No blogão zapper sempre programação normal e NADICA de carnaval! Então bora ver a novíssima e REAL cena indie brazuca que importa (e não aquela “ilha da fantasia indie” de um certo e já mezzo decadente blog “vizinho”, uia!), com a cantora sergipana Héloa e o trio rock cearense Oto Gris; mais: segue a imundície sem fim na política nacional; um tópico relembrando o grande Smashing Pumpkins e tudo o que importa na cultura pop (como a volta da geração shoegazer inglesa, através dos novos singles do Jesus & Mary Chain, Ride e Slowdive) na seção Microfonia que agora passa a abrir cada novo post do blog

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Mesmo estando passando por um de seus piores momentos, a cena musical independente brasileira continua revelando artistas surpreendentes pela qualidade da sua música, como é o caso da novíssima cantora sergipana Héloa (acima) e que acaba de lançar um muito bom disco de estreia; já lá fora, com a derrocada qualitativa do rock atual, a velha guarda do shoegazer e do indie guitar noise britânico ensaia uma volta com tudo em 2017, sendo que um dos grupos dos anos 90’ que prometem disco inédito ainda para este ano é o britânico Ride (abaixo), que lançou esta semana suas primeiras músicas inéditas em mais de duas décadas

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, o rock, discos, bandas, shows, livros, filmes, baladas etc.)

 

***A volta do indie guitar noise e do shoegazer dos 90’ – É a melhor notícia do mondo rocker esta semana: já que o rock de hoje está uma “melda”, bora voltar ao passado. No caso, ao classudo e inesquecível indie shoegazer e ao noise guitar dos 90’. Se nada der errado ambos voltam a sacudir o rock’n’roll planetário nesse sombrio 2017, através dos retornos do Jesus & Mary Chain, do Slowdive e do fantástico quarteto Ride. O JMC, dos irmãos Reid, lança seu novo álbum, “Damage & Joy” em 24 de março. É o primeiro trabalho inédito deles desde “Munki”, que saiu em 1998. E a banda já disponibilizou na web os dois primeiros singles do novo álbum, que são beeeeem legais. Então a expectativa pro cd completo é a melhor possível. Já o Ride (a quem devemos ao saudoso DJ Toninho, do também saudoso Espaço Retrô, ter conhecido essa banda magnífica que embalou muitas madrugadas finátticas malucas há mais de vinte anos, movidas a álcool e cocaine em porões escuros do circuito under paulistano) também saiu das catacumbas no ano passado. E promete igualmente disco inédito para esse ano ainda. O primeiro single desse disco saiu ontem (apenas o áudio) e se chama “Charm Assault”. É bacanuda também e faz prever que teremos um bom álbum completo – que segundo a banda, sai em algum momento no segundo semestre. Por fim o inglês Slowdive, um dos nomes mais cultuados do shoegazer britânico nos 90’, também está preparando seu primeiro disco inédito em mais de duas décadas. Uma amostra do novo trabalho está no novo single, “Star Rowing”, que saiu mês passado e é que sensacional. E bien, você pode ouvir todos os novos singles do JMC, do Ride e do Slowdive aí embaixo:

 

***Ryan Adams incansável! – e não? O ainda jovem (quarenta e dois anos de idade) pequeno gênio do rock country folk mezzo indie americano já lançou nada menos do que dezesseis álbuns de estúdio desde o ano 2000’, o que dá uma média de quase um disco inédito a cada ano. O mais recente, “Prisoner”, foi lançado na semana passada, já está colecionando elogios pela rock press gringa e o blog gostou bastante do que ouviu nele.

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***Festa goth/erótica bacana em pleno carnaval – yeeeeesssss! O já tradicional festival goth/erótico/sadomasô Libertine vai realizar edição especial durante o reinado de momo nesse sábado de carnaval, 25 de fevereiro. Como sempre as sonoridades gothic rock, pós-punk e anos 80’ irão dominar a pista e a balada acontece no Enfarta Madalena, na Vila Madalena, zona oeste de Sampa. Não gosta de folia momesca, quer ir na festona e saber tudo sobre ela? Vai aqui: https://www.facebook.com/events/1791819211077815/.

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***E semana que vem bailão indie da terceira idade – um dia todos acabaríamos chegando inevitavelmente a ISSO, rsrs. Como não há incrivelmente mais espaços alternativos em Sampa (isso, numa cidade com mais de doze milhões de habitantes e milhares de bares e casas noturnas) para se dançar e curtir indie guitar rock, noise e shoegazer noventista, os djs Plínio (que tocou no inesquecível Espaço Retrô) e Dina (do Café Elétrico) tiveram a ideia mais do que bacaníssima: vão comandar o Bailindie da saudade no próximo dia 3 de março, no centro de Sampa. Então foda-se que estamos todos véios e tiozões já. Vamos lá todos nós com nossas bengalinhas dançar a noite toda sons do naipe de Jesus & Mary Chain, Ride, Slowdive, Lush, Stone Roses, My Bloody Valentine, Happy Mondays e até um Blur, Oasis ou Elastica. Promete ser uma das festas mais legais deste início de ano no circuito under paulistano, que anda mesmo caidaço (depois dos fechamentos do Astronete, do Matrix e do Inferno Club) nesses tempos tenebrosos onde ex-casas noturnas de rock do baixo Augusta agora tocam até funk porqueira em suas noitadas open bar igualmente porcas. Mais sobre o bailão pros “velhinhos” indies transviados e ainda lokers e rockers (como o autor deste blog), você confere aqui: https://www.facebook.com/events/730073647155857/.

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***Bowie, o melhor mesmo depois de morto – major Tom/Ziggy Stardust nos deixou há um ano e voltou para as estrelas. Mesmo assim o gênio eterno continua brilhando: “Black Star”, o álbum que ele lançou dois dias antes de morrer, acabou de ganhar o Brit Awards 2017 nas categorias melhor disco e melhor cantor. O BA é a principal premiação musical inglesa, espécie de “Oscar” da música britânica. Isso aê: o “camaleão” será eternamente um dos maiores gênios que surgiram no rock mundial.

 

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A REAL E AINDA ÓTIMA ATUAL CENA DA MÚSICA INDEPENDENTE BRASILEIRA – NESSE POST COM A NOVÍSSIMA CANTORA SERGIPANA HÉLOA E COM O TRIO POST ROCK CEARENSE OTO GRIS

Mesmo passando por um dos piores momentos de sua história nas últimas duas décadas, a cena independente nacional ainda assim surpreende vez por outra quem a acompanha de perto (como este espaço blogger, e isso já há mais de vinte anos também). Foi o que aconteceu quando tomamos contato com os discos de estreia da cantora sergipana Héloa e do trio cearense Oto Gris. O blog não conhecia nenhum dos dois até duas semanas atrás. Héloa foi descoberta enquanto o jornalista zapper “fuçava” em sites de música (nossa obrigação, no final das contas) atrás de novidades ou de algo digno de nota, quando deu de cara com a notícia de que a cantora estaria lançando seu primeiro álbum completo com show em São Paulo – e que rolou no final de semana passado, no Itaú Cultural. Já a banda Oto Gris foi indicação preciosa do queridão amigo e vocalista do grupo Los Porongas, Diogo Soares.

Quem é Héloa, afinal? Ela nasceu em Sergipe, tem vinte e oito anos de idade e se mudou para São Paulo há cerca de um ano. Já veio para a capital paulista trazendo uma bagagem artística valiosa: canta desde a adolescência, além de ser bailarina e atriz de teatro. E aqui começou a se enturmar com outros músicos conhecidos da cena alternativa nacional e que, tal qual ela, eram/são “estrangeiros” em Sampa mas todos já devidamente incorporados à melhor paisagem sonora do atual circuito indie paulistano. Foi assim que Héloa conheceu nomes como o cantor e compositor cearense Daniel Groove, o produtor e ex-guitarrista dos Porongas, João Vasconcelos, e os músicos Carlos Gadelha (atual guitarrista dos Porongas) e Guri Assis Brasil (ex-guitarrista da ótima banda gaúcha Pública).

Trabalhando junto com seus novos amigos de forma disciplinada e com bastante empenho, Héloa foi desenvolvendo as composições que formam o material de seu primeiro disco. Sendo que há de se ressaltar que ela é basicamente uma interprete: das dez faixas de “Eu”, seu cd de estreia, a cantora assina a autoria de apenas uma delas (“A avenida”), em parceria com Eduardo Escariz. O restante do álbum é composto por canções escritas por amigos como Daniel Groove (autor de “Super herói”, “Se você disser que vem” e “Meus amigos”, esta última em pareceria com o paraense Saulo Duarte) além de trazer versões para “Caravana” (de Geraldo Azevedo e Alceu Valença) e “Crua” (composta pelo pernambucano e ex-Mundo Livre, Otto).

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A gata sergipana Héloa (acima, se apresentando semana passada no Itaú Cultural, em São Paulo) e o trio cearense Oto Gris (abaixo): duas bacanudas revelações da novíssima safra musical independente nacional

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É uma leva de canções e autores que desvela bem por onde trafega a música da sergipana: ela deambula com desenvoltura pela MPB tradicional mas também se aproximando de ambiências mais rockers (o que fica evidente nas melodias e no bom trabalho dos guitarristas Allen Alencar, Eduardo Escariz e João Vasconcelos no estúdio, e Carlinhos e Guri Assis que acompanham a cantora ao vivo). Com músicas que possuem letras bem acima da média do que se ouve atualmente e com um vocal afinadíssimo e que agrada bastante ao ouvinte por conta de sua inflexão poderosa, Héloa pode, merece e deve alcançar públicos bem maiores nos próximos meses. Em uma geração (a de 2000’ pra cá) que revelou poucas mas ótimas cantoras brasileiras (como Céu, Tulipa Ruiz e Tiê), a bela morena nordestina já tem lugar assegurado entre as boas revelações dessa geração.

E é do nordeste também que vem o trio rock Oto Gris (pobre Sampalândia… enquanto aqui a cena alternativa definha e sofre com a falta de renovação de artistas que possuam uma qualidade mínima, no restante do Brasil boas surpresas continuam surgindo, felizmente). Egresso de Fortaleza e formado por Davi Serrano (vocais e guitarras), Jonas Gomes (baixo) e Victor Bluhm (bateria e samples) o grupo é novíssimo (foi formado há cerca de dois anos) e também fixou residência em São Paulo, onde gravou no estúdio Cambuci Roots (do músico e produtor João Vasconcelos) seu disco de estreia, “Avoa”. É um cd que foge bastante dos padrões do que se ouve atualmente no rock alternativo brasileiro: com canções cujas melodias bucólicas e contemplativas flanam por paisagens suaves, reflexivas e algo melancólicas, Oto Gris evoca algo de post rock em sua sonoridade mas sem a chatice e a pretensão de bandas como o Mogwai, por exemplo. O vocal de David sussurra letras que desvelam imagens metafóricas sobre a impossibilidade do sentimento amoroso (como em “Práticas de mergulho-vôo”, onde ele canta: “Confesso/Não estar tudo bem/Sem um teto, sem freio/E agora sem você”), tudo emoldurado por guitarras plácidas envoltas em brumas engendradas por efeitos de samples.

Trata-se, enfim, de um trabalho que deve ser apreciado com calma e atenção, em uma noite solitária e chuvosa, regada a bom vinho e um bom beck, rsrs. Mas, sobretudo, Oto Gris e Héloa mostram duas faces bastante distintas de uma nova cena alternativa brasileira que, sim, ainda consegue surpreender quem a acompanha com lançamentos dignos como é o caso da cantora sergipana e do trio cearense.

 

 

 

PARA OUVIR HÉLOA E OTO GRIS

Aí embaixo, com os álbuns de estreia de ambos na íntegra, além dos vídeos promocionais para os singles de trabalho da cantora e do trio de Fortaleza.

 

DOC SOBRE OS SMASHING PUMPKINS MOSTRA COMO A BANDA ERA FODÁSTICA E COMO O ROCK DE HOJE, DEFINITIVAMENTE, ACABOU

Madrugada dessas rolou um ótimo doc sobre os Smashing Pumpkins no Canal Bis (um dos preferidos do blog na TV paga, ao lado do Canal Brasil). O SP está na ativa até hoje. Mas é claro que ele já se tornou irrelevante há séculos e o trabalho atual do gênio (sim, ele é ou ao menos foi) e OBCECADO Billy Corgan não chega na sola do sapato do que a banda conseguiu em seus primeiros três e fundamentais discos (“Gish”, de 1991; “Siamese Dream”, de 1993 e “ Mellon Collie and the Infinite Sadness”, que foi editado no final de 1995 e, mesmo sendo um cd duplo, vendeu na época quase 20 milhões de discos). É a grande fase do quarteto que além de Billy nas composições, guitarras e vocais, tinha o japa James Iha na outra guitarra, a loiruda D’Arcy no baixo e o batera MONSTRO Jimmy Chamberlin – além de ter contado com os trampos de outro gênio, Butch Vig, na produção de seus dois primeiros álbuns de estúdio. Uma grande fase não apenas para o próprio SP mas para todo o rock daquela época (com o grunge vivendo seu auge e bandas como Nirvana, Pearl Jam, Screaming Trees e Mudhoney lançando apenas discaços e dominando a cena rock americana).

Cada vez mais o sujeito que escreve estas linhas bloggers anda se sentindo melancólico, solitário e precocemente ENVELHECIDO aos 5.4 de existência. Mas aí quando começamos a ficar muito tristonhos e assistimos um doc como esse dos Pumpkins, o matiz cinza sai um pouco de cena e nossa minha alma e coração se colorem novamente um pouco mais. Afinal, se tivéssemos esses mesmos 5.4 nas costas não teríamos assistido o SP AO VIVO duas vezes: a primeira no auge da banda, no festival Hollywood Rock em janeiro de 1996, no estádio do Pacaembu lotado, na turnê do “Mellon Collie…” e com uma massa gigantesca e total alucicrazy se estapeando na frente do palco pra poder ver e ouvir o quarteto o mais perto possível. E a segunda vez na extinta casa de shows Olympia/SP, no bairro da Lapa, quando eles voltaram ao Brasil na turnê do álbum “Adore”. Aí o conjunto já não era mais o mesmo (Jimmy tinha sido expulso do grupo por Billy, em decorrência do célebre caso em que o baterista quase foi pro saco em um hotel nos EUA, depois de tomar uma involuntária overdose de heroína) e a gig foi… estranhíssima. Não ruim, mas estranha, incômoda, sonolenta em alguns momentos.

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As “Abóboras esmagadas” no início da sua carreira, no começo dos anos 90’: um dos últimos grandes momentos da história do rock’n’roll de duas décadas e meia pra cá

 

Mas as melhores lembranças que ficam mesmo deles é de sua fase inicial. Aquele som poderoso que mixava psicodelia, barulho, dream pop, algo de heavy rock e até uma pitada de prog rock, tudo isso engendrado com guitarras estupendas e com melodias ótimas dando suporte a letras idem, marcou Finaski e fez parte da nossa vida rock’n’roll na passagem dos 20 pros meus 30 anos de idade. E como sempre dizemos, talvez tenha sido mesmo a última grande fase do rock’n’roll. Não querendo ser rabugento, velho ranzinza, estar preso ao passado ou qualquer coisa do tipo mas a real é: EXISTE alguma banda HOJE que consiga gravar e lançar um álbum como “Gish”, por exemplo? E que esse disco consiga seduzir (mesmo que sendo ouvido de graça pela web) milhões de adolescentes e jovens mundo afora? Apenas pra saber.

É triste mas inescapável: o rock de HOJE que se tornou uma imbecilidade e foi tomado por uma irrelevância sem tamanho. Sim, ainda surgem bandas legais aqui e ali (como o inglês Temples ou o brasileiro Nocturno), mas é muito pouco diante das obras-primas que já foram lançadas ao longo de mais de meio século de existência do gênero. De modos então que o blog deseja mesmo é vida ETERNA aos discos clássicos do rock’n’roll e respeito e amor igualmente eterno à trajetória de bandas como o Smashing Pumpkins. E é ouvindo “Siamese Dream” que o velho (mas ainda rocker e loker) jornalista encerra este texto.

 

A IMUNDICIE POLÍTICA BRASILEIRA CHEGA AO ÁPICE – E A NAÇÃO “COXA” VERDE-AMARELA, COVARDE E CONIVENTE COM ESSA IMUNDICIE, SE CALA E NÃO BATE MAIS PANELAS

O horror é aqui. Aqui mesmo, nesse Brasil miserável, vira lata, falido de todas as formas e absolutamente FODIDO pela classe política mais IMUNDA, SUJA, NOJENTA, BANDIDA, CORRUPTA e DETESTÁVEL do Universo. Quem leu o romance “O coração das trevas” (obra-prima do escritor Joseph Conrad e um dos livros de cabeceira do blog desde a nossa adolescência, livro que foi magistralmente transformado pelo gênio Francis Ford Coppola no clássico cinematográfico “Apocalypse Now” em 1979; o livro de Conrad foi escrito no final do século XIX), sabe como ele termina: com o agonizante personagem Kurtz, após saber que iria ser morto pelo sr. Marlow e tendo sido mortalmente golpeado por este, sussurrando “The horror, the horror!”. Esse horror a que se referia Kurtz no livro era sobre toda a degeneração da civilização ocidental e dos seus mais básicos preceitos de conduta ética, moral, cívica enfim.

Nem Conrad viveu no ou conheceu nosso país. Coppola muito menos (embora já tenha andado por aqui, décadas atrás). Tivessem conhecido a fundo esse país que se tornou o próprio quinto mundo dos infernos do “baixo clero” das nações do mundo inteiro, teriam chegado a conclusão de que “HORROR” é o Brasil. Sem apelação.

É essa a conclusão a que se chega, pela enésima vez, quando se termina de assistir uma rodada dos telejornais da noite (mais especificamente JN da Globo, JC da TV Cultura e as duas edições do Jornal da nanica TV Gazeta, que tem infelizmente alguma audiência apenas na capital paulista), em qualquer dia da semana. Dá EMBRULHO no estômago de ver todo o noticiário político dessas noites sangrentas – como de resto têm sido todos os dias nos últimos meses. O caos segue reinando agora no Rio De Janeiro e em Belo Horizonte (depois de ter reinado por dez dias no ES). Enquanto isso Alexandre de Moraes, o CRÁPULA que todos nós sabemos que ele é, foi mesmo confirmado como novo Minsitro do STF, com a missão (claaaaaro!) de, na Suprema Corte do país, tentar salvar a QUADRILHA do PMDBosta das garras da Lava Jato, simples assim. E nem uma palavra dele sobre o caos que rolou no ES (foram 143 mortos nos dez dias de horror capixaba, o DOBRO dos mortos no acidente com o avião da Chapecoense e que COMOVEU o Brasil por quase um mês seguido, oh…). Fora isso a bancada da quadrilha do partido que nesse momento comanda o governo GOLPISTA instalado no Brasil (ele mesmo, o PMDBosta) indicou o senador Edison Lobão (!) para ser o presidente da CCJ do Senado. Ele mesmo, Lobão, já investigado em dois inquéritos na Lava Jato. Que be le za!

Para não dizer que houve apenas notícias ruins na seara política nacional nessa semana, há de se destacar também que o STJ do Rio De Janeiro CAÇOU os mandatos do governador Pezão (também do PMDBosta) e de seu vice (Francisco Dornelles) por abuso de pode econômico na última eleição no Estado. Ainda cabe recurso e a dupla permanece no cargo enquanto o recurso não for julgado. Mas vejam bem: é a dupla que também DESGOVERNA o Estado do Rio, o mesmo pobre Rio (que um dia já foi um dos cartões postais do mundo) que já tem um ex-governador preso (Sérgio Cabral) e outro em prisão domiciliar (Garotinho). Mais: a polícia Federal também indiciou Rodrigo Maia (o presidente da Câmara, que be le za!!!) por suspeita de corrupção, em mais uma etapa da Lava Jato. E assim segue a política nacional.

Sempre repitimos isso e vamos repetir novamente: estamos com 5.4 de vida nas costas. Que a política brasileira sempre foi suja e corrupta, não há dúvida alguma. Mas Zap’n’roll não se lembra, em cinco décadas de existência, de ela ter chegado ao estágio de PODRIDÃO em que chegou nos dias atuais. O FEDOR é insuportável. É muito banditismo em Brasília e também na maioria dos Estados. E banditismo de TERNO E GRAVATA, não de criminosos assaltando as pessoas nas ruas das cidades à mão armada, sendo que isso também está fora de controle no país graças à horrenda distribuição de renda que reina eternamente aqui (tornando os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais miseráveis) e também à corrupção que suga todo o dinheiro que deveria ir para a segurança pública, saúde, educação etc, tornando as futuras gerações menos selvagens e bestiais e com mais opções para conseguir ser alguma coisa na vida do que simplesmente ter apenas a opção de ir parar na criminalidade via tráfico de drogas, contrabando de armas ou simplesmente roubando o cidadão comum e indefeso, que paga uma fortuna em impostos e não recebe nada e nenhum benefício público em troca.

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O exemplo mais bem acabado da FALÊNCIA do Estado brasileiro e da IMUNDICIE política que reina aqui está no que aconteceu no Espírito Santo e também no Rio De Janeiro. E a tendência é esse quadro se ALASTRAR pelo restante do país. Há ALGUM político que se salva nessa terra horrenda e devastada pela bandidagem institucionalizada na esfera pública? Muito poucos, que o blog se lembre. Somos muito simpáticos ao trabalho do Randolfe Rodrigues (senador pelo Amapá), também do Chico Alencar (deputado do PSOL), da Luiza Erundina (também do PSOL) e do véio Eduardo Suplicy. Seriam eles (e mais muito poucos, que não lembramos os nomes agora) nos quais ainda confiamos politicamente. O resto é o resto, e resto da pior espécie que torna o Brasil uma das nações mais VERGONHOSAS do planeta em termos políticos. Em qualquer país com um mínimo de decência na esfera pública, 90% dos políticos brasileiros atuais estariam ATRÁS DAS GRADES, e não exercendo mandato ou qualquer cargo público que fosse. O jornalista zapper se lembra perfeitamente o que aconteceu há umas duas décadas no Japão (um dos países com uma das classes políticas mais ÍNTEGRAS do planeta) quando um político de lá, descoberto em flagrante pela imprensa japonesa envolvido em um escândalo gigante de corrupção, humilhado e com sua trajetória política LIQUIDADA por conta do escândalo no qual havia se envolvido, reuniu emissoras de TV para fazer um pronunciamento e, ao concluir esse pronunciamento, disse: “não sou mais digno de continuar vivendo. E peço perdão ao povo japonês pelo que fiz”. Ato contínuo abriu uma pasta executiva, tirou de dentro dela uma PISTOLA e SE MATOU com um tiro na boca.

Você imagina algum político fazendo o mesmo aqui? Se acontecesse, haveria SUICÍDIOS EM MASSA em Brasília. Mas não: aqui todos eles, quando pilhados em flagrante em esquemas de corrupção e mesmo com fartas provas colhidas pela polícia federal ou pelo Ministério Público Federal, vão a público e na imprensa e com a maior cara larga da galáxia, NEGAM TUDO. “Eu? JAMAIS cometi qualquer ato ilícito e que desabone minha conduta de homem público. E DESAFIO alguém a PROVAR ALGO CONTRA MIM!”.

Mas o pior disso tudo nem é essa sórdida classe política mas sim o eleitorado BURRO e complemente conservador e imbecil que elegeu essa corja. Que o brasileiro nunca soube votar é um fato histórico desde os tempos que isso aqui era uma colônia portuguesa. Agora chegamos a um ponto de ACOVARDAMENTO social em que o brasileiro só é valente para gritar, ROUBAR e matar seu semelhante nas ruas. Para ir para essas mesmas ruas e pedir a CABEÇA de políticos imundos, nem um pio. Nem mesmo da classe média e da nação COXA idiota e reaça de direita, que foi bater panelas nas ruas pedindo o impeachment de Dilma. Como se a situação hoje estivesse minimamente melhor do que quando o PT estava no poder (e repetindo aqui também o que já dissemos antes: o petismo também cagou e roubou tudo o que pôde durante sua permanência no comando da máquina pública e deve PAGAR JUDICIALMENTE por seus crimes; mas… e as outras QUADRILHAS políticas do país, notadamente PMDB e PSDB, sairão ILESAS e IMPUNES dessa história?). muito pelo contrário: em quase um ano de governo golpista, o fundo do poço parece não ter fim para o Brasil. E a coxarada verde-e-amarela segue caludinha, sentido dor quase orgásmica com o cabo da panela enfiada em seu rabo até o talo mas sonhando com um super-homem (Sérgio Moro? Ahahahaha) que venha salvá-la, ulalá!

Amigos e leitores diletos vão reclamar por certo mais uma vez que estamos abandonando (como jornalista de cultura pop) nosso olhar e comentários sobre rock’n’roll e rock alternativo. Talvez. É que o desalento político e social tem nos consumido diariamente como ser humano. Daí publicarmos textos desta natureza ultimamente aqui e em nossa página no faceboquete. Mas feita ESTA postagem vamos TENTAR publicar menos textos sobre a imundície política brasileira. Não adianta mesmo ficar indignado aqui ou na rede social. Não resolve. O Brasil, ao que parece e pelo desenrolar dos acontecimentos, só vai sair do horror em que se encontra na hora em que houver um LEVANTE SANGRENTO da população nas ruas.

 

***Obs: e Moreira Franco (o “Angorá”, na delação de corrupção da Odebrecht) conseguiu se manter Ministro e com foro privilegiado. Decisão do STF. Traduzindo: tá tudo DOMINADO pelo governo GOLPISTA e seus asseclas. Novamente citando Conrad: o horror, o horror!

 

 

FIM DE TRANSMISSÃO

O postão fica por aqui mas voltamos com o que importa na cultura pop, no rock, na política e na sociedade em algum momento depois da esbórnia nacional por conta dos festejos momescos. Até breve!

 

(enviado por Finatti às 13hs.)

Hollas povo! Blogão zapper de volta em sua versão 2017, o ano que promete ser tão pavoroso e horroroso quanto foi 2016, alguma dúvida quanto a isso? De modos que este espaço online retorna com mudanças em sua pauta editorial – mais focada no comportamento e na política, mas ainda mantendo também o olhar sobre o rock alternativo e a cultura pop em geral; e com os tempos bicudíssimos pelos quais estamos passando fazemos o convite: não está na hora de IRMOS TODOS PRA RUA E PRO PAU PRA VALER?

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2017 já chegou chegando com o mesmo horror e a mesma crise (social, moral, ética, política e econômica) vivenciada pelo país em 2016; assim o blog retorna com nova linha editorial e adotando um viés mais comportamental e político em seus posts, mas sem abandonar o rock e a cultura pop, além de lamentar profundamente neste primeiro post do ano o falecimento de dona Marisa Letícia que, ao lado de Lula (ambos acima) deu exemplo de humildade e simplicidade ao povo brasileiro; por outro lado seguimos atentos aos movimentos do rock’n’roll planetário e da cultura pop em geral na nova seção Microfonia, que destaca aqui o novo e vindouro disco do veterano Blondie (abaixo)

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Bem-vindos a 2017. O ano do monstro do pântano, do cachorro louco, do trem desgovernado, chame como quiser. Exagero? Sério que você acha que estamos exagerando? Vejamos: no primeiro mês do ano (janeiro, sempre o pior dos meses, como já bem observou o saudoso grupo paulistano Ludovic) o sistema prisional brasileiro entrou em colapso absoluto. Dominados por facções criminosas (como PCC e Comando Vermelho) cada vez mais poderosas alguns presídios do país (especialmente nas regiões Norte e Nordeste, as mais desassistidas pelo poder público desde que o Brasil existe como nação) deram show de horror (com direito a repercussão gigante na mídia internacional), com mais de uma centena de presos sendo massacrados por integrantes de facções rivais. Boa parte dos assassinatos teve requintes de crueldade extrema, com cabeças sendo decepadas. Pior: diante de tal barbárie boa parte da estúpida população classe média reaça de direita brasileira salivou de satisfação, torcendo para que houvesse um massacre por dia nas prisões pelo país afora – a clássica “higienização social”, defendida por gente que possui merda na cabeça ao invés de neurônios. Um pensamento estúpido e hediondo enfim, típico de quem se tornou bestial, selvagem, é ignorante e não possui o mínimo conhecimento histórico e/ou social dos problemas que corroem esse país vira lata e de quinto mundo chamado Brasil.

O que mais? Dívida pública fora de controle – superou a casa dos R$ 150 bilhões. PEC do inferno e do fim do mundo arrasando a educação e saúde públicas pelos próximos vinte anos, sendo que a educação pública brasileira já está no buraco há séculos. Estados como Rio De Janeiro e Rio Grande Do Sul absolutamente FALIDOS. Mais de doze milhões de desempregados espalhados pelos quatro cantos do país. Lava Jato andando a passos de tartaruga. Ok, nunca imaginamos que veríamos figurões como Eduardo Cunha, Eike Batista, Marcelo Odebrecht e dois ex-GOVERNADORES de Estado (no caso, Sérgio Cabral e Anthony Garotinho, ambos do Rio De Janeiro) atrás das grades. Mas, e o resto? E os mais de duzentos políticos citados nas delações da Odebrecht? Por que ainda não foram processados e, se provada sua culpa, também não foram condenados à prisão? Por que Sérgio Moro, comandante-em-chefe da Lava Jato, se mostra tão tirano e PARCIAL em várias de suas decisões e sentenças? Onde está a QUADRILHA do PSDB nessa parada, com vários políticos já citados em dezenas de delações e nenhum deles realmente investigados pela força tarefa de Curitiba, como se estivessem estranhamente BLINDADOS pela Justiça e pelos processos investigatórios em curso? O que parece é que há conchavos e tenebrosas transações na calada da madrugada à vista, entre os Três Poderes para mitigar ao máximo possível os resultados finais das investigações. E o Ministro Teori? O avião em que ele estava caiu ou FOI CAÍDO?

Tudo isso que está aí em cima foi pensado e repensado como tema do primeiro post deste ano de Zap’n’roll. Yep, o blog mudou e vai mudar mais ao longo dos próximos meses. Saem os diversos tópicos que eram publicados em formato de revista eletrônica/virtual, entra via de regra (poderá haver exceções de acordo com o que rolar ao longo da semana em que o post for publicado) um tópico ÚNICO (como este que você está lendo) e abordando um tema específico, como estamos fazendo nesta reestreia do blog em 2017. E além deste tópico único e mais longo a seção “Microfonia” (ahá!) substitui o “O blog zapper indica” ao final de cada post, falando em poucas linhas do que importa e reverbera na cultura pop, no comportamento, em discos, bandas, filmes, livros, TV, baladas, passeios, exposições, viagens, acontecimentos variados etc.

De modos que voltemos ao tema que deu início a este tópico: como está o país nesse exato momento. Sim, as coisas estão ruins no Brasil. Muito ruins, diríamos. O autor deste blog está com 5.4 de existência nas costas. Passou sua infância e toda a sua adolescência vivendo em um país que foi conduzido politicamente por uma ditadura militar que durou mais de duas décadas e que é em grande parte responsável pela situação algo calamitosa que enfrentamos atualmente. Graduado que é em curso de História, Zap’n’roll compreende muito bem toda a estrutura e toda a trajetória que nos últimos quarenta anos levou a nação a chegar ao abismo em que ela se encontra nesse momento. O país já esteve ruim, fato (quem quiser ter uma aula portentosa sobre as últimas quatro décadas do Brasil na esfera social, política e econômica, basta ler “A segunda mais antiga profissão do mundo”, tomo reunindo textos do inesquecível Paulo Francis, um dos maiores nomes da história do jornalismo brasileiro, sendo que o livro foi lançado no final do ano passado pela editora Três Estrelas, braço editorial do grupo que edita o jornal Folha De S. Paulo). Mas nunca como agora, talvez. Os (des) governos militares, que tomaram o poder em 1964 e só saíram dele em 1985 pensavam no “Brasil Grande”. Daí o investimento em obras faraônicas (como a usina hidrelétrica de Itaipu ou a rodovia Transamazônica, que não foi concluída até hoje) que trouxeram endividamento público monstro ao país, além de enriquecer ilegalmente o bolso de muito general – só que naquela época o regime militar controlava toda a informação de mídia, daí que o populacho jamais ficava sabendo dos desvios de milhões e da corrupção que campeava solta na esfera pública, exatamente como ocorre hoje. Ao menos agora felizmente estamos numa democracia (ainda que frágil e que precisa ser fortalecida ao máximo e a todo custo), e temos acesso total à informação e a tudo (ou quase tudo) que ocorre no país. Por isso é um erro crasso e grosseiro achar que todos os males e mazelas do país surgiram de década e meia pra cá, com os governos petistas. E não, o blog não está fazendo defesa aqui do petismo e jamais irá se colocar como advogado do PT, de Lula, Dilma, de quem quer que seja. O que queremos dizer é simples e básico: absolutamente TODOS os governos e todos os partidos que estiveram no poder e na gerência do Brasil e da máquina pública pós-ditadura militar, herdaram os piores vícios dessa ditadura. Todos (tanto PT quanto PSDB, PMDB e partidos nanicos e menos importantes no espectro político nacional) cometeram zilhões de erros, todos se locupletaram e se lambuzaram quando estiveram no comando da nação. Fernando Collor, o primeiro presidente eleito democraticamente após a ditadura? Foi impichado por ser o facínora que todos sabem que ele é. O sociólogo Fernando Henrique? Fez um primeiro mandato ok e se perdeu na busca pela reeleição, deixando o país novamente sob a sombra da inflação, além de tornar os ricos mais ricos e os pobres mais pobres do que nunca. O metalúrgico Lula? Cometeu sim zilhões de erros. Mas fez o Brasil prosperar durante seus dois mandatos, tirou mais de quarenta milhões de pessoas da pobreza absoluta e deixou o governo com recorde de aprovação popular. Seu maior erro: fazer sua sucessora, Dilma, aquele poste e aquele poço de teimosia e arrogância que todos nós também sabemos que ela é.

O impeachment dela foi justo? Óbvio que não e quem tem um mínimo de massa encefálica sabe que os objetivos para o impichamento de Dilma eram claríssimos: deter a Lava Jato a qualquer custo (ou ao menos minimizar um pouco seu efeito devastador na classe política brasileira, a mais CORRUPTA e IMUNDA do universo) e fazer as reformas que vão deixar os muito ricos do país (cerca de 1% da população) cada vez mais ricos e os restantes 99% cada vez mais falidos e fodidos. Mas é claaaaaro que a coxarada BURRA e ESTÚPIDA (o grosso de nossa classe média egoísta, ignorante, reacionária e conservadora como só ela sabe ser) que saiu às ruas e bateu panela pedindo a destituição da presidente não entende nada disso e achou que o (des) governo golpista do mordomo de filme de terror chamado Michel Temer (ele próprio envolvido até o pescoço na Lava Jato) iria resolver todos os problemas do Brasil da noite para o dia. Não resolveu, claro. Aliás tudo está muito pior do que há seis meses. Mas coxa otário que é coxa otário não dá o braço a torcer: com o cabo da panela agora enfiado no rabo ele amarga quietinho e caludinho o desastre que apoiou, via movimentos reaças como o MBL e através de políticos populistas e sem um pingo de envergadura moral para exigir o mínimo de lisura no trato da coisa pública.

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Não deixa de ser um certo alivio ver figurões pilantras como Eike Batista e Sérgio Cabral (acima) atrás das grades; mas a situação do país continua horrenda e parece estar chegando a tal grau de esfacelamento das instituições que talvez seja necessário ocorrer aqui o que aconteceu na Revolução Francesa: decepar algumas centenas de cabeças de políticos imundos na guilhotina (abaixo); assim, quem sabe, o Brasil entra nos trilhos novamente

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E o que mais espanta em todo esse quadro absolutamente assustador é como a população brasileira se mostra completamente inerte, passiva, dócil, serviçal e subserviente diante de tudo o que está acontecendo. Chega a ser um paradoxo estarrecedor e inexplicável: o Brasil se tornou um dos países mais VIOLENTOS DO MUNDO. A sociedade é bruta, bestial, selvagem e ignorante. Aqui se mata por qualquer motivo, do mais fútil (discussão e briga entre bêbados numa mesa de bar) ao mais torpe (em roubos seguidos de morte, por exemplo). Você sai para a rua para trabalhar sem saber se irá voltar vivo para casa no final do dia. Os dados já fartamente publicados em centenas de matérias na mídia impressa e eletrônica atestam: são cerca de 60 MIL ASSASSINATOS POR ANO no Brasil. Uma autêntica carnificina e guerra civil não declarada. Isso sem contar os números assustadores de atos de violência contra as mulheres (estupro incluso, óbvio), também dos mais altos do planeta. E isso também sem contar a violência policial no país, que possui um dos efetivos mais truculentos e vergonhosamente mal preparados e remunerados do mundo.

Pois é essa mesma população, tão bestial e violenta e que agride e mata o outro por qualquer motivo, que se mostra absolutamente passiva e inerte diante de toda a calhordice/canalhice que a nossa classe política nos impõe diariamente – em qualquer país minimamente sério do planeta nomes como Renan Calheiros, Romero Jucá, Aécio Neves e Geraldo Alckmin estariam atrás das grades, e não ocupando cargos públicos ou políticos. . Parecemos carneirinhos quando o assunto é algum escândalo político. Não sabemos votar desde sempre (isso é um fato inquestionável). E nos comprazemos em reclamar apenas em redes sociais, quando não estamos mais ocupados em dar likes em memes estúpidos ou em fotos fúteis, inúteis e superficiais. Isso tudo é o Brasil, o país que foi celebremente definido na frase do presidente francês Charles De Gaule: “O Brasil NÃO É UM PAÍS SÉRIO”. Nunca foi, aliás. E pelo jeito não será jamais.

O autor deste blog sempre foi contra a violência e contra matar quem quer que seja. Mas a situação do país está chegando (ou já chegou) a um tal ponto que talvez apenas uma solução RADICAL resolva a situação por aqui. Qual seria essa solução? Algo na linha da Revolução Francesa, quando a população pobre e oprimida foi PRA RUA E PRO PAU PRA VALER, e todo mundo sabe o que aconteceu: centenas de cabeças de políticos sujos e que não estavam nem aí para o populacho foram decepadas nas gilhotinas. Talvez fosse o caso de acontecer algo semelhante por aqui…

O Brasil é um país ruim? É o fim do mundo? Claro que não. Somos ainda a décima economia do planeta. O país possui uma beleza natural avassaladora (estas linhas online sabem muito bem disso pois conhecem o Brasil de norte a sul), é riquíssimo em recursos naturais e sua agricultura é das mais poderosas do mundo. Rola muito dinheiro aqui. Mas infelizmente a maior parte dessa grana gigantesca escoa pelo ralo sem fundo da corrupção. Outra parte, também gigantesca, fica nas mãos dos super ricos que existem aqui (vale repetir: cerca de 1% da população). E o resto… bien, o que sobra tem que ser dividido entre os 99% restantes da população. Não há nação e sociedade que resista a isso pelo resto da vida.

Se você leu até aqui, ótimo. Se gostou e concordou, melhor ainda. Se detestou, o painel do leitor está lá para que você faça seus comentários. Mas basicamente é isso e é essa a nova postura editorial do blog: um assunto importante do momento por post. E para abrir os trabalhos neste por enquanto mega tenebroso 2017, achamos que tínhamos a OBRIGAÇÃO de nos posicionar e falar sobre o que pensamos da situação atual do Brasil. Agora aí embaixo tem a seção “Microfonia”, mais leve e com o que reverbera (em poucas linhas) ainda na cultura pop.

É isso. Zap’n’roll, ano 14 no ar. Segue o jogo!

 

***Obs e fikadika: os textos do chapa André Forastieri (tanto no seu blog quanto na sua página no Facebook) continuam primorosos e radiografam com precisão como está a situação no Brasil atual. Um dos últimos é esse aí embaixo, que tomamos a liberdade de reproduzir no blog zapper. Leiam!

 

XXX

 

(texto postado por André Forastieri em seu Facebook, esta semana)

 

Sabemos hoje o mesmo que sabíamos no dia que Teori Zavascki morreu. O avião caiu. O juiz e os outros morreram. Foi a chuva, falha mecânica, barbeiragem do piloto? A Aeronáutica divulgou laudo dizendo que os dados extraídos do gravador “não apontam qualquer anormalidade nos sistemas da aeronave.” Foi assassinato? São dezenas, talvez centenas de pessoas que se beneficiaram da morte dele. Estão sendo investigados?

Não sabemos. Já mudamos de assunto. Agora é Eike Batista. A careca. A cela. O que ele almoça e janta. A reação dos filhos. Luma nas redes sociais. A prisão de Eike vem no momento perfeito para nos fazer esquecer Teori. Tirar o foco dos “acordos” da União com o Rio, que força arrocho no funcionalismo e privatização (e outros Estados estão na fila). Distrai da reeleição de Rodrigo Maia para a presidência da Câmara. Do acordo no Senado, com Eunício de Oliveira, o tesoureiro do PMDB, na presidência, e Renan como líder do governo.

Para não falar das “reformas” que nos aguardam, da Previdência para começar. Da ajuda bilionário às teles, da Operação Oi… a lista vai longe.

Distrai, principalmente, de Carmem Lúcia Antunes Rocha, presidente do Supremo Tribunal Federal, sempre elogiadíssima, reservada, discreta, técnica, teve até Caetano Veloso cantando para ela quando foi empossada…

Carmem Lúcia homologou as 77 delações premiadas da Odebrecht. Mantém sigilo sobre todas. O procurador geral da República, Rodrigo Janot, não pediu a suspenção do sigilo. Por quê? Não explica. Nem ela.

O sigilo vai até quando? É difícil e fácil responder. Em casos anteriores Janot pediu a Teori que fosse suspenso o sigilo. No caso de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, foram só vinte dias. No caso do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, foram 166 dias.

Agora são 77 delações, só da Odebrecht. Podem demorar vinte dias, 166 dias, mais, menos. Podem ficar pro dia de São Nunca. A delação de Otávio Azevedo, ex-executivo da construtora Andrade Gutierrez, foi homologada em 6 de abril de 2016. Até agora seu conteúdo é secreto.

E é facílimo responder. O sigilo vai durar o tempo necessário para que vazamentos seletivos abatam os inimigos políticos do governo. Até que acordos sejam feitos para que os poderosos citados nas delações negociem saídas. Até que a missão do atual governo seja cumprida.

Atenção: o governo não é o Planalto. O governo é o amálgama de interesses entre o Executivo, Legislativo e Judiciário. O que os une é a submissão ao grande Capital e a compreensão que a maioria dos brasileiros não tem noção do que acontece no Brasil, nem imaginação para sonhar com outro país, e muito menos energia para construi-lo. O que move o Brasil é a inércia.

Foi nessa prostração, na falta de proteína do nosso povo, que apostaram os governos que se seguiram à ditadura, do PSDB e do PT. Os únicos partidos de verdade do país, porque orgânicos, representantes de grupos sociais de verdade. Governaram com o pior da política brasileira. Enricaram os ricos, deram umas esmolas para os pobres, garantiram sua parte. Lambuzaram-se. É o habitual em política, aqui e em qualquer lugar – aqui com mais ganância e descaramento, talvez.

Quando a economia global virou, o cobertor encurtou. Alguém ia ter que pagar a conta. Temos uma elite ultra-privilegiada: não paga impostos, nem na jurídica, nem na física; nem imposto de herança. Tem os maiores rendimentos do planeta Terra, bastando manter seu dinheiro no banco, emprestado ao governo, que é seu empregado. Assim se empurrou a conta para a classe média, os pobres e os miseráveis. É o que Dilma fez. É o que Temer faz, de maneira ainda mais cruel e inconsequente, começando pela PEC do Teto, chamada pela ONU de “o mais radical pacote de austeridade do planeta”.

O impeachment teve outras três funções importantes. A primeira foi exterminar o PT, o que foi feito (com a devida colaboração do próprio PT, que desperdiçou seu capital simbólico e seu mandato histórico). Falta retirar os direitos políticos de Lula, o que inevitavelmente virá ainda em 2017.

A segunda missão da conspiração era, com a desculpa de que o país e os estados estão “quebrados”, forçar privatizações a toque de caixa. A preço amigo, para empresas amigas, e naturalmente com as devidas comissões enchendo os devidos bolsos. É o que está acontecendo. E o terceiro objetivo era minimizar os estragos da Lava Jato.

É evidente que os políticos no Executivo e no Legislativo não tinham como fazer tudo isso sem a colaboração do Judiciário. Mas a História é dinâmica, seus atores são múltiplos, e quanto mais complexa a sociedade, maior a probabilidade dos melhores planos darem com os burros n´água.

O Brasil não seguiu o roteiro previsto. Nem na economia e na política, que seguem afundando, nem na Justiça. A Lava-Jato é um pequeno e patético passo na direção de um Brasil mais transparente; a turma de Moro, messiânica e parcial; mas bem melhor que nada. E ver na cadeia Marcelo Odebrecht, Eike, Cunha etc. deve tirar o sono de muitos bacanas.

Que bacanas? Não sabemos. É sigilo…

Das 77 delações, conhecemos os nomes citados em apenas uma delação. Alguns famosos: Aécio, Pallocci, Romário, Skaf, Renan, Mantega, Geddel, Romero Jucá, Eliseu Padilha, Kátia Abreu, Eunício Oliveira, Rodrigo Maia. Entre os que ocupam cargo no governo: Antônio Imbassahy (novo secretário de governo de Temer), Bruno Araújo (Ministro das Cidades) , Kassab, Moreira Franco… e Temer. Faltam 76 delações. Imagine o que vem – ou viria – por aí.

Além de manter sob sigilo as delações, Carmem Lúcia faz suspense sobre o método que usará para selecionar o novo relator da Lava-Jato. A maioria aposta que ela vai optar pelo sorteio. E é muito provável que somente entre os integrantes da Segunda Turma do STF: Gilmar Mendes, Toffoli, Lewandoski e Celso de Mello. Nenhum especialmente fã da Lava Jato, para dizer o mínimo. Mesmo que fosse entre os dez integrantes do plenário, a perspectiva é nada animadora – ainda mais considerando esse sigilo sem fim e sem lógica.

A cereja no bolo: nesta quarta-feira, no mesmo dia que Carmem Lúcia determina como será a escolha do relator, também está na sua mesa uma ação que pode… transformá-la em Presidente da República.

É a ação da Rede Sustentabilidade, que questiona se um réu no STF pode ocupar a linha de sucessão da presidência. O julgamento foi inciado no dia 3 de novembro. O relator, Marco Aurélio Mello, e outros cinco ministros votaram pela impossibildade de haver réus na linha sucessória. Réus como… Rodrigo Maia e Eunício de Oliveira. Se o STF seguir nessa linha, em caso de afastamento de Temer, quem assumiria a presidência seria a presidente do STF, a própria Carmem Lúcia. É um caso chocante conflito de interesses, mas a gente não se choca com mais nada.

O que faria Teori se estivesse vivo? Jamais saberemos. Felizmente para um grande número de poderosos, ele está morto.

O conluio Executivo-Legislativo-Judiciário botou suas cartas na mesa. Ao que parece, a jogada é empurrar com a barriga a Lava-Jato, aprovar as “reformas” que der, privatizar tudo voando e chegar até 2018 fora da cadeia e com os bolsos cheios. Se a situação fugir do controle, e Temer perder o mandato, improvável, assume – veja só – Carmem Lúcia.

Com ela ou com Temer, em 2018 tem eleição e em 2019 teremos outro governo. Que será o mesmo governo. Porque será o mesmo STF e os mesmos políticos, obedecendo aos interesses dos mesmos poderosos. E segue a farsa…

São cartas marcadas. Difícil virar o jogo. Talvez o melhor seja virar a mesa.

 

XXX

 

MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, o rock, discos, bandas, shows, livros, filmes, baladas etc.)

 

***Barão sem Frejat – a cena rock BR oitentista foi agitada logo no início do ano com a notícia da saída do guitarrista e vocalista Roberto Frejat do Barão Vermelho. Frejat, amigo pessoal destas linhas bloggers rockers há anos, criou sua identidade na banda onde atuou por mais de três décadas. Prefere agora seguir carreira solo. Os barões remanescentes (entre eles os fundadores Guto Goffi e Maurício Barros) anunciaram que o grupo segue em frente: para cantar no conjunto foi convocado Rodrigo Suricato, do grupo homônimo e revelado no programa The Voice Brazil, da TV Globo. E a turma já quer sair em nova turnê a partir de maio próximo. Daqui o blog deseja sorte e sucesso tanto a Frejat em fase solo quanto ao Barão em sua nova formação.

 

***Psicodelia e não romance na praia brava – Ademir Assunção é da velha e grande geração de jornalistas lokers/rockers da imprensa cultural brasileira que importou nos anos 80’ e parte dos 90’. E além de jornalista publicou mais de uma dezena de livros. O mais recente, “Ninguém na praia brava”, saiu no final de 2016 (editora Patuá) e Zap’n’roll está devorando o mesmo com prazer absoluto. Trata-se de uma ficção psicodélica e maluca, onde o personagem principal (o escritor chamado Ninguém) se isola numa praia onde pretende escrever um romance que depois será vendido a um grande estúdio em Hollywood, tornando o autor do livro milionário. Isso é um resumo (im) possível do livro de 192 páginas, mas ele possui um texto total desconstrutivista, não linear e repleto de referencias à cultura pop e ao rock’n’roll. Interessou? Vai na página do Ademir (que também já gravou um disco, “Viralatas de Córdoba”, que saiu há uns três anos mas sobre ele falamos melhor em outro post) no Facebook: https://www.facebook.com/ademir.assuncao?fref=ts. Ou então entra no site da Patuá: http://www.editorapatua.com.br/index.php.

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***Velhões do rock’n’roll de volta – já que o “novo” rock planetário parece estar mais morto do que vivo atualmente (tem o novo disco dos ingleses do Temples, “Volcano”, saindo agora no começo de março; já é alguma coisa), cabe à velha guarda manter-se na ativa. Depeche Mode e Blondie anunciaram seus novos lançamentos: “Spirit”, o novo do DM chega às lojas em 5 de março e a banda cai na estrada logo em seguida, jurando que dessa vez passa pela América Do Sul. Já o lendário combo new wave americano liderado eternamente pela loiraça Debbie Harry vem com “Pollinator”, que sai em 17 de maio e que traz uma renca de participações especiais (Laurie Anderson, a lenda Johnny Marr e Nick Valensi, um dos guitarristas dos Strokes). Não é por nada não mas o blog zapper bota mais fé no álbum do Blondie. A conferir ambos logo menos, sendo que as capas dos referidos CDs estão aí embaixo e também o primeiro single (áudio) extraído do novo trampo do Blondie.

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***Rock nacional pra conferir – é a estreia do quarteto paulistano Kamboja, que lançou seu primeiro cd pelo sempre venerável selo Baratos Afins. A praia dos caras é heavy/classic rock setentista (algo entre ZZ Top e Kiss), o som não é exatamente o que o autor destas linhas online curte, mas dentro do que eles se propõem a fazer é um disco de responsa. Fora que o batera é o figuraça Paulão, que também toca no Baranga e é um dos sujeitos mais queridos na cena rock paulistana. Vale a pena conferir e você pode saber mais sobre o grupo aqui: https://www.facebook.com/BandaKamboja/.

CAPACDKAMBOJA

 

***Prêmio especial para o jornalista loker e eternamente rocker – yep, rolou a edição 2017 do Prêmio Dynamite de Música Independente, no último dia 25 de janeiro. Zap’n’roll concorreu na categoria melhor blog mas não ganhou (quem levou foi o Tenho Mais Discos do Que Amigos). Porém fomos surpreendidos (de verdade!) com um troféu especial que ganhamos em reconhecimento à nossa trajetória de trinta anos no jornalismo musical brasileiro. Este Finaski agradece emocionado ao querido André Pomba e a toda a equipe que organiza uma das premiações mais importantes da música brasileira há mais de uma década.

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O jornalista ainda loker e eternamente rocker exibe o seu troféu especial do prêmio Dynamite, ganho em reconhecimento à sua trajetória de 30 anos no jornalismo musical brazuca

 

***E no último finde em Maringá (PR)… – rolou Noitão Zap’n’roll com DJ set matadora do blog. Foi no bar The Joy (pequeno, aconchegante e charmosíssimo na sua decoração) e a madrugada foi incrível, com discotecagem também do brother Flávio Silva. Finde incrível, ótimos sons, ótima bebida (muuuuuita vodka Skyy com energético) e o carinho e a atenção dos queridões Paty Ramirez, Vanessa e Anderson. Valeu turma e queremos voltar para nova noitada assim que possível.

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Zap’n’roll bota pra foder no noitão do blog no último finde em Maringá, Paraná: até as paredes dançaram!

 

***Duas baladas legais pra este sabadão em Sampa, 4 de fevereiro em si –  a festa K7 no Alberta (https://www.facebook.com/events/1863573717218896/?active_tab=about) e edição especial da Glam Nation (que rolava no finado Inferno Club), dessa vez no Olga 17 (https://www.facebook.com/events/632139330306508/). Escolha a sua e caia na pista!

 

 

FIM DE TRANSMISSÃO

E assim termina o primeiro postão zapper de 2017. Blog mais político e social mas ainda de olho no rock alternativo e na cultura pop. Ficamos por aqui com a alma e o coração algo cinzas pelo falecimento de dona Marisa Letícia e deixando nosso carinho, afeto e condolências à Lula e a toda sua família. Força Lulão!

E nos vemos novamente no próximo post. Até lá!

 

(enviado por Finatti às 13hs.)