AMPLIAÇÃO FINAL, falando dos trinta anos do primeiro álbum dos Guns N’ Roses, do novo disco da deusa Lana Del Rey e com o blog se mandando para Sorocaba, para acompanhar o festival Circadélica – O blog de cultura pop e rock alternativo mais legal da web BR chega aos catorze anos de existência (wow!), sempre com muito a dizer e comemorando com DJ set fodona neste domingo em Sampa! Mais: o festival Circadélica invade Sorocaba na próxima semana (e nós estaremos lá, acompanhando tudo bem de perto) prometendo reviver os ótimos tempos do Junta Tribo; sobre a festança indie rocker batemos um papo com Mario Bross, vocalista do sempre bacaníssimo Wry e um dos idealizadores do evento; e como não é todo dia que um espaço na blogosfera brazuca celebra quase uma década e meia de jornalismo total rock’n’roll, nosso presente ao dileto leitorado zapper vem à altura da data: a DE LI CIO SA musa rocker Paloma, tesão total de apenas dezoito aninhos de idade, ulalá! (postão COMPLETÃO e total concluído em 22/7/2017)

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Ao longo de catorze anos de existência Zap’n’roll acompanhou muito de perto (e continua acompanhando) a cena rock independente brasileira, de bandas como o já clássico quarteto indie guitar sorocabano Wry (acima) ou novas como o potiguar Farm From Alaska (abaixo); ambas se apresentam semana que vem no festival Circadélica e o blog zapper estará lá vendo de perto toda a movimentação como de resto sempre viu e descobriu (e continua descobrindo) ótimos novos grupos, e também incríveis musas rockers como a deste post, a gatíssima Paloma (abaixo, ao lado de Finaski)

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MAIS MICROFONIA: OS TRINTA ANOS DE UM CLÁSSICO DO ROCK, A MORTE DO VOCALISTA DO LINKIN PARK, NOVO DISCO DA DEUSA LANA DEL RAY AND MORE…

 

***Trinta anos de um clássico da história recente do rock – “Appetite For Destruction”, o disco de estréia da turma de Axl Rose completou 30 aninhos ontem, sextona em si (o postão zapper está sendo concluído já no sabadão, 22 de julho). Foi lançado exatamente em 21 de julho de 1987. E o mundo naquela época era muuuuuito diferente do que é hoje. Pra começar (e todos também já estão cansados de saber disso) não havia essas merdas digitais todas da era da web (redes sociais, apps, plataformas musicais, YouTube, Deezer, SoundCloud, Spotify) que, num certo sentido, AJUDARAM MUITO A MATAR a música, a qualidade artística dos músicos e do que eles produzem e o PRAZER de se escutar música (seja rock, mpb, pop, o que for). Numa época (1987) em que a MTV ainda engatinhava nos EUA e fora ela só podíamos ouvir/ver música nas rádios e nas TVs, a banda tinha que ser FODONA mesmo para acontecer. Os caras tinham que ser MÚSICOS DE VERDADE e tocar na raça, serem bons pra caralho. E o Guns, em seu primeiro disco e em sua formação clássica, ERA TUDO ISSO. Você pode amar ou ODIAR o grupo, mas essa constatação é inexorável e inescapável. Era o quinteto certo na hora certa e no lugar certo. Um bando de junkies cabeludos, sujos, arruaceiros e ótimos músicos, loucos para tocar, para tomar todas as drogas possíveis e comer todas as bocetas disponíveis. Fazendo um hard rock potente, de guitarras agressivas, muito bem tocadas mas com melodias repletas de apelo pop e radiofônico, o GNR engendrou em um único LP alguns dos hoje mais lendários clássicos da história recente do rock’n’roll. E o blog acompanhou bem de perto tudo aquilo naquela época – é uma das vantagens de se ter 5.4 nas costas: você está ficando velhão, sem dúvida. Mas isso lhe garantiu testemunhar fatos que nunca mais irão se repetir no rock’n’roll, ainda mais nos dias que correm, onde ele está quase morto e enterrado. “Appetite…” não estourou de imediato. Começou vendendo bem e quando porradas como “Welcome To The Jungle”, “Paradise City” e (principalmente esta) “Sweet Child O’ Mine” tomaram de assalto as rádios no mundo inteiro (Brasil incluso), o rolo compressor gunner se tornou monstro e a devastação foi inevitável na cena rock de então. Em questão de alguns meses a bolachona de vinil vendeu mais de 30 milhões de cópias e o grupo se tornou a maior banda do mundo então. Nessa época inclusive o jornalista zapper escrevia para a página de música do Caderno 2, do jornal O Estado De S. Paulo. O editor de música do caderno era nosso querido mestre eterno, Luis Antonio Giron. Lembramos como se fosse hoje: Finaski entrando uma tarde na redação do Estadão e mr. Giron em pânico: “precisamos dar uma CAPA para o Guns ‘N Roses! Eles estão DOMINANDO o mundo!”. E estavam mesmo. O restante da história todo mundo conhece de cor e assaltado. O grupo ainda lançou um trabalho quase primoroso (os dois álbuns duplos “Use Your Illusion”, I e II, em 1991) e depois nunca mais foi o mesmo. Corroído por drogas, brigas internas selvagens, demissões sumárias de membros e saídas voluntárias (e nada amigáveis) de outros (tudo por conta do ego descomunal e descontrolado de Axl), o Guns foi descendo a ladeira sem dó. Ao vivo? Nem eram tudo isso: o blog assistiu ao grupo por duas vezes, em janeiro de 1991 (no estádio do Maracanã, na segunda edição do Rock In Rio), e quase um ano depois (em novembro de 1992) aqui mesmo em Sampa, lá no estacionamento do sambódromo do Anhembi. Nas duas ocasiões achamos a gig bastante sacal na verdade, sendo que um dos poucos momentos em que nos empolgamos foi quando tocaram “Civil War”, talvez a música que estas linhas online mais gostam do conjunto até hoje. Enfim, a banda está aí na ativa até hoje. Vai inclusive tocar aqui no bananão pela milésima vez em setembro (no Rock In Rio e no festival SP Trip, que vai rolar em Sampa). Há muito se tornou uma caricatura, um cover pálido de si mesma e que nem em sonho lembra os tempos do grupo fodástico e furioso que incendiou o mundo com “Appetite For Destruction”, mesmo estando novamente contando com o gênio Slash nas guitarras. E o blog mesmo nunca morreu de amores por eles. Mas reconhecemos que “Appetite…” foi O DISCO de rock há 30 anos, em julho de 1987. Um álbum como não se faz mais hoje em dia. E nunca mais será feito, aceitem isso. Pois não há mais BANDAS DE ROCK fodonas e com CULHÃO para gravar um disco desse calibre.

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A formação clássica e original do Guns N’ Roses (acima) e que gravou o disco de estréia da banda, “Appetite For Destruction”, que comemorou trinta anos ontem, 21 de julho: não se fazem mais álbuns de rock assim hoje em dia, infelizmente

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***Rip Chester – a nota triste da semana foi o suicídio do vocalista da já velhusca e cafona banda de nu mental Linkin Park, Chester Bennington. Com problemas de depressão e um histórico de consumo de álcool e drogas, o cantor resolveu dar fim à própria vida se enforcando. O blog lamenta, óbvio, a perda humana. Mas não muda sua opinião: LP sempre foi uma banda sacal e quase totalmente irrelevante para a história do rock.

 

***A deusa de volta – ela mesma, o bocetaço cantante que é Lana Del Ray, deu ao mundo ontem seu novo álbum de estúdio. “Lust For Life” ainda está sendo degustado por estas linhas bloggers poppers, que irá falar melhor sobre ele em breve. Mas pros fãs e interessados, ele pode ser ouvido na íntegra aí embaixo.

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***E pau no cu da nação coxa! – ela mesma, que bateu panela pedindo a saída de Dilma e agora agüenta levar no rabo sem dó e sem vaselina o caralho flácido do Conde Drácula do Planalto, o golpista mais filho da puta e ordinário que já desgovernou o Brasil. Felizes com o aumento da gasolina? Chupa nação coxa otária! E agüente caludinha. Vocês merecem se foder!

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***Indo pro interior – yep, Zap’n’roll está se mandando pra Sorocaba (a Manchester paulista), onde fica até domingo à noite para acompanhar toda a movimentação em torno do festival Circadélica, evento indie mais do que bacana organizado pela turma do grupo Wry. Então a gente volta no próximo post com a cobertura e todos os detalhes da festona rocker, falouzes?

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MICROFONIA

(reverberando cultura pop, política, comportamento, sociedade)

 

***Nenhuma novidade esta semana (que está chegando ao fim hoje, sabadão em si, quando o blog está entrando no ar) na vergonhosa política do bananão do quinto mundo dos infernos. Lulão condenado pelo tirano de Curitiba, vampiro golpista comprando todos os deputados da CCJ da Câmara, para barrar o avanço da denúncia contra ele (por corrupção) e por aí vai. Tudo muito desalentador aqui nesse sentido. E assim segue o pobre Brasil, terra dos coxas e reaças estúpidos de direita…

 

***Uma das bandas que estão se destacando na atual cena alternativa nacional, o Farm From Alaska, acaba de soltar nas plataformas digitais seu novo vídeo, para a música “Cobra”. A banda potiguar é um dos destaques do festival Circadélica semana que vem, em Sorocaba – e sobre o qual você lê em todos os detalhes ao longo desse post. O vídeo do FFA você confere abaixo.

 

***Yep, ainda estamos devendo aqui uma resenha no capricho de “Beijo Estranho”, o novo álbum dos queridos Vanguart e que já foi lançado há um tempinho. O blog promete agilizar essa resenha para o quanto antes aqui, ok? Enquanto isso, se você ainda NÃO escutou o dito cujo pode fazê-lo aí embaixo, na íntegra.

 

***E nem dá pra esquecer: amanhã, domingão em si, tem super DJ set de aniversário dos catorze anos destas linhas rockers bloggers lá no Grind, a domingueira rock’n’roll mais bombada do Brasil há quase vinte anos. Vai perder? Não? Então se informe sobre o festão aqui: https://www.facebook.com/events/1932745850329012/?acontext=%7B%22ref%22%3A%222%22%2C%22ref_dashboard_filter%22%3A%22upcoming%22%2C%22action_history%22%3A%22[%7B%5C%22surface%5C%22%3A%5C%22dashboard%5C%22%2C%5C%22mechanism%5C%22%3A%5C%22main_list%5C%22%2C%5C%22extra_data%5C%22%3A[]%7D]%22%7D.

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***Ao longo da semana iremos ampliando e atualizando as notícias na sessão Microfonia. Mas por enquanto vamos falar dos catorze anos de um blog de cultura pop e rock alternativo que continua fazendo a diferença na web BR – esse aqui mesmo, alguma dúvida?

 

 

14 ANOS DO BLOG DE CULTURA POP E ROCK ALTERNATIVO QUE FAZ A DIFERENÇA NA WEB BR – BORA COMEMORAR!

Yep. Tudo começou em 2003, quando a Dynamite e seu site ainda engatinhavam na era digital. Convidado pelo eternamente amado “editador” e melhor amigo André Pomba, passamos a escrever a coluna semana Zap’n’roll que, de resto, já havia sido publicada durante dois anos (de 1993 a 1995) na edição impressa da extinta e saudosa revista Dynamite.

E 14 anos após sua estréia na versão online, a Zap’n’roll segue no ar, firme e forte. Tem cerca de 70 mil acessos mensais e é um dos sites/blogs mais acessados da web BR na área de cultura pop e rock alternativo. Nunca traímos nossas convicções (artísticas, estéticas, culturais, comportamentais, políticas e sociais) em nossos textos. O blog sempre foi e continua sendo o que é, aqui e nas redes sociais. Por conta disso fizemos muitas inimizades nesses anos todos. Mas também angariamos a simpatia de muita gente. E nos divertimos muito fazendo o que gostamos, mesmo não ganhando quase nada em termos de grana. Viajamos o Brasil todo, conhecemos pessoas, bandas, cenas. E isso não tem preço.

Como vamos comemorar esses 14 anos? Na maior e melhor domingueira rock’n’roll do Brasil, claaaaaro! O já velhinho (uia!) mas JAMAIS obsoleto jornalista rocker/loker assume as pick-up’s do Grind neste domingo, 16 de julho, a partir das 3 da matina. E como sempre, prometemos uma super DJ set para a qual contamos com a presença de vários amigos queridos e também do nosso sempre dileto leitorado.

E que ainda venham senão muitos, ao menos alguns anos ainda com o blog zapper no ar – afinal, nada é para sempre e tudo acaba um dia. Mas enquanto aqui estivermos aqui iremos sempre pautar nossa linha editorial por aquilo que marcou essa quase década e meia de existência deste espaço rock online: a paixão absoluta pelo rock’n’roll e pela cultura pop que alimenta nossos dias e noites e que são e serão perenemente a razão de um mundo minimamente menos cinza e menos caótico.

Tamo junto, galera! Aqui e domingo no Grind lá no baixo Augusta. Bora dançar e comemorar! Nos vemos por lá!

 

 

O BLOG ZAPPER – 14 ANOS DE CULTURA POP E ROCK ALTERNATIVO NA WEB BR RESUMIDOS EM ALGUMAS IMAGENS

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Entrevistando Robert Smith, o eterno vocalista do Cure, em São Paulo, janeiro de 1996

 

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Ao lado da deusa loira Kim Gordon (ex-baixista do saudoso e gigante indie Sonic Youth), em Sampa, novembro de 2005

 

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Com o chapa de décadas, Roberto Frejat (ex-Barão Vermelho),  2013

 

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Cercado pelos Ira’s Edgard Scandurra e Nasi, 2014

 

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Com Helinho Flanders (Vanguart), 2014

 

FESTIVAL CIRCADÉLICA CHEGA À SUA SEGUNDA EDIÇÃO PROMETENDO REVIVER OS TEMPOS INCRÍVEIS DO JUNTA TRIBO E DA CENA INDIE GUITAR BRAZUCA DOS ANOS 90’

Não há como negar ou disfarçar a situação atual do bananão tropical, em todos os sentidos. O Brasil, passando por aquela que talvez seja a maior crise econômica e política de toda a sua história (cortesia de um desgoverno golpista, corrupto, bandido e eivado de ratazanas graúdas que se apoderaram da máquina pública e do poder e que não querem largar dele), está literalmente quebrado. Isso se reflete em todos os setores e atividades, na Cultura inclusive. E mais ainda no nosso amado rock’n’roll, gênero que além de tudo sofre já há alguns anos uma acentuada derrocada em termos de popularidade e de falta de espaço e apelo junto à mídia e ao grande público (seduzido que está por aberrações musicais como sertanojo universotário, axé burrão e funk ostentação/proibidão, que amealham milhões de ouvintes e seguidores em redes sociais e plataformas digitais variadas). Com um panorama tão desalentador desses, vem a pergunta: ainda há espaço e interesse do público (ainda que seja um nicho de mercado) para um festival que reúna em um final de semana numa cidade do interior paulista, alguns dos melhores nomes da cena rock independente brazuca? Se depender do Circadélica, que terá sua terceira edição nos próximos dias 22 e 23 de julho (sábado e domingo da semana que vem) em Sorocaba, sim, ainda há muito espaço para um evento deste naipe. E também um grande público a fim de curtir toda a experiência sonora e extra-musical que o festival promete entregar.

Organizado e produzido pela brava e corajosa turma do grupo sorocabano Wry (um dos orgulhos da indie guitar scene nacional já há vinte anos), o Circadélica teve uma primeira (e modesta) edição em 2001. Depois o festival sofreu uma interrupção por quinze anos até retornar agora,  mais forte e robusto em sua edição 2017. Ela acontece semana que vem em Sorocaba, nos dias 22 e 23 de julho (sábado e domingo), quando trinta e quatro das provavelmente mais representativas bandas alternativas brasileiras (com destaque maior para algumas e menor para outras) irão se revezar a partir do meio-dia em dois palcos montados no bairro Jardim Vergueiro. E além do festival em si haverá também festas paralelas a partir da noite da próxima quinta-feira no Asteroid Bar, um dos endereços mais conhecidos da cena rock da cidade, e que também é tocado pela turma do Wry, quarteto que é dileto amigo destas linhas bloggers rockers desde sempre.

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Um dos nomes já históricos da indie scene nacional que ainda importa: o quinteto paulistano Ludovic é uma das atrações do festival Circadélica, semana que vem em Sorocaba

 

O Circadélica 2017 vai promover até um mezzo encontro de gerações, pois vai ter gigs de nomes já históricos da cena independente (como os paulistanos Ludovic e Dead Fish, além do próprio Wry), e também abrir seus palcos para algumas revelações recentes desta mesma cena, como Plutão já foi Planeta, Maglore, Farm From Alaska, Boogarins, Vespas Mandarinas etc. Há também alguns nomes bombados e na ótica deste espaço online, superestimados (como Liniker & Os Caramelows). E grupos hoje totalmente irrelevantes e dispensáveis (alguém ainda se importa em assistir a um show do goiano MQN?). Mas são detalhes menores em um line up que, no todo, está bastante caprichado e mostrando um excelente panorama do que rola nesse momento no rock alternativo nacional. Que, sim, ainda resiste heroicamente nas trincheiras e em tempos tão adversos para ele como os de hoje.

Zap’n’roll, que durante quase duas décadas acompanhou muito de perto grande parte da movimentação da cena independente brasileira em todas as regiões do país, também estará acompanhando o Circadélica lá em Sorocaba. Mas antes de irmos para a “Manchester” paulista (na próxima sexta-feira), batemos um papo sobre o festival com o produtor do mesmo, Mario Bross (o “baixinho” gente finíssima que canta e toca guitarra à frente do Wry), nosso chapa há anos já. Ele explica melhor os detalhes do festival e revela suas expectativas sobre o mesmo. Então confira aí embaixo os principais trechos deste bate-papo.

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Dupla rocker de respeito: Zap’n’roll e Mario Bross (vocalista e guitarrista do Wry), um dos organizadores do festival Circadélica, se encontram após show da banda em Sampa (foto: Fabrício Vianna)

 

Zap’n’roll – Pra começar antes de falarmos de música e do evento propriamente, uma questão de ordem conjuntural eu diria: o país está passando por uma de suas piores crises econômicas e institucionais em todos os tempos. Além disso é visível que o momento infelizmente é bem desfavorável para a cena rock nacional, inclusive a independente. Bandas temos, muitas e boas. Mas falta espaço na mídia, as pessoas emburreceram terrivelmente em seu gosto musical e gêneros como sertanejo, funk e axé dominam todos os espaços possíveis. Com tudo isso é possível fazer um festival como o Circadélica, contar com um bom público e bom resultado financeiro, midiático etc? Ou se trata na realidade de promover um evento que seria um verdadeiro ato de resistência do indie rock em um cenário tão hostil a ele?

 

Mario Bros – É complexo dizer com detalhes, mas afirmo que é muito dificil fazer, temos que contar com o bom senso de todos, para não cobrar super mega caro, pedir desconto em todo e qualquer material de técnica e produção e tentar patrocínio. Conseguimos um apoio bem legal da TNT e outros menores, mas foi isso. Dinheiro mesmo não conseguimos nenhum, vai ser na raça, através dos ingressos e de parte do bar. Mesmo com a crise as pessoas gostam de música, as mesmas pessoas que gostam de funk na balada, gostam de rock também. O publico jovem é mais aberto e muito ecletico. Resumindo, é dificil fazer, a gente gosta de fazer e acho que tem um publico ainda.

 

Zap – certo. É a terceira edição do festival. O que mudou nele do primeiro pra agora?

 

Mario – Basicamente está maior, tem uma tenda a mais, ou seja, dois palcos. Muito mais coisas pra fazer, comer e se entreter. E os side shows que rolam no Asteroid são também vários, domingo agora, quinta, sexta, sábado à noite e segunda, que decretamos feriado em Sorocaba hahaha. A linha artística continua passeando pelo rock, indie, rap, pesado, folk, eletronic, hard core e punk e pop.

 

Zap – observando o line up verifico que há uma grande variedade de estilos presentes, além de já um quase encontro de gerações, rsrs. Há grupos clássicos como o Ludovic e revelações recentes e muito bem vindas, como o Maglore. Como foi o processo de montar esse line up? E quais são os destaques na sua opinião?

 

Mario – Quis usar da mesma linha de pensamento que faço no Asteroid, sendo eclético dentro de um espectro que curto. Mais as idéias dos associados do baile, chegamos nesse line up. Queríamos um pouco de tudo tendo como base o indie ou rock alternativo. Não consigo te dizer quais são meus destaques, me simpatizo com todas as bandas, não tem nenhuma aqui que desgosto ou acho que não deveria estar ou que deveria ser outra no lugar. Estamos bem contentes, sério!

 

Zap – ok. Agora passemos a uma questão que também permeia a cena alternativa nacional há anos. Uma cena inclusive que este blog acompanha muito de perto há pelo menos uma década e meia. E por acompanhar sou plenamente sabedor das dificuldades que se é montar um festival independente. Entre elas a questão de se conseguir patrocínio e pagar cachê para as bandas. Nesse aspecto o Circadélica conseguiu chegar a um acordo satisfatório com os grupos sobre esse tema?

 

Mario – Lógico que gostaria que fosse melhor o acordo com algumas bandas e que pudéssemos pagar melhor pra outras. Mas acho que conseguimos um equilíbrio. E agradeço publicamente aqui todas as bandas que aceitaram tocar no festival prontamente!

 

Zap – a pergunta anterior tem um motivo e vou dizer qual é: porque durante um bom par de anos (no começo dos anos 2000’) a cena nacional foi explorada na cara larga pela malfadada quadrilha do coletivo Fora Do Eixo que, comandada pelo produtor tristemente conhecido como Pablo Capilantra (e contando com o apoio irrestrito do Sr. Fabrício Nobre, vocalista do grupo MQN, que irá se apresentar no Circadélica), conseguiu amealhar bons milhões da teta pública (através da participação em editais da Petrobras, por exemplo) e sendo que parte desses recursos obtidos poderiam ter ido parar nas mãos das bandas que tocaram nos festivais promovidos pelo FDE, a título de cachê. Isso nunca aconteceu e NENHUMA banda que tocou no FDE nunca viu um tostão em termos de cachê. Claro que essa situação não se aplica ao Circadélica, um festival sério, sem dinheiro público envolvido e organizado por um músico e produtor (você mesmo) que o blog conhece há anos e sabe da sua honestidade, integridade e amor pela cena musical. Enfim, o blog se sente quase na obrigação de fazer essa observação e aproveita para saber o que você acha de produtores de festivais que EXPLORAM as bandas que tocam nesses eventos (como os que eram realizados pelo FDE) sem nada fazer por elas além de lhes dar um palco para tocar. Você acha que isso continua acontecendo muito no Brasil ou a mentalidade de quem produz eventos na cena rock alternativa está mudando?

 

Mario – Sinceramente não tenho comentários sobre isso, não sei como funciona, não morava aqui nessa época, peguei um rabo de uma história que envolvia o FDE, mas nunca me aprofundei ou me interessei em saber. Acho difícil dizer qualquer coisa Finatti.

 

Zap – Além de produtor e organizador do Circadélica você toca guitarra e canta à frente do Wry há duas décadas, sendo que a banda já se tornou um clássico do indie guitar brasileiro. Como é conseguir manter um grupo ativo por tanto na cena independente nacional, ainda mais com ela lutando sempre com todo o tipo de dificuldades? O que a banda pretende mostrar no seu show no Circadélica?

 

Mario – Então amo produzir musicas, amo desafios relacionados a banda. O que muitos vêem como problema, eu não vejo. Lógico que já me incomodei com coisas que aconteceram em algum momento ou outro. Mas acho que usei isso pra melhorar. Também já fui cabeça dura, mas decidi abrir a cabeça. Hoje em dia estudo lírica, teórica e prática, piano e voz, sempre querendo melhorar. No Circadélica estaremos mostrando algumas coisas novas e alguns clássicos. Mas já aviso que a coisa mais antiga que tocamos em nossos shows hoje em dia é dois sons do “Flames in the Head”, de 2006.

 

Zap – Pra encerrar: você acha que o festival pode ou poderá reeditar os tempos de glória da cena alternativa nacional, quando foram realizadas as históricas e inesquecíveis edições do festival Junta Tribo, em Campinas?

 

Mario – Nostalgia não é muito do meu gosto, de vez em quando sinto, lapsos da saudade. Mas vivo mesmo o momento. Com todo o respeito a história, sem ela não seríamos nada. Acho que o valor do Juntatribo é imenso e pavimentou o caminho pra tudo isso de hoje. Mas nós estamos aqui hoje pra fazer uma nova história com todos os personagens de hoje, sendo eles de longa data ou nascidos hoje. Espero que seja lindo, como foi o Juntatribo ou o primeiro Circadélica!

 

***Tudo sobre o festival Circadélica aqui: http://circadelica.com.br/. E aqui também: https://www.facebook.com/circadelica/.

 

***Zap’n’roll estará a partir da próxima sexta-feira (21 de julho) em Sorocaba, acompanhando ao vivo toda a movimentação e todos os shows do festival, cuja cobertura estará aqui logo após o encerramento do evento.

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MUSA ZAPPER DO MÊS DO ROCK E COMEMORANDO NOSSOS CATORZE ANINHOS DE VIDA – A NOVINHA, LINDONA E TESUDAÇA PALOMA, UHÚ!

Nome: Paloma Silva.

Idade: 18 anos.

De: São Paulo/SP

Mora em: São Paulo/SP.

Formada em: nada, por enquanto. Pretendo cursar jornalismo.

Trabalha em: assistente de fotógrafo, modelo.

Três livros: “Só garotos” (Patti Smith), “Crônicas de um amor louco” (Charles Bukowski), “Leite derramado”  (Chico Buarque).

Três bandas/artistas: Chico Buarque, Beatles e Fábrica De Animais.

Três discos: “A divina comédia” (Mutantes), “Blue & lonesome” (Rolling Stones), “Envelhecido 12 anos” (Bêbados habilidosos).

Três filmes: “Poderoso chefão” (de Mario Puzo), “Pulp Fiction” (de Quentin Tarantino), “Hair” (de Galt MacDermot).

Três diretores de cinema: Francis Ford Coppola, Sergio Leone e Alfred Hitchcock.

Show inesquecível: Ainda não teve um.

Como o blog conheceu a nossa delicious musa deste post: Palominha além de ser essa gataça morena, namora com o músico e gaitista Flávio Vajman, que faz parte do grupo Fábrica De Animais. O jornalista zapper e Flávio são amigos de longa data. E quando o autor deste blog conheceu a girlgfriend do músico, além de se tornar amigo dela não teve dúvidas: a convidou imediatamente para fazer este ensaio. Ela topou e agora nosso dileto leitorado macho (cado) e também feminino (por que não?) pode conferir abaixo mais uma sensacional sequencia de imagens que só estas linhas poppers podem proporcionar. Apreciem sem nenhuma moderação!

 

(fotos: Jairo Lavia. Produção: Zap’n’roll. Locação: Sensorial Discos. O blog agradece a força dada ao ensaio pelo querido Antonio Lucio Fonseca, proprietário da Sensorial)

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(in) Discretamente vestida, para iniciar os trabalhos

 

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Sim, eu amo rock’n’roll

 

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Cerveja e poesia ao cair do dia

 

Paloma (12)

Eu piso no amor porque ele sempre será um cão dos diabos

 

Paloma (17)

Meus discos e meus livros me bastam, às vezes

 

Paloma (21)

Um cigarro pra descontrair e fazer cia à liberdade corporal

 

Paloma (18)

Ela AMA ter velhos (como Buk e seu namorido) no meio de suas lindas coxas

 

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As melhores cias para a garota incendiária: Bowie, Buk e Velvet Underground

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FIM DE PAPO

Postão sendo concluído já no sabadão, 22 de julho. E o blogão indo logo ali em Sorocaba city, pra acompanhar o festival Circadélica. Semana que vem contamos como foi o rolê rocker, okays?

Então tchau pra quem fica em Sampa nesse finde!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 22/7/2017, às 11hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL, falando sobre a exposição em torno da trajetória do Nirvana no Rio De Janeiro, e os 27 anos da morte do gênio inesquecível que foi Cazuza – Com um disco bacanão recém lançado o quarteto inglês Ride, ícone da geração shoegazer britânica dos 90’, mostra que o rock de duas décadas e meia atrás era muito mais legal do que o que é feito pelas bundonas bandas atuais e onde até a indie scene rock planetária anda mega meia boca; mais: a volta do folker Fleet Foxes, o indie guitar noventista do Delays, a inútil ilusão oferecida por redes sociais como o Facebook, o fim de mais um bar alternativo bacana em Sampa (a Funhouse) e uma musa rocker japonesa QUARENTONA (wow!) e repleta de tattoos, que deixa muita pirralha de vinte aninhos no chinelo, ulalá! (postão AMPLIADO E FINALIZADO, em 8/7/2017)

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Com a falência atual da cultura pop e do rock’n’roll, cabe aos veteranos mostrar ótimo serviço: o shoegazer inglês Ride (acima) lança novo e muito bom álbum após mais de duas décadas sem gravar material inédito; já o também britânico Delays (abaixo) vai na mesma pegada sonora, prestando vassalagem ao indie guitar noventista; e até nossa musa desta edição, a lindona japa girl Gláucia (também abaixo), mostra que as quarentonas rockers são muitas vezes mais interessantes e apetitosas do que as “pirralhas” atuais

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MINI DIÁRIO SENTIMENTAL E MEMÓRIAS FINÁTTICAS – E NAQUELE SÁBADO, HÁ 27 ANOS, NO RIO DE JANEIRO… O BLOG ASSISTIA LEGIÃO URBANA AO VIVO ENQUANTO CAZUZA IA PRO CÉU COM DIAMANTES

Onde vocês estavam há 27 anos, exatamente em 7 de julho de 1990? Bom, vocês o blog não sabe. Zap’n’roll estava no Rio de Janeiro à noite, no Jockey Club do balneário carioca. Junto estavam ali outras 50 mil pessoas. Todas vibrando ao máximo e em êxtase sensorial absoluto com o show que a Legião Urbana estava então fazendo no local. Era mais uma apresentação da turnê do bombadíssimo álbum “As Quatro Estações” (que havia saído menos de um ano antes e já havia vendido, até aquela data, mais de um milhão de cópias). Finaski era repórter da editoria de cultura da revista IstoÉ. E havia passado os últimos dois meses daquele ano acompanhando a banda em algumas apresentações, para escrever um perfil dela para a revista. Esse show no Rio seria o último que ele iria assistir antes de escrever e entregar o texto para publicação. Depois que a revista foi para as bancas com a reportagem, ainda assistiu novamente o grupo aqui mesmo em Sampa, no estádio do Palmeiras, dois meses depois.

 

Muito aconteceu naquele final de semana da gig carioca da Legião. Acontecimentos que, inclusive, estão descritos num dos primeiros capítulos do livro, “Escadaria para o inferno” (que está na mão de numa nova e promissora editora e que talvez o coloque nas livrarias ainda este ano). Na véspera da ida pro Rio o jornalista loker/zapper se trancou em casa (no apto em que morava, na rua “Gay” Caneca) com a magrela Pati, com quem então estava de “namorico” (pois Finas havia sido “dispensado” semanas antes pela futura mãe do seu único filho). Pati era bonitinha mas ordinária: gostava de rock mas não possuía grandes atributos intelectuais. Mas FODIA bem. De modos que ela foi pra casa naquela sexta-feira e lá passamos a noite/madrugada, primeiro fodendo bastante. Depois o loki autor deste espaço blogger rocker foi cheirar cocaína ao longo da madrugada, enquanto papeava com ela e escutava discos da Legião. Quando o pó acabou foi tentar dormir (já era quase de manhã) e obviamente “fritou” bastante até conseguir. Mas enfim pegou no sono.

 

No meio da tarde (umas 4 da tarde, pra ser mais exato) foi acordado com o interfone tocando. Era o queridão Ivan Cláudio, que trabalhava com este repórter na IstoÉ. Ele estava em pânico e apavorado. Sabia como seu colega de redação era, hã, “irresponsável” com compromissos e horários. Entrou no apê tenso. “Finatti! Pelo amor de deus! Você precisa ir pra Congonhas, pegar um vôo e ir pro Rio!”. Sim, o bloggrt loker. Ainda estava sonolento (com Pati ainda deitada na cama também, PELADA e coberta apenas por uma colcha) e acordando aos poucos, em câmera lenta. E Ivan cada vez mais ansioso. Foi quando ele disse: “nem sei se o Renato vai subir no palco e cantar. O Cazuza MORREU hoje pela manhã”.

 

Sim. Caju, 32 anos de idade, um dos maiores poetas da história da música brasileira em todos os tempos, um dos nomes GIGANTES do rock BR dos anos 80’ e amigo pessoal de Renato Russo, havia finalmente sido vencido pela AIDS (e contra a qual ele lutava bravamente desde 1986 mais ou menos) na manhã daquele sábado, 7 de julho de 1990. Veio então a dúvida: haveria afinal ou não o show da Legião?

 

Finas não podia ficar conjecturando sobre isso. Arrumou sua bolsa de viagem, se despedi da Pati e de Ivan, pegou um táxi e se mandou pro aeroporto. Conseguiu pegar o vôo da ponte aérea das 7 da noite. Chegou no Rio às 8, foi pro hotel, tomou um banho rápido, se trocou e foi pro Jockey. A apresentação aconteceu, para o nosso alivio e das outras 50 mil pessoas que estavam lá. Renato Russo falou sobre Cazuza antes de a banda começar a tocar. E foi uma gig  i n e s q u e c í v e l. Só quem esteve lá, como nós estivemos, pode saber disso.

 

Vinte e sete anos se passaram. Estamos com 5.4 nas costas, sozinho (quer dizer, emocionalmente sozinho; trepadas sempre surgem pelo caminho, mas seguimos solteiro) e sempre reiterando o que sempre comentamos aqui. A cultura pop e a música brasileira (incluso aí o rock nacional e todos os outros gêneros possíveis) MORRERAM (pelo menos em termos qualitativos e de relevância artística) na era da web, do zap zap, das redes sociais babacas fúteis e inúteis/superficiais. Por isso mesmo que não conseguimos esquecer e deixar de curtir, ouvir e admirar bandas como Legião Urbana e artistas como Cazuza e Renato Russo, que também iria morrer de AIDS seis anos depois, em outubro de 1996.

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Em 7 de julho de 1990 (há 27 anos), Cazuza morria no Rio De Janeiro, aos 32 anos de idade, vitimado pela AIDS; ele e Renato Russo, vocalista da Legião Urbana, foram os dois principais cantores e letristas da inesquecível geração rock BR dos anos 80’, o que pode ser facilmente visto no vídeo abaixo, com a Legião tocando na mesma noite de 7 de julho daquele ano, para 50 mil pessoas no Jockey Club carioca; e Zap’n’roll estava nesse show

 

Os dois fazem muita falta. E nunca mais irão surgir letristas como ambos, com a verve poética sublime que eles possuíam. Isso é liquido e certo. Mas pelo menos a obra musical deles é eterna e está aí, para quem quiser ouvir para todo o sempre.

 

Naquela ida ao Rio também conhecemos a Flávia, em pleno vôo de SP pro balneário. O avião estava vazio e sentamos ao lado dela de propósito pois a havíamos achado gostosona (com peitaços sensacionais) e simpática (não muito bonita na verdade, com aqueles cabelos loiros cacheados, sendo que nunca tivemos muito apreço por loiras e ruivas). Pedimos um whisky pra comissária de bordo (sim, naquela época servia-se whisky nos vôos da ponte aérea Rio/SP) e puxamos papo com ela enquanto bebericava o dito cujo. Quando descobrimos que ela amava David Bowie, Raul Seixas e o escritor e dramaturgo gay francês Jean Genet, enlouquecemos. Ao descermos no Santos Dumont, no Rio, o blog a puxou pelo braço e a levou pro hotel. No quarto nos beijamos furiosamente na boca mas ela disse: “eu NÃO VOU DAR PRA VOCÊ HOJE. Preciso ir pra Niterói ver minha mãe [que era separada do pai dela e estava enfrentando um câncer em estado terminal], e você tem que ir fazer sua reportagem. Amanhã eu venho pra cá e durmo aqui com você”.

 

E assim foi. Fomos ver a Legião, e ela foi ver a mãe dela. No domingo à noite ela cumpriu a palavra. Foi pro hotel e lá dormiu com o jornalista, proporcionando a ele uma das melhores FODAS que tinha dado na vida até então. O zapper se apaixonou perdidamente por ela, claro. Mas total atrapalhado que sempre foi, fez tudo errado. A mãe do filho do jornalista reapareceu, engravidou e o zapper perdeu Flávia para sempre. Hoje ela é uma advogada muito bem sucedida, casada e mãe de um filho. É a vida…

 

(suspiro…)

 

A mãe do nosso filho se separou deste maluco dois anos depois. Ela não agüentou conviver com um loki de 28 anos de idade, que era um jornalista bastante conhecido e repórter de uma das principais revistas semanais de informação do Brasil, e que a CHIFRAVA a torto e a direito (sim, era um tarado compulsivo por bocetas; e sejamos honestos e sem moralismo, hipocrisia ou machismo aqui, mas mulheres AMAM dar pra sujeitos comprometidos e que possuem uma certa visibilidade pública, como o blog possuía por ser jornalista), além de viver se entupindo de cocaine (ela detestava drogas) e whisky. Ninguém agüentaria muito tempo na real, e acho que ela suportou até demais.

 

Se estas linhas saudosistas se arrependem de algo? Não. Não adianta remoer, se arrepender ou ter remorso dos erros cometidos, buscando algum tipo de alento, redenção ou perdão deles, desses erros. Melhor APRENDER com eles e tentar EVITAR errar novamente. Nesse sentido achamos que aprendemos (ainda que a duras penas) alguma coisa com nossos erros e nessas mais de cinco décadas de existência.

 

Se sentimos saudades de algo? Sim, claro, muita saudade. Dos anos 80’ e 90’, do mundo muito mais legal e menos reaça e careta do que é hoje, do rock brasileiro genial daquela época, de tudo que vivemos, ouvimos, curtimos e vimos, dos shows que acompanhamos, das reportagens que fizemos, dos lugares bacanas onde trabalhamos. Dos nossos anos jovens enfim. Nos divertimos pra caralho no final das contas e não podemos jamais nos queixar. Tudo passa e ficam as lembranças, ótimas e ruins. Então hoje nos lembramos de Cazuza, de Renato Russo, da Legião Urbana, daquele show que vimos naquela noite de 7 de julho de 1990 no Rio, da Flavia que conhecemos no avião. Nos lembramos de tudo isso e dizemos a nós mesmos que, sim, fomos felizes afinal em alguns momentos de uma vida quase perenemente cinza na alma e no coração. E quem sabe um dia, se houver alguma outra estação além dessa escrota aqui na Terra, a gente reencontra Cazuza, Russo e mama Janet, todos eles arianos e lá no céu com diamantes.

 

MINI DIÁRIO SENTIMENTAL E MEMÓRIAS FINÁTTICAS, II – ELES SERÃO ETERNAMENTE UMA DAS CINCO BANDAS DA VIDA ZAPPER

Zap’n’roll escreveria um LIVRO aqui sobre o trio inesquecível formado pelo igualmente inesquecível e saudoso gênio Kurt Cobain, mais Kris Novoselic e Dave Grohl. Porém a história deles parece estar muito bem contada e resumida na expo que está em cartaz no Rio De Janeiro, e que chega a Sampa em setembro.

 

Estamos ficando velhos, bem sabemos. Mas não há remorsos, ressentimentos ou arrependimentos em nós pelo que passamos, vimos, ouvimos e vivemos nos nossos já longos 5.4 de existência. Há com certeza uma grande saudade e nostalgia de tudo aquilo. Mas vivemos o MELHOR que pudemos e no momento CERTO tudo o que tinha e tivemos que presenciar. Se fossemos um adolescente nesse momento, teríamos perdido milhões de paradas imperdíveis e que fizeram parte para sempre da nossa vida. Como o show do Nirvana em São Paulo, em janeiro de 1993, no estádio do Morumbi no festival Hollywood Rock (foi nele que conhecemos pessoalmente o amado André Pomba, inclusive). Estávamos lá. E TESTEMUNHAMOS a PÉSSIMA apresentação de Kurt e cia. O show foi ruim, caótico, quase medonho. Mas era o Nirvana no palco. Por isso mesmo, enquanto eles tocavam a cover de “Molly’s Lips” (da obscura banda Vaselines), o blog pulava como um louco na pista do gramado do estádio, até gritar para uma amiga (não lembramos mais quem estava conosco naquela gig) minha, ao nosso lado: “O show está uma MERDA, mas FODA-SE! É o NIRVANA e EU estou aqui!”.

 

(suspiro…)

 

Kurt ficou milionário com o grupo, se tornou um mega star mundial e meio que passou a DETESTAR tudo isso. Quando começou a banda, vivia dizendo que se contentaria com ela tocando apenas em palcos minúsculos e em butecos idem, para platéias ibidem. Quando o trio passou a encarar multidões de mais de 50 mil pessoas nas suas apresentações ao vivo, algo desandou em Cobain e seu cérebro deu tilt. O resultado todo mundo sabe. Um tiro de espingarda disparado por ele mesmo contra os próprios miolos. A essa altura muitas vezes ele já se achava não um rock star, mas apenas… um idiota (como cantou em “Dumb”).

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Uma mega exposição em cartaz no Rio revive todo o legado do Nirvana (acima, Kurt Cobain em ação numa gig da banda); em setembro o evento chega a capital paulista

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O blog muitas vezes se senti e ainda se sente também um idiota. Faz parte. Mas como sabemos que talvez não nos reste mais muitos anos por aqui afinal, suportamos hoje com mais sapiência e resignação esse sentimento de idiotia, de inadequação emocional e existencial. Um dia tudo isso acaba no final das contas.

 

Saudades Kurt. Você estará sempre no coração de Finaski. E nos vemos aqui em Sampa em setembro, na sua expo sobre o Nirvana.

 

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EDITORIAL COMPORTAMENTAL/POLÍTICO – ENQUANTO O PAÍS AFUNDA, A NAÇÃO VIRTUAL IMBECIL FAZ “INVEJINHA” PROS AMIGOS NOS FACEMERDAS DA VIDA

Com a aproximação das datas de alguns grandes shows internacionais marcados para o segundo semestre no Brasil, nunca o FaceTRUQUE (ou FaceMERDA) cumpriu tão bem sua função quase PRIMORDIAL: a de fazer boa parte dos OTÁRIOS que estão nele se sentirem “popstars”, nem que seja por um dia apenas, uma postagem e uns 15 likes nela (atualizando o clássico vaticínio do gênio Andy Warhol: “no futuro todos serão FAMOSOS por 15 LIKES”, ahahaha). Fora que FAZER INVEJA nos “amigos” virtuais é a tônica de muitas postagens (incluso aí a de vários amigos do blog lá na rede social escrota). Então todo mundo reclama que está “falido” mas haja post pra exibir (uia!) com empáfia foto de ingresso comprado pro show do Paul McCartney, do festival SP Trip (que vai reunir um MONTE DE LIXO de bandas velhonas e cafonas de heavy metal, e onde se salva apenas o gigante The Who no line up) ou do U2 (o quarteto irlandês teve que marcar uma terceira apresentação aqui, já que os tickets para as duas primeiras se esgotaram em questão de poucas horas). Agora pra responder por inbox a uma oferta com preço ridículo de anúncio neste blog (“vou fazer de conta que não vi e não li”, embora a rede social denuncie que a mensagem foi VISUALIZADA, rsrs)… silêncio ENSURDECEDOR. Seria CÔMICO, se não fosse ridículo e algo detestável esse comportamento ESCROTO.

Um comportamento, de resto, nos leva a questão POLÍTICA desta postagem. Enquanto você fica aí fazendo invejinha nos “amigos” virtuais, postando fotos dos tickets que acaba de comprar pra aquele showzaço gringo imperdível (com preço astronômico e sempre extorsivo, é bom ressaltar, o que torna o comprador do ingresso um OTÁRIO ainda maior, mas é claro que ele PRECISA mostrar na rede social que está de bem com a vida e que vai ao tal show, onde irá tirar muitas selfies alegres e sensacionais e na verdade pouco vai se lixar para a apresentação que está rolando no palco e pela qual ele deu seu CU para conseguir pagar o valor abusivo do ingresso), o Brasil AFUNDA sem dó sob o NÃO comando do Bela Lugosi do Planalto. Ele mesmo, o golpista, vampiro e CHEFE DA QUADRILHA MAIS PERIGOSA do país.

Enfim, se você leu até aqui e se participa festivamente desse comportamento cretino de fazer “invejinha” com seus postecos em rede social enquanto todo mundo se fode (você incluso) nesse bananão miserável, achamos que está na hora de o Sr (ou srta) rever sua postura “virtual”. Ou não?

 

MICROFONIA

(reverberando cultura pop, política, comportamento e sociedade)

 

***“Gimme Danger”, o documentário realizado em 2016 sobre a trajetória dos gigantes e seminais Stooges, passou durante a programação do In Edit Brasil deste ano, que se encerrou semana passada. Nem tinha como ser um doc ruim. Dirigido pelo genial Jim Jarmusch (de quem somos fãs desde sempre) e conduzido em boa parte pela narração da lenda Iggy Pop, “Gimme Danger” desvela em detalhes a trajetória de uma banda que foi fundamental para toda a história do rock’n’roll. E continua sendo até hoje. Aliás enquanto o blog assistia ao filme (a sala do cine Olido, no centrão de Sampa, lotou de gente de todas as idades, de adolescentes a um velhinho que sentou bem ao nosso lado o que suscitou a dúvida: ele estava ali por mera curiosidade e sem saber do que tratava o longa ou era mesmo um fã de décadas dos “Patetas”?), pela enésima vez chegamos à conclusão de sempre: o mundo se tornou mesmo inculto e irremediavelmente BOÇAL em termos de arte na era da web. O ser humano chegou ao ápice do avanço tecnológico e digital. E no entanto nunca regrediu tanto em termos de ARTE e de sólida formação cultural e intelectual. Ou você acha que a música, o rock, o cinema, a literatura e as artes de hoje em dia ainda irão revelar algum gênio cuja obra será reverenciada daqui a 30 ou 40 anos, como a dos Stooges e de Iggy Pop é até hoje? Talvez a LITERATURA atual em si ainda produza alguma obra gigante e revele algum (a) escritor (a) fenomenal, posto que a arte da escrita talvez ainda esteja um pouco mais imune do que as outras ao vazio e ao horror de futilidade, ignorância e superficialidade que a cultura da web, da internet e das redes sociais impôs e impõe às pessoas. Mas esperar que ainda surjam ícones como James Osterberg e álbuns clássicos como os três gravados pelos Stooges (o primeiro, homônimo, e mais “Funhouse” e “Raw Power”) nos tempos atuais, pode esquecer: isso NÃO VAI MAIS ACONTECER. Então diante disso, até que estas linhas zappers se sentem confortáveis nos seus 5.4 de existência. Pois tivemos os três discos essenciais da banda em vinil. Mais do que isso: conseguimos assistir Iggy Pop e os Stooges ao vivo. Iggy em 1988 (há quase 30 anos!) no extinto ProjetoSP (que ficava no bairro da Barra Funda, em São Paulo, um galpão enorme onde cabiam 5 mil pessoas e que na noite da gig do Iguana não recebeu mais do que metade da lotação do lugar). Depois, ainda conseguimos testemunhar a reunião da banda no festival Claro Que É Rock (inesquecível, numa noite que ainda teve Sonic Youth e Nin Inch Nails), em novembro de 2005, na noite do aniversário de 43 anos de idade do jornalista eternamente rocker. Foi fantástico e guardamos os dois shows eternamente em nossas mais caras lembranças. “Gimme Danger” chega a ser emocionante em alguns momentos (fora que as tiradas certeiras de Iggy em seus depoimentos provocam ótimas gargalhadas na platéia). Jarmusch colocou seu talento de cineasta a serviço de um simples mas bem amarrado (no roteiro e na edição de imagens históricas da trajetória do grupo) documentário (de resto Jim sempre foi da turma do rock, basta lembrar que é dele também o magnífico “Sobre café & cigarros”, que foca na carreira de Tom Waits). No filme, lá pelas tantas, Iggy brinca que “ainda irá enterrar muitos amigos”. De fato: dos Stooges já se foram os irmãos Asheton (Ron e Scott), além do baixista Dave Alexander. E da própria santíssima trindade total genial e LOKA dos anos 70’ (Bowie, Lou Reed e Iggy Pop), está sobrando apenas mr. Osterberg, hoje na tranqüilidade dos seus 70 anos de idade e de quem olha para trás, para a selvageria que era sua existência junkie e à frente das apresentações igualmente selvagens de sua banda sem nostalgia, mas com o sentimento de estar em paz consigo mesmo e de ter muito orgulho por ter escrito alguns dos capítulos mais extraordinários desse tal de rock’n’roll que todos nós amamos e que ajudou a tornar a humanidade um pouco (ou muito) mais feliz e relevante culturalmente falando, no século XX.

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O “iguana” Iggy Pop tem sua trajetória e a de sua banda, o seminal The Stooges, esmiuçada com classe no documentário “Gimme Danger” (acima); abaixo, o cantor durante seu primeiro show no Brasil, em 1988 no ProjetoSP em São Paulo

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***O som indie pop legal do desconhecido Delays – Uma banda indie inglesa já velhinha, desconhecida mas bacana – é o quarteto Delays, que surgiu em 2001, lançou seu primeiro álbum (o bem legal “Faded Seaside Glamour”) apenas em 2004 e de lá pra cá mais três álbuns, o último deles em 2010 (lá se vão sete anos…). Zap’n’roll resolveu falar deles porque enquanto a OGRADA vive se descabelando e berrando na frente da TV sempre por causa do futeMERDA, o blog ocupa seu tempo com paradas mais legais, como ouvir o primeiro disco dos Delays. Que é repleto de canções com melodias doces, bucólicas (mas não chatas) e encantadoras. Lembra muito o indie pop noventista de grupos como The La’s (alguém se lembra deles?) e o vocal em falsete do guitarrista e cantor Greg Gilbert nos remete diretamente para uma Londres gelada e encoberta por fog, lá por 1993. O cd todo é bacana (não sensacional, mas muito bom de se ouvir), trilha perfeita para uma noite fria de inverno. E nele há pelo menos uma pequena obra-prima, aquela pop song quase perfeita: “Nearer Than Heaven”, que inclusive sempre toca na rádio New Rock da TV NET. É uma banda velhinha já, que não lança novo material há 7 anos mas que quase ninguém deve conhecer por aqui. Então se você também ODEIA futebol como estas linhas bloggers odeiam, taí a dica sonora desta edição do Microfonia. Melhor escutar o Delays do que ficar perdendo tempo com futeMERDA na TV.

 

***postão zapper entrando no ar em pleno domingão de inverno em Sampa, néan. E hoje à noite é dia de rock neném, com a domingueira rock Grind. E sendo que ontem, sabadón, rolou mais uma exibição do bacaníssimo documentário “Time Will Burn”, que radiografa com precisão toda a indie guitar scene brasileira dos anos 90’. Dirigido pelo chapa Marko Panayotis e já exibido em algumas telonas paulistanas ao longo de 2016, “Time…” ganha ainda mais uma projeção na próxima terça-feira às nove meia da noite, no cine Sesc (que fica ali na rua Augusta em direção aos Jardins, próximo à estação Consolação do metrô). Detalhe: assim como ontem a exibição na terça também será gratuita e os ingressos podem ser retirados uma hora antes do início da sessão. E sim: Zap’n’roll faz uma “ponta” no doc (uia!), no final dele. Mais não dá pra contar e o melhor é ir lá conferir.

 

***já outro doc igualmente bacanudo sobre a cena indie nacional dos 90’, “Guitar Days”, deverá finalmente ser lançado comercialmente até setembro próximo. É o que informa o brother Caio Augusto, diretor do filme (e atualmente morando na Espanha), em bate-papo com o blog esta semana. Segundo ele o longa (que também tem a participação deste jornalista rocker/loker, dando depoimento sobre uma cena que ele acompanhou muito de perto naquela época) será primeiramente exibido em alguns eventos específicos em alguns países europeus. Depois chega ao Brasil. Vamos aguardar.

 

***E a notícia lindona e bacanuda deste domingão invernal (que bom e que delícia): Morrissey, a nossa BICHONA fofa e mais amada de todos os tempos no rock e na cultura pop mundial enfim ganhando sua cinebiografia, wow! Ela foca na juventude dele e termina quando Moz se encontra com Johnny Marr – daí em diante e o resto da história todo mundo conhece de cor. Perfeito! O longa estréia em agosto na Inglaterra e fica a torcida para que ele chegue o quanto antes aos cinemas aqui do triste bananão tropical.

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Uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, os inesquecíveis Smiths (acima): a cinebiografia do vocalista Morrisey chega mês que vem aos cinemas da Inglaterra

 

***mês do rock, I: é este julho mesmo, que começou ontem, sendo que dia 13 em si é o Dia Mundial do Rock (desde 1985, quando foi realizado o lendário concerto Live Aid). E para comemorar haverá alguns eventos bem legais espalhados pelo circuito alternativo de Sampa. Entre eles uma super DJ set do blog comemorando também nossos catorze anos de existência, na domingueira rocker mais famosa do Brasil, o Grind (comandada há quase vinte anos pelo super DJ André Pomba). Anote na agenda desde já: vai rolar dia 16 de julho, domingo no Espaço Desmanche, na rua Augusta 765, centrão de Sampa.

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O jornalista zapper/loker mandando ver nas cdj’s no começo deste ano, em Maringá (PR): a nova dj set do blog, comemorando nossos catorze anos de existência, rola no próximo dia 16 de julho no Grind/SP

 

***mês do rock, II: já o Centro Cultural São Paulo (localizado no bairro do Paraíso, zona sul da capital paulista e colado no metrô Vergueiro), um dos espaços culturais mais bacanas de Sampalândia, também vai reservar todo o mês de julho para abrigar o evento “Centro do Rock”. A programação é variada, com shows, debates, exibições de filmes etc. Há bobagens gigantes espalhadas ao longo do evento (quem precisa de show do inútil e esquecível grupo MQN a essa altura do campeonato? Mas é claaaaaro que o vocalista da banda, o escroque monstro que atende pela alcunha de “diabo bacon”, sempre dá um jeito de se imiscuir nessas paradas) e debates igualmente inúteis (como o que vai reunir o tristemente conhecido Alex “Porcão” Antunes e o nosso “vizinho” responsável pelo blog Pobreload, ops, Popload) que certamente terão audiência pífia de público. Mas felizmente também vão rolar gigs imperdíveis (como a do sempre ótimo Jonnata Doll & Os Garotos Solventes) e sessões de cinema idem (vai passar “Control”, a cinebiografia de Ian Curtis, e também o sensacional, hilário e imperdível “A festa nunca termina”, sobre a cena rock de Manchester nos anos 80’ e 90’). Enfim, dá pra pegar algo de bom ao longo da programação no CCSP, que está toda aqui: http://www.centrocultural.sp.gov.br/.

 

***Mês do rock, III: e no final da semana que vem o circuito noturno rocker alternativo de Sampa vai ferver com gosto. Na sexta-feira rola a quarta edição do Bailindie da saudade (todas as infos aqui: https://www.facebook.com/events/259032921168603/). E no sabadão em si, 8 de julho, tem gig do Verônica Decide Morrer na Funhouse (que está fechando as portas, mais sobre o evento aqui: https://www.facebook.com/events/532166090240885/?acontext=%7B%22source%22%3A5%2C%22page_id_source%22%3A138776301124%2C%22action_history%22%3A[%7B%22surface%22%3A%22page%22%2C%22mechanism%22%3A%22main_list%22%2C%22extra_data%22%3A%22%7B%5C%22page_id%5C%22%3A138776301124%2C%5C%22tour_id%5C%22%3Anull%7D%22%7D]%2C%22has_source%22%3Atrue%7D) e também mais uma edição da sempre animadíssima balada Call The Cops, comandada pelo DJ Ricardo Fernandes e acontecendo novamente no Olga 17 (detalhes aqui: https://www.facebook.com/events/1355983417842144/). Ou seja: motivos de sobra para NÃO ficar em casa, certo?

 

***sexo aos montes, drogas idem, putarias variadas… vem aí finalmente o filme que conta a história do palhaço Gozo, ops, Bozo, que reinou entre a criançada (opa!) nas manhãs da televisão brasileira nos anos 80’. Você se lembra? Se não lembra se prepare, ulalá! A estréia do longa está prometida para o mês que vem.

 

***pois é, a última sexta-feira (leia-se anteontem) foi realmente um dia NEGRO para o país LIXO chamado Brasil. Cheirécio Neves de volta ao senado federal, o LONGA MANUS e HOMEM DA MALA Rocha Loures solto etc. O país realmente ACABOU. Alguém ainda tem dúvida quanto a isso?

 

***e ao longo da próxima semana (que está começando hoje na verdade) as notas da seção Microfonia irão sendo ampliadas com novas infos, se algum fato relevante merecer nossa atenção. Estamos e estaremos sempre de olho nas movimentações da cultura pop e do rock alternativo, pode ficar sussa.

 

 

APÓS MAIS DE DUAS DÉCADAS LONGE DOS ESTÚDIOS O SHOEGAZER RIDE VOLTA COM DISCÃO INÉDITO, DANDO UM POUCO MAIS DE DIGNIDADE AOS TEMPOS TOTAL SOMBRIOS E IRRELEVANTES DO ROCK ATUAL

Foi um dos comebacks mais aguardados deste ano até o momento, no indie rock planetário. Em um tempo sombrio, onde a cultura pop e o rock alternativo desceram sem dó em direção ao abismo mais profundo da irrelevância artística e musical, o quarteto inglês Ride (um dos nomes mais emblemáticos da geração shoegazer que dominou o rock britânico nos anos 90’) finalmente saiu de sua hibernação de mais de vinte anos longe dos estúdios de gravação. E deu ao mundo há duas semanas “Weather Diaries”, seu quinto álbum inédito em uma trajetória de quase três décadas. O disco (que já foi comentado rapidamente aqui mesmo, em nosso post anterior) é muito bom, mostra uma banda de meia idade (com os integrantes beirando os cinqüenta anos de idade) em boa forma e que editou um trabalho que permanece fiel às suas origens e influências sonoras, sem se preocupar em dar um verniz atual (com intervenções sonoras pseudo modernosas e contemporâneas) e inútil ao que funciona bem em sua versão clássica e original. Mais do que isso, as novas composições do grupo desvelam pela enésima vez o que todos nós já sabemos: o rock’n’roll da cretina era da web foi mesmo pro buraco. Resta a conjuntos veteranos como o Ride trazer ainda um pouco de alento e dignidade ao gênero musical que já foi o mais importante de toda a história da música mundial.

Em um tempo (o de hoje) onde a música se tornou algo bastante descartável, imediatista e fugaz, com zilhões de “popstars” surgindo e desaparecendo diariamente sem deixar rastro, o Ride já pode ser considerado como uma banda quase jurássica. Surgido há quase trinta anos (foi formado em 1988) na cidade inglesa de Oxford, o grupo formado pelos guitarristas e vocalistas Mark Gardener e Andy Bell, pelo baixista Steve Queralt e pelo baterista Laurence Colbert já foi aclamado pela imprensa e pelo público quando lançou seu primeiro álbum, “Nowhere”, em 1990. Alinhando-se à facção shoegazing britânica (composta por conjuntos que engendravam melodias oníricas, tristonhas e contemplativas, e tratadas com guitarras encharcadas de noise e feedback aliadas a vocais dolentes e algo sombrios) de grupos como Lush, My Bloody Valentine, The Jesus & Mary Chain e Slowdive (que também retornou à ativa este ano, lançando um primoroso disco inédito) o quarteto logo se destacou pela grande potência sônica e qualidade artística de sua estréia. “Nowhere”, lançado pelo célebre selo Creation Records (e que foi o lar da banda durante toda a primeira fase de sua existência), era tão bom que ganhou o título de “álbum do ano” em 1990, em votação dos críticos do finado semanário musical Melody Maker. Isso fez com que o Ride angariasse uma enorme legião de fãs apaixonados e também fez o conjunto estourar nas rádios inglesas com o lindíssimo single “Vapour Trail”. Eram os anos 90’, a era do shoegazer (com os integrantes das bandas tocando ao vivo de cabeça baixa, olhando para os próprios sapatos), das ruas enevoadas de Londres e da barulhenta melancolia indie guitar vertida em canções sublimes.

Com o sucesso alcançado já no primeiro trabalho, o grupo não pensou em mudar a fórmula no segundo disco. E assim “Going Blank Again” saiu em 1992 trazendo o mesmo (e ótimo) Ride da estréia. Novamente barulhento, novamente com melodias doces e melancólicas, e mais um single (“Twisterella”) que varreu as rádios rock inglesas. O cd colocou o grupo no topo mais uma vez e permitiu a ele experimentar uma ligeira mudança de rota no álbum seguinte. Editado em junho de 1994, “Carnival Of Light” mostrava os garotos de Oxford mergulhando em… nuances sessentistas e folkster americanas, com muitos eflúvios de Byrds nas faixas de mais um cd que foi novamente super bem recebido por crítica e público. Mas a essa altura algo já não ia bem INTERNAMENTE no Ride. A dupla de frente do quarteto (Mark e Andy) começou a se desentender por conta das célebres e sempre danosas “diferenças musicais”. As brigas entre ambos começaram a se tornar freqüentes e isso enfim transpareceu com nitidez no quarto cd do grupo, “Tarantula”, lançado em março de 1996. Era um disco bem abaixo do que o conjunto havia mostrado nos seus três primeiros álbuns. E por conta disso, foi repelido pela rock press inglesa que viu nele apenas uma pálida sombra do que o Ride havia mostrado até então. Ainda assim a banda saiu em turnê para promover o trabalho. Mas o clima havia ficado mesmo insustentável e ao final da excursão o Ride encerrou de forma algo melancólica suas atividades. Dos quatro integrantes apenas Andy Bell se manteve em alguma evidência no cenário rocker inglês, indo tocar baixo no Oasis e permanecendo na função no grupo dos manos Gallagher até o fim dele, em 2009.

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Capa do novo disco do Ride: após mais de vinte anos longe dos estúdios, a volta com um discão que evoca o melhor shoegazer dos anos 90′

 

Foi preciso então mais de vinte anos para que a turma shoegazer de Oxford resolvesse voltar às atividades. Com um relativo revival shoegazing tomando conta do rock alternativo britânico nos últimos meses (com Slowdive e The Jesus & Mary Chain lançado novos e ótimos discos, após séculos longe dos estúdios de gravação), o Ride também achou que era hora de voltar. E o fez através deste bacaníssimo “Weather Diaries”, que resgata de forma competente a sonoridade que transformou o conjunto num dos ícones máximos do indie guitar dos anos 90’ na Inglaterra. Com onze faixas e pouco mais de cinqüenta minutos de duração “Weather…” se equilibra muito bem entre faixas de puro noise e feedback com outras de tonalidades mais sombrias e com melodias mais contemplativas e melancólicas. Há pelo menos quatro longas canções (todas com seis minutos de duração ou mais) que demonstram como o grupo sabe engendrar com maestria melodias construídas a partir de guitarras a um só tempo ásperas e doces. É o caso de “Lannoy Point” (que abre o cd), da faixa-título, de “Cali” (um dos melhores momentos do álbum) e de “White Sands”, que encerra tudo com brumas melódicas e harmônicas tristonhas e lúgubres, bem de acordo com os tempos sombrios em que estamos vivendo. Ao mesmo tempo há espaço para o vigor rápido, acelerado e conciso de “Charm Assault” (o primeiro single de trabalho do cd), “All I Want” e da sensacional “Lateral Alice”, que evoca os tempos de “Twisterella” e poderá se tornar um hit nas pistas de rock alternativo.

O mundo está ruim em todos os sentidos. O aquecimento global devora o planeta, a raça humana nunca esteve tão reacionária e conservadora nos últimos trinta anos como agora e a cultura pop (incluso nela o rock’n’roll) desceu sem dó a ladeira da mediocridade e irrelevância artística. As bandas atuais não duram nada e são ruins e fúteis de dar pena. O Ride sabe disso tudo e voltou com um disco onde parece querer dizer (ou cantar) ao ouvinte: “sim, já somos velhos e estamos aqui ainda, vivos. E mostrando talvez mais qualidade e dignidade do que 90% da geração atual”. É bem por aí: “Weather Diaries” pode não ser uma obra-prima. Mas numa época em que nada mais parece fazer sentindo ou parece fazer grande diferença e impactar nossas tristes existências em termos musicais, ouvir essas novas onze músicas do velho shoegazer inglês traz grande alento à alma e aos sentidos. E mostra que o grande rock de guitarras ainda vive e nos encanta, mesmo quando feito por senhores na casa do meio século de vida.

 

***mais sobre o Ride, vai aqui: https://www.thebandride.com/, e aqui: https://www.facebook.com/RideOX4/.

 

***o grupo está em turnê de divulgação de “Weather Diaries”. Tocam na Europa e Reino Unido até o final desse ano. E há boatos e uma pequena possibilidade de que venham para o Brasil em 2018. Vamos torcer!

 

 

AS FAIXAS DO NOVO ÁLBUM DO RIDE

1.”Lannoy Point”

2.”Charm Assault”

3.”All I Want”

4.”Home Is a Feeling”

5.”Weather Diaries”

6.”Rocket Silver Symphony”

7.”Lateral Alice”

8.”Cali”

9.”Integration Tape”

10.”Impermanence”

11.”White Sands”

 

 

A BANDA AÍ EMBAIXO

Nos vídeos para os singles “Charm Assault” e “All I Want”.

 

E O NOVO DISCO AÍ EMBAIXO, PARA AUDIÇÃO NA ÍNTEGRA

 

MAIS RIDE: UM ÁLBUM CLÁSSICO DO GRUPO PARA RELEMBRAR

Yep, o belíssimo “Going Blank Again”, lançado em março de 1992, ou seja, há vinte e cinco anos e que continua musicalmente imbatível até hoje.

 

 

O FIM DE MAIS UM BAR ALTERNATIVO INCRÍVEL DE SAMPA, A FUNHOUSE

Após o fechamento do Astronete, Matrix e Inferno, endereços que marcaram época no circuito rock alternativo noturno da capital paulista, agora é chegada a vez do sobradinho da Funhouse informar que vai deixar de existir. Funcionando há mais de década e meia na rua Bela Cintra, centrão de Sampa, a Fun (como é carinhosamente conhecida pelos freqüentadores) encerra suas atividades no final de julho agora. Até lá ainda vai manter uma programação bacanuda nos finais de semana, sendo que o blog pretende ir no dia 8 de julho pra se despedir de lá assistindo à gig do Verônica Decide Morrer.

Zap’n’roll foi menos infeliz nas noites em que foi à Funhouse. O blog discotecou lá numa madrugada há uns 10 anos ou mais (numa festa da extinta revista Dynamite). Enfiamos o pé na lama ali, em álcool e cocaine. Paqueramos e trepamos com xotas rockers lokers tatuadas. Brigamos com um dos ex-donos (pai da filha da escritora Clarah Averbuck, de quem ainda somos amigos distante e embora não falemos com ela há séculos). E dançamos muito som incrível na pista, além de presenciar muitos shows sensacionais por lá. Fora que a Fun teve uma das hostess mais legais, loiras e lindas da night under paulistana, a sempre gatíssima e gente finíssima Dani Buarque, da banda BBGG.

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A pista do sobradinho que abriga a Funhouse/SP: a ferveção infelizmente chega ao fim este mês

 

Mas tudo chega ao fim um dia, não é? E assim se confirma mais uma vez o que sempre andamos dizendo aqui: a cultura pop e o indie rock acabaram de vez nos anos 2000’, infelizmente. Saudades das décadas de 90’ e 80’, quando o mundo e as pessoas eram muito menos estúpidas e boçais do que são hoje. Os 80’/90’ nunca mais irão voltar. E pras novas e imbecilizadas gerações da era das redes sociais inúteis só irá restar isso mesmo: funk ostentação burrão, sertanojo universotário, axé brega, pop idem etc. Triste fim para a raça humana na era da web… ao menos na cultura pop e no quase extinto rock’n’roll.

Rip Funhouse. Foi um imenso prazer passar algumas madrugadas inesquecíveis no seu interior. Dia 8 de julho próximo será a nossa última por lá, para uma despedida rocker como ela deve ser.

 

 

UMA MUSA REALMENTE ROCKER: A JAPA GIRL GLAUCIA, UMA QUARENTONA TATUADA QUE DEIXA MUITA PIRRALHA DE VINTE NO CHINELO, WOW!

Nome: Glaucia Yatsuda.

Idade: 43 anos.

De: Lins/SP.

Mora em: Maringá/PR, com os filhos pequenos e papi.

Formada em: Geografia.

Trabalha em: técnica em mecatrônica.

Três bandas/artistas:T-Rex, Nick Cave e The Tamborines.

Três discos: “The destruction off small ideas” (65 Five Days of Static), “Best Hit AKG” (Asian Kung Fu Generation) e “Rumble the best of Link Wray”.

Três diretores de cinema: Peter Greennway, David Linch e Akira Kurossawa.

Três filmes: “Depois da vida” (de Hirokazu Koreeda), “Down by Law” (de Jim Jarmusch) e “Viagem de Chihiro” (de Hyao Miyazaki).

Três livros: “Admirável mundo novo” (Aldous Huxley), “Akira” (Katsuhiro Otomo) e “Belas Maldições” (Neil Gaiman – Terry Pratchett).

Show inesquecível: 65 Days of Static em Osaka, 2006.

Como o blog conheceu essa incrível musa rocker japa total delicious: ela é uma das melhores amigas da produtora de moda Patrícia Ramirez, que por sua vez é dileta amiga zapper há séculos. Ambas residem em Maringá, norte do Paraná e onde Zap’n’roll fez uma ótima DJ set no início deste ano no infelizmente finado The Joy Bar. Vai daí que o velho jornalista rocker e responsável por estas linhas bloggers lokers se encantou pela japa quarentona, resolveu paquerá-la (opa!) e a convidou para fazer este ensaio. Que você agora se delicia com ele aí embaixo, com as ótimas imagens clicadas pelo fotógrafo Paulo José e com produção de Paty Ramirez e Nay Oliveira. Aprecie sem moderação alguma!

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A vulva recoberta por pelos, colocando em xeque a ditadura estética atual das púbis total depiladas

 

 

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Me abro e me permito apenas para ele…

 

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Pele branca, olhos puxados, tattoos espalhadas pelo corpo: a japa girl perfeita?

 

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Devaneios na pequena tela, ou a busca por alguém…

 

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Segredos orientais que se escondem por entre as pernas…

 

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O vermelho é o fogo que nos atrai

 

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Venha me devorar!

 

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FIM DE TRANSMISSÃO

Postão ampliado em 8 de julho, relembrando Nirvana, Cazuza e Legião Urbana. Na semana que vem tem mais, beleusma?

 

Até lá então!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 8/7/2017 às 18:30hs.)