Como recordar é sempre mesmo viver (ulalá!), o blog comenta os trinta anos de dois álbuns GIGANTES da história do rock brasileiro dos anos 80’: as estreias do Ira! e da Plebe Rude (e de quebra, histórias como sempre cabulosas de duergas envolvendo o zapper loker ao som dessas bandas); o velho e genial Neil Young volta à boa forma em seu novo disco; bons sons indies vindos do Norte brazuca; edição ESPECIAL das nossas sempre total delicious musas rockers, com uma seleção de algumas das gatas mais incríveis que já apareceram no tópico; e mais as indicações culturais da próxima semana e os agitos no circuito rocker underground paulistano (postão finalmente concluído com ampliação MONSTRO: indicações de discos, livros e o roteiro de baladas legais para esta semana no circuito alternativo de Sampa!) (ampliação final em 1/7/2015)

Duas bandas gigantes do rock BR dos anos 80’ e seus fundamentais discos de estréia, lançados há exatos trinta anos (e relembrados e comentados neste post): o paulistano Ira! (acima) e o brasiliense Plebe Rude (abaixo) deixaram um legado difícil de ser batido pela atual geração do rock nacional, onde não surgem mais grandes músicos e cantores como Edgard Scandurra e Nasi (ambos do Ira!), velhos amigos de Zap’n’roll (também abaixo)

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EXTRINHAS RAPIDÕES FECHANDO A TAMPA DE UM POST GIGANTESCO

* Yeah. O post enfim chega ao fim já na quarta-feira da primeira semana do mês de julho. Ontem (terça), a Câmara dos Deputados em Brasília rejeitou a proposta de mudança na Constituição que reduzia a maioridade penal para dezesseis anos de idade. Okays. Pelo menos algo SENSATO esse bando de bandidos e pilantras fez pelo país.

 

 

* E Glastonbury 2015 terminou no último domingo assim: Roger Daltrey e Pete Townshend dando sangue no palco. Os dois estão jurássicos, carecas, caindo aos pedaços. Mas ambos (ou o que resta do glorioso The Who) levantaram cem mil pessoas ao som desse hino aí no vídeo. Infelizmente nós, aqui no bananão do cu do mundo, não iremos ver isso ao vivo. E sério, o blog gostaria de ver…

 

 

* É isso. Semana que vem novo postão na área. Até lá!

 

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Clássicos imortais do rock BR que importa.

Eles foram lançados há trinta anos e permanecem relevantes até hoje. Aliás, sua importância e dimensão se tornam ainda mais gigantescas em um tempo onde a música se tornou praticamente perfumaria, quase mero acessório e fundo sonoro para as mais banais e diversas atividades do cotidiano humano. Afinal em um mundo dominado por internet, por musica de péssima qualidade circulando aos milhões pela web, por redes sociais (como o Facebook) e aplicativos de celular (como o detestável whats app) que nada mais fazem do que contribuir para o emburrecimento e a imbecilização completa de hordas cada vez maiores de pessoas ignorantes e bestiais ao extremo, quem se importa com questões como composição, melodia, harmonia, arranjos e letras que provoquem profunda reflexão social, política e comportamental? É um mundo cruel o de hoje, dominado pela idiotização em massa (e isso com tanta informação disponível…) e o rock’n’rol que se faz atualmente, seja aqui ou na gringa, é o reflexo direto dessa idiotização. Mas nem sempre foi assim, felizmente. E estão aí discos como “Mudança de comportamento”, do grupo paulistano Ira!, e “O concreto já rachou”, do brasiliense Plebe Rude, ambos lançados há exatos trinta anos, em 1985 –  ano inclusive que também viu chegar ao mercado fonográfico nacional trabalhos essenciais como “Revoluções por minuto” (do RPM de Paulo Ricardo), e “Nós vamos invadir a sua praia” (do Ultraje A Rigor), e que serão igualmente comentados em Zap’n’roll em posts futuros – para mostrar isso. Eram outros tempos. Não havia a facilidade de acesso à informação que se tem hoje, e era preciso correr atrás dela. Não havia internet, redes sociais, celulares, nada disso. E a molecada ainda tinha prazer em se dedicar a ler ótimos livros, ouvir grandes discos de vinil, assistir a filmes clássicos. Todo esse ambiente bastante erudito (mesmo dentro da cultura pop) e ainda aliado ao fato de que o país estava saindo de um longo período de um regime político duro e fechado (e que limitava ao máximo possível os direitos individuais e civis), proporcionou um estimulo grandioso à alta criação artística em seus mais diversos segmentos (música, literatura, cinema, teatro, artes plásticas). E  o rock’n’roll de então acompanhou esse processo com grandes bandas se formando e lançado discos que se tornariam momentos fundamentais de toda a história da música brasileira. A Legião Urbana, também de Brasília, já havia estreado em vinil no final de 1984 com um trabalho irrepreensível. E meses depois era a vez do Ira! e da Plebe chegarem com registros que permanecem até hoje como marcos sólidos e essenciais de um rock que tinha o que cantar e que levava o ouvinte ao questionamento e à reflexão. Então nada mais justo do que o blog comentar e esmiuçar esses dois momentos inesquecíveis do rock nacional neste post que começa agora. E ainda mais em tempos em que nada digno de nota está sendo lançado aqui ou lá fora (com a possível exceção do novo disco do velho e genial Neil Young, programado para sair oficialmente na semana que vem, mas que já “despencou” na internet). Portanto vamos lá, fazer uma agradável viagem de volta ao passado. Bem-vindos a 1985, o ano em que o rock brasileiro se tornou gigante de verdade e legou para a posteridade dois de seus maiores clássicos em todos os tempos.

 

 

* E a semana termina (o postão está entrando no ar no final da tarde de sábado, 27 de junho) sim com duas notícias impactantes mas fora do mondo pop/rock. E que demonstram o quão estranho e bestial (por um lado) o mundo se tornou. Enquanto  nos Estados Unidos a Suprema Corte de Justiça americana legalizou o casamento gay em todo o território dos EUA, na Tunísia e no Kwait atentados terroristas praticados pelo sanguinário Estado Islâmico mataram quase setenta pessoas, além de deixar centenas de feridos.

 

* A leitura dos dois episódios é claríssima. Você pode não ter a menor simpatia pelos Estados Unidos e por seu povo (de fato o americano médio é bastante estúpido, além de conservador e racista). Mas a democracia LÁ é muito mais aperfeiçoada do que a brasileira, quanto a isso não resta a menor dúvida. E a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo pela Suprema Corte mostra isso.

 

 

* Já do outro lado do planeta, no Oriente Médio, as trevas bestiais infelizmente dominam a maioria do pensamento humano, o que permite o surgimento de grupos de grupos terroristas assassinos e radicais como o Estado Islâmico. E infelizmente, ao que parece, o destino da humanidade é assistir daqui pra fretnte ao aprofundamento dessa aparentemente intransponível dicotomia social/comportamental: o respeito total ao ser humano em todos os aspectos possíveis de um lado, e um igualmente total desrespeito por outro, onde matar alguém é algo tão comum e banal quanto beber um copo de água. E assim seguiremos caminhando, infelizmente.

 

 

* Agora bizarro mesmo é a rede social reacionária e nazista que é o Facebook, querer surfar na onda da decisão tomada pela Suprema Corte dos EUA, e dar aos seus usuários a opção de eles “adornarem” suas fotos de perfil com as cores do arco-íris e que são o símbolo mundial da luta pela diversidade sexual. E ainda pior é ver milhões de manés embarcando nessa onda. Oportunismo é isso aí e a gente encontra nos domínios do FB, uia!

 

 

* Resumo rápido e ligeiríssimo da edição 2015 da Virada Cultural paulistana, que rolou no último finde em Sampa: muuuuuito menos público do que em 2014 (e os motivos para isso foram evidentes: programação ruim e o frio da madrugada já invernal, que deixou com ares de deserto boa parte da região central da cidade). O lado positivo disso? Muito menos tumulto e violência também, com policiamento reforçado e que proporcionou um clima de maior segurança a quem se aventurou pelo centro na noite de sábado pra domingo. O blog esteve no palco Rio Branco, onde acompanhou a gig do Cachorro Grande, das duas às três da matina. O público foi enorme e o jornalista zapper assistiu ao set (fodão como sempre) do palco e depois foi beber no camarim com a Cachorrada, velhos amigos destas linhas online. E depois nos mandamos pro Astronete no baixo Augusta, pois não havia mais nada interessante pra se ver/ouvir nos palcos da Virada – ao menos de madrugada.

 O jornalista loker/rocker e o chapa Beto Bruno, logo após o showzaço do Cachorro Grande na Virada Cultural 2015

 

*Resumo rapidão e ligeirão do show do ex-guitarrista dos Smiths e gênio Jhonny Marr, que rolou no final da noite de domingo no Memorial da América Latina em Sampa, dentro do festival Cultura Inglesa: ele “apenas” mostrou porque foi um dos nomes fundamentais da história recente do rock’n’roll, e também porque tocou naquela que é uma das cinco bandas da vida do autor destas linhas virtuais rockers. Performance impecável, momento “olhos total marejados” em “There’s A Light That Never Goes Out” e, de bônus, o rapaz está cantando muito bem pra quem era “só” o guitarrista do grupo onde Morrissey um dia foi vocalista. Que Johnny retorne mais vezes ao Brasil, sendo que alguns momentos do showzão você pode conferir nos vídeos aí embaixo.

 

* E já está rolando neste finde na Inglaterra aquele que é considerado o maior festival de música (rock incluso) do mundo. Yep, o gigante Glastonbury, em sua edição 2015, parece estar sofrendo do mesmo mal que se abate sobre outros eventos semelhantes pelo mundo afora, como o brazuca Rock In Rio e o americano Coachella: a dificuldade em montar um line up que não tenha nomes repetidos em edições anteriores ou que sejam “arroz-de-festa” nos festivais ao redor do planeta. Mas com o mondo pop/rock carente de renovação de grupos que realmente se destaquem, a situação fica realmente complicada. Vai daí que o Glasto deste ano tem como headliners o Foo Fighters (já velho freguês do Brasil, sendo que a banda teve que cancelar sua gig em Glasto na última hora, devido ao acidente sofrido por Dave Grohl em um show, semanas atrás), o rapper Kanye West e o velhaço The Who, os três puxando centenas de atrações pra todos os gostos. Do já velho britpop de Suede, passando pelo dream pop sempre onírico e bacana do Belle & Sebastian (e que irá tocar em Sampa em outubro) e chegando à nova sensação que é o Wolf Alice, Glastonbury vai tentando se manter a duras penas como o MAIOR dos festivais. Aí embaixo o cartaz da edição deste ano.

 

 

* O COMPLETO DESASTRE E A TOTAL FALÊNCIA DO TRANSPORTE PÚBLICO EM SAMPA, NAS MÃOS DO PSDBOSTA – o blogão zapper abre espaço entre as notas iniciais deste post, focadas em rock alternativo e cultura pop, para falar de assunto que interessa a todos no final das contas: o desmantelamento que está acontecendo, há anos já, na estrutura do transporte público em São Paulo, a maior cidade do Brasil e uma das cinco maiores do mundo. E esse desmantelamento, que se abate já há séculos sobre a frota de ônibus do município, agora também chegou ao sistema de metrô, de (ir) responsabilidade do (des) governo de Geraldinho Alckmin e sua CORJA BANDIDA tucanalha, encastelados há mais de vinte anos no Palácio dos Bandeirantes. Pois então: se até uma década atrás o metrô de São Paulo era referencia mundial em rapidez, conforto, limpeza e MANUTENÇÃO, tudo isso já Elvis e foi pro saco há tempos. Quem utiliza o sistema metroviário da capital paulista diariamente, já sabe que irá provavelmente enfrentar algum tipo de problema ali. Notadamente no horário de pico, entre cinco e meia da tarde e sete e meia da noite. Nesse espaço de duas horas e onde o metrô recebe o maior número de usuários durante o dia (pois as pessoas estão saindo dos seus empregos para voltar para casa ou, ainda, ir para seus cursos estuantis noturnos) e, por isso mesmo, deveria ser o momento em que o sistema NÃO poderia apresentar falhas e problemas em hipótese alguma, é quando estão ocorrendo com cada vez mais freqüência atrasos e paralisações no deslocamento dos trens. Atrasos e paralisações que superlotam as estações, afetam toda a malha metroviária e colocam em desespero quem está nos vagões. Foi o que aconteceu na noite de anteontem, quinta-feira, 25 de junho, exatamente às seis e meia da tarde um carro do metrô simplesmente quebrou na estação Praça da Árvore (no bairro da Vila Mariana, zona sul paulistana, e próximo à residência do jornalista zapper). O tumulto logo se formou: estação lotada, ânimos exaltados, um funcionário da bilheteria totalmente despreparado para lidar com a situação se NEGANDO a devolver o dinheiro de quem tinha adquirido bilhetes para a viagem e queria devolver os mesmos. Depois de cerca de meia hora de espera a situação começou a se normalizar mais aí já era tarde e muita gente iria chegar atrasada aos seus compromissos do final do dia/início de noite. Então, diante de mais esse ACINTE contra a população, o blog aqui deixa seu protesto contra um (des) governo sórdido, pilantra, escroto ao máximo e que não cumpre minimamente com suas obrigações perante uma população sofrida, que paga impostos caros e de Primeiro Mundo pra receber de volta serviços públicos de QUINTO MUNDO. Até quando isso, afinal? Até quando o populacho BURRO e CONSERVADOR que é o eleitor paulista vai seguir votando nesse grande MERDA que é o PSDB? Por que, ao invés de ir pra rua pedir o impeachment da presidente, esse bando de OTÁRIOS não pede a saída JÁ de geraldinho e sua quadrilha? Talvez porque gente coxinha, playba e endinheirada NÃO ande de metrô e de transporte público, não é?

 Um carro do metrô paulistano quebrado e parado em uma estação (acima) e o tumulto formado por conta disso (abaixo), na última quinta-feira: a qualidade do transporte público em SP segue em queda livre sob o (des) governo do PSDBosta

 

* Voltando ao mondo pop/rock, que segue em marcha lentíssima: nenhuma novidade realmente bombástica por esses dias. Assim, se algo EXPLOSIVO rolar pela semana vindoura, iremos comentar aqui, fiquem sussa quanto a isso.

 

* Então melhor ir logo aí embaixo, onde o blog rememora as três décadas de existência de dois álbuns fundamentais da história do rock brasileiro.

 

 

TRÊS DÉCADAS ESTE ANO – OU QUANDO IRA! E PLEBE RUDE INSCREVERAM PARA SEMPRE SEUS NOMES NA HISTÓRIA GIGANTE DO ROCK BRASILEIRO QUE IMPORTA

O ano de 1985 foi bastante emblemático para a cultura pop brasileira e, dentro desse contexo, também para o rock nacional. O país estava saindo de um período de mais de duas décadas de regime militar ditatorial (sendo que já haviam eleições diretas para governdores de Estado mas o primeiro pleito presidencial direto ainda iria acontecer apenas em 1989). Respirava-se ares politicamente mais abertos e liberais. Isso se refletiu na indústria musical: um novo movimento rock nacional havia sido iniciado em 1982 no Rio De Janeiro, com o estouro em vendagens do disco de estréia do grupo Blitz. E em janeiro de 85’ também acontecia no Rio a primeira edição do Rock In Rio, festival que consagrou bandas nacionais como Barão Vermelho e Paralamas Do Sucesso. E por fim, seguindo esse “boom” e dando um tom muito mais político a um rock ainda sem esse viés em grande escala, estavam os quartetos Ira! (de São Paulo) e Plebe Rude (de Brasília). Ambos lançaram seus álbuns de estréia naquele 1985. E hoje, trinta anos depois, tanto “Mudança de Comportamento” do Ira!, quanto “O concreto já rachou” da Plebe Rude, permanecem como duas das obras fundamentais de toda a história do rock brasileiro.

 

Surgido na capital paulista em 1981, no bairro da Vila Mariana (zona sul da cidade), e contando com Egard Scandurra nas guitarras, Marcos “Nasi” Valadão nos vocais, Ricardo Gaspa no baixo e André Jung na bateria, o Ira! logo conseguiu um contrato com a major Warner Music (que estava em busca de novos talentos rockers em Sampa, para fazer frente à “invasão carioca” que estava então em curso, com nomes como Lobão, Kid Abelha, Biquini Cavadão etc.), que lançou em 1983 um compacto simples do cojunto, com as músicas “Pobre Paulista” e “Gritos na multidão”. Ambas alcançaram boa repectividade junto ao público e execução nas rádios, o que motivou a gravadora a colocar os garotos novamente em estúdio para que eles pudessem registrar seu primeiro disco cheio. E o Ira! saiu de lá com “Mudança de comportamento”, LP de onze faixas e pouco mais de meia hora de duração.

 

Lançado oficialmente em maio de 1985, o disco emplacou de cara duas musicas nas FMs mais “alternativas” e menos comerciais. Eram justamente as duas canções que abriam o trabalho, “Longe de tudo” e “Núcleo Base”. Rocks poderosos, dançantea, acelerados e calcados na melodia e nos riffs construídos por Edgard Scandurra Pereira, guitarrista canhoto e que começava ali a se tornar mito das seis cordas e um dos maiores e melhores instrumentistas do rock brasileiro em todos os tempos. E não só: além dessa abertura arrasadora o trabalho ainda possuía uma balada lindíssima e de partir o coração com sua letra e melodia (“Tolices”) e mais uma batelada de faixas de inspiração no rock’n’roll garageiro dos sixties e no célebre movimento “mod” inglês (cujos grandes expoentes foram The Who, Kinks e The Jam). Fora que o quarteto possuía uma sólida seção rítmica e um ótimo vocalista. Não tinha como dar errado. E não deu, por um bom tempo: “Mudança de Comportamento” vendeu cerca de 60 mil cópias (um bom número) e abriu caminho para a asensão do Ira! ao panteão dos grandes nomes do rock BR dos 80’. Uma ascensão que chegou ao auge no segundo LP, “Vivendo e não aprendendo”, editado em 1986 e que emplacou música (a lindíssima “Flores em você”) como tema de abertura de novela da TV Globo. Isso fez o disco disparar em vendagens, com mais de 250mil cópias comercializadas na época. É também um grande álbum. Mas “Mudança de Comportamento” permanece até hoje como a pedra fundamental de uma banda que votltou à ativa há pouco mais de um ano e que continua sendo um dos nomes mais relevantes da história do rock nacional.

 

Já a Plebe Rude, surgida em Brasília em 1981, chegou ao seu primeiro lançamento de estúdio apenas (e também) em 1985. “O concreto já rachou”, o disco em questão, era (é) um EP de apenas sete faixas e pouco mais de vinte minutos de duração. Mas que concentra nesse pequeno recorte musical mais poder instrumental e qualidade textual (notadamente no questionamento e engajamento político e social) do que uma dúzia de grupelhos atuais juntos do tristemente e totalmente amburrecido roquinho brazuca. Um trabalho fodaço, conduzido pelas guitarras e pelas sensacionais harmonias e jogos vocais de Philippe Seabra e Jander Bilaphra, além da impecável “cozinha” de André X (no baixo) e Gutjie (na bateria). O grupo chegou até a multinacional EMI apadrinhado pelos Paralamas Do Sucesso (que então já estavam consagrados, após sua participação na primeira edição do Rock In Rio). E seu EP de estréia foi produzido pelo guitarrista e vocalista Herbert Vianna, o líder dos Paralamas.

As estreias do Ira! (acima) e Plebe Rude (abaixo), ambas em 1985: dois discos fundamentais para a história do rock brasileiro

 

Não há UMA música menos do que espetacular em “O concreto já rachou”. Da abertura arrasadora com “Até quando esperar” (onde um grupo punkster como a Plebe se permitiu utilizar um cello na introdução da canção), passando por “Proteção”, por “Seu jogo”, pela sensacional “A minha renda” (um olhar cruel e preciso/precioso sobre a indústria musical de então, e como ela se utilizava de métodos nada éticos e morais para produzir mitos e popstars) e até chegar ao fecho em “Brasília” (outra radiografia cruel e precisa sobre como era e é a capital do país, e como era e é até hoje viver nela), trata-se de uma obra impecável e quase que totalmente atemporal pois seus temas permanecem mais atuais do que nunca. Depois desse EP a trajetória da PR prosseguiu bastante errática, com discos oscilando entre medianos e fracos. A banda perdeu dois de seus integrantes originais (Jander e Gutjie) e permanece na ativa até os dias atuais, contando inclusive com o guitarrista e vocalista Clemente (fundador do grupo paulistano Inocentes, onde também toca até hoje) em seu line up.

 

“Mudança de comportamento”, do Ira!, e “O concreto já rachou”, da Plebe Rude, no final das contas definiram um padrão de qualidade artística no rock brasileiro que dificilmente seria alcançado nos anos (ou décadas) seguintes. Dos anos 90’ em diante então, foi o horror. Um horror que chegou ao fundo do poço no novo milênio. Hoje o rock nacional é o que se escuta e o que se vê dele: reduzido a escombros (muito devido ao massacre realizado nele pela organização quase criminosa denominada Fora Do Eixo), ignorante na estrutura musical e nas letras escritas por uma garotada sem estofo intelectual/cultural algum, sobrevive como pode no underground ou então mamando na teta pública (através de editais que patrocinam turnês e festivais com shows onde não existe público) ou no circuito Sesc (que paga bons cachês a quem consegue tocar em suas unidades, mesmo que haja dez pagantes para assistir a apresentaçao). Enquanto isso a cultura musical brasileira (ou o que resta dela) desce sem dó a ladeira, com funk ostentação de péssima qualidade, axé music idem e sertanojo universotário dominando a execução em rádios comerciais e em programas populares de auditório na TV. Esse é o negro retrato da música pop brasileira, versão 2015.

 

Bons tempos o de três décadas atrás. Grande ano o de 1985 para o rock made in Brazil. Ira! e Plebe Rude, em suas estréias gigantes, serão inesquecíveis. E esses dois álbuns irão permanecer para a posteridade como dois marcos de um tempo em que, sim, o rock brasileiro foi um dos melhores do mundo.

 

 

IRA! E PLEBE RUDE AÍ EMBAIXO

Em alguns vídeos que mostram alguns clássicos dos discos de estréia das duas bandas, além da versão integral de “O concreto já rachou”.

 

 

PLEBE RUDE – UMA LETRA DO EP DE ESTRÉIA

 

“Minha renda”

 

Você me prometeu um apartamento em Ipanema

Iate em Botafogo, se eu entrasse no esquema

contrato milionário, grana, fama e mulheres

a música não importa, o importante é a renda!

 

Ambição – grana, fama e você

Ambição – grana, fama e você

 

Tenho fazer sucesso antes que seja tarde

Eles acham que eu vendo, eu tenho uma boa imagem

o meu produtor, ele gosta de mim

grana vale mais que a minha dignidade

 

Tocar no Chacrinha ou na televisão

tudo isso ajuda pra minha divulgação

isso quer dizer mais grana pra produção – e pra mim!

 

Você me comprou, pôs meu talento a venda

você me ensinou que o importante é a renda

contrato milionário, grana, fama e mulheres

a música não importa, o importante é a renda!

 

Ambição – grana, fama e você

Ambição – grana, fama e você

 

Eles trocam minhas letras, mudam a harmonia

no compacto esta escrito que a música é minha

ja sei o que vou fazer pra ganhar muita grana

vou mudar meu nome para Herbert Vianna

 

Estar no Chacrinha ou na televisão

tudo isso ajuda pra minha divulgação

isso quer dizer mais grana pra produção – e pra mim!

 

Grana, fama e você!

 

Um lá menor aqui, um coralzinho de fundo (fundo!)

minha letra é muito forte? Se quiser eu a mudo

e tem que ter refrão (sim!) um refrão repetido (repetido!)

pra música vender, tem que ser acessivel!

 

Ambição – grana, fama e você

Ambição – grana, fama e você

 

Não sei o que fazer, grana tá difícil

tenho que me formar e nem escolhi um ofício

Você é músico, não é revolucionário!

Faça o que eu te digo que te faço milionário!

 

Estar no Chacrinha ou na televisão (a minha renda)

tudo isso ajuda pra minha divulgação (a minha renda)

isso quer dizer mais grana pra produção – e pra mim!

 

A minha renda!

 

 

OS ANOS 80’/90’ E A TRAJETÓRIA DO JORNALISTA LOKER/ROCKER AO SOM DE IRA! E PLEBE RUDE

* O Ira! foi fundado em 1981 pelo guitarrista Edgard Scandurra e pelo vocalista Marcos Valadão, o “Nasi”. Ambos esrtudaram no ensino fundamental (e parte do médio) no colégio estadual Brasílio Machado, famoso celeiro de porra-loucas localizado (até hoje) na rua Afonso Celso, no bairro da Vila Mariana, zona sul da capital paulista. E o bizarro da parada é que o então jovem adolescente Finaski e futuro jornalista musical TAMBÉM estudava no mesmo colégio e na MESMA sala de Scandurra e Nasi – isso quando a trinca não tinha mais do que quinze anos de idade. Depois o autor deste blog perdeu totalmente o contato com a dupla. Foi reencontrá-los anos depois quando o Ira! já existia e estava se tornando uma banda grande, e o sujeito aqui começou sua trajetória no jornalismo musical brasileiro. E até hoje Zap’n’roll é amigo dos dois.

 

* Por conta disso o blog perdeu a conta de quantos shows acompanhou da banda. O primeiro foi em 1981, no teatro Tuca, da PUC/SP (no bairro das Perdizes), durante a realização de um festival de bandas punks. Depois o zapper, então um jovem repórter que havia entrado no jornalismo há poucos meses, presenciou uma gig monstro do quarteto, em meados de 1986. O Ira! tinha mandado para as lojas seu segundo disco, “Vivendo e não aprendendo”, que estourou em vendagens por conta da inclusão da música “Flores em você” na abertura de uma novela da TV Globo. Para comemorar o grupo marcou um show ao ar livre e de graça num sábado à tarde, na famosa “praça do Relógio”, na USP. Não deu outra: superlotação no local, com o conjunto tocando para cerca de quarenta mil pessoas.

 

 

* A partir daí estas linhas online assistiram a dezenas de gigs do Ira! em danceterias (que estavam em moda na época), festivais etc. E quando o Ira! retornou às atividades em 2014 (após uma separação de sete anos, motivada por brigas internas) o jornalista zapper também voltou a acompanhar o grupo de perto, comparecendo apenas no ano passado a três shows deles.

 Zap’n’roll e Nasi, vocalista do Ira!: amizade que já dura três décadas

 

 

* Já com a Pebe Rude foi diferente. Por ser de Brasília dificilmente o quarteto se apresentava em Sampa. Tanto que o blog só foi conseguir ver uma gig deles por volta de 2001, quando eles tocaram num sábado à noite no Sesc Belenzinho (na zona leste de São Paulo). E foi um showzaço.

 

* E claaaaaro, não poderia faltar a história junkie aqui, inclusive já contada no blogão anos atrás e que também estará bem detalhada no livro “Memórias de um jornalista junkie”. Algum final de tarde de 1993. O Ira! estava em sua fase decadente, contrato encerrado com a multinacional Warner e com um novo disco na praça, o  bom “Música calma para pessoas nervosas”, e que não vendeu nada no final das contas. O autor deste blog estava já há alguns meses fora de um grande veículo de mídia e escrevendo textos para a modesta (porém bem conceituada no meio rock’n’roll) revista Dynamite. Graças à sua amizade com Nasi, marcou uma entrevista com o vocalista (que morava em um sobrado na zona oeste de Sampa) e lá se foi, fazer seu trabalho. Foi recebido na casa do front-man do Ira! com um prato onde havia um autêntico monte Everest de COCAÍNA, uia! A devastação nasal entrou em cena e a entrevista virou o próprio samba do crioulo doido. No dia seguinte, ao ouvir as fitas gravadas do bate papo, o jornalista doidão viu que absolutamente NADA ali poderia ser aproveitado. A entrevista teve que ser remarcada, claro. E sem cocaína, rsrs.

 

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MUSAS ROCKERS EDIÇÃO ESPECIAL – CINCO TOTOSAS TOTAL DELICIOUS QUE JÁ PASSARAM PELO BLOGÃO

Yeah! Um dos tópicos mais festejados pelo nosso dileto leitorado macho (cado, uia!) faz uma reedição especial nesse post, onde republicamos cinco das mais gatas musas rock’n’roll que já passaram por aqui. Todas lindonas, abusadas, atrevidas, tatuadas, inteligentes e rockers, sempre! Então aproveite e se delicie novamente com elas, enquanto a nova musa do blog está a caminho.

 Solange De-Ré: 32 anos, poetisa louca e rocker de Floripa

 

Fabiana Marques, 26 anos, diretora de arte em São Paulo: tattoos e amor pelo rock’n’roll

 

Michelle Fernandes, 27 anos, de São Paulo: sempre na night rocker

 

Yasmin Takimoto, 20 anos, de São Paulo: sinuosidade orienta

 

Madeleine Akye, 32 anos, de Osasco: japa rocker dos sonhos de muitos homens, e seduzindo até atores da tv Globo!

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Disco, I: o quarteto de Manaus Supercolisor existe desde 2008 e antes se chamava Malbec. Passou por uma reestruturação interna, trocou de nome, mudou de line up e contando com novo integrante (o baixista, multiinstrumentista e vocalista Diego Souza, que antes tocou no ótimo Luneta Mágica) lançou há pouco este “Zen total do Ocidente”, onde o grupo (que também conta com Ian Fonseca nos vocais e pianos, Zé Cardoso nas guitarras e vocais e Natan Fonseca na bateria) literalmente apaixona o ouvinte com uma coleção de canções belíssimas, melancólicas e bucólicas em sua concepção melódica e instrumental. Arranjos de pianos e condução de violões constroem planos sonoros que acalentam a alma e o coração e isso se sobressai mais em faixas tristonhas como “Sim”, “Três luzes fixas”, “Os cinco”, “Não”, “Móbile” e a própria canção-título. São as músicas onde a banda consegue seu melhor resultado graças à coesão de uma proposta que rompe com seu próprio passado recente (a “versão” Malbec do conjunto carregava muito no rebuscamento instrumental se espelhando na fase prog do Radiohead, aliás a fase mais sacal do quinteto britânico; fora que havia a incômoda dicotomia das músicas com vocais em inglês e em portguês). Ainda há estranhamentos aqui e ali (as levadas synthpop e os vocoders que surgem nas ambiências eletrônicas e vocais de “Pista Íntima” e “Corte”, e que destoam em muito do restante do trabalho) mas o saldo final, com bons versos em português e canções que remetem ao melhor de um rock reflexivo e melancólico, colocam o Supercolisor muito à frente de boa parte do que se faz nesse momento no quase totalmente inculto rock’n’roll brasileiro. E sinaliza mais uma vez que algumas das melhores formações musicais do país nesse momento estão mesmo na região Norte – basta lembrar dos acreanos Euphônicos, Los Porongas e Os Descordantes, nomes que deixam grupos do Sudeste comendo poeira no quesito qualidade artística. Para saber tudo sobre o Supercolisor e ouvir seu novo álbum, vai nesses links: http://www.supercolisor.com/home e http://www.supercolisor.com/.

 O quarteto manauara Supercolisor: lindas, bucólicas e tristonhas canções em seu novo disco, “Zen total do Ocidente”.

 

* Disco, II: também da capital do Amazonas, o quarteto Nicotines lançou seu primeiro EP com cinco faixas, e batizado “A mil por hora”. É rock’n’roll direto de guitarras algo sujas e boas letras em português, escritas e cantadas pelo jornalista Sandro “Nine” Corrêa (agitador muito conhecido na cena rocker de Manaus, além de amigo destas linhas bloggers). Resgatando eflúvios de hard e garage rock, além de proto punk setentista, o quarteto (que ainda tem em seu formação o guitarrista Lauro, o baixista Israel e o batera Gustavo) mostra agressividade e potência instrumental na faixa-título e em “Rock brasileiro”, cuja letra faz uma crítica virulenta à estupidificação que se abateu sobre o rock’n’roll nacional, eivado de pilantras e enganadores de bandas como o produtor escroque e mau caráter Carlos Eduardo Miranda, citado nominalmente nos versos. São músicas que devem render bem ao vivo e você pode ouvi-las aqui: https://soundcloud.com/nicotinesoficial. O EP também saiu em formato físico em cd encartado na revista paulistana “Gatos & Alfaces”, e você pode saber mais sobre os Nicotines aqui: https://www.facebook.com/pages/Nicotines/1512374429022788?fref=ts.

O EP de estréia do grupo Nicotines

 

* Disco, III: com quase setenta anos de idade a lenda Neil Young segue firme e forte, lançando discos quase em profusão. Mas se a produção do canadense não dá mostras de cansaço na quantidade de discos editados (só em 2014 foram dois trabalhos inéditos), na questão qualitativa o guitarrista e vocalista andou meio claudicante em seus últimos discos. Porém neste “The Monsanto Years” (que chegou oficialmente às lojas americanas anteontem, segunda-feira, 29 de junho; sendo o que o blogão está sendo finalizado na quarta), Neil parece recuperar um pouco da sua velha forma. O álbum se equilibra bem entre rocks de guitarras mais ásperas (como em “People Want To Her About Love”) e baladas de acento folk/country (com direito a violão e gaita), caso da estradeira e tristonha “Wolf Moon”. Com um pouco de boa vontade dá pra se lembrar da época em que Young inscreveu definitivamente seu nome na história do rock, quando lançou clássicos imbatíveis como “Harvest” ou “Zuma”. Não é igual a eles, claro. Mas as canções 2015 do velho rocker mostram que ele ainda tem o que cantar e segue relevante como músico.

O novo álbum do velho Neil Young

 

* Livro, I: “Breve História do rock brasileiro”, escrito pelo jornalista, músico, pesquisador e produtor cultural Ayrton Mugnaini Jr., um volume com pouco mais de oitenta páginas de texto e formato de bolso procura mostrar para os não iniciados a trajetória do rock’n’roll feito aqui, desde a década de cinqüenta até os dias atuais – a chamada geração web (e onde Ayrton talvez tenha se esquecido apenas de mencionar o grupo cuiabano, radicado em Sampa, Vanguart, talvez o único nome da indie scene nacional dos anos 2000’ a ter se tornado realmente grande em termos mercadológicos). Mais do que se aprofundar em estilos e nomes, Ayrton procurou mostrar um painel simplificado de artistas e do que eles representaram para determinada época. Leitura rápida, ligeira e de fácil compreensão, o que são méritos e pontos bastante positivos do livrinho, tornando-o muito interessante e atraente. Para conseguir o seu basta entrar em contato com o próprio autor, através de sua página no Facebook: https://www.facebook.com/ayrtonmu?fref=ts.

 Dupla rocker do barulho: Zap’n’roll e o jornalista Ayrton Mugnaini, autor do livro “Breve História do rock brasileiro”

 

* Livro, II: “Poesias escolhidas, volume II – o melhor de mim”, é um abrangente compêndio da nova poesia que se faz hoje no Brasil e em países como Argentina, Méxixo, Uruguai, Espanha, França e Áustria. Ao todo são cento e setenta e quatro poemas do mesmo número de autores (cada um contribuiu com uma poesia), reunidos num livro bem acabado editorialmente e que mapeia, no caso brasileiro, a produção poética em todas as regiões do país. Tanto que até o distante Amapá está representado no livro, através dos bons versos da jovem Sarah Aranha. Com apenas vinte e três anos de idade Sarah, que mora em Macapá (a capital do Estado) e é dileta amiga deste espaço virtual, verseja desde sua adolescência e já conta com um bom material de lavra própria. Para o livro ela escolheu o poema “Meu passarinho”, que flui bem através de rimas e versos bem encadeados. Mas há outras saborosas descobertas ao longo das paginas, e quem se interessar pode ir atrás do volume aqui: https://www.facebook.com/PoesiasEscolhidas?fref=ts.

 A jovem poeta macapaense Sarah Aranha (acima), uma das que estão no livro “Poesias Escolhidas”, com o poema “Meu passarinho” (abaixo) (foto Sarah: Ana Lages)

* Baladas badaladas fechando o postão e as indicações do blog: yeah! Com esse post monstro sendo finalizado já na quarta-feira (1 de julho), vamos ver o que sucede pelo circuito cultural alternativo de Sampa já a partir de amanhã, quinta. É quando vai ter o evento lançando oficialmente o vídeo para a música “Olha pra mim”, do grupo Vanguart (a bela e triste balada que fecha o mais recente disco de estúdio da banda), a partir das nove da noite no Bambolina (que fica na praça Roosevelt, 124, centrão de Sampa).///Já na sexta-feira e durante todo o finde rola no bar/teatro Cemitério de Automóveis (que fica na rua Frei Caneca, 384, Consolação, centro de São Paulo) as últimas apresentações da peça “Tanto Faz”, baseada em livro do escritor Reinaldo Moraes e adapatada por Mário Bortolotto.///Na sextona e sabadão em si a pedida é começar a noite tomando as ótimas brejas artesanais da Sensorial Discos (lá na rua Augusta, 2389, Jardins, zona sul de São Paulo), e depois cair pro baixo Augusta (passando pela Tex, Outs e Astronete).///E no sábado tem a volta dos mineiros metal celta do Thuatha De Danann, após longo período longe dos palcos paulistanos. Eles fazem show de lançamento do seu novo disco no tradicional Manifesto Rock Bar (que fica na rua Iguatemi, 36, Itaim Bibi, zona oeste de Sampa), ou seja, uma ótima pedida rocker pro noitão de sábado. É isso. Nessas noites frias de inverno nada como um ótimo show pra aquecer nossos corpos. Se joga!

 

 

E TCHAU PRA QUEM FICA!

Ufa, postão monstro, néan? Saiu no capricho e ele fica por aqui. Mas na semana que vem voltamos sempre com muuuuuito mais. Até lá, então!

 

(ampliado, atuaizado e finaizado por por Finatti em 1/7/2015, às 14hs.)

Oh yeah! Na véspera de mais um giro zapper pelo Norte brasileiro um post, hã, mais “modesto” por aqui; e falando de livros rock’n’roll que valem a pena (como os que relembram a trajetória do gigante e inesquecível Legião Urbana, além de radiografar a lenda goth The Cure); mais: como foi o festão de doze anos do blog, uma musa rocker gótica e bem safada, e mais algumas paradas aê em uma semana mooooorna no mondo pop/rock (post PROVAVELMENTE ainda em construção)

Postão modesto mas não menos antenado do blogão de cultura pop e rock alternativo e que nesta semana fala do resgate da obra gigantes da inesquecível Legião Urbana (acima), através de lançamentos de livros que mostram a trajetória do maior nome da história do rock brasileiro; um desses livros foi escrito pelo guitarrista Dado Villa-Lobos (abaixo, ao lado de Zap’n’roll, na noite de autógrafos do volume, semana passada em São Paulo), figura já mítica do mondo pop brazuca; assim como também mítica é no mondo goth paulistano nossa musa rocker desta semana, a totosa Lili (também abaixo)

 

Direto ao ponto, ulala!

As duas últimas semanas têm sido bem tranqüilas no rock alternativo e na cultura pop planetária. Tão tranqüilas (até demais pro nosso gosto) que, na véspera de Zap’n’roll empreender mais um giro pelo sempre amado norte do país, o jornalista rocker que escreve estas linhas virtuais e sempre atento às movimentações do rock’n’roll planetário, de repente notou que a calmaria anda grande na área. Poderia ser justamente o contrário, néan: muta movimentação no circuito cultural alternativo e mais tranqüilidade em todos os outros setores da vida brasileira. Mas nunca é assim é seguimos assistindo, algo atônitos, a inflação disparar (a maior taxa anual dos últimos doze anos), o conservadorismo social avançar, a violência urbana se disseminar etc, etc, etc. Resta então procurar mergulhar os sentidos naquilo que ainda nos acalenta a alma, o coração e o intelecto: ler bons livros, assistir grandes filmes e ouvir ótimos discos. E mesmo isso não está sendo fácil por esses dias. Assim é que este post está mais modesto de fato. Nele damos uma pincelada rápida em alguns livros bacanas que estão chegando (ou ainda vão chegar) às livrarias, e que radiografam bandas gigantes da história do rock aqui e lá fora, como Legião Urbana e The Cure. Também (e com um certo atraso, assumimos, rsrs) recordamos em alguma imagens bacaníssimas como foi o festão de doze anos do blog, no final de maio em Sampa. E mesmo com post mais “reduzido” não poderíamos deixar de ter nele um dos tópicos mais festejados do blog de tempos pra cá., o da musa rocker da semana, claaaaaro! E desta vez ela é uma safadíssima garota goth paulista, pra deixar os marmanjos taradões realmente felizes, hihihi. É isso: direto ao ponto que nesta sexta-feira estas linhas virtuais estarão bem longe de Sampa. Mas com o seu radar sempre atento. Então, se algo bombástico acontecer pelos próximos dias, fique sussa que iremos comentar aqui.

 

 

* Agora, o incrível mesmo é o blog ter LIMADO os comentários dos fakes bundões do painel do leitor e, ainda assim, este mesmo painel segue batendo picos de mensagens. No post anterior foram mais de cem (com também mais de cem likes), o que não é nada mal para um blog que segue firme e forte há mais de uma década no ar.

 

 

* Tanto que segue firme e forte que no final de maio rolou festão comemorativo de doze anos de existência zapper lá na sempre bacaníssima Sensorial Discos, na rua Augusta em Sampa. Rolaram ótimas gigs do Tramp Stamp Moose e do Star61, além de uma homenagem ao jornalista Finaski por conta do mini-set acústico (voz e violão) realizado pela dupla Ayrton Mugnaini e Samara Noronha. Foi uma noite rock’n’roll beeeeem legal e que você recorda aí embaixo, através de algumas imagens registradas por lá.

 Dupla rocker do barulho atacando na gig do Star61

 

A performance do Star61, sempre incendiária!

As gatas marcando presença na balada rocker sem fim

E abaixo o preconceito e a homofobia! Zap’n’roll dá um “selinho” no fofo vocalista do Star61, Flaviano André, ao final da festona

 

 

* Uma nota tristonha no mondo da cultura pop. Morreu no último domingo em Londres (sendo que a notícia foi divulgada apenas na manhã desta quinta-feira, 11 de junho) o venerável ator Sir Christopher Lee. Ele tinha noventra e três anos de idade e sofreu uma parada cardíaca. Você, jovem e dileto leitor destas linhas bloggers cinematográficas, talvez nem faça idéia de quem foi Lee. Mas ele marcou a adolescência de milhões de cinéfilos pelo mundo afora (incluso aí o autor deste blog) nas décadas de 60’ e 70’, protagonizando alguns dos filmes de terror mais clássicos da história do cinema, especialmente aqueles em que incorporou o Conde Drácula. Eram longas de fato sublimes na arte da concepção cinematográfica (com roteiro genial, direção de imagens e fotografia idem, nada a ver com o lixo hollywoodiano dos dias atuais) e que são referência até hoje quando se fala em filmes de terror. É, infelizmente os gênios da cultura mundial estão indo embora. E não estão tendo nenhum substituto à altura de sua genialidade. O que indica que em breve não haverá mais nenhum vivo para mitigar um pouco que seja o desastre artístico que se abate sobre este velho mundo.

 

 

* Uma notícia bacaníssima é que o incrível quarteto neo grunge inglês Wolf Alice está na capa da NME desta semana. Com seu disco de estréia, “My Love Is Cool”, programado para ser lançado mundialmente no próximo dia 22 de junho, o grupo liderado pela gataça Ellie Rowsell (um tesão perfeito de vinte e dois aninhos de idade), é mesmo a aposta da vez no rock alternativo mundial. Não é para menos: as músicas do WA são fodíssimas (resgatam e atualizam para os dias atuais o som glorioso de Alice In Chains e Soundgarden, só pra ficar em dois exemplos de grupos da inesquecível cena de Seattle nos anos 90’ e com os quais a musicalidade dos ingleses tem muita proximidade) e a banda está muito acima da média do que se escuta atualmente no rock da gringa. De modos que as expectativas em torno da estréia deles em disco é a melhor possível. A conferir, logo menos.

O Wolf Alice, a nova banda da hora no rock mundial: na capa da NME desta semana e lançando logo menos seu esperadíssimo disco de estréia

 

 

* E o STF decidiu ontem: está liberada a publicação de biografias não autorizadas no país, de figuras públicas. Ponto para uma democracia (a nossa) que precisa permanecer forte a qualquer custo.

 

 

* E falando em biografias, borá ver aí embaixo os livros bacanas que estão saindo sobre a Legião Urbana, Renato Russo e The Cure.

 

 

TEMPORADA BOA DE LIVROS ROCK’N’ROLL

A retração econômica bravíssima que atinge o país nesse momento também atingiu em cheio o mercado editorial, que já acusa queda de 7% em suas vendas totais em relação ao mesmo período do ano passado. No entanto uma área específica do mercado de livros parace estar suportando e atravessando bem a crise: aquele voltado ao mundo musical – e ao rock em particular. Somente nas últimas semanas foram mandados para as livrarias o volume “Memórias de um legionário” (onde o ex-guitarrista da Legião Urbana, Dado Villa-Lobos, relembra bastidores de toda a trajetória da maior banda da história do rock brasileiro) e também “A história do The Cure”, biografia NÃO autorizada do lendário conjunto goth inglês. E agora para julho mais um tomo dedicado à memória da Legião será editado. Trata-se de “Só por hoje e para sempre”, que reune trechos dos diários escritos pelo vocalista Renato Russo durante um de seus períodos de internação em uma clínica para reabilitação de dependentes químicos, em 1993.

 

O interesse pela obra da Legião e de seu líder, Renato, é totalmente justificável. Russo faleceu há quase vinte anos (em 11 de outubro de 1996), em decorrência da Aids. Sua morte colocou um ponto final na trajetória da Legião Urbana mas, ao mesmo tempo, o mito em torno do conjunto só aumentou nas duas décadas seguintes, com as vendas de discos póstumos sempre em alta ano após ano. Isso explica a fila gigantesca que se formou há algumas semanas em uma noite de terça-feira em São Paulo, quando fãs de todas as idades da Legião foram até a Livraria Cultura (na avenida Paulista) para a sessão de autógrafos do livro escrito pelo guitarrista Dado. O blog, velho conhecido do músico, também esteve lá sendo que o jornalista e o guitarrista não se encontravam pessoalmente já há alguns anos. A princípio houve um “estranhamento” entre ambos (também compreensível: Dado nunca aceitou satisfatoriamente uma resenha de um disco solo lançado por ele em 2009, e publicada na revista Rolling Stone, assinada pelo jornalista que publica estas linhas online; a crítica não era desfavorável ao álbum mas expunha o fato, de resto conhecido por todos, de que Dado Villa-Lobos está longe de possuir uma grande exensão vocal), e o ex-legionário cumprimentou Finaski dizendo: “você me considera até hoje um cantor medíocre, não é?”. O blog retrucou: “eu nuca disse isso. E sempre tive respeito e consideração e amor pela sua pessoa. Tanto que vim aqui pra te dar um abraço”. Dito isso os ânimos se acalmaram, abraços foram trocados e a tradicional foto para a “posteridade” (uia!) foi tirada.

 

Este blog, todos que o acompanham já sabem disso, conviveu por alguns anos bem próximo à Legião Urbana. E também teria relatos a fazer desse período que dariam um livro aqui. Mas como o tempo é curtíssimo nesse momento (estamos de malas prontas pra mais um périplo pelo distante Amapá), preferimos ir lendo aos poucos as histórias contadas pelo próprio Dado. E também aguardar com calma os diários de Renato Russo, que serão lançados pela Cia Das Letras.

Os livros que estão saindo sobre a Legião Urbana e seu saudoso líder, Renato Russo (acima e abaixo): o mito em torno do maior grupo da história do rock brasileiro só aumenta

 

Quanto ao grupo inglês The Cure, liderado pela lenda Robert Smith, o volume editado esta semana pela Ideal Edições parece ser bastante atraente para os fãs do conjunto, a começar pelo fato de que se trata de uma biografia escrita sem a aprovação da banda. O que sempre pode significar que há ali revelações bem mais interessantes do que as histórias “oficiais” do artista. Estas linhas rockers bloggers receberam a bio do Cure esta semana e assim que concluir a leitura da mesma, irá falar mais detalhadamente dela por aqui.

 

Mas enfim é isso. Se estão faltando boas bandas e bons novos discos no rock internacional e brazuca pra se ouvir neste momento, há sempre uma outra e ótima solução: ir à livraria mais próxima. E fazer bom uso de seu suado dindin, dedicando boa leitura ao seu ídolo preferido.

 

 

MUSA ROCKER – A SAFADONA E GOSTOSÍSSIMA GOTH LILI

Nome: Lili Oliveira.

 

De: Itararé/SP.

 

Mora: em Osasco/SP, e sozinha.

 

Idade: 28 anos.

 

O que faz: promotora de vendas e hostess das festas góticas Luxúria na capital paulista.

 

Três bandas: Cadaveria, Marilyn Manson e Rammstein.

 

Três filmes: “Joana D’Arc”, “Cemitério Maldito” e “A noite dos mortos-vivos”.

 

Um diretor de cinema: Tim Burton.

O que o blog tem a dizer sobre ela: estas linhas rockers online não conhecem Lili pessoalmente mas apenas do Facebook. Mas tem ótimos amigos em comum com a moça, a considera divertida, bacana e, principalmente, uma gata tesudíssima. Sendo que ela mesma se assume como “safada” e praticante de sado-masoquismo (ulalá!), além de sempre deixar claro em sua página no FB que ela gosta sim (e muito) de sexo e de gozar intensamente. Além disso a garota é total goth e rock’n’roll. Motivos mais do que suficientes para que a convidássemos para ser musa rocker do blog. Então aí está. Nas fotos aí embaixo toda a tesudisse de miss Lili, para o deleite de nosso sempre guloso leitorado macho (cado), uia!

Desvende o que se esconde por trás dessa renda negra

Venha! Me possua por trás!

 

Visual sado-masô, pra levar gozo, delírio e luxúria ao macho que conquistá-la

 

Insinuando que vai mostrar…

 

…e finalmente exibindo esse magistral par de peitos suculentos

 

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Muita correria por aqui e por enquanto o blog encerra esse post. Que poderá ser ampliado lá do Amapá com papos sobre os discos de estréia das bandas Supercolisor e Nicotines (de Manaus), além das indicações culturais e a agenda de baladas alternativas em Sampa. Estaremos longe da capital paulista mas de olhos e ouvidos plugados sempre no que rola na cultura pop, okays?

 

O post tá mega modesto mas no decorrer deste finde e da próxima semana, deverão pintar mais paradas legais por aqui. Vai colando aê então, pra se atualizar.

 

No momento é isso. Beijos quentes na galere e até logo menos com mais!

 

 

 

(enviado por Finatti às 15hs.)