AMPLIAÇÃO FINAL (destacando a delação da Odebrecht, os perfis das bandas Rios Voadores e Verônica Decide Morrer, além do roteiro cultural e de baladas zappers) – Em tempos onde a cultura pop caminha para o seu final melancólico e onde não há mais heróis e quase nada relevante no rock alternativo mundial, os ainda gigantes e amados escoceses do Teenage Fanclub soltam novo disco lindão e mostram que atualmente apenas os “velhos” é que estão mesmo salvando o rock’n’roll da mediocridade total (e de quebra o blogão relembra histórias saborosas e saudosas das duas vezes em que o grupo se apresentou no Brasil); a REAL e RELEVANTE indie scene nacional está aqui (e não naquele blog vizinho e autêntica “ilha da fantasia indie”) e desta vez falamos do álbum póstumo do saudoso, genial e lendário rapper Sabotage e dos discos de estréia da Rios Voadores (de Brasília) e do Verônica Decide Morrer (de Fortaleza); e mais um monte de paradas bacanudas no blog show de bola quando o assunto é rock e cultura pop (postão totalmente AMPLIADO e FINALIZADO em 28/10/2016)

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Dois lançamentos importantíssimos e que demonstram que são os veteranos ou mesmo aqueles que já se foram que ainda importam na música pop atual, no rock e no rap: o grupo escocês Teenage Fanclub (acima) soltou novo discão há um mês e que agora é bem analisado pelo blogão zapper; e o saudoso rapper Sabotage (abaixo) faz jus à sua fama de gênio com seu álbum póstumo que foi lançado esta semana

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E FECHANDO MEEEEESMO A TAMPA DESSE POST… VEM AÍ A DELAÇÃO BOMBA DA ODEBRECHT!!!

  • Yes!!! Os torpedos gigantes já começaram a ser disparados e a se transformar em manchetes nos jornais, como essa aí embaixo. Será que finalmente o PSDBosta vai começar a ter a sua QUADRILHA também desmantelada? Será que o PMDBosta de Temer vai sobreviver? As próximas semanas serão emocionantes na IMUNDA política brasileira, podem ter certeza disso!

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  • E fim de papo que o postão já está gigantão. Na semana que vem a gente volta com muuuuuito mais por aqui, okays? Até lá!

 

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O power pop sublime e o rapper genial.

Ambos são os destaques musicais desse postão de Zap’n’roll que você começa a ler agora. E nem poderia ser diferente: tanto o quarteto escocês Teenage Fanclub quanto o saudoso rapper paulistano Sabotage tiveram novos discos lançados recentemente (o TFC, que estava há seis anos sem gravar, soltou novo cd há cerca de um mês; já Sabota teve seu trabalho póstumo finalmente editado na última segunda-feira, 17 de outubro). E apesar de trafegarem em linguagens musicais (e ambas, pop) tão diferentes (power pop de guitarras shoegazer e rap na sua acepção clássica), ganham total atenção deste blog por diferentes e variados motivos. No caso dos escoceses, eles sempre pautaram sua produção por uma qualidade sonora muito acima da média que se escuta no rock mundial, ainda mais nos tempos atuais onde o rock’n’roll se tornou quase que totalmente irrelevante (em termos de bandas novas). Fora que o TFC sempre foi um dos conjuntos do coração do autor deste blog e, além disso tudo, lançou um novo trabalho que é melhor do que 95% dos lançamentos de hoje em dia, sendo que estamos falando de um cd gravado por músicos que estão na casa dos cinqüenta anos de idade. Já Sabotage se mantém como um dos nomes GIGANTES do rap brasileiro, mesmo treze anos após sua trágica e violenta morte (foi assassinado por um desafeto, com quatro tiros nas costas, na manhã de 24 de janeiro de 2003). Ele, que antes de descobrir seu pendor artístico e musical foi assaltante e gerente do tráfico de drogas na favela onde havia nascido e residia, se tornou um dos nomes mais expressivos da geração rapper brasileira dos anos 2000’ com o lançamento de apenas UM disco em vida. Quando morreu tinha acabado de concluir as gravações das bases e vocais de seu segundo álbum de estúdio. O mesmo disco que foi sendo burilado e emoldurado musicalmente pela turma do coletivo musical Instituto (parceiros de Sabota desde sempre) e que finalmente ganhou vida plena esta semana. É um cd que mostra toda a dinâmica precisa e preciosa do rapper, além da virulência, potência e atualidade de seus versos ácidos e certeiros, com métrica e poética impecáveis e que desvelam um país (o nosso) que sempre foi caótico em quase todos os sentidos – e que continua assim, mais de dez anos após Sabotage ter composto as músicas que estão no trabalho que agora foi enfim lançado. Então, por tudo isso, nada mais justo do que estas linhas bloggers dedicarem a maior parte desse postão a esses dois lançamentos, além de também mostrarmos as estréias em disco de dois grupos muito promissores da atualmente paupérrima cena indie nacional: Rios Voadores (de Brasília) e Verônica Decide Morrer (de Fortaleza). Em um mundo dominando por um neo conservadorismo que torna as pessoas intolerantes e bastante insensíveis, o lindo disco do Teenage Fanclub é um alento emotivo e tanto. E em um Brasil cada vez deteriorado em seu tecido social e desmantelado por violência urbana e imundície da política e do poder público, ouvir os versos que o gênio Sabotage escreveu há treze anos só reforça a grande questão que pelo jeito jamais irá ser resolvida: até quando seremos esse país vira lata e miserável de QUINTO mundo?

 

 

  • E nossas notas iniciais não poderiam abrir nesse post senão com o ASSUNTO POLÍTICO da semana, claaaaaro. Que foi a (finalmente!) prisão DELE. Quem? Do evangélico do inferno, óbvio. Eduardo Cunha, um dos mais graúdos BANDIDOS da imunda cena política brazuca. Sendo que já surgiram as habituais zilhões de análises e teorias da conspiração na web, tentando desvendar os meandros do enquadramento do sujeito – uma delas: o tirano Sergio Moro estaria fazendo média com o populacho e preparando a prisão de Lula, que seria aceita pelo povaréu sem tanta indignação ou questionamento. Será? Seja como for, o peixe graúdo do PMDBosta foi em cana – e todos nós vivemos para ver isso.

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  • Aliás a IMAGEM da semana não poderia ser outra, hihihi. Aí embaixo: o evangélico do cão e o golpista com cara de mordomo de filme de terror. Um já dançou. E o outro, dança quando?

Brasília - O vice-presidente Michel Temer e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, durante solenidade de entrega da Medalha do Mérito Legislativo 2015 (Antonio Cruz/Agência Brasil)

 

  • No rock’n’roll a semana termina com a produção do Lollapalooza BR divulgando o line up por dia da edição vindoura do festival, em março 2017. O headliner do sabadão (dia 25 daquele mês) é o insuportável Merdallica que, como sempre, vai se apresentar pra uma manada gigantesca de gente ogra, reaça, suarenta, feia e fedida, ahahaha. Já o domingão (dia em que o blog irá até o autódromo de Interlagos) terá The Strokes e os velhões bacanudos do Duran Duran. Aí sim!

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  • E falando em gigs, antes que o blog se esqueça: nessa sexona (leia-se hoje) e sabadão (amanhã) tem apresentação solo da deusa loira e ex-baixista do Sonic Youth, Kim Gordon, em Sampa. Vai rolar  nove da noite no SESC Pinheiros e pelo que consta, ainda há ingressos disponíveis a módicos sessenta pilas (com meia entrada a trintinha). Pois é… o MERCENÁRIO e GANANCIOSO festival Pobreloa…, quer dizer, Popload Gig (organizado pelo hoje empresário da noite e dublê de jornalista, dear Luscious R.) podia se mirar no EXEMPLO do SESC em suas próximas edições, ao invés de tentar ASSALTAR o bolso do público que vai nele.

 

 

  • Antes que o blog se esqueça, II: também amanhã, sabadão em si, tem show solo do chapa David Dafré (o homem das seis cordas no Vanguart) em Sampa. Ele lança seu primeiro ep solo, e você pode conferir todas as infos sobre o evento aqui: https://www.facebook.com/events/1409118652450353/.

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Dupla rock’n’roll amiga: Zap’n’roll e o guitar man do Vanguart, David Dafré; o músico faz show solo nesse sábado em Sampa

  • E ainda sobre shows e turnês (ufa!): o já veteraníssimo tecno pop brit Depeche Mode andou fazendo barulho essa semana, convocando a imprensa na Itália para coletiva onde anunciou novo disco inédito (com lançamento previsto para o começo de 2017), seguido de turnê mundial onde a banda PRETENDE vir inclusive para a América Do Sul. Nunca é demais lembrar: o grupo só tocou uma única vez no Brasil, laaaaá por 1994 (e a apresentação, presenciada pelo jornalista loker rocker, foi PÉSSIMA). Alguns anos atrás uma nova turnê chegou a ser armada por aqui, inclusive com os tickets pros shows tendo sido colocados à venda. Só que na última hora o DM, sem muita explicação, cancelou as apresentações brasileiras. Entonces vamos ver se dessa vez a turma do vocalista Dave Gahan cria vergonha na cara e vem mesmo.

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O Depeche Mode, na coletiva que anunciou o novo álbum de estúdio da banda e sua  nova turnê mundial; será que dessa vez a banda volta ao Brasil?

  • Na boa: alguém ainda se importa com o Kings Of Leon? A banda, que começou tão bem há mais de década e meia, já desceu a ladeira faz tempo – fora que estas linhas online assistiram o grupo três vezes ao vivo, todas ruim de doer. Enfim, a turma lançou seu novo disco na semana passada, “Walls”, o primeiro inédito em três anos. Sinceramente este espaço rocker virtual ainda não teve vontade alguma de escutar o dito cujo. Mas se alguém aê quiser arriscar a audição do mesmo, vai aí embaixo no Spotify.

 

  • E como sempre, com o postão em franca construção, as notinhas iniciais irão sendo ampliadas e atualizadas ao longo dos próximos dias se algo, hã, estrepitoso acontecer. Mas por enquanto vamos de Teenage Fanclub, a lenda power pop escocesa que acaba de lançar mais um discão. E que você confere o que blogão achou dele lendo aí embaixo.

 

 

O POWER POP SHOEGAZER CLASSUDO DO TEENAGE FANCLUB RESISTE AO TEMPO – E VOLTA COM UM DISCO LINDÃO

Em uma era (a da web e dos anos 2000’) onde a cultura pop em geral e o rock alternativo (ou o que resta dele, no mainstream que seja) em particular assiste ao seu próprio desmantelamento e onde nada mais parece ser relevante (a música finalmente se transformou apenas nisso: em fundo para tarefas banais do cotidiano da raça humana quase que totalmente bestializada e escravizada/viciada que está por internet, redes sociais e apps inúteis de smartphones), com artistas solo e bandas durando apenas um single de sucesso e alguns dias (ou horas) apenas bombando na nuvem digital (para logo depois ser completamente esquecido e dando passagem a outro hype tão efêmero quanto aquele que o antecedeu), é um gigantesco prazer e alento aos sentidos, ao coração e à alma saber que uma banda como a escocesa Teenage Fanclub resiste ao tempo, quase três décadas após a sua fundação. Uma das prediletas deste blog desde sempre, a TFC continua professando o que sempre fez muito bem: power pop shoegazer de melodias belíssimas (tramadas a um só tempo com guitarras barulhentas e violões bucólicos, quase pastorais) e vocais dolentes e harmoniosos ao extremo. E é tudo isso que você vai encontrar em “Here”, o novo álbum do grupo, que foi lançado lá fora em 9 de setembro passado. Ele pouco ou nada foi comentado em blogs brazucas dedicados ao indie rock planetário. E o cd sequer deverá ganhar edição nacional. Mas como sempre falamos aqui: nunca é tarde para se comentar sobre um bom ou ótimo lançamento. De modos que o novo trabalho dos escoceses merece ser destacado em Zap’n’roll com todo o louvor.

O grupo dos guitarristas e vocalistas Raymond McGinley e Norman Blake, do baixista Gerard Love e do baterista Francis MacDonald (e que na verdade já há alguns anos atua como membro “informal” e não oficial, da banda) surgiu em 1989, quando boa parte do leitorado zapper sequer era nascido. Este certamente é um dos fatores pelos quais o conjunto é praticamente desconhecido pela pirralhada atual (cuja cultura musical pop se restringe a Lady Gaga ou a One Direction e Imagine Dragons), embora ainda mantenha um séquito bem grande de fãs (inclusive no Brasil) composto por tiozões e na casa dos 40/50 anos de idade, como o autor desta espaço virtual. Não à toa o TFC esteve por duas ocasiões no Brasil, em maio de 2004 (quando lotou por três noites seguidas a chopperia do SESC Pompeia, em São Paulo, além de tocar em um também lotado Curitiba Pop Festival que tinha o então retornado Pixies como grande atração) e depois em maio de 2011, quando novamente esgotou os tickets de duas gigs (uma em Sampa e outra no Rio De Janeiro). Em ambas as passagens por aqui o quarteto emocionou e levou às lágrimas quem foi aos shows (como o autor deste blog foi, sendo que relembramos algumas das histórias dessa época mais aí embaixo, nesse mesmo post), com um público variado (composto por muitos tios e tias mas também por uma garotada entusiasmada por poder escutar ao vivo as canções clássicas daquele conjunto escocês que seu primo/a ou irmão/ã mais velho/a sempre adorou) e que cantou em coro músicas como “Star Sign”, “The Concept”, “I don’t Now”, “Waht You Do To Me”, “Sparky’s Dream” e muitas outras que já entraram para a história do indie rock britânico dos anos 90’.

E nestes quase trinta anos de existência o grupo nunca perdeu a qualidade musical e sempre manteve uma excelência sonora muito acima da média do que se escuta no rock alternativo, principalmente nos tempos atuais. Basta lembrar que o TFC lançou pelo menos uma obra-prima em sua trajetória (o álbum “Bandwagonesque”, editado em 1991 e que ganhou todas as eleições de “melhor disco” naquele ano, nas votações das principais publicações musicais dos EUA e da Inglaterra, e isso em um ano em que saíram também “Nevermind”, do Nirvana,  “Ten”, do Pearl Jam e “Screamadelica”, do Primal Scream, só pra citar outras três obras-primas do rock’n’roll que foram lançadas naquela época) e mais alguns discaços (aí entram tranquilamente na lista “Thirteen”, de 1993, e “Grand Prix”, editado em 1995). E nesses trabalhos todos, o procedimento musical da banda sempre se manteve inalterado, com ela brindando os fãs com as mais lindas canções power pop embebidas em violões plácidos ou em guitarras shoegazer.

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O novo disco dos escoceses do TFC: tiozões que ainda mandam um power guitar pop shoegazer empolgante

“Here”, nesse sentindo, não altera em nada a conduta musical do TFC. Tanto que o disco abre com a linda e empolgante “I’m In Love”, o primeiro single de trabalho do cd e com aquelas guitarras power pop sublimes e uma melodia encantadora dando suporte aos vocais suaves de Norman Black. Daí em diante o disco flui espetacularmente, seja em momentos mais “barulhentos” e acelerados (como em “This Air”ou na ultra radiofônica “Live In The Moment”), seja em músicas mais bucólicas, contemplativas e algo melancólicas – e aí ótimos exemplos são a igualmente belíssima “Hold On”, além de “The Darkest Part Of The Night” e “I Have Nothing More To Say”. Aliás os momentos mais calmos dominam o total de faixas do álbum e nem poderia ser diferente: os “adolescentes” do TFC estão todos na casa dos cinqüenta anos de idade e isso provoca uma desaceleração natural no trabalho composicional. Ainda assim é um disco que HUMILHA 95% da produção rock atual.

Pode não ser como nos tempos de glória de “Bandwagonesque”, e nem poderia ser (lá se vão vinte e cinco anos do lançamento da obra-prima do conjunto). Mas o Teenage Fanclub, parafraseando o título curto e simples de seu novo rebento (o primeiro álbum inédito deles em seis anos), está AQUI. Vivo, forte, fazendo o que sempre soube fazer muito bem (lindas canções power pop para embalar corações apaixonados ou solitários) e dando lição de qualidade musical às novas gerações rockers. Isso já é muito e traz mega alento aos ouvidos e à alma cinza dos fãs. E sim, é bom ter esses “velhinhos” de volta por aqui. Cheers!

 

Sendo que o blog lança nesse post a campanha: #TFCvoltaproBrasil!

 

 

O TRACK LIST DO NOVO DISCO DO TFC

1 I’m in Love 2:40

2 Thin Air 3:10

3 Hold On 3:25

4 The Darkest Part of the Night 3:15

5 I Have Nothing More to Say 4:16

6 I Was Beautiful When I Was Alive 4:44

7 The First Sight 5:07

8 Live in the Moment 3:03

9 Steady State 4:14

10 It’s a Sign 3:36

11 With You 3:57

12 Connected to Life 4:01

 

 

A BANDA AÍ EMBAIXO

No vídeo de “I’m In Love”, o primeiro single de “Here” e que abre o novo trabalho dos escoceses.

 

O NOVO ÁLBUM DO TFC NA ÍNTEGRA PARA AUDIÇÃO

Aí embaixo:

 

MINI DIÁRIO SENTIMENTAL – RECORDAÇÕES DE QUANDO O TFC TOCOU NO BRASIL, E QUANDO O POWER POP SHOEGAZER DA BANDA EMOCIONOU OS FÃS BRASILEIROS

  • O som do Teenage Fanclub entrou na vida do autor deste mini diário sentimental (e que há tempos não era publicado nestas linhas zappers) lá por 1991, quando a banda lançou a obra-prima “Bandwagonesque”. Zap’n’roll tinha então seus vinte e oito anos de idade, trampava na editoria de Cultura da revista IstoÉ e vivia “internado” nos finais de semana no inesquecível e saudoso Espaço Retrô, o muquifo indie mais lendário que já existiu na capital paulista e que ficava no bairro de Santa Cecília (região central da cidade). O então ainda jovem jornalista era amigão do igualmente saudoso DJ Toninho (um negão gigantesco e que só discotecava movido a quilos de cocaine, rsrs), um dos sujeitos mais antenados daquela época (e leia-se: uma época onde não existia internet, redes sociais, apps e nenhuma dessas merdas tecnológicas “mudernas”) e que torrava toda a sua grana basicamente em drogas e discos importados. Pois uma bela madrugada o negão começou a tocar na pista o single (em vinil importado) de “Star Sign”. Zap’n’roll ficou maluco quando ouviu aquele power pop shoegazer arrasa quarteirão. Foi paixão à primeira audição. Tempos depois a gravadora RCA lançou no Brasil a edição em vinil nacional do álbum “Bandwagonesque” (que também se tornou célebre por conta de sua capa, com um saco de um milhão de dólares desenhado nela) e mandou um exemplar dele pro jornalista rocker aqui. Daí pra frente o TFC se tornou um dos grupos mais queridos por Finaski e nunca mais saiu da nossa existência.

 

  • Mal sabia naquela época o blogger loker que, treze anos depois, em 2004, o TFC finalmente viria ao Brasil para shows. Foi em maio de 2004 e foi emocionante: três noites total LOTADAS na chopperia do SESC Pompeia, em São Paulo, de terça a quinta-feira. O zapper foi na primeira noite e a cada clássico despejado no palco, uma lágrima ameaçava escorrer dos olhos de todos que estavam ali. Sendo que o agora já quarentão jornalista sempre rock’n’roll havia feito uma matéria de CAPA com a banda, para a revista Dynamite, justamente por conta da vinda do grupo ao Brasil. A entrevista rolou por telefone com o vocalista e guitarrista Raymond McGinley (que foi mega simpático) e foi feita pela dupla Finatti e Bruninho Palma Fernandes. E tanto a matéria quanto a capa da revista ficaram… lindonas, rsrs.

 

  • Na quinta-feira à noite (quando rolou a gig derradeira do quarteto em Sampa), Zap’n’roll se mandou de busão pra Curitiba (acompanhado da sempre gatíssima, rocker e eterna amiga Taty Soldera), pra acompanhar o Curitiba Pop Festival, cujas atrações principais seriam o então retornado Pixies (após uma década de inatividade) e o… Teenage Fanclub novamente. E aconteceu de TUDO naquele festival, uia! Munido de uma credencial poderosa, o zapper rocker conseguiu assistir a gig do TFC do PALCO, ao lado da banda. Depois foi no camarim dos Pin Ups (que tinham sido reunidos pela produção do evento pra também tocar nele) e lá se entupiu de Jack Daniel’s com o ex-vocalista Luiz, que entrou total chumbado pra tocar. Não deuu outra: o show da banda foi um DESASTRE, rsrs. E não apenas pela lamentável situação etílica do vocalista mas também por conta do nervosismo geral que tomou conta do guitarrista Zé Antonio, da baixista Alê e do batera Marco Butcher. Foi talvez o ÚNICO show ruim dos Pin Ups que estas linhas online presenciaram em sua loooonga trajetória de convivência com a turma.

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Capa da revista Dynamite, edição de maio de 2004 (acima), que trazia matéria e entrevista com o Teenage Fanclub (abaixo), em texto assinado por Zap’n’roll e por Bruno Palma, antecipando como seriam os shows da banda no Brasil naquele ano

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  • Trêbado que estava e acabada a gig daquela noite no evento, o zapper sempre doidón não se intimidou com a capital paranaense (onde tinha amigos mas não conhecia absolutamente NADA por lá, ainda mais os locais onde se poderia obter dorgas ilícitas, hihihi) e partiu pra madrugada em busca de drugs, claaaaaro. Nessa busca algo frenética, ele teve a cia de um conhecido ex-casal rocker de Sampa, até hoje DJs e sócios de um dos mais badalados clubes de rock do baixo Augusta. Eles também tinha ido a Curitiba pra acompanhar o festival e lá tiveram o bom senso de alugar um carro, o que facilitou nossa empreitada. Após alguns contatos com conhecidos de lá e pesquisa do “terreno” (rsrs), todos encontraram o que queriam: o zapper, padê do bom; o casal, uma paranga bem fornida de marijuana. Fomos todos pro hotel onde o loki aqui estava hospedado, nos trancamos no quarto e enquanto o casal chapava o côco de beck o blogger loker esticava primorosas carreiras de pó branco em cima de uma mesinha, e o papo rolou solto até de manhã. Foi divertido, e como!

 

  • Sete anos depois, em maio de 2011, o Teenage Fanclub voltou novamente ao Brasil, para se apresentar em um evento bancado por uma marca de whisky. Em Sampalândia a gig aconteceu no clube The Week e mais uma vez ENTUPIU de fãs o local. E lá estava Finaski mais uma vez, na área vip (um mezanino na lateral do palco), bebendo talagadas de whisky e vibrando com o show. Foi quando aconteceu o lance total BIZARRO da noite: num dos intervalos entre as músicas algum maluco que estava na pista viu o jornalista (ainda bastante conhecido na indie scene naquela época, será que ainda somos hoje em dia? Rsrs) no mezanino, comentou com uma turma e logo começou um coro na pista: “Finaaaattiiii, Finaaaaattiiiii!”. Os músicos do TFC, como bem observou na época o assesssor de imprensa e amigão do blog Hugo Santos, não devem ter entendido absolutamente nada, hehehe.

 

  • O desejo que fica, agora que o grupo acabou de lançar um novo e bacaníssimo disco? VOLTA PRO BRASIL, TFC!

 

 

SABOTAGE, O RAPPER GÊNIO, CONTINUA VIVO E GIGANTE MESMO TREZE ANOS APÓS SUA MORTE

Quatro tiros nas costas calaram na manhã de 29 de janeiro de 2003 a voz do rapper paulistano Sabotage. Ele tinha 29 anos de idade, estava finalizando seu segundo disco – e que finalmente foi lançado, treze anos ser iniciado, na última segunda-feira, 17 de outubro – de estúdio e estava prestes a se tornar o nome mais importante do rap paulistano e nacional naquele momento. Sua voz potente, seus versos contundentes e suas rimas e métricas precisas, radiografando com olhar agudo as mazelas e desigualdades gigantescas de uma sociedade (a nossa) dividida, apodrecida e esfacelada (e que só piorou de lá pra cá) tornaram o “Maestro do Canão” (a favela onde ele nasceu, foi criado e viveu parte de sua vida, trabalhando para o crime e vendendo drogas na zona sul de Sampa antes de descobrir seu pendor artístico inigualável e abraçar o rap como forma de se expressar musicalmente, sendo que o blog esteve muitas vezes ali, no mesmo Canão, atrás de DROGAS e assumimos sem constrangimento ou vergonha esse período da nossa vida, isso há uns dez anos ou mais) um dos nomes de ponta do rap BR, ao lado dos Racionais MC’s. Tanto que Sabota foi elevado à categoria de gênio e sua curta produção musical continua como referência do estilo até hoje, mais de uma década após seu desaparecimento. Não à toa seu álbum póstumo que foi enfim lançado esta semana, já está sendo saudado como um dos principais acontecimentos do rap BR em muitos anos.

O autor destas linhas bloggers poppers nunca foi mega fã de rap. Mas jornalista musical que somos e estudioso das diversas vertentes que deambulam pela música na cultura pop, este Finaski acabou por se tornar um apreciador do gênero. Gostando demais, por exemplo, de “Raio X Brasil” (de 1993) e “Sobrevivendo no Inferno” (lançado em 1997), álbuns dos Racionais que transcenderam a barreira estilística e estética do rap para se tornar a representação sonora mais fiel da degradação do tecido social de um país (o Brasil) onde ricos e muito ricos acham que podem tudo, onde a classe média é estúpida e egoísta ao máximo (e ainda se acha pertencente a uma elite e a uma nação de primeiro mundo que na verdade só existe na cabeça de coxinhas imbecis), e onde pobres não têm vez e direito a nada. Simples assim.

E a obra (curta, vale sempre ressaltar, abortada que foi pela violência urbana sem controle e que há muito já transformou a vida nos grandes centros brasileiros em um autêntico inferno e em uma guerra civil já praticamente declarada) de Sabotage também ia pela mesma pegada, importância e impacto sonoro. Como o blog já disse em vezes anteriores: o rap acabou se tornando, de 25 anos pra cá, talvez a música pop de combate político e social que foi representada pelo punk no final dos anos 70’/início dos 80’.

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Capa do álbum póstumo do rapper Sabotage: já sério candidato a disco nacional de 2016

O álbum póstumo de Sabotage saiu enfim e finalmente na última segunda-feira, 17 de outubro. Com onze canções compostas pelo rapper (e que teve suas bases e vocais gravados por ele dias antes de ser cruel e friamente assassinado por um inimigo dos tempos em que o artista atuava no crime, gerenciando o tráfico de drogas na comunidade do Canão) foi assunto principal em tudo quanto é site (musical ou não) que importa. O disco é fodíssimo: além de possuir letras estupendas e acachapantes e que desvelam todo o talento poético de Sabota para radiografar com olhar ácido e agudo as mazelas que dominam ubiquamente a sociedade brasileira desde sempre, ele ainda recebeu acabamento impressionante ao longo dos últimos treze anos. A turma do coletivo Instituto, que produziu e finalizou a obra (um trabalho minucioso e de artesão e que ainda conta com participações especialíssimas da cantora Céu e de rappers como Dexter e BNegão), soube construir a moldura sonora perfeita para cada canção, como a inclusão de violões no refrão e condução da faixa “Respeito é Lei”, ou ainda a ambiência moderníssima de samba que permeia toda a melodia de “Maloca é Maré”, tudo isso realçando a potência dos versos e da inflexão vocal personalíssima do rapper.

Já tem nosso voto para álbum do ano (principalmente em um momento em que o indie rock nacional, salvo honrosas exceções, está irrelevante e sem nada a dizer aos ouvintes) e se vivo estivesse, Sabotage iria se orgulhar muito dele. E Mauro Mateus dos Santos (o nome de batismo de Sabotage) se foi mas sua obra musical está aí (além de sua participação como ator em filmes como “O Invasor” e “Carandiru”), imune à ação do tempo. Aliás ela nunca foi tão atual quanto agora nesse nosso pobre Brasil… o país “do futuro” que JAMAIS chegou aqui – e que pelo jeito nunca irá chegar.

 

 

PARA OUVIR O DISCO PÓSTUMO E INÉDITO DE SABOTAGE

Vai aí embaixo, no Spotify e no YouTube.

 

DUAS LETRAS DO ÁLBUM

“Canão foi tão bom”

 

Canão foi tão bom, poder falar pro dom

Que aprendi com o jão como obter mais alegria

Cara, sempre informação, sangue puro e bom

Pras drogas basta um simples não, o dom da opinião

A vida é a sua cara, eu me dou bem no som

Na raça, um espectrom, quem sai do rojão

É, tio, sem drama, face a face com o subúrbio

O mandarim, Sabote, o Maurin, o núcleo

Registra e mete a cara, jamais a ideologia falha

Ganha a quem produz um som de jão pros tio, né Ganja?

Falar podre do bairro onde eu nasci, que agradei, pá

A mesma viatura pra enquadrar, lembrar das mina

Mulher, vocês são lindas, vós periferia

A criançada agita, pula amarelinha

aguila gira, ciranda cirandinha é muita treta

Talvez melhor que um menas treta

 

Brooklyn, o que será de ti? Regar a paz, eu vim

Jesus já foi assim, brigas traz intrigas, ai de mim

Se não tolin, zé povim quer meu fim

Se esperar, apodrece, se decompõe

Se a gente faz, corre atrás, pede a paz, eles esquecem

Sempre assim, crocodilo hoje só rasteja em solo fértil

 

Crime, ouro, dólar, bola fora, esquece

Os vermes eleitos querem, seus votos, preferem

Paralisia infantil no morro, cresce

Ele observe, o crime impede, tu confere

A mãe, o pivete, sujeito mais que pé de breque

Se eu to com frio, fome, fúria, trombo, clique-clack

Sei que eles doam, mas não pros morros, pra Unicef

Pobres esquecem, a mãe maior nos aparece e pede

O fim maior está tão breve, filho então que reze

Anda ló, vejo na maló, ó só, ainda mais pobre do que eu

Ai, que dó

Na parte de cima, Morro da Macumba, Catarina

Sem estudo, liga. Criança coroinha

O medo, vejo se aproxima

Às vezes não tem nem pista, veja só que fita

Ele desceu da lotação, sofreu chacina

No bolso uma anistia, de botucão, beck do bom

Um beck muito louco e a maldita, a heroína

A tal da bomba da Hiroshima

Aqui se faz o fim pra periferia

Melhor jogar pra cima que tomar

Tio, vou falar, delito óbvio

Sangue, suor, amor e ódio, roubada

Se não ter fé, tio, se tranca em casa

Não saia, ligue a Tv, talvez você vai ver

Pode crê, me vê num outdoor

Querem me pegar pra ló, vê se pó-

De menor problema saiba até maló

Dou valor pros fó

Ter dó de quem vem se arriscar na vida bandida

O custo de vida dá laço sem nó

Lembra a vó, ó, dá mó dó

Criança na periferia vive sem estudo e só

A mercê da mó, tio, tuisabó

Do mandarim de vol-

Ta pra rima, voz bem lá em cima, essa é a sina

Destino indica a correria de um homem

Alternativa pra criança aprender basta que ensina

Essa é a verdade, criança aprende cedo a ter caráter

A distinguir sua classe, estude, marque

Seja um Martin, às vezes um Luther King, um Sabotage

 

Brooklyn, o que será de ti? Regar a paz, eu vim

Jesus já foi assim, brigas traz intrigas, ai de mim

Se não tolin, zé povim quer meu fim

Se esperar, apodrece, se decompõe

Se a gente faz, corre atrás, pede a paz, eles esquecem

Sempre assim, crocodilo hoje só rasteja em solo fértil

 

“Respeito é Lei”

 

Respeito é lei, eu sei, também

Sempre respeitei, aqui

Brooklin meu lugar, enfim

Águas espraiadas, biquinha, catarina, eu vi

Itapevi, pirituba, mangue, várias quebradas, enfim

Arapuá, heliópolis, é nós na ativa, então, chego assim

Paraisópolis, cachorro louco sempre tem, ali

Cachorro magro, porém sensato

Vejo no brooklin, brooklin

Tô chegando e vou cantando, assim, assim

E… Amigo é coisa, assim, pra se guardar

Que eu vi, que eu vi, que eu vi

 

Aí, ladrão

Demorou, o showman, ninguém me envolve, ninguém

Mas logo sou bem, ei, tô, também, e sou do brooklin

Quem tenta me tirar do rango, enfrenta enxame e o trem

Então, vai, tudo okay, quem errou, passa a vez, ei

Amigo meu, quem? Nada soube de um rei

É o podrão, a máfia, oh, please

Aqui, me paga, trouxe, pois é

Vacilou feio, meio, o clone, o jé e o beck

Ô, zeca, quem dera! Tem samba toda sexta

Tem mais, você conhece o vai-vai, curto essa festa

Carlinhos, presidente, a bela vista vai tremer

Ensaia e lê o samba enrê, os manos aplaudem em pé

Demorou, quem viu

Quem ontem viu, quer ver, hoje

Na paz, tão feliz, pôr a paz, o clima é o monge

O terror vem do céu, mano, como foi cruel!

E arreck-cléu, click-cléu, o povo é um alvo do fel

Quem fez não quer ser réu, se esconde pra não aglomerar

Porque é o remédio dessa fé que não pode acabar

 

Respeito é lei, eu sei, também

Sempre respeitei, aqui

Respeito é lei, eu sei, também

Brooklin, meu lugar, enfim

 

Depois não vem, que não tem, coca não é rapé

Eu sei qual é que é, tem loque que se move a ponta-pé

A minha cara, aqui, se quer passar a mensagem

Mas pode ver que o style de malandro é com khakis

Sou sabotage, sou anti-bala, estilo gângster

Quem tenta me tirar do rango, enfrenta enxame e “o trem”

Atende, aí, fê, pergunta quem

Quem vacilou, plêi-plêi! Moscou, não tem ninguém

Um, dois, três, inspirado em freeman

Cheguei, regressei, ha! Não vivo assim

Eu vivo de realidade, sou sabotage, não tenho imagem, ha

A minha levada é segura, filha da puta

Zona sul não muda o rá-tá-tá, esse é o som

Celo x apoia, é tipo na quebrada, me lembro, emboscada

Fazendo suas performances, fazendo seus ajustes, rajada

Bem assim, fazendo o certo, mais aplicado

Tipo, mandando recado, parceiro bem atentado

Vou chegar

 

Respeito é lei, eu sei, também

Sempre respeitei, aqui

Brooklin, meu lugar, enfim

Águas espraiadas, biquinha, catarina, eu vi

Itapevi, pirituba, mangue, várias quebradas, enfim

Arapuá, heliópolis, é nóis na ativa, então, chego, assim

Paraisópolis, cachorro louco sempre tem, ali

Cachorro magro, porém sensato

Vejo no brooklin, brooklin

Tô chegando e vou cantando, assim, assim

E… Amigo é coisa, assim, pra se guardar

Que eu vi, que eu vi, que eu vi

 

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Nesse post orgulhosamente apresentando:

  • RIOS VOADORES – essa turma incrível surgiu em Brasília há três anos. E bebeu nas melhores fontes e influências possíveis: rock psicodélico sessentista com direito a fartas doses de Mutantes, Arnaldo Baptista, Rita Lee e toda a MPB classuda daquela década. Vai daí que o álbum de estréia do quinteto formado pela lindinha bonequinha Gaivota Naves (vocais, letras), por Marcelo Moura (guitarras, vocais), Tarso Jones (teclados, vocais), Beto Ramos (baixo) e Hélio Miranda (bateria) e lançado há pouco, é um discaço de onze faixas cuja sonoridade transborda tudo o que foi citado aí em cima. Por certo o pessoal da Rios Voadores fumou muuuuuita marijuana (ótimo!) e tomou bastanta ácido (melhor ainda!) para engendrar composições e soluções musicais e melódicas que chapam o ouvinte já na primeira audição. Há rocks poderosos no álbum (que foi gravado em Porto Alegre e lançado não apenas em formato digital mas também físico, no bom e velho vinil), como “Sumiço”, “A diferença” e “Calejado”. Há emulações (no ótimo sentido) de valsa (como em “Praça Central”, com direito a uma sanfona adornando o instrumental da música) e jazz (“Freak Lady”) e duas baladas viajandonas envoltas em psicodelia intensa e belíssima (“Música do Cais” e “Insônia”) e que possuem letras muito acima da média do que se ouve atualmente no indigente rock independente nacional. Junte-se a tudo isso uma ótima vocalista e ótimos músicos e pronto: a estréia em disco da RV já é seria candidata a melhor disco de rock nacional de 2016. Interessou? Vai aqui pra saber mais sobre a banda: https://www.facebook.com/bandariosvoadores/. E sendo que o álbum de estréia pode ser escutado aí embaixo:

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De Brasília, a Rios Voadores exibe orgulhosa seu disco de estréia

 

  • VERÔNICA DECIDE MORRER – Fortaleza, capital do Ceará, mantém a tradição de sempre possuir uma cena rocker independente bacanuda e que vive se renovando. De lá já vieram O Jardim Das Horas, Daniel Groove, Jonatan Doll & Os Garotos Solventes, entre outros. E agora a bola da vez é o quarteto Verônica Decide Morrer, que existe há seis anos e atualmente fixou residência em Sampa. Verônica Valentino (uma bichaça louca e total rock’n’roll? Um travecão rocker alucicrazy? Tudo isso junto?) e Jonaz Sampaio nos vocais, Léo Breedlove nas guitarras e Vladya Mendes na bateria resgatam o punk e o garage glam rock setentista sem nenhum pudor, com melodias dançantes, guitarras em brasa e letras total ácidas e escrachadas que buscam tirar o rock brazuca da gigantesca caretice (bem de acordo com o neo conservadorismo que domina a raça humana) na qual ele está mergulhado. Para isso nada melhor do que reeditar a fase mais louca, alucinada e repleta de putaria da história do rock’n’roll e que foi justamente o glam rock de David Bowie, de Marc Bolan e dos New York Dolls. É o que você vai encontrar em músicas (atenção para os títulos!) como “Testemunha de Trava”, “Lady Cromada” ou “Bicha Invejosa”, uia! Mais sobre o grupo você encontra aqui: https://www.facebook.com/veronicadecidemorrerr/. E pra ouvir o esporro rocker que eles detonam, vai no link aí embaixo.

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

  • Disco: o novo do Teenage Fanclub, alguma dúvida?

 

  • Mostra Internacional de Cinema de São Paulo: em sua quadragésima edição uma das maiores mostras cinematográficas do mundo continua dominando as atenções do circuito cultural da capital paulista. E se você ainda não foi em nenhuma sessão, dá tempo: a mostra rola até o próximo dia 2 de novembro, há várias salas exibindo muitos filmes na faixa e tudo sobre o evento pode ser conferido aqui: http://40.mostra.org/br/home/.

 

  • Baladas, poucas baladas… yep, nada muito digno de nota para este finde, sendo que muitas casas noturnas vão centrar fogo em festas de Halloween. De qualquer forma vai ter show bacana neste sábado à tarde (leia-se amanhã, 29 de outubro, já que o blogão está sendo finalmente concluído na sextona em si) com bandas do Norte brasileiro, como Los Porongas e Kali. Rola no espaço Submundo 177 (e que fica na rua Capitão Cavalcanti, 177, Vila Mariana, zona sul de Sampa) e todas as infos sobre a gig você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/1113383305425985/. ///E no domingão tem sempre a fervida noitada rocker Grind na Loca (rua Frei Caneca, 916, Consolação, centro de São Paulo), já um clássico da noite paulistana comandado há dezoito anos pelo super DJ André Pomba. Diversão garantida! Cola lá e se joga na pista!

 

 

FIM PAPO, FINALMENTE!

O postão está enfim concluído. E foi finalizado em uma semana absolutamente infernal na vida do blogger loker rocker autor destas linhas virtuais. Deve ser o tal inferno astral que existe (ao que parece) pra valer, já que estamos a menos de um mês de comemorarmos mais um aninho de vida. Enfim, foram tretas e mais tretas e conseguimos sobreviver a elas graças ao help de amigos de VERDADE e mega queridos por Zap’n’roll, sempre! Então nos despedimos deixando beijos e abraços pra Eliana Martins, pra lindaaaaa loiraça Michelle Martins, pro queridão mineiro João Carvalho e pro nosso advogado rock’n’roll Weber Abraão Jr. Ter amigos como vocês e poder contar com eles faz toda a diferença na vida de uma pessoa. Valeu de coração pela força, dears!

Semana que vem estamos por aqui novamente. Até lá!

 

(atualizado, ampliado e finalizado por por Finatti em 28/10/2016, às 16hs.)

Em um tempo e em um mundo que aparenta estar no fim algo triste de sua história (em função do neo conservadorismo e da selvageria bestial que dominou a raça humana), o blog zapper fica mega contente com o fato de o gênio imortal Bob Dylan ter ganho o prêmio Nobel de literatura deste ano; e com a alma menos cinza por conta disso vamos preparando o postão da semana que vem, quando iremos falar da REAL e bacana cena indie (e não aquela que é mostrada diariamente pelo “vizinho” Pobreloa…, ops, Popload) e dos discos de estreia das bandas Rios Voadores e Veronica Decide Morrer

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O gênio GIGANTE da história da música: agora tanbém dono de um prêmio Nobel de literatura

 

Yep, mini post especial.

E apenas pra demonstrar a alegria de Zap’n’roll com o fato de o gigante da história da cultura pop, mr. Robert Allen Zimmerman, aliás BOB DYLAN, ter ganho ontem o prêmio Nobel de literatura de 2016.

Yep, todo mundo já soube, já leu, já comentou. Mas estas linhas bloggers rockers também precisavam comentar algo, claro. Afinal a escolha do Nobel provocou comoção, espanto, discussão e controvérsia mundão afora. Dylan mereceu a premiação? Ele é músico ou poeta? E, afinal, o que pode ser considerado LITERATURA na música e MÚSICA na palavra escrita?

Uma discussão quase irrelevante em se tratando de Bob Dylan, é o que pensa o autor destas linhas virtuais. O setentão Bob é o responsável pela criação de alguns dos momentos poéticos mais SUBLIMES da história da música (seja no rock, na folk music, no que for). E a qualidade gigante de versos como os que estão em “Blowin’ In The Wind” ou em “Like A Rolling Stone”, além de álbuns como “Blonde On Blonde” ou “Highway 61 Revisited” (apenas para ficar em pouquíssimos exemplos de uma obra magna e que abarca mais de três dezenas de discos completos) o coloca no mesmo patamar de gênios da literatura como Jack Kerouac, Walt Whitman, William Blake ou Dylan Thomas. Simples assim.

Curiosamente Dylan publicou de fato poucos LIVROS. E seu romance de estréia, “Tarantula”, que o então jovem e futuro jornalista leu há quase trinta anos (lá por 1986), não traduz a genialidade que o menestreal mostrava (e mostra) em suas canções. É uma ficção bastante confusa e com roteiro truncado.

Mas nada disso importa – nem o fato de estas linhas rockers terem assistido um único show de Bob Dylan ao longo de nossa trajetória jornalística, em janeiro de 1990 no festival Hollywood Rock, no estádio do Morumbi em São Paulo. O que importa, nesse momento, é isso: a humanidade pode estar no fim de sua história e não há mais heróis nela. Mas Bob Dylan ainda é um desses talvez últimos heróis. E um herói particular para Zap’n’roll. E por isso o blog se sente com a alma menos cinza ao saber que Bob Zimmerman agora também tem um premio Nobel de literatura.

Parabéns, velho! Você mereceu!

 

  • Ah sim: o show dele em 1990 foi PA VO RO SO de tão ruim. O então já cinqüentão músico entrou de péssimo humor no palco. Passou a gig desconstruindo totalmente suas canções, causando debandada no público que estava no Morumba. O blog ficou até o fim, mas saiu de lá mega decepcionado. E ninguém que estava ali naquela noite entendeu alguma coisa. Curiosamente depois disso Dylan voltou algumas vezes para shows no Brasil. E o blog nunca mais conseguiu assistir o menestrel ao vivo.

 

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Semana que vem: postão inédito de volta, falando da cena indie nacional que de fato vale a pena – e não é essa “ilha da fantasia” que o nosso pobre blog vizinho vive publicando, hihihi.

 

(enviado por Finatti às 16:30hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL! (falando dos shows da VELHARIA rock’n’roll que estão a caminho do Brasil, além do roteiro de baladas e dicas culturais do blogão) – Às vésperas da eleição 2016 (que acontece nesse domingo, quando o Brasil elege seus novos prefeitos e vereadores) o país TOTAL VIRA LATA revela a face mais FASCISTA, OGRA, REACIONÁRIA, INTOLERANTE e BESTIAL de uma sociedade e de um eleitorado que está mais IGNORANTE do que nunca; por isso mesmo o blog zapper fala dos vinte anos (que se completam agora, em 11 de outubro) da morte do inesquecível gênio Renato Russo, que marcou para sempre o rock brasileiro com sua poesia e sua intensa contestação política; e mais: o line up do Lollapalooza BR 2017; a REAL CENA INDIE NACIONAL (e não aquela criada pela “ilha da fantasia indie” de um certo blog “vizinho”), mostrada em um sensacional documentário; o blogão também político entrevista André Pomba, nosso candidato a vereador em Sampa; e mais zilhões de indicações de discos (como o novo das meninas do Warpaint e também do grupo paulistano Fábrica de Animais), shows, livros e baladas no roteiro cultural do blog que é campeão quando o assunto é cultura pop e rock alternativo (postão TOTALMENTE CONCLUÍDO, com ampliação final em 7/10/2016)

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O grande, clássico e inesquecível rock’n’roll da saudosa Legião Urbana (acima) é relembrado em histórias exclusivas nesse post, em homenagem aos vinte anos da morte de Renato Russo; mas o blogão também fala do novo rock planetário que ainda importa, resenhando o novo disco das garotas do Warpaint (abaixo)

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ÚLTIMAS DAS ÚLTIMAS, FECHANDO O POSTÃO

  • Abriram as portas de algum ASILO do rock’n’roll e um bando de VELHÕES vai aportar em terras brazucas até o final do ano e também em 2017. O já gagá Aerosmith e que toca no país ainda este mês, foi anunciado como uma das “novas” atrações do Rock In Rio 2017 – ou seja: as turnês caça níqueis por aqui agora são ANUAIS e na cara larga, uia! Fala sério…

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Eles já estão gagás, e tocam aqui este mês e ano que vem, no Rock In Rio 2017; pelamor…

  • Vai ter também New Order dia 1 de dezembro na capital paulista. Show único no Brasil. Ok, o último disco de estúdio deles, “Music Complete”, é muito bom. Mas ao vivo a banda já está CAIDAÇA há anos. Então essas linhas rockers online batem uma APOSTA como a gig do ex-baixista Peter Hook vai ser mais legal do que o show do NO. Peter toca dia 6 de dezembro, também em Sampa.

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O New Order (à esquerda) e o ex-baixista Peter Hook (à direita): os dois se apresentam em São Paulo em dezembro

  • E amanhã, sabadão em si, tem o Popload Festival, com Wilco e Libertines a infelizmente preços MEGA EXTORSIVOS. O blog não vai no evento (pois JAMAIS iria pagar o que estão cobrando pelos tickets), mas já escalou a queridona Tatiana Pereira para resenhar as gigs pra este espaço rocker blogger. Mas só de curiosidade, e a pergunta vai pro nosso prezado dear Luscious R.: os 8 mil ingressos já se esgotaram? Ou estão SOBRANDO e terão que ser QUEIMADOS na última hora?

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Tem Libertines (foto) e Wilco amanhã em Sampa; pena que o ingresso pra ver os dois seja um autêntico ASSALTO A MÃO ARMADA

  • Que beleza, hein! Outra banda “sensação” da “ilha da fanasia indie” que é o nosso blog “vizinho” (o Pobrel…, ops, Popload, hihi), o inútil Bonde Do Rolê, acaba de ter um SEGREDO revelado: um de seus fundadores também é um dos fundadores do direitista e reacionário Movimento Brasil Livre (o detestável MBL). Oxe, será que Luscious R. também está se tornando um jornalista musical de DIREITA e reaça? Será???

 

  • Fim de transmissão. Semana que vem tem mais!

 

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A RUÍNA DO PT E A LIÇÃO QUE A ELEIÇÃO DO ÚLTIMO DOMINGO NOS DEIXA

O autor deste blog nunca foi petista de carteirinha, mas durante anos simpatizeou muito com o partido e com muitos de seus quadros. Votou em Lula, votou em Dilma (assume sem o menor constrangimento mas com algum arrependimento, principalmente na sua reeleição já que seu segundo mandato foi mesmo um desastre). Sempre amou o velhinho do coração de todos nós, o gigante (na moral e ética irrepreensíveis) Eduardo Suplicy (um dos políticos mais DIGNOS da imunda política brasileira; não por acaso ele acaba de se eleger como o vereador mais votado dessas eleições na capital paulista). Continua sendo fã do infelizmente derrotado Fernando Haddad e também DETESTA muita gente no petismo (Zé Dirceu, por exemplo).

Mas as eleições do último domingo deixam um recado INEQUÍVOCO ao PT: o partido está ARRUINADO, e por sua própria culpa (não à toa quadros históricos e ultra honrados do petismo, como Luiza Erundina, foram abandonando a legenda ao longo dos anos e quanto mais ela se distanciava dos princípios que nortearam sua fundação). Ele se tornou apenas mais um partido igual a todos os outros e a tudo que ele combatia na política – corrupção, bandidagem, pilantragem, roubo na cara larga. Sim, ainda há muita gente digna e honesta ali, mas não dá pra negar que o petismo se transformou num antro de ratazanas graúdas e que se locupletaram quando assumiram o poder e o controle da maquina pública.

Deu no que deu: Haddad derrotado em São Paulo. Os candidatos do partido FORA de quase todas as disputas de segundo turno nas capitais brasileiras (exceções: Rio Branco, no Acre, onde o candidato do partido já levou no primeiro turno, e em Recife, onde o PT está no segundo turno) e por aí vai. Tudo já seria bastante digno de tristeza mas a GRANDE TRAGÉDIA petista ainda produziu mais um efeito DESASTROSO na política: a ruína petista ainda deu combustível para que as forças políticas de direita, reacionárias e conservadoras ao máximo (bem ao gosto do grosso da sociedade brasileira atual) AVANÇASSEM COM TUDO nessas eleições – o Fantástico da Rede GOLPE de televisão  informou (em matéria feita por Roberto Kovalic, um ótimo repórter diga-se) que o PT é o grande derrotado dessas eleições. E os grandes vencedores são os lastimáveis PSDBosta e PMDBosta, dois partidos ainda mais BANDIDOS e quadrilheiros do que o petismo. Só que o PSDB, hoje partido quase de direita (e que também não tem mais nada a ver com os princípios que nortearam a sua fundação) e adotado pela elite suja e egoísta desse país, pode roubar à vontade pois ele conta com a benevolência de parte das instituições jurídicas brasileiras (setores do MPF e dos MPEs, da PGR, da PF e eventualmente até do STF e do STE, né Gilmar Mendes e Sergio Moro). E conta com TOTAL APOIO das grandes corporações de mídia – a FALHA de São Paulo só faltou estampar uma tarja em suas capas ao longo da campanha, dizendo ao leitor: “votem em João Escória, a Folha garante!”.

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E enquanto o PT naufraga sem dó, a esquerda mais à esquerda avança – olha lá o pequeno PSOL (hj muito mais ético do que o atual PT e com nomes bacaníssimos em sua legenda, como a própria Erundina e também Marcelo Freixo, Chico Alencar etc.) disputando o segundo turno no Rio De Janeiro e em Belém, aliás os eleitores dessas duas capitais estão de parabéns por colocar o partido no segundo turno, dando uma LIÇÃO DE INTELIGÊNCIA POLÍTICA ao total conservador e ignorante eleitor paulistano.

Infelizmente é isso. Não há mais saída para o PT. Ele precisa ser IMPLODIDO e REFUNDADO. E com urgência.

 

Adendo: Fernando Haddad cometeu erros e equívocos em sua gestão, sem dúvida – ele é humano e, como tal, falível. Mas seus acertos foram muito maiores do que os erros. Fez uma gestão quase VISIONÁRIA e que daqui a muitos anos, se houver justiça, será reconhecida e terá enfim seu valor admitido.

 

A GIG FODÍSSIMA DO GRUPO HARRY NO ÚLTIMO SÁBADO EM SAMPA

Yep, o combo electro rock do vocalista Johnny Hansen se apresentou no último sábado em Sampa, na Clash Club. Era a gig de lançamento de “Electric Fairy Tales”, a versão rocker do disco lançado pela banda em 1988, e que se tornou um dos marcos do indie rock nacional quando ele acontecia sem a ajuda de redes sociais, de apps, de internet e celulares (já que não havia nada disso). Uma cena fodíssima (e não essa droga atual, que só é incenssada na “ilha da fantasia indie” criada por dear Luscious Ribeiro em seu blog também fantasia, o Popload) e um banda (o Harry) que estava tão à frente do seu tempo que seu som permenece moderníssimo até os dias atuais.

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Hansen (acima), guitarrista e vocalista do grupo Harry (abaixo) comanda o esporro rock eletrônico da banda, no último sábado na capital paulista

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O set foi porrada (com guitarras em chamas, a cargo do “véio” Hansen) e empolgante, fazendo o público pular e dançar com gosto – e foi bem mais gente na Clash do que estas linhas bloggers imaginaram que iria.

 

Valeu, Harry! Que a banda permaneça assim por mais três décadas, hehe.

 

(as fotos, ótimas, que ilustram este texto são de Jairo Lavia)

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O país bestial e total vira lata e as eleições deste domingo.

São os temas que dominam as atenções de todos (nos noticiários dos veículos de mídia, impressos, eletrônicos, digitais, em revistas, jornais, TVs, rádios, sites, blogs etc, etc.) esta semana. Nem poderia ser diferente, com a eleição para novos prefeitos e vereadores batendo à nossa porta – ela acontece amanhã (a primeira parte do novo postão de Zap’n’roll está entrando no ar já na tarde do sabadão) em todo o Brasil. Fora que os acontecimentos das últimas semanas e o quadro político, econômico e social mega tenebroso reinante no país nesse momento praticamente obriga o blog a falar muito em política por aqui, mesmo sendo este um espaço virtual eminentemente dedicado a cultura pop e ao rock alternativo já há mais de treze anos ininterruptos. Pois de semanas pra cá o Brasil assiste algo estupefato a uma série de eventos bastante aterradores: os crimes de conotação política que já mataram mais de vinte candidatos por todo o país nos últimos meses (transformando a terra brasilis num autêntico faroeste caboclo), o avanço da violência social, o aprofundamento da crise econômica (e que nesta semana totalizou doze milhões de desempregados no país) e, muito por conta disso tudo, o AVANÇO das candidaturas políticas ultra conservadoras e de direita – não à toa, quem está melhor colocado nas pesquisas de intenção de voto nas duas maiores cidades do país (São Paulo e Rio De Janeiro) são nomes como bispo Crivella (evangélico e pertencente ao nanico e escroque PRB, no Rio) e João Doria e Celso Russomano (em Sampa). E não à toa TAMBÉM o Tribunal de Justiça de São Paulo anulou na última semana a sentença que condenava setenta e quatro PMs paulistas pela matança ocorrida no tristemente célebre massacre do Carandiru, ocorrido em 1992. É como se a (in) Justiça brasileira OFICIALIZASSE o “bandido bom é bandido MORTO” e concedesse licença OFICIAL para a polícia MATAR indiscriminadamente. Diante desse quadro tão tenebroso vale lembrar da pergunta/exclamação que o gênio Renato Russo já havia feito quase trinta anos atrás à frente da inesquecível Legião Urbana: “QUE PAÍS É ESSE???”. Russo se foi há exatos vinte anos (que serão completados no próximo dia 11 de outubro, quando este post ainda estará no ar) e por isso ele e sua obra musical é um dos destaques do postão que você começa a ler agora. Um postão sendo publicado na véspera de mais uma eleição e onde as perspectivas de mudanças na política e na sociedade brasileira parecem cada vez mais sombrias e/ou remotas. Está na hora, de verdade, de todos nós fazermos uma reflexão profunda sobre o que queremos de fato para nós (como cidadãos) e para o país. E se estas linhas rockers online puderem ajudar nessa reflexão, ótimo. Do jeito que a situação está é que não pode ficar. Então bora começar a leitura de mais um post zapper, sempre do lado do seu dileto leitorado.

 

 

  • O blog já declarou publicamente seu voto para as eleições de amanhã, domingo. Nosso candidato a vereador em Sampa é o DJ e agitador/produtor cultural André Pomba, com quem Zap’n’roll bateu um papo essa semana e cujo resumo desse papo você lê mais aí embaixo, nesse mesmo post. Para prefeito no primeiro turno: Luiza Erundina ou Fernando Haddad (iremos decidir amanhã, após verificarmos as últimas pesquisas de intenção de voto). E estas linhas bloggers fazem o apelo aos seus leitores: NÃO DESPERDICE SEU VOTO AMANHÃ!

 

 

  • E já indo pro rrrrrock nas notas iniciais (que a correria tá grande por aqui, em pleno sabadão), o destaque da semana que está chegando ao fim foi mesmo o anúncio do line up do festival Lollapalooza BR em sua edição vindoura de 2017 (rola nos dias 25 e 26 de março em São Paulo, no autódromo de Interlagos). O que já era esperado foi oficializado pela produção do evento: o insuportável Merdallica é o headliner do festival. Mas também vai ter The Strokes (eba!), Duran Duran (novamente: eba!) e The XX (wow!) entre outros (veja o quadro aí embaixo). Como sempre o esquadrão intermediário de atrações será duro de engolir/assistir mas ao que parece o Lolla BR 2017 está um tiquinho melhor do que as duas últimas edições. Já o preço dos ingressos não mudou nada: continua um ASSALTO à mão armada ao bolso dos fãs.

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O line up da edição 2017 do Lollapalooza BR (acima): os Strokes (abaixo) voltam ao Brasil e são uma das atrações do festival

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  • Quem também está promovendo assalto ao bolso do fã de rock é o Popload Festival. Não custa lembrar: para ver Wilco, Libertines etc semana que vem em Sampa (sábado, dia 8 de outubro) quem se interessar terá que desembolsar até quase 800 pilas por um ticket (da famigerada pista vip, antes tão combatida pelo prezado jornalista Lúcio Ribeiro, um dos produtores do festival). Não só: o evento perdeu o show da banda americana Battles (que desistiu de vir e na real não vai fazer falta alguma) e, pior, causou irritação nos fãs do Wilco devido a enooooorme confusão que foi a venda online ontem dos ingressos para o show extra a preços populares (vinte dinheiros) que o grupo americano faz no dia 9 (domingo) no auditório Ibirapuera. Vai mal o Popload festival desse jeito…

 

 

  • Aí vem aquela notícia redentora para a galera indie rocker e fã do graaaaande e saudoso Sonic Youth: a ex-baixista da banda, a deusa e musa loira Kim Gordon, vai fazer duas gigs neste mês em Sampa, nos dias 21 e 22 de outubro no SESC Pinheiros. Preço do ingresso: suaves sessenta pratas.

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Zap’n’roll ao lado da musa, deusa loira e baixista Kim Gordon, no backstage do festival Claro Que É Rock, em novembro de 2005 em Sampa, ao final da gig do Sonic Youth no evento; Kim se apresenta novamente na capital paulista no final desse mês

  • Pois então: se um show da Kim Gordon numa unidade do SESC pode custar apenas sessenta mangos pro bolso de quem quiser ir, vem a pergunta que não quer calar: por que tanto o Lollapalooza BR quanto o Popload Festival precisam cobrar quase MIL REAIS por um ÚNICO ingresso? Hein???

 

 

  • Bien, vamos nessa. Novo postão zapper entrando a toque de caixa no ar, com sua primeira parte. Calma que vai vir muito mais por aqui ao longo da semana vindoura, inclusive nas notas iniciais que irão sendo atualizadas e ampliadas caso algo relevante mereça ser comentado aqui. Mas por enquanto vamos direto aí embaixo, quando relembramos com histórias inéditas de bastidores os vinte anos sem Renato Russo, o gênio que criou e cantou à frente do gigante Legião Urbana.

 

 

11 DE OUTUBRO DE 1996 – HÁ VINTE ANOS O ROCK BR DOS 80’ PERDIA SEU GÊNIO MAIOR, RENATO RUSSO

(E ZAP’N’ROLL ESTAVA LÁ NO OLHO DO FURACÃO, ACOMPANHANDO TODA A TRAJETÓRIA DA INESQUECÍVEL LEGIÃO URBANA)

Renato Manfredini Jr., ou Renato Russo, fundador e vocalista do grupo brasiliense Legião Urbana, tinha trinta e seis anos de idade quando morreu (em decorrência de complicações causadas pela AIDS) há vinte anos, em 11 de outubro de 1996. A Legião então já existia há quase quinze anos e havia se tornado a maior banda do rock BR dos anos 80’, com discos clássicos em sua discografia, milhões de cópias vendidas de seus álbuns e uma legião gigantesca de fãs espalhados por todo o país. E Zap’n’roll acompanhou muito de perto toda a trajetória da banda de Russo, Renato Rocha (o baixista Billy, também já falecido), Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá.

O que o blog viu, ouviu e viveu ao som da Legião Urbana? Isso daria um LIVRO aqui, de umas 200 páginas mais ou menos. De 1982 a 1994 o autor destas linhas bloggers rockers assistiu a exatamente DEZ SHOWS do grupo. O primeiro, em alguma noite do segundo semestre de 1982, num buraco chamado Napalm e que ficava na rua Marquês de Itú, no centrão de São Paulo. Era um muquifo pós-punk pré-Madame Satã e numa noite a Legião tocou lá. Ainda com Renato Russo tocando baixo e cantando (Renato Rocha, o negão, entraria no conjunto um ano depois). Não havia mais do que 50 pessoas ali e Finaski era uma delas. Três anos depois, em 1985, lá estava o futuro jornalista na Devil Discos, na Galeria do Rock (centro de São Paulo), comprando o primeiro disco do grupo, “Legião Urbana”, aquele de capa branca e apenas com uma foto p&b da banda na frente e verso da capa. Zap’n’roll era BANCÁRIO (imaginem… duramos menos de um ano na profissão), tinha deixado de ser punk (foi durante 4 anos) e aquele disco de capa branca do quarteto de Brasília possuía algumas das melhores músicas que já tínhamos ouvido na vida no então nascente rock BR dos anos 80’.

Pouco mais de um ano depois (em meados de 1986) o jovem zapper acabara de estrear como jornalista profissional numa revisteca chamada Rock Stars, e começou a ganhar CONVITES e credenciamentos para ir a shows. Foi quando finalmente viu a Legião pela segunda vez em um palco: foi num sábado à noite, no SALÃO DE FESTAS do Palmeiras (não, não foi no estádio). Aí já havia umas mil pessoas ali pois além de as músicas da Legião estarem tocando nas rádios, também tocaram no mesmo show o Ira! (já com seu primeiro álbum lançado) e o Capital Inicial (que estava prestes a lançar seu primeiro LP pela Polygram, atual Universal Music). Foi um show tríplice empolgante (o jovem jornalista foi com o seu primo que estudava medicina e que hoje é um respeitável médico cinqüentão e evangélico) e mais uma vez teve a certeza de que a Legião era a GRANDE banda brasileira de então. Foi também a primeira vez que trocou algumas palavras com Renato, no camarim após o final do show.

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Agosto de 1990: a Legião Urbana está no auge, só toca em estádios lotados na turnê do disco “As Quatro Estações” e o jornalista zapper registrou o maior fenômeno do rock BR dos anos 80′ nas páginas da revista IstoÉ (acima e abaixo)

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Em dezembro daquele mesmo 1986 a Legião Urbana voltou a São Paulo para apenas um único show e só com ela mesma no palco. O disco “Dois” havia sido lançado meses antes, estourou nas rádios e em vendagem (mais de meio milhão de discos vendidos em poucos meses) e o grupo de Renato, Dado, Bonfá e Renato Rocha simplesmente LOTOU o ginásio do Ibirapuera, colocando 15 mil pessoas ensadencidas lá dentro.

A partir daí a Legião se tornou gigante e o sujeito aqui também foi crescendo e se tornando conhecido como jornalista musical. Em questão de dois anos passamos a colaborar com a revista Somtrês (então dirigida por Maurício Kubrusly, hoje repórter do quadro “Me leva Brasil”, do Fantástico), depois nos tornamos repórter da revista semanal IstoÉ, do Caderno 2 do jornal O Estado De S. Paulo e mais adiante da revista mensal de estilo e comportamento Interview (poderosíssima naquela época). Foi nesse período, entre 1988 e 1994, que o agora já bem conhecido repórter musical entrevistou a Legião Urbana para matérias gigantes que renderam uma “páginas vermelhas” da IstoÉ (o entrevistão que abre todas a edições da revista até hoje), um matéria de abertura da editoria de Cultura da mesma IstoÉ (na edição de 1 de agosto de 1990; era a turnê do disco “As Quatro Estações”, a maior feita pela banda até então e onde ela só estava tocando em estádios para 40 mil pessoas; acompanhamos umas quatro gigs dessa turnê para poder fazer a matéria, que ocupou três páginas da revista), uma matéria de três página na Interview (edição de janeiro de 1994) e, por fim, uma capa inteira do extinto caderno Folhateen, da Folha De S. Paulo. Nessa época o autor deste blog já era muito próximo da turma toda (inclusive do Rafael Borges, o poderoso manager do conjunto) e rolou um fato bizarro em relação a matéria da Folha: a banda estava estourada (“As quatro estações” havia vendido mais de um milhão de cópias e pelo menos cinco faixas do disco tocavam sem parar em tudo quanto era rádio, desde as fms mais roqueiras às mais bregas) e não tocava há 4 ANOS AO VIVO em São Paulo. Haveria dois shows na capital paulista em setembro, novamente no Palmeiras – e desta vez no ESTÁDIO, com público estimado em 45 mil pessoas em cada noite. A Folha, que se auto-proclamava “o maior jornal do Brasil”, TINHA que dar uma matéria com a banda, de preferência entrevistando-a. Mas o que rolou? Renato se negava terminantemente a falar com o jornal dos Frias desde que o disco “Que País É Este!”, lançado pelo quarteto em 1987, havia sido chamado de “esquálido” em uma resenha assinada pelo crítico Mario Cesar Carvalho no caderno Ilustrada.

Como foi “quebrada” a resistência de Russo em falar com a Folha e saiu enfim a matéria de capa INTEIRA no caderno Folhateen? Simples: um dia Finas resolveu ir na redação da Folha (vivíamos fazendo alguns frilas pra lá) e chegou pra Noely Russo (então editora do Folhateen e que não ia nem um pouco com a cara deste jornalista), dizendo: “se você quiser eu CONSIGO falar com eles e faço a matéria pro caderno”. Ela olhou com total ar de desdém e respondeu: “pode tentar. Se conseguir, a capa do caderno será sua”. Passamos duas semanas enchendo o saco do Rafa por telefone (não havia e-mails, internet, cels, apps, nenhuma dessas porras malditas de hoje em dia) pra conseguir a entrevista, argumentando que seria Finatti quem iria fazer, que iríamos pro Rio ao encontro da banda e bla bla blá. Até que um dia ele respondeu: “Venha pra cá na segunda-feira. Eles vão falar com você. E vão dar a entrevista pra Folha porque é VOCÊ quem vai fazer. Senão não ia rolar”. Moral da história: uma semana antes dos shows em São Paulo em 1990, o Folhateen da FolhaSP dava Legião Urbana na CAPA INTEIRA do caderno, em matéria assinada pelo sujeito aqui. Pra talvez um certo desgosto de miss Noely Russo (onde andará ela, afinal?), rsrs.

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Capa (acima) e reportagem gigante (abaixo) da revista Interview, edição de janeiro de 1994, com matéria com a Legião assinada por Finaski

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Os últimos shows que vimos da Legião foram no final de 1994, ambos no ginásio do Ibirapuera novamente. Era a turnê do álbum “O descobrimento do Brasil” e na primeira noite, quinta-feira, o ginásio não chegou a lotar. Na sexta, tinha gente pendurada no teto. E Zap’n’roll lá, já muito amigo de toda a banda, com nossa sempre credencial “all acess” pendurada no pescoço. Foi nesse último show que vimos deles que, já no bis, Renato Russo foi ao microfone e disse: “a gente vai tocar uma música agora que não tocamos ao vivo faz um tempo já. Mas como um AMIGO nosso pediu ontem pra gente tocar, então vamos tocar”. O “amigo” era este velho Finaski, que na noite anterior e depois do show, já papeando com Russo e a turma no lobby do hotel Maksoud Plaza (onde o conjunto estava hospedado), pediu ao se despedir: “toca ‘Ainda É Cedo’ amanhã. Faz tempo que vocês não a tocam ao vivo”. Russo: “vamos ver Humberto, vamos ver…” (yep, ele estranhamente me chamava pelo primeiro nome, Humberto).

O último show da banda na verdade foi em janeiro de 1995, em Santos. Finaski ligou pro Rafael no Rio e pediu dois convites (o repórter já trintão e doidão namorava com a Greta, uma crioulaça de 19 anos de tetas gigantescas, que estava entrando no curso de Letras na USP e que amava Smiths, Doors, poesia e Legião Urbana; e além de tudo era uma foda do inferno e que amava engolir porra). Ele disse ok, sem problema. O show foi num sábado à noite. O zapper estava morando num apê antigo e grandão no Cambuci, que dividia com o fotógrafo e até hoje querido amigo Luiz Carlos Leite. O final da história é que a Greta chegou no apê, estávamos ambos com uma preguiça gigante de ir parar em Santos, e acabamos preferindo ficar trepando e depois fomos dormir. Foi o ÚNICO show da Legião para o qual o blogger loker tinha CONVITES e deixou de ir. E curiosamente, foi o último da trajetória do grupo.

Nunca mais o blog viu Renato. Ele morreu em 11 de outubro de 1996, aos 36 anos de idade, em decorrência da Aids. E o blog soube da morte dele no meio da tarde daquele dia 11. Morávamos então numa kit na avenida 9 de julho que era a própria sucursal do inferno, e lá vivia me entupindo de cocaína e whisky. Ainda trabalhava na Interview mas a revista já estava pra fechar as portas. E o já muito junkie jornalista musical havia passado uma noite infernal na kit, aspirando quilos de pó com dois ou três amigos. Fritou a manhã toda do dia 11 de outubro. Quando enfim sentiu-se minimamente em condições de sair do apto foi até a rua 7 de abril, no escritório que a queridona amiga Sandra Otilia tinha lá. Finas foi ver se ela queria almoçar junto com o loki aqui. E quando chegou a primeira coisa que ela disse foi: “seu ‘amigo’ Renato Russo morreu essa madrugada, você ficou sabendo?”. Aquilo acabou de vez com o dia já total cinza de Zap’n’roll e que já havia começado da pior forma possível.

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Credencial de um show da Legião Urbana em 1988 (acima), fechado apenas para convidados e no qual o blog esteve presente; abaixo, Zap’n’roll se reencontra com o guitarrista da banda, Dado Villa-Lobos, durante lançamento da sua biografia em Sampa ano passado

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A Legião foi o MAIOR nome do rock BR dos 80’, fato. Renato Russo foi gênio, outro fato (e não adianta amigos como Claudio Medusa, Luiz Calanca e outros desafetos legionários que adoramos dizer que a banda era péssima e Renato uma bicha afetada sem estofo poético; suas letras até hoje são debatidas em aulas de Português em escolas de ensino fundamental, médio e até em cursos de Letras de faculdades). E mais: não vai mais haver bandas com a capacidade musical e textual que a geração 80’ teve, pode esquecer. A cena independente nacional está caindo pelas tabelas (só Lucio Ribeiro, na sua iludida Popload, é que acha que essa cena está “madura”, ahahahaha), bandas não vendem mais discos muito menos enchem casas onde não cabem nem 300 pessoas (deu dó ver um puta grupo como Los Porongas tocando, semanas atrás, para menos de 50 pessoas no bar Z Carniceria, no bairro paulistano de Pinheiros). Estamos mesmo no fim da história do rock e da cultura pop (e talvez da própria humanidade), vivendo tempos de hits relâmpagos, medonhos e esquecíveis como “Tá tranqüilo, tá favorável”, “Gordinho gostoso” e “Metralhadora”.

O que ficou e o que irá ficar ainda por gerações e gerações é a obra de gente como Renato Russo, Cazuza, Cássia Eller, Mutantes, Chico, Caetano, Gil, Dylan, Lennon, Ian Curtis, Morrissey, Kurt Cobain. O resto, de 2000’ pra cá, mais cedo ou mais tarde estará totalmente esquecido e soterrado pela poeira inclemente do tempo.

E este velho jornalista rock’n’roll se sente de certa forma nostálgico e melancólico por saber que tudo da grande na música já foi criado, já passou e se foi. Mas também se sente igualmente contente e com um sorriso no rosto ao olhar para trás e pensar: “sim, eu estava lá. E vivi tudo aquilo de perto. Sorte a minha”.

 

 

LEGIÃO URBANA – OS CINCO PRIMEIROS DISCOS, CLÁSSICOS E IMBATÍVEIS

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E O GRUPO AÍ EMBAIXO

Em também cinco vídeos e áudios de canções inesquecíveis, incluso o show completo que o conjunto fez em 7 de julho de 1990 no Jockey Club do Rio De Janeiro, para cinqüenta mil pessoas.

 

 

ZAP’N’ROLL ORGULHOSAMENTE APRESENTA:

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OU: A GRANDE CENA INDIE QUE EXISTIU NO BRASIL – E NÃO É ESSA ATUAL, CRIADA PELA ILHA DA FANTASIA DE UM CERTO BLOG DE CULTURA POP

Foi emocionante (e também um pouco nostálgico, o blog assume) assistir semana passada a última exibição (dentro do festival de documentários musicais “InEdit Brasil”) do documentário “Time Will Burn – o rock underground brasileiro do início dos anos 90’”. A sala do cine Olido (no centrão rocker de Sampa) não lotou, mas recebeu um bom público (havia uma garotada nova por lá mas a maioria da platéia era composta por tiozões como o autor destas linhas bloggers, rsrs) que aplaudiu o doc de pé ao final da exibição.

O blog escreveria um livro aqui para falar sobre o documentário e também sobre uma cena que acompanhamos totalmente de perto (como fã de rock e como jornalista musical), há 25 anos. Vimos zilhões de shows das bandas mostradas no filme (Pin Ups, Killing Chainsaw, Second Come, Mickey Junkies, DeFalla etc.), freqüentamos quase todos os lugares mostrados (o Retrô em São Paulo era o nosso segundo lar, rsrs; fora que também fomos no Aeroanta, Urbania, Der Temple, Cais etc, etc.) e, enfim, convivemos com a turma dessas bandas todas. Então rever essa cena e essa história toda na tela só ratificou para este jornalista (e para todos que estavam na sala de exibição) que o Brasil já teve, sim, uma cena rock independente SENSACIONAL, mas que infelizmente ficou para sempre aprisionada nos anos 90’. E era um cena grandinha, com ótimas e numerosas bandas e que chegou a atrair bom público pras suas gigs. Exemplo: em determinado momento do doc um dos integrantes do grupo carioca Second Come conta que o quarteto chegou a tocar para 800 pessoas (!!!) no Circo Voador.

E hoje? Hoje é esse DESASTRE que está aí. Uma cena inócua, lotada de bandas PÉSSIMAS e que não levam 30 gatos moribundos e pingados aos seus shows. Uma cena que só está BOMBADA e no seu MELHOR MOMENTO (hã???) na cabeça do prezado Lucio Ribeiro, que criou uma delirante ilha da fantasia indie no seu blog, Popload. Vamos ver até quando ele consegue sustentar essa ilha… aliás, vem cá querido Luscious, nos diga (e batemos uma APOSTA com você): essas bandas que o Sr. menciona no seu blog (Inky, FingerFingerrr, Dom Pescoço etc) conseguem, que seja, enfiar 100 PESSOAS em um show delas com ingresso PAGO pelo público, em algum lugar? Zap’n’roll DU VI DA!

A diferença entre a indie scene nacional dos 90’ e a de hoje é muito clara e óbvia: ali se fazia rock BARULHENTO, com guitarras estridentes e cantado em inglês. Rock é isso, não? Hoje em dia todo mundo canta em português (sofrível e com letras não raro vexatórias em sua verve simplória e adolescente) e insiste em tentar misturar rock de guitarras com a malemolência da MPB tradicional. Não dá, não rola. Se é pra tocar rock que se ponha a guitarra, a distorção e os amplis no talo. Se é pra ser MPB (nada contra, adoramos MPB que seja ÓTIMA, bem composta e classuda), que se tire as guitarras barulhentas e a distorção e o noise das músicas, simples.

Faltou algo em “Time Will Burn”? Sim, sempre falta, né? Sentimos não terem falado do brincando de deus (da Bahia), do Low Dream (de Brasília) e do Sonic Disruptor (de Guarulhos), uma trinca de guitar bands fantástica ali do início dos anos 90’, e que este Finaski mesmo na época apresentou aos leitores da revista Dynamite numa matéria de duas páginas – enquanto isso onde estava mesmo dear Luscious, o homem da Popload? Provavelmente começando sua carreira de jornalista e fazendo bem o que faz até hoje: falando de algum hype irrelevante da gringa e que depois de um tempo ninguém mais vai lembrar do que se tratava.

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O já lendário quarteto indie guitar paulistano Pin Ups (acima, em sua formação clássica dos anos 90′) é um dos destaques do documentário “Time Will Burn”, que mostra a REAL E GRANDE cena indie que existiu no Brasil (e não é essa que é  mostrada a todo instante nos posts do blog Popload); abaixo cena do documentário “Guitar Days”, que foca na mesma cena indie guitar br dos anos 90′ e que ainda vai ser lançado, com depoimento do autor deste blog

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Agora é esperar pelo também documentário “Guitar Days”, produzido e dirigido pelo querido Caio Augusto (quando ele será lançado, afinal?), que foca na mesma cena mas que aparentemente é bem mais abrangente – sendo que neste doc o velho jornalista loker/rocker aqui aparece dando depoimento, hehe. Enfim, são dois docs que mostram o que era e o que foi, de fato, a grande cena rock independente brasileira em todos os tempos. Ou vocês acham que daqui a 20 anos alguém vai se preocupar em fazer um documentário falando de O Terno, FingerFingerrr, Dom Pescoço ou algum desses aí da ilha da fantasia indie da Popload?

 

  • E mais: também na semana passada a cantora Céu fez gig gratuita na área externa do MIS (Museu da Imagem e do Som de São Paulo). Abrindo pra ela estava Aninha Martins, pretinha total delicious e uma das maiores revelações da novíssima cena indie de Recife. O show foi gratuito e lotou. Mas claaaaaro que o blog “vizinho” Popload nunca ouviu falar de Aninha Martins.

 

  • Já o lendário, célebre e mega respeitado selo indie paulistano Baratos Afins (dirigido há três décadas pelo queridão Luiz Calanca, um dos produtores musicais que mais entendem de rock independente nesse país) acaba de lançar o segundo CD do quinteto paulistano Fábrica de Animais, combo rock’n’roll porrada de ótimas guitarras rockers e algo bluesy e que tem como vocalista a atriz de teatro Fernanda D’Umbra. Como? A Popload também não conhece essa banda e nunca falou dela? Sem problema: o blogão zapper dá o serviço e resenha o novo disco do FA no final desse post.

 

  • E por fim, pra registrar: o logotipo especial desse post foi criado pelo artista gráfico agitador cultural, músico e vocalista Falcão Moreno, que canta na banda Coyotes California, quarteto bacaníssimo da zona leste paulistana e que já possui dois discos lançados. Com quase uma década de existência e tendo no seu som as melhores influências do rock funky de grupos como Red Hot Chili Peppers e Faith No More, o CC também NUNCA foi sequer mencionado no nosso blog “vizinho”, uia! Vai mal a ilha da fantasia indie por lá hein!

 

 

TÓPICO POLÍTICO – NA VÉSPERA DA ELEIÇÃO MUNICIPAL O BLOG ENTREVISTA O CANDIDATO A VEREADOR ANDRÉ POMBA

O jornalista, músico, produtor e agitador cultural, DJ e presidente de ONG (a Associação Cultural Dynamite) André Pomba, enfrenta novamente uma disputa político/eleitoral neste domingo. Ele que já foi candidato a vereador e deputado federal em pleitos anteriores, agora se lança novamente na corrida por uma vaga na camara de vereadores da capital paulista. Aos cinqüenta e dois anos de idade, Pomba é candidato pelo Partido Verde (foi filiado ao PSDB por duas décadas mas se desligou do partido tucano há cerca de quatro anos) e com uma plataforma bacana, que privilegia áreas como a cultura (em especial a música e o rock) e temas como a diversidade sexual – gay assumido, ele é um dos militantes LGBT mais aguerridos de São Paulo.

O autor deste blog conhece André Pomba há mais de vinte anos e o tem como um de seus melhores amigos. É uma relação de amizade e profissional que começou em janeiro de 1993 e que perdura até os dias de hoje, tempo em que Zap’n’roll atuou como repórter da extinta revista Dynamite, também do portal Dynamite online (WWW.dynamite.com.br) e, por fim, como editor do blog Zap’n’roll, que começou no portal para depois ganhar vida e endereços próprios na web. Portanto, nada mais natural que estas linhas rockers mas também políticas abram espaço neste post para que Pomba exponha suas idéias e seus objetivos caso consiga se eleger. O bate-papo com ele rolou esta semana e os principais trechos da entrevista você confere abaixo.

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Dupla dinâmica e inseparável há duas décadas: Zap’n’roll e o produtor cultural e candidato a vereador André Pomba

 

Zap’n’roll – você já concorreu a cargos políticos em eleições passadas (para vereador mesmo, em 1992, e mais recentemente para deputado federal) e não conseguiu se eleger. Quais são as perspectivas dessa vez, para a eleição deste domingo próximo?

 

André Pomba – Quando você não tem recursos, justamente vai ampliando a base. A promeira eleição fui lançado para preencher chapa e mesmo assim tive 1500 votos. Já para deputado tive quase 7000 e foi para preparar esta agora a vereador, aonde tenho chances reais, devido a alta renovação que deve ter a Câmara Municipal e a desilusão com os políticos profissionais.

 

Zap – há um consenso generalizado de que a política brasileira se tornou a mais imunda do mundo e que ela precisa mudar com urgência. O fato de ter sido proibida nessa eleição o financiamento de candidatos por empresas privadas já seria um avanço no sentindo dessa mudança urgente e necessária? O que mais, na sua opinião, é preciso mudar na política brasileira?

 

Pomba – Costumo dizer que a política brasileira é pior do que a retratada no seriado americano House of Cards. Realmente o fim do financiamento privado nivelou um pouco mais as chances, embora deve ter ampliado o caixa dois e o dinheiro sujo (corrupção, tráfico). Esperamos que o TSE e o STF puna realmente os criminosos da política, para que os honestos e sem recursos, mas com grande capacidade e história possam se eleger. Para melhorar ainda mais, essa punição e consequente cassação teríam que ser mais ágeis.

 

Zap – você possui um histórico de ativismo cultural (em especial na música e no rock) e em favor da diversidade sexual. É presidente de uma ONG dedicada a projetos culturais e inclusão social, além de ativo militante LGBT. Pretende, se eleito, dar ênfase a essas questões durante seu mandato?

 

Pomba – Costumo dizer que minha atuação será focada em 4 itens: Cultura, diversidade, sustentabilidade e a defesa da noite paulistana. Na área de diversidade, quero discutir a criação de casas de acolhida, para jovens e adolescentes que são expulsos ou vítimas de violência em suas casas e pretendo apresentar uma lei anti-discriminação municipal que puna toda forma de preconceito (racismo, machismo, homofobia, transfobia, de origem, contra pessoas com deficiência etc). Dentro da área cultural pretendo revalorizar as casas de cultura nos bairros, hoje abandonadas; quero cobrar a implantação de um programa de incentivo municipal de cultura; quero efetivar a obrigatoriedade do ensino de música nas escolas e reforçar o caráter de inclusão social através da cultura. Na área de sustentabilidade, pretendo focar na questão do lixo (reciclagem e compostagem), bem como defender com unhas e dentes as parcas áreas verdes da cidade hoje ameaçadas pela especulação imobiliária. Sou coordenador dos Movimentos Noite Paulistana e Em Defesa da Rua Augusta, e vou lutar pelo licenciamento online com renovação automática, apoiar a implantação do projeto São Paulo 24 horas e rever leis que prejudicam o funcionamento de estabelecimentos noturnos. E também buscar a valorização dos profissionais da área (DJs, barmen, hostess etc). Bom, tenho uma ampla gama de propostas e no meu site www.andrepombapv.com.br tem tudo o que defendo para a cidade de São Paulo e minha biografia.

 

Zap – E analisando num espectro mais amplo, o que é preciso ser melhorado em São Paulo através da gestão dos futuros novos vereadores?

 

Pomba – Justamente ter uma câmara mais independente e menos afeita a troca de apoio por cargos e verbas. Não votar em políticos que já estão lá há décadas!

 

Zap – um recado final para seus potenciais eleitores.

 

Pomba – Peço que domingo votem 43969. Porque eu tenho ficha limpa e um histórico de 30 anos de ativismo urbano em vários flancos. Um amigo meu disse que admira minha luta por juntar tribos e bandeiras antagônicas que pouco dialogam, mas que unidas teriam muito a ganhar, como demonstração de força. Rock, cultura, diversidade, sustentabilidade e a defesa da noite paulistana, para muito são temas menores, ante os graves problemas de uma cidade, mas ter essas bandeiras à frente não exclui você brigar por uma cidade com melhor transporte, saúde e educação. Pelo contrário, o empoderamento desses temas transversais ajuda e muito a termos uma cidade melhor e mais justa. E obrigado pelo espaço Finas, e parabéns pela Zap’n’Roll!

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

  • Disco, I: as meninas do americano Warpaint estão de volta após dois anos, e acabam de lançar “Heads Up”, seu quarto disco de estúdio. A banda continua mandando muito bem em sua proposta sonora (nuances de shoegazer e dream pop) e há momentos belíssimos no novo trabalho, sendo que o blog ainda vai voltar a falar melhor dele. Mas você conferir o discão na íntegra aí embaixo:

 

  • Disco, II: o quinteto paulistano Fábrica De Animais (que tem Fernanda D’Umbra nos vocais, Sergio Arara nas guitarras, Flavio Vajman na gaita, Caio Góes no baixo e Cristiano Miranda na bateria) chega ao segundo disco, homônimo, em lançamento do sempre antenado selo Baratos Afins. O procedimento musical do grupo não mudou em relação à sua estréia: ele deambula por planícies onde rock’n’roll de guitarras cruas e abrasivas se mixam a eflúvios bluesisticos – e aí entra em cena a sempre empolgante gaita de Flavinho Vajman. O cd abre porradão com “De quando lamentávamos o disco arranhado” e prosssegue em andamento acelerado com “Jogo de dardos”. Mas estas linhas online preferem os momentos mais calmos e bluesy do disco, como em “Tudo errado” e, principalmente, em “Erro”, onde Fernandinha (que também é atriz de teatro) dá show nos vocais com inflexões suaves e bem moduladas. É álbum pra se escutar em casa numa madrugada fria, de preferência acompanhado de um bom vinho e um baseado. E se as letras das músicas não são exatamente um primor em termos textuais, a banda compensa exibindo um dos já muito bons discos de rock nacional deste triste e já quase findo 2016, onde a indie scene nacional continua a definhar a olhos vistos. Mas é claaaaaro que o Fábrica De Animais, um dos poucos bons conjuntos da cena atual do rock BR, não vai ser mencionada JAMAIS no blog “ilha da fantasia indie” Popload, onde seu autor (mr. Lúcio Ribeiro) só fala de bandas “fodásticas” como FingerFingerrr (quem?), Dom Pescoço (quem??), Inky (quem???) e outras “sensações” da cena independente brazuca atual, uia! Pobres leitores do blog vizinho, hihihi. Pra saber mais sobre o FA, vai aqui: https://www.facebook.com/fabricadeanimais/. E se você interessou, para comprar o cd vai aqui: http://baratosafinsloja.com.br/fabrica-de-animais-fabrica-de-animais-de-quando-lamentavamos-o-disco-arranhado-cd-bra.html.

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  • Livro: “Transformer”, a biografia do saudoso e imortal gênio Lou Reed lançada há pouco no Brasil pela editora Aleph, é um ESCÂNDALO. Em quase quinhentas páginas o autor Victor Bockris esmiúça com profundidade a trajetória pessoal e artística do sujeito que deu ao mundo “apenas” o Velvet Underground, uma das bandas de rock mais influentes de todos os tempos. Lou foi o que todos os seus fãs sabem: controverso, polemico, genial, de temperamento explosivo e rude. De sua adolescência tomando eletrochoques em clinicas psiquiátricas (onde foi internado pelos pais, pois assim eles acreditavam que Reed deixaria suas tendências homossexuais e se tornaria um jovem “normal” e socialmente aceito pelos padrões reacionários e caretas do americano médio comum e estúpido) e passando por toda a sua looooonga trajetória como cantor e compositor (e suas descidas aos infernos das drogas e do submundo de Nova York), está tudo no volume, ainda por cima embalado em belíssima capa dura. Imperdível! Sendo que você pode saber mais sobre o livro aqui: http://www.editoraaleph.com.br/site/transformer-a-historia-completa-de-lou-reed.html.

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Zap’n’roll com o seu exemplar da bio fodona do inesquecível gênio Lou Reed

 

  • Site bacanão: quer saber tudo o que rola na cena cultural de São Carlos, no interior paulista? Basta acessar o RodaMob, editado pela gatíssima jornalista (e amigona zapper) Sarah Mascarenhas, que mostra um panorama gigante de tudo o que acontece por lá, com roteiros de eventos, resenhas, entrevistas com artistas locais e muito mais. Vai aqui e divirta-se: https://www.rodamob.com.br/.

 

  • Baladas: tão devagar, quaaaaase parando neste finde (o postão está sendo finalizado já na sextona em si, 7 de outubro). Então a melhor dica mesmo é pegar um cineminha (“Aquarius” e o doc sobre Janis Joplin, por exemplo, continuam em cartaz no cine Belas Artes) e depois fechar a noite tomando uma breja a preço justo no Outs Pub (na rua Augusta, colado no já clássico Outs em si) ou no Cemitério de Automóveis, do queridão Mario Bortolotto, lá na rua Frei Caneca, quase esquina da rua Paim. Beleusma? Vai que vai!

 

 

E FIM DE PAPO

Que o postão ficou bacanão, né. Semana que vem estamos por aqui novamente. Até lá com beijos no coração da galera.

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 7/10/2016, às 18hs.)