AMPLIAÇÃO EXTRA E FINAL! Falando da MORTE do amado KID VINL, dos vinte anos de “Ok Computer” (a obra-prima do Radiohead), da hecatombe nuclear política que está sacudindo o bananão tropical e dando a programação da Virada Cultural fracote, que rola este finde em Sampa – Com o rock planetário dos anos 2000’ praticamente morto e enterrado, duas bandaças inglesas já veteranas soltam seus novos discos e reafirmam pela enésima vez o que todos já estão carecas de saber: apenas grupos com duas décadas ou mais de estrada, como Kasabian e Slowdive (este, lançando seu primeiro disco inédito em vinte e dois anos) é que estão salvando o rock’n’roll atual da extinção definitiva, sendo que neste post zapper você confere análises detalhadas (ao invés de ler a mixórdia que é geralmente publicada num certo “pobreloa…” blog vizinho) sobre os dois álbuns em questão, além de já saber como foi a gig do Slowdive ONTEM em Sampa; mais: é de BABAR nossa nova, sensacional e total delicious musa rocker, a gatíssima Flávia Dias, ulalá! Não acredita? Vai aí embaixo no post e veja com seus próprios olhos, oras (postão COMPLETÃO e AMPLIADÃO, finalizado em 20/5/2017)

CARTAZFESTARICARDO17

BANNERMUG17II

IMAGEMSLOWDIVESP17IV

Com o rock’n’roll dos anos 2000’ definitivamente quase morto e total irrelevante, resta apelar para os veteranos como o Slowdive (acima, se apresentando ontem à noite na capital paulista) e o Kasabian (abaixo), que acabam de lançar dois ótimos álbuns

IMAGEMKASABIAN17II

**********

ADEUS AO AMADO KID VINIL, NOSSO INESQUECÍVEL HERÓI DO BRASIL

Foi uma semana bastante maluca. Começou com os boiadeiros delatando todo mundo e explodindo a política nacional, não deixando nada em pé. Prosseguiu com Chris Cornell se matando aos 52 anos de idade – ironia das ironias: no dia (18 de maio) em que se completaram 37 anos da morte de outro gênio gigante da história do rock mundial, o igualmente suicidado Ian Curtis. E por fim, veio a sexta-feira. Que parecia que iria ser um dia tranqüilo, onde finalizamos o post da Zap’n’roll e o coloquei no ar, onde fomos cuidar de assuntos pessoais no centro da cidade e depois fomos tomar uma breja amiga com os mui queridos por nós Luiz Calanca e Gisélia. E sendo que depois fomos jantar num churras rodízio onde o blog faz um bom repasto todas as sextas-feiras.

Mas mais uma vez não foi uma sexta-feira normal. Quando Finaski estava saindo de casa, pouco depois das 5 da tarde, uma amiga o chamou inbox dizendo “ele se foi!”. Não entendemos muito bem e como estávamos já atrasados, desligamos o notebook e fomos para o metrô. Foi apenas quando já estávamos  caminho do centro que começamos a pensar que, há um mês e meio, nosso irmão Johnny Hansen havia partido deste mundo. E por conta desse pensamento, entramos em pânico: “será que ele TAMBÉM SE FOI?”.

Sim, ele se foi. Ao chegar na loja Baratos Afins, foi a primeira coisa que perguntamos ao Luizinho. Ele confirmou. Os olhos se encheram de água. Sim, sabemos que desse mundo ninguém sairá vivo. E pensamos muito na nossa própria morte todos os dias. Um pensamento que nos acompanha desde que éramos jovem e que agora, aos 5.4 de vida e depois de ter passado por um câncer, nos fustiga mais do que nunca – apenas IDIOTAS e pessoas de cabeça OCA (daquelas que postam imbecilidades astrológicas nos FB da vida) é que não refletem sobre a questão da finitude da existência humana.  E não, não temos medo algum da morte. Temos apenas medo de não ter tempo hábil para realizar alguns poucos projetos que ainda sonhamos em realizar. De resto temos medo é de não sair logo desse mundo horrendo, miserável, sinistro e tenebroso em que todos nós vivemos. Temos medo de ir vendo quase todos os amigos com os quais convivemos e amamos por longos anos irem embora enquanto permanecemos aqui, ficando cada vez mais velhos, caquéticos, solitários, melancólicos e angustiados.

WS52 SÃO PAULO 13/05/2015 -  ENTREVISTA / KID VINIL / CADERNO 2 - Entrevista com Kid Vinil. FOTO:WERTHER SANTANA/ESTADÃO
O amado Kid Vinil, amigo pessoal de Zap’n’roll por 30 anos: mais uma perda gigante para a cena rock brasileira

É isso. Zap’n’roll achou que seu AMIGO PESSOAL de mais de 30 anos de convivência, Antonio Carlos Senefonte, nosso mui amado por todos Kid Vinil (um artista genial e um ser humano sem igual, encantador, generoso, humilde e pra lá de atencioso e sempre super bem humorado com todos, mesmo com aqueles que ele não conhecia, daí tantas manifestações nas redes sociais de pesar pelo falecimento dele), iria se recuperar do delicado estado de saúde em que se encontrava já há um mês, desde que sofreu um AVC após um show no interior de Minas Gerais. Isso não aconteceu. E assim como Hansen nos deixou numa sexta-feira triste e desalentadora, Kid tb se foi ontem.

Rip queridão. Nunca iremos me esquecer das ótimas risadas que demos ao seu lado, dos papos que tivemos ao vivo em programas que vc apresentava nas rádios Brasil 2000 e 97fm, das discotecagens que você fez em festas noturnas promovidas pelo blog, e nem de tudo que aprendemos com você em termos de rock’n’roll (aaaaaah… aquelas fitinhas cassete que você nos gravou nos anos 90’, com os primeiros singles de umas tais bandas chamadas Oasis, Suede e Ride… quanta saudade!). Nunca, nunca iremos esquecer.

Você estará para sempre no nosso coração, esteja onde estiver agora. Quem sabe um dia a gente se encontra novamente por aí, em alguma outra estação.

**********

MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, discos, shows, filmes, livros, baladas etc)

 

***Como todos já estão sabendo, lá se foi o gigante Chris Cornell, que resolveu dar um fim na própria existência aos cinqüenta e dois anos de idade. O eterno e lendário vocalista do Soundgarden ainda estava em plena forma e era jovem ainda. Mas o blog até entende sua atitude: ele deve ter realmente ficado com o saco cheio desse mundo escroto e perenemente cinza no qual vive a igualmente escrota raça humana – um mundo onde apenas IDIOTAS encontram motivos para rir e sorrir. Rip, Chris!

IMAGEMCHRISCII

Chris Cornell: muito jovem ainda para o rock’n’roll e também para ter partido

 

***Cornell se foi. Scott Weiland também. Antes dos dois já tinham ido Layne Staley (do Alice In Chains) e Kurt Cobain. Quem restou da inesquecível geração grunge de Seattle? Eddie Veder, Mark Lanegan e a turma do Mudhoney. Por enquanto…

 

***A edição deste ano da Virada Cultural acontece neste finde (o postão zapper está sendo concluído no começo de uma chuvosa tarde de sextona, 19 de maio, em Sampa) e é provavelmente a mais fraca de todos os tempos. Atrações demais, qualidade de menos e nada impactante como nos anos anteriores. De qualquer forma dá pra “pescar” algo no meio das novecentas apresentações programadas, sendo que o blog pretende conferir as gigs do duo The Baggios e do baiano Maglore (no sábado à noite, no palco rock da rua 7 de abril), além da sempre gata Tiê (no Centro Cultural São Paulo, já na madrugada do domingo), da selvática Karina Buhr (também no CCSP, mas no domingão à tarde) e o sensacional trio rock instrumental gaúcho Pata De Elefante (novamente no palco 7 de abril, no final da tarde de domingo). Pra quem se interessar a programação completa da Virada está aqui: http://viradacultural.prefeitura.sp.gov.br/, e aqui também: https://www.facebook.com/viradaculturaloficial/?hc_location=ufi.

IMAGEMTIE

Duas gatas que valem a pena ver suas gigs na Virada Cultural deste final de semana em Sampa: Tiê (acima) e Karina Buhr (abaixo)

IMAGEMKARINAB

***Já na semana que vem, mais especificamente na quinta-feira (25 de maio) rola a festa TinyBox – No Hits, no clube Alberta (que fica no centrão de Sampa). Promovido pelo chapa e agitador cultural e dj Ricardo Lopes, o evento pretende centrar a dj set toda apenas em lados “b” e faixas esquecidas do rock alternativo dos anos 80’ até os 2000’. A proposta é bem bacana e interessante e estas linhas bloggers pretendem estar lá, sendo que todas as infos pra quem quiser conferir a balada estão aqui: https://www.facebook.com/events/635931713268902/?active_tab=about.

 

***E fechando a tampa, claaaaaro, não poderíamos deixar de falar algo sobre a HECATOMBE NUCLEAR política detonada pela delação (abastecida com áudios, fotos e filmagens) dos manos boiadeiros donos da JBS. É o FIM finalmente (e vivemos para ver este dia chegar) do desgracento vampiro bandido golpista que ocupa a cadeira de presidente desse triste bananão tropical, além do seu PARSA quadrilheiro, o COCALERO Aébrio Fezes. Se dessa vez os dois não rodarem, Zap’n’roll sinceramente DESISTE dessa porra de país. A conferir…

IMAGEMFORATEMER17III

IMAGEMTEMERFRIBOI

 

**********

OS GRANDES KASABIAN E SLOWDIVE LANÇAM SEUS NOVOS DISCOS E CONFIRMAM MAIS UMA VEZ: O ROCK’N’ROLL AINDA ESTÁ VIVO GRAÇAS A VETERANOS COMO ESSAS DUAS BANDAÇAS INGLESAS

Yep, são duas das melhores formações que o rock inglês pode oferecer ao mundo nos últimos vinte e cinco anos. E ambos os grupos lançaram na semana passada (no mesmo dia, inclusive) seus novos álbuns de estúdio. São discos distintos entre si pois o som de um grupo nada tem a ver com o outro. No entanto tanto o indie dançante e que combina guitarras com eletrônica do Kasabian quanto o shoegazer clássico do Slowdive acabam de colocar nas lojas dois discos que já podem entrar facilmente na lista dos melhores lançamentos de 2017 – e sendo que nenhum dos dois CDs deverá ganhar edição física brasileira, o que não quer dizer praticamente nada nestes tempos onde tudo pode ser escutado de graça na web. O quarteto liderado pelo vocalista Tom Meighan e pelo guitarrista Sergio Pizzorno mantém uma impressionante consistência musical e artística em “For Crying Out Loud”. Já o veterano Slowdive reaparece com um impecável e homônimo trabalho inédito, após passar mais de vinte anos longe dos estúdios.

Surgido em Reading, na Inglaterra, em 1989, o Slowdive (atualmente integrado pelos vocalistas e guitarristas Neil Halstead e Rachel Goswell, pelo também guitarrista Christian Savill, pelo baixista Nick Chaplin e pelo baterista Simon Scott) logo se destacou na então nascente cena indie shoegazer inglesa, composta por aquelas bandas cujos integrantes tocavam de cabeça baixa no palco (quase que olhando apenas para os próprios pés) e cujas melodias das canções combinavam guitarras noise com ambiências tristonhas emoldurando letras oníricas. O primeiro álbum no entanto demorou um pouco a sair e foi lançado apenas em 1991, recebendo boa aceitação por parte da imprensa e do público. Com os dois discos seguintes (editados em 1993 e 1995) o Slowdive consolidou sua posição no cenário alternativo britânico e se tornou uma espécie de cult band até interromper sem grandes explicações suas atividades no mesmo ano em que lançou seu terceiro trabalho de estúdio. O conjunto ficou então quase duas décadas inativo e voltou a fazer apresentações ao vivo em 2014. E agora, vinte e dois anos depois do lançamento do último disco inédito, a banda finalmente mostra ao mondo rock que seu shoegazer noventista não ficou datado. Pelo contrário, está mais bonito e atual do que nunca e se mostrando imensamente necessário no atual esmaecido rock’n’roll planetário.

“Slowdive”, o álbum, mantém todos os procedimentos musicais que seduziram fãs e crítica no início dos anos 90’. São apenas oito canções e nelas estão as melodias contemplativas, melancólicas e bucólicas, os vocais lassos e vaporosos e as guitarras estridentes e tratadas com pedaleira. Essa ambiência resulta em momentos sublimes como o single “Star Roving”, seguramente uma das músicas mais bonitas já compostas pelo grupo e também candidata a um dos singles deste ano. Mas há mais no cd: “Sugar For The Pill” é de uma candura, docilidade, e bucolismo tristonho que encantam alma e coração do ouvinte, com seu baixo poderoso e sua condução melódica suave. Uma faixa com elementos sonoros preciosos e que praticamente inexistem no rock atual, que parece ter desaprendido como compor grandes músicas. E o Slowdive, ao contrário, manteve sua qualidade e seu conhecimento composicional inalterado, sendo que “No Longer Making Time” e “Falling Ashes” (que encerra o disco com seus oito minutos de impressionante clima melancólico, bordada com as notas oníricas e reflexivas de um piano que parece ser a reprodução sonora de uma alma tingida de inefável matiz cinza) demonstram isso de forma inebriante e inquestionável.

CAPASLOWDIVE17

Os novos discos do Slowdive (acima) e Kasabian (abaixo): dois veteranos que ainda trazem relevância e dignidade ao rock

 

CAPAKASABIAN17

E o também já veterano Kasabian? Retorna com fôlego ultra renovado nesse mega dançante (mas também eivado de guitarras envenenadas) “For Crying Out Loud”, que levou três anos para ser lançado e sucede o igualmente muito bom “48:13”, editado em 2014. Já com duas décadas de existência o quarteto formado em 1997 na cidade inglesa de Leicester por Tom Meighan (vocais), Sergio Pizzorno (guitarras e vocais, além de principal compositor do grupo), Chris Edwards (baixo) e Ian Matthews (bateria) lançou até o momento seis álbuns de estúdio que nunca foram menos do que bons. A estréia em disco em 2004 com o homônimo “Kasabian” já colocou o conjunto em evidência entre crítica e público muito por conta das ótimas composições engendradas por Pizzorno, que habilidosamente mixava guitarras algo psicodélicas com melodias dançantes e bordadas com ambiências eletrônicas. Foi assim que a banda fez estourar seu primeiro hit, “Club Foot”, recriando no Reino Unido o mesmo clima de uma década antes, quando os Stone Roses também lançaram mão da mesma fórmula musical para chegar ao topo do rock inglês. Inclusive não deixou de haver quem enxergasse no Kasabian um êmulo do grupo do vocalista Ian Brown.

Mas o quarteto mostrou nos quatro discos seguintes que possuía uma personalidade musical muito forte e própria, notadamente no cd “Velociraptor!”, lançado em 2011. E agora consegue exibir novamente coleção de canções empolgantes e que já tornam este “For Crying…” um dos candidatos a figurar na lista dos melhores álbuns de rock deste ano. Sendo que não há nenhum grande segredo aqui: o Kasabian apenas procurou reeditar o que já vem fazendo muito bem há vinte anos. Assim o cd abre já em clima de total party com “III Ray (The King)” e prossegue dessa forma no primeiro single de trabalho, “You’re In Love With A Psycho”. “Good Fight”, “Wasted” e “Comeback Kid” mantém em temperatura elevada o clima de combustão reinante no trabalho, que exibe o grupo flertando também com nuances de reggae (em “Sixteen Blocks”) e resgatando o clima “madchester” dos tempos de “Fools Gold” (dos Stone Roses) nos mais de oito de minutos de “Are You Looking For Action”, que combina à perfeição guitarras, mezzo psicodelia e ritmo dançante. Melhor impossível.

Trata-se enfim, de um trabalho que desvela a grande capacidade do Kasabian em manter-se relevante em um tempo onde bandas não duram absolutamente nada e onde a sonoridade dos discos se torna obsoleta e enferrujada em questão de semanas. Pois este espertíssimo e ótimo “For Crying Out Loud”, em que pese sua capa bastante cafona (mostrando o velhote que é o road chefe do conjunto se debulhando em lágrimas), está bem longe da ferrugem. E mostra que o Kasabian felizmente continua sendo um dos grandes nomes do rock inglês dos anos 2000’.

 

 

O TRACK LIST DO NOVO ÁLBUM DO SLOWDIVE

1.”Slomo”

2.”Star Roving”

3.”Don’t Know Why”

4.”Sugar for the Pill”

5.”Everyone Knows”

6.”No Longer Making Time”

7.”Go Get It”

8.”Falling Ashes”

 

 

E O TRACK LIST DO NOVO KASABIAN

1.”Ill Ray (The King)”

2.”You’re in Love with a Psycho”

3.”Twentyfourseven”

4.”Good Fight”

5.”Wasted”

6.”Comeback Kid”

7.”The Party Never Ends”

8.”Are You Looking for Action?”

9.”All Through the Night”

10.”Sixteen Blocks”

11.”Bless This Acid House”

12.”Put Your Life on It”

 

 

OS NOVOS DISCOS DAS DUAS BANDAS AÍ EMBAIXO, NA ÍNTEGRA

 

 

E OS VÍDEOS DOS NOVOS SINGLES DE AMBAS

 

 

SLOWDIVE AO VIVO EM SP ONTEM, DOMINGO

Yep. A cult band shoegazer inglesa se apresentou na noite de ontem em Sampa. O blog acompanhou a gig e relata em detalhes como foi ela, através do texto do nosso colaborador Pedro Damian. Leia abaixo.

 

Precisamos falar de Slowdive

 

(Por Pedro Damian, especial para Zap’n’roll)

Serei honesto: quando decidi abrir o blog Shoegazer Alive em 2008 e comecei a compartilhar músicas do estilo shoegaze, um dos meus objetivos era tornar o gênero conhecido a ponto de criar um zumzum que chegasse aos ouvidos dos ícones (My Bloody Valentine, Slowdive, Ride, Swervedriver) e de alguma forma os motivasse a voltar à ativa – visto que todos seus membros estavam em outros projetos. A febre dos blogs na época instrumentalizou outros ativistas musicais a fazer o mesmo e 9 anos depois estou aqui, em pleno dia das mães, em frente ao palco do Cine Jóia, em São Paulo, onde o Slowdive se apresenta pela primeira vez no Brasil, fechando a terceira edição do Balaclava Fest. Posso dizer que a meta está mais que alcançada.

O Slowdive foi formado em Reading, Inglaterra, no final dos anos 80, por Neil Halstead (vocal e guitarra), Rachel Goswell (vocais, guitarra, teclado e pandeiro), Nick Chaplin (baixo), Christian Savill (guitarra) e Simon Scott (bateria). Sua discografia é composta por 4 trabalhos: Just For A Day (1991), Souvlaki (1993) e Pygmalion (1995) e o recente Slowdive, lançado no último dia 5. A banda encerrou o mesmo festival que trouxe em 2016 o Swervedriver, outro ícone shoegazer, mas de menor dimensão que o Slowdive. Muitos fãs que conheceram os ingleses via blog estavam no Cine Jóia, assim como os veteranos como eu que tiveram seu primeiro contato por meio de programas de rádio antenados (do mestre Kid Vinil, por exemplo, à época na Brasil 2000) e depois foram comprar os CDs importados em lojas especializadas (em São Paulo na Galeria do Rock e na Galeria Presidente). Analisando a imensa fila que se formou à porta do local

momentos antes da abertura das portas, previ que começado o festival dificilmente encontaria aqueles bocós que vemos normalmente em grandes festivais, de costas para o palco, fazendo selfies com caretas estúpidas e se preocupando mais em encher a cara do que com o que se passa no palco. Errei em parte. Sempre vai ter um ou outro boçal pra encher o saco de quem gosta de música. Porém, neste festival foram em número reduzido. Ainda bem.

A programação do terceiro Balaclava Fest foi variada e interessante. Abrindo os trabalhos o duo americano de guitarpop Widowspeak apresentou músicas de seus três discos (Widowspeak, de 2011, Almanac, de 2012, All Yours, de 2015) e do EP The Swamps, de 2013. Formada pela dupla Molly Hamilton (voz e guitarra) e Robert Earl Thomas (guitarra), que ao vivo costuma se apresentar com o baixista Willy Muse e o baterista James Jano (os quais não vieram para este show no Brasil, deixando só a dupla no palco), agrada pela baladas agridoces, quase folksters, que ganham suavidade com a bela voz de Molly. O ponto alto da apresentação ocorreu quase no final, na penúltima música, com uma versão arrebatadora de Wicked Game, tema do seriado Twin Peaks e que ficou famosa na voz de Chris Isaak.

Na sequência o indie americano do Clearance trouxe repertório baseado no último disco Rapid Rewards, de 2015, e algumas músicas novas. Ao vivo, Mike Bellis

(vocal e guitarra), Kevin Fairbairn (Guitarra), Greg Obis (baixo) e Arthur Velez (bateria) mostraram o mesmo que no disco citado. Se você ouve a música e não sabe quem está tocando, vai dizer que é Pavement. As mesmas inflexões vocais do Stephen Malkmus, as mesmas guitarras quebradas, mesma seção rítmica, estrutura das músicas… Já as músicas novas fogem um pouco desse quase plágio, colocando um pé no indie rock mais tradicional. Quem ama esse tipo de som como eu, adorou. Quem não conhecia bem ou não gostou deu as costas e foi tomar uma cerveja.

Missão terrível coube ao E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, banda paulistana de post-rock, formada por Lucas Theodoro, Luden Viana, Luccas Villela e Rafael Jonke, que viria a seguir: atrair a atenção do público que, naquela altura estava voltada para o show principal. O trabalho instrumental é refinado. Percebe-se que as músicas – poucas e longas – são bem trabalhadas e a banda deu o seu melhor para levantar o público, que a esta altura já lotava o Cine Joia. E conseguiu entusiasmar boa parte da galera, principalmente nas músicas mais pesadas, que flertam com o post-metal. Taí uma banda de futuro, ao menos no estreito nicho que atua, o rock instrumental. Terminado o show, encontro com duas grandes figuras desse segmento, Lucas Lippaus e Elson Barbosa [nota do editor do blog: mais conhecido como Elson BarBOSTA, rsrs], membros do Herod e capitães do selo Sinewave, especializado nesse tipo de som. Embora contente com a apresentação do E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, Elson vaticinava o que esperava do show do Slowdive: “Vai ser lindo!”. A presença de vários músicos de post-rock no show do Slowdive não é à toa. Mesmo na

Inglaterra a banda é considerada como uma precursora do gênero, com suas canções em que o instrumental predomina sobre as letras e as estruturas musicais rebuscadas. Muitos consideram o terceiro álbum, Pygmalion, o primeiro disco de post-rock.

Um dos destaques do Balaclava Fest foi a pontualidade. Todos os shows começaram, se não na hora, poucos minutos depois do agendado. E o Slowdive, à maneira e à educação de seu país de origem, entrou com uma pontualidade britânica, às 21:20, como estava previsto pela organização do festival. Antes de passar ao setlist, algumas considerações gerais sobre o Slowdive e seus membros. A entrada triunfal de Rachel e o carinho com que foi recebida pelo público não deixa dúvidas: ela é a líder, a cara e o coração do Slowdive. Afastada dos palcos por 6 anos, devido a um problema no ouvido – que quase abreviou sua carreira – retornou timidamente à música como convidada especial de shows acustícos feitos pelo amigo Neil Halstead, em 2013 (isso é fácil de achar no youtube). Nem parece a Rachel de hoje: carinha de nerd, óculos… aparência quase de uma estudante ou dona de casa. No palco do Cine Joia, Rachel foi um vulcão: tocou

teclado (instrumento introduzido neste retorno da banda), pandeiro, guitarra, e, claro, nos brindou com sua belíssima voz! Por sinal, nas músicas novas, há uma gritante diferença nos vocais: Rachel “roubou” partes que no disco eram cantadas apenas por Neil. Interessante que seu entusiasmo contrasta com a frieza de grande parte das músicas do Slowdive, que, definitivamente, não foram feitas para o agito.

Já Neil Halstead, que costuma ser contido e bastante tímido nas apresentações, demonstrou uma simpatia e desinibição inesperados. Se Rachel é o coração da banda, Neil é o poeta. O construtor das letras que são feitas para se harmonizar musicalmente com as melodias. Seu talento nesse sentido é mais perceptível no Mojave 3, banda paralela que mantém com Rachel, aonde a tristeza das letras dão sentido às canções. Na guitarra ele é o número 2, que participa em alguns solos e no “wall of sound” das músicas características do Slowdive.

Já o engenheiro por trás do “wall of sound” da banda é Christian Savill, a guitarra número 1 e de onde saem os timbres que sustentam as melodias e caracterizam o som do Slowdive. Todos os sons mais agudos e os principais reverbs saem de lá. Seu trabalho é quase matemático… a elaboração de camadas e camadas de timbres, e noise de todos os tipos.

A “cozinha” do Slowdive, formada por Nick Chaplin (baixo) e Simon Scott (batera), devido à característica da banda, sempre ficou em segundo plano. Mas nas

novas músicas isso mudou. Não que o noise tenha sido deixado de lado em “Slowdive” em favor de músicas mais “pop”. Mas a participação do baixo e bateria ficou mais evidente. Até houve o caso de um pocket show realizado nos Estados Unidos em que o baixo do Nick foi mixado à frente das guitarras em Star Roving, em uma versão acelerada da música. Foi uma experiência única e que ficou bem interessante. No Brasil, entretanto, a versão tocada foi a do disco.

IMAGEMSLOWDIVESP17III

O Slowdive ao vivo ontem em Sampa: emocionando a velha guarda shoegazer (foto divulgação)

O show no Brasil foi aberto com Slomo, a mesma música que abre o disco novo (que para mim deveria ser o título de Star Roving, que tem mais a ver – entendendo-se Slomo como uma junção dos nomes das bandas Slowdive e Mojave 3). A música mantém o mesmo ritmo lento das canções do Slowdive, com poucos momentos de noise, vocais esparsos de Neil e Rachel. A guitarra de Christian Savill conduz toda a canção, com seus timbres agudos e melódicos. Na sequência,  as duas primeiras músicas do Slowdive, incluídas no EP homônimo de 1990: “Slowdive” e “Avalyn”. Ambas trazem o wall of sound que caracterizou o shoegaze em seus primórdios: a primeira mais pop, com estruturas bem definidas, e a segunda mais viajante, com ampla passagem instrumental. “Catch the Breeze” encerra esse bloco das antigas, trazendo outro shoegazer clássico, inserido no álbum Just For A Day, de 1991. Foi a primeira música em que o público começou a se manifestar. Até então todos (exceto aqueles de sempre que vão aos shows para conversar e infernizar a vida dos outros, como pode ser comprovado em vídeos do show que upei no Youtube) estavam curtindo o show em silêncio.

“Crazy For You”, a música que se segue e que tem apena uma frase (Crazy for lovin’ you, repetida 9 vezes), mostra a incrível versatilidade de Neil em brincar com a sonoridade das palavras e estruturas musicais. Uma das músicas mais rápidas do set, com pouco mais de 4 minutos. Faz parte do terceiro álbum, Pygmalion, o mais experimental da banda. A seguir, um novo clássico, “Star Roving”, certamente a música do Slowdive com ritmo mais acelerado. Lembra muito Mojave 3, projeto paralelo de Rachel e Neil. O público respondeu com entusiasmo. Pela receptividade das músicas novas, o Slowdive fez uma grande jogada para se reinventar e manter-se relevante no atual cenário musical.

A sétima música continuou a missão de manter os espectadores agitados. “Souvlaki Space Station”, do segundo álbum, “Souvlaki”, mostra o lado space rock do Slowdive, gênero em que eles também mostram maestria, com um vasto repertório de efeitos. A seguir, outra música nova, “No Longer Making Time” que, junto com “Sugar For A Pill” dá a cara do novo Slowdive: ainda com ritmo lento, quase arrastado, com passagens quase minimalistas mescladas com um arranjo vocal perfeito entre Neil e Rachel.

Dagger, de Souvlaki, quebrou totalmente o ritmo da apresentação e surpreendeu a todos, inclusive a mim. Neil pegou sua guitarra e cantou a emotiva balada sem auxílio de outros instrumentos, inclusive pedais. Momento “acústico” do Slowdive. No final, até Neil bateu palmas para a platéia (alguns cantaram junto a letra).

As 4 músicas subsequentes foram o ponto alto do show. Alison, a bela música que abre Souvlaki, e que parece ter sido composta na fase anterior da banda, do shoegaze clássico do primeiro álbum (Just For A Day), ouriçou o povão (ao que parece Souvlaki era o favorito da galera). Muita gente cantando junto. Sugar For the Pill, uma das melhores do novo álbum, também conquistou uma receptividade surpreendente. Para mim é a melhor música do ano até agora. Mais uma vez, Rachel divide os vocais com Neil (enquanto no álbum, só aparece a voz do cantor). A seguir viria o que eu consideraria o ponto alto do espetáculo (até a música seguinte): When the Sun Hits, provavelmente a música mais conhecida do Slowdive. A perfeição de sua execução, o brilhante “wall of sound” entre

estrofes e refrão, faziam com que acreditasse que estava certo em minha previsão.

Não estava. Mesmo já tendo ouvido à exaustão tanto “When the Sun Hits” como “Golden Hair”, a cover de Syd Barret com que fecharam o show no set normal, não achava que a homenagem que fizeram ao ex-Pink Floyd soasse tão emocionante ao vivo. Que me desculpem Kevin Shields e Mark Gardner (os quais criaram impressionantes “wall of sounds” nas apresentações das músicas You Made Me Realize e Drive Blind, do My Bloody Valentine e Ride, respectivamente). Mas os seis minutos instrumentais de Golden Hair somam ao caótico noise ensurdecedor das músicas citadas das outras bandas shoegaze uma emoção que só grandes artistas conseguem criar.

Uma pausa para tomar água e o Slowdive volta para as duas músicas finais. “She Calls”, do terceiro EP da banda, Morningrise, de 1991, apesar de ser da fase inicial da banda mostra caminhos instrumentais que seriam retomados em Pygmalion. Muito noise, vocais esparsos, porém mais “desesperados” que o normal por parte da Rachel. Para encerrar, “40 Days”, do Souvlaki, encerra uma apresentação magnífica com chave de ouro. Uma das canções mais pop e mais emocionais escritas por esse gênio chamado Neil Halstead.

Uma noite gloriosa para os fãs de música, que poderia ter sido um pouco mais satisfatória por conta de algumas características típicas de shows em São Paulo e que parecem não mudar nunca. Primeiro, o preço das bebidas: uma latinha de Bud por 13 dilmas e Stella por 15 é um absurdo. Segundo: estacionamentos ao redor que fecham às 11 da noite (exata hora do encerramento dos shows). Como tive que sair para pegar o carro, não foi possível tentar conseguir uma foto com a banda nos camarins. Paciência.

O que o Slowdive mostrou compensa qualquer frustração. Oferece um estado de êxtase que compensa os aborrecimentos do dia a dia, cada vez mais frequentes.

 

***Pedro Damian, 51 anos de idade, é jornalista, fã de shoegazer britânico dos anos 90’ e editor do blog Shoegaze Alive (https://shoegazeralive9.blogspot.com.br/).

 

***O blog quer deixar registrado aqui que lamenta o profundo menosprezo e falta de atenção (além de também falta de respeito e educação) com que a produtora do show do Slowdive, Balaclava, tratou estas linhas zappers. Entramos em contato com os sócios da produtora (os músicos Fernando Dotta e Raphael Farah) em busca de infos sobre credenciamento para o evento. E nenhum dos dois sequer se dignificou a responder algo. Faz parte e pelo menos temos nesse post uma excelente cobertura da gig, através do ótimo texto do amigão Pedro Damina. Por certo a Balaclava só se importa em ganhar dinheiro com seus festivais e não faz questão que eles sejam cobertos jornalisticamente por um blog como Zap’n’roll, que tem cerca de 70 mil acessos mensais.

 

 

SLOWDIVE AO VIVO ONTEM EM SAMPA

Em dois momentos da gig, registrados no YouTube por Pedro Damian.

 

HÁ VINTE ANOS O RADIOHEAD LANÇAVA A OBRA-PRIMA “OK COMPUTER”, UM DOS ÚLTIMOS GRANDES DISCOS DA HISTÓRIA RECENTE DO ROCK

É realmente incrível como, à medida em que vamos envelhecendo, os anos parecem avançar de maneira muito mais rápida. Meteórica, até. É o caso dos últimos 20 anos da vida do autor destas linhas bloggers rockers: 1997 parece que foi ontem. E no entanto muita coisa mudou no mundo e na nossa existência nessas duas décadas.

Onde você estava em 21 de maio de 1997? Bien, este já velho jornalista rocker (e ainda loker) havia acabado de se mudar para uma república de estudantes no bairro da Liberdade, centrão selvagem e loki de Sampa (uma das piores fases da nossa vida quase sempre loka: sobrevivendo de frilas jornalísticos esporádicos, morando numa república, fumando crack etc. Mas mesmo assim, as BOCETAS não faltavam rsrs). E na Inglaterra o quinteto Radiohead estava lançando o disco que o tornou definitivamente mega banda: “Ok Computer”, talvez um dos últimos grandes álbuns da história recente do rock’n’roll mundial.

IMAGEMRADIOHEAD1997

O quinteto inglês Radiohead (acima) e sua obra-prima, “Ok Computer” (abaixo): um dos últimos álbuns seminais da história recente do rock mundial

CAPARADIOHEADOKCOMPUTER

 

O grupo liderado pelo eternamente estranhíssimo vocalista e letrista Thom Yorke vinha de dois trabalhos muito bem sucedidos (“Pablo Honey” e “The Bends”) mas que ainda meio que aprisionavam o conjunto na estreita redoma do indie guitar rock. Foi quando Yorke e o restante da turma literalmente piraram, soltaram suas amarras musicais e deu no que deu: “Ok Computer” era (e continua sendo) uma obra-prima sem igual. Ampliou os horizontes musicais do grupo quase ao infinito, e fez a transição perfeita entre o indie guitar inicial da banda e a sonoridade experimental e o art rock que a partir de então seria a marca registrada deles – e que, sejamos honestos, rendeu discos bem sacais na trajetória do Radiohead, como os posteriores “Kid A” e “Amnesiac”, progs demais pro gosto zapper.

Mas “Ok Computer” permanece, 20 anos após seu lançamento, como marco definitivo da trajetória do “Cabeça de rádio”. O disco que tem “Paranoid Android”, “Airbag”, “No Surprises” e, principalmente, a imbatível “Karma Police”. Yep, depois dele o quinteto ainda lançou trabalhos dignos de nota (“Hail To The Thief”, “In Rainbows”, o recente “A Moon Shaped Pool”), um único realmente ruim (“The King Of Limbs”) e segue na ativa – inclusive está em turnê mundial de promoção do último disco e talvez apareçam novamente aqui em 2018. Fica a nossa torcida em relação a isso. E para celebrar as duas décadas de “Ok Computer”, nada melhor do que escutar novamente essa obra-prima, que está aí embaixo na integra.

 

 

OS DIAS ERAM ASSIM EM 1997, QUANDO “OK COMPUTER” FOI LANÇADO

***não havia internet, cels, apps e redes sociais no mundo em 1997. E por isso mesmo, definitivamente, o ser humano era mais feliz, menos solitário, menos egoísta, menos careta e mais liberal.

 

***mas Thom Yorke previa justamente um mundo sombrio, dominado por computadores e bastante desajustado nas relações humanas, nas letras das canções de “Ok Computer”.

 

***o disco era complicado e difícil, não restava dúvida quanto a isso. A gravadora do grupo (a Parlophone) ficou decepcionada com o material entregue pela banda e previu que o álbum seria um fracasso de vendas. Pois “Ok Computer” emplacou nada menos do que quatro singles nas paradas e rádios do mundo inteiro. E é até hoje o disco mais vendido da história do Radiohead. Ou seja: os ouvintes de música mundo afora também eram mais inteligentes e cultos naqueles tempos. E se tornaram muito mais BURROS de 20 anos pra cá.

 

***como o blog conheceu “Ok Computer?”. Bien, Finaski já conhecia o Radiohead, óbvio. Mas não era nenhum fã de carteirinha do conjunto. Foi quando começou a ter um “affair” com uma magrela de bunda e peitos miúdos que morava no bairro do Belém, começo da zona leste de Sampa, e que AMAVA ser fodida no cu pequeno pela grossa rola fináttica, rsrs. Ela nem era muito bonita. Mas tinha uma cultura elevadíssima para a sua pouquíssima idade (20 anos). E literalmente AMAVA o Radiohead. Foi de tanto freqüentar sua casa e ouvir zilhões de vezes “Ok Computer” na sua cia que o sujeito aqui acabou se rendendo à genialidade do disco.

 

***em Sampa a maior lenda do circuito alternativo noturno da cidade estava chegando enfim ao fim: o Espaço Retrô (só quem freqüentou e viveu momentos inesquecíveis e incríveis ali sabe o que aquilo significou em nossas vidas e em nossos anos jovens) fechou suas portas em 1998. Ano em que o Radiohead acabou também se transformando em febre por aqui.

 

***uma febre tão grande que levou este Finaski a sugerir ao nosso eterno e amado Pomba (então “editador-chefe” da edição impressa da revista Dynamite, uma das principais publicações de rock do Brasil naquela época) que déssemos uma CAPA para a banda na revista. Essa capa veio na última edição de 1998, em texto/perfil do grupo assinado por Zap’n’roll e complementado por uma entrevista exclusiva que o nosso então correspondente em Londres, Celso Barbieri, conseguiu com o vocalista Thom Yorke.

CAPADYNAMITE1998

A extinta revista alternativa Dynamite e sua edição de dezembro de 1998: a capada publicação registrou a explosão mundial (Brasil incluso) de popularidade do Radiohead

***yep, não existem mais bandas como o Radiohead nos anos 2000’. Nem discos como “Ok Computer”. E muito menos revistas como a saudosa Dynamite – na boa: a imprensa musical e rock brasileira literalmente ACABOU. Ou você ainda duvida disso?

 

 

MUSA ROCKER TOTAL DELICIOUS – A LINDAÇA E GOSTOSASSA FLÁVIA DIAS

Nome: Flavia Dias.

Idade: 38 e alguns quebrados.

De onde é: São Paulo.

Mora onde e com quem: Moro na masmorra de um castelo com um dragão caralhudo.

O que faz: Escrevo e leio almas. E nos intervalos, se pedir com jeitinho, eu faço tudo.

O que estudou: O único diploma que tenho não serve pra porra nenhuma. E me recuso dizer que tenho ensino médio completo porque pra mim, nada que é médio pode ser completo. E vou dizer-lhes mais: em meio livro do Dostoiévski aprendi muito mais do que em todas as escolas que estudei. A minha ignorância vem do bolso mesmo, porque acho que nem berço eu tive. Enfim, eu leio.

Três discos: Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets. (E de preferência com muitos Baurets),

Uah Bap-Lu-Bap-Lah-Béinn-Bum!  (Toca Raul!! ) e Beggars Banquet (The Rolling Stones (porque aquela noite foi incrível)

Três bandas ou artistas: Rita Lee, Janis Joplin, Rolling Stones.

 

Três filmes: Psicose, Taxi Driver, Um estranho no ninho.

Três diretores: Quentin Tarantino, Charlie Chaplin, Steven Spielberg.

Três livros: Notas do Subsolo (Dostoiévski), Pergunte ao pó (John Fante), Misto Quente (Bukowski).

Um show inesquecível: Inesquecível mesmo foi o primeiro. Titãs. Eu tinha uns doze anos, e até hoje me arrepio quando lembro da multidão mandando as oncinhas pintadas, as zebrinhas listradas, e os coelhinhos peludos se fuderem. Foi mágico. Acho que nem foi o show mais foda que eu fui, mas foi o único que eu estava sóbria, deve ser por isso que eu lembro.

Como o blog conheceu Flavinha: ela é super amiga de uma outra amigaça (e também musa rocker) zapper, a escritora e roteirista Juliana Frank. Foi assim que, algum tempo atrás, o velho jornalista ainda loker conheceu a morenaça pessoalmente, quando todos estavam “derrubando” algumas brejas no bar Cemitério de Automóveis, do dramaturgo Mário Bortolotto. Conheceram e não se desgrudaram mais: o blog estava no último finde no apê de Flávia, tomando um ótimo cabernet sauvignon chileno e admirando sua incrível coleção de livros (ela é fã dos russos e dos beats americanos, entre outros). Mas enfim, chega de papo, rsrs. Podem preparar as bronhas, ulalá! Aí embaixo o ensaio fodástico de miss Flávia, em imagens registradas pelo seu Love boy, o fotógrafo Daniel Inácio.

IMAGEMMUSAFLAVIA17

Ela ama (assim como o blog também ama) os Stones

 

IMAGEMMUSAFLAVIA17III

Ela ama Allen Ginsberg

 

IMAGEMMUSAFLAVIA17IV

Ela ama vinho e letras

 

IMAGEMMUSAFLAVIA17II

Ela ama se desnudar e refletir

 

IMAGEMMUSAFLAVIA17V

Ela AMA nos provocar e nos enlouquecer

**********

 

E FIM DE PAPO

Postão já está gigantão, néan? Então ficamos definitivamente por aqui porque a sextona já chegou e tem Virada Cultural em Sampa nesse finde. De modos que deixamos para o próximo post (sem falta!) uma análise mais bacana sobre o novo álbum do Vanguart (“Beijo Estranho”) e também sobre a estréia em cd da banda surf instrumental paulistana Pultones, sendo que o disco deles está em sorteio lá no hfinatti@gmail.com.

Beleusma? Então é isso. Logo menos voltamos aqui com postão inédito do blog que há catorze anos se mantém como um dos campeões de audiência da blogosfera brazuca de cultura pop. Até mais!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 19/5/2017 às 15hs.)