AMPLIAÇÃO FINAL! Com o início das comemorações dos 15 anos do blog zapper (sim, estamos chegando à década e meia de existência, é mole?), as DJs set que vão DETONAR o baixo Augusta/SP neste finde e uma musa rocker rockabilly de fazer qualquer um perder o juízo: a sensacional Cris Ribeiro! – No “Dia Mundial Do Rock”, data que estas linhas online sempre abominaram e quando não há realmente NADA digno de nota a se comemorar, o blog zapper prefere continuar seguindo sua nova linha editorial e prestando total reverência e vassalagem ao que importou e continua importando na história do gênero musical mais impactante da música mundial em todos os tempos; assim falamos aqui dos trinta anos do mega clássico álbum “Psicoacústica”, lançado pelo ainda gigante Ira! (um dos maiores nomes de todo o rock brasileiro) em 1988 e que agora está na estrada com uma turnê comemorativa do disco, com entrevistas exclusivas com o guitarrista Edgard Scandurra e com o ex-batera do grupo, André Jung; e muito mais em um postão que finalmente está total concluído, em 26/7/2018

CARTAZLANÇAMENTOLIVROFINAS18SESC

IMAGEMIRACLASSICO80

O gigante Ira! em foto clássica da capa de primeiro disco, “Mudança de comportamento”, lançado em 1985 (acima); o grupo está na estrada, fazendo a turnê comemorativa dos 30 anos do seminal álbum “Psicoacústica” (abaixo), e cujos shows em Sampa acontecem em setembro, no SESC Belenzinho

CAPAIRA1988

**********

MAIS MICROFONIA, COM OS 15 ANOS DO BLOG MAIS LEGAL DA WEB BR E O NOVO LANÇAMENTO DO LIVRO “ESCADARIA PARA O INFERNO”!

 

***Yeeeeesssss! Postão sendo finalmente concluído! E na semana onde começamos enfim a comemorar os quinze anos de existência zapper. Para tanto as celebrações já começam hoje, quinta-feira, 26 de julho (quando este post está sendo ampliado e finalizado), quando haverá nova noite de lançamento e autógrafos de “Escadaria para o inferno”, o livro lançado por Finaski no final de 2017 e que até agora repercute e continua dando o que falar. Quer participar do evento de hoje, que terá inclusive bate papo com o sujeito aqui? Vai no SESC da avenida 9 de julho em Sampa, que estaremos por lá a partir das sete da noite, beleza? Sendo que as infos todas do evento você pode conferir aqui: https://www.facebook.com/events/995286970645414/.

CARTAZLIVROFINASSESC18

 

***Tem mais? Claro, tem muuuuuito mais, sempre! No finde o blog toca o terror e o puteiro rocker em duas das noitadas/festas/baladas mais badaladas do que ainda resta do circuito rocknroll alternativo noturno em Sampa. Na sexta-feira em si (leia-se amanhã, 27 de julho), vamos incendiar a pista rock no open bar infernal do Clube Outs, que também está comemorando quinze aninhos de existência lá na rua Augusta, 486. Todas as infos aqui: https://www.facebook.com/events/238770006940901/.

CARTAZDJSSETZAPNROLL18

 

***E no domingo a parada vai ser na domingueira rock mais bombada do Brasil já há vinte anos, a Grind, sempre comandada pelo super DJ e “mozão” (ahahaha) André Pomba. Zapnroll vai assumir a discotecagem às duas da matina de domingo pra segunda-feira e fará um set especial apenas com clássicos gigantes do rock BR dos anos 80. Vai perder? Não? Então pegue todas as infos da balada aqui: https://www.facebook.com/events/203279387021267/.

 

***E não pára por aqui. Em outubro vai rolar a festa OFICIAL da década e meia do blog, com showzaços num super espaço da zona leste da capital paulista e onde irão se apresentar as bandas The Dead Rocks e Saco De Ratos. Vai ser no dia 19 daquele mês, uma sexta-feira e logo menos iremos informar aqui o local da festona, okays?

 

***Agora por enquanto é isso neste post, que já está bem grandinho como sempre. Vamos parando por aqui e prometendo voltar com muito mais na semana que vem, beleusma? Até lá então!

 

**********

MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, o rock, bandas, discos, filmes, livros etc.)

 

***Celebrar dia do rock no Brasil, onde “roqueiro” se tornou reaça, vai votar em BolsoNAZI e apoia intervenção militar? Não, gracias!

 

***Preferimos nessa deliciosamente fria noite de sextona abrir o novo postão zapper falando do que vale realmente a pena em termos de rocknroll de verdade: os trinta anos do ultra clássico álbum “Psicoacústica”, editado pelo ainda gigante Ira! em maio de 1988.

 

***Mas antes, só pra lembrar nosso dileto leitorado (e deixar os fakes psicopatas do painel do leitor zapper se MATANDO de ódio e inveja, hihi), tem novo lançamento do livro “Escadaria para o inferno” no final deste mês, conforme você ver nas infos abaixo:

CARTAZLANÇAMENTOLIVROFINAS18SESC2

 

***E julho também vai ser o mês das DJs set de Zapnroll, celebrando os quinze anos do blog, wow! Tem discotecagem arrasadora dia 27, sexta-feira, no Clube Outs (o último e sempre bombado reduto rocker do baixo Augusta, em Sampa). E domingo, 29, será a vez de invadirmos a pista do Grind, a super domingueira rock comandada pelo amado e fofo André Pomba. Logo menos iremos dar mais infos aqui sobre as duas festonas, pode aguardar!

 

***Mas chega de papo furado. Vamos já falar dos trinta anos de “Psicoacústica”, do Ira! E ao longo da próxima semana iremos “engordar” as notinhas do Microfonia, beleza? Bora!

 

 

EM NOVA TURNÊ O AINDA GIGANTE IRA! RESGATA SEU ÁLBUM “PSICOACÚSTICA”, LANÇADO HÁ 30 ANOS E UM DOS MELHORES DISCOS DO ROCK BR DOS ANOS 80

Quando lançou seu terceiro trabalho de estúdio em 1988, o então quarteto paulistano Ira! já estava consolidado como um dos nomes gigantes e mais respeitados do rock BR dos anos 80. A banda vinha de dois ótimos discos (a estreia em 1985, com “Mudança de comportamento”, e na sequencia “Vivendo e não aprendendo”, editado em 1986) que além de terem forjado a ótima estética sonora do conjunto (com ambiências calcadas no punk inglês do final dos anos 70 e também no movimento mod que tomou de assalto o rock britânico nos sixties), ainda obtiveram ótima resposta comercial e de público – “Vivendo…, graças a inclusão da música “Flores em você” como tema de abertura da novela do horário nobre da TV Globo da época, vendeu rapidamente mais de duzentas e cinquenta mil cópias, um número excepcional para aquele tempo. Assim sendo o Ira! estava com a moral nas alturas junto à sua gravadora, a WEA (atual Warner Music), e também junto aos fãs e a imprensa rock brazuca. E foi essa moral toda que permitiu ao grupo mudar bastante sua concepção sônica em “Psicoacústica”. Lançado oficialmente em 11 de maio de 1988, o disco chegou agora às suas três décadas de existência mantendo o posto de MELHOR álbum de estúdio que a banda lançou até hoje. Um trabalho que vendeu muito menos do que seus dois antecessores mas que estava, em termos sonoros, muito à frente do seu tempo. E que agora é rememorado pela atual formação do conjunto com uma turnê comemorativa que chega à capital paulista em setembro próximo, no SESC Belenzinho. Motivos mais do que suficientes, portanto, para que tanto o LP quanto o grupo mereçam ser o tópico principal deste post zapper.

O Ira! entrou em estúdio para gravar seu terceiro disco inédito em novembro de 1987. Saiu de lá em fevereiro do ano seguinte (pouco depois de dar uma pausa nos trabalhos de gravação, para se apresentar na primeira edição do saudoso festival Hollywood Rock) com um “Psicoacústica” que deixou fãs e imprensa em geral de boca aberta quando foi oficialmente lançado, três meses depois. Com apenas oito faixas e pouco mais de trinta e três minutos de duração o disco recebeu aprovação da maioria das críticas musicais que recebeu na época. Mas também houve quem torceu o nariz. E o motivo para essas reações diversas estava muito claro: a banda de Edgard Scandurra (guitarras, vocais), Nasi (vocais, samplers, percussão), Gaspa (baixo) e André Jung (bateria) tinha praticamente rompido com os cânones sonoros que nortearam seus dois primeiros LPs. Sim, havia ainda rocknroll bastante abrasivo e de guitarras no álbum. Mas quando o grupo resolveu absorver e enveredar por nuances de hip hop, rap e embolada nordestina nos sulcos de algumas faixas, o choque foi inevitável entre alguns jornalistas e admiradores do conjunto. Era como se DOIS Iras! distintos estivessem convivendo (e se debatendo) dentro de um único grupo: de um lado o guitarrista monstro Scandurra e o baixista Gaspa mantendo a estética rock e empunhando com garra e afinco a bandeira do estilo; do outro a dupla Nasi/Jung, que havia começado a se envolver com a nascente cena rap/hip hop paulistana (sendo ambos inclusive responsáveis pela produção da coletânea “Cultura De Rua”, lançada pelo extinto selo Eldorado também em 1988, o primeiro registro que cobria com bastante amplitude essa cena rapper da capital paulista), trazendo eflúvios (como sons sampleados e scratches) dessa cena para agregar novas sonoridades em algumas canções do disco.

No final das contas, este “choque” sônico que poderia acabar em um conflito ideológico/estético/musical problemático de ser solucionado, resultou em um LP surpreendente e que se mostrou muito à frente do que então estava rolando no rock nacional. O quarteto soube equilibrar os espaços e mixar bem as ideias e influências que levou para o estúdio Nas Nuvens, no Rio De Janeiro, onde gravou sob a direção do português Paulo Junqueiro. Fora que os registros musicais foram sendo feitos com a turma totalmente entorpecida por nuvens densas formadas pelo consumo de quilos de ótima marijuana, como o próprio Nasi relembra em sua biografia, “A Ira de Nasi” (editora Belas Letras, 2012): “A gente colocava conhaque e maconha no narguilé e fumava”. Um estado de torpor criativo genial, também recordado por Paulo Junqueiro, na mesma bio do vocalista: “Psicoacústica era uma palavra que eu falava muito. Foi tudo superlativo nas gravações. A guitarra que era gravada com 17 microfones e 4 amplificadores. Tinha coisa que ficava uma merda, mas muita coisa genial. A [gravadora] Warner deu três meses pra gente trabalhar, na maior liberdade. A gente fumava pra caralho. Era o que mais rolava. De resto, a gente dava um teco ou outro [de cocaína] mas o grosso era a maconha da lata no narguilé do Edgard. Foi uma sintonia fina, afinal na época pouca gente conseguia trabalhar com o Ira!, e eles também confiavam em poucas pessoas. Principalmente numa ousadia como essa”.

FINATTIIRAFOLK17

A atual linha de frente do Ira!, formada pelos fundadores da banda, Edgard Scandurra (guitarras, vocais) e Nasi (vocais), “cercando” o jornalista loker/rocker, no camarim após apresentação do projeto Ira! Folk; abaixo Finaski entrevista a banda em sua formação clássica, no final do ano 2000

FINATTIIRA2000

Essa “ousadia” se materializou em músicas hoje clássicas, como os rocks “Rubro Zorro”, “Manhãs de domingo” (as duas primeiras do álbum, que o abrem com poder, fogo e fúria) e “Farto do rocknroll” (composta e cantada por Scandurra, como uma espécie de “alfinetada” na dupla Nasi/André Jung, que estava encantada pelas novas possibilidades sonoras que o hip hop lhes mostrava), e no rap/embolada que era “Advogado do Diabo”, faixa que anos depois se tornou influência confessa na obra de bandas gigantes do rock BR dos 90, como Chico Science & Nação Zumbi. Por fim ainda sobrou espaço para a psicodelia sessentista em estado bruto, como na belíssima “Mesmo distante”, que fecha o disco. E claro, o conjunto pagou um preço até certo ponto bastante elevado por ter ousado e experimentado tanto em seu terceiro álbum: “Psicoacústica” frustrou as expectativas da gravadora, vendendo muito menos (em torno de 60 mil cópias) do que os dois trabalhos anteriores. De certa forma foi o começo da derrocada mercadológica do Ira!, que iria se acentuar cada vez mais nos discos seguintes (o último LP do contrato deles com a Warner, “Música calma para pessoas nervosas”, editado em 1993, vendeu pífias três mil cópias), com a banda se reerguendo novamente apenas uma década e meia depois, quando lançou o mega sucesso “Acústico MTV” em 2004, que vendeu mais de 350 mil discos.

Mas “Psicoacústica” acabou se tornando um marco na trajetória da banda. E hoje, trinta anos após seu lançamento, é reconhecido e reverenciado como um dos principais álbuns de todo o rock brasileiro, figurando na lista dos cem melhores discos da música brasileira em todos os tempos, publicada há alguns anos pela finada revista Rolling Stone Brasil. Motivos mais do que suficientes para que o redivivo Ira! esteja agora na estrada, fazendo a turnê comemorativa de três décadas do LP. Turnê que chega à capital paulista em setembro, com dois shows no SESC Belenzinho nos dias 14 e 15 daquele mês. Vai ser a grande oportunidade (e talvez a única) de conferir “Psicoacústica” em sua totalidade, faixa a faixa, ao vivo. E Zapnroll, velho amigo da turma (o autor deste blog conhece pessoalmente Scandurra e Nasi há quase 40 anos), estará lá com certeza. Afinal e mesmo com a triste derrocada pelo qual o rock está passando na era estúpida da web e das redes sociais, ainda não estamos fartos dele. E enquanto houver bandas como o Ira! e álbuns como “Psicoacústica” (disco igual a ele, nos tempos funestos atuais? Nem em sonho, mané) para escutarmos, o rocknroll não irá morrer JAMAIS!

 

 

EDGARD SCANDURRA E ANDRÉ JUNG FALAM AO BLOG SOBRE “PSICOACÚSTICA”

O jornalista rocker/loker/zapper conhece o Ira! desde os primórdios do grupo, quando ele sequer ainda havia lançado algum disco. Assistiu seu primeiro show do grupo em 1981, durante um festival punk promovido pelo Teatro Tuca, que era administrado pela PUC/SP – yep, Finaski fez parte do movimento punk paulistano de 1980 a 1984. Em 1983 a banda lançou seu primeiro compacto simples pela gravadora WEA (atual Warner Music), com as músicas “Gritos na multidão” e “Pobre paulista”. O primeiro LP do grupo, “Mudança de comportamento” foi lançado dois anos depois, em 1985. E no ano seguinte, em maio de 1986, Zapnroll iniciou sua trajetória no jornalismo musical e cultural brasileiro. Desde então, além de fã do grupo o autor deste blog se tornou AMIGO PESSOAL da turma, amizade que permanece até hoje. Desta forma não foi difícil acionar os queridos Edgard Scandurra e André Jung (que tocou bateria no conjunto por quase trinta anos, e gravou com ele todos os discos de estúdio) para que os dois batessem um papo conosco e relembrassem como foram aqueles tempos incríveis em que conceberam essa obra gigante que é “Psicoacústica”. Eles também desvelam suas impressões sobre o trabalho, três décadas após seu lançamento.

Abaixo, os principais trechos das entrevistas que a dupla concedeu a estas linhas rockers/bloggers.

FINATTIJUNGGUTO18

Zapnroll com seus diletos amigos de décadas, e também integrantes do Ira!, um dos nomes fundamentais do rock brasileiro dos anos 80: acima com o ex-batera do grupo, André Jung, e abaixo com o guitarrrista gênio Edgard Scandurra

FINATTISCANDURRA

Zapnroll – “Psicoacústica”, disco lançado pelo Ira! em maio de 1988, completou 30 anos e continua sendo reverenciado como um dos melhores álbuns do rock brasileiro dos anos 80, sendo que até hoje sua sonoridade é (ou foi) considerada muito à frente da época em que o LP foi lançado. E hoje como enxergam e avaliam musicalmente um disco tão importante e esencial na discografia do conjunto?

 

André Jung – Os dois primeiros álbuns do Ira!, Mudança de Comportamento e Vivendo e Não Aprendendo, representavam o momento MOD extremo da banda, discos feitos quando todos caminhavam na mesma direção. O segundo álbum, que nos trouxe o sucesso nacional, teve uma realização muito complicada, na qual rompemos com o produtor e voltamos do Rio para finalizá-lo em SP. Entre esse disco e o Psico, Edgard foi ao Rio gravar seu primeiro álbum solo, Amigos Invisíveis, uma obra puríssima MOD; por outro lado eu e o vocalista, que morávamos juntos então, estávamos arrebatados pela cena hip-hop, que entendíamos como o new Punk. A atitude do Edgard de gravar um álbum solo logo quando o grupo vivia sua maior popularidade o deixou um tanto à margem do processo que desencadeou o Psico, na época eu tinha um estúdio caseiro e nele começamos a desenvolver temas como Advogado do Diabo e Farto do Rock’n Roll, Edgard queria tempo para trabalhar seu disco solo e nós queríamos entrar em estúdio e desenvolver um novo caminho para o Ira! Esse conflito marca a gênese do Psico. Esse disco foi uma ruptura com a estética, o processo criativo e o formato dos arranjos que estavam presentes nos 2 primeiros discos. Edgard e Gaspa, faziam a dupla MOD, ligada às harmonias bem construídas e à um certo lirismo, e do outro lado eu e o vocalista defendíamos o Rhythmn and Poetry, como um novo caminho a trilhar. Democraticamente como nunca, conseguimos fazer uma equilibrada junção dessas aparentemente antagônicas diretrizes. Psico acústica foi criado a 8 mãos, de forma que boa parte das músicas é assinada como Ira!, assim como a produção. Nesse aspecto, eu tinha em mente fazer um disco com sonoridade que em nada lembrasse o Vivendo e Não Aprendendo, que considero obra de repertório excelente com sonoridade ruim. Paulo Junqueiro, engenheiro de som e co-produtor, entendeu bem como extrair peso e “verdade” das sessões de gravação, que eram plenas de experimentações. Avalio que o Psicoacústica, lançado em 1988, antecipou várias características da Geração 90 do Rock BR, quais sejam: interação com o Rap/Hip Hop, diálogo com elementos da música brasileira e utilização de samplers, percussão e interferências.

 

Edgard Scandurra – o Ira, até o disco “ isso é amor” ou seja , por todo os anos 80 e quase todo os anos 90, trabalhou com o intuito de fazer álbuns conceituais e esse foi mais um dos nossos álbuns/conceito. Talvez o mais bem sucedido nesses termos.  O trabalho a 10 mãos ( as 8 dos 4 iras e as 2 do nosso produtor, Paulo Junqueiro) foi a característica desse disco.

 

Zap – Curiosamente e apesar de ter uma sonoridade tão elaborada e complexa, foi um dos LPs que menos vendeu da banda. A que vocês atribuem isso?

 

Jung – Era uma obra de vanguarda, muitos não entenderam, a gravadora queria um Vivendo 2, e fizemos o contrário.

 

Scandurra – Faltavam refrões pop, não que isso seja algum problema, mas a nossa estética era realmente experimental demais para transformar esse disco em sucesso de vendas.

 

Zap – Há, nas oito faixas do álbum, canções com a estrutura rock clássica do Ira! (com influências do punk e do movimento mod inglês) mas, também, eflúvios claros de rap, hip hop (com scratches em algumas faixas) e até de ritmos brasileiros tradicionais, como a embolada nordestina. De onde surgiu, na época, a ideia de trabalhar essas sonoridades na construção do disco?

 

Jung – Comecei percussionista, amante de Hermeto, Gismonti, Grupo Um, Airto Moreira, Naná Vasconcelos e outros gênios da nossa música instrumental, sou Pernambucano, cresci ouvindo a maravilhosa música do meu estado natal e região, para mim era como resgatar um pedaço profundo de minha alma, na época tb me envolvi de cabeça com a embrionária cena Hip Hop paulistana, Comecei a produzir, em meu home studio, bases para vários rappers de SP, entre eles Thaíde, que pouco depois se juntou ao DJ Hum, dupla com a qual produzi, em 1989, o álbum Pergunte a Quem Conhece, primeiro álbum solo de um artista do Hip Hop Br.

 

Scandurra – esse foi o 1º disco onde as composições foram mais divididas entre nós 4. André jung e Nasi tinham essa forte influência do Rap, pesquisas de ritmos e sons brasileiros e essa mistura com o meu rock e com os riffs do Gaspa, geraram esse disco com essa sonoridade única.

 

Zap – Há também doses generosas de ambiências psicodélicas no LP, que parece ter sido gravado sob total influencia de farto consumo de maconha, como o vocalista Nasi descreve em sua auto-biografia. Procede? Rsrs.

 

Jung – Levamos uma lata do “Da Lata” para o Rio, foi um álbum movido a cannabis.

 

Scandurra – o fumo da lata esteve presente em todo o processo desse trabalho. Mas além disso estávamos muito ligados em conceitos e na tecnologia que existia na época, pra podermos trabalhar nosso psicodelismo, sem necessariamente precisar ficar chapado.

 

Zap – Vocês acreditam que nos medíocres tempos atuais, onde o rock praticamente morreu aqui e lá fora, alguma banda teria estofo musical e cultural/intelectual para gravar um trabalho semelhante a “Psicoacústica”?

 

Jung – Acho que não é tão medíocre não, já ouvi muita coisa linda e surpreendente de bandas e artistas atuais, Ventre e Jaloo por exemplo, o que ocorre é que o mainstream tornou-se um reduto de “projetos” bancados por investidores voltados a música de entretenimento, sem reflexão, questionamento ou arte.

 

Scandurra – eu acho que uma obra de arte sempre terá espaço, não importa o tamanho. Importa sim quando a pessoa compra o disco, o escuta e o admira ( ou não) sejam mil , 500 ou 1 milhão de pessoas.

 

 

“PSICOACÚSTICA” AÍ EMBAIXO

Para ser ouvido na íntegra, na plataforma à sua escolha.

 

 

DUAS LETRAS DO DISCO

RUBRO ZORRO

Trata-se de um faroeste sobre o terceiro mundo…

 

O caminho do crime o atrai

Como a tentação de um doce

Era tido como um bom rapaz

Foi quem foi

 

Ao calar da noite

Anda nessas bandas

Do paraíso é o zorro

Rubro zorro

 

Espertos rondam o homem

Um tipo comum

Tesouro dos jornais

Sem limite algum

 

Luz Vermelha foi perdido no cais

Do terror

Um inocente na cela de gás

Sem depor

 

Luz Vermelha foi perdido no cais

Dos sem nome

Era tido como um bom rapaz

Tal qual o “Golem”[*]

 

Sou o inimigo público número um

Queira isso ou não

Por ser tão personal

Personal, personal…

 

O caminho do crime o atrai

Como a tentação de um doce

Foi calado na cela de gás

O bom homem mau

 

No asfalto quente

O crime é o que arde

Bandidos estão vindo

De toda parte

 

O caminho do crime o atrai…

 

É na cabeça…

Seu poder racional…

É na cabeça…

Personal, personal…

 

FARTO DO ROCKNROLL

Eu fico tentando me satisfazer

Com outros sons, outras batidas, outras pulsações

O planeta é grande e eu vou descobrir

Muitas respostas as minhas perguntas agora

Sempre tem alguma coisa pra me atrapalhar

E com a testa franzida de tanto me preocupar

Então eu faço como os outros e vou assistir ao show

Faço como os outros e vou assistir ao show

 

Fim de semana sim

Fim de semana não

Às vezes tudo bem

Às vezes sem razão

Já estou farto do Rock’n Roll

Já estou farto do Rock’n Roll

 

Eu fico buscando nos quatro cantos do mundo…

Música!

Música!…

 

Algo que esteja na minh’ alma

Que me faça enxergar além

Outros sons, outras batidas, outras pulsações

 

 

TURNÊ “PSICOACÚSTICA 30 ANOS”, COM SHOWS DO IRA! EM SAMPA

As gigs acontecem dias 14 e 15 de setembro, às 9 e meia da noite, na comedoria do SESC Belenzinho (próximo ao metrô Belém, zona leste da capital paulista). Os ingressos estarão à venda no início de setembro, pelo site do SESC.

 

**********

MUSA ROCKER DESTE POST – A SEXY, SENSUAL E INCRÍVEL CRIS RIBEIRO!

Nome: Cristina Ribeiro

Nasceu em: 17 de agosto de 1989

Mora em: São Paulo.

Com quem mora: meu esposo (do segundo casamento) e filho.

Idade: 28 anos.

O que faz (estudo e trabalho):  Atualmente estou me dedicando apenas ao meu programa de radio sobre rockabilly e cultura dos anos 50, a minha banda também de rockabilly e fazendo freela como Dj em festas de rockabilly, além de modelo pin up Old Hollywood.

Três bandas ou artistas: vou citar aqui três bandas que foram cruciais para que eu ficasse de vez na “cena”

Rockabilly: Charlie Feathers ( DEUS) , Johnny Burnette Rock’n’Roll Trio (e 2009 pra cá escuto todos os dias) e Billy  Lee Riley, este marcou muito o inicio de tudo o que vinha a se tornar  meu “mundo” atualmente.

Três discos: The Glen Glenn Story ( AMO e ouço muito), The Legendary- Johnny Burnette Rock’n’Roll Trio, e Chug-A-Lug Vol. 8 que é uma coletânea que contém Blues e Rythm, Popcorn, Exotica e Tittyshakers (EXCELENTE, to viciada e escuto todo dia, juntamente com as minhas coletâneas de Jungle Exotica) Desculpa sei que eram só três mas não resisti hahaha.

Três Filmes: CASABLANCA ( Sou louca por Humprey Bogart E TUDO QUE ELE JÁ FEZ), SCARFACE (Tanto o de 1932 quanto o de 1983 porque sou fã numero um de Al Pacino) e Gilda de 1946, com a minha musa e diva inspiradora Rita Hayworth (podia citar todos do Tarantino que eu amo, principalmente Death Proof, ou alguns do Russ Meyer como O Faster Pussycat  Kill Kill Kill DE 1965 HAHAHA mas só são três!).

Três livros: Rockin’ The Rockabilly Scene (contém imagens e histórias de quem vivencia a cultura), A Profecia de David Seltzer, o de 1972 (li várias vezes morrendo de medo, mas li)  e Christine do Stephen King, clássico de 83.

Um diretor de cinema: Clint Eastwood, porque o admiro como ator, diretor, cineasta, produtor acho ele brilhante em tudo que já fez.

Um escritor: Charles Bukowski.

Um show inesquecível: JERRY LEE LEWIS no VIVA LAS VEGAS.

Como se deu seu envolvimento com a cena rockabilly: bom, tudo começou em 2008 quando comecei a frequentar eventos de carros cláassicos, que sempre foi minha paixão, aí comecei a ver uma galera vestida como se estivesse nos anos 50, topetes, jaquetas, algumas meninas vestidas de Pin Up, e como eu já gostava de Elvis, Johnny Cash, Chuck Berry, Jerry Lee, enfim Rock’n’roll no geral, eu vi que existia uma outra cena mais interessante além do rock’n’roll, a galera do ROCKABILLY, desde então passei a frequentar as festas do gênero em São Paulo e interior, consequentemente fui convidada pra tocar como DJ nas festas de rockabilly, fui parar EM SANTA CATARINA kkk como DJ num principal evento de Rockabilly lá. Logo fui convidada a ter um programa de radio online, especializado e Rockabilly lado B (as vezes C) e sobre a cultura dos anos 50 no geral, o programa era escutado por mais de 25 países, depois eu e meu esposo formamos uma banda que chama-se Christine e The Mistery Guys e assim continuo, buscando me aprimorar a cada dia no que eu amo, e viajando o mundo atrás de festivais de Rockabilly e de novas experiências, pra que a cultura que eu AMO não morra!

Como o blog zapper conheceu Cris: a gatona e musa rocker é dileta amiga deste espaço online há alguns anos já. E sempre tivemos grande carinho, apreço e simpatia pela garota, que além de muito bonita e sensual, também é do rock e a humildade, simpatia e gentileza em pessoa. De modos que nada mais natural do que pintasse o convite destas linhas bloggers para que ela brindasse nosso leitorado com este ensaio especialíssimo e exclusivo. De modos que vocês estão prontos? Então deleitem-se abaixo com Cris Ribeiro, sem moderação alguma!

IMAGEMMUSACRISRIBEIRO

Femme fatale rocker, ever!

 

IMAGEMCRISRIBEIRO14

Quem resiste a tamanho deslumbre?

 

IMAGEMCRISRIBEIRO11

A elegância e o charme que seduziram a cena rockabilly de SP

 

IMAGEMCRISRIBEIRO9

Gata rocker poderosa!

 

IMAGEMCRISRIBEIRO10

O olhar que desconcerta e que faria Johnny Cash perder o juízo

 

IMAGEMCRISRIBEIRO4

Nada me abala, apenas o poder da melodia incendiária de uma guitarra!

 

E FIM DE PAPO

A finalização do postão zapper demorou mas chegou, néan. E agora que concluímos os trampos, podemos ter uma pausa até a próxima semana, quando iremos voltar como sempre com tudo o que a turma precisa saber sobre rock alternativo e cultura pop, certo? Até a próxima então. Bye!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 26/7/2018 às 12hs.)