O rock brasileiro que realmente ainda importa, ontem e hoje: em post especial o blog rememora uma década de amizade com o grande Vanguart, da descoberta do grupo em 2005 na capital do Mato Grosso, e acompanhando sua trajetória até os dias atuais (com plus EXCLUSIVO trazendo um dos capítulos inéditos do livro “Memórias de um jornalista junkie”, o que conta exatamente como o jornalista gonzo/loker conheceu o conjunto); a inesquecível Legião Urbana, revista através do livro que traz os diários de Renato Russo; a diva, deusa e xoxotaça Lana Del Rey ressurge mais esplendorosa do que nunca em nova, triste e belíssima canção; os agitos da semana no mondo pop/rock, e uma musa rocker fã do velho safado Bukowski, com ar intelectual mas total loker, tatuada e NUA, wow! (postão FINALMENTE concluído, com ampliação MONSTRO, trazendo o novo disco do Wilco, as novas músicas do New Order e Keith Richards, falando do novo e ótimo disco de Paul Weller e ainda, ufa e uhú: SORTEANDO biografias legais do Cure e Steven Adler) (atualização FINAL em 30/7/2015)

O sexteto cuiabano Vanguart (acima) é o destaque deste postão do blog: ele mantém a tradição dos grandes nomes da história do rock nacional como a Legião Urbana, do saudoso e inesquecível Renato Russo (abaixo) e cujo livro com seus diários está chegando agora às livrarias; não é à toa que as duas bandas são adoradas pela nossa musa rocker desta semana, a linda e tesuda Flávia Soares (também abaixo) 

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MAIS UM “EXTRÃO” AMPLIANDO O POSTÃO: A ÓTIMA VOLTA DO WILCO

O Wilco nasceu em Chicago em 1995 (portanto, há exatos 20 anos) e já gravou 9 discos. Pratica o que se convencionou chamar de “alt country”, ou country alternativo, experimental. É um som realmente instigante e que avança na direção de outros elementos sonoros, o que fez com que o conjunto logo ganhasse respeito e admiração da crítica e do público pela qualidade dos seus lançamentos. Notadamente em algumas obras-primas como “Yankee Hotel Foxtrot”, lançado em 2002.

 

E como eu disse já aí em cima, o Wilco acabou de lançar seu novo trabalho de estúdio. O primeiro em quatro anos (o último havia saído em 2011) e que se chama “Star Wars” (e que não tem nada a ver com a gloriosa série cinematográfica de ficção científica que encanta gerações há décadas). O disco foi lançado assim, sem muito alarde, no último dia 16 de julho. Está disponível para download GRATUITO no site oficial do grupo, até 13 de agosto. O que significa que ele está facílimo de ser baixado e ouvido na internet, inclusive no YouTube.

 

E o que mais também significa esse lançamento do Wilco, feito em meio à turnê (por enquanto apenas nos Estados Unidos; a banda já tocou no Brasil há muitos anos, no Tim Festival de 2005 se eu não estiver com a memória total falida) que comemora seus 20 anos? Simples: que a música produzida hoje por grupos de rock (ou músicos/artistas de qual estilo for) NÃO VALE MESMO MAIS NADA. É a triste realidade dos tempos do download, das plataformas musicais virtuais, das redes sociais (como esta) dos apps de celular, da puta que o pariu. O Wilco liberou a audição do álbum com Tweedy dizendo que, sim, ainda gosta de ser pago pelo que faz, mas que a música é o mais importante em sua vida e bla bla blá. Bobagem e falatório desnecessário: ele sabia (e sabe) que mais cedo ou mais tarde o material registrado pelo conjunto iria acabar desabando na web de qualquer forma. Preferiu se antecipar à pirataria digital e jogou ele mesmo o cd na rede.

 

Isso apenas mostra o quão triste se tornou a realidade de quem produz música no mundo virtual em que vivemos. E arrasta a qualidade da música contemporânea para o fundo do abismo. Afinal, pensa o “artista” (?) que cria uma “obra” musical (???): se ninguém vai mesmo valorizar o meu trabalho e PAGAR por ele, por que devo me esforçar em criar e compor algo realmente notável e digno de nota?

O novo disco do Wilco (capa acima), que está disponível de graça para audição na internet (link abaixo): o alt country da banda continua muito bom

 

Vai daí que diariamente uma enxurrada de LIXO da pior espécie, travestida de música, entope a internet sem dó. Pouquíssima coisa se salva nessa história (e falo isso como jornalista musical há quase 30 anos). Posso parecer um coroa ranzinza e saudosista, mas é bem por aí: o mundo era melhor e mais criativo artisticamente há três décadas – além de mais romântico e sincero, quando artistas se empenhavam em produzir grandes discos e quem os consumia sabia AGREGAR valor não apenas material mas também INTELECTUAL e EMOCIONAL ao que estavam escutando. Afinal era preciso ir até uma loja, enfiar a mão no bolso e gastar DINHEIRO para comprar aquela obra (quantas milhares de vezes eu mesmo não fiz isso, mesmo depois que me tornei jornalista e vivia recebendo de graça pacotes e pacotes de LPs das gravadoras). Bons tempos…

 

E sobre “Star Wars”: é o Wilco sendo um tiquinho mais “pop´” mas experimental como sempre foi. Menos alt country, mais psicodélico, com guitarras rockers e mezzo barulhento (como na faixa instrumental que abre o cd). E com algumas canções espetaculares (como “You Satellite”, “Pickled Ginger” ou a sombria “Magnetized”, que fecha o disco) em onze faixas e pouco mais de 33 minutos de audição. Uma raridade nesses tempos onde conjuntos gravam discos pavorosos e inúteis, com mais de uma hora de duração.

 

A versão em cd do novo trabalho do Wilco sairá apenas em 21 de agosto. Até lá quem gosta da banda como eu (gosto muito, embora não seja fanático por ela), já terá ouvido bastante o álbum. O que não diminui a importância e a qualidade dele. Bem lá dentro de si Jeff Tweedy sabe que a música hoje foi tristemente rebaixada a mera trilha sonora para atividades banais do cotidiano humano. Mas nem por isso ele deixou de ser rigoroso com a música que cria. E nem pretende deixar de ser, a julgar por este bacaníssimo “Star Wars”.

 

 

E OS “VELHÕES” DO ROCK VOLTAM AO ATAQUE NA SEMANA, VIA YOUTUBE

O já jurássico (e clássico e lendário?) New Order mandou pra sua conta no YouTube o áudio de “Restless”, primeiro single do novo álbum do grupo, “Music Complete”, que será lançado em setembro. É a primeira música inédita da banda em mais de uma década. E pra quem diz que NO sem Peter Hook (que saiu do conjunto em 2007; mas agora ele tem a Gillian Gilbert de volta nos teclados) NÃO é NO, fica o aviso: achamos (por enquanto) boa a música, menos eletrônica e mais “humana”, algo na pegada de “Regret”, que eles lançaram laaaaá em 1993. Vamos aguardar e conferir o disco todo.

 

E tem o gigante e gênio Keith Richards, o velhíssimo MOTOR por trás dos The Rolling Stones, néan. Keith lança o terceiro disco solo de sua vida também em setembro. Se chama “Crosseyed Heart” e o áudio de “Trouble”, o primeiro single do cd, tb já está no YouTube. Não foge muito da pegada dele nos Stones. E na boa, dá um pau em 90% da pirralhada atual que se mete a fazer rock’n’roll.

 

 

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EXTRINHAS PRA ENGORDAR O POSTÃO – SENDO QUE ELE AINDA  SERÁ AMPLIADO NOS PRÓXIMOS DIAS!

* Yep. O post ta bacanudo, ta rendendo em likes e comentários mas precisa ser ampliado e finalizado, néan. Ainda que hoje já seja sabadão à noite em Sampa (25 de julho), esteja fazendo um friozinho “diliça” lá fora e tudo isso acabe dado uma preguiça enooooorme de ampliar algo aqui, rsrs. Mas vamos lá.

 

 

* E a grande notícia da semana que está chegando ao fim foi mesmo a CONFIRMAÇÃO (finalmente!) das DATAS dos shows dos Stones no Brasil, em fevereiro de 2016. Pois é, dessa vez é oficial mesmo e as putas velhas mais amadas da história do rock’n’roll por enquanto fazem duas apresentações em Sampa nos dias 21 e 23 de fevereiro, no estádio do Palmeiras. O blog, claaaaaro, já está lá!

 Dessa vez os “vovôs” vêm mesmo!!! The Rolling Stones tocam em Sampa nos dias 21 e 23 de fevereiro de 2016, wow!

 

 

* Mas pra quem não quer esperar tanto tempo ainda, tem mais um showzaço em breve na capital paulista: no próximo dia 8 de agosto (também sábado), o sempre incrível Vanguart sobe ao palco do Sesc Santana, na capital paulista, pra fazer um set especial onde irá reler na íntegra o álbum “Blood On The Tracks”, o clássico lançado por Bob Dylan em 1975. Uma gig desde já imperdível!

“Blood On The Tracks”, clássico disco (capa acima) lançado pelo gênio Bob Dylan, será revisto na íntegra pelo Vanguart, em show em São Paulo no início de agosto

 

 

* E vai voltando aqui que logo menos ainda vamos analisar em detalhes o novo discaço que o grande Wilco acabou de lançar, além de falar do livro com os diários do inesquecível Renato Russo. O zapper sempre atento ao cenário musical independente agora dá nova pausa aqui nos trampos do blog, pra ir lá na Sensorial Discos assistir pocket show dos seus amigos da banda Alarde.

 

* Okays? Até daqui a pouco então, com maaaaais aqui no blogão.

 

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O grande rock BR, ontem e ainda hoje.

É dele que o blogão de rock alternativo e cultura pop que está na internet já há doze anos se detém neste post. Afinal quando Zap’n’roll começou a ser publicada semanalmente em 2003 (em forma de coluna online, ainda no portal Dynamite online), a Legião Urbana já não mais existia mas seguia sendo um mito entre seu inabalável contingente de milhões de fãs espalhados pelo Brasil. E o quinteto cuiabano Vanguart ainda engatinhava na capital do Mato Grosso, onde seria descoberto (jornalisticamente falando) pelo autor deste espaço rocker virtual no carnaval de 2005 (em uma história que será muito bem relembrada neste postão, com a publicação EXCLUSIVA de um dos capítulos inéditos do livro “Memórias de um jornalista junkie”, o que narra justamente como o jornalista gonzo/maloker conheceu os Vangs e se encantou pelo som deles), dando inclusive início a uma amizade que perdura até hoje. Então são duas bandas símbolo do rock que de fato ainda importa no Brasil. E por que tanto Vanguart quanto Legião são o foco desta edição do blog zapper? Simples: o agora sexteto liderado pelo vocalista Hélio Flanders está no auge de seu reconhecimento artístico e de público, sendo que neste final de semana irá fazer três gigs em Sampa: duas apresentações no teatro Bradesco (dentro do projeto “Sons da Nova FM”, promovido pela rádio do mesmo nome e especializada em todas as vertentes da MPB) e mais uma no Centro Cultural São Paulo (esta, já com ingressos esgotados), onde os Vangs irão gravar seu novo DVD, baseado no mais recente álbum de estúdio deles, “Muito mais que o amor” (editado em 2013). Já a Legião, um dos maiores nomes da história do rock brasileiro em todos os tempos, continua em evidência permanente e também nesta semana chega às livrarias o livro contendo os diários que o saudoso Renato Russo escreveu durante um período em que ficou internado em uma clínica de reabilitação de dependentes de álcool e drogas, há mais de vinte anos. São enfim motivos mais do que suficientes para que estas linhas bloggers detenham seu olhar esta semana sobre dois nomes que mantêm e perpetuam a qualidade artística no que sobrou no rock nacional, hoje atolado na indigência criativa e mergulhado quase que exclusivamente em escombros em um país cujo gosto musical do grosso da população oscila entre a barbárie intelectual do sertanojo universotário e a inutilidade/nulidade/total futilidade do funk ostentação e do axé/pop brega. É um quadro que chega a ser desalentador e ele se reflete no final das contas na bestialidade comportamental e social que tomou conta do brasileiro médio. Por isso enquanto houver muita gente (e gente jovem) que ainda ame e prefira ouvir Vanguart e Legião Urbana do que sertanojo e funk medíocre, sempre haverá motivo para falarmos dessas bandas grandiosas aqui, neste espaço que preza e respeita a sensibilidade, a cultura e a inteligência de seu dileto leitorado. E irá prezar e respeitar sempre, enquanto estivermos por aqui, defendendo com unhas e dentes a cultura pop que realmente vale a pena.

 

 

* Números do postão anterior: mais de duzentos likes em redes sociais e cento e oitenta e seis comentários. Muitos deles enviados, claaaaaro, por fakes imbecis e covardes (além de otários) que insistem em tentar desqualificar o trabalho do blog, numa prática cansativa que já dura anos e beira a psicopatia doentia. Eles não vão aprender nunca e o blog segue firme e forte e rindo, seguindo com a caravana enquanto a matilha histérica dos fakes late sem parar e sem obter nenhum resultado prático pra eles. Coitados, rsrs.

 

 

* O país segue bestial. E o blog se pergunta onde iremos parar dessa forma, com sites como esse aí no link estimulando a Lei de Talião e o olho por olho. http://www.facanacaveira.net/adolescente-que-participou-de-estupro-coletivo-no-piaui-e-morto-dentro-de-cela/.

 

 

* E o “nobre” e ultra “distinto” senador Fernando Collor, mandou aviar, mandou ameaçar. E o blog pede a ele: faça esse FAVOR ao país, queridão! http://pensabrasil.com/collor-ameaca-se-eu-for-preso-vai-faltar-cela-vai-muita-gente-comigo-isso-eu-garanto/.

 

 

* Ela é uma deusa, sempre. Um primor de xoxota, uma louca insana, uma boneca divina e que canta como nenhuma outra hoje em dia no mondo pop. Yep, miss Lana Del Rey soltou esta semana sua nova música para audição no YouTube. Melodia belíssima e vocais melancólicos. Não à toa ela segue como a diva predileta destas linhas online na música mundial nos anos 2000’. Ouça aí embaixo e entenda por que.

 

* Por uma boa causa, I: localizado numa chácara oito quilômetros pra frente de Paranapiacaba (distrito de Santo André, na Grande São Paulo) e em plena região da Mata Atlântica (do que resta dela, na verdade) o bar rocker Simplão De Tudo, é um dos espaços mais bucólicos e idílicos que você pode curtir em um final de semana ou feriadão prolongado. Mas o espaço, gerido há mais de uma década pela queridona Cris Mamuska, vem sofrendo de tempos pra cá constantes ameaças. Ameaças que partem de gente gananciosa e que tomar o lugar (que possui pelo menos oitenta e quatro alqueires de mata virgem e preservada) para fazer plantações de eucaliptos ou, ainda (e óbvio), construir condomínios de luxo. Pois Cris resolveu lutar bravamente e lançou uma campanha de arrecadação de fundos para que ela possa criar a Reserva Ecológica do Simplão. É uma campanha justíssima e árdua pois todo o processo legal para a efetiva criação da Reserva irá demandar custos na ordem de R$ 80 mil reais. Então todos os leitores do blog estão convidados a colaborar e a dar uma força pra Cris, sendo que você pode saber tudo como colaborar aqui: http://www.kickante.com.br/campanhas/simplao-de-todos.

 

 

* Sendo que a própria Cris explica o projeto nesse vídeo aí embaixo:

 

* Por uma boa causa, II: quem também iniciou campanha visando arrecadar fundos mas para gravar seu terceiro álbum de estúdio, é o mega amado por este espaço blogger rocker Los Porongas. Banda surgida no Acre há mais de uma década e há anos radicada em Sampa, os Porongas já se firmaram como um dos grandes nomes do rock BR dos anos 2000’. E agora já está em estúdio trabalhando no material que irá fazer parte de seu novo registro sonoro inédito. Boa parte dessas canções novas foram mostradas num ótimo pocket show realizado na última segunda-feira na Fnac do bairro paulistano de Pinheiros. O blog esteve por lá e pode garantir que vem discão novo dos Poronguinhas por aí. E você pode saber mais sobre a campanha e colaborar com ela acessando aqui: https://www.catarse.me/pt/losporongas.

 O quarteto do Acre Los Porongas, em show em Sampa na última segunda-feira

* E vocês pensam que as baladas/noitadas rock’n’roll promovidas pelo blog estão em recesso? Nadica! No próximo dia 22 já está marcado mais uma vez: vai ter “Noitão Zap’n’roll – a festa nunca termina”, como sempre na aconchegante e ótima Sensorial Discos. Logo menos estaremos divulgando por aqui o line up do evento, que vai contar com duas banda mais a tradicional DJ set deste espaço online. Aguardem.

 

 

* Não é por nada não mas o sempre bacaníssimo “vizinho” Scream&Yell (do chapa Marcelo Costa) disponibilizou para download gratuito uma coletânea/tributo com trinta regravações de momentos memoráveis do gigante Milton Nascimento (que, sim, apesar de estar caindo pelas tabelas hoje em dia, musicalmente falando, construiu uma das obras mais essenciais da história da música brasileira). O material, produzido por Pedro Ferreira, reuniu alguns dos principais nomes da nova geração musical independente nacional. E o blog amou, entre outras, as versões do Vanguart para “Clube Da Esquina 2”, dos Los Porongas para “Nada será como antes”, do The Outs para “O trem azul” (uma trip psicodélica avassaladora), e da banda Tereza para “Maria Maria”. Interessou? Audição gratuita dos dois CDs e download idem aqui: http://www.screamyell.com.br/.

 

 

* Enfim, mondo pop/rocker continua em rotação lenta. Caíram na web os novos discos dos velhões do Chemical Brothers (quem se importa a essa altura, afinal?) e também do Tame Impala, que sinceramente o jornalista zapper gosta bastante mas ainda não se animou a ouvir. E assim que o fizer, irá dar suas impressões aqui, pode esperar.

 

 

* Portanto, como este postão irá sendo ampliado ao longo deste final de semana e parte da próxima, pode ficar sussa que se algo realmente bombástico e relevante acontecer, iremos comentar aqui. Por enquanto vamos relembrar a trajetória do Vanguart aí embaixo na última década, em que o blog conviveu (e continua convivendo) com o sexteto cuiabano e quando ele se tornou, talvez, o maior nome do novo rock brasileiro dos anos 2000’.

 

 

HÁ UMA DÉCADA O BLOG CONHECIA E DESCOBRIA EM CUIABÁ O VANGUART, HOJE O GRANDE NOME DO INDIE ROCK BR E QUE GRAVA NESTE FINDE EM SAMPA SEU NOVO DVD

O sexteto cuiabano (e radicado na capital paulista já há muitos anos) Vanguart é hoje talvez o único grande nome do rock nacional a ter surgido na cena independente brasileira e ter se consolidado no mainstream musical, conquistando um público gigantesco de adolescentes e jovens ouvintes além de viver confortavelmente apenas do que sabe e gosta de fazer, muito bem por sinal: ótima música, que enfeixa eflúvios de folk, MPB e rock’n’roll. E trata-se de uma trajetória árdua e fascinante, que remonta há mais de uma década na capital do Mato Grosso. E que culmina neste final de semana quando os Vangs estão fazendo duas apresentações dentro do projeto “Sons da Nova FM” (produzido pela emissora de rádio homônima) no teatro Tom Jazz em São Paulo (ontem, sexta-feira, e hoje, sábado), além de gravar neste domingo, ao vivo, seu novo DVD, com uma gig no Centro Cultural São Paulo, apresentação para a qual os ingressos já estão há semanas esgotados.

 

O grupo formado pelo vocalista, violonista, letrista e compositor Helinho Flanders, pelo guitarrista David Dafré, pelo tecladista Luiz Lazzaroto, pelo baixista Reginaldo Lincoln, pelo baterista Douglas Godoy e pela violinista Fernandinha Kostchak (esta, agregada à banda há poucos anos) começou a burilar seu som e a traçar sua trajetória como milhares de outros conjuntos, aqui e lá fora: amigos que resolveram tocar juntos por terem afinidades musicais. Daí começaram os ensaios e as apresentações em espaços pequenos. E no caso do Vanguart, havia toda uma mística estranha em torno do então quinteto, a começar pelo seu próprio nome. Além disso havia um pequeno gênio ali, o vocalista e letrista Hélio, que era apaixonado por sonoridades que definitivamente não combinavam com a calorenta Cuiabá onde ele vivia. Enquanto o cenário rock alternativo da cidade se dividia entre bandas que emulavam o emocore do CPM22 (então no auge) ou o metal melódico e cafona de Angra e Shaman, Helinho e seus parceiros musicais compunham as mais bucólicas melodias inspiradas em… folk music. E ainda por cima, cantadas em inglês. Aonde eles queriam chegar com isso, afinal?

 

Foi a pegunta que o autor deste blog se fez quando DESCOBRIU o conjunto em uma infernal noite de verão do carnaval de 2005. O jornalista zapper eternamente andarilho tinha ido até Cuiabá cobrir um pequeno festival de rock local, a convite da produtora do evento, numa história que está totalmente destrinchada logo mais aí embaixo, em um enoooooorme capítulo inédito do livro “Memórias de um jornalista junkie” (que deverá ser lançado no primeiro semestre de 2016; nesse momento duas editoras avaliam os originais do mesmo). As gigs do festival estavam rolando dentro de uma galeria de arte da cidade, onde não cabiam mais do que cento e cinquenta pessoas. O calor era sempre devastador. E quando na segunda noite o Vanguart entrou no palco, começou a tocar e o pequenino Helinho começou a cantar, o jornalista loker simplesmente não acreditou no que estava escutando. Voltou alucinado para São Paulo e absolutamente apaixonado pelo som dos meninos.

 

A descoberta do conjunto rendeu a matéria “Vanguart – folke e melancolia em Cuiabá”, publicada por Zap’n’roll na edição de maio daquele ano da revista (ainda impressa) Dynamite. Foi o suficiente para que a malta de inimigos ferozes do autor deste blog (e que já existiam aos montes naquela época) começasse a latir em comunidades da extinta rede social Orkut, debochando do “achado” do jornalista. Gente estúpida, ordinária, invejosa, escrota e ressentida (como, por exemplo, o triste e rotundo José Flávio “jotalhão” Jr.) zoava sem dó, atacando tanto a banda quanto o jornalista que havia dado todo o crédito musical do mundo a ela.

 

Todos estão pagando sua língua até hoje, claro. E espumando cada vez mais de ódio. O Vanguart lançou seu primeiro (e muito bom) trabalho de estúdio em 2007, gravado lá mesmo em Cuiabá. Era um disco que ainda padecia de definição na questão do idioma adotado nas letras e vocais das canções, já que ali haviam músicas cantadas em inglês, espanhol e português. Mas quando o single “Semáforo” começou a estourar na internet e a empolgar o público nos shows Helinho viu que o caminho era mesmo cantar em bom português, por mais que os primeiros EPs do grupo (todos em inglês) fossem ótimos e hoje tenham se tornando autênticos collector’s item.

O Vanguart ao vivo, no Sesc Pompéia no final de 2013 (acima): a banda está impecável ao vivo, e seus vídeos também cada vez melhores, como mostra o novíssimo para a canção “Olha pra mim” (abaixo), faixa de seu último disco de estúdio

 

Daí pra frente a trajetória do conjunto deslanchou. Eles se mudaram para São Paulo em 2006 e aqui tocaram em festa de aniversário do blog no clube Outs (no baixo Augusta) e começaram a formar um público gigante de garotas apaixonadas pelos garotos da banda. Foi quando assinaram contrato com a major Universal e lançaram através dela em 2009 o DVD e cd ao vivo “Vanguart Multishow – registro”. Era ALI que o grupo poderia e deveria ter deslanchado definitivamente para o grande público e para o primeiro time dos grandes nomes do rock nacional dos anos 2000’ sendo que o jornalista zapper, sempre amigo dos rapazes e acompanhando de perto sua trajetória, já havia vislumbrado esse possível estouro em matéria publicada na revista Rolling Stone, em agosto de 2008 . Inclusive durante anos o autor deste espaço virtual achou que uma balada estradeira e absurdamente radiofônica como “Enquanto isso na lanchonete” (do primeiro álbum de estúdio deles) um dia ainda iria entrar na trilha sonora de alguma novela na TV. Mas nada disso aconteceu: por motivos não muito bem claros até hoje o Vanguart preferiu rescindir o contrato com a Universal – anos mais tarde, em conversa particular com seu amigo Finaski, Helinho diria que os Vangs não se sentiam bem ali dentro, vendo que eram a ÚLTIMA prioridade da gravadora.

 

E talvez tenha sido melhor assim. Entrou em cena o selo Vigilante, agregado à mediana porém aguerrida Deck Disc (dirigida pelo produtor Rafael Ramos), e através dele o agora sexteto lançou seus dois mais recentes discos, “Boa parte de mim vai embora” (editado em 2011) e “Muito mais que o amor” (lançado em 2013) e que finalmente fez a banda estourar nas rádios e ainda emplacou a canção “Meu sol” em trilha de novela da TV Globo. A essa altura o grupo já havia participado de festivais como o Planeta Terra e feito o show de abertura no estádio do Morumbi para uma das gigs brasileiras do gigante inglês Coldplay. Agora os Vangs lotavam qualquer espaço médio por onde se apresentassem. E hoje o cachê do grupo gira em torno de R$ 20 mil reais por apresentação, o que permite aos garotos viverem confortavelmente única e exclusivamente do seu trabalho musical.

 

O DVD que será registrado nesse domingo no Centro Cultural São Paulo, na capital paulista, é baseado no último trabalho de estúdio e nos shows que o Vanguart também vem realizando pelo país todo nos últimos meses. Reflexo da maturidade artística de uma banda que está cada vez mais impecável no palco e que ainda tem muito a oferecer ao seu público, provavelmente será tão bem sucedido comercialmente quanto os dois últimos CDs. Então se hoje o Vanguart está onde está, estas linhas rockers bloggers se sentem orgulhosas em terem feito parte dessa história do conjunto, de alguma forma. Fora que a amizade entre o blog e a banda já dura uma década. Ainda que tenham havido percalços pelo caminho nesse relacionamento (fofocas disparadas pela turma invejosa e asquerosa de inimigos fizeram o jornalista Finaski e o vocalista Helinho ficar sem se falar por um bom tempo, mas a amizade entre ambos foi retomada, de forma emocionante e com direito a abraços amorosos e olhos marejados, após um show na choperia do Sesc Pompéia, também em São Paulo, no final de 2013), ele se mantém firme e forte até hoje. Afinal qual amigo nunca brigou com outro em algum momento desse relacionamento de amizade?

 

E assim se passou uma década na trajetória dos Vangs. Uma banda hoje que retoma o espírito do que era um Legião Urbana há vinte e cinco anos, em termos de qualidade artística e musical e de adoração dos fãs. E eles merecem isso. E ainda irão, o blog tem certeza, lançar discos magníficos em sua trajetória que, espera-se, esteja bem longe de acabar.

 

* O Vanguart se apresenta ao vivo hoje à noite, às vinte e duas horas, no Tom Jazz, que fica na Avenida Angélica, 2331, no bairro de Higienópolis, em São Paulo.

 

 

VANGUART E ZAP’N’ROLL – UMA DÉCADA DE AMIZADE E DE SHOWS EM ALGUMAS IMAGENS

 O blog ao lado de Helinho Flanders e de Diogo Soares (vocalista dos Los Porongas), em algum bar da Vila Madalena, São Paulo, 2009

 

 Também nas noites sem fim da Vila Madalena em Sampa, mesma época

 

Ao lado do baixista Reginaldo Lincoln numa manhã de domingo, na Virada Cultural de São Paulo, em 2009

 

 Trio porreta: Zap’n’roll, Hélio e o batera Douglas Godoy

 

Abraço fraterno de irmãos, depois de show da banda no Itaú Cultural/SP

 

Na Sensorial Discos em São Paulo, começo de 2015: amizade querida e eterna

 

EXCLUSIVÃO DO BLOGÃO – CAPÍTULO INÉDITO DO LIVRO “MEMÓRIAS DE UM JORNALISTA JUNKIE” (COM PREVISÃO DE LANÇAMENTO PARA O INÍCIO DE 2016), E QUE CONTA COMO O JORNALISTA GONZO CONHECEU OS VANGS

 

Capítulo 17 – Folk e “cocada” boa em HellCity (ou: descobrindo e conhecendo o Vanguart em Cuiabá, turbinado de cocaine)

 

Foi no carnaval de 2005 que eu conheci o hoje consagrado grupo folk/rock/mpb Vanguart. Talvez o nome que mais deu certo na cena musical independente brasileira nos anos 2000’, o sexteto cuiabano (e que mora já há anos na capital paulista) liderado pelo vocalista e letrista Helinho Flanders possui uma trajetória de respeito e bastante invejável. Com três discos lançados, já tocou em vários festivais gigantes (como o Lollapalooza Brasil), abriu gigs do Coldplay por aqui, lota espaços médios onde toca e vive, atualmente, confortavelmente de apenas produzir música – no caso deles de ótima qualidade, vale exarar.

 

Mas em 2005 ninguém fazia a menor idéia do que era ou quem era o Vanguart. Nem mesmo em Cuiabá, capital do Mato Grosso e onde o grupo havia se formado alguns anos antes, ele era muito conhecido. E muito menos eu sabia do que se tratava o Vanguart. Mas naquele carnaval calorento e dantesco (Cuiabá é provavelmente a capital mais quente do Brasil: ali a temperatura média anual oscila entre 35, 37 graus e não raro com picos de 42, 44. E isso praticamente todos os dias do ano, sendo que não existe inverno naquela cidade, daí ela ter o “carinhoso” apelido de HellCity), uma década atrás, eu iria dar de cara com uma formação folk absolutamente fodástica e totalmente improvável de existir em… Mato Grosso. E como fui conhecer um sujeito baixinho, mirrado, na época com 22 anos de idade, muito afável e doce como pessoa e que tinha uma paixão gigante por nomes como Nick Drake, Bob Dylan, Rickie Lee Jones e Jeff Buckley, e que liderava um grupo cuja música exalava referências desses nomes por todos os acordes, além de o vocalista só cantar em um inglês perfeitíssimo? Looooonga história, mas vamos como sempre tentar resumir ao máximo a opereta.

 

Em 2005 meu blog, Zap’n’roll, já existia há três anos e já estava bem conhecido na blogosfera brasileira de rock alternativo e cultura pop. Ele era ainda hospedado no portal Dynamite online (hoje, está em endereço próprio, o .com), um dos maiores do país no segmento de rock e sendo que eu também era repórter do mesmo e também da edição impressa da revista homônima, que ainda circulava e que tinha grande credibilidade junto à garotada leitora de publicações musicais. Vai daí que, por eu ser esse jornalista bastante conhecido na imprensa musical brazuca já há décadas, alguém passou meu contato (na época, o hoje paleontológico MSN) para um sujeito na capital mato-grossense que tinha uma produtora de eventos culturais por lá. Ele se chamava Pablo Capilé (ahá!) e a tal produtora tinha o nome Cubo. O figura me adicionou no MSN dele e passou a me contatar, querendo que eu fosse pra lá para cobrir um festival que ele iria realizar em pleno carnaval daquele ano. O festival se chamava “Grito Rock” e aquela seria sua segunda edição. Para me convencer a ir até Cuiabá mr. Capilé (que anos depois iria se transformar numa das figuras mais conhecidas da cena musical independente brasileira e também se transformaria naquilo que todos nós bem sabemos no que ele se transformou) usou todos os argumentos possíveis, durante cerca de duas semanas de intensos bate-papos pela velhusca plataforma de conversa virtual (hoje nem Skype se usa mais nesses tempos de whats app, não é?). “O festival vai ser bacana, vai rolar numa galeria de arte da cidade”, dizia ele. “Muitas bandas bacanas e sua presença será super importante pra gente e bla bla blá”. Até que um dia eu resolvi topar e disse que ia, mas com a ressalva de sempre: “a Dynamite não tem grana pra bancar essa viagem”, informei. “Comofas?”. Ele: “sem problema! Daremos passagens, hospedagem e alimentação pra você. Só um detalhe: você se importaria de vir de… ônibus?”.

 

Puta que pariu! Ir de busão de São Paulo até Cuiabá??? Fui pesquisar: eram nada menos do que 25 horas (!) de viagem, com o ônibus passando por todo o interior paulista, entrando em Minas Gerais, passando por Goiás para finalmente adentrar Mato Grosso. Uma viagem sem fim, com estradas idem e por onde eu iria passar por dezenas de cidades que eu nunca tinha ouvido falar na vida. Mas como sempre fui aventureiro e adorei enfrentar desafios, aceitei. Tudo acertado embarquei numa quarta-feira (nas vésperas do início do carnaval), às 8 da noite em Sampa. Cheguei na rodoviária cuiabana no outro dia, às 9 da noite. Com a bunda quadrada, podre de cansaço mas vivo e inteiro. Fui recebido por uma simpática, magra e bonita (de rosto) garota, que integrava a equipe de produção do festival, e que me levou imediatamente para o hotel onde me hospedaram. Aposentos simples mas aconchegantes e confortáveis. Nunca tive frescura quanto a isso: tendo uma boa cama pra dormir e banheiro dentro do quarto, beleza. E assim foi. Nessa primeira noite em Hell City eu não quis saber de nada, apenas dormir. Foi o que fiz. Mesmo porque na noite seguinte, sexta-feira, o tal Grito Rock iria começar.

 

Fazia um calor literalmente dos infernos naquela cidade. O hotel era muito simples e por isso não tinha ar-condicionado no quarto, mas um providencial ventilador de pá no teto, o que já amenizava bastante o clima da “sauna” onde eu me encontrava. Almocei no meio da tarde e voltei pro quarto, onde fiquei até o começo da noite à espera que viessem me buscar pra irmos ao local do festival. Tratava-se de uma galeria de arte, chamada Galeria do Pádua. Então lá fomos nós enfrentar a maratona de gigs da primeira noite do Grito Rock: espaço pequeno, cerca de 150 pessoas lá dentro, temperatura nas alturas, cervejas e destilados toscos à venda no bar e nada de outras drogas à vista. As bandas foram se revezando no pequeno palco e aquilo tudo foi me entediando, um pouco pelo calor insuportável e outro tanto pela absoluta má qualidade musical dos grupos que iam tocando, e cujo som oscilava entre êmulos de metal melódico (à la Angra e Shaman) e emocore (à la CPM22 ou NX Zero). Nada muito animador, pra ser bastante honesto e sincero. Tanto que, quando perguntado pelo capo Pablo Capilé o que eu estava achando até aquele momento dos artistas que estavam se apresentando, procurei ser, hã, “diplomático”, dizendo que estava achando ok mas que de fato eu ainda não tinha visto/ouvido nada que realmente me empolgasse tremendamente. Ao final da primeira noite/madrugada de shows, Capilé se despediu de mim dizendo: “amanhã teremos bandas melhores. E talvez um presente pra você”. Ok. Fiquei curioso mas rumei de volta pro hotel, a bordo da van que haviam me disponibilizado pra ir embora. Caí novamente cansadão e morrendo de calor na cama. E nem imaginando que, no sábado, realmente tudo seria muito diferente.

 

E veio a segunda noite do GR. E com ela as coisas começaram enfim a acontecer naquele festival na capital do cerrado, e bem na sucursal brasileira do inferno. Pra começar enquanto a primeira banda se apresentava no palco, um sujeito ligado à equipe de produção do festival se aproximou de mim e me deu discretamente algo na mão, dizendo: “mandaram buscar isso pra você, cortesia nossa!”. Eu fui ver o que era e não acreditei: um autêntico mutucão de cocaína, onde deveria ter umas 5 gramas de pó. E eu sempre ouvi dizer que a “farinha” em Cuiabá devia ser das melhores, já que a “fábrica” do “produto” é ali ao lado, na Bolívia. Não perdi tempo pra saber se o negócio era bom ou não: fui direto pros banheiros que ficavam no subsolo do lugar, me tranquei em um deles e estiquei uma generosa “taturana” para devastar meu pobre orifício nasal. Aspirei o bagulho e saí dali voltando ao andar térreo, onde o primeiro conjunto acabara de encerrar seu set. E não demorou muito pra eu perceber que o “negócio” era bom pra caralho e que eu já estava no estágio da bicudisse plena e irreversível – sendo que ainda havia toda a farinha do mundo para eu praticar devastação nasal o resto da madrugada. Foi nesse instante que outro sujeito ligado à produção do festival me chamou dizendo que a MTV local queria fazer uma entrevista rápida comigo, pra eu dar minha opinião sobre o evento e tal. Foi talvez a entrevista mais paranóica que eu já dei na vida: aquele holofote estalando na minha cara, um calor exasperante, eu bicudaço de cocaine e uma repórter loira bocetudíssima me entrevistando. E eu falando a 200 kms por segundo em resposta a cada pergunta que me era feita. Tanto que ao final da gravação da entrevista, o produtor da mesma chegou também discretamente em mim e disse: “porra, fodona essa farinha que você cheirou hein, rsrs. Tem um tiro pra me dar?”. Como não sou muquirana com essas paradas (se eu tenho bastante, como era o caso ali, eu divido generosamente, sem problema), chamei o sujeito pro banheiro do subsolo e estiquei mais duas carreiras, uma pra ele e outra pra euzinho, claro.

O Vanguart versão 2015, ao lado de Zap’n’roll: amizade que já dura uma década

 

A essa altura o calor já me consumia, a cocaína derretia meus neurônios e eu bebia o que pudesse pegar no bar: cerveja, licor de menta, o que viesse descia na minha garganta, contanto que estivesse bem gelado. Foi quando o manda-chuva Capiloso (sempre ele!) chegou no meu ouvido e cochichou: “presta atenção na banda que vai tocar agora. Pelo que você comentou comigo sobre seu gosto musical, acho que vai curtir o som deles”. Tentei prestar atenção embora achando que no estado em que eu me encontrava nada mais iria prender a minha atenção. Mas aí entrou no palco a tal banda. Cinco garotos liderados por um vocalista baixote, magrinho, com uma pinta no queixo. E os detalhes que começaram a me chamar a atenção (ou o que restava dela): o rapazola estava de camisa social de mangas compridas e arregaçadas; por cima dela um paletó (!), isso em um local onde a temperatura deveria estar beirando os 35 graus. E por cima do paletó um suporte de gaita com a própria e também um violão pendurado no pescoço. Quando vi aquilo, travadíssimo como eu já estava perguntei pra mim mesmo: “quem esse pirralho está pensando que é? Algum Bob Dylan do cerrado?”.

 

Pois quando o “pirralho” abriu a boca e começou a cantar e a banda começou a tocar, eu abri a minha boca e arregalei os olhos (quer dizer, eles já deviam estar totalmente estalados por causa da “farinha”) e não acreditei no que estava ouvindo: as mais lindas canções que eu tinha escutado até aquele momento naquele Grito Rock, com melodias repletas de referências de folk music, bordadas com esmero absoluto e cantadas em um inglês impecável. Quando o set da banda, que se chamava Vanguart, acabou eu já estava absolutamente seduzido e apaixonado pelo conjunto. Folk music de primeira qualidade? Com as melhores referências da história do gênero? E tudo isso em… Cuiabá? Não era possível, aliás era impossível. Tentei organizar as minhas idéias (meu cérebro nesse momento já estava completamente alucicrazy) e fui conversar com o vocalista baixinho. Perguntei a ele: “de onde você tirou essas referências sensacionais?”. Helinho respondeu: “bom, eu achei que havia algo além de metal melódico e emocore no rock’n’roll. Então eu fui atrás desse além”. Perfeito! Depois de ver/ouvir aquela banda, nada mais me interessou no festival.

 

Voltei para São Paulo falando sem parar do tal Vanguart. Marquei uma entrevista por MSN com o pequeno Flanders. A entrevista resultou em uma matéria de duas páginas na edição impressa da revista Dynamite, e cujo título era “Vanguart – Folk e melancolia em Cuiabá”. Inimigos meus na imprensa musical (gente porca, escrota e quem nem merece ser citada aqui) começaram a me zoar sem dó no falecido Orkut, tirando sarro da minha descoberta: “uma banda folk que se chama Vanguart e que, ainda por cima, é de Cuiabá! Ahahahahaha”. Esses otários se foderam e hoje devem se roer de inveja: os Vangs acabaram se mudando para São Paulo um ano depois, trilharam um caminho árduo na capital paulista, foram se tornando nacionalmente conhecidos, Helinho passou a cantar em português e hoje o agora sexteto (que tem também em sua formação uma violinista) desfruta de ótima posição no atual cenário musical nacional. Como eu já disse lá em cima, no começo deste capítulo, talvez tenha sido a única banda da cena independente brasileira a se tornar grande e bastante popular a ponto de ter uma música de seu último disco, a faixa “Meu Sol”, incluída na trilha sonora de uma novela da tv Globo.

 

Eu sempre costumo traçar esse paralelo, com as devidas diferenças de época e situação, e sempre mantendo minha humildade: o saudoso produtor Ezequiel Neves (que também foi um dos maiores nomes do jornalismo musical brasileiro, nas décadas de 70’ e 80’, e que acabou se tornando meu amigo no final da vida dele) descobriu o Barão Vermelho. E eu descobri o Vanguart, em termos jornalísticos. Me sinto feliz por isso e orgulhoso disso, sendo que tudo aconteceu em uma noite de calor infernal, há uma década em um festival durante o carnaval em Hell City, com o jornalista gonzo/maloker/loker chapado de padê e ouvindo as mais lindas baladas folk. Canções que hoje são cantadas por multidões nos shows sempre lotados dos queridos Vangs.

 

 

MUSA ROCKER FLAVINHA – ELA É MAGRINHA, LINDINHA, ABUSADA, FÃ DE BUKOWSKI E DO ROCK. PRECISA MAIS?

Nome: Flávia Monteiro Soares.

 

Idade: 22 anos.

 

De onde: São Paulo.

 

Mora: com os pais, também em Sampa.

 

O que faz: estudante de trabalhos multimídia, e vocalista e gaitista na banda Compendium Blues Band.

 

Três artistas: Credence Clearwater Revival, Black Sabbath e Nina Simone.

 

Três discos: “Led Zeppelin III”, “Black Sabbath 1970” e “Hooker’n Heat” (Canned Heat).

 

Três filmes: “Clube da Luta”, “Darko” e “V de Vingança”.

 

Um diretor de cinema: Quentin Tarantino.

 

Três livros: “O sobrevivente” (Chuck Palahniuk), “Misto Quente” (Charles Bukowski) e seleção poética de Fernando Pessoa.

 

Um show inesquecível: Black Sabbath em São Paulo.

 

O que o blog tem a dizer sobre a gata: jornalista loker e Flavinha se conheceram em uma noite qualquer e bizarra há cerca de um ano. Ambos tinham acabado de sair do Mis (Museu da Imagem e do Som), em São Paulo, onde haviam visto uma sessão de cinema de “As virgens suicidas”, a estréia cinematográfica de Sofia Coppola. A pequena e magra porém sedutora jovem rocker estava meio perdida na rua Colômbia e perguntou ao jornalista como fazia para chegar à estação de metrô mais próxima. “Vem comigo”, disse ele. Desde então os dois se tornaram mega amigos, sendo que o blog a chama de “filhota adotiva loker”, ahahaha. Flávia é ótima: além de lindinha também possui grande cultura (é fã do velho safado Bukowski) e formação musical. É com justiça nossa musa deste post.

 Sou uma metamorfose ambulante, sempre!

 

Só os loucos iguais a mim podem me devorar

Um corpo, tatuagens e uma guitarra: ela é do rock!

 

Eu sou devassa. E amo carregar o velho safado no meio das minhas pernas

 

O jornalista zapper e Flavinha loker (e mais uma amiga dela) na última quinta-feira em Sampa, na Sensorial Discos

 

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Disco: Como o blog sempre diz, nunca é tarde pra se falar de um bom (ou ótimo) disco. E nesse caso o som desta já quinta-feira (30 de julho, quando esse mega post está finalmente sendo concluído) é esse aí: “Saturns Pattern”, o novo álbum solo de mr. Paul Weller, o sujeito que criou o incrível trio mod/pós-punk The Jam (na Inglaterra no final dos anos 70’) e, em seguida, o não tão incrível assim duo Style Council (há quem adore o SC, o autor destas linhas rockers acha chatinho). Weller está com 57 anos nas costas e é adorado e considerado gênio por crítica e público na Inglaterra. Aqui ninguém o conhece (salvo honrosas exceções). E o disco é MUITO BOM. Saiu lá fora no final de maio e por incrível que pareça acabou de ganhar edição nacional. O blogão está ouvindo agora e gostando. É um cd recheado de ótimos rocks básicos (mas muito bem estruturados musicalmente) e que também se equilibra bem em seus momentos mais baladeiros. “Long Time”, por exemplo, lembra Iggy Pop dos tempos de “Raw Power”.E sendo que Weller andou sendo ovacionado durante sua gig no Glastonbury deste ano. Poderia vir até o Brasil, mas quem iria trazê-lo até aqui? Eis a questão. Mas pelo menos o novo discão dele pode ser escutado aqui: https://play.spotify.com/album/3JUYH5aFVFP3j97rSVaARK.

O novo disco do ex-líder do The Jam: Weller em forma aos 57 anos

 

* Livro: “Só por hoje e para sempre” chegou às livrarias na semana passada e já é um dos campões de venda da temporada. Não é para menos: ele reúne os diários escritos pelo eternamente amado e saudoso Renato Russo (o inesquecível vocalista e líder da Legião Urbana) no período em que o cantor passou internado em uma clínica de reabilitação no Rio De Janeiro, entre abril e maio de 1993 – sendo que Russo iria morrer três anos depois, em 1996, vitimado pela AIDS. Para quem conviveu de perto com a banda (como o jornalista zapper), alguns dos relatos que agora vêm a publico nem são tão novidade assim. Mas em outros episódios mais obscuros Renato detalha o seu envolvimento com álcool e drogas e sua vida pessoal além da persona pública e fora dos palcos. São narrativas contudentes (como ele descrever como gastou US$ 40 mil dólares numa viagem aos EUA, onde tomava cerca de dez doses diárias de whisky, a seis doletas cada dose) de episódios idem (quando ele foi agredido por seguranças da casa noturna carioca Canecão, após uma apresentação do jurássico trio prog inglês Emerson Lake & Palmer, pois Russo queria entrar de qualquer forma nos camarins pra conversar com os gringos) e que ajudam a entender o lado humano do artista e genial poeta do rock brasileiro dos anos 80’. O volume é pequeno (167 páginas) mas a leitura empolga mesmo quem não é fã da Legião.

 

 

* Baladas enfim pro finde: e não? O post demora pra ser concluído mas a gente nunca esquece do circuito rock under de Sampa, não é? Então como hoje já é quinta-feira, 30 de julho (férias chegando ao fim, que pena…), vamos ver o que tem de bom pra fazer nesse finde de inverno nem tão rigoroso assim (pelo menos até o momento): logo menos à noite o músico Daniel Belleza lança sua marca de cerveja artesanal lá na Sensorial Discos (que fica na rua Augusta, 2389, Jardins, zona sul de Sampa). Depois a dica é se mandar pro Astronete (no 335 da mesma Augusta, em direção ao centrão da cidade), onde sempre rola às quintas a bacanuda festa Master Blaster, comandada pelo DJ Johnny Bird.///Na sextona em si tem open bar sempre bacanão no Outs (no 486 da Augusta).///E o sabadão vai ser mega agitado, com show do Felipe Ricotta e dj set do queridão Wlad Cruz (o homem do Zona Punk) na Sensorial Discos (à tarde), sendo que à noite e lá também vai ter showzaço do Churrasco Elétrico. E pra fechar beeeeem a madrugada você pode escolher entre ir dançar na estréia da festa “War Pigs” no Astronete (com os DJs Plínio, Focka e Serginho) ou curtir gig bluesística do Saco De Ratos (do mestre dramaturgo Mário Bortolotto) no Centro Cultural Zapata (rua Riachelo, 309, centrão brabo de Sampa). beleusma? Então vai na fé e se joga!

 

 

E APÓS UM RELATIVO RECESSO, EIS QUE O SACO DE BONDADES DO BLOG ESTÁ DE VOLTA!

Yeeeeesssss! E em parceria bacanuda com a Ideal Edições, vamos colocar alguns livros legais da editora pra sorteio. Então vai lá no hfinatti@gmail.com, que entram em disputa:

 

* Um exemplar da biografia do The Cure que acaba de sair no Brasil;

 

* E outro exemplar da bio do ex-batera do Guns N’Roses, Steven Adler. Mas pode mandar sua mensagem sussa que iremos sortear os mimos até o dia 10 de agosto, okays? Vai nessa e boa sorte!

 

 

E AGORA É FIM DE PAPO

Postão monstrão e completão no ar, ainda que demorado. Mas ninguém pode reclamar pois o blogão zapper é hoje um dos campeões em extensão de infos de cultura pop que interessam de fato aos leitores. Então ficamos assim: na semana que vem voltamos aqui, com novo post (o começo dele, pelo menos) e a qualidade crítica de sempre nele. Isso aê: beijos na galera e até lá!

 

 

(ampliado, atualizado e FINALIZADO por Finatti em 30/7/2015, às 5hs)