AMPLIAÇÃO FINAL E DEFINITIVA PARA O ÚLTIMO POST DA HISTÓRIA ZAPPER! Com entrevistas com novos autores da literatura de cultura pop e nossa derradeira musa rocker: a secretíssima, tesudíssima e cadeludíssima N.R. – Fim de jogo e fim de festa para este TÉTRICO 2018 (sendo que os próximos quatro anos deverão ser iguais em pavor, se não forem piores) e TALVEZ para estas próprias linhas bloggers rockers: após uma década e meia de ótimos serviços prestados ao rock alternativo e à cultura pop, chegou o momento de o blogão zapper sair de cena ao menos na forma como está sendo publicado atualmente e enquanto ainda se mantém relevante e com ótima audiência (ao contrário de certos “vizinhos” pobreloaders que… deixa pra lá, rsrs); assim, nessa postagem derradeira, nada de despedidas chorosas ou dramáticas, sendo que seguimos fazendo o que sempre foi feito muito bem aqui: você vai conhecer um pouco do trabalho do músico e guitarrista Dhema Netho, saber como foi o showzaço de final de ano dos sempre fodásticos Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, conhecer o trabalho de dois novos escritores independentes e que lançaram dois bons livros na seara da cultura pop, e mais isso e aquilo, com um detalhe: aqui NÃO tem lista de “melhores do ano” (isso, novamente, fica para aquele micro blogs que não têm mais assunto para publicar, uia!), “talkey”? (modo Jairzinho saco de cocô, claaaaaro!) (post ampliado, atualizado e finalizado em 28-12-2018)

BANNERMONKEYR18II

IMAGEMLUTODEMOCRATICOII

IMAGEMU2LIVE

Zapnroll chega ao fim de sua trajetória de quinze anos na blogosfera brazuca de rock alternativo e cultura pop, período em que cobriu zilhões de shows internacionais mega, como o U2 (acima), e onde também revelou algumas das melhores bandas da cena alternativa nacional na última década e meia, como Jonnata Doll & Os Garotos Solventes (abaixo, o zapper ao lado do vocalista Jonnata Araújo); em 2019 a marca do blog deverá continuar presente em eventos especiais em unidades do Sesc e talvez em outras plataformas digitais, como o YouTube

FINATTIJONINHA17

 

MICROFONIA EXTRA E ESPECIAL: UM FEROZ PÁSSARO AZUL ROCKER FAZ UM VOÔ RASANTE VIA JONNATA DOLL E SEUS GURIS SOLVENTES – E ESPALHA POEIRA VERMELHA NA CARA DOS CARETAS (E DOS BOLSOTÁRIOS) – O jornalista ainda mezzo loker e eternamente rocker foi lá na Barra Funda (zona oeste de Sampa), em um aprazível final de tarde de domingão, prestigiar uma gig ao ar livre e gratuita dos sempre fodásticos Jonnata Doll & Os Garotos Solventes. E Finaski, mesmo estando combatendo um início de pneumonia com antibióticos e tal, não poderia deixar de ir ver seus guris amados do coração fazerem seu habitual esporro sônico. Foi o primeiro show que o blog viu da banda desde que eles ganharam o Prêmio Governador Do Estado SP para a Cultura (como melhor artista musical) em março deste ano, Prêmio do qual o autor deste blog foi um dos jurados e votou com gosto no grupo. Pois então: mesmo tocando em condições precaríssimas e no chão de terra da praça Olavo Bilac, o quinteto (que além de Joninha nos vocais também conta com as guitarras do Léo Breedlove, do Edson VanGogh, o baixo do Loiro Sujo e a batera do Felipe) literalmente BOTOU FOGO no local. Sonoramente a banda está em ponto de bala (e prontos para entrar em estúdio e registrar seu novo álbum inédito), mais redonda impossível. No repertório, algumas das canções que já se tornaram marcos na pequena discografia deles (como “Rua de trás”, que Jonnata dedicou ao microfone ao “nosso amigo Finatti”, e a dedicatória não poderia ter mais sentido, pois sabemos muito bem o que é ter frequentado uma “rua de trás” há um mês, se entorpecendo e alucinando com o que não deveria nunca mais se entorpecer; mas já passou, felizmente) e a adição de novas e sublimes canções, como a lindíssima “Pássaro azul”. Sem fazer média com a turma (que não precisamos disso) mas a real é que JDEOGS deve mesmo ser a MELHOR banda ao vivo do atual rock brasileiro (ou do que resta dele), ao menos na geração atual. As melhores referências sonoras (glam rock, pós punk à la Smiths, proto punk à la Iggy Pop, Legião Urbana e rock BR dos anos 80), ótimas letras em ótimo português e um vocalista ALUCINADO e do inferno, total andrógino, que se joga no chão e se vira e revira na terra bruta, que começa as apresentações total vestido e as termina inevitavelmente quase sempre apenas de CALCINHA (sim, ele sempre vai aos shows usando CALCINHAS), numa subversão e transgressão estética, visual, comportamental e performática como há muito não se via no MORTO roquinho brasileiro. Um rock hoje eivado de velhos idiotas e reacionários de extrema direita (como Lobão Cagão e Roger Bosta Moreira, ambos eleitores de BolsoNAZI, inacreditável isso; fora os “merdalheiros” fãs de heavy merdal e classic rock, todos também bestas humanas reacionárias de extrema direita) e que ENVERGONHA de verdade quem de fato AMA o grande rock que sempre esteve ao lado da liberdade, da democracia, da justiça social e que JAMAIS irá se alinhar com o fascismo de direita. E como se não bastasse o show ainda rolou bem na frente da sede de uma… igreja evanJEGUE, ops, evangélica, ahahahahaha. Sim, eles mesmos: os evanJEGUES como a futura primeira dama do país (R$ 24 mil na conta dela, depositados de maneira altamente suspeita, que be le za hein bolsOTÁRIOS) e como a futura Ministra dos Direitos Humanos (a que já disse que “é hora de a RELIGÃO governar o país!”, isso porque somos um Estado LAICO, de acordo com a Constituição). Joninha não perdoou e detonou a mesma. Foi, vale repetir, sensacional! O rock daqui nunca precisou tanto nesse momento de uma banda como a Boneca Jonnata e seus guris solventes. Em um país culto e não boçal e medieval como é o Brasil, esses moleques já estariam de contrato com uma grande gravadora e tocando direito nas rádios. Mas aqui, claro, é a nação boÇALnara, medieval ao máximo e que ama sertanojo e pagode burrão, além de axé e funk podreira. Sem problema: Jonnata Doll sabe que o rock voltou ao lugar onde se sente mesmo à vontade e em casa: no underground musical e cultural, na RESISTÊNCIA artística e cultural da qual todos nós faremos (já estamos fazendo, na verdade) parte a partir de 1 de janeiro vindouro, quando o Brasil irá mergulhar na idade das trevas porque 57 milhões de totais imbecis assim o quiseram. Que venha o fascismo troglodita e seu “mito” sujo de barro. Estaremos todos aqui para combate-lo. Ao som de Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, claro!

IMAGEMJONNATADOLLLIVE18

Joninha e seus guris solventes: provavelmente o show ao vivo mais esporrento e poderoso da atual cena rock brasileira

***Ainda sobre a gig: o público não foi grande, mas o blog sentiu-se completamente contente e enturmado ali. Só tinha “cidadão do mal” (ahahahaha): “comunistas”, esquerdopatas, “petralhas”, “vagabundos” e LINDAS garotas (de todas as cores e raças) esquerdistas, hehe. Lindas, nada pudicas e de lar nenhum, como as boçais e “limpinhas” garotas de direita jamais o serão.

 

***Final de ano chegou, o inútil natal está aí e bla bla blá. Tá de bobeira este finde e pelos lados do Rio MEDO De Janeiro 40 graus? Então cola na casa noturna Dama De Aço, em Humaitá que a festona lá vai ser absolutamente fodástica nesse sábado, 22 de dezembro: vai rolar a “Ceremony”, apenas com anos 80 e pós punk a noite toda, com super especiais do Joy Division e do Echo & The Bunnymen. A produção do evento é do queridão Kleber Tuma (que vai discotecar também e comemorar seu niver) e Zapnroll é o dj convidado, wow! interessou? Vai aqui e saiba tudo sobre o evento: https://www.facebook.com/events/293078024871304/.

CARTAZFESTACEREMONYRIO18

 

***E como já estamos todos em clima de fim de festa por aqui (pelos lados do blog) e de final de ano, vamos deixar mais notinhas para a Microfonia para a semana que vem, antes da virada para 2019. Isso se algo realmente importante rolar e merecer ser comentado aqui, beleusma?

 

 

ÚLTIMO POST ZAPPER DO ANO – E FIM TALVEZ DE UMA TRAJETÓRIA LINDONA DE QUINZE ANOS NA BLOGOSFERA BR DE CULTURA POP E DE ROCK ALTERNATIVO

Já disseram há muito tempo Los Hermanos: “todo carnaval tem seu fim”. Estamos total de acordo com essa frase. Pois tudo na existência um dia chega ao fim. Grandes bandas de rock acabam mais cedo ou muito mais tarde (Keith Richards, o genial guitarrista dos Rolling Stones, do alto de seus setenta e cinco anos de idade, já mandou avisar que a atual turnê da banda é mesmo a ÚLTIMA), movimentos acabam, gêneros musicais idem (o rock já foi para o museu, infelizmente), escritores, artistas variados e músicos um dia morrem (desse mundo ninguém sai vivo) e por aí vai. Com este blog não haveria de ser diferente.

Zapnroll começou a ser publicada na internet por volta de maio de 2003. Primeiramente dentro do extinto portal Dynamite online (que foi o substituto digital da revista alternativa de rock do mesmo nome, e que marcou época na imprensa musical brasileira, fundada por volta de 1992 pelo músico, produtor e agitador cultural André Pomba). Depois, com a ampliação do número de leitores e da sua repercussão midiática, ganhou endereço próprio (.com). Mas dez anos antes, em 1993, este espaço dedicado ao rock alternativo teve um período de vida na própria edição impressa da revista Dynamite, em forma de coluna.

Desde então muita coisa aconteceu, muita água rolou embaixo da ponte e poderíamos escrever um LIVRO aqui apenas sobre a década e meia em que o blog e site zapper estão no ar na internet. Nesse período este espaço virtual literalmente acompanhou tudo o que foi possível no rock alternativo daqui e do mundo inteiro. Viajou o Brasil inteiro cobrindo centenas de festivais, descobrindo bandas que hoje são mega conhecidas (entre elas, Vanguart de Cuiabá, e Luneta Mágica de Manaus), resenhou toneladas de discos e shows e cobriu alguns dos maiores festivais (Lollapalooza, Planeta Terra, SWU etc.) e shows gringos (U2, Franz Ferdinand, The Cure, Blur, Oasis, Pulp, Pixies, Duran Duran, The Strokes, Belle & Sebastian et, etc, etc.) que já aconteceram no Brasil. Era e talvez seja, portanto, hora de sair de cena, enquanto este espaço ainda se mantém relevante, digno e com boa audiência. Afinal estamos envelhecendo (assumidamente: ou você morre antes de envelhecer ou envelhece e morre, simples assim) e produzir material para este blog é algo trabalhoso e cansativo, sem dúvida. Fora que o mundo infelizmente mudou radicalmente de anos para cá, com o advento da internet, dos apps, redes sociais e que tais. O grande jornalismo musical e cultural, como o conhecemos (e sendo que Zapnroll talvez seja parte da última grande geração de jornalistas da imprensa IMPRESSA que existiu, a que surgiu na década de 1980), definitivamente morreu. Idem a cultura pop e o próprio rocknroll. Sim, a música pop continua existindo e produzindo novos artistas a todo vapor. Mas eles são tão irrelevantes artisticamente falando que explodem um mega hit nas redes sociais e canais da web (como YouTube etc.) por uma semana e depois desaparecem tão rápido quanto surgiram, sendo logo substituídos por outro astro tão irrelevante e fugaz quanto foi seu antecessor.

Diante de um panorama desses estas linhas virtuais nem tinham mais como atualizar a todo instante o material publicado aqui, justamente por não ver NADA DE RELEVANTE que justificasse tal atualização frenética. Enquanto outros blogs “vizinhos”, que já foram incríveis e mega importantes para o jornalismo de cultura pop e agora se veem em aterradora decadência editorial (publicando micro posts diários sem importância alguma e com um autêntico fiasco em termos de repercussão e audiência), o blog zapper preferiu diminuir suas atualizações, publicando posts com farto material informativo e dedicando edições especiais a grandes bandas e discos da história do rocknroll.

IMAGEMLUNETAMAGICA

A Luneta Mágica, de Manaus (acima): uma das grandes descobertas do blog na cena indie nacional; nas fotos abaixo, momentos da trajetória do blog, com Finaski ao lado de Robert Smith (The Cure, em 1996), Kim Gordon (Sonic Youth, em 2005), Frejat (em 2016) e Nasi (vocalista do Ira!, este ano)

FINATTIBOBSMITH19996

FINATTIKIMGORDON2005

FINATTIFREJAT

FINATTINASI18

 

Mas enfim avaliamos e decidimos que agora talvez seja a hora de encerrar de vez as atividades da Zapnroll. Tal qual o gigante REM decidiu por fim à sua trajetória musical sem trauma algum e após trinta anos de gigante trajetória no rock, tal qual Keith Richards que surpreendeu o mundo semanas atrás dizendo que estava parando de beber (“é hora de sair”, disse o guitarrista que é a ALMA dos Stones), também acreditamos que chegou a nossa hora de sair de cena, pois acreditamos que já cumprimos com louvor nossa missão por aqui. No final de 2017 o jornalista zapper publicou seu livro “Escadaria para o inferno”, onde ele faz um balanço de sua vida profissional na imprensa brasileira ao longo de três décadas de atividades. E em outubro passado o blog realizou uma sensacional e magnifica festa de quinze anos de existência nas dependências do Sesc Belenzinho na capital paulista, com showzaços das bandas Saco De Ratos e The Dead Rocks. Damos por encerrada nossa missão. Ao menos por enquanto.

Mas sem tristeza ou choradeira. O espaço do blog irá permanecer ainda por muitos meses online, para ser consultado por seus fieis leitores. E além disso também estamos programando novos eventos e atividades especiais, com a marca do blog – um deles deverá acontecer novamente no SescSP, entre abril e maio de 2019. Quando esses eventos se confirmarem, serão obviamente divulgados por aqui mesmo. E, por fim, talvez Zapnroll se renove e mude de plataforma, estreando um canal no YouTube, por exemplo. Tudo isso será estudado a partir do final de janeiro próximo.

Até lá estas linhas malucas e lokers que causaram polêmica como ninguém na história da blogosfera brazuca de cultura pop, entram em férias “permanentes” a partir deste post. Agradecendo de coração e com todo o carinho do universo quem sempre nos acompanhou e nos prestigiou. E desejando que todos tenham ótimas festas e uma virada de ano bacana, dentro do que é possível esperar de bom no país que será DESgovernado por BolsoNAZI a partir de primeiro de janeiro.

Fica então o nosso “até breve” para toda a galera. Valeu, pessoal!

 

***E não, pode ESQUECER! Na despedida oficial de Zapnroll, não vai haver LISTA ALGUMA aqui de “melhores do ano” – já basta a vergonhosa lista publicada pela revista americana Rolling Stone, com os 50 melhores (ou seriam os PIORES?) discos de 2018. Quer ver listas inúteis? Vai lá no blog pobreload, uia!

 

 

A HISTÓRIA TOTAL ROCKNROLL DE DHEMA NETHO – DE QUEM PROVAVELMENTE VOCÊ NUNCA OUVIU FALAR MAS QUE TEM UMA TRAJETÓRIA JÁ GIGANTE NO MONDO ROCKER

Yep, você provavelmente nunca ouviu falar dele. Mas como uma das funções primordiais de toda a história de década e meia deste blog eternamente rocker foi apresentar gente desconhecida mas totalmente envolvida como o grande rocknroll, achamos que era uma boa se deter no personagem do músico Dhema Netho para ser um dos tópicos principais de nosso derradeiro post.

Quem? Dhema Netho. Ou Ademar Neto, seu nome de batismo. Que nasceu no interior do Paraná há mais de cinco décadas, foi protético na adolescência e juventude, começou a tocar guitarra aos dezenove anos de idade, se apaixonou pelo rocknroll e nunca mais desistiu da sua paixão. Que o levou a montar bandas na década de 90 (uma delas, a Brechó De Elite, chegou a fazer razoável sucesso entre 1989 e 1995, chegando a tocar em rádio e a fazer aparições na então poderosa MTV Brasil), depois a ter uma loja de discos lendária em São Paulo (a Rocks Off, no bairro de Pinheiros) e, por fim, a leva-lo para Londres, onde morou por mais de quinze anos. Período em que gravou e lançou discos (um deles, inclusive, teve seus registros feitos no mega lendário Abbey Road, onde foram gravados alguns dos álbuns gigantes dos Beatles e de toda a história do rock), tocou no Cavern Club em Liverpool (onde uns certos Beatles também começaram tudo) e foi vivendo da sua música até se cansar “do frio” inglês para retornar a Sampa, há mais ou menos dois anos. Enfim, uma trajetória pra lá de bizarra e incrível e sendo que sua produção musical jamais cessou – Dhema tem cerca de quatrocentas músicas INÉDITAS e ainda não gravadas.

Como o blog conheceu o músico, que vive ao lado de cinco guitarras em uma kit no centro da capital paulista? Isso você, dileto leitor zapper, irá saber logo menos lendo a entrevista que fizemos com ele e onde o guitarrista e compositor relembra histórias bizarras de sua década e meia morando em Londres. Abaixo, os principais trechos do bate papo que ele teve com este espaço rocker blogger.

IMAGEMDHEMAIII

O músico, guitarrista e compositor Dhema Netho (acima) e seu projeto, Monkey Revolution (abaixo): uma história incrível no rocknroll nos últimos dezesseis anos

IMAGEMDHEMAIV

 

Zapnroll – Você já possui uma extensa trajetória como músico, guitarrista e compositor. Começou a tocar ainda na adolescência, teve banda de rock nos anos 90 (a Brechó De Elite) e morou dezesseis anos em Londres, tendo voltado há pouco tempo para São Paulo. Assim, para quem não conhece seu trabalho gostaria que você detalhasse bem tudo o que fez até hoje em termos artísticos e musicais.

 

Dhema Netho – A banda brecho’ de Elite foi fundada por mim mesmo em 1989 com um anuncio num jornal chamado primeira mão procurando integrantes para montar uma banda de Rock, e então os interessados foram aparecendo. Esse jornal foi de uma geração de Rock dos anos 80, pois nele você poderia procurar musicos , vender e comprar instrumentos musicais. Nessa época nem se sonhava com instrumentos importados no Brasil. Achar uma guitarra Fender, amplificador Marshall era impossível.

As lojas de instrumentos musicais na Teodoro Sampaio (rua do bairro de Pinheiros, na zona oeste da capital paulista) estavam começando a surgir.

A banda Brecho’ de Elite teve 3 vocalistas. Musicos?  Dezenas passaram pela banda. Um entra e sai de musicos e na verdade  NUNCA  tive musicos que realmente gostasse deles como gosto musical . Um gostava do Pantera , outro do Iron Maiden, outro do Steve Vai e  eu adorava e ainda gosto do Chuck Berry e Rolling Stones. Então as coisas, as ideias  NUNCA se encaixavam e nada dava certo. Passei a maior parte da existência dessa banda procurando acertar os musicos do que realmente chegando a algum lugar. Depois de muito sacrificio e insistência consegui gravar o primeiro álbum do Brecho’ de Elite, “A vida e’ Rock and Roll” em 1995, por uma gravadora independente de Sao Paulo que já pegou as músicas todas gravadas e estúdio já pago por mim mesmo. Ninguém da banda pôs um centavo do bolso, eu paguei tudo, uma parte em dinheiro e outra parte em  instrumentos musicais. Essa mesma gravadora tinha lançado a banda Velhas Virgens e eles estavam quebrando o pau com os donos dessa gravadora que eu nem quero dizer o nome e nem sei para onde eles foram e que fim eles levaram, nem quero saber. Depois de ter caído numa grande roubada dessa gravadora, assim como os Velhas Virgens caíram, essa porcaria de gravadora jogou um membro da banda Brecho’ de Elite um contra o outro e a casa caiu feio. Os integrantes tentaram me roubar a banda por influência de um dos donos da gravadora dizendo que ele me queria fora da banda pois eu como dono, líder da banda representava perigo para eles, dono da gravadora manipular e não cumprir o contrato e roubar as músicas que nem sequer eles pagaram para gravar. Foi um verdadeiro inferno essa fase. Um integrante da banda roubou um amplificador de um amigo meu que emprestou para a gente gravar no estúdio. Os pais desse amigo foram no meu apê dizendo que iam chamar a polícia se não devolvesse o amplificador do filho dele e esse mesmo integrante da banda disse que ia ficar com o amplificador do meu amigo para pagar as horas de gravação dele no estúdio, vai vendo. Era um cabeçote valvulado para Guitarra mod. 5150 Van Halen. Não fazia muito o meu gênero como amplificador, mas esse guitarrista queria gravar com ele. No final ele devolveu o amplificador com ameaças de ir preso por roubo. Um idiota, moleque inconsequente. Meti um precesso em todo mundo. Ganhei a causa na Justiça, coisa que não foi nada dificil para ganhar POR SER TÃO ÓBVIA a situação. Traumatizado, abondonei tudo, vendi tudo e fui embora para Londres sem querer nem saber de banda, de guitarra e só pensava em recomeçar uma vida completamente nova e comecei uma vida completamente nova: fui produzir música eletrônica old school . Nada de House music, nada comercial. Musica eletrônica Underground Minimal Techno, Drum and Bass, etc. Não toquei Guitarra por 10 anos. E nunca entendi o por que disso e nunca achei resposta. Um dia bem discretamente, isso ja’ em Londres depois de 10 anos ja’ morando la’, entrei numa loja de guitarras, há 10 anos sem tocar ou pegar esse instrumento, com muita timidez peguei um violão bem principiante nas mãos e queria saber se eu ainda sabia tocar aquilo. Foi muito estranho aquele momento. Comprei o violão pois custava uma merreca, 60 libras. Foi então que aos poucos fui

lembrando e em pouco tempo eu ja’ estava com a casa, quarto cheio de Guitarras Fender, Amplificadores para toda parte. E la’ vamos nós, quero dizer eu, montar uma banda de rock de novo. Só que agora em Londres. Começar tudo do zero de novo como banda de rock. Anúncios e anúncios em jornais, revistas de musica procurando integrantes para formar banda. Entrei numa banda que era uma vocalista meio Blues, Folk, até Punk. Deu tudo certo logo de cara. A banda nao tinha nome. Eu dei o nome de Burning Money e todo mundo gostou. Eu era o único brasileiro nessa banda. Ainda bem que ninguém me pediu para tocar bossa nova ou samba, hehehehe,  man, fuck you, no way. Gravamos 6 musicas logo de cara, pois eu peguei todas as minha musicas do Brecho’ de Elite e traduzi para o inglês com a vocalista  adaptando uma coisinha aqui outra lá, pois alguma coisa nao fazia muito sentido dizer aquilo em inglês. Pronto, vamos fazer shows e procurar pubs para tocar. Nós agora somo o Burning Money: queimando dinheiro e não tínhamos muito onde cair mortos. Muitas águas rolaram, ou melhor, pedras rolaram e acabamos dentro do Abbey Road Studios (um dos estúdios mais célebres do mundo, onde os Beatles gravaram algumas de suas obras primas). E eu WOOOOO, isso seria uma recompensa depois do inferno no Brasil? Olho do meu lado sentado numa mesa do café do estúdio ninguém menos do que JIMMY PAGE do Led Zeppelin, a banda que eu idolatrava quando moleque? Ele sentado sozinho lá no jardim do estúdio e eu aqui também fazendo meu trabalho como  musico e agora mister Dhema Netho, eu me pergunto a mim mesmo? Por alguns minutos passou um filme pela minha mente doque eu tudo tinha passado no Brasil com o brechó de elite e membros, e pensei: essa é a minha verdadeira recompensa. Fui até Jimmy Page, pedi licença se poderia trocarmos umas palavras e ele disse por favor sente se e sinta se a vontade. Me apresentei como brasileiro,  e depois comentei se ele ainda tinha uma casa no Brasil onde ele passava as férias, ele disse que sim mas que não vinha ao Brasil há uns 3, 4 anos. Me perguntou se eu estava gravando musicas no Abbey Road ou só visitando. Respondi que sim estava masterizando umas musicas com minha banda o Burning Money. Ele fez uma brincadeira com o nome da banda perguntando se eu estava queimando dinheiro por ter ficado rico com a banda. Dei um cd demo para ele apertamos as mãos e boa sorte com sua musica rapaz, ele disse. Nos vemos por aí. Já estava dando a hora de subir para entrar no estúdio pois ficava no primeiro andar. E assim mil e outras histórias com famosos cruzaram o meu caminho. Por que decidi voltar ao Brasil depois de 16 anos na Inglaterra? Para por a minha cabeça no lugar, perdas de grandes amigos que fiz por lá que morrem com abuso de substancias, outros de câncer bem jovem. E eu estava precisando dar um tempo de Londres, pois estava bem cansado de lá. Talvez ainda volte a morar lá, mas quando penso no inverno, no frio que faz lá, eu nao sei não se voltarei a morar. Talvez só a passeio mas tem que ser no verão com certeza absoluta.

 

Zap – Por que você foi parar em Londres, afinal? O que houve com a Brechó De Elite e por que decidiu voltar ao Brasil?

 

Dhema – Nao consegui viver só de musica em Londres. A maioria de integrantes de bandas Inglesas tem um trabalho em loja de instrumentos musicais como acontece aqui no Brasil. Nada muda nesses termos , a dureza para chegar em algum lugar como banda não  é nada fácil. Trabalhei em Lojas de instrumentos também na Rua Dean Mark st. onde ficam todas as lojas, tipo uma Teodoro Sampaio em São Paulo. Sim, toquei guitarra nas ruas também com uma amiga nos vocais. Toquei muito em Camden Town, um bairro bem louco de Londres onde as pessoas parecem morcegos góticos. Eu não saia de lá.

 

Zap – Conseguia viver de música lá? Conte sobre sua fase como músico de rua, tocando em estações de metrô etc. E como foi a história de você também ter tocado no Cavern Club em Liverpool, onde os Beatles começaram a trajetória deles?

 

 

Dhema –  Caverna Pub em Liverpool, sim, fiz várias jamming  sessions no Caverna. Eu ia muito a Liverpool com um amigo inglês que tinha vários amigos em Liverpool e também eram musicos. Assim com em Manchester também. Íamos durante a tarde um dos amigos tinha um irmão que trabalhava no Caverna Pub e liberava tudo pra gente lá dentro. Nos sentíamos como se o caverna fosse nosso. Quando você está vivendo isso, tudo é tão natural, tão normal. Mas pode ter muita gente agora lendo isso e achar isso um sonho para eles. Talvez até um sonho nao realizável. Eu também ainda tenho sonhos que não sei se vão se realizar. Por exemplo, tocar um dia no The Royal Albert Hall. Uma casa de Londres onde as maiores bandas inglesas tocaram e fui ver shows lá centenas de vezes. Uma dupla sertaneja do Brasil já tocou nesse lugar. Mas tem um porém, eles dedetizaram o lugar ao meu pedido para as bandas de rock voltarem a tocar lá, rsrs.

 

Zap – De volta ao Brasil, você tem composto muito? Quantas canções inéditas você possui prontas para serem lançadas?

 

Dhema – Na verdade eu componho o tempo todo. E onde quer que eu esteja, estou com letras vindo à cabeça e mando isso via mensagem para o meu próprio celular para evitar que eu esqueça. Faço isso há muitos anos. E o mesmo eu faço com um gravadorzinho de voz para registrar coisas que me vem quando estou tocando guitarra. Não tenho smartphone, iphone não gosto disso de forma alguma. Meu celular não tem internet e não tira fotos. To muito feliz assim e não quero me tornar um escravo de uma máquina tão idiota e não fazer nada mais na vida a nao ser estar olhando e segurando aquilo 24 horas por dia, não entendo essas pessoas que fazem isso.  Sim, tenho gravado muitas musicas novas com amigos do Brasil lá em Pinheiros. E sao musicas ótimas.

 

 

Zap – Quais foram suas maiores influências musicais e no rock ao longo da sua vida? Quais suas bandas preferidas?

 

Dhema – Eu diria que quase tudo que tem qualidade musical. Ou seja, musica boa de verdade. Quando muito pequeno black music, disco music que eu adorava. Peguei e vivi toda a fase da discotheque e até hoje gosto muito desse estilo. Por volta dos 12, 14 anos o Rock&Roll entrou na minha vida e dominou tudo. Nazareth, Ac/Dc , The Sweet, Rolling Stones, The Beatles, Gary Gliter, Joan Jet, Bad Company, Led Zeppelin, The Who, Deep Purple, Yes, Sex Pistols, The Ramones etc. Isso era o que eu realmente ouvia. Tudo isso eu tinha em aqueles compactos vinil de 2 musicas de cada lado. E depois veio o Vinil.

 

 

Zap – Como você vê a música e o rock em si nos tempos da internet? Acha que o grande momento do rocknroll mundial já passou e não volta mais, ou ainda acredita que o gênero irá sobreviver?

 

Dhema – Não acredito de forma alguma  que o estilo Rock irá ter um BOOOOM como teve nos anos 50,60,70 e talvez até anos 80. É uma outra geração, uma outra mentalidade, uma outra realidade. E honestamente nada disso me interessa. Não tem aparecido uma banda que me interessa nestes últimos 20 anos. Seja essa banda de qualquer país. Não gosto de nenhuma banda dessas que estão. Não vou citar nomes porque SÃO TODAS. Musica na internet? Não faço downloading. Tenho tudo que me interessa para ouvir no meu Notebook e no pendrive. Internet facilita a vida das pessoas em todos os sentidos se você souber usar isso de uma forma inteligente. Tudo é muito prático e muito rápido quase no tempo real.O Rock vai sobreviver? O ock vai estar sempre aí como todos os outros estilos de musica boa. Assim como o Reggae, Folk, Blues, Country, Jazz, Clássico, Punk Rock etc. E isso vai ficar ao gosto, interesse individual de cada um o que quer ouvir. Agora, o que vai predominar ou continuar predominando é essa porcaria que está nessa geração Iphone. Como disse Albert Einstein, quando a tecnologia dominar as pessoas, dominar o mundo, essa será a geração mais estúpida na face da Terra. Se você não sabe usar a tecnologia, ela te usa e faz de você um verdadeiro idiota.  A tecnologia é sensacional se você souber usa la e não ser usado por ela.

 

Zap – Seus planos para 2019. Pretende lançar um disco inédito, afinal?

 

Dhema – Sim , pretendo lançar um álbum todo de inéditas que já tem umas 8 musicas novas com o Monkey Revolution, meu novo projeto/banda. Com esse projeto realmente eu alcancei quase o top da montanha em termos de satisfação profissional com as composições, produções, arranjos etc. E eu canto nesse projeto, coisa que demorou muito para eu assumir que gostava da minha voz cantando e tenho sido muito elogiado por isso. Mas sempre quase todo mundo diz a mesma coisa: parece Lou Reed , David Bowie, Bob Dylan, em termos de voz. Tudo bem, para mim e’ um elogio.

 

***Para saber muito mais sobre Dhema Netho e seu Monkey Revolution, vai aqui: https://www.facebook.com/Monkey-Revolution-was-born-in-London-by-Ademar-Mello-Brazilian-Musician-574501856270636/

 

 

E MONKEY REVOLUTION AÍ EMBAIXO

Em diversos vídeos, no canal no YouTube dedicado ao projeto de Dhema Netho

https://www.youtube.com/user/1964ademar

 

 

CULTURA POP LITERÁRIA – DOIS ESTREANTES EM LIVROS CONVERSAM COM O BLOG EM NOSSA DERRADEIRA EDIÇÃO

Em um momento em que o mundo em geral e o Brasil em particular possui cada vez menos apreço pelo lazer e simples (e ótimo) ato de ler um livro (afinal a era da web democratizou e tornou todos iguais perante à boçalidade humana: ninguém mais quer saber de ler livros ou textos longos mas, sim, compartilhar bobagens e imbecilidades vazias e ligeiras em redes sociais e aplicativos de celular), a literatura ainda possui devotos fiéis e segue respirando. Parte essencial e intrínseca da cultura pop e de nossa formação cultural e intelectual, ler um (ou muitos) livro (s) deveria ser algo obrigatório na existência humana. Manter essa arte gigante viva então nos tempos atuais, publicando um livro, pode se tornar um autêntico ato de coragem.

Pois dois diletos amigos pessoais destas linhas virtuais de cultura pop que estão se despedindo da blogosfera BR após uma década e meia de presença nela, ousaram, tiveram coragem e acabam de se lançar em suas estreias literárias. O jornalista Jesse Navarro vem com o seu “Macumba Rock”. Já a farmacêutica (!) e publicitária Tatiana Pereira apresenta “De analgésicos e opióides”, título homônimo do blog que ela mantém já há alguns anos. E para saber do que se tratam os dois livros e conhecer um pouco melhor a trajetória dos autores, Zapnroll foi bater um papo com ambos. Sendo que as duas entrevistas você confere abaixo.

 

JESSE NAVARRO

IMAGEMJESSE

O jornalista e escritor Jesse Navarro e seu primeiro livro, “Macumba Rock”

 

Zapnroll – Você é jornalista de formação, já tendo passado por redações de veículos impressos e pela produção de programas de tv e para a internet. O que o motivou a lançar este seu primeiro livro?

 

Jesse Navarro – Sempre escrevi, no colegial fiz curso técnico de redator auxiliar, minha primeira faculdade foi letras e meu pai foi jornalista e escritor. No entanto, não conseguia me organizar para escrever um livro. Em 2017, o exercício de um curso de roteiro era criar uma série imaginária para a Netflix. Nasceu Macumba Rock. Como é muito difícil virar série mesmo, resolvi adaptar a história para um livro. Da ideia original da qual apresentei até um “pitching” no curso, só ficaram o título Macumba Rock e os papos entre o espírito de Raul Seixas e uns jovens ocultistas num cemitério. Virou Culto a Raul. O resto é coisa que vi na vida, histórias de minhas consulentes de baralho cigano e dos moradores de rua com quem trabalho. O objetivo é mostrar a capacidade humana de sair das trevas por quem já viveu nelas, o poder de superação pelos caminhos da arte e da espiritualidade. A trilha sonora da minha vida que sempre foi rock alternativo viveu uma mudança: passei a ouvir cada vez mais o que chamo de xamanismo eletrônico e sons cheios de tambores. Esses barulhos estavam na minha mente e viraram ficção. Inclusive na trilha sonora incluí também preciosidades musicais da Grã Ordem Kavernista apresenta Sessão das Dez, um dos discos mais vanguardistas dos anos 70, pós-tropicalista e debochado, com Raul Seixas, Miriam Batucada, Sérgio Sampaio e Edy Star. Incluí essas trilhas na versão áudio livro que está em arte final. Foi uma fase inspirada da minha produção na Rádio Mundial, usando horas e horas de estúdio 2 para produzir esse material com vários dubladores. Lançamento será em mp3 em janeiro. Sei que tudo nasceu num curso de roteiros num momento de profunda transformação na minha vida pessoal.

 

Zap – Fale um pouco de sua trajetória jornalística e de suas influências literárias.

 

Jesse – Minha trajetória jornalística começou numa assessoria de imprensa na Prefeitura de Osasco. Meu sonho era o rádio, a televisão e peguei a internet chegando. Adorava ser repórter do jornal Primeira Hora, onde comecei cobrindo polícia e depois parei na política. Fui repórter de vários pequenos jornais e apresentador de várias pequenas emissoras de TV, rádio e internet, passando a ter mais pegada cultural. Entrei na RedeTV para ser editor de um programa da tarde e acabei trabalhando em algumas produções, pautei muito Márcia Goldsmidt na Band e dirigi o Clodovil interinamente por uns quinze dias. Durante dois anos fui assistente de direção. Aquilo era puro entretenimento e eu ainda vivia no estado da arte mais erudita. Meu programa na TV Osasco se chamava Giralata e acabou virando Oráculo em outro portal local. Criei um personagem punk místico cultural que atraiu a atenção da MTV da época. Aparecia no programa Gordo Freak Show, umas matérias externas, uma experiência bizarra pela proposta humorística de cornetar o artista na porta do seu show, mas uma experiência inesquecível de gravar uma externa com profissionais de verdade. Passei pelo Guia Quatro Rodas da Abril e depois disso, minha trajetória de jornalismo sobreviveu como comunicação e leitura de oráculos. Fui para a Rádio Mundial e hoje leio ocultismo, um ou outro romance espírita, minha influência literária é beat, Hunter Thompson, Plínio Marcos, cinema da Boca do Lixo. Dica de livro para verdadeiros estudantes de tarô: “O caminho do tarô”, Jodorovsky. A cultura de auto ajuda espiritual é um caminho que mudou minha leitura, meu radicalismo, coisas que assisto e impressões da existência.

 

Zap – De onde surgiu a ideia para o nome “Macumba rock”? Do que trata o romance, afinal?

 

Jesse – Havia um teste nesse curso de roteiros e os professores estimulavam os participantes a compararem as pessoas às séries. Me compararam com “Sons of Anarchy” e o rock realmente está em mim. Fiz uma piada interna comigo sobre isso. Lembrando de pontos da Umbanda e vendo que minha realidade hoje era muito mais tropical, bem mais alinhadas à busca da espiritualidade africana do que com o velho punk. Então veio Macumba Rock. O título antes de qualquer enredo. O romance se trata da capacidade de recuperação de pessoas parecidas perdidas, que não terão volta em suas decadências. Todas elas se encontram no bairro da Freguesia do Ó, em São Paulo. É um thriller que evoca um culto a Raul Seixas em meio a uma delirante e caótica vida macumbeira, festiva, cigana em que uma moça se revolta quando lhe dizem que sua pomba-gira é marmotagem e terá um destino de perdição enfrentando demônios em cemitérios e fazendo contato com Raul Seixas. Como prefaciou Newton Cannito, “Macumba Rock é um livro muito ousado: Navarro escreveu um thriller espiritual erótico, uma mistura heterodoxa de vários gêneros de sucesso. Tem prazer na leitura para todos os lados. Se você gosta de investigações policiais, leia o livro. Se gosta de literatura espiritual e quer saber mais sobre entidades da umbanda, leia o livro. Se quer ouvir detalhes eróticos de boas trepadas, leia o livro. E se você gosta de Raul Seixas, leia o livro”.

 

 Zap – Você hoje em dia se dedica a qual área? Tem planos de prosseguir lançando mais livros?

 

Jesse – Hoje me dedico à comunicação holística. Apresento dois programas. Um na Rádio Mundial todo domingo, o programa Momento. E o programa Profecias do Momento, um canal do YouTube que realmente agregou uma comunidade participativa que interage escolhendo um dos três montinhos do baralho cigano. Levo adiante minha causa social com moradores em situação de rua, sempre trazendo novos parceiros até terapeutas musicais ou massagistas que tragam quick massage. Minha criatividade continua a mil e pretendo lançar outros livros.

 

 

Zap – É fato que a era da internet, se por um lado democratizou e colocou ao alcance de todos o máximo de informação possível, por outro meio que boçalizou as pessoas, visto que elas perderam o interesse por obras literárias mais densas e extensas. O reflexo disso é a queda na venda de livros no Brasil e a crise que se abate sobre o mercado editorial brasileiro, com editoras fechando e mega livrarias entrando em recuperação judicial. Diante de um panorama desses você ainda acredita na literatura e no livro impresso como forma de levar lazer e cultura para um grande público? Você mesmo bancou a edição independente do seu livro?

 

Jesse – Ainda tem bastante gente lendo. O que quebrou o antigo mercado foi a Amazon. Como você é um jornalista da área cultural, me preocupo com sua visão pessimista. Antigas tradições sobreviveram e a leitura de livros é uma delas, que sempre lutou por seu espaço. As pessoas boçais são minoria e muitas se curarão. Existe uma evolução natural junto com uma mudança marcante de formatos, livros digitais dobráveis. Macumba Rock foi artesanal. Uma edição limitada para me lançar como escritor. E os dados ainda estão rolando.

 

Zap – Seus heróis literários e suas obras favoritas em todos os tempos?

 

Jesse – Meus heróis morreram de overdose e as obras favoritas foram desconstruídas. Cem anos de solidão, G G Marques, A Erva do Diabo, Castaneda, Nelson Rodrigues, Plínio Marcos, Machado de Assis, modernistas, simbolistas, dadaístas, Dom Quixote, Mate-me por favor, Bukowski, Marcelo Rubens Paiva, Adelaide Carraro, Hemmingway e meu pai, Jesse Navarro Júnior, autor de “A voragem dos moribundos” (1975) e outros.

 

Zap – Para comprar o livro, como proceder?

 

Jesse – Entre no site www.profeciasdomomento.com.br.

 

 

TATIANA PEREIRA

FINATTITATI18II

Zapnroll e a escritora Tatiana Pereira, no coquetel de lançamento do livro dela

 

 

Zapnroll – Como e quando uma farmacêutica bioquímica foi se apaixonar por literatura e por cultura pop, a ponto de criar um blog sobre os dois temas e, anos depois, publicar um livro com os textos que saíram neste blog?

 

Tatiana Pereira – A minha profissão veio bem depois da paixão pela literatura e pela cultura pop. Nasci numa casa onde a literatura sempre foi reverenciada, então sempre li muito, desde criança, e comecei a escrever poesia muito cedo, mas tudo de forma muito pessoal, sem um plano para me tornar escritora. O blog aconteceu no comecinho dos anos dois mil e foi uma maneira de compartilhar o que antes ficava apenas “na gaveta” – acredito que tenha sido um processo natural da época.  Já a publicação do livro veio com mais maturidade, quando senti que já tinha escrito coisas que valiam à pena ter esse formato.

 

 

Zap – De onde surgiu a ideia para o nome “De analgésicos e opioides”?

 

Tatiana – O De Analgésicos & Opioides foi um mini conto que escrevi por volta de 2005 – vale dizer que o conto era bem pessoal, sem uma validade literária, tanto que nunca foi publicado em lugar algum – mas eu gostei do título dele e passei a usá-lo como título do blog. Para mim, a literatura é capaz de te proporcionar analgesia da mesma maneira que te leva às experiências mais loucas como o ópio, e quando fiz essa relação não consegui mais desvincular esses “signos”.

 

Zap – O livro possui 470 páginas reunindo crônicas e textos curtos. Todos já haviam sido publicados no blog ou há algo inédito?

 

Tatiana – Não. Pelo menos 60% do livro nunca foi publicado no blog, nem em qualquer outro veículo. Tem muito mais material inédito no livro do que espalhado pelos canais digitais.

 

Zap – Você hoje em dia se dedica à área de marketing, certo? Tem planos de prosseguir lançando mais livros?

 

Tatiana – Sim. Fiz faculdade de Farmácia e Bioquímica e logo percebi que estudar marketing me ajudaria a desenvolver projetos de serviços de saúde com uma comunicação mais assertiva, mais direta, sem esse lado “sisudo” e muitas vezes “impondo medo” que a comunicação nessa área insiste em fazer – o que me incomoda muito. Para isso, acabei fazendo MBA em Planejamento Estratégico de Marketing, fiz pós em Marketing Digital, estudei Netnografia e decidi que precisava ter uma qualidade de vida melhor para poder fazer o que gosto sem a dureza do mundo corporativo. Foi quando, há 8 anos, abri minha própria empresa onde a área de saúde se torna uma divisão de negócio, mas amplifiquei o leque de serviços para outros segmentos. Tudo isso para poder ter tempo de escrever. Hoje já tenho mais dois livros praticamente prontos e tenho escrito roteiros de longas, curtas e uma previsão de lançamento de filme em 2019.

 

Zap – É fato que a era da internet, se por um lado democratizou e colocou ao alcance de todos o máximo de informação possível, por outro meio que boçalizou as pessoas, visto que elas perderam o interesse por obras literárias mais densas e extensas. O reflexo disso é a queda na venda de livros no Brasil e a crise que se abate sobre o mercado editorial brasileiro, com editoras fechando e mega livrarias entrando em recuperação judicial. Diante de um panorama desses você ainda acredita na literatura e no livro impresso como forma de levar lazer e cultura para um grande público?

 

Tatiana – Você pontuou coisas importantes aí e me arrisco a dizer que as grandes livrarias começaram a deixar seus reais leitores/ consumidores de lado para investir nos leitores de internet – o que não haveria nada de errado se houvesse um equilíbrio, entendimento e planejamento. É só entrar nessas livrarias para perceber que na mesa dos mais vendidos e de lançamentos há uma série de réplicas de coisas já publicadas na internet e que não é mais novidade para quase ninguém. Tentar aplicar a rapidez e liquidez do ambiente digital nas lojas e nas editoras sem considerar a diferença de consumo dos dois ambientes nos levou a esse cenário triste da literatura. Em contrapartida, tem gente que entendeu o processo, e usa os canais digitais para levar o público para a loja física – que é o caso da editora Lote 42 que também é dona da Banca Tatuí e da Sala Tatuí, no bairro Santa Cecília, em São Paulo – que me faz acreditar que o livro impresso sempre vai existir, mas não na quantidade de hoje. E aí eu pergunto: se as grandes redes de supermercados entenderam que uma cidade como São Paulo precisa mais de mini mercados e uma curadoria geolocalizada de mix de produtos, por que as redes de livrarias não fizeram esse exercício?!

 

Zap – Para quem não conhece seu blog e seu estilo literário, o que esse possível leitor irá encontrar no seu livro?

 

Tatiana – O livro é uma série de crônicas e prosas poéticas que abordam os diferentes estados emocionais do ser humano fazendo referências à cultura pop – literatura, cinema, música, artes plásticas – usando, muitas vezes, a própria gramática como personagem.

 

Zap – Seus heróis literários e suas obras favoritas em todos os tempos?

 

Tatiana – Listas são sempre terríveis, pois tendem à uma injustiça. Risos! Mas vamos lá: meu deus é o Fernando Pessoa e seus heterônimos. Coleciono Júlio Cortázar, Clarice Lispector e Haruki Murakami como referência literária, e a Fernanda Young como o humor [ou a falta dele] de uma sofisticação para poucos. Gosto demais do Ariano Suassuna e tenho o tenho lido muito nos últimos anos. Minhas obras favoritas são Histórias de Cronópios e Famas, do Cortázar. Água Viva, da Clarice Lispector. O livro do Desassossego e toda obra do Alberto Caeiro, do Fernando Pessoa.

 

Zap – Para comprar o livro, como proceder?

 

Tatiana – Na Livraria Blooks [São Paulo e Rio de Janeiro] e através da Indie Blooks: http://indieblooks.iluria.com/pd-5d701f-de-analgesicos-opioides.html. E diretamente comigo, pelo Pagseguro [vai com dedicatória e autógrafo]: https://bit.ly/2GBtoer.

 

 

ARQUIVOS DO JORNALISTA MUSICAL FINASKI – SAUDADES DOS SHOWS DE ROCK QUE VIMOS NA VIA FUNCHAL SP

Madrugada dessas estava o loker rocker aqui assistindo ao programa do Jools Holland (ou Jools “RÔLA”) no canal Bis. Gostamos de ver, sempre rolam atrações bacanas: nessa madruga, por exemplo, teve Damon Albarn (vocalista do Blur, pros desinformados de plantão), Black Keys e… Coldplay. Ok, ok, a banda não é mais o que era antes mas continuamos achando o dream pop inicial deles (pelo menos até o terceiro disco) digno de respeito. E ouvindo Chris Martin e sua turma se apresentando, nos lembramos saudosos das duas vezes em que vimos a banda ao vivo na finada Via Funchal.

Fomos pesquisar na web. No Wikipedia tem um verbete bastante completo sobre aquela que, na nossa opinião, foi mesmo a MELHOR casa de shows internacionais que existiu na capital paulista nos últimos 25 anos. Projetada com esmero e rigor, permitia que você assistisse super bem as gigs que lá aconteciam, estivesse onde estivesse lá dentro (havia uma pista em desnível em direção ao palco, com degraus, o que permitia que a fila à sua frente ficasse sempre ABAIXO da sua visão do palco). Fora que a acústica era ótima e a iluminação idem. Mas como tudo que é ótimo nunca dura para sempre o local encerrou atividades em dezembro de 2012, já que a dupla que era sócia de lá vendeu o mesmo a uma incorporadora imobiliária pela “bagatela” de R$ 100 milhões.

Enfim, a Via Funchal durou 14 anos, de 1998 a 2012. E nessa quase década e meia de existência, este jornalista eternamente rocknroll viu shows verdadeiramente incríveis por lá (alguns nem tanto, vamos ser honestos), e agradecemos isso à queridíssima Miriam Martinez, que foi assessora de imprensa máster da casa durante toda a existência dela. Miroca, que atualmente trabalha na Tom Brasil SP, é uma das nossas melhores e mais bacanas amigas na assessoria de imprensa rock paulistana há mais de 30 anos, e nunca nos deixou na mão, hehe. De modos que aí embaixo segue um resumo de algumas das gigs que vimos por lá, com rápidos comentários sobre cada uma delas e sobre o momento pelo qual estávamos então.

 

***Green Day (novembro de 1998): a Via Funchal existia há apenas dois meses e esse foi o primeiro show de rock que o blog viu lá. E foi showzão, casa lotada (cabiam 6 mil pessoas lá), a banda ótima no palco etc.

 

***Echo & The Bunnymen (setembro de 1999): os “homens coelho” finalmente retornavam ao Brasil após 12 anos de sua primeira e histórica passagem por aqui. Vieram na turnê do disco que marcou a volta do grupo, o PÉSSIMO “Evergreen”. Mas novamente a gig foi sensacional (enlouquecemos ao ver na nossa frente, pois estávamos COLADOS no palco, na área de imprensa, a banda começar a apresentação com a clássica “Rescue”), mesmo com Ian McCulloch sem voz alguma. E foi nesse show que o zapper estava acompanhado DELA! Quem? Ana S.B., um XOXOTAÇO goth que havíamos conhecido semanas antes na porta do Madame Satã. Linda, gostosa, 17 aninhos de idade (e o loker aqui com meus 36 já…), inteligentíssima e… totalmente PERVA, safada e ordinária, rsrs. O zapper se apaixonou pela garota. Fomos juntos ao Echo e depois passamos no também finado e saudoso Nias (um dos clubes de rock mais legais que existiram em Sampa), bebemos e dançamos por lá, até que propus irmos ao Madame (afinal, tínhamos nos conhecido na porta do casarão goth clássico do Bixiga). Ela topou. Pegamos um táxi e quando chegamos na porta do Satã, me disse que não queria entrar. “Vamos logo pro hotel TREPAR!”, falou, para nosso total espanto. Nem precisou pedir duas vezes. A foda foi do inferno e jamais esqueceremos do BOQUETE primoroso feito pela magrinha de peitos miúdos e rosto angelical perfeito como o de uma boneca de porcelana oriental. E também não me esqueço jamais dos seus gritos histéricos quando ela gozou. Trepamos ainda mais duas vezes e Aninha sumiu, para apenas me reencontrar muitos anos depois, quando estava CASADA com um espanhol com o dobro da idade dela. Procurou o jornalista rocker novamente, foi na casa dele e DEU novamente. O blog se casaria com ela. Mas nunca mais a vimos depois de mais duas fodas canalhas e inesquecíveis.

 

***The Mission (junho de 2000): o quarteto gótico inglês já estava em franca decadência. Mas havia lançado um cd TRIPLO (!) e veio tocar aqui mais uma vez (depois virou carne-de-vaca no Brasil e o vocalista e líder Wayne Hussey até se casou com uma loiraça goth perua de Santo André, onde parece que mora até hoje). A Via Funchal quase lotou e a tribo goth enlouqueceu com os hits do grupo. Depois do show fomos parar num muquifo goth que estava funcionando no cu da zona leste paulistana, levados por um busão caindo aos pedaços e fretado pelos ex-donos do Madame Satã, para fazer o tal trajeto.

 

***Coldplay (setembro de 2003): a primeira visita dos ingleses ao Brasil. E já estavam no auge, prestes a lançar seu terceiro álbum de estúdio e com dois CDs primorosos na bagagem. Foram três noites absolutamente LOTADAS na Via Funchal. Não me lembro em qual fui, mas estava lá. De calça preta, camisa social branca de manga comprida e blazer por cima (disso me lembro bem). Ficamos EMOCIONADOS com a gig, de verdade. E quando saímos de lá fomos ainda em um coquetel fechado para convidados em Pinheiros, lançamento de um disco se não me engano. O coquetel era open bar e fiquei (claro!) num estado lamentável. Como sou adicto (dependente químico que não deveria sequer beber UMA gota de álcool), não deu outra: saí dali direto para o centro de São Paulo, para me ENTUPIR de CRACK. Final de madrugada absolutamente trágico para uma noite que havia começado de forma sensacional. Normal, faz parte.

 

***Massive Attack (maio de 2004): o zapper já tinha visto a trupe trip hop inglesa alguns anos no extinto Free Jazz Festival. Show mais uma vez perturbador. Pela concepção cênica e pela ambiência sonora total sinistra e sombria. Foi lindão, no final das contas.

 

***The Sisters Of Mercy (maio de 2006): também já estava em sua fase total decadente e vivia aparecendo para shows caça níqueis por aqui. Já os tinha visto 15 anos antes no finado ProjetoSP, onde a gig já não tinha sido grande coisa (a real é que a banda nunca foi muito boa ao vivo). Mas o povo goth amava a banda e assim bastante gente apareceu para revê-los ao vivo.

 

***New Order (novembro de 2006): o retorno do gigante synthpop inglês, depois de sua gloriosa primeira vinda ao Brasil, em 1988. Foi legal, a VF lotou (óbvio), Peter Hook (ainda estava no conjunto) deu show no baixo mas já não era mais a mesma coisa. Hoje em dia, então… só para TROUXAS ou FANÁTICOS.

IMAGEMECHOLIVE

Echo & The Bunnymen (acima) e REM (abaixo): duas das zilhões de bandas gigantes da história do rock mundial e que o blog testemunhou ao vivo ao longo de nossa década e meia de existência, ambos em gigs na finada e saudosa Via Funchal SP

IMAGEMREMLIVEBR

 

***Coldplay (fevereiro de 2007): eles voltaram e lá estava Zapnroll novamente (iria cobrir a apresentação para o caderno B do diário carioca Jornal Do Brasil, onde Finaski estava colaborando então). Mais uma vez três noites lotadas. Mais uma vez showzaço emocionante. E felizmente desta vez não teve crack no final da noite.

 

***Interpol (março de 2008): a única gig que vimos dos nova-iorquinos pós punk que emulam Joy Division à perfeição. E foi ótimo!

 

***REM (novembro de 2008): um dos shows INESQUECÍVEIS da NOSSA VIDA. Uma das cinco bandas eternas da minha existência. Já os tinha visto em janeiro de 2001, no terceiro Rock In Rio. E aqui foi ainda melhor pois era espaço fechado e com muito mais visibilidade de palco e som muito melhor. E este zapper CHOROU quando a banda tocou “Losing My Religion”.

 

***Duran Duran (novembro de 2008): a volta do new romantic histórico inglês, 20 anos após tocar pela primeira vez no Brasil (em janeiro de 1988, no festival Hollywood Rock). Foi um dos melhores shows que assistimos na Via Funchal.

 

***Peter Murphy (fevereiro de 2009): gig solo do ex-vocalista dos Bauhaus. Na boa, foi chatíssimo, rsrs.

 

***The Kooks (junho de 2009): os inglesinhos indie rock dos anos 2000 estavam no auge e fizeram um bom set.

 

***Cat Power (julho de 2009): nossa deusa e musa americana ad eternum. Set melancólico, climático e lindíssimo. Sendo que o blog estava apaixonado e quase namorando com a Rudja, que morava (e mora até hoje) em… Macapá! Tanto que LIGAMOS pra ela do via celular no meio da apresentação, e tentamos fazer com que ela escutasse parte do show pelo celular.

 

***Belle & Sebastian (novembro de 2010): nossos eternos heróis escoceses do indie rock e dream pop. Show inesquecível, sendo que saíram lágrimas dos meus olhos ao final dele. E sim, o blog estava acompanhado da garota de Macapá (a Rudja), com quem havia namorado e noivado por um ano, e ela tinha vindo passar um mês em Sampa (também vimos juntos a primeira edição do festival SWU), pra nos despedirmos do noivado. Aquela noite pós B&S foi looooonga, com álcool, drugs etc. Mas não posso entrar em detalhes porque senão a fofa Telma (mãezona da garota e querida amiga nossa até hoje) me mata, hihi.

 

***Stone Temple Pilots (dezembro de 2010): outro show za ço! Scott Weiland sempre foi nosso “ídalo”, rsrs (e também do mozão André Pomba, ahahaha). No final da gig Zapnroll, já com algumas doses de whisky na cachola, deu de cara com o porcão, jotalhão e covardão José Flávio MERDA Jr., um dos seres humanos e jornalistas mais escrotos e imundos que tivemos o desprazer de conhecer em toda a nossa existência. Só não partimos pra cima do pança de elefante porque fomos contido pelo querido Pablo Miyazawa (então editor chefe da finada revista Rolling Stone Brasil). Depois o blog veria novamente o STP na segunda edição do festival SWU, em 2011 em Paulínea. E depois Scott se foi, morto por overdose de drugs aos 48 anos de idade. Viveu rápido, intensamente, e morreu jovem ainda. Como todo mundo deveria viver e morrer, no final das contas – é um CASTIGO cruel se tornar um velhote solitário, senil e gagá, definitivamente.

 

***Pulp (novembro de 2012): o fim para o blog por ali, e para o próprio Via Funchal em si. A gig foi no dia 28 daquele mês, dois dias depois do niver de 50 anos de idade do jornalista zapper. Foi uma despedida mega digna para o MELHOR espaço de shows de rock que já houve em Sampalândia. Deixou saudades. E quem viu o que vimos ali e relembramos nesta publicação, viu. Quem não viu não irá ver nunca mais.

 

**********

E PARA FECHAR COM CHAVE DE OURO A HISTÓRIA DAS MUSAS ROCKERS ZAPPERS, ELA! A MUSA SECRETA N.R., QUE PASSOU UM ANO CHIFRANDO SEM DÓ O MARIDO ENQUANTO ERA FODIDA NUMA PAIXÃO LOUCA PELO JORNALISTA LOKER ROCKER

Yeeeeesssss. Para encerrarmos verdadeiramente os quinze anos de Zapnroll no tópico “musa rocker”, teríamos que caprichar. Afinal muitas, lindas, divinas, devassas, bocetudíssimas, cadeludas, imorais e total pervas passaram por aqui ao longo desta década e meia. De modos que para terminar super bem também este capítulo, resolvemos caprichar e enlouquecer de verdade nosso dileto leitorado macho (cado), com uma reedição do ensaio DELA! Quem? Da musa SECRETA N.R., oras. E de quem não podemos revelar a identidade pois a garota é CASADA e durante um ano meteu corno sem dó no seu maridón, dando e fodendo com gosto com seu AMANTE zapper – este mesmo aqui, o eterno jornalista gonzo, loker e rocker. A paixão entre ambos foi algo realmente avassalador. Mas tudo que é ótimo um dia acaba. Ficaram então as lembranças. Que você confere aí embaixo, sem moderação alguma!

 

Nome: N.R.

Idade: 36 anos.

De: São Paulo.

Mora em: São Paulo.

Com quem: com o marido.

O que faz: já foi comerciária, hoje cuida da sua casa.

Paixão: literatura, sendo que seus autores preferidos estão Charles Bukowski e o cubano Pedro Juan Gutiérrez.

Música: fã de Tiê, Ana Carolina, Cazuza, Chico Buarque e Legião Urbana.

Como ela e o autor deste blog se conheceram: foi através de um grupo de discussão na internet sobre a obra do velho safado Charles Bukowski, o célebre autor americano do qual ambos são fãs devotados. Os papos online começaram, depois ligações pelo celular. Começou a negociação para um encontro pessoal e ao vivo, o que não demorou a acontecer. E o que era para ter sido apenas uma única tarde de foda intensa porém sem compromisso emocional algum, se tornou uma paixão avassaladora que durou um ano e dezenas de TREPADAS enlouquecedoras, com o casal GOZANDO tudo o que podia. Como a situação não poderia se prolongar ad eternum sem que uma possível tragédia acontecesse, tudo se findou um dia. Restaram as lembranças imagéticas e uma amizade que perdura até hoje.

 

FRASES INESQUECÍVEIS DISPARADAS DURANTE ALGUMAS DAS FODAS DESVAIRADAS DO CASAL

 

“A irmã CRENTE rezando, e a PUTA aqui dando!” (N.R., numa tarde de sábado, quando estava sendo traçada de ladinho pelo jornalista Finas, e lembrando que naquele exato instante sua irmã, que é evangélica, deveria estar na igreja orando)

 

“Vai, me dá LEITE DE PUTA!” (era assim que N.R. se referia ao esperma, que adorava BEBER sem restrição. E Zapnroll soltou muita porra na BOCA dela, ulalá!)

 

“A puta branquela, peituda, magra e perfeita!” (assim Finaski se referia a N.R., já que ela é branca como um fantasma, possui bunda durinha e miúda, pernas finas e peitos GIGANTES)

IMAGEMNEIDEPUTAETERNAV

Uma BOCETA do inferno e sempre em chamas!

 

IMAGEMNEIDEPUTAETERNAIV

Peitões portentosos

 

 

IMAGEMNEIDEPUTAETERNAIII

A bundinha magra e durinha de uma cadela branquela e puta sem igual

 

IMAGEMNEIDEPUTAETERNA

Uma devotada fã de literatura

 

IMAGEMNEIDEPUTAETERNADEFINAS

Sim, o CORPO dela sempre acalmava o velho jornalista

 

FINATTINEIDE

O casal saciado carnalmente, após uma de suas fodas alucinadas

 

 

2003-2018 – FIM DA HISTÓRIA ZAPPER!

Sim! Tudo tem um fim, tudo um dia acaba. Foi ótimo enquanto durou e foi um imenso prazer estar com todos vocês durante os últimos quinze anos. Nos vemos por aí! Beijos na galera que ainda ama rocknroll, vocês estarão sempre em nosso coração!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 28-12-2018 às 18:30hs.)

 

AMPLIAÇÃO LEGAL no postão gigantão (informando com EXCLUSIVIDADE o novo endereço do Grind, a domingueira rocker mais famosa da noite paulistana, resumindo como foi o Lolla BR 2017 e dando infos sobre festas legais neste finde em Sampa, com gig do grupo Trem Fantasma)! – Com o rock’n’roll planetário da era da web total flácido, caído e irrelevante, quem ainda salva a parada são os VELHÕES dos anos 80’ como os ainda gigantes The Jesus & Mary Chain e Depeche Mode (que toca no Brasil em março do ano que vem, em gig única na capital paulista), que acabam de lançar seus novos discos e sobre os quais você lê nesse post zapper; a volta da musa rocker do blog com uma gata total abusada e fã de sexo, rock’n’roll, jazz, literatura (ela já publicou quatro livros!) e poesia, ulalá! E as notícias hot do mondo alternativo e da cultura pop em Microfonia, como a edição deste ano do Lollapalooza BR que rola neste finde em Sampa, além da estréia da continuação do clássico cinematográfico da cultura pop, “Trainspotting” e da vinda do shoegazer noventista Slowdive para gig única no Brasil em maio (postão BOMBATOR, atualizado e ampliado em 29/3/2017)

BANNERBIGGILSON17

BANNERRAFARJ17

BANNERVOICEMUSIC17

IMAGEMJESUSMARYCHAINCLASSICII

Dois gigantes do pós-punk britânico dos anos 80’ voltam com novos discos fodões: The Jesus & Mary Chain (acima, em imagem clássica da banda) e Depeche Mode (abaixo, em foto da atual turnê mundial e que chega ao Brasil apenas em março do ano que vem) se mostram em forma e também ensinam aos grupelhos atuais como ainda fazer rock’n’roll relevante

IMAGEMDEPECHEMODE17V

**********

MICROFONIA, PARTE II

(ampliando o que já estava ótimo!)

***Festa Grind muda de endereço – yep, por quase duas décadas a domingueira rocker mais clássica e célebre da noite under paulistana, comandada pelo super DJ André Pomba, foi abrigada no clubinho gls A Loca. Mas como tudo acaba um dia o Grind saiu de lá há duas semanas (por divergências entre a casa e o DJ Pomba) e já deve estrear em novo endereço neste domingo – provavelmente no clube Desmanche, na rua Augusta. Zap’n’roll cansou de freqüentar o Grind na Loca e aprontou tudo o que pôde nele: foram inesquecíveis nossas trepadas nos banheiros e no dark room, as devastações nasais e as DJs set que sempre fazíamos por lá na semana do nosso aniversário. Agora o blog deseja que o mesmo sucesso continue no novo local, sendo que estamos enviando ao fofolete Pomba algumas perguntas sobre a nova fase da festa rock’n’roll que anima pra valer o povo aos domingões em Sampalândia.

 

***EXTRA! – Definido o novo local e a data da reestréia do lendário Projeto Grind, do DJ Pomba, que acaba de conceder ao blog, em matéria EXCLUSIVA, uma mini-entrevista sobre o assunto. Leiam abaixo:

FINATTIPOMBA17

Dupla rock’n’roll eterna: Zap’n’roll e o DJ Pomba, que comanda há quase duas décadas a festa Grind; ela muda de local a partir da semana que vem

Zap’n’roll  – O Grind se tornou um clássico da noite alternativa paulistana. Permaneceu por 19 anos no club A Loca e esta semana anunciou sua saída de lá? O que houve, afinal?

André Pomba – Simplificando bastante, foram divergências financeiras e administrativas que foram se acentuando até o rompimento ser inevitável. Como considero minha relação com o clube como a de uma família, acabou-se tolerando muita coisa por conta dos 19 anos de convívio diário. Agora bola pra frente! Espero que o Clube Alôca possa recuperar sua posição na noite paulistana e da minha parte estou com entusiasmo renovado para novos desafios.

 

Zap – O projeto, ao que parece, vai continuar mas em novo endereço. E já há, também ao que parece, várias casas noturnas interessadas em abrigar a domingueira pop/rock mais famosa da capital paulista. Você já se decidiu qual será o novo lar do Grind?

Pomba – sim, no dia seguinte ao anunciar a minha saída recebi várias propostas, conversei com várias donos de casas noturnas. Sempre entendi que precisava de um local na região do Baixo Augusta com uma estrutura similar à Alôca, com duas pistas, palco pra shows e vários ambientes. Então foi fácil fechar com o DJ Click para fazer no Espaço Desmanche (onde era o mítico Vegas). A diferença é que o Grind agora vai começar a meia-noite, assim que encerrar a matinê da casa, de música brasileira, chamada Tereza.

IMAGEMPOMBACLICK17

O super DJ André Pomba, um dos nomes mais conhecidos da noite paulistana, ao lado do também DJ e produtor de eventos Click; a lendária domingueira rocker Grind reestréia no próximo dia 9 de abril, domingo, na casa noturna Espaço Desmanche, na rua Augusta em Sampa

 

Zap – Quando o projeto reestréia?

Pomba – em 9 de abril, domingo meia-noite, com uma super festa de aniversário: a minha mesmo de 53 anos ahahah

 

Zap – Haverá alguma diferença no Grind por conta da sua mudança de local ou ele seguirá mantendo a formula musical que o consagrou por quase duas décadas na Loca?

Pomba – sendo objetivos: uma pista tocará rock como sempre tocamos de todas as épocas e outra pop mais atual. O importante é saber se reciclar sem perder a essência. Acho que conseguiremos trazer um público novo que já frequenta os clubes do Click (Tex, Desmanche e Blitz), com a galera que já frequenta o Grind há anos, como a eterna missa de domingo dos loucos da noite paulistana!

 

***Como foi o Lolla BR 2017 – num resumo ultra rápido e sendo que acompanhamos o festival no conforto do nosso sofá cama? Bão, vamos lá. Merdallica: foi a MERDA cover de si mesma que já era esperada, nenhuma novidade (além das músicas do disco novo inclusas no set). The XX: o trio electro dream pop inglês mostrou que é um dos pouquíssimos nomes relevantes do rock dos anos 2000’. Melodias oníricas e impecáveis, bordadas com esmero e melancolia. Duran Duran: os velhões do new romantic oitentista vieram botando pra foder e fizeram a multidão (de velhos, novos, os caralho) cair na dança sem culpa. Enfeixaram um caminhão de hits em uma exígua hora de apresentação e ainda se deram ao luxo de deixar clássicos como “Save A Prayer” e “The Reflex” de fora do repertório. Foi provavelmente o MELHOR show de todo o festival. The Strokes: já estavam péssimos em disco há séculos. E agora também perderam a mão ao vivo: gig preguiçosa, Julian Casablancas gordola e se arrastando no palco como um mamute e os guitarristas errando as notas em algumas passagens. O set começou ruim, engatou um pouco no meio e terminou pior ainda. Nem de longe lembrou a banda que esteve aqui pela primeira vez em 2005 (no finado Tim Festival) e fez uma apresentação INSANA para um público idem. E sobre Lolla, é isso. Chega, né?

IMAGEMMETALLICALOLLABR17

Merdallica no Lolla BR 2017: a merda de sempre (fotos: produção Lollapalooza)

IMAGEMTHEXXLOLLABR17

O trio inglês The XX: lindas canções com melodias oníricas

IMAGEMDURANDURANLOLLABR17

Os velhões do Duran Duran: melhor show do festival

IMAGEMSTROKESLOLLABR17II

Os Strokes: já estavam ruins em disco e agora estão também no palco, com gig preguiçosa e erros nas passagens das músicas

 

***Trem Fantasma na área – um dos melhores grupos da novíssima cena independente brazuca, o quarteto curitibano estará em Sampa neste final de semana (leia-se: 31 de março e 1 de abril). Eles vêm fazer gigs de lançamento do seu primeiro disco completo, o muito bom “Lapso”, que saiu no final do ano passado e que traz doses concentradas de rock setentista e psicodelia. O grupo toca na sextona em si, DE GRAÇA, em pocket show às sete da noite na Fnac da avenida Paulista. E também no sábado no bar Serralheria, sendo que todas as infos sobre as duas apresentações estão aqui: https://www.facebook.com/events/682653255256160/. E você pode conhecer o som da galera aí embaixo:

 

***Festa legal, I – a lindaça e gatíssima DJ Vanessa Porto (dileta amiga destas linhas bloggers rockers) comanda bailão rock’n’roll nessa sexta-feira, na Barra Funda, com direito a gig do ótimo trio surf instrumental paulistano Os Brutus. Quer saber onde rola? Vai aqui: https://www.facebook.com/events/242991809497407/?notif_t=plan_edited&notif_id=1490813406969489.

 

***Festa legal, II – já no sabadão em si, 1 de abril, tem mais uma edição da sempre ótima Combo Hits, comandada pelos queridões DJs Romani e João Pedro Ramos, lá no Lab Club, no baixo Augusta. Garantia de ótimos sons pra dançar a madrugada toda, sendo que as infos completas sobre a balada estão aqui: https://www.facebook.com/events/1924928314406258/?active_tab=about.

 

***É isso, rockers & lovers. Agora postão encerrado meeeeesmooooo – ao menos por enquanto, hihihi. Muak!

**********

 

MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, o rock, discos, bandas, shows, livros, filmes, baladas etc.)

***Lollapalooza BR 2017 – rola neste finde em Sampa, né. E está muito evidente já que a programação deste ano é a mais fraca de todas as edições até agora e que, por isso mesmo, deverá haver sobra recorde de ingressos (eles ainda estão sendo vendidos pelo site do festival e também nas bilheterias do autódromo de Interlagos, onde vai rolar a maratona musical a partir de amanhã, sabadão em si). Também quem quer ver Merdallica pela enésima vez? Yep, tem algumas atrações bacanas aqui e ali no line up (como The XX, Rancid, Duran Duran e The Strokes, além de brasileiros como a sempre ótima Céu) mas absolutamente NADA que justifique o preço absurdamente extorsivo que estão cobrando pelos tickets. Mas enfim, se você vai boa sorte, sendo que todas as infos do Lolla podem ser acessados aqui: https://www.facebook.com/LollapaloozaBR/?fref=ts, e aqui: https://www.lollapaloozabr.com/. Estas linhas rockers bloggers vão acompanhar sim os dois dias de shows… no conforto da sua cama, pelo canal Multishow, uia!

IMAGEMSTROKES17

Strokes: eles fecham o Lollapalooza BR 2017 neste domingo

***Temples perdendo a mão no segundo álbum – yep, o quarteto inglês surgido em 2012 e que era uma das grandes promessas do rock britânico do novo milênio, desceu a ladeira em seu segundo disco, “Volcano”, que foi lançado no começo deste mês. Sobrou muito pouco das ambiências ultra sessentistas e psicodélicas que encantaram o mundo em “Sun Structures”, a estréia do grupo em 2014. Há boas melodias nas doze faixas do novo cd (que você pode conferir na íntegra abaixo) mas nada que chegue perto do primeiro e impactante álbum dos garotos. E assim mais um raro bom nome do rock atual é vencido pela maldição do segundo disco, infelizmente…

 

***A volta de “Trainspotting” – yeeeeesssss! Entrou ontem em cartaz nos cinemas brasileiros “T2 Trainspotting”, a continuação da saga dos quatro amigos escoceses viciados em heroína e que colocou o mundo e a cultura pop de cabeça pra baixo há vinte anos, quando o primeiro filme foi lançado. Duas décadas depois o novo longa mostra como está hoje a vida de Renton (o personagem central da trama, interpretado novamente por Ewan McGregor, claaaaaro!) e seus comparsas, tudo novamente sob a direção do mesmo Danny Boyle que realizou o filme de 1996. Todas as criticas à continuação têm sido mega elogiosas e tai um programão cinematográfico para os próximos dias.

CARTAZT2TRAINSPOTTING

 

***Nova edição do Bailindie da saudade – o primeiro deu super certo e levou uma multidão de trintões e quarentões fãs de shoegazer e indie noise guitar rock ao centrão de Sampa há um mês. Daí que os DJs Plínio, Dina e Bispo vão colocar todo mundo pra dançar novamente ao som de My Bloody Valentine, Jesus & Mary Chain, Ride, Oasis, Happy Mondays, Blur, Lush etc, etc, etc. Anote na agenda: vai ser no próximo dia 7 de abril, sexta-feira, sendo que todas as infos estão aqui: https://www.facebook.com/events/1817114361871504/.

CARTAZBAILINDIE17II

 

***Anote na agenda, II –  o redivivo shoegazer Slowdive toca em São Paulo, no Cine Joia, dia 14 de maio, um domingo. Os tickets já estão à venda e mais infos você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/1167045813403956/.

IMAGEMSLOWDIVE17

O shoegazer inglês Slowdive: gig em Sampa, em maio

***Anote na agenda, III –  antes quem também toca em Sampa é o músico carioca Raf F. Guimarães. Com uma carreira de quase duas décadas já e fazendo um rock experimental, psicodélico e low fi, Raf já lançou mais de vinte trabalhos, entre discos próprios e participações em outros projetos. Seu som é totalmente anti comercial e difícil até mesmo para os padrões da indie scene nacional. Interesssou? Ele se apresenta solo e apenas com guitarra e voz dia 13 de abril (véspera do feriado da sexta-feira santa) na Sensorial Discos.

IMAGEMCARTAZSHOWRAFASENSORIALABRIL17

 

***É isso? Yep, por enquanto é.

 

 

O ROCK DO NOVO MILÊNIO SEGUE CAINDO AOS PEDAÇOS E OS VELHÕES JESUS & MARY CHAIN E DEPECHE MODE RETORNAM PRA COLOCAR ORDEM NO GALINHEIRO ROCKER

Estamos em março de 2017 e o rock’n’roll da era da web (mesmo aquele, hã, mais alternativo) segue mal das pernas, quase que totalmente irrelevante e com a grande maioria das bandas lançando discos musicalmente inúteis e insípidos, que desaparecem da memória de zilhões de ouvintes infiéis tão rápido quanto surgiram e foram escutados. Assim não é surpresa alguma que duas bandaças inglesas do anos 80’, ambas ainda na ativa, causem tanto estardalhaço com os seus novos álbuns de estúdio. O gigante do pop/rock eletrônico Depeche Mode colocou no mercado no último dia 17 de março o cd “Spirit”, seu décimo quarto trabalho de estúdio, e logo em seguida caiu na estrada se lançando em turnê mundial (a “Global Spirit Tour”) que os trará a um show único no Brasil, em São Paulo, no dia 27 de março de 2018. Já o Jesus & Mary Chain dos irmãos Jim e William Reid (ambos guitarristas, vocalistas e compositores de toda a obra do grupo) lança oficialmente HOJE no mundo todo “Damage & Joy” (que já está disponível para audição em plataformas virtuais, como o Spotify), seu primeiro trabalho inédito em estúdio depois de dezenove anos de ausência. E tanto o disco do Depeche quanto do Jesus devem ganhar edição nacional logo menos.

O barulho causado pelos novos trabalhos de dois conjuntos que já estão há mais de três décadas na ativa se justifica plenamente. Ambos estão muito acima em termos de qualidade musical e artística do que é lançado pelas atuais bandinhas novinhas do rock planetário. Mesmo o Depeche Mode, que veio com um disco mais lento e anti comercial, ainda mostra fôlego renovado para um grupo cujos integrantes (o vocalista Dave Gahan, o guitarrista, vocalista e letrista Martin Gore e o tecladista Andrew Fletcher) já passaram da casa dos cinqüenta anos de idade. O mesmo se dá com JMC: os manos Reid também já passaram dos cinquentinha de vida há tempos. Ainda assim soltaram um discão vibrante, que se equilibra muito bem entre melodias aceleradas e tramadas com guitarras barulhentas (a especialidade deles) e momentos mais dolentes. É o primeiro cd deles desde 1998 (quando editaram o também muito bom “Munki”) e, na comparação, soam melhor que o comeback do DM (cujo último registro de estúdio havia sido “Delta Machine”, em 2013). Mas de qualquer forma os dois discos deixam os lançamentos dos grupelhos atuais comendo poeira.

A trajetória do Jesus & Mary Chain sempre foi instável e atribulada, mas pontuada por discos essenciais na história recente do rock’n’roll. Fundada pelos irmãos Jim e William Reid em 1983, a banda escocesa logo se tornou célebre por apresentar sets ao vivo que duravam apenas vinte minutos e onde os integrantes tocavam no palco de costas para a platéia. Quando o disco de estréia foi lançado em novembro de 1985, recebeu aclamação unânime da imprensa especializada: “Psychocandy” se tornou um marco do pós-punk britânico e do noise guitar por apresentar canções curtas (o álbum durava menos de quarenta minutos) e onde doces e lindas melodias eram soterradas por uma parede sonora de microfonia e distorção. Já em “Darklands”, o segundo trabalho editado em 1987, o JMC se mostrava menos barulhento mas em compensação apresentava uma batelada de canções climáticas e sombrias, que novamente receberam aprovação da rock press planetária e dos fãs. Daí em diante o conjunto foi passando por uma série de alterações em sua formação (sendo que Bobby Gillespie, o homem que há quase três décadas comanda o Primal Scream, foi o primeiro baterista do grupo dos irmãos Reid) mas sempre mantendo o núcleo central em torno de Jim e William. Uma dupla que registrou para a história do rock’n’roll LPs nunca menos do que muito bons, como “Automatic” (de 1989 e cuja turnê os trouxe pela primeira vez ao Brasil, em 1990) e “Munki” (o derradeiro trabalho deles, lançado em 1998, sendo que o grupo ficou quase vinte anos sem gravar nada inédito). Mas mesmo lançando esses álbuns com qualidade infinitamente superior ao que se ouve no rock atual Jesus era uma banda problemática fora do estúdio, muito por conta das enfiações de pé na lama em álcool e drugs dos irmãos Reid, além das constantes brigas entre eles – não raro os dois saíam mesmo na porrada. Isso foi um dos principais motivos da longuíssima hibernação do grupo e de sua ausência dos estúdios de gravação. Uma ausência que só foi quebrada agora (sendo que o grupo nunca tinha oficialmente encerrado atividades e volta e meia reaparecia para shows ao vivo), dezenove anos depois do último cd, com o lançamento de “Damage & Joy”.

Pois se o grupo anda se mostrando flácido ao vivo de anos pra cá (nas duas vezes em que retornou ao Brasil, em 2008 e 2014, as gigs foram ruins de doer), ele mostra vigor adolescente e dá um banho de rock’n’roll classudo e noise no novo disco. Isso já havia sido mostrado nos dois primeiros singles que antecederam ao lançamento do cd completo, “Amputation” e “Always Sad”. E o trabalho como um todo só confirmou as expectativas: faixas como “All Things Pass” (talvez a melhor de um álbum que já pode estar na lista dos melhores lançamentos de 2017) e “The Two Of Us” possuem guitarras aceleradas e barulhentas mas, ao mesmo tempo, são incrivelmente dançantes e radiofônicas. Por outro lado o grupo não se envergonha de emular a si próprio, como em “Song For A Secret”, que parece irmã gêmea da lindíssima “Sometimes Always”, que eles gravaram no álbum “Stoned & Dethroned”, em 1993 – inclusive com direito a inclusão de vocais femininos na canção. Como se não bastasse o bom resultado obtido nessas músicas, Jesus ainda deu uma atualizada no seu noise guitar, convidando a novata diva pop Sky Ferreira para fazer os vocais em “Black And Blues”. O disco foi produzido pelo músico Youth (lendário baixista do Killing Joke), que também tocou baixo nele. E é ótimo ver e ouvir um nome já tão veterano do rock inglês reaparecer em grande forma (ao menos em disco), tirando o rock’n’roll atual do abismo criativo e qualitativo no qual ele se encontra.

CAPAJMC17II

Os novos discos do Jesus & Mary Chain (acima, que está sendo lançado oficialmente hoje) e Depeche Mode (abaixo): dois ótimos comebacks de “velhões” dos anos 80’ que seguem em plena forma no rock’n’roll

CAPADM17

A intenção parece ter sido a mesma para o igualmente mega veterano Depeche Mode com “Spirit”, seu novo álbum de estúdio, que saiu há uma semana: tirar o rock’n’roll de hoje do buraco. Conseguiram? Até certo ponto. O cd foi precedido por um single razoavelmente empolgante e com letra altamente política, “Where’s The Revolution”. Porém o restante do disco foge de canções mais melódicas e/ou radiofônicas e do electropop dançante que era a marca registrada da banda nos anos iniciais da sua trajetória. Ainda bastante eletrônico mas sem muito espaço para guitarras, o novo álbum do DM engendra uma batelada de canções lentas e com ambiência sonora muitas vezes sombria (caso de “Going Backwards”, “Scum” ou “You Move”) e que custam a cair no gosto do ouvinte, ainda que algumas dessas faixas (como “Cover Me”) produzam sensação alentadora de melancolia e reflexão existencial em quem as escuta. Resquícios do DM eletrônico e também dançante surgem muito pontualmente ao longo do trabalho, e talvez o melhor exemplo disso esteja mesmo em “So Much Love”, um electrogoth mezzo industrial que sugere um mix improvável de Depeche Mode com Joy Division.

Nem de longe é um disco ruim, no final das contas. Mas certamente irá ter assimilação imediata difícil por parte dos fãs, principalmente nas apresentações ao vivo da nova turnê mundial, que já teve início. De qualquer forma tanto The Jesus & Mary Chain quanto Depeche Mode, com seus novos e super bem vindos álbuns de estúdio, deixam claro o que todos nós já estamos carecas de saber (e ouvir): o rock dos anos 2000’ está praticamente morto e enterrado. E ele só é salvo e resgatado da sepultura quando velhões como JMC e DM ressurgem das tumbas e mostram como se faz a parada. Pois que continuem mostrando ainda por muito tempo.

 

***The Jesus & Mary Chain esteve por três vezes no Brasil: em 1990, 2008 e 2014. O primeiro show, no extinto ProjetoSP, foi barulhento, ensurdecedor e inesquecível. Já os dois últimos foram quase desastrosos, com os irmãos Reid preguiçosos no palco e chegando ao descalabro de errar feio em alguns riffs de guitarra e passagens melódicas. O grupo já está em nova turnê, promovendo o novo álbum. Não há previsão de nova visita ao Brasil.

 

***Já o Depeche Mode esteve uma única vez aqui, em 1994, na também finada casa de shows Olympia, em Sampa. Era a excursão promovendo um discaço da banda, o “Songs Of Faith And Devotion”, lançado um ano antes. Mas o show foi sofrível – o autor deste blog estava nele. Depois o grupo anunciou nova passagem por aqui em 2009, e ingressos para as gigs chegaram a ser postos à venda. Nada feito: um mês antes de desembarcar no bananão o conjunto cancelou a turnê sem maiores explicações. Agora o site oficial da banda confirma que ela vai tocar aqui em 27 de março de 2018. Vai ser um único show no país, na capital paulista no estádio do Palmeiras. Os ingressos para o mesmo devem começar a ser vendidos no mês que vem.

 

 

O SETLIST DO NOVO DEPECHE MODE

1.”Going Backwards”

2.”Where’s the Revolution”

3.”The Worst Crime”

4.”Scum”

5.”You Move”

6.”Cover Me”

7.”Eternal”

8.”Poison Heart”

9.”So Much Love”

10.”Poorman”

11.”No More (This Is The Last Time)”

12.”Fail”

 

 

O SETLIST DO NOVO JESUS & MARY CHAIN

1.”Amputation”

2.”War on Peace”

3.”All Things Pass”

4.”Always Sad”

5.”Songs for a Secret”

6.”The Two of Us” 4:12

7.”Los Feliz (Blues and Greens)”

8.”Mood Rider”

9.”Presidici (Et Chapaquiditch)”

10.”Get on Home”

11.”Facing Up to the Facts”

12.”Simian Split”

13.”Black and Blues”

14.”Can’t Stop the Rock”

 

 

OS NOVOS DISCOS DO DM E DO JMC AÍ EMBAIXO

Para audição na íntegra, via Spotify.

 

E OS VÍDEOS PROMOCIONAIS DOS NOVOS SINGLES DOS DOIS GRUPOS

 

A NOSSA PRIMEIRA MUSA ROCKER DE 2017! ABUSADA, ESCRITORA, FÃ DE SEXO, JAZZ, POESIA E ROCK’N’ROLL, WOW!

Nome: Juliana Frank.

Idade: 32 anos.

De: São Paulo, capital.

Mora em: São Paulo.

O que estudou: “fiz umas oito faculdades, não acabei nenhuma”.

O que faz: além de escritora (já publicou quatro livros) é roteirista de animação na produtora Coala Filmes.

Três discos: “A Kind Of Blue” (John Coltrane), “Galos de briga” (João Bosco) e “$O$” (Die Antwoord).

Três artistas: Lana Del Rey, Tim Buckley e Die Antwoord.

Três filmes: “O sabor da melancia”, “Leaving Las Vegas” e “Casablanca”.

Três diretores de cinema: Tsai Ming Liang, Robert Rodrigues e Sergio Leone.

Três livros: “Diário de um ano ruim” (Coetezze), “Rayuela” (Julio Cortazar) e “Las Redes Del Poder” (Foucault).

Um show inesquecível: The Rolling Stones no Rio De Janeiro, 2006, na praia de Copacabana.

O que ela tem a dizer sobre… sexo, rsrs: “Já fiz sexo matrimonial, sexo com faxina, ménage (apesar de considerar grupal um tanto confuso, sou muito concentrada e acabo me dando mal). Já fiz sexo maconhada, de pé na rede e o diabo a quatro. Mas o maior delírio do sexo mesmo é o amor.  Tem uma frase que adoro, do Miguel Esteves Cardoso: ‘Mas o amor é fudido. E gostei de fodê-lo contigo’”.

Como o blog conheceu a garota: Zap’n’roll conhece Juliana Frank desde que ela era uma pirralha “aborrescente” dos seus dezesseis anos de idade (rsrs). Ela vivia com a turma que trabalhava na redação da saudosa revista Dynamite e era fã (vejam só) de heavy metal e gothic rock. Este já velho jornalista rocker (e ainda loker) se tornou então amigo dela, embora a considerasse na época um tanto “maletinha” (como quase todo “aborrescente”, no final das contas), hihihi. A dupla permanece amiga até hoje e miss Ju se tornou um mulherão aos trinta e dois anos de idade: é fã de jazz (e de rock ainda, não perdeu o amor pelo gênero), estudou Letras e Filosofia e publicou quatro livros, entre eles o delicioso “Uísque e vergonha”, que foi publicado em 2016. Quer conhecer pesoalmente a moçoila? Ela bate cartão no bar/teatro Cemitério De Automóveis (cujo um dos proprietários é o dramaturgo e queridão Mário Bortolotto), que fica na rua Frei Caneca, centrão de Sampalândia. E seu perfil no faceboquete pode ser acessado aqui: https://www.facebook.com/profile.php?id=100011415196359.

E agora marmanjos e marmanjas, deleitem-se aí embaixo com os total delicious NUDES de miss Juliana, wow!

IMAGEMMUSAJULIANAPELADA17

Uma câmera na mão e um corpo desnudo pedindo tudo

 

IMAGEMMUSAJULIANAPELADA17II

“Só os VIRTUOSOS sabem pecar de verdade” (do livro “Uísque e vergonha”, 2016)

 

IMAGEMMUSAJULIANAPELADA17V

Gatinho feliz

 

IMAGEMMUSAJULIANAPELADA17IV

Gatinho feliz, II

 

FINATTIJULIANA17

O jornalista eternamente loker e sua amiga e musa rocker

 

E PARAMOS POR AQUI

Postão bacanão, néan. Recheado com papos sobre a volta dos gigantes Jesus & Mary Chain e Depeche Mode, turbinado com uma tesudíssima musa rocker e também com as últimas do mondo pop/rock e da cultura pop. De modos que ficamos por aqui e retornamos logo menos, assim que novos e palpitantes assuntos exigirem a volta do blogão campeão em rock alternativo e cultura pop. Até o próximo post então, com beijos quentes e doces no nosso sempre dileto leitorado.

 

(atualizado e ampliado por Finatti  em 29/3/2017às 18hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL (destacando a delação da Odebrecht, os perfis das bandas Rios Voadores e Verônica Decide Morrer, além do roteiro cultural e de baladas zappers) – Em tempos onde a cultura pop caminha para o seu final melancólico e onde não há mais heróis e quase nada relevante no rock alternativo mundial, os ainda gigantes e amados escoceses do Teenage Fanclub soltam novo disco lindão e mostram que atualmente apenas os “velhos” é que estão mesmo salvando o rock’n’roll da mediocridade total (e de quebra o blogão relembra histórias saborosas e saudosas das duas vezes em que o grupo se apresentou no Brasil); a REAL e RELEVANTE indie scene nacional está aqui (e não naquele blog vizinho e autêntica “ilha da fantasia indie”) e desta vez falamos do álbum póstumo do saudoso, genial e lendário rapper Sabotage e dos discos de estréia da Rios Voadores (de Brasília) e do Verônica Decide Morrer (de Fortaleza); e mais um monte de paradas bacanudas no blog show de bola quando o assunto é rock e cultura pop (postão totalmente AMPLIADO e FINALIZADO em 28/10/2016)

bannerrodamob

bannervoicemusic2016

imagemtfclive16iii

Dois lançamentos importantíssimos e que demonstram que são os veteranos ou mesmo aqueles que já se foram que ainda importam na música pop atual, no rock e no rap: o grupo escocês Teenage Fanclub (acima) soltou novo discão há um mês e que agora é bem analisado pelo blogão zapper; e o saudoso rapper Sabotage (abaixo) faz jus à sua fama de gênio com seu álbum póstumo que foi lançado esta semana

imagemsabotageiii

**********

E FECHANDO MEEEEESMO A TAMPA DESSE POST… VEM AÍ A DELAÇÃO BOMBA DA ODEBRECHT!!!

  • Yes!!! Os torpedos gigantes já começaram a ser disparados e a se transformar em manchetes nos jornais, como essa aí embaixo. Será que finalmente o PSDBosta vai começar a ter a sua QUADRILHA também desmantelada? Será que o PMDBosta de Temer vai sobreviver? As próximas semanas serão emocionantes na IMUNDA política brasileira, podem ter certeza disso!

capafolhaout16

 

  • E fim de papo que o postão já está gigantão. Na semana que vem a gente volta com muuuuuito mais por aqui, okays? Até lá!

 

**********

 

 

 

O power pop sublime e o rapper genial.

Ambos são os destaques musicais desse postão de Zap’n’roll que você começa a ler agora. E nem poderia ser diferente: tanto o quarteto escocês Teenage Fanclub quanto o saudoso rapper paulistano Sabotage tiveram novos discos lançados recentemente (o TFC, que estava há seis anos sem gravar, soltou novo cd há cerca de um mês; já Sabota teve seu trabalho póstumo finalmente editado na última segunda-feira, 17 de outubro). E apesar de trafegarem em linguagens musicais (e ambas, pop) tão diferentes (power pop de guitarras shoegazer e rap na sua acepção clássica), ganham total atenção deste blog por diferentes e variados motivos. No caso dos escoceses, eles sempre pautaram sua produção por uma qualidade sonora muito acima da média que se escuta no rock mundial, ainda mais nos tempos atuais onde o rock’n’roll se tornou quase que totalmente irrelevante (em termos de bandas novas). Fora que o TFC sempre foi um dos conjuntos do coração do autor deste blog e, além disso tudo, lançou um novo trabalho que é melhor do que 95% dos lançamentos de hoje em dia, sendo que estamos falando de um cd gravado por músicos que estão na casa dos cinqüenta anos de idade. Já Sabotage se mantém como um dos nomes GIGANTES do rap brasileiro, mesmo treze anos após sua trágica e violenta morte (foi assassinado por um desafeto, com quatro tiros nas costas, na manhã de 24 de janeiro de 2003). Ele, que antes de descobrir seu pendor artístico e musical foi assaltante e gerente do tráfico de drogas na favela onde havia nascido e residia, se tornou um dos nomes mais expressivos da geração rapper brasileira dos anos 2000’ com o lançamento de apenas UM disco em vida. Quando morreu tinha acabado de concluir as gravações das bases e vocais de seu segundo álbum de estúdio. O mesmo disco que foi sendo burilado e emoldurado musicalmente pela turma do coletivo musical Instituto (parceiros de Sabota desde sempre) e que finalmente ganhou vida plena esta semana. É um cd que mostra toda a dinâmica precisa e preciosa do rapper, além da virulência, potência e atualidade de seus versos ácidos e certeiros, com métrica e poética impecáveis e que desvelam um país (o nosso) que sempre foi caótico em quase todos os sentidos – e que continua assim, mais de dez anos após Sabotage ter composto as músicas que estão no trabalho que agora foi enfim lançado. Então, por tudo isso, nada mais justo do que estas linhas bloggers dedicarem a maior parte desse postão a esses dois lançamentos, além de também mostrarmos as estréias em disco de dois grupos muito promissores da atualmente paupérrima cena indie nacional: Rios Voadores (de Brasília) e Verônica Decide Morrer (de Fortaleza). Em um mundo dominando por um neo conservadorismo que torna as pessoas intolerantes e bastante insensíveis, o lindo disco do Teenage Fanclub é um alento emotivo e tanto. E em um Brasil cada vez deteriorado em seu tecido social e desmantelado por violência urbana e imundície da política e do poder público, ouvir os versos que o gênio Sabotage escreveu há treze anos só reforça a grande questão que pelo jeito jamais irá ser resolvida: até quando seremos esse país vira lata e miserável de QUINTO mundo?

 

 

  • E nossas notas iniciais não poderiam abrir nesse post senão com o ASSUNTO POLÍTICO da semana, claaaaaro. Que foi a (finalmente!) prisão DELE. Quem? Do evangélico do inferno, óbvio. Eduardo Cunha, um dos mais graúdos BANDIDOS da imunda cena política brazuca. Sendo que já surgiram as habituais zilhões de análises e teorias da conspiração na web, tentando desvendar os meandros do enquadramento do sujeito – uma delas: o tirano Sergio Moro estaria fazendo média com o populacho e preparando a prisão de Lula, que seria aceita pelo povaréu sem tanta indignação ou questionamento. Será? Seja como for, o peixe graúdo do PMDBosta foi em cana – e todos nós vivemos para ver isso.

capafolhacunha16

 

  • Aliás a IMAGEM da semana não poderia ser outra, hihihi. Aí embaixo: o evangélico do cão e o golpista com cara de mordomo de filme de terror. Um já dançou. E o outro, dança quando?

Brasília - O vice-presidente Michel Temer e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, durante solenidade de entrega da Medalha do Mérito Legislativo 2015 (Antonio Cruz/Agência Brasil)

 

  • No rock’n’roll a semana termina com a produção do Lollapalooza BR divulgando o line up por dia da edição vindoura do festival, em março 2017. O headliner do sabadão (dia 25 daquele mês) é o insuportável Merdallica que, como sempre, vai se apresentar pra uma manada gigantesca de gente ogra, reaça, suarenta, feia e fedida, ahahaha. Já o domingão (dia em que o blog irá até o autódromo de Interlagos) terá The Strokes e os velhões bacanudos do Duran Duran. Aí sim!

imagemproglollabr17

 

  • E falando em gigs, antes que o blog se esqueça: nessa sexona (leia-se hoje) e sabadão (amanhã) tem apresentação solo da deusa loira e ex-baixista do Sonic Youth, Kim Gordon, em Sampa. Vai rolar  nove da noite no SESC Pinheiros e pelo que consta, ainda há ingressos disponíveis a módicos sessenta pilas (com meia entrada a trintinha). Pois é… o MERCENÁRIO e GANANCIOSO festival Pobreloa…, quer dizer, Popload Gig (organizado pelo hoje empresário da noite e dublê de jornalista, dear Luscious R.) podia se mirar no EXEMPLO do SESC em suas próximas edições, ao invés de tentar ASSALTAR o bolso do público que vai nele.

 

 

  • Antes que o blog se esqueça, II: também amanhã, sabadão em si, tem show solo do chapa David Dafré (o homem das seis cordas no Vanguart) em Sampa. Ele lança seu primeiro ep solo, e você pode conferir todas as infos sobre o evento aqui: https://www.facebook.com/events/1409118652450353/.

finattidavidvangs

Dupla rock’n’roll amiga: Zap’n’roll e o guitar man do Vanguart, David Dafré; o músico faz show solo nesse sábado em Sampa

  • E ainda sobre shows e turnês (ufa!): o já veteraníssimo tecno pop brit Depeche Mode andou fazendo barulho essa semana, convocando a imprensa na Itália para coletiva onde anunciou novo disco inédito (com lançamento previsto para o começo de 2017), seguido de turnê mundial onde a banda PRETENDE vir inclusive para a América Do Sul. Nunca é demais lembrar: o grupo só tocou uma única vez no Brasil, laaaaá por 1994 (e a apresentação, presenciada pelo jornalista loker rocker, foi PÉSSIMA). Alguns anos atrás uma nova turnê chegou a ser armada por aqui, inclusive com os tickets pros shows tendo sido colocados à venda. Só que na última hora o DM, sem muita explicação, cancelou as apresentações brasileiras. Entonces vamos ver se dessa vez a turma do vocalista Dave Gahan cria vergonha na cara e vem mesmo.

imagemdm16

O Depeche Mode, na coletiva que anunciou o novo álbum de estúdio da banda e sua  nova turnê mundial; será que dessa vez a banda volta ao Brasil?

  • Na boa: alguém ainda se importa com o Kings Of Leon? A banda, que começou tão bem há mais de década e meia, já desceu a ladeira faz tempo – fora que estas linhas online assistiram o grupo três vezes ao vivo, todas ruim de doer. Enfim, a turma lançou seu novo disco na semana passada, “Walls”, o primeiro inédito em três anos. Sinceramente este espaço rocker virtual ainda não teve vontade alguma de escutar o dito cujo. Mas se alguém aê quiser arriscar a audição do mesmo, vai aí embaixo no Spotify.

 

  • E como sempre, com o postão em franca construção, as notinhas iniciais irão sendo ampliadas e atualizadas ao longo dos próximos dias se algo, hã, estrepitoso acontecer. Mas por enquanto vamos de Teenage Fanclub, a lenda power pop escocesa que acaba de lançar mais um discão. E que você confere o que blogão achou dele lendo aí embaixo.

 

 

O POWER POP SHOEGAZER CLASSUDO DO TEENAGE FANCLUB RESISTE AO TEMPO – E VOLTA COM UM DISCO LINDÃO

Em uma era (a da web e dos anos 2000’) onde a cultura pop em geral e o rock alternativo (ou o que resta dele, no mainstream que seja) em particular assiste ao seu próprio desmantelamento e onde nada mais parece ser relevante (a música finalmente se transformou apenas nisso: em fundo para tarefas banais do cotidiano da raça humana quase que totalmente bestializada e escravizada/viciada que está por internet, redes sociais e apps inúteis de smartphones), com artistas solo e bandas durando apenas um single de sucesso e alguns dias (ou horas) apenas bombando na nuvem digital (para logo depois ser completamente esquecido e dando passagem a outro hype tão efêmero quanto aquele que o antecedeu), é um gigantesco prazer e alento aos sentidos, ao coração e à alma saber que uma banda como a escocesa Teenage Fanclub resiste ao tempo, quase três décadas após a sua fundação. Uma das prediletas deste blog desde sempre, a TFC continua professando o que sempre fez muito bem: power pop shoegazer de melodias belíssimas (tramadas a um só tempo com guitarras barulhentas e violões bucólicos, quase pastorais) e vocais dolentes e harmoniosos ao extremo. E é tudo isso que você vai encontrar em “Here”, o novo álbum do grupo, que foi lançado lá fora em 9 de setembro passado. Ele pouco ou nada foi comentado em blogs brazucas dedicados ao indie rock planetário. E o cd sequer deverá ganhar edição nacional. Mas como sempre falamos aqui: nunca é tarde para se comentar sobre um bom ou ótimo lançamento. De modos que o novo trabalho dos escoceses merece ser destacado em Zap’n’roll com todo o louvor.

O grupo dos guitarristas e vocalistas Raymond McGinley e Norman Blake, do baixista Gerard Love e do baterista Francis MacDonald (e que na verdade já há alguns anos atua como membro “informal” e não oficial, da banda) surgiu em 1989, quando boa parte do leitorado zapper sequer era nascido. Este certamente é um dos fatores pelos quais o conjunto é praticamente desconhecido pela pirralhada atual (cuja cultura musical pop se restringe a Lady Gaga ou a One Direction e Imagine Dragons), embora ainda mantenha um séquito bem grande de fãs (inclusive no Brasil) composto por tiozões e na casa dos 40/50 anos de idade, como o autor desta espaço virtual. Não à toa o TFC esteve por duas ocasiões no Brasil, em maio de 2004 (quando lotou por três noites seguidas a chopperia do SESC Pompeia, em São Paulo, além de tocar em um também lotado Curitiba Pop Festival que tinha o então retornado Pixies como grande atração) e depois em maio de 2011, quando novamente esgotou os tickets de duas gigs (uma em Sampa e outra no Rio De Janeiro). Em ambas as passagens por aqui o quarteto emocionou e levou às lágrimas quem foi aos shows (como o autor deste blog foi, sendo que relembramos algumas das histórias dessa época mais aí embaixo, nesse mesmo post), com um público variado (composto por muitos tios e tias mas também por uma garotada entusiasmada por poder escutar ao vivo as canções clássicas daquele conjunto escocês que seu primo/a ou irmão/ã mais velho/a sempre adorou) e que cantou em coro músicas como “Star Sign”, “The Concept”, “I don’t Now”, “Waht You Do To Me”, “Sparky’s Dream” e muitas outras que já entraram para a história do indie rock britânico dos anos 90’.

E nestes quase trinta anos de existência o grupo nunca perdeu a qualidade musical e sempre manteve uma excelência sonora muito acima da média do que se escuta no rock alternativo, principalmente nos tempos atuais. Basta lembrar que o TFC lançou pelo menos uma obra-prima em sua trajetória (o álbum “Bandwagonesque”, editado em 1991 e que ganhou todas as eleições de “melhor disco” naquele ano, nas votações das principais publicações musicais dos EUA e da Inglaterra, e isso em um ano em que saíram também “Nevermind”, do Nirvana,  “Ten”, do Pearl Jam e “Screamadelica”, do Primal Scream, só pra citar outras três obras-primas do rock’n’roll que foram lançadas naquela época) e mais alguns discaços (aí entram tranquilamente na lista “Thirteen”, de 1993, e “Grand Prix”, editado em 1995). E nesses trabalhos todos, o procedimento musical da banda sempre se manteve inalterado, com ela brindando os fãs com as mais lindas canções power pop embebidas em violões plácidos ou em guitarras shoegazer.

capatfc16ii

O novo disco dos escoceses do TFC: tiozões que ainda mandam um power guitar pop shoegazer empolgante

“Here”, nesse sentindo, não altera em nada a conduta musical do TFC. Tanto que o disco abre com a linda e empolgante “I’m In Love”, o primeiro single de trabalho do cd e com aquelas guitarras power pop sublimes e uma melodia encantadora dando suporte aos vocais suaves de Norman Black. Daí em diante o disco flui espetacularmente, seja em momentos mais “barulhentos” e acelerados (como em “This Air”ou na ultra radiofônica “Live In The Moment”), seja em músicas mais bucólicas, contemplativas e algo melancólicas – e aí ótimos exemplos são a igualmente belíssima “Hold On”, além de “The Darkest Part Of The Night” e “I Have Nothing More To Say”. Aliás os momentos mais calmos dominam o total de faixas do álbum e nem poderia ser diferente: os “adolescentes” do TFC estão todos na casa dos cinqüenta anos de idade e isso provoca uma desaceleração natural no trabalho composicional. Ainda assim é um disco que HUMILHA 95% da produção rock atual.

Pode não ser como nos tempos de glória de “Bandwagonesque”, e nem poderia ser (lá se vão vinte e cinco anos do lançamento da obra-prima do conjunto). Mas o Teenage Fanclub, parafraseando o título curto e simples de seu novo rebento (o primeiro álbum inédito deles em seis anos), está AQUI. Vivo, forte, fazendo o que sempre soube fazer muito bem (lindas canções power pop para embalar corações apaixonados ou solitários) e dando lição de qualidade musical às novas gerações rockers. Isso já é muito e traz mega alento aos ouvidos e à alma cinza dos fãs. E sim, é bom ter esses “velhinhos” de volta por aqui. Cheers!

 

Sendo que o blog lança nesse post a campanha: #TFCvoltaproBrasil!

 

 

O TRACK LIST DO NOVO DISCO DO TFC

1 I’m in Love 2:40

2 Thin Air 3:10

3 Hold On 3:25

4 The Darkest Part of the Night 3:15

5 I Have Nothing More to Say 4:16

6 I Was Beautiful When I Was Alive 4:44

7 The First Sight 5:07

8 Live in the Moment 3:03

9 Steady State 4:14

10 It’s a Sign 3:36

11 With You 3:57

12 Connected to Life 4:01

 

 

A BANDA AÍ EMBAIXO

No vídeo de “I’m In Love”, o primeiro single de “Here” e que abre o novo trabalho dos escoceses.

 

O NOVO ÁLBUM DO TFC NA ÍNTEGRA PARA AUDIÇÃO

Aí embaixo:

 

MINI DIÁRIO SENTIMENTAL – RECORDAÇÕES DE QUANDO O TFC TOCOU NO BRASIL, E QUANDO O POWER POP SHOEGAZER DA BANDA EMOCIONOU OS FÃS BRASILEIROS

  • O som do Teenage Fanclub entrou na vida do autor deste mini diário sentimental (e que há tempos não era publicado nestas linhas zappers) lá por 1991, quando a banda lançou a obra-prima “Bandwagonesque”. Zap’n’roll tinha então seus vinte e oito anos de idade, trampava na editoria de Cultura da revista IstoÉ e vivia “internado” nos finais de semana no inesquecível e saudoso Espaço Retrô, o muquifo indie mais lendário que já existiu na capital paulista e que ficava no bairro de Santa Cecília (região central da cidade). O então ainda jovem jornalista era amigão do igualmente saudoso DJ Toninho (um negão gigantesco e que só discotecava movido a quilos de cocaine, rsrs), um dos sujeitos mais antenados daquela época (e leia-se: uma época onde não existia internet, redes sociais, apps e nenhuma dessas merdas tecnológicas “mudernas”) e que torrava toda a sua grana basicamente em drogas e discos importados. Pois uma bela madrugada o negão começou a tocar na pista o single (em vinil importado) de “Star Sign”. Zap’n’roll ficou maluco quando ouviu aquele power pop shoegazer arrasa quarteirão. Foi paixão à primeira audição. Tempos depois a gravadora RCA lançou no Brasil a edição em vinil nacional do álbum “Bandwagonesque” (que também se tornou célebre por conta de sua capa, com um saco de um milhão de dólares desenhado nela) e mandou um exemplar dele pro jornalista rocker aqui. Daí pra frente o TFC se tornou um dos grupos mais queridos por Finaski e nunca mais saiu da nossa existência.

 

  • Mal sabia naquela época o blogger loker que, treze anos depois, em 2004, o TFC finalmente viria ao Brasil para shows. Foi em maio de 2004 e foi emocionante: três noites total LOTADAS na chopperia do SESC Pompeia, em São Paulo, de terça a quinta-feira. O zapper foi na primeira noite e a cada clássico despejado no palco, uma lágrima ameaçava escorrer dos olhos de todos que estavam ali. Sendo que o agora já quarentão jornalista sempre rock’n’roll havia feito uma matéria de CAPA com a banda, para a revista Dynamite, justamente por conta da vinda do grupo ao Brasil. A entrevista rolou por telefone com o vocalista e guitarrista Raymond McGinley (que foi mega simpático) e foi feita pela dupla Finatti e Bruninho Palma Fernandes. E tanto a matéria quanto a capa da revista ficaram… lindonas, rsrs.

 

  • Na quinta-feira à noite (quando rolou a gig derradeira do quarteto em Sampa), Zap’n’roll se mandou de busão pra Curitiba (acompanhado da sempre gatíssima, rocker e eterna amiga Taty Soldera), pra acompanhar o Curitiba Pop Festival, cujas atrações principais seriam o então retornado Pixies (após uma década de inatividade) e o… Teenage Fanclub novamente. E aconteceu de TUDO naquele festival, uia! Munido de uma credencial poderosa, o zapper rocker conseguiu assistir a gig do TFC do PALCO, ao lado da banda. Depois foi no camarim dos Pin Ups (que tinham sido reunidos pela produção do evento pra também tocar nele) e lá se entupiu de Jack Daniel’s com o ex-vocalista Luiz, que entrou total chumbado pra tocar. Não deuu outra: o show da banda foi um DESASTRE, rsrs. E não apenas pela lamentável situação etílica do vocalista mas também por conta do nervosismo geral que tomou conta do guitarrista Zé Antonio, da baixista Alê e do batera Marco Butcher. Foi talvez o ÚNICO show ruim dos Pin Ups que estas linhas online presenciaram em sua loooonga trajetória de convivência com a turma.

capadynamitetfc

Capa da revista Dynamite, edição de maio de 2004 (acima), que trazia matéria e entrevista com o Teenage Fanclub (abaixo), em texto assinado por Zap’n’roll e por Bruno Palma, antecipando como seriam os shows da banda no Brasil naquele ano

imagemdynamitetfc

  • Trêbado que estava e acabada a gig daquela noite no evento, o zapper sempre doidón não se intimidou com a capital paranaense (onde tinha amigos mas não conhecia absolutamente NADA por lá, ainda mais os locais onde se poderia obter dorgas ilícitas, hihihi) e partiu pra madrugada em busca de drugs, claaaaaro. Nessa busca algo frenética, ele teve a cia de um conhecido ex-casal rocker de Sampa, até hoje DJs e sócios de um dos mais badalados clubes de rock do baixo Augusta. Eles também tinha ido a Curitiba pra acompanhar o festival e lá tiveram o bom senso de alugar um carro, o que facilitou nossa empreitada. Após alguns contatos com conhecidos de lá e pesquisa do “terreno” (rsrs), todos encontraram o que queriam: o zapper, padê do bom; o casal, uma paranga bem fornida de marijuana. Fomos todos pro hotel onde o loki aqui estava hospedado, nos trancamos no quarto e enquanto o casal chapava o côco de beck o blogger loker esticava primorosas carreiras de pó branco em cima de uma mesinha, e o papo rolou solto até de manhã. Foi divertido, e como!

 

  • Sete anos depois, em maio de 2011, o Teenage Fanclub voltou novamente ao Brasil, para se apresentar em um evento bancado por uma marca de whisky. Em Sampalândia a gig aconteceu no clube The Week e mais uma vez ENTUPIU de fãs o local. E lá estava Finaski mais uma vez, na área vip (um mezanino na lateral do palco), bebendo talagadas de whisky e vibrando com o show. Foi quando aconteceu o lance total BIZARRO da noite: num dos intervalos entre as músicas algum maluco que estava na pista viu o jornalista (ainda bastante conhecido na indie scene naquela época, será que ainda somos hoje em dia? Rsrs) no mezanino, comentou com uma turma e logo começou um coro na pista: “Finaaaattiiii, Finaaaaattiiiii!”. Os músicos do TFC, como bem observou na época o assesssor de imprensa e amigão do blog Hugo Santos, não devem ter entendido absolutamente nada, hehehe.

 

  • O desejo que fica, agora que o grupo acabou de lançar um novo e bacaníssimo disco? VOLTA PRO BRASIL, TFC!

 

 

SABOTAGE, O RAPPER GÊNIO, CONTINUA VIVO E GIGANTE MESMO TREZE ANOS APÓS SUA MORTE

Quatro tiros nas costas calaram na manhã de 29 de janeiro de 2003 a voz do rapper paulistano Sabotage. Ele tinha 29 anos de idade, estava finalizando seu segundo disco – e que finalmente foi lançado, treze anos ser iniciado, na última segunda-feira, 17 de outubro – de estúdio e estava prestes a se tornar o nome mais importante do rap paulistano e nacional naquele momento. Sua voz potente, seus versos contundentes e suas rimas e métricas precisas, radiografando com olhar agudo as mazelas e desigualdades gigantescas de uma sociedade (a nossa) dividida, apodrecida e esfacelada (e que só piorou de lá pra cá) tornaram o “Maestro do Canão” (a favela onde ele nasceu, foi criado e viveu parte de sua vida, trabalhando para o crime e vendendo drogas na zona sul de Sampa antes de descobrir seu pendor artístico inigualável e abraçar o rap como forma de se expressar musicalmente, sendo que o blog esteve muitas vezes ali, no mesmo Canão, atrás de DROGAS e assumimos sem constrangimento ou vergonha esse período da nossa vida, isso há uns dez anos ou mais) um dos nomes de ponta do rap BR, ao lado dos Racionais MC’s. Tanto que Sabota foi elevado à categoria de gênio e sua curta produção musical continua como referência do estilo até hoje, mais de uma década após seu desaparecimento. Não à toa seu álbum póstumo que foi enfim lançado esta semana, já está sendo saudado como um dos principais acontecimentos do rap BR em muitos anos.

O autor destas linhas bloggers poppers nunca foi mega fã de rap. Mas jornalista musical que somos e estudioso das diversas vertentes que deambulam pela música na cultura pop, este Finaski acabou por se tornar um apreciador do gênero. Gostando demais, por exemplo, de “Raio X Brasil” (de 1993) e “Sobrevivendo no Inferno” (lançado em 1997), álbuns dos Racionais que transcenderam a barreira estilística e estética do rap para se tornar a representação sonora mais fiel da degradação do tecido social de um país (o Brasil) onde ricos e muito ricos acham que podem tudo, onde a classe média é estúpida e egoísta ao máximo (e ainda se acha pertencente a uma elite e a uma nação de primeiro mundo que na verdade só existe na cabeça de coxinhas imbecis), e onde pobres não têm vez e direito a nada. Simples assim.

E a obra (curta, vale sempre ressaltar, abortada que foi pela violência urbana sem controle e que há muito já transformou a vida nos grandes centros brasileiros em um autêntico inferno e em uma guerra civil já praticamente declarada) de Sabotage também ia pela mesma pegada, importância e impacto sonoro. Como o blog já disse em vezes anteriores: o rap acabou se tornando, de 25 anos pra cá, talvez a música pop de combate político e social que foi representada pelo punk no final dos anos 70’/início dos 80’.

capasabotage16

Capa do álbum póstumo do rapper Sabotage: já sério candidato a disco nacional de 2016

O álbum póstumo de Sabotage saiu enfim e finalmente na última segunda-feira, 17 de outubro. Com onze canções compostas pelo rapper (e que teve suas bases e vocais gravados por ele dias antes de ser cruel e friamente assassinado por um inimigo dos tempos em que o artista atuava no crime, gerenciando o tráfico de drogas na comunidade do Canão) foi assunto principal em tudo quanto é site (musical ou não) que importa. O disco é fodíssimo: além de possuir letras estupendas e acachapantes e que desvelam todo o talento poético de Sabota para radiografar com olhar ácido e agudo as mazelas que dominam ubiquamente a sociedade brasileira desde sempre, ele ainda recebeu acabamento impressionante ao longo dos últimos treze anos. A turma do coletivo Instituto, que produziu e finalizou a obra (um trabalho minucioso e de artesão e que ainda conta com participações especialíssimas da cantora Céu e de rappers como Dexter e BNegão), soube construir a moldura sonora perfeita para cada canção, como a inclusão de violões no refrão e condução da faixa “Respeito é Lei”, ou ainda a ambiência moderníssima de samba que permeia toda a melodia de “Maloca é Maré”, tudo isso realçando a potência dos versos e da inflexão vocal personalíssima do rapper.

Já tem nosso voto para álbum do ano (principalmente em um momento em que o indie rock nacional, salvo honrosas exceções, está irrelevante e sem nada a dizer aos ouvintes) e se vivo estivesse, Sabotage iria se orgulhar muito dele. E Mauro Mateus dos Santos (o nome de batismo de Sabotage) se foi mas sua obra musical está aí (além de sua participação como ator em filmes como “O Invasor” e “Carandiru”), imune à ação do tempo. Aliás ela nunca foi tão atual quanto agora nesse nosso pobre Brasil… o país “do futuro” que JAMAIS chegou aqui – e que pelo jeito nunca irá chegar.

 

 

PARA OUVIR O DISCO PÓSTUMO E INÉDITO DE SABOTAGE

Vai aí embaixo, no Spotify e no YouTube.

 

DUAS LETRAS DO ÁLBUM

“Canão foi tão bom”

 

Canão foi tão bom, poder falar pro dom

Que aprendi com o jão como obter mais alegria

Cara, sempre informação, sangue puro e bom

Pras drogas basta um simples não, o dom da opinião

A vida é a sua cara, eu me dou bem no som

Na raça, um espectrom, quem sai do rojão

É, tio, sem drama, face a face com o subúrbio

O mandarim, Sabote, o Maurin, o núcleo

Registra e mete a cara, jamais a ideologia falha

Ganha a quem produz um som de jão pros tio, né Ganja?

Falar podre do bairro onde eu nasci, que agradei, pá

A mesma viatura pra enquadrar, lembrar das mina

Mulher, vocês são lindas, vós periferia

A criançada agita, pula amarelinha

aguila gira, ciranda cirandinha é muita treta

Talvez melhor que um menas treta

 

Brooklyn, o que será de ti? Regar a paz, eu vim

Jesus já foi assim, brigas traz intrigas, ai de mim

Se não tolin, zé povim quer meu fim

Se esperar, apodrece, se decompõe

Se a gente faz, corre atrás, pede a paz, eles esquecem

Sempre assim, crocodilo hoje só rasteja em solo fértil

 

Crime, ouro, dólar, bola fora, esquece

Os vermes eleitos querem, seus votos, preferem

Paralisia infantil no morro, cresce

Ele observe, o crime impede, tu confere

A mãe, o pivete, sujeito mais que pé de breque

Se eu to com frio, fome, fúria, trombo, clique-clack

Sei que eles doam, mas não pros morros, pra Unicef

Pobres esquecem, a mãe maior nos aparece e pede

O fim maior está tão breve, filho então que reze

Anda ló, vejo na maló, ó só, ainda mais pobre do que eu

Ai, que dó

Na parte de cima, Morro da Macumba, Catarina

Sem estudo, liga. Criança coroinha

O medo, vejo se aproxima

Às vezes não tem nem pista, veja só que fita

Ele desceu da lotação, sofreu chacina

No bolso uma anistia, de botucão, beck do bom

Um beck muito louco e a maldita, a heroína

A tal da bomba da Hiroshima

Aqui se faz o fim pra periferia

Melhor jogar pra cima que tomar

Tio, vou falar, delito óbvio

Sangue, suor, amor e ódio, roubada

Se não ter fé, tio, se tranca em casa

Não saia, ligue a Tv, talvez você vai ver

Pode crê, me vê num outdoor

Querem me pegar pra ló, vê se pó-

De menor problema saiba até maló

Dou valor pros fó

Ter dó de quem vem se arriscar na vida bandida

O custo de vida dá laço sem nó

Lembra a vó, ó, dá mó dó

Criança na periferia vive sem estudo e só

A mercê da mó, tio, tuisabó

Do mandarim de vol-

Ta pra rima, voz bem lá em cima, essa é a sina

Destino indica a correria de um homem

Alternativa pra criança aprender basta que ensina

Essa é a verdade, criança aprende cedo a ter caráter

A distinguir sua classe, estude, marque

Seja um Martin, às vezes um Luther King, um Sabotage

 

Brooklyn, o que será de ti? Regar a paz, eu vim

Jesus já foi assim, brigas traz intrigas, ai de mim

Se não tolin, zé povim quer meu fim

Se esperar, apodrece, se decompõe

Se a gente faz, corre atrás, pede a paz, eles esquecem

Sempre assim, crocodilo hoje só rasteja em solo fértil

 

“Respeito é Lei”

 

Respeito é lei, eu sei, também

Sempre respeitei, aqui

Brooklin meu lugar, enfim

Águas espraiadas, biquinha, catarina, eu vi

Itapevi, pirituba, mangue, várias quebradas, enfim

Arapuá, heliópolis, é nós na ativa, então, chego assim

Paraisópolis, cachorro louco sempre tem, ali

Cachorro magro, porém sensato

Vejo no brooklin, brooklin

Tô chegando e vou cantando, assim, assim

E… Amigo é coisa, assim, pra se guardar

Que eu vi, que eu vi, que eu vi

 

Aí, ladrão

Demorou, o showman, ninguém me envolve, ninguém

Mas logo sou bem, ei, tô, também, e sou do brooklin

Quem tenta me tirar do rango, enfrenta enxame e o trem

Então, vai, tudo okay, quem errou, passa a vez, ei

Amigo meu, quem? Nada soube de um rei

É o podrão, a máfia, oh, please

Aqui, me paga, trouxe, pois é

Vacilou feio, meio, o clone, o jé e o beck

Ô, zeca, quem dera! Tem samba toda sexta

Tem mais, você conhece o vai-vai, curto essa festa

Carlinhos, presidente, a bela vista vai tremer

Ensaia e lê o samba enrê, os manos aplaudem em pé

Demorou, quem viu

Quem ontem viu, quer ver, hoje

Na paz, tão feliz, pôr a paz, o clima é o monge

O terror vem do céu, mano, como foi cruel!

E arreck-cléu, click-cléu, o povo é um alvo do fel

Quem fez não quer ser réu, se esconde pra não aglomerar

Porque é o remédio dessa fé que não pode acabar

 

Respeito é lei, eu sei, também

Sempre respeitei, aqui

Respeito é lei, eu sei, também

Brooklin, meu lugar, enfim

 

Depois não vem, que não tem, coca não é rapé

Eu sei qual é que é, tem loque que se move a ponta-pé

A minha cara, aqui, se quer passar a mensagem

Mas pode ver que o style de malandro é com khakis

Sou sabotage, sou anti-bala, estilo gângster

Quem tenta me tirar do rango, enfrenta enxame e “o trem”

Atende, aí, fê, pergunta quem

Quem vacilou, plêi-plêi! Moscou, não tem ninguém

Um, dois, três, inspirado em freeman

Cheguei, regressei, ha! Não vivo assim

Eu vivo de realidade, sou sabotage, não tenho imagem, ha

A minha levada é segura, filha da puta

Zona sul não muda o rá-tá-tá, esse é o som

Celo x apoia, é tipo na quebrada, me lembro, emboscada

Fazendo suas performances, fazendo seus ajustes, rajada

Bem assim, fazendo o certo, mais aplicado

Tipo, mandando recado, parceiro bem atentado

Vou chegar

 

Respeito é lei, eu sei, também

Sempre respeitei, aqui

Brooklin, meu lugar, enfim

Águas espraiadas, biquinha, catarina, eu vi

Itapevi, pirituba, mangue, várias quebradas, enfim

Arapuá, heliópolis, é nóis na ativa, então, chego, assim

Paraisópolis, cachorro louco sempre tem, ali

Cachorro magro, porém sensato

Vejo no brooklin, brooklin

Tô chegando e vou cantando, assim, assim

E… Amigo é coisa, assim, pra se guardar

Que eu vi, que eu vi, que eu vi

 

**********

 

bannerrealcenaindiezap

Nesse post orgulhosamente apresentando:

  • RIOS VOADORES – essa turma incrível surgiu em Brasília há três anos. E bebeu nas melhores fontes e influências possíveis: rock psicodélico sessentista com direito a fartas doses de Mutantes, Arnaldo Baptista, Rita Lee e toda a MPB classuda daquela década. Vai daí que o álbum de estréia do quinteto formado pela lindinha bonequinha Gaivota Naves (vocais, letras), por Marcelo Moura (guitarras, vocais), Tarso Jones (teclados, vocais), Beto Ramos (baixo) e Hélio Miranda (bateria) e lançado há pouco, é um discaço de onze faixas cuja sonoridade transborda tudo o que foi citado aí em cima. Por certo o pessoal da Rios Voadores fumou muuuuuita marijuana (ótimo!) e tomou bastanta ácido (melhor ainda!) para engendrar composições e soluções musicais e melódicas que chapam o ouvinte já na primeira audição. Há rocks poderosos no álbum (que foi gravado em Porto Alegre e lançado não apenas em formato digital mas também físico, no bom e velho vinil), como “Sumiço”, “A diferença” e “Calejado”. Há emulações (no ótimo sentido) de valsa (como em “Praça Central”, com direito a uma sanfona adornando o instrumental da música) e jazz (“Freak Lady”) e duas baladas viajandonas envoltas em psicodelia intensa e belíssima (“Música do Cais” e “Insônia”) e que possuem letras muito acima da média do que se ouve atualmente no indigente rock independente nacional. Junte-se a tudo isso uma ótima vocalista e ótimos músicos e pronto: a estréia em disco da RV já é seria candidata a melhor disco de rock nacional de 2016. Interessou? Vai aqui pra saber mais sobre a banda: https://www.facebook.com/bandariosvoadores/. E sendo que o álbum de estréia pode ser escutado aí embaixo:

imagemriosvoadores16ii

De Brasília, a Rios Voadores exibe orgulhosa seu disco de estréia

 

  • VERÔNICA DECIDE MORRER – Fortaleza, capital do Ceará, mantém a tradição de sempre possuir uma cena rocker independente bacanuda e que vive se renovando. De lá já vieram O Jardim Das Horas, Daniel Groove, Jonatan Doll & Os Garotos Solventes, entre outros. E agora a bola da vez é o quarteto Verônica Decide Morrer, que existe há seis anos e atualmente fixou residência em Sampa. Verônica Valentino (uma bichaça louca e total rock’n’roll? Um travecão rocker alucicrazy? Tudo isso junto?) e Jonaz Sampaio nos vocais, Léo Breedlove nas guitarras e Vladya Mendes na bateria resgatam o punk e o garage glam rock setentista sem nenhum pudor, com melodias dançantes, guitarras em brasa e letras total ácidas e escrachadas que buscam tirar o rock brazuca da gigantesca caretice (bem de acordo com o neo conservadorismo que domina a raça humana) na qual ele está mergulhado. Para isso nada melhor do que reeditar a fase mais louca, alucinada e repleta de putaria da história do rock’n’roll e que foi justamente o glam rock de David Bowie, de Marc Bolan e dos New York Dolls. É o que você vai encontrar em músicas (atenção para os títulos!) como “Testemunha de Trava”, “Lady Cromada” ou “Bicha Invejosa”, uia! Mais sobre o grupo você encontra aqui: https://www.facebook.com/veronicadecidemorrerr/. E pra ouvir o esporro rocker que eles detonam, vai no link aí embaixo.

imagemveronicadmlivesp

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

  • Disco: o novo do Teenage Fanclub, alguma dúvida?

 

  • Mostra Internacional de Cinema de São Paulo: em sua quadragésima edição uma das maiores mostras cinematográficas do mundo continua dominando as atenções do circuito cultural da capital paulista. E se você ainda não foi em nenhuma sessão, dá tempo: a mostra rola até o próximo dia 2 de novembro, há várias salas exibindo muitos filmes na faixa e tudo sobre o evento pode ser conferido aqui: http://40.mostra.org/br/home/.

 

  • Baladas, poucas baladas… yep, nada muito digno de nota para este finde, sendo que muitas casas noturnas vão centrar fogo em festas de Halloween. De qualquer forma vai ter show bacana neste sábado à tarde (leia-se amanhã, 29 de outubro, já que o blogão está sendo finalmente concluído na sextona em si) com bandas do Norte brasileiro, como Los Porongas e Kali. Rola no espaço Submundo 177 (e que fica na rua Capitão Cavalcanti, 177, Vila Mariana, zona sul de Sampa) e todas as infos sobre a gig você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/1113383305425985/. ///E no domingão tem sempre a fervida noitada rocker Grind na Loca (rua Frei Caneca, 916, Consolação, centro de São Paulo), já um clássico da noite paulistana comandado há dezoito anos pelo super DJ André Pomba. Diversão garantida! Cola lá e se joga na pista!

 

 

FIM PAPO, FINALMENTE!

O postão está enfim concluído. E foi finalizado em uma semana absolutamente infernal na vida do blogger loker rocker autor destas linhas virtuais. Deve ser o tal inferno astral que existe (ao que parece) pra valer, já que estamos a menos de um mês de comemorarmos mais um aninho de vida. Enfim, foram tretas e mais tretas e conseguimos sobreviver a elas graças ao help de amigos de VERDADE e mega queridos por Zap’n’roll, sempre! Então nos despedimos deixando beijos e abraços pra Eliana Martins, pra lindaaaaa loiraça Michelle Martins, pro queridão mineiro João Carvalho e pro nosso advogado rock’n’roll Weber Abraão Jr. Ter amigos como vocês e poder contar com eles faz toda a diferença na vida de uma pessoa. Valeu de coração pela força, dears!

Semana que vem estamos por aqui novamente. Até lá!

 

(atualizado, ampliado e finalizado por por Finatti em 28/10/2016, às 16hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL!!! Com a segunda parte da nossa cobertura máster dos últimos festivais de rock europeus e as dicas culturais e de baladas pro finde – Os tempos estão tristes e sombrios e setembro começa com postão novo zapper (até que enfim!), com multidões marchando pelas ruas contra o governo do GOLPISTA e NAZISTA Michel Temer, e com a notícia de que tem sim Garbage ao vivo no Brasil em dezembro; em tópico mega especial nosso blog dá um SPANKO monstro no vizinho “Popload”, que se tornou uma autêntica “ilha da fantasia indie” e para quem a cena rock independente nacional vive seu melhor momento até hoje (ahahahaha); mais: o blogão mostra como foram bacaníssimos alguns dos mais recentes e últimos festivais de rock que rolaram na Europa, com showzaços de PJ Harvey, Massive Attack e muito mais, sempre no espaço blogger mais legal da web BR (postão ampliado e finalizado em 9/9/2016)

 

BANNERSARAHSANCA

BANNERVOICE

IMAGEMPJHARVEYLIVE16

O país vira lata (esse mesmo em que vivemos) vai de mal a pior e isso se reflete na cena indie nacional: enquanto na Europa veteranas alternativas como a deusa inglesa PJ Harvey ainda se mantém fazendo shows empolgantes (acima, no recente Oya Festival, na Noruega) e lançando ótimos discos; aqui a tristeza impera, tristeza que será ao menos amenizada com as gigs do Garbage (abaixo) em dezembro e que também é suportável quando lembramos que pelo menos o grande Vanguart (também abaixo) deu certo em uma cena que segue ladeira abaixo sem dó

IMAGEMGARBAGE16

IMAGEMVANGSLIVESPAGO2015

bannerpomba16

 

Tempos tristes no Brasil.

Até o papa Francisco comentou, mostrando seu descontentamento com a situação política tenebrosa que se abate sobre esse país (o nosso) vira lata total e que ninguém respeita ou leva a sério lá fora. Também pudera: como respeitar uma nação que possui a classe política mais IMUNDA e ORDINÁRIA do Universo? Uma classe política em que um bando de senadores corruptos e implicados até o cu em inquéritos criminais sobre escândalos de corrupção e desvio de dinheiro público, ejetam do poder uma presidente eleita com mais de cinqüenta milhões de votos num processo totalmente político e sem base jurídica alguma? Dilma errou? Sim, muito. foi totalmente inábil na condução política e econômica do Brasil. É turrona, teimosa como uma porta e sem jogo de cintura algum. No entanto, não é BANDIDA. Não há NENHUM processo ou investigação em curso contra ela em qualquer instância jurídica do país. Logo os erros do seu governo deveriam ser julgados pelo povo nas URNAS, e não por um bando de senadores sem a mínima condição ética ou moral para tirar quem quer que seja da presidência da República. Mas infelizmente a parada no bananão miserável funciona assim e agora só resta resistir (dentro da Lei e da Ordem) a esse desgoverno golpista comandado pelo PMDBosta e pelo mordomo de filme de terror que é Michel Temer. Para isso as passeatas estão sendo diárias, se alastrando pelo país afora e se tornando GIGANTES (como a de ontem, domingo, em São Paulo, quando mais de cem mil pessoas se reuniram na avenida Paulista para gritar “fora Temer!”). Mesmo com a repressão policial MONSTRO em cima dos manifestantes, a ordem é continuar indo para as ruas. E o próprio autor de Zap’n’roll pretende ir no próximo protesto, já marcado para esta quinta-feira, após o feriado de 7 de setembro. De modos que a posição do blog é bem clara: somos CONTRA o governo NAZISTA e GOLPISTA de Michel Temer. E a favor de eleições diretas e em todos os níveis JÁ. Enquanto isso não ocorre estaremos ao lado de todos aqueles que gritam “Fora Temer!”. E sempre também ao lado da VERDADE dos fatos – por isso mesmo estamos rebatendo aqui, nesse post que começa agora, a “ilha da fantasia indie” publicada no “vizinho” Popload, há alguns dias. E para completar este post especial e bacanudo (que custou a chegar mas chegou chegando, hehe), ainda temos uma cobertura mega especial dos mais recentes festivais de rock que rolaram na Europa, em texto primoroso escrito pelo nosso já velho e dileto amigo Ricardo Fernandes. Ou seja: estas linhas zappers continuam fazendo muito bem o que sempre fizeram, que é defender a verdade dos fatos e seguir amando a cultura pop e o  rock alternativo.

CAPAFORATEMERIII

**********

FECHANDO A TAMPA DO POSTÃO BACANÃO

  • Os boatos de bastidores mandam avisar: o Lollapalooza BR 2017 deve ter Radiohead (wow!), Duran Duran (wow!!) e Strokes (ulalá!). E sim, também o insuportável MERDALLICA como um dos seus headliners – já pensou, aquele mar de metaleiros machos feiosos,  suarentos e fedidos pulando como macacos ao som desses velhos boçais do heavy merdal? Jezuiz… rsrs. Tudo será confirmado nas próximas semanas e o blog zapper está de olho, fica sussa.

imagemradiohead

O gigante indie Radiohead: a caminho do Lolla BR 2017?

 

 

 

  • Zap’n’roll bate uma APOSTA com seus leitores: a de que irão menos de 30 gatos pingados na maioria das gigs listadas na “avalanche indie” descrita na Pobrel, ops, Popload. Se alguém for, nos diga depois
  • E agora é fim mesmo porque o post já está enooooorme. Semana que vem voltamos com mais por aqui. Até lá!

 

**********

 

 

  • O postão demorou a ser renovado, mas cá estamos. E em plena semana do feriado da Independência do Brasil. E com o país em chamas, gritando “Fora Temer!”. Então, reiterando: Zap’n’roll É CONTRA GOVERNO NAZISTA E GOLPISTA, ponto!

 

 

  • Janaína Paschoal, a LOUCA e HISTÉRICA, socorro!

IMAGEMJANAINA16

 

  • Vergonha MÁXIMA é a PM truculenta ao máximo, comandada pelo NAZISTA Geraldo Alckmerda, descer o cacete sem dó nos manifestantes que estão indo para as ruas de Sampa contra Temer. Alô MPE, vai ficar CALADO?

 

 

  • E enquanto Dilma se defendia na sessão do Senado que iria votar seu impichamento, um dos nossos “nobres” representantes do povo sacudia alegre um saquinho de padê, sentado em sua mesa. Viralizou na web, claaaaaro! “Olha o saquinho, olha o saquinho! Aeeeeê MULEKE!”.

 

  • A MELHOR notícia do mondo rocker todo mundo já está sabendo: o grande Garbage e nossa musa Shirley Manson (que continua um XOXOTAÇO aos 5.0 de vida) estão de volta ao Brasil em dezembro. Em Sampa o quarteto toca dia 10 de dezembro (sabadão!) no Tropical Butantã. No dia seguinte é a vez do Rio, com gig no Circo Voador. Os preços dos ingressos estão bem decentes e você pode comprar o seu aqui: http://www.clubedoingresso.com/index.php?route=product/product&product_id=1263.

 

  • E com postão novão entrando no ar em plena segunda-feira (pra começar bem a semana), iremos ampliando e atualizando essas notinhas inicias ao longo da semana, até a conclusão total dos trabalhos neste post. Mas agora vamos já direto pro tópico principal, aí embaixo: o blogão zapper desmascarando a “ilha da fantasia indie” criada pelo blog Popload. Bora!

 

 

TÓPICO ESPECIAL: AO CONTRÁRIO DO QUE ANDOU AFIRMANDO O ILUDIDO E SEMPRE FESTEIRO (NO QUE O TERMO TEM DE PIOR) BLOG POPLOAD (QUE JÁ TEVE DIAS MELHORES), A CENA INDIE ROCK BR ESTÁ MAIS MORTA E IRRELEVANTE DO QUE NUNCA – E ISSO PELO JEITO NÃO VAI MUDAR…

FINATTILUCIOR2013

Zap’n’roll e Lúcio Ribeiro, a dupla responsável por dois dos principais blogs de cultura pop da web BR: ambos já foram bons amigos, hoje a amizade entre ambos estão meio azedada

 

Há alguns dias, mais exatamente em 26 de agosto passado, o blog “vizinho” de cultura pop Popload, escrito há quase década e meia pelo mui conhecido jornalista Lúcio Ribeiro, soltou um postão (ou seria peidão?) bombástico, onde afirmava categoricamente (e dando zilhões de exemplos e argumentos para corroborar sua tese) que a cena independente do rock brasileiro vive, em 2016 (o ano em que o país está pegando fogo politicamente, onde uma presidente que cometeu erros crassos na administração da nação mas que era e é honesta, acaba de ser ejetada de seu cargo por um bando de políticos dos mais pilantras; um ano em que a economia brasileira amarga seu sexto trismestre em retração, um ano em que há mais ou menos doze milhões de desempregados pelo país afora) seu MELHOR MOMENTO e onde ela está MADURA como nunca esteve antes. Seria um post apenas hilário, risível, para iludir incautos e oportunista/tendencioso, para agradar meia dúzia de artistas totalmente irrelevantes, que são citados naquele mesmo post. Mas se torna algo digno de ser REBATIDO com vigor, ainda mais por se tratar de ter sido escrito por quem foi – logo nosso dear Luscious, que já teve um passado respeitável como jornalista de cultura pop, que já não é nenhum adolescente (está com mais de cinqüenta anos de idade) embora insista em se comportar como tal, e que sabe, ele mesmo, que a cena independente rock brazuca segue quase morta e mais irrelevante do que nunca neste quase trágico em todos os sentidos ano de 2016. O blog Popload já teve dias melhores, em termos de informação jornalística e musical. E seu titular, nosso por muitos anos grande chapa (vamos reconhecer: sempre nos demos bem com ele, até meses atrás quando atitudes pessoais suas para com o autor destas linhas zappers começaram a azedar essa relação de amizade) LR, também já teve dias melhores como jornalista de alta credibilidade.

Antes de entrar na argumentação esdrúxula publicada na Popload para balizar a tese de que o indie rock nacional vive seu melhor momento (quando, na real, ele está no fundo do poço), vamos traçar um rápido paralelo entre as trajetórias do poploader LR e do autor de Zap’n’roll. O primeiro começou sua carreira profissional nos anos 90’, escrevendo já em grandes veículos como o diário paulistano Folha De S. Paulo. A partir daí Luscious colaborou com os principais veículos de mídia do país e há mais de década é o responsável pelo blog Popload, que já foi (não é mais) referência em termos de informação na área do rock alternativo e da cultura pop. E antes de se tornar o blog quase pífio que é atualmente, a Popload teve um passado memorável como coluna impressa na FolhaSP e depois online, no próprio site da Folha, período em que Luscious (em seu texto sobre a maturidade da indie scene nacional) se gaba de ter visto Cansey de Ser Sexy não sei onde e o falecido trio Los Pirata tocando em um muquifo na rua Augusta (o também extinto bar Orbital provavelmente, e onde o autor deste blog fez algumas festas da também extinta revista Dynamite, sendo que em uma delas um dos DJs convidados foi inclusive… Lúcio Ribeiro!).

Pois então:a trajetória de Zap’n’roll no jornalismo musical brasileiro já é conhecida de cor e salteado por todo nosso dileto leitorado. O autor deste blog publicou seu primeiro texto profissional e PAGO em uma revista em junho de 1986 (há portanto mais de trinta anos). E cerca de uma década depois (quando já havia trabalhado e/ou colaborado com igualmente alguns dos principais órgãos da imprensa brasileira como jornais como o Estado De S. Paulo, ou revistas IstoÉ, Bizz e Interview), já na metade dos anos 90’ o jornalista zapper passou a dedicar seu olhar com atenção a então nascente e forte cena rocker alternativa brasileira, algo que fazemos até hoje, vinte anos depois e mesmo com essa cena atravessando (ao contrário do que firma nosso blog vizinho) seu talvez PIOR momento. Nessas duas décadas cobrindo essa cena, o repórter Finaski (através de matérias aqui mesmo neste blog ou na extinta edição impressa da revista Dynamite) viajou o Brasil cobrindo festivais indies. Promoveu festas em bares no baixo Augusta com bandas que mais tarde iriam se tornar mundialmente conhecidas (caso do também citado por LR Cansei de Ser Sexy, que chegou a tocar em uma festa da revista Dynamite e organizada pelo autor destas linhas online no clube Outs, de GRAÇA, ou melhor: com cachê em troca de anúncio na revista) e que também iriam desaparecer alguns anos depois (quem se lembra hoje em dia do CSS?). Não só: em uma edição do ano de 1995 da revista Dynamite este repórter produziu duas páginas de texto analisando o trabalho dos grupos brincando de deus (o nome da banda baiana era grafado em minúsculas), Low Dream (de Brasília) e Sonic Disruptor (de Guarulhos, em São Paulo), três das MELHORES GUITAR BANDS que já existiram no Btasil, que cantavam apenas em inglês e que ainda assim sempre lotavam os pequenos bares onde se apresentavam – isso em uma época onde não havia internet, celulares, apps, redes sociais e nada disso para divulgar os eventos, que enchiam através da divulgação via flyers impressos ou simplesmente através do boca-a-boca dos fãs. Hoje, com whats app e páginas BOMBANDO de likes na porra do faceboquete, bandas suam para enfiar trinta ou quarenta fãs em qualquer local onde vão se apresentar.

Não só, II: a partir do ano 2000’ o blog zapper se tornou um dos principais da blogosfera da web BR de cultura pop. Com isso aumentaram os convites para cobrir festivais pelo Brasil afora. Ao mesmo tempo Finaski ainda começou a colaborar com a edição brasileira da revista Rolling Stone (que começou a circular aqui em 2006) e nela falou de bandas fodonas da indie scene nacional, como Pública (do Rio Grande Do Sul), Ludovic (de Sampa, e infelizmente já extinto) e Gram (outra bandaça paulistana e que infelizmente também acabou). Além disso e por conta do seu envolvimento com a cena alternativa (sempre acompanhando-a de perto e atentamente como jornalista musical), Zap’n’roll acabou sendo incumbido pela revista Dynamite e seu então editor-chefe (André Pomba), de produzir um festival que ocupou por três noites seguidas as dependências da chopperia do SESC Pompéia, na capital paulista. O Dynamite Independente Festival foi realizado em dois anos consecutivos (em 2003 e 2004), ambos com a produção e curadoria do autor deste blog. Na primeira edição tocaram numa noite memorável Supla e Pitty (então prestes a estourar como a nova rock star brasileira). E na segunda edição do evento, em 2004, a trinca Ludov, Gram e Leela simplesmente lotou a chopperia (com quase oitocentos ingressos vendidos!) na noite de estréia do festival, o que comprova que naquela época SIM a cena under brazuca estava vivendo um ótimo momento, com grupos formando público e levando um número considervel de fãs aos seus shows.

FINATTIHELINHOVANGS2014

O vocalista Helinho Flanders, da banda Vanguart, ao lado de Zap’n’roll em 2015: o sexteto cuiabano é talvez a ÚNICA banda indie que deu realmente certo no circuito independente brasileiro de 2005 até hoje

Enquanto isso, onde estava o homem da Popload? Escrevendo sua coluna/blog na Folha online e já naquela época fazendo seu desavisado leitor engolir à força hypes gringos duvidosos (uma mania que ele mantém até hoje) ou mesmo nacionais, como o lamentável trio paulistano Los Pirata, um dos maiores ENGODOS da cena rock indie brazuca e que teve o fim merecido: o total esquecimento. Já o jornalista zapper ao mesmo tempo em que colaborava com a gigante Rolling Stone brasileira, também não descuidava do seu blog e através dele viajava o Brasil, cobrindo festivais. E foi num desses que ele DESCOBRIU JORNALISTICAMENTE o quinteto folk cuiabano Vanguart, no carnaval de 2005 na sempre horrivelmente e infernalmente quente Cuiabá (capital do Mato Grosso), durante um festival que estava rolando por lá e para o qual Zap’n’roll havia sido convidado a acompanhar de perto. O blog voltou pra Sampa encantado com o grupo do vocalista Helinho Flanders e hoje todos sabem o que é o Vanguart: a ÚNICA banda de TODA a indie scene nacional que realmente DEU CERTO e que vive confortavelmente de sua música (financeiramente falando), sempre tocando para espaços lotados com até cinco mil pessoas. Os Vangs inclusive deram tão certo que o vocalista Helinho (até hoje amado amigo dessas linhas rockers bloggers) atualmente em dia pode se dar ao luxo de bancar em parte do próprio bolso uma mini tour européia (como acabou de fazer), para apresentar aos gringos as belíssimas canções de seu primeiro disco solo.

E o restante da atual cena indie nacional? Quem ainda lê a Popload e leu o post o qual estamos rebatendo aqui, vai achar que o rock independente nacional está nesse momento no melhor dos mundos. Não está, nem em sonho. Ou está, apenas para o blog escrito por mr. LR, que faz questão de criar uma “ilha da fantasia” que não existe na realidade de um país bastante arrasado por três anos de recessão econômica e onde a cultura pop (e, junto com ela, a produção musical independente) amarga estar nesse momento em um abismo aparentemente sem fim, onde faltam espaços para shows, falta público e, principalmente, faltam BANDAS DECENTES e que valham a pena ser ouvidas. Exemplo clássico: há uma década grupos como Forgotten Boys e Thee Butcher’s Orchestra conseguiam quase lotar um bar como o clube Outs (na rua Augusta, em São Paulo, e onde cabem quase setecentas pessoas) em plena quinta-feira à noite – o próprio blog fez festas ali com essas duas bandas, com casa cheia. Com o passar dos anos o cenário foi mudando: bons grupos foram desaparecendo da cena, muitos acabaram e bares como o célebre Astronete também acabaram fechando. A Outs, um autêntico “sobrevivente” na Augusta (o clube já completou treze anos de existência), após quase falir (pois ninguém ia mais lá pra ver bandas medíocres tocando ao vivo) teve que se reinventar: há três anos realiza uma festa open bar infernal nas noites de sexta e sábado e onde só rolam DJs set, sem grupos musicais tocando ao vivo. Resultado: bar ENTUPIDO de gente nas duas noites. Do outro lado da rua, em frente à Outs, o também já tradicional Inferno Club faz o que pode para se manter funcionando. Isso significa fazer noitadas e madrugadas rock’n’roll animadas quase sempre por bandas COVERS e não autorais.

Mas na “ilha da fantasia” da Popload, tudo está indo às mil maravilhas. Há uma renca de bandas geniais espalhadas pelo Brasil, que gravam discos a todo momento e fazem shows sem parar. Vem cá: você aí do outro lado da tela do PC por acaso alguma vez OUVIU alguma música do tal FingerFingerrr? Já foi a ALGUM show deles? E o Inky, tem cd deles? Aliás quantas cópias o grupo vendeu até hoje de seus discos? E quantas pessoas eles conseguem levar a uma gig sua? Aldo The Band? Quantos shows conseguiu fazer nos últimos meses? E pra quantas pessoas em cada um deles? Carne Doce? Yep, é um dos (poucos, diga-se) nomes consistentes da atual cena indie nacional. De Goiânia, possui uma vocalista bonita e de voz agradabilíssima e que combina bem nuances de MPB com rock. Mas fora da capital de Goiás o grupo é ainda praticamente desconhecido e quando vem tocar na capital paulista mal consegue encher a “fantástica” (palavras da Popload) Casa Do Mancha, no bairro da Vila Madalena, e onde não cabem mais do que cinqüenta pessoas. Mas na visão algo (ou total) BIZARRA do nosso blog “vizinho”, tudo está indo às mil maravilhas em uma cena que está ultra “madura” e altamente “profissionalizada”, vejam só: as bandas contam agora com apoio e patrocínio de empresas como a Natura (cosméticos), Skol (cervejaria) ou Red Bull (bebidas energéticas). A Popload só se esqueceu de dizer aos seus incautos leitores que empresas sempre bancaram e continuam bancando projetos musicais (inclusive alternativos) pois essas receitas estão previstas em seus orçamentos, são dedutíveis no imposto de renda (os famosos editais públicos…) e no final das contas acabam representando uma NINHARIA para o departamento financeiro dessas marcas, fora que sempre pega bem investir em “produtos culturais”.

Bizarro também é o jornalista LR insistir na tese de que bandas indies nacionais vão dominar o mundo, hihihi. Sejamos realistas: as únicas bandas brasileiras que realmente chegaram a mobilizar multidões de fãs fora do Brasil foram o metaleiro Sepultura e o electro rock do CSS. O primeiro, após passar duas décadas e meia lotando festivais pela Europa e sendo headliner em vários deles, está em franca decadência. Já o CSS (combo de garotas malucas que foram criadas sob a batuta do genial músico, multiinstrumentista e produtor Adriano Cintra, outro dileto amigo destas linhas virtuais há séculos), acabou há tempos. E nem sua vocalista, a maleta e prepotente Lovefoxxx, deixou saudades desaparecendo sem dó do mondo pop. Bizarramente dear Luscious quer fazer seus leitores acreditar que bandas como Black Drawing Chalks (metal stoner também de Goiânia) e Boogarins (também da capital de Goiás e outro dos poucos grupos que merecem algum destaque no cenário atual, pela excelência se suas melodias e composições eivadas de eflúvios da psicodelia rocker sessentista) estão BOMBANDO no exterior. O BDC tentou decolar lá fora e não conseguiu. Os Boogarins já fizeram turnês por circuitos pequenos na Europa e Estados Unidos e foram bem recebidos pelo público (longe de ser numeroso em cada show) e pela imprensa especializada. E bizarramente a Popload chama de “instituição goiana” um sujeito que, na verdade, é um dos picaretas mais escroques que se tem notícia na indie scene nacional nos últimos anos. Enquanto isso o venerável (esse sim!) e mega respeitado (além de heróico) selo goiano Monstro Discos e que há mais de duas décadas realiza na capital de Goiás o Goiânia Noise Festival (até hoje um dos principais festivais independentes do Brasil), além de ter lançado dezenas de grupos bacanas para o rock alternativo nacional, NUNCA é citado na Popload. Qual seria o motivo? E antes que estas linhas zappers se esqueçam: dizer que o meia-boca festival goiano Bananada é o Lollapalooza brasileiro e que o Se Rasgum (em Belém) e o DoSol (em Natal, no Rio Grande Do Norte) seriam as versões brazucas do gigante americano Coachella é de um exagero (e falta de bom senso também, ou simplesmente engodo editorial?) risível e acachapante, além de um total menosprezo pela inteligência do leitor poploader. Se houve algum dia um festival de fato de grandes proporções em Natal (e houve, durante alguns anos), esse festival foi o Mada, produzido pelo agitador cultural Jomardo Jomas e sendo que o blog esteve presente nele em pelo menos duas edições.

FINATTIADRIANOCSS

O jornalista zapper com Adriano Cintra (acima), o sujeito que criou o já extinto CSS; abaixo com a turma do já lendário Pin Ups na Virada Cultural 2016, em São Paulo: bandas de um tempo que a cena indie nacional não era a miserável tristeza que é atualmente

FINATTIPINUPS2016

 

É muito fácil perceber que a cena rock independente nacional já teve dias melhores que os atuais. E já teve bandas muuuuuito melhores também. Há duas décadas e meia o já lendário grupo indie noise guitar paulistano Pin Ups (que teve seu quarto CD de estúdio, “Jodie Foster”, resenhado pelo jornalista Finaski na revista Bizz em 1995; enquanto isso, Lúcio Ribeiro… onde estava mesmo?) lotava o inesquecível Espaço Retrô (o muquifo rocker underground mais célebre que existiu até hoje na capital paulista) por TRÊS NOITES SEGUIDAS. Ok, tudo bem, o Retrô era pequenino e tal mas uma banda alternativa, que não tocava em rádio e em uma época (1990/1992) onde não havia internet e redes sociais para “bombar” eventos do tipo (era tudo na base do flyer impresso e do boca-a-boca), um grupo lotar um bar três noites seguidas era uma proeza e tanto. Aliás esse detalhe nos leva a outro HORROR dos tempos atuais e da atual cena indie quase morta: a praga e o vício das redes sociais, dos apps nos celulares e de toda essa droga virtual que simplesmente ESCRAVIZOU a raça humana. Hoje em dia qualquer bandinha bomba no faceboquete: sua fan Page chega rapidão às vinte mil “curtidas”. E quando ela abre então uma página pra divulgar seu próximo show ao vivo? Wow! Em questão de alguns dias surgem mais de quinhentos fãs confirmando presença na gig. E quando chega o dia e a hora do show REAL, de VERDADE, aí vem a choradeira e o choque de realidade: comparecem ao local do evento menos de 10% dos fãs que haviam GARANTIDO VIRTUALMENTE sua presença na balada rock’n’roll, que triste… um exemplo do que acabamos de citar foi a gig que o quarteto Los Porongas (originário do Acre mas radicado há quase uma década em São Paulo) fez semana passada (na sexta-feira) no tão badalado (por LR e sua Pobrelo…, ops, Popload) Z Carniceria, no bairro paulistano de Pinheiros (que possui uma concentração enorme de bares e casas noturnas e onde as noitadas são sempre muito agitadas nos findes). Já um grupo veterano, os Porongas além de diletos amigos deste blog também são um dos MELHORES nomes do rock BR dos anos 2000’, pela beleza melódica e poder instrumental do conjunto, além das letras de alta densidade poética escritas pelo vocalista Diogo Soares. Pois bem: deu DÓ ver uma banda tão bacana dando o sangue no palco de um bar onde não havia nem CINQUENTA PESSOAS na platéia (isso, vamos repetir, numa SEXTA-FEIRA à noite). Pois é, a indie scene nacional, como diz o blog “ilha da fantasia” chamado Popload, está mesmo bombadíssimo atualmente, uia!

Voltando ao parágrafo anterior: além dos Pin Ups, dos anos 90’ até pelo menos 2005 a cena rock independente brasileira teve sim uma cena estável, de ótimas bandas e muitos festivais (como o JuntaTribo, em Campinas e, já nos anos 2000’, o já decano e célebre Goiânia Noise na capital de Goiás, o Porão Do Rock em Brasília, e o já citado Mada em Natal) que chegaram a atrair um grande público. Foi a época do estouro dos Raimundos e, um pouco mais adiante, da aceitação e aclamação midiática de grupos como Thee Butcher’s Orchestra, Forgotten Boys, Borderlinerz, Rock Rocket, Gram, Ludov, Leela, Pelvs, Pública, Cachorro Grande, Cartolas, Bidê Ou Balde, Daniel Belleza & Os Corações Em Fúria e mais alguns nomes que além de serem ótimos musicalmente ainda conseguiam atrair um público razoável para seus shows. Isso, vale repetir, em uma época onde não existia internet ou redes sociais (anos 90’) ou então quando ambas ainda engatinhavam (a partir dos anos 2000’). Fora que o Brasil vivia outra conjuntura na economia e na política, o que se refletia na cultura e na área musical, incluso a cena rock alternativa: não havia a cruel recessão econômica de agora, não havia desemprego e o país estava crescendo em termos de PIB. Isso se refletia em todos os setores da economia, inclusive na área de entretenimento com bares com espaço para shows abrindo a todo instante ou sempre recebendo bom público naqueles que já estavam funcionando. Bem ou mal as bandas conseguiam gravar e lançar seus discos e formar um bom séquito de fãs, que também compareciam às gigs. Prova disso é que, como já foi dito mais acima neste tópico, a segunda edição do Dynamite Independente Festival, realizada em 2004 na chopperia do SESC Pompéia em São Paulo (evento cujo produtor-chefe executivo foi o autor destas linhas bloggers que não vivem no mundo da fantasia mas, que sim, acompanham a realidade dos fatos, uma realidade infelizmente muito dura e cruel nos tempos atuais) LOTOU o local na sua primeira noite (uma quinta-feira), colocando quase oitocentas pessoas para curtir os shows de Ludov, Gram e Leela – isso, sempre reiterando, sem apoio de apps em celulares, sem divulgação em redes sociais (que estavam engatinhando nessa época) e sem divulgação em mídia eletrônica expressiva (leia-se rádio ou TV). Tudo apenas no boca-a-boca, através de flyers impressos e de divulgação em sites especializados (que já começavam a existir na época, como o portal Dynamite online).

De uma década pra cá tudo mudou rapidamente e infelizmente para pior. Em 2016 o Brasil vive sua maior crise econômica em décadas, a recessão já dura três anos e o país contabiliza a assombrosa marca de doze milhões de desempregados – é como se uma capital do tamanho da cidade de São Paulo estivesse inteira sem trabalhar. Num ambiente assim não há cena musical, mainstream ou principalmente independente, que resista. Em bate-papo com o blog na última quinta-feira (enquanto a dupla degustava uma breja holandesa no Outs Pub, no baixo Augusta) José Ramos, um dos sócios do clube Outs concordou com o pensamento que este espaço virtual lhe expôs, ao comentar com ele sobre a iminente publicação deste tópico rebatendo a “ilha da fantasia indie” criada pelo jornalista LR. “Ele não sabe o que está falando”, disse Zé Carlos. “Bares que mantinham espaço para shows fecharam em sua maioria. A Outs mesmo, se não mudasse seu perfil e não tivesse investido no open bar apenas com DJs set e sem bandas ao vivo, também já teria fechado as portas”. Existem ações ISOLADAS que tentam manter a cena indie acesa? Sim, claro. Bandas também continuam existindo, aos borbotões espalhadas pelo país. Mas a qualidade musical delas decaiu a olhos (ou ouvidos) vistos de anos pra cá, o que contribui para que haja ainda mais sofrimento e debandada de público dentro desta cena. E sim, ainda há ótimos grupos atuando no rock alternativo nacional e que vão se virando como podem dentro de um cenário altamente desalentador. Curiosamente a Popload dificilmente dedica algumas linhas que seja a bandas que realmente valem a pena. Caso do trio instrumental stoner heavy prog Augustine Azul (da Paraíba, recém-descoberto por Zap’n’roll e que foi contratado por um selo americano), ou mesmo do paulistano (também stoner) Necro. Ou ainda de maravilhas do Norte brasileiro como os acreanos Euphônicos e Descordantes, que nunca foram sequer citados nos textos do poploader Luscious R. Ou mesmo o manauara Alaíde Negão ou, ainda, o sensacional grupo paulista Metá Metá, que faz uma experimentação sonora loki combinando música brasileira, algo de jazz e delírios sônicos. Um combo musical tão fodástico que vive, ele sim, excursionando pela Europa e sendo aplaudido pelo público de lá.

Então a verdade VERDADEIRA, infelizmente, é essa. E não aquela que o nosso blog “vizinho” quer fazer seu hoje reduzido leitorado acreditar. Na boa, Lúcio Ribeiro é um jornalista ainda de respeito e um dos grandes nomes da imprensa musical (e rock) brasileira nas últimas duas décadas. Ele e o autor destas linhas bloggers poppers já foram bons amigos – uma amizade que está meio assim, “azeda” desde o ano passado, e por conta de atitudes não muito legais vindas de dear Luscious (atitudes que não cabe serem comentadas aqui). E antes que alguém pense que este tópico rebatendo o post da Popload se configura numa espécie de vingancinha pessoal, negativo: o jornalista zapper resolveu publicar este texto porque ele de fato ficou espantado com a (vamos repetir mais uma vez) “ilha da fantasia INDIE” criada por LR em seu blog. A quem interessa essa “ilha da fantasia”? Ao próprio LR que hoje, sabidamente, parece meio cansado do jornalismo musical (sim, como já dissemos mais acima, o blogueiro poploader já passou dos cinqüenta anos de idade) e está se dando melhor como produtor de shows e festivais (como o Popload Gig, que deve andar rendendo um bom troco para o bolso dele) e como sócio de casas de shows (como o Cine Jóia)? Talvez. Porque outros espaços para shows de rock alternativo ou não existem mais ou estão à míngua (os que ainda sobrevivem). E as bandas… FingerFingerrr, Inky, Aldo The Band… quem é esse povo, mesmo?

IMAGEMDESCORDANTES2015III

Os Descordantes (acima) e os Euphônicos (abaixo): duas bandaças do Acre (e das melhores da atual péssima indie scene nacional) e que o blog Popload JAMAIS falou delas em seus posts

IMAGEMEUPHONICOSAOVIVO2014

 

A “ilha da fantasia indie” criada pelo blog Popload (e que motivou este tópico contrário na Zap’n’roll) pode ser vista e lida aqui: http://www.popload.com.br/cena/.

 

 

Para ouvir o mais recente álbum do grupo paulistano Metá Metá, vai aí embaixo.

 

 

E NO FINAL DO VERÃO EUROPEU, FESTIVAIS BACANUDOS AGITAM A NORUEGA, FINLÂNDIA E PORTUGAL

Yep, e Zap’n’roll acompanhou alguns deles e traz o que rolou aí embaixo, em texto primoroso do nosso correspondente especial Ricardo Fernandes.

 

Festivais Europeus 2016

Por Ricardo Fernandes, enviado especial de Zap’n’roll

Não sou do tipo que frequenta grandes festivais de música. Eu gosto muito de ver shows, mas próximo ao palco e sem a aglomeração de dezenas de milhares de pessoas em minha volta, então não espere me encontrar num Reading ou Coachella da vida. Aqui no Brasil costumo frequentar o Lollapalooza, mas puramente por falta de opção e no fundo meio contrariado.

Eu já havia ido para festivais pequenos na Europa, como o Festival Beauregard na Normandia, no noroeste da França e o Live fromJodrell Bank em Macclesfield, no noroeste da Inglaterra. Foram duas das melhores experiências em festivais de música que tive na vida. Nesse ano aproveitei a oportunidade de ver três festivais de verão europeu num espaço de pouco mais de dez dias, dois deles em países nórdicos e outro em Portugal. Eu sabia que seria puxado, mas estava fisicamente e mentalmente preparado para o desafio.

Øya Festival, Noruega – Introdução

Amigos brasileiros já haviam me recomendado o Øya (se pronuncia “êia”) em Oslo. Um festival relativamente pequeno, bem organizado, localizado no meio da cidade, com fácil acesso de transporte, com um ambiente tranquilo e um lineup respeitável. Até 2013 o festival era feito no Medieval Park, mas teve que se mudar devido a obras nas linhas de trem. Então, a partir de 2014 o Øya passou a ser realizado no Tøyen Park, um bonito parque próximo ao Museu Munch e ao Jardim Botânico de Oslo, mas ainda assim bem perto do centro da cidade.

Øya Festival, 10 de agosto, quarta-feira

Meu hotel ficava no centro de Oslo e foi moleza chegar no Tøyen Park: apenas duas estações de metrô. Se aqui no Brasil entrar num festival é um teste de paciência, com diversas inspeções e revistas, lá fora é sempre mais fácil. Mostrei meu ingresso e minha carteira de motorista em um dos vários quiosques na entrada e peguei minha pulseira. Após uma rápida revista na entrada eu já estava lá dentro.

A entrada do festival estava enlameada devido à chuva dos dias anteriores e no primeiro dia de festival presenciei a instabilidade do tempo em países escandinavos. Encarei sol, tempo nublado e chuva, tudo no mesmo dia.  O segundo dia de festival foi só de sol e o terceiro só de chuva. Quem disse que seria fácil?Ao menos a previsão do tempo foi certeira em todos os dias, prevendo com precisão de horas qual seria o tempo em cada um dos dias e consegui me preparar, vestindo o tipo de roupa adequada em cada dia.

Após uma rápida volta, deu para sacar os palcos do festival: três palcos em locais abertos do parque (Amfiet, Vindfruen e Hagen), todos em terrenos com inclinação para facilitar a visão do palco, outro palco grande montado em uma tenda (Sirkus), uma pequena tenda de música eletrônica (Hi-FiKlubben) e um palquinho que imitava uma biblioteca (Biblioteket), que comportava a mesma quantidade de pessoas que a Casa do Mancha. Tudo era muito perto, em cinco minutos era possível se deslocar entre os palcos mais distantes entre si.

A primeira banda que vi foi o Sweden por volta de 15:30 no palco Amfiet, o maior de todos. Apesar do nome, o grupo foi formado por dois noruegueses tão fanáticos pelo indie-pop das bandas suecas dos anos 90 que resolveram batizar sua banda com o nome do país vizinho. O público que estava todo espalhado pelo gramado curtiu o rock de guitarras ligeiras e refrãos grudentos, assim como eu também curti. Logo em seguida fui para o Sirkus, onde uma placa ao lado do palco me chamou a atenção: “No CrowdSurfing”. Ao longo do festival percebi que essa placa é totalmente desnecessária. Não consigo imaginar um norueguês sequer fazendo crowdsurfing. Arrisco afirmar que não existe povo mais sussa no mundo do que o norueguês. Aplaudem muito e pulam um pouco, mas não fazem questão de se aglomerar na frente do palco e não empurram ninguém. Na verdade, nem encostam em você. Darei outros exemplos mais para frente.

Às 15:54, um minuto antes do esperado, começou o show deChristine And The Queens, artista francesa que na verdade se chama Héloïse Letissier. Pequena e com visual andrógino, ela apresentou as músicas de seu único álbum “Chaleur Humaine”, uma mistura fina de pop e eletropop. Claramente deslumbrada pela grande quantidade de pessoas que estava vendo seu show logo cedo, Christine falava muito entre as músicas, mostrou que além de cantar bem também sabia dançar ao se juntar a dois dançarinos em certos momentos e ganhou a simpatia do público ao imitar Rihanna e Beyoncé.

De volta ao palco principal, era hora de ver The Last Shadow Puppets, supergrupo inglês liderado por Alex Turner e Miles Kane (ArcticMonkeys e The Rascals, respectivamente). Dei uma de norueguês e fiquei lá atrás, bem no alto, apenas assistindo comportadamente o show. Apesar de gostar bastante de “EverythingYou’ve Come to Expect”, o segundo álbum da banda, achei que não funcionou ao vivo. Mesmo com a adição de um quarteto de cordas, parecia que faltava alguma coisa. Talvez o sentimento negativo tenha sido aumentado por uma certa frieza do público. Talvez um show do The Last Shadow Puppets não funcione de dia. Talvez o grupo somente faça sentido em lugares menores, com uma acústica melhor. Não sei exatamente o que pode ter sido, mas achei o show apático e pretensioso demais.

IMAGEMMASSIVEATTACKLIVE16

O trip hop inglês do Massive Attack (acima): um dos grandes momentos do Oya Festival, que atraiu um público tranquilão na capital da Noruega, Oslo (abaixo) (fotos: Ricardo Fernandes)

IMAGEMPUBLICOFESTNORUEGA

Tinha tempo sobrando até o próximo show que gostaria de ver, então dei uma passada no quiosque que vendia o merchandising das bandas e do festival, onde comprei algumas camisetas.Também fui conferir oHi-FiKlubben, onde Matt Karmil estava tocando para meia dúzia de gatos pingados. Eu havia estranhado que Aurora, uma cantora norueguesa, seria a penúltima a se apresentar no palco principal, mas tudo fez sentido quando vi seu show. A gatíssima e simpaticíssima cantora de vinte anos e apenas um álbum nas costas conseguiu lotar o Amfiet. Fazendoum pop sofisticado e exótico cantado em inglês, ela já está pronta para o mercado internacional, conseguindo merecidamente críticas positivas de veículos como o New York Times e Entertainment Weekly.

O Sirkus era o único lugar que possuía um telão atrás do palco, então foi lá que o M83 teve que se apresentar. Como anoitece tarde nessa época do ano em Oslo, por volta de 22:00, foi providencial que o M83 tenha se apresentado numa tenda escura às 19:50. Eram projetadas imagens de estrelas e galáxias, que combinavam bem com o ambiente etéreo e melancólico do grupo liderado pelo francês Anthony Gonzalez. Amigos ingleses que curtem música eletrônica piraram com o show, mas não achei tudo isso. Foi um bom show, mas nada de outra galáxia, que teve seu ponto alto obviamente com “Midnight City”.

Hora de fazer um lanchinho. Aqui cabe uma observação pertinente: como as coisas são caras na Noruega! Não só a comida, mas tudo é caríssimo. Dizem que a Noruega é o segundo país mais caro do mundo (só perderia para o Japão) e eu acredito nisso. Uma cerveja custava 85 coroas norueguesas (cerca de R$ 34 pelo câmbio oficial) e um sanduíche de pernil custava 120 coroas norueguesas (cerca de R$ 47). A pipoca parecia ter a melhor relação custo/benefício: custava “apenas” o equivalente a R$ 15 e o saco era tão grande que nunca conseguia comer tudo.

Estava comendo tão tranquilamente que até esqueci da hora. Quando olhei o relógio já eram 21:30 e estava começando naquele momento o grande show do dia: MassiveAttack & Young Fathers. Por sorte, cheguei no palco principal em poucos minutos e foi tranquilo conseguir um bom local lá na frente, do lado esquerdo do palco. Definitivamente os noruegueses são tranquilos até demais e estavam todos esparsos vendo contemplativamente o show. Se fosse em qualquer outro lugar do mundo teria que me contentar em ficar no fundo ou usar a força bruta para chegar próximo ao palco. É incrível como os pioneiros do trip hop conseguem reproduzir ao vivo as complicadas texturas das gravações em estúdio. Está tudo lá: as batidas quebradas e hipnóticas, os sintetizadores que criam um clima de tensão, os graves acachapantes, as guitarras distorcidas e os samples bem colocados. Nesse ano o MassiveAttack lançou o ótimo EP “Ritual Spirit”, que possui participação do Young Fathers na faixa “Voodoo in MyBlood” e foi com o trio escocês que o grupo se apresentou no Øya. O público presente só teve a ganhar com isso, que saiu extasiado após quase uma hora e meia de show.

 

Øya Festival, 11 de agosto, quinta-feira

No segundo dia de festival adotei uma estratégia um pouco diferente com relação à minha alimentação. Já que tudo é tão caro em Oslo, não iria almoçar em um restaurante naquele dia e passaria o dia todo comendo somente na área de alimentação do Øya. Não saiu tão barato, mas foi menos caro do que no dia em que comi um salmão e tomei uma cerveja em um restaurante pela bagatela de 400 coroas norueguesas (quase R$ 160). Entre as várias barracas, tinha de tudo um pouco, menos culinária norueguesa, mas isso não foi problema: acabei comendo um ótimo falafel pela módica quantia de 100 coroas norueguesas (R$ 40).

A essa altura, já cansei de falar que tudo era caro, mas pelo menos o festival era extremamente bem organizado. Eu nunca vi tantos banheiros químicos e mictórios, mesmo em festivais com o dobro da capacidade e nunca havia filas para comprar cerveja. Para comprar comida, somente algumas filas nas barracas mais disputadas no final da noite (a minha querida barraca da pipoca era uma delas). A única grande pisada de bola foi com o Wi-Fi gratuito provido pela Cisco para o festival, que funcionou perfeitamente até a metade do primeiro dia, para depois desaparecer e nunca mais funcionar.

Uma curiosidade na Noruega é que o papel moeda já foi praticamente extinto, inclusive dentro do festival. Ninguém usa dinheiro em espécie e vários lugares simplesmente só aceitam pagamentos com cartão com chip. Se você aparece com dinheiro vivo eles olham para você com uma cara de decepção ou de horror. Foi difícil gastar as notas de coroas norueguesas que saquei num caixa eletrônico. Se soubesse que seria assim, não teria sacado nada, pois não faria a menor diferença.

O primeiro show que vi na quinta-feira, um dia dominado pelas mulheres no lineup, foi da Frøder, mais uma cantora norueguesa no estilo electropop. Foi um show regular, nada além disso. Logo em seguida, no palco Vindfruen, quem se apresentou foi a cantora americana Julia Holter. Seu último álbum “HaveYou in MyWilderness”é belíssimo e chegou a ser considerado (com um certo exagero) por algumas publicações (como a Mojo) como o melhor disco do ano passado. Ao vivo, uma formação nada usual: Julia nos vocais e teclados, um baixista tocando um contrabaixo acústico, uma violinista e um baterista. Seu show foi delicado e inebriante de uma forma que nem sentia o tempo passar. Quando Julia anunciou que seria sua última música, não podia acreditar. Eu gostaria de ter ficado horas vendo aquele show.

De volta ao palco principal, estava animado para um dos shows que mais gostaria de ver: The Kills. Para minha decepção, Alison Mosshart e Jamie Hince não subiram ao palco. Quem estava lá era uma moça gordinha que eu não fazia a menor ideia de quem se tratava. Gastei parte de meu plano de dados para descobrir na internet o que havia acontecido: Alison estava com pneumonia, forçando a banda a cancelar vários shows, inclusive esse do Øya Festival. Para tapar o buraco foi chamada SeinaboSey, uma cantora sueca. Fiquei tão decepcionado que mudei de palco, indo parao Hagen ver o Rat Boy, um molecão inglês que faz uma curiosa mistura de hip hop e indie rock.

IMAGEMLUSHLIVE16

O veterano shoegazer britânico Lush (acima) também marcou presença no festival norueguês; abaixo o público faz fila pra comprar pipoca, um dos “hits” entre as comidas vendidas na área do evento

IMAGEMOYAFEST'6

Para agradar os fãs de música eletrônica, nesse dia foi escalado o Floating Points, pseudônimo usado pelo músico inglês Sam Shepherd, que ao vivo se apresenta com outros quatro músicos. Não cheguei a achar o show ruim, mas tentar equiparar ao vivo a complexidade de seu único álbum “Elaenia” não é tarefa fácil. No final das contas fiquei com a impressão de que ouvir em casa é melhor.

Não planejava ver o show do Mastodon, mas já que estava com tempo sobrando pensei: “vou lá ouvir uma barulheira”. Logo assim que cheguei ao palco Amfiet vi uma figura passando que parecia familiar. “Será que é o Lucio?”, pensei. Cheguei mais perto e era ele mesmo, o querido Lucio Ribeiro. Ele ficou tão espantado quanto eu ao encontrar um brasileiro conhecido num festival em Oslo e conversamos rapidamente sobre os shows que havíamos visto. Expliquei para ele os outros festivais que ainda veria na Europa, tiramos uma selfie e depois só o vi novamente mais uma vez durante todo o festival. Foi um encontro improvável, num local improvável.

Esse dia estava rendendo: antes da última atração da noite ainda deu tempo de ver o folk sofisticado da cantora sueca Amanda Bergman. Eis que surgiu o primeiro conflito de horários no festival: Jamie xx tocaria no Sirkus no mesmo horário em que PJ Harvey se apresentaria no Amfiet. Jamie Smith que me perdoe, mas ele ainda tem que comer muito arroz com feijão para chegar perto de Polly Jean Harvey. Com vinte e cinco anos de carreira, PJ Harvey é uma artista única, inconformada e nunca acomodada. A cada álbum novo PJ Harvey aprende a tocar um novo instrumento e dessa vez foi o saxofone, que ela empunhava ao entrar no palco com sua banda ao som da bateria marcial e solene de “Chain of Keys”. O show foi baseado basicamente no seu último álbum “The Hope Six Demolition Project”, que ficou ainda mais grandioso ao vivo. No final do show, petardos mais antigos de seu repertório como “50ft Queenie”, “Down bytheWater” e “To BringYouMy Love”, uma sequência que até me deixou desnorteado. Não foi apenas o melhor show do Øya Festival, foi o melhor show que vi nesse ano.

 

Øya Festival, 12 de agosto, sexta-feira

O terceiro dia de festival era o dia da chuva e estava preparado para isso. Fui com uma jaqueta impermeável (somente até certo ponto, para ser honesto) e quando saí do metrô ainda ganhei uma capa plástica vermelha do Klassekampen. Dias depois, curioso em saber o que aquilo significava, pesquisei no Google. Klassekampen significa “Luta de Classes” e se tratava de um tabloide que se auto intitula “o jornal diário da esquerda”. Que merda, logo eu que me defino como um liberal clássico caí nessa cilada. Lição aprendida: nunca use uma capa de chuva vermelha se você não sabe o que está escrito nela.

Foi embaixo de uma chuva fraca e insistente que vi o show do Hedvig Mollestad Trio, um power trio instrumental liderado pela maluquete norueguesa Hedvig Mollestad Thomassen, que faz uma interessante mistura de rock psicodélico e free jazz. A chuva aumentou ainda mais no show mais inusitado de todo o festival: Oslo Sinfonietta, uma orquestra com repertório de música contemporânea que tocou “Music for 18 Musicians”, uma peça minimalista composta pelo americano Steve Reich entre 1974 e 1976. Acredite, valeu cada pingo de chuva tomado.

Foi durante o show da Oslo Sinfonietta que matei uma dúvida que eu tinha durante todo o festival: por que as crianças recolhiam todos os copos de cerveja que eram jogados no chão? Para todo lado que olhava, eram crianças e mais crianças carregando pilhas de copos plásticos. Uma senhora me explicou: a organização do festival pagava uma coroa norueguesa (cerca de R$ 0,40) por cada copo, que posteriormente seriam reciclados. A consciência ecológica norueguesa é enorme, mas no fundo se trata de puro sentimento de culpa: a Noruega é um dos maiores exploradores de petróleo do mundo, que agride o meio ambiente desde a extração até o consumo. Deve ser por esse mesmo sentimento de culpa que se veem tantos carros elétricos nas ruas.

Para minha sorte, o próximo show seria na tenda coberta: Lush. Cheguei menos de dez minutos antes do show e (adivinhe só) consegui ficar lá na frente sem maiores problemas. Eu me posicionei na segunda fileira de pessoas, logo atrás da grade. Na minha frente, três crianças, o menorzinho deles sendo pouco maior do que a grade. O show foi brilhante, uma verdadeira viagem no tempo para a época em que o shoegaze dominava a cena alternativa inglesa, mesmo que o termo fosse renegado por algumas bandas. No fundo, foi um pouco triste ficar sem ver os integrantes do Lush por vinte anos e encontrá-los velhos e um pouco acabados, especialmente a guitarrista Emma Anderson (uma MILF de braços pelancudos) e o baixista Phil King (totalmente grisalho, mais parecendo um executivo de multinacional). Mas faz parte da vida envelhecer, não? Eu também mudei. Perdi meus cabelos e estou bem diferente do que era há duas décadas.

A chuva deu uma trégua e fui para o palco principal conferir o show do Eagles Of Death Metal. Até hoje não consegui entender se o grupo é uma paródia no estilo Spinal Tap ou se trata de algo sério. Provavelmente é uma mistura dos dois. O público lá na frente parecia se divertir com os clichês rock’n’roll tocados pela banda, mas achei tudo uma brincadeira sem graça e voltei para o Sirkus depois de umas quatro músicas. Uma plateia formada basicamente por adolescentes estava presente em peso para o show do Chvrches, da pequenina Lauren Mayberry. O synthpop competente executado pelo grupo escocês se sustenta bem ao vivo, ainda mais com a plateia nas mãos. Em alguns momentos a molecada cantava tão alto que até sobrepunha o volume vindo das caixas de som.

O último show que vi no Øya foi justamente aquele me motivou a ir para esse festival e para o Flow Festival na Finlândia dias depois. Eu já havia visto vinte e cinco shows do New Order em diferentes países e assim que acabou o show do Chvrches fui tranquilamente para a grade, me preparando para mais um. Desde os shows do New Order que vi na Rússia em 2013 passei a adotar uma estratégia para mostrar ao grupo que um brasileiro estava na plateia: levar uma bandeira do Brasil (que óbvio). Algumas vezes fui notado, outras não. Dessa vez consegui prender a bandeira na grade, pois havia achado duas abraçadeiras jogadas no chão perto do palco Hagen. Assim, fiquei quase uma hora na grade esperando o show começar.

Depois da saída do baixista Peter Hook e com o lançamento do álbum “Music Complete” no ano passado o veterano New Order voltou revigorado. Os costumeiros erros ao vivo ficaram no passado. O New Order é uma banda muito mais profissional hoje em dia. Apresentaram novos arranjos para algumas velhas músicas, novas projeções e novas músicas no repertório. Foi justamente depois de tocar “Plastic”, uma das músicas novas, que o vocalista Bernard Sumner notou minha bandeira e perguntou: “Você é do Brasil?”. Respondi com um sinal positivo e ele na sequência emendou: “Então você está perdendo os Jogos Olímpicos!”. Haha! Como se eu estivesse preocupado com isso. Apenas encolhi os ombros e abri os braços fazendo aquele gesto “shruggie”, tão característico da internet (¯\_(ツ)_/¯). Pena que o New Order teve pouco mais de uma hora para tocar e seu set ficou restrito a onze músicas, mas ainda assim valeu a pena.

Todos os shows do festival não poderiam passar das 23:00 e foi assim todos os dias. Eu acho ótimo que acabe cedo e se tenha tempo para aproveitar a manhã do dia seguinte. Show não é balada. Era possível sair tranquilamente do Tøyen Park e utilizar o transporte público para voltar para casa, seja de metrô (como eu fazia), bonde ou ônibus. Muitos voltavam de bicicleta e alguns poucos pegavam um táxi. O metrô voltava incrivelmente vazio para o centro da cidade e tenho que confessar que nesses momentos sentia muita inveja da qualidade de vida de quem mora em Oslo.

**********

 

OS FESTIVAIS QUE AGITARAM O FINAL DO VERÃO EUROPEU – PARTE FINAL

 

Por Ricardo Fernandes, enviado especial de Zap’n’roll

 

Flow Festival, Finlândia- Introdução

O Flow Festival em Helsinque é uma espécie de irmão do Øya Festival. Acontece mais ou menos na mesma época, com alguma sobreposição de datas, e compartilhando cerca de 80% dos artistas internacionais. Para que tudo não fique muito parecido, alguns headliners só tocam em um dos festivais. Nesse ano, somente o Øya teve PJ Harvey, enquanto que apenas o Flow teve Morrissey. Já tinha visto o Flow aparecer numa lista de festivais nos lugares mais inusitados no mundo (ele é feito em uma antiga usina de energia), então minhas expectativas para esse festival eram altas.
FlowFestival, 14 de agosto, domingo

Perdi o sábado me deslocando de Oslo para Helsinque. Se fosse mais sangue nos olhos poderia ter escolhido um voo mais cedo de forma a chegar a tempo também para o penúltimo dia do Flow, mas foi bom ter descansado um dia. O local do festival é relativamente próximo ao centro da cidade e eu estava hospedado a pouco mais de 1 km de distância. Meu hotel emprestava bicicletas para os hóspedes, mas por algum motivo preferi ir a pé. Foi uma decisão acertada. Apesar de ter chegado cedo, o estacionamento de bicicletas estava completamente abarrotado. Acho que nunca tinha visto tantas bicicletas juntas. As pessoas começavam a improvisar e prender suas bikes em todos os lugares possíveis, até mesmo no alto de árvores. Helsinque não chega a ser uma Amsterdã no uso de bicicletas, mas está quase lá. Quase toda a cidade é plana e possui muitas ciclovias, então a bicicleta possui uma função importante como meio de transporte pelos habitantes locais.

A usina de energia e gás desativada em Suvilahti, região nordeste da cidade, realmente impressiona. Fazer um festival em um antigo complexo industrial foi uma bola dentro da organização do festival, mas achei que estava muvucado demais. Apesar de ocupar aproximadamente o mesmo espaço que o Øya, tive a impressão que havia o dobro de pessoas no Flow. Ambos os festivais estavam com ingressos esgotados, o que me faz concluir que o Flow colocou à venda mais ingressos do que deveria. O festival possuía seis palcos, sendo um palco principal enorme, uma grande tenda que parecia um circo e quatro tendas menores. Não havia muitas opções de comida e também achei que poderiam ter instalado mais bares e banheiros.

Consegui ver o finalzinho do show de Ruger Hauer feat. Regina, a união de esforços de uma dupla de rappers e uma cantora pop da Finlândia no LapinKultaRed Arena, o palco em formato de circo. Não tenho muito o que comentar propriamente sobre o show, mas naquele momento percebi que os finlandeses são bem mais agitados que os frios noruegueses. Logo em seguida, conferi o show deJ.Karjalainen se apresentando no palco principal. Muitas pessoas cantavam todas as suas músicas, mostrando a popularidade desse veterano cantor finlandês. Enquanto isso, na Black Tent, quem estava se apresentando era a gata inglesa Dua Lipa, que faz um moderno amálgama de música pop, hip hop e soul. Seu álbum de estreia que será lançado no ano que vem promete. Fiquem de olho nessa menina!

De volta à Red Arena, quem iria se apresentar era o Daughter, que eu gostaria muito de ter visto em Oslo, mas havia conflitado com o Lush. Consegui um bom local do lado direito do palco, onde pude acompanhar de perto o delicado dream pop com texturas envolventes da banda londrina. Ainda bem que eles se apresentaram em uma tenda fechada. O show não iria funcionar em um palco aberto em plena luz do dia.

Assim que acabou a apresentação fui para a central de controle conversar com Andy Liddle, o iluminador que acompanha o New Order há mais de três décadas e que estava se preparando para o próximo show. Foi ali que encontrei um amigo inglês, que faz parte dos Vikings, o grupo de fãs hardcore do New Order que acompanha a banda por todos os lugares do mundo. Alguns deles possuem mais de uma centena de shows do New Order nas costas e os Vikings até ganharam um número de catálogo da Factory Records (FAC 383), homologado em um documento assinado pelo próprio Tony Wilson. Eu mesmo, prestes a ver meu vigésimo sétimo show do New Order em onze países diferentes, já fui chamado de “Viking verdadeiro” e “filial brasileira dos Vikings”.

Eram cerca de dez Vikings que estavam posicionados para o show em um local estratégico: ao lado do bar. Por falar nisso, vale ressaltar que a Finlândia não é um lugar barato, mas uma cerveja custava “apenas” 7 euros, cerca de 30% menos do que na Noruega. Se vi o show em Oslo bem de perto, ficar ao lado do bar me deixou bem longe, mas estava valendo, já que pelo menos me diverti bastante ao lado dos ingleses arruaceiros. Também fui apresentado a Yuri, um fã finlandês do New Order que chegou a morar dez anos em Manchester devido à sua paixão pelo Manchester United e pelas bandas mancunianas como The Smiths e Stone Roses. Atualmente ele trabalha em uma empresa de segurança e por estar muito envolvido com o MMA conhecia bem o Brasil, tendo ido diversas vezes a São Paulo e Rio de Janeiro.

Por sorte o New Order teve mais tempo para tocar no Flow Festival, de forma que conseguiram encaixar no setlist os clássicos “Regret” e “Your Silent Face”, além de uma arrepiante versão de “Decades” do JoyDivision no bis. Depois do show fomos bater um papo com Andy Robinson, empresário da banda, que confirmou que uma turnê sul-americana do New Order nesse ano estava em processo adiantado de negociações mas foi cancelada pois a banda (leia-se Bernard Sumner) não gostaria de viajar muito no momento. Andy estava visivelmente desapontado, assim como eu e os Vikings, que estavam se preparando para invadir a América do Sul mais uma vez. Quem sabe no ano que vem…

A ala feminina dos Vikings foi para o palco principal ver o show da Sia, mas preferi vazar do festival com os rapazes, onde fomos levados por Yuri até um pub nas proximidades chamado Mäki Kupla. “Esse lugar é uma merda, mas pelo menos a cerveja é barata”, me confidenciou Yuri. Acompanhar os Vikings na bebedeira não é tarefa fácil e na sequência ainda fomos para um pub de visual rock’n’roll mais ajeitadinho, onde ficamos até sermos praticamente expulsos do lugar por estar muito tarde. Que noite! Após me despedir dos Vikings fiquei pensando quando será minha próxima oportunidade de encontrar novamente esse bando de malucos.

imagemneworderlive16

O veteraníssimo inglês New Order (acima), um dos destaques dos festivais vistos por Zap’n’roll; abaixo o bucólico local do festival português Paredes De Coura (fotos: Ricardo Fernandes)

imagemfestportugal16

Festival Paredes de Coura, Portugal- Introdução

Olhando no calendário de festivais de verão europeu não foi difícil escolher outro festival para a sequência do Flow Festival. Na semana seguinte começaria o Paredes de Coura na vila de mesmo nome em Portugal. Já tinha ouvido falar bem desse festival e um amigo português confirmou: “Fui lá uma vez, ver Nine InchNails. O local é perfeito, um anfiteatro natural. Em termos de beleza de cenário é imbatível”. Após conferir a escalação do festival rapidamente a escolha estava definida.

Festival Paredes de Coura, 17 de agosto, quarta-feira

O mesmo amigo de Portugal meu deu a dica para que me hospedasse em Vigo na Espanha e alugasse um carro, pois essa era a cidade com aeroporto mais próxima do festival. Foi isso mesmo que fiz e assim que desembarquei no aeroporto de Vigo aluguei um simpático Smart vermelho. Não foi fácil sair de Helsinque e chegar em Vigo. Tive que tomar três aviões, de três companhias áreas diferentes (Finnair, Air France e Air Europa). Perdi um dia inteiro em voos e aeroportos, mas pelos menos cheguei inteiro e minha mala foi corretamente despachada até o destino final (meu maior medo quando viajo de avião não é uma possível queda, é ter a bagagem extraviada).

Apesar de ter que atravessar uma fronteira entre países a viagem entre Vigo e Paredes de Coura é tranquila e rápida, menos de uma hora. Todas as estradas possuíam um asfalto que mais parecia um tapete e eram bem sinalizadas. Paredes de Coura é uma bela vila de pouco mais de 9000 habitantes no norte de Portugal. Ao contrário do Brasil, onde chamamos qualquer lugar de cidade, Portugal faz uma clara distinção entre aldeia (pequena povoação), vila (localidade mais desenvolvida e de média concentração populacional) e cidade (alta densidade populacional e alta variedade de serviços prestados aos cidadãos, como hospitais e transportes de massa). Portanto, não chame Paredes de Coura de cidade, a menos que queira ser corrigido por um português.

Chegando na vila, não encontrei nenhum estacionamento, então deixei o carro em uma vaga pública um pouco afastada do centro. Poderia ir a pé até o festival, localizado a pouco mais de 1 km, mas fiz a correta escolha de pegar a van do festival. Dividindo espaço na van comigo, muitas pessoas com sacolas e mais sacolas de supermercado. Estavam todos transportando mantimentos para o camping, o local onde fica a maioria dos frequentadores do festival. Boa parte da graça do Paredes de Coura é ficar no camping com os amigos bebendo, ouvindo música, tocando violão ou se banhando no Rio Coura. Dei uma volta pelo camping e percebi que certamente eu era um dos poucos que estava se hospedando em um confortável hotel para o festival. O camping parecia divertido, mas eu já passei da idade de passar perrengue.

Meu amigo tinha razão: o palco principal é um incrível anfiteatro natural, com uma inclinação tão grande que é possível ver perfeitamente o palco de qualquer lugar. Diria que é o segundo lugar mais fantástico onde já vi um show na vida, perdendo somente para o Teatro Grego em Los Angeles, outro local privilegiado pela natureza. Quem teve a missão de abrir o festival foi We Trust ft. Coura All Stars, a união de uma banda do Porto com uma orquestra composta por crianças da região. “Foi um privilégio vir para aqui todos os dias às 9h da manhã, desde abril, ensaiar com eles”, disse André Tentugal, o líder do We Trust. Não havia como duvidar de sua afirmação. Estava tudo perfeitamente ensaiado e o show correu tranquilo, do começo até o fim. Como no primeiro dia de festival o palco secundário ainda estava sem shows, tive que esperar um pouco a apresentação do Best Youth, dupla do Porto que faz uma música sintética e soturna. Na sequência, subiu ao palco o Minor Victories, espécie de supergrupo alternativo formado por membros do Slowdive, Editors e Mogwai. Eles são a prova de que grandes músicos nem sempre fazem grandes bandas. O grupo tem pouco tempo de estrada e talvez evolua no futuro, mas no momento não mostrou a que veio e não conseguiu empolgar o público português.

A atração principal da noite foi o Unknown Mortal Orchestra, os penúltimos a tocar. Em outros festivais, seria pouco provável que o Unknown Mortal Orchestrafosse um headliner, mas aqui no Paredes de Coura eles cumpriram seu papel e conseguiram levantar a galera portuguesa. O rock psicodélico do grupo era cantado pela plateia em vários momentos, o que de certa forma foi surpreendente para mim. Quem fechou a noite foi o Orelha Negra, banda instrumental portuguesa que faz uma mistureba de funk, soul, jazz e trip hop, que conseguiu manter o povo dançando.

A solução do festival para diminuir o lixo gerado é interessante. Você só pode tomar cerveja, vinho ou refrigerante usando um copo do festival, que é obtido mediante uma caução de 2 euros. Se você quiser levar o copo de recordação, pagou 2 euros por ele. Se devolver o copo no bar, recebe de volta seus 2 euros. Portugal é um dos países mais baratos da Europa e cada cerveja de meio litro custava 4 euros (cerca de R$ 15). Tomei quatro cervejas durante o festival e para meu azar fui parado pela polícia portuguesa na volta, que fez um teste do bafômetro comigo. Eu não podia acreditar. Após um primeiro teste dentro do carro, o policial pediu para que estacionasse meu carro e me encaminhou até um etilômetro mais sofisticado, que ocupava toda a traseira de um carro policial. Soprei e apareceu o resultado: 0,48 g/l. Na mesma hora pensei: “Estou fodido, o limite deve ser 0,2 ou algo assim”. Tudo passava pela minha cabeça naquele momento. Vou ser levado a uma delegacia? Vou pagar uma multa? Meu carro alugado será apreendido? Nunca mais poderei dirigir em Portugal? Vou ser preso? Vou ser deportado? Para minha sorte, o limite era 0,50 g/l e fui liberado pelos policiais. Que sorte. Bebi quatro cervejas ao longo de seis horas e ainda assim não estava oficialmente alcoolizado. Talvez minha capacidade de metabolizar o álcool seja maior do que imaginava, mas era melhor não arriscar no dia seguinte.

 

Festival Paredes de Coura, 18 de agosto, quinta-feira

No segundo dia de festival decidi chegar um pouco mais cedo para dar uma voltinha na vila de Paredes de Coura, tomar um café e comer um bolo ou torta. Quando fui até o local onde havia estacionado meu carro em Vigo ele não estava lá! Carro nenhum estava. Havia dezenas de carros naquela rua na noite anterior, mas agora não havia nenhum. Voltei desesperado para o hotel, onde me explicaram o que havia acontecido: estacionei o carro numa área de carga e descarga, onde é permitido estacionar durante a noite, mas não durante o dia. Meu carro havia sido guinchado. E agora? Eu precisava daquele carro para ver o festival em Portugal em poucas horas. Peguei um táxi até o depósito municipal de carros em Vigo, paguei uma multa e em quinze minutos já estava dirigindo o Smart vermelho novamente. Fiquei 144 euros mais pobre, mas pelo menos tinha um carro para me deslocar até o festival.

Foi tudo tão rápido que ainda assim consegui comer um bolo e tomar um café na vila, como eu havia planejado. Por falar em comida, a princípio achei que os quiosques no festival eram poucos, mas a maior parte do tempo eles estavam sem clientes. Certamente quem estava acampado já havia comido no camping e não precisava gastar com comida na área do festival posteriormente. Comigo a situação era diferente. Todos os dias eu me esbaldei com os pregos (sanduíches de carne suína), bifanas (carne bovina) e tripas de Aveiro (uma massa crua doce).

A primeira atração do dia foi Ryley Walker, cantor e violonista que por coincidência estava lançando seu novo álbum “Golden Sings That Have Been Sung” no dia seguinte ao seu show no Paredes de Coura. É uma pena que estava muito cedo e com pouca gente próxima ao palco principal quando Ryley Walker tocou. A plateia parecia dispersa e não prestou muita atenção no delicado folk com pitadas de rock psicodélico e blues do americano de Illinois. Vale ressaltar que os portugueses são um dos povos mais animados que eu já vi em shows, mas parecem ignorar qualquer um que faça um som acústico. A próxima banda a se apresentar foi o Whitney, com seu indie-rock esquisitão e de formação inusitada, com um trompetista e vocais executados pelo baterista Julien Ehrlich. Um drone sobrevoava o público a ponto de chamar a atenção de todos, inclusive da banda. “Eu não gosto de drones”, disse Julien Ehrlich. Eu também não, Julien.

Dei uma passada no palco secundário pela primeira vez, mas não dei sorte. Quem estava se apresentando era a banda de Braga Bed Legs, com um vocalista horrível e cheia de clichês rock’n’roll mais do que batidos. Já havia anoitecido quando o Sleaford Mods subiu ao palco principal. Minimalismo eletrônico ao extremo. Apenas dois caras no palco: Andrew Robert Lindsay Fearn apertando botões num notebook e o vocalista Jason Williamson destilando sua verborragia politizada. A dupla inglesa gerou reações contraditórias no público. Enquanto alguns saíram inconformados na primeira música, outros ecoavam cantos que pareciam vir de um estádio de futebol. “Sleaford Mods! Sleaford Mods! Sleaford Mods!”, berravam eles. “Nós não costumamos ter uma reação positiva dessas em festivais”, disse Jason, enquanto Andrew concordava mexendo a cabeça.

Thee Oh Sees é uma banda sem estrelismos. Foram os próprios músicos do grupo que fizeram a passagem de som no palco e começaram o show com uma antecedência de quatro minutos. Fiz a besteira de ficar lá frente do palco. Eu poucos segundos a banda de garage rock de San Francisco incendiou a molecada portuguesa, que começou a abrir rodas, pular descontroladamente e fazer crowdsurfing. A grama na frente do palco havia virado terra e a terra se levantava na forma de poeira. Alguns começaram a cobrir o rosto com suas camisetas para se proteger. Caos total. Arreguei e fui para trás, mas ainda assim a plateia estava insana. Estava tentando tirar fotos quando um crowdsurfing mal executado fez com que um rapaz caísse em cima de minha cabeça. Poderia ter quebrado meu pescoço. Fiquei feliz de sair inteiro desse show e mais ainda por ver uma banda imbatível ao vivo.

Eis que chegava a hora da grande atração, não apenas do dia, mas de todo o Festival Paredes de Coura. Num primeiro momento me senti tapeado pela volta do LCD Soundsystem, afinal fizeram um estardalhaço com seu show de despedida no Madison Square Garden, que virou um álbum ao vivo e DVD, para voltar apenas cinco anos depois. No entanto, foi com grande satisfação que pude ver James Murphy e sua turma em ação novamente. Foi uma superprodução, com novos arranjos para velhos clássicos, que deram um frescor novo para músicas como “Daft Punk Is Playingat My House”, “Losing My Edge”e “Tribulations”. O final do show foi épico, com uma emocionante versão para “New York, I Love You But You’re Bringing Me Down”. Ainda voltaram para mais duas músicas no bis, “Dance Yrself Clean” e “All My Friends”, que mostram que o LCD Soundsystem continua afiado. Resta saber como será o novo material que dizem estar compondo e se virão para o Brasil no ano que vem. Aguardo ansiosamente uma nova chance de vê-los ao vivo.

imagemlcdlive16

O americano LCD SoundSystem (acima) e o Chvrches (abaixo), um dos atuais “grupos top” de um certo blog vizinho; mas como bem observou nosso correspondente, a banda é fraquinha e não tem condições de ser headliner de um grande festival

imagemchverchs16

Na volta para Vigo, havia novamente uma blitz policial no mesmo local, mas como havia bebido apenas Coca-Cola e água os policiais não me pararam. Melhor assim.

 

Festival Paredes de Coura, 19 de agosto, sexta-feira

Antes de começar a falar sobre os shows do penúltimo dia, gostaria de divagar um pouco sobre Portugal, que é um dos meus países preferidos no mundo. Ao contrário do que a crença popular diz no Brasil, as portuguesas não têm bigode e costumam ser muito bonitas, magras e elegantes. A comida é a melhor da Europa, o clima é agradável e os preços não são abusivos quando comparados a outros países europeus ou mesmo ao Brasil. Idealmente, um dia quando estiver velhinho vou morar seis meses no Brasil e seis meses em Portugal.

Assim como Ryley Walker no dia anterior, Kevin Morby foi recebido de maneira um pouco fria pelos portugueses. O folk rock do texano foi executado com competência, mas não a ponto de gerar muita reação na plateia. Aplaudiam ao final de cada música e mais nada. Melhor sorte teve a banda norte-americana Crocodiles, que levantou os portugueses com seu noise pop melódico. Eu já estava cansado e decidi adotar uma postura diferente para os outros shows do dia. Ficaria sentado no fundo e me levantaria apenas quando as bandas começassem seus shows. Foi assim com o King Gizzard & the Lizard Wizard, banda australiana que me pareceu melhor em estúdio do que ao vivo. A mistura de rock psicodélico e garage rock malucão dos discos virou um hard rock chato para caramba ao vivo. Nem parecia a mesma banda.

Quem tocou depois no palco principal foi The Vaccines, que aparecia em destaque no material de divulgação do festival, como se fossem uma das principais atrações. Ao vivo provaram que poderiam ter sido o headliner do dia. Mesmo ficando no fundo, não tive sossego. A plateia portuguesa abria rodas e fazia crowdsurfing sem parar. Agitaram de forma insana praticamente em todas as músicas. Curiosamente, “Melody Calling”, possivelmente minha música preferida do Vaccines, gerou uma resposta quase nula na molecada. Cage The Elephant foi outro headliner improvável, mostrando que o Paredes de Coura não deve ter tanta grana assim para contratar grandes nomes de peso. Aposto que se fosse no Brasil, qualquer organização de festival seria detonada nas redes sociais por essa escolha. Para os portugueses, no entanto, não houve problema nenhum. O vocalista Matt Shultz parecia uma criança hiperativa, correndo e pulando de um lado para o outro, tornando a tarefa de fotografá-lo algo quase impossível. Da mesma forma, a plateia parecia uma turba de milhares de adolescentes hiperativos que queriam se divertir até o último minuto de suas vidas.

Passei mais um dia sem beber nada e dessa vez nem havia blitz policial na estrada. Se eu soubesse disso antes…

 

Festival Paredes de Coura, 20 de agosto, sábado

O último dia de festival foi aquele com a escalação mais fraca na minha opinião e também o mais vazio. Conversando com algumas pessoas fiquei sabendo que muita gente já havia saído do camping e voltado para suas casas. O Paredes de Coura se aproximava de seu fim, mas não fiquei abatido pelo cansaço que se acumulava. Aproveitei para fazer uma coisa típica dos europeus, mas que eu mesmo nunca tinha feito: tomar uma taça de vinho num festival. O trauma da blitz de certa forma já estava superado.

Quem começou os trabalhos do último dia foi The Last Internationale, banda nova-iorquina de discurso politizado e rock simples e direto, sem muitas firulas. Serviram como um bom aquecimento para Capitão Fausto, banda de Lisboa com três álbuns editados. Apostaria sem medo que esse foi o show com maior número de crowdsurfings. Se no Øya Festival o crowdsurfing era proibido, no Paredes de Coura era institucionalizado. Os seguranças à beira do palco seguravam cuidadosamente cada um dos meninos e meninas (sim, meninas também) que eram atirados para dentro do cercadinho dos fotógrafos. O rock psicodélico do grupo agradou de forma inesperada, pois nunca tinha visto nesse festival uma banda local gerar uma reação tão entusiasmada por parte do público.

Deu tempo de conferir o show do Motorama no palco secundário, grupo russo de pós-punk que fazia uma apresentação climática e um pouco sombria. Jorge Coelho, promotor português responsável pela vinda do grupo, estava eufórico em uma postagem no Facebook: “Que grande concerto deram os Motorama no Palco Vodafone e que se revelou muito pequeno para os russos.Tudo farei para que a banda regresse a Portugal já em 2017”. Voltando ao palco principal, era hora de The Tallest Man On Earth. Uma bela ironia, considerando-se que o líder Kristian Matsson é bem baixinho, ainda mais para um sueco. Seu indie folk não me agradou muito ao vivo, mas tenho que reconhecer que o rapaz tem carisma e os portugueses parecem ter amado o show. Portugal. The Man subiu ao palco já com o jogo ganho. Como uma banda com um nome desses poderia dar errado num show em Portugal? Também não achei grandes coisas o show, mas novamente os portugas adoraram. Várias pessoas nos ombros dos outros, mais crowdsurfing e mais poeira levantada. Talvez o problema fosse comigo, que já estava bem cansado a essa altura do festival.

Coube ao Chvrches fechar o palco principal. O show deles é bom, mas pareciam muito mais cansados do que no show em Oslo. Em lugar nenhum do mundo o Chvrches seria headliner num festival. A banda possui dois bons álbuns, mas não possuem repertório, nem peso para ser a atração principal. Ainda assim, o trio possuía alguns fãs na plateia, que vibravam a cada música executada. Terminava assim minha maratona de festivais. Três festivais em três países diferentes, em oito dias de shows, num intervalo de onze dias.

 

finattiricardoago16

Ricardo Augusto Fernandes (acima, ao lado de Zap’n’roll durante a última edição da festa “Call The Cops”, no clube Alberta/SP) e o autor deste blog se conhecem pessoalmente há quase uma década e meia, período em que desenvolveram uma grande amizade. Mas ao contrário de Finaski Ricardo é jornalista eventual, escreve ótimos textos por puro diletantismo, tem um conhecimento enciclopédico de rock’n’roll e rock alternativo e ganha a vida há décadas trabalhando na área de informática, especializado que é no assunto – sendo que ele também publicou reportagens em muitas das edições impressas da saudosa Dynamite. E sim, é fanático pelo New Order, rsrs. Esta cobertura dos festivais que rolaram na Europa foi encomendada a ele por este espaço virtual, que não tem dúvida em afirmar que se trata de um dos melhores relatos já publicados na web BR de cultura pop nos últimos tempos – né Popload?

Valeu, Ricardo!

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

  • Disco: em momento de total falta de lançamentos relevantes no mondo rocker (aqui e lá fora), a melhor indicação destas linhas zappers é de um LP que foi lançado há vinte e cinco anos. Ele mesmo, o clássico absoluto “Nevermind”, que o inesquecível e até hoje gigante Nirvana deu ao mundo no final de 1991. Sendo que neste sábado, dia 10 de setembro (leia-se amanhã, já que o postão está sendo concluído finalmente hoje, sextona em si, 9 de setembro) o single que abria o disco, a hoje clássica “Smell Like Teen Spirit”, era lançado oficialmente. Não há mais bandas como o Nirvana nos dias atuais. Nem caras como Kurt Cobain no rock. E nunca mais irá haver. Então o melhor é re-ouvir esse DISCAÇO, sempre e sempre, que você escutar na integra aí embaixo:

 

  • Nova edição do festival In-Edit Brasil: yeah! A oitava edição do festival que reúne a nata dos documentários musicais começou anteontem em Sampa e prossegue até o próximo dia 18 de setembro, quando serão exibidos nada menos do que cinqenta e sete documentários em diversas salas exibidoras da capital paulista, além de shows ao vivo. Há de tudo para todos os gostos e um dos destaques da Mostra é “Time Will Burn”, documentário fodástico que mostra a inesquecível cena indie guitar paulistana dos anos 90’, quando bandas como Pin Ups, Second Come e Mickey Junkies faziam muuuuuito mais barulho do que a atual cena criada pela “ilha da fantasia indie” do blog “vizinho” Popload. O doc será mostrado no Cine Olido, na galeria do mesmo nome, no centrão de São Paulo, neste domingo (às seis da tarde) e também no próximo dia 21 (quarta-feira), às sete e meia da noite. E você pode saber tudo sobre o In-Edit indo aqui: http://www.in-edit-brasil.com/.

imagempinupsanos90

O quarteto indie noise guitar paulistano Pin Ups: um dos GIGANTES da história do indie rock BR, presente no documentário “Time Will Burn”

  • Show: e dentro da programação do festival o bacanudo combo rocker paulistano (e que nunca foi citado na Pobrel, ops, Popload) Fábrica de Animais toca ao vivo hoje, sextona, na mesma Galeria Olido, a partir das sete da noite. Se programa que dá tempo tranqüilo de assistir a gig.

 

  • Baladenhas: finde fraquinho, fraquinho na seara dos agitos alternartivos. Então sem grandes baladas pra curtir, dá pra se jogar na festa open bar que o site Zona Punk promove hoje à noite no Outs (lá na rua Augusta, 486, centrão rock’n’roll de Sampalândia).///Mas se você quer sair da metrópole, agüenta ir um pouco mais longe e curtir um rock no meio da mata Atlântica, a dica é ir pra Paranapiacaba no Simplão Rock Bar, onde rola a partir de hoje a quinta edição do festival Independência e Rock. Vai ter discotecagens, cine Simplão e shows com bandas legais (como Jonata Doll & Os Garotos Solventes), essas tocando amanhã, sabadão em si. Interessou? Vai aqui, onde tem todas as infos sobre o evento: https://www.facebook.com/events/1348522815175711/. E fora que o Simplão, comandado pela queridaça Cris Mamuska, é um dos locais mais bonitos e bucólicos que estas linhas bloggers rockers já conheceram.///E é isso. Então se programa aê e se joga, porra!

 

 

FIM DE PAPO

Postão monstrão e ótimo (modéstia às favas, uia!) finalmente chega ao fim – tudo acaba uma hora, néan. Então ficamos por aqui mas prometendo voltar com muito mais na semana que vem. Até lá!

 

(ampliado e finalizado por Finatti em 9/9/2016, às 17hs.)

A semana em que o blog sofreu seu primeiro e único (até o momento) revés em onze anos de existência, por simplesmente emitir sua opinião sobre uma obra musical (e onde fica a liberdade de imprensa e de expressão???); o dândi Damon Albarn estreia enfim solo e longe das guitarras e do britpop do Blur; os vinte e cinco anos de um dos últimos grandes clássicos do rock inglês; a DEUSA Scarlett Johansson fica total PELADA em seu novo filme e causa alvoroço entre os machos (cados) mundo afora; mais Mudhoney e Jesus & Mary Chain de volta a Sampalândia e tudo aquilo que você só encontra aqui, no blog de cultura pop mais lecal da web BR (postão finalizado e mega recheado com os novos discos do Echo & The Bunnymen e do Manic Street Preachers, além de roteirão de baladas para a semana toda!) (atualização final em 6/5/2014, com PROMO EXTRA E INCRÍVEL NO AR: INGRESSOS NA FAIXA pra ver MUDHONEY!)

A semana foi mega agitada no mondo pop/rock: o vocalista do Blur, Damon Albarn (acima) finalmente lança seu primeiro disco solo, após cantar durante vinte e cinco anos à frente de um dos ícones máximos do britpop; já a deusa Scarlett Johansson deixou os marmanjos planeta afora enlouquecidos, ao mostrar como irá aparecer em seu próximo filme, “Sob a pele” (abaixo) e que estreia no próximo dia 15 de maio no Brasil

**********

EXTRINHA PRA ATUALIZAR O POSTÃO COM MEGA PROMO BACANUDA!

Yeeeeesssss! Pensou que o blogão que nunca para estava adormecido no último feriadão? Nadinha! Embora andando lá pelos lados das montanhas e dos paraísos idílicos Mineiros, Zap’n’roll estava trablhando nos bastidores para fechar mais uma promo incrível para o seu dileto leitorado.

 

E com a dita cuja finalmente acertada, vamos lá. Corre no hfinatti@gmail.com que ACABA de entrar em disputa:

 

* DOIS PARES DE INGRESSOS para o Sub Pop Festival, que acontece semana que vem, dia 15 de maio, no Audio Club, em São Paulo. Vai rolar gig imperdível (sempre!) do clássico grunge Mudhoney, além de dj set do queridão Adriano Cintra (ex-CSS, atual Madrid e dileto amigo pessoal destas linhas rockers bloggers). Vai perder???

 

Mais uma promo super lecal, em parceria do blog com a produtora Inker. Os vencedores serão avisados por e-mail (bem como como deverão proceder pra retirar os tickets) até a hora do almoço do dia 15 de maio, okays?

 

Então é isso: dedo no mouse e boa sorte!

Uhú!!! Saiu a promo zapper de tickets NA FAIXA pro Sub Pop Festival, que rola semana que vem em Sampa, com showzaço do Mudhoney (acima) e dj set do gênio Adriano Cintra (abaixo, ao lado do blogger sempre loker, em balada rocker em Sampa). Vai perder?

 

**********

O GIGANTE GALÊS MANIC STREET PREACHERS ANUNCIA SEU NOVO DISCO E SOLTA MÚSICA FODONA

Foi a grande, mega notícia do mondo rock planetário que abriu a semana, ontem: o trio galês Manic Street Preachers (uma das bandas do coração de Zap’n’roll) anunciou que seu novo álbum de estúdio, batizado “Futurology”, chega às lojas no próximo dia 7 de julho.

 

Os Manics (como são carinhosamente conhecidos pelos fãs) estão em atividade há quase trinta anos (a banda surgiu em 1986, na cidade de Blackwood) e são praticamente desconhecidos fora do Reino Unido. Mas lá são gigantes e tão aclamados quanto Oasis e Blur, por exemplo. E não sem motivo: a história da banda, além de ser emocionante (com direito a sumiço de um dos seus principais integrantes, o guitarrista e compositor Richey James Edward, que provavelmente se suicidou em 1995, embora seu corpo jamais tenha sido encontrado), ainda inclui uma musicalidade que vai do rock de guitarras mais agressivo até deambulações pelo pós-punk e por ambiências folk e eletrônica. E sempre com alto teor político e social nas letras, atualmente escritas pelo vocalista e guitarrista James Jean Bradfield.

O trio galês Manic Street Preachers: novo discão a caminho!

 

Com uma trajetória onde incluem-se pelo menos meia dúzia de discos sensacionais, a banda não está dando sinais de cansaço (ao contrário do caidaço Echo & The Bunnymen, que está lançando um trabalho verdadeiramente horrível). Tanto que no ano passado editou o belíssimo “Rewind The Film”. E agora anunciou outro novo cd, cujo primeira amostra é o single “Walk Me To The Bridge”, já com vídeo circulando na internet. Trata-se de um guitar rock poderoso, com ótima melodia e refrão explosivo. Bem à moda clássica dos Manics.

 

Se o novo álbum for todo nessa pegada, sai de baixo. Aí só irá restar mesmo torcer para que alguma produtora de shows brazuca crie vergonha na cara e traga a banda para se apresentar aqui.

 

Vem “ninóis” Manics!

 

 

**********

ÚLTIMA FORMA: O NOVO DISCO DO ECHO & THE BUNNYMEN, E MAIS ALGUMAS PARADINHAS AÊ

 

Pois, o velho Echo & The Bunnymen não desiste. Com quase quatro décadas nas costas (o primeiro single da banda, o hoje clássico “Rescue”, saiu em 1978), o grupo integrado pelo vocalista Ian McCulloch e pelo guitarrista Will Sergeant (a dupla que sobrou da formação original) marcou para 3 de junho o lançamento de seu novo álbum de estúdio, “Meteorites” e que chega ao mundo cinco anos após “Fountain”, o último disco inédito do grupo. Só que o trabalho acabou VAZANDO na web anteontem e já pode inclusive ser ouvido no YouTube. Não se sabe se é esse material que está na internet que será lançado em junho pois rolou boato de que o lançamento do novo Echo havia sido adiado para novembro porque Big Mac não teria ficado satisfeito com o resultado final da mixagem das músicas. De qualquer forma o blog ouviu o cd esta madrugada. E nesta primeira audição considerou que “Meteorites”, se não for o PIOR disco dos Bunnymen até hoje, é certamente um dos PIORES: baladas bregas que tentam resgatar a grandiosidade de canções como “Ocean Rain”, canções com levada pop medonha. E claro, McCulloch sem voz nenhuma. É desalentador dizer isso de um conjunto que chegou a ser um dos cinco da vida do autor destas linhas bloggers rockers, e que também fez parte de momentos históricos do rock’n’roll e da da própria existência de Zap’n’roll. Mas a verdade é que o Echo já deveria ter encerrado sua carreira há séculos. Anyway, vamos dar uma segunda “orelhada” no álbum, pra ver se melhoramos nossa impressão sobre ele.

 

* E se você quiser fazer o mesmo, ouvir o novo Echo, vai aí embaixo:

 

 

* Já os Libertines vão se reunir novamente em Londres. O eterno junkie Pete Doherty está falido, precisando levantar uns trocados e foi se juntar novamente ao amigão Carl Barat. Assim é que a banda vai se apresentar no dia 5 de julho em Londres, no lendário Hyde Park, ao lado do Maximo Park (que já está total flopado hoje em dia) e dos velhos punks do Pogues. Hum….

 

* E atualizando infos de shows agora em maio, que vai estar realmente “hot” em Sampalândia: ao que tudo indica também vai ter Sleigh Bells dia 7, no Audio Club.

 

* Certo? Então por enquanto é isso.

**********

 

A semana total cinza.

É assim que podem ser definidos os últimos sete dias na vida de Zap’n’roll. Problemas pessoais demais se acumulando e soluções de menos. Boa parte desses problemas envolvem questões familiares e de herança e obrigaram o autor deste blog a ir até Minas Gerais no último feriadão prolongado, para tentar solucioná-los. Nada feito: além de não ter curtido absolutamente nada do feriadão da Semana Santa, estas linhas bloggers rockers ainda não conseguiram solucionar nada e terão que apelar para briga judicial. Como se não bastasse anteontem, quarta-feira, houve o desenlance momentâneo de uma ação judicial movida contra estas linhas virtuais, ação esta desencadeada em função de uma resenha publicada aqui no ano passado, sobre o lançamento de uma obra musical. Em primeira instância o blog perdeu a contenda e foi condenado a pagar uma indenização (de valor algo expressivo, diga-se) por danos morais. E como reza o velho ditado: decisão da Justiça não se discute, cumpre-se (embora caiba recurso à decisão e o autor deste espaço online já tomou as providências necessárias nesse sentido), por mais que ela tenha sido aparentemente injusta. E neste caso e com todo o respeito à sentença formulada pela autoridade judiciária, o blog considera que não teve assegurado seu amplo direito de defesa no referido processo. Mais: também não foi observado ou levado em consideração os seríssimos problemas de saúde (um tumor maligno na garganta, que foi tratado e continua sob tratamento, sendo que no final de maio próximo, após uma bateria de exames, se saberá se esse tumor foi ou não eliminado) enfrentados por este jornalista ao longo de 2013. E por fim, consideramos que a sentença vai contra os princípios básicos da Constituição promulgada em 1988 e que assegura ampla liberdade de expressão e de imprensa a jornalistas e aos meios de comunicação. Por tudo isso iremos recorrer da decisão, observando-se o cumprimento momentâneo das decisões expostas na sentença (como, por exemplo, retirar dos posts antigos do blog qualquer menção ao artista que moveu a ação; retirada essa que já foi providenciada inclusive). Enfim, é o primeiro e único (até o momento) revés dessa natureza sofrido por estas linhas zappers em onze anos de existência. E se por um lado esse revés desperta no autor destas linhas online vários sentimentos ruins (melancolia, abandono, solidão, derrota, impotência etc.) por outro o incentiva a continuar lutando pelos seus direitos e pelo que acredita ser justo e verdadeiro – afinal, desde quando é crime emitir uma opinião negativa sobre uma obra artística, elencando o que ela tem de ruim? Se assim for não haverá mais crítica na imprensa brasileira, e qualquer artista que se sentir atingido em seu ego por palavras e avaliações com as quais ele simplesmente não concorda bastará partir para a ação judicial, para tentar calar o pensamento do profissional de imprensa cultural que procura exercer seu ofício com o maior rigor possível. Por outro lado, se é vero que grandes jornalistas incomodam e em algum momento de sua trajetória serão perseguidos e acionados judicialmente por algo que escreveram, então nos orgulhamos de fazer parte dessa estirpe. E também, mesmo estando com sentimentos de que a existência humana continua mais cinza do que nunca, nos sentimos um pouco felizes por saber que queridos amigos estão do nosso lado e já manifestaram apoio a este espaço rocker virtual através de redes sociais. A semana chega ao fim mega cinza. A vida zapper anda muito cinza. Mas continuaremos lutando pelo que acreditamos ser o certo e o justo. E por continuar lutando é que estamos aqui com nosso post semanal, falando das novidades do mondo pop (disco solo de Damon Albarn, festivais legais que irão rolar em Sampalândia, as notícias e dicas culturais da semana etc, etc, etc.) e do rock alternativo. Essa é a nossa redenção e a motivação pra continuarmos lutando: saber que este blog tem alguns milhares de leitores e que ele já deixou sua marca na história da blogosfera de cultura pop brasileira. Amém.

 

 

* Estamos a menos de dois meses do início da Copa do Mundo 2014, no Brasil. E a imagem do país lá fora segue mais ENLAMEADA do que nunca por conta do que está acontecendo no Rio (a morte do dançarino da Globo, que provavelmente foi abatido a tiro por PMs; a polícia militar ASSASSINA e total despreparada que zela pela nossa “insegurança”, tanto no Rio De Janeiro quanto em São Paulo). New York Times, The Guardian, El País: todos os grandes diários do planeta comentaram o estado de SELVAGERIA em que se encontra o Brasil (bandidos voltando a dominar as favelas cariocas; a polícia militar usando de truculência e matando cidadãos comuns que trabalham e pagam impostos, como o gerente de uma loja em São Paulo, que foi vítima de sequestro praticado por um ladrão em fuga da PM, e que acabou MORTO pelos policiais com cinco tiros, enquanto o ladrão foi apenas ferido; é o fim da picada!), isso tudo a menos de dois meses do início do campeonato mundial de futebol. Tem jeito, Dilmá? Tem jeito (des) governadores Pezão (olha só o nome do sujeito que é governador do Rio…) e Alckmin? O blog acha que não…

 

* Pelo menos a presidente sancionou a Lei do Marco Civil da Internet, dando exemplo pro mundo. É o mínimo…

 

* E não só: em São Paulo a crise no abastecimento de água está chegando em um nível perigoso e a total INCOMPETÊNCIA do grande merda que é Geraldinho Alckmin nada faz para solucionar o problema. E esse TRASTE, estas linhas online apuraram, vai sair candidato à reeleição ao governo do Estado. Pense em tudo o que está rolando aqui antes de PENSAR em votar nesse LIXO.

 

* Indo pra música. O blogão zapper, sempre muito bem informado, também apurou que deve sair logo menos a edição nacional da festejada e bombadíssima auto-biografia do inglês vivo mais amado do Universo. Quem? Morrissey, claro. O livro deve chegar ao mercado brazuca até o final de maio.

 

 

* E esta foi uma semana de, hã, efemérides, néan? Na segunda-feira, 21, comemorou-se vinte e cinco anos do lançamento do primeiro e hoje clássico álbum dos Stone Roses. Um disco tão essencial pras últimas duas décadas e meia do rock’n’roll que a história por trás dele foi parar na capa da NME desta semana. E hoje, sextona em si, 25 de abril, fazem também exatamente vinte anos que foi lançada a obra-prima do Blur, “Park Life”. São dois discos realmente fodidos de tão bons. E que estão eternamente na coleção da trilha sonora dos grandes momentos da vida do autor destas linhas bloggers rockers.

*

Stone Roses na capa da NME desta semana: estreia já clássica na história recente do rock’n’roll

 

* A velha guarda indie rocker feliz e dando pulos de alegria com as voltas do Mudhoney e do Jesus & Mary Chain a Sampalândia. Primeiro vai rolar a invasão grunge na capital paulista, com o Sub Pop Festival que acontece em 15 de maio no Audio Club (que fica na avenida Francisco Matarazzo, 694, na Barra Funda, zona oeste de Sampa). Além de djs sets esporrentes de Steve Turner (vocalista e guitarrista da lenda Mudhoney) e do queridão Adriano Cintra (o multi-instrumentista que um dia inventou o hoje falido CSS), ainda vão rolar gigs bacanudas do próprio Mudhoney em sim, além das bandas Obits e Metz. Os ingressos pra baladona já estão à venda (por 160 mangos) pelo www.ticket360.com.br . E guentaê que o blogão campeão em promos bacanas está negociando uma parceria com a amiga produtora Inker, visando sortear alguns tickets aqui pro festão.

 Mudhoney: os velhos e sempre ótimos grunges de volta a Sampa

 

 

* Já os velhos indies e irmãos Reid (Jim e William) voltam a Sampa em 25 de maio com a lenda Jesus & Mary Chain, para tocar na edição 2014 do Festival Cultura Inglesa – e que desta vez vai acontecer lá no Memorial da América Latina. Além do Jesus também irão se apresentar Los Campesinos e Monique Maion. E… sobre JMC? É umas das bandas do pós-punk inglês (se bem que eles são na verdade escoceses, hihi) dos 80’ mais amadas por estas linhas rockers online, sendo que os dois primeiros álbuns do grupo (“Psychocandy”, lançado em 1985, e “Darklands”, editado em 1987) são clássicos da história do noise guitar britânico. Mas… (sempre há um mas…) há uma desconfiança do blog em relação ao show da banda em sua terceira passagem pelo Brasil: na primeira vez em que estiveram aqui (em 1991, na turnê do álbum “Automatic”, quando o show aconteceu no extinto ProjetoSP), o então ainda jovem jornalista zapper se acabou durante o set e saiu surdo do lugar, tamanho esporro sonoro gerado pelo grupo que fez uma apresentação inesquecível. Dezessete anos depois, em 2008, na edição daquele ano do Planeta Terra Festival, Jesus voltou a Sampa e fez uma apresentação PÉSSIMA, com os manos Reid se arrastando no palco e sem o menor tesão em tocar, para desespero dos velhos fãs presentes. Então agora será a prova dos nove: ou eles fazem novamente um shwozaço ou… Fora que a banda não lança um disco inédito há dezesseis anos (o último de estúdio, “Munki”, saiu em 1998). Mas vamos lá, afinal o blogger outrora muito loker gostava tanto de JMC que tinha um adesivo da banda na tampa de acrílico do seu velho system Gradiente (isso há uns vinte anos), quando ainda morava no apê da rua Frei Caneca. E claaaaaro, AMAVA esticar fileiras de cocaine em cima do tal adesivo para aspirá-las, enquanto ouvia os cataclismas sônicos da Corrente de Jesus & Maria, uia!

 

* E já que falamos tanto do JMC acima, dois recuerdos da banda aí embaixo, com os vídeos de dois mega clássicos do grupo, as lindíssimas “Just Like Honey” e “April Skies”.

 

 

* A DEUSA SCARLETT VEM AÍ EM SEU NOVO FILME. TOTAL NUDE!!! – yeeeeesssss! Uma das atrizes mais incríveis do cinema mundial dos anos 2000’ e um xoxotaço amado por milhões de machos (cados) mundo afora (o zapper taradón incluso, hihihi), a divina Scarlett Johansson causou furor esta semana no mondo pop quando foram divulgadas fotos e o trailer de seu novo filme, “Sob a pele”, que tem estreia marcada para o próximo dia 15 de maio no Brasil. No longa ela interpreta uma alienígena que vem para a Terra, assume a forma de uma fêmea fatal e como tal, passa a seduzir e a MATAR homens em série, wow. O enredo é mais ou menos, não se sabe (ainda) se o filme é bom mas foda-se: nele Scarlett protagoniza seu primeiro (e único e último, segundo a própria atriz) nu frontal e total, como o dileto leitor destas linhas putanhescas pode conferir na foto que abre este post. A perfeição em forma de mulher: os cabelos estão pretos, peitos na medida e lindões, barriguinha sensualíssima e uma bocetinha de contorno perfeito, para acabar os marmanjos na punheta. Resta aguardar o filme e conferir se ele vale a pena. Mas só a imagem dionisíaca de miss Scarlett como ela veio ao mundo já vale a ida ao cinema mais próximo.

 

* Aí embaixo, o trailer de “Sob a pele”:

 

 

* Falando em bocetões, não deixe de marcar na sua agenda: dia 31 de maio rola a mega festa de ONZE ANOS da Zap’n’roll. Vai ser na incrível Sensorial Discos (a loja de discos e bar/café com brejas artesanais mais descolada e charmosa de Sampa atualmente). Vão ter showzaços de Eron Falbo, Comma e Star61. Vão rolar sorteios de livros da Edições Ideal, discos de vinil e garrafas de cerveja artesanal. E vai rolar performance ultra sacana, devassa e canalha DELA! De quem? Ora, da nossa eterna musa indie oficial, a mais linda, gostosa e safada de todas até hoje, miss Jully DeLarge, primeira e única. Então, recado já dado e data marcada. Fica esperto pra NÃO perder!

 Preparem-se machos (cados, uia!): esse demônio de devassidão vai participar da festona de onze anos do blog mais safado da web brasileira

 

* Mais notícias bombásticas agitando o mondo rocker na semana que está chegando ao fim: foi anunciando em Londres aquele que provavelmente vai ser o encontro mais BIZARRO do rock’n’roll nos últimos séculos. O ainda grande Duran Duran está gravando seu novo álbum de estúdio (ainda sem previsão de lançamento). E um dos convidados em uma das faixas é ninguém menos do que ex-guitarrista do Red Hot Chili Peppers, o fodíssimo John Frusciante. O que vai sair desse encontro? Só esperando para ouvir e saber…

 John Frusciante: o ex-guitar man do Red Hot estará no novo disco do Duran Duran

 

* Mas enfim, o rock morreu? Nosso querido amigo pessoal e célebre jornalista musical, André Forastieri, afirma que sim em seu primeiro livro, “O dia em que o rock morreu”, lançamento da editora gaúcha Arquipélago e que chega às livrarias nesta segunda-feira. Trata-se de uma colentânea de textos escritos por Forasta (atualmente, um dos editores do portal R7), ao longo de sua trajetória como jornalista. O lançamento em São Paulo é dia 15 de maio próximo, na Livraria Cultura da avenida Paulista, e o blog vai estar por lá.

 

 

* Porém, enquanto o novo disco do Duran Duran e o livro do Forasta não chegam, não percamos tempo. O primeiro solo de Damon Albarn, o homem que canta no Blur, sai oficialmente nesta segunda-feira. O blogão sempre atento já ouviu e conta aí embaixo o que achou.

 

 

DAMON ALBARN PASSA LOOOOONGE DAS GUITARRAS E DO BRITPOP EM SUA ESTREIA SOLO

O dândi Damon Albarn está com quarenta e seis anos de idade (completados em março último). Durante vinte e cinco desses anos ele cantou à frente do gigante Blur, a banda que ao lado do Oasis liderou o movimento rocker britpop nos anos 90’. E não só: além do Blur ele também criou outros grupos e projetos paralelos (Gorillaz, The Good, The Bad & The Queen), mas só agora Damon Albarn resolveu lançar seu primeiro disco solo. “Everyday Robots”, que criou razoável expectativa na rock press planetária chega oficialmente às lojas de disco na próxima segunda-feira, embora tenha vazado na web esta semana. E ironicamente hoje, sexta-feira 25 de abril (quando parte do postão zapper está entrando no ar), se completam exatos vinte anos do lançamento de um clássico recente da história do rock, o fodástico álbum “Park Life”, lançado pelo Blur em 1994 e que fez a banda estourar mundo afora, inclusive no Brasil, com o mega hit “Girls & Boys”.

 

O Blur sempre foi uma banda mega sofisticada musicalmente: seus quatro integrantes eram egressos de escolas de arte em Londres. Tanto que “Park Life” enlouqueceu a crítica e os fãs por ser rigorosamente inclassificável. Havia de tudo no disco: pop radiofônico, baladas melancólicas, rocks no limite do heavy metal e até uma valsa instrumental (!). E mesmo com toda essa sofisticação sempre houve muito espaço para as guitarras na banda, e que eram (são) executadas com maestria pelo gigante Graham Coxon.

 

Mas o cara de bom moço Damon (que um dia teve seu coração destroçado pela, naquela época, xoxotaça Justine Frischman, vocalista do Elastica, que deu um pé na bunda do rapaz, e do qual ele parece nunca ter se recuperado totalmente) também sempre adorou flertar com ambiências mais funky e eletrônicas, o que o levou a montar o grupo virtual Gorillaz, por exemplo. E entre as muitas idas e vindas do Blur, entre uma passagem e outra pelo Brasil (em 1999 e no ano passado, no festival Planeta Terra), Albarn foi maturando sua estreia solo.

A estreia solo de Damon Albarn: muito longe das guitarras e do britpop do Blur

 

Pois “Everyday Robots” soa estranhíssimo numa primeira audição. E passa muuuuuito longe de guitarras e da sonoridade britpopper do Blur. Estas linhas zappers mesmo ouviram o disco esta semana pelo menos umas cinco vezes para formar/formular um conceito sobre ele. É um trabalho extremamente dúbio porque simples e complexo ao mesmo tempo. Desvela o que se passa na mente de um músico consagrado perto do seu meio século de vida. E essa radiografia musical não vai suscitar meio-termo: quem gosta de guitarras, melodias pop e mais arejadas, por certo vai detestar o cd. Já quem ama paisagens sonoras contemplativas, bucólicas, pastorais, com ambiências eletrônicas e uma grande dose de melancolia, vai se identificar no ato.

 

O blog começou a curtir o álbum nas últimas audições. Mas confessa que não foi fácil digerir em um primeiro momento a esquisitice melódica da faixa-tíulo, que abre o disco e já ganhou vídeo promocional. Porém, com o avançar das faixas vai-se descobrindo momentos de reflexão que se inserem dentro de paisagens sonoras elaboradas e construídas com esmero, caso de “Hostiles” e seus belos violões e camadas de teclados, ou ainda da algo latina “Mr. Tembo”, da tristíssima (e lindíssima, com pianos e acordeões) “Photographs (You Are Talking Now)” e de “Heavy Seas Of Love”, que possui a participação da lenda Brian Eno nos vocais. Aliás no capítulo das participações a cantora do Bat For Lashes, Natasha Khan, também dá sua contribuição à obra, dividindo os vocais com Damon em “The Selfish Giant”.

 

Por certo são músicas que dificilmente se encaixariam na proposta musical do Blur – ou menos ainda no eletrônico sarcástico e ensolarado do Gorillaz. Daí Damon Albarn ter optado por dar vazão a esse material em um cd com a sua assinatura própria. “Everyday Robots” está longe de ser um disco feliz. Trata-se de uma coleção de músicas bem cinzas. Tão cinzas quanto é a maioria da existência humana e como talvez esteja a própria vida do rockstar Damon Albarn.

 

 

O TRACK LIST DE “EVERYDAY ROBOTS”

1.”Everyday Robots”

2.”Hostiles”

3.”Lonely Press Play”

4.”Mr. Tembo”

5.”Parakeet”

6.”The Selfish Giant” (

7.”You and Me”

8.”Hollow Ponds”

9.”Seven High”

10.”Photographs (You are Taking Now)”

11.”The History of a Cheating Heart”

12.”Heavy Seas of Love”

 

 

E DAMON ALBARN AÍ EMBAIXO

No vídeo da faixa-título de seu primeiro álbum solo.

 

 

**********

AS RADIOATIVAS LANÇAM ENFIM SEU PRIMEIRO CLIP BACANUDO

Entonces, foi classe o show do quinteto paulistano As Radioativas na última sexta-feira, lá no Astronete – o pub rock mais sensacional do circuito under paulistano atual.

 

Estas linhas online gostam muito da banda (que é formada por uma vocalista fofona e doidona, a ótima Tatiana Siqueira, além das guitarristas Letícia Kruger e Natasha, da baixista Crica Mess e da batera e linda loira gaúcha Letícia Planodas) e da sua sonoridade proto-punk/glam/riot girrrl (e que não foi entendida por certo jornalista carioca, babaca, boçal e metaleiro velho como só ele sabe ser, um tal de Marcos Brachatto, ahahaha), de letras simples e diretas mas bem legais.

 

Porém o jornalista zapper/rocker acha que a banda tem uma força ao vivo que não foi devidamente capturada em estúdio, na gravação de seu primeiro disco (e aí nos perdoe o queridão Calanca, produtor respeitabilíssimo e dileto amigo pessoal de quase trinta anos do sujeito aqui, se estivermos enganados nessa avaliação). Mas sinceramente, ao vivo, é dos melhores shows que você pode ver atualmente na pálida indie scene paulistana.

Tatiana Siqueira, a front woman gordoidona das Radioativas

 

E foi lançado lá no Astro o clip de “Cuidado Garota!”, que também acaba de ir pra web. Bem básico, simples, mas com roteiro eficiente e bem filmado/dirigido. É o suficiente.

 

A continuar nessa pegada as meninas vão longe. Potencial de sobra pra isso elas possuem, como você pode conferir aí embaixo, assistindo ao vídeo de “Cuidado Garota!”.

 

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Disco: “Everyday Robots”, a estreia solo de Damon Albarn, o homem que ainda canta no Blur.

 

* Showzaço indie triplo: yep, pra quem perdeu as duas gigs do Sebadoh em Sampa na semana passada, amanhã (terça-feira em si, dia 29 de abril, já que o blogon tá sendo finalizado na segundona) tem uma última chance. O lendário trio indie americano se apresenta no evento Red Bull Station, no centrão rocker de Sampa (mais especificamente na Praça da Bandeira, 137, metrô Anhangabau) e tendo a abertura luxuosa das bandas Single Parents (de Sampa) e John Candy (do Rio). Ou seja: balada imperdível pros indie kids. Mas atenção! Vai começar cedo (sete da noite) e acabar cedo também. Então, se agilize pra chegar no horário correto.

O trio americano Sebadoh: última chance de vê-los ao vivo é amanhã, terça

 

* Baladenhas em mais um finde com feriadão: pois é, quinta-feira é 1 de maio e ninguém trampa, uia! Então, com mais um feriadão a caminho (sendo que o blog eternamente andarilho vai por novamente o pé na estrada), já vamos ver o que rola em termos de baladas pra esta semana, pois novo postão zapper só na semana que vem, pós-feriadão. Entonces a esbórnia já começa hoje, segunda-feira, com a festa de treze anos da On The Rocks, uma das baladas rockers mais badaladas e já clássicas da noite under paulistana. Rola no D-Edge (que fica na avenida Auro Soares de Moura Andrade, 141, metrô Barra Funda), na madruga.///Na quarta-feira, véspera do feriadão em si, vai rolar o festival erótico/goth Libertines, no 80’ Club (na rua Deputado Lacerda Franco, 340, Vila Madalena, zona oeste de Sampa), com vários djs e performances. Também na quarta o baixo Augusta vai ferver com a festa “High Voltage” no Inferno (no 509 da Augusta) e mais uma noitada open bar imperdível no Outs (no 486 da mesma Augusta).///Já na sextona pós-feriado tem noitada rockabilly no Inferno e festa de três anos da Tiger Robocop 90’, no Centro Cultural Rio Verde (lá na rua Belmiro Braga, 119, Pinheiros, zona oeste paulistana).///E no sabadão, pra quem está na pacata e bucólica São João Del Rey (no interior de Minas Gerais, no circuito das cidades históricas), tem show de lançamento do primeiro disco da bacanuda banda Machados, no Underground Pub (que fica na rua José Falconieri dos Santos, 47). Tá bão, né? Roteirão grandão pra semana toda, uia! Se joga!

 

 

FIM DE PAPO

Postão completão no ar. E feriado vindo aí pela frente sendo que o blog vai precisar cair na estrada novamente. Então novo encontro zapper com nosso dileto leitorado fica pra semana que vem, pós feriadão, okays? Mas é claro que se algo muuuuuito bombástico acontecer no mondo pop, iremos registrar aqui em “edição extra”, hehe.

 

Então é isso. abração nos marmanjos, beijão nas garotas. E até a próxima!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 06/5/2014 às 21:30hs.)

O SWU 2011 foi fodaço e você confere tudo aqui, neste post. Mais: as notas exclusivas e venenosas dos bastidores do festival. A volta por cima dos Forgotten Boys, os babados indies da semana e… quem vai NA FAIXA no show do Tokyo Police Club, hoje à noite em Sampa (plus: vaza na web a suposta programação do Lollapalooza BR 2012) (versão final em 19/11/2011)

 

 A dupla de frente do Duran Duran (o baixista John Taylor e o vocalista Simon Le Bon, acima), e o sempre loucaço Mike Patton, o front-man do Faith No More (abaixo): o grande rock dos anos 80′ e 90′ comandou o SWU 2011, no último finde em Paulínia 

——————–

Up to Date – e ao cair da noite de ontem (sexta-feira, hoje já é sabadão, 19/11), a bomba sacudiu a web. Vazou na rede o cartaz do que seria (ou será) o line up do festival Lollapalooza BR, em abril de 2012, em Sampalândia.

Tumulto formado nas redes sociais (como Twitter e Facebookete), gente acreditando, gente desacreditando, povo já perguntando pela venda de ingressos etc. Este blog, sempre zeloso com o seu dileto e fiel leitorado, prefere esperar até esta segunda-feira pela manhã, quando uma coletiva de imprensa vai, de fato, anunciar oficialmente tudo sobre o Lolla brazuca. O blog estará por lá e depois conta tudo aqui e na Zap do portal Dynamite.

É isso. Bom finde pra galere, que hoje o sujeito aqui vai lá pro baixo Augusta. E semana que vem: festão de aniversário do autor destas linhas online, com DJ set no clube Outs. Todo mundo já está convidado a colar por lá!

 

——————–

Pode ainda não ter sido o evento dos sonhos de quem ama música pop e rock’n’roll.

 Mas ficou bem perto disso: o festival SWU, em sua edição deste ano e que se encerrou na última segunda-feira em Paulínia (cidade do interior paulista, a cerca de 120 kms da capital, São Paulo), mostrou uma organização e estrutura infinitamente superiores à primeira edição, que aconteceu em outubro do ano passado, na famigerada arena Maeda, em Itú (também no interior paulista). E se a programação de shows de 2010 foi melhor do que a deste ano, a edição 2011 compensou com algumas gigs que já podem entrar para a história dos grandes shows gringos vistos no Brasil – como a provável última aparição ao vivo do já clássico e lendário grupo americano Sonic Youth ou, ainda, os sets arrasadores do Duran Duran, do Alice In Chains e do Faith No More. Este último, inclusive, deixou a arena do festival consagrado mais uma vez e merecidamente: fazendo um set que teve os hits empolgantes de sempre (com a banda já disparando “From Out Of Nowhere”, a sensacional faixa de abertura de seu terceiro álbum, logo no começo do show; além de ter tocado também “Epic” e “Easy”), o FNM ainda carregou nas bizarrices habituais de suas apresentações ao vivo. No SWU o grupo homenageou a cultura popular brazuca e os credos religiosos, com a banda vestida toda de branco e o vocalista Mike Patton encarnando um autêntico Zé Pilintra rocker, entrando no palco curvado, apoiado numa bengala e soltando baforadas de cigarro como um louco. Isso sem contar que, antes de a banda entrar em cena, o poeta popular pernambucano Cacau Gomes deu um show à parte, recitando versos de um quase cordel amalucado, repleto de palavrões e citações à sua vida pessoal e à cultura popular nordestina. E quando ele anunciou a entrada do Faith No More, o povaréu (a essa altura, havia 70 mil pessoas ali) foi ao delírio. Óbvio que em um festival dessas proporções, nem tudo funcionou como devia. Ancorado mais uma vez na plataforma da sustentabilidade e do respeito à natureza, o SWU não conseguiu sensibilizar boa parte do público com esse apelo. O resultado disso foi que, mesmo com centenas de latões de lixo espalhados pela área do evento e com mais de mil banheiros químicos à disposição do público, muitos Zé ruelas insistiram em jogar o lixo no chão e mijar onde lhes era conveniente. Isso gerou indignação de parte do público contra a organização do festival, e aí cabe a pergunta: que culpa tem o SWU se as pessoas insistem em não ter civilidade? A chuva também castigou forte a arena em Paulínia durante a maior parte dos três dias e noites de fóruns e de shows. Isso gerou a inevitável lama nas áreas do festival que não eram asfaltadas – como no estacionamento oficial, onde vários carros acabaram ficando atolados por horas, o que também gerou indignação em seus condutores. Em entrevista coletiva concedida aos jornalistas na sala de imprensa, na noite de encerramento do SWU, tanto o diretor-geral do evento (o publicitário Eduardo Fischer) quanto um dos diretores artísticos (o sempre simpático e boa praça Théo Van Der Loo) prometeram soluções para minimizar o problema. Tanto que o festival deverá ser antecipado para setembro ou outubro, evitando assim que ele coincida com o período pesado de chuvas. No cômputo geral, enfim, o saldo foi muito mais positivo do que negativo. Neste post que começa agora, mais aí embaixo, você confere um resumo do que foi o SWU 2011 dia a dia, em textos e fotos do zapper rocker e da nossa colabora oficial, Helena Lucas Rodrigues.

* E antes que você leia aí embaixo como foi o fodástico SWU 2011, cabe a pergunta: quem disse que a onda de shows em Sampalândia acabou? Porra nenhuma! Hoje mesmo, sextona em si, tem Tokyo Police Club lá no UpperClub, que fica na Chácara Santo Antônio (zona sul de Sampa), com promo relâmpago de tickets rolando aqui no blogão que não dorme no ponto – veja os nomes dos dois sortudos que vão na gig por conta do blog no final do post. Mais: o Ok Go! (que nem é tão legal assim) toca em festa fechada, no baixo Augusta, às sete da noite! Depois o grupo sai tocando por aí, na boléia (hihi) de um caminhão, pra divulgar a tequila Cuervo, sendo que amanhã (sabadão em si) uma dessas apresentações vai rolar às dez da noite na altura do número 700 da rua Augusta. Vai encarar?

* E enquanto todas as atenções estavam voltadas para o SWU em Paulínia, o mundo continuava girando, claaaaaro. Adriano Cintra (dileto amigo destas linhas zappers há séculos) deu um foda-se pro CSS e pulou fora da banda. E saiu atirando como sempre, bichona nervosa que ele é, uia! Em resposta a ele, as garotas da banda soltaram um comunicado, hã, todo “afável”, agradecendo ao multiinstrumentista os anos que passaram juntos no grupo. Hum… A opinião destas linhas online, se você quer saber, é: o CSS não deve ir longe sem Adriano, que era o cérebro musical da banda e todo mundo sabe disso. Vai daí que o grupo deve ir pro saco em breve, Lovefoxxx vai sair em carreira solo (óbvio) e que também não vai dar certo, e é isso. Alguma dúvida?

* Da música pra política: o tal Lupi, do Ministério do Trabalho, é mais um que (espera-se) está com os dias contados no governo de dona Dilma. Sério: já passou da hora de fazer uma limpeza pra valer na Esplanada dos Ministérios em Brasília. Afinal não dá pra engolir a patifaria sem fim que rola ali, há séculos.

* E voltando pra música, novamente: rola entre os dias 1 e 10 de dezembro, em Boa Vista (capital de Roraima, mané) mais uma edição do festival Tomarrock. Organizado pelo pessoal do Canoa Cultural, o Tomarrock é um dos eventos rockers bacanas que sacodem a capital roraimense anualmente. E este ano a programação de shows (que vão rolar nos dias 9 e 10 de dezembro) conta com nomes como os paulistanos Dr. Sin e For Fun, além da Orchestra Camarones. Zap’n’roll esteve há alguns meses em Boa Vista cobrindo outro festival, o também bacana Skinni, em sua primeira edição. O blog adorou a cidade e a cena rock local (tanto que acabou fazendo uma matéria sobre esta mesma cena no Caderno 2, do jornal O Estado De S. Paulo), e deverá estar de volta por lá, para cobrir de perto o Tomarrock. Entonces, vai acompanhando o blog que assim que rolarem mais infos e novidades sobre o festival, tudo será publicado aqui, certo mano?

* No mesmo finde do Tomarrock vai rolar em Macapá (capital do Amapá, manezão) a quarta edição do já grande QuebraMar, que é organizado pela turma do coletivo Palafita (alô Otto Ramos e Heluana Quintas, estas linhas bloggers online mandam um abração pra vocês, diletos amigos aí do extremo Norte brazuca). O blog acompanhou de perto as edições de 2010 e 2009 do festival e pode afirmar que ele é um dos melhores entre os festivais que rolam anualmente no Brasil, dentro do calendário do Circuito Fora do Eixo (que anda sendo seriamente questionado quanto seus métodos de condução da cena musical independente brasileira, mas isso é assunto para outro post). E estas linhas virtuais gostariam muitíssimo de estar novamente em Macapá este ano mas como há a viagem pra Boa Vista nos mesmos dias e o sujeito aqui não pode se dividir em dois… De qualquer forma, Zap’n’roll deseja sucesso pro QuebraMar 2011, ainda mais com a programação fodona que eles montaram pra este ano (com Júpiter Maçã, Autoramas, Plastique Noir etc). Enfim, é a brava turma do Norte brasileiro (Roraima e Amapá) arregaçando as mangas pra fazer o rock acontecer e rolar por lá.

* O nosso amado rock’n’roll, que também rolou forte (e como!) no finde passado em Paulínia, com a edição 2011 do sensacional SWU. E que você confere aí embaixo como foi.

SWU 2011 – O DIA A DIA DE UM MEGA FESTIVAL
12/11 – SÁBADO
A arena destinada a abrigar a edição 2011 do SWU não chegou a lotar mas ficou bem cheia, com cerca de 60 mil ingressos vendidos. Mas foi uma noite, hã, chata pra quem curte rock e um banquete para fãs de música pop, black music e reggae já que era noite de, entre outros, Damian Marley, Snoop Dogg e o abominável Black Eyed Peas – e que demonstrou que seu pop com contornos eletrônicos e algo de black music (daquelas diluídas ao máximo, para serem palatáveis ao mega público) de FM tosca, está cada vez pior.

Em um dia como esse, surpreendeu que um rapper como o venerável Emicida tenha animado o público mais “pensante”. E isso, às três da tarde, com o calor em Paulínia batendo nos 32 graus. O resto (inclua aí o mala Kanye West) foi o resto. Resumindo a ópera: foi a noite menos interessante do SWU deste ano.

13/11 – DOMINGO
O rock começou a invadir Paulínia. E a chuva também. O tempo virou espetacularmente e não parou mais de chover na arena do festival (com alguns poucos intervalos entre uma pancada e outra). Isso não desanimou quem foi conferir os shows mas provocou problemas e stress nas internas do festival. Primeiro houve a cena de pugilato entre roadies do Ultraje A Rigor (que atrasou sua entrada no palco em quase duas horas, por conta da chuva, e depois não queria mais parar de tocar) e do venerável Peter Gabriel, que iria fechar a noite no palco Consciência e cujo set iria atrasar caso a já decadente banda brasileira não encerrasse logo sua apresentação. Acalmados os ânimos ali, quem estava diante do palco New Stage aguardando a aparição do americano Modest Mouse, foi surpreendido com a notíci de que o grupo havia acabado de cancelar sua gig no festival. O motivo alegado foi que os equipamentos do conjunto, transportados por uma empresa particular, não haviam chegado a tempo ao Brasil. Isso causou enorme irritação e decepção nos fãs da banda, sendo que vários deles haviam ido a Paulínia apenas mesmo para ver o MM tocar.

A compensação por estes dois episódios negativos começou a vir com o cair da noite. O gigante new romantic oitentista Duran Duran fez um set impecável (o som estava baixo no início do show, mas depois foi equalizado e ficou como devia), com direito a muita afetação visual, plumas, paetês, glamour e o grupo mandando hits como “View To A Kill”, “The Reflex” (momento em que o repórter que assina este texto perdeu a compostura, mandou a elegância se foder e começou a dançar como uma bicha ensandecida, rsrs), “Notorious”, “Ordinary World”, “The Wild Boys” e “Rio”, que fechou espetacularmente o show. Enquanto isso, no New Stage, o Hole já fazia um show que dividiu opiniões: uns amaram, outros detestaram. Cercada por uma banda de apoio formada por músicos com cara de junky de beira de estrada, miss Courtney Love falou, falou, mostrou os peitos (ainda em forma, para os seus veneráveis 47 anos de idade), disparou contra Dave Grohl e Billy Corgan (“ele me comeu duas vezes e grudou no meu pé! Ficava me mandando cartas de amor”, disse a viúva de Kurt Cobain, uia!), e cantou, óbvio. Teve “Violet”, “Malibu” e “Celebrity Skin”, claro. Mas ficou a impressão de que o Hole poderia ter sido beeeem melhor. E que a banda, hoje, já não é mais o que era há duas décadas.

Já o ex-Soundgarden e ex-Audioslave Chris Cornell enfrentou uma multidão apenas acompanhado de violão e, eventualmente, de um segundo guitarrista. Um show quase solo que funcionaria perfeitamente em um local pequeno, e não em um palco gigante de um festival idem. Ainda assim ele se saiu bem (muito por conta de seu vocal fantástico, plenamente em forma até hoje), tocando e cantando muitas músicas do Soundgarden, algumas do Audioslave, de sua carreira solo e também executando covers inusitadas como a de “Billy Jean”.

 Courtney Love e seu Hole: muito falatório, porradas em Billy Corgan e Dave Grohl, e os hits “Malibu” e “Celebrity Skin” cantados em coro pelos fãs. E ela ainda tirou os peitos pra fora…

Mas mico mesmo foi a apresentação do ex-Genesis Peter Gabriel. Aqui, uma observação: o autor deste texto tem respeito máximo pela obra de Gabriel, cuja genialidade é inatacável. Tanto que o show que ele mostrou em São Paulo em 1988, na turnê da Anistia Internacional, foi sensacional, impecável e inesquecível. Mas no SWU Peter resolveu vir com uma orquestra (isso mesmo, orquestra), para reeditar os piores dias do insuportável e mala rock progressivo. Tocou seus clássicos, fez discursos políticos (bem de acordo com a proposta do festival) mas o set foi sonolento de dar dó e provocou debandada geral do público. Uma roubada para um dos maiores nomes do rock inglês em todos os tempos, e que fez o show errado, no dia errado e no festival errado.

Surpreendente mesmo – e como! – foi o encerramento da segunda noite, com a velhusca banda americana de southrn rock Lynyrd Skynyrd.

Tradicionalíssimo nome do rock sulista dos EUA, o LS tem apenas um integrante de sua formação original (quase todos os outros morreram em um desastre de avião, ocorrido em 1977) e, pensava-se, poucos fãs brasileiros. Pois tocando em cena com três guitarristas e mandando ver numa explosiva combinação de rock estradeiro, blues e canções mezzo country/boggie, o grupo levantou o povão, que cantou junto clássicos como “Sweet home Alabama”. Nessa hora todos se esqueceram de que o Lynyrd é de uma região americana ultra conservadora e de direita, e que odeia negros. Afinal, todos estavam ali pra curtir ótimo rock’n’roll. E nesse ponto, o set do grupo encerrou a segunda noite do SWU de maneira impecável e avassaladora.

14/11 – SEGUNDA-FEIRA
Foi a gloriosa noite de encerramento do festival. O rock está morto? A música pop domina o mundo em 2011? Não é o que parece, a julgar pelas 70 mil pessoas que compareceram ao SWU em sua noite derradeira – até a arquibancada vip e coberta, com tickets a preços beeeeem salgados, estava lotada. E os grandes shows tiveram início logo no começo da tarde, com os indies Black Rebel Motorcycle Club e Ash botando pra foder no palco New Stage.

Mas o bicho pegou mesmo foi com a entrada em cena do Stone Temple Pilots. A essa altura a chuva já desabava forte em Paulínia e o povão nem aí. Trajando terno cinza e gravata o vocalista Scott Weilland comandou a ressurreição do grunge dos 90’, apoiado por uma banda que demonstrou muito mais solidez instrumental do que no show que fizeram no final do ano passado, na Via Funchal, em São Paulo. E, claro, não faltaram “Crackerman” (que abriu o set), o mega hit “Plush” e a fodástica “Big Bang Baby”, que não foi tocada no Brasil em 2010 e que fez com que o repórter zapper perdesse o juízo novamente: ele se atirou na grade na frente do palco durante a execução da música.

Daí pra frente a comoção tomou conta do festival. O indie/lenda Sonic Youth fez aquele que pode ser um dos seus últimos shows (a anunciada separação do casal Thourston Moore/Kim Gordon, pode por um ponto final nas três décadas de existência da banda), levantando o público, fazendo muita gente chorar de emoção e encerrando o set com a dobradinha infernal “Sugar Kane/Teenage Riot”. Já está registrado como um clássico e um dos grandes shows gringos no Brasil em 2011. Assim como foi também o set poderoso do Alice In Chains que, mesmo desfalcado do inesquecível Laney Staley nos vocais, segurou os fãs com uma gig impecável e todos aqueles hits que enlouqueceram os grunges há vinte anos – “Would” e “Man In The Box” que o digam.

 

 Dean DeLeo comanda a guitarra do Stone Temple Pilots

Tudo acabou com a inacreditável gig do Faith No More, que adentrou o palco quando já era uma e meia da madruga de terça-feira. O show deles já está bem descrito no começo deste texto. É outra apresentação que vai entrar tranqüila na lista dos melhores shows internacionais deste ano no Brasil.

Foi isso. A celebração da eterna juventude rocker com muita música, muita alegria, alguns sopapos, muita breja, chuva, lama, alguma dorga (maconha, principalmente) e pouca sustentabilidade (por parte do público). Daqui a um ano, na mesma Paulínia, tem mais.

SWU 2011 – O QUE DEU CERTO NO FESTIVAL
* Estrutura e organização: funcionou tudo quase à perfeição. A arena em Paulínia superou com folga a Maeda, onde o evento aconteceu no ano passado, nesses dois quesitos. Houve sim problemas nas áreas gramadas (que se transformaram em lama, com a chuva) e no estacionamento. Mas em compensação o som nos palcos estava potente, os shows começaram quase todos no horário (houve atrasos mínimos por parte de algumas bandas), o acesso ao festival era fácil, rápido e tranqüilo e havia centenas de latas de lixo e banheiros químicos à disposição do público. Quem jogava lixo no chão ou fazia xixi fora do banheiro é porque está mesmo acostumado a ser “sujinho” e não tem educação – e muito menos consciência ambiental.

* Compra de alimentos e bebidas: outra belezura. Não havia fila alguma pra comprar os tickets (que podiam ser pagos com cartão) e muito menos pra retirar no balcão o que foi comprado.

* Linha expressa de busão entre a rodoviária de Campinas e a entrada principal do festival, em Paulínia: um dos maiores acertos do evento. Precisa ser mantida (e ampliada) nas próximas edições. Rápida (trajeto em vinte minutos), sem tumulto (a equipe da Dynamite foi e voltou nas três noites sentada no ônibus) e sem congestionamentos pelo caminho. Havia dezenas de carros à disposição do público e quem ficou hospedado em Campinas pra ir ao festival se deu bem e não teve problemas em chegar lá. Já o povo “coxinha” que insistiu em ir de carro…

* Atendimento nos postos médicos: rápido e eficiente.

* Line up: tirando a primeira noite, que não tem muito a ver com a proposta rocker do SWU, o festival foi perfeito e teve momentos memoráveis (como os shows do Duran Duran, Stone Temple Pilots, Sonic Youth e Faith No More). Boa surpresa também foi o indie psicodélico do americano The Black Angles, que fez um set bacanudo no palco New Stage. Para a edição 2012 a programação pode dar uma melhorada e modestamente já damos algumas sugestões para ela: Radiohead, Blur (se eles estiverem excursionando) e The Cure. Seriam três ótimos headliners pro festival, não?

* Sala de imprensa: estava mega bem equipada, com computadores de última geração, além do habitual festival de mini sandubinhas (o de pão de cenoura com salame estava uma loucura, rsrs), refris, água mineral etc. E o atendimento aos jornalistas também estava o melhor possível.

SWU 2011 – O QUE NÃO DEU TÃO CERTO NO FESTIVAL
* Início dos shows muito cedo: ninguém agüenta chegar numa arena pra ver gigs já às duas da tarde. Para 2012, a sugestão é: começar o festival diariamente um pouco mais tarde (por volta das 18 horas seria perfeito) e esticá-lo até de madrugada.

* A programação pop da primeira noite: ok, a idéia é agradar todas as tribos musicais. Mas a primeira noite do SWU 2011 se mostrou pop demais, o que tira o caráter, hã, mais cultural do festival. E está mais do que provado que a galera do rock lota mesmo qualquer evento: o recorde de público foi na última noite, com 70 mil pessoas pirando na arena em Paulínia.

* Preços abusivos nas bebidas e alimentos: não foi e não é exclusividade do SWU. Sempre haverá extorsão do público em eventos musicais de grande porte (seja em festival de rock, ou em mega shows como Pearl Jam e Paul McCartney). A solução é agüentar a sede a fome e matá-la depois (ou até mesmo antes) do evento, antes de entrar na arena. Em Paulínia foi assim: dentro do SWU, uma garrafa long neck de Heineken (patrocinadora do festival) saía por seis mangos (nos caixas; nos camelôs pulava pra oito). Já do lado de fora, as barraquinhas “alternativas” ofereciam a mesma cerveja por dez reais. Só que com TRÊS UNIDADES! Ou seja: você pagava dez mangos por três garrafinhas, e não apenas uma. 

* Lama no estacionamento: foi inevitável com a chuva que não parava de cair. E quem foi de carro deu o grito, claro, já que muitos veículos ficaram atolados por cerca de seis horas e apenas saíram do lugar quando foram puxados por tratores – que cobravam 50 mangos pelo “serviço”. Fica novamente a dica  pro povo “coxinha” que quer conforto e ir de carro em um festival de rock: deixa o possante na garagem e vai de ônibus, porra!

* Tenda eletrônica Heineken Greenspace: ao contrário de 2010, ela fechou cedo todas as noites, assim que os shows acabaram nos outros palcos. Como era uma balada eletrônica, poderia ter sido esticada até de manhã pra quem estivesse com disposição, não?

SWU EM IMAGENS!!!
Dezenas de pics, a grande maioria tirada pela nossa linda e esperta colaboradora, a Helena Lucas Rodrigues (vulgo negra gata sorrizão e fanática pelo Jerry Cantrell, hihi)

AS BANDAS ARRASAM NOS PALCOS

 Simon Le Bon, mantendo o glamour new romantic três décadas depois

 Uma das bitchies/junkies de miss Love, em ação na gig do Hole

 Erik Krates mandando ver na bateria do STP

 Mr. Scott Weilland, vocal do STP e o junky que é sonho de consumo de muita gente (mulheres e homens também, hihi)

 O velho Jerry Cantrell, segurando os vocais e mantendo o esporro de sempre na guitarra do Alice In Chains

 Zé Pilintra do rock? Mike Patton mais uma vez msotrou que continua um gênio maluco, à frente do Faith No More

O PÚBLICO DÁ SHOW À PARTE

Galera chegando pra curtir um rock

Ela procurou manter a elegância, mesmo na chuva 

Casal faz um copper rápido, pra não perder nenhum show 

  

 Ela estava… triste, em pleno SWU???

Gata rock’n’roll cheia de charme

 Turma animada, sempre!

 

 Dupla da breja

Turma animada II 

 O rocker da capa branca

Galera do metal 

 

 Sustentabilidade para o Faith No More

E NOS BASTIDORES…

 Encontro de homens de preto no show fodástico do Sonic Youth: Zap’n’roll (Ride!) e seu old friend Just Like Dani (aka “A corrente de Jesus & Maria”)

 Na sala de imprensa do festival, na última noite, ao lado do “cappo” do SWU, o publicitário boa praça Eduardo Fischer

 Dupla do barulho: o blogger rocker e Wlad Cruz, o homem do Zona Punk

 Dupla do barulho II: o eterno jornalista gonzo e sua girlfriend, a fotógrafa e blogueira Helena

 Fim de festa, novamente na sala de imprensa, última noite do festival: a bota e a calça do jornalista cobertas de lama, mostra que o SWU foi mesmo rock’n’roll!

SWU EM DOIS VÍDEOS

Aí embaixo você vê a apresentação completa da lenda indie guitar americana, que foi postada no YouTube. E também um vídeo “off” (rsrs), onde o autor destas linhas bloggers lokers tenta “explicar” como será a cobertura zapper no SWU, hihi.

 

O show completo (a despedida deles?) de uma das maiores lendas do indie rock mundial em todos os tempos. SWU, Brasil, 14/11/2011

Zap’n’roll tenta “explicar” como será a cobertura do SWU, rsrs

 

* Equipe da Dynamite e do blog Zap’n’roll em Paulínia: Humberto Finatti e Helena Lucas Rodrigues.

E NAS INTERNAS DO FESTIVAL…

* Foi tranqüila a ida, todos os dias, de Campinas pra Paulínia, pra curtir e cobrir o SWU. O busão expresso que fazia o trajeto entre a rodô campineira e a entrada principal do festival, cobria a distância em meros vinte minutos. E nunca estava lotadaço. E o preço era uma merreca: R$ 2,90. Ponto pra organização do festival, com certeza.

* Foda mesmo foi achar um lugar pra se hospedar. O casal Zap’n’roll e Helena Lucas chegou a Campinas na noite de sábado, já atrasadíssimo (só pra variar…). Fez um périplo por dezenas de hotéis próximos à rodoviária, dos mais caros aos mais pulgueiros. Todos lotados. A salvação veio de uma tiazinha, recpcionista de um “meia estrela”: “moço, vai no flat Campinas, logo ali. É caro, mas deve ter vaga”. E tinha mesmo, mas com diária fura bolso total (mais de cem pilas). Sem alternativa, o casal jornalista/rocker ficou por lá mesmo. E amou a hospedagem na suíte que tinha até sala de estar e cozinha com micro-ondas. Ficou combinado entre o zapper e sua black gilfriend que a hospedagem, no SWU 2012, vai ser novamente ali mesmo, uia!

* A primeira noite do festival foi aquela tosquice de Kanye West, Black Eyed Peas e outros menos votados. O bicho começou a pegar mesmo na segunda noite, com o povo do rock invadindo a arena do SWU. E com com o rock também veio a chuva, claaaaaro. Semrpe que esta apertava o blogger loker se “protegia” na sala de imprensa e lá se divertia comendo sandubinhas, tomando Coca-Cola e vendo as figuras bizarras que compõem hoje a mídia musical brazuca.

* Yep, e ela estava lá, na sala de imprensa! Todas as noites! Quem? A “ídala” destas linhas online, miss Carol Nogueira, primeira e única. Na segunda noite do festival Zap’n’roll não se conteve e foi dar um alô à garota (que é bonitinha, simpática e bem menos pancuda do que demonstra em seus textos no blog Remix). “Oi, sou seu fã!”, disparou o zapper, hihi. Ela, com olhar de quem queria fuzilar o sujeito aqui: “Eu sei que você é o Finatti!”. Uuuuuiiiiiaaaaa!

* Mais figuras ilustres de nosso jornalismo musical também estavam dando sopa na sala de imprensa. Sérgio Martins, Daniel Vaughan, o sempre queridaço Pablo Miyazawa (super monge japa zen), a fofa Mari Tramontina, o mais que querido Luscious Ribeiro, Paulo Terron e… Jotalhão!!! Yesssss! A grotesca figura surgiu do nada em Paulínia, na última noite do festival, e lá ficou, tagarelando e desfilando sua pança paquidérmica entre os colegas de ofício. Como na última noite o autor destas linhas bloggers lokers estava, hã, já um tanto ébrio por conta de algumas doses de vódega (explicamos melhor isso no próximo bloco, rsrs), ele se irritou ao ver a hedionda rolha de poço do jornalismo cultural de Sampa. Lembrou-se do episódio “lata de breja na cara”, ocorrido anos atrás em Cuiabá, e chegou a cogitar a possibilidade de, desta vez, atingir o nefasto personagem com um… copinho de plástico cheio de vodka, também na fuça. Mas avaliou a situação, viu que isso iria arranhar a “imagem” do jornalista gonzo aqui (além de que ele estava sendo “contido” pela namorada), e desistiu da idéia, hihi.

* Só havia cerveja dentro da arena do SWU. E Heineken, patrocinadora do festival. Tudo lindo, quem não ama uma Heineken? Até Zap’n’roll, que detesta cerveja, adora a holandesa. Só que na última noite, cansado de tomar brejas, o autor deste blog decidiu comprar… uma garrafa de vodka e outra de energético, para levá-las ao evento. E levou, tomando o cuidado de “ocultar” as duas em sua mochila (já que jornalistas não sofriam revista rigorosa como o público comum, na barreira de “contenção” da entrada da arena). Não deu outra: chegando na sala de imprensa, lá se foi o zapper preparar seus apetitosos drinks de vodka com energético, mais gelo no copo. Foi aí que o lado “selvagem” do blogger gonzo voltou a atacar. Cumas? Leia abaixo.

* Entrevista coletiva na sala de imprensa, também na última noite. Eduardo Fischer, o homem que criou o SWU, fazendo um balanço do festival e respondendo perguntas da jornalistada presente. Até que lá pelas tantas, um pirralho mala (provavelmente um foca em início de carreira na profissão), começa a trollar o publicitário: “Mas e essa lama toda? As pessoas estão todas sujas e a área do festival está imunda!”. Fischer, sem perder o aplumb: “Você já esteve alguma vez em Glastonbury? Se sim, sabe o que é lama”. O moleque insiste: “E os carros atolados no estacionamento? A organização deveria tomar medidas e bla bla blá”. Foi quando o autor deste blog, já devidamente calibrado por algumas doses de vodka, interveio: “Cazzo, porque nossa raça, de jornalistas, às vezes é tão chata?”. O moleque, indignado, disparou: “Não estou falando com você!”. E o sujeito aqui, que jamais leva desaforo pra casa, devolveu na lata: “Ah é? Então vai tomar no cu! Entendeu bem? Vai tomar no seu cu!”. E a entrevista prosseguiu, rsrs.

* Dorgas no festival? Havia, claaaaaro. Muuuuuita maconha, sentia-se o cheiro de mato queimando a metros de distância. Já a amada “devastação nasal”, que foi a preferência junky do autor destas linhas rockers lokers durante anos, não foi detectada pelo blog.

* Blog que conseguiu se “infiltrar” no backstage do palco Energia, pouco antes de o Stone Temple Pilots começar seu set. jornalistas não podiam ir ao backstage, claro (com algumas exceções, como o pessoal de equipes de TV e tal). Mas a segurança, por vezes, se distraía. E, numa dessas distrações, pimba: lá se foi o zapper fazer um tour rápido atrás do palco gigante. Foi quando ele teve a “brilhante” idéia de ir buscar a Cannon com a qual a fotógrafa Helena estava registrando o festival. Saiu do backstage, encontrou a garota (já no “chiqueirinho” de imprensa, pronta pra registrar pics das duas primeiras músicas do STP) e pediu, esbaforido: “assim que você terminar de fazer as fotos das duas primeiras músicas, me passa a câmera que eu vou conseguir entrar lá atrás e…”. E mais nada: uma das assessoras do festival já veio com tudo: “Finatti, jornalistas não podem ficar no backstage”. Acabou ali a aventura zapper atrás do grande palco, rsrs.

* Por fim, o saldo de anos de enfiação brava de pé na lama: ao término da segunda noite do festival, o autor deste blog já estava com azia de tanto comer sandubinhas na sala de imprensa. Passou em um dos postos médicos espalhados pela arena e pediu pras enfermeiras de plantão um remédio que desse um alívio ao problema. Medicado, recebeu a sugestão da black gilfriend: “mede a sua pressão. Há quanto tempo você não faz isso?”. E lá se foi o gonzo blogger medir a pressão. O resultado foi um susto, literalmente: 12X16 (quando o normal, todos sabem, é 8X12). Foi aí que Zap’n’roll tomou mais um medicamento (desta vez, pra baixar a pressão) e saiu beeeeem preocupado do SWU. Na noite seguinte, mediu novamente e a coisa começou a voltar ao normal: 8X14. Ótimo. Hoje, sextona e já em Sampa, vamos fazer nova medição. Se tudo estiver “quase” normal, poderemos voltar novamente a praticar nosso esporte predileto: curtir um show de rock (no caso, do Tokyo Police Club), e tomando várias doses de destilados, uia!

* Ah, sim: centenas de sites e blogs “menores” foram “gongados” pela assessoria de imprensa do SWU, e não receberam credenciamento para cobrir o mesmo. Um deles, claaaaaro, é aquela vergonha alheia chamado Female Rock Squad, ou o famoso “blog de fãs e tietes deslumbradas”, comandado por uma desengonçada de quase trinta anos de idade (e, que segundo consta, ainda é virgem; cuidado amiga: faça algo em relação a isso, antes que você se torne uma tiazona neurótica, rsrs) e que dá truque em seus parcos e incautos leitores. Por exemplo: como não foi credenciado, o tal blog e sua “chefa” só fizeram resenha da última noite do festival, já que só devem ter comprado ingresso pra essa noite. Feio isso, né? Enfim, a titular do tal esquadrão feminino da tietagem sem noção deveria fazer o que a funkeira MC Katia recomenda em sua “obra-prima” “Do o meu cu de cabeça pra baixo”, e cujo áudio você (e ela) pode ouvir aí embaixo, hihi. Com certeza a donzela deixaria de ser tiete e adolescente tardia (além de mau caráter com ex-amigas), e olharia a vida com outros olhos e mais tesão, né não?

Um funk “meigo” de MC Kátia, para a bióloga e professora de inglês que “comanda” o blog Esquadrão Feminino da Tietagem sem noção curtir e ser feliz, uia!

——————–
O blog agradece a atenção com que foi tratado pela assessoria do festival, através da Midiorama. E também ao carinho recebido pela Luciana Peluso, pelo Théo Van Der Loo e pelo próprio Eduardo Fischer. Nos vemos em Paulínia novamente, em 2012!
——————–

O COMEBACK FODAÇO DOS GAROTOS ESQUECIDOS
Tudo começou em 1997 quando dois adolescentes –Arthur Frankini e Gustavo Riviera –, ambos apaixonados por MC5, Stooges e glam/glitter rock em geral, decidiram montar uma banda, em São Paulo. De lá pra cá foram catorze anos de trajetória e cinco discos de estúdio. O mais recente, “Taste It”, lançado pela gravadora ST2, acaba de aterrisar nas lojas no velho formato cd – na web, ele já circula há algumas semanas.

O blog zapper está ouvindo o disco há dias e afirma, sem medo de errar e sem querer puxar o saco da banda (que é velha amiga do autor destas linhas online), que este talvez seja o melhor trabalho de estúdio deles até hoje. E o disco vem curiosamente em um momento turbulento na carreira dos Garotos Esquecidos: o fenomenal batera Flávio Cavichioli saiu do grupo após gravar o disco e pouco antes de ele ser lançado oficialmente. Antes, anos atrás, o FB já havia sofrido com a saída do guitarrista Chuck, que tocou por quase oito anos no conjunto e que hoje é VJ da MTV, além de tocar no grupo Vespas Mandarinas. Chuck, porém, nunca deixou de ser amigo de Gustavo e dos FB, tanto que participou do show de lançamento de “Taste It” há três semanas, na casa noturna paulistana Beco203. E, pasmem, tocando bateria!

Zap’n’roll esteve presente na gig e comprovou o que todo mundo está careca de saber: ao vivo, os Forgotten Boys continuam avassaladores. Fora que levam um caminhão de xoxotas tesudas aos seus shows (as famosas “forgotettes”). No Beco, lá pelas tantas, uma fã mais alucinada e postada bem na frente do palco, tirou a camiseta e continuou dançando apenas com o sutiã tampando seus peitaços balouçantes. E com mais um detalhe: era quarta-feira de finados, feriado, e com muito frio em Sampalândia. Mesmo assim o Beco estava beeeeem cheio.

Forgotten Boys: o disco novo é ótimo e recoloca a banda no topo do rock independente BR

Para falar do novo disco e do momento atual do conjunto o blog foi bater um papo com o guitarrista e vocalista Gustavo Riviera. Aos trinta e quatro anos de idade, Gus continua a personificação do que é um Forgotten Boy exemplar – tanto que ele é o único remanescente do grupo original (e que, atualmente, é completado pelo também guitarrista Dazul, pelo baixista Zé Mazzei e pelo tecladista Paulo Kishimoto). E esta foi mais uma das tantas entrevistas que o sujeito aqui já fez com a banda, sendo que uma das mais célebres rolou no começo dos anos 2000, sendo na época capa da edição impressa da revista Dynamite (e que deu o que falar, devido ao seu conteúdo explosivo envolvendo sexo, drogas e putarias variadas).

Aí embaixo, então, os principais trechos do bate-papo, que rolou semana passada, via MSN:

Zap’n’roll – No novo disco a banda voltou a compor músicas somente em inglês. Isso sinaliza que a experiência de fazer músicas em português, no álbum anterior, não foi bem sucedida?

Gustavo Riviera – Não, eu gosto das musicas em português que temos. Quinta-feira, Sem Razão, Me entregar, estão em nosso set list de show e são legais, Não fizemos nada em português só porque nâo fizemos. Mas as em inglês soam melhor com o Forgotten Boys.

Zap – Ao que parece a banda também voltou às suas influências clássicas no novo trabalho, que são hard rock anos 70 e um pouco de glam rock. Há muito de Stones fase It’s Only Rock’n’roll e também de T-Rex no novo disco, você concorda?

Gustavo – Concordo, o disco está soando desse jeito mesmo. Nem acho que foi algo que nos influenciou antes de gravar o disco, nas composições, pra soar dessa maneira, realmente é algo que a banda gerou de si própria, as canções foram surgindo dessa maneira. Mas é claro que essas referências são bastante presentes no que escutamos desde muitos anos atrás e vão continuar.

Zap – Ok. Todos nós sabemos que o grupo andou passando por períodos complicados de turbulência. Anos atrás foi a saída do guitarrista Chuck. Agora foi a vez de o Flavinho (Cavichioli,que tocou por uma década na banda) sair da bateria, sendo que ele é considerado um dos melhores bateristas de rock do Brasil, além de que estava há muito tempo no grupo. Quais foram os reais motivos do desligamento dele e como vocês lidaram e estão lidando com isso? Como a saída dele afetou a banda?

Gustavo – O Flávio é um grande baterista, desde antes de entrar no Forgotten, eu já admirava ele tocando no Pin Ups etc..E no Forgotten ele foi sempre muito bom músico, ninguém na banda queria ele fora, mas as coisa foram levando pra isso, sem querer esconder nada mas foi desgastando mesmo, ele não estava mais a fim, e a banda não poderia ter um baterista que não estava a fim.

Zap – Ele chegou a gravar o disco novo e saiu pouco antes do lançamento. Isso afetou de alguma forma os planos de lançamento do álbum e os shows que já estavam agendados?

Gustavo – Tivemos que correr atrás de um baterista para fazer os shows que estavam marcados, e o Rafael (hoje tocando com a Mallu Magalhaes) tirou umas músicas rapidamente e segurou a onda legal, foram bons shows com ele. E no show de lançamento do disco o Chuck tocou bateria, e foi bem bom. Agora já estamos começando a ensaiar com outro baterista, mas ainda não entrou na banda. Mas posso dizer que é um rapaz com a mão pesada.

Zap – Certo, rsrs. O Chuck realmente mandou bem no show de lançamento no Beco/SP. Ele só participou daquele ou há planos para que ele faça outras participações especiais em outras gigs?

Gustavo – Por enquanto não. Mas é bem legal tocar com alguém que entende o Forgotten Boys. O Chuck saca.

Zap – Com certeza. Você poderia falar um pouco sobre o processo de composição das novas músicas e a gravação do disco? De onde vieram as idéias, o que as letras abordam, o trabalho no estúdio etc.

Gustavo – Foi um disco que vem sendo composto há mais de um ano, tem música que foi gravada há um ano e meio atrás. O disco carrega muita coisa, todas as mudanças na banda em relação a integrantes, empresários, loucuras, experiências, isso tudo está nas músicas. O Paulera (tecladista) e o Dazul ( guitarrista) me ajudaram muito a ver o Forgotten Boys de fora, a repensar o que o Forgotten Boys é as parcerias nas composições foram acontecendo entre a gente, coisa que pra mim era muito dificil, sempre fazia tudo sozinho. As gravações, foram feitas por partes, algumas musicas com o Roy Cicala, outras no Cabeça de Estopa, outras na Trama e na Fabrica de Sonhos, com diferentes pessoas mixando e etc, e mesmo assim o disco soa uniforme. Ao meu ver, é o Forgotten Boys tocando.

Zap – Ok. Falando da trajetória da banda: ela existe há mais de uma década e é um dos grandes nomes do rock independente nacional. Por que vocês não estão na escalação de festivais como o Terra e o SWU? Não é meio injusto isso ou, no mínimo, desatenção de quem monta os line ups destes festivais?

Gustavo – Bom, não estamos porque não nos chamaram. Injusto? Não sei. Gostaríamos de tocar nesses festivais. Algum desses caras uma hora arrisca, e aí a gente mostra. Não tem muito o que a gente fazer, estamos tocando,  fazendo coisas novas e dando uma alternativa pra quem quer
escutar.

Zap – Certo. E em relação aos festivais independentes, coligados à Abrafin e ao Circuito Fora do Eixo, a banda vai estar em algum dos próximos?

Gustavo – Ainda não sabemos.

Zap – Falando nisso, a pergunta inevitável: como você, como músico há anos tocando em uma banda alternativa, vê a atual cena independente nacional? As bandas te agradam? Ou há grupos demais e qualidade de menos? E sobre a atuação do Circuito Fora do Eixo nessa cena, que tem sido muito criticada nos últimos tempos, o que você teria a dizer?

Gustavo – Acho que existem mais bandas, mas continuam poucas as boas, que te envolvam. Esses dias vi o Hellbenders, o Gloom, e gostei. Acho que essa organização [do Fora do Eixo] ajuda as bandas a mostrar seu trabalho, o número de bandas se apresentando pelo Brasil aumentou bastante, e o circuito tem bastante culpa nisso.

Zap – Ok. Pra encerrar, que já está ótimo: com álbum novo lançado quais os planos imediatos da banda?

Gustavo – O plano com esse disco deixar todo mundo excitado com nossas músicas. Tá excitado? Hahah.

DISCO/CRÍTICA: “TASTE IT” FLAGRA BANDA NO AUGE NOVAMENTE
Forgotten Boys, todo mundo que acompanha a trajetória da banda sabe, é sinônimo de hard/glam/glitter rock setentista (Kiss, T-Rex, Rolling Stones na fase “Exile On Main Street” e “It’s Only Rock’n’roll”) e proto-punk sixtie (The Stooges, Iggy Pop). É o que os integrantes da banda (notadamente o fundador do grupo, Gustavo Riviera) sempre gostaram. E se essas referências e influências andaram se perdendo no trabalho anterior, agora retornaram com tudo em “Taste It”, quinto álbum de estúdio do gigante indie paulistano e, desde já, um dos melhores lançamento do rock brasileiro neste já final de 2011.

A banda vem de um disco ruim – “Louva-A-Deus”, editado em 2008, e onde arriscou a fazer canções em português. Foi um período complicado, de adaptações no grupo: ele perdeu o guitarrista Chuck (que era uma das marcas registradas do conjunto, ao vivo) e incorporou percussão e teclados ao seu line up. As músicas em português, ainda que não fossem ruins, soaram estranhas e não caíram no gosto dos fãs. E também não tocaram nas rádios, se essa era a intenção do FB ao gravá-las.

Com dois excelentes álbuns anteriores no currículo (“Gimme More”, de 2003, e “Stand By The D.A.N.C.E.”, editado em 2005 pelo selo paulistano ST2, por onde aliás está novamente saindo o novo trabalho), era o momento de repensar tudo mais uma vez. Gustavo limou a percussão do grupo, manteve os teclados de Paulo Kishimoto, voltou a compor em inglês e levou três longos anos burilando o novo material de estúdio.

Pois a espera fez bem à banda. “Taste It” revela um grupo maduro musicalmente e de volta ao seu auge, em composições 100% rock’n’roll, menos barulhentas e muuuuuito mais melódicas. Gustavo também está cantando melhor e é um prazer ouvir as guitarras mezzo psicodélicas, mezzo Stones/Stooges de “Another Place”, “Change”, “Whatch Us Do It” ou “He’s Gone” – esta uma festa para se ouvir em casa, numa pista de dança ou ao vivo, com andamento pra lá de dançante e com intervenções precisas do piano tocado pelo japa Paulo. E nem se falou aqui dos violões e guitarra steel, que surgem na excepcional mezzo balada “Taste”, ou ainda na belíssima “Oh My Soul”.

Um discaço, no final das contas. E que contou novamente com a produção do expert Roy Cicala, que foi preciso ao acentuar as características rockers que permeiam as músicas do grupo. É um trabalho tão bom que periga ser o melhor álbum dos Forgotten Boys até hoje. E que, se caísse nas mãos da rock press ou de alguma produtora gringa, certamente poderia abrir as portas do mercado americano e inglês para os Garotos Esquecidos.
Enquanto isso não acontece eles estão aqui, ao alcance dos fãs nativos. E ignorados pelos produtores de Rock In Rio, Terra e SWU, que insistem em colocar na escalação desses festivais pasmaceiras como… Miranda Kassim. É a vida…

* Mais sobre o novo disco dos Forgotten Boys, vai lá: www.forgottenboys.com.br

O BLOGÃO ZAPPER INDICA
* Disco: “Taste It”, o novo dos Forgotten Boys.

* Filme: “A pele que habito”, o novo e sensacional (sempre) do gênio Pedro Almodóvar.

* Baladas: passada a ressaca do SWU, de volta à cena under paulistana, no? A sextona, além de shows bacanas do Tokyo Police Club e do Ok Go, ainda vai ferver bonito com showzaço de lançamento do primeiro disco do Orange Disaster, mais DJ set da sempre incrível Vanessa Porto, lá no Container Club (que fica na rua Bela Cintra, 483, Consolação, centro de Sampa).///Já no sabadão em si (mais conhecido como amanhã) tem Bailen Putos na Outs (no 486 da rua Augusta), tem especial do venerável The Cure na festa Pop&Wave, no Inferno (também na Augusta, mas no 501) e, ufa!, tributo aos vinte anos do “Nevermind”, do Nirvana, lá no Beco203 (que também fica na Augusta, lá no 609), com show por conta da turma amiga que tocava no Ecos Falsos. Tá bão, né?

E BORA VER TOKYO POLICE CLUB NA FAIXA!
O sorteio já rolou (ou você não viu a promo também na Zap’n’roll do portal Dynamite? Pois é…) e quem vai logo menos no UpperClub curtir a gig dos canadenses é:

* Edner Morelli e Matheus Morelli, ambos de Sampa.

SAINDO FORA
Post mega gigante, como todo mundo curte, né? Então é isso. Semana que vem o blogão zapper volta, com tudibom e que você só encontra aqui, certo?

Até lá então!

(atualizado e finalizado por Finatti em 19/11/2011 às 16:30hs.)