AMPLIAÇÃO FINAL, falando sobre a exposição em torno da trajetória do Nirvana no Rio De Janeiro, e os 27 anos da morte do gênio inesquecível que foi Cazuza – Com um disco bacanão recém lançado o quarteto inglês Ride, ícone da geração shoegazer britânica dos 90’, mostra que o rock de duas décadas e meia atrás era muito mais legal do que o que é feito pelas bundonas bandas atuais e onde até a indie scene rock planetária anda mega meia boca; mais: a volta do folker Fleet Foxes, o indie guitar noventista do Delays, a inútil ilusão oferecida por redes sociais como o Facebook, o fim de mais um bar alternativo bacana em Sampa (a Funhouse) e uma musa rocker japonesa QUARENTONA (wow!) e repleta de tattoos, que deixa muita pirralha de vinte aninhos no chinelo, ulalá! (postão AMPLIADO E FINALIZADO, em 8/7/2017)

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Com a falência atual da cultura pop e do rock’n’roll, cabe aos veteranos mostrar ótimo serviço: o shoegazer inglês Ride (acima) lança novo e muito bom álbum após mais de duas décadas sem gravar material inédito; já o também britânico Delays (abaixo) vai na mesma pegada sonora, prestando vassalagem ao indie guitar noventista; e até nossa musa desta edição, a lindona japa girl Gláucia (também abaixo), mostra que as quarentonas rockers são muitas vezes mais interessantes e apetitosas do que as “pirralhas” atuais

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MINI DIÁRIO SENTIMENTAL E MEMÓRIAS FINÁTTICAS – E NAQUELE SÁBADO, HÁ 27 ANOS, NO RIO DE JANEIRO… O BLOG ASSISTIA LEGIÃO URBANA AO VIVO ENQUANTO CAZUZA IA PRO CÉU COM DIAMANTES

Onde vocês estavam há 27 anos, exatamente em 7 de julho de 1990? Bom, vocês o blog não sabe. Zap’n’roll estava no Rio de Janeiro à noite, no Jockey Club do balneário carioca. Junto estavam ali outras 50 mil pessoas. Todas vibrando ao máximo e em êxtase sensorial absoluto com o show que a Legião Urbana estava então fazendo no local. Era mais uma apresentação da turnê do bombadíssimo álbum “As Quatro Estações” (que havia saído menos de um ano antes e já havia vendido, até aquela data, mais de um milhão de cópias). Finaski era repórter da editoria de cultura da revista IstoÉ. E havia passado os últimos dois meses daquele ano acompanhando a banda em algumas apresentações, para escrever um perfil dela para a revista. Esse show no Rio seria o último que ele iria assistir antes de escrever e entregar o texto para publicação. Depois que a revista foi para as bancas com a reportagem, ainda assistiu novamente o grupo aqui mesmo em Sampa, no estádio do Palmeiras, dois meses depois.

 

Muito aconteceu naquele final de semana da gig carioca da Legião. Acontecimentos que, inclusive, estão descritos num dos primeiros capítulos do livro, “Escadaria para o inferno” (que está na mão de numa nova e promissora editora e que talvez o coloque nas livrarias ainda este ano). Na véspera da ida pro Rio o jornalista loker/zapper se trancou em casa (no apto em que morava, na rua “Gay” Caneca) com a magrela Pati, com quem então estava de “namorico” (pois Finas havia sido “dispensado” semanas antes pela futura mãe do seu único filho). Pati era bonitinha mas ordinária: gostava de rock mas não possuía grandes atributos intelectuais. Mas FODIA bem. De modos que ela foi pra casa naquela sexta-feira e lá passamos a noite/madrugada, primeiro fodendo bastante. Depois o loki autor deste espaço blogger rocker foi cheirar cocaína ao longo da madrugada, enquanto papeava com ela e escutava discos da Legião. Quando o pó acabou foi tentar dormir (já era quase de manhã) e obviamente “fritou” bastante até conseguir. Mas enfim pegou no sono.

 

No meio da tarde (umas 4 da tarde, pra ser mais exato) foi acordado com o interfone tocando. Era o queridão Ivan Cláudio, que trabalhava com este repórter na IstoÉ. Ele estava em pânico e apavorado. Sabia como seu colega de redação era, hã, “irresponsável” com compromissos e horários. Entrou no apê tenso. “Finatti! Pelo amor de deus! Você precisa ir pra Congonhas, pegar um vôo e ir pro Rio!”. Sim, o bloggrt loker. Ainda estava sonolento (com Pati ainda deitada na cama também, PELADA e coberta apenas por uma colcha) e acordando aos poucos, em câmera lenta. E Ivan cada vez mais ansioso. Foi quando ele disse: “nem sei se o Renato vai subir no palco e cantar. O Cazuza MORREU hoje pela manhã”.

 

Sim. Caju, 32 anos de idade, um dos maiores poetas da história da música brasileira em todos os tempos, um dos nomes GIGANTES do rock BR dos anos 80’ e amigo pessoal de Renato Russo, havia finalmente sido vencido pela AIDS (e contra a qual ele lutava bravamente desde 1986 mais ou menos) na manhã daquele sábado, 7 de julho de 1990. Veio então a dúvida: haveria afinal ou não o show da Legião?

 

Finas não podia ficar conjecturando sobre isso. Arrumou sua bolsa de viagem, se despedi da Pati e de Ivan, pegou um táxi e se mandou pro aeroporto. Conseguiu pegar o vôo da ponte aérea das 7 da noite. Chegou no Rio às 8, foi pro hotel, tomou um banho rápido, se trocou e foi pro Jockey. A apresentação aconteceu, para o nosso alivio e das outras 50 mil pessoas que estavam lá. Renato Russo falou sobre Cazuza antes de a banda começar a tocar. E foi uma gig  i n e s q u e c í v e l. Só quem esteve lá, como nós estivemos, pode saber disso.

 

Vinte e sete anos se passaram. Estamos com 5.4 nas costas, sozinho (quer dizer, emocionalmente sozinho; trepadas sempre surgem pelo caminho, mas seguimos solteiro) e sempre reiterando o que sempre comentamos aqui. A cultura pop e a música brasileira (incluso aí o rock nacional e todos os outros gêneros possíveis) MORRERAM (pelo menos em termos qualitativos e de relevância artística) na era da web, do zap zap, das redes sociais babacas fúteis e inúteis/superficiais. Por isso mesmo que não conseguimos esquecer e deixar de curtir, ouvir e admirar bandas como Legião Urbana e artistas como Cazuza e Renato Russo, que também iria morrer de AIDS seis anos depois, em outubro de 1996.

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Em 7 de julho de 1990 (há 27 anos), Cazuza morria no Rio De Janeiro, aos 32 anos de idade, vitimado pela AIDS; ele e Renato Russo, vocalista da Legião Urbana, foram os dois principais cantores e letristas da inesquecível geração rock BR dos anos 80’, o que pode ser facilmente visto no vídeo abaixo, com a Legião tocando na mesma noite de 7 de julho daquele ano, para 50 mil pessoas no Jockey Club carioca; e Zap’n’roll estava nesse show

 

Os dois fazem muita falta. E nunca mais irão surgir letristas como ambos, com a verve poética sublime que eles possuíam. Isso é liquido e certo. Mas pelo menos a obra musical deles é eterna e está aí, para quem quiser ouvir para todo o sempre.

 

Naquela ida ao Rio também conhecemos a Flávia, em pleno vôo de SP pro balneário. O avião estava vazio e sentamos ao lado dela de propósito pois a havíamos achado gostosona (com peitaços sensacionais) e simpática (não muito bonita na verdade, com aqueles cabelos loiros cacheados, sendo que nunca tivemos muito apreço por loiras e ruivas). Pedimos um whisky pra comissária de bordo (sim, naquela época servia-se whisky nos vôos da ponte aérea Rio/SP) e puxamos papo com ela enquanto bebericava o dito cujo. Quando descobrimos que ela amava David Bowie, Raul Seixas e o escritor e dramaturgo gay francês Jean Genet, enlouquecemos. Ao descermos no Santos Dumont, no Rio, o blog a puxou pelo braço e a levou pro hotel. No quarto nos beijamos furiosamente na boca mas ela disse: “eu NÃO VOU DAR PRA VOCÊ HOJE. Preciso ir pra Niterói ver minha mãe [que era separada do pai dela e estava enfrentando um câncer em estado terminal], e você tem que ir fazer sua reportagem. Amanhã eu venho pra cá e durmo aqui com você”.

 

E assim foi. Fomos ver a Legião, e ela foi ver a mãe dela. No domingo à noite ela cumpriu a palavra. Foi pro hotel e lá dormiu com o jornalista, proporcionando a ele uma das melhores FODAS que tinha dado na vida até então. O zapper se apaixonou perdidamente por ela, claro. Mas total atrapalhado que sempre foi, fez tudo errado. A mãe do filho do jornalista reapareceu, engravidou e o zapper perdeu Flávia para sempre. Hoje ela é uma advogada muito bem sucedida, casada e mãe de um filho. É a vida…

 

(suspiro…)

 

A mãe do nosso filho se separou deste maluco dois anos depois. Ela não agüentou conviver com um loki de 28 anos de idade, que era um jornalista bastante conhecido e repórter de uma das principais revistas semanais de informação do Brasil, e que a CHIFRAVA a torto e a direito (sim, era um tarado compulsivo por bocetas; e sejamos honestos e sem moralismo, hipocrisia ou machismo aqui, mas mulheres AMAM dar pra sujeitos comprometidos e que possuem uma certa visibilidade pública, como o blog possuía por ser jornalista), além de viver se entupindo de cocaine (ela detestava drogas) e whisky. Ninguém agüentaria muito tempo na real, e acho que ela suportou até demais.

 

Se estas linhas saudosistas se arrependem de algo? Não. Não adianta remoer, se arrepender ou ter remorso dos erros cometidos, buscando algum tipo de alento, redenção ou perdão deles, desses erros. Melhor APRENDER com eles e tentar EVITAR errar novamente. Nesse sentido achamos que aprendemos (ainda que a duras penas) alguma coisa com nossos erros e nessas mais de cinco décadas de existência.

 

Se sentimos saudades de algo? Sim, claro, muita saudade. Dos anos 80’ e 90’, do mundo muito mais legal e menos reaça e careta do que é hoje, do rock brasileiro genial daquela época, de tudo que vivemos, ouvimos, curtimos e vimos, dos shows que acompanhamos, das reportagens que fizemos, dos lugares bacanas onde trabalhamos. Dos nossos anos jovens enfim. Nos divertimos pra caralho no final das contas e não podemos jamais nos queixar. Tudo passa e ficam as lembranças, ótimas e ruins. Então hoje nos lembramos de Cazuza, de Renato Russo, da Legião Urbana, daquele show que vimos naquela noite de 7 de julho de 1990 no Rio, da Flavia que conhecemos no avião. Nos lembramos de tudo isso e dizemos a nós mesmos que, sim, fomos felizes afinal em alguns momentos de uma vida quase perenemente cinza na alma e no coração. E quem sabe um dia, se houver alguma outra estação além dessa escrota aqui na Terra, a gente reencontra Cazuza, Russo e mama Janet, todos eles arianos e lá no céu com diamantes.

 

MINI DIÁRIO SENTIMENTAL E MEMÓRIAS FINÁTTICAS, II – ELES SERÃO ETERNAMENTE UMA DAS CINCO BANDAS DA VIDA ZAPPER

Zap’n’roll escreveria um LIVRO aqui sobre o trio inesquecível formado pelo igualmente inesquecível e saudoso gênio Kurt Cobain, mais Kris Novoselic e Dave Grohl. Porém a história deles parece estar muito bem contada e resumida na expo que está em cartaz no Rio De Janeiro, e que chega a Sampa em setembro.

 

Estamos ficando velhos, bem sabemos. Mas não há remorsos, ressentimentos ou arrependimentos em nós pelo que passamos, vimos, ouvimos e vivemos nos nossos já longos 5.4 de existência. Há com certeza uma grande saudade e nostalgia de tudo aquilo. Mas vivemos o MELHOR que pudemos e no momento CERTO tudo o que tinha e tivemos que presenciar. Se fossemos um adolescente nesse momento, teríamos perdido milhões de paradas imperdíveis e que fizeram parte para sempre da nossa vida. Como o show do Nirvana em São Paulo, em janeiro de 1993, no estádio do Morumbi no festival Hollywood Rock (foi nele que conhecemos pessoalmente o amado André Pomba, inclusive). Estávamos lá. E TESTEMUNHAMOS a PÉSSIMA apresentação de Kurt e cia. O show foi ruim, caótico, quase medonho. Mas era o Nirvana no palco. Por isso mesmo, enquanto eles tocavam a cover de “Molly’s Lips” (da obscura banda Vaselines), o blog pulava como um louco na pista do gramado do estádio, até gritar para uma amiga (não lembramos mais quem estava conosco naquela gig) minha, ao nosso lado: “O show está uma MERDA, mas FODA-SE! É o NIRVANA e EU estou aqui!”.

 

(suspiro…)

 

Kurt ficou milionário com o grupo, se tornou um mega star mundial e meio que passou a DETESTAR tudo isso. Quando começou a banda, vivia dizendo que se contentaria com ela tocando apenas em palcos minúsculos e em butecos idem, para platéias ibidem. Quando o trio passou a encarar multidões de mais de 50 mil pessoas nas suas apresentações ao vivo, algo desandou em Cobain e seu cérebro deu tilt. O resultado todo mundo sabe. Um tiro de espingarda disparado por ele mesmo contra os próprios miolos. A essa altura muitas vezes ele já se achava não um rock star, mas apenas… um idiota (como cantou em “Dumb”).

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Uma mega exposição em cartaz no Rio revive todo o legado do Nirvana (acima, Kurt Cobain em ação numa gig da banda); em setembro o evento chega a capital paulista

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O blog muitas vezes se senti e ainda se sente também um idiota. Faz parte. Mas como sabemos que talvez não nos reste mais muitos anos por aqui afinal, suportamos hoje com mais sapiência e resignação esse sentimento de idiotia, de inadequação emocional e existencial. Um dia tudo isso acaba no final das contas.

 

Saudades Kurt. Você estará sempre no coração de Finaski. E nos vemos aqui em Sampa em setembro, na sua expo sobre o Nirvana.

 

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EDITORIAL COMPORTAMENTAL/POLÍTICO – ENQUANTO O PAÍS AFUNDA, A NAÇÃO VIRTUAL IMBECIL FAZ “INVEJINHA” PROS AMIGOS NOS FACEMERDAS DA VIDA

Com a aproximação das datas de alguns grandes shows internacionais marcados para o segundo semestre no Brasil, nunca o FaceTRUQUE (ou FaceMERDA) cumpriu tão bem sua função quase PRIMORDIAL: a de fazer boa parte dos OTÁRIOS que estão nele se sentirem “popstars”, nem que seja por um dia apenas, uma postagem e uns 15 likes nela (atualizando o clássico vaticínio do gênio Andy Warhol: “no futuro todos serão FAMOSOS por 15 LIKES”, ahahaha). Fora que FAZER INVEJA nos “amigos” virtuais é a tônica de muitas postagens (incluso aí a de vários amigos do blog lá na rede social escrota). Então todo mundo reclama que está “falido” mas haja post pra exibir (uia!) com empáfia foto de ingresso comprado pro show do Paul McCartney, do festival SP Trip (que vai reunir um MONTE DE LIXO de bandas velhonas e cafonas de heavy metal, e onde se salva apenas o gigante The Who no line up) ou do U2 (o quarteto irlandês teve que marcar uma terceira apresentação aqui, já que os tickets para as duas primeiras se esgotaram em questão de poucas horas). Agora pra responder por inbox a uma oferta com preço ridículo de anúncio neste blog (“vou fazer de conta que não vi e não li”, embora a rede social denuncie que a mensagem foi VISUALIZADA, rsrs)… silêncio ENSURDECEDOR. Seria CÔMICO, se não fosse ridículo e algo detestável esse comportamento ESCROTO.

Um comportamento, de resto, nos leva a questão POLÍTICA desta postagem. Enquanto você fica aí fazendo invejinha nos “amigos” virtuais, postando fotos dos tickets que acaba de comprar pra aquele showzaço gringo imperdível (com preço astronômico e sempre extorsivo, é bom ressaltar, o que torna o comprador do ingresso um OTÁRIO ainda maior, mas é claro que ele PRECISA mostrar na rede social que está de bem com a vida e que vai ao tal show, onde irá tirar muitas selfies alegres e sensacionais e na verdade pouco vai se lixar para a apresentação que está rolando no palco e pela qual ele deu seu CU para conseguir pagar o valor abusivo do ingresso), o Brasil AFUNDA sem dó sob o NÃO comando do Bela Lugosi do Planalto. Ele mesmo, o golpista, vampiro e CHEFE DA QUADRILHA MAIS PERIGOSA do país.

Enfim, se você leu até aqui e se participa festivamente desse comportamento cretino de fazer “invejinha” com seus postecos em rede social enquanto todo mundo se fode (você incluso) nesse bananão miserável, achamos que está na hora de o Sr (ou srta) rever sua postura “virtual”. Ou não?

 

MICROFONIA

(reverberando cultura pop, política, comportamento e sociedade)

 

***“Gimme Danger”, o documentário realizado em 2016 sobre a trajetória dos gigantes e seminais Stooges, passou durante a programação do In Edit Brasil deste ano, que se encerrou semana passada. Nem tinha como ser um doc ruim. Dirigido pelo genial Jim Jarmusch (de quem somos fãs desde sempre) e conduzido em boa parte pela narração da lenda Iggy Pop, “Gimme Danger” desvela em detalhes a trajetória de uma banda que foi fundamental para toda a história do rock’n’roll. E continua sendo até hoje. Aliás enquanto o blog assistia ao filme (a sala do cine Olido, no centrão de Sampa, lotou de gente de todas as idades, de adolescentes a um velhinho que sentou bem ao nosso lado o que suscitou a dúvida: ele estava ali por mera curiosidade e sem saber do que tratava o longa ou era mesmo um fã de décadas dos “Patetas”?), pela enésima vez chegamos à conclusão de sempre: o mundo se tornou mesmo inculto e irremediavelmente BOÇAL em termos de arte na era da web. O ser humano chegou ao ápice do avanço tecnológico e digital. E no entanto nunca regrediu tanto em termos de ARTE e de sólida formação cultural e intelectual. Ou você acha que a música, o rock, o cinema, a literatura e as artes de hoje em dia ainda irão revelar algum gênio cuja obra será reverenciada daqui a 30 ou 40 anos, como a dos Stooges e de Iggy Pop é até hoje? Talvez a LITERATURA atual em si ainda produza alguma obra gigante e revele algum (a) escritor (a) fenomenal, posto que a arte da escrita talvez ainda esteja um pouco mais imune do que as outras ao vazio e ao horror de futilidade, ignorância e superficialidade que a cultura da web, da internet e das redes sociais impôs e impõe às pessoas. Mas esperar que ainda surjam ícones como James Osterberg e álbuns clássicos como os três gravados pelos Stooges (o primeiro, homônimo, e mais “Funhouse” e “Raw Power”) nos tempos atuais, pode esquecer: isso NÃO VAI MAIS ACONTECER. Então diante disso, até que estas linhas zappers se sentem confortáveis nos seus 5.4 de existência. Pois tivemos os três discos essenciais da banda em vinil. Mais do que isso: conseguimos assistir Iggy Pop e os Stooges ao vivo. Iggy em 1988 (há quase 30 anos!) no extinto ProjetoSP (que ficava no bairro da Barra Funda, em São Paulo, um galpão enorme onde cabiam 5 mil pessoas e que na noite da gig do Iguana não recebeu mais do que metade da lotação do lugar). Depois, ainda conseguimos testemunhar a reunião da banda no festival Claro Que É Rock (inesquecível, numa noite que ainda teve Sonic Youth e Nin Inch Nails), em novembro de 2005, na noite do aniversário de 43 anos de idade do jornalista eternamente rocker. Foi fantástico e guardamos os dois shows eternamente em nossas mais caras lembranças. “Gimme Danger” chega a ser emocionante em alguns momentos (fora que as tiradas certeiras de Iggy em seus depoimentos provocam ótimas gargalhadas na platéia). Jarmusch colocou seu talento de cineasta a serviço de um simples mas bem amarrado (no roteiro e na edição de imagens históricas da trajetória do grupo) documentário (de resto Jim sempre foi da turma do rock, basta lembrar que é dele também o magnífico “Sobre café & cigarros”, que foca na carreira de Tom Waits). No filme, lá pelas tantas, Iggy brinca que “ainda irá enterrar muitos amigos”. De fato: dos Stooges já se foram os irmãos Asheton (Ron e Scott), além do baixista Dave Alexander. E da própria santíssima trindade total genial e LOKA dos anos 70’ (Bowie, Lou Reed e Iggy Pop), está sobrando apenas mr. Osterberg, hoje na tranqüilidade dos seus 70 anos de idade e de quem olha para trás, para a selvageria que era sua existência junkie e à frente das apresentações igualmente selvagens de sua banda sem nostalgia, mas com o sentimento de estar em paz consigo mesmo e de ter muito orgulho por ter escrito alguns dos capítulos mais extraordinários desse tal de rock’n’roll que todos nós amamos e que ajudou a tornar a humanidade um pouco (ou muito) mais feliz e relevante culturalmente falando, no século XX.

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O “iguana” Iggy Pop tem sua trajetória e a de sua banda, o seminal The Stooges, esmiuçada com classe no documentário “Gimme Danger” (acima); abaixo, o cantor durante seu primeiro show no Brasil, em 1988 no ProjetoSP em São Paulo

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***O som indie pop legal do desconhecido Delays – Uma banda indie inglesa já velhinha, desconhecida mas bacana – é o quarteto Delays, que surgiu em 2001, lançou seu primeiro álbum (o bem legal “Faded Seaside Glamour”) apenas em 2004 e de lá pra cá mais três álbuns, o último deles em 2010 (lá se vão sete anos…). Zap’n’roll resolveu falar deles porque enquanto a OGRADA vive se descabelando e berrando na frente da TV sempre por causa do futeMERDA, o blog ocupa seu tempo com paradas mais legais, como ouvir o primeiro disco dos Delays. Que é repleto de canções com melodias doces, bucólicas (mas não chatas) e encantadoras. Lembra muito o indie pop noventista de grupos como The La’s (alguém se lembra deles?) e o vocal em falsete do guitarrista e cantor Greg Gilbert nos remete diretamente para uma Londres gelada e encoberta por fog, lá por 1993. O cd todo é bacana (não sensacional, mas muito bom de se ouvir), trilha perfeita para uma noite fria de inverno. E nele há pelo menos uma pequena obra-prima, aquela pop song quase perfeita: “Nearer Than Heaven”, que inclusive sempre toca na rádio New Rock da TV NET. É uma banda velhinha já, que não lança novo material há 7 anos mas que quase ninguém deve conhecer por aqui. Então se você também ODEIA futebol como estas linhas bloggers odeiam, taí a dica sonora desta edição do Microfonia. Melhor escutar o Delays do que ficar perdendo tempo com futeMERDA na TV.

 

***postão zapper entrando no ar em pleno domingão de inverno em Sampa, néan. E hoje à noite é dia de rock neném, com a domingueira rock Grind. E sendo que ontem, sabadón, rolou mais uma exibição do bacaníssimo documentário “Time Will Burn”, que radiografa com precisão toda a indie guitar scene brasileira dos anos 90’. Dirigido pelo chapa Marko Panayotis e já exibido em algumas telonas paulistanas ao longo de 2016, “Time…” ganha ainda mais uma projeção na próxima terça-feira às nove meia da noite, no cine Sesc (que fica ali na rua Augusta em direção aos Jardins, próximo à estação Consolação do metrô). Detalhe: assim como ontem a exibição na terça também será gratuita e os ingressos podem ser retirados uma hora antes do início da sessão. E sim: Zap’n’roll faz uma “ponta” no doc (uia!), no final dele. Mais não dá pra contar e o melhor é ir lá conferir.

 

***já outro doc igualmente bacanudo sobre a cena indie nacional dos 90’, “Guitar Days”, deverá finalmente ser lançado comercialmente até setembro próximo. É o que informa o brother Caio Augusto, diretor do filme (e atualmente morando na Espanha), em bate-papo com o blog esta semana. Segundo ele o longa (que também tem a participação deste jornalista rocker/loker, dando depoimento sobre uma cena que ele acompanhou muito de perto naquela época) será primeiramente exibido em alguns eventos específicos em alguns países europeus. Depois chega ao Brasil. Vamos aguardar.

 

***E a notícia lindona e bacanuda deste domingão invernal (que bom e que delícia): Morrissey, a nossa BICHONA fofa e mais amada de todos os tempos no rock e na cultura pop mundial enfim ganhando sua cinebiografia, wow! Ela foca na juventude dele e termina quando Moz se encontra com Johnny Marr – daí em diante e o resto da história todo mundo conhece de cor. Perfeito! O longa estréia em agosto na Inglaterra e fica a torcida para que ele chegue o quanto antes aos cinemas aqui do triste bananão tropical.

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Uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, os inesquecíveis Smiths (acima): a cinebiografia do vocalista Morrisey chega mês que vem aos cinemas da Inglaterra

 

***mês do rock, I: é este julho mesmo, que começou ontem, sendo que dia 13 em si é o Dia Mundial do Rock (desde 1985, quando foi realizado o lendário concerto Live Aid). E para comemorar haverá alguns eventos bem legais espalhados pelo circuito alternativo de Sampa. Entre eles uma super DJ set do blog comemorando também nossos catorze anos de existência, na domingueira rocker mais famosa do Brasil, o Grind (comandada há quase vinte anos pelo super DJ André Pomba). Anote na agenda desde já: vai rolar dia 16 de julho, domingo no Espaço Desmanche, na rua Augusta 765, centrão de Sampa.

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O jornalista zapper/loker mandando ver nas cdj’s no começo deste ano, em Maringá (PR): a nova dj set do blog, comemorando nossos catorze anos de existência, rola no próximo dia 16 de julho no Grind/SP

 

***mês do rock, II: já o Centro Cultural São Paulo (localizado no bairro do Paraíso, zona sul da capital paulista e colado no metrô Vergueiro), um dos espaços culturais mais bacanas de Sampalândia, também vai reservar todo o mês de julho para abrigar o evento “Centro do Rock”. A programação é variada, com shows, debates, exibições de filmes etc. Há bobagens gigantes espalhadas ao longo do evento (quem precisa de show do inútil e esquecível grupo MQN a essa altura do campeonato? Mas é claaaaaro que o vocalista da banda, o escroque monstro que atende pela alcunha de “diabo bacon”, sempre dá um jeito de se imiscuir nessas paradas) e debates igualmente inúteis (como o que vai reunir o tristemente conhecido Alex “Porcão” Antunes e o nosso “vizinho” responsável pelo blog Pobreload, ops, Popload) que certamente terão audiência pífia de público. Mas felizmente também vão rolar gigs imperdíveis (como a do sempre ótimo Jonnata Doll & Os Garotos Solventes) e sessões de cinema idem (vai passar “Control”, a cinebiografia de Ian Curtis, e também o sensacional, hilário e imperdível “A festa nunca termina”, sobre a cena rock de Manchester nos anos 80’ e 90’). Enfim, dá pra pegar algo de bom ao longo da programação no CCSP, que está toda aqui: http://www.centrocultural.sp.gov.br/.

 

***Mês do rock, III: e no final da semana que vem o circuito noturno rocker alternativo de Sampa vai ferver com gosto. Na sexta-feira rola a quarta edição do Bailindie da saudade (todas as infos aqui: https://www.facebook.com/events/259032921168603/). E no sabadão em si, 8 de julho, tem gig do Verônica Decide Morrer na Funhouse (que está fechando as portas, mais sobre o evento aqui: https://www.facebook.com/events/532166090240885/?acontext=%7B%22source%22%3A5%2C%22page_id_source%22%3A138776301124%2C%22action_history%22%3A[%7B%22surface%22%3A%22page%22%2C%22mechanism%22%3A%22main_list%22%2C%22extra_data%22%3A%22%7B%5C%22page_id%5C%22%3A138776301124%2C%5C%22tour_id%5C%22%3Anull%7D%22%7D]%2C%22has_source%22%3Atrue%7D) e também mais uma edição da sempre animadíssima balada Call The Cops, comandada pelo DJ Ricardo Fernandes e acontecendo novamente no Olga 17 (detalhes aqui: https://www.facebook.com/events/1355983417842144/). Ou seja: motivos de sobra para NÃO ficar em casa, certo?

 

***sexo aos montes, drogas idem, putarias variadas… vem aí finalmente o filme que conta a história do palhaço Gozo, ops, Bozo, que reinou entre a criançada (opa!) nas manhãs da televisão brasileira nos anos 80’. Você se lembra? Se não lembra se prepare, ulalá! A estréia do longa está prometida para o mês que vem.

 

***pois é, a última sexta-feira (leia-se anteontem) foi realmente um dia NEGRO para o país LIXO chamado Brasil. Cheirécio Neves de volta ao senado federal, o LONGA MANUS e HOMEM DA MALA Rocha Loures solto etc. O país realmente ACABOU. Alguém ainda tem dúvida quanto a isso?

 

***e ao longo da próxima semana (que está começando hoje na verdade) as notas da seção Microfonia irão sendo ampliadas com novas infos, se algum fato relevante merecer nossa atenção. Estamos e estaremos sempre de olho nas movimentações da cultura pop e do rock alternativo, pode ficar sussa.

 

 

APÓS MAIS DE DUAS DÉCADAS LONGE DOS ESTÚDIOS O SHOEGAZER RIDE VOLTA COM DISCÃO INÉDITO, DANDO UM POUCO MAIS DE DIGNIDADE AOS TEMPOS TOTAL SOMBRIOS E IRRELEVANTES DO ROCK ATUAL

Foi um dos comebacks mais aguardados deste ano até o momento, no indie rock planetário. Em um tempo sombrio, onde a cultura pop e o rock alternativo desceram sem dó em direção ao abismo mais profundo da irrelevância artística e musical, o quarteto inglês Ride (um dos nomes mais emblemáticos da geração shoegazer que dominou o rock britânico nos anos 90’) finalmente saiu de sua hibernação de mais de vinte anos longe dos estúdios de gravação. E deu ao mundo há duas semanas “Weather Diaries”, seu quinto álbum inédito em uma trajetória de quase três décadas. O disco (que já foi comentado rapidamente aqui mesmo, em nosso post anterior) é muito bom, mostra uma banda de meia idade (com os integrantes beirando os cinqüenta anos de idade) em boa forma e que editou um trabalho que permanece fiel às suas origens e influências sonoras, sem se preocupar em dar um verniz atual (com intervenções sonoras pseudo modernosas e contemporâneas) e inútil ao que funciona bem em sua versão clássica e original. Mais do que isso, as novas composições do grupo desvelam pela enésima vez o que todos nós já sabemos: o rock’n’roll da cretina era da web foi mesmo pro buraco. Resta a conjuntos veteranos como o Ride trazer ainda um pouco de alento e dignidade ao gênero musical que já foi o mais importante de toda a história da música mundial.

Em um tempo (o de hoje) onde a música se tornou algo bastante descartável, imediatista e fugaz, com zilhões de “popstars” surgindo e desaparecendo diariamente sem deixar rastro, o Ride já pode ser considerado como uma banda quase jurássica. Surgido há quase trinta anos (foi formado em 1988) na cidade inglesa de Oxford, o grupo formado pelos guitarristas e vocalistas Mark Gardener e Andy Bell, pelo baixista Steve Queralt e pelo baterista Laurence Colbert já foi aclamado pela imprensa e pelo público quando lançou seu primeiro álbum, “Nowhere”, em 1990. Alinhando-se à facção shoegazing britânica (composta por conjuntos que engendravam melodias oníricas, tristonhas e contemplativas, e tratadas com guitarras encharcadas de noise e feedback aliadas a vocais dolentes e algo sombrios) de grupos como Lush, My Bloody Valentine, The Jesus & Mary Chain e Slowdive (que também retornou à ativa este ano, lançando um primoroso disco inédito) o quarteto logo se destacou pela grande potência sônica e qualidade artística de sua estréia. “Nowhere”, lançado pelo célebre selo Creation Records (e que foi o lar da banda durante toda a primeira fase de sua existência), era tão bom que ganhou o título de “álbum do ano” em 1990, em votação dos críticos do finado semanário musical Melody Maker. Isso fez com que o Ride angariasse uma enorme legião de fãs apaixonados e também fez o conjunto estourar nas rádios inglesas com o lindíssimo single “Vapour Trail”. Eram os anos 90’, a era do shoegazer (com os integrantes das bandas tocando ao vivo de cabeça baixa, olhando para os próprios sapatos), das ruas enevoadas de Londres e da barulhenta melancolia indie guitar vertida em canções sublimes.

Com o sucesso alcançado já no primeiro trabalho, o grupo não pensou em mudar a fórmula no segundo disco. E assim “Going Blank Again” saiu em 1992 trazendo o mesmo (e ótimo) Ride da estréia. Novamente barulhento, novamente com melodias doces e melancólicas, e mais um single (“Twisterella”) que varreu as rádios rock inglesas. O cd colocou o grupo no topo mais uma vez e permitiu a ele experimentar uma ligeira mudança de rota no álbum seguinte. Editado em junho de 1994, “Carnival Of Light” mostrava os garotos de Oxford mergulhando em… nuances sessentistas e folkster americanas, com muitos eflúvios de Byrds nas faixas de mais um cd que foi novamente super bem recebido por crítica e público. Mas a essa altura algo já não ia bem INTERNAMENTE no Ride. A dupla de frente do quarteto (Mark e Andy) começou a se desentender por conta das célebres e sempre danosas “diferenças musicais”. As brigas entre ambos começaram a se tornar freqüentes e isso enfim transpareceu com nitidez no quarto cd do grupo, “Tarantula”, lançado em março de 1996. Era um disco bem abaixo do que o conjunto havia mostrado nos seus três primeiros álbuns. E por conta disso, foi repelido pela rock press inglesa que viu nele apenas uma pálida sombra do que o Ride havia mostrado até então. Ainda assim a banda saiu em turnê para promover o trabalho. Mas o clima havia ficado mesmo insustentável e ao final da excursão o Ride encerrou de forma algo melancólica suas atividades. Dos quatro integrantes apenas Andy Bell se manteve em alguma evidência no cenário rocker inglês, indo tocar baixo no Oasis e permanecendo na função no grupo dos manos Gallagher até o fim dele, em 2009.

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Capa do novo disco do Ride: após mais de vinte anos longe dos estúdios, a volta com um discão que evoca o melhor shoegazer dos anos 90′

 

Foi preciso então mais de vinte anos para que a turma shoegazer de Oxford resolvesse voltar às atividades. Com um relativo revival shoegazing tomando conta do rock alternativo britânico nos últimos meses (com Slowdive e The Jesus & Mary Chain lançado novos e ótimos discos, após séculos longe dos estúdios de gravação), o Ride também achou que era hora de voltar. E o fez através deste bacaníssimo “Weather Diaries”, que resgata de forma competente a sonoridade que transformou o conjunto num dos ícones máximos do indie guitar dos anos 90’ na Inglaterra. Com onze faixas e pouco mais de cinqüenta minutos de duração “Weather…” se equilibra muito bem entre faixas de puro noise e feedback com outras de tonalidades mais sombrias e com melodias mais contemplativas e melancólicas. Há pelo menos quatro longas canções (todas com seis minutos de duração ou mais) que demonstram como o grupo sabe engendrar com maestria melodias construídas a partir de guitarras a um só tempo ásperas e doces. É o caso de “Lannoy Point” (que abre o cd), da faixa-título, de “Cali” (um dos melhores momentos do álbum) e de “White Sands”, que encerra tudo com brumas melódicas e harmônicas tristonhas e lúgubres, bem de acordo com os tempos sombrios em que estamos vivendo. Ao mesmo tempo há espaço para o vigor rápido, acelerado e conciso de “Charm Assault” (o primeiro single de trabalho do cd), “All I Want” e da sensacional “Lateral Alice”, que evoca os tempos de “Twisterella” e poderá se tornar um hit nas pistas de rock alternativo.

O mundo está ruim em todos os sentidos. O aquecimento global devora o planeta, a raça humana nunca esteve tão reacionária e conservadora nos últimos trinta anos como agora e a cultura pop (incluso nela o rock’n’roll) desceu sem dó a ladeira da mediocridade e irrelevância artística. As bandas atuais não duram nada e são ruins e fúteis de dar pena. O Ride sabe disso tudo e voltou com um disco onde parece querer dizer (ou cantar) ao ouvinte: “sim, já somos velhos e estamos aqui ainda, vivos. E mostrando talvez mais qualidade e dignidade do que 90% da geração atual”. É bem por aí: “Weather Diaries” pode não ser uma obra-prima. Mas numa época em que nada mais parece fazer sentindo ou parece fazer grande diferença e impactar nossas tristes existências em termos musicais, ouvir essas novas onze músicas do velho shoegazer inglês traz grande alento à alma e aos sentidos. E mostra que o grande rock de guitarras ainda vive e nos encanta, mesmo quando feito por senhores na casa do meio século de vida.

 

***mais sobre o Ride, vai aqui: https://www.thebandride.com/, e aqui: https://www.facebook.com/RideOX4/.

 

***o grupo está em turnê de divulgação de “Weather Diaries”. Tocam na Europa e Reino Unido até o final desse ano. E há boatos e uma pequena possibilidade de que venham para o Brasil em 2018. Vamos torcer!

 

 

AS FAIXAS DO NOVO ÁLBUM DO RIDE

1.”Lannoy Point”

2.”Charm Assault”

3.”All I Want”

4.”Home Is a Feeling”

5.”Weather Diaries”

6.”Rocket Silver Symphony”

7.”Lateral Alice”

8.”Cali”

9.”Integration Tape”

10.”Impermanence”

11.”White Sands”

 

 

A BANDA AÍ EMBAIXO

Nos vídeos para os singles “Charm Assault” e “All I Want”.

 

E O NOVO DISCO AÍ EMBAIXO, PARA AUDIÇÃO NA ÍNTEGRA

 

MAIS RIDE: UM ÁLBUM CLÁSSICO DO GRUPO PARA RELEMBRAR

Yep, o belíssimo “Going Blank Again”, lançado em março de 1992, ou seja, há vinte e cinco anos e que continua musicalmente imbatível até hoje.

 

 

O FIM DE MAIS UM BAR ALTERNATIVO INCRÍVEL DE SAMPA, A FUNHOUSE

Após o fechamento do Astronete, Matrix e Inferno, endereços que marcaram época no circuito rock alternativo noturno da capital paulista, agora é chegada a vez do sobradinho da Funhouse informar que vai deixar de existir. Funcionando há mais de década e meia na rua Bela Cintra, centrão de Sampa, a Fun (como é carinhosamente conhecida pelos freqüentadores) encerra suas atividades no final de julho agora. Até lá ainda vai manter uma programação bacanuda nos finais de semana, sendo que o blog pretende ir no dia 8 de julho pra se despedir de lá assistindo à gig do Verônica Decide Morrer.

Zap’n’roll foi menos infeliz nas noites em que foi à Funhouse. O blog discotecou lá numa madrugada há uns 10 anos ou mais (numa festa da extinta revista Dynamite). Enfiamos o pé na lama ali, em álcool e cocaine. Paqueramos e trepamos com xotas rockers lokers tatuadas. Brigamos com um dos ex-donos (pai da filha da escritora Clarah Averbuck, de quem ainda somos amigos distante e embora não falemos com ela há séculos). E dançamos muito som incrível na pista, além de presenciar muitos shows sensacionais por lá. Fora que a Fun teve uma das hostess mais legais, loiras e lindas da night under paulistana, a sempre gatíssima e gente finíssima Dani Buarque, da banda BBGG.

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A pista do sobradinho que abriga a Funhouse/SP: a ferveção infelizmente chega ao fim este mês

 

Mas tudo chega ao fim um dia, não é? E assim se confirma mais uma vez o que sempre andamos dizendo aqui: a cultura pop e o indie rock acabaram de vez nos anos 2000’, infelizmente. Saudades das décadas de 90’ e 80’, quando o mundo e as pessoas eram muito menos estúpidas e boçais do que são hoje. Os 80’/90’ nunca mais irão voltar. E pras novas e imbecilizadas gerações da era das redes sociais inúteis só irá restar isso mesmo: funk ostentação burrão, sertanojo universotário, axé brega, pop idem etc. Triste fim para a raça humana na era da web… ao menos na cultura pop e no quase extinto rock’n’roll.

Rip Funhouse. Foi um imenso prazer passar algumas madrugadas inesquecíveis no seu interior. Dia 8 de julho próximo será a nossa última por lá, para uma despedida rocker como ela deve ser.

 

 

UMA MUSA REALMENTE ROCKER: A JAPA GIRL GLAUCIA, UMA QUARENTONA TATUADA QUE DEIXA MUITA PIRRALHA DE VINTE NO CHINELO, WOW!

Nome: Glaucia Yatsuda.

Idade: 43 anos.

De: Lins/SP.

Mora em: Maringá/PR, com os filhos pequenos e papi.

Formada em: Geografia.

Trabalha em: técnica em mecatrônica.

Três bandas/artistas:T-Rex, Nick Cave e The Tamborines.

Três discos: “The destruction off small ideas” (65 Five Days of Static), “Best Hit AKG” (Asian Kung Fu Generation) e “Rumble the best of Link Wray”.

Três diretores de cinema: Peter Greennway, David Linch e Akira Kurossawa.

Três filmes: “Depois da vida” (de Hirokazu Koreeda), “Down by Law” (de Jim Jarmusch) e “Viagem de Chihiro” (de Hyao Miyazaki).

Três livros: “Admirável mundo novo” (Aldous Huxley), “Akira” (Katsuhiro Otomo) e “Belas Maldições” (Neil Gaiman – Terry Pratchett).

Show inesquecível: 65 Days of Static em Osaka, 2006.

Como o blog conheceu essa incrível musa rocker japa total delicious: ela é uma das melhores amigas da produtora de moda Patrícia Ramirez, que por sua vez é dileta amiga zapper há séculos. Ambas residem em Maringá, norte do Paraná e onde Zap’n’roll fez uma ótima DJ set no início deste ano no infelizmente finado The Joy Bar. Vai daí que o velho jornalista rocker e responsável por estas linhas bloggers lokers se encantou pela japa quarentona, resolveu paquerá-la (opa!) e a convidou para fazer este ensaio. Que você agora se delicia com ele aí embaixo, com as ótimas imagens clicadas pelo fotógrafo Paulo José e com produção de Paty Ramirez e Nay Oliveira. Aprecie sem moderação alguma!

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A vulva recoberta por pelos, colocando em xeque a ditadura estética atual das púbis total depiladas

 

 

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Me abro e me permito apenas para ele…

 

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Pele branca, olhos puxados, tattoos espalhadas pelo corpo: a japa girl perfeita?

 

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Devaneios na pequena tela, ou a busca por alguém…

 

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Segredos orientais que se escondem por entre as pernas…

 

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O vermelho é o fogo que nos atrai

 

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Venha me devorar!

 

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FIM DE TRANSMISSÃO

Postão ampliado em 8 de julho, relembrando Nirvana, Cazuza e Legião Urbana. Na semana que vem tem mais, beleusma?

 

Até lá então!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 8/7/2017 às 18:30hs.)

21 Comentários

      1. Ahahaahaha, mas olha só: meu queridíssimo ValdiNARO Lee Pen Mussolini, meu estimadíssimo reaça de direita, dando o ar da graça no painel do leitor zapper, uia!
        Vc é um fofo Valdir, nhoooon, hihihi. Ela tb gostou de vc, hehe. E foi ótimo o repasto ontem no Tendall Grill. Valeu pela cia!

  1. Sexo é muito anti-higiênico.

    Por isso eu e meu namorado Raphael Bittencourt estamos curtindo celibato até sabermos mais da tal supergonorreia.

    Não digo isso por ser assumidamente gay, mas essa japa é horrorosa. Acho que vou ter pesadelos depois de ver essas fotos, embora Zap’n’roll sempre preze pelo alto nível na escolha de suas gatas fotogradas.

    abraços,
    Alberto Aquino Rego.

    1. Ahahahahahahaha, falouzes albertinho. Mas me contaram que sua biba Love além de peidar na sua cara, tem cheiro de cc no sovaco o tempo todo e que não há odorono que resolva, hihi.

      1. Estou solteiro, Humberto.
        E irei continuar até morrer.

        O Raphinha é apenas um franguinho que me abastece de lactose, mas gosto de exaltá-lo.

        É muito importante regras e limites estritamente estabelecidos.

        Sensacional saber que você testemunhou o show da Legião no dia em que o Cazuza morreu. Inveja minha!

        abraço,
        Al

  2. Pois eu achei a japa bem comível, ainda mais se levarmos em conta a idade dela. Vai ver esse aí que reclamou não ta comendo ninguém.
    Vai catar ela, Finas?

  3. Finaaaaaattiiiii, qua qua qua!!! Pra vc sorrir nesse final de terça-feira: viu a pobreload? Dear luscious fazendo um post grandinho e babando gosma pelo tal cigarettes after sex. Que a Zappona já DETONOU há mais de três semana em um postão fodão, uia!
    Banda chata da porra! E o luscious lá, pela saco do caralho e como sempre falando bem de tudo que é novidade. O cara não tem filtro algum e é desesperado pra inflar a bola de qualquer porcaria que ele acha que é novidade, ahahahahaha.
    E aí, cadê claytinho, Gino soccio, oleude e outros fakes idiotas pra dizer que vc COPIA a pobreload? Quem ta copiando quem afinal de contas?
    Chuuuuupaaaaa bando de fakes pela saco! Viva a zap’n’roll!

    1. Cada um com seu gosto estético, Léo. Eu acho a japa bem gata (ainda mais pra idade dela). E fora que beleza nem de longe é o essencial numa pessoa – cultura, comportamento, inteligência contam bem mais no final das contas, menos pra machos imbecis e trogloditas, claro.

          1. Sim, imbecil Jabá, ela é DESCENDENTE de japoneses. E breve esses fakes imbecis como vc irão ter uma linda surpresa aqui, hihihi.

  4. Oi Finatti, tudo bem?
    Como faço semestralmente voltei aqui ao blog (que já teve até festa de despedida) para ver como estao as coisas.
    A começar pelo bizarríssimo anúncio do disco do Mumunha (que disse que você já se despediu mais que a banda que, veja só, vem tocar no SP Trip). Ainda bem que ele topou pagar hein?
    Percebo que você continua com esses textos longos (postados antes no Facebook, inclusive, sem mudar uma vírgula) reclamando de como as pessoas se comportam no Facebook. Aparentemente seus amigos desistiram de bancar seus jantares no Tendall né?
    Aliás, não consigo ver relaçao entre o que as pessoas compram (com o próprio dinheiro, aliás) e mostram no Facebook, e você achar que elas tem alguma obrigação de “anunciar” no seu site. Afinal, ou elas vão aos shows ou compram o que elas quiserem, ou dão o dinheiro pra você gastar do jeito que você achar melhor. Parece tentador né?
    Tá na hora de você ficar com um perfil só no Facebook, já que você odeia tanto a rede social, não faz sentido ter 2 ou 3. Sei que você vive tomando bloqueio e muda de perfil e tal, mas tá na hora de virar adulto né?
    Legal você escrever sobre o doc dos Stooges apesar dos clichês de tudo que você escreve (antes tudo era legal, hoje tudo é chato).
    Sabia que existe um tal de Netflix com vários docs musicais?
    Gostei de você ter mencionado o Centro do Rock, você nunca é convidado pra essas coisas? do alto dos seus quase 40 anos de experiência? Nem um bate papo? nem uma palestra? mesa de debates? nem uma curadoria (aquela que o Pomba arrumou pra você trabalhar pro Alckmin não conta ta?)?
    Só esse semestre já deve o In-Edit, com muitos documentários musicais e agora o Centro do Rock e ninguém te convida?
    Esse documentário Guitar Days vai ser lançado ou vai ficar igual seu livro?

    1. Oleoso, como diria o (des) “prezado” LR, o seu ídolo pobreloader, é COMOVENTE sua psicopatia, desespero e loucura (digna de internação em hospício) em tentar me desqualificar e insultar, inclusive stalkeando meu FB (e sem mostrar sua cara imunda lá, claro, vc é covarde demais pra isso).
      Ô dó de vc, infeliz e verminosa criatura…
      Adendo, I: aliás essa mensagem ta taaaaaaaão parecida com a forma como o homem da Pobreload escreve… será ele vc mesmo, oleoso?
      Adendo, II: continuo indo normalmente ao Tendall. Fui na semana passada, irei essa semana novamente, quinta ou sexta-feira como sempre.

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