Os Vaccines honram seu rock’n’roll e voltam fodões em “Come Of Age”. O shoegazer noventista e lindão do Ringo Deathstarr (e que toca amanhã em Sampa!). E o blogão que tem culhões e opinião, e que detesta a “brodagem” cuzona que se instalou na atual cena indie nacional, detona um produtor escroque que vive de enganar trouxas (ampliado, atualizado e finalizado em 1/9/2012)

Os incríveis Vaccines (acima e abaixo, em dois momentos da banda no festival de Reading 2012, semana passada na Inglaterra) voltam fodões e vencem a maldição do segundo disco 

 

As surpresas da vida rocker.
Elas pintam em nosso caminho quando menos esperamos, néan? Essa semana mesmo, por exemplo: tudo ia muito calmo (morno até demais) pro gosto do sujeito aqui, já um jornalista musical tiozão mas nem por isso fã de calmaria em excesso. Mondo pop/rock devagar, e Zap’n’roll pensando em qual seria a pauta do blog pra essa semana. Até que… voilá! As paradas começaram a surgir do nada – as surpresas da vida rocker, enfim. Primeiro, o autor destas linhas online estava assistindo ao programa cultural Metrópolis, na tv Cultura, na terça-feira (se a memória não estiver falhando demais). Passou uma matéria sobre uma nova cantora do Pará (opa, uma nova Gaby Amarantos?), que estava divulgando seu trampo em Sampalândia. Papo vai e vem com a apresentadora do programa, e a moça discorre sobre a gravação do seu primeiro disco, cuja produção será pilotada por um fulano aí, figura notória (infelizmente) da música independente brazuca nos últimos quinze anos ou mais. Pronto! Surgiu a idéia para o primeiro ótimo tópico deste post que você, dileito leitor zapper, está começando a ler agora: detonar o figura em questão já que ele é um escroque de primeira e faz parte dessa insuportável, cuzona e quase imunda “brodagem” que domina hoje a indie scene nacional – mas isso é assunto pra você ler mais aí embaixo, no decorrer da blogagem. Aí, com um grande assunto nas mãos, o resto foi decorrência ou foi surgindo aos poucos: já na madrugadona de quinta pra sexta-feira (quando este espaço virtual está sendo escrito), o jornalista tiozão mas sempre atento “pescou” na web o novo discão dos Vaccines – e que sai oficialmente na próxima segunda-feira, na Inglaterra. E por fim, o blog também decidiu falar do quarteto shoegazer americano Ringo Deathstarr. Yep, pouquíssimo conhecido até mesmo nos EUA, o grupo faz noise rock noventista de primeira, toca amanhã (leia-se sábado) em Sampa (graças à ação de uma turma indie paulistana corajosa, capitaneada pelo chapa Cézar Zanin, proprietário do simpático e acolhedor Espaço Cultural Walden, que fica no centro da capital paulista), tem pelo menos um discaço na bagagem e por isso falamos dele aqui também. Afinal, são ótimas bandas novas e ótimas supresas (como o Ringo Deathtarr ou o novo álbum dos Vaccines), que faz a vida rocker do sujeito aqui continuar a mim e valendo a pena, sempre. E por muitos anos ainda, se os deuses permitirem.

 

 

* Pois então vamos ao que sucede, uia! O julgamento do Mensalão segue à toda no STF. E o petista João Paulo (ex-presidente da Câmara Federal) já foi CONDENADO pelos ministros do Supremo. Não há apelação e resta definir quantos anos o cidadão vai passar em cana. Ou seja, vislumabra-se uma luz no fim do túnel na triste história das Leis nesse país: a de quem tubarões finalmente também vão começar a ir pra trás das grades.

 

 

* Já no terreno das eleições municipais desse ano, as últimas pesquisas eleitorais indicam que o candidato do PT em Sampa, Fernando Haddad, está colando no ditador Serra. Isso fez o autor deste espaço blogger também político, reavaliar sua postura na questão do voto. Zap’n’roll vai provavelmente votar em Haddad (com o dedo no nariz, é vero, pois seria muuuuuito melhor se o PT tivesse optado pela candidatura da sempre amada Marta Suplicy). Desta forma espera estar contribuindo para que NÃO haja um segundo turno entre Serra e Celso Russomano, o que seria o pior dos mundos. Agora, há anos que o blog tenta entender porque São Paulo, a cidade mais rica e desenvolvida do Brasil, teoricamente uma das mais cultas e uma das maiores metrópoles do mundo, possui em contrapartida um eleitorado tão BURRO e CONSERVADOR. Pra pensar…

 

 

* Mas como não podemos deixar assuntos políticos e sociais dominarem estas linhas dedicadas à cultura pop e ao rock alternativo, bamos lá: a velha vaca do rock’n’roll – os Stones, claaaaro! – anunciou que vai fazer quatro shows ainda este ano. Mick Jagger, Keith Richards e cia. tocam em novembro, em Nova York (dois shows) e Londres (mais dois). Vão ganhar pelas quatro apresentações a bagatela de vinte e cinco milhões de doletas. A banda está na França, gravando seu novo disco – e eles precisam gravar mais alguma coisa? Phorran, só se for pra justificar uma nova turnê mundial (provavelmente a última da vida desses senhores já na casa dos setenta anos de idade), de preferência em 2013 e que passe por aqui também.

A sagrada vaca velha do rock’n’roll: quatro shows ainda este ano 

 

* Falando em setentões, “Tempest”, o novo disco do véio Bob Dylan, sai no próximo dia 10 de setembro, você já deve estar sabendo. E a julgar pelo primeiro single do novo trabalho, “Duquesne Whistle”, Bob ainda está em forma. O vídeo da música (aí embaixo) nem é lá essa Brastemp – longe de ser, aliás. Mas a canção em si é legalzin, no?

 

 

* A inglesada continua péssima quando o assunto é escolher a melhor bobagem de todos os tempos, em alguma parada. Desta vez a NME (sempre ela e suas enquentes não raro ridículas) resolveu eleger, entre seus leitores, o “melhor show de rock de todos os tempos”. Quem ganhou a votação? O – atualmente – pavoroso Muse. Fala sério…

Muse: melhor show ao vivo de todos os tempos? Nem morta, santa!

 

* Agora, prestatenção nessas fotos aí embaixo: são duas pics (uma delas, cortesia do site da NME) que registram mr. Robert Smith à frente do Cure, no gigante festival de Reading semana passada, na Inglaterra. Jezuiz… o ícone supremo da confraria goth está realmente véio, desgrenhado, gordo e beeeeem acabadón. Mas ele pode, né? Cure ainda é um dos maiores nomes do rock inglês em todos os tempos, uma das bandas mais amadas destas linhas online e… está pra baixar no Brasil em abril de 2013, uhú!

O eterno gótico Bob Smith (acima e abaixo, à frente do Cure também no festival de Reading, na semana passada): gorducho, cabelo desgrenhado, velhão mas ainda assim uma lenda do rock britânico

 

* Essa é para os mega fãs de cinema, como o autor destas linhas bloggers poppers: a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo deste ano, divulgou que vai exibir a cópia restaurada do ultra clássico “Nosferatu” (dirigido pelo alemão F.W. Murnau, em 1922). A exibição da preciosidade será dia 2 de novembro (dia de Finados, bem a ver com a estética e a história do filme, hihi), ao ar livre, no Parque do Ibirapuera. Imperdível é pouco!

 

 

* E a agenda do trêgego jornalista andarilho estará bastante agitada agora em setembro, uia! A esbórnia já começa hoje à noite, sextona em si, com o showzaço de lançamento do primeiro disco dos Coyotes Califórnia lá na Outs (no baixo Augusta, sendo que os detalhes estão lá embaixo, no roteiro de baladas). Na semana que vem, no feriado do 7 de setembro, rola o primeiro Independence Rock Festival no Simplão Rock Bar, em Paranapiacaba (no meio do mato mesmo!). Um autêntico micro-Woodstock que está sendo co-produzido pelo blog (e que também vai fazer a discotecagem das duas noites do evento) e que vai contar com, entre outras, as fodaças bandas Doutor Jupter e Coyotes Califórnia, duas das atuais prediletas da casa. Interessou e quer mais infos sobre a balada rock’n’roll campestre? Vai lá: https://www.facebook.com/events/465723520127604/ .

 

 

* Nope, não há putarias, dorgas e peladonas nas notas iniciais do post desta semana, uia! Mas vai haver fuzilaria logo mais aí embaixo, depois dos tópicos falando dos Vaccines e do RingoDeathstarr. Vai lendo…

 

 

* Mas antes, bora comentar o novo e bacanudo álbum dos ingleses Vaccines, a banda que conseguiu vencer a maldição do segundo disco.

 

 

 

VOCÊ AMOU A ESTRÉIA DOS VACCINES? ENTÃO BORA AMAR O NOVO DISCO TAMBÉM!
Yesssss. Programado para sair oficialmente (naquela jurássica plataforma física do cd) na Inglaterra na próxima segunda-feira, 3 de setembro – e sendo que a edição nacional também deve sair em breve, via Sony Music –, “Come Of Age”, o novo álbum do superb quarteto guitar inglês The Vaccines, vazou total na web na noite de ontem, quinta-feira. Zap’n’roll, que ama de paixão o disco de estréia da banda (o fodástico “What Did You Expect from the Vaccines?”, lançado em março de 2011), não perdeu tempo e “capturou” o dito cujo, embora já conhecesse (como todo mundo que vive antenado nas movimentações do rock planetário atual) muitas de suas faixas, que foram lançadas em singles ou que escaparam igualmente pela internet.

 

E a ótima notícia é: o discão é bom o suficiente pra ter feito o quarteto (formado pelo guitarrista e vocalista Justin Young, pelo também guitarrista Freddie Cowan, pelo baixista Arni Arnason e pelo batera Pete Robertson) conseguir superar a eterna maldição do segundo álbum. Claaaaaro, não é aquela obra-prima que vai mudar os rumos do rock’n’roll atual, tampouco salvar a humanidade. Mas é bom o suficiente pra calar a boca de jornalistas musicais pelegos, velhuscos, cafonas e mumificados pelo tempo, que acham que o rock parou na década de 70’, embalsamado na grande e fedida merda progressiva e no classic rock chumbrega.

 

O Vaccines, o leitor zapper sabe, é novíssimo ainda. O quarteto surgiu em Londres, em 2010. E nesses pouco mais de dois anos de existência fez tremendo barulho e causou enorme repercussão junto à mídia e aos indies kids, por conta de alguns singles espetaculares e de um primeiro álbum primoroso do início ao fim. O som dos moleques não tem mistério: um bem engendrado mix de referências do pós-punk britânico, acrescido de guitarras rápidas e garageiras, melodias rockers mas ao mesmo tempo dançantes e tudo emoldurando letras de conteúdo passional/existencial, bem acima da média do que se ouve hoje no emburrecido rock mundial (Brasil incluso, vale exarar).

O novo álbum dos Vaccines: tão bão quanto o primeiro

 

Pois se na estréia havia faixas explosivas e intensas como “Blow It Up”, “Post Break-Up Sex” e a lindíssima (e sombria) “All In White”, em “Come Of Age” o conjunto retoma basicamente os mesmos procedimentos sônicos que conduziram o primeiro disco – alguém aí vai dizer, acertadamente: pra que mexer em time que está ganhando? Assim, além dos dois poderosos singles que já circulam há tempos em rádios e no YouTube (“No Hope” e “Teenage Icon”), é um prazer ouvir a banda disparando riffs abrasivos em “Always Knew” e “Bad Mood” (um dos melhores momentos do trabalho, rock poderoso de eflúvios sixties e com levada… mood, rsrs). Ou ainda soando mezzo Beatles (na melodia sessentista levada por violões e guitarras sem distorção) em “All In Vain”, e mostrando suingue contagiante e sensualidade na melodia e nos vocais de “I Wish Was A Girl”. Discão em todos os sentidos e que ainda por cima, não cansa o ouvinte: o conjunto conseguiu enfeixar onze faixas bacanudas em menos de quarenta minutos, uma raridade em tempos em que artistas gravam álbuns com mais de uma hora de duração de puro lixo musical.

 

O autor deste blog tem um arrependimento amargo em relação aos Vaccines: ter perdido a gig que eles fizeram no primeiro semestre deste ano, aqui em Sampa. Até eles resolverem voltar aqui, um dia, a compensação fica por conta deste “Come Of Age”, que sinaliza sim que o grupo está no caminho certo e que ainda tem um futuro brilhante pela frente, nos tortuosos e hoje invariavelmente insípidos caminhos do rock’n’roll.

 

 

O TRACK LIST DE “COME OF AGE”
1.”No Hope”
2.”I Always Knew”
3.”Teenage Icon”
4.”All in Vain”
5.”Ghost Town”
6.”Aftershave Ocean”
7.”Weirdo”
8.”Bad Mood”
9.”Change of Heart Pt.2″
10.”I Wish I Was a Girl”
11.”Lonely World”

 

 

 

VACCINES AÍ EMBAIXO
Nos videos de “No Hope” e “Teenage Icon”, os dois primeiros singles extraídos do novo álbum

 

 

 

O SHOEGAZER DOS 90’ RESSURGE FODÃO NO SOM DO RINGO DEATHSTARR
Acontece, né? Jornalistas musicais não são obrigados a conhecer absolutamente tuuuuudo o que rola nos meandros do pop/rock indie planetário. Ou, por vezes, conhecem determinada banda ou artista de “ouvir falar”. Era o caso destas linhas bloggers curiosas em relação ao quarteto americano (de Austin, no Texas, a terra do célebre festival South By Southwest) Ringo Deathstarr – um evidente trocadilho/zoação com o nome do ex-baterista dos Beatles. Zap’n’roll já tinha “ouvido falar” da banda, mas nunca deu muita bola pra dita cuja.

 

Até que o sempre agitado e esbaforido chapa Cézar Zanin (músico da banda paulistana Magic Crayon, além de proprietário do mega simpático Espaço Cultural Walden, na Praça da República, centrão rocker de Sampalândia) divulgou que estava trazendo o grupo pra tocar por aqui. Houve uma gig com tickets esgotados no pequenino Walden, na semana passada. Ontem, a turma tocou no Rio. E amanhã se apresentam novamente para um último show em Sampa, lá na Lega Itálica (no bairro da Liberdade, região central da cidade).
Vai daí que, obviamente movido pela curiosidade (inerente a todo bom jornalista que se preza) e pensando em ir conferir os caras amanhã, estas linhas online foram ouvir o Deathstarr. O blog “pescou” na web o álbum “Colour Trip”, lançado pela banda em fevereiro de 2011, e foi conhecer o som dos americanos.

 

Ouviu e enlouqueceu. Você gosta de guitarras em noise furioso, melodias doces, vocais suaves (femininos e masculinos) enterrados nos instrumentos? De shoegazer inglês anos 90’? Então não perca a gig do Ringo Deathstarr amanhã nem que a vaca tussa. O disco é um escândalo e exibe doses cavalares e concentradas de My Bloody Valentine, Ride, Lush e Jesus & Mary Chain. Ou seja, tudibom e o melhor que o rock da Velha Ilha produziu há duas décadas atrás, repaginado para os dias atuais.

Ringo Deathstarr (acima) e seu ótimo segundo disco (abaixo): shoegazer anos 90′ na veia, amanhã em show ao vivo em Sampa

 

 

Não dá pra destacar essa ou aquela faixa do álbum, ele é ótimo do início ao fim (e o melhor: tudo em enxutos trinta minutos de audição, o que comprova pela bilionésima vez que as melhores canções são aquelas buriladas em menos de três minutos). Mas uma música como “Do It Every Time”, dá bem a medida do que é a paisagem sônica do Ringo Deathstarr.

 

Então a ordem é se mandar pra Lega Itálica (que fica na Praça Almeida Jr., 86, próximo à estação Liberdade do metrô) neste sábado. Vai ser um autêntico bailão rock’n’roll shoegazer anos 90’, pra trintão (e pra molecada nova também, por que não?) nenhum reclamar.

 

 

* Quer conhecer melhor a banda? Vai lá: https://www.facebook.com/ringodeathstarr .

 

 

E DOIS VÍDEOS DELES AÍ EMBAIXO
Da música “Imagine Hearts” (que abre o álbum “Colour Trip”) e também a banda fazendo passagem de som no Espaço Cultural Walden, semana passada em Sampa.

 

 

 

UM PRODUTOR MUSICAL ESCROQUE CHAMADO CEM (NOÇÃO) CONTINUA “ENFEITIÇANDO” A MÚSICA INDEPENDENTE NACIONAL
Noite quente e modorrenta de terça-feira (desta semana). Como de hábito Zap’n’roll está na sua house, zappeando os canais na tv. De repente, os olhos e ouvidos bloggers se detém no sempre bom programa “Metrópolis”, a revista eletrônica cultural da tv Cultura. Uma nova cantora paraense, Lia Sophia, está no estúdio da emissora, divulgando seu trabalho e anunciando a gravação de seu primeiro disco. Até aí, nada demais: o Pará tem sido um grande celeiro de novos e ótimos talentos da nova música independente brazuca (vide bandas como Baudelaires, SIM, e artistas que levam adianta a autêntica música regional paraense mas combinada com linguagens, hã, mais modernas, como é o caso da Gaby Amarantos). O blog só ficou chocado, mais uma vez, quando a moçoila informou que o tristemente célebre Carlos Eduardo Miranda será o produtor de seu trabalho de estréia.

 

Que foda, galere… o blog acha mesmo inacreditável como esse autêntico escroque e picareta da pior espécie continua “enfeitiçando” a cena independente nacional – e isso já há mais de década e meia e depois de ter cometido cagadas homéricas nessa mesma cena. É incrível como bandas, músicos e até outros produtores culturais continuam pagando pau e lambendo os bagos (numa escrotíssima ação de “brodagem”, a mesma brodagem que anda fodendo e muito boa parte da produção musical, o rock em particular, hoje no Brasil) de um sujeito que nem de longe é um dos melhores produtores que a música brasileira já conheceu. Muito pelo contrário: a figura em questão já estragou a carreira de muita gente e foram mínimos os seus “acertos” na área musical.

 

Estas linhas online, que felizmente não fazem parte (e se orgulham muito disso) de nenhuma “panelinha”, não têm o rabo preso com ninguém e têm culhões pra dizer o que tem que ser dito, conhecem muito bem mr. Mirandinha. O sujeito, gaúcho de nascimento, teve certa notoriedade no rock gaúcho com algumas bandas das quais participou por lá, nos anos 80’ (Taranatiriça e Urubu Rei, entre elas). Depois, sem conseguir algo mais substancial por lá mesmo, se mudou de mala e cuia pra Sampalândia – aqui, conseguiu lançar pelo heróico e excelente selo Baratos Afins (tocado até hoje pelo querido Luiz Calanca, esse sim um produtor de respeito e um dos maiores conhecedores de música que o blog já teve o prazer de conhecer) o único disco de outra banda sua, uma mega bobagem chamada Atauhualpa y Us Panquis. O disco era horrível (talvez um dos únicos equívocos discográficos cometidos pela Baratos, em meio a dezenas de ótimos lançamentos), e não vendeu nada. Terminou aí a carreira “musical” do nosso “prezadíssimo” produtor.

 

Que não desistiu e foi se meter no jornalismo musical, passando a colaborar com a revista Bizz, já na fase algo decadente da publicação. Mas foi lá que Mirandinha tirou a sorte grande: emplacou uma matéria de capa com os Titãs, quando eles estavam lançando o ótimo (e talvez um dos últimos grandes discos da banda) “Titanomquia”, em 1993. O grupo ficou satisfeitíssimo com a reportagem e, em agradecimento, convidou – jezuiz… – Mirandinha pra ser uma espécie de “gerente” ou “guru” do selo Banguela, uma sub-divisão da gigante Warner que os Titãs tinham criado pra lançar bandas novas e talentosas.

Mirandinha e seu visu de cafetão do Largo da Concórdia, uia!

 

O resto é história e quem está na cena desde essa época, sabe o que aconteceu. O Banguela, sob o comando do sujeito, contratou zilhões de bandas e nenhuma deu em absolutamente NADA, com exceção dos Raimundos, que estouraram já no primeiro disco – e obviamente por conta disso, foram “sacados” do Banguela e incorporados ao cast principal da Warner. Foi o ÚNICO acerto de mr. Miranda no selo. E o próprio ex-baterista dos Titãs, Charles Gavin, relembrou essa história tenebrosa em entrevista a este jornalista, quando o zapper eternamente rocker escrevia matérias de música para a (naquela época) poderosa revista Interview. Como deixa bem claro na entrevista, Gavin disse na época que o Banguela faliu justamente pelo excesso de contratações que não deram em nada. E segundo o baterista, o único “bilhete premiado” que eles tiveram (os Raimundos), acabarou sendo cooptado pela própria Warner.

 

Mas aí, não é que o sujeito se deu bem novamente, mesmo após ser um dos responsáveis pela falência de um selo? Mirandinha foi parar na gravadora Trama e lá teve a iluminada idéia de criar o Trama Virtual (justiça seja feita, sua única idéia realmente genial até hoje) e, voilá! Virou “mestre”, “gênio” da produção da música independente nacional nos últimos dez anos. E pior: ainda se tornou jurado de um programa de novos talentos musicais, no SBT. Citando mais uma vez o grande Luiz Calanca: o mundo está mesmo acabando, rsrs.

 

Na boa? Há gente muuuuuito melhor, mais honesta, mais simpática, humilde e de caráter trampando na área de produção, e sem o mesmo reconhecimento que esse sujeito. Não dá pra entender porque uma Gaby Amarantos (cantora de talento dentro do seu estilo, e de grande personalidade artística) entregou a produção de seu disco ao sujeito (e aí já viu, né? Ele deve ter ganho uma “mala preta” bem recheada da gravadora, em pagamento pelo serviço). Não dá pra compreender porque a tal Lia Sophia (que também parece ser bastante talentosa) precisa dos serviços desse senhor de péssima índole, para produzir seu disco de estréia. Aliás, o blog pergunta: onde está o disco de estréia da ótima Mini Box Lunar, de Macapá, e que também ia ter a “mão” do Mirandinha em sua produção? Será que o querido Otto Ramos (tecladista da banda e produtor do bacana festival QuebraMar além de administrar muito bem o coletivo Palafita, na capital do Amapá) sacou que trabalhar com o pançudo (que ostenta sempre um visual de cafetão de décima categoria do Largo da Concórdia) seria, na verdade, uma roubada sem tamanho?

 

É isso. E é muito óbvio que o blog vai ser metralhado pela “tropa de choque” do Mirandinha por causa deste tópico/desabafo. Sem problema: o tempo, um dia, irá se encarregar de mostrar quem está com a razão nessa história.

 

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E calmaê que ainda não acabou, embora falte bem pouco, rsrs. O blogão zapper, sempre campeão em infos quentes e em tópicos ultra polêmicos (como o que está aí em cima, hihi), vai dar uma pausa pra resolver umas paradas pessoais e volto logo menos com as dicas culturais e o roteiro de baladonas fortes pro finde, que incluem o showzão de lançamento do primeiro disco dos Coyotes Califórnia hoje, lá na Outs (no 486 da rua Augusta).

 

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA
* Discos: “Come Of Age”, o novo e ótimo dos Vaccines, e “Colour Trip”, shoegazer classudo dos americanos Ringo Deathstarr.

* Filme: sem nenhuma grande estréia esta semana, continua valendo a sugestão da semana passada: “O ditador”, o novo espanco total politicamente incorreto do gênio Sacha Baron Cohen.

 

* Baladas: com o post sendo concluído já na noite de sábado (a esbórnia rocker e a “prova do líder” ontem foi cruel, hihihi), a grande pedida de hoje é mesmo a madrugada shoegazer com os americanos do Ringo Deathstarr e The Concept, lá na Lega Itálica (próximo ao metrô Liberdade, no centrão de Sampa). A festa promete. Mas se você estiver pelo baixo Augusta, a parada certa é mesmo cair no Astronete (no 335 da Augusta), que tem alguns dos melhores drinks e é freqüentado pelas melhores xoxotas lokas e rockers da atual cena under paulistana. Fora a discotecagem do queridão Cláudio Medusa, do sempre antenado Serginho Barbo e dos DJs convidados, sempre show de bola! Vai lá e confere!

 

 

ROCKERS NOISE NA FAIXA? VEM QUE TEM!
Entonces, a disputa já ficou mesmo sangrenta lá no hfinatti@gmail.com, onde estão dando sopa:

 

* DOIS PARES DE INGRESSOS para o super Rockers Noise Festival, que rola dia 30 de outubro no Espaço Victory, em Sampa, com showzaços do Telescopes e Gallon Drunk. Tá dentro? Então bote fé e boa sorte!

 

 

 

E TCHAU PRA QUEM FICA!
Que mais papos sobre rock alternativo e cultura pop agora só na semana que vem, quando o blogão sempre de olho nas bandas que VALEM A PENA de fato na atual pobrinha indie scene nacional, vai falar da Malbec (de Manaus) e da Veludo Branco (de Boa Vista). Dois grupos que mostram que o rock do extremo Norte anda beeeeem melhor do que aquele que é feito aqui, no “evoluído” e “desenvolvido” (hã?) Sudeste.

Até lá, então!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 1/9/2012, às 21hs.)

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