Silêncio ENSURDECEDOR no rock’n’roll mundial: Ziggy Stardust nos deixa órfãos, embarca em uma nave espacial e vai embora para o seu mundo; e o blog zapper interrompe suas habituais férias rápidas de início de ano para chorar com o coração aos pedaços a perda daquele que foi o MAIOR ÍDOLO individual do jornalista rocker Finaski

O mondo pop/rock em choque: a segunda semana do novo (e, pelo jeito, tão sinistro quanto o de 2015) ano começou com a humanidade perdendo o gênio David Bowie, um dos maiores nomes da música mundial em todos os tempos e ídolo individual maior de Zap’n’roll; abaixo, o blog durante a visita à exposição sobre a vida e obra do cantor no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, no início de 2014. E assim todos os nossos HERÓIS estão indo embora…

 

“…nunca fiz coisas boas

Nunca fiz coisas ruins

Quero um machado para quebrar o gelo

Quero descer agora mesmo…”

 

(“Ashes To Ashes”/David Bowie, 1980)

 

Sem palavras aqui.

 

Apenas com lágrimas nos olhos o dia todo na segunda-feira cinzenta e chuvosa de ontem em Sampa (sendo que este post está entrando no ar na madrugada solitária, silenciosa e mega chuvosa já da terça-feira). E totalmente NEGRA para a música pop e para o rock’n’roll mundial. Zap’n’roll acordou insone, por volta das oito da manhã. Foi quando resolveu conferir nas redes sociais se havia alguma novidade digna de nota.

 

Havia. E era a PIOR novidade possível. Àquela altura o mundo já estava sendo sacudido pela notícia da morte de David Bowie, ocorrida no domingo à noite. Discretíssimo como sempre foi em sua vida pessoal nas últimas décadas, Bowie escondeu da humanidade que lutava contra um câncer (a doença maldita do final dos tempos da raça humana) há cerca de um ano e meio. O gênio que legou para a história da música algumas de suas páginas mais brilhantes, perdeu a batalha. Sucumbiu ao tumor. Assim Ziggy Stardust cumpriu sua missão: nos deixou órfãos a todos, embarcou na sua nave espacial e voltou para seu planeta distante – que não era mesmo essa velha Terra podre e carcomida pelo homem.

 

Este blog, em seus treze anos de existência (que se completam em 2016), fez muitas postagens sobre David Bowie. Nem é necessário escrever um obituário laudatório para lamentar essa perda gigante e irreparável de um artista que entrou na vida do autor destas linhas online quando ele ainda era um adolescente sonhando em ser jornalista um dia. Se tornou jornalista musical e seguiu apaixonado por Bowie, sua obra, sua música. Assistiu o cantor ao vivo por duas ocasiões (em 1990 no estádio do Palmeiras, em São Paulo, durante a turnê “Sound&Vision”; e depois em 1997, também em São Paulo, no complexo esportivo do Ibirapuera). Ambos os concertos foram magníficos e inesquecíveis. E ficaram impressos para sempre na memória deste repórter.Bowie completou sessenta e nove anos de idade há três dias, quando lançou seu último álbum de estúdio, “Black Star”. Hoje ele não está mais entre nós. Mas sua obra GIGANTESCA e INSUPERÁVEL (foda-se o lacaio ignorante Elvis Presley; quem precisava dele quanto podíamos ouvir as obras-primas compostas pelo Camaleão?) permanecerá para sempre.

O homem que caiu na Terra: Ziggy Stardust procurou vida em Marte mas se tornou rock star aqui; agora, Major Tom partiu para a sua grande e definitiva viagem

 

E para relembrar essa obra e tudo o que o autor deste blog viu, ouviu e viveu ao som de David Bowie, reproduzimos abaixo textos publicados aqui mesmo, em 28 de janeiro de 2013 (portanto, há três anos), quando Bowie havia lançado seu então novo disco inédito, “The Next Day”, interrompendo um exílio de uma década dos estúdios de gravação. Nesses textos estão a síntese do que foi a vida loka e rocker do jornalista loker, ao som de David Robert Jones.

 

Até um dia, Major Tom, o ADORÁVEL e GENIAL junkie que todos nós sabíamos que você era. Sentiremos dolorosamente sua ausência. Mas iremos sim, um dia, ao seu encontro em uma outra estação.

 

(post extra escrito ao som de, entre outras, “Ashes To Ashes”, “Life On Mars?”, “Sound & Vision”, “Oh You, Pretty Things” e “Starman”)

 

 

BOWIE – AOS 66 A VOLTA TRIUNFAL, PARA DEVOLVER AO MUNDO O SENTIDO QUE O ROCK’N’ROLL PERDEU

 

(texto publicado originalmente em 28 de janeiro de 2013, e com algumas alterações e adequações para esta repostagem)

 

O título deste tópico principal do post zapper desta semana não carrega nenhum exagero. Todo mundo que ama música e rock’n’roll (seja você um ainda adolescente e jovem leitor destas linhas online, ou já um tiozão calejado nas estradas e histórias do rock’n’roll) conhece o inglês David Bowie (que nasceu, na verdade, David Robert Jones) e sabe de sua trajetória incrível e de sua importância MONSTRO na história do rock e da música pop em geral, nas últimas quatro décadas. Ao longo de mais de quarenta anos de carreira, Bowie lançou vinte e cinco álbuns de estúdio – o primeiro, homônimo, saiu em 1967.

 

Destes pelo menos uns dez são absolutamente essenciais na história do rock’n’roll (e aqui, neste post, o blog analisa não talvez os cinco melhores mas, subjetivamente, os cinco que o autor deste espaço online mais ama). E como se não bastasse produzir discos clássicos e que legaram genialidade musical em grau máximo para o rock, o “Camaleão” (apelido ganho ainda nos anos 70’ pela capacidade que o músico, compositor e cantor tinha em assumir personalidades diversas ao antecipar uma nova tendência sonora na cultura pop, como o glam rock por exemplo) ainda nos deu muito mais: canções sublimes, personagens inesquecíveis (o alienígena Ziggy Stardust, o Duque Magro & Branco), atuações grandiosas no cinema (em filmes como “O homem que caiu na Terra”, “Furyo – em nome da honra” ou “Fome de Viver”), duetos históricos (com Mick Jagger, por exemplo) etc, etc, etc. David Jones é gênio, ponto.

 

Ele estava ausente da música havia uma década, quando lançou o álbum “Reality” em 2003. Na turnê de divulgação do disco Bowie sofreu um princípio de infarto após um dos shows. Foi internado às pressas, fez uma angioplastia de emergência e decidiu se “aposentar” do show bis, indo morar em Nova York com sua filha e a esposa, a modelo africana Iman. E de lá pra cá muito se especulou sobre um possível retorno seu à música e aos palcos. Mas o próprio cantor, bastante recluso, volta e meia emitia comunicados de que não voltaria a mexer com música. O mondo pop deu então, a contragosto, por encerrada a trajetória profissional do inglês dos olhos de cores diferentes (o esquerdo mais claro que o direito, uma diferença provocada, segundo a lenda, por um soco que ele teria levado em uma briga na adolescência).

 

Até que em 8 de janeiro de 2013 o mundo foi sacudido pela bomba: ao comemorar seu aniversário de sessenta e seis anos, Bowie anunciou que estava pra lançar um novo disco. E ainda mostrou para o mundo o primeiro single deste trabalho, a belíssima e triste balada “Where Are We Now”. De letra memorialista, a canção evoca a época em que o cantor morou em Berlim (na segunda metade dos anos 70’) quando gravou por lá três álbuns, entre eles a obra-prima “Heroes” (de 1977). O álbum completo, batizado “The Next Day”, foi lançado oficialmente em 8 de março daquele ano. O mundo aguardou mega ansioso pelo disco (que foi gravado em segredo por David Bowie nos últimos dois anos, com produção do inseparável amigo de décadas, Tony Visconti), e ele foi com certeza um dos grandes lançamentos de 2013.

 

E agora que Ziggy Stardust não está mais entre nós Zap’n’roll não poderia se furtar de, também ela, comentar sobre o desparecimento da lenda David Bowie. Isso pelo amor que o blog sempre devotou à sua música, pela sua obra insuperável, pelo rocker absolutamente louco e extraordinário que ele foi: um performer que rompeu com tabus sexuais (jovem e lindo, enlouqueceu homens e mulheres, bichaças e lésbicas na sua vida. Foi pra cama com Mick Jagger, traçou e foi traçado por gente como Iggy Pop e Lou Reed) e de drogas (ele afundou em cocaine e em outras drugs ao longo dos anos 70’). E que deixou sua marca impressa para sempre na história da cultura pop.

 

O próprio blogger outrora mega loki viveu uma vida de excessos ao som das músicas de David Jones. Foram momentos malucos e ultra junkies, alguns quase inacreditáveis, tendo como trilha sonora as canções de Bowie. Mas isso será bem contado logo mais aí embaixo, em um extenso diário sentimental. Antes dele estas linhas online fazem uma rápida análise dos cinco álbuns de David Bowie preferidos pelo blog. São cinco discos seminais e que entram fácil em qualquer lista dos melhores momentos de toda a história do rock’n’roll. Instantes de brilhantismo puro e que agora estão inscritos para sempre na eternidade do rock’n’roll. Foi-se o gênio GIGANTE. Mas sua obra permanecerá eternamente.

 

 

BOWIE – CINCO ÁLBUNS CLÁSSICOS E IMBATÍVEIS

* “The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars” (1972) – a obra-prima máxima e definitiva. Bowie já havia lançado quatro discos desde 1967 e atingiu seu ápice artístico e musical com este discaço lançado em 1972. Antecipando o que seria o glam e o art rock, o trabalho era recheado e costurado por pianos e arranjos de cordas mas sem abrir mãos das guitarras ásperas. Espécie de fábula com as faixas girando em torno de um único tema (mas sem o ranço e o bolor conceitual do rock progressivo), o álbum narra a história do alienígena Ziggy, que vem de Marte para salvar a Terra cinco anos antes da destruição do nosso planeta, e aqui acaba se tornando um rock star. Músicas sublimes e inesquecíveis aos montes: “Five Years”, “Moonage Daydream”, “Starman” (que o grupo gaúcho Nenhum de Nós fez o favor de “assassinar” nos anos 90’, com a horrenda versão chamada “Astronauta de mármore”), “Suffragette City”, “Rock’n’roll Suicide” e, claro, o hino eterno “Ziggy Stardust”.

 

* “Station To Station” (1976) – Bowie inventa um novo personagem (o Duque Magro & Branco), para dar voz ao momento pelo qual ele estava passando: morando nos Estados Unidos o cantor saía muito à noite e enfiou o pé na lama em consumo grotesco de drogas variadas, especialmente cocaína. Isso rendeu um disco denso, pesado (no sentido das letras e do conteúdo emocional), onde a faixa-título (que abre o álbum com dez minutos de duração) narra a descida aos infernos da existência junkie. Não por acaso Bowie se tornou ídolo da alemã Christianne F. (na época, com catorze anos de idade) e sua turma viciada em heroína. E várias faixas deste disco pontuam a trilha sonora do filme que narra a saga de Chris pelas ruas e banheiros imundos de Berlim, entre picadas e picadas de agulhas nos braços…

 

* “Heroes” (1977) – Bowie se cansa da vida de excessos nos EUA e se muda pra Berlim, pra tentar acalmar seus demônios internos. Lá grava a célebre “trilogia” berlinense, sendo que o segundo disco dela é “Heroes”. Produzido pelo gênio Brian Eno o trabalho mergulha em ambiências eletrônicas soturnas (espécie de antecipação do que seria o movimento dark/pós-punk, que varreria as ruas de Londres no começo dos anos 80’) e lega para a posteridade a faixa-título, uma obra prima que incrivelmente se tornou um mega hit, sendo inclusive regravada décadas depois pelo grupo Wallflowers (do vocalista Jakob, filho de Bob Dylan).

 

* “Scary Monsters (and Super Creeps)” (1980) – durante muitos anos foi esse o disco de Bowie que Zap’n’roll colocava em sua lista pessoal dos dez maiores álbuns de rock de todos os tempos. Pesado, com letras cínicas, críticas e altamente corrosivas sobre o a superficialidade do mundo da moda (algo muito claro na música “Fashion”), o disco traz canções clássicas e belíssimas, entre elas “Ashes To Ashes”, um dos maiores hinos compostos pelo cantor: é a faixa que fecha a trilogia de músicas falando do Major Tom (e que começou em 1969, com “Space Oddity”), um astronauta viciado em drogas e que vaga a esmo pelo espaço sideral, um evidente alterego do próprio David Bowie. Discaço!

 

* “Let’s Dance” (1983) – o Camaleão entrou na década de oitenta mais uma vez se reinventando musicalmente. Com produção do músico Nile Rodgers (guitarrista do grupo funk americano Chic) Bowie caiu na dança e gravou um disco que é puro groove, soul e repleto de faixas altamente anfetamínicas. Sem nunca deixar a qualidade musical cair o álbum enfeixou mega hits nas rádios do mundo todo (inclusive no Brasil): “Modern Love”, “China Girl” e a própria canção-título, um funk racha-assoalho espetacular. Não por acaso foi o trabalho do cantor que mais vendeu até hoje: apenas no ano do seu lançamento, “Let’s Dance” superou a marca de três milhões de discos vendidos pelo mundo afora.

 

 

DAVID BOWIE AÍ EMBAIXO

Em uma série de vídeos de canções clássicas de sua trajetória, além de “Lazarus”, espécie de “despedida” do cantor deste mundo, e que está em seu novo disco, “Black Star”, que foi lançado no último dia 8 de janeiro, quando Bowie completou sessenta e nove anos de idade.

 

 

 

 

“LAZARUS” – TRADUÇÃO

(do álbum “Black Star”, lançado por Bowie no último dia 8 de janeiro)

 

Olha aqui, eu estou no céu

Eu tenho cicatrizes que não podem ser vistos

Eu tenho drama, não pode ser roubado

Todo mundo me conhece agora

 

Olha aqui, cara, eu estou em perigo

Nada tenho a perder

Estou tão alto que faz o meu giro cérebro

Deixei cair meu celular abaixo

Não é que, assim como eu?

 

No momento em que cheguei a Nova Iorque

Eu estava vivendo como um rei

Então eu usei todo o meu dinheiro

Eu estava olhando para sua bunda

Esta maneira ou nenhuma maneira

Você sabe, eu serei livre

Só assim bluebird

Agora, não é igual a mim?

Oh eu estarei livre

Só assim bluebird

Oh eu estarei livre

Não é que, assim como eu?

 

PRIMEIRO E GIGANTE DIÁRIO SENTIMENTAL DE 2016 – AO SOM DE DAVID BOWIE, NOITES E NOITES MERGULHADAS EM COCAINE E EM FODAS COM BOCETAS ALUCINADAS

O zapper outrora sempre loki e alucinado quase em tempo integral, passou uma vivência infernal ao som de David Bowie. Mergulhou na lama até o pescoço, em noitadas e aventuras movidas a sexo calhorda e selvagem, e também a consumo de um oceano de álcool e cocaine, enquanto as canções do Camaleão martelavam incessantemente seu cérebro em vesânia plena e assustadora. Foram zilhões de momentos e acontecimentos absurdos e algo inacreditáveis, às vezes. E tudo começou quando, afinal?

 

O blog se lembra de que conhecia a obra de Bowie desde a sua adolescência, quando o sujeito aqui tinha seus quinze/dezesseis anos de idade. E o interesse pela obra do cantor aumentou mesmo quando, lá por 1982, ele passava férias em Minas Gerais, na casa que a saudosa mama Janet tinha por lá. O zapper então quase pós-adolescente vivia bebendo horrores e saindo com uma turma de amigos por lá. Um desses amigos, filho de um dono de uma loja de móveis na cidade, tinha em sua coleção um disco estranho de David Bowie, chamado “Station To Station”, edição nacional original em vinil. O zapper sempre pegava o dito cujo pra ouvir, até que um dia fez a oferta pro seu amigo: “me vende?”. O moleque: “sem problema, nem curto muito”. E assim “Station To Station” se tornou o primeiro disco de David Jones a ir parar nas mãos do futuro jornalista, que ainda sequer cheirava cocaine.

 

Em 1982 mesmo foi lançado no Brasil o filme “Eu, Christianne F., 13 anos, drogada e prostitiuída”, a versão cinematográfica do livro homônimo e que contava a saga da jovem alemã de apenas catorze anos que se tornara viciada em heroína e que vagava pelas ruas, estações de metrô e banheiros imundos de Berlim, se picando vorazmente no braço com a droga. Chris era apaixonada por Bowie. E o filme tinha em sua trilha sonora somente canções do cantor inglês. O então futuro aspirante a junkie total aqui (em uma época em que ele morava com mama Janet já na rua Frei Caneca, e só fumava seus baseados) foi assistir uma sessão (a primeira de várias que viriam na sequência) do filme no extinto cine Majestic, na rua Augusta (onde hoje funciona o Espaço Itaú de Cinema). Saiu de lá com a cabeça em pandemônio, apaixonado por Chris F., por David Bowie e sonhando em assistir a um show do Camaleão ao lado da alemãzinha, enquanto se chapava de heroin. Isso, em 1982! Um ano depois Bowie lançaria seu maior sucesso comercial até hoje, o álbum “Let’s Dance”, e aí a paixão de Zap’n’roll pelo cantor se tornou obsessão. Avança alguns anos. Em 1989 o sujeito aqui já é jornalista, já tem uma coleção monstro de vinis em sua casa (entre estes, mais de uma dezena de discos de Bowie) e já experimenta os prazeres deletérios de mergulhar suas narinas em devastações selvagens de cocaine, e seu pinto em bocetas sórdidas e ordinárias. Os mini tópicos a seguir radiografam o que rolou ao som de Bowie na vida do sujeito aqui, enquanto ele se entorpecia de pó e esporrava em xoxotas, cus e bocas de mulheres cadeludas ao cubo.

 

* Se sentindo o próprio Major Tom – não há exagero na frase. Major Tom, todos os fãs de Bowie sabem, é o alterego do cantor, criado por ele para compor as canções “Space Oddity” e “Ashes To Ashes” (“todos nós sabemos que o Major Tom é um junkie/Então mamãe sempre disse: ‘fique longe do major Tom’”), sendo que a segunda é uma das mais belas músicas já compostas por Bowie. Enfim, Zap’n’roll tinha uma mania obsessiva em sua vida, lá por 1989/90, quando já era repórter da editoria de Cultura da revista semanal IstoÉ: ele adorava por o vinil de “Scary Monsters” (o disco que contém “Ashes To Ashes”) pra rodar em seu system Gradiente, enquanto esticava taturanas de cocaína no tampo de acrílico do aparelho de som, e as aspirava. Foi assim que, num belo dia, um amigo da época (o Valtinho, que também era amigo da Luciana, uma pretinha xoxotuda, de peitos suculentos, cara de intelectual e loka, que o sujeito aqui estava traçando) chegou pro autor deste diário confessional calhorda e deu o toque: “meu vizinho, que trampa num sindicato aê, tá vendendo uns sacolés pra levantar uma grana extra. Ele não é bandido e nada, mas descolou a fonte e tá fazendo isso pra levantar uma grana. O pó é fodão, vem cinco gramas e o preço é bacana”. O zapper se interessou pela oferta. “Combina com ele que quero um desses, passo na sua casa dia tal, te dou a grana e você pega com ele e aí damos uns tecos no teu apê mesmo”. E assim foi feito. Na noite combinada lá se foi o sujeito aqui pro Largo do Arouche (no centrão de Sampa e que naquela época era bem tranqüilo pois o centro da cidade ainda não estava dominado e devastado pelo horrendo crack), onde Valtinho morava em um prédio antigo e de apês grandes e aconchegantes. Ao chegar lá, deu a grana pro seu amigo e esperou ele voltar com a encomenda. O autor destas linhas virtuais estava acompanhado de uma amiga rocker da época a… (o HD agora falhou e realmente o blog não lembra o nome da garota). E quando Valtinho voltou com o sacolé, todos foram pra cozinha do apê onde o jornalista já bem junkie despejou todo o conteúdo dentro de um prato e começou a “trabalhar” o mesmo com um cartão. Era muita cocaína (e muito boa, como não existe mais hoje na “naite” paulistana). Tanta que a amiga zapper arrelagou seu olhos e disse: “acho que nunca vi tanto pó assim de uma vez, na minha vida”. As cafungadas tiveram início. Lá pras tantas o trio foi pra sala ouvir música. Valtinho também tinha “Scary Monsters” em sua coleção. Não deu outra: o sujeito que escreve este diário pegou o disco e colocou “Ashes To Ashes” pra tocar. E quis explicar pros seus dois amigos o significado da letra da canção. Zap’n’roll se sentia o próprio Major Tom quando fazia isso. E aquela noite foi looooonga, com o trio saindo a pé pelo centro de Sampalândia, parando em bares pra tomar algo alcoólico e de tempos em tempos parando em algum canto escuro, pra aspirar novas carreira de cocaine. Insano. E inesquecível…

A vida do jornalista musical rocker/loker teve durante décadas (e continua tendo até hoje e mais do que nunca) como uma de suas principais trilhas sonoras a obra musical de David Bowie, e isso em momentos insanos de sexo, drogas e rock’n’roll, como os descritos nesse diário sentimental; mas o Camaleão também marcou Finaski em momentos mais calmos e de contemplação, quando o blog esteve na exposição dedicada ao cantor no Museu da Imagem & do Som, em São Paulo, no início de 2014 (fotos acima); abaixo, Bowie em sua primeira visita ao Brasil, em setembro de 1990: shows lotados e inesquecíveis (e presenciados pelo autor destas linhas virtuais) em São Paulo e Rio

 

* Pati, 18 anos, cocalera, fodida no cu e sem ver o show de Bowie – era 1990 e Zap’n’roll trampava na IstoÉ. A produtora Poladian havia anunciado a vinda de Bowie ao Brasil para setembro daquele ano e o jornalista zapper apaixonado pelo Camaleão ficou histérico, literalmente. Finalmente iria assistir ao show de um dos seus ídolos máximos. Nessa época o autor deste diário junkie namorava com a futura mãe do seu filho. Mas antes dela, houve a magricela Patrícia. Bonitinha de rosto, tetas miudinhas, moradora da zona oeste de Sampa (próximo à Usp e ao bairro do Butantã) não era nenhum primor intelectual. Mas cursava artes e desenho em uma escola particular na avenida Angélica, era rocker e bem safada. O autor deste blog a conheceu em uma madrugada num pulgueiro goth que havia no bairro dos Jardins, a Tribe Haus. Lá os malhos já começaram em um canto escuro e se prolongaram na rua (depois que ambos saíram pra ir embora), onde a cachorra Pati bateu uma generosa punheta pro blogger taradón. E ambos combinaram de se encontrar já na noite seguinte (um sábado), quando a garotinha de rosto inocente já foi parar no apê da Frei Caneca. E lá deu com gosto sua xoxota perversa a noite toda. Como o autor destas linhas sentimentais sempre foi um eterno carente e coração mole, resolveu namorar a garota. O namoro durou muito pouco mas as fodas eram sempre ótimas, como a vez em que a magra Pati e de cu pequeno agüentou a rola grossa zapper atrás, no hotel Savoy (que existe até hoje na rua Augusta, e onde o autor deste blog deu algumas de suas trepadas mais inesquecíveis nos anos 80’ e 90’). Só que aí entrou em cena a futura mãe do filho de Zap’n’roll, muito mais gata, culta e interessante e não deu outra: Pati foi solenemente dispensada. A garota não se conformou e fez de tudo pra retomar o romance, inclusive passando a cheirar cocaína também, o que ela não fazia no tempo em que havia namorado com o jornalista loker. E por fim, numa tentativa desesperada de fazer ciúmes, Pati arrumou um namoradinho também mezzo junkie e que curtia aspirar carreiras de pó. Uma noite de sexta-feira o casal baixou no apê da Frei Caneca. Queriam padê. Fomos atrás e descolamos uma petecona de cinco gramas, que era vendida em um bar na praça Roosevelt. Rachamos o valor da aquisição em três, o trio retornou ao apê e começou a cheirança sem fim. Lá pras tantas bateu a sede por algo alcoólico. Mas quem iria ter coragem de descer em algum bar na rua pra comprar algumas brejas, no estado de “bicudisse” em que o trio se encontrava? Conversa daqui, negocia dali e o namoradinho de Pati foi buscar algumas brejas. Enquanto ele foi, não deu outra: o canalha aqui tirou seu pau pra fora da calça e Pati, mais puta ainda, meteu a boca no dito cujo. Mas a bicudisse era forte e a tensão com a volta a qualquer momento do namorado da garota, também. Assim o pintão zapper, sempre em riste quando necessário, ficou no meio do caminho dessa vez. E foi recolhido novamente pra dentro da calça no exato instante em que o cocalero corno voltava com as brejas. As aspirações e devastações nasais prosseguiram até umas sete da manhã do sábado, quando a dupla foi embora. E algumas semanas depois, na noite do show de David Bowie em Sampa, quando Zap’n’roll tomava generosas doses de whisky e se preparava para ir à gig com sua ex-mulher um casal amigo, toca o interfone no apê: era Pati. Ela: “você consegue me levar no show do Bowie? Estou sem ingresso e bla bla blá”. Eu: “impossível. Você vem me pedir isso HOJE, quando estou saindo pra ir pra lá, e sendo que estou com a minha namorada? Pelamor, né?”. Pati ficou puta e se mandou. Ficou assim: fodida no cu, cheirada e sem ver David Bowie. E o blog nunca mais teve notícias dela.

 

* Flávia J., a loira loka, delícia e paixão infernal do blog – sim, foi uma das paixões mais avassaladoras experimentadas pelo sujeito aqui. E essa paixão começou na ponte aérea Rio/São Paulo no dia 7 de julho de 1990 (Zap’n’roll se lembra perfeitamente, como se fosse ontem), quando o então já conhecido jornalista rumou para o balneário a fim de assistir a um show da Legião Urbana. A banda estava no auge, iria tocar para cinqüenta mil pessoas no Jockey Club carioca e o autor deste blog estava acompanhando o grupo para um perfil que faria dele para a IstoÉ. A noite anterior havia sido novamente de excessos no consumo de cocaine e o blogger ressacudo por pouco não perdeu o vôo das dezenove horas – bem vazio, no final da tarde de sábado. E nele estava Flávia: loira, tesuda, mamicuda, inteligente. Não exatamente linda, mas muito gostosa e culta. O zapper se sentou na poltrona ao lado dela. E com um copo de whisky na mão (yep, naquela época servia-se whisky na ponte aérea) começou o papo. Ela se interessou pelo jornalista paquerador e quando ambos desceram no aeroporto Santos Dumont, no Rio, o blogger loker já a puxou pra dentro do táxi rumo ao hotel Atlântico Copacabana (que era onde a gravadora Emi hospedava jornalistas a trabalho no Rio). Lá chegando, os malhos começam no quarto. Zap’n’roll: “Você é linda!”. Flávia: “Você é um cara incrível e terrivelmente sedutor. Mas eu NÃO vou dar pra você hoje! Preciso ir pra casa da minha mãe em Niterói, amanhã eu venho e fico aqui contigo”. E assim foi. A loira foi pra Niterói e Zap’n’roll partiu em direção ao Jockey. No domingo à noite Flávia cumpriu sua promessa. O interfone do quarto tocou por volta de dez da noite. Era ela. O coração do jornalista disparou. Assim que entrou novamente no quarto, ela pulou em cima do autor deste diário sujo e cafajeste. A foda começou intensa e foi assim a noite toda. A loira trepava horrores, chupava um pinto magnificamente e gozava fácil e aos berros. E era fã de rock’n’roll, de cocaine, maconha e literatura: assim como o zapper, amava o dramaturgo francês Jean Genet. Foi uma noite inesquecível, o blog se apaixonou pela garota e na manhã seguinte a levou ao Santos Dumont – ela tinha que retornar a Sampa pois no dia seguinte embarcaria para um mês de férias em Londres. Viagem ganha de presente do pai, por ter passado no vestibular de Direito. Daí em diante o resumo possível de uma história que é muito longa, é esse: Zap’n’roll se desesperava de saudade e paixão por Flávia. Sabia que queria ficar com ela. Mas antes que ela retornasse, a futura mãe do filho deste jornalista apareceu no apê da Frei Caneca e ela e o sujeito aqui, destrambelhado emocionalmente como sempre foi, resolveu começar a namorar com a garota. Quando Flávia retornou, cheia de saudade, paixão e tesão pelo autor destas linhas virtuais, ficou putíssima com a história. O blog não sabia o que fazer. E ficou saindo com as duas, e comendo as duas. Foi quando veio o show de Bowie no Parque Antártica, e Flávia intimou: “Você pode ir com ela no sábado, mas VAI TER QUE ME LEVAR COM VOCÊ no domingo”. E assim foi: no sábado, o blog foi à gig do Camaleão acompanhado de sua, hã, namorada. No domingo, podre e mal dormido, teve que acompanhar a amante no mesmo show. Depois dele o casal foi foder pela última vez (e foram dois meses de loucuras na cama e fora dela: Flávia amava dar cafungadas em carreiras bem fornidas de cocaine; na cama era adepta de ser fodida no cu enquanto batia uma escandalosa siririca, pra suportar a dor do pau grosso rasgando seu buraco traseiro). Quando Flávia deixou o sujeito aqui (ela tinha carro) na porta da casa dele, ela disse: “hoje foi a última vez que você me comeu. Você quer ficar comendo as duas mas não vai rolar. E presta atenção: essa suburbana da sua namorada vai foder a tua vida. Vai engravidar de você e vai mudar de mala e cuia pro seu apartamento”. Foi exatamente o que aconteceu: a “suburbana” (que morava no extremo leste da capital paulista) realmente engravidou e se mudou pro apê da Frei Caneca. E Flávia J., uma das maiores paixões da vida de Zap’n’roll saiu da vida dele pra sempre. Hoje, quarentona e mãe, mora sozinha num enorme apartamento perto da Serra da Cantareira (na zona norte paulistana) e dirige um escritório de advocacia.

 

* 1997: após outro show de Bowie, porra seca no queixo de outra loira – foi a pior fase da vida de Zap’n’roll. Desempregado (a mega e chic revista Interview, onde ele tinha trampado durante três anos, havia sido fechada pela editora Abril em 1996), vivendo de frilas esporádicos e morando em uma república estudantil no bairro da Liberdade, ainda assim ele comia bocetas deliciosas. Uma delas, também loira e de tetas generosas o blogger sempre baladeiro conheceu em um bar rocker em Pinheiros, onde o sujeito aqui sempre ia nos finais de semana. Bonita de rosto, inteligente e fã de Bowie, a garota se interessou pelo autor deste blog com certa facilidade. Começou a paquera e ele a convidou pra ir no show que o Camaleão faria no festival Close Up Planet, dentro da turnê do álbum “Earthling”, lançado naquele ano e com viés mais eletrônico do que rock (mas ainda assim, muito bom). O casal então rumou pro festival, na pista de atletismo do complexo Ibirapuera, na zona sul de Sampa. Grande gig, quase tão boa quanto a de sete anos antes. Terminado o set, a sugestão que partiu do zapper: “Vamos pro Retrô” (que era o muquifo alternativo mais podre, sujão, decadente e genial de Sampa naquela época. Uma verdadeira lenda da indie scene alternativa paulistana, o Retrô era o lugar onde você podia dançar Screaming Trees, Ride, Nirvana e Nick Cave às três da manhã, cafungar cocaine nos banheiros sem ser incomodado, e trepar neles também, sendo o blog socou sua rola em muitas xoxotas ali). Sugestão aceita, lá se foi o blogger cheio de más intenções (uia!) com a loira (que lembramos perfeitamente o nome e sobrenome, mas não podemos publicar aqui. A hoje distinta senhorita está em um relacionamento sério e inclusive está na liste de amigos do autor destas linhas vulgares, em uma rede social), no carro dela. A balada no Retrô foi movida a muito álcool e a loira peituda ficou chapada. Foi quando, lá pelas cinco da matina, nova sugestão: “vamos prum hotel aí no largo de Santa Cecília”. O casal foi. Todos os hotéis do pedaço estavam lotados, com exceção de um que tinha um quarto disponível, mas apenas com uma cama de solteiro. Sem alternativa, a foda rolou ali mesmo. E não foi muito intensa porque a acompanhante zapper não estava de fato muito bem. O casal adormeceu em seguida e quando o sujeito aqui acordou, a visão que lhe vem à lembrança é de uma mancha de porra seca, escorrendo do queixo para o pescoço da loira. É, pelo menos na chupada, parece que o serviço tinha sido bem feito…

 

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Este é um post em edição especial e extra, pois não poderíamos deixar de prestar nossa homenagem ao homem que mudou para sempre a história do rock’n’roll. Zap’n’roll segue em recesso temporário e volta em sua versão 2016 no final deste mês.

 

Para Neide Rodrigues, Eliana Martins, Yaque Finatti e Joyce Sonriedo: besos. Um dia Finaski irá se encontrar com Ziggy Stardust em alguma distante galáxia.

 

 

(enviado por Finatti às 5hs.)