AMPLIAÇÃO FINAL, falando dos trinta anos do primeiro álbum dos Guns N’ Roses, do novo disco da deusa Lana Del Rey e com o blog se mandando para Sorocaba, para acompanhar o festival Circadélica – O blog de cultura pop e rock alternativo mais legal da web BR chega aos catorze anos de existência (wow!), sempre com muito a dizer e comemorando com DJ set fodona neste domingo em Sampa! Mais: o festival Circadélica invade Sorocaba na próxima semana (e nós estaremos lá, acompanhando tudo bem de perto) prometendo reviver os ótimos tempos do Junta Tribo; sobre a festança indie rocker batemos um papo com Mario Bross, vocalista do sempre bacaníssimo Wry e um dos idealizadores do evento; e como não é todo dia que um espaço na blogosfera brazuca celebra quase uma década e meia de jornalismo total rock’n’roll, nosso presente ao dileto leitorado zapper vem à altura da data: a DE LI CIO SA musa rocker Paloma, tesão total de apenas dezoito aninhos de idade, ulalá! (postão COMPLETÃO e total concluído em 22/7/2017)

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Ao longo de catorze anos de existência Zap’n’roll acompanhou muito de perto (e continua acompanhando) a cena rock independente brasileira, de bandas como o já clássico quarteto indie guitar sorocabano Wry (acima) ou novas como o potiguar Farm From Alaska (abaixo); ambas se apresentam semana que vem no festival Circadélica e o blog zapper estará lá vendo de perto toda a movimentação como de resto sempre viu e descobriu (e continua descobrindo) ótimos novos grupos, e também incríveis musas rockers como a deste post, a gatíssima Paloma (abaixo, ao lado de Finaski)

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MAIS MICROFONIA: OS TRINTA ANOS DE UM CLÁSSICO DO ROCK, A MORTE DO VOCALISTA DO LINKIN PARK, NOVO DISCO DA DEUSA LANA DEL RAY AND MORE…

 

***Trinta anos de um clássico da história recente do rock – “Appetite For Destruction”, o disco de estréia da turma de Axl Rose completou 30 aninhos ontem, sextona em si (o postão zapper está sendo concluído já no sabadão, 22 de julho). Foi lançado exatamente em 21 de julho de 1987. E o mundo naquela época era muuuuuito diferente do que é hoje. Pra começar (e todos também já estão cansados de saber disso) não havia essas merdas digitais todas da era da web (redes sociais, apps, plataformas musicais, YouTube, Deezer, SoundCloud, Spotify) que, num certo sentido, AJUDARAM MUITO A MATAR a música, a qualidade artística dos músicos e do que eles produzem e o PRAZER de se escutar música (seja rock, mpb, pop, o que for). Numa época (1987) em que a MTV ainda engatinhava nos EUA e fora ela só podíamos ouvir/ver música nas rádios e nas TVs, a banda tinha que ser FODONA mesmo para acontecer. Os caras tinham que ser MÚSICOS DE VERDADE e tocar na raça, serem bons pra caralho. E o Guns, em seu primeiro disco e em sua formação clássica, ERA TUDO ISSO. Você pode amar ou ODIAR o grupo, mas essa constatação é inexorável e inescapável. Era o quinteto certo na hora certa e no lugar certo. Um bando de junkies cabeludos, sujos, arruaceiros e ótimos músicos, loucos para tocar, para tomar todas as drogas possíveis e comer todas as bocetas disponíveis. Fazendo um hard rock potente, de guitarras agressivas, muito bem tocadas mas com melodias repletas de apelo pop e radiofônico, o GNR engendrou em um único LP alguns dos hoje mais lendários clássicos da história recente do rock’n’roll. E o blog acompanhou bem de perto tudo aquilo naquela época – é uma das vantagens de se ter 5.4 nas costas: você está ficando velhão, sem dúvida. Mas isso lhe garantiu testemunhar fatos que nunca mais irão se repetir no rock’n’roll, ainda mais nos dias que correm, onde ele está quase morto e enterrado. “Appetite…” não estourou de imediato. Começou vendendo bem e quando porradas como “Welcome To The Jungle”, “Paradise City” e (principalmente esta) “Sweet Child O’ Mine” tomaram de assalto as rádios no mundo inteiro (Brasil incluso), o rolo compressor gunner se tornou monstro e a devastação foi inevitável na cena rock de então. Em questão de alguns meses a bolachona de vinil vendeu mais de 30 milhões de cópias e o grupo se tornou a maior banda do mundo então. Nessa época inclusive o jornalista zapper escrevia para a página de música do Caderno 2, do jornal O Estado De S. Paulo. O editor de música do caderno era nosso querido mestre eterno, Luis Antonio Giron. Lembramos como se fosse hoje: Finaski entrando uma tarde na redação do Estadão e mr. Giron em pânico: “precisamos dar uma CAPA para o Guns ‘N Roses! Eles estão DOMINANDO o mundo!”. E estavam mesmo. O restante da história todo mundo conhece de cor e assaltado. O grupo ainda lançou um trabalho quase primoroso (os dois álbuns duplos “Use Your Illusion”, I e II, em 1991) e depois nunca mais foi o mesmo. Corroído por drogas, brigas internas selvagens, demissões sumárias de membros e saídas voluntárias (e nada amigáveis) de outros (tudo por conta do ego descomunal e descontrolado de Axl), o Guns foi descendo a ladeira sem dó. Ao vivo? Nem eram tudo isso: o blog assistiu ao grupo por duas vezes, em janeiro de 1991 (no estádio do Maracanã, na segunda edição do Rock In Rio), e quase um ano depois (em novembro de 1992) aqui mesmo em Sampa, lá no estacionamento do sambódromo do Anhembi. Nas duas ocasiões achamos a gig bastante sacal na verdade, sendo que um dos poucos momentos em que nos empolgamos foi quando tocaram “Civil War”, talvez a música que estas linhas online mais gostam do conjunto até hoje. Enfim, a banda está aí na ativa até hoje. Vai inclusive tocar aqui no bananão pela milésima vez em setembro (no Rock In Rio e no festival SP Trip, que vai rolar em Sampa). Há muito se tornou uma caricatura, um cover pálido de si mesma e que nem em sonho lembra os tempos do grupo fodástico e furioso que incendiou o mundo com “Appetite For Destruction”, mesmo estando novamente contando com o gênio Slash nas guitarras. E o blog mesmo nunca morreu de amores por eles. Mas reconhecemos que “Appetite…” foi O DISCO de rock há 30 anos, em julho de 1987. Um álbum como não se faz mais hoje em dia. E nunca mais será feito, aceitem isso. Pois não há mais BANDAS DE ROCK fodonas e com CULHÃO para gravar um disco desse calibre.

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A formação clássica e original do Guns N’ Roses (acima) e que gravou o disco de estréia da banda, “Appetite For Destruction”, que comemorou trinta anos ontem, 21 de julho: não se fazem mais álbuns de rock assim hoje em dia, infelizmente

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***Rip Chester – a nota triste da semana foi o suicídio do vocalista da já velhusca e cafona banda de nu mental Linkin Park, Chester Bennington. Com problemas de depressão e um histórico de consumo de álcool e drogas, o cantor resolveu dar fim à própria vida se enforcando. O blog lamenta, óbvio, a perda humana. Mas não muda sua opinião: LP sempre foi uma banda sacal e quase totalmente irrelevante para a história do rock.

 

***A deusa de volta – ela mesma, o bocetaço cantante que é Lana Del Ray, deu ao mundo ontem seu novo álbum de estúdio. “Lust For Life” ainda está sendo degustado por estas linhas bloggers poppers, que irá falar melhor sobre ele em breve. Mas pros fãs e interessados, ele pode ser ouvido na íntegra aí embaixo.

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***E pau no cu da nação coxa! – ela mesma, que bateu panela pedindo a saída de Dilma e agora agüenta levar no rabo sem dó e sem vaselina o caralho flácido do Conde Drácula do Planalto, o golpista mais filho da puta e ordinário que já desgovernou o Brasil. Felizes com o aumento da gasolina? Chupa nação coxa otária! E agüente caludinha. Vocês merecem se foder!

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***Indo pro interior – yep, Zap’n’roll está se mandando pra Sorocaba (a Manchester paulista), onde fica até domingo à noite para acompanhar toda a movimentação em torno do festival Circadélica, evento indie mais do que bacana organizado pela turma do grupo Wry. Então a gente volta no próximo post com a cobertura e todos os detalhes da festona rocker, falouzes?

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MICROFONIA

(reverberando cultura pop, política, comportamento, sociedade)

 

***Nenhuma novidade esta semana (que está chegando ao fim hoje, sabadão em si, quando o blog está entrando no ar) na vergonhosa política do bananão do quinto mundo dos infernos. Lulão condenado pelo tirano de Curitiba, vampiro golpista comprando todos os deputados da CCJ da Câmara, para barrar o avanço da denúncia contra ele (por corrupção) e por aí vai. Tudo muito desalentador aqui nesse sentido. E assim segue o pobre Brasil, terra dos coxas e reaças estúpidos de direita…

 

***Uma das bandas que estão se destacando na atual cena alternativa nacional, o Farm From Alaska, acaba de soltar nas plataformas digitais seu novo vídeo, para a música “Cobra”. A banda potiguar é um dos destaques do festival Circadélica semana que vem, em Sorocaba – e sobre o qual você lê em todos os detalhes ao longo desse post. O vídeo do FFA você confere abaixo.

 

***Yep, ainda estamos devendo aqui uma resenha no capricho de “Beijo Estranho”, o novo álbum dos queridos Vanguart e que já foi lançado há um tempinho. O blog promete agilizar essa resenha para o quanto antes aqui, ok? Enquanto isso, se você ainda NÃO escutou o dito cujo pode fazê-lo aí embaixo, na íntegra.

 

***E nem dá pra esquecer: amanhã, domingão em si, tem super DJ set de aniversário dos catorze anos destas linhas rockers bloggers lá no Grind, a domingueira rock’n’roll mais bombada do Brasil há quase vinte anos. Vai perder? Não? Então se informe sobre o festão aqui: https://www.facebook.com/events/1932745850329012/?acontext=%7B%22ref%22%3A%222%22%2C%22ref_dashboard_filter%22%3A%22upcoming%22%2C%22action_history%22%3A%22[%7B%5C%22surface%5C%22%3A%5C%22dashboard%5C%22%2C%5C%22mechanism%5C%22%3A%5C%22main_list%5C%22%2C%5C%22extra_data%5C%22%3A[]%7D]%22%7D.

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***Ao longo da semana iremos ampliando e atualizando as notícias na sessão Microfonia. Mas por enquanto vamos falar dos catorze anos de um blog de cultura pop e rock alternativo que continua fazendo a diferença na web BR – esse aqui mesmo, alguma dúvida?

 

 

14 ANOS DO BLOG DE CULTURA POP E ROCK ALTERNATIVO QUE FAZ A DIFERENÇA NA WEB BR – BORA COMEMORAR!

Yep. Tudo começou em 2003, quando a Dynamite e seu site ainda engatinhavam na era digital. Convidado pelo eternamente amado “editador” e melhor amigo André Pomba, passamos a escrever a coluna semana Zap’n’roll que, de resto, já havia sido publicada durante dois anos (de 1993 a 1995) na edição impressa da extinta e saudosa revista Dynamite.

E 14 anos após sua estréia na versão online, a Zap’n’roll segue no ar, firme e forte. Tem cerca de 70 mil acessos mensais e é um dos sites/blogs mais acessados da web BR na área de cultura pop e rock alternativo. Nunca traímos nossas convicções (artísticas, estéticas, culturais, comportamentais, políticas e sociais) em nossos textos. O blog sempre foi e continua sendo o que é, aqui e nas redes sociais. Por conta disso fizemos muitas inimizades nesses anos todos. Mas também angariamos a simpatia de muita gente. E nos divertimos muito fazendo o que gostamos, mesmo não ganhando quase nada em termos de grana. Viajamos o Brasil todo, conhecemos pessoas, bandas, cenas. E isso não tem preço.

Como vamos comemorar esses 14 anos? Na maior e melhor domingueira rock’n’roll do Brasil, claaaaaro! O já velhinho (uia!) mas JAMAIS obsoleto jornalista rocker/loker assume as pick-up’s do Grind neste domingo, 16 de julho, a partir das 3 da matina. E como sempre, prometemos uma super DJ set para a qual contamos com a presença de vários amigos queridos e também do nosso sempre dileto leitorado.

E que ainda venham senão muitos, ao menos alguns anos ainda com o blog zapper no ar – afinal, nada é para sempre e tudo acaba um dia. Mas enquanto aqui estivermos aqui iremos sempre pautar nossa linha editorial por aquilo que marcou essa quase década e meia de existência deste espaço rock online: a paixão absoluta pelo rock’n’roll e pela cultura pop que alimenta nossos dias e noites e que são e serão perenemente a razão de um mundo minimamente menos cinza e menos caótico.

Tamo junto, galera! Aqui e domingo no Grind lá no baixo Augusta. Bora dançar e comemorar! Nos vemos por lá!

 

 

O BLOG ZAPPER – 14 ANOS DE CULTURA POP E ROCK ALTERNATIVO NA WEB BR RESUMIDOS EM ALGUMAS IMAGENS

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Entrevistando Robert Smith, o eterno vocalista do Cure, em São Paulo, janeiro de 1996

 

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Ao lado da deusa loira Kim Gordon (ex-baixista do saudoso e gigante indie Sonic Youth), em Sampa, novembro de 2005

 

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Com o chapa de décadas, Roberto Frejat (ex-Barão Vermelho),  2013

 

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Cercado pelos Ira’s Edgard Scandurra e Nasi, 2014

 

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Com Helinho Flanders (Vanguart), 2014

 

FESTIVAL CIRCADÉLICA CHEGA À SUA SEGUNDA EDIÇÃO PROMETENDO REVIVER OS TEMPOS INCRÍVEIS DO JUNTA TRIBO E DA CENA INDIE GUITAR BRAZUCA DOS ANOS 90’

Não há como negar ou disfarçar a situação atual do bananão tropical, em todos os sentidos. O Brasil, passando por aquela que talvez seja a maior crise econômica e política de toda a sua história (cortesia de um desgoverno golpista, corrupto, bandido e eivado de ratazanas graúdas que se apoderaram da máquina pública e do poder e que não querem largar dele), está literalmente quebrado. Isso se reflete em todos os setores e atividades, na Cultura inclusive. E mais ainda no nosso amado rock’n’roll, gênero que além de tudo sofre já há alguns anos uma acentuada derrocada em termos de popularidade e de falta de espaço e apelo junto à mídia e ao grande público (seduzido que está por aberrações musicais como sertanojo universotário, axé burrão e funk ostentação/proibidão, que amealham milhões de ouvintes e seguidores em redes sociais e plataformas digitais variadas). Com um panorama tão desalentador desses, vem a pergunta: ainda há espaço e interesse do público (ainda que seja um nicho de mercado) para um festival que reúna em um final de semana numa cidade do interior paulista, alguns dos melhores nomes da cena rock independente brazuca? Se depender do Circadélica, que terá sua terceira edição nos próximos dias 22 e 23 de julho (sábado e domingo da semana que vem) em Sorocaba, sim, ainda há muito espaço para um evento deste naipe. E também um grande público a fim de curtir toda a experiência sonora e extra-musical que o festival promete entregar.

Organizado e produzido pela brava e corajosa turma do grupo sorocabano Wry (um dos orgulhos da indie guitar scene nacional já há vinte anos), o Circadélica teve uma primeira (e modesta) edição em 2001. Depois o festival sofreu uma interrupção por quinze anos até retornar agora,  mais forte e robusto em sua edição 2017. Ela acontece semana que vem em Sorocaba, nos dias 22 e 23 de julho (sábado e domingo), quando trinta e quatro das provavelmente mais representativas bandas alternativas brasileiras (com destaque maior para algumas e menor para outras) irão se revezar a partir do meio-dia em dois palcos montados no bairro Jardim Vergueiro. E além do festival em si haverá também festas paralelas a partir da noite da próxima quinta-feira no Asteroid Bar, um dos endereços mais conhecidos da cena rock da cidade, e que também é tocado pela turma do Wry, quarteto que é dileto amigo destas linhas bloggers rockers desde sempre.

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Um dos nomes já históricos da indie scene nacional que ainda importa: o quinteto paulistano Ludovic é uma das atrações do festival Circadélica, semana que vem em Sorocaba

 

O Circadélica 2017 vai promover até um mezzo encontro de gerações, pois vai ter gigs de nomes já históricos da cena independente (como os paulistanos Ludovic e Dead Fish, além do próprio Wry), e também abrir seus palcos para algumas revelações recentes desta mesma cena, como Plutão já foi Planeta, Maglore, Farm From Alaska, Boogarins, Vespas Mandarinas etc. Há também alguns nomes bombados e na ótica deste espaço online, superestimados (como Liniker & Os Caramelows). E grupos hoje totalmente irrelevantes e dispensáveis (alguém ainda se importa em assistir a um show do goiano MQN?). Mas são detalhes menores em um line up que, no todo, está bastante caprichado e mostrando um excelente panorama do que rola nesse momento no rock alternativo nacional. Que, sim, ainda resiste heroicamente nas trincheiras e em tempos tão adversos para ele como os de hoje.

Zap’n’roll, que durante quase duas décadas acompanhou muito de perto grande parte da movimentação da cena independente brasileira em todas as regiões do país, também estará acompanhando o Circadélica lá em Sorocaba. Mas antes de irmos para a “Manchester” paulista (na próxima sexta-feira), batemos um papo sobre o festival com o produtor do mesmo, Mario Bross (o “baixinho” gente finíssima que canta e toca guitarra à frente do Wry), nosso chapa há anos já. Ele explica melhor os detalhes do festival e revela suas expectativas sobre o mesmo. Então confira aí embaixo os principais trechos deste bate-papo.

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Dupla rocker de respeito: Zap’n’roll e Mario Bross (vocalista e guitarrista do Wry), um dos organizadores do festival Circadélica, se encontram após show da banda em Sampa (foto: Fabrício Vianna)

 

Zap’n’roll – Pra começar antes de falarmos de música e do evento propriamente, uma questão de ordem conjuntural eu diria: o país está passando por uma de suas piores crises econômicas e institucionais em todos os tempos. Além disso é visível que o momento infelizmente é bem desfavorável para a cena rock nacional, inclusive a independente. Bandas temos, muitas e boas. Mas falta espaço na mídia, as pessoas emburreceram terrivelmente em seu gosto musical e gêneros como sertanejo, funk e axé dominam todos os espaços possíveis. Com tudo isso é possível fazer um festival como o Circadélica, contar com um bom público e bom resultado financeiro, midiático etc? Ou se trata na realidade de promover um evento que seria um verdadeiro ato de resistência do indie rock em um cenário tão hostil a ele?

 

Mario Bros – É complexo dizer com detalhes, mas afirmo que é muito dificil fazer, temos que contar com o bom senso de todos, para não cobrar super mega caro, pedir desconto em todo e qualquer material de técnica e produção e tentar patrocínio. Conseguimos um apoio bem legal da TNT e outros menores, mas foi isso. Dinheiro mesmo não conseguimos nenhum, vai ser na raça, através dos ingressos e de parte do bar. Mesmo com a crise as pessoas gostam de música, as mesmas pessoas que gostam de funk na balada, gostam de rock também. O publico jovem é mais aberto e muito ecletico. Resumindo, é dificil fazer, a gente gosta de fazer e acho que tem um publico ainda.

 

Zap – certo. É a terceira edição do festival. O que mudou nele do primeiro pra agora?

 

Mario – Basicamente está maior, tem uma tenda a mais, ou seja, dois palcos. Muito mais coisas pra fazer, comer e se entreter. E os side shows que rolam no Asteroid são também vários, domingo agora, quinta, sexta, sábado à noite e segunda, que decretamos feriado em Sorocaba hahaha. A linha artística continua passeando pelo rock, indie, rap, pesado, folk, eletronic, hard core e punk e pop.

 

Zap – observando o line up verifico que há uma grande variedade de estilos presentes, além de já um quase encontro de gerações, rsrs. Há grupos clássicos como o Ludovic e revelações recentes e muito bem vindas, como o Maglore. Como foi o processo de montar esse line up? E quais são os destaques na sua opinião?

 

Mario – Quis usar da mesma linha de pensamento que faço no Asteroid, sendo eclético dentro de um espectro que curto. Mais as idéias dos associados do baile, chegamos nesse line up. Queríamos um pouco de tudo tendo como base o indie ou rock alternativo. Não consigo te dizer quais são meus destaques, me simpatizo com todas as bandas, não tem nenhuma aqui que desgosto ou acho que não deveria estar ou que deveria ser outra no lugar. Estamos bem contentes, sério!

 

Zap – ok. Agora passemos a uma questão que também permeia a cena alternativa nacional há anos. Uma cena inclusive que este blog acompanha muito de perto há pelo menos uma década e meia. E por acompanhar sou plenamente sabedor das dificuldades que se é montar um festival independente. Entre elas a questão de se conseguir patrocínio e pagar cachê para as bandas. Nesse aspecto o Circadélica conseguiu chegar a um acordo satisfatório com os grupos sobre esse tema?

 

Mario – Lógico que gostaria que fosse melhor o acordo com algumas bandas e que pudéssemos pagar melhor pra outras. Mas acho que conseguimos um equilíbrio. E agradeço publicamente aqui todas as bandas que aceitaram tocar no festival prontamente!

 

Zap – a pergunta anterior tem um motivo e vou dizer qual é: porque durante um bom par de anos (no começo dos anos 2000’) a cena nacional foi explorada na cara larga pela malfadada quadrilha do coletivo Fora Do Eixo que, comandada pelo produtor tristemente conhecido como Pablo Capilantra (e contando com o apoio irrestrito do Sr. Fabrício Nobre, vocalista do grupo MQN, que irá se apresentar no Circadélica), conseguiu amealhar bons milhões da teta pública (através da participação em editais da Petrobras, por exemplo) e sendo que parte desses recursos obtidos poderiam ter ido parar nas mãos das bandas que tocaram nos festivais promovidos pelo FDE, a título de cachê. Isso nunca aconteceu e NENHUMA banda que tocou no FDE nunca viu um tostão em termos de cachê. Claro que essa situação não se aplica ao Circadélica, um festival sério, sem dinheiro público envolvido e organizado por um músico e produtor (você mesmo) que o blog conhece há anos e sabe da sua honestidade, integridade e amor pela cena musical. Enfim, o blog se sente quase na obrigação de fazer essa observação e aproveita para saber o que você acha de produtores de festivais que EXPLORAM as bandas que tocam nesses eventos (como os que eram realizados pelo FDE) sem nada fazer por elas além de lhes dar um palco para tocar. Você acha que isso continua acontecendo muito no Brasil ou a mentalidade de quem produz eventos na cena rock alternativa está mudando?

 

Mario – Sinceramente não tenho comentários sobre isso, não sei como funciona, não morava aqui nessa época, peguei um rabo de uma história que envolvia o FDE, mas nunca me aprofundei ou me interessei em saber. Acho difícil dizer qualquer coisa Finatti.

 

Zap – Além de produtor e organizador do Circadélica você toca guitarra e canta à frente do Wry há duas décadas, sendo que a banda já se tornou um clássico do indie guitar brasileiro. Como é conseguir manter um grupo ativo por tanto na cena independente nacional, ainda mais com ela lutando sempre com todo o tipo de dificuldades? O que a banda pretende mostrar no seu show no Circadélica?

 

Mario – Então amo produzir musicas, amo desafios relacionados a banda. O que muitos vêem como problema, eu não vejo. Lógico que já me incomodei com coisas que aconteceram em algum momento ou outro. Mas acho que usei isso pra melhorar. Também já fui cabeça dura, mas decidi abrir a cabeça. Hoje em dia estudo lírica, teórica e prática, piano e voz, sempre querendo melhorar. No Circadélica estaremos mostrando algumas coisas novas e alguns clássicos. Mas já aviso que a coisa mais antiga que tocamos em nossos shows hoje em dia é dois sons do “Flames in the Head”, de 2006.

 

Zap – Pra encerrar: você acha que o festival pode ou poderá reeditar os tempos de glória da cena alternativa nacional, quando foram realizadas as históricas e inesquecíveis edições do festival Junta Tribo, em Campinas?

 

Mario – Nostalgia não é muito do meu gosto, de vez em quando sinto, lapsos da saudade. Mas vivo mesmo o momento. Com todo o respeito a história, sem ela não seríamos nada. Acho que o valor do Juntatribo é imenso e pavimentou o caminho pra tudo isso de hoje. Mas nós estamos aqui hoje pra fazer uma nova história com todos os personagens de hoje, sendo eles de longa data ou nascidos hoje. Espero que seja lindo, como foi o Juntatribo ou o primeiro Circadélica!

 

***Tudo sobre o festival Circadélica aqui: http://circadelica.com.br/. E aqui também: https://www.facebook.com/circadelica/.

 

***Zap’n’roll estará a partir da próxima sexta-feira (21 de julho) em Sorocaba, acompanhando ao vivo toda a movimentação e todos os shows do festival, cuja cobertura estará aqui logo após o encerramento do evento.

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MUSA ZAPPER DO MÊS DO ROCK E COMEMORANDO NOSSOS CATORZE ANINHOS DE VIDA – A NOVINHA, LINDONA E TESUDAÇA PALOMA, UHÚ!

Nome: Paloma Silva.

Idade: 18 anos.

De: São Paulo/SP

Mora em: São Paulo/SP.

Formada em: nada, por enquanto. Pretendo cursar jornalismo.

Trabalha em: assistente de fotógrafo, modelo.

Três livros: “Só garotos” (Patti Smith), “Crônicas de um amor louco” (Charles Bukowski), “Leite derramado”  (Chico Buarque).

Três bandas/artistas: Chico Buarque, Beatles e Fábrica De Animais.

Três discos: “A divina comédia” (Mutantes), “Blue & lonesome” (Rolling Stones), “Envelhecido 12 anos” (Bêbados habilidosos).

Três filmes: “Poderoso chefão” (de Mario Puzo), “Pulp Fiction” (de Quentin Tarantino), “Hair” (de Galt MacDermot).

Três diretores de cinema: Francis Ford Coppola, Sergio Leone e Alfred Hitchcock.

Show inesquecível: Ainda não teve um.

Como o blog conheceu a nossa delicious musa deste post: Palominha além de ser essa gataça morena, namora com o músico e gaitista Flávio Vajman, que faz parte do grupo Fábrica De Animais. O jornalista zapper e Flávio são amigos de longa data. E quando o autor deste blog conheceu a girlgfriend do músico, além de se tornar amigo dela não teve dúvidas: a convidou imediatamente para fazer este ensaio. Ela topou e agora nosso dileto leitorado macho (cado) e também feminino (por que não?) pode conferir abaixo mais uma sensacional sequencia de imagens que só estas linhas poppers podem proporcionar. Apreciem sem nenhuma moderação!

 

(fotos: Jairo Lavia. Produção: Zap’n’roll. Locação: Sensorial Discos. O blog agradece a força dada ao ensaio pelo querido Antonio Lucio Fonseca, proprietário da Sensorial)

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(in) Discretamente vestida, para iniciar os trabalhos

 

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Sim, eu amo rock’n’roll

 

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Cerveja e poesia ao cair do dia

 

Paloma (12)

Eu piso no amor porque ele sempre será um cão dos diabos

 

Paloma (17)

Meus discos e meus livros me bastam, às vezes

 

Paloma (21)

Um cigarro pra descontrair e fazer cia à liberdade corporal

 

Paloma (18)

Ela AMA ter velhos (como Buk e seu namorido) no meio de suas lindas coxas

 

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As melhores cias para a garota incendiária: Bowie, Buk e Velvet Underground

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FIM DE PAPO

Postão sendo concluído já no sabadão, 22 de julho. E o blogão indo logo ali em Sorocaba city, pra acompanhar o festival Circadélica. Semana que vem contamos como foi o rolê rocker, okays?

Então tchau pra quem fica em Sampa nesse finde!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 22/7/2017, às 11hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL, falando sobre a exposição em torno da trajetória do Nirvana no Rio De Janeiro, e os 27 anos da morte do gênio inesquecível que foi Cazuza – Com um disco bacanão recém lançado o quarteto inglês Ride, ícone da geração shoegazer britânica dos 90’, mostra que o rock de duas décadas e meia atrás era muito mais legal do que o que é feito pelas bundonas bandas atuais e onde até a indie scene rock planetária anda mega meia boca; mais: a volta do folker Fleet Foxes, o indie guitar noventista do Delays, a inútil ilusão oferecida por redes sociais como o Facebook, o fim de mais um bar alternativo bacana em Sampa (a Funhouse) e uma musa rocker japonesa QUARENTONA (wow!) e repleta de tattoos, que deixa muita pirralha de vinte aninhos no chinelo, ulalá! (postão AMPLIADO E FINALIZADO, em 8/7/2017)

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Com a falência atual da cultura pop e do rock’n’roll, cabe aos veteranos mostrar ótimo serviço: o shoegazer inglês Ride (acima) lança novo e muito bom álbum após mais de duas décadas sem gravar material inédito; já o também britânico Delays (abaixo) vai na mesma pegada sonora, prestando vassalagem ao indie guitar noventista; e até nossa musa desta edição, a lindona japa girl Gláucia (também abaixo), mostra que as quarentonas rockers são muitas vezes mais interessantes e apetitosas do que as “pirralhas” atuais

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MINI DIÁRIO SENTIMENTAL E MEMÓRIAS FINÁTTICAS – E NAQUELE SÁBADO, HÁ 27 ANOS, NO RIO DE JANEIRO… O BLOG ASSISTIA LEGIÃO URBANA AO VIVO ENQUANTO CAZUZA IA PRO CÉU COM DIAMANTES

Onde vocês estavam há 27 anos, exatamente em 7 de julho de 1990? Bom, vocês o blog não sabe. Zap’n’roll estava no Rio de Janeiro à noite, no Jockey Club do balneário carioca. Junto estavam ali outras 50 mil pessoas. Todas vibrando ao máximo e em êxtase sensorial absoluto com o show que a Legião Urbana estava então fazendo no local. Era mais uma apresentação da turnê do bombadíssimo álbum “As Quatro Estações” (que havia saído menos de um ano antes e já havia vendido, até aquela data, mais de um milhão de cópias). Finaski era repórter da editoria de cultura da revista IstoÉ. E havia passado os últimos dois meses daquele ano acompanhando a banda em algumas apresentações, para escrever um perfil dela para a revista. Esse show no Rio seria o último que ele iria assistir antes de escrever e entregar o texto para publicação. Depois que a revista foi para as bancas com a reportagem, ainda assistiu novamente o grupo aqui mesmo em Sampa, no estádio do Palmeiras, dois meses depois.

 

Muito aconteceu naquele final de semana da gig carioca da Legião. Acontecimentos que, inclusive, estão descritos num dos primeiros capítulos do livro, “Escadaria para o inferno” (que está na mão de numa nova e promissora editora e que talvez o coloque nas livrarias ainda este ano). Na véspera da ida pro Rio o jornalista loker/zapper se trancou em casa (no apto em que morava, na rua “Gay” Caneca) com a magrela Pati, com quem então estava de “namorico” (pois Finas havia sido “dispensado” semanas antes pela futura mãe do seu único filho). Pati era bonitinha mas ordinária: gostava de rock mas não possuía grandes atributos intelectuais. Mas FODIA bem. De modos que ela foi pra casa naquela sexta-feira e lá passamos a noite/madrugada, primeiro fodendo bastante. Depois o loki autor deste espaço blogger rocker foi cheirar cocaína ao longo da madrugada, enquanto papeava com ela e escutava discos da Legião. Quando o pó acabou foi tentar dormir (já era quase de manhã) e obviamente “fritou” bastante até conseguir. Mas enfim pegou no sono.

 

No meio da tarde (umas 4 da tarde, pra ser mais exato) foi acordado com o interfone tocando. Era o queridão Ivan Cláudio, que trabalhava com este repórter na IstoÉ. Ele estava em pânico e apavorado. Sabia como seu colega de redação era, hã, “irresponsável” com compromissos e horários. Entrou no apê tenso. “Finatti! Pelo amor de deus! Você precisa ir pra Congonhas, pegar um vôo e ir pro Rio!”. Sim, o bloggrt loker. Ainda estava sonolento (com Pati ainda deitada na cama também, PELADA e coberta apenas por uma colcha) e acordando aos poucos, em câmera lenta. E Ivan cada vez mais ansioso. Foi quando ele disse: “nem sei se o Renato vai subir no palco e cantar. O Cazuza MORREU hoje pela manhã”.

 

Sim. Caju, 32 anos de idade, um dos maiores poetas da história da música brasileira em todos os tempos, um dos nomes GIGANTES do rock BR dos anos 80’ e amigo pessoal de Renato Russo, havia finalmente sido vencido pela AIDS (e contra a qual ele lutava bravamente desde 1986 mais ou menos) na manhã daquele sábado, 7 de julho de 1990. Veio então a dúvida: haveria afinal ou não o show da Legião?

 

Finas não podia ficar conjecturando sobre isso. Arrumou sua bolsa de viagem, se despedi da Pati e de Ivan, pegou um táxi e se mandou pro aeroporto. Conseguiu pegar o vôo da ponte aérea das 7 da noite. Chegou no Rio às 8, foi pro hotel, tomou um banho rápido, se trocou e foi pro Jockey. A apresentação aconteceu, para o nosso alivio e das outras 50 mil pessoas que estavam lá. Renato Russo falou sobre Cazuza antes de a banda começar a tocar. E foi uma gig  i n e s q u e c í v e l. Só quem esteve lá, como nós estivemos, pode saber disso.

 

Vinte e sete anos se passaram. Estamos com 5.4 nas costas, sozinho (quer dizer, emocionalmente sozinho; trepadas sempre surgem pelo caminho, mas seguimos solteiro) e sempre reiterando o que sempre comentamos aqui. A cultura pop e a música brasileira (incluso aí o rock nacional e todos os outros gêneros possíveis) MORRERAM (pelo menos em termos qualitativos e de relevância artística) na era da web, do zap zap, das redes sociais babacas fúteis e inúteis/superficiais. Por isso mesmo que não conseguimos esquecer e deixar de curtir, ouvir e admirar bandas como Legião Urbana e artistas como Cazuza e Renato Russo, que também iria morrer de AIDS seis anos depois, em outubro de 1996.

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Em 7 de julho de 1990 (há 27 anos), Cazuza morria no Rio De Janeiro, aos 32 anos de idade, vitimado pela AIDS; ele e Renato Russo, vocalista da Legião Urbana, foram os dois principais cantores e letristas da inesquecível geração rock BR dos anos 80’, o que pode ser facilmente visto no vídeo abaixo, com a Legião tocando na mesma noite de 7 de julho daquele ano, para 50 mil pessoas no Jockey Club carioca; e Zap’n’roll estava nesse show

 

Os dois fazem muita falta. E nunca mais irão surgir letristas como ambos, com a verve poética sublime que eles possuíam. Isso é liquido e certo. Mas pelo menos a obra musical deles é eterna e está aí, para quem quiser ouvir para todo o sempre.

 

Naquela ida ao Rio também conhecemos a Flávia, em pleno vôo de SP pro balneário. O avião estava vazio e sentamos ao lado dela de propósito pois a havíamos achado gostosona (com peitaços sensacionais) e simpática (não muito bonita na verdade, com aqueles cabelos loiros cacheados, sendo que nunca tivemos muito apreço por loiras e ruivas). Pedimos um whisky pra comissária de bordo (sim, naquela época servia-se whisky nos vôos da ponte aérea Rio/SP) e puxamos papo com ela enquanto bebericava o dito cujo. Quando descobrimos que ela amava David Bowie, Raul Seixas e o escritor e dramaturgo gay francês Jean Genet, enlouquecemos. Ao descermos no Santos Dumont, no Rio, o blog a puxou pelo braço e a levou pro hotel. No quarto nos beijamos furiosamente na boca mas ela disse: “eu NÃO VOU DAR PRA VOCÊ HOJE. Preciso ir pra Niterói ver minha mãe [que era separada do pai dela e estava enfrentando um câncer em estado terminal], e você tem que ir fazer sua reportagem. Amanhã eu venho pra cá e durmo aqui com você”.

 

E assim foi. Fomos ver a Legião, e ela foi ver a mãe dela. No domingo à noite ela cumpriu a palavra. Foi pro hotel e lá dormiu com o jornalista, proporcionando a ele uma das melhores FODAS que tinha dado na vida até então. O zapper se apaixonou perdidamente por ela, claro. Mas total atrapalhado que sempre foi, fez tudo errado. A mãe do filho do jornalista reapareceu, engravidou e o zapper perdeu Flávia para sempre. Hoje ela é uma advogada muito bem sucedida, casada e mãe de um filho. É a vida…

 

(suspiro…)

 

A mãe do nosso filho se separou deste maluco dois anos depois. Ela não agüentou conviver com um loki de 28 anos de idade, que era um jornalista bastante conhecido e repórter de uma das principais revistas semanais de informação do Brasil, e que a CHIFRAVA a torto e a direito (sim, era um tarado compulsivo por bocetas; e sejamos honestos e sem moralismo, hipocrisia ou machismo aqui, mas mulheres AMAM dar pra sujeitos comprometidos e que possuem uma certa visibilidade pública, como o blog possuía por ser jornalista), além de viver se entupindo de cocaine (ela detestava drogas) e whisky. Ninguém agüentaria muito tempo na real, e acho que ela suportou até demais.

 

Se estas linhas saudosistas se arrependem de algo? Não. Não adianta remoer, se arrepender ou ter remorso dos erros cometidos, buscando algum tipo de alento, redenção ou perdão deles, desses erros. Melhor APRENDER com eles e tentar EVITAR errar novamente. Nesse sentido achamos que aprendemos (ainda que a duras penas) alguma coisa com nossos erros e nessas mais de cinco décadas de existência.

 

Se sentimos saudades de algo? Sim, claro, muita saudade. Dos anos 80’ e 90’, do mundo muito mais legal e menos reaça e careta do que é hoje, do rock brasileiro genial daquela época, de tudo que vivemos, ouvimos, curtimos e vimos, dos shows que acompanhamos, das reportagens que fizemos, dos lugares bacanas onde trabalhamos. Dos nossos anos jovens enfim. Nos divertimos pra caralho no final das contas e não podemos jamais nos queixar. Tudo passa e ficam as lembranças, ótimas e ruins. Então hoje nos lembramos de Cazuza, de Renato Russo, da Legião Urbana, daquele show que vimos naquela noite de 7 de julho de 1990 no Rio, da Flavia que conhecemos no avião. Nos lembramos de tudo isso e dizemos a nós mesmos que, sim, fomos felizes afinal em alguns momentos de uma vida quase perenemente cinza na alma e no coração. E quem sabe um dia, se houver alguma outra estação além dessa escrota aqui na Terra, a gente reencontra Cazuza, Russo e mama Janet, todos eles arianos e lá no céu com diamantes.

 

MINI DIÁRIO SENTIMENTAL E MEMÓRIAS FINÁTTICAS, II – ELES SERÃO ETERNAMENTE UMA DAS CINCO BANDAS DA VIDA ZAPPER

Zap’n’roll escreveria um LIVRO aqui sobre o trio inesquecível formado pelo igualmente inesquecível e saudoso gênio Kurt Cobain, mais Kris Novoselic e Dave Grohl. Porém a história deles parece estar muito bem contada e resumida na expo que está em cartaz no Rio De Janeiro, e que chega a Sampa em setembro.

 

Estamos ficando velhos, bem sabemos. Mas não há remorsos, ressentimentos ou arrependimentos em nós pelo que passamos, vimos, ouvimos e vivemos nos nossos já longos 5.4 de existência. Há com certeza uma grande saudade e nostalgia de tudo aquilo. Mas vivemos o MELHOR que pudemos e no momento CERTO tudo o que tinha e tivemos que presenciar. Se fossemos um adolescente nesse momento, teríamos perdido milhões de paradas imperdíveis e que fizeram parte para sempre da nossa vida. Como o show do Nirvana em São Paulo, em janeiro de 1993, no estádio do Morumbi no festival Hollywood Rock (foi nele que conhecemos pessoalmente o amado André Pomba, inclusive). Estávamos lá. E TESTEMUNHAMOS a PÉSSIMA apresentação de Kurt e cia. O show foi ruim, caótico, quase medonho. Mas era o Nirvana no palco. Por isso mesmo, enquanto eles tocavam a cover de “Molly’s Lips” (da obscura banda Vaselines), o blog pulava como um louco na pista do gramado do estádio, até gritar para uma amiga (não lembramos mais quem estava conosco naquela gig) minha, ao nosso lado: “O show está uma MERDA, mas FODA-SE! É o NIRVANA e EU estou aqui!”.

 

(suspiro…)

 

Kurt ficou milionário com o grupo, se tornou um mega star mundial e meio que passou a DETESTAR tudo isso. Quando começou a banda, vivia dizendo que se contentaria com ela tocando apenas em palcos minúsculos e em butecos idem, para platéias ibidem. Quando o trio passou a encarar multidões de mais de 50 mil pessoas nas suas apresentações ao vivo, algo desandou em Cobain e seu cérebro deu tilt. O resultado todo mundo sabe. Um tiro de espingarda disparado por ele mesmo contra os próprios miolos. A essa altura muitas vezes ele já se achava não um rock star, mas apenas… um idiota (como cantou em “Dumb”).

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Uma mega exposição em cartaz no Rio revive todo o legado do Nirvana (acima, Kurt Cobain em ação numa gig da banda); em setembro o evento chega a capital paulista

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O blog muitas vezes se senti e ainda se sente também um idiota. Faz parte. Mas como sabemos que talvez não nos reste mais muitos anos por aqui afinal, suportamos hoje com mais sapiência e resignação esse sentimento de idiotia, de inadequação emocional e existencial. Um dia tudo isso acaba no final das contas.

 

Saudades Kurt. Você estará sempre no coração de Finaski. E nos vemos aqui em Sampa em setembro, na sua expo sobre o Nirvana.

 

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EDITORIAL COMPORTAMENTAL/POLÍTICO – ENQUANTO O PAÍS AFUNDA, A NAÇÃO VIRTUAL IMBECIL FAZ “INVEJINHA” PROS AMIGOS NOS FACEMERDAS DA VIDA

Com a aproximação das datas de alguns grandes shows internacionais marcados para o segundo semestre no Brasil, nunca o FaceTRUQUE (ou FaceMERDA) cumpriu tão bem sua função quase PRIMORDIAL: a de fazer boa parte dos OTÁRIOS que estão nele se sentirem “popstars”, nem que seja por um dia apenas, uma postagem e uns 15 likes nela (atualizando o clássico vaticínio do gênio Andy Warhol: “no futuro todos serão FAMOSOS por 15 LIKES”, ahahaha). Fora que FAZER INVEJA nos “amigos” virtuais é a tônica de muitas postagens (incluso aí a de vários amigos do blog lá na rede social escrota). Então todo mundo reclama que está “falido” mas haja post pra exibir (uia!) com empáfia foto de ingresso comprado pro show do Paul McCartney, do festival SP Trip (que vai reunir um MONTE DE LIXO de bandas velhonas e cafonas de heavy metal, e onde se salva apenas o gigante The Who no line up) ou do U2 (o quarteto irlandês teve que marcar uma terceira apresentação aqui, já que os tickets para as duas primeiras se esgotaram em questão de poucas horas). Agora pra responder por inbox a uma oferta com preço ridículo de anúncio neste blog (“vou fazer de conta que não vi e não li”, embora a rede social denuncie que a mensagem foi VISUALIZADA, rsrs)… silêncio ENSURDECEDOR. Seria CÔMICO, se não fosse ridículo e algo detestável esse comportamento ESCROTO.

Um comportamento, de resto, nos leva a questão POLÍTICA desta postagem. Enquanto você fica aí fazendo invejinha nos “amigos” virtuais, postando fotos dos tickets que acaba de comprar pra aquele showzaço gringo imperdível (com preço astronômico e sempre extorsivo, é bom ressaltar, o que torna o comprador do ingresso um OTÁRIO ainda maior, mas é claro que ele PRECISA mostrar na rede social que está de bem com a vida e que vai ao tal show, onde irá tirar muitas selfies alegres e sensacionais e na verdade pouco vai se lixar para a apresentação que está rolando no palco e pela qual ele deu seu CU para conseguir pagar o valor abusivo do ingresso), o Brasil AFUNDA sem dó sob o NÃO comando do Bela Lugosi do Planalto. Ele mesmo, o golpista, vampiro e CHEFE DA QUADRILHA MAIS PERIGOSA do país.

Enfim, se você leu até aqui e se participa festivamente desse comportamento cretino de fazer “invejinha” com seus postecos em rede social enquanto todo mundo se fode (você incluso) nesse bananão miserável, achamos que está na hora de o Sr (ou srta) rever sua postura “virtual”. Ou não?

 

MICROFONIA

(reverberando cultura pop, política, comportamento e sociedade)

 

***“Gimme Danger”, o documentário realizado em 2016 sobre a trajetória dos gigantes e seminais Stooges, passou durante a programação do In Edit Brasil deste ano, que se encerrou semana passada. Nem tinha como ser um doc ruim. Dirigido pelo genial Jim Jarmusch (de quem somos fãs desde sempre) e conduzido em boa parte pela narração da lenda Iggy Pop, “Gimme Danger” desvela em detalhes a trajetória de uma banda que foi fundamental para toda a história do rock’n’roll. E continua sendo até hoje. Aliás enquanto o blog assistia ao filme (a sala do cine Olido, no centrão de Sampa, lotou de gente de todas as idades, de adolescentes a um velhinho que sentou bem ao nosso lado o que suscitou a dúvida: ele estava ali por mera curiosidade e sem saber do que tratava o longa ou era mesmo um fã de décadas dos “Patetas”?), pela enésima vez chegamos à conclusão de sempre: o mundo se tornou mesmo inculto e irremediavelmente BOÇAL em termos de arte na era da web. O ser humano chegou ao ápice do avanço tecnológico e digital. E no entanto nunca regrediu tanto em termos de ARTE e de sólida formação cultural e intelectual. Ou você acha que a música, o rock, o cinema, a literatura e as artes de hoje em dia ainda irão revelar algum gênio cuja obra será reverenciada daqui a 30 ou 40 anos, como a dos Stooges e de Iggy Pop é até hoje? Talvez a LITERATURA atual em si ainda produza alguma obra gigante e revele algum (a) escritor (a) fenomenal, posto que a arte da escrita talvez ainda esteja um pouco mais imune do que as outras ao vazio e ao horror de futilidade, ignorância e superficialidade que a cultura da web, da internet e das redes sociais impôs e impõe às pessoas. Mas esperar que ainda surjam ícones como James Osterberg e álbuns clássicos como os três gravados pelos Stooges (o primeiro, homônimo, e mais “Funhouse” e “Raw Power”) nos tempos atuais, pode esquecer: isso NÃO VAI MAIS ACONTECER. Então diante disso, até que estas linhas zappers se sentem confortáveis nos seus 5.4 de existência. Pois tivemos os três discos essenciais da banda em vinil. Mais do que isso: conseguimos assistir Iggy Pop e os Stooges ao vivo. Iggy em 1988 (há quase 30 anos!) no extinto ProjetoSP (que ficava no bairro da Barra Funda, em São Paulo, um galpão enorme onde cabiam 5 mil pessoas e que na noite da gig do Iguana não recebeu mais do que metade da lotação do lugar). Depois, ainda conseguimos testemunhar a reunião da banda no festival Claro Que É Rock (inesquecível, numa noite que ainda teve Sonic Youth e Nin Inch Nails), em novembro de 2005, na noite do aniversário de 43 anos de idade do jornalista eternamente rocker. Foi fantástico e guardamos os dois shows eternamente em nossas mais caras lembranças. “Gimme Danger” chega a ser emocionante em alguns momentos (fora que as tiradas certeiras de Iggy em seus depoimentos provocam ótimas gargalhadas na platéia). Jarmusch colocou seu talento de cineasta a serviço de um simples mas bem amarrado (no roteiro e na edição de imagens históricas da trajetória do grupo) documentário (de resto Jim sempre foi da turma do rock, basta lembrar que é dele também o magnífico “Sobre café & cigarros”, que foca na carreira de Tom Waits). No filme, lá pelas tantas, Iggy brinca que “ainda irá enterrar muitos amigos”. De fato: dos Stooges já se foram os irmãos Asheton (Ron e Scott), além do baixista Dave Alexander. E da própria santíssima trindade total genial e LOKA dos anos 70’ (Bowie, Lou Reed e Iggy Pop), está sobrando apenas mr. Osterberg, hoje na tranqüilidade dos seus 70 anos de idade e de quem olha para trás, para a selvageria que era sua existência junkie e à frente das apresentações igualmente selvagens de sua banda sem nostalgia, mas com o sentimento de estar em paz consigo mesmo e de ter muito orgulho por ter escrito alguns dos capítulos mais extraordinários desse tal de rock’n’roll que todos nós amamos e que ajudou a tornar a humanidade um pouco (ou muito) mais feliz e relevante culturalmente falando, no século XX.

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O “iguana” Iggy Pop tem sua trajetória e a de sua banda, o seminal The Stooges, esmiuçada com classe no documentário “Gimme Danger” (acima); abaixo, o cantor durante seu primeiro show no Brasil, em 1988 no ProjetoSP em São Paulo

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***O som indie pop legal do desconhecido Delays – Uma banda indie inglesa já velhinha, desconhecida mas bacana – é o quarteto Delays, que surgiu em 2001, lançou seu primeiro álbum (o bem legal “Faded Seaside Glamour”) apenas em 2004 e de lá pra cá mais três álbuns, o último deles em 2010 (lá se vão sete anos…). Zap’n’roll resolveu falar deles porque enquanto a OGRADA vive se descabelando e berrando na frente da TV sempre por causa do futeMERDA, o blog ocupa seu tempo com paradas mais legais, como ouvir o primeiro disco dos Delays. Que é repleto de canções com melodias doces, bucólicas (mas não chatas) e encantadoras. Lembra muito o indie pop noventista de grupos como The La’s (alguém se lembra deles?) e o vocal em falsete do guitarrista e cantor Greg Gilbert nos remete diretamente para uma Londres gelada e encoberta por fog, lá por 1993. O cd todo é bacana (não sensacional, mas muito bom de se ouvir), trilha perfeita para uma noite fria de inverno. E nele há pelo menos uma pequena obra-prima, aquela pop song quase perfeita: “Nearer Than Heaven”, que inclusive sempre toca na rádio New Rock da TV NET. É uma banda velhinha já, que não lança novo material há 7 anos mas que quase ninguém deve conhecer por aqui. Então se você também ODEIA futebol como estas linhas bloggers odeiam, taí a dica sonora desta edição do Microfonia. Melhor escutar o Delays do que ficar perdendo tempo com futeMERDA na TV.

 

***postão zapper entrando no ar em pleno domingão de inverno em Sampa, néan. E hoje à noite é dia de rock neném, com a domingueira rock Grind. E sendo que ontem, sabadón, rolou mais uma exibição do bacaníssimo documentário “Time Will Burn”, que radiografa com precisão toda a indie guitar scene brasileira dos anos 90’. Dirigido pelo chapa Marko Panayotis e já exibido em algumas telonas paulistanas ao longo de 2016, “Time…” ganha ainda mais uma projeção na próxima terça-feira às nove meia da noite, no cine Sesc (que fica ali na rua Augusta em direção aos Jardins, próximo à estação Consolação do metrô). Detalhe: assim como ontem a exibição na terça também será gratuita e os ingressos podem ser retirados uma hora antes do início da sessão. E sim: Zap’n’roll faz uma “ponta” no doc (uia!), no final dele. Mais não dá pra contar e o melhor é ir lá conferir.

 

***já outro doc igualmente bacanudo sobre a cena indie nacional dos 90’, “Guitar Days”, deverá finalmente ser lançado comercialmente até setembro próximo. É o que informa o brother Caio Augusto, diretor do filme (e atualmente morando na Espanha), em bate-papo com o blog esta semana. Segundo ele o longa (que também tem a participação deste jornalista rocker/loker, dando depoimento sobre uma cena que ele acompanhou muito de perto naquela época) será primeiramente exibido em alguns eventos específicos em alguns países europeus. Depois chega ao Brasil. Vamos aguardar.

 

***E a notícia lindona e bacanuda deste domingão invernal (que bom e que delícia): Morrissey, a nossa BICHONA fofa e mais amada de todos os tempos no rock e na cultura pop mundial enfim ganhando sua cinebiografia, wow! Ela foca na juventude dele e termina quando Moz se encontra com Johnny Marr – daí em diante e o resto da história todo mundo conhece de cor. Perfeito! O longa estréia em agosto na Inglaterra e fica a torcida para que ele chegue o quanto antes aos cinemas aqui do triste bananão tropical.

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Uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, os inesquecíveis Smiths (acima): a cinebiografia do vocalista Morrisey chega mês que vem aos cinemas da Inglaterra

 

***mês do rock, I: é este julho mesmo, que começou ontem, sendo que dia 13 em si é o Dia Mundial do Rock (desde 1985, quando foi realizado o lendário concerto Live Aid). E para comemorar haverá alguns eventos bem legais espalhados pelo circuito alternativo de Sampa. Entre eles uma super DJ set do blog comemorando também nossos catorze anos de existência, na domingueira rocker mais famosa do Brasil, o Grind (comandada há quase vinte anos pelo super DJ André Pomba). Anote na agenda desde já: vai rolar dia 16 de julho, domingo no Espaço Desmanche, na rua Augusta 765, centrão de Sampa.

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O jornalista zapper/loker mandando ver nas cdj’s no começo deste ano, em Maringá (PR): a nova dj set do blog, comemorando nossos catorze anos de existência, rola no próximo dia 16 de julho no Grind/SP

 

***mês do rock, II: já o Centro Cultural São Paulo (localizado no bairro do Paraíso, zona sul da capital paulista e colado no metrô Vergueiro), um dos espaços culturais mais bacanas de Sampalândia, também vai reservar todo o mês de julho para abrigar o evento “Centro do Rock”. A programação é variada, com shows, debates, exibições de filmes etc. Há bobagens gigantes espalhadas ao longo do evento (quem precisa de show do inútil e esquecível grupo MQN a essa altura do campeonato? Mas é claaaaaro que o vocalista da banda, o escroque monstro que atende pela alcunha de “diabo bacon”, sempre dá um jeito de se imiscuir nessas paradas) e debates igualmente inúteis (como o que vai reunir o tristemente conhecido Alex “Porcão” Antunes e o nosso “vizinho” responsável pelo blog Pobreload, ops, Popload) que certamente terão audiência pífia de público. Mas felizmente também vão rolar gigs imperdíveis (como a do sempre ótimo Jonnata Doll & Os Garotos Solventes) e sessões de cinema idem (vai passar “Control”, a cinebiografia de Ian Curtis, e também o sensacional, hilário e imperdível “A festa nunca termina”, sobre a cena rock de Manchester nos anos 80’ e 90’). Enfim, dá pra pegar algo de bom ao longo da programação no CCSP, que está toda aqui: http://www.centrocultural.sp.gov.br/.

 

***Mês do rock, III: e no final da semana que vem o circuito noturno rocker alternativo de Sampa vai ferver com gosto. Na sexta-feira rola a quarta edição do Bailindie da saudade (todas as infos aqui: https://www.facebook.com/events/259032921168603/). E no sabadão em si, 8 de julho, tem gig do Verônica Decide Morrer na Funhouse (que está fechando as portas, mais sobre o evento aqui: https://www.facebook.com/events/532166090240885/?acontext=%7B%22source%22%3A5%2C%22page_id_source%22%3A138776301124%2C%22action_history%22%3A[%7B%22surface%22%3A%22page%22%2C%22mechanism%22%3A%22main_list%22%2C%22extra_data%22%3A%22%7B%5C%22page_id%5C%22%3A138776301124%2C%5C%22tour_id%5C%22%3Anull%7D%22%7D]%2C%22has_source%22%3Atrue%7D) e também mais uma edição da sempre animadíssima balada Call The Cops, comandada pelo DJ Ricardo Fernandes e acontecendo novamente no Olga 17 (detalhes aqui: https://www.facebook.com/events/1355983417842144/). Ou seja: motivos de sobra para NÃO ficar em casa, certo?

 

***sexo aos montes, drogas idem, putarias variadas… vem aí finalmente o filme que conta a história do palhaço Gozo, ops, Bozo, que reinou entre a criançada (opa!) nas manhãs da televisão brasileira nos anos 80’. Você se lembra? Se não lembra se prepare, ulalá! A estréia do longa está prometida para o mês que vem.

 

***pois é, a última sexta-feira (leia-se anteontem) foi realmente um dia NEGRO para o país LIXO chamado Brasil. Cheirécio Neves de volta ao senado federal, o LONGA MANUS e HOMEM DA MALA Rocha Loures solto etc. O país realmente ACABOU. Alguém ainda tem dúvida quanto a isso?

 

***e ao longo da próxima semana (que está começando hoje na verdade) as notas da seção Microfonia irão sendo ampliadas com novas infos, se algum fato relevante merecer nossa atenção. Estamos e estaremos sempre de olho nas movimentações da cultura pop e do rock alternativo, pode ficar sussa.

 

 

APÓS MAIS DE DUAS DÉCADAS LONGE DOS ESTÚDIOS O SHOEGAZER RIDE VOLTA COM DISCÃO INÉDITO, DANDO UM POUCO MAIS DE DIGNIDADE AOS TEMPOS TOTAL SOMBRIOS E IRRELEVANTES DO ROCK ATUAL

Foi um dos comebacks mais aguardados deste ano até o momento, no indie rock planetário. Em um tempo sombrio, onde a cultura pop e o rock alternativo desceram sem dó em direção ao abismo mais profundo da irrelevância artística e musical, o quarteto inglês Ride (um dos nomes mais emblemáticos da geração shoegazer que dominou o rock britânico nos anos 90’) finalmente saiu de sua hibernação de mais de vinte anos longe dos estúdios de gravação. E deu ao mundo há duas semanas “Weather Diaries”, seu quinto álbum inédito em uma trajetória de quase três décadas. O disco (que já foi comentado rapidamente aqui mesmo, em nosso post anterior) é muito bom, mostra uma banda de meia idade (com os integrantes beirando os cinqüenta anos de idade) em boa forma e que editou um trabalho que permanece fiel às suas origens e influências sonoras, sem se preocupar em dar um verniz atual (com intervenções sonoras pseudo modernosas e contemporâneas) e inútil ao que funciona bem em sua versão clássica e original. Mais do que isso, as novas composições do grupo desvelam pela enésima vez o que todos nós já sabemos: o rock’n’roll da cretina era da web foi mesmo pro buraco. Resta a conjuntos veteranos como o Ride trazer ainda um pouco de alento e dignidade ao gênero musical que já foi o mais importante de toda a história da música mundial.

Em um tempo (o de hoje) onde a música se tornou algo bastante descartável, imediatista e fugaz, com zilhões de “popstars” surgindo e desaparecendo diariamente sem deixar rastro, o Ride já pode ser considerado como uma banda quase jurássica. Surgido há quase trinta anos (foi formado em 1988) na cidade inglesa de Oxford, o grupo formado pelos guitarristas e vocalistas Mark Gardener e Andy Bell, pelo baixista Steve Queralt e pelo baterista Laurence Colbert já foi aclamado pela imprensa e pelo público quando lançou seu primeiro álbum, “Nowhere”, em 1990. Alinhando-se à facção shoegazing britânica (composta por conjuntos que engendravam melodias oníricas, tristonhas e contemplativas, e tratadas com guitarras encharcadas de noise e feedback aliadas a vocais dolentes e algo sombrios) de grupos como Lush, My Bloody Valentine, The Jesus & Mary Chain e Slowdive (que também retornou à ativa este ano, lançando um primoroso disco inédito) o quarteto logo se destacou pela grande potência sônica e qualidade artística de sua estréia. “Nowhere”, lançado pelo célebre selo Creation Records (e que foi o lar da banda durante toda a primeira fase de sua existência), era tão bom que ganhou o título de “álbum do ano” em 1990, em votação dos críticos do finado semanário musical Melody Maker. Isso fez com que o Ride angariasse uma enorme legião de fãs apaixonados e também fez o conjunto estourar nas rádios inglesas com o lindíssimo single “Vapour Trail”. Eram os anos 90’, a era do shoegazer (com os integrantes das bandas tocando ao vivo de cabeça baixa, olhando para os próprios sapatos), das ruas enevoadas de Londres e da barulhenta melancolia indie guitar vertida em canções sublimes.

Com o sucesso alcançado já no primeiro trabalho, o grupo não pensou em mudar a fórmula no segundo disco. E assim “Going Blank Again” saiu em 1992 trazendo o mesmo (e ótimo) Ride da estréia. Novamente barulhento, novamente com melodias doces e melancólicas, e mais um single (“Twisterella”) que varreu as rádios rock inglesas. O cd colocou o grupo no topo mais uma vez e permitiu a ele experimentar uma ligeira mudança de rota no álbum seguinte. Editado em junho de 1994, “Carnival Of Light” mostrava os garotos de Oxford mergulhando em… nuances sessentistas e folkster americanas, com muitos eflúvios de Byrds nas faixas de mais um cd que foi novamente super bem recebido por crítica e público. Mas a essa altura algo já não ia bem INTERNAMENTE no Ride. A dupla de frente do quarteto (Mark e Andy) começou a se desentender por conta das célebres e sempre danosas “diferenças musicais”. As brigas entre ambos começaram a se tornar freqüentes e isso enfim transpareceu com nitidez no quarto cd do grupo, “Tarantula”, lançado em março de 1996. Era um disco bem abaixo do que o conjunto havia mostrado nos seus três primeiros álbuns. E por conta disso, foi repelido pela rock press inglesa que viu nele apenas uma pálida sombra do que o Ride havia mostrado até então. Ainda assim a banda saiu em turnê para promover o trabalho. Mas o clima havia ficado mesmo insustentável e ao final da excursão o Ride encerrou de forma algo melancólica suas atividades. Dos quatro integrantes apenas Andy Bell se manteve em alguma evidência no cenário rocker inglês, indo tocar baixo no Oasis e permanecendo na função no grupo dos manos Gallagher até o fim dele, em 2009.

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Capa do novo disco do Ride: após mais de vinte anos longe dos estúdios, a volta com um discão que evoca o melhor shoegazer dos anos 90′

 

Foi preciso então mais de vinte anos para que a turma shoegazer de Oxford resolvesse voltar às atividades. Com um relativo revival shoegazing tomando conta do rock alternativo britânico nos últimos meses (com Slowdive e The Jesus & Mary Chain lançado novos e ótimos discos, após séculos longe dos estúdios de gravação), o Ride também achou que era hora de voltar. E o fez através deste bacaníssimo “Weather Diaries”, que resgata de forma competente a sonoridade que transformou o conjunto num dos ícones máximos do indie guitar dos anos 90’ na Inglaterra. Com onze faixas e pouco mais de cinqüenta minutos de duração “Weather…” se equilibra muito bem entre faixas de puro noise e feedback com outras de tonalidades mais sombrias e com melodias mais contemplativas e melancólicas. Há pelo menos quatro longas canções (todas com seis minutos de duração ou mais) que demonstram como o grupo sabe engendrar com maestria melodias construídas a partir de guitarras a um só tempo ásperas e doces. É o caso de “Lannoy Point” (que abre o cd), da faixa-título, de “Cali” (um dos melhores momentos do álbum) e de “White Sands”, que encerra tudo com brumas melódicas e harmônicas tristonhas e lúgubres, bem de acordo com os tempos sombrios em que estamos vivendo. Ao mesmo tempo há espaço para o vigor rápido, acelerado e conciso de “Charm Assault” (o primeiro single de trabalho do cd), “All I Want” e da sensacional “Lateral Alice”, que evoca os tempos de “Twisterella” e poderá se tornar um hit nas pistas de rock alternativo.

O mundo está ruim em todos os sentidos. O aquecimento global devora o planeta, a raça humana nunca esteve tão reacionária e conservadora nos últimos trinta anos como agora e a cultura pop (incluso nela o rock’n’roll) desceu sem dó a ladeira da mediocridade e irrelevância artística. As bandas atuais não duram nada e são ruins e fúteis de dar pena. O Ride sabe disso tudo e voltou com um disco onde parece querer dizer (ou cantar) ao ouvinte: “sim, já somos velhos e estamos aqui ainda, vivos. E mostrando talvez mais qualidade e dignidade do que 90% da geração atual”. É bem por aí: “Weather Diaries” pode não ser uma obra-prima. Mas numa época em que nada mais parece fazer sentindo ou parece fazer grande diferença e impactar nossas tristes existências em termos musicais, ouvir essas novas onze músicas do velho shoegazer inglês traz grande alento à alma e aos sentidos. E mostra que o grande rock de guitarras ainda vive e nos encanta, mesmo quando feito por senhores na casa do meio século de vida.

 

***mais sobre o Ride, vai aqui: https://www.thebandride.com/, e aqui: https://www.facebook.com/RideOX4/.

 

***o grupo está em turnê de divulgação de “Weather Diaries”. Tocam na Europa e Reino Unido até o final desse ano. E há boatos e uma pequena possibilidade de que venham para o Brasil em 2018. Vamos torcer!

 

 

AS FAIXAS DO NOVO ÁLBUM DO RIDE

1.”Lannoy Point”

2.”Charm Assault”

3.”All I Want”

4.”Home Is a Feeling”

5.”Weather Diaries”

6.”Rocket Silver Symphony”

7.”Lateral Alice”

8.”Cali”

9.”Integration Tape”

10.”Impermanence”

11.”White Sands”

 

 

A BANDA AÍ EMBAIXO

Nos vídeos para os singles “Charm Assault” e “All I Want”.

 

E O NOVO DISCO AÍ EMBAIXO, PARA AUDIÇÃO NA ÍNTEGRA

 

MAIS RIDE: UM ÁLBUM CLÁSSICO DO GRUPO PARA RELEMBRAR

Yep, o belíssimo “Going Blank Again”, lançado em março de 1992, ou seja, há vinte e cinco anos e que continua musicalmente imbatível até hoje.

 

 

O FIM DE MAIS UM BAR ALTERNATIVO INCRÍVEL DE SAMPA, A FUNHOUSE

Após o fechamento do Astronete, Matrix e Inferno, endereços que marcaram época no circuito rock alternativo noturno da capital paulista, agora é chegada a vez do sobradinho da Funhouse informar que vai deixar de existir. Funcionando há mais de década e meia na rua Bela Cintra, centrão de Sampa, a Fun (como é carinhosamente conhecida pelos freqüentadores) encerra suas atividades no final de julho agora. Até lá ainda vai manter uma programação bacanuda nos finais de semana, sendo que o blog pretende ir no dia 8 de julho pra se despedir de lá assistindo à gig do Verônica Decide Morrer.

Zap’n’roll foi menos infeliz nas noites em que foi à Funhouse. O blog discotecou lá numa madrugada há uns 10 anos ou mais (numa festa da extinta revista Dynamite). Enfiamos o pé na lama ali, em álcool e cocaine. Paqueramos e trepamos com xotas rockers lokers tatuadas. Brigamos com um dos ex-donos (pai da filha da escritora Clarah Averbuck, de quem ainda somos amigos distante e embora não falemos com ela há séculos). E dançamos muito som incrível na pista, além de presenciar muitos shows sensacionais por lá. Fora que a Fun teve uma das hostess mais legais, loiras e lindas da night under paulistana, a sempre gatíssima e gente finíssima Dani Buarque, da banda BBGG.

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A pista do sobradinho que abriga a Funhouse/SP: a ferveção infelizmente chega ao fim este mês

 

Mas tudo chega ao fim um dia, não é? E assim se confirma mais uma vez o que sempre andamos dizendo aqui: a cultura pop e o indie rock acabaram de vez nos anos 2000’, infelizmente. Saudades das décadas de 90’ e 80’, quando o mundo e as pessoas eram muito menos estúpidas e boçais do que são hoje. Os 80’/90’ nunca mais irão voltar. E pras novas e imbecilizadas gerações da era das redes sociais inúteis só irá restar isso mesmo: funk ostentação burrão, sertanojo universotário, axé brega, pop idem etc. Triste fim para a raça humana na era da web… ao menos na cultura pop e no quase extinto rock’n’roll.

Rip Funhouse. Foi um imenso prazer passar algumas madrugadas inesquecíveis no seu interior. Dia 8 de julho próximo será a nossa última por lá, para uma despedida rocker como ela deve ser.

 

 

UMA MUSA REALMENTE ROCKER: A JAPA GIRL GLAUCIA, UMA QUARENTONA TATUADA QUE DEIXA MUITA PIRRALHA DE VINTE NO CHINELO, WOW!

Nome: Glaucia Yatsuda.

Idade: 43 anos.

De: Lins/SP.

Mora em: Maringá/PR, com os filhos pequenos e papi.

Formada em: Geografia.

Trabalha em: técnica em mecatrônica.

Três bandas/artistas:T-Rex, Nick Cave e The Tamborines.

Três discos: “The destruction off small ideas” (65 Five Days of Static), “Best Hit AKG” (Asian Kung Fu Generation) e “Rumble the best of Link Wray”.

Três diretores de cinema: Peter Greennway, David Linch e Akira Kurossawa.

Três filmes: “Depois da vida” (de Hirokazu Koreeda), “Down by Law” (de Jim Jarmusch) e “Viagem de Chihiro” (de Hyao Miyazaki).

Três livros: “Admirável mundo novo” (Aldous Huxley), “Akira” (Katsuhiro Otomo) e “Belas Maldições” (Neil Gaiman – Terry Pratchett).

Show inesquecível: 65 Days of Static em Osaka, 2006.

Como o blog conheceu essa incrível musa rocker japa total delicious: ela é uma das melhores amigas da produtora de moda Patrícia Ramirez, que por sua vez é dileta amiga zapper há séculos. Ambas residem em Maringá, norte do Paraná e onde Zap’n’roll fez uma ótima DJ set no início deste ano no infelizmente finado The Joy Bar. Vai daí que o velho jornalista rocker e responsável por estas linhas bloggers lokers se encantou pela japa quarentona, resolveu paquerá-la (opa!) e a convidou para fazer este ensaio. Que você agora se delicia com ele aí embaixo, com as ótimas imagens clicadas pelo fotógrafo Paulo José e com produção de Paty Ramirez e Nay Oliveira. Aprecie sem moderação alguma!

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A vulva recoberta por pelos, colocando em xeque a ditadura estética atual das púbis total depiladas

 

 

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Me abro e me permito apenas para ele…

 

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Pele branca, olhos puxados, tattoos espalhadas pelo corpo: a japa girl perfeita?

 

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Devaneios na pequena tela, ou a busca por alguém…

 

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Segredos orientais que se escondem por entre as pernas…

 

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O vermelho é o fogo que nos atrai

 

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Venha me devorar!

 

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FIM DE TRANSMISSÃO

Postão ampliado em 8 de julho, relembrando Nirvana, Cazuza e Legião Urbana. Na semana que vem tem mais, beleusma?

 

Até lá então!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 8/7/2017 às 18:30hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL, com os novos discos do Ride e da Lorde e também todas as infos sobre a edição 2017 do festival de documentários In Edit Brasil – Com o mondo indie rocker planetário em quase completa dormência e irrelevância o blog analisa com rigor e sem babação de ovos a “banda da vez” e que acabou de lançar seu primeiro álbum cheio nos EUA: o Cigarettes After Sex, que por pouco não provocou BOCEJOS nestas sempre rigorosas linhas zappers; mais: com shows confirmados (a partir de setembro) de The Who, U2 e a deusa inglesa PJ Harvey, o triste bananão tropical (esse aqui mesmo) ao menos terá um final de 2017 mais animado e menos modorrento; o julgamento da chapa Dilma/Temer pelo STE (que absolveu o vampiro golpista) e as lastimáveis condições do sistema prisional brasileiro só mostram e constatam pela milésima vez o que todos já estão carecas de saber mas têm vergonha de admitir: o Brasil é um país LIXO e quinto mundo dos infernos, infelizmente…; e um autêntico DELEITE e COLÍRIO gigante para nosso leitorado fã de nudes tesudos e despudorados ao máximo: um ensaio pra lá de delirante com nossa primeira dama das musas do blog, a eternamente lindíssima e incrível Jully DeLarge em todo o seu esplendor de nove meses de GRAVIDEZ gloriosa, e prestes a se tornar mãe! (postão AMPLIADÃO E TOTAL CONCLUÍDO, em 16/6/2017)

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Informações: (11) 9 8320-0700 (whats app) e também aqui: https://www.facebook.com/events/1905708276384988/?acontext=%7B%22action_history%22%3A%22null%22%7D

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A indie rock scene planetária está em crise brava de criatividade e de qualidade artística; assim uma banda como a Cigarettes After Sex (acima), mesmo sendo não muito mais que competente, causa enorme falatório no mondo rocker e nas redes sociais por conta do lançamento do seu primeiro álbum de estúdio, um trabalho que, de resto, está muito longe das obras-primas lançadas, por exemplo, pela deusa PJ Harvey (abaixo) que retorna ao Brasil para show em novembro, mesmo mês do aniversário do jornalista zapper/loker que continua sabendo o que é bom em termos de cultura pop (basta ver a imagem também abaixo: ele ao lado da nossa sempre eterna musa rocker number one, a deusa Jully DeLarge, que vai ser mamãe daqui a pouco!)

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MAIS MICROFONIA: NO FERIADÃO MODORRENTO DE PORCUS TRISTIS, O NOVO DISCO DO RIDE CHEGA PRA ANIMAR O POVO ROCKER

Exatamente. O feriado de PORCUS TRISTIS em si já está chegando ao seu final (só que ele vai ser estendido por todo o finde, claaaaaro) e acabou sendo bastante animado no final das contas. Pois saiu HOJE “Weather Diaries”, o disco que marca oficialmente a volta do grande Ride. Na Inglaterra o álbum saiu oficialmente nesta sexta-feira. Aqui no bananão e em se tratando de plataforma física (cd e vinil), jamé. Mas com a internet aí, foda-se. Está ao alcance de quem quiser escutar. É o primeiro trabalho de estúdio inédito do quarteto inglês (que surgiu em Oxford, em 1988) em mais de duas décadas – o último disco deles havia sido o algo fracote e melancólico “Tarantula”, que saiu em março de 1996 e decretou então o fim do conjunto naquela época. Sendo que o Ride foi um GIGANTE da geração shoegazer britânica dos anos 90’, com pelo menos três álbuns memoráveis em sua trajetória (“Nowhere”, de 1990; “Going Blank Again”, de 1992; e “Carnival Of Light”, lançado em 1994 e o nosso preferido deles). Depois é o que se sabe: veio a queda, o fim da banda e cada um foi pra um lado, inclusive com o guitarrista e vocalista Andy Bell indo parar no Oasis, onde tocou baixo também até o grupo dos manos Gallagher chegar ao fim, em 2009. O que estas linhas bloggers rockers acharam do comeback deles? Bien, nossa percepção inicial (ouvimos o cd apenas duas vezes, até o momento) é de que para um bando de coroas que ficou mais de duas décadas longe dos estúdios de gravação, eles voltaram bem – algumas músicas bem longas (como “Lannoy Point” e “Cali”) são ótimas, sendo que talvez a melhor de todo o álbum seja mesmo “Lateral Alice”, curta, rápida e barulhenta. Se comparado aos primeiros trabalhos digamos que o novo é mediano, mas ainda assim ok. Agora, se comparado ao LIXO que está o rock atual (até mesmo em sua acepção mais, hã, alternativa), trata-se de um disco muito bom. Mas enfim, que eles sejam bem-vindos de volta. “Weather Diaries” será com certeza o destaque do próximo post da Zap’n’roll. E quem sabe o grupo não resolve dar uma passadinha pelo Brasil, já que estão em turnê de divulgação do cd. Não custa sonhar, né?

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O velho mas ainda muito bom shoegazer do britânico Ride: novo disco, após duas décadas de ausência

 

***Mais movimentação no mondo pop também nessa sextona de meio de feriadão brazuca: saiu finalmente o segundo disco da gatinha Lorde. Que chega três anos depois de sua estréia que a transformou em ídolo pop planetário com apenas dezesseis anos de idade. O novo trampo dela, sobre o qual falaremos melhor no próximo post, pode ser ouvido aí embaixo.

 

***Tá de bobeira em Sampa no feriadão? Pois está rolando na cidade a edição 2017 do In Edit Brasil, o maior festival de documentários musicais do mundo. Tem docs sobre os Stooges (wow!), sobre a Tropicália e também pelo menos quatro que detêm seu olhar sobre a história do punk rock, que está comemorando quarenta anos de existência. A programação completa do In Edit pode ser conferida aqui: http://br.in-edit.org/.

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Os inesquecíveis The Stooges: com doc sobre a banda no In Edit Brasil

 

***E também rola neste finde mais uma edição da Parada do Orgulho LGBT em Sampa, domingo o dia todo na avenida Paulista. São esperadas mais de 3 milhões de pessoas e o evento é o maior do mundo no gênero. O blog pretende estar nela (pois há anos que não marcamos presença na parada) mesmo porque nosso apoio à diversidade sexual e ao RESPEITO e à tolerância em relação a questões de gênero é total. Não dá pra aceitar uma sociedade homofóbica como ainda é a brasileira. Muito menos a intolerância religiosa em um país onde o Estado é LAICO (segundo a Constituição) mas que, na real, vive sob pressão de grupos como os evangélicos por exemplo (os maiores inimigos da nação gay). Então fikadika: todos pra Paulista nesse domingão!

 

***Sim, sim, estamos devendo uma resenha sobre o disco de estréia do grupo de surf music instrumental paulistano Pultones. Bem como quem ganhou o cd deles que andamos botando em sorteio por aqui. No próximo post desovamos essa parada de vez, ok?

 

***E agora é fim de transmissão mesmo. Meião de feriadão e Zap’n’roll vai curtir o que resta dele tomando vinho, fumando um beck e dando uma bela foda com uma boceta amiga, hihihi. Portanto: até o próximo post e tchau pra quem fica!

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EDITORIAL POLÍTICO:

BRASIL, O PAÍS LIXO TOTAL E DE QUINTO MUNDO DOS INFERNOS – VOCÊ AINDA TEM ALGUMA DÚVIDA DISSO?

Dois episódios que aconteceram na semana passada e que corroboram o título do editorial político/social que abre este post de Zap’n’roll. Primeiro: o “Profissão Repórter”, como sempre brilhantemente conduzido pelo Caco Barcellos e em sua edição da última quarta-feira, foi absolutamente DEVASTADOR. Ele mostrou o que é o sistema prisional brasileiro como um todo. E, por tabela, exemplificou e resumiu no final das contas o que todos nós estamos carecas de saber mas fingimos (ou tentamos fingir) não saber: isso aqui, esse país chamado BRASIL, é um LIXO TOTAL. Uma nação de QUINTO MUNDO (dos infernos) e que se jacta ser de primeiro mundo. Um primeiro mundo que só existe na cabeça dos super ricos que vivem aqui ou da classe média ogra e burrona que acha que metrópoles horrendas como São Paulo, Rio e Porto Alegre possuem algo de civilizado. Dá até dó dos idiotas que batem no peito e cantam com alegria incontida e retardada o “sou brasileiro com muito orgulho”.

Esses OTÁRIOS deveriam ter assistido o jornalístico comandado por Caco. O programa foi até COVARDE em certo sentido, quando comparou o sistema prisional daqui com o da Noruega (esse sim um país de PRIMEIRÍSSIMO MUNDO). Alguns detalhes, para quem não assistiu:

 

***o governo brasileiro gasta com cada preso do país por ano, em média, R$ 45 mil reais. Você acha muito? Na Noruega o custo anual do governo pra manter cada presidiário (e dar-lhe condições de ser reintegrado à sociedade) é de R$ 390 mil reais! Detalhe: esse gasto governamental tem APOIO TOTAL da população.

 

***mais: no presídio de segurança máxima na Noruega, em cada cela (que fica aberta durante o dia e só é trancada à noite) o preso tem: cama confortável, armário, televisão (de led), frigobar e banheiro decente, além de acesso a um mini mercado onde ele pode comprar o que desejar. Mais? Tem mais: ele também pode fazer cursos de capacitação (como de chef de cozinha) e para aqueles que possuem pendores artísticos (como ser músico, por exemplo) há até um ESTÚDIO onde o preso pode gravar composições e aprender a tocar e a cantar.

 

***tudo isso tem sua justificativa, dada pelo diretor do presídio norueguês: “Quando ele, o preso, sair daqui, poderá ser SEU VIZINHO. Você prefere ter um vizinho VIOLENTO, CHEIO DE ÓDIO dentro de si ou alguém que cumpriu sua pena e voltou plenamente recuperado ao convívio social?”. Simples assim.

 

***e aqui? Ahahahahaha, aqui é a BARBÁRIE, claro. Lá na Noruega, frigobar nas celas. Aqui os pobres diabos bebem água INFESTADA de BARATAS, vivem em celas superlotadas e cheias de RATOS (ratos mesmo, aquele bicho que todos odeiam e que transmite uma série de doenças) e vão desenvolvendo enfermidades como tuberculose ou enfrentando surtos como o de SARNA. Ao ser entrevistado pela equipe do programa, um preso declarou (com total razão em suas palavras): “isso aqui é DESUMANO. O sujeito entra aqui e depois sai com mais ÓDIO de tudo, com mais ódio do que ele tinha antes de entrar”.

Precisa ser dito mais alguma coisa? Se sim, melhor você conferir o programa na íntegra, neste link: http://g1.globo.com/profissao-reporter/noticia/2017/06/ratos-baratas-e-doencas-como-sarna-hiv-tuberculose-e-sifilis-sao-comuns-em-presidios-brasileiros.html.

Este blog realmente desistiu disso aqui. Temos TOTAL VERGONHA de ser brasileiro. Um país cujo sistema prisional HORRENDO (e que reflete, de resto, o que é a nossa sociedade como um todo: boçal, bestial, ignorante, conservadora, egoísta na relação entre os quem têm muito e os que não têm nada, atrasada, inculta etc.) é apenas a face mais cruel de uma nação que definitivamente NÃO DEU CERTO. Também esperar o quê de um país onde a classe política é vil e imunda ao máximo, e onde o próprio PRESIDENTE DA REPÚBLICA é um CRIMINOSO e chefe de quadrilha já PILHADO pelas autoridades policiais e judiciárias em diversos CRIMES de assalto ao erário e ao bolso da população?

Caia na real quando você for cantar que é “brasileiro com muito orgulho”: vivemos no LIXO e na RABEIRA do mundo. Somos apenas isso: um QUINTO MUNDO DOS INFERNOS. E nada além disso.

E para completar, o segundo episódio e que dominou a atenção de toda a mídia (da nanica à mega): o julgamento da chapa Dilma/Temer pelo STE. Terminou com a ABSOLVIÇÃO do velho BANDIDO e ESCROTO que preside de forma golpista o Estado brasileiro. Alguém aí ainda tinha alguma dúvida de que ele iria escapar?

É isso. Vamos pra cultura pop e pro rock alternativo, que nos traz ainda um pouco de alegria e satisfação.

 

 

MICROFONIA

(reverberando a cultura pop e a política/sociedade em discos, livros, filmes, shows, baladas etc.)

 

*** foi SEN SA CIO NAL a noite do último sábado no estúdio Lâmina (no centrão de Sampa), com o grupo Les Boomerangs fazendo um set inteiramente dedicado ao gênio francês Serge Gainsbourg. Versões rockers, claro. Nunca imaginamos escutar “Je T’aime” (o mega clássico dos motéis e trepadas de todos nós) com tanta microfonia, distorção e “apitos” na guitarra, hihihi. O Lâmina (localizado num incrível prédio histórico ao lado do metrô São Bento) lotou de gatas gostosíssimas, a DJ set pós-show foi fodástica (Smiths, Bowie, Siouxsie, Joy Division, Les Rita Mitsouko etc.), encontramos amigos queridos (como a gata Persie Oliveira, vocalista das Groupies do Papa, e o Leo Fazio, da banda Molodoys) e nos divertimos e rimos muito com os papos do nosso irmão de coração, o sempre gentleman, divertido e super guitarrista Gabriel Coimbra Guedes. Que venham outras baladas iguais!

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Dupla rocker de respeito máximo no último sabadão, pela madruga baladeira de Sampalândia: o jornalista gonzo/zapper/loker e o super guitarrista Gabriel Guedes

 

***A maleta Mallu Magalhães lançou seu novo álbum, “Vem”, na última sexta-feira. Sério, será que alguém ainda se importa? Com o bananão pegando fogo ao que parece Mallu continua vivendo em outro universo, com suas músicas “fofinhas”, de pegada pop/MPB completamente despolitizada e desconectada do momento trágico pelo qual o país está passando. Nem vamos perder tempo resenhando o álbum, mas para quem tiver curiosidade em ouvir ele está aí embaixo.

 

***para não esquecer tão cedo: abaixo, quem votou contra e a favor da cassação do velhote sujo e ordinário que preside o Brasil. Que vergonha, STE…

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E esse CRETINO, merda e serviçal do governo golpista RI da nossa cara, claro! 

 

*** o episódio em que dois MONSTROS bestiais e boçais torturaram e TATUARAM na testa de um garoto a frase “sou ladrão e vacilão” (por ele supostamente ter tentado roubar a bicicleta de um dos vizinhos da dupla que praticou essa barbárie no moleque), merece todo o repúdio possível. E demonstra também claramente a que ponto chegou a selvageria, bestialidade e boçalidade da sociedade brasileira supostamente “civilizada”. Estamos caminhando para uma nação NAZISTA no final das contas. Pois se vocês bem se recordam eram os NAZISTAS que marcavam a pele dos judeus com ferro em brasa, durante a Segunda Guerra, para depois exterminá-los nos campos de concentração. Até quando, Brasil LIXO e de população selvagem ao máximo?

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A imagem da barbárie social, da boçalidade e bestialidade sem limites do brasileiro atual: dois monstros e covardes fizeram essa tatuagem na testa de um adolescente de 17 anos por ele supostamente ter tentado roubar uma bicicleta; o Brasil regredindo aos tempos do nazismo…

 

***e calma que ao longo desta semana (que começou nesta segundona, dia dos namoridos) mais notas irão entrando aqui no Microfonia, beleusma? Então guentaê e até já!

 

 

CIGARETTES AFTER SEX, O NOVO (MAS NEM TANTO) HYPE DO MONDO ROCKER, LANÇA SEU PRIMEIRO DISCO – E CUJA AUDIÇÃO QUASE PROVOCOU SONO NO BLOG ZAPPER

O mondo pop/rock planetário, mesmo na seara mais, hã, alternativa, está assim mesmo há alguns anos já: vagando à deriva, infestado de hypes que duram apenas alguns singles, alguns discos (quando não apenas um), uma temporada de verão, e depois desaparecem tão rápido quanto surgiram. Fora que a qualidade artística de grupos e artistas solo despencou rumo a um abismo profundo de quinze anos pra cá. Então quando surge algo minimamente mais razoável ou um pouco acima da mediocridade media reinante atualmente no planeta, a banda em questão já desponta como a próxima salvação do rock’n’roll. Gera hype nos sites e blogs especializados em música, gritaria e tumulto nas redes sociais e plataformas visuais e musicais (Spotify, YouTube), e adoração imediata de milhões de fãs virtuais de ocasião. Tudo muito fugaz, imediatista e ilusório, claro. Mas continua acontecendo e dando sobrevida ao rock e suas variações de gênero. E dentro desse panorama o grupo da vez é o quarteto americano Cigarettes After Sex, que lançou oficialmente na última sexta-feira, dia 9 de junho seu primeiro álbum completo de estúdio. Antes o grupo liderado pelo vocalista, letrista e principal compositor Greg Gonzalez, já havia lançado uma série de singles que bombaram na web e colocaram o conjunto em evidência não apenas nos EUA mas também na Europa.

O CAS (como já está sendo carinhosamente chamado pelos fãs) é essencialmente e musicalmente o que sai da mente algo melancólica e sensível de Gonzalez. Bom letrista, compositor, vocalista e instrumentista, ele formou a banda há quase uma década (mais precisamente em 2008) na cidade de El Paso, no estado americano do Texas. E para dar vazão às suas músicas eivadas de ambiências melancólicas e de eflúvios de shoegazer e dream pop, Greg foi se cercando de músicos que eram amigos próximos. Além dele ninguém ficou exatamente fixo no grupo nesses anos todos, sendo que a formação atual se completa com Jacob Tomsky (baterista),  Phillip Tubbs (teclados), e Randy Miller (baixo). Foi com esse line up que a banda sedimentou e amadureceu seu trabalho, lançado agora o primeiro álbum completo e após ter bastante receptividade da crítica e de fãs para seus primeiros singles (como “Affection”, editado em 2015, e “K”, lançado um ano depois, além de um cover bizarro para uma canção do finado grupo hard brega setentista Reo Speedwagon, também lançado como single há dois anos), que acabaram tendo milhares de visualizações no YouTube e angariaram um bom séquito de fãs ardorosos para o quarteto em pouco tempo. Fãs brasileiros inclusive, que já pululam pelas redes sociais e estão se desmanchando de amor pelo Cigarettes em redes sociais como o faceboquete.

Mas e daí? Qual é a do CAS, afinal? É um grupo que vale a pena? É o grande lançamento de 2017 até agora, como bradou um conhecido e bastante lambão, preguiçoso e bundão repórter/blogueiro da FolhaSP online (ele mesmo, o beócio Thales de Menezes) e que, não satisfeito em PEIDAR pela boca sua vassalagem estúpida e exagerada ao grupo, ainda comparou-o aos inesquecíveis Smiths? Quanta IGNORÂNCIA jornalística e musical, rsrs. Não há dúvida, ao se ouvir as canções dos singles do conjunto e também as faixas que estão no seu disco de estréia, que Greg Gonzalez é um compositor habilidoso, melodista idem e um letrista sensível que, tal qual Morrissey mostrou de forma sublime à frente dos Smiths há três décadas, expõe suas tragédias pessoais, amorosas e emocionais de maneira bastante intensa nos versos que compõe. E aí não importa se o desencanto e desalento amoroso se refere a uma relação afetiva homo ou hétero. Vale mais aqui discorrer sobre o que é o amor no final das contas: quase sempre uma pequena (ou, em alguns casos, monstruosa) tragédia existencial, tingida pelos matizes mais cinzas e sombrios que possam existir. Para dar voz, corpo e sentido a essas letras intensas mas igualmente introspectivas, melancólicas e reflexivas, o cantor lança mão de um vocal suave, tristonho, com inflexões agudas (muitas vezes quase sugerindo que é uma MULHER que está cantando), bucólico e contemplativo no final das contas.

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Capa de estreia do disco do CAS: canções dream pop sonolentas

Seria o suficiente para se construir um ótimo trabalho? Aparentemente sim. Mas ocorre que as dez faixas do CD (distribuídas por quase quarenta e sete minutos de duração) foram bordadas com tanta lassidão e contemplação/melancolia instrumental que a audição acaba por se tornar um périplo altamente cansativo para o ouvinte. Não há quase variação alguma entre os temas, seja na abertura com “K”, ou no quase dream pop que se encerra em “Each Time You Fall In Love” (onde fica nítida a sensação de estarmos escutando um vocal feminino, já que Gonzalez capricha na inflexão em falsete), ou ainda em “Apocalypse”, “Flash”, “Sweet” ou “John Wayne”, todas elas invariavelmente conduzidas pelas guitarras elétricas ou acústicas tocadas por Greg, e pontuadas por percussão suave e intervenções discretas de teclado. Tudo muito bem tocado, arranjado e produzido, não há dúvida. Mas já na metade da audição se torna indisfarçável a sensação de quase sonolência que começa a envolver o ouvinte.

Se for para comparar, há bandas e discos muito melhores nos anos 80’, 90’ e de 2000’ pra cá. Na questão da angústia amorosa/emocional e do amor platônico e/ou irrealizável vertido em versos, Morrissey indubitavelmente fez muito melhor pelo rock e pelo pop nos Smiths – aliás a temática que se encerra nas letras do CAS talvez seja de fato o único detalhe que aproxima o grupo americano do inesquecível quarteto liderado por Moz e Johnny Marr. E de alguns anos pra cá, talvez grupos como Beach House e The XX (principalmente este) exibam mais consistência artístico/musical e com uma sonoridade um pouco mais animada, que não provoca letargia em quem escuta. Assim a estréia em álbum cheio do Cigarettes After Sex se revela um pouco acima da média da irrelevância que contamina a maioria das bandas da indie rock scene atual. Mas isso não é suficiente, nem de longe, para afirmar que o trabalho homônimo do conjunto é o grande lançamento de 2017. Ele está longe disso, bem longe. E se não procurar maturar e aprimorar com afinco sua concepção sonora, a irrelevância e o esquecimento por parte da mídia e do público virá logo. Afinal e infelizmente a volubilidade e a volatilidade dos fãs em relação aos seus “ídolos” é um dos maiores problemas para a música, para o pop e o rock nestes tempos superficiais e fúteis da web. A maldita era digital, onde uma canção de quatro minutos se tornou acessório dispensável que serve apenas de fundo musical para tarefas comezinhas. E que, por conta disso e dessa função bastante inglória, ela precisa ter muito mais estofo qualitativo para impactar e marcar quem a escuta.

 

 

O TRACK LIST DO DISCO DE ESTREIA DO CAS

1.”K.”

2.”Each Time You Fall in Love”

3.”Sunsetz”

4.”Apocalypse”

5.”Flash”

6.”Sweet”

7.”Opera House”

8.”Truly”

9.”John Wayne”

10.”Young & Dumb”

 

 

UMA LETRA DO ÁLBUM

(da faixa de abertura do cd, “K)

Eu me lembro de quando notei que você gostava de mim também

Estávamos sentados em um restaurante esperando a conta

Nós tínhamos feito amor mais cedo naquele dia, sem amarras

Mas eu poderia dizer que algo tinha mudado como você olhou para mim naquele momento

 

Kristen, volte logo

Eu estive esperando você voltar para a cama

Quando você acende a vela

 

E no Lower East Side você está dançando comigo agora

E eu estou tirando fotos de você com flores na parede

Acho que eu gosto mais quando você está vestida de preto da cabeça aos pés

Acho que eu gosto mais de você quando você está só comigo

E ninguém mais

 

Kristen, volte logo

Eu estive esperando você voltar para a cama

Quando você acende a vela

 

Estou beijando você deitada no meu quarto

Segurando você até você cair no sono

E é tão bom quanto eu sabia que seria

Fique comigo, eu não quero que você saia

 

Kristen, volte logo

Eu estive esperando você voltar para a cama

Quando você acende a vela

 

 

O CD DE ESTREIA DA BANDA PARA AUDIÇÃO NA ÍNTEGRA, ABAIXO

 

 

 

COM SHOWS DE THE WHO, U2 E PJ HARVEY A PARTIR DE SETEMBRO, O BANANÃO TROPICAL PROMETE TER UM FINAL DE ANO UM POUCO MAIS ANIMADO

Yep. O Brasilzão está parecendo terra arrasada na seara política e econômica, a corrupção desmantelou o país, o golpista sujo de merda não quer arrancar sua bunda imunda da cadeira de presidente nem a pau e assim seguimos. Mas não é que, mesmo com toda essa desgraceira atormentando diariamente a vida da galera, ao menos no circuito pop/rock iremos ter alguma alegria nos meses finais deste ano? É que vêm aí (como todo mundo já está sabendo) algumas gigs que prometem ser fodásticas e imperdíveis, a partir de setembro. O blog explica por quê:

 

***THE WHO – toca em Sampa no dia 21 de setembro, na primeira noite do festival SP Trip. A abertura (com The Cult e a porra do tal After Bridge) nem importa. O que vale mesmo é poder conferir pela primeira vez (e talvez a única) por aqui uma gig daquela que talvez é a última e mega lendária banda da história do rock’n’roll que ainda não havia se apresentado no Brasil. E foda-se que, para os sectários, será uma gig com apenas “meio Who”, com Roger Daltrey nos vocais e o gênio Pete Townshend nas guitarras. A banda que acompanha a dupla é das melhores. E poderemos todos CHORAR ao escutar ao vivo clássicos inesquecíveis e imbatíveis que fazem parte de nossas vidas e histórias, como “My Generation”, “I Can’t Explain”, “Baba O’riley”, “Pinball Wizard”, “Who Are You”, “Substitute” etc. Absolutamente IM PER DÍ VEL!

 

***U2 – o velho e sempre competentíssimo no palco quarteto irlandês volta ao Brasil, na turnê que celebra os trinta anos do álbum “The Joshua Tree”, lançado em 1987. Pra quem nunca os viu ao vivo por aqui (estas linhas zappers já assistiram a banda on stage por duas vezes) é também um show quas imperdível, ainda mais que ele terá a abertura luxuosíssima de um certo Noel Gallagher. Vai ser dia 19 de outubro no estádio do Morumbi, em Sampalândia, claro!

 

***PJ Harvey – Estas linhas eternamente indie rockers AMAM Polly Jean Harvey. Sempre amamos, desde que ela se lançou ao mundo com “Dry” em 1992 (lá se vão 25 anos…). E ela segue como nossa deusa máster do rock inglês que importa de duas décadas e meia pra cá. Pelos discos fantásticos que ela lançou ao longo desses anos todos (como “To Bring You My Love”, de 1995, ou “White Chalk”, editado em 2007, ou ainda o fenomenal “Let England Shake”, que saiu em 2011), pelo show inesquecível que vimos dela em 2004 (no finado Free Jazz Festival) e por ela ser a linda magrela loka e desajustada que é. Zap’n’roll se casaria com essa mulher, rsrs. Então e finalmente PJ Harvey volta enfim pra cá, depois de 13 anos. Vai tocar num festival em Sampa dia 15 de novembro, no Memorial da América Latina. O local é ótimo, o festival nem tanto: muito espalhafatoso, muito imodesto para seu padrão mediano e como sempre com ingressos a preços extorsivos – incluso aí a detestável pista Premium, que sempre foi combatida pelo “prezado” jornalista que organiza a parada mas que acabou sendo incorporada ao evento para, quem sabe, deixar o bolso do pobreloader um pouco mais cheio – e o dos pobres fãs mais vazios. Mas rever PJ Harvey no palco valerá o sacrifício, acho. Se o blog conseguir assistir a gig da nossa amada deusa magrela e, antes, do Who em setembro, já nos daremos por satisfeitos nesse novamente sinistro 2017. Depois de ver novamente Polly Jean ao vivo, o Brasil pode acabar e explodir de vez.

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Linda, magra, loka, deusa do indie rock inglês que ainda importa: PJ Harvey finalmente de volta ao Brasil

 

MUSA ROCKER EDIÇÃO ESPECIAL – A GLORIOSA E IMBATÍVEL NUDEZ DA DEUSA JULLY DE LARGE, QUE VAI SER MAMÃE EM DUAS SEMANAS!

O blog a conheceu pessoalmente há quase uma década, quando ela tinha então apenas dezessete aninhos de pura e total tesudisse e gostosura. Mas desde aquela época já era uma garota total rocker e muito abusada: subiu ao palco de uma finada casa noturna do baixo Augusta (na realidade o local ainda existe, mas deixou de ser um clube de rock para oferecer open bar com som que varia de pop/rock até funk), durante um show da banda Daniel Belleza & Os Corações em Fúria, e sem pudor algum dançou exibindo seus peitaços. O jornalista eternamente rocker (e então ainda bastante loker) também estava presente no local naquela madrugada. Terminado o show do grupo, foi conversar com a garota. Nasceu ali uma amizade que perdura até hoje. Uma amizade tão carinhosa inclusive que ela chama o sujeito aqui de “tio Finatti”, hehehe.

Quase dez anos depois Jully DeLarge se tornou um dos nomes mais conhecidos da cena cult alt porn nacional. Já participou de centenas de ensaios, vídeos, filmes alternativos etc. Linda, gostosa, inteligente, toda tatuada e fã de rock’n’roll, ela sabe explorar como ninguém seu visual e suas potencialidades. E já fez vários ensaios para estas linhas rockers bloggers, além de ter feito performances em eventos promovidos por Zap’n’roll – como na festa de onze anos do blog, realizada em maio de 2014.

De lá pra cá Jully casou, descasou, mudou de Sampa e encontrou um novo amor lá em Jaboatão dos Guararapes, na região metropolitana do Recife. Casou novamente e tão feliz está com o novo relacionamento que agora vai se tornar mãe: sua primeira filha, Luna Madalena, deve nascer até o final deste mês. De modos que não poderíamos render homenagem mais bacana à nossa eterna musa rocker number one do que mostrar os gloriosos NUDES de sua belíssima gravidez. Imagens que mostram que nossa gatona continuará sendo uma mãe libertária, libertina e total rock’n’roll, sempre!

Apreciem sem moderação! E se quiserem saber mais sobre essa deusa da cultura pop alternativa brazuca, basta ir nesses links: https://www.facebook.com/jullydelarge69, https://www.facebook.com/jully.delarge e https://www.instagram.com/vidalibertina/. Sendo que o ensaio completo das fotos que estão aqui pode ser visto em https://www.safada.tv/mae-nao-imaculada/.

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A nossa musa rocker suprema, Jully DeLarge: mostrando toda sua esplendorosa gravidez e também em imagem de três anos atrás (acima), durante sua performance na festa de aniversário dos onze anos de Zap’n’roll: uma gata tesuda e total libertária, sempre!

 

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FIM DE PAPO

Pronto! Postão atualizado e ampliado em pleno meião de feriadão, rsrs. Mas agora chega que a sextona de Finaski vai ser regada a vinho, marijuana e um xoxotão amigo, hihihi. De modos que logo menos voltamos aqui com um novo postão inédito, okays?

É isso então. Tchau pra quem fica!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por por Finatti em 16/6/2017 às 16hs.)

AMPLIAÇÃO EXTRA E FINAL! Falando da MORTE do amado KID VINL, dos vinte anos de “Ok Computer” (a obra-prima do Radiohead), da hecatombe nuclear política que está sacudindo o bananão tropical e dando a programação da Virada Cultural fracote, que rola este finde em Sampa – Com o rock planetário dos anos 2000’ praticamente morto e enterrado, duas bandaças inglesas já veteranas soltam seus novos discos e reafirmam pela enésima vez o que todos já estão carecas de saber: apenas grupos com duas décadas ou mais de estrada, como Kasabian e Slowdive (este, lançando seu primeiro disco inédito em vinte e dois anos) é que estão salvando o rock’n’roll atual da extinção definitiva, sendo que neste post zapper você confere análises detalhadas (ao invés de ler a mixórdia que é geralmente publicada num certo “pobreloa…” blog vizinho) sobre os dois álbuns em questão, além de já saber como foi a gig do Slowdive ONTEM em Sampa; mais: é de BABAR nossa nova, sensacional e total delicious musa rocker, a gatíssima Flávia Dias, ulalá! Não acredita? Vai aí embaixo no post e veja com seus próprios olhos, oras (postão COMPLETÃO e AMPLIADÃO, finalizado em 20/5/2017)

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Com o rock’n’roll dos anos 2000’ definitivamente quase morto e total irrelevante, resta apelar para os veteranos como o Slowdive (acima, se apresentando ontem à noite na capital paulista) e o Kasabian (abaixo), que acabam de lançar dois ótimos álbuns

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ADEUS AO AMADO KID VINIL, NOSSO INESQUECÍVEL HERÓI DO BRASIL

Foi uma semana bastante maluca. Começou com os boiadeiros delatando todo mundo e explodindo a política nacional, não deixando nada em pé. Prosseguiu com Chris Cornell se matando aos 52 anos de idade – ironia das ironias: no dia (18 de maio) em que se completaram 37 anos da morte de outro gênio gigante da história do rock mundial, o igualmente suicidado Ian Curtis. E por fim, veio a sexta-feira. Que parecia que iria ser um dia tranqüilo, onde finalizamos o post da Zap’n’roll e o coloquei no ar, onde fomos cuidar de assuntos pessoais no centro da cidade e depois fomos tomar uma breja amiga com os mui queridos por nós Luiz Calanca e Gisélia. E sendo que depois fomos jantar num churras rodízio onde o blog faz um bom repasto todas as sextas-feiras.

Mas mais uma vez não foi uma sexta-feira normal. Quando Finaski estava saindo de casa, pouco depois das 5 da tarde, uma amiga o chamou inbox dizendo “ele se foi!”. Não entendemos muito bem e como estávamos já atrasados, desligamos o notebook e fomos para o metrô. Foi apenas quando já estávamos  caminho do centro que começamos a pensar que, há um mês e meio, nosso irmão Johnny Hansen havia partido deste mundo. E por conta desse pensamento, entramos em pânico: “será que ele TAMBÉM SE FOI?”.

Sim, ele se foi. Ao chegar na loja Baratos Afins, foi a primeira coisa que perguntamos ao Luizinho. Ele confirmou. Os olhos se encheram de água. Sim, sabemos que desse mundo ninguém sairá vivo. E pensamos muito na nossa própria morte todos os dias. Um pensamento que nos acompanha desde que éramos jovem e que agora, aos 5.4 de vida e depois de ter passado por um câncer, nos fustiga mais do que nunca – apenas IDIOTAS e pessoas de cabeça OCA (daquelas que postam imbecilidades astrológicas nos FB da vida) é que não refletem sobre a questão da finitude da existência humana.  E não, não temos medo algum da morte. Temos apenas medo de não ter tempo hábil para realizar alguns poucos projetos que ainda sonhamos em realizar. De resto temos medo é de não sair logo desse mundo horrendo, miserável, sinistro e tenebroso em que todos nós vivemos. Temos medo de ir vendo quase todos os amigos com os quais convivemos e amamos por longos anos irem embora enquanto permanecemos aqui, ficando cada vez mais velhos, caquéticos, solitários, melancólicos e angustiados.

WS52 SÃO PAULO 13/05/2015 -  ENTREVISTA / KID VINIL / CADERNO 2 - Entrevista com Kid Vinil. FOTO:WERTHER SANTANA/ESTADÃO
O amado Kid Vinil, amigo pessoal de Zap’n’roll por 30 anos: mais uma perda gigante para a cena rock brasileira

É isso. Zap’n’roll achou que seu AMIGO PESSOAL de mais de 30 anos de convivência, Antonio Carlos Senefonte, nosso mui amado por todos Kid Vinil (um artista genial e um ser humano sem igual, encantador, generoso, humilde e pra lá de atencioso e sempre super bem humorado com todos, mesmo com aqueles que ele não conhecia, daí tantas manifestações nas redes sociais de pesar pelo falecimento dele), iria se recuperar do delicado estado de saúde em que se encontrava já há um mês, desde que sofreu um AVC após um show no interior de Minas Gerais. Isso não aconteceu. E assim como Hansen nos deixou numa sexta-feira triste e desalentadora, Kid tb se foi ontem.

Rip queridão. Nunca iremos me esquecer das ótimas risadas que demos ao seu lado, dos papos que tivemos ao vivo em programas que vc apresentava nas rádios Brasil 2000 e 97fm, das discotecagens que você fez em festas noturnas promovidas pelo blog, e nem de tudo que aprendemos com você em termos de rock’n’roll (aaaaaah… aquelas fitinhas cassete que você nos gravou nos anos 90’, com os primeiros singles de umas tais bandas chamadas Oasis, Suede e Ride… quanta saudade!). Nunca, nunca iremos esquecer.

Você estará para sempre no nosso coração, esteja onde estiver agora. Quem sabe um dia a gente se encontra novamente por aí, em alguma outra estação.

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, discos, shows, filmes, livros, baladas etc)

 

***Como todos já estão sabendo, lá se foi o gigante Chris Cornell, que resolveu dar um fim na própria existência aos cinqüenta e dois anos de idade. O eterno e lendário vocalista do Soundgarden ainda estava em plena forma e era jovem ainda. Mas o blog até entende sua atitude: ele deve ter realmente ficado com o saco cheio desse mundo escroto e perenemente cinza no qual vive a igualmente escrota raça humana – um mundo onde apenas IDIOTAS encontram motivos para rir e sorrir. Rip, Chris!

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Chris Cornell: muito jovem ainda para o rock’n’roll e também para ter partido

 

***Cornell se foi. Scott Weiland também. Antes dos dois já tinham ido Layne Staley (do Alice In Chains) e Kurt Cobain. Quem restou da inesquecível geração grunge de Seattle? Eddie Veder, Mark Lanegan e a turma do Mudhoney. Por enquanto…

 

***A edição deste ano da Virada Cultural acontece neste finde (o postão zapper está sendo concluído no começo de uma chuvosa tarde de sextona, 19 de maio, em Sampa) e é provavelmente a mais fraca de todos os tempos. Atrações demais, qualidade de menos e nada impactante como nos anos anteriores. De qualquer forma dá pra “pescar” algo no meio das novecentas apresentações programadas, sendo que o blog pretende conferir as gigs do duo The Baggios e do baiano Maglore (no sábado à noite, no palco rock da rua 7 de abril), além da sempre gata Tiê (no Centro Cultural São Paulo, já na madrugada do domingo), da selvática Karina Buhr (também no CCSP, mas no domingão à tarde) e o sensacional trio rock instrumental gaúcho Pata De Elefante (novamente no palco 7 de abril, no final da tarde de domingo). Pra quem se interessar a programação completa da Virada está aqui: http://viradacultural.prefeitura.sp.gov.br/, e aqui também: https://www.facebook.com/viradaculturaloficial/?hc_location=ufi.

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Duas gatas que valem a pena ver suas gigs na Virada Cultural deste final de semana em Sampa: Tiê (acima) e Karina Buhr (abaixo)

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***Já na semana que vem, mais especificamente na quinta-feira (25 de maio) rola a festa TinyBox – No Hits, no clube Alberta (que fica no centrão de Sampa). Promovido pelo chapa e agitador cultural e dj Ricardo Lopes, o evento pretende centrar a dj set toda apenas em lados “b” e faixas esquecidas do rock alternativo dos anos 80’ até os 2000’. A proposta é bem bacana e interessante e estas linhas bloggers pretendem estar lá, sendo que todas as infos pra quem quiser conferir a balada estão aqui: https://www.facebook.com/events/635931713268902/?active_tab=about.

 

***E fechando a tampa, claaaaaro, não poderíamos deixar de falar algo sobre a HECATOMBE NUCLEAR política detonada pela delação (abastecida com áudios, fotos e filmagens) dos manos boiadeiros donos da JBS. É o FIM finalmente (e vivemos para ver este dia chegar) do desgracento vampiro bandido golpista que ocupa a cadeira de presidente desse triste bananão tropical, além do seu PARSA quadrilheiro, o COCALERO Aébrio Fezes. Se dessa vez os dois não rodarem, Zap’n’roll sinceramente DESISTE dessa porra de país. A conferir…

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OS GRANDES KASABIAN E SLOWDIVE LANÇAM SEUS NOVOS DISCOS E CONFIRMAM MAIS UMA VEZ: O ROCK’N’ROLL AINDA ESTÁ VIVO GRAÇAS A VETERANOS COMO ESSAS DUAS BANDAÇAS INGLESAS

Yep, são duas das melhores formações que o rock inglês pode oferecer ao mundo nos últimos vinte e cinco anos. E ambos os grupos lançaram na semana passada (no mesmo dia, inclusive) seus novos álbuns de estúdio. São discos distintos entre si pois o som de um grupo nada tem a ver com o outro. No entanto tanto o indie dançante e que combina guitarras com eletrônica do Kasabian quanto o shoegazer clássico do Slowdive acabam de colocar nas lojas dois discos que já podem entrar facilmente na lista dos melhores lançamentos de 2017 – e sendo que nenhum dos dois CDs deverá ganhar edição física brasileira, o que não quer dizer praticamente nada nestes tempos onde tudo pode ser escutado de graça na web. O quarteto liderado pelo vocalista Tom Meighan e pelo guitarrista Sergio Pizzorno mantém uma impressionante consistência musical e artística em “For Crying Out Loud”. Já o veterano Slowdive reaparece com um impecável e homônimo trabalho inédito, após passar mais de vinte anos longe dos estúdios.

Surgido em Reading, na Inglaterra, em 1989, o Slowdive (atualmente integrado pelos vocalistas e guitarristas Neil Halstead e Rachel Goswell, pelo também guitarrista Christian Savill, pelo baixista Nick Chaplin e pelo baterista Simon Scott) logo se destacou na então nascente cena indie shoegazer inglesa, composta por aquelas bandas cujos integrantes tocavam de cabeça baixa no palco (quase que olhando apenas para os próprios pés) e cujas melodias das canções combinavam guitarras noise com ambiências tristonhas emoldurando letras oníricas. O primeiro álbum no entanto demorou um pouco a sair e foi lançado apenas em 1991, recebendo boa aceitação por parte da imprensa e do público. Com os dois discos seguintes (editados em 1993 e 1995) o Slowdive consolidou sua posição no cenário alternativo britânico e se tornou uma espécie de cult band até interromper sem grandes explicações suas atividades no mesmo ano em que lançou seu terceiro trabalho de estúdio. O conjunto ficou então quase duas décadas inativo e voltou a fazer apresentações ao vivo em 2014. E agora, vinte e dois anos depois do lançamento do último disco inédito, a banda finalmente mostra ao mondo rock que seu shoegazer noventista não ficou datado. Pelo contrário, está mais bonito e atual do que nunca e se mostrando imensamente necessário no atual esmaecido rock’n’roll planetário.

“Slowdive”, o álbum, mantém todos os procedimentos musicais que seduziram fãs e crítica no início dos anos 90’. São apenas oito canções e nelas estão as melodias contemplativas, melancólicas e bucólicas, os vocais lassos e vaporosos e as guitarras estridentes e tratadas com pedaleira. Essa ambiência resulta em momentos sublimes como o single “Star Roving”, seguramente uma das músicas mais bonitas já compostas pelo grupo e também candidata a um dos singles deste ano. Mas há mais no cd: “Sugar For The Pill” é de uma candura, docilidade, e bucolismo tristonho que encantam alma e coração do ouvinte, com seu baixo poderoso e sua condução melódica suave. Uma faixa com elementos sonoros preciosos e que praticamente inexistem no rock atual, que parece ter desaprendido como compor grandes músicas. E o Slowdive, ao contrário, manteve sua qualidade e seu conhecimento composicional inalterado, sendo que “No Longer Making Time” e “Falling Ashes” (que encerra o disco com seus oito minutos de impressionante clima melancólico, bordada com as notas oníricas e reflexivas de um piano que parece ser a reprodução sonora de uma alma tingida de inefável matiz cinza) demonstram isso de forma inebriante e inquestionável.

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Os novos discos do Slowdive (acima) e Kasabian (abaixo): dois veteranos que ainda trazem relevância e dignidade ao rock

 

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E o também já veterano Kasabian? Retorna com fôlego ultra renovado nesse mega dançante (mas também eivado de guitarras envenenadas) “For Crying Out Loud”, que levou três anos para ser lançado e sucede o igualmente muito bom “48:13”, editado em 2014. Já com duas décadas de existência o quarteto formado em 1997 na cidade inglesa de Leicester por Tom Meighan (vocais), Sergio Pizzorno (guitarras e vocais, além de principal compositor do grupo), Chris Edwards (baixo) e Ian Matthews (bateria) lançou até o momento seis álbuns de estúdio que nunca foram menos do que bons. A estréia em disco em 2004 com o homônimo “Kasabian” já colocou o conjunto em evidência entre crítica e público muito por conta das ótimas composições engendradas por Pizzorno, que habilidosamente mixava guitarras algo psicodélicas com melodias dançantes e bordadas com ambiências eletrônicas. Foi assim que a banda fez estourar seu primeiro hit, “Club Foot”, recriando no Reino Unido o mesmo clima de uma década antes, quando os Stone Roses também lançaram mão da mesma fórmula musical para chegar ao topo do rock inglês. Inclusive não deixou de haver quem enxergasse no Kasabian um êmulo do grupo do vocalista Ian Brown.

Mas o quarteto mostrou nos quatro discos seguintes que possuía uma personalidade musical muito forte e própria, notadamente no cd “Velociraptor!”, lançado em 2011. E agora consegue exibir novamente coleção de canções empolgantes e que já tornam este “For Crying…” um dos candidatos a figurar na lista dos melhores álbuns de rock deste ano. Sendo que não há nenhum grande segredo aqui: o Kasabian apenas procurou reeditar o que já vem fazendo muito bem há vinte anos. Assim o cd abre já em clima de total party com “III Ray (The King)” e prossegue dessa forma no primeiro single de trabalho, “You’re In Love With A Psycho”. “Good Fight”, “Wasted” e “Comeback Kid” mantém em temperatura elevada o clima de combustão reinante no trabalho, que exibe o grupo flertando também com nuances de reggae (em “Sixteen Blocks”) e resgatando o clima “madchester” dos tempos de “Fools Gold” (dos Stone Roses) nos mais de oito de minutos de “Are You Looking For Action”, que combina à perfeição guitarras, mezzo psicodelia e ritmo dançante. Melhor impossível.

Trata-se enfim, de um trabalho que desvela a grande capacidade do Kasabian em manter-se relevante em um tempo onde bandas não duram absolutamente nada e onde a sonoridade dos discos se torna obsoleta e enferrujada em questão de semanas. Pois este espertíssimo e ótimo “For Crying Out Loud”, em que pese sua capa bastante cafona (mostrando o velhote que é o road chefe do conjunto se debulhando em lágrimas), está bem longe da ferrugem. E mostra que o Kasabian felizmente continua sendo um dos grandes nomes do rock inglês dos anos 2000’.

 

 

O TRACK LIST DO NOVO ÁLBUM DO SLOWDIVE

1.”Slomo”

2.”Star Roving”

3.”Don’t Know Why”

4.”Sugar for the Pill”

5.”Everyone Knows”

6.”No Longer Making Time”

7.”Go Get It”

8.”Falling Ashes”

 

 

E O TRACK LIST DO NOVO KASABIAN

1.”Ill Ray (The King)”

2.”You’re in Love with a Psycho”

3.”Twentyfourseven”

4.”Good Fight”

5.”Wasted”

6.”Comeback Kid”

7.”The Party Never Ends”

8.”Are You Looking for Action?”

9.”All Through the Night”

10.”Sixteen Blocks”

11.”Bless This Acid House”

12.”Put Your Life on It”

 

 

OS NOVOS DISCOS DAS DUAS BANDAS AÍ EMBAIXO, NA ÍNTEGRA

 

 

E OS VÍDEOS DOS NOVOS SINGLES DE AMBAS

 

 

SLOWDIVE AO VIVO EM SP ONTEM, DOMINGO

Yep. A cult band shoegazer inglesa se apresentou na noite de ontem em Sampa. O blog acompanhou a gig e relata em detalhes como foi ela, através do texto do nosso colaborador Pedro Damian. Leia abaixo.

 

Precisamos falar de Slowdive

 

(Por Pedro Damian, especial para Zap’n’roll)

Serei honesto: quando decidi abrir o blog Shoegazer Alive em 2008 e comecei a compartilhar músicas do estilo shoegaze, um dos meus objetivos era tornar o gênero conhecido a ponto de criar um zumzum que chegasse aos ouvidos dos ícones (My Bloody Valentine, Slowdive, Ride, Swervedriver) e de alguma forma os motivasse a voltar à ativa – visto que todos seus membros estavam em outros projetos. A febre dos blogs na época instrumentalizou outros ativistas musicais a fazer o mesmo e 9 anos depois estou aqui, em pleno dia das mães, em frente ao palco do Cine Jóia, em São Paulo, onde o Slowdive se apresenta pela primeira vez no Brasil, fechando a terceira edição do Balaclava Fest. Posso dizer que a meta está mais que alcançada.

O Slowdive foi formado em Reading, Inglaterra, no final dos anos 80, por Neil Halstead (vocal e guitarra), Rachel Goswell (vocais, guitarra, teclado e pandeiro), Nick Chaplin (baixo), Christian Savill (guitarra) e Simon Scott (bateria). Sua discografia é composta por 4 trabalhos: Just For A Day (1991), Souvlaki (1993) e Pygmalion (1995) e o recente Slowdive, lançado no último dia 5. A banda encerrou o mesmo festival que trouxe em 2016 o Swervedriver, outro ícone shoegazer, mas de menor dimensão que o Slowdive. Muitos fãs que conheceram os ingleses via blog estavam no Cine Jóia, assim como os veteranos como eu que tiveram seu primeiro contato por meio de programas de rádio antenados (do mestre Kid Vinil, por exemplo, à época na Brasil 2000) e depois foram comprar os CDs importados em lojas especializadas (em São Paulo na Galeria do Rock e na Galeria Presidente). Analisando a imensa fila que se formou à porta do local

momentos antes da abertura das portas, previ que começado o festival dificilmente encontaria aqueles bocós que vemos normalmente em grandes festivais, de costas para o palco, fazendo selfies com caretas estúpidas e se preocupando mais em encher a cara do que com o que se passa no palco. Errei em parte. Sempre vai ter um ou outro boçal pra encher o saco de quem gosta de música. Porém, neste festival foram em número reduzido. Ainda bem.

A programação do terceiro Balaclava Fest foi variada e interessante. Abrindo os trabalhos o duo americano de guitarpop Widowspeak apresentou músicas de seus três discos (Widowspeak, de 2011, Almanac, de 2012, All Yours, de 2015) e do EP The Swamps, de 2013. Formada pela dupla Molly Hamilton (voz e guitarra) e Robert Earl Thomas (guitarra), que ao vivo costuma se apresentar com o baixista Willy Muse e o baterista James Jano (os quais não vieram para este show no Brasil, deixando só a dupla no palco), agrada pela baladas agridoces, quase folksters, que ganham suavidade com a bela voz de Molly. O ponto alto da apresentação ocorreu quase no final, na penúltima música, com uma versão arrebatadora de Wicked Game, tema do seriado Twin Peaks e que ficou famosa na voz de Chris Isaak.

Na sequência o indie americano do Clearance trouxe repertório baseado no último disco Rapid Rewards, de 2015, e algumas músicas novas. Ao vivo, Mike Bellis

(vocal e guitarra), Kevin Fairbairn (Guitarra), Greg Obis (baixo) e Arthur Velez (bateria) mostraram o mesmo que no disco citado. Se você ouve a música e não sabe quem está tocando, vai dizer que é Pavement. As mesmas inflexões vocais do Stephen Malkmus, as mesmas guitarras quebradas, mesma seção rítmica, estrutura das músicas… Já as músicas novas fogem um pouco desse quase plágio, colocando um pé no indie rock mais tradicional. Quem ama esse tipo de som como eu, adorou. Quem não conhecia bem ou não gostou deu as costas e foi tomar uma cerveja.

Missão terrível coube ao E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, banda paulistana de post-rock, formada por Lucas Theodoro, Luden Viana, Luccas Villela e Rafael Jonke, que viria a seguir: atrair a atenção do público que, naquela altura estava voltada para o show principal. O trabalho instrumental é refinado. Percebe-se que as músicas – poucas e longas – são bem trabalhadas e a banda deu o seu melhor para levantar o público, que a esta altura já lotava o Cine Joia. E conseguiu entusiasmar boa parte da galera, principalmente nas músicas mais pesadas, que flertam com o post-metal. Taí uma banda de futuro, ao menos no estreito nicho que atua, o rock instrumental. Terminado o show, encontro com duas grandes figuras desse segmento, Lucas Lippaus e Elson Barbosa [nota do editor do blog: mais conhecido como Elson BarBOSTA, rsrs], membros do Herod e capitães do selo Sinewave, especializado nesse tipo de som. Embora contente com a apresentação do E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, Elson vaticinava o que esperava do show do Slowdive: “Vai ser lindo!”. A presença de vários músicos de post-rock no show do Slowdive não é à toa. Mesmo na

Inglaterra a banda é considerada como uma precursora do gênero, com suas canções em que o instrumental predomina sobre as letras e as estruturas musicais rebuscadas. Muitos consideram o terceiro álbum, Pygmalion, o primeiro disco de post-rock.

Um dos destaques do Balaclava Fest foi a pontualidade. Todos os shows começaram, se não na hora, poucos minutos depois do agendado. E o Slowdive, à maneira e à educação de seu país de origem, entrou com uma pontualidade britânica, às 21:20, como estava previsto pela organização do festival. Antes de passar ao setlist, algumas considerações gerais sobre o Slowdive e seus membros. A entrada triunfal de Rachel e o carinho com que foi recebida pelo público não deixa dúvidas: ela é a líder, a cara e o coração do Slowdive. Afastada dos palcos por 6 anos, devido a um problema no ouvido – que quase abreviou sua carreira – retornou timidamente à música como convidada especial de shows acustícos feitos pelo amigo Neil Halstead, em 2013 (isso é fácil de achar no youtube). Nem parece a Rachel de hoje: carinha de nerd, óculos… aparência quase de uma estudante ou dona de casa. No palco do Cine Joia, Rachel foi um vulcão: tocou

teclado (instrumento introduzido neste retorno da banda), pandeiro, guitarra, e, claro, nos brindou com sua belíssima voz! Por sinal, nas músicas novas, há uma gritante diferença nos vocais: Rachel “roubou” partes que no disco eram cantadas apenas por Neil. Interessante que seu entusiasmo contrasta com a frieza de grande parte das músicas do Slowdive, que, definitivamente, não foram feitas para o agito.

Já Neil Halstead, que costuma ser contido e bastante tímido nas apresentações, demonstrou uma simpatia e desinibição inesperados. Se Rachel é o coração da banda, Neil é o poeta. O construtor das letras que são feitas para se harmonizar musicalmente com as melodias. Seu talento nesse sentido é mais perceptível no Mojave 3, banda paralela que mantém com Rachel, aonde a tristeza das letras dão sentido às canções. Na guitarra ele é o número 2, que participa em alguns solos e no “wall of sound” das músicas características do Slowdive.

Já o engenheiro por trás do “wall of sound” da banda é Christian Savill, a guitarra número 1 e de onde saem os timbres que sustentam as melodias e caracterizam o som do Slowdive. Todos os sons mais agudos e os principais reverbs saem de lá. Seu trabalho é quase matemático… a elaboração de camadas e camadas de timbres, e noise de todos os tipos.

A “cozinha” do Slowdive, formada por Nick Chaplin (baixo) e Simon Scott (batera), devido à característica da banda, sempre ficou em segundo plano. Mas nas

novas músicas isso mudou. Não que o noise tenha sido deixado de lado em “Slowdive” em favor de músicas mais “pop”. Mas a participação do baixo e bateria ficou mais evidente. Até houve o caso de um pocket show realizado nos Estados Unidos em que o baixo do Nick foi mixado à frente das guitarras em Star Roving, em uma versão acelerada da música. Foi uma experiência única e que ficou bem interessante. No Brasil, entretanto, a versão tocada foi a do disco.

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O Slowdive ao vivo ontem em Sampa: emocionando a velha guarda shoegazer (foto divulgação)

O show no Brasil foi aberto com Slomo, a mesma música que abre o disco novo (que para mim deveria ser o título de Star Roving, que tem mais a ver – entendendo-se Slomo como uma junção dos nomes das bandas Slowdive e Mojave 3). A música mantém o mesmo ritmo lento das canções do Slowdive, com poucos momentos de noise, vocais esparsos de Neil e Rachel. A guitarra de Christian Savill conduz toda a canção, com seus timbres agudos e melódicos. Na sequência,  as duas primeiras músicas do Slowdive, incluídas no EP homônimo de 1990: “Slowdive” e “Avalyn”. Ambas trazem o wall of sound que caracterizou o shoegaze em seus primórdios: a primeira mais pop, com estruturas bem definidas, e a segunda mais viajante, com ampla passagem instrumental. “Catch the Breeze” encerra esse bloco das antigas, trazendo outro shoegazer clássico, inserido no álbum Just For A Day, de 1991. Foi a primeira música em que o público começou a se manifestar. Até então todos (exceto aqueles de sempre que vão aos shows para conversar e infernizar a vida dos outros, como pode ser comprovado em vídeos do show que upei no Youtube) estavam curtindo o show em silêncio.

“Crazy For You”, a música que se segue e que tem apena uma frase (Crazy for lovin’ you, repetida 9 vezes), mostra a incrível versatilidade de Neil em brincar com a sonoridade das palavras e estruturas musicais. Uma das músicas mais rápidas do set, com pouco mais de 4 minutos. Faz parte do terceiro álbum, Pygmalion, o mais experimental da banda. A seguir, um novo clássico, “Star Roving”, certamente a música do Slowdive com ritmo mais acelerado. Lembra muito Mojave 3, projeto paralelo de Rachel e Neil. O público respondeu com entusiasmo. Pela receptividade das músicas novas, o Slowdive fez uma grande jogada para se reinventar e manter-se relevante no atual cenário musical.

A sétima música continuou a missão de manter os espectadores agitados. “Souvlaki Space Station”, do segundo álbum, “Souvlaki”, mostra o lado space rock do Slowdive, gênero em que eles também mostram maestria, com um vasto repertório de efeitos. A seguir, outra música nova, “No Longer Making Time” que, junto com “Sugar For A Pill” dá a cara do novo Slowdive: ainda com ritmo lento, quase arrastado, com passagens quase minimalistas mescladas com um arranjo vocal perfeito entre Neil e Rachel.

Dagger, de Souvlaki, quebrou totalmente o ritmo da apresentação e surpreendeu a todos, inclusive a mim. Neil pegou sua guitarra e cantou a emotiva balada sem auxílio de outros instrumentos, inclusive pedais. Momento “acústico” do Slowdive. No final, até Neil bateu palmas para a platéia (alguns cantaram junto a letra).

As 4 músicas subsequentes foram o ponto alto do show. Alison, a bela música que abre Souvlaki, e que parece ter sido composta na fase anterior da banda, do shoegaze clássico do primeiro álbum (Just For A Day), ouriçou o povão (ao que parece Souvlaki era o favorito da galera). Muita gente cantando junto. Sugar For the Pill, uma das melhores do novo álbum, também conquistou uma receptividade surpreendente. Para mim é a melhor música do ano até agora. Mais uma vez, Rachel divide os vocais com Neil (enquanto no álbum, só aparece a voz do cantor). A seguir viria o que eu consideraria o ponto alto do espetáculo (até a música seguinte): When the Sun Hits, provavelmente a música mais conhecida do Slowdive. A perfeição de sua execução, o brilhante “wall of sound” entre

estrofes e refrão, faziam com que acreditasse que estava certo em minha previsão.

Não estava. Mesmo já tendo ouvido à exaustão tanto “When the Sun Hits” como “Golden Hair”, a cover de Syd Barret com que fecharam o show no set normal, não achava que a homenagem que fizeram ao ex-Pink Floyd soasse tão emocionante ao vivo. Que me desculpem Kevin Shields e Mark Gardner (os quais criaram impressionantes “wall of sounds” nas apresentações das músicas You Made Me Realize e Drive Blind, do My Bloody Valentine e Ride, respectivamente). Mas os seis minutos instrumentais de Golden Hair somam ao caótico noise ensurdecedor das músicas citadas das outras bandas shoegaze uma emoção que só grandes artistas conseguem criar.

Uma pausa para tomar água e o Slowdive volta para as duas músicas finais. “She Calls”, do terceiro EP da banda, Morningrise, de 1991, apesar de ser da fase inicial da banda mostra caminhos instrumentais que seriam retomados em Pygmalion. Muito noise, vocais esparsos, porém mais “desesperados” que o normal por parte da Rachel. Para encerrar, “40 Days”, do Souvlaki, encerra uma apresentação magnífica com chave de ouro. Uma das canções mais pop e mais emocionais escritas por esse gênio chamado Neil Halstead.

Uma noite gloriosa para os fãs de música, que poderia ter sido um pouco mais satisfatória por conta de algumas características típicas de shows em São Paulo e que parecem não mudar nunca. Primeiro, o preço das bebidas: uma latinha de Bud por 13 dilmas e Stella por 15 é um absurdo. Segundo: estacionamentos ao redor que fecham às 11 da noite (exata hora do encerramento dos shows). Como tive que sair para pegar o carro, não foi possível tentar conseguir uma foto com a banda nos camarins. Paciência.

O que o Slowdive mostrou compensa qualquer frustração. Oferece um estado de êxtase que compensa os aborrecimentos do dia a dia, cada vez mais frequentes.

 

***Pedro Damian, 51 anos de idade, é jornalista, fã de shoegazer britânico dos anos 90’ e editor do blog Shoegaze Alive (https://shoegazeralive9.blogspot.com.br/).

 

***O blog quer deixar registrado aqui que lamenta o profundo menosprezo e falta de atenção (além de também falta de respeito e educação) com que a produtora do show do Slowdive, Balaclava, tratou estas linhas zappers. Entramos em contato com os sócios da produtora (os músicos Fernando Dotta e Raphael Farah) em busca de infos sobre credenciamento para o evento. E nenhum dos dois sequer se dignificou a responder algo. Faz parte e pelo menos temos nesse post uma excelente cobertura da gig, através do ótimo texto do amigão Pedro Damina. Por certo a Balaclava só se importa em ganhar dinheiro com seus festivais e não faz questão que eles sejam cobertos jornalisticamente por um blog como Zap’n’roll, que tem cerca de 70 mil acessos mensais.

 

 

SLOWDIVE AO VIVO ONTEM EM SAMPA

Em dois momentos da gig, registrados no YouTube por Pedro Damian.

 

HÁ VINTE ANOS O RADIOHEAD LANÇAVA A OBRA-PRIMA “OK COMPUTER”, UM DOS ÚLTIMOS GRANDES DISCOS DA HISTÓRIA RECENTE DO ROCK

É realmente incrível como, à medida em que vamos envelhecendo, os anos parecem avançar de maneira muito mais rápida. Meteórica, até. É o caso dos últimos 20 anos da vida do autor destas linhas bloggers rockers: 1997 parece que foi ontem. E no entanto muita coisa mudou no mundo e na nossa existência nessas duas décadas.

Onde você estava em 21 de maio de 1997? Bien, este já velho jornalista rocker (e ainda loker) havia acabado de se mudar para uma república de estudantes no bairro da Liberdade, centrão selvagem e loki de Sampa (uma das piores fases da nossa vida quase sempre loka: sobrevivendo de frilas jornalísticos esporádicos, morando numa república, fumando crack etc. Mas mesmo assim, as BOCETAS não faltavam rsrs). E na Inglaterra o quinteto Radiohead estava lançando o disco que o tornou definitivamente mega banda: “Ok Computer”, talvez um dos últimos grandes álbuns da história recente do rock’n’roll mundial.

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O quinteto inglês Radiohead (acima) e sua obra-prima, “Ok Computer” (abaixo): um dos últimos álbuns seminais da história recente do rock mundial

CAPARADIOHEADOKCOMPUTER

 

O grupo liderado pelo eternamente estranhíssimo vocalista e letrista Thom Yorke vinha de dois trabalhos muito bem sucedidos (“Pablo Honey” e “The Bends”) mas que ainda meio que aprisionavam o conjunto na estreita redoma do indie guitar rock. Foi quando Yorke e o restante da turma literalmente piraram, soltaram suas amarras musicais e deu no que deu: “Ok Computer” era (e continua sendo) uma obra-prima sem igual. Ampliou os horizontes musicais do grupo quase ao infinito, e fez a transição perfeita entre o indie guitar inicial da banda e a sonoridade experimental e o art rock que a partir de então seria a marca registrada deles – e que, sejamos honestos, rendeu discos bem sacais na trajetória do Radiohead, como os posteriores “Kid A” e “Amnesiac”, progs demais pro gosto zapper.

Mas “Ok Computer” permanece, 20 anos após seu lançamento, como marco definitivo da trajetória do “Cabeça de rádio”. O disco que tem “Paranoid Android”, “Airbag”, “No Surprises” e, principalmente, a imbatível “Karma Police”. Yep, depois dele o quinteto ainda lançou trabalhos dignos de nota (“Hail To The Thief”, “In Rainbows”, o recente “A Moon Shaped Pool”), um único realmente ruim (“The King Of Limbs”) e segue na ativa – inclusive está em turnê mundial de promoção do último disco e talvez apareçam novamente aqui em 2018. Fica a nossa torcida em relação a isso. E para celebrar as duas décadas de “Ok Computer”, nada melhor do que escutar novamente essa obra-prima, que está aí embaixo na integra.

 

 

OS DIAS ERAM ASSIM EM 1997, QUANDO “OK COMPUTER” FOI LANÇADO

***não havia internet, cels, apps e redes sociais no mundo em 1997. E por isso mesmo, definitivamente, o ser humano era mais feliz, menos solitário, menos egoísta, menos careta e mais liberal.

 

***mas Thom Yorke previa justamente um mundo sombrio, dominado por computadores e bastante desajustado nas relações humanas, nas letras das canções de “Ok Computer”.

 

***o disco era complicado e difícil, não restava dúvida quanto a isso. A gravadora do grupo (a Parlophone) ficou decepcionada com o material entregue pela banda e previu que o álbum seria um fracasso de vendas. Pois “Ok Computer” emplacou nada menos do que quatro singles nas paradas e rádios do mundo inteiro. E é até hoje o disco mais vendido da história do Radiohead. Ou seja: os ouvintes de música mundo afora também eram mais inteligentes e cultos naqueles tempos. E se tornaram muito mais BURROS de 20 anos pra cá.

 

***como o blog conheceu “Ok Computer?”. Bien, Finaski já conhecia o Radiohead, óbvio. Mas não era nenhum fã de carteirinha do conjunto. Foi quando começou a ter um “affair” com uma magrela de bunda e peitos miúdos que morava no bairro do Belém, começo da zona leste de Sampa, e que AMAVA ser fodida no cu pequeno pela grossa rola fináttica, rsrs. Ela nem era muito bonita. Mas tinha uma cultura elevadíssima para a sua pouquíssima idade (20 anos). E literalmente AMAVA o Radiohead. Foi de tanto freqüentar sua casa e ouvir zilhões de vezes “Ok Computer” na sua cia que o sujeito aqui acabou se rendendo à genialidade do disco.

 

***em Sampa a maior lenda do circuito alternativo noturno da cidade estava chegando enfim ao fim: o Espaço Retrô (só quem freqüentou e viveu momentos inesquecíveis e incríveis ali sabe o que aquilo significou em nossas vidas e em nossos anos jovens) fechou suas portas em 1998. Ano em que o Radiohead acabou também se transformando em febre por aqui.

 

***uma febre tão grande que levou este Finaski a sugerir ao nosso eterno e amado Pomba (então “editador-chefe” da edição impressa da revista Dynamite, uma das principais publicações de rock do Brasil naquela época) que déssemos uma CAPA para a banda na revista. Essa capa veio na última edição de 1998, em texto/perfil do grupo assinado por Zap’n’roll e complementado por uma entrevista exclusiva que o nosso então correspondente em Londres, Celso Barbieri, conseguiu com o vocalista Thom Yorke.

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A extinta revista alternativa Dynamite e sua edição de dezembro de 1998: a capada publicação registrou a explosão mundial (Brasil incluso) de popularidade do Radiohead

***yep, não existem mais bandas como o Radiohead nos anos 2000’. Nem discos como “Ok Computer”. E muito menos revistas como a saudosa Dynamite – na boa: a imprensa musical e rock brasileira literalmente ACABOU. Ou você ainda duvida disso?

 

 

MUSA ROCKER TOTAL DELICIOUS – A LINDAÇA E GOSTOSASSA FLÁVIA DIAS

Nome: Flavia Dias.

Idade: 38 e alguns quebrados.

De onde é: São Paulo.

Mora onde e com quem: Moro na masmorra de um castelo com um dragão caralhudo.

O que faz: Escrevo e leio almas. E nos intervalos, se pedir com jeitinho, eu faço tudo.

O que estudou: O único diploma que tenho não serve pra porra nenhuma. E me recuso dizer que tenho ensino médio completo porque pra mim, nada que é médio pode ser completo. E vou dizer-lhes mais: em meio livro do Dostoiévski aprendi muito mais do que em todas as escolas que estudei. A minha ignorância vem do bolso mesmo, porque acho que nem berço eu tive. Enfim, eu leio.

Três discos: Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets. (E de preferência com muitos Baurets),

Uah Bap-Lu-Bap-Lah-Béinn-Bum!  (Toca Raul!! ) e Beggars Banquet (The Rolling Stones (porque aquela noite foi incrível)

Três bandas ou artistas: Rita Lee, Janis Joplin, Rolling Stones.

 

Três filmes: Psicose, Taxi Driver, Um estranho no ninho.

Três diretores: Quentin Tarantino, Charlie Chaplin, Steven Spielberg.

Três livros: Notas do Subsolo (Dostoiévski), Pergunte ao pó (John Fante), Misto Quente (Bukowski).

Um show inesquecível: Inesquecível mesmo foi o primeiro. Titãs. Eu tinha uns doze anos, e até hoje me arrepio quando lembro da multidão mandando as oncinhas pintadas, as zebrinhas listradas, e os coelhinhos peludos se fuderem. Foi mágico. Acho que nem foi o show mais foda que eu fui, mas foi o único que eu estava sóbria, deve ser por isso que eu lembro.

Como o blog conheceu Flavinha: ela é super amiga de uma outra amigaça (e também musa rocker) zapper, a escritora e roteirista Juliana Frank. Foi assim que, algum tempo atrás, o velho jornalista ainda loker conheceu a morenaça pessoalmente, quando todos estavam “derrubando” algumas brejas no bar Cemitério de Automóveis, do dramaturgo Mário Bortolotto. Conheceram e não se desgrudaram mais: o blog estava no último finde no apê de Flávia, tomando um ótimo cabernet sauvignon chileno e admirando sua incrível coleção de livros (ela é fã dos russos e dos beats americanos, entre outros). Mas enfim, chega de papo, rsrs. Podem preparar as bronhas, ulalá! Aí embaixo o ensaio fodástico de miss Flávia, em imagens registradas pelo seu Love boy, o fotógrafo Daniel Inácio.

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Ela ama (assim como o blog também ama) os Stones

 

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Ela ama Allen Ginsberg

 

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Ela ama vinho e letras

 

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Ela ama se desnudar e refletir

 

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Ela AMA nos provocar e nos enlouquecer

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E FIM DE PAPO

Postão já está gigantão, néan? Então ficamos definitivamente por aqui porque a sextona já chegou e tem Virada Cultural em Sampa nesse finde. De modos que deixamos para o próximo post (sem falta!) uma análise mais bacana sobre o novo álbum do Vanguart (“Beijo Estranho”) e também sobre a estréia em cd da banda surf instrumental paulistana Pultones, sendo que o disco deles está em sorteio lá no hfinatti@gmail.com.

Beleusma? Então é isso. Logo menos voltamos aqui com postão inédito do blog que há catorze anos se mantém como um dos campeões de audiência da blogosfera brazuca de cultura pop. Até mais!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 19/5/2017 às 15hs.)

Maio outonal chegou e com ele uma das festas rockers mais lendárias e clássicas da noite alternativa paulistana celebra suas quase duas décadas de existência! O Grind, comandado pelo super DJ André Pomba, chega aos dezenove anos em novo local e neste post especial o blog zapper relembra essa trajetória contando claaaaaro algumas histórias realmente absurdas, malucas e bizarras que aconteceram por lá, todas obviamente repletas de sexo, drogas e rock’n’roll; entre essas histórias aquela que compõe um capítulo inédito do livro idem “Escadaria para o inferno” e que publicamos aqui com exclusividade: a noite/madrugada em que Evan Dando, ex-líder e vocalista do célebre grupo americano Lemonheads, ficou total “bicudo” de cocaine na pista do Grind após ter sido “servido” com “farinha” pelo jornalista “dublê de dealer” – esse aqui mesmo, ulalá!

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Duas bandas clássicas e imbatíveis na preferência da garotada que freqüenta a badaladíssima festa Grind há quase duas décadas: o saudoso e inesquecível quarteto punk Ramones (acima) e o também extinto Hole (abaixo), aquele mesmo da cadelona e viúva de Kurt Cobain, Courtney Love

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MICROFONIA – REVERBERANDO A CULTURA POP

(com shows, discos, livros, filmes, baladas, festivais etc.)

 

***SOBRE O FESTIVAL SP TRIP, OS INGRESSOS COM PREÇOS EXTORSIVOS E A VELHARIA QUE VAI TOCAR NELE – É ÓBVIO (e não havia dúvidas quanto a isso) que o valor cobrado pelos tickets é um ASSALTO ao bolso de quem pretende ir na parada, e isso já era mais do que esperado dada a já secular ganância sem tamanho que permeia a atuação de produtoras de shows internacionais no Brasil. Mesmo com o país estando falido e no buraco o SP Trip terá ingresso custando 780 mangos (a pista Premium, para todas as noites). A conta é simples: com o dólar na faixa dos três reais (vamos arredondar a cotação porque ela muda todo dia) isso significa que quem quiser tentar ir na famigerada pista premium vai ter que desembolsar quase 300 DÓLARES por ela POR DIA, ao cambio atual. E nunca é demais lembrar: shows e festivais do mesmo porte na Europa e Estados Unidos (onde tudo geralmente é muito mais bem organizado do que aqui em termos de estrutura, transporte, atendimento ao público etc.) têm ingressos cujo valor máximo dificilmente ultrapassa os 100 dólares. Mas aqui é o triste bananão tropical, sempre. A terra da Lava Jato, da república da Odebrecht e do fã de música OTÁRIO, que sempre será ROUBADO no seu bolso por produtoras espertalhonas porque elas sabem que esse bando de IDIOTAS (aqueles que vão a gigs) paga MESMO o que elas cobram por shows gringos. Afinal hoje em dia apenas uma pequena parte do público que vai a estes festivais está ali e gastou sua grana suada por amor real à música e às bandas que estão tocando. O grosso de quem está lá só quer sair bem na balada e na selfie, pra depois postar no FaceMERDA e fazer INVEJA nos amigos. Que be le za, hein! Sobre o line up do SP Trip? O blog poderia escrever um livro aqui sobre o que pensa. Mas vamos tentar resumir a ópera, analisando cada dia da escalação divulgada:

 

***21 de setembro (quinta-feira), com The Who, The Cult e o tal Alter Bridge. Talvez seja a única noite que valha mesmo a pena ir nesse autêntico PARQUE JURÁSSICO de velhos gagás, gordos, flácidos e balofos do rock’n’roll. Yep, o Who também está velhão, caindo aos pedaços e é hoje apenas MEIO Who original (com Roger Daltrey e Pete Townshend). Mas nunca veio ao Brasil, é a última grande banda da história do rock que nunca havia tocado aqui e são um dos nossos heróis eternos no rock mundial. The Cult? Vimos um show inesquecível deles em 1991, no ginásio do Ibirapuera/SP, que lotou até o teto. O grupo estava no auge e a gig foi fodástica. Hoje estão mais caídos e por baixo do que a banda do Zé ruela da esquina. Mas vamos dar o beneficio da dúvida ao grupo, mais uma vez. Alter Bridge? Jornalistas não são obrigados a conhecer tudo e reconhecemos nossas limitações: não sabemos quase nada sobre eles e nem fazemos questão de saber.

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O gigante The Who: talvez a ÚNICA atração que vale a pena no festival SP Trip

***23 de setembro (sábado), com Bon Jovi e… The Kills (hã???)! Pois então (e lá vem a opinião surpresa fináttica): se tem alguém que envelheceu com alguma DIGNIDADE (em disco e ao vivo) nessa parada foi justamente (quem diria…) o Bon Jovi. Eles sempre mandaram mega bem ao vivo e você pode DETESTAR o grupo (não tenho quase nenhuma simpatia pela obra musical dele) mas não pode NEGAR isso. Tanto que vimos um show arrasa quarteirão deles em janeiro de 1990, no festival Hollywood Rock, quando botaram o lotado estádio do Morumbi abaixo. The Kills abrindo? É talvez o lance mais BIZARRO de todo o festival. Iríamos lá apenas pra ver a dupla, que adoramos. Mas achamos que o Kills vai é se foder tocando num estádio gigante e ainda por cima diante de uma platéia HOSTIL à espera de Jon Bon Jovi e Cia.

 

***24 de setembro (domingo), com Aerosmith e Def Leppard. Meo deos, chega de Aerosmith aqui, não? Já deram o que tinham que dar e o blog mesmo os viu por duas vezes (em 1994, foi sensacional, e depois em 2007, já não tão bom como na primeira vez). Deff Lepard??? Porran, quem precisa gastar grana com esse leopardo surdo chumbrega, geriátrico e representante do que de PIOR existiu no hard rock/heavy merdal britânico dos anos 80’? Só não ganha como PIOR noite do festival porque ainda tem a última, aí embaixo.

 

***26 de setembro (terça-feira), com Guns ‘N MERDA e Alice Cooper. Só mesmo OTÁRIOS, IMBECIS COMPLETOS e FANÁTICOS pra gastar 780 pilas e ir no estádio do Palmeiras nessa noite. Guns é aquela decadência total (mesmo contando novamente com Slash nas guitarras) que todos nós já sabemos, com Axl baleia branca velho, barrigudo e sem voz no palco, tudo isso transformando a banda em cover de si mesma – e cover dos piores. Tia Alice? Porran, já foi tão relevante na história do rock e hoje em dia… se esqueceu da aposentadoria e fica passando vergonha alheia pelos palcos do mundo, rsrs.

 

***Que mais? Sextona véspera de feriadão movimentadíssima, néan? No Brasilzão, greve geral (FORA TEMER!). E no mondo pop estão saindo os novos álbuns do Mark Lanegan, da Feist e do grupo virtual Gorillaz (yep, ele ainda existe). Fora o novo do Kasabian (um dos grupos prediletos destas linhas rockers bloggers na geração de 2000’ pra cá), que seria lançado hoje também mas foi adiado pra semana que vem. Bien, está tudo pra audição no Spotify já, e na medida do possível iremos comentando melhor todos por aqui, ok?

 

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GRIND, A SUPER DOMINGUEIRA ROCKER MAIS BADALADA DA NOITE UNDER PAULISTANA, CHEGA AOS 19 ANOS COM FÔLEGO RENOVADO

Em uma área tão volátil, volúvel e imprevisível como a cena cultural noturna de uma grande metrópole (com seus bares, restaurantes, casas de shows e clubes para dançar) uma festa (ou evento) voltada para um nicho específico de público (o que curte rock alternativo e cujo grosso dos freqüentadores pertence à comunidade lgbt) permanecer na ativa ininterruptamente por quase vinte anos é uma raridade, ainda mais nesses tempos de falência econômica do país e onde bares e casas noturnas abrem e fecham diariamente aos borbotões e num piscar de olhos. Pois o já mais que longevo Grind – a rock project for mix people, conseguiu a façanha. Criado e comandado por André Pomba (um dos DJs mais conhecidos da noite paulistana) no longínquo ano de 1998, o Grind reinou absoluto nas noites de domingo por quase duas décadas no clube A Lôca. Agora em novo endereço há menos de um mês (no Espaço Desmanche, na rua Augusta, próximo ao centro de Sampa) a festa tem a missão de permanecer bombada e de renovar seu público. E parece estar conseguindo: nas primeiras semanas no novo local o projeto recebeu uma média de quatrocentos pagantes.

Mas como tudo começou, afinal? Para saber precisamos voltar ao meio dos anos 90’, quando o editor da revista alternativa Dynamite, André Pomba Cagni, tinha voltado de uma de suas então habituais viagens aos Estados Unidos. Lá, além de ter visitado comunidades gays no circuito cultural de algumas metrópoles americanas (o que reforçou sua decisão de assumir sua homossexualidade), Pomba descobriu alguns clubes noturnos gls que mantinham noites voltadas especificamente para tocar rock na pista – e isso para um público (o gay) habitualmente mais afeito à música eletrônica. Impressionado com a receptividade da galera homo a essas noites rockers, o jornalista e produtor de eventos voltou para o Brasil disposto a fazer algo semelhante aqui. Bastava achar um local em São Paulo que “comprasse” e desse espaço à idéia, viabilizando-a. Foi quando Pomba passou a freqüentar o clube A Loca em 1995, e que estava funcionando há cerca de dois anos na rua Frei Caneca, próximo à avenida Paulista e notório reduto da comunidade gay paulistana. Nessa época o clubinho gls mantinha noites de música eletrônica bombadas às sextas-feiras e aos sábados, mas não funcionava aos domingos sendo que os proprietários queriam montar uma programação dominical que preenchesse o espaço também no dia habitualmente mais morto da semana. Foi então que mr. Pomba entrou em contato com a direção da casa e propôs seu plano: fazer um projeto voltado ao público gls (ou lgbt) aos domingos, mas em horário de matinê (das oito da noite à meia-noite) e que tocasse basicamente rock na pista, com algo de música pop e anos 80’. A Loca gostou da proposta e fechou parceria com o jornalista. A festa, batizada Grind, estreou em maio de 1998.

Não demorou muito para a novidade chamar a atenção não apenas do público gay que freqüentava A Loca, mas também de fãs de rock que não tinham o que fazer aos domingos à noite. Em poucos meses de funcionamento a festa começou a encher. Tempos depois seu horário precisou ser ampliado por conta da demanda do público e também porque muita gente queria chegar mais tarde ao clube para beber e dançar. Assim o Grind teve seu horário estendido para até às duas da manhã de segunda-feira. Foi o que bastou para o evento começar a lotar a Loca aos domingos, sendo que no auge da festa (entre os anos 2000’ e 2010) não raro cerca de mil pessoas passavam pelo clube ao longo da madrugada e em plena segunda-feira. Foi quando o Grind passou a funcionar até às seis horas da manhã (!) e foi nessa época que a própria Zap’n’roll fez muitas DJs set (como convidado) na festa, além de ter participado de momentos louquíssimos e bizarros dentro do clubino gls – sendo que algumas dessas estórias estão contadas logo mais aí embaixo, em um mini diário sentimental.

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Outra banda clássica das domingueiras do Grind: a goth inglesa The Cure

O tempo foi passando e o Grind resistiu bem na Loca, se tornando um clássico da noite under paulistana aos domingos. Mas com a crise econômica enfrentada pelo país nos últimos anos e com um certo desgaste enfrentado pelo próprio clube que o abrigava (com queda na freqüência de público, além da concorrência de outras casas noturnas que foram sendo abertas e também focadas no público gay), o Grind acabou mudando de endereço. Há quase um mês está funcionando no Espaço Desmanche, na rua Augusta. E lá, ao menos por enquanto, viu seu público e seu fôlego se renovar como adolescente que ainda é. Um adolescente que chega aos vinte anos de existência apenas em 2018. E que se depender do fundador André Pomba, vai manter bibas e heteros fãs de rock ainda total animados por muitas e muitas noites de domingo nos próximos anos.

 

***E nesse domingo, véspera do feriado de 1 de maio (dia mundial do trabalho), o Grind promete ficar mais lotado do que nunca. Tá a fim de ir na balada e quer saber tudo sobre ela? Vai aqui: https://www.facebook.com/events/1138482239631930/.

 

***E como esse post é especial sobre os dezenove anos da domingueira rocker mais badalada da noite paulistana, o blog vai ser generoso com o seu sempre dileto leitorado. Vai AGORA no hfinatti@gmail.com, manda uma mensagem fofa (uia!) pra gente e se habilite a concorrer a um PAR DE INGRESSOS VIPS pra ir na edição deste finde do Grind. Informaremos por e-mail ou telefone (deixe seu número na mensagem) quem ganhar o mimo, até o final da tarde deste domingo, 30 de abril, ok?

 

 

ENTREVISTA COM O DJ ANDRÉ POMBA SOBRE A NOVA FASE DO GRIND

(publicada originalmente no blog no post de 29 de março passado)

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O super dj André Pomba (acima), que criou o projeto Grind em 1998; a festa chega aos dezenove anos de existência agora em novo local, o Espaço Desmanche onde a dupla Pomba e Zap’n’roll (abaixo) se confraternizaram semanas atrás

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Zap’n’roll  – O Grind se tornou um clássico da noite alternativa paulistana. Permaneceu por 19 anos no club A Loca e esta semana anunciou sua saída de lá? O que houve, afinal?

 

André Pomba – Simplificando bastante, foram divergências financeiras e administrativas que foram se acentuando até o rompimento ser inevitável. Como considero minha relação com o clube como a de uma família, acabou-se tolerando muita coisa por conta dos 19 anos de convívio diário. Agora bola pra frente! Espero que o Clube Alôca possa recuperar sua posição na noite paulistana e da minha parte estou com entusiasmo renovado para novos desafios.

 

 

 

Zap – O projeto, ao que parece, vai continuar mas em novo endereço. E já há, também ao que parece, várias casas noturnas interessadas em abrigar a domingueira pop/rock mais famosa da capital paulista. Você já se decidiu qual será o novo lar do Grind?

 

Pomba – sim, no dia seguinte ao anunciar a minha saída recebi várias propostas, conversei com vários donos de casas noturnas. Sempre entendi que precisava de um local na região do Baixo Augusta com uma estrutura similar à Alôca, com duas pistas, palco pra shows e vários ambientes. Então foi fácil fechar com o DJ Click para fazer no Espaço Desmanche (onde era o mítico Vegas). A diferença é que o Grind agora vai começar a meia-noite, assim que encerrar a matinê da casa, de música brasileira, chamada Tereza.

 

Zap – Quando o projeto reestréia?

 

Pomba – em 9 de abril, domingo meia-noite, com uma super festa de aniversário: a minha mesmo de 53 anos ahahah

 

 

 

Zap – Haverá alguma diferença no Grind por conta da sua mudança de local ou ele seguirá mantendo a formula musical que o consagrou por quase duas décadas na Loca?

 

Pomba – sendo objetivo: uma pista tocará rock como sempre tocamos de todas as épocas e outra pop mais atual. O importante é saber se reciclar sem perder a essência. Acho que conseguiremos trazer um público novo que já frequenta os clubes do Click (Tex, Desmanche e Blitz), com a galera que já frequenta o Grind há anos, como a eterna missa de domingo dos loucos da noite paulistana!

 

 

TOP 10 DO GRIND – OS CLÁSSICOS IMBATÍVEIS DA DOMINGUEIRA ROCKER MAIS FAMOSA DE SAMPA

Ao longo de quase duas décadas de existência o DJ André Pomba, fundador do projeto Grind, animou a pista da festa com zilhões de músicas fodonas e cobrindo todas as épocas e estilos do rock mundial. Mas entre estas algumas se tornaram autênticos clássicos que não podiam ficar de fora do set list jamais. São essas músicas que você confere nos vídeos abaixo, num top ten elaborado pelo próprio Pomba e que reúne os maiores sucessos da domingueira rock’n’roll até hoje.

 

MINI DIÁRIO SENTIMENTAL – RÁPIDAS HISTÓRIAS SELVAGENS DE SEXO, DROGAS, LOUCARAS E ROCK’N’ROLL QUE SÓ PODERIAM ROLAR NO GRIND, ULALÁ!

***Boquete na pista de dança, ao lado da cabine do DJ, e aspirada de cocaine em CIMA do PAU – o autor deste diário algo sórdido e cafajeste a conheceu em meados de 2004. Ela era uma jornalista que havia acabado de se formar no curso e se interessou por um texto de Finaski, publicado em algum site no qual ele já escrevia naquela época. Enviou um e-mail e foi aí que tudo começou. O zapper namorava então uma pretaça deliciosa e gigante, de 1,80m de altura e que trepava alucinadamente mas com a qual ele pouco tinha afinidade intelectual/cultural (nosso querido e eterno melhor amigo, Andre Pomba, sempre dizia sobre nosso relacionamento: “vocês dois se dão bem APENAS na cama. Fora dela são um DESASTRE”. Era verdadeira a avaliação dele). Mas então recebemos o e-mail dela, que se chamava T.R.A. (vamos chamá-la apenas pelas iniciais do seu nome). Muito inteligente, fã de rock, de literatura, cinema etc. Tínhamos muitas afinidades. E ela era muito jovem, apenas 21 anos de idade. O blogger rocker estava com 41. Começamos uma intensa troca de correspondência eletrônica, passamos a conversar pelo hoje jurássico MSN, por telefone (fixo, naquela época) e finalmente marcamos um encontro PESSOAL, em alguma noite/madrugada qualquer de abril de 2004 (pouco tempo antes da saudosa mama Janet falecer). Nos encontramos no metrô Consolação, em Sampa. Ela era LINDÍSSIMA: cabelos ruivos, formas apetitosas (peitos medianos, nem grandes nem pequenos) e um rosto de bonequinha de porcelana chinesa. Descemos a rua Augusta e fomos pros bares de rock que lá existiam. Bebemos bastante vinho num deles. Depois fomos (novamente) pro Madame Satã (ela era e é fã de rock BR anos 80’ e das bandas inglesas da época). Lá, no porão escuro do casarão, os MALHOS começaram. Até que o jornalista já cheio de péssimas intenções conseguiu convencê-la a vir pra casa, em uma kit no bairro da Vila Mariana (começo da zona sul de São Paulo, bairro bom de classe média chique, coxa, chata e esnobe, e onde o blog mora até hoje). A trepada foi monstruosa, com a moça copulando em todas as posições possíveis. Dormimos abraçados e pelados e quando acordamos, houve mais uma trepada furiosa. Depois ela foi embora pra sua casa – morava longe, em Mauá, Grande SP, e sozinha pois apesar de muito jovem já era órfã de pai e mãe. Claro, Zap’n’roll se apaixonou loucamente pela garota e queria se livrar da pretona. Foi um período terrível, até que meses depois a negona descobriu tudo e chutou o namorado traidor (e na real não nos incomodamos tanto com isso, afinal). O rapaz aqui então investiu com tudo em T. mas começou a descobrir que ela não era tão meiga e doce como imaginávamos. Uma “perva” em determinadas atitudes e situações, era uma vadiaça escolada na arte de foder com homens COMPROMETIDOS, apesar da pouca idade. Fomos descobrindo isso apenas com o tempo de convívio e de affair com ela – foram quase 4 anos ao todo, de 2004 a meados de 2008. Queria ter ficado com ela para sempre. Mas ela, também fã de cocaína e de devastações alcoólicas oceânicas como o jornalista loker, de FODER a TRÊS (sim, trepamos eu e ela e mais uma terceira pessoa em pelo menos duas ocasiões, uma ela sendo comida por mim e mais um outro homem; em outra, ela e uma amiga minha se comendo e ME comendo) e de loucurar em baladas noturnas, me disse certa vez, algo FEMINISTA que era (e nunca mais esqueci dessa frase): “Humberto, você é ÓTIMO pra se DIVERTIR. Pra sair, pra ir num show, pra dançar e beber num bar, pra TREPAR e CHEIRAR pó. Mas eu NUNCA vou NAMORAR ou CASAR com você. Quando eu for me casar com alguém vou querer um homem sem VÍCIOS”. E assim foi. Continuamos juntos até 2008, mais ou menos. E numa de nossas últimas saídas e trepadas, fomos um domingo no clube gls A Loca, onde o DJ Pomba fazia a domingueira rocker Grind. Bebemos, dançamos. Em certa altura da madrugada, num cantinho da pista de dança ao lado da cabine do DJ, ela sussurrou no ouvido do jornalista: “abre sua calça e tira o pau pra fora”. Abri. Ela, CADELAÇA escolada que era, se agachou furtivamente e CHUPOU o pinto por longos minutos ali mesmo, enquanto o restante da pista dançava enlouquecidamente. Final da balada o casal foi pra casa. Ela queria CHEIRAR pó. O autor deste diário canalha tinha um pouco e por incrível que pareça não estava a fim – estava mesmo era com vontade de fodê-la e sabia que se cheirasse também, o pinto não iria levantar. Então lhe disse: “só você vai cheirar. E depois vamos trepar”. Ela: “ok. Mas eu NÃO vou cheirar no SEU PINTO, isso é ultrajante!”. Retrucamos: “se não for em cima do meu PINTO não tem coca pra você!”. Ela reclamou, protestou mas acabou aceitando minha exigência pois a vontade de aspirar uma carreira de pó era maior do que sua honra, dignidade, moral e orgulho, que foram todos pra casa do caralho no final das contas. Então ela cheirou uma ENORME taturana de pó em cima do pau duro desse coroa sórdido, calhorda e também algo imoral. Ficou louquíssima em alguns minutos. E foi fodida na boca, na boceta e no cu sem reclamar de nada. Nos separamos tempos depois. Nunca mais a vi e lá se vão quase nove anos que não a reencontro. O já velho jornalista quis ficar com ela e eventualmente sente saudades dela. Temos seu número fixo de telefone até hoje e esse número não mudou. Ligamos um dia, semanas atrás. Uma voz masculina atendeu e desligamos. Ela, finalmente, deve ter encontrado o homem sem VÍCIOS que tanto queria. E deve estar feliz com ele – ou não…

 

***Jornalista bicudo de cocaine dando entrevista a milhão – era a noite/madrugada de onze anos do projeto Grind, em maio de 2009. A pista do clube A Loca estava lotada como sempre. E especificamente naquela noite uma equipe do programa que era apresentado por Otávio Mesquita (mais conhecido como “Chato” Mesquita) nas madrugadas da Band, foi ao clubinho da rua Gay, ops, Frei Caneca, para fazer uma matéria sobre a domingueira rocker mais badalada do underground paulistano. Filmaram o público, a pista, os outros ambientes, fizeram algumas entrevistas. Entre estas, com o DJ Pomba e… voilá! Com o jornalista então naquela época ainda total LOKER de plantão, hihihi. Com o detalhe: o autor deste blog tinha acabado de praticar uma devastação nasal gigantesca num dos banheiros da boate, aspirando uma autêntica TATURANA de padê (que estava muito bom, diga-se). Logo em seguida foi já doidão para a cabine de som, onde Pomba estava dando entrevista para a repórter da TV Band. Terminada a entrevista o homem que criou o Grind teve a “ótima” idéia de indicar Finaski para também ser entrevistado. “Ele é um dos jornalistas mais conhecidos da imprensa musical e freqüenta nossa festa há anos, por isso pode dar um bom depoimento”, disse o inocente Pombinha à repórter, que ligou um refletor na cara ESTALADA do a essa altura já FRITO (nos neurônios) jornalista, empunhou um microfone na frente dele e pediu para que o mesmo falasse algo sobre a domingueira rock’n’roll. O que se seguiu foi bizarro ao cubo: com as pupilas saltando pra fora dos olhos mr. Finas falou ao menos 300 mil palavras em minúsculos 30 segundos. A tal repórter desligou a câmera e o microfone, agradeceu e saiu da cabine. Foi quando Pomba veio no ouvido do autor deste diário maluco e cochichou: “se ela conseguiu entender DUAS palavras do que você disse foi muito, rsrs”. Mas não é que a matéria dias depois foi ao ar na televisão e com o DEPOIMENTO (ou o que deu pra aproveitar dele, uia!) fináttico incluso nela? Pois é, rsrs.

 

***”Acabou, ACABOU!!!” – aconteceu na mesma madrugada em que rolou a festa de onze anos da domingueira rocker. Entre as centenas de xoxotas que estavam circulando pelos vários ambientes da Loca, ELA era uma das mais… locas, rsrs. Peituda, roupa decotada, sapato com salto alto, feição de cadela ordinária e bastante chapada (de álcool? Cocaine? Tudo ao mesmo tempo?), a figura não tinha pudor algum em se insinuar pros machos presentes. Primeiro deu mole para um amigo deste jornalista que, por estar acompanhado da namorada, dispensou a oferecida. Algum tempo depois veio pra cima do próprio zapper, mas fazendo cu doce. Quando o autor deste diário sem vergonha resolveu criar coragem e TENTAR algo com a figura (afinal o jornalista maloker também estava turbinadíssimo de pó e nessas condições nunca conseguia paquerar ninguém de forma civilizada e sem cometer alguma cagada pelo caminho), eis que um brucutu com cara de poucos amigos a puxou pelo braço e ambos saíram de onde estávamos. A essa altura já eram quase cinco da matina, Zap’n’roll estava ficando fora de combate e não teve dúvida em aceitar uma carona quando sua amiga Nathália “beuda” Traffica disse que estava indo embora. Fomos. Apenas no dia seguinte o blogger rocker ficou sabendo como a festa dos onze anos do Grind QUASE acabou, rsrs. Quem relembra é o próprio André Pomba: “eram quase cinco da manhã e o som continuava à toda, com a pista lotada e todo mundo dançando. De repente, DO NADA, aquela LOCA subiu a escadinha da cabine, invadiu a mesma e começou a TENTAR derrubar tudo no chão (fios, cabos, as disqueteiras), enquanto gritava como uma alucinada: ‘acabou, ACABOU!’. Só tive tempo de ABRAÇAR e segurar as cdj’s até que um segurança veio e conseguiu tirar a maluca da cabine”. E quem era a maluca, afinal? A mesma que estava dando mole pros machos no meio da madrugada, no bar. De modos que este jornalista e Pomba chegaram à seguinte conclusão: o brucutu corno devia ser algo da moçoila. Cansou de passar a madrugada vendo a dita cuja se esfregando em outros barbudos, deu uma botinada na vagaba e ela, inconsolável (uia!), INVADIU a cabine de som pra gritar que tudo tinha acabado. Só não se sabe até hoje se o que tinha acabado era o namoro dela ou se ela queria ACABAR com a balada, rsrs.

 

***Evan Dando, dos Lemonheads, TRAVADO de farinha na pista – ulalá! Essa merece um capítulo ESPECIAL que você lê abaixo no próximo tópico, hehe.

 

 

EXCLUSIVO E INÉDITO! A NOITE/MADRUGADA EM QUE O MÚSICO AMERICANO EVAN DANDO FICOU BICUDAÇO DE PADÊ NO GRIND, UIA!

Mais uma história bizarra que só poderia ter rolado na festa Grind, claro! E aqui contada em detalhes neste capítulo do ainda inédito livro “Escadaria para o inferno”, de autoria do jornalista Finaski e com previsão de lançamento para o segundo semestre deste ano. Confiram!

 

Capítulo 9 – Sendo “dealer” de Evan Dando, dos Lemonheads

 

A garotada que hoje tem 20 e poucos anos não deve ter conhecido ou não se lembra mais dos Lemonheads. Mas o trio indie guitar americano foi uma das bandas mais legais do rock nos anos 90’. Liderado pelo vocalista, compositor e guitarrista Evan Dando o grupo surgiu em Boston por volta de 1986, lançou seu primeiro disco no ano seguinte e começou a fazer mega barulho entre a mídia e o público fã de rock em pouco tempo, até estourar nos EUA com o álbum “It’s A Shame About Ray”, editado em 1992. Tornaram-se então a bola da vez no mercado musical americano (o Lemonheads, até ali gravando por selos independentes, foi capturado pela major Warner Music por onde lançou “It’s A Shame…”, que em poucos meses chegou à marca de um milhão de discos vendidos). E o sucesso não era difícil de explicar: Dando, além de ótimo compositor, letrista e vocalista era um deus loiro de beleza apolínea, daqueles que faziam as menininhas ficarem com as xoxotas encharcadas nos shows da banda. E som do conjunto era o melhor que o guitar rock americano podia oferecer naquele momento: melodias radiofônicas e assobiáveis mas com um pé na aceleração e urgência herdadas do punk. Não demorou pra Dando e cia se tornarem os ídolos das matinês.

Assim como também não demorou pra eles virem tocar no Brasil, que começava a entrar com força no circuito internacional de shows de rock. Desta maneira foi anunciado no segundo semestre de 1994 a realização de um festival internacional em Santos, no litoral paulista, bancado por uma marca de tênis e que traria entre outras bandas o Lemonheads. Os shows seriam na praia e de graça. Óbvio que fui até lá sendo que eu estava, aos 31 anos de idade, namorando com um bocetaço de 18, a Greta (que tinha peitos tão grandes e deliciosos que ela mesma mamava neles quando estávamos trepando), com quem o jornalista trintão e doidão deu uma foda rápida, em plena praia (numa parte mais afastada da muvuca onde estavam rolando os shows), antes de a gig de Evan Dando e cia. começar. Foi um show bacana, no final das contas.

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Evan Dando (acima), ex-líder e vocalista do trio americano The Lemonheads (abaixo): ele também ficou “bicudo” de cocaine no Grind, hihihi

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E logo depois de tocar no Brasil e atropelado pelo imediatismo pop que já consumia a indústria musical há duas décadas, o Lemonheads começou a entrar em decadência nos EUA pois o público adolescente precisava ser alimentado ad eternum por novidades rockers mais quentes a cada nova semana. Foi nesse processo de queda de popularidade que o trio voltou ao Brasil em mais duas ocasiões: em 1997 e depois, em 2004. Nessa última turnê por aqui a formação original do conjunto já tinha se dispersado e dela só restava mesmo o fundador Evan Dando. E foi também nessa última visita do grupo a Sampa que o autor deste livro de memórias e esbórnias rock’n’roll se viu transformado em dealer do loiro vocalista dos Lemonheads.

A gig havia rolado no extinto Palace (casa de shows que existiu em Moema, na zona sul paulistana, e onde assisti a alguns momentos históricos e inesquecíveis do rock mundial, como a primeira vez em que os Ramones tocaram no Brasil, em 1987). Terminada a apresentação (que tinha sido num domingo) eu descolei uma carona e me mandei pro club A Loca (o inferninho gay/GLS mais famoso do Brasil e onde aos domingos aconteceu durante quase 20 anos a noitada Grind, comandada pelo dj André Pomba e que toca apenas rock na pista, até o sol raiar). Lá estava eu há algum tempo já, bebericando minha habitual Gim tônica (meu drink preferido quando vou na Loca, sempre com muito Gim e pouca água tônica), quando veio conversar comigo o argentino Alejandro (uma das figuras mais carimbadas da cena alternativa paulistana, produtor e guitarrista de várias bandas indies da capital paulista), e que foi logo dando o toque: “Finatti, me ajuda numa missão…”. Eu, já imaginando a merda voando na minha direção: “lá vem… fala aí”. Ele: “to com o Evan Dando comigo e ele quer pó!”. Eu arregalei os olhos e vi que, do lado do argentino, estava mesmo um sujeito loiro, cara de lesado e que não queria muito papo com ninguém. Queria apenas ficar mais loki do que aparentemente já estava. Alejandro insistiu: “tô com cem mangos aqui que ele me deu. Onde podemos ir pegar essa parada?”.

Não havia escapatória, óbvio. E lá fomos eu e o hermano mala no carro dele (uma daquelas peruas Chevrolet antigonas, de quatro portas) até o Cambuci, que era o local mais próximo onde eu poderia desenrolar a “missão”. Lá, na rua Muniz de Sousa, funcionava uma biqueira lendária (não sei se funciona até hoje) e que eu havia descoberto quando havia morado no final da rua dos Lavapés, entre 1994 e 1995. O “padê” que o pessoal vendia lá era bem servido, de boa qualidade (não espetacular, mas dava pra chapar os neurônios) e custava dez pilas cada peteca. Fomos lá. Peguei dez petecas e combinei com Alejandro: “entrega meia dúzia pra ele e cada um de nós fica com duas”. O argentino topou e voltamos pra Loca. Lá chegando reencontramos o rock estar loiro já um tanto ansioso pra dar uma cafungada e entregamos a “encomenda” dele. Eu fui imediatamente pro banheiro dar uma aspirada no pó branco. E fui pra pista dançar.

A última visão que eu tive dentro da Loca naquele domingo, há mais de uma década, se tornou um clássico imagético, rsrs. Eu já bem “bicudo”, resolvi ir pagar minha comanda de consumação e cair fora dali pois já eram cinco da manhã. E quando passei pelo bar em direção ao caixa, apenas vi aquele sujeito loiro, totalmente “travado”, sentado no chão do lugar, com as pernas dobradas em posição de lótus e sem conseguir abrir a boca pra falar absolutamente nada. Coisas que só a cocaína faz em você, hihihi – inclusive em rock stars.

 

 

CD BACANA EM PROMOÇÃO

Yep. Ainda há pessoas no mundo que gostam de escutar música em plataforma FÍSICA (leia-se: CDs e LPs), como o autor deste blog por exemplo. De modos que depois de muuuuuito tempo vamos colocar um disquinho pra sorteio aqui. Trata-se do álbum de estréia do grupo surf music instrumental paulistano The Pultones, e que acaba de ser lançado pelo sempre venerável selo Baratos Afins. Interessou? Então vai no hfinatti@gmail.com e pede pra concorrer, sendo que no próximo post falamos quem ganhou o dito cujo além de comentar mais detalhadamente sobre o trampo dos moleques, okays?

 

 

E FIM DE PAPO

Pronto, postão chegou ao fim. Em plena sextona de greve geral no bananão tropical estamos aqui, no trabalho, ulalá! Mas tem feriadão até segunda-feira próxima, de modos que todos terão bastante tempo pra ler com calma o post zapper, beleusma?

Então é isso. Bom feriado pra todo mundo e nos vemos novamente pelos próximos dias ou semanas. Até lá!

 

(enviado por Finatti às 17:30hs.)

Depois da perda irreparável do saudoso, inesquecível e grande Johnny Hansen (que deixou órfão o rock independente nacional há quase duas semanas), é a vez do queridaço Kid Vinil (nosso eterno Herói do Brasil) ter problema seríssimo de saúde, dando susto monstro na indie scene nacional e mostrando como a SOLIDARIEDADE humana INEXISTE nesses tempos total escrotos da web e das redes sociais

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Dias sombrios dominam a cena rock BR: o grande e queridíssimo Kid Vinil (nosso amado Herói do Brasil, foto acima) passou mal após show no interior de Minas Gerais no último final de semana, e segue internado em coma induzido em um hospital em São Paulo; o fato ocorre apenas duas semanas depois de a cena indie nacional ter perdido o também lendário músico Johnny Hansen (abaixo, ao lado de Zap’n’roll), criador do grupo electro rock Harry nos anos 80’

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A essa altura todos já estão sabendo que Antonio Carlos Senefonte, mais conhecido no rock brasileiro que ainda importa como Kid Vinil, está internado em um hospital em São Paulo, em coma induzido (isso até a tarde desta quinta-feira, quando este post do blog está sendo publicado), após ter passado mal no último final de semana no interior de Minas Gerais, onde estava realizando um show tributo ao rock BR dos anos 80’. Além de amigo pessoal do autor deste espaço rocker há pelo menos três décadas, Kid tem uma gigantesca folha corrida de ótimos serviços prestados ao rock brasileiro. À frente de bandas como Verminose e Magazine, como produtor e diretor de gravadoras, DJ ou apresentador de zilhões de programas de rádio que marcaram época (atualmente, comanda programa com seu próprio nome às quintas-feiras à noite, na 89fm de São Paulo), Kid sempre foi e continua sendo referência quando o assunto é cultura pop e rock’n’roll em terras brasileiras. Fora que ele é a simpatia e afabilidade em grau máximo.

Zap’n’roll conheceu Kid Vinil quando o ainda futuro jornalista era um jovem fã de rock’n’roll alternativo. Chegamos a escutá-lo no programa “Rock Sanduiche”, que ele fazia junto com o também graaaaande Leopoldo Rey, na finada Excelsior FM (isso lá pro final dos anos 80’). Mas foi somente depois que nos tornamos jornalista musical profissional (lá pelos idos de 1986) que o conhecemos pessoalmente e nos tornamos amigos. Desde então nunca mais perdemos contato, mesmo que passássemos longos períodos sem nos falar. São inesquecíveis as visitas didáticas ao apê em que ele morava, nos anos 80’, na rua Almirante Marques Leão, no Bixiga (centrão rocker de Sampa). Era um apto pequeno e ABARROTADO de discos. E sempre havia novidades lá. Foi com ele que Finaski escutou pela primeira vez o single “Supersonic” de um certo Oasis, que estava então bombando na Inglaterra. Foi lá também naquele apê que ele nos gravou uma fitinha cassete com os primeiros singles do Suede e do Ride – isso em 1993, mais ou menos. Sendo que o blog é eternamente grato a ele por ter-nos apresentado todos esses gigantes do indie guitar e do britpop dos 90’.

Hoje estamos aqui, preocupadíssimos com ele. Já perdemos o amado Johnny Hansen (o gênio que fundou o grupo electro rock Harry, nos anos 80’) há quase duas semanas (que serão completadas nessa sexta-feira). E não queremos perder mais alguém ultra querido por nós e por todos que curtem rock no Brasil, em tão pouco tempo. Por isso pedimos aos céus que mantenha Kidão vivo ainda por muitos e muitos anos. Só isso. O mundo já anda escroto e chato demais pra ficarmos sem uma pessoa como ele.

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O grupo new wave brasileiro Magazine nos anos 80′, com Kid Vinil à frente

 

CAMPANHA EM FAVOR DE KID VINIL MOSTRA O QUÃO EGOÍSTA E INSENSÍVEL SE TORNOU O SER HUMANO NA ERA DA WEB E DAS REDES SOCIAIS

O repentino e inesperado problema de saúde enfrentado por Kid Vinil no último final de semana pegou a todos de surpresa – inclusive os familiares dele. Kid havia acabado de se apresentar na cidade de Conselheiro Lafaiete (em Minas Gerais), quando sentiu-se mal nos camarins. Foi socorrido e levado às pressas a um hospital local, onde foi colocado em coma induzido pelos médicos. Diabético há muitos anos e já com idade razoavelmente avançada (sessenta e dois anos), Kid sofreu um infarto que também gerou complicações na oxigenação do seu cérebro. Com os limitados recursos à disposição no hospital para onde ele havia sido levado a equipe que fez os primeiros atendimentos recomendou que ele fosse transferido com urgência para São Paulo. E se possível, de helicóptero.

A transferência felizmente aconteceu na última terça-feira e até o momento em que este post está sendo concluído, Kid Vinil segue internado em um hospital particular no bairro da Vila Mariana, zona sul da capital paulista. Mas para conseguir trazer o cantor e apresentador para Sampa sua família teve que abrir uma também inesperada e emergencial campanha pública de arrecadação de recursos, pedindo doações via internet e redes sociais já que o custo da operação para fazer o translado dele seria em torno de R$ 15 mil reais. Uma grana razoável e que a maioria das pessoas não possui disponível, ainda mais com o país quebrado como está. E mesmo Kid, que felizmente tem uma situação financeira mais estável e confortável do que boa parte dos brasileiros, não dispunha dessa quantia. Nem ele nem sua família.

A campanha foi aberta e, coordenada pela sua sobrinha de Kid (Raquel Senefonte), felizmente obteve o resultado necessário. A quantia foi levantada e Kid removido para São Paulo. Raquel também agradeceu publicamente quem colaborou e deu a campanha por encerrada, mostrando a seriedade e lisura da mesma.

Mas mesmo assim, se tratando de algo seríssimo (uma vida humana) e envolvendo uma figura pública e mega querida por milhares de pessoas, começaram a chover zilhões de postagens imbecis no Facebook ao longo da semana, zombando e pondo em dúvida o caráter e a seriedade do pedido feito pela família de Antonio Senefonte. Algumas dessas postagens foram escritas inclusive por pessoas que estão entre os amigos deste jornalista e pelas quais temos simpatia. “Não dou um centavo”, disse uma das publicações. Outra mensagem (esta de alguém que não conhecemos e nem é nosso “amigo” no faceboquete) foi além e disparou: “o que ele tem na coleção de discos dele dá pra pagar tranquilamente seu translado para São Paulo”.

Um clássico da new wave brasileira dos anos 80′: o grupo Magazine, com Kid Vinil nos vocais, e sua hilária “Tic Tic Nervoso”, cuja letra permanece mais atual do que nunca

Tudo isso demonstra a que ponto chegou a ignorância, a falta de solidariedade e o egoísmo humano na era da web e das redes sociais. A família do Kid não iria fazer um pedido público de ajuda financeira se não estivesse precisando. R$ 15 mil é muito dinheiro no final das contas (quer dizer, para nós, meros mortais, não para os corruptores e corrompidos pela Odebrecht). Conhecemos Kidão pessoalmente há 30 anos pelo menos. Ele possui (ou já possuiu) uma situação financeira um pouco melhor do que a maioria? Certamente (sempre mantinha sua coleção abastecida de novidades, sempre viajava pro exterior etc). Mas o país está realmente quebrado e sabe-se lá se isso não afetou tb suas finanças. Mas independente disso, vamos repetir, há a questão da SOLIDARIEDADE HUMANA nesse episódio. Todos aqui têm enorme carinho por Kid, o blog em particular por tudo de bom que ele nos proporcionou em termos de conhecimento musical e rocker, e também pelos muitos momentos agradáveis que passamos ao seu lado. Então em nenhum momento colocamos em questão a situação financeira dele (se é ótima ou péssima) quando decidimos também fazer uma modestíssima contribuição para ajudar nas despesas com seu translado para São Paulo. De modos que a tristíssima lição que este episódio deixa é que, definitivamente, a SOLIDARIEDADE da raça humana parece mesmo ter ido pra casa do caralho nesses tempos obscuros, egoístas, moralistas hipócritas, reacionários e ultra conservadores. Ninguém está a fim de ajudar ninguém e o blog mesmo passou por essa experiência bastante desagradável quando teve um tumor maligno na garganta há 3 anos e meio e também precisou pedir socorro público. Na época poucos nos ajudaram de fato (e somos gratos até hoje aos que nos prestaram essa ajuda), sendo que muitos negaram socorro na cara larga e mais um tanto simplesmente ignorou o pedido de ajuda. Óbvio, ninguém tem obrigação de fazer nada por ninguém mas atitudes desse naipe e a simples desconfiança de um pedido de ajuda em rede social, partindo de uma família de alguém que precisa de socorro médico urgente (não importa quem seja a pessoa, se trata de uma VIDA HUMANA que está em jogo), demonstra bem a que nível chegou o senso de (falta de) solidariedade e a sensibilidade das pessoas. Não quer ajudar? Beleza, direito seu. Mas não seja ESCROTO a ponto de desdenhar, ridicularizar ou DUVIDAR publicamente de quem está pedindo ajuda.

Os animais irracionais estão melhores do que nós. E mais solidários também, sem dúvida. E isso é lamentável. Apenas isso.

 

Estas linhas zappers desejam toda a força pro Kid Vinil. Estamos torcendo aqui pra que logo menos todos nós possamos novamente ouvir sua voz na 89fm, e dar boas risadas com suas tiradas impagáveis. Já basta termos perdido Hansen há quinze dias. Que Antonio Carlos Senefonte permaneça ainda por muitos anos ao nosso lado!

 

Após mais este post extra, Zap’n’roll pretende voltar ao rimo normal na próxima semana, depois do feriadão deste finde. E espera sinceramente que não precise voltar aqui em caráter extraordinário, para noticiar algo ruim como fizemos em nossos dois últimos posts. É isso. Beijos carinhosos em nosso dileto leitorado.

 

(enviado por Finatti às 15hs.)

SILÊNCIO gigante e ultra respeitoso no rock brasileiro que ainda importa: Johnny Hansen, cantor, compositor, multiinstrumentista e fundador do lendário grupo electro rock Harry (uma das cult bands mais essenciais do rock BR dos anos 80’) morre em Santos (litoral paulista) aos cinquenta e seis anos de idade, deixando mais uma lacuna monstro e irreparável na música nacional; nesse post extra o blog zapper (cujo autor foi amigo pessoal do músico durante quase três décadas) presta sua homenagem a um dos artistas mais geniais e criativos (e sem ter tido o devido reconhecimento em relação à sua genialidade) que já surgiram por aqui

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Silêncio gigantesco e sombras no rock independente nacional que importa: o músico santista Johnny Hansen (acima, foto: Jairo Lavia), fundador, guitarrista e vocalista da cult band electro rock Harry (abaixo) sai de cena, vitimado por infarto fulminante, tornando a já empobrecida indie scene rock brasileira ainda mais raquítica e irrelevante

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Tinha sido uma sexta-feira estranha, a de anteontem (este post está sendo escrito e publicado excepcionalmente no domingo, 9 de abril). Aliás a semana toda havia sido muito estranha e complicada na vida de Zap’n’roll: problemas (pessoais e profissionais) demais, soluções de menos e foi assim que os dias foram seguindo. Quando o final de semana chegou não houve mudanças significativas nesse quadro. E já no final da tarde de sexta-feira, quando o autor deste blog foi ao centro de São Paulo para cuidar de assuntos pessoais, ele mesmo meio que vaticinou em sua página no Facebook: “algo me diz que meu finde será uma droga…”. E como num presságio ruim (muito ruim, na verdade) a notícia devastadora veio poucas horas mais tarde. Ao chegar em casa (já depois da meia-noite) e após jantar com um casal querido (a escritora Juliana Frank, nossa musa rocker do post zapper anterior a esse, e o tatuador Fábio Martins), a caixa de e-mails e de mensagens de Finaski estava repleta de mensagens atônitas: Johnny Hansen, músico santista de cinqüenta e seis anos de idade, fundador da banda Harry nos anos 80’ (e que seguia em atividade até hoje), havia morrido na cidade do litoral paulista, vitimado por um ataque cardíaco fulminante. O final de semana destas linhas rockers bloggers acabou exatamente ali.

A notícia da morte de Hansen se tornou ainda mais trágica e devastadora para o autor deste blog pelos laços de amizade que uniam músico e jornalista há quase três décadas – o que torna ainda mais dolorosa a missão de escrever este post. Ambos se conheceram em algum momento em 1988. O Harry era, então, uma banda do rock underground paulistano em ascensão junto à mídia e a um público que, embora ainda reduzido, ia aumentando aos poucos. O grupo tinha sido fundado por Hansen (responsável pelos vocais e guitarras) três anos antes em Santos, junto com os músicos e amigos Cesar Di Giacomo (na bateria) e Johnsson (no baixo). Logo em seguida se uniu a eles o produtor e músico eletrônico Roberto Verta (outro dileto amigo pessoal deste espaço virtual). Em 1986 lançaram um primeiro EP pelo selo indie Woop Boop Discos, que teve boa repercussão midiática. Mas foi quando o primeiro álbum completo, “Fairy Tales”, saiu em 1988 que o Harry recebeu aprovação quase unânime da imprensa musical: mixando rock com eletrônica como nenhum artista ainda tinha ousado fazer no Brasil, o Harry mostrou uma sonoridade única e que estava pelo menos vinte anos à frente do seu tempo. O álbum era tão bom que o então ainda jovem repórter Finaski foi entrevistar o quarteto para uma matéria que seria (e foi) publicada na capa do Caderno 2, do diário paulistano O Estado De S. Paulo (onde Zap’n’roll estava então trabalhando), logo após o lançamento do disco. Foi aí, nessa entrevista, que músico e jornalista se conheceram pessoalmente e se tornaram amigos. Uma amizade que nunca mais se rompeu e permaneceu até esta semana, chegando ao fim infelizmente porque o beijo inescapável da morte veio buscar o nosso querido e inesquecível músico e amigo.

De 1988 em diante a trajetória do Harry foi bastante errática. O grupo lançou mais alguns poucos discos (entre eles “Vessels’ Town”, editado em 1990, e a coletânea “Chemical Archives”, lançada em 1994 e que reunia material dos discos de estúdio além de canções inéditas) e foi paralisando seu trabalho e os shows ao vivo aos poucos, por motivos diversos. Hansen passou algum tempo morando em Fortaleza (Ceará), onde foi cuidar de uma loja de discos, Roberto Verta foi chamado para trabalhar como diretor artístico em uma das maiores produtoras de shows internacionais do Brasil e esses fatores acabaram impossibilitando a continuidade do conjunto. Anos depois e já de volta ao Sudeste, Hansen passou a dividir sua moradia fixa entre a cidade natal Santos e a paradisíaca e minúscula São Thomé Das Letras (no sul de Minas Gerais), onde passava longas temporadas com a ativista ecológica Jackie Nunes (que cuida de uma ONG voltada à proteção de animais domésticos em situação vulnerável), com quem acabou se casando. E mesmo com o Harry não lançando novo material ou se apresentando ao vivo, Johnny Hansen nunca deixou de produzir música ou de exercer seu oficio de artista musical. Pelo contrário: ele vivia envolvido em zilhões de projetos, tocando com diversos grupos independentes. Também estava sempre gravando material inédito para possíveis lançamentos futuros. Acabou se tornando um dos músicos mais requisitados para tocar na noite de São Thomé (cidade com pouco mais de seis mil habitantes mas que concentra dezenas de barzinhos com música ao vivo por ser um dos pólos turísticos mais conhecidos do Brasil, com dezenas de cachoeiras, trilhas e lendas e mitologias sobre povos antigos e visitas de extra terrestres), e paralela a toda essa atividade procurava manter viva a marca Harry que, a essa altura e embora não muito ativa, já havia se tornado um dos nomes mais cultuados do rock BR dos anos 80’, com uma legião imensa de fãs na web e nas redes sociais.

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O quarteto electro rock Harry (uma das lendas do indie rock BR) em foto da sua formação nos anos 80’ (acima); abaixo as capas da versão original do clássico “Fairy Tales” (lançado em 1988) e de sua versão “elétrica”, editada em 2015

CAPAHARRY1988

CAPAHARRY2015

 

Foram nesses últimos anos inclusive, durante sua permanência em São Thomé, que Hansen e este jornalista se tornaram mais próximos do que nunca. Zap’n’roll, sabidamente apaixonado que é pela cidadela Mineira (e onde vai há mais de vinte e cinco anos), sempre passou suas viradas de ano por lá. E era sempre um prazer ver nessas temporadas em Thomé Hansen tocando nos bares da cidade, com o seu trio Maximum Overdrive. Também foram inesquecíveis os longos e ótimos papos que rolavam enquanto pizzas saborosas eram degustadas pelos dois amigos e pela sempre espirituosa Jackie.

Nos últimos anos Hansen passou mais tempo em Santos do que no sul de Minas, decidido que estava a retomar com força a carreira do Harry. Se reuniu com os antigos companheiros de banda e junto a eles lançou o sensacional “Electric Fairy Tales”, no final de 2015. Era nada menos do que uma versão ELÉTRICA e rocker (com guitarras, baixo e bateria) para o clássico álbum de 1988, e o primeiro lançamento inédito do grupo em mais de vinte anos, pois além das faixas do disco original retrabalhadas para a versão rock, o cd ainda trazia uma batelada de canções inéditas. Novamente foi recebido efusivamente não apenas pela mídia especializada mas também pela legião de fãs angariados ao longo de quase trinta anos. E finalmente então o grupo voltou a se apresentar ao vivo, fazendo gigs elogiadíssimas como a que aconteceu em outubro do ano passado na Clash Club, na capital paulista.

Johnny Hansen (que fazia o tipo durão, ranzinza e algo politicamente reaça nas redes sociais mas que, ao vivo, era um gentleman e a doçura em pessoa como ser humano) estava animado com a volta da banda. E sempre enfiado num estúdio, já havia registrado material inédito suficiente para possivelmente lançar mais dois CDs do Harry. Além de multiinstrumentista genial (que dominava guitarra e teclados como poucos no Brasil) também possuía conhecimento ENCICLOPÉDICO de música e rock’n’roll – certa vez ele disse ao blog que tinha mais de 25 mil discos completos arquivados no HD do seu computador.

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Acima: o Harry se apresenta na Clash Club em São Paulo, em outubro de 2016, no show de lançamento do álbum “Electric Fairy Tales”; nas fotos abaixo dois momentos de Zap’n’roll com a banda e seu fundador: em 2006 num bar na Vila Madalena (zona oeste da capital paulista), após uma gig do Harry, e no réveillon de 2015 em São Thomé Das Letras, com o inseparável amigão Johnny Hansen

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Infelizmente tudo acabou esta semana, uma trajetória que ainda poderia render ótima música bruscamente interrompida por um infarto fatal. Hansen ainda era muito novo para nos deixar. Mas como já havia cantado Renato Russo muitos anos atrás: “Os bons morrem antes”.

E nós ficamos aqui, amargando a saudade e a melancolia pela perda de um amigo pessoal gigante e um músico com qualidade artística difícil de ser encontrada atualmente no completamente raquítico panorama da música e do rock brasileiro. De modos que o blog zapper deixa aqui registrada a sua homenagem e sua saudade imensurável e dolorosa nesse momento.

Rip Hansen. Um dia nos encontramos por aí, em alguma outra estação – se ela de fato existir.

 

***O Harry se tornou uma das principais cult bands do rock alternativo brasileiro em todos os tempos. E Johnny Hansen era um dos músicos mais respeitados dessa cena. No entanto até a tarde deste domingo apenas um mega portal de notícias, o G1, registrou o falecimento do músico. Sites decadentes como o da revista Rolling Stone Brasil, portais como UOL e Folha online, além de blogs de cultura pop como o “vizinho” Popload (ou seria Pobreload?), que se comprazem em publicar apenas imbecilidades como “o melhor do Twitter”, comeram mosca e não deram um pio sobre a morte do queridão Hansen. E assim se comprova mais uma vez o quão vergonhosa está a cobertura de cultura pop e rock alternativo pela mídia brazuca (virtual ou impressa) nos tempos atuais. Lamentável.

 

 

PARA OUVIR O HARRY AÍ EMBAIXO

Nas versões original de “Fairy Tales” na íntegra, lançado em 1988, e parte da regravação rock e “elétrica” do álbum, editada em 2015.

 

 

UM CLÁSSICO DO HARRY – SOLDIERS

(do álbum “Fairy Tales”, de 1988)

 

Soldados

 

Eu ouço os soldados, eu ouço eles vêm

Eu tenho certeza que a noite vai ser longa

 

Eu ouço as pessoas, eu ouço eles vêm

Eles não vêem a luz, eles não têm nenhuma diversão

 

Ouvi dizer que eles vêm

 

Estamos aguardando

sangue e suor de alguém

calor de alguém para tirar

 

(enviado por Finatti às 16:30hs.)

AMPLIAÇÃO LEGAL no postão gigantão (informando com EXCLUSIVIDADE o novo endereço do Grind, a domingueira rocker mais famosa da noite paulistana, resumindo como foi o Lolla BR 2017 e dando infos sobre festas legais neste finde em Sampa, com gig do grupo Trem Fantasma)! – Com o rock’n’roll planetário da era da web total flácido, caído e irrelevante, quem ainda salva a parada são os VELHÕES dos anos 80’ como os ainda gigantes The Jesus & Mary Chain e Depeche Mode (que toca no Brasil em março do ano que vem, em gig única na capital paulista), que acabam de lançar seus novos discos e sobre os quais você lê nesse post zapper; a volta da musa rocker do blog com uma gata total abusada e fã de sexo, rock’n’roll, jazz, literatura (ela já publicou quatro livros!) e poesia, ulalá! E as notícias hot do mondo alternativo e da cultura pop em Microfonia, como a edição deste ano do Lollapalooza BR que rola neste finde em Sampa, além da estréia da continuação do clássico cinematográfico da cultura pop, “Trainspotting” e da vinda do shoegazer noventista Slowdive para gig única no Brasil em maio (postão BOMBATOR, atualizado e ampliado em 29/3/2017)

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Dois gigantes do pós-punk britânico dos anos 80’ voltam com novos discos fodões: The Jesus & Mary Chain (acima, em imagem clássica da banda) e Depeche Mode (abaixo, em foto da atual turnê mundial e que chega ao Brasil apenas em março do ano que vem) se mostram em forma e também ensinam aos grupelhos atuais como ainda fazer rock’n’roll relevante

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MICROFONIA, PARTE II

(ampliando o que já estava ótimo!)

***Festa Grind muda de endereço – yep, por quase duas décadas a domingueira rocker mais clássica e célebre da noite under paulistana, comandada pelo super DJ André Pomba, foi abrigada no clubinho gls A Loca. Mas como tudo acaba um dia o Grind saiu de lá há duas semanas (por divergências entre a casa e o DJ Pomba) e já deve estrear em novo endereço neste domingo – provavelmente no clube Desmanche, na rua Augusta. Zap’n’roll cansou de freqüentar o Grind na Loca e aprontou tudo o que pôde nele: foram inesquecíveis nossas trepadas nos banheiros e no dark room, as devastações nasais e as DJs set que sempre fazíamos por lá na semana do nosso aniversário. Agora o blog deseja que o mesmo sucesso continue no novo local, sendo que estamos enviando ao fofolete Pomba algumas perguntas sobre a nova fase da festa rock’n’roll que anima pra valer o povo aos domingões em Sampalândia.

 

***EXTRA! – Definido o novo local e a data da reestréia do lendário Projeto Grind, do DJ Pomba, que acaba de conceder ao blog, em matéria EXCLUSIVA, uma mini-entrevista sobre o assunto. Leiam abaixo:

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Dupla rock’n’roll eterna: Zap’n’roll e o DJ Pomba, que comanda há quase duas décadas a festa Grind; ela muda de local a partir da semana que vem

Zap’n’roll  – O Grind se tornou um clássico da noite alternativa paulistana. Permaneceu por 19 anos no club A Loca e esta semana anunciou sua saída de lá? O que houve, afinal?

André Pomba – Simplificando bastante, foram divergências financeiras e administrativas que foram se acentuando até o rompimento ser inevitável. Como considero minha relação com o clube como a de uma família, acabou-se tolerando muita coisa por conta dos 19 anos de convívio diário. Agora bola pra frente! Espero que o Clube Alôca possa recuperar sua posição na noite paulistana e da minha parte estou com entusiasmo renovado para novos desafios.

 

Zap – O projeto, ao que parece, vai continuar mas em novo endereço. E já há, também ao que parece, várias casas noturnas interessadas em abrigar a domingueira pop/rock mais famosa da capital paulista. Você já se decidiu qual será o novo lar do Grind?

Pomba – sim, no dia seguinte ao anunciar a minha saída recebi várias propostas, conversei com várias donos de casas noturnas. Sempre entendi que precisava de um local na região do Baixo Augusta com uma estrutura similar à Alôca, com duas pistas, palco pra shows e vários ambientes. Então foi fácil fechar com o DJ Click para fazer no Espaço Desmanche (onde era o mítico Vegas). A diferença é que o Grind agora vai começar a meia-noite, assim que encerrar a matinê da casa, de música brasileira, chamada Tereza.

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O super DJ André Pomba, um dos nomes mais conhecidos da noite paulistana, ao lado do também DJ e produtor de eventos Click; a lendária domingueira rocker Grind reestréia no próximo dia 9 de abril, domingo, na casa noturna Espaço Desmanche, na rua Augusta em Sampa

 

Zap – Quando o projeto reestréia?

Pomba – em 9 de abril, domingo meia-noite, com uma super festa de aniversário: a minha mesmo de 53 anos ahahah

 

Zap – Haverá alguma diferença no Grind por conta da sua mudança de local ou ele seguirá mantendo a formula musical que o consagrou por quase duas décadas na Loca?

Pomba – sendo objetivos: uma pista tocará rock como sempre tocamos de todas as épocas e outra pop mais atual. O importante é saber se reciclar sem perder a essência. Acho que conseguiremos trazer um público novo que já frequenta os clubes do Click (Tex, Desmanche e Blitz), com a galera que já frequenta o Grind há anos, como a eterna missa de domingo dos loucos da noite paulistana!

 

***Como foi o Lolla BR 2017 – num resumo ultra rápido e sendo que acompanhamos o festival no conforto do nosso sofá cama? Bão, vamos lá. Merdallica: foi a MERDA cover de si mesma que já era esperada, nenhuma novidade (além das músicas do disco novo inclusas no set). The XX: o trio electro dream pop inglês mostrou que é um dos pouquíssimos nomes relevantes do rock dos anos 2000’. Melodias oníricas e impecáveis, bordadas com esmero e melancolia. Duran Duran: os velhões do new romantic oitentista vieram botando pra foder e fizeram a multidão (de velhos, novos, os caralho) cair na dança sem culpa. Enfeixaram um caminhão de hits em uma exígua hora de apresentação e ainda se deram ao luxo de deixar clássicos como “Save A Prayer” e “The Reflex” de fora do repertório. Foi provavelmente o MELHOR show de todo o festival. The Strokes: já estavam péssimos em disco há séculos. E agora também perderam a mão ao vivo: gig preguiçosa, Julian Casablancas gordola e se arrastando no palco como um mamute e os guitarristas errando as notas em algumas passagens. O set começou ruim, engatou um pouco no meio e terminou pior ainda. Nem de longe lembrou a banda que esteve aqui pela primeira vez em 2005 (no finado Tim Festival) e fez uma apresentação INSANA para um público idem. E sobre Lolla, é isso. Chega, né?

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Merdallica no Lolla BR 2017: a merda de sempre (fotos: produção Lollapalooza)

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O trio inglês The XX: lindas canções com melodias oníricas

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Os velhões do Duran Duran: melhor show do festival

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Os Strokes: já estavam ruins em disco e agora estão também no palco, com gig preguiçosa e erros nas passagens das músicas

 

***Trem Fantasma na área – um dos melhores grupos da novíssima cena independente brazuca, o quarteto curitibano estará em Sampa neste final de semana (leia-se: 31 de março e 1 de abril). Eles vêm fazer gigs de lançamento do seu primeiro disco completo, o muito bom “Lapso”, que saiu no final do ano passado e que traz doses concentradas de rock setentista e psicodelia. O grupo toca na sextona em si, DE GRAÇA, em pocket show às sete da noite na Fnac da avenida Paulista. E também no sábado no bar Serralheria, sendo que todas as infos sobre as duas apresentações estão aqui: https://www.facebook.com/events/682653255256160/. E você pode conhecer o som da galera aí embaixo:

 

***Festa legal, I – a lindaça e gatíssima DJ Vanessa Porto (dileta amiga destas linhas bloggers rockers) comanda bailão rock’n’roll nessa sexta-feira, na Barra Funda, com direito a gig do ótimo trio surf instrumental paulistano Os Brutus. Quer saber onde rola? Vai aqui: https://www.facebook.com/events/242991809497407/?notif_t=plan_edited&notif_id=1490813406969489.

 

***Festa legal, II – já no sabadão em si, 1 de abril, tem mais uma edição da sempre ótima Combo Hits, comandada pelos queridões DJs Romani e João Pedro Ramos, lá no Lab Club, no baixo Augusta. Garantia de ótimos sons pra dançar a madrugada toda, sendo que as infos completas sobre a balada estão aqui: https://www.facebook.com/events/1924928314406258/?active_tab=about.

 

***É isso, rockers & lovers. Agora postão encerrado meeeeesmooooo – ao menos por enquanto, hihihi. Muak!

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, o rock, discos, bandas, shows, livros, filmes, baladas etc.)

***Lollapalooza BR 2017 – rola neste finde em Sampa, né. E está muito evidente já que a programação deste ano é a mais fraca de todas as edições até agora e que, por isso mesmo, deverá haver sobra recorde de ingressos (eles ainda estão sendo vendidos pelo site do festival e também nas bilheterias do autódromo de Interlagos, onde vai rolar a maratona musical a partir de amanhã, sabadão em si). Também quem quer ver Merdallica pela enésima vez? Yep, tem algumas atrações bacanas aqui e ali no line up (como The XX, Rancid, Duran Duran e The Strokes, além de brasileiros como a sempre ótima Céu) mas absolutamente NADA que justifique o preço absurdamente extorsivo que estão cobrando pelos tickets. Mas enfim, se você vai boa sorte, sendo que todas as infos do Lolla podem ser acessados aqui: https://www.facebook.com/LollapaloozaBR/?fref=ts, e aqui: https://www.lollapaloozabr.com/. Estas linhas rockers bloggers vão acompanhar sim os dois dias de shows… no conforto da sua cama, pelo canal Multishow, uia!

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Strokes: eles fecham o Lollapalooza BR 2017 neste domingo

***Temples perdendo a mão no segundo álbum – yep, o quarteto inglês surgido em 2012 e que era uma das grandes promessas do rock britânico do novo milênio, desceu a ladeira em seu segundo disco, “Volcano”, que foi lançado no começo deste mês. Sobrou muito pouco das ambiências ultra sessentistas e psicodélicas que encantaram o mundo em “Sun Structures”, a estréia do grupo em 2014. Há boas melodias nas doze faixas do novo cd (que você pode conferir na íntegra abaixo) mas nada que chegue perto do primeiro e impactante álbum dos garotos. E assim mais um raro bom nome do rock atual é vencido pela maldição do segundo disco, infelizmente…

 

***A volta de “Trainspotting” – yeeeeesssss! Entrou ontem em cartaz nos cinemas brasileiros “T2 Trainspotting”, a continuação da saga dos quatro amigos escoceses viciados em heroína e que colocou o mundo e a cultura pop de cabeça pra baixo há vinte anos, quando o primeiro filme foi lançado. Duas décadas depois o novo longa mostra como está hoje a vida de Renton (o personagem central da trama, interpretado novamente por Ewan McGregor, claaaaaro!) e seus comparsas, tudo novamente sob a direção do mesmo Danny Boyle que realizou o filme de 1996. Todas as criticas à continuação têm sido mega elogiosas e tai um programão cinematográfico para os próximos dias.

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***Nova edição do Bailindie da saudade – o primeiro deu super certo e levou uma multidão de trintões e quarentões fãs de shoegazer e indie noise guitar rock ao centrão de Sampa há um mês. Daí que os DJs Plínio, Dina e Bispo vão colocar todo mundo pra dançar novamente ao som de My Bloody Valentine, Jesus & Mary Chain, Ride, Oasis, Happy Mondays, Blur, Lush etc, etc, etc. Anote na agenda: vai ser no próximo dia 7 de abril, sexta-feira, sendo que todas as infos estão aqui: https://www.facebook.com/events/1817114361871504/.

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***Anote na agenda, II –  o redivivo shoegazer Slowdive toca em São Paulo, no Cine Joia, dia 14 de maio, um domingo. Os tickets já estão à venda e mais infos você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/1167045813403956/.

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O shoegazer inglês Slowdive: gig em Sampa, em maio

***Anote na agenda, III –  antes quem também toca em Sampa é o músico carioca Raf F. Guimarães. Com uma carreira de quase duas décadas já e fazendo um rock experimental, psicodélico e low fi, Raf já lançou mais de vinte trabalhos, entre discos próprios e participações em outros projetos. Seu som é totalmente anti comercial e difícil até mesmo para os padrões da indie scene nacional. Interesssou? Ele se apresenta solo e apenas com guitarra e voz dia 13 de abril (véspera do feriado da sexta-feira santa) na Sensorial Discos.

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***É isso? Yep, por enquanto é.

 

 

O ROCK DO NOVO MILÊNIO SEGUE CAINDO AOS PEDAÇOS E OS VELHÕES JESUS & MARY CHAIN E DEPECHE MODE RETORNAM PRA COLOCAR ORDEM NO GALINHEIRO ROCKER

Estamos em março de 2017 e o rock’n’roll da era da web (mesmo aquele, hã, mais alternativo) segue mal das pernas, quase que totalmente irrelevante e com a grande maioria das bandas lançando discos musicalmente inúteis e insípidos, que desaparecem da memória de zilhões de ouvintes infiéis tão rápido quanto surgiram e foram escutados. Assim não é surpresa alguma que duas bandaças inglesas do anos 80’, ambas ainda na ativa, causem tanto estardalhaço com os seus novos álbuns de estúdio. O gigante do pop/rock eletrônico Depeche Mode colocou no mercado no último dia 17 de março o cd “Spirit”, seu décimo quarto trabalho de estúdio, e logo em seguida caiu na estrada se lançando em turnê mundial (a “Global Spirit Tour”) que os trará a um show único no Brasil, em São Paulo, no dia 27 de março de 2018. Já o Jesus & Mary Chain dos irmãos Jim e William Reid (ambos guitarristas, vocalistas e compositores de toda a obra do grupo) lança oficialmente HOJE no mundo todo “Damage & Joy” (que já está disponível para audição em plataformas virtuais, como o Spotify), seu primeiro trabalho inédito em estúdio depois de dezenove anos de ausência. E tanto o disco do Depeche quanto do Jesus devem ganhar edição nacional logo menos.

O barulho causado pelos novos trabalhos de dois conjuntos que já estão há mais de três décadas na ativa se justifica plenamente. Ambos estão muito acima em termos de qualidade musical e artística do que é lançado pelas atuais bandinhas novinhas do rock planetário. Mesmo o Depeche Mode, que veio com um disco mais lento e anti comercial, ainda mostra fôlego renovado para um grupo cujos integrantes (o vocalista Dave Gahan, o guitarrista, vocalista e letrista Martin Gore e o tecladista Andrew Fletcher) já passaram da casa dos cinqüenta anos de idade. O mesmo se dá com JMC: os manos Reid também já passaram dos cinquentinha de vida há tempos. Ainda assim soltaram um discão vibrante, que se equilibra muito bem entre melodias aceleradas e tramadas com guitarras barulhentas (a especialidade deles) e momentos mais dolentes. É o primeiro cd deles desde 1998 (quando editaram o também muito bom “Munki”) e, na comparação, soam melhor que o comeback do DM (cujo último registro de estúdio havia sido “Delta Machine”, em 2013). Mas de qualquer forma os dois discos deixam os lançamentos dos grupelhos atuais comendo poeira.

A trajetória do Jesus & Mary Chain sempre foi instável e atribulada, mas pontuada por discos essenciais na história recente do rock’n’roll. Fundada pelos irmãos Jim e William Reid em 1983, a banda escocesa logo se tornou célebre por apresentar sets ao vivo que duravam apenas vinte minutos e onde os integrantes tocavam no palco de costas para a platéia. Quando o disco de estréia foi lançado em novembro de 1985, recebeu aclamação unânime da imprensa especializada: “Psychocandy” se tornou um marco do pós-punk britânico e do noise guitar por apresentar canções curtas (o álbum durava menos de quarenta minutos) e onde doces e lindas melodias eram soterradas por uma parede sonora de microfonia e distorção. Já em “Darklands”, o segundo trabalho editado em 1987, o JMC se mostrava menos barulhento mas em compensação apresentava uma batelada de canções climáticas e sombrias, que novamente receberam aprovação da rock press planetária e dos fãs. Daí em diante o conjunto foi passando por uma série de alterações em sua formação (sendo que Bobby Gillespie, o homem que há quase três décadas comanda o Primal Scream, foi o primeiro baterista do grupo dos irmãos Reid) mas sempre mantendo o núcleo central em torno de Jim e William. Uma dupla que registrou para a história do rock’n’roll LPs nunca menos do que muito bons, como “Automatic” (de 1989 e cuja turnê os trouxe pela primeira vez ao Brasil, em 1990) e “Munki” (o derradeiro trabalho deles, lançado em 1998, sendo que o grupo ficou quase vinte anos sem gravar nada inédito). Mas mesmo lançando esses álbuns com qualidade infinitamente superior ao que se ouve no rock atual Jesus era uma banda problemática fora do estúdio, muito por conta das enfiações de pé na lama em álcool e drugs dos irmãos Reid, além das constantes brigas entre eles – não raro os dois saíam mesmo na porrada. Isso foi um dos principais motivos da longuíssima hibernação do grupo e de sua ausência dos estúdios de gravação. Uma ausência que só foi quebrada agora (sendo que o grupo nunca tinha oficialmente encerrado atividades e volta e meia reaparecia para shows ao vivo), dezenove anos depois do último cd, com o lançamento de “Damage & Joy”.

Pois se o grupo anda se mostrando flácido ao vivo de anos pra cá (nas duas vezes em que retornou ao Brasil, em 2008 e 2014, as gigs foram ruins de doer), ele mostra vigor adolescente e dá um banho de rock’n’roll classudo e noise no novo disco. Isso já havia sido mostrado nos dois primeiros singles que antecederam ao lançamento do cd completo, “Amputation” e “Always Sad”. E o trabalho como um todo só confirmou as expectativas: faixas como “All Things Pass” (talvez a melhor de um álbum que já pode estar na lista dos melhores lançamentos de 2017) e “The Two Of Us” possuem guitarras aceleradas e barulhentas mas, ao mesmo tempo, são incrivelmente dançantes e radiofônicas. Por outro lado o grupo não se envergonha de emular a si próprio, como em “Song For A Secret”, que parece irmã gêmea da lindíssima “Sometimes Always”, que eles gravaram no álbum “Stoned & Dethroned”, em 1993 – inclusive com direito a inclusão de vocais femininos na canção. Como se não bastasse o bom resultado obtido nessas músicas, Jesus ainda deu uma atualizada no seu noise guitar, convidando a novata diva pop Sky Ferreira para fazer os vocais em “Black And Blues”. O disco foi produzido pelo músico Youth (lendário baixista do Killing Joke), que também tocou baixo nele. E é ótimo ver e ouvir um nome já tão veterano do rock inglês reaparecer em grande forma (ao menos em disco), tirando o rock’n’roll atual do abismo criativo e qualitativo no qual ele se encontra.

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Os novos discos do Jesus & Mary Chain (acima, que está sendo lançado oficialmente hoje) e Depeche Mode (abaixo): dois ótimos comebacks de “velhões” dos anos 80’ que seguem em plena forma no rock’n’roll

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A intenção parece ter sido a mesma para o igualmente mega veterano Depeche Mode com “Spirit”, seu novo álbum de estúdio, que saiu há uma semana: tirar o rock’n’roll de hoje do buraco. Conseguiram? Até certo ponto. O cd foi precedido por um single razoavelmente empolgante e com letra altamente política, “Where’s The Revolution”. Porém o restante do disco foge de canções mais melódicas e/ou radiofônicas e do electropop dançante que era a marca registrada da banda nos anos iniciais da sua trajetória. Ainda bastante eletrônico mas sem muito espaço para guitarras, o novo álbum do DM engendra uma batelada de canções lentas e com ambiência sonora muitas vezes sombria (caso de “Going Backwards”, “Scum” ou “You Move”) e que custam a cair no gosto do ouvinte, ainda que algumas dessas faixas (como “Cover Me”) produzam sensação alentadora de melancolia e reflexão existencial em quem as escuta. Resquícios do DM eletrônico e também dançante surgem muito pontualmente ao longo do trabalho, e talvez o melhor exemplo disso esteja mesmo em “So Much Love”, um electrogoth mezzo industrial que sugere um mix improvável de Depeche Mode com Joy Division.

Nem de longe é um disco ruim, no final das contas. Mas certamente irá ter assimilação imediata difícil por parte dos fãs, principalmente nas apresentações ao vivo da nova turnê mundial, que já teve início. De qualquer forma tanto The Jesus & Mary Chain quanto Depeche Mode, com seus novos e super bem vindos álbuns de estúdio, deixam claro o que todos nós já estamos carecas de saber (e ouvir): o rock dos anos 2000’ está praticamente morto e enterrado. E ele só é salvo e resgatado da sepultura quando velhões como JMC e DM ressurgem das tumbas e mostram como se faz a parada. Pois que continuem mostrando ainda por muito tempo.

 

***The Jesus & Mary Chain esteve por três vezes no Brasil: em 1990, 2008 e 2014. O primeiro show, no extinto ProjetoSP, foi barulhento, ensurdecedor e inesquecível. Já os dois últimos foram quase desastrosos, com os irmãos Reid preguiçosos no palco e chegando ao descalabro de errar feio em alguns riffs de guitarra e passagens melódicas. O grupo já está em nova turnê, promovendo o novo álbum. Não há previsão de nova visita ao Brasil.

 

***Já o Depeche Mode esteve uma única vez aqui, em 1994, na também finada casa de shows Olympia, em Sampa. Era a excursão promovendo um discaço da banda, o “Songs Of Faith And Devotion”, lançado um ano antes. Mas o show foi sofrível – o autor deste blog estava nele. Depois o grupo anunciou nova passagem por aqui em 2009, e ingressos para as gigs chegaram a ser postos à venda. Nada feito: um mês antes de desembarcar no bananão o conjunto cancelou a turnê sem maiores explicações. Agora o site oficial da banda confirma que ela vai tocar aqui em 27 de março de 2018. Vai ser um único show no país, na capital paulista no estádio do Palmeiras. Os ingressos para o mesmo devem começar a ser vendidos no mês que vem.

 

 

O SETLIST DO NOVO DEPECHE MODE

1.”Going Backwards”

2.”Where’s the Revolution”

3.”The Worst Crime”

4.”Scum”

5.”You Move”

6.”Cover Me”

7.”Eternal”

8.”Poison Heart”

9.”So Much Love”

10.”Poorman”

11.”No More (This Is The Last Time)”

12.”Fail”

 

 

O SETLIST DO NOVO JESUS & MARY CHAIN

1.”Amputation”

2.”War on Peace”

3.”All Things Pass”

4.”Always Sad”

5.”Songs for a Secret”

6.”The Two of Us” 4:12

7.”Los Feliz (Blues and Greens)”

8.”Mood Rider”

9.”Presidici (Et Chapaquiditch)”

10.”Get on Home”

11.”Facing Up to the Facts”

12.”Simian Split”

13.”Black and Blues”

14.”Can’t Stop the Rock”

 

 

OS NOVOS DISCOS DO DM E DO JMC AÍ EMBAIXO

Para audição na íntegra, via Spotify.

 

E OS VÍDEOS PROMOCIONAIS DOS NOVOS SINGLES DOS DOIS GRUPOS

 

A NOSSA PRIMEIRA MUSA ROCKER DE 2017! ABUSADA, ESCRITORA, FÃ DE SEXO, JAZZ, POESIA E ROCK’N’ROLL, WOW!

Nome: Juliana Frank.

Idade: 32 anos.

De: São Paulo, capital.

Mora em: São Paulo.

O que estudou: “fiz umas oito faculdades, não acabei nenhuma”.

O que faz: além de escritora (já publicou quatro livros) é roteirista de animação na produtora Coala Filmes.

Três discos: “A Kind Of Blue” (John Coltrane), “Galos de briga” (João Bosco) e “$O$” (Die Antwoord).

Três artistas: Lana Del Rey, Tim Buckley e Die Antwoord.

Três filmes: “O sabor da melancia”, “Leaving Las Vegas” e “Casablanca”.

Três diretores de cinema: Tsai Ming Liang, Robert Rodrigues e Sergio Leone.

Três livros: “Diário de um ano ruim” (Coetezze), “Rayuela” (Julio Cortazar) e “Las Redes Del Poder” (Foucault).

Um show inesquecível: The Rolling Stones no Rio De Janeiro, 2006, na praia de Copacabana.

O que ela tem a dizer sobre… sexo, rsrs: “Já fiz sexo matrimonial, sexo com faxina, ménage (apesar de considerar grupal um tanto confuso, sou muito concentrada e acabo me dando mal). Já fiz sexo maconhada, de pé na rede e o diabo a quatro. Mas o maior delírio do sexo mesmo é o amor.  Tem uma frase que adoro, do Miguel Esteves Cardoso: ‘Mas o amor é fudido. E gostei de fodê-lo contigo’”.

Como o blog conheceu a garota: Zap’n’roll conhece Juliana Frank desde que ela era uma pirralha “aborrescente” dos seus dezesseis anos de idade (rsrs). Ela vivia com a turma que trabalhava na redação da saudosa revista Dynamite e era fã (vejam só) de heavy metal e gothic rock. Este já velho jornalista rocker (e ainda loker) se tornou então amigo dela, embora a considerasse na época um tanto “maletinha” (como quase todo “aborrescente”, no final das contas), hihihi. A dupla permanece amiga até hoje e miss Ju se tornou um mulherão aos trinta e dois anos de idade: é fã de jazz (e de rock ainda, não perdeu o amor pelo gênero), estudou Letras e Filosofia e publicou quatro livros, entre eles o delicioso “Uísque e vergonha”, que foi publicado em 2016. Quer conhecer pesoalmente a moçoila? Ela bate cartão no bar/teatro Cemitério De Automóveis (cujo um dos proprietários é o dramaturgo e queridão Mário Bortolotto), que fica na rua Frei Caneca, centrão de Sampalândia. E seu perfil no faceboquete pode ser acessado aqui: https://www.facebook.com/profile.php?id=100011415196359.

E agora marmanjos e marmanjas, deleitem-se aí embaixo com os total delicious NUDES de miss Juliana, wow!

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Uma câmera na mão e um corpo desnudo pedindo tudo

 

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“Só os VIRTUOSOS sabem pecar de verdade” (do livro “Uísque e vergonha”, 2016)

 

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Gatinho feliz

 

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Gatinho feliz, II

 

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O jornalista eternamente loker e sua amiga e musa rocker

 

E PARAMOS POR AQUI

Postão bacanão, néan. Recheado com papos sobre a volta dos gigantes Jesus & Mary Chain e Depeche Mode, turbinado com uma tesudíssima musa rocker e também com as últimas do mondo pop/rock e da cultura pop. De modos que ficamos por aqui e retornamos logo menos, assim que novos e palpitantes assuntos exigirem a volta do blogão campeão em rock alternativo e cultura pop. Até o próximo post então, com beijos quentes e doces no nosso sempre dileto leitorado.

 

(atualizado e ampliado por Finatti  em 29/3/2017às 18hs.)

Em sua nova fase editorial o blog zapper se permite publicar postagens especiais; e NESSE postinho extra celebramos não o dia internacional da mulher que é comemorado hoje (uma bobagem/idiotia repleta de hipocrisia, já que as mulheres deveriam ser respeitadas e valorizadas ao máximo TODOS os dias do ano, e não apenas em uma data específica) mas, sim, a confirmação da vinda ao Brasil do gigante e lenda viva do rock’n’roll The Who, uhú!

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NEW YORK, NY - FEBRUARY 28:  The Who's Roger Daltrey and Pete Townsend perform during the Who Cares Benefit For Teen Cancer America Memorial Sloan-Kettering Cancer Center at The Theater at Madison Square Garden on February 28, 2013 in New York City.  (Photo by Rick Diamond/Getty Images)
O gigante The Who na atual turnê mundial, com a dupla imbatível Roger Daltrey (vocais) e Pete Townshend (guitarras): shows no Brasil confirmados para setembro próximo

 

Yep, este post extrinha (com total merecimento do tema) já está meio que explicado no seu título, néan? Hoje é dia internacional da mulher. Ok. Foda-se! Zap’n’roll odeia qualquer tipo de data comercial comemorativa, seja lá qual for ela – detestamos até nosso próprio aniversário inclusive, rsrs. Então preferimos falar algumas poucas mas necessárias linhas sobre o que de fato nos empolgou de ontem para hoje: a confirmação enfim da vinda do histórico, clássico, mega lendário e ainda gigante grupo inglês The Who ao Brasil em setembro próximo. Embora o próprio empresário da banda já tivesse anunciado, durante entrevista em Londres há algumas semanas, que o conjunto viria esse ano finalmente para o Brasil, ainda tinha muita gente que duvidava. Pois a organização do Rock In Rio confirmou ontem: eles tocam na edição deste ano do festival carioca no dia 23 de setembro, ao lado do Guns ‘N Roses (que vai passar humilhação pública monstro nesse dia por tocar na mesma data que o Who, ahahahahahaha).

Vai haver shows também em Sampa, claro. E talvez em Porto Alegre. Falta apenas divulgarem as datas. E muitos vão chiar dizendo que o que vem aí não é o Who original mas apenas MEIO Who (pois o batera Keith Moon e o baixista John Entwistle foram pro saco há séculos já; um morto por overdose de soníferos, o outro, por excesso de devastação nasal com cocaine), contando ainda com o vocalista monstro que é Roger Daltrey e o guitar heroe e gênio Pete Townshend.

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Imagem da formação clássica do Who, com Pete Townshend “voando” com sua guitarra em primeiro plano

Novamente: foda-se! Desde já é uma gig imperdível por zilhões de motivos. E talvez o principal deles seja mesmo que The Who é a última grande banda de toda a história do rock’n’roll ainda em atividade e que nunca tocou no Brasil. E também deverá ser a única turnê deles por aqui: Daltrey e Townshend estão septuagenários e o conjunto, na atividade há meio século, deve estar pensando na aposentadoria já.

Então temos um encontro marcado em setembro com os heróis mods e da classe trabalhadora inglesa dos sixties. E quem tiver sempre na alma e no coração o ainda grande rock que importa, que nos siga!

Aí embaixo links pra você curtir alguns dos momentos mais brilhantes da trajetória do Who, além do set list da atual turnê deles. Boa audição!

 

  • Obs: e semana que vem o blogão volta em edição normal, falando entre outros assuntos do novo disco dos ingleses do Temples.

 

 

O SET LIST DA ATUAL TURNÊ

I Can’t Explain

The Seeker

Who Are You

The Kids Are Alright

I Can See for Miles

My Generation

Behind Blue Eyes

Bargain

Join Together

You Better You Bet

5:15

I’m One

The Rock

Love, Reign O’er Me

Eminence Front

Amazing Journey

Sparks

Pinball Wizard

See Me, Feel Me

Baba O’Riley

Won’t Get Fooled Again

 

(enviado por Finatti às 17:30hs.)

 

No blogão zapper sempre programação normal e NADICA de carnaval! Então bora ver a novíssima e REAL cena indie brazuca que importa (e não aquela “ilha da fantasia indie” de um certo e já mezzo decadente blog “vizinho”, uia!), com a cantora sergipana Héloa e o trio rock cearense Oto Gris; mais: segue a imundície sem fim na política nacional; um tópico relembrando o grande Smashing Pumpkins e tudo o que importa na cultura pop (como a volta da geração shoegazer inglesa, através dos novos singles do Jesus & Mary Chain, Ride e Slowdive) na seção Microfonia que agora passa a abrir cada novo post do blog

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Mesmo estando passando por um de seus piores momentos, a cena musical independente brasileira continua revelando artistas surpreendentes pela qualidade da sua música, como é o caso da novíssima cantora sergipana Héloa (acima) e que acaba de lançar um muito bom disco de estreia; já lá fora, com a derrocada qualitativa do rock atual, a velha guarda do shoegazer e do indie guitar noise britânico ensaia uma volta com tudo em 2017, sendo que um dos grupos dos anos 90’ que prometem disco inédito ainda para este ano é o britânico Ride (abaixo), que lançou esta semana suas primeiras músicas inéditas em mais de duas décadas

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, o rock, discos, bandas, shows, livros, filmes, baladas etc.)

 

***A volta do indie guitar noise e do shoegazer dos 90’ – É a melhor notícia do mondo rocker esta semana: já que o rock de hoje está uma “melda”, bora voltar ao passado. No caso, ao classudo e inesquecível indie shoegazer e ao noise guitar dos 90’. Se nada der errado ambos voltam a sacudir o rock’n’roll planetário nesse sombrio 2017, através dos retornos do Jesus & Mary Chain, do Slowdive e do fantástico quarteto Ride. O JMC, dos irmãos Reid, lança seu novo álbum, “Damage & Joy” em 24 de março. É o primeiro trabalho inédito deles desde “Munki”, que saiu em 1998. E a banda já disponibilizou na web os dois primeiros singles do novo álbum, que são beeeeem legais. Então a expectativa pro cd completo é a melhor possível. Já o Ride (a quem devemos ao saudoso DJ Toninho, do também saudoso Espaço Retrô, ter conhecido essa banda magnífica que embalou muitas madrugadas finátticas malucas há mais de vinte anos, movidas a álcool e cocaine em porões escuros do circuito under paulistano) também saiu das catacumbas no ano passado. E promete igualmente disco inédito para esse ano ainda. O primeiro single desse disco saiu ontem (apenas o áudio) e se chama “Charm Assault”. É bacanuda também e faz prever que teremos um bom álbum completo – que segundo a banda, sai em algum momento no segundo semestre. Por fim o inglês Slowdive, um dos nomes mais cultuados do shoegazer britânico nos 90’, também está preparando seu primeiro disco inédito em mais de duas décadas. Uma amostra do novo trabalho está no novo single, “Star Rowing”, que saiu mês passado e é que sensacional. E bien, você pode ouvir todos os novos singles do JMC, do Ride e do Slowdive aí embaixo:

 

***Ryan Adams incansável! – e não? O ainda jovem (quarenta e dois anos de idade) pequeno gênio do rock country folk mezzo indie americano já lançou nada menos do que dezesseis álbuns de estúdio desde o ano 2000’, o que dá uma média de quase um disco inédito a cada ano. O mais recente, “Prisoner”, foi lançado na semana passada, já está colecionando elogios pela rock press gringa e o blog gostou bastante do que ouviu nele.

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***Festa goth/erótica bacana em pleno carnaval – yeeeeesssss! O já tradicional festival goth/erótico/sadomasô Libertine vai realizar edição especial durante o reinado de momo nesse sábado de carnaval, 25 de fevereiro. Como sempre as sonoridades gothic rock, pós-punk e anos 80’ irão dominar a pista e a balada acontece no Enfarta Madalena, na Vila Madalena, zona oeste de Sampa. Não gosta de folia momesca, quer ir na festona e saber tudo sobre ela? Vai aqui: https://www.facebook.com/events/1791819211077815/.

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***E semana que vem bailão indie da terceira idade – um dia todos acabaríamos chegando inevitavelmente a ISSO, rsrs. Como não há incrivelmente mais espaços alternativos em Sampa (isso, numa cidade com mais de doze milhões de habitantes e milhares de bares e casas noturnas) para se dançar e curtir indie guitar rock, noise e shoegazer noventista, os djs Plínio (que tocou no inesquecível Espaço Retrô) e Dina (do Café Elétrico) tiveram a ideia mais do que bacaníssima: vão comandar o Bailindie da saudade no próximo dia 3 de março, no centro de Sampa. Então foda-se que estamos todos véios e tiozões já. Vamos lá todos nós com nossas bengalinhas dançar a noite toda sons do naipe de Jesus & Mary Chain, Ride, Slowdive, Lush, Stone Roses, My Bloody Valentine, Happy Mondays e até um Blur, Oasis ou Elastica. Promete ser uma das festas mais legais deste início de ano no circuito under paulistano, que anda mesmo caidaço (depois dos fechamentos do Astronete, do Matrix e do Inferno Club) nesses tempos tenebrosos onde ex-casas noturnas de rock do baixo Augusta agora tocam até funk porqueira em suas noitadas open bar igualmente porcas. Mais sobre o bailão pros “velhinhos” indies transviados e ainda lokers e rockers (como o autor deste blog), você confere aqui: https://www.facebook.com/events/730073647155857/.

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***Bowie, o melhor mesmo depois de morto – major Tom/Ziggy Stardust nos deixou há um ano e voltou para as estrelas. Mesmo assim o gênio eterno continua brilhando: “Black Star”, o álbum que ele lançou dois dias antes de morrer, acabou de ganhar o Brit Awards 2017 nas categorias melhor disco e melhor cantor. O BA é a principal premiação musical inglesa, espécie de “Oscar” da música britânica. Isso aê: o “camaleão” será eternamente um dos maiores gênios que surgiram no rock mundial.

 

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A REAL E AINDA ÓTIMA ATUAL CENA DA MÚSICA INDEPENDENTE BRASILEIRA – NESSE POST COM A NOVÍSSIMA CANTORA SERGIPANA HÉLOA E COM O TRIO POST ROCK CEARENSE OTO GRIS

Mesmo passando por um dos piores momentos de sua história nas últimas duas décadas, a cena independente nacional ainda assim surpreende vez por outra quem a acompanha de perto (como este espaço blogger, e isso já há mais de vinte anos também). Foi o que aconteceu quando tomamos contato com os discos de estreia da cantora sergipana Héloa e do trio cearense Oto Gris. O blog não conhecia nenhum dos dois até duas semanas atrás. Héloa foi descoberta enquanto o jornalista zapper “fuçava” em sites de música (nossa obrigação, no final das contas) atrás de novidades ou de algo digno de nota, quando deu de cara com a notícia de que a cantora estaria lançando seu primeiro álbum completo com show em São Paulo – e que rolou no final de semana passado, no Itaú Cultural. Já a banda Oto Gris foi indicação preciosa do queridão amigo e vocalista do grupo Los Porongas, Diogo Soares.

Quem é Héloa, afinal? Ela nasceu em Sergipe, tem vinte e oito anos de idade e se mudou para São Paulo há cerca de um ano. Já veio para a capital paulista trazendo uma bagagem artística valiosa: canta desde a adolescência, além de ser bailarina e atriz de teatro. E aqui começou a se enturmar com outros músicos conhecidos da cena alternativa nacional e que, tal qual ela, eram/são “estrangeiros” em Sampa mas todos já devidamente incorporados à melhor paisagem sonora do atual circuito indie paulistano. Foi assim que Héloa conheceu nomes como o cantor e compositor cearense Daniel Groove, o produtor e ex-guitarrista dos Porongas, João Vasconcelos, e os músicos Carlos Gadelha (atual guitarrista dos Porongas) e Guri Assis Brasil (ex-guitarrista da ótima banda gaúcha Pública).

Trabalhando junto com seus novos amigos de forma disciplinada e com bastante empenho, Héloa foi desenvolvendo as composições que formam o material de seu primeiro disco. Sendo que há de se ressaltar que ela é basicamente uma interprete: das dez faixas de “Eu”, seu cd de estreia, a cantora assina a autoria de apenas uma delas (“A avenida”), em parceria com Eduardo Escariz. O restante do álbum é composto por canções escritas por amigos como Daniel Groove (autor de “Super herói”, “Se você disser que vem” e “Meus amigos”, esta última em pareceria com o paraense Saulo Duarte) além de trazer versões para “Caravana” (de Geraldo Azevedo e Alceu Valença) e “Crua” (composta pelo pernambucano e ex-Mundo Livre, Otto).

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A gata sergipana Héloa (acima, se apresentando semana passada no Itaú Cultural, em São Paulo) e o trio cearense Oto Gris (abaixo): duas bacanudas revelações da novíssima safra musical independente nacional

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É uma leva de canções e autores que desvela bem por onde trafega a música da sergipana: ela deambula com desenvoltura pela MPB tradicional mas também se aproximando de ambiências mais rockers (o que fica evidente nas melodias e no bom trabalho dos guitarristas Allen Alencar, Eduardo Escariz e João Vasconcelos no estúdio, e Carlinhos e Guri Assis que acompanham a cantora ao vivo). Com músicas que possuem letras bem acima da média do que se ouve atualmente e com um vocal afinadíssimo e que agrada bastante ao ouvinte por conta de sua inflexão poderosa, Héloa pode, merece e deve alcançar públicos bem maiores nos próximos meses. Em uma geração (a de 2000’ pra cá) que revelou poucas mas ótimas cantoras brasileiras (como Céu, Tulipa Ruiz e Tiê), a bela morena nordestina já tem lugar assegurado entre as boas revelações dessa geração.

E é do nordeste também que vem o trio rock Oto Gris (pobre Sampalândia… enquanto aqui a cena alternativa definha e sofre com a falta de renovação de artistas que possuam uma qualidade mínima, no restante do Brasil boas surpresas continuam surgindo, felizmente). Egresso de Fortaleza e formado por Davi Serrano (vocais e guitarras), Jonas Gomes (baixo) e Victor Bluhm (bateria e samples) o grupo é novíssimo (foi formado há cerca de dois anos) e também fixou residência em São Paulo, onde gravou no estúdio Cambuci Roots (do músico e produtor João Vasconcelos) seu disco de estreia, “Avoa”. É um cd que foge bastante dos padrões do que se ouve atualmente no rock alternativo brasileiro: com canções cujas melodias bucólicas e contemplativas flanam por paisagens suaves, reflexivas e algo melancólicas, Oto Gris evoca algo de post rock em sua sonoridade mas sem a chatice e a pretensão de bandas como o Mogwai, por exemplo. O vocal de David sussurra letras que desvelam imagens metafóricas sobre a impossibilidade do sentimento amoroso (como em “Práticas de mergulho-vôo”, onde ele canta: “Confesso/Não estar tudo bem/Sem um teto, sem freio/E agora sem você”), tudo emoldurado por guitarras plácidas envoltas em brumas engendradas por efeitos de samples.

Trata-se, enfim, de um trabalho que deve ser apreciado com calma e atenção, em uma noite solitária e chuvosa, regada a bom vinho e um bom beck, rsrs. Mas, sobretudo, Oto Gris e Héloa mostram duas faces bastante distintas de uma nova cena alternativa brasileira que, sim, ainda consegue surpreender quem a acompanha com lançamentos dignos como é o caso da cantora sergipana e do trio cearense.

 

 

 

PARA OUVIR HÉLOA E OTO GRIS

Aí embaixo, com os álbuns de estreia de ambos na íntegra, além dos vídeos promocionais para os singles de trabalho da cantora e do trio de Fortaleza.

 

DOC SOBRE OS SMASHING PUMPKINS MOSTRA COMO A BANDA ERA FODÁSTICA E COMO O ROCK DE HOJE, DEFINITIVAMENTE, ACABOU

Madrugada dessas rolou um ótimo doc sobre os Smashing Pumpkins no Canal Bis (um dos preferidos do blog na TV paga, ao lado do Canal Brasil). O SP está na ativa até hoje. Mas é claro que ele já se tornou irrelevante há séculos e o trabalho atual do gênio (sim, ele é ou ao menos foi) e OBCECADO Billy Corgan não chega na sola do sapato do que a banda conseguiu em seus primeiros três e fundamentais discos (“Gish”, de 1991; “Siamese Dream”, de 1993 e “ Mellon Collie and the Infinite Sadness”, que foi editado no final de 1995 e, mesmo sendo um cd duplo, vendeu na época quase 20 milhões de discos). É a grande fase do quarteto que além de Billy nas composições, guitarras e vocais, tinha o japa James Iha na outra guitarra, a loiruda D’Arcy no baixo e o batera MONSTRO Jimmy Chamberlin – além de ter contado com os trampos de outro gênio, Butch Vig, na produção de seus dois primeiros álbuns de estúdio. Uma grande fase não apenas para o próprio SP mas para todo o rock daquela época (com o grunge vivendo seu auge e bandas como Nirvana, Pearl Jam, Screaming Trees e Mudhoney lançando apenas discaços e dominando a cena rock americana).

Cada vez mais o sujeito que escreve estas linhas bloggers anda se sentindo melancólico, solitário e precocemente ENVELHECIDO aos 5.4 de existência. Mas aí quando começamos a ficar muito tristonhos e assistimos um doc como esse dos Pumpkins, o matiz cinza sai um pouco de cena e nossa minha alma e coração se colorem novamente um pouco mais. Afinal, se tivéssemos esses mesmos 5.4 nas costas não teríamos assistido o SP AO VIVO duas vezes: a primeira no auge da banda, no festival Hollywood Rock em janeiro de 1996, no estádio do Pacaembu lotado, na turnê do “Mellon Collie…” e com uma massa gigantesca e total alucicrazy se estapeando na frente do palco pra poder ver e ouvir o quarteto o mais perto possível. E a segunda vez na extinta casa de shows Olympia/SP, no bairro da Lapa, quando eles voltaram ao Brasil na turnê do álbum “Adore”. Aí o conjunto já não era mais o mesmo (Jimmy tinha sido expulso do grupo por Billy, em decorrência do célebre caso em que o baterista quase foi pro saco em um hotel nos EUA, depois de tomar uma involuntária overdose de heroína) e a gig foi… estranhíssima. Não ruim, mas estranha, incômoda, sonolenta em alguns momentos.

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As “Abóboras esmagadas” no início da sua carreira, no começo dos anos 90’: um dos últimos grandes momentos da história do rock’n’roll de duas décadas e meia pra cá

 

Mas as melhores lembranças que ficam mesmo deles é de sua fase inicial. Aquele som poderoso que mixava psicodelia, barulho, dream pop, algo de heavy rock e até uma pitada de prog rock, tudo isso engendrado com guitarras estupendas e com melodias ótimas dando suporte a letras idem, marcou Finaski e fez parte da nossa vida rock’n’roll na passagem dos 20 pros meus 30 anos de idade. E como sempre dizemos, talvez tenha sido mesmo a última grande fase do rock’n’roll. Não querendo ser rabugento, velho ranzinza, estar preso ao passado ou qualquer coisa do tipo mas a real é: EXISTE alguma banda HOJE que consiga gravar e lançar um álbum como “Gish”, por exemplo? E que esse disco consiga seduzir (mesmo que sendo ouvido de graça pela web) milhões de adolescentes e jovens mundo afora? Apenas pra saber.

É triste mas inescapável: o rock de HOJE que se tornou uma imbecilidade e foi tomado por uma irrelevância sem tamanho. Sim, ainda surgem bandas legais aqui e ali (como o inglês Temples ou o brasileiro Nocturno), mas é muito pouco diante das obras-primas que já foram lançadas ao longo de mais de meio século de existência do gênero. De modos então que o blog deseja mesmo é vida ETERNA aos discos clássicos do rock’n’roll e respeito e amor igualmente eterno à trajetória de bandas como o Smashing Pumpkins. E é ouvindo “Siamese Dream” que o velho (mas ainda rocker e loker) jornalista encerra este texto.

 

A IMUNDICIE POLÍTICA BRASILEIRA CHEGA AO ÁPICE – E A NAÇÃO “COXA” VERDE-AMARELA, COVARDE E CONIVENTE COM ESSA IMUNDICIE, SE CALA E NÃO BATE MAIS PANELAS

O horror é aqui. Aqui mesmo, nesse Brasil miserável, vira lata, falido de todas as formas e absolutamente FODIDO pela classe política mais IMUNDA, SUJA, NOJENTA, BANDIDA, CORRUPTA e DETESTÁVEL do Universo. Quem leu o romance “O coração das trevas” (obra-prima do escritor Joseph Conrad e um dos livros de cabeceira do blog desde a nossa adolescência, livro que foi magistralmente transformado pelo gênio Francis Ford Coppola no clássico cinematográfico “Apocalypse Now” em 1979; o livro de Conrad foi escrito no final do século XIX), sabe como ele termina: com o agonizante personagem Kurtz, após saber que iria ser morto pelo sr. Marlow e tendo sido mortalmente golpeado por este, sussurrando “The horror, the horror!”. Esse horror a que se referia Kurtz no livro era sobre toda a degeneração da civilização ocidental e dos seus mais básicos preceitos de conduta ética, moral, cívica enfim.

Nem Conrad viveu no ou conheceu nosso país. Coppola muito menos (embora já tenha andado por aqui, décadas atrás). Tivessem conhecido a fundo esse país que se tornou o próprio quinto mundo dos infernos do “baixo clero” das nações do mundo inteiro, teriam chegado a conclusão de que “HORROR” é o Brasil. Sem apelação.

É essa a conclusão a que se chega, pela enésima vez, quando se termina de assistir uma rodada dos telejornais da noite (mais especificamente JN da Globo, JC da TV Cultura e as duas edições do Jornal da nanica TV Gazeta, que tem infelizmente alguma audiência apenas na capital paulista), em qualquer dia da semana. Dá EMBRULHO no estômago de ver todo o noticiário político dessas noites sangrentas – como de resto têm sido todos os dias nos últimos meses. O caos segue reinando agora no Rio De Janeiro e em Belo Horizonte (depois de ter reinado por dez dias no ES). Enquanto isso Alexandre de Moraes, o CRÁPULA que todos nós sabemos que ele é, foi mesmo confirmado como novo Minsitro do STF, com a missão (claaaaaro!) de, na Suprema Corte do país, tentar salvar a QUADRILHA do PMDBosta das garras da Lava Jato, simples assim. E nem uma palavra dele sobre o caos que rolou no ES (foram 143 mortos nos dez dias de horror capixaba, o DOBRO dos mortos no acidente com o avião da Chapecoense e que COMOVEU o Brasil por quase um mês seguido, oh…). Fora isso a bancada da quadrilha do partido que nesse momento comanda o governo GOLPISTA instalado no Brasil (ele mesmo, o PMDBosta) indicou o senador Edison Lobão (!) para ser o presidente da CCJ do Senado. Ele mesmo, Lobão, já investigado em dois inquéritos na Lava Jato. Que be le za!

Para não dizer que houve apenas notícias ruins na seara política nacional nessa semana, há de se destacar também que o STJ do Rio De Janeiro CAÇOU os mandatos do governador Pezão (também do PMDBosta) e de seu vice (Francisco Dornelles) por abuso de pode econômico na última eleição no Estado. Ainda cabe recurso e a dupla permanece no cargo enquanto o recurso não for julgado. Mas vejam bem: é a dupla que também DESGOVERNA o Estado do Rio, o mesmo pobre Rio (que um dia já foi um dos cartões postais do mundo) que já tem um ex-governador preso (Sérgio Cabral) e outro em prisão domiciliar (Garotinho). Mais: a polícia Federal também indiciou Rodrigo Maia (o presidente da Câmara, que be le za!!!) por suspeita de corrupção, em mais uma etapa da Lava Jato. E assim segue a política nacional.

Sempre repitimos isso e vamos repetir novamente: estamos com 5.4 de vida nas costas. Que a política brasileira sempre foi suja e corrupta, não há dúvida alguma. Mas Zap’n’roll não se lembra, em cinco décadas de existência, de ela ter chegado ao estágio de PODRIDÃO em que chegou nos dias atuais. O FEDOR é insuportável. É muito banditismo em Brasília e também na maioria dos Estados. E banditismo de TERNO E GRAVATA, não de criminosos assaltando as pessoas nas ruas das cidades à mão armada, sendo que isso também está fora de controle no país graças à horrenda distribuição de renda que reina eternamente aqui (tornando os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais miseráveis) e também à corrupção que suga todo o dinheiro que deveria ir para a segurança pública, saúde, educação etc, tornando as futuras gerações menos selvagens e bestiais e com mais opções para conseguir ser alguma coisa na vida do que simplesmente ter apenas a opção de ir parar na criminalidade via tráfico de drogas, contrabando de armas ou simplesmente roubando o cidadão comum e indefeso, que paga uma fortuna em impostos e não recebe nada e nenhum benefício público em troca.

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O exemplo mais bem acabado da FALÊNCIA do Estado brasileiro e da IMUNDICIE política que reina aqui está no que aconteceu no Espírito Santo e também no Rio De Janeiro. E a tendência é esse quadro se ALASTRAR pelo restante do país. Há ALGUM político que se salva nessa terra horrenda e devastada pela bandidagem institucionalizada na esfera pública? Muito poucos, que o blog se lembre. Somos muito simpáticos ao trabalho do Randolfe Rodrigues (senador pelo Amapá), também do Chico Alencar (deputado do PSOL), da Luiza Erundina (também do PSOL) e do véio Eduardo Suplicy. Seriam eles (e mais muito poucos, que não lembramos os nomes agora) nos quais ainda confiamos politicamente. O resto é o resto, e resto da pior espécie que torna o Brasil uma das nações mais VERGONHOSAS do planeta em termos políticos. Em qualquer país com um mínimo de decência na esfera pública, 90% dos políticos brasileiros atuais estariam ATRÁS DAS GRADES, e não exercendo mandato ou qualquer cargo público que fosse. O jornalista zapper se lembra perfeitamente o que aconteceu há umas duas décadas no Japão (um dos países com uma das classes políticas mais ÍNTEGRAS do planeta) quando um político de lá, descoberto em flagrante pela imprensa japonesa envolvido em um escândalo gigante de corrupção, humilhado e com sua trajetória política LIQUIDADA por conta do escândalo no qual havia se envolvido, reuniu emissoras de TV para fazer um pronunciamento e, ao concluir esse pronunciamento, disse: “não sou mais digno de continuar vivendo. E peço perdão ao povo japonês pelo que fiz”. Ato contínuo abriu uma pasta executiva, tirou de dentro dela uma PISTOLA e SE MATOU com um tiro na boca.

Você imagina algum político fazendo o mesmo aqui? Se acontecesse, haveria SUICÍDIOS EM MASSA em Brasília. Mas não: aqui todos eles, quando pilhados em flagrante em esquemas de corrupção e mesmo com fartas provas colhidas pela polícia federal ou pelo Ministério Público Federal, vão a público e na imprensa e com a maior cara larga da galáxia, NEGAM TUDO. “Eu? JAMAIS cometi qualquer ato ilícito e que desabone minha conduta de homem público. E DESAFIO alguém a PROVAR ALGO CONTRA MIM!”.

Mas o pior disso tudo nem é essa sórdida classe política mas sim o eleitorado BURRO e complemente conservador e imbecil que elegeu essa corja. Que o brasileiro nunca soube votar é um fato histórico desde os tempos que isso aqui era uma colônia portuguesa. Agora chegamos a um ponto de ACOVARDAMENTO social em que o brasileiro só é valente para gritar, ROUBAR e matar seu semelhante nas ruas. Para ir para essas mesmas ruas e pedir a CABEÇA de políticos imundos, nem um pio. Nem mesmo da classe média e da nação COXA idiota e reaça de direita, que foi bater panelas nas ruas pedindo o impeachment de Dilma. Como se a situação hoje estivesse minimamente melhor do que quando o PT estava no poder (e repetindo aqui também o que já dissemos antes: o petismo também cagou e roubou tudo o que pôde durante sua permanência no comando da máquina pública e deve PAGAR JUDICIALMENTE por seus crimes; mas… e as outras QUADRILHAS políticas do país, notadamente PMDB e PSDB, sairão ILESAS e IMPUNES dessa história?). muito pelo contrário: em quase um ano de governo golpista, o fundo do poço parece não ter fim para o Brasil. E a coxarada verde-e-amarela segue caludinha, sentido dor quase orgásmica com o cabo da panela enfiada em seu rabo até o talo mas sonhando com um super-homem (Sérgio Moro? Ahahahaha) que venha salvá-la, ulalá!

Amigos e leitores diletos vão reclamar por certo mais uma vez que estamos abandonando (como jornalista de cultura pop) nosso olhar e comentários sobre rock’n’roll e rock alternativo. Talvez. É que o desalento político e social tem nos consumido diariamente como ser humano. Daí publicarmos textos desta natureza ultimamente aqui e em nossa página no faceboquete. Mas feita ESTA postagem vamos TENTAR publicar menos textos sobre a imundície política brasileira. Não adianta mesmo ficar indignado aqui ou na rede social. Não resolve. O Brasil, ao que parece e pelo desenrolar dos acontecimentos, só vai sair do horror em que se encontra na hora em que houver um LEVANTE SANGRENTO da população nas ruas.

 

***Obs: e Moreira Franco (o “Angorá”, na delação de corrupção da Odebrecht) conseguiu se manter Ministro e com foro privilegiado. Decisão do STF. Traduzindo: tá tudo DOMINADO pelo governo GOLPISTA e seus asseclas. Novamente citando Conrad: o horror, o horror!

 

 

FIM DE TRANSMISSÃO

O postão fica por aqui mas voltamos com o que importa na cultura pop, no rock, na política e na sociedade em algum momento depois da esbórnia nacional por conta dos festejos momescos. Até breve!

 

(enviado por Finatti às 13hs.)