AMPLIAÇÃO FINAL EXTRA!!! Informando OFICIALMENTE a data e local da mega festona de quinze anos do blog zapper, falando do show (com ingressos esgotados) do Ira! semana que vem no Sesc Belenzinho em Sampa, e muito mais! – Novo postaço zapper no ar! E em edição especial sobre o pós punk inglês dos anos 80 e também dos anos 2000, o blog analisa em detalhes o novo discão do grupo Interpol, além de celebrar os quarenta anos de existência de dois gigantes da história do rock, os ingleses do Echo & The Bunnymen e do Bauhaus; mais: a “invasão” da armada brit oitentista que vai acontecer no Brasil (e em Sampa, claro!) de setembro a dezembro, os livros sobre o gigante Lula que foram lançados, o grande HORROR golpista político e jurídico no país às vésperas das eleições presidenciais, e mais isso e aquilo tudo no espaço blogger que é campeão na blogosfera BR de cultura pop já há quinze anos! (postão gigantão totalmente ampliado e finalizado em 6-9-2018)

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Em mega postaço especial sobre o pós punk, o blogão zapper analisa em detalhes o novo discão do trio americano Interpol (acima), além de falar dos quarenta anos de existência de um dos maiores nomes do rock mundial em todos os tempos, o inglês Echo & The Bunnymen (abaixo)

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MAIS MICROFONIA – AGORA VAI! A MEGA FESTA DE QUINZE ANOS DA ZAPNROLL ACONTECE MÊS QUE VEM EM SAMPA, NO SESC BELENZINHO, UHÚ!

O site e blog de cultura pop e rock alternativo mais legal da web BR chega a uma década e meia de existência. E para celebrar, vai ter uma comemoração à altura da data! No próximo dia 19 de outubro, sexta-feira, a partir das 9 e meia da noite, a comedoria do Sesc Belenzinho na capital paulista, recebe dois showzaços dos grupos Saco De Ratos e The Dead Rocks, que vão tocar o puteiro e o terror rocker para festejar o niver zapper. Bora lá!

E após a maratona rock ao vivo no Sesc, ainda vai rolar uma after party show no Clube Outs (localizado na Rua Augusta, 486, no centro de Sampa), com dj set especial do blog, a partir da uma e meia da manhã. O Outs também existe há 15 anos, é o último reduto rocknroll da cena alternativa noturna do baixo Augusta e vive lotado nos finais de semana, graças ao vitorioso sistema open bar (pague um preço fixo e beba até cair!) implantado pela casa há quase 5 anos. Não dá pra perder!!!

Quem vai fazer a festa e tocar o puteiro e o terror rock no Sesc Belenzinho:

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***Saco De Ratos – a banda de blues rock existe há mais de uma década e já gravou quatro álbuns. É um dos destaques da cena independente brasileira e paulistana e cujo vocalista e letrista, o escritor, poeta e dramaturgo Mário Bortolotto, é um dos destaques da cena literária marginal brasileira há mais de vinte anos. Mais sobre eles aqui: https://www.facebook.com/BANDA-SACO-DE-RATOS-121151831228419/?fb_dtsg_ag=AdwjGDA39anTwQWKwrhAh9__oSTdyWkXiqrbKrZ85SIvOw%3AAdwCc08wU0iZzIGbX9yn0oKlNzZ99N-e7nKKtr2TNScTbA.

 

***The Dead Rocks – O trio baseado no interior paulista (na cidade de São Carlos) existe há uma década e meia e nesse período se transformou num dos principais nomes do estilo surf music no rock alternativo brasileiro. Compondo apenas temas instrumentais e com quatro discos editados, a banda alcançou tanto prestígio para o seu trabalho musical que já excursionou pela Europa e Estados Unidos, onde também lançou alguns EPs e participou de coletâneas com músicas de sua autoria. Não tocam na capital paulista há um bom tempo já, de modos que será uma ótima oportunidade para os fãs da cidade se reencontrar com o grupo ao vivo ou para conferir a potência sônica deles no palco pela primeira vez. Mais sobre eles aqui: https://www.facebook.com/thedeadrocks/.

 

Ingressos à venda em breve no site do Sesc Belenzinho, aguardem! E tudo sobre o festão você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/460162691145863/?active_tab=about.

 

***E SEMANA QUE VEM TAMBÉM NO SESC BELENZINHO TEM IRA! – Conforme estas linhas zappers imaginavam os ingressos para os dois shows que o Ira! irá realizar no final da semana que vem (dias 14 e 15 de setembro, sexta-feira e sábado), na comedoria do Sesc Belenzinho (unidade da entidade que fica no bairro do Belém, zona leste de Sampa, aliás como todas as unidades do Sesc esta também é sensacional), se EVAPORARAM do site (e também na compra física) em menos de 24hs. Os tickets começaram a ser vendidos ANTEONTEM. Já acabaram – a comedoria do Belenzinho não é grande, cabem umas 500 pessoas lá. E com o Ira! tocando na íntegra e ao vivo o seu fodástico terceiro disco de estúdio, o “Psicoacústica” (lançado em 1988, daí a turnê comemorativa pelos 30 anos dele), não tinha mesmo como ser muito diferente o sumiço das entradas em velocidade recorde. Sendo que o blog se sente algo contente e orgulhoso nessa parada. Contente porque além de admirar pra carajo a banda, também é amigo pessoal da dupla Scandurra-Nasi há séculos. E orgulhoso porque o texto do press kit sobre o evento e sobre o LP em questão é de nossa autoria. Sim, o Sesc confiou este trabalho ao jornalista rocker aqui, não apenas pela amizade que ele mantém com a banda mas também por (modéstia às favas) conhecer profundamente a trajetória dos Irados e as nuances que permeiam “Psicoacústica”. De modos que estaremos por lá na semana que vem, já que temos par de convites disponíveis (cortesia do Sesc) pra ir lá na gig. Pra quem não vai: sorry, hihi.

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Zapnroll (acima) e o bacanudo press kit criado pelo departamento gráfico e de divulgação do Sesc Belenzinho, para divulgar o showzão do Ira! que rola lá semana que vem, e cujo texto encartado no kit (abaixo) foi produzido pelo autor do blogão zapper

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, o rock alternativo, a política e o comportamento)

 

***LULA ONTEM, LULA LIVRO, LULA LIVRE, LULA SEMPRE! – Foi realmente emocionante o evento realizado no último dia 13 de agosto em Sampa, por conta do lançamento oficial e nacional do livro “Lula Livre – Lula Livro”, coletânea de textos organizado pelo jornalista e queridão deste espaço online Ademir Assunção, e que conseguiu reunir num volume extraordinário (e que estava sendo vendido por módicos 15 dinheiros durante o evento, sendo que os exemplares à disposição do público se esgotaram rapidinho), textos e poemas de artistas variados, como poetas, cantores, compositores, rappers etc (estão no livro, entre outros, textos de Chico Buarque, Augusto de Campos, Alice Ruiz, Carlos Rennó, Sergio Mamberti, Paulo Lins etc.). E boa parte desses artistas compareceu ao lançamento, que lotou as dependências do já lendário, mitológico e histórico teatro Oficina, lar do grupo homônimo criado há décadas pelo gênio gigante que é Zé Celso Martinez Correa, um dos monstros sagrados de toda a história da dramaturgia brasileira. Foram lidos textos no pequeno palco montado, mostrados vídeos, entoados hinos e canções eivadas de sentimento de liberdade, de apoio total à democracia e a tudo que importa ao ser humano: respeito às minorias, aos negros, às mulheres, aos gays, além de um não gigante ao retrocesso comportamental, ao arbítrio, a intolerância, ao discurso de ódio boçal que tornou o país uma nação de pensamento binário, ao reacionarismo de extrema direita e, principalmente, a prisão política e completamente injusta e surreal do maior líder popular que este pobre Brasil (uma nação vilipendiada por golpistas imundos em esferas variadas: na política, no Judiciário etc.) já teve. Ele mesmo, Luis Inácio LULA da Silva, o MELHOR PRESIDENTE que o Brasil teve em pelo menos 50 anos. O blog poderia escrever um LIVRO aqui sobre como foi bacana a aquela noite. Mas tenta resumir sua emoção e orgulho de ter participado do evento dizendo que, sim, a VERDADE e a JUSTIÇA irão prevalecer e VENCER no final de tudo. Apenas fica-se questionando do por que dessa dicotomia apavorante: a NATA da arte e da cultura brasileira reunida numa segunda-feira à noite na capital paulista pedindo LULA LIVRE, enquanto a sociedade e povo do país, quase como um todo, se deixando contaminar por uma ignorância abominável e monstruosa e se mostrando propensa a eleger como presidente um BOÇAL e BESTIAL herdeiro maldito da pior escrotidão (em todos os sentidos) que já houve na história do país, a ditadura militar. É isso mesmo que o brasileiro quer, ter como presidente um mentiroso, asqueroso, crápula, também escroque e pilantra (que enriqueceu como deputado federal durante 30 anos, nos quais não fez absolutamente NADA digno de nota como político) e que ainda por cima é homofóbico, racista e machista ao máximo. Só pra saber… Foi lindo o evento. E a melhor imagem do que rolou no Oficina, para resumir tudo, é a que está aí embaixo: Finaski (com sua amiga Silvia Fasioli) ao lado de um GIGANTE da história política nacional, um dos ÚNICOS políticos realmente DECENTES em grau máximo deste Brasil corroído pela corrupção. Ele mesmo, o “velhinho” mais fofo de todos e nosso eterno senador, a quem sempre daremos nosso voto. Um beijo no seu coração ever, Eduardo Suplicy!

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Finaski, sua amiga Silvia e o gigante (como político e como ser humano) Eduardo Suplicy (acima), no lançamento do livro “Lula Livre – Lula livro”, em São Paulo; abaixo no mesmo evento o senador, ladeado pelo diretor de teatro Zé Celso Correa e pela poeta Alice Ruiz

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***Mais Lula em livro – yep, outro lançamento em torno do ex-presidente Lula é “A verdade vencerá – o povo sabe por que me condenam”, volume editado pela Boitempo editorial e onde o ex-presidente concede uma enorme entrevista a um grupo de jornalistas, em bate papo organizado por Ivana Jinkings e Juca Kfouri, além de textos complementares escritos por Eric Nepomuceno e Rafael Valim. Vale muito a pena ler e tomar contato com uma radiografia textual isenta e escrita por gente séria e por alguns dos principais nomes do jornalismo brasileiro, para que se possa entender todo o imundo processo político golpista que segue em curso no país, às vésperas de mais uma eleição presidencial – talvez a PIOR eleição desde que o país se redemocratizou.

 

*** O BRASIL E O ROCK BR NO FUNDO DO ABISMO SEM FUNDO – Quando uma cadeia varejista de lojas como a gigantesca Americanas chega ao completo desplante de vender (pelo seu site) dois modelos de camisetas (um enaltecendo BolsoNAZI; outro contra Lula, o MELHOR presidente que este país já teve em pelo menos 50 anos), a conclusão é inefável: essa MERDA monstro chamada Brasil chegou mesmo ao fundo de um abismo que parece não ter nenhum fundo. E não só. Segundo reportagem da revista Carta Capital, olhem só a “inspiração” visual para os modelos: “as peças têm inspiração estética em BANDAS DE ROCK, como o modelo que imita a camiseta-símbolo do grupo punk RAMONES. Em vez do nome dos integrantes da banda, como no modelo original, consta o lema bolsonarista “Deus acima de todos / Brasil acima de tudo”. A águia americana, por sua vez, foi trocada por uma estrela com a data de proclamação da República”. Que DESASTRE e que nojo. Depois questionam por que o rock MORREU nessa porra horrenda de país cu tropical, não abençoado por NENHUM Deus (seja lá o que for Deus) e habitado por milhões de asnos, ogros, idiotas, imbecis, ignorantes, BURROS, conservadores, sem cérebro, reacionários, boçais e MEDIEVAIS no comportamento e pensamento. É esse povo triste, indecente, ordinário e bolsOTÁRIO que irá votar no “mito”. E boa parte desses JUMENTOS machistas, misóginos, racistas e homofóbicos é que empunham a BANDEIRA do rocknroll hoje em dia no bananão falido. Que triste fim pro Brasil e pro “roqueiro” brasileiro, jezuiz… (adendo: após a publicação da reportagem no site da CC, as lojas Americanas RETIRARAM da venda no seu site os tais modelos das camisetas. Menos mal…)

 

***A “INVASÃO” BRASILEIRA DO PÓS-PUNK INGLÊS DOS ANOS 80 – como este postão que você está começando a ler agora é especial e focado na vertente pós punk do rock mundial (seja o pós punk oitentista ou de bandas atuais, como o grande Interpol), não poderíamos deixar de mencionar a autêntica “invasão” que o estilo irá promover na terra brasilis entre setembro e dezembro vindouros. De modos que o blog zapper dá abaixo seu PITACO sobre as atrações que vêm aí, todas célebres no pós punk britânico dos anos 80.

 

***Peter Murphy e David J.: ou MEIO Bauhaus, que vão relembrar seus clássicos das tumbas em Sampalândia, dia 7 de outubro, no Carioca Clube. Pois então, os maiores morcegões trevosos da cena goth inglesa também celebram 4 décadas de sombras sonoras este ano. Tudo começou em 1978 e yep, sempre gostamos MUITO deles. Mas fato é que solo o vocalista Peter Murphy (uma BICHAÇA loka e das trevas que enlouqueceu garotos e garotas darks no auge do conjunto, lá por 1983) nunca funcionou e passou longe da genialidade musical conseguida quando ele estava junto com Daniel Ash (guitarras), David J. (baixo) e Kevin Askins (bateria). Vimos Pedro Morfético solo em sua primeira visita a Sampa, em fevereiro de 2009 (na finada Via Funchal). Na metade da gig Zapnroll já estava de saco cheio e rezando pra aquilo acabar logo. Agora vamos lá ver esse meio Bauhaus mesmo porque Peter, com mais de 60 anos nas costas, continua com o vocal super em forma e porque o show vai contemplar apenas Bauhaus em seu set. E além de tudo vai ser ótimo e bizarro encontrar aquele monte de gótico velhão e com a pança à mostra, todos reunidos no mesmo local e todos com capotões pretos, claro!

 

***Nick Cave: uma semana depois do meio Bauhaus, o gênio e já icônico Nick Caverna também aterrissa em Sampa, em 14 de outubro. Quase sessentão, Nick continua em plena forma e atividade e segue lançando discos ótimos. Esteve uma única vez no Brasil, em 1988 (lá se vão 30 anos…), e estas linhas online estavam naquele show, lá no saudoso ProjetoSP. Foi inesquecível. Agora vamos TENTAR ir novamente, porque credencial não iremos pedir (o show é produzido por aquele jornalista e “bloggero” pobreloader, hihi, de modos que…) e dindin pra comprar ingresso não tá fácil. Mas vamos verrrrr…

 

***New Order: totalmente DISPENSÁVEL a essa altura do campeonato. E sinceramente não dá pra entender porque tá todo mundo esperneando por conta do show único da banda este ano no Brasil, em SP, dia 28 de novembro. Na boa: quando aqui esteve pela primeira vez, também em 1988, o NO ainda estava no auge e fez uma apresentação histórica, memorável e inesquecível (o blog estava nela) no ginásio do Ibirapuera. Depois, entre paradas e retomadas da carreira, o grupo volto aqui em 2006 (também na saudosa Via Funchal), já não era nem em sonho mais ótima banda que tínhamos assistido ao vivo 18 anos antes mas a gig ainda assim foi razoável. Depois ainda assistimos os sucessores do Joy Division uma terceira vez, no Ultra Music Festival em São Paulo, em dezembro de 2011. Foi o horror total: o vocalista Bernard Sumner gordo (e sem pudor algum em ostentar a barrigona) e preguiçoso ao vivo (e sem voz também), a banda sem o baixista fodão e ícone que é Peter Hook e por aí foi. Conseguiram destruir a si próprios em uma versão ao vivo lamentável do ultra clássico “Blue Monday”, parecendo uma banda COVER de si mesma de quinta categoria. Este jornalista ficou realmente bodeado naquele show e só não saiu mais puto do estacionamento do Anhembi porque estava com uma credencial máster (de jornalista) pendurada no pescoço e que o permitiu ir na área vip open bar, onde tomou todo o whisky que pôde com energy drink. Moral da história: o zapper saiu completamente alucicrazy do festival e foi VOANDO atrás de cocaine, claaaaaro! Bien, depois disso a Nova VELHA Ordem ainda voltou pra cá (o grupo já tinha virado carne de vaca) no Lollapalooza BR 2014 e literalmente CAGAMOS pra assisti-lo ao vivo novamente. Yep, em estúdio o conjunto segue ok (“Music Complete”, lançado em 2015, é bem bom), mas ao vivo vamos passar bem longe pois achamos (achamos não, temos certeza) de que não vale mais a pena. A não ser que você nunca tenha visto eles ao vivo. Aí quem sabe…

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Bauhaus (pela metade, no caso da gig brazuca) e Nick Cave (acima), e New Order e Morrissey (abaixo): todos eles vêm ao Brasil entre setembro e dezembro

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***Morrissey: ah, a velha bexa dos Smiths de volta ao Breeeziiilll… e daí. Daí que Morrisséia está cada vez mais rabugenta e chata com o avançar da idade. Se ainda está em forma em cima de um palco, não sabemos. Os Smiths são uma das 5 bandas da nossa vida (ever) e vimos Moz uma única vez ao vivo e solo, quando ele esteve aqui pela primeira vez em 2000 (lá no finado Olympia SP). Foi lindão, inesquecível e depois nunca mais conseguimos vê-lo novamente on stage. Até queríamos ir esse ano novamente (seu último cd solo dá pro gasto) mas o foda é que na mesma noite do show (2 de dezembro) vai ter também em Sampa L7 com Pin Ups. E vamos preferir ir no segundo.

 

***Fora essa autêntica “invasion” pós punk inglesa dos 80, ainda vai rolar Kasabian (setembro, 30), Peter Hook (dia 10 de outubro, e talvez valha mais a pena ver ou rever este do que o New Order), Franz Ferdinand (outubro, dia 12, mas esse também já deu, né), Noel Gallagher (ainda a confirmar) etc. A pergunta é: quem tem dinheiro pra ir em tudo isso, rsrs. O autor deste blog definitivamente não tem, rsrs.

 

***Não esquecendo: é já em outubro a mega e oficial festa de quinze anos do blog de cultura pop e rock alternativo mais legal da web BR. Vão ter showzaços do The Dead Rocks e do Saco De Ratos. E depois ainda vai ter after party com dj set do blog no Clube Outs, o open bar rocker mais infernal do baixo Augusta SP. Tudo no dia 19 de outubro, sexta-feira, wow! Logo menos a gente divulga aqui o local onde irão rolar os shows, pode esperar!

 

***E antes que o blog esqueça: a primeira tiragem do livro “Escadaria para o inferno” está quase esgotada. Restam poucos exemplares à venda na loja virtual do site da editora Kazuá. De modos que se você ainda não comprou o seu exemplar, vai JÁ aqui e faz seu pedido: http://www.editorakazua.net/prosa/escadaria-para-o-inferno-de-humberto-finatti.

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***E mais notinhas irão entrar aqui na Microfonia ao longo da semana vindoura. Mas por enquanto vamos já direto ao ponto e ao que interessa aí embaixo: o novo discão daquele que ainda é o grande nome do pós punk dos anos 2000, o trio americano Interpol. Bora lá!

 

 

AUSENTE HÁ QUATRO ANOS DOS ESTÚDIOS, O GOTH E INDIE NOVA IORQUINO INTERPOL RETORNA COM TALVEZ SEU MELHOR ÁLBUM DESDE A ESTREIA DA BANDA

Das zilhões de bandas que surgiram no chamado “new rock” (ou indie rock alternativo) na virada dos anos 2000, uma das que Zapnroll mais gosta (e sempre gostou, e continua gostando) é o nova iorquino Interpol. Em tempos em que o rock praticamente MORREU (aqui e lá fora também), em que grupos surgem e desaparecem na velocidade de um bólido e onde conjuntos novos, por melhores que sejam, não conseguem encontrar espaço para mostrar seu trabalho e muito menos público JOVEM interessado em ouvir sua música (esqueça: a pirralhada OGRA e BURRONA da era da web detesta fazer esforço mental, odeia música que a obriga a PENSAR e AMA música total irrelevante e mega RASA em sua construção, daí a ascensão irresistível e implacável do popão eletrônico e R&B pasteurizado lá fora, e do funk, axé e sertanojo aqui no bananão), o agora trio (ainda integrado pelo fundador, o vocalista, baixista e guitarrista Paul Banks, pelo também guitarrista Daniel Kessler e pelo batera Sam Fogarino) está resistindo bem ao tempo: foi fundado em 1997 e lançou seu primeiro álbum (o espetacular “Turn On The Bright Lights”) 5 anos depois, em 2002. E além de resistir bem ao tempo o grupo ainda está em grande forma e acaba de lançar aquele que talvez seja seu melhor trabalho de estúdio desde sua estreia em disco, há dezesseis anos. “Marauder”, o sexto álbum de músicas inéditas do Interpol, chegou ao mercado (nos formatos físico e virtual) na semana passada e não apenas traz de volta as ambiências sonoras sombrias engendradas pelo conjunto em sua estreia, como faz isso através de melodias dançantes e envolventes e também com guitarras abrasivas e poderosas. Já é provavelmente um dos grandes lançamentos de 2018, no que ainda resta de relevante no rock mundial.

E por que estas linhas zappers gosta tanto do Interpol não é nenhum mistério. O blog sempre apreciou muito os vocais sombrios de Banks (que emulam quase à perfeição Ian Curtis) e a ambiência pós punk (circa 1980,1983) sinistra deles, bem na linha do Joy Division. Com um detalhe: mesmo EMULANDO tudo isso o Interpol sempre soou muito convincente e REAL em sua sonoridade, algo difícil de se ver no rock atual, ou no que ainda resta dele. Sim, a banda cometeu deslizes. O autor destas linhas bloggers não gosta do segundo disco deles, o “Antics”. E os três que vieram na sequencia eram ok, mas longe de reeditar o brilhantismo sonoro obtido em sua estreia. De qualquer forma, assistimos a um SHOWZAÇO deles em Sampa, na finada Via Funchal (em março de 2008, há mais de uma década, sendo que eles voltariam ao Brasil por mais duas vezes, em 2011 no extinto festival Planeta Terra, e depois em 2015 no Lollapalooza BR), quando a saudosa casa de espetáculos da capital paulista lotou e a banda brindou o público com uma gig acachapante em sua potência e energia no palco. De modos que sempre ficamos na torcida para que o conjunto voltasse ainda com um grande álbum.

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Capa do novo Interpol: discão!

Pois este retorno com este grande álbum finalmente se materializou em “Marauder”. Em suas treze faixas (sendo duas vinhetas curtas, batizadas de “Interlude I e II”) e pouco mais de quarenta e quatro minutos de duração, o trio reedita finalmente as nuances sombrias (em alguns momentos, quase sinistras) porém dançantes que marcaram o seu hoje já clássico primeiro cd. São melodias aceleradas e construídas com guitarras poderosas e que cativam o ouvinte já nas primeiras audições, o que fica evidente nas quatro primeiras canções do disco (“If You Really Love Nothing”, “The Rover”, “Complications” e “Flight Of Fancy”). “If You…”, que abre o disco, inclusive possui uma letra de consistência poética belíssima e ultra densa (veja a tradução mais abaixo, neste mesmo post) e acabou se transformando no terceiro single do novo trabalho, com direito a um espetacular vídeo de divulgação e onde a atriz deusa loira e XOXOTAÇO Kristen Stewart faz a loka, deitando e rolando com vários homens em um bar onde tudo acontece (duas garotas se beijando, povo loko bebendo Jack Daniel´s no gargalo etc, etc.), enquanto o Interpol surge tocando entre sombras e escuridão quase plena. Melhor impossível!

Há mais do mesmo nível na sequência, sendo que o disco mantém sua qualidade até o final da audição. Ok, ele poderia ser mais econômico e sucinto, com menos faixas e menor duração. Mas não há nada nele que comprometa o prazer, cada vez mais raro nos dias que correm, de se escutar um álbum quase perfeito do começo ao fim. No caso deste “Marauder”, cuja musicalidade nos remete diretamente à Londres do início dos anos 80 (em especial nas muito darks “Stay In Touch”, “NYSMAW” e “Surveillance”), esta quase perfeição sônica além de oferecer grande satisfação a quem a escuta ainda desvela que o Interpol, aos vinte e um anos de existência e com um front man ainda relativamente jovem (Paul Banks fez quarenta anos de idade em maio passado), poderá se manter em forma ainda por alguns anos, impedindo que (e sem trocadilho aqui) o triste rocknroll da estúpida era da web feneça de vez.

 

 

O TRACK LIST DE “MARAUDER”

1.”If You Really Love Nothing”

2.”The Rover”

3.”Complications”

4.”Flight of Fancy”

5.”Stay in Touch”

6.”Interlude 1″

7.”Mountain Child”

8.”NYSMAW”

9.”Surveillance”

10.”Number 10″

11.”Party’s Over”

12.”Interlude 2″

13.”It Probably Matters”

 

 

O DISCO PARA AUDIÇÃO AÍ EMBAIXO, NA ÍNTEGRA

 

 

E O TERCEIRO SINGLE, COM ÓTIMO VÍDEO PARA “IF YOU REALLY LOVE NOTHING”

 

 

UMA LETRA DO DISCO

 

“If You Really Love Nothing”

 

Se você realmente ama nada

Em que futuro construímos ilusões

Se você realmente ama nada

Nós esperamos em glória silenciosa

Se você realmente ama nada

Que parte da traição você quer negar?

 

Quando eu encontrar minha casa

A próxima artéria

Esplêndido eu sangro toda a minha vida

Então é provavelmente um beijo

Adeus então

 

Se você realmente ama nada

Todo mundo é inventado

Todo mundo está perdendo

Se você realmente ama nada

Vamos dormir na glória silenciosa

Se você realmente ama nada

Como você pode estar lá

Você poderia simplesmente deixar para sempre

 

Quando eu encontrar minha casa

A próxima artéria

Esplêndido eu sangro toda a minha vida

Então é provavelmente um beijo

Adeus então

 

Você pode traçar um buraco no seu vestido

 

Respiração é ótima

Lendo lembrar

A classificação final da semana

Melhor que sete outros homens

Imprudente das mulheres que quebram a dimensão

Eu sei que você poderia simplesmente partir para sempre

 

Quando eu encontrar minha casa

A próxima artéria

Esplêndido eu sangro toda a minha vida

Então vai ser um beijo de despedida então

 

Você pode traçar um buraco no seu vestido

E me dê adeus e um beijo

Eu vejo você traçar esse buraco no seu peito

Me dê um tchau e um beijo

 

 

HÁ 40 ANOS SURGIA NA CIDADE INGLESA DE LIVERPOOL (TERRA DE UNS CERTOS BEATLES) ECHO & THE BUNNYMEN, UM DOS MAIORES NOMES DO PÓS PUNK DOS ANOS 80 E DE TODA A HISTÓRIA DO ROCK MUNDIAL

Ninguém discorda de que o quarteto pós-punk inglês Echo & The Bunnymen foi um dos maiores nomes do rock britânico dos anos 80 e de toda a história do rocknroll mundial. Por pelo menos quase uma década (de 1980 até meados de 1988) a banda que em sua formação original e clássica tinha o sublime vocalista Ian McCulloch, o gigante (na qualidade e técnica instrumental) guitarrista Will Sergeant, e os ótimos Les Pattinson (no baixo) e Pete De Freitas (na bateria), reinou absoluta na Velha Ilha e foi aclamada unanimemente pela imprensa e pelos fãs. Foi nesse período de oito anos que o Echo lançou seus cinco primeiros e imbatíveis álbuns de estúdio, onde uma combinação de melodias e harmonias aceleradas e herdadas da simplicidade punk, se unia a ambiências psicodélicas e melancólicas egressas do melhor rock feito nos anos sessenta (com fartas referências e eflúvios de Beatles, Rolling Stones e The Doors), tudo dando suporte para as letras memoráveis (em sua construção poética) escritas por McCulloch. Se depois de 1988 e até hoje o grupo lançou uma série trabalhos sofríveis e que nem de longe lembram seu passado inicial e glorioso, não importa. Tampouco o fato de que da formação original só restam Will e Ian. Mas daqui a exatos dois meses Echo & The Bunnymen estará completando quarenta anos de existência. E nesse período ele já deixou inscrito para a eternidade seu nome entre aqueles que construíram com maestria e encantamento máximo a grande e imortal história do rock mundial.

Tudo começou em Liverpool (a cidade inglesa terra de uns certos Beatles) por volta de 1977, quando o então adolescente Ian McCulloch começou a cantar em um grupo local chamado Crucial Tree (considerado por muitos pesquisadores e estudiosos do rock inglês do período como sendo quase tão excepcional em sua musicalidade quando o Echo seria alguns anos depois). O grupo, no entanto, teve curta existência e logo McCulloch se juntou ao guitarrista prodígio Will Sergeant e ao baixista Les Pattinson, para formar o Echo & The Bunnymen – em tradução literal, “Echo & Os homens coelho”. E que foi batizado assim por, no princípio, não ter um baterista humano – o trio fazia seus registros sonoros acompanhado de uma bateria eletrônica, a Echo. Foi com essa formação e com a bateria eletrônica no fundo do palco que o conjunto fez sua estreia em novembro de 1978, em uma apresentação no Eric Club em Liverpool. É o marco zero da trajetória dos coelhinhos.

Daí em diante a fama do trio foi crescendo rapidamente, em função de suas ótimas composições e apresentações ao vivo. Quando a banda assinou com o selo Zoo Records e lançou seu primeiro single, “Pictures On My Wall”, em maio de 1979, a aclamação da imprensa britânica foi instantânea. Em julho do ano seguinte e já contando com o baterista Pete De Freitas em seu line up o Echo fez sua estreia em LP, editando o a um só tempo barulhento, climático e psicodélico “Crocodiles”, hoje considerado um clássico na discografia da banda. Nova aclamação da crítica, com a legião de fãs aumentando rapidamente e de maneira espantosa. Não parecia haver limites para a genialidade sonora do Echo & The Bunnymen.

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Os “Coelhinhos” em seu auge, no início dos anos 80 (acima); abaixo Ian McCulloch também nos anos 80, destruindo nos vocais ao vivo

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Nos anos seguintes e até por volta de 1988, o quarteto se manteve no topo em tempo integral. Lançou mais quatro álbuns impecáveis da primeira à última música de cada um deles e rodou o mundo com seu show, aportando pela primeira vez no Brasil em maio de 1987, para cinco apresentações inesquecíveis e sold out em São Paulo, além de tocar também no litoral paulista (na cidade de Santos) e no Rio De Janeiro. E quando retornou à Inglaterra, começou sua fase descendente. Primeiro o baterista De Freitas morreu em um acidente de moto em Londres, em 1989. Logo em seguida Ian McCulloch decidiu largar os Bunnymen para seguir em carreira solo. O que sobrou do Echo decidiu seguir em frente, lançando em novembro de 1990 o inexpressivo disco “Reverberation”, onde os vocais ficaram por conta do desconhecido Noel Burke. O trabalho foi um retumbante fracasso, tanto comercial quanto perante à rock press. E assim determinou o fim da primeira fase do conjunto, já que Will e Ian se reuniram novamente mas sob outro nome, Electrafixion, lançando um único e ótimo cd em 1995, intitulado “Burned”. O álbum era muito bom (contava inclusive com a participação especial do ex-guitarrista dos Smiths, Johnny Marr) mas nem de longe vendeu o que os primeiros discos dos Bunnymen venderam.

Foi quando Will Sergeant e Ian McCulloch tiveram a infeliz ideia de voltar novamente como Echo & The Bunnymen. Com Les Pattinson novamente no baixo, o grupo lançou “Evergreen” em 1997. Um disco sofrível que inaugurava a segunda encarnação do conjunto, e que perdura até os dias atuais. Desde então a banda lançou mais seis trabalhos inéditos de estúdio, alguns razoáveis (como “Flowers”, de 2001, e “Siberia”, editado em 2005) mas a maioria demonstrando que aquele grupo de musicalidade absolutamente impecável e gloriosa dos anos 80, não mais existia. Além disso o baixista Pattinson abandonou definitivamente o grupo em 1999, e a voz outrora trovejante de Ian (que se tornou famoso pelo apelido de Big Mac) havia desaparecido, destruída por décadas de consumo de álcool, tabaco e drogas variadas. Por fim o conjunto acabou se tornando carne de vaca e figurinha carimbadíssima no Brasil: voltou novamente pra cá em 1999 (na turnê do fraquíssimo cd “What Are You Going To Do With Your Life”), em gig realizada na saudosa casa paulistana Via Funchal. No ano seguinte Ian voltou retornou ao país, em tour solo. Em 2002 o grupo fez nova aparição por aqui (na mesma Via Funchal) e aí não parou mais de excursionar na terra brasilis, tocando por diversas vezes em São Paulo no extinto Credicard Hall (atual Citibank Hall). E claro, a cada nova visita as performances ao vivo decaiam de qualidade a olhos vistos.

Zapnroll no entanto, sempre teve amor por aquele quarteto pós punk fantástico dos anos 80 e que lançou ao menos cinco LPs que podem figurar tranquilamente entre os cinquenta melhores de toda a história do rock (“Ocean Rain”, de 1984 e o preferido deles destas linhas rockers, está eternamente na nossa lista dos dez melhores álbuns de rock de todos os tempos). E por ter devotado esse imenso amor ao conjunto é que o acompanhou muito de perto durante toda a década de 80 e também na de 90, ouvindo os discos, assistindo a vários dos shows brasileiros e entrevistando os coelhinhos em algumas das coletivas dadas por eles aqui. Momentos em que a banda fez parte essencial da vida do autor destas linhas bloggers e que inclusive renderam algumas histórias bastante divertidas (leia mais abaixo, nesse mesmo post). E agora, ao rememorar as quatro décadas de existência do Echo & The Bunnymen, este jornalista se dá conta de que o tempo avança e não perdoa mesmo ninguém. Nem mesmo artistas, músicos e bandas. Talvez os Bunnymen já devessem ter se aposentado há anos, preservando um passado irretocável e que nunca mais irá voltar. Preferiram continuar, mesmo que flertando cada vez mais com a decadência irrefreável. Não importa: os cinco primeiros e inesquecíveis LPs daquele grupo que um dia surgiu em Liverpool e encantou o mundo para sempre, estarão em nossos corações igualmente para sempre e da mesma forma: encantando ad eternum quem quiser os escutar.

 

 

ECHO & THE BUNNYMEN – UMA ANÁLISE DA TRAJETÓRIA DISCOGRÁFICA DA BANDA

 

Por Valdir Angeli, especial para Zapnroll

 

Conheci o Echo & The Bunnymen meio por acaso, lá pela virada de 1984 para 85. Por essa época eu, normalmente ávido por novidades no âmbito do rock e do pop, vinha ouvindo um bocado de Talking Heads, tinha conhecido o Prince, já tinha adquirido os novos lançamentos do Frank Zappa e do David Bowie (deste último o, para mim, fraco ‘Tonight’), mas achava que o rock estava precisando de uma boa sacudida; na verdade, o que eu achava que estava faltando já existia, mas eu ainda não tinha entrado em contato com o que as novas bandas inglesas – notadamente as de Manchester e Liverpool – andavam fazendo há algum tempo. Quase sem querer, folheando o jornal diário paulistano Estadão, dei de cara com um artigo no Caderno 2 (nota do editor do blog: caderno de variedades do diário e onde o jornalista zapper se tornaria repórter e colaborador anos depois, em 1988, integrando a lendária equipe da página de música editada por Luis Antonio Giron, e que tinha textos assinados por gente do calibre de Fernando Naporano e do saudoso Kid Vinil) sobre o lançamento no Brasil do último disco de um grupo de Liverpool de quem eu nunca tinha ouvido falar, um tal de Echo & The Bunnymen. Interessei-me de cara pelo conjunto, não só pelos elogios a ele contidos no tal artigo, mas também por sua procedência; afinal, se em tempos idos Liverpool tinha sido o berço do merseybeat e o Estadão elogiava tanto uma banda nova vinda de lá (infelizmente não me recordo quem era o articulista), coisa ruim ela não deveria ser, pensei. Movido pela curiosidade, adquiri às cegas logo em seguida o tal disco, o ‘Porcupine’, terceiro álbum por eles lançado, em uma das minhas regulares visitas à lendária Galeria do Rock, até hoje localizada no centro de São Paulo e um dos “points” rockers mais conhecidos do Brasil. A princípio não fiquei nem um pouco animado com o que ouvi, achei estranha e meio desagradável aquela maçaroca de guitarras tocando contra um arranjo de violinos que, segundo o que eu tinha lido no jornal (o disco nacional que eu comprei não trazia sequer ficha técnica) eram do violinista Lakshminarayana Shankar, que já havia colaborado com Peter Gabriel e John McLaughlin. Mesmo assim, gostei muito de uma faixa, chamada “Gods Will Be Gods”, e graças a ela em vez de tentar devolver o disco na loja ou encostá-lo num canto, resolvi repetir um procedimento que eu já havia feito anteriormente, com o álbum ‘Wonderwall’, do George Harrison, e com o ‘Whistle Rymes’, do John Entwistle, baixista do The Who, dois discos que, graças à minha persistência em ouvi-los após uma decepção inicial, acabaram se tornando praticamente dois discos de cabeceira pra mim. Minha ideia deu certo, de fato concluí que os caras desse tal Echo eram bons mesmo, como o artigo informava. Semanas depois, um amigo meu, do circuito das lojas de discos que eu freqüentava, jogou em minhas mãos uma fita cassete com gravações de grupos diversos (entre as quais fiquei conhecendo outras bandas do tal “pós-punk” inglês), contendo no meio duas das músicas do ‘Porcupine’, “The Cutter” e “The Back Of Love”, porém em suas versões de compacto, com arranjos bem diferentes e, aos meus ouvidos, muito melhores, e mais uma inédita dos Bunnymen, o “Never Stop (Discotheque)”, que de imediato me deixou encantado com seu arranjo cheio de cellos, toques em pizzicato e outros detalhes e ambiência que lembravam, e muito, aquela outra antiga banda de Liverpool; esse mesmo amigo também me fez ouvir um exemplar importado do ‘Porcupine’, através do qual pude perceber que muito do meu desencanto inicial com o long-play era fruto da péssima prensagem da edição nacional, cortesia da EMI-Odeon, que era quem, na época, prensava os lançamentos da Warner (distribuidora da Korova, a gravadora  do grupo) por aqui. “Ah, então era isso…! Acho que vou ter que ouvir mais coisas desses caras…”

Demorou mais alguns meses para sair no Brasil o álbum seguinte do Echo, mas nesse meio tempo um outro amigo me emprestou um compacto de doze polegadas deles, que tinha “The Killing Moon” nas versões “standard” e estendida, e mais uma gravação ao vivo sensacional, “Do It Clean”, que me fez conhecer outra faceta da banda, a porrada que era uma gravação ao vivo deles. Foi então, com grande ansiedade, que adquiri logo que saiu aqui ‘Ocean Rain’, quarto disco da banda. E como era de se esperar, caí de amores por ele logo na primeira audição (pois é, a prensagem nacional desse já era bem melhor). Passei a ouvir direto “Silver”, “Seven Seas”, “Crystal Days”… Era fantástico!

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“Crocodiles”, 1980

Um nada de tempo depois disso consegui, escarafunchando várias lojas especializadas, achar dois álbuns importados da banda, os quais comprei sem perda de tempo: ‘Heaven Up Here’, que continha as excelentes “A Promise” e “Over The Wall”, e logo em seguida o disco de estreia deles, ‘Crocodiles’, um álbum mais cru e básico, onde estava a versão original do “Do It Clean” (esse disco que eu achei era a versão americana; a inglesa não contém essa faixa) e as absurdas de boas “Rescue” e “Villiers Terrace”, além do “Read It In Books”, composição oriunda da banda anterior do cantor Ian McCulloch, banda essa que também contava com os geniais Julian Cope  e Pete Wylie.

A seqüência dos acontecimentos ia meio que em banho-maria até que, lá pelo final de 1985, após grande demora, surgiu mais um compacto deles na praça, o “Bring On The Dancing Horses” que, além de trazer no lado principal uma música de qualidade e que mantinha em alta o nível da banda, ainda continha no seu lado dois duas faixas das quais uma em particular, “Bedbugs And Ballyhoo”, acabou virando uma das minhas preferidas de sua obra para todo o sempre. Logo após, foi anunciado que o baterista, Pete De Freitas, havia deixado a banda.

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“Heaven Up Here”, 1981

Paralelamente no passar de todos esses meses, fui conhecendo outras bandas do tal “pós-punk” inglês como, entre outras, The Cure, Joy Division e sua continuação New Order, The Smiths, Bauhaus, Dead Can Dance, Siouxsie & The Banshees e, naturalmente, comecei a enquadrar os Bunnymen como parte integrante desse contexto; a partir daí, meu conceito a respeito do Echo foi se tornando mais relativo e minhas expectativas em relação à banda foram ficando mais exigentes e, como conseqüência disso, a forma de eu enxergar os discos do conjunto começou lentamente a mudar, fazendo com que eu, dia a dia, cada vez mais questionasse a sua música  (a do ‘Ocean Rain’ em particular), até que eu, por fim, não mais estava achando que o trabalho do grupo pudesse ser algo comparável a, por assim dizer, “a arte dos deuses”. Eu já começava, como hoje vejo com mais clareza, a olhar, se não a totalidade da obra do Echo, ao menos o ‘Ocean Rain’ – apesar de eu até hoje reconhecer entre suas faixas uma obra prima atemporal meio subestimada, o”Nocturnal Me”, carregada que é de elementos góticos e sombrios, pouco comuns no repertório do grupo –, suas composições, arranjos  e interpretações, quase como um esnobismo, uma coisa pretensiosa, como se esse disco fosse uma forma de auto-afirmação desnecessária – e até exagerada, eu acrescento – em sua desesperada tentativa de emular os Beatles e os Doors, referências onipresentes, quem sabe para tentar provar a todos (e talvez até a si próprios) o quanto eles eram superiores, como se eles pertencessem a uma casta acima da das demais bandas – a campanha do lançamento do ‘Ocean Rain’ anunciava ser esse “o maior álbum já gravado até então”.

Embora por conta disso meu entusiasmo pelo conjunto tivesse diminuído um pouco, nada impediu que em 1987, na ocasião em que foi anunciada a vinda da banda para apresentações no Brasil (e, melhor ainda, com o retorno do “portuga” De Freitas às baquetas), eu fosse um dos primeiros a entrar na disputada briga para adquirir um ingresso para os shows que ocorreriam no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo, parte da turnê brazílica do  grupo. Consegui ir ao evento em duas noites, nos dias 12 e 15 de maio, e fiquei cara a cara com os gajos que ficaram bem na frente de meus olhos esbugalhados, com o direito de testemunhar o McCulloch tragando copos e copos de caipirinha entre uma música e outra, e de verificar “in loco” a exímia performance do “portuga” na bateria, além de tudo mais que, atônito, consegui captar no momento, incluindo execuções inéditas de faixas que fariam parte do lançamento que eles estavam prestes a fazer.

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“Porcupine”, 1983

E no final de julho desse mesmo ano esse esperado álbum (sem título, apenas ostentando o nome do grupo, talvez em mais uma alusão aos Beatles, que lá pelas tantas também haviam lançado um disco apenas com o seu nome, chamado informalmente de “album branco”) foi lançado, carregando a honra de ter em duas faixas a presença do próprio Ray Manzareck, dos Doors, como tecladista convidado. Uma delas, uma equivocada releitura, no meu modesto entender, de “Bedbugs  And Ballyhoo”, que se revelou uma escolha infeliz mas acabou tendo mais sucesso entre o público que a versão original; a outra em compensação, “Blue Blue Ocean”, para mim (não sei sei até hoje se por conotações emocionalmente fortes para mim na época ou pela sua mera excelência) foi outra das que estarão entre as minhas preferidas do grupo para sempre. No geral o álbum – que teve como hits (inclusive por aqui) “Lips Like Sugar” e “The Game” – foi bem recebido pelo público, principalmente nos Estados Unidos, se bem que não tanto pela crítica, e foi o primeiro a apresentar entre os convidados, além do Ray Manzareck, músicos como Jake Brockman, que faria parte de posteriores encarnações da banda; também foi o último a contar com as baquetas de Pete De Freitas, vítima fatal em um acidente de moto em 1989.

Uma tentativa de reformulação da banda após a morte do baterista e, para surpresa de todos, após a saída de McCulloch, que optou por seguir carreira solo, não chamou a atenção de ninguém. Nem a minha na época, embora hoje eu reconheça que ‘Reverberation’, o único álbum lançado por essa nova formação, que contou com Noel Burke nos vocais, até tinha lá suas qualidades, só não vingando devido à enorme carga que o nome da banda carregava consigo. Pouco tempo se passaria e logo McCulloch e o guitarrista Will Sergeant já estavam novamente experimentando algo juntos, formando uma banda que levava o nome de Electrafixion (e ainda por cima contando com a colaboração do Johnny Marr, dos Smiths), algo ao meu ver bem mais animador, a julgar por um álbum e uma caixa de compactos com registros ao vivo colocados no mercado; pena que o projeto não vingou…

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“Ocean Rain”, 1984

Com a entrada do baixista original do Echo, o Les Pattinson, no que sobrou do Electrafixion (a dupla McCulloch/Sergeant) o mundo viu em 1997 o renascimento do Echo & The Bunnymen com o disco ‘Evergreen’, cuja capa lembrava muito – sei lá se propositadamente ou não – a do primeiro LP, o ‘Crocodiles’. Um álbum que se não era lá tão digno de comparação com a sua obra anterior, ou não tinha tudo o que eles ainda poderiam render àquela altura do campeonato, ainda oferecia um resto de gás que os caras tinham em estoque e até tinha seus bons momentos, e acabou caindo bem em minhas memórias afetivas, em grande parte por conta de um feriado prolongado que passei em companhia de minha então namorada – atual esposa – em Campos de Jordão, do qual o disco foi a trilha sonora (curiosamente minha mulher, normalmente interessada em música brasileira e new age, acabou se tornando fã da banda); o que pouca gente sabe é que logo depois de seu lançamento, ‘Evergreen’ teve uma tiragem limitada contendo um CD bônus, de subtítulo ‘History Of The Peel Sessions 1979-1997’, que trazia gravações feitas pelo grupo através de todos esses anos para a BBC, no programa do lendário John Peel, muitas delas até melhores que as versões originais, uma tetéia!

E daí pra frente eles tentaram… tentaram…  A partir do horrendo ‘What Are You Going To Do With Your Life?’, de 1999 (no qual o Les Pattinson tocou apenas em uma faixa antes de pular fora de novo – esse aí ao menos deve ter pensado direito no que fazer da vida), eles lançaram, até agora, mais seis discos (um deles, aliás, ao vivo, onde o coitado do Ian só consegue estragar as músicas antigas com sua voz totalmente comprometida pela bebida e pelo cigarro, algo só comparável ao Bob Dylan atual) que não acrescentam absolutamente nada ao que de bom eles fizeram no passado.

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“Echo & The Bunnymen”, 1987

 

Se, no final das contas, o Echo & The Bunnymen não conseguiu ser a maior banda surgida no “pós-punk” inglês ou quase não chega a ter relevância e influência hoje em dia, eles podem ainda se orgulhar de ter sido uma das grandes bandas dos anos oitenta, uma época em que, ao menos para mim, foi feita a melhor música dento daquilo que se entende por rock, música até mesmo melhor do que o que foi lançado nos cultuados anos sessenta, com todos os seus ídolos sagrados…

 

(Valdir Angeli, 64, é fã do Echo & The Bunnymen, além de colecionador e pesquisador de rock; se formou em Publicidade na Eca-Usp)

 

 

TODOS OS DISCOS DOS HOMENS COELHO

Crocodiles (1980)

Heaven Up Here (1981)

Porcupine (1983)

Ocean Rain (1984)

Echo & the Bunnymen (1987)

Reverberation (1990)

Evergreen (1997)

What Are You Going to Do with Your Life? (1999)

Flowers (2001)

Siberia (2005)

The Fountain (2009)

Meteorites (2014)

The Stars, The Oceans & The Moon (2018, será lançado oficialmente no próximo dia 5 de outubro)

 

Mais sobre a banda aqui: http://www.bunnymen.com/. E aqui também: https://www.facebook.com/thebunnymen/.

 

DOIS “COELHINHOS” (WILL SERGEANT E LES PATTINSON) JUNTOS EM POLTERGEIST – O FENÔMENO, OU OS FANTASMAS SE DIVERTEM!

 

Alex Sobrinho, especial para Zapnroll

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A dupla Poltergeist, formada pelos Bunnymen Will Sergeant (guitarras) e Les Pattinson (vocais)

 

Os puristas afirmam que o Echo & The Bunnymen acabou em 1987. Discordo somente da data: o correto seria 1997, com o disco “Evergreen”, a última vez que os três membros originais trabalharam juntos, literalmente, na composição de todas as faixas. O baixista Les Pattinson caiu fora de baixo e cuias reclamando em entrevistas que o vocalista “estava  reciclando canções solo” nos discos do Echo. Essa reciclagem pode ser ouvida no cd “What Are You Going to Do with Your Life?” (de 1999, nas faixas  “Lost on You” e “Rust”,  derivadas de “Birdy” e “Ribbon & Chains”,  presentes  no compacto “Lover, Lover, Lover”, de1992 e cover  de Leonard Cohen).

E de 1999 a 2014 vieram à tona mais cinco discos a cargo da dupla Ian McCullouch e Will Sergeant que pouco acrescentam a discografia da banda. À exceção de alguns lados B de singles, o ao vivo registrando a tour do “Ocean Rain” com orquestra que esteve no Brasil em 2010 e o EP “Avalanche” com recriações dos clássicos “Silver” e “All My Colours”. O mesmo expediente vai ser utilizado no disco a ser lançado em outubro deste ano (provando que coelho velho não aprende truque novo).

Will Seargent já tinha uma carreira solo iniciada 1978 e lançado um excelente disco influenciado pela música eletrônica chamado “Curvature of the Earth” – em 2004, com o projeto Glide. O fã que por acaso tenha torcido o nariz para os últimos trabalhos do Echo se sentirá recompensado logo na primeira audição.                                                                                   Já Les Pattinson seguiu seu caminho pondo itens dos mais variados de sua trajetória com os Bunnymen em leilão e se dedicou a fabricação de barcos. Só saiu de exílio musical atendendo ao chamado de velho companheiro Wiil Seargent para colaborar no projeto ‘Poltergeist”, que a dupla criou em 2012 e que lançou apenas um único álbum até o momento, editado em março de 2013 (lá se vão cinco anos…).

A bolacha se chama “Your Mind is Box (Let Uss Fill It Wonder)”. A sensação é de que a dupla de amigos resolveu despejar a criatividade represada pelo tempo de separação musical e virar o ouvinte pelo avesso e levá-lo para uma viagem a outra dimensão já nos primeiros acordes.

As guitarras do Will nunca estiveram tão livres e desconcertantemente geniais ao longo das oito faixas desde, desde quando mesmo… rsrs. Desde o “Curvature of The Earth” – Glide, o único paralelo possível. Logicamente é preciso dizer que o baixo de Les Patinson vem matador, pulsando nervoso quase explodindo as caixas de som ou seus ouvidos (caso ouça com fones; recomendável) em simbiose perfeita com bateria do desconhecido Nick Kilroe. Um ouvinte ocasional do disco o recomendaria aos amigos mais descolados. Já alguns fãs dos Bunnymen ficariam imaginando “ah se tivesse vocais!”. Afirmo que é desnecessário.

 

(Alex Sobrinho, além de dileto amigo zapper há anos e radialista em Colatina, Espírito Santo, também é fã FANÁTICO pelo Echo & The Bunnymen)

(e adendo do editor do blog, ouvindo agora o projeto de Will Sergeant e Les Pattinson no Spotify: melhor do que qualquer álbum que os Bunnymen gravaram de 1990 pra cá. Lembra total o Echo do início, especialmente em “Heaven Up Here” e “Porcupine”, mas sem vocais. E nem precisa!)

 

 

MINI DIÁRIO SENTIMENTAL – O JOVEM JORNALISTA ZAPPER, O ECHO & THE BUNNYMEN E A SAMPA PÓS PUNK DOS ANOS 80 E 90

***Descobrindo os Coelhinhos – Zapnroll conheceu o Echo & The Bunnymen por volta de 1983, quando o grupo lançou seu terceiro disco, o espetacular “Porcupine” (álbum sombrio e GÉLIDO em suas ambiências pós-punk). O LP foi lançado naquele ano no Brasil e o jovem Finas (com vinte aninhos de idade apenas), que havia tomado conhecimento da existência do grupo através de matérias publicadas no caderno Ilustrada, do diário paulistano Folha De S. Paulo (e assinadas pela então lenda do jornalismo cultural, mr. Pepe Escobar), foi atrás de um exemplar. Não conseguiu encontrar nas lojas onde procurou e acabou desencanando de adquirir o tal disco. Daí pra frente começou a escutar músicas do conjunto na programação noturna da rádio 97fm (localizada na cidade de Santo André e possivelmente a primeira rádio rock do Brasil), e começou a ficar literalmente apaixonado pelo som do Echo. Um ano depois também saiu no Brasil o quarto trabalho da banda, o mega clássico “Ocean Rain”. Finaski foi na Galeria Do Rock (que já existia) e achou o LP por lá, juntamente com o “Porcupine”. Comprou os dois de uma vez. E nunca mais deixou de amar Echo e os Homens Coelho.

 

***A primeira vinda ao Brasil e três histórias BIZARRAS da primeira entrevista coletiva do quarteto – Era o primeiro semestre de 1987. A produtora paulistana Poladian (que na época trazia muitos shows internacionais ao Brasil), animada pelo sucesso obtido com a turnê brasileira do inglês The Cure, que ela havia promovido em março daquele ano, resolveu arriscar novamente: anunciou que estava trazendo o Echo & The Bunnymen pra cá, e que os shows aconteceriam em maio daquele ano. Foi um verdadeiro TUMULTO entre jornalistas (o sujeito aqui incluso), fãs, góticos e darks em geral (os darks DOMINAVAM O MUNDO então). Finaski, que havia começado a trabalhar como jornalista musical há apenas um ano, conseguiu se credenciar para a primeira entrevista coletiva para a imprensa do grupo em terras brazucas, e também para assistir a um dos shows da perna paulistana da turnê (foram cinco no total na capital paulista, no Palácio do Anhembi, e todos com ingressos ESGOTADOS), sendo que eles ainda fizeram gigs em Santos (litoral paulista) e no Rio De Janeiro. E na coletiva de imprensa que rolou em uma tarde quente em Sampa, aconteceram ao menos três histórias curiosas, quase bizarras. A primeira: o jovem zapper foi para o bate papo com o conjunto vestindo estrategicamente uma t-shirt da banda The Doors, com a cara enorme do vocalista Jim Morrison estampada na camiseta. No meio da entrevista o cantor Ian McCulloch olhou para a camiseta e fez sinal de “ok” com o dedo. Segundo lance: Zapnroll foi na entrevista acompanhado dos amigos Carlos Quintero (que era proprietário da loja Antitedium Discos, na Galeria Do Rock) e Arlindinho (uia!). Este último, um moleque sensível dos seus dezenove aninhos de idade, não se contentava apenas em ser FANÁTICO pelo Echo. Ele era o SÓSIA perfeito e irmão GÊMEO de Big Mac. Tanto que a ideia da dupla Finas e Carlinhos era apresentar Arlindo para Ian ao final da entrevista. Mas o garoto ficou completamente tímido e achamos melhor abortar a aproximação entre ídolo e fã sósia perfeito. E por fim: entrevista terminada, o zapper não se fez de rogado nem tímido. Foi com uma caneta e a CAPA de “Porcupine” nas mãos até os músicos e pediu na cara larga o autógrafo de todos eles. Que foram super gentis e atenciosos e assinaram seus nomes na capa do LP.

 

***O show no Anhembi – foi, literalmente, inesquecível. Começou (se não nos falha a memória) com “Going Up”, a faixa de abertura de “Crocodiles”, o álbum de estreia dos Bunnymen. A banda em forma e potência máxima no palco. E teve “Paint It Black”, clássico dos Rolling Stones, “coverizada” já no bis. Gig igual a essa, nunca mais!

Registro HISTÓRICO e na íntegra: a banda se apresenta no Brasil em maio de 1987, aqui neste vídeo na gig realizada no Canecão, Rio De Janeiro

 

***Dançando nos porões goth de Sampa ao som dos Coelhinhos – O autor deste blog perdeu a conta das madrugadas que dançou tristonho ao som das músicas do Echo no eternamente escuríssimo porão do Madame Satã. Tempos depois (por volta de 1988), o ritual passou a se repetir na pista do Espaço Retrô, onde Zapnroll conheceu e meio que se apaixonou pela loirinha Márcia B.B. Teve um brevíssimo romance com ela e ambos ficaram algumas noites “namorando” no apê da rua Frei Caneca, ao som do Echo. Mas Marcinha (que era uma peituda lindona e xoxotudíssima) nunca quis de fato ficar pra valer com o jovem jornalista.

 

***A volta ao Brasil e o “embate” em outra coletiva – Em 1999, já em sua segunda encarnação (tendo como membros originais apenas o vocalista Ian e o guitarrista Will, e lançando álbuns cada vez menos inspirados e distantes da banda gloriosa que havia encantado o mundo rocker nos anos 80), o Echo & The Bunnymen finalmente voltou para shows ao Brasil, doze anos após a primeira turnê pelo país. Em Sampa a gig rolou na mui saudosa Via Funchal, a melhor casa de shows internacionais que existiu na capital paulista. Novamente o espaço lotou mas a banda que subiu ao palco já não ostentava mais o brilho exibido em 1987 no Palácio do Anhembi. De qualquer forma, foi uma boa apresentação. Daí para a frente o grupo começou a tocar sem parar no bananão tropical. E a cada nova turnê por aqui a qualidade das apresentações decaía mais um pouco. Numa dessas turnês, houve quase um “embate” entre o autor destas linhas memorialistas e o vocalista Ian McCulloch, durante a entrevista coletiva de imprensa dada pelo conjunto. Lá pelas tantas Finaski levantou a mão e LASCOU a porrada para Big Mac: “O que houve com aquela voz TROVEJANTE dos anos 80, afinal. Só sobrou um FIAPO dela desde que o grupo voltou à ativa”. McCulloch ficou VERMELHO como um peru e este jornalista chegou a pensar que o vocalista iria VOAR no pobre pescocinho fináttico. “Minha voz continua a mesma”, retrucou Ian, irritadíssimo. “Mas se você acha que entende tanto assim de performances vocais, vá hoje à noite ao show com PLAQUINHAS com números, e me dê NOTAS avaliando meu vocal ao final de cada canção”. A sala, claro, veio abaixo em gargalhadas.

 

***E rolou a FODA do inferno após a gig dos Bunnymen – Yeeeeesssss. Para encerrar este mini diário sentimental não poderia faltar (claaaaaro!) um relato sexual sujo e devasso envolvendo a existência zapper e seu amor pelo Echo & The Bunnymen (ainda mais nesses tempos totalmente caretas, moralistas, ultra conservadores e sacalmente politicamente corretos como os de hoje, uma historinha dessas se faz absolutamente necessária, hihi). Enfim, faltavam umas três semanas para a apresentação dos Bunnymen em Sampa, na Via Funchal. Sem ter muito o que fazer num domingo à noite lá se foi Zapnroll pro porão do Madame Satã, dançar e beber um pouco. Até que pelas tantas foi tomar um pouco de ar na porta do clássico casarão goth paulistano. Foi quando viu ali aquela DEUSA arrebatadora: toda vestida de preto, muito jovem, muito magra (mas com peitinhos durinhos e salientes) e com uma beleza facial apolínea e arrebatadora, algo parecida com a musa inglesa Siouxsie Sioux. Como se aproximar desse encanto feminino pleno, pensou o jornalista sempre mega atrevido e já cheio de más intenções. Finaski fez então o que lhe veio à cabeça naquele instante: começou a cantarolar baixinho a letra do clássico do Echo, “The Killing Moon” (seguramente uma das canções mais lindas de toda a história do rock). “Isso é Echo & The Bunnymen!”, disse a garota, algo triunfante, após alguns segundos. Wow! O contato estava estabelecido! O papo entre ambos começou e não demorou muito para a dupla descer para um dos BANHEIROS do Madame, onde os malhos incendiários começaram. Mas Aninha (o nome da deusa) não cedeu fácil e disse que precisava ir embora. O casal trocou números de telefone (não havia ainda celulares, apps, nada dessas merdas tecnológicas dos fúteis e banais tempos atuais), começou a se falar com alguma frequência e também a se encontrar algumas vezes. E o jornalista rocker e eternamente loker, já com trinta e seis anos nas costas, começou a ficar perdidamente apaixonado pela garota pois ela era inteligentíssima para os seus parcos dezessete anos de idade, além de ser um xo xo ta ço. Só restava saber se ela também… FODIA gostoso. Algo que finalmente o gonzo loker descobriu na noite da gig do Echo em Sampa. Ele convidou a sua deusa e musa pra acompanha-lo ao show. Ela mais do que aceitou, imediatamente. Apresentação encerrada na Via Funchal, primeiro o casal foi beber drinks e dançar no finado bar Nias (que funcionava no bairro de Pinheiros e era muuuuuito legal). E já no meio da madrugada e louco pra COMER a garota, o zapper sugeriu: “vamos pro Madame Satã!”. Ana topou novamente no ato e o casal embarcou num táxi rumo ao casarão do bairro do Bixiga. Quando chegou na porta, para surpresa do jornalista, a mui tesuda adolescente se antecipou: “não quero entrar. Vamos pra algum HOTEL!”. Wow!!! Ela queria FODER! E nem precisou pedir duas vezes: saímos dali literalmente voando, em busca de algum muquifo próximo que pudesse abrigar nossos desejos carnais sórdidos, sujos e imorais. E como fodia miss Aninha… uma chupada esplendorosa no caralho e pelo menos duas gozadas em que a garota goth de apenas dezessete anos literalmente urrou com o pinto fináttico enterrado em sua boceta. Um pinto que ela apelidou naquela madrugada de “pau quilométrico”, ahahaha. O jornalista sempre carentão e taradão, GRUDOU na garota, óbvio. Queria namorar com ela. Mas a guria, que havia vindo de Mato Grosso Do Sul para morar e estudar em Sampa, estava vivendo na casa de uma tia quase NAZISTA no pensamento e comportamento. Tanto que os encontros entre ela e seu paquera jornalista eram quase às escondidas (a desculpa dela era sempre que ia sair com “amigas”). Desta forma o relacionamento acabou se tornando inviável, ainda mais que um acontecimento muito trágico marcou a convivência entre Zapnroll e a garota (e que já foi relatado neste mesmo blog, anos atrás). O casal se encontrou por mais duas vezes no final das contas, trepou como se não houvesse dia seguinte e Aninha sumiu por muitos anos. Procurou o autor deste blog novamente por volta de 2013, quando estava CASADA com um espanhol com o dobro da idade dela. Procurou, quis reencontrar o agora já envelhecido blogger ainda rocker e acabou DANDO pra ele novamente. E sumiu novamente. E hoje permanece nas melhores lembranças do autor destas linhas online como uma de suas aventuras carnais inesquecíveis, da época em que o rocknroll valia a pena, a noite de Sampalândia idem e o mundo ainda tinha bandas fantásticas como o Echo & The Bunnymen mobilizando multidões.

 

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FIM DE FESTA – POR ENQUANTO!

Yeeeeesssss! O postão ficou lindão e monstrão, néan. De modos que paramos mesmo por aqui. Afinal já é quinta-feira, 6 de setembro, véspera de mais um feriadon, e o blog vai descansar que ninguém é de ferro. Mas voltamos em breve com novo postão totalmente reformulado na sua pauta, prometendo inclusive publicar novo ensaio com mais uma tesudíssima musa rocker. E também em breve colocaremos na roda alguns pares de ingressos para você ir curtir a festona de quinze anos do blog de cultura pop definitivamente mais legal da web BR, ulalá!

Até mais então!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 6-9-2018,  às 3hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL!!! Informando em primeira mão sobre o festão de 40 anos do selo Baratos Afins, analisando (mais uma vez) a morte do rock no Brasil e no mundo, mostrando quem já comprou o livro “Esacadaria para o inferno” e dando um “aperitivo” da nossa próxima musa rocker, uhú! – Hollas 2018, que começou mais SINISTRO do que nunca no fodido, falido e triste bananão tropical não abençoado por NENHUM deus e amaldiçoado por todos os DEMÔNIOS imagináveis; mesmo assim (com Lula condenado em segunda instância e com a nação pato/coxa otária se fodendo cada vez mais e ainda assim gostando de se foder ao máximo) cá estamos, sobrevivendo como possível e chegando aos quinze anos de blogagem rock alternativa e de cultura pop na web BR. Mas Agora vai!!! Postão novão e inaugural deste ano chega chegando agora e vem fervendo, com programação normal e NADICA de carnaval na véspera do reinado de Momo, ulha! Nossa primeira publicação de 2018 traz sim uma entrevista EXCLUSIVA com um gênio do rockabilly americano, o Reverendo Horton Heat (e que poderá fazer shows no Brasil ainda este ano); mais: a morte de um nome lendário do rock alternativo inglês dos anos 90 desperta saudade e ótimas lembranças em um músico indie brazuca; uma entrevista bacanuda com uma das bandas mais importantes da cena rocker goiana há mais de duas décadas e mais isso e aquilo tudo em mais um ano de atividade zapper, que começa aqui e agora! (postão COMPLETÃO e total finalizado em 16/2/2018)

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São tempos mega sombrios e sinistros para a cultura pop em geral e para o rockroll em particular, que resiste como pode à sua precoce quase extinção como gênero musical que mobiliza as massas mundo afora; um dos que resistem é o trio rockabilly americano Reverend Horton Heat (acima), com quem o blog bateu um papo exclusivo e onde o grupo avisa que poderá tocar no Brasil ainda este ano; e outro que resistiu por mais de quarenta anos foi o inglês Mark E. Smith (abaixo), ex-líder do The Fall e que infelizmente morreu em janeiro passado, sendo que o blog zapper relembra sua trajetória neste post

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MAIS MICROFONIA!

***Os 40 anos do selo Baratos Afins – E já que estamos em clima total rocker nesse post, vamos dar a notícia em primeira mão: o mini festival que vai comemorar os 40 anos da loja/selo Baratos Afins, fundada pelo queridão e gênio Luiz Calanca em 1978, acontece de 10 a 13 de maio na chopperia do SESC Pompéia SP. Serão quatro noites de shows com diversas bandas que já passaram pelo selo. Entre elas o sensacional Kafka, quarteto pós-punk paulistano de ambiências ultra sombrias e que gravou apenas dois álbuns pela Baratos antes de encerrar atividades. Calanca sempre diz que se trata de um dos grupos que ele mais gostou de gravar, dentre as centenas de nomes que lançou. Concordamos com ele: “Musikanervosa”, o disco de estreia do conjunto, lançado em 1987, é uma pequena obra prima e que hoje se tornou um clássico cult e obscuro do rock paulistano dos anos 80`. O blog teve o disco em vinil e “Tribos da noite” (que abre o LP) é magnífica e nos transporta para as ruas cobertas de fog de Londres nos idos de 1983/85. Quem dançou na época nos porões escuros do Madame Satã e, um pouco depois, também no Retrô, conhece muito bem o Kafka e jamais esquece a sonoridade dark deles. Um show pra não se perder, ainda mais que será a primeira reunião da formação original da banda em quase 30 anos (!!!)

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O grupo goth paulistano Kafka, tocando ao vivo nos anos 80: atração do festival que vai marcar os 40 anos do selo Baratos Afins

 

***Reunião de LENDAS do rock BR ontem (quinta-feira em si) – yep, trinca poderosa na imagem abaixo: Zapnroll ao lado do produtor Luiz Calanca e do batera Rolando Castelo Jr, que fundou a seminal Patrulha Do Espaço ao lado do eterno “loki” Arnaldo Baptista. Sendo que Jr. também aproveitou pra comprar seu exemplar de “Escadaria para o inferno”, wow!

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop em discos, shows, filmes, livros etc.)

 

***Entonces, cá estamos de volta, e na véspera do início de mais um carnaval no bananão tropical falido e fodido. Yep, já era pra Zap versão 2018 ter surgido mas como sempre ocorrem imprevistos aqui e ali (o último deles, esta semana, foi uma gripe cavalar que literalmente derrubou o autor deste espaço rocker virtual), a reestreia zapper acabou atrasando um pouco. Mas enfim vamos que vamos antes que o maldito “carnival” comece, uia!

 

***E nada mudou muito do final do ano passado pra cá. O país continua na imundície e falência total, com o quadrilhão do MDBosta movendo mundos e fundos pra continuar ROUBANDO tudo o que pode enquanto está no Poder, o Judiciário CONIVENTE dando um jeito de impedir a qualquer custo a candidatura de Lula nas eleições presidenciais deste ano (pois sabe que o barba entrar na disputa, ganha de BARBADA a mesma), o país sem Ministro do Trabalho há um mês já e por aí vai… enquanto isso a nação pato/coxa espera feliz e imbecilizada a chegada da semana momesca. E quando tudo acabar e a quarta-feira de cinzas chegar (com botijão de gás a quase 100 pilas, e litro de gasolina a quase 5 mangos), a choradeira como sempre continuará sendo geral.

 

***O blog zapper nem vai viajar e fica em Sampa neste carnaval. Primeiro por falta de Money. Segundo porque tem muita parada cultural bacana pra se ver aqui pelos próximos dias. Uma delas é a exposição em torno da obra do gênio Jean Michel Basquiat, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil e cujas infos você pode ver aqui: https://www.terra.com.br/diversao/guiadasemana/jean-michel-basquiat-ganha-mega-exposicao-no-ccbb-com-retrospectiva-inedita-saiba-mais,a32db72921f96c2e0917b95b5b17b0ae85c4pmgs.html. E aqui também: http://culturabancodobrasil.com.br/portal/jean-michel-basquiat-obras-da-colecao-mugrabi/.

 

***Que mais? Okays, tudo bem, a partir de hoje só se fala em carnaval na porra do bananão que na real gosta mesmo é disso. E sobra ainda ALGUM ESPAÇO pro rock? Sobra. Tanto que hoje estão saindo oficialmente lá fora os novos álbuns do já veterano Franz Ferdinand (“Always Ascending”) e do MGMT (você se lembra deles?), que vem com “Little Dark Age”. Estas linhas online ainda não escutaram nenhum dos dois e provavelmente vá aproveitar o feriadão momesco gigante pra fazer as audições. Por enquanto disponibilizamos ambos os CDs para audição na íntegra aí embaixo, para que nosso dileto leitorado tire suas próprias conclusões. E se acharmos que vale a pena, iremos resenhar os dois por aqui assim que for possível, beleusma?

 

***E yep, o primeiro livro do autor deste espaço rocker online que segue firme e forte há década e meia na blogosfera BR de cultura pop, “Escadaria para o inferno”, segue vendendo bem e ganha seu primeiro festão de lançamento fora de Sampa. Vai rolar logo após o carnaval no Rio De Janeiro onde estaremos no sábado, 17 de fevereiro, para participar da festa “Bauhaus” (organizada pelos chapas cariocas Kleber Tuma e Wilson Power), onde iremos autografar exemplares do livro fináttico. Quem estiver no balneário no finde pós-Momo está convidado desde já a comparecer, sendo que todas as infos da baladona rock/goth você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/185497448876480/. E aqui também: https://www.facebook.com/events/317273378785958/.

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***Tocando o postão em frente, que já temos muito e um ótimo material para publicar. Mas mais notas poderão entrar aqui ao longo do carnaSHIT ou logo após o fim da folia, se algo de fato relevante acontecer até lá. Bora então que já aí embaixo o blog zapper bate um papo exclusivo com uma lenda do rockabilly americano, o Reverend Horton Heat.

 

LENDA DO ROCKABILLY AMERICANO, REVEREND HORTON HEAT FALA AO BLOG E AVISA QUE PODERÁ TOCAR AINDA ESTE ANO NO BRASIL

Felipe “Nally” Almeida, da Flórida/EUA, especial para Zapnroll

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O músico americano Jim Horton Heat: a banda rockabilly poderá tocar no Brasil ainda este ano

Considerados uma das maiores bandas do rockabilly/psychobilly americano e mundail, os texanos do Reverend Horton Heat se apresentaram no House Of Blues, em Orlando-Florida, poucos dias antes do natal do ano passado. E quem ganhou o presente, ainda que com algum atraso, foram os leitores da ZapNRoll. Em uma rápida, porem bem humorada entrevista concedida no camarim horas antes do show Jim Heath, o “Reverendo” e lider da banda, falou sobre o processo de gravação do último álbum da banda, ‘Rev” (que saiu em 2014 e é o décimo primeiro disco de estúdio do trio em mais de três décadas de atividades), a evolução da banda durante 30 anos de carreira, e sobre as diferenças entre Psychobilly e Rockabilly, a cena pop Americana e sobre possíveis shows no Brasil.

 

Zapnroll – Jim, muito obrigado por atender a Zap n Roll. Como foi o processo de gravação de “Rev”, o ultimo trabalho da banda, lançado em 2014 pelo selo Victory Records?

 

Jim “Reverend Horton Heat” – O album foi gravado inteiramente em Dallas, no Texas. Utilizamos dois estúdios, e o processo de gravação foi muito  tranquilo. Alem de ter escrito as musicas, também produzi e mixei o disco. A sonoridade pode ser considerada mais RockNRoll que os anteriores e ficamos muito felizes do modo que ele foi concebido.

 

Zap – Como foi a receptividade do álbum pela cena Rockabilly/Psychobilly?

 

Jim – A receptividade tem sido ótima! “Smell of Gasoline”, a segunda faixa do álbum, tocou muito nas rádios americanas, e a faixa ” Let Me Show You How To Eat”, foi usada para um comercial de televisão da Rede Subway, expondo a banda para milhares de pessoas. e atingindo o publico mainstream. A turnê do álbum continua firme e forte.

 

Zap – A banda já tem 30 anos de existência, e o que você acha que mudou principalmente desde o primeiro album “Smoke Them If You Got Em”, de 1990 para o “Rev”?

 

Jim – Bom, hoje nós temos 11 discos lançados, então posso dizer que experimentamos muito durante os anos, algumas pessoas nos associam ao Psychobilly, porque anos atrás “Psychobilly Freakout” estourou mas penso que sejamos mais próximos ao Rockabilly ou Bluesy Country Rockabilly. Navegamos na onda Psychobilly, mas acredito que bandas europeias como The Meteors, Batmobile, Demented Are Go e Guana Bats são a essencia do Pychobilly.

 

Zap – Há pouco você mencionou que uma musica do novo álbum foi usada para um comercial de televisão de uma Rede de Fast Food e que o público mainstream foi exposto ao som da banda. Você acompanha a cena pop Americana?

 

Jim – Sinceramente, não! Minha filha é mais interada, talvez eu reconheça algum trecho de musicas da Kate Perry, por exemplo, consiga relacionar a musica com a pessoa mas não acompanho a cena pop. Continuo ouvindo muito The WildTones, Bloodshot Bill, Big Sandy, e Deke Dickerson. Em relação a artistas recentes gosto de uma cantora country chamada Kacey Musgrave e de um cantor e compositor chamado JD McPherson. Também acho legal a pegada dos caras do Greta Van Fleet, com muita influência de Led Zeppelin e Blues Rock.  Muito legal as bandas estarem resgatando a sonoridade dos anos 60 e 70, essa oxigenação é importante.

 

Zap – Jim, vamos finalizar a entrevista e gostaríamos que você mandasse uma mensagem para os fãs brasileiros, que são muitos e pedem demais a banda no pais.

 

Jim – Muito obrigado aos fãs do Brasil, sei que estamos em dívida com vocês. As turnês agora se concentram mais na América do Norte porque a familia do Jimbo e a minha demandam muito mais tempo que antes. Já não viajamos tanto para Europa e vamos a Austrália a cada 3 ou 4 anos, em média. Nossos amigos sempre nos dizem que o público brasileiro é muito acolhedor. Quem sabe 2018 não seja o ano que a banda irá desembarcar no país, está mais do que na hora! (risos)

 

 

E 2018 COMEÇOU COM O INDIE ROCK INGLÊS PERDENDO UM DE SEUS GÊNIOS

Nesses tempos sombrios e de cultura pop quase total decadente ou em crise, e onde o rock planetário está desaparecendo aos poucos (logo menos ele estará presente apenas nos museus musicais e na memória dos fãs), quase ninguém mais lembra ou sequer sabe quem foi Mark E. Smith. Pois o músico, cantor, letrista e compositor nascido em Manchester (o lendário e grande santuário do rock gigante inglês que importou nos anos 80, a cidade que deu ao mundo nomes imortais como Smiths, Joy Division e New Order) liderou por mais de quatro décadas (de 1976 até o começo deste ano) o The Fall, um dos grupos mais expressivos e representativos da cena rocker formada na cidade e que impactou toda a cultura rock britânica de então. Ao longo desses mais de quarenta anos de existência o Fall lançou mais de trinta discos de estúdio (e outra batelada de registros ao vivo). Alguns, como “Bend Sinister” (editado em 1986 e que saiu um ano depois no Brasil, sendo naquela época resenhado por este Finaski na finada revista Somtrês, quando ainda éramos um jovem jornalista musical em início de carreira na imprensa), são hoje tratados como obras clássicas do pós-punk inglês.

Infelizmente o Fall chegou ao fim porque Smtih morreu em 24 de janeiro passado, aos sessenta anos de idade. Fumante compulsivo, ele enfrentava problemas respiratórios sérios há meses já. E enfim nos deixou no começo deste ano, abrindo mais uma lacuna difícil de preencher num gênero musical – o rock – que parece cada vez mais próximo da extinção.

Estas linhas bloggers não poderiam deixar de prestar sua homenagem a Mark. E o faz agora publicando abaixo este texto sobre o músico, escrito pelo escritor e músico Cassiano Fagundes, dileto amigo zapper e que sempre foi fã declarado da obra do Fall. No mais, rip Mark. Um dia a gente se encontra por aí.

 

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O inglês The Fall, no auge da carreira, no final dos anos 80: um dos grandes nomes do rock de Manchester em todos os tempos

 

Cassiano Fagundes, especial para Zapnroll

Vi o The Fall ao vivo duas vezes: em 1989, no Canecão, no Rio; e em 1999, em NYC, aquela cidade lá no grande norte do supercontinente. O show do Rio marcou minha vida. Eu tinha apenas 16 anos, e estava com o meu primo, o Guilherme, meu companheiro de sons até hoje. O show do Rio mudou minha vida.

Por que? Primeiro, porque a plateia ficava sentada em mesas compridas, dividindo-as com estranhos. E quem sentou conosco? LULU SANTOS. Lá pela terceira canção, ele se levantou e foi embora. Na cabeça de um piá de 16 anos, aquilo significou: “que babaca, que careta do cacete, que bostalhão”. Talvez ele estivesse com dor de dente. Talvez tivesse lembrado de fazer uma ligação urgente e saiu procurando o orelhão mais próximo. Ou talvez tenha sido atingido por uma ideia fulminante de canção, e teve que encontrar o violão mais próximo para compô-la. O lance é que isso ficou em mim como algo não muito legal.

Segundo, porque Mark E. Smith estava particularmente inspirado naquela noite. Não fazia muito tempo que seu casamento com Brix (por quem eu tinha um desejo adolescente muito fértil) tinha terminado. Eu e meu primo chegamos a achar que vimos em determinado momento meia lágrima escorrer de seu rosto.

Terceiro porque foi ali que entendi que músico é uma coisa, e artista é outra um pouquinho ou muito diferente, e para mim, bem preferível. No Canecão, nasceu em mim a ideia de que artistas que se servem da música de uma forma pervertida para criar seus esquemas são os únicos dignos de nota, o resto é reprodutor de fórmula, por melhor que sejam (tipo aquele cara que deixou o show cedo demais). Sem menosprezar os galináceos, digo que até galo depenado canta bem (parafraseando um senhor iluminado que me disse isso, e de quem nunca esquecerei), mas prefiro a elocução que se tornou uma gema da língua inglesa falada, que é a de Smith em canções como “Wrong Place, Right Time” ou “Frenz”, que tem sussurros de Brix, a responsável por tornar o som do Fall mais “palatável” para os ouvidos mais sensíveis do além-mar estadunidense e de quebra, brasilianos.

Se o Ruy Castro não curte Bob Dylan, ele certamente não gostaria do canto descantado e declamante de Mark E. Smith. Não vou xingar o Ruy Castro por isso, ele é um gigante, e talvez não tenha uma ligação suficientemente íntima com as línguas germânicas para entender seus arranjos estéticos (se bem que nem precisaria de muito conhecimento, né? É só curtir a onda, como eu mesmo faço, na maior parte do tempo). E nem vou xingar o Lulu Santos, que, bem ou mal, compôs algumas das canções mais memoráveis da música popular. Já essa gente que reproduz sem nenhuma vergonha a estrutura escravagista luso-brasileira do século 16, sem se dar conta que está na senzala, junto com os famintos e bem longe da Casa-Grande, eu faço questão de dizer: FODAM-SE!!!

Ah, claro: o show de 99 em Noviorque foi aquilo que John Peel dizia sobre o Fall: Sempre igual, sempre diferente.

Vale terminar esse texto dizendo que Mark E. Smith era da classe trabalhadora inglesa, assim como a maioria esmagadora dos bastiões de sua geração, que compreende o punk e o chamado pós-punk. Gente revoltada com o neo-liberalismo desumano de Thatcher e Reagan por princípio e por questão de sobrevivência, que acharia muito estranho alguém gostar de música popular e ser contra os movimentos sociais e o movimento trabalhista. Nos últimos anos, Smith disse besteiras contra imigrantes e refugiados – ele andava irremediavelmente bêbado, Mas também disse coisas como: “”O problema da indústria musical é que ela se tornou muito burguesa. Um negócio da classe-média , como a policia”.

 

 

HÁ 20 ANOS FAZENDO BARULHO NO INDIE ROCK GOIANO, OS MECHANICS COMEÇAM 2018 COM NOVO SINGLE E FAZENDO COMO SEMPRE: NADANDO CONTRA A MARÉ

Você, jovem e dileto leitor zapper (ainda teremos nós jovens e diletos leitores, e será que eles ainda são fãs dessa arte musical quase extinta, chamada rocknroll?), provavelmente nunca ouviu falar do grupo Mechanics. Pois a banda, nascida no underground rocker goiano (a capital do Estado de Goiás e berço das maiores duplas SERTANOJAS do país) há cerca de 20 anos, resiste ao tempo e ao “fracasso” existencial e musical de sua trajetória. Liderado desde o início pelo vocalista e letrista Márcio Jr, o Mechanics foi o primeiro grupo a ter disco lançado pelo célebre e heroico selo Monstro Discos, o mesmo que realiza também há mais de duas décadas o Goiânia Noise, até hoje um dos festivais independentes mais importantes dentro do que resta na cena rock brasileira.

Pois o conjunto segue resistindo ao tempo. E começou 2018 nadando contra a corrente (como sempre). Em um país onde o rock também está indo pra casa do caralho e onde pavores musicais como funk podrão, axé e feminejas estão dominando o mercado musical e mobilizando milhões de fãs e ouvintes (estúpidos e boçais, vale exarar), os Mechanics resistem como podem e inclusive acabam de colocar um novo single para audição nas plataformas digitais. Por isso mesmo fomos atrás de dom Márcio Jr, o homem na linha de frente da banda, para que ele contasse em detalhes o que é o novo lançamento e como anda uma das instituições do rock alternativo de Goiânia rock city. Com sólida formação cultural e intelectual Marcinho deu a ótima entrevista que você confere aí embaixo.

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Os goianos do Mechanics: há 20 anos fazendo rock barulhento em plena terra dos sertanojos

 

Zapnroll – “Fracasso” é o nome do novo single dos Mechanics, banda já lendária da cena indie goiana. Saiu em edição limitadíssima em compacto de vinil há 4 anos e agora foi disponibilizada também nas plataformas virtuais. A banda encara o fracasso artístico e comercial de uma forma, digamos, estética e musical/autoral, ou ele – o fracasso – permeia de fato a trajetória do grupo e se tornou uma espécie de dádiva para vocês?

 

Márcio Jr. – Bom, primeiro vamos acertar as datas aqui. Em outubro de 2014 passamos 03 dias nebulosos em Pirenópolis, cidade turística do interior goiano onde, na época, estava sediado o RockLab, estúdio do grande Gustavo Vezquez – que já produziu, Macaco Bong, Patrulha do Espaço e Black Drawing Chalks. Gravamos 3 músicas ali, sendo que duas delas só viram a luz do dia no compacto lançado ano passado pela Lombra Records. A Lombra é um empreendimento fonográfico do meu grande chapa, escritor, roteirista de HQs e maluco de carteirinha, Biu. Ele tem uma máquina de riscar vinis. Ou seja, produz bolachas em tiragens limitadíssimas como se fossem gravuras. Aí tive a ideia de lançar Fracasso (lado A) e Vietnamérica (lado B ) neste formato. Só que a capa foi feita em xilografia, um zine acompanhava o disco e por aí vai. A ideia é que fosse uma espécie de gravura sonora, peça de colecionador, fritações Andy Warholianas. Este ano resolvemos lançar o single nas plataformas digitais pela Monstro Discos – gravadora que ajudei a fundar e que nasceu 20 anos atrás tendo como peça de estreia justamente um 7 polegadas do Mechanics. Ou seja, 20 anos nessa lama.

 

Zap – Viver perenemente em “fracasso” artístico conferiu no final das contas e na sua opinião, uma credibilidade musical aos Mechanics que talvez inexista em grande parte do rock atual, mesmo na chamada cena alternativa?

 

Márcio – A ideia de Fracasso nasce de um conjunto de questões que são sintomáticas não só no rock, mas no momento em que estamos vivendo. Penso no fracasso como a antítese do sucesso. E o que significa sucesso, hoje?

 

Zap – sim, o que seria sucesso, afinal? Vender milhões de discos (sendo que isso não existe mais, para ninguém) ou obter milhões de audições/visualizações em plataformas virtuais, produzindo música sem estofo artístico algum? Partindo dessa premissa, talvez Mechanics seja uma das bandas mais “fracassadas” da indie scene nacional, não? E no entanto, uma das que possui mais respeitabilidade em termos musicais, certo?

 

Marcio – A letra se esboçou pra mim numa entrevista do saudoso Darcy Ribeiro. Em dado momento, perguntaram a ele se ele se considerava um homem de sucesso ou algo assim. E ele respondeu que tudo que fez ao longo de sua vida resultou em fracasso. Ele quis criar um Universidade espetacular a aberta ao povo brasileiro (a UnB) e fracassou. Ele lutou pela questão indígena e fracassou. Ele passou a vida na defesa do povo brasileiro e também fracassou. Por outro lado, esse fracasso era sua derradeira vitória. Afinal, se ele fracassou, significa que seus opositores venceram. E se tornar um deles teria sido a única derrota, o único fracasso possível. Penso no Mechanics por um prisma semelhante. A banda existe desde 1994. Sem modéstia alguma, somos a pedra fundamental da cena que se formou em Goiânia, tanto do ponto de vista de alavancar esta cena, quanto do ponto de vista estético. Aquilo que se convencionou chamar de rock goiano traz o Mechanics em seu DNA. E estarmos aí, após tanto tempo, fazendo única e exclusivamente o que consideramos relevante, isso pra mim é fracasso. Ou sucesso. Acredito que o rock atravessa uma crise em escala mundial – mas que tem um acento bem forte aqui no Brasil. Isso deriva de vários fatores. Mas tem alguns que eu sempre gosto de levantar. O primeiro deles é a dificuldade de se estabelecer um canal de comunicação com as gerações mais jovens. Mas não penso que a responsabilidade seja exclusiva do rock. Penso que a letargia do público, via redes sociais e facilidades letárgicas da vida contemporânea acabaram por subtrair da molecada o senso de perigo que a conduzia ao rock. Se tudo está ao alcance de um clique, se rebelar contra o quê? Sempre acreditei que o rock exigisse uma dose de transgressão e de perigo. Isso praticamente sumiu do mapa. Não existe rock a favor. Portanto, são tempos obscuros. O que me faz ter mais certeza dos caminhos do Mechanics. Não tenho interesse em tronar absolutamente nada palatável para ninguém. Tudo que interessa é criar coisas que me deixem desconfortavelmente instigado. Fazer música que siga na contracorrente. Realizar shows que sejam experiências únicas e viscerais para quem está presente. E, principalmente, para mim mesmo. O resto não faz muito sentido, hoje, pra mim. Penso que temos um certo grau de respeitabilidade, sim. Mas o respeito que me interessa acima de tudo é o meu próprio. Não é que eu faça música só pra mim, entende? Mas o que me move de fato é olhar pras coisas que produzi e sentir que tudo aquilo é íntegro.

 

Zap – Ótima resposta e ótimas colocações. Aproveitando e para quem não conhece ou nunca ouviu falar dos Mechanics, dê um resumo rápido da trajetória do grupo, seu estilo musical, influências, um momento marcante na trajetória da banda nessas suas duas décadas de existência etc. Qual a formação atual e há quanto tempo ela está junta? O conjunto segue fazendo shows?

 

Marcio – Ficar muito tempo na estrada te dá uma certa perspectiva. Quantas e quantas bandas eu vi começar acabar? Quantas não se iludiram com alguma perspectiva de sucesso? Seguir adiante é só o que me interessa. O Mechanics é uma banda que surgiu em Goiânia em 1994, influenciada por coisas como cinema B, literatura beat, quadrinhos, pornografia, ultraviolência. Musicalmente, bebemos na fonte dos Stooges e quetais. Melvins, Butthole Surfers, Jesus Lizard, Mudhoney… Todas estas coisas sempre estiveram presentes. Mas sempre houve uma influência de artistas mutantes como David Bowie, pela abordagem de estar sempre se deslocando em relação a uma suposta expectativa do público. Fomos a banda que inaugurou a Monstro Discos e a única que tocou em absolutamente todas as 23 edições do Goiânia Noise Festival. Tem um trabalho do qual me orgulho muito: o Music for Anthropomorphics, uma espécie de álbum/graphic novel, que desenvolvemos junto ao genial quadrinista e artista plástico Fabio Zimbres. Um disco que vinha acompanhado de um livro em quadrinhos gestado conjuntamente com o Zimbres. Isso foi parte do meu Mestrado em Comunicação na UnB que acabou gerando o livro teórico COMICZZZT!, que lancei em 2015. Este mesmo projeto gerou uma exposição e agora em 2018 dará origem a um curta-metragem em animação que dirijo ao lado da minha mulher, Márcia Deretti. O livro/disco foi republicado ano passado na Colômbia e terá nova edição no Brasil este ano. Portugal e França estão nessa fila também. É um trabalho que vem se desenvolvendo e se desdobrando há mais de uma década. Depois de mais de dez anos onde estabelecemos um certo padrão no rock goiano – bandas barulhentas, baseadas em guitarras e cantando em inglês – foi a vez de partirmos para um trabalho em Português, o 12 Arcanos, que foi super bem recebido.

 

Zap – Wow, sensacional e isso mostra que a banda está mais ativa do que nunca. O que nos leva a outra questão: como está o rock BR atual? Faça uma análise detalhada se possível, na sua opinião, de como está a cena, tanto a independente como o que resta do mainstream.

 

Marcio – Fizemos vários shows desse disco, muitos deles com a presença do Grupo empreZa, coletivo de artes performáticas daqui, reconhecidos como um dos mais importantes do país. Já tiveram, inclusive, projetos com a deusa da performance mundial Marina Abramovic. Já compusemos trilha sonora para documentários, fizemos shows e disco acústico – ou quase isso – e por aí vai. A hibridação de linguagens é algo que sempre este na raiz da banda. Da formação original, eu e o baixista Little John. O Katú está na guitarra há mais de dez anos. Ricardo Darin, também guitarra – e eventualmente baixo – há bastante tempo também. E temos dois bateristas, Pedro Henrique e Junão Cananéia. Ou seja, temos shows diferentes para cada ocasião. Quanto ao rock, ele sobrevive no underground, nos esgotos da cultura contemporânea. É lá que ele é honesto e fracassado. Do ponto de vista mainstream, praticamente foi varrido do mapa. No Brasil, o público está completamente alheio ao rock. No resto do mundo não é muito diferente. Penso que tenha a ver com aquela bundamolice do público da qual falamos há pouco. Não há mainstream. Chegamos ao ponto em que pega mal pro jovem dizer que gosta de rock. A coisa migrou pra uma caretice e imbecilidade deslavadas, inacreditáveis. Os artistas que catalisam algum senso de transgressão até conseguem aglutinar o público. Mas por qualquer fator que não seja a música.Acho que estamos vivendo um fenômeno sui generis – que eu tenho chamado de pós-música. O que vale para o artista é sua agenda, seu discurso, sua relação com grupos identitários. A música tornou-se irrelevante. Penso que isso ajude a explicar fenômenos como Pablo Vittar. Ele é um agente muito importante hoje. Mas ninguém parece se filiar a ele pela música. Do mesmo modo acontece com festivais e eventos. Naqueles que têm grande público, parece que o que menos interessa é a música. O Rock in Rio ilustra isso de forma explícita. Mas não só ele. Mesmo festivais outrora orientados para a vanguarda musical no Brasil, agora vivem de pesquisa para saber o que leva ou não público – que por sua vez se vincula ao hype e às agendas dos artistas, quase nunca ao seu trabalho musical. A coisa voltou pra um universo pequeno, alternativo, underground. Fracassado, em última instância. Mas é por isso mesmo que a resistência é necessária. Olha só, Finatti. Você mesmo é um exemplo disso. Depois que a Monstro lançou o novo single do Mechanics, ele foi notícia em diversos veículos principalmente os virtuais. Mas a esmagadora maioria se ocupou exclusivamente de reproduzir um press release. Quando pensamos que a cena rock fosse chegar a este ponto? Você, por outro lado, ainda acredita na importância do debate, do trampo de fazer uma entrevista, fazer as ideias circularem. Isso, mais que nunca, é necessário. Isso é que eu entendo por Rock. O resto é só sucesso. E sucesso é para os fracos.

Zap – Mais uma resposta sensacional, hehehe. Sendo que já temos um ótimo material e podemos encerrar o papo com a seguinte questão e aproveitando o “gancho” de tudo o que você expôs acima: como uma gravadora como a Monstro, eminentemente independente, consegue sobreviver durante mais de duas décadas nesse cenário sinistro que você descreveu e no qual o rock e a música atual estão vivendo? Como ela também consegue manter um festival como o Goiânia Noise? Afinal vocês tiveram um ex-sócio que pulou fora (ou foi “pulado”, rsrs) da gravadora e do festival justamente porque ele se importava, ao que parece, apenas com a questão MERCANTILISTA do negócio, e utilizando de esquemas nada abonadores se tornou uma espécie de “reizinho” pançudo da cena rock goiana, fazendo um outro festival que hoje desfruta de relativo sucesso de público e mídia (principalmente entre certos blogs “pobreloaders”, rsrs, que o consideram como a grande eminência da cena rocker da capital de Goiás) justamente por priorizar muito menos as bandas alternativas de fato e dar espaço a artistas caros e renomados e que têm garantia de levar bom público aos seus shows. Fale sobre isso.

 

Marcio – Esta é uma questão espinhosa por causa da proximidade que tenho com a cena daqui. Mas como você tocou no assunto, vamos lá. Fui fundador da Monstro e do Noise ao lado do Leo Bigode. Depois vieram o Fabrício e o Razuk. Em um dado momento, os interesses do Fabrício (que já estava atuando com a Construtora) ficaram conflitantes com os da Monstro e ele teve que seguir adiante sozinho. Muita água já passou debaixo da ponte desde então – eu mesmo deixei a Monstro tempos depois para tocar outros projetos com literatura, animação, cinema, quadrinhos e mesmo um doutorado. O cenário mudou drasticamente. Houve um período em que a coisa mais legal que tínhamos aqui – que me parecia claramente a cena rock mais interessante do país – era o público. Fazíamos festivais com 50 bandas independentes e o público comparecia em peso, interessado em conhecer novos sons, novas propostas. Isso mudou. O público ficou anestesiado pelos novos tempos. A curiosidade foi pras cucuias. Hype. Pós-música. Percebo os heróicos Bigode e Razuk lutando para manter o legado rock da Monstro. Mas não é fácil. E é justamente por isso que é tão importante os caras resistirem e se reiventarem – sem abrir mão dos princípios que nortearam tudo desde o começo. Apostar no independente, criar condições para que bandas relevantes encontrem seu público, botar a molecada pra pensar e viver. Tudo isso é algo muito importante neste momento. Fracassar é preciso! O que acho inadmissível é se curvar ao senso comum. A um hype que não significa absolutamente nada (ao menos para mim). Querer aglutinar a mesma quantidade de público de outrora não é possível no panorama que vivemos. Mas é sempre possível buscar aspectos qualitativos ao invés de quantitativos. É isso que sempre converso com os Monstros. Acredito piamente que, neste momento, o mais importante é fazer os festivais mais radicais possíveis. E se o público for pequeno, who cares? O que interessa é a ousadia do que se faz. Sobre o Fabrício e o Bananada – tenho certeza que é dele que você está falando -, acho que ele está em outra. Ele sequer se coloca como rock. Essa não é – nunca foi – a preocupação primordial dele, do trabalho dele. Sempre que tem alguma atração que me interessa eu vou ao Bananada. (Infelizmente, não é tão frequente quanto no passado.) A estrutura do festival é gigante. Uma festona, mega profissa. Mas é aquilo: a música ali ocupa uma posição meio secundária. Existe um claro interesse em entender tendências para aglutinar um público. Mas nem isso garante sucesso financeiro. Ou seja, são posturas distintas, lidando com uma mesma crise.

 

***Você pode ouvir o novo single dos Mechanics aí embaixo.

 

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SOBRE (MAIS UMA VEZ) A MORTE DO ROCK BR E O QUÊ ISSO TEM A VER COM O BRASIL DE HOJE, EM TERMOS POLITICOS, SOCIAIS E COMPORTAMENTAIS

Estas linhas bloggers eternamente rockers têm escutado muito a rádio rock BR da Tv NET. É de longe nosso canal musical preferido na operadora de TV a cabo já há muitas semanas (os outros três que também ouvimos são new rock, classic rock e MPB) e nem é preciso se estender muito aqui nos motivos pelos quais especificamente este canal musical da Net já conta com nossa devoção absoluta. Basicamente 80% da programação dele foca no rock BR GIGANTE dos anos 80. Uns 10% ficam para clássicos e bandas mais obscuras dos anos 70. E os 10% restantes (se muito) ficam para o rock produzido no país dos anos 2000 pra cá.

Ou seja: tirando um Suricato, um Plutão já foi planeta, um Scalene, um Vanguart, uma Pitty e a turma besta do emocore (NX Zero, Fresno e essas tranqueiras que ninguém aguenta mais ouvir hoje em dia e cuja música envelheceu esteticamente com uma velocidade assustadora), o restante da programação é um autêntico e AVASSALADOR massacre/rolo compressor do que foi produzido no Brasil no rock dos anos 80 – com tudo o de melhor e também o pouco de PIOR que foi feito naquela época. Sim, em meio a zilhões de canções clássicas e inesquecíveis de Secos & Molhados (sempre toca), Casa Das Máquinas (tocou hoje a sensacional “Vou morar no ar”), A Bolha, Legião Urbana, Capital Inicial (a banda tem lá suas boas músicas, sejamos honestos), RPM, Titãs, Paralamas Do Sucesso, Lobão (quando ele era um gênio musical e não o bosta reacionário dos tempos atuais), Lulu Santos, Ultraje A Rigor, Ira!, Barão Vermelho, Cazuza, Biquíni Cavadão, Engenheiros Do Hawaii (que foram sim ótimos pelo menos em seus dois primeiros discos de estúdio), Violeta De Outono (tocou hoje!), Finnis Africae (quem se lembra?), Picassos Falsos (idem, quem também se lembra?), Magazine (quanta saudade do queridão Kid Vinil…), Planet Hemp (já avançando pros anos 90) e Skank (idem), sempre sobra espaço pra tocar algumas podreiras completamente esquecíveis como Doutor Silvana, Uns & Outros (aquela cópia asquerosa da Legião Urbana e que emplacou um único hit em sua falida carreira) e mais alguns poucos que nem merecem ser citados.

Todos os nomes citados acima compõem o grosso da programação do canal musical dedicado ao rock BR da TV Net. Por isso o autor do blog zapper, aos 5.5 de existência e que ouviu e viveu de perto tudo e CONVIVEU intensamente com essa geração de 30 anos atrás, quando dava seus primeiros passos no jornalismo musical que o acompanha profissionalmente até hoje, sente enorme prazer e satisfação ao ficar com o som ligado no canal. Sim, também sente um tanto de nostalgia dos seus anos jovens que nunca mais irão voltar e da saudosa loucura daqueles anos incríveis e alucinados.

De resto (e repetimos isso pela bilionésima vez aqui, de tempos pra cá) essa grade musical do canal rock BR da Net só atesta em definitivo o que todos nós já estamos CARECAS de saber: o rock simplesmente MORREU no Brasil – aliás não só aqui como lá fora também. Morreu, acabou ou foi/está indo para o MUSEU. Quer dizer, bandas novas sempre continuam surgindo e irão continuar aparecendo (com o detalhe de que a maioria das que aparecem atualmente é de uma pobreza musical e textual constrangedora, daí considerarmos que até um suposto “patinho feio” dos anos 80 como o Kid Abelha, hoje pode ser classificado como GENIAL se comparado com o que anda sendo gravado nos dias atuais). Mas não existe mais PÚBLICO interessado em ESCUTAR estas bandas ou ir nos shows delas, ponto. Esqueça. A pirralhada quer saber é de sertanojo, feminejas sofrência brega ao máximo, funkão burrão, axé idem, Anitta, Jojô Todynho, Nego do Borel, um MC qualquer e por aí vai.

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Zapnroll ao lado do Vanguart, uma das ÚNICAS bandas do rock BR que valem a pena nos anos 2000

E tudo isso deságua (ahá!), claro, na questão cultural, política e comportamental de um país e uma sociedade que deu total ERRADO, definitivamente. A cultura e a música brasileira foram mesmo pro fundo do abismo mais profundo e pelo jeito não irão sair nunca mais de lá. E isso na era da tecnologia e da informação máxima, onde todo mundo tem toda a informação do mundo ao alcance das mãos e de um clic no PC ou no celular. Uma raça humana que dispõe de tecnologia de ponta como nunca teve antes e, ao mesmo tempo, também se tornou BOÇAL como não era desde pelo menos a Idade Média. E no caso específico do nosso triste bananão tudo é isso é resultado do descaso de décadas do poder público com educação e cultura (sabem como é, populacho BURRÃO é mais fácil de ser manipulado) e também culpa de uma sociedade idiota, omissa e alienada, que nunca teve apreço por grande Cultura, por ler, por ouvir ótima música, ver ótimos filmes, ir a exposições, peças de teatro, nada enfim que a obrigue PENSAR com um pouco mais de ESFORÇO mental. Aqui reina a cultura da MEDIOCRIDADE artística. O fácil vende fácil em termos de música e de artes em geral. O difícil, esse não vende nada e não dá audiência.

Se o Brasil INVOLUIU de décadas pra cá? Óbvio que sim, e mais uma vez basta escutar durante uma tarde como a de hoje, sextona pós reinado momesco, a radio rock BR da Net pra se perceber isso. Há 30 anos ainda havia poesia no rock BR, contestação social e política etc. E até uma banda mais pop como o Metrô (tocou deles hoje “Tudo pode mudar”; foi quando colocamos no volume máximo a TV e deu vontade de sair pulando de bengalinha pela kit, velhinho da quase terceira idade que já estamos, ahahaha) tinha uma qualidade melódica e harmônica inimagináveis nos “artistas” que hoje ENVERGONHAM a música pop nacional.

E por fim, também tocou hoje “Canos silenciosos”, de mr. Lobão. Sim, aquele que se tornou o ESCROTO e BOÇAL de direita que todos nós sabemos. É inacreditável imaginar que o sujeito que um dia compôs ESSA música e outras obras-primas do rock BR de trinta/quarenta anos atrás, se transformou no que se naquilo que ele é hoje. O que faz concluir que a CRETINICE e o ultra conservadorismo político de direita contaminou não apenas a sociedade estúpida, preconceituosa, selvagem, coxa e otária, mas até o rock brasileiro. O rocknroll, justo ele, o gênero musical que um dia foi o mais combativo, transgressivo e subversivo da história da música. Pois é… fim da história pro rocknroll, pelo jeito e infelizmente.

 

 

ESCADARIA PARA O INFERNO SE ESPALHA PELO BRASIL – E VOCÊ PODE COLABORAR COM NOVOS LANÇAMENTOS DO LIVRO, ADERINDO AO FINANCIAMENTO COLETIVO DELE!

Yeeeeesssss! A primeira incursão literária do jornalista gonzo/zapper eternamente loker/maloker/rocker, lançada em novembro passado em Sampa, segue vendendo bem e se espalhando pelo Brasil de Norte a Sul. Tanto é que a boa repercussão do livro está exigindo que se façam novas festas de lançamento dele fora da capital paulista. A primeira dessas festas acontece neste sábado (amanhã, já que o postão zapper está sendo finalizado na sextona em si, 16 de fevereiro) no Rio De Janeiro, dentro da balada rock/goth “Ceremony” (sendo que todas as infos sobre ela estão aqui: https://www.facebook.com/events/317273378785958/). Já no final de março, em Sampa mesmo, haverá outra noite de autógrafos do livro no espaço cultural Presidenta, no baixo Augusta (onde antes funcionou o lendário bar Astronete). E ainda estão sendo agendados lançamentos do livro até na distante Macapá.

Claro que esses eventos geram custos que Zapnroll não tem condições de cobrir sozinho. Portanto fizemos o que todo mundo faz hoje em dia, para arrecadar fundos para cobrir custos de eventos relacionados a lançamentos de obras artísticas: abrimos um financiamento coletivo no Kickante, e estamos aguardando sua força amiga por lá, para ajudar o jornalista (este mesmo aqui, rsrs) que já fez muito pela cena rock alternativa brazuca nos últimos vinte e cinco anos. Interessou em ajudar? Vai aqui: https://www.kickante.com.br/campanhas/lancamentos-do-livro-escadaria-inferno.

Enquanto isso “Escadaria…” vai arrebanhando leitores felizes (todos elogiando o livro) pelo Brasil afora, como você pode conferir nas imagens abaixo: alguns dos muitos que já compraram a obra literária fináttica. Junte-se você também a eles, comprando seu exemplar aqui: http://www.editorakazua.net/catalogo/escadaria-para-o-inferno-de-humberto-finatti. E ótima descida pela escadaria sinistra!

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Juliana Marta e Letícia Coimbra, as gatas de Belo Horizonte

 

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Alex Sobrinho (Colatina/ES)

 

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Neide Assunção (São Luis/MA)

 

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Leandro Binão/Ipira (SC)

 

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

***Bailindie: a nova edição de uma das festas mais legais do circuito under de Sampa rola amanhã, sábado, 17, lá no já queridíssimo Clube VU. Vai ter inclusive DJ especial da adorável Vera Ribeiro, que estará fazendo aniversário. Todas as infos aqui: https://www.facebook.com/events/200379083883774/.

 

***Musa rocker: a nossa primeira musa de 2018 já está escolhida! É a gata rocker/loker mais legal e amiga destas linhas bloggers online. Fique de olho porque o ensaio com a deusa Cris Dias estará aqui, em nosso próximo post. Mas por enquanto você fica com esse “aperitivo” pra já ir sonhando com o ensaio completo da garota. Beleusma?

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LIVRO “ESCADARIA PARA O INFERNO” EM PROMOÇÃO, UHÚ!

Sim!!! Você ainda não comprou a estreia literária de Finaski porque está com o bolso vazio? No problema, rsrs. Resolveremos JÁ a parada: vai no hfinatti@gmail.com, que tem UM EXEMPLAR do livro dando sopa por lá. O vencedor da promo será anunciado aqui até o início de março, okays?

 

 

FIM DE PAPO

Chega, né? O post ficou lindão e o jornalista loker e agora também escritor está se mandando pro Rio De Janeiro, onde passa o finde para lançar seu livro por lá. De modos que assim que possível a gente volta na área, beleusma? Até mais então, com beijos na galera toda – inclusive nos psicopatas tipo Alex PORCASSO Antunes e Victor Matheus Mattos, os reis da covardia fake no painel do leitor zapper, hihihi.

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 16/2/2018 às 20hs.)