Novamente a melancolia zapper pede outro postão (em plena terça-feira triste) falando um pouco (não muito, tudo já deve ter sido dito) da IRREPARÁVEL perda do GÊNIO Lou Reed, do provável maior lançamento editorial de 2013 – a biografia do amado e genial Morrissey (quem mais?), acrescida de análises sobre a insuperável obra dos Smiths (que acaba de ter seu álbum “The Queen Is Dead” eleito o melhor de todos os tempos pelo semanário inglês New Musical Express) e também de lembranças (muitas) da existência blogger ao som da banda; mais: o Vanguart emocionando multidões em seus shows; o novo do Arcade Fire na web; uma bocetinha indecente querendo ser fodida pelo zapper, a boataria sobre o line up do Lolla BR 2014 explodindo na internet e… INGRESSOS NA FAIXA pro Planeta Terra e TAMBÉM pro Red Hot Chili Peppers! (post em enooooorme construção)

O rock’n’roll que realmente e de fato importa, e suas lendas gigantes: o cantor e compositor americano Lou Reed (acima), fundador do seminal Velvet Underground, se foi no último domingo de manhã, aos setenta e um anos de idade; já Morrissey, ex-vocalista dos Smiths (acima) continua bem vivo e acaba de abalar o mondo pop com o lançamento de sua auto-biografia, que deve chegar em breve em edição nacional ao Brasil

 

Silêncio ENSURDECEDOR e SOMBRAS em Nova York.

A frase curta anterior que iria abrir o texto inicial do post era essa: “E essa é a história.

Da vida dele”. Fazia (faz) alusão à recém-lançada biografia de Morrissey na Inglaterra, e que continua sacudindo a Velha Ilha. No entanto, no último domingo de manhã tudo mudou e outra bomba sacudiu o mondo rock planetário: o gênio Lou Reed, o sujeito que deu à música o Velvet Underground (uma das bandas sim mais influentes de toda a história da música pop) tinha finalmente resolvido “atravessar a porta” e nos deixou. Zap’n’roll, que já havia tido uma noite rocker de excessos na última quinta-feira e também no sábado, mas tinha acordado em plena tarde de domingo menos ressacudo e menos bodeado do que em outros findes e se preparava para enfim atualizar este espaço online com o postão que nosso dileto e imenso leitorado sempre espera semanalmente, de repente se viu chocado, algo atônito, sem saber o que fazer ou pra onde ir. E mais uma vez começou a se defrontar com questões que permeiam sua alma e pensamento há meses já (e que deveriam permear o pensamento de todo mundo, no final das contas): a finitude da existência humana, a morte que está aí sempre a nos espreitar (sim, todo mundo vai morrer um dia, e ninguém vai ser exceção nessa parada), o blogger e sua própria morte (quando ela virá, afinal?). Todo esse questionamento, somado a mais uma semana modorrenta que começou ontem, acabou empurrando a atualização do post para hoje. E que nos leva novamente ao velho Morrissey que, assim como Lou Reed, também tem sua história pessoal, gigante aliás. Yep, todo ser humano (dentre os mais de sete bilhões que habitam este velho mundo) tem sua história pessoal, sua biografia, sua trajetória. Assim como obviamente a esmagadora maioria dessas histórias pessoais não interessam a ninguém além de quem as vive. Essa situação começa a mudar quando determinada pessoa se torna uma figura pública. Ou mais do que isso: quando ela se torna uma lenda, um gigante da história recente da cultura pop, e passa a ser considerada genial e idolotrada como “o ser vivo mais maravilhoso que existe”. Pois essa pessoa existe, claro. E se chama Stephen Patrick Morrissey. Ou simplesmente Morrissey, o homem que foi vocalista de uma das bandas fundamentais de toda a história do rock’n’roll (os Smiths) e que desde que abriu a boca pela primeira vez para cantar profissionalmente (em algum momento de 1982), passou a angariar milhões de fãs pelo mundo inteiro (Brasil incluso). Fãs que lhe devotaram (e devotam, até hoje) amor absoluto, incondicional. Pois mesmo quase três décadas após o fim dos Smiths e seguindo com sua carreira solo a pleno vapor, Morrissey ainda provocou um terremoto no mondo pop há duas semanas ao lançar sua esperadíssima (pelos fãs, pela imprensa, por outros músicos) auto-biogrfia. É uma obra de fôlego, já mencionada aqui mesmo nessas linhas rockers online em nossos últimos posts. E já ganhando a dimensão de grande lançamento editorial de 2013 o livro volta a ser objeto de análise no blog nesta semana, a mesma semana em que o álbum “The Queen Is Dead”, de 1986 e o penúltimo lançados pelos Smiths antes da separação da banda (em setembro do ano seguinte), foi entronado pelo semanário inglês New Musical Express no topo de uma lista com os quinhentos maiores discos de todos os tempos. Nada demais no entanto na repercussão em torno do livro e no fato de o disco dos Smiths ter batido concorrentes mosntro (como obras lançadas por gente como Jimi Hendrix, Patti Smith, Led Zeppelin, Rolling Stones, David Bowie, Iggy Pop, The Doors, Leonard Cohen, Brian Wilson, Aretha Franklin etc, etc, etc.) e encabeçar essa relação de quinhentos discos (de resto, uma lista ultra polêmica e discutível, e afinal listas de “melhor” ou “pior” foram criadas para isso mesmo: para provocar discussão, tumulto, gerar polêmica). É apenas a constatação de que a banda e seu vocalista foram e continuam sendo gigantes na história da música contemporânea. E para ser gigante nessa parada é preciso ter estofo, sensibilidade, poesia e qualidade textual e sonora absolutas. Não é um ramo para qualquer um. Tanto que não é que aqui mesmo, no Brasil, poucos grupos hoje em dia podem ser considerados geniais e ter na cena rock independente nacional o mesmo respeito que os Smiths continuam tendo lá fora. Um desses grupos é o sexteto Vanguart, que verdadeiramente e literalmente anda EMOCIONANDO as multidões que andam lotando suas apresentações. Enfim, são momentos mágicos, incríveis e que se eternizam por si mesmos na história da música. E assim como Morrissey, os Vangs também estão escrevendo a sua ótima e grande história. E que poderá se tornar um livro, um dia. Contando para as massas a emocionante trajetória de uma banda que saiu da longínqua Cuiabá há quase uma década, e conqusistou o Brasil com o seu folk rock bucólico, lindo e melancólico. E assim como Morrissey e Vaguart, o velho Lou Reed também escreveu com brilho sua história, que se encerrou no último domingo, pela manhã. Se encerrou em termos, aliás: sua obra continua aí, em nossos ouvidos e corações. E vai permanecer neles para sempre. É isso aê: bem-vindos a mais um postão zapper!

 

 

* Um postão que vai ter talvez menos texto e mais imagens, e se for isso mesmo logo vocês irão entender o motivo. Mas vamos desenrolando a missão e ver como ela fica…

 

* As notas iniciais deste post precisam começar falando desse assunto, que infelizmente é cruel e não tem absolutamente nada a ver com música. Mas é um assunto que interessa (ou deveria interessar) a todos: a violência e a truculência que estã ficando fora de controle na atuação da Polícia Militar brasileira – em especial as de São Paulo e Rio De Janeiro, os dois Estados mais populosos do país. Pois eis que na semana passada um grupo de policiais militares, em trabalho de patrulhamento em um bairro de Campinas (no interior paulista), simplesmente barbarizou a população local ao agredir fisicamente, humilhar e insultar alguns moradores do bairro que foram abordados pelos policiais por estar (na visão dos PMs) em “atitude suspeita”. O que se viu na sequência foi um festival de socos, pontapés, armas em punho (por parte dos guardas, já que não havia ninguém armado entre os moradores do local), ameaças, truculência bestial enfim. Tudo felizmente FILMADO por alguém que jogou as imagens no YouTube. O blog pergunta: até quando vai durar essa situação? Até quando a horrenda PM brasileira vai maltratar, humilhar, insultar e agredir fisicamente quem na verdade ela deveria defender e quem PAGA os seus salários, através de impostos? Onde está o MP de São Paulo e a seção local da OAB que não fazem NADA? O que aconteceu em Campinas é suficiente para se fazer um pedido de abertura de impeachment contra esse MERDA GIGANTE chamado Geraldo Alckmin, e que ocupa o Governo paulista. Além disso, toda a cúpula da Segurança Pública de São Paulo deveria ser REMOVIDA imediatamente por conta do mesmo episódio. E fica a grande questão: até quando vamos aturar o PSDB mandando no Estado, e roubando milhões nas obras do metrô e ainda deixando sua PM sem comando algum e fazendo o que bem entender com a população honesta e indefesa? Fala sério, Geraldinho, seu escroto. Vai se foder, filho da puta!

 

 

* Se você acha que estas linhas online estão exagerado no texto e na indignação aí em cima, veja os vídeos aí embaixo:

 

 

* Já no último domingo um adolescente de dezessete anos, que estudava e trabalhava, morreu com um tiro no peito, disparado por outro PM (desta vez no Jaçanã, bairro da zona norte da capital paulista), durante abordagem de rotina da polícia. Até quando???

 

 

* Mas também há o outro lado da questão, e que é igualmente deplorado por estas linhas bloggers: a violência de um grupo de black blocs que em manifestações realizadas em Sampa no último finde, simplesmente cercaram e espancaram um coronel da PM, em um autêntico ato de covardia explícita. O blog é total a favor de manifestações e passeatas, e que sejam sérias, responsáveis e ultra enérgicas. Mas também é totalmente contra qualquer ato de vandalismo, depredação e violência, conta quem quer que seja – a polícia inclusa aí. Senão, o país vai pro buraco de vez. Black blocs são bandidos, no final das contas. E como tais, devem ir parar na cadeia.

 

 

* E a polêmica está aberta: você assistiria sua própria mãe… trepando? Mais do que isso, REGISTRARIA o ato sexual com uma câmera? Pois foi o que fez o fotógrafo americano Leigh Ledare. Ele resolveu fazer uma série de imagens da própria mãe em pleno ato sexual (dela, com o namorado mais jovem). A distinta “senhoura” é ex-bailarina e ainda ostenta um corpão de dar inveja em muita bocetinha nova e caída, hihi. E além de fotografar a própria mamis em momento, hã, tão íntimo, Ledare ainda montou uma exposição com o material, que está sendo mostrado em Londres. Chocante? Nem tanto. Ou como diz o querido amigão zapper, Marcelo Jacottinho, trata-se de um exercício cultural e psicológico que ajuda a desmistificar a tese de que pais e mães são intocáveis – eles são tão humanos quanto todos nós. Inclusive na hora do desejo e do sexo.

 A ex-bailarina, ainda um bocetão mesmo coroa: fotografada em plena foda pelo próprio filho voyeur, uia!

 

* E indo pro rrrrrrrrrock. O que você faria se fosse um engenheiro de som, um grupo indie tosco de hardcore (dos piores) contratasse os seus serviços para gravar um disco e, no final dos trabalhos, você sentisse que iria receber um “calote” dos músicos? Bem, o engenheiro e produtor americano Dan Atkinson, não pensou duas vezes: pegou um vídeo com uma das músicas do conjunto Altitudes (jezuiz, olha o nome da banda, rsrs), mexeu daqui, mixou dali, jogou uma base “dance” (daquelas bem poperô) e jogou de fundo. Ficou sensacional e se transformou num viral monstro no YouTube, hihi. Os malacos do tal Altitudes (banda daqui, do péssimo e ainda por cima caloteiro indie rock brazuca? Ou lá dos States?) ficaram “pasmos” (tadinhos, rsrs) com a atitude do engenheiro e se apressaram em esclarecer que estavam passando por um momento de “instabilidade financeira” mas que JAMAIS deixariam de honrar seu compromisso. Verdade né, Claudia?

 

 

* Pois estas linhas bloggers poppers sempre subversivas apóitam TOTAL a atitude do produtor americano. Que o indie rock planetário atual (Brasil incluso) já está um desastre em termos musicais, todo mundo já está careca de saber. Agora, ainda contratar os serviços de alguém e ainda querer dar o calote na pessoa, aí já é sacanagem.

 

 

* A BOATARIA SOBRE O LINE UP DO LOLLA BR 2014 EXPLODIU – nos últimos dias tem sido pra lá de intensa a especulação sobre quem vai afinal tocar na edição de 2014 (marcada para os dias 5 e 6 de abril) do Lollapalooza BR. Circularam zilhões de cartazes (alguns muitos criativos, hihihi) na web com line ups falsos do festival, tanto em sua versão brasileira quanto chilena (lá, ele vai acontecer uma semana antes daqui). Enfim, com o anúncio oficial de quem vai mesmo estar no evento marcado para acontecer dia 11 de novembro, o diz-que-diz atingiu níveis estratosféricos nas últimas horas. O que se sabe é que o egoísta e bundão Depeche Mode resolveu mesmo pular fora do Lolla porque quer fazer turnê solo pela América Latina em 2014. Já sobre o Nine Inch Nails também não há mais notícias, mas parece que virão sim. Tem também Muse (aaaaargh!) pela enésima vez. Assim sendo os dois headliners escalados pros Lollas (tanto do Chile quanto daqui) seriam Arcade Fire (que está lançando seu novo álbum, “Reflektor”) e Soundgarden (que lançou um bom disco inédito no ano passado, depois de quinze anos de inatividade). São os headliners dos sonhos dos rockers? Sim e não. Sim porque o Arcade Fire continua sendo um puta grupo, está com disco novo e fez um ótimo show no Brasil anos atrás, ainda nos tempos do extinto Tim Festival. E sim porque o Soundgarden, por exemplo, é uma das únicas grandes bandas da geração grunge que jamais se apresentou no Brasil (o vocalista Chris Cornell, em compensação…). O não fica por conta de que a humanidade estava esperando pelo Depeche Mode no festival. Enfim, tudo deverá vir à tona finalmente no próximo dia 11 de novembro. O único problema é esse: o Lolla BR 2014, que estava com pinta de que seria a melhor edição do festival, agora parece estar meio flopado. Infelizmente.

Os canadenses do Arcade Fire (acima) e o grunge Soundgarden (abaixo): tudo caminha e conspira para que eles sejam oficializados como os headliners do Lollapalooza Brasil 2014, festival que terá seu line finalmente divulgado no próximo dia 11 de novembro

 

* Imagem da semana, I: essa foto total cadeluda aí embaixo, sórdida e sacana ao cubo (de resto, um bocetaço lisinho, em close, pedindo pra receber foda, uia!) foi enviada ao blog por e-mail, com o seguinte “bilhete”: “eu sou muito nova e apertadinha. E leio a Zap toda semana. E amo COROAS como você. Eu TRANSARIA com você! Quer?”. A moça assina com o seu nome, fala a idade e diz de onde é, infos claro que serão mantidas sobre segredo absoluto aqui, rsrs. Agora, digaê leitor zapper: não é demais essa vida de jornalista cultural e responsável por um blog de cultura pop algo porra loka? Pois é…

 Uma XOXOTAÇA lisinha e novinha, e loka pra levar rôla zapper… uia!

 

* Imagem da semana, II: e o festival de “vexames” explícitos zappers continuam, hihihi. O último rolou na quinta-feira da semana passada, quando o sempre fodástico quarteto Daniel Belleza & Os Corações em Fúria subiu ao palco do Inferno Club (no baixo Augusta, em Sampa), para fazer o show de lançamento do seu novo álbum, o ótimo “Baile Desgraça”. Lá pelas tantas o trêfego autor destas linhas virtuais foi chamado para acompanhar a banda, fazendo backing vocals na música “Do amor de morte”. O resultado está na pic aí embaixo, uia!

 

* E “Reflektor”, o novo do Arcade Fire, caiu enfim na rede. E caiu no momento errado: com Morrissey lançando sua auto-biografia e o já saudoso Lou Reed indo pra uma outra estação, o novo trabalho dos canadenses viu sua repercussão midiática de lançamento diminuir drasticamente. O próprio blog ainda não se preocupou em ouvir o dito cujo com a devida atenção, assume. O que deveremos fazer esta semana ainda, vamos verrrr…

 

* Mas é pesaroso e doloroso quando sabemos que a música se empobrece mais a cada dia, quando perdemos um gênio como Lou Reed. É foda. Não é fácil…

 

 

SILÊNCIO E SOMBRAS EM NOVA YORK

Ele atravessou enfim a sua porta. No último domingo, pela manhã. Lewis Allan Reed, que nos meandros da música pop e do rock que realmente importa ficou conhecido como o gigante e gênio Lou Reed, se foi. Tinha setenta e um anos de idade e morreu em decorrência de complicações provenientes de um transplante de fígado.

 

De domingo à tarde (quando o autor deste blog acordou, já sendo novamente nocauteado pela notícia do falecimento de Lou) até hoje na hora do almoço, a humanidade já expressou sua comoção pelo desaparecimento dele e absolutamente todo mundo já falou sobre sua importância capital na história do rock’n’roll. Não vamos ficar aqui repisando as mesmas histórias, as mesmas infos, os memos textos. Pelo contrário: o autor destas linhas online prefere sim ser honesto e dizer que o Velvet Underground (a mítica banda fundada por Reed e pelo multi-instrumentista John Cale em Nova York, em 1964, com o “apadrinhamento” luxuoso do artista plástico Andy Warhol) NUNCA entrou na lista das cinco ou dez bandas preferidas do blog. Nem tampouco o próprio Lou Reed está entre os artistas solo que Zap’n’roll mais ama dentro do rock.

 

Mas é muito óbvio que o blogão zapper sabe totalmente da importância monstro tanto da obra do Velvet quanto a de Lou para a formação do rock’n’roll moderno e contemporâneo. “The Velvet Undeground & Nico”, o primeiro (o da banana na capa) e clássico, editado em 1967, influenciou a humanidade. E solos como “Transformer” (adorado pelo autor deste blog), “Berlin”, “The Blue Mask” (sim, de 1982, pouco conhecido mas um discaço) ou mesmo “New York” (de 1989 e uma ode de Reed à sua terra natal e que ele tanto amava), se reunidos, se tornam um compêndio de canções que nenhuma banda ou artista vai conseguir igualar nos dias atuais, em termos de poesia e qualidade musical.

O Velvet Underground em 1993, à época do lançamento do disco ao vivo “Live MCMXCIII”, e que reuniu a formação clássica da banda

 

Quando o sujeito que escreve este blog tomou contato pela primeira vez com o Velvet e Lou? Vai saber… talvez ainda no final dos anos 70’, ao ouvir a história inesquecível sobre putas, travestis e garotas chupando pintos em “Walk On The Wild Side”, o grande hit do inigualável “Transformer” – aliás, ninguém melhor do que Reed radiografou toda espécie de escória humana em suas canções. E todos nós amávamos e ainda amamos todas aquelas músicas sobre junkies, putas, bichas, o lado escuro e degradante da vida e os caralho. “Você nunca encontrou Lou Reed/Walk On Wild Side”, cantou outro gênio maldito (ou nem tão maldito assim), Cazuza, em “Só as mães são felizes”.

 

E sim, o primeiro disco comprado por Zap’n’roll (que nem jornalista ainda era) foi mesmo “VU”, em 1985 (lá na saudosa Devil Discos, na Galeria Do Rock). Trata-ve do “disco perdido” do Velvet Underground, que a banda havia gravado e jamais lançado e que tinha ficado com as fitas originais “engavetadas” na gravadora até ser descoberto na segunda metade dos anos 80’. Discaço, que mostra que todas as possibilidades sonoras cabiam no som do Velvet. Do art e garage rock ao glam, do proto-punk ao noise estridente. Ali só não havia espaço para riponguismos e “viagens” psicodélicas e astrais patrocinadas por hippies chatos e piolhentos.

 

E yep, Lou Reed era chato também, pentelho, arrogante, mega egocêntrico. Detestava falar com jornalistas. Mas levou um autêntico spanko de outro gênio, este do jornalismo musical. Foi quando se defrontou com Lester Bangs para uma entrevista, sendo que o resultado você pode ler em “Reações Psicóticas”, coletânea de textos de Lester e que foi publicada no Brasil há uns oito anos. Enfim, Lou era tudo isso e PODIA ser tudo isso. Afinal gênios são gênios. E sempre foram difíceis de se lidar.

A coletânea de textos do jornalista Lester Bangs, que chegou a ser lançada no Brasil: ele chegou a peitar Lou Reed em uma entrevista, e deu um “spanko” no genial e genioso compositor

 

O blog nunca o assistiu ao vivo (e ele tocou no Brasil) e nem fez questão. E se posta hoje esse texto aqui, para reverenciá-lo, é por um motivo óbvio: não dá para fechar os olhos e os ouvidos à importância que a obra de Lou Reed teve e continua tendo dentro do rock, simples. Por isso fica o choque e a tristeza pelo seu desaparecimento. E a constatação de que, a cada sumiço de um nome gigante desses, a cultura pop de hoje fica um pouco mais empobrecida do que está.

 

Boa viagem, Lou. Fume um baseado com a Nico por nós e mande um beijaço de língua pra ela. Qualquer dia desses a gente se reencontra por aí.

 

 

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Este post está em processo de enooooorme construção, e só vai ser concluído mesmo amanhã (quarta-feira), quem sabe já com a divulgação do line up oficial do Lollapalooza BR 2014. Mas mesmo que o line up não saia voltaê que vai entrar muuuuuito mais aqui. Teremos papos extensos sobre a auto-biografia do Morrissey, sobre a obra dos Smiths, sobre os shows recentes do Vanguart. E também teremos uma bonequinha como musa indie da semana (uma paranaense de tirar o fôlego!), as indicações culturais do blog e em sorteio no hfinatti@gmail.com (presta atenção!)…

 

* UM PAR DE INGRESSOS pro show do Red Hot Chili Peppers semana que vem em Sampa, com abertura do Yeah Yeah Yeahs! Yep, vai ser dia 7 de novembro, quinta-feira, na Arena Anhembi, em mais uma parceria bacana do blog com a produtora PlanMusic.

 

Fora que também tem (não se esqueçam):

 

* DOIS INGRESSOS pro Planeta Terra, também em Sampa, no dia 9 de novembro, lá no Campo De Marte (com Blur, Travis, Beck, Lana Del Rey, Palma Violets e os caralho).

 

Vai ficar aí moscando? Então se mexa, porra!

 

E o blogão volta logo menos com mais então. Até já!

 

(enviado por Finatti às 17:30hs.)

Silêncio ENSURDECEDOR e SOMBRAS em Nova York

LEWIS ALLAN REED – 1942/2013

 

 

Daqui a pouco mega postão zapper no ar. Falando do já saudoso, inesquecível (e que está no céu com diamantes, ao lado da Nico) e GIGANTE Lou Reed.

 

E também de Morrissey, dos Smiths, do Vanguart, sorteando UM PAR DE INGRESSOS pro show do Red Hot Chili Peppers em São Paulo (na semana que vem) e mais isso e aquilo tudo.

 

Até já!

 

(enviado por Finatti às 3hs.)

 

 

A melancolia e a solidão zapper pedem um post falando do disco de estréia da Lorde, a lindaça nova-zeolandesa de apenas dezesseis aninhos de idade e que está arrebatando o mondo pop; também pede uma análise caprichada do belo, sombrio, angustiante e agônico “Gravity”; e também mostra que o Lolla BR 2014 segue sem definição oficial, às vésperas do início de mais um detestável horário de verão no país que bem poderia ser um eterno inverno…

A linda, jovem e poderosa diva cantante e a lenda do rock inglês dos anos 80’, dois exemplos de alta qualidade na música pop de ontem e de hoje: Lorde (acima) acaba de lançar um espetacular álbum electropop e com apenas dezesseis anos de idade!; já Morrissey (abaixo), ex-vocalista dos Smiths, lançou sua auto-biografia em Londres, e ao contrário dos covardes artistas brasileiros, não teve medo de contar sua vida em livro tintim por tintim

 

Solidão, sombras, escuridão.

Ausência de gravidade, de oxigênio, de tudo. Frio colossal, a morte batendo à porta, o medo, o pânico. A reflexão sobre toda uma vida em segundos, diante de uma situação limite e onde estamos absolutamente sós e ninguém pode nos salvar, a não ser nós mesmos. Tudo isso perpassa o pensamento de Zap’n’roll enquanto ele, solitariamente, assiste na última quarta-feira a uma sessão de “Gravity” (“Gravidade”), um espantoso blockbuster que está faturando milhões nos Estados Unidos, que tem Sandra Bullock e George Clooney nos papéis principais (e, no final, apenas os dois em cena durante todo o filme), que possui efeitos visuais fantásticos (mas não mirabolantes) e que TEM CÉREBRO e um roteiro muito bom, onde a peça de resistência é uma gigantesca metáfora sobre solidão e situações limites, que nos deixam frente a frente com a morte, e que podem ser vividas tanto aqui nessa velha Terra quanto no longínquo, misterioso, sombrio, gélido, ultra solitário e hostil espaço sideral. A metáfora do longa (que está bem comentado neste post que começa agora) pode, de alguma forma, inclusive se aplicar ao próprio sujeito que digita essas linhas rockers online. Não têm sido fáceis os últimos dias na vida do jornalista: o tumor avança em sua garganta, começa a haver dificuldade em respirar quando se está comendo (a certa altura da mastigação ela tem que ser interrompida, para que se possa soltar o ar pela boca, e aí seja possível voltar a mastigar), a mandíbula direita arde continuamente e de maneira irritante. Tudo isso pode começar a acabar a partir da próxima segunda-feira, quando finalmente o zapper vai enfrentar sua primeira sessão de quimio. A confinça em que tudo vai dar certo é grande mas, no final, outras zilhões de questões permeiam e incomodam o lado emocional do autor destas linhas bloggers: estar envelhecendo, se sentir solitário (mesmo conhecendo milhares de pessoas e sendo tão conhecido como jornalista e como autor de um blog que está mega acessado) e muita vezes se sentindo em completa inadequação existencial. Quando tudo isso enfim chegar ao fim, o que o blog espera é haja um grande alívio e alento em nossa existência, mesmo que ela não dure muito mais. E, de preferência, com um grande e tranquilo amor do lado. Ou então, se nada disso for possível, haverá sempre a acolhedora solidão infinita do espaço sideral para nos receber. Sendo que não deve ser tão ruim ter uma morada final e definitiva por lá. E até que venha esta morada definitiva continuamos aqui, acalentando estas reflexões ao som do delicado vocal da lindíssima Lorde, que ainda tem toda uma vida pela frente (pois ela tem apenas dezesseis aninhos de idade). A nossa talvez já esteja a caminho de seus derradeiros passos. Mas enquanto respirarmos iremos sempre amar músicas como as cantadas por Lorde. Elas dão algum sentido à vida. A mesma vida que talvez não faça nenhum sentindo para a esmagadora maioria da raça humana. É isso. Sombras, solidão, pensamentos. Um mundo talvez sem gravidade. Mas repleto de amor no coração, na alma e ao rock’n’roll.

 

 

* Agora, não dá pra ter amor na alma e no coração quando o assunto se refere ao CRÁPULA que preside o Senado brasileiro, aquele senhor absolutamente ESCROTO e bandido ao máximo chamado Renan Calheiros. Notícia publicada na Folha online dá conta de que a direção do Senado SUSPENDOU compra para a despensa pessoal da residência do calhorda Renan, já que os gastos iriam atingir a absurda quantia de R$ 100 mil reais (!!!). Entre os itens que iriam abastecer a cozinha do “nobre” político alagoano estavam: filé mignon, camarões graúdos e frutas raras do Nordeste. Enquanto isso, a esmagadora e miserável população de Alagoas come CAPIM pra não morrer de fome. Puta que pariu! Em qualquer país sério esse sujeito já teria sido EXPURGADO da política há séculos. Renan, seu grande PILANTRA, LIXO E MERDA de senador: vai tomar no seu cu!

 

 

* Indo pra música, que é melhor. O Jane’s Addicition tocou em Santiago, no Chile, na última terça-feira. E o enrolão vocalista Perry Farrell não abriu o bico sobre um nome sequer do line up do Lolla de lá, que acontece na última semana de março – na semana seguinte é no Brasil, no autódromo de Interlagos, em Sampa. De qualquer forma a escalação terá que ser anunciada na semana que vem. E continuam firmes e certas as apostas em Depeche Mode, Nine Inch Nails, Arcade Fire, Jake Bugg, Johnny Marr etc. A confirmar em mais alguns dias.

 

 

* Enquanto aqui a polêmica sobre proibir ou não a publicação de biografias NÃO autorizadas pelo biografado ganha proporções gigantescas (com gente graúda nas artes contra e a favor), em Londres foi lançada ontem a auto-biografia do ser vivo mais maravilhoso da Inglaterra: ele mesmo, nosso amado e idolatrado Morrissey, que um dia foi vocalista dos inesquecíveis Smiths. Pois a querida bexa véia e tia Mozz não escondeu absolutamente NADA em seu volume de memórias. Por exemplo: revelou sem pudor algum que sua primeira relação de amor VERDADEIRA foi com um HOMEM (uia!) e isso quando ele já tinha trinta e cinco anos de idade. Não é o máximo? Enquanto isso aqui nessa sempre vergonhosa república das bananas gente que um dia já foi respeitável na música e nas artes em geral, que chegou a ser EXILADA pelo governo militar nos anos 70’ em função de suas posturas políticas libertárias e anti-censura e ditadura, agora vem defender com unhas e dentes que biografias sejam proibidas de circular, quando não autorizadas pelos biografados. Fala sério… o que houve com o Caetano Veloso, o Chico Buarque e o Gilberto Gil que todos nós amávamos e respeitávamos como bússolas artísticas e comportamentais de nossa geração? Será que mano Caê algum dia vai ter coragem de publicar um livro revelando algo do do tipo “aaaiii, uma vez eu chupei o pau do negão Gil e foi taaaaão gostooosooo…”. será???

 A coragem da amada beeeeexa Morrissey: contando em sua biografia (lançada anteontem em Londres) que seu primeiro e real amor GAY foi aos trinta e cinco anos de idade – e por um macho peludo, uia!

 

 

* Vídeos novos legais da indie scene nacional pintando na web: o fodão quarteto paulistano Coyotes California, a melhor tradução brazuca para o ainda relevante funk metal, postou novo clip no YouTube. Desta vez para a música “Miss Sexual”, ainda uma das faixas do primeiro e bacanudo cd do grupo, o “Hello Fellas”. Pois o vídeo ficou sensacional, sendo que estas linhas rockers lokers estiveram na esbórnia que foi a gravação do mesmo, hihihi. Confira aí embaixo:

 

 

* Sampalândia com temperatura amena e chuva nessa sextona. Propício pra, à noite, ir até a choperia do Sesc Pompéia conferir o show de lançamento do novo álbum do Vanguart. E depois cair na balada, claaaaaro.

 

 

*Já no finde em si Sampalândia vai ser invadida pela boçalidade e grosseria heavy metal, presente nas bandas e no público que irá se esgoelar na arena Anhembi onde vai rolar mais uma edição do festival bregão Monsters Of Rock. Sério, só um adolescente espinhento e retardado pra gastar uma grana preta e passar dois dias indo a shows de pavores como Ratt, Dokken, Limp Bizkit (o famoso “limpa biscoito”) e outras tranqueiras menos votadas. Yep, tem os véios Aerosmith e Whitesnake mas vamos ser honestos: os dois já perderam a dignidade rocker há séculos, estão caindo aos pedaços e não param de vir tocar no Brasil. Moral da história: é preciso ter muito amor ao gênero (e na boa, o problema nem é o metal em si, que continua gerando bons nomes e que fazem um som mais contemporâneo, só que nenhum desses foi convidado a integrar o line up do evento, porque metaleiro tosco e obtuso é refratário a novidades e só gosta de ouvir mesmo o que seu cérebro diminuto está acostumado e compreende sem grandes esforços mentais, rsrs) pra ir lá no Anhembi neste sábado e domingo. Não é caso, felizmente, destas linhas rockers virtuais, hehe.

O já caidaço Aerosmith (acima), uma das atrações do festival Monsters Of Rock, que rola neste final de semana em São Paulo

 

* Imagem do BOCETÃO da semana: vai pra miss Nicki Minaj, claaaaaro. A moçoila, mais uma das atuais putaças cadeludas do mondo pop, resolveu mostrar suas mamiconas em foto no Instagram, tendo o cuidado de “tapar” (até demais, uia!) os bicões. Pois olha, a vacona deve deixar algum macho felizardo absolutamente loker ao fazer uma portentosa “espanhola” no pau do sujeito, com aquele delicioso par de peitaços do além, wow!

Que MAMICÕES, uhú!!! Perfeitos para a cadelona Nicki Minaj fazer altas “espanholas” nos pintões dos machos, uia!

 

* Agora, curioso mesmo é saber que miss Minaji é uma das influências confessas da… Lorde, a nova deusa adolescente do pop mundial classudo e que realmente importa. Não conhece a garota? Oxe. Pois leia aí embaixo pra conhecer.

 

 

A NOVA MEGA PAIXÃO ZAPPER TEM DEZESSEIS ANOS DE IDADE, CANTA COMO GENTE GRANDE E MOSTRA QUE A MÚSICA POP AINDA TEM SALVAÇÃO

Antes de mais nada: este é um blog dedicado ao rock alternativo (há uma década já) mas também à cultura pop em geral, o que inclui escrevermos aqui sobre discos e artistas bacanudos e que não necessariamente sejam do… rock. Posto isso, é também necessário dizer que a pirralha neo-zelandesa Lorde, que nesse momento está DEVASTANDO as paradas americanas com o seu álbum de estréia, “Pure Heroine” (se vai sair aqui ou não é um mistério, mas ele pode ser encontrado com certa facilidade na web), não é uma cantora de rock. Pelo contrário, ela deambula pelos mares algo inebriantes (no caso dela, que fique bem claro) do electropop, do indie pop quase perfeito, onde suaves melodias construídas sobre bases eletrônicas dão suporte a uma inflexão vocal quase fenomenal e divina de tão bela. Lorde não está pra brincadeira: o blogger rocker mas também popper está caído de amores pela garota, e seu primeiro disco já entra tranquilamente na lista dos melhores lançamentos de 2013.

 

O verdadeiro nome dela é Ella Maria Lani Yelich-O’Connor. E estas linhas online a chamaram de pirralha no lead desta crítica porque Lorde tem simplesmente e apenas incríveis… dezesseis anos de idade! Yep, isso mesmo que você leu: a garota nasceu na Noza Zelândia, em novembro de 1996. Portanto, sua biografia é ainda ínfima e boa parte de sua formação musical e pessoal (mora com quem? O que faz além de provavelmente estudar e cantar?), além da trajetória até chegar ao seu aclamado álbum de estréia, é bastante restrita e discreta. Sim, como qualquer adolescente na sua idade, ela tem seus ídolos pop (entre eles, vejam só, a americana Nicki Minaj). Mas ela também já afirmou que entre suas grandes influências estão a jazzista Etta James e o cantor soul Otis Redding. Melhor impossível. E além de ter uma voz arrebatadora Lorde ainda é lindíssima, se veste de forma classuda e possui um talento excepcional para compor grandes canções – o superb single “Royals”, já mega estourado mundo afora, que o diga.

 

Enfim, estas linhas virtuais começaram a prestar atenção na mocinha quando publicações gringas começaram a falar dela e da canção “Royals”. Logo queridos colegas brazucas da blogosfera de cultura pop também começaram a comentar sobre aquela neo-zelandesa de rosto de bonequinha de conto de fadas. O velho e algo ranzinza zapper, sempre com os dois pés atrás quando começa a ouvir falar insistentemente de algum novo hype midiático na cultura pop planetária, preferiu esperar para capturar “Pure Heroine” inteiro e dedicar algumas audições a ele, para aí sim depois formar uma opinião sobre a obra. Pois hoje, duas semanas após estar ouvindo a estréia de Lorde em disco quase sem parar, o blog zapper não só está total fall in love por ela como ainda coloca o cd já entre os grandes lançamentos de 2013 – ele foi editado oficialmente em 27 de setembro passado e “Royals” disparou como um foguete nos charts americanos: chegou ao topo dos mais vendidos na lista da Billboard e colocou a ultra jovem Lorde como a primeira cantora da Nova Zelândia a conseguir tal feito em terras americanas.

 

E a menina merece porque “Pure Heroine” é tudibom. As melodias são redondas, as músicas são belíssimas (e engendradas com uma ambiência algo reflexiva e melancólica demais para terem sido compostas por alguém tão jovem), a base eletrônica é elegante e nada vulgar e por cima de tudo reina soberano o vocal de Lorde. Aí você se detém nos versos de “Royals”, uma quase ode à desmistificação e negação do mega glamour que cerca o mundano universo pop, e pensa: como pode ela, com apenas dezesseis anos de idade, pensar dessa forma no atual mundo de vazio existencial e pensante em que vivemos? “Eu nunca vi um diamante brilhando/Eu não tenho orgulho de onde moro na periferia/Mas todas as canções só falam de vodka, drogas no banheiro/Vestidos de festas/Destruição de quartos de hotel…” canta Lorde em “Royals”. Sensacional, a garota é gênio.

A capa do álbum de estréia de Lorde: simples, minimal, sem afetações. Discão!

 

E ela canta isso com uma honestidade e sinceridade comoventes e absolutas. Como se fosse uma cronista, uma observadora muito jovem e atenta aos costumes do mundo em que ela, aos dezesseis anos de idade, está vivendo. Esse efeito de observação acaba se replicando por todo o disco e vai encantando o ouvinte através de faixas que conseguem fazer a ponte perfeita entre sinestesia cognitiva e impulsos e convites à dança, algo muito claro em “Tennis Court” (o outro single do trabalho e que abre o cd), em “Ribs”, “Team”, nas preciosas “Glory And Gore” e “Buzzcut Season” e na lindaça “A World Alone”, que fecha o disco mixando eflúvios tristonhos e dançantes na mesma melodia (algo que o New Order logrou fazer à perfeição na inesquecível “Blue Monday”). E tudo isso em enxutos trinta e sete minutos de música. Não à toa “Pure Heroine” recebeu quatro estrelas da Rolling Stone americana e até a radical bíblia indie Pitchfork deu nota 7 ao álbum.

 

Ou seja, no final das contas, a garota quer provar que existe algo além no pop feminino de hoje do que simplesmente mostrar peitos, bundas e coxas. Nada contra quem faz isso inclusive, e este blog é o maior defensor da subversão sexual injetada na medíocre e careta música pop atual, através de putanas cadeludas como Lady Gaga, Kate Perry, Ke$ha e Miley Cyrus. Mas vem cá: e a MÚSICA, onde é que fica nesse contexto? Pois aí entra a mocinha Lorde: com visual sóbrio e algo até sério/severo demais pros seus parcos dezesseis anos, ela parece querer dizer (ou cantar) que sua parada é simplesmente a MÚSICA, a ARTE em si. E nada além disso.

 

Pois ela demonstrou muito bem suas intenções. E agora, com discaço lançado e tal responsabilidade e peso sobre ombros tão jovens, fica a dúvida a açoitar o coração dos já milhões de fãs conquistados: até quando Lorde se manterá assim? Vai ficar milionária, vazia, superficial e renegar daqui a alguns anos os magistrais versos de “Royals”? Vai se tornar logo menos mais uma putana e perua junkie do fútil mondo pop? Vai desaparecer sem rastro no próximo verão, sendo substituída por outro hype momentâneo? Ou vai continuar gravando discos pop sublimes como esse da sua estréia, mantendo uma carreira sólida por anos a fio? São várias as possiblidades. E na boa o blog torce para que, no caso de Lorde, prevaleça a última opção entre as listadas aí em cima.

 

 

O TRACK LIST DE “PURE HEROINE”

1.”Tennis Court”

2.”400 Lux”

3.”Royals”

4.”Ribs”

5.”Buzzcut Season”

6.”Team”

7.”Glory and Gore”

8.”Still Sane”

9.”White Teeth Teens”

10.”A World Alone”

 

 

“ROYALS” – A LETRA

Eu nunca vi um diamante ao vivo

Eu conheci os anéis de casamento nos filmes

E não tenho orgulho do meu endereço no subúrbio

Que nenhum outro CEP tem inveja

 

Mas toda música só fala sobre dentes de ouro, vodka, drogas no banheiro

Manchas de sangue, vestidos de festa, destruição do quarto de hotel

Nós não ligamos, dirigimos Cadillacs nos nossos sonhos

Mas todo mundo só fala de cristais, carrões, diamantes para suas mulheres

Jatinhos, ilhas, tigres em coleiras de ouro

Nós não ligamos, não nos prendemos ao seu caso amoroso

 

E nunca seremos da realeza

Não corre no nosso sangue, esse tipo de luxo não é pra gente

Nós procuramos outro tipo de agitação

Deixe-me ser sua governante, pode me chamar de abelha-rainha

Daí eu vou mandar, mandar, mandar, mandar

Deixe-me viver essa fantasia

 

Meus amigos e eu desvendamos o código

Contamos nosso dinheiro no trem para ir às festas

E todos que nos conhecem sabem que lidamos bem com isso, nós não viemos pelo dinheiro

 

Mas toda música fala sobre dentes de ouro, vodka, drogas no banheiro

Manchas de sangue, vestidos de festa, destruição do quarto de hotel

Nós não ligamos, dirigimos Cadillacs nos nossos sonhos

Mas todo mundo só fala de cristais, carrões, diamantes para suas mulheres

Jatinhos, ilhas, tigres em coleiras de ouro

Nós não ligamos, não nos prendemos ao seu caso amoroso

 

E nunca seremos da realeza, não corre no nosso sangue

Esse tipo de luxo não é pra gente

Nós procuramos outro tipo de agitação

Deixe-me ser sua governante, pode me chamar de abelha-rainha

Daí eu vou mandar, mandar, mandar, mandar

Deixe-me viver essa fantasia

 

Oooh oooh oooh

Nós somos maiores do que podíamos sonhar, e eu amo ser a rainha

Oooh oooh oooh, a vida é um jogo sem cuidado

Não nos prendemos ao seu caso amoroso

 

E nunca seremos da realeza, não corre no nosso sangue

Esse tipo de luxo não é pra gente

Nós procuramos outro tipo de agitação

Deixe-me ser sua governante, pode me chamar de abelha-rainha

Daí eu vou mandar, mandar, mandar, mandar

Deixe-me viver essa fantasia

 

 

“ROYALS”, O VÍDEO AÍ EMBAIXO

 

 

“GRAVITY”, UM BLOCKBUSTER QUE É UM EXERCÍCIO DE GRANDEZA POÉTICA CINEMATOGRÁFICA

Ainda é muito bom assistir a um ótimo filme na salona escura do cinema. Talvez seja ainda um dos poucos e últimos prazeres terrenos do blog. E Zap’n’roll enfim foi conferir na última quarta-feira “Gravidade” (“Gravity”), milagrosamente um blockbuster americano (ou mexicano na verdade, já que foi dirigido por Alfonso Cuarón e quase toda a equipe principal de filmagem é do México) sensacional, denso, com cérebro e que tem todos os méritos e parâmetros dos filmes mais “cult” e cerebrais.

 

O espaço sideral realmente deve ser um lugar mega hostil além de obviamente lindo, silencioso, gélido, poético, sem linha de horizonte e absolutamente solitário. No final das contas, não é muito diferente desse velho mundo superpovoado e igualmente mega hostil em que vivemos, cercados por milhões de pessoas e mesmo assim com a grande maioria delas se sentindo na mais completa solidão.

Sandra Bullock (acima), num dos papéis de “Gravity” (cartaz e trailer abaixo): um dos grandes filmes do ano e merecedor de faturar alguns Oscars

 

 

Um longa extraordinário, enfim. Reflexivo, agônico, angustiante ao extremo, que se traduz numa soberba e melancólica metáfora sobre solidão, sobre ter que enfrentar desafios supremos pra continuar vivo – seja aqui nesse velho mundo ou lá no hostil espaço sideral. Apenas dois únicos atores em cena (Sandra Bullock e George Clooney, ambos ótimos, sendo que o personagem de Clooney morre antes de o filme chegar à metade), 90 minutos de tensão plena (em certos momentos, de tirar o fôlego do espectador), e isso sem apelar para monstros do além, explosões mirabolantes e que tais, mas ainda assim com efeitos visuais bacaníssimos.

 

O zapper cinéfilo saiu da sessão mais convicto do que nunca de que está absolutamente só nesse mundo, apesar de ter um blog mega acessado e quase dois mil “amigos” numa rede social (o grande Facemerda) que na verdade é um antro de falsidades, mentiras, aparências e mais solidão. Saiu do cinema com a incômoda sensação de que talvez quem mais goste dele  e se importe com ele nesse momento é uma adolescente encantadora de dezesseis anos, e que nem o conhece pessoalmente. E saiu com a plena certeza de que viver ou fenecer a essa altura da vida (passando por situações limite como as enfrentadas pela personagem de Sandra Bullock) depende apenas de nós mesmos. E de mais nenhum “amigo”, ou ninguém.

 

Sem mais. Fikadika do blog pra quem ainda não assistiu: filmão. E que já tem a torcida destas linhas online para que ele ganhe muitas estatuetas na entrega do Oscar 2014.

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Disco: “Pure Heroine”, da musa teen Lorde. Nem tem o que discutir.

 

* Filme: “Gravidade”. Também nem tem o que discutir.

 

* Mostra cinematográfica: começando HOJE em Sampa mais uma edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, a maior do Brasil e uma das mais importantes do mundo. Até o final desse mês serão exibidos 378 filmes, ou seja, uma festa pra cinéfilo nenhum botar defeito. Além disso tem as famosas mostras paralelas (como a que destaca toda a filmografia do gênio Stanley Kubrick, no Museu da Imagem e do Som) e também longas esperadíssimos e que logo menos irão entrar em circuito comercial – como “Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum”, o novo longa dos irmãos Coen e que acompanha a vida de um músico sem sorte pela cena folk de Nova York nos anos 60’, sendo que haverá exibição dele na próxima segunda-feira, no cine Reserva Cultural, na avenida Paulista, às nove e meia da noite). Enfim, não dá pra ficar em casa. Então, bora pro cinema pra ver os filmes da Mostra, porran!

O novo filme dos irmãos Coen se detém sobre a cena folk de Nova York nos anos 60′, e é um dos destaques da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo deste ano

 

* Baladas no finde: ueba, sextona chegou, néan. E junto com ela tem show de lançamento do novo disco do Vanguart, hoje às nove e meia na choperia do Sesc Pompéia (rua Clelia, 93, Pompéia, zona oeste de Sampa), sendo que o sexteto também se apresenta por lá amanhã, sabadão em si. Depois do show de hoje a parada é cair no baixo Augusta, nas sempre incríveis noites de sexta-feira do Astronete (que fica no 335 da rua). E colado no Astro, no Club Noir, rola showzão sempre coalhado de xoxotas rockers e lokers dos Forgotten Boys.///Sabadón? A melhor pedida é mesmo a noitada open bar do Outs (rua Augusta, 486, centrão rock’n’roll de Sampa), onde você paga cinquenta mangos na entrada e bebe até ir pro pronto socorro, hihihi. E é isso. Se prepara, se monta e se joga!

 

 

TERRA: A DISPUTA ESTÁ REALMENTE SANGRENTA, UIA!

E como! O blogger já desesperado com a quantidade de e-mails recebidos até agora pra promo (mais de cinquenta), deveria ter imaginado que isso iria acontecer, rsrs. Mas enfim é a vida, hehe. Então se você ainda NÃO mandou seu pedido, é melhor fazer isso rapidinho. Vai lá no hfinatti@gmail.com, pra tentar a sorte e ganhar:

 

* DOIS INGRESSOS pro Planeta Terra Festival 2013, com showzaços do Blur, Travis, Beck, Lana Del Rey e Palma Violets, tudo isso dia 9 de novembro em Sampa, no já famigerado Campo De Marte. E ainda tem:

 

* Também dois ingressos pro show do duo inglês The KVB dia 14 de dezembro em São Paulo. Certo? Então se agiliza aê e boa sorte!

 

 

POSTÃO INTEIRÃO NO AR E TCHAUZES!

Que hoje o blog vai pro show dos Vangs no Sesc e depois curtir a noitada com amigos no baixo Augusta. Sabadão talvez vá ser de sossego em casa porque na segunda-feira vai começar finalmente a grande batalha de Finas. Isso aê. Se algo extraordinário justificar uma atualizada aqui nesse post, fique frio que faremos isso. Se não, até a semana que vem com mais aqui!

 

 

(enviado por Finatti às 18hs.)

EXTRÍSSIMO JÁ NA MADRUGA DE TERÇA-FEIRA: OLHA O LINE UP DO LOLLA CHILE AÍ EMBAIXO, uia! E mais: lá vem o Lollapalooza BR 2014, sem line up oficial definido mas com Depeche Mode, Nine Inch Nails, Pixies, o garotão Jake Bugg e o insuportável Muse já na linha de tiro pra se apresentar no festival; o gigante Pearl Jam volta bem em seu novo disco, mas dá sinais de que a grande era grunge finalmente está perto do fim; o novo disco do veterano indie Daniel Belleza & Os Corações Em Fúria (e algumas histórias vividas pelo blogger loker ao lado da banda paulistana) e mais algumas paradinhas aê no blogão de cultura pop que continua campeão de audiência, wow! (post MEGA TURBINADO e finalmente concluído, falando do show do Black Sabbath sexta passada em Sampalândia, e também do show do Depeche Mode no último finde nos EUA) (nova e final atualização em em 15/10/2013)

Os veteranos que importam continuam dominando o noticiário do rock e da cultura pop estas semana (que já está chegando ao fim): o vocalista Eddie Vedder (na imagem já clássica, “voando” no palco do Lollapalooza Brasil deste ano, em abril passado, em São Paulo) está de volta com o Pearl Jam, que está lançando seu novo e bom disco; já o trio inglês Depeche Mode (abaixo) ainda não foi anunciado oficialmente mas vai estar com certeza na edição 2014 do Lolla BR, que rola nos dias 5 e 6 de abril na capital paulista

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ÚLTIMAS DAS ÚLTIMAS, JÁ NA TERÇA-FEIRA

* Entonces, ACABOU DE VAZAR (cortesia do site Club NME Brasil, wow) o cartaz (oficial?) do line up do Lollapalooza Chile 2014, que acontece lá ANTES do daqui. Faz todo o sentido as atrações listadas com a especulação monstro que rolou na coletiva de imprensa paulistana, na semana passada. E também com uma listinha amiga de nomes que “vazou” dos escritórios da T4F (produtora do festival), dias atrás. Enfim, o bicho vai PEGAR fogo e periga ser o melhor Lolla BR até o momento. Tem Arcade Fire (que está prestes a lançar seu novo e provavelmente ótimo álbum) de headliner na primeira noite. Tem Depeche e NIN na segunda noite. Tem National (lançou discaço novo esse ano), Jake Bugg e um certo JOHNNY MARR, conhece? E melhor: NÃO tem Muse, hihihi. Anyway, dá uma olhadinha aí embaixo. E comece a economizar seus caraminguás.

* Com a quase certa aparição do Depeche Mode no Lollapalooza Brasil 2014, é bom conferir desde já a quantas anda a banda no palco. Para tanto, basta ir no YouTube: é lá que já está (veja aí embaixo) o vídeo com o show completo que o grupo fez no último finde nos Estados Unidos, no Austin City Limits Festival. Bom aperitivo pra abril do ano que vem por aqui, néan?

 

 

* E exemplo de humildade (ou jogada de marketing, não importa) é isso aê: Jay Z pegou sua equipe e, ao lado de Chris Martin (do Coldplay), foi pro show fez em Londres de METRÔ. Yep, isso mesmo que você leu: de metrô. A pergunta que não quer calar: quantos popstars de merda da nossa graaaaande música brasileira (Ivete Gagalo, Naldo, Anitta) tomariam a mesma atitude por aqui? Ou esse bando de babacas que faz música de péssimo nível só sabe ir para as suas apresentações no Brasil de limousine (acompanhada de batedores)? Pois é…

 O rapper Jay Z, sua turma e Chris Martin, andando na buena de metrozão em Londres; fariam o mesmo por aqui tranqueiras como Ivete Gagalo e Naldo?

 

* Por enquanto é isso, mas na sexta-feira em si tem novo postão zapper na área, pode aguardar!

 

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E ontem no Campo De Marte, em Sampalândia…

 

O som chegou a ficar baixo em alguns momentos, mas quem estava lá não se arrependeu. E nem podia: um show que começa com “War Pigs” e termina com “Paranoid”, só podia ser mesmo feito pelos DEUSES do metal. Black Sabbath, primeiro, único e eterno.

 

Os VELHÕES continuam comandando o grande rock’n’roll. E pelo jeito, vai ser assim por muuuuuito tempo ainda…

 O véio “gagá” e ainda príncipe das trevas, Ozzy Osbourne, comandando o Black Sabbath no showzaço de ontem à noite em Sampa: 70 mil fãs foram ao delírio (foto: G1)

 

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Lolla BR 2014 e PJ.

Foram os dois assuntos rockers dominantes em uma semana onde a cultura pop local e planetária andou mazzomenos agitada. O gigante grunge de Seattle, mais de duas décadas de estrada nas costas, viu seu novo álbum de estúdio cair na web na última terça-feira (e aqui vai um parêntese/análise curioso: houve um relativo bochicho em torno do vazamento do disco do PJ na internet mas nem de longe foi a comoção que se observou, por exemplo, quando a lendária indie guitar band inglesa My Bloody Valentine teve seu último trabalho também vazado na rede; fora que o Pearl Jam não está mais vinculado a uma major do disco e seu novo cd está saindo por um selo, hã, independente, que por certo vai ter distribuição de uma… major do disco. Mas aí entra a dúvida: se nem no “vazamento” pela internet houve tanto oba-oba afinal, o que irá acontecer quando a versão física do álbum chegar às lojas? Será mesmo o fim da era grunge, das grandes bandas e das repercussões mosntro em torno de lançamentos importantes, tal qual era rotina há duas, três décadas? Pra pensar, e a conferir logo menos…). E ontem, quinta, a assessoria de imprensa da produtora T4F (que assumiu a realização da versão brasileira do mega festival Lollapalooza a partir do ano que vem) reuniu a jornalistada no longínquo autódromo de Interlagos, em Sampalândia, para explicar como será o Lolla BR 2014. Tudo lindo, com a presença do sujeito que criou o festival (mr. Perry Farrell, que já tá virando figurinha fácil por aqui) mas… line up oficial, com os nomes de quem vai estar no festival que é bom… mas enfim, a coletiva rolou, nomes e preços de ingressos não saíram (ambas as infos estarão divulgadas, promete a organização do Lolla, até o próximo dia 23 de outubro) e chegamos a mais um finde com novo postão zapper falando do festival e do Pearl Jam. E também de tudo o que importa no mondo por vezes mundano da cultura pop, onde se vai do sublime (como uma mostra retrospectiva do cineasta gênio Stanley Kubrick) ao francamente inútil (o funk ultra acessível e descartável de Naldos e Anittas) num piscar de olhos. É assim a vida, néan? Bora lá então, pro que vale realmente a pena nessa parada toda.

 

* E hoje tem o gigante velhão e lenda do metal em Sampa, o Black Sabbath do gagá Ozzy. Ingressos há muito esgotados. E nope, o blog não vai ao Campo De Marte assistir a gig dos velhos senhores (já vimos Ozzy em 1985 no primeiro Rock In Rio; depois assistimos o Black Sabbath em si em 1992, no finado Olympia, com o gigante Ronnie James Dio nos vocais; e por fim estas linhas online viram Ozzy novamente em 1995, na edição daquele ano do festival Monsters Of Rock, que rolou no estádio do Pacaembu. Tá de bom tamanho). O programa de hoje à noite será ir ao cinema assistir a estréia da ficção espacial “Gravidade”, que está bem recomendada e tem Sandra Bullock e George Clooney encabeçando o elenco. Amanhã, sábado (quando este post deverá estar sendo concluído) deve ter, ainda, mais uma esbórnia na madrugada, antes que o anjo reparador da radio therapy venha pra matar o monstrinho em forma de tumor, instalado na garganta zapper.

 

 

* Mas pra quem vai ao Sabbath: bom show!

 

* Não há mais programas dedicados ao rock na tv? A MTV BR foi pro saco? Sem problema: crie seu próprio programa em um canal no YouTube, oras. Foi o que o chapa de anos e ex-vj Gastão Moreira fez. Ele está apresentando o “Heavy Lero” na web, que já teve uma primeira edição bacaníssima e sendo que outras virão na sequencia. O primeiro episódio você pode conferir aí embaixo.

 

 

* Outra plataforma visual e sonora bacanuda pra se inteirar do que anda rolando no rock alternativo daqui e da gringa é o “Gato & Gata”. São vídeos mais curtos, também postados no YouTube, pelo casal do corazón zapper Chuck Hipólitho e Gaía Passarelli, ambos também ex-vjs da finada MTV BR. De forma didática e sempre com uma ambientação legal, Chuck e Gaía (velhos amigos do sujeito aqui) mostram novidades rockers interessantes ou resgatam artistas essenciais na formação da história do rock alternativo. Vários episódios já foram postados na web e um bem divertido é esse aí embaixo, onde a dupla fala do grupo americano Dog Party – quem nem é tão novo assim (surgiu por voltar de 2005 e lançou seu primeiro disco quatro anos depois). Mas a sonoridade punk-pop das duas garotinhas que são absolutamente desconhecidas por aqui, justifica a inclusão delas no “Gato & Gata”, dos queridos Chuck e Gaía.

 

 

 

* Sem noção, I: O blog ficou INDIGNADÍSSIMO E PUTÍSSIMO com a coletiva de anúncio oficial do Lollapalloza BR 2014, que rolou ontem em São Paulo, no autódromo de Interlagos. Yep, tudo muito bom, tudo muito lindo (mesa farta de salgadinhos e sandubas apetitosos, mais sucos, café, refris etc.), Perry Farrell falando pelos cotovelos (sobre como é legal estar fazendo parceria com a produtora T4F pra continuar realizando a parte brasileira do festival, sobre como a mudança de local vai proporcionar uma nova experiência ao público e bla bla blá), o pessoal da T4F explicando que Interlagos é maior e melhor pra se fazer um festival desses (600 mil metros quadrados, quatro palcos principais, 8 headliners por dia, 12 horas diárias de shows) etc, etc, etc. Só não divulgaram o line up, claro. Nem o valor dos ingressos pro festival que rolas nos dias 5 e 6 de abril de 2014 em Sampa. Prometeram ambas as infos para até o final desse mês (mais provavelmente no dia 23 agora). Só que nos “bochichos” internos entre a jornalistada na coletiva, é isso mesmo que todo mundo já tá falando: Depeche Mode e Nine Inch Nails puxando o rol de cerca de 80 atrações. Tá de bom tamanho se for isso mesmo. Interlagos é ok pra fazer o Lolla? Até é – fazia anos que Zap’n’roll não punha os pés lá no autódromo (se o hd do autor destas linhas virtuais não estiver enganado, a última vez em que o blog pisou em Interlagos, foi pra cobrir uma das edições da hoje finada rave monstro Skol Beats, isso lá por 2001, quando o jornalista namorava com a bocetudíssima arquiteta campineira Vanessa, e como ela chapou o côco de ácido e marijuana, uia!). A área é GIGANTESCA e se bem explorada e bem estruturada, dá pra fazer muita coisa ali. Ou como disse Perry, no momento hilário da entrevista: “aqui me lembra quando eu era jovem e fui ao meu primeiro festival, produzido pelo grande Bill Graham [lendário produtor de shows de rock nos Estados Unidos nos anos 60’ e 70’, e que chegou a produzir gigs dos Doors]. O local era como aqui: cheio de espaços em diferentes níveis e que proporcionavam uma experiência sensorial única. Eu tomei um ÁCIDO e saí descalço pelo lugar, andando com os amigos. Quem sabe não rola o mesmo aqui… quer dizer, na questão de sair andando descalço, rsrs”. A sala veio abaixo. Fora isso o depto. de marketing da T4F marcou um GOL DE PLACA ao levar tanto Perry Farrell (e sua bocetuda girlfriend) quanto a jornalistada de TREM, no percurso entre um shopping da zona sul paulistana e o autódromo (cerca de 15 minutos de viagem). Foi sensacional ver esse bando de jornalistas coxinhas, playbas e otários que NUNCA puseram os pés num trem, indo pra coletiva no meio do povão que utiliza esse transporte público diariamente. Mas no final das contas foi completamente SEM NOÇÃO convocar uma coletiva dessas e NÃO revelar o line up do festival. O jeito é aguardar até o dia 23.

Perryl Farrell, o homem que criou o Lollapalooza, novamente em Sampalândia: depois de andar de TREM com a jornalistada pela zona sul da capital paulista, ele toma água mineral confortavelmente instalado na sala de imprensa do autódromo de Interlagos, explicando como será a edição 2014 do mega festival (foto: Patrícia Laroca)

 

* Sem noção, II: esse mesmo texto que está aí em cima foi publicado no mural do blog zapper no Facebook, e também deveria ter entrado na página de notícias do portal Dynamite online, como texto OPINATIVO, logo abaixo da reportagem sobre o que rolou na coletiva do Lolla. Afinal o autor destas linhas rockers bloggers também é CONSELHEIRO da Associação Cultural Dynamite (que mantém o portal) e como tal, quis postar lá um comentário opinativo sobre a coletiva, para aproximar o portal Dynamite de conceitos editoriais mais contemporâneos (como o da Folha online, por exemplo), onde reportagem e opinião convivem sem problema no mesmo espaço. Pois a iniciativa zapper foi VETADA pelo Publisher e “editador” do site, nosso querido André Pomba (velho amigo, não raras vezes “da onça”, destas linhas online há vinte anos), sem maiores explicações. Mas o blog entende a postura dele: mais preocupado em que está hoje com sua bem sucedida carreira de dj e também com questões políticas e de militância em favor da diversidade sexual (nada mais justo, diga-se), Pomba está pouco se lixando para o site da ong (e que, mesmo assim, ainda é um dos portais de cultura pop mais acessados do Brasil, felizmente). E pra se comprovar isso, nem é preciso ir muito longe: basta ver o visual já velho e ultrapassado que permeia a arquitetura do portal, que precisa ser reformada há anos mas… enfim, pelo menos o blog tentou fazer algo diferente lá. Se não conseguiu, por IMPOSIÇÃO de gente teimosa e cabeçuda, paciência.

 

 

* Yep, já caiu na rede o novo álbum do véio Macca (sir Paul McCartney, no?), a lenda gigante do rock. “New” é o nome da obra, que tem lançamento mundial oficial na próxima segunda-feira. Mas dá uma fuçadinha na internet que ele já está dando sopa por lá.

 

 

* É, ela atende pela alcunha artística de Lorde. Tem dezesseis anos de idade, é um tesão visualmente falando e nasceu na Nova Zelândia. E como dear Luscious Ribeiro vez em quando adooooora GRUDAR em um novo hype do pop, desta vez a eleita por ele é a… Lorde. Mas vamos lá, querido Lúcio dessa vez está coberto de razão, hihihi. A garota canta que é um absurdo. Seu disco de estréia, “Pure Heroin” (nome sugestivo, hein… rsrs) é muito bom – e pode ser também achado com certa facilidade na internet. A grande questão é: Lorde terá status, estofo artístico e controle de ego para segurar uma ótima carreira musical a longo prazo? Ou daqui a dois anos será mais um esquecível hype, como zilhões que surgiram na música nos últimos anos? Só o tempo dirá, claro. Por enquanto estas linhas bloggers poppers estão curtindo e achando bem bacana a estréia em disco da ninfetinha que veio lá do outro lado do mundo.

A lindaaaaa Lorde (acima) e o vídeo para “Royals” (abaixo), seu já primeiro mega hit: dezesseis anos de pura gostosura; e ela canta muito, pode crer

 

 

* Imagem da semana, I: ela é filha do ministro Guido Mantega. E é um bocetão, hein! Veja aí embaixo:

Marina Mantega, a filha do Ministro da Fazenda: que BOCETAÇO loiro, uhú!

 

* Imagem da semana, II: o que um homem em completo estado de alteração etílica não é capaz de fazer, hihihi. Na foto aí embaixo o zapper total loker perde a compostura e o controle, vai pro palco do Hole Club (na rua Augusta, mas do lado dos Jardins) e começa a “bater tambor” enquanto o batera Flávio Forgotten (ex-Forgotten Boys) fazia participação especial no show do grupo Veronica Kills (que fazia cover da música “Cumm On”, dos FB), em madrugada rocker e pra lá de alucicrazy no último finde. É, a festa nunca termina, rsrs.

 

* Bien, bora lá saber como estão os novos discos do Pearl Jam e do Daniel Belleza & Os Corações em Fúria

 

 

PEARL JAM VOLTA OK EM SEU NOVO DISCO, MAS SINALIZA QUE SUA TRAJETÓRIA PODE ESTAR PERTO DO FIM

Talvez o último representante digno e gigante da gloriosa geração grunge que surgiu no rock americano no início dos anos 90’, em Seattle (a cidade que deu ao mundo o Nirvana e mais Alice In Chains, Mudhoney, Screaming Trees e toda uma constelação de grupos inesquecíveis e que inscreveram de modo feroz, na música e no comportamento, seus nomes na história do rock’n’roll), o quinteto Pearl Jam viu seu novo trabalho de estúdio, “Lightning Bolt” (o décimo disco de inéditas da banda, excetuando-se aí dezenas de registros ao vivo lançados por ela ao longo de mais de vinte anos de atividade), vazar na web na última terça-feira, sendo que o lançamento oficial dele em plataforma física (vinil e cd; o álbum também será editado no Brasil, óbvio) está marcado para a próxima segunda-feira, 14 de outubro. O blog já ouviu atentamente o trabalho nestes últimos, dias várias vezes. E pode atestar que é o melhor disco do PJ nos últimos anos, um cd que se equilibra muito bem entre rocks mais agressivos e momentos mais bucólicos. Ainda assim, sinaliza que o fim da existência do grupo pode estar mais perto do que se imagina.

 

Sim, sinaliza este provável e próximo fim porque mesmo o episódio do vazamento do disco na internet não causou, afinal de contas, nenhuma comoção em escala planetária nos fãs. E além desse fato em si (de não haver nenhuma cartase gigantesca e midiática em torno do vazamento do novo cd na web), é preciso observar com atenção a trajetória do Pearl Jam desde sua gênese até os dias atuais. No rigor da análise crítica é consenso afirmar que, na verdade, o quinteto formado por Eddie Vedder (vocais), pelos guitarristas Stone Gossard e Mike McCready, pelo baixista Jeff Ament e pelo batera Matt Cameron gravou apenas uma obra-prima em sua já longa trajetória, o hoje mega clássico “Ten”, o irretocável álbum de estréia do conjunto lançado em 1991. Seguiu-se a ele o ainda muito bom “Vs” (editado em 1993) e daí pra frente, nos sete álbuns seguintes, o PJ se esforçou muito mais em manter a fórmula que deu certo no primeiro álbum do que efetivamente superar artisticamente a sua estréia em disco. Isso resultou em uma série de discos medianos (“Vitalogy”, “No Code”, “Binaural”) e outros que, embora tenham causado impacto no momento de seu lançamento, logo em seguida se perderam na poeira do esquecimento pop (de resto, algo tão comum hoje, nesses tempos de internet e onde discos e bandas não duram praticamente nada, já que a eles pouco valor artístico e monetário é agregado: quem ainda perde tempo e dinheiro pra sair de casa, ir até uma loja de discos e comprar um álbum, quando tudo está disponível de graça na internet? Este é seguramente o maior paradoxo e a maior DESGRAÇA da música atual: por melhor que possa ser ela se torna desimportante a partir do momento em que o ouvinte não mais dá mais valor artístico e/ou monetário a determinada obra), e aí podem ser listados “Pearl Jam” (de 2006) e “Backspacer” – um trabalho potente lançado em 2009 mas… quem se lembra das  músicas dele ainda hoje?

 

O que tornou o PJ grande, aliás gigante como banda, de fato, foi a CREDIBILIDADE e o RESPEITO que o grupo liderado por Vedder adquiriu junto aos fãs e à imprensa ao longo dos anos. Sempre fazendo performances ao vivo avassaladoras e eivadas de emoção e sempre engajado em lutas sociais e políticas das mais pertinentes (como enfrentar, anos atrás, o monopólio da venda de ingressos para espetáculos nos Estados Unidos, que estava concentrado nas mãos da empresa Ticketmaster, que cobrava o que bem entendia pelas entradas; o PJ na época peitou a empresa e se deu mal na história sendo impedido de tocar em dezenas de cidades e sofrendo um prejuízo financeiro milionário com os concertos cancelados; no entanto isso só aumentou e de forma gigantesca o respeito, a admiração e o carinho que os fãs tinham e continuam tendo pela banda), o PJ foi driblando o fato de jamais ter conseguido gravar outro álbum igual ao “Ten” simplesmente assumindo uma postura de defensor irrestrito dos direitos dos cidadãos (sejam eles políticos, sociais, comportamentais ou religiosos) e também fazendo alguns dos shows mais sensacionais que se tem notícia no rock nos últimos vinte anos. Nesse sentido, o blog zapper é testemunha ocular do que está escrito aí em cima: assistiu o Pearl Jam ao vivo em duas ocasiões. A primeira delas, em 2005, em um estádio do Pacaembu lotado em São Paulo (quando o quinteto fez sua primeira turnê brasileira), e com a banda encerrando o set com a clássica “Alive”, e que levou quarenta e cinco mil pessoas às lágrimas. E a segunda em abril passado, na edição deste ano do festival Lollapalooza, também na capital paulista. Diante de um público de setenta mil pessoas Eddie Vedder comandou um set de pouco mais de duas horas, e que foi uma autêntica catarse coletiva. O grupo repassou toda a sua trajetória no palco, Vedder em determinado momento parabenizou São Paulo “por respeitar o direito ao casamento civil das pessoas do mesmo sexo” (em referência a lei que tinha sido aprovada naquela semana no Estado paulista), a banda novamente arrancou água dos olhos do sujeito aqui (em “Jeremy”, “Daughter”, “Alive” e em “Black”) e ainda encerrou o set de maneira arrebatadora e magnífica, tocando uma cover espetacular de “Baba O’Riley”, outro mega clássico da história do rock, gravado pela lenda The Who no álbum “Who’s Next” (de 1971, e eternamente na lista zapper dos dez maiores discos da história do rock).

O novo álbum do gigante grunge: banda ainda em forma, mesmo sinalizando que talvez esteja chegando perto do fim de sua trajetória

 

Mas tudo um dia chega ao fim. O PJ já acumula vinte e três anos de atividade e o tempo pesa nas costas. E este peso se reflete em um álbum como este “Lightning Bolt”. Longe de ser um disco mediano ele exibe, em suas doze faixas (e como já foi dito no começo desta resenha), um equilíbrio bastante satisfatório entre momentos mais “hard” e acelerados nas melodias, e canções mais introspectivas e bucólicas. É o PJ repisando uma fórmula consagrada que, se não mostra novas músicas com o impacto artístico do primeiro álbum, ainda mantém o grupo em evidência muito também pela excelência de seus músicos e pela interação que há entre eles – afinal, são mais de duas décadas tocando juntos. Assim é que o cd abre em clima abrasivo com “Getaway” e “Mind Your Manners” (que não à toa foi escolhida para ser o primeiro single do novo disco). Na sequência a banda enfeixa talvez algumas das melhores canções compostas por ela nos últimos anos, caso da enérgica faixa-título e do rock à clássica moda grunge “Infallible”. Também há a providencial road song conduzida por violões (em “Swallowed Whole”, um dos grandes momentos do cd) e um mezzo blues algo acelerado em “Let The Records Play” (outro instante bacaníssimo). E yep, há a dose de momentos, hã, mais “intimistas”. Que curiosamente estão concentrados no final do álbum, quando o conjunto enfeixa em sequência as bonitas e um pouco melancólicas “Sleeping By Myself”, “Yellow Moon” (mais um momento precioso do trabalho, com violões e timbres de órgãos vintage pontuando os arranjos) e “Future Days”. Todas inclusive mais climáticas e bem resolvidas do que a balada “Sirens”, escolhida como segundo single de “Lightning Bolt”.

 

É um disco que, no resultado final, soa melhor do que “Backspacer”, lançado em 2009. Mas o recado deixado aqui pelo Pearl Jam é bem claro: não vai mais haver mudanças bruscas de rota ou grandes novidades na carreira do gigante grunge. E talvez eles estejam sim mais próximos da aposentadoria do que se imagina. Com um trabalho que pode fechar dignamente sua trajetória (e que, mesmo não sendo uma obra-prima, ainda é infinitamente melhor do que a gigantesca maioria dos lançamentos das bandinhas indies escrotas de hoje em dia) e consciente de que já legou uma obra de fôlego para o rock’n’roll, o Pearl Jam pode tranquilamente, e se quiser, dizer adeus aos fãs. Vai deixar saudades, claro. Mas vai sair ainda em grande forma e deixando sempre a lembrança de que, sim, eles escreveram um capítulo grandioso nessa emocionante história do rock mundial.

 

* Esta resenha do novo álbum do Pearl Jam vai pro irmão de fé Wagner Freitas, mega fã da banda de Eddie Vedder e um dos melhores amigos destas linhas zappers nos últimos anos. Abração pra você, man!

 

O TRACK LIST DE “LIGHTNING BOLT”

1.”Getaway”

2.”Mind Your Manners”

3.”My Father’s Son”

4.”Sirens”

5.”Lightning Bolt”

6.”Infallible”

7.”Pendulum”

8.”Swallowed Whole”

9.”Let the Records Play”

10.”Sleeping By Myself”

11.”Yellow Moon”

12.”Future Days”

 

 

E PEARL JAM AÍ EMBAIXO

Nos vídeos dos dois primeiros singles do novo álbum (“Mind Your Manners” e “Sirens”) e também no vídeo que mostra o show completo da banda no festival Lollapalooza Brasil deste ano, que aconteceu em março passado em São Paulo.

 

 

 

PREPARE-SE: VEM AÍ O BAILE DESGRACENTO DE DANIEL BELLEZA E SEUS CORAÇÕES FURIOSOS

Grupo já veterano da indie scene paulistana que realmente ainda importa, o quarteto Daniel Belleza & Os Corações Em Fúria finalmente chega ao seu terceiro álbum de estúdio em pouco mais de uma década de existência. “Baile Desgraça” (que está saindo pelo selo Pisces Records, um dos últimos bastiões sérios de resistência da cena alternativa paulista e nacional) chega às lojas de disco em sua plataforma física na próxima segunda-feira. O show de lançamento do disco rola no próximo dia 24 de outubro no Inferno Club (badalado bar rocker do baixo Augusta), em São Paulo.

 

É um trabalho curto e grosso, sem gordura musical, direto ao ponto. Sem frescuras e mimimis, tão comuns atualmente no porquinho e ruinzinho de dar dó indie rock brazuca. Veteranos calejados que são, os quatro músicos da banda engendraram dez faixas em pouco mais de meia hora de música. São rocks rápidos, conduzidos pela guitarra afiadíssima de Johnny Monster (sem nenhum favor, um dos melhores guitarristas da cena independente brazuca) e que não dão espaço para o ouvinte respirar. Os riffs são econômicos mas incendiários e daí saem músicas fodonas como a stoniana “Quebrei meu santo – atrás de castigo” (talvez o melhor momento de um ótimo trabalho) ou as estradeiras “Bam Bam Bam” (que cita “I Can’t Explain”, do gigante The Who, em seus segundos finais) e “Sandinista” (homenagem velada ao também gigante The Clash). Como se não bastasse, a “cozinha” do grupo (formada pelo baixista Joe Klenner e pelo batera Jeff Molina) se mostra impecável na condução rítmica. E a qualidade sonora obtida em estúdio também resultou fodástica, cortesia do experiente produtor Michel Kuaker.

A banda indie paulistana Daniel Belleza & Os Corações Em Fúria (acima) e a capa do seu novo disco (abaixo): uma década de estrada e lançando provavelmente seu melhor trabalho até hoje

 

Faltou citar algo? Yep, claro: os vocais do cantor Daniel Belleza e as letras escritas por ele, dois pontos altíssimos desse realmente incrível “Baile Desgraça”. Ex (ou ainda?) ator de teatro que levou sua experiência no tablado para o rock’n’roll, Belleza está cantando melhor do que nunca e escrevendo idem, disparando versos de grande impacto textual e imagético e que estão muuuuuito acima da irritante pobreza (pra não dizer burrice plena) que se observa nas letras atualmente cantadas pelas bandinhas da indie scene nacional – veja mais aí embaixo a letra completa de “Quebrei meu santo”, e comprove que não há exagero no que estas linhas zappers estão dizendo.

 

Provavelmente o melhor disco lançado pelo conjunto até hoje “Baile Desgraça” mostra que o rock’n’roll continua vivo, firme, chutando e gritando. Basta que continuem existindo bandas como Daniel Belleza & Os Corações Em Fúria. E se vale a dika: vá até o Inferno Club no próximo dia 24 e não perca o show. A noitada rocker arrasadora está garantida desde já.

 

 

“QUEBREI MEU SANTO (ATRÁS DE CASTIGO)” – A LETRA

Quebrei meu santo, atrás de castigo

Me enterrei no seu umbigo

Só te conto o que não digo

E não posso acreditar

 

Fui o mais rico dos mendigos

O mais alegre dos aflitos

O grande herói dos seus bandidos

Acordei para sonhar

 

Me procurei na escuridão

Mas me encontrei na solidão

De seu eterno abandonar

 

Me arrastei por ti em vão

Tentei mudar o seu refrão

Quis ser água pra te afogar

 

Escrevi seu nome na parede

Me embebedei da sua sede

Passei bem com seu mal-estar

Fiz de sua fome meu jantar

 

Escorreguei seguindo seus passos

Atravessei o seu compasso

Desfiz todos os seus laços

Me perdi pra não se achar

 

Me procurei na escuridão

Me encontrei na solidão

De seu eterno abandonar

 

Me arrastei por ti em vão

Quis decorar o seu sermão

Quis ser água pra te afogar

Mas meu destino é não te encontrar

 

 

O ZAPPER LOKER E A BANDA – UMA DÉCADA DE AMIZADE E PUTARIA ROCKER SEM FIM

* Zap’n’roll não se lembra exatamente quando “trombou” pela primeira vez com a turma do DBCF. Foi há uma década mais ou menos e o grupo ainda era um quinteto – com Jaques Molina (irmão de Jeff) na segunda guitarra e o músico Marcos Taga no baixo. Tempos depois Jaques e Taga saíram, entrou o performático (e destruidor de corações de machos e fêmeas) Rangel no baixo (Rangenilda pros mais chegados, hihihi) e o grupo ficou estabilizado por longos anos com esta formação. A essa altura o jornalista maloker já frequentava gigs do grupo em espeluncas indies paulistanas e logo banda e o zapper doidón (naquela época, muuuuito doidón ainda…) se tornaram bons amigos. Tanto que o conjunto acabou sendo escalado para tocar na festa de primeiro aniversário da Zap’n’roll em 2004, no bar Outs. Foi numa quinta-feira e também tocaram, na época, os grupos Borderlinerz e Butcher’s Orchestra (onde tocava Adriano Cintra, ex-CSS e atual Madrid). Eram tempos onde o rock reinava na cena under paulistana e cerca de trezentas pessoas (em plena quinta-feira, vale repetir) alucinaram na Outs até a manhã seguinte. Inesquecível.

 

* Logo o zapper começou a enfiar o pé na lama em álcool (e também em devastações nasais) sempre na cia do “comparsa” Jeff Molina, bebedor juramentado. Foram muitas as madrugadas onde a dupla enxugou copos sem dó e devastou suas napas igualmente sem dó, uia. Hoje, um respeitável senhor comprometido, Jeff anda mais, hã, careta, rsrs. E continua um senhor baterista.

 

* Cuiabá, a infernal (no calor eterno que faz por lá) capital do Mato Grosso, recebeu a trupe DBCF pela primeira vez em agosto de 2005. Foram tocar no festival Calango (que era produzido pela produtora Cubo, embrião do futuro Coletivo Fora do Eixo, socorro!). E quando estavam prontos pra entrar em cena, a produção do evento “convocou” o zapper loker (que estava lá cobrindo o festival) para “apresentação” rápida sobre a banda, diante de umas três mil pessoas. Detalhe: o autor deste blog estava bicudíssimo, após ter aspirado algumas carreiras da mui potente cocaine que se acha em Hell City. De quebra, o jornalista sem noção ainda fez backing vocals quando a banda tocou “Do amor de morte”. Uma noite e um vexame ambos memoráveis, ahahaha.

 

* Um ano depois, o vocalista Daniel Belleza e o batera Jeff Molina retornaram a Cuiabá para outra edição do Calango, mas para dar um “reforço” na parte técnica do festival (Jeff, além de músico, é um requisitado produtor e técnico de som). O blog também foi novamente, e todos viajaram no mesmo vôo. O (sempre) detalhe bizarro da parada: o blogger eternamente loker tinha virado a noite metendo sua fuça gigante em carreiras e carreiras de padê. Foi para o aeroporto de Congonhas (o vôo estava marcado para as três da tarde) sem dormir e em estado de ressaca lamentável, pós consumo exagerado de cocaine. Um mês antes um Airbus da Tam, vindo de Porto Alegre, não havia conseguido frear na sua descida na mesma pista de Congonhas e se espatifou do outro lado da avenida Washington Luiz (que margeia o aeroporto), matando todos os cento e noventa e nove passageiros. Não deu outra: ressacudo que estava como um cão danado e lembrando do tal acidente, o jornalista pensou: “essa merda vai cair e é hoje que eu me despeço desse véio mundo…”.

 

* Mas nada aconteceu (tanto que estamos aqui, relembrando os fatos, hehe). Aliás aconteceu, sim: quando o busão aéreo da Tam pousou tranquilamente no aeroporto de Cuiabá, todos os passageiros a bordo urraram e bateram palmas de maneira super entusiasmada apenas porque o piloto tinha conseguido… frear a porra do avião sem problemas, hihi.

 

* Alguma noite perdida de 2007, no Outs. Mais um show da turma. E o zapper novamente por lá. E de repente, lá pelo meio da apresentação, o vocalista Daniel Belleza dispara no microfone: “alguma garota desinibida quer subir ao palco e participar do show?”. Não foi preciso repetir o convite: do nada um bocetão de tenros dezessete anos de idade subiu e, sem cerimônia alguma, ficou dançando no palco por intermináveis minutos. Detalhe: com os deliciosos PEITÕES totalmente à mostra. Quem era (é) a moçoila? Ninguém menos do que Julia DeLarge, hoje modelo rocker abusadíssima e musa indie zapper bem conhecida da galera, graças às fotos CADELÍSSIMAS que saem da garota por aqui quase todas as semanas. Pois é, tudo começou num show do Daniel Belleza e seus corações furiosos. Tudo pode acontecer num show deles…

A incrível, tesudíssima e XOXOTUDA musa indie oficial do blog, July DeLarge: acima, no histórico show da banda Daniel Belleza & Os Corações Em Fúria no bar Outs/SP, em alguma noite de 2007, quando ela mostrou do que é capaz pela primeira vez; e abaixo, já bem conhecida da galere, em imagem delicious total já deste ano; ou seja: a putaria na vida da moçoila começou faz teeeeempo, hihihi

 

* Hoje a banda segue firme, agora com Joe Klenner (por acaso, também proprietário do Inferno Club, onde o grupo faz show de lançamenro do disco no próximo dia 24) no baixo. A próxima gig, que vai lançar “Baile Desgraça”, promete ser animadíssima com bocetas rockers lokers em profusão desfilando no Inferno. Será que Julia DeLarge aparece por lá novamente e participa especialmente do show? Será???

 

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Discos: os novos do Pearl Jam e do Daniel Belleza & Os Corações Em Fúria.

 

* Filme: “Gravidade”, drama espacial sobre dois astronautas que ficam à dervia após sua astronave ser atingida por destroços de satélites, com Sandra Bullock e George Clooney, está batendo recordes de bilheteria nos EUA e também recebendo muitos elogios da crítica. Já estreou por aqui também. É a boa dika cinematográfica pra esta semana.

 

* Mostra Stanley Kubrick: começou no último finde e continua rolando no Museu da Imagem e do Som (em São Paulo) uma mostra fodíssima com um acervo mosntro de objetos, fotos etc que pertenceram ao gênio Stanley Kubrick, um dos maiores diretores da história do cinema. E, claro, junto irão passar todos os seus filmes – como o mega clássico “Laranja Mecânica”, que será exibido nesta quinta-feira, às oito e meia da noite. Imperdível é pouco e o Mis fica na avenida Europa, 160, Jardins, zona sul de Sampa.

 O gênio Stanley Kubrick (acima) e uma de suas obras-primas, “A laranja mecânica” (abaixo): mostra imperdível no Mis, em São Paulo

 

 

* Baladas pra semana: com o postão sendo finalmente encerrado já na tarde de segunda-feira bravíssima (rsrs), o blogão já prenuncia que a semana vai ser agitadona. Por exemplo, na quinta-feira tem show duplo no Beco (rua Augusta, 509, centrão rocker de Sampa), com o grande Jair Marcos e mais a nova sensação psicodélica de Goiânia, os Boogarins.///Já na sextona em si tem Vanguart na choperia do Sesc Pompéia (na rua Clélia, 93, Pompéia, zona oeste de Sampa), no show de lançamento do seu novo disco. E já na madruga os Forgotten Boys sobem ao palco do Club Noir (também na Augusta, no 331). Por enquanto é isso mas como na sexta tem novo postão por aqui, nele iremos atualizar as baladas pro finde, okays?

 

 

TERRA JÁ EM DISPUTA SANGRENTA

E como, rsrs. Vai lá no hfinatti@gmail.com, que agora a parada está bem definida e temos pra você:

 

* DOIS INGRESSOS pro Planeta Terra Festival deste ano, que rola dia 9 de novembro em Sampa, com shows imperdíveis do Blur, do Travis, do Beck, do Palma Violets e da Lana Del Rey. Vai perder?

 

* E também dois ingressos pro show da dupla inglesa The KVB, dia 14 de dezembro em São Paulo.

 

É isso. Vai lá e boa sorte!

 

 

E FIM DE PAPO

Tá bão, né. Postão grandão beeeeem finalizado, sendo que na próxima sexta estamos por aqui novamente. O blogão se vai, deixando uma bijoka na linda rocker Lissa, lá de Londrina. Então até sexta com mais por aqui. Até lá!

 

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 15/10/2013, à 1:00h.)

Aeeeeê! Em mais um super trabalho de jornalismo musical investigativo o blogão zapper vai atrás de uma das melhores e mais efervescentes cenas independentes do país, a da boa e velha Recife; mais: na semana em que a MTV Brasil foi definitivamente pro saco, também prestamos aqui nossa homenagem ao finado canal de clips; e ainda Bob Mould em Sampa, o vídeo oficial de “Eu não vou deixar” (a música onde o agora reaça de direita Lobão SPANKA Pablo Capilantra) e… em exclusividade planetária (você só verá aqui e no Tumblr da garota, hihi) imagens pra ENTRAR PRA HISTÓRIA: a XOXOTA em CLOSE (e molhadinha, pronta pra ser fodida!) da deusa da PUTARIA sem limites, nossa musa indie eterna July DeLarge, uuuuuiaaaaa! (turbinada monstro no postão bombator, contando como foi a gig do Bob Mould em Sampa!) (atualização final em 08/10/2013)

O rock’n’roll tá ruim? A música também? O mundo acabou? Não pra quem vai atrás do que vale a pena e garimpa pérolas em meio ao lixo reinante na música planetária atual: os ingleses do Palma Violets (acima) lançaram um discaço de estréia no início deste ano, vão tocar no festival Planeta Terra 2013 (em novembro, em Sampa) e soltaram esta semana mais um bacanudo vídeo promocional; já em Recife, capital de Pernambuco, a novíssima cena musical independente deita e rola com zilhões de nomes fazendo sons de altíssima qualidade, entre eles a deusa negra Aninha Martins (abaixo), espécie de “madrinha” da cena

 

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EXTRINHAS NA TERÇA-FEIRA, ENGORDANDO O JÁ POST GIGANTE E CONTANDO COMO FOI A GIG DO GÊNIO BOB MOULD NO ÚLTIMO FINDE

* Bob Mould simplesmente ARRASOU no finde em Sampa, sem palavras. Ou com um livro pra escrever sobre. O tiozão gay, lenda do indie rock americano que importa nas últimas três décadas, fez um set DEMOLIDOR no palco da choperia do Sesc. Aos 53 anos de idade ele tá inteiraço, e fez o que sabe fazer de melhor: despejou um caminhão de clássicos do Husker Du e do Sugar em cima da galera ensandecida que lotou o lugar. Foi lindo ouvir ao vivo e na porrada e no talo (depois de passar os anos da juventude batendo cabeça e pulando como louco ao som do Husker nos porões unders de Sampa; mais que isso: SONHANDO um dia em ver um show do Husker Du) rocks fodaços como “Changes” e “Helpless” (emendadas em sequencia, tal qual elas estão no obrigatório “Copper Blue”, o primeiro disco do Sugar, lançado em 1992), ou ainda a imortal “Could You Be The One?” (do Husker e que levou o povo à loucura). Em pouco mais de uma hora de show (começou antes das dez da noite, acabou pouco depois das onze) Bob tocou 21 músicas e centrou fogo no repertório do Sugas e do Husker Du – aliás, se há alguma queixa é que ele poderia ter tocado mais faixas do seu último disco solo, que é sensacional, mas pelo menos o single “The Descent” ele tocou. Foi lindo ver garotos e garotas de 18/20 anos vestidos com camisetas do Husker Du e cantando quase TUDO em coro, a plenos pulmões. E foi muito bacana também reencontrar toda uma geração de amigos e conhecidos quase quarentões (yep, os indies também estão ficando tiozões, ahahaha), como o Ricardo Fernandes, a Daniela, o Alex “Peitas” (da velha guarda da Dynamite), a queridaça Verônica e muitos outros. Festa total ainda mais porque Bob Mould mostrou porque é um MONSTRO do rock americano e que fazer ótimo rock’n’roll é muito simples: basta ser um puta guitarrista, com mega talento e feeling pra compor grandes canções e grandes melodias (e isso não tem nada a ver com ser guitarrista punheteiro e metido a erudito, como os malas Joe Satriani e Steve Vai), e ter uma ótima “cozinha” pra segurar a parte rítmica. Não precisa mais do que isso. E nunca é demais lembrar: o Husker Du e esse tiozão foram pais do Pixies. Que foi o pai do Nirvana. Só isso. Sério, o blog saiu com a alma lavada do Sesc. Pra Zap’n’roll talvez já seja o melhor show gringo de 2013, até o momento. Rock In Rio? Merdallica? Iron Maiden cafona? Esqueça. Rock foi o que a gente viu, ouviu e cantou junto, emocionado e de maneira quase catártica sábado, no Sesc. Só três caras no palco, o trio que resume tudo nesse negócio (guitarra, baixo e bateria). Sem cenários apoteóticos, sem efeitos visuais mirabolantes, sem cafonice e histrionismo (isso é pros irons maidens da vida). Apenas música. E apenas ótimo rock’n’roll, como sempre deveria ter sido. Valeu Bob Mould! Vc ainda é o cara!

 A lenda que criou o Husker Du e o Sugar, manda pau no palco do Sesc Pompéia, em São Paulo, na última sexta-feira e sábado: showzaço já sério candidato a melhor de gig de 2013

 

* Não foi ao show do Bob? Sem problema, ele já está INTEIRO no YouTube, veja aí embaixo e imagine o que você perdeu ao vivo:

 

 

* E depois a noite/madrugada ainda foi looooonga. Começou com o showzaço do Bob Mould na choperia do Sesc Pompéia, passou pelo Hole Club (shows muito bons do Veronica Kills e do Corazones Muertos, mas o som lá tava horrível) e terminou no open bar do Outs, quase cinco da manhã! E com casa LOTADAÇA até aquela hora. Como diria nossa querida amiga carioca, a Tatiana Tavares, no sábado o zapper loker se permitiu ser junkie boy novamente, rsrs. Yep, bebeu horrores, deve ter passado ridículo total (tocando com as mãos um tarol de bateria no palco do Hole Clube, enquanto o Veronica Kills fazia um cover de “Cumm On”, música FODAÇA dos Forgotten Boys, e com o Flavinho Forgotinho tocando bateria, rsrs), paquerou uma japa de óculos peituda e loka (e bonita e rocker), foi paquerado por ela (mas porra, não dá: a figura tinha – tem – 20 anos de idade, assim fica difícil, rsrs) e se sentiu novamente um adolescente indie no show do Bob Mould. A vida, afinal, ainda é bela, rsrs.

 Última madrugada de sábado pra domingo em Sampa, no Hole Clube (rua Augusta, nos Jardins): o zapper bêbado e maloker perde total a compostura e “bate tambor” (rsrs), ao lado de Flavinho Forgotten (tocando bateria no show do grupo Veronica Kills), uia!

 

* Si, si, e também teve despedida dos palcos do B-52’s na cidade. Nesse o blog não foi, não dá pra ir em tudo ao mesmo tempo. Mas na quinta-feira estas linhas rockers online estarão SIM na coletiva de imprensa que vai anunciar o line up do Lollapalooza BR 2014. Na linha de tiro pra estar aqui em abril do ano que vem: Depeche Mode, Nine Inch Nails, Muse (argh, de novo?), Jake Bugg etc. Se for isso mesmo, já está de ÓTIMO tamanho.

 

* E na capa da revista IstoÉ desta semana (aí embaixo)… enquanto isso, o restante da grande mídia silencia quase completamente sobre esse escândalo de corrupção MONSTRO em São Paulo, patrocinado pelos últimos governos do PSDB. Que vergonha…

 

* Na quinta-feira, pós coletiva do Lolla BR 2014, novo postão zapper aqui. Até lá!

 

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A MTV BR foi pro saco? O mundo tá no fim? A música acabou?

Mexa-se, oras. Vá atrás do que realmente é bom e importa. A busca nem sempre é fácil, o cenário cultural mundial (a música e o rock em particular) está realmente tenebroso mas sempre existe alguma luz no fim de algum túnel, em algum lugar. Não é de hoje que Zap’n’roll observa a grande degradação que se instalou na qualidade das novas produções musicais e nos novos artistas. Mas também não é de hoje, e pela sua experiência de duas décadas na cobertura da cena rock nacional e gringa, que estas linhas online observam e sempre atestam que é nos momentos de crise criativa mais aguda quando surgem novos nomes com uma proposta interessante e algo realmente digno de nota pra mostrar. Está sendo assim, agora: em um momento em que a música pop mundial dá sinais claríssimos de fadiga criativa, na semana em que a MTV Brasil enfim fechou suas portas (após vinte e três anos de atuação no país), dando lugar a uma nova MTV que parece muito pouco preocupada com BOA música, e em um momento em que a cena musical independente nacional passa por uma de suas maiores ressacas artísticas (como uma entressafra medonha de grupos e artistas solo que valham alguma coisa) dos últimos anos, eis que o blog zapper procura, procura, e novamente se depara com uma cena renovada, em ebulição plena e que está fazendo música novíssima, interessantíssima, de qualidade e pronta pra ser descoberta, ouvida e apreciada. Claro, essa cena nem de longe está aqui no Sudeste rico e maravilha, onde ela tinha quase obrigação de aflorar (pelas condições econômicas e estruturais que a região possui), mas aqui a preguiça musical domina e nada de novo acontece já há séculos também. Então, o que importa de verdade e que acaba de ser radiografado pelo blog neste post que está começando agora está na verdade lá em cima, no Nordeste brasileiro. Mais especificamente em Recife, capital de Pernambuco, e cidade que já deu ao país gênios como Chico Science e Fred 04. É do Recife que surge mais um novíssimo e interessante levante na música jovem e independente nacional. Uma música vibrante, consistente, cheia de atitude, diversidade, qualidade e com muita honestidade, para mostrar que felizmente ainda existem sons que nos falam fundo à alma e ao coração. Sons que não foram massacrados e pisoteados em suas pretensões artísticas por um bando de urubus e bandidos, agrupado na quadrilha do Coletivo Fora do Eixo (que foi um dos principais responsáveis pelo desmonte da qualidade musical na cena independente do país nos últimos cinco anos). Sons que estão lá, dando vida e novo colorido às ruas de uma cidade que já tem tradição na Grande Cultura do Brasil contemporâneo. Pois é esta cena que este post registra, com muito orgulho e satisfação. E se vale a repetição, aqui vai ela novamente: a música tá ruim? A MTV BR foi pro saco, o mundo acabou? Mexa-se, oras. Vá fazer A SUA música. Ou vá atrás do que realmente vale a pena, como nós aqui do blog fomos.

 

 

* Ah, essas madrugadas ainda friazinhas (em plena primavera já) e chuvosas em Sampalândia. Deliciosas pra escrever um post, hehe. Este de agora sendo escrito na de quinta pra sexta-feira, fazendo o blog voltar ao seu dia tradicional, sextona em si. Vamos que vamos que hoje tem show do grande Bob Mould em Sampa.

 

 

* Yep, o homem que criou o Husker Du (pai dos Pixies e do Nirvana), se apresenta solo na choperia do Sesc Pompéia, com tickets esgotados há dias já (e isso pras gigs de hoje e amanhã). O blog pediu credenciamento, felizmente. E estará na choperia logo menos. Então vamos correr aqui.

 

 

*Corrigindo errata monstro publicada no último post, uia: quem vem ao Goiânia Noise 2013 na verdade é o também inglês Exploited (e não o UK Subs, como havíamos informado, hihi). Estas velhas linhas bloggers punksters sempre confudiram mesmo as bolas quando se trata de falar de determinada parte da cena punk inglesa do final dos 70’. Faz parte.

Os velhos punks do Exploited: eles sim estarão na edição deste ano do festival Goiania Noise, em dezembro

 

 

* Marina Silva não conseguiu registrar seu novo partido, o A Rede, para disputar a eleição presidencial em 2014. Menos mal. O país já tem EVANGÉLICOS demais na política, ATRASANDO o desenvolvimento social, comportamental e cultural do país. Não há dúvida de que Marina, pela suas idéias modernas e avançadas quando o assunto é defesa do meio-ambiente, merece todo o nosso aplauso e apoio. Mas ela também é um DESASTRE quando chamada a se posicionar em questões como aborto, união civil entre pessoas do mesmo sexo etc. Aí a face ultra conservadora de sua religião entra em cena e…

 

 

* O mito resiste, rsrs, I: ontem, no Facebook, o autor destas linhas online recebe pedido de add do super simpático e boa praça cantor e compositor Thiago Pethit, que por inbox faz o elogio ao sujeito aqui: “Claro que eu sei quem é tu, Finatti. Você já é MITO!”. Wow! Thiago, é bom não esquecer, é o autor de “Moon”, música pop classuda e que por enquanto rendeu o VÍDEO DO ANO, já mostrado aqui e novamente postado aí embaixo, pra quem ainda não assistiu.

 

 

 

* O mito resiste, II: também ontem, só que mais à noite, foi a vez do lendário Luis Antonio Giron, editor de Cultura da revista Época, e um dos jornalistas culturais mais respeitados do país, se manifestar na página do zapper na rede social. Ele escreveu: “Finatti é o único iconoclasta real no jornalismo de música. Eu sou admirador incansável do estilo e da abordagem crítica de Finatti, um exemplo de discípulo que superou e desconcertou seus mestres!”. Depois desse baita elogio, o sujeito que digita estas linhas rockers nem conseguiu falar mais nada, ponto.

 

 

* Giron, além de editar a parte de Cultura da semanal Época, também pode ser lido semanalmente em seu blog, que pode ser alcançado aqui: http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/luis-antonio-giron/.

 

 

* A briga Lobão X Pablo Capilantra, ops, Capilé, round número 6.666 (o número da besta, uia). O lupino cantor e compositor carioca finalmente apresentou a versão de estúdio de “Eu não vou deixar”, sua nova composição onde ele ESPANCA sem dó o cappo do Coletivo Fora do Eixo, mr. Pablo Ardilé (de ardiloso, claro). A música é um rockão abrasivo, com guitarras ferozes e percussão idem. A letra ginasiana todos já conhecem. A real é que estamos presenciando um embate interessante entre um mau caráter e escroque assumido (o homem do Fora do Eixo) e um compositor que, de defensor das liberdades individuais e da democracia plena e criador de alguma das mais sublimes canções do rock BR dos 80’, se tornou um dos maiores REACIONÁRIOS de direita do momento, com direito a ataques desenfreados ao governo Dilma (que, verdade seja dita, está longe de ser uma maravilha) e a ter coluna semanal na revista Veja, o exemplo mais DETESTÁVEL do jornalismo mais CONSERVADOR que existe nesse país. E aê, com qual dos dois você fica??? Parada duríssima, hihihi. Pra ajudar a se decidir, veja o vídeo de “Eu não vou deixar” aí embaixo.

 

 

 

* GOODBY MTV BRASIL – Yep, a MTV Brasil chegou ao fim na última segunda-feira. O encerramento do canal foi algo emotivo e emocionante, com a ex-vj Cuca se despedindo e botando o vídeo do clássico “Maracatu Atômico”, com o inesquecível Chico Science, pra rodar. Em seguida Astrid Fontenelle também se despediu, desejou sucesso à nova MTV (que estreou no dia seguinte), entraram cenas do festão de saideira da emissora (ao som apropriadíssimo de “Orra Meu”, da Rita Lee) e the end. O blog poderia aqui escrever um gigantesco diário sentimental sobre tudo o que ele viveu e passou ao som do que rolou na emetevê durante os vinte e três anos de existência do canal sob o comando da Editora Abril – inclusive as inesquecíveis festas do VMB, como a primeira realizada em 1995, no Memorial da América Latina, e onde o zapper ainda jovem e doidón teve seu pinto chupado por uma amiga (até a porra jorrar na boca dela), em “agradecimento” por ele conseguido colocá-la na festa, wow. Ao invés disso, prefere deixar de registro esses dois vídeos aí embaixo, onde Zap’n’roll aperece sendo entrevistado no programa “Gordo Pop Show”, isso lá pelos idos de 1997. Comandado pelo vj, vocalista do Ratos De Porão e velho amigo João Gordo, o programa era apresentado ao vivo e se traduzia numa anarquia total, onde João zoou sem dó o autor destas linhas virtuais, rsrs. Foi uma entrevista tão bizarra e absurda (sem contar o fato de que o zapper loker foi em duas ocasiões ao programa; numa delas, estava completamente ressacudo pois tinha virado a noite se entupindo de cocaine em uma balada sangrenta, hihi) que mereceu lugar na lista dos vinte momentos mais bacanas da MTV Brasil durante a sua existência, publicada esta semana pelo blog Popload do nosso sempre queridón Luscious Ribeiro. Enfim, vejam (ou revejam) os vídeos e divirtam-se. Bons tempos que, definitivamente e pelo visto, jamais irão voltar…

 

* Eles estão a caminho do Brasil – tocam em Sampa dia 9 de novembro na edição deste ano do festival Planeta Terra. E o blog é mega fã deles. De quem? Ora, do quarteto inglês Palma Violets, que lançou um fodaço álbum de estréia, o “180”, no início deste ano e talvez um dos melhores discos de banda nova editados na Inglaterra nos últimos anos. Pois o PV soltou mais um vídeo promocional para uma das faixas do cd esta semana, desta feita para “Rattlesnake Highway” e que, sim, já circula no YouTube e já foi mostrada em tudo quanto é site e blog mas que nós também vamos postar aqui porque AMAMOS o Palma Violets. Vem logo Planeta Terra!

 

 

* Frase cadeludíssima da semana: “senti que finalmente poderia ser a vagabunda que eu realmente sou” (dita pela atual putaça number one da música pop, miss Miley Cyrus, claaaaaro!). Pois olha, se todas as cachorraças e vadiaças do planeta fossem CORAJOSAS como a cantora americana está sendo e de fato ASSUMISSEM o que são, o mundo seria mais feliz, menos careta e menos culpado moralmente, com certeza, rsrs.

 Ela sempre quis ser vagabunda, e agora assumiu isso de vez, uia!

 

 

* Claro que musicalmente Miley Cyrus é um zero à esquerda. Melhor então ir ler sobre o que vale a pena em termos de música e de novas cenas bacanas. Veja aí embaixo o que anda rolando pelas ruas e bare e estúdios do Recife, a sempre agitada capital pernambucana.

 

 

 A NOVÍSSIMA CENA CULTURAL (E MUSICAL) DO RECIFE CONTINUA COMO SEMPRE FOI: INCRÍVEL E FODÁSTICA!

Não há exagero algum no título do tópico principal deste post. Recife, capital do Estado de Pernambuco, historicamente sempre foi uma das metrópoles brasileiras mais agitadas e efervescentes em termos de cenário cultural. Ela – e de resto, todo o Estado pernambucano – sempre foi assim, já é tradição. Nem é preciso ir muito longe e pesquisar muito pra se comprovar isso. Basta lembrar que Alceu Valença (um dos maiores nomes da história da música brasleira e um dos primeiros artistas nordestinos a fundir com maestria a mpb tradicional ao rock, isso ainda nos anos 70’) é pernambucano. E basta lembrar que foi em Recife e Olinda que surgiram dois dos últimos grandes gênios da moderna música brasileira, o saudoso Chico Science e o ainda atuante Fred Zero 04. Ambos criadores do movimento Mangue Beat. E também fundadores de duas bandas fodaças em sua concepção estética e musical: Nação Zumbi e Mundo Livre S/A.

 

Pois em um momento em que a nova música independente brasileira (e o rock em particular) amarga mais uma severa crise de qualidade e criatividade, é em Recife que surge novamente a esperança de renovação na música jovem que se faz nesse país. Yep, Pernambuco não se satisfaz somente em estar produzindo, neste momento, o MELHOR cinema do Brasil (se não o mais rentável comercialmente, pelo menos o mais ousado e subversivo artisticamente falando, basta conferir longas como “A febre do rato” ou “O som ao redor”, que inclusive deverá representar o Brasil no Oscar 2014). E Recife não se satisfaz em ter um Porto Digital, onde a tecnologia de ponta desenvolve projetos avançadíssimos na área de TI e os exporta para o restante do país. É nessa velha Recife, onde o tradicional e o futurístico convivem lado a lado, que está surgindo mais uma vez toda uma movimentação sonora incrível. São várias bandas e artistas individuais fazendo diferentes tipos de sons. E todos dialogando entre si, dividindo experiências, fazendo parcerias, unindo forças e tocando juntos em gravações e em shows. Tudo em nome de renovar, ousar e buscar algo novo e de qualidade dentro da música brazuca.

 

De olho na turma e em contato com músicos que dela fazem parte (como os porretas Juvenil Silva, Jean Nicholas e Angelo Souza) o blog publica aí embaixo um texto do músico Tiago Barros, que toca bateria no projeto (ou banda) Graxa, cujo álbum “Molho” acaba de ser lançado na web. O texto, conciso mas precioso em informações, dá uma panorâmica fidelíssima de como está toda essa nova movimentação musical em Recife. Leia, acesse os links disponibilizados logo em seguida e conheça melhor os sons de uma cidade que sempre inovou na hora certa o cenário musical brasileiro.

 

WHO THE FUCK IS CENA BETO? (OU: O NOVO MOLHO DA MÚSICA RECIFENSE)

Por Tiago Barros, especial para Zap’n’roll

 Parte da turma da nova cena musical recifense, fazendo barulho sempre na capitalk pernambucanaDMingus, JuveNil, Aninha, Graxa, Lobo e Cacá

 

 

Para começo de conversa, já existia uma cena antes de qualquer rótulo fosse pensado. O que não havia definitivamente era um visível link estético ou ideológico entre seus membros mas todos já admiravam o trabalho uns dos outros, iam para as apresentações uns dos outros, participavam dos shows e discos uns dos outros e chegavam até compartilhar integrantes com as bandas uns dos outros também. Não é assim que basicamente se alimenta uma cena musical? Pois é, da maneira mais natural possível, a coisa já começava a tomar corpo.

 

Se bem que era um grupo razoavelmente heterogêneo de pessoas, tanto em relação à musicalidade, como em termos de personalidade – a rima não foi intencional, acreditem. Havia um performático songwriter e o guitar hero da turma (Juvenil Silva); um dos melhores letristas, também compositor, que Recife pode ter gerado nos últimos anos (Graxa); um roqueiro desbocado sempre a procura do beat para fazer a moçada cair na pista (Jean Nicholas); o introspectivo músico-produtor de onde você pode esperar a mais diversificada gama de sons e estéticas possíveis (DMingus); um compositor que transita entre a Vanguarda Paulista e o Canterbury Scene (Matheus Mota); um inclassificável e radical grupo que assombra plateias com seus shows não menos que impactantes (Ex-exus); uma banda fortemente influenciada pela psicodelia tupiniquim dos idos 60-70 (Dunas do Barato); enfim um seleto grupo de figuras pitorescas.

 

Mas onde está Beto em toda essa história? O nome propriamente dito surgiu algum tempo depois, em um momento em que todos estavam começando a tentar organizar toda essa movimentação. Esse bando de malucos descritos no parágrafo acima resolveu se reunir no bar Derbilhar, que fica no bairro do Derby, em Recife. Em um primeiro instante o ambiente estava especialmente caótico, com muita idéias e comentários fortuitos sendo disparados para todos os lados. Havia pessoas ali que mal se conheciam tentando entrar em uma sintonia que, de certa forma, já pairava ali no ar e só precisava de um empurrãozinho para se fazer concreta.

 

Chega o momento em que a seguinte questão é colocada em pauta: que nome vai se dar para essa bagaça toda? É mesmo necessário definir esse agrupamento de músicos? A conversa toma agora um rumo mais eufórico: uns defendem raivosamente a definição de um nome a essa tal cena musical, outros negam veementemente qualquer tipo rotulação e alguns simplesmente caem na risada. Foi aí que, em um estalo, Graxa, o cronista do mítico bairro do Jiquiá, aonde a idos anos aportou um Graf Zeppelin e onde ainda se encontra a primeira torre para aquele tipo de dirigível em toda a América do Sul, de repente levanta sua voz em meio àquele tumulto e fala: “Bicho, precisa mesmo disso? Não tem que ter nome para essa Cena? Então chama logo de Beto. Olha aí que beleza…Cena Beto”. As gargalhadas agora eram gerais, mas foi daí que uma piada interna tomou grandes proporções.

DMingus (acima) e os músicos do Graxa (abaixo): Recife volta a se conectar com o melhor da produção musical jovem e independente, em um momento em que a indie scene nacional sofre com uma crise severa de criatividade e qualidade musical

 

Pois é, minha gente! Sinto muito decepcioná-los, mas foi assim que surgiu o nome. Nada de histórias mirabolantes de quem parece ter uma equipe de experts em assessoria de imprensa ou roteiristas de histórias cinematográficas ao seu dispor – e olha que, cá para nós, muitos por aí tiveram e tem alguém que se presta a esse serviço todo. Deixemos um pouco os manifestos pomposos e nomenclaturas marqueteiras de lado nesse momento. De que vale tanta algazarra se, no fundo, o sujeito só está se importando em fazer o seu na maciota, sem se preocupar muito com o seu companheiro em volta? Pois, a Cena Beto possui esse suporte interno de sobra, tanto que sai pelo ladrão. E não foi preciso nenhuma barra ser forçada, pois todos nesse grupo genuinamente apreciam e apoiam o trabalho do outro. É uma Não-Cena que não faz cena e é mais Cena do que muita Cena, captou a mensagem?

 

De lá pra cá, a única coisa que posso dizer agora é que muitos discos foram lançados, outros tantos shows foram feitos, alguns bons eventos foram realizados e, acreditem, na imensa maioria de todos esses casos, foram os próprios músicos que fizeram as coisas rolar, sem auxílio de verba pública ou mão grande de figurão algum – sim, às vezes isso é possível também.

 

E não que fica só por aí, pois os compositores German Ra, Ênio Ohomemborba e Hugo Coutinho, e a íntérprete-mor e musa da Cena, Aninha Martins, ainda nem lançaram seus primeiros trabalhos, fora os próximos discos da turma citada nos parágrafos acima que ainda hão de chegar, cada vez mais e mais. Sem esquecer o auxílio de Cláudio N e Grilowsky, músicos que militavam há tempos em outras trincheiras, mas que foram devidamente convocados e aceitos de pelos betosos.

 

Então é isso, meus amigos: a Cena Beto é a vontade de potência [nota do editor do blog: “Vontade de potência” é o título de um dos mais célebres volumes escritos pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche; ou seja, os músicos recifenses além de tocar muuuuuito ainda possuem referências culturais de sobra, algo que infelizmente falta totalmente na esmagadora maioria BURRA dos nossos pseudos “rockstars” da indie scene, tadinhos, rsrs] prevalecendo sobre as inúmeras dificuldades e a crocodilagem alheia, ou seja, não anula o desejo de seus integrantes verem seus parceiros alcançando sua parcela de reconhecimento; é um verdadeiro coletivismo que não se ampara em um ideário político-cultural que beneficia um grupo pequeno; é todo mundo junto, misturado, muito às vezes se fudendo junto também, mas na hora de levantar do baque, meu amigo, segure a onda porque vem todo mundo de vez virado com a porra de volta! E podem ter certeza, ainda tem muita lenha, ou melhor, filme, como diria uma música de Jean Nicholas, para queimar!

 

(Tiago Barros, 34 anos, é músico em Recife; toca bateria na banda Graxa, que acaba de lançar o álbum “Molho”)

 

 

OS LINKS PRA VOCÊ OUVIR E CURTIR OS NOVOS SONS DA NOVÍSSIMA MÚSICA INDEPENDENTE DO RECIFE

 

* Dunas do Barato (EP) 2013:

http://www.mediafire.com/download.php?wmirfxisb2e1g84

https://soundcloud.com/dunasdobarato/sets/dunas-do-barato-ep

 

* Graxa (Molho) 2013:

http://www.mediafire.com/download/p27oda9aney3fcn/Molho_(2013).rar

http://www.4shared.com/rar/H5btn5LC/Molho__2013_.html

https://soundcloud.com/graxa

 

* JuveNil Silva (Desapego) 2013:

https://soundcloud.com/juvenilsilva

http://www.mediafire.com/?l1pn7d8dpa9ipsb

 

* DMingus (Fricção) 2013:

http://www.sendspace.com/file/lv9h0n

 

* DMingus (canções do quarto de trás) 2012: http://www.4shared.com/rar/KuaR6WkD/D_Mingus_-_Canes_do_Quarto_de_.html

 

* DMingus (Filmes e Quadrinhos) 2010:

http://www.amusicoteca.com.br/?file_id=425

https://soundcloud.com/dmingusavu

 

* Matheus Mota (Desenho) 2012:

http://www.mediafire.com/download/k0698cp0yn5ak00/Matheus+Mota+-+Desenho+%282012%29.zip

https://soundcloud.com/matheusmota

 

* Ex-Exus (XÔ) 2013:

http://www.4shared.com/zip/PO-61aIv/Ex-exus____Xo__2013_.html

http://www.mediafire.com/download/lya9lap3szehygt/Ex-exus_%3A%3A_X%C3%B4_(2013).zip

https://soundcloud.com/exexus

 

* Jean Nicholas: https://soundcloud.com/jean-nicholas-1

 

* German Ra: https://soundcloud.com/germanra

 

* Enio Ohomemborba: https://soundcloud.com/ohomemborba

 

* Aninha Martins: https://soundcloud.com/aninhamartins

 

* Claudio N: www.soundcloud.com/claudio-n

www.soundcloud.com/chambaril /

www.soundcloud.com/familiarr

 

 

OBSERVANDO A CENA DE LONGE

(um rápido depoimento sobre a movimentação musical em Recife, dado por um músico de lá que vive em São Paulo, onde dá aulas de sociologia)

 

O recifense Marcionilio Nery, trinta e um anos de idade, mora há dois em São Paulo, onde dá aulas de sociologia em colégio público. Antes de se mudar para a capital paulista pariticpou ativamente da cena musical da capital pernambucana. Foi vocalista da banda Canivetes, que chegou a ter certa notoriedade na noite under recifense.

 

A pedido de Zap’n’roll, ele escreveu um breve depoimento sobre a movimentação da cena musical independente de sua terra natal. O texto segue abaixo:

 

“Pra mim a experiencia foi ótima, até porque desde o primeiro momento em que eu entrei nessas de montar banda de rock eu sabia da bronca que era tocar rock no Brasil (Recife que o diga), ainda mais em uma banda com uma proposta musical tão pouco comercialmente viável como era a da Canivetes que fazia uma parada completamente vinatge, garageira, udigrudi, psicodélica, com letras nem um pouco convencionais, figurino pra lá de retrô, todo mundo andando de terninho no calor de trinta e cinco graus de Hellcife, enfim, por um lado uma coisa completamente sem noção, inocente, despretenciosa e bem tosca até, mas por outrro lado era algo bem sincero, bruto, nervoso e sem frescura, principalmente em cima do palco onde a gente (modéstia a parte) quebrava tudo, botava quente mesmo, deixava a platéia louca, era uma coisa muito insana, da pesada mesmo, você pode apostar que boa parte do pessoal que viu a Canivetes ao vivo vai concordar em gênero, número e grau com o que eu acabei de falar aqui. E arrependimento eu não tenho nenhum, a gente comeu o pão que o diabo amassou durante anos, com certeza tivemos muito mais prejuízo do que lucro nesse tempo em que a banda durou, mas também curtimos muito por aí, conhecemos um monte de pessoas legais nesse meio, abrimos o show dos Mutantes no abril pro rock em 2007 quando eles tinham acabado de voltar com o Arnaldo Baptista, o Sérgio Dias e o Dinho da formação original o que pra mim foi a melhor parte dessa história toda. E sobre o porque de eu ter desistido da Canivetes a coisa é bem simples, eu tava de saco cheio de morar em Recife, não aguentava mais fazer show pra tocar pra dez gatos pingados e depois ainda ter que pagar pejuízo com aluguel de som, de casa de show etc. Aí chegou uma hora que surtei a disse a mim mesmo: ‘chega, vou cair fora dessa porra’ e foi o que eu fiz, me mudei pra São Paulo em janeiro de 2011 onde moro até hoje. Mas em nenhum momento o fim da banda teve algo a ver com treta com alguém, diferenças musicais ou alguma merda desse tipo. Juvenil e Manoel são dois dos meus melhores amigos até hoje, sempre que eu vou pra Recife a gente se encontra pra tomar uma cerva e botar a conversa em dia, tiramos um som aqui e ali, enfim, a brodagem apesar da distância continua firme a forte. Eu inclusive participei do disco solo do Juvenil cantando uma música com ele e fazendo backing vocal em outra. E farei isso sempre que ele tiver afim ou eu estiver disponivel.

A banda Canivetes, que durante alguns anos fez barulho na cena musical do Recife (o hoje professor Marcionilio é o segundo da esquerda para a direita)

 

Sobre a movimentação que tá rolando em Recife eu acho ótimo, maravilhoso, muito foda, jamais imaginaria ver uma coisa dessas acontecendo quando me mudei pra SP e eu, claro, vejo isso com muito gosto e apreço, não podia ver de outro jeito né? E sobre as comparações com a Nação Zumbi e o Mundo Livre, eu acho isso meio desconfortável (e tenho certeza que quase todo mundo da Cena Beto acha isso também) embora tenha noção de que isso é uma coisa meio que inevitável, sem falar que também ajuda a levantar um marketing pra coisa toda o que, quer queira ou não, é algo positivo e meio que indispensável nesse meio. Particularmente falando, nem me sinto muito à vontade pra falar de semelhanças e diferenças entre as duas cenas, até porque eu nem estou em Recife e muito menos fazendo parte da produção musical da coisa toda com os Betos, mas como um expectador distante (ou uma espécie de antropólogo de gabinete, rsrs) eu diria que, na minha opinião, o Mangue Beat tinha uma estética muito mais de manifesto, politizada até e uma identidade musical mais fixa, enquanto que no caso da Cena Beto a coisa toda é muito mais solta, cada banda ou artista faz um som meio que completamente diferente um do outro, as influências são muito distintas em relação a essa ou aquela banda. O Juvenil faz um som, o Jean Nicholas outra coisa bem diferente, o Graxa, o DMingus e o Matheus Motta idem, enfim, acho eu que ninguém ali tá muito preocupado com uma estética musical definida, o que fez a coisa virar cena a meu ver foi a brodagem entre os músicos e aquele velho lema do “do it yourself”, até porque todo mundo toca instrumento no disco ou na banda do outro., disco de fulano é gravado no estúdio de cicrano etc, resumindo acho que a união da Cena Beto fica mais no pessoal, na brodagem, do que necessariamente no musical, embora claro eu tenha certeza de que todo mundo ali tem grande admiração pelo trabalho do outro. Outra diferença que eu vejo também – dessa vez mais na questão mercadológica – é que na época do Mangue ainda existia aquela coisa de assinar contrato com grandes gravadoras, o que hoje em dia é uma realidade praticamente inexistente, o que claro dificulta um pouco as coisas. A internet, claro, ajuda. Mas internet não paga passagem de avião, nem aluguel de um estúdio fodaço pra ninguém saca? Eu espero que os Betos consigam crescer e expandir o mais rápido possível, tocar no Sudeste, no Sul enfim em tudo que é lugar. Em junho desse ano o Juvenil tocou no RJ e eu fui lá pra fazer uma participação nos shows dele e talz e cara, foi ótimo, fuderoso, mas isso é algo que tem que acontecer constantemente, não pode acontecer só uma vez por ano. Até porque o meu maior medo é de que a coisa não consiga sair de Recife o quanto antes e termine ficando meio que estagnada por lá. Mas no momento eu tô bem otimista com a coisa toda, até porque se ela chegou a um nível que eu considerava inatingível há uns dois anos pra ela pular de um estágio pra outro, acho eu, é só uma questão de tempo. Vamo esperar e conferir.

 

 

UM BOCETAÇO EM CHAMAS! A PUTARIA SEM IGUAL E SEM LIMITES DE JULY DELARGE, NOSSA MUSA INDIE OFICIAL

Yeeeeesssss! Ela não para. E segue mais desafiadora do que nunca. A deusa rocker e loka da luxúria sem freios – e que já deixou a marmanjada leitora destas linhas rockers putonas ensandecida por duas vezes – volta ao ataque! Com o ultra reacionário e nazista Facebook bloqueando a todo instante a exposição de suas fotos mais ousadas, a modelo e “sobrinha” por adoção zapper, July DeLarge, não perdeu tempo: montou seu perfil no Tumblr (que pode ser acessado em http://jullydelarge.tumblr.com/) e lá está madando ver, postando imagens cada vez mais ousadas e delirantes.

 

Pra quem ainda não viu nada da garota (será possível???), o blogger canalha por natureza publica aí embaixo mais duas imagens espetaculosas de nossa musa indie oficial, e que fará performance exclusiva na festa de lançamento do livro do blog, no final deste ano. Enquanto essa festa não chega você se deleita com July – inclusive com um close animal na xoxota da garota, que parece pedir na foto: “vem! Me fode!”. Wow!

 Ela não se contenta apenas em enlouquecer os machos: July DeLarge (acima) chega ao ponto máximo da ousadia imagética ao mostrar sua xoxota molhadinha em close (abaixo), como se estivesse pedindo: “vem, me fode logo!”. Ulalá!

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Discos: todos os que estão relacionados nos links da matéria sobre a novíssima cena musical do Recife merecem ser conferidos. Mas se você ainda prefere o rock da gringa, então faça um favor aos seus ouvidos e volte até 1980 para ouvir “Crocodiles”, a imperdível e hoje clássica estréia do Echo & The Bunnymen em disco. É um dos grandes momentos do rock psicodélico inglês ds anos 80’ e até hoje um dos melhores trabalhos da carreira dos “Homens coelho”.

 

* Baladíssimas! Finde mezzo agitadinho em Sampalândia, néan? Além da gig do gigante Bob Mould (que se apresenta hoje e amanhã no palco da choperia do Sesc Pompéia, com tickets esgotados há semanas) quem está novamente na cidade é Peter Hook, ex-baixista do New Order. Ele faz dj set às cinco da tarde na loja da Chilli Beans da rua Oscar Freire (nos Jardins, zona sul de Sampa). Depois, toca com sua banda no Cine Jóia (isso, bem mais à noite, a partir das 23hs.), lá na praça Carlos Gomes, colado no metrô Liberdade, centro de Sampa. E também hoje é dia de curtir a melhor discotecagem garageira e sessentista da cidade no Astronete (rua Augusta, 335, centrão rocker de Sampa), com a dupla Claudio Medusa e Serginho Barbo.///Sabadão? Vem que tem também: vai rolar showzão dos Corazones Muertos no Hole Club (que fica na rua Augusta, 2203, Jardins, zona sul de Sampa). E também vai ter open bar bombator no Outs (no 486 da Augusta), com dj set do ex-MTV Mano Quiabo. Tá bão, né? Se joga, porra!

 

 

ALÔ, PLANETA TERRA CHAMANDO!!!

Sim! O mais aguardado festival indie do final de 2013 acontece dia 9 de novembro em Sampa, com showzaços IMPERDÍVEIS do Blur, do Travis, Beck, Palma Violets e Lana Del Rey. E você quer ir mas tá na pindaíba, como sempre. Sem problema: vai DJÁ no hfinatti@gmail.com, que lá já tá dando sopa em disputa por enquanto calminha:

 

* INGRESSOS (número ainda a ser definido) pro festival, uhú! E não só. Tem também:

 

* UM PAR DE INGRESSOS pro show do duo inglês The KVB, que rola dia 14 de dezembro, também em Sampalândia.

 

É isso? É isso: mande sua mensagem, seja bonzinho e educado nela, e boa sorte!

 

 

TCHAU PRA QUEM FICA

Postão completão no ar, sem interrupções para adendos posteriores, hehe. Ficamos por aqui então, deixando beijos na Andréia Carvalho, na Rogéria Côco, na Mariana Lage e em todas as garotas que continuam tornando a vida zapper um pouco menos chata e cinzenta. Semana que vem tem mais. Até lá!

 

 

(ampliado e atualozado por Finatti em 8/10/2013 às 00:14hs.)