AMPLIAÇÃO FINAL (com o enfim afastamento de Eduardo Cunha do comando da Câmara dos deputados, o novo disco do Radiohead que ACABA DE SER LANÇADO e mini resenhas dos novos discos do Primal Scream e da cantora Céu) – O tempo voa, 2016 já avança para a metade do ano e o mondo rock finalmente volta a se agigantar com os novos e ótimos discos da deusa inglesa PJ Harvey e do The Last Shadow Puppets; o que o rapper Mano Brown e o ator José De Abreu possuem em comum; os vinte e cinco anos da morte de um GÊNIO da produção rocker da geração madchester; a volta DELAS!!! Yeah! Três XOXOTAÇAS (semi-secretas) no retorno das musas do blog; e sorteio de VIPS para uma das melhores baladas alternativas noturnas da capital paulista e que acontece neste finde em São Paulo (postão ATUALIZADO E FINALIZADO em 8/5/2016)

BANNERBANDARICARDOSANTOS2015

BANNERLIBERTINEABRIL2016

BANNERVOICEMUSIC2016

IMAGEMPJHARVEY2016

Em um tempo onde até mesmo o indie rock planetário se tornou qualitativamente quase que totalmente irrelevante, a deusa e musa inglesa PJ Harvey (acima) mantém um trabalho impecável que já dura mais de vinte anos e que agora ganha mais um discão em sua trajetória, que saiu há pouco na Inglaterra; e da safra mais ou menos nova do rock alternativo também britânico surge enfim o segundo trabalho do grupo The Last Shadow Puppets (abaixo), que o blogão comenta neste post onde também temos a volta de nossas sempre abusadas, ousadas, safadas e ultra tesudas musas rockers, como a paulistana Neide R. (também abaixo)

IMAGEMLASTSP2016

IMAGEMMUSANR2016

**********

E MAAAAAIS UMA ATUALIZAÇÃO NO DOMINGÃO DAS MÃES, COM ENFIM O NOVO DISCO DO RADIOHEAD

CAPARADIOHEAD2016

IMAGEMRADIOHEAD2016VINIL

IMAGEMRADIOHEAD

Saiu finalmente, néan. Presentão pros rockers em pleno dia das mães. Depois de cinco anos de espera e jogadas de marketing que a banda sabe fazer como poucas no mondo rock, o Radiohead ressurge com “A Moon Shaped Pool”. E que já aparenta ser o melhor disco do quinteto inglês desde… “In Rainbows” (de 2007)? Parece que sim.

O  blogão ainda vai fazer algumas audições bem rigorosas do trabalho, antes de escrever um texto preciso e bacana sobre ele. Thom Yorke e sua turma merecem essa deferência, não? E enquanto esse texto não é publicado aqui, você já pode escutar o cd na íntegra aí embaixo. Boa audição!

 

**********

EXTRAS FECHANDO O POSTÃO

  • Postão lindão sendo concluído já na sextona DESTA semana (6 de maio). Ficou bacana e ainda tem umas notinhas aí embaixo pra fechar de vez a tampa do blogão.

 

  • A volta mais esperada do indie rock nos últimos anos, néan? O gigante Radiohead lança nos próximos dias seu novo álbum de estúdio, cinco anos após o fraquinho “The King Of Limbs”. A expectativa é enooooorme em torno do novo trabalho, mesmo porque o primeiro single do álbum, “Burn The Witch”, já roda à toda no YouTube (e a humanidade já deve ter visto) e mostra o quinteto em boa forma, com melodia bacana, orquestrações e Thom Yorke cantando bem como nunca. A aguardar então, sendo que o single você confere aí embaixo.

 

  • E em outubro na Califórnia, o festival dos sonhos de todos nós. Dá até vontade de ir pra lá, sendo que depois dessa reunião desde já inesquecível o mundo poderia acabar de vez.

CARTAZFESTIVALDESERTTRIP2016

 

  • Enfim, o PILANTRA e BANDIDO máster Cunha foi ARRANCADO da cadeira de presidente do Congresso, e pelo STF (porque se fossêmos depender dos próprios deputados…). Pelo jeito ainda resta um mínimo de Justiça e de credibilidade nas instituições desse país total falido em todos os sentidos. TCHAU, querido!

CAPAFOLHAFORACUNHA2016

 

  • É isso. Postão fodão pra ninguém reclamar. Semana que vem tem mais. Até lá!

**********

 

 

O país surreal e a musa rocker inglesa.

Pode-se dizer que um não tem absolutamente nada a ver com o outro, mas são ambos (país e musa) que dominam os pensamentos de Zap’n’roll no final da tarde desta deliciosa última sexta-feira de abril, quando o outono finalmente chegou a Sampalândia e derrubou as temperaturas (nesse momento, na casa dos dezesseis graus, com céu totalmente nublado). O Brasil, óbvio, se tornou mais piada pronta do que nunca perante a imprensa internacional, por todo o quadro político que está em curso por aqui. O lado bizarro e surreal desse quadro é um processo de impeachment absurdo, contra uma presidente que, sim, cometeu muitos, grosseiros e GRAVES erros em sua administração, mas que definitivamente NÃO é BANDIDA. E o absurdo desse processo se dá justamente no fato de ele ser conduzido pelos REAIS e MAIORES BANDIDOS da história recente da política nacional, gente do naipe de Michel “mordomo de filme de terror” Temer e Eduardo “mão pesada (e nada de leve)” Cunha. Qual a legitimidade ÉTICA e/ou MORAL de um processo conduzido por esse tipo de gente? Nenhuma, claro. Fora que o lado DRAMÁTICO (e não bizarro) da situação atual é aquele que todos nós já sabemos e estamos sentido na carne: recessão, desemprego, aumento da inflação etc. Diante disso tudo conforta ao blog e, imaginamos, também ao nosso dileto leitorado, saber que uma cantora, compositora, letrista e multiinstrumentista como a inglesa PJ Harvey (uma das artistas do rock alternartivo planetário mais adoradas por estas linhas bloggers poppers há mais de vinte anos) continua ótima e brilhante em sua arte de compor e gravar grandes discos, como o seu mais novo trabalho de estúdio e que foi lançado oficialmente na Inglaterra há duas semanas. Em mundo onde a cultura pop e o rock’n’roll parecem ter sucumbido inexoravelmente à indigência criativa total, é um alento monstruoso escutar um discaço como o novo rebento dessa inglesinha miúda e sempre cáustica em sua percepção arguta e aguda sobre a existência humana, e sobre uma sociedade cada vez mais esgarçada por todo tipo de desajuste. Por isso Polly Jean é o destaque desse postão que você começa a ler agora. Enquanto o país da piada pronta e que  nunca foi sério continua pegando fogo, o melhor a fazer numa deliciosamente fria sexta-feira outonal é escutar o cd de PJ, tomando um bom vinho. E deixar o mundo podre explodir lá fora, contanto que seus escombros voem para bem longe de nós.

 

  • A repercussão ao novo projeto visual do blog não poderia ter sido melhor: quase cento e quarenta compartilhamentos e setenta e nove comentários, o que mantém essas linhas zappers como um dos blogs de cultura pop mais acessados do Brasil. Chupa, fakezada cagona e mortinha de inveja, hihihi.

 

  • E o outono finalmente chegou em Sampa, que beleza! Olha só a temperatura ontem à noite perto da house do jornalista rocker/loker/maloker:

IMAGEMFRIOSP2016

 

  • Temperatura mais do que ideal para se jogar na melhor balada noturna rocker/goth alternativa da capital paulista e que acontece nesse sábado (leia-se amanhã) em Sampa. Essa mesma, do flyer aí embaixo. Quer ir nela mas está sem dindin? No “poblema”, ahahaha. Vai lá no final do postão que tem um par de Vips esperando por você, pra te colocar na FAIXA na parada.

CARTAZLIBERTINEFESTABRIL2016II

 

  • E até o digníssimo e ultra respeitado apresentador Jô Soares se posicionou a respeito do que está acontecendo atualmente no Brasil, saindo em defesa do ator José de Abreu e do cantor Chico Buarque esta semana, em seu programa nas madrugadas da TV Globo. Não assistiu? Confere aí embaixo então.

 

  • O QUE MANO BROWN E JOSÉ DE ABREU TÊM EM COMUM – um é dos mais conhecidos, polêmicos e dos melhores compositores e letristas do rap brasileiro desde que ele (rap) existe por aqui. À frente do grupo paulistano Racionais MC’s, gravou pelo menos duas obras-primas em sua já longa trajetória musical: “Raio X Brasil” (de 1993 e que tem “Homem na estrada” e “Fim de semana no parque”) e “Sobrevivendo no inferno” (lançado em 1997 e que se tornou, mesmo sendo comercializado de forma independente, o álbum de rap mais vendido da história da música brasileira, com cerca de um milhão de cópias adquiridas pelos fãs). E antes que algum COXA imbecil venha GRASNAR algo, dois detalhes a saber: a) o grupo, tirando cachês recebidos pela prefeitura de São Paulo para participar de algumas edições da Virada Cultural, dificilmente foi ou vai em busca de verba PÚBLICA para bancar algum projeto seu; e b) o vocalista do grupo está sim hoje em dia com uma situação profissional e financeira confortável, sendo que segundo se sabe ele mora em um ótimo condomínio fechado na zona sul paulistana. Mas é um conforto/status que ele adquiriu graças à EXCELÊNCIA da sua ARTE e do seu trabalho como músico, ponto. E quem disse que preto e rapper não pode morar bem e ter grana? O outro é um dos mais conhecidos atores da televisão, teatro e cinema brasileiros. Foi um dos principais destaques da última novela do horário nobre da TV Globo. E nem por isso deixou de mudar suas convicções/posturas político/ideológicas. Sempre esteve à ESQUERDA e deu show de bola durante entrevista ao atualmente nefasto Domingão do Faustão, no último domingo na Globo. Cada declaração sua dada no programa merece ser APLAUDIDA DE PÉ. O que o cantor de rap e o ator Global têm em comum? Simples: apesar de serem artistas mega conhecidos e de possuírem uma situação financeira que muito COXINHA imbecil não tem, são FIÉIS às suas posturas políticas. Estão enxergando com clareza a grande BANDIDAGEM em curso nesse país (na questão do processo de impeachment da presidente) e estão soltando o verbo contra essa bandidagem, ainda que isso lhes custe rusgas, ataques pessoais escrotos (disparados por OGROS da direta e da egoísta, moralista hipócrita e estúpida classe média brasileira) e menos popularidade. Parabéns José De Abreu e Mano Brown. Zap’n’roll segue sendo total fã de ambos. Aliás é um claro sinal dessa época bestial que vivemos atualmente: enquanto ex-roqueiros “subversivos” de outrora se transformaram em REACIONÁRIOS de MERDA (né, Lobão e Roger Moreira), um RAPPER de respeito mostra o que é coerência política e ideológica. E antes que o blog se esqueça: quem insultou Zé de Abreu no restaurante onde o ator jantava com sua esposa, foi identificado como sendo um ADVOGADO. Belo EXEMPLO de cidadania e (in) civilidade por parte de um representante de uma classe profissional que deveria se pautar totalmente pela inteligência/ótima argumentação/educação e elegância máxima.

IMAGEMMANOBROWN

O rapper mai famoso do Brasil (acima) e o ator da TV Globo (abaixo): coerência e defesa da democracia e da legalidade político/institucional, ainda que isso custe impopularidade e insultos públicos a ambos

IMAGEMZEDEABREUII

 

  • E o bom e velho Power pop escocês do grupo Travis (já há duas décadas e meia fazendo a alegria do povo que curte guitarras e melodias, hã, fofinhas) está de volta. A banda do vocalista Fran Healy lançou HOJE “Everything At Once”, seu novo disco de estúdio e que sucede o muito bom “Where You Stand”, editado há três anos. O blog vai escutar o dito cujo pelos próximos dias pra comentá-lo melhor aqui. Mas enquanto isso você já pode ouvir o dito cujo na íntegra aí embaixo.

 

  • E as nossas tradicionais notas iniciais estão em construção nesse post, hehe. Ao longo do finde e também do início da próxima semana elas irão sendo “engordadas” caso algum assunto relevante for surgindo. Enquanto isso não acontece, vamos falar aí embaixo da espetacular volta da nossa musa rocker inglesa PJ Harvey.

 

 

PJ HARVEY SE MANTÉM COMO MUSA E DEUSA SUPREMA DO ROCK INGLÊS QUE IMPORTA EM SEU NOVO DISCO

A cantora, guitarrista, multiinstrumentista e compositora inglesa Polly Jean Harvey vai completar quarenta e sete anos de idade em outubro próximo. E está na estrada do grande rock’n’roll alternativo desde o início dos anos 90’ quando ela, ainda muito jovem, ganhou a aclamação da crítica e amealhou milhares de fãs na Inglaterra com os seus três primeiros (e ótimos) discos de estúdio, que a transformaram num dos nomes mais “quentes” da então efervescente indie rock scene britânica. Foi nessa época inclusive que Zap’n’roll também se tornou super fã da garota magrelíssima e baixinha. E essa admiração pela sua obra musical permanece inalterada até hoje, mais de duas décadas depois. Aliás aumentou um pouco mais depois que o blog fez diversas audições de “The Hope Six Demolition Project”, o novo álbum de estúdio da cantora e que foi lançado há menos de duas semanas no Reino Unido. É o nono trabalho inédito de PJ Harvey, não tem previsão de lançamento físico em edição nacional e estas linhas online, claro, não iriam deixar de comentar sobre ele aqui.

PJ Harvey sempre foi uma artista no mínimo… estranha. De personalidade algo enigmática e desajustada, fisicamente sempre muito magra, ela logo chamou a atenção da imprensa musical britânica em sua estréia discográfica com “Dry”, em 1992. Era um disco cru, rude, ríspido em sua musicalidade (com nuances de punkismo nas melodias e nos ataques da guitarra) e que tratava de temas sombrios e incômodos nas letras (desequilíbrios emocionais, anseios femininos, descompassos nas relações entre homens e mulheres). A jornalistada musical adorou, os novos fãs idem e Polly Jean se tornou musa aos vinte e dois anos de idade da então cena musical alternativa inglesa. Um status que aumentou ainda mais com “Ride Of Me” (lançado em 1993) e que chegou ao ápice em “To Bring You My Love”, editado em 1995 e que era muito mais sofisticado musicalmente do que os dois primeiros CDs. Deambulando por paisagens sonoras menos rudes e com um pé em blues mezzo psicodélico, a cantora prosseguiu falando dos mesmos temas nas canções mas com um apelo menos agressivo e mais sedutor. Foi assim que o single “Down By The Water” estourou nas rádios inglesas e levou o disco a vender mais de um milhão de cópias. Foi nesse período também que PJ se “enroscou” em um affair com outra celebridade indie da Velha Ilha, o cantor australiano Nick Cave. Um romance que terminou tempos depois e deixou como saldo uma depressão mediana em Harvey, além de lhe causar distúrbios alimentares.

A partir daí a cantora diminuiu sua produção musical e gravou no período de uma década apenas três discos, que podem ser considerados medianos em sua qualidade musical – e no caso DELA, entenda-se por mediano: muuuuuito superior a pelo menos 90% do LIXO rock’n’roll que é produzido nos dias atuais. Porém, ao vivo, ela e sua banda se mantinham IMPECÁVEIS – quem viu a apresentação de PJ no Tim Festival em São Paulo, no segundo semestre de 2004 (o blog estava naquela gig, em uma noite em que também subiu ao palco o igualmente grande Primal Scream), não esquece até hoje, sendo que há um trecho deste show logo mais aí embaixo, para que nosso dileto leitorado possa conferir.

Foi em 2007 que PJ Harvey, sempre procurando jamais se repetir musicalmente, deu uma guinada surpreendente em sua trajetória ao lançar “White Chalk”. Deixando as guitarras de lado a compositora gravou um disco inteiro apenas tocando piano, alguns violões e cantando. Bordou uma coleção de músicas introspectivas, reflexivas e bastante melancólicas. O resultado ficou belíssimo, transformou o disco numa pequena obra-prima e abriu caminho para outra mudança quase radical em termos de ambiência musical: “Let England Shake”, lançado quatro anos depois (em 2011) trazia Harvey novamente tocando guitarra e muitos outros instrumentos – até uma auto-harpa que ela não sabia tocar e aprendeu a dominar com relativa maestria. De fortíssimo conteúdo social e político, “Let England…” tratava da desustruturação e desagregação social da humanidade através de canções que falavam em tom ficcional (mas com um fundo total de verdade) das duas grandes guerras mundiais. Se tornou uma das grandes obras do rock inglês dos anos 2000’ e ganhou com justiça o Mercury Prize (um dos prêmios artísticos máximos da Inglaterra).

CAPAPJHARVEY2016II

O novo e excelente álbum (acima) de PJ Harvey (abaixo) mantém a cantora como uma das melhores artistas ainda em atividade no rock inglês e planetário

IMAGEMPJHARVEY2016II

E aí chegamos a este igualmente estupendo “The Hope Six Demolition Project”, que saiu oficialmente na Inglaterra no último dia 15 de abril. O trabalho pode ser considerado meio que como uma extensão de “Let England…”, que saiu já há cinco anos, período em que a cantora não parou de fazer shows e quando ela também viajou por diferentes países para coletar material de viés social e político para compor o novo álbum. Que com efeito se mostra ainda mais político em suas onze faixas, onde PJ trafega desde rocks de guitarras com melodia de acento indie/bluesy (notadamente nos dois primeiros singles de trabalho, “The Community Of Hope” e “The Wheel”) até faixas estranhíssimas, como o blues “torto” e agônico de “The Ministry Of Social Affairs”, que termina com um solo de sax angustiado, descompassado e como se fosse sair do controle do músico que o está executando a qualquer momento. Pelo caminho entre estas três músicas ainda sobram canções intensas e abrasivas (como “The Ministry Of Defence”) ou mais “contidas” (mas não menos poderosas), e aí dois ótimos exemplos são “A Line In The Sand” e “Chain Of Keys” (esta também pontuada por muitos sons de sax, que são bastante preponderantes em vários momentos do cd).

Como se não bastasse a excelência musical do álbum, que tem produção de Flood (que trabalhou em alguns dos melhores discos do U2 e do Depeche Mode) e do já velho parceiro John Parish, há ainda a verve textual cada vez mais corrosiva e abrasiva da cantora, verbalizando o olhar desalentador que ela tem sobre a sociedade e o mundo de hoje, com suas guerras insanas, suas imensas desigualdade econômico/sociais, seus brutais atos terroristas e seu pós-modernismo capenga e falido, que transformou a utopia de um mundo tecnologicamente ultra avançado e também tranquilo, justo e igualitário para todos em DISTOPIA planetária e permeada pelo horror descrito por Joseph Conrad em “O coração das trevas”. “Agora esta é apenas a cidade de drogas/Apenas zumbis/Mas isso é apenas a vida/Eles vão colocar um Walmart aqui”, canta ela em “The Community Of Hope”. Ou ainda, em “The Wheel”: “Um quadro dos desaparecidos/Amarrado ao prédio do governo/8.000 fotografias amareladas pelo sol/Empalideceram com as rosas”.

“The Hope Six Demolition Project” produz, no final das contas, enorme satisfação em quem o escuta por mostrar que ainda há vida muito pensante, inteligente e muita reflexão política e social no rock’n’roll, em um tempo (o atual) onde ele se tornou quase que absolutamente fútil, banal, superficial, comercial e desprezível. Polly Jean Harvey é a prova cabal de que ainda podemos ter o rock como trilha de nossas reflexões sobre a existência humana e todos os seus percalsos. Ela cometeu mais um grande disco, que será celebrado por muitos anos ainda. E que mantém essa mulher franzina ainda como musa e deusa GIGANTE do rock inglês que realmente importa.

 

 

O TRACK LIST DO NOVO DISCO DE PJ HARVEY

1.The Community of Hope”

2.”The Ministry of Defence”

3.”A Line in the Sand”

4.”Chain of Keys”

5.”River Anacostia”

6.”Near the Memorials to Vietnam and Lincoln”

7.”The Orange Monkey”

8.”Medicinals”

9.”The Ministry of Social Affairs”

10.”The Wheel”

11.”Dollar, Dollar”

 

E A DEUSA DO ROCK INGLÊS AÍ EMBAIXO

Nos vídeos dos dois primeiros singles de trabalho do novo álbum, além de um trecho do shows inesquecível que ela fez em São Paulo em 2004, no Tim Festival – volta pra cá Polly Jean!

 

 

E O NOVO DISCO DE PJ HARVEY NA ÍNTEGRA ABAIXO

 

25 ANOS SEM MARTIN HANNETT, O GÊNIO LOUCO DA PRODUÇÃO MUSICAL ROCKER EM MANCHESTER

Ao rever madrugada dessas no YouTube “A festa nunca termina”, o sensacional misto de documentário e ficção que conta a história da cena musical de Manchester (na Inglaterra) no final dos anos 70’/início dos 80’ (uma cena inesquecível, já clássica e histórica e que deu ao mundo MONUMENTOS da música pop e do rock como Joy Division e New Order), surgiu no jornalistas rocker/blogger a inspiração para escrever este tópico. E numa semana (a passada) em que a música perdeu Prince (e num ano em que também já perdemos David Bowie), um PERSONAGEM chamou novamente a atenção no filme: o produtor Martin Hannett, que foi o responsável pelas gravações dos dois álbuns de estúdio do Joy Division (“Unknow Pleasures”, de 1979, e “Closer”, de 1980) e pelo disco de estréia do New Order (“Movement”, lançado em novembro de 1981).

A certa altura do filme o dono do ultra lendário selo Factory Records (lar tanto do JD quanto do NO), o igualmente lendário (e já morto) Tony Wilson, diz: “esse é um filme sobre MÚSICA e seus GÊNIOS. Eu sou um personagem MENOR aqui. Os maiores são Ian Curtis (vocalista do Joy, que se matou em maio de 1980) e MARTIN HANNETT”.

Ele tinha/tem absoluta razão ao dizer isso. Sendo que em um mundo tão efêmero como o da era da web, onde tudo é esquecido fácil e rápido demais, não custa lembrar um pouco de Hannett, mesmo porque 95% da pirralhada BURRA de hoje ou não se lembra mais dele ou sequer sabe quem ele foi. Detalhe: na semana passada se completaram exatos 25 anos da sua morte – ele foi fulminado por um ataque cardíaco em 18 de abril de 1991. Era jovem ainda, tinha apenas 42 anos de idade.

Martin Hannett era mais que genial. Era um MONSTRO como produtor. E um completo ALUCINADO, que devorava drogas (maconha, xaropes variados, cocaína, heroína, além de beber horrores) como quem devora um prato de comida na hora do almoço. E isso não interferia em NADA em sua genialidade artística e em suas percepções/concepções de produtor musical, muito pelo contrário. Foi de Hannett toda a inspiração/concepção da ambiência sonora que permeia todo a obra-prima que é “Closer”, o disco derradeiro do Joy Division, lançado apenas dois meses antes que Ian Curtis resolvesse mandar o mundo tomar no cu e pusesse uma corda em seu pescoço, aos 23 anos de idade. Aquela sonoridade gélida, sombria e distante que permeia o disco todo saiu da cabeça de MH, que a conseguiu simplesmente construindo uma abóbada de GESSO no TETO do estúdio onde a banda estava gravando. O resultado sonoro obtido se tornou um marco único na história do rock’n’roll e até hoje nenhum disco conseguiu ter uma sonoridade parecida ou próxima daquela que escutamos em “Closer”. Ou talvez o mais próximo dessa sonoridade esteja no álbum de estréia do New Order (que surgiu das sombras do Joy), “Movement”, de 1981. Também produzido por Martin, é sim um trabalho com canções dançantes mas absurdamente SOMBRIO em sua ambiência sônica – basta ouvir as duas primeiras faixas dele, “Dreams Never End” e “Truth”, pra sacar isso. É como se o Joy ainda existisse mas com Bernard Sumner cantando no lugar de Ian Curtis.

IMAGEMMARTINHANNETTII

Martin Hannett (acima), o gênio louco da inesquecível geração rocker de Manchester, nos anos 80’: ele produziu a obra-prima do Joy Division e também o primeiro álbum do New Order

CAPAJDCLOSER

CAPANO1981

Claro que apenas dois anos depois o NO mudaria cada vez mais sua estética musical em direção a um mix impecável de rock com dance music. Isso, todo mundo sabe, resultou no ponto culminante da carreira da banda, o single “Blue Monday” (1983), sendo que ESSA todo mundo conhece até hoje (até os aborrescentes que babam com Rihana e Kate Perry). O single de 12 polegadas mais vendido de toda a história da música, “Blue Monday” tornou o New Order milionário e fez a banda vender uma quantidade de discos jamais sonhada nos tempos do Joy Division. Mas isso é outra história e voltemos a Martin Hannett.

Como já foi dito aí em cima, ele era um completo ALUCINADO. Não raro dava TIROS de revólver dentro do estúdio. E cansou de quebrar o pau com Tony Wilson (outro visionário, que também morreu ainda novo, aos 57 anos de idade, de ataque cardíaco, em 2007) que, mesmo assim, admirava a genialidade de Hannett de forma incondicional. Mas Martin era um louco irrecuperável. Jamais parou de beber e de se entupir de drogas. E morreu em 1991 também de ataque do coração, com 42 anos. Pesava então cerca de 150 quilos (!!!).

Como já dissemos, esse post foi escrito por causa do filme “A festa nunca termina” e porque fomos pesquisar um pouco mais sobre MH na web. Foi aí que verificamos que no último dia 18 de abril se passaram 25 anos da sua morte. E pela importância que esse sujeito teve na história do rock inglês e mundial dos anos 80’, achamos que ele merecia ser melhor lembrado para a turma de agora, tão inculta e ignorante quando o assunto é rock e cultura pop. Daí um ótimo motivo pra publicar este texto, não?

 

  • O blog assistiu a TRÊS shows do New Order: em 1988 no ginásio do Ibirapuera lotado (15 mil pessoas lá dentro) e que veio abaixo quando eles tocaram “Blue Monday”, depois em 2006 (salvo engano) na extinta Via Funchal (showzaço, ainda) e, por fim, alguns anos depois no Ultra Music Festival. Aí o blog já achou o grupo CAIDAÇO no palco e desencanou. Não vimos a gig no Lollapalooza BR e nem fizemos questão.

 

 

“A FESTA NUNCA TERMINA” AÍ EMBAIXO

Para quem nunca assistiu ao filme que radiografa com bastante humor (negro, muitas vezes, rsrs) a cena musical inesquecível de Manchester no final dos anos 70’ e durante toda a década de 80’. Uma cena que se tornou lendária e que ficou conhecida como “Madchester”.

 

 

ARQUIVO IMAGÉTICO/JORNALÍSTICO GIGANTE – TRINTA ANOS DE JORNALISMO MUSICAL E TREZE ANOS DE UM BLOG DE CULTURA POP

Já estamos praticamente em maio de 2016, que começa neste domigo. E especificamente o maio deste ano tem um significado muito especial para este já velho jornalista ainda mezzo loker e eternamente rocker. Foi neste mesmo mês, há 30 anos (em 1986), que ele começou sua trajetória no jornalismo musical brasileiro e paulistano. E daria para escrever um LIVRO aqui nesse tópico, sobre essas três décadas de atuação na imprensa. Como isso não é possível, vinte histórias desses trinta anos de jornalismo musical estão compiladas no livro “Escadaria para o inferno – memórias de um jornalista junkie”, que pretendemos lançar finalmente este ano.

Foi em maio também, mas em 2003, que começamos a escrever a versão online da coluna “Zap’n’roll” sobre rock alternativo e cultura pop, que foi publicada de 1993 a 1995 na extinta edição impressa da revista Dynamite. A coluna, que era postada no portal Dynamite online, se transformou em blog, migrou para seu endereço próprio na web e hoje, treze anos depois (uma eternidade em um mundo tão efêmero quanto o dos blogs e de toda a internet no final das contas), é um dos espaços virtuais de maior acesso e leitura na web BR dedicada ao rock alternativo e a cultura pop.

Então, a partir deste postão, vamos falar bastante sobre essas duas datas aqui na Zap’n’roll. Por enquanto iniciamos as comemorações e rememorações das duas datas com esse arquivo imagético algo extenso, onde resgatamos cerca de nove matérias, entrevistas e críticas de discos assinadas pelo autor deste espaço online nos diversos veículos (alguns dos principais jornais e revistas da história da imprensa do Brasil, alguns já extintos) para os quais trabalhamos e/ou colaboramos. São momentos bacaníssimos e que nos trazem ótimas lembranças.

E nesses trinta anos de jornalismo o blog precisa deixar registrado seu agradecimento de coração e eterno a pelo menos quatro nomes. Foram e continuam sendo nossos MESTRES nessa área profissional tão fascinante (e árdua, penosa e não raro espinhosa e louca), além de AMIGOS ultra queridos. Se não fosse por eles e as oportunidades qu nos deram e as portas que nos abriram, talvez não tivéssemos uma história tão legal para recordar aqui. nosso carinho e GRATIDÃO para sempre para Leopoldo Rey (que me abriu a porta na nanica editora Imprima, que publicava a igualmente nanica revista Rock Stars), Maurício Kubrusly (que recebeu o zapper em sua inesquecível e lendária revista Somtrês, sendo que há anos ele atua brilhantemente como repórter da TV Globo), Luis Antonio Giron (nosso “pai” no Caderno 2, do jornal O Estado De S. Paulo e um dos mais brilhantes jornalistas culturais deste país) e o “irmão de coração eterno” Pomba, que nos recebeu na independente e alternativa revista Dynamite em um momento (1993) bastante dramático da nossa jornada como jornalista.

Nas fotos aí embaixo, as seguintes capas de revistas e as matérias assinadas pelo jornalista nelas e também em jornais:

 

– primeira edição da revista Zorra (do início de 1987), e que era dedicada apenas ao então soberano rock nacional dos 80’, sendo que nessa edição específica (a revista acabou durando apenas três números) assinamos diversas matérias (Ira!, Camisa De Vênus, Fellini) e resenhas discos (entre eles, das Mercenárias e do Ratos De Porão) e shows (Capital Inicial).

 

– revista Somtrês de agosto de 1987, com resenha comentando o lançamento de “Closer”, o clássico segundo álbum do Joy Division.

 

– revista IstoÉ de agosto de 1990: assinamos uma matéria de TRÊS PÁGINAS sobre o então estouro nacional da saudosa Legião Urbana.

 

– revista Interview, de janeiro de 1994: fizemos um entrevistão com Renato Russo e a Legião Urbana.

 

– revista Dynamite, de outubro de 1996: matéria de capa falando do estouro do Oasis na Inglaterra.

 

– revista Dynamite, início de 1998: outra matéria de capa, dessa vez radiografando a explosão do Radiohead na Inglaterra e também no Brasil.

 

– revista Showbizz, dezembro de 1988: resenha de um disco solo do Mark Lanegan, ex-vocalista do grupo Screaming Trees, da era de ouro do grunge.

 

– revista Rolling Stone Brasil, agosto de 2008: matéria bacaníssima de duas páginas sobre o Vanguart, que estava em super ascensão e que se tornou o único grupo independente brasileiro a ficar muito popular.

 

– jornais: matérias de página inteira no caderno de variedades do extinto Jornal Da Tarde (em agosto de 1988, falando das vindas ao Brasil de Iggy Pop e dos grupos The Mission e Jethro Tull) e na capa do caderno de variedades do também extinto Gazeta Mercantil (em novembro de 2008) traçando um perfil do inesquecível REM, que tocou no final daquele ano em São Paulo.

 

E por último: uma montagem com as capas de diversas revistas onde há matérias do blogger rocker sobre o CARTAZ da festa de quatro anos do blog Zap’n’roll, que rolou no clube Outs/SP com shows do Vanguart e Faichecleres (que não existe mais). Foi uma madrugada insana e inesquecível, com mais de quinhentas pessoas no clube rock mais legal e infernal do baixo Augusta em Sampa.

ARQUIVOFINASREPORTERV

ARQUIVOFINASREPORTERVII

ARQUIVOFINASREPORTERVI

ARQUIVOFINASREPORTERIX

ARQUIVOFINASREPORTERVIII

ARQUIVOFINASREPORTERXI

ARQUIVOFINASREPORTERX

ARQUIVOFINASREPORTERXIII

ARQUIVOFINASREPORTERXII

ARQUIVOFINASREPORTERIV

ARQUIVOFINASREPORTERIII

ARQUIVOFINASREPORTERII

ARQUIVOFINASREPORTER

ARQUIVOJORNALISTICOFINASII

ARQUIVOJORNALISTICOFINAS

ARQUIVOFINASREPORTERXVI

ARQUIVOFINASREPORTERXV

ARQUIVOFINASREPORTERXVII

 

É isso, queridos (as). Ao contrário de gente (pouca hoje em dia, felizmente) que nos detesta e quer fazer acreditar (principalmente fakes que vivem latindo no painel do leitor do blog, né Marco Rezende, malbostinha tahan, Marcinho Passos filho da cutinha/putinha, oleúde oleoso etc.), este FINASKI tem sim (modéstia às favas) uma bela história no jornalismo cultural brazuca. E muito nos orgulhamos dela.

 

**********

OITO ANOS APÓS O PRIMEIRO DISCO, A BOA VOLTA DO THE LAST SHADOW PUPPETS

Alex Turner, guitarrista, vocalista e principal compositor do quarteto inglês Arctic Monkeys (um dos poucos nomes que realmente ainda importam no indie rock planetário deste triste milênio), está de férias de sua banda principal – o último álbum do AM, aliás justamente batizado de “AM”, saiu em 2013. Assim, com mais tempo disponível ele fez algo que talvez já devesse ter feito há alguns anos: se juntou novamente ao velho amigo e também músico Miles Kane e finalmente lançou o segundo trabalho de estúdio do grupo paralelo da dupla, The Last Shadow Puppets. “Everything You’ve Come To Expect” saiu na Inglaterra mês passado, e não tem previsão (óbvio) de ganhar edição brasileira. Mas você o encontra fácil em qualquer plataforma digital (como o Spotify, por exemplo). E cá entre nós é um álbum beeeeem legal, quase tanto (ou mais ainda, dependendo do ponto de vista de cada ouvinte) são os três últimos discos dos macaquinhos.

E a dupla demorou consideravelmente para voltar ao estúdio. A estréia deles se deu em abril de 2008, com “The Age Of The Understatement”. Nessa época o AM já caminhava para se tornar mega banda no indie rock inglês e Turner resolveu criar junto com Miles Kane um projeto musical “paralelo” que se diferenciasse do que ambos faziam até então. Nasceu o TLSP, com uma sonoridade mais pop e radiofônica e mais centrada em rocks garageiros com eflúvios dos anos 50’ e 60’. O álbum de estréia agradou a imprensa e também aos fãs do Arctic Monkeys, mas não se tornou nenhum estouro mercadológico.

CAPALASTSHADOWPUPPETS2016

O novo disco do TLSP: tão legal quanto os do Arctic Monkeys

 

Agora, oito anos depois e com novo trabalho disponível a dupla quer, além do reconhecimento artístico (e isso o disco poderá lhes dar com tranqüilidade), tentar também se dar bem no quesito financeiro. Para isso a gravadora Domino está investindo bastante no trabalho de divulgação e colocando o duo pra fazer barulho em shows ao vivo pelos Estados Unidos e Japão. Mas o principal mesmo é o material desse novo cd, que combina baladas com emanações algo bluesy/psicodélicas com rocks mais acelerados (como o primeiro single de trabalho, “Bad Habits”) e outros de puro apelo garageiro. Assim vão surgindo ótimas canções ao longo do disco, como “Aviation”, “Miracle Aligner” ou a belíssima “Used To Be My Girl”. Músicas com melodias pop em sua essência e que não vão revolucionar absolutamente nada na cultura pop. Mas que mostram que o falido rock planetário atual ainda guarda algumas boas surpresas e alguns nomes capazes de gravar um bom disco. E o The Last Shadow Puppets felizmente ainda se mantém como uma dessas boas surpresas.

 

 

O TRACK LIST DO NOVO ÁLBUM DO TLSP

1.”Aviation”

2.”Miracle Aligner”

3.”Dracula Teeth”

4.”Everything You’ve Come to Expect”

5.”The Element of Surprise”

6.”Bad Habits”

7.”Sweet Dreams, TN”

9.”She Does the Woods”

10.”Pattern”

11.”The Dream Synopsis”

 

E A BANDA EM SEU NOVO VÍDEO E O NOVO DISCO INTEIRO, PARA VOCÊ ESCUTAR

Mostrando “Bad Habits”, o primeiro single de trabalho do novo álbum.

 

ELAS ESTÃO DE VOLTA!!!  AS SAFADAS, TESUDAS E ABUSADAS MUSAS ROCKERS (EM VERSÃO SEMI-SECRETA, ULALÁ!)

Yeeeeesssss!!! Bem que a gente tenta ficar um tempo sem ELAS por aqui. Mas nosso dileto leitorado macho (cado) acaba sentindo a ausência dessas deliciosas cadelinhas ordinárias e safadas como apenas elas sabem ser, ficam pedindo a volta delas, não resistimos e acabamos atendendo.

Então aqui estão elas novamente: nossas tesudíssimas musas rockers em sua primeira aparição em 2016 (já quase meio do ano, uia!). E pra marcar BEM o retorno do tópico selecionamos três delícias que já estiveram aqui, em poses absolutamente DEVASSAS. Por isso mesmo as musas desse post serão “semi-secretas”, com suas identidades completas mantidas em SIGILO, ok? Então deleitem-se, apreciem sem moderação e caprichem na sessão masturbatória, ulala!

IMAGEMMUSANR2016II

Neide R. (acima e abaixo) Idade: 33 anos. De: São Paulo. Gosta de Charles Bukowski, Gabriel Garcia Marquez, Cazuza, Tiê e Lana Del Rey. E AMA trepar. E há oito meses enlouquece o autor deste blog, a quem ela chama de “velho roludo dos infernos e/ou bruxo velho de pau gostoso”, ahahahaha.

 

IMAGEMMUSAUNDANEIDEAMADA

 

Lili O. (abaixo) Idade: 28 anos. De: São Paulo. Gosta de gothic rock, visuais extravagantes, couro,  vinil e baladas sado/masoquistas. E é um XOXOTAÇO.

IMAGEMMUSALILI2016

 

Andressa (abaixo). Idade: 23 anos. De: interior de São Paulo. Gosta de fazer academia, de hard rock (AC/DC) e de se exibir. E confessou certa vez ao blog: “sou casada e adoro meu marido. Mas também AMO FODER com outros machos!”.

IMAGEMMUSAROCKERAR2016

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

  • Disco, I: os novos da deusa PJ Harvey e da dupla The Last Shadow Puppets.
  • Disco, II: já um gigante da história do indie rock britânico o Primal Scream, eternamente liderado pelo vocalista e compositor Bobby Gillespie até hoje persegue um resultado igual ao conseguido na obra-prima “Screamadelica”, lançado em 1991 (lá se vão vinte e cinco anos…) e até hoje o ponto culminante da banda. Este “Chaosmosis” mostra o grupo em boa forma mas ainda assim longe de reeditar o impacto conseguindo com o discaço de 1991. O PS continua perseguindo a contemporaneidade do pop e para isso não economiza no mix de guitarras com melodias mais dançantes e apoiadas em nuances eletrônicas. E sempre atento aos movimentos atuais do mondo pop, não deixou de convidar a cantora americana Sky Ferreira para participar do primeiro single do cd, a dançante “Where The Light Gets In”. É um bom trabalho mas mostra que, aos cinqüenta e três anos de idade, mr. Gillespie começa a dar sinais de esgotamento criativo.
  • Disco, III: da safra das cantoras surgidas na cena paulistana dos anos 2000’, Céu é uma das mais legais. Não apenas pela sua ótima inflexão e pela capacidade de trafegar em diferentes registros e influencias (MPB, pop, música eletrônica), mas principalmente por sempre mostrar grande fôlego criativo e tarimba artística para compor ótimas melodias, letras e arranjos. Tudo isso pode ser conferido em “Tropix”, seu quarto álbum de estúdio (em uma carreria que já se iniciou há mais de uma década, em 2005) e que chegou às lojas há algumas semanas. A bela cerrcou-se no novo trabalho de gente bacana como a cantora Tulipa Ruiz e o vocalista Jorge Du Peixe (da Nação Zumbi) para engendrar uma coleção de canções que seduzem quem as escuta pelo seu refinamento composicional, e pela estrutura que permite que ela vá do reggae ao eletrônico (como na sombria e bela faixa que abre o disco, “Pefume do invisível”) sem constrangimento e com ótima eficiência e elegância. O cd anterior, “Caravana Sereia Bloom” já era um discão. E o novo mantém o fôlego de Céu inalterado, mostrando que ela, aos trinta e seis anos de idade, ainda tem muito de bom a mostrar para os fãs de ótima música brasileira. E também torna completamente dispensável precisarmos continuar agüentando os sacais trinados da já caidaça e mala Marisa Monte. Sendo que “Tropix” pode ser ouvido na íntegra aí embaixo.

 

  • Filme: há dois ótimos e imediatos motivos para se assistir “A frente fria que a chuva traz” (que o blog, assume, ainda não viu). O primeiro é que ele marca a volta de Neville D’Almeida (um dos cineastas mais subversivos e transgressores da história do cinema brasileiro) à direção, após uma ausência de quase dezessete anos. O segundo é que o roteiro do longa (que mostra um grupo de jovens endinheirados realizando “festinhas” movidas a putaria, álcool e cocaine em uma laje de uma comunidade pobre carioca, numa metáfora sobre a desintegração/desagregação da sociedade atual) é baseado em texto escrito pelo graaaaande (e amigo pessoal destas linhas bloggers poppers) dramaturgo Mário Bortolotto. Então fikadika, sendo que assim que formos conferir o filme voltaremos a falar sobre ele.

 

  • Festa bacanuda: produzida pelo chapa Ricardo Fernandes (amigão zapper há pelo menos década e meia), rola neste sábado (o postão está finalmente sendo concluído na sexta-feira, 6 de maio) mais uma edição da legalíssima festona pop “Call The Cops”, cuja idéia é misturar muitas tendências da música pop na DJ set, mas sempre privilegiando o indie rock. Vai acontecer lá no Alberta 3 (que fica na avenida São Luis, 272, metrô República, centrão rocker de Sampa), um dos clubinhos rock’n’roll mais decentes do centro da capital paulista. Interessou em saber mais sobre o evento? Vai aqui: https://www.facebook.com/events/266962876973017/. Que ir nele na FAIXA? Manda JÁ seu pedido pra hfinatti@gmail.com, que tem um par de Vips pro babado esperando por você. Arrisque e boa sorte!
  • Baladas pro finde: yep, com o postão chegando ao fim enfim, é hora de ver o que temos de bacana no circuito alternativo de Sampalândia pra este final de semana. E a parada começa muito bem nessa sexta-feira, 6 de maio (leia-se: hoje), com show de lançamento do novo disco do redivivo DeFalla no Sesc Pompeia (que fica na rua Clélia, 93, Pompeia, zona oeste paulistana), a partir das nove  e meia da noite. E também hoje, sextona em si mas no Inferno Club (no 501 da rua Augusta), rola mais uma edição da “Party Bitch” (ou festa puta, uia!), sempre com muuuuuito rock garageiro na discotecagem.///Já no sabadão tem mais um showzaço do shoegazer Wry na Casa do Mancha (que fica na rua Felipe de Alcaçova, na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo), às nove da noite. E de lá dá pra esticar pro sempre infernal open bar do clube Outs (lá no 486 da rua Augusta). Tá bão, néan. Então se monta e se joga, porra!

 

E O FIM, ENFIM

Postão mais grandão e bacanão que esse impossível, hein! Mas como tudo sempre tem um final, precisamos parar por aqui que já é hora. Porém sem crise: semana que vem o blog mais legal da web BR de rock alternativo e cultura pop estará aqui novamente, sempre pra te deixar mais feliz em um mundo que está cada vez mais cinza e complicado. Até lá então, com beijos no coração de todos os nossos leitores.

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 8/5/2016, às 15:50hs.)

 

AMPLIAÇÃO FINAL (com análise sobre o impeachment que será votado neste domingo, e ainda as datas da turnê do Black Sabbath no final do ano no Brasil e o roteiro de baladas e dicas culturais zappers): O blogão enfim ressurge em novo visual/plataforma, e comentando (claaaaaro) o memê musical da semana: o novo e PÉSSIMO disco do escroto e ultra reaça Lobão, que ficou uma década sem gravar e ao invés de pedir pra sair de uma vez insiste em manchar seu glorioso passado rocker com suas atuais vergonhas musicais e políticas; o Iron Merda, ops, Maiden, continua a lotar estádios no Brasil e suscita a questão: é mesmo o fim do rock’n’roll? E mais isso e aquilo tudo no blog de cultura pop e rock alternativo que segue firme e forte há treze anos no ar! (postão TOTAL CONCLUÍDO E COMPLETÃO, com atualização definitiva em 14/4/2016)

BANNERRICARDOS2015

BANNERVOICEMUSIC2016

BANNERLIBERTINEABRIL2016

IMAGEMLOBAO2016III

O cantor e compositor Lobão (acima) e o velhusco, cafona e grotesco grupo de heavy metal Iron Maiden (abaixo, durante seu último show em São Paulo, no final de março passado) possuem mais em comum do que você imagina: ambos são o exemplo máximo do pior rock que existe atualmente, aquele burro, antiquado, atrasado, reacionário, machista, branco e conservador ao extremo, o que reflete também no comportamento dos fãs tanto da banda britânica quanto do músico carioca, que acaba de lançar seu novo e péssimo álbum

IMAGEMIRONLIVESP2016

**********

FECHANDO O POSTÃO, TRÊS IMAGENS QUE DIZEM E RESUMEM TUDO SOBRE O ATUAL MOMENTO POLÍTICO BRASILEIRO – a foto principal foi tirada essa semana no Rio. Mostra um sujeito que veio do sertão nordestino em um CAMINHÃO para São Paulo e aqui se tornou um dos maiores líderes políticos/sindicais da história do país. Respeitado no mundo inteiro, foi presidente do Brasil por duas vezes, tirou MILHÕES de pessoas da linha da pobreza absoluta e terminou seu segundo mandato com uma das MAIORES APROVAÇÕES populares da história política do país. Junto a ele, na foto, um dos monstros sagrados e inatacáveis da música popular brasileira gigante e que realmente importa – sua obra é e será eterna e também possui reconhecimento e respeito máximo no mundo todo. Os dois personagens estão JUNTOS E UNIDOS na mesma foto porque estão do mesmo lado, na questão político/ideológica.

As outras duas fotos mostram apenas figuras IMUNDAS e lamentáveis da política brasileira. As mesmas que querem nesse final de semana arrancar À FORÇA da presidência do país quem está ocupando o cargo. Conduzindo o processo de impeachment está um BANDIDO que tem 5 processos contra ele no STF (já sendo RÉU em um deles), e mais de DEZ CONTAS bancárias ILEGAIS no exterior e NÃO DECLARADAS ao Fisco brasileiro. Junto a ele um vice-presidente que VAZA cartas particulares à presidente e tb ÁUDIOS de whats app, onde pronuncia um discurso como se já fosse o novo presidente do país. Um golpista torpe e meia-boca e que, como bem definiu o jornal americano The New York Times, se parece com um MORDOMO de filme de terror.

Por fim, a terceira foto: reúne a NATA do PSDBosta. Aébrio, o cheirador hipócrita; Zé Serra, aquele que nunca termina seus mandatos e que ainda foi um dos PIORES Ministros da Saúde que o país já teve (lembram do esquema da máfia das ambulâncias?); FHC, o ex-presidente que COMPROU deputados para votarem pela sua reeleição; e geraldinho MERDA Alckmin, que há 6 anos FODE o Estado de S. Paulo com seu desgoverno (falta de água, rede hospitalar estadual sucateada, rede de ensino idem, Segurança Pública aos pedaços com uma PM truculenta, mortífera, assassina, e que não prende bandidos mas apenas mata civis inocentes), sendo que nem é preciso citar aqui o TRENSALÃO do metrô paulistano (que fim levou?), a máfia da propina das merendas escolares (que vergonha… tucanos ROUBANDO COMIDA da boca de CRIANÇAS!), comandada pelo PRESIDENTE da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo e, agora, a descoberta pelo MP estadual de um esquema de corrupção na construção do rodoanel que circunda a capital paulista. Ulalá!

IMAGEMLULAECHICO2016

No próximo domingo a democracia brasileira terá um TESTE decisivo para a sua sobrevivência, e a história deverá fazer JUSTIÇA a GIGANTES da nossa política e cultura (como Lula e Chico Buarque, acima) e mandar para o LIXO de uma vez políticos IMUNDOS como os das duas fotos abaixo

IMAGEMTEMERCUNHA

IMAGEMMERDASDOPSBOSTA

É ESSE bando de PORCOS (nas duas últimas fotos) que está patrocinando o impeachment. Ok, o país está no buraco, o petismo tb se transformou em uma quadrilha de facínoras e é preciso fazer uma limpeza no Partido, no governo, na política brasileira como um todo. Mas eis que… a turrona, arrogante, teimosa, cabeça-dura e bocuda Dilma pode ser TUDO ISSO, mas BANDIDA a mulher não é. Tanto que não há sequer um MEIO processo contra ela em curso em qualquer instância jurídica nacional. E todos nós aqui sabemos que impeachment é um processo POLÍTICO, não judicial.

Domingo agora será um dia decisivo. E Zap’n’roll espera que a história faça JUSTIÇA a quem merece. Por isso SEMPRE SEREMOS e estaremos totalmente do lado do ex-metalúrgico e do cara que escreveu algumas das canções mais fantásticas da história de nossa música. E JAMAIS estaremos do lado de IMUNDOS, canalhas, bandidos e escroques que posam de paladinos da política e da sociedade brasileira.

**********

 

 

O blog em novo visual e o ex-rocker que virou coxa reaça.

Qual seria a conexão entre estes dois fatores? Aparentemente, nenhuma. Mas ambos perscrutam, no final da contas, um tema comum: o avançar do tempo, as mudanças que se inserem nesse avanço e o que ele pode significar de bom e de ruim. No caso do blog, que estréia com este post novo visual completo e nova plataforma, as mudanças se faziam necessárias já há séculos. Em um mundo virtual onde tudo é absurdamente veloz, ficar com o visual inalterado por meia década pode ser mortal para um blog como Zap’n’roll, voltado à cobertura e a análise de assuntos relacionados ao rock alternativo (daqui e de fora) e à cultura pop – e também, eventualmente, à política, comportamento e sociedade. E desde que ganhou endereço próprio na web, em meados de 2010 (lá se vão seis anos!), o blogão zapper jamais tinha feito alterações significativas em seu visual e plataforma, tornando tudo aqui cada vez menos atraente (visualmente, assumimos; em termos de conteúdo estas linhas online felizmente sempre se garantiram e prosseguiram como um dos endereços mais relevantes da blogosfera BR voltada à cultura pop) e mais defasado. E como sempre fomos um espaço virtual pra lá de independente, obviamente que tínhamos dificuldades em contatar um profissional competente na área de web design e que se dispusesse a promover mudanças e atualizações visuais aqui sem nos cobrar uma fortuna pelo trabalho. Encontrado esse profissional (graças a indicações do queridão Maurício Martins, o homem que comanda o portal Nada Pop) e estabelecido um acordo de parceria entre ele e estas linhas bloggers rockers para se efetuar as mudanças necessárias e urgentes aqui, foi questão de tempo para que a Zap pudesse mostrar sua nova cara, brilhantemente trabalhada e desenvolvida pelo web desginer Marcelo Shiniti (falamos mais sobre ele no final deste post). De modos que o blog zapper procurou, com essa mudança em seu visual, acompanhar a evolução estética que permeia velozmente qualquer plataforma que se dedica hoje em dia na web a transmitir informações e opiniões a uma determinada gama de leitores dispostos a perder alguns minutos (ou horas) de seu dia-a-dia na leitura destes textos, sejam eles de qual assunto for (política, cultura, esporte, comportamento etc.). Infelizmente o mesmo avançar do tempo e suas mudanças velozes parecem ter causado efeito contrário e negativo nas postura pessoal e política e no trabalho musical de um dos outrora grandes nomes da história do rock brasileiro dos anos 80’. Yep, João Luiz Woerdenbag Filho, mais conhecido como Lobão, e que lançou discos magníficos há quase trinta anos, passou uma década sem gravar e lançou finalmente esta semana seu novo trabalho de estúdio, intitulado “O rigor e a misericórdia”. No período em que passou fora dos estúdios de gravação Lobão jamais saiu de cena: apresentou programas de TV, escreveu e publicou livros (como a sua auto-biografia, que se tornou um grande sucesso editorial), seguiu fazendo shows e, talvez o principal, mudou sua postura político/ideológica radicalmente. De ex-militante mais à esquerda (e que chegou a votar em Lula para presidente), hoje o Velho Lobo se assume como total direitista. Não só: tomado de incontrolável pensamento ultra reacionário, se tornou um dos mais ferozes detratores do atual governo petista e um dos mais aguerridos defensores do impeachment da presidente Dilma. Até aí, direito dele agir e pensar dessa forma atualmente. Mas o que espanta é ver como suas opiniões são extremamente moralistas e conservadoras, não condizendo em absolutamente NADA com o músico e compositor que um dia cometeu pequenas obras-primas como “Vida Bandida” ou o mais recente (nem tão recente assim, pois foi lançado em 1999) “A vida é doce”. Enfim, se a mudança para PIOR tivesse se dado apenas no aspecto PESSOAL, não haveria muito o que comentarmos aqui – afinal cada um com suas opiniões e direito de dizer o que pensa sobre tudo, pois estamos numa democracia, não? O péssimo mesmo dessa história toda é constatar como Lobão, o músico, se tornou um zero à esquerda artisticamente falando, lançado um disco de fazer um adolescente que acaba de montar sua primeira banda de rock morrer de vergonha – da ruindade do álbum lançado por um sujeito que, aos cinqüenta e oito anos de idade, parece perdido e precocemente gagá em seu ofício de compor. Um ofício que nomes como Chico Buarque (com mais de setenta anos nas costas), por exemplo, não DESAPRENDERAM. Lobão parece que sim, desaprendeu o que já soube fazer muito bem. Ele continua o arrogante de sempre, o bocudo que solta a língua e dispara a esmo e que ainda se acha relevante musicalmente, sem ser um décimo do que era nos anos 80’. Mas isso é assunto para falarmos mais aí embaixo, nesse post que começa agora e que mostra portanto, a possível conexão mencionada lá em cima: o blog zapper, em sua sempre modéstia editorial e com seu respeito ao nosso eterno dileto leitorado, procurou se atualizar visualmente e se adequar a tempos duros de informação cada vez mais veloz, além da concorrência feroz por todos os lados. Já o músico Lobão, alheio à sua irrelevância em um mundo musical onde não existem mais mega stars, voltou atrás no tempo e regrediu mentalmente, politicamente e artisticamente a um tempo de obscurantismo total, que nós não imaginamos que ele poderia habitar. Então vamos lá, com o primeiro postão da nova Zap’n’roll.

 

 

  • Apreciem o novo visual do blog sem moderação, hihihi.

 

 

  • E sem comentários políticos esta semana aqui na notas iniciais. Está tudo igual no país da classe política mais imunda do universo. Então pra quê ficar repisando assuntos que todos já estão com o saco cheio de saber e comentar?

 

 

  • Teve show do Coldplay ontem em Sampa, com estádio do Palmeiras lotado pra receber a performance dos ingleses. O blog não foi na gi e nem precisava: já assistiu ao vivo Chris Martin e cia. em duas ocasiões, em 2003 e 2006 e ambas na saudosa casa de shows paulistana Via Funchal. Foram duas apresentações sensacionais, e que rolaram em um tempo em que o Coldplay ainda não era a banda gigantesca que é hoje e que só se apresenta em arenas para mais de quarenta mil pessoas. Muita gente odeia o quarteto e acha que ele se tornou pop demais. Pode ser. Mas estas linhas online ainda preferem ver um Coldplay lotando o estádio do Palmeiras do que o pavoroso Iron Merda, que lotou também o mesmo local no final de março. Mas prefere mesmo gaurdar as lembranças de ver o grupo ali, colado numa platéia de seis mil pessoas, há uma década. Esse Coldplay, infelizmente, não existe mais.

IMAGEMCOLDPLAYLIVESP2016

O Coldplay ontem ao vivo, em Sampa: a banda ainda é boa, mas se tornou pop e gigantesca demais

 

  • Mas eis que no final deste ano já temos boas novas na área de showzaços rockers gringos por aqui. Pelo menos isso!

CARTAZTOURBSBR2016

  • E você já pode anotar na sua agenda: dia 30 de abril rola mais uma edição da festa goth/anos/80’ e com temática erótico/sado/masô Libertine, que tem sido uma das mais legais do atual circuito indie noturno paulistano. Dessa vez tudo vai acontecer no espaço Augusta 339 (lá no baixo Augusta, colado onde era o Astronete, que infelizmente fechou suas portas na semana passada) e com DJ set do blog, claaaaaro! Vai se preparando que vai ser daora.

CARTAZLIBERTINEFESTABRIL2016II

 

  • Daora também é a volta da Playboy brasileira, cuja primeira edição está programada para chegar às bancas no próximo dia 13 de abril. E a primeira capa da nova fase da revista não poderia ser melhor, néan.Yep, aquele XOXOTAÇO eterno que todos nós amamos! Miss Luana Piovani, uhú! Dá uma zoiada aí embaixo num “aperitivo” do que chega às mãos dos punheteiros de plantão na semana que vem.

CAPANOVAPLAYBOYLUANA

A nova edição brasileira da revista Playboy (acima) chega às bancas na semana que vem, com o XOXOTAÇO Luana Piovani (abaixo) como destaque, wow!

IMAGEMLUANAPLAYBOY2016

 

  • O postão está entrando no ar com tudo e aos poucos iremos atualizando as notas iniciais, se algo mega importante assim o exigir, certo? Mas por enquanto vamos direto ao ponto aí embaixo, mostrando porque o outrora grande Lobão se tornou um dos personagens mais lamentáveis do rock nacional. Leia e confira o que Zap’n’roll achou do novo disco do cantor e compositor.

 

 

APÓS UMA DÉCADA LONGE DOS ESTÚDIOS, LOBÃO NÃO SE CONTENTOU EM TER SE TORNADO UM REAÇA DE DIREITA – TAMBÉM LANÇOU TALVEZ O PIOR DISCO DE SUA CARREIRA

Foi o assunto musical da semana que está chegando ao fim, claro. O cantor, compositor, letrista e multiinstrumentista carioca (mas já radicado há alguns anos em São Paulo) Lobão, cinqüenta e oito anos de idade, um dos nomes mais conhecidos da história da música e do rock brasileiro dos anos 80’, lançou um novo disco com catorze faixas inéditas, após permancer uma década sem editar um álbum totalmente novo. Intitulado “O rigor e a misericórdia”, o trabalho na verdade já estava disponível há tempos para audição na web, em plataformas como o YouTube e o Spotify. Mas foi com a chegada do disco no seu formato físico (em cd) às lojas na última semana, que Lobão voltou aos holofotes. O cantor, atualmente muito mais conhecido e comentado por suas posturas políticas abertamente de direita e reacionárias (ele é um feroz crítico do atual governo petista, além de defensor ferrenho do impeachment da presidente Dilma) do que propriamente pelo seu ofício como músico, conseguiu ser capa do caderno Ilustrada, do jornal Folha De S. Paulo (em matéria assinada por um dos PIORES jornalistas do diário paulistana, o bundaça mole e lambão Thales De Menezes, conhecido na mídia pelo seu texto sempre total arroz-de-festa e chapa branca, não importa sobre o que ou quem ele esteja escrevendo). Não só: Lobão também recebeu resenhas (muitas elogiosas; algumas, mais rigorosas e sinceras, ANIQUILANDO com o lançamento) em jornais como O Globo, em sites como o da revista Noize e em blogs como o do jornalista Luiz Cesar Pimentel, no mega portal R7, em uma das melhores análises publicadas sobre o cd e lidas pelo autor deste blog.

“O rigor e a misericórdia” é ruim de doer, claro. Para quem (como este já calejado e veterano jornalista rocker) acompanha a trajetória de Lobão desde que ele fundou o grupo Blitz (ainda no início dos anos 80’), e tendo ouvido com entusiasmo pequenas obras-primas pop/rock suas como “Ronaldo Foi pra Guerra” (de 1984, no auge da new wave brasileira e quando Lobão sabia como ninguém alinhar guitarras rockers com melodias pop/radiofônicas dançantes e que grudavam nos ouvidos de quem as escutava), “O rock errou” (editado em 1986) ou “Vida Bandida” (seu auge comercial e como compositor, lançado em 1987 e que chegou a vender quase quatrocentos mil cópias na época), se torna uma autêntica TORTURA escutar catorze canções que se dividem entre heavy/hard rocks (com guitarras cujos acordes qualquer adolescente de dezesseis anos de idade, fã de Iron Maiden e que saiba tocar o instrumento, faz igual ou melhor) primários e juvenis, e baladas com pouca ou nenhuma inspiração, com uma “poética” digna de um garoto ginasiano (leia alguns trechos de algumas letras do disco logo mais aí embaixo).

Lobão possui um passado artístico respeitável, e isso é inegável. Contemporâneo de nomes gigantes da história do rock nacional (como Cazuza, Júlio Barroso e Renato Russo), aos dezessete anos de idade já tocava junto com Lulu Santos no grupo de prog rock Vímana. De lá saiu para montar a Blitz, onde ficou apenas no primeiro disco e depois partiu em carreira solo. Músico prodígio que se sai bem tocando diversos instrumentos (bateria, principalmente), ele logo mostrou grande pendor como compositor de potenciais hits para tocar nas rádios. E Lobão compôs vários ao longo dos anos 80’ e 90’, como “Corações psicodélicos”, “O rock errou”, “Revanche”, “Me chama” (uma das baladas mais lindas já feitas em toda a história do rock BR), “Rádio Blá”, “Decadence Avec Elegance”, “Vida bandida” e muitas outras. Sua trajetória artística entrou em decadência no meio dos anos 90’ mas, ainda assim e mesmo já fora do esquema das grandes corporações do disco, ele lançou alguns trabalhos de forma independente que ainda traziam a marca de um grande compositor e que, embora não fosse um letrista ao nível criativo dos textos escritos por Cazuza e Renato Russo, ainda assim possuía estofo cultural e intelectual suficientes para produzir uma obra como o ótimo, sombrio, quase dark, “A vida é doce”, que ele editou em 1999 e onde deambulava pelas gélidas planícies sonoras do trip hop, emoldurando letras que falavam de desencanto existencial agudo.

De lá pra cá a produção musical do cantor foi rareando cada vez mais. Mesmo assim ele se manteve sob os holofotes: nunca parou de tocar ao vivo, criou uma revista de música e cultura pop alternativa (a “Outracoisa”), publicou livros (entre eles sua auto-biografia, “Cinquenta anos a mil”, lançada em 2010 e que se tornou um best-seller para os padrões editoriais brasileiros, vendendo mais de cem mil exemplares, sendo que o jornalista Finaski inclusive tem seu nome citado neste livro), atuou à frente de programas de TV (na MTV e na Band) e, a grande surpresa: o sujeito que um dia gravou e cantou uma música como “Canos silenciosos”, que sempre se mostrou política e ideologicamente à esquerda, que fez campanha para Lula na eleição presidencial de 1989 foi, nos últimos anos, mudando radicalmente seu posicionamento. Hoje Lobão se tornou um dos artistas mais reacionários da música brasileira. Se declarando abertamente de direita e contra a presidente Dilma e o governo do PT, ele defende com unhas e dentes o atual processo de impeachment que está em curso em Brasília. Não só: participou de várias das passeatas promovidas contra o atual governo. E o título de seu novo álbum, “O rigor e a misericórdia”, quem diria, foi inspirado em um texto de autoria de Olavo de Carvalho, um dos papas da atual direita ultra reacionária brasileira. Jezuiz…

IMAGEMLOBAO2016IV

O cantor, compositor e reaça de direita Lobão (acima) lança seu novo e péssimo disco; em entrevista chapa branca à Ilustrada, da FolhaSP (abaixo), ele afirma que “está do lado que venceu”. Será???

CAPAILUSTRADALOBAO

Até aí, direito dele ter se tornado reaça (como pessoa, Lobão é de um mau caratismo exemplar e isso foi descoberto pelo jornalista zapper ainda nos anos 90’, quando o músico e o então ainda jovem mas já bastante conhecido repórter musical, e que já havia trabalhado em revistas como a semanal IstoÉ e a mui poderosa mensal Interview, foram razoavelmente próximos e quando o autor deste blog entrevistou o compositor em algumas ocasiões; na última delas, Lobão acabou desdizendo o que havia dito para uma matéria publicada na Interview e ainda chamou o blogger zapper de “canalha” e “mentiroso”, em entrevista dada ao jornal O Globo. Isso causou um rompimento definitivo entre jornalista e artista, numa história que você confere em detalhes também logo mais aí embaixo, quando o blog publica com exclusividade um dos capítulos inéditos do livro “Escadaria para o inferno”, justo o que conta em detalhes essa briga, sendo que o livro tem seu lançamento previsto para o segundo semestre deste ano). Porém, o que espanta é perceber como o MÚSICO Lobão regrediu como artista, em relação ao que ele já produziu em sua vida. E estas linhas online se deram ao trabalho de ouvir, ao longo dos últimos dias, pelo menos umas cinco vezes as catorze faixas de “O rigor e a misericórdia”, para se certificar de que não iria cometer injustiça ao escrever esta resenha. Pois então: o que esperar de um disco que começa com uma faixa instrumental (“Overture”), que remete ao que de pior e mais brega já foi produzido pelo prog/hard/heavy rock dos anos 70’? E não só: depois surgem horrores como “Os vulneráveis”, “A marcha dos infames” e “A posse dos impostores”, exemplos do que de PIOR já existiu no prog/heavy rock chumbrega. Emulando guitarras, melodias, efeitos sonoros e procedimentos de bandas cafonas como Supertramp (alguém se lembra dessa droga?) Iron Maiden, Judas Priest, Manowar, Dream Theather, Angra e Shaman, Lobão desce sem dó a ladeira da imbecilidade musical – a breguice do disco transcende o lado musical e chega à sua arte de capa, que lembra aqueles discos pavorosos lançados por Ronnie James Dio, Whitesnake ou qualquer uma dessas pragas hoje tão fora de moda. Se comporta como um ginasiano que acabou de montar sua primeira banda de rock e que acha que Steve Vai ou Joe Satriani são os maiores gênios da história da guitarra. Na parte das letras então, nem um adolescente de quinze anos de idade cometeria tamanha vergonha textual alheia – basta ler logo mais aí embaixo alguns trechos de algumas letras que o blog selecionou para corroborar sua análise. E vejam bem: estamos falando de um homem que está com cinqüenta e oito anos de idade!

Lobão gravou o disco inteiro sozinho (no estúdio que ele possui em sua casa, no bairro paulistano do Sumaré), também produziu o mesmo e isso é um mérito – sendo que o lançamento é do seu próprio selo, o Universo Paralelo. Como já foi dito aqui, ele é um multiinsrumentista que se vira muito bem em diversos instrumentos. Isso, no entanto, não livra a cara em nenhum momento de um disco que não possui novidade alguma (além dos heavy rocks, há algumas baladas frouxas, tramadas com violões e que não chegam à sola do sapato de uma música como “Me chama”, por exemplo), que é rasteiro musicalmente, sem unidade entre as músicas e que será rapidamente esquecido. Na matéria publicada na capa do caderno Ilustrada, da FolhaSP (onde o autor da reportagem, o jornalista Merda de Menezes, lambe os bagos do cantor sem pudor algum, derrama elogios sobre o disco e afirma que ele irá continuar “ótimo” daqui a uma década), entre outras “pérolas” de arrogância, Lobão disse que ficou tanto tempo sem gravar porque queria “aprender” pra lançar seu “melhor disco”. Se compara (meo deos…) a gênios como Villa-Lobos e Paulinho da Viola – aliás e talvez por isso mesmo ele tenha tentado emular o mestre maior do samba brasileiro em “Ação fantasmagórica à distância”, uma tentativa de samba totalmente torta e que deve estar causando dores estomacais inomináveis em Paulinho da Viola. Por fim, o músico diz que EVITOU politizar as músicas e contaminar o lançamento do trabalho com sua postura ideológica e pessoal atual. Mentira: a letra de “A posse dos impostores” é um claro ataque textual ao atual governo do país. Mas a música é tão ruim e a letra tão infantil que seu efeito acaba se tornando nulo. Nesse aspecto Renato Russo, Caetano e Chico Buarque já fizeram misérias e zilhões de vezes melhor, com versos e metáforas que, pelo visto, estão muito longe do alcance intelectual de mr. Lobão.

“Estou do lado que venceu”, disparou o cantor na matéria porca e chapa branca da FolhaSP. Se ele julga que esse peido indefensável chamado “O rigor e a misericórdia” é uma “vitória”, é porque o outrora Grande Lobo está precocemente senil e gagá. E cabe a quem é rigoroso (como este blog é, em suas análises) não ter misericórdia alguma com o reaça Lobão. Peça pra sair, queridão. E faça um favor a si mesmo e ao que resta de digno na sua trajetória no rock BR e na música brasileira.

 

 

O TRACK LIST DO NOVO DISCO DE LOBÃO

CAPALOBAO2016

 

1 – Overture

2 – Os Vulneráveis

3 – A Marcha dos Infames

4 – Assim Sangra A Mata

5 – O Que É A Solidão Em Sermos Nós

6 – Alguma Coisa Qualquer

7 – Dilacerar

8 – Os Últimos Farrapos da Liberdade

9 – A Posse Dos Impostores

10 – Ação Fantasmagórica À Distância

11 – Profunda E Deslumbrante Como O Sol

12 – Uma Ilha Na Lua

13 – A Esperança É A Praia de Um Outro Mar

14 – O Rigor E A Misericórdia

 

 

ALGUMAS “PÉROLAS” CONTIDAS NAS LETRAS DO NOVO DISCO DE LOBÃO

“Há muito tempo quero te dizer/que esse teu mundinho redondinho/a qualquer hora vai desmoronar”

(em “Alguma coisa qualquer”)

 

“O silêncio de uma lápide/Não evita a tempestade”

(em “Os últimos farrapos da liberdade”)

 

“Eu vou falar e é pra valer/Tenho mesmo que dizer/Só não sabe quem não quer saber”

(na faixa “Profunda e deslumbrante como o sol”)

 

“Tudo é tão simples e transcendental/Ao fazer um arco-íris no jardim”

(em “Uma ilha na lua”)

 

“A chuva que golpeia a pedra/Que golpeia o coração/Me faz imaginar que todo herói/Se diverte só/Possuímos o que desejamos/Mas nem sempre somos o que imaginamos ter”

(na faixa-título “O rigor e a misericórdia”)

 

 

O BLOGÃO ZAPPER ESTÁ EXAGERANDO EM SUA ANÁLISE SEM MISERICÓRDIA DO ÁLBUM DO BOBÃO?

Tire você mesmo suas conclusões, escutando o disco aí embaixo, no YouTube ou no Spotify.

 

E HÁ VINTE ANOS, UMA ENTREVISTA LENDÁRIA RESULTA NUMA BRIGA HISTÓRICA E NO ROMPIMENTO ENTRE O CANTOR E O JORNALISTA ZAPPER

 

(texto integral e inédito do capítulo “Duelando com Lobão”, que faz parte do livro de memórias do autor deste blog, “Escadaria para o inferno”, que será lançado no segundo semestre deste ano)

 

Capítulo 6 – Duelando com Lobão

 

Eu já era fã do Lobão artista, músico, compositor e cantor antes mesmo de eu me tornar jornalista – depois acabei descobrindo que o Lobão pessoa é um mau caráter de primeira. E hoje se tornou um reacionário de primeira também. Mas isso eu comento melhor logo aí embaixo, nesse mesmo capítulo.

Enfim eu gostava pra caralho do trabalho dele, e ainda gosto da maioria dos discos lançados por Big Wolf nos anos 80’ e parte dos 90’. João Luiz Woerdenbag Filho (seu nome verdadeiro) começou tocando bateria num (imaginem) grupo carioca de rock progressivo, chamado Vímana. Isso quando ele tinha apenas 17 anos de idade. Mas ele se tornou conhecido mesmo na Blitz, banda da qual foi um dos fundadores e que estourou no Brasil inteiro em 1982 com aquele grudento hit total new wave “Você não soube me amar”. Depois de mal saborear o mega sucesso com a Blitz João Luiz quebrou o pau com Evandro Mesquita (o vocalista e outro dos fundadores da banda) e caiu fora, seguindo em carreira solo. Lançou seu primeiro disco, “Cena de Cinema”, também em 1982. Depois veio “Ronaldo foi pra Guerra” (em 1984), com Os Ronaldos e seu primeiro sucesso solitário, “O rock Errou”, editado em 1986 e que tomou de assalto as rádios na época com a balada “Revanche”. É o célebre disco onde Lobão aparece vestido de padre na capa, ao lado de sua ex-mulher (e, diziam na época, prima) Daniele Daumerie. Que tinha apenas 17 anos de idade e que estava na mesma capa… pelada! (ok, coberta apenas por um véu)

E foi justamente por causa desse disco que eu conheci Lobão pessoalmente e falei com ele pela primeira vez na minha vida. Eu tinha acabado de conseguir meu primeiro emprego profissional como jornalista, fazendo frilas para a revista “Rock Stars”. Era março de 1986 e a gravadora RCA (hoje, Sony) estava lançando o disco do Grande Lobo (grande mesmo: ele tem quase 1,90m de altura). Convocou a jornalistada para uma coletiva de imprensa onde o selo sempre fazia isso em Sampa: no seu estúdio de gravação que ficava numa rua perto do largo de Santa Cecília. Lá fui eu todo pimpão, nos meus ainda inocentes 23 anos de idade, fazer minha primeira entrevista com um autêntico rockstar (isso em 1986, ano em que eu ainda iria entrevistar Lulu Santos e iria brigar com ele durante a entrevista; fora o bate-boca com John Lydon, ex-Sex Pistols e que aportou no Brasil em 1987 com o Pil, mas calma que eu chego nessas histórias ainda neste livro, rsrs). Enfim, foi como toda e qualquer outra coletiva: aquele festival de perguntas chatas e respostas idem. Com o passar dos anos atuando nessa porra de jornalismo musical eu aprendi isso: coletivas geralmente são sacais e a maioria dos jornalistas presentes nelas estão ali muito mais para adular o entrevistado do que efetivamente encostá-lo na parede e arrancar alguma declaração bombástica dele. Quer realmente fazer uma ótima matéria com quem quer que seja (artista, político, esportista famoso, o que for)? Consiga uma exclusiva (ou individual) com o sujeito, se prepare pro embate (pesquisando absolutamente tudo sobre a vida dele) e vá pro campo de batalha bem armado e municiado. Yep, algumas entrevistas se transformam em verdadeiros embates sangrentos entre entrevistador e entrevistado. E são dessas que saem as melhores reportagens.

Mas para mim, 23 anos de idade, primeira entrevista e ainda por cima com o Lobão (de quem eu era quase fã), tudo era festa. Até pedi autógrafo pra ele na capa do meu disco, ao final da coletiva. Atitude (pedir autógrafo) que eu teria mais umas cinco vezes durante minha trajetória como jornalista de música, e depois nunca mais. Me lembro de ter pedido autógrafos pro Echo & The Bunnymen ao final da coletiva com o grupo (na primeira e gloriosa vez que eles estiveram no Brasil, em 1987), pro Renato Russo (no camarim ao final de um show da Legião Urbana, no salão de festas do Palmeiras, também em 1986, quando eles estavam prestes a estourar) e pra mais uns dois ou três que nem me lembro agora. Depois, com o passar dos anos, com o peso da profissão vergando nas suas costas, com você também se tornando conhecido como jornalista, frequentando coletivas a todo instante e sacando o quão chatos e egocêntricos eram (e continuam sendo) a maioria (há exceções, claro) dos artistas que você admirava antes de conviver com eles, você vai perdendo o tesão por esse tipo de parada (pedir autógrafo). Aliás passa até a achar ridículo. E não se trata de uma postura ou declaração blasé. Mas sim de constatar o óbvio: músicos são como eu e você. Cagam, mijam, arrotam, peidam, comem, dormem, trepam (se forem mega famosos, óbvio que trepam muito mais que os simples mortais). O que a fama e a grana lhes dão a mais do que nós temos é exatamente isso (além do conforto material): arrogância, vaidade e egocentrismo. Como eu também fui me tornando egocêntrico (assumo) à medida em que crescia e ficava conhecido na profissão (principalmente quando trabalhei na IstoÉ e na Interview), passei a ter cada vez menos saco pra entrevistas coletivas.

Mas enfim, me tornei mais ou menos amigo do Lobão. Os anos foram passando e lá fui eu novamente entrevistar João Luiz. Dessa vez o ano era 1989, eu já estava na editoria de Cultura da poderosíssima IstoÉ e Lobão havia se tornado super rockstar com o estouro do disco “Vida Bandida”, que ele havia lançado em 1987 e que havia vendido quase 400 mil cópias. Agora o sempre bocudo cantor e um dos símbolos do rock brasileiro dos anos 80’ se preparava para lançar “Sob o sol de Parador”.  Eu era repórter de música da IstoÉ. O disco veio parar na minha mão junto com a pressão da gravadora para que eu entrevistasse seu artista. Sugeri a pauta e ela foi obviamente aceita. Só que tinha que ser no Rio, na casa dele, exclusiva. Aí sim! Data marcada, me mandei pro Rio na ponte aérea e o papo rolou suave. Ficamos um tantinho mais “amigos” um do outro. E anos depois essa “amizade” foi um dos principais fatores para que eu conseguisse entrevistar o sujeito novamente, desta feita para a Interview.

Era 1995. E muita água havia rolado embaixo da ponte – tanto da minha quanto do Lobão. Eu continuava na Interview (já estava lá há quase três anos), que infelizmente estava prestes a ser fechada pela editora Abril. E Big Wolf havia despencado ladeira abaixo em sua carreira: o sucesso comercial de seus discos lançados nos anos 80’ não havia se repetido na década de 90’. O resultado foi que ele havia saído da major RCA (após ficar anos por lá) e estava lançando “Nostalgia da Modernidade” pelo selo Virgin (que havia se instalado havia pouco tempo no Brasil), após ficar mais de quatro anos sem gravar um disco inédito. Foi quando sugeri uma entrevista com ele para a revista – que a essa altura estava sendo dirigida por Walcyr Carrasco, hoje um dos autores de novelas mais badalados da tv Globo. “Sim, precisamos entrevistar o Lobão”, aquiesceu Walcyr. “Pode cuidar disso”, acrescentou ele.

Lá fui eu bater na porta da assessoria de imprensa da Virgin, para pedir a entrevista com o cantor. E logo veio a resposta da assessora da Virgin uma tarde, por telefone: “Finatti, ele disse que te conhece, te considera mas ele não vai falar com a Interview”, disse a garota (não me lembro quem era a assessora na época, mas lembro que era mulher). Eu: “Por que não? A revista é bacana, descolada, formadora de opinião…”. Ela: “e também polêmica, abusada, encrenqueira. Todo mundo conhece a fama da Interview e do tipo de pergunta que ela faz nas entrevistas. Ele disse que não quer se submeter a isso pois tem receio que o foco das perguntas seja apenas em assuntos escandalosos e não no trabalho musical dele”.

CAPAINTERVIEWLOBAO

A capa da edição da extinta revista Interview, de dezembro de 1995 (acima), com entrevista feita com Lobão por Zap’n’roll (abaixo); o cantor soltou a língua contra a cantora Fernanda Abreu e quis DESDIZER o que disse, em episódio que causou o rompimento de diálogo entre músico e jornalista

IMAGEMMATERIALOBAOINTERVIEW

Ok. Fui obrigado a garantir que, além de ser eu quem iria entrevistá-lo, a pauta também seria focada na sua carreira musical e no lançamento do novo disco. Para reforçar o pedido o próprio Walcyr Carrasco enviou uma carta a Lobão, garantido que as perguntas da entrevista não ficariam concentradas em… escândalos e declarações polêmicas. Com isso, conseguimos vencer a resistência do músico e nosso encontro foi finalmente agendado. Lobão viria a São Paulo em determinada data, para gravar o programa de entrevistas do Jô Soares. A instrução era: eu iria acompanhar a gravação da entrevista dele no Jô e, em seguida, ambos iríamos para o flat onde ele estava hospedado (na chic zona sul da cidade, claro) e a entrevista seria concedida lá. E de fato tudo correu conforme o combinado: gravação do Jô Soares e depois ping-pong no flat onde o cantor estava naquela noite. A entrevista rolou durante um ótimo jantar (pago por Lobão, assumo), regado inclusive a algumas doses de Black Label. E todo o conteúdo das perguntas e respostas havia sido registrado por mim em duas fitas gravadas, totalizando duas horas de bate-papo.

O caldo começou a entornar lá pelo meio da entrevista, quando começamos a relembrar sua passagem pela Blitz. Lobão se enfureceu quando eu citei o nome da Fernanda Abreu, que era uma das cantoras do grupo. Espumou, bufou, se irritou e com sua conhecida metralhadora giratória oral fuzilou a ex-companheira de banda sem dó, disparando declarações como “Ela sapateava [na Blitz], não apitava. Ela não sabia nem cantar. (…) Ela é uma pessoa inconsciente, (…) ela não sabe falar direito!”. O atual ex-bad Wolf do rock brasileiro dos 80’ só voltou a se acalmar quando passamos a discorrer sobre seu novo trabalho musical. E ao final da entrevista, já se despedindo de mim, ele teve a cara larga pra me pedir: “Pô Finatti, eu me exaltei na hora de falar sobre a Fernanda Abreu, e acho que isso não é legal, reconheço. Você bem que podia me fazer um favor e dar uma ‘editadinha’ nessa parte, pode ser?”. “Vou pensar no seu caso” foi a minha resposta, rindo. E me despedi, rumando pra casa com as fitas gravadas com a entrevista.

Nunca que eu iria subtrair aquela parte da entrevista. Se coloque no meu lugar: você é jornalista e vai entrevistar um artista conhecido. Que lá pelas tantas do bate-papo (que, repetindo, estava sendo gravado) perde a estribeira e dispara cobras e lagartos contra outro artista conhecido. Ao final da entrevista o sujeito se arrepende e pede, de maneira sagaz (e apelando para a sua relativa amizade para com ele), que você retire das declarações aquela que pode lhe causar dor-de-cabeça no futuro. No meu lugar, você atenderia a um pedido desses? Eu não atendi, claro. E a entrevista com Lobão foi para as bancas na edição de dezembro de 1995 da revista Interview. Com a fuzilada na Fernanda Abreu inclusa na matéria.

A big shit estava armada. Isso porque dali a pouco mais de um mês (em janeiro de 1996), iria acontecer mais uma edição do festival Hollywood Rock (então o grande festival de rock que rolava anualmente no Brasil, com shows em Sampa e no Rio De Janeiro). E justamente nessa edição do HR o músico baiano Gilberto Gil iria se apresentar com uma big band em uma das noites. Big band onde estavam escalados pra participar dela, entre outros, Lobão e… Fernanda Abreu! E um mês antes do tal show a Interview lindona e pimpona nas bancas, com o ex-baterista da Blitz detonando impiedosamente a pobre Fernandinha, uia!

Big Wolf se apressou em desdizer o que disse na entrevista, claaaaaro. E ficou com um ódio mortal do seu (a essa altura) ex-“amigo”, esse mesmo aqui, autor deste livro. Tanto que, em uma entrevista publicada na época no diário carioca O Globo, e onde foi abordada a entrevista publicada na Interview, Lobão não perdoou: chamou a revista de mentirosa e o repórter de “canalha”. Ahã.

E o “embate” entre músico e jornalista não parou aí. Nos dias em que aconteceu o Hollywood Rock em São Paulo, lá estava eu dando plantão no lobby do hotel Maksoud Plaza, onde a trupe do evento (produção e artistas) ficava hospedada – foi ali, inclusive, que consegui uma exclusiva com o total arredio líder do The Cure, o estranhíssimo guitarrista e cantor Robert Smith. Até que na tarde do segundo dia de festival, quem surge todo faceiro no lobby do hotel? Lobão em pessoa. E ao ver-me já veio em minha direção, pronto pra… me trucidar ali mesmo? Quase isso: começou um bate-boca meio alto e escandaloso entre os dois ex-“amigos”, acompanhado por uma platéia razoavelmente grande de curiosos, entre hóspedes, jornalistas, seguranças e fãs que tentavam conseguir algum autógrafo com alguém que fosse se apresentar no HR. Eu nem lembro mais o que um disse ao outro durante a discussão. Só me lembro do final dela, com Lobão gritando: “Você é burro, Finatti!”. E eu respondendo: “e você é um fodido, que nem estando falido na carreira, desce do salto alto”. Terminou ali uma suposta amizade de uma década.

Nunca mais falei com João Luiz Woerdenbag Filho. E nem pretendo voltar a falar algum dia, mesmo que continue admirando e respeitando sua obra musical. Essa continua bacana e resistindo ao tempo. Mas o Lobão como pessoa, mau caráter como descobri que ele era e reacionário como se tornou hoje em dia, esse pra mim já era.

**********

 

CINCO MOTIVOS PELOS QUAIS O BLOG ACHA QUE A CULTURA POP E O ROCK ALTERNATIVO ESTÃO MESMO MORRENDO – E O IRON MERDA LOTANDO ESTÁDIOS NO BRASIL ATÉ HOJE É APENAS UM DELES

No final de março último o atualmente pavoroso, velhusco e ultra chumbrega grupo britânico de heavy metal clássico Iron Merda, ops, Maiden, esteve em turnê pela bilionésima vez no Brasil. Foi o de sempre, principalmente na gig na capital paulista: estádios lotados, fãs fanáticos em convulsão na hora do show etc. Ou seja: quando um conjunto RIDÍCULO como o Iron Maiden provoca essa autêntica catarse no rock’n’roll, quatro décadas após a sua fundação, é porque algo vai realmente muito mal na cultura pop planetária dos dias de hoje.

Assim, Zap’n’roll resolveu listar nesse tópico cinco motivos pelos quais estas linhas virtuais acham que o rock alternativo e a cultura pop estão mesmo indo pro saco, sem apelação. Leia e fique avonts pra concordar, discordar, elogiar e xingar (só não vale assinar fake, uia!).

 

1 – o próprio sucesso do Iron Merda até hoje, no Brasil: é um fenômeno realmente inexplicável. O quinteto liderado pelo baixista Steve Harris e pelo vocalista Bruce Dickinson já foi RELEVANTE na história do rock? Já e isso há uns trinta anos ou mais, quando de fato o surgimento do grupo provocou uma renovação bem vinda em um gênero (o metal) que sempre foi tosco, grotesco, obtuso, burrão (musical e textualmente falando), sexista, machista, reacionário e conservador. O IM chegou a lançar discos bacanas (“Killers”, “The Number Of The Beast”, “Powerslave”) mas há décadas se transformou numa caricatura de si próprio, além de ter se tornado completamente OBSOLETO sonoramente falando (e pra quem foi VANGUARDA um dia, isso é mortal). Então não dá pra entender porque até hoje essa BOMBA rocker segue tendo milhares de fãs no Brasil – e por causa deles vem praticamente todos os anos pra cá, pra encher o saco e arrancar milhões de dólares (sim, o cachê do grupo é pago em dólar) dos otários fãs brazucas. Lamentável é pouco e o sucesso secular desse MENUDO do heavy metal talvez seja um dos principais indicativos de que o rock está… morrrendo.

 

2 – os fãs do Iron Merda e do heavy merdal em geral: sério, você já viu raça mais escrota (comportamentalmente falando), conservadora, machista, reacionária e grotesca do que fãs de heavy metal? Pare para conversar com um sujeito (ou uma garota) dessa turma e depois nos diga. Pergunte a eles/elas suas opiniões sobre política (se é que o cérebro com 02 neurônios dessa pelegada consegue raciocinar para emitir opinião sobre algo), o que eles acham sobre negros, diversidade sexual, drogas, tolerância, ética, moral, sociedade, cultura em geral. E o pior é que o fã de metal se tornou o exemplo do que, no final das contas, o rock de hoje se tornou: inofensivo, inócuo, babaca, careta, bunda-mole e conservador. Justo ele, o rock’n’roll, que inspirou mometos iluninados de mobilização política e social na história da humanidade (como os festivais de Woodstock e o Live Aid, aliás festival de rock no mundo atual virou piada: basta freqüentar o Lollapalooza BR, aquele parque de diversões pra coxas endinheirados onde o que menos importa é a MÚSICA, e você entenderá o que estamos falando aqui). Já Elvis, né?

3 –  mundo virtual, internet, plataformas digitais, aplicativos e redes sociais: FODEU a humanidade, claro. Tá tudo dominado! Você entra no metrô e não consegue mais ver NINGUÉM lendo um LIVRO (ou jornal ou revista, que seja). Todos estão com os dedos digitando freneticamente imbecilidades/inutilidades em seus smartphones, em apps como o detestável whats app. Yep, a revolução digital DEMOCRATIZOU o acesso à informação, à cultura e propiciou que músicos sem lastro financeiro ou comercial pudessem mostrar suas criações para a humanidade. Mas e daí? Também ARREGANHOU as portas para um bando de milhões de idiotas que se consideram artistas geniais (sem o ser) VOMITAREM suas barbaridades sonoras na nossa orelha. Sábias foram as palavras ditas pelo filósofo italiano Umberto Eco pouco antes de ele morrer, em fevereiro passado: “a internet produziu uma LEGIÃO de IDIOTAS”. É verdade, ponto.

4 – e a derrocada não é apenas musical ou no rock’n’roll. Ela atinge praticamente todas as esferas da cultura pop planetária. Pensa: todos os clássicos (na música, na literatura, no cinema, nas artes plásticas etc.) já foram CRIADOS e eternizados. Ou você acha que, a essa altura infame do campeonato, vai surgir um novo Jimi Hendrix? Ou um David Bowie? Ou mesmo um novo Morrissey ou Ian Curtis? Cinema? Hollywood não possui mais roteiristas com cérebro e o que rende bilheteria são IDIOTICES monstro como “Superman X Batman” (e o populacho burrão AMA, claro) e que tais. Não vai surgir outro Francis Ford Coppola, outro Stanley Kubric, outro Martin Scorsese, Tim Burton, nem filmes como “O poderoso chefão”, “2001 – uma odisséia no espaço” ou “Laranja Mecânica”. Esqueça: o que espirra aos borbotões nas telas 3-D de hoje são jatos de sangue, provenientes de cabeças humanas decepadas em filmes de terror de quinta categoria, e nada mais. Literatura? Vem cá: há quantos anos não ouvimos falar de um novo nome que chegue PERTO da genialidade de um Oscar Wilde, de um Rimbaud, de um Jack Kerouac, de um Fernando Pessoa, Augusto Dos Anjos, Bukowski, Manuel Bandeira, Drummond ou de um Albert Camus? Hein???

IMAGEMIRONVIVOSP2016

A cultura pop e o rock alternativo estão mesmo indo pra casa do caralho e o eterno sucesso de uma banda repulsiva como o Iron Merda (acima) é a maior prova disso; uma derrocada que também atinge o jornalismo cultural brasileiro, que não possui mais profissionais com o nível de um André Forastieri ou André Barcinski (ambos abaixo, junto com Zap’n’roll na noite de lançamento do livro do Forasta, ano passado em Sampa)

FINATTIANDREFORASTA

5 – e por fim, o JORNALISMO cultural também está indo pra casa do caralho (literalmente, rsrs): ao menos aqui no Brasil ele está assim. O autor deste blog está com 5.3 de idade nas costas e se lembra quando começou sua trajetória no jornalismo musical, em 1986. Eram tempos realmente incríveis. Não havia internet, computadores, celulares, e-mails, apps, redes sociais, nenhuma dessas merdas pós-modernas. Quem queria se INFORMAR tinha que ir atrás de ÓTIMOS discos, filmes, livros, jornais (com seus cadernos culturais inesquecíveis) e revistas – muitas vezes importadas, já que publicações de qualiadade e relevância na imprensa nacional não davam exatamente em árvores (mas elas existiam). E essa busca por alta informação (de alta densidade cultural/cerebral) também se refletia na FORMAÇÃO do profissional que abraçava o jornalismo cultural. Foram muitos os nomes lendários que formaram uma geração imbatível na imprensa cultural brasileira até meados dos anos 90’, nomes como Maurício Kubrusly, Ezequiel Neves, Luís Antonio Giron (dileto amigo destas linhas rockers bloggers até hoje e um dos prefaciadores do livro “Escadaria para o inferno”, escrito pelo jornalista blogger/zapper), Fernando Naporando, Pepe Escobar, André Forastieri, André Barcinski e mais alguns poucos. Revistas como Somtrês e Bizz (em sua primeira encarnação) e cadernos culturais como a Ilustrada (da FolhaSP) e Caderno 2 (do jornal O Estado de S. Paulo, onde o autor deste blog trabalhou entre 1988 e 1989) eram fonte de informação total relevante e REFERÊNCIA para quem queria estar mega ultra bem informado sobre cultura. Hoje tudo isso foi pro saco, óbvio. O último suspiro de bom jornalismo cultural foi a edição brasileira da revista Rolling Stone e isso em seus primeiros três anos de existência (quando ela era dirigida pelos ótimos Ricardo Cruz e Pablo Miyazawa, época em que o zapper aqui também colaborou com ela). Atualmente a RS Brasil está um lixo jornalístico de dar dó, editada por jornalistas completamente bundas e incompetentes, como o retardado Paulo Cavalcanti. Blogs RELEVANTES de cultura pop na web BR? O que era produzido pelo André Barcinski no portal R7 (e que era excelente), foi encerrado pela direção do portal (sob a justificativa de contenção de gastos). Popload, de Lúcio Ribeiro? Já foi referência, hoje em dia… No terreno dos cadernos culturais: Ilustrada, da FolhaSP, um caderno que teve nomes como Giron e Carlos Heitor Cony, hoje se compraz em ter como repórter especial o LAMENTÁVEL Thales De Menezes (mr. chapa branca e bunda-mole e gorda em pessoa), aka Merda De Menezes, um sujeito de texto lambão, preguiçoso ao máximo, eivado de clichês e que geralmente fala bem de tudo o que escreve (afinal, ele vive indo NA FAIXA em todos os shows possíveis). Diante de um quadro desses fica praticamente impossível formar novos e bons leitores e dar a eles informação de qualidade. Na real (e isso é muito triste de se constatar) o jornalismo cultural brasileiro também está morrendo, tal qual a cultura pop atual.

É isso. Cinco ótimos motivos (infelizmente) que, na opinião destas linhas bloggers sempre contudentes em suas opiniões, demonstram como o rock’n’roll e a cultura pop já eram. Bem vaticinou o também gênio Andy Warhol, décadas atrás: “no futuro, todos serão famosos por quinze minutos”. Pois o futuro chegou e a profecia de Warhol se confirmou: hoje todos (músicos, escritores, atores e atrizes de cinema, e reles mortais em geral) se tornam celebridades por quinze minutos, principalmente em redes sociais como o faceboquete. E depois desaparecem pois sua IMBECILIDADE e IDIOTICE artística e pessoal terá que dar lugar a outro imbecil e idiota igual ou pior do que o anterior.

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

  • Disco, I: Bob Mould está ficado véio mas não pára. Aos cinqüenta e cinco anos de idade o sujeito que deu ao mundo duas BANDAÇAS (o Husker Du nos anos 80’, e o Sugar, uma década depois) continua bastante ativo em sua carreira solo. Tanto que ele lançou no final de março passado “Patch The Sky”, seu décimo terceiro disco solo (!). Não há grandes novidades em relação aos seus últimos trabalhos – e na real “Silver Age”, editado em 2012, sou um pouco mais abrasivo e melhor musicalmente. O que não é demérito algum: nas doze faixas do novo cd Bob engendra aquelas melodias com guitarras afiadas e aceleradas e que ele soube tão bem alinhavar nos tempos do Husker Du, quando descobriu o mix perfeito entre sua herança punk e melodias que pudessem ser tocadas em rádio e cantaroladas pelos fãs. Longe de ser uma obra-prima, é um álbum honesto e onde músicas como “Voices In My Head”, “Hold On”, “Black Confetti” ou “Losing Time” (as preferidas do blog) ainda garantem ótimas melodias e guitarras em um mundo pop/rock onde quase ninguém mais se importa com isso. Interessou em ouvir? Vai aí embaixo no Spotify, onde o cd já está disponível na íntegra para audição.

CAPABOBMOULD2016

O novo cd do grande Bob Mould (que pode ser ouvido abaixo)

  • Disco, II: nascido e criado na zona leste paulistana, o quarteto Coyotes California (formado pelo vocalista e letriste Falcão Moreno, pelo guitarrista William Antonetti, pelo baixista Toddynho e pelo batera Biano Rodrigues) lançou no final de 2015 seu segundo álbum de estúdio, “A minha parte eu quero em groove”. Numa primeira audição o trabalho pode soar algo anacrônico, visto que o foco musical do grupo sempre foi o rock mixado com grooves de funk, e sua inspiração sonora claramente vem do Faith No More, do Red Hot Chili Peppers (na fase gloriosa dos americanos, lá por 1991 com “Blood Sugar Sex Magik”) e no brazuca Charlie Brown Jr. Porém – e tal qual no cd de estréia, “Hello Fellas”, editado em 2012 – o CC ganha o ouvinte pela potência de suas músicas e pela excelência de seus músicos – todos ali são, sem exceção, MONSTROS em seus instrumentos e fazem barbaridades (no ótimo sentido) com os mesmos, montando a moldura sonora perfeita para as boas canções, letras e vocalizes tramados por Falcão Moreno. Assim há uma dose exemplar de porradas no disco (“Viva”, “Minhas escolhas”, “Menos dois centímetros de língua” ou “Não se importe e dance”, que fecha o cd com esse convite irresistível apoiado em uma grooveria infernal) e até algumas baladas singelas, como “A vida me ensinou” (que tem até a adição de uma surpreendente flauta em seu arranjo), “Tão nautral pra mim” e “Cicatrizes”. Não é a salvação da humanidade mas numa época em que o rock nacional (seja ele mainstream ou alternativo) literalmente FALIU (na qualidade artística e na repercussão comercial, de público e midiática) e não há mais heróis nessa parada, o novo rebento dos CC é uma agradabilíssima surpresa e ótima trilha sonora para uma festinha com os amigos ou para por o pé na estrada. Interessou pela banda? Vai aqui: https://www.facebook.com/groups/coyotescalifornia/?fref=ts. Sendo que você pode escutar o cd na íntegra aí embaixo.

IMAGEMCC2016

Coyotes California: grooveria dos infernos, direto da zona leste de Sampa

  • Filme: tem longa do novíssimo cinema paulistano aparentemente muito interessante em cartaz. “A bruta flor do querer” conta a história de um recém-formado no curso de Cinema e que ganha a vida filmando… casamentos. Está em cartaz no Cine Belas Artes (em Sampa) em apenas UM horário diário e vale a conferida, sendo que o trailer dele está aí embaixo.

  • BALADAS? Vamos a elas! Yep, com o primeiro postão lindão da nova fase do blogão sendo concluído já na quinta-feira (14 de abril), vamos ver o que rola no circuito alternativo paulistano, que ficou um pouco mais tristonho após o fechamento do Astronete. Enfim o oba-oba já começa hoje, com a noite pop “Loucuras” no bar gls A Loca (rua Frei Caneca, 916, Consolação, região central de Sampalândia), com as pick-up’s comandadas pelo super DJ André Pomba.///Amanhã, sextona em sim, tem a festa “No Fun” no Outs (na rua Augusta, 486, centro de Sampa), comandada pelo DJ João Pedro Ramos.///E sabadão é noite do open bar mais infernal da cidade, também no Outs. É isso. Poucas opções essa semana pra se jogar, vocês não acharam? O blog também achou, rsrs. Mas bora lá curtir com gosto, porque a vida é curta.

 

 

E FIM DE PAPO!

Postão ficou lindão e grandão no novo visual zapper, e todo mundo feliz com ele, néan. Então aproveitem e leiam com calma e sem moderação que na semana que vem estamos por aqui novamente. Até lá!

XXX

O novo visual e plataforma da Zap’n’roll foram desenvolvidos pelo web designer Marcelo Shiniti, que trabalha há anos na área. Entre outros, ele é o responsável pelo visual do portal de rock e cultura pop Nada Pop, que pode ser acessado em WWW.nadapop.com.br. Para saber mais sobre o trabalho do Marcelo, vai aqui: http://marceloshina.com.br/.

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 14/4/2016, às 18:30hs.)

Men At Work!!! O blogão zapper está em manutenção, para a instalação de sua nova plataforma e também para a atualização de seu novo visual

 

Portanto, guentaê que na próxima semana voltamos com tudo aqui, para oferecer sempre o melhor conteúdo de rock alternativo e de cultura pop na web BR. Exatamente como fazemos já há quase treze anos.

 

Até logo menos, então!

 

(enviado por Finatti às 15hs.)