AMPLIAÇÃO FINAL! Contando como foi o show do Gang Of Four no Sesc Pompeia, em Sampa! – Nos quinze anos do blog zapper continuamos publicando posts comemorativos como este, em que destacamos as três décadas do lançamento (celebrados esta semana) de um dos discos mais importantes e clássicos do rock mundial nos anos 80: o álbum “Green”, do gigante, saudoso e inesquecível REM; quem também chega aos trinta anos de existência e lançando um bacanudo novo álbum é o Smashing Pumpkins; mais: os vinte anos do Grind, a domingueira rock mais lendária e bombada do Brasil (e que recebe nesse domingo dj set do blog zapper, “bebemorando” mais um niver do jornalista ainda loker e eternamente rocker!) e o fechamento (infelizmente) do bar e teatro Cemitério de Automóveis e também (novamente) do clássico Matrix Rock Bar; análises sombrias do que aguarda todo o país a partir de 1 de janeiro de 2019, com a chegada ao poder de um presidente e de um governo fascista, autoritário, conservador e de extrema direita; e enquanto o reacionário, troglodita e boçal moralismo ultra conservador e hipócrita (que já saiu do armário) não avança sobre nós com tudo e com sangue nos olhos e faca entre os dentes, presenteamos nosso sempre dileto leitorado macho (cado) com uma musa rocker absolutamente e divinamente abusada, tesuda, transgressiva e subversiva ao máximo: a gataça, filósofa, escritora e nada pudica, recatada e de lar nenhum, Sue Nhamandu Vieira. Aproveitem e deleitem-se com as imagens total nudes deste mulherão enquanto isso ainda é possível! (postão MEGA finalmente concluído em 1/12/2018)

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2018 celebra os trinta anos de existência de um dos maiores nomes do rock mundial (ou do que resta dele): o americano Smashing Pumpkins (acima, reunido no estúdio este ano com sua formação quase original) retorna com um bom disco inédito, após quatro anos longe dos estúdios; já o inesquecível e também americano REM (abaixo, com sua formação original, em imagem de 1988) tem seu clássico álbum “Green” relembrado neste post por ocasião do seu trigésimo aniversário, em textos do próprio blog e do convidado especial Léo Rocha

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E MAAAAAIS MICROFONIA SUPER EXTRA! – SALVEM A DATA! FINASKI NESTA QUINTA-FEIRA MEIA NOITE NO “NASI NOITE ADENTRO” (CANAL BRASIL), FALANDO DE SEU LIVRO EM “O ESTRANHO MUNDO DE HUMBERTO FINATTI”

 

Yes. Custou mas finalmente vai ao ar. Gravado em janeiro deste ano numa agradabilíssima noite de segunda-feira no antigo endereço da sempre bacanuda Sensorial Discos SP, a entrevista que concedemos para o amigo de décadas, vocalista do Ira! e queridão Nasi será finalmente exibida no “Nasi noite adentro” desta quinta-feira, 6 de dezembro, à meia noite, no Canal Brasil (canal 150 na tv Net). O bate-papo, claro, girou em torno do nosso então recém lançado livro, “Escadaria para o inferno”.

Nem o blog mesmo sabe como ficou o resultado final, rsrs. Afinal não vimos o programa editado. Mas o papo foi ótimo e tanto Finaski quanto ele ficaram “trêbados” de tanto vinho (ótimo, diga-se) que tomamos, ahahahaha.

 

Contamos com a audiência dos nossos leitores. E depois digam o que acharam, claro!

 

(sendo que as fotos deste tópico, inéditas, foram tiradas diretamente das gravações do programa)

 

O quê: entrevista de Finaski para o programa Nasi noite adentro.

 

Título do programa: “O ESTRANHO MUNDO de Humberto Finatti” (ahahahaha, a risada é por nossa conta)

 

Quando: nesta quinta-feira, 6 de dezembro, meia noite.

 

Onde: no Canal Brasil (150 na tv Net)

 

Apresentação: Nasi. Direção: André Barcinski. Co-direção: Rogério Lacanna (a quem agradecemos pelas imagens deste post)

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O jornalista zapper rocker e seu amigo Nasi, vocalista do grupo Ira!: bate-papo entre ambos hoje à noite no programa “Nasi noite adentro”, no Canal Brasil

 

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MAIS MICROFONIA: GANG OF FOUR NO SESC POMPEIA – SP, 23/11/2018

 

Então foi isso: o blog esperou mais de uma década para conseguir ver a “Camarilha dos quatro” ao vivo (em 2006, no festival Campari rock, que rolou em Atibaia, próximo à capital paulista, mesmo estando credenciado o jornalista sempre atrasildo chegou atrasado o suficiente para perder todo o set dos ingleses lendários do pós-punk dos anos 80’). E finalmente lá foi Zapnroll na última sexta-feira (23 de dezembro) para a choperia do Sesc Pompeia, conferir a última gig deles em Sampa – a primeira havia sido na quinta-feira e, assim como ontem, esgotou os ingressos e lotou o local.

E no final das contas, a performance do grupo foi apenas… razoável. A parada já não começou muito bem na noite de sexta: Andy Gill (guitarrista, fundador e único membro original da banda ainda nela) subiu ao palco com ALGUM problema na sua guitarra. O músico demonstrou visível irritação quando simplesmente jogou com quase fúria seu instrumento no chão, e ficou encarando o público de braços abertos. A plateia achou que se tratava de algum “chilique” de rockstar para iniciar com ímpeto a apresentação e aplaudiu (alguns gritaram) em aprovação. Mas não era nada disso e quem observou atentamente (como o sujeito aqui) sacou que havia algo errado, sendo que um dos roadies se apressava em aprontar outra guitarra para o loiro e que FUNCIONASSE a contento.

Até que o show começou finalmente. Foi beeeeem mais ou menos até a metade pelo menos. Na verdade quem deveria ser a estrela e ter brilhado no palco seria Andy Gill, autor da maioria do repertório do GOF, inclusos aí os clássicos punk dançantes do conjunto. Mas quem DE FATO roubou a cena quase o tempo todo foi o negão Thomas McNeice, um baixista do inferno que literalmente destruiu com suas linhas pesadas e matadoras, todas tiradas na base da palhetada. Gill foi “apenas” (vamos dizer assim) o ótimo guitarrista que sempre foi, mas sem arroubos de genialidade. O baterista Tobias Humble foi apenas correto. E o vocalista John Sterry (que o velho chapa e ex-vj da MTV Thunderbird, presente ao show, achou que ele se parece com Peter Murphy, quando o ex-vocalista dos Bauhaus era uma bicha loka novinha e bonitinha) bem que tentou se esforçar: instigava o público, rebolava, pulava, dançava etc. Mas é irremediavelmente FRACO, ainda mais se lembrarmos que esses caras tiveram um Jon King nos vocais.

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Os ingleses do Gang Of Four no palco da choperia do Sesc Pompeia, na capital paulista, na última sexta-feira (23 de dezembro): a gig foi apenas razoável, e quem brilhou mesmo e roubou o show foi o baixista

 

Set list? Tocaram de tudo um pouco e fizeram um bom apanhado da trajetória deles. Claro, o povo que lotou a choperia (muitos velhões e velhonas na faixa dos 40/50 anos, como este jornalista ainda rocker mas já “tiozão” sem pudor e problema algum; mas também havia uma pirralhada mais jovem, incluso aí muitas xoxotinhas tesudas com cabelos descoloridos, tattoos e tetas QUASE à mostra, afinal estava bem quente na choperia, e todos com t-shirts de bandas ícones do pré e pós punk, como Television e Joy Division, sendo que o zapper vestia a sua do Clash, uma das eternas cinco bandas da nossa vida) só enlouqueceu mesmo quando o GOF disparou seus dois grandes hits (dentro do que se pode considerar “hit” no caso deles e no rock alternativo), “Damaged Goods” e “I Love A Man In A Uniform” (sendo que essa Andy Gill bem poderia tê-la dedicado ao futuro presidente nazi fascista brasileiro e a quase todos os 55 milhões de OTÁRIOS, BOÇAIS e IMBECIS e completos selvagens que votaram nele). Mas aí já era um pouco tarde para virar o jogo totalmente, ainda que o bis tenha sido empolgante a ponto de conseguir fazer todo mundo dançar.

Para quem esperou tanto tempo e esperava mais em termos de performance, o Gang Of Four ficou devendo. Como não deverão mais voltar aqui (nesse país fodido, falido e agora mergulhado em trevas medievais culturais profundas a partir de 2019), vamos ter que ficar com esse registro mesmo em nossa memória de jornalista musical.

 

***O set list da gig do GOF, no Sesc:

 

Anthrax

Where The Nightingale Sings

Not Great Men

Isle of Dogs

Toreador

Paralysed

I Parade Myself

What We All Want

Natural’s Not In It

Lucky

Damaged Goods

Do As I Say

I Love a Man in a Uniform

Why Theory?

At Home He’s a Tourist

To Hell With Poverty

 

Bis:

Return the Gift

Ether

I Found That Essence Rare

 

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MICROFONIA (reverberando a cultura pop em todas as suas múltiplas facetas)

 

***Okays, o novo post demorou mesmo desta vez para sair. Mas cá estamos, com zilhões de assuntos pendentes e para serem colocados em dia. Fora que este é o penúltimo postão do blog em 2018 e talvez em sua história, fechando um ciclo que já dura quinze anos – muito bem sucedidos, diga-se. A partir de 2019 este espaço deverá continuar presente na blogosfera brasileira de cultura pop mas apenas para divulgar EVENTOS ESPECIAIS com a marca Zapnroll, como festas e noites com o nome do blog e que serão prioritariamente realizadas em unidades do Sesc da capital paulista, reeditando o sucesso que foi a comemoração do nosso décimo quinto aniversário mês passado, na unidade Belenzinho, na zona leste de Sampa. Mas sobre isso daremos mais e melhores detalhes em nosso último post deste ano, beleusma?

 

***E falando em festas, essa bacanuda e celebrando o niver do nosso querido brother carioca Kleber Tuma, rola mês que vem (dia 22, pertinho do natal) no Rio De Janeiro. Noitona pós-punk anos 80 pra nenhum gótico do Rio MEDO De Janeiro reclamar, hihi. Com especiais do Echo & The Bunnymen e Joy Division, além de Finaski como dj convidado, wow! Se você mora no balneário ou se estiver de bobeira por lá no dia, já sabe pra onde ir pra dançar até cair! Tudo sobre a baladadona aqui: https://www.facebook.com/events/293078024871304/.

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***“BOHEMIAN RHAPSODY”, O FILME, É SENSACIONAL E FEZ FINASKI CHORAR! – a cinebiografia do Freddie Mercury, que se eternizou na história do rock e da música mundial como o vocalista do inesquecível Queen, é um filmaço! Com alguns defeitos, isso é inegável. Um dramalhão quase mexicano, só que muito bem produzido e roteirizado? Sem dúvida. Passa muito superficialmente por diversos momentos da trajetória do grupo? Também, e nem tinha como ser diferente, afinal estão condensados em duas horas de filmagem uma história de mais de 20 anos. Comete equívocos cronológicos grosseiros? Sim, e talvez esta tenha sido a principal “escorregada no tomate” do longa, que mostra o show do Queen em janeiro de 1985, na primeira edição do Rock In Rio, absolutamente fora do tempo correto. Naquela época Freddie já ostentava seu visual que o acompanhou até sua morte em 1991, com cabelo curtíssimo e bigodão. No filme, na gig no Rio, ele ainda aparece de cabelos compridos e sem bigode. Fora que DEPOIS da apresentação no festival carioca a banda é mostrada criando o clássico “We Will Rock You” – que na verdade abre o álbum “News Of The World”, lançado 8 anos antes (!), em 1977. Mas nada disso tira o prazer gigantesco de assistir o filme. Os atores que vivem os quatro integrantes do conjunto não poderiam ter sido melhor escolhidos. E a cada avanço e ascensão na jornada do quarteto, a plateia fica extasiada de verdade. Como quando é mostrado como eles criaram o HINO que dá título ao longa, uma das obras-primas de toda a história do rock mundial e que a gravadora não queria lançar como single de trabalho de forma alguma por causa da longa duração da canção (uns 6 minutos). O Queen bateu o pé para que “Bhoemian…” fosse o primeiro single do clássico e sensacional LP “A Night At The Opera” (lançado em 1975) e deu no que deu: a faixa estourou nas rádios inglesas e foi parar no topo das paradas. O final então é mega emocionante e de arrepiar, quando a banda se reúne para tocar no Live Aid, concerto monstro organizado em 1985 e que reuniu os maiores nomes do rock mundial de então, para um show beneficente que visava arrecadar fundos para as vítimas da fome na África. O evento entrou para a história da música, e no palco do estádio de Wembley o Queen mostrou mais uma vez porque era a RAINHA máxima do rock. O filme acaba ali e não foca nos anos finais da vida de Freddie, que seria derrotado pela Aids seis anos depois, quando tinha 45 de idade. Mas mostra (ainda que de forma sutil e discreta) como ele se descobriu gay ao longo da sua vida, após namorar seis anos com Mary Austin e terminar sua vida ao lado do companheiro Jim Hutton. Tanto Mary como Jim herdaram a maior parte da fortuna deixada por Mercury. E vendo o filme, um OUTRO FILME passou diante dos nossos olhos. O blog se lembrou de como amava o Queen na nossa pós-adolescência, dos LPs que tínhamos deles (tivemos durante anos meia dúzia de discos do grupo, em suas edições originais com capas duplas, e não parávamos de escutá-los) e dos DOIS SHOWS que vimos da banda, em março de 1981 no estádio do Morumbi em Sampa, e depois em 1985 no primeiro Rock In Rio. Zapnroll foi sozinho em ambos, graças ao “apoio” financeiro da saudosa mama Janet, que superprotegia o jovem Finas e pagou os ingressos nas duas vezes sob protestos irados, pois ela morria de medo de que seu filho fosse sozinho naquela idade (18 anos no primeiro show; 22 no segundo) num “tumulto” musical e rocker onde estariam milhares de pessoas. Mas que loko: ela mesma AMAVA o Queen e por isso deixou o jovem Finaski ir às duas gigs. No final das contas, “Bohemian Rhapsody” nos mostra o que todos nós já sabemos há bastante tempo: nunca mais haverá na história da música bandas como o Queen ou vocalistas fodásticos como Freddie Mercury. O rock morreu, já está no museu e a música pop de hoje (assim como a própria cultura pop em si) se tornou completamente anêmica, irrelevante, ignorante. Burra como são estes tempos da internet. Estúpida como são os próprios ouvintes de música de hoje em dia. De modos que, se temos alguma felicidade por estar com quase 5.6 nas costas, é por saber que conseguimos viver, ouvir e ver tudo aquilo de perto, ao vivo. As últimas fases de uma história emocionante, empolgante e fantástica, chamada rocknroll. Uma história que não mais irá se repetir. Nunca mais. E sim, o zapper CHOROU nos minutos finais do filme, viu mozão André Pomba (rsrs). E ao final do filme a sala inteira do Belas Artes (que não lotou mas estava bem cheia) APLAUDIU e deu URROS de satisfação. E não teve (felizmente) bolsominion retardado, boçal e imbecil para vaiar o personagem de Freddie Mercury quando ele começou a beijar homens na boca e descobriu que, sim, o ser humano tem que ser FELIZ NO AMOR COM QUEM ELE BEM ENTENDER e com quem o faz se sentir amado, acolhido, carinhado e respeitado, e não com quem a sociedade careta e moralista hipócrita quer determinar. Valeu Queen e Freddie Mercury, por ter tornado grande parte da nossa vida menos ordinária e menos cinza também.

 

 

*** HORA DE JOGAR A TOALHA, ACEITAR A DERROTA TRÁGICA PARA A DEMOCRACIA E A PARTIR DE AGORA FAZER OPOSIÇÃO SÉRIA, HONESTA, CORAJOSA E GIGANTE FRENTE AO NAZI FASCISMO AUTORITÁRIO QUE VEM AÍ – Sim, não há o que fazer. Lutamos todos como GAROTOS e GAROTAS, mas a onda nazi fascista ultra conservadora de extrema direita que VARREU a sociedade selvagem e o eleitorado bestial brasileiro foi mais forte do que nós. E nesse momento sentimos mais VERGONHA DO QUE NUNCA de ser brasileiro. Mas não iremos desistir de nossa luta por democracia e liberdade. E achamos que NINGUÉM que está do nosso lado irá desistir. Sim, a partir de agora seremos todos outsiders novamente. OPOSIÇÃO seríssima e forte contra o senso comum BOÇAL que elegeu um presidente autoritário, truculento, irracional e amante da tortura e da ditadura militar. Exatamente como há quase 40 anos quando foi fundado, o PT volta a ser oposição contra o conservadorismo medieval político e social. E assim sendo terá chance de reavaliar sua postura e fazer a auto-crítica necessária aos seus erros. Mas sobretudo estaremos na oposição e na luta incansável por um Brasil menos horrível do que se prenuncia pelos próximos 4 anos. Jamais iremos nos arrepender do voto que demos para Fernando Haddad. Valeu, professor! Você também LUTOU COMO UM GAROTO. E seguiremos todos ao seu lado! E todos os que votaram nesse TRASTE Jairzinho bolsa de cocô vão se arrepender AMARGAMENTE e muito em breve. Vamos todos pagar muito caro por esse desastre (muitos até com a vida, talvez), mas esse MONSTRO será TOTALMENTE DESCONSTRUÍDO em tempo recorde. E aí vamos ver quem irá ter CORAGEM de assumir que ajudou a AFUNDAR de vez o Brasil.

 

***E só pra não esquecer, sendo que nunca foi tão necessário ter uma gig dessas nesse momento no Brasil: logo menos à noite, na choperia do Sesc Pompeia, rola o segundo show dos ingleses do Gang Of Four, um dos grupos mais politizados e esquerdistas da história do pós punk inglês dos anos 80. Os ingressos estão esgotados (ontem também se esgotaram) mas o blog estará presente e depois conta aqui nesse mesmo post como foi a apresentação, pode ficar sussa.

 

***Bien, mais notas e novidades poderão pintar aqui na Microfonia a qualquer momento e ao longo da próxima semana, já que o postão está entrando no ar na sexta-feira e seguirá como sempre em enorme construção. Mas vamos em frente aí embaixo, falando da volta dos Smashing Pumpkins e também dos trinta anos do mega clássico álbum “Green”, lançado pelo gigante inesquecível que foi o REM. Bora!

 

 

AOS TRINTA ANOS DE EXISTÊNCIA O SMASHING PUMPKINS RETORNA COM SUA FORMAÇÃO QUASE ORIGINAL – E, QUEM DIRIA, COM UM BOM DISCO DE INÉDITAS

Yeah, a lendária e clássica banda fundada há também exatos 30 anos pelo guitarrista, vocalista, compositor e gênio Billy Corgan, lançou semana passada seu novo disco de estúdio, após quatro anos sem gravar. Título enooooorme: “Shiny and Oh So Bright, Vol. 1 / LP: No Past. No Future. No Sun.”. É o décimo primeiro trabalho inédito do grupo e o primeiro a reunir em décadas a formação quase original da banda, já que ao lado de Corgan estão novamente o guitarrista (e nas gravações deste álbum também tocando baixo) japa James Iha, e o batera monstro Jimmy Chamberlin, sendo que só não se juntou a eles novamente a loira e loka e tesuda baixista D’Arcy.

O SM e Billy Corgan deram obras musicais GIGANTESCAS e IMORTAIS ao rocknroll, especificamente em seus três primeiros discos de estúdio (“Gish”, “Siamese Dream” e o duplo “Mellon Collie and the Infinite Sadness”, lançado em 1995 e que apenas naquela época vendeu absurdas 14 milhões de cópias) e isso é incontestável. É vero que daí pra frente a banda nunca mais acertou a mão e se tornou apenas grupo de apoio para o ditador Corgan. Depois que lançou o magistral álbum duplo “Mellon Collie…”, o SM nunca mais foi o mesmo. Fora que o conjunto se desfigurou por completo, com zilhões de músicos entrando e saindo do seu line up e onde apenas o careca Billy permanecia.

A banda também tocou no Brasil algumas vezes, sendo que o blog esteve nas duas primeiras: em janeiro de 1996 na derradeira edição do festival Hollywood Rock, quando eles vieram justamente na turnê do “Mellon Collie…” e fizeram um show ARRASADOR no estádio do Pacaembú (numa noite que ainda seria magistralmente fechada pelo The Cure, ótimos tempos que nunca mais irão voltar), e dois anos depois na tour do fraquinho “Adore”, sendo que a gig nem de longe foi igual a de dois anos antes.

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O novo e bom álbum do Smashing Pumpkins (capa acima), banda que completa 30 anos de existência em 2018 e cuja formação inicial e clássica incluía a baixista D’Arcy (abaixo)

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Mas enfim, trata-se de um bom retorno para um conjunto que soube como ninguém engendrar um mix sonoro onde cabiam eflúvios de heavy rock, psicodelia, dream pop e até shoegazer inglês. O disco tem enxutos 31 minutos de duração, uma ótima e bem vinda raridade em tempos em que se gravam discos com mais de uma hora de música insuportável e que não diz NADA ao ouvinte. E essa meia hora onde estão condensadas oito faixas periga ser o MELHOR DISCO da banda desde “Mellon Collie…”, lançado há seculares 23 anos. Ótimas melodias, músicas enxutas e bem resolvidas, sem enchimento de linguiça. Parece que a reunião dos três (Corgan, Iha e Chamberlin) reascendeu a mágica que havia na sonoridade do grupo nos anos 90’. Estas linhas bloggers rockers gostaram especialmente de “Silvery Sometimes (Ghosts)” (que lembra demais “1979”, pela melodia dela) e da lindíssima “With Simpathy”. Deu até pra se sentir de volta a 1995, dançando na pista do Espaço Retrô da rua Fortunato, no centro de Sampa.

Em tempos em que o rocknroll está definitivamente morto e atropelado pela completa irrelevância da música pop atual, e quando não se esperava nada mais de um conjunto como o Smashing Pumpkins, o fato de ele conseguir lançar um cd como este “Shiny…” é mais do que bem vindo. Vai agradar bastante aos velhos fãs e poderá ser uma ótima surpresa para uma pirralhada que não sabe mais o que é rock ou uma banda de rock, mas que tem curiosidade em descobrir como era e é esse gênero musical “do tempo das cavernas”.

 

 

A TRACK LIST DO NOVO ÁLBUM DO SMASHING PUMPKINS

1.”Knights of Malta”

2.”Silvery Sometimes (Ghosts)”

3.”Travels”

4.”Solara”

5.”Alienation”

6.”Marchin’ On”

7.”With Sympathy”

8.”Seek and You Shall Destroy”

 

 

E O DISCO PARA VOCÊ OUVIR, AÍ EMBAIXO

 

 

GRIND ANO 20 E FINAS 5.6 – ALGUMAS HISTÓRIAS BEM LOKAS NA MELHOR DOMINGUEIRA ROCK DO BRASIL

Yep, o rocknroll pode ter morrido no mundo (o que é muito triste) mas no Grind, a domingueira rock mais famosa e bombada do Brasil, ele segue firme e forte. Já se tornou um clássico da noite paulistana e isso num dia da semana dado como morto – o domingo. E nesse próximo domingo, 25 de novembro, ele completa 20 anos de existência, um recorde! Sendo que lá também estaremos discotecando para bebemorar nosso próprio aniversário, já que chegamos aos 5.6 de vida (não é mole, não!) na segunda-feira, 26.

Zapnroll se lembra bem (ou mais ou menos bem, rsrs) de quando tudo começou, em maio de 1998. A internet ainda engatinhava no Brasil, não existiam redes sociais e, tal como hoje, o rock era o gênero da música pop dado como morto. Pois o venerável André Pomba (nosso melhor amigo há 25 anos, ou seja, nos conhecemos 5 anos antes da festa dominical começar), sempre visionário, procurou a direção do clubinho gls A Loca (que estava começando a bombar na noite paulistana), propôs fazer uma noite rock para um público mix (gays, lésbicas e simpatizantes), o povo da Loca topou a parada e aí tudo começou. Nos primeiros anos era mesmo uma matiné dominical, que começava às 8 da noite e encerrava pontualmente meia-noite de segunda-feira. Não haviam flyers virtuais mas sim uma filipeta impressa em formato retangular, que divulgava a programação e a lista de djs e especiais do mês todo.

Com o passar dos anos o público foi aumentando e o horário teve que ser progressivamente esticado. A balada passou a funcionar até duas da manhã de segunda-feira. E no seu auge, quando cerca de mil pessoas passaram a frequentar a domingueira, o horário passou a ser estendido até (acreditem!) 6 da matina. Era uma piração bizarra: enquanto o povo “normal” amanhecia na avenida Paulista saindo de metrôs lotados para ir estudar ou trabalhar (todos devidamente engravatados ou trajando uniformes empresariais), uma galera loka, de óculos escuros e devidamente chapados de álcool e outros “aditivos”, saía do “inferninho” da rua “Gay” Caneca (no centro de Sampa) para chegar em casa e desabar na cama.

Estas linhas zappers fizeram muitas djs set no Grind ao longo dessas duas décadas (o sujeito aqui é jornalista e sempre foi, mas gosta de “brincar” de dj). E as histórias absolutamente MALUCAS que vivemos na festona sempre animada do mozão Pomba, dariam um livro. Não resistimos e contamos duas abaixo, tentando resumir ao máximo a ópera rock.

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A domingueira rock mais famosa do Brasil chega aos vinte anos de existência nesse domingo (25 de novembro) com festão, que irá contar com dj set especial do blog (acima); abaixo, o jornalista loker rocker manda bala na cabine de som do Grind

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***2004 e o strip do jornalista loker-rocker – era julho daquele ano e o Grind fazia sua festa especial celebrando o famigerado Dia Mundial do rock. Pomba montou um line de djs especial onde, entre outros, tocariam o saudoso Kid Vinil e Finas, claro. Pois quando chegou a hora da nossa dj set lá foi o jornalista loker (já turbinado por boas doses de vodka com energético e gin tônica) fazer o “serviço”, rsrs. Até que resolveu tocar “I Can’t Get Enough”, super hit dançante (naquela época) do grupo britpop Suede, que sempre amadoramos (a banda e a música em si). E sempre que tocava essa música em alguma discotecagem Finaski despirocava e se transformava numa bicha mais loca que o vocalista Brett Anderson. Pois o dj loki e ainda relativamente jovem e PAUZUDO (rsrs) começou a se ESFREGAR na parede e também a… TIRAR A ROUPA em plena cabine de discotecagem! Terminou a faixa apenas de CUECA (sunga, ainda por cima), o que levou sua então love girl (a tesudíssima Tânia, com quem ele havia começado a ter um caso um mês antes e sendo que ela em outra noitada no Grind, bem loka de álcool, chupou o pinto zapper em plena pista de dança, num cantinho ao lado da cabine de som) a exclamar para um amigo em comum que nos acompanhava: “Mas o que é isso que ele fez!!!”. “Ficou pelado, oras!”, respondeu nosso amigo, uia!

 

***Dando entrevista BICUDAÇO de farinha, e a LOCA do “acabou, acabou!” – maio de 2009 e o Grind faz sua mega festa de 11 anos de existência. Casa lotada, Finas bem loko de álcool e cocaine, rsrs. E num momento que estava na cabine enquanto Pomba manda bala no som, chega uma equipe do programa de tv do Chato Mesquita, ops, Otávio Mesquita, para fazer uma matéria sobre a festa. Uma repórter tesudinha entrevista Pombinha na cabine mesmo. Logo em seguida ele RECOMENDA que a repórter também entreviste o mancebo aqui, por ele ser jornalista conhecido e bla bla blá. Ela vem falar com o gonzo chapado, põe o microfone na cara dele, acende a luz da câmera de filmagem e manda bala. O zapper total alucicrazy, com os olhos estalados e as órbitas saltando pra fora deles, dispara a falar a 200 kms por segundo. Ao final da curta entrevista, dom Pomba com sua sempre impoluta sabedoria, vaticina: “se eles aproveitarem 20 segundos do que você falou será muito, hihi”. Mas o grand finale dessa madrugada (sendo que o blog já tinha indo embora quando rolou a parada, mas depois ficamos sabendo pelo relato de dom Pombinha) foi mesmo quando, às 5 e meia da matina (!!!), uma LOCA literalmente INVADIU a cabine do dj e tentou jogar as CDJs (os tocadores de cds) no chão, enquanto gritava total alucinada: “ACABOU! ACABOU!!!”. Pomba só teve tempo de literalmente AGARRAR as CDJs pra evitar que elas fossem pro chão, enquanto um segurança arrancava a maluca da cabine. Depois, ficou-se sabendo, a moçoila tinha levado uma botinada do (ex) namorido durante a balada, o que a motivou a fazer a loucura de invadir a cabine. Só não se sabe até hoje se os gritos dela de “acabou!” se referiam ao fim do namoro ou se ela queria mesmo ACABAR com a balada, ahahaha.

 

Então é isso. Domingo agora promete ser lindo: 20 anos de Grind (no Espaço Desmanche, onde a festa está muito bem instalada há quase dois anos, e que deverá lotar), uma festa que já formou gerações na capital paulista, e 5.6 de Finaski, com dj set dele avassaladora a partir das duas da matina. E deverá ser mesmo nossa ÚLTIMA dj set pois já estamos véios demais pra essas loucuras, hihi.

Espero todo mundo por lá, sendo que todas as infos da balada imperdível você pode conferir aqui: https://www.facebook.com/events/254150721931307/.

Feliz aniversário, Grind! Que venham outros 20 anos pela frente!

 

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“GREEN”, UM DOS DISCOS GIGANTESCOS DA HISTÓRIA DO ROCK MUNDIAL E LANÇADO EM 1988 PELO INESQUECÍVEL REM (UMA DAS CINCO BANDAS DA VIDA DE ZAPNROLL), CHEGA AOS 30 ANOS DE EXISTÊNCIA – MOSTRANDO QUE REALMENTE NÃO EXISTEM MAIS BANDAS E NEM DISCOS COM TAMANHA QUALIDADE ARTÍSTICA E MUSICAL

Sexto álbum de estúdio da trajetória da banda norte americana REM (que durou exatamente trinta e um anos, lançando durante este período um total de quinze discos inéditos, além de Eps e coletâneas), “Green” é um dos trabalhos gigantes do grupo e superlativo em vários aspectos. Lançado oficialmente em 7 de novembro de 1988, marca a estreia do então quarteto criado em Athens (no Estado da Georgia) e integrado pelo vocalista e letrista Michael Stipe, pelo guitarrista Peter Buck, pelo baixista e tecladista Mike Mills e pelo baterista Bill Berry, na gigante major do disco Warner Bros, após editar seus primeiros LPs pelo pequeno selo IRS.

Quando foi cooptado para a Warner Music (o braço musical do monstruoso conglomerado de mídia e comunicação sediado nos Estados Unidos), o REM (o nome do grupo foi escolhido de maneira aleatória por seus integrantes, mas tem a ver com um termo da psiquiatria que determina a fase do sono humano em que a pessoa mergulha em sonhos e quando os olhos desta pessoa passam a piscar freneticamente, daí o termo “Rapid Eye Movement” ou “movimento rápido do olhar”) já existia há oito anos (foi fundado em 1980) e havia lançado cinco álbuns pelo selo IRS (na verdade, uma subdivisão de outra major gigante, a Columbia Records, fundada por Miles Coppeland, empresário do meio musical e irmão de Stewart Coppeland, baterista do lendário trio inglês The Police). Todos venderam muito bem, ganharam grande respeito da crítica e amealharam alguns milhões de fãs nos EUA (especialmente no circuito do rock mais alternativo), seduzidos pelas ótimas melodias que combinavam aceleração punk com eflúvios de folk e country music, e também pelas letras poéticas (escritas e cantadas por Stipe) e pela postura altamente engajada do grupo, tanto na questão política quanto social. Além disso um dos maiores trunfos do quarteto era mesmo o guitarrista extraordinário Peter Buck, que possuía um conhecimento ENCICLOPÉDICO de rocknroll por ter trabalhado durante anos na sua juventude em uma loja de discos.

Assim, quando “Green” chegou às lojas de discos, ele veio cercado das maiores expectativas possíveis. E não decepcionou nem os fãs muito menos a imprensa rock. Alternando canções rocks vigorosas (como “Pop Song 89”, “Get Up”, “Stand”, “Orange Crush” e “Turn You Inside-Out”) com momentos de puro lirismo e melancolia melódica (e aí dois ótimos exemplos são as belíssimas “World Leader Pretend” e “The Wrong Child”), “Green” foi efusivamente saudado como um grande disco pelos principais veículos de mídia do mundo à época. Vendeu muito bem também e abriu caminho para que, três anos depois, a banda se tornasse um fenômeno planetário de vendas e de público, quando editou o álbum “Out Of Time”, que produziu um dos maiores hits que se tem notícia em toda a história do rock mundial, a igualmente lindíssima “Losing My Religion”. Mas “Green” permanece como um marco ESSENCIAL na trajetória do conjunto até hoje, três décadas após seu lançamento. Reverenciado por astros como o saudoso vocalista do Nirvana, Kurt Cobain (que incluiu o LP na sua lista de cinquenta melhores discos de todos os tempos), ou por jornais lendários como o inglês The Times (onde o disco permanece também na lista dos cem melhores de todos os tempos), “Green” não envelheceu. Pelo contrário: continua com uma musicalidade atualíssima e com temas idem, mesmo em tempos onde a cultura pop não vale praticamente mais nada e quando o rocknroll virou infelizmente peça de museu.

CAPAREM1988II

Um dos nomes mais importantes de toda a história do rock mundial, o quarteto americano REM lançou há exatos 30 anos um de seus melhores álbuns, “Green” (acima); abaixo, o vocalista Michel Stipe canta e canta quase 200 mil pessoas (o blog zapper entre elas!) na terceira edição do Rock In Rio, em janeiro de 2001

IMAGEMREMRIR2001

 

Após “Green”, o grupo ainda ficaria ainda na ativa por mais de duas décadas, onde continuou lançando ótimos trabalhos e alguns mais medianos no final de sua carreira, que se encerrou de maneira pacífica (e sem brigas entre seus integrantes) em 2011, quando terminou o contrato do grupo com a Warner. Antes, por duas vezes, a banda se apresentou no Brasil, em janeiro de 2001 (na terceira edição do festival Rock In Rio, em uma gig inesquecível e que provocou comoção generalizada no público de quase duzentas mil pessoas que estava na “cidade do rock”, o autor deste blog incluso), e depois em novembro de 2008, quando tocou em São Paulo, Rio De Janeiro e Porto Alegre. Foram dignos, gigantes em sua musicalidade, amados pelos fãs e ultra respeitados pela imprensa mundial até o fim. Foram, com justiça, um dos maiores nomes de toda a história do rock. E deixam saudades até hoje.

Abaixo, em texto especialmente escrito para o blog pelo carioca Leo Rocha (querido amigo, fã e especialista em REM), nosso dileto leitorado terá uma extensa e ótima análise da trajetória do quarteto, além de também uma preciosa análise de “Green”. Boa leitura!

 

 

 

REM – A TRAJETÓRIA DA BANDA E A VISÃO DE UM FÃ E ESPECIALISTA NELA, SOBRE O ÁLBUM “GREEN”

 

(por Leo Rocha, especial para Zapnroll)

 

“Michael Stipe gritou pela última vez:

– And I feel…

Cem mil vozes urraram em respostas:

– Fine!

Bernardino pensou:

– Pu-ta que pa-riu!

Duas e quarenta e quatro da madrugada de 14 de janeiro de 2001.”

 

Pois é, amigos… Esse é o começo do livro de Arthur Dapieve (jornalista carioca) (e nota do editor do blog, com todo respeito à admiração do querido Léo pelo referido jornalista carioca: Dapieve, superestimado como jornalista, sempre cometeu equívocos e imprecisões em seus textos: haviam quase 200 mil pessoas no show do REM em 13 de janeiro de 2001, na terceira edição do Rock In Rio, e não apenas 100 mil. E Finaski era UMA dessas quase 200 mil pessoas) chamado “De Cada Amor Tu Herdarás Só o Cinismo” (Ed. Objetiva). Uma analogia com a canção “O Mundo é um Moinho” de Cartola. Uma senhora lição de vida!!!! Compareci ao lançamento e de lá descolei uma assinatura circulando o nome do vocalista (informei ao jornalista que era um admirador da banda) junto ao meu. Tenho guardado o exemplar intacto na minha estante. O livro narra uma história romântica e ímpar de um homem de quarenta e poucos anos seduzido por uma jovem ingênua e arisca. E, justamente, tudo inicia-se ao fim do show do REM no Rio de Janeiro (Rock in Rio 2001). Sincrônico, não?

A primeira vez que me deparei com essas linhas fiquei auspicioso e hirto. Pensei: “Que porra é essa?” Não esperava que o começo da minha leitura iria de encontro ao show mui especial da banda do meu coração, tampouco numa noite que foi ÚNICA pra mim. Em diversos aspectos. Antes que você ache que me refiro ao show em si… interrompo para dizer: meu casamento havia terminado naquele ano e na semana do show. Você consegue imaginar o meu espanto agora? Ou melhor: no instante em que li o livro de Dapieve? Pois é, meu caro. A vida é cheia de surpresas e ironias. Enfim… E devo dizer que durante muitas páginas do livro fiquei mais espantado, pois os detalhes dentro da história lembram muito o que eu fiz naquele show e como foi a volta do mesmo pra casa. Assustador!!! Muita sincronia!!! De qualquer modo, a banda nunca havia pisado em solo nativo para tocar. Jamais. E minha ex-mulher sabia bem o que aquele dia representava pra mim. De novo: a vida é irônica e sacana. Lembro-me de muito do show e do dia inteiro. Foi surreal esse momento de celebração com os amigos (em comum) e ao mesmo tempo a nossa frustração interna com a separação. Foi punk! Mas, antes de prolongar-me nessa retórica deixe-me voltar anos atrás para resumir como a banda surgiu na minha vida…

Eu já havia escutado “The One I Love”, “Stand” e “It’s the End” na extinta Rádio Fluminense. Final da década de 80. Faz-se necessário recordar que não havia internet nem celular. Então as coisas, os sons, as novidades “gringas” chegavam ao Brasil tempos depois. Era sempre assim. Se por acaso uma banda lançasse algo fora o país só receberia anos depois. Salvo se você fosse ingressar como jornalista musical. O que a gente podia fazer era ter amigos ou parentes que viajassem e comprassem um vinil ou K-7. No máximo. Não tinha muito como escapar. Tinham poucas revistas que informavam, mas era árdua a missão. Quem gostasse de som alternativo e afins tinha que ler revistas especializadas, corresponder-se (cartas) com os fã-clubes pelos correios (duas semanas ou mais chegavam as respostas) e sair pela noite nas festas “estranhas com gente esquisita”. E eu fui um adolescente assim. Juro! Por mais uma ironia do destino viajei para Nova York a lazer para casa da minha prima mais velha em 1991. Hmmmm… acho que o leitor já sentiu aonde vou chegar né? Sim…  saía “Out Of Time” com tudo no país (EUA). O disco estava muito estourado (“hype” pros mais jovens). Tocava em toda esquina de NY. Concomitante o Nirvana também havia lançado “Nevermind” e eu peguei tudo lá, direto da fonte. Mas, essa é outra história. Comprei o “Out Of Time” e com isso comprei todos os outros CDs (só tinha no exterior a mídia) da banda. Do EP “Chronic Town” ao “Green”. Levei tudo. Eram sessenta cds (sim, sessenta). O dono da loja ficou rindo à toa. Gastei na época uns seiscentos dólares. Cada cd custava dez dólares. Sacou? O dólar na época estava 1,5 para moeda brasileira. Nada de muito assustador. Mais: tive que comprar o aparelho!!!! Sim… Não havia cd nem aparelho pra rolar no Brasil. Só rico tinha. Eu não era rico. Voltei de lá lotado de sons e louco para desvendar a banda de Athens. Aí… bom… vamos deixar de lado o que aconteceu, pois é como se eu narrasse um encontro meu com uma mulher. Foi lindo! Tinham oito trabalhos distintos do REM para escutar. Devorar mesmo. Havia a coletânea “Epponymous” lançada lá nos EUA em 1988. Desse momento em diante passei a “alugar” cds em lojas recém-abertas no Rio de Janeiro. Permitia você alugar um cd por um dia ou mais para escutar ou gravar (olha a pirataria aí…Tsc…Tsc…). Quem tem mais de quarenta anos irá lembrar. Dali eu escutei muito REM antes de comprar. Mas, eu não tinha o aparelho. O jeito era escutar nas casas dos amigos. Mas, tudo bem. Quando eu volto pro Brasil estava com tudo. Munido de som, aparelho, roupas, revistas etc. Diversos amigos meus enfurnaram-se na minha casa para ouvir, beber, apreciar a qualidade do CD… Vínhamos do som do Vinil. Eu adorava, mas o cd estava chegando, entende? Bom, desde então consumi a literatura de música pop, rock e indie feito um esfomeado. Absorvi tudo, tudo. Mas sempre com o REM em particular… cada vez mais. Quando frequentei as festinhas de rock eram as camisas quem ditavam regras. Quem curtia Smiths, Joy Division, The Cure e tal. Porém eu comprei uma lá do REM e foi justamente com ela que conheci diversas pessoas na noite e ficamos amigos. Alguns famosos, rsrsrrs. Nesse passo fui encontrando-me nesse pessoal (da noite) que curtia outros sons. Eu, cada vez mais, aprofundava-me nos rapazes da Georgia. Em resumo: a banda fez-me conhecer muitas pessoas distintas, era apreciada em conjunto, embalou namoricos meus e acalantou-me em outros pés na bunda que tomei também. Esteve sempre comigo na adolescência, juventude e plena maturidade. Veio o milênio novo e com ele a esperança de um show no Brasil (esse mesmo!!!) em 2001. Foi um alvoroço na minha turma. Gente de São Paulo, Minas, de vários lugares comentando e combinando. Foi quando o meu casamento (eu já era pai também) acabou. Eles chegaram no ano certinho. Pior: no mesmo mês. Eu me separei em janeiro. Foi inimaginável assisti-los, degustá-los e ao mesmo tempo ficar firme. Algo próximo da catarse! Mais uma ironia? Fato. A tecnologia foi chegando, celulares, internet, redes sociais… O que unia a rapaziada nos anos 80 e 90 a rede receberia anos depois. Salvo se você fosse ingressar como jornalista musical. O que a gente podia fazer era ter amigos ou parentes que viajassem e comprassem um vinil ou K-7. No máximo. Não tinha muito como escapar. Tinham poucas revistas que informavam, mas era árdua a missão. Quem gostasse de som alternativo e afins tinha que ler revistas especializadas, corresponder-se (cartas) com os fã-clubes pelos correios (duas semanas ou mais chegavam as respostas) e sair pela noite nas festas “estranhas com gente esquisita”. E eu fui um adolescente assim. Juro! Por mais uma ironia do destino viajei para Nova York a lazer para casa da minha prima mais velha em 1991. Hmmmm… Acho que o leitor já sentiu aonde vou chegar né? Sim… Saía “Out Of Time” com tudo no país (EUA). O disco estava muito estourado (“hype” pros mais jovens). Tocava em toda esquina de NY. Concomitante, o Nirvana também havia lançado “Nevermind” e eu peguei tudo lá, direto da fonte. Mas, essa é outra história. Comprei o “Out Of Time” e com isso comprei todos os outros CDs (só tinha no exterior a mídia) da banda. Do EP “Chronic Town” ao “Green”. Levei tudo. Eram sessenta cds (sim, sessenta). O dono da loja ficou rindo à toa. Gastei na época uns seiscentos dólares. Cada cd custava dez dólares. Sacou? O dólar na época estava 1,5 para moeda brasileira. Nada de muito assustador. Mais: tive que comprar o aparelho! Sim, não havia cd nem aparelho pra rolar no Brasil. Só rico tinha. Eu não era rico. Voltei de lá lotado de sons e louco para desvendar a banda de Athens. Aí… Bom, vamos deixar de lado o que aconteceu, pois é como se eu narrasse um encontro meu com uma mulher. Foi lindo! Tinham oito trabalhos distintos do REM para escutar. Devorar mesmo. Havia a coletânea “Epponymous” lançada lá nos EUA em 1988. Desse momento em diante passei a “alugar” cds em lojas recém-abertas no Rio de Janeiro. Permitia vc alugar um cd por um dia ou mais para escutar ou gravar (olha a pirataria aí…Tsc…Tsc…). Quem tem mais de quarenta anos irá lembrar. Dali eu escutei muito REM antes de comprar. Mas, eu não tinha o aparelho. O jeito era escutar nas casas dos amigos. Mas, tudo bem. Quando eu volto pro Brasil estava com tudo. Munido de som, aparelho, roupas, revistas etc. Diversos amigos meus enfurnaram-se na minha casa para ouvir, beber, apreciar a qualidade do CD. Vínhamos do som do Vinil. Eu adorava, mas o cd estava chegando… Entende? Bom, desde então consumi a literatura de música pop, rock e indie feito um esfomeado. Absorvi tudo, tudo. Mas sempre com o REM em particular. Cada vez mais. Quando frequentei as festinhas de rock eram as camisas quem ditavam regras. Quem curtia Smiths, Joy Division, The Cure e tal. Porém eu comprei uma lá do REM e foi justamente com ela que eu conheci diversas pessoas na noite, e ficamos amigos. Alguns famosos, rsrsrrs… Nesse passo fui encontrando-me nesse pessoal (da noite) que curtia outros sons. Eu, cada vez mais, aprofundava-me nos rapazes da Georgia. Em resumo: a banda fez-me conhecer muitas pessoas distintas, era apreciada em conjunto, embalou namoricos meus e acalantou-me em outros pés na bunda que tomei também, rsrsrs. Esteve sempre comigo na adolescência, juventude e plena maturidade. Veio o milênio novo e com ele a esperança de um show no Brasil (esse mesmo!) em 2001. Foi um alvoroço na minha turma. Gente de São Paulo, Minas, de vários lugares comentando e combinando. Foi quando o meu casamento (eu já era pai também) acabou. Eles chegaram no ano certinho. Pior: no mesmo mês. Eu me separei em janeiro. Foi inimaginável assisti-los, degustá-los e ao mesmo tempo ficar firme. Algo próximo da catarse! Mais uma ironia? Fato. A tecnologia foi chegando, celulares, internet, redes sociais… O que unia a rapaziada nos anos 80 e 90 a rede social podia fazer “online”. E, assim foi. Comunidades e fãs de diversos lugares do mundo eu fiz amizade. Estreitando mais ainda os laços internacionais com algo em comum: REM. Por fora eu traí muito a banda, rsrsrs. Nunca fui fiel nesse sentido. Eu adoro som. Flertei com tudo: jazz, rock, indie, pós-punk, punk, blues, jungle pop, power pop, techno, rap, etc. Nunca prendi-me a um som ou a uma coisa somente. Isso eu sempre tratei bem. Porém, nunca deixava de ser um fã da banda. Um pesquisador de várias bandas que tinha um afeto especial por eles. Era bem simples. A banda entrou na minha vida como entra um amigo ou parente e fica. Participa, convive e estabelece-se. Entende? É assim que funciona comigo. Tenho as minhas predileções, contudo mantenho-me ouvindo e curtindo tudo mais. Mas, é fato que as pessoas lembram de mim, também, por ser um fã de REM. Afinal de contas, o que faço aqui no blog do Finas? Falando do quê? Ora bolas, rsrsrs.

Para arrematar esse papo todo menciono a segunda vez deles aqui. Antes, em 2005, conheci uma moça que faz meu coração balançar mais uma vez. Nada estava dando certo nesse período. Conhecê-la foi uma virada pra mim. Namoramos durante quase três anos e nos programamos para morar juntos e tal. Seria o “segundo” casamento. Ugh! Como dizia a famosa canção: “pro inferno ele foi pela segunda vez”… Rsrsrs. Mais uma relação pro vinagre. O ano? Era 2008. Adivinhe quem viria naquele ano pro Brasil? Pois é… De novo, os caras para alentar esse jovem recém separado. Ou seja: a banda esteve e está em todos os momentos cruciais meus. Não havia como ignorar tanta ironia e capricho da vida. Foram quatro shows (dois em SP e um no RJ e em Porto Alegre). Daí vieram mais amigos, celebrações, etc. E um disco de encerramento (“Collapse Into Now” em 2011) por parte da banda. Um momento forte, mas essencial. Opinião minha.

O show do REM na terceira edição do festival Rock In Rio, na noite de 13 de janeiro de 2001: quase 200 mil pessoas cantaram junto com a banda; e CHORARAM quanto ela tocou “Losing My Religion”

 

 

PARTE REM EM CARREIRA

O contexto histórico e musical em que se encontra a banda REM é complexo, mas muito interessante. Como toda banda de mais de trinta anos (exatos trinta e um anos redondos) o REM passou por fases internas, mudança de gravadora, contratos novos, modismo no mercado fonográfico e tudo mais. Porém, comecemos ali no ano de mil e novecentos e setenta e nove. Os jovens Michael Stipe e Peter Buck se conhecem em Athens (berço da banda, na Georgia) numa loja de discos em que o guitarrista trabalhava. Michael descobrira que eles tinham gostos similares com a música. Sobretudo punk rock e pós-punk. Mike Mills e Bill Berry (baixista e baterista) estudavam na mesma universidade e tocavam juntos em bandinhas locais. Conheceram-se nessa cena pequena de Athens e resolveram montar a banda. O nome REM foi escolhido de forma aleatória num simples dicionário. Uma amiga de Stipe estava de aniversário marcado e a banda resolve tocar em celebração numa igreja abandonada (data de 5 de abril de 1980 – esse é o ponto zero da banda) que eles costumavam ensaiar. Dali gravaram o single “Radio Free Europe” pela Hib-Tone para ver o que rolaria. Fez um barulho além da expectativa chamando atenção da IRS Records (gravadora genitora deles que seria a responsável por tudo que eles fizeram nessa fase independente). Lançam o EP “Chronic Town” com cinco canções aceleradas e pungentes. Começam a arrebatar fãs pela cidade. Essa fase é de ouro. A banda começa a reputação de “cult” e de largos elogios pelas “colleges radios” (cenário independente dos EUA). Gravam em 83 o clássico “Murmur” (obra prima dessa fase considerada pela crítica) e batem “WAR” do U2 e, pasmem, “Thriller” de Michael Jackson! Simplesmente tornam-se imensos para a cena local e começam a fazer shows pelo país… A fama começa a crescer de forma incontrolável e à medida que eles faziam shows e gravavam mais discos a demanda do mercado e a crítica especializada começou a apelidá-los de “maior banda de rock dos EUA” ou “Number one with Attitude” (título estampado na Rolling Stone anos mais tarde). Seguem “Reckoning” (84), “Fables Of Reconstruction” (85), “Lifes Reach Pageant” (86) em sequência. As letras mudam, o tom político e contestador sobressaltam e há uma esperança nova nesses caras. O que pouca gente sabe é que no meio de 1985, na gravação de “Fables”, em Londres, a banda quase termina. Brigas no estúdio, discussões acerca do som e instabilidade emocional no estúdio quase puseram tudo a perder. Michael admitiu numa entrevista que foi difícil, mas necessário para a banda decidir o que queria e como seguiria. Dizem que o clima de Londres também deixou o clima soturno na época. De qualquer forma o tempo foi o maior aliado deles. Transformaram-nos no maior expoente americano em 87. Ano do último disco pela IRS: “Document”. Um discaaaaço. Dos singles, “The One I Love” e Its The End…”, sucesso imediato nas rádios também comerciais. Nesse mesmo ano a IRS percebendo que ia perder seu principal artista do catálogo relança o EP “Chronic Town” juntamente com uma coletânea chamada “Dead Letter Office” em CD – trabalho que constam os takes jogados fora e os lados B (sim, isso existia, rsrs) das canções lançadas além de algumas covers. Acho esse trabalho grandioso, inclusive. Estava óbvio que a banda precisava de uma grande gravadora. Muitas tentaram, mas eles fecharam com a Warner. Dizem que o contrato girou em torno de dez milhões por cinco discos. A banda já tinha excursionado desde 1983 pra fora dos EUA. Fez Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Espanha, Holanda, etc. Flertavam com a Ásia e Oceania. Em 1988 gravaram “Green” (na impressão da capa há um erro com a letra “R” e o numeral “4) e entraram em todas as paradas europeias e americanas com “Stand”, “Pop Song 89” (uma sátira com “Hello I love You” dos Doors) e “World Leader Pretend”. O álbum torna-se um sucesso comercial e uma turnê fez-se necessária. Excursionaram por desgastantes meses. Stipe adotou um corte moicano terrível em seu cabelo (Sim, ele ainda tinha bastante cabelo!) e abraçou causas ambientais e políticas pelo mundo. Esse registro vale muito a pena. “Tourfilm”, o registro em questão, existe em VHS e DVD. Pra quem é fã é quase uma obrigação ter. Resolvem descansar após essa turnê (iniciada em 88 e finalizada quase em 90), a primeira pela nova gravadora. Nessa época, a América Latina já escutava esses dois discos (“Document” e “Green”). Sem a banda e o mercado saber, há um terreno sendo preparado ao Brasil, inclusive. Quando voltam ao estúdio gravam o seu álbum de maior sucesso mundial – “Out Of Time” – um sucesso à moda Beatles. Estouro, fãs, MTV, fama e inúmeros prêmios. Chefiado por “Losing My Religion”, “Radio Song” e “Shinne Happy People”. No Brasil o clipe de “Losing My Religion” tocou mais do que qualquer outra canção. E, assim começa a nova fase da banda. Fãs dessa geração noventista e MTV se apaixonam pelos caras e a banda alcança o patamar de GIGANTE. É importante salientar duas coisas aqui: 1) o sucesso veio de forma natural sem se vender nem abrir concessões. 2) o som do REM nunca mudou em busca disso ou daquilo. Desde o “Green” a sonoridade deles já havia desacelerado. Culminando em “Out Of Time” e no álbum seguinte: “Automatic For The People” de 1992. Um tapa na cara da crítica que esperava outra coisa do REM… Era a fase “grunge” no mundo. Eles vieram com um disco quase acústico e recheado de metais e cordas com participação da Orquestra Sinfônica da Georgia. A Warner quase teve um treco. Mas as boas vendas e a resposta dos fãs acalmaram tudo. Desse álbum “Drive”, “Man on The Moon” e “Everybody Hurts” desbancam várias canções nas paradas. “Man on The Moon” é lançada também para promover o filme sobre o comediante Andy Kaufman (uma celebridade televisiva americana que morreu precocemente com apenas 35 anos de idade, sendo que a música é dedicada a ele), que chegava aos cinemas. A banda tinha uma queda pelo controverso humorista. “Everybody Hurts” emociona mulheres e homens. Muitos machões choraram com a letra e chegou-se a se falar pela América que aquela era a música “masculina” (não faço ideia do que isso queria dizer, juro!) mais triste do planeta. Por mais louco que possa ser a banda resolve não excursionar para divulgação do disco. Também não o fizeram em “Out Of Time” (apenas deixaram as TVs e lojas venderem e recolheram todos os louros disso). Uma decisão que só pode ser tomada por uma banda que tenha maturidade, culhão e banca pra botar. E eles tinham isso. O tão citado título de “number one with Attitude” não era em vão. Essa atitude era sempre de conversar e deixar claro que o trabalho e postura não iriam mudar. Sem apelos ou vulgaridade com seu som em nome de um mercado. Posso assegurar (quebrando a janela, gente) que isso foi feito em toda carreira. Talvez, exceção feita em “Monster” (1994) onde eles toparam distorcer e afiar as guitarras numa época que as bandas de rock mais novas faziam. Mesmo assim fizeram à moda deles, rsrsrs. Gostaria de abrir um enorme aposto aqui: os produtores da banda sempre foram importantes e considerados “amigos” do coração. Começou com Mich Easter (frontman do Let’s Active) na fase independente, chegou em Scott Litt (grande Scott!) na fase Warner e, tida por muitos como a melhor de um produtor, passando pela produção de LUXO de John Paul Jones (baixista do Led Zeppelin) em “Automatic…” e Pat McCarthy. Verdadeiros mágicos, parceiros e responsáveis pela sonoridade que eles sempre buscaram nos álbuns. Tenham certeza disso. Produção musical é a parte essencial para dar vida ao que o artista criou. Fundamental.

Bom, voltando ao álbum seguinte: “Monster” vendeu bem e aproximou a banda de outros públicos. Dentro desse disco tem “Let Me In” (canção dedicada a Kurt Cobain) em homenagem ao líder do Nirvana, que havia se matado em abril de 1994. O trabalho também rende homenagem ao ator River Phoenix, morto naquele ano também, vítima de uma overdose. Nessa época começa a “Road Movie” outra turnê clássica e importante da banda. Ali eles puderam incluir nos shows as canções mais pesadas deles feitas nesse disco. O resultado foi incrível. Mesclaram de maneira acertada o set list da turnê. Esse registro existe em DVD, outra peça importante pra fãs. Em 1996 eles lançam “New Adventures In Hi-fi”, o último do contrato com a Warner. As vendas não são boas e há a primeira “pressão” em cima da banda. Apesar da sonoridade desse disco ser bem “on the road” há uma gama de teclados e pianos ganhando luz no som deles e isso irritou uma turma radical (críticos e fãs) fazendo com que o álbum fosse duramente criticado. O mais engraçado disso é que eu considero esse um belo registro. Acho-o superior ao “Monster”, inclusive. Mas, a crítica não enxergou assim. Fica aqui a minha imane discordância. É um disco de viagem mesmo. Experimente ouvi-lo na estrada. Putz… e ali tem canções ótimas como “Undertow”, “Binky The Doormat”, “E-Bow Letter” (com participação de Patti Smith nos vocais), “Be Mine” e “New Test Lepper”. Enfim… foi subestimado pelo mercado. Nesse disco acontece aquilo que nenhum fã deseja: sai um membro fundador. Bill Berry, exausto e de saco cheio decide deixar a banda e dedicar-se a sua fazenda (sendo que na turnê do álbum anterior, “Monster”, o baterista teve um pequeno AVC ao final de um show, o que fez com que ele desmaiasse em pleno palco, episódio que também contribuiu para sua saída do grupo). A banda sente o golpe. Muito. Eu senti também. Nunca pensei que isso poderia acontecer. Juro. Achava que os quatro iriam juntos até o final. Mas o fato é que Bill Berry pede as contas e se manda. Segue amigo e irmão deles, mas longe de qualquer estrelato. Importante comentar: a banda NUNCA substituiu o músico. Sempre trabalhou com bateristas contratados. Nunca receberam alcunha de “membro REM”. Outra coisa fundamental nos caras. Sempre assinaram os quatro. Eu disse “os quatro”, autorias de todas as canções. Assim era dividido igualmente sempre. Outra faceta de credibilidade e caráter da banda. Raro hoje, né? Nesse climão eles assinam um novo contrato com Warner por mais cinco discos sob a bagatela de R$ 80 milhões!!!! Uow! Um sucesso de renovação. Repito: somente porque era o REM. A banda sempre se posicionou e bancou seu som. Em 1998 eles lançam “Up”. Uma retomada boa nas vendas e com algum sucesso nos EUA e na Europa. Excursionam incansavelmente por países mais distantes e fora de rota das grandes bandas. Outro fator deles. Nesse disco canções como “Daysleeper”, “At My Most Beautyful” (Mike Mills compõe um lindo arranjo nos teclados) e “Lotus” alcançam o público. Nessa altura do campeonato o REM já tinha renovado seus fãs… São pessoas que gostam da fase da Warner primeira e essa segunda. São distantes um pouco da fase independente. Isso é comum em bandas com mais de vinte, trinta anos. E é cool. É importante, sobretudo. Em 2001 eles lançam “Reveal”, um disco redondo, ensolarado e bonito. Acertam a mão e a crítica e as vendas ficam condizentes. Os rapazes voltam ao trilho. E aí vai acontecer algo inédito pra gente aqui do Brasil: a banda vem no mês de janeiro de 2001 ao Rock in Rio. Simplesmente fazem um dos melhores shows do Festival e ganham o dobro de fãs no país. Os músicos nunca mais esqueceram aquela noite. Foram quase 200 mil pessoas uníssonas cantando e entoando gritos. Michael ficou bêbado com caipirinha e foi pro público. Uma leve confissão aqui (quebrando a parede pela segunda vez): eu estava nas primeiras filas e cocei a careca de Stipe. Visivelmente emocionado. Foi uma catarse! Quem foi nunca esquece. Ali eu resgatei um “furo”: The Lifting” e “She Just Wants to be” foram executadas ao vivo pela primeira vez no MUNDO. Sim, isso que você leu: o Rio de Janeiro (e o Brasil) foi o primeiro lugar na Terra que eles tocaram essa duas canções, já que o disco só saiu cinco meses depois. O que deixou os fãs mais excitados com o que viria no álbum. Estabelecido de volta ao bom caminho a banda lança mais um disco: “Around The Sun” de 2004. Um trabalho honesto repleto de teclados, pops duvidosos e ousadia em outras sonoridades. O resultado é bom para as vendas, mas a crítica torce o nariz. Eu também acho esse trabalho um dos menores. Tem coisas ali como “The Outsiders”, “Aftermath”, “Leaving New York” e “Electron Blue” que são hinos. Lindos! Mas, tem outras derrapadas ali bem feias. Não vou citar para não depor contra. Mas eles erraram feio na minha opinião. Os novos fãs curtem e nem ligam. No fim de tudo é isso que importa, não? Em 2007 eles entram pro Hall Of Rock And Roll Fame, importante e definitiva homenagem a uma banda de rock. Comparecem e entregam tal honraria Patti Smith e Eddie Vedder no palco. Bill Berry (ex baterista) é convidado e comparece. Depois de muito tempo toca com seus antigos amigos. Um ano de celebração. No ano seguinte eles lançam “Accelerate”, o décimo quarto da carreira. Um retorno bom às guitarras e distorções além do bom e velho rock antigo que eles faziam no começo. Dali canções como “Living Well is the Best Revenge”, “Accelerate” (faixa título), “Man-Sized Wreath” e “Mr. Richards” se destacam. Um bom trabalho dos rapazes. Disco enxuto e direto. Exatamente como eles (bem) faziam no começo. Em 2010 entram em estúdio para gravar o último disco: “Collapse Into Now”. Lançam em 2011 e vendem de maneira satisfatória. A partir daquele momento a banda encerrava quaisquer obrigações contratuais com a Warner. Obviamente existem inúmeras coletâneas, registros oficiais ao vivo, compilações, boxes especiais, etc… Minha intenção foi fazer um apanhado básico e específico dos discos de estúdios. Na internet tem material de sobra para você saber, conhecer, escutar e se aprofundar sobre o REM. Está tudo aí. Basta começar. Pra fechar: nesse ano do último disco, em 2011, a banda em seu site oficial escreve uma nota e encerra as atividades. Deixou um buraco no peito dos fãs, mas eu entendi. Foram trinta e um anos de trabalho, arte, viagens, hotéis, discos, shows, aeroportos e tudo mais. Um carreira bonita e ímpar. Ficou demais… E, como eles mesmo disseram e profetizaram: Its the end (and i feel fine)! Não é mesmo? REM, senhoras e senhores! Clap! Clap! Clap!

 

PARTE GREEN CONTEXTO

Contextualizar o álbum Green dentro do som da banda e do rock é complexo e torto ao mesmo tempo. Prefiro ambientar em termos da banda. O mundo nessa época vivia uma enxurrada de possibilidades musicais: havia de tudo um pouco. Inclusive a dance music (gênero que se solidificaria anos mais tarde). Mas a banda havia feito cinco álbuns de estúdio (além de um EP e duas coletâneas) pela IRS e estava insatisfeita com a distribuição externa dos trabalhos feitos. Nessa época surgiram convites de diversos selos, mas a Warner levou Stipe e cia. com a promessa de imensa distribuição e “liberdade criativa” para a banda. Martelo batido. Era hora de gravar o que seria o “Green”. Apesar do nome a capa (feita pelo artista Jon McCFerrty ) saiu na cor laranja. Alguns dizem que se apertar os olhos algumas vezes a visão embaça e aparece o “verde”, rsrsrs. Eu já fiz isso e deu certo, rsrsrs. Mas decerto que existem algumas edições lançadas com um tom mais amarelado também. A capa recebeu um tratamento especial e foi um grande trunfo para as vendas. Mas retornando ao processo criativo deles, os integrantes disseram que na época resolveram criar sem nenhuma necessidade de soar como o “velho REM”. Queriam um álbum mais experimental. E foi o que fizeram mesmo. Tanto que trocaram os instrumentos e batizaram os lados A e B (A seria o lado ar e B seria o lado metal). A ideia era eletrificar bem o primeiro lado e deixar acústico o segundo. Entraram acordeão, bandolim, violoncelo e percussão para ajudar a fazer o som experimental quisto pelo produtor Scott Litt e pela banda. As letras das canções tornaram-se mais satíricas e cínicas. Michael Stipe gravou os arranjos de sua voz depois dos outros. O resultado ficou na medida para a gravadora. No ano de 1988 havia uma disputa eleitoral entre republicanos (Bush) e democratas acirrada. E os membros do REM entraram de sola em Bush. Isso ajudou mais ainda o lançamento do álbum. O público gostou e comprou o discurso deles. Tanto que canções como “World Leader Pretend”, “Orange Crush” e “Haitshirt” caíram no gosto americano. Pungentes, cínicas e diretas. A banda tinha uma qualidade e jeito em passar sua mensagem de maneira criativa e harmoniosa. O líder do “The Divine Comedy”, Neil Hannon, afirmou numa entrevista que esse álbum era um dos seus prediletos. E que o protesto e a ideia deles era algo que só eles sabiam fazer de forma tão competente e distinta. Soava diferente. Kurt Cobain listou “Green” como um dos seus 50 melhores discos. Algo controverso, inclusive. “The Wrong Child”, “I Remember California” e “You Are Everything” acertaram os fãs mais antigos. Muitos consideram essas verdadeiras profecias do que seria o “Out Of Time” três anos depois. De algum modo elas soam mesmo como um embrião. “Pop Song 89” (uma sátira com os Doors), “Stand” e “Get Up” deram o tom mais pop e irônico do disco. Foram usados dois estúdios para gravação: Ardent Studios (Memphis) e Bearsville Studio (Nova York). Processo que tornou-se natural depois, pois certas canções necessitavam de mixagens diferentes e outras foram finalizadas conforme o potencial de cada estúdio. Duas ficaram sem nome no fim. “Untitled” foi uma delas e assim ficou no disco. “Turn You Inside-Out” e “Orange Crush” precisaram de mixagens distintas também. Scott Litt trabalhou incansavelmente nos estúdios dando acabamento bacana. A produção de “Green” foi a primeira dele com a banda. Uma parceria de ouro na história do REM. Quem é fã sabe disso. Feito e lançado o álbum a banda partiu para uma das turnês mais importantes e históricas, a famosa “Tourfilm” (1988). Foram onze meses de estrada e show. O registro encontra-se em VHS e DVD (tenho ambos). Vale a pena. A performance do REM é única. O moicano de Stipe é um diferencial também. E a banda estava em forma. Recomendo muito esse registro. O disco foi remasterizado em 2013 para o 25º aniversário e adicionado o ao vivo “Live in Greensboro” de 1989. Esse ano o disco completou 30 anos. Um salve enorme para esse que foi o primeiro disco da banda pela Warner (sexto na carreira) e que soou mais experimental do que o público poderia supor. Gostaria de acrescentar uma coisa: como fã, nesse disco, há duas canções que fazem parte do meu rol de favoritas: “World Leader Pretend” e a lindíssima “I Remember California”. Dois petardos dignos de banda GIGANTE! Salve Green, salve REM!

 

(Leo Rocha, dileto amigo carioca há mais de uma década do autor deste blog, tem 41 anos de idade e se formou em publicidade. Blogueiro, apresentador de programa em web rádio e autor de três livros de ficção, mora no Rio De Janeiro, onde nasceu. O REM é a banda da sua vida)

 

 

A POSTAGEM TRISTE DESTA EDIÇÃO, ANUNCIANDO O FECHAMENTO DO CEMITÉRIO DE AUTOMÓVEIS (O BAR DO QUERIDÃO DRAMATURGO E ESCRITOR MARIO BORTOLOTTO, EM SP) E TAMBÉM (E NOVAMENTE) DO MATRIX ROCK BAR

É isso. Em tempos absolutamente sombrios e tenebrosos, com a cultura pop entregando os pontos, o rock indo pro museu e o Brasil BOÇAL aguardando a posse do futuro PIOR presidente que o país já teve, as notícias cruéis continuam se sucedendo: o Cemitério de Automóveis, misto de bar e teatro administrado pelo dramaturgo, poeta, ator e cantor Mário Bortolotto, encerra atividades no próximo dia 5 de dezembro. Funcionava há alguns anos na rua Frei Caneca, centro de Sampa, e era (e ainda é, ao menos até a semana que vem) um dos espaços culturais alternativos mais incríveis da capital paulista.

O blog vai muito ao “Foda-se” (a denominação mega carinhosa e genial que a sereia linda e loka do nosso coração, a gatona e também escritora Flavia Dias, dá pro bar). Estivemos lá na sexta-feira passada inclusive. Estava bem cheio, o que não vinha ocorrendo nos últimos tempos porque o país está quebrado e as pessoas estão sem grana pra curtir uma noitada num espaço legal bebendo boas brejas e ótimos drinks. Mas enfim, Marião mantinha o espaço há alguns anos já. E sempre está lá nas madrugadas, na sua cadeira cativa na indefectível mesa ao lado do balcão onde a clientela é atendida pela Silvia e (eventualmente) pelo Linguinha. O Cemitério acabou aglutinando uma turma hoje em dia rara na noite paulistana: homens e mulheres mais adultos (na faixa dos 30-50 anos de idade) e apaixonados por ótima música (volta e meia rolam sets acústicos por lá), ótima literatura (uma micro livraria funciona dentro do bar) e também ótimo teatro: há igualmente lá dentro um espaço para encenação de peças e onde geralmente Marião encenava, atuava e dirigia os próprios textos, que eram interpretados por atores de sua trupe teatral (estas linhas bloggers nunca se esquecem da montagem sensacional que assistimos lá, anos atrás, de “Mulheres”, baseado no livro homônimo do gênio Charles Bukowski, um dos nossos ídolos literários ad eternum. E do Mario idem).

E o povo que frequenta (va) lá é bem loki também. Mulheres insinuantes, libidinosas, ébrias, poéticas, cultas, inteligentes, nada recatadas, nada do lar. Todas gostosas, ousadas mas jamais vulgares e totalmente mega interessantes (na questão intelectual), daquelas que são pura transgressão, subversão e resistência cultural e que você, ao se deparar com elas tomando uma dose de gin ou uma taça de vinho, imagina que a mesma fará estragos irreversíveis em seu corpo sedento e carente durante um embate carnal feroz em alguma cama bêbada de hotel idem. Os caras que frequentam (ou frequentavam) ali também eram o que podemos chamar de “escória” e “marginais” perante a sociedade ultra careta e moralista sacal hipócrita destes tempos terríveis atuais: músicos, escritores, autores teatrais etc.

O autor deste espaço online conhecia Marião de nome há anos e já admirava seu trabalho de escritor, diretor teatral, poeta e ator de cinema mesmo antes de se tornar seu amigo pessoal, algo que acabou acontecendo há uns… 4 anos ou um pouco mais. Com o tempo descobrimos que por trás daquela rabugice e “ranzinzisse” toda existe um sujeito gente finíssima, de coração muito generoso e que sobreviveu sem ser auto piedoso de um assalto onde quase morreu após levar 3 tiros. Na medida do possível ajuda os amigos: pedimos a ele que escrevesse o texto para a contra-capa do nosso livro, “Escadaria para o inferno” (que foi lançado há exatamente um ano), e ele topou no ato. Somos gratos a ele por isso até hoje.

E nosso coração dói bastante nesse momento, ao escrever esse post falando do fim do “Foda-se”. As doses generosas e bem-vindas de Bell’s que o blog toma neste momento começam a aquecer a alma e coração, ampliam as sensações neuro transmissoras cerebrais e nos reconfortam ante o fato de saber que estamos perdendo mais um espaço cultural que vai fazer muita falta. Como já dito mais acima, estivemos lá na sextona passada. O bar estava cheio, o clima estava ótimo e acabamos até batendo um papo com a lindona, tesudíssima e ótima atriz (em filmes e no teatro, não a curtimos muito em seus trabalhos na tv “Grobo”) Maria Ribeiro (sim, Marião tem muita moral com o povo da tv, do cinema e do teatro pois convive com eles e é um autor mega respeitado). O zapper disse a ela que é fã de dois filmaços nos quais atuou: “Tolerância” (dirigido pelo “replicante” Carlos Gerbase, lá em 2000) e “Como nossos pais”, rodado ano passado pela Laís Bodansky.

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Trio rocker e literário de respeito MÁXIMO se encontra no bar e teatro Cemitério de Automóveis, no final de 2017: Zapnroll “cercado” pelo jornalista e escritor Fernando Naporano e pelo dramaturgo Mário Bortolotto (acima); uma semana atrás o autor deste blog encontrou por lá a sensacional atriz, feminista e gata bi incrível e dos sonhos de qualquer homem que se preza, a XOXOTAÇA Maria Ribeiro, aqui (e abaixo) em imagens nudes total delicious, extraídas do ensaio que ela fez para o amigo fotógrafo Jorge Bispo, onde a divina musa esquerdopata e nada pudica e do lar, mostra toda a exuberância de sua BOCETA PELUDAÇA, como toda xota decente e do inferno deveria ser, inclusive (sorry, idiotinhas de direita: vocês são “limpinhas” demais, “cheirosas” demais, DEPILADAS demais e SEM CÉREBRO algum; jamais chegarão aos pés das garotas de esquerda, especialmente na questão intelectual e cultural e na hora da FODA). Infelizmente o bar do Marião fecha na próxima semana, no dia 5 de dezembro. Vai deixar saudades!

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Todo mundo “comunista”, “de esquerda” e “do mal” no final das contas, né. Pois o bloog se ORGULHA de fazer parte dessa turma. E fará até o fim e até o derradeiro respirar. Afinal não há mais ilusões aqui, elas se perderam todas definitivamente quando cerca de 55 milhões de eleitores (a maioria deles BOÇAIS, trogloditas, selvagens, racistas, homofóbicos, misóginos, machistas, medievais de pensamento, machistas ogros, moralistas hipócritas e conservadores de extrema direita do inferno) elegeram para presidente do Brasil um nazi fascista que, além de total intolerante e ignorante, ainda é um evangélico FUNDAMENTALISTA. E esse pessoal ODEIA cultura e quem trabalha com arte e cultura. Para eles, incapazes de compreender e aceitar o que lhes foge do raciocínio binário e ultra limitado, cultura é “coisa de vagabundo e petralha”, ou se resume a ler a Bíblia, orar, PRAGUEJAR quem pensa diferente e assistir a novelas toscas ou séries religiosas da tv Record (a emissora do escroque Edir Macedo, que juntamente com outro pilantra evanjegue mor, Silas Malafaia, ajudou a eleger presidente o monstro da extrema direita). Nunca é demais lembrar: quando tomou o poder na Alemanha NAZISTA, Hitler quis ANIQUILAR toda a produção cultural passada do país. Mandou COLOCAR FOGO em milhões de exemplares de livros. E todos sabem como a história do nazismo e a da própria Alemanha acabou, ao final da segunda guerra mundial.

De modos que não se iludam: BolsoNAZI e seus seguidores BESTIAIS farão tudo o que for possível para EXTERMINAR a Cultura nesse miserável e triste Brasil. O desmonte já começou, mesmo antes da posse do nazi. Mário Bortolotto e seu sensacional Cemitério de Automóveis saem de cena um pouco antes. Quem sabe até para não sentir na pele o que está por vir em janeiro próximo.

Rip, querido Foda-se. Este jornalista loker se divertiu muito ali (ficamos bem lokos lá muitas vezes, a ponto de tirar Marião do sério e de dar trabalho pra ele, ahahahaha). Vamos sentir saudades. E antes que as portas e cortinas se fechem de uma vez por todas, ainda iremos baixar lá pra tomar a saideira. E MERDA para todos nós!

 

***E a outra baixa no circuito cultural e rock alternativo de Sampa é o fechamento (agora, definitivamente ao que parece) do lendário Matrix Rock Bar. Durante mais de duas décadas e sob o comando do brother Giggio, o Matrix animou as noitadas da Vila Madalena (zona oeste de Sampa), na rua Aspicuelta, sendo que este blog mesmo fez algumas festas e djs set muito bacanas por lá. Há cerca de três anos o espaço fechou, devido à alta um tanto quanto abusiva do valor do aluguel do imóvel onde estava localizado. Giggio porém batalhou novo espaço (com preço mais em conta na locação) e reabriu o Matrix na rua Inácio Pereira Da Rocha (também na Vila Madalena), onde funcionava até agora. Há algumas semanas, veio a notícia novamente tristonha e surpreendente: o Matrix fecha definitivamente suas portas no próximo dia 7 de dezembro. Ainda dá tempo de ir curtir por lá neste sabadão (1 de dezembro, quando este post está sendo enfim finalizado), e é o que o blog pretende fazer, para tomar uma breja e curtir os ótimos sets dos queridos amigos e djs Shiva On e Fabiano Bulgarelli. Depois, só na sexta da semana que vem e pela última vez. Rip Matrix! Foi muito bom enquanto durou e tornou nossas vidas rockers muito mais alegres, animadas e menos ordinárias do que elas são nos tempos atuais. Tempos que, pelo visto, só irão piorar e onde o rocknroll está mesmo deixando de fazer parte da vida noturna e cultural de uma cidade como São Paulo, infelizmente.

 

 

MUSA ROCKER DESTA EDIÇÃO – A ABSOLUTAMENTE TESUDA E AVASSALADORA SUE NHAMANDU!

Nome:  Sue Nhamandu

 

Nasceu em: 11/03/1984 em Campinas de parto natural nas mãos do meu tio avô obstetra Deodato.

 

Mora onde e com quem: com meu filho de 10 anos, o cabeça da gang, Pablo Miguel Nhamandu.

 

O que estudou ou estuda: sou formada em filosofia desde os 24 anos, mas leciono filosofia desde os 19, psicanalista e esquizonalaista em formação, sou mestranda em filosofia de gênero e pornografia pela Universidade Federal do ABC, e  pesquisadora convidada 2019 pela Universidade Toulouse 2 Jean Jaures, e vencedora do segundo prêmio select de artista educadora, ou seja, estudo o próprio estudar. Estudei teatro na Universidade Antropófaga com José Celso Martinez Correa, e teatro com Gerald Thomas.

 

O que faz profissionalmente: Sou a Pornoklasta, terapeuta orgástica, filósofa e desartista multimeios.

 

Três artistas musicais ou bandas: tenho um trabalho musical experimental que divulgo submidialógicamente através de avatares-persona como no projeto Domitila Mataha(cker)ari Pompadour Monroe, uma projeto de música tática e cyber feminismo que envolve música e artes visuais num contexto de hackeamento de identidade, mas entrei no meu teste no Oficina em 2011 cantando Casisa Listada, imitando Isaurinha Garcia e já vivi de cantar em pequenos bares periféricos, com alguns brothers no violão.

 

Três discos: Ando só numa multidão de amores (Maysa), Drama ato três luz da noite, (Maria Bethania) e Deus é mulher (Elza Soares). Elza e Wilson das neves: is so hard to tell whos going to love yoi best, Karen Dalton, Chets Billie.

 

Três filmes: Bin jip kim ki duk, Mutantes despentes, mi sexualidad es una creacion artística, Lucia egana (sombra) rojas.

 

Três livros: Crise da filosofia messiânica (Oswald De Andrade), Manifesto contrassexual (P B Preciado), O teatro e seu Duplo (Antonin Artaud), O que é filosofia  (Giles Deleuze), Água viva (Clarice Lispector) e (ufa!) Meta linguagem e outras metas (Haroldo De Campos).

 

Um diretor de cinema: Annie Sprinkle.

 

Um diretor de teatro: Artaud.

 

Um autor literário: Haroldo de Campos.

 

Um show inesquecível: Mutantes no Parque Do Ipiranga.

 

O que pensa sobre

 

Sexo: é uma criação artística.

 

Drogas: Isdeus.

 

Rocknroll:  Toca Raul!

 

Política: esquerda radical (ótimo!).

 

Relacionamentos: os éticos com cuidado de si e do outro.

 

Eleições presidenciais deste ano: Levamos uma solapada de mídia tática, a direita comeu as teorias todas e usou com capital neo liberal nossas ideias melhor que nós. Todos sabemos que o humanismo acabou. Não sou ingênua de acreditar que o problema é cultura e civilização. É hora de lutar, de reler o anti-édipo, de entender os desejos construídos, de combater o fascismo, de andar em bandos. Essas eleições foram o momento  histórico mais importante que vivi, nasci em 84, não esperava viver isso, só posso dizer que sobreviver e viver bem tem sido minha vingança contra um sistema que me queria natimorta, afinal sou mulhler cafuza não binária poliafetiva, pansexual, ativista feminista pró-sexo demi-sexual, latino-americana.

 

E como o blog conheceu Sue: como nosso dileto leitorado pode ver pelas respostas aí em cima, essa deusa GIGANTE é uma mulher AVASSALADORA em todos os sentidos (tão avassaladora que chega a dar medo, ahahahaha). Enfim ela nos foi apresentada por uma amiga querida em comum (a escritora e poetisa Rita Medusa), nos encantamos pelo perfil e pelo pensamento da garota, a convidamos para fazer ensaio para estas linhas eternamente e totalmente subversivas e abusadas ao máximo, e cá está o resultado. Apreciem sem NENHUMA moderação!

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Avassaladora, apenas isso

 

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O peito que te seduz é o mesmo que pode matá-lo em pequena, rápida e gloriosa morte…

 

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O espelho é o reflexo preciso e que jamais MENTE!

 

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A água escorre pelos poros. E Rimbaud, se vivo estivesse, sentaria toda essa beleza em seus joelhos, para admirá-la ad eternum

 

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Corpo relaxado mas também perenemente em chamas

 

 

FIM DE UM POST REALMENTE GIGANTESCO!

Com quase 80 mil caracteres de texto (uma autêntica bíblia!) este é o provavelmente o MAIOR post já publicado por Zapnroll em seus quinze anos de existência, o que demonstra que o fôlego destas linhas online continua inalterado.

Mas tudo precisa ter um fim, não é. De modos que paramos por aqui, e sendo que havia tanto material ainda a ser publicado que deixamos parte dele para a nossa derradeira edição deste triste 2018 que está chegando ao fim e prenunciando um 2019 absolutamente SINISTRO no Brasil. De qualquer forma no próximo post traremos sim as histórias dos shows que o blog viu na inesquecível Via Funchal. E também iremos falar do superb músico e guitarrista Dhema Netho, que residiu por 16 anos em Londres e agora está de volta ao Brasil, onde pretende retomar sua carreira. E claaaaaro, já temos a musa rocker pra fechar com chave de ouro este sombrio 2018: a delicious total Juliana Gelinskas (cujo aperitivo do ensaio futuro você vê aí embaixo).

Beleusma? Então até a próxima!

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(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 01/12/2018 às 22:20hs.)