AMPLIAÇÃO FINAL E DEFINITIVA PARA O ÚLTIMO POST DA HISTÓRIA ZAPPER! Com entrevistas com novos autores da literatura de cultura pop e nossa derradeira musa rocker: a secretíssima, tesudíssima e cadeludíssima N.R. – Fim de jogo e fim de festa para este TÉTRICO 2018 (sendo que os próximos quatro anos deverão ser iguais em pavor, se não forem piores) e TALVEZ para estas próprias linhas bloggers rockers: após uma década e meia de ótimos serviços prestados ao rock alternativo e à cultura pop, chegou o momento de o blogão zapper sair de cena ao menos na forma como está sendo publicado atualmente e enquanto ainda se mantém relevante e com ótima audiência (ao contrário de certos “vizinhos” pobreloaders que… deixa pra lá, rsrs); assim, nessa postagem derradeira, nada de despedidas chorosas ou dramáticas, sendo que seguimos fazendo o que sempre foi feito muito bem aqui: você vai conhecer um pouco do trabalho do músico e guitarrista Dhema Netho, saber como foi o showzaço de final de ano dos sempre fodásticos Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, conhecer o trabalho de dois novos escritores independentes e que lançaram dois bons livros na seara da cultura pop, e mais isso e aquilo, com um detalhe: aqui NÃO tem lista de “melhores do ano” (isso, novamente, fica para aquele micro blogs que não têm mais assunto para publicar, uia!), “talkey”? (modo Jairzinho saco de cocô, claaaaaro!) (post ampliado, atualizado e finalizado em 28-12-2018)

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Zapnroll chega ao fim de sua trajetória de quinze anos na blogosfera brazuca de rock alternativo e cultura pop, período em que cobriu zilhões de shows internacionais mega, como o U2 (acima), e onde também revelou algumas das melhores bandas da cena alternativa nacional na última década e meia, como Jonnata Doll & Os Garotos Solventes (abaixo, o zapper ao lado do vocalista Jonnata Araújo); em 2019 a marca do blog deverá continuar presente em eventos especiais em unidades do Sesc e talvez em outras plataformas digitais, como o YouTube

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MICROFONIA EXTRA E ESPECIAL: UM FEROZ PÁSSARO AZUL ROCKER FAZ UM VOÔ RASANTE VIA JONNATA DOLL E SEUS GURIS SOLVENTES – E ESPALHA POEIRA VERMELHA NA CARA DOS CARETAS (E DOS BOLSOTÁRIOS) – O jornalista ainda mezzo loker e eternamente rocker foi lá na Barra Funda (zona oeste de Sampa), em um aprazível final de tarde de domingão, prestigiar uma gig ao ar livre e gratuita dos sempre fodásticos Jonnata Doll & Os Garotos Solventes. E Finaski, mesmo estando combatendo um início de pneumonia com antibióticos e tal, não poderia deixar de ir ver seus guris amados do coração fazerem seu habitual esporro sônico. Foi o primeiro show que o blog viu da banda desde que eles ganharam o Prêmio Governador Do Estado SP para a Cultura (como melhor artista musical) em março deste ano, Prêmio do qual o autor deste blog foi um dos jurados e votou com gosto no grupo. Pois então: mesmo tocando em condições precaríssimas e no chão de terra da praça Olavo Bilac, o quinteto (que além de Joninha nos vocais também conta com as guitarras do Léo Breedlove, do Edson VanGogh, o baixo do Loiro Sujo e a batera do Felipe) literalmente BOTOU FOGO no local. Sonoramente a banda está em ponto de bala (e prontos para entrar em estúdio e registrar seu novo álbum inédito), mais redonda impossível. No repertório, algumas das canções que já se tornaram marcos na pequena discografia deles (como “Rua de trás”, que Jonnata dedicou ao microfone ao “nosso amigo Finatti”, e a dedicatória não poderia ter mais sentido, pois sabemos muito bem o que é ter frequentado uma “rua de trás” há um mês, se entorpecendo e alucinando com o que não deveria nunca mais se entorpecer; mas já passou, felizmente) e a adição de novas e sublimes canções, como a lindíssima “Pássaro azul”. Sem fazer média com a turma (que não precisamos disso) mas a real é que JDEOGS deve mesmo ser a MELHOR banda ao vivo do atual rock brasileiro (ou do que resta dele), ao menos na geração atual. As melhores referências sonoras (glam rock, pós punk à la Smiths, proto punk à la Iggy Pop, Legião Urbana e rock BR dos anos 80), ótimas letras em ótimo português e um vocalista ALUCINADO e do inferno, total andrógino, que se joga no chão e se vira e revira na terra bruta, que começa as apresentações total vestido e as termina inevitavelmente quase sempre apenas de CALCINHA (sim, ele sempre vai aos shows usando CALCINHAS), numa subversão e transgressão estética, visual, comportamental e performática como há muito não se via no MORTO roquinho brasileiro. Um rock hoje eivado de velhos idiotas e reacionários de extrema direita (como Lobão Cagão e Roger Bosta Moreira, ambos eleitores de BolsoNAZI, inacreditável isso; fora os “merdalheiros” fãs de heavy merdal e classic rock, todos também bestas humanas reacionárias de extrema direita) e que ENVERGONHA de verdade quem de fato AMA o grande rock que sempre esteve ao lado da liberdade, da democracia, da justiça social e que JAMAIS irá se alinhar com o fascismo de direita. E como se não bastasse o show ainda rolou bem na frente da sede de uma… igreja evanJEGUE, ops, evangélica, ahahahahaha. Sim, eles mesmos: os evanJEGUES como a futura primeira dama do país (R$ 24 mil na conta dela, depositados de maneira altamente suspeita, que be le za hein bolsOTÁRIOS) e como a futura Ministra dos Direitos Humanos (a que já disse que “é hora de a RELIGÃO governar o país!”, isso porque somos um Estado LAICO, de acordo com a Constituição). Joninha não perdoou e detonou a mesma. Foi, vale repetir, sensacional! O rock daqui nunca precisou tanto nesse momento de uma banda como a Boneca Jonnata e seus guris solventes. Em um país culto e não boçal e medieval como é o Brasil, esses moleques já estariam de contrato com uma grande gravadora e tocando direito nas rádios. Mas aqui, claro, é a nação boÇALnara, medieval ao máximo e que ama sertanojo e pagode burrão, além de axé e funk podreira. Sem problema: Jonnata Doll sabe que o rock voltou ao lugar onde se sente mesmo à vontade e em casa: no underground musical e cultural, na RESISTÊNCIA artística e cultural da qual todos nós faremos (já estamos fazendo, na verdade) parte a partir de 1 de janeiro vindouro, quando o Brasil irá mergulhar na idade das trevas porque 57 milhões de totais imbecis assim o quiseram. Que venha o fascismo troglodita e seu “mito” sujo de barro. Estaremos todos aqui para combate-lo. Ao som de Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, claro!

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Joninha e seus guris solventes: provavelmente o show ao vivo mais esporrento e poderoso da atual cena rock brasileira

***Ainda sobre a gig: o público não foi grande, mas o blog sentiu-se completamente contente e enturmado ali. Só tinha “cidadão do mal” (ahahahaha): “comunistas”, esquerdopatas, “petralhas”, “vagabundos” e LINDAS garotas (de todas as cores e raças) esquerdistas, hehe. Lindas, nada pudicas e de lar nenhum, como as boçais e “limpinhas” garotas de direita jamais o serão.

 

***Final de ano chegou, o inútil natal está aí e bla bla blá. Tá de bobeira este finde e pelos lados do Rio MEDO De Janeiro 40 graus? Então cola na casa noturna Dama De Aço, em Humaitá que a festona lá vai ser absolutamente fodástica nesse sábado, 22 de dezembro: vai rolar a “Ceremony”, apenas com anos 80 e pós punk a noite toda, com super especiais do Joy Division e do Echo & The Bunnymen. A produção do evento é do queridão Kleber Tuma (que vai discotecar também e comemorar seu niver) e Zapnroll é o dj convidado, wow! interessou? Vai aqui e saiba tudo sobre o evento: https://www.facebook.com/events/293078024871304/.

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***E como já estamos todos em clima de fim de festa por aqui (pelos lados do blog) e de final de ano, vamos deixar mais notinhas para a Microfonia para a semana que vem, antes da virada para 2019. Isso se algo realmente importante rolar e merecer ser comentado aqui, beleusma?

 

 

ÚLTIMO POST ZAPPER DO ANO – E FIM TALVEZ DE UMA TRAJETÓRIA LINDONA DE QUINZE ANOS NA BLOGOSFERA BR DE CULTURA POP E DE ROCK ALTERNATIVO

Já disseram há muito tempo Los Hermanos: “todo carnaval tem seu fim”. Estamos total de acordo com essa frase. Pois tudo na existência um dia chega ao fim. Grandes bandas de rock acabam mais cedo ou muito mais tarde (Keith Richards, o genial guitarrista dos Rolling Stones, do alto de seus setenta e cinco anos de idade, já mandou avisar que a atual turnê da banda é mesmo a ÚLTIMA), movimentos acabam, gêneros musicais idem (o rock já foi para o museu, infelizmente), escritores, artistas variados e músicos um dia morrem (desse mundo ninguém sai vivo) e por aí vai. Com este blog não haveria de ser diferente.

Zapnroll começou a ser publicada na internet por volta de maio de 2003. Primeiramente dentro do extinto portal Dynamite online (que foi o substituto digital da revista alternativa de rock do mesmo nome, e que marcou época na imprensa musical brasileira, fundada por volta de 1992 pelo músico, produtor e agitador cultural André Pomba). Depois, com a ampliação do número de leitores e da sua repercussão midiática, ganhou endereço próprio (.com). Mas dez anos antes, em 1993, este espaço dedicado ao rock alternativo teve um período de vida na própria edição impressa da revista Dynamite, em forma de coluna.

Desde então muita coisa aconteceu, muita água rolou embaixo da ponte e poderíamos escrever um LIVRO aqui apenas sobre a década e meia em que o blog e site zapper estão no ar na internet. Nesse período este espaço virtual literalmente acompanhou tudo o que foi possível no rock alternativo daqui e do mundo inteiro. Viajou o Brasil inteiro cobrindo centenas de festivais, descobrindo bandas que hoje são mega conhecidas (entre elas, Vanguart de Cuiabá, e Luneta Mágica de Manaus), resenhou toneladas de discos e shows e cobriu alguns dos maiores festivais (Lollapalooza, Planeta Terra, SWU etc.) e shows gringos (U2, Franz Ferdinand, The Cure, Blur, Oasis, Pulp, Pixies, Duran Duran, The Strokes, Belle & Sebastian et, etc, etc.) que já aconteceram no Brasil. Era e talvez seja, portanto, hora de sair de cena, enquanto este espaço ainda se mantém relevante, digno e com boa audiência. Afinal estamos envelhecendo (assumidamente: ou você morre antes de envelhecer ou envelhece e morre, simples assim) e produzir material para este blog é algo trabalhoso e cansativo, sem dúvida. Fora que o mundo infelizmente mudou radicalmente de anos para cá, com o advento da internet, dos apps, redes sociais e que tais. O grande jornalismo musical e cultural, como o conhecemos (e sendo que Zapnroll talvez seja parte da última grande geração de jornalistas da imprensa IMPRESSA que existiu, a que surgiu na década de 1980), definitivamente morreu. Idem a cultura pop e o próprio rocknroll. Sim, a música pop continua existindo e produzindo novos artistas a todo vapor. Mas eles são tão irrelevantes artisticamente falando que explodem um mega hit nas redes sociais e canais da web (como YouTube etc.) por uma semana e depois desaparecem tão rápido quanto surgiram, sendo logo substituídos por outro astro tão irrelevante e fugaz quanto foi seu antecessor.

Diante de um panorama desses estas linhas virtuais nem tinham mais como atualizar a todo instante o material publicado aqui, justamente por não ver NADA DE RELEVANTE que justificasse tal atualização frenética. Enquanto outros blogs “vizinhos”, que já foram incríveis e mega importantes para o jornalismo de cultura pop e agora se veem em aterradora decadência editorial (publicando micro posts diários sem importância alguma e com um autêntico fiasco em termos de repercussão e audiência), o blog zapper preferiu diminuir suas atualizações, publicando posts com farto material informativo e dedicando edições especiais a grandes bandas e discos da história do rocknroll.

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A Luneta Mágica, de Manaus (acima): uma das grandes descobertas do blog na cena indie nacional; nas fotos abaixo, momentos da trajetória do blog, com Finaski ao lado de Robert Smith (The Cure, em 1996), Kim Gordon (Sonic Youth, em 2005), Frejat (em 2016) e Nasi (vocalista do Ira!, este ano)

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Mas enfim avaliamos e decidimos que agora talvez seja a hora de encerrar de vez as atividades da Zapnroll. Tal qual o gigante REM decidiu por fim à sua trajetória musical sem trauma algum e após trinta anos de gigante trajetória no rock, tal qual Keith Richards que surpreendeu o mundo semanas atrás dizendo que estava parando de beber (“é hora de sair”, disse o guitarrista que é a ALMA dos Stones), também acreditamos que chegou a nossa hora de sair de cena, pois acreditamos que já cumprimos com louvor nossa missão por aqui. No final de 2017 o jornalista zapper publicou seu livro “Escadaria para o inferno”, onde ele faz um balanço de sua vida profissional na imprensa brasileira ao longo de três décadas de atividades. E em outubro passado o blog realizou uma sensacional e magnifica festa de quinze anos de existência nas dependências do Sesc Belenzinho na capital paulista, com showzaços das bandas Saco De Ratos e The Dead Rocks. Damos por encerrada nossa missão. Ao menos por enquanto.

Mas sem tristeza ou choradeira. O espaço do blog irá permanecer ainda por muitos meses online, para ser consultado por seus fieis leitores. E além disso também estamos programando novos eventos e atividades especiais, com a marca do blog – um deles deverá acontecer novamente no SescSP, entre abril e maio de 2019. Quando esses eventos se confirmarem, serão obviamente divulgados por aqui mesmo. E, por fim, talvez Zapnroll se renove e mude de plataforma, estreando um canal no YouTube, por exemplo. Tudo isso será estudado a partir do final de janeiro próximo.

Até lá estas linhas malucas e lokers que causaram polêmica como ninguém na história da blogosfera brazuca de cultura pop, entram em férias “permanentes” a partir deste post. Agradecendo de coração e com todo o carinho do universo quem sempre nos acompanhou e nos prestigiou. E desejando que todos tenham ótimas festas e uma virada de ano bacana, dentro do que é possível esperar de bom no país que será DESgovernado por BolsoNAZI a partir de primeiro de janeiro.

Fica então o nosso “até breve” para toda a galera. Valeu, pessoal!

 

***E não, pode ESQUECER! Na despedida oficial de Zapnroll, não vai haver LISTA ALGUMA aqui de “melhores do ano” – já basta a vergonhosa lista publicada pela revista americana Rolling Stone, com os 50 melhores (ou seriam os PIORES?) discos de 2018. Quer ver listas inúteis? Vai lá no blog pobreload, uia!

 

 

A HISTÓRIA TOTAL ROCKNROLL DE DHEMA NETHO – DE QUEM PROVAVELMENTE VOCÊ NUNCA OUVIU FALAR MAS QUE TEM UMA TRAJETÓRIA JÁ GIGANTE NO MONDO ROCKER

Yep, você provavelmente nunca ouviu falar dele. Mas como uma das funções primordiais de toda a história de década e meia deste blog eternamente rocker foi apresentar gente desconhecida mas totalmente envolvida como o grande rocknroll, achamos que era uma boa se deter no personagem do músico Dhema Netho para ser um dos tópicos principais de nosso derradeiro post.

Quem? Dhema Netho. Ou Ademar Neto, seu nome de batismo. Que nasceu no interior do Paraná há mais de cinco décadas, foi protético na adolescência e juventude, começou a tocar guitarra aos dezenove anos de idade, se apaixonou pelo rocknroll e nunca mais desistiu da sua paixão. Que o levou a montar bandas na década de 90 (uma delas, a Brechó De Elite, chegou a fazer razoável sucesso entre 1989 e 1995, chegando a tocar em rádio e a fazer aparições na então poderosa MTV Brasil), depois a ter uma loja de discos lendária em São Paulo (a Rocks Off, no bairro de Pinheiros) e, por fim, a leva-lo para Londres, onde morou por mais de quinze anos. Período em que gravou e lançou discos (um deles, inclusive, teve seus registros feitos no mega lendário Abbey Road, onde foram gravados alguns dos álbuns gigantes dos Beatles e de toda a história do rock), tocou no Cavern Club em Liverpool (onde uns certos Beatles também começaram tudo) e foi vivendo da sua música até se cansar “do frio” inglês para retornar a Sampa, há mais ou menos dois anos. Enfim, uma trajetória pra lá de bizarra e incrível e sendo que sua produção musical jamais cessou – Dhema tem cerca de quatrocentas músicas INÉDITAS e ainda não gravadas.

Como o blog conheceu o músico, que vive ao lado de cinco guitarras em uma kit no centro da capital paulista? Isso você, dileto leitor zapper, irá saber logo menos lendo a entrevista que fizemos com ele e onde o guitarrista e compositor relembra histórias bizarras de sua década e meia morando em Londres. Abaixo, os principais trechos do bate papo que ele teve com este espaço rocker blogger.

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O músico, guitarrista e compositor Dhema Netho (acima) e seu projeto, Monkey Revolution (abaixo): uma história incrível no rocknroll nos últimos dezesseis anos

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Zapnroll – Você já possui uma extensa trajetória como músico, guitarrista e compositor. Começou a tocar ainda na adolescência, teve banda de rock nos anos 90 (a Brechó De Elite) e morou dezesseis anos em Londres, tendo voltado há pouco tempo para São Paulo. Assim, para quem não conhece seu trabalho gostaria que você detalhasse bem tudo o que fez até hoje em termos artísticos e musicais.

 

Dhema Netho – A banda brecho’ de Elite foi fundada por mim mesmo em 1989 com um anuncio num jornal chamado primeira mão procurando integrantes para montar uma banda de Rock, e então os interessados foram aparecendo. Esse jornal foi de uma geração de Rock dos anos 80, pois nele você poderia procurar musicos , vender e comprar instrumentos musicais. Nessa época nem se sonhava com instrumentos importados no Brasil. Achar uma guitarra Fender, amplificador Marshall era impossível.

As lojas de instrumentos musicais na Teodoro Sampaio (rua do bairro de Pinheiros, na zona oeste da capital paulista) estavam começando a surgir.

A banda Brecho’ de Elite teve 3 vocalistas. Musicos?  Dezenas passaram pela banda. Um entra e sai de musicos e na verdade  NUNCA  tive musicos que realmente gostasse deles como gosto musical . Um gostava do Pantera , outro do Iron Maiden, outro do Steve Vai e  eu adorava e ainda gosto do Chuck Berry e Rolling Stones. Então as coisas, as ideias  NUNCA se encaixavam e nada dava certo. Passei a maior parte da existência dessa banda procurando acertar os musicos do que realmente chegando a algum lugar. Depois de muito sacrificio e insistência consegui gravar o primeiro álbum do Brecho’ de Elite, “A vida e’ Rock and Roll” em 1995, por uma gravadora independente de Sao Paulo que já pegou as músicas todas gravadas e estúdio já pago por mim mesmo. Ninguém da banda pôs um centavo do bolso, eu paguei tudo, uma parte em dinheiro e outra parte em  instrumentos musicais. Essa mesma gravadora tinha lançado a banda Velhas Virgens e eles estavam quebrando o pau com os donos dessa gravadora que eu nem quero dizer o nome e nem sei para onde eles foram e que fim eles levaram, nem quero saber. Depois de ter caído numa grande roubada dessa gravadora, assim como os Velhas Virgens caíram, essa porcaria de gravadora jogou um membro da banda Brecho’ de Elite um contra o outro e a casa caiu feio. Os integrantes tentaram me roubar a banda por influência de um dos donos da gravadora dizendo que ele me queria fora da banda pois eu como dono, líder da banda representava perigo para eles, dono da gravadora manipular e não cumprir o contrato e roubar as músicas que nem sequer eles pagaram para gravar. Foi um verdadeiro inferno essa fase. Um integrante da banda roubou um amplificador de um amigo meu que emprestou para a gente gravar no estúdio. Os pais desse amigo foram no meu apê dizendo que iam chamar a polícia se não devolvesse o amplificador do filho dele e esse mesmo integrante da banda disse que ia ficar com o amplificador do meu amigo para pagar as horas de gravação dele no estúdio, vai vendo. Era um cabeçote valvulado para Guitarra mod. 5150 Van Halen. Não fazia muito o meu gênero como amplificador, mas esse guitarrista queria gravar com ele. No final ele devolveu o amplificador com ameaças de ir preso por roubo. Um idiota, moleque inconsequente. Meti um precesso em todo mundo. Ganhei a causa na Justiça, coisa que não foi nada dificil para ganhar POR SER TÃO ÓBVIA a situação. Traumatizado, abondonei tudo, vendi tudo e fui embora para Londres sem querer nem saber de banda, de guitarra e só pensava em recomeçar uma vida completamente nova e comecei uma vida completamente nova: fui produzir música eletrônica old school . Nada de House music, nada comercial. Musica eletrônica Underground Minimal Techno, Drum and Bass, etc. Não toquei Guitarra por 10 anos. E nunca entendi o por que disso e nunca achei resposta. Um dia bem discretamente, isso ja’ em Londres depois de 10 anos ja’ morando la’, entrei numa loja de guitarras, há 10 anos sem tocar ou pegar esse instrumento, com muita timidez peguei um violão bem principiante nas mãos e queria saber se eu ainda sabia tocar aquilo. Foi muito estranho aquele momento. Comprei o violão pois custava uma merreca, 60 libras. Foi então que aos poucos fui

lembrando e em pouco tempo eu ja’ estava com a casa, quarto cheio de Guitarras Fender, Amplificadores para toda parte. E la’ vamos nós, quero dizer eu, montar uma banda de rock de novo. Só que agora em Londres. Começar tudo do zero de novo como banda de rock. Anúncios e anúncios em jornais, revistas de musica procurando integrantes para formar banda. Entrei numa banda que era uma vocalista meio Blues, Folk, até Punk. Deu tudo certo logo de cara. A banda nao tinha nome. Eu dei o nome de Burning Money e todo mundo gostou. Eu era o único brasileiro nessa banda. Ainda bem que ninguém me pediu para tocar bossa nova ou samba, hehehehe,  man, fuck you, no way. Gravamos 6 musicas logo de cara, pois eu peguei todas as minha musicas do Brecho’ de Elite e traduzi para o inglês com a vocalista  adaptando uma coisinha aqui outra lá, pois alguma coisa nao fazia muito sentido dizer aquilo em inglês. Pronto, vamos fazer shows e procurar pubs para tocar. Nós agora somo o Burning Money: queimando dinheiro e não tínhamos muito onde cair mortos. Muitas águas rolaram, ou melhor, pedras rolaram e acabamos dentro do Abbey Road Studios (um dos estúdios mais célebres do mundo, onde os Beatles gravaram algumas de suas obras primas). E eu WOOOOO, isso seria uma recompensa depois do inferno no Brasil? Olho do meu lado sentado numa mesa do café do estúdio ninguém menos do que JIMMY PAGE do Led Zeppelin, a banda que eu idolatrava quando moleque? Ele sentado sozinho lá no jardim do estúdio e eu aqui também fazendo meu trabalho como  musico e agora mister Dhema Netho, eu me pergunto a mim mesmo? Por alguns minutos passou um filme pela minha mente doque eu tudo tinha passado no Brasil com o brechó de elite e membros, e pensei: essa é a minha verdadeira recompensa. Fui até Jimmy Page, pedi licença se poderia trocarmos umas palavras e ele disse por favor sente se e sinta se a vontade. Me apresentei como brasileiro,  e depois comentei se ele ainda tinha uma casa no Brasil onde ele passava as férias, ele disse que sim mas que não vinha ao Brasil há uns 3, 4 anos. Me perguntou se eu estava gravando musicas no Abbey Road ou só visitando. Respondi que sim estava masterizando umas musicas com minha banda o Burning Money. Ele fez uma brincadeira com o nome da banda perguntando se eu estava queimando dinheiro por ter ficado rico com a banda. Dei um cd demo para ele apertamos as mãos e boa sorte com sua musica rapaz, ele disse. Nos vemos por aí. Já estava dando a hora de subir para entrar no estúdio pois ficava no primeiro andar. E assim mil e outras histórias com famosos cruzaram o meu caminho. Por que decidi voltar ao Brasil depois de 16 anos na Inglaterra? Para por a minha cabeça no lugar, perdas de grandes amigos que fiz por lá que morrem com abuso de substancias, outros de câncer bem jovem. E eu estava precisando dar um tempo de Londres, pois estava bem cansado de lá. Talvez ainda volte a morar lá, mas quando penso no inverno, no frio que faz lá, eu nao sei não se voltarei a morar. Talvez só a passeio mas tem que ser no verão com certeza absoluta.

 

Zap – Por que você foi parar em Londres, afinal? O que houve com a Brechó De Elite e por que decidiu voltar ao Brasil?

 

Dhema – Nao consegui viver só de musica em Londres. A maioria de integrantes de bandas Inglesas tem um trabalho em loja de instrumentos musicais como acontece aqui no Brasil. Nada muda nesses termos , a dureza para chegar em algum lugar como banda não  é nada fácil. Trabalhei em Lojas de instrumentos também na Rua Dean Mark st. onde ficam todas as lojas, tipo uma Teodoro Sampaio em São Paulo. Sim, toquei guitarra nas ruas também com uma amiga nos vocais. Toquei muito em Camden Town, um bairro bem louco de Londres onde as pessoas parecem morcegos góticos. Eu não saia de lá.

 

Zap – Conseguia viver de música lá? Conte sobre sua fase como músico de rua, tocando em estações de metrô etc. E como foi a história de você também ter tocado no Cavern Club em Liverpool, onde os Beatles começaram a trajetória deles?

 

 

Dhema –  Caverna Pub em Liverpool, sim, fiz várias jamming  sessions no Caverna. Eu ia muito a Liverpool com um amigo inglês que tinha vários amigos em Liverpool e também eram musicos. Assim com em Manchester também. Íamos durante a tarde um dos amigos tinha um irmão que trabalhava no Caverna Pub e liberava tudo pra gente lá dentro. Nos sentíamos como se o caverna fosse nosso. Quando você está vivendo isso, tudo é tão natural, tão normal. Mas pode ter muita gente agora lendo isso e achar isso um sonho para eles. Talvez até um sonho nao realizável. Eu também ainda tenho sonhos que não sei se vão se realizar. Por exemplo, tocar um dia no The Royal Albert Hall. Uma casa de Londres onde as maiores bandas inglesas tocaram e fui ver shows lá centenas de vezes. Uma dupla sertaneja do Brasil já tocou nesse lugar. Mas tem um porém, eles dedetizaram o lugar ao meu pedido para as bandas de rock voltarem a tocar lá, rsrs.

 

Zap – De volta ao Brasil, você tem composto muito? Quantas canções inéditas você possui prontas para serem lançadas?

 

Dhema – Na verdade eu componho o tempo todo. E onde quer que eu esteja, estou com letras vindo à cabeça e mando isso via mensagem para o meu próprio celular para evitar que eu esqueça. Faço isso há muitos anos. E o mesmo eu faço com um gravadorzinho de voz para registrar coisas que me vem quando estou tocando guitarra. Não tenho smartphone, iphone não gosto disso de forma alguma. Meu celular não tem internet e não tira fotos. To muito feliz assim e não quero me tornar um escravo de uma máquina tão idiota e não fazer nada mais na vida a nao ser estar olhando e segurando aquilo 24 horas por dia, não entendo essas pessoas que fazem isso.  Sim, tenho gravado muitas musicas novas com amigos do Brasil lá em Pinheiros. E sao musicas ótimas.

 

 

Zap – Quais foram suas maiores influências musicais e no rock ao longo da sua vida? Quais suas bandas preferidas?

 

Dhema – Eu diria que quase tudo que tem qualidade musical. Ou seja, musica boa de verdade. Quando muito pequeno black music, disco music que eu adorava. Peguei e vivi toda a fase da discotheque e até hoje gosto muito desse estilo. Por volta dos 12, 14 anos o Rock&Roll entrou na minha vida e dominou tudo. Nazareth, Ac/Dc , The Sweet, Rolling Stones, The Beatles, Gary Gliter, Joan Jet, Bad Company, Led Zeppelin, The Who, Deep Purple, Yes, Sex Pistols, The Ramones etc. Isso era o que eu realmente ouvia. Tudo isso eu tinha em aqueles compactos vinil de 2 musicas de cada lado. E depois veio o Vinil.

 

 

Zap – Como você vê a música e o rock em si nos tempos da internet? Acha que o grande momento do rocknroll mundial já passou e não volta mais, ou ainda acredita que o gênero irá sobreviver?

 

Dhema – Não acredito de forma alguma  que o estilo Rock irá ter um BOOOOM como teve nos anos 50,60,70 e talvez até anos 80. É uma outra geração, uma outra mentalidade, uma outra realidade. E honestamente nada disso me interessa. Não tem aparecido uma banda que me interessa nestes últimos 20 anos. Seja essa banda de qualquer país. Não gosto de nenhuma banda dessas que estão. Não vou citar nomes porque SÃO TODAS. Musica na internet? Não faço downloading. Tenho tudo que me interessa para ouvir no meu Notebook e no pendrive. Internet facilita a vida das pessoas em todos os sentidos se você souber usar isso de uma forma inteligente. Tudo é muito prático e muito rápido quase no tempo real.O Rock vai sobreviver? O ock vai estar sempre aí como todos os outros estilos de musica boa. Assim como o Reggae, Folk, Blues, Country, Jazz, Clássico, Punk Rock etc. E isso vai ficar ao gosto, interesse individual de cada um o que quer ouvir. Agora, o que vai predominar ou continuar predominando é essa porcaria que está nessa geração Iphone. Como disse Albert Einstein, quando a tecnologia dominar as pessoas, dominar o mundo, essa será a geração mais estúpida na face da Terra. Se você não sabe usar a tecnologia, ela te usa e faz de você um verdadeiro idiota.  A tecnologia é sensacional se você souber usa la e não ser usado por ela.

 

Zap – Seus planos para 2019. Pretende lançar um disco inédito, afinal?

 

Dhema – Sim , pretendo lançar um álbum todo de inéditas que já tem umas 8 musicas novas com o Monkey Revolution, meu novo projeto/banda. Com esse projeto realmente eu alcancei quase o top da montanha em termos de satisfação profissional com as composições, produções, arranjos etc. E eu canto nesse projeto, coisa que demorou muito para eu assumir que gostava da minha voz cantando e tenho sido muito elogiado por isso. Mas sempre quase todo mundo diz a mesma coisa: parece Lou Reed , David Bowie, Bob Dylan, em termos de voz. Tudo bem, para mim e’ um elogio.

 

***Para saber muito mais sobre Dhema Netho e seu Monkey Revolution, vai aqui: https://www.facebook.com/Monkey-Revolution-was-born-in-London-by-Ademar-Mello-Brazilian-Musician-574501856270636/

 

 

E MONKEY REVOLUTION AÍ EMBAIXO

Em diversos vídeos, no canal no YouTube dedicado ao projeto de Dhema Netho

https://www.youtube.com/user/1964ademar

 

 

CULTURA POP LITERÁRIA – DOIS ESTREANTES EM LIVROS CONVERSAM COM O BLOG EM NOSSA DERRADEIRA EDIÇÃO

Em um momento em que o mundo em geral e o Brasil em particular possui cada vez menos apreço pelo lazer e simples (e ótimo) ato de ler um livro (afinal a era da web democratizou e tornou todos iguais perante à boçalidade humana: ninguém mais quer saber de ler livros ou textos longos mas, sim, compartilhar bobagens e imbecilidades vazias e ligeiras em redes sociais e aplicativos de celular), a literatura ainda possui devotos fiéis e segue respirando. Parte essencial e intrínseca da cultura pop e de nossa formação cultural e intelectual, ler um (ou muitos) livro (s) deveria ser algo obrigatório na existência humana. Manter essa arte gigante viva então nos tempos atuais, publicando um livro, pode se tornar um autêntico ato de coragem.

Pois dois diletos amigos pessoais destas linhas virtuais de cultura pop que estão se despedindo da blogosfera BR após uma década e meia de presença nela, ousaram, tiveram coragem e acabam de se lançar em suas estreias literárias. O jornalista Jesse Navarro vem com o seu “Macumba Rock”. Já a farmacêutica (!) e publicitária Tatiana Pereira apresenta “De analgésicos e opióides”, título homônimo do blog que ela mantém já há alguns anos. E para saber do que se tratam os dois livros e conhecer um pouco melhor a trajetória dos autores, Zapnroll foi bater um papo com ambos. Sendo que as duas entrevistas você confere abaixo.

 

JESSE NAVARRO

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O jornalista e escritor Jesse Navarro e seu primeiro livro, “Macumba Rock”

 

Zapnroll – Você é jornalista de formação, já tendo passado por redações de veículos impressos e pela produção de programas de tv e para a internet. O que o motivou a lançar este seu primeiro livro?

 

Jesse Navarro – Sempre escrevi, no colegial fiz curso técnico de redator auxiliar, minha primeira faculdade foi letras e meu pai foi jornalista e escritor. No entanto, não conseguia me organizar para escrever um livro. Em 2017, o exercício de um curso de roteiro era criar uma série imaginária para a Netflix. Nasceu Macumba Rock. Como é muito difícil virar série mesmo, resolvi adaptar a história para um livro. Da ideia original da qual apresentei até um “pitching” no curso, só ficaram o título Macumba Rock e os papos entre o espírito de Raul Seixas e uns jovens ocultistas num cemitério. Virou Culto a Raul. O resto é coisa que vi na vida, histórias de minhas consulentes de baralho cigano e dos moradores de rua com quem trabalho. O objetivo é mostrar a capacidade humana de sair das trevas por quem já viveu nelas, o poder de superação pelos caminhos da arte e da espiritualidade. A trilha sonora da minha vida que sempre foi rock alternativo viveu uma mudança: passei a ouvir cada vez mais o que chamo de xamanismo eletrônico e sons cheios de tambores. Esses barulhos estavam na minha mente e viraram ficção. Inclusive na trilha sonora incluí também preciosidades musicais da Grã Ordem Kavernista apresenta Sessão das Dez, um dos discos mais vanguardistas dos anos 70, pós-tropicalista e debochado, com Raul Seixas, Miriam Batucada, Sérgio Sampaio e Edy Star. Incluí essas trilhas na versão áudio livro que está em arte final. Foi uma fase inspirada da minha produção na Rádio Mundial, usando horas e horas de estúdio 2 para produzir esse material com vários dubladores. Lançamento será em mp3 em janeiro. Sei que tudo nasceu num curso de roteiros num momento de profunda transformação na minha vida pessoal.

 

Zap – Fale um pouco de sua trajetória jornalística e de suas influências literárias.

 

Jesse – Minha trajetória jornalística começou numa assessoria de imprensa na Prefeitura de Osasco. Meu sonho era o rádio, a televisão e peguei a internet chegando. Adorava ser repórter do jornal Primeira Hora, onde comecei cobrindo polícia e depois parei na política. Fui repórter de vários pequenos jornais e apresentador de várias pequenas emissoras de TV, rádio e internet, passando a ter mais pegada cultural. Entrei na RedeTV para ser editor de um programa da tarde e acabei trabalhando em algumas produções, pautei muito Márcia Goldsmidt na Band e dirigi o Clodovil interinamente por uns quinze dias. Durante dois anos fui assistente de direção. Aquilo era puro entretenimento e eu ainda vivia no estado da arte mais erudita. Meu programa na TV Osasco se chamava Giralata e acabou virando Oráculo em outro portal local. Criei um personagem punk místico cultural que atraiu a atenção da MTV da época. Aparecia no programa Gordo Freak Show, umas matérias externas, uma experiência bizarra pela proposta humorística de cornetar o artista na porta do seu show, mas uma experiência inesquecível de gravar uma externa com profissionais de verdade. Passei pelo Guia Quatro Rodas da Abril e depois disso, minha trajetória de jornalismo sobreviveu como comunicação e leitura de oráculos. Fui para a Rádio Mundial e hoje leio ocultismo, um ou outro romance espírita, minha influência literária é beat, Hunter Thompson, Plínio Marcos, cinema da Boca do Lixo. Dica de livro para verdadeiros estudantes de tarô: “O caminho do tarô”, Jodorovsky. A cultura de auto ajuda espiritual é um caminho que mudou minha leitura, meu radicalismo, coisas que assisto e impressões da existência.

 

Zap – De onde surgiu a ideia para o nome “Macumba rock”? Do que trata o romance, afinal?

 

Jesse – Havia um teste nesse curso de roteiros e os professores estimulavam os participantes a compararem as pessoas às séries. Me compararam com “Sons of Anarchy” e o rock realmente está em mim. Fiz uma piada interna comigo sobre isso. Lembrando de pontos da Umbanda e vendo que minha realidade hoje era muito mais tropical, bem mais alinhadas à busca da espiritualidade africana do que com o velho punk. Então veio Macumba Rock. O título antes de qualquer enredo. O romance se trata da capacidade de recuperação de pessoas parecidas perdidas, que não terão volta em suas decadências. Todas elas se encontram no bairro da Freguesia do Ó, em São Paulo. É um thriller que evoca um culto a Raul Seixas em meio a uma delirante e caótica vida macumbeira, festiva, cigana em que uma moça se revolta quando lhe dizem que sua pomba-gira é marmotagem e terá um destino de perdição enfrentando demônios em cemitérios e fazendo contato com Raul Seixas. Como prefaciou Newton Cannito, “Macumba Rock é um livro muito ousado: Navarro escreveu um thriller espiritual erótico, uma mistura heterodoxa de vários gêneros de sucesso. Tem prazer na leitura para todos os lados. Se você gosta de investigações policiais, leia o livro. Se gosta de literatura espiritual e quer saber mais sobre entidades da umbanda, leia o livro. Se quer ouvir detalhes eróticos de boas trepadas, leia o livro. E se você gosta de Raul Seixas, leia o livro”.

 

 Zap – Você hoje em dia se dedica a qual área? Tem planos de prosseguir lançando mais livros?

 

Jesse – Hoje me dedico à comunicação holística. Apresento dois programas. Um na Rádio Mundial todo domingo, o programa Momento. E o programa Profecias do Momento, um canal do YouTube que realmente agregou uma comunidade participativa que interage escolhendo um dos três montinhos do baralho cigano. Levo adiante minha causa social com moradores em situação de rua, sempre trazendo novos parceiros até terapeutas musicais ou massagistas que tragam quick massage. Minha criatividade continua a mil e pretendo lançar outros livros.

 

 

Zap – É fato que a era da internet, se por um lado democratizou e colocou ao alcance de todos o máximo de informação possível, por outro meio que boçalizou as pessoas, visto que elas perderam o interesse por obras literárias mais densas e extensas. O reflexo disso é a queda na venda de livros no Brasil e a crise que se abate sobre o mercado editorial brasileiro, com editoras fechando e mega livrarias entrando em recuperação judicial. Diante de um panorama desses você ainda acredita na literatura e no livro impresso como forma de levar lazer e cultura para um grande público? Você mesmo bancou a edição independente do seu livro?

 

Jesse – Ainda tem bastante gente lendo. O que quebrou o antigo mercado foi a Amazon. Como você é um jornalista da área cultural, me preocupo com sua visão pessimista. Antigas tradições sobreviveram e a leitura de livros é uma delas, que sempre lutou por seu espaço. As pessoas boçais são minoria e muitas se curarão. Existe uma evolução natural junto com uma mudança marcante de formatos, livros digitais dobráveis. Macumba Rock foi artesanal. Uma edição limitada para me lançar como escritor. E os dados ainda estão rolando.

 

Zap – Seus heróis literários e suas obras favoritas em todos os tempos?

 

Jesse – Meus heróis morreram de overdose e as obras favoritas foram desconstruídas. Cem anos de solidão, G G Marques, A Erva do Diabo, Castaneda, Nelson Rodrigues, Plínio Marcos, Machado de Assis, modernistas, simbolistas, dadaístas, Dom Quixote, Mate-me por favor, Bukowski, Marcelo Rubens Paiva, Adelaide Carraro, Hemmingway e meu pai, Jesse Navarro Júnior, autor de “A voragem dos moribundos” (1975) e outros.

 

Zap – Para comprar o livro, como proceder?

 

Jesse – Entre no site www.profeciasdomomento.com.br.

 

 

TATIANA PEREIRA

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Zapnroll e a escritora Tatiana Pereira, no coquetel de lançamento do livro dela

 

 

Zapnroll – Como e quando uma farmacêutica bioquímica foi se apaixonar por literatura e por cultura pop, a ponto de criar um blog sobre os dois temas e, anos depois, publicar um livro com os textos que saíram neste blog?

 

Tatiana Pereira – A minha profissão veio bem depois da paixão pela literatura e pela cultura pop. Nasci numa casa onde a literatura sempre foi reverenciada, então sempre li muito, desde criança, e comecei a escrever poesia muito cedo, mas tudo de forma muito pessoal, sem um plano para me tornar escritora. O blog aconteceu no comecinho dos anos dois mil e foi uma maneira de compartilhar o que antes ficava apenas “na gaveta” – acredito que tenha sido um processo natural da época.  Já a publicação do livro veio com mais maturidade, quando senti que já tinha escrito coisas que valiam à pena ter esse formato.

 

 

Zap – De onde surgiu a ideia para o nome “De analgésicos e opioides”?

 

Tatiana – O De Analgésicos & Opioides foi um mini conto que escrevi por volta de 2005 – vale dizer que o conto era bem pessoal, sem uma validade literária, tanto que nunca foi publicado em lugar algum – mas eu gostei do título dele e passei a usá-lo como título do blog. Para mim, a literatura é capaz de te proporcionar analgesia da mesma maneira que te leva às experiências mais loucas como o ópio, e quando fiz essa relação não consegui mais desvincular esses “signos”.

 

Zap – O livro possui 470 páginas reunindo crônicas e textos curtos. Todos já haviam sido publicados no blog ou há algo inédito?

 

Tatiana – Não. Pelo menos 60% do livro nunca foi publicado no blog, nem em qualquer outro veículo. Tem muito mais material inédito no livro do que espalhado pelos canais digitais.

 

Zap – Você hoje em dia se dedica à área de marketing, certo? Tem planos de prosseguir lançando mais livros?

 

Tatiana – Sim. Fiz faculdade de Farmácia e Bioquímica e logo percebi que estudar marketing me ajudaria a desenvolver projetos de serviços de saúde com uma comunicação mais assertiva, mais direta, sem esse lado “sisudo” e muitas vezes “impondo medo” que a comunicação nessa área insiste em fazer – o que me incomoda muito. Para isso, acabei fazendo MBA em Planejamento Estratégico de Marketing, fiz pós em Marketing Digital, estudei Netnografia e decidi que precisava ter uma qualidade de vida melhor para poder fazer o que gosto sem a dureza do mundo corporativo. Foi quando, há 8 anos, abri minha própria empresa onde a área de saúde se torna uma divisão de negócio, mas amplifiquei o leque de serviços para outros segmentos. Tudo isso para poder ter tempo de escrever. Hoje já tenho mais dois livros praticamente prontos e tenho escrito roteiros de longas, curtas e uma previsão de lançamento de filme em 2019.

 

Zap – É fato que a era da internet, se por um lado democratizou e colocou ao alcance de todos o máximo de informação possível, por outro meio que boçalizou as pessoas, visto que elas perderam o interesse por obras literárias mais densas e extensas. O reflexo disso é a queda na venda de livros no Brasil e a crise que se abate sobre o mercado editorial brasileiro, com editoras fechando e mega livrarias entrando em recuperação judicial. Diante de um panorama desses você ainda acredita na literatura e no livro impresso como forma de levar lazer e cultura para um grande público?

 

Tatiana – Você pontuou coisas importantes aí e me arrisco a dizer que as grandes livrarias começaram a deixar seus reais leitores/ consumidores de lado para investir nos leitores de internet – o que não haveria nada de errado se houvesse um equilíbrio, entendimento e planejamento. É só entrar nessas livrarias para perceber que na mesa dos mais vendidos e de lançamentos há uma série de réplicas de coisas já publicadas na internet e que não é mais novidade para quase ninguém. Tentar aplicar a rapidez e liquidez do ambiente digital nas lojas e nas editoras sem considerar a diferença de consumo dos dois ambientes nos levou a esse cenário triste da literatura. Em contrapartida, tem gente que entendeu o processo, e usa os canais digitais para levar o público para a loja física – que é o caso da editora Lote 42 que também é dona da Banca Tatuí e da Sala Tatuí, no bairro Santa Cecília, em São Paulo – que me faz acreditar que o livro impresso sempre vai existir, mas não na quantidade de hoje. E aí eu pergunto: se as grandes redes de supermercados entenderam que uma cidade como São Paulo precisa mais de mini mercados e uma curadoria geolocalizada de mix de produtos, por que as redes de livrarias não fizeram esse exercício?!

 

Zap – Para quem não conhece seu blog e seu estilo literário, o que esse possível leitor irá encontrar no seu livro?

 

Tatiana – O livro é uma série de crônicas e prosas poéticas que abordam os diferentes estados emocionais do ser humano fazendo referências à cultura pop – literatura, cinema, música, artes plásticas – usando, muitas vezes, a própria gramática como personagem.

 

Zap – Seus heróis literários e suas obras favoritas em todos os tempos?

 

Tatiana – Listas são sempre terríveis, pois tendem à uma injustiça. Risos! Mas vamos lá: meu deus é o Fernando Pessoa e seus heterônimos. Coleciono Júlio Cortázar, Clarice Lispector e Haruki Murakami como referência literária, e a Fernanda Young como o humor [ou a falta dele] de uma sofisticação para poucos. Gosto demais do Ariano Suassuna e tenho o tenho lido muito nos últimos anos. Minhas obras favoritas são Histórias de Cronópios e Famas, do Cortázar. Água Viva, da Clarice Lispector. O livro do Desassossego e toda obra do Alberto Caeiro, do Fernando Pessoa.

 

Zap – Para comprar o livro, como proceder?

 

Tatiana – Na Livraria Blooks [São Paulo e Rio de Janeiro] e através da Indie Blooks: http://indieblooks.iluria.com/pd-5d701f-de-analgesicos-opioides.html. E diretamente comigo, pelo Pagseguro [vai com dedicatória e autógrafo]: https://bit.ly/2GBtoer.

 

 

ARQUIVOS DO JORNALISTA MUSICAL FINASKI – SAUDADES DOS SHOWS DE ROCK QUE VIMOS NA VIA FUNCHAL SP

Madrugada dessas estava o loker rocker aqui assistindo ao programa do Jools Holland (ou Jools “RÔLA”) no canal Bis. Gostamos de ver, sempre rolam atrações bacanas: nessa madruga, por exemplo, teve Damon Albarn (vocalista do Blur, pros desinformados de plantão), Black Keys e… Coldplay. Ok, ok, a banda não é mais o que era antes mas continuamos achando o dream pop inicial deles (pelo menos até o terceiro disco) digno de respeito. E ouvindo Chris Martin e sua turma se apresentando, nos lembramos saudosos das duas vezes em que vimos a banda ao vivo na finada Via Funchal.

Fomos pesquisar na web. No Wikipedia tem um verbete bastante completo sobre aquela que, na nossa opinião, foi mesmo a MELHOR casa de shows internacionais que existiu na capital paulista nos últimos 25 anos. Projetada com esmero e rigor, permitia que você assistisse super bem as gigs que lá aconteciam, estivesse onde estivesse lá dentro (havia uma pista em desnível em direção ao palco, com degraus, o que permitia que a fila à sua frente ficasse sempre ABAIXO da sua visão do palco). Fora que a acústica era ótima e a iluminação idem. Mas como tudo que é ótimo nunca dura para sempre o local encerrou atividades em dezembro de 2012, já que a dupla que era sócia de lá vendeu o mesmo a uma incorporadora imobiliária pela “bagatela” de R$ 100 milhões.

Enfim, a Via Funchal durou 14 anos, de 1998 a 2012. E nessa quase década e meia de existência, este jornalista eternamente rocknroll viu shows verdadeiramente incríveis por lá (alguns nem tanto, vamos ser honestos), e agradecemos isso à queridíssima Miriam Martinez, que foi assessora de imprensa máster da casa durante toda a existência dela. Miroca, que atualmente trabalha na Tom Brasil SP, é uma das nossas melhores e mais bacanas amigas na assessoria de imprensa rock paulistana há mais de 30 anos, e nunca nos deixou na mão, hehe. De modos que aí embaixo segue um resumo de algumas das gigs que vimos por lá, com rápidos comentários sobre cada uma delas e sobre o momento pelo qual estávamos então.

 

***Green Day (novembro de 1998): a Via Funchal existia há apenas dois meses e esse foi o primeiro show de rock que o blog viu lá. E foi showzão, casa lotada (cabiam 6 mil pessoas lá), a banda ótima no palco etc.

 

***Echo & The Bunnymen (setembro de 1999): os “homens coelho” finalmente retornavam ao Brasil após 12 anos de sua primeira e histórica passagem por aqui. Vieram na turnê do disco que marcou a volta do grupo, o PÉSSIMO “Evergreen”. Mas novamente a gig foi sensacional (enlouquecemos ao ver na nossa frente, pois estávamos COLADOS no palco, na área de imprensa, a banda começar a apresentação com a clássica “Rescue”), mesmo com Ian McCulloch sem voz alguma. E foi nesse show que o zapper estava acompanhado DELA! Quem? Ana S.B., um XOXOTAÇO goth que havíamos conhecido semanas antes na porta do Madame Satã. Linda, gostosa, 17 aninhos de idade (e o loker aqui com meus 36 já…), inteligentíssima e… totalmente PERVA, safada e ordinária, rsrs. O zapper se apaixonou pela garota. Fomos juntos ao Echo e depois passamos no também finado e saudoso Nias (um dos clubes de rock mais legais que existiram em Sampa), bebemos e dançamos por lá, até que propus irmos ao Madame (afinal, tínhamos nos conhecido na porta do casarão goth clássico do Bixiga). Ela topou. Pegamos um táxi e quando chegamos na porta do Satã, me disse que não queria entrar. “Vamos logo pro hotel TREPAR!”, falou, para nosso total espanto. Nem precisou pedir duas vezes. A foda foi do inferno e jamais esqueceremos do BOQUETE primoroso feito pela magrinha de peitos miúdos e rosto angelical perfeito como o de uma boneca de porcelana oriental. E também não me esqueço jamais dos seus gritos histéricos quando ela gozou. Trepamos ainda mais duas vezes e Aninha sumiu, para apenas me reencontrar muitos anos depois, quando estava CASADA com um espanhol com o dobro da idade dela. Procurou o jornalista rocker novamente, foi na casa dele e DEU novamente. O blog se casaria com ela. Mas nunca mais a vimos depois de mais duas fodas canalhas e inesquecíveis.

 

***The Mission (junho de 2000): o quarteto gótico inglês já estava em franca decadência. Mas havia lançado um cd TRIPLO (!) e veio tocar aqui mais uma vez (depois virou carne-de-vaca no Brasil e o vocalista e líder Wayne Hussey até se casou com uma loiraça goth perua de Santo André, onde parece que mora até hoje). A Via Funchal quase lotou e a tribo goth enlouqueceu com os hits do grupo. Depois do show fomos parar num muquifo goth que estava funcionando no cu da zona leste paulistana, levados por um busão caindo aos pedaços e fretado pelos ex-donos do Madame Satã, para fazer o tal trajeto.

 

***Coldplay (setembro de 2003): a primeira visita dos ingleses ao Brasil. E já estavam no auge, prestes a lançar seu terceiro álbum de estúdio e com dois CDs primorosos na bagagem. Foram três noites absolutamente LOTADAS na Via Funchal. Não me lembro em qual fui, mas estava lá. De calça preta, camisa social branca de manga comprida e blazer por cima (disso me lembro bem). Ficamos EMOCIONADOS com a gig, de verdade. E quando saímos de lá fomos ainda em um coquetel fechado para convidados em Pinheiros, lançamento de um disco se não me engano. O coquetel era open bar e fiquei (claro!) num estado lamentável. Como sou adicto (dependente químico que não deveria sequer beber UMA gota de álcool), não deu outra: saí dali direto para o centro de São Paulo, para me ENTUPIR de CRACK. Final de madrugada absolutamente trágico para uma noite que havia começado de forma sensacional. Normal, faz parte.

 

***Massive Attack (maio de 2004): o zapper já tinha visto a trupe trip hop inglesa alguns anos no extinto Free Jazz Festival. Show mais uma vez perturbador. Pela concepção cênica e pela ambiência sonora total sinistra e sombria. Foi lindão, no final das contas.

 

***The Sisters Of Mercy (maio de 2006): também já estava em sua fase total decadente e vivia aparecendo para shows caça níqueis por aqui. Já os tinha visto 15 anos antes no finado ProjetoSP, onde a gig já não tinha sido grande coisa (a real é que a banda nunca foi muito boa ao vivo). Mas o povo goth amava a banda e assim bastante gente apareceu para revê-los ao vivo.

 

***New Order (novembro de 2006): o retorno do gigante synthpop inglês, depois de sua gloriosa primeira vinda ao Brasil, em 1988. Foi legal, a VF lotou (óbvio), Peter Hook (ainda estava no conjunto) deu show no baixo mas já não era mais a mesma coisa. Hoje em dia, então… só para TROUXAS ou FANÁTICOS.

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Echo & The Bunnymen (acima) e REM (abaixo): duas das zilhões de bandas gigantes da história do rock mundial e que o blog testemunhou ao vivo ao longo de nossa década e meia de existência, ambos em gigs na finada e saudosa Via Funchal SP

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***Coldplay (fevereiro de 2007): eles voltaram e lá estava Zapnroll novamente (iria cobrir a apresentação para o caderno B do diário carioca Jornal Do Brasil, onde Finaski estava colaborando então). Mais uma vez três noites lotadas. Mais uma vez showzaço emocionante. E felizmente desta vez não teve crack no final da noite.

 

***Interpol (março de 2008): a única gig que vimos dos nova-iorquinos pós punk que emulam Joy Division à perfeição. E foi ótimo!

 

***REM (novembro de 2008): um dos shows INESQUECÍVEIS da NOSSA VIDA. Uma das cinco bandas eternas da minha existência. Já os tinha visto em janeiro de 2001, no terceiro Rock In Rio. E aqui foi ainda melhor pois era espaço fechado e com muito mais visibilidade de palco e som muito melhor. E este zapper CHOROU quando a banda tocou “Losing My Religion”.

 

***Duran Duran (novembro de 2008): a volta do new romantic histórico inglês, 20 anos após tocar pela primeira vez no Brasil (em janeiro de 1988, no festival Hollywood Rock). Foi um dos melhores shows que assistimos na Via Funchal.

 

***Peter Murphy (fevereiro de 2009): gig solo do ex-vocalista dos Bauhaus. Na boa, foi chatíssimo, rsrs.

 

***The Kooks (junho de 2009): os inglesinhos indie rock dos anos 2000 estavam no auge e fizeram um bom set.

 

***Cat Power (julho de 2009): nossa deusa e musa americana ad eternum. Set melancólico, climático e lindíssimo. Sendo que o blog estava apaixonado e quase namorando com a Rudja, que morava (e mora até hoje) em… Macapá! Tanto que LIGAMOS pra ela do via celular no meio da apresentação, e tentamos fazer com que ela escutasse parte do show pelo celular.

 

***Belle & Sebastian (novembro de 2010): nossos eternos heróis escoceses do indie rock e dream pop. Show inesquecível, sendo que saíram lágrimas dos meus olhos ao final dele. E sim, o blog estava acompanhado da garota de Macapá (a Rudja), com quem havia namorado e noivado por um ano, e ela tinha vindo passar um mês em Sampa (também vimos juntos a primeira edição do festival SWU), pra nos despedirmos do noivado. Aquela noite pós B&S foi looooonga, com álcool, drugs etc. Mas não posso entrar em detalhes porque senão a fofa Telma (mãezona da garota e querida amiga nossa até hoje) me mata, hihi.

 

***Stone Temple Pilots (dezembro de 2010): outro show za ço! Scott Weiland sempre foi nosso “ídalo”, rsrs (e também do mozão André Pomba, ahahaha). No final da gig Zapnroll, já com algumas doses de whisky na cachola, deu de cara com o porcão, jotalhão e covardão José Flávio MERDA Jr., um dos seres humanos e jornalistas mais escrotos e imundos que tivemos o desprazer de conhecer em toda a nossa existência. Só não partimos pra cima do pança de elefante porque fomos contido pelo querido Pablo Miyazawa (então editor chefe da finada revista Rolling Stone Brasil). Depois o blog veria novamente o STP na segunda edição do festival SWU, em 2011 em Paulínea. E depois Scott se foi, morto por overdose de drugs aos 48 anos de idade. Viveu rápido, intensamente, e morreu jovem ainda. Como todo mundo deveria viver e morrer, no final das contas – é um CASTIGO cruel se tornar um velhote solitário, senil e gagá, definitivamente.

 

***Pulp (novembro de 2012): o fim para o blog por ali, e para o próprio Via Funchal em si. A gig foi no dia 28 daquele mês, dois dias depois do niver de 50 anos de idade do jornalista zapper. Foi uma despedida mega digna para o MELHOR espaço de shows de rock que já houve em Sampalândia. Deixou saudades. E quem viu o que vimos ali e relembramos nesta publicação, viu. Quem não viu não irá ver nunca mais.

 

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E PARA FECHAR COM CHAVE DE OURO A HISTÓRIA DAS MUSAS ROCKERS ZAPPERS, ELA! A MUSA SECRETA N.R., QUE PASSOU UM ANO CHIFRANDO SEM DÓ O MARIDO ENQUANTO ERA FODIDA NUMA PAIXÃO LOUCA PELO JORNALISTA LOKER ROCKER

Yeeeeesssss. Para encerrarmos verdadeiramente os quinze anos de Zapnroll no tópico “musa rocker”, teríamos que caprichar. Afinal muitas, lindas, divinas, devassas, bocetudíssimas, cadeludas, imorais e total pervas passaram por aqui ao longo desta década e meia. De modos que para terminar super bem também este capítulo, resolvemos caprichar e enlouquecer de verdade nosso dileto leitorado macho (cado), com uma reedição do ensaio DELA! Quem? Da musa SECRETA N.R., oras. E de quem não podemos revelar a identidade pois a garota é CASADA e durante um ano meteu corno sem dó no seu maridón, dando e fodendo com gosto com seu AMANTE zapper – este mesmo aqui, o eterno jornalista gonzo, loker e rocker. A paixão entre ambos foi algo realmente avassalador. Mas tudo que é ótimo um dia acaba. Ficaram então as lembranças. Que você confere aí embaixo, sem moderação alguma!

 

Nome: N.R.

Idade: 36 anos.

De: São Paulo.

Mora em: São Paulo.

Com quem: com o marido.

O que faz: já foi comerciária, hoje cuida da sua casa.

Paixão: literatura, sendo que seus autores preferidos estão Charles Bukowski e o cubano Pedro Juan Gutiérrez.

Música: fã de Tiê, Ana Carolina, Cazuza, Chico Buarque e Legião Urbana.

Como ela e o autor deste blog se conheceram: foi através de um grupo de discussão na internet sobre a obra do velho safado Charles Bukowski, o célebre autor americano do qual ambos são fãs devotados. Os papos online começaram, depois ligações pelo celular. Começou a negociação para um encontro pessoal e ao vivo, o que não demorou a acontecer. E o que era para ter sido apenas uma única tarde de foda intensa porém sem compromisso emocional algum, se tornou uma paixão avassaladora que durou um ano e dezenas de TREPADAS enlouquecedoras, com o casal GOZANDO tudo o que podia. Como a situação não poderia se prolongar ad eternum sem que uma possível tragédia acontecesse, tudo se findou um dia. Restaram as lembranças imagéticas e uma amizade que perdura até hoje.

 

FRASES INESQUECÍVEIS DISPARADAS DURANTE ALGUMAS DAS FODAS DESVAIRADAS DO CASAL

 

“A irmã CRENTE rezando, e a PUTA aqui dando!” (N.R., numa tarde de sábado, quando estava sendo traçada de ladinho pelo jornalista Finas, e lembrando que naquele exato instante sua irmã, que é evangélica, deveria estar na igreja orando)

 

“Vai, me dá LEITE DE PUTA!” (era assim que N.R. se referia ao esperma, que adorava BEBER sem restrição. E Zapnroll soltou muita porra na BOCA dela, ulalá!)

 

“A puta branquela, peituda, magra e perfeita!” (assim Finaski se referia a N.R., já que ela é branca como um fantasma, possui bunda durinha e miúda, pernas finas e peitos GIGANTES)

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Uma BOCETA do inferno e sempre em chamas!

 

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Peitões portentosos

 

 

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A bundinha magra e durinha de uma cadela branquela e puta sem igual

 

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Uma devotada fã de literatura

 

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Sim, o CORPO dela sempre acalmava o velho jornalista

 

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O casal saciado carnalmente, após uma de suas fodas alucinadas

 

 

2003-2018 – FIM DA HISTÓRIA ZAPPER!

Sim! Tudo tem um fim, tudo um dia acaba. Foi ótimo enquanto durou e foi um imenso prazer estar com todos vocês durante os últimos quinze anos. Nos vemos por aí! Beijos na galera que ainda ama rocknroll, vocês estarão sempre em nosso coração!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 28-12-2018 às 18:30hs.)

 

Se o mundo vai acabar amanhã, então diga adeus a ele e tchau pra 2012 em grande estilo: aqui está a lista dos melhores do ano do blogão zapper, um dos únicos que não sofre de preconceito de estilos e de época, que não está velhuscamente atolado no passado, que sabe reconhecer o que realmente há de ótimo no novo rock (daqui e de fora) e que não dá trela pra leitores intolerantes, burros, obtusos e conservadores, uia! (e fim de papo este ano: versão final e ampliada em 27/12/2012. Agora, férias pra quem merece, sendo que o blogão volta no final de janeiro próximo, okays?)

Lista abrangente e mega eclética é assim, rsrs: contempla de fato os melhores lançamentos do ano, sejam eles de um velho e lendário gênio do rock’n’roll mundial como o grande Neil Young (acima), sejam novidades ótimas e bem-vindas da garotada mais nova daqui e lá de fora também, como os escoceses Django Django e o trio amazonense A Luneta Mágica (ambos abaixo). Enquanto isso, outros blogs obtusos e seus leitores idem…

(A Luneta Mágica, foto: Gabriela Andrade) 

 

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UP TO DATE – FECHANDO A TAMPA DE 2012
Chega, né? Tudo que tinha que acontecer em 2012 já rolou, hihi. Terminamos assim o ano mesmo com a nossa lista de melhores e que bateu recorde de recomendações nas redes sociais (mais de 120!), o que deixa mais uma vez a certeza de que Zap’n’roll vai entrar em seu décimo ano de publicação como um dos três principais blogs de cultura pop e rock alternativo da web brasileira. E isso nos enche de orgulho e nós só temos a agradecer ao nosso dileto leitorado que nos prestigia e nos acompanha há tanto tempo. Valeu galere!

 

Mas enfim, é isso: o blog volta quente lá pelo dia 20 de janeiro – agora é férias pra quem merece, néan? O natal foi ótimo, o réveillon vai ser melhor ainda (estamos sumindo de Sampa nesta sexta-feira, 28 de dezembro, pro meio do matão Mineiro) e 2013 vem aí, cheio de surpresas e novidades (fim da MTV? Lollapalloza bombando em março? Cure finalmente voltando em abril?). Então é isso, povo: no primeiro post do novo ano iremos falar do novo disco do Rock Rocket (que saiu ao apagar das luzes de 2012) e de mais um monte de paradas bacanudas. Por isso, pra quem fica em Sampa ou vai passear por aí: super entrada em 2013. Em janeiro a gente se vê por aqui novamente!

 

Fim de festa pra 2012, uia! O blogger beberrão entorna um garrafão de vinho tinto na noite de natal (acima), na casa da querida amiga Silvia Ruksenas. Agora, pra recuperar as forças e entrar com tudo em 2013, a parada é ir bater na porta do céu, lá em São Thomé Das Letras (abaixo), no interior de Minas Gerais. É pra lá que o blog se manda a partir de amanhã. E pra toda a galere que nos acompannha: feliz ano novo, sempre com muito rock’n’roll!

 

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É bem por aí, hihi. O título algo gigantesco (já uma das marcas registrada destas linhas rockers bloggers) deste último post de 2012, explica muito do pensamento que sempre norteou e que vai continuar norteando Zap’n’roll. Enquanto alguns blogs da web brazuca só exaltam o novo e hypes ultra fugazes e que daqui a quinze minutos ninguém mais vai lembrar deles (e, por conseqüência, estes mesmos blogs desprezam os clássicos do rock’n’roll como se eles nada tivessem significado para a história da música), e outros fazem exatamente o contrário (detestam, numa intolerância algo ignorante, qualquer artista solo ou grupo, nacional ou gringo, que tenha surgido de uma década pra cá), estas linhas online procuram se equilibrar de maneira equânime na questão: analisam com a maior abrangência possível quase tudo o que é lançado no rock planetário ano após ano, sejam estes lançamentos de novos nomes ou de veteranos consagrados. Assim procuramos ser justos com todos e levar ao nosso sempre dileto leitorado ao final de cada ano, um resumo do que de melhor foi produzido nos últimos doze meses no rock, aqui e lá fora também.

 

É claro que os tempos estão, hã, “bicudos” na questão da qualidade musical. Disso ninguém mais duvida: numa época de acesso irrestrito a facilidades tecnológicas e também à música que circula livre e de graça pela internet, a quantidade de lançamentos que brota diariamente na rede é inversamente proporcional à qualidade destes mesmos lançamentos. Ou seja: há gente demais se achando “gênio” no rock dos anos 2000’. E há qualidade de menos entre esses “gênios”.

 

Mas bons nomes e boas obras continuam surgindo sim, basta garimpar e ficar atento. O que o blog zapper JAMAIS irá fazer (e como certos espaço da blogosfera insistem em fazer) é ser arrogante e menosprezar aquilo que ele não gosta ou não consegue compreender. Zap’n’roll jamais vai ser acometido por ataques de senilidade e velhice intelectual e/ou cultural. Jamais vai ser mentiroso dizendo que ouviu um trabalho de um artista sem ter ouvido, apenas pra dizer que tal obra é “fraca”, sendo que a mesma está sendo reconhecida como ótima por vários outros profissionais e espaços dedicados à música. E, por fim, jamais iremos ficar dando confiança pra leitores “tapados” de ouvidos, e que estão aprisionados no bicho-grilismo e no cafona prog/classic/metal rock de décadas passadas. Estes são os piores porque não se renovam, são total refratários ao novo e não conseguem admitir em sua irritante ignorância que, sim, pode haver vida muito inteligente na música e no rock que se faz hoje. Preferem, em sua infinita burrice e preguiça auditiva, chamar pejorativamente um grupo revelação (como a sensacional A Luneta Mágica, de Manaus, um dos destaques do ano que está acabando) pelo diminutivo do nome da banda, sem sequer ter ouvido o som da mesma e saber do que se trata. Tsc, tsc, lamentável pra dizer o mínimo.

 

Feita esta declaração de princípios, este último post de 2012 entrega aos nossos leitores aquilo que o blog ouviu de melhor no ano que está acabando (amanhã, junto com o mundo? Na semana que vem? Não importa, hehe. Ou importa sim: o sujeito aqui está de malas prontas pra ir passar mais um réveillon na deliciosa cidade mineira de São Thomé Das Letras, wow!). São dez discos gringos e cinco nacionais – além de mais alguns filmes, livros, e outros itens da chamada cultura pop que mereceram entrar na lista. Além deles este post também abre espaço especial para falar de um dos últimos lançamentos bacanas deste ano: o novo álbum do trio paulistano Rock Rocket, que será lançado com festa e show hoje à noite em Sampa, lá no Beco do baixo Augusta. Então confira nossas escolhas e fique à vontade pra concordar ou discordar delas. Aqui a democracia reina – e vai reinar sempre, enquanto Zap’n’roll existir.

 

 

DEZ DISCOS DE ROCK GRINGOS PRA LEMBRAR COM TESÃO DE 2012

 

* “Blunderbuss”/Jack White – talvez o único grande gênio do rock mundial do novo milênio, o homem que deu ao mundo bandas fodásticas como The White Stripes e The Raconteurs, acabou lançando seu primeiro disco solo apenas em abril deste ano. De lá pra cá Jack sofreu concorrência de outros grandes lançamentos (como você verá aí embaixo). Mas este seu “Blunderbuss” entra no topo da lista zapper dos melhores de 2012 porque é um álbum realmente acachapante. Nele o vocalista, guitarrista e compositor trafegou com desenvoltura pelo hard rock, pelo blues eletrificado, por ambiências soul e atualizou o rock setentista para os dias de hoje. Com uma batelada de músicas sensacionais (“Sixteen Saltines”, “Freedom at 21” e “Love Interruption”, apenas pra ficar nas mais conhecidas), ótima produção e escudado por uma super banda de apoio nas gravações, “Blunderbuss” mostra que Jack White ainda tem uma longa e brilhante trajetória musical pela frente.

 

 

* “Banga”/Patti Smith – a deusa e poetisa maior da contracultura rock americana da primeira metade dos anos 70’, ficou cinco anos sem gravar mas voltou de forma triunfal com este “Banga”, uma coleção de canções bucólicas, reflexivas e onde ela colocou todo o seu poder de grande pensadora do mundo contemporâneo a serviço de burilar letras que perscrutam o grande mal estar que assola perenemente o planeta em vários aspectos (político, social, econômico). Aos sessenta e cinco anos de idade Patti Smith continua sendo essencial em um tempo em que o rock’n’roll está cada vez mais esmaecido.

 

 

* Howler/America Give Up” – a banda existe há apenas dois anos. O disco de estréia saiu em janeiro passado. E este bando de quatro moleques atrevidos conquistou os Estados Unidos com um som rocker básico, direto e poderoso. Tocaram em Sampa apenas um mês após o lançamento do álbum e quem esteve na gig, lá no Beco/SP (como o blog esteve), constatou que ao vivo o grupo é ainda mais esporrento. Discão de estréia que coloca com merecimento o Howler entre os melhores de 2012.

 

* Django Django/homônimo – psicodelia escocesa à moda anos 2000’. Pode? Com certeza. O blog descobriu tardiamente esta pequena obra-prima lançada pelo quarteto também em janeiro passado. Percussões tribais, guitarras tecendo melodias oníricas e vocais mezzo chapados se unem pra construir músicas que farão a alegria dos amantes da maconha e do bom ácido – de preferência tomados no meio do mato, em São Thomé, hihi. O Django Django é uma das gratas revelações do ano. Fica a torcida para que eles tenham fôlego suficiente pra durar mais alguns verões.

 

* Lotus Plaza/Spooky Action At A Distance – outra descoberta tardia do blog, que uma madrugada qualquer dessas estava assistindo ao Goo (na MTV) e se deparou com um vídeo espetacular, para a música “Black Buzz”, tão espetacular quanto. O Lotus Plaza é um desconhecidíssimo projeto solo do músico americano Lockett Pundt, e este é seu segundo disco. Foi editado em abril passado. Melancolia, guitarras shoegazer e pós-punk à moda Joy Division em doses concentradas e tudo isso… feito por um americano. Só “Black Buzz” já valeria o álbum inteiro, mas o restante do trabalho também é ótimo.

 

* Ben Kweller/Go Fly A Kite – garoto-prodígio do indie rock Americano dos 90’ (foi revelado aos quinze anos de idade, no grupo Radish), Kweller não apenas continua na ativa como lançou essa belezura em fevereiro deste ano. Indo do rock de guitarras indie a baladas tramadas com violões, o agora trintão vocalista e compositor demonstra que continua mega habilidoso em compor melodias que enternecem nossa alma. De quebra, Ben Kweller ainda tocou há um mês em Sampa – com tickets esgotados em apenas duas horas, o que fez estas linhas bloggers perderem o show, grrrrr! Restou o discão pra compensar.

 

* Cat Power/Sun – Chan Marshall continua deusa, linda, louca e uma das melhores compositoras da indie scene americana. Em “Sun” ela se arriscou em ambiências mezzo eletrônicas (isso mesmo!) em algumas faixas. Mas nada que descaracterizasse seu respeitadíssimo trabalho musical. Há lindas músicas espalhadas pelo álbum, que ganhou cotação máxima do jornal inglês The Guardian. Com justiça, diga-se.

 

 

* Bob Mould/Silver Age – essa biba véia é gênio e lenda do rock americano nas últimas três décadas, ponto. Criador do seminal Husker Du, influência declarada de Pixies e Nirvana, Bob continua na ativa e lançou esse autêntico espanco sonoro em setembro último. Canções rápidas, aquelas guitarras ardidas que o celebrizaram no Husker Du e melodias pop e radiofônicas que grudam no seu cérebro, são a receita para se compor mais um grande momento do rock planetário em 2012.

 

 

 

* Tame Impala/Lorenism – mais psicodelia entre os melhores do ano, desta vez através do agora quinteto australiano liderado pelo também gênio Kevin Parker. É o segundo trabalho da banda e ela evoluiu mil por cento em relação ao seu primeiro disco, editado em 2010. Pense numa colisão frontal entre Led Zeppelin e Pink Floyd fase Syd Barrett: aí está o som que transborda nesse sensacional “Lorenism”, pra você ouvir e chapar os miolos com gosto.

 

 

* Neil Young/Psychedelic Pill – outra lenda viva da história do rock’n’roll. Esse véio, aos sessenta e sete anos de idade, continua um MONSTRO. Pois em um intervalo de menos de dois meses Neil lançou nada menos do que DOIS álbuns gigantescos (na qualidade das canções e na duração da músicas). O primeiro foi “Americana”. Na sequência veio este “Psychedelic Pill”. Em ambos ele voltou a tocar junto com o lendário e insuperável Crazy Horse, a banda com a qual registrou suas obras-primas. Zap’n’roll assume que custou a baixar os dois álbuns por não ter absolutamente saco algum com músicas que durem mais do que seis ou sete minutos. Pois apenas Neil Young é capaz de compor peças de dezesseis a vinte e três minutos de duração e que NÃO cansam o ouvinte. Pelo contrário: todas as músicas do disco fluem de maneira agradável e intensa, seja em sua porção mais acústica, seja nas partes mais elétricas e barulhentas. Fora suas letras ácidas, que continuam uma aula à parte em termos de contundência poética. É sério: quando não houver mais gênios como Neil Young na face da Terra, o que vai ser do rock’n’roll? Pra pensar…

 

 

CINCO DISCOS DO ROCK BR QUE FIZERAM A DIFERENÇA EM 2012
* A Luneta Mágica/Amanhã vai ser o melhor dia da sua vida – no topo da (pequena) lista dos melhores do ano no rock brazuca está a estréia deste trio de Manaus. Foi a maior descoberta do blog na indie scene nacional nos últimos tempos (alô Karla Sanches, se não fosse tu procurando estas linhas online jamais iríamos saber da existência da Luneta, hehe). O grupo formado pelos vocalistas e multiinstrumentistas Pablo Araújo, Diego Souza e Chico Só existe há cerca de dois anos e lançou esta obra-prima em agosto passado. É um escândalo de melodias belíssimas e introspectivas combinando violões e guitarras (por vezes indies, por vezes etéreas) com percussão eletrônica, psicodelia e bucolismo existencial. Um caleidoscópio de cores extasiantes que remetem tanto a Los Hermanos quanto a My Bloody Valentine. E tudo isso com letras em português que desvelam imagens poéticas que tocam fundo na alma do ouvinte: “…Ainda somos os mesmos/Gênios embriagados/Esperando pelo sol nascente”. O músico e vj China (dileto amigo destas linhas rockers bloggers) já tocou em seu programa na Oi FM. O esperto produtor paulistano Glauber Amaral (um dos nomes mais destacados na área de produção musical hoje, no país) quer trabalhar com os garotos. E apenas blogs mais desinformados e leitores obtusos destes mesmos blogs ainda não descobriram o som da Luneta Mágica, que deverá ser A BANDA de 2013.
Pra conhecer melhor A Luneta Mágica: http://lunetamagica.bandcamp.com/

 

 

* Transmissor/Nacional – Minas Gerais sempre deu grandes nomes ao rock brasileiro e à MPB em geral. E o quinteto Transmissor não foge à regra. “Nacional” é o segundo álbum do grupo, saiu no começo deste ano e amplia e matura a concepção musical mostrada na sua ótima estréia (no disco “Sociedade do Crivo Mútuo”): rock quase rural mixado com influências do célebre “Clube Da esquina”. E tudo a favor de canções com lindas melodias, daquelas pra sair cantarolando em alguma estrada de terra perdida entre as montanhas de Minas. Os vocais alternados entre Thiago Correa e Jennifer Souza sustentam pequenas jóias musicais (“Sempre”, “Bonina”, a super radiofônica “Só se for domingo”), embaladas tanto por guitarras rockers quanto por violões dolentes. Discão!
Pra conhecer melhor o Transmissor: http://www.transmissor.tv/

 

 

* Quase Coadjuvante/Cartas para a próxima estação – mais Mineiros entre os melhores de 2012, uhú! O quarteto de Belo Horizonte surgiu em 2009 e lançou este seu primeiro álbum em outubro deste ano. São apenas nove músicas, mas todas ótimas e onde as guitarras distorcidas que remetem à Nirvana e Sonic Youth se encontram com melodias ultra radiofônicas e que tocariam fácil em qualquer FM, se elas não fossem imbecis e ainda movidas a jabá. As letras são em bom português e bem cantadas pelo vocalista e guitarrista Jonathan Tadeu. E uma pérola como “Gênio Ruim” ganha fácil o título de melhor música de 2012, pela  sua letra e levada melódica.
Pra conhecer melhor o Quase Coadjuvante: http://quasecoadjuvante.com.br/album/cartas-para-a-pr-xima-esta-o

 

 

* Madrid/homônimo – o projeto musical encabeçado pelo gênio e fofo Adriano Cintra (ex-CSS) e pela linda e loira Marina Vello (ex-Bonde do Rolê) não poderia ficar de fora da lista dos melhores do ano nem em sonho, rsrs. Esqueça o som das ex-bandas da dupla em questão: Adriano e Marina engendraram uma coleção de canções absurdamente melancólicas, lindas e tramadas basicamente com pianos e violões, na famosa equação low fi. Há pouco espaço aqui para dançar alegremente e o álbum todo soa mais como mote sonoro à reflexão profunda. Com vocais em inglês, deverá inclusive fazer “barulho” lá fora também.

 

 

 

* Jair Naves/ E Você Se Sente Numa Cela Escura, Planejando A Sua Fuga, Cavando O Chão Com As Próprias Unhas – o título é gigante e a qualidade do álbum também. Durante quase uma década o bom moço Jair Naves foi vocalista do Ludovic, um dos melhores grupos pós-punk da indie scene paulistana. Banda desfeita, Jair partiu em carreira solo, que rendeu um ep e este primeiro disco completo. Aqui, todas as características da obra musical de Jair estão preservadas e aperfeiçoadas: as letras de intensa dramaticidade poética (“Me assegura que você jamais vai maldizer/ o instante em que você se deu pra mim,/ em que se anulou por mim/… / eu sonho acordado/ com a vingança dos torturados,/ com a mulher que vai envelhecer ao meu lado,/ com o meu pai ressuscitado/…”), os textos enormes e que insistem em não caber na métrica da canção, as músicas de instrumental opressivo e intenso. Não é um disco fácil, de maneira alguma. Jair canta as faixas como se estivesse à beira de um precipício ou como se o mundo fosse realmente acabar amanhã. E nos mostra que a grande música e a grande arte só funciona mesmo desta forma: com intensidade e rigor absoluto na qualidade textual e musical.
Pra conhecer melhor a estréia solo de Jair Naves: http://jairnaves.bandcamp.com/

 

 

EXTRINHAS QUE SE DESTACARAM EM 2012
* Um filme: “Na estrada”, a versão cinematográfica de Walter Salles para o clássico “On The Road”, de Jack Kerouac.

 

* Um livro: nada muito digno de nota foi lançado em 2012. Livros musicais andaram em alta e entre estes pode-se destacar a biografia dos New York Dolls, lançada aqui pela editora Madras.

 

* Um programa de tv: o “Profissão Repórter”, exibido às terças-feiras à noite na Globo e comandado pelo experiente Caco Barcellos, continua show de bola. Já “A Liga”, da Band, decaiu horrores.

 

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(versão final em 27/12/2012, às 19hs.)

Chan Marshall não está pra brincadeira e mesmo quarentona, volta com disco fodão. O inglês XX também retorna mas com um disco meio assim… Mais: a volta de um gênio da guitarra made in Brazil, o provável fechamento da Via Funchal, a assesora parlamentar cadeluda que se deu bem e uma semana pop/rock mooooorna, em final de inverno horrivelmente quente e seco

A deusa Cat Power (acima) volta em grande forma em seu novo álbum. Já os moderninhos do XX (abaixo) fizeram um bom segundo disco, mas repetiram a fórmula do primeiro

 

Ninguém agüenta mais.
O quê? Esse final de inverno horrendo que tomou conta de Sampalândia nas últimas semanas. Calor, clima seco, falta de chuva. Nem o blog, nem seu dileto leitorado nem ninguém mais agüenta isso (até quem é fã eterno do verão sem fim). Não chove na capital paulista há mais de um mês. termômetros batendo diariamente na casa dos 27 graus. Umidade do ar em torno de 20% (quase clima de deserto). E depois ainda dizem que não há aquecimento global e que está tudo bem com o clima do nosso pobre planeta. Só quem é cego ou ganancioso ao extremo (leia-se: governantes das maiores potências econômicas do mundo, que só pensam em faturar bilhões e foda-se o meio-ambiente, foda-se a terra que será herdada pelas gerações futuras) não percebe que algo vai muito mal aqui. Mas de que adianta falar, reclamar, resmungar não é mesmo? Zap’n’roll, particularmente, que sempre amou frio glacial e detesta calor e verão, sente saudades de duas décadas atrás quando, no inverno, ainda se podia ver os relógios digitais da avenida Paulista marcando temperatura de 6 graus na madrugada. Os anos foram avançando, a poluição atmosférica foi aumentando e isso nunca mais aconteceu. Hoje, é esse pavor em pleno inverno – aliás, houve mesmo inverno em 2012? Vai daí que o autor destas linhas bloggers rockers alimenta, de verdade, o sonho secreto de se mudar um dia pra Islândia – yep, a pátria da Bjork e onde o inverno reina por oito meses durante o ano (e sendo que no verão, a temperatura máxima por lá atinge módicos 15 graus positivos). Mas enfim, enquanto o sonho não se torna realidade possível, vamos a mais uma semana e um post zapper. Uma semana meio assim, néan? Morna, onde poucas paradas realmente dignas de nota rolaram. Também não podemos vir toda semana com um super ultra mega post, como foi o último – afinal, estas linhas virtuais de cultura pop e rock alternativo estavam voltando de um recesso de quase um mês, uia! De modos que vamos lá, ver como está o novo disco da deusa Cat Power, do “muderninho” grupo inglês The XX e também dar uma geral nesse nosso velho mundo, castigado pelos homens e que um dia vai acabar sim, tostado em um enorme auto-forno do aquecimento global fora de controle.

 

* E começando com as nossas tradicionais notinhas preeliminares (ops!): este espaço virtual de cultura pop lamentou muito a morte de Tony Scott, que se matou no início da semana, aos sessenta e oito anos de idade. Tony era o irmão mais novo do grande Ridley Scott (cineasta de respeito e que dirigiu clássicos como “Blade Runner”, “Alien – o oitavo passageiro” e, mais recentemente, “Gladiador”). E, assim como ele, também dirigiu filmes (se bem que atuava mais na área de produção cinematográfica), sendo o mais célebre e cult de todos (pelo menos na opinião do blog) “Fome de viver”, que ele rodou em 1982 e que tinha no elenco ninguém menos que David Bowie e a deusa Catherine Deneuve. A dupla fazia um casal de vampiros modernos em um filme de terror gótico glamuroso, que tinha os célebres Bauhaus na cena inicial, tocando em uma jaula (!) o clássico “Ziggy Stardust” (de Bowie, quem mais?). O autor destas linhas online, então ainda um jovem jornalista mezzo goth, trintão, junky, eternamente vestido de preto da cabeça aos pés e freqüentador assíduo dos porões alternativos de Sampa, perdeu a conta de quantas vezes assistiu a fita. E hoje se recorda mais uma vez dela, enquanto deseja que Tony realmente esteja bem onde estiver. Rip, dear! Você não está mais aqui mas sua obra vai permanecer eterna, dentro da história recente do cinema.

Bowie e Catherine Deneuve: divinos em “Fome de Viver”,
filme dirigido por Tony Scott

 

* Ainda na praia da telona: você bota fé em um filme que radiografa (em tom ficcional, bem entendido) a cena rock de Los Angeles nos anos 80’ (leia-se: hard rock farofa e brega ao cubo), e que tem Tom Cruise no papel principal, o de um astro do rock? O blog, não. De qualquer forma “Rock Of Ages” estréia hoje no Brasil. A conferir, pois.

 

 

* Do cinema para a política: as condenações estão saindo em Brasília, no STF, no julgamento do Mensalão. O que se espera é que a parada continue nesse ritmo e que, finalmente, um bando de pilantras graúdos vá pra trás das grades nesse país.

 

* Por outro lado, lamentável a decisão do ministro Marco Aurélio de Mello, do STF, que acatou pedido de habeas corpus e mandou soltar um dos mandantes do assassinato da missionária americana Dorothy Stang, em 2005, no Pará. Como reza o clichê ultra popular decisão da Justiça não se discute, se cumpre. Mas é muito óbvio que certas decisões (como essa) estimulam cada vez mais a bandidagem e a impunidade que domina desde sempre o pobre Brasil, onde pelo jeito só os mais pobres e que cometem delitos é que mofam pra valer na cadeia.

 

* E da política pra música e pro rock’n’roll, enfim. A notícia bacana em uma semana meio mueeeeerta em termos de novidades, é a volta de um dos maiores gênios da guitarra brasileira. Yep, Lanny Gordin, o loki que tocou em alguns principais discos da história da Tropicália (que foi foi um movimento estético e musical rocker pra caralho, beeeeem mais do que se ouve hoje no pobrinho indie rock nacional), lança seu novo álbum em novembro, pela BarraVento Artes (do nosso querido chapa Glauber Amaral). O disco já está gravado e mixado e conta com zilhões de participações mega especiais, como a do também grande Edgard Scandurra (seguramente um dos cinco melhores guitarristas do Brasil). E assim que o blog tiver mais novidades a respeito do lançamento, elas estarão escritas aqui, pode esperar.

 

 

* Vai chegando o final do ano e a turma dos festivais independentes se agita, no? Ou nem tanto: com a falência da Abrafin e a entrada em cena da Rede Brasil de Festivais, parece que vai ficar tudo como dantes no quartel de Abrantes, uia. Esta semana a galere da cúpula da célebre “entidade” sediada em Sampa está toda reunida na Feira de Música, em Fortaleza. Há gente muito boa e decente por lá, óbvio, que trabalha sério e tal – principalmente a turma heróica que batalha e coordena os bons e honestos coletivos da região Norte brasileira. E também há os que não trabalham tão sério assim e que ao invés de fazer esforços em prol das bandas, artistas e músicos (que é quem interessa nessa parada, afinal), prefere usar a MÚSICA pra atingir objetivos POLÍTICOS e também faturar uns trocados gordos junto à Petrobrás e ao Poder Público em geral. Mas enfim, não vamos nos estender muito sobre isso aqui. O tempo se encarregará de mostrar quem é decente ou indecente na atual rede brazuca de festivais independentes.

 

 

* Desses festivais e de acordo com infos que chegaram há pouco ao blog, o Varadouro (em Rio Branco, no Acre) não será realizado este ano. Pena pois o coletivo Catraia é ponta firme e realizava um dos eventos ok do circuito.

 

 

* Já no feriadão de 7 de setembro vai rolar o Casarão, em Porto Velho (Rondônia), com a participação do trio roraimense Veludo Branco, um dos ótimos nomes do rock básico e garageiro do extremo Norte.

 Veludo Branco: o rock de Roraima vai marcar presença no festival Casarão, em Porto Velho

 

* E na semana seguinte, tem o Até o Tucupi, em Manaus. Esse Zap’n’roll vai acompanhar beeeeem de perto pois o blog quer conhecer pessoalmente a cena rocker da capital do Amazonas. Fora que estas linhas online estão perdidamente apaixonadas pelo som da Luneta Mágica, banda fodaça de lá e que acaba de lançar o – até o momento – melhor disco do indie rock BR em 2012. Em tempo: o blog irá até Manaus POR SUA CONTA, o que obviamente nos dará muito mais liberdade e independência pra cobrir o festival que, botamos fé, vai ser bem bacana.

 

 

* E, claaaaaro, não poderia faltar uma notinha putanhesca aqui, hihi. Como estas linhas rockers sacanas imaginaram, a cadeluda ex-assessora parlamentar Denise Rocha se deu bem após tem vídeo seu (onde ela fode com desenvoltura, dando sua incendiária boceta com gosto) divulgado na internet. A moçoila “casta” e “pura” será a capa da edição de setembro vindouro da revista Playboy. Por outro lado uma tal de “mulher melão” (hã???) teve seus quinze minutos de fama semana pasaada, ao mostrar seus tetões em uma praia em Miami. A vida é bela…

Ah, essas xoxotas ordinárias, rsrs. A ex-assessora
parlamentar Denise Rocha (acima, em fotos retiradas de seu vídeo, hã, “educativo”, hihi) se deu bem e vai ser a capa da próxima edição da revista Playboy; já a Mulher Melão (abaixo) apareceu assim em uma praia em Miami: tudo pelos quinze minutos de fama, uia!

 

* VIA FUNCHAL: O FIM DE UMA ERA? – o boca-a-boca anda comentando bastante o assunto há algumas semanas, já. E é realmente estranho que nenhum site ou blog especializado em música tenha publicado algo a respeito do assunto, ainda. Pois então: a Via Funchal, seguramente (na modestíssima opinião destas linhas bloggers investigativas) a melhor casa de shows musicais de grande porte em Sampa desde que foi fundada (e onde cabem até seis mil pessoas), estaria para encerrar atividades em 2012. Se acontecer de fato será um duro golpe em uma metrópole que, apesar de ser a maior cidade do país (e uma das cinco maiores do mundo) e de receber centenas de shows gringos todos os anos, possui pouquíssimos espaços de grande qualidade e que podem abrigar um grande público nesses eventos. Tudo na Via Funchal é bem estruturado: a acústica do local, o planejamento arquitetônico que permite que se veja bem o palco onde quer que a pessoa esteja (já que o espaço onde fica o público foi construído em forma mezzo circular, com a visão direcionada ao palco, além de haver degraus entre um piso e outro, o que permite que quem está na frente não atrapalhe a visão do espectador que está atrás), os bares que estão localizados dentro do espaço onde rolam as gigs etc, etc. E estas linhas online perderam a conta de quantos mega shows bacanas ela assistiu na Via Funchal, onde sempre fomos mega bem recebidos com a eterna simpatia da querida Miriam Martinez, assessora de imprensa da casa e amiga pessoal de Zap’n’roll há mais de duas décadas. REM (em show emocionante), New Order, Echo & The Bunnymen (em 1999), Duran Duran, Belle & Sebastian, Coldplay (em duas gigs ultra emocionantes, em 2003 e 2006), Stone Temple Pilots, Interpol, The Mission, Massive Attack… tudo isso e muito mais estas linhas rockers saudosistas e sentimentais presenciaram por lá. Mas o que rola, afinal? Os boatos dão conta de que a já famosa e maldita especulação imobiliária que está atacando metrópoles como Sampalândia nos dias atuais seria a causa do prossível fechamento, já que os donos do imóvel onde está localizada a casa de shows teriam recebido uma oferta milionária pra vender o espaço. O blog entrou em contato com Miroca pra tentar apurar algo a respeito, e ela com a gentileza e simpatia de sempre, foi categórica: pelo menos nas internas da Via Funchal, não se fala nada a respeito desse assunto, sendo que a programação de shows segue intensa pelo menos até o final deste ano – a última gig de 2012 listada no site oficial do local (WWW.viafunchal.com.br) é a da mega star Norah Jones, que vai se apresentar lá em 15 de dezembro. O blog, sinceramente, torce para que tudo não passe realmente de boato e que a Via Funchal ainda continue por muitos anos, sempre trazendo grandes shows para a alegria de nós, apaixonados por música e pelo rock’n’roll.

 REM (acima) e Interpol (abaixo): dois super shows
que o blog teve prazer e orgulho de assistir na Via Funchal, em Sampa

 

* Aliás, a deusa Cat Power foi outro dos grandes shows que o blog assistiu na Via Funchal. A mesma Cat Power que está de volta com um novo discaço, “Sun”. Vai lendo aí embaixo.

 

 

CHAN MARSHALL, ALIÁS CAT POWER, CONTINUA LINDA E DEUSA ROCKER EM SEU NOVO ÁLBUM
O blog sempre foi fã devotado dela, desde que tomou contato com sua música em algum dia perdido na segunda metade dos anos 90’. Naquela época a gravadora Trama começou a lançar uma série de CDs de bandas e artistas indies americanos e ingleses, no Brasil. No meio de um desses suplementos estava o disco “Moon Pix” (de 1998), composto e gravado por uma garota esquisita e cujo nome artístico era Cat Power – nome real: Charlyn “Chan” Marshall. Quando ouviu o disquinho Zap’n’roll caiu de amores pela garota, então com vinte e seis anos de idade. O mesmo amor que permanece intocado e inalterado até hoje, quando o blog ouve “Sun”, o novo disco de Chan Marshall, que tem lançamento oficial no próximo dia 31 de agosto – lançamento, óbvio, em cd. Na internet o álbum já circula feliz há algum tempo, embora pouca gente no jornalismo musical daqui tenha comentado o dito cujo com a devida atenção.

 

Cat está com quarenta anos de idade. Mas conserva a feição jovem, algo adolescente, da garota inquieta que surgiu para o mundo da música em 1995, com o disco “Dear Sir”. De lá pra cá são dezessete anos de carreira onde Chan Marshall gravou nove álbuns, todos muito diferentes entre si. E todos muito bons, diga-se. Multiinstrumentista talentosa, com a mente algo perenemente perturbada (e o blog sempre amou garotas e mulheres de mente e pensamentos estranhos e/ou insanos), vocal oscilando entre o doce e o agressivo e autora de letras que desvelam os meandros emocionais de alguém que mergulhou boa parte de sua vida em álcool, drugs e romances com desfechos não raro dolorosos, Cat Power construiu uma obra das mais consistentes e respeitadas por crítica e fãs, dentro do rock alternativo americano.

 

Ela já trafegou por ambiências country/folk, por bucolismo melódico e acústico, por rock de guitarras ásperas e até por releituras magníficas de canções alheias (no incrível “The Covers Record”, editado em 2000). Esteve algumas vezes no Brasil sendo que na última, em 2009, em gig abrasiva e iluminada na Via Funchal, em Sampa (e presenciada por estas linhas virtuais), ela já dava pistas do que estaria por vir neste “Sun”, seu primeiro trabalho de estúdio em quatro anos, e o primeiro totalmente inédito desde 2006.

“Sun”, o novo discão da deusa Cat Power: ela continua poderosa!

 

 

É um disco que causa estranhamento à primeira audição pois, mais uma vez, Cat Power NÃO se repete em seus procedimentos musicais. Ao contrário dos últimos cds (que pendiam para paisagens sonoras mais pastorais), em “Sun” a cantora e compositora se apropria de sonoridades mais pop e experimenta até em direção a esgares eletrônicos, algo bem evidente na faixa-título. Mas é claro que isso não é a tônica dominante no álbum: no primeiro single de trabalho, a bonita, densa e, vejam só, pop “Ruin” (e onde ela exercita mais uma vez todo a sua intensidade como letrista, ao afirmar no refrão: “Estamos sentados em ruínas”), há diálogos entre pianos e guitarra, ambos tocados por Cat (que também produziu o álbum). O mesmo piano que também conduz a melodia de “3,6,9”, esta com alguns dos melhores jogos vocais de todo o cd. E a cada nova audição “Sun” se torna mais prazeroso e revela novos detalhes que colocam canções como “Cherokee”, “Real Life”, “Manhattan” (mais percussão eletrônica em uma música suave e com vocais doces, serenos) e “Nothin’ But Time” (o grande e épico momento do álbum, com mais de dez minutos de duração, interpretação itensa da cantora e a participação do mestre Iggy Pop nos vocais) entre as melhores composições já criadas pela artista.

 

O mondo pop/rock anda frouxo e tenebroso, artisticamente falando. Nesse panorama de indigência criativa e qualitativa vozes como as de Cat Power ou de Fiona Apple (outra mulher perturbada emocionalmente, e que também lançou um discaço esse ano) continuam fazendo a diferença. E o trabalho delas continua mais essencial do que nunca. A prova disso é este “Sun”, que mostra que aos quarenta anos de idade miss Chan Marshall continua em plena forma. Ainda bem!

 

 

THE XX DE VOLTA NOVAMENTE HYPADO – MAS COM MAIS DO MESMO
Surgido em Londres em 2008, o quarteto (que começou como um duo, passou para trio e agora tem quatro integrantes) The XX é hoje um dos nomes mais queridinhos do indie rock britânico e planetário – tem inclsuive um grande séquito de fãs aqui mesmo, no nosso Brasilzão. Justificável: o indie/dream pop sombrio e envolvente mostrado em seu homônimo álbum de estréia (lançado em 2009), rapidamente encantou público e a rock press mais festeira. Produzindo um mix de Cocteaw Twins, ambiências oníricas e eletrônicas com guitarras limpas e sem muita distorção, tudo jogado em melodias calculadamente frias e distantes e cobertas por vocais masculinos e femininos, o XX ganhou capas na NME e badalação instantânea. E agora, três anos depois, lança seu novo disco, “Coexist”, que sai oficialmente no próximo dia 5 de setembro mas que escapuliu pela web esta semana. E estas linhas zappers sentem informar seu dileto leitorado, após algumas audições do dito cujo: é mais do mesmo.

 

Não que o álbum seja ruim, longe de ser aliás. A produção é cuidadosa, esmerada. As músicas continuam oníricas, belas, imagéticas, sombrias e reflexivas. O primeiro single, “Angels”, é quase divinal. O que há de errado, então? A repetição, a falta de coragem em avançar na fórmula que deu certo na estréia. É esse o grande mal de “Coexist”. Tudo nele remete ao primeiro disco: os embates entre o vocal masculino e feminino, as canções contemplativas que seguem em andamento melódico quase linear (ouça “Fiction”, “Try”, “Reunion”, “Missing” ou qualquer outra do cd e você perceberá o que estamos falando aqui), a gélida sonoridade eletrônica alternada com guitarras esparsas e sem distorção. Tudo ótimo, tudo lindo e tudo muito IGUAL a estréia, há três anos. Ou seja: o que era novidade lá tornou-se repetição aqui.

 O novo disco do XX: bom, mas é mais do mesmo

 

The XX pecou por não ousar e não procurar um novo direcionamento em seu segundo trabalho. Se fosse em outros tempos, isso seria a sentença de morte para a banda. Mas como estamos na era do lixo qualitativo dominando ubiquamente o rock planetário esse “Coexist”, mesmo que não tenha nenhum rasgo de brilhantismo musical, ainda vai prolongar o hype em torno do grupo por mais alguns (poucos, provavelmente) verões – ou invernos.

 

 

THE XX AÍ EMBAIXO
No vídeo de “Angels”, o primeiro single do álbum “Coexist”.

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA
* Discos: “Sun”, da Cat Power, óbvio. E também o igualmente perturbador “The Idler Wheel…”, o novo e fodaço álbum da loka e linda Fiona Apple, e cujo vídeo de “Every Single Night”, você pode conferir aí embaixo:

 

 

* Filme: ele está de volta!!! Quem? Ora, Sasha Baron Cohen, quem mais? O mais hilário e genial comediante do cinema mundial dos últimos tempos agora ressurge na pele de um tirano em “O ditador”, que chega hoje às telas brasileiras. E, vejam só, o xoxotaço Megan Fox também sai da hibernação e participa do filme. Enfim, que assistiu “Borat” e “Bruno”, sabe o que esperar do novo filme do figuraça. Diversão garantida!

 

* Baladas: a elas povo, que hoje é sexta-feira! Começando com as noitadas rocker imperdíveis lá no Astronete (que fica na rua Augusta, 335, centrão rocker de Sampa). Agora, se você quer fazer uma balada saudosista e anos 80’, a pedida é a festa “Back To The Cave”, que rola também hoje no Poison Rock Bar (lá na rua Mourato Coelho, 651, Vila Madalena, zona oeste paulistana).///Sabadão, mais conhecido como amanhã: vem que tem! Mais uma edição da festa “Pop&Wave”, no Inferno Club (também na Augusta, no 501). E também noitada com discotecagem de clássicos do punk na Outs (no 486 da Augusta).///E na semana que vem, se preparem: festona imperdível de lançamento do primeiro álbum do Coyotes California, o ótimo “Hello Fellas”. Vai ser na sexta-feira, 31 de agosto, na Outs e promete ser fodástico porque o CC, sem nenhum favor, é um dos melhores nomes da atual indie rock scene paulistana, pode confiar na palavra do blogão campeão quando o assunto é rock independente brazuca.

 

 

ROCKERS NOISE FESTIVAL – TICKETS SANGRENTOS, UIA!
E como! Se você ainda não foi lá no hfinatti@gmail.com, é melhor se apressar. A disputa está ficando realmente sangrenta porque estão em jogo:

 

* DOIS PARES DE INGRESSOS para o Rockers Noise Festival, que rola dia 31 de outubro em Sampa, no Victory (na Penha, zona leste paulistana), com showzaços imperdíveis dos ingleses The Telescopes e Gallon Drunk. Vai perder? Não, né. Então corre e boa sorte!

 

 

E THE END POR HOJE
Post mais modesto esta semana, sabemos. Também não se pode ser fodão e demolidor a cada sete dias, no? O blog se vai, deixando abraços calorosos na turma da Luneta Mágica e um super beijo pras queridas e meigas Karla Sanches e Rosimeire Antunes. Semana que vem tem mais por aqui. Até lá!

 

 

(enviado por Finatti às 17hs.)