AMPLIAÇÃO FINAL (com A MORTE DE SCOTT WEILAND, editorial em defesa do mandato de Dilma, indicações culturais do blog e roteiro de baladas): Aeeeeê! O postão custa a aparecer mas cá estamos novamente, e FERVENDO com a análise das SENSACIONAIS biografias de Iggy Pop e Kim Gordon, que já estão disponíveis em edição nacional; o blog questiona novamente (e agora enfim publicando uma análise do tema): qual o interesse ESCUSO por trás do hype em torno dos Boogarins, e a QUEM interessa esse hype afinal?; como foi a gig de despedida dos Pin Ups, em resenha que humilha a “concorrência”, uia! E mais isso e aquilo tudo no blogão campeão em cultura pop e cujo postão está finalmente e totalmente concluído (atualização final em 4/12/2015)

 

 

 Dois gênios e duas lendas da história do grande rock’n’roll têm suas vidas e suas trajetórias artísticas em duas excelentes biografias, que ganharam caprichada edição brasileira: Iggy Pop (acima) e Kim Gordon (ex-baixista do finado grupo americano Sonic Youth, abaixo) fazem parte de uma estirpe de músicos como não existe mais no mondo pop/rock de hoje

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EXTRA BOMBA! A MORTE DE SCOTT WEILAND

O vocalista Scott Weiland, durante apresentação da banda Stone Temple Pilots no festival SWU, em Paulínia (São Paulo), em novembro de 2011; ele morreu ontem nos Estados Unidos, aos 48 anos de idade (foto: Helena Lucas)

 

Esse LOKI se foi. Muito jovem. E o blog gostava PRA CARALHO da obra dele, do ARTISTA que ele era. Durante anos brincamos, eu e  irmão André Pomba, que Scott Weiland era nosso “sonho de consumo” masculino, rsrs (riso sem graça agora, na verdade). E os Stone Temple Pilots foram uma das melhores e mais SUBESTIMADAS do grunge americano noventista, ponto. Fora que Weiland encarnou à perfeição a persona do rock star louco, desajustado e junkie em sua essência: cheirou toda a cocaína que pôde, consumiu toda a heroína possível, fumou quilos de crack, bebeu horrores e era um VOCALISTA FODÍSSIMO, e letrista idem.

 

Rip man. E o rock’n’roll dos anos 2000’ que está na UTI, fica sem um dos seus últimos grandes heróis dos últimos 25 anos.

 

* Cobertura do show do Stone Temple Pilots no SWU 2011 pela Zap’n’roll, aqui: http://www.zapnroll.com.br/?p=1148

 

* E o set da banda no festival, na íntegra, aí embaixo:

 

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EDITORIAL POLÍTICO ENCERRANDO O POST – EM DEFESA DO MANDATO DE DILMA

A maioria dos leitores destas linhas zappers era muito jovem ou talvez nem fosse nascida ainda quando a política brasileira passou pela última vez por situação semelhante a de agora. Foi em 1992, quando o atual senador Fernando Collor era presidente. E naquela época havia todos os elementos do mundo para afastar Collor (sendo que a situação econômica do Brasil era grave, mas nem era tão grave como atualmente). Uma série de denúncias COMPROVADAS com farto material documental indicavam que o político alagoano (que havia sido eleito com a falaciosa peça de marketing de que ele era um super-homem e um “caçador de marajás”; até a saudosa mama Janet, sempre tão esclarecida política e intelectualmente, se quedou e se deixou seduzir pelo discurso do sujeito) vivia nababescamente sustentado por um sórdido esquema de corrupção, que pagava suas contas pessoais e as de sua família. Quando a sujeira toda veio à tona (e, quem diria, com a revelação dela disparada pelo irmão novo do presidente, Pedro, em entrevista de capa à hoje escrota e exemplo máximo de mau caratismo jornalístico, que é a revista Veja) o país se indignou. Milhões foram às ruas pela saída de Collor – o blog se lembra de um comício monstro num final de tarde no Vale do Anhangabaú (centro de São Paulo), em que nós, Luiz Calanca (da loja de discos Baratos Afins, e Valdir Angeli, estivemos presentes, gritando pela deposição do BANDIDO que ocupava a presidência da República). E ele acabou caindo. Com merecimento. Foi a ÚNICA vez na história do Brasil (detalhe: apesar de jornalista há quase 30 anos, sou realmente formado no curso de História) que um presidente foi “impichado”. E como ótimo LADRÃO que é, Collor seguiu na política e nela continua até hoje, roubando como sempre e volta e meia sendo pilhado em esquemas de corrupção, como foi novamente no escândalo do petrolão.

 

O que nos leva à situação atual e ao agora acolhido pedido de impeachment contra Dilma, atual presidente do Brasil e que recebeu mais de 50 milhões de votos nas últimas eleições. Só um IDIOTA, CEGO, OTÁRIO, BURRO, IMBECIL, REACIONÁRIO, CONSERVADOR E HIPÓCRITA para não perceber (ou entender) que há uma diferença MONSTRUOSA entre o que é essa mulher (Dilma) e o que é, foi e continua sendo Fernando Collor. As duas biografias falam por si e quem tiver um MÍNIMO de bom senso e inteligência que vá atrás de ambas e as leia. Dilma pode ter TODOS OS DEFEITOS DO MUNDO – e os têm: é teimosa, turrona, cabeça-dura, tem mega dificuldade em ESCUTAR opiniões contrárias às suas e também a ouvir conselhos. Mas BANDIDA, LADRA, eu tenho convicção de que ela NÃO É. Sim, o país está mergulhado numa crise política e econômica HORRENDA e muito dessa crise é fruto e culpa do próprio PT (o Partido da presidente) e do petismo, que se transfigurou de anos pra cá e se transformou em tudo aquilo de PIOR que existe na política brasileira e nos outros Partidos políticos. O PT sucumbiu à corrupção deslavada, se locupletou no poder e hoje se compraz em utilizar todos os métodos políticos sórdidos na condução do gerenciamento do país que ele sempre abominou nos outros Partidos e combateu com unhas e dentes. E aí esteja talvez outro dos gigantes DEFEITOS de Dilma: uma mulher de conduta pessoal e política ilibada (até onde se sabe, e acredito na idoneidade dela) que infelizmente ainda está dentro de um Partido político infestado de RATAZANAS graúdas (e Delcídio do Amaral é apenas e nesse momento a parte mais visível dessas ratazanas). Ela faria um bem a si mesma se ABANDONASSE o PT.

 

Dito tudo isso aí em cima,  declaramos aqui PUBLICAMENTE que somos CONTRA o impeachement dessa mulher. Ela tem todos os defeitos do mundo, vero. Mas tb é guerreira, é íntegra, Lutou contra a ditadura militar (que matou muita gente no Brasil) e arriscou a própria VIDA pela redemocratização do país e por uma nação melhor e mais justa. Então é INCONCEBÍVEL que um BANDIDO, PILANTRA, ESCROQUE, CANALHA, CAFAJESTE E CHANTAGISTA da PIOR ESPÉCIE como é o presidente da Câmara Eduardo Cunha, tenha o PODER de abrir um processo de impedimento contra uma mulher que ganhou legitimamente nas URNAS o cargo que ocupa. Afinal, como ela mesma disse ontem em ótimo pronunciamento (e assino embaixo tudo o que ela disse), não é ELA que está sendo investigada pelo STF por corrupção no escândalo da Petrobras. Não é ELA que teve contas bancárias secretas (e ILEGAIS perante a Lei brasileira) descobertas na Suíça. Não é ELA que ESCONDEU de todo mundo a existência de bens pessoais milionários. E sim EDUARDO CUNHA é quem fez tudo isso. Quem já deveria estar ESTIRPADO do Congresso e na CADEIA é ELE, ao invés de se querer ARRANCAR À FORÇA Dilma do cargo que ela ocupa.

Uma mulher guerreira (a presidente Dilma, acima) e que ganhou seu mandato no VOTO; o mesmo mandato que agora PILANTRAS como Eduardo Cunha (abaixo) querem arrancar dela à força. Quem é de fato o grande BANDIDO dessa história?

 

Ficou muito claro que esse facínora da pior espécie e sem igual na política nacional, que é Cunha, deflagrou tal processo em RETALIAÇÃO ao fato de que a bancada do PT no Conselho de Ética da Câmara vai mesmo votar pela continuidade do processo pela cassação do seu mandato de deputado. Uma sujeira sem tamanho desse EVANGÉLICO mais sujo que pau de galinheiro, e que ENVERGONHA a classe política e a própria RELIGIÃO a qual ele devota suas (falsas) orações.

 

Se necessário for, voltaremos às ruas como fizemos em 1992. Só que desta vez para DEFENDER o MANDATO de uma mulher que jamais poderá ser equiparada, pessoal e politicamente, a gente do naipe de Eduardo Cunha, Fernando Collor e outros MARGINAIS da política nacional. Eu votei nela. E vamos DEFENDER NOSSO VOTO E SUA PERMANÊNCIA no cargo até o fim.

 

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O velho punk louco e a deusa loira.

Talvez sejam dois personagens em extinção no mondo pop/rock dos tempos atuais, cada vez mais conservadores e intolerantes sob todos os aspectos da existência humana – inclusive na cultura pop e na música em geral. Tanto Iggy Pop (sessenta e oito anos de idade) quanto Kim Gordon (sessenta e dois), ex-baixista do finado e saudoso Sonic Youh, pertencem a uma casta de músicos e artistas que legaram arte GIGANTE (na qualidade) para a história do rock’n’roll. Ele, ao ser um dos personagens principais na formatação do rock de garagem dos anos 60’ e naquilo que alguns anos mais tarde iria explodir na Inglaterra sob o epíteto de punk rock. Ela ao fundar em 1980 junto com o guitarrista, vocalista, compositor e ex-marido Thurston Moore a banda que melhor traduziu Grande Arte em forma de guitarras indies, barulhentas e dissonantes. Não à toa duas das melhores biografias musicais publicadas este ano (e que ganharam caprichadas edições brasileiras) radiografam com precisão a trajetória pessoal e profissional dele e dela. E talvez a leitura dos dois livros (que estão bem analisados neste postão de Zap’n’roll que está começando a entrar no ar na terça-feira, 24 de novembro, ante-véspera de mais um aniversário na vida do autor deste já veterano blog sempre rock’n’roll) jogue alguma luz em nós sobre alguns aspectos do mundo atual. Sobre porque o rock entrou em processo de empobrecimento artístico. Ou sobre porque o ser humano se tornou tão moralista, conservador, preconceituoso e bestial a ponto de gerar aberrações como o grupo terrorista Estado Islâmico. Afinal o mundo em que Iggy e Kim viveram quando eram jovens, era muito diferente do mundo em que vivemos atualmente. Os anos 60’ e 80’ foram décadas excepcionais e maravilhosas na questão da criação cultural e dos valores comportamentais, quando as pessoas eram muito mais liberais e libertárias e havia muito menos intolerância na face da Terra. O que deu errado de lá pra cá, afinal? Foi pra isso que bandas geniais e inesquecíveis como Stooges (onde Iggy cantou, deitou e rolou) e SY existiram? Para hoje assistirmos com absoluta impotência a quase completa desintegração de toda e qualquer manifestação cultural minimamente relevante, que seja? Enfim, são respostas que talve só o tempo nos dê. E enquanto elas não chegam, continuamos aqui, lutando como possível pela cultura pop e pelo nosso sempre amado rock’n’roll alternativo. E a bordo de mais um postão zapper, que começa agora.

 

 

* Yep, o postão anda demorando muito a sair. Mas quando chegamos com ele, chegamos já fervendo, néan.

 

 

* Sendo que os assuntos dominantes nas últimas semanas continuam sendo o infame atentado terrorista em Paris (e que custou a vida de cento e trinta inocentes) e o maior desastre ambiental já ocorrido no Brasil, mais espeificamente em Minas Gerais. Ambos os episódios deixam a alma e o coração do blog eivados de tristeza. E se perguntando: até quando iremos suportar tamanha intolerância e bestialidade geradas pelo próprio ser humano? E até quando empresas bilionárias como a Samarco/Vale, que não possuem o menor respeito pelo meio ambiente e pela vida humana, seguirão provocando IMPUNES no Brasil desastres que MATAM pessoas e aniquilam rios, animais e vegetação?

 

 

* E não, Zap’n’roll NÃO vai falar sobre o novo álbum da Adele, mesmo ele sendo na opinião de blogs vizinhos (que já andaram soltando fogos de artifício até pra anunciar turnê brasileira do mega brega Lionel Richie, jezuiz…), “o lançamento mais importante do ano”. Não é o foco DESTAS linhas bloggers, definitivamente. E felizmente. Todo mundo já está falando disso (capa inclusive da já decadente edição brasileira da revista Rolling Stone), o disco dela vai ser com certeza o mais vendido deste ano (isso numa época onde o cd está praticamente morto), a loira esteve até no Fantástico da TV Globo, então ESTE blog não precisa ficar perdendo tempo com isso.

A humanidade está falando da loira cantante inglesa – inclusive ex-blogs de rock alternativo e que agora anunciam até turnê de Lionel Richie, hihihi; logo, Zap’n’roll não precisa perder tempo com esse assunto

 

* Mais importante do que ficar gastando espaço com Adele é observarmos que a crise econômica pela qual o país está passando afetou inclusive a produção de alguns dos festivais indies mais bacanas do Brasil. Caso dos já veteraníssimos Goiânia Noise e Porão Do Rock. O primeiro chegou aos seus vinte e um anos de existência e sua edição 2015, realizada há duas semanas na capital de Goiás (e produzido sempre pela querida e brava turma da Monstro Discos, de quem o blog é dileto e fiel amigo há anos já), foi feita quase na RAÇA, já que não teve apoio do poder público local (mais interessado em despejar grana na mão de gente escroque, que faz outro festival anual em Goiânia, mais pop e menos voltado ao rock independente). O resultado foi uma edição bem mais modesta do que as anteriores e onde o grande destaque foi mesmo o ainda gigante hardcore Ratos De Porão. Já o PDR deste ano aconece no próximo dia 5 de dezembro em Brasília (quando geralmente ele rola no final de agosto). E a edição 2015, ao contrário das anteriores, será realizada apenas no sábado, no estacionamento do estádio Mané Garrincha. Este ano também não há nenhuma atração internacional (como em 2014 e 2013, que foram acompanhadas de perto pelo blog e quando se apresentaram nomes gringos como Mark Lanegan e Soulfly) mas, ainda assim, haverá gigs de bandas históricas de BsB como Paralmas e Capital Inicial. Enfim, são tempos bicudos mesmo o que estamos vivendo e a torcida é para tudo volte ao normal o mais breve possível e que festivais como o Noise (em Goiânia) e o Porão (em Brasília) possam brilhar novamente como merecem.

 

 

* A pergunta que não quer calar: quando começam as vendas dos tickets pra turnê dos Rolling Stones no Brasil, em fevereiro? Hein???

 

 

* E como o postão está entrando agora no ar mas vai seguir em construção até quinta-feira pelo menos, vamos atualizando as notinhas iniciais até a conlusão dos trabalhos por aqui, okays? Então bora ir já aí embaixo ler sobre as bacaníssimas biografias de Iggy Pop e Kim Gordon, que ganharam ótimas edições nacionais.

 

 

O VELHO LOUCO/JUNKIE IGGY POP E A DEUSA LOIRA KIM GORDON – DUAS LENDAS DA HISTÓRIA DO ROCK QUE NÃO VENDERAM SUAS ALMAS

Não resta dúvida de que o Grande Rock’n’roll acabou – ou, no mínimo, está quase morto, respirando por aparelhos na UTI da música pop planetária atual. Uma música pop (e nela, incluso o rock atual) que viu sua criatividade e qualidade artística descer ladeira abaixo sem dó e rumo a um abismo de mediocridade criativa como nunca antes havia sido visto ou ouvido, cortesia destes tempos incultos e obtusos de internet e redes sociais. Assim, dessa forma, talvez só reste a quem ainda ama o rock que realmente importa,  escutar os álbuns clássicos e LER sobre personagens gigantes que ajudaram a escrever essa história ainda emocionante. E esses personagens já estão ficando idosos, claro. Mas ainda assim continuam representando o que de GRANDIOSO foi feito no rock planetário nas últimas quatro ou cinco décadas. Dois exemplos máximos? Iggy Pop e Kim Gordon. Ele, aos sessenta e oito anos de idade, continua na ativa (se apresentou inclusive em São Paulo, há quase um mês, em um modesto festival de rock). Ela, sessenta e dois, fundou a lenda Sonic Youth (a banda que definiu todo o indie guitar noise rock mundial de três décadas pra cá) e nele permaneceu tocando baixo até o fim do grupo, em 2011. E ambos acabaram de ter lançadas no Brasil duas estupendas biografias: “A garota da banda” (de Kim) e “Open Up And Bleed – a vida e a música de Iggy Pop”, sobre o homem que um dia cantou à frente dos Stooges (a banda garageira/proto punk mais fodástica dos sixties).

 

Dois livraços que o blog recebeu das respectivas editoras que os lançaram aqui (Aleph e Fábrica 231, braço da Rocco) e que está devorando com prazer máximo, sendo que os volumes serão as grandes cias literárias zappers neste final de um 2015 eivado de crises políticas e econômicas, de desastres ambientais monstruosos e por ataques terroristas bestiais. Afinal tanto a música do Iguana (apelido que Iggy tinha no início de sua trajetória) quanto do SY foram companheiros inseparáveis do já velho jornalista loker/rocker em suas últimas três décadas e meia de existência, e onde muito aconteceu e atravessou a vida quase sempre loka do autor deste blog, ao som dos dois nomes em questão. Amores, paixões, trepadas, loucuras variadas, enfiações grotescas de pé na lama em álcool e drugs, shows inesquecíveis tanto de Iggy quanto do Sonic Youth: Zap’n’roll passou por tudo isso e por isso mesmo será sempre um devotado fã da loira e de sua ex-banda, e do sujeito que cantava que queria ser seu (nosso) cão.

 

A biografia da loira e eterna baixista do Sonic Youth tem acabamento visual bacana e duzentas e oitenta e seis páginas. Com tradução do jornalista e blogueiro Alexandre Matias, curiosamenre começa pelo FIM da banda e do casamento de Kim Gordon com Thurston Moore. Ela relata em minúcias o processo que desencadeou a separação do casal fundador do grupo (Moore tinha arrumado outra mulher mais jovem, só pra variar, Kim descobriu e foi o fim de tudo, inclusive do SY) e a excursão derradeira da banda, com a passagem final pela América Latina e o ÚLTIMO SHOW, que foi o realizado na segunda (e também derradeira) edição do festival SWU, em Paulínia (próximo à capital paulista) em novembro de 2011 – gig a qual o blog esteve presente, testemunhando a performance final e eletrizante de um conjunto que representou durante três décadas o que de melhor existiu na cultura pop e no rock alternativo americano. Uma performance acima de tudo PROFISSIONAL pois conseguiu fazer com que os milhares de fãs presentes à apresentação (que transcorreu debaixo de chuva forte o tempo todo), NÃO percebessem o clima PESADO e tenso que havia entre os integrantes no palco, em especial entre o ex-casal que não trocou um olhar ou palavra sequer durante toda a duração do set. Kim, no entanto, desvela com sinceridade plena esse esfacelamento conjugal e a conseqüente ruptura do SY por conta disso, detalhando como foram os ensaios que antecederam a turnê durante uma semana em Nova York (quando ela preferiu ficar hospeada em um hotel, ao invés de utilizar o apartamento que tinha com Moore na cidade), a vontade que se manifestou nela para que essa tour derradeira fosse cancelada pelo grupo (“mas tínhamos assinado um contrato e todos nós tínhamos contas a pagar e famílias para sustentar”, lembra ela) e, por fim, como foi o ambiente interno da Juventude Sônica ao longo das apresentações nos países sul-americanos. Uma sinceridade e honestidade textual que, ao que parece, se prolonga até a última pagina do livro – o blog ainda não concluiu a sua leitura e o fará com calma até o final deste ano, inclusive em nosso sempre aprazível réveillon na bucólica São Thomé Das Letras, em Minas Gerais. Em suma, o relato de uma trajetória de vida e artística de uma mulher que angariou milhões de fãs pelo mundo afora (este jornalista incluso) e o respeito da mídia por fazer o que fez durante trinta anos: grande arte musical e excepcional rock’n’roll.

As biografias de Iggy Pop e Kim Gordon (acima), dois dos melhores livros de rock que foram lançados este ano e que ganharam caprichadas edições nacionais; abaixo, a ex-baixista do Sonic Youth com seu ex-marido (o guitarrista e fundador da banda, Thurston Moore) e a filha do casal, Coco

 

 

James Osterberg, aliás Iggy Pop, além de ter se tornado um dos maiores mitos da história do rock’n’roll, também pode ser considerado como um dos últimos sobreviventes ainda dignos de respeito, da grande geração de bandas e rockers que iniciaram sua trajetória nos anos 60’. O velho louco (que se apresentou em São Paulo há algumas semanas, em um pequeno festival de rock) continua na ativa aos sessenta e oito anos de idade. E é um autêntico milagre que ele continue em forma e subindo em palcos para cantar, dado o seu histórico pessoal e artístico. Fundador no final dos anos sessenta do seminal e antológico The Stooges (um dos nomes capitais do rock de garagem e do proto punk americano dos sixties, com quem gravou os clássicos “The Stooges”, “Funhouse” e “Raw Power”), Iggy Pop enfiou com gosto o pé na lama em grotescas sessões de álcool, drogas e orgias variadas, numa existência ultra junkie e que talvez encontre paralelo apenas em outro sobrevivente lendário da loucura rocker, o Stone Keith Richards.

 

Mas ao contrário dos Rolling Stones (que ao longo de cinco décadas de existência venderam milhões de discos) tanto Iggy quanto sua ex-banda nunca foram um estouro mercadológico. Os discos lançados pelos Stooges, embora sejam referência e influência para zilhões de bandas até hoje, venderam muito modestamente na época em que foram lançados, ente 1969 e 1973. E Iggy em sua longa carreira solo (quase vinte discos desde a estréia em 1977, com o sensacional “The Idiot”) só conheceu o sucesso comercial de fato com “Blah Blah Blah” (editado em 1987) e com “Brick By Brick” (lançado em 1991 e que estourou nas rádios do mundo inteiro, Brasil incluso, por conta da balada “Candy”, em que ele divide os vocais com Kate Pierson, dos B-52’s). De lá pra cá o já quase setentão punk se mantém em evidência por conta de bons lançamentos regulares e, principalmente, pela fama e respeito que sua trajetória angariou perante público e jornalistas. Uma trajetória por certo atualmente bem mais tranqüila e longe dos excessos que motivaram performances históricas dos Stooges (com Iggy se jogando na platéia ou se cortando todo com uma gilete em pleno palco) ou episódios autenticamente rock’n’roll em sua vida pessoal total alucicrazy, como quando o eterno “protetor” David Bowie foi buscá-lo em uma clínica de reabilitação e o colocou no estúdio para gravar “The Idiot”. Lançado em 1977 é o primeiro e até hoje o melhor trabalho solo dele.

 

Toda essa trajetória está detalhdamente esmiuçada em “Open Up And Bleed – a vida e a música de Iggy Pop”, escrito por Paul Trynka que saiu há pouco no Brasil. Com capa dura, um miolo recheado de fotos bacanudas e mais de quinhentas páginas, é uma biografia de fôlego sobre um sujeito que contribuiu de forma decisiva para a construção da cultura pop (e do rock) contemporânea. Um sujeito que, tal qual Kim Gordon, faz parte de uma espécie artística infelizmente em completa extinção no mundo cultural absolutamente inócuo de 2015. A espécie daqueles que legaram GRANDE ARTE à humanidade, em forma de música. Então vá até as duas biografias e conheça a vida de ambos. E entenda porque não existem mais (e dificilmente voltarão a existir) artistas pop como Iggy Pop e a ex-baixista do Sonic Youth.

 

 

“A GAROTA DA BANDA” – TRECHO

“…Depois de trinta anos, aquela noite era o último show do Sonic Youth. O Festival de Música e Artes SWU acontecia em Itú, nos arredores de São Paulo, Brasil, a oito mil quilômetros da nossa casa, na Nova Inglaterra. Era um evento de três dias, transmitido pela televisão latino-americana e também pela internet, com grandes empresas patrocinadoras como Coca-Cola e Heineken. As atrações principais eram Faith No More, Kanye West, Black Eyed Peas, Peter Gabriel, Stone Temple Pilots, Snoop Dogg, Soundgarden, gente assim. Éramos provavelmente os menores artistas da escalação. Era um lugar estranho para as coisas chegarem ao fim”.

 

(nota do blog: na verdade, a segunda edição do festival SWU foi realizada na cidade de Paulínia, e não em Itú como Kim escreve em sua biografia)

 

 

“A VIDA E A MÚSICA DE IGGY POP” – TRECHO

“…Àquela altura, Natalie (organizadora do fã clube dos Stooges) já tinha presenciado os membros da banda em toda e qualquer situação sexual possível: James num banheiro encharcado de sangue com duas garotas, Iggy no quarto com três garotas, Scottie, Thurston e Ron num hotel com uma só garota, vinte pessoas numa orgia no quarto de Iggy e por aí vai”.

 

 

O JORNALISTA BLOGGER LOKER NA VIDA LOKA, ACOMPANHANDO AO VIVO IGGY POP E SONIC YOUTH

* 1988: o primeiro show do Iguana no Brasil, a matéria no Jornal Da Tarde e a virgem que perdeu seu cabaço naquela noite/madrugada – era julho de 1988 e a produção do finado ProjetoSP (casa de shows gigantes que ficava no bairro paulistano da Barra Funda e onde cabiam cerca de cinco mil pessoas) anunciou: Iggy Pop iria se apresentar lá no final daquele mês. Seria a primeira visita do lendário ex-vocalista dos Stooges ao Brasil. Zap’n’roll era então um jovem repórter em trabalho de cobertura de férias de trinta dias no prestigiado caderno “Divirta-se”, do diário paulistano Jornal Da Tarde. E na semana do show publicou UMA PÁGINA sobre Iggy no jornal, para alegria dos irmãos Arnaldo e Marcelo Waligora (que eram os donos do ProjetoSP). O bizarro da parada foi o venerável e já nessa época muito conhecido produtor Luiz Calanca, dono da loja e selo Baratos Afins e dileto amigo zapper já naquela época, vir reclamar da matéria durante uma visita do jornalista à loja: “Que absurdo, Finatti! Você ficar babando ovo em uma página inteira do jornal pra esse VELHO aí!”. Uma semana DEPOIS da gig, de volta à Baratos em um final de tarde, o autor destas linhas lokers rockers escuta do mesmo Calanca, já totalmente convertido: “Puta show!!! BABEI na minha camisa, na beira do palco!”. Ahahahaha. Mas falando especificamente daquela noite algo fria de inverno (como não existe mais hoje em dia em Sampa): Iggy veio na turnê do álbum “Instinct”, que ele havia lançado em junho daquele ano. Um disco com guitarras pesadas e muito diferente do anterior, o pop “Blah Blah Blah”, que hvia sido até então o maior sucesso comercial do loki. A apresentação foi centrada então nas músicas desse disco, mas não faltaram os “cavalos de batalha” como “Lust For Life” e “I Wanna Be Your Dog”. E mais uma bizarrice rolou durante a apresentação: o jovem jornalista musical (então com seus parcos vinte e cinco aninhos de idade) consegui achar no meio do público (que não chegou nem a metade da lotação do local) uma deliciosa XOXOTA preta, de peitões suculentos e rosto de… menininha. Começou a papear com a garota e descobriu que ela estava ali por pura curiosidade (tinha ganho um ingresso em alguma promoção), já que nunca tinha ouvido falar em… Iggy Pop, rsrs. Jornalista e garota ficaram então juntos até o final da gig e ele conseguiu “arrastá-la” para o apê onde morava, na rua Frei Caneca. Lá os amassos começaram e o repórter taradão descobriu que a “mocinha” tinha apenas quinze anos de idade (!!!) e que era… virgem. Era, até aquela madrugada, rsrs. No final dela Cíntia (o nome dela) voltou pra casa sem CABAÇO, ulalá! E algo apaixonada por um jornalista que naquela época não queria saber de nada sério com mulher alguma (ainda mais se ela tivesse apenas quinze anos de idade…).

 

* Novembro de 2005: Iggy, Sonic Youth, cocaine e uma foto ao lado de Kim Gordon na noite do aniversário do maloker – foi em vinte e seis de novembro daqyele ano, há exatamente uma década. Era a noite de ANIVERSÁRIO do jornalista eternamente doidón e que já estava escrevendo semanalmente a COLUNA Zap’n’roll no portal Dynamite online. Que era uma das co-parceiras de divulgação do festival Claro Que É Rock, que iria rolar naquele dia/noite em Sampa. E entre os zilhões de artistas bacanudos do line up estavam justamente… Iggy Pop e Sonic Youth. Foi uma noite total insana. Já ANTES da entrada da Juventude Sônica em cena, um amigo zapper chegou nele e disse: “como hoje é seu aniversário, vou te dar um presente!”. E esticou uma TATURANA gigante de cocaine para ser aspirada pela pobre napa fináttica. Feita a devastação nasal lá se foi o jornalista (que estava com uma credencial all acess pendurada em seu pescoço) já total bicudão para a frente do palco (na área reservada aos repórteres), para assistir o SY. Clima de tensão: voavam copos e garrafas de plástico na direção dos jornalistas (além de gritos elogiosos como “sai daí, filho da puta!”), já que eles estavam ATRAPALHANDO a visão de quem estava logo atrás da grade que separava aquela área do restante do público. Não deu outra: bicudo como estava e tenso com a situação, o loker rocker agüentou ficar ali apenas duas músicas. E saiu logo em seguida sabedor que precisava beber URGENTE algo alcoólico e BEM FORTE, pra “cortar” sua “bicudisse”. Com a credencial que estava foi moleza entrar em uma área vip de uma marca de VODKA que estava patrocinando o evento. E lá o zapper então se entupiu de vodka com energético até ficar bem na foto novamente. A essa altura o show do SY caminhava para o final e Zap’n’roll se dirigiu então para o BACKSTAGE da banda. E lá esperou a apresentação acabar e os quatro integrantes do grupo saírem do palco. Quando eles estavam indo para os camarins (improvisados em alguns trailers), o blog conseguiu trocar algumas rápidas palavras com sua deusa loira, a baixista Kim Gordon – que foi bastante simpática e atenciosa com o jornalista cara-de-pau, hihi. Do encontro rápido sobrou um registro imagético bacana (tirado por alguém que estava por por ali) e que estas linhas online guardam com carinho até hoje. Ah, sim: naquela noite Iggy se apresentou com os Stooges. Foi um set absolutamente animalesco, apenas isso. E a noite terminou de forma insana, com o jornalista e mais três amigos e um TAXISTA indo atrás de cinco gramas de cocaine nas biqueiras da avenida Roberto Marinho (na zona sul de Sampalândia), e depois terminando a esbórnia no saudoso e lendário Attari Club. Bons tempos… rsrs.

O jornalista rocker/loker ganha o melhor presente na noite do seu aniversário, em 26 de novembro de 2005 (há uma década): uma foto ao lado da deusa loira Kim Gordon, ex-baixista do Sonic Youth (sendo que a imagem foi registrada no backstage do festival Claro Que É Rock, logo após o grupo encerrar seu set)

 

 

IGGY POP E SONIC YOUTH AÍ EMBAIXO

Em dois momentos ao vivo incríveis de ambos no Brasil: Iggy (com os Stooges) detonando “I Wanna Be Your Dog” no festival Claro Que É Rock, em novembro de 2005. E o show COMPLETO de despedida do Sonic Youth no festival SWU, em novembro de 2011.

Iggy Pop – festival Claro Que É Rock (São Paulo, novembro de 2005) 

 

Sonic Youth – festival SWU (Paulínia, novembro de 2011)

 

 

OS BOOGARINS SÃO MUITO BONS, DE FATO – MAS ALGO NÃO CHEIRA BEM NO EXAGERADO HYPE EM TORNO DA BANDA

Você, dileto leitor zapper, a essa altura já está careca de saber quem são os Boogarins. Quarteto formado em Goiânia (capital de Goiás) em 2012 e atualmente integrado pelos seus fundadores, os guitarrista e vocalistas Benke Ferraz e Dinho Almeida, além do baixista Raphael Vaz e do baterista Yanaiã Benthroldo (ex-Macaco Bong e que entrou no lugar de Hans Castro), os Boogarins ameaçam se tornar o novo nome mais conhecido do rock BR em escala mundial, algo que antes havia sido conseguido apenas pelo finado Cansei De Ser Sexy e pelo hoje total decadente Sepultura. Tanto que o mais recente álbum de estúdio do grupo, “Manual ou Guia Livre de Dissolução dos Sonhos”, lançado há algumas semanas, foi gravado na Espanha e lançado pelo selo americano Other Music, que “descobriu” o conjunto lá fora. A partir daí um hype gigante começou a se formar em torno do quarteto. Um hype que, na real, exala um odor algo desagradável para este blog. E que pode levantar a seguinte questão: qual o interesse ESCUSO por trás desse oba-oba em torno dos Boogarins? E a quem interessa que o grupo se torne mega bombator no atual circuito indie rock planetário?

 

A banda é ok? Sem dúvida. Com influências assumidas de nomes como Tame Impala e Pink Floyd (lá fora) e Mutantes (aqui no Bananão), os Boogarins professam com bastante competência uma psicodelia/lisergia rocker que dominou boa parte do rock’n’roll nos anos 60’ mas que andava meio esquecida nesses tempos de total mediocridade no qual a música pop da era da internet mergulhou. Foi preciso que conjuntos com o australiano Tame Impala ou o inglês Temples (esses moleques são geniais e um dos grupos dos anos 2000’ prediletos destas linhas bloggers) resgatassem as nuances oníricas e sonoras de nomes como Syd Barrett para que o rock de acento psicodélico voltasse a ser notado por mídia e público. Aqui no Brasil então, falar em psicodelia era papo de alienígena (afinal, estamos no país do axé, do sertanojo universotário e do funk escroto ostentação e onde a cena rock atual amarga uma ignorância musical e textual e uma falta de qualidade artística jamais vista por aqui). Até que os goianos resolveram comprar a briga e mostrar a que vieram. Se deram muito bem: foram descobertos pelo Other Music, lançaram por ele o bacana “As plantas que curam” (doses concentradas de guitarras embebidas em psicodelia plena, tecendo melodias contemplativas e que emolduram letras igualmente contemplativas e bucólicas, com alguma dose de inadequação existencial) e começaram a repercutir bem na gringa. Vieram convites para shows nos Estados Unidos e Europa e a gravação do segundo álbum. E no momento em que o novo trabalho de estúdio foi lançado lá fora e aqui também, a banda já experimentava um hype que ela talvez nunca tivesse imaginado que iria acontecer em torno dela.

 

“Manual…” chega a ser melhor e musicalmente mais maduro do que a estréia do grupo. E ao vivo ele também se mostra bastante eficiente, como estas linhas online puderam conferir há um mês no Centro Cultural São Paulo, na capital paulista, onde os Boogarins se apresentaram – nesse momento os goianos estão encerrando uma turnê pela Europa. Mas algo comeou a INCOMODAR o blog zapper nesse hype ao redor dos Boogarins. Por exemplo: na semana do show no Centro Cultural o caderno cultural Ilustrada, do jornal Folha De S. Paulo, que há muito já deixou de ser sinônimo de relevância e credibilidade jornalística em termos de cobertura musical, deu toda a capa para o quarteto de Goiás com o pomposo e total exagerado título “A maior banda goiana de todos os tempos da última semana”, em texto assinado pelo competente porém sempre festeiro Lúcio Ribeiro (nome já decano do jornalismo rock brasileiro). Um exagero MONSTRO na verdade, se pararmos pra pensar que, mesmo estando atualmente empobrecido, o rock independente nacional possui ainda alguns nomes tão bons em seu trabalho musical quanto os Boogarins e que não estão tendo essa repercussão midiática. Exemplos? Luneta Mágica, de Manaus. Ou Os Descordantes e o Os Euphônicos, de Rio Branco (no Acre). Ou ainda o já veterano Los Porongas, também do Acre mas há anos residindo na capital paulista, e que lançou há pouco seu novo e muito bom disco de estúdio, “Infinito Agora”.

 O quarteto goiano Boogarins: a banda é boa, sem dúvida, mas o hype em torno dela está se tornando exagerado

 

O que nos leva ao que foi dito logo no “lead” deste tópico: qual o INTERESSE escuso por trás do hype em torno dos goianos? E a QUEM interessa esse hype? Algumas “pistas” investigadas pelo blogão que não tem papas na língua, mostram que já há uma autêntica “ação entre amigos” pra fazer os Boogarins bombar. Afinal o disco deles saiu aqui pelo selo Skol Music, dirigido pelo PORCÃO CEM, o PILANTRA e MAU CARÁTER em grau máximo e que todos nós sabemos que ele é. Não só: o “empresário” do grupo é aquele conhecido rotundo produtor rocker goiano, que durante anos foi sócio de um dos principais selos independentes de rock do país, e que realiza um dos mais importantes festivais indies do Brasil anualmente e até hoje na capital de Goiás. Depois de aprontar barbaridades inenarráveis dentro da produtora/selo (como tráfico de influência, alguns desvios financeiros e outras pilantragens), ele acabou sendo defenestrado do mesmo. Agora vive de realizar seu próprio festival anual também em Goiânia (sempre amealhando polpudas verbas do Poder Público) e de caçar bandas como os Boogarins, que possam encher ainda mais de grana seu bolso sem fundo de rapina e raposa que é. Este jovem senhor de conduta ética, moral e profissional algo reprovável, tentou transformar um certo grupo de hard rock/stoner rock meia boca também em hype internacional, para faturar muito com ele. Não deu certo e agora joga novamente suas fichas nos bons meninos dos Boogarins (e se der certo dessa vez o gorducho irá sugar o grupo o quanto puder, claro). Por fim, a “ação entre amigos” se dá quando ficamos sabendo que os dois citados aqui (o CEM noção total de ética, mais o empresário dos Boogarins) são “miguxos” do jornalista Lúcio Ribeiro, e vivem puxando o saco do dito cujo o quanto podem. Tsc, tsc…

 

Diante de tudo isso agauardemos os próximos capítulos da novela “o mega hype em torno dos Boogarins”. O blog torce de coração para que a banda, no final das contas, dure muito tempo e continue tendo o prestígio que angariou pois sua música merece. E torce também para que um dia ela SE LIVRE de trabalhar com GENTE QUE NÃO VALE NADA, e passe a ter sua trajetória cuidada por profissionais que realmente têm caráter e moral acima de qualquer suspeita.

 

 

BOOGARINS AÍ EMBAIXO

Ouça “Manual…” na íntegra e também veja o vídeo para a canção “6.000 dias”, já em alta rotação no YouTube. E tire suas próprias conclusões sobre o hype.

 

 

PIN UPS FAZ SHOWZAÇO DE DESPEDIDA E SEPULTA EM DEFINITIVO O INDIE GUITAR ROCK PAULISTANO DOS ANOS 90’

O blog poderia escrever um LIVRO aqui sobre o que viu, ouviu e sentiu no último dia 14 de novembro no Sesc Pompéia (em São Paulo), ao assistir ao show de despedida dos Pin Ups, talvez a banda que melhor simbolizou o que foi a loucura máster, a essência e a criatividade plena de uma certa parcela do indie guitar rock brasileiro (aquele cujas bandas cantavam em inglês e prestavam vassalagem ao noise guitar e ao shoegazer de nomes como Jesus & Mary Chain, Ride, My Bloody Valentine, Telescopes, Spaceman 3 e – por que não? – Sonic Youth) dos anos 90’. Em um sábado à noite pós atentado terrorista insano em Paris (e que fez nossas almas e corações chorarem e colocou o rock alternativo frente a frente com a barbárie dos terroristas do grupo ultra extremista Estdo Islâmico, que simplesmente massacraram com tiros de fuzil quase cem pessoas na casa de shows Bataclan, em Paris, onde estava rolando um show do Eagles Of Death Metal, a outra banda do gênio Josh Homme, e que felizmente não estava participando daquela gig), mais uma vez praticado pela bestialidade, pela intolerância e pelo ódio sem limites que infelizmente dominam o ser humano desse triste século XXI, estar ali naquela chopperia foi um balsamo alentador para curar essa dor/desconforto emocional.

 

A chopperia lotou (mais de 700 pessoas). E todos que estavam lá (dos quarentões/cinqüentões como este jornalista, que viveram intensamente aquela época, aos moleques e garotas mais novos, que sequer ainda tinham nascido quando os Pin Ups promoviam madrugadas repletas de ótimo rock barulhento e de loucuras variadas na LENDA do underground paulistano que foi o saudoso e inesquecível Espaço Retrô) presenciaram uma gig de despedida INESQUECÍVEL do trio Zé Antonio, Alê e Flavio. Todo o repertório hoje clássico e incrível do grupo foi executado com fúria e paixão (não é assim que o rock’n’roll deveria ser sempre?) e a adição de convidados fodíssimos (como Adriano Cintra, Rodrigo Carneiro, Gozo e Mario Bross, todos queridos amigos do blog) só potencializou ainda mais o clima de celebração (jamais de despedida) que se instalou no SESC.

 

Além disso foi incrível rever a turma dos 90’ por lá. Amigos e músicos que fizeram parte de uma geração de bandas que, sem ser arrogante ou soar coroa e ranzinza, produziu uma obra que não encontrou mais paralelo (em termos de qualidade musical) no rock independente brasileiro – ainda mais nos dias atuais, quando bandas e músicos produzem trabalhos cada vez mais medíocres. Em uma noite em que o gigante Pearl Jam também tocou em Sampa (e este esparço blogger gosta muito do PJ, tanto que já assistiu a turma de Eddie Vedder ao vivo 3 vezes) foi um prazer constatar que o show do “modesto” Pin Ups lotou a chopperia, levando até lá até os queridos Roberto Cotrim (o homem que criou o Retrô) e Wlad Cruz (do site Zona Punk, e que nos surpreendeu por estar ali, quando imaginamos que ele estaria no Morumbi, vendo o PJ. “Finatti, nem eu nem você iríamos PERDER essa apresentação dos Pin Ups”, disse ele. Com razão e com certeza). E levou também até lá mais uma infinidade de gente de quem gostamos, temos simpatia e que não víamos pessoalmente há séculos. O calor era imenso lá dentro, a fila pra comprar cerveja dava voltas mas nada disso importou. O prazer de estar ali, participando (sem exagero) de um momento único e histórico, superou qualquer desconforto. E a cada música disparada pelo grupo e a cada gole de breja gelada que descia pela garganta, a sensação de felicidade só aumentava.

 Um dos grandes momentos do show de despedida do grupo indie noise guitar paulistano Pin Ups, no último dia 14 em Sampa: Rodrigo Carneiro, do Mickey Junkies sobe ao palco para cantar em uma das músicas do set (acima e abaixo, no vídeo); depois da gig a festa/confraternização dos amigos prosseguiu nos camarins, e reuniu essa trinca DE PESO do indie rock paulistano: o batera Flavinho Forgotten, o gênio Adriano Cintra (que criou o Cansei De Ser Sexy) e o jornalista loker/zapper, amigo eterno da dupla (abaixo)

 

No final o blog produziu algumas reflexões as quais talvez nem todos que estão lendo aqui irão concordar com elas. Uma: que o Retrô talvez tenha sido (guardadas as devidas proporções) o CBGB’s de São Paulo nos anos 90’ (e isso com todo o respeito a outro templo histórico do udi grudi paulistano, o Madame Satã). E os Pin Ups, pelo número incontável de vezes que tocaram por lá (sendo que ESTE velho jornalista rocker/loker, talvez naquela época o MAIS LOKER de todos, esteve em boa parte dessas gigs, que começavam invariavelmente às 3 da manhã, colocando um bando de malucos na frente do palco, a essa altura todos já devidamente chapados por álcool, drogas etc, literalmente pra pular até morrer) eram os Ramones do Retrô, embora o grupo paulistano não tivesse nenhuma similitude em seu som com o quarteto nova-iorquino que foi um dos fundadores do punk rock.

 

Show terminado, rolou festa e confraternização incríveis no camarim. Finaski saiu de lá quase uma da manhã (na cia dos queridos Felipe Almeida e Falcão Moreno, do grupo Coyotes California) e foi pro baixo Augusta. Oficialmente foi o show de despedida dos Pin Ups. Mas  nunca se sabe… com a repercussão da gig (que vergonhosamente foi completamente ignorada por jornais como a FolhaSP e por blogs de cultura pop “modernos” e “espertos”, que só se preocupam em ficar fazendo dezenas de micro postagens diárias com temas quase desinteressantes, além de ficar especulando sobre turnês gringas no Brasil, pra ganhar alguns minguados likes em redes sociais), achamos (e comentamos isso com a Claudia Bexiga, esposa do Zé Antonio) que a banda deveria sim fazer uma pequena tour de despedida. E quem sabe, ganhar o DINHEIRO que eles nunca sonharam em ganhar quando tocavam nos porões loucos de Sampa há 25 anos.

 

Mas se esse foi mesmo o sepultamento (enfim), com festa inigualável, do indie rock paulistano dos 90’, que assim seja. E que ele (o indie guitar rock noventista) e os Pin Ups agora descansem em paz e permaneçam para sempre em nossa memória.

 

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Disco: das boas novidades do rock brazuca neste já quase findo (e ruim, em termos de bandas novas que valem a pena) 2015, o trio alagoano (da capital, Maceió) Necro (formado pela vocalista, guitarrista e tecladista Lilian Lessa, pelo baixista, tecladista e vocalista Pedrinho e pelo baterista Thiago) na verdade está na ativa desde 2009. E com os dois pés fincados em stoner rock de guitarras chapadonas, pesadas e psicodélicas à la anos 70’, o grupo chamou a atenção na indie scene americana, onde já lançou discos e conta com um razoável séquito de fãs. Agora seu mais recente ep (que já estava disponível para audição na web desde o ano passado) ganha edição física em cd, através do sempre antenado selo Baratos Afins, do mestre e produtor Luiz Calanca. São sete faixas de instrumental poderoso, que oscilam entre o peso esporrento de “Noite e dia” e a doçura psicodélica de “17 horas”, ambas cantadas em português sendo que também há faixas no disco com vocais em inglês – e isso é o único senão do trabalho na opinião do blog, que não curte muito álbuns que são gravados com vocais em duas línguas diferentes. Mas tirando esse detalhe o Necro se mostra fodão, fazendo rock velhão e muito bom. Não é um trio “muderno” e não faz rock’n’roll “Paul moller” mas, sim, música porrada e contemplativa, como nos ótimos tempos de Black Sabbath, Dust, Blue Cheer etc. Para saber mais sobre a banda, vai aqui: https://www.facebook.com/necro.al/timeline. E para ouvir o ep deles, vai aqui: http://necronomicon.bandcamp.com/album/necro.

 O stoner rock chapadão e muito bom do trio Necro, em lançamento do selo Baratos Afins

 

* Filme: o documentário “Chico – artista brasileiro” provoca satisfação e emoção imensos em quem o assiste. Com depoimentos bacaníssimos do próprio Chico (um dos nomes gigantes e essenciais da história da MPB), de outras personalidades e artistas da música brasileira e contando com um vasto e execelente material de arquivo, o longa proporciona um passeio imperdível por fatos relevantes da trajetória do cantor e compositor, além de ser uma aula de cultura brasileira.Fica um pouco enfadonho em seu terço final mas, ainda assim, merece ser visto com atenção.

 

* Filme, II: entrou em cartaz em São Paulo “Califórnia”, primeiro longa da cineasta e ex-vj da MTV Marina Person. Tem Caio Blat no elenco e a hustória gira em torno de um jovem casal nos anos 80’, suas descobertas de vida, no sexo e a chegada da aids ao mundo. Tudo embalado ao som de David Bowie, The Cure, Joy Division e outros nomes inesquecíveis de uma década igualmente inesquecível. O blog ainda não assistiu mas deve ser beeeeem legal, sendo que o trailer você pode conferir aí embaixo.

 

 

* Festa bacana, I: o blog Crush Em Hi-Fi (um dos bons espaços da atual blogosfera brazuca dedicada à cultura pop e ao rock alternativo), editado pelo queridão João Pedro Ramos, realiza sua primeira grande noitada em Sampa nesta sexta-feira (já que o blog está sendo finalmente concluído hoje, quinta-feira, 3 de dezembro), 4. Vai ter DJ set do próprio João mais show ao vivo com o grupo Horror DeLuxe, sendo que tudo acontece no Morpheus Club (que fica na rua Ana Cintra, 110, metrô Sta. Cecília, região central de Sampa). O blog zapper vai colar lá porque vai ser legal, e espera que seu dileto leitorado também compareça. E você pode saber tudo sobre a balada aqui: https://www.facebook.com/events/1128185410548235/.

 O DJ, promoter e brother zapper (ao lado do blog), João Pedro Ramos, que faz nesta sexta-feira (amanhã), a primeira edição da festa do seu blog, Crush Em Hi-Fi

 

 

* Festa legal, II: na próxima semana, mais especificamente no dia 10 de dezembro, rola mais uma edição do evento “Genesis de Gênios – #mostreseumelhor”. Realizado pelo pessoal da jovem, agitada e batalhadora produtora cultural Plectro, o evento busca abrir espaço para novos talentos artísticos da capital paulista (e também de outras regiões do Brasil). Para tanto abre o palco e o microfone para quem quiser se apresentar nele, com as inscrições podendo ser feitas no mesmo dia e hora em que rola a festa. Muito talento novo, desconhecido e bacana já passou pelas edições anteriores e fikadika do blog então para quem quiser acompanhar o próximo: vai acontecer na Sensorial Discos (na rua Augusta, 2389, na capital paulista), a partir das sete da noite do próximo dia 10. Aparece por lá e sabia mais sobre o Genesis aqui: https://www.facebook.com/events/173128169708024/.

 Zap’n’roll com a turma da produtora Plectro na última edição do “Genesis de Gênios”: a festa bacaníssima tem nova edição semana que vem

 

 

* Baladíssima: postão finalmente sendo concluído no finalzinho da noite de quinta-feira, 3 de dezembro. Então vamos dar uma “zoiada” rápida no que tem de bão no finde alternativo em Sampa, bora! Começando que sexta já tem open bar do inferno no Outs (na rua Augusta, 486, centrão rocker de Sampalândia), sendo que antes você dar uma passada na Tex (também na Augusta, colado na esquina da rua Peixoto Gomide) e tomar um Jack Daniel’s Honey pra começar bem a noite.///Sabadão? Vai ser imperdível mais uma edição da festona Glam Nation no Inferno (o club, rsrs), no 501 da Augusta. Com showzão fodão dos Corazones Muertos, dos queridos Joe Klenner e Jeff Molina, e nesse o blog vai com certeza! Depois ainda dá pra acabar a noite na melhor pista rocker sessentista de Sampa, o Astronete, também na Augusta (no 335 da rua). Tá bão? Então se joga!

Os Corazones Muertos: show nesse sábado no Inferno Club

 

 

TCHAU, BEIJO, ME LIGA!

Postão demora pra chegar e custa pra acabar, hihihi. Mas como tudo que é bom uma hora acaba… então ficamos por aqui. E já nos preparando pra se despedir de 2015, quando deveremos publicar apenas mais dois postões este ano. Aí 2016 virá e com ele, se tudo der certo, algumas novidades por aqui, no formato (e talvez no nome) de um blog de cultura pop que te acompanha já há quase treze anos. E vai continuar acompanhando. É isso aê. Até logo menos então!

 

 

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 4/12/2015 às 11hs,)

AMPLIAÇÃO FINAL: Agora vai, finalmente: em postão especial e fazendo o ENTERRO DEFINITIVO dos anos 90’, o blogão fala do vindouro e derradeiro show dos PIN UPS, uma das indie cult bands mais lendárias da cena independente brasileira em todos os tempos, e de quebra relembra histórias absolutamente e total ALUCICRAZY do jornalista loker/rocker nos idos de 1990/95, ao lado de alguns integrantes da banda (e como plus, mais recuerdos indie noventistas a caminho, com o documentário “Guitar Days”, um livrão sobre a cena etc); a MAIOR BANDA DE ROCK DE TODOS OS TEMPOS (os Rolling Stones, claaaaaro!) anuncia OFICIALMENTE em seu site (e pondo fim aos boatos de blogs que vivem de especular datas de shows gringos no Brasil) as gigs brasileiras, que rolam no comecinho de 2016; perdeu a gig de Iggy Pop em Sampa? Sem problema: mergulhe de cabeça na biografia GIGANTE do Iguana que acaba de ganhar edição nacional; a quem interessa e quais os interesses ESCUSOS por trás do mega hype em torno dos Boogarins?; a volta do sempre bacanudo quinteto rocker gaúcho Cartolas; o dileto leitorado macho (cado, uia!) pede bis e nós atendemos: a musa secreta SAFADÍSSIMA S.R. em nova leva de imagens delirantes, mostrando seu fortíssimo lado… intelectual, ulalá! (postão finalmente concluído, falando da bio da Kim Gordon, mostrando imagens TÓRRIDAS da nossa musa rocker secreta e comentando mais um dia em que o mundo chorou diante da barbárie terrorista) (ampliação final em 14/11/2015)

A indie guitar cult band paulistana Pin Ups (acima, em sua formação atual), lenda da cena underground brasileira nos anos 90’, faz seu show de despedida semana que vem no SESC Pompéia (na capital paulista) e causa tumulto no meio rocker alternativo por conta da gig; o mesmo tumulto que o grupo causava há mais de vinte anos (na foto abaixo) e também o mesmo tumulto que uma musa rocker secreta e SAFADA sem igual, como a deliciosa S.R. (também abaixo) também causa entre o leitorado do blog, que pediu mais imagens dela, sendo que as mesmas estão mais aí embaixo aqui nesse mesmo post

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E FECHANDO O POSTÃO, DUAS IMAGENS E A NOTÍCIA (INFELIZMENTE TRÁGICA, E NÃO MUSICAL) QUE MARCA ESTE FINDE

Yep. Havia muito mais a ser complementado neste postão, que entrou no ar na semana passada. Mas ontem (o post está sendo finalmente concluído no sábado, 14 de novembro) foi uma sexta-feira por um lado alegre pro blogger zapper, e trágica por outro para a humanidade.

 

Foi a sexta-feira em que o jornalista rocker recebeu da editora Rocco o seu exemplar de “A garota da banda”, a biografia escrita pela deusa loira Kim Gordon, sobre ela mesma e sobre a banda que ajudou a fundar e onde tocou baixo por três décadas, o gigante alternativo Sonic Youth. Uma bio tão bacana que irá compor, ao lado da também fodástica biografia da lenda Iggy Pop (que também acaba de sair no Brasil, pela editora Aleph), a dupla de livros que o blog irá devorar neste final de ano. Assim, vamos reunir as duas biografias em uma resenha/tópico bacana no próximo post do blog, okays?

O blogger rocker com seu exemplar da bio da deusa loira Kim Gordon: já ganhamos nosso presente de aniversário e de natal, hehe

 

E por outro lado foi a sexta-feira que novamente enlutou o mundo e tingiu de sangue as ruas de Paris. Mais um atentado terrorista sangrento, com centenas de mortos. E enquanto assistimos pasmos o grau de bestialidade que atingiu o ser humano no novo milênio, lembramos a premissa essencial da bandeira e da Constituição francesa: Liberdade, Igualdade & Fraternidade. E ficamos na torcida pra que nenhum ato terrorista derrote JAMAIS essa premissa.

 

É isso. Postão fica por aqui finalmente, com essa imagem bacaníssima aí embaixo: uma turma de ultra respeito e que marcou época na indie guitar rock scene paulistana dos anos 90’. Todos conhecidos do blog, alguns muito amigos nossos, outros não tão amigos mas pelos quais temos sempre simpatia e total respeito pela obra musical. E todos reunidos nessa foto trazem zilhões de lembranças à cabeça do autor destas linhas eternamente rockers. Por isso vamos hoje à noite lá no SESC Pompéia, em São Paulo, pra rever Zé Antonio, Alê Briganti, Flavinho Cavichioli, Adriano Cintra e Rodrigo Carneiro. Todos juntos no palco, na gig de despedida dos Pin Ups e para lembrar que a grande Arte e o grande rock’n’roll continuam sendo infinitamente maiores do que a bestialidade que consome o ser humano do século XXI.

A nata do indie guitar rock paulistano dos 90’ reunida numa só foto: os Pin Ups mais Rodrigo Carneiro, Adriano Cintra e Gozo. E todos estarão hoje à noite no palco do SESC Pompéia, em São Paulo, para a gig de despedida da banda

 

Até o próximo post!

 

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Enterrando de vez os anos 90’?

Talvez. Afinal a derrocada artística e qualitativa da música pop e do rock’n’roll na era da web e após a virada do milênio, obrigou boa parte dos fãs de música a viver ad eternum prestando vassalagem aos artistas e bandas dos anos 80’ e 90’. E entre essas bandas está o grupo paulistano Pin Ups, que fez razoável “barulho” na cena rock underground brasileira entre 1988 e 1999, quando encerrou suas atividades. Fundado na cidade de Santo André (Grande São Paulo) pelo guitarrista Zé Antonio Algodoal, o Pin Ups fazia rock de guitarras barulhentas e com vocais em inglês (primeiro, com Luiz Gustavo, e depois com Alexandra Briganti). A inspiração era em parte o pós-punk de Jesus & Mary Chain (e todas aquelas divinas melodias engendradas com guitarras em noise e em distorção infernal), em parte o shoegazer britânico de nomes como My Bloody Valentine, Telescopes, Lush e Ride, todas bandas muito “antigas” aos olhos da atual geração de pirralhos que vive conectada na internet, em redes sociais, blogs (como esse aqui), apps de celulares, smartphones etc. Naquela época não havia nada disso e a banda, na raça, foi formando seu público e chamando a atenção da mídia rock que então existia (revistas como Bizz, uma iniciante MTV Brasil e espaços modestos nos cadernos culturais dos grandes jornais diários de Sampa e Rio De Janeiro). Foi quando um produtor maluco inglês que havia fixado residência no Brasil e aqui criado um selo (o Stilleto) para lançar as bandas de ponta que estavam acontecendo na Inglaterra, ouviu uma demo do grupo, caiu de amores pelo que ouviu e resolveu bancar a prensagem (ainda em vinil, já que o cd também era novidade no país) do primeiro disco do quarteto (então também integrado pelo baterista Marquinhos, pela baixista Alê e por Luiz nos vocais). Era 1990 e a partir daí o conjunto,  embora nunca tenha vendido muito e nunca tenha saído do underground onde nasceu, construiu uma sólida reputação entre jornalistas, formadores de opinião (yep, eles sempre existiram, não?), entre outros músicos e outras bandas e também entre um fiel séquito de fãs. O Pin Ups acabou se tornando uma “cult band” (como não existem mais hoje em dia no Brasil), abriu turnês de grupos de guitar rock sublimes dos anos 90’ em suas visitas por aqui (como o americano Superchunk) e saiu de cena enfim em 1999, embora nunca tenha oficializado o fim das suas atividades. Assim sendo e como saudosistas que somos de uma época (os anos 80’ e 90’) onde se produzia rock infinitamente superior ao que escutamos hoje não apenas na péssima (em sua quase totalidade) cena independente brazuca, mas no mundo todo, os Pin Ups resolveram talvez tentar ENTERRAR de vez sua trajetória pondo um ponto final nela com a gig que farão no próximo dia 14 de novembro, sábado, na chopperia do SESC Pompéia, em São Paulo. É essa gig portanto o tópico principal deste postão de Zap’n’roll que está começando agora. Um post que custou a chegar, bem sabemos, mas que enfim surge com uma pauta caprichada como sempre. Uma pauta que traz uma bacaníssima entrevista com Zé Antonio (dos Pin Ups), que resgata lembranças de uma época realmente fodona do indie rock nacional e que mantém por fim o olhar sempre atento destas linhas rockers bloggers ao que ainda existe de muito bom entre os grupos da cena brasileira atual (como os gaúchos Cartolas, que acabam de lançar seu novo disco, ou ainda o paulistanos Coyotes California e Necro e a grata revelação do Estado do Espírito Santo que é o Manic Mood). É por isso que este blog está há quase treze anos no ar. E quando ele não mais existir (afinal, tudo chega ao fim um dia) saberemos com tranqüilidade que cumprimos muito bem nossa missão durante mais de uma década: manter nosso fiel leitorado (seja ele muito jovem ou já coroa) sempre muito bem informado sobre o que de mais relevante acontece no rock alternativo daqui e de fora, e na cultura pop em geral. Então vamos lá, a mais um postão do blogão que não abandona jamais quem o lê.

 

 

* Entonces, o novo postão custou realmente a sair. E já chegamos a conclusão por aqui de que não adianta atualizar um blog a todo instante quando não há motivos e assuntos RELEVANTES para isso. É uma bobagem a postura desses blogs de rock alternativo e cultura pop que querem a todo custo se manter diariamente na “vanguarda” da informação através de vários micro posts com assuntos desimportantes (ou especulando sem parar sobre confirmações de turnês de bandas gringas pelo Brasil, geralmente dando “barrigadas” em série nessas infos e depois tendo que desmentir ou corrigir as informações erradas) que quase ninguém lê, que ninguém comenta e que quase não ganham likes em redes sociais. Então o blogão zapper prefere ir devagar e sempre e postar aqui, ainda que com maior espaço de tempo, um autêntico “colunão” virtual onde, de fato, assuntos que são RELEVANTES serão bem documentados e analisados.

 

 

* E nem vamos falar de política nessas notas iniciais porque tudo continua o nojo de sempre pelo país, não é? Seguimos apenas aguardando pra ver quando o “servo bandido de Deus” (nem é preciso dizer o nome do pilantra) vai ser finalmente EXPURGADO da cadeira de presidente da Câmara dos Deputados em Brasília.

 

 

* E a notícia MASTER RELEVANTE da semana rocker, todos já sabem, foi disparada finalmente ontem (sendo qiue estas notas iniciais estão sendo escritas na madrugada de quinta pra sexta-feira). Depois de semanas de diz-que-diz e muuuuuita especulação infundada (pelos blogs de sempre, especializados nesse tipo de conduta jornalística algo adolescente), o site OFICIAL dos Rolling Stones (a nossa, a sua MAIOR BANDA DE ROCK DE TODOS OS TEMPOS) e a produtora T4F finalmente divulgaram as DATAS OFICIAIS da turnê dos nossos amados e famigerados vovôs ainda subversivos do rock’n’roll. Ficou assim:

 

20 de fevereiro – Rio De Janeiro (estádio do Maracanã)

24 e 27 – São Paulo (estadio do Morumbi)

2 de março – Porto Alegre (estádio Beira Rio)

 

 

* Sendo que você pode conferir tudo aqui: http://www.rollingstones.com/tickets/. Os ingressos para os shows no Brasil começam a ser vendidos na próxima segunda-feira, 9 de novembro. E é muito óbvio que todos eles irão se esgotar em questão de horas. E também é muito óbvio que esta deverá ser a derradeira turnê dos Stones por aqui, que não vinham ao país há quase uma década – não custa lembrar: Mick Jagger e cia estiveram aqui pela última vez em fevereiro de 2006, quando tocaram na praia de Copacabana para mais de um milhão de pessoas. Então é agora ou nunca: ou você vai nessa turnê (sendo que o jornalista zapper/loker eternamente apaixonado pelos Stones pelo menos já conseguiu assistir ao grupo ao vivo por duas vezes, em 1995 e 1998) ou bye bye. Jagger está com setenta e dois anos nas costas, o restante da banda mais ou menos por aí também. Alguém ACHA que haverá outra excursão mundial dos velhinhos depois dessa?

 

 

* A outra notícia beeeeem relevante para o que ainda resta de muito bom no rock independente nacional vem do Rio Grande Do Sul. O já veterano quinteto Cartolas (que existe desde 2003 e é um dos grupos do coração deste blog no rock nacional dos anos 2000’), comandado pelo guitarrista e produtor Christiano Todt e pelo figuraça vocalista Luciano Preza, acaba de lançar seu novo disco de estúdio. O álbum, homônimo ao nome da banda, foi postado oficialmente ontem no site do grupo. E traz onze faixas onde os Cartolinhas mantém a fé no rock’n’roll básico e altamente melódico e radiofônico que sempre caracterizou sua musicalidade desde o primeiro cd, “Original de Fábrica” (lançado em 2007). É o quarto disco do grupo e estas linhas online ainda vão ouvir o dito cujo com atenção absoluta para, se possível ainda nesse postão (que será concluindo até o meio da próxima semana), falar detalhadamente sobre ele. Mas aí embaixo já dá pra você ter um aperitivo do novo trabalho dos Cartolas, através dos vídeos para os dois primeiros singles extraídos do álbum, que contém as lindíssimas “Xodó” e “Sem sal”. E você pode escutar o disco na íntegra aqui: http://www.cartolas.com.br/iv/.

 Capa do novo disco do gaúcho Cartolas, que foi lançado ontem na web

* E também muito relevante é o documentário “Guitar Days”, que está sendo produzido por Caio Augusto e que pretende contar toda a história da indie guitar scene nacional, desde os anos 90’ até os dias atuais. Para isso Caio já colheu depoimentos de mais de sessenta pessoas (o autor destas linhas online incluso), entre músicos, bandas, produtores e jornalistas. A previsão de lançamento do doc é março de 2016 e você pode saber mais sobre ele aqui: https://www.facebook.com/guitardaysdoc/timeline.

Reunião de rockers na última semana na loja Baratos Afins, na Galeria Do Rock (centrão de Sampa): Zap’n’roll e a turma que está produzindo o documentário “Guitar Days” (cartaz abaixo), junto com o lendário produtor Luiz Calanca; o autor deste blog é um dos entrevistados que estarão presentes no filme, com lançamento previsto para março de 2016

 

* Bien, começando os trabalhos. A primeira parte desse postão gigantão está entrando no ar na sexta-feira, 6 de novembro. Então ao longo dos próximos dias iremos ampliando aos poucos esssa notinhas iniciais, okays? Por enquanto vamos direto aí embaixo, saber como vai ser o show de despedida dos Pin Ups, um dos mais lendários grupos do indie guitar brasileiro dos anos 90’.

 

 

O ADEUS DOS PIN UPS, NUM SHOW DESDE JÁ HISTÓRICO E PARA RECORDARMOS COMO ERA O GRANDE INDIE GUITAR ROCK BR DOS ANOS 90’

Em algum momento na segunda metade da década de 1980 (há quase trinta anos portanto, e quando a maioria da garotada que acompanha este blog hoje em dia provavelmente sequer tinha nascido) três moleques fãs de indie rock britânico barulhento se juntaram em Santo André (cidade da região metropolitana da capital paulista) e formaram uma banda. Em uma época onde não havia internet, telefones celulares, sites, blogs ou redes sociais, os amigos Zé Antonio (guitarras), Luiz Gustavo (vocais) e Marquinhos (bateria) fundaram o Pin Ups, movidos por uma paixão comum pelas melodias a um só tempo doces e barulhentas de grupos como Jesus & Mary Chain, My Bloody Valentine, Telescopes, Ride ou Lush. O trio ainda não sabia disso mas estava sendo um dos fundadores da gênese de um certo indie guitar rock brasileiro, que agregava grupos que cantavam em inglês e prestavam vassalagem total ao rock’n’roll da Velha Ilha. Sem um pingo de interesse em música brasileira ou qualquer influência dela, o trio de Santo André logo começou a fazer barulho em bares de Sampa, formou um pequeno séquito de fãs e começou a chamar a atenção dos poucos jornalistas (entre estes, o titular destas linhas zappers sempre malucas e gonzolinas) que acompanhavam de perto a cena musical underground naquela época.

 

Daí pra frente a fama em torno do grupo começou a aumentar e logo ele ganhou status de “cult band” da indie scene nacional. O oba-oba em torno do trio (que logo receberia a adição da baixista e vocalista Alexandra Briganti) aumentou de tal forma que um pequeno selo alternativo inglês, o Stilleto (e que havia aberto recentemente escritório em São Paulo), resolveu bancar o lançamento do primeiro disco de vinil dos Pin Ups. “Time Will Burn”, que havia sido gravado entre 1988/89, foi lançado em 1990 e recebeu elogios rasgados de toda a imprensa qne então se dedicava a cobrir rock na mídia brasileira.

 

Mas se a fama do conjunto aumentava, ele seguia vendendo pouco e preso à cena indie paulistana, de onde jamais acabou saindo no final das contas, mesmo tocando em gigs importantes como quando abriu as apresentações brasileiras do grupo americano Superchunk (então um dos nomes mais importantes da cena alternativa noventista dos EUA). E foi assim por toda a década de noventa: mudando sua formação (Luiz acabou saindo após a gravação do terceiro álbum e Alê assumiu de vez os vocais; a também guitarrista Eliane Testone entrou no line up e o batera Marquinhos também se foi, entrando em seu lugar o ultra loker Flavio Cavichioli, que anos mais tarde se tornaria um dos grandes bateristas do rock independente brazuca, tocando com os Forgotten Boys, além de se tornar um dos melhores “companheiros” de loucuras junkies e de enfiações de pé na lama ao lado do autor deste blog, ulalá!) e lançando uma trinca de CDs excelentes (“Jodie Foster”, “Lee Marvin” e “Bruce Lee”) o grupo foi levando sua trajetória como pôde, até decidir encerrar (de forma não oficial) suas atividades por volta de 1999. Zé e Alê foram trabalhar na então nascente MTV Brasil (onde ficaram por quase vinte anos), Eliane tocou em zilhões de bandas alternativas de São Paulo (e sendo que ela mora já há alguns anos em Londres) e Flavinho foi tocar com os “Garotos Esquecidos” onde permaneceu por quase uma década.

 

Corta para o final de 2015. Em um momento em que muito se fala dessa cena independente brasileira dos anos 90’ (com realização de documentários sobre ela e lançamentos de livros a respeito) e das bandas dessa cena que cantavam em inglês, uma nova geração começou a descobrir os discos lançados pelo Pin Ups – que estão todos disponíveis para audição em canais na web, como o YouTube. Foi assim que então, para dar um ponto final nessa história que ainda não havia oficialmente chegado ao fim, Zé Antonio se reuniu novamente com Alê Briganti e Flavinho Forgotten para fazer aquele que o trio está chamando de “finalmente o show de despedida dos Pin Ups”. A gig acontece no próximo dia 14 de novembro na chopperia do SESC Pompéia, em São Paulo, e já causou tumulto em sites e blogs especializados em rock alternativo, e também nas redes sociais como o Facebook, onde a página do evento já conta com mais de seicentas pessoas confirmadas no show (cabem cerca de oitocentas na chopperia do SESC). E será uma apresentação que, além do trio remanescente, ainda terá alguns convidados especiais no palco como Adriano Cintra (outro dileto amigo zapper, e o gênio que fundou o Butchers’ Orchestra e também o finado Cansei De Ser Sexy), Rodrigo Carneiro (jornalista e vocalista de outra lenda indie dos 90’, o Mickey Junkies) e Rodrigo Gozo (ex-guitarrista do Killing Chaisaw, outro nome importante da indie guitar scene dos 90’).

 

Por que vai rolar esse gig de despedida, o que esperar do show e o que anda motivando o interesse da garotada atual por uma cena de duas décadas e meia atrás que na realidade jamais ultrapassou as barreiras quase sempre cruéis, estreitas e limitadoras do underground rock nacional? É o que você fica sabendo lendo as opiniões bastante sensatas e esclarecedoras de Zé Antonio, cinqüenta e um anos de idade, ainda guitarrista apaixonado por rock, um dos fundadore dos Pin Ups e que conversou com Zap’n’roll na semana passada. Os principais trechos da entrevista, realizada pelo inbox do FB, seguem abaixo:

A banda em sua definitiva, clássica e final formação (durante os anos 90’), com os guitarristas Zé e Eliane, a baixista e vocalista Alê e o baterista Flavinho Cavichioli

 

 

Zap’n’roll – Os Pin Ups foram uma das bandas mais “cult” e lendárias da indie scene nacional do final dos anos 80’ (quando lançou seu primeiro disco) e até seu final, em 1999. Mas é óbvio que toda uma geração novíssima atual talvez nunca tenha ouvido falar da banda. Se fosse pra você resumir pra essa molecada o que foi a história do Pin Ups, como você a contaria?

 

Zé Antonio Algodoal – Acho que foi uma banda formada por moleques que queriam tocar, nada mais que isso. Por mais que o Luiz [Gustavo, primeiro vocalista da banda] replicasse alguns discursos de bandas inglesas, dizendo que éramos bons a verdade é que tudo era uma grande diversão, jamais imaginamos que pudéssemos nos tornar cult ou o que quer que seja. Nossa preocupação era apenas soar contemporâneo e tentar fazer isso da melhor maneira possível. A época era outra, sem internet, com instrumentos e pedais caros, poucos lugares pra tocar e viagens intermináveis de ônibus pelo Brasil, mas a gente amava tanto aquilo tudo que topava qualquer coisa… De resto, lançamos um primeiro disco por uma gravadora, Stilleto, e depois disso sempre batalhamos feito loucos pra conseguir que outros selos nos lançassem. Acho que tivemos sorte de encontrar muita gente boa nesses selos, nas casas noturnas e na imprensa que acabaram nos apoiando.

 

Zap – Ok. E você também sempre acompanhou muito de perto toda a cena independente daquela época e até hoje, pois além de músico trabalhou anos em diversos setores da MTV Brasil, atuando inclusive como diretor de jornalismo e de vários programas da emissora. Assim, sob sua ótica de músico e jornalista que acompanhou tudo isso muito de perto, qual a comparação que você faz entre a geração alternativa daquela época e a de hoje? Ainda existe rock alternativo que valha a pena no Brasil atual?

 

Zé Antonio – Claro! Tem muita banda boa por aí. Acho que a diferença é que hoje quem quer ter uma banda pode ter um bom instrumento, divulgar melhor o seu trabalho, e contar com um profissionalismo que era impossível em nossa época. Ainda hoje faço vários trabalhos com bandas novas, acabei de gravar uma temporada de um programa chamado Mixados, dessa vez como apresentador, e comentei sobre isso com vários músicos das novas gerações. Fico feliz que eles tenham tantas ferramentas e façam bom uso de tudo isso. Em relação à cena alternativa ela existe, e é bem forte. A diferença é que nos 90’ eram poucos os lugares que concentravam essas bandas. Hoje a gente pode ver uma banda como o Far From Alaska fazendo um dos primeiros shows no Lollapalooza e isso é bom, faz com que todos se esforcem para dar o seu melhor. Na época do Pin Ups era tudo menor, com menos perspectivas, menos compromissos… talvez fosse um pouco mais romântico em algum sentido, mas acho que hoje é tudo melhor.

 

Zap – talvez o blog seja um tiozão saudoso e romântico e que achava a indie scene daquela época muito melhor que a atual, mas tudo bem, rsrs. Então falemos um pouco da trajetória do grupo, das suas formações, discos e shows. Este jornalista mesmo assistiu a algumas gigs inesquecíveis do conjunto, no lendário Espaço Retrô. Você particularmente se lembra do seu momento/show inesquecível dos Pin Ups? E qual seu álbum preferido do grupo? E das formações que tiveram, qual considera a melhor?

 

Zé Antonio – Aí eu não sei te responder hahaha. Dos shows no Retrô eu tenho um carinho especial pelos shows de lançamento do “Time Will Burn”, quando a Alê entrou pra banda. Foram quatro shows intensos e divertidos. Não sei como agüentamos, rsrsrs. Em relação às formações, eu adorava ter o Luiz na banda com seu humor ferino e suas performances de palco, mas amo a formação com a Alê no vocal, o Flavio na bateria e a Eliane na guitarra. Acho que aquela talvez tenha sido a época em que mais nos divertimos, e tivemos tranquilidade pra pensar na banda. A Alê se tornou uma grande amiga. E essa foi a formação que durou mais tempo e com a qual conquistamos muitas coisas. Em relação ao álbum… acho que talvez eu goste do “Lee Marvin”. Mas a verdade é que o melhor álbum do Pin Ups era o que seria gravado antes da banda parar… talvez a gente resgate uma dessas músicas para a trilha do documentário “Guitar Days”.

 

Zap – dê mais detalhes sobre esse documentário e sobre esse disco NÃO lançado do grupo. Ele seria o sucessor de “Bruce Lee”, o disco derradeiro que saiu em 1999? Chegou a ser totalmente composto?

 

Zé Antonio – Em relação ao disco existiam uns esboços de músicas, alguma nem chegaram a ser ensaiadas. Mas era um bom momento da banda, teríamos feito nosso melhor trabalho sem dúvida. E os documentários são dois. De alguma maneira as pessoas começaram a prestar atenção naquela geração e quiseram documentar aquela história. O primeiro é um doc dirigido pelo Marko Panayotis que se chama “Time will burn”, mesmo nome do nosso primeiro disco. O outro se chama “Guitar Days” [nota do blog: documentário que está em fase final de produção e que deverá ser lançado até março de 2016; ele conta com depoimentos de mais de sessentas músicos, jornalistas e outros agitadores culturais que acompanharam a cena alternativa dos 90’ até hoje, e o autor deste blog está entre os que gravaram depoimentos para o filme], do Caio Augusto, que fala sobre as bandas que cantavam em inglês, e quase todas nos citam.

 

Zap – e por que o disco não foi lançado, afinal?

 

Zé Antonio – pra completar o Yury Hermuche, do Firefriend, está finalizando um livro, que sai agora em novembro onde ele dedica mais de 80 páginas à nossa história. O Livro se chama “Rcknrll outsiders viciados em música e procurando confusão”. O Caio está pedindo às bandas que aparecem no doc para ceder uma música inédita, então vamos recuperar uma dessas. E porque o disco derradeiro não saiu? É que naquela época o Pin Ups deu uma parada. A cena tinah mudado muito, o hardcore estava tomando conta e a cena alternativa dava uma encolhida. Era difícil ter lugar pra tocar, selos pra lançar discos, divulgação estava mais complicada e então resolvemos que era hora de repensar muitas coisas. Com isso o álbum, assim como vários outros projetos, acabaram deixados de lado.

 

Zap – em nossas conversas off por fone, antes da entrevista em si, relembramos bons e também maus momentos da trajetória dos Pin Ups. Como o célebre show no Curitiba Pop Festival em 2004, que trouxe os Pixies pela primeira vez ao Brasil e quando vocês subiram ao palco para fazer um set antes do lendário quarteto indie guitar americano. Foi seguramente o PIOR show que o blog assistiu de vocês. Por que aquela gig foi tão desastrosa afinal, quando poderia ter sido o ponto culminante da trajetória do conjunto?

 

Zé Antonio – os ensaios foram ótimos, tinha tudo para ser um show bom, mas antes de nós rolou uma reunião de músicos gaúchos que tocou meia hora a mais do que deviam, com isso fomos informados na beira do palco que teríamos que cortar metade do nosso set. Lembro também que uma pessoa da produção brigou com o Luiz momentos antes do show por alguma besteira, acho que um copo de bebida ou algo do tipo, e no final entramos sem sequer uma set list definida. Enfim, uma série de fatores que fez com que nós entrássemos no palco sem a concentração necessária… Um show a ser esquecido. Melhor lembrar do que foi bom.

 

Zap – sim, melhor, rsrs. E sendo assim, cabe a pergunta: qual foi a motivação afinal para reunir o grupo novamente e fazer essa apresentação no Sesc? Haverá outras além dela?

 

Zé Antonio – então, com toda essa movimentação sobre a cena dos 90, o interesse nas bandas da época ficou mais evidente, muitas bandas voltaram, outras começaram a fazer shows novamente, etc., mas pra variar mesmo sem querer fomos na contramão. Pensamos que seria bacana fazer um show como agradecimento por todo o reconhecimento, pela lembrança e também para as pessoas mais novas que conheceram a banda nos últimos anos, quando tocamos muito pouco. Ficamos animados com a idéia, conversamos com o Sesc onde fomos muito bem recebidos, e depois de algum tempo nos ofereceram a data de 14 de novembro. Este será o nosso show de despedida. Sinceramente não temos intenção de subir ao palco novamente, mas… já diz o ditado, never say never rsrs.

 

Zap – ahahaha, certo. E o que você espera desse show? Que público você imagina nele: apenas “tiozões” indies na faixa dos quarenta anos (ou mais até) saudosistas dos anos 90’, ou também uma garotada mais nova?

 

Zé Antonio – nas últimas vezes em que tocamos fomos surpreendidos por um público jovem, que tinha baixado nossos álbuns em sites da internet mas nunca tinham visto a banda ao vivo. Ao contrário do que esperávamos, tinha pouca gente da época do Retrô, por exemplo. Dessa vez acho que a platéia vai ser mais misturada. Essa coisa de último show deixa tudo um pouco mais sentimental, e eu adoraria encontrar os novos e velhos amigos.

 

Zap – Ótimo. E encerrando: após o fim da MTV Brasil você tem se dedicado a várias atividades, inclusive organizou o livro “Discoteca Básica”, lançado pela Ideal Edições e onde foram reunidos nomes de diversas áreas da cultura pop que listaram seus discos prediletos de todos os tempos. A repercussão do livro foi boa? Haverá uma segundo volume dele?

 

Zé Antonio – foi sim, adorei fazer o livro e na semana passada a editora Ideal deu o ok oficial para  o volume 2, que sai em 2016.

 

* Tudo sobre o show de despedida dos Pin Ups aqui: https://www.facebook.com/events/1042653659091287/.

 

 

PIN UPS AÍ EMBAIXO, EM CINCO (DOS SEIS LANÇADOS PELA BANDA) DISCOS QUE CONTAM A HISTÓRIA DO INDIE ROCK BR DOS 90’

Para audição na íntegra, em stream, no YouTube.

 

 

 

OS PIN UPS E OS ANOS 90’ – RELATOS BREVES E SELVAGENS DE SEXO, DROGAS, ROCK’N’ROLL, LOUCURAS E BRIGAS (SEMPRE COM A PARTICIPAÇÃO DIRETA DO JORNALISTA ZAPPER/LOKER/GONZO, CLAAAARO!)

Os Pin Ups existiram de 1988 a 1999 e embora jamais tenham deixado o território limitado do underground rock nacional, se tornaram uma cult band de público fiel e um dos grupos que mais agitavam a cena noturna de bares paulistanos da época que abriam espaço para shows ao vivo com bandas de rock autorais. E não havia nenhum “anjo” ali: todos (especialmente o batera Flavio Cavichioli) adoravam enfiar o pé na lama em álcool, drugs etc. E ESTE jornalista eternamente loker/gonzo, que também nunca foi um modelo de, hã, bom comportamento (muito pelo contrário, rsrs), acompanhou a turma praticamente desde o início – não apenas em sua trajetória musical mas também se envolvendo em histórias e situações muitas vezes absurdas, acachapantes e hilárias ao lado do conjunto ou nos lugares onde ambos (jornalista e banda) freqüentavam.

 

Aí embaixo o blog recorda rapidamente algumas dessas histórias, uia!

 

* Espaço Retrô, o antro lendário da putaria sem fim: era pra ser mais um bar qualquer na noite paulistana. Mas aberto em 1988 em um sobradinho em uma rua no bairro de Santa Cecília (centrão barra pesada de Sampa), o Espaço Retrô se tornou o mais lendário bar rock alternativo da capital paulista, ao lado do também saudoso Madame Satã. E o Retrô se tornou uma espécie de “lar” dos Pin Ups, onde o grupo não cansava de se apresentar ao vivo, sempre levando uma galera gigante e animadíssima para conferir as gigs. Foi lá que o jornalista loker (e autor deste blog) conheceu o grupo. E era no Retrô onde tudo acontecia: discotecagem rocker com as últimas novidades da gringa (isso numa época onde não havia internet), bocetas tesudas e lokas em profusão e muita cheiração de cocaine e putaria nos banheiros IMUNDOS da casa, sendo que o autor dessas linhas bloggers deitou sua napa em padê naqueles banheiros até o nariz cair. Fora a “rola” zapper, que foi “gasta” com gosto naqueles mesmos banheiros, hihihi.

 

* A linda loirinha italiana, amigona zapper, e que NUNCA deu para o batera Marquinhos: ela se chamava (se chama) Ana Marmo. E era (é, até hoje) grande amiga do jornalista gonzo que escreve este blog. Ambos se comheceram quando cursavam Jornalismo na Fiam (yep, Zap’n’roll cursou Comunicação Social no final dos anos 80’, após ter se graduado em História na extinta Universidade São Marcos, em Sampa). E ambos freqüentavam o Retrô, claaaaaro. Aninha era uma loiraça lindaça, descendente de italianos, meiga como uma flor e inocente (de pensamento e comportamento) como uma criança de oito anos de idade. Mesmo assim gostava de ir ao Retrô e se dava bem com seus amigos malucos (como o sujeito aqui). E numa bela madrugada no bar, quando rolou mais uma gig dos Pin Ups (sempre…), ela CAIU DE AMORES pelo batera Marquinhos. O safardana, óbvio, também caiu matando em cima da loiruda e ambos engataram um “affair” que durou algum tempo. Mas logo depois o casal se separou e um dia o blog quis saber de Aninha o que tinha rolado e por que eles não estavam mais juntos. “Ah Finatti, ele só queria me comer”, respondeu ela, uia! E completou: “E eu ainda sou muito nova pra essas coisas, rsrs”. Hoje Marco (que também foi um dos fundadores do esporrento e genial trio Thee Butchers’ Orchestra) mora nos Estados Unidos. E Ana continua linda e loira até hoje: mora em Londres, foi casada com um escocês durante muitos anos e têm duas filhas tão belas quanto sua mamis, eternamente uma queridíssima amiga do jornalista rock’n’roll.

Fachada do bar rock mais lendário da cena alternativa paulista nos anos 80’ e 90’: o Espaço Retrô (acima) em sua primeira versão, que durou de 1988 a 1992, funcionava num sobradinho no bairro de Sta Cecília (região central da capital paulista), atrás do Largo e igreja do mesmo nome; foi lá que os Pin Ups fizeram seus primeiros, inesquecíveis e badalados shows

 

* “Me CHUPA Finatti, eu deixo! Você é VIADO!”: foi em alguma madrugada de 1992, mais ou menos (o HD do “véio” aqui às vezes falha, já lesado que está por décadas de consumo de álcool e aditivos ilícitos). O local: bar Der Temple, no baixo Augusta (próximo de onde é hoje o pub Astronete), cujo dono, o rockabillie Gigio, é atualmente (e há quase vinte anos já) propietário do Matrix Bar (na Vila Madalena, bairro boêmio de Sampalândia). O Der Temple também marcou época na cena rocker under da capital paulista – foi lá que Kurt Cobain e Courtney Love se “internaram” a madrugada toda, após o show do Nirvana em São Paulo, em janeiro de 1993. E o blogger loker também vivia “internado” lá (afinal morávamos na rua de trás, a Frei Caneca, nessa época). E não deveria ter ido lá NAQUELA NOITE. Mas foi, por insistência da amiga Renata F., uma perua rocker tesudíssima, locaça como ela só (namorava com um italiano mafioso e vivia turbinada de ÓTIMA cocaína, que era fornecida a ela pelo namorido, claro) e que AMAVA trepar com músicos de rock ou qualquer sujeito que trampasse na área musical ou jornalística. Pois enfim: lá se foi a dupla pro Der Temple, em uma noite que haveria show dos… Pin Ups (ahá!), em comemoração ao “noivado” oficial da baixista Alê com o VJ da MTV e vocalista do grupo Ratos De Porão, João Gordo (que já estava se tornando então uma celebridade na cena undergroud). Aí que residia o problema (e o perigo): nessa época, por motivos nunca muito bem esclarecidos, Gordo e o jornalista zapper eram inimigos quase MORTAIS, sendo que o então rotundo VJ nutria um ódio igualmente quase mortal pelo autor deste blog (uma briga que durou até meados de 1995, quando ambos fizeram as pazes finalmente e se tornaram novamente bons amigos, que são até hoje). Mas Renata encheu o saco pra caralho pra ir na festa (era véspera de algum feriado) e a dupla se mandou pro Der Temple. Lá a madrugada rolou mais ou menos tranqüila (com o jornalista prevenido EVITANDO passar perto do João Gordo a noite toda) até o momento em que um destrambelhado e atrapalhado (como sempre foi) Finaski resolveu ir embora. Eram mais de cinco da matina, ele já estava bastante ébrio e foi se despedindo de alguns conhecidos e andando meio que de COSTAS, sem olhar quem estava atrás, no caminho. Foi então que ESBARROU em uma MASSA HUMANA e só escutou a seguinte frase: “Ô seu FILHO DA PUTA, você veio na MINHA FESTA pra me EMPURRAR? Vou te MATAR!”. Era João Gordo, claro. Que deu um SAFANÃO no autor destas memórias hilárias, levando-o ao chão. Zap’n’roll não se deu por assustado e, de saco cheio e bêbado, pegou a primeira GARRAFA vazia que estava ao seu alcance e partiu pra cima do rotundo músico, dizendo: “Chega! Quem vai te MATAR SOU EU, seu MERDA!”. Confusão armada, a turma do deixa disso entrou no meio e o jornalista foi direto no quarto distrito policial (que ficava do outro lado da rua) pedir ajuda. Voltou de lá com um investigador da polícia civil, que escutou pacientemente o relato dos dois envolvidos na contenda. Ao final, decretou: “a briga termina aqui, se alguém quiser dar queixa de algo, que se dirija AGORA comigo ao DP. E se alguém ENCONSTAR A MÃO NO OUTRO na MINHA FRENTE, vai em CANA AGORA!”. O dia já clareava e João Gordo resolveu ir embora na cia da sua noiva, Alê Briganti. Que enquanto abria a porta do carro dela (estacionado na frente do Der Temple), falava alto e rindo para um atônito Finas: “Vai Finatti, VEM ME CHUPAR! Eu deixo! Vem! Você é VIADO!!!”. Mais de duas décadas depois, Alê e o blogger rocker/loker são amigos e riem muito quando se recordam dessa história, ahahahaha.

 Dupla do barulho (e ponha barulho niso!), na night rocker loker sem fim de Sampa: o jornalista zapper e seu brother, o batera Flavio “Forgotten” Cavichioli, durante balada no baixo Augusta, em 2013; foi numa casa noturna onde tocou o grupo Corazones Muertos (com o qual Forgottinho estava tocando bateria na época) e, quando essa imagem foi registrada tanto jornalista quanto músico já estavam total alucicrazies de álcool e… rsrs

 

* O show DESASTROSO em Curitiba: foi em 2004, na primeira edição do finado Curitiba Pop Festival. Que tinha como atração máxima o quarteto americano Pixies, em sua primeira visita ao Brasil. E para dar um clima total indie rock ao evento a produção do mesmo teve a “brilhante” idéia de bancar uma reunião dos Pin Ups no palco, já que a banda estava parada há alguns anos mas continuava sendo alvo de adoração por um séquito grandinho de fãs. E o que era para ser um dos grandes momentos ao vivo do grupo acabou se tornando o MAIOR DESASTRE da trajetória deles, em termos de shows, pelos motivos já elencados pelo guitarrista Zé Antonio na entrevista aí em cima, no post. Mas Zap’n’roll não esquece de dois momentos daquela noite: o primeiro, com o jornalista “secando” uma garrafa de Jack Daniel’s com o vocalista Luiz Gustavo no camarim do grupo (e Luiz reclamando: “porra Finatti, quero levar um pouco de Jack pra beber no palco, caralho!”), de onde saiu com um copo descartável CHEIO de Bourbon pouco antes de o grupo subir no palco (e a essa altura, os neurônios zappers já estavam entrando em parafuso). E o segundo, assistindo ao próprio e lamentável show da banda: em dado momento Luiz, absolutamente loki de Jack, tirou o microfone da boca e ficou cantando com a… garrafa de Jack, jezuiz, rsrs. (pós-gig: o blog saiu da pedreira Paulo Leminski e foi direto pro centrão da capital do Paraná em busca de cocaine e crack, que ele ainda fumava naquela época. Passou a madrugada cheirando e pipando pelas ruas do centrão da cidade, ao lado de quem pudesse lhe fornecer alguma dorga)

 

* Flavinho Forgottinho ROUBANDO padê da napa do jornalista em Cuiabá, ulalá: segundo semestre de 2006, em Cuiabá (a sempre infernal e calorenta capital do Mato Grosso). O blog estava lá cobrindo um festival de bandas independentes, o Calango. Era a última noite do evento, os Forgotten Boys estavam fechando o festival e, ATRÁS do kit de bateria no palco onde Flavio Cavichioli (ex-batera dos Pin Ups e a essa altura já velho amigo zapper) espancava seu instrumento, o loker aqui estava sentando numa cadeira, ESTICANDO caprichosamente a ÚLTIMA carreira de cocaine que lhe restava naquele momento (já era alta madrugada, o pó de Cuiabá é dos melhores do Brasil e naquela horário seria praticamente impossível convencer alguém ali a ir de carro numa “biqueira”, pra buscar mais “produto”). Foi quando uma PANE técnica no palco (na parte elétrica) fez com que tudo ficasse mudo, obrigando os “Garotos Esquecidos” a encerrar seu set antes do previsto. Não deu outra: Forgottinho levantou puto do banquinho da bateria, se virou e quando viu aquela RELUZENTE carreira de cocaine esticada BEM NA SUA FRENTE, meteu sua NAPA sem DÓ (e até sem um “canudinho”) na mesma, pra DESESPERO e total EMPUTECIMENTO do autor dessas lembranças malucas e hilárias. “Filho da puta!”, exclamou o jornalista doidão e inconformado. “Era minha ÚLTIMA carreira, caralho! Só não te ESPANCO agora porque sou seu amigo”. Mui amigo aliás (ele), rsrs. E assim o escriba gonzo voltou para o hotel… sem sua última aspirada de farinha, rsrs.

 

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FECHANDO COM TESÃO O POSTÃO, MAIS IMAGENS DA TOTAL DELICIOUS E SAFADA MUSA SECRETA S.R.

Ela está de volta – e talvez pela última vez. Paulistana, trinta e três anos de idade. Ama Charles Bukowski e Gabriel Garcia Márquez. Ama Tim Burton, Lana Del Rey, Oasis e Tiê. E AMA ser bem FODIDA. Tem a boceta quente como o inferno e divina como o paraíso.

 

E seduziu e arrebatou o coração e a alma deste velho jornalista rocker/loker e sempre inadequado existencialmente. “Meu velho roludo!”, ela diz. E o affair segue tórrido entre os dois, já há quase três meses.

 

Então para o delírio do nosso sempre leitorado macho (cado), mais S.R. pra vocês. Apreciem sem moderação nas punhetas.

A devassidão, a luxúria plena e o pecado sórdido habitam meu corpo

 

Ela se entorpece com filosofia…

 

…e também de vinho

 

Meu corpo em delírio, à espera do velho roludo

 

E após mais uma tórrida sessão de delírios carnais, o velho e safado jornalista beija a VULVA de sua doce putinha (em imagem que foi censurada e REMOVIDA pelo Facebook, a rede social nazista)

 

 

E FIM DE PAPO

Haveria muito mais ainda a ser publicado nesse mesmo post. Mas os eventos de ontem, sexta-feira (13 de novembro) alteraram nossa pauta editorial. Assim a bio sensacional da Kim Gordon que recebemos da editora Rocco (conforme já comentado lá no início da postagem) entra, ao lado da também bio de Iggy Pop, como um dos assuntos pricipais do próximo post zapper.

 

E nesse momento em que o mundo sofre, como um todo, com mais um ato bárbaro da insanidade, demência e bestialidade humana sem limites, o blog diz: somos TODOS contra o Terror. E sempre seremos a favor da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade entre todos os povos e seres humanos do bem.

 

Até a semana que vem!

 

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 14/11¹2015 às 8hs.)