AMPLIAÇÃO FINAL E DEFINITIVA PARA O ÚLTIMO POST DA HISTÓRIA ZAPPER! Com entrevistas com novos autores da literatura de cultura pop e nossa derradeira musa rocker: a secretíssima, tesudíssima e cadeludíssima N.R. – Fim de jogo e fim de festa para este TÉTRICO 2018 (sendo que os próximos quatro anos deverão ser iguais em pavor, se não forem piores) e TALVEZ para estas próprias linhas bloggers rockers: após uma década e meia de ótimos serviços prestados ao rock alternativo e à cultura pop, chegou o momento de o blogão zapper sair de cena ao menos na forma como está sendo publicado atualmente e enquanto ainda se mantém relevante e com ótima audiência (ao contrário de certos “vizinhos” pobreloaders que… deixa pra lá, rsrs); assim, nessa postagem derradeira, nada de despedidas chorosas ou dramáticas, sendo que seguimos fazendo o que sempre foi feito muito bem aqui: você vai conhecer um pouco do trabalho do músico e guitarrista Dhema Netho, saber como foi o showzaço de final de ano dos sempre fodásticos Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, conhecer o trabalho de dois novos escritores independentes e que lançaram dois bons livros na seara da cultura pop, e mais isso e aquilo, com um detalhe: aqui NÃO tem lista de “melhores do ano” (isso, novamente, fica para aquele micro blogs que não têm mais assunto para publicar, uia!), “talkey”? (modo Jairzinho saco de cocô, claaaaaro!) (post ampliado, atualizado e finalizado em 28-12-2018)

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Zapnroll chega ao fim de sua trajetória de quinze anos na blogosfera brazuca de rock alternativo e cultura pop, período em que cobriu zilhões de shows internacionais mega, como o U2 (acima), e onde também revelou algumas das melhores bandas da cena alternativa nacional na última década e meia, como Jonnata Doll & Os Garotos Solventes (abaixo, o zapper ao lado do vocalista Jonnata Araújo); em 2019 a marca do blog deverá continuar presente em eventos especiais em unidades do Sesc e talvez em outras plataformas digitais, como o YouTube

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MICROFONIA EXTRA E ESPECIAL: UM FEROZ PÁSSARO AZUL ROCKER FAZ UM VOÔ RASANTE VIA JONNATA DOLL E SEUS GURIS SOLVENTES – E ESPALHA POEIRA VERMELHA NA CARA DOS CARETAS (E DOS BOLSOTÁRIOS) – O jornalista ainda mezzo loker e eternamente rocker foi lá na Barra Funda (zona oeste de Sampa), em um aprazível final de tarde de domingão, prestigiar uma gig ao ar livre e gratuita dos sempre fodásticos Jonnata Doll & Os Garotos Solventes. E Finaski, mesmo estando combatendo um início de pneumonia com antibióticos e tal, não poderia deixar de ir ver seus guris amados do coração fazerem seu habitual esporro sônico. Foi o primeiro show que o blog viu da banda desde que eles ganharam o Prêmio Governador Do Estado SP para a Cultura (como melhor artista musical) em março deste ano, Prêmio do qual o autor deste blog foi um dos jurados e votou com gosto no grupo. Pois então: mesmo tocando em condições precaríssimas e no chão de terra da praça Olavo Bilac, o quinteto (que além de Joninha nos vocais também conta com as guitarras do Léo Breedlove, do Edson VanGogh, o baixo do Loiro Sujo e a batera do Felipe) literalmente BOTOU FOGO no local. Sonoramente a banda está em ponto de bala (e prontos para entrar em estúdio e registrar seu novo álbum inédito), mais redonda impossível. No repertório, algumas das canções que já se tornaram marcos na pequena discografia deles (como “Rua de trás”, que Jonnata dedicou ao microfone ao “nosso amigo Finatti”, e a dedicatória não poderia ter mais sentido, pois sabemos muito bem o que é ter frequentado uma “rua de trás” há um mês, se entorpecendo e alucinando com o que não deveria nunca mais se entorpecer; mas já passou, felizmente) e a adição de novas e sublimes canções, como a lindíssima “Pássaro azul”. Sem fazer média com a turma (que não precisamos disso) mas a real é que JDEOGS deve mesmo ser a MELHOR banda ao vivo do atual rock brasileiro (ou do que resta dele), ao menos na geração atual. As melhores referências sonoras (glam rock, pós punk à la Smiths, proto punk à la Iggy Pop, Legião Urbana e rock BR dos anos 80), ótimas letras em ótimo português e um vocalista ALUCINADO e do inferno, total andrógino, que se joga no chão e se vira e revira na terra bruta, que começa as apresentações total vestido e as termina inevitavelmente quase sempre apenas de CALCINHA (sim, ele sempre vai aos shows usando CALCINHAS), numa subversão e transgressão estética, visual, comportamental e performática como há muito não se via no MORTO roquinho brasileiro. Um rock hoje eivado de velhos idiotas e reacionários de extrema direita (como Lobão Cagão e Roger Bosta Moreira, ambos eleitores de BolsoNAZI, inacreditável isso; fora os “merdalheiros” fãs de heavy merdal e classic rock, todos também bestas humanas reacionárias de extrema direita) e que ENVERGONHA de verdade quem de fato AMA o grande rock que sempre esteve ao lado da liberdade, da democracia, da justiça social e que JAMAIS irá se alinhar com o fascismo de direita. E como se não bastasse o show ainda rolou bem na frente da sede de uma… igreja evanJEGUE, ops, evangélica, ahahahahaha. Sim, eles mesmos: os evanJEGUES como a futura primeira dama do país (R$ 24 mil na conta dela, depositados de maneira altamente suspeita, que be le za hein bolsOTÁRIOS) e como a futura Ministra dos Direitos Humanos (a que já disse que “é hora de a RELIGÃO governar o país!”, isso porque somos um Estado LAICO, de acordo com a Constituição). Joninha não perdoou e detonou a mesma. Foi, vale repetir, sensacional! O rock daqui nunca precisou tanto nesse momento de uma banda como a Boneca Jonnata e seus guris solventes. Em um país culto e não boçal e medieval como é o Brasil, esses moleques já estariam de contrato com uma grande gravadora e tocando direito nas rádios. Mas aqui, claro, é a nação boÇALnara, medieval ao máximo e que ama sertanojo e pagode burrão, além de axé e funk podreira. Sem problema: Jonnata Doll sabe que o rock voltou ao lugar onde se sente mesmo à vontade e em casa: no underground musical e cultural, na RESISTÊNCIA artística e cultural da qual todos nós faremos (já estamos fazendo, na verdade) parte a partir de 1 de janeiro vindouro, quando o Brasil irá mergulhar na idade das trevas porque 57 milhões de totais imbecis assim o quiseram. Que venha o fascismo troglodita e seu “mito” sujo de barro. Estaremos todos aqui para combate-lo. Ao som de Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, claro!

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Joninha e seus guris solventes: provavelmente o show ao vivo mais esporrento e poderoso da atual cena rock brasileira

***Ainda sobre a gig: o público não foi grande, mas o blog sentiu-se completamente contente e enturmado ali. Só tinha “cidadão do mal” (ahahahaha): “comunistas”, esquerdopatas, “petralhas”, “vagabundos” e LINDAS garotas (de todas as cores e raças) esquerdistas, hehe. Lindas, nada pudicas e de lar nenhum, como as boçais e “limpinhas” garotas de direita jamais o serão.

 

***Final de ano chegou, o inútil natal está aí e bla bla blá. Tá de bobeira este finde e pelos lados do Rio MEDO De Janeiro 40 graus? Então cola na casa noturna Dama De Aço, em Humaitá que a festona lá vai ser absolutamente fodástica nesse sábado, 22 de dezembro: vai rolar a “Ceremony”, apenas com anos 80 e pós punk a noite toda, com super especiais do Joy Division e do Echo & The Bunnymen. A produção do evento é do queridão Kleber Tuma (que vai discotecar também e comemorar seu niver) e Zapnroll é o dj convidado, wow! interessou? Vai aqui e saiba tudo sobre o evento: https://www.facebook.com/events/293078024871304/.

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***E como já estamos todos em clima de fim de festa por aqui (pelos lados do blog) e de final de ano, vamos deixar mais notinhas para a Microfonia para a semana que vem, antes da virada para 2019. Isso se algo realmente importante rolar e merecer ser comentado aqui, beleusma?

 

 

ÚLTIMO POST ZAPPER DO ANO – E FIM TALVEZ DE UMA TRAJETÓRIA LINDONA DE QUINZE ANOS NA BLOGOSFERA BR DE CULTURA POP E DE ROCK ALTERNATIVO

Já disseram há muito tempo Los Hermanos: “todo carnaval tem seu fim”. Estamos total de acordo com essa frase. Pois tudo na existência um dia chega ao fim. Grandes bandas de rock acabam mais cedo ou muito mais tarde (Keith Richards, o genial guitarrista dos Rolling Stones, do alto de seus setenta e cinco anos de idade, já mandou avisar que a atual turnê da banda é mesmo a ÚLTIMA), movimentos acabam, gêneros musicais idem (o rock já foi para o museu, infelizmente), escritores, artistas variados e músicos um dia morrem (desse mundo ninguém sai vivo) e por aí vai. Com este blog não haveria de ser diferente.

Zapnroll começou a ser publicada na internet por volta de maio de 2003. Primeiramente dentro do extinto portal Dynamite online (que foi o substituto digital da revista alternativa de rock do mesmo nome, e que marcou época na imprensa musical brasileira, fundada por volta de 1992 pelo músico, produtor e agitador cultural André Pomba). Depois, com a ampliação do número de leitores e da sua repercussão midiática, ganhou endereço próprio (.com). Mas dez anos antes, em 1993, este espaço dedicado ao rock alternativo teve um período de vida na própria edição impressa da revista Dynamite, em forma de coluna.

Desde então muita coisa aconteceu, muita água rolou embaixo da ponte e poderíamos escrever um LIVRO aqui apenas sobre a década e meia em que o blog e site zapper estão no ar na internet. Nesse período este espaço virtual literalmente acompanhou tudo o que foi possível no rock alternativo daqui e do mundo inteiro. Viajou o Brasil inteiro cobrindo centenas de festivais, descobrindo bandas que hoje são mega conhecidas (entre elas, Vanguart de Cuiabá, e Luneta Mágica de Manaus), resenhou toneladas de discos e shows e cobriu alguns dos maiores festivais (Lollapalooza, Planeta Terra, SWU etc.) e shows gringos (U2, Franz Ferdinand, The Cure, Blur, Oasis, Pulp, Pixies, Duran Duran, The Strokes, Belle & Sebastian et, etc, etc.) que já aconteceram no Brasil. Era e talvez seja, portanto, hora de sair de cena, enquanto este espaço ainda se mantém relevante, digno e com boa audiência. Afinal estamos envelhecendo (assumidamente: ou você morre antes de envelhecer ou envelhece e morre, simples assim) e produzir material para este blog é algo trabalhoso e cansativo, sem dúvida. Fora que o mundo infelizmente mudou radicalmente de anos para cá, com o advento da internet, dos apps, redes sociais e que tais. O grande jornalismo musical e cultural, como o conhecemos (e sendo que Zapnroll talvez seja parte da última grande geração de jornalistas da imprensa IMPRESSA que existiu, a que surgiu na década de 1980), definitivamente morreu. Idem a cultura pop e o próprio rocknroll. Sim, a música pop continua existindo e produzindo novos artistas a todo vapor. Mas eles são tão irrelevantes artisticamente falando que explodem um mega hit nas redes sociais e canais da web (como YouTube etc.) por uma semana e depois desaparecem tão rápido quanto surgiram, sendo logo substituídos por outro astro tão irrelevante e fugaz quanto foi seu antecessor.

Diante de um panorama desses estas linhas virtuais nem tinham mais como atualizar a todo instante o material publicado aqui, justamente por não ver NADA DE RELEVANTE que justificasse tal atualização frenética. Enquanto outros blogs “vizinhos”, que já foram incríveis e mega importantes para o jornalismo de cultura pop e agora se veem em aterradora decadência editorial (publicando micro posts diários sem importância alguma e com um autêntico fiasco em termos de repercussão e audiência), o blog zapper preferiu diminuir suas atualizações, publicando posts com farto material informativo e dedicando edições especiais a grandes bandas e discos da história do rocknroll.

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A Luneta Mágica, de Manaus (acima): uma das grandes descobertas do blog na cena indie nacional; nas fotos abaixo, momentos da trajetória do blog, com Finaski ao lado de Robert Smith (The Cure, em 1996), Kim Gordon (Sonic Youth, em 2005), Frejat (em 2016) e Nasi (vocalista do Ira!, este ano)

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Mas enfim avaliamos e decidimos que agora talvez seja a hora de encerrar de vez as atividades da Zapnroll. Tal qual o gigante REM decidiu por fim à sua trajetória musical sem trauma algum e após trinta anos de gigante trajetória no rock, tal qual Keith Richards que surpreendeu o mundo semanas atrás dizendo que estava parando de beber (“é hora de sair”, disse o guitarrista que é a ALMA dos Stones), também acreditamos que chegou a nossa hora de sair de cena, pois acreditamos que já cumprimos com louvor nossa missão por aqui. No final de 2017 o jornalista zapper publicou seu livro “Escadaria para o inferno”, onde ele faz um balanço de sua vida profissional na imprensa brasileira ao longo de três décadas de atividades. E em outubro passado o blog realizou uma sensacional e magnifica festa de quinze anos de existência nas dependências do Sesc Belenzinho na capital paulista, com showzaços das bandas Saco De Ratos e The Dead Rocks. Damos por encerrada nossa missão. Ao menos por enquanto.

Mas sem tristeza ou choradeira. O espaço do blog irá permanecer ainda por muitos meses online, para ser consultado por seus fieis leitores. E além disso também estamos programando novos eventos e atividades especiais, com a marca do blog – um deles deverá acontecer novamente no SescSP, entre abril e maio de 2019. Quando esses eventos se confirmarem, serão obviamente divulgados por aqui mesmo. E, por fim, talvez Zapnroll se renove e mude de plataforma, estreando um canal no YouTube, por exemplo. Tudo isso será estudado a partir do final de janeiro próximo.

Até lá estas linhas malucas e lokers que causaram polêmica como ninguém na história da blogosfera brazuca de cultura pop, entram em férias “permanentes” a partir deste post. Agradecendo de coração e com todo o carinho do universo quem sempre nos acompanhou e nos prestigiou. E desejando que todos tenham ótimas festas e uma virada de ano bacana, dentro do que é possível esperar de bom no país que será DESgovernado por BolsoNAZI a partir de primeiro de janeiro.

Fica então o nosso “até breve” para toda a galera. Valeu, pessoal!

 

***E não, pode ESQUECER! Na despedida oficial de Zapnroll, não vai haver LISTA ALGUMA aqui de “melhores do ano” – já basta a vergonhosa lista publicada pela revista americana Rolling Stone, com os 50 melhores (ou seriam os PIORES?) discos de 2018. Quer ver listas inúteis? Vai lá no blog pobreload, uia!

 

 

A HISTÓRIA TOTAL ROCKNROLL DE DHEMA NETHO – DE QUEM PROVAVELMENTE VOCÊ NUNCA OUVIU FALAR MAS QUE TEM UMA TRAJETÓRIA JÁ GIGANTE NO MONDO ROCKER

Yep, você provavelmente nunca ouviu falar dele. Mas como uma das funções primordiais de toda a história de década e meia deste blog eternamente rocker foi apresentar gente desconhecida mas totalmente envolvida como o grande rocknroll, achamos que era uma boa se deter no personagem do músico Dhema Netho para ser um dos tópicos principais de nosso derradeiro post.

Quem? Dhema Netho. Ou Ademar Neto, seu nome de batismo. Que nasceu no interior do Paraná há mais de cinco décadas, foi protético na adolescência e juventude, começou a tocar guitarra aos dezenove anos de idade, se apaixonou pelo rocknroll e nunca mais desistiu da sua paixão. Que o levou a montar bandas na década de 90 (uma delas, a Brechó De Elite, chegou a fazer razoável sucesso entre 1989 e 1995, chegando a tocar em rádio e a fazer aparições na então poderosa MTV Brasil), depois a ter uma loja de discos lendária em São Paulo (a Rocks Off, no bairro de Pinheiros) e, por fim, a leva-lo para Londres, onde morou por mais de quinze anos. Período em que gravou e lançou discos (um deles, inclusive, teve seus registros feitos no mega lendário Abbey Road, onde foram gravados alguns dos álbuns gigantes dos Beatles e de toda a história do rock), tocou no Cavern Club em Liverpool (onde uns certos Beatles também começaram tudo) e foi vivendo da sua música até se cansar “do frio” inglês para retornar a Sampa, há mais ou menos dois anos. Enfim, uma trajetória pra lá de bizarra e incrível e sendo que sua produção musical jamais cessou – Dhema tem cerca de quatrocentas músicas INÉDITAS e ainda não gravadas.

Como o blog conheceu o músico, que vive ao lado de cinco guitarras em uma kit no centro da capital paulista? Isso você, dileto leitor zapper, irá saber logo menos lendo a entrevista que fizemos com ele e onde o guitarrista e compositor relembra histórias bizarras de sua década e meia morando em Londres. Abaixo, os principais trechos do bate papo que ele teve com este espaço rocker blogger.

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O músico, guitarrista e compositor Dhema Netho (acima) e seu projeto, Monkey Revolution (abaixo): uma história incrível no rocknroll nos últimos dezesseis anos

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Zapnroll – Você já possui uma extensa trajetória como músico, guitarrista e compositor. Começou a tocar ainda na adolescência, teve banda de rock nos anos 90 (a Brechó De Elite) e morou dezesseis anos em Londres, tendo voltado há pouco tempo para São Paulo. Assim, para quem não conhece seu trabalho gostaria que você detalhasse bem tudo o que fez até hoje em termos artísticos e musicais.

 

Dhema Netho – A banda brecho’ de Elite foi fundada por mim mesmo em 1989 com um anuncio num jornal chamado primeira mão procurando integrantes para montar uma banda de Rock, e então os interessados foram aparecendo. Esse jornal foi de uma geração de Rock dos anos 80, pois nele você poderia procurar musicos , vender e comprar instrumentos musicais. Nessa época nem se sonhava com instrumentos importados no Brasil. Achar uma guitarra Fender, amplificador Marshall era impossível.

As lojas de instrumentos musicais na Teodoro Sampaio (rua do bairro de Pinheiros, na zona oeste da capital paulista) estavam começando a surgir.

A banda Brecho’ de Elite teve 3 vocalistas. Musicos?  Dezenas passaram pela banda. Um entra e sai de musicos e na verdade  NUNCA  tive musicos que realmente gostasse deles como gosto musical . Um gostava do Pantera , outro do Iron Maiden, outro do Steve Vai e  eu adorava e ainda gosto do Chuck Berry e Rolling Stones. Então as coisas, as ideias  NUNCA se encaixavam e nada dava certo. Passei a maior parte da existência dessa banda procurando acertar os musicos do que realmente chegando a algum lugar. Depois de muito sacrificio e insistência consegui gravar o primeiro álbum do Brecho’ de Elite, “A vida e’ Rock and Roll” em 1995, por uma gravadora independente de Sao Paulo que já pegou as músicas todas gravadas e estúdio já pago por mim mesmo. Ninguém da banda pôs um centavo do bolso, eu paguei tudo, uma parte em dinheiro e outra parte em  instrumentos musicais. Essa mesma gravadora tinha lançado a banda Velhas Virgens e eles estavam quebrando o pau com os donos dessa gravadora que eu nem quero dizer o nome e nem sei para onde eles foram e que fim eles levaram, nem quero saber. Depois de ter caído numa grande roubada dessa gravadora, assim como os Velhas Virgens caíram, essa porcaria de gravadora jogou um membro da banda Brecho’ de Elite um contra o outro e a casa caiu feio. Os integrantes tentaram me roubar a banda por influência de um dos donos da gravadora dizendo que ele me queria fora da banda pois eu como dono, líder da banda representava perigo para eles, dono da gravadora manipular e não cumprir o contrato e roubar as músicas que nem sequer eles pagaram para gravar. Foi um verdadeiro inferno essa fase. Um integrante da banda roubou um amplificador de um amigo meu que emprestou para a gente gravar no estúdio. Os pais desse amigo foram no meu apê dizendo que iam chamar a polícia se não devolvesse o amplificador do filho dele e esse mesmo integrante da banda disse que ia ficar com o amplificador do meu amigo para pagar as horas de gravação dele no estúdio, vai vendo. Era um cabeçote valvulado para Guitarra mod. 5150 Van Halen. Não fazia muito o meu gênero como amplificador, mas esse guitarrista queria gravar com ele. No final ele devolveu o amplificador com ameaças de ir preso por roubo. Um idiota, moleque inconsequente. Meti um precesso em todo mundo. Ganhei a causa na Justiça, coisa que não foi nada dificil para ganhar POR SER TÃO ÓBVIA a situação. Traumatizado, abondonei tudo, vendi tudo e fui embora para Londres sem querer nem saber de banda, de guitarra e só pensava em recomeçar uma vida completamente nova e comecei uma vida completamente nova: fui produzir música eletrônica old school . Nada de House music, nada comercial. Musica eletrônica Underground Minimal Techno, Drum and Bass, etc. Não toquei Guitarra por 10 anos. E nunca entendi o por que disso e nunca achei resposta. Um dia bem discretamente, isso ja’ em Londres depois de 10 anos ja’ morando la’, entrei numa loja de guitarras, há 10 anos sem tocar ou pegar esse instrumento, com muita timidez peguei um violão bem principiante nas mãos e queria saber se eu ainda sabia tocar aquilo. Foi muito estranho aquele momento. Comprei o violão pois custava uma merreca, 60 libras. Foi então que aos poucos fui

lembrando e em pouco tempo eu ja’ estava com a casa, quarto cheio de Guitarras Fender, Amplificadores para toda parte. E la’ vamos nós, quero dizer eu, montar uma banda de rock de novo. Só que agora em Londres. Começar tudo do zero de novo como banda de rock. Anúncios e anúncios em jornais, revistas de musica procurando integrantes para formar banda. Entrei numa banda que era uma vocalista meio Blues, Folk, até Punk. Deu tudo certo logo de cara. A banda nao tinha nome. Eu dei o nome de Burning Money e todo mundo gostou. Eu era o único brasileiro nessa banda. Ainda bem que ninguém me pediu para tocar bossa nova ou samba, hehehehe,  man, fuck you, no way. Gravamos 6 musicas logo de cara, pois eu peguei todas as minha musicas do Brecho’ de Elite e traduzi para o inglês com a vocalista  adaptando uma coisinha aqui outra lá, pois alguma coisa nao fazia muito sentido dizer aquilo em inglês. Pronto, vamos fazer shows e procurar pubs para tocar. Nós agora somo o Burning Money: queimando dinheiro e não tínhamos muito onde cair mortos. Muitas águas rolaram, ou melhor, pedras rolaram e acabamos dentro do Abbey Road Studios (um dos estúdios mais célebres do mundo, onde os Beatles gravaram algumas de suas obras primas). E eu WOOOOO, isso seria uma recompensa depois do inferno no Brasil? Olho do meu lado sentado numa mesa do café do estúdio ninguém menos do que JIMMY PAGE do Led Zeppelin, a banda que eu idolatrava quando moleque? Ele sentado sozinho lá no jardim do estúdio e eu aqui também fazendo meu trabalho como  musico e agora mister Dhema Netho, eu me pergunto a mim mesmo? Por alguns minutos passou um filme pela minha mente doque eu tudo tinha passado no Brasil com o brechó de elite e membros, e pensei: essa é a minha verdadeira recompensa. Fui até Jimmy Page, pedi licença se poderia trocarmos umas palavras e ele disse por favor sente se e sinta se a vontade. Me apresentei como brasileiro,  e depois comentei se ele ainda tinha uma casa no Brasil onde ele passava as férias, ele disse que sim mas que não vinha ao Brasil há uns 3, 4 anos. Me perguntou se eu estava gravando musicas no Abbey Road ou só visitando. Respondi que sim estava masterizando umas musicas com minha banda o Burning Money. Ele fez uma brincadeira com o nome da banda perguntando se eu estava queimando dinheiro por ter ficado rico com a banda. Dei um cd demo para ele apertamos as mãos e boa sorte com sua musica rapaz, ele disse. Nos vemos por aí. Já estava dando a hora de subir para entrar no estúdio pois ficava no primeiro andar. E assim mil e outras histórias com famosos cruzaram o meu caminho. Por que decidi voltar ao Brasil depois de 16 anos na Inglaterra? Para por a minha cabeça no lugar, perdas de grandes amigos que fiz por lá que morrem com abuso de substancias, outros de câncer bem jovem. E eu estava precisando dar um tempo de Londres, pois estava bem cansado de lá. Talvez ainda volte a morar lá, mas quando penso no inverno, no frio que faz lá, eu nao sei não se voltarei a morar. Talvez só a passeio mas tem que ser no verão com certeza absoluta.

 

Zap – Por que você foi parar em Londres, afinal? O que houve com a Brechó De Elite e por que decidiu voltar ao Brasil?

 

Dhema – Nao consegui viver só de musica em Londres. A maioria de integrantes de bandas Inglesas tem um trabalho em loja de instrumentos musicais como acontece aqui no Brasil. Nada muda nesses termos , a dureza para chegar em algum lugar como banda não  é nada fácil. Trabalhei em Lojas de instrumentos também na Rua Dean Mark st. onde ficam todas as lojas, tipo uma Teodoro Sampaio em São Paulo. Sim, toquei guitarra nas ruas também com uma amiga nos vocais. Toquei muito em Camden Town, um bairro bem louco de Londres onde as pessoas parecem morcegos góticos. Eu não saia de lá.

 

Zap – Conseguia viver de música lá? Conte sobre sua fase como músico de rua, tocando em estações de metrô etc. E como foi a história de você também ter tocado no Cavern Club em Liverpool, onde os Beatles começaram a trajetória deles?

 

 

Dhema –  Caverna Pub em Liverpool, sim, fiz várias jamming  sessions no Caverna. Eu ia muito a Liverpool com um amigo inglês que tinha vários amigos em Liverpool e também eram musicos. Assim com em Manchester também. Íamos durante a tarde um dos amigos tinha um irmão que trabalhava no Caverna Pub e liberava tudo pra gente lá dentro. Nos sentíamos como se o caverna fosse nosso. Quando você está vivendo isso, tudo é tão natural, tão normal. Mas pode ter muita gente agora lendo isso e achar isso um sonho para eles. Talvez até um sonho nao realizável. Eu também ainda tenho sonhos que não sei se vão se realizar. Por exemplo, tocar um dia no The Royal Albert Hall. Uma casa de Londres onde as maiores bandas inglesas tocaram e fui ver shows lá centenas de vezes. Uma dupla sertaneja do Brasil já tocou nesse lugar. Mas tem um porém, eles dedetizaram o lugar ao meu pedido para as bandas de rock voltarem a tocar lá, rsrs.

 

Zap – De volta ao Brasil, você tem composto muito? Quantas canções inéditas você possui prontas para serem lançadas?

 

Dhema – Na verdade eu componho o tempo todo. E onde quer que eu esteja, estou com letras vindo à cabeça e mando isso via mensagem para o meu próprio celular para evitar que eu esqueça. Faço isso há muitos anos. E o mesmo eu faço com um gravadorzinho de voz para registrar coisas que me vem quando estou tocando guitarra. Não tenho smartphone, iphone não gosto disso de forma alguma. Meu celular não tem internet e não tira fotos. To muito feliz assim e não quero me tornar um escravo de uma máquina tão idiota e não fazer nada mais na vida a nao ser estar olhando e segurando aquilo 24 horas por dia, não entendo essas pessoas que fazem isso.  Sim, tenho gravado muitas musicas novas com amigos do Brasil lá em Pinheiros. E sao musicas ótimas.

 

 

Zap – Quais foram suas maiores influências musicais e no rock ao longo da sua vida? Quais suas bandas preferidas?

 

Dhema – Eu diria que quase tudo que tem qualidade musical. Ou seja, musica boa de verdade. Quando muito pequeno black music, disco music que eu adorava. Peguei e vivi toda a fase da discotheque e até hoje gosto muito desse estilo. Por volta dos 12, 14 anos o Rock&Roll entrou na minha vida e dominou tudo. Nazareth, Ac/Dc , The Sweet, Rolling Stones, The Beatles, Gary Gliter, Joan Jet, Bad Company, Led Zeppelin, The Who, Deep Purple, Yes, Sex Pistols, The Ramones etc. Isso era o que eu realmente ouvia. Tudo isso eu tinha em aqueles compactos vinil de 2 musicas de cada lado. E depois veio o Vinil.

 

 

Zap – Como você vê a música e o rock em si nos tempos da internet? Acha que o grande momento do rocknroll mundial já passou e não volta mais, ou ainda acredita que o gênero irá sobreviver?

 

Dhema – Não acredito de forma alguma  que o estilo Rock irá ter um BOOOOM como teve nos anos 50,60,70 e talvez até anos 80. É uma outra geração, uma outra mentalidade, uma outra realidade. E honestamente nada disso me interessa. Não tem aparecido uma banda que me interessa nestes últimos 20 anos. Seja essa banda de qualquer país. Não gosto de nenhuma banda dessas que estão. Não vou citar nomes porque SÃO TODAS. Musica na internet? Não faço downloading. Tenho tudo que me interessa para ouvir no meu Notebook e no pendrive. Internet facilita a vida das pessoas em todos os sentidos se você souber usar isso de uma forma inteligente. Tudo é muito prático e muito rápido quase no tempo real.O Rock vai sobreviver? O ock vai estar sempre aí como todos os outros estilos de musica boa. Assim como o Reggae, Folk, Blues, Country, Jazz, Clássico, Punk Rock etc. E isso vai ficar ao gosto, interesse individual de cada um o que quer ouvir. Agora, o que vai predominar ou continuar predominando é essa porcaria que está nessa geração Iphone. Como disse Albert Einstein, quando a tecnologia dominar as pessoas, dominar o mundo, essa será a geração mais estúpida na face da Terra. Se você não sabe usar a tecnologia, ela te usa e faz de você um verdadeiro idiota.  A tecnologia é sensacional se você souber usa la e não ser usado por ela.

 

Zap – Seus planos para 2019. Pretende lançar um disco inédito, afinal?

 

Dhema – Sim , pretendo lançar um álbum todo de inéditas que já tem umas 8 musicas novas com o Monkey Revolution, meu novo projeto/banda. Com esse projeto realmente eu alcancei quase o top da montanha em termos de satisfação profissional com as composições, produções, arranjos etc. E eu canto nesse projeto, coisa que demorou muito para eu assumir que gostava da minha voz cantando e tenho sido muito elogiado por isso. Mas sempre quase todo mundo diz a mesma coisa: parece Lou Reed , David Bowie, Bob Dylan, em termos de voz. Tudo bem, para mim e’ um elogio.

 

***Para saber muito mais sobre Dhema Netho e seu Monkey Revolution, vai aqui: https://www.facebook.com/Monkey-Revolution-was-born-in-London-by-Ademar-Mello-Brazilian-Musician-574501856270636/

 

 

E MONKEY REVOLUTION AÍ EMBAIXO

Em diversos vídeos, no canal no YouTube dedicado ao projeto de Dhema Netho

https://www.youtube.com/user/1964ademar

 

 

CULTURA POP LITERÁRIA – DOIS ESTREANTES EM LIVROS CONVERSAM COM O BLOG EM NOSSA DERRADEIRA EDIÇÃO

Em um momento em que o mundo em geral e o Brasil em particular possui cada vez menos apreço pelo lazer e simples (e ótimo) ato de ler um livro (afinal a era da web democratizou e tornou todos iguais perante à boçalidade humana: ninguém mais quer saber de ler livros ou textos longos mas, sim, compartilhar bobagens e imbecilidades vazias e ligeiras em redes sociais e aplicativos de celular), a literatura ainda possui devotos fiéis e segue respirando. Parte essencial e intrínseca da cultura pop e de nossa formação cultural e intelectual, ler um (ou muitos) livro (s) deveria ser algo obrigatório na existência humana. Manter essa arte gigante viva então nos tempos atuais, publicando um livro, pode se tornar um autêntico ato de coragem.

Pois dois diletos amigos pessoais destas linhas virtuais de cultura pop que estão se despedindo da blogosfera BR após uma década e meia de presença nela, ousaram, tiveram coragem e acabam de se lançar em suas estreias literárias. O jornalista Jesse Navarro vem com o seu “Macumba Rock”. Já a farmacêutica (!) e publicitária Tatiana Pereira apresenta “De analgésicos e opióides”, título homônimo do blog que ela mantém já há alguns anos. E para saber do que se tratam os dois livros e conhecer um pouco melhor a trajetória dos autores, Zapnroll foi bater um papo com ambos. Sendo que as duas entrevistas você confere abaixo.

 

JESSE NAVARRO

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O jornalista e escritor Jesse Navarro e seu primeiro livro, “Macumba Rock”

 

Zapnroll – Você é jornalista de formação, já tendo passado por redações de veículos impressos e pela produção de programas de tv e para a internet. O que o motivou a lançar este seu primeiro livro?

 

Jesse Navarro – Sempre escrevi, no colegial fiz curso técnico de redator auxiliar, minha primeira faculdade foi letras e meu pai foi jornalista e escritor. No entanto, não conseguia me organizar para escrever um livro. Em 2017, o exercício de um curso de roteiro era criar uma série imaginária para a Netflix. Nasceu Macumba Rock. Como é muito difícil virar série mesmo, resolvi adaptar a história para um livro. Da ideia original da qual apresentei até um “pitching” no curso, só ficaram o título Macumba Rock e os papos entre o espírito de Raul Seixas e uns jovens ocultistas num cemitério. Virou Culto a Raul. O resto é coisa que vi na vida, histórias de minhas consulentes de baralho cigano e dos moradores de rua com quem trabalho. O objetivo é mostrar a capacidade humana de sair das trevas por quem já viveu nelas, o poder de superação pelos caminhos da arte e da espiritualidade. A trilha sonora da minha vida que sempre foi rock alternativo viveu uma mudança: passei a ouvir cada vez mais o que chamo de xamanismo eletrônico e sons cheios de tambores. Esses barulhos estavam na minha mente e viraram ficção. Inclusive na trilha sonora incluí também preciosidades musicais da Grã Ordem Kavernista apresenta Sessão das Dez, um dos discos mais vanguardistas dos anos 70, pós-tropicalista e debochado, com Raul Seixas, Miriam Batucada, Sérgio Sampaio e Edy Star. Incluí essas trilhas na versão áudio livro que está em arte final. Foi uma fase inspirada da minha produção na Rádio Mundial, usando horas e horas de estúdio 2 para produzir esse material com vários dubladores. Lançamento será em mp3 em janeiro. Sei que tudo nasceu num curso de roteiros num momento de profunda transformação na minha vida pessoal.

 

Zap – Fale um pouco de sua trajetória jornalística e de suas influências literárias.

 

Jesse – Minha trajetória jornalística começou numa assessoria de imprensa na Prefeitura de Osasco. Meu sonho era o rádio, a televisão e peguei a internet chegando. Adorava ser repórter do jornal Primeira Hora, onde comecei cobrindo polícia e depois parei na política. Fui repórter de vários pequenos jornais e apresentador de várias pequenas emissoras de TV, rádio e internet, passando a ter mais pegada cultural. Entrei na RedeTV para ser editor de um programa da tarde e acabei trabalhando em algumas produções, pautei muito Márcia Goldsmidt na Band e dirigi o Clodovil interinamente por uns quinze dias. Durante dois anos fui assistente de direção. Aquilo era puro entretenimento e eu ainda vivia no estado da arte mais erudita. Meu programa na TV Osasco se chamava Giralata e acabou virando Oráculo em outro portal local. Criei um personagem punk místico cultural que atraiu a atenção da MTV da época. Aparecia no programa Gordo Freak Show, umas matérias externas, uma experiência bizarra pela proposta humorística de cornetar o artista na porta do seu show, mas uma experiência inesquecível de gravar uma externa com profissionais de verdade. Passei pelo Guia Quatro Rodas da Abril e depois disso, minha trajetória de jornalismo sobreviveu como comunicação e leitura de oráculos. Fui para a Rádio Mundial e hoje leio ocultismo, um ou outro romance espírita, minha influência literária é beat, Hunter Thompson, Plínio Marcos, cinema da Boca do Lixo. Dica de livro para verdadeiros estudantes de tarô: “O caminho do tarô”, Jodorovsky. A cultura de auto ajuda espiritual é um caminho que mudou minha leitura, meu radicalismo, coisas que assisto e impressões da existência.

 

Zap – De onde surgiu a ideia para o nome “Macumba rock”? Do que trata o romance, afinal?

 

Jesse – Havia um teste nesse curso de roteiros e os professores estimulavam os participantes a compararem as pessoas às séries. Me compararam com “Sons of Anarchy” e o rock realmente está em mim. Fiz uma piada interna comigo sobre isso. Lembrando de pontos da Umbanda e vendo que minha realidade hoje era muito mais tropical, bem mais alinhadas à busca da espiritualidade africana do que com o velho punk. Então veio Macumba Rock. O título antes de qualquer enredo. O romance se trata da capacidade de recuperação de pessoas parecidas perdidas, que não terão volta em suas decadências. Todas elas se encontram no bairro da Freguesia do Ó, em São Paulo. É um thriller que evoca um culto a Raul Seixas em meio a uma delirante e caótica vida macumbeira, festiva, cigana em que uma moça se revolta quando lhe dizem que sua pomba-gira é marmotagem e terá um destino de perdição enfrentando demônios em cemitérios e fazendo contato com Raul Seixas. Como prefaciou Newton Cannito, “Macumba Rock é um livro muito ousado: Navarro escreveu um thriller espiritual erótico, uma mistura heterodoxa de vários gêneros de sucesso. Tem prazer na leitura para todos os lados. Se você gosta de investigações policiais, leia o livro. Se gosta de literatura espiritual e quer saber mais sobre entidades da umbanda, leia o livro. Se quer ouvir detalhes eróticos de boas trepadas, leia o livro. E se você gosta de Raul Seixas, leia o livro”.

 

 Zap – Você hoje em dia se dedica a qual área? Tem planos de prosseguir lançando mais livros?

 

Jesse – Hoje me dedico à comunicação holística. Apresento dois programas. Um na Rádio Mundial todo domingo, o programa Momento. E o programa Profecias do Momento, um canal do YouTube que realmente agregou uma comunidade participativa que interage escolhendo um dos três montinhos do baralho cigano. Levo adiante minha causa social com moradores em situação de rua, sempre trazendo novos parceiros até terapeutas musicais ou massagistas que tragam quick massage. Minha criatividade continua a mil e pretendo lançar outros livros.

 

 

Zap – É fato que a era da internet, se por um lado democratizou e colocou ao alcance de todos o máximo de informação possível, por outro meio que boçalizou as pessoas, visto que elas perderam o interesse por obras literárias mais densas e extensas. O reflexo disso é a queda na venda de livros no Brasil e a crise que se abate sobre o mercado editorial brasileiro, com editoras fechando e mega livrarias entrando em recuperação judicial. Diante de um panorama desses você ainda acredita na literatura e no livro impresso como forma de levar lazer e cultura para um grande público? Você mesmo bancou a edição independente do seu livro?

 

Jesse – Ainda tem bastante gente lendo. O que quebrou o antigo mercado foi a Amazon. Como você é um jornalista da área cultural, me preocupo com sua visão pessimista. Antigas tradições sobreviveram e a leitura de livros é uma delas, que sempre lutou por seu espaço. As pessoas boçais são minoria e muitas se curarão. Existe uma evolução natural junto com uma mudança marcante de formatos, livros digitais dobráveis. Macumba Rock foi artesanal. Uma edição limitada para me lançar como escritor. E os dados ainda estão rolando.

 

Zap – Seus heróis literários e suas obras favoritas em todos os tempos?

 

Jesse – Meus heróis morreram de overdose e as obras favoritas foram desconstruídas. Cem anos de solidão, G G Marques, A Erva do Diabo, Castaneda, Nelson Rodrigues, Plínio Marcos, Machado de Assis, modernistas, simbolistas, dadaístas, Dom Quixote, Mate-me por favor, Bukowski, Marcelo Rubens Paiva, Adelaide Carraro, Hemmingway e meu pai, Jesse Navarro Júnior, autor de “A voragem dos moribundos” (1975) e outros.

 

Zap – Para comprar o livro, como proceder?

 

Jesse – Entre no site www.profeciasdomomento.com.br.

 

 

TATIANA PEREIRA

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Zapnroll e a escritora Tatiana Pereira, no coquetel de lançamento do livro dela

 

 

Zapnroll – Como e quando uma farmacêutica bioquímica foi se apaixonar por literatura e por cultura pop, a ponto de criar um blog sobre os dois temas e, anos depois, publicar um livro com os textos que saíram neste blog?

 

Tatiana Pereira – A minha profissão veio bem depois da paixão pela literatura e pela cultura pop. Nasci numa casa onde a literatura sempre foi reverenciada, então sempre li muito, desde criança, e comecei a escrever poesia muito cedo, mas tudo de forma muito pessoal, sem um plano para me tornar escritora. O blog aconteceu no comecinho dos anos dois mil e foi uma maneira de compartilhar o que antes ficava apenas “na gaveta” – acredito que tenha sido um processo natural da época.  Já a publicação do livro veio com mais maturidade, quando senti que já tinha escrito coisas que valiam à pena ter esse formato.

 

 

Zap – De onde surgiu a ideia para o nome “De analgésicos e opioides”?

 

Tatiana – O De Analgésicos & Opioides foi um mini conto que escrevi por volta de 2005 – vale dizer que o conto era bem pessoal, sem uma validade literária, tanto que nunca foi publicado em lugar algum – mas eu gostei do título dele e passei a usá-lo como título do blog. Para mim, a literatura é capaz de te proporcionar analgesia da mesma maneira que te leva às experiências mais loucas como o ópio, e quando fiz essa relação não consegui mais desvincular esses “signos”.

 

Zap – O livro possui 470 páginas reunindo crônicas e textos curtos. Todos já haviam sido publicados no blog ou há algo inédito?

 

Tatiana – Não. Pelo menos 60% do livro nunca foi publicado no blog, nem em qualquer outro veículo. Tem muito mais material inédito no livro do que espalhado pelos canais digitais.

 

Zap – Você hoje em dia se dedica à área de marketing, certo? Tem planos de prosseguir lançando mais livros?

 

Tatiana – Sim. Fiz faculdade de Farmácia e Bioquímica e logo percebi que estudar marketing me ajudaria a desenvolver projetos de serviços de saúde com uma comunicação mais assertiva, mais direta, sem esse lado “sisudo” e muitas vezes “impondo medo” que a comunicação nessa área insiste em fazer – o que me incomoda muito. Para isso, acabei fazendo MBA em Planejamento Estratégico de Marketing, fiz pós em Marketing Digital, estudei Netnografia e decidi que precisava ter uma qualidade de vida melhor para poder fazer o que gosto sem a dureza do mundo corporativo. Foi quando, há 8 anos, abri minha própria empresa onde a área de saúde se torna uma divisão de negócio, mas amplifiquei o leque de serviços para outros segmentos. Tudo isso para poder ter tempo de escrever. Hoje já tenho mais dois livros praticamente prontos e tenho escrito roteiros de longas, curtas e uma previsão de lançamento de filme em 2019.

 

Zap – É fato que a era da internet, se por um lado democratizou e colocou ao alcance de todos o máximo de informação possível, por outro meio que boçalizou as pessoas, visto que elas perderam o interesse por obras literárias mais densas e extensas. O reflexo disso é a queda na venda de livros no Brasil e a crise que se abate sobre o mercado editorial brasileiro, com editoras fechando e mega livrarias entrando em recuperação judicial. Diante de um panorama desses você ainda acredita na literatura e no livro impresso como forma de levar lazer e cultura para um grande público?

 

Tatiana – Você pontuou coisas importantes aí e me arrisco a dizer que as grandes livrarias começaram a deixar seus reais leitores/ consumidores de lado para investir nos leitores de internet – o que não haveria nada de errado se houvesse um equilíbrio, entendimento e planejamento. É só entrar nessas livrarias para perceber que na mesa dos mais vendidos e de lançamentos há uma série de réplicas de coisas já publicadas na internet e que não é mais novidade para quase ninguém. Tentar aplicar a rapidez e liquidez do ambiente digital nas lojas e nas editoras sem considerar a diferença de consumo dos dois ambientes nos levou a esse cenário triste da literatura. Em contrapartida, tem gente que entendeu o processo, e usa os canais digitais para levar o público para a loja física – que é o caso da editora Lote 42 que também é dona da Banca Tatuí e da Sala Tatuí, no bairro Santa Cecília, em São Paulo – que me faz acreditar que o livro impresso sempre vai existir, mas não na quantidade de hoje. E aí eu pergunto: se as grandes redes de supermercados entenderam que uma cidade como São Paulo precisa mais de mini mercados e uma curadoria geolocalizada de mix de produtos, por que as redes de livrarias não fizeram esse exercício?!

 

Zap – Para quem não conhece seu blog e seu estilo literário, o que esse possível leitor irá encontrar no seu livro?

 

Tatiana – O livro é uma série de crônicas e prosas poéticas que abordam os diferentes estados emocionais do ser humano fazendo referências à cultura pop – literatura, cinema, música, artes plásticas – usando, muitas vezes, a própria gramática como personagem.

 

Zap – Seus heróis literários e suas obras favoritas em todos os tempos?

 

Tatiana – Listas são sempre terríveis, pois tendem à uma injustiça. Risos! Mas vamos lá: meu deus é o Fernando Pessoa e seus heterônimos. Coleciono Júlio Cortázar, Clarice Lispector e Haruki Murakami como referência literária, e a Fernanda Young como o humor [ou a falta dele] de uma sofisticação para poucos. Gosto demais do Ariano Suassuna e tenho o tenho lido muito nos últimos anos. Minhas obras favoritas são Histórias de Cronópios e Famas, do Cortázar. Água Viva, da Clarice Lispector. O livro do Desassossego e toda obra do Alberto Caeiro, do Fernando Pessoa.

 

Zap – Para comprar o livro, como proceder?

 

Tatiana – Na Livraria Blooks [São Paulo e Rio de Janeiro] e através da Indie Blooks: http://indieblooks.iluria.com/pd-5d701f-de-analgesicos-opioides.html. E diretamente comigo, pelo Pagseguro [vai com dedicatória e autógrafo]: https://bit.ly/2GBtoer.

 

 

ARQUIVOS DO JORNALISTA MUSICAL FINASKI – SAUDADES DOS SHOWS DE ROCK QUE VIMOS NA VIA FUNCHAL SP

Madrugada dessas estava o loker rocker aqui assistindo ao programa do Jools Holland (ou Jools “RÔLA”) no canal Bis. Gostamos de ver, sempre rolam atrações bacanas: nessa madruga, por exemplo, teve Damon Albarn (vocalista do Blur, pros desinformados de plantão), Black Keys e… Coldplay. Ok, ok, a banda não é mais o que era antes mas continuamos achando o dream pop inicial deles (pelo menos até o terceiro disco) digno de respeito. E ouvindo Chris Martin e sua turma se apresentando, nos lembramos saudosos das duas vezes em que vimos a banda ao vivo na finada Via Funchal.

Fomos pesquisar na web. No Wikipedia tem um verbete bastante completo sobre aquela que, na nossa opinião, foi mesmo a MELHOR casa de shows internacionais que existiu na capital paulista nos últimos 25 anos. Projetada com esmero e rigor, permitia que você assistisse super bem as gigs que lá aconteciam, estivesse onde estivesse lá dentro (havia uma pista em desnível em direção ao palco, com degraus, o que permitia que a fila à sua frente ficasse sempre ABAIXO da sua visão do palco). Fora que a acústica era ótima e a iluminação idem. Mas como tudo que é ótimo nunca dura para sempre o local encerrou atividades em dezembro de 2012, já que a dupla que era sócia de lá vendeu o mesmo a uma incorporadora imobiliária pela “bagatela” de R$ 100 milhões.

Enfim, a Via Funchal durou 14 anos, de 1998 a 2012. E nessa quase década e meia de existência, este jornalista eternamente rocknroll viu shows verdadeiramente incríveis por lá (alguns nem tanto, vamos ser honestos), e agradecemos isso à queridíssima Miriam Martinez, que foi assessora de imprensa máster da casa durante toda a existência dela. Miroca, que atualmente trabalha na Tom Brasil SP, é uma das nossas melhores e mais bacanas amigas na assessoria de imprensa rock paulistana há mais de 30 anos, e nunca nos deixou na mão, hehe. De modos que aí embaixo segue um resumo de algumas das gigs que vimos por lá, com rápidos comentários sobre cada uma delas e sobre o momento pelo qual estávamos então.

 

***Green Day (novembro de 1998): a Via Funchal existia há apenas dois meses e esse foi o primeiro show de rock que o blog viu lá. E foi showzão, casa lotada (cabiam 6 mil pessoas lá), a banda ótima no palco etc.

 

***Echo & The Bunnymen (setembro de 1999): os “homens coelho” finalmente retornavam ao Brasil após 12 anos de sua primeira e histórica passagem por aqui. Vieram na turnê do disco que marcou a volta do grupo, o PÉSSIMO “Evergreen”. Mas novamente a gig foi sensacional (enlouquecemos ao ver na nossa frente, pois estávamos COLADOS no palco, na área de imprensa, a banda começar a apresentação com a clássica “Rescue”), mesmo com Ian McCulloch sem voz alguma. E foi nesse show que o zapper estava acompanhado DELA! Quem? Ana S.B., um XOXOTAÇO goth que havíamos conhecido semanas antes na porta do Madame Satã. Linda, gostosa, 17 aninhos de idade (e o loker aqui com meus 36 já…), inteligentíssima e… totalmente PERVA, safada e ordinária, rsrs. O zapper se apaixonou pela garota. Fomos juntos ao Echo e depois passamos no também finado e saudoso Nias (um dos clubes de rock mais legais que existiram em Sampa), bebemos e dançamos por lá, até que propus irmos ao Madame (afinal, tínhamos nos conhecido na porta do casarão goth clássico do Bixiga). Ela topou. Pegamos um táxi e quando chegamos na porta do Satã, me disse que não queria entrar. “Vamos logo pro hotel TREPAR!”, falou, para nosso total espanto. Nem precisou pedir duas vezes. A foda foi do inferno e jamais esqueceremos do BOQUETE primoroso feito pela magrinha de peitos miúdos e rosto angelical perfeito como o de uma boneca de porcelana oriental. E também não me esqueço jamais dos seus gritos histéricos quando ela gozou. Trepamos ainda mais duas vezes e Aninha sumiu, para apenas me reencontrar muitos anos depois, quando estava CASADA com um espanhol com o dobro da idade dela. Procurou o jornalista rocker novamente, foi na casa dele e DEU novamente. O blog se casaria com ela. Mas nunca mais a vimos depois de mais duas fodas canalhas e inesquecíveis.

 

***The Mission (junho de 2000): o quarteto gótico inglês já estava em franca decadência. Mas havia lançado um cd TRIPLO (!) e veio tocar aqui mais uma vez (depois virou carne-de-vaca no Brasil e o vocalista e líder Wayne Hussey até se casou com uma loiraça goth perua de Santo André, onde parece que mora até hoje). A Via Funchal quase lotou e a tribo goth enlouqueceu com os hits do grupo. Depois do show fomos parar num muquifo goth que estava funcionando no cu da zona leste paulistana, levados por um busão caindo aos pedaços e fretado pelos ex-donos do Madame Satã, para fazer o tal trajeto.

 

***Coldplay (setembro de 2003): a primeira visita dos ingleses ao Brasil. E já estavam no auge, prestes a lançar seu terceiro álbum de estúdio e com dois CDs primorosos na bagagem. Foram três noites absolutamente LOTADAS na Via Funchal. Não me lembro em qual fui, mas estava lá. De calça preta, camisa social branca de manga comprida e blazer por cima (disso me lembro bem). Ficamos EMOCIONADOS com a gig, de verdade. E quando saímos de lá fomos ainda em um coquetel fechado para convidados em Pinheiros, lançamento de um disco se não me engano. O coquetel era open bar e fiquei (claro!) num estado lamentável. Como sou adicto (dependente químico que não deveria sequer beber UMA gota de álcool), não deu outra: saí dali direto para o centro de São Paulo, para me ENTUPIR de CRACK. Final de madrugada absolutamente trágico para uma noite que havia começado de forma sensacional. Normal, faz parte.

 

***Massive Attack (maio de 2004): o zapper já tinha visto a trupe trip hop inglesa alguns anos no extinto Free Jazz Festival. Show mais uma vez perturbador. Pela concepção cênica e pela ambiência sonora total sinistra e sombria. Foi lindão, no final das contas.

 

***The Sisters Of Mercy (maio de 2006): também já estava em sua fase total decadente e vivia aparecendo para shows caça níqueis por aqui. Já os tinha visto 15 anos antes no finado ProjetoSP, onde a gig já não tinha sido grande coisa (a real é que a banda nunca foi muito boa ao vivo). Mas o povo goth amava a banda e assim bastante gente apareceu para revê-los ao vivo.

 

***New Order (novembro de 2006): o retorno do gigante synthpop inglês, depois de sua gloriosa primeira vinda ao Brasil, em 1988. Foi legal, a VF lotou (óbvio), Peter Hook (ainda estava no conjunto) deu show no baixo mas já não era mais a mesma coisa. Hoje em dia, então… só para TROUXAS ou FANÁTICOS.

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Echo & The Bunnymen (acima) e REM (abaixo): duas das zilhões de bandas gigantes da história do rock mundial e que o blog testemunhou ao vivo ao longo de nossa década e meia de existência, ambos em gigs na finada e saudosa Via Funchal SP

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***Coldplay (fevereiro de 2007): eles voltaram e lá estava Zapnroll novamente (iria cobrir a apresentação para o caderno B do diário carioca Jornal Do Brasil, onde Finaski estava colaborando então). Mais uma vez três noites lotadas. Mais uma vez showzaço emocionante. E felizmente desta vez não teve crack no final da noite.

 

***Interpol (março de 2008): a única gig que vimos dos nova-iorquinos pós punk que emulam Joy Division à perfeição. E foi ótimo!

 

***REM (novembro de 2008): um dos shows INESQUECÍVEIS da NOSSA VIDA. Uma das cinco bandas eternas da minha existência. Já os tinha visto em janeiro de 2001, no terceiro Rock In Rio. E aqui foi ainda melhor pois era espaço fechado e com muito mais visibilidade de palco e som muito melhor. E este zapper CHOROU quando a banda tocou “Losing My Religion”.

 

***Duran Duran (novembro de 2008): a volta do new romantic histórico inglês, 20 anos após tocar pela primeira vez no Brasil (em janeiro de 1988, no festival Hollywood Rock). Foi um dos melhores shows que assistimos na Via Funchal.

 

***Peter Murphy (fevereiro de 2009): gig solo do ex-vocalista dos Bauhaus. Na boa, foi chatíssimo, rsrs.

 

***The Kooks (junho de 2009): os inglesinhos indie rock dos anos 2000 estavam no auge e fizeram um bom set.

 

***Cat Power (julho de 2009): nossa deusa e musa americana ad eternum. Set melancólico, climático e lindíssimo. Sendo que o blog estava apaixonado e quase namorando com a Rudja, que morava (e mora até hoje) em… Macapá! Tanto que LIGAMOS pra ela do via celular no meio da apresentação, e tentamos fazer com que ela escutasse parte do show pelo celular.

 

***Belle & Sebastian (novembro de 2010): nossos eternos heróis escoceses do indie rock e dream pop. Show inesquecível, sendo que saíram lágrimas dos meus olhos ao final dele. E sim, o blog estava acompanhado da garota de Macapá (a Rudja), com quem havia namorado e noivado por um ano, e ela tinha vindo passar um mês em Sampa (também vimos juntos a primeira edição do festival SWU), pra nos despedirmos do noivado. Aquela noite pós B&S foi looooonga, com álcool, drugs etc. Mas não posso entrar em detalhes porque senão a fofa Telma (mãezona da garota e querida amiga nossa até hoje) me mata, hihi.

 

***Stone Temple Pilots (dezembro de 2010): outro show za ço! Scott Weiland sempre foi nosso “ídalo”, rsrs (e também do mozão André Pomba, ahahaha). No final da gig Zapnroll, já com algumas doses de whisky na cachola, deu de cara com o porcão, jotalhão e covardão José Flávio MERDA Jr., um dos seres humanos e jornalistas mais escrotos e imundos que tivemos o desprazer de conhecer em toda a nossa existência. Só não partimos pra cima do pança de elefante porque fomos contido pelo querido Pablo Miyazawa (então editor chefe da finada revista Rolling Stone Brasil). Depois o blog veria novamente o STP na segunda edição do festival SWU, em 2011 em Paulínea. E depois Scott se foi, morto por overdose de drugs aos 48 anos de idade. Viveu rápido, intensamente, e morreu jovem ainda. Como todo mundo deveria viver e morrer, no final das contas – é um CASTIGO cruel se tornar um velhote solitário, senil e gagá, definitivamente.

 

***Pulp (novembro de 2012): o fim para o blog por ali, e para o próprio Via Funchal em si. A gig foi no dia 28 daquele mês, dois dias depois do niver de 50 anos de idade do jornalista zapper. Foi uma despedida mega digna para o MELHOR espaço de shows de rock que já houve em Sampalândia. Deixou saudades. E quem viu o que vimos ali e relembramos nesta publicação, viu. Quem não viu não irá ver nunca mais.

 

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E PARA FECHAR COM CHAVE DE OURO A HISTÓRIA DAS MUSAS ROCKERS ZAPPERS, ELA! A MUSA SECRETA N.R., QUE PASSOU UM ANO CHIFRANDO SEM DÓ O MARIDO ENQUANTO ERA FODIDA NUMA PAIXÃO LOUCA PELO JORNALISTA LOKER ROCKER

Yeeeeesssss. Para encerrarmos verdadeiramente os quinze anos de Zapnroll no tópico “musa rocker”, teríamos que caprichar. Afinal muitas, lindas, divinas, devassas, bocetudíssimas, cadeludas, imorais e total pervas passaram por aqui ao longo desta década e meia. De modos que para terminar super bem também este capítulo, resolvemos caprichar e enlouquecer de verdade nosso dileto leitorado macho (cado), com uma reedição do ensaio DELA! Quem? Da musa SECRETA N.R., oras. E de quem não podemos revelar a identidade pois a garota é CASADA e durante um ano meteu corno sem dó no seu maridón, dando e fodendo com gosto com seu AMANTE zapper – este mesmo aqui, o eterno jornalista gonzo, loker e rocker. A paixão entre ambos foi algo realmente avassalador. Mas tudo que é ótimo um dia acaba. Ficaram então as lembranças. Que você confere aí embaixo, sem moderação alguma!

 

Nome: N.R.

Idade: 36 anos.

De: São Paulo.

Mora em: São Paulo.

Com quem: com o marido.

O que faz: já foi comerciária, hoje cuida da sua casa.

Paixão: literatura, sendo que seus autores preferidos estão Charles Bukowski e o cubano Pedro Juan Gutiérrez.

Música: fã de Tiê, Ana Carolina, Cazuza, Chico Buarque e Legião Urbana.

Como ela e o autor deste blog se conheceram: foi através de um grupo de discussão na internet sobre a obra do velho safado Charles Bukowski, o célebre autor americano do qual ambos são fãs devotados. Os papos online começaram, depois ligações pelo celular. Começou a negociação para um encontro pessoal e ao vivo, o que não demorou a acontecer. E o que era para ter sido apenas uma única tarde de foda intensa porém sem compromisso emocional algum, se tornou uma paixão avassaladora que durou um ano e dezenas de TREPADAS enlouquecedoras, com o casal GOZANDO tudo o que podia. Como a situação não poderia se prolongar ad eternum sem que uma possível tragédia acontecesse, tudo se findou um dia. Restaram as lembranças imagéticas e uma amizade que perdura até hoje.

 

FRASES INESQUECÍVEIS DISPARADAS DURANTE ALGUMAS DAS FODAS DESVAIRADAS DO CASAL

 

“A irmã CRENTE rezando, e a PUTA aqui dando!” (N.R., numa tarde de sábado, quando estava sendo traçada de ladinho pelo jornalista Finas, e lembrando que naquele exato instante sua irmã, que é evangélica, deveria estar na igreja orando)

 

“Vai, me dá LEITE DE PUTA!” (era assim que N.R. se referia ao esperma, que adorava BEBER sem restrição. E Zapnroll soltou muita porra na BOCA dela, ulalá!)

 

“A puta branquela, peituda, magra e perfeita!” (assim Finaski se referia a N.R., já que ela é branca como um fantasma, possui bunda durinha e miúda, pernas finas e peitos GIGANTES)

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Uma BOCETA do inferno e sempre em chamas!

 

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Peitões portentosos

 

 

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A bundinha magra e durinha de uma cadela branquela e puta sem igual

 

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Uma devotada fã de literatura

 

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Sim, o CORPO dela sempre acalmava o velho jornalista

 

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O casal saciado carnalmente, após uma de suas fodas alucinadas

 

 

2003-2018 – FIM DA HISTÓRIA ZAPPER!

Sim! Tudo tem um fim, tudo um dia acaba. Foi ótimo enquanto durou e foi um imenso prazer estar com todos vocês durante os últimos quinze anos. Nos vemos por aí! Beijos na galera que ainda ama rocknroll, vocês estarão sempre em nosso coração!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 28-12-2018 às 18:30hs.)

 

AMPLIAÇÃO FINAL (com análise sobre o impeachment que será votado neste domingo, e ainda as datas da turnê do Black Sabbath no final do ano no Brasil e o roteiro de baladas e dicas culturais zappers): O blogão enfim ressurge em novo visual/plataforma, e comentando (claaaaaro) o memê musical da semana: o novo e PÉSSIMO disco do escroto e ultra reaça Lobão, que ficou uma década sem gravar e ao invés de pedir pra sair de uma vez insiste em manchar seu glorioso passado rocker com suas atuais vergonhas musicais e políticas; o Iron Merda, ops, Maiden, continua a lotar estádios no Brasil e suscita a questão: é mesmo o fim do rock’n’roll? E mais isso e aquilo tudo no blog de cultura pop e rock alternativo que segue firme e forte há treze anos no ar! (postão TOTAL CONCLUÍDO E COMPLETÃO, com atualização definitiva em 14/4/2016)

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O cantor e compositor Lobão (acima) e o velhusco, cafona e grotesco grupo de heavy metal Iron Maiden (abaixo, durante seu último show em São Paulo, no final de março passado) possuem mais em comum do que você imagina: ambos são o exemplo máximo do pior rock que existe atualmente, aquele burro, antiquado, atrasado, reacionário, machista, branco e conservador ao extremo, o que reflete também no comportamento dos fãs tanto da banda britânica quanto do músico carioca, que acaba de lançar seu novo e péssimo álbum

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FECHANDO O POSTÃO, TRÊS IMAGENS QUE DIZEM E RESUMEM TUDO SOBRE O ATUAL MOMENTO POLÍTICO BRASILEIRO – a foto principal foi tirada essa semana no Rio. Mostra um sujeito que veio do sertão nordestino em um CAMINHÃO para São Paulo e aqui se tornou um dos maiores líderes políticos/sindicais da história do país. Respeitado no mundo inteiro, foi presidente do Brasil por duas vezes, tirou MILHÕES de pessoas da linha da pobreza absoluta e terminou seu segundo mandato com uma das MAIORES APROVAÇÕES populares da história política do país. Junto a ele, na foto, um dos monstros sagrados e inatacáveis da música popular brasileira gigante e que realmente importa – sua obra é e será eterna e também possui reconhecimento e respeito máximo no mundo todo. Os dois personagens estão JUNTOS E UNIDOS na mesma foto porque estão do mesmo lado, na questão político/ideológica.

As outras duas fotos mostram apenas figuras IMUNDAS e lamentáveis da política brasileira. As mesmas que querem nesse final de semana arrancar À FORÇA da presidência do país quem está ocupando o cargo. Conduzindo o processo de impeachment está um BANDIDO que tem 5 processos contra ele no STF (já sendo RÉU em um deles), e mais de DEZ CONTAS bancárias ILEGAIS no exterior e NÃO DECLARADAS ao Fisco brasileiro. Junto a ele um vice-presidente que VAZA cartas particulares à presidente e tb ÁUDIOS de whats app, onde pronuncia um discurso como se já fosse o novo presidente do país. Um golpista torpe e meia-boca e que, como bem definiu o jornal americano The New York Times, se parece com um MORDOMO de filme de terror.

Por fim, a terceira foto: reúne a NATA do PSDBosta. Aébrio, o cheirador hipócrita; Zé Serra, aquele que nunca termina seus mandatos e que ainda foi um dos PIORES Ministros da Saúde que o país já teve (lembram do esquema da máfia das ambulâncias?); FHC, o ex-presidente que COMPROU deputados para votarem pela sua reeleição; e geraldinho MERDA Alckmin, que há 6 anos FODE o Estado de S. Paulo com seu desgoverno (falta de água, rede hospitalar estadual sucateada, rede de ensino idem, Segurança Pública aos pedaços com uma PM truculenta, mortífera, assassina, e que não prende bandidos mas apenas mata civis inocentes), sendo que nem é preciso citar aqui o TRENSALÃO do metrô paulistano (que fim levou?), a máfia da propina das merendas escolares (que vergonha… tucanos ROUBANDO COMIDA da boca de CRIANÇAS!), comandada pelo PRESIDENTE da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo e, agora, a descoberta pelo MP estadual de um esquema de corrupção na construção do rodoanel que circunda a capital paulista. Ulalá!

IMAGEMLULAECHICO2016

No próximo domingo a democracia brasileira terá um TESTE decisivo para a sua sobrevivência, e a história deverá fazer JUSTIÇA a GIGANTES da nossa política e cultura (como Lula e Chico Buarque, acima) e mandar para o LIXO de uma vez políticos IMUNDOS como os das duas fotos abaixo

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É ESSE bando de PORCOS (nas duas últimas fotos) que está patrocinando o impeachment. Ok, o país está no buraco, o petismo tb se transformou em uma quadrilha de facínoras e é preciso fazer uma limpeza no Partido, no governo, na política brasileira como um todo. Mas eis que… a turrona, arrogante, teimosa, cabeça-dura e bocuda Dilma pode ser TUDO ISSO, mas BANDIDA a mulher não é. Tanto que não há sequer um MEIO processo contra ela em curso em qualquer instância jurídica nacional. E todos nós aqui sabemos que impeachment é um processo POLÍTICO, não judicial.

Domingo agora será um dia decisivo. E Zap’n’roll espera que a história faça JUSTIÇA a quem merece. Por isso SEMPRE SEREMOS e estaremos totalmente do lado do ex-metalúrgico e do cara que escreveu algumas das canções mais fantásticas da história de nossa música. E JAMAIS estaremos do lado de IMUNDOS, canalhas, bandidos e escroques que posam de paladinos da política e da sociedade brasileira.

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O blog em novo visual e o ex-rocker que virou coxa reaça.

Qual seria a conexão entre estes dois fatores? Aparentemente, nenhuma. Mas ambos perscrutam, no final da contas, um tema comum: o avançar do tempo, as mudanças que se inserem nesse avanço e o que ele pode significar de bom e de ruim. No caso do blog, que estréia com este post novo visual completo e nova plataforma, as mudanças se faziam necessárias já há séculos. Em um mundo virtual onde tudo é absurdamente veloz, ficar com o visual inalterado por meia década pode ser mortal para um blog como Zap’n’roll, voltado à cobertura e a análise de assuntos relacionados ao rock alternativo (daqui e de fora) e à cultura pop – e também, eventualmente, à política, comportamento e sociedade. E desde que ganhou endereço próprio na web, em meados de 2010 (lá se vão seis anos!), o blogão zapper jamais tinha feito alterações significativas em seu visual e plataforma, tornando tudo aqui cada vez menos atraente (visualmente, assumimos; em termos de conteúdo estas linhas online felizmente sempre se garantiram e prosseguiram como um dos endereços mais relevantes da blogosfera BR voltada à cultura pop) e mais defasado. E como sempre fomos um espaço virtual pra lá de independente, obviamente que tínhamos dificuldades em contatar um profissional competente na área de web design e que se dispusesse a promover mudanças e atualizações visuais aqui sem nos cobrar uma fortuna pelo trabalho. Encontrado esse profissional (graças a indicações do queridão Maurício Martins, o homem que comanda o portal Nada Pop) e estabelecido um acordo de parceria entre ele e estas linhas bloggers rockers para se efetuar as mudanças necessárias e urgentes aqui, foi questão de tempo para que a Zap pudesse mostrar sua nova cara, brilhantemente trabalhada e desenvolvida pelo web desginer Marcelo Shiniti (falamos mais sobre ele no final deste post). De modos que o blog zapper procurou, com essa mudança em seu visual, acompanhar a evolução estética que permeia velozmente qualquer plataforma que se dedica hoje em dia na web a transmitir informações e opiniões a uma determinada gama de leitores dispostos a perder alguns minutos (ou horas) de seu dia-a-dia na leitura destes textos, sejam eles de qual assunto for (política, cultura, esporte, comportamento etc.). Infelizmente o mesmo avançar do tempo e suas mudanças velozes parecem ter causado efeito contrário e negativo nas postura pessoal e política e no trabalho musical de um dos outrora grandes nomes da história do rock brasileiro dos anos 80’. Yep, João Luiz Woerdenbag Filho, mais conhecido como Lobão, e que lançou discos magníficos há quase trinta anos, passou uma década sem gravar e lançou finalmente esta semana seu novo trabalho de estúdio, intitulado “O rigor e a misericórdia”. No período em que passou fora dos estúdios de gravação Lobão jamais saiu de cena: apresentou programas de TV, escreveu e publicou livros (como a sua auto-biografia, que se tornou um grande sucesso editorial), seguiu fazendo shows e, talvez o principal, mudou sua postura político/ideológica radicalmente. De ex-militante mais à esquerda (e que chegou a votar em Lula para presidente), hoje o Velho Lobo se assume como total direitista. Não só: tomado de incontrolável pensamento ultra reacionário, se tornou um dos mais ferozes detratores do atual governo petista e um dos mais aguerridos defensores do impeachment da presidente Dilma. Até aí, direito dele agir e pensar dessa forma atualmente. Mas o que espanta é ver como suas opiniões são extremamente moralistas e conservadoras, não condizendo em absolutamente NADA com o músico e compositor que um dia cometeu pequenas obras-primas como “Vida Bandida” ou o mais recente (nem tão recente assim, pois foi lançado em 1999) “A vida é doce”. Enfim, se a mudança para PIOR tivesse se dado apenas no aspecto PESSOAL, não haveria muito o que comentarmos aqui – afinal cada um com suas opiniões e direito de dizer o que pensa sobre tudo, pois estamos numa democracia, não? O péssimo mesmo dessa história toda é constatar como Lobão, o músico, se tornou um zero à esquerda artisticamente falando, lançado um disco de fazer um adolescente que acaba de montar sua primeira banda de rock morrer de vergonha – da ruindade do álbum lançado por um sujeito que, aos cinqüenta e oito anos de idade, parece perdido e precocemente gagá em seu ofício de compor. Um ofício que nomes como Chico Buarque (com mais de setenta anos nas costas), por exemplo, não DESAPRENDERAM. Lobão parece que sim, desaprendeu o que já soube fazer muito bem. Ele continua o arrogante de sempre, o bocudo que solta a língua e dispara a esmo e que ainda se acha relevante musicalmente, sem ser um décimo do que era nos anos 80’. Mas isso é assunto para falarmos mais aí embaixo, nesse post que começa agora e que mostra portanto, a possível conexão mencionada lá em cima: o blog zapper, em sua sempre modéstia editorial e com seu respeito ao nosso eterno dileto leitorado, procurou se atualizar visualmente e se adequar a tempos duros de informação cada vez mais veloz, além da concorrência feroz por todos os lados. Já o músico Lobão, alheio à sua irrelevância em um mundo musical onde não existem mais mega stars, voltou atrás no tempo e regrediu mentalmente, politicamente e artisticamente a um tempo de obscurantismo total, que nós não imaginamos que ele poderia habitar. Então vamos lá, com o primeiro postão da nova Zap’n’roll.

 

 

  • Apreciem o novo visual do blog sem moderação, hihihi.

 

 

  • E sem comentários políticos esta semana aqui na notas iniciais. Está tudo igual no país da classe política mais imunda do universo. Então pra quê ficar repisando assuntos que todos já estão com o saco cheio de saber e comentar?

 

 

  • Teve show do Coldplay ontem em Sampa, com estádio do Palmeiras lotado pra receber a performance dos ingleses. O blog não foi na gi e nem precisava: já assistiu ao vivo Chris Martin e cia. em duas ocasiões, em 2003 e 2006 e ambas na saudosa casa de shows paulistana Via Funchal. Foram duas apresentações sensacionais, e que rolaram em um tempo em que o Coldplay ainda não era a banda gigantesca que é hoje e que só se apresenta em arenas para mais de quarenta mil pessoas. Muita gente odeia o quarteto e acha que ele se tornou pop demais. Pode ser. Mas estas linhas online ainda preferem ver um Coldplay lotando o estádio do Palmeiras do que o pavoroso Iron Merda, que lotou também o mesmo local no final de março. Mas prefere mesmo gaurdar as lembranças de ver o grupo ali, colado numa platéia de seis mil pessoas, há uma década. Esse Coldplay, infelizmente, não existe mais.

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O Coldplay ontem ao vivo, em Sampa: a banda ainda é boa, mas se tornou pop e gigantesca demais

 

  • Mas eis que no final deste ano já temos boas novas na área de showzaços rockers gringos por aqui. Pelo menos isso!

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  • E você já pode anotar na sua agenda: dia 30 de abril rola mais uma edição da festa goth/anos/80’ e com temática erótico/sado/masô Libertine, que tem sido uma das mais legais do atual circuito indie noturno paulistano. Dessa vez tudo vai acontecer no espaço Augusta 339 (lá no baixo Augusta, colado onde era o Astronete, que infelizmente fechou suas portas na semana passada) e com DJ set do blog, claaaaaro! Vai se preparando que vai ser daora.

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  • Daora também é a volta da Playboy brasileira, cuja primeira edição está programada para chegar às bancas no próximo dia 13 de abril. E a primeira capa da nova fase da revista não poderia ser melhor, néan.Yep, aquele XOXOTAÇO eterno que todos nós amamos! Miss Luana Piovani, uhú! Dá uma zoiada aí embaixo num “aperitivo” do que chega às mãos dos punheteiros de plantão na semana que vem.

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A nova edição brasileira da revista Playboy (acima) chega às bancas na semana que vem, com o XOXOTAÇO Luana Piovani (abaixo) como destaque, wow!

IMAGEMLUANAPLAYBOY2016

 

  • O postão está entrando no ar com tudo e aos poucos iremos atualizando as notas iniciais, se algo mega importante assim o exigir, certo? Mas por enquanto vamos direto ao ponto aí embaixo, mostrando porque o outrora grande Lobão se tornou um dos personagens mais lamentáveis do rock nacional. Leia e confira o que Zap’n’roll achou do novo disco do cantor e compositor.

 

 

APÓS UMA DÉCADA LONGE DOS ESTÚDIOS, LOBÃO NÃO SE CONTENTOU EM TER SE TORNADO UM REAÇA DE DIREITA – TAMBÉM LANÇOU TALVEZ O PIOR DISCO DE SUA CARREIRA

Foi o assunto musical da semana que está chegando ao fim, claro. O cantor, compositor, letrista e multiinstrumentista carioca (mas já radicado há alguns anos em São Paulo) Lobão, cinqüenta e oito anos de idade, um dos nomes mais conhecidos da história da música e do rock brasileiro dos anos 80’, lançou um novo disco com catorze faixas inéditas, após permancer uma década sem editar um álbum totalmente novo. Intitulado “O rigor e a misericórdia”, o trabalho na verdade já estava disponível há tempos para audição na web, em plataformas como o YouTube e o Spotify. Mas foi com a chegada do disco no seu formato físico (em cd) às lojas na última semana, que Lobão voltou aos holofotes. O cantor, atualmente muito mais conhecido e comentado por suas posturas políticas abertamente de direita e reacionárias (ele é um feroz crítico do atual governo petista, além de defensor ferrenho do impeachment da presidente Dilma) do que propriamente pelo seu ofício como músico, conseguiu ser capa do caderno Ilustrada, do jornal Folha De S. Paulo (em matéria assinada por um dos PIORES jornalistas do diário paulistana, o bundaça mole e lambão Thales De Menezes, conhecido na mídia pelo seu texto sempre total arroz-de-festa e chapa branca, não importa sobre o que ou quem ele esteja escrevendo). Não só: Lobão também recebeu resenhas (muitas elogiosas; algumas, mais rigorosas e sinceras, ANIQUILANDO com o lançamento) em jornais como O Globo, em sites como o da revista Noize e em blogs como o do jornalista Luiz Cesar Pimentel, no mega portal R7, em uma das melhores análises publicadas sobre o cd e lidas pelo autor deste blog.

“O rigor e a misericórdia” é ruim de doer, claro. Para quem (como este já calejado e veterano jornalista rocker) acompanha a trajetória de Lobão desde que ele fundou o grupo Blitz (ainda no início dos anos 80’), e tendo ouvido com entusiasmo pequenas obras-primas pop/rock suas como “Ronaldo Foi pra Guerra” (de 1984, no auge da new wave brasileira e quando Lobão sabia como ninguém alinhar guitarras rockers com melodias pop/radiofônicas dançantes e que grudavam nos ouvidos de quem as escutava), “O rock errou” (editado em 1986) ou “Vida Bandida” (seu auge comercial e como compositor, lançado em 1987 e que chegou a vender quase quatrocentos mil cópias na época), se torna uma autêntica TORTURA escutar catorze canções que se dividem entre heavy/hard rocks (com guitarras cujos acordes qualquer adolescente de dezesseis anos de idade, fã de Iron Maiden e que saiba tocar o instrumento, faz igual ou melhor) primários e juvenis, e baladas com pouca ou nenhuma inspiração, com uma “poética” digna de um garoto ginasiano (leia alguns trechos de algumas letras do disco logo mais aí embaixo).

Lobão possui um passado artístico respeitável, e isso é inegável. Contemporâneo de nomes gigantes da história do rock nacional (como Cazuza, Júlio Barroso e Renato Russo), aos dezessete anos de idade já tocava junto com Lulu Santos no grupo de prog rock Vímana. De lá saiu para montar a Blitz, onde ficou apenas no primeiro disco e depois partiu em carreira solo. Músico prodígio que se sai bem tocando diversos instrumentos (bateria, principalmente), ele logo mostrou grande pendor como compositor de potenciais hits para tocar nas rádios. E Lobão compôs vários ao longo dos anos 80’ e 90’, como “Corações psicodélicos”, “O rock errou”, “Revanche”, “Me chama” (uma das baladas mais lindas já feitas em toda a história do rock BR), “Rádio Blá”, “Decadence Avec Elegance”, “Vida bandida” e muitas outras. Sua trajetória artística entrou em decadência no meio dos anos 90’ mas, ainda assim e mesmo já fora do esquema das grandes corporações do disco, ele lançou alguns trabalhos de forma independente que ainda traziam a marca de um grande compositor e que, embora não fosse um letrista ao nível criativo dos textos escritos por Cazuza e Renato Russo, ainda assim possuía estofo cultural e intelectual suficientes para produzir uma obra como o ótimo, sombrio, quase dark, “A vida é doce”, que ele editou em 1999 e onde deambulava pelas gélidas planícies sonoras do trip hop, emoldurando letras que falavam de desencanto existencial agudo.

De lá pra cá a produção musical do cantor foi rareando cada vez mais. Mesmo assim ele se manteve sob os holofotes: nunca parou de tocar ao vivo, criou uma revista de música e cultura pop alternativa (a “Outracoisa”), publicou livros (entre eles sua auto-biografia, “Cinquenta anos a mil”, lançada em 2010 e que se tornou um best-seller para os padrões editoriais brasileiros, vendendo mais de cem mil exemplares, sendo que o jornalista Finaski inclusive tem seu nome citado neste livro), atuou à frente de programas de TV (na MTV e na Band) e, a grande surpresa: o sujeito que um dia gravou e cantou uma música como “Canos silenciosos”, que sempre se mostrou política e ideologicamente à esquerda, que fez campanha para Lula na eleição presidencial de 1989 foi, nos últimos anos, mudando radicalmente seu posicionamento. Hoje Lobão se tornou um dos artistas mais reacionários da música brasileira. Se declarando abertamente de direita e contra a presidente Dilma e o governo do PT, ele defende com unhas e dentes o atual processo de impeachment que está em curso em Brasília. Não só: participou de várias das passeatas promovidas contra o atual governo. E o título de seu novo álbum, “O rigor e a misericórdia”, quem diria, foi inspirado em um texto de autoria de Olavo de Carvalho, um dos papas da atual direita ultra reacionária brasileira. Jezuiz…

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O cantor, compositor e reaça de direita Lobão (acima) lança seu novo e péssimo disco; em entrevista chapa branca à Ilustrada, da FolhaSP (abaixo), ele afirma que “está do lado que venceu”. Será???

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Até aí, direito dele ter se tornado reaça (como pessoa, Lobão é de um mau caratismo exemplar e isso foi descoberto pelo jornalista zapper ainda nos anos 90’, quando o músico e o então ainda jovem mas já bastante conhecido repórter musical, e que já havia trabalhado em revistas como a semanal IstoÉ e a mui poderosa mensal Interview, foram razoavelmente próximos e quando o autor deste blog entrevistou o compositor em algumas ocasiões; na última delas, Lobão acabou desdizendo o que havia dito para uma matéria publicada na Interview e ainda chamou o blogger zapper de “canalha” e “mentiroso”, em entrevista dada ao jornal O Globo. Isso causou um rompimento definitivo entre jornalista e artista, numa história que você confere em detalhes também logo mais aí embaixo, quando o blog publica com exclusividade um dos capítulos inéditos do livro “Escadaria para o inferno”, justo o que conta em detalhes essa briga, sendo que o livro tem seu lançamento previsto para o segundo semestre deste ano). Porém, o que espanta é perceber como o MÚSICO Lobão regrediu como artista, em relação ao que ele já produziu em sua vida. E estas linhas online se deram ao trabalho de ouvir, ao longo dos últimos dias, pelo menos umas cinco vezes as catorze faixas de “O rigor e a misericórdia”, para se certificar de que não iria cometer injustiça ao escrever esta resenha. Pois então: o que esperar de um disco que começa com uma faixa instrumental (“Overture”), que remete ao que de pior e mais brega já foi produzido pelo prog/hard/heavy rock dos anos 70’? E não só: depois surgem horrores como “Os vulneráveis”, “A marcha dos infames” e “A posse dos impostores”, exemplos do que de PIOR já existiu no prog/heavy rock chumbrega. Emulando guitarras, melodias, efeitos sonoros e procedimentos de bandas cafonas como Supertramp (alguém se lembra dessa droga?) Iron Maiden, Judas Priest, Manowar, Dream Theather, Angra e Shaman, Lobão desce sem dó a ladeira da imbecilidade musical – a breguice do disco transcende o lado musical e chega à sua arte de capa, que lembra aqueles discos pavorosos lançados por Ronnie James Dio, Whitesnake ou qualquer uma dessas pragas hoje tão fora de moda. Se comporta como um ginasiano que acabou de montar sua primeira banda de rock e que acha que Steve Vai ou Joe Satriani são os maiores gênios da história da guitarra. Na parte das letras então, nem um adolescente de quinze anos de idade cometeria tamanha vergonha textual alheia – basta ler logo mais aí embaixo alguns trechos de algumas letras que o blog selecionou para corroborar sua análise. E vejam bem: estamos falando de um homem que está com cinqüenta e oito anos de idade!

Lobão gravou o disco inteiro sozinho (no estúdio que ele possui em sua casa, no bairro paulistano do Sumaré), também produziu o mesmo e isso é um mérito – sendo que o lançamento é do seu próprio selo, o Universo Paralelo. Como já foi dito aqui, ele é um multiinsrumentista que se vira muito bem em diversos instrumentos. Isso, no entanto, não livra a cara em nenhum momento de um disco que não possui novidade alguma (além dos heavy rocks, há algumas baladas frouxas, tramadas com violões e que não chegam à sola do sapato de uma música como “Me chama”, por exemplo), que é rasteiro musicalmente, sem unidade entre as músicas e que será rapidamente esquecido. Na matéria publicada na capa do caderno Ilustrada, da FolhaSP (onde o autor da reportagem, o jornalista Merda de Menezes, lambe os bagos do cantor sem pudor algum, derrama elogios sobre o disco e afirma que ele irá continuar “ótimo” daqui a uma década), entre outras “pérolas” de arrogância, Lobão disse que ficou tanto tempo sem gravar porque queria “aprender” pra lançar seu “melhor disco”. Se compara (meo deos…) a gênios como Villa-Lobos e Paulinho da Viola – aliás e talvez por isso mesmo ele tenha tentado emular o mestre maior do samba brasileiro em “Ação fantasmagórica à distância”, uma tentativa de samba totalmente torta e que deve estar causando dores estomacais inomináveis em Paulinho da Viola. Por fim, o músico diz que EVITOU politizar as músicas e contaminar o lançamento do trabalho com sua postura ideológica e pessoal atual. Mentira: a letra de “A posse dos impostores” é um claro ataque textual ao atual governo do país. Mas a música é tão ruim e a letra tão infantil que seu efeito acaba se tornando nulo. Nesse aspecto Renato Russo, Caetano e Chico Buarque já fizeram misérias e zilhões de vezes melhor, com versos e metáforas que, pelo visto, estão muito longe do alcance intelectual de mr. Lobão.

“Estou do lado que venceu”, disparou o cantor na matéria porca e chapa branca da FolhaSP. Se ele julga que esse peido indefensável chamado “O rigor e a misericórdia” é uma “vitória”, é porque o outrora Grande Lobo está precocemente senil e gagá. E cabe a quem é rigoroso (como este blog é, em suas análises) não ter misericórdia alguma com o reaça Lobão. Peça pra sair, queridão. E faça um favor a si mesmo e ao que resta de digno na sua trajetória no rock BR e na música brasileira.

 

 

O TRACK LIST DO NOVO DISCO DE LOBÃO

CAPALOBAO2016

 

1 – Overture

2 – Os Vulneráveis

3 – A Marcha dos Infames

4 – Assim Sangra A Mata

5 – O Que É A Solidão Em Sermos Nós

6 – Alguma Coisa Qualquer

7 – Dilacerar

8 – Os Últimos Farrapos da Liberdade

9 – A Posse Dos Impostores

10 – Ação Fantasmagórica À Distância

11 – Profunda E Deslumbrante Como O Sol

12 – Uma Ilha Na Lua

13 – A Esperança É A Praia de Um Outro Mar

14 – O Rigor E A Misericórdia

 

 

ALGUMAS “PÉROLAS” CONTIDAS NAS LETRAS DO NOVO DISCO DE LOBÃO

“Há muito tempo quero te dizer/que esse teu mundinho redondinho/a qualquer hora vai desmoronar”

(em “Alguma coisa qualquer”)

 

“O silêncio de uma lápide/Não evita a tempestade”

(em “Os últimos farrapos da liberdade”)

 

“Eu vou falar e é pra valer/Tenho mesmo que dizer/Só não sabe quem não quer saber”

(na faixa “Profunda e deslumbrante como o sol”)

 

“Tudo é tão simples e transcendental/Ao fazer um arco-íris no jardim”

(em “Uma ilha na lua”)

 

“A chuva que golpeia a pedra/Que golpeia o coração/Me faz imaginar que todo herói/Se diverte só/Possuímos o que desejamos/Mas nem sempre somos o que imaginamos ter”

(na faixa-título “O rigor e a misericórdia”)

 

 

O BLOGÃO ZAPPER ESTÁ EXAGERANDO EM SUA ANÁLISE SEM MISERICÓRDIA DO ÁLBUM DO BOBÃO?

Tire você mesmo suas conclusões, escutando o disco aí embaixo, no YouTube ou no Spotify.

 

E HÁ VINTE ANOS, UMA ENTREVISTA LENDÁRIA RESULTA NUMA BRIGA HISTÓRICA E NO ROMPIMENTO ENTRE O CANTOR E O JORNALISTA ZAPPER

 

(texto integral e inédito do capítulo “Duelando com Lobão”, que faz parte do livro de memórias do autor deste blog, “Escadaria para o inferno”, que será lançado no segundo semestre deste ano)

 

Capítulo 6 – Duelando com Lobão

 

Eu já era fã do Lobão artista, músico, compositor e cantor antes mesmo de eu me tornar jornalista – depois acabei descobrindo que o Lobão pessoa é um mau caráter de primeira. E hoje se tornou um reacionário de primeira também. Mas isso eu comento melhor logo aí embaixo, nesse mesmo capítulo.

Enfim eu gostava pra caralho do trabalho dele, e ainda gosto da maioria dos discos lançados por Big Wolf nos anos 80’ e parte dos 90’. João Luiz Woerdenbag Filho (seu nome verdadeiro) começou tocando bateria num (imaginem) grupo carioca de rock progressivo, chamado Vímana. Isso quando ele tinha apenas 17 anos de idade. Mas ele se tornou conhecido mesmo na Blitz, banda da qual foi um dos fundadores e que estourou no Brasil inteiro em 1982 com aquele grudento hit total new wave “Você não soube me amar”. Depois de mal saborear o mega sucesso com a Blitz João Luiz quebrou o pau com Evandro Mesquita (o vocalista e outro dos fundadores da banda) e caiu fora, seguindo em carreira solo. Lançou seu primeiro disco, “Cena de Cinema”, também em 1982. Depois veio “Ronaldo foi pra Guerra” (em 1984), com Os Ronaldos e seu primeiro sucesso solitário, “O rock Errou”, editado em 1986 e que tomou de assalto as rádios na época com a balada “Revanche”. É o célebre disco onde Lobão aparece vestido de padre na capa, ao lado de sua ex-mulher (e, diziam na época, prima) Daniele Daumerie. Que tinha apenas 17 anos de idade e que estava na mesma capa… pelada! (ok, coberta apenas por um véu)

E foi justamente por causa desse disco que eu conheci Lobão pessoalmente e falei com ele pela primeira vez na minha vida. Eu tinha acabado de conseguir meu primeiro emprego profissional como jornalista, fazendo frilas para a revista “Rock Stars”. Era março de 1986 e a gravadora RCA (hoje, Sony) estava lançando o disco do Grande Lobo (grande mesmo: ele tem quase 1,90m de altura). Convocou a jornalistada para uma coletiva de imprensa onde o selo sempre fazia isso em Sampa: no seu estúdio de gravação que ficava numa rua perto do largo de Santa Cecília. Lá fui eu todo pimpão, nos meus ainda inocentes 23 anos de idade, fazer minha primeira entrevista com um autêntico rockstar (isso em 1986, ano em que eu ainda iria entrevistar Lulu Santos e iria brigar com ele durante a entrevista; fora o bate-boca com John Lydon, ex-Sex Pistols e que aportou no Brasil em 1987 com o Pil, mas calma que eu chego nessas histórias ainda neste livro, rsrs). Enfim, foi como toda e qualquer outra coletiva: aquele festival de perguntas chatas e respostas idem. Com o passar dos anos atuando nessa porra de jornalismo musical eu aprendi isso: coletivas geralmente são sacais e a maioria dos jornalistas presentes nelas estão ali muito mais para adular o entrevistado do que efetivamente encostá-lo na parede e arrancar alguma declaração bombástica dele. Quer realmente fazer uma ótima matéria com quem quer que seja (artista, político, esportista famoso, o que for)? Consiga uma exclusiva (ou individual) com o sujeito, se prepare pro embate (pesquisando absolutamente tudo sobre a vida dele) e vá pro campo de batalha bem armado e municiado. Yep, algumas entrevistas se transformam em verdadeiros embates sangrentos entre entrevistador e entrevistado. E são dessas que saem as melhores reportagens.

Mas para mim, 23 anos de idade, primeira entrevista e ainda por cima com o Lobão (de quem eu era quase fã), tudo era festa. Até pedi autógrafo pra ele na capa do meu disco, ao final da coletiva. Atitude (pedir autógrafo) que eu teria mais umas cinco vezes durante minha trajetória como jornalista de música, e depois nunca mais. Me lembro de ter pedido autógrafos pro Echo & The Bunnymen ao final da coletiva com o grupo (na primeira e gloriosa vez que eles estiveram no Brasil, em 1987), pro Renato Russo (no camarim ao final de um show da Legião Urbana, no salão de festas do Palmeiras, também em 1986, quando eles estavam prestes a estourar) e pra mais uns dois ou três que nem me lembro agora. Depois, com o passar dos anos, com o peso da profissão vergando nas suas costas, com você também se tornando conhecido como jornalista, frequentando coletivas a todo instante e sacando o quão chatos e egocêntricos eram (e continuam sendo) a maioria (há exceções, claro) dos artistas que você admirava antes de conviver com eles, você vai perdendo o tesão por esse tipo de parada (pedir autógrafo). Aliás passa até a achar ridículo. E não se trata de uma postura ou declaração blasé. Mas sim de constatar o óbvio: músicos são como eu e você. Cagam, mijam, arrotam, peidam, comem, dormem, trepam (se forem mega famosos, óbvio que trepam muito mais que os simples mortais). O que a fama e a grana lhes dão a mais do que nós temos é exatamente isso (além do conforto material): arrogância, vaidade e egocentrismo. Como eu também fui me tornando egocêntrico (assumo) à medida em que crescia e ficava conhecido na profissão (principalmente quando trabalhei na IstoÉ e na Interview), passei a ter cada vez menos saco pra entrevistas coletivas.

Mas enfim, me tornei mais ou menos amigo do Lobão. Os anos foram passando e lá fui eu novamente entrevistar João Luiz. Dessa vez o ano era 1989, eu já estava na editoria de Cultura da poderosíssima IstoÉ e Lobão havia se tornado super rockstar com o estouro do disco “Vida Bandida”, que ele havia lançado em 1987 e que havia vendido quase 400 mil cópias. Agora o sempre bocudo cantor e um dos símbolos do rock brasileiro dos anos 80’ se preparava para lançar “Sob o sol de Parador”.  Eu era repórter de música da IstoÉ. O disco veio parar na minha mão junto com a pressão da gravadora para que eu entrevistasse seu artista. Sugeri a pauta e ela foi obviamente aceita. Só que tinha que ser no Rio, na casa dele, exclusiva. Aí sim! Data marcada, me mandei pro Rio na ponte aérea e o papo rolou suave. Ficamos um tantinho mais “amigos” um do outro. E anos depois essa “amizade” foi um dos principais fatores para que eu conseguisse entrevistar o sujeito novamente, desta feita para a Interview.

Era 1995. E muita água havia rolado embaixo da ponte – tanto da minha quanto do Lobão. Eu continuava na Interview (já estava lá há quase três anos), que infelizmente estava prestes a ser fechada pela editora Abril. E Big Wolf havia despencado ladeira abaixo em sua carreira: o sucesso comercial de seus discos lançados nos anos 80’ não havia se repetido na década de 90’. O resultado foi que ele havia saído da major RCA (após ficar anos por lá) e estava lançando “Nostalgia da Modernidade” pelo selo Virgin (que havia se instalado havia pouco tempo no Brasil), após ficar mais de quatro anos sem gravar um disco inédito. Foi quando sugeri uma entrevista com ele para a revista – que a essa altura estava sendo dirigida por Walcyr Carrasco, hoje um dos autores de novelas mais badalados da tv Globo. “Sim, precisamos entrevistar o Lobão”, aquiesceu Walcyr. “Pode cuidar disso”, acrescentou ele.

Lá fui eu bater na porta da assessoria de imprensa da Virgin, para pedir a entrevista com o cantor. E logo veio a resposta da assessora da Virgin uma tarde, por telefone: “Finatti, ele disse que te conhece, te considera mas ele não vai falar com a Interview”, disse a garota (não me lembro quem era a assessora na época, mas lembro que era mulher). Eu: “Por que não? A revista é bacana, descolada, formadora de opinião…”. Ela: “e também polêmica, abusada, encrenqueira. Todo mundo conhece a fama da Interview e do tipo de pergunta que ela faz nas entrevistas. Ele disse que não quer se submeter a isso pois tem receio que o foco das perguntas seja apenas em assuntos escandalosos e não no trabalho musical dele”.

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A capa da edição da extinta revista Interview, de dezembro de 1995 (acima), com entrevista feita com Lobão por Zap’n’roll (abaixo); o cantor soltou a língua contra a cantora Fernanda Abreu e quis DESDIZER o que disse, em episódio que causou o rompimento de diálogo entre músico e jornalista

IMAGEMMATERIALOBAOINTERVIEW

Ok. Fui obrigado a garantir que, além de ser eu quem iria entrevistá-lo, a pauta também seria focada na sua carreira musical e no lançamento do novo disco. Para reforçar o pedido o próprio Walcyr Carrasco enviou uma carta a Lobão, garantido que as perguntas da entrevista não ficariam concentradas em… escândalos e declarações polêmicas. Com isso, conseguimos vencer a resistência do músico e nosso encontro foi finalmente agendado. Lobão viria a São Paulo em determinada data, para gravar o programa de entrevistas do Jô Soares. A instrução era: eu iria acompanhar a gravação da entrevista dele no Jô e, em seguida, ambos iríamos para o flat onde ele estava hospedado (na chic zona sul da cidade, claro) e a entrevista seria concedida lá. E de fato tudo correu conforme o combinado: gravação do Jô Soares e depois ping-pong no flat onde o cantor estava naquela noite. A entrevista rolou durante um ótimo jantar (pago por Lobão, assumo), regado inclusive a algumas doses de Black Label. E todo o conteúdo das perguntas e respostas havia sido registrado por mim em duas fitas gravadas, totalizando duas horas de bate-papo.

O caldo começou a entornar lá pelo meio da entrevista, quando começamos a relembrar sua passagem pela Blitz. Lobão se enfureceu quando eu citei o nome da Fernanda Abreu, que era uma das cantoras do grupo. Espumou, bufou, se irritou e com sua conhecida metralhadora giratória oral fuzilou a ex-companheira de banda sem dó, disparando declarações como “Ela sapateava [na Blitz], não apitava. Ela não sabia nem cantar. (…) Ela é uma pessoa inconsciente, (…) ela não sabe falar direito!”. O atual ex-bad Wolf do rock brasileiro dos 80’ só voltou a se acalmar quando passamos a discorrer sobre seu novo trabalho musical. E ao final da entrevista, já se despedindo de mim, ele teve a cara larga pra me pedir: “Pô Finatti, eu me exaltei na hora de falar sobre a Fernanda Abreu, e acho que isso não é legal, reconheço. Você bem que podia me fazer um favor e dar uma ‘editadinha’ nessa parte, pode ser?”. “Vou pensar no seu caso” foi a minha resposta, rindo. E me despedi, rumando pra casa com as fitas gravadas com a entrevista.

Nunca que eu iria subtrair aquela parte da entrevista. Se coloque no meu lugar: você é jornalista e vai entrevistar um artista conhecido. Que lá pelas tantas do bate-papo (que, repetindo, estava sendo gravado) perde a estribeira e dispara cobras e lagartos contra outro artista conhecido. Ao final da entrevista o sujeito se arrepende e pede, de maneira sagaz (e apelando para a sua relativa amizade para com ele), que você retire das declarações aquela que pode lhe causar dor-de-cabeça no futuro. No meu lugar, você atenderia a um pedido desses? Eu não atendi, claro. E a entrevista com Lobão foi para as bancas na edição de dezembro de 1995 da revista Interview. Com a fuzilada na Fernanda Abreu inclusa na matéria.

A big shit estava armada. Isso porque dali a pouco mais de um mês (em janeiro de 1996), iria acontecer mais uma edição do festival Hollywood Rock (então o grande festival de rock que rolava anualmente no Brasil, com shows em Sampa e no Rio De Janeiro). E justamente nessa edição do HR o músico baiano Gilberto Gil iria se apresentar com uma big band em uma das noites. Big band onde estavam escalados pra participar dela, entre outros, Lobão e… Fernanda Abreu! E um mês antes do tal show a Interview lindona e pimpona nas bancas, com o ex-baterista da Blitz detonando impiedosamente a pobre Fernandinha, uia!

Big Wolf se apressou em desdizer o que disse na entrevista, claaaaaro. E ficou com um ódio mortal do seu (a essa altura) ex-“amigo”, esse mesmo aqui, autor deste livro. Tanto que, em uma entrevista publicada na época no diário carioca O Globo, e onde foi abordada a entrevista publicada na Interview, Lobão não perdoou: chamou a revista de mentirosa e o repórter de “canalha”. Ahã.

E o “embate” entre músico e jornalista não parou aí. Nos dias em que aconteceu o Hollywood Rock em São Paulo, lá estava eu dando plantão no lobby do hotel Maksoud Plaza, onde a trupe do evento (produção e artistas) ficava hospedada – foi ali, inclusive, que consegui uma exclusiva com o total arredio líder do The Cure, o estranhíssimo guitarrista e cantor Robert Smith. Até que na tarde do segundo dia de festival, quem surge todo faceiro no lobby do hotel? Lobão em pessoa. E ao ver-me já veio em minha direção, pronto pra… me trucidar ali mesmo? Quase isso: começou um bate-boca meio alto e escandaloso entre os dois ex-“amigos”, acompanhado por uma platéia razoavelmente grande de curiosos, entre hóspedes, jornalistas, seguranças e fãs que tentavam conseguir algum autógrafo com alguém que fosse se apresentar no HR. Eu nem lembro mais o que um disse ao outro durante a discussão. Só me lembro do final dela, com Lobão gritando: “Você é burro, Finatti!”. E eu respondendo: “e você é um fodido, que nem estando falido na carreira, desce do salto alto”. Terminou ali uma suposta amizade de uma década.

Nunca mais falei com João Luiz Woerdenbag Filho. E nem pretendo voltar a falar algum dia, mesmo que continue admirando e respeitando sua obra musical. Essa continua bacana e resistindo ao tempo. Mas o Lobão como pessoa, mau caráter como descobri que ele era e reacionário como se tornou hoje em dia, esse pra mim já era.

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CINCO MOTIVOS PELOS QUAIS O BLOG ACHA QUE A CULTURA POP E O ROCK ALTERNATIVO ESTÃO MESMO MORRENDO – E O IRON MERDA LOTANDO ESTÁDIOS NO BRASIL ATÉ HOJE É APENAS UM DELES

No final de março último o atualmente pavoroso, velhusco e ultra chumbrega grupo britânico de heavy metal clássico Iron Merda, ops, Maiden, esteve em turnê pela bilionésima vez no Brasil. Foi o de sempre, principalmente na gig na capital paulista: estádios lotados, fãs fanáticos em convulsão na hora do show etc. Ou seja: quando um conjunto RIDÍCULO como o Iron Maiden provoca essa autêntica catarse no rock’n’roll, quatro décadas após a sua fundação, é porque algo vai realmente muito mal na cultura pop planetária dos dias de hoje.

Assim, Zap’n’roll resolveu listar nesse tópico cinco motivos pelos quais estas linhas virtuais acham que o rock alternativo e a cultura pop estão mesmo indo pro saco, sem apelação. Leia e fique avonts pra concordar, discordar, elogiar e xingar (só não vale assinar fake, uia!).

 

1 – o próprio sucesso do Iron Merda até hoje, no Brasil: é um fenômeno realmente inexplicável. O quinteto liderado pelo baixista Steve Harris e pelo vocalista Bruce Dickinson já foi RELEVANTE na história do rock? Já e isso há uns trinta anos ou mais, quando de fato o surgimento do grupo provocou uma renovação bem vinda em um gênero (o metal) que sempre foi tosco, grotesco, obtuso, burrão (musical e textualmente falando), sexista, machista, reacionário e conservador. O IM chegou a lançar discos bacanas (“Killers”, “The Number Of The Beast”, “Powerslave”) mas há décadas se transformou numa caricatura de si próprio, além de ter se tornado completamente OBSOLETO sonoramente falando (e pra quem foi VANGUARDA um dia, isso é mortal). Então não dá pra entender porque até hoje essa BOMBA rocker segue tendo milhares de fãs no Brasil – e por causa deles vem praticamente todos os anos pra cá, pra encher o saco e arrancar milhões de dólares (sim, o cachê do grupo é pago em dólar) dos otários fãs brazucas. Lamentável é pouco e o sucesso secular desse MENUDO do heavy metal talvez seja um dos principais indicativos de que o rock está… morrrendo.

 

2 – os fãs do Iron Merda e do heavy merdal em geral: sério, você já viu raça mais escrota (comportamentalmente falando), conservadora, machista, reacionária e grotesca do que fãs de heavy metal? Pare para conversar com um sujeito (ou uma garota) dessa turma e depois nos diga. Pergunte a eles/elas suas opiniões sobre política (se é que o cérebro com 02 neurônios dessa pelegada consegue raciocinar para emitir opinião sobre algo), o que eles acham sobre negros, diversidade sexual, drogas, tolerância, ética, moral, sociedade, cultura em geral. E o pior é que o fã de metal se tornou o exemplo do que, no final das contas, o rock de hoje se tornou: inofensivo, inócuo, babaca, careta, bunda-mole e conservador. Justo ele, o rock’n’roll, que inspirou mometos iluninados de mobilização política e social na história da humanidade (como os festivais de Woodstock e o Live Aid, aliás festival de rock no mundo atual virou piada: basta freqüentar o Lollapalooza BR, aquele parque de diversões pra coxas endinheirados onde o que menos importa é a MÚSICA, e você entenderá o que estamos falando aqui). Já Elvis, né?

3 –  mundo virtual, internet, plataformas digitais, aplicativos e redes sociais: FODEU a humanidade, claro. Tá tudo dominado! Você entra no metrô e não consegue mais ver NINGUÉM lendo um LIVRO (ou jornal ou revista, que seja). Todos estão com os dedos digitando freneticamente imbecilidades/inutilidades em seus smartphones, em apps como o detestável whats app. Yep, a revolução digital DEMOCRATIZOU o acesso à informação, à cultura e propiciou que músicos sem lastro financeiro ou comercial pudessem mostrar suas criações para a humanidade. Mas e daí? Também ARREGANHOU as portas para um bando de milhões de idiotas que se consideram artistas geniais (sem o ser) VOMITAREM suas barbaridades sonoras na nossa orelha. Sábias foram as palavras ditas pelo filósofo italiano Umberto Eco pouco antes de ele morrer, em fevereiro passado: “a internet produziu uma LEGIÃO de IDIOTAS”. É verdade, ponto.

4 – e a derrocada não é apenas musical ou no rock’n’roll. Ela atinge praticamente todas as esferas da cultura pop planetária. Pensa: todos os clássicos (na música, na literatura, no cinema, nas artes plásticas etc.) já foram CRIADOS e eternizados. Ou você acha que, a essa altura infame do campeonato, vai surgir um novo Jimi Hendrix? Ou um David Bowie? Ou mesmo um novo Morrissey ou Ian Curtis? Cinema? Hollywood não possui mais roteiristas com cérebro e o que rende bilheteria são IDIOTICES monstro como “Superman X Batman” (e o populacho burrão AMA, claro) e que tais. Não vai surgir outro Francis Ford Coppola, outro Stanley Kubric, outro Martin Scorsese, Tim Burton, nem filmes como “O poderoso chefão”, “2001 – uma odisséia no espaço” ou “Laranja Mecânica”. Esqueça: o que espirra aos borbotões nas telas 3-D de hoje são jatos de sangue, provenientes de cabeças humanas decepadas em filmes de terror de quinta categoria, e nada mais. Literatura? Vem cá: há quantos anos não ouvimos falar de um novo nome que chegue PERTO da genialidade de um Oscar Wilde, de um Rimbaud, de um Jack Kerouac, de um Fernando Pessoa, Augusto Dos Anjos, Bukowski, Manuel Bandeira, Drummond ou de um Albert Camus? Hein???

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A cultura pop e o rock alternativo estão mesmo indo pra casa do caralho e o eterno sucesso de uma banda repulsiva como o Iron Merda (acima) é a maior prova disso; uma derrocada que também atinge o jornalismo cultural brasileiro, que não possui mais profissionais com o nível de um André Forastieri ou André Barcinski (ambos abaixo, junto com Zap’n’roll na noite de lançamento do livro do Forasta, ano passado em Sampa)

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5 – e por fim, o JORNALISMO cultural também está indo pra casa do caralho (literalmente, rsrs): ao menos aqui no Brasil ele está assim. O autor deste blog está com 5.3 de idade nas costas e se lembra quando começou sua trajetória no jornalismo musical, em 1986. Eram tempos realmente incríveis. Não havia internet, computadores, celulares, e-mails, apps, redes sociais, nenhuma dessas merdas pós-modernas. Quem queria se INFORMAR tinha que ir atrás de ÓTIMOS discos, filmes, livros, jornais (com seus cadernos culturais inesquecíveis) e revistas – muitas vezes importadas, já que publicações de qualiadade e relevância na imprensa nacional não davam exatamente em árvores (mas elas existiam). E essa busca por alta informação (de alta densidade cultural/cerebral) também se refletia na FORMAÇÃO do profissional que abraçava o jornalismo cultural. Foram muitos os nomes lendários que formaram uma geração imbatível na imprensa cultural brasileira até meados dos anos 90’, nomes como Maurício Kubrusly, Ezequiel Neves, Luís Antonio Giron (dileto amigo destas linhas rockers bloggers até hoje e um dos prefaciadores do livro “Escadaria para o inferno”, escrito pelo jornalista blogger/zapper), Fernando Naporando, Pepe Escobar, André Forastieri, André Barcinski e mais alguns poucos. Revistas como Somtrês e Bizz (em sua primeira encarnação) e cadernos culturais como a Ilustrada (da FolhaSP) e Caderno 2 (do jornal O Estado de S. Paulo, onde o autor deste blog trabalhou entre 1988 e 1989) eram fonte de informação total relevante e REFERÊNCIA para quem queria estar mega ultra bem informado sobre cultura. Hoje tudo isso foi pro saco, óbvio. O último suspiro de bom jornalismo cultural foi a edição brasileira da revista Rolling Stone e isso em seus primeiros três anos de existência (quando ela era dirigida pelos ótimos Ricardo Cruz e Pablo Miyazawa, época em que o zapper aqui também colaborou com ela). Atualmente a RS Brasil está um lixo jornalístico de dar dó, editada por jornalistas completamente bundas e incompetentes, como o retardado Paulo Cavalcanti. Blogs RELEVANTES de cultura pop na web BR? O que era produzido pelo André Barcinski no portal R7 (e que era excelente), foi encerrado pela direção do portal (sob a justificativa de contenção de gastos). Popload, de Lúcio Ribeiro? Já foi referência, hoje em dia… No terreno dos cadernos culturais: Ilustrada, da FolhaSP, um caderno que teve nomes como Giron e Carlos Heitor Cony, hoje se compraz em ter como repórter especial o LAMENTÁVEL Thales De Menezes (mr. chapa branca e bunda-mole e gorda em pessoa), aka Merda De Menezes, um sujeito de texto lambão, preguiçoso ao máximo, eivado de clichês e que geralmente fala bem de tudo o que escreve (afinal, ele vive indo NA FAIXA em todos os shows possíveis). Diante de um quadro desses fica praticamente impossível formar novos e bons leitores e dar a eles informação de qualidade. Na real (e isso é muito triste de se constatar) o jornalismo cultural brasileiro também está morrendo, tal qual a cultura pop atual.

É isso. Cinco ótimos motivos (infelizmente) que, na opinião destas linhas bloggers sempre contudentes em suas opiniões, demonstram como o rock’n’roll e a cultura pop já eram. Bem vaticinou o também gênio Andy Warhol, décadas atrás: “no futuro, todos serão famosos por quinze minutos”. Pois o futuro chegou e a profecia de Warhol se confirmou: hoje todos (músicos, escritores, atores e atrizes de cinema, e reles mortais em geral) se tornam celebridades por quinze minutos, principalmente em redes sociais como o faceboquete. E depois desaparecem pois sua IMBECILIDADE e IDIOTICE artística e pessoal terá que dar lugar a outro imbecil e idiota igual ou pior do que o anterior.

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

  • Disco, I: Bob Mould está ficado véio mas não pára. Aos cinqüenta e cinco anos de idade o sujeito que deu ao mundo duas BANDAÇAS (o Husker Du nos anos 80’, e o Sugar, uma década depois) continua bastante ativo em sua carreira solo. Tanto que ele lançou no final de março passado “Patch The Sky”, seu décimo terceiro disco solo (!). Não há grandes novidades em relação aos seus últimos trabalhos – e na real “Silver Age”, editado em 2012, sou um pouco mais abrasivo e melhor musicalmente. O que não é demérito algum: nas doze faixas do novo cd Bob engendra aquelas melodias com guitarras afiadas e aceleradas e que ele soube tão bem alinhavar nos tempos do Husker Du, quando descobriu o mix perfeito entre sua herança punk e melodias que pudessem ser tocadas em rádio e cantaroladas pelos fãs. Longe de ser uma obra-prima, é um álbum honesto e onde músicas como “Voices In My Head”, “Hold On”, “Black Confetti” ou “Losing Time” (as preferidas do blog) ainda garantem ótimas melodias e guitarras em um mundo pop/rock onde quase ninguém mais se importa com isso. Interessou em ouvir? Vai aí embaixo no Spotify, onde o cd já está disponível na íntegra para audição.

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O novo cd do grande Bob Mould (que pode ser ouvido abaixo)

  • Disco, II: nascido e criado na zona leste paulistana, o quarteto Coyotes California (formado pelo vocalista e letriste Falcão Moreno, pelo guitarrista William Antonetti, pelo baixista Toddynho e pelo batera Biano Rodrigues) lançou no final de 2015 seu segundo álbum de estúdio, “A minha parte eu quero em groove”. Numa primeira audição o trabalho pode soar algo anacrônico, visto que o foco musical do grupo sempre foi o rock mixado com grooves de funk, e sua inspiração sonora claramente vem do Faith No More, do Red Hot Chili Peppers (na fase gloriosa dos americanos, lá por 1991 com “Blood Sugar Sex Magik”) e no brazuca Charlie Brown Jr. Porém – e tal qual no cd de estréia, “Hello Fellas”, editado em 2012 – o CC ganha o ouvinte pela potência de suas músicas e pela excelência de seus músicos – todos ali são, sem exceção, MONSTROS em seus instrumentos e fazem barbaridades (no ótimo sentido) com os mesmos, montando a moldura sonora perfeita para as boas canções, letras e vocalizes tramados por Falcão Moreno. Assim há uma dose exemplar de porradas no disco (“Viva”, “Minhas escolhas”, “Menos dois centímetros de língua” ou “Não se importe e dance”, que fecha o cd com esse convite irresistível apoiado em uma grooveria infernal) e até algumas baladas singelas, como “A vida me ensinou” (que tem até a adição de uma surpreendente flauta em seu arranjo), “Tão nautral pra mim” e “Cicatrizes”. Não é a salvação da humanidade mas numa época em que o rock nacional (seja ele mainstream ou alternativo) literalmente FALIU (na qualidade artística e na repercussão comercial, de público e midiática) e não há mais heróis nessa parada, o novo rebento dos CC é uma agradabilíssima surpresa e ótima trilha sonora para uma festinha com os amigos ou para por o pé na estrada. Interessou pela banda? Vai aqui: https://www.facebook.com/groups/coyotescalifornia/?fref=ts. Sendo que você pode escutar o cd na íntegra aí embaixo.

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Coyotes California: grooveria dos infernos, direto da zona leste de Sampa

  • Filme: tem longa do novíssimo cinema paulistano aparentemente muito interessante em cartaz. “A bruta flor do querer” conta a história de um recém-formado no curso de Cinema e que ganha a vida filmando… casamentos. Está em cartaz no Cine Belas Artes (em Sampa) em apenas UM horário diário e vale a conferida, sendo que o trailer dele está aí embaixo.

  • BALADAS? Vamos a elas! Yep, com o primeiro postão lindão da nova fase do blogão sendo concluído já na quinta-feira (14 de abril), vamos ver o que rola no circuito alternativo paulistano, que ficou um pouco mais tristonho após o fechamento do Astronete. Enfim o oba-oba já começa hoje, com a noite pop “Loucuras” no bar gls A Loca (rua Frei Caneca, 916, Consolação, região central de Sampalândia), com as pick-up’s comandadas pelo super DJ André Pomba.///Amanhã, sextona em sim, tem a festa “No Fun” no Outs (na rua Augusta, 486, centro de Sampa), comandada pelo DJ João Pedro Ramos.///E sabadão é noite do open bar mais infernal da cidade, também no Outs. É isso. Poucas opções essa semana pra se jogar, vocês não acharam? O blog também achou, rsrs. Mas bora lá curtir com gosto, porque a vida é curta.

 

 

E FIM DE PAPO!

Postão ficou lindão e grandão no novo visual zapper, e todo mundo feliz com ele, néan. Então aproveitem e leiam com calma e sem moderação que na semana que vem estamos por aqui novamente. Até lá!

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O novo visual e plataforma da Zap’n’roll foram desenvolvidos pelo web designer Marcelo Shiniti, que trabalha há anos na área. Entre outros, ele é o responsável pelo visual do portal de rock e cultura pop Nada Pop, que pode ser acessado em WWW.nadapop.com.br. Para saber mais sobre o trabalho do Marcelo, vai aqui: http://marceloshina.com.br/.

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 14/4/2016, às 18:30hs.)

Mark Lanegan, a voz abençoada pelos deuses e pelo inferno, ressurge com novo bom disco; a semana (a passada) em que o mondo pop/rock voltou a respirar com ansiedade e tensão a lenda The Smiths, com Morrissey anunciando que está com câncer e o gênio Johnny Marr lançando seu segundo álbum solo; o conhecido selo indie brazuca Pisces Records volta a ser bombardeado em redes sociais, e o blogão zapper entrevista seu proprietário para saber o que de fato está acontecendo; a mega mídia brazuca entra com tudo e na cara larga na campanha aética e suja para derrubar Dilma e eleger o tucanalha Aécio; e uma musa rocker loiraça e genuinamente alemã, para delírio do nosso sempre fiel e dileto leitorado macho (cado), uia! (postão sempre total bombator e com NOVA AMPLIAÇÃO MONSTRO, falando do novo disco do grupo The Twilight Sad e mostrando fotos ordinaríssimas da cadelinha Jennifer Lawrence, ulalá!) (ampliação e atualização finais em 29/10/2014)

Os grandes gênios do grande rock’n’roll que ainda importa dão as caras com os seus novos trabalhos: a voz dos deuses e do inferno, Mar Lanegan (acima) lança na próxima segunda-feira seu novo disco solo; já a lenda Johnny Marr (abaixo), que um dia tocou guitarra nos inesquecíveis Smiths, editou seu segundo álbum individual na semana passada

 

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EXTRÃO NO POSTÃO BOMBATOR: PAPOS SOBRE FAKES, DILMONA LÁ, O TWILIGHT SAD E A BOTINADA DA XOXOTUDA JENNIFER LAWRENCE NO POBRE CHRIS MARTIN

* Yep. Já temos material de sobra pra fazer um novo post esta semana, mas como o blog vai dar um pequeno rolê pelo extremo Norte brasileiro nesta quinta-feira (leia-se amanhã, já que este complemento está entrando no ar hoje, quarta-feira, 29 de outubro) e como este postão segue bombator total (166 likes e 121 comentários no painel do leitor), resolvemos dar uma “engordada” nele mesmo e deixa-lo mais um pouquinho no ar. Sendo que na semana que vem, depois que retornarmos da viagem e tal ai sim renovamos tudo aqui no pedaço, beleusma?

 

 

* Claaaaaro que essa repercussão toda e essa grande audiência não seria possível sem nossos queridos fakes covardões, otários e total imbecis de plantão, uia! Eles já se tornaram uma atração à parte no espaço reservado aos comentários do nosso dileto leitorado: insistem na baixaria, repetem sempre as mesmas histórias mentirosas e inventadas por suas mentes total sem noção, regurgitam exaustivamente os mesmos nomes fakes (muitos vindos de um único IP, vejam só, rsrs), mostram total psicopatia e inveja gratuita (caso para internação em sanatório, meeeeesmo!) e perdem qualquer noção de ridículo. Por isso hoje um dos esportes prediletos do autor destas linhas online é ler as mensagens dessa turma otária e responder todas elas (com os devidos cortes e edições no que é enviado por eles, já que a agressão e os insultos pesados ali correm soltos e nenhum leitor merece ler escrotices do nível que eles mandam pra cá), também zoando sem dó essa turma. Mas lamentável mesmo é saber (através de investigação feitas por amigos queridos dessas linhas rockers virtuais, especialistas em tecnologia da informática) que por trás desses fakes bundões ao extremo está gente graúda qie trampa em grandes redações da imprensa brasileira. Como um certo mega rotundo, solitário e completamente frustrado (na vida pessoal sem sentindo algum) editor da revista Rolling Stone, que tem um bom cargo, ganha bem, mas é um infeliz de metro e meio de altura, gorducho, feioso e que nunca casou na vida, morando com a mãe até hoje. O esporte preferido do calhorda é perseguir e tentar destruir reputações de colegas seus no jornalismo. Como ele tem tentado fazer com Zap’n’roll: além de ficar mandando mensagens fakes como um lunático para o nosso painel do leitor, ainda posta vídeos na web sarreando o autor deste espaço blogger rocker. Sem problema: já estamos consultando amigos advogados que estão nos orientando sobre o que fazer para acabar com a alegria dessa praga eivada de rancor e ressentimento. Em breve ele irá levar um susto, hihi.

 

 

* Pois então, Dilma reeleita. Disputa acirradíssima mas ela está lá, para mais quatro anos de mandato. O blog votou nela (como todos sabem), um voto bastante crítico diga-se. E agora espera-se que ela seja MACHA e resolva os graves problemas que se anunciam para o país em 2015, além de ter que dar um BASTA na corrupção que assola a máquina pública e a Petrobras. Agora, sem essa de que o país está “dividido”. Isso é papo escroto de tucanalha que não quer engolir a derrota. É de uma imbecilidade, ignorância e bestialidade sem tamanho parte do eleitorado do PSDB disprar declarações separatistas, moralistas, reacionárias, racistas e mega conservadoras em redes sociais, achando que as regiões Sul e Sudeste são melhores do que o restante do Brasil. Pensamento típico de boçais como o tal coronel Telhada (eleito deputado pelos tucanos) e que nos leva a refletir: o eleitor do PSDB, que se julga a “elite” intelectual, social e econômica do país, JAMAIS deveria ter esse tipo de raciocínio, não é mesmo? E no entanto os pobres e a “escumalha” que votou no PT é que está dando show de sapiência e comportamento nessa discussão. Bola pra frente Dilmona! Você vai governar para todos. E confiamos em que você NÃO nos decepcione!

 

 

* Banda bacana para já: The Twilight Sad, trio escocês que existe há onze anos e que lançou na última segunda-feira (dia 27 passado) seu quarto álbum de estúdio, “Nobody Wants to Be Here and Nobody Wants to Leave”. A praia deles é pós-punk, shoegazer e canções com melodias mezzo dançantes mas também sombrias (assim como os vocais), algo próximo de Echo & The Bunnymen e Joy Division. O blog fala melhor do novo disco deles no nosso próximo post, okays? Mas você pode ouvir o single “Last January” (o primeiro tirado do novo cd) aí embaixo.

Capa (acima) do novo álbum de estúdio do pós-punk escocês Twilight Sad, cujo primeiro single você pode escuta aí embaixo:

 

* Pobre Chris Martin. O eternamente sensível vocalista do hoje gigante pop Coldplay, não tem mesmo se dado muito bem com o sexo feminino. Depois de ser dispensado pela ex-esposa, aquele xoxotaço loiro que é a Gwyneth Paltrow, o rapazola agora também acaba de encerrar seu curto romance de quatro meses com outro bocetaço, a ótima e cadeludinha atriz Jennifer Lawrence, que com apenas vinte e quatro aninhos de idade já amealhou um Oscar (pela sua atuação na comédia “O lado bom da vida”). Pois é… não se esquecendo que a vaquinha hollywoodina andou aparecendo peladaça na web em agosto passado, quando fotos mostrando o que ela tem quando está sem roupa vazaram na rede. Ah, o mundo devasso das celebridades, uia!

 Um BOCETÃO inigualável! A gozoduda atriz hollywoodiana Jennifer Lawrence (acima e abaixo), mostra suas lindaaaaas tetas, a xoxotona lisinha e o cuzão arrebitado para o mundo, em fotos que “vazaram” (uia!) na web em agosto passado; ela acaba de terminar seu romance com o pobre Chris Martin, o sempre sensível vocalista do Coldplay – bien, pelo menos ele meteu a rola na cachorrinha, hihihi

 

* Enfim, o blogão campeão em cultura pop está se mandando nesta quinta-feira, 30 de outubro, pra quentíssima (literalmente) e distante (idem) Macapá, onde não aparece há mais de quatro anos e onde sempre teve ótimos amigos além de estar namorando por lá novamente (deve ser alguma espécie de “karma” ou algum feitiço que as loironas do Norte jogam em nós, indefesos paulistanos, hihi). Pra quem vai ficar por Sampalândia mesmo vai ter showzão do sempre ótimo The Concept na sexta em si (31), às nove da noite no Hotel Bar (que fica lá na rua Matias Aires, quase esquina com a Augusta e próximo ao metrô Consolação). Depois você pode emendar descendo a mesma Augusta e fazendo uma via sacra rocker bacanuda pelo Tex (no 1053, e onde tem um burger de fraldinha campeão, experimentado e aprovado por estas linhas virtuais comilonas, ahaha), pela Blitz Haus (na esquina com a Dona Antonia de Queiroz), pelo sempre bombado open bar do Outs (no 486) e terminando tudo no fodão pub rocker que é o Astronete (no 335). Precisa mais? Aí no sabadão dá pra fazer tudo isso novamente mas começando pelas brejas artesanais sensacionais da Sensorial Discos (no 2389 da Augusta), onde inclusive vai rolar show do Nevilton. Tá bão, né? Então é isso: amor pra todos os leitores e leitoras destas linhas bloggers sempre agitadas e lokers. O zapper parte rumo à Amazônia e promete postão total inédito pra semana que vem, okays? Beijos em todos e tchau pra quem fica!

 

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Tensão e expectativa.

As duas palavras resumem bem o que foram as últimas semanas. E isso tanto no rock planetário e na cultura pop quanto na política brasileira também. No primeiro caso o mondo pop foi surpreendido no último dia 6, quando um diário espanhol publicou uma entrevista com o amado Morrissey, o homem que um dia cantou à frente dos inesquecíveis Smiths. E nessa entrevista Moz soltou a bomba: havia desenvolvido câncer (sem especificar em qual parte do seu organismo), havia feito tratamentos e no momento se encontra em boas condições de saúde. A notícia, óbvio, assustou os milhões de eternos fãs da lendária banda de Manchester e causou comoção nos mesmos. E explica muito do por quê de Moz ter andado cancelando shows e outros compromissos de meses pra cá. Ainda uma das doenças mais devastadoras e mortais da humanidade, o câncer causa pânico nas pessoas. E só quem passou pelo calvário de desenvolver um tumor e ter que tratá-lo (como foi o caso do autor deste blog, que foi diagnosticado com um tumor maligno em sua garganta no início de 2013, passou por tratamentos pesados de quimio e radioterapia no final do mesmo ano e quando chegou a emagrecer quase vinte quilos, para agora estar momentaneamente bem de saúde mas sob acompanhamento médico periódico pelos próximos cinco anos), sabe o que é ter passado por um câncer. Uma experiência que estas linhas bloggers sempre emotivas e passionais não deseja realmente pra ninguém, muito menos para o querido Morrissey. Sendo que sua ex-banda continuou no centro das atenções com o lançamento de “Playland”, o segundo disco solo do também ex-Smiths Johnny Marr. O disco do guitar hero foi lançado oficialmente na terça-feira da semana passada e é um dos tópicos desse post, óbvio, ao lado da volta da voz gigante do americano Mark Lanegan, que lança na próxima segunda-feira seu novo trabalho de estúdio. Um post que também analisa em seu editorial inicial o outro assunto que casou tensão durante os últimos dias: a campanha eleitoral para o segundo turno, que irá acontecer no próximo dia 26 de outubro. Mais uma vez e inacreditavelmente a quadrilha dos tucanalhas venceu o (des) governo de São Paulo, e vai continuar FODENDO o Estado mais importante do país por mais quatro anos. Não só: a polarização PT X PSDB mais uma vez vai ser a tônica da eleição presidencial. Talvez seja a eleição mais dramática das últimas duas décadas, por zilhões de questões que ela envolve. De um lado Dilma tentando se reeleger mas fustigada por uma administração petista reconhecidamente ruim (inflação em alta, taxa de crescimento ridícula, recessão à vista em 2015 e, principalmente, eivada pela corrupção do partido e pelo aparelhamento do mesmo na máquina administrativa). Um prato cheio para a mega mídia que está na cara larguíssima totalmente EMPENHADA em impedir que a candidata petista se reeleja. Haja visto o bombardeio pesado dos últimos dias quando veículos como a FolhaSP e o Jornal Nacional (da Globo) deram destaque gigantesco em seus noticiários ao escândalo de corrupção armado dentro da Petrobras. Fora as capas das revistas semanais estampando a face do candidato do PSDB e saudando-o como o “salvador do Brasil”. Ok. Mas e Aécio Neves, um playboy que NÃO assume que gosta de praticar devastação nasal com cocaine, que é de um partido elitista e que sempre governou para a elite escrota desse país, um partido que sempre deu um foda-se gigante para as classes menos favorecidas, um partido que também possui quadros repletos de bandidos da pior espécie e um partido que possui uma folha corrida de corrupção igual ou muito pior que a do PT (está aí o caso do trensalão em São Paulo, que desviou UM BILHÃO de reais nas últimas três administrações tucanas no Estado, como apenas UM dos exemplos principais de como o PSDB também é uma agremiação política IMUNDA em grau máximo). Então, entre um e outro, este espaço rocker virtual prefere mesmo ficar com Dilma porque ruim com ela, MUITO PIOR SEM ELA. Mas aí é escolha de cada um e não temos como interferir nisso, e o máximo que podemos fazer é emitir de maneira livre e democrática nossa opinião. Enfim, música, rock e política: os grande pontos de tensão de uma semana que deixa no horizonte apenas uma constatação: os próximos dias continuarão ferventes e sangrentos na política da terra brasilis. E para aguentar a fervura ouçamos o novo e sublime álbum do grande Mark Lanegan, The Smiths e Johhny Marr, enquanto também torcemos pela recuperação de Morrissey, o ser vivo mais maravilhoso que existe (se os políticos brasileiros tivessem apenas um milésimo da decência dele como ser humano…)

 

 

* Pronto, demorou mas chegou! Semana terminando com postão novo no ar. E com o blog mantendo beeeeem sua audiência: mais de duzentos likes e mais de quarenta comentários no post anterior. A firma agradece ao seu sempre distinto e dileto leitorado, hihi.

 

 

* Ainda sobre a total falta de moral e ética da mega mídia brazuca nesse momento, em relação à cobertura das eleições deste ano: nunca se viu tanta SUJEIRA editorial, amoralismo e falta de ética de uma imprensa que deveria ser JUSTA E IMPARCIAL. Estão todos na cara larga e sem vergonha alguma empenhados até o cu em botar esse traste playboy chamado Aécio Neves, na presidência do Brasil. Por que não criam vergonha e caráter e assumem de vez que são A FAVOR da candidatura dele, ao invés de tentar disfarçar esse apoio escancarado em manchetes pseudo imparciais e isentas? Só quem é burro enxerga imparcialidade e isenção nisso. O autor deste blog é jornalista há quase 30 anos. E nesse momento, pela primeira vez na vida, sente total VERGONHA ALHEIA pela sua profissão. O PT errou? Cagou? Aparelhou a máquina pública? Montou mega esquema de corrupção na Petrobras? Ok. Pelamor, e essa BANDIDADA monstro da máfia tucana? E o mensalão tucano em Minas? E a privataria tucana? E o aeroporto de Aécio feito com dinheiro público nas terras de parentes dele numa cidade Mineira? E a compra de votos para a reeleição de FHC? E o trensalão tucano em SP, com desvio de UM BILHÃO DE REAIS? E a água que vai ACABAR em São Paulo? PSDB honesto??? O CU! Vão tomar no cu tucanalhas! Foda-se o PSDB. Pro inferno com esse partido que também ROUBA E MUITO. E rouba dos POBRES pra deixar os ricos ainda mais ricos. Este blogger indignado NÃO VOTO EM AÉRCIO NEVER COCAINE MAN nem sob a mira de um fuzil!

 As capas das principais revistas de informação do país desta semana (Veja acima; Época e IstoÉ abaixo): mega mídia total imparcial, aética e amoral no apoio descarado ao candidato tucano, e tentando derrubar na marra a reeleição de Dilma. Lamentável!

 

 

* E ontem teve debate no SBT. Pela foto aí embaixo, dá pra ver o que nos espera caso Inércio Never Corleone Cocaine Man ganhe a eleição. Salve-se quem puder!

 

E que tal um SAMBINHA TUCANALHA pra entrar no clima eleitoral? Uia!

 

 

* Mas bora pra cultura pop e pro rock. A semana termina bem, com a confirmação de uma nova turnê do ex-beatle e gênio Paul McCartney pelo Brasil. Serão três shows, todos em novembro, e nas seguintes capitais: Vitória (no dia 10), Brasília (23) e Sampa (25), onde a gig vai reinaugurar o reformado estádio do Palmeiras. Nesse até o blog (que por diversos motivos totalmente bizarros e inacreditáveis e que serão relatados no livro de memórias do jornalista eternamente loker e maloker, jamais viu uma gig do ex-Beatle) pretende ir, wow!

 

 

* Um dos maiores fenômenos da cultura pop nos anos 90’ vai voltar em 2015. O cineasta doidão David Lynch anunciou que serão exibidos na tv americana nove episódios inéditos do seriado “Twin Peaks”, que dominou as atenções do mundo há vinte e cinco anos. Quem não se lembra ou não acompanhou as investigações em torno da jovem loira (e tesuda, e putona e cocalera) Laura Palmer entre 1990/1991, ou morava em Marte ou não tinha tv em casa. A agurdar então com expectativa para conferir a nova temporada.

A loira cadeluda, fodedora, cocalera e trepadeira Laura Palmer (personagem da série americana Twin Peaks, mega sucesso mundial no início dos anos 90′), na clássica imagem do episódio de estreia do fenômeno televisivo, quando ela é descoberta MORTA e envolta em um plástico azul: capítulos inéditos em 2015

 

 

* E acaba de ser confirmada a última grande festança rock’n’roll promovida por estas linhas virtuais em 2014. Ela rola dia 29 de novembro, sábado, no bucólico e paradisíaco Simplão Rock Bar em Paranapiacaba, bem no meio da Mata Atlântica, uhú! Vão rolar gigs bacaníssimas das bandas Pronominais, Dr. Jupter e Coyotes California, além de dj set do sujeito aqui, hihihi. Vai ser fodão, vai ser imperdível e até lá iremos dando mais infos aqui a respeito.

 

 

* Vai rolar festão bacanão também na distante (e ponha distatante nisso) Macapá, capital calorenta do Amapá, lá no extremo Norte brazuca. Trata-se da comemoração de haloween da produtora Curupira Vampiro (do queridão Alcir Neto), quando vai ter open bar, dj set pop/rock bacanuda e show da banda Oh My Dog! O blogão zapper vai estar por lá inclusive (afinal, estamos novamente enamorados em Macapá, hehe) e se você quiser saber mais sobre a festa, vai aqui: https://www.facebook.com/events/341646782681311/?fref=ts.

 

 

* OS PRONOMINAIS VEM AÍ! – E já que falamos deles mais acima… o blogão sempre atento às novidades da indie scene nacional bota fé no trampo do novíssimo quarteto paulistano, que lança seu primeiro Ep (com seis músicas) até dezembro. A banda é formada por Nani Morelli (vocais, letras, guitarras), Samuel (guitarras), Estevão (baixo) e Lucas (bateria) e a praia deles é rock BR classudo dos anos 80’, com altas doses de Ira! e Legião Urbana na sonoridade, que também incorpora eflúvios de Pixies, Weezer e algo de rock pesado. E a turma é mesmo do rock: o vocalista Nani (amigo pessoal do autor deste blog há década e meia) atua em bandas desde que era adolescente. Formado em Letras e dando aulas da matéria em faculdades, escreve textos muito acima do que se lê e se escuta no atual paupérrimo cenário do rock independente nacional. Vai daí que há pelo menos duas músicas fodonas entre as que estarão no Ep do grupo: “Caminhos” (uma balada pungente e pesada, à la Pearl Jam) e “Centralismo”, que possui um apelo radiofônico sinistro (no ótimo sentido do termo) e um dos refrões mais contagiantes que estas linhas bloggers poppers escutaram nos últimos meses. O velho jornalista zapper presenciou um ensaio dos moleques (curiosidade: Samuca e Luquinha são sobrinhos do vocalista Nani) e ficou tão empolgado com o que viu/ouviu que vai assessorar jornalisticamente o conjunto por alguns meses. E eles irão tocar na última festa do blog este ano, dia 29 de novembro, em Paranapiacaba. Além disso, em breve estreia o site deles bem como sua fan page no Facebook. Então se prepare para os Pronominais: logo menos você vai ouvir falar muuuuuito dos caras. Pode ter certeza disso!

 A tchurma dos Pronominais, “cercando” Zap’n’roll: em breve você vai ouvir falar muuuuuito deles, pode esperar!

 

 

* Bandas novas também pelos lados de Goiânia Rock City. É o Carne Doce, que foi comentado no nosso sempre querido “vizinho” Popload. Que falou bem do grupo e tals (Zap’n’roll também ouviu e achou bonzin). Mas só pecou ao dizer que eles são de Goiânia (justo), a “terra de Nobre”. Puaf! Dizer que Goiânia é a terra de um conhecido escroque da indie scene nacional (célebre por seu apelido, “diabo gordo bacon”), que foi DEFENESTRADO sem dó da sociedade de um dos selos independentes mais importantes do Brasil (porque o referido selo cansou de suas pilantrices) e que possui uma arrogância e safadeza tão grande quanto sua enooooorme região abdominal, é na verdade constranger uma cidade bacaníssima e onde rola um dos maiores festivais indies do Brasil. Goiânia é, sim, a terra do Goiânia Noise. E não de “nobres” que de nobreza não têm absolutamente porra nenhuma.

 

 

* E aliás o Goiânia Noise Festival, que este ano chega à sua vigésima edição, começa a soltar os primeiros nomes de seu line up. Estarão por lá o americano pesadão Biohazard e o carioca Matanza. Em negociações (para ser o headliner de uma das noites): Vanguart. O festival acontece dias 5 e 6 de dezembro na capital de Goiás e o blog estará por lá, acompanhando tudo bem de perto.

 Os cuiabanos do Vanguart: cotados para se apresentar no Goiânia Noise 2014

 

 

* IMAGEM NUDE NEGRO CLASSUDO DA SEMANA –  esse xoxotaço e deusa negra de safadeza e luxúria se chama Samira Caravalho. A foto foi publicada esta semana na Folha online. Wow! Que de-lí-cia cremosa. Deve foder horrores como toda crioula que se preza. Se todas as bocetas do mundo fossem desse naipe, a macharia morreria gozando e feliz, uia!

 Um xoxotaço preto pra ninguém reclamar; e que deve foder até o grelo piscar, uia!

 

 

* E essa maravilha aí embaixo ACABA de ganhar edição nacional. Mais pra frente o blogão fala melhor desse livrão, pode esperar.

 

 

* Mas bora lá  destrinchar o novo disco de Mark Lanegan e muito mais. Vai lendo aê!

 

 

MARK LANEGAN E SUA VOZ DIVINAL/INFERNAL RESSURGE PARA ENTORPECER NOSSO CORAÇÃO

O cantor e compositor norte-americano Mark Lanegan, que completa meio século de vida em novembro próximo (ele é de sagitário como o autor desta esbórnia rocker online; faz aniversário um dia antes do blog), continua sendo um dos nomes mais relevantes do rock que importa nos EUA nas úlimas duas décadas e meia. E seu novo álbum solo, “Phantom Radio” (que tem lançamento oficial marcado para a próxima segunda-feira, 20 de outubro, mas já caiu na web há alguns dias), pode não ser tão impactante como os seus registros com o seu ex-grupo Screaming Trees, ou nos primórdios de sua trajetória individual. Mas ainda assim quando você pensa no grande buraco negro em que se meteu o rock’n’roll de hoje, e escuta aquela voz dos deuses e do inferno invadindo seus ouvidos, não é difícil concluir: Mark ainda dá show de qualidade em 70% do que anda sendo lançado por aí.

 

Lanegan gravou discos sublimes com os Screaming Trees – “Sweet Oblivion”, lançado em 1992, é um clássico monstruoso da já fase final do grunge de Seattle, e estas linhas online bateram muito a cabeça (sempre turbinada por devastações nasais e muito álcool) ao som de “Nearly Lost You” na pista do saudoso Espaço Retrô. Finda a banda, ele partiu em carreira solo e novamente continuou assombrando crítica e público com seu vocal único e poderoso, tratado a bourbon e tabaco. E foi com esse vocal e sempre escorado por músicos competentíssimos que ele engendrou maravilhas sonoras que combinavam o peso do rock stoner a melodias envolventes, com algo bluesy e psicodélico nelas. “Whiskey For The Holy Ghost” (lançado em 1994) e “Scraps At Midinight” (editao em 1998) são o auge de ML nessa busca pela canção perfeita, que flutua suavemente entre as profundezas mais obscuras do inferno e da alma, e o nirvana.

 

Além disso ele cantou e trabalhou junto com todo mundo que ainda vale a pena no rock, nos últimos vinte e poucos anos. Suas parcerias com Josh Homme e o Queens Of The Stone Age já se tornaram célebres. E ao vivo… o blog teve oportunidade de vê-lo on stage ano passado, na edição 2013 do festival brasiliense Porão Do Rock. Mostrando um repetório intimista, quase acústico (e acompanhado apenas de um guitarrista e um violonista), Mark arrasou o público com uma experiência musical única. Quase sensorial e onírica.

O novo disco de Mark Lanegan: músicas menos inspiradas, mas a voz dos deuses co ntinua a mesma

 

O novo trabalho de estúdio chega um ano após o anterior, “Imitations” (que saiu em 2013). Não é a melhor expressão sonora do já quase cinquentão cantor, que se manteve fiel à sua raiz rock’n’roll e bluesística mas também resolveu acrescentar alguns elementos mezzo eletrônicos em algumas faixas. Vai daí que os melhores momentos desse “Phantom Radio” são justamente aqueles em que as guitarras se fazem mais presentes (como no primeiro single, “Harvest Home”), ou ainda onde a instrospecção e a melodia mais reflexiva, sombria e melancólica domina amplamente a construção da canção. É nesse ponto que surgem instantes novamente sublimes como em “Judgment Time”, “I am The Wolf” ou “The Wild People”. Já outras boas músicas e que também poderiam se constituir em outros grandes momentos do cd (como “Floor The Ocean” ou “Seventh Day”) têm seu brilho ofuscado por uma desnecessária tentativa de torna-las mais “modernas”, com a adição de percussão e ambiência eletrônica.

 

Está longe de ser um discaço como os que Mark Lanegan já lançou e que foram citados mais acima. Mas a voz dele continua lá, inteira, impecável, monstruosa, pairando sobre qualquer pequeno equívoco de composição. E isso faz toda a diferença. Se muitas bandas escrotas dos dias que correm tivessem um vocalista como esse homem, elas seriam com certeza bem menos medíocres.

 

 

O TRACK LIST DE “PHANTOM RADIO”

  1. Harvest Home
  2. Judgement Time
  3. Floor The Ocean
  4. The Killing Season
  5. Seventh Day
  6. I Am The Wolf
  7. Tom Head Heart
  8. Waltzing In Blue
  9. The Wild People
  10. Death Trip To Tulsa

 

 

MARK LANEGAN AÍ EMBAIXO

No stream do primeiro single, “Harvest Home” e também em um momento registrado durante sua apresentação no festival Porão do Rock 2013, onde ele canta a música “The Cherry Tree Carol”.

 

 

 

 

MUSA ROCKER DA SEMANA – UMA LOIRAÇA ALEMÃ COM UMA HISTÓRIA DE VIDA VERDADEIRAMENTE INCRIVEL!

Nome: Dayana Wolffstein

 

Idade: 28 anos.

 

De: São Paulo (mas foi criada na Alemanha desde os seis meses de idade).

 

Mora em: Sampa também.

 

Três bandas: Bon Jovi, Iron Maiden e Rainbow.

 

Três discos: “Slippery When Wet” (Bon Jovi), “The Number Of The Beast” (Iron Maiden) e “Long Live Rock n’ Roll” (Rainbow)

 

Três filmes: “Top  Gun”, “Forrest Gump”  e “UnderWorld”.

 

Três livros: “Angels & Demons” (Dan Brown), “A metamorfose” (Franz Kafka) e “A study in scarlet Arthur” (Conan Doyle).

 

O que o blog tem a dizer sobre a loiraça: estas linhas online conheceram Dayana no sempre bombadíssimo clube Outs, no baixo Augusta, onde ela costuma atuar como hostess além de ser a girlfriend do barman gente finíssima Márcio (um queridão por este espaço virtual). Mas sua história de vidão e superação é tão bacana que vamos abrir espaço pra ela mesma falar sobre si:

 

“Filha de mãe alemã e pai italiano, nasci no Brasil, mas fui levada para Alemanha com 6 meses, então me considero uma alemã. Criada em Berlim. Sou formada em publicidade e propaganda, e também em música. Vivi minha vida toda  lá, até este ano. Cheguei no Brasil depois de vir todos os anos de férias, em fevereiro deste ano, e em março conheci a Outs e o homem da minha vida, o Márcio, o famoso “Barman Cobra” em duas semanas ele me pediu em namoro, e depois de mais duas semanas eu pedi ele em casamento hahaha! E agora somos noivos, porém já moramos juntos, e vamos nos casar no final deste ano. Atualmente trabalho como free lancer em publicidade, e faço alguns trabalhos como modelo fotográfico. Tive meu primeiro câncer no útero com 19 anos e meses depois o câncer se espalhou para o intestino. Foram 5 anos lutando e 3 experiências de quase morte, cheguei a pesar 30 kilos, estou curada há 3 anos, porém faltam 2 anos de acompanhamento. Conheci o hinduísmo por um médico no hospital quando já estava mal, e desde então esta é minha filosofia de vida, quem me conhece sabe que a japamala não sai do meu pescoço”.

 

Além de lindaça, um ser humano maravilhoso, certo? Então agora curtam aí embaixo as imagens da deusa loira, em fotos caprichadas produzidas por Amanda Costa.

 

 E aê rapá, vai me encarar?

 

Ela é do rock, alguém duvida?

 

Bad Gril mas com coração gigante!

 

Casal rock’n’roll top da noite do baixo Augusta, em Sampa!

 

Para conhecer nossa musa desse post, vai aqui: https://www.facebook.com/dayana.wolffstein?fref=ts.

 

 

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PISCES RECORDS VOLTA AO CENTRO DAS DISCUSSÕES NA INDIE SCENE

Os tempos são duros, bicudos. No século da web quase não se compra mais música em sua velhusca plataforma física, o cd. Gravadoras mainstream foram pro saco e tiveram que adaptar seu negócio aos novos tempos. E a cena independente, aqui e lá fora, também sobrevive como pode. Se por um lado a cultura musical digital proporcionou às bandas e artistas em geral a democratização do acesso à tecnologia de gravação “caseira”, além de também facilitar total a divulgação e distribuição de sua música, por outro os grupos lutam para ainda lançar e conseguir vender seus discos em cd, além de conseguir formar público e obter espaços pra tocar.

 

É aí que surge o selo Pisces Records. Já um veterano na indie scene nacional, com década e meia de existência, a gravadora surgiu em Bauru, interior de São Paulo, fundada pelo agitador cultural Ulysses Cristianini. E depois de colocar no mercado quase noventa títulos em cd de diversas bandas (algumas muito conhecidas, como o Dance Of Days, o Leela e o Rock Rocket) a Pisces. Voltou a ser comentada recentemente em blogs especializados em música e rock alternativo, por conta de problemas que estariam afetando o selo e alguns do artistas que a ele recorreram para lançar seus álbuns.

 

Fato é que na cena alternativa tudo sempre foi mega difícil – e ficou um pouco pior, depois do advento da troca gratuita de arquivos musicais pela internet. Dessa forma o blog zapper, sempre atento às movimentações da indie scene, acompanha há tempos o trabalho da gravadora. E por considerar que ela é um exemplo de garra em um cenário em que hoje poucos se arriscariam a continuar (lançando CDs de forma total independente), é que fomos bater um papo com mr. Ulysses, o sujeito que comanda a Pisces Records, para saber de fato o que andou ou anda acontecendo com a empresa. O resultado deste bate-papo você lê aí embaixo:

 Ulysses Cristianini, o boss do selo indie Pisces Records

 

Zap’n’roll – A Pisces Records andou sumida do mercado independente ou é impressão nossa? Não há mais página do selo em redes sociais ou site próprio dele. O que está havendo, afinal?

 

Ulysses Cristianini – Jamais! Estamos em todas as redes: http://facebook.com/piscesoficial http://twitter.com/piscesoficial

 

Zap – Responda sendo mais detalhista e específico, por favor.

 

Ulysses – http://soundcloud.com/piscesoficial. O site esta com um aviso de manutenção, na qual consta infos para contato! http://pisces.art.br mas deve entrar no ar ainda nesta semana como toda empresa precisamos atualizar nosso site e redes sociais, mas nunca sumimos! Continuamos lançando vários artistas/discos talvez devido nosso retorno para Bauru, tenha atrasado ou mesmo tenha feito com que nos afastassemos das redes sociais, mas nunca sumimos!

 

 

Zap – Certo, sendo que a Pisces se instalou durante algum tempo na capital de São Paulo, visando ampliar sua atuação no mercado independente. Por que voltou para Bauru, afinal?

 

Ulysses – Voltei devido aos custos altos de manter a empresa em SP, além de que hoje em dia praticamente tudo é feito online! Também devido a eu possuir um imóvel próprio do qual estou montando o estudio e escritorio da empresa! O tempo que a Pisces este por SP foi ótimo, fiz muitos contatos, amigos, cursos etc!

 

Zap – Ok. Você citou que o selo continua em plena atividade, lançando novos discos e artistas. Só que recentemente surgiram matérias na web, como a publicada pelo site Fita Bruta, dando conta de que a Pisces andou se envolvendo em problemas com alguns músicos e bandas, como receber dinheiro desses artistas e não entregar o que foi combinado em termos de prensagem de cds. O que você teria a dizer sobre isso?

 

Ulysses – Sim, aliás fui entrevistado pelo jornalista que publicou a mesma, deixando meu ponto de vista e explicando sobre todo o ocorrido, mas pelo jeito ele não se interessou pelo meu lado, tornando assim a matéria sensacionalista, ou apenas deixando um lado da história amostra! Nunca neguei que tivemos e podemos ter problemas, como qualquer outra empresa privada, passamos por alguns problemas financeiros e administrativos, além de uma briga judicial com uma fábrica que acarretou em todo este estresse atual! Isto não quer dizer que pegamos dinheiro e sumimos com o mesmo, temos discos sim a entregar do qual estão praticamente finalizando, aguardando apenas a parte grafica para ser finalizada. Acredito que se fossemos “golpistas” como adoram nos rotular, teríamos sumido a muito tempo, mas ao contrário disto estamos na ativa, atendendo a muitas bandas e clientes sem problema algum! Eu continuo a dizer, caso alguém tenha algo a resolver conosco entre em contato por e-mail e vamos resolver assim que possivel, sair gerando boatos e fazendo “campanha” contra não acelera nem resolve nada! A Pisces continua firme e forte e não vai desistir por mais que este seja o desejo de alguns. Apenas acrescentando que todos cometemos erros, por isso não negamos os mesmos e sim fazemos o possível para corrigi-los e que não se repita no futuro. Atualmente estamos com novas formas de trabalho e em breve com uma equipe que irá ajudar e muito na agilidade e bom atendimento da empresa. Lembrando que o caso principal citado na matéria estava na verdade resolvido antes da mesma ir ao ar! que foi a entrega dos cds do Marcelo Perdido.

 

 

Zap – Sim, isso é fato. Qualquer empresa em qualquer ramo de atividade comercial pode vir a ter problemas em algum momento, e isso é perfeitamente compreensível. No caso da Pisces, segundo o que você está dizendo, esses problemas surgiram em decorrência de uma disputa jurídica com uma fábrica de cds. Você poderia ser mais detalhista a respeito do que foi de fato essa disputa judicial? E por outro lado, o que o blog Fita Bruta destacou foi que a Pisces não respondia mais os e-mails do artista Marcelo Perdido. Procede essa informação? Por fim, o que você está fazendo nesse momento para sanar a contento todas essas pendências entre o selo e alguns de seus contratantes?

 

Ulysses – Tivemos um problema com uma fábrica, da qual no meio de muitos pedidos a mesma cometeu erros e atrasos, prejudicando o andamento do nosso trabalho, tentamos consertar e chegar a um acordo mas não houve conversa, hoje em dia sanamos tal problema e estamos fixo com uma excelente fábrica de Belo Horizonte. É complicado nossa posição pois ficamos entre o artista e a fábrica no caso, o que gera alguns transtornos, sempre ocorre atrasos, assim como acontece entregas rápidas, mas como sempre todos citam apenas o lado ruim da história, alias pode verificar na tal matéria, que não é apenas um problema da Pisces tal atraso e sim de outras empresas, acredito que citam mais uma na mesma! Quem atendia e respondia os email do Sr. Marcelo era o Daniel Nakamura, que trabalha comigo cuidando da parte de produção, pode ter ocorrido atraso em alguns contatos, mas nunca deixamos de se comunicar! aliás falei com o Marcelo após a publicação da materia, pedi desculpas pelo ocorrido e ele sempre foi uma ótima pessoa e compreendeu, e não temos nenhum problema um com o outro. Aliás, faz parte criar amigos e inimigos na jornada da vida, ainda mais no meio empresarial, independente o ramo. Eu evito ter inimigos, sou o mais paciente e compreensivo possivel, talvez isto irrite a muitos, mas sou assim e acho dificil mudar. A Pisces continua com seus lançamentos (podem acompanhar informações pelo soundcloud e twitter da empresa), estamos com novas propostas para sempre estar ajudando as novas bandas a terem um material de trabalho profissional e com qualidade e estamos fianlizando nosso escritorio e pretendemos agora em 2015 estar com uma nova equipe para dar o atendimento ideal a todos. Fora isso nosso nvoo site esta sendo finalizado ainda esta semana e indo ao ar com mais informações e afins! acrescentando, que sim, temos alguns problemas a serem sanados e pedimos mais um pouco de paciência pois os mesmos serão o quanto antes acertados.

 

 

Zap – Muito bem. Outra questão levantada pela matéria do blog Fita Bruta é que a Pisces, de maneira sagaz, sempre honra os compromissos com as bandas mais conhecidas da indie scene (como Leela, Rock Rocket e Daniel Belleza) pois sabe que elas são também uma “vitrine” de divulgação para a empresa. E usaria de descaso com artistas desconhecidos pois deles não precisaria como “vitrine”. Procede?

 

Ulysses – Jamais! Na verdade houve atrasos na entrega dos 3 nomes citados, caso que sempre ocorre, mas como tais bandas tem conhecimento de todo o procedimento da industria musical, sabem acompanhar com calma até ser tudo solucionado! Temos outras bandas menores que trabalhamos e entregamos tudo conforme combinado, não escolhemos o problema, muito menos quem vai pagar por ele!

 

Zap – Okays. E com o selo de volta a Bauru, o que podemos esperar da Pisces para os próximos meses e para 2015?

 

Ulysses – Como citei a pouco, estamos reestruturando toda a empresa e a forma de trabalho, sem promessas absurdas e fazendo o melhor para as bandas iniciantes, estamos com uma incrível parceria com a rede social iplugger.com.br do qual damos uma oportunidade das bandas começarem profissionalmente suas carreiras, fora isso estamos finalmente ajustando nosso novo escritório, do qual irá possibilitar a contratação de novos funcionários melhorando assim a empresa como um todo, pois como as vezes fica tudo sobre minha responsabilidade, acaba por passar muitas coisas, acarretando em problemas. Também devemos ter nosso próprio estúdio o que será uma ótima pedida para as bandas! A Pisces também irá colcoar em dia todo seu catalogo. Conseguimos fechar uma parceria excelente com uma gráfica e uma fábrica de cds e isto vai melhorar e muito nosso trabalho daqui pra frente. Peço que acompanhem nosso novo site que conterá discas e muitas informações obre o selo, artistas, serviços e afins. Iremos relançar nosso netlabel além de anunciar nossos subselos focados em estilos específicos dentro de alguns meses!

 

 

Zap – Muito bom. Para finalizar: há alguma ação judicial pendente contra a Pisces nesse momento? Pela documentação que você enviou ao blog, parece que não.

 

Ulysses – Solicitei uma consulta e sempre meus advogados acompanham tudo da empresa, não consta nada e não é de nosso conhecimento que haja algo em andamento. Como você disse e viu, a consulta é da semana passada e tudo esta okay, tanto do jurídico como do físico. Aliás estamos abertos a chegar a acordos amigaveis ao invés de recorrer a algo burocrático do qual atrasa mais ainda a vida de todos!

 

 

ELES JÁ TIVERAM DISCOS LANÇADOS PELA PISCES E OPINAM SOBRE O SELO

* Rodrigo Brandão (guitarrista do grupo Leela) – Sobre o Leela com a Pisces, tivemos uma relação bastante honesta. Acertamos que a Pisces iria prensar o CD da forma como gostaríamos, distribuir nas lojas e também fazer uma distribuição digital do álbum “Música Todo Dia”. Além disso, ficou acertado que a Pisces iria trabalhar a divulgação do trabalho com uma assessoria especializada. Na prática, o CD ficou pronto com um pequeno e aceitável atraso, com Ulysses sempre dando uma satisfação para a gente e o material ficou com excelente qualidade. Quanto à divulgação, tivemos alguns problemas pois a Pisces não se acertou com a assessoria pouco após o início do trabalho e tivemos a divulgação interrompida no meio do nosso lançamento, o que prejudicou bastante a divulgação do álbum, foi uma pena. Porém o Ulysses assumiu que não conseguiu manter a divulgação, entendemos que infortúnios como esse infelizmente acontecem e seguimos mantendo uma boa relação. Achei honesto e ainda é um dos poucos selos que ainda trabalham com discos físicos de artistas independentes e que estão em início de carreira.

 

* Noel Rouco (guitarrista e vocalista do trio Rock Rocket) – Com a gente não teve problema nenhum, ele cumpriu o que a gente tinha combinado. Teve um pequeno atraso na entrega dos cds mas dentro da normalidade (todos os nossos discos atrasaram na fábrico). No nosso caso o trabalho também foi diferente, não colocamos dinheiro no lançamento, chegamos com o disco pronto (master e arte) e ele cuidou da prensagem, distribuição e acessoria de imprensa.

Os trios Leela (acima) e Rock Rocket (abaixo), dois dos nomes mais conhecidos da indie scene brasileira dos anos 2000′: eles lançaram discos pela Pisces Records e não tiveram problemas com o selo

 

* Ricardo Massonetto (guitarrista e vocalista do grupo Doutor Jupter) – Doutor Jupter lançou o disco pela Pisces por meio de uma parceria de distribuição e marketing. Nosso álbum teve a gravação e finalização financiados pelo ProAC-ICMS. Com a parceria com a Pisces, conseguimos um valor especial para a prensagem e algumas ações de lançamento e distribuição. Particularmente nunca tivemos nenhum tipo de problema com a parceria estabelecida e hoje temos carinho pelo Ulisses, a quem chamamos de tio Picles, rsrsrs.

 

* Falcão Moreno (vocalista do quarteto Coyotes California) – Conheci o Ulysses na época em que o Coyotes California tinha acabado de gravar o primeiro cd, Hello Fellas, em 2010, e estava procurando alguém pra lançar o álbum. Tínhamos alguns amigos em comum e por isso a tarefa não foi das mais difíceis. Nos encontramos algumas vezes e acertamos tudo sem maiores problemas. Lançamos Hello Fellas em 2011 na web, em formato digital, e após algum atraso, recebemos e lançamos o cd físico nos primeiros meses de 2012. Foi exatamente isso o que aconteceu nessa parceria Coyotes California/Pisces Records. O encontrei ainda algumas vezes após o lançamento do cd e ao menos comigo, não houve nenhum tipo de problema. Fiquei sabendo de alguns problemas da Pisces com algumas bandas pela web, inclusive com alguns integrantes de 2 ou 3 bandas me procurando para tentar esclarecer algumas coisas. Não tive mais contato com o Ulysses nesses últimos tempos, mas espero que tenha resolvido esses problemas e esteja tudo bem.

 

* Para saber mais sobre a Pisces e contatar o selo, vai aqui: http://pisces.art.br/

 

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Disco, I: o homem foi simplesmente guitarrista de uma das cinco bandas da vida do autor destas linhas online, a lenda inesquecível The Smiths. Quando o grupo acabou (em 1987), ele saiu tocando com Deus e o mundo. Mas foi lançar seu primeiro álbum solo de verdade apenas no ano passado. E agora Johnny Marr, que chega aos cinquenta aninhos de idade no próximo dia 31 de outubro, põe na roda “Playland”, sua segunda aventura individual. É um disco conciso (onze músicas, pouco mais de quarenta minutos de duração), com faixas altamente dançantes e ótimas guitarras e levadas melódicas. Ok, não é tão bom quanto “The Messenger”, editado em 2013. Mas o primeiro single de trabalho, “Easy Money” (cujo vídeo você vê aí embaixo), é um poderoso rock arrasa quarteirão e não faria feio em nenhum dos clássicos álbuns lançados pelo grupo que teve um dia Morrissey à frente dos vocais e Marr pilotando as guitarras. O cd foi lançado no início desse mês, deve sair no Brasil mas como sempre está dando sopa na web. Basta ir atrás dele.

 

 

* Disco, II: Três caras (um deles é irmão de coração de Zap’n’roll), todos de Rio Branco, capital do Acre. Militam há tempos na cena musical local. Um é do rock, o outro sambista (!!!) e o terceiro um poeta e agitador cultural. Decidiram se juntar. Deu no que deu: Euphônicos. As mais LINDAS canções que nossos ouvidos escutaram em muitos anos. Melodias suaves, algo tristonhas, tramadas e arranjadas com esmero e com uma gama de instrumentos (violões, violas, cavaquinhos, percussão discreta, sopros) como NÃO se vê mais no pavoroso rock independente brasileiro atual. E quando você ouve músicas como “A bailarina”, “Se é de lágrima”, “Em guitarras e poemas” ou escuta um poema (sim, há uma faixa que é apenas um poema declamado) primoroso como “O tempo que me cabe”, você se encanta e se pergunta (e não cabe aqui nenhum preconceito regionalista nessa questão): “como pode isso vir do pequenino e distante Acre? E como pode em cidades como São Paulo e Rio, o ‘centro’ do país, não surgir algo semelhante mas apenas drogas musicais que nos dão até vergonha quando escutamos?”. Sem exagero, periga ser o MELHOR disco de pop/rock (mpb?) nacional desde que conhecemos os amados Vanguart, há quase uma década. Euphônicos é grande, é lindo e faz show de lançamento desse discaço dia 20 de dezembro em Rio Branco, onde estas linhas online vão estar inclusive. Mas se você quer ouvir o cd JÁ, vai aqui: https://soundcloud.com/euphonicos.

 O disco de estreia do trio acreano Euphônicos: canções lindas e sublimes!

 

* Banda: surgido em Minas Gerais (mais especificamente em Uberaba) há quase duas décadas, o duo Troll (CBlau na bateria e vocais; Junior Betoldi nas guitarras, vocais e outros instrumentos) já tem alguns discos lançados e faz da vassalagem ao grande rock BR dos 80’ e à mpb clássica (como a trupe Mineira “Clube da Esquina”, que encantou gerações nos anos 70’) sua razão de existir. A estreia bacaníssima foi no longínquo ano de 1996, com o disco “Não saia do meu caminho” (que este espaço rocker virtual gosta bastante, diga-se). E agora a dupla acaba de editar “TPS” que, segundo eles próprios, se trata de uma “ópera rock” (opa!). Blauzão e Junior são do ramo: além de tocar também trabalham em estúdio como produtores musicais há anos. E em breve o blog fala mais sobre o novo trabalho deles, sendo que você pode saber mais sobre o grupo aqui: https://www.facebook.com/trollporradaoficial?fref=nf. E aqui também: http://trollporrada.com.br/home/.

 O duo Troll: bom rock’n’roll das Gerais

 

* Exposição: a imperdível mostra sobre a obra do gigante do surrealismo, Salvador Dalí, já chegou a São Paulo. Está em cartaz no Instituto Tomie Ohtake (que fica na avenida Brigadeiro Faria Lima, 201, Pinheiros, zona oeste da capital paulista), de terá-feira a domingo das onze da manhã às oito da noite, até dia 11 de janeiro de 2015.

 

*Baladíssimas: yes! O postão está finalmente sendo concluído (na quarta-feira desta semana) e o finde promete ser hot em Sampalândia. Começando já pela quinta-feira (leia-se amanhã, 23 de outubro) quando o grupo Bailen Putos! toca no palco do Astronete (lá no 335 da rua Augusta).///Já na sextona em si a parada imperdível é a inauguração do Bar Tex (misto de restaurante, boliche, sinuca, karaokê e pista de dança), o novo empreendimento noturno do queridão dj Click (que também é proprietário da bombadíssima Blitz Haus, um dos picos mais badalados da atual cena rocker noturna de Sampalândia). Fica no 1053 da rua Augusta e vai rolar dj set do blog por lá no sábado (véspera da eleição, yeah!) por volta das duas da manhã.///E antes de cair na perdição da madrugada no Tex você pode começar o sabadão tomando uma deliciosa breja artesanal e curtindo novamente showzão dos Bailen Putos, que desta vez tocam lá na sempre ótima e aconchegante Sensorial Discos (que fica na rua Augusta, 2389, Jardins, zona sul de São Paulo). Tá bão pra vocês? Então se joguem, crianças!

 O grupo paulistano Bailen Putos! se apresenta nesta semana no Astronete (amanhã, quinta-feira) e na Sensorial Discos (no sábado)

 

 

FIM DE PAPO

Postão custou pra ser concluído mas ficou bacanudo como sempre, néan. Então é isso: vai se preparando e já pode ir mandando sua mensagem amiga pro hfinatti@gmail.com que no próximo post entra promo aqui de tickets free pro show do fofo indie americano Real Estate, que toca dia 20 de novembro em São Paulo, no Beco. Fora isso voltamos na semana que vem (ou antes, se algo muito extraordinário assim o exigir), quando estas linhas online irão laaaaá pro extremo Norte brasileiro, na sempre calorenta Macapá (e onde não vamos há quatro anos já) para rever amigos e, principalmente, um certo e amoroso docinho loiro que mora por lá. É isso. Beijos no coração de todos os nossos leitores, sempre! Até  mais!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 29/10¹2014 às 12:30hs.)

O Coldplay ensaia um retorno aos tempos iniciais e solta um álbum menos pop (e também com menos guitarras e muitas atmosferas de teclados) e eivado de melancolia; mais: a Virada Cultural 2014 teve programação fraca e os problemas de violência de sempre, mas ainda merece (e precisa de) uma nova chance; o comeback de uma lenda do indie guitar rock nacional; a BOCETAÇA e CADELUDA Sasha Grey dirigida por um gênio do cinema; um encontro de gigantes do jornalismo musical brazuca; e a semana em que a maior cidade do país viveu cenas de Blade Runner e também em que o monstrinho tumoroso na garganta zapper entrou, enfim, em “hibernação” (plus “engordando” o postão completão: como foi a gig de Jesus e os alemães do Tusq em Sampa) (atualizado em 27/5/2014)

O rock inglês de ontem e de hoje: o quarteto Coldplay (acima) ensaia uma volta aos seus primórdios e lança um disco menos pop e grandioso e mais contido e muito tristonho; e o já veterano The Jesus & Mary Chain (abaixo), expoente do pós-punk dos anos 80’, volta ao Brasil pela terceira vez, para se apresentar neste domingo em São Paulo

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EXTRINHAS NO POSTÃO: JESUS PAU MOLE EM SAMPA E ALEMÃES DO TUSQ DE VOLTA

Yep. Boa parte dos quase quinze mil fãs (velhos e novos) que foram ao Memorial da América Latinha anteontem, domingo, para comungar com Jesus & Mary Chain, adorou o show. Mas a verdade é que a banda demonstrou pau molice no palco como em 2008 (no festival Planeta Terra): errou intro de três músicas, se mostrou apática e com um Jim Reid visivelmente ébrio nos vocais. O set list da gig foi ok mas o resultado final aponta que está na hora de Jesus aposentar as guitarras, infelizmente.

 

Mas se houve decepção com J&MC, a compensação vem esta semana: o grupo alemão Tusq, que faz das guitarras indies sua razão de existir, está novamente em excursão por aqui – eles já estiveram no Brasil há três anos e o blog viu uma gig bacaníssima deles em Sampa, no BecoSP no baixo Augusta.

 

O Tusq toca nesta quarta e quinta-feira na capital paulista. E o show (um pocket, na verdade) desta quarta é de GRAÇA, lá na Sensorial Discos, que fica na rua Augusta 2389, Jardins (zona sul de Sampa). Ótima oportunidade pra conhecer o som da turma, acompanhado de uma breja artesanal geladíssima.

 

Por enquanto é isso. postão novo no ar na próxima sexta-feira, okays? Até lá!

O show do Jesus & Mary Chain (acima) em Sampa foi meio pau mole; pra compensar tem gig dos alemães do Tusq (abaixo) esta semana na capital paulista, sendo que um dos shows é de graça e acontece na loja Sensorial Discos, nesta quarta-feira, 28 de maio

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A Virada quase bestial.q

E não só: a semana que está chegando ao fim não foi marcada apenas pelo debate se um dos maiores eventos culturais da capital paulista (a maior cidade do Brasil e a terceira maior metrópole do mundo) deve prosseguir ou não em 2015. Também foi uma semana bastante tensa por conta da greve parcial que atingiu o transporte público por ônibus em Sampa por dois dias (na terça e quarta-feira) e, por fim, pelos resultados dos últimos exames que mostraram em que situação está nesse momento o tumor cancerígeno surgido na garganta do autor deste blog no final de 2012. Assuntos pouco ou nada afeitos ao universo da cultura pop e do rock alternativo, e que ainda são o foco principal destas linhas bloggers? Pode ser. Mas com o passar dos anos (e com a maturidade pesando nas costas do autor destas linhas virtuais) seria muito óbvio que o blog passaria também a dedicar parte de seu espaço a temas de relevância social, política e comportamental. E talvez o editorial inicial de cada post sempre seja o espaço ideal para se desenvolver e comentar sobre esses temas. Vai daí que a Virada Cultural, por exemplo, que aconteceu no último final de semana em Sampa, como nos últimos anos chamou quase mais a atenção pelos problemas de violência ocorridos nela do que propriamente pela grade de sua programação. Que foi beeeeem fraca esse ano. Yep, ela foi aberta de forma emocionante pelo show de retorno aos palcos do Ira!, que arrastou mais de vinte mil pessoas para a praça Julio Prestes, no coração da cracolândia paulistana. O vocalista Nasi está enorme de gordo? Sim, mas isso não comprometeu em nada seu desempenho vocal. Edgard Scandurra continua o MONSTRO que todos sabemos que ele é, nas guitarras? Sem dúvida. A banda de apoio convocada pra esse retorno desempenhou a contento? E como. O repertório do show? Um caminhão de clássicos, um atrás do outro. Começando com “Londe de Tudo”, a banda foi disparando na sequência “Nucleo Base”, “Gritos na multidão”, “Tarde vazia”, “Flerte fatal” (que ganhou simbolismo especial por estar sendo executada bem ali, na cracolândia), “Tolices” e muitas outras, até o encerramento apoteótico com “Nas ruas”, em um set que emocionou totalmente quem estava lá e fazendo todo o público cantar quase todas as letras a plenos pulmões. Foi, enfim, uma abertura fantástica para uma Virada Cultural que, com o avançar da noite, foi novamente revelando seu lado mais sombrio e tenebroso. O lado do centro da cidade dominado por vários arrastões, assaltos e furtos (ou tentativas de), confusões, brigas causadas por excesso de consumo de álcool, tráfico de drogas etc, etc, etc. Felizmente esse ano não foi registrada nenhuma morte embora tenham sido contabilizadas duas pessoas baleadas e outras duas esfaqueadas. E todo esse quadro tenebroso, estas linhas online precisam ser honestas, equilibradas e reconhecer, não é culpa do poder público, do prefeito Fernando Haddad ou até mesmo da nossa quase sempre inoperante e passiva força policial (que só usa da força contra quem não é preciso). A culpa, este blog defende, é sim de um país (o nosso) cuja população NÃO tem absolutamente cultura e estrutura para receber um evento como a Virada Cultural, simples assim. O Brasil possuiu durante décadas o mito de ter um povo solidário, afável, simpático, cordial e amigo. Pois esse mito, de tempos pra cá, ruiu totalmente por terra. O que se vê hoje de Norte a Sul no território brasileiro é a BESTIALIDADE de uma população que está se tornando verdadeiramente inculta e selvagem. Essa selvageria resulta então nos episódios de violência que insistem em machar o brilho de uma festa que tem tudo pra ser ultra bacana, como a Virada Cultural. E sim, já há gente reaça propondo a extinção do evento. Não é o caso de forma alguma, e não mais fazer a Virada seria como capitular à violência e à bestialidade social em curso no país. Não é por aí. A Virada precisa (e merece) uma nova chance. Precisa continuar como nossa vida continua e ainda vai continuar por um tempo aqui, com tumores hibernados e com a cultura pop e o rock alternativo alimentando sempre nossa alma e nosso coração e nos dando forças pra prosseguir em um mundo quase sempre muito cinza.

 

 

* Felizmente a audiência do blog continua nada cinza e total bombator: mais de cento e vinte curtidas e trinta e três comentários no último post. Melhor impossível.

 

* Cinza está Sampalândia desde ontem, com chuva (mais do que bem-vinda) e friozão chegando. Novamente: melhor impossível!

 

* E menos cinza está a saúde do blogger quase ex-maloker e a caminho de dias, hã, mais tranquilos e bucólicos. As últimas tomografias e a consulta oncológica desta semana revelaram: o monstrinho tumoroso que atacou a garganta zapper no final de 2012 foi reduzido drasticamente, e entrou num quadro que poderíamos chamar de “hibernação”. Ou seja: sem atividade. O que é ótimo. Mas que NÃO significa que ele não possa voltar a se manifestar e a crescer novamente a qualquer momento. Daqui pra frente e pelos próximos cinco anos o acompanhamento do quadro clínico do autor destas linhas rockers terá que ser constante. É a vida…

 

 

* Vida que andou duríssima esta semana, pra quem depende do transporte público em Sampalândia. Foram dois dias de greve parcial mas que transtornaram e muito a cidade. No final da tarde da última terça-feira, quando o blog foi dar uma passeada na Galeria do Rock (no centrão da cidade), a paisagem era total Blade Runner pelas ruas. Dezenas de busões parados e vazios, sem ninguém dentro, em um clima que mixava futurismo e decadência urbana. E nope, desta vez a culpa pela greve não é do Haddad ou do poder público. Há algo de realmente podre envolvendo tanto o sindicato de cobradores e motoristas de ônibus quanto o que representa as empresas de transporte urbano da capital paulista. Ou seja: caso de polícia.

 

 

* Anyway, voltando à música e ao bom e velho rock’n’roll. Yep, como já foi dito aí em cima, no editorial de abertura do post, o show do Ira! na Virada Cultural foi realmente fodástico. Perdeu? Dá uma olhada aí embaixo, em dois momentos incríveis do set de retorno da banda, disparando os clássicos “Longe de tudo” e “Núcleo Base”.

 

 

* E no domingão tem Jesus & Mary Chain em Sampalândia, de grátis, no festival Cultura Inglesa, que vai rolar no Memorial da América Latina (colado na estação Barra Funda do metrô, zona oeste paulistana) a partir das duas da tarde. Até aí a nação rocker em peso já está sabendo. Mas o que muita gente não sabe é que ainda estão disponíveis mais de DOIS MIL ingressos pra assistir a gig. Então se você ainda não descolou o seu, corre atrás que dá tempo sussa pra pegar os tickets. O blogão vai estar por lá, claaaaaro!

 

 

* Cantinho semanal da putaria zapper, uia! Prossegue no Centro Cultural São Paulo (na rua Vergueiro, 1000, zona sul de Sampa) a mostra cinematográfica “Prostituta”, que destaca filmes cujo tema central é a prostituição. Pois eis que hoje, sexta-feira (quando nosso postão está ino pro ar, completo e sem cortes, hihihi), o filme que será exibido por lá se chama “Diário de uma garota de programa”. Trata-se de uma produção americana de 2009 que foi dirigida pelo gênio Steven Soderbergh (“Sexo, mentiras & videotapes”, “Traffic”) e que cuja atriz principal é ninguém menos do que… Sasha Grey! Yep, ela mesma, a cadelaça devassa mais célebre dos anos 2000’ no cinema porn explícito. Miss Grey agora é uma moça de respeito (?) e que se tornou escritora de sucesso, inclusive com uma legião de fãs no Brasil. Então a exibição deste longa é um programão pra esta sexta (Sasha sendo dirigida por um cineasta de reconhecido mega talento, hummm…), ainda mais que a entrada para o longa custa a absurda merreca de UM real. Começa às quinze para às oito da noite. Pra quem for: bom filme e ótimas ereções (se for o caso, rsrs).

A outrora putaça e cadeluda Sasha Grey (acima, levando pica grossa na sua racha ordinária, e abaixo mostrando toda a exuberância de sua xoxota peluda): atriz principal do longa  “Diário de uma garota de programa”, que será exibido hoje, sexta, 23, no Centro Cultural São Paulo 

 

 

* IMAGEM ROCKER DA SEMANA – essa é para fazer os fakes de vida inútil, covardões e escrotos que vivem apenas para encher o saco no painel dos leitores do blog, espumarem de ódio e morrerem de inveja, hehe: Zap’n’roll sorri ao lado do chapa André Forastieri na semana passada, na Livraria Cultura em São Paulo, durante a noite de autógrafos do livro “O dia em que o rock morreu”, lançado por Forasta e cuja leitura está causando grande prazer no autor destas linhas online. Uma dupla (modéstia às favas) GIGANTE do jornalismo rock nacional que importa nas últimas duas décadas e meia. Chupa malba tahan, Clayton, gino soccio, André batista, bruce, Obama e outras tranqueiras que só aumentam a audiência do blog, hihihi.

Zap’n’roll sorri com um exemplar nas mãos do primeiro livro do jornalista e amigão de anos, André Forastieri: dupla de respeito na história do jornalismo rock brasileiro, uia!

 

* E anote na sua agenda de putarias e esbórnias rockers movidas a álcool, dorgas (uia!), sexo e muito rock’n’roll: na semana que vem a Augusta Jardins vai TREMER com essa festona!

 

 

* E enfim, sem mais delongas, vamos ver como está o novo disco do hoje mega (e tentando voltar a ser, hã, pequeno) Coldplay, e seu tristonho vocalista, Chris Martin.

 

 

O GIGANTE COLDPLAY TENTA VOLTAR A SER PEQUENO. MAS AINDA CONTINUA POP

A surpresa (ou nem tanto) da semana foi o vazamento na web de “Ghost Stories”, o novo álbum de estúdio do gigante power pop inglês Colplay, e que chegou oficialmente às lojas de discos (da Inglaterra, dos EUA e daqui também) na última segunda-feira, 19. O que comprova que nenhuma banda, por maior que seja e mais “protegida” que esteja de vazamento de material seu na internet, está imune a ter lançamentos inéditos seus postados na rede antes que eles chegem ao comércio “normal”.

 

É o sexto trabalho de estúdio da banda liderada pelo sensível, meigo e doce vocalista Chris Martin. E aqui o mancebo se mostra mais sensível, meigo, doce e tristonho do que nunca: há meses sites e blogs especializados em música pelo mundo afora vinham especulando que neste novo trabalho o Coldplay iria tentar voltar aos primórdios da banda. Leia-se: tentar soar mais contido, mais rocker, mais simples na elaboração das músicas e arranjos e menos pop grandiloquente de arena, que foi no que o grupo se transformou a partir de “Viva La Vida Or Death And All His Friends”, lançado em 2008. Também teria contribuído e muito para o quarteto (que além de Chris nos vocais continua com sua forma inalterada, com Jonny Buckland nas guitarras, Guy Berryman no baixo e teclados, e Will Champion na bateria) optar por canções menos rebuscadas e novamente mais contundentes e melancólicas o fato de Chris Martin ter sido dispensado pela loiraça Gwyneth Paltrow, após onze anos de feliz casamento.

 

Então eis que o novo disco de estúdio do Coldplay já chega mais conciso e econômico no número de faixas (nove) e na sua duração (quarenta minutos, isso em uma época em que grupos totalmente medíocres insistem em entupir o ouvido alheio com com “obras” inúteis que não raro ultrapassam uma hora de duração). E musicalmente há mudanças visíveis: as guitarras de Jonny Buckland ficaram totalmente ofuscadas por camadas e camadas de pianos e teclados que dominam quase que ubiquamente as músicas do cd. Teclados estes que, com suas timbragens sombrias e “espaciais”, criam ambiências altamente soturnas e sorumbáticas. No meio desse clima tristonho, eventualmente se imiscuem violões e alguns solos de guitarra.

O novo álbum do Coldplay: menos pop, mais sombrio e melancólico

 

 

“Always In My Head”, “Magic” (o primeiro single extraído do álbum), “Midinight” (o outro single), não importa a faixa: todas são plácidas, calmas, construídas com lassidão nos teclados lentos, contemplativos, por vezes distantes. O único desvio de rota, o corpo realmente estranho em relação ao que se ouve no restante do novo Coldplay é a ultra pop e dançante “A Sky Full Of Stars”, conduzida por um pianão alegre e bobalhão. Talvez, por isso mesmo, seja o momento mais indigesto e sem sentido do disco.

 

Mas aí você se depara com a grande beleza e melancolia de “Another’s Arms”, de “Oceans” e principalmente com os pianos agônicos de “O” (que fecha o trabalho), e se dá conta de que algo realmente se partiu no coração do pobre Chris. E não, “Ghost Stories” não é nenhuma obra-prima e não chega aos pés do hoje clássico “A Rush Of Blood To The Head”, o segundo disco do quarteto e ele sim uma obra-prima do power pop dos anos 2000’. Mas daqui a alguns anos poderá e deverá ser lembrado como o álbum do Coldplay onde o vocalista Chris Martin, mesmo sendo um popstar, também descobriu que a vida é cinza. Inclusive para ele.

 

 

O TRACK LIST DE “GHOST STORIES”

1.”Always in My Head”

2.”Magic”

3.”Ink”

4.”True Love”

5.”Midnight”

6.”Another’s Arms”

7.”Oceans”

8.”A Sky Full of Stars”

9.”O”

 

 

E O COLDPLAY AÍ EMBAIXO

No vídeo do single “Midinight” e também no link para audição completa do novo disco.

 

 

 

 

O WRY COLOCA SEU INDIE GUITAR SHOEGAZER NOVAMENTE NOS PALCOS

Pouquíssimas bandas independentes brasileiras foram tão inglesas, nos anos 90’, como o quarteto sorocabano Wry. Surgido em 1994 na chamada “Manchester paulista” (a cidade de Sorocaba, distante cerca de cem quilômetros da capital paulista) o grupo originalmente formado pelo guitarrista e vocalista Mario Bross, pelo também guitarrista Lu Marcelo, pelo baixista Chokito e pelo batera Renato Bizar era inglês até a medula não apenas porque cantava suas músicas no idioma falado na Velha Ilha – e com uma pronúncia quase perfeita do vocalista Mario, algo dificílimo de se ouvir entre a manezada brazuca que se aventura a berrar na língua britânica. O Wry tinha feeling inglês em suas melodias. E suas belíssimas canções respiravam eflúvios de shoegazer e indie noise guitar por todos os poros. A banda era (ao lado dos saudosos e inesquecíveis Sonic Disruptor, Low Dream e Brincando de Deus) a melhor tradução brasileira para Jesus & Mary Chain, Ride ou My Bloody Valentine. E isso num tempo em que a indie scene nacional era realmente importante e tinha algo a dizer, lutando com unhas e dentes (e sem as facilidades de hoje tais como internet, YouTube, sites, blogs e os caralho) pelo seu espaço e reconhecimento.

 

O Wry durou em sua primeira fase dezesseis anos, de 1994 a 2010. Nesse período o conjunto gravou cerca de sete discos, entre EPs e álbuns completos. De 2002 a 2009 o grupo fixou residência em Londres pois a cena indie rocker começava a entrar em declínio com a ascensão de porqueiras como axé music, sertanojo e pagode brega de corno. E na capital inglesa os sorocabanos conseguiram uma razoável aceitação ao som que faziam e formaram bom contingente de fãs, chegando a tocar junto com bandas como Subways e Rakes, que estavam então estourando por lá.

 

Mas nada dura para sempre. Um ano após voltar ao Brasil, em 2010, o Wry anunciava o fim das suas atividades. Compreensível: a garotada daqui simplesmente havia desaprendido a gostar de rock (e brother André Forastieri explica muito bem esse “abandono do rock” pelo público daqui no capítulo “Por que os jovens brasileiros não gostam mais de rock”, no seu livro “O dia em que o rock morreu”), o axé, breganojo e pagode cornudo dominavam o mercadão (como dominam até agora) e, pra piorar, ainda surgiu a grande porra do funk ostentação. Não haveria guitarras que resistissem. Mario Bross reassumiu seu nome original (Mario Silva), montou um bar bacaníssimo em Sorocaba (o Asteroid) e foi cuidar da vida.

O indie guitar shoegazer do Wry (acima e abaixo, no clipe de “Sister”): de volta para alegria da confraria rocker independente brazuca

 

 

Ou… as guitarras resolveram resistir, afinal? Ao que parece, sim: com saudades de si mesmo, dos palcos e dos fãs (que nunca se esqueceram da banda) o Wry anunciou um novo comeback esta semana. E a primeira gig desta volta acontece justamente no Asteroid, em Sorocaba, neste sábado (leia-se: amanhã, dia 24 de maio). Um ótimo aperitivo pro show do Jesus & Mary Chain neste domingo em Sampa, dentro do festival da Cultura Inglesa, no Memorial da América Latina.

 

O que se espera é rolem mais shows além deste de amanhã. E que o Wry venha tocar logo em Sampa, onde uma legião de indie kids (das antigas ou mais novos) ainda se emociona ao ouvir aquelas poderosas canções shoegazer contidas em discos como o espetacular “Heart-Experience”. Em um tempo em que o indie rock nacional está mais pobre e emburrecido do que nunca (há exceções honrosas, claro, como o Single Parents e o John Candy, por exemplo) e onde ele perdeu totalmente a relevância soterrado pelo rolo compressor de imbecilidades como o funk ostentação, a volta do Wry é mais do que bem-vinda – ao menos para nós, rockers que nunca iremos trair nosso amor pelas guitarras inglesas.

 

*Para saber mais sobre o Wry e a volta da banda, vai aqui: https://www.facebook.com/mondowry?fref=ts.

 

 

NOVO TÓPICO ZAPPER: VÍDEOS CLÁSSICOS DE MÚSICAS IDEM

Yeah! Este tópico foi uma das inovações pensadas para a versão 2014 do blogão rocker que há onze anos revira a cultura pop e o rock alternativo semanalmente. Pois agora ele finalmente estreia, com a proposta de sempre apresentar um vídeo classudo para uma música clássica da história do rock’n’roll.

 

E para começar nada melhor do que relembrarmos aí embaixo o clip de “April Skies”, mega clássico que o Jesus & Mary Chain gravou em seu segundo álbum, “Darklands”, lançado em 1987.

 

Como a banda dos irmãos Jim e William Reid toca neste domingo em Sampa (dentro do festival Cultura Inglesa), trata-se de um ótimo aperitivo pro show. Então prepare uma dose de legítimo whisky escocês, aumente o volume e curta o vídeo. E, claaaaaro, nos vemos domingo na marcha para Jesus, hihi.

 

 

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Disco: longe de ser uma obra-prima, o novo trabalho do Coldplay é boa trilha sonora para corações partidos e almas mergulhadas em melancolia.

 

* Disco, II: “Taxidermia Coletiva”, a estreia dos Mineiros Machados, continua sendo bastante ouvida aqui pelos lados do blog, que inclusive já comentou sobre a banda alguns posts atrás. Bom rock de guitarras e com aquele sabor do interior Mineiro, com letras bacanudas em bom português. A notícia lega é que o chapa Luiz Nogueira, vocal e líder do grupo, estará na semana que vem em Sampa pra divulgar melhor o trabalho deles. Então blogs musicais e afins, fiquem de olho: Machados merecem sua atenção, sendo que pra saber mais sobre eles, vai lá: https://www.facebook.com/machadosbanda?fref=ts.

 

*Filmes: safra de bons e ótimos filmes em cartaz, a escolher: “Getúlio” (sobre os últimos dias do lendário ex-presidente do Brasil), “Praia do futuro” (onde Wagner Moura interpreta um salva-vidas gay, sendo que o longa está elogiadíssimo pela crítica), “Sob a pele” (o próprio, que mostra Scarlett Johansson na pele de uma alienígena devoradora de homens, além de exibir a atriz em toda a sua espetacular nudez) etc. Como a previsão anunciou que vai ser um finde de frio e chuva em Sampa, motivos é que não faltam pra se enfiar dentro de um bom cinema.

 Scarlett Johansson, linda e total pelada em cena do filme “Sob a pele”

 

* Festão na Sensorial Discos: a melhor loja cult de discos e bar de cervejas artesanais da região dos Jardins, em Sampa, recebe neste sábado a nova versão do evento “Sex=Sub Expressions”, que causou grande furor em sua primeira edição, no final do ano passado. Mix de atividades artísticas variadas e com a temática focada na autonomia existencial e artística feminina, a “Sex” promete causar um terremoto na Augusta Jardins com intervenções corporais de modelos nuas, exibição de filmes (entre eles um documentário mostrando uma performance da nossa deusa e musa rocker oficial, Jully DeLarge, que também estará na festa de onze anos do blog, na semana que vem no mesmo local), discotecagens e shows, claro. Na parte das gigs haverá a estreia da dupla Midá (composta por Mini Lamers, vocalista e guitarrista do grupo Comma, e Daíse Neves, a nossa musa rocker desta semana) e ainda showzão da curitibana Punkake, um dos nomes mais tradicionais da indie scene da capital paranaense. Tudo isso rola com entrada merreca (dez dinheiros) e a partir das sete da noite deste sábado (amanhã, of course) lá na Sensorial Discos, que fica na rua Augusta, 2389, Jardins, zona sul de Sampa. Mais sobre o festão, vai aqui: https://www.facebook.com/events/223751227835107/?fref=ts.

O grupo curitibano Punkake: uma das atrações da festa “Sex=Sub Expressions”, que rola amanhã na Sensorial Discos, em Sampa

 

* Baladas agitando o finde: em final de semana com frio. Chuva e marcha para Jesus no domingo, o circuito under paulistano tá bem agitadón, néan. E o fervo já começa hoje, sextona em si, com showzão do Churrasco Elétrico lá no Puxadinho da Praça, na Vila Madalena (próximo ao cruzamento das ruas Cardeal Arcoverde e Fradique Coutinho), zona oeste de Sampa. Também hoje mas lá no Astronete (que fica no 335 da rua Augusta) tem show da banda Modulares. E no Café Central, em Santos, tem showzaço imperdível da lenda eletrônica Harry, wow!///Já no sabadão a esbórnia se concentra mesmo no baixo Augusta: tem mais uma edição da Glam Nation no Inferno (no 501 da rua) e o sempre bombator open bar no Outs (no 486), onde você paga cinquenta mangos na entrada e bebe até cair. Beleusma? Então se apruma e se joga!

 O rock’n’roll sessentista do Churrasco Elétrico: show hoje à noite em Sampa

 

 

FIM DE PAPO

Yep, esta semana o saco de bondades zapper com prêmios e tal dá um descanso por aqui. Então o postão também para aqui, e se vai deixando beijos e abraços pra queridos que estão ficando mais velhos hoje: a lindaaaaa Natália Medina, a doce e meiga e eterna amiga Luciana Worms, e o professor rocker mais gente fina do Universo, o irmão Pedro Serafim Neto. Pra todos eles as maiores felicidades do mundo. E na semana que vem estamos de volta na área. Até lá!

 

 

 

(atualizado e ampliado por Finatti em 27/5/2014, à 1h.)

Em semana bem agitada no mondo rock o trio australiano Wolfmother reaparece com um discão; mais: Jesus e os irmãos Reid novamente em Sampa (e de graça!), a volta dos Pixies com um bom disco, a derrocada do indie rock do Kaiser Chiefs, a irritante babação de ovos da turma rocker/indieota por qualquer banda que vem tocar aqui, e a inefável constatação de que, com a existência humana perenemente cinza, o blog se prepara para lançar seu livro este ano e dar adeus a um espaço online que já dura mais de uma década

 

Os power trios rockers comandam a semana de grandes lançamentos: o australiano Wolfmother (acima) reaparece depois de cinco anos com um discaço que já é candidato a melhor do ano; e o veterano Pixies (abaixo) também ressurge com trabalho que mantém a dignidade da banda

 

A vida é cinza. Sempre.

Essa constatação inexorável permeia Zap’n’roll há semanas já. E só foi reforçada de dias pra cá em função de uma série de acontecimentos. Dentre eles o principal foi a morte de um amigo pessoal deste espaço rocker online. Renatinho Calabrese tinha trinta e quatro anos. Era gay. E um rapaz muito bonito, inteligente, meigo, doce, afável, sempre muito sociável e simpático no trato com os amigos. Ele e o autor deste blog foram amigos próximos durante alguns anos, curtiram baladas rockers juntos, fizeram algumas loucuras juntos também. Há tempos já estas linhas virtuais não tinham notícias dele. Mas sabiam que algo não ia bem com o rapaz. A maldita inadequação emocional e existencial pra ser mais exato, e que em casos mais agudos acaba se transformando em tormenta existencial ad eternum. Quem é acometido por ela tem duas opções: ou aguenta aquilo até o fim de sua vida, ou simplesmente ABREVIA esse fim, colocando um ponto final em uma existência permeada por sofrimento emocional intenso e insuportável. Foi o que Renatinho fez na semana passada (sendo que o blog zapper ficou sabendo da notícia tristíssima através de seus queridos amigos Daniel e Adriana, que também eram amigos de Renato): depois de anos lutando contra inadequação existencial que não cessava nunca e que na verdade só piorava, ele resolveu dizer adeus a esse mundo escroto. Exatamente como Kurt Cobain fez há duas décadas (que serão completadas na semana que vem). E tanto ele, rock star milionário e mundialmente famoso, quanto Renato (um ilustre desconhecido, embora fosse super querido pelos seus amigos), tiveram a mesma atitude porque chegaram à conclusão que martela e fustiga a cabeça zapper há semanas: a vida é realmente cinza na maioria do tempo – tese defendida há séculos já por outra querida amiga destas linhas poppers online, a psicóloga Renata Junqueira. Não há felicidade REAL na existência humana. E apenas idiotas desprovidos de cérebro e obcecados por superficialidades e futilidades que trazem uma felicidade ôca, vazia, não percebem isso. Enfim, resolvemos abordar a triste notícia da morte do nosso amigo pessoal no editorial que sempre abre o post do blog porque o sujeito aqui, ele mesmo, tem passado por momentos de intensa melancolia e questionamento pessoal de tempos pra cá. Os anos estão passando, o envelhecimento está chegando, as costas estão vergando ante o peso da vida e de suas batalhas cruéis (como o tumor com o qual nos defrontamos em 2013). E chega um momento em que olhamos no espelho e perguntamos: e agora? continuar? Terminar com tudo aqui mesmo? Se não, seguir para onde, afinal? São estas questões que angustiam o jornalista de cultura pop nesse momento. E que sente pelo menos o alívio de saber que este blog vai muito bem, obrigado (embora talvez este seja o ano derradeiro de sua publicação). E que a cultura pop e o rock sempre se renovam e nos trazem uma semana como essa, onde discos bacanas vazaram na web, trazendo assim algum alívio ao nosso sistema auditivo e à noss alma cansada dos infortúnios da existência. Os mesmos infortúnios que levaram Renatinho Calabrese para uma outra estação. Boa viagem, cherrie. Nos encontramos um dia por aí. Enquanto isso não acontece seguimos aqui com mais um post semanal, ouvindo discos fodões (como o novo do Wolfmother) que, temos certeza, Renato ficaria feliz em ouvir também.

 

 

* É chato começar as notas iniciais de um blog de cultura pop falando de política, mas não há escapatória. Estas linhas online apoiam sim e pra JÁ a CPI pra investigar toda a SUJEIRA que está espalhada pela Petrobras, há anos já. pessimamente administrada desde a gestão de Sergio Gabrielli, a estatal brasileira do petróleo, antes orgulho nacional e que chegou a ser uma das dez maiores empresas do mundo, hoje não está nem entre as cem maiores. E os escândalos se multiplicam: o preço INJUSTIFICÁVEL pago pela refinaria de Pasadena (nos Estados Unidos), o atraso monstro (além do sobre-preço estratosférico) na construção da refinari em Pernambuco, os prejuízos anuais de bilhões de dólares etc, etc, etc. É essa a GERENTE que a presidente Dil-má está se mostrando pro país? Fala sério…

 

* O escândalo da compra da refinaria americana é tão gigantesco que até os petelhos e o Grande Chefe Lula estão se fingindo de mortos. Novamente: CPI JÁ!

 

* Bien, indo pra música e pro rock’n’roll. Uma verdadeira avalanche de lançamentos do mondo rock alternativo vazou essa semana na web. Ao alcance de um mouse estão os discos novos do Wolfmother, dos Pixies, do Manchester Orchestra, o póstumo e inédito do saudoso Johnny Cash, do indie Afghan Whigs e até o novo do Kaiser Chiefs, uia!

 

* Kaiser Chiefs… já foi uma banda taaaaão legal… agora desceu a ladeira sem dó. Tanto que o blog nem se preocupou em ouvir o novo álbum do grupo, que se chama “Education, Education, Education & War” (jezuiz…). Mas por obrigação profissional iremos fazer sim uma audição do dito cujo e dar nossas impressões aqui assim que possível.

O novo álbum do caidão Kaiser Chiefs: será que presta?

 

* E hoje tem Guns N’Roses em Sampa, lá na arena Anhembi. Depois do Merdallica no estádio do Morumbi no último sábado, um pouco mais de total decadência hard/heavy rock pra aborrescentes burros e fãs saudosistas incuráveis. Boa (ou má) sorte pra quem vai nessa roubada.

 

* E vem aí o novo disco do Coldplay. “Ghost Stories” sai em maio, está muito “intimista” e “melancólico” segundo quem já ouviu (reflexo, talvez, da separação do vocalista Chris Martin de sua mulher, a atriz Gwyneth Paltrow, que acabam de se divorciar após onze anos de casamento). A conferir. E sim, o blog não tem vergonha de dizer que curte o Coldplay, principalmente a fase inicial do quarteto inglês.

 O ex-casal ternura do mondo pop: eles não estão mais juntos

 

* Mas enquanto o novo álbum de Chris Martin e cia não chega, já tem rockão porrada dando sopa na web. E da melhor qualidade. É o novo disco do trio Wolfmother, sobre o qual você lê melhor aí embaixo.

 

 

O TRIO WOLFMOTHER VOLTA FODÃO E FAZENDO BARULHO MEGA CLASSUDO EM SEU NOVO DISCO

Em uma semana que foi bastante agitada no mondo rocker, com vários discos novos caindo na rede (como você já leu aí em cima), o trio australiano Wolfmother, comandado pelo vocalista e guitarrista Andrew Stockdale, se destacou de longe da concorrência. Sem lançar álbum inédito há cinco anos (o último, “Cosmic Egg”, foi editado em 2009), de repente o grupo soltou OFICIALMENTE para download na web (a versão física do trabalho ainda não tem data para sair), na última segunda-feira, o álbum “New Crown”, seu terceiro disco de estúdio em uma trajetória de catorze anos. Uma porrada sônica em dose concentrada que traz guitarras barulhentas e absurdamente bem tramadas, ótimas canções, melodias idem, vocais potentes, peso e psicodelia imiscuídos de maneira precisa e preciosa, e fartas referências ao rock stoner e classudo do final dos 60’/início dos 70’.

 

O Wolfmother, o jovem e dileto leitor destas linhas bloggers rockers deve saber, surgiu na Austrália em 2000’, criado pelo pequeno gênio Andrew Stockdale, guitarrista de mão cheia, bom compositor e com um vocal agudo de alcance invejável (pense em um Robert Plant em início de carreira, no auge de seus vinte aninhos de idade e cheio de tesão e gás para conquistar o mundo). Juntamente com o baixista e tecladista Chris Ross e o baterista Myles Heskett, Andrew fez a banda estrear em disco homônimo em outubro de 2005. Além de ser bem recebido pela crítica e vender razoavelmente, o cd ainda emplacou nada menos do que seis singles e o Wolfmother começou a ficar badaladíssimo no circuito rock planetário, encabeçando a escalação de diversos festivais pela Europa e Estados Unidos. E tudo isso com um trabalho que não soava nem um pouco pop, embora tivesse canções bastante radiofônicas. Mas a essência stoner e barulhenta ecoava por todas as faixas do trabalho.

 

Foi então na caminhada em direção ao segundo lançamento (que ocorreria após longos quatro anos, em 2009), que algo se rompeu na trajetória do conjunto. Divergências internas acabaram por provocar a saída do baixista e do baterista e Stockdale de repente se viu sozinho, com um nome já bastante forte e consolidado nas mãos mas sem os músicos que pudessem dar continuidade ao trabalho de banda. A solução para o problema custou mais meia década após a edição do segundo cd, até que finalmente o vocalista conseguisse reformar a contento o trio. E agora contando com novo baixista e batera, o Wolfmother voltou realmente fodão.

O novo discão do trio australiano Wolfmother: já pra lista dos melhores do ano

 

Não há exagero algum em afirmar que este “New Crown” é o álbum de rock mais cabuloso que o blog teve o prazer de ouvir nos últimos meses. Da abertura à Led Zep na arrasadora “How Many Times”, passando por eflúvios de blues pesados e agônicos (como na sensacional “Tall Ships”, que possui um solo de… órgão vintage, mas sem abandonar o peso das guitarras) e chegando a rockões acelerados e com levada proto-punk e glam (caso das incríveis “Feelings” e “I Ain’t Go No”), o álbum é um desbunde para quem delira com ótimo rock’n’roll e ótimas composições. Fora que o vocal de Andrew, aos trinta e sete anos de idade, continua forte e no auge de sua performance e a nova formação demonstra total coesão instrumental, algo que fica muito evidente em peças mais elaboradas e orgânicas como as duas faixas que encerram o cd (“My Tangerine Dream” e “Radio”), ambas tramadas com guitarras sóldias e onde o vocalista não economiza na sábia utilização de pedais fuzz e chorus.

 

É som pra quem ama Led Zeppelin, Pink Floyd e até algo de Cream. Uma improvável colisão frontal de Bob Plant com Syd Barrett, demonstrando que, enquanto existirem bandas como o Wolfmother e discos como “New Crown”, o rock (que volta e meia insiste em ir parar na UTI) estará longe da extinção. Felizmente.

 

* Pra saber mais sobre a banda, o novo disco dela e datas da nova turnê (taí uma gig que o blogão zapper adoraria assistir), vai aqui: https://www.facebook.com/wolfmother?fref=ts.

 

 

O TRACK LIST DE “NEW CROWN”

1.”How Many Times”            2:40

2.”Enemy Is in Your Mind”  4:00

3.”Heavy Weight”      3:56

4.”New Crown”          5:36

5.”Tall Ships”              5:12

6.”Feelings”    2:26

7.””I Ain’t Got No””  4:07

8.”She Got It”            2:46

9.”My Tangerine Dream”       5:16

10.”Radio”      5:06

11.”I Don’t Know Why”        4:04

 

 

E O NOVO ÁLBUM INTEIRO AÍ EMBAIXO

Pra você ouvir e curtir.

 

 

PIXIES NÃO É MAIS O MESMO MAS AINDA NÃO PERDEU TOTALMENTE A MAJESTADE

Que os Pixies são uma das bandas mais influentes das últimas três décadas na história do rock, não se discute. “Pai” do Nirvana, influência confessa de toda a geração grunge e de zilhões de bandas pelo mundo afora até hoje, o nesse momento trio (que historicamente sempre foi um quarteto) eternamente formado pelo rotundo vocalista e guitarrista Black Francis, pelo também guitarrista Joey Santiago e pelo baterista David Lovering, finalmente marcou a data do lançamento de “Indie Cindy”, seu primeiro álbum de estúdio em vinte e três anos (!): ele chega no formato físico (em luxuosas edições em cd e vinil duplo) às lojas no dia 28 de abril. Resta saber se até lá alguém ainda vai se interessar em comprar o dito cujo, já que o disco foi mais um dos que vazou total na web esta semana.

 

O grupo americano, que tem quase trinta anos de existência e voltou à ativa há cerca de uma década, teve um 2013 bastante produtivo e conturbado ao mesmo tempo. Produtivo no sentido de que ao longo do ano gravou sua primeira batelada de canções inéditas em mais de duas décadas. São as músicas que foram sendo lançadas nos eps I, II e III e que agora, reunidas, formam o track list de “Indie Cindy”. E conturbado porque logo após soltar o primeiro dos três eps, a baixista e co-fundadora Kim Deal resolveu deixar o conjunto. Para o seu lugar foi recrutada Kim Shattuck, que mal chegou a esquentar os dedos no baixo e foi demitida por Francis. Em seu lugar, nas turnês, está tocando Paz Lenchantin, que já tocou no A Perfect Circle, e que deve acompanhar a banda em sua nova visita ao Brasil – o Pixies toca semana que vem em Sampa, na segunda noite (6 de abril) do Lollapalooza Brasil 2014.

O novo álbum dos Pixies: o primeiro de inéditas em vinte e três anos

 

Boa parte do material contido no novo trabalho foi gravado pelo trio Francis/Santiago/Lovering com a adição do baixista convidado Simon Archer. A ficou por conta do veterano Gil Norton, que foi o responsável pelas gravações do excepcional “Doolittle”, lançado em 1989 e o segundo melhor disco dos Pixies – o primeiro e imbatível, óbvio, é “Surfer Rosa”, editado em 1988 e produzido por um certo Steve Albini. Enfim, é um bom disco? Yep, mantém todos os padrões estéticos que deram fama ao conjunto. Estão lá as guitarras ásperas e as melodias assobiáveis e radiofônicas, o vocal algo esganiçado de Black Francis, as letras bizarras. Com a defecção de Kim Deal percebe-se claramente que a tensão sexual que havia entre os vocais masculinos e femininos (e que sempre foi uma das marcas registradas do quarteto) faz falta no universo Pixie. Ainda assim Francis e Santiago continuam sendo dois guitarristas fodões (principalmente o segundo) e músicas como “What’s Goes Boom”, “BagBoy”, “Magdalena 318”, “Blue Eyed Hexe” e “Andro Queen” (talvez o momento mais pop e melancólico do cd) não irão decepcionar os velhos fãs. Claro, não dá pra exigir que Francis e acólitos produzam outra obra no nível de “Surfer Rosa”. Mas “Indie Cindy” sinaliza que ainda resta um pouco de majestade no bojo sonoro dos Pixies.

 

Se vai funcionar ao vivo? A conferir na semana que vem, no autódromo de Interlagos, em Sampa. A primeira gig do grupo por aqui, em 2004 no Curitiba Pop Festival, foi inesquecível. Já na primeira edição do festival SWU, em 2010, a banda parecia outra: preguiçosa no palco, dava a impressão que estava ali apenas porque queria receber seu cachê. Agora, quem for a Interlagos poderá tirar a prova dos 9. A torcida destas linhas online é, sinceramente, pra que seja um gig no mínimo convincente.

 

 

O TRACK LIST DE “INDIE CINDY”

1 – “What Goes Boom” – 3:32

2 – “Greens and Blues” – 3:47

3 – “Indie Cindy” – 4:41

4 – “Bagboy” – 4:54

5 – “Magdalena 318” – 3:25

6 – “Silver Snail” – 3:29

7 – “Blue Eyed Hexe” – 3:12

8 – “Ring the Bell” – 3:35

9 – “Another Toe in the Ocean” – 3:46

10 – “Andro Queen” – 3:24

11 – “Snakes” – 3:46

12 – “Jaime Bravo” – 4:24

 

 

E OS PIXIES AÍ EMBAIXO

Em dois vídeos: o do show COMPLETO que a banda fez no festival SWU em outubro de 2010 (na arena Maeda, em Itú, São Paulo, em gig assistida conjuntamente pela trinca Finaski, Rudja Santos e Wladymir Cruz), e para “BagBoy”, o primeiro single editado pelo conjunto em 2013.

 

 

A NAÇÃO INDIEOTA CONTINUA PAGANDO PAU E BABANDO OVOS PRA TURNÊS MEIA-BOCA

A semana que está terminando amanhã (sabadón em si) não foi agitada apenas com a renca de novos lançamentos de bandas do mondo rock alternativo, que invadiram a web. Também foi anunciado com certo estardalhaço em blogs (e com repercussão baba-ovos algo irritante em redes sociais como o faceboquete) que o grupo inglês Spiritualized vem ao Brasil, em agosto, dentro da série Popload Gig, do sempre queridão Luscious Ribeiro – um mini festival que, vamos reconhecer, já trouxe para os rockers paulistanos shows magníficos e inesquecíveis, como os do Primal Scream e The XX, só pra ficar em dois ótimos exemplos.

 

Mas… Spiritualized??? Cazzo, será possível que ninguém tem a coragem de falar algumas verdades sobre isso? Vamos lá: o Spiritualized foi um dos bons nomes dos early 90s’, no chamado “space rock” que então estava em voga na Inglaterra. Seus três primeiros discos são realmente muito bons, especialmente o fodástico “Ladies & Gentlemen We Are Floating In Space”, que saiu em 1997. De lá pra cá o grupo lançou mais quatro álbuns de estúdio e nenhum deles chegou sequer aos pés do de 1997, em termos de repercussão e qualidade musical. O último, especialmente (e que saiu em 2012) é chato de doer. E o único membro original da banda é, óbvio, o fundador, guitarrista e vocalista Jason Pierce.

 

Pra complicar o show que vem aí é anunciado como um “projeto paralelo” do Spiritualized, com quarteto de cordas (!) e coral gospel (!!!). Puta que pariu! JURA que os indieotas estão OURIÇADOS e com o cu piscando por causa disso? Pelamor né. O blog prefere ver os véios e gordos irmãos Reid do Jesus & Mary Chain no festival Cultura Inglesa (que acontece em maio em Sampa, e vai ser DE GRAÇA!), e torcer pra que eles façam um show melhor do que aquela pasmaceira que mostraram aos fiéis fãs em 2008, no Planeta Terra.

Spiritualized (acima) e Afghan Whigs (abaixo): os dois tocam em breve em Sampa, sendo que a nação indieota ama e baba ovos sem parar pelas duas bandas. Que nem são tudo isso no final das contas 

 

Também irritante é a babação de ovos pelo vindouro show do Afghan Whigs, outro indie dos 90s’ que teve alguma relevância, mas muito longe de mudar os rumos do rock ‘n’roll. Na boa? Esse povo do faceboquete e de outras redes sociais que baba por qualquer MERDA está precisando rever seus conceitos na história do rock’n’roll. Que tal mergulhar um pouco nas obras completas de Bob Dylan, David Bowie, Rolling Stones, The Who, Kinks, Byrds, Velvet Underground, REM etc, e parar de PEIDAR descontroladamente quando se anuncia uma turnê mequetrefe como a do… Spiritualized tocando com quarteto de cordas e coral gospel?

 

Obs: Luscious, não fique bravo com a indignação fináttica, rsrs. Mas se não pudermos expressar nessas linhas zappers sempre polêmicas e atrevidas o que pensamos, aí fica difícil néan.

 

* Babação idêntica e histérica (por parte da mega mídia inclusive, nas resenhas publicadas sobre o show) rolou no último finde, quando o ultra asqueroso e decadente MERDALLICA se apresentou em São Paulo, no estádio do Morumbi. Mas sobre essa banda escrota, que hoje só atrai multidões para seus concertos em países periféricos e de cultura musical algo burra como o Brasil, o blog já deixou sua opinião bem clara num post publicado em setembro de 2013, por ocasião do Rock In Rio, e que você ler aqui: http://www.zapnroll.com.br/?p=3178.

 

 

MUSA INDIE DA SEMANA: COMPORTADA MAS LINDINHA E DO ROCK!

Yep. De vez em nunca é bom mostrarmos aqui uma musa indie, hã, mais discreta e comportada, e menos sexy, ousada e abusada. Mas nem por isso menos rocker, linda e encantadora.

 

É o caso da fofura que você pode ver na foto que ilustra o tópico, empunhando um baixo em bonita imagem p&b. A garota é a Camila Araújo, dezenove aninhos de idade, que nasceu em Amparo (interior de São Paulo) mas veio morar há tempos em Sampa, onde estuda engenharia têxtil na Usp.

A musa indie zapper desta semana: comportada mas lindinha e do rock!

 

Ela toca baixo no novo grupo The Molodoys, uma das promessas da novíssima indie scene paulistana, e que é liderado pelo guitarrista e vocalista boa praça Leonardo Fazio (não por acaso, também boyfriend da lindinha Camila, hehe). E além de tocar e cantar bem, Camila ainda respira cultura pop em tempo integral: é fã de Cartola e Belle & Sebastian, de Oasis e Pink Floyd e de seriados americanos, além de ter como livro de cabeceira o clássico “Lolita”.

 

Tudibom, enfim. A cena rocker paulistana está mesmo precisando de garotas cultas e bacanas como a Camila e de bandas como a The Molodoys, que o blog irá falar mais assim que eles estiverem lançando seu primeiro Ep, programado para sair em breve.

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Discos: os novos do Wolfmother (nem tem o que discutir) e dos Pixies.

 

* Livro, I: “Dangerous Glitter”, escrito pelo jornalista inglês Dave Thompson, é sensacional. Mostra a gênese do glam/glitter rock e conta histórias inacreditáveis de putaria, drogas e rock’n’roll vividas nos early 70s’ por gente como David Bowie, Iggy Pop e Lou Reed. A edição é luxuosa (papel couchê e capa dura) e saiu aqui pela editora Veneta, no início deste ano, passando meio que batido pela nossa blogosfera de cultura pop. Vai atrás que é classudo!

 

*Livro, II: e como se não bastasse o volume citado aí em cima, tem também “David Bowie”, lançado em parceria entre a editora Cosac Naify e o Mis/SP, para comemorar a exposição que está em cartaz lá sobre a vida e obra do cantor e compositor gênio da história do rock. É outro livro IMPERDÍVEL (e caro: quase R$ 120,00 reais), em capa dura, papel couchê e com zilhões de fotos avassaladoras que cobrem praticamente toda a trajetória do Camaleão. Pode ser encontrado em qualquer boa livraria, então vá atrás desse também!

 

* Banda: de vez em quando mesmo um jornalista musical como este aqui, editor de um bombadíssimo blog de rock alternativo e cultura pop e já “puta velha” com quase três décadas de atuação na mídia, passa “batido” por alguma banda ou artista. Foi o que aconteceu em relação ao quarteto Star 61, que existe há uma década mas que Zap’n’roll parou pra ouvir de verdade apenas numa das madrugadas desta semana. Ouviu e caiu de amores pelo grupo: egresso da Paraíba (!!!) e radicado em Sampalândia, o Star 61 é um ESCÂNDALO de guitarras e melodias calcadas no glam rock de Marc Bolan, T. Rex, Bowie, Roxy Music e essa turma toda. As músicas são ótimas, as letras também e o vocalista Flaviano André é uma bichaça louca e genial, que produz falsetes capazes de levantar uma múmia do seu sarcófago. O blog ainda vai falar muito do Star 61 nos próximos posts mas se você já ficou curioso, pode saber mais sobre eles e ouvir a banda aqui: https://soundcloud.com/bandastar61 e https://www.facebook.com/pages/Star-61/213469451999159?fref=ts.

 Flaviano André, a “loka” vocalista do ótimo grupo glam Star61 (reparem no quadro que está acima do rapaz, na parede)

 

* Baladaças! Final de março chegando, as águas não fecharam o verão, mas o outono felizmente chegou. E junto com ele um finde agitadão no circuito under paulistano. Já começa hoje, sextona em si, com a exposição fotográfica “It’s Rock”, do fotógrafo Mick Rock, e que rola lá no Mis (Museu da Imagem e do Som, na avenida Europa, 160, Jardins, zona sul de Sampa), até dez da noite. E o melhor: de grátis! Tem mais: pocket show da banda Seychelles na já bombada Sensorial Discos (rua Augusta, 2389, Jardins, zona sul de Sampalândia), onde você encontra a melhor carta de cervejas artesanais do circuito rocker paulistano. E pra encerrar beeeeem a noite e varar a madrugada, imperdível a festa No Fun de hoje no open bar do Outs (também na Augusta, mas no 486, no centrão da cidade), quando vai rolar mega especial da lenda David Bowie.///Já amanhã, sabadão, tem o festival Rock Ex Machina, no Simplão Rock Bar em Paranapiacaba, um paraíso idílico onde sempre se curte muita natureza e rock’n’roll. Já no baixo Augusta tem show do Fábrica de Animais no Club Noir (que fica no 331 da Augusta) e ainda a festa Glam Nation no Inferno Club (no 501 da mesma Augusta, uia!). Tá ótimo, néan. Se joga, porra!

 

 

SEBADOH: TICKETS EM DISPUTA!

Não entrou na guerra ainda? Então corre lá no hfinatti@gmail.com, que estão em disputa já quase sangrenta:

 

* DOIS INGRESSOS pros shows do trio indie americano Sebadoh, que toca nos dias 20 e 21 de abril em São Paulo, na choperia do Sesc Pompeia. Certo? Vai na fé e boa sorte!

 

 

E FIM DE PAPO

O blogger andou meio preguiçoso, assume. Mas recuperamos o gás com esse postão, hein! Então encerramos os trabalhos por aqui, depois de uma semana bastante agitada e atribulada por alguns problemas pessoais que andaram tirando o sono do autor destas linhas online. Problemas que felizmente foram solucionados graças ao help dado por amigos queridos como o João Alexandre de Jesus, a Laís Eiras, o Alex Sobrinho, a Eliane Parnágua, o Maurício Martins, Bruno Montalvão e o pequeno grande Hélio Flanders, todos absolutamente mega queridos por este já velho jornalista do rock’n’roll, hehe. E quem não pôde ajudar mas ao menos se interessou pelo que estava rolando, o blog também agradece de coração.

 

Pra todos vocês: beijos no coração! E semana que vem estamos por aqui novamente. Até lá!

 

 

(enviado por Finatti às 16hs.)

Final de ano hot: selvageria junky em festival de rock no extremo Norte brazuca. Histórias bizarras que estarão numa biografia idem. O racha na Abrafin e a chapa esquentando pros lados do Fora do Eixo. E discos, livros e baladas bacanas, sempre! (versão final em 20/12/2011)

Lana Del Rey (acima) e Black Keys (abaixo): as duas “bolas da vez” de sites e blogs de cultura pop “mudernos”. A pergunta que não quer calar: até quando o hype vai durar?

 

Volta à (a) normalidade.
Já estava mais do que na hora, no? Afinal nas duas últimas semanas (yep, quase quinze dias) o autor destas esporrentas linhas online
viveu um autêntico calvário internético, graças a extrema
incompetência e falta de respeito com as quais a Telefonica trata seus
clientes. O caso foi comentado aqui mesmo nestas linhas rockers
bloggers na semana passada, quando o sujeito que digita
este texto já estava a ponto de cometer haraquiri por conta do “sumiço” do sinal do seu Speedy – que, segundo a merda da operadora de telefonia mais porca que existe no Brasil, havia sido retirado “involuntariamente” (ou seja, sem que houvesse sido feito um pedido nesse sentido) do telefone do autor deste blog. Detalhe: Zap’n’roll é cliente (infelizmente) da Telefonica há “apenas” sete anos e NUNCA pediu para que seu Speedy fosse retirado ou cancelado. Enfim a autêntica “guerra” que foi travada entre o blogger desesperado e a porra da Telefonica, com detalhes das 200.465 ligações (e os conseqüentes números de protocolos gerados) feitas à operadora para que ela solucionasse o problema, talvez renda um post especial, a ser publicado
aqui ainda antes que 2011 vá pro saco. Por hora vamos colocar a casa em ordem e fazer funcionar novamente o blogão campeão quando o
assunto é rock alternativo e cultura pop. Afinal, nas duas últimas semanas o mondo pop/rock não parou (embora ele fique em rotação beeeem mais lenta nesta época de festas) e nem o sujeito aqui,
que foi parar novamente em Roraima (onde foi cobrir o
bacana festival Tomarrock). Entonces vamos ao que sucede por hoje, já que a viagem ao extremo Norte não foi exatamente “normal”, rsrs. Fora que a casa tá caindo pros lados da Abrafin/ Circuito Fora do Eixo, um monte de blogs está babando pelo novo disco do Black Keys (yep, eles são legais e talz mas este espaço online está detectando um certo exagero nessa parada toda) e o blog zapper sinceramente não agüenta mais ouvir falar da (ou ler sobre) Lana Del Rey. Bora ler essa bodega? Vai nessa, então!

 

* E o penúltimo grande post no endereço próprio do blog começa registrando (ops!) que o mondo rock é mesmo o reino da bizarrice plena e absoluta. Pois não é que geólogos da Nova Zelândia disseram que a gig que os Foo Fighters realizaram no país na última terça-feira, causaram abalos sísmicos por lá? Oxe… será que fenômeno semelhante vai rolar em Sampa quando a banda tocar aqui em abril próximo, no Lollapalooza BR?

 

* Enquanto isso a sempre loucaça e putaça Courtney   (ainda gloriosa e xoxotuda em seus 47 anos de idade), está ameaçada de ser despejada da casa onde mora, em Nova York. Motivo: dívidas de aluguel no valor de 54 mil doletas.

 

* Confessa aê, vai: você, dileto leitor destas linhas bloggers lokers, também não agüenta mais ouvir falar na Lana Del Rey. Ela é uma loira tesuda? Sim, é. Canta bem? Também. Mas numa época em que hypes vêm e vão com a velocidade de um peido fugaz, é de se imaginar quanto tempo irá durar a “bolha” musical chamada Lana Del Rey. Estas linhas online apostam que não dura muito, não.

 

* Enfim, pra não dizerem que o blog está sendo chato: aí embaixo o vídeo de “Video Games”, baladinha tristonha que alçou miss Lana ao estrelato rocker.

* E o Black Keys? Outro que está sendo faladíssimo agora por blogs “antenados” e “mudernos”, como aquele lá da nossa amada “ídala” na Folha online. O curioso dessa história é que o duo americano existe há uma década, já lançou sete discos de estúdio (alguns deles muuuuito bons) e de repente, a humanidade resolveu eleger o BK como a “melhor banda de rock do mundo, hoje”. Exagero master, óbvio. “El Camino”, o novo álbum da dupla e que saiu há pouco nos EUA, é de fato bacanudo e tal e já figura em várias das tradicionais listas de final de ano dos melhores de 2011. Mas Zap’n’roll consegue colocar na frente dele pelo menos uma meia dúzia de discos. E como soltaremos a nossa lista dos melhores deste ano apenas na semana que vem, você pode até lá ficar imaginando quais álbuns o blog zapper considera melhor do que “El Camino”.

 A capa do elogiadíssimo “El Camino”, novo álbum do Black Keys

* Das listas de melhores que já andam pipocando em tudo quanto é canto (do site da NME ao blog Jukebox, do nosso chapa Dum DeLucca), estas linhas online ficam felizes em ver que nelas estão as deusas Polly Jean Harvey e Anna Calvi, com seus monumentais álbuns editados no início deste ano – e que acabou sendo um ano de grandes discos no rock, no final das contas.

* UMA BIOGRAFIA EXPLOSIVA PARA 2012 – o autor dessa esbórnia em forma de blog esteve no último finde em Boa Vista, capital do distante Estado de Roraima. Foi lá cobrir a quarta edição do festival Tomarrock e cuja resenha, hã, “técnica” e “musical”, já foi publicada no endereço do blog no portal Dynamite. Esta mesma resenha está reproduzida também aqui, mais aí embaixo só que acrescida das já célebres “notas de bastidores”, onde o blog sempre relata acontecimentos “extra musicais” que rolam nesses eventos. E no caso do sujeito aqui, quando se fala em algo “extra musical”, invariavelmente irá surgir alguma parada cabulosa about sex and drugs. Zap’n’roll, é sabido, hoje está tentando se tornar um homem “sério” e “comportado”. Namora há quase cinco meses com a linda e rocker estudante de Letras Helena Lucas, e pretende (se nada der errado) se casar com a garota. Isso tem um custo, já fartamente notado pelo nosso dileto leitorado: o blog está textualmente mais “comportado” e algo “careta” de tempos pra cá, o que tem gerado reclamações da turma que quer sempre ver o circo pegar fogo por aqui. Enfim, há oito anos sendo publicado virtualmente, Zap’n’roll ficou notória exatamente por praticar uma blogagem sobre cultura pop, rock e comportamento nada ortodoxa. Muito pelo contrário: fazendo um texto notoriamente porra louca, com farta inspiração no jornalismo gonzo e em mestres como Lester Bangs, Hunter Thompson e Ezequiel Neves (um maluco ao cubo que, há quase trinta anos, escrevia uma genial coluna na extinta revista Somtrês, intitulada “Zeca’n’roll”. Nela, o inesquecível Zeca contava peripécias como, por exemplo, ter cheirado uma carreira de cocaine na bunda da Elizabeth Taylor, durante uma festa em Nova York. Isso foi escrito, vale repetir, em 1982!!! Você consegue imaginar algum jornalista escrevendo algo semelhante hoje em dia, em alguma mega revista impressa mensal de cultura pop? Ou seja: é muito evidente que o mundo está ultra mais conservador do que há três déadas), o autor destas linhas online nunca se furtou em relatar aqui passagens malucas e bizarras de sua existência pessoal e profissional. Isso, óbvio, fez e continua fazendo a delícia/delírio de quem tem um comportamento liberal, moderno e despossuído de qualquer tipo de preconceito. E provoca a ira, ódio e rancor dos moralistas babacas e reaças de plantão, que vivem com o pensamento ainda no século XIX. Porém, como já foi dito mais acima, desde que começou a namorar com miss Helena, o autor deste blog se defronta com conflitos internos que volta e meia o consomem. É possível continuar relatando loucuras aqui, quando se sabe que a (assim se espera) futura sogra do sujeito aqui, embora seja uma senhora de grande cultura e igualmente liberal em uma série de questões (afinal, tanto ela quanto sua filha são negras e sabem o que é lidar com algum tipo de preconceito, no caso delas o de cor; e não venham dizer que brasileiro não é racista, que é sim e muito, e isso é mais uma hedionda característica da grande maioria jeca e conservadora de um país que se pretende de primeiro mundo, mas ainda vive no quinto sob muitos aspectos), pode se sentir incomodada ao ler o blog zapper e certos relatos que aqui são publicados? O blogger gonzo inclusive discutiu muito essa questão com sua gilfriend no último finde, enquanto estava lá na distante Boa Vista. E a alertou que este post que você está lendo agora seria algo “selvagem” novamente, como há algum tempo não é. E pediu a ela, sabedor que a moça também está muito longe de ser uma garota “careta” e conservadora (afinal, ela mesma um dia mencionou em seu bacanudo blog 23 Gotas, que não se importava de freqüentar um bar como o genial Ecléticos, no baixo Augusta, espécie de antro de toda a “escória” que a sociedade dita “normal” abomina: putas, travecos, junkies, Finattis e Helenas; por certo seria o muquifo que Lou Reed bateria ponto em seus anos loucos, se vivesse naquela época em Sampalândia), que tenha respeito, compreensão e insight pelo trabalho que seu boyfriend desenvolve aqui, no endereço próprio do blog – que foi justamente criado para que o blogger loker pudesse continuar dando vazão ao seu lado jornalístico mais sórdido, demente e selvagem, algo que já não era mais possível na Zap’n’roll do portal Dynamite, gerido pela Ong Associação Cultural Dynamite. No final das contas, tudo isso que está escrito aqui é pra dizer que este já jornalista rocker tiozão poderá mesmo um dia “encaretar” no comportamento (afinal, a idade chega para todos, não?). Mas ele jamais irá deixar a caretice, o bunda-molismo e a ferrugem dominar seu pensamento, sua alma e seu coração. Tanto que para 2012 o blogueiro quase ex-doidón vai botar mesmo pra frente o projeto de sua biografia. Yep, sem falsa modéstia a vida de Zap’n’roll renderia muuuuitos livros com aventuras que Deus duvida e o diabo desconhece. Afinal, quantos jornalistas musicais você conhece, no Brasil, que já praticaram “devastações nasais” com gente como Nasi (ex-vocalista do finado grupo Ira!), João Gordo e ex-integrantes de várias bandas conhecidas na história do rock BR? Quantos jornalistas malucos, tal qual aconteceu com o saudoso Joey Ramone, passaram uma madrugada pipando crack com um taxista (no táxi do figura) pelas ruas de São Paulo (essa parada, ocorrida lá pelos idos de 1997, foi realmente cabulosa), e cansaram de aspirar “riscos” de cocaine em cima de tetas, bundas e xoxotas igualmente loucas? Quantos jornalistas viajaram o país todo cobrindo festivais e, nesse processo, chaparam o côco em quartos de hotéis, jogaram latas de cerveja na cara de inimigos mortais e aprontaram tudo o que podiam não por querer aprontar, mas porque o comportamento insano, inquieto, rebelde e maluco o compeliam a isso? Sim, são zilhões de histórias absurdas e insanas. E que o sujeito aqui quer botar em um livro, sendo que ele já tem em mente quais os dois jornalistas que ele gostaria de ver executando a tarefa. Um deles é o querido gaúcho Cristiano Bastos, colaborador da Rolling Stone Brasil e um dos melhores textos do atual jornalismo cultural brazuca. O outro é um querido e mega conhecido jornalista aqui de Sampa mesmo, chefe de redação de um mega portal de notícias. E é isso: o zapper loker em breve poderá se “aposentar”, rsrs. Mas a sua biografia virá, com certeza.

Esse tetão putaço aí em cima adorava foder bicuda de cocaine, rsrs. Já o xotaço peludo abaixo levou muita pica do zapper loki, hihi. Dois affairs que, claaaaaro, deverão fazer parte da biografia do jornalista gonzo

* Hum… o Coldplay, que continua sendo fucking great no palco mas que um dia já foi muuuuuito melhor em disco (até hoje estas linhas virtuais, que sempre assumiram sem pudor e vergonha ser fã dos primeiros trabalhos do quarteto britânico, ainda não engoliram satisfatoriamente a porra do “Mylo Xyloto”, que o grupo lançou este ano), gravou seu novo clip colocando nele uma renca de mulheres, com idade entre 18 e 35 anos. Detalhe: todas com os peitos de fora, uia! Cada moçoila recebeu 100 libras pela participação e, na real, a idéia de Chris Martin e Cia não é nada original. Basta lembrar que o pôster encartado no álbum “Jazz”, lançado pelo glorioso e saudoso Queen (a bichaça “Fredda” Mercury faz falta no rock, e como…) em 1978, trazia uma foto gigante onde dezenas de garotas apareciam andando de bicicleta, e completamente peladas. Enfim, a “pagação de tetas” deverá garantir mega rotação do vídeo no YouTube.

Chris Martin, o bom moço, resolveu botar um monte de garotas pagando peitinho no novo clip do Coldplay. Mas o Queen já fez melhor há mais de três décadas, no disco “Jazz”, cujo encarte é esse aí embaixo

 

* Algumas biates de tetas gigantes adorariam faturar 100 libretas pra mostrar o peitão que vaza gotas de leite em clip do Coldplay. De quebra, ainda “pagariam” um boquete na faixa pro bebê Chris Martin, uia!

O vocalista do Coldplay adoraria receber um boquete igual a esse aí em cima, uia!

* E todo mundo já deve estar sabendo, mas não custa comentar aqui: os sempre grandes Forgotten Boys foram eleitos o grupo do ano pela APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte. Nada mais justo: “Taste It”, o descaralhante disco lançado pela banda há um mês (e já muito bem resenhado no blogão zapper) periga ser o melhor álbum da banda e entra fácil na lista dos melhores discos do rock BR de 2011. O FB merece!

* Continuando os trabalhos por aqui, já na noite do sabadón. E falando aí embaixo da dona Abrafin e da sua “irmã”, o Circuito Fora do Eixo.

 

A ABRAFIN DESMORONA E A CHAPA ESQUENTA PRO CIRCUITO FORA DO EIXO

A grande bomba da semana (e deste finalzinho de 2011) na indie scene nacional foi a notícia do desmantelamento parcial da Abrafin – Associação Brasileira de Festivais Independentes –, quando cerca de treze dos principais festivais brasileiros filiados à entidade resolveram debandar dela. O fato já foi amplamente noticiado em sites e blogs especializados em rock e cultura pop (como a Jukebox do portal Dynamite, escrita pelo chapa Dum DeLucca; ou ainda o Senhor F., editado pelo grande Fernando Rosa) e Zap’n’roll não vai ficar esmiuçando aqui as razões alegadas pelos festivais que abandonaram a Abrafim, para tomar tal atitude – mais abaixo você lê o comunicado oficial distribuído pela turma, com suas explicações para o abandono do barco (a essa altura, já fazendo água) abrafinesco.

O que este blog vai falar aqui, sim, e com conhecimento de causa, é o que ele acha da atuação atual da Abrafin e da Ong Circuito Fora do Eixo, após anos freqüentando festivais organizados pelas duas entidades e onde este jornalista esteve sim (assume, sem problemas) bancado pela produção dos festivais em questão, com passagens aéreas e diárias de hotéis pagas por estes eventos. Isso não impede que um jornalista isento (como é o caso do autor deste blog) emita sua opinião sobre a conduta da Abrafin e do Circuito Fora do Eixo.

Quando o blog foi pela primeira vez a Cuiabá, no carnaval de 2005 para cobrir o então nascente e pequeno festival Grito Rock (onde estas linhas online descobriram, por exemplo, bandas como Vanguart e Macaco Bong, que eram absolutamente desconhecidas fora dos limites do Estado de Mato Grosso), ainda não existiam nem Abrafin e nem Fora do Eixo. O que existia era uma pequena cooperativa artística e musical, chamada Cubo Produtora, que organizava eventos musicais independentes em Hell City (como Cuiabá é carinhosamente conhecida, devido ao calor senegalesco que faz por lá o ano inteiro) e que era gerida pelo hoje nacionalmente conhecido “gestor” Pablo Capilé – na época, também outro ilustre desconhecido além das fronteiras mato-grossenses. Foi o próprio Capilé que, após adicionar o jornalista zapper no MSN, o convidou e o convenceu a ir a Cuiabá (após cerca de duas semanas de insistência), para cobrir o Grito Rock. O blog foi (de busão, vale frisar) e gostou do que viu/ouviu por lá. Gostou das bandas (algumas), da organização ainda modesta mas eficiente do evento, da atuação de Capilé como produtor e de muitas de suas idéias e propostas para a cena musical independente não só de Cuiabá mas de todo o Brasil – yep, o moço já tinha ambição grande (quase desmedida) desde aquela época e enxergava longe. Estabeleceu-se um “vínculo de amizade” entre Zap’n’roll e o pessoal da Cubo e o blog voltou satisfeito pra Sampa. E também foi mais cinco outras vezes a Cuiabá nos anos seguintes, pra cobrir os festivais Grito Rock e Calango.

Porém, muita coisa mudou de 2005 pra cá. A produtora Cubo (que tinha uma sede modesta no centro de Cuiabá) deixou de existir e fundou-se o hoje nacionalmente conhecido Circuito Fora do Eixo. Com a proposta inicial – como bem frisava seu nome – de ser uma “alternativa” à produção musical mainstream e “viciada” por esquemas e conchavos sorrateiros e que imperavam no “eixo” cultural do Sudeste por décadas. Logo em seguida deu-se a gênese da Abrafin, também embasada nos mesmos propósitos e objetivos do FDE. O que aconteceu de lá pra cá, nos últimos seis anos, é quase de domínio público (ou não). Num primeiro momento a Abrafin se tornou forte e conseguiu bastante visibilidade na mídia (impressa, eletrônica ou online) por coordenar mais de quarenta festivais espalhados pelo país – alguns deles bem grandes, veteranos e respeitados, como o Abril Pro Rock (em Recife) ou o Mada (em Natal). Ao mesmo tempo o Circuito Fora do Eixo também crescia a olhos vistos, coordenando outras dezenas de festivais pelo Brasil e impondo a eles seu modelo de gerenciamento cultural. Um modelo que consistia, além de todas as diretrizes operacionais e culturais, em também conseguir apoio financeiro de empresas estatais através de editais para a realização de seus eventos. Com um detalhe que começou a incomodar e a chamar a atenção de muitas bandas e artistas que se dispunham a participar dos festivais geridos pelas duas entidades: o não pagamento de cachês e, em muitos casos, sequer de passagens para que as bandas pudessem se deslocar até a cidade onde o festival iria acontecer. A alegação tanto da Abrafin quanto do Circuito Fora do Eixo para exercer esta política era de que o custo dos eventos era sempre elevado e que a planilha de despesas jamais era coberta, mesmo com patrocínio estatal obtido através de editais. Porém, mesmo sem receber cachês, os artistas que se dispunham a participar desses festivais teriam como supostos benefícios a exposição de seu trabalho junto a um grande público, além de facilitar o contato junto a produtores, jornalistas etc.

Hoje este modelo de atuação da Abrafin e do FDE está sendo francamente questionado. Tanto que treze dos principais festivais independentes do Brasil acabam de sair da Abrafin. E o Circuito Fora do Eixo, hoje sediado em São Paulo (que ironia, não?) e abrigado em uma residência gigante localizada no bairro do Cambuci (cujo aluguel não deve ser dos mais baratos e ainda suscita a enorme curiosidade: de onde sai a verba para o pagamento deste  aluguel?) vem recebendo pesada artilharia via mídia, por não abrir publicamente suas contas e explicar o que faz com as verbas conseguidas via editais públicos.

Zap’n’roll mesmo, quando começou a questionar alguns pontos do modelo de atuação da entidade, se tornou inimigo mortal da mesma e foi ferozmente atacado por Pablo Capilé por cerca de dois anos – nessa época, como bem frisou Diogo Soares, vocalista da sensacional banda Los Porongas (que é um grupo boicotado pelo FDE), dom Pablito já era o “homem mais poderoso da cena independente brasileira”. “Finas, você brigou com o cara mais influente da cena indie nacional”, disse então o querido Dioguito ao autor destas linhas online. As boas relações com a Ong e com Capilé só reapareceram há cerca de um ano – e devem sumir novamente após a publicação deste texto, visto que após conviver anos com a turma o blog sacou que para eles não há meio termo, e ali não se admite questionamento mínimo da atuação e do modelo deles. Ou você está do lado do Circuito Fora do Eixo, ou é inimigo dele.

Pois parte da Abrafin (hoje, uma entidade bastante enfraquecida e empalidecida em termos de repercussão das suas atividades) preferiu questionar a história toda e sair dela. Muito justo: as intenções iniciais tanto dela quanto do Circuito Fora do Eixo eram as melhores possíveis. Com o correr dos anos, com o dinheiro do poder público jorrando nas duas entidades e uma delas (o FDE) se agigantando a olhos vistos, tudo foi se desvirtuando para muito pior. Hoje, a impressão clara que se tem da Ong é que ela está totalmente contaminada pelos mesmos vícios “mafiosos” que dominaram o mainstream musical brasileiro durante anos. Vícios que todos que não faziam parte daquela “máfia” odiavam e com razão. Mas aí vem outro ponto-chave nessa questão toda: as chamadas majors da indústria da música faziam putaria e formavam “panelinhas” de artistas com sua própria grana. Já Abrafin e Fora do Eixo estão sendo dura e justamente atacadas por estarem exercendo uma conduta algo “mafiosa” mas com… dinheiro público (leia-se impostos que todos nós pagamos).

É claro que continua existindo gente honesta e bem intencionada trabalhando nas duas entidades, e que acredita no modelo inicial proposto por ambas (debate cultural democrático amplo, geral e irrestrito, espaço para a criação e produção musical sem a interferência de “panelas” ou do poder privado, circulação de bandas etc.). E também continuam existindo coletivos honestos fazendo festivais igualmente honestos, como o Palafita em Macapá (que realiza o QuebraMar), ou o Canoa Cultural em Boa Vista (que realizou na semana passada  o bacana Tomarrock, e cuja resenha você lê mais aí embaixo, neste mesmo post). Mas a grande dúvida, que se agiganta cada vez mais, é: com as cúpulas da Abrafin e do Circuito Fora do Eixo agindo como agem hoje, de forma não muito clara e dando mostras bastante evidentes de que ambas as entidades se tornaram um antro de mafiosos tal qual era o mainstream musical brasileiro até bem pouco tempo, o que vai ser então da nova cena musical independente brasileira daqui

O COMUNICADO DOS FESTIVAIS QUE DEIXARAM A ABRAFIN, EXPLICANDO SUA DECISÃO

Existe um debate acerca da Associação Brasileira de Festivais Independentes (ABRAFIN) ocorrendo dentro e fora da entidade. Deste debate público depreendem-se importantes pontos, dentre os quais a evidência de que a ABRAFIN não é mais uma unanimidade. Boa parte da aura de independência se esvaiu e, não raras vezes, percebemos que a entidade é vista com desconfiança. Qualificar e aprofundar este debate de forma íntegra, democrática e sem ranços é uma necessidade que se impõe à ABRAFIN e à própria rede de festivais independentes espalhados pelo país.

Goiânia Noise Festival, Abril Pro Rock, Casarão, Psycho Carnival, DemoSul, 53 HC, PMW, RecBeat, MADA, El Mapa de Todos, 1º Campeonato Mineiro de Surf, Gig Rock e Tendencies são festivais afiliados à ABRAFIN (alguns deles membros-fundadores) que não se sentem à vontade com o atual estado de coisas. Discutindo os rumos tomados pela entidade nos últimos anos, estes festivais, apesar de sua diversidade, apresentam dois aspectos em comum: não pertencerem ao coletivo Fora do Eixo (ainda que praticamente todos eles possuam parcerias pontuais com este mesmo coletivo) e não se sentirem representados pela ABRAFIN. Com base nesta constatação, o conjunto de festivais em questão elaborou este documento apresentando suas perspectivas e anseios em relação à entidade.

A ABRAFIN deve ser capaz de abarcar a complexidade, as diferenças e particularidades de seus festivais membros. O atual panorama da produção musical independente brasileira evidencia os diversos caminhos e abordagens adotados no conjunto de festivais que se congrega na ABRAFIN. Adotar um modelo único de funcionamento é um erro crasso, completamente oposto às premissas da fundação da entidade. Em um país de tantas diferenças e de proporções continentais como o Brasil é inadmissível acreditar na existência de um só paradigma que valha de Norte a Sul. Cada festival possui não apenas a autonomia, mas principalmente a expertise necessária para lidar com sua realidade local, bem como com sua proposta estética.

A ABRAFIN não é e jamais deverá ser Fora do Eixo. Com erros e acertos, o Fora do Eixo é uma das diversas possibilidades no trabalho com a música independente brasileira. Não é a única. Infelizmente, nos últimos anos, houve uma indevida sobreposição entre as duas entidades. O fato desta reunião da ABRAFIN estar acontecendo dentro de um Congresso Fora do Eixo é prova irrefutável desta sobreposição. A opinião pública, obviamente, tem sido incapaz de diferenciar ABRAFIN e Fora do Eixo. Cabe à ABRAFIN se desfazer deste erro e voltar a lidar com a multiplicidade de enfoques que existe em seu arcabouço.

O estatuto da ABRAFIN deve ser mantido e respeitado. Sua construção foi fruto de anos de trabalho laborioso, norteado pelo espírito de independência da nova música brasileira, bem como por sua diversidade e complexidade. Nele estão edificados conceitos ainda pertinentes e válidos, como aquele que define o que vem a ser um festival independente aos olhos da entidade. Abrir mão deste patrimônio é esvaziar de forma oportunista o próprio espírito da ABRAFIN.

A condição de três anos consecutivos para que um festival se filie à ABRAFIN deve ser mantida. Esta premissa tinha vistas a afastar a entidade de festivais aventureiros que surgem aos montes a cada instante. Para que a ABRAFIN seja uma entidade sólida, em sua composição deve haver apenas festivais que apresentem este compromisso com a continuidade. De outra forma não será possível construir um circuito efetivamente forte de festivais por todo o território brasileiro.

Festivais independentes e artistas não são entes antagônicos. A fundação da ABRAFIN trazia em sua concepção a moderna ideia de que tanto os festivais e seus produtores quanto as bandas e artistas que nele se apresentavam necessariamente faziam parte de um mesmo grupo, uma mesma proposta e um mesmo ideário. Nos últimos tempos o que se tem percebido é uma distensão entre estes dois pólos. Cada vez mais a ABRAFIN e artistas têm se encarado de forma animosa, como se fossem opostos.

A concepção original da ABRAFIN preconizava músicos e produtores como pares, como partes de uma mesma engrenagem capaz de fazer a música independente avançar rumo a um profissionalismo cada vez mais acentuado, bem como a uma total liberdade criativa.

A ABRAFIN é uma entidade que congrega e aglutina festivais independentes ao longo do país. A razão de ser de cada um de seus festivais afiliados é converter-se em plataforma para a nova expressão musical brasileira. Cada festival deve trazer em si o compromisso com o novo, com a diversidade e com a riqueza musical do nosso país e do mundo, a partir do olhar estético que é próprio de cada afiliado. Estabelecer um grupo único e excludente de artistas que são sempre os mesmos a circular artificialmente por todos os festivais é atentar contra a própria razão de ser da ABRAFIN. Mais que isso, é transformar o circuito de festivais congregados pela entidade num pastiche do mainstream da velha indústria fonográfica.

Dividir a ABRAFIN em regionais é algo a ser evitado neste momento de ataques, dúvidas e fragilidades. Os festivais, cada qual em sua região, já agem localmente. Inflar a entidade com outros tantos festivais de trajetória ainda incipiente ou mesmo duvidosa é abrir brechas para uma ainda maior fragilização da entidade. Ao contrário, a ABRAFIN deve se fortalecer a partir das premissas expressas em seu estatuto, assegurando solidez para saltos maiores num futuro, quiçá, próximo.

Ser ponta de lança na efetiva construção de um mercado independente sustentável é um dos pilares da ABRAFIN. Tal construção passa, necessariamente, pelo apoio do poder público progressista. Por esta via, o uso de verbas públicas deve ser estratégico e voltado para a construção, a médio e longo prazos, deste mesmo mercado. Desafortunadamente, o que se tem visto é uma ABRAFIN que cada vez mais enxerga os recursos públicos como um fim e não como um meio. É papel da ABRAFIN buscar recursos não apenas junto ao poder público, mas também à iniciativa privada, sempre tendo a independência como paradigma de primeira ordem.

A ABRAFIN é uma entidade suprapartidária e superior a qualquer grupo que esteja sob sua alçada. A atuação política da ABRAFIN se dá pelo próprio caráter transformador e progressista da arte e da cultura. A ABRAFIN deve estar a serviço, única e exclusivamente, de seus afiliados e da cadeia produtiva que os cerca.

Tal e qual foi explicitado no início deste documento, o conjunto de festivais que ora o redige não se sente mais representado pela ABRAFIN. Por esta via Goiânia Noise Festival, Abril Pro Rock, Casarão, Psycho Carnival, DemoSul, 53 HC, PMW, RecBeat, MADA, El Mapa de Todos, 1º Campeonato Mineiro de Surf, Gig Rock e Tendencies vêm respeitosamente solicitar sua desfiliação da Associação Brasileira dos Festivais Independentes. Todavia, o mesmo grupo entendeu por bem contribuir para o debate acerca da entidade compreendendo o importante papel que ela pode vir a cumprir na seara da produção cultural brasileira.

Não se trata aqui de uma debandada movida por disputas políticas internas. Fosse assim, a desfiliação seria uma estratégia absurdamente equivocada. É notório que o grupo que assina este documento possui força e representatividade para quaisquer disputas dentro da entidade, mas tais disputas estão completamente fora do escopo de seus interesses.

A sobreposição existente entre ABRAFIN e Fora do Eixo tem criado uma série de desafortunados e prejudiciais mal-entendidos a este conjunto de membros e, por ora, a alternativa entendida como mais apropriada a todos aqui é o afastamento.
Sucesso a todos!

 

O ROCK ROLOU EM BOA VISTA, NO FESTIVAL TOMARROCK

A quarta edição do festival Tomarrock agitou Boa Vista, capital do longínquo e queeeeente Estado de Roraima (no extremo Norte brasileiro, pra você que fugiu da aula de geografia nos ensinos fundamental e médio, Mané!), no último finde. E o portal Dynamite e o blog zapper estiveram por lá, acompanhando tudo de muuuuuito perto, graças ao apoio da turma brava do coletivo Canoa Cultural, que organizou o evento. Na verdade o Tomarrock – como todo evento cultural que se preza, atualmente – foi bem mais que apenas um festival dedicado a mostrar os novos talentos (alguns, nem tão talentosos assim) da cena musical independente roraimense e amazonense. Antes do festival em sim, houve uma intensa programação durante toda a semana passada, com palestras, debates etc. E dentro desta programação extra musical, uma das mais bacanas foi o debate ocorrido no teatro do Sesc Boa Vista, na quinta-feira passada, onde jornalistas gestores culturais locais colocaram na mesa suas impressões e opiniões sobre Comunicação e Cultura na era digital. O autor deste blog participou do debate, que também contou com a lenda e figuraça Sandro Corrêa, jornalista rocker de Manaus já com anos de atuação na área musical e cultural, e que é conhecido como o “Tony Wilson” da Amazônia.

E no final de semana o rock rolou no ginásio do Sesc local, claro. Em uma cidade já quente por natureza o ano todo a temperatura subiu ainda mais dentro do ginásio, com o público sempre se mostrando total receptivo ao que rolava no palco, em um line up dominado nas duas noites por bandas locais e de Manaus (com exceção dos headliners Dr. Sin, de São Paulo, que encerraria a primeira noite, mas tocou antes por questões de agenda apertada; e For Fun, do Rio De Janeiro, que fechou o festival já na madrugada de domingo).

Destas, na sexta, o repórter infelizmente perdeu as apresentações das duas primeiras (já que Zap’n’roll foi “esquecido” no hotel pela van que transportava jornalistas, rsrs. Um problema menor, plenamente desculpável e que pode ocorrer mesmo em um festival onde há zilhões de tarefas sendo executadas pela equipe de produção ao mesmo tempo. Enfim, o blog acabou indo de táxi para o ginásio e conseguiu acompanhar na boa o restante das gigs da noite), Nicontines e Johnnny Manero. A primeira, liderada pelo jornalista manauense Sandro Nine, faz do indie/grunge guitar dos 90’ sua razão de existir. E a Johnny, já um dos grandes nomes do rock de Boa Vista, prefere trafegar (com competência e elegância) pelo classic rock setentista.

Ainda na primeira noite, a Garden mostrou bom apelo pop oitentista (relembrando algo de rock melancólico à lá pós-punk inglês e Legião Urbana), Iekuana mostrou seu já consagrado talento local para fazer um interessantíssimo sincretismo entre levadas rockers e ritmos locais, e o Nekrost fechou tudo com doses concentradas de porrada metal. Antes das duas o veterano Dr. Sin (que seria o headliner mas como tinha horário de vôo marcado para voltar a Sampa, onde faria show no dia seguinte, o que provocou o “adiantamento” da apresentação do trio) mostrou que continua mandando um eficiente hard/classic rock ao vivo e em disco, mesmo já tendo duas décadas de existência. Não é à toa que os irmãos Buzic formam uma das melhores seções rítmicas de todo o rock brasileiro.

A Jamrock, mostrando no palco o reggae tipo exportação de Roraima

A Orquestra Camarones, de Natal: guitarras em fúria

Arthur De Jesus: hip hop e rap marcando presença no Tomarrock

O sábado foi muuuuuito interessante, do ponto de vista estilístico. Houve desde o rap/hip hop de Arthur De Jesus (com rimas ainda simples mas bem encadeadas na base instrumental) até o escroto e já decadente emocore do carioca ForFun – leia-se For Shit. Entre um e outro, houve espaço para a boa presença instrumental e de palco da turma do AltF4, para a porrada sonora dos moleques do Ostin, e para o bom rock do Hopes. Mas sem dúvida alguma os dois mega destaques do sabadão – e que foram talvez os responsáveis pelos dois melhores shows de todo o Tomarrock – foram a Camarones Orquestra Guitarrística e a Jamrock.

A Camarones é o que o nome diz: uma orquestra de guitarras (mas meio que liderada pela baixista Ana Morena), sem vocais, fundada em Natal (capital do Rio Grande do Norte) e que já se tornou banda Cult no circuito indie nacional, graças à avassaladora potência de suas canções com melodias aceleradas e incendiárias. Já a roraimense Jamrock, apesar do nome, é um combo de… reggae. Yep, o ritmo jamaicano que (quase) todo brasileiro ama. Pois a Jamrock está em ponto de bala: fez uma apresentação com direito a naipe de sopros, e com uma pista quase cheia do ginásio cantando as músicas do grupo em coro. Longe de trazer alguma novidade ao gênero, o que a Jamrock faz é reggae pop de alta qualidade (com ótimas levadas melódicas, arranjos caprichados e uma vocalista que é um tesão pós- adolescente) e com total apelo radiofônico e comercial. Com todo o respeito à Boa Vista, é uma banda boa demais para permanecer na cidade. Precisa descer correndo pro Sudeste e botar a mina de ouro pra funcionar.

Foi isso. O Tomarrock, em sua quarta edição, mostrou que a nova música independente brasileira possui qualidade e garra. E não possui fronteiras: ela está tanto aqui, em São Paulo (às vezes, nem está aqui) quanto em Roraima. Sorte de nós, fãs eternos do rock e do pop de qualidade.

* O jornalista Humberto Finatti viajou a Boa Vista (Roraima) a convite da produção do festival Tomarrock.

 

E NO CALOR ROCKER DE BOA VISTA…

* A viagem de busão aéreo até Roraima é muito cansativa. Conexão em Brasília, escala em Manaus e um total de quase oito horas de viagem – isso mesmo, mais duas horas e chega-se em Miami, daí dá pra se ter uma idéia do tamanho desse país.

 

* Pra piorar: calor. E pra piorar um pouco mais, saída de Congonhas às sete da matina. O zapper sempre atrasão e dorminhoco preferiu nem dormir de madrugada (óbvio), com medo de perder o vôo. E mesmo assim chegou em cima da hora no aerorporto. Quando embarcou, finalmente, o sol já estava forte. E se você acha que Sampalândia está um calor dos demônios nestes dias finais de 2011, é porque não conhece Boa Vista. Lá é assim: 35 graus todos os dias, o ano todo. Quando você sai do conforto do ar-condicionado do quarto do hotel em que está hospedado, dá de cara com um bafo quente ainda no corredor do lugar. Parece que estamos entrando numa sauna. Na rua então, com o sol rachando as cabeças, é pior ainda. Mas enfim, tudo pelo rock’n’roll.

 

* A viagem desta vez ao menos foi minimamente mais agradável porque a produção do Tomarrock embarcou o sujeito num vôo da Tam. Todo mundo que viaja de avião no Brasil sabe que tanto Tam quanto Gol são de uma porqueira e uma cafajestice a toda prova no atendimento e conforto dos passageiros. Mas, voilá: pelo menos a Tam ainda tem o bom senso de servir brejas a bordo. Com o calorão mandando ver em Brasília, Zap’n’roll não teve dúvidas: começou a tomar latinhas e latinhas no avião assim que ele decolou da capital federal. E o melhor da parada: havia Heinekens a bordo. Quando chegou em Manaus, o jornalista ébrio já estava beeeeem “mamadão”. Só faltou, pra completar… rsrs. Foi aí que o zapper mais uma vez foi tomado por lembranças. Recuerdos das zilhões de vezes em que ele cansou de cometer “maldades nasais” (tal qual uma versão jornalística de Pete Doherty) em pleno vôo, no banheiro do avião, hihi. Em uma dessas ocasiões, o resultado da “maldade” foi total bizarro. O blog estava a caminho de um festival no Acre, se não nos falha a memória. Assim que o avião saiu de Brasília o gonzo loker, já sedento por um “teco” de padê, literalmente voou pro banheiro. Lá esticou caprichosamente uma autêntica “taturana”, em cima do aço escovado que margeia a pia. E mandou ver. Voltou pro seu assento e em dois minutos a bicudisse mega tomou conta do cérebro do jornalista. Foi insano: o vôo era noturno e estava chovendo. E enquanto todo o restante dos passageiros estava tranqüilo e nem aí em seus assentos, o autor destas linhas online, já completamente neurado, viu a luz prateada da asa do avião piscando intermitentemente (o que é normal), e pensou: “essa merda vai cair!!!”. Bien, o avião não caiu, rsrs. Tanto que o blog está aqui, relembrando a parada, hehe.

 

* Ao chegar em Boa Vista, bêbado e morto de sono (quem consegue dormir em um vôo doméstico no Brasil?), Zap’n’roll dispensou o almoço oferecido pela produção do festival e foi direto pro hotel, pra dormir ao menos um pouco, já que à noite o blog iria participar de um debate no Sesc local, sobre mídias digitais nos anos 2000. E à noite, após o debate, preferiu novamente voltar pro hotel e dormir. Foi brindado pelo querido Manoel (produtor-chefe do Tomarrock) com pizza e duas garrafinhas de Stella (tão boa quanto a Heineken, no?), entregues no hotel. Tratamento vip é isso aí, rsrs.

 

* Sextona, primeira noite do festival. Shows bacanas e tal e breja liberada (já que a marca que estava sendo vendida no ginásio do Sesc era uma das patrocinadoras do evento) para músicos e jornalistas. Zap’n’roll deitou e rolou. Ao final dos shows, já bastante envolto em brumas intensas de álcool, não se conteve e pediu ao querido casal Isah Rock (uma das jornalistas mais lindas, rockers e legais de Boa Vista, além de amiga master do blogger maloker) e Zé Victor (o simpático boyfriend da garota), que deixassem o autor deste blog em algum lugar onde ele pudesse caçar “aditivos” extras. O pedido do blogueiro já total sem noção, foi atendido. Ele voltou para o hotel no outro dia, duas da tarde, rsrs.

 

* Existe um lugar literalmente infernal em Boa Vista. E ele se chama Beiral. Só isso. Nem Amy Winehouse ou Pete Doherty agüentariam passar algumas horas ali…

 

* Quase total destruído e morto mas ainda vivo, o zapper conseguiu tomar um mega banho, se recompor e ir pra segunda e derradeira noite do Tomarrock. Que foi tão bacana quanto a primeira. Ainda mais que Zap’n’roll finalmente se encontrou com ela!!! Aquela delícia tatuada e mega peituda, com óculos na cara e total jeito de perva, chamada Camila Costta. Também jornalista em Boa Vista (a cidade é pródiga em ter jornalistas gostosas, tesudas, lindas, loucas e safadas, hihi) e também dileta amiga destas linhas virtuais, Camila é a tentação do demônio em pessoa. E o zapper sempre, hã, ultra fã de jornalistas lindas, cultas, inteligentes e malucas, teve que se comportar pois afinal agora ele é um respeitável “senhor” comprometido em Sampa, uia!

 

* Papos bacanas como Camila sobre tudo (cultura, jornalismo, existência humana, loucuras zappers etc, etc, etc). Até que o autor deste espaço online pediu licença à garota pois queria ir no camarim das bandas, pra tomar um refri bem gelado (ah, sim: na última noite do festival o rapaz que digita este blog foi um modelo de comportamento: ficou apenas no refrifgerante e sandubinhas, pois o estrago alcoólico e químico da noite anterior havia sido cruel) e “beliscar” algo pra comer. A credencial que Zap’n’roll tinha permitia o acesso aos camarins, sem problema, tanto que o blog cansou de circular por lá na primeira noite do evento. Mas eis que, naquele momento, a atração principal da última noite havia acabado de chegar aos camarins. Era o grupelho emo carioca já total decadente For Fun – leia-se For Shit, mas que sim, ainda é uma atração bacana para se levar até um festival em uma região distante do país. Enfim, nada contra o For Shit mas os seguranças vieram peitar o jornalista loker: “agora não pode entrar, porque a banda pediu pra restringir o acesso e bla bla blá”. Zap’n’roll ameaçou perder a paciência, mas preferiu levar um lero com uma das coordenadoras da produção, a fofa e simpática Priscila. E explicou pra ela: “não fique brava comigo, mas estou cagando pro For Bosta. Só vou entrar pra tomar um refri e comer algo e depois já volto lá pra cima”. Ela, algo sem graça, consentiu. Ora, afinal o que uma banda estúpida e mala como essa pensa que é, quando vai tocar em uma cidade bacana porém modesta como Boa Vista? Pensa que é o Guns N’Roses chegando ao Rock In Rio? Daqui destas linhas online, nosso singelo recado ao For Fun: vão tomar no cu!

 

* Bizarrice da última noite do Tomarrock: enquanto o For Shit desfiava suas maletices emo no palco, os jornalistas (e agora irmãos de fé) Sandro Nine e Finas discorriam, em pleno calor do extremo Norte brazuca, sobre… a deusa inglesa PJ Harvey, musa de ambos. Uia!

 

* Daqui o blog manda mais uma vez seu agradecimento a todos os amigos e à turma bacana que ele conheceu em Boa Vista e que nos tratou com super carinho e atenção. Valeu Manoel Villas-Boas, Priscilla, Camila Costta, Cyneida, banda Nicotines, pessoal do Altf4, Isah Rock, Zé Victor, Raísa etc, etc. Um abração mega pra todos vocês e votos de Feliz Natal e super entrada em 2012!  

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Disco I: a estréia em disco cheio do quarteto paulistano The Orange Disaster é um dos grandes destaques deste finalzinho de 2011. O álbum “We Will Conform!”, saiu na verdade há algumas semanas, através do selo SubFolk (tocado pelo grande Ilsom Barros, o gênio que comanda outra bandaça indie paulistana, a Zefirina Bomba), mas somente agora o blog conseguiu espaço e tempo para dedicar algumas merecidas linhas ao discão. O OD é esporrento, barulhento e inclassificável em sua sonoridade quase brutal – é como se o grunde de Seattle colidisse de frente com os esporros punk/experimentais/minimalitas de algum At The Drive In. A formação do grupo também é uma bizarrice sem tamanho: o vocalista Júlio Magalhães é gorducho, careca e usa óculos. E no entanto quando sobe ao palco ele se transforma em um monstro performático, como se fosse um serial killer pronto para exterminar o público à sua frente. Ao lado dele estão o guitarrista Rafael Laguna (que também toca no Capim Maluco), o baixista Vini F. (ex-Ecos Falsos) e o batera David Rodrigues (também ex-Ecos Falsos), um trio que constrói a base instrumental perfeita para Júlio exorcizar suas pirações rockers and fucking noise. Interessou e ainda não tem o disco? O Orange toca nesta quarta-feira, 21 de dezembro, lá na Livraria da Esquina (rua do Bosque, 1253, Barra Funda, zona oeste de Sampa), a partir das onze da noite, na última grande festa rock’n’roll do ano. E pra “aquecer” pra gig você pode ouvir o som do quarteto aqui: WWW.myspace.com/theorangedisaster .

 

O quarteto Orange Disaster: som porrada e que você conferir ao vivo nesta quarta-feira, na Livraria da Esquina/SP

* Disco II: Messias Elétrico vem lá das Alagoas e faz psicodelia e hard rock setentista de responsa. O vocalista e tecladista Leonardo (ex-Mopho) se juntou a Alessandro (baixo), Pedro (bateria) e Pedro Ivo (guitarras) para compor um  transportam o ouvinte a um elo perdido entre o classic rock e a psicodelia inglesa sixtie. Tudo isso em músicas pra servir de trilha pra chapação de côco: “Siga cantando”, “The Last Groove” (dividida em quatro partes e um pouco longa demais, mas ainda assim bacana) ou “Desejo loucura e barulho”, escolha a sua e boa viagem! Lançamento bacanudo do lendário selo Baratos Afins, do igualmente lendário produtor (e amigão destas linhas online) Luiz Calanca, e que você encontrar no site da loja: WWW.baratosafins.com.br .

 

* Livro: concebido pelo jornalista Luiz Cesar Pimentel (chefe de redação do portal R7, e um dos mais respeitados profissionais na área de cultura pop da imprensa brasileira), “Você tem que ouvir isso!” reúne listas de músicas que músicos, produtores e jornalistas gravariam numa boa e velha fitinha K7 para educar “musicalmente” seus rebentos – o próprio Luiz é pai das fofas Nina e Lola, além de ser dileto amigo destas linhas rockers online há milênios. Dentro dessa proposta editorial, surgiram indicações musicais das mais legais e estranhas – por exemplo, o metaleiro Max Kolesne, da banda de metal extremo Krisium, capricha na seleção de porradas sonoras para as “crianças” já aprenderem a bater cabeça desde a mais tenra idade. Por outro lado há listas interessantíssimas feitas por gente como Nando Reis, Dinho Ouro Preto, Samuel Rosa, Edgard Scandurra e jornalistas como o querido super monge japa zen Pablo Miyazawa (editor-chefe da revista Rolling Stone) e Sérgio Martins. Enfim, um presente beeeeem legal pra você dar ou ganhar neste natal. O lançamento é da editora Seoman e a única ressalva do blog quanto ao livro é que Luiz não deveria perder tempo pedindo listas pra gente absolutamente escroque (como o produtor Carlos Eduardo Miranda) ou sem importância alguma no jornalismo (como Flávia Durante).

 

* Baladas: semana natalina bombando e todo mundo querendo aproveitar já no meio da semana porque no sabadão em si, sabe como é… véspera de natal, aquele clima família e ninguém vai poder/querer sair pra esbórnia. Então anotaê: além do showzão do Orange Disaster nessa quarta-feira na Livraria da Esquina, na quinta vai ter “Rock de Quinta” na Funhouse (que fica na rua Bela Cintra, 467, Consolação, centrão de Sampa) e a festa Let’s Get Rocked no Beat Club (lá na rua Augusta, 625, centro de Sampa). Bão, né? Então bora correr pra zorra até o finde porque no sábado, já sabe: é noite de esperar Papai Noel, uia!

E FIM DE PAPO FINALMENTE

Que o post ficou enorme e o sujeito aqui vai hoje dar um rolê pela “naite” rocker paulsitana, que ninguém é de ferro, hehe. Na próxima sexta-feira, aqui e na Zap’n’roll do portal Dynamite, os últimos posts de 2011, com a nossa lista de melhores do ano. Depois, só em 2012, né?

Até lá então!  

 

(finalizado por Finatti em 20/12/2011, às 20:45hs.)

A semana foi quente, com a volta dos anos 90’ (e junto com eles, os Stone Roses), especulações mega sobre o Lollapalooza BR, a morte do Kadafi e… o novo disco de Florence e sua Máquina

Florence Welch: ela é linda e canta pra caralho. Mas seu novo álbum podia ser um pouquinho menos, hã, rebuscado

O bagulho é doido.
Ou, não existe amor em SP. Será mesmo? Frases aleatórias (sendo que a primeira é o título de uma música do rapper Criolo, o grande vencedor do VMB 2011, que aconteceu ontem em Sampa) que percorrem a cabeça de Zap’n’roll, enquanto ele se debate com uma gripe infernal, já há três dias. Daí, é claro que o autor destas linhas online não conseguiu ir na premiação ontem. E está aqui agora, nesse exato momento, tentando compor um post hã, modesto, justo em uma semana em tantas paradas rolaram e agitaram o mondo pop, aqui e lá fora. Desta forma o blog então já vai pedindo desculpas ao seu sempre fiel e dileto leitorado se o post desta sextona não sair como deveria, okays? Afinal o corpo do sujeito aqui dói, a cabeça idem, o nariz está pior do que se tivesse recebido uma over de “neve boliviana” (rsrs) e a moleza física é quase total. Mas como temos amor ao rock alternativo e à cultura pop, vamos ao que sucede.

* Começando: foi maus também semana passada, com o postão ficando incompleto. Neste aqui, logo mais aí embaixo, entra a reprodução de um texto mega bacana que a nossa agora colaboradora fixa, a Helena Lucas Rodrigues, escreveu no seu outro blog, o incrível 23 Gotas, e onde ela analisa o que foi sua balada dia desses no clube paulistano Lions.

* Entonces, o rap dominou a premiação do VMB 2011, né? Criolo (que é bem legal, mas nem de longe é a oitava maravilha do mundo) e Emicida saíram como os grandes vencedores da noite. A real é que o VMB deste ano talvez tenha sido o mais honesto dos últimos tempos, sinalizando que a era do mainstream musical, daqueles artistas gigantescos e intocáveis chegou mesmo ao fim. Com exceção do sempre ubíquo e já venerando mano Caetano, quem fez o VMB (concorrendo ou apenas se apresentando no evento) deste ano? Criolo, Emicida, Marcelo Jeneci, Karina Bhur, Macaco Bong etc. Saíram de cena os medalhões seculares da MPB e, melhor ainda, desapareceu o nefasto rock “colorido” de pragas como Restart, Cine e afins. Enfim, no cômputo geral, pode-se dizer que a MTV acertou muito mais do que errou na premiação deste ano. Vamos ver se em 2012 vai continuar assim.

* E a capa da NME desta semana não poderia ser outra, senão esta aí embaixo, né?

Yep, eles estão de volta. Será que isso é bom?

* Na boa, o blogger rocker tem muito medo dessas voltas bombásticas e já andou comentando isso em seu Twitter e também no Facebook. Os Roses gravaram um primeiro e hoje clássico álbum, em 1989. Levaram cinco longos anos para soltar o segundo – que nem em sonho chegava aos pés do primeiro. E agora, quinze anos depois e com a conta bancária precisando de socorro, a formação original resolve se unir novamente para o de sempre: mega shows em festivais e até um disco “inédito”. Não seria melhor deixar tudo como está (ou estava)?

Enquanto isso, na Líbia:

* Enquanto isso, na zona norte de Sampalândia:

Apreensão mosntro de dorgas em Sampalândia (foto FolhaSP). Ou, como já disse o outro: o mundo pode acabar que as drogas não acabam, hihi

* Agora, tumulto mesmo causou ontem o nosso querido vizinho de blogagem, o Popload (alô dear Luscious! Você continua um charme usando óculos, hihi), ao divulgar a lista das supostas atrações gringas que vão invadir o Lollapalooza Brasil, aquele mesmo que vai rolar em Sampa (claaaaaro) no início de abril de 2012. O blog do Uol, sempre bem informado, dá como certa as vindas do Foo Fighters (esse já confirmado e reconfirmado há tempos), Arctic Monkeys (eram atração certa do SWU mas…), MGMT, Yeah Yeah Yeahs (ah, a deusa Karen O’, uma das musas deste blog desde sempre), Jane’s Addiction (óbvio, Perry Farrell é o dono da bagaça) etc. Vindo tudo isso mesmo, o festival vai ser um monstro e desde já imperdível. Porém, estas linhas online dispensam na boa os shows do intragável Cage The Elephant (uma das piores deformações surgidas no rock de dois anos pra cá) e do Tv On The Radio (todo aquele experimentalismo cabeça e sacal cansa). Enfim, o line up é fodíssimo e se for realmente confirmado… jezuiz! Vai haver um terremoto na Chácara do Jockey em abril próximo.

* Mas enquanto o terremoto não chega, na web foi a semana dos discos vazando pra lá e pra cá. E estas linhas virtuais ainda não tiveram pique pra baixar e ouvir o “Mylo Xyloto”, a nova obra do Coldplay e que até o momento não despertou nenhum tumulto na rede. E o enooooorme “Lulu” (o disco que reúne a lenda Lou Reed com o Metallica) também vai esperar um pouco para ser devidamente ouvido e analisado. Por enquanto, o blog está concentrado na audição do novo da Florence e sua Máquina. Esse mesmo, que você vai ler mais sobre aí embaixo.

Pode procurar que o novo Coldplay já caiu na web

FLORENCE E A MÁQUINA CONTINUAM FODÕES, MAS…  
Quando Florence Welch e seu grupo, The Machine, lançaram seu primeiro disco, “Lungs”, há dois anos a rock press gringa babou pelo trabalho. Afinal a garota de apenas vinte e três anos de idade mostrava uma garra, vitalidade e criatividade que estavam em falta na música pop. Compondo uma batelada de canções que oscilavam entre o rock mais áspero e eflúvios de art rock e barroquismo instrumental, o álbum emplacou pelo menos três hits. E Florence se consagrou como um dos novos talentos mais promissores do rock inglês atual. Pois então: “Ceremonials”, o segundo álbum da garota e que sai oficialmente no próximo dia 31 de outubro (e claro que ele já vazou bonito na internet) reedita os mesmos procedimentos composicionais adotados pela cantora em sua estréia. Isso é bom e ruim ao mesmo tempo.

Bom porque está tudo aqui, novamente: o vocal poderoso e envolvente de Florence, as composições rebuscadas e que oscilam entre o experimentalismo sombrio e o barroquismo de um certo art-rock que estava em desuso no pop e foi resgatado por ela. E ruim porque, por vezes, algumas faixas soam longas e cansativas demais. O cd é bem extenso (mais de cinqüenta e cinco minutos de duração), e caso fossem cortados dele aos menos quinze minutos, ele desceria redondinho.

O novo disco da totosa Florence: bacana mas muito extenso

Mas Florence preferiu optar por uma certa atmosfera de grandiloqüência melódica, que domina várias faixas do disco (“Only For The Night”, “Never Let Me Go”, “Lover To Lover” e “Seven Devils” são ótimos exemplos dessa dinâmica sonora). E mesmo no primeiro single de trabalho (“What The Water Gave Me”), onde a cantora lança mão de uma inusitada levada mezzo eletrônica na elaboração rítmica, esse rebuscamento instrumental e vocal se faz presente.

“Ceremonials”, enfim, está muito longe de ser um álbum ruim. Nele Florence & The Machine mostra que tem talento de sobra para se manter entre os grandes nomes do novo rock britânico. Talvez lhe falte apenas acertar a dosagem correta da genialidade como compositora, para que o excesso de barroquismo não prejudique suas músicas.

A HORA E A VEZ DE DUAS BANDAS FODONAS DA CENA INDIE NACIONAL – QUARTO NEGRO E COYOTES CALIFORNIA
O mainstream musical brasileiro, aquela cena de nomes gigantescos e de “divindades” artísticas, está definitivamente sepultado. Está aí o VMB 2011, que aconteceu ontem à noite em São Paulo, para mostrar isso: entre os que estavam concorrendo ao prêmio ou que simplesmente iriam se apresentar na festa de entrega dos mesmos estavam nomes como Criolo, Emicida, Marcelo Jeneci, Macaco Bong, Karina Bhur etc. Talvez seja o VMB com maior índice de renovação dos últimos anos e isso é ótimo.
Um panorama, enfim, que se reflete e muito no surgimento de bons (por vezes ótimos) nomes na cena rock independente nacional do novo milênio. Claro, com o advento da web, troca de arquivos musicais, facilidade de acesso à tecnologia e aos meios de gravação de discos, zilhões de bandas e discos surgiram e continuam surgindo da noite pro dia. E o grosso dessa nova safra é reconhecidamente ruim. Mas aqui e ali, aparecem grupos que realmente merecem atenção e ser destacados na blogosfera de rock alternativo e cultura pop.

É o caso do Quarto Negro e do Coyotes Califórnia, que estão lançando seus álbuns de estréia. Duas bandas muito diferentes entre si mas que carregam na sua musicalidade um traço comum: o apreço por música de qualidade, com ótimo trabalho instrumental, ótimas composições e letras acima da média do que se ouve na indie scene brazuca.

E mesmo quando uma delas (o Coyotes) não faz um som, digamos, tão contemporâneo (a praia do quarteto é o metal funkeado, da escola do Faith No More e do Red Hot Chili Peppers, quando o grupo de Anthony Kieds ainda tinha alguma relevância no rock mundial), a “compensação” vem em forma de músicas vibrantes e envolventes, daquelas feitas por garotos que estão em ponto de bala e que acreditam que o rock, este por vezes velhusco senhor meio cambaleante e cansado de guerra, ainda pode mobilizar multidões.

Abaixo o blog analisa as duas estréias e saúda os dois grupos como sendo dos melhores que estas linhas zappers ouviram este ano, na cena independente brasileira. O texto dos Coyotes é assinado por Helena Lucas Rodrigues, estudante de Letras, autora do ótimo blog 23 Gotas e um grande novo talento do novo jornalismo musical brasileiro. A partir deste post ela estréia como colaboradora fixa destas linhas online.

O COSMOPOLITISMO SONORO QUE ENVOLVE O QUARTO NEGRO

O Quarto Negro: som opressivo, denso e muito bom

O trio Quarto Negro é brasileiro, mas também é do mundo. Formado pelo vocalista, guitarrista, compositor e letrista Eduardo Praça, pelo pianista Thiago Klein e pelo baixista Fábio Brazil, o grupo surgiu por volta de 2008 quando Edu ainda tocava guitarra no saudoso Ludovic, um dos mais célebres grupos da cena indie paulistana da última década. Nessa época o Quarto Negro chegou a lançar virtualmente o ep “Buu”. Mas agora que está para soltar “Desconocido”, sua estréia completa e com Eduardo liberto dos compromissos com o Ludovic (pois o grupo encerrou atividades), o QN mostra um trabalho de altíssima densidade musical. O blog ficou realmente impressionado com o que ouviu.

Explicando melhor: se o ex-grupo de Eduardo investia em ambiências pós-punks sombrias, à la Joy Division, o Quarto Negro resolveu abortar totalmente este referencial musical, e partiu para construções sonoras intrincadas porém simples, e que contemplam sim um ambiente muitas vezes melancólico e opressivo. Músicas como “Nosso primeiro divórcio” são melodicamente pop em sua essência, mas possuem guitarras mezzo psicodélicas e uma espécie de transe onírico doloroso, o que é reforçado pelos versos cantados por Eduardo: “Você me soa tão abstrato/Os dias já não me remetem a nada/E quanto mais eu sei menos eu posso crer/Em tudo que ouço, enxergo e falo”.

Já “Quando o mar não vem” apresenta um boculismo tristonho (e que vai perpassar outros momentos do disco), construído por pianos e guitarras com efeitos que remetem ao rock psicodélico sessentista. “Socorro”, então, com seu lamento engendrado por violinos e pianos, é de arrepiar a alma e pode ser a trilha perfeita para o ultra desencanto/desalento que muitas vezes assola a existência humana.

Há muito mais no disco: “Prometeu ao santo” e “Do medo ao medo” são pop, têm mudanças de andamento malucas e mostram que o Quarto Negro realmente buscou a ousadia na composição das músicas e na construção dos temas que formam este ótimo “Desconocido”. Um disco difícil de ser digerido em apenas uma única audição e que provavelmente jamais irá se transformar em um “hit” de vendas, mesmo para os padrões da cena alternativa.

E lá em cima, na abertura do texto, o blog afirmou que o trio era brasileiro mas também do mundo. Sem dúvida: o álbum foi gravado durante três meses, em meados deste ano, em Barcelona, na Espanha. Atualmente Eduardo Praça mora nos Estados Unidos. Se todos esses referenciais geográficos dão um cosmopolitismo bem-vindo à estréia do Quarto Negro, há de se perguntar quando veremos a banda tocando por aqui, ao vivo, este espetacular material contido em sua estréia em disco completo.

Banda: Quarto Negro
Disco: “Desconocidos”
Lançamento: o álbum já está na web para download (

http://www.mediafire.com/?6od5zg48z341mz2) e deverá ser lançado em vinil importado no início de novembro.

COYOTES CALIFORNIA RESGATAM A ESSÊNCIA DO METAL FUNKEADO
Por Helena Lucas Rodrigues, especial para Zap’n’roll

O quarteto paulistano Coyotes California: resgatando o funk metal dos 90′ em sua estréia em disco

Quero deixar bem claro que esta resenha que escrevo não
tem o menor caráter de assumir uma postura fraternal,
daqueles projetos que você conhecesse desde quando ele
é um embrião e você vê tomando formas e andando por
conta própria. Mas é como se fosse exatamente isso e seria
puro fingimento e diplomacia negar a admiração diferente
que eu sinto por esses quatro meninos.

O meu contato com a banda retoma a primeira entrevista
realizada para outro blog, onde eu
participava como colaboradora, e uma tímida aproximação,
que rendeu bons resultados, colocaram à nossa frente o
vocalista com suas estilosas tatuagens Falcão Moreno, o
então menino Willian Antonetti e o contido e simpático
Fabiano Lopes. O assunto gerou em torno do então recém-
lançado EP “Como as Mulheres”, que contém algumas
músicas que posteriormente foram lançadas no álbum
de estréia da banda. Os três informavam que o baixista
Cassio Murilo (inclusive foi aniversário dele nesta segunda-
feira, parabéns pra ele!) não poderia estar presente e por
motivos pessoais. Deixando um pouco o papo rolar, sem
nenhuma insistência do lado do entrevistador, depois foi
dada a informação que Cassio estava um pouco em duvida
quanto ao futuro da banda. O baixista estava em outro
projeto chamado Big de Jazz, uma banda de rock pop gospel
e sua cabeça ficou pirada por participar de duas bandas
que exigia demais do seu dote musical – Cassio QUASE saiu.
Ainda bem que isso não aconteceu, senão não teríamos
ouvido de longe SEQUER o burburinho do álbum “Hello

Fellas” chegando.

O próprio baixista abriu o jogo para gente como foi o
processo de gravação, onde um nada pequeno incidente
perigou o nascimento deste trabalho: o estúdio ligava
para avisar que haviam perdido a voz e o violão. “A
verdade é que todo esse processo de regravação nos deu
possibilidades de explorar mais o nosso som. Nos deu novas
idéias. Por um lado foi muito bom, foi bem legal! Com a
pré-gravação nas mãos, ouvimos e sempre rola aquele
pensamento: ‘poxa, poderia ter feito isso ou aquilo’, e essa
foi a oportunidade de melhorar o que já achávamos que
estava legal, que bom (risos). Melhorar nunca é demais!”.

A faixa “Obra de Arte” retrata a nostálgica bateria do
funkeado californiano registrado nos trabalhos “Mother’s
Milk” (89) e “Blood Sugar Sex Magik” (91), da banda Red
Hot Chili Peppers, referência quase devota dos quatro
rapazes da ZL. Além da guitarra funk e do baixo marcado
pelo slap (abençoado Flea e a galera do slap!), o final de “A
Última Dança” é digno de destaque, onde o solo orgásmico
de Willian combinam com um trompete sofisticado
executado por Thiago P. Andrade. Outra canção que
merece destaque pela fusão de instrumentos venerados no
funk metal pe a faixa “Miss Sexual”, onde aparece o ótimo e
sexualizado groove num sax tocado pelo músico Thiago da
Mata. Com seu vocal “rapeado”, notavelmente inspirado
por Anthony Kiedis (RHCP) e Mike Patton (Faith No More),
as letras de Falcão, louco e urbano poeta do século XXI,

retratam a visão de “Apenas um Rapaz”, com dúvidas
existenciais que persiste em perturbar a paz espiritual de
um jovem adulto. O imaginário masculino é desnudado e a
sexualidade cheira de longe, é claro que tem aquela
conversa de “hormônios à flor da pele”, mas esse tesão
emerge do ambiente caliente latino-americano, realidade
que não precisa ser vivida se subirmos até o México ou até
alguma parte da Califórnia para sentir – estamos situados
num país chamado Brasil. Voltando para a filosofia de vida
presente em todo o álbum que foi desenvolveu no lírico,
infelizmente as letras retratam o que todos nós deveríamos
saber e se alertar para isso (se é que não estamos em
alerta): o atual sistema exige demais dessa geração, mas se
limita a deixar para que ela encontre qualquer tipo de
solução que não seja baseada no seu regime. Essa
preocupação de subir no melhor pedestal da vida E
questionando se um dia deveremos esquecer a essência
jovem quando essa prioridade for alcançada.

Eu acho que fui bem clara quando especifiquei sobre o
por que o álbum “Hello Fellas” deve não só ser ouvido, mas
analisado, compartilhado sobretudo por essa geração que
surge por aí, com as mesmas questões, com as mesmas
inseguranças, mas corajoso o suficiente para enfrentar as
dificuldades passando pela porta – e sem olhar para trás.

Banda: Coyotes Califórnia
Disco: “Hello Fellas”
Lançamento: Pisces Records, a partir da próxima segunda-feira nas lojas.
Preço do cd: R$ 15,00.
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23 GOTAS, O BLOG, MOSTRA O TALENTO DE UMA FUTURA GRANDE JORNALISTA
Não é segredo para quem lê essas linhas online que o autor deste blog namora, há três meses, a estudante de Letras Helena Lucas Rodrigues. Ambos se conheceram na coletiva de imprensa que apresentou a edição deste ano do festival SWU, o papo engrenou, a paquera rolou e o casal segue feliz e juntos há noventa dias.

E um dos detalhes do relacionamento que mais chama a atenção e causa admiração no velho jornalistas blogger é o enorme talento que Helena, com apenas vinte e um anos de idade, demonstra para a escrita. Ela também é fã de rock, fazia textos para um outro blog que estava muito aquém do seu talento (o que provocou ataques de ciúmes, inveja e recalque nas outras garotas que também postavam textos no referido blog, todos dignos de vergonha alheia total, e onde apenas a rocker Helena se sobressaía), e decidiu sair dele e investir mais no 23 Gotas, um espaço mais de cunho autoral e onde a futura lingüista pode exercitar à vontade seu pensamento, sem ser patrulhada ou sofrer “intervenções” no que escreve.

Um dos textos mais bacanas publicados no 23 Gotas segue reproduzido aí embaixo. Nele Helena analisa uma madrugada em que ela esteve, ao lado de Zap’n’roll, numa das baladas mais comentadas da noite rocker paulistana, a que rola no Clube Lions. Leia e comprove porque a garota tem um futuro brilhante, se ela realmente for investir na carreira de jornalista de comportamento e cultura pop.

“Ontem foi a reestreia de minhas aventuras de balada ao lado do meu novo namorado. Ignorando nossa bad total (ele já estava bêbado, impaciente e com uma paranóia que eu estava escondendo algo dele enquanto eu estava sedenta por um copo de cerveja e que 4h40 chegasse logo para eu poder sair daquele lugar), esta noite serviu para que eu observasse algumas coisas.

A noite começou na casa de um amigo dele, uma kitnet localizada no centro, sem muitas surpresas, lá estava ele com mais um amigo. Eu e meu namorado chegamos, fizemos um esquenta bastante tenso, pois meu namorado estava começando a entrar numa paranóia, mas isso deve ser comentado em outro nível, talvez.

Enfim, chegamos ao local destinado para que celebrássemos a noite pré-feriado, como se fosse uma comemoração vida ou morte, como se fosse o último feriado do mundo. Nós ficamos estacionados em frente ao Lions Nightclub, localizado no começo da Brigadeiro Luiz Antonio. No primórdio da sua noite, o Lions Nightclub foi bastante cultuado por quem gostava de sair e ficar analisando o setlist dos DJ’s, além da famigerada “gente bonita” que freqüentava lá. O que eu me entendo por gente bonita: gente que gosta de se arrumar para desesperadamente ser notado no falso escuro da sala onde ecoa sons repetitivos de batidas sintéticas e nada mais. Também estava interessada em conhecer o local onde a modelo falecida neste ano, Cibele Dorsa, e seu namorado apanharam feio dos seguranças. Curiosidade mórbida a la Sonia Abrão. A fila estava gigantesca e eu pude comprovar que realmente ali dava muita gente bonita E PIRRALHA. O que eu entendo por pirralha: garotos que acabaram de sair dos seus 18 anos, querem curtir uma baladinha pá, onde só dá gente que já estudou no colégio Dante ou Bandeirantes, nada que seja tão extraordinário e fora do seu padrão de visão (imagino essa geração Toddy com torradinha freqüentando o Eclético’s bar, o local mais desejado e mais odiado da noite Augustana, onde travestis, junkies, sapatões, viados e Helenas adoram bater um papo e dançar loucamente ao lado da jukebox, sem compromisso de ficar loucona, apenas dançar). O amigo do meu namorado e o respectivo amigo estavam descontentes de enfrentar a enorme fila e eu já não estava muito amigável de ficar ali, pois estava com sede e uma vontade de ir embora, já prevendo o fracasso de noite. Os nossos nomes constavam numa lista, mas eu não estava a fim de enfrentar fila e meu namorado tem o conhecimento e o carão para furar. Resultado: seu amigo desistiu e foi para a pobre Augusta enquanto nós dois fizemos amizade com um grupo animado de mexicanos, que deixou que a gente entrasse na frente, a famosa frenteira. Entramos no que parecia ser um prédio antigo e bonito do centro velho, subimos um lance de escada-caracol e, tcharã, já estávamos numa sala ampla, escura, barulhenta e com luzes vermelhas e azuis piscando para confundir a alucinação de uma cabeça bêbada. O Humberto foi fazer contato com seu amigo DJ residente, o qual esqueci o nome, enquanto eu fiquei analisando o local.

Realmente, local de gente endinheirada ou que quer dar um golpe, visto que ali estava um monte de infantos-juvenis que pegam o carro do pai com a carteira permanente só “pra zoar as putinhas”. Vi um monte de balzaca com as pernas furadas e o batom borrado com os olhos já dando indícios de bolsa, meninas que pareciam ricas dar uma de junky rocker com camisetas-vestidos e botas compradas na Ropahara, só pode. Fora os “bonitos” de camiseta gola pólo, um copo de vodka na mão e na outra mão um copo de energético. O setlist da pista inicial estava, hum, médio: não tocava musicas irritantes de balada do Black Eyed Peas (o que é uma pena, mas isso será discutido em outro post), mas também tocava músicas para somente dançar, sem nada absorver, sem despertar o desejo de você virar para o lado e fazer um comentário que não fosse: “caraca, a música tá massa! WOW”. Ficar naquela balada ia me dando um constrangimento por aquelas pessoas e por estar ali; eu só conseguia me movimentar marcando o compasso da música, mas minha expressão facial não era uma das mais simpáticas. Pela primeira vez na vida me senti tão débil dentro de uma balada, obrigada a balançar o corpo quando o namorado está numa bad INFERNAL.

Pessoas bem nascidas dando uma de louca dentro de um salão que pisca infinitas luzes coloridas não é mais minha praia. Já foi numa época que eu estava recém-urbanizando e Stu* me levava direto a esses lugares, mesmo sabendo que eu gostava de rock’n’roll e ignorando as poucas coisas que passaram na minha cabeça adolescente, que era freqüentar um lugar que se aproximasse da minha imaginação rockeira.

Foi uma percepção muito dura de que realmente cresci, que realmente não agüento esses tipos de lugares. Isso não significa ainda que eu perdi o esplendor de sair, eu tenho 21 anos de idade e por ter um blog com enfoque mais para o rock independente preciso sair e dar as caras, mas gosto de lugares que tocam músicas com volume não muito alto, bebendo uma cerveja e conversando banalidades ou engatando um animado debate com amigos para depois chegarmos a conclusão que nada se resolve numa mesa de bar e brindamos por essa conclusão. Conversando mais cedo com o Humberto, eu disse que seria muito mais em conta assistir um filme na Warner na sua nova televisão, comer pizza e ficarmos quieto dentro de casa para esperar o final de semana que iremos reunir todos os nossos amigos na sua discotecagem no OUTS. Ele bateu o pé e disse que se sentia um “tiozão” aprovando esse tipo de programa caseiro que parece miado, mas não é. Às vezes eu prefiro ser uma tiazona que fica com o namorado em casa engordando a ser uma engomadinha sem causa e sem dinheiro no meio de mais uns perdidos que tentam chamar atenção na mascarada noite paulistana.

Este post é dedicado a alguém que sonha demais, mas que não deve largar a mão da sua piração louca de imaginar um ideial de glam rockstar, onde a limosine está a disposição, festas regadas a bebidas (e outras substanciazinhas) com pessoas te saudando e te adorando – isso não existe. Na verdade estão todos meio perdido tentando procurar essa toca rocker de Alice.
Sem mais”.

(publicado originalmente no blog 23 Gotas, no último dia 12 de outubro. O blog pode ser acessado em http://23gotas.blogspot.com/)

O BLOGÃO ZAPPER INDICA
* Discos: as estréias do Quarto Negro e Coyotes California.

* Baladas no finde: hoje a sextona promete no Inferno Club (que fica na rua Augusta, 501, centrão rocker de Sampa), com showzão do Black Drawing Chalks mais DJ set da sempre querida Vanessa Porto. Ainda na Augusta mas no Outs (que fica no 486) tem show do sempre fodástico shoegazer do The Concept.///Já no sabadão em si tem show sempre animado do Henry Paul Trio também na Outs. E no Lumi’s Club (que fica na 13 de maio, 409, Bixiga, centrão de Sampa) vai rolar mais uma super edição da festa Tiger Robocop 90, comandada pelo chapa João Ramos e que desta vez terá como tema o… Dia das Bruxas, brrr… cola lá que vai ser bacana. Agora, o blogger loker vai onde este finde? Pra sua cama, se recuperar da gripe monstro que o atormenta já há três dias. De modos que, pra quem vai cair na esbórnia: se joguem com tudo, crianças!

TERRA CHEGANDO! E PETE DOHERTY TAMBÉM!
Yeeeeesssss! Agora a parada ferveu de vez no hfinatti@gmail.com. Corre lá que estão sendo disputados a tapa:

* DOIS INGRESSOS para o festival Planeta Terra 2011, que rola dia 5 de novembro em Sampalândia;

* E INGRESSOS (número ainda a ser definido) para a gig solo (maluca?) do gênio junky Pete Doherty, no próximo dia 16 de dezembro, no novo espaço para shows da capital paulista, o Cine Jóia, que fica no bairro da Liberdade.

É isso aê. Dedo no mouse e fé na sorte.

E AGORA CHEGA!
Até que conseguimos escrever muito, com a gripe fazendo o sujeito aqui ter vontade apenas de ficar deitado na sua caminha. Mas é isso. Semana que vem voltamos na área, inteiros, recuperados e sempre prontos pra putaria rocker. Até lá, então!

(enviado por Finatti às  15:30hs.)