A semana chega ao fim em clima total nostálgico na cultura pop e no rock alternativo com a volta dos Raimundos (e neste post falamos do novo discão do grupo, além de relembrar histórias de putaria selvagem e dorgas envolvendo o blogger maloker e o quarteto, uia!), do cantor Beck, da banda Guided By Voices e os anos 90’, além dos “aniversários” de Kurt Cobain e dos Smiths; mais: a Venezuela em chamas, o carnaval chegando (mas aqui no blog programação normal e só rock’n’roll rolando) e o zapper sempre trêfego se mandando pros Pampas, uia! (postão com NOVA atualização: direto de Porto Alegre as primeiras notinhas do rolê do blog pela capital gaúcha!) (ampliado e atualizado em 27/2/2014)

A nostalgia dos anos 90’ bateu fortíssima esta semana no rock planetário e na cultura pop, com as voltas do cantor americano Beck (acima, durante o show dele no festival Planeta Terra, em Sampa, no final de 2013) e do grupo Raimundos (abaixo): ambos lançaram excelentes discos e que estão comentados aqui, neste postão

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POA NEWS E MAIS UNS LANCES AÊ DA VALESCA POPOZUDA, UIA!

* Bah tchê, Zap’n’roll em Porto Alegre desde ontem, néan?

 

* E não dá pra não dizer que é sensacional chegar em terras gaúchas e encontrar a capital do Rio Grande do Sul sob chuva e temperatura na casa dos vinte graus – pra quem saiu de Sampalândia com clima mega seco e calor execrável de trinta e três graus, melhor impossível!

 

* A balada rocker sem fim do blogger zapper por Poa deve começar hoje à noite (quinta-feira, quando estamos dando maaaaais uma pequena “engordada” nesse post, hehe). Ontem já havia (ou houve) noitada rocker por aqui, com show da banda local Space Invaders, sendo que o blog tinha seu nome na lista vip, com um little help do queridão Pedro Metz (vocal do grande Pública). Mas com cansaço da viagem nas costas e chuvinha boa caindo na cidade, o blog preferiu abortar a missão. Ficou tomando umas brejas em um boteco na avenida Farrapos, junto com o seu brother Alexandre (que está hospedando estas linhas virtuais em sua casa).

 

* No tal boteco, a surpresa: a jukebox, que durante séculos ficou tocando pagodes e sertanojos horrendos, de repente e do nada disparou uma música do… Depeche Mode, wow! E em seguida, ainda rolou uma do Inxs. Uhú!

 

* Mas entonces: fomos experimentar a tal cerveja gaúcha, a Polar (recomendada pelos amigos Vandré e Marcela). Veredicto do blog: uma droga igual a tantas outras nacionais, hihihi.

A breja gaúcha Polar: tão ruim quanto as outras nacionais

 

* E a funkeira carioca Valesca Popozuda está valorizadíssima no mercado musical, oxe. Segundo nota publicada na coluna da jornalista Monica Bérgamo (na FolhaSP), a cadelaça carioca que ano passado embalou o Brasil ao som do “charm” onde ela cantava “Mama! Pega no meu grelo e mama!”, está cobrando “módicos” R$ 45 mil reais por apresentação. Você… pagaria se tivesse uma bela “mamada” de bônus? Rsrs.

 A cadelaça Valesca Popozuda (acima), autora do “hit” “Mama” (abaixo): ser a puta number one do funk carioca tá rendendo grana!

 

* Carnaval começando amanhã no país do povo miserável e desdentado. Aqui no blog programação rocker normal, sendo que voltamos a qualquer momento por aqui mesmo nesse post, se algo bacana rolar. Ou então logo menos (até a próxima semana) pinta postão novo na área. Até daqui a pouco então!

 

* Zap’n’roll está em Porto Alegre com apoio da produtora Marquise 51 Records.

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Nostalgia, perene nostalgia.

É algo mesmo inescapável na cultura pop, néan. E isso ficou mais do que nunca evidente na semana que termina hoje (sábado), quando parte do postão semanal de Zap’n’roll está entrando no ar. Num único dia (anteontem, quinta-feira, 20 de fevereiro) foi lembrado o aniversário do saudoso Kurt Cobain (que se vivo estivesse, teria completado quarenta e sete anos de idade), os trinta anos do lançamento do primeiro (e sensacional) álbum dos Smiths e, ainda, os nove anos da morte do jornalista e escritor americano Hunter Thompson – pai do “jornalismo gonzo” e um dos ídolos e mestres do autor destas linhas eternamente rockers e rebeldes. Enfim, sempre foi assim: recordar at eternum o que já passou, o que já se foi e principalmente hoje em dia, em uma época onde o vazio de ideais e a quase completa ausência de qualidade na criação artística parecem ser o mote dominante no mundo. O mundo que sofreu overdose de informação e cultura inútil via internet e redes sociais, tornando a garotada atual uma das geraões jovens mais BURRA que se tem notícia. O mundo que desaprendeu a produzir grandes obras musicais e literárias, que se tornou razo nas discussões culturais e intelectuais e que caminha cada vez mais para um conservadorismo e reacionarismo comportamental como há décadas não se via no ser humano. Talvez todo esse panorama desalentador explique porque o mundo está cada vez mais dissociado de valores como amizade, respeito, afeto, companheirismo, atenção, amizade. Talvez essa imbecilização do animal chamado homem explique o avanço na sociedade de grupos religiosos fundamentalistas e de intolerência racial e sexual (como está acontecendo cada vez mais aqui mesmo, no nosso Brasilzão). Talvez esse desapego pela grande arte seja um dos motivos (não o único) para assistirmos a convulsão político/social que está dominando países como a Venezuela e a Ucrânia. Então, diante de tudo isso, quando nos deparamos com datas onde os últimos grandes momentos da criação artística deram seu start no planeta, somos tentados terrivelmente a sentir saudade daquilo, daquela obra ou gênio criador que um dia iluminou nossos sentidos e nossa alma e nos fez vislumbrar que, sim, quando quer o homem se liberta de preconceitos e amarras, da ignorância e intolerância,e põe seu pensamento a serviço de criar algo belo. Seja um livro, um disco, um filme ou uma pintura. Então começamos mais um post não apenas lembrando das datas que nos remeteram esta semana ao passado da ainda grande arte, mas também mostrando que essa arte necessária e que vale a pena em termos qualitativos, ainda respira no mundo de hoje. Seja no novo disco do cantor Beck, da banda Guided By Voices ou até mesmo do forrocore do já clássico Raimundos.

 

 

* Pois entonces: Venezuela caminhando pra uma guerra civil, e (des) governada por um ditador de esquerda psicótico, delirante e que se traveste de democrata liberal. O cazzo: Nicolás Maduro, além de ter dna fascista, ainda se desvela ASSASSINO, quando permite que grupos para-militares apoiados pelo seu governo atirem pra MATAR contra manifestantes desarmados nas ruas das cidades venezuelanas. Foi o que aconteceu esta semana e resultou na morte de uma ex-miss Turismo do país, uma linda estudante de apenas vinte e dois anos de idade e cujo único crime que a levou a ser covardemente assassinada, foi ter ido pras ruas protestar contra a situação cruel em que a Venezuela está mergulhada. A garota foi abatida sem dó com um tiro na cabeça. E a imagem dela sendo socorrida (ainda foi levada com vida pro hospital, mas não resistiu) correu o mundo. Maduro fala que querem derrubá-lo com um Golpe de Estado. Sério mesmo? Onde estão os golpistas, seu ASSASSINO?

 

 

* E pior ainda: o governo de miss Dilmá ainda APOIA o regime “democrático” vigente no país vizinho. Lamentável, pra dize o mínimo.

 

 

* E na última quinta-feira foi isso. Se estivesse vivo o inesquecível Kurt Cobain teria completado quarenta e sete anos de vida. Mas infelizmente uma bala na cabeça, disparada por ele próprio, pôs fim à sua vida e à existência do Nirvana (a última banda realmente relevante na história recente do rock’n’roll, e um dos cinco grupos da vida deste jornalista já tiozão mas eternamente rocker), há quase vinte anos (que serão completados em abril próximo). Aberdeen, a terra natal de Kurt, finalmente resolveu homenagear seu filho mais ilustre dedicando a ele uma estátua em praça pública, inaugurada anteontem. Vergonha alheia total: seria melhor que a tal estátua não tivesse sido feita. Veja a foto aí embaixo e entenda por que.

* E também na quinta se comemorou as três décadas do lançamento do disco de estréia dos inesquecíveis Smiths (também a outra última banda que realmente foi relevante nessa parada toda e outra das cinco bandas da vida do maloker aqui). Um álbum fenomenal é fato, e que inclusive foi bem esmiuçado esta semana no nosso amigo blog vizinho, o Popload de dear Luscious R. Curiosamente o trabalho que estas linhas bloggers mais amam na discografia do quarteto de Manchester é “The Queen Is Dead”, lançado pelo conjunto em 1986 – mas aí já é questão de gosto pessoal. De qualquer forma a pequena mas imprescindível obra smithiana é eterna. Tão essencial que os trinta anos da estréia deles foi parar na capa da NME desta semana.

 

* Zap’n’roll assistiu à gig de Morrissey, quando ele esteve pela primeira vez em Sampa, em 2000’ (lá se vão catorze anos…). E também pretende ve o show de Johnny Marr em abril próximo, no Lollapalooza. Mas na real, o blog queria MESMO era ver essa banda toda junta, ao vivo, e no auge dela. E eles quase vieram pra cá em 1987: naquela época a Poladian (então a produtora de shows mais hot do país e que trazia pra cá os principais shows gringos) estava costurando uma turnê conjunta por aqui com nada menos do que os Smiths junto com o New Order (!!!). Cacife pra isso a Poladian tinha de sobra, pois já havia feito turnês aqui do The Cure e Echo & The Bunnymen. Mas enfim os Silvas quebraram o pau antes, a banda acabou e a tal turnê conjunta foi pro saco. O New Order veio sozinho no ano seguinte, lotando todos os locais por onde passou no Brasil. E sim, o blog também viu a gig deles, no ginásio do Ibirapuera. Bons tempos…

 

 

* E como recordar é viver, aí embaixo um vídeo com um dos clássicos do disco de estréia dos Smiths.

 

 

* E por fim, também na última quinta-feira fez nove anos que a lenda Hunter Thompson pos fim à própria existência com um tirombaço no côco. E pena que ninguém na blogosfera de cultura pop brazuca se lembrou da data (valeu pela dica, Sandro Corrêa! Em março estaremos aí em Manaus novamente!). Hunter, escritor e repórter americano fenomenal, é o pai do hoje mui celebrado e incensado “jornalismo gonzo” (grosso modo, estilo de reportagem que coloca o jornalista no olho do furacão da matéria que ele está apurando, fazendo-o embarcar em aventuras muitas vezes malucas e cabulosas, como muitas já vividas pelo zapper igualmente gonzo, hehe) e nos anos sessenta e setenta deixou sua marca em textos assinados em revistas como a Rolling Stone americana, além de ter publicado obras clássicas como “Medo e delírio em Las Vegas” (que se transformou em filme cult, com Johnny Depp fazendo o papel do tresloucado jornalista). Thompson ainda trampava na imprensa quando morreu, aos sessenta e sete anos de idade. Ele faz falta em um mundo onde a ignorância de ideias é norma quase corrente, inclusive na grande mídia. Mas suas obras e seus textos estão aí, eternamente, para nos lembrar do quão genial ele foi.

 O inesquecível jornalista gonzo Hunter Thompson, um dos ídolos zappers: o cara foi gênio

 

 

* JULLY LARGE VAI CASAR! – yeeeeesssss! A musa indie oficial e mais incrível que o blogão zapper já teve, resolveu “amarrar seus badalos” com o namorido, o super boa praça fotógrafo Nickk, com quem ela namora já há tempos e sendo que ele tem registrado nesse período ótimas imagens de uma garota que é tesão puro, sensualidade em estado bruto e sem preconceitos e moralismos babacas. Estas linhas online sempre tiveram o maior carinho do mundo por Jully, desde que a conheceu pessoalmente no clube Outs em alguma madrugada maluca e perdida lá por 2007, durante um show do grupo Daniel Belleza & Os Corações Em Fúria. De lá pra cá a amizade sempre perdurou firme e forte, tanto que Jully convidou o blog pra ser seu padrinho no casório – e nós aceitamos, claro! Quem quiser saber mais sobre a festa, pode ir aqui: ttps://www.facebook.com/events/1458497127696372/?fref=ts. E estas linhas bloggers poppers, claro, desejam toda a felicidade do mundo pro casal que mora em nosso coração. Se pelo menos boa parte da humanidade tivesse a cultura, a inteligência e o comportamento liberal e fosse depossuído de preconceitos morais toscos, como são Jully e Nickk, não estariamos vivendo essa nova onda conservadora e reacionária que assola o mundo e ameaça jogá-lo novamente na Idade Média.

O casal tesão total July Large e Nickk (acima e abaixo) fazendo o que todo ser humano deveria fazer na boa e sem moralismos babacas: trepar e gozar até cansar, uia!

 

* Tá com o domingão livre ou sem um programa que valha realmente a pena? Pois se você mora ou está por Sampalândia vai lá no Parque Villa Lobos (na zona oeste de Sampa, próximo à praça Panamericana) amanhã. O incrível Vanguart (que atravessa o melhor momento de sua carreira) vai tocar por lá, de graça, a partir das quatro da tarde, em show que comemora o lançamento do vídeo produzido para a música “Meu sol” – yep, ela está na trilha da novela da Globo e tals, mas ainda não havia ganho um clip. Pois o dito cujo saiu lindão (veja aí embaixo) e pra comemorar nada melhor do que ir dançar com os Vangs e curtir o showzão deles neste dominão. O blog vai estar por lá, claaaaaro!

 

 

*E os eternamente majestosos Rolling Stones (outra das cinco bandas da vida do moçoilo aqui, hihihi) tocaram ontem (sextona em si) em… Abu Dhabi! Foi o primeiro show da banda no Oriente Médio em toda a sua looooonga trajetória de meio século de existência. Uma existência, diga-se, que deve mesmo chegar ao fim após essa turnê, que tem mais treze concertos programados até abril – depois haverá uma pausa, com a banda retomando a estrada no meio do ano. O boato rola forte de que Jagger e cia. poderão passar pelo Brasil (e pela América Do Sul) em novembro, e aí só resta torcer com todas as forças pra que eles venham mesmo pois vai ser a chance derradeira de se ver as Pedras Rolantes ao vivo.

Os velhos Stones fazem a farra rocker na terra das Arábias. E aqui, será que rola tambpem ainda este ano?

* Assim como estas linhas rockers lokers também querem ver o mais breve possível uma gig dos seus amigões Raimundos, que acabam de lançar seu primeiro disco totalmente inédito em doze anos. E um discão, como você confere aí embaixo.

 

 

RAIMUNDOS, QUE NUNCA ABANDONARAM A TRILHA DO ROCK, BOTAM PRA FODER EM SEU NOVO ÁLBUM

De 1994 (quando lançou seu homônimo disco de estréia) até pelo menos 1999 (quando saiu o álbum “Só no Forévis”) o quarteto brasiliense Raimundos foi um dos maiores nomes do rock brasileiro ainda mainstream. Venderam milhões de discos, só tocavam pra plateias de no mínimo cinco mil fãs e as músicas do conjunto não paravam de tocar nas rádios e tvs. Depois o maletinha ex-vocalista Rodolfo resolveu virar evangélico e pular fora da banda, e aí veio a queda. O guitarrista Digão assumiu os vocais, o baixista Canisso também saiu e os Raimundos nunca mais foram os mesmos em termos de popularidade. O grupo voltou a ser independente, amargou ostracismo e esquecimento dos fãs e os caralho. Mas nunca perdeu sua dignidade, convicção e fé no rock’n’roll. Acabou dando a volta por cima, Canisso voltou e agora ressurge com seu primeiro disco totalmente inédito em doze anos. E este “Cantigas de roda”, lançado oficialmente na web esta semana (e que deve ganhar edição em cd logo menos), além de ser uma cacetada, se releva um compêndio de tudo o que o conjunto fez de melhor até hoje.

 

O disco foi gravado graças a um financiamento colaborativo promovido pelo quarteto (que atualmente conta com os fundadores Digão e Canisso nos vocais, guitarra e baixo, além dos músicos Marquinhos na guitarra e Caio na bateria) junto aos fãs, que ainda são milhares espalhados pelo Brasil afora. A grana arrecada permitiu que os Raimundos gravassem o disco nos Estados Unidos, no estúdio do músico Billy Graziadei (vocalista do grupo Biohazard), que também foi o responsável pela produção do cd. Isso fez uma enooooorme diferença no resultado final do trabalho: salta aos ouvidos a qualidade sonora e de mixagem obtidos nas doze faixas do álbum.

 

E é um disco que concentra tudo de melhor que o quarteto fez até hoje. É, a um só tempo, porrada hardcore mas com melodias assobiáveis e radiofônicas. Agrega elementos de dub e ska em algumas faixas e soa extremamente pop em outras, como nos tempos de “A mais pedida” (música do disco “Só no Forévis”, que tocou até cansar nas fms em 1999). Para conseguir tal resultado a banda investiu pesado na porrada hardcore (como em “Cachorrinha”, que abre o cd) e também centrou fogo na diversificação sonora, que permite ao grupo ser pop em “Cera quente”, incorporar metais salerosos na sensacional “Dubmundos” (um dos melhores momentos do cd) e levadas de ska em “Gordelícia”. Fora o forrocore já clássico e habitual do conjunto, que passeia com desenvoltura por “Baculejo”, “Gata da Rosinha”, “Rafael” etc.

O novo discão dos Raimundos: após doze anos sem disco inédito, a volta por cima

 

Além disso o quarteto está entrosadíssimo musicalmente. As vocalizações conseguidas aqui (com participação dos quatro na inflexões e backings) mostram que Rodolfo definitivamente não faz falta na banda e que ela se livrou do complexo de ter ficado mezzo “aleijada” com a debandada do ex-vocalista. Além disso as guitarras de Digão e Marquinhos estão afiadíssimas, Canisso continua sendo o ótimo baixista que sempre foi e o batera Caio segura bem as pontas na percussão. Melhor impossível.

 

Por último, as letras das músicas: os Raimundos criaram um estilo textual que privilegia o duplo sentido, o linguajar coloquial e sacana, mas tudo com inteligência e sagacidade. Que é exatamente o que falta hoje em dia a 90% dos grupelhos imbecis que frequentam a indie scene rock nacional. E este estilo está super bem lapidado neste “Cantigas de Roda”, que já é forte candidato a um dos discos do ano no rock brazuca. Sejam bem-vindos de volta, rapazes!

 

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HISTÓRIAS DE SEXO, DROGAS, PUTARIA SELVAGEM E ENFIAÇÃO GROTESCA DE PÉ NA LAMA DURANTE OS ANOS DE CONVÍVIO ZAPPER COM OS RAIMUNDOS

Banda formada em Brasília em 1987 (lá se vão quase trinta anos!), os Raimundos chegaram aos ouvidos do grande público quando foram contratados pelo então recém-fundado selo Banguela, uma parceria do mega grupo Titãs com a major musical Warner Music. O álbum de estréia do quarteto, homônimo, saiu em maio de 1994. E ancorado pela mezzo balada “Selim”, começou a vender horrores. Menos de um ano após o seu laçamento “Raimundos”, o disco, já estava batendo na casa das cento e quarenta mil cópias vendidas – um recorde para um lançamento semi independente.

 

Foi na verdade o único disco que vendeu bem do selo Banguela, conforme o próprio ex-baterista dos Titãs, Charles Gavin, revelou ao autor deste blog durante uma entrevista para a extinta revista Interview. “Foi o nosso único bilhete premiado”, disse Gavin. Também pudera: não é segredo pra ninguém que o Banguela era dirigido pelo maior PILANTRA e ESCROQUE da produção musical do país na última década e meia, o tristemente notório Carlos Eduardo Miranda. Se achando o rei da cocada preta, Mirandinha contratou dezenas de grupos ruins e que não deram em nada. Torrou uma grana preta da Warner e dos próprios Titãs para lançar cds de grupelhos inúteis e deu no que deu: em pouco tempo o Banguela abriu falência. Mirandinha, por incrível que pareça, se deu bem: se tornou jurado de programas bregas de tv, continuou com produtor e segue até hoje enganando bandas e artistas solo trouxas pelo Brasil afora, cobrando uma fortuna de quem o procura para produzir um trabalho musical.

 

Com a falência do Banguela os Raimundos foram incorporados ao cast da própria Warner. E começaram a se tornar mega populares. O auge da banda se deu então entre 1995 e 1999, ano em que lançaram “Só no forévis”. Nesse período Zap’n’roll se tornou amigo pessoal do baixista Canisso, entrevistou o grupo algumas vezes e acompanhou vários shows do conjunto, muitas vezes do palco enquanto na frente do mesmo cinco a dez mil fãs se esgoelavam durante o set.

 

E nesses quatro anos houve as histórias absurdas e malucas ao cubo, óbvio. Sexo, putaria ordinária e consumo grotesco de drogas, como era de costume na vida do sujeito aqui nos anos 90’, hihihi. Algumas dessas histórias, entonces, estão aí embaixo para o deleite do nosso dileto leitorado zapper, uia!

Zap’n’roll “cercado” pelos seus velho amigos Raimundos, durante coletiva do festival rocker SWU em Paulínia (SP), em 2011 (acima); e a capa (abaixo) da edição de maio de 1995 (há quase vinte anos!) da então poderosa revista Interview: foi nela que o zapper publicou a primeira grande entrevista com a banda na grande mídia

 

* Nuvens de marijuana durante a entrevista – o primeiro encontro do zapper gonzolino com os Raimundos foi por volta de abril de 1994. O autor deste blog tinha emplacado uma matéria de duas páginas com o quarteto na mui poderosa revista Interview (onde ele era o repórter de música), e lá se foi pra entrevistar os rapazes num quarto de hotel mezzo luxuoso na avenida Duque De Caxias (centrão podrão de Sampalândia, e onde hoje reina a cracolândia). A fumação de maconha dominou a entrevista, ao ponto de lá pras tantas uma densa névoa cobrir todo o ambiente. Foi quando o repórter (com o gravador ligado) perguntou ao vocalista Rodolfo: “o que você está fazendo?”. Ele, sem cerimônia alguma: “ora, estou ‘apertando’ mais um baseado!”. Uia!

 

* O “carrão” do Canisso – o baixista dos Raimundos tinha (ainda deve ter) um Fuscão preateado, ano 1977. Era o xodó dele. Mas depois que se tornou amigo do autor deste blog, não raro dizia ao zapper: “meu sonho de consumo é ter uma perua Pathfinder. Uma hora eu chego lá…”. Pois numa bela noite de 1997 (se o HD do sujeito aqui não estiver falho) Zap’n’roll está andando pela rua dos Pinheiros (na zona oeste de Sampa), após sair da redação da revista Dynamite, quando escuta alguém o chamar: “Finatti, cola aí!”. Era Canisso, a bordo de um lustroso e zero bala Pathfinder, wow! E lá se foi o blogger loker dar uma voltinha de carro em grande estilo com o seu amigo, hihihi.

 

* O crack não deixou o blog ver o show sold out no Palace – era 1998. O jornalista rocker loker estava em fase cruel na sua existência: fazendo frilas esporádicos, sem um trampo fixo (a Interview tinha fechado as portas), morando numa república miserável no bairro da Liberdade e, por fim e o pior de tudo: o junkie sempre fora de controle tinha começado a pipar o maldito crack. Havia, porém, algum alívio (sempre há) nesse quadro desolador: Finas estava tendo um affair com a loirinha, linda, doce e rocker Fernandinha T. Filha de um médico trambiqueiro e endinheirado, que era o responsável por toda a parte de saúde de uma mega empresa de ônibus de Sampa, Fê era do rock e fodia horrores – inesquecível quando uma bela tarde daquele ano o jornalista taradón estava comendo o cuzinho de Fernandinha no seu quarto na república da Liberdade. Ela de papai-mamãe, com a xotona ordimária arreganhada e levando rôla grossa no rabão suculento e cadeludo. Quando a porra jorrou no buraquinho, ela sussurrou: “ai Fi, eu AMO o seu pau!”. Uia! E ela também curtia Raimundos. Vai daí que a banda estava na bombadíssima turnê de divulgação do álbum “Lapadas do povo”. Iria haver um show único em Sampalândia por aqueles meses, no extinto Palace (no bairro de Moema e onde cabiam umas três mil pessoas). Não deu outra: os ingressos se evaporaram, não havia mais convites pra imprensa e o gonzo desesperado teve que pedir socorro ao amigo Canisso. Ele indicou: “fala com a Roberta, nossa produtora, e diz que eu pedi pra ela te arrumar um par de convites. Vou dar um toque nela também”. Tudo resolvido: a tal produtora (que era um belo bocetão de tetonas apetitosas) foi super solícita e descolou um par de convites pra que o jornalista e sua Fernandinha pudessem curtir a gig, que seria num sábado. Mas na sexta, claaaaaro, deu tuuuuudo errado pro porra loka aqui: já tarde da noite, quando estava chegando em casa, ele encontrou com alguns “nóias” conhecidos, com quem já tinha dividido “cachimbo” várias vezes. O zapper estava com alguma grana em caixa. O resultado foi o de sempre: pipação grotesca de pedritas, que se estendeu no apê de um dos “nóias” até o sábado por volta das dez da noite (o show dos Raimundos no Palace estava marcado para as nove) e só parou porque a grana tinha acabado. O blogger total neurado, sujo, fedendo a crack e puto foi direto pra república onde morava e não mais saiu de lá. Perdeu o show no Palace e achou melhor nem passar na sua querida Fê pra tentar explicar algo (foi fazer isso dois dias depois, rsrs). Felizmente meses depois outras apresentações do conjunto foram marcadas em Sampa e aí então o jornalista e sua loirinha conseguiram ver a banda ao vivo.

 

“O jornalista mais mala do Brasil!” – em 1999 o grupo lançou “Só no forévis”, que emplacou nas rádios a faixa “A mais pedida”. Foi o disco dos Raimundos que mais vendeu até então e os brasilienses (já morando em São Paulo) estavam tocando em espaços onde cabiam de cinco a dez mil pessoas. Foi em novembro daquele ano que o grupo foi então anunciado como uma das atrações principais da festa de aniversário da rádio 89FM (a Rádio Rock, que felizmente voltou à ativa), e que iria rolar no Parque de Exposições Imigrantes (na zona sul paulistana). Nessa época o autor dessas histórias bizarras já tinha melhorado consideravelmente sua situação pessoal e profissional: havia se mudado pra um ótimo apê em Santo André (onde morou por apenas seis meses; era um saco ir e voltar de Sampa todos os dias) e colaborava com as revistas IstoÉ Gente (que havia começado a circular há poucos meses) e da 89FM. E ainda continuava (como é até hoje) amigão de Canisso. Só que se a amizade com o baixista era bacana o mesmo não se pode dizer do relacionamento zapper com o vocalista Rodolfo, que sem motivo aparente nunca tinha ido com a cara do autor destas linhas virtuais. Algo que se confirmou no show da 89FM: ao encontrar com a banda na área vip (onde só tinham acesso músicos, produtores, convivas e groupies bocetudas que estavam ali pra dar pro maior número possível de rockstars), o jornalista já breaco de whisky foi  obrigado a ouvir o “elogio” de Rodolfo: “Finatti, o jornalista mais mala do Brasil!”. E como sempre fomos bocudos e nunca levamos desaforo pra casa, devolvemos: “Rodolfo, o vocalista mais maconheiro do Brasil!”. E viramos as costas e saímos andando, simples.

 

 

RAIMUNDOS AÍ EMBAIXO

No vídeo de “Politcs”, faixa que encerra o álbum “Cantigas de roda”.

 

 

A MANHÃ MELANCÓLICA E PASTORAL DE BECK HANSEN

O mundo anda cinza. A vida da maioria das pessoas também. Inclusive a do cantor e compositor americano Beck, a julgar pela ubíqua melancolia que se encerra em “Morning Phase”, seu novo álbum de estúdio (que saiu lá fora oficialmente na última sexta-feira, e está sem previsão de lançamento no Brasil, por enquanto). É o primeiro disco de canções inéditas do loirinho em seis anos – o último trabalho, “Modern Guilt”, foi editado em 2008.

 

Beck encantou o mondo pop/rock há vinte anos quando lançou a obra-prima “Mellow Gold”, onde fundiu folk com rap e invadiu as rádios com o hoje clássico mega hit “Loser”. De lá pra cá soltou mais oito álbuns de estúdio, sempre mantendo uma boa performance na qualidade artística dos discos. Também fez bons shows no Brasil, sendo o último deles na edição do ano passado do festival Planeta Terra, realizado em novembro passado em Sampa.

Beck Hansen em seu novo disco: pastoral, melancólico e muito bom

 

Nessa gig na capital paulista Beck tocou algumas faixas do trabalho que agora está ao alcance da humanidade. E elas já desvelavam o bucolismo e a melancolia que se encerra em “Morning Phase”. Lançando mão de melodias pastorais e suaves, tramadas com violões, teclados e até banjos (caso da belíssima “Say Goodbye”), o cantor enfeixou treze odes ao desencanto emocional que permeia quase a totalidade das almas que habitam o planeta nos dias atuais. “Morning”, o single “Blue Moon” ou ainda “Blackbird Chain” e “Walking Light”, não importa a canção: todas contribuem para um resultado final envolvente, dando ao disco sua cota de reflexão e desalento diante de um mundo onde a inadequação existencial parece ser a tônica.

 

É, no final das contas, mais um álbum bacana de Beck. Que prestes a completar quarenta e quatro anos de idade (em julho próximo), se mantém como um artista bastante digno em um área (a música pop) onde a dignidade se extinguiu quase que por completo.

 

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Discos: os novos dos Raimundos e Beck.

 

* Discos, II: e não é que o já clássico e histórico grupo indie guitar americano Guided By Voices continua na ativa e mais produtivo do que nunca? Fundado em 1983 pelo vocalista e guitarrista Robert Pollard (que está com cinquenta e seis anos de idade), o GBV já lançou vinte discos de estúdio em três décadas de atividade. O mais recente, “Motivational Jumpsuit”, saiu há duas semanas nos Estados Unidos, está fácil de achar na web (esqueça: ele não será lançado aqui no país do funk e do rolezinho) e vai fazer a delícia total de quem é fã do grupo desde que eles eram um dos heróis da indie scene americana nos anos 90’. São vinte canções curtas, diretas, algumas conduzidas por guitarras ferozes e outras extremamente sixtie nas melodias, remetendo o grupo a eflúvios de Beatles e até Byrds! Pode ir atrás sem susto, palavra de blogão plugado sempre em rock alternativo de primeiríssima qualidade.

O novo disco do indie americano Guided By Voices: tão bom quanto nos anos 90′

 

* Filme: “Her” (aqui traduzido como “Ela”) reafirma a genialidade de Skipe Jonze como roteirista e diretor. É lindíssimo e aterradoramente sufocante em sua tristeza infinita. A história do personagem vivido por Joaquim Phoenix (que trabalha em uma empresa que envia cartas online para corações apaixonados e/ou partidos por algum decepção sentimental) é a que todos nós vivemos atualmente, em um mundo ESMAGADO pela ultra tecnologia de ponta e onde seres humanos se tornaram anti-sociais de verdade, por saber se relacionar apenas de maneira artificial (através de redes sociais na web, de celulares e todas essas drogas atuais, sendo que o homem era mais feliz sem elas há duas décadas ou mais). A solidão domina a vida de Phoenix no filme, mesmo ele estando apaixonado por um sistema operacional com voz feminina. A mesma solidão que consome a todos nós atualmente. Filmaço de partir até o mais duro e insensível coração, e que ainda tem trilha sonora composta pelo Arcade Fire e música-tema cantada pela deusa Karen O’ (vocalista do Yeah Yeah Yeahs). O que mais você quer pra ir correndo ao cinema assistir?

 

* Baladenhas: carnaval se aproximando e postão sendo concluído já no meio desta semana (hoje é quarta-feira). Então iremos atualizando esse tópico assim que possível, mesmo porque hoje o blog está se mandando pra Porto Alegre (onde fica até a semana que vem) e deverá enviar o próximo post já da capital gaúcha. Então guentaê mas prestatenção: vai ter mega carnarock no senpre fodástico e idílico Simplão Rock Bar, lá em Paranapiacaba, no meio da Serra do Mar. Serão quatro noites (que começam nesta sexta-feira) com bandas tocando, tudo organizado pelo casal fofura Adriana Cristina e Vandré Caldas. Quer saber mais sobre a esbórnia linda no meio do mato, vai aqui: https://www.facebook.com/events/273414636146892/?fref=ts.

 

 

SEBADOH NA FAIXA, VEM QUE TEM!

Yep. No hfinatti@gmail.com continua em disputa (calma, por enquanto):

 

* UM PAR DE INGRESSOS pro show do trio indie americano Sebadoh, que toca em abril em São Paulo.

 

Certo? Corre lá então e boa sorte!

 

 

E DEU PRA TI SAMPA

Yeeeeesssss. O postão finalmente chega ao fim, desejando bom carnaval (ou a ausência dele, rsrs) pra quem vai ficar em Sampa ou viajar durante o reinado de Momo. O blogão está a partir de hoje (quarta-feira em si) lá nos pampas gaúchos, onde vai permanecer por oito dias pra dar uma bela conferida na cena rock da capital do Rio Grande Do Sul. Então logo menos mandamos notícias de lá, e vamos deixando abraços e beijos nos queridos André Ganso e Ana Paula (a quem as histórias malucas do zapper com os Raimundos são dedicadas), no Cristiano Viteck e na loirona gaúcha (que mora em Manaus) Sabrina Martins.

 

Poa, estamos aí! Até logo menos aqui! E finalizamos o post com uma singela homenagem ao rock grande do Sul postando esses vídeos aí embaixo, com três momentos incríveis do rock’n’roll com sotaque gaúcho. É isso aê!

Os Replicantes – “Surfista Calhorda”

 

Pública – “Casa Abandonada”

 

Cartolas – “Um segundo”

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 27/02/2014 às 18hs.)

O blogão sempre atento a bons e novos lançamentos comprova: ainda há salvação para a raquítica e emburrecida indie scene rock nacional, enquanto bandas como Cartolas (de Porto Alegre) e Mezatrio (de Manaus) continuarem na ativa; Queens Of The Stone Age volta solo ao Brasil? Mais: tickets NA FAIXA pro show do Sebadoh em Sampa; começa a sair a programação da Virada Cultural paulista; e a semana em que o país em violência e convulsão social fora de controle viu os BANDIDOS black blocs assassinarem um cinegrafista nas ruas do Rio (postão TURBINADO com o novo disco do Beck e as indicações culturais da semana, com atualização final em 17/2/2014)

O roquinho raquítico indie nacional do novo milênio afunda em mediocridade, mas ainda há bandas que conferem dignidade à cena. É o caso do gaúcho Cartolas (acima) e do amazonense Mezatrio (abaixo), dois grupos que acabam de lançar grandes discos, e sobre os quais você lê tudo em detalhes nesse post

 

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A VOLTA DE MR. BECK

Yep, o pequeno e gigante gênio do indie folk rock americano está aí com o seu novo álbum. “Morning Phase”, o primeiro disco de estúdio do cantor e compositor em seis anos (o último lançamento dele, “Modern Guitt”, aconteceu em 2008), será lançado oficialmente na próxima segunda-feira, 24 de fevereiro.

 

Mas desde hoje já circula à toda na internet e está fácil de ser baixado, hihi. Tanto que o blog zapper está fazendo exatamente isso agora: ouvindo com calma e atenção o novo rebento musical do baixinho que um dia encantou o mundo com o discaço “Mellow Gold” (lá se vão vinte anos…), e que empolgou o público brasileiro no final do ano passado, com o seu set no festival Planeta Terra, que rolou em Sampa.

 

Entonces é bem provável que estas linhas rockers virtuais voltem a falar bastante de Beck e de seu novo trabalho no próximo post, que deve chegar por aqui até esta sexta-feira. Mas por enquanto, seguimos ouvindo o cd, certo galere? Então tá!

O cantor americano Beck, durante seu show na última edição do festival Planeta Terra, ocorrida no final do ano passado em Sampa (acima): disco novo do músico já está na web

 

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Protestos, violência, morte.

Foi uma semana tensa e onde esses três temas dominaram quase que totalmente as atenções da mídia e do populacho em geral. Não para menos: ontem, quinta-feira (o editorial de abertura deste post zapper está sendo escrito na enfim madrugada mais amena de sexta-feira), completou-se uma semana que o cinegrafista Santiago Andrade, da tv Bandeirantes, foi atingido por um rojão durante manifestações de rua contra o aumento das tarifas de busão no Rio. O profissional de imprensa, como todos estão carecas de saber, acabou falecendo. E os dois supostos autores do homicídio já estão presos, irão responder criminalmente pelo ato selvagem que cometeram (e que ceifou a vida de um ser humano) e se condenados, poderão passar mais de trinta anos na cadeia. Zap’n’roll poderia escrever um livro aqui sobre tudo o que pensa e andou pensando esta semana a respeito desse episódio dantesco, cruel, sinistro e lamentável sob todos os aspectos. O autor destas linhas rockers virtuais (e que também têm preocupação em sempre e cada vez mais abordar temas sociais e de comportamento por aqui) já se manifestou sobre isso em sua página no Facebook – onde, de resto, a estupidez e a idiotia correram e continuam correndo soltas nos comentários alusivos ao assunto. Como jornalista que é há quase três décadas o blogger zapper também se sentiu diretamente atingido pela barbárie que vitimou o cinegrafista da Band. E mais uma vez deixou claro nas redes sociais e o faz aqui também: somos totalmente a favor de manifestações pacíficas da população nas ruas, a favor ou contra o que for. E somos totalmente CONTRA qualquer ato de vandalismo e violência nessas manifestações, venha da polícia, dos manifestantes ou de quem for. O blog, mesmo estando já com 5.1 de existência nas costas, jamais vai ceder ao moralismo babaca, ao conservadorismo fácil e reacionário de ser contra qualquer ato democrático – se manifestar faz parte da democracia plena de um país, de um povo. Mas um povo que parece NÃO saber se manifestar (como também parece estar sendo o caso do brasileiro), jamais será levado a sério pelos seus governantes e jamais terá seu protesto legitimado e apoiado. Afinal como levar a sério e apoiar grupos como esses autênticos BANDIDOS chamados black blocs, que têm como base de atuação o vandalismo, a depredação e a violência física que pode MATAR alguém? Desde quando destruir patrimônio público ou privado e ferir ou até matar pessoas vai fazer com que o país entre nos eixos e fique da noite pro dia do jeito que queremos que ele seja? A verdade é que o Brasil, um país com uma população de histórico violento, está mesmo entrando em convulsão e ficando fora de controle. A violência parece ser gerada de forma expontânea e parte de todos os lados: da polícia, de manifestantes, de assaltantes, bandidos, sequestradores, grupos que fomentam ódio e intolerância (como os skinheads) e homicidas em geral. Há sim, claro, milhões de pessoas de ótima índole, pacíficas e que não compactuam com essa violência e com nada do que a cerca. Essa camada social está então acuada, se sentindo cercada e gritando por socorro. E quem vai socorrer? Não se sabe. O que se sabe é que é muito claro que o país NÃO pode ser dominado pela barbárie, pelo olho por olho, pela justiça pelas próprias mãos e acima da Lei (e isso vale para a nossa polícia e para os “justiceiros” de plantão, infiltrados no tecido social). Manifestações devem continuar existindo sim e serão sempre bem-vindas pelo bem da democracia plena, mas SEM A PRESENÇA de grupos de autênticos BANDIDOS, como os black blocs, que NÃO podem JAMAIS nos representar e que devem ser BANIDOS das manifestações com todo o rigor que a Lei permitir. É isso. Esse post começa agora e vai em homenagem ao colega Santiago Andrade. Vai em paz amigão. Você nos representava, com certeza. E vai fazer falta por aqui.

O cinegrafista da Band, Santiago Andrade: jornalista do bem e que nos representava, com certeza!

 

 

* Último postão zapper: quarenta e dois comentários no painel do leitor e cento e sessenta curtidas em redes sociais. Melhor impossível. Enquanto isso, os fakes desesperados seguem latindo com seus comentários hilários, uia!

 

 

* E hoje é dia dos namorados, néan. Quer dizer, lá na gringa (em boa parte da Europa, nos EUA e no Japão). Aqui, só mesmo em junho. Mas de qualquer forma estas linhas bloggers sempre românticas desejam um dia cheio de amor aos casais de pombinhos que estão nos lendo, uia!

 

 

* E a secura finalmente deu uma trégua, néan. Choveu pra caralho ontem em Sampalândia e a previsão é de que ela, a chuva, continue durante todo o finde. Ótimo! Chega de calor horrendo. Já está na hora de acabar essa maldita estação e do horário de verão ir pra onde ele deve ficar: no inferno, rsrs.

 

* Zap’n’roll na estrada (ou nos céus brazuca), versão 2014. Yep, vão começar os “rolezinhos” do blog este ano, sempre em busca dos melhores novos sons por esse Brazilsão afora, uia! Já no próximo dia 26 de fevereiro este espaço online desembarca em Porto Alegre (a mega rocker capital dos gaúchos), onde permanece durante todo o carnaval. Vamos pra lá pra conhecer os novos nomes da cena rock’n’roll local e rever velhos amigos, como o pessoal da banda Cartolas e o chapa Alexandre Carvalho, ex-faz tudo do portal Dynamite online e que há três anos caiu de amores por Poa, hehe.

 

 

* Depois, em fins de março, o blog volta à sempre quente e acolhedora Manaus, onde vai acompanhar o show oficial de lançamento do novo álbum da banda Mezatrio (uma das preferidas do blog e sobre a qual você lê mais logo aí embaixo, no decorrer do post) e também a entrega dos troféus aos melhores do rock manauara em 2013 promovido pela web radio Manifesto Norte, dirigida pelo “Tony Wilson” do Amazonas, o nosso queridón Sandro Nine, e pelo seu irmão Marcelo Correia. Vão ser dez dias por lá, wow!

 

 

* E em maio: nova visita a Rio Branco (no Acre), também pra acompanhar o show de lançamento do primeiro disco dos incríveis Euphônicos. Tá bão, né?

 

 

* O que não deve estar muito bem é a vendagem de tickets pro Lollapalooza BR deste ano, que rola dias 5 e 6 de abril em Sampa. O evento está fazendo propaganda em horário nobre na maior emissora de tv do país. Ou seja…

 

* Também, com a quantidade de tranqueiras gigantescas que irão se apresentar no Lolla… Um ótimo exemplo: os americanos do Imagine Dragons. Pois finalmente o blog conseguiu descobrir algo no pop/rock dos anos 2000’ PIOR e mais horrendo do que o Killers, que já é insuportável, hihi. O ID, que está bombator nas rádios americanas e aqui na nossa 89FM com suas pop songs xexelentas, é o exemplo mais bem acabado do desastre que se abateu sobre o rock planetário no novo milênio. A qualidade artísitica definitivamente foi pro saco. Sobrou a mediocridade total. Quem duvidar basta ver o vídeo aí embaixo.

 

 

* Surgiram boatos em alguns blogs confiáveis (como o do querido Luiz Pimentel, que é publicado no portal R7), esta semana, de que uma turnê solo do sensacional Queens Of The Stone Age pelo Brasil ainda este ano, está pra ser anunciada a qualquer momento. Se for verdade será a primeira vez que a turma comandada pelo gênio Josh Homme virá tocar aqui fora de grandes festivais (o grupo tocou no Brasil no Rock In Rio de 2001 e depois na primeira edição do saudoso SWU e na segunda edição do Lollapalooza BR, ano passado), e isso é motivo mais do que suficiente pra se ir às gigs. Vamos aguardar as confirmações – aliás, torcer por elas.

 O gênio Josh Homme e seu QOTSA novamente a caminho do Brasil?

 

 

*PEITUDAS E MACONHEIRAS! – mais uma bola dentro da revista de comportamento “avant gard” americana Vice (e quem tem edição brasileira gratuita, distribuída em vários pontos da capital paulista). Yep, a publicação está longe da perfeição e vive cometendo erros e falhas editoriais. Mas quando acerta, é pra valer. E em um mundo que se tornou de décadas pra cá absurdamente reacionário e conservador nos modos, costumes e comportamento de grande parte da sociedade contemporânea, é sensacional pegarmos a publicação e nos depararmos com um ensaio fotográfico que registra… garotas tesudas ao natural (sem produção ou maquiagem), com os peitões de fora e fumando prazerosos cigarros de marijuana, uhú! A série de imagens foi clicada por um fotógrafo americano e o blog reproduz aí embaixo algumas dessas pics. Enfim, é uma grande combinação: bocetas lokas semi peladas fumando uns becks, hehe. O blogger outrora (e ainda um pouco, vá lá) loker é testemunha de que garotas maconheiras são mais liberais em termos intelectuais e comportamentais. E também fodem horrores, hihi. Como uma recente ex namorada do sujeito aqui, uma crioula com um rabo animal e que é adepta incondicional da erva. Pois a moçoila não apenas trepava muuuuuito como chupava uma rôla como ninguém, com direito a engolir toda a porra esguichada em sua boquinha, uia! Além dela o zapper taradón também namorou uma arquiteta de Campinas, isso há uns catorze anos. Vanessinha adorava fumar maconha antes de abrir seu bocetão pra ser fodida. E depois dava com gosto a xota e o cu, até gozar batendo uma ordinária siririca, hihihi. Portanto fikadika: se um dia você descolar um affair ou namoradinha que gosta de fumar maconha, fique com ela: trepada nota mil na certa!

Os bocetaços cadeludos no bacanudo ensaio da Vice: as loka que fumam maconham fodem muuuuuito mais, com certeza!

 

* E não é que a entrega do Oscar 2014 vai contar com performances musicais do U2 e da deusa Karen O’, a lindaça e estilosa vocalista do Yeah Yeah Yeahs? Sinal de que a premiação maior do cinema mundial este ano será um pouco menos chata e careta do que o habitual.

 A deusa Karen O’, vocalista do YYY, vai cantar na festa do Oscar 2014. Wow!

 

 

*Começaram a serem divulgadas as primeiras atrações da Virada Cultural Paulista 2014 e que será realizada em dois finais de semana de maio em vinte e oito cidades do interior do Estado. Lobão, Titãs e Ira! estão entre os nomes escalados, o que demonstra que o rock BR dos anos 80’ ainda é presença forte entre o público que anualmente vai ao evento. A qualquer momento deverá ser divulgada a programação da Virada Cultural de Sampalândia e que infelizmente, tem novamente este ano como um dos curadores da parte musical o paquidérmico e mau caráter em grau máximo Alex Antunes. O blog gostaria de saber por que a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo mantém na curadoria de um evento cultural tão importante um escroque desse naipe. Mistério…

 Alex Antunes: porcão, escroque do jornalismo cultural e mau caráter de primeira; por que ele continua como curador da Virada Cultural de Sampa é um mistério…

 

 

* E se veteranos do rock BR dos 80’ ainda dominam as atenções em eventos como a Virada Cultural, é porque o rock independente nacional de hoje está mesmo descendo sem dó a ladeira da qualidade artística. Mas há exceções nesse quadro tenebroso: bandas como a gaúcha Cartolas ou a manauara Mezatrio estão aí, lançando bons discos e mostrando que o atual roquinho indie brazuca ainda tem salvação. Leia aí embaixo e entenda o motivo dessa afirmação.

 

 

CARTOLAS (DE PORTO ALEGRE) E MEZATRIO (DE MANAUS) MANTÊM A DIGNIDADE DO INDIE ROCK NACIONAL

Em uma era (a atual) onde o rock independente nacional faliu artisticamente quase que por completo, e onde se tornou uma tarefa árdua encontrar bandas que valham a pena em metrópoles como São Paulo e Rio (e onde supostamente elas deveriam existir em abundância, afinal aqui não é o “centro difusor de cultura” do Brasil? Só na teoria, claro), é um prazer se dar conta de que nos extremos de um país gigante como o nosso ainda se encontram grupos que levam adiante em sua trajetória a missão de produzir grande rock’n’roll, e que seguem lançando discos bacanas. É o caso do quinteto gaúcho Cartolas e do sepeteto (!) amazonense Mezatrio. Ambos já têm uma década de existência e soltaram novos e bons cds do final do ano pra cá.

 

Cartolas surgiu em Porto Alegre em 2005 e este “Apavorando o Flashdance” é seu terceiro álbum deestúdio – antes, o grupo já havia editado os muito bons “Original de Fábrica” (em 2007) e “Quase Certeza Absoluta” (em 2010). Com o figuraça Luciano Preza nos vocais, mais Christiano Todt e Dé Silveira nas guitarras, o novato Mariano Wortmann no baixo e Pedro Petracco na bateria, o grupo segue fiel às suas raízes rockers sessentistas e setentistas na elaboração de suas canções, onde se ouve muitos eflúvios de Stones, Kinks, Beatles e até de Oasis (atualizando um pouco as referências para décadas mais recentes).

 

Mas isso é apenas um detalhe na dinâmica sonora da banda. Impressiona no novo trabalho a capacidade de o conjunto em engendrar arranjos bem construídos e que valorizam o andamento e a melodia das faixas, com a adição de pianos (preponderantes em “Mario Bros – cópia descartável”, e na belíssima “Castelo de Poeira”) e violões dolentes (na algo tristonha “Preto e Branco”, que fecha o disco). Fora a capacidade que o quinteto tem em soar absolutamente irônico e bizarro (algo aliás bem típico do rock gaúcho) nas letras e nos títulos de algumas músicas (“O balde de Aflição”, “Pinguim de Frigider”, “A vaia do despertador”), além de oferecer momentos de puro sarcasmo como no refrão de “Um segundo” (“Ficou tão natural eu estar com você/Que dizer eu te amo é artificial”), rockão que é um dos grandes momentos do disco. Assim como também é um rock classudo “Ela é bem assim”, cheia de guitarras envenenadas e com um swing mezzo funky de dar gosto. Tudo isso se soma ainda a uma certa melancolia e desencanto emocional atípicas nas músicas dos Cartolas, e que aqui aparece logo na abertura do cd, na já citada “O Balde da Aflição”, Enfim, mais um bacanudo álbum inédito de um grupo que o blog conheceu em 2006 lá na distante Rio Branco (!), quando os gaúchos lá estiveram pra tocar no finado festival Varadouro. Desde aquela época o blogão zapper se tornou fãs dos Cartolinhas e este “Apavorando o Flashdance” (título mais bizarro impossível) só faz o autor destas linhas rockers bloggers manter seu amor pela banda.

Os novos discos dos gaúchos Cartolas (acima) e do amazonense Mezatrio (abaixo): dois ótimos exemplos de que ainda existem bandas de qualidade no atual e quase falido rock independente brasileiro

 

Do outro extremo do país vem o Mezatrio. Surgido em Manaus (capital do Amazonas, seu mané) em 2004, o grupo também tocou no mesmo ano e no mesmo festival em Rio Branco onde o blog conheceu Os Cartolas. E quando estas linhas zappers ouviram e viram os manauaras no palco, caiu imediatamente de amores pelo conjunto. Pense em uma muralha de guitarras com ambiências estranhas nas melodias, riffs inebriantes e referências de Radiohead nas melodias e você terá uma idéia do que é o som do Mezatrio, banda que costuma tocar com três guitarras (!!!) ao vivo e que demorou sete anos até conseguir lançar “O topo do nada”, seu segundo trabalho de estúdio e que saiu recentemente – o primeiro disco, homônimo, foi lançado em 2007.

 

A demora para editar o novo cd teve seus motivos: houve divergências musicais internas (sempre!) e que culminaram na saída de quatro integrantes (que acabaram formando a Malbec, atualmente outra das grandes bandas da cena rocker de Manaus), o que atrasou em alguns anos o processo de recomposição do line do grupo bem como a gravação de material inédito. No entanto, a espera não foi em vão: o grupo formado por Paulo Lins (guitarras, vocais), Augusto Rodrigues (guitarras), Gustavo Machado (guitarras, teclados, vocais), Abner Canela (baixo), Alexandre Lins (bateria) e um naipe de sopros formado pelos músicos Marcelo Martins e Nelverton Rodrigues evoluiu bastante sua proposta sonora com a adição dos metais, que interagem à perfeição com os riffs engendrados pelas guitarras. Além disso o grupo consegue ser passional e sentimental nos temas das composições sem ser piegas, algo dificílimo de se ouvir no atual rock indie brazuca. Assim vão surgindo no álbum canções que inebriam o ouvinte pela sua ótima construção sonora. Algumas mais rocks e “radiofônicas” (se é que se pode pensar nesses termos aqui) como “O bem”, outras melancólicas e reflexivas (“Robô”), e várias com harmonias vocais e guitarras beeeeem bacanudas (como “Qualquer um”, “Everest”, “Fidel” ou “Os trilhos”, essa pura Radiohead na fase “Hail To The Thief”).

 

Enfim, duas bandas de rock com propostas sonoras muito diferentes entre si mas que mantêm em seus novos trabalhos uma qualidade sônica muito acima da média do que se escuta hoje no pobrinho rock nacional. Por isso mesmo tanto Cartolas quanto Mezatrio mereceram estar no tópico principal deste postão zapper. E também merecem, com certeza, a atenção de quem ainda procura por grandes sons no rock alternativo brasileiro.

 

* Para conhecer melhor os Cartolas: https://www.facebook.com/CurtaCartolas ou http://www.cartolas.com.br/portal/tpl/apavorandooflashdance.htm.

 

* Para conhecer melhor o Mezatrio: https://www.facebook.com/mezatrio?fref=ts.

 

 

E MEZATRIO AÍ EMBAIXO

No vídeo da música “Qualquer um”, do álbum “O topo do nada”.

 

 

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Discos: “Apavorando o Flashdance”, dos Cartolas, e “O topo do nada”, do Mezatrio.

 

* Banda: o blog assistiu ontem, domingão final de tarde (o post está sendo finalizado já na noite de segunda-feira, 17 de fevereiro), uma apresentação do grupo paulistano Comma, no Centro Cultural da Juventude. O Comma, formado basicamente pela cantora, compositora e guitarrista Mini Lamers, e pela baterista Didi Cunha, é um dos poucos e bons nomes da novíssima safra indie paulistana. Já tem dois discos lançados (o mais recente, “Outside”, saiu no final de 2013) e a referência básica é indie de guitarras, mas com espaço para nuances mais pop ou suaves e melancólicas, sendo que o que chama muito a atenção são as letras escritas por Mini, todas em inglês caprichado e que desvelam eventos pessoais da vida da guitarrista. E o mais interessante da parada: ao vivo, com a adição de uma guitarra extra e de um violoncelo (!) em algumas canções, as músicas do Comma ganham muito em agilidade e estofo instrumental. Enfim, uma boa banda que você pode conhecer melhor aqui: https://www.facebook.com/commabr.

 A dupla paulistana de indie rock Comma: bom disco e show melhor ainda!

 

* Filme: “Ela” é o novo longa do genial Spike Jonze. Está concorrendo ao Oscar. E já está em cartaz nos cinemas brazucas. E aborda um tema total a ver com nossa era: as relações humanas nesses tempos de redes sociais e internet. Então, sem mais delongas: vá ao cinema mais próximo de você e assista, simples.

 

* Baladas: semana começando hoje (segunda-feira) e no decorrer dela esse tópico irá sendo atualizado, fique sussa. Mas já constando: nesta quarta-feira, 19, tem outra noite de autógrafos do novo livro do queridíssimo “reverendo” Fábio Massari, o “Mondo Massari” (lançamento da Edições Ideal). A noite de autógrafos rola na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (na avenida Paulista, em Sampa), a partir das sete da noite. E o blogão vai estar lá com certeza, pra dar um abraçasso (né mano Caetano, rsrs) no seu velho amigo de anos.///E na sexta-feira em si, continua o badalo em torno da exposição de David Bowie no Mis (Museu da Imagem e do Som, que fica na avenida Europa, 160, Jardins, zona sul de Sampalândia), quando o também queridão Hélio Flanders (vocalista do Vanguart, que vai tocar de graça no próximo domingão à tarde, no Parque Villa-Lobos, zona oeste da capital paulista) irá se juntar a uma super-banda de músicos indies paulistanos, pra interpretar algumas canções do Camaleão. Programão pra sextona hein!

 

 

SEBADOH DANDO SOPA!

Yeeeeesssss! Vai lá no hfinatti@gmail.com, que já está em sorteio:

 

* UM PAR DE INGRESSOS pro show do trio indie americano Sebadoh, que se apresenta em abril em São Paulo. Mais uma promo bacana que você só encontra aqui mesmo, no blogão campeão quando o assunto é cultura pop e rock altermativo.

 

 

E POR ENQUANTO…

É isso. Esta semana ainda tem novo postão no final de semana. E semana que vem, já nas barbas do carnaval, programação rocker normal por aqui mas com o post sendo enviado laaaaá de Porto Alegre, já que o eterno andarilho zapper vai dar um rolezinho pela capital dos gaúchos, hehe.

 

Então ficamos por aqui. Até logo menos com mais por aqui, sempre!

 

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 17/02/2014, às 23:45hs,)

Agora vai! Em um mundo onde o rock (e a música pop em geral) caiu num aparentemente inescapável “buraco negro” e está cada vez mais vazio de conteúdo e qualidade, a lenda gigante David Bowie sacode Sampalândia com a mega exposição sobre sua vida pessoal e obra musical. E aproveitando a “deixa” o blogão passa em revista a trajetória do Camaleão, dissecando seus principais discos e publicando um mega diário sentimental onde relembramos histórias cabulosas e absolutamente sórdidas ao extremo, de putarias e consumo pesado de drugs ao som do gênio imortal que é o cantor inglês; mais: o beijaço gay que abalou o moralismo reacionário dominante na sociedade brazuca, a morte que abalou os cinéfilos no último finde, a volta de um grande nome do rock paulistano dos 80’, os agitos pop/rock da semana (que está apenas começando!) e mais um tantinho de paradas aê (postão finalizado, falando dos novos sons rockers que vem de Cuiabá e Porto Alegre, do primeiro show do grupo amazonense Mezatrio em Sampa e… do país do apagão, hihi) (versão final em 5/02/2014)

O “camaleão” e gênio supremo do rock mundial, David Bowie (acima, na época da turnê do álbum “Let’s Dance”, em 1983): exposição mega (imagem abaixo) sobre sua vida e obra chegou ao Museu da Imagem do Som de São Paulo na última sexta-feira, e permanece até abril próximo; imperdível, para fãs, não fãs e apreciadores em geral do rock que importa e da cultura pop planetária dos últimos quarenta anos

 

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O PAÍS DO APAGÃO, UIA!

A capa da FolhaSP desta quarta-feira (mais conhecida como hoje) não deixa dúvidas: este é mesmo o PAÍS DO APAGÃO, hihihi.

 

E vem aí a Copa do Mundo, uhú!

 

Como diz o anúncio ufanista e ultra estúpido da cerveja: “VAI SER UMA FESTA!”.
E como vai, hihihihihi (apagões, assaltos, sequestros, caos urbano nas cidades-sede dos jogos, aeroportos e portos em colapso estrutural e de atendimento, turistas sendo enganados, explorados e lesados etc, etc, etc. Ah sim: e o Brasil, claaaaaro, ainda vai PERDER essa bagaça – o que vai ser ÓTIMO, assim quem sabe a porra do país cria vergonha na cara, acorda e toma um rumo)
Vai ser UMA FESTA mesmo, alguém duvida???

 

(se você acredita em Papai Noel…)

 

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Bowie, o beijo gay e a modernidade social.

Os três têm muito em comum, com certeza. Há mais de quarenta anos, lá por 1972 e quando o genial cantor e compositor inglês já estava no auge de sua looooonga trajetória rocker (e que se estenderia pelas décadas seguintes, lançando discos essenciais e influenciando gerações e gerações de artistas e bandas), lançado o fodástico álbum “The Rising And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars”, David Bowie já incorporava uma androginia latente em sua personalidade e nas suas performances de palco. Isso em um tempo em que a sociedade era mais predisposta a novidades comportamentais e estava mais aberta para o não convencional em vários aspectos – sexual, inclusive. Então Bowie/Ziggy acabou se tornando um herói e referência para milhões de garotos e garotas que tinham anseios por exercer sua sexualidade de forma diferente daquela preconizada pela comportamento médio careta e “normal” do ser humano. Bowie nunca teve problemas em afirmar que era bissexual (e se tornaram célebres seus affairs com astros como Mick Jagger, Iggy Pop ou Lou Reed). E os fãs adoravam a postura do astro, claro. Mas o tempo foi passando e o mundo encaretou demais de décadas pra cá, principalmente depois do advento da Aids. Então, o que era “moderno” e “avançado” há quatro décadas, de repente passou a ser encarado com muito mais ressalvas e moralismo por boa parte da sociedade atual, que incrivelmente chegou ao século XXI muuuuuito mais conservadora e reacionária do que as pessoas eram em… 1970 e 1980. E isso inclusive aqui no velho Brazilsão, país tradicionalmente mais “liberal” na questão da aceitação de costumes e respeito às opções de sexo, religião e política das pessoas. Afinal quantos crimes de intolerância sexual país não tem presenciado de anos pra cá, principalmente em metrópoles como São Paulo? Entra então em cena o já célebre beijaço gay entre dois atores masculinos, e que protagonizaram o dito cujo na penúltima cena do folhetim Global “Amor à vida”, que terminou na última sexta-feira. A cena causou comoção em rede nacional, foi ovacionada por hordas de telespectadores como se a seleção brasileira de futebol tivesse ganho a Copa do Mundo, e foi comentário top nas redes sociais do mundo inteiro. O que denota o seguinte: em meio ao conservadorismo vigente há sim uma parcela grande da sociedade que anseia novamente por mudanças e pela aceitação e pelo respeito à opção de vida de cada um, seja em qual sentido for (sexual, político, religioso etc.). Nesse aspecto o gigante David Bowie já deu de sobra sua contribuição – e grande parte dela pode ser vista e revista na exposição dedicada ao cantor e que está em cartaz no Mis/SP desde a última sexta-feira, aliás o assunto principal deste postão que você começa a ler agora. E assim como o Camaleão do Rock, se esse beijo gay transmitido na última sexta-feira em horário nobre para todo o país, por uma das maiores redes de tv do mundo, contribuir para quebrar de vez tabus e preconceitos morais babacas e que precisam ser extirpados de vez da sociedade, ótimo: a Globo já terá feito seu papel nesse processo. O mundo, a sociedade de hoje precisa disso: de amor, paz, fraternidade, respeito por todas as pessoas, por elas serem o que são sem sofrer discriminação e intolerância por conta de sua opção. O mundo e a sociedade precisam ser contemporâneos e avançar rumo à modernidade, para que haja justiça e igualdade pra todos. Apenas isso.

 

 

* Enfim, o blog não assistiu a sequer um capítulo da novela “Amor à vida”, que acabou sexta. Mas por obrigação profissional, curiosidade (afinal quase não se falou em outra coisa no finde) e desencargo de consciência assistiu a reprise no sábado. O beijo gay entre o personagem Félix e seu namorado chegou a emocionar um pouco este véio jornalista sentimental, vamos admitir. Sim, porque você pode detestar a Globo, como muita gente detesta. E com grande dose de razão: a maior emissora de tv do país (e uma das maiores do mundo) continua manipuladora, tendenciosa e MÁ formadora de opinião em diversos aspectos de sua grade de programação. Ela melhorou muuuuuito de duas décadas pra cá, mas ainda está muito longe de ser um canal de tv que agrega grande relevância comportamental, cultural e intelectual aos seus telespectadores. Mas enfim, o beijo gay em horário nobre na (ainda) maior emissora do país: MIL PONTOS POSITIVOS pra Globo! Se essa cena de fato ajudar a ampliar o debate sobre o avanço da modernidade e do respeito à diversidade e a opção sexual de cada ser humano, e contribuir para o fim do preconceito em um país (o Brasil) onde a sociedade ainda é ultra conservadora em várias questões (como legalização das drogas e homossexualismo), a emissora dos Marinho já terá feito o seu papel nessa questão. É preciso ACABAR DE VEZ COM A INTOLERÂNCIA BURRA E NOJENTA que campeia na sociedade brasileira, onde evangélicos medievais condenam moralmente gays e usuários de drogas (e as crentes ardentes, não dão o cu não?), onde facções como skinheads (raça deplorável pela sua total ignorância e falta de civilidade para com quem quer que seja) agridem e muitas vezes MATAM uma pessoa por ela simplesmente querer poder exercer sua opção sexual, aquela que lhe faz bem ao corpo, aos sentidos e à alma. O ser humano tem que apaixonar por PESSOAS BACANAS, não por sexos. E se isso significa um homem gostar de outro ou uma garota ser feliz com outra, ótimo. Félix/Mateus Solano nos representa, sem dúvida!

 Um mega beijaço gay em horário nobre na tv Globo: mudança de comportamento na reacionária, moralista e careta sociedade brasileira? Tomara que sim!

 

 

* Postão zapper chegando um pouco atrasado (hoje é terça-feira, néan) mas estamos aqui, hehe.

 

 

* E lá se foi Philip Seymour Hoffman, um dos grandes nomes do cinema americano de duas décadas pra cá. A provável causa da morte do ator de quarenta e seis anos de idade foi overdose de heroína. Bien, tudo já foi dito sobre ele de ontem pra hoje (segundona de calor infernal em Sampalândia). Então estas linhas online deixam como a melhor lembrança que tem do ator essa foto aí embaixo: Philip incorporando o também saudoso e genial jornalista Lester Bangs (talvez o mais lendário nome do jornalismo musical de todos os tempos) em “Quase Famosos”, filmaço dirigido por Cameron Crowe em 2000. É isso aí: rip, dear.

Philip Seymour Hoffman, em cena de “Almost Famous” (“Quase famosos”), filmado em 2000: incorporando o saudoso mestre e gênio do jornalismo musical americano, Lester Bangs

 

MAIS UMA BOMBA NA INDIE SCENE NACIONAL: A VOLTA DO GUETO! – e depois do comeback do Ira! mais um importante nome do rock paulistano dos anos 80’ também anuncia sua volta: o quarteto Gueto, que está reunindo sua formação original (Julio Cesar nos vocais, Márcio nas guitarras, Marcola no baixo e Edson X na bateria) pela primeira vez em mais de duas décadas, para realizar possíveis shows já nas próximas semanas. O Gueto surgiu na capital paulista na metade dos anos 80’ e logo chamou a atenção da crítica especializada por fundir com maestria guitarras de rock com o groove e as nuances dos ritmos negros como o funk e o hip hop. Com uma sonoridade muito à frente do seu tempo, o quarteto pode ser considerado o “pai” de gente como Racionais MCs e, mais recentemente, Criolo e Emicida. Chamando cada vez a mais a atenção por sua sonoridade empolgante e as letras de forte contexto social, o Gueto acabou registrando suas duas primeiras músicas na coletânea “Não São Paulo II”, lançada em 1987 pelo sempre venerável e visionário selo Baratos Afins, comandado pelo produtor Luiz Calanca. A repercussão das músicas (“Luta” e “Fotografias”; há ainda uma “faixa escondida” da banda na reedição em cd da coletânea da Baratos, intitulada “Este homem é você”) foi tamanha que não demorou pro conjunto ser cooptado pela major Warner, que pouco tempo depois colocou nas lojas o álbum “Estação Primeira” e que emplacou nas rádios o hit “A mesma dor” (“Até estou me acostumando a amar/Nós dois sentimos a mesma dor”). Com discos vendendo e público crescendo o quarteto ainda gravou mais um trabalho pela Warner (chamado “E agora pra dançar”) e aí começaram a surgir desavenças musicais internas e que culminaram com a saída do vocalista Julio Cesar. A banda então saiu da major e ainda lançou mais um disco de forma novamente independente, pra se dissolver tempos depois. Pois agora, por iniciativa e incentivo de Luizinho Calanca (que promoveu um reencontro dos quatro músicos), o Gueto deixou as desavenças pra trás e está pronto pra encarar a estrada e os palcos novamente. Poderá, inclusive, estar na programação da Virada Cultural de Sampa deste ano. É uma notícia e tanto em um mundo onde não há mais bandas de rock que prestem na cena indie brazuca, e onde todo mundo acha que música negra de qualidade é o funk ostentação e porqueira produzido por Naldo e Anitta. Seja bem-vindo de volta, Gueto! Quem sabe o que é funk, rock, soul, hip hop e black classuda e de VERDADE, aguarda ansiosa por ver vocês novamente em cima de um palco.

O primeiro álbum do grupo paulistano Gueto, “Estação Primeira” (acima), lançado em 1988: fusões de rock com funk, soul, groove e hip hop e som muito à frente do seu tempo; a banda está de volta com sua formação original e em breve começa a fazer shows novamente; abaixo, encontro de bambas da indie rock scene paulistana ontem à tarde, na loja e selo Baratos Afins (no centrão de Sampa): o cantor Julio Cesar junto com o produtor Luiz Calanca e Zap’n’roll

 

* Você, dileto e jovem leitor zapper, não sabe o que era o som do Gueto. Sem problema: dá uma olhada no vídeo aí embaixo.

 

Gueto – “A mesma dor” 

 

*Quando é que esse calor dos infernos vai dar uma trégua em Sampalândia, afinal? A maior cidade do Brasil superou, nos últimos dias, as temperaturas que normalmente são registradas em capitais da região Norte, como Macapá, Boa Vista, Manaus, Belém e Rio Branco (todas já velhas conhecidas destas linhas bloggers estradeiras, hehe). Basta olhar a imagem aí embaixo e ver quanto o relógio digital da avenida Paulista (em frente ao Masp) andou marcando por esses dias.

 

 

* Anyway, não há mesmo o que fazer quanto ao clima do planeta. Ele foi definitivamente fodido pelo animal mais estúpido e irracional que existe: o homem. Assim, todos nós iremos morrer mesmo tostados na gigantesca fornalhada atômica do aquecimento global. E não vai demorar muito pra isso acontecer, infelizmente…

 

 

* E os velhões goth do Cure mandam avisar: este ano sai novo álbum de inéditas da banda comandada eternamente por Bob Smith. Será o primeiro trabalho de estúdio do conjunto desde 2008, quando lançaram “4:13 Dream”.

 

 

* Mas com ou sem calor dos infernos, a semana é dele. Aliás ele irá REINAR absoluto em Sampa até abril, no Mis. David Bowie, o Camaleão do rock, está novamente entre nós! E o tópico principal deste post tinha mesmo que ser dedicado a ele e à exposição em torno de sua vida e obra. Portanto…

 

 

O “CAMALEÃO” DAVID BOWIE, GÊNIO ETERNO E IMORTAL DO ROCK’N’ROLL, INVADE O MIS/SP COM EXPO GIGANTE SOBRE A SUA VIDA E OBRA

(texto publicado originalmente no blog em 27 de janeiro de 2013, e republicado agora com adaptações e adequações em comemoração a abertura da exposição dedicada à vida e obra do cantor inglês, em São Paulo)

 

O título deste tópico principal do post zapper desta semana não carrega nenhum exagero. Todo mundo que ama música e rock’n’roll (seja você um ainda adolescente e jovem leitor destas linhas online, ou já um tiozão calejado nas estradas e histórias do rock’n’roll) conhece o inglês David Bowie (que nasceu, na verdade, David Robert Jones) e sabe de sua trajetória incrível e de sua importância MONSTRO na história do rock e da música pop em geral, nas últimas quatro décadas. Ao longo desta looooonga jornada Bowie lançou vinte e três álbuns de estúdio – o primeiro, homônimo, saiu em 1967. Destes pelo menos uns dez são absolutamente essenciais na história do rock’n’roll (e aqui, neste post, o blog analisa não talvez os cinco melhores mas, subjetivamente, os cinco que o autor deste espaço online mais ama). E como se não bastasse produzir discos clássicos e que legaram genialidade musical em grau máximo para o rock o “Camaleão” (apelido ganho ainda nos anos 70’ pela capacidade que o músico, compositor e cantor tinha em assumir personalidades diversas ao antecipar uma nova tendência sonora na cultura pop, como o glam rock por exemplo) ainda nos deu muito mais: canções sublimes, personagens inesquecíveis (o alienígena Ziggy Stardust, o Duque Magro & Branco), atuações grandiosas no cinema, duetos históricos (com Mick Jagger, por exemplo), produções de álbuns clássicos (como “The Idiot”, lançado por Iggy Pop em 1977)  etc, etc, etc. David Jones é gênio, ponto.

 

Ele estava ausente da música havia mais de uma década, quando lançou o álbum “Reality” em 2003. Na turnê de divulgação do disco Bowie sofreu um princípio de infarto após um dos shows. Foi internado às pressas, fez uma angioplastia de emergência e decidiu se “aposentar” do show bis, indo morar em Nova York com sua filha e a esposa, a modelo Iman. E de lá pra cá muito se especulou sobre um possível retorno seu à música e aos palcos. Mas o próprio cantor, bastante recluso, volta e meia emitia comunicados de que não voltaria a mexer com música. O mondo pop deu então, a contragosto, por encerrada a trajetória profissional do inglês dos olhos de cores diferentes (o esquerdo mais claro que o direito, uma diferença provocada, segundo a lenda, por um soco que ele teria levado em uma briga na adolescência).

 

Até que em 8 de janeiro do ano passado o mundo foi sacudido pela bomba: ao comemorar seu aniversário de sessenta e seis anos, Bowie anunciou que estava pra lançar um novo disco. E ainda mostrou para o mundo o primeiro single deste trabalho, a belíssima e triste balada “Where Are We Now”. De letra memorialista, a canção evocava a época em que o cantor morou em Berlim (na segunda metade dos anos 70’), quando gravou por lá três álbuns entre eles a obra-prima “Heroes” (de 1977). O álbum completo, batizado “The Next Day”, saiu em março do ano passado. O mundo recebeu o disco (que foi gravado em segredo por David Bowie nos últimos dois anos, com produção do inseparável amigo de décadas, Tony Visconti) de joelhos: foi um dos grandes lançamentos de 2013 e entrou em todas as listas de “melhores do ano” no rock planetário.

 

Tudo o que está escrito aí em cima já foi amplamente divulgado ao longo dos últimos meses, é vero. Mas neste segundo post de 2014 Zap’n’roll não poderia se furtar de, também ela, comentar sobre a volta da lenda David Bowie. Isso pelo amor que o blog sempre devotou à sua música, pela sua obra insuperável, pelo rocker absolutamente louco e extraordinário que ele foi: um performer que rompeu com tabus sexuais (jovem e lindo, enlouqueceu homens e mulheres, bichaças e lésbicas na sua vida. Foi pra cama com Mick Jagger, traçou e foi traçado por gente como Iggy Pop e Lou Reed) e de drogas (ele afundou em cocaine e em outras drugs ao longo dos anos 70’). E que deixou sua marca impressa para sempre na história da cultura pop.

 

O próprio blogger outrora mega loki, viveu uma vida de excessos ao som das músicas de David Jones. Foram momentos malucos e ultra junkies, alguns quase inacreditáveis, tendo como trilha sonora as canções de Bowie. Mas isso será bem contado logo mais aí embaixo, no nosso tradicional diário sentimental. Antes dele estas linhas online fazem uma rápida análise dos cinco álbuns de David Bowie preferidos pelo blog. São cinco discos seminais e que entram fácil em qualquer lista dos melhores momentos de toda a história do rock’n’roll. Instantes de brilhantismo puro e que os fãs brasileiros e paulistanos podem rever (ou conhecer pela primeira vez, se for o caso) desde a última sexta-feira, em São Paulo, quando o Museu Da Imagem e Do Som inaugurou uma exposição espetacular e grandiosa sobre a vida e obra do cantor e compositor inglês. Vinda diretamente de Londres (e antes de chegar aqui, só passou pela cidade de Toronto, no Canadá, e depois de ficar aqui até abril, irá seguir para outras capitais europeias), a exposição reúne mais de trezentos (!) itens do acervo pessoal do artista entre fotos, capas de discos, roupas (são zilhões de modelos!) utilizadas em shows e turnês, filmes estrelados por ele, objetos variados e memorabilia gigante. Já é, por antecipação, um dos eventos culturais deste ano em Sampalândia.

 

Então, enquanto você se prepara pra ir ao Mis conferir de perto a exposição (que está aberta ao público de terça a sexta-feira, do meio-dia às oito da noite, sábado das onze da manhã às nove da noite e domingos e feriados das onze às oito da noite, com ingresso a dez mangos sendo que às terças a entrada é gratuita), leia aí embaixo uma radiografia básica e rápida dos cinco álbuns do Camaleão preferidos por estas linhas rockers bloggers.

 

 

CINCO DISCOS ESSENCIAIS PARA SE ENTENDER E MERGULHAR NO UNIVERSO MUSICAL DO CAMALEÃO

 

* “The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars” (1972) – a obra-prima máxima e definitiva. Bowie já havia lançado quatro discos desde 1967 e atingiu seu ápice artístico e musical com este discaço editado em 1972. Antecipando o que seria o glam e o art rock, o trabalho era recheado e costurado por pianos e arranjos de cordas mas sem abrir mãos das guitarras ásperas. Espécie de fábula com as faixas girando em torno de um único tema (mas sem o ranço e o bolor conceitual do rock progressivo), o álbum narra a história do alienígena Ziggy, que vem de Marte para salvar a Terra cinco anos antes da destruição do nosso planeta, e aqui acaba se tornando um rock star. Músicas sublimes e inesquecíveis aos montes: “Five Years”, “Moonage Daydream”, “Starman” (que o grupo gaúcho Nenhum de Nós fez o favor de “assassinar” nos anos 90’, com a horrenda versão chamada “Astronauta de mármore”), “Suffragette City”, “Rock’n’roll Suicide” e, claro, o hino eterno “Ziggy Stardust”.

 

 

* “Station To Station” (1976) – Bowie inventa um novo personagem (o Duque Magro & Branco), para dar voz ao momento pelo qual ele estava passando: morando nos Estados Unidos o cantor saía muito à noite e enfiou o pé na lama em consumo grotesco de drogas variadas, especialmente cocaína. Isso rendeu um disco denso, pesado (no sentido das letras e do conteúdo emocional), onde a faixa-título (que abre o álbum com dez minutos de duração) narra a descida aos infernos da existência junkie. Não por acaso Bowie se tornou ídolo da alemã Christiane F. (na época, com catorze anos de idade) e sua turma viciada em heroína. E várias faixas deste disco pontuam a trilha sonora do filme que narra a saga de Chris pelas ruas e banheiros imundos de Berlim, entre picadas e picadas de agulhas nos braços…

 

 

 

* “Heroes” (1977) – Bowie se cansa da vida de excessos nos EUA e se muda pra Berlim, pra tentar acalmar seus demônios internos. Lá grava a célebre “trilogia” berlinense, sendo que o segundo disco dela é “Heroes”. Produzido pelo gênio Brian Eno o trabalho mergulha em ambiências eletrônicas soturnas (espécie de antecipação do que seria o movimento dark/pós-punk que varreria as ruas de Londres no começo dos anos 80’) e lega para a posteridade a faixa-título, uma obra prima que incrivelmente se tornou um mega hit, sendo inclusive regravada décadas depois pelo grupo Wallflowers (do vocalista Jakob, filho de Bob Dylan).

 

 

 

* “Scary Monsters (and Super Creeps)” (1980) – durante muitos anos foi esse o disco de Bowie que Zap’n’roll colocava em sua lista pessoal dos dez maiores álbuns de rock de todos os tempos. Pesado, com letras cínicas, críticas e altamente corrosivas sobre o a superficialidade do mundo da moda (algo muito claro na canção “Fashion”), o disco traz canções clássicas e belíssimas, entre elas “Ashes To Ashes”, um dos maiores hinos compostos pelo cantor: é a faixa que fecha a trilogia de músicas falando do Major Tom (e que começou em 1969, com “Space Oddity”), um astronauta viciado em drogas e que vaga a esmo pelo espaço sideral, um evidente alterego do próprio David Bowie. Discaço!

 

 

* “Let’s Dance” (1983) – o Camaleão entrou na década de oitenta mais uma vez se reinventando musicalmente. Com produção do músico Nile Rodgers (guitarrista do grupo funk americano Chic) Bowie caiu na dança e gravou um disco que é puro groove, soul, funky e repleto de faixas altamente anfetamínicas. Sem nunca deixar a qualidade musical cair o álbum enfeixou mega hits nas rádios do mundo todo (inclusive no Brasil): “Modern Love”, “China Girl” e a própria canção-título, um funk racha-assoalho espetacular. Não por acaso foi o trabalho do cantor que mais vendeu até hoje: apenas no ano do seu lançamento, “Let’s Dance” superou a marca de três milhões de discos vendidos pelo mundo afora.

 

 

PRIMEIRO E GIGANTE DIÁRIO SENTIMENTAL DE 2014 – AO SOM DE DAVID BOWIE, NOITES E NOITES MERGULHADAS EM COCAINE E EM FODAS COM BOCETAS ALUCINADAS
O zapper outrora sempre loki e alucinado quase em tempo integral, passou uma existência infernal ao som de David Bowie. Mergulhou na lama até o pescoço, em noitadas e aventuras movidas a sexo calhorda e selvagem, e também a consumo de um oceano de álcool e cocaine, enquanto as canções do Camaleão martelavam incessantemente seu cérebro em vesânia plena e assustadora. Foram zilhões de momentos e acontecimentos absurdos e algo inacreditáveis às vezes. E tudo começou quando, afinal?

 

O blog se lembra de que conhecia a obra de Bowie desde a sua adolescência, quando o sujeito aqui tinha seus quinze/dezesseis anos de idade. E o interesse pela obra do cantor aumentou mesmo quando, lá por 1982, ele passava férias em Minas Gerais, na casa que a saudosa mama Janet tinha por lá. O zapper então quase pós-adolescente vivia bebendo horrores e saindo com uma turma de amigos Mineiros. Um desses amigos, filho do dono de uma loja de móveis na cidade, tinha em sua coleção um disco estranho de David Bowie, chamado “Station To Station”, edição nacional original em vinil. O zapper sempre pegava o dito cujo pra ouvir, até que um dia fez a oferta pro seu amigo: “me vende?”. O moleque: “sem problema, nem curto muito”. E assim “Station To Station” se tornou o primeiro disco de David Jones a ir parar nas mãos do futuro jornalista, que ainda sequer cheirava cocaine.

 

Em 1982 mesmo foi lançado no Brasil o filme “Eu, Christiane F., 13 anos, drogada e prostitiuída”, a versão cinematográfica do livro homônimo e que contava a saga da jovem alemã de apenas catorze anos que se tornara viciada em heroína e que vagava pelas ruas, estações de metrô e banheiros imundos de Berlim, se picando vorazmente no braço com a droga. Chris era apaixonada por Bowie. E o filme tinha em sua trilha sonora somente canções do cantor inglês. O então futuro aspirante a junkie total aqui (em uma época em que ele morava com mama Janet já na rua Frei Caneca, e só fumava seus baseados) foi assistir uma sessão (a primeira de várias que viriam na sequência) do filme no extinto cine Majestic, na rua Augusta (onde hoje funciona o Espaço Itaú de Cinema). Saiu de lá com a cabeça em pandemônio, apaixonado por Chris F., por David Bowie e sonhando em assistir a um show do Camaleão ao lado da alemãzinha, enquanto se chapava de heroin. Isso, em 1982! Um ano depois Bowie lançaria seu maior sucesso comercial até hoje, o álbum “Let’s Dance”, e aí a paixão de Zap’n’roll pelo cantor se tornou obsessão. Avança alguns anos. Em 1989 o sujeito aqui já é jornalista, já tem uma coleção monstro de vinis em sua casa (entre estes, mais de uma dezena de discos de Bowie) e já experimenta os prazeres deletérios de mergulhar suas narinas em devastações selvagens de cocaine, e seu pinto em bocetas sórdidas e ordinárias. Os mini tópicos a seguir radiografam o que rolou ao som de Bowie na vida do sujeito aqui, enquanto ele se entorpecia de pó e esporrava em xoxotas, cus e bocas de mulheres cadeludas ao cubo.

 

* Se sentindo o próprio Major Tom – não há exagero na frase. Major Tom, todos os fãs de Bowie sabem, é o alterego do cantor, criado por ele para compor as canções “Space Oddity” e “Ashes To Ashes” (“todos nós sabemos que o Major Tom é um junkie/Então mamãe sempre disse: ‘fique longe do major Tom’”), sendo que a segunda é uma das mais belas músicas já compostas pelo cantor. Enfim, Zap’n’roll tinha uma mania obsessiva em sua vida, lá por 1989/90, quando já era repórter da editoria de Cultura da revista semanal IstoÉ: ele adorava por o vinil de “Scary Monsters” (o disco que contém “Ashes To Ashes”) pra rodar em seu system Gradiente, enquanto esticava taturanas de cocaína no tampo de acrílico do aparelho de som, e as aspirava. Foi assim que, num belo dia, um amigo da época (o Valtinho, que também era amigo da Luciana, uma pretinha xoxotuda, de peitos suculentos, cara de intelectual e loka, que o sujeito aqui estava traçando) chegou pro autor deste diário confessional calhorda e deu o toque: “meu vizinho, que trampa num sindicato aê, tá vendendo uns sacolés pra levantar uma grana extra. Ele não é bandido e nada, mas descolou a fonte e tá fazendo isso pra levantar uma grana. O pó é fodão, vem cinco gramas e o preço é bacana”. O zapper se interessou pela oferta. “Combina com ele que quero um desses, passo na sua casa dia tal, te dou a grana e você pega com ele e aí damos uns tecos no teu apê mesmo”. E assim foi feito. Na noite combinada lá se foi o sujeito aqui pro Largo do Arouche (no centrão de Sampa e que naquela época era bem tranqüilo pois o centro da cidade ainda não estava dominado e devastado pelo horrendo crack), onde Valtinho morava em um prédio antigo e de apês grandes e aconchegantes. Ao chegar lá, deu a grana pro seu amigo e esperou ele voltar com a encomenda. O autor destas linhas virtuais estava acompanhado de uma amiga rocker da época a… (o HD agora falhou e realmente o blog não lembra o nome da garota). E quando Valtinho voltou com o sacolé, todos foram pra cozinha do apê onde o jornalista já bem junkie despejou todo o conteúdo dentro de um prato e começou a “trabalhar” o mesmo com um cartão. Era muita cocaína (e muito boa, como não existe mais hoje na “naite” paulistana). Tanta que a amiga zapper arrelagou seu olhos e disse: “acho que nunca vi tanto pó assim de uma vez, na minha vida”. As cafungadas tiveram início. Lá pras tantas o trio foi pra sala ouvir música. Valtinho também tinha “Scary Monsters” em sua coleção. Não deu outra: o sujeito que escreve este diário pegou o disco e colocou “Ashes To Ashes” pra tocar. E quis explicar pros seus dois amigos o significado da letra da canção. Zap’n’roll se sentia o próprio Major Tom quando fazia isso. E aquela noite foi looooonga, com o trio saindo a pé pelo centro de Sampalândia, parando em bares pra tomar algo alcoólico e de tempos em tempos parando em algum canto escuro, pra aspirar novas carreira de cocaine. Insano. E inesquecível…

 

* Pati, 18 anos, cocalera, fodida no cu e sem ver o show de Bowie – era 1990 e Zap’n’roll trampava na IstoÉ. A produtora Poladian havia anunciado a vinda de Bowie ao Brasil para setembro daquele ano e o jornalista zapper apaixonado pelo Camaleão ficou histérico, literalmente. Finalmente iria assistir ao show de um dos seus ídolos máximos. Nessa época o autor deste diário junkie namorava com a futura mãe do seu filho. Mas antes dela, houve a magricela Patrícia. Bonitinha de rosto, tetas miudinhas, moradora da zona oeste de Sampa (próximo à Usp e ao bairro do Butantã) não era nenhum primor intelectual. Mas cursava artes e desenho em uma escola particular na avenida Angélica, era rocker e bem safada. O autor deste blog a conheceu em uma madrugada num pulgueiro goth que havia no bairro dos Jardins, a Tribe Haus. Lá os malhos já começaram em um canto escuro e se prolongaram na rua (depois que ambos saíram pra ir embora), onde a cachorra Pati bateu uma generosa punheta pro blogger taradón, rsrs. E ambos combinaram de se encontrar já na noite seguinte (um sábado), quando a garotinha de rosto inocente já foi parar no apê da Frei Caneca. E lá deu com gosto sua xoxota perversa a noite toda. Como o autor destas linhas sentimentais sempre foi um eterno carente e coração mole resolveu namorar a garota. O namoro durou muito pouco mas as fodas eram sempre ótimas, como a vez em que a magra Pati e de cu pequeno agüentou a rola grossa zapper atrás, no hotel Savoy (que existe até hoje na rua Augusta, e onde o autor deste blog deu algumas de suas trepadas mais inesquecíveis nos anos 80’ e 90’). Só que aí entrou em cena a futura mãe do filho de Zap’n’roll, muito mais gata, culta e interessante e não deu outra: Pati foi solenemente dispensada. A garota não se conformou e fez de tudo pra retomar o romance, inclusive passando a cheirar cocaína também, o que ela não fazia no tempo em que havia namorado com o jornalista loker. E por fim, numa tentativa desesperada de fazer ciúmes, Pati arrumou um namoradinho também mezzo junkie e que curtia aspirar carreiras de pó. Uma noite de sexta-feira o casal baixou no apê da Frei Caneca. Queriam padê. A trinca foi atrás e descolou uma petecona de cinco gramas, que era vendida em um bar na praça Roosevelt. Racharam o valor da aquisição em três, o trio retornou ao apê e começou a cheirança sem fim. Lá pras tantas bateu a sede por algo alcoólico. Mas quem iria ter coragem de descer em algum bar na rua pra comprar algumas brejas, no estado de “bicudisse” em que o trio se encontrava? Conversa daqui, negocia dali e o namoradinho de Pati foi buscar algumas brejas. Enquanto ele foi, não deu outra: o canalha aqui tirou seu pau pra fora da calça e Pati, mais puta ainda, meteu a boca no dito cujo. Mas a bicudisse era forte e a tensão com a volta a qualquer momento do namorado da garota, também. Assim o pintão zapper, sempre em riste quando necessário ficou no meio do caminho dessa vez. E foi recolhido novamente pra dentro da calça no exato instante em que o cocalero corno voltava com as brejas. As aspirações e devastações nasais prosseguiram até umas sete da manhã do sábado, quando a dupla foi embora. E algumas semanas depois, na noite do show de David Bowie em Sampa, quando Zap’n’roll tomava generosas doses de whisky e se preparava para ir à gig com sua ex-mulher um casal amigo, toca o interfone no apê: era Pati. Ela: “você consegue me levar no show do Bowie? Estou sem ingresso e bla bla blá”. Eu: “impossível. Você vem me pedir isso HOJE, quando estou saindo pra ir pra lá, e sendo que estou com a minha namorada? Pelamor, né?”. Pati ficou puta e se mandou. Ficou assim: fodida no cu, cheirada e sem ver David Bowie. E o blog nunca mais teve notícias dela.

O gênio David Bowie encarna o alienígena Ziggy Stardust (um dos incontáveis personagens criados pelo cantor inglês ao longo de mais de quatro décadas de carreira musical), nos anos 70’: Zap’n’roll cheirou quilos de cocaine e fodeu dezenas de bocetas lokas e cadeludas ao som dos clássicos do Camaleão

 

* Flávia J., a loira loka, delícia e paixão infernal do blog – sim, foi uma das paixões mais avassaladoras experimentadas pelo sujeito aqui. E essa paixão começou na ponte aérea Rio/São Paulo no dia 7 de julho de 1990 (Zap’n’roll se lembra perfeitamente, como se fosse ontem), quando o então já conhecido jornalista rumou para o balneário a fim de assistir a um show da Legião Urbana. A banda estava no auge, iria tocar para cinqüenta mil pessoas no Jockey Club carioca e o autor deste blog estava acompanhando o grupo para um perfil que faria dele para a IstoÉ. A noite anterior havia sido novamente de excessos no consumo de cocaine e o blogger ressacudo por pouco não perdeu o vôo das dezenove horas – bem vazio, no final da tarde de sábado. E nele estava Flávia: loira, tesuda, mamicuda, muuuuuito culta e inteligente. Não exatamente linda, mas muito gostosa. O zapper se sentou na poltrona ao lado dela. E com um copo de whisky na mão (yep, naquela época servia-se whisky na ponte aérea) começou o papo. Ela se interessou pelo jornalista paquerador e quando ambos desceram no aeroporto Santos Dumont, no Rio, o blogger loker já a puxou pra dentro do táxi rumo ao hotel Atlântico Copacabana (que era onde a gravadora Emi hospedava jornalistas a trabalho no Rio). Lá chegando, os malhos começaram no quarto. Zap’n’roll: “Você é linda!”. Flávia: “Você é um cara incrível e terrivelmente sedutor. Mas eu NÃO vou dar pra você hoje! Preciso ir pra casa da minha mãe em Niterói, amanhã eu venho e fico aqui contigo”. E assim foi. A loira foi pra Niterói e Zap’n’roll partiu em direção ao Jockey. No domingo à noite Flávia cumpriu sua promessa. O interfone do quarto tocou por volta de dez da noite. Era ela. O coração do jornalista disparou. Assim que entrou novamente no quarto, ela pulou em cima do autor deste diário sujo e cafajeste. A foda começou intensa e foi assim a noite toda. A loira trepava horrores, chupava um pinto magnificamente e gozava fácil e aos berros. E era fã de rock’n’roll, de cocaine, maconha e literatura: assim como o zapper, amava o dramaturgo francês Jean Genet. Foi uma noite inesquecível, o blog se apaixonou pela garota e na manhã seguinte a levou ao Santos Dumont – ela tinha que retornar a Sampa pois no dia seguinte embarcaria para um mês de férias em Londres. Viagem ganha de presente do pai, por ter passado no vestibular de Direito. Daí em diante o resumo possível de uma história que é muito longa, é esse: Zap’n’roll se desesperava de saudade e paixão por Flávia. Sabia que queria ficar com ela. Mas antes que ela retornasse, a futura mãe do filho deste jornalista apareceu no apê da Frei Caneca e ela e o sujeito aqui, destrambelhado emocionalmente como sempre foi, resolveu começar a namorar com a garota. Quando Flávia retornou, cheia de saudade, paixão e tesão pelo autor destas linhas virtuais, ficou putíssima com a história. O blog não sabia o que fazer. E ficou saindo com as duas e COMENDO as duas. Foi quando veio o show de Bowie no Parque Antártica, e Flávia intimou: “Você pode ir com ela no sábado, mas VAI TER QUE ME LEVAR COM VOCÊ no domingo”. E assim foi: no sábado, o blog foi à gig do Camaleão acompanhado de sua, hã, namorada. No domingo, podre e mal dormido, teve que acompanhar a amante no mesmo show. Depois dele o casal foi foder pela última vez (e foram dois meses de loucuras na cama e fora dela: Flávia amava dar cafungadas em carreiras bem fornidas de cocaine; na cama era adepta de ser fodida no cu enquanto batia uma escandalosa siririca, pra suportar a dor do pau grosso rasgando seu buraco traseiro). Quando Flávia deixou o sujeito aqui (ela tinha carro) na porta de casa, ela disse: “hoje foi a última vez que você me comeu. Você quer ficar comendo as duas mas não vai rolar. E presta atenção: essa suburbana da sua namorada vai foder a tua vida. Vai engravidar de você e vai mudar de mala e cuia pro seu apartamento”. Foi exatamente o que aconteceu: a “suburbana” (que morava no extremo leste da capital paulista) realmente engravidou e se mudou pro apê da Frei Caneca. E Flávia J., uma das maiores paixões da vida de Zap’n’roll saiu da vida dele pra sempre. Hoje, quarentona e ainda solteira, mora sozinha num enorme apartamento perto da Serra da Cantareira (na zona norte paulistana) e dirige um escritório de advocacia.

 

* 1997: após outro show de Bowie, porra seca no queixo de outra loira – foi a pior fase da vida de Zap’n’roll. Desempregado (a mega e chic revista Interview, onde ele tinha trampado durante três anos, havia sido fechada pela editora Abril em 1996), vivendo de frilas esporádicos e morando em um pensionato estudantil no bairro da Liberdade, ainda assim ele comia bocetas deliciosas. Uma delas, também loira e de tetas generosas o blogger sempre baladeiro conheceu em um bar rocker em Pinheiros onde o sujeito aqui sempre ia nos finais de semana. Bonita de rosto, inteligente e fã de Bowie, a garota se interessou pelo autor deste blog com certa facilidade. Começou a paquera e ele a convidou pra ir no show que o Camaleão faria no festival Close Up Planet, dentro da turnê do álbum “Earthling”, lançado naquele ano e com viés mais eletrônico do que rock (mas ainda assim, muito bom). O casal então rumou pro festival na pista de atletismo do complexo Ibirapuera, na zona sul de Sampa. Grande gig, quase tão boa quanto a de sete anos antes. Terminado o set, a sugestão que partiu do zapper: “Vamos pro Retrô” (que era o muquifo alternativo mais podre, sujão, decadente e genial de Sampa naquela época. Uma verdadeira lenda da indie scene alternativa paulistana, o Retrô era o lugar onde você podia dançar Screaming Trees, Ride, Nirvana e Nick Cave às três da manhã, cafungar cocaine nos banheiros sem ser incomodado, e trepar neles também, sendo o blog socou sua rôla em muitas xoxotas ali). Sugestão aceita, lá se foi o blogger cheio de más intenções (uia!) com a loira (que lembramos perfeitamente o nome e sobrenome, mas não podemos publicar aqui. A hoje distinta senhorita está em um relacionamento sério e inclusive está na lista de amigos do autor destas linhas vulgares, em uma rede social), no carro dela. A balada no Retrô foi movida a muito álcool e a loira peituda ficou chapada. Foi quando, lá pelas cinco da matina, nova sugestão: “vamos prum hotel aí no largo de Santa Cecília”. O casal foi. Todos os hotéis do pedaço estavam lotados, com exceção de um que tinha um quarto disponível, mas apenas com uma cama de solteiro. Sem alternativa a foda rolou ali mesmo. E não foi muito intensa porque a acompanhante zapper não estava de fato muito bem. O casal adormeceu em seguida e quando o sujeito aqui acordou, a visão que lhe vem à lembrança é de uma mancha de porra seca, escorrendo do queixo para o pescoço da loira. É, pelo menos na chupada, parece que o serviço tinha sido bem feito…

 

 

DAVID BOWIE EM VÍDEOS AÍ EMBAIXO

O blog resgata através de clips clássicos alguns dos momentos mais inesquecíveis da trajetória do cantor inglês.

“Oh You Pretty Things” – 1972

 

“Life On Mars” – 1974

 

 

 

“Heroes” – 1977

 

 

“Ashes To Ashes” – 1980

 

 

“Fashion” – 1980

 

 

 

“Modern Love” – 1983

 

 

 

“China Girl” – 1983

 

“The Next Day” – 2013

 

 

E NO RIO DE JANEIRO EM 1990…

Também aí embaixo um generoso trecho da gig que o Camaleão apresentou na capital fluminense, na praça da Apoteose, em setembro daquele ano.

 

 

E A JUNKIE CHRISTIANE F. EM COLEÇÃO DE PICS PRA GUARDAR NA MEMÓRIA

A pequena alemã, viciada até a alma em heroína e fã fanática de David Bowie, durante anos alimentou as fantasias lokas do zapper maloker em relação a sexo e drogas. E todas essas fantasias, claaaaaro, tinham como trilha sonora os álbuns de David Bowie.

 

Aí embaixo, então, uma pequena coleção de imagens dessa anti-heroína da história recente da cultura pop mundial.

Sequência de fotos mostrando várias fases da vida de Christiane F.: quando jovem e em visual quase pornô (para fazer programas e conseguir grana pro próximo pico de heroína), ao lado do ídolo David Bowie (no cartaz de divulgação do filme “Christiane F.”), em sua fase de integrante de banda punk em Berlim e, por fim, envelhecida e carcomida pelas drugs, aos quase cinquenta anos de idade

 

* A exposição sobre a vida e obra de David Bowie fica em cartaz no Museu da Imagem e do Som (avenida Europa, 160, Jardins, zona sul de Sampa) até o dia 20 de abril.

 

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Discos, I: qualquer um dos destacados nesse post dentro da discografia do gênio imortal David Bowie.

 

* Discos, II: “50 segundos” é a estréia em disco do trio cuiabano de rock Branco Ou Tinto, que foi formado na capital do Mato Grosso em 2007 e conta com Welliton Moraes nos vocais e guitarras, Thiago Araújo no baixo e Marcus Tubarão na bateria. É rock’n’roll básico de guitarras, com boas melodias e letras em português bem acima da média do que se ouve atualmente no empobrecido e emburrecido rock independente nacional. Há eflúvios de rock BR 80’ (à Legião Urbana) e isso fica bastante evidente em “O amor caiu em desuso”, a pungente faixa que abre o cd, com letra bastante intensa na questão de radiografar os desencontros emocionais que permeiam a maioria das relações humanas. Mas além dela o disco ainda exibe faixas bacanudas como “Tesouro escondido”, “Confissão sem culpa” e “Mente confusa”, todas com letras enormes e bem escritas (em bom português, vale repetir) por Welliton, o que é uma raridade (um bom letrista) em meio à vergonha alheia que tomou conta da produção do rock alternativo brazuca nos anos 2000’. Para saber mais sobre a banda, vai aqui: https://www.facebook.com/bandabrancooutinto.

 O trio cuiabano Branco Ou Tinto: lançando o primeiro disco com bons rocks e boas letras em português

 

 

* Single: e em meio ao lixão reinante na indie scene rock nacional atual, o Rio Grande Do Sul continua mantendo sua tradição de sempre mostrar novos e bons talentos rockers. É o caso do compositor, cantor e instrumentista Fabiano Nasi, de Porto Alegre, que vem há tempos burilando com cuidado seu álbum de estréia e que deve sair em breve. Enquanto o disco não chega Nasi mostra suas delicadas canções (algumas cantadas em inglês e até em francês) na plataforma Soundcloud, entre elas o bonito single “Por tudo”. É uma das promessas de bom rock’n’roll para 2014 e que você pode conferir aqui: https://soundcloud.com/fabiano-nasi/single-por-tudo.

 

* Filme: ainda não assistiu “O lobo de Wall Street”, com Leo DiCaprio e dirigido pelo gênio Martin Scorsese? Tá marcando, mané. Vai correndo até o cinema mais próximo e delire com um dos candidatos ao Oscar deste ano – e que já conta com a torcida destas linhas bloggers poppers.

 

* Rock de Manaus em Sampa: um dos grandes nomes da cena rock da capital do Amazonas, o Mezatrio (que forma ao lado da Luneta Mágica e da Malbec a trinca de nomes gigantes do rock manauara) finalmente se apresenta em Sampalândia. A banda, que acaba de lançar o álbum “O topo do nada” (e que será melhor comentado por aqui em um de nossos próximos posts), faz show neste sábado, 8 de novembro, a partir das nove da noite, no Zapata (que fica na rua Augusta, 339, centrão de Sampalândia). Ótima oportunidade pra conhecer um grupo que encantou o blogão zapper desde a primeira vez que vimos o conjunto ao vivo, isso há uns oito anos lá em Rio Branco (no Acre), no extinto festival Varadouro. Para conhecer melhor o som da turma, vai aqui: http://www.mezatrio.com/.

 Os amazonenses do Mezatrio vem mostrar seu rock experimental e cheio de guitarras neste sábado em Sampa

 

 

* Livro: e vai ser também no sabadão, na Sensorial Discos (lá na rua Augusta 2389, Jardins, zona sul paulistana), a noite de autógrafos do novo livro do queridão e dileto amigo pessoal destas linhas online, o reverendíssimo Fábio Massari, o “Mondo Massari”. Além do lançamento do volume e da presença do autor em si ainda vai rolar pocket show da cantora Stela Campos, que lançou o ótimo álbum “Dumbo” no final do ano passado. A balada começa cedo (oito da noite) e o blog vai estar por lá, com certeza!

 

* Baladenhas pro finde: yes! Como esse deverá ser o único postão desta semana (já que ele está sendo concluído hoje, quarta-feira), já dá pra informar o que começa a agitar o circuito under de Sampa a partir de amanhã, quinta-feira, quando rola a festa “Rock BR” no Outs (lá no 486 da Augusta). Com discotecagem da dupla amiga Wlad Cruz e Adriano Pacianotto, só vai rolar rock nacional na pista do mais tradicional bar de rock do baixo Augusta, e isso com direito a open bar. Ótima pedida pra começar bem o finde, néan.///Já na sextona em si vai ter showzão dos Corazones Muertos no Astronete (também na Augusta, no 335), o melhor pub rocker de Sampalândia nos dias atuais. Ou seja: diversão garantida desde já pro seu finde. Se joga!

 

 

E ENFIM, A HORA DA DESOVA DOS PRÊMIOS

Yep, já passou da hora, hihi. Então confere aí embaixo e veja quem ganhou o quê:

 

* Manoela Torres Castilho, de Brasília: ganhou o livro “Eu dormi com Joey Ramone”;

 

* Alicia Alves Montesserrat, de Santos/SP: ficou com “Na estrada com os Ramones”;

 

* E Marjorie Denienka, de São Paulo/SP: vai levar pra casa o kit da gravadora Monstro com dez cds do selo.

 

É isso. Essa semana não tem prêmios na roda mas guentaê que logo menos vão entrar aqui umas prominhos de ingressos pra um certo show de um certo Sebadoh (opa!), que vai rolar em breve em Sampa, okays?

 

 

FIM DE PAPO

Tá bão, né. Postão como sempre no capricho e que fica no ar até a semana que vem, em homenagem ao imortal David Bowie, hehe. No final do finde da semana que vem estaremos novamente por aqui. Se algo muuuuuito importante acontecer antes, é claro que daremos uma atualizada no post e iremos comentar o assunto, certo? Entonces é isso. O blogão se vai, deixando beijaços na Daniela Vieira e na Alice Ramos. E abraços calorosos em todo o nosso dileto leitorado, hehe. Até mais!

 

 

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 5/02/2014, às 15hs.)