AMPLIAÇÃO FINAL!!! Informando em primeira mão sobre o festão de 40 anos do selo Baratos Afins, analisando (mais uma vez) a morte do rock no Brasil e no mundo, mostrando quem já comprou o livro “Esacadaria para o inferno” e dando um “aperitivo” da nossa próxima musa rocker, uhú! – Hollas 2018, que começou mais SINISTRO do que nunca no fodido, falido e triste bananão tropical não abençoado por NENHUM deus e amaldiçoado por todos os DEMÔNIOS imagináveis; mesmo assim (com Lula condenado em segunda instância e com a nação pato/coxa otária se fodendo cada vez mais e ainda assim gostando de se foder ao máximo) cá estamos, sobrevivendo como possível e chegando aos quinze anos de blogagem rock alternativa e de cultura pop na web BR. Mas Agora vai!!! Postão novão e inaugural deste ano chega chegando agora e vem fervendo, com programação normal e NADICA de carnaval na véspera do reinado de Momo, ulha! Nossa primeira publicação de 2018 traz sim uma entrevista EXCLUSIVA com um gênio do rockabilly americano, o Reverendo Horton Heat (e que poderá fazer shows no Brasil ainda este ano); mais: a morte de um nome lendário do rock alternativo inglês dos anos 90 desperta saudade e ótimas lembranças em um músico indie brazuca; uma entrevista bacanuda com uma das bandas mais importantes da cena rocker goiana há mais de duas décadas e mais isso e aquilo tudo em mais um ano de atividade zapper, que começa aqui e agora! (postão COMPLETÃO e total finalizado em 16/2/2018)

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São tempos mega sombrios e sinistros para a cultura pop em geral e para o rockroll em particular, que resiste como pode à sua precoce quase extinção como gênero musical que mobiliza as massas mundo afora; um dos que resistem é o trio rockabilly americano Reverend Horton Heat (acima), com quem o blog bateu um papo exclusivo e onde o grupo avisa que poderá tocar no Brasil ainda este ano; e outro que resistiu por mais de quarenta anos foi o inglês Mark E. Smith (abaixo), ex-líder do The Fall e que infelizmente morreu em janeiro passado, sendo que o blog zapper relembra sua trajetória neste post

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MAIS MICROFONIA!

***Os 40 anos do selo Baratos Afins – E já que estamos em clima total rocker nesse post, vamos dar a notícia em primeira mão: o mini festival que vai comemorar os 40 anos da loja/selo Baratos Afins, fundada pelo queridão e gênio Luiz Calanca em 1978, acontece de 10 a 13 de maio na chopperia do SESC Pompéia SP. Serão quatro noites de shows com diversas bandas que já passaram pelo selo. Entre elas o sensacional Kafka, quarteto pós-punk paulistano de ambiências ultra sombrias e que gravou apenas dois álbuns pela Baratos antes de encerrar atividades. Calanca sempre diz que se trata de um dos grupos que ele mais gostou de gravar, dentre as centenas de nomes que lançou. Concordamos com ele: “Musikanervosa”, o disco de estreia do conjunto, lançado em 1987, é uma pequena obra prima e que hoje se tornou um clássico cult e obscuro do rock paulistano dos anos 80`. O blog teve o disco em vinil e “Tribos da noite” (que abre o LP) é magnífica e nos transporta para as ruas cobertas de fog de Londres nos idos de 1983/85. Quem dançou na época nos porões escuros do Madame Satã e, um pouco depois, também no Retrô, conhece muito bem o Kafka e jamais esquece a sonoridade dark deles. Um show pra não se perder, ainda mais que será a primeira reunião da formação original da banda em quase 30 anos (!!!)

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O grupo goth paulistano Kafka, tocando ao vivo nos anos 80: atração do festival que vai marcar os 40 anos do selo Baratos Afins

 

***Reunião de LENDAS do rock BR ontem (quinta-feira em si) – yep, trinca poderosa na imagem abaixo: Zapnroll ao lado do produtor Luiz Calanca e do batera Rolando Castelo Jr, que fundou a seminal Patrulha Do Espaço ao lado do eterno “loki” Arnaldo Baptista. Sendo que Jr. também aproveitou pra comprar seu exemplar de “Escadaria para o inferno”, wow!

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop em discos, shows, filmes, livros etc.)

 

***Entonces, cá estamos de volta, e na véspera do início de mais um carnaval no bananão tropical falido e fodido. Yep, já era pra Zap versão 2018 ter surgido mas como sempre ocorrem imprevistos aqui e ali (o último deles, esta semana, foi uma gripe cavalar que literalmente derrubou o autor deste espaço rocker virtual), a reestreia zapper acabou atrasando um pouco. Mas enfim vamos que vamos antes que o maldito “carnival” comece, uia!

 

***E nada mudou muito do final do ano passado pra cá. O país continua na imundície e falência total, com o quadrilhão do MDBosta movendo mundos e fundos pra continuar ROUBANDO tudo o que pode enquanto está no Poder, o Judiciário CONIVENTE dando um jeito de impedir a qualquer custo a candidatura de Lula nas eleições presidenciais deste ano (pois sabe que o barba entrar na disputa, ganha de BARBADA a mesma), o país sem Ministro do Trabalho há um mês já e por aí vai… enquanto isso a nação pato/coxa espera feliz e imbecilizada a chegada da semana momesca. E quando tudo acabar e a quarta-feira de cinzas chegar (com botijão de gás a quase 100 pilas, e litro de gasolina a quase 5 mangos), a choradeira como sempre continuará sendo geral.

 

***O blog zapper nem vai viajar e fica em Sampa neste carnaval. Primeiro por falta de Money. Segundo porque tem muita parada cultural bacana pra se ver aqui pelos próximos dias. Uma delas é a exposição em torno da obra do gênio Jean Michel Basquiat, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil e cujas infos você pode ver aqui: https://www.terra.com.br/diversao/guiadasemana/jean-michel-basquiat-ganha-mega-exposicao-no-ccbb-com-retrospectiva-inedita-saiba-mais,a32db72921f96c2e0917b95b5b17b0ae85c4pmgs.html. E aqui também: http://culturabancodobrasil.com.br/portal/jean-michel-basquiat-obras-da-colecao-mugrabi/.

 

***Que mais? Okays, tudo bem, a partir de hoje só se fala em carnaval na porra do bananão que na real gosta mesmo é disso. E sobra ainda ALGUM ESPAÇO pro rock? Sobra. Tanto que hoje estão saindo oficialmente lá fora os novos álbuns do já veterano Franz Ferdinand (“Always Ascending”) e do MGMT (você se lembra deles?), que vem com “Little Dark Age”. Estas linhas online ainda não escutaram nenhum dos dois e provavelmente vá aproveitar o feriadão momesco gigante pra fazer as audições. Por enquanto disponibilizamos ambos os CDs para audição na íntegra aí embaixo, para que nosso dileto leitorado tire suas próprias conclusões. E se acharmos que vale a pena, iremos resenhar os dois por aqui assim que for possível, beleusma?

 

***E yep, o primeiro livro do autor deste espaço rocker online que segue firme e forte há década e meia na blogosfera BR de cultura pop, “Escadaria para o inferno”, segue vendendo bem e ganha seu primeiro festão de lançamento fora de Sampa. Vai rolar logo após o carnaval no Rio De Janeiro onde estaremos no sábado, 17 de fevereiro, para participar da festa “Bauhaus” (organizada pelos chapas cariocas Kleber Tuma e Wilson Power), onde iremos autografar exemplares do livro fináttico. Quem estiver no balneário no finde pós-Momo está convidado desde já a comparecer, sendo que todas as infos da baladona rock/goth você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/185497448876480/. E aqui também: https://www.facebook.com/events/317273378785958/.

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***Tocando o postão em frente, que já temos muito e um ótimo material para publicar. Mas mais notas poderão entrar aqui ao longo do carnaSHIT ou logo após o fim da folia, se algo de fato relevante acontecer até lá. Bora então que já aí embaixo o blog zapper bate um papo exclusivo com uma lenda do rockabilly americano, o Reverend Horton Heat.

 

LENDA DO ROCKABILLY AMERICANO, REVEREND HORTON HEAT FALA AO BLOG E AVISA QUE PODERÁ TOCAR AINDA ESTE ANO NO BRASIL

Felipe “Nally” Almeida, da Flórida/EUA, especial para Zapnroll

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O músico americano Jim Horton Heat: a banda rockabilly poderá tocar no Brasil ainda este ano

Considerados uma das maiores bandas do rockabilly/psychobilly americano e mundail, os texanos do Reverend Horton Heat se apresentaram no House Of Blues, em Orlando-Florida, poucos dias antes do natal do ano passado. E quem ganhou o presente, ainda que com algum atraso, foram os leitores da ZapNRoll. Em uma rápida, porem bem humorada entrevista concedida no camarim horas antes do show Jim Heath, o “Reverendo” e lider da banda, falou sobre o processo de gravação do último álbum da banda, ‘Rev” (que saiu em 2014 e é o décimo primeiro disco de estúdio do trio em mais de três décadas de atividades), a evolução da banda durante 30 anos de carreira, e sobre as diferenças entre Psychobilly e Rockabilly, a cena pop Americana e sobre possíveis shows no Brasil.

 

Zapnroll – Jim, muito obrigado por atender a Zap n Roll. Como foi o processo de gravação de “Rev”, o ultimo trabalho da banda, lançado em 2014 pelo selo Victory Records?

 

Jim “Reverend Horton Heat” – O album foi gravado inteiramente em Dallas, no Texas. Utilizamos dois estúdios, e o processo de gravação foi muito  tranquilo. Alem de ter escrito as musicas, também produzi e mixei o disco. A sonoridade pode ser considerada mais RockNRoll que os anteriores e ficamos muito felizes do modo que ele foi concebido.

 

Zap – Como foi a receptividade do álbum pela cena Rockabilly/Psychobilly?

 

Jim – A receptividade tem sido ótima! “Smell of Gasoline”, a segunda faixa do álbum, tocou muito nas rádios americanas, e a faixa ” Let Me Show You How To Eat”, foi usada para um comercial de televisão da Rede Subway, expondo a banda para milhares de pessoas. e atingindo o publico mainstream. A turnê do álbum continua firme e forte.

 

Zap – A banda já tem 30 anos de existência, e o que você acha que mudou principalmente desde o primeiro album “Smoke Them If You Got Em”, de 1990 para o “Rev”?

 

Jim – Bom, hoje nós temos 11 discos lançados, então posso dizer que experimentamos muito durante os anos, algumas pessoas nos associam ao Psychobilly, porque anos atrás “Psychobilly Freakout” estourou mas penso que sejamos mais próximos ao Rockabilly ou Bluesy Country Rockabilly. Navegamos na onda Psychobilly, mas acredito que bandas europeias como The Meteors, Batmobile, Demented Are Go e Guana Bats são a essencia do Pychobilly.

 

Zap – Há pouco você mencionou que uma musica do novo álbum foi usada para um comercial de televisão de uma Rede de Fast Food e que o público mainstream foi exposto ao som da banda. Você acompanha a cena pop Americana?

 

Jim – Sinceramente, não! Minha filha é mais interada, talvez eu reconheça algum trecho de musicas da Kate Perry, por exemplo, consiga relacionar a musica com a pessoa mas não acompanho a cena pop. Continuo ouvindo muito The WildTones, Bloodshot Bill, Big Sandy, e Deke Dickerson. Em relação a artistas recentes gosto de uma cantora country chamada Kacey Musgrave e de um cantor e compositor chamado JD McPherson. Também acho legal a pegada dos caras do Greta Van Fleet, com muita influência de Led Zeppelin e Blues Rock.  Muito legal as bandas estarem resgatando a sonoridade dos anos 60 e 70, essa oxigenação é importante.

 

Zap – Jim, vamos finalizar a entrevista e gostaríamos que você mandasse uma mensagem para os fãs brasileiros, que são muitos e pedem demais a banda no pais.

 

Jim – Muito obrigado aos fãs do Brasil, sei que estamos em dívida com vocês. As turnês agora se concentram mais na América do Norte porque a familia do Jimbo e a minha demandam muito mais tempo que antes. Já não viajamos tanto para Europa e vamos a Austrália a cada 3 ou 4 anos, em média. Nossos amigos sempre nos dizem que o público brasileiro é muito acolhedor. Quem sabe 2018 não seja o ano que a banda irá desembarcar no país, está mais do que na hora! (risos)

 

 

E 2018 COMEÇOU COM O INDIE ROCK INGLÊS PERDENDO UM DE SEUS GÊNIOS

Nesses tempos sombrios e de cultura pop quase total decadente ou em crise, e onde o rock planetário está desaparecendo aos poucos (logo menos ele estará presente apenas nos museus musicais e na memória dos fãs), quase ninguém mais lembra ou sequer sabe quem foi Mark E. Smith. Pois o músico, cantor, letrista e compositor nascido em Manchester (o lendário e grande santuário do rock gigante inglês que importou nos anos 80, a cidade que deu ao mundo nomes imortais como Smiths, Joy Division e New Order) liderou por mais de quatro décadas (de 1976 até o começo deste ano) o The Fall, um dos grupos mais expressivos e representativos da cena rocker formada na cidade e que impactou toda a cultura rock britânica de então. Ao longo desses mais de quarenta anos de existência o Fall lançou mais de trinta discos de estúdio (e outra batelada de registros ao vivo). Alguns, como “Bend Sinister” (editado em 1986 e que saiu um ano depois no Brasil, sendo naquela época resenhado por este Finaski na finada revista Somtrês, quando ainda éramos um jovem jornalista musical em início de carreira na imprensa), são hoje tratados como obras clássicas do pós-punk inglês.

Infelizmente o Fall chegou ao fim porque Smtih morreu em 24 de janeiro passado, aos sessenta anos de idade. Fumante compulsivo, ele enfrentava problemas respiratórios sérios há meses já. E enfim nos deixou no começo deste ano, abrindo mais uma lacuna difícil de preencher num gênero musical – o rock – que parece cada vez mais próximo da extinção.

Estas linhas bloggers não poderiam deixar de prestar sua homenagem a Mark. E o faz agora publicando abaixo este texto sobre o músico, escrito pelo escritor e músico Cassiano Fagundes, dileto amigo zapper e que sempre foi fã declarado da obra do Fall. No mais, rip Mark. Um dia a gente se encontra por aí.

 

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O inglês The Fall, no auge da carreira, no final dos anos 80: um dos grandes nomes do rock de Manchester em todos os tempos

 

Cassiano Fagundes, especial para Zapnroll

Vi o The Fall ao vivo duas vezes: em 1989, no Canecão, no Rio; e em 1999, em NYC, aquela cidade lá no grande norte do supercontinente. O show do Rio marcou minha vida. Eu tinha apenas 16 anos, e estava com o meu primo, o Guilherme, meu companheiro de sons até hoje. O show do Rio mudou minha vida.

Por que? Primeiro, porque a plateia ficava sentada em mesas compridas, dividindo-as com estranhos. E quem sentou conosco? LULU SANTOS. Lá pela terceira canção, ele se levantou e foi embora. Na cabeça de um piá de 16 anos, aquilo significou: “que babaca, que careta do cacete, que bostalhão”. Talvez ele estivesse com dor de dente. Talvez tivesse lembrado de fazer uma ligação urgente e saiu procurando o orelhão mais próximo. Ou talvez tenha sido atingido por uma ideia fulminante de canção, e teve que encontrar o violão mais próximo para compô-la. O lance é que isso ficou em mim como algo não muito legal.

Segundo, porque Mark E. Smith estava particularmente inspirado naquela noite. Não fazia muito tempo que seu casamento com Brix (por quem eu tinha um desejo adolescente muito fértil) tinha terminado. Eu e meu primo chegamos a achar que vimos em determinado momento meia lágrima escorrer de seu rosto.

Terceiro porque foi ali que entendi que músico é uma coisa, e artista é outra um pouquinho ou muito diferente, e para mim, bem preferível. No Canecão, nasceu em mim a ideia de que artistas que se servem da música de uma forma pervertida para criar seus esquemas são os únicos dignos de nota, o resto é reprodutor de fórmula, por melhor que sejam (tipo aquele cara que deixou o show cedo demais). Sem menosprezar os galináceos, digo que até galo depenado canta bem (parafraseando um senhor iluminado que me disse isso, e de quem nunca esquecerei), mas prefiro a elocução que se tornou uma gema da língua inglesa falada, que é a de Smith em canções como “Wrong Place, Right Time” ou “Frenz”, que tem sussurros de Brix, a responsável por tornar o som do Fall mais “palatável” para os ouvidos mais sensíveis do além-mar estadunidense e de quebra, brasilianos.

Se o Ruy Castro não curte Bob Dylan, ele certamente não gostaria do canto descantado e declamante de Mark E. Smith. Não vou xingar o Ruy Castro por isso, ele é um gigante, e talvez não tenha uma ligação suficientemente íntima com as línguas germânicas para entender seus arranjos estéticos (se bem que nem precisaria de muito conhecimento, né? É só curtir a onda, como eu mesmo faço, na maior parte do tempo). E nem vou xingar o Lulu Santos, que, bem ou mal, compôs algumas das canções mais memoráveis da música popular. Já essa gente que reproduz sem nenhuma vergonha a estrutura escravagista luso-brasileira do século 16, sem se dar conta que está na senzala, junto com os famintos e bem longe da Casa-Grande, eu faço questão de dizer: FODAM-SE!!!

Ah, claro: o show de 99 em Noviorque foi aquilo que John Peel dizia sobre o Fall: Sempre igual, sempre diferente.

Vale terminar esse texto dizendo que Mark E. Smith era da classe trabalhadora inglesa, assim como a maioria esmagadora dos bastiões de sua geração, que compreende o punk e o chamado pós-punk. Gente revoltada com o neo-liberalismo desumano de Thatcher e Reagan por princípio e por questão de sobrevivência, que acharia muito estranho alguém gostar de música popular e ser contra os movimentos sociais e o movimento trabalhista. Nos últimos anos, Smith disse besteiras contra imigrantes e refugiados – ele andava irremediavelmente bêbado, Mas também disse coisas como: “”O problema da indústria musical é que ela se tornou muito burguesa. Um negócio da classe-média , como a policia”.

 

 

HÁ 20 ANOS FAZENDO BARULHO NO INDIE ROCK GOIANO, OS MECHANICS COMEÇAM 2018 COM NOVO SINGLE E FAZENDO COMO SEMPRE: NADANDO CONTRA A MARÉ

Você, jovem e dileto leitor zapper (ainda teremos nós jovens e diletos leitores, e será que eles ainda são fãs dessa arte musical quase extinta, chamada rocknroll?), provavelmente nunca ouviu falar do grupo Mechanics. Pois a banda, nascida no underground rocker goiano (a capital do Estado de Goiás e berço das maiores duplas SERTANOJAS do país) há cerca de 20 anos, resiste ao tempo e ao “fracasso” existencial e musical de sua trajetória. Liderado desde o início pelo vocalista e letrista Márcio Jr, o Mechanics foi o primeiro grupo a ter disco lançado pelo célebre e heroico selo Monstro Discos, o mesmo que realiza também há mais de duas décadas o Goiânia Noise, até hoje um dos festivais independentes mais importantes dentro do que resta na cena rock brasileira.

Pois o conjunto segue resistindo ao tempo. E começou 2018 nadando contra a corrente (como sempre). Em um país onde o rock também está indo pra casa do caralho e onde pavores musicais como funk podrão, axé e feminejas estão dominando o mercado musical e mobilizando milhões de fãs e ouvintes (estúpidos e boçais, vale exarar), os Mechanics resistem como podem e inclusive acabam de colocar um novo single para audição nas plataformas digitais. Por isso mesmo fomos atrás de dom Márcio Jr, o homem na linha de frente da banda, para que ele contasse em detalhes o que é o novo lançamento e como anda uma das instituições do rock alternativo de Goiânia rock city. Com sólida formação cultural e intelectual Marcinho deu a ótima entrevista que você confere aí embaixo.

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Os goianos do Mechanics: há 20 anos fazendo rock barulhento em plena terra dos sertanojos

 

Zapnroll – “Fracasso” é o nome do novo single dos Mechanics, banda já lendária da cena indie goiana. Saiu em edição limitadíssima em compacto de vinil há 4 anos e agora foi disponibilizada também nas plataformas virtuais. A banda encara o fracasso artístico e comercial de uma forma, digamos, estética e musical/autoral, ou ele – o fracasso – permeia de fato a trajetória do grupo e se tornou uma espécie de dádiva para vocês?

 

Márcio Jr. – Bom, primeiro vamos acertar as datas aqui. Em outubro de 2014 passamos 03 dias nebulosos em Pirenópolis, cidade turística do interior goiano onde, na época, estava sediado o RockLab, estúdio do grande Gustavo Vezquez – que já produziu, Macaco Bong, Patrulha do Espaço e Black Drawing Chalks. Gravamos 3 músicas ali, sendo que duas delas só viram a luz do dia no compacto lançado ano passado pela Lombra Records. A Lombra é um empreendimento fonográfico do meu grande chapa, escritor, roteirista de HQs e maluco de carteirinha, Biu. Ele tem uma máquina de riscar vinis. Ou seja, produz bolachas em tiragens limitadíssimas como se fossem gravuras. Aí tive a ideia de lançar Fracasso (lado A) e Vietnamérica (lado B ) neste formato. Só que a capa foi feita em xilografia, um zine acompanhava o disco e por aí vai. A ideia é que fosse uma espécie de gravura sonora, peça de colecionador, fritações Andy Warholianas. Este ano resolvemos lançar o single nas plataformas digitais pela Monstro Discos – gravadora que ajudei a fundar e que nasceu 20 anos atrás tendo como peça de estreia justamente um 7 polegadas do Mechanics. Ou seja, 20 anos nessa lama.

 

Zap – Viver perenemente em “fracasso” artístico conferiu no final das contas e na sua opinião, uma credibilidade musical aos Mechanics que talvez inexista em grande parte do rock atual, mesmo na chamada cena alternativa?

 

Márcio – A ideia de Fracasso nasce de um conjunto de questões que são sintomáticas não só no rock, mas no momento em que estamos vivendo. Penso no fracasso como a antítese do sucesso. E o que significa sucesso, hoje?

 

Zap – sim, o que seria sucesso, afinal? Vender milhões de discos (sendo que isso não existe mais, para ninguém) ou obter milhões de audições/visualizações em plataformas virtuais, produzindo música sem estofo artístico algum? Partindo dessa premissa, talvez Mechanics seja uma das bandas mais “fracassadas” da indie scene nacional, não? E no entanto, uma das que possui mais respeitabilidade em termos musicais, certo?

 

Marcio – A letra se esboçou pra mim numa entrevista do saudoso Darcy Ribeiro. Em dado momento, perguntaram a ele se ele se considerava um homem de sucesso ou algo assim. E ele respondeu que tudo que fez ao longo de sua vida resultou em fracasso. Ele quis criar um Universidade espetacular a aberta ao povo brasileiro (a UnB) e fracassou. Ele lutou pela questão indígena e fracassou. Ele passou a vida na defesa do povo brasileiro e também fracassou. Por outro lado, esse fracasso era sua derradeira vitória. Afinal, se ele fracassou, significa que seus opositores venceram. E se tornar um deles teria sido a única derrota, o único fracasso possível. Penso no Mechanics por um prisma semelhante. A banda existe desde 1994. Sem modéstia alguma, somos a pedra fundamental da cena que se formou em Goiânia, tanto do ponto de vista de alavancar esta cena, quanto do ponto de vista estético. Aquilo que se convencionou chamar de rock goiano traz o Mechanics em seu DNA. E estarmos aí, após tanto tempo, fazendo única e exclusivamente o que consideramos relevante, isso pra mim é fracasso. Ou sucesso. Acredito que o rock atravessa uma crise em escala mundial – mas que tem um acento bem forte aqui no Brasil. Isso deriva de vários fatores. Mas tem alguns que eu sempre gosto de levantar. O primeiro deles é a dificuldade de se estabelecer um canal de comunicação com as gerações mais jovens. Mas não penso que a responsabilidade seja exclusiva do rock. Penso que a letargia do público, via redes sociais e facilidades letárgicas da vida contemporânea acabaram por subtrair da molecada o senso de perigo que a conduzia ao rock. Se tudo está ao alcance de um clique, se rebelar contra o quê? Sempre acreditei que o rock exigisse uma dose de transgressão e de perigo. Isso praticamente sumiu do mapa. Não existe rock a favor. Portanto, são tempos obscuros. O que me faz ter mais certeza dos caminhos do Mechanics. Não tenho interesse em tronar absolutamente nada palatável para ninguém. Tudo que interessa é criar coisas que me deixem desconfortavelmente instigado. Fazer música que siga na contracorrente. Realizar shows que sejam experiências únicas e viscerais para quem está presente. E, principalmente, para mim mesmo. O resto não faz muito sentido, hoje, pra mim. Penso que temos um certo grau de respeitabilidade, sim. Mas o respeito que me interessa acima de tudo é o meu próprio. Não é que eu faça música só pra mim, entende? Mas o que me move de fato é olhar pras coisas que produzi e sentir que tudo aquilo é íntegro.

 

Zap – Ótima resposta e ótimas colocações. Aproveitando e para quem não conhece ou nunca ouviu falar dos Mechanics, dê um resumo rápido da trajetória do grupo, seu estilo musical, influências, um momento marcante na trajetória da banda nessas suas duas décadas de existência etc. Qual a formação atual e há quanto tempo ela está junta? O conjunto segue fazendo shows?

 

Marcio – Ficar muito tempo na estrada te dá uma certa perspectiva. Quantas e quantas bandas eu vi começar acabar? Quantas não se iludiram com alguma perspectiva de sucesso? Seguir adiante é só o que me interessa. O Mechanics é uma banda que surgiu em Goiânia em 1994, influenciada por coisas como cinema B, literatura beat, quadrinhos, pornografia, ultraviolência. Musicalmente, bebemos na fonte dos Stooges e quetais. Melvins, Butthole Surfers, Jesus Lizard, Mudhoney… Todas estas coisas sempre estiveram presentes. Mas sempre houve uma influência de artistas mutantes como David Bowie, pela abordagem de estar sempre se deslocando em relação a uma suposta expectativa do público. Fomos a banda que inaugurou a Monstro Discos e a única que tocou em absolutamente todas as 23 edições do Goiânia Noise Festival. Tem um trabalho do qual me orgulho muito: o Music for Anthropomorphics, uma espécie de álbum/graphic novel, que desenvolvemos junto ao genial quadrinista e artista plástico Fabio Zimbres. Um disco que vinha acompanhado de um livro em quadrinhos gestado conjuntamente com o Zimbres. Isso foi parte do meu Mestrado em Comunicação na UnB que acabou gerando o livro teórico COMICZZZT!, que lancei em 2015. Este mesmo projeto gerou uma exposição e agora em 2018 dará origem a um curta-metragem em animação que dirijo ao lado da minha mulher, Márcia Deretti. O livro/disco foi republicado ano passado na Colômbia e terá nova edição no Brasil este ano. Portugal e França estão nessa fila também. É um trabalho que vem se desenvolvendo e se desdobrando há mais de uma década. Depois de mais de dez anos onde estabelecemos um certo padrão no rock goiano – bandas barulhentas, baseadas em guitarras e cantando em inglês – foi a vez de partirmos para um trabalho em Português, o 12 Arcanos, que foi super bem recebido.

 

Zap – Wow, sensacional e isso mostra que a banda está mais ativa do que nunca. O que nos leva a outra questão: como está o rock BR atual? Faça uma análise detalhada se possível, na sua opinião, de como está a cena, tanto a independente como o que resta do mainstream.

 

Marcio – Fizemos vários shows desse disco, muitos deles com a presença do Grupo empreZa, coletivo de artes performáticas daqui, reconhecidos como um dos mais importantes do país. Já tiveram, inclusive, projetos com a deusa da performance mundial Marina Abramovic. Já compusemos trilha sonora para documentários, fizemos shows e disco acústico – ou quase isso – e por aí vai. A hibridação de linguagens é algo que sempre este na raiz da banda. Da formação original, eu e o baixista Little John. O Katú está na guitarra há mais de dez anos. Ricardo Darin, também guitarra – e eventualmente baixo – há bastante tempo também. E temos dois bateristas, Pedro Henrique e Junão Cananéia. Ou seja, temos shows diferentes para cada ocasião. Quanto ao rock, ele sobrevive no underground, nos esgotos da cultura contemporânea. É lá que ele é honesto e fracassado. Do ponto de vista mainstream, praticamente foi varrido do mapa. No Brasil, o público está completamente alheio ao rock. No resto do mundo não é muito diferente. Penso que tenha a ver com aquela bundamolice do público da qual falamos há pouco. Não há mainstream. Chegamos ao ponto em que pega mal pro jovem dizer que gosta de rock. A coisa migrou pra uma caretice e imbecilidade deslavadas, inacreditáveis. Os artistas que catalisam algum senso de transgressão até conseguem aglutinar o público. Mas por qualquer fator que não seja a música.Acho que estamos vivendo um fenômeno sui generis – que eu tenho chamado de pós-música. O que vale para o artista é sua agenda, seu discurso, sua relação com grupos identitários. A música tornou-se irrelevante. Penso que isso ajude a explicar fenômenos como Pablo Vittar. Ele é um agente muito importante hoje. Mas ninguém parece se filiar a ele pela música. Do mesmo modo acontece com festivais e eventos. Naqueles que têm grande público, parece que o que menos interessa é a música. O Rock in Rio ilustra isso de forma explícita. Mas não só ele. Mesmo festivais outrora orientados para a vanguarda musical no Brasil, agora vivem de pesquisa para saber o que leva ou não público – que por sua vez se vincula ao hype e às agendas dos artistas, quase nunca ao seu trabalho musical. A coisa voltou pra um universo pequeno, alternativo, underground. Fracassado, em última instância. Mas é por isso mesmo que a resistência é necessária. Olha só, Finatti. Você mesmo é um exemplo disso. Depois que a Monstro lançou o novo single do Mechanics, ele foi notícia em diversos veículos principalmente os virtuais. Mas a esmagadora maioria se ocupou exclusivamente de reproduzir um press release. Quando pensamos que a cena rock fosse chegar a este ponto? Você, por outro lado, ainda acredita na importância do debate, do trampo de fazer uma entrevista, fazer as ideias circularem. Isso, mais que nunca, é necessário. Isso é que eu entendo por Rock. O resto é só sucesso. E sucesso é para os fracos.

Zap – Mais uma resposta sensacional, hehehe. Sendo que já temos um ótimo material e podemos encerrar o papo com a seguinte questão e aproveitando o “gancho” de tudo o que você expôs acima: como uma gravadora como a Monstro, eminentemente independente, consegue sobreviver durante mais de duas décadas nesse cenário sinistro que você descreveu e no qual o rock e a música atual estão vivendo? Como ela também consegue manter um festival como o Goiânia Noise? Afinal vocês tiveram um ex-sócio que pulou fora (ou foi “pulado”, rsrs) da gravadora e do festival justamente porque ele se importava, ao que parece, apenas com a questão MERCANTILISTA do negócio, e utilizando de esquemas nada abonadores se tornou uma espécie de “reizinho” pançudo da cena rock goiana, fazendo um outro festival que hoje desfruta de relativo sucesso de público e mídia (principalmente entre certos blogs “pobreloaders”, rsrs, que o consideram como a grande eminência da cena rocker da capital de Goiás) justamente por priorizar muito menos as bandas alternativas de fato e dar espaço a artistas caros e renomados e que têm garantia de levar bom público aos seus shows. Fale sobre isso.

 

Marcio – Esta é uma questão espinhosa por causa da proximidade que tenho com a cena daqui. Mas como você tocou no assunto, vamos lá. Fui fundador da Monstro e do Noise ao lado do Leo Bigode. Depois vieram o Fabrício e o Razuk. Em um dado momento, os interesses do Fabrício (que já estava atuando com a Construtora) ficaram conflitantes com os da Monstro e ele teve que seguir adiante sozinho. Muita água já passou debaixo da ponte desde então – eu mesmo deixei a Monstro tempos depois para tocar outros projetos com literatura, animação, cinema, quadrinhos e mesmo um doutorado. O cenário mudou drasticamente. Houve um período em que a coisa mais legal que tínhamos aqui – que me parecia claramente a cena rock mais interessante do país – era o público. Fazíamos festivais com 50 bandas independentes e o público comparecia em peso, interessado em conhecer novos sons, novas propostas. Isso mudou. O público ficou anestesiado pelos novos tempos. A curiosidade foi pras cucuias. Hype. Pós-música. Percebo os heróicos Bigode e Razuk lutando para manter o legado rock da Monstro. Mas não é fácil. E é justamente por isso que é tão importante os caras resistirem e se reiventarem – sem abrir mão dos princípios que nortearam tudo desde o começo. Apostar no independente, criar condições para que bandas relevantes encontrem seu público, botar a molecada pra pensar e viver. Tudo isso é algo muito importante neste momento. Fracassar é preciso! O que acho inadmissível é se curvar ao senso comum. A um hype que não significa absolutamente nada (ao menos para mim). Querer aglutinar a mesma quantidade de público de outrora não é possível no panorama que vivemos. Mas é sempre possível buscar aspectos qualitativos ao invés de quantitativos. É isso que sempre converso com os Monstros. Acredito piamente que, neste momento, o mais importante é fazer os festivais mais radicais possíveis. E se o público for pequeno, who cares? O que interessa é a ousadia do que se faz. Sobre o Fabrício e o Bananada – tenho certeza que é dele que você está falando -, acho que ele está em outra. Ele sequer se coloca como rock. Essa não é – nunca foi – a preocupação primordial dele, do trabalho dele. Sempre que tem alguma atração que me interessa eu vou ao Bananada. (Infelizmente, não é tão frequente quanto no passado.) A estrutura do festival é gigante. Uma festona, mega profissa. Mas é aquilo: a música ali ocupa uma posição meio secundária. Existe um claro interesse em entender tendências para aglutinar um público. Mas nem isso garante sucesso financeiro. Ou seja, são posturas distintas, lidando com uma mesma crise.

 

***Você pode ouvir o novo single dos Mechanics aí embaixo.

 

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SOBRE (MAIS UMA VEZ) A MORTE DO ROCK BR E O QUÊ ISSO TEM A VER COM O BRASIL DE HOJE, EM TERMOS POLITICOS, SOCIAIS E COMPORTAMENTAIS

Estas linhas bloggers eternamente rockers têm escutado muito a rádio rock BR da Tv NET. É de longe nosso canal musical preferido na operadora de TV a cabo já há muitas semanas (os outros três que também ouvimos são new rock, classic rock e MPB) e nem é preciso se estender muito aqui nos motivos pelos quais especificamente este canal musical da Net já conta com nossa devoção absoluta. Basicamente 80% da programação dele foca no rock BR GIGANTE dos anos 80. Uns 10% ficam para clássicos e bandas mais obscuras dos anos 70. E os 10% restantes (se muito) ficam para o rock produzido no país dos anos 2000 pra cá.

Ou seja: tirando um Suricato, um Plutão já foi planeta, um Scalene, um Vanguart, uma Pitty e a turma besta do emocore (NX Zero, Fresno e essas tranqueiras que ninguém aguenta mais ouvir hoje em dia e cuja música envelheceu esteticamente com uma velocidade assustadora), o restante da programação é um autêntico e AVASSALADOR massacre/rolo compressor do que foi produzido no Brasil no rock dos anos 80 – com tudo o de melhor e também o pouco de PIOR que foi feito naquela época. Sim, em meio a zilhões de canções clássicas e inesquecíveis de Secos & Molhados (sempre toca), Casa Das Máquinas (tocou hoje a sensacional “Vou morar no ar”), A Bolha, Legião Urbana, Capital Inicial (a banda tem lá suas boas músicas, sejamos honestos), RPM, Titãs, Paralamas Do Sucesso, Lobão (quando ele era um gênio musical e não o bosta reacionário dos tempos atuais), Lulu Santos, Ultraje A Rigor, Ira!, Barão Vermelho, Cazuza, Biquíni Cavadão, Engenheiros Do Hawaii (que foram sim ótimos pelo menos em seus dois primeiros discos de estúdio), Violeta De Outono (tocou hoje!), Finnis Africae (quem se lembra?), Picassos Falsos (idem, quem também se lembra?), Magazine (quanta saudade do queridão Kid Vinil…), Planet Hemp (já avançando pros anos 90) e Skank (idem), sempre sobra espaço pra tocar algumas podreiras completamente esquecíveis como Doutor Silvana, Uns & Outros (aquela cópia asquerosa da Legião Urbana e que emplacou um único hit em sua falida carreira) e mais alguns poucos que nem merecem ser citados.

Todos os nomes citados acima compõem o grosso da programação do canal musical dedicado ao rock BR da TV Net. Por isso o autor do blog zapper, aos 5.5 de existência e que ouviu e viveu de perto tudo e CONVIVEU intensamente com essa geração de 30 anos atrás, quando dava seus primeiros passos no jornalismo musical que o acompanha profissionalmente até hoje, sente enorme prazer e satisfação ao ficar com o som ligado no canal. Sim, também sente um tanto de nostalgia dos seus anos jovens que nunca mais irão voltar e da saudosa loucura daqueles anos incríveis e alucinados.

De resto (e repetimos isso pela bilionésima vez aqui, de tempos pra cá) essa grade musical do canal rock BR da Net só atesta em definitivo o que todos nós já estamos CARECAS de saber: o rock simplesmente MORREU no Brasil – aliás não só aqui como lá fora também. Morreu, acabou ou foi/está indo para o MUSEU. Quer dizer, bandas novas sempre continuam surgindo e irão continuar aparecendo (com o detalhe de que a maioria das que aparecem atualmente é de uma pobreza musical e textual constrangedora, daí considerarmos que até um suposto “patinho feio” dos anos 80 como o Kid Abelha, hoje pode ser classificado como GENIAL se comparado com o que anda sendo gravado nos dias atuais). Mas não existe mais PÚBLICO interessado em ESCUTAR estas bandas ou ir nos shows delas, ponto. Esqueça. A pirralhada quer saber é de sertanojo, feminejas sofrência brega ao máximo, funkão burrão, axé idem, Anitta, Jojô Todynho, Nego do Borel, um MC qualquer e por aí vai.

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Zapnroll ao lado do Vanguart, uma das ÚNICAS bandas do rock BR que valem a pena nos anos 2000

E tudo isso deságua (ahá!), claro, na questão cultural, política e comportamental de um país e uma sociedade que deu total ERRADO, definitivamente. A cultura e a música brasileira foram mesmo pro fundo do abismo mais profundo e pelo jeito não irão sair nunca mais de lá. E isso na era da tecnologia e da informação máxima, onde todo mundo tem toda a informação do mundo ao alcance das mãos e de um clic no PC ou no celular. Uma raça humana que dispõe de tecnologia de ponta como nunca teve antes e, ao mesmo tempo, também se tornou BOÇAL como não era desde pelo menos a Idade Média. E no caso específico do nosso triste bananão tudo é isso é resultado do descaso de décadas do poder público com educação e cultura (sabem como é, populacho BURRÃO é mais fácil de ser manipulado) e também culpa de uma sociedade idiota, omissa e alienada, que nunca teve apreço por grande Cultura, por ler, por ouvir ótima música, ver ótimos filmes, ir a exposições, peças de teatro, nada enfim que a obrigue PENSAR com um pouco mais de ESFORÇO mental. Aqui reina a cultura da MEDIOCRIDADE artística. O fácil vende fácil em termos de música e de artes em geral. O difícil, esse não vende nada e não dá audiência.

Se o Brasil INVOLUIU de décadas pra cá? Óbvio que sim, e mais uma vez basta escutar durante uma tarde como a de hoje, sextona pós reinado momesco, a radio rock BR da Net pra se perceber isso. Há 30 anos ainda havia poesia no rock BR, contestação social e política etc. E até uma banda mais pop como o Metrô (tocou deles hoje “Tudo pode mudar”; foi quando colocamos no volume máximo a TV e deu vontade de sair pulando de bengalinha pela kit, velhinho da quase terceira idade que já estamos, ahahaha) tinha uma qualidade melódica e harmônica inimagináveis nos “artistas” que hoje ENVERGONHAM a música pop nacional.

E por fim, também tocou hoje “Canos silenciosos”, de mr. Lobão. Sim, aquele que se tornou o ESCROTO e BOÇAL de direita que todos nós sabemos. É inacreditável imaginar que o sujeito que um dia compôs ESSA música e outras obras-primas do rock BR de trinta/quarenta anos atrás, se transformou no que se naquilo que ele é hoje. O que faz concluir que a CRETINICE e o ultra conservadorismo político de direita contaminou não apenas a sociedade estúpida, preconceituosa, selvagem, coxa e otária, mas até o rock brasileiro. O rocknroll, justo ele, o gênero musical que um dia foi o mais combativo, transgressivo e subversivo da história da música. Pois é… fim da história pro rocknroll, pelo jeito e infelizmente.

 

 

ESCADARIA PARA O INFERNO SE ESPALHA PELO BRASIL – E VOCÊ PODE COLABORAR COM NOVOS LANÇAMENTOS DO LIVRO, ADERINDO AO FINANCIAMENTO COLETIVO DELE!

Yeeeeesssss! A primeira incursão literária do jornalista gonzo/zapper eternamente loker/maloker/rocker, lançada em novembro passado em Sampa, segue vendendo bem e se espalhando pelo Brasil de Norte a Sul. Tanto é que a boa repercussão do livro está exigindo que se façam novas festas de lançamento dele fora da capital paulista. A primeira dessas festas acontece neste sábado (amanhã, já que o postão zapper está sendo finalizado na sextona em si, 16 de fevereiro) no Rio De Janeiro, dentro da balada rock/goth “Ceremony” (sendo que todas as infos sobre ela estão aqui: https://www.facebook.com/events/317273378785958/). Já no final de março, em Sampa mesmo, haverá outra noite de autógrafos do livro no espaço cultural Presidenta, no baixo Augusta (onde antes funcionou o lendário bar Astronete). E ainda estão sendo agendados lançamentos do livro até na distante Macapá.

Claro que esses eventos geram custos que Zapnroll não tem condições de cobrir sozinho. Portanto fizemos o que todo mundo faz hoje em dia, para arrecadar fundos para cobrir custos de eventos relacionados a lançamentos de obras artísticas: abrimos um financiamento coletivo no Kickante, e estamos aguardando sua força amiga por lá, para ajudar o jornalista (este mesmo aqui, rsrs) que já fez muito pela cena rock alternativa brazuca nos últimos vinte e cinco anos. Interessou em ajudar? Vai aqui: https://www.kickante.com.br/campanhas/lancamentos-do-livro-escadaria-inferno.

Enquanto isso “Escadaria…” vai arrebanhando leitores felizes (todos elogiando o livro) pelo Brasil afora, como você pode conferir nas imagens abaixo: alguns dos muitos que já compraram a obra literária fináttica. Junte-se você também a eles, comprando seu exemplar aqui: http://www.editorakazua.net/catalogo/escadaria-para-o-inferno-de-humberto-finatti. E ótima descida pela escadaria sinistra!

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Juliana Marta e Letícia Coimbra, as gatas de Belo Horizonte

 

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Alex Sobrinho (Colatina/ES)

 

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Neide Assunção (São Luis/MA)

 

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Leandro Binão/Ipira (SC)

 

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

***Bailindie: a nova edição de uma das festas mais legais do circuito under de Sampa rola amanhã, sábado, 17, lá no já queridíssimo Clube VU. Vai ter inclusive DJ especial da adorável Vera Ribeiro, que estará fazendo aniversário. Todas as infos aqui: https://www.facebook.com/events/200379083883774/.

 

***Musa rocker: a nossa primeira musa de 2018 já está escolhida! É a gata rocker/loker mais legal e amiga destas linhas bloggers online. Fique de olho porque o ensaio com a deusa Cris Dias estará aqui, em nosso próximo post. Mas por enquanto você fica com esse “aperitivo” pra já ir sonhando com o ensaio completo da garota. Beleusma?

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LIVRO “ESCADARIA PARA O INFERNO” EM PROMOÇÃO, UHÚ!

Sim!!! Você ainda não comprou a estreia literária de Finaski porque está com o bolso vazio? No problema, rsrs. Resolveremos JÁ a parada: vai no hfinatti@gmail.com, que tem UM EXEMPLAR do livro dando sopa por lá. O vencedor da promo será anunciado aqui até o início de março, okays?

 

 

FIM DE PAPO

Chega, né? O post ficou lindão e o jornalista loker e agora também escritor está se mandando pro Rio De Janeiro, onde passa o finde para lançar seu livro por lá. De modos que assim que possível a gente volta na área, beleusma? Até mais então, com beijos na galera toda – inclusive nos psicopatas tipo Alex PORCASSO Antunes e Victor Matheus Mattos, os reis da covardia fake no painel do leitor zapper, hihihi.

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 16/2/2018 às 20hs.)

Zapn’n’roll finalmente de volta em sua versão 2018! Há 15 anos o site/blog mais legal da web BR de cultura pop e rock alternativo, uhú!

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Uma lenda viva e gigante do rockablliy americano e que poderá fazer shows este ano no Brasil: o blogão zapper bateu um papo EXCLUSIVO com Reverend Horton Heat, que você confere aqui a partir da próxima segunda-feira (foto: Felipe “Nally” Almeida)

 

Postão novão e inaugural deste ano chega nessa próxima segunda-feira e vem fervendo, com entrevista EXCLUSIVA com o lendário trio rockabilly americano Reverend Horton Heat (que poderá tocar ainda esse ano no Brasil), outra entrevista exclusiva e bombástica com um dos nomes mais lendários do indie rock goiano e mais isso e aquilo tudo que você só encontra no site/blog de cultura pop e rock alternativo mais legal da web BR.

Isso aê! Zap’n’roll, versão 15.0 (há quinze anos no ar!) te espera na próxima segundona. Até lá!

 

(enviado por Finatti às 15hs.)