AMPLIAÇÃO FINAL e GIGANTE!!! Com papos sobre o novo disco do The Killers, sobre o Três Olhos Music Festival (que rola agora em novembro em Sampa, com show dos Mutantes), com recuerdos do Echo & The Bumnymen e uma ANÁLISE social zapper demonstrando por que o CRACK não vai ser derrotado no triste bananão tropical brazuca – Na sombria, imbecilizada e triste era pós-moderna, pós-revolução digital e quando a internet e a web produziram uma legião de IDIOTAS e praticamente MATARAM o rock’n’roll (emburrecendo e tornando igualmente idiotas bandas e ouvintes) o já velhíssimo (e desconhecido hoje em dia) quarteto psicodélico australiano The Church lança um disco primoroso e eivado de ambiências espaciais e melancólicas; um dos jornalistas gigantes da imprensa musical brasileira dos anos 80’e 90’, o amigo zapper Fernando Naporano fala ao blog sobre seu novo livro de poesia, que teve lançamento semana passada em Sampa; e mais uma renca de assuntos bacanudos sobre rock alternativo e cultura pop que você só encontra aqui mesmo, no espaço rocker online que está muito looooonge de ser “pobreloader”, hihihi (postão AMPLIADO e total CONCLUÍDO em 4/11/2017)

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A cultura pop e o rock mundial atual estão mesmo morrendo já que as novíssimas gerações de músicos e artistas em geral produzem apenas obras sem relevância alguma; assim cabe a veteranos como o quarteto australiano The Church (acima) continuar lançando discos com qualidade sonora quase sublime; a mesma qualidade encontrada nos versos dos poemas escritos pelo jornalista Fernando Naporano (abaixo, ao lado de Zap’n’roll e do dramaturgo Mário Bortolotto), nome lendário da rock press brasileira e que esteve essa semana em São Paulo para lançar sua nova obra literária

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MAIS MICROFONIA (com atualização e finalização das notas de cultura pop e rock em 4/11/2017)

***NADA DE NOVO NO ROCK MEIA BOCA DO THE KILLERS – Estas linhas zappers sempre consideraram a banda de Brandon Flowers como fazendo parte do segundo (ou até terceiro) escalão do rock americano dos anos 2000’. Fora que o vocalista possui um incorrigível complexo vira-lata de sub Freddie Mercury. No mais o rock do Killers é pretensioso, chumbrega, histriônico e histérico. Nada contra, tem quem ame. Finaski DETESTA e até tentou gostar, mas desistiu depois que viu a gig deles no finado Tim Festival de 2007 (lá se vão 10 anos…), numa noite que ainda teve Arctic Monkeys (com estes foi o contrário: o blog não suportava os macaquinhos e se apaixonou por eles depois de enlouquecer com o show). Tudo era pavorosamente cafona durante a apresentação do quarteto de Las Vegas: o cenário montado no palco, a performance da banda, o desempenho afetado e bisonho do front man. Zap’n’roll não agüentou meia hora e caiu fora dali (já eram 4 e meia da manhã quando decidi ir embora) pois queria meter a napa em cocaine (e meteu, assim que encontrou a dita cuja na biqueira onde foi buscar) depois de estar “trêbado” de vodka com energético (o blog estava credenciado e com acesso a uma área onde estava rolando open bar; foi um DESASTRE, claro, rsrs). Voltando aos “matadores”: o grupo existe há 16 anos, Flowers tem 36 de idade e pelo jeito não irão mudar a sua forma de pensar e fazer música. “The Man”, o primeiro single do novo álbum deles (“Wonderfull Wonderfull”), o primeiro em cinco anos inclusive, tenta emular rock com nuances dance ao estilo Bowie na fase “Fame” ou “Scary Monsters”. Mas é frouxa. O segundo single do novo trabalho, “Run for Cover” é um pouco melhor e mais acelerado/agressivo no instrumental. Mas ainda assim peca pelo excesso de cafonice (inclusive no vídeo promocional). Ou seja: Killers já deveria ter desistido. Numa era (a da web e dos anos 2000’) onde o rock definitivamente morreu e onde a música pop virou uma mixórdia gigante (com pop stars surgindo e desaparecendo aos borbotões diariamente, ao sabor do número de views e likes dos fãs em redes sociais e no YouTube), a turma de Brandon Flowers não vai renovar seu público com o som chocho e imutável que faz há década e meia – e que rendeu inclusive apenas 5 cds até hoje, prova da enorme dificuldade que o conjunto possui em compor. Pede pra sair, Brandon!

 

***O disco novo (para audição na íntegra) e os novos singles promocionais dos “Matadores” aí embaixo para quem quiser conferir.

 

*** JÁ ECHO & THE BUNNYMEN POSSUI AQUELE BRILHO INTENSO E ETERNO DE GENIALIDADE ROCKER, E QUE NUNCA MAIS IRÁ SE REPETIR – o blog zapper sentiu uma vontade enorme de falar agora sobre o Echo & The Bunnymen. Talvez porque tenha tocado a imortal e indescritível (em sua melodia, beleza poética e sonora imbatíveis e gigantescas) “The Killing Moon” há pouco na rádio classic rock (yep, ela e os “homens coelho” já se tornaram… classic rock, rsrs) da TV Net. Sim, a música cansou de tocar em tudo quanto é lugar (rádios, pistas de dança dos porões unders e nem tão unders assim de casas noturnas Brasil e mundo afora) nas últimas três décadas. Se tornou carne-de-vaca até. Mas quando você fica algum tempo sem ouvi-la e do nada se depara com aquela progressão de acordes, aquela melodia bordada com arranjos sublimes de cordas, numa sonoridade que vai se desenvolvendo em um crescendo algo estóico e grandioso até explodir em um solo magnífico de guitarra, você se surpreende pela milésima vez e se pergunta: como uma banda conseguiu compor tamanho brilho intenso de genialidade rocker? E por que isso não se repete mais na história da música e do próprio rocknroll? Aliás onde foi que o rock dos anos 2000’ e da CRETINA era da web começou a dar errado e afundou de vez na mediocridade, se tornando irrelevante e quase morto para as gerações atuais (tão estúpidas quanto o próprio rock em si dos dias de hoje)? Além de sua beleza imensurável, “The Killing Moon” também possui uma letra que é de um torpor poético inigualável. E por fim, é cantada por um vocalista que SABIA, ele mesmo, ser um dos cantores mais PORTENTOSOS do chamado pós-punk inglês. Além de tudo a música é apenas UMA das insuperáveis faixas de um disco insuperável na carreira do próprio Echo: “Ocean Rain”, o quarto álbum de estúdio do quarteto (que ainda tinha o sublime guitarrista Will Sergeant, o baixista fenomenal que era Les Pattinson e o batera monstro que era Pete De Freitas, uma formação dos sonhos de qualquer rocker e do inferno para se ouvir e ver ao vivo) e que saiu em maio de 1984. Irrepreensível da primeira à última música, está eternamente na nossa lista pessoal dos dez melhores discos de rock de todos os tempos, apenas isso. Não se gravam nem se lançam mais LPs como esse. E nem existem mais bandas assim. E nem vai existir, pode esquecer. Você escuta “The Killing Moon” e pensa com total horror no que existe hoje em dia: Imagine Dragons, The 1975, War On Drugs e DROGAS gigantes e semelhantes. Não dá nem pra comparar, é covardia, além de dar PENA da molecada atual por conta do que ela tem para ouvir em termos de música. O único senão que nos entristece em relação aos “homens coelho” é que nem Ian “Big Mac” McCulloch e nem Will souberam a hora de parar com tudo. Assistimos a pelo menos uns cinco shows do grupo ao longo de mais de 30 anos de jornalismo musical. A primeira vez (com a formação ainda original e clássica), em maio de 1987 no Palácio do Anhembi em Sampa, foi algo COLOSSAL. Depois, em 1999 (e com o conjunto já sem o baixista Les Pattinson e o batera Pete, que morreu em um acidente de moto uma década antes), já não foi nem de longe a mesma gig sublime mas, ainda assim, o blog se emocionou lá na finada Via Funchal. E na sequencia o Echo começou a vir a todo instante pra cá, os trabalhos inéditos que foram lançando se tornaram cada vez piores e vergonha alheia perto do que já haviam gravado nos anos 80’, a voz TROVEJANTE de mr. Big Mac (detonada por cigarros, álcool e drugs) foi pra casa do caralho e a última vez que os vimos ao vivo (em 2000’e alguma coisa, naquela porra longe pra cacete que é o Citibank Hall) foi um de sas tre. Cansamos ali da banda, que já rastejava como um moribundo ou doente terminal. E assim permanece até o momento, ao que parece. Mas sentimos saudades gigantescas e insuperáveis do Echo & The Bunnymen dos anos 80’. E de tudo que vivemos e ouvimos ao som deles. Éramos jovens (tinha 22 anos de idade quando “Ocean Rain” foi lançado), apaixonados por poesia, por grande rocknroll, e loucos para viver, loucos para amar, loucos para escapar para qualquer lugar bem longe da mediocridade existencial e do horror humano cotidiano. Por isso vamos amar e venerar para sempre uma canção clássica e imortal como é “The Killing Moon”. Estávamos vivos e jovens na hora, no momento certo, no tempo certo. E agradecemos aos céus por isso. Amém.

 

***Ficou de bobeira no feriadão de Finados em Sampa? Então anota na sua agenda para este sabadão (4 de novembro, quando o postão zapper está sendo finalmente concluído): tem mais uma edição do sempre bacaníssimo festival under “Volume Morto” e que acontece no Espaço Zé Presidente, na Vila Madalena (zona oeste da capital paulista). Vão rolar gigs do sempre ótimo Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, do músico curitibano Giovanni Caruso e mais uma renca de atrações legais, sendo que você pode conferir todas as infos aqui: https://www.facebook.com/events/1555874571102714/.

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Jonnata Doll canta à frente dos Garotos Solventes nesse sábado, em show em Sampa (foto Jairo Lavia)

 

***Outro fest bacaníssimo que rola agora em novembro em Sampa é o Três Olhos Music Festival, que acontece no próximo dia 25 de novembro, sábado em si, a partir das três da tarde no Tropical Butantã (zona oeste de Sampa). Vai ter como headliner o sempre imperdível show dos Mutantes (um dos nomes GIGANTES da história do rock mundial), além de participações de grupos da novíssima safra indie, como o Bike. Como as gigs irão começar e acabar cedo dá tempo de você curtir o evento de caráter bastante psicodélico e depois ainda ir conferir o lançamento do livro “Escadaria para o inferno”, na Sensorial Discos. Tudo sobre o Três Olhos Music Fest você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/121708945128350/.

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O gigante Mutantes, a principal atração do Três Olhos Music Festival, que acontece agora em novembro em São Paulo

 

***E por enquanto é isso, fechando a atualização das notas microfônicas, rsrs. Continuem lendo o postão que lá pra semana que vem voltamos na área com post inédito, beleusma? Então ta!

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, o rock, shows, discos, livros, filmes, TV, comportamento etc.)

 

***O blog zapper já está em ritmo total e louco de lançamento do livro “Escadaria para o inferno” e sobre o qual você já leu bastante aqui mesmo, em nosso post anterior. Mas agora é oficial: o primeiro livro escrito pelo jornalista eternamente gonzo, loker e rocker, será lançado com festão dia 25 de novembro na Sensorial Discos/SP (que fica lá na rua Augusta na parte em que ela corta lo chiquérrimo bairro dos Jardins), em evento que promete ABALAR a noite alternativa paulistana. Já há página oficial da festona aberta no Facebook e onde você pode conferir absolutamente todos os detalhes sobre a mesma. Vai aqui: https://www.facebook.com/events/135199137131252/?active_tab=about.

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***Beck Hansen está de volta finalmente. O pequeno gênio americano que encantou o mundo nos anos 90’ com sua até então inédita e inimaginável combinação de hip hop com folk music lançou há pouco “Colors”. É o décimo terceiro trabalho de estúdio do rocker loiro, saiu há apenas duas semanas e estas linhas bloggers poppers ainda não escutaram o dito cujo por inteiro, mas farão isso o quanto antes. E você pode ouvir o cd todo aí embaixo, sendo que como todo mundo já sabe ao menos o primeiro single do álbum (a fodástica “Dreams”) é bom pra carajo.

 

***E Noel Gallagher aproveitou sua passagem pelo Brasil (abrindo as gigs do U2 em Sampa) e foi parar no programa do Danilo Gentili! Não, você NÃO leu errado. O sujeito que passou vinte anos comandando o Oasis foi no talk show noturno do SBT, onde deu uma entrevista pra lá de hilária. E que você pode conferir a dita cuja abaixo:

 

***Um BOCETAÇO moreno mineiro. Quem é ela? Segredo, por enquanto. Mas é amiga zapper de Belo Horizonte, onde dividiu com o velho jornalistas loker brejas, sessão de cinema e a CAMA no último feriado. Ela tem vinte e quatro anos de idade, AMA o velho safado e degenerado que é Charles Bukowski (como nós amamos também, aliás foi a literatura do célebre escritor americano que uniu Zap’n’roll e a deusa morena mineira para um finde de papos, brejas e sexo incendiário, rsrs) e grande rock’n’roll e gigante MPB. O zapper perdeu o juízo pela garota, claro. E está tentando convencê-la a ser a próxima musa rocker destas linhas online. Fiquem na torcida pra que a gente consiga. Porque ela é uma XOTAÇA inigualável!

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Fã do velho ordinário e safado essa DEUSA morena mineira (acima e abaixo, após ser devorada na cama pelo jornalista loker calhorda) enlouqueceu o zapper canalha há duas semanas na capital mineira, durante uma noite de brejas, sessões de cinema e TREPADA infernal onde a divina PUTA de tetas sublimes e xoxota idem, após gozar SENTADA no pau grosso zapper, ficou de quatro e pediu: “ME FODE!”. Ela é uma garota delicious total, linda, inteligente ao cubo e o blog está tentando convencê-la a posar como nossa nova musa rocker; portanto torçam para que ela aceita porque a mineirinha é mesmo um bo ce ta ço!

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***Postão do blogão entrando no ar em ritmo de correria total já na noite de quinta-feira. Então vamos ampliando e atualizando aos poucos as notas aqui na sessão Microfonia, beleusma? Mas enquanto essa ampliação não vem vamos aí embaixo falar do novo discaço de uma veteraníssima banda do rock planetário, o ainda genial The Church.

 

 

HÁ QUASE QUATRO DÉCADAS NA ATIVA, O ROCK PSICODÉLICO DO AUSTRALIANO THE CHURCH AINDA SE MANTÉM VIVO E GRANDIOSO

São quase quarenta anos de atividade e de rock’n’roll nunca menos do que ótimo. Surgido na Austrália em 1980, o quarteto The Church lançou alguns dos melhores álbuns do rock psicodélico de guitarras do mundo entre as décadas de 80’e 90’. Ameaçou se tornar um grupo gigante (quando estourou com o disco “Starfish” nos EUA, em 1988) mas seu rock de caráter reflexivo, melancólico e espacial, além das letras que eram quase poemas simbolistas de desalento amoroso/existencial (todas escritas e cantadas pelo líder, baixista e fundador do conjunto, Steve Kilbey, um apaixonado por poesia maldita e simbolista francesa de nomes como Lautréamont, Rimbaud e Baudelaire), encontrava enorme receptividade junto à critica musical mas nem tanto junto aos milhões de ouvintes que sustentavam as vendagens de discos. Assim a “Igreja” foi a “promessa” que acabou não dando certo, em termos mercadológicos – deu apenas no citado “Starfish”. Isso no entanto não determinou jamais o fim das atividades do quarteto. E ele se manteve e se mantém ativo até os dias atuais, lançando ainda ótimos trabalhos. Como o seu novíssimo cd de estúdio, que saiu há apenas duas semanas. “Man Woman Life Death Infinity” chegou às lojas em sua versão física (lá fora, aqui sem previsão de lançamento) no dia 10 de outubro. É um disco belíssimo e algo tristonho. E com uma qualidade musical e textual que NÃO se consegue encontrar na produção dos grupelhos atuais. O que não é pouco em se tratando de Church, cujos integrantes já passaram dos sessenta anos de idade (o baixista, letrista e vocalista Kilbey está com sessenta e três).

Claro, a pirralhada ultra informada (eivada de informações inúteis, na verdade) e burra da geração web nem deve saber mais o que é ou o que foi The Church. E Zap’n’roll conheceu e conhece a banda há muuuuuito tempo. Há mais de trinta anos, para ser mais exato: em 1986, quando o autor destas linhas rockers/bloggers estava iniciando sua trajetória como jornalista musical, o então pequeno selo RGE (braço da gigante Som Livre, que pertence até hoje ao conglomerado Globo de comunicação) e que era especializado em música sertaneja (!!!), do nada adquiriu os direitos para lançar no Brasil dois LPs de um novo grupo de rock australiano que estava sendo considerado pela rock press gringa como uma das promessas da nova safra de bandas de guitar rock de então. Foi assim que saíram por aqui “The Blurred Crusade” (o segundo disco do grupo, de 1982) e “Remote Luxury” (editado em 1983). Os dois acabaram indo parar nas mãos do jovem jornalista zapper, que àquela altura havia começado a receber os primeiros “suplementos” de LPs que as gravadoras enviavam regularmente aos críticos musicais, para que estes endeusassem ou destruíssem os ditos cujos em suas análises publicadas em jornais e revistas. Pois o autor deste blog enlouqueceu quando escutou a pequena obra-prima que era/é “The Blurred…”, um álbum eivado de acepções folksters e também psicodélicas, com melodias perfeitas, guitarras poderosas, baladas belíssimas e um vocalista que transmutava poesia simbolista em versos pop, cantados com a dolência e doçura vocal de um Rimbaud transfigurado em um amalgama de Jim Morrison com Bob Dylan. Era IMPOSSÍVEL não se quedar de paixão louca pelo LP e assim o jovem repórter musical passou a acompanhar todos os passos seguintes do The Church.

Esses passos renderam os discos “Heyday” (de 1985) e “Starfish”, lançado três anos depois. A essa altura o Church já havia ultrapassado as fronteiras australianas e angariava cada vez mais fãs na Europa e nos Estados Unidos, onde o som do conjunto passou a ser tratado pela imprensa como “the next big thing” do rock’n’roll planetário. E “Starfish”, gravado pela formação clássica do quarteto (além de Kilbey no baixo e vocais também havia os ótimos guitarristas Peter Koppes e Marty Wilson-Piper, além do batera Richard Ploog) e puxado pelo belíssimo e melancólico single “Under The Milky Way”, invadiu as rádios do mundo inteiro, Brasil incluso (o que permitiu que a banda viesse se apresentar aqui em outubro de 1988). Aclamado pela imprensa e adorado pelo público americano, o Church estava mesmo se tornando a bola da vez no rock mundial.

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O novo disco do australiano The Church: há quase 40 anos na ativa e ainda fazendo rock’n’roll sublime

 

Mas algo deu errado no meio dessa trajetória. Os muitos trabalhos que se seguiram ao estrondoso sucesso alcançado por “Starfish” jamais se igualaram ao impacto mercadológico obtido pelo álbum de 1988. O público também diminuiu, interessado em que estava em sons não tão cerebralmente complexos (ainda que bastante pop e radiofônicos em boa parte das canções do grupo) e mais acessíveis e de fácil assimilação. Tudo isso acabou também afetando as relações do Church com as grandes gravadoras e menos de uma década após ameaçar se tornar um dos maiores nomes do rock’n’roll mundial, o conjunto liderado por Steve Kilbey voltou a se tornar um grupo semi-independente, lançando seus CDs por selos menores. Isso não impediu que a banda continuasse com uma produção bastante profícua e de alta densidade e qualidade musical. Algo que se mantém até os dias atuais, como pode ser ouvindo no novo disco inédito deles.

Nesse sentido, “Man Woman…” é magnífico e chega perto do sublime. Como se não houvessem passado quase três décadas desde “Starfish”, o Church retoma ambiências bucólicas, melancólicas, contemplativas e psicodélicas que seduzem o ouvinte por completo por oferecer estruturas e construções sonoras e melódicas belíssimas, como dificilmente se encontra no rock atual. Basta mergulhar os ouvidos na quase majestosa “Another Century” (que abre o disco com um impactante space rock incomum na rock music dos tempos atuais) para se perceber o quão grandioso permanece o som do quarteto. E há muito mais nas certeiras e sucintas dez faixas do álbum: “Submarine” abraça a psicodelia e ambiências bordadas com ruídos espaciais com primor e delicadeza sonora. Já “Undersea” transporta o ouvinte aos primórdios da musicalidade do Church, de quando o grupo iniciou sua trajetória em 1980. E o ápice de um CD que já pode figurar na lista dos melhores lançamentos de 2017 chega na dobradinha “Before The DeLuge” e “I don’t Now How I don’t Now”. A primeira é um guitar rock de nuances psicodélicas como a banda sempre soube engendrar muito bem ao longo de sua carreira, e pode constar das grandes músicas já compostas pelo conjunto. E a outra… simplesmente uma road folk rock ballad também mezzo psicodélica, de uma beleza melódica e atmosfera sônica incomparáveis e infinitamente superior a qualquer “esgoto” musical feito pelos grupelhos do circuito rocker atual. Daquelas canções que você escuta centenas de vezes seguidas sem se cansar dela. Como se não bastasse ainda há momentos preciosos em “In Your Fog”e em “Dark Waltz”, que fecha o disco plena de contrição e reflexão sonora melancólica, como se Kilbey estivesse recitando um poema simbolista e sombrio ao cantar a letra, esta adornada por instrumentação reverente com pianos e guitarras que provocam plena sinestesia em quem está ouvindo a faixa.

É enfim um trabalho primoroso e ultra digno para um conjunto que está em plena forma e há quase quatro décadas fazendo rock’n’roll com alma e coração maiúsculos. The Church não se rendeu às modas fugazes que devoram a música pop desde sempre. Nem sucumbiu à tentação do estrelismo, da arrogância artística e da prepotência que devora muitos rock stars. E que por isso fazem com que carreiras musicais hoje não durem absolutamente nada em um oceano de mediocridade e onde grupos e artistas solo surgem e desaparecem ao sabor de um clic na internet. Não, The Church não é nada disso e é MUITO MAIOR que tudo isso. A prova está aí, com este álbum de beleza indescritível. Com ele a “Igreja” de reverendo Kilbey pode até se aposentar, pois já terão deixado para a história do rock obras atemporais, magníficas, clássicas e eternas como essa que acabaram de lançar.

 

***Mais sobre The Church, vai aqui: https://thechurchband.net/. E aqui também: https://www.facebook.com/thechurchband/.

 

 

O TRACK LIST DO NOVO CD DO THE CHURCH

1 – Another Century

2 – Submarine

3 – For King Knife

4 – Undersea

5 – Before The DeLuge

6 – I Don’t Now How I Don’t Now

7 – A Face In A Film

8 – In Your Fog

9 – Something Out There Is Wrong

10 – Dark Waltz

 

 

O NOVO ÁLBUM DO CHURCH AÍ EMBAIXO

Para audição na íntegra.

 

E O PRIMEIRO SINGLE DO NOVO DISCO

 

HÁ QUASE 30 ANOS MATÉRIAS SOBRE THE CHURCH INAUGURAVAM A TRAJETÓRIA ZAPPER NA GRANDE IMPRENSA MUSICAL BRASILEIRA

Como já mencionou acima, no tópico resenhando o novo álbum do The Church, Zap’n’roll conheceu a banda em 1986, quando recebeu da gravadora RGE dois LPs do grupo que ela estava lançando no Brasil. Dois anos depois, já em plena ascensão em sua ainda curta carreira jornalística, o jovem repórter rocker (com apenas vinte e quatro anos de idade) estreava como colaborador da revista mensal Somtrês – a primeira grande publicação nacional voltada a assuntos musicais. E nesse mesmo ano, 1988, o jovem Finaski foi ainda mais longe: em setembro entrou para o time de críticos da ultra prestigiada página de música do Caderno 2, o suplemento cultural do diário paulistano O Estado De S. Paulo (na época, um dos quatro jornais de maior circulação do Brasil). A página era editada pelo célebre jornalista Luis Antonio Giron. E entre seus colaboradores estavam nomes gigantes da crítica musical da época, como Pepe Escobar, Kid Vinil e Fernando Naporano.

Pois Zap’n’roll fez matérias sobre a vinda do Church ao Brasil para shows (que aconteceram em outubro daquele ano), tanto na Somtrês quanto no CAD 2 – uma análise sobre a trajetória musical do grupo foi o texto de estréia deste blogger zapper no caderno cultural do jornal.

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O início da trajetória jornalística de Zap’n’roll na grande imprensa musical brasileira passa pelo The Church: em 1988 o então ainda jovem repórter fez matérias sobre a banda australiana para a revista Somtrês (acima) e quando estreou como crítico na lendária página musical do Caderno 2 do jornal O Estado De S. Paulo (abaixo), em setembro daquele ano

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A gig da “Igreja” em Sampa foi inesquecível e para muito poucos. Rolou no finado (e ótimo) ProjetoSP, um galpão enorme no bairro da Barra Funda (zona oeste de Sampa) e onde cabiam cerca de cinco mil pessoas. Por lá passaram (em gigs todas testemunhadas por este espaço virtual) Might Lemon Drops, Iggy Pop, Jethro Tull, Jesus & Mary Chain, Nick Cave, Cocteau Twins, Sisters Of Mercy, The Mission, Legião Urbana e muitos outros. E na noite do Church, infelizmente, apenas cerca de trezentas pessoas tiveram a sorte de ver e ouvir ao vivo o quarteto liderado por Steve Kilbey.

Foi um show fantástico. E inesquecível. Como eram e serão para sempre aqueles tempos, que nunca mais irão se repetir em termos de bandas, de shows de rock e de grande jornalismo cultural e musical.

 

 

UM DOS NOMES LENDÁRIOS DO JORNALISMO ROCK BRASILEIRO DOS ANOS 80’ E 90’, FERNANDO NAPORANO LANÇA SEU NOVO LIVRO DE POESIA E FALA COM EXCLUSIVIDADE AO BLOGÃO ZAPPER

Foi breve mas adorável a noite de uma terça-feira muito aprazível (uns 20 graus de temperatura, e isso com o sórdido calor primaveril já castigando Sampa durante o dia) no clima “paulistanês”. Zapnroll foi no bar/teatro Cemitério de Automóveis, do queridíssimo Marião Bortolotto, prestigiar a noite de autógrafos e o lançamento de “A respiração da rosa”, o novo livro de poemas de um nome GIGANTE do jornalismo musical e cultural que importou no Brasil nos anos 80 e 90: nosso amigo de décadas dom Fernando Naporano.

Estas linhas online e ele se conhecem pessoalmente há quase 30 anos. E não se viam também pessoalmente há mais de 25, pelo menos. Na real o blog já o conhecia de nome antes de conhecê-lo pessoalmente. O jovem futuro repórter (esse aqui mesmo, rsrs) amava jornalismo musical, sonhava em ser um jornalista musical um dia e era um pós-adolescente que DEVORAVA textos sobre música em revistas e jornais (pode esquecer: não existia internet quando o sujeito aqui tinha seus 22 anos de idade, e nos informávamos NA RAÇA, ou seja: através de publicações nacionais e importadas, e escutando os poucos programas especializados em rock que havia na TV e em rádios como a 97FM de Santo André ou a então recém-nascida 89FM). Foi assim que começamos a ler matérias escritas por gente como Pepe Escobar, nosso eterno mestre Luis Antonio Giron e Naporano em si, quando eles assinavam resenhas e reportagens musicais clássicas e sublimes em veículos como as revistas Somtrês e Bizz, e jornais como O Estado De S. Paulo.

Então Finaski mesmo se tornou jornalista, em 1986. E dois anos depois já estreava como repórter de música na revista semanal IstoÉ. E em substituição justamente a… Fernando Naporano, que havia ido para a inesquecível e sensacional página de música que era editada no Caderno 2, do Estadão, por “pai” Luis Antonio Giron. E logo em seguida à nossa entrada na IstoÉ, este mesmo Finaski também começou a colaborar com a mesma página musical do Caderno 2 – que era, numa palavra, FANTÁSTICA. A pirralha geração atual da torta e quase inútil era da web, pode esquecer: vocês NUNCA MAIS terão um jornalismo musical como o que foi feito há 30 anos no diário paulistano Estadão. E fizemos parte daquilo, daquela história. E nos orgulhamos mega de ter feito.

Foi lá no Oesp, enfim, que conhecemos dom Fernando. E nos tornamos amigos, como somos até hoje. Este então ainda jovem repórter se sentia um jornalista verdadeiramente feliz por um lado (tinha “apenas” 25 anos de idade e dois na profissão!) e um ANÃO no meio de dois GIGANTES como Naporano e o nosso saudoso e inesquecível Kid Vinil. Mas ambos se tornaram nossos amigos queridos e NUNCA nos trataram como se fôssemos inferior aos dois, na questão cultural, intelectual e profissional. E o blog escreveria um LIVRO aqui nesse post, com histórias memoráveis e bizarras dos bastidores da redação de um dos jornais que naquela época era (e continua sendo) um dos quatro maiores diários do Brasil. Como num dia em que mr. Giron, em desespero, se viu sem nenhuma matéria de CAPA decente para a edição do dia seguinte do Caderno 2. Ligou para Naporano pedindo socorro. Apenas UMA HORA depois Fernando entregou um texto sobre as então novas tendências do rock inglês. Giron ficou extasiado e ainda alfinetou o jovem Finas no dia seguinte: “O Naporano me salvou ontem. VOCÊ não conseguiria fazer o mesmo, nunca!”. Rsrs. Ficamos putos com a alfinetada, claro. Mas sabíamos que LAG falava aquilo pro nosso próprio bem. Tanto que o amamos até hoje como um irmão mais velho. Foi e continua sendo nosso mestre eterno, sendo que é dele o prefácio do livro (que sai agora em novembro), “Escadaria para o inferno”.

Outro episódio bastante surreal e engraçado foi quando FN lançou o primeiro mini LP da sua banda (da qual ele era o vocalista e letrista e cuja sonoridade ele mesmo definia como “regressive rock”, wow!), a cult Maria Angélica Não Mora Mais Aqui. Rolou então um saudável e merecido “jabá” editorial no Caderno 2 do Estadão sobre o lançamento. Com Giron convocando Finaski para fazer uma entrevista com Fernando, e Kid Vinil para resenhar o disco num box da entrevista. Nosso loiro eterno merecia o espaço pois ele era então um dos jornalistas mais brilhantes do suplemento cultural do diário. E afinal, se a revista Bizz também fazia o mesmo (elogiando sem parar em suas páginas as bandas formadas por jornalistas e colaboradores da própria publicação, sendo que essas bandas nem de longe possuíam a mesma qualidade do Maria Angélica), porque nós do CAD 2 não podíamos fazer o mesmo pelo grupo do querido FN? Pois então… rsrs.

Estas linhas rockers bloggers se lembraram dessas histórias e muitas outras lá no sempre aconchegante bar do Marião (esse “véio” ranzinza e rabugento como também somos, ahahahaha. E que além de também ser um querido amigo fináttico é outro GÊNIO da poesia e dramaturgia undeground que ainda importa nesse Brasil tristemente bestializado e emburrecido no século da pós-internet e das redes sociais) enquanto papeava com Fernando, tomava uma breja e folheava seu livro, que parece maravilhoso e digno da melhor poesia dos malditos franceses (Rimbaud, Baudelaire, Lautréamont) ou dos ingleses (William Blake e Dylan Thomas). “Quando findam as sensações que ainda tremem em carmim?”, é a pergunta que abre o primeiro leque de poemas do tomo. Foi uma noite agradabilíssima, enfim. Revemos pessoalmente um amigo com quem não tínhamos contato cara a cara há quase três décadas. O loiro continua como sempre foi: elegante, humilde, gentil, papo imperdível. E sempre trajando camisas com estampas psicodélicas e tomando seu whisky. E se hoje Zap’n’roll se sente, aos quase 5.5 de existência, de certa forma muito orgulhoso por ter pertencido àquela que talvez tenha sido a ÚLTIMA geração de jornalistas musicais de fato GENIAIS (modéstia às favas nesse momento) da imprensa brasileira, devemos isso a caras como Fernando Naporano. Por termos lido seus textos na nossa juventude e depois por termos sido colegas de redação dele e nos tornado, por fim, amigos pessoais.

Valeu, dear. E sucesso para “A respiração da Rosa”. Sendo que deixamos o próprio Fernando Naporano falar mais sobre seus novos livros de poesia, em bate-papo exclusivo com o site zapper, e cujos principais trechos você confere abaixo.

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Um dos nomes mais lendários da rock press brazuca dos anos 80’e 90’, o jornalista Fernando Naporano (acima), que reside há muitos anos na Europa, voltou ao Brasil para lançar em São Paulo seu mais recente livro de poemas (abaixo) (foto: Caio Augusto Braga)

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Zapnroll – Talvez a geração mais nova, dos anos 2000, não saiba mas você foi um dos principais nomes do jornalismo musical (e rock) brasileiro nas décadas de 80 e 90. E de repente, do nada, decidiu sair de cena e ir embora do Brasil, isso há quase trinta anos. Por que tomou essa decisão, afinal?

 

Fernando Naporano – Sou aquele que, no comando de minha finada banda Maria Angélica Não Mora Mais Aqui,- ainda em 84 – escreveu “British Caledonian”, um ácido Manifesto-Anti-Brasil, muito antes de tornar-se moda reclamar e falar mal do país. Num caráter mais extremo compus “Eu Gostei Da Guerra”, cuja letra cairia como uma luva para os dias atuais do Brasil. Como ingressei em grande imprensa ainda em plena adolescência, fiz o que pude e o que nem poderia fazer. Abri caminhos nas diretrizes da imprensa musical numa época em que ninguém levava a cultura do rock a sério. Dei uma nova dimensão ao tecido musical e abordei a música, sobretudo como uma Obra De Arte. Inaugurei em grandes jornais um cardume de inventividades, fossem pílulas de notícias de bastidores, fossem entrevistas telefônicas com bandas internacionais que estavam a explodir nos umbrais dos anos 80. Mas seja com a minha pessoa – magnética e dona de atitudes desafiadoras -, seja com minha banda – única e sui generis que viveu numa panorâmica flácida, pretenciosa e repetitiva –, o Brasil me boicotou demais, me feriu em excesso e me desrespeitou o tanto quanto (im) possível. Ao virar correspondente internacional, morando em Londres e, posteriormente, em Los Angeles, e a escrever para veículos internacionais, meu nome virou sinônimo de respeito. Atualmente tanto a banda como meus 25 anos de imprensa vem ganhando uma dimensão até de culto.

 

Zap – Mora onde atualmente e o que faz por lá, além de escrever e publicar seus livros de poesia?

 

Naporano – Moro Europa-Afora, atualmente em Madri. Me dedico integralmente a poesia, minha paixão primordial desde meus 7 anos de idade.Obviamente, tenho outras atividades, entre elas a de tradutor e professor de língua inglesa.

 

Zap – Como foi essa transição da música e do rocknroll para a escrita? Afinal você tinha um intenso envolvimento com a cena musical alternativa de São Paulo no final dos anos 80, quando cantou à frente do grupo Maria Angélica Não Mora Mais Aqui.

 

Naporano – Nunca houve transição alguma. A escrita – que começa aos 7 anos quando esboçava versinhos de amor a minha professor primária – vem muito antes de qualquer outra coisa. A poesia sempre me acompanhou desde a infância. Hoje, além de várias obras devidamente finalizadas, acumulo um material que daria para uns 10 livros. Isso sem falar que, se eu fizesse compilações de meus escritos jornalísticos com centenas de entrevistas, seria material para outros 5 livros. Nunca tive carinho ou envolvimento algum com qualquer cena “alternativa” ou “mainstream”. Sempre abominei ambos os lados. Fui e serei sempre um verdadeiro “outsider”. À margem de tudo e de todos. Personalidade e atitudes únicas, sem jamais fazer concessões.

 

Zap – Você também passou pelas redações dos principais veículos de mídia impressa do país, jornais como FolhaSP e Estadão, além de revistas como IstoÉ, Bizz e Interview. Como você vê o jornalismo musical hoje no Brasil e no mundo? Ele perdeu mesmo o romantismo e a excelência cultural de trinta anos atrás e caminha para uma inefável morte?

 

Naporano – Eu acredito ser algo devidamente morto e sepultado. A internet deu cabo de tudo. Todos são jornalistas. Como diria o Mestre Raul, “é muita estrela para pouca constelação. Não há, por assim concluir, nenhum rastro de “romantismo”ou de “excelência cultural”. O jornalismo de “Auteur” – que sempre foi o meu caso – não tem mais espaço no lamaçal do automatismo e da escrita liquída.

 

Zap – Vamos falar dos livros que o escritor e poeta Fernando Naporano está lançando, claro. São três tomos diferentes e gostaria que você explicasse melhor o conteúdo de cada um deles.

 

Naporano – Os três livros lançados esse ano possuem o mesmo pano de fundo, ou seja, uma veia poética voltada ao simbolismo, ao intimismo do reino das sinestesias baudelairianas e dos “paraísos artificiais”. “A Coerência Das Águas” (Poética Edições, Portugal) é uma deambulação pelos segredos místicos e contemplativos da existência. Envolve muitos elementos de astrologia, – diga-se de passagem, minha religião – magia e platonismo. “Detestável Liberdade” (Abstract Editions, Espanha) é um exercício sobre o horror em ser livre. Reflete a terminal solidão produzida pela Liberdade. É um relato sobre minha vida nomade-errante dos últimos anos, vivida em cidades como Casablanca, Paris, Lisboa, Los Angeles e Lanzarote. “A Respiração Da Rosa” (Córrego Editora, Brasil) é diferente dos citados acima. É um livro de temperamento pictórico, uma deambulatória ode às artes plásticas buscando uma reflexão sobre o sentimento do amor quando vivido em pleno vazio existencial.

 

Zap – Qual é a sua escola literária e poética? Você se encaixa em qual vertente? E seus autores preferidos tanto na prosa quanto na poesia, quais são?

 

Naporano – Minha escola literária é o amor. Minha escola poética é essa grande Aventura de viver. Minha arte se encaixa entre um palpitante hermetismo metafísico e um simbolismo profundamente imagético. Na infância minha base foram coleções de contos de fadas. Havia uma série de volumes, se calhar, da editora Melhoramentos que eram os “Melhores Contos De Fadas” da China, Hungria, Índia, França, Bélgica, Espanha, etc. Um bocadito mais tarde li clássicos de Stevenson, Melville, Lewis Carroll, Cervantes, Flaubert, Alexandre Dumas e outros. Com poesia minhas primeiras leituras, na altura de meus 13 anos, foram Álvares De Azevedo, Fernando Pessoa, Byron, Keats, Fagundes Varela, Heine, Shelley, etc. Ao adquirir o livro ”Anotações Para Um Apocalipse” do Claudio Willer, lá havia um poema do – já então meu amigo – Roberto Piva onde eram citados “Apóstolos da Desordem” tais como Freud, Desnos, Michaux, Artaud, Rimbaud, Blake, etc . Então, anotei os nomes e indo a bibliotecas passei a ler um por por um. Em termos de poesia, já na minha maturidade, eu citaria William Blake, Kavafis, Trakl, Dylan Thomas, William Wordsworth, Y.B.Yeats, Rilke, Novalis, Leopardi, Emily Dickinson, René Char, Eugénio De Andrade, Sylvia Plath, Nuno Júdice, Paul Celan, Fernando Pessoa, Adonis e por todos aqueles e aquelas cuja a iluminação é exaustiva e permanente.

 

Zap – Para encerrar: ao que parece você pretende retomar a carreira de front man do Maria Angélica. Mas ainda há espaço para bandas como ela nos dias de hoje? E para a poesia, também haveria espaço ainda?

 

Naporano – Não, não pretendo de forma alguma voltar com o Maria Angélica Não Mora Mais Aqui de forma atuante em palcos. Isso fez parte de uma época que não volta jamais e de uma conjuntura de visceral delírio. Acredito que a máxima da ópera-rock de Ian Anderson cai bem aqui : “Too Old To Rock’n’Roll; Too Young To Die”. Acho que hoje – uma vez que parte da mídia que sempre me boicotou em suas panelinhas abomináveis não é mais atuante – a banda teria muito mais espaço e os vôos seriam muito mais altos. Exemplo disso é o documentário “Guitar Days” de Caio Augusto Braga a ser exibido em 2018 [nota do site zapper: documentário no qual o jornalista Finaski também aparece, dando um depoimento sobre a cena alternativa rock brasileira dos anos 90’]. Nesse filme, há bandas dos anos 90 e 00 que apontam a influência do Maria Angélica bem como reconhecem de forma reverencial meu desempenho enquanto jornalista. Pretendo sim lançar um álbum (em português, por acaso) inédito do Maria bem como dezenas de canções inéditas. O formato ideal seria uma box-set de 3 Cds (com 78 minutos cada) de apenas material inédito e ao vivo. Assim como busco editores para meus novos livros de poesia, a busca é a mesma em achar uma gravadora ou alguém que banque – com direito a livreto – a box set do Maria, a qual vai se chamar “They Could Have Been Bigger Than The Television Personalities”, em alusão a um álbum dos TV’s.

 

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ANÁLISE ZAPPER: LADO A LADO A OPULÊNCIA GOVERNAMENTAL E OS MISERÁVEIS DO CRACK – E POR QUE ESSA DROGA MALDITA NÃO VAI SER DERROTADA AQUI NA PORRA DO BANANÃO TROPICAL

Semana passada Zap’n’roll ficou absurdamente impressionado com o CONTRASTE gigante e digno de uma ficção cientifica cinematográfica surreal, à la “Blade Runner” (só que REAL), quando o blog e sua amiga Gisélia presenciaram no trajeto entre a estação da Luz (onde descemos do metrô) e a sede da Secretaria Estadual da Cultura, onde estas linhas bloggers tinham uma rápida reunião agendada com nosso amado amigo de décadas e agitador cultural, André Pomba. Não são nem 500 metros de caminhada. Mas é/foi algo verdadeiramente impressionante.

A sede da Secult/SP, todos sabem, está localizada bem no CORAÇÃO da tristemente miserável CRACOLÂNDIA paulistana. E o prédio que abriga a Secult, a reformada antiga estação de trem Julio Prestes, é algo magnífico e que causa deslumbramento aos olhos de qualquer um. Construção em estilo clássico, foi reformado e restaurado há alguns anos, mantendo o padrão e estilo arquitetônico original. Lá, além da sede da Secult ainda funciona também a prestigiadíssima sala São Paulo, um dos melhores e mais nobres espaços da capital paulista para concertos de música erudita. É, em suma, um prédio exuberante e que desvela toda a opulência arquitetônica e financeira que envolve alguns endereços do poder público estadual, comandado há mais de 20 anos pelo tucanato – na real nem poderia ser diferente afinal São Paulo, mesmo com a crise monstro que se abate sobre nosso arrasado bananão tropical, ainda é o Estado mais rico do Brasil.

Porém (sempre há um porém…), causa CHOQUE a qualquer um que passe por aquela região o tal contraste monstro que mencionamos no começo desse texto. A menos de 100 metros da entrada principal da Secult (na rua Mauá) e já nas escadas e portas (algumas fechadas) da fachada da secretaria, este jornalista e Gisélia passaram por pequenos aglomerados que reuniam algumas dezenas de viciados em crack. Todos com seus cachimbos à mostra (em plena luz do dia), todos se entorpecendo ou já entorpecidos e completamente alheios ao ir e vir de quem passava ao lado deles. Todos muito miseráveis, sujos, maltrapilhos mesmo. Uma espécie de escória sub-humana que a sociedade “normal” parece ter esquecido por completo ou que prefere ignorar mesmo, na cara larga. Um usuário em particular chamou a atenção da Gigi e penalizou o coração dela, dado o estado de DEGRADAÇÃO em que ele se encontrava: sujo, vestido com TRAPOS e solitário num degrau (a apenas uns 10 passos da entrada principal da Secult, muito bem vigiada e policiada por viaturas da PM e da guarda civil, além de policiais também fora das viaturas e circulando no entorno da entrada), ele raspava o que restava de seu cachimbo para tentar dar uma última tragada nessa droga do inferno, que o blog mesmo fumou durante quase uma década. E zilhões de vezes fumou ali mesmo, na cracolândia ao lado dos “nóias”, em madrugadas insanas após sair completamente enlouquecido de álcool de alguma balada open bar e desesperado para dar uma TRAGADA numa pedrinha em cima de um cachimbo.

Depois que saímos da Secult, fomos em direção à Sta Cecília (bairro também colado ali) pois o jornalista e agora quase escritor também (rsrs) tinha uma reunião na editora Kazuá. Ao passarmos pela praça bem à frente do prédio da secretaria (e que durante muitas décadas abrigou a antiga rodoviária de Sampa) Zap’n’roll mostrou pra sua amiga, mais à frente e à nossa direita, o já tristemente célebre “fluxo”, que é onde se aglomeram mesmo os consumidores de crack e onde a droga é vendida livremente. É uma autêntica multidão gigante de ZUMBIS (quase mortos-vivos mesmo, ao estilo “walking dead”) pipando pedras em cachimbos improvisados (ou em latinhas usadas de breja e refri, em copos de água mineral, onde for possível) em tempo integral, dia e noite. Noite e dia. A visão então é/foi essa e muito clara aos olhos de qualquer observador minimamente mais atento: atrás de nós a impressionante OPULÊNCIA visual e financeira da Secretaria Estadual da Cultura de SP. E um pouco à frente de nós (e a apenas alguns metros da opulência governamental), o mais pavoroso e DEGRADANTE cenário da TOTAL decadência e miséria humanas. Um cenário composto por uma multidão de gente que perdeu tudo: dignidade, respeito, saúde, moradia, amor próprio etc. Que permanece alheia ao mundo real e que parece até viver em outra dimensão ou outro planeta que não a Terra. E, por fim, uma multidão de seres humanos IGUAIS A NÓS mas que, infelizmente, parece ter sido totalmente esquecida por uma sociedade cada vez mais insensível, egoísta, intolerante, moralista hipócrita, conservadora, hostil de verdade e que prefere ignorar os que estão na miséria final da existência humana (que é viver na cracolândia) como se aquilo lá não fosse problema de ninguém. “Não tenho nada a ver com isso, eles que se fodam e o governo e a POLÍCIA que resolvam e cuidem deles”, deve ser o pensamento de muitos que passam por ali diariamente.

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Zap’n’roll ao lado da frase que está pintada em todas as unidades móveis de polícia comunitária, espalhadas pelo entorno da cracolândia no centrão da capital paulista: não, o crack NÃO vai ser vencido no Brasil, infelizmente (foto: Gisélia Camelo)

 

É algo dantesco e surreal ao cubo. Nem o melhor e mais premiado roteirista de Hollywood conseguiria conceber um enredo de ficção tão impactante e tão fiel a uma REALIDADE que NÃO É FICÇÃO.

E este espaço virtual mesmo chegou a uma triste conclusão, que dividiu com Gisélia: não, NÃO É POSSÍVEL VENCER O CRACK, ao contrário do que diz a frase estampada ao ao nosso lado aí na foto que ilustra este comentário social zapper. Aliás pedimos pra Gi tirar essa foto (na frente de uma das muitas unidades móveis de polícia comunitária que estão espalhadas por ali, no entorno da cracolândia) por PURA PROVOCAÇÃO, claro. Porque não, o crack NÃO VAI SER VENCIDO num país onde o poder público e os governos (federal e estadual) não possuem ESTRUTURA de ponta para combater o problema. Uma estrutura mega complexa que envolve questões de saúde pública (com apoio médico e psicológico aos dependentes da droga), de trabalho (conseguir reinserir essas pessoas num mercado formal de emprego), de educação, lazer, cultura e também de inteligência policial (para combater o tráfico em si). E não, não é com um prefeito IDIOTA, coxa, insensível e que nada entende de HUMANIDADE, como João Dória ESCÓRIA Dólar é, e que quer internar à força usuários, que vai se resolver o problema. Não é fazendo operações pontuais por ali, jogando bombas de gás e jatos d’água nos usuários, que vai se acabar com aquela zumbilândia – mesmo porque o PCC MANDA ALI. E ganha milhões ali. E o (des) governo paulista deixou o PCC se tornar a orcrim gigante que é hoje e agora é quase IMPOSSÍVEL removê-lo da cracolândia, que já existe há mais de 20 anos.

E por fim, nunca será possível vencer a epidemia de crack que tomou conta do Brasil justamente por vivermos num dos países mais CORRUPTOS do mundo, que possui a classe política mais IMUNDA do universo e onde bilhões (vejam bem: isso aqui ainda é uma das dez maiores economias do planeta, mesmo com toda a grana gigantesca que escorre sem dó pelo ralo da corrupção endêmica que nos assola) somem nas mãos desses políticos e de parte da iniciativa privada que também é corrupta e corrompe agentes públicos. Você acha mesmo que esse pessoal escroto e do inferno está a fim de resolver o problema dos miseráveis em estágio final de degradação humana que este jornalista e sua amiga viram pelas ruas do centro de São Paulo, fumando crack em pleno dia? Se você acredita nisso e leu até aqui, jezuiz e parabéns… seu pensamento é ainda mais surreal do que as cenas tristes que presenciamos no centrão “blade runner” de Sampalândia.

 

 

FIM DE JOGO

Yeah. Mais um postão finalizado, no meião do feriadão de Finados. Sendo que o blogão zapper deseja que o feriado esteja sendo ótimo pra toda galere. E lembrando sempre: dia 25 de novembro tem lançamento de “Escadaria para o inferno”, na Sensorial Discos/SP. Te esperamos por lá!

E logo menos voltamos aqui com novo post inédito. Até mais!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 4/11/2017 às 4hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL MONSTRO! Com atualização das notinhas da Microfonia (e onde você encontra novos vídeos e áudios do L7, do Wry, a estréia solo do ex-vocalista do Oasis, Liam Gallagher, e os caralho), mais entrevistas com os escritores e músicos Marcelo Viegas e Cassiano Fagundes etc (ufa!) – AGORA VAI e infelizmente com a mega tristíssima notícia na música mundial: SILÊNCIO GIGANTESCO no rock’n’roll com a morte do gênio Tom Petty, que se foi anteontem nos Estados Unidos; mais: em post especial sobre lançamentos de LIVROS dedicados à cultura pop e a música em geral (um mercado que, mesmo com a crise bravíssima que assola o triste bananão tropical, tem seu nicho de público e segue ativo), o blog zapper fala de alguns títulos que chegaram há pouco às livrarias; e também anuncia (finalmente e oficialmente!) orgulhosamente o lançamento de “Escadaria para o inferno”, o primeiro volume escrito pelo jornalista eternamente rocker/loker (esse aqui mesmo, autor destas linhas poppers online, ulalá!) e que sai do forno em novembro! E ainda: como foi o showzaço do The Who (já a gig internacional de 2017 no Brasil?) em Sampa pela ótica não jornalística e sim de um FÃ da banda, em texto especial para este espaço rock virtual, comentários sobre o line up do Lollapalooza BR 2018, a morte de um gênio da imprensa mundial (ele mesmo, o fundador da revista Playboy, a que alegrou nossa existência com nudes incríveis das melhores BOCETAS da história da cultura pop) e mais isso e aquilo tudo que você sempre encontra por aqui! (postão mega AMPLIADO e finalmente FINALIZADO em 6/10/2017)

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O rock americano e mundial perde mais um gênio inesquecível: Tom Petty (acima) se vai mas deixa para sempre uma obra musical gigante e que ainda irá embalar muitas gerações rockers; as mesmas gerações que não irão precisar esperar tanto para ler “Escadaria para o inferno”, o primeiro livro escrito pelo jornalista musical autor destas linhas poppers virtuais (abaixo: Zap’n’roll na sede da editora Kazuá, ao lado de Evandro Rhoden, o dono da empresa, e a capa do tomo, que será lançado agora em novembro)

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MICROFONIA, PARTE II

(reverberando a cultura pop no rock, em filmes, livros e discos)

(com ampliação e finalização das notas na sexta-feira, 6 de outubro de 2017)

***IDA A BELZONTE – yep. Há algum tempo já sem sair de Sampa pra acompanhar de perto outras cenas musicais legais espalhadas por este Brasil afora (e os motivos pra diminuição desses rolês são vários, mas basicamente podem ser resumidos em dois: a) todo mundo está quebrado no país e diminuíram drasticamente os convites ao site/blog zapper pra cobrir eventos fora de Sampa, mesmo porque quase ninguém está com grana pra produzir eventos; e b) a indie scene nacional meio que está quase total morta, não? Sobram bandas, sempre, mas falta QUALIDADE a elas e quem se interesse por elas, simples assim), Zap’n’roll vai dar um “pulinho” até a capital dos mineiros na próxima semana. Vai passar o feriadão prolongado por lá (e aproveitar pra se encontrar com duas das mineiras mais lindas, gatas, rockers e queridas que o autor destas linhas bloggers tem como amigas atualmente, as morenaças Juliana Marta e Thays Karolinne, duas doçuras como seres humanas) pra conferir algumas bandas locais e se inteirar da movimentação rock’n’roll na capital de Minas Gerais. E se achar interessante o que ver e escutar o blog irá comentar aqui na sequencia, claaaaaro. Então fiquem (e fiquemos) atentos aos sons sempre bacanas que vêem lá das Gerais.

 

***ESTRÉIA SOLO DO LIAM – yeeeeesssss! O caçula dos manos Gallagher e que um dia cantou à frente do saudoso Oasis, enfim voa solo. E mostrou para o mundo nessa sextona em si sua estréia individual, o álbum “As You Were”, que o site zapper ainda vai ouvir com calma e depois comentar aqui, pode esperar. Mas se você NÃO agüenta esperar, já pode escutá-lo aí embaixo.

 

***A VOLTA DO L7 – uma das grandes bandas da era grunge, o quarteto feminino americano L7 anunciou nas redes sociais seu comeback aos estúdios de gravação após ficar dezoito anos sem gravar material inédito. Este espaço rocker virtual sempre tem o pé atrás com grupos que ficam séculos hibernando e, de repente, resolvem sair da tumba pra gravar e tocar ao vivo novamente. O resultado geralmente não é nada bom. Mas no caso das meninas (ou tiazonas atualmente, já que todas elas estão com mais de cinquentinha de idade nas costas), que fizeram um show absolutamente DEMOLIDOR no Brasil em 1993 (no finado e saudoso festival Hollywood Rock, na mesma edição que trouxe na mesma noite em que elas se apresentaram também o Nirvana, e o zapper loker/rocker estava na gig, claro), talvez dê pra esperar um novo disco bacanão. Ao menos a primeira faixa que elas divulgaram do disco vindouro (e cujo áudio está aí embaixo) é uma cacetada esporrenta, como não se vê sendo feita pelas bandinhas bundinhas atuais. Isso aê: se a pirralhada nova não mostra competência em serviço, os VELHOS (ou velhas, no caso) mostram, uia!

 

***NOVO DO WRY EM 2018 – sim, o já clássico quarteto indie guitar sorocabano (dos melhores nomes do rock BR das últimas duas décadas), sempre liderado pelo queridão vocalista e guitarrista Mario Bross (dileto amigo zapper de anos já também), anunciou seu novo trabalho de estúdio para o ano que vem, e que deve sair pela carioca Deck Disc. Como prévia deste novo cd a banda lançou na web esta lindíssima balada (que você pode ouvir e ver aí embaixo), e que ganhou igualmente vídeo belíssimo e bucólico, bem de acordo com a melodia da música (suave, introspectiva e onde Mario deixa sua guitarra um pouco de lado para centrar fogo nos teclados). Fora que o vídeo ainda conta com a participação especialíssima da liiiiindaaaaa modelo e atriz Duda Caciatori, dileta amiga deste espaço online desde que ela era uma pós-adolescente recém chegada a Sorocaba (Duda nasceu em Santa Catarina). No Wry este site/blog sempre bota fé. E tem certeza de que vem discão por aí!

 

***FREJAT EM SAMPA – o finde (já estamos na noite de sextona em si) promete em Sampalândia. Após tocar na última edição do Rock In Rio o ex-vocalista e guitarrista do Barão Vermelho (ou será ele um eterno barão? Rsrs) se apresenta na capital paulista neste finde, na Tom Brasil. E o blog vai lá já que foi convidado pelo empresário do cantor (queridíssimo amigo deste blog há séculos), o chapa Rafael Borges, a ir curtir a gig. E se você também se interessou, todas as infos sobre o show estão aqui: https://www.facebook.com/events/429038194158029/.

 

***ARTE DEGENERADA ATACA! – e no domingão em si tem mais: a mui legal editora paulistana Kazuá (e que lança mês que vem a primeira incursão literária do jornalista maloker) vai promover o evento chamado Festival da Arte DEGENERADA. Isso mesmo: uma série de atividades culturais que irão ter início no meio da tarde na sede da editora e se estenderão pelas ruas próximas com sarau literário, shows musicais (como a apresentação do trio Psychotria, que também vai tocar na festa de lançamento do nosso livro) e muito mais. É a forma que a Kazuá e todos os que estão ligados a ela (como agora nós também estamos) encontrou de enfrentar essa calhorda, cretina e caretaça mega onde neo conservadora de extrema direita que ameaça todo o país. E que também ameaça tolher a liberdade artística e de expressão. De modos que o site/blog zapper convida todo o seu leitorado de Sampa a ir lá e prestigiar, okays? Mais infos aqui: https://www.facebook.com/events/279018369259110/.

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***E FIM DE PAPO! – chega, néan. Microfonia atualizada e ampliada, postão monstrão no ar (com mais de cinqüenta mil caracteres de texto, wow!) e final de semana chegou novamente. Então Finaski vai parar por aqui, sendo que iremos voltar com novo post assim que possível e quando assuntos realmente relevantes na cultura pop assim o exigirem de nós, uia! Beleusma? Então ta! Até a próxima e desde já ótimo feriadão semana que vem pra toda a galere que nos acompanha. Até!

 

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop no rock, em filmes, livros e discos)

***Beleza? Postão zapper entrando no ar já no meio da semana. De modos que até o final desta mesma semana iremos ampliando e atualizando as notas aqui da seção Microfonia, ok?

 

***Sobre o Lollapalooza BR 2018 – Pois como sempre o blog zapper é honesto, rigoroso e imparcial nas suas análises musicais, também iremos ser nesse caso – e olha que já xingamos bastante o festival que rola em Interlagos, em suas últimas edições. Posto isso, estas linhas rockers virtuais estão quase achando que a edição de março vindouro é a MELHOR do Lollapalooza nos últimos anos. Ainda que não tenha Radiohead tem muita coisa decentíssima ali – e as tranqueiras de sempre também, óbvio. Começando pelo que vale a pena: Pearl Jam, sim mais uma vez. Pra quem nunca conseguiu assistir, é imperdível e showzaço, sempre. Vimos três vezes já e na última (no próprio Lolla, na edição de 2013) chegamos a chorar em alguns momentos da gig, de tão emocionados que ficamos. Fora a turma do Eddie Veder Tb vai ter Liam Gallagher, Lana Del Rey (wow!), Royal Blood (wow!!), The National (wooooowwwww!!!) e até o velho homem dos Talking Heads, mr. David Byrne. Yep, e ainda vai ter o pavoroso The Killers (talvez a banda mais insuportável a ter surgido na indie scene americana dos anos 2000’), o LCD Soundsystem (que muita gente igual ao “brogui” sem noção Pobreload superestima demais, e este blog não vê a menor graça no som feito pelo “gênio” James Murphy) e até o Red Hot Chili Peppers, que acabou de tocar no Rock In Rio. Na ala nacional? Muita coisa boa pra se conferir também: Tiê, nossos queridões do Vanguart, Plutão já foi planeta e… PORRAN, o incrível Luneta Mágica de Manaus, sensacional formação indie/MPB/psicodélica meio que descoberta por Zapnroll há três anos e que agora merecidamente irá mostrar seu som pra um grande público em Sampa. Claro, o Lollapalooza vai continuar tendo seus enormes defeitos já mostrados nas edições anteriores: ingressos a preços extorsivos, público coxinha mais interessado em aparecer, ver e ser visto, tirar selfies e ficar se distraindo no parque de diversões que será montado no autódromo, ao invés de prestar atenção na MÚSICA que irá rolar nos palcos. Mas mesmo com tudo isso nos arriscamos a dizer que o festival paulistano será muito melhor que o Rock In Rio. E essencialmente mais… rock no final das contas. Bora então selecionar as atrações que mais valem a pena e se programar desde já pra ir para o longínquo (e ponha longínquo nisso…) Interlagos em março de 2018.

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As atrações do Lollapalooza BR 2018: talvez o melhor line do festival em suas últimas edições

 

***E logo menos, como já dissemos aí em cima, entram mais notas aqui no Microfonia. Mas agora vamos pros tópicos em si do postão, começando com nossa homenagem a um dos maiores gênios da história do rock americano e que infelizmente partiu no último final de semana.

 

 

TOM PETTY E SEUS CORAÇÕES PARTIDOS IRÃO ACALENTAR PARA SEMPRE NOSSAS ALMAS COM SUAS LINDAS, INESQUECÍVEIS E PODEROSAS CANÇÕES

A morte, que nunca manda recado, veio e levou anteontem, segunda-feira, 2 de outubro de 2017, Thomas Earl Petty, um dos sujeitos mais gente fina e um dos músicos, compositores e cantores mais geniais surgidos na história do rock americano em todos os tempos. Tinha 66 anos de idade. Foi fulminado por um “heart attack” no último domingo. Chegou a ser socorrido e levado para um hospital. Mas sua atividade cerebral já havia cessado o coração era mantido em funcionamento por aparelhos. Ontem à noite o cantor foi enfim declarado oficialmente morto pelo seu empresário.

Zap’n’roll conheceu Tom Petty (seu nome artístico) ainda na adolescência, lá pelos 17 anos de idade. Mas se tornou mega fã e admirador da obra musical dele bem mais tarde, quando tinha seus 26 e já trabalhava como jornalista na área musical – naquela época, especificamente na editoria de cultura da revista IstoÉ (que naquele tempo, 1989, era sensacional e não o LIXO editorial na qual ela se transformou nos dias atuais). Era abril de 1989 e Tom, então quase um quarentão, lançou seu primeiro disco solo, sem a banda (os Heartbreakers) que o acompanhava desde 1976, quando o grupo estreou em disco. A essa altura ele já tinha uma trajetória ultra respeitada pela critica rock americana, um séquito enorme de fãs e sete álbuns lançados.

Mas foi “Full Moon Fever”, seu primeiro vôo solitário e lançado naquele abril de 1989, que marcou para sempre o autor do site zapper em relação à sua música. Não que os outros trabalhos lançados por ele fossem ruins ou medianos (muito longe de ser, Petty sempre primou por uma grande criatividade e rigorosa qualidade nas suas composições). Mas “Full Moon…”, mesmo lançando mão de todos os procedimentos musicais (rock de raiz classudo, country music e rock sulista com primor nas melodias e riffs, além de estrutura melódica ultra radiofônica e capaz de sensibilizar até o mais duro dos corações) que já haviam consagrado Tom Petty como músico, cantor e letrista, ainda assim colocou de joelhos público e jornalistas, pela beleza imensurável de suas canções primorosas e perfeitas. Os rocks eram afiadíssimos, poderosos e dançantes. As baladas então… de despedaçar qualquer alma.

Foi o LP enfim (sim, naquela época era LP e tivemos “Full Moon Fever” em vinil) que tornou definitivamente Petty um dos gigantes do rock mundial de então – o álbum vendeu milhões de cópias no ano de seu lançamento, foi parar no topo da lista dos mais vendidos da Billboard e seus hit singles chegaram a tocar sem parar em todas as rádios do planeta (Brasil incluso) e na MTV. Afinal, quantos discos você conhece que abrem com duas canções MONSTRO (na sua beleza sonora) como “Full Moon…” abre? Sim, estamos falando de “Free Fallin” e “I Won’t Back Down”. Duas músicas que já se tornaram mega clássicos do cancioneiro pop norte-americano.

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O cantor, compositor e guitarrista americano Tom Petty (acima) e uma das suas obras gigantes, o álbum “Full Moon Fever” (abaixo): não existe mais discos nem gênios assim no rock dos anos 2000′

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E como se não bastasse tudo isso Tom ainda era ótima praça e gente finíssima. Daqueles sujeitos sempre gentis ao máximo, engajado em causas sociais, com zero de arrogância e ego, total pé no chão como artista. Era aquele tipo de cara que você queria ter como cunhado ou irmão mais velho (ou novo).

E foi esse sujeito bacaníssimo e músico inigualável (que no auge de sua carreria também participou do super grupo Travelling Wilburys junto com George Harrison, Bob Dylan e Roy Orbison)  que dona morte tirou de nós no final da noite de ontem, sendo que ele ainda estava em plena atividade na sua trajetória musical (tinha acabado de fazer uma turnê super bem sucedida pelos EUA, baseada no seu derradeiro trabalho de estúdio, o muito bom “Hypnotic Eye”, lançado há três anos). Assim como ele já se foram David Bowie, George Michael, Prince, Michael Jackson, Lemmy Kilmister, Scott Weiland, Kurt Cobain e outros gênios da história do rock e da música pop. E a cada vez que um gênio desse porte se vai o mundo fica ainda mais vazio de idéias do que já está. Aos poucos a arte contemporânea (música, literatura, cinema, o que for) vai perdendo o que resta de relevante nela. E a tendência é que fiquem apenas escombros nesse planeta já tão miseravelmente devastado por ignorância, violência, miséria social, bestialidade e boçalidade. Renato Russo estava coberto de razão quando dizia que “a ignorância é vizinha da maldade”. Com artistas que realmente importaram e impactaram nossas vidas morrendo aos poucos, o que restará para a humanidade celebrar musicalmente daqui a 20 ou 30 anos? Nada, provavelmente.

Vai na paz, Tom. Nem sabemos se iremos nos encontrar por aí algum dia, em alguma outra estação – taí, não o assistimos ao vivo e gostaríamos de ter visto um show seu. Mas se essa estação existir de fato, você já está animando a todos por aí com seus rocks e baladas imortais. Sim, suas canções serão para sempre imortais. E te agradecemos de coração por ter feito a trilha sonora inesquecível de muitos momentos da vida deste Finaski e de milhões de pessoas pelo mundo afora.

 

TOM PETTY AÍ EMBAIXO, NO CLÁSSICO IMORTAL “FULL MOON FEVER”

 

E NO VÍDEO DE “FREE FALLIN”

 

DEMOROU MAS FINALMENTE VAI SER LANÇADO: EM NOVEMBRO CHEGA “ESCADARIA PARA O INFERNO”, O PRIMEIRO LIVRO DO JORNALISTA MAIS LOKER DA HISTÓRIA DA IMPRENSA MUSICAL BRASILEIRA

Yep. Foram mais de trinta anos atuando no jornalismo cultural e musical brasileiro e paulistano, com passagens por redações de grandes jornais e revistas (Somtrês, IstoÉ, Bizz, Interview, Rolling Stone, Estadão, FolhaSP, Jornal Da Tarde, Gazeta Mercantil etc.). Período (iniciado em 1986 e que perdura até os dias atuais, só que agora cuidando da parte editorial da ONG Associação Cultural Dynamite, além de editar este site/blog) em que o jornalista eternamente rocker e muitas vezes completamente loker colecionou zilhões de estórias absolutamente malucas ao longo de uma trajetória onde Zap’n’roll entrevistou muita gente conhecida (no rock BR e gringo), foi a centenas de shows, festas, eventos, baladas e, claaaaaro, enfiou os dois pés na lama sem dó nem piedade em sexo e drogas variadas. Foi quando percebeu que, ao recordar essas estórias e sempre que as dividia com amigos, o autor deste espaço virtual tinha um vasto material para compor um livro interessantíssimo no final das contas. Opinião compartilhada por quem escutava os relatos quase surreais e insanos apresentados pelo zapper. “Wow, você precisa escrever um LIVRO! E que pode virar até um FILME!”, era o que mais ouvíamos quando contávamos nossas aventuras (ou seriam desventuras? Rsrs) ao longo de três décadas.

Pois essas aventuras finalmente foram reunidas em um volume e agora irão chegar ao conhecimento do público consumidor de livros. Com lançamento pela editora Kazuá e marcado para o dia 25 de novembro (último sábado do mês e, por acaso, véspera do aniversário do jornalista zapper), “Escadaria para o inferno”, nossa primeira aventura literária, reúne vinte estórias envolvendo aquele que é considerado por muitos de seus colegas como o jornalista mais junkie e maluquete da história da imprensa cultural brasileira. Sendo que na verdade havia (ou há) ainda outras dezenas de episódios que acabaram ficando de fora do livro, já que o autor preferiu se concentrar naqueles que mais chamam a atenção pelos personagens envolvidos nas estórias. Assim há capítulos engraçadíssimos e contando as confusões nas quais o sempre e legitimo gonzo Finaski se meteu. E que o fez perder shows de Paul McCartney e Nação Zumbi, discutir (literalmente, quase partindo para a briga) com nomes como John Lydon e Lobão, ficar doidão de cocaine durante entrevista com o vocalista Nasi (do grupo Ira!), se transformar momentaneamente em “avião” de drogas de músicos da banda de hard rock alemã Scorpions e também do músico americano Evan Dando (do grupo Lemonheads), e até “salvar” o apresentador de TV e vocalista da banda punk Ratos Do Porão, João Gordo, do vicio dele em crack, ulalá!

Há uma grande dose de humor negro perpassando todo os capítulos de “Escadaria para o inferno”. Mas o conteúdo do livro também desvela um lado bastante sombrio, traumático e trágico dessa trajetória fináttica pelo submundo do jornalismo musical nacional. É quando o volume foca no período em que o jornalista fumou crack, um vício que consumiu quase uma década de sua existência. Um livro corajoso enfim. Sem moralismos hipócritas, sem preconceito de qualquer espécie. E muito divertido no final das contas, e que encontrou na editora Kazuá (um modesto selo paulistano mas que trata com cuidado e apuro gráfico, artístico e editorial cada um de seus lançamentos) seu “lar” ideal. Dirigida por Evandro Rhoden (um gaúcho quarentão formado em Filosofia e com paixão gigantesca por cinema), a Kazuá procura focar seus lançamentos na área da poesia. Mas também gosta de literatura subversiva/transgressiva, como é o caso do tomo escrito pelo autor do blog zapper. “Confio no livro. E também no autor dele”, disse Evandro quando assinamos com a editora o contrato de publicação de “Escadaria para o inferno”.

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Zapn’n’roll na sede da editora Kazuá (acima), assina o contrato de lançamento de “Escadaria para o inferno” (abaixo, sendo observado pelo dono da editora, Evandro Rhoden), primeiro livro do jornalista musical; o volume chega às livrarias mês que vem

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Então finalmente ele está a caminho, após três anos da sua conclusão. E chega às livrarias em novembro. Sendo que no dia 25 daquele mês, sábado, haverá festa de lançamento e noite de autógrafos da obra na sempre bacaníssima Sensorial Discos SP (lá na rua Augusta, região dos Jardins), com shows das bandas Psychotria, Jonnata Doll & Os garotos solventes (fazendo set acústico) e Jenni Sex. E ainda DJs set (no lounge) dos super DJs e amados André Pomba e Vanessa Porto.

Todos estão convidados a comparecer. Inclusive a matilha de cães fakes e covardes que há anos latem no painel do leitor do blog, dizendo que o livro jamais iria ser lançado. Pois então: a hora de “Escadaria…” finalmente chegou. Agora a cachorrada covardona pode latir à vontade com mais força ainda, rsrs. E depois passar na Sensorial pra tomar uma breja por nossa conta. A gente paga, ahahahaha.

 

E MESMO COM O PAÍS ATOLADO NA CRISE DO GOVERNO GOLPISTA DE MERDA, O MERCADO DE LIVROS MUSICAIS MANTÉM UM PÚBLICO FIEL

País com população historicamente pouco afeita ao habito da leitura, o Brasil nem de longe possui um dos mercados literários mais relevantes do mundo. Pra piorar ainda mais as vendas no setor, a crise econômica e política pela qual atravessa o triste bananão tropical há três anos (graças ao desgoverno golpista e sujo instalado em Brasília e comandado pelo PIOR CRÁPULA que já ocupou a cadeira de presidente do Brasil), reduziu um pouco mais ainda as vendas, os investimentos em novos autores, a abertura de novas editoras e os lançamentos de novos títulos editoriais.

Mas nem tudo ficou ou está perdido, afinal. E muito curiosamente um determinado nicho do mercado editorial continua sobrevivendo e resistindo heroicamente aos tempos ultra sombrios pelos quais a cultura nacional está passando: o de livros dedicados a assuntos musicais – notadamente o de biografias sobre bandas e artistas solo. Somente nas últimas semanas chegaram ao mercado ao menos quatro novos títulos editoriais voltados a temas musicais. “Apenas um rapaz latino americano”, biografia do recentemente falecido cantor e compositor gigante da MPB que foi Belchior, foi escrito pelo jornalista Jotabê Medeiros (amigo destas linhas bloggers musicais há três décadas) e lançada pela novíssima editora Todavia. Já “Ondas Tropicais”, de autoria da dupla Claudia Assef e Alexandre de Melo e publicado pela editora Matrix, conta a trajetória da radialista e DJ Sonia Abreu (também dileta amiga pessoal zapper há décadas), que inclusive é descrita no tomo como “a primeira DJ do Brasil”. Não só: tem também “Ouça este livro”, do músico, produtor e pesquisador musical Cassiano Fagundes (mais um querido amigo destas linhas rockers online e que toca até hoje num dos melhores nomes do indie rock nacional na última década e meia, o grupo curitibano Bad Folks), e cujo volume foi editado pelo pequeno selo paranaense Barbante. Trata-se de um compêndio reunido por Fagundes onde ele desvela histórias curiosíssimas e bizarras envolvendo nomes lendários do rock’n’roll, como David Bowie, Rick Wakeman etc.

Há, portanto, espaço, mercado editorial e, principalmente, público para esse tipo de livro? Na opinião de Marcelo Viegas, sim. Ele que durante quatro anos, foi o editor responsável pela publicação dos livros lançados pela editora paulista Ideal (e que editou, entre outras dezenas de títulos, a biografia de Ian Curtis, o lendário e suicidado ex-vocalista do finado Joy Division), detalha muito bem sua visão deste mercado, em bate-papo com Zap’n’roll: “Sim, há um público interessado nesse tipo de literatura, mas é como você mesmo disse: trata-se de um nicho. E, como tal, deve ser entendido e abordado de acordo com as suas características. A boa notícia é que um dos mantras do mercado editorial versa justamente sobre essa necessidade de encontrar e trabalhar um nicho (de preferência um nicho que você conheça bem). Muitos profissionais dessa área insistem que o futuro das editoras passa justamente por essa capacidade de eleger um nicho e direcionar o seu foco editorial nesse sentido”.

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O autor do blog zapper ao lado do seu parça e jornalista Jotabê Medeiros, no lançamento da biografia do cantor Belchior (acima); abaixo o escritor e ex-editor de livros Marcelo Viegas, com seu primeiro livro: ele acha que hoje há mais espaço para volumes falando de assuntos musicais do que havia anos atrás

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Viegas, que também acaba de lançar seu próprio livro (“Então – coletânea de entrevistas sobre música, skate e arte”, edição do autor), vai mais longe: “Na minha opinião esse mercado (dos livros de música) ainda tem muito pra crescer. Se você comparar com alguns anos atrás, a diferença é perceptível: antes, havia meia dúzia de livros de música disponíveis em edições brasileiras; hoje, as prateleiras das livrarias estão repletas de bons títulos, desde coisas mais mainstream até títulos mais alternativos”.

Um dos modos (não o único, claro) de manter esse “nicho” de mercado editorial ativo e funcionando bem, segundo Marcelo (que além de editor de editora também já foi dono de loja de discos, vocalista de banda de rock e até proprietário de selo musical), é cada autor de um novo livro cuidar pessoalmente de todas as etapas atinentes ao mesmo. “O meu livro foi uma tentativa de botar a mão em todas as etapas do processo, no velho e bom esquema do “faça você mesmo”. Atuei como autor, editor, publisher, cuidei do marketing, redes sociais, assessoria de imprensa, distribuição e financeiro. Foi uma espécie de laboratório complementar ao MBA em Book Publishing que estou fazendo”, explica ele. “Pela natureza insana da empreitada, sabia que seria inviável trabalhar com uma tiragem grande. Por isso, optei por fazer apenas 300 exemplares. Como já tive selo musical nos anos 1990 (Short Records), isso também serviu como lembrete das dificuldades de escoar os famosos mil discos. Não queria cometer os erros do passado e ficar olhando para as caixas de livros aqui em casa. Disse pra mim mesmo: “menos é mais”. E coloquei o livro na rua”, completa.

De modos que, mesmo com todo o terror econômico, político e CULTURAL pelo qual estamos passando (mais abaixo, nesse mesmo postão, iremos comentar sobre a onda ultra reacionária e conservadora da extrema direita e de parte da ogra e completamente bestializada e boçal sociedade brasileira, que agora se volta contra exposições de arte e intervenções artísticas em museus, como a que aconteceu semana passada no MAM SP, e que causou enorme discussão e ataques de fúria conservadora nas redes sociais) nesse momento, traz alguma satisfação a este espaço online de cultura pop a constatação de que, sim, o mercado editorial voltado ao mundo da música, ainda possui um público leitor fiel e que compra livros. Menos mal. Sinal de que a Idade das Trevas ainda não dominou completamente este triste bananão tropical. E que ainda há alguma esperança no final do túnel para estes tempos mega sombrios que estamos vivendo.

 

 

BATE PAPO COM CASSIANO FAGUNDES, AUTOR DE “OUÇA ESTE LIVRO”

Além de agora também ser escritor o músico Cassiano Fagundes é pesquisador, tradutor e um dos músicos mais atuantes na cena rock independente da região sul brasileira na última década e meia. Ele é um dos fundadores, inclusive, de uma das bandas do coração destas linhas rockers online, o curitibano Bad Folks, uma das formações mais legais da capital paranaense dos anos 2000’.

No bate-papo abaixo Cassiano fala sobre seu primeiro lançamento literário e também sobre o momento atual do mercado editorial voltado para livros cujo assunto é o nosso sempre amado rock’n’roll.

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O músico, tradutor, pesquisador e agora também escritor Cassiano Fagundes, e seu primeiro livro: estórias bizarras e engraçadas envolvendo rockstars, para ampliar um mercado editorial (o de livros sobre música) que continua resistindo à crise

 

Zap’n’roll – A idéia do seu livro é muito legal. Contar estórias algo bizarras envolvendo nomes conhecidos da história do rock, associando a essas estórias uma play list de sons que o leitor pode ir atrás pra se deleitar. Como surgiu a idéia desse formato editorial, afinal? E como foi que você fez a pesquisa pra reunir tanto as estórias quanto as play lists?

 

Cassiano Fagundes – O livro nasceu de meu trabalho em um portal de música da GVT, o PMC. Trabalhei dois anos lá, programando a rádio, resenhando discos e escrevendo notícias sobre música. Também fazia uma coluna sobre histórias, aventuras e desventuras de personagens do mundo da música pop. Esse foi o ponto de partida.

 

Zap – Você é músico também, e há anos milita na cena indie nacional, já tendo participado de vários grupos como o ótimo Bad Folks, por exemplo. Em quais bandas toca hoje em dia? Está muito difícil viver na cena musical alternativa atualmente?

 

Cassiano – Desde o Bad Folks, muita coisa rolou. Em 2008, montei o Cassim & Barbária em Floripa, com músicos experientes do indie catarinense. Essa banda foi longe, literalmente: Fizemos duas turnês na América do Norte. Uma delas, de 11 mil KM pelo continente, tocando com bandas de todos os cantos do mundo, em festivais como o SXSW e Pop Montreal. Depois, tocamos em festivais no Brasil, na Argentina e ajudamos a estruturar um circuito indie catarinense, que acabou não se consolidando por causa das dificuldades inerentes de se morar em um país complexo como o nosso. O Cassim & Barbária lançou 3 discos, tocamos com alguns de nossos ídolos (Faust e Damo Suzuki, do Can) e fizemos muito barulho. Mas é difícil fazer isso baseado em Floripa, sobretudo depois de tudo que já fizemos no meio independente, com pouco ou nenhum retorno material, ainda que com bastante satisfação artística. Estamos voltando a ensaiar e vamos lançar disco e shows em 2018. Em 2010 fiz a trilha sonora da peça “A Vênus das Peles”. O espetáculo baseado no texto de Sascher Masosch, que deu origem ao termo “masoquismo”, pediu um som bem sombrio, o que consegui influenciado pelo Kristjoff Komeda (trilhas dos filmes do Roman Polanski, como A Dança dos Vampiros). A peça fez duas temporadas no Teatro Guairinha, de Curitiba. Em Curitiba, em 2012, montei o Cacique Revenge com a Andreza e a Babi do The Shorts, mais o Rafa Martins que tinha tocado no Copacabana Club, e o André Tobler, um punk velho da cidade muito famoso por aquelas bandas por fazer uma percussão muito estranha. Essa foi uma das melhores coisas que fiz na vida: Jorge Ben com Sonic Youth e Fela Kuti. Mas tivemos que colocar a banda na geladeira depois de gravar um EP muito legal produzido no estúdio Ouié em Floripa (onde por causa dessa gravação, o Audac gravou com o produtor americano Gordon Raphael (Strokes) – o estúdio fica literalmente em uma praia, e tem dezenas de geringonças vintage que fazem tua banda soar muito bem). O Cacique Revenge era parte de um projeto chamado Desfiles Fantastique, que montamos com a artista Lisa Simpson – amplificamos sua máquina de costura e eu manipulava o som, que se combinava com a banda, enquanto Lisa costurava roupas de modelos na corpo delas, no palco. Em Floripa fiz um som também com o inglês Rob Williams, mais o Xuxu, que tocava comigo no C&B, e Gerson, baterista do Mar de Quirino, banda lendária do sul da ilha. O nome era The Cassberts. Rob era um cara do britpop de verdade. De volta a Floripa em 2014 para um Mestrado e um Doutorado em Estudos da Tradução, gravei um disco novo com o Cassim & Barbária e montei uma banda com meu orientador italiano e meu parceiro musical ítalo-argentino (Jeronimo Gonzalez) que fazia versões alternativas para clássicos e lados B da música italiana, e gravamos até Bowie em Italiano. E agora, estou lançando o DON, que é uma espécie de som para replicantes tropicais, baseado no Tao e na fase Berlin de Bowie com Iggy. Não sei o que dizer sobre a cena indie brasileira. Acho que, salvo raras exceções, falta profissionalismo e sobra talento, mas sempre foi assim. O Brasil não é o único país onde fazer música independente é uma coisa difícil – talvez só haja mais respaldo e caminhos mais bem traçados nos países anglófonos, embora até neles, a coisa não seja nem um pouco fácil. Minha postura sempre foi a de ser um artista que usa a música como uma de suas ferramentas de expressão e construção de sentidos. Por isso, nunca quis entrar numa de vida de músico, levar banda para viver em SP e fazer circuito de casas, de imprensa, beija-mãos e tudo isso. Mas creio que se você quer crescer como artista na cena indie, tem que botar o pé na estrada e fazer toda a via crucis o tempo inteiro, e viver isso 24 horas por dia, todos os dias da semana. Poucos fazem isso. Tocar em banda de rock no Brasil virou uma espécie de futebol de fim de semana de jovens de classe média. Dos poucos que ainda curtem rock, claro. Não é à toa que os Boogarins são os Boogarins: o som é bom, mas a postura profissional e a atitude são melhor ainda. Isso falta no Brasil, e sempre faltou. As pessoas em nosso país bizarro dão muito valor à fama, à notoriedade, a fazer cena, e esquecem o conteúdo, que se consegue com ensaio, show, ensaio, show, composição, referência. Para fazer música boa você tem que ter referências, investigar sons, conhecer estéticas, bandas do estilo no qual se propõe se alicerçar. Não vejo isso acontecer. O resultado é um monte de banda soando exatamente como as bandas hype anglófonas do momento. Daí, prefiro a cena argentina, exatamente por haver lá uma ideia de se buscar originalidade a partir de referências. Basicamente, o que sempre faltou na cena indie brasileira foi profissionalismo e conhecimento estético. E humildade. O cara começa a aparecer um pouco mais, e já age como pop star. Até alguns jornalistas ligados à cena agem como reis de meia pataca – você felizmente não é um deles e nunca foi, e sua autenticidade sempre me chamou a atenção! Convivi com artistas famosos que depois de uma sessão de autógrafos recolhiam as latas de cerveja que tinham bebido e as levavam no lixo, limpavam a mesa, e falavam com todo mundo de igual pra igual. Em festivais como o SXSW, tem banda que acabou de tocar pra 500 pessoas que desce do palco e vai vender CD e falar com o público numa boa. Aqui no Brasil, só vi o Boogarins fazerem isso até hoje. Sou muito fã deles – mais da atitude do que do som, mas eles são o que as boas bandas brasileiras da cena indie deveriam ser.

 

Zap – Há espaço, na sua visão, para um livro como o seu em um mercado editorial como o brasileiro onde a crise econômica também atingiu em cheio? Há um público especifico na sua opinião para esse tipo de literatura? Foi complicado achar uma editora que se dispusesse a viabilizar o projeto?

 

Cassiano – Há espaço, mas ele é limitado, como tudo relacionado a esse universo de música. Mas isso nunca foi uma preocupação. Na verdade, fiquei surpreso pela recepção do Ouça Este Livro. Todos os tipos de pessoas estão o lendo e curtindo as playlists. E em relação à editora, foi ela quem me fez a proposta de fazê-lo e lançá-lo. O mérito é mais da Editora Barbante que meu.

 

Zap – Qual foi a tiragem do livro? E como está sendo a repercussão dele em termos midiáticos e de venda?

 

Cassiano – A tiragem é de 500 livros. Tivemos alguma repercussão nas duas cidades onde já lançamos (Curitiba e Floripa). Ele vendeu bem nos lançamentos, e agora vamos fazer algo em outras cidades também.

 

Zap – pra encerrar: cite cinco bandas ou artistas da sua vida, hehe.

 

Cassiano – Só cinco? Sacanagem. Amanhã, ela muda. Mas vamos lá:

1 – Joy Division

2 – Bob Dylan

3 – Can

4 – Buffalo Springfield

5 – Suicide

 

 

ROCK NO SESC POMPÉIA COM O FAR FROM ALASKA

Yep, lá fomos nós (estas linhas rockers bloggers e o brother, amigão e ótimo fotógrafo Jairo Lavia) conferir a gig do quinteto Far From Alaska (que é de Natal/RN mas já ficou residência em Sampa há algum tempo) na choperia do SESC Pompéia, na última quinta-feira. Noite propícia pra um show de rock: garoa e 19 graus na capital paulista (delícia!), a choperia do Pompéia é dos melhores locais para shows de Sampalândia e a dupla tinha curiosidade em assistir a banda ao vivo – o blog perdeu a apresentação deles há cerca de dois meses no festival Circadélica, em Sorocaba, porque chegamos atrasados ao local onde os grupos estavam se apresentando.

O FFA já existe há cinco anos. Gravou dois bons álbuns de estúdio (o mais recente saiu há cerca de um mês), angariou simpatia da crítica musical e da mídia rock mais alternativa (ou do que resta dela). Com isso angariou também um bom séquito de fãs – havia cerca de 300 deles lá no SESC (ok, os ingressos nas unidades da entidade possuem valores sempre bem em conta para qualquer bolso), isso numa quinta-feira de tempo feio em SP. Entre estes dezenas de garotas rockers bonitinhas e gostosonas com visual caprichado, cabelos descoloridos etc. Na ala masculina (a maioria bem pirralha ainda), muitas t-shirts de bandas e tênis nos pés. E, sim, o grupo já andou tocando nos EUA e na Europa, e por aqui em festivais grandões como o Lollapalooza BR.

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A vocalista e a tecladista do grupo Far From Alaska, em show semana passada na choperia do Sesc Pompéia, em São Paulo: em disco a banda é muito boa, mas ao vivo… (foto: Jairo Lavia)

Mas… e o som? Foi aí que o bicho pegou. O quinteto já mostrou que funciona bem em estúdio, que tem competência instrumental, peso nas músicas (se for pra definir a sonoridade do conjunto,  o blog zapper diria que se trata de uma colisão frontal entre Queens Of The Stone Age com Primal Scream, temperado com riffs de guitarras hard rock) e que seus músicos também são bons – destaque seja feito para a vocalista Emmily Barreto, que canta com um inglês PERFEITO (no sotaque e na pronúncia). Mas algo não funcionou lá no SESC, tanto que tanto este jornalista quanto Jairo saíram algo decepcionados de lá. A banda soou repetitiva ao vivo, como se estivesse tocando a mesma música seguidas vezes e dando a cada take apenas alguma variação melódica em relação a versão anterior.

A impressão que ficou foi essa: que o FFA é ok, mas looooonge de ser tudo isso que “broguis” sem noção, hypeiros e arroz-de-festa (né, Pobreload!) querem fazer crer que a turma de Natal é. Ao vivo (pelo menos foi essa a impressão que deixaram NESTA GIG) eles parecem render bem menos que em estúdio. Tanto que Jairo Lavia disparou: “a melhor coisa dessa banda é a vocalista cantando em inglês”. Com “amigos” desse naipe uma banda não precisa mesmo de inimigos, hihi.

 

 

MAIS MORTES NA CULTURA POP – LÁ SE FOI HUGH HEFNER, O HOMEM QUE DEU AO MUNDO A PLAYBOY

Yep. Todos se vão um dia (desse mundo ninguém sairá vivo, de forma alguma) e com ele não seria diferente. Também na última quinta-feira foi anunciada nos EUA a morte de Hugh Hefner. Ele mesmo, o homem que deu ao mundo uma das publicações mais revolucionárias da história da imprensa em todos os tempos, a revista Playboy. Hefner morreu na mansão onde morava há décadas, em Los Angeles, de causas naturais. Tinha 91 anos de idade.

Taí um sujeito que Zap’n’roll admirava. Devemos muito a ele. Criou uma revista de linha editorial libertária e ultra avançada para sua época (os ultra conservadores e moralistas anos 50’, ainda mais nos Estados Unidos). Uma revista que desafiou convenções, defendeu a liberdade total sexual e de expressão e, principalmente, mostrou algumas das MELHORES XOXOTAÇAS (todas nuas em pêlo) da cultura pop (atrizes, modelos, cantoras, escritoras etc.) em todos os tempos – a capa da edição inaugural da publicação, com a deusa Marilyn Monroe nela, se tornou um clássico jornalístico imbatível e eterno. Quem NUNCA bateu uma PUNHETA (ou SIRIRICA, vá lá) folheando uma edição da Playboy em seus anos adolescentes ou jovens, não soube o que era iniciação ou “educação” sexual, rsrs. O blog mesmo colecionou durante anos a edição brasileira, que também teve capas inesquecíveis – como a que trouxe aquele BOCETAÇO PELUDAÇO (amamos xoxotas peludas como florestas amazônicas, rsrs) pertencente à deusa Claudia Ohana.

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Hugh Hefner (acima, com suas “coelhinhas”), o homem que fundou a Playboy: ele soube viver a vida, e ainda deu ao mundo uma das melhores revistas da história da imprensa em todos os tempos, e em cujas páginas ficaram nuas deusas como Marilyn Monroe e a brasileira Claudia Ohana (ambas abaixo), esta última com sua BOCETA PELUDAÇA que fazia a alegria dos machos, em oposição a essa escrota ditadura estética dos tempos atuais, a que determina que moças “boas” são aquelas que mantêm suas XOXOTAS LISINHAS e depiladinhas. Caso contrário a guria é uma… porca e vagabunda, uia!

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Hugh Hefner ficou miliardário com a revista – e com justiça. Numa época em que não havia internet, nem a estupidez das redes sociais, apps e sites gratuitos de vídeos e filmes pornôs explícitos/hardcore sem conteúdo algum (apenas trepação pura e simples), a Playboy com suas xotas nuas insuperáveis e seu ótimo conteúdo editorial (as gigantescas reportagens centrais e especiais eram imperdíveis e de leitura obrigatória, quase tanto como ver os nudes femininos que cada edição trazia) salvava nossa existência do tédio cotidiano e alegrava nossos olhos nos transportando para um mundo de sonhos, de paraísos idílicos, platônicos, surreais e abstratos – e inatingíveis para a maioria de quem lia a revista. E talvez nesse fator é que justamente residia a suprema graça da Playboy.

Valeu Hugh por tornar nossas vidas, inevitavelmente medíocres em grande parte dela, muito mais divertidas ao menos quando éramos jovens. Hoje com o mundo e a raça humana miseravelmente atolados até o pescoço no conservadorismo, na boçalidade e no moralismo hipócrita dignos da idade das trevas (em plena era da web e da evolução digital máxima), talvez nem seja possível e nem haja mais espaço para sujeitos visionários e libertários como você. E nem para publicações como a Playboy.

 

AINDA SOBRE O SHOWZAÇO DO THE WHO EM SAMPA – A PROVÁVEL MELHOR GIG ROCK DO ANO NO BRASIL ANALISADA PELO OLHAR DE UM MEGA FÃ DA BANDA

O show do gigante inglês The Who (que tocou pela primeira vez no Brasil apenas este ano, mais de cinqüenta anos após o surgimento da banda na Inglaterra) já aconteceu há duas semanas em Sampa e no Rio. Mas como estas linhas online sempre defenderam e continuam defendendo, não há prazo para se comentar aqui sobre grandes discos, grandes livros, filmes e SHOWS de rock – ainda mais nessa escrota era digital da web onde todos querem atropelar a todos e publicar tudo antes de todo mundo, mesmo que isso implique em postar em sites, blogs e redes sociais um texto completamente PORCO e eivado de erros de informação e grafia.

Zap’n’roll JAMAIS vai cair nessa armadilha. Daí publicarmos nosso material aqui sem pressa alguma, no seu devido tempo. De modos que aí embaixo mostramos com satisfação as linhas que encomendamos ao nosso dileto amigo de anos, o publicitário Valdir Angeli, sobre o show que ele presenciou do Who no estádio do Palmeiras, na capital paulista. Velho fã da banda e conhecedor da obra dela como poucos, Valdir descreveu com um olhar bastante subjetivo o que presenciou na noite do último 21 de setembro. Um olhar de fã enfim – sendo que foi exatamente isso que o site zapper lhe pediu: que procurasse EVITAR um texto técnico e jornalístico.

Leiam e divirtam-se!

 

Por Valdir Angeli, especial para Zap’n’roll

 

Sabendo que eu iria estar assistindo ao vivo ao show do The Who, lá no Allianz Parque, o responsável por este blog não descansou enquanto não conseguiu a promessa de algumas impressões deste mero fã do grupo, que aqui vos está escrevendo. Aceitei a empreitada mas adianto que eu sou bastante suspeito nas minhas observações, já que essa aí é a minha banda de estimação, já há uns quarenta anos, mais ou menos. Em assim sendo eu tentarei passar a vocês, da forma mais imparcial que eu possa conseguir, como me foi solicitado, o que senti e observei durante o que foi um dos maiores momentos da minha vida.

Assistir ao The Who ao vivo, depois de uma espera de mais de quarenta anos… O que é que a gente pode dizer numa situação dessas? Pra começar, eu adianto a vocês que, até por ter acompanhado a carreira da banda desde 1968 ou 69, por aí…, no fundo estava com um certo medo de uma grande decepção. Por todas as dezenas de álbuns oficiais e piratas contendo gravações de shows de diversas fases de sua carreira, que eu andei ouvindo nos últimos anos, eu realmente estava achando que essa turnê (que pela primeira vez incluiu a América do Sul) poderia ser uma grande bola furada. Afinal, os dois membros sobreviventes da banda original já passaram dos setenta, e a idade costuma pesar…

Eu me preocupei à toa! Os caras (leia-se: o Pete Townshend e o Roger Daltrey, os dois membros originais da banda) chegaram por aqui com todo o gás, querendo provar que estão bem vivos, e que são melhores (eles sabem muito bem disso) do que a grande maioria dos pirralhos que se metem hoje em dia a fazer rock por aí. Chegaram e arrasaram! Com uma carreira de mais de cinqüenta anos nas costas, eles desfilaram em sua apresentação as maiores pérolas de um repertório (de autoria própria, diga-se de passagem) que inclui desde o iê-iê- iê (“I Can’t Explain”) ao hard rock (“Won’t Get Fooled Again”), desde as baladas (“Behind Blue Eyes”) até experimentos com música eletrônica (“Baba O’Riley”), do pop descarado (“Substitute”) ao funk (“Eminence Front”), e do psicodelismo dos sessenta (“I Can See For Miles”) até o rock progressivo (“The Rock”, um interlúdio instrumental extraído da ópera ‘Quadrophenia’, não incluído, por sinal, no set list do Rock In Rio, cuja apresentação foi eqüivocadamente dirigida a uma platéia que, seja lá por ignorância, seja lá pelo que for, estava mais interessada em ficar batendo papo ou checando seus smartphones enquanto aguardava o show de uma banda hoje completamente irrelevante, o Guns N’ Roses). Tudo bem que o Who quase não faz mais os famosos improvisos que imperavam em seus memoráveis shows dos saudosos anos setenta (vide o famoso album ‘Live At Leeds’), mas o formato altamente detalhista e exaustivamente ensaiado ao qual eles se prendem hoje é até adequado a estes anos excessivamente cínicos, frios, impessoais e tecnológicos.

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O gigante rocker inglês The Who tocando há duas semanas na capital paulista e emocionando o público que foi conferir a gig: provavelmente o MELHOR show internacional de 2017 no Brasil, desde já

 

Mas, em resumo, a conclusão à qual eu cheguei foi a de que aquilo que eu assisti lá no estádio foi não simplesmente um show de rock, mas uma verdadeira aula de História, além de um enorme “flashback” da minha vida, permeada que foi pelos discos que o grupo lançou por todos esses anos (foi impossível ser frio o suficiente para não chegar às lágrimas durante a apresentação do acima citado “The Rock”, com o telão exibindo praticamente todos os eventos relevantes – no rock e fora dele – ocorridos nos últimos cinqüenta anos, culminando com o ataque às Torres Gêmeas em New York. Arrepiante…!). Minha maior surpresa enquanto eu via lá, in loco, a coisa toda (eu me beliscava, pois ainda não acreditava estar ali na frente deles – ou, pelo menos de metade deles, dada a falta dos falecidos John Entwistle e Keith Moon, da formação original) foi constatar que Daltrey e Townshend não se limitaram a fazer uma apresentação burocrática, mas interpretaram seu vasto legado com real gosto, se emocionando (principalmente o Pete), com tesão de tocar e cantar, e com um verdadeiro prazer de estar ali… Mesmo contando com um total de seis músicos contratados para segurar a apresentação (o John Entwistle, principalmente, faz uma puta falta; seu baixo era a espinha dorsal do conjunto) , muito do pique dessa tour atual, eu creio, deve-se ao baterista – aliás, uma atração à parte por aqui, devido à sua simpatia e seu alto astral – que há algum tempo o Who achou para substituir o venerável Keith Moon. Sim, Zak Starkey tem sido nesta tour (fora os dois membros originais, é claro) a grande atração da banda, não só por ser filho do grande Ringo Starr (o baterista dos Beatles, para quem não sabe) mas, principalmente, por ser afilhado do próprio Moon, membro original da banda. O que eu vi lá no estádio me deixou boquiaberto: o moleque (Moleque? Ele já passa dos cinqüenta anos de idade) não só honrou seu pai, mas fez jus à toda a performance ao mesmo tempo anárquica e precisa do seu padrinho, ainda por cima não se limitando a simplesmente copiá-lo, mas criando uma interpretação própria, com viradas e grooves que harmonizavam maravilhosamente com o todo da execução da banda e davam a energia necessária à performance.

Mas só depois de sair do Estádio, correndo para pegar em tempo o último trem do Metrô para casa, foi que a ficha caiu: Pete e Roger, apesar dos detratores que acham que eles já deveriam ter se aposentado, ainda estão na estrada não por mera teimosia ou para ganhar uns trocados extras. É verdade que, com uma obra igual a que eles construíram nos mais de cinqüenta anos de atividade eles praticamente não tem mais nada que acrescentar à história do Rock, e nem precisam provar nada a esta altura do campeonato, mas o que eles fazem hoje é alguma coisa parecida com uma missão: não deixar o Rock And Roll morrer e, de certa forma, ensinar às novas gerações o que a Música (com “M” maiúsculo) – e o Rock em particular – já foi um dia.

Eu, humildemente, agradeço aos céus por ter estado lá.

God save The Who!

 

(Valdir Angeli, 62, é publicitário e colecionador compulsivo de discos de rock, que compra há mais de quarenta anos. É um dos maiores especialistas na obra do The Who que o blog conhece)

 

SOBRE A ONDA ULTRA REACIONÁRIA E MORALISTA AVANÇANDO COM TUDO NESSE TRISTE BANANÃO TROPICAL

Nos últimos dias tomou proporções assustadoras a onde de histeria capitaneada pelo sórdido MBL (Movimento BOSTA Livre, como estas linhas bloggers gostam de chamar jocosamente a entidade comandada pelo jovem japira reacionário de direita e tristemente conhecido como Kim COCÔ) e por parte da atual sociedade brasileira, tomada por uma gigantesca onda de neo conservadorismo moral extremo. E um dos principais difusores dessa histeria, claro, é o TRIBUNAL SUMÁRIO de julgamentos morais e comportamentais no qual se transformou o FaceCU. Uma rede social onde se VOMITA merda demais, preconceito demais e que traduz melhor do que ninguém o AVANÇO algo já bastante ASSUSTADOR dessa onda neo conservadora ao extremo na sociedade brasileira. Ou, como resumiu muito bem o gênio gigante italiano Umberto Eco, pouco antes de ele morrer: “a internet deu voz a uma LEGIÃO de IDIOTAS”.

Estas linhas bloggers de cultura pop e comportamento observa com muita tristeza essa legião de idiotas e moralistas hipócritas se manifestando. Alguns deles inclusive e infelizmente AMIGOS zappers. E fica pensando: onde isso vai parar? O assunto da semana foi/é e continua sendo a exposição no MAM SP, onde uma mãe entrou com sua filha pequena e esta “interagiu” com um modelo que estava NU (fazia parte da performance do evento) na mostra. A “interação”, no caso, se resumiu a um toque da criança na PERNA do modelo nu, que estava simulando uma estátua, mas uma estátua viva, de carne e osso.

Foi e está sendo uma GRITARIA na web (nas redes sociais variadas) por conta dessa exposição. Capitaneando a grita está o japonês total reaça e IMBECIL e sem neurônios que é o Kim Cocô, que lidera o TORPE e ESCROTO MBL (Movimento BOSTA Livre). E não para por aí: também já houve ataque reaça contra o Itaú Cultural, na avenida Paulista em Sampa. A FolhaSP informou em matéria que uma petição online (já com 81 mil assinaturas) está pedindo o FECHAMENTO do MAM – pessoas pedindo aqui o FECHAMENTO DE UM MUSEU, um espaço CULTURAL quando, em países CIVILIZADOS (como França, Inglaterra e Japão, por exemplo), esses espaços são cada vez mais ampliados e disseminados pois têm total apoio da população e do poder público? Quais serão os próximos espaços culturais a serem atingidos? O MASP? O novíssimo (e, pelo que contam, sensacional) Instituto Moreira Salles? Já não bastou o SATÃder cancelar a exposição sobre diversidade de gêneros em Porto Alegre (com obras de, pasmem, gênios da arte brasileira reconhecidos no mundo inteiro, nomes como Lygia Clark, Cândido Portinari etc.)? E também um juiz PROIBIR uma peça teatral no SESC de Jundiaí apenas porque esta retratava Jesus como sendo um transexual (sendo que felizmente o SESC conseguiu derrubar o veto jurídico através de uma Liminar e a peça voltará a ser apresentada)? Onde tudo isso vai parar assim???

A exposição do MAM tinha aviso na entrada, deixando BEM CLARO que haveria NUDES lá dentro. Ou seja: na nossa opinião, VAI QUEM QUER (e ainda mais se estiver acompanhado/a de CRIANÇAS). Quem não quer ou se sente incomodado não entra, simples. É a forma mais JUSTA e DEMOCRÁTICA de se lidar com a questão. Toda forma de CENSURA é PÉSSIMA, ainda mais quando essa censura se volta contra a produção e manifestações artísticas em geral. Isso remete aos tempos mais HORRENDOS da história recente do Brasil, o período negro da ditadura militar e onde músicas, livros, discos, filmes e peças de teatro eram censuradas aos borbotões, e gigantes da nossa música como Gilberto Gil e Caetano Veloso tiveram que se exilar fora do país. De modos que qualquer pessoa com o mínimo de bom senso não quer isso NUNCA MAIS por aqui.

O autor destas linhas virtuais está lançando seu primeiro livro, “Escadaria para o inferno”, daqui a um mês. Ele está REPLETO de estórias de sexo, drogas, putarias, rocknroll, loucuras variadas. Será que vamos ter que colocar uma tarja nele com a recomendação de que sua leitura é DESACONSELHÁVEL para menores de 18 anos?

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Garota menor de idade interage com modelo vivo nu (acima) em performance puramente artística no MAM SP, semana passada (e sem nenhum traço de erotização no evento); abaixo a tropa reacionária de evangélicos fundamentalistas da extrema direita boçal que está ganhando cada vez mais espaço na sociedade brasileira mostra suas garras IMUNDAS, atacando a performance e o MAM. Está na hora de REAGIRMOS contra esse moralismo, preconceito e intolerância total bestial e babaca, certo?

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A Constituição brasileira (que, de resto, vive sendo RASGADA por todo mundo hoje em dia, do poder Executivo ao Judiciário, passando pelo Legislativo) de 1988, EXTINGUIU a censura no país, é bom que se saiba disso. Então qualquer forma de censura a qualquer manifestação artística já se configura como uma AFRONTA à carta magna do Brasil. Mas os neo conservadores (que entendem tanto de arte quanto este blog da vida sexual dos marcianos) estão se lixando pra isso, não é? Querem mesmo é tocar o terror moralista da idade das trevas adiante, como se todos aqui quisessem e precisassem viver novamente em pleno século XI, na Idade Média, onde bruxas eram QUEIMADAS VIVAS em público apenas por serem… bruxas.

O país está ficando tenso demais, perigoso demais, assustadoramente conservador demais. E o Brasil não era assim há 30 anos, nem de longe. E enquanto se grita aqui contra obras de arte, exposições etc, a exploração sexual infantil (isso sim algo deplorável e a ser combatido) corre solta e aumenta cada dia mais no país todo. A violência contra a mulher e a nação LGBT também aumenta cada dia mais pelo país afora. Idem a violência contra jovens pobres e negros. E não vemos NENHUM (vamos repetir: NENHUM) militante de direita reacionária ou evangélico fundamentalista ou a turma do MBL gritar ou protestar contra essas barbáries todas já tão institucionalizadas na raiz da cada vez mais bestial e boçal sociedade brasileira. Não é à toa que João Escória ganhou eleição em São Paulo, assim como o “bispo” Crivella se tornou prefeito do Rio. E é total sintomático e compreensível que um MONSTRO, OGRO e DONTE MENTAL TOTAL (em seu conservadorismo, machismo e moralismo extremo) como Jair BolsoNAZI esteja em segundo lugar nas intenções de voto para presidente em 2018, e que seja recebido aos gritos (como já foi visto em vídeos no YouTube) de “BolsoMITO” em vários locais por onde passa.

Pobre Brasil… que TRISTEZA temos (e vergonha também) desse país e da sua população, em pleno 2017, em plena era digital. Tempos muito sombrios se anunciam por aqui. Tempos de NAZISMO e FASCISMO social. E todo mundo sabe no que deu o nazismo na Alemanha, o fascismo na Itália e, apenas para ser mais contemporâneo, o que está dando o ESTADO ISLÂMICO no Oriente Médio atual. Não preciso dizer mais nada, certo? Portanto que a sociedade progressista e que ainda possui apreço pela liberdade de expressão RESISTA com toda a sua força possível a esse ataque brutal do neo conservadorismo e do moralismo hipócrita em território brasileiro. Caso contrário iremos mesmo direto para o fundo do poço, com uma possível ditadura MILITAR (e ainda por cima CRISTÃ) novamente ameaçando tomar o poder no país.

FORA REAÇAS E CARETAS! Zap’n’roll deseja apenas que vocês se calem e fiquem para sempre confinados em sua enorme e triste ignorância cultural, mental e existencial. E que deixe quem não quer participar dela em paz. Simples assim.

 

“Não viemos ao mundo para manifestar nossos PRECONCEITOS MORAIS”.

(Oscar Wilde/”O retrato de Dorian Gray”)

 

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FIM DE FESTA, UFA!

Maior mega post das últimas semanas hein! Leitura para vocês degustarem pelas próximas semanas sem parar, hihihi.

Mas tudo precisa acabar uma hora, não? Então paramos por aqui (finalmente, rsrs), mas prometendo voltar com novo post em breve, okays?

Até mais entonces!

 

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 6/10/2017 às 21:15hs.)