MAIS UMA AMPLIAÇÃO EXTRA: Rip Marielle Franco, HEROÍNA de um país que já deixou há muito de ser NAÇÃO! E mais, com o blogão/postão lamentando o fim do semanário musical inglês New Musical Express e também a morte do músico Junior Bertoldi, além de mostrar como a Secult/SP está dando apoio total ao rock em um momento em que o gênero precisa de todo o apoio possível – O rock está MORTO nos anos 2000 e na era escrota da web? Bora então festejar a volta de bandas já velhonas como as Breeders, que acabou de lançar seu primeiro disco em uma década; a Luneta Mágica, quinteto psicodélico/folk fodástico de Manaus e que foi apresentado ao grande público na internet pela primeira vez pelo blog zapper, chega a São Paulo esta semana para se preparar para fazer uma gig na edição deste ano do gigante festival Lollapalooza BR, no final do mês (e de quebra, bate um papo com este espaço popper online); os cinco anos sem o ANARFA e IMBECIL Chorão (finado vocalista do MEDONHO Charlie Brown Jr.) despertam mezzo comoção nas redes sociais e só reafirmam que a geração 2000 da música pop BR segue descendo ladeira abaixo na boçalidade cultural e artística; mais um novo projeto alternativo bacana para animar as noites de domingo na Grande São Paulo e a nossa PRIMEIRA MUSA ROCKER deste ano: a gatíssima e incrível tatuadora rocker Cris Dias, dileta amiga deste jornalista loker, fã de grande literatura e de grande rocknroll, wow! (postão COMPLETÃO e MEGA AMPLIADO, finalizado em 17/3/2018)

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O rock pode estar quase morto mas a cultura pop se transforma, se atualiza e segue na luta pela sobrevivência, com veteranos como as Breeders (acima) lançando novos discos inéditos, e a nova geração rocker mostrando a sua força através de grupos incríveis, como o amazonense Luneta Mágica (abaixo); uma banda tão incrível quanto a nossa primeira musa rocker de 2018, a gataça Cris Dias (abaixo)

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EXTRAS DO EXTRA DA MICROFONIA

***Sem muito a comemorar no país que não é mais nação, e onde agora até uma jovem vereadora negra, guerreira, combativa e que lutava pelos menos favorecidos, foi covardemente abatida a tiros na semana que está findando, no Rio De Janeiro. Comoção nacional e mundial. E Zapnroll apenas diz: rip, heroína Marielle Franco. Somos TODOS VOCÊ!

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***Tem duas festonas bacanudas nessa noite de sábado, 17 de março, em Sampa. Uma delas é a nova edição do festival Volume Morto, organizado pela turma genial do Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, e que rola no bar Zé Presidente, em Pinheiros, com diversos shows, DJs set e os caralho. Tudo sobre a festa aqui: https://www.facebook.com/events/351736938635987/.

 

***A outra festa é o niver de um ano do Bailindie da Saudade. Aquele mesmo, que reúne os “velhinhos” quase da terceira idade (como o autor deste blog, rsrs) e de bengalinha, pra dançar o melhor do indie rock dos 80 e 90. Vai acontecer no sempre ótimo Clube VU, na Barra Funda. Sendo que todas as infos sobre você pode ver aqui: https://www.facebook.com/events/222170778340659/.

 

***E por fim, todos estão mais do que convidados para a nova noite de autógrafos do livro “Escadaria para o inferno”, que acontece em Sampa, no Espaço Cultural Presidenta no próximo dia 23 de março, sextona em si. Vai ter show acústico de Jonnata Doll, DJ set dele também e muito mais. E o livro à venda, claro! Beleusma? Então tá: nos vemos por lá semana que vem. Até!

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MAIS MICROFONIA

 

***Rip NME: O FIM DEFINITIVO DE TODA UMA ERA, DO JORNALISMO ROCK E DA CULTURA POP MUNDIAL – acabou anteontemontem. Poxa… Zapnroll chegou a ter dezenas de exemplares das edições impressas (importadas), que comprava na banca da esquina da avenida Ipiranga com a São Luis (no centro de Sampa, a banca está lá até hoje), e acha que ainda tenho algumas edições guardadas. Isso há uns 25 anos, tempo em que também cansou de comprar a The Face, a Melody Maker e até a I-D. “Nos últimos anos a NME veio perdendo relevância, como de resto todo tipo de crítica. Em um ambiente pulverizado, no qual todo mundo é crítico e todo mundo tem certezas e todo mundo grita, mesmo sem NENHUMA QUALIFICAÇÃO, veículos norteadores de tendências, como a NME, perderam a razão de ser” (trecho do texto escrito pelo Álvaro Pereira Jr, sobre o fim do semanário musical inglês. Aliás o blog adorava ler a coluna “Escuta Aqui”, que o Álvaro escrevia semanalmente no extinto caderno Folhateen, da FolhaSP, lá pelos idos de 1995). É isso. A MALDITA era da internet ACABOU com tudo: com a música e o rock de qualidade, com o JORNALISMO MUSICAL de qualidade, e com todo o resto. Foram-se o glamour, a relevância e a poesia que havia no jornalismo musical impresso, em ler aquelas matérias todas e, no nosso caso, em PRODUZIR essas matérias. E ainda bem que estamos com 5.5 nas costas e vivemos a melhor época de tudo isso. E ainda bem que não estaremos vivos para ver como o mundo musical e a cultura pop irão se tornar daqui pra frente cada vez mais chatos, enfadonhos, sombrios e sem importância alguma na existência cada vez mais BOÇAL da raça humana. Rip, NME. Foi ótimo enquanto durou. Deixará saudades imensas. Abaixo, algumas das capas INCRÍVEIS do semanário musical inglês, que tornou nossa existência menos insalubre e cinza ao longo de mais de seis décadas. Todo mundo que IMPORTOU DE VERDADE na história do rock esteve na capa da NME. Sem mais.

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***PRÊMIO GOVERNADOR DO ESTADO 2018, OU SOBRE ENALTECER QUEM DE FATO TRABALHA PELO ROCK E PELA CULTURA, INDEPENDENTE DE QUESTÕES PARTIDÁRIAS E/OU IDELOGICAS – O autor deste blog esteve na Secretaria Estadual Da Cultura SP anteontem, quinta-feira (o postão zapper está sendo finalizado no sábado, 10 de março), onde aconteceu a última reunião da comissão da qual fomos integrantes (a que definiu os concorrentes, na área musical, ao Prêmio Governador Do Estado 2018). Mais uma vez um encontro bacana e de clima mega agradável. Saímos muito contentes de lá. E por quê? Por alguns motivos. Talvez o principal deles seja que, questões políticas e ideológicas à parte (e todos que acompanham este espaço virtual de cultura pop sabem da nossa preferência político/ideológica) e antes que alguém nos acuse de estar se tornando um “coxinha” de centro-direita (uia, rsrs), Zapnroll se deu conta mais uma vez de que a Secult SP está de fato com uma equipe bacana, de pessoas que trabalham, pensam, vivem e respiram a cultura como um todo e de forma séria e apaixonada.  Basta ver o currículo e a trajetória do Secretario José Luiz Penna: ele já foi músico de banda de rock na juventude, foi filiado ao Partido Comunista Brasileiro, foi ator de teatro. Ou seja, é alguém de fato do ramo e digno dos maiores aplausos pelo trabalho que está desenvolvendo à frente da Pasta. Fora que o nosso amado Pomba (amigo pessoal do Penna) também está na Secult. E esse “baixinho” adorável e nosso melhor amigo há 25 anos, é total do rock como também somos. Por isso mesmo Finaski está mais orgulhoso do que nunca em ter tido participação direta e decisiva na indicação do ótimo Jonnata Doll & Os Garotos Solventes (uma das poucas e das melhores bandas alternativas do que resta de bom no novíssimo rock BR) para concorrer como melhor artista de música, entre os cinco indicados finais e que estão recebendo votação pública através do site da Secretaria (link aí embaixo, no final do texto). Num momento em que o rock, enquanto gênero musical, está passando por um momento crítico (com falta quase total de público e de repercussão junto à mídia), apenas o fato de Joninha e seus guris solventes estarem na disputa decisiva pelo grande prêmio já é uma imensa VITÓRIA nesse momento para todos nós que amamos o rocknroll. A cerimônia de entrega do Prêmio é no próximo dia 26 de março, no teatro Sérgio Cardoso (evento apena para convidados, sorry). E entre os concorrentes na categoria música está um gigante como Mano Brown, vocalista dos Racionais MCs. Mas na boa? Botamos fé que o nosso rock alternativo poderá SURPREENDER na hora decisiva. A conferir, sendo que você pode participar e ajudar Jonnata Doll a ganhar indo aqui: http://premiogovernador.sp.gov.br/2018/votacao-musica.php.

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Zapnroll ao lado do Secretário Estadual da Cultura/SP, José Luis Penna, na última quinta-feira, na sede da Secretaria: sob a gestão dele o rock felizmente e acertadamente está ganhando espaço em um momento em que o gênero perde público e espaço na mídias tradicionais

 

***Rip Junior Bertoldi – nenhum site/blog daqueles que se acham/julgam especializados em cultura pop e rock alternativo (como os famigerados “Pobreload” ou “Tenho mais discos que amigos”) deu a notícia. Muito menos sites maiores como o da decadente revista Rolling Stone Brasil. De modos que não podemos deixar de mencionar o triste acontecimento: no último dia 16 de fevereiro faleceu em Osasco (Grande São Paulo) o querido Junior Bertoldi. Durante quase três décadas Juninho (como era conhecido pelos amigos e no meio musical e rocker) esteve total envolvido na cena rocknroll paulista/paulistana, atuando como músico (fazia parte do duo Troll Porrada Sonora, há mais de vinte anos), produtor (tinha um estúdio muito requisitado em Oz) e organizador de eventos musicais. Sempre super gentil, simpático e de bom humor, Bertoldi sempre fez o que pôde em prol da cena rock alternativa, sendo que o blog zapper atuou por um tempo como assessor informal de imprensa da banda Troll. Ele vai fazer falta numa cena que já está bastante pobre e carente de ótimos elementos por si só. Junior tinha 50 anos de idade e lutava contra um câncer no intestino. Rip, Juninho! Anime o céu por nós com incríveis sets total rock!

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Juninho Bertoldi, da banda paulista Troll: morte prematura encerra carreira bacana na cena rock alternativa de SP

 

***E agora chega, néan. Fim de papo também para as notas do Microfonia sendo que elas voltam em nosso próximo post inédito, beleusma? Nozes!

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MICROFONIA

(reverberações da cultura pop e do mondo rocker alternativo)

 

***MINI EDITORIAL ZAPPER: A INUTILIDADE QUE SE TORNOU ATUALIZAR POSTS COM FREQUENCIA NA BLOGOSFERA BR EM TEMPOS DE FALÊNCIA DA CULTURA POP – yep, o ritmo de atualizações de Zapnroll diminuiu bastante de meses pra cá, assumimos. Isso é reflexo direto dos tempos atuais, da irrelevante era da web que jogou a cultura pop e o rock planetário alternativo (e o que resta do mainstream) em igual irrelevância. Com a música pop lá fora sendo dominada por gêneros mais superficiais (na construção sonora e nas letras total fúteis e superficiais) e amparados inevitavelmente em ambiências eletrônicas, e aqui o ambiente sonoro sendo dominado por sertanojos, feminejas burronas, funk boçal e axé idem, o nosso eternamente amado rock saiu de cena. Voltou a ser ritmo dos subterrâneos, de nicho especifico de público. Está se tornando algo Cult novamente. E não há luz no fim desse túnel e que indique que ele vá novamente dominar a cena musical mundial (como dominou por quase seis décadas) e mobilizar milhões de fãs. Na real o rock está prestes a virar música de museu, como a música clássica se tornou. E esse panorama bastante desalentador se reflete infelizmente neste espaço virtual. Há tempos já sacamos que não vale mais a pena promover atualizações constantes do conteúdo que publicamos aqui. Um motivo é que não há lançamentos relevantes e noticias idem que justifiquem tais atualizações. E o outro é: de que adianta atualizar este espaço a todo instante com notinhas inúteis e que não farão diferença alguma na vida do nosso dileto leitorado? Blogs “vizinhos”, no desespero de se manterem “atualíssimos” e relevantes, publicam várias micro notas diárias que rendem míseros likes e compartilhamentos em redes sociais. O motivo é óbvio: ninguém mais dá importância ao que não importa nem um pouco na música. Então o blog zapper irá preferir manter esse ritmo e esse estilo que já o consagrou: postagens com maior espaço de tempo nas atualizações (de quinze em quinze dias, no mínimo) e conteúdo sempre grandinho, quase uma coluna quinzenal sobre o que de fato ainda importa na cultura pop (e que está infelizmente cada vez menos importante, jornalisticamente falando). Os fakes que pululam em nosso painel do leitor podem latir avonts contra isso, é bem a cara cuzona e covardona deles. Fato é que o post anterior manteve a média de mais de 150 likes e compartilhamentos, o que nos deixa bastante satisfeitos em um tempo onde a “concorrência” pobreloader amarga quase estáticos 19 curtidas em suas postagens inúteis. De modos que vamos em frente, neste 2018 em que Zapnroll chega a uma década e meia de existência.

 

***Oscar 2018 – como faz já há anos o blog se ateve apenas ao que de fato interessa (ao menos para nós) nas cada vez mais sacais cerimônias de entrega do Oscar: as categorias principais. Sendo o que o fato de Gary Oldman ter levado a estatueta de melhor ator por “O destino de uma nação” só reforça a nossa vontade de conferir o filme. Sempre achamos Gary um ator de ultra respeito desde o primeiro filme que assistimos com ele no papel prinicpal – “Syd & Nancy”, de 1986, a cinebio algo ficcional da lenda gigante que é Syd Vicious, o sujeito que um dia tocou baixo nos Sex Pistols. Éramos muito jovem então, e ele também mas já dava pistas ali de que teria uma carreira brilhante pela frente (o conde Drácula vivido por ele no filme magistral de Francis Ford Coppola é inesquecível). De modos que estas linhas bloggers irão assistir o longa, e também “The Post”. “A forma da água”? Nope, dispensável e o fato de ter ganho melhor filme só reforça pela enésima vez que a Academia continua sendo caretíssima e continua amando histórias melosas, por mais inusitadas que elas possam ser/parecer.

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Gary Oldman, um gigante do cinema inglês e um dos atores mais versáteis da história do cinema, seja interpretando o punk Syd Vicious (acima, em 1986) ou o lendário primeiro ministro britânico Winston Churchill (abaixo), papel que acabou de lhe valer o Oscar de melhor ator este ano, no filme “O destino de uma nação”

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***Nova festa de lançamento e noite de autógrafos do livro “Escadaria para o inferno”! – yep, ela já tem data e local pra acontecer: vai ser no próximo dia 23 de março, a partir das dez da noite, no bacaníssimo Espaço Cultural Presidenta (onde funcionava o saudoso bar Astronete, na rua Augusta, 335). Vai rolar show do ótimo grupo Psychotria, DJ set zapper e nosso livro estará à venda por lá, claaaaaro!

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“Escadaria para o inferno”, o primeiro livro escrito pelo jornalista eternamente loker/rocker, terá novo lançamento e noite de autógrafos no próximo dia 23 de março, em Sampa; enquanto isso ele segue vendendo e fazendo a alegria de novos leitores, como o José Ramos (acima, o sujeito que comanda o clube Outs/SP), e o Pedro Damian (abaixo), veterano fã da indie rock scene paulistana

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***Bien, postão novo finalmente entrando no ar em sua primeira parte, já no meião da semana. Vamos então ao que sucede de realmente importante abaixo (com papos com a Luneta Mágica, sobre o novo disco das Breeders etc.) e sendo que novas notas deverão aparecer em Microfonia até concluirmos a postagem, lá pro final desta semana, beleusma?

 

 

O GRANDE LUNETA MÁGICA, DO AMAZONAS, DESEMBARCA EM SAMPA PARA UMA LONGA TEMPORADA, E PARA SE FIRMAR COMO UM DOS PRINCIPAIS NOMES DO QUE RESTA DE BOM NO NOVÍSSIMO ROCK ALTERNATIVO BR

Ao longo dos últimos seis anos o grupo de rock/folk/psicodélico manauara Luneta Mágica avançou de forma bastante surpreendente e consistente em sua trajetória musical. Conjunto descoberto e apresentado ao público brasileiro por estas linhas online em agosto de 2012 (ano em que havia lançado seu primeiro disco inédito), a LM desde então editou mais um cd (“No meu peito”, em março de 2015) e o single “Parte” no final do ano passado. E foi construindo uma reputação musical sólida e uma rede de contatos que finalmente começa a render pontos mega positivos agora. A banda, que passou por alterações em seu line up nos últimos anos (atualmente sendo um quinteto integrado pelos músicos Pablo Henrique Araújo, Erick Omena, Eron Oliveira, Daniel Freire e Victor Neves) mas sempre sob o comando do vocalista, letrista, compositor e guitarrista Pablo, ganhou respeitabilidade da imprensa e angariou um grande séquito de fãs graças a uma musicalidade de ambiências bucólicas e contemplativas, e a letras abstratas que evocam imagens pastorais e/ou intensamente amorosas.

Enfim, é esse Luneta Mágica que desembarcou esta semana na capital paulista, onde se encontra desde a última segunda-feira e onde irá permanecer até o final do mês de março, quando irá se apresentar no line up de seu primeiro mega festival, o Lollapalooza BR deste ano. Logo em seguida o conjunto emenda com sua primeira incursão internacional, indo tocar no já também gigante festival SXSW em Austin, no Texas. Sendo que o LM já conseguiu agendar mais cinco gigs em território americano além do show no SXSW. Aproveitando a estadia paulistana, Zapnroll bateu um papo com o vocalista e letrista Pablo Araújo sobre o momento atual do quinteto. Os principais trechos desse papo estão logo abaixo e, depois dele, republicamos a primeira matéria que fizemos sobre a Luneta Mágica aqui mesmo, em agosto de 2012.

 

Zapnroll – A Luneta Mágica está passando por ótimo momento. Com dois excelentes discos lançados e público aumentando cada vez mais na cena independente nacional, está escalada para se apresentar no final deste mês no gigante festival Lollapalooza BR. Como vocês estão encarando esse momento?

 

Pablo Araújo – A gente sempre fica muito feliz porque sabemos que tudo que está acontecendo é fruto do nosso trabalho, sabe? Temos muito carinho pelo que fazemos e sempre tentamos descobrir maneiras inteligentes de promover nosso som.

 

Zap – Desde que a banda se formou em Manaus, houve mudanças no line up dela. Você considera que a formação atual é a ideal? Há quanto tempo ela está junta?

 

Pablo – Penso que todas as pessoas que passaram pela Luneta contribuiram muito pro crescimento da banda, então é justo falar que o fato de estarmos tendo destaque é uma soma de esforços de várias pessoas. A atual formação tem no mínimo 2 anos, está muito afinada e estou esperando que o próximo disco da banda seja algo muito próximo da sonoridade  que buscamos.

 

Zap – O grupo continua residindo em Manaus, que fica muito distante dos centros culturais, digamos, mais efervescentes do Brasil em termos de rock, como São Paulo e Rio De Janeiro. A banda já cogitou vir morar no Sudeste, como fez o conterrâneo de vocês, o Supercolisor? Isso seria melhor para o conjunto trabalhar a divulgação de sua obra ou é possível fazer isso continuando no Amazonas?

 

Pablo – Até pensamos em morar em SP por um tempo, mas essa mudança só fará sentido quando houver uma demanda maior de shows no Sudeste, caso contrário, preferimos fortalecer o cenário local, que vem se desenvolvendo nos últimos anos. Apesar da distância temos conseguido circular bastante nos últimos anos, isso ajuda muito a banda a se aproximar mais de produtores e músicos de outras regiões do país.

 

Zap – já há planos para um terceiro disco de estúdio, alguma composição nova registrada?

 

Pablo – Sim, a verdade é que estamos planejando o terceiro disco há algum tempo, não temos pressa, queremos reunir o máximo de recursos disponíveis para que o registro saia bem fiel ao que desejamos. A previsão para lançamento é pro primeiro semestre de 2019. Lançamos o single “Parte” pela Sony Music há pouco tempo, ele dá pistas do que pode vir pela frente.

 

Zap – É sabido que o rock está em um momento bastante desfavorável, tanto lá fora como aqui também, em terras brasileiras. O gênero voltou a se tornar um estilo algo subterrâneo, de resistência mesmo, enquanto músicas de apelo mais pop e sem estofo cultural mais denso, como axé, pagode, funk, sertanejo etc, dominam as paradas. Como você observa o cenário atual? Acredita que haverá novamente uma ascensão do rocknroll em termos midiáticos e de público?

 

Pablo – Não há muita saída, principalmente porque em meio a crise financeira e política que nosso país vive, a cultura sempre tende a perder força. O mainstream tá montado pra vender funk e sertanejo no momento, não vejo isso como algo ruim, só acho que há espaço pra todo mundo. A grande mídia acaba esmagando muita gente talentosa que não tem o bolso cheio de dinheiro pra promover seu trabalho.

 

Zap – O que o público pode esperar do Luneta em sua apresentação no Lolla? O horário do show (meio-dia) é bastante ingrato, não?

 

Pablo – Vamos tocar músicas dos nossos dois álbuns no Lolla, tentar fazer um mix do que temos de melhor e misturar tudo isso com uma pitada de improvisações. A banda não tá ligando muito pra essa questão de horário, o fato de ter sido escolhida entre tantas outras do cenário brasileiro já deixa a gente bem feliz.

 

Zap – Como está a expectativa da banda em relação ao SXSW, que vai ser o primeiro festival internacional que vocês irão se apresentar?

 

Pablo – Estamos esperando muita coisa boa vindo desses dois eventos. O SXSW é um festival montado pra revelar novos nomes da música independente mundial, além de ter uma programação bem plural, que vai desde apresentações musicais até feiras tecnológicas. O Lolla dispensa apresentações, esperamos proporcionar boas experiências para quem assistir nossos shows.

 

 

A LUNETA MÁGICA, MAIS UMA INCRÍVEL DESCOBERTA ZAPPER, FAZ PSICODELIA FODONA E BELÍSSIMA NO MEIO DA FLORESTA

 

(texto publicado originalmente em Zapnroll no post de 17 de agosto de 2012)

Manaus, capital do Amazonas, tem realmente uma cena indie rocker incrível, ao que parece. O blog não conhece a cidade ainda (só passou por lá de avião algumas vezes, a caminho de Boa Vista, e pretende de fato dar uma passeada na cidade agora em setembro), mas já teve contato com algumas bandas bem bacanas de lá, como a Tetris (existe ainda?) e o ótimo Mezzatrio (a mesma pergunta: ainda estão na ativa?), uma autêntica orquestra de guitarras que Zap’n’roll teve o privilégio de assistir ao vivo alguns anos atrás, no festival Varadouro (em Rio Branco, no Acre). Mas nada se compara ao desvairio que tomou conta do sujeito que digita estas linhas quando ele começou a ouvir, nos últimos dias, o disco de estréia do trio A Luneta Mágica – que na verdade foi apresentado ao blog por uma amiga do grupo, uma espécie de “quarto integrante” honorário do conjunto, a linda e meiga Karla Sanches.

Pois então: enquanto a maioria dos grupos indies paulistanos cospe arrogância e se compraz em produzir autêntica vergonha alheia travestida de música, a Luneta Mágica mergulha fundo na música em seu estado mais sublime de arte – e não há exagero algum nessa afirmação, muito pelo contrário: causa enorme espanto (o mesmo espanto que atordoou estas linhas online quando ela descobriu o Vanguart em Cuiabá, em 2005, ou conheceu a Mini Box Lunar em Macapá, em 2009) se dar conta de que uma banda assim surgiu em Manaus. E não há nenhum viés preconceituoso nesse espanto. Yep, porque é sabido que apesar de ter uma cena rock alternativa, a capital amazonense é certamente dominada pela música regional e pelos ritmos mais populares da Região Norte.

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Zapnroll junto com a primeira formação da Luneta Mágica, no aeroporto de Manaus, em setembro de 2012

 

E a Luneta Mágica não tem absolutamente nada a ver com isso. O álbum de estréia da banda, que foi lançado há pouco na web (sim, hoje em dia quase não há mais lançamentos em plataforma física entre os grupos independentes; tudo é jogado na internet, com direito a muito lixo, sendo que de vez em nunca surge uma pérola precioso no lodo, como é o caso aqui), tem dez faixas e é um escândalo delirante de canções sublimes, com ambiências melódicas eivadas de psicodelia. Formado por Pablo Araújo (vocais, guitarras, violões), (baixo, guitarra, teclados, percussão, vocais) e Chico Só (guitarras, violões, e baixo), o LM é mix improvável de Beatles (fase beeeem psicodélica dos Fab Four), rock bucólico e pastoral, algo de Los Hermanos (algo, apenas) e deambulações por folk combinado com ruídos e percussão eletrônica – sim, há bateria acústica no disco (tocada pelo músico convidado Eron Oliveira) mas ela não é preponderante na construção rítmica das faixas. Há também – vejam só – um naipe de cordas (violino e violoncelo, ambos tocados também por músicos convidados), e tudo isso resulta na trilha sonora dionisíaca e dos deuses, música para você entorpecer a alma e o cérebro com as mais diáfanas e prazerosas doses de vinho, ácido ou maconha.

Não é brincadeira: os vocais dolentes e sobrepostos, as letras abstratas (“Vem, ainda somos os mesmos/Gênios embriagados/Esperando o sol nascente/Loucos pela noite inteira/Amanhã vai ser/O melhor dia da sua vida”, em “O vento e as árvores”), o bucolismo e a plenitude sônica que se encerra em canções lindíssimas (“Astronauta”, “Não acredito”, “Aqui nunca nasceram heróis”), o torpor alucinógeno que domina trecho de outras (como a repetição quase mântrica da frase “cinco bolas de sorvete por apenas um real”, no final da música que tem o mesmo título) e, por fim, o fortíssimo apelo radiofônico e pop de mais algumas (fato raríssimo e que as bandinhas escrotas da atual cena indie nacional dão a mãe pra conseguir e não conseguem: unir altíssima qualidade musical com apelo pop e radiofônico), como “Largo São Sebastião” (uma música que, se houvesse justiça nesse país, estaria tocando em disaparada nas nossas medíocres redes de rádio, ainda incrivelmente movidas a jabá em plena era da web), fazem da Luneta Mágica a GRANDE banda nova da indie scene nacional em 2012.

 

***Mais sobre a Luneta Mágica, vai aqui: https://www.facebook.com/bandalunetamagica/. E aqui também: https://www.instagram.com/lunetamagica/.

 

 

O NOVO SINGLE DO GRUPO AÍ EMBAIXO, PARA AUDIÇÃO

 

UM FESTIVAL MUSICAL TEEN ESTÚPIDO E OS CINCO ANOS DA MORTE DO IMBECIL CHORÃO DIZEM MUITO SOBRE A BOÇALIDADE CULTURAL DA PIRRALHADA BRAZUCA ATUAL

Um e-mail recebido esta semana pelo blog zapper desvela que a cultura pop foi mesmo pro saco nesse triste bananão tropical, além de mostrar como a imbecilidade AVANÇA sem dó na música do Brasil. Sintam o drama:

 

***“FESTIVAL TEEN reúne as maiores estrelas musicais do YouTube em São Paulo

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Olhem bem para esta foto, e sintam o naipe visual das novas apostas para a música jovem e estúpida brazuca da era da web e das redes sociais, uia!

Com patrocínio da Samsung e do YouTube, festival  aproxima fãs de seus ídolos digitais, com 12 shows e 10 horas de duração, dia 10 de março, na Audio, em São Paulo

 

Fenômeno! Um novo movimento surge no cenário artístico através do YouTube e das redes sociais e, com ele, diversos artistas adolescentes ganham visibilidade impressionante e se transformam em estrelas de grande popularidade. Por que não criar um festival dedicado à produção artística desse novo fenômeno do entretenimento? A agência Fibra Live, com o patrocínio do YouTube e da Samsung, criou o Festival Teen: evento pioneiro, que  estreia em São Paulo e pretende viajar por todo o Brasil com o objetivo de aproximar o público dos seus ídolos do mundo digital”.

Curioso que a assessora que enviou essa estupidez (o press release completo é de chorar, nem vamos copiar aqui) se finge de MORTA quando está divulgando um evento de fato relevante e quando precisamos dela para credenciamento para o dito cujo. Agora como está com essa autêntica BOMBA para emplacar matérias onde for possível (e ela deve estar desesperada tentando conseguir isso), fica enchendo o saco da jornalistada com esse evento musical boçal. Mui esperta a sujeita.

Mas sempre pode piorar, rsrs. Eis que então logo receber o e-mail dando conta do “sensacional” novo evento musical que promete agitar a juvenília brasileira estúpida da era da web, começaram a pipocar nas redes sociais homenagens e lamúrias sobre os cinco anos sem… o “gênio” Chorão, do Charlie BRONHA Jr. Wow! Poxa… aquele ANARFA em grau máximo faz taaaaantaaaaa falta, não é mesmo? E nem precisamos nos estender muito sobre isso, já que o fizemos aqui mesmo quando ele morreu e cujo post completo reproduzimos aí embaixo, pra quem quiser reler o texto ou para quem nunca leu. Só avisando: não ALIVIAMOS nem um pouco pra esse completo IMBECIL por ocasião da morte dele. Com todo o respeito ao cara (e nunca vamos desejar a morte de ninguém, nem mesmo se for o BolsoNAZI ou o Temer), temos que ser honestos quando analisamos a OBRA musical de um artista, correto? E Chorão é o que se sabe e isso não muda porque ele morreu: foi um dos MAIORES OGROS da história do rock brasileiro. Aliás foi com a geração idiota de  Charlie Brown Jr. (e na sequência os emos, os restarts e cines da vida, e aí veio todo o resto: sertanojos, funkeiros burrões etc.) que tudo começou a desandar de vez e descer a ladeira sem dó na música nacional. Alguma dúvida quanto a isso?

 

 

CHORÃO – UMA MORTE ULTRA ROCK’N’ROLL PÕE FIM (FELIZMENTE) À TRAJETÓRIA DE UMA BANDA ULTRA MEDÍOCRE

(texto publicado originalmente em Zapnroll em 8 de março de 2013)

 

Este postão zapper, iniciado na última sexta-feira, está sendo concluído agora, entre a noite de segunda-feira e a madrugada de terça, 12 de março. Já faz portanto uma semana que o vocalista Chorão, o ex-líder do Charlie Brown Jr. (uma das maiores deformações artísticas surgidas no rock brasileiro dos anos 90’), foi encontrado morto em seu apartamento de cobertura, no elegante bairro de Pinheiros (reduto da classe média alta paulistana), na zona oeste da capital paulista. E mesmo assim o assunto continua rendendo – e como. Chorão, da noite pro dia, foi canonizado santo e transformado em “poeta” (segundo palavras de outro emérito imbecil da mídia eletrônica atual brazuca, o insuportável Marcos Mion) do nível de Renato Russo ou Cazuza. Homenagens pipocaram em todos os telejornais das grandes redes televisivas e até o sisudo programa “Ensaio”, da tv Cultura, desenterrou uma entrevista com o letrista e vocalista, e reprisou a dita cuja na noite do último domingo.

Bão, e daí? Daê que a morte desse autêntico imbecil, e que representou o que de PIOR poderia ter existido no rock brasileiro dos anos 90’ (uma década bastante infeliz pro rock nacional, diga-se), provocou a comoção esperada nas redes sociais e só comprova o que o blog diz todo dia: quando algum assunto realmente sério e relevante é abordado nos faceboquetes da vida (corrupção política, miséria social no Nordeste, a quase completa falta de estrutura de um país que pretende abrigar Copa do Mundo e Olimpíada e zilhões de etcs.), a massa BURRA e FÚTIL das redes sociais absolutamente não abre a boca.

Mas bastou morrer o vocalista do Charlie Brown Jr. e voilá: todos se manifestam de maneira eloqüente, como se tivéssemos perdido o maior gênio da história da humanidade.

Sem chance. Estas linhas online não desejam a morte de ninguém, nem do nosso pior inimigo (que nem imaginamos quem possa ser). Mas vamos ser honestos e sinceros com nós mesmos: esse sujeito não vai fazer a menor falta, muito menos aquele horror musical no qual ele atuava como vocalista. E estamos escrevendo isso no âmbito estritamente artístico, em se tratando de rock brasileiro. O blog não sabe como ele era como pessoa (e os relatos que temos são os piores possíveis) pois felizmente nunca convivemos com ele. Mas musicalmente Charlie Brown Jr. era de uma pobreza musical e textual de dar dó, vergonha alheia total. Só estourou e fez o sucesso que fez porque mesmo sendo um analfabeto de primeira (ou última) linha, Chorão foi esperto o suficiente pra engendrar um mix de rap com hardcore e algumas pitadas de reggae, dando suporte a letras (mal escritas, simplistas ao extremo e que não raro continham erros grosseiros de gramática em sua composição) que falavam dos problemas cotidianos da juventude burra desse país. Daí a empatia imediata que ele conseguiu junto ao público, angariando milhões de fãs.

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Há cinco anos o pavoroso Charlie Brown Jr. perdia seu vocalista, o analfabeto Chorão (morto em decorrência de uma overdose de álcool e drogas), e encerrava atividades. Não deixou saudade alguma

Claro que todo carnaval tem seu fim (né Marcelo Camelo, esse sim um compositor e letrista de mão cheia) e o Charlie Brown começou a descer a ladeira, atropelado por outras imbecilidades musicais mais atraentes ao populacho sem cérebro (funk pancadão carioca, pagode de corno paulistano e breganejo universotário). O grupo santista não resistiu à pressão desses novos gêneros e já estava em franca decadência. Deu no que deu: separado da mulher e sem o sucesso de antes, mr. Chorão entrou em depressão e em parafuso emocional. Pelo menos (e ao que parece) teve uma morte total rock’n’roll: chapado de álcool, entupido de bolas e de cocaine.

Mas não vai deixar saudades, com certeza. E o blog não vai ficar endeusando um anarfa musical desse naipe apenas porque ele morreu, ponto. Afinal no mesmo dia do falecimento desse “gênio” do rock nacional, também morreu uma lenda do rock inglês, o guitarrista Alvin Lee (esse sim um músico fenomenal e que junto ao grupo Ten Years After, escreveu alguns dos momentos mais sublimes do rock’n’roll britânico na virada dos anos 60’ pros 70’, sendo que o chapa Dum DeLucca analisa com bastante precisão a trajetória de Alvim no mais recente post do seu blog, o Jukebox, lá no portal Dynamite). E aí fica a pergunta: essa geração de jovens brasileiros cretinos vai lamentar a morte de Alvin Lee? Aliás, ao menos sabe quem foi o sujeito?

Óbvio que não sabe. Porque infelizmente cada geração produz os “gênios” que merece. Alguém argumentou que Chorão fez sucesso com sua banda escrota porque ele tinha vindo das ruas e não da elite burguesa. Assim sendo ele vivenciava o que cantava e conseguiu a enooooorme empatia com o seu público graças a letras que eram uma radiografia precisa do que a molecada vivia em seu cotidiano. Ok. Só que depois de vinte anos de carreira o cantor do CBJr. já tinha uma patrimônio pessoal que o distanciava bem dessa pseudo “realidade das ruas” que ele cantava com tanto orgulho em suas músicas.

E assim caminhamos. Nos anos sessenta nossos ídolos eram Gil, Caetano e a Tropicália. Nos setenta tivemos o imortal Raul Seixas. Nos anos oitenta o rock BR de grande estirpe tomou o poder. Depois começou a queda: nos 90’ tivemos essa excrescência chamada Charlie Brown Jr., que agora faz a garotada chorar copiosamente a morte de seu líder. Dos anos 2000’ pra cá é o que se sabe: os mega ídolos nacionais são pagodeiros iletrados (Thiaguinho e cia.), cantores/as de axé com repertório horrendo (Ivete Sangalo) e bandas de rock “sentimentais” que são a vergonha alheia total (Strike, For Fun, Cine, Restart). Até quando o Brasil vai chafurdar nessa ignorância cultural sem fim é o que estas linhas rockers online gostariam de poder adivinhar…

 

 

UM NOVO PROJETO ALTERNATIVO SURGE NO ABC PAULISTA, PARA ANIMAR AS NOITES DE DOMINGO

O DJ, agitador cultural e fã de rock alternativo Eduardo Gyurkovitz sempre teve um sobrenome, hã, difícil de grafar e de pronunciar. Isso no entanto não o impediu de se tornar um dos personagens mais conhecidos da noite rock alternativa da região do ABC (na Grande São Paulo) e mesmo também na capital paulista, nos últimos trinta anos. Desde muito cedo ligado à cena rocker mais underground da cidade de Santo André (onde nasceu e vive até hoje), Edu produziu e promoveu dezenas de eventos e projetos voltados ao público fã de pós-punk inglês, gothic rock, dark wave, EBM etc ao longo das últimas três décadas, inclusive atuando intensamente como dj nesses eventos. E é justamente por isso, por possuir toda essa bagagem e experiência na cena que ele resolveu investir em sua mais nova empreitada: a festa “After Dark”, que estreia neste domingo em Santo André.

Segundo o próprio idealizador, o objetivo é resgatar os melhores sons do rock underground dos anos 80 e 90, uma época que definitivamente ficou eternizada na história do rocknroll. E fazer a domingueira rock em Santo André tem também o seu motivo de ser já que a cidade, que possui um passado lendário em se tratando de casas noturnas voltadas ao rock, de bandas e tribos alternativas, anda sofrendo com a ausência de empreendimentos voltados a esta mesma cena – como de resto todo o país está sofrendo com isso. E ainda mais num dia da semana considerado como mezzo “morto”, como é o domingo (algo que foi desmentido nos últimos vinte anos pelo sucesso da domingueira “Grind”, comandada em Sampa pelo também mega conhecido DJ André Pomba). Ou seja: trata-se de uma nova e super bem vinda opção para os fãs do rock alternativo no ABC, sejam eles veteranos dos anos 80 e 90 ou das gerações mais novas que ainda amam rock e que não se deixaram contaminar por sertanojo, axé, pagode, funk etc.

Para falar melhor sobre o “After Dark” e explicar como será a festa o blog zapper bateu um papo com Eduardo, e cujos principais trechos você lê a seguir.

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Cartaz da nova festa alternativa (acima) “After Dark”, que rola a partir do próximo domingo na cidade de Santo André; abaixo o organizador, produtor e DJ residente do evento, Eduardo Gyurkovitz

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Zapnroll – “After Dark”, a nova festa/projeto alternativo no qual você está à frente, possui caráter eminentemente saudosista, visto que vai focar sua trilha musical no rock under dos anos 80 e 90. Isso corrobora, na sua opinião, que o rock acabou e morreu mesmo nos anos 2000 e que apenas o que foi feito há 20 ou 30 anos é que vai permanecer como a era clássica do gênero?

 

Eduardo Gyurkovitz – Não, o rock não morreu. Mas a cada década que passa, tentam matar o coitado. Sem dó ou piedade. Este não é o ritmo mais popular ultimamente, mas prossegue em sua caminhada em mais de seis décadas de vida. Quando eu ouço/leio algo sobre a morte do rock, creio que a pessoa está ficando velha e não se conforma com esta realidade. Não consegue ir num festival e abrir a cabeça para bandas novas. Não se arrisca em conhecer algo numa playlist. Não quer sair de sua zona de conforto. Não adianta culpar o rock. Quando olhamos para o som alternativo (nicho menor ainda), noto que ainda hoje proliferam bandas, projetos e músicos com propostas muito interessantes, originais e inovadoras, mas essas já não possuem o mesmo apelo “Cult” que tinham nos anos 80 & 90. A aura de romantismo que envolvia tanto as bandas quanto as canções parece que perdeu a aura underground e se tornou apenas mais uma opção dentre tantas espalhadas pelos podcasts e streamings. A proposta do After dark é trazer de volta essa aura, este apelo “Cult”. E os anos 80 & 90, na minha opinião, foram as décadas mais ricas no sentido de música, moda e comportamento underground.

 

Zap – Qual o público que vocês pretendem atingir? Apenas pessoas com 30 anos de idade ou mais, ou também a garotada mais nova que ainda se encanta pelos anos 80 e quer conhecer melhor o que era feito em termos de rock naquele período?

 

Eduardo – O After Dark surge com a proposta de colocar sob os holofotes (ou luz negra, rsrsrs) as texturas musicais que fizeram dos anos 80 & 90 as décadas mais dançantes de todos os tempos. Na minha opinião música é atemporal, então nosso foco é atingir todos os amantes e apreciadores da musica alternativa, tantos os contemporâneos quanto os mais jovens.

 

Zap – O evento está sediado em Santo André, cidade da Grande São Paulo muito conhecida por ter abrigado uma cena rock alternativa fortíssima nos anos 80, com muitas bandas em atividade naquela época e casas noturnas que marcaram época, como o Front 575. Como está essa cena atualmente na cidade? Ela ainda existe? E como você, já um agitador veterano dessa cena, vê a situação do underground rock dos tempos atuais?

 

Eduardo – O ABC foi um dos principais pólos alternativos nas décadas de 80 & 90. Atualmente a cena under na região está praticamente extinta. Tanto com relação às festas, quanto às bandas. Sobre a cena, enxergo um paradoxo, pois vemos ainda em metrópoles como São Paulo, casas e projetos sustentando a essência underground. Mas percebe-se claramente que, hoje, nenhum desses projetos consegue se sustentar sem aderir, de alguma forma, ao passado. Lembro que, quando era DJ residente do Front 575 o setlist, de ponta a ponta, era composto de novidades. Hoje, mesmo os projetos que tentam manter a mesma essência, não consegue sustentar por muito tempo uma pista e uma vibe forte, sem tocar clássicos do passado que faziam os porões lotarem.

 

Zap – Fale um pouco da sua trajetória como DJ, promoter e agitador de eventos alternativos, para quem não o conhece. Afinal você já atua nessa cena há mais de 30 anos.

 

Eduardo – Atuo há 32 anos. Sou nascido em S. André e minha primeira incursão no som alternativo se deu ao frequentar um bar que havia aqui na cidade chamado Aeroporto. O som ambiente da casa era comandado por fitas K7 que levávamos para o dono tocar. Na época eu conhecia duas lojas de discos onde eu comprava “esses estilos esquisitos”. Era a Wop Bop Discos e a Bossa Nova. Eu gravava meus discos e levava para o Aeroporto. Como o pessoal começou a gostar, os donos resolveram transformar uma área da casa em pista de dança. Surgia o Aeroporto Dancing Pub (1986). E eu assumi, pela primeira vez, as pick-ups como DJ. Em 1989, a casa foi reformada dando lugar ao Front 575, uma das principais casas alternativas de todos os tempos e que marcou época na região. Muita gente de São Paulo, vinha pra cá curtir nosso som. Desde então construí uma carreira como Dj alternativo e frequentemente participo de festas e eventos focados nesses estilos. Já são mais de três décadas dedicados à divulgação do som alternativo.

 

Zap – por fim: tem acompanhado bandas novas? Ou seu coração continua pulsando apenas pelos grandes nomes do passado do rocknroll?

 

Eduardo – Tenho sim, obviamente, rock bom não é apenas rock antigo, como muita gente infelizmente ainda acredita. Tem muitas bandas excelentes fazendo discos legais agora mesmo, procuro acompanhar e alguns artistas tem me chamado a atenção. Por exemplo, eu gosto do estilo de Lana Del Rey;  do duo feminino do Deap Vally; também me chamou a atenção a sonoridade do Dead Sara. Posso nomear mais alguns que, acredito sejam boas promessas como Dirty Sweet, The Temperance Movement e Weird Owl.

 

***A festa After Dark inaugura neste domindo, 11 de março, a partir das 7 da noite, na rua das Figueiras, 271, bairro Jardim, em Santo André. Todas as infos sobre a festa estão aqui: https://www.afterdark.net.br, e aqui também: https://www.facebook.com/events/104007773750759/.

 

 

A PRIMEIRA MUSA ROCKER DE 2018 É MESMO SENSACIONAL E INCRÍVEL: A LINDAÇA TATUADORA CRIS DIAS, WOW!

Nome : Ana Cristina Dias.

Idade: 36 anos.

Nasceu em: São Paulo.

Mora onde e com quem: Juquitiba (Grande SP), sozinha, porém do lado da casa da mamis.

O que faz: tatuadora e body piercer.

Três discos da sua vida: “Anthology” 1, 2 e 3 dos Beatles, “Simples de coração”, dos Engenheiros do Hawaíí, e “No need to argue”, do The Cranberries.

Três artistas ou bandas: Beatles, David Bowie e Humberto Gessinger.

Três livros: “Mulheres”, “Notas de um velho safado” e “Fabulário geral do delírio cotidiano”.

Dois autores: Bukowski e Neil Gaiman.

Três filmes: “Watchmen”, “Death Proof” e “Lost in translation”.

Três diretores de cinema: Quentin Tarantino, Sofia Coppola e Woody Allen.

Um show inesquecível: The Doors em 29/10/2004, no Credicard Hall (que agora é Citibank Hall). Na época eu era muito fã da banda. Chorei praticamente o show inteiro, mesmo tendo só dois integrantes originais da banda, Ray Manzarek e Robby Krieger.

Sobre situação política, social, cultural atual do Brasil: política é assunto que me dá preguiça, mas procuro me informar o suficiente pra não ser uma tapada e jogar meu voto fora. Culturalmente falando, acho que já tivemos momentos melhores, mas é arriscado falar sobre cultura, porque ainda prevalece o gosto pessoal de cada um, por mais duvidoso que possa parecer.

Como o blog zapper conheceu Cris: tanto o jornalista maloker quanto a gata tatuadora frequentavam o saudoso bar Astronete, no baixo Augusta. Foi então que numa noite de loucuragens rockers e alcoólicas, o zapper puxou papo com a moça, que foi super simpática com ele e passou a chamá-lo de “o rocker mais LOKER de todos”, hihihi. Desde então são amigos queridos e estas linhas virtuais adoram o fato de Cris ser, além de uma garota total rocknroll, também mega inteligente, culta e um doce de ser humano, sem a arrogância e a afetação que facilmente contaminariam a personalidade e o ego de uma jovem mulher tão bonita como ela é.

Pois chega de papo e agora podem se deleitar com o fodástico ensaio da nossa primeira super musa deste ano, com imagens registradas pelo fotógrafo Jonathan Despesi. Curtam sem moderação!

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Pensando se desvela seus segredos corporais…

 

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A perfeição pelo ângulo de trás

 

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A perfeição pelo ângulo lateral

 

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Minhas tattoos mostram que meu corpo e minha alma são rocknroll

 

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Enfim, parte do segredo revelado! “Deixem que uma fúria LEGÍTIMA tome conta de vocês!” (Charles Bukowski)

 

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“Amor é pros guitarristas, católicos e fanáticos por xadrez” (Charles Bukowski). Eu sou apenas uma garota algo sem pudor e com todo o ardor do mundo em meu coração e em minha pele com as marcas impressas do que realmente amo

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

***Disco: Uma década sem lançar um disco inédito. E vinte e cinco anos após tocar pela última vez com a formação que se reúne agora novamente, as Breeders lançaram este “All Nerve”, que saiu nos EUA no comecinho de março. Está longe de ser uma obra-prima como foi “Last Splash” (de 1993, e que estourou no mundo todo o mega hit “Cannonball”) mas é muito superior a qualquer disco que se lança no roquinho planetário atual. O cd se equilibra bem entre momentos mais tensos nas guitarras (comandadas pelas irmãs Kim e Kelly Deal, também responsáveis pelos vocais principais em todas as faixas) e “distensões” melódicas, com faixas com ambiências mais calmas. Tudo em enxutos 35 minutos de audição e onde músicas como “Nervous Mary”, “Wait In The Car” (o primeiro single de trabalho) e “Dawn: Making An Effort” poderão empolgar os velhos fãs. Interessou em ouvir a parada toda? O álbum está todinho aí embaixo. Enjoy!

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***Blog de textos poéticos bacana: é o “De Analgésicos & Opioides”, escrito pela amigona zapper Tatiana Pereira. Ela lida com sua paixão por letras, textos e poesia já há mais de duas décadas e prepara seu primeiro livro, que deve sair em breve. Enquanto não sai você pode se deliciar com o ótimo trabalho que ela produz aqui: http://www.deanalgesicoseopioides.com.br/.

 

***Baladenha boa: com o postão zapper sendo finalizado já na noite de sábado, 10 de março, fikadika: hoje tem nova edição da mega legal festa “Monstra”, no igualmente mega legal Clube VU, lá na Barra Funda (zona oeste de Sampa), sendo que todas as infos sobre estão aqui: https://www.facebook.com/events/165517827584612/. Beleusma? Vai lá e se joga, e quem sabe nos “trombamos” enquanto o zapper degusta uma gin Tonica.

 

 

“ESCADARIA PARA O INFERNO” EM PROMOÇÃO NO BLOGÃO, EM FINANCIAMENTO COLETIVO E À VENDA!

Yeeeeesssss! O primeiro livro do eterno jornalista loker/rocker segue em promoção aqui no blog. E para concorrer a um exemplar do mesmo basta ir no hfinatti@gmail.com e mandar um alô por lá pra gente, okays?

Mas se você quer MESMO garantir seu exemplar, anote: ele segue à venda na Sensorial Discos/SP (rua Augusta, 2389, Jardins, zona sul de Sampa, fone 3333-1914) e na loja virtual do site da editora Kazuá, aqui: http://www.editorakazua.net/catalogo/escadaria-para-o-inferno-de-humberto-finatti. E você ainda pode ajudar no financiamento coletivo em torno dele, para arrecadarmos uma grana que nos permita fazer novas festas de lançamento do livro. Para isso, basta ir fazer sua doação aqui: https://www.kickante.com.br/campanhas/lancamentos-do-livro-escadaria-inferno. A firma fináttica agradece desde já quem colaborar, uia!

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E PARAMOS AS MÁQUINAS POR AQUI

Todo carnaval e todo post de blog rocker tem seu fim. O nosso é aqui e agora. Mas em breve voltamos novamente no pedaço, beleusma? Inté!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 17/3/2018, às 17hs.)