AMPLIAÇÃO LEGAL no postão gigantão (informando com EXCLUSIVIDADE o novo endereço do Grind, a domingueira rocker mais famosa da noite paulistana, resumindo como foi o Lolla BR 2017 e dando infos sobre festas legais neste finde em Sampa, com gig do grupo Trem Fantasma)! – Com o rock’n’roll planetário da era da web total flácido, caído e irrelevante, quem ainda salva a parada são os VELHÕES dos anos 80’ como os ainda gigantes The Jesus & Mary Chain e Depeche Mode (que toca no Brasil em março do ano que vem, em gig única na capital paulista), que acabam de lançar seus novos discos e sobre os quais você lê nesse post zapper; a volta da musa rocker do blog com uma gata total abusada e fã de sexo, rock’n’roll, jazz, literatura (ela já publicou quatro livros!) e poesia, ulalá! E as notícias hot do mondo alternativo e da cultura pop em Microfonia, como a edição deste ano do Lollapalooza BR que rola neste finde em Sampa, além da estréia da continuação do clássico cinematográfico da cultura pop, “Trainspotting” e da vinda do shoegazer noventista Slowdive para gig única no Brasil em maio (postão BOMBATOR, atualizado e ampliado em 29/3/2017)

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Dois gigantes do pós-punk britânico dos anos 80’ voltam com novos discos fodões: The Jesus & Mary Chain (acima, em imagem clássica da banda) e Depeche Mode (abaixo, em foto da atual turnê mundial e que chega ao Brasil apenas em março do ano que vem) se mostram em forma e também ensinam aos grupelhos atuais como ainda fazer rock’n’roll relevante

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MICROFONIA, PARTE II

(ampliando o que já estava ótimo!)

***Festa Grind muda de endereço – yep, por quase duas décadas a domingueira rocker mais clássica e célebre da noite under paulistana, comandada pelo super DJ André Pomba, foi abrigada no clubinho gls A Loca. Mas como tudo acaba um dia o Grind saiu de lá há duas semanas (por divergências entre a casa e o DJ Pomba) e já deve estrear em novo endereço neste domingo – provavelmente no clube Desmanche, na rua Augusta. Zap’n’roll cansou de freqüentar o Grind na Loca e aprontou tudo o que pôde nele: foram inesquecíveis nossas trepadas nos banheiros e no dark room, as devastações nasais e as DJs set que sempre fazíamos por lá na semana do nosso aniversário. Agora o blog deseja que o mesmo sucesso continue no novo local, sendo que estamos enviando ao fofolete Pomba algumas perguntas sobre a nova fase da festa rock’n’roll que anima pra valer o povo aos domingões em Sampalândia.

 

***EXTRA! – Definido o novo local e a data da reestréia do lendário Projeto Grind, do DJ Pomba, que acaba de conceder ao blog, em matéria EXCLUSIVA, uma mini-entrevista sobre o assunto. Leiam abaixo:

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Dupla rock’n’roll eterna: Zap’n’roll e o DJ Pomba, que comanda há quase duas décadas a festa Grind; ela muda de local a partir da semana que vem

Zap’n’roll  – O Grind se tornou um clássico da noite alternativa paulistana. Permaneceu por 19 anos no club A Loca e esta semana anunciou sua saída de lá? O que houve, afinal?

André Pomba – Simplificando bastante, foram divergências financeiras e administrativas que foram se acentuando até o rompimento ser inevitável. Como considero minha relação com o clube como a de uma família, acabou-se tolerando muita coisa por conta dos 19 anos de convívio diário. Agora bola pra frente! Espero que o Clube Alôca possa recuperar sua posição na noite paulistana e da minha parte estou com entusiasmo renovado para novos desafios.

 

Zap – O projeto, ao que parece, vai continuar mas em novo endereço. E já há, também ao que parece, várias casas noturnas interessadas em abrigar a domingueira pop/rock mais famosa da capital paulista. Você já se decidiu qual será o novo lar do Grind?

Pomba – sim, no dia seguinte ao anunciar a minha saída recebi várias propostas, conversei com várias donos de casas noturnas. Sempre entendi que precisava de um local na região do Baixo Augusta com uma estrutura similar à Alôca, com duas pistas, palco pra shows e vários ambientes. Então foi fácil fechar com o DJ Click para fazer no Espaço Desmanche (onde era o mítico Vegas). A diferença é que o Grind agora vai começar a meia-noite, assim que encerrar a matinê da casa, de música brasileira, chamada Tereza.

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O super DJ André Pomba, um dos nomes mais conhecidos da noite paulistana, ao lado do também DJ e produtor de eventos Click; a lendária domingueira rocker Grind reestréia no próximo dia 9 de abril, domingo, na casa noturna Espaço Desmanche, na rua Augusta em Sampa

 

Zap – Quando o projeto reestréia?

Pomba – em 9 de abril, domingo meia-noite, com uma super festa de aniversário: a minha mesmo de 53 anos ahahah

 

Zap – Haverá alguma diferença no Grind por conta da sua mudança de local ou ele seguirá mantendo a formula musical que o consagrou por quase duas décadas na Loca?

Pomba – sendo objetivos: uma pista tocará rock como sempre tocamos de todas as épocas e outra pop mais atual. O importante é saber se reciclar sem perder a essência. Acho que conseguiremos trazer um público novo que já frequenta os clubes do Click (Tex, Desmanche e Blitz), com a galera que já frequenta o Grind há anos, como a eterna missa de domingo dos loucos da noite paulistana!

 

***Como foi o Lolla BR 2017 – num resumo ultra rápido e sendo que acompanhamos o festival no conforto do nosso sofá cama? Bão, vamos lá. Merdallica: foi a MERDA cover de si mesma que já era esperada, nenhuma novidade (além das músicas do disco novo inclusas no set). The XX: o trio electro dream pop inglês mostrou que é um dos pouquíssimos nomes relevantes do rock dos anos 2000’. Melodias oníricas e impecáveis, bordadas com esmero e melancolia. Duran Duran: os velhões do new romantic oitentista vieram botando pra foder e fizeram a multidão (de velhos, novos, os caralho) cair na dança sem culpa. Enfeixaram um caminhão de hits em uma exígua hora de apresentação e ainda se deram ao luxo de deixar clássicos como “Save A Prayer” e “The Reflex” de fora do repertório. Foi provavelmente o MELHOR show de todo o festival. The Strokes: já estavam péssimos em disco há séculos. E agora também perderam a mão ao vivo: gig preguiçosa, Julian Casablancas gordola e se arrastando no palco como um mamute e os guitarristas errando as notas em algumas passagens. O set começou ruim, engatou um pouco no meio e terminou pior ainda. Nem de longe lembrou a banda que esteve aqui pela primeira vez em 2005 (no finado Tim Festival) e fez uma apresentação INSANA para um público idem. E sobre Lolla, é isso. Chega, né?

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Merdallica no Lolla BR 2017: a merda de sempre (fotos: produção Lollapalooza)

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O trio inglês The XX: lindas canções com melodias oníricas

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Os velhões do Duran Duran: melhor show do festival

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Os Strokes: já estavam ruins em disco e agora estão também no palco, com gig preguiçosa e erros nas passagens das músicas

 

***Trem Fantasma na área – um dos melhores grupos da novíssima cena independente brazuca, o quarteto curitibano estará em Sampa neste final de semana (leia-se: 31 de março e 1 de abril). Eles vêm fazer gigs de lançamento do seu primeiro disco completo, o muito bom “Lapso”, que saiu no final do ano passado e que traz doses concentradas de rock setentista e psicodelia. O grupo toca na sextona em si, DE GRAÇA, em pocket show às sete da noite na Fnac da avenida Paulista. E também no sábado no bar Serralheria, sendo que todas as infos sobre as duas apresentações estão aqui: https://www.facebook.com/events/682653255256160/. E você pode conhecer o som da galera aí embaixo:

 

***Festa legal, I – a lindaça e gatíssima DJ Vanessa Porto (dileta amiga destas linhas bloggers rockers) comanda bailão rock’n’roll nessa sexta-feira, na Barra Funda, com direito a gig do ótimo trio surf instrumental paulistano Os Brutus. Quer saber onde rola? Vai aqui: https://www.facebook.com/events/242991809497407/?notif_t=plan_edited&notif_id=1490813406969489.

 

***Festa legal, II – já no sabadão em si, 1 de abril, tem mais uma edição da sempre ótima Combo Hits, comandada pelos queridões DJs Romani e João Pedro Ramos, lá no Lab Club, no baixo Augusta. Garantia de ótimos sons pra dançar a madrugada toda, sendo que as infos completas sobre a balada estão aqui: https://www.facebook.com/events/1924928314406258/?active_tab=about.

 

***É isso, rockers & lovers. Agora postão encerrado meeeeesmooooo – ao menos por enquanto, hihihi. Muak!

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, o rock, discos, bandas, shows, livros, filmes, baladas etc.)

***Lollapalooza BR 2017 – rola neste finde em Sampa, né. E está muito evidente já que a programação deste ano é a mais fraca de todas as edições até agora e que, por isso mesmo, deverá haver sobra recorde de ingressos (eles ainda estão sendo vendidos pelo site do festival e também nas bilheterias do autódromo de Interlagos, onde vai rolar a maratona musical a partir de amanhã, sabadão em si). Também quem quer ver Merdallica pela enésima vez? Yep, tem algumas atrações bacanas aqui e ali no line up (como The XX, Rancid, Duran Duran e The Strokes, além de brasileiros como a sempre ótima Céu) mas absolutamente NADA que justifique o preço absurdamente extorsivo que estão cobrando pelos tickets. Mas enfim, se você vai boa sorte, sendo que todas as infos do Lolla podem ser acessados aqui: https://www.facebook.com/LollapaloozaBR/?fref=ts, e aqui: https://www.lollapaloozabr.com/. Estas linhas rockers bloggers vão acompanhar sim os dois dias de shows… no conforto da sua cama, pelo canal Multishow, uia!

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Strokes: eles fecham o Lollapalooza BR 2017 neste domingo

***Temples perdendo a mão no segundo álbum – yep, o quarteto inglês surgido em 2012 e que era uma das grandes promessas do rock britânico do novo milênio, desceu a ladeira em seu segundo disco, “Volcano”, que foi lançado no começo deste mês. Sobrou muito pouco das ambiências ultra sessentistas e psicodélicas que encantaram o mundo em “Sun Structures”, a estréia do grupo em 2014. Há boas melodias nas doze faixas do novo cd (que você pode conferir na íntegra abaixo) mas nada que chegue perto do primeiro e impactante álbum dos garotos. E assim mais um raro bom nome do rock atual é vencido pela maldição do segundo disco, infelizmente…

 

***A volta de “Trainspotting” – yeeeeesssss! Entrou ontem em cartaz nos cinemas brasileiros “T2 Trainspotting”, a continuação da saga dos quatro amigos escoceses viciados em heroína e que colocou o mundo e a cultura pop de cabeça pra baixo há vinte anos, quando o primeiro filme foi lançado. Duas décadas depois o novo longa mostra como está hoje a vida de Renton (o personagem central da trama, interpretado novamente por Ewan McGregor, claaaaaro!) e seus comparsas, tudo novamente sob a direção do mesmo Danny Boyle que realizou o filme de 1996. Todas as criticas à continuação têm sido mega elogiosas e tai um programão cinematográfico para os próximos dias.

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***Nova edição do Bailindie da saudade – o primeiro deu super certo e levou uma multidão de trintões e quarentões fãs de shoegazer e indie noise guitar rock ao centrão de Sampa há um mês. Daí que os DJs Plínio, Dina e Bispo vão colocar todo mundo pra dançar novamente ao som de My Bloody Valentine, Jesus & Mary Chain, Ride, Oasis, Happy Mondays, Blur, Lush etc, etc, etc. Anote na agenda: vai ser no próximo dia 7 de abril, sexta-feira, sendo que todas as infos estão aqui: https://www.facebook.com/events/1817114361871504/.

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***Anote na agenda, II –  o redivivo shoegazer Slowdive toca em São Paulo, no Cine Joia, dia 14 de maio, um domingo. Os tickets já estão à venda e mais infos você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/1167045813403956/.

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O shoegazer inglês Slowdive: gig em Sampa, em maio

***Anote na agenda, III –  antes quem também toca em Sampa é o músico carioca Raf F. Guimarães. Com uma carreira de quase duas décadas já e fazendo um rock experimental, psicodélico e low fi, Raf já lançou mais de vinte trabalhos, entre discos próprios e participações em outros projetos. Seu som é totalmente anti comercial e difícil até mesmo para os padrões da indie scene nacional. Interesssou? Ele se apresenta solo e apenas com guitarra e voz dia 13 de abril (véspera do feriado da sexta-feira santa) na Sensorial Discos.

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***É isso? Yep, por enquanto é.

 

 

O ROCK DO NOVO MILÊNIO SEGUE CAINDO AOS PEDAÇOS E OS VELHÕES JESUS & MARY CHAIN E DEPECHE MODE RETORNAM PRA COLOCAR ORDEM NO GALINHEIRO ROCKER

Estamos em março de 2017 e o rock’n’roll da era da web (mesmo aquele, hã, mais alternativo) segue mal das pernas, quase que totalmente irrelevante e com a grande maioria das bandas lançando discos musicalmente inúteis e insípidos, que desaparecem da memória de zilhões de ouvintes infiéis tão rápido quanto surgiram e foram escutados. Assim não é surpresa alguma que duas bandaças inglesas do anos 80’, ambas ainda na ativa, causem tanto estardalhaço com os seus novos álbuns de estúdio. O gigante do pop/rock eletrônico Depeche Mode colocou no mercado no último dia 17 de março o cd “Spirit”, seu décimo quarto trabalho de estúdio, e logo em seguida caiu na estrada se lançando em turnê mundial (a “Global Spirit Tour”) que os trará a um show único no Brasil, em São Paulo, no dia 27 de março de 2018. Já o Jesus & Mary Chain dos irmãos Jim e William Reid (ambos guitarristas, vocalistas e compositores de toda a obra do grupo) lança oficialmente HOJE no mundo todo “Damage & Joy” (que já está disponível para audição em plataformas virtuais, como o Spotify), seu primeiro trabalho inédito em estúdio depois de dezenove anos de ausência. E tanto o disco do Depeche quanto do Jesus devem ganhar edição nacional logo menos.

O barulho causado pelos novos trabalhos de dois conjuntos que já estão há mais de três décadas na ativa se justifica plenamente. Ambos estão muito acima em termos de qualidade musical e artística do que é lançado pelas atuais bandinhas novinhas do rock planetário. Mesmo o Depeche Mode, que veio com um disco mais lento e anti comercial, ainda mostra fôlego renovado para um grupo cujos integrantes (o vocalista Dave Gahan, o guitarrista, vocalista e letrista Martin Gore e o tecladista Andrew Fletcher) já passaram da casa dos cinqüenta anos de idade. O mesmo se dá com JMC: os manos Reid também já passaram dos cinquentinha de vida há tempos. Ainda assim soltaram um discão vibrante, que se equilibra muito bem entre melodias aceleradas e tramadas com guitarras barulhentas (a especialidade deles) e momentos mais dolentes. É o primeiro cd deles desde 1998 (quando editaram o também muito bom “Munki”) e, na comparação, soam melhor que o comeback do DM (cujo último registro de estúdio havia sido “Delta Machine”, em 2013). Mas de qualquer forma os dois discos deixam os lançamentos dos grupelhos atuais comendo poeira.

A trajetória do Jesus & Mary Chain sempre foi instável e atribulada, mas pontuada por discos essenciais na história recente do rock’n’roll. Fundada pelos irmãos Jim e William Reid em 1983, a banda escocesa logo se tornou célebre por apresentar sets ao vivo que duravam apenas vinte minutos e onde os integrantes tocavam no palco de costas para a platéia. Quando o disco de estréia foi lançado em novembro de 1985, recebeu aclamação unânime da imprensa especializada: “Psychocandy” se tornou um marco do pós-punk britânico e do noise guitar por apresentar canções curtas (o álbum durava menos de quarenta minutos) e onde doces e lindas melodias eram soterradas por uma parede sonora de microfonia e distorção. Já em “Darklands”, o segundo trabalho editado em 1987, o JMC se mostrava menos barulhento mas em compensação apresentava uma batelada de canções climáticas e sombrias, que novamente receberam aprovação da rock press planetária e dos fãs. Daí em diante o conjunto foi passando por uma série de alterações em sua formação (sendo que Bobby Gillespie, o homem que há quase três décadas comanda o Primal Scream, foi o primeiro baterista do grupo dos irmãos Reid) mas sempre mantendo o núcleo central em torno de Jim e William. Uma dupla que registrou para a história do rock’n’roll LPs nunca menos do que muito bons, como “Automatic” (de 1989 e cuja turnê os trouxe pela primeira vez ao Brasil, em 1990) e “Munki” (o derradeiro trabalho deles, lançado em 1998, sendo que o grupo ficou quase vinte anos sem gravar nada inédito). Mas mesmo lançando esses álbuns com qualidade infinitamente superior ao que se ouve no rock atual Jesus era uma banda problemática fora do estúdio, muito por conta das enfiações de pé na lama em álcool e drugs dos irmãos Reid, além das constantes brigas entre eles – não raro os dois saíam mesmo na porrada. Isso foi um dos principais motivos da longuíssima hibernação do grupo e de sua ausência dos estúdios de gravação. Uma ausência que só foi quebrada agora (sendo que o grupo nunca tinha oficialmente encerrado atividades e volta e meia reaparecia para shows ao vivo), dezenove anos depois do último cd, com o lançamento de “Damage & Joy”.

Pois se o grupo anda se mostrando flácido ao vivo de anos pra cá (nas duas vezes em que retornou ao Brasil, em 2008 e 2014, as gigs foram ruins de doer), ele mostra vigor adolescente e dá um banho de rock’n’roll classudo e noise no novo disco. Isso já havia sido mostrado nos dois primeiros singles que antecederam ao lançamento do cd completo, “Amputation” e “Always Sad”. E o trabalho como um todo só confirmou as expectativas: faixas como “All Things Pass” (talvez a melhor de um álbum que já pode estar na lista dos melhores lançamentos de 2017) e “The Two Of Us” possuem guitarras aceleradas e barulhentas mas, ao mesmo tempo, são incrivelmente dançantes e radiofônicas. Por outro lado o grupo não se envergonha de emular a si próprio, como em “Song For A Secret”, que parece irmã gêmea da lindíssima “Sometimes Always”, que eles gravaram no álbum “Stoned & Dethroned”, em 1993 – inclusive com direito a inclusão de vocais femininos na canção. Como se não bastasse o bom resultado obtido nessas músicas, Jesus ainda deu uma atualizada no seu noise guitar, convidando a novata diva pop Sky Ferreira para fazer os vocais em “Black And Blues”. O disco foi produzido pelo músico Youth (lendário baixista do Killing Joke), que também tocou baixo nele. E é ótimo ver e ouvir um nome já tão veterano do rock inglês reaparecer em grande forma (ao menos em disco), tirando o rock’n’roll atual do abismo criativo e qualitativo no qual ele se encontra.

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Os novos discos do Jesus & Mary Chain (acima, que está sendo lançado oficialmente hoje) e Depeche Mode (abaixo): dois ótimos comebacks de “velhões” dos anos 80’ que seguem em plena forma no rock’n’roll

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A intenção parece ter sido a mesma para o igualmente mega veterano Depeche Mode com “Spirit”, seu novo álbum de estúdio, que saiu há uma semana: tirar o rock’n’roll de hoje do buraco. Conseguiram? Até certo ponto. O cd foi precedido por um single razoavelmente empolgante e com letra altamente política, “Where’s The Revolution”. Porém o restante do disco foge de canções mais melódicas e/ou radiofônicas e do electropop dançante que era a marca registrada da banda nos anos iniciais da sua trajetória. Ainda bastante eletrônico mas sem muito espaço para guitarras, o novo álbum do DM engendra uma batelada de canções lentas e com ambiência sonora muitas vezes sombria (caso de “Going Backwards”, “Scum” ou “You Move”) e que custam a cair no gosto do ouvinte, ainda que algumas dessas faixas (como “Cover Me”) produzam sensação alentadora de melancolia e reflexão existencial em quem as escuta. Resquícios do DM eletrônico e também dançante surgem muito pontualmente ao longo do trabalho, e talvez o melhor exemplo disso esteja mesmo em “So Much Love”, um electrogoth mezzo industrial que sugere um mix improvável de Depeche Mode com Joy Division.

Nem de longe é um disco ruim, no final das contas. Mas certamente irá ter assimilação imediata difícil por parte dos fãs, principalmente nas apresentações ao vivo da nova turnê mundial, que já teve início. De qualquer forma tanto The Jesus & Mary Chain quanto Depeche Mode, com seus novos e super bem vindos álbuns de estúdio, deixam claro o que todos nós já estamos carecas de saber (e ouvir): o rock dos anos 2000’ está praticamente morto e enterrado. E ele só é salvo e resgatado da sepultura quando velhões como JMC e DM ressurgem das tumbas e mostram como se faz a parada. Pois que continuem mostrando ainda por muito tempo.

 

***The Jesus & Mary Chain esteve por três vezes no Brasil: em 1990, 2008 e 2014. O primeiro show, no extinto ProjetoSP, foi barulhento, ensurdecedor e inesquecível. Já os dois últimos foram quase desastrosos, com os irmãos Reid preguiçosos no palco e chegando ao descalabro de errar feio em alguns riffs de guitarra e passagens melódicas. O grupo já está em nova turnê, promovendo o novo álbum. Não há previsão de nova visita ao Brasil.

 

***Já o Depeche Mode esteve uma única vez aqui, em 1994, na também finada casa de shows Olympia, em Sampa. Era a excursão promovendo um discaço da banda, o “Songs Of Faith And Devotion”, lançado um ano antes. Mas o show foi sofrível – o autor deste blog estava nele. Depois o grupo anunciou nova passagem por aqui em 2009, e ingressos para as gigs chegaram a ser postos à venda. Nada feito: um mês antes de desembarcar no bananão o conjunto cancelou a turnê sem maiores explicações. Agora o site oficial da banda confirma que ela vai tocar aqui em 27 de março de 2018. Vai ser um único show no país, na capital paulista no estádio do Palmeiras. Os ingressos para o mesmo devem começar a ser vendidos no mês que vem.

 

 

O SETLIST DO NOVO DEPECHE MODE

1.”Going Backwards”

2.”Where’s the Revolution”

3.”The Worst Crime”

4.”Scum”

5.”You Move”

6.”Cover Me”

7.”Eternal”

8.”Poison Heart”

9.”So Much Love”

10.”Poorman”

11.”No More (This Is The Last Time)”

12.”Fail”

 

 

O SETLIST DO NOVO JESUS & MARY CHAIN

1.”Amputation”

2.”War on Peace”

3.”All Things Pass”

4.”Always Sad”

5.”Songs for a Secret”

6.”The Two of Us” 4:12

7.”Los Feliz (Blues and Greens)”

8.”Mood Rider”

9.”Presidici (Et Chapaquiditch)”

10.”Get on Home”

11.”Facing Up to the Facts”

12.”Simian Split”

13.”Black and Blues”

14.”Can’t Stop the Rock”

 

 

OS NOVOS DISCOS DO DM E DO JMC AÍ EMBAIXO

Para audição na íntegra, via Spotify.

 

E OS VÍDEOS PROMOCIONAIS DOS NOVOS SINGLES DOS DOIS GRUPOS

 

A NOSSA PRIMEIRA MUSA ROCKER DE 2017! ABUSADA, ESCRITORA, FÃ DE SEXO, JAZZ, POESIA E ROCK’N’ROLL, WOW!

Nome: Juliana Frank.

Idade: 32 anos.

De: São Paulo, capital.

Mora em: São Paulo.

O que estudou: “fiz umas oito faculdades, não acabei nenhuma”.

O que faz: além de escritora (já publicou quatro livros) é roteirista de animação na produtora Coala Filmes.

Três discos: “A Kind Of Blue” (John Coltrane), “Galos de briga” (João Bosco) e “$O$” (Die Antwoord).

Três artistas: Lana Del Rey, Tim Buckley e Die Antwoord.

Três filmes: “O sabor da melancia”, “Leaving Las Vegas” e “Casablanca”.

Três diretores de cinema: Tsai Ming Liang, Robert Rodrigues e Sergio Leone.

Três livros: “Diário de um ano ruim” (Coetezze), “Rayuela” (Julio Cortazar) e “Las Redes Del Poder” (Foucault).

Um show inesquecível: The Rolling Stones no Rio De Janeiro, 2006, na praia de Copacabana.

O que ela tem a dizer sobre… sexo, rsrs: “Já fiz sexo matrimonial, sexo com faxina, ménage (apesar de considerar grupal um tanto confuso, sou muito concentrada e acabo me dando mal). Já fiz sexo maconhada, de pé na rede e o diabo a quatro. Mas o maior delírio do sexo mesmo é o amor.  Tem uma frase que adoro, do Miguel Esteves Cardoso: ‘Mas o amor é fudido. E gostei de fodê-lo contigo’”.

Como o blog conheceu a garota: Zap’n’roll conhece Juliana Frank desde que ela era uma pirralha “aborrescente” dos seus dezesseis anos de idade (rsrs). Ela vivia com a turma que trabalhava na redação da saudosa revista Dynamite e era fã (vejam só) de heavy metal e gothic rock. Este já velho jornalista rocker (e ainda loker) se tornou então amigo dela, embora a considerasse na época um tanto “maletinha” (como quase todo “aborrescente”, no final das contas), hihihi. A dupla permanece amiga até hoje e miss Ju se tornou um mulherão aos trinta e dois anos de idade: é fã de jazz (e de rock ainda, não perdeu o amor pelo gênero), estudou Letras e Filosofia e publicou quatro livros, entre eles o delicioso “Uísque e vergonha”, que foi publicado em 2016. Quer conhecer pesoalmente a moçoila? Ela bate cartão no bar/teatro Cemitério De Automóveis (cujo um dos proprietários é o dramaturgo e queridão Mário Bortolotto), que fica na rua Frei Caneca, centrão de Sampalândia. E seu perfil no faceboquete pode ser acessado aqui: https://www.facebook.com/profile.php?id=100011415196359.

E agora marmanjos e marmanjas, deleitem-se aí embaixo com os total delicious NUDES de miss Juliana, wow!

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Uma câmera na mão e um corpo desnudo pedindo tudo

 

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“Só os VIRTUOSOS sabem pecar de verdade” (do livro “Uísque e vergonha”, 2016)

 

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Gatinho feliz

 

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Gatinho feliz, II

 

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O jornalista eternamente loker e sua amiga e musa rocker

 

E PARAMOS POR AQUI

Postão bacanão, néan. Recheado com papos sobre a volta dos gigantes Jesus & Mary Chain e Depeche Mode, turbinado com uma tesudíssima musa rocker e também com as últimas do mondo pop/rock e da cultura pop. De modos que ficamos por aqui e retornamos logo menos, assim que novos e palpitantes assuntos exigirem a volta do blogão campeão em rock alternativo e cultura pop. Até o próximo post então, com beijos quentes e doces no nosso sempre dileto leitorado.

 

(atualizado e ampliado por Finatti  em 29/3/2017às 18hs.)

Em sua nova fase editorial o blog zapper se permite publicar postagens especiais; e NESSE postinho extra celebramos não o dia internacional da mulher que é comemorado hoje (uma bobagem/idiotia repleta de hipocrisia, já que as mulheres deveriam ser respeitadas e valorizadas ao máximo TODOS os dias do ano, e não apenas em uma data específica) mas, sim, a confirmação da vinda ao Brasil do gigante e lenda viva do rock’n’roll The Who, uhú!

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NEW YORK, NY - FEBRUARY 28:  The Who's Roger Daltrey and Pete Townsend perform during the Who Cares Benefit For Teen Cancer America Memorial Sloan-Kettering Cancer Center at The Theater at Madison Square Garden on February 28, 2013 in New York City.  (Photo by Rick Diamond/Getty Images)
O gigante The Who na atual turnê mundial, com a dupla imbatível Roger Daltrey (vocais) e Pete Townshend (guitarras): shows no Brasil confirmados para setembro próximo

 

Yep, este post extrinha (com total merecimento do tema) já está meio que explicado no seu título, néan? Hoje é dia internacional da mulher. Ok. Foda-se! Zap’n’roll odeia qualquer tipo de data comercial comemorativa, seja lá qual for ela – detestamos até nosso próprio aniversário inclusive, rsrs. Então preferimos falar algumas poucas mas necessárias linhas sobre o que de fato nos empolgou de ontem para hoje: a confirmação enfim da vinda do histórico, clássico, mega lendário e ainda gigante grupo inglês The Who ao Brasil em setembro próximo. Embora o próprio empresário da banda já tivesse anunciado, durante entrevista em Londres há algumas semanas, que o conjunto viria esse ano finalmente para o Brasil, ainda tinha muita gente que duvidava. Pois a organização do Rock In Rio confirmou ontem: eles tocam na edição deste ano do festival carioca no dia 23 de setembro, ao lado do Guns ‘N Roses (que vai passar humilhação pública monstro nesse dia por tocar na mesma data que o Who, ahahahahahaha).

Vai haver shows também em Sampa, claro. E talvez em Porto Alegre. Falta apenas divulgarem as datas. E muitos vão chiar dizendo que o que vem aí não é o Who original mas apenas MEIO Who (pois o batera Keith Moon e o baixista John Entwistle foram pro saco há séculos já; um morto por overdose de soníferos, o outro, por excesso de devastação nasal com cocaine), contando ainda com o vocalista monstro que é Roger Daltrey e o guitar heroe e gênio Pete Townshend.

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Imagem da formação clássica do Who, com Pete Townshend “voando” com sua guitarra em primeiro plano

Novamente: foda-se! Desde já é uma gig imperdível por zilhões de motivos. E talvez o principal deles seja mesmo que The Who é a última grande banda de toda a história do rock’n’roll ainda em atividade e que nunca tocou no Brasil. E também deverá ser a única turnê deles por aqui: Daltrey e Townshend estão septuagenários e o conjunto, na atividade há meio século, deve estar pensando na aposentadoria já.

Então temos um encontro marcado em setembro com os heróis mods e da classe trabalhadora inglesa dos sixties. E quem tiver sempre na alma e no coração o ainda grande rock que importa, que nos siga!

Aí embaixo links pra você curtir alguns dos momentos mais brilhantes da trajetória do Who, além do set list da atual turnê deles. Boa audição!

 

  • Obs: e semana que vem o blogão volta em edição normal, falando entre outros assuntos do novo disco dos ingleses do Temples.

 

 

O SET LIST DA ATUAL TURNÊ

I Can’t Explain

The Seeker

Who Are You

The Kids Are Alright

I Can See for Miles

My Generation

Behind Blue Eyes

Bargain

Join Together

You Better You Bet

5:15

I’m One

The Rock

Love, Reign O’er Me

Eminence Front

Amazing Journey

Sparks

Pinball Wizard

See Me, Feel Me

Baba O’Riley

Won’t Get Fooled Again

 

(enviado por Finatti às 17:30hs.)