sextona pra sábado (e no decorrer do finde), batucando as linhas digitais de mais um post semanal, que deverá estar completo aqui até esta segunda-feira, 10 de junho (por acaso, nier da nossa amada irmã, a Jaqueline, que mora laaaaá na Espanha). Yep, alguns hábitos na existência do outrora (e não muito tempo que ele era assim) blogger maloker, andam mudando de tempos pra cá, com uma velocidade até certo ponto impressionante. Quem convive (ou conviveu) com o autor deste espaço online sabe que ele, desde sempre, foi um devotado apreciador de circular pela night under rock paulistana, para ir a bares clubs, ver shows de bandas novas ou já estabelecidas, papear a esmo com as pessoas etc. Toda essa movimentação, durante décadas, foi acompanhada de homéricas enfiações de pé na lama em álcool, drugs e sexo. Mas um dia tudo chega ao fim, néan? Ou por cansaço e fastio de estar fazendo tudo igual há quase trinta anos, ou por algum problema seríssimo de saúde que impeça o sujeito de continuar sendo um jornalista gonzo e junkie em doses elevadas, ou porque todos nós, inexoravelmente, atingimos um estágio em nossa vida onde a vontade de sossegar fala mais alto do que qualquer outra parada. Então tudo isso perpassa os pensamentos do blog quando ele se dá conta das dores que vem sentindo há dias em sua garganta atingida por um tumor maligno e está se tornando cada vez maior. Dores que o impedem de engolir normalmente e que já subtraem o prazer de se alimentar e ingerir líquidos, visto que está também se perdendo gradativamente a capacidade de sentir o gosto dos alimentos. E estas linhas virtuais também – e por outro lado – sentem a responsabilidade e o peso de publicar semanalmente um blog que continua batendo recordes de comentários (quarenta e dois no último post) e recomendações em redes sociais, isso mesmo estando há uma década no ar. Ou seja: o que se escreve e postado aqui, repercute e muito. Então talvez seja o momento de, sabiamente, o quase ex-jornalista maloker se recolher cada vez mais à solidão existencial, para dela extrair as reflexões necessárias e que permitam sim a continuidade de nosso trabalho, seja aqui mesmo seja no livro compilando os melhores posts e colunas destes últimos dez anos e que deverá ser lançado em setembro próximo. A vida rock’n’roll – e todos os excessos inerentes a ela – sempre foi bacana. É bacana e continuará sendo. Mas para que o sujeito aqui continue sendo o que ele sempre foi (um jornalista antenado em cultura pop, despossuído de qualquer tipo de preconceito moral babaca), agora vai ser o momento de colocar os pés no freio (afinal, vem aí no final deste mês um procedimento cirúrgico bastante complexo, pra tentar exterminar o monstrinho que está em nossa garganta; procedimento que inclusive será complementado com tratamentos de quimio e radioterapia). Aí depois que tudo estiver em ordem novamente, com a saúde 100% e mantendo uma rotina de vida bem mais tranquila e muito menos enlouquecedora (a sapiência adquirida nesses últimos anos está gritando por isso), iremos continuar fazendo o que sempre amamos fazer: viver intensamente a cultura pop e o rock’n’roll, exatamente como temos feito nos últimos trinta e cincos anos de existência.

 

 

*Yep, sobre os protestos que andaram sacudindo Sampalândia nas últimas duas noites, contra o aumento no preço das passagens do transporte urbano, o blog vai dar o seu pitaco nessa história. E tem a dizer o seguinte: há dois lados nessa questão do aumento da tarifa dos transportes em Sampa. Um deles: busão e metrô não subiam há dois anos. E o país tem inflação, mascarada AO MÁXIMO pelo governo (como fazem lá na Argentina, só que lá é pior que aqui), mas tem. Logo, não haveria mesmo como não haver aumento. Dentro desse aspecto, R$ 0,20 de aumento (menos de 10%) nem é tanto assim, convenhamos. Agora, o outro lado da mesma moeda: R$ 3,20 é sim UM ROUBO dada a PÉSSIMA qualidade do transporte urbano em Sampa, gerido pela empresa SPTrans. Ônibus sempre lotados, boa parte da frota velha demais, demora para percorrer os itinerários (visto que o trânsito simplesmente NÃO anda mais em São Paulo, e não há corredor de ônibus que resolva isso) etc, etc, etc. Fora que, como foi observado no sempre ótimo Jornal da tv Cultura, quem anda de buso em Sampa é o POVÃO mesmo, a classe trabalhadora mais pobre – classe média só anda de carro, egoísta como só ela sabe ser. E 3,20 realmente é PESADO pra quem é das classes C, D e E. Há de se fazer uma ressalva ao metrô: mesmo com seus eventuais problemas (que vêm aumentando nos últimos meses com o também inevitável aumento da demanda de passageiros), ainda é o MELHOR meio de transporte público em Sampa. Estas linhas virtuais não se importam de pagar 3,20 pra andar de metrô. Já de ônibus… não compensa. E agora, Haddad (que começa a mostrar sua incompetência e ineficácia para resolver as mais simples questões envolvendo a prefeitura paulistana, e isso em menos de cinco meses no cargo de prefeito) e Alckmin (esse é o grande MERDA que todos nós já sabemos que ele é): como é que fica?

 Avenida Paulista, o principal centro financeiro do país em guerra nas duas  últimas noites: o pau comeu por conta do aumento no preço das passagens de busão e metrô em São Paulo; agora, sejamos francos: protestar ok, mas o que tem a ver o povaréu (abaixo, reunido no centro da cidade) depredar estações de metrô como a da Brigadeiro (acima) por causa do aumento? Fala sério…

 

* E sem querer ser babaca, moralista ou estar se tornando um coroa ranzinza e conservador, mas é muito óbvio que os protestos ocorridos na avenida Paulista, no centro da cidade e em Pinheiros (na zona oeste paulistana) foram de um exagero sem tamanho. Parar o trânsito (já completamente caótico e sem solução) da maior cidade do país, depredar lojas e estações de metrô… o que isso tem a ver com o protesto em si? Está mais pra ato de vandalismo, patrocinado por gente bandida e sectária (egressa mui provavelmente dos partidos ultra radicais de esquerda), do que de fato algo organizado pela população pobre e que depende realmente do transporte público em Sampa.

 

 

* Já a Marcha da Maconha, que também rolou na tarde de sábado em Sampa e pelo quarto ano consecutivo na capital paulista (e agora com o respaldo legal do STF, que considera o evento como um ato democrático legítimo e que não se configura em apologia ao uso das drogas), foi tranquila e sem incidentes. O blog não esteve presente mas continua dando todo o seu apoio ao movimento pois como todos que acompanham estas linhas bloggers (algo também analíticas da sociedade contemporânea) há anos já sabem, nossa posição é: legalizem JÁ todas a drogas nesse país!

 

* Bien, voltando ao rock’n’roll e já indo pra uma mini-bomba que foi “ventilada” (mas ainda não oficialmente confirmada) esta semana: o cantor americano Beck, um dos grandes ícones do indie rock que importa nos anos 90’ (e, de certa forma, até hoje), deverá ser anunciado a qualquer momento como mais uma das atrações do festival Planeta Terra 2013. Se for isso mesmo e já tendo o Blur como headliner (e ainda com a possibilidade de ter TAMBÉM o Yeah Yeah Yeahs e a delicious xota cantante Lana Del Rey no line up), o Terra deste ano está IMPERDÍVEL desde já.

Gênio do indie rock americano dos 90′, Beck também deve ser anunciado para o Planeta Terra 2013

 

* Assim vai se desenhando a cronologia dos últimos grandes shows que o jornalista zapper já a caminho da aposentadoria (uia!) pretende assistir, para coroar e concluir muito bem uma saga de trinta e cinco anos assistindo a tudo que você, dileto leitor destas linhas rockers semanais, pode imaginar. Pois entonces: vamos de Black Sabbath e Terra este ano, e Depeche Mode e Stones em 2014. E depois chega, que o sossego em São Thomé Das Letras nos aguarda!

 

* AS GLORIOSAS BOCETAS E A PUTARIA SEMPRE RENDEM AUDIÊNCIA – e não? Nos últimos posts este blog algo cafajeste (às vezes, hihi; nem sempre, convenhamos) voltou a bater recordes de audiência nos acessos, nos comentários enviados ao painel do leitor e no número de recomendações em redes sociais. E não há nenhum mistério ou segredo por trás desse aumento na audiência zapper: publicando tópicos onde andou se destacando beldades femininas peladonas (sobre garotas que fizeram ensaios nus ao natural, sem nenhum tratamento adicional dado às fotos, ou ainda reeditando a seção “musa indie da semana”), estas linhas virtuais mostraram mais uma vez que o povaréu curte mesmo uma putaria (sem moralismos hipócritas, por favor), quando ela vem publicada com bom gosto e comentários sagazes e bem-humorados. Zap’n’roll sempre foi e sempre será assim: além de lançar um olhar sério, severo e atento à produção musical rocker daqui e de fora e também à cultura pop em geral, também sempre irá se dedicar a mostrar como é prazeroso ler sobre e ver xoxotas divinais. Vai daí que neste post desovamos (aí embaixo) mais uma foto exclusiva do blog, e tirada há três anos durante um show da banda Daniel Belleza & Os Corações em Fúria, no clube Outs/SP. A imagem revela a delícia Julieta De Large (mostrada aqui há duas semanas em todo o seu fodástico esplendor natural e putanhesco, hihi) invadindo o palco e mostrando seus atributos carnais, naquela que deve ter sido sua primeira foto mostrando suas lindas tetas. Confiram:

A xoxotaça Julieta De Large (que já enlouqueceu o leitorado zapper há duas semanas) aparece aqui pela primeira vez mostrando suas gloriosas tetonas, em show perfomático da banda Daniel Belleza & Os Corações Em Fúria, na Outs/SP em 2010

 

E não só: um fotógrafo americano também revelou ao mundo, há algumas semanas, as fotos que realizou com miss Vaconna, ops, Madonna, quando a deusa e rainha eterna do pop tinha apenas vinte e um aninhos de idade e era apenas uma ilustre e desconhecida… dançarina de boate (e que devia foder até o cu fazer biquinho, hihihi). Atentem para o bocetaço peludaço que a “material girl” ostentava na época, sendo que Zap’n’roll sempre AMOU xoxotas peludas, wow!

 

 

E por fim, pra encerrar nosso “cantinho das peladonas que arrancam porra dos machos na punheta feliz”, mais duas beldades que fizeram ensaio para o Tumblr 302 (e que você pode acessar em http://apartamento302.tumblr.com/).

Bárbara (acima) e Roberta (abaixo): mais dois bocetaços divinos e sem retoques, fotografados no Tumblr Apto. 302

 

 

* Aumentaram sensivelmente esta semana os boatos sobre um fim próximo para a MTV Brasil. O site Glamurama noticiou que a data para o encerramento das atividades do canal é no próximo dia 30 de junho. Estas linhas online vão procurar seus contatos lá na emissora nesta semana, pra ver o que apuram a respeito. De qualquer forma a MTV já está decadente há séculos, e ganhou um sopro de sobrevida com a ótima série “A menina sem qualidades” que vai ser exibida até a semana que vem. Mas isso não basta pra manter o canal em pé. Aguardemos então as cenas dos próximos capítulos dessa dramática novela.

 

 

* O que não pode esperar é o livro “Zap’n’roll – Histórias de sexo, drogas, loucuras e rock’n’roll na trajetória do jornalista mais junkie da imprensa musical brasileira”, que deve sair finalmente em outubro. E muito menos nossos comentários sobre as voltas do Black Sabbath (com o véio Ozzy nos vocais) e do CSS (sem o gênio Adriano Cintra), os quais você lê aí embaixo.

 

 

OZZY ENFIM DE VOLTA AO VELHO SABBATH – MAS O DISCO NÃO FAZ FALTA NA TRAJETÓRIA DA BANDA

Os deuses do metal ainda estão vivos? Ou morreram finalmente? É uma questão pertinente a ser levantada quando se ouve “13”, o esperadíssimo álbum que marca a volta da lenda Ozzy Osbourne aos vocais do igualmente lendário Black Sabbath. Foram longos trinta e cinco anos de separação – o último disco gravado pelo grupo com os vocais de Ozzy havia sido o “Never Say Die!”, lançado em 1978. E quando se anunciou, já no segundo semestre do ano passado, que a formação original do BS voltaria a se reunir para lançar um novo álbum e sair em turnê, foi um tumulto total no mondo rock. Tumulto que continua mais forte do que nunca, agora que o disco caiu na web (o lançamento em cd está marcado para esta segunda-feira, 10 de junho, Brasil incluso e onde a banda fará três shows em outubro, em Sampa, Rio e Porto Alegre), provocando já as mais diversas reações na crítica e nos fãs. É um grande disco? É mediano? Está longe dos momentos de glória do grupo?

 

Há de se fazer algumas observações e dar alguns “descontos” em relação a “13”, que começou a ser gravado em agosto de 2012 e teve seus trabalhos concluídos em janeiro deste ano. A primeira e mais óbvia é sobre a idade que está pesando nas costas da trinca Tony Iommi, Ozzy e Geezer Butler: todos estão com mais de sessenta anos de idade (Geezer, o mais novo, tem sessenta e três; Iommi e Ozzy estão, respectivamente, com sessenta e cinco e sessenta e quatro anos). Ou seja: não dá pra exigir dos velhinhos que eles tenham hoje a mesma dinâmica artística, potência instrumental e capacidade criativa que exibiam há três décadas. Além disso, ao mesmo tempo em que anunciava a sua volta com a formação original (e na qual estava também o baterista Bill Ward, que saiu meses depois por não concordar com o contrato que estava sendo oferecido a ele para participar do esperadíssimo comeback; ou seja, como sempre, mais uma treta por causa de $$$ estragando a reunião dos membros originais de um grupo ícone de toda a história do rock), o Black Sabbath também anunciava que Tony Iommi havia sido diagnosticado com um câncer em estágio inicial – tumor em função do qual ele continua em tratamento médico até hoje.

 

Esses dois fatores (idade avançada dos integrantes e o tratamento contra um câncer do guitarrista Iommi) já seriam suficientes para não se esperar que o novo trabalho dos fundadores do heavy metal fosse uma obra-prima. E “13”, de fato, não chega perto de discos como “Paranoid” (de 1970), “Vol. 4” (editado em 1972) ou o imbatível “Sabotage” (lançado em 1975). Mas, em seu bojo, mantém a musicalidade que definiu o rock do Sabbath: as melodias sombrias, pesadas e arrastadas, riffs agônicos de guitarra, seção rítmica poderosa, e os vocais de Ozzy mantendo o timbre lamentoso que o celebrizou. É um disco longo na duração (quase uma hora de música) mas econômico no número de faixas: apenas oito canções, que oscilam dos quatro minutos e pouco de “Zeitgeist” (uma balada suave e contemplativa, levada por violões e percussão discreta)  aos quase nove do primeiro single, “God Is Dead?”. Nenhuma delas poderia ser incluída em um “greatest songs” histórico do conjunto mas ainda assim o álbum se mostra melhor resolvido e mais atraente do que alguns equívocos lamentáveis que o grupo lançou nos anos 90’.

O novo álbum da lenda do heavy metal, com Ozzy de volta aos vocais: bom disco, que funciona como aperitivo pra turnê da banda por aqui em outubro

 

Quem não conhece a obra magna e inicial do quarteto (em seu comeback contando com os serviços do baterista Brad Wilk, que já tocou no Rage Against The Machine) poderá até se entorpecer com faixas como “Age Of Reason” ou “Live Forever”. Já quem é calejado e experiente na discografia dos ingleses não vai deixar de notar a auto-referência à própria obra do Sabbath, notadamente em “Loner” (cujo riff de guitarra é idêntico ao de “Nib”, clássico do álbum de estréia da banda) ou em “Dear Father”, com aqueles sons de sinos e trovoadas que também povoam a estréia em disco do grupo. E além dessa auto-referência há também a interpretação vocal de Ozzy: ele continua com a mesma inflexão mas canta cada palavra de forma cada vez mais vagarosa – o que no final deixa as letras das músicas (sempre versando sobre questões religiosas e que atormentam a alma humana quando ela se defronta com o eterno maniqueísmo bem X mal) bem compreensíveis até para quem não saca muito de inglês.

 

Seria, enfim, perda de tempo esperar muito mais do que este “13” apresenta. É sim um bom disco de heavy rock (e que deixa muita banda de pirralhos atuais comendo poeira) mas que soa como música de ninar perto da escrotice que os abjetos grupos de metal extremo gravam hoje em dia. E é muito óbvio que o lançamento do disco foi apenas a desculpa para o velho Sabbath se reunir novamente e cair na estrada – tanto que no set list da atual turnê (a que vai passar por aqui em outubro) há apenas UMA música do novo trabalho inclusa no roteiro do show. Discos a banda não precisa mais vender (e hoje ninguém mais compra cds) pois seus integrantes estão podres de ricos. Mas alguns milhões de dólares a mais na conta bancária de cada um deles, advindos das gigs da turnê mundial, serão sempre bem-vindos.

 

Moral da história? “13” não mancha a trajetória do Black Sabbath (que já gravou discos piores em sua existência). Mas também não poderá jamais ser incluído entre os momentos sagrados (ou profanos, rsrs) de Ozzy, Iommi e Butler. No máximo, serve como bom aperitivo e aquecimento para os shows brasileiros, daqui a três meses.

 

 

O TRACK LIST DE “’13”

1.”End of the Beginning”

2.”God Is Dead?”

3.”Loner”

4.”Zeitgeist”

5.”Age of Reason”

6.”Live Forever”

7.”Damaged Soul”

8.”Dear Father”

 

 

 

UMA LETRA DO NOVO ÁLBUM

(do single “God Is Dead?”)

 

Perdido na escuridão

Me afasto da luz

Rezo para meu pai, meu irmão, meu criador e salvador

Me ajudar a sobreviver à noite

Sangue na minha consciência

E assassinato na mente

Escapando da melancolia, me ergo da tumba rumo a um destino nefasto iminente

Agora meu corpo é meu santuário

 

O sangue corre livremente

A chuva se torna vermelha

Me dê o vinho

E fique com o pão

As vozes ecoam na minha cabeça:

Deus está vivo ou Deus está morto?

Deus está morto?

 

Rios de maldade correm por terras moribundas

Nadando em sofrimento,

Eles matam, roubam e pegam emprestado

Não existe amanhã

Para os pecadores que serão punidos

De cinza em cinza, não é possível eximir sua alma

Em quem confiar quando corrupção e luxúria, o credo dos injustos

Te deixam vazio e incompleto?

 

Quando esse pesadelo vai acabar? Me diga!

Quando vou poder esvaziar minha cabeça?

Alguém me dirá a resposta?

Deus está mesmo morto?

Deus está mesmo morto?

 

Para proteger minha filosofia até meu último suspiro”

Me transfiro da realidade para uma pequena morte

Me aproximo dos inimigos até a hora certa

Com Deus e satanás ao meu lado

A escuridão chegará à luz

 

Vejo a chuva se tornar vermelha

Me dê mais vinho

Não preciso de pão

Essas charadas que vivem em minha cabeça

Não acredito que Deus esteja morto

Deus está morto

 

Não tem para onde correr

Não tem para onde se esconder

Me pergunto se iremos nos encontrar de novo do outro lado

Você acredita em alguma palavra que a bíblia diz?

Ou é tudo um conto de fadas sagrado e Deus está morto?

Deus está morto x4

 

É isso!

 

Mas continuam as vozes na minha cabeça me dizendo que Deus está morto

O sangue corre

A chuva se torna vermelha

Eu não acredito que Deus esteja morto

Deus está morto

 

 

E O VELHO SABBATH AÍ EMBAIXO

Em vídeo que mostra a banda ao vivo no Brasil, em 1992, com o gigante e saudoso baixinho Ronnie James Dio (o ídolo inesquecível da amada gata e amigona zapper, a Sabrina Kaltner) nos vocais. Foi uma turnê fodástica, o blog zapper esteve na gig em Sampa (no extinto Olympia) e aí embaixo a banda ataca com fúria seu mega clássico “Paranoid”

 

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CSS: UMA “PLANTA” JÁ MURCHA SELA O DESTINO DA BANDA

Na semana em que o mondo rock se agitou com o lançamento do novo álbum do Black Sabbath, o “velho” CSS teve a péssima idéia de também divulgar “Planta”, o quarto disco de estúdio do combo electro-rock formado em Sampa há uma década. O cd, que sai oficialmente nos Estados Unidos hoje (terça-feira, 11 de junho), já vazou total na web. E claro, foi completamente ofuscado pelo trabalho dos velhos reis e lendas do metal.

 

Se fosse apenas o problema de bater de frente com o novo cd do Black Sabbath, o CSS poderia estar rindo à toa e em uma posição bem mais confortável do que se encontra atualmente. Não custa lembrar: a banda foi fundada em São Paulo em 2003, pelo guitarrista, baterista, produtor, muliinstrumentista e gênio do underground paulistano Adriano Cintra (dileto amigo pessoal destas linhas online, diga-se), que já tinha um longo histórico no submundo musical de Sampalândia: ele tinha tocado nos grupos Ultrasom, Supermarket e Butcher’s Orchestra (este último chegou a ter boa projeção na indie scene americana e europeia, inclusive). Quando se descobriu meio farto do rock’n’roll Adriano descolou cinco gralhas dispostas a fazer um esporro sonoro e montou o conjunto. O CSS no início era um pandemônio: cinco garotas porra-lokas fazendo uma gritaria dos diabos em cima do palco, e apenas Adriano Cintra sabendo tocar instrumentos e tentando por alguma ordem naquele caos. Foi esse combo maluco que tocou numa das festas da revista Dynamite no clube Outs/SP, por volta de 2004, em balada organizada pelo sujeito aqui, embora ele nunca tenha morrido de amores pelo som da banda.

 

Os anos foram se passando e Cintra pacientemente foi ensinando tudo o que precisava e podia para as moçoilas. Ao mesmo tempo também ia burilando e lapidando o material sonoro do grupo, que começou a pender para ambiências electro e com um pé na então nascente new rave. Veio o primeiro álbum (homônimo), a gravadora Sub Pop (a lenda grunge de Seattle) descobriu o grupo e o resto todo mundo está careca de saber: o CSS virou a bola da vez no pop/rock planetário, foi capa da NME, passou a viajar pelo mundo como headliner de alguns dos principais festivais de música, ganhou milhões de dólares, as peruas se deslumbraram com o sucesso e Adriano quebrou o pau com elas, saindo do grupo há dois anos.

Capa do novo álbum do CSS: fim melancólico pro electro-rock BR que quase conquistou o mundo

 

“Planta” surge então como o primeiro registro de estúdio pós-saída de Cintra do CSS. E em seu novo trabalho e sem as benesses da produção, composição e condução musical de seu ex-fundador o agora quarteto (restaram nele, além da cantora Lovefoxxx, as “instrumentistas” Luiza Sá, Ana Rezende e Carolina Parra) não avança nada musicalmente, não mostra nenhuma novidade em relação ao electro-rock e às matrizes que fundem rock e eletrônica e que eram tão bem costuradas por Cintra. Óbvio, sabendo que não tem o conhecimento musical necessário pra conduzir o conjunto adiante sem seu ex-faz tudo, o CSS não perdeu tempo e se trancou em um estúdio em Los Angeles sob a batuta do produtor David Sitek (que já trabalhou com o maleta Tv On The Radio), e saiu de lá com as onze faixas de “Planta”. Disco redondo e bem gravado, há de ser sincero. Com boa qualidade de som e mostrando que em uma década ao menos a japonesa aprendeu a modular minimamente correto o seu vocal, e que as outras integrantes hoje possuem noções igualmente mínimas de seus instrumentos.

 

O problema e o que vai foder definitivamente o disco é a total ausência de boas idéias musicais ali. O CSS regurgita seu electro-rock mas sem a sensação de novidade e frescor que havia, por exemplo, numa faixa como “Meeting Paris Hilton”. Pior: na busca de uma inspiração ou “credibilidade” que balize o cd, investe em ambiências à lá New Order (em “Into The Sun”, com sua guitarrinha esparsa colocada meio que à força na melodia construída por bases eletrônicas) ou na lamentável tentativa de dar um sabor “saleroso” e algo latino ao primeiro single, “Hangover” (um eletro-pop pontuado por metais bregas). Mas pior do que a ausência de boas idéias na questão musical é também a quase nulidade contida nas letras – e isso já fica claro em títulos toscos como “Dynamite”, “Namorada”, “Doce”, “Querido”, “Tão quente” e por aí vai. Um bom momento do disco estaria na balada eletrônica (e com um eflúvio de melancolia nela) “Frank Goes To North Hollywood”, se no meio da música a descerebrada Lovefoxxx não enfiasse esses “primorosos” versos em português entre o restante da letra, que é em inglês: “A gente costumava se encontrar/Três horas da manhã/Sem hora pra voltar/Agora as madrugadas estão vazias/Fico olhando pro teto/Até o meio-dia/Eu e você/Você eu/Se lembra aquela vez que o pau comeu embaixo do Minhocão?/Sem você não tem mais emoção/Volta pra casa, volta pra mim/Frank, a minha saudade não tem mais fim!”. Wow!

 

Está muito claro que há um vazio temático no álbum. Adriano Cintra, além de tocar vários instrumentos e produzir os discos, escrevia letras muito melhores do que a pobre Lovefoxxx, que pode ser bonitinha e tal mas não tem estofo cerebral para enfeixar um texto realmente digno de se refletir sobre ele. Vai daí que “Planta” acaba se transformando em um festival de canções algo constrangedoras e inócuas, com as letras narrando histórias pueris de baladas, amores e bebedeiras. Como se todas ali ainda fossem adolescentes de dezesseis anos de idade. E não é esse o caso delas.

 

Vai vender? Provavelmente não – se nem o U2 vende mais cds físicos hoje em dia, que dirá o CSS… Porém, com trabalho novo na praça as meninas irão tentar conseguir mais alguns milhares de doletas, participando de festivais por aí. Depois disso será o fim inexorável do CSS. Porque na decadência a banda já chegou. E chegou muito rápido, infelizmente.

 

 

EM ENTREVISTA BOMBÁSTICA, ADRIANO CINTRA REVELA OS BASTIDORES DE SUA SAÍDA DO CSS

Quando lançou o primeiro disco de seu novo projeto musical, o duo Madrid (onde ele canta junto com a loiraça Marina Vello, ex-vocalista do Bonde do Rolê), Adriano Cintra concedeu entrevista enorme e exclusiva ao blog. Ela foi publicada aqui em meados de abril do ano passado. E agora, aproveitando o lançamento de “Planta”, do CSS, estas linhas online republicam o texto, para que você reler ou ler pela primeira vez.

 

Confira aí embaixo.

 

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Ele voltou – em termos – ao underground musical paulistano, onde nasceu e se criou. Você, jovem leitor zapper, pode não ter a noção exata de quem é Adriano Cintra. Mas o multiinstrumentista (toca bateria, guitarra, baixo, teclados e sopros), compositor, arranjador e produtor musical circula há quase duas décadas no rock alternativo de Sampa. As primeiras bandas foram o Ultrasom e o Supermarket, no início dos anos 90’. Depois veio o trio garage punk Thee Butcher’s Orchestra, que se tornou gigante na indie scene paulistana e projetou o trabalho de Adriano também no circuito rock independente europeu. Foi também, nessa época, que ele e Zap’n’roll se tornaram amigos.

 

E aí entrou em cena o combo electro-rock CSS (Cansei de Ser Sexy). Você e todo mundo sabe: a banda era Adriano mais cinco garotas (depois, apenas quatro) fazendo uma maçaroca barulhenta ao vivo – o grupo chegou a tocar, de graça, em festa da extitna revista Dynamite (e promovida pelo autor deste blog), no tradicional bar paulistano Outs. Isso lá por 2004. Aí a banda foi aprimorando seu som, Adriano foi fazendo contatos aqui e ali, conseguiu um contrato com o lendário selo SubPop (de Seattle e que deu ao mundo o grunge de Nirvana e Soundgarden) e… voilá! De repente o CSS era o nome um dos nomes mais “hot” do novo rock planetário dos anos 2000. Capa na NME, headliner em festivais pelo mundo afora, fama, dinheiro entrando e… tretas, muitas tretas. Que culminaram com a saída de Adriano Cintra (o “cérebro” e principal compositor do grupo) do CSS, no final do ano passado.

 

Isso é um resumo possível da história até aqui. Agora, aos trinta e oito anos de idade, o querido e velho Adriano está de volta com o seu novo projeto musical, o duo Madrid. Ao lado da cantora e compositora Marina (ex-integrante do grupo curitibano Bonde do Rolê), Adriano compôs uma batelada de belíssimas canções tramadas com violões, pianos e sopros. Tudo moldado em ambiências bucólicas, suaves e algo melancólicas (leia a resenha do álbum mais aí embaixo), em um disco que será lançado com um show na chopperia do Sesc eiapéia, em São Paulo, nesta terça-feira, 3 de julho.
Mas o que rolou afinal por trás da saída de Adriano do CSS? E o que é o Madrid e o que o músico espera conseguir com sua nova empreitada musical? É o que você fica sabendo abaixo, na entrevista gigante e exclusiva que estas linhas zappers fizeram com o seu velho amigo na semana passada, via Facebook.

A banda, ainda contando com seu fundador, produtor, multiinstrumentista e faz-tuto Adriano 

Cintra, na formação: ele saiu, o hype acabou e agora fim de festa pra Lovefoxxx e cia

 

Zap’n’roll – Você está lançando o primeiro álbum de seu novo projeto musical, o Madrid. O que esperar desse projeto e de um músico que já foi de uma formação histórica do indie guitar rock paulistano e que fundou um dos grandes nomes do electro-rock mundial nos anos 2000, o CSS?

Adriano Cintra – Tem a ver com minha primeira banda, o Ultrasom, onde eu tocava piano e cantava. É um disco lo fi, gravei tudo na minha sala, com poucos microfones. A Marina é incrivel, nos demos muito bem. Ela compõe, arranja, produz Desde o Caxabaxa [outro finado projeto musical de Adriano] eu não trabalhava com uma pessoa tão criativa.

 

Zap – Sim, e vocês dois são multiinstrumentistas. Mesmo assim, houve a adição de mais algum músico extra nas sessões de estúdio? E nos shows, serão apenas vocês dois mesmo ou pensa em montar uma banda maior?

Adriano – No disco só tem eu e ela. Eu toquei piano, bateria, baixo, algumas guitarras, sax e trompete. Ela tocou violão, guitarra, glockenspiel, órgão… Ao vivo contamos com dois músicos amigos nossos: O Rodrigo Sanches na bateria (foi ele que mixou o primeiro e o terceiro disco do CSS e gravou o segundo) e o Fil na guitarra. Ao vivo os arranjos são mais simples que no disco, mas tá soando super bem.

Zap – Ok. E sobre o quê falam as canções do Madrid?

Adriano – Separação, morte, maldade, desilusão, traição.

 

Zap – Esses temas presentes no trabalho do Madrid (separação, morte, maldade, desilusão, traição) têm a ver com o seu passado no CSS e os problemas que culminaram com a sua saída do grupo?

Adriano – claro, kkkkk. Então. Minha saída do CSS foi um dos períodos mais sofridos da minha vida. As pessoas acham que eu sou muito bafonzeiro, que xingo, que isso que aquilo. Mas ninguém parece entender que eu gostava daquelas meninas. De verdade. Era como se fossem da minha família. Eu tinha um sentimento de proteção com relação a elas fora do normal, talvez até por isso eu as tenha poupado tanto durante todo o processo. Eu as mimava de certa forma. E o dia que a japonesa [Lovefoxxx, vocalista do CSS] parou de falar comigo do NADA… Foi assim, um dia ela acordou e resolveu que não queria mais ser minha amiga. Olha, aquilo pra mim foi a morte. Eu demorei pra sair da banda, eu esperava que as coisas melhrassem mas só pioraram. Esse negócio aconteceu em janeiro de 2011. Até novembro, quando eu saí, as coisas se tornaram insustentáveis. Ela me excluía. Ela começou a fazer um grupo onde eu não era convidado. Eu fiquei muito deprimido. Foi praticamente um bullying. Quando eu saí, e foi assim, eu mandei um email bem ridículo falando AH ENTÃO VOCÊS VÃO PARAR DE ME PAGAR? ENTÃO EU TO FORA. Ninguem nem respondeu, tipo eu tava no fundo esperando um email NAAAAÃO, NÃO SE VÁ! Mas acho que era o que elas estavam planejando! E daí eu passei por todas as etapas do luto, neguei, fiquei com raiva, deprimi. E isso tudo influenciou as composições do Madrid, esse álbum foi composto e gravado em dois meses e meio. Pa pum.

 

Zap – Ok. E hoje, passado um ano dasua saída, você já descobriu o que motivou essa atitude da Lovefoxxx? Porque, embora muitas pessoas não saibam, a priori quem teve a idéia de montar a banda e efetivamente a montou foi você. Quando o CSS começou a estourar no rock planetário, não havia nenhum contrato formal que definia essas questões de quem era o autor das canções e de como eram divididos os lucros entre os músicos da banda?

Adriano – Nunca descobri o motivo. Desconheço, cansei de tentar adivinhar. Quem montou a banda na verdade foi a IRACEMA. Que pulou fora em 2008. Olha, eu sou o compositor do CSS, isso é uma questão de publishing. Eu nunca dividi a edição das músicas com ela, então eu continuo sendo dono das músicas, da propriedade intelectual que são as músicas. Muitas tem letras da Lovefoxxx, então ela também é dona das músicas que tem letras dela. Não exite motivo para eu proibir elas de tocarem minhas músicas pois cada vez que tocam eu ganho dinheiro. O que elas queriam parar de me pagar era o mísero salário da banda. Eu tirei licença médica por conta de um reumatismo no dedo mínimo. Eu ia voltar a tocar um mês depois. E elas querendo cortar meu salário. Sendo que no show elas estavam usando até meus backing vocals gravados. O grande problema era esse. Eu sempre ganhei mais dinheiro que todas elas, eu era o compositor da banda. E o produtor. Daí aproveitando que eu saí da banda, elas não me pagaram nem pela produção do ultimo disco da banda. E quer saber? Que enfiem esse dinheiro no rabo, nem era muito dinheiro assim. Mendigas. Passado o baque da tristeza de ter sido descartado, eu consegui ver as coisas como elas são. Essas meninas são umas patricinhas do Itaim [Bibi, bairro nobre da zona sul paulistana], que não têm noção do que significa trabalhar. Camelei um ano e meio pra fazer essa porra de último disco. Não ficou do jeito que eu queria. Usaram meu estudio,meus instrumentos, minha paciência. Minha VIDA. E não me pagam o que estava acertado? Daí o melhor foi a desculpa do empresário, querendo me dar o truque que não era aquele valor combinado. Sendo que eu tinha guardado o email onde ELE me oferecia o valor. Gente baixa, rasteira. E agora ficam lá tocando minhas músicas (fazendo dinheiro pra mim) pagando de MINAS DE BANDA. Quero muito ver que tipo de música elas vão compor. “BEER! VODKA! PROVOLNE!”. Vai ser tipo isso, creio eu. E outras assim, bem bem pretensiosas onde a japonesa vai chavecar algum bofe, tentnado fazer poesia.

 

Zap – Há duas fases bem distintas do CSS. A primeira, de grupo electro-rock no underground paulistano, sendo que vocês chegaram a tocar em festa da revista Dynamite, produzida por mim lá no Clube Outs, hehe. A segunda é quando a banda começa a ficar realmente grande (e nessa fase o único show que assisti do grupo foi no festival Mada, em Natal, anos atrás), é contratada pela SubPop, sai na capa da NME e começa a tocar nos principais festivais de rock do mundo. A mudança de um estágio para o outro provocou, de certa forma, algum impacto psicológico ou emocional em você e nas outras integrantes? Vocês estavam ganhando muito dinheiro, afinal? E como isso tudo se refletiu na vida pessoal de vocês todos?

Adriano – Eu nunca ganhei MUITO dinheiro com a banda. O que eu ganhei eu gastei morando fora. Houve o imbróglio com o ex-empresário, que me dá vontade de vomitar. Seria a vez que eu ganharia uma grana, e por isso entenda “uau, vou comprar meu apartamentINHO de 60 metros quadrados”. E o dinheiro evaporou. Depois, ganhamos dinheiro que gastei morando fora, morei quatro anos em Londres. Aluguel caro, comida cara. Psicologicamente acho que algumas pessoas na banda começaram a se levar a sério demais. Eu nunca me deixei levar por aquilo, pra mim era trampo, era chato pra caralho, não dava pra dormir, eu era alcoólatra. Eu não to nem aí de conhecer gente famosa. Eu detesto gente, caguei. “AI, OLHA A PEACHES”. Caguei. Olha, o “DAVID GROHL”. Caguei. Eu nunca, nunca puxei papo com essa gente. “MEU DEUS, VAMOS TOCAR ANTES DO SONIC YOUTH”. Mano, eu nem cheguei perto deles, imagina ir la pagar pau e ser mal tratado? Ia acabar com minha vida. Bom, eu sou um bicho né. Mas tinha nego da banda que STALKEAVA essa gente. Ia atrás, puxava assunto, tirava foto, trocava email. Putz, acho muito escroto. Muito deslumbre. Sabe o pior? No fim, eu tava me questionando, será que eu tinha que mudar? Será que eu sou tao insuportável assim? Daí eu fui la e tirei UMA FOTO COM O DAVID GROHL, hahaha. E sabe o que aconteceu? Aquela piranha do Kills me tratou mega mal e eu quase mandei ela à merda, groupie do caralho.

Zap – E da parte das garotas, você sentia que havia um certo deslumbramento delas em estar ficando famosas e convivendo com outros rock stars? A Lovefoxxx chegou a noivar (ou casar) com o vocalista do trio inglês Klaxons, que também já teve seus quinze minutos de fama, rsrs.

Adriano –  Elas super deslumbraram. Patético. Me constrangia muito.

 

Zap – Ceeeeerto. E falando ainda de problemas com grana, direitos autorais de músicas etc, os problemas que você teve com o primeiro empresário do CSS foram, afinal, solucionados? Sei que você já falou muito sobre isso em entrevistas anteriores mas o que aconteceu afinal, a ponto de vocês demitirem o sujeito da função de empresário da banda?

Adriano – Há um processo criminal acontecendo. Essas coisas demoram anos. Mas eu vou até o fim.

 

Zap – Mas você pode detalhar o que acontceu?

Adriano – Ai, que horror. Meu advogado mandou eu não ficar falando disso, kakakakaka. É preguiça! A gente era burro, ele era mais burro ainda. E a merda espalhou na cara de todo mundo. Pra você ter idéia como as coisas são, desde 2007 eu nunca mais vi essa pessoa. Nem por acaso na rua. Não sei o que faz, onde frequenta, quem são os coitados que estão andando com ele hoje em dia. Quero que exploda.

 

Zap – Ok. E no auge do sucesso do CSS como você se sentia estando no meio daquele turbilhão de shows, entrevistas, festivais etc? Como era viver nesse, hã, “glamour” de fama, drugs, festas, sexo etc? Hoje, de volta ao cenário independente nacional, você de alguma forma sente falta daqueles tempos com o CSS?

Adriano – Olha, eu no auge bebia uma garrafa de vodka inteira por dia. Você acha que eu LEMBRO? Eu no fundo detestava tudo aquilo, nada era do jeito que tinha que ser, era tudo caótico, errado, a gente sempre se fudendo, nunca tinha tempo pra dormir, tinha dia que pegávams cinco vôos! Quando a banda deu um break pra fazer o terceiro disco eu parei de beber, comecei a fazer academia 6X por semana. Eu gosto de acordar cedo, dormir cedo. Não gosto mais de boate. Eu gosto de rotina. Agora com o Madrid eu vou fazer as coisas do jeito certo. Vamos viajar? Ok. Vamos marcar os vôos pensando que temos que DORMIR. ANTES DE VOAR. Kkkkkkk.

 

Zap – Ou seja: no final das contas, nem havia tanto glamour assim. Ou se havia, ele cobrava um preço alto, né?

Adriano – Véio, não tem glamour nenhum. Tocamos várias vezes na BBC. Tinha que estar lá as seis da manha pra passar som. Ninguém merece. Daí ficava lá o dia todo no camarim. Fazendo o que? Bebendo né. E comendo. É muito deprê. Glamour é você mesmo fazer suas coisas. Finatti, eu sou punk. Sempre gravei meus discos. Mixei. Fiz as estampas das camisetas. Silkei as camisetas. Vendi as camisetas. Quando você entra no jogo grande, vc não faz mais nada! É deprê.

 

Zap – Na minha avaliação pessoal, e sem querer fazer média com você, o CSS vai acabar em breve. E Lovefoxxx vai tentar a óbvia carreira solo, que também não vai durar muito. É o que eu acho. E você, o que acha em relação ao futuro delas?

Adriano – Quero que explodam. Mano, vai ver aquela MERDA de música que ela canta com o Steve Aoki. Aquele imbecil do Steve Aoki. Japonês deslumbrado, hipster wigga maldito. Mano, a voz dela tem tanto autotune que perdeu pra CHER. Ela pode gravar mais cinco músicas com auqele autotune terrivel. Até a hora que ninguem mais aguentar aquele efeito. Porque ela não consegue cantar sem efeito. Eu tenho aqui umas gravações que fizemos num puta estudio nos EUA. Se eu soltar isso, ela vai se dar descarga de vergonha.

 

Zap – Sensacional a entrevista, dear. Você lembrou dos tempos do Ultrasom, sua primeira banda. Teve também o Supermarket e, claaaaaro, o grande Butchers Orchestra, que na verdade foi a banda que te projetou como músico. Mudou muito a cena indie paulistana daquela época pra hoje? Como você se sente participando novamente dessa cena, após passar alguns anos em uma banda mega do pop planetário? Pretende tentar fazer carreira internacional também com o Madrid ou isso não está nos seus planos?

Adriano – Acho que hoje em dia tá bem deprê. Não tem onde tocar… tá puxado. Cade o Juke Joint? Então, já temos uma carreira fora. A agencia que marca nossos shows é inglesa. Estamos marcando uma turnê européia em outubro. Estamos negociando com uma empresaria americana para nos representar. A Marina mora em Londres. Para nos vai ser natural continuar tocando fora, eu tenho mais contatos lá fora que aqui!

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Disco: não é o velho Sabbath, nem de longe. Mas dá pra curtir “13”, o novo cd dos velhos deuses do metal, e que marca o retorno de Ozzy aos vocais da banda.

 

* Filme: “Faroeste Caboclo”, baseado na música homônima escrita por Renato Russo, é uma das boas surpresas nacionais da temporada.

 

* Baladas: serão colocadas aqui no postão que chega nessa sexta-feira. Mas se preparem que semana que vem tem showzão de lançamento do primeiro disco das Radioativas lá no Beco/SP, em noitada rocker que promete ser imperdível desde já!

 

 

E FIM DE FESTA!

Yes! Terça-feira já e finalmente postão concluído. Mas nessa sextona pode colar aqui novamente que um novo encontro rocker nos aguarda. Até logo menos então!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 11/06/2013, às 16:30hs.)