AMPLIAÇÃO FINAL EXTRA!!! Informando OFICIALMENTE a data e local da mega festona de quinze anos do blog zapper, falando do show (com ingressos esgotados) do Ira! semana que vem no Sesc Belenzinho em Sampa, e muito mais! – Novo postaço zapper no ar! E em edição especial sobre o pós punk inglês dos anos 80 e também dos anos 2000, o blog analisa em detalhes o novo discão do grupo Interpol, além de celebrar os quarenta anos de existência de dois gigantes da história do rock, os ingleses do Echo & The Bunnymen e do Bauhaus; mais: a “invasão” da armada brit oitentista que vai acontecer no Brasil (e em Sampa, claro!) de setembro a dezembro, os livros sobre o gigante Lula que foram lançados, o grande HORROR golpista político e jurídico no país às vésperas das eleições presidenciais, e mais isso e aquilo tudo no espaço blogger que é campeão na blogosfera BR de cultura pop já há quinze anos! (postão gigantão totalmente ampliado e finalizado em 6-9-2018)

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Em mega postaço especial sobre o pós punk, o blogão zapper analisa em detalhes o novo discão do trio americano Interpol (acima), além de falar dos quarenta anos de existência de um dos maiores nomes do rock mundial em todos os tempos, o inglês Echo & The Bunnymen (abaixo)

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MAIS MICROFONIA – AGORA VAI! A MEGA FESTA DE QUINZE ANOS DA ZAPNROLL ACONTECE MÊS QUE VEM EM SAMPA, NO SESC BELENZINHO, UHÚ!

O site e blog de cultura pop e rock alternativo mais legal da web BR chega a uma década e meia de existência. E para celebrar, vai ter uma comemoração à altura da data! No próximo dia 19 de outubro, sexta-feira, a partir das 9 e meia da noite, a comedoria do Sesc Belenzinho na capital paulista, recebe dois showzaços dos grupos Saco De Ratos e The Dead Rocks, que vão tocar o puteiro e o terror rocker para festejar o niver zapper. Bora lá!

E após a maratona rock ao vivo no Sesc, ainda vai rolar uma after party show no Clube Outs (localizado na Rua Augusta, 486, no centro de Sampa), com dj set especial do blog, a partir da uma e meia da manhã. O Outs também existe há 15 anos, é o último reduto rocknroll da cena alternativa noturna do baixo Augusta e vive lotado nos finais de semana, graças ao vitorioso sistema open bar (pague um preço fixo e beba até cair!) implantado pela casa há quase 5 anos. Não dá pra perder!!!

Quem vai fazer a festa e tocar o puteiro e o terror rock no Sesc Belenzinho:

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***Saco De Ratos – a banda de blues rock existe há mais de uma década e já gravou quatro álbuns. É um dos destaques da cena independente brasileira e paulistana e cujo vocalista e letrista, o escritor, poeta e dramaturgo Mário Bortolotto, é um dos destaques da cena literária marginal brasileira há mais de vinte anos. Mais sobre eles aqui: https://www.facebook.com/BANDA-SACO-DE-RATOS-121151831228419/?fb_dtsg_ag=AdwjGDA39anTwQWKwrhAh9__oSTdyWkXiqrbKrZ85SIvOw%3AAdwCc08wU0iZzIGbX9yn0oKlNzZ99N-e7nKKtr2TNScTbA.

 

***The Dead Rocks – O trio baseado no interior paulista (na cidade de São Carlos) existe há uma década e meia e nesse período se transformou num dos principais nomes do estilo surf music no rock alternativo brasileiro. Compondo apenas temas instrumentais e com quatro discos editados, a banda alcançou tanto prestígio para o seu trabalho musical que já excursionou pela Europa e Estados Unidos, onde também lançou alguns EPs e participou de coletâneas com músicas de sua autoria. Não tocam na capital paulista há um bom tempo já, de modos que será uma ótima oportunidade para os fãs da cidade se reencontrar com o grupo ao vivo ou para conferir a potência sônica deles no palco pela primeira vez. Mais sobre eles aqui: https://www.facebook.com/thedeadrocks/.

 

Ingressos à venda em breve no site do Sesc Belenzinho, aguardem! E tudo sobre o festão você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/460162691145863/?active_tab=about.

 

***E SEMANA QUE VEM TAMBÉM NO SESC BELENZINHO TEM IRA! – Conforme estas linhas zappers imaginavam os ingressos para os dois shows que o Ira! irá realizar no final da semana que vem (dias 14 e 15 de setembro, sexta-feira e sábado), na comedoria do Sesc Belenzinho (unidade da entidade que fica no bairro do Belém, zona leste de Sampa, aliás como todas as unidades do Sesc esta também é sensacional), se EVAPORARAM do site (e também na compra física) em menos de 24hs. Os tickets começaram a ser vendidos ANTEONTEM. Já acabaram – a comedoria do Belenzinho não é grande, cabem umas 500 pessoas lá. E com o Ira! tocando na íntegra e ao vivo o seu fodástico terceiro disco de estúdio, o “Psicoacústica” (lançado em 1988, daí a turnê comemorativa pelos 30 anos dele), não tinha mesmo como ser muito diferente o sumiço das entradas em velocidade recorde. Sendo que o blog se sente algo contente e orgulhoso nessa parada. Contente porque além de admirar pra carajo a banda, também é amigo pessoal da dupla Scandurra-Nasi há séculos. E orgulhoso porque o texto do press kit sobre o evento e sobre o LP em questão é de nossa autoria. Sim, o Sesc confiou este trabalho ao jornalista rocker aqui, não apenas pela amizade que ele mantém com a banda mas também por (modéstia às favas) conhecer profundamente a trajetória dos Irados e as nuances que permeiam “Psicoacústica”. De modos que estaremos por lá na semana que vem, já que temos par de convites disponíveis (cortesia do Sesc) pra ir lá na gig. Pra quem não vai: sorry, hihi.

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Zapnroll (acima) e o bacanudo press kit criado pelo departamento gráfico e de divulgação do Sesc Belenzinho, para divulgar o showzão do Ira! que rola lá semana que vem, e cujo texto encartado no kit (abaixo) foi produzido pelo autor do blogão zapper

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, o rock alternativo, a política e o comportamento)

 

***LULA ONTEM, LULA LIVRO, LULA LIVRE, LULA SEMPRE! – Foi realmente emocionante o evento realizado no último dia 13 de agosto em Sampa, por conta do lançamento oficial e nacional do livro “Lula Livre – Lula Livro”, coletânea de textos organizado pelo jornalista e queridão deste espaço online Ademir Assunção, e que conseguiu reunir num volume extraordinário (e que estava sendo vendido por módicos 15 dinheiros durante o evento, sendo que os exemplares à disposição do público se esgotaram rapidinho), textos e poemas de artistas variados, como poetas, cantores, compositores, rappers etc (estão no livro, entre outros, textos de Chico Buarque, Augusto de Campos, Alice Ruiz, Carlos Rennó, Sergio Mamberti, Paulo Lins etc.). E boa parte desses artistas compareceu ao lançamento, que lotou as dependências do já lendário, mitológico e histórico teatro Oficina, lar do grupo homônimo criado há décadas pelo gênio gigante que é Zé Celso Martinez Correa, um dos monstros sagrados de toda a história da dramaturgia brasileira. Foram lidos textos no pequeno palco montado, mostrados vídeos, entoados hinos e canções eivadas de sentimento de liberdade, de apoio total à democracia e a tudo que importa ao ser humano: respeito às minorias, aos negros, às mulheres, aos gays, além de um não gigante ao retrocesso comportamental, ao arbítrio, a intolerância, ao discurso de ódio boçal que tornou o país uma nação de pensamento binário, ao reacionarismo de extrema direita e, principalmente, a prisão política e completamente injusta e surreal do maior líder popular que este pobre Brasil (uma nação vilipendiada por golpistas imundos em esferas variadas: na política, no Judiciário etc.) já teve. Ele mesmo, Luis Inácio LULA da Silva, o MELHOR PRESIDENTE que o Brasil teve em pelo menos 50 anos. O blog poderia escrever um LIVRO aqui sobre como foi bacana a aquela noite. Mas tenta resumir sua emoção e orgulho de ter participado do evento dizendo que, sim, a VERDADE e a JUSTIÇA irão prevalecer e VENCER no final de tudo. Apenas fica-se questionando do por que dessa dicotomia apavorante: a NATA da arte e da cultura brasileira reunida numa segunda-feira à noite na capital paulista pedindo LULA LIVRE, enquanto a sociedade e povo do país, quase como um todo, se deixando contaminar por uma ignorância abominável e monstruosa e se mostrando propensa a eleger como presidente um BOÇAL e BESTIAL herdeiro maldito da pior escrotidão (em todos os sentidos) que já houve na história do país, a ditadura militar. É isso mesmo que o brasileiro quer, ter como presidente um mentiroso, asqueroso, crápula, também escroque e pilantra (que enriqueceu como deputado federal durante 30 anos, nos quais não fez absolutamente NADA digno de nota como político) e que ainda por cima é homofóbico, racista e machista ao máximo. Só pra saber… Foi lindo o evento. E a melhor imagem do que rolou no Oficina, para resumir tudo, é a que está aí embaixo: Finaski (com sua amiga Silvia Fasioli) ao lado de um GIGANTE da história política nacional, um dos ÚNICOS políticos realmente DECENTES em grau máximo deste Brasil corroído pela corrupção. Ele mesmo, o “velhinho” mais fofo de todos e nosso eterno senador, a quem sempre daremos nosso voto. Um beijo no seu coração ever, Eduardo Suplicy!

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Finaski, sua amiga Silvia e o gigante (como político e como ser humano) Eduardo Suplicy (acima), no lançamento do livro “Lula Livre – Lula livro”, em São Paulo; abaixo no mesmo evento o senador, ladeado pelo diretor de teatro Zé Celso Correa e pela poeta Alice Ruiz

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***Mais Lula em livro – yep, outro lançamento em torno do ex-presidente Lula é “A verdade vencerá – o povo sabe por que me condenam”, volume editado pela Boitempo editorial e onde o ex-presidente concede uma enorme entrevista a um grupo de jornalistas, em bate papo organizado por Ivana Jinkings e Juca Kfouri, além de textos complementares escritos por Eric Nepomuceno e Rafael Valim. Vale muito a pena ler e tomar contato com uma radiografia textual isenta e escrita por gente séria e por alguns dos principais nomes do jornalismo brasileiro, para que se possa entender todo o imundo processo político golpista que segue em curso no país, às vésperas de mais uma eleição presidencial – talvez a PIOR eleição desde que o país se redemocratizou.

 

*** O BRASIL E O ROCK BR NO FUNDO DO ABISMO SEM FUNDO – Quando uma cadeia varejista de lojas como a gigantesca Americanas chega ao completo desplante de vender (pelo seu site) dois modelos de camisetas (um enaltecendo BolsoNAZI; outro contra Lula, o MELHOR presidente que este país já teve em pelo menos 50 anos), a conclusão é inefável: essa MERDA monstro chamada Brasil chegou mesmo ao fundo de um abismo que parece não ter nenhum fundo. E não só. Segundo reportagem da revista Carta Capital, olhem só a “inspiração” visual para os modelos: “as peças têm inspiração estética em BANDAS DE ROCK, como o modelo que imita a camiseta-símbolo do grupo punk RAMONES. Em vez do nome dos integrantes da banda, como no modelo original, consta o lema bolsonarista “Deus acima de todos / Brasil acima de tudo”. A águia americana, por sua vez, foi trocada por uma estrela com a data de proclamação da República”. Que DESASTRE e que nojo. Depois questionam por que o rock MORREU nessa porra horrenda de país cu tropical, não abençoado por NENHUM Deus (seja lá o que for Deus) e habitado por milhões de asnos, ogros, idiotas, imbecis, ignorantes, BURROS, conservadores, sem cérebro, reacionários, boçais e MEDIEVAIS no comportamento e pensamento. É esse povo triste, indecente, ordinário e bolsOTÁRIO que irá votar no “mito”. E boa parte desses JUMENTOS machistas, misóginos, racistas e homofóbicos é que empunham a BANDEIRA do rocknroll hoje em dia no bananão falido. Que triste fim pro Brasil e pro “roqueiro” brasileiro, jezuiz… (adendo: após a publicação da reportagem no site da CC, as lojas Americanas RETIRARAM da venda no seu site os tais modelos das camisetas. Menos mal…)

 

***A “INVASÃO” BRASILEIRA DO PÓS-PUNK INGLÊS DOS ANOS 80 – como este postão que você está começando a ler agora é especial e focado na vertente pós punk do rock mundial (seja o pós punk oitentista ou de bandas atuais, como o grande Interpol), não poderíamos deixar de mencionar a autêntica “invasão” que o estilo irá promover na terra brasilis entre setembro e dezembro vindouros. De modos que o blog zapper dá abaixo seu PITACO sobre as atrações que vêm aí, todas célebres no pós punk britânico dos anos 80.

 

***Peter Murphy e David J.: ou MEIO Bauhaus, que vão relembrar seus clássicos das tumbas em Sampalândia, dia 7 de outubro, no Carioca Clube. Pois então, os maiores morcegões trevosos da cena goth inglesa também celebram 4 décadas de sombras sonoras este ano. Tudo começou em 1978 e yep, sempre gostamos MUITO deles. Mas fato é que solo o vocalista Peter Murphy (uma BICHAÇA loka e das trevas que enlouqueceu garotos e garotas darks no auge do conjunto, lá por 1983) nunca funcionou e passou longe da genialidade musical conseguida quando ele estava junto com Daniel Ash (guitarras), David J. (baixo) e Kevin Askins (bateria). Vimos Pedro Morfético solo em sua primeira visita a Sampa, em fevereiro de 2009 (na finada Via Funchal). Na metade da gig Zapnroll já estava de saco cheio e rezando pra aquilo acabar logo. Agora vamos lá ver esse meio Bauhaus mesmo porque Peter, com mais de 60 anos nas costas, continua com o vocal super em forma e porque o show vai contemplar apenas Bauhaus em seu set. E além de tudo vai ser ótimo e bizarro encontrar aquele monte de gótico velhão e com a pança à mostra, todos reunidos no mesmo local e todos com capotões pretos, claro!

 

***Nick Cave: uma semana depois do meio Bauhaus, o gênio e já icônico Nick Caverna também aterrissa em Sampa, em 14 de outubro. Quase sessentão, Nick continua em plena forma e atividade e segue lançando discos ótimos. Esteve uma única vez no Brasil, em 1988 (lá se vão 30 anos…), e estas linhas online estavam naquele show, lá no saudoso ProjetoSP. Foi inesquecível. Agora vamos TENTAR ir novamente, porque credencial não iremos pedir (o show é produzido por aquele jornalista e “bloggero” pobreloader, hihi, de modos que…) e dindin pra comprar ingresso não tá fácil. Mas vamos verrrrr…

 

***New Order: totalmente DISPENSÁVEL a essa altura do campeonato. E sinceramente não dá pra entender porque tá todo mundo esperneando por conta do show único da banda este ano no Brasil, em SP, dia 28 de novembro. Na boa: quando aqui esteve pela primeira vez, também em 1988, o NO ainda estava no auge e fez uma apresentação histórica, memorável e inesquecível (o blog estava nela) no ginásio do Ibirapuera. Depois, entre paradas e retomadas da carreira, o grupo volto aqui em 2006 (também na saudosa Via Funchal), já não era nem em sonho mais ótima banda que tínhamos assistido ao vivo 18 anos antes mas a gig ainda assim foi razoável. Depois ainda assistimos os sucessores do Joy Division uma terceira vez, no Ultra Music Festival em São Paulo, em dezembro de 2011. Foi o horror total: o vocalista Bernard Sumner gordo (e sem pudor algum em ostentar a barrigona) e preguiçoso ao vivo (e sem voz também), a banda sem o baixista fodão e ícone que é Peter Hook e por aí foi. Conseguiram destruir a si próprios em uma versão ao vivo lamentável do ultra clássico “Blue Monday”, parecendo uma banda COVER de si mesma de quinta categoria. Este jornalista ficou realmente bodeado naquele show e só não saiu mais puto do estacionamento do Anhembi porque estava com uma credencial máster (de jornalista) pendurada no pescoço e que o permitiu ir na área vip open bar, onde tomou todo o whisky que pôde com energy drink. Moral da história: o zapper saiu completamente alucicrazy do festival e foi VOANDO atrás de cocaine, claaaaaro! Bien, depois disso a Nova VELHA Ordem ainda voltou pra cá (o grupo já tinha virado carne de vaca) no Lollapalooza BR 2014 e literalmente CAGAMOS pra assisti-lo ao vivo novamente. Yep, em estúdio o conjunto segue ok (“Music Complete”, lançado em 2015, é bem bom), mas ao vivo vamos passar bem longe pois achamos (achamos não, temos certeza) de que não vale mais a pena. A não ser que você nunca tenha visto eles ao vivo. Aí quem sabe…

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Bauhaus (pela metade, no caso da gig brazuca) e Nick Cave (acima), e New Order e Morrissey (abaixo): todos eles vêm ao Brasil entre setembro e dezembro

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***Morrissey: ah, a velha bexa dos Smiths de volta ao Breeeziiilll… e daí. Daí que Morrisséia está cada vez mais rabugenta e chata com o avançar da idade. Se ainda está em forma em cima de um palco, não sabemos. Os Smiths são uma das 5 bandas da nossa vida (ever) e vimos Moz uma única vez ao vivo e solo, quando ele esteve aqui pela primeira vez em 2000 (lá no finado Olympia SP). Foi lindão, inesquecível e depois nunca mais conseguimos vê-lo novamente on stage. Até queríamos ir esse ano novamente (seu último cd solo dá pro gasto) mas o foda é que na mesma noite do show (2 de dezembro) vai ter também em Sampa L7 com Pin Ups. E vamos preferir ir no segundo.

 

***Fora essa autêntica “invasion” pós punk inglesa dos 80, ainda vai rolar Kasabian (setembro, 30), Peter Hook (dia 10 de outubro, e talvez valha mais a pena ver ou rever este do que o New Order), Franz Ferdinand (outubro, dia 12, mas esse também já deu, né), Noel Gallagher (ainda a confirmar) etc. A pergunta é: quem tem dinheiro pra ir em tudo isso, rsrs. O autor deste blog definitivamente não tem, rsrs.

 

***Não esquecendo: é já em outubro a mega e oficial festa de quinze anos do blog de cultura pop e rock alternativo mais legal da web BR. Vão ter showzaços do The Dead Rocks e do Saco De Ratos. E depois ainda vai ter after party com dj set do blog no Clube Outs, o open bar rocker mais infernal do baixo Augusta SP. Tudo no dia 19 de outubro, sexta-feira, wow! Logo menos a gente divulga aqui o local onde irão rolar os shows, pode esperar!

 

***E antes que o blog esqueça: a primeira tiragem do livro “Escadaria para o inferno” está quase esgotada. Restam poucos exemplares à venda na loja virtual do site da editora Kazuá. De modos que se você ainda não comprou o seu exemplar, vai JÁ aqui e faz seu pedido: http://www.editorakazua.net/prosa/escadaria-para-o-inferno-de-humberto-finatti.

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***E mais notinhas irão entrar aqui na Microfonia ao longo da semana vindoura. Mas por enquanto vamos já direto ao ponto e ao que interessa aí embaixo: o novo discão daquele que ainda é o grande nome do pós punk dos anos 2000, o trio americano Interpol. Bora lá!

 

 

AUSENTE HÁ QUATRO ANOS DOS ESTÚDIOS, O GOTH E INDIE NOVA IORQUINO INTERPOL RETORNA COM TALVEZ SEU MELHOR ÁLBUM DESDE A ESTREIA DA BANDA

Das zilhões de bandas que surgiram no chamado “new rock” (ou indie rock alternativo) na virada dos anos 2000, uma das que Zapnroll mais gosta (e sempre gostou, e continua gostando) é o nova iorquino Interpol. Em tempos em que o rock praticamente MORREU (aqui e lá fora também), em que grupos surgem e desaparecem na velocidade de um bólido e onde conjuntos novos, por melhores que sejam, não conseguem encontrar espaço para mostrar seu trabalho e muito menos público JOVEM interessado em ouvir sua música (esqueça: a pirralhada OGRA e BURRONA da era da web detesta fazer esforço mental, odeia música que a obriga a PENSAR e AMA música total irrelevante e mega RASA em sua construção, daí a ascensão irresistível e implacável do popão eletrônico e R&B pasteurizado lá fora, e do funk, axé e sertanojo aqui no bananão), o agora trio (ainda integrado pelo fundador, o vocalista, baixista e guitarrista Paul Banks, pelo também guitarrista Daniel Kessler e pelo batera Sam Fogarino) está resistindo bem ao tempo: foi fundado em 1997 e lançou seu primeiro álbum (o espetacular “Turn On The Bright Lights”) 5 anos depois, em 2002. E além de resistir bem ao tempo o grupo ainda está em grande forma e acaba de lançar aquele que talvez seja seu melhor trabalho de estúdio desde sua estreia em disco, há dezesseis anos. “Marauder”, o sexto álbum de músicas inéditas do Interpol, chegou ao mercado (nos formatos físico e virtual) na semana passada e não apenas traz de volta as ambiências sonoras sombrias engendradas pelo conjunto em sua estreia, como faz isso através de melodias dançantes e envolventes e também com guitarras abrasivas e poderosas. Já é provavelmente um dos grandes lançamentos de 2018, no que ainda resta de relevante no rock mundial.

E por que estas linhas zappers gosta tanto do Interpol não é nenhum mistério. O blog sempre apreciou muito os vocais sombrios de Banks (que emulam quase à perfeição Ian Curtis) e a ambiência pós punk (circa 1980,1983) sinistra deles, bem na linha do Joy Division. Com um detalhe: mesmo EMULANDO tudo isso o Interpol sempre soou muito convincente e REAL em sua sonoridade, algo difícil de se ver no rock atual, ou no que ainda resta dele. Sim, a banda cometeu deslizes. O autor destas linhas bloggers não gosta do segundo disco deles, o “Antics”. E os três que vieram na sequencia eram ok, mas longe de reeditar o brilhantismo sonoro obtido em sua estreia. De qualquer forma, assistimos a um SHOWZAÇO deles em Sampa, na finada Via Funchal (em março de 2008, há mais de uma década, sendo que eles voltariam ao Brasil por mais duas vezes, em 2011 no extinto festival Planeta Terra, e depois em 2015 no Lollapalooza BR), quando a saudosa casa de espetáculos da capital paulista lotou e a banda brindou o público com uma gig acachapante em sua potência e energia no palco. De modos que sempre ficamos na torcida para que o conjunto voltasse ainda com um grande álbum.

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Capa do novo Interpol: discão!

Pois este retorno com este grande álbum finalmente se materializou em “Marauder”. Em suas treze faixas (sendo duas vinhetas curtas, batizadas de “Interlude I e II”) e pouco mais de quarenta e quatro minutos de duração, o trio reedita finalmente as nuances sombrias (em alguns momentos, quase sinistras) porém dançantes que marcaram o seu hoje já clássico primeiro cd. São melodias aceleradas e construídas com guitarras poderosas e que cativam o ouvinte já nas primeiras audições, o que fica evidente nas quatro primeiras canções do disco (“If You Really Love Nothing”, “The Rover”, “Complications” e “Flight Of Fancy”). “If You…”, que abre o disco, inclusive possui uma letra de consistência poética belíssima e ultra densa (veja a tradução mais abaixo, neste mesmo post) e acabou se transformando no terceiro single do novo trabalho, com direito a um espetacular vídeo de divulgação e onde a atriz deusa loira e XOXOTAÇO Kristen Stewart faz a loka, deitando e rolando com vários homens em um bar onde tudo acontece (duas garotas se beijando, povo loko bebendo Jack Daniel´s no gargalo etc, etc.), enquanto o Interpol surge tocando entre sombras e escuridão quase plena. Melhor impossível!

Há mais do mesmo nível na sequência, sendo que o disco mantém sua qualidade até o final da audição. Ok, ele poderia ser mais econômico e sucinto, com menos faixas e menor duração. Mas não há nada nele que comprometa o prazer, cada vez mais raro nos dias que correm, de se escutar um álbum quase perfeito do começo ao fim. No caso deste “Marauder”, cuja musicalidade nos remete diretamente à Londres do início dos anos 80 (em especial nas muito darks “Stay In Touch”, “NYSMAW” e “Surveillance”), esta quase perfeição sônica além de oferecer grande satisfação a quem a escuta ainda desvela que o Interpol, aos vinte e um anos de existência e com um front man ainda relativamente jovem (Paul Banks fez quarenta anos de idade em maio passado), poderá se manter em forma ainda por alguns anos, impedindo que (e sem trocadilho aqui) o triste rocknroll da estúpida era da web feneça de vez.

 

 

O TRACK LIST DE “MARAUDER”

1.”If You Really Love Nothing”

2.”The Rover”

3.”Complications”

4.”Flight of Fancy”

5.”Stay in Touch”

6.”Interlude 1″

7.”Mountain Child”

8.”NYSMAW”

9.”Surveillance”

10.”Number 10″

11.”Party’s Over”

12.”Interlude 2″

13.”It Probably Matters”

 

 

O DISCO PARA AUDIÇÃO AÍ EMBAIXO, NA ÍNTEGRA

 

 

E O TERCEIRO SINGLE, COM ÓTIMO VÍDEO PARA “IF YOU REALLY LOVE NOTHING”

 

 

UMA LETRA DO DISCO

 

“If You Really Love Nothing”

 

Se você realmente ama nada

Em que futuro construímos ilusões

Se você realmente ama nada

Nós esperamos em glória silenciosa

Se você realmente ama nada

Que parte da traição você quer negar?

 

Quando eu encontrar minha casa

A próxima artéria

Esplêndido eu sangro toda a minha vida

Então é provavelmente um beijo

Adeus então

 

Se você realmente ama nada

Todo mundo é inventado

Todo mundo está perdendo

Se você realmente ama nada

Vamos dormir na glória silenciosa

Se você realmente ama nada

Como você pode estar lá

Você poderia simplesmente deixar para sempre

 

Quando eu encontrar minha casa

A próxima artéria

Esplêndido eu sangro toda a minha vida

Então é provavelmente um beijo

Adeus então

 

Você pode traçar um buraco no seu vestido

 

Respiração é ótima

Lendo lembrar

A classificação final da semana

Melhor que sete outros homens

Imprudente das mulheres que quebram a dimensão

Eu sei que você poderia simplesmente partir para sempre

 

Quando eu encontrar minha casa

A próxima artéria

Esplêndido eu sangro toda a minha vida

Então vai ser um beijo de despedida então

 

Você pode traçar um buraco no seu vestido

E me dê adeus e um beijo

Eu vejo você traçar esse buraco no seu peito

Me dê um tchau e um beijo

 

 

HÁ 40 ANOS SURGIA NA CIDADE INGLESA DE LIVERPOOL (TERRA DE UNS CERTOS BEATLES) ECHO & THE BUNNYMEN, UM DOS MAIORES NOMES DO PÓS PUNK DOS ANOS 80 E DE TODA A HISTÓRIA DO ROCK MUNDIAL

Ninguém discorda de que o quarteto pós-punk inglês Echo & The Bunnymen foi um dos maiores nomes do rock britânico dos anos 80 e de toda a história do rocknroll mundial. Por pelo menos quase uma década (de 1980 até meados de 1988) a banda que em sua formação original e clássica tinha o sublime vocalista Ian McCulloch, o gigante (na qualidade e técnica instrumental) guitarrista Will Sergeant, e os ótimos Les Pattinson (no baixo) e Pete De Freitas (na bateria), reinou absoluta na Velha Ilha e foi aclamada unanimemente pela imprensa e pelos fãs. Foi nesse período de oito anos que o Echo lançou seus cinco primeiros e imbatíveis álbuns de estúdio, onde uma combinação de melodias e harmonias aceleradas e herdadas da simplicidade punk, se unia a ambiências psicodélicas e melancólicas egressas do melhor rock feito nos anos sessenta (com fartas referências e eflúvios de Beatles, Rolling Stones e The Doors), tudo dando suporte para as letras memoráveis (em sua construção poética) escritas por McCulloch. Se depois de 1988 e até hoje o grupo lançou uma série trabalhos sofríveis e que nem de longe lembram seu passado inicial e glorioso, não importa. Tampouco o fato de que da formação original só restam Will e Ian. Mas daqui a exatos dois meses Echo & The Bunnymen estará completando quarenta anos de existência. E nesse período ele já deixou inscrito para a eternidade seu nome entre aqueles que construíram com maestria e encantamento máximo a grande e imortal história do rock mundial.

Tudo começou em Liverpool (a cidade inglesa terra de uns certos Beatles) por volta de 1977, quando o então adolescente Ian McCulloch começou a cantar em um grupo local chamado Crucial Tree (considerado por muitos pesquisadores e estudiosos do rock inglês do período como sendo quase tão excepcional em sua musicalidade quando o Echo seria alguns anos depois). O grupo, no entanto, teve curta existência e logo McCulloch se juntou ao guitarrista prodígio Will Sergeant e ao baixista Les Pattinson, para formar o Echo & The Bunnymen – em tradução literal, “Echo & Os homens coelho”. E que foi batizado assim por, no princípio, não ter um baterista humano – o trio fazia seus registros sonoros acompanhado de uma bateria eletrônica, a Echo. Foi com essa formação e com a bateria eletrônica no fundo do palco que o conjunto fez sua estreia em novembro de 1978, em uma apresentação no Eric Club em Liverpool. É o marco zero da trajetória dos coelhinhos.

Daí em diante a fama do trio foi crescendo rapidamente, em função de suas ótimas composições e apresentações ao vivo. Quando a banda assinou com o selo Zoo Records e lançou seu primeiro single, “Pictures On My Wall”, em maio de 1979, a aclamação da imprensa britânica foi instantânea. Em julho do ano seguinte e já contando com o baterista Pete De Freitas em seu line up o Echo fez sua estreia em LP, editando o a um só tempo barulhento, climático e psicodélico “Crocodiles”, hoje considerado um clássico na discografia da banda. Nova aclamação da crítica, com a legião de fãs aumentando rapidamente e de maneira espantosa. Não parecia haver limites para a genialidade sonora do Echo & The Bunnymen.

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Os “Coelhinhos” em seu auge, no início dos anos 80 (acima); abaixo Ian McCulloch também nos anos 80, destruindo nos vocais ao vivo

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Nos anos seguintes e até por volta de 1988, o quarteto se manteve no topo em tempo integral. Lançou mais quatro álbuns impecáveis da primeira à última música de cada um deles e rodou o mundo com seu show, aportando pela primeira vez no Brasil em maio de 1987, para cinco apresentações inesquecíveis e sold out em São Paulo, além de tocar também no litoral paulista (na cidade de Santos) e no Rio De Janeiro. E quando retornou à Inglaterra, começou sua fase descendente. Primeiro o baterista De Freitas morreu em um acidente de moto em Londres, em 1989. Logo em seguida Ian McCulloch decidiu largar os Bunnymen para seguir em carreira solo. O que sobrou do Echo decidiu seguir em frente, lançando em novembro de 1990 o inexpressivo disco “Reverberation”, onde os vocais ficaram por conta do desconhecido Noel Burke. O trabalho foi um retumbante fracasso, tanto comercial quanto perante à rock press. E assim determinou o fim da primeira fase do conjunto, já que Will e Ian se reuniram novamente mas sob outro nome, Electrafixion, lançando um único e ótimo cd em 1995, intitulado “Burned”. O álbum era muito bom (contava inclusive com a participação especial do ex-guitarrista dos Smiths, Johnny Marr) mas nem de longe vendeu o que os primeiros discos dos Bunnymen venderam.

Foi quando Will Sergeant e Ian McCulloch tiveram a infeliz ideia de voltar novamente como Echo & The Bunnymen. Com Les Pattinson novamente no baixo, o grupo lançou “Evergreen” em 1997. Um disco sofrível que inaugurava a segunda encarnação do conjunto, e que perdura até os dias atuais. Desde então a banda lançou mais seis trabalhos inéditos de estúdio, alguns razoáveis (como “Flowers”, de 2001, e “Siberia”, editado em 2005) mas a maioria demonstrando que aquele grupo de musicalidade absolutamente impecável e gloriosa dos anos 80, não mais existia. Além disso o baixista Pattinson abandonou definitivamente o grupo em 1999, e a voz outrora trovejante de Ian (que se tornou famoso pelo apelido de Big Mac) havia desaparecido, destruída por décadas de consumo de álcool, tabaco e drogas variadas. Por fim o conjunto acabou se tornando carne de vaca e figurinha carimbadíssima no Brasil: voltou novamente pra cá em 1999 (na turnê do fraquíssimo cd “What Are You Going To Do With Your Life”), em gig realizada na saudosa casa paulistana Via Funchal. No ano seguinte Ian voltou retornou ao país, em tour solo. Em 2002 o grupo fez nova aparição por aqui (na mesma Via Funchal) e aí não parou mais de excursionar na terra brasilis, tocando por diversas vezes em São Paulo no extinto Credicard Hall (atual Citibank Hall). E claro, a cada nova visita as performances ao vivo decaiam de qualidade a olhos vistos.

Zapnroll no entanto, sempre teve amor por aquele quarteto pós punk fantástico dos anos 80 e que lançou ao menos cinco LPs que podem figurar tranquilamente entre os cinquenta melhores de toda a história do rock (“Ocean Rain”, de 1984 e o preferido deles destas linhas rockers, está eternamente na nossa lista dos dez melhores álbuns de rock de todos os tempos). E por ter devotado esse imenso amor ao conjunto é que o acompanhou muito de perto durante toda a década de 80 e também na de 90, ouvindo os discos, assistindo a vários dos shows brasileiros e entrevistando os coelhinhos em algumas das coletivas dadas por eles aqui. Momentos em que a banda fez parte essencial da vida do autor destas linhas bloggers e que inclusive renderam algumas histórias bastante divertidas (leia mais abaixo, nesse mesmo post). E agora, ao rememorar as quatro décadas de existência do Echo & The Bunnymen, este jornalista se dá conta de que o tempo avança e não perdoa mesmo ninguém. Nem mesmo artistas, músicos e bandas. Talvez os Bunnymen já devessem ter se aposentado há anos, preservando um passado irretocável e que nunca mais irá voltar. Preferiram continuar, mesmo que flertando cada vez mais com a decadência irrefreável. Não importa: os cinco primeiros e inesquecíveis LPs daquele grupo que um dia surgiu em Liverpool e encantou o mundo para sempre, estarão em nossos corações igualmente para sempre e da mesma forma: encantando ad eternum quem quiser os escutar.

 

 

ECHO & THE BUNNYMEN – UMA ANÁLISE DA TRAJETÓRIA DISCOGRÁFICA DA BANDA

 

Por Valdir Angeli, especial para Zapnroll

 

Conheci o Echo & The Bunnymen meio por acaso, lá pela virada de 1984 para 85. Por essa época eu, normalmente ávido por novidades no âmbito do rock e do pop, vinha ouvindo um bocado de Talking Heads, tinha conhecido o Prince, já tinha adquirido os novos lançamentos do Frank Zappa e do David Bowie (deste último o, para mim, fraco ‘Tonight’), mas achava que o rock estava precisando de uma boa sacudida; na verdade, o que eu achava que estava faltando já existia, mas eu ainda não tinha entrado em contato com o que as novas bandas inglesas – notadamente as de Manchester e Liverpool – andavam fazendo há algum tempo. Quase sem querer, folheando o jornal diário paulistano Estadão, dei de cara com um artigo no Caderno 2 (nota do editor do blog: caderno de variedades do diário e onde o jornalista zapper se tornaria repórter e colaborador anos depois, em 1988, integrando a lendária equipe da página de música editada por Luis Antonio Giron, e que tinha textos assinados por gente do calibre de Fernando Naporano e do saudoso Kid Vinil) sobre o lançamento no Brasil do último disco de um grupo de Liverpool de quem eu nunca tinha ouvido falar, um tal de Echo & The Bunnymen. Interessei-me de cara pelo conjunto, não só pelos elogios a ele contidos no tal artigo, mas também por sua procedência; afinal, se em tempos idos Liverpool tinha sido o berço do merseybeat e o Estadão elogiava tanto uma banda nova vinda de lá (infelizmente não me recordo quem era o articulista), coisa ruim ela não deveria ser, pensei. Movido pela curiosidade, adquiri às cegas logo em seguida o tal disco, o ‘Porcupine’, terceiro álbum por eles lançado, em uma das minhas regulares visitas à lendária Galeria do Rock, até hoje localizada no centro de São Paulo e um dos “points” rockers mais conhecidos do Brasil. A princípio não fiquei nem um pouco animado com o que ouvi, achei estranha e meio desagradável aquela maçaroca de guitarras tocando contra um arranjo de violinos que, segundo o que eu tinha lido no jornal (o disco nacional que eu comprei não trazia sequer ficha técnica) eram do violinista Lakshminarayana Shankar, que já havia colaborado com Peter Gabriel e John McLaughlin. Mesmo assim, gostei muito de uma faixa, chamada “Gods Will Be Gods”, e graças a ela em vez de tentar devolver o disco na loja ou encostá-lo num canto, resolvi repetir um procedimento que eu já havia feito anteriormente, com o álbum ‘Wonderwall’, do George Harrison, e com o ‘Whistle Rymes’, do John Entwistle, baixista do The Who, dois discos que, graças à minha persistência em ouvi-los após uma decepção inicial, acabaram se tornando praticamente dois discos de cabeceira pra mim. Minha ideia deu certo, de fato concluí que os caras desse tal Echo eram bons mesmo, como o artigo informava. Semanas depois, um amigo meu, do circuito das lojas de discos que eu freqüentava, jogou em minhas mãos uma fita cassete com gravações de grupos diversos (entre as quais fiquei conhecendo outras bandas do tal “pós-punk” inglês), contendo no meio duas das músicas do ‘Porcupine’, “The Cutter” e “The Back Of Love”, porém em suas versões de compacto, com arranjos bem diferentes e, aos meus ouvidos, muito melhores, e mais uma inédita dos Bunnymen, o “Never Stop (Discotheque)”, que de imediato me deixou encantado com seu arranjo cheio de cellos, toques em pizzicato e outros detalhes e ambiência que lembravam, e muito, aquela outra antiga banda de Liverpool; esse mesmo amigo também me fez ouvir um exemplar importado do ‘Porcupine’, através do qual pude perceber que muito do meu desencanto inicial com o long-play era fruto da péssima prensagem da edição nacional, cortesia da EMI-Odeon, que era quem, na época, prensava os lançamentos da Warner (distribuidora da Korova, a gravadora  do grupo) por aqui. “Ah, então era isso…! Acho que vou ter que ouvir mais coisas desses caras…”

Demorou mais alguns meses para sair no Brasil o álbum seguinte do Echo, mas nesse meio tempo um outro amigo me emprestou um compacto de doze polegadas deles, que tinha “The Killing Moon” nas versões “standard” e estendida, e mais uma gravação ao vivo sensacional, “Do It Clean”, que me fez conhecer outra faceta da banda, a porrada que era uma gravação ao vivo deles. Foi então, com grande ansiedade, que adquiri logo que saiu aqui ‘Ocean Rain’, quarto disco da banda. E como era de se esperar, caí de amores por ele logo na primeira audição (pois é, a prensagem nacional desse já era bem melhor). Passei a ouvir direto “Silver”, “Seven Seas”, “Crystal Days”… Era fantástico!

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“Crocodiles”, 1980

Um nada de tempo depois disso consegui, escarafunchando várias lojas especializadas, achar dois álbuns importados da banda, os quais comprei sem perda de tempo: ‘Heaven Up Here’, que continha as excelentes “A Promise” e “Over The Wall”, e logo em seguida o disco de estreia deles, ‘Crocodiles’, um álbum mais cru e básico, onde estava a versão original do “Do It Clean” (esse disco que eu achei era a versão americana; a inglesa não contém essa faixa) e as absurdas de boas “Rescue” e “Villiers Terrace”, além do “Read It In Books”, composição oriunda da banda anterior do cantor Ian McCulloch, banda essa que também contava com os geniais Julian Cope  e Pete Wylie.

A seqüência dos acontecimentos ia meio que em banho-maria até que, lá pelo final de 1985, após grande demora, surgiu mais um compacto deles na praça, o “Bring On The Dancing Horses” que, além de trazer no lado principal uma música de qualidade e que mantinha em alta o nível da banda, ainda continha no seu lado dois duas faixas das quais uma em particular, “Bedbugs And Ballyhoo”, acabou virando uma das minhas preferidas de sua obra para todo o sempre. Logo após, foi anunciado que o baterista, Pete De Freitas, havia deixado a banda.

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“Heaven Up Here”, 1981

Paralelamente no passar de todos esses meses, fui conhecendo outras bandas do tal “pós-punk” inglês como, entre outras, The Cure, Joy Division e sua continuação New Order, The Smiths, Bauhaus, Dead Can Dance, Siouxsie & The Banshees e, naturalmente, comecei a enquadrar os Bunnymen como parte integrante desse contexto; a partir daí, meu conceito a respeito do Echo foi se tornando mais relativo e minhas expectativas em relação à banda foram ficando mais exigentes e, como conseqüência disso, a forma de eu enxergar os discos do conjunto começou lentamente a mudar, fazendo com que eu, dia a dia, cada vez mais questionasse a sua música  (a do ‘Ocean Rain’ em particular), até que eu, por fim, não mais estava achando que o trabalho do grupo pudesse ser algo comparável a, por assim dizer, “a arte dos deuses”. Eu já começava, como hoje vejo com mais clareza, a olhar, se não a totalidade da obra do Echo, ao menos o ‘Ocean Rain’ – apesar de eu até hoje reconhecer entre suas faixas uma obra prima atemporal meio subestimada, o”Nocturnal Me”, carregada que é de elementos góticos e sombrios, pouco comuns no repertório do grupo –, suas composições, arranjos  e interpretações, quase como um esnobismo, uma coisa pretensiosa, como se esse disco fosse uma forma de auto-afirmação desnecessária – e até exagerada, eu acrescento – em sua desesperada tentativa de emular os Beatles e os Doors, referências onipresentes, quem sabe para tentar provar a todos (e talvez até a si próprios) o quanto eles eram superiores, como se eles pertencessem a uma casta acima da das demais bandas – a campanha do lançamento do ‘Ocean Rain’ anunciava ser esse “o maior álbum já gravado até então”.

Embora por conta disso meu entusiasmo pelo conjunto tivesse diminuído um pouco, nada impediu que em 1987, na ocasião em que foi anunciada a vinda da banda para apresentações no Brasil (e, melhor ainda, com o retorno do “portuga” De Freitas às baquetas), eu fosse um dos primeiros a entrar na disputada briga para adquirir um ingresso para os shows que ocorreriam no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo, parte da turnê brazílica do  grupo. Consegui ir ao evento em duas noites, nos dias 12 e 15 de maio, e fiquei cara a cara com os gajos que ficaram bem na frente de meus olhos esbugalhados, com o direito de testemunhar o McCulloch tragando copos e copos de caipirinha entre uma música e outra, e de verificar “in loco” a exímia performance do “portuga” na bateria, além de tudo mais que, atônito, consegui captar no momento, incluindo execuções inéditas de faixas que fariam parte do lançamento que eles estavam prestes a fazer.

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“Porcupine”, 1983

E no final de julho desse mesmo ano esse esperado álbum (sem título, apenas ostentando o nome do grupo, talvez em mais uma alusão aos Beatles, que lá pelas tantas também haviam lançado um disco apenas com o seu nome, chamado informalmente de “album branco”) foi lançado, carregando a honra de ter em duas faixas a presença do próprio Ray Manzareck, dos Doors, como tecladista convidado. Uma delas, uma equivocada releitura, no meu modesto entender, de “Bedbugs  And Ballyhoo”, que se revelou uma escolha infeliz mas acabou tendo mais sucesso entre o público que a versão original; a outra em compensação, “Blue Blue Ocean”, para mim (não sei sei até hoje se por conotações emocionalmente fortes para mim na época ou pela sua mera excelência) foi outra das que estarão entre as minhas preferidas do grupo para sempre. No geral o álbum – que teve como hits (inclusive por aqui) “Lips Like Sugar” e “The Game” – foi bem recebido pelo público, principalmente nos Estados Unidos, se bem que não tanto pela crítica, e foi o primeiro a apresentar entre os convidados, além do Ray Manzareck, músicos como Jake Brockman, que faria parte de posteriores encarnações da banda; também foi o último a contar com as baquetas de Pete De Freitas, vítima fatal em um acidente de moto em 1989.

Uma tentativa de reformulação da banda após a morte do baterista e, para surpresa de todos, após a saída de McCulloch, que optou por seguir carreira solo, não chamou a atenção de ninguém. Nem a minha na época, embora hoje eu reconheça que ‘Reverberation’, o único álbum lançado por essa nova formação, que contou com Noel Burke nos vocais, até tinha lá suas qualidades, só não vingando devido à enorme carga que o nome da banda carregava consigo. Pouco tempo se passaria e logo McCulloch e o guitarrista Will Sergeant já estavam novamente experimentando algo juntos, formando uma banda que levava o nome de Electrafixion (e ainda por cima contando com a colaboração do Johnny Marr, dos Smiths), algo ao meu ver bem mais animador, a julgar por um álbum e uma caixa de compactos com registros ao vivo colocados no mercado; pena que o projeto não vingou…

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“Ocean Rain”, 1984

Com a entrada do baixista original do Echo, o Les Pattinson, no que sobrou do Electrafixion (a dupla McCulloch/Sergeant) o mundo viu em 1997 o renascimento do Echo & The Bunnymen com o disco ‘Evergreen’, cuja capa lembrava muito – sei lá se propositadamente ou não – a do primeiro LP, o ‘Crocodiles’. Um álbum que se não era lá tão digno de comparação com a sua obra anterior, ou não tinha tudo o que eles ainda poderiam render àquela altura do campeonato, ainda oferecia um resto de gás que os caras tinham em estoque e até tinha seus bons momentos, e acabou caindo bem em minhas memórias afetivas, em grande parte por conta de um feriado prolongado que passei em companhia de minha então namorada – atual esposa – em Campos de Jordão, do qual o disco foi a trilha sonora (curiosamente minha mulher, normalmente interessada em música brasileira e new age, acabou se tornando fã da banda); o que pouca gente sabe é que logo depois de seu lançamento, ‘Evergreen’ teve uma tiragem limitada contendo um CD bônus, de subtítulo ‘History Of The Peel Sessions 1979-1997’, que trazia gravações feitas pelo grupo através de todos esses anos para a BBC, no programa do lendário John Peel, muitas delas até melhores que as versões originais, uma tetéia!

E daí pra frente eles tentaram… tentaram…  A partir do horrendo ‘What Are You Going To Do With Your Life?’, de 1999 (no qual o Les Pattinson tocou apenas em uma faixa antes de pular fora de novo – esse aí ao menos deve ter pensado direito no que fazer da vida), eles lançaram, até agora, mais seis discos (um deles, aliás, ao vivo, onde o coitado do Ian só consegue estragar as músicas antigas com sua voz totalmente comprometida pela bebida e pelo cigarro, algo só comparável ao Bob Dylan atual) que não acrescentam absolutamente nada ao que de bom eles fizeram no passado.

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“Echo & The Bunnymen”, 1987

 

Se, no final das contas, o Echo & The Bunnymen não conseguiu ser a maior banda surgida no “pós-punk” inglês ou quase não chega a ter relevância e influência hoje em dia, eles podem ainda se orgulhar de ter sido uma das grandes bandas dos anos oitenta, uma época em que, ao menos para mim, foi feita a melhor música dento daquilo que se entende por rock, música até mesmo melhor do que o que foi lançado nos cultuados anos sessenta, com todos os seus ídolos sagrados…

 

(Valdir Angeli, 64, é fã do Echo & The Bunnymen, além de colecionador e pesquisador de rock; se formou em Publicidade na Eca-Usp)

 

 

TODOS OS DISCOS DOS HOMENS COELHO

Crocodiles (1980)

Heaven Up Here (1981)

Porcupine (1983)

Ocean Rain (1984)

Echo & the Bunnymen (1987)

Reverberation (1990)

Evergreen (1997)

What Are You Going to Do with Your Life? (1999)

Flowers (2001)

Siberia (2005)

The Fountain (2009)

Meteorites (2014)

The Stars, The Oceans & The Moon (2018, será lançado oficialmente no próximo dia 5 de outubro)

 

Mais sobre a banda aqui: http://www.bunnymen.com/. E aqui também: https://www.facebook.com/thebunnymen/.

 

DOIS “COELHINHOS” (WILL SERGEANT E LES PATTINSON) JUNTOS EM POLTERGEIST – O FENÔMENO, OU OS FANTASMAS SE DIVERTEM!

 

Alex Sobrinho, especial para Zapnroll

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A dupla Poltergeist, formada pelos Bunnymen Will Sergeant (guitarras) e Les Pattinson (vocais)

 

Os puristas afirmam que o Echo & The Bunnymen acabou em 1987. Discordo somente da data: o correto seria 1997, com o disco “Evergreen”, a última vez que os três membros originais trabalharam juntos, literalmente, na composição de todas as faixas. O baixista Les Pattinson caiu fora de baixo e cuias reclamando em entrevistas que o vocalista “estava  reciclando canções solo” nos discos do Echo. Essa reciclagem pode ser ouvida no cd “What Are You Going to Do with Your Life?” (de 1999, nas faixas  “Lost on You” e “Rust”,  derivadas de “Birdy” e “Ribbon & Chains”,  presentes  no compacto “Lover, Lover, Lover”, de1992 e cover  de Leonard Cohen).

E de 1999 a 2014 vieram à tona mais cinco discos a cargo da dupla Ian McCullouch e Will Sergeant que pouco acrescentam a discografia da banda. À exceção de alguns lados B de singles, o ao vivo registrando a tour do “Ocean Rain” com orquestra que esteve no Brasil em 2010 e o EP “Avalanche” com recriações dos clássicos “Silver” e “All My Colours”. O mesmo expediente vai ser utilizado no disco a ser lançado em outubro deste ano (provando que coelho velho não aprende truque novo).

Will Seargent já tinha uma carreira solo iniciada 1978 e lançado um excelente disco influenciado pela música eletrônica chamado “Curvature of the Earth” – em 2004, com o projeto Glide. O fã que por acaso tenha torcido o nariz para os últimos trabalhos do Echo se sentirá recompensado logo na primeira audição.                                                                                   Já Les Pattinson seguiu seu caminho pondo itens dos mais variados de sua trajetória com os Bunnymen em leilão e se dedicou a fabricação de barcos. Só saiu de exílio musical atendendo ao chamado de velho companheiro Wiil Seargent para colaborar no projeto ‘Poltergeist”, que a dupla criou em 2012 e que lançou apenas um único álbum até o momento, editado em março de 2013 (lá se vão cinco anos…).

A bolacha se chama “Your Mind is Box (Let Uss Fill It Wonder)”. A sensação é de que a dupla de amigos resolveu despejar a criatividade represada pelo tempo de separação musical e virar o ouvinte pelo avesso e levá-lo para uma viagem a outra dimensão já nos primeiros acordes.

As guitarras do Will nunca estiveram tão livres e desconcertantemente geniais ao longo das oito faixas desde, desde quando mesmo… rsrs. Desde o “Curvature of The Earth” – Glide, o único paralelo possível. Logicamente é preciso dizer que o baixo de Les Patinson vem matador, pulsando nervoso quase explodindo as caixas de som ou seus ouvidos (caso ouça com fones; recomendável) em simbiose perfeita com bateria do desconhecido Nick Kilroe. Um ouvinte ocasional do disco o recomendaria aos amigos mais descolados. Já alguns fãs dos Bunnymen ficariam imaginando “ah se tivesse vocais!”. Afirmo que é desnecessário.

 

(Alex Sobrinho, além de dileto amigo zapper há anos e radialista em Colatina, Espírito Santo, também é fã FANÁTICO pelo Echo & The Bunnymen)

(e adendo do editor do blog, ouvindo agora o projeto de Will Sergeant e Les Pattinson no Spotify: melhor do que qualquer álbum que os Bunnymen gravaram de 1990 pra cá. Lembra total o Echo do início, especialmente em “Heaven Up Here” e “Porcupine”, mas sem vocais. E nem precisa!)

 

 

MINI DIÁRIO SENTIMENTAL – O JOVEM JORNALISTA ZAPPER, O ECHO & THE BUNNYMEN E A SAMPA PÓS PUNK DOS ANOS 80 E 90

***Descobrindo os Coelhinhos – Zapnroll conheceu o Echo & The Bunnymen por volta de 1983, quando o grupo lançou seu terceiro disco, o espetacular “Porcupine” (álbum sombrio e GÉLIDO em suas ambiências pós-punk). O LP foi lançado naquele ano no Brasil e o jovem Finas (com vinte aninhos de idade apenas), que havia tomado conhecimento da existência do grupo através de matérias publicadas no caderno Ilustrada, do diário paulistano Folha De S. Paulo (e assinadas pela então lenda do jornalismo cultural, mr. Pepe Escobar), foi atrás de um exemplar. Não conseguiu encontrar nas lojas onde procurou e acabou desencanando de adquirir o tal disco. Daí pra frente começou a escutar músicas do conjunto na programação noturna da rádio 97fm (localizada na cidade de Santo André e possivelmente a primeira rádio rock do Brasil), e começou a ficar literalmente apaixonado pelo som do Echo. Um ano depois também saiu no Brasil o quarto trabalho da banda, o mega clássico “Ocean Rain”. Finaski foi na Galeria Do Rock (que já existia) e achou o LP por lá, juntamente com o “Porcupine”. Comprou os dois de uma vez. E nunca mais deixou de amar Echo e os Homens Coelho.

 

***A primeira vinda ao Brasil e três histórias BIZARRAS da primeira entrevista coletiva do quarteto – Era o primeiro semestre de 1987. A produtora paulistana Poladian (que na época trazia muitos shows internacionais ao Brasil), animada pelo sucesso obtido com a turnê brasileira do inglês The Cure, que ela havia promovido em março daquele ano, resolveu arriscar novamente: anunciou que estava trazendo o Echo & The Bunnymen pra cá, e que os shows aconteceriam em maio daquele ano. Foi um verdadeiro TUMULTO entre jornalistas (o sujeito aqui incluso), fãs, góticos e darks em geral (os darks DOMINAVAM O MUNDO então). Finaski, que havia começado a trabalhar como jornalista musical há apenas um ano, conseguiu se credenciar para a primeira entrevista coletiva para a imprensa do grupo em terras brazucas, e também para assistir a um dos shows da perna paulistana da turnê (foram cinco no total na capital paulista, no Palácio do Anhembi, e todos com ingressos ESGOTADOS), sendo que eles ainda fizeram gigs em Santos (litoral paulista) e no Rio De Janeiro. E na coletiva de imprensa que rolou em uma tarde quente em Sampa, aconteceram ao menos três histórias curiosas, quase bizarras. A primeira: o jovem zapper foi para o bate papo com o conjunto vestindo estrategicamente uma t-shirt da banda The Doors, com a cara enorme do vocalista Jim Morrison estampada na camiseta. No meio da entrevista o cantor Ian McCulloch olhou para a camiseta e fez sinal de “ok” com o dedo. Segundo lance: Zapnroll foi na entrevista acompanhado dos amigos Carlos Quintero (que era proprietário da loja Antitedium Discos, na Galeria Do Rock) e Arlindinho (uia!). Este último, um moleque sensível dos seus dezenove aninhos de idade, não se contentava apenas em ser FANÁTICO pelo Echo. Ele era o SÓSIA perfeito e irmão GÊMEO de Big Mac. Tanto que a ideia da dupla Finas e Carlinhos era apresentar Arlindo para Ian ao final da entrevista. Mas o garoto ficou completamente tímido e achamos melhor abortar a aproximação entre ídolo e fã sósia perfeito. E por fim: entrevista terminada, o zapper não se fez de rogado nem tímido. Foi com uma caneta e a CAPA de “Porcupine” nas mãos até os músicos e pediu na cara larga o autógrafo de todos eles. Que foram super gentis e atenciosos e assinaram seus nomes na capa do LP.

 

***O show no Anhembi – foi, literalmente, inesquecível. Começou (se não nos falha a memória) com “Going Up”, a faixa de abertura de “Crocodiles”, o álbum de estreia dos Bunnymen. A banda em forma e potência máxima no palco. E teve “Paint It Black”, clássico dos Rolling Stones, “coverizada” já no bis. Gig igual a essa, nunca mais!

Registro HISTÓRICO e na íntegra: a banda se apresenta no Brasil em maio de 1987, aqui neste vídeo na gig realizada no Canecão, Rio De Janeiro

 

***Dançando nos porões goth de Sampa ao som dos Coelhinhos – O autor deste blog perdeu a conta das madrugadas que dançou tristonho ao som das músicas do Echo no eternamente escuríssimo porão do Madame Satã. Tempos depois (por volta de 1988), o ritual passou a se repetir na pista do Espaço Retrô, onde Zapnroll conheceu e meio que se apaixonou pela loirinha Márcia B.B. Teve um brevíssimo romance com ela e ambos ficaram algumas noites “namorando” no apê da rua Frei Caneca, ao som do Echo. Mas Marcinha (que era uma peituda lindona e xoxotudíssima) nunca quis de fato ficar pra valer com o jovem jornalista.

 

***A volta ao Brasil e o “embate” em outra coletiva – Em 1999, já em sua segunda encarnação (tendo como membros originais apenas o vocalista Ian e o guitarrista Will, e lançando álbuns cada vez menos inspirados e distantes da banda gloriosa que havia encantado o mundo rocker nos anos 80), o Echo & The Bunnymen finalmente voltou para shows ao Brasil, doze anos após a primeira turnê pelo país. Em Sampa a gig rolou na mui saudosa Via Funchal, a melhor casa de shows internacionais que existiu na capital paulista. Novamente o espaço lotou mas a banda que subiu ao palco já não ostentava mais o brilho exibido em 1987 no Palácio do Anhembi. De qualquer forma, foi uma boa apresentação. Daí para a frente o grupo começou a tocar sem parar no bananão tropical. E a cada nova turnê por aqui a qualidade das apresentações decaía mais um pouco. Numa dessas turnês, houve quase um “embate” entre o autor destas linhas memorialistas e o vocalista Ian McCulloch, durante a entrevista coletiva de imprensa dada pelo conjunto. Lá pelas tantas Finaski levantou a mão e LASCOU a porrada para Big Mac: “O que houve com aquela voz TROVEJANTE dos anos 80, afinal. Só sobrou um FIAPO dela desde que o grupo voltou à ativa”. McCulloch ficou VERMELHO como um peru e este jornalista chegou a pensar que o vocalista iria VOAR no pobre pescocinho fináttico. “Minha voz continua a mesma”, retrucou Ian, irritadíssimo. “Mas se você acha que entende tanto assim de performances vocais, vá hoje à noite ao show com PLAQUINHAS com números, e me dê NOTAS avaliando meu vocal ao final de cada canção”. A sala, claro, veio abaixo em gargalhadas.

 

***E rolou a FODA do inferno após a gig dos Bunnymen – Yeeeeesssss. Para encerrar este mini diário sentimental não poderia faltar (claaaaaro!) um relato sexual sujo e devasso envolvendo a existência zapper e seu amor pelo Echo & The Bunnymen (ainda mais nesses tempos totalmente caretas, moralistas, ultra conservadores e sacalmente politicamente corretos como os de hoje, uma historinha dessas se faz absolutamente necessária, hihi). Enfim, faltavam umas três semanas para a apresentação dos Bunnymen em Sampa, na Via Funchal. Sem ter muito o que fazer num domingo à noite lá se foi Zapnroll pro porão do Madame Satã, dançar e beber um pouco. Até que pelas tantas foi tomar um pouco de ar na porta do clássico casarão goth paulistano. Foi quando viu ali aquela DEUSA arrebatadora: toda vestida de preto, muito jovem, muito magra (mas com peitinhos durinhos e salientes) e com uma beleza facial apolínea e arrebatadora, algo parecida com a musa inglesa Siouxsie Sioux. Como se aproximar desse encanto feminino pleno, pensou o jornalista sempre mega atrevido e já cheio de más intenções. Finaski fez então o que lhe veio à cabeça naquele instante: começou a cantarolar baixinho a letra do clássico do Echo, “The Killing Moon” (seguramente uma das canções mais lindas de toda a história do rock). “Isso é Echo & The Bunnymen!”, disse a garota, algo triunfante, após alguns segundos. Wow! O contato estava estabelecido! O papo entre ambos começou e não demorou muito para a dupla descer para um dos BANHEIROS do Madame, onde os malhos incendiários começaram. Mas Aninha (o nome da deusa) não cedeu fácil e disse que precisava ir embora. O casal trocou números de telefone (não havia ainda celulares, apps, nada dessas merdas tecnológicas dos fúteis e banais tempos atuais), começou a se falar com alguma frequência e também a se encontrar algumas vezes. E o jornalista rocker e eternamente loker, já com trinta e seis anos nas costas, começou a ficar perdidamente apaixonado pela garota pois ela era inteligentíssima para os seus parcos dezessete anos de idade, além de ser um xo xo ta ço. Só restava saber se ela também… FODIA gostoso. Algo que finalmente o gonzo loker descobriu na noite da gig do Echo em Sampa. Ele convidou a sua deusa e musa pra acompanha-lo ao show. Ela mais do que aceitou, imediatamente. Apresentação encerrada na Via Funchal, primeiro o casal foi beber drinks e dançar no finado bar Nias (que funcionava no bairro de Pinheiros e era muuuuuito legal). E já no meio da madrugada e louco pra COMER a garota, o zapper sugeriu: “vamos pro Madame Satã!”. Ana topou novamente no ato e o casal embarcou num táxi rumo ao casarão do bairro do Bixiga. Quando chegou na porta, para surpresa do jornalista, a mui tesuda adolescente se antecipou: “não quero entrar. Vamos pra algum HOTEL!”. Wow!!! Ela queria FODER! E nem precisou pedir duas vezes: saímos dali literalmente voando, em busca de algum muquifo próximo que pudesse abrigar nossos desejos carnais sórdidos, sujos e imorais. E como fodia miss Aninha… uma chupada esplendorosa no caralho e pelo menos duas gozadas em que a garota goth de apenas dezessete anos literalmente urrou com o pinto fináttico enterrado em sua boceta. Um pinto que ela apelidou naquela madrugada de “pau quilométrico”, ahahaha. O jornalista sempre carentão e taradão, GRUDOU na garota, óbvio. Queria namorar com ela. Mas a guria, que havia vindo de Mato Grosso Do Sul para morar e estudar em Sampa, estava vivendo na casa de uma tia quase NAZISTA no pensamento e comportamento. Tanto que os encontros entre ela e seu paquera jornalista eram quase às escondidas (a desculpa dela era sempre que ia sair com “amigas”). Desta forma o relacionamento acabou se tornando inviável, ainda mais que um acontecimento muito trágico marcou a convivência entre Zapnroll e a garota (e que já foi relatado neste mesmo blog, anos atrás). O casal se encontrou por mais duas vezes no final das contas, trepou como se não houvesse dia seguinte e Aninha sumiu por muitos anos. Procurou o autor deste blog novamente por volta de 2013, quando estava CASADA com um espanhol com o dobro da idade dela. Procurou, quis reencontrar o agora já envelhecido blogger ainda rocker e acabou DANDO pra ele novamente. E sumiu novamente. E hoje permanece nas melhores lembranças do autor destas linhas online como uma de suas aventuras carnais inesquecíveis, da época em que o rocknroll valia a pena, a noite de Sampalândia idem e o mundo ainda tinha bandas fantásticas como o Echo & The Bunnymen mobilizando multidões.

 

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FIM DE FESTA – POR ENQUANTO!

Yeeeeesssss! O postão ficou lindão e monstrão, néan. De modos que paramos mesmo por aqui. Afinal já é quinta-feira, 6 de setembro, véspera de mais um feriadon, e o blog vai descansar que ninguém é de ferro. Mas voltamos em breve com novo postão totalmente reformulado na sua pauta, prometendo inclusive publicar novo ensaio com mais uma tesudíssima musa rocker. E também em breve colocaremos na roda alguns pares de ingressos para você ir curtir a festona de quinze anos do blog de cultura pop definitivamente mais legal da web BR, ulalá!

Até mais então!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 6-9-2018,  às 3hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL: Agora vai, finalmente: em postão especial e fazendo o ENTERRO DEFINITIVO dos anos 90’, o blogão fala do vindouro e derradeiro show dos PIN UPS, uma das indie cult bands mais lendárias da cena independente brasileira em todos os tempos, e de quebra relembra histórias absolutamente e total ALUCICRAZY do jornalista loker/rocker nos idos de 1990/95, ao lado de alguns integrantes da banda (e como plus, mais recuerdos indie noventistas a caminho, com o documentário “Guitar Days”, um livrão sobre a cena etc); a MAIOR BANDA DE ROCK DE TODOS OS TEMPOS (os Rolling Stones, claaaaaro!) anuncia OFICIALMENTE em seu site (e pondo fim aos boatos de blogs que vivem de especular datas de shows gringos no Brasil) as gigs brasileiras, que rolam no comecinho de 2016; perdeu a gig de Iggy Pop em Sampa? Sem problema: mergulhe de cabeça na biografia GIGANTE do Iguana que acaba de ganhar edição nacional; a quem interessa e quais os interesses ESCUSOS por trás do mega hype em torno dos Boogarins?; a volta do sempre bacanudo quinteto rocker gaúcho Cartolas; o dileto leitorado macho (cado, uia!) pede bis e nós atendemos: a musa secreta SAFADÍSSIMA S.R. em nova leva de imagens delirantes, mostrando seu fortíssimo lado… intelectual, ulalá! (postão finalmente concluído, falando da bio da Kim Gordon, mostrando imagens TÓRRIDAS da nossa musa rocker secreta e comentando mais um dia em que o mundo chorou diante da barbárie terrorista) (ampliação final em 14/11/2015)

A indie guitar cult band paulistana Pin Ups (acima, em sua formação atual), lenda da cena underground brasileira nos anos 90’, faz seu show de despedida semana que vem no SESC Pompéia (na capital paulista) e causa tumulto no meio rocker alternativo por conta da gig; o mesmo tumulto que o grupo causava há mais de vinte anos (na foto abaixo) e também o mesmo tumulto que uma musa rocker secreta e SAFADA sem igual, como a deliciosa S.R. (também abaixo) também causa entre o leitorado do blog, que pediu mais imagens dela, sendo que as mesmas estão mais aí embaixo aqui nesse mesmo post

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E FECHANDO O POSTÃO, DUAS IMAGENS E A NOTÍCIA (INFELIZMENTE TRÁGICA, E NÃO MUSICAL) QUE MARCA ESTE FINDE

Yep. Havia muito mais a ser complementado neste postão, que entrou no ar na semana passada. Mas ontem (o post está sendo finalmente concluído no sábado, 14 de novembro) foi uma sexta-feira por um lado alegre pro blogger zapper, e trágica por outro para a humanidade.

 

Foi a sexta-feira em que o jornalista rocker recebeu da editora Rocco o seu exemplar de “A garota da banda”, a biografia escrita pela deusa loira Kim Gordon, sobre ela mesma e sobre a banda que ajudou a fundar e onde tocou baixo por três décadas, o gigante alternativo Sonic Youth. Uma bio tão bacana que irá compor, ao lado da também fodástica biografia da lenda Iggy Pop (que também acaba de sair no Brasil, pela editora Aleph), a dupla de livros que o blog irá devorar neste final de ano. Assim, vamos reunir as duas biografias em uma resenha/tópico bacana no próximo post do blog, okays?

O blogger rocker com seu exemplar da bio da deusa loira Kim Gordon: já ganhamos nosso presente de aniversário e de natal, hehe

 

E por outro lado foi a sexta-feira que novamente enlutou o mundo e tingiu de sangue as ruas de Paris. Mais um atentado terrorista sangrento, com centenas de mortos. E enquanto assistimos pasmos o grau de bestialidade que atingiu o ser humano no novo milênio, lembramos a premissa essencial da bandeira e da Constituição francesa: Liberdade, Igualdade & Fraternidade. E ficamos na torcida pra que nenhum ato terrorista derrote JAMAIS essa premissa.

 

É isso. Postão fica por aqui finalmente, com essa imagem bacaníssima aí embaixo: uma turma de ultra respeito e que marcou época na indie guitar rock scene paulistana dos anos 90’. Todos conhecidos do blog, alguns muito amigos nossos, outros não tão amigos mas pelos quais temos sempre simpatia e total respeito pela obra musical. E todos reunidos nessa foto trazem zilhões de lembranças à cabeça do autor destas linhas eternamente rockers. Por isso vamos hoje à noite lá no SESC Pompéia, em São Paulo, pra rever Zé Antonio, Alê Briganti, Flavinho Cavichioli, Adriano Cintra e Rodrigo Carneiro. Todos juntos no palco, na gig de despedida dos Pin Ups e para lembrar que a grande Arte e o grande rock’n’roll continuam sendo infinitamente maiores do que a bestialidade que consome o ser humano do século XXI.

A nata do indie guitar rock paulistano dos 90’ reunida numa só foto: os Pin Ups mais Rodrigo Carneiro, Adriano Cintra e Gozo. E todos estarão hoje à noite no palco do SESC Pompéia, em São Paulo, para a gig de despedida da banda

 

Até o próximo post!

 

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Enterrando de vez os anos 90’?

Talvez. Afinal a derrocada artística e qualitativa da música pop e do rock’n’roll na era da web e após a virada do milênio, obrigou boa parte dos fãs de música a viver ad eternum prestando vassalagem aos artistas e bandas dos anos 80’ e 90’. E entre essas bandas está o grupo paulistano Pin Ups, que fez razoável “barulho” na cena rock underground brasileira entre 1988 e 1999, quando encerrou suas atividades. Fundado na cidade de Santo André (Grande São Paulo) pelo guitarrista Zé Antonio Algodoal, o Pin Ups fazia rock de guitarras barulhentas e com vocais em inglês (primeiro, com Luiz Gustavo, e depois com Alexandra Briganti). A inspiração era em parte o pós-punk de Jesus & Mary Chain (e todas aquelas divinas melodias engendradas com guitarras em noise e em distorção infernal), em parte o shoegazer britânico de nomes como My Bloody Valentine, Telescopes, Lush e Ride, todas bandas muito “antigas” aos olhos da atual geração de pirralhos que vive conectada na internet, em redes sociais, blogs (como esse aqui), apps de celulares, smartphones etc. Naquela época não havia nada disso e a banda, na raça, foi formando seu público e chamando a atenção da mídia rock que então existia (revistas como Bizz, uma iniciante MTV Brasil e espaços modestos nos cadernos culturais dos grandes jornais diários de Sampa e Rio De Janeiro). Foi quando um produtor maluco inglês que havia fixado residência no Brasil e aqui criado um selo (o Stilleto) para lançar as bandas de ponta que estavam acontecendo na Inglaterra, ouviu uma demo do grupo, caiu de amores pelo que ouviu e resolveu bancar a prensagem (ainda em vinil, já que o cd também era novidade no país) do primeiro disco do quarteto (então também integrado pelo baterista Marquinhos, pela baixista Alê e por Luiz nos vocais). Era 1990 e a partir daí o conjunto,  embora nunca tenha vendido muito e nunca tenha saído do underground onde nasceu, construiu uma sólida reputação entre jornalistas, formadores de opinião (yep, eles sempre existiram, não?), entre outros músicos e outras bandas e também entre um fiel séquito de fãs. O Pin Ups acabou se tornando uma “cult band” (como não existem mais hoje em dia no Brasil), abriu turnês de grupos de guitar rock sublimes dos anos 90’ em suas visitas por aqui (como o americano Superchunk) e saiu de cena enfim em 1999, embora nunca tenha oficializado o fim das suas atividades. Assim sendo e como saudosistas que somos de uma época (os anos 80’ e 90’) onde se produzia rock infinitamente superior ao que escutamos hoje não apenas na péssima (em sua quase totalidade) cena independente brazuca, mas no mundo todo, os Pin Ups resolveram talvez tentar ENTERRAR de vez sua trajetória pondo um ponto final nela com a gig que farão no próximo dia 14 de novembro, sábado, na chopperia do SESC Pompéia, em São Paulo. É essa gig portanto o tópico principal deste postão de Zap’n’roll que está começando agora. Um post que custou a chegar, bem sabemos, mas que enfim surge com uma pauta caprichada como sempre. Uma pauta que traz uma bacaníssima entrevista com Zé Antonio (dos Pin Ups), que resgata lembranças de uma época realmente fodona do indie rock nacional e que mantém por fim o olhar sempre atento destas linhas rockers bloggers ao que ainda existe de muito bom entre os grupos da cena brasileira atual (como os gaúchos Cartolas, que acabam de lançar seu novo disco, ou ainda o paulistanos Coyotes California e Necro e a grata revelação do Estado do Espírito Santo que é o Manic Mood). É por isso que este blog está há quase treze anos no ar. E quando ele não mais existir (afinal, tudo chega ao fim um dia) saberemos com tranqüilidade que cumprimos muito bem nossa missão durante mais de uma década: manter nosso fiel leitorado (seja ele muito jovem ou já coroa) sempre muito bem informado sobre o que de mais relevante acontece no rock alternativo daqui e de fora, e na cultura pop em geral. Então vamos lá, a mais um postão do blogão que não abandona jamais quem o lê.

 

 

* Entonces, o novo postão custou realmente a sair. E já chegamos a conclusão por aqui de que não adianta atualizar um blog a todo instante quando não há motivos e assuntos RELEVANTES para isso. É uma bobagem a postura desses blogs de rock alternativo e cultura pop que querem a todo custo se manter diariamente na “vanguarda” da informação através de vários micro posts com assuntos desimportantes (ou especulando sem parar sobre confirmações de turnês de bandas gringas pelo Brasil, geralmente dando “barrigadas” em série nessas infos e depois tendo que desmentir ou corrigir as informações erradas) que quase ninguém lê, que ninguém comenta e que quase não ganham likes em redes sociais. Então o blogão zapper prefere ir devagar e sempre e postar aqui, ainda que com maior espaço de tempo, um autêntico “colunão” virtual onde, de fato, assuntos que são RELEVANTES serão bem documentados e analisados.

 

 

* E nem vamos falar de política nessas notas iniciais porque tudo continua o nojo de sempre pelo país, não é? Seguimos apenas aguardando pra ver quando o “servo bandido de Deus” (nem é preciso dizer o nome do pilantra) vai ser finalmente EXPURGADO da cadeira de presidente da Câmara dos Deputados em Brasília.

 

 

* E a notícia MASTER RELEVANTE da semana rocker, todos já sabem, foi disparada finalmente ontem (sendo qiue estas notas iniciais estão sendo escritas na madrugada de quinta pra sexta-feira). Depois de semanas de diz-que-diz e muuuuuita especulação infundada (pelos blogs de sempre, especializados nesse tipo de conduta jornalística algo adolescente), o site OFICIAL dos Rolling Stones (a nossa, a sua MAIOR BANDA DE ROCK DE TODOS OS TEMPOS) e a produtora T4F finalmente divulgaram as DATAS OFICIAIS da turnê dos nossos amados e famigerados vovôs ainda subversivos do rock’n’roll. Ficou assim:

 

20 de fevereiro – Rio De Janeiro (estádio do Maracanã)

24 e 27 – São Paulo (estadio do Morumbi)

2 de março – Porto Alegre (estádio Beira Rio)

 

 

* Sendo que você pode conferir tudo aqui: http://www.rollingstones.com/tickets/. Os ingressos para os shows no Brasil começam a ser vendidos na próxima segunda-feira, 9 de novembro. E é muito óbvio que todos eles irão se esgotar em questão de horas. E também é muito óbvio que esta deverá ser a derradeira turnê dos Stones por aqui, que não vinham ao país há quase uma década – não custa lembrar: Mick Jagger e cia estiveram aqui pela última vez em fevereiro de 2006, quando tocaram na praia de Copacabana para mais de um milhão de pessoas. Então é agora ou nunca: ou você vai nessa turnê (sendo que o jornalista zapper/loker eternamente apaixonado pelos Stones pelo menos já conseguiu assistir ao grupo ao vivo por duas vezes, em 1995 e 1998) ou bye bye. Jagger está com setenta e dois anos nas costas, o restante da banda mais ou menos por aí também. Alguém ACHA que haverá outra excursão mundial dos velhinhos depois dessa?

 

 

* A outra notícia beeeeem relevante para o que ainda resta de muito bom no rock independente nacional vem do Rio Grande Do Sul. O já veterano quinteto Cartolas (que existe desde 2003 e é um dos grupos do coração deste blog no rock nacional dos anos 2000’), comandado pelo guitarrista e produtor Christiano Todt e pelo figuraça vocalista Luciano Preza, acaba de lançar seu novo disco de estúdio. O álbum, homônimo ao nome da banda, foi postado oficialmente ontem no site do grupo. E traz onze faixas onde os Cartolinhas mantém a fé no rock’n’roll básico e altamente melódico e radiofônico que sempre caracterizou sua musicalidade desde o primeiro cd, “Original de Fábrica” (lançado em 2007). É o quarto disco do grupo e estas linhas online ainda vão ouvir o dito cujo com atenção absoluta para, se possível ainda nesse postão (que será concluindo até o meio da próxima semana), falar detalhadamente sobre ele. Mas aí embaixo já dá pra você ter um aperitivo do novo trabalho dos Cartolas, através dos vídeos para os dois primeiros singles extraídos do álbum, que contém as lindíssimas “Xodó” e “Sem sal”. E você pode escutar o disco na íntegra aqui: http://www.cartolas.com.br/iv/.

 Capa do novo disco do gaúcho Cartolas, que foi lançado ontem na web

* E também muito relevante é o documentário “Guitar Days”, que está sendo produzido por Caio Augusto e que pretende contar toda a história da indie guitar scene nacional, desde os anos 90’ até os dias atuais. Para isso Caio já colheu depoimentos de mais de sessenta pessoas (o autor destas linhas online incluso), entre músicos, bandas, produtores e jornalistas. A previsão de lançamento do doc é março de 2016 e você pode saber mais sobre ele aqui: https://www.facebook.com/guitardaysdoc/timeline.

Reunião de rockers na última semana na loja Baratos Afins, na Galeria Do Rock (centrão de Sampa): Zap’n’roll e a turma que está produzindo o documentário “Guitar Days” (cartaz abaixo), junto com o lendário produtor Luiz Calanca; o autor deste blog é um dos entrevistados que estarão presentes no filme, com lançamento previsto para março de 2016

 

* Bien, começando os trabalhos. A primeira parte desse postão gigantão está entrando no ar na sexta-feira, 6 de novembro. Então ao longo dos próximos dias iremos ampliando aos poucos esssa notinhas iniciais, okays? Por enquanto vamos direto aí embaixo, saber como vai ser o show de despedida dos Pin Ups, um dos mais lendários grupos do indie guitar brasileiro dos anos 90’.

 

 

O ADEUS DOS PIN UPS, NUM SHOW DESDE JÁ HISTÓRICO E PARA RECORDARMOS COMO ERA O GRANDE INDIE GUITAR ROCK BR DOS ANOS 90’

Em algum momento na segunda metade da década de 1980 (há quase trinta anos portanto, e quando a maioria da garotada que acompanha este blog hoje em dia provavelmente sequer tinha nascido) três moleques fãs de indie rock britânico barulhento se juntaram em Santo André (cidade da região metropolitana da capital paulista) e formaram uma banda. Em uma época onde não havia internet, telefones celulares, sites, blogs ou redes sociais, os amigos Zé Antonio (guitarras), Luiz Gustavo (vocais) e Marquinhos (bateria) fundaram o Pin Ups, movidos por uma paixão comum pelas melodias a um só tempo doces e barulhentas de grupos como Jesus & Mary Chain, My Bloody Valentine, Telescopes, Ride ou Lush. O trio ainda não sabia disso mas estava sendo um dos fundadores da gênese de um certo indie guitar rock brasileiro, que agregava grupos que cantavam em inglês e prestavam vassalagem total ao rock’n’roll da Velha Ilha. Sem um pingo de interesse em música brasileira ou qualquer influência dela, o trio de Santo André logo começou a fazer barulho em bares de Sampa, formou um pequeno séquito de fãs e começou a chamar a atenção dos poucos jornalistas (entre estes, o titular destas linhas zappers sempre malucas e gonzolinas) que acompanhavam de perto a cena musical underground naquela época.

 

Daí pra frente a fama em torno do grupo começou a aumentar e logo ele ganhou status de “cult band” da indie scene nacional. O oba-oba em torno do trio (que logo receberia a adição da baixista e vocalista Alexandra Briganti) aumentou de tal forma que um pequeno selo alternativo inglês, o Stilleto (e que havia aberto recentemente escritório em São Paulo), resolveu bancar o lançamento do primeiro disco de vinil dos Pin Ups. “Time Will Burn”, que havia sido gravado entre 1988/89, foi lançado em 1990 e recebeu elogios rasgados de toda a imprensa qne então se dedicava a cobrir rock na mídia brasileira.

 

Mas se a fama do conjunto aumentava, ele seguia vendendo pouco e preso à cena indie paulistana, de onde jamais acabou saindo no final das contas, mesmo tocando em gigs importantes como quando abriu as apresentações brasileiras do grupo americano Superchunk (então um dos nomes mais importantes da cena alternativa noventista dos EUA). E foi assim por toda a década de noventa: mudando sua formação (Luiz acabou saindo após a gravação do terceiro álbum e Alê assumiu de vez os vocais; a também guitarrista Eliane Testone entrou no line up e o batera Marquinhos também se foi, entrando em seu lugar o ultra loker Flavio Cavichioli, que anos mais tarde se tornaria um dos grandes bateristas do rock independente brazuca, tocando com os Forgotten Boys, além de se tornar um dos melhores “companheiros” de loucuras junkies e de enfiações de pé na lama ao lado do autor deste blog, ulalá!) e lançando uma trinca de CDs excelentes (“Jodie Foster”, “Lee Marvin” e “Bruce Lee”) o grupo foi levando sua trajetória como pôde, até decidir encerrar (de forma não oficial) suas atividades por volta de 1999. Zé e Alê foram trabalhar na então nascente MTV Brasil (onde ficaram por quase vinte anos), Eliane tocou em zilhões de bandas alternativas de São Paulo (e sendo que ela mora já há alguns anos em Londres) e Flavinho foi tocar com os “Garotos Esquecidos” onde permaneceu por quase uma década.

 

Corta para o final de 2015. Em um momento em que muito se fala dessa cena independente brasileira dos anos 90’ (com realização de documentários sobre ela e lançamentos de livros a respeito) e das bandas dessa cena que cantavam em inglês, uma nova geração começou a descobrir os discos lançados pelo Pin Ups – que estão todos disponíveis para audição em canais na web, como o YouTube. Foi assim que então, para dar um ponto final nessa história que ainda não havia oficialmente chegado ao fim, Zé Antonio se reuniu novamente com Alê Briganti e Flavinho Forgotten para fazer aquele que o trio está chamando de “finalmente o show de despedida dos Pin Ups”. A gig acontece no próximo dia 14 de novembro na chopperia do SESC Pompéia, em São Paulo, e já causou tumulto em sites e blogs especializados em rock alternativo, e também nas redes sociais como o Facebook, onde a página do evento já conta com mais de seicentas pessoas confirmadas no show (cabem cerca de oitocentas na chopperia do SESC). E será uma apresentação que, além do trio remanescente, ainda terá alguns convidados especiais no palco como Adriano Cintra (outro dileto amigo zapper, e o gênio que fundou o Butchers’ Orchestra e também o finado Cansei De Ser Sexy), Rodrigo Carneiro (jornalista e vocalista de outra lenda indie dos 90’, o Mickey Junkies) e Rodrigo Gozo (ex-guitarrista do Killing Chaisaw, outro nome importante da indie guitar scene dos 90’).

 

Por que vai rolar esse gig de despedida, o que esperar do show e o que anda motivando o interesse da garotada atual por uma cena de duas décadas e meia atrás que na realidade jamais ultrapassou as barreiras quase sempre cruéis, estreitas e limitadoras do underground rock nacional? É o que você fica sabendo lendo as opiniões bastante sensatas e esclarecedoras de Zé Antonio, cinqüenta e um anos de idade, ainda guitarrista apaixonado por rock, um dos fundadore dos Pin Ups e que conversou com Zap’n’roll na semana passada. Os principais trechos da entrevista, realizada pelo inbox do FB, seguem abaixo:

A banda em sua definitiva, clássica e final formação (durante os anos 90’), com os guitarristas Zé e Eliane, a baixista e vocalista Alê e o baterista Flavinho Cavichioli

 

 

Zap’n’roll – Os Pin Ups foram uma das bandas mais “cult” e lendárias da indie scene nacional do final dos anos 80’ (quando lançou seu primeiro disco) e até seu final, em 1999. Mas é óbvio que toda uma geração novíssima atual talvez nunca tenha ouvido falar da banda. Se fosse pra você resumir pra essa molecada o que foi a história do Pin Ups, como você a contaria?

 

Zé Antonio Algodoal – Acho que foi uma banda formada por moleques que queriam tocar, nada mais que isso. Por mais que o Luiz [Gustavo, primeiro vocalista da banda] replicasse alguns discursos de bandas inglesas, dizendo que éramos bons a verdade é que tudo era uma grande diversão, jamais imaginamos que pudéssemos nos tornar cult ou o que quer que seja. Nossa preocupação era apenas soar contemporâneo e tentar fazer isso da melhor maneira possível. A época era outra, sem internet, com instrumentos e pedais caros, poucos lugares pra tocar e viagens intermináveis de ônibus pelo Brasil, mas a gente amava tanto aquilo tudo que topava qualquer coisa… De resto, lançamos um primeiro disco por uma gravadora, Stilleto, e depois disso sempre batalhamos feito loucos pra conseguir que outros selos nos lançassem. Acho que tivemos sorte de encontrar muita gente boa nesses selos, nas casas noturnas e na imprensa que acabaram nos apoiando.

 

Zap – Ok. E você também sempre acompanhou muito de perto toda a cena independente daquela época e até hoje, pois além de músico trabalhou anos em diversos setores da MTV Brasil, atuando inclusive como diretor de jornalismo e de vários programas da emissora. Assim, sob sua ótica de músico e jornalista que acompanhou tudo isso muito de perto, qual a comparação que você faz entre a geração alternativa daquela época e a de hoje? Ainda existe rock alternativo que valha a pena no Brasil atual?

 

Zé Antonio – Claro! Tem muita banda boa por aí. Acho que a diferença é que hoje quem quer ter uma banda pode ter um bom instrumento, divulgar melhor o seu trabalho, e contar com um profissionalismo que era impossível em nossa época. Ainda hoje faço vários trabalhos com bandas novas, acabei de gravar uma temporada de um programa chamado Mixados, dessa vez como apresentador, e comentei sobre isso com vários músicos das novas gerações. Fico feliz que eles tenham tantas ferramentas e façam bom uso de tudo isso. Em relação à cena alternativa ela existe, e é bem forte. A diferença é que nos 90’ eram poucos os lugares que concentravam essas bandas. Hoje a gente pode ver uma banda como o Far From Alaska fazendo um dos primeiros shows no Lollapalooza e isso é bom, faz com que todos se esforcem para dar o seu melhor. Na época do Pin Ups era tudo menor, com menos perspectivas, menos compromissos… talvez fosse um pouco mais romântico em algum sentido, mas acho que hoje é tudo melhor.

 

Zap – talvez o blog seja um tiozão saudoso e romântico e que achava a indie scene daquela época muito melhor que a atual, mas tudo bem, rsrs. Então falemos um pouco da trajetória do grupo, das suas formações, discos e shows. Este jornalista mesmo assistiu a algumas gigs inesquecíveis do conjunto, no lendário Espaço Retrô. Você particularmente se lembra do seu momento/show inesquecível dos Pin Ups? E qual seu álbum preferido do grupo? E das formações que tiveram, qual considera a melhor?

 

Zé Antonio – Aí eu não sei te responder hahaha. Dos shows no Retrô eu tenho um carinho especial pelos shows de lançamento do “Time Will Burn”, quando a Alê entrou pra banda. Foram quatro shows intensos e divertidos. Não sei como agüentamos, rsrsrs. Em relação às formações, eu adorava ter o Luiz na banda com seu humor ferino e suas performances de palco, mas amo a formação com a Alê no vocal, o Flavio na bateria e a Eliane na guitarra. Acho que aquela talvez tenha sido a época em que mais nos divertimos, e tivemos tranquilidade pra pensar na banda. A Alê se tornou uma grande amiga. E essa foi a formação que durou mais tempo e com a qual conquistamos muitas coisas. Em relação ao álbum… acho que talvez eu goste do “Lee Marvin”. Mas a verdade é que o melhor álbum do Pin Ups era o que seria gravado antes da banda parar… talvez a gente resgate uma dessas músicas para a trilha do documentário “Guitar Days”.

 

Zap – dê mais detalhes sobre esse documentário e sobre esse disco NÃO lançado do grupo. Ele seria o sucessor de “Bruce Lee”, o disco derradeiro que saiu em 1999? Chegou a ser totalmente composto?

 

Zé Antonio – Em relação ao disco existiam uns esboços de músicas, alguma nem chegaram a ser ensaiadas. Mas era um bom momento da banda, teríamos feito nosso melhor trabalho sem dúvida. E os documentários são dois. De alguma maneira as pessoas começaram a prestar atenção naquela geração e quiseram documentar aquela história. O primeiro é um doc dirigido pelo Marko Panayotis que se chama “Time will burn”, mesmo nome do nosso primeiro disco. O outro se chama “Guitar Days” [nota do blog: documentário que está em fase final de produção e que deverá ser lançado até março de 2016; ele conta com depoimentos de mais de sessentas músicos, jornalistas e outros agitadores culturais que acompanharam a cena alternativa dos 90’ até hoje, e o autor deste blog está entre os que gravaram depoimentos para o filme], do Caio Augusto, que fala sobre as bandas que cantavam em inglês, e quase todas nos citam.

 

Zap – e por que o disco não foi lançado, afinal?

 

Zé Antonio – pra completar o Yury Hermuche, do Firefriend, está finalizando um livro, que sai agora em novembro onde ele dedica mais de 80 páginas à nossa história. O Livro se chama “Rcknrll outsiders viciados em música e procurando confusão”. O Caio está pedindo às bandas que aparecem no doc para ceder uma música inédita, então vamos recuperar uma dessas. E porque o disco derradeiro não saiu? É que naquela época o Pin Ups deu uma parada. A cena tinah mudado muito, o hardcore estava tomando conta e a cena alternativa dava uma encolhida. Era difícil ter lugar pra tocar, selos pra lançar discos, divulgação estava mais complicada e então resolvemos que era hora de repensar muitas coisas. Com isso o álbum, assim como vários outros projetos, acabaram deixados de lado.

 

Zap – em nossas conversas off por fone, antes da entrevista em si, relembramos bons e também maus momentos da trajetória dos Pin Ups. Como o célebre show no Curitiba Pop Festival em 2004, que trouxe os Pixies pela primeira vez ao Brasil e quando vocês subiram ao palco para fazer um set antes do lendário quarteto indie guitar americano. Foi seguramente o PIOR show que o blog assistiu de vocês. Por que aquela gig foi tão desastrosa afinal, quando poderia ter sido o ponto culminante da trajetória do conjunto?

 

Zé Antonio – os ensaios foram ótimos, tinha tudo para ser um show bom, mas antes de nós rolou uma reunião de músicos gaúchos que tocou meia hora a mais do que deviam, com isso fomos informados na beira do palco que teríamos que cortar metade do nosso set. Lembro também que uma pessoa da produção brigou com o Luiz momentos antes do show por alguma besteira, acho que um copo de bebida ou algo do tipo, e no final entramos sem sequer uma set list definida. Enfim, uma série de fatores que fez com que nós entrássemos no palco sem a concentração necessária… Um show a ser esquecido. Melhor lembrar do que foi bom.

 

Zap – sim, melhor, rsrs. E sendo assim, cabe a pergunta: qual foi a motivação afinal para reunir o grupo novamente e fazer essa apresentação no Sesc? Haverá outras além dela?

 

Zé Antonio – então, com toda essa movimentação sobre a cena dos 90, o interesse nas bandas da época ficou mais evidente, muitas bandas voltaram, outras começaram a fazer shows novamente, etc., mas pra variar mesmo sem querer fomos na contramão. Pensamos que seria bacana fazer um show como agradecimento por todo o reconhecimento, pela lembrança e também para as pessoas mais novas que conheceram a banda nos últimos anos, quando tocamos muito pouco. Ficamos animados com a idéia, conversamos com o Sesc onde fomos muito bem recebidos, e depois de algum tempo nos ofereceram a data de 14 de novembro. Este será o nosso show de despedida. Sinceramente não temos intenção de subir ao palco novamente, mas… já diz o ditado, never say never rsrs.

 

Zap – ahahaha, certo. E o que você espera desse show? Que público você imagina nele: apenas “tiozões” indies na faixa dos quarenta anos (ou mais até) saudosistas dos anos 90’, ou também uma garotada mais nova?

 

Zé Antonio – nas últimas vezes em que tocamos fomos surpreendidos por um público jovem, que tinha baixado nossos álbuns em sites da internet mas nunca tinham visto a banda ao vivo. Ao contrário do que esperávamos, tinha pouca gente da época do Retrô, por exemplo. Dessa vez acho que a platéia vai ser mais misturada. Essa coisa de último show deixa tudo um pouco mais sentimental, e eu adoraria encontrar os novos e velhos amigos.

 

Zap – Ótimo. E encerrando: após o fim da MTV Brasil você tem se dedicado a várias atividades, inclusive organizou o livro “Discoteca Básica”, lançado pela Ideal Edições e onde foram reunidos nomes de diversas áreas da cultura pop que listaram seus discos prediletos de todos os tempos. A repercussão do livro foi boa? Haverá uma segundo volume dele?

 

Zé Antonio – foi sim, adorei fazer o livro e na semana passada a editora Ideal deu o ok oficial para  o volume 2, que sai em 2016.

 

* Tudo sobre o show de despedida dos Pin Ups aqui: https://www.facebook.com/events/1042653659091287/.

 

 

PIN UPS AÍ EMBAIXO, EM CINCO (DOS SEIS LANÇADOS PELA BANDA) DISCOS QUE CONTAM A HISTÓRIA DO INDIE ROCK BR DOS 90’

Para audição na íntegra, em stream, no YouTube.

 

 

 

OS PIN UPS E OS ANOS 90’ – RELATOS BREVES E SELVAGENS DE SEXO, DROGAS, ROCK’N’ROLL, LOUCURAS E BRIGAS (SEMPRE COM A PARTICIPAÇÃO DIRETA DO JORNALISTA ZAPPER/LOKER/GONZO, CLAAAARO!)

Os Pin Ups existiram de 1988 a 1999 e embora jamais tenham deixado o território limitado do underground rock nacional, se tornaram uma cult band de público fiel e um dos grupos que mais agitavam a cena noturna de bares paulistanos da época que abriam espaço para shows ao vivo com bandas de rock autorais. E não havia nenhum “anjo” ali: todos (especialmente o batera Flavio Cavichioli) adoravam enfiar o pé na lama em álcool, drugs etc. E ESTE jornalista eternamente loker/gonzo, que também nunca foi um modelo de, hã, bom comportamento (muito pelo contrário, rsrs), acompanhou a turma praticamente desde o início – não apenas em sua trajetória musical mas também se envolvendo em histórias e situações muitas vezes absurdas, acachapantes e hilárias ao lado do conjunto ou nos lugares onde ambos (jornalista e banda) freqüentavam.

 

Aí embaixo o blog recorda rapidamente algumas dessas histórias, uia!

 

* Espaço Retrô, o antro lendário da putaria sem fim: era pra ser mais um bar qualquer na noite paulistana. Mas aberto em 1988 em um sobradinho em uma rua no bairro de Santa Cecília (centrão barra pesada de Sampa), o Espaço Retrô se tornou o mais lendário bar rock alternativo da capital paulista, ao lado do também saudoso Madame Satã. E o Retrô se tornou uma espécie de “lar” dos Pin Ups, onde o grupo não cansava de se apresentar ao vivo, sempre levando uma galera gigante e animadíssima para conferir as gigs. Foi lá que o jornalista loker (e autor deste blog) conheceu o grupo. E era no Retrô onde tudo acontecia: discotecagem rocker com as últimas novidades da gringa (isso numa época onde não havia internet), bocetas tesudas e lokas em profusão e muita cheiração de cocaine e putaria nos banheiros IMUNDOS da casa, sendo que o autor dessas linhas bloggers deitou sua napa em padê naqueles banheiros até o nariz cair. Fora a “rola” zapper, que foi “gasta” com gosto naqueles mesmos banheiros, hihihi.

 

* A linda loirinha italiana, amigona zapper, e que NUNCA deu para o batera Marquinhos: ela se chamava (se chama) Ana Marmo. E era (é, até hoje) grande amiga do jornalista gonzo que escreve este blog. Ambos se comheceram quando cursavam Jornalismo na Fiam (yep, Zap’n’roll cursou Comunicação Social no final dos anos 80’, após ter se graduado em História na extinta Universidade São Marcos, em Sampa). E ambos freqüentavam o Retrô, claaaaaro. Aninha era uma loiraça lindaça, descendente de italianos, meiga como uma flor e inocente (de pensamento e comportamento) como uma criança de oito anos de idade. Mesmo assim gostava de ir ao Retrô e se dava bem com seus amigos malucos (como o sujeito aqui). E numa bela madrugada no bar, quando rolou mais uma gig dos Pin Ups (sempre…), ela CAIU DE AMORES pelo batera Marquinhos. O safardana, óbvio, também caiu matando em cima da loiruda e ambos engataram um “affair” que durou algum tempo. Mas logo depois o casal se separou e um dia o blog quis saber de Aninha o que tinha rolado e por que eles não estavam mais juntos. “Ah Finatti, ele só queria me comer”, respondeu ela, uia! E completou: “E eu ainda sou muito nova pra essas coisas, rsrs”. Hoje Marco (que também foi um dos fundadores do esporrento e genial trio Thee Butchers’ Orchestra) mora nos Estados Unidos. E Ana continua linda e loira até hoje: mora em Londres, foi casada com um escocês durante muitos anos e têm duas filhas tão belas quanto sua mamis, eternamente uma queridíssima amiga do jornalista rock’n’roll.

Fachada do bar rock mais lendário da cena alternativa paulista nos anos 80’ e 90’: o Espaço Retrô (acima) em sua primeira versão, que durou de 1988 a 1992, funcionava num sobradinho no bairro de Sta Cecília (região central da capital paulista), atrás do Largo e igreja do mesmo nome; foi lá que os Pin Ups fizeram seus primeiros, inesquecíveis e badalados shows

 

* “Me CHUPA Finatti, eu deixo! Você é VIADO!”: foi em alguma madrugada de 1992, mais ou menos (o HD do “véio” aqui às vezes falha, já lesado que está por décadas de consumo de álcool e aditivos ilícitos). O local: bar Der Temple, no baixo Augusta (próximo de onde é hoje o pub Astronete), cujo dono, o rockabillie Gigio, é atualmente (e há quase vinte anos já) propietário do Matrix Bar (na Vila Madalena, bairro boêmio de Sampalândia). O Der Temple também marcou época na cena rocker under da capital paulista – foi lá que Kurt Cobain e Courtney Love se “internaram” a madrugada toda, após o show do Nirvana em São Paulo, em janeiro de 1993. E o blogger loker também vivia “internado” lá (afinal morávamos na rua de trás, a Frei Caneca, nessa época). E não deveria ter ido lá NAQUELA NOITE. Mas foi, por insistência da amiga Renata F., uma perua rocker tesudíssima, locaça como ela só (namorava com um italiano mafioso e vivia turbinada de ÓTIMA cocaína, que era fornecida a ela pelo namorido, claro) e que AMAVA trepar com músicos de rock ou qualquer sujeito que trampasse na área musical ou jornalística. Pois enfim: lá se foi a dupla pro Der Temple, em uma noite que haveria show dos… Pin Ups (ahá!), em comemoração ao “noivado” oficial da baixista Alê com o VJ da MTV e vocalista do grupo Ratos De Porão, João Gordo (que já estava se tornando então uma celebridade na cena undergroud). Aí que residia o problema (e o perigo): nessa época, por motivos nunca muito bem esclarecidos, Gordo e o jornalista zapper eram inimigos quase MORTAIS, sendo que o então rotundo VJ nutria um ódio igualmente quase mortal pelo autor deste blog (uma briga que durou até meados de 1995, quando ambos fizeram as pazes finalmente e se tornaram novamente bons amigos, que são até hoje). Mas Renata encheu o saco pra caralho pra ir na festa (era véspera de algum feriado) e a dupla se mandou pro Der Temple. Lá a madrugada rolou mais ou menos tranqüila (com o jornalista prevenido EVITANDO passar perto do João Gordo a noite toda) até o momento em que um destrambelhado e atrapalhado (como sempre foi) Finaski resolveu ir embora. Eram mais de cinco da matina, ele já estava bastante ébrio e foi se despedindo de alguns conhecidos e andando meio que de COSTAS, sem olhar quem estava atrás, no caminho. Foi então que ESBARROU em uma MASSA HUMANA e só escutou a seguinte frase: “Ô seu FILHO DA PUTA, você veio na MINHA FESTA pra me EMPURRAR? Vou te MATAR!”. Era João Gordo, claro. Que deu um SAFANÃO no autor destas memórias hilárias, levando-o ao chão. Zap’n’roll não se deu por assustado e, de saco cheio e bêbado, pegou a primeira GARRAFA vazia que estava ao seu alcance e partiu pra cima do rotundo músico, dizendo: “Chega! Quem vai te MATAR SOU EU, seu MERDA!”. Confusão armada, a turma do deixa disso entrou no meio e o jornalista foi direto no quarto distrito policial (que ficava do outro lado da rua) pedir ajuda. Voltou de lá com um investigador da polícia civil, que escutou pacientemente o relato dos dois envolvidos na contenda. Ao final, decretou: “a briga termina aqui, se alguém quiser dar queixa de algo, que se dirija AGORA comigo ao DP. E se alguém ENCONSTAR A MÃO NO OUTRO na MINHA FRENTE, vai em CANA AGORA!”. O dia já clareava e João Gordo resolveu ir embora na cia da sua noiva, Alê Briganti. Que enquanto abria a porta do carro dela (estacionado na frente do Der Temple), falava alto e rindo para um atônito Finas: “Vai Finatti, VEM ME CHUPAR! Eu deixo! Vem! Você é VIADO!!!”. Mais de duas décadas depois, Alê e o blogger rocker/loker são amigos e riem muito quando se recordam dessa história, ahahahaha.

 Dupla do barulho (e ponha barulho niso!), na night rocker loker sem fim de Sampa: o jornalista zapper e seu brother, o batera Flavio “Forgotten” Cavichioli, durante balada no baixo Augusta, em 2013; foi numa casa noturna onde tocou o grupo Corazones Muertos (com o qual Forgottinho estava tocando bateria na época) e, quando essa imagem foi registrada tanto jornalista quanto músico já estavam total alucicrazies de álcool e… rsrs

 

* O show DESASTROSO em Curitiba: foi em 2004, na primeira edição do finado Curitiba Pop Festival. Que tinha como atração máxima o quarteto americano Pixies, em sua primeira visita ao Brasil. E para dar um clima total indie rock ao evento a produção do mesmo teve a “brilhante” idéia de bancar uma reunião dos Pin Ups no palco, já que a banda estava parada há alguns anos mas continuava sendo alvo de adoração por um séquito grandinho de fãs. E o que era para ser um dos grandes momentos ao vivo do grupo acabou se tornando o MAIOR DESASTRE da trajetória deles, em termos de shows, pelos motivos já elencados pelo guitarrista Zé Antonio na entrevista aí em cima, no post. Mas Zap’n’roll não esquece de dois momentos daquela noite: o primeiro, com o jornalista “secando” uma garrafa de Jack Daniel’s com o vocalista Luiz Gustavo no camarim do grupo (e Luiz reclamando: “porra Finatti, quero levar um pouco de Jack pra beber no palco, caralho!”), de onde saiu com um copo descartável CHEIO de Bourbon pouco antes de o grupo subir no palco (e a essa altura, os neurônios zappers já estavam entrando em parafuso). E o segundo, assistindo ao próprio e lamentável show da banda: em dado momento Luiz, absolutamente loki de Jack, tirou o microfone da boca e ficou cantando com a… garrafa de Jack, jezuiz, rsrs. (pós-gig: o blog saiu da pedreira Paulo Leminski e foi direto pro centrão da capital do Paraná em busca de cocaine e crack, que ele ainda fumava naquela época. Passou a madrugada cheirando e pipando pelas ruas do centrão da cidade, ao lado de quem pudesse lhe fornecer alguma dorga)

 

* Flavinho Forgottinho ROUBANDO padê da napa do jornalista em Cuiabá, ulalá: segundo semestre de 2006, em Cuiabá (a sempre infernal e calorenta capital do Mato Grosso). O blog estava lá cobrindo um festival de bandas independentes, o Calango. Era a última noite do evento, os Forgotten Boys estavam fechando o festival e, ATRÁS do kit de bateria no palco onde Flavio Cavichioli (ex-batera dos Pin Ups e a essa altura já velho amigo zapper) espancava seu instrumento, o loker aqui estava sentando numa cadeira, ESTICANDO caprichosamente a ÚLTIMA carreira de cocaine que lhe restava naquele momento (já era alta madrugada, o pó de Cuiabá é dos melhores do Brasil e naquela horário seria praticamente impossível convencer alguém ali a ir de carro numa “biqueira”, pra buscar mais “produto”). Foi quando uma PANE técnica no palco (na parte elétrica) fez com que tudo ficasse mudo, obrigando os “Garotos Esquecidos” a encerrar seu set antes do previsto. Não deu outra: Forgottinho levantou puto do banquinho da bateria, se virou e quando viu aquela RELUZENTE carreira de cocaine esticada BEM NA SUA FRENTE, meteu sua NAPA sem DÓ (e até sem um “canudinho”) na mesma, pra DESESPERO e total EMPUTECIMENTO do autor dessas lembranças malucas e hilárias. “Filho da puta!”, exclamou o jornalista doidão e inconformado. “Era minha ÚLTIMA carreira, caralho! Só não te ESPANCO agora porque sou seu amigo”. Mui amigo aliás (ele), rsrs. E assim o escriba gonzo voltou para o hotel… sem sua última aspirada de farinha, rsrs.

 

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FECHANDO COM TESÃO O POSTÃO, MAIS IMAGENS DA TOTAL DELICIOUS E SAFADA MUSA SECRETA S.R.

Ela está de volta – e talvez pela última vez. Paulistana, trinta e três anos de idade. Ama Charles Bukowski e Gabriel Garcia Márquez. Ama Tim Burton, Lana Del Rey, Oasis e Tiê. E AMA ser bem FODIDA. Tem a boceta quente como o inferno e divina como o paraíso.

 

E seduziu e arrebatou o coração e a alma deste velho jornalista rocker/loker e sempre inadequado existencialmente. “Meu velho roludo!”, ela diz. E o affair segue tórrido entre os dois, já há quase três meses.

 

Então para o delírio do nosso sempre leitorado macho (cado), mais S.R. pra vocês. Apreciem sem moderação nas punhetas.

A devassidão, a luxúria plena e o pecado sórdido habitam meu corpo

 

Ela se entorpece com filosofia…

 

…e também de vinho

 

Meu corpo em delírio, à espera do velho roludo

 

E após mais uma tórrida sessão de delírios carnais, o velho e safado jornalista beija a VULVA de sua doce putinha (em imagem que foi censurada e REMOVIDA pelo Facebook, a rede social nazista)

 

 

E FIM DE PAPO

Haveria muito mais ainda a ser publicado nesse mesmo post. Mas os eventos de ontem, sexta-feira (13 de novembro) alteraram nossa pauta editorial. Assim a bio sensacional da Kim Gordon que recebemos da editora Rocco (conforme já comentado lá no início da postagem) entra, ao lado da também bio de Iggy Pop, como um dos assuntos pricipais do próximo post zapper.

 

E nesse momento em que o mundo sofre, como um todo, com mais um ato bárbaro da insanidade, demência e bestialidade humana sem limites, o blog diz: somos TODOS contra o Terror. E sempre seremos a favor da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade entre todos os povos e seres humanos do bem.

 

Até a semana que vem!

 

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 14/11¹2015 às 8hs.)

Com o país em chamas na seara política e econômica e com o mondo pop/rock em marcha lentíssima o blogão também se retrai e publica post, hã, mais modesto, falando do novo discão dos Forgotten Boys, ainda um GIGANTE da indie scene paulistana e nacional (e de quebra, historinhas “cabulosas” e cabeludas de sexo e drogas que o blogger loker viveu na cia de integrantes da banda); os treze anos de um dos bares mais tradicionais do circuito rocker alternativo de Sampa (e também aproveita para fazer uma análise de como anda atualmente essa cena de bares na capital paulista); novos discos de bandas indies nacionais bacaninhas (como o duo campineiro trip hop Seti), as notas e os (poucos) agitos da semana e… ahá!!! Uma nova musa rocker SECRETA e total PELADA, safada e ordinária em imagens realmente cadeludas, ulalá! (postão sempre em eterna e enoooooorme construção com nova ampliação falando dos 13 anos do primeiro disco do Interpol, da nova e linda música da deusa Lana Del Rey, do amado Morrissey e mostrando, claaaaaro, as fotos indecentes da nossa musa rocker SECRETA E CADELUDA, uia!) (ampliação FINAL em 27/8/2015)

O país está em crise econômica bravíssima, e que afeta todas as esferas da sociedade e da cultura; nessas o rock’n’roll alternativo vai sobrevivendo como pode e ainda assim mostra renovação e  grandes discos, como o novo álbum dos Forgotten Boys (acima, tocando ao vivo na última sexta-feira em São Paulo), ou a novíssima banda garage rock paulistana BBGG (abaixo), que toca amanhã na capital paulista

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* OS TREZE ANOS DE UM DISCAÇO DO INDIE ROCK PLANETÁRIO DOS ANOS 2000’ – Um dos principais nomes do que se convencionou chamar de “novo indie rock planetário dos anos 2000’”, o americano Interpol (que surgiu em Nova York, em 1997, portanto há quase 20 anos) lançou há 13 anos (em 20 de agosto de 2002) seu primeiro disco, “Turn On The Bright Lights”. É um cd fantástico em suas ambiências pós-punks à la Joy Division (houve na época quem achasse o vocal do guitarrista e compositor Paul Banks a reencarnação perfeita de Ian Curtis) e na qualidade fodíssima das canções – um álbum que começa com a linda e sombria “Untitled” e que ainda tem preciosidades poderosas do calibre de “PDA” (o blog bateu muito sua cabeça nas célebres DJs set no Outs, tocando essa autêntica porrada sônica), “Obstacle 1” e “NYC”, não tinha como dar errado. Foi aclamado pela crítica (só aqui no Brasil é que alguns críticos velhuscos e que gostam de classic rock, sendo que para seus cérebros e ouvidos engessados e surdos o rock’n’roll parou em Jimi Hendrix, é que torceram e torcem o nariz pro trabalho do Interpol) e a banda angariou milhões de fãs mundo afora – por aqui inclusive, onde já tocaram por duas vezes e sendo que o jornalista zapper os viu anos atrás num showzaço na extinta e saudosa Via Funchal (ao lado dos queridos Pablo Miyazawa e Lúcio Ribeiro). Depois de sua estréia, vamos reconhecer, o Interpol nunca mais foi o mesmo e até hoje tenta lançar algo próximo do que foi sua estréia musical. O mais recente trabalho de estúdio, “El Pintor” (lançado em 2014) é bem bacana. Mas ainda assim muito longe daquelas canções quase perfeitas e de melancolia perversa e soturna, que embalaram nossos ouvidos pelas pistas rockers unders noturnas de Sampa há mais de uma década. Discão, enfim. Uma obra já atemporal e que permanece até hj como marco de um novo rock de um novo milênio (pode por aí nessa lista também o primeiro dos Strokes) que prometia muito mas que infelizmente se perdeu na mediocridade que consome toda a música mundial atual.

O primeiro disco do grupo pós-punk americano Interpol, lançado há exatos 20 anos: já um clássico do indie rock dos anos 2000″

 

* Sendo que você ouvir a estréia do Interpol na íntegra aí embaixo:

 

 

* E assistir ao vídeo belíssimo que foi feito na época para “Untitle”, que abre o disco.

 

* MORRISSEY FALA, E VEM AÍ NOVAMENTE (AO QUE PARECE) – yep. O inglês vivo mais maravilhoso que existe abriu sua bocarra esta semana que hoje se encerra (sim, o postão está sendo ampliado, mas ainda NÃO encerrado, no sabadão, 22 de agosto). Morrissey, que um dia cantou à frente dos inesquecíveis Smiths (eternamente uma das cinco bandas do coração do autor destas linhas rockers online), deu uma grande entrevista ao programa inglês Larry King Show, na última terça-feira, 18. Foi sua primeira grande entrevista ao vivo em dez anos e a nossa amada biba falou de tudo: sobre o câncer que enfrentou no esôfago, Smiths (que JAMAIS irão se reunir novamente) etc. Além disso a semana também chega ao fim com a boataria extra-oficial (mas quase oficial) dando conta de que Moz vem mesmo ao Brasil em novembro, para quatro shows (dois em Sampa, um no Rio e outro em Brasília). Será??? Aguardemos pois…

 A bexa mais maravilhosa do rock: em novembro ao vivo no Brasil, mais uma vez

 

 

* LANINHA DEL REY, NOSSO XOXOTÃO INCRÍVEL E CANTANTE EM MAIS UMA NOVA CANÇÃO INCRÍVEL – essa aí embaixo. O disco novo está saindo. E deverá ser fodástico, alguém duvida?

 

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O país indo pro buraco.

É a sensação que está sendo disseminada nas últimas semanas com o agravamento da crise econômica (inflação aumentando, desemprego idem, recessão ibidem, dólar e juros nas alturas etc.) e política (impopularidade monstro da presidente da República, a oposição e eleitorado descontente querendo defenestrá-la à força de seu mandato, a corrupção endêmica espalhada pela máquina pública e pela classe política e a operação Lava Jato, da Polícia Federal, pondo a nu talvez o maior esquema de roubalheira dentro de uma estatal, a Petrobras, já visto na história do Brasil). Tudo isso acaba se refletindo NEGATIVAMENTE em todas as esferas do país – incluive na área artística e na cultura pop. Não é à toa que Zap’n’roll detectou ao longo da semana que está chegando ao fim (hoje é quinta-feira, quando a primeira parte do novo post finalmente está entrando no ar, após uma considerável demora para o surgimento deste novo totalmente inédito post) uma imensa apatia no noticiário do mondo pop/rock, sendo que foi dureza (reconhecemos) montar uma pauta minimamente razoável para esta postagem. Nada realmente muito digno de nota rolando (e o que é minimamente digno de ser registrado aqui está aí embaixo, nas notas iniciais juntamente com as matérias maiores) em termos musicais. Enquanto isso o país seguiu pegando fogo durante toda a semana, com a Lava Jato avançando em suas investigações, enjaulando políticos, empreiteiros e tubarões variados, e com a oposição política e a turma do eleitorado “coxinha” (e qiue não soube perder as eleições nas urnas) insistindo no absurdo de querer o impeachment da presidente. Sendo que no próximo dia 16, domingo, vai haver nova manifestação nacional contra o governo federal. Estas linhas online, que votaram sim em Dilma e em seu Partido (o PT), reconhecem que a situação do Brasil nesse momento é de fato gravíssima. Mas daí a defender algo tão esdrúxulo e mesquinho quanto o afastamento da presidente, é ridículo. Sim, porque apesar de tudo o que está acontecendo e vindo à tona, só idiotas não percebem que existe uma diferença gigante entre o que é Dilma e o que é Aécio Neves e o que foi e continua sendo Fernando Collor – esse sim bandido assumido e que por ser o que é foi arrancado da presidência da República em 1992. Por mais que o petismo tenha errado e aparelhado a máquina pública, por mais que integrantes do partido tenham revelado sua face criminosa (e Zé Dirceu é, com certeza, um criminoso histórico e uma figura pela qual o blog nunca teve nenhuma simpatia) e por mais que se saiba que Dilma é sim turrona, teimosa e cabeça-dura, também se sabe que suas mãos aparentam ser LIMPAS e que ela não compactua com esse mar de lama. Caso compactuasse NUNCA que a Polícia Federal iria tão longe nas investigações da Lava Jato. Enfim, é um momento crítico para o país e para suas instituições democráticas. E o que nos resta é torcer para que o furacão venha e purifique/limpe tudo o que precisa ser limpado aqui. Que depois venha a bonança e que fique em nossa política apenas o que realmente presta e que vale a pena. E que junto com isso os bons sons e agitos também voltem à cultura pop. Estaremos por aqui torcendo por tudo isso e sempre atentos também a tudo isso.

 

 

* Ainda sobre a questão da crise pela qual o país está passando e sobre o PANELAÇO que rolou na semana passada: esse bando de coxinhas é mesmo reaça ao cubo e burrão. Batem panelas chics em varandas gourmet e vão às ruas nesse domingo, dia 16, para pedir o impeachment da presidente. Que beleza! Todos querendo Michel Temor, Eduardo Escroque Cunha, Renan Roubalheira ou os MILICOS no poder, uia! Vão caçar o que fazer na vida, bando de otários!

 

 

* Circulando na internet, a propósito do protesto contra o governo federal marcado para este domingo, este “manual” de como ir na passeata e protestar corretamente, uia! Vejam só, hihihi.

 

* E a polícia militar ASSASSINA do Estado de São Paulo, (des) governado pelo MERDA GIGANTE chamado Geraldo Alckmin, comprova mais uma vez: no Tucanistão é Lei de Talião. Olho por olho, dente por dente. Aqui a polícia MATA MAIS! Parabéns (ou pêsames?) para ela!

 

 

* Enfim, cá estamos. Após quase um mês sem atualizar o blog, mas firmes e fortes, com a audiência lindona de sempre (mais de 100 likes, quase 150 comentários, tá ótimo!). E a demora na chegada do novo postão se deveu a uma série de fatores alheios à nossa vontade. Mas felizmente cá estamos, com o mesmo pique de sempre.

 

 

* E a BOMBA no mondo pop esta semana foi essa aí mesmo, ulalá! Dessa vez o MORDOMO não é o culpado ou vilão da história. E sim a… babá! E que BABÁ! Um XOXOTAÇO cadeludo pra nenhum macho reclamar – o ator Ben Affleck e o jogador americano Tom Brady (a essa altura, ex-Gisele Bundchen???) que o digam, uia! Dá-lhe, cachorrona!!!

Uma doce e PUTAÇA/CADELAÇA/XOTAÇA babá, pra nenhum Ben Affleck ou marido da Gisele Bundchen botar defeito, uia! Sabem de nada, esposas inocentes, hihihi.

 

* A doce, SAFADA e CADELUDA babá, uma deliciosa “destruidora de lares” e que NÃO passava despercebida, ulalá! Aqui: http://g1.globo.com/jornal-da-globo/videos/t/edicoes/v/baba-e-apontada-como-pivo-da-separacao-de-famosos-como-ben-affleck/4389372/.

 

* E aqui também: http://pagesix.com/2015/08/11/ex-affleck-nanny-took-private-jet-to-vegas-with-ben-and-tom-brady/.

 

 

* Um BOCETAÇO sem igual, aos 57 de idade. Sendo que “Instinto selvagem” fez gerações se acabar na punheta. E eis que miss Sharon Stone permanece GLORIOSA, como mostra o ensaio nude que ela fez para a capa da revista americana Harper’s Baazar deste mês.

Ela continua um XOXOTAÇO, mesmo aos 57 anos de idade

 

 

* ESPAÇO RETRÔ: E ASSIM QUASE TRINTA ANOS SE PASSARAM – quem convive e vive perambulando pela atual cena de bares alternativos e de rock dos dias de hoje, lá pela região do baixo Augusta, próximo ao centro de Sampa (e onde se concentram clubes como o Outs, Inferno, Astronete, Blitz Haus, Tex, A Loca e Funhouse, todos analisados na segunda matéria principal deste post, logo mais aí embaixo), é provavelmente muito jovem (na casa dos 20/25 anos de idade, se não tiver menos do que essa faixa etária). E nem imagina como era ser rocker e alternativo nos idos de 1988/1998, a década em que existiu o célebre, saudoso e lendário Espaço Retrô, talvez até hoje o nome mais simbólico e importante da cena de bares dedicados ao rock e a cena alternativa paulistana. A primeira fase do clube começou a funcionar em meados de 1988, em um sobradinho estilo clássico que ficava na rua Frederido Abranches, atrás da igreja de Santa Cecília, no bairro do mesmo nome, na região central da capital paulista. E o autor deste espaço virtual sempre loker e calhorda (opa!) conheceu o Retrô no segundo semestre daquele ano e ali viveu algumas (muitas, aliás) das aveturas envolvendo drogas e putaria mais calhordas que alguém poderia viver em sua existência. Mas isso nós contamos com mais detalhes daqui a pouco, dando uma ampliada bacanuda neste tópico

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* Aliás o post está sendo construído na correria brava de sempre e mesmo nossas notas iniciais irão sendo incluídas aqui aos poucos. Por enquanto vai aí embaixo e veja como é o novo discaço do grande e já veterano Forgotten Boys.

 

 

OS “GAROTOS ESQUECIDOS” RESISTEM AO TEMPO – E LANÇAM UM CD DE COVERS MATADOR, RELENDO ROCKS E PROTO-PUNKS FODÕES E CLASSUDOS

A história do grupo paulistano Forgotten Boys já dura quase duas décadas, boa parte desse período acompanhado bem de perto pelo autor deste blog, que sempre foi um amigo próximo dos “garotos esquecidos” (principalmente do vocalista, guitarrista e fundador do conjunto, Gustavo Riviera, e do ex-baterista Flávio Forgotten, um eterno sujeito total alucicrazy e que costuma se referir ao seu amigo blogger zapper como “titio Finas”, rsrs). Fundado em 1997 por Gustavo e pelo falecido músico argentino Arthur Franquini, o FB logo chamou a atenção na cena independente rock brazuca por prestar ótima vassalagem em seu som ao proto-punk de MC-5 e Stooges, ao rock de garagem dos Stones sessentistas e ao glam/punk setentista de Ramones e New York Dolls. Isso rendeu ao atual quinteto (que além de Gustavo nas guitarras e vocais ainda conta com Dionisio Dazul também nas guitarras, Paulo Kishimoto nos teclados, Zé Mazzei no baixo e Thiago Sierra na bateria) grandes momentos e performances ao vivo, além de uma trajetória de poucos mas grandes discos. Como o novo que acaba de sair, “Outside Of Society” e onde a banda gravou apenas covers de clássicos do garage/glam/proto-punk rock. São onze faixas matadoras e o resultado não poderia ser melhor e mais esporrento. É o cd que o blog tem escutado sem parar nos últimos dias.

 

O grupo não lançava um novo trabalho há quatro anos já – o último disco de estúdio foi “Taste It”, editado em 2011. E também tem feito poucas apresentações ao vivo, talvez por conta do refluxo geral que o país vive em todas as áreas, inclusive na cena rocker alternativa. Isso no entanto não desanimou o conjunto e a convite do selo argentino Rastrillo Records, ele se trancou no estúdio El Rocha em São Paulo (sob a direção musical do produtor Fernando Sanches), para sair de lá com um disquinho/discão que tem uma tiragem de apenas quinhentas cópias – a do blog é a de número cento e vinte e oito. E nesses tempos de internet e troca sem censura e sem pudor de arquivos musicais, ainda nada do álbum vazou por lá. Também não há áudios do trabalho no YouTube e nem no site do grupo ou na sua página oficial no Facebook. Ou seja, como nos tempos do saudoso, bom e velho vinil quem quiser ouvir o cd, ao menos por enquanto, terá que correr atrás de uma das quinhentas cópias físicas dele, entrando em contato com o próprio conjunto ou tentando achá-lo em alguma loja especializada. E você pode acreditar na palavra destas linhas online: vale muito a pena ir atrás do álbum.

 

Trata-se de um registro que, no final das contas, ratifica tudo aquilo que sempre foi a paixão do FB e formatou seu som. Tem “Rock’n’roll Nigger”, da lenda e musa Patti Smith. Tem uma versão mais lenta e algo psychobilly de “Summertime Blues” (do gênio imortal Eddie Cochran), tem Ramones, Johnny Thunders (a bicha louca genial que deu ao mundo os New York Dolls), tem uma versão fodíssima de “1969” (dos Stooges) e um cover mais rock’n’roll e menos psicodélico de “Citadel”, dos gigantes Rolling Stones. Tudo gravado com as guitarras em chamas de sempre e com Gustavo mantendo os vocais agudos e rock’n’roll que sempre caracterizaram sua inflexão.

Capa do novo disco dos Forgotten Boys (acima e abaixo): apenas covers, mas de clássicos fodaços do rock’n’roll e tocadas com tesão, fúria e competência absolutas

 

Apesar de não trazer material musical composto pelo grupo, “Outside Of Society” é um disco tão bom quanto “Gimme More” (lançado em 2003) ou “Stand By The D.A.N.C.E.”, editado pelo grupo em 2005 e que chegou a colocar o FB na capa do caderno Ilustrada, do jornal Folha De S. Paulo. Não há por enquanto planos dos Garotos Esquecidos para voltar ao estúdio e registrar um novo disco com material inédito, como informa Gustavo Riviera em bate-papo rápido com o blog (leia mais abaixo). Sem problema: este álbum de covers dos Forgotten Boys mostra que os já tiozinhos da cena indie nacional ainda têm muito fôlego e lenha pra queimar. E que o grupo segue, mesmo tocando material alheio (e no caso, com competência absoluta e com um repertório fodíssimo, que dá prazer máximo em ouvir), muuuuito superior em qualidade ao grosso da mediocridade que hoje reina sem fim entre as bandas independentes brasileiras.

 

* Para saber mais sobre os Forgotten Boys e ir atrás do novo disco deles, vai aqui: http://forgottenboys.com.br/#hero, e aqui também: https://www.facebook.com/forgottenboys/timeline.

 

 

TRÊS PERGUNTAS PARA GUSTAVO RIVIERA (VOCALISTA, GUITARRISTA E FUNDADOR DOS FORGOTTEN BOYS)

Os “Garotos esquecidos” no palco: mesmo após quase vinte anos de banda, o show deles continua total esporrento e rock’n’roll

Zap’n’roll – Como o Forgotten Boys, que já está com mais de quinze anos de existência, conseguiu e continua conseguindo se manter na ativa durante tanto tempo na cena independente nacional?

Gustavo Riviera – Porque na cena independente temos a liberdade. Fazemos como achamos que tem que tem que ser feito, é uma escolha nossa fazer de tal jeito. Isso nos mantém com uma satisfação, por isso se segue. Continuamos excitados!

 

Zap – Por que lançar agora um disco de covers (muito bom, diga-se) com alguns clássicos do rock de garagem e do proto-punk que influenciaram a banda?

Gustavo – A ideia veio do Roy Cicala [falecido produtor americano, que trabalhou com gigantes como AC/DC, e que morreu vitimado por um câncer no ano passado, quando já estava morando há quase uma década em São Paulo], que na época que eu estava produzindo o disco do Moondogs com ele gravando, viu na internet nós fazendo uma versão de “Citadel” dos Stones em um tributo e disse que queria gravar um disco de versōes nosso. Decidimos as músicas, que seriam de bandas que nos influenciaram de alguma maneira, aí ele ficou doente,  tivemos que esperar, fui morar fora e ele insistia que ainda queria gravar quando eu voltasse. Mas acabou falecendo. Mesmo assim decidimos fazer. E virou outra coisa bem legal, que fizemos no Estudio El Rocha, que é nossa segunda casa, com o  Fernando Sanches, gravamos duas músicas com o Hurtmold, tudo legal, tá bem legal o disco.

 

Zap – Há planos para um novo disco com material inédito do grupo? Se sim, quando ele deverá sair?

Gustavo – Planos sim, mas prazos nāo. Outro lance é uma coletânea que deve sair em vinil pela Rastrillo records na Argentina. Mas por enquanto vamos tocar em frente o “Outside of Society”.

 

 

FORGOTTEN BOYS E ZAP’N’ROLL – HISTÓRIAS BREVES DE SEXO, DROGAS (MUITAS), VIOLÊNCIA (COM DIREITO A TIROS PRO ALTO) E ROCK’N’ROLL (SEMPRE!)

Os Forgotten Boys existem há quase vinte anos (a banda foi fundada em 1997 por Gustavo Riviera e pelo músico argentino Arthur Frankini). E o jornalista loker/gonzo resposável por este blogger rocker convive com a banda há mais de dez. A amizade e proximidade com a turma (principalmente com o ex-baterista Flávio Cavichioli, um sujeito doidaralhaço quase em tempo integral, além de um dos cinco melhores bateras de toda a indie scene nacional que importa) não podia dar em outra parada: sempre rendeu ótimas e inacreditáveis histórias de putaria, drugs e grande rock’n’roll.

 

Algumas dessas histórias foram selecionadas para este post e estão rememoradas aí embaixo, para o deleite do nosso sempre dileto leitorado.

 

* Show no extinto bar Juke Joint em Sampa (em alguma madrugada maluca de 2003) – O grupo tinha lançado naquele ano um de seus melhores trabalhos de estúdio, ”Gimme More”. E a revista Dynamite (que ainda existia em sua edição impressa) resolveu dar a capa de sua edição vindoura da época pro FB. E adivinhem QUEM foi escalado para entrevistar a banda? Claaaaaro, o jornalista junkie e amigo do conjunto. A entrevista foi então marcada para a noite em que ela iria tocar no Juke Joint (uma espelunca rocker fodíssima que funcionava no porão de um antigo casarão na rua Frei Caneca, no centrão de Sampa), onde circulavam bocetas tatuadas e cadeludas e amantes de rock’n’roll e dorgas aos montes (o blog deu algumas trepadas muito boas naqueles banheiros imundos, rsrs). E foi realizada no jardim que existia no fundo do bar, depois da pista de dança, antes de o show começar. Tudo ia bem até que passou correndo pela mesa em que músicos e jornalista conversavam um sujeito alucinado, chamando todo mundo pro… BANHEIRO! Todos se levantaram imediatamente e foram correndo atrás do cara, o zapper incluso e falando esbaforido: “eu também quero!”. Não é preciso dizer o que esperava o FB e o autor deste blog no banheiron: devastação nasal no capricho, ulalá! De lá o grupo foi direito pro palco, fazendo mais um set esporrento e que foi apenas parte de mais uma madrugada demente na vida do repórter maloker.

 

* Festival Calango em Cuiabá (segundo semestre de 2006) – foi há quase uma década. O FB estava escalado para ser o headliner da última noite do evento, fechando-o com o show rock’n’roll incendiário de sempre. O jornalista zapper já havia passado duas noites seguidas COBRINDO o festival e TAMBÉM enfiando com gosto o pé na lama (leia-se: bebendo whisky com energético aos borbotões, mamando nas TETAS gigantes de uma xoxotaça loka que estava trabalhando na equipe do Calango e DEITANDO A NAPA sem dó em taturanas e taturanas bem fornidas de cocaine). Pois tudo ia muito bem até quase o final do set do quarteto (então em sua formação quase “clássica” e original, com Gustavo e Chuck Hiphólitho nas guitarras e vocais, Fralda no baixo e Forgottinho na bateria). Foi quando o figuraça Alejandro Marjanov (conhecidíssimo músico e produtor argentino que reside há anos em Sampa, onde toca na banda Detetives), que era um dos técnicos de som do festival e que estava very crazy por conta de um ÁCIDO que tinha tomado horas antes, resolveu dançar e rodopiar o corpo à toda no fundo do palco – e onde também estava o autor destas linhas online malucas, confortavelmente instalado numa espécie de mini sofá. E fazendo o quê nesse mini sofá? Ora, ESTICANDO A ÚLTIMA CARREIRA de cocaína (sendo que a de Cuiabá sempre era de excelente qualidade, uia!) que ele tinha pra cheirar naquela já madrugada de segunda-feira. Pois aí se deu a “tragédia”: Marjanov ensandecido ficou dançando com uma garrafa de água mineiral grande nas mãos e cheia até a boca – e que estava sem tampa. Não deu outra: voou água pra todo lado, que acabou atingindo a FIAÇÃO do palco e provocando uma pane geral no equipamento de som, que emudeceu por completo. O show acabou ali mesmo, quando ainda faltavam umas três músicas para o final dele. Flavinho se levantou emputecido do banquinho atrás do kit de bateria e ao se ver de frente com uma TATURANA de padê esticada em cima de um cd (a que o jornalista gonzolino iria aspirar), não teve dúvidas: mergulhou sua nareba na dita cuja e a aspirou com vontade, sem sequer usar algum tipo de “canudo” pra cometer sua insanidade. O autor deste blog entrou em fúria, claro. E quase voou no pescoço do baterista, reclamando: “filho da puta! Era a ÚLTIMA carreira que eu tinha! Se você faz isso com um cara que não é amigo seu ou é algum malaco, ele te MATA!”. De nada adiantou essa irritação toda, óbvio. Forgottinho ficou doidinho, o jornalista loker putinho e ambos são amigos queridos até hoje, ahahaha.

 O jornalista eternamente loker/gonzo ao lado de seu “sobrinho”, Flávio Forgotten e da sua girlfriend, a igualmente querida Samantha, em balada sempre rock e alucicrazy no Inferno Club (acima); e abaixo o autor desta esbórnia blogger rocker perde completamente o juízo e a compostura (turbinado que estava por excessos etílicos e de cocaine, uia!) e vai pro palco “bater tambor” durante show dos Corazones Muertos, em 2013

 

* Festa DESASTROSA do blog em bar goth nos Jardins, em Sampa, com direito a TIROS para o alto (em outra madrugada também “trágica”, e também em 2003) – sabe aquelas noites em que quase TUDO dá errado na sua vida e talvez tivesse sido melhor você ter ficado em casa? Pois ESSA foi uma dessas madrugadas. Zap’n’roll ainda era coluna semanal no portal Dynamite online e estava há cerca de seis meses no ar. E teve a “brilhante” idéia de fazer uma “festinha” em uma casa noturna alternativa para comemorar a data. O erro já começou pela escolha do local: um bar gothic rock que funcionava há pouco tempo numa travessa da rua Pamplona, no bairro dos Jardins (zona sul de Sampalândia), e que não andava bem de público. O dono do local, o conhecido DJ Berns e chegado do autor deste blog, ofereceu o espaço, tudo foi acertado e óbvio que Zap’n’roll chamou seus amigos do FB pra fazer o show, combinando dar parte da bilheteria da noite pra banda a título de cachê. Deu tudo errado, claro. O público da casa não tinha absolutamente nada a ver com o grupo e o público habitual do FB (um bando de bocetas delícia total e sempre lokas, rock’n’roll total e tatuadas) não deu as caras. A bilheteria foi um FIASCO e não havia GRANA pra dar pro conjunto. Os ânimos se exaltaram por conta disso no camarim ao final do set, a discussão entre jornalista e promotor da festa e músicos se acirrou até que o baixista Fralda (amigo do blog desde a adolescência, quando havia trabalhado como office-boy na redação da mesma Dynamite), já “turbinado” por doses de álcool, literalmente empurrou o autor deste blog pra fora do camarim aos gritos e tentando acertar uma “voadora” nele, no que foi contido por Gustavo e (imaginem) pelo loki Flavinho Forgotten. Era o sinal de que a amizade entre jornalista e banda estava correndo risco sério, por conta de uma noite e uma festa desastrosa. No final das contas o quarteto recebeu um cachê miserável e foi embora bem puto (não sem razão). E quando estava entrando em sua van o sujeito aqui ainda foi se despedir e se desculpar pelo ocorrido com Forgottinho. O roadie do grupo, que já estava de péssimo humor com a situação toda, partiu em direção ao jornalista quase ex-amigo do conjunto, com a intenção nada amigável de dar-lhe uns sopapos. Mas mudou de idéia quando um dos SEGURANÇAS do bar, também já de saco cheio de tanta encrenca, simplesmente sacou um BERRO da sua cintura e disparou dois PIPOCOS para o alto. Foi o suficiente pra roadie e banda entrarem correndo na van e se mandar dali. E o zapper não sabia se ficava agradecido pela atitude do segurança ou se o reprovava, já que somos notoriamente contra qualquer tipo de violência, ainda mais envolvendo arma de fogo. Enfim, isso aconteceu há mais de uma década e hoje em dia, quando o blog e Gustavo se lembram dessa história, a dupla cai na gargalhada.

 

* Show do grupo Corazones Muertos no clube Hole, em Sampa (outubro de 2013) – com tumor canceroso detectado na garaganta seis meses antes e prestes a iniciar um tratamento pesado de quimio e radioterapia, o jornalista eternamente alucicrazy estava dando suas última enfiadas grotescas de pé na lama, antes de parar com tudo pelos quatro meses seguintes (e depois que o tratamento se encerrou, a bem da verdade, o autor deste espaço virtual reduziu suas loucuras em cerca de 80%, se tornando um homem quase “normal”, hihihi). E uma dessas enfiações monstro de pé em álcool e drugs foi na madrugada em que o bacana grupo Corazones Muertos foi tocar no clube Hole, na rua Augusta (em um porão chic na parte dos Jardins da Augusta, e cuja dona é ninguém menos do que a igualmente loka Lu Brandão, mãe do vocalista Branco Mello, dos Titãs), onde Flavinho Forgottinho toca batera atualmente. E antes dos Corazones tocarem uma banda glam/rocker fez o show de “aquecimento”, e resolveu prestar uma homenagem aos Forgotten Boys, tocando um cover da fodona canção “Cumm On” do FB. Convidaram Forgottinho pra subir ao palco e tocar bateria nela. E o coroa maloker aqui, já bastante alterado por doses de álcool e devastações nasais, não teve dúvidas: também SUBIU NO PALCO e munido de uma “caixa” de bateria, ficou “batendo tambor” encostado na parede, enquanto a música era executada. Interno de manicômio perderia longe, com certeza, rsrs.

 

 

FB AÍ EMBAIXO

No vídeo da já clássica “Cumm On”. E também no áudio integral do álbum “Stand By The D.A.N.C.E.”, de 2005 e um dos grandes momentos do grupo.

 

 

OS TREZE ANOS DO BAR PAULISTANO FUNHOUSE MOTIVAM O BLOG A DAR UMA ANALISADA NA ATUAL CENA DE CLUBES ALTERNATIVOS DE ROCK DA CAPITAL PAULISTA

Yep. Na semana passada a casa noturna Funhouse, localizada em um sobradinho em estilo clássico na rua Bela Cintra (região do baixo Augusta, no centro de São Paulo), comemorou com festa seus treze anos de existência. Teve show da novíssima banda de garotas (e um garoto) de Sampa BBGG e tal. E a Fun, que está resistindo ao tempo junto com algumas poucas outras casas noturnas dedicadas exclusivamente a tocar rock alternativo na capital paulista, já formou uma geração de garotos e gatas ao som de Strokes, Blur, Oasis, Franz Ferdinand, Arctic Monkeys etc.

 

Não é pouco em um tempo onde a palavra de ordem é crise econômica em todos os setores do país, com reflexo direto na cena de bares e de bandas que atuam no circuito do rock independente brasileiro. De alguns anos pra cá esses bares alternativos viu seu público escassear, o que obrigou os proprietários a repensar estratégias de funcionamento e o som que toca nesse locais, isso quando eles simplesmente não fecharam suas portas. Dentro desse qaudro a Funhouse já é uma sobrevivente, assim como também são clubes como Outs e Inferno (na rua Augusta), e a amada A Loca (na rua Frei Caneca), o point gls mais famoso da capital paulista. São os clubes mais antigos da região ainda em funcionamento (veja mais abaixo).

 

Sobre como anda esse circuito atualmente, Zap’n’roll foi conversar com alguns personagens que atuam diretamente nele há anos. Como a linda e loira (atualmente mais ruiva do que loira) Dani Buarque. Modelo e atriz, vinte e sete anos de idade, promoter de algumas das noites mais badaladas do baixo Augusta e (ufa!) guitarrista e vocalista na banda BBGG, Dani avalia que realmente houve um retrocesso na cena, mas que ela continua se mantendo. “Entre 2009 e agora deu uma bela caída na cena do rock underground. Perdemos espaço pra bandas autorais, as baladas ficaram mais tendendo pro pop mas desde o ano passado esse espaço tá sendo reconquistado novamente”, acredita ela. “A própria funhouse onde trabalhei como hostess e depois gerente, estava quase 3 anos sem shows e esse ano eu e uns amigos que frequentam e tocam no underground de SP nos reunimos pra criar a festa “Surdina”, que é a volta e bandas ao vivo e autoral na Funhouse. Tivemos 100% de apoio da casa e a festa tá linda e começará a ser edição quinzenal em setembro, e não mais mensal. Também tenho a festa “Bandit” na  TEX [nova e badalada casa noturna, tipo bar americano, que foi inaugurada há poucos meses na Augusta, pelo DJ e empresário Click] que é puro rock, a galera cola em peso e agora estamos colocando banda lá também. Esse mês é tributo Amy Winehouse. A cena tá voltando sim, vejo um progresso”, avalia.

A linda, loira e gatíssima modelo, atriz, promoter e cantora Dani Buarque (acima) e o super dj André Pomba (abaixo, ao lado de Zap’n’roll na cabine de som do clube A Loca): para ambos a cena alternativa de bares e grupos de rock está passando por um momento realmente difícil, mas ainda assim segue firme e forte

 

Para André Pomba, 5.1 de idade, dileto amigo destas linhas virtuais e um dos DJs mais conhecidos da noite alternativa paulistana (ele discoteca há dezessete anos na Loca, onde é responsável pelas noites “Loucuras, às quintas-feiras, e pelo já clássico Grind, projeto rock que rola aos domingos no clube), a especulação imobiliária na região da rua Augusta também afetou a continuidade da existência de bares dedicados ao rock. “Sinto falta de espaços que priorizem essa cena de bandas independentes, como era anos atrás, como o Juke Joint e a Outs mais no começo, por exemplo. Hoje em dia tudo parece voltado para open bar e discotecagens e se esquecem que sem as bandas a cena não recicla e corre serio risco de retração”, analisa. “O projeto Grind surgiu para abrir a cabeça do rock para a cena GLS, teve uma época que se popularizou, ficou pop demais, mas hoje mantem-se fiel às origens mantendo um público em torno de 400 pessoas, o que é ótimo para um domingo” diz ele, que ainda vê com ânimo a atual cena de bares: “Eu acho que apesar da crise e da especulação imobiliária, algumas casas fecham e outras são abertas na mesma velocidade. Inegável dizer que a cena tem se mantido ativa, embora com espaço prejudicado para bandas que fazem rock autoral. Acho que o segredo da Alôca ao completar 20 anos é de ir se adaptando as novas realidades, e ao mesmo tempo ser tipo precursora numa região que 20 anos atrás só tinham puteiros”.

 

Joe Klenner, proprietário do Inferno Club e também guitarrista e vocalista da banda Corazones Muertos é o mais cético dos que emitiram sua opinião para esta matéria. E não poupa desalento ao comentar sobre o atual momento da cena alternativa de bares e bandas rockers: “A cena alternativa está uma bosta… se bem que toda cena musical sofre mudanças constantes em todo lugar, na minha opinião, mas nos últimos anos está bem ruim mesmo. Um reflexo disso é a quantidade de bandas covers que se tem hoje em dia. É muito triste ver a falta de interesse das pessoas em criar as suas próprias musicas. Sem falar dos inúmeros bares e lugares que simplesmente não abrem suas portas pra bandas autorais. Eu sinto muita falta da cena que existia em São Paulo há alguns anos. Era só sair qualquer dia da semana que vc tinha um monte de espaços com festas de rock e bandas tocando, todos os dias.Foi assim que a gente se conheceu né… hahaha”. Mas mesmo com tanto ceticismo ele ainda enxerga alguns pontos positivos no atual momento: “Por outro lado, o ponto positivo é que tem poucas, mas boas bandas surgindo constantemente, e como diz o ditado: melhor qualidade do que quantidade. E o Inferno já virou um clássico e uma referencia na cena. Já passamos por muitas situações e fases nos quase 10 anos de vida do clube. Quando nós abrimos, não existiam as baladas que se tem hoje em dia na Rua Augusta. Era o Outs, Funhouse e o Vegas, que eu me lembre….o resto eram só puteiros, putas e traficantes. No começo era praticamente impensável pra gente abrir uma noite sem uma banda no palco. Hoje em dia temos muitas festas só com musica mecânica rolando, ou seja dj´s. Mas sempre tentamos abrir espaço pra shows e bandas novas. Fazemos muitos festivais de bandas novas pra que possam difundir seu trabalho. Eu acho que é responsabilidade nossa tambem fomentar e difundir a cena”, acredita o músico.

 

Enfim, a cena alternativa quebra mas não verga. Aos trancos e barrancos, sobrevivendo como pode e enfretando momentos de crise e adversidade, ainda assim ela segue em frente e felizmente. Então quando VOCÊ, dileto leitor zapper, for dar seu rolê noturno no final de semana pelo baixo Augusta, não se esqueça: ainda há muito rock’n’roll rolando por ali, em bares e clubes que pelo jeito irão manter essa cena viva e atuante para sempre.

 

 

OS BARES E CLUBES CAMPEÕES EM LONGEVIDADE NO CIRCUITO ROCK ALTERNATIVO DO BAIXO AUGUSTA, EM SÃO PAULO

* A Loca – dedicado ao público GLS, funciona há vinte anos no número 969 da rua Frei Caneca. De quinta a sábado o som na pista é eletrônica e sua variantes. No domingo o super DJ André Pomba comanda o projeto Grind, voltado ao rock e que rola até seis da manhã da segunda-feira.

 

* Funhouse – localizada na Rua Bela Cintra, 567, completou treze anos de existência na semana passada. Após passar um período sem shows ao vivo, voltou a abrir espaço para bandas autorais se apresentarem. O som na pista é sempre indie rock.

 

* Inferno Club – outro que já se tornou clássico na rua Augusta, onde funciona há onze anos no número 501. Tem noitadas rock’n’roll incríveis, principalmente às sextas-feiras e sábados, com som de DJs e também com espaço para bandas ao vivo.

 

* Clube Outs – chegou aos doze anos de existência em 2015. É um dos bares do coração de Zap’n’roll, que promoveu ali zilhões de festas e DJs sets do blog. Antes dedicava espaço para shows de bandas ao vivo. Com o declínio da cena de grupos autorais o clube resolveu acabar com as apresentações de conjuntos musicais e resolveu se dedicar apenas a noitadas movidas integralmente a discoteagem na pista, apoiada em um open bar onde o consumidor paga cinqüenta mangos na entrada e bebe até cair. Deu certo e fez o Outs renascer já há dois anos: o local vive entupido de gente às sextas e sábados, com média de quinhentos pagantes por noite.

 

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MUSA ROCKER SECRETA DA SEMANA – UMA CADELA PAULISTA QUE ASSUME: “SOU CASADA MAS AMO FODER COM OUTROS HOMENS!”.

Nome: A.

 

Idade: 23.

 

De onde: interior de São Paulo.

 

Mora com: marido.

 

O que faz: estudante.

 

Uma banda: AC/DC.

 

Um escritor: Charles Bukowski

 

O que o blog tem a dizer sobre a divina putona: sempre papeando com garotas lindas, inteligentes, tesudas e gostosas em grupos do faceboquete dedicados ao velho safado e gênio Bukowski, Zap’n’roll acabou fazendo amizade (virtual, por enquanto) com a lindaça e cachorrona A. Que topou ser musa do blogão com fotos canalhas e total nude, desde que sua identidade não fosse revelada. Estas linhas online toparam e aí está. Um ensaio pra lá de safado com uma garota que é uma ótima amiga de papos online. Papos onde ela já assumiu pro jornalista canalha: “sou casada sim. Mas AMO foder com outros homens. Já traí meu marido pelo menos umas sete vezes desde que nos casamos”. Ou seja: trata-se de um corno feliz. Afinal ele também como o bocetão, ahahahaha.

 

Machos (cados), gozem sem moderação, uia!

Um rabo DIVINO!

 

Peitos idem!

 

 

A BOCETONA em chamas, sempre!

Calcinha de PUTA, pra arrancar porra do macho

E se lambuzando toda após levar “leitinho” quente e grosso na boca, wow!

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O postão segue sendo ampliado e VAI MESMO SER CONCLUÍDO logo no início da próxima semana, com as dicas culturais e o roteiro de baladas legais pra semana toda. Por hora o blog fica por aqui, anunciando que vai NA FAIXA hoje à noite no show do Vanguart, em Sampa:

 

Cris Dias

 

Amanda Da Mata

 

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Disco: o novo dos Forgotten Boys, “Outside Of Society”.

 

* Banda, I: Pois sempre nos surpreendemos com algo novo e bacana quando menos esperamos, néan. É o que rola com o blog nesse momento, ao descobrir o som (entre o trip hop e o dream pop) do duo de Campinas SETI. Formado pela vocalista e instrumentista Roberta Artiolli e pelo multiinstrumentista Bruno Romani, o Seti existe desde 2012 e acaba de lançar um lindo EP de seis faixas com canções oscilando entre o bucolismo e a melancolia, com vocais femininos doces e suaves, e boas letras em português, que sugerem belas e poéticas imagens. A dupla estará se apresentando na próxima noite rocker do blog na Sensorial Discos, no primeiro sábado de outubro. E logo menos falaremos mais dela por aqui. Enquanto isso você ouvir o Seti e conhecer melhor o som do grupo aqui: http://motimrecords.bandcamp.com/album/xtase. E saber mais sobre eles aqui: https://www.facebook.com/setirock?fref=ts.

O duo trip hop Seti, de Campinas: canções melancólicas e bucólicas, com letras em português e melodias oníricas

 

* Banda, II: hoje à noite (leia-se: nesta quinta-feira à noite) o badalo alternativo em Sampa vai ser mesmo lá no Centro Cultural São Paulo, quando vai rolar show gratuito do quarteto goiano Boogarins, a partir das 7 da noite. Quem? Você pode nunca ter ouvido falar do grupo, mas ele está bombadíssimo na indie scene atual e é xodó de queridos amigos nossos jornalistas, como o sempre antenadíssimo Lucio Ribeiro. Os garotos têm um EP lançado (“As plantas que curam”), estão pra soltar seu primeiro álbum cheio, já rodaram parte do circuito alternativo dos EUA e Europa etc. A parada deverá ser tumultuada no final da tarde desta quinta (dia 27 de agosto, quando este post está sendo finalmente concluído) lá no CCSP. Repetindo: o show é de graça (ingressos têm que ser retirados na bilheteria do teatro a partir das 5 da tarde). Na página do evento no faceboquete já há a confirmação de 1.300 pessoas no show. Detalhe: cabe apenas a metade disso no local onde a banda vai tocar. Na boa? Os Boogarins são ok em disco. Seu som é bem acima da média do que se escuta atualmente na paupérrima cena independente nacional (e a culpa dessa pobreza musical e artística todos sabem de quem é: de gente como Pablo Capilantra, ex-todo poderoso da quadrilha Fora Do Eixo, e também do escroque Fabrício Nobre, não por acaso, um dos “inventores” do grupo Boogarins). Mas o blog sinceramente acha o quarteto superestimado e badalado demais. Óbvio que podemos estar enganados e precisamos vê-los ao vivo, para comprovar se estamos certos (na questão de achá-los superestimados) ou errados (com o conjunto sendo fodão ao vivo). Então por isso mesmo estas linhas online irão logo menos conferir a gig dos rapazes. E sugere que quem ainda não os conhece faça o mesmo. Lembrando que o Centro Cultural São Paulo fica na rua Vergueiro, 1000 (Paraíso, zona sul da capital paulista).

 O quarteto goiano Boogarins: show grátis hoje no Centro Cultural São Paulo

 

* Baladas boas pro finde: o postão finalmente chega ao fim já na quinta-feira, quase finalzinho de agosto. Então vamos ver o que rola de baladas alternativas bacanudas pro finde que começa amanhã. Na sexta em si, 28, tem festança de aniversário do queridão Claudio Medusa lá no Astronete (que fica na rua Augusta, 335, centrão rocker de Sampa). Também amanhã tem showzaço duplo com Fábrica De Animais e Saco De Ratos no Centro Cultural Zapata (que fica na rua Riachuelo, 328, centrão de Sampalândia).///Já no sabadão em si o mesmo Centro Cultural Zapata abriga show novamente duplo, mas com os sempre bacanudos Rock Rocket e a nova sensação da indie scene paulistana, o BBGG. Beleza? Então se apruma, capricha no visu rocker e se joga meu rei (ou minha rainha).

 

 

E FIM DE POST

Que já tá ótimo, néan. E sim, continua mandando seus e-mails pro hfinatti@gmail.com que na semana que vem desovamos finalmente o pacote com livros bacanas da Edições Ideal, entre eles a bio do Steven Adler, o loki ex-batera do Guns N”Roses. Ficamos por aqui então, deixando todos os beijos do mundo na Neide Rodrigues e na Patrícia Pera, duas gatas incríveis que o blog amadora de paixão. Até mais!

 

 

(ampliado, atualizado e FINALIZADO por Finatti em 27/8/2015 às 14:00hs.)

Hollas 2015, o ano que vai ver o fim do blogão e também a publicação de “Memórias de um jornalista junkie”; o mundo anda muito chato? Pois bem-vindos de volta aos anos 90’ com novo e ótimo disco do Belle & Sebastian e a incrível volta do shoegazer Ride; mais: a primeira e gatíssima musa rocker do novo ano; os shows bacanudos desta semana (entre eles Thiago Pethit e Foo Fighters), as andanças gigantes do blog pelo norte do Brasil no finalzinho de 2014 e o ressurgimento da QUADRILHA Fora do Eixo – agora atacando os cofres do Ministério da Cultura, uia! (postão com imagens DESACONSELHÁVEIS para menores de 18 anos e total CONCLUÍDO, com ampliação final em 22/1/2015)

2015 começa muito bem e com cheiro de anos 90’ ao menos no indie guitar rock, com as bacaníssimas voltas do sempre incrível e meigo Belle & Sebastian (acima, que lança nesta segunda-feira seu novo álbum de estúdio) e também do shoegazer Ride (abaixo); de quebra a primeira musa rocker do novo ano do blog é a delícia Fabi Marques (também abaixo) e de quem você vê mais fotos delirantes ao longo do postão, wow! 

Todos somos Charlie ou o mundo anda tão complicado…

E também intolerante, chato, mega violento. Foi assim que 2015 começou: com a intolerância religiosa extrema fazendo com que terroristas assassinassem dezessete pessoas na França. E com o primeiro brasileiro da história do país sendo executado por fuzilamento na Indonésia, condenado à morte que foi por tráfico internacional de drogas (ele tentou entrar lá há uma década, com treze quilos de cocaína e preso, julgado e condenado à pena capital; foi fuzilado agora na tarde de sábado, quando a primeira Zap’n’roll do novo ano está sendo finalmente conluída e indo pro ar). Os dois episódios dão margem a muitas reflexões. Uma delas é que a liberdade de expressão não pode JAMAIS ser tolhida de forma alguma, nem pelas balas de fuzis disparadas por terroristas e intolerantes de qualquer nacionalidade ou espécie. O mundo não precisa disso em 2015; precisa é de paz, compreensão, amor e TOLERÂNCIA máximas. E todos nós devemos nos mobilizar para conseguir isso, mesmo que à custa de algumas vidas inocentes e sendo que a melhor resposta a esse tipo de violência é mesmo a ARTE PLENA e sem censura, e a TOTAL LIBERDADE DE EXPRESSÃO que existe apenas onde a democracia total reina soberana. Nesse ponto o blog é sim Charlie. E por outro lado a execução do brasileiro na Indonésia mostra o que deveria se aprendido aqui: lá a Lei é RIGOROSA AO MÁXIMO para crimes considerados gravíssimos (como o tráfico de drogas), e é CUMPRIDA. Você pode discordar dessa Lei, a considerar bestial e arcaica (como estas linhas online consideram, sendo que nunca fomos e jamais seremos a favor da pena de morte). Mas ao menos lá ela é CUMPRIDA. Aqui, infelizmente, é o contrário e se houvesse maior RESPEITO E RIGOR no cumprimento às leis vigentes, o Brasil não estaria essa imundície que está em termos de violência social e corrupção em todas as esferas do poder público. Como se não bastasse esse desrespeito às leis por aqui ainda há a ENORME e escrota hipocrisia moral e social que grassa na população brasileira. Pelo que se consta o condenado é (ou era) classe média pra alta carioca. Na juventude surfava com os amigos na zona sul do Rio. Quando foi ter sua “aventura” na Indonésia, trabalhava como instrutor de vôo livre, profissão cujo salário é bastante razoável. Daí, a pergunta que não quer calar: se fosse um brasileiro pobre e preto QUALQUER condenado à morte no exterior pelo mesmo crime, haveria a mesma comoção e mobilização? Por que quem está achando isso um horror e pedindo clemência ao condenado também não se sensibiliza com as centenas de mortes de gente pobre e que vive excluída e à margem da sociedade, que ocorrem diariamente aqui mesmo no Brasil? Por que esses que estão consternados com a execução na Indonésia vivem gritando aqui no Brasil que “bandido bom é bandido morto”? Essa frase não valeria, então, para o “bandido” condenado à morte por tráfico de drogas e que, pela Lei da Indonésia, é um crime gravíssimo? Pra pensar… e enquanto o mundo caminha sem solução, violento, complicado e chato, ao menos temos o sempre amado pop/rock alternativo para aliviar um pouco o peso e a melancolia em nossas almas e corações algo solitários. Nesse aspecto sim o ano começou muuuuuito bem: o meigo Belle & Sebastian está de volta com discão novo, o Ride também está de volta e o primeiro postão do novo ano destas linhas virtuais ainda vai deslumbrar os olhos do nosso leitorado macho (cado, hihi) com uma deliciosa musa rocker. Vamos lá então que o tempo urge e não podemos parar pois este espaço rocker online logo será extinto, nosso livro será enfim publicado e depois tudo irá recomeçar novamente. Quem sabe, até lá, em um mundo menos intolerante e menos violento, com mais paz e amor em todos os corações.

 

 

* O blog é sim Charlie. O mundo precisa ser Charlie nesse instante. Mais do que nunca.

 

 

* E graças à intolerância, covardia, imbecilidade plena e total dos fakes que pululam pelo painel do leitor do blog, o último post de 2014 atingiu a marca histórica de 416 comentários. Isso deixa o autor destas linhas virtuais super satisfeito por um lado (afinal se os idiotas vêm aqui para atacar covardemente o blog é porque o cachorro está BEM VIVO, e não morto como eles querem achar de qualquer forma) e bem triste por outro. Por se dar conta de que existe gente tão mesquinha, intolerante e doente/invejosa na face da Terra, que seria capaz de tudo pra destruir o trabalho, a honra e a moral de uma pessoa. É, infelizmente o ser humano é assim. Ou boa parte dele, pelo menos…

 

 

* Aumento de tarifas, água acabando em SP, a Sabesp finalmente admitindo que HÁ RACIONAMENTO… e o GRANDE MERDA, bandido e mentiroso Geraldo Alckmin aumentando seu próprio salário (por decreto) e ainda mandando a sua covarde, truculenta e inepta polícia militar bater sem dó em manifestantes nas ruas da capital paulista. Dá NOJO desse verme. E vamos ter que aguentá-lo por mais quatro anos ainda. Fala sério…

 

 

* E até o prefeito de Sampa, mr. Malddad (mode on) entrou na sacanagem, também aumentando o busão em quase 20%. Que decepção Fernandinho…

 

 

* Bien, ao rock’n’roll. Que apesar de andar mal das pernas pelo menos ainda traz alegria pra galere. Como a edição 2015 do gigante festival de Coachella, que acontece em abril próximo lá na cidade de Indio, na Califórnia. É o line up mais fodão do evento dos últimos anos, sem dúvida alguma. Vai ter AC/DC e as voltas incríveis do Belle & Sebastian e do Ride (sendo que você lê sobre os dois aqui mesmo nesse post, mais aí embaixo). O Lollapalooza BR bem que podia aprender algumas lições com o Coachella…

 

 

* Nada incrível e bastante melancólica é a aposentadoria do Black Crowes, que anunciou o fim da banda essa semana. Yep, eles já foram grandes e os três primeiros álbuns são sensacionais. Mas depois disso… sinceramente, o grupo dos irmãos Chris e Rick Robinson não vai fazer falta a essa altura do campeonato.

 

 

* ESPECIAL: AS ANDANÇAS DO BLOG PELO NORTE DO BRASIL NO FINAL DE 2014 – yep, foram dias incríveis e literalmente na estrada aqueles finais do ano passado. Porque o blog realizou um sonho de muitos anos e fez seu “on the road” partiular. Existem lances que todo ser humano deveria e deve fazer na vida antes de morrer: ler grandes obras literárias, ouvir grandes discos, assistir grandes filmes, casar, ter um filho, escrever um livro. E POR O PÉ NA ESTRADA para uma viagem gigante, PELO MENOS UMA VEZ NA VIDA. Foi o que o sujeito aqui fez de domingo, 28 de dezembro (quando saiu de Porto Velho, capital de Rondônia, à uma e meia da tarde no horário local) até dia 30 (quando chegou no terminal rodoviário da Barra Funda, em São Paulo, exatamente onze da noite, também no horário local da capital paulista). Foram portanto quase 58 horas (!!!) na estrada. Passando por 3 capitais (Porto Velho, Cuiabá e Campo Grande), além de DEZENAS de cidadezinhas perdidas no meio de um país gigante e incrivelmente lindo. E quando falamos gigante não estamos exagerando: em Estados como Rondônia e Mato Grosso longe é um lugar que EXISTE SIM, e como! Qualquer cidade não fica a menos do que 300 ou 500 kms de distância uma da outra – apenas de Cuiabá (em Mato Grosso) a Campo Grande (no Mato Grosso do Sul) são 700 kms, sendo que o total da viagem blogger foi de cerca de 2.450 kms. Cansativo (muito). Mas emocionante e fantástico também. Conhecemos dezenas de pessoas de culturas diferentes, todas muito simpáticas, acolhedoras e solidárias. Como a peruaça bunduda e de tetas gigantes (e que fazia questão de mostrar que era gostosa e algo cadeluda) que embarcou em Rondônia (o blog não lembra exatamente em qual cidade) e desceu em Campão, onde o namorado (ou algo parecido) a esperava. Ou ainda o tiozão de 67 anos de idade que não parava de falar a viagem toda e que estava indo também do interior de Rondônia (de Ouro Preto! Sim, descobrimos que em Rondônia também existe uma Ouro Preto, hehe) para Curitiba (o destino final do buso da empresa Eucatur, no qual viajávamos). Mano, o velho falava de tudo (e alto) com uma senhora a lado dele: sobre os problemas de saúde que teve, que morou anos e anos no Paraguai, que criou 3 filhos, que não come arroz e feijão sem farofa e bla bla blá. Foi divertido no final das contas ouvir seus relatos. E claaaaaro, tinha uma crioula DELÍCIA no ônibus dando mole imaginem pra quem… o blogon taradón mesmo, que é doente por uma preta, ahahaha. E ela me olhava e olhava, encarando mesmo. Numa das inúmeras paradas para desembarque e embarque de passageiros e lanche para os viajantes, ela enfim piscou pro zapper andarilho e o cutucou com as mãos. Foi quando criamos coragem e fomos tentar falar algo com a moçoila e descobrimos que… ela era gringa, com um dialeto estranhíssimo (provavelmente era do Haiti ou algo parecido). Arriscamos uma paquerada e perguntamos se ela sabia se comunicar em inglês e nada também. Então desistiu-se da “paquera” e seguimos viagem. Uma viagem onde descortinamos paisagens belíssimas e inesquecíveis ainda em Manaus (onde o blog passeou de barco pelo rio Negro) e depois também em Porto Velho (às margens do rio Madeira). E na volta a Sampa, vislumbramos a imensidão de estradas sem fim em Mato Grosso (estradas estreitas e mal cuidadas, vale ressaltar, ao contrário das auto-pistas do Estado paulista, sem dúvida as melhores do Brasil, ainda que à custa de pedágios algo extorsivos) e também admiramos o gigantismo do rio Paraná, que é a fronteira exata entre Mato Grosso do Sul e São Paulo. E sim, os ônibus das empresas que fazem esses trajetos imensos pelo Brasil afora (descobrimos que se pode ir de Belém do Pará a Porto Alegre, ou de Rio Branco no Acre igualmente até a capital gaúcha) são mega confortáveis. Todos com 2 andares e poltronas ultra reclináveis, ar condicionado, tv etc, etc. É muuuuuito melhor do que viajar espremido naquelas latas horrendas dos busões aéreos de Tam, Gol e drogas semelhantes. Sendo que o sujeito aqui sempre AMOU muito mais viajar de ônibus do que de avião. O blogão faria sim essa viagem mais uma vez. Talvez faça novamente um dia, antes que se vá desse mundo. Estamos com 5.2 nas costas e nos orgulhamos muito de ainda ter esse espírito inquieto, estradeiro e aventureiro. Não somos um jornalista bunda-mole e coxinha, daqueles gordos, pançudos (mais ou menos o tipo de gente também escrota e covarde, que não tem culhão pra enfrentar uma aventura dessas e que fica postando bizarrices sem noção sob assinatura fake no painel do leitor do blog Zap’n’roll). E jamais seremos isso. Felizmente. Foi no final das contas um “pé na estrada” inesquecível e registrado em zilhões de imagens, que você pode conferir aí embaixo. Sendo que essa viagem não seria possível sem a ajuda de pessoas e amigos muito queridos pelo blog. A essa turma o nosso amor eterno e sincero agradecimento: Aarão Prado, Jully Joyce, Marcelo Correia, Lidiane Correia, Sandro Correia, Carine Lage, Flávio Vale e Jéssica Lima. Beijão no coração de todos vocês!

 Por-do-sol lindão no Rio Negro, em Manaus

 

Em Manaus no bar do Armando (ao lado do teatro Amazonas), tomando uma breja com o vocalista e guitarrista Pablo Araújo, da banda Luneta Mágica

 

Uma das várias e lindas e gatas amigas de Finaski no Norte: em Manaus com Milady Salles

Na estrada de ferro Madeira/Mamoré, em Porto Velho

 

Em Porto Velho, com a queridaça e linda rocker Carine Lage

 

Zanzando também por aeroportos: chegando em Porto Velho, capital de Rondônia

A viagem sem fim: descendo de Porto Velho para Sampa de ônibus; 58 horas na estrada e quase 2.500 kms

 

Parando em Campo Grande, capital do Mato Grosso Do Sul

 

E já atravessando o Rio Paraná, na divisa entre Mato Grosso Do Sul e São Paulo

 

* E IMAGENS ESPECIALÍSSIMAS E PROIBIDONAS (UIA!) DAS AVENTURAS DO BLOG NO FINAL DO ANO, HIHI

(para insultar, provocar e deixar os fakes covardes, cuzões e moralistas hipócritas em fúria, ahahaha)

 Pro fakes moralistas, hipócritas e cuzões de merda arrancar os cabelos, hihihi: acima o “produto” de Rio Branco (no Acre), que continua sendo o MELHOR do Brasil, uia!; abaixo, essa mão esplendorosa de uma deusa rocker do Norte e querida amiga/foda zapper, fez MISÉRIAS no pintão do blogger, wow!

 

 

* Já depois dessa autêntica maratona pelo Norte brazuca (e que durou no total quase treze dias), estas linhas online ainda foram passar o réveillon na sempre paradisíaca São Thomé Das Letras (no sul de Minas Gerais), ao lado da querida turma da banda Pronominais. Ou seja: começamos bem o novo ano.

 

 

* E que continua bem por aqui mesmo: na última quinta-feira (ou anteontem) o primeiro showzaço indie do ano rolou no Sesc Pinheiros (na zona oeste da capital paulista), quando o rocker e queridón Thiago Pethit subiu no palco pra mostrar as músicas do seu novo e ótimo disco, “Rock’n’roll Sugar Darling”. O teatro do Sesc lotou de garotas tesudas e tatuadas, garotos lindos, bichas fofas e todos em clima de festa. Foi bacanão demais e Pethit merece o reconhecimento que está tendo pelo seu já extenso trabalho – ele já lançou três discos em quase oito anos de carreira. Vai atrás dos mesmos que vale muito a pena!

 Encontro de rockers na última quinta-feira: Zap’n’roll e Thiago Pethit no camarim do Sesc Pinheiros (em São Paulo), após  o show dele; abaixo o vídeo de “Romeo”, um dos melhores momentos do novo disco “Rock’n’roll Sugar Darling”

 

 

* E a festança não para! Hoje o Astronete (no 335 do baixo Augusta) completa oito anos como o melhor pub rock da capital paulista. Vai lotar, vai ferver e o blogão vai estar lá também, claaaaaro. Fazendo antes o “esquenta” na Sensorial Discos (que fica no 2389 da mesma Augusta), onde vai rolar a partir das dez da noite pocket show bacanudo do amigo jornalista e músico gaúcho Jimi Joe.

 

 

* Mas agora bora ver como estão as voltas incríveis do Belle & Sebastian e também do Ride.

 

 

COM QUASE 20 ANOS DE ESTRADA O BELLE & SEBASTIAN CONTINUA COMO SEMPRE FOI: MEIGO, INDIE POP E MUITO BOM

2015 não começou nada bem, isso todo mundo já sabe. Atentando terrorista na França com quase duas dezenas de mortes provocando comoção mundial, crise da água se alastrado pelo Brasilzão, aumento de busão e metrô em Sampa… bien, pelo menos no pop/rock alternativo o ano começou trazendo felicidade para quem gosta de grande indie rock e em especial pros fãs do grupo escocês Belle & Sebastian: depois de quase cinco anos sem lançar nenhum trabalho inédito de estúdio a turma liderada pelo sempre sensível guitarrista e vocalista Stuart Murdoch anunciou a chegada às lojas de “Girls in Peacetime Want to Dance”, nono álbum em quase vinte anos de carreira. O cd, que em sua versão física estará nas lojas do Reino Unido e Estados Unidos a partir dessa segunda-feira (19, e ainda sem previsão de lançamento no Brasil) já caiu na web, claro. E mostra que o B&S é um caso raro no rock dos dias atuais. A banda continua fazendo muito bem o que sempre fez: canções pops doces, com melodias pulsantes e guitarras e violões dolentes emoldurando letras poéticas e tristonhas.

 

Há algumas “novidades” no entanto no disco. O primeiro single do novo trabalho divulgado pelo sexteto ainda no final do ano passado, surpreendentemente exibe um B&S altamente dançante. Yep, “The Party Line”, a faixa em questão, traz guitarras agitadas mixadas a camadas de teclados e seção ritmíca que lembram algo do pop eletrônico dos anos 80’. E não só: “Enter Sylvia Plath” (uma homenagem à poetisa americana célebre nos anos 60’) vai pelo mesmo caminho, com ênfase ainda maior na condução melódica através de sintetizadores. Já o refrão de “Everlasting Muse” traz a banda em clima saleroso, como se os escoceses tivessem passado uma temporada ouvindo música tradicional russa e latina.

O novo disco do Belle & Sebastian: indie pop meigo e sempre muito bom

 

Mas o álbum atinge seus melhores momentos quando o Belle & Sebastian volta ao seu habitual indie pop algo tristonho e sessentista. É aí que surgem os grandes momentos do trabalho de fato: “The Cat With The Cream” e “Today – This Army’s For Peace” (que fecha o disco) são duas baladas de partir até o mais rude dos corações. Já em “Allie” (um dos melhores momentos de todo o cd) e em “Play For Today” (com a condução vocal da violinista e tecladista Sarah Martin) há um mergulho dançante no garagismo sessentista que sempre caracterizou o conjunto desde que ele surgiu em Glasgow, em 1996.

 

Em 2016 eles irão completar vinte anos de atividades. E o vocalista e letrista Stuart Murdoch já está com quarenta e seis anos de idade. Ainda assim o Belle & Sebastian continua gravando discos magníficos e fazendo shows ao vivo idem (como quando estiveram aqui em 2001 e em 2010, ambas ocasiões inesquecíveis e presenciadas pelo zapper sempre emotivo; e sendo que o grupo anunciou em entrevistas recentes que irá voltar ao Brasil ainda este ano). Se “Girls in Peacetime Want to Dance” não está no mesmo nível de pequenas obras-primas como “Tigermilk” ou “The Boy With The Arab Strap”, ao menos mostra que sim, ainda é possível nesses tempos de música pop e rock quase completamente vazia e sem estofo, uma banda permanecer altamente relevante mesmo com quase duas décadas de existência.

 

 

O TRACK LIST DO NOVO DISCO DO BELLE & SEBASTIAN

1.”Nobody’s Empire”

2.”Allie”

3.”The Party Line”

4.”The Power of Three”

5.”The Cat with the Cream”

6.”Enter Sylvia Plath”

7.”The Everlasting Muse”

8.”Perfect Couples”

9.”Ever Had a Little Faith?”

10.”Play for Today”

11.”The Book of You”

12.”Today (This Army’s for Peace)”

 

 

E OS ESCOCESES AÍ EMBAIXO

No vídeo oficial de “The Party Line”, o primeiro single do novo disco.

 

 

O SHOEGAZER INGLÊS E OS ANOS 90’ FORAM MUITO LEGAIS – E O RIDE MAIS AINDA

Parece que foi ontem que eles dominaram o mondo rocker, após a derrocada do grunge de Seattle. Do outro do Atlântico, na Velha Ilha, vários garotos saíram montando bandas que pautavam seu som por melodias melancólicas e barulhentas a um só tempo, com as guitarras encharcadas de noise e nas apresentações ao vivo esses mesmos garotos tocavam olhando não para o público mas… para os próprios sapatos. Eram os anos 90’ na Inglaterra. E eram tempos de My Bloody Valentine, Slowdive, Jesus & Mary Chain. E do Ride, um dos ícones máximos dessa turma inesquecível, a do chamado shoegazer britânico. O mesmo Ride que agora está de volta: o quarteto original (formado pelos guitarristas e vocalistas Andy Bell e Mark Gardener, além do baixista Steve Queralt e o batera Laurence Colbert) anunciou no final de 2014 que estava se reunindo novamente, para uma série de shows que irão rolar ao longo deste ano.

 

O grupo surgiu na cidade inglesa de Oxford em 1988. Guitarras barulhentas, melodias algo tristonhas e vocais doces e bucólicos compunham a receita sonora do Ride. Quando o primeiro disco enfim saiu, em outubro de 1990, o shoegazer já era o gênero da vez no rock britânico. E “Nowhere”, a estreia do quarteto lançada pelo então prestigiadíssimo selo Creation, foi aclamado pela rock press da Inglaterra. Acabou sendo eleito disco do ano pelo semanário New Musical Express. E o single “Vapor Trail”, com sua dolência de partir almas e corações, é até hoje uma das marcas registradas da geração shoegazing noventista.

 

Yep, o Ride nunca foi uma banda cultuadíssima pelos rockers brasileiros. Aqui a devoção ao conjunto se resumia à turma underground que frequentava porões alternativos como o Madame Satã e o Espaço Retrô, ambos em Sampa. Foi no Retrô inclusive que o blogger loker, ainda relativamente jovem e naquela época total alucicrazy, tomou contato com o som do grupo, através das discotecagens do saudoso dj Toninho, um negão que torrava toda a sua grana em discos de vinil e cds importados, além de gostar de cocaine tanto quanto de lasanha, rsrs – claro, as devastações nasais da dupla dj/jornalista se tornaram célebres nas madrugadas do Retrô.

 

Zap’n’roll caiu de amores pela banda quando ouviu “Vapor Trail” na pista do Retrô. Foi atrás de todos os discos até então lançados pelo quarteto. Comprou na época na Galeria Do Rock (no centrão de Sampa) os cds importados de “Going Blank Again” e “Carnival Of Light”, que saiu em 1995 e ameaçou tornar o Ride grande também nos Estados Unidos. Mas o grupo teve existência breve: em 1996 veio o fraco “Tarantula” (que chegou a ser resenhado pelo autor deste blog na bacaníssima e editorialmente moderníssima para a época revista “Vírus”, que era editada pelos jornalistas Jéferson de Sousa e Marcel Plasse, e que infelizmente também teve existência curta), Andy Bell e Mark Gardener começaram a quebrar o pau e o Ride chegou ao fim.

O quarteto shoegazer inglês Ride em duas fases distintas: quando jovem nos anos 90′ (acima) e atualmente (abaixo): eles envelheceram mas o som continua ótimo

 

Curiosamente o culto ao grupo só aumentou depois que ele encerrou atividades, tanto aqui quanto lá fora. tanto que em 2001 Andy Bell foi chamado para ser baixista do Oasis, onde também ficou até os irmãos Gallagher quebrarem o pau e determinarem o fim de uma das últimas grandes bandas da história do rock’n’roll. Isso abriu caminho para o ressurgimento do Ride. E em novembro passado os quatro se reuniram novamente para anunciar os primeiros shows ao vivo depois de vinte anos: por enquanto há dez datas já anunciadas no site da banda ao longo de 2015 (algumas delas já com ingressos esgotados), entre elas as gigs que irão rolar nos gigantes festivais de Coachella (na cidade de Indio, na Califórnia, em 17 de abril) e Primavera Sound (em Barcelona, na Espanha, no dia 29 de maio). Também em maio o grupo toca em Londres, em show com tickets total sold out. Mas nesta gig o correspondente do blog na capital inglesa, Marcelo Yorke, já garantiu presença e deverá contar aqui depois como foi esse desde já emocionante comeback do Ride.

 

Sim, o mundo anda chato demais. O rock’n’roll anda ruim demais. Então quando se sabe que uma banda bacanuda como o Ride resolveu retomar suas atividades, só há motivos para comemoração – apesar de que estas linhas online sempre são contra grupos das antigas que estavam parados e resolvem voltar à ativa. O blog tem ouvido muito o som do conjunto nesse começo de 2015. E relembra com doce nostalgia de um tempo em que se acabar numa pista de dança, tomar generosas doses de álcool, dar algumas aspiradas em carreiras de pó e encontrar aquela garota de peitos fartos, tatuagens no braço, cabelo chanel e VESTINDO uma t-shirt do Ride, era o maior prêmio que um garoto rocker podia ter no final de uma madrugada perfeita. Os anos 90’ eram legais. E o Ride era mais legal ainda.

 

Quem sabe eles aparecem por aqui algum dia…

 

* Mais sobre o Ride, vai lá: http://ridemusic.net/.

 

 

RIDE – QUATRO DISCOS QUE MARCARAM O SHOEGAZER DOS ANOS 90’

 

* Nowhere (1990) – a estreia da banda, foi lançado em outubro daquele ano. O quarteto já se mostrava barulhento e melancólico nas melodias. Tanto que o single “Vapor Trail” deixou a crítica abismada e estorou nas pistas rockers mundo afora. Acabou sendo eleito o disco do ano pelo semanário inglês New Musical Express.

 

* Going Blank Again (1992) – com a moral em alta junto a crítica especializada e um crescente número de fãs, o Ride partiu pro ataque no segundo trabalho de estúdio. Lançou um disco ainda mais barulhento na concepção das guitarras em noise e, ao mesmo tempo, bastante radiofônico nas melodias. Isso rendeu músicas pop/rock perfeitas como o single “Twisterella” ou a balada “Chrome Waves”. Fora que a faixa de abertura do cd, a fodástica “Leave Them All Behind”, mesmo com mais de oito minutos de duração chegou a tocar nas rádios inglesas (!). discão!

 

* Carnival Of Light (1994) – é o álbum “americano” do Ride e onde eles deram uma bela guinada em sua estrutura musical. Influenciados por anos 60’, country/folk e Byrds, os garotos engendraram um disco repleto de violões e melodias “road song” contagiantes, mas sem abandonar as guitarras. Faixas bacanudas aos montes: “1000 Miles”, “Natural Grace”, a lindíssima balada “Only Now” e a sensacional “I Don’t Now Where It Comes From”, que fecha o trabalho. A curiosidade fica por conta da participação nas gravações do cd do falecido tecladista do Deep Purple, Jon Lord. Ele toca órgão na faixa “Moonlight Medicine”.

 

 

* Tarantula (1996) – o grupo já não era mais o mesmo dois anos depois de “Carnival Of Light”. Começaram as brigas internas entre Andy Bell e Mark Gardener e isso se refletiu no som desse fraquinho “Tarantula”, um álbum onde o Ride tentou retomar as guitarras barulhentas, adicionadas de uma percussão “salerosa” e algo latina. O trabalho até começa bem com a poderosa “Black Nite Crash” mas depois cai na vala comum com faixas pouco inspiradas e sem brilho algum. Há a habitual baladinha (na faixa “Mary Anne”) mas o cd deixou bem claro que era o fim do quarteto. E ele de fato se separou alguns meses após o lançamento do disco, que foi inclusive resenhado pelo blogger rocker em 1996, na extinta revista “Vírus”.

 

 

RIDE LEMBRA…

(para o blogger sentimental, claro!)

 

* a pista do Espaço Retrô, atrás da igreja Sta Cecília, no bairro do mesmo nome em São Paulo. Foi lá que o autor deste blog ouviu o single “Vapor Trail” pela primeira vez, em alguma noite perdida ente 1991 e 1992. O dj era o negão Toninho (que já morreu há alguns anos). E quando escutou aquela música, o blog nunca mais deixou de gostar da banda;

A fachada da primeira versão do lendário e inesquecível club alternativo Espaço Retrô, atrás do largo Sta Cecília (no bairro do mesmo nome), na região central da capital paulista, no final dos anos 80′: nesse sobradinho em arquitetura clássica o blog fodeu todas as bocetas sujas e lokas do mundo, e cheirou toda a cocaine do planeta, até o nariz cair, rsrs

 

* as devastações nasais que o então ainda jovem jornalista cometia nos banheiros do Retrô. Não havia madrugada ali que não rolasse cocada boa, hihi;

 

* as irmãs Adriana e Vera Ribeiro, fãs de primeira hora do shoegazer inglês dos 90’ e de todo o indie guitar rock da época. Ambas são até hoje amadas amigas do blogger agora tiozão, hehe;

 

* a LOIRAÇA Danielle Strachino. Ela era gatíssima, novinha, deliciosa e vivia no Retrô vestindo uma t-shirt do Ride. O jornalista maloker, óbvio, caiu de amores pela garota mas ambos nunca tiveram nada mais, hã, hot, rsrs. Ficaram apenas mesmo na amizade e nos papos amenos nas madrugas lokas e insanas do bar alternativo mais lecal e inesquecível que existiu na capital paulista. Dani continua uma loiraça lindona até hoje e quem quiser conferir isso, basta ir até o perfil dela no Facebook: https://www.facebook.com/daniix.st;

 

* bandas como Jesus & Mary Chain, Loop, Slowdive, Lush, My Bloody Valentine, Spaceman 3 e Spiritualized. Todas geniais (algumas em alguns momentos, apenas), todas de uma época que era realmente BOM ouvir rock’n’roll em casa e num bar, dançando e bebendo (e cheirando, se fosse o caso, rsrs);

 

* as camisetas geniais com estampas de bandas da época e que eram produzidas pelo músico Vagner Sousa, baixista e fundador do hoje já clássico grupo indie guitar paulistano The Concept. A estamparia de Vagner ficava no distante Itaim Paulista (no fundão da zona leste paulistana e onde o músico, dileto amigo zapper, reside até hoje) e o jornalista rocker/blogger já tiozão possui até hoje uma t-shirt preta do Ride;

A velha t-shirt da banda Ride, produzida pelo músico Vagner Sousa e que o blogger saudosista tem até hoje

 

* revistas Bizz e Vírus (onde estas linhas virtuais chegaram a colaborar). E o Jornal da MTV, que era apresentado pelo reverendo e queridíssimo Fábio Massari;

 

* e bares tão legais quanto o Retrô: o Cais (na praça Roosevelt) e o Der Temple (na rua Augusta, pertinho de onde fica hoje o Astronete). Bons tempos, enfim…

 

 

RIDE AÍ EMBAIXO

No vídeo do clássico single “Twisterella”.

 

 

MAIS SOBRE A BANDA

Vai aqui: http://ridemusic.net/ . E aqui: https://www.facebook.com/pages/Ride-band/109040672468949?fref=ts.

 

 

WOW! A PRIMEIRA MUSA ROCKER DE 2015 É UMA DELÍCIA CREMOSA E TOTAL TATUADA!

Quem: Fabiana Marques.

 

De onde: São Paulo, capital.

 

Idade: 25 anos.

 

O que faz: Fabi estuda design e pintura digital, e pretende se profissionalizar na área. Enquanto isso ela alegra e deixa os marmanjos em polvorosa nos finais de semana, quando trampa de hostess no Astronete, atualmente o melhor pub rock de Sampa.

 

Mora: com os pais.

 

Três discos: “Second stage turbine blade” do Coheed and Cambria, “Rocket to russia” dos Ramones e “Apocaliptic revelation” do krisiun.

 

Três bandas: Slov, Coheed and cambria e Sepultura.

 

Três filmes: “Doze macacos”, “Muholland drive” e “Star wars”.

 

Três diretores de cinema: George Lucas, David Lynch e Stanley Kubrick.

 

 

Um ator e uma atriz: Michael Douglas e Goldie Hawn.

 

Show inesquecível: AlexisOnFire.

 

O que o blog tem a dizer sobre ela: Fabi é uma gracinha e um tesão rocker, hihihi. Sempre animadíssima e de bom humor (e também sempre bebendo muuuuuito), ela pode ser vista de quinta-feira a sábado na recepção do Astronete (onde inclusive rola hoje festão de aniversário de oito anos do bar), onde encanta o povo com o seu sorriso e suas tatuagens espalhadas pelo lindo rosto, por belos braços, belos seios (como você vai conferir mais aí embaixo) e belas coxas. E sim, ela já é uma dileta nova amiga do blogger que está sempre de olho na descoberta de novas beldades pela night under paulistana.

 

Então machos (cados) de plantão, relaxem e gozem (uia!), curtindo aí embaixo as imagens picantes da primeira musa do blog no novo ano.

Vem que tem!

 

Língua rock’n’roll e abusada

 Pagação de peitinho (lindo) pros marmanjos enlouquerem, uhú!

 

O que se esconde por baixo desses lençóis…

O jornalista zapper abraça sua mais nova e loka amiga rocker durante balada infernal e sem fim nas madrugadas do clube Astronete, no baixo Augusta em Sampa

 

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APÓS UMA “HIBERNAÇÃO” E RETIRADA DE CENA ESTRATÉGICA A GANG FORA DO EIXO RESSURGE, AGORA PRA SE ENCASTELAR E ASSALTAR O COFRE DO MINC

Todo mundo andou notando o (estratégico) “sumiço” da cena cultural alternativa brasileira do coletivo/entidade Fora Do Eixo. A “organização” que nos últimos dois anos foi alvo de denúncias pesadas por parte de sites, blogs e grande mídia em geral, por conta de suas tenebrosas transações junto ao Poder Público e também pela série de escândalos que vieram à tona dando conta do trabalho quase escravo a que são submetidos seus integrantes (obrigados a morar em casas coletivas e onde não recebem dinheiro algum pelo que produzem, além de ter sim que CONTRIBUIR financeiramente para manter a entidade), além de a “ong” NUNCA prestar conta do que faz com dinheiro público que ela capta (via participação em Editais) para gerir seus festivais de música, não aguentou a fuzilaria e espertamente se recolheu. Tomou Doril e sumiu, sendo que nos últimos meses quase ninguém falou ou ouviu falar do que o Fora Do Eixo estaria fazendo, tramando ou articulando.

 

Pois o “recesso” da entidade acaba de ser quebrado. E agora ela volta com tudo ao ataque e com as garras mais afiadas do que nunca. O alvo dessa vez? O COFRÃO do Ministério Da Cultura, o Minc. É justamente lá que a quadrilha do FDE pretende se instalar a partir de agora. E para conseguir isso ela se preparou e se estruturou muito bem: ficou pendurada no saco do novo ministro da Cultura, Juca Ferreira, quando este ocupou a chefia da Secretaria Municipal da Cultura da prefeitura de São Paulo. Alçado ao cargo de novo Ministro do Minc no segundo mandato da presidente Dilma, Juca deu carta branca para que a gang comandada pelo “produtor” cultural Pablo Capilé (mais conhecido como Pablo Capilantra) também entrasse em cena. Ele próprio, Juca, já admitiu que poderá oferecer cargos do Ministério à turma do coletivo. Tanto que, na posse do novo ministro estiveram presentes duas das mais notórias e aguerridas integrantes do FDE, Marielle Ramirez e Dríade Aguiar. Não só: ambas já estavam dando EXPEDIENTE dentro do Ministério antes mesmo da POSSE de seu novo titular. E o próprio Capilantra foi visto circulando pelos corredores do prédio em Brasília também nos primeiros dias do novo ano. Ele desmentiu a informação ao jornal Folha De S. Paulo, alegando que não vai ao Minc há pelo menos dois anos. E ainda disse não ver problema algum caso integrantes do FDE sejam chamados a participar do novo ministério. Ulalá!

 

O FDE, todo mundo já sabe, surgiu no começo dos anos 2000’ em Cuiabá, pelas mãos e pela mente perversa e bastante esperta de Capilé. Ele queria montar uma espécie de “rede” de coletivos culturais espalhados pelo Brasil afora e que produzissem eventos musicais independentes e à margem do que era feito na chamada cultura “mainstream” e “oficial”. Daí o nome Fora Do Eixo pois ele estaria fora do circuito Rio/SP, onde teoricamente se molda a cultura oficial de massa do Brasil.

 

Quase uma década e meia depois, tudo mudou. O FDE se agigantou de tal forma que estendeu seus tentáculos ao Poder Público (mamando sem dó em tetas como a estatal Petrobras, através de sua área Cultural) e ao próprio “eixo”: cravou sua sede principal e oficial na capital paulista, no bairro do Cambuci onde funciona já há vários anos em uma casa gigantesca e cujo aluguel não deve ser menos do que R$ 5 mil mensais. Não só: o grupo se especializou em assaltar de forma “oficial” os cofres públicos, participando aguerridamente de milhares de Editais que distribuem verbas para a realização de eventos culturais. Com isso a facção quase criminosa começou a amealhar verbas polpudas para produzir festivais pelo Brasil inteiro. Só que aí começaram as denúncias: bandas participantes destes festivais jamais receberam cachês por seus shows (Capilantra chegou a declarar em entrevistas que era CONTRA grupos musicais receberem cachês para tocar). Em Cuiabá, capital do Mato Grosso, o FDE deixou um rastro de CALOTES no comércio local (bares, restaurantes, empresas de equipamento de som e luz para eventos, fornecedores em geral) por conta de dívidas assumidas em festivas realizados na cidade (como o hoje extinto Calango) e que receberam infra-estrutura desses credores para que pudessem ser realizados. Há relatos de que alguns hotéis (que hospedaram bandas), bares e restaurantes (que serviram refeições para músicos e jornalistas) não receberam até hoje. O que foi feito então do DINHEIRO ARRECADADO junto ao Poder Público, se grupos tocaram sem ganhar cachê e o comércio local não recebeu pelos serviços prestados à produção do evento?

O novo Ministro Da Cultura, Juca Ferreira, durante sua posse em Brasília na semana passada (acima); ele já mandou avisar que poderá sim chamar integrantes da máfia do Fora Do Eixo para fazer parte dos quadros do novo ministério; com isso o “grande chefe” da “entidade”, mr. Pablo Capilantra (abaixo, ao lado da presidente Dilma e do ex-ministro José Dirceu), está preparando o assalto aos cofres do Minc e dizendo (parafraseando o querido Eddy Talles): “BEIÇA QUE EU TE ESCUTO!”, uia!

 

É muito obvio que o Pablo Capilé versão 2015 não está mais nem aí para “fomentar” a produção cultural alternativa do país ou promover a “circulação” de bandas por festivais independentes. O que o sujeito quer (e está conseguindo) é grana e poder político. Para isso se aproximou do PT (que ficou encantado com o modus operandi cultural teoricamente “inovador” do FDE), de Dilma, do prefeito paulistano Fernando Haddad e do agora Ministro Da Cultura Juca Ferreira. Vai dar no que vai dar: provavelmente o coletivo FDE vai se ENCASTELAR no Minc e vai MAMAR COM GOSTO no cofre do ministério, sentando a mão em verbas polpudas e que serão obviamente destinadas aos miguxos da entidade. E esses miguxos estão mesmo à míngua e precisando de socorro: um a um os festivais patrocinados pelo FDE foram se desmantelando nos últimos anos (afinal, Capilantra não quer mais saber de música, que usou apenas como plataforma para obter exposição midiática e poder político). Foi assim com o Calango em Cuiabá, com o Varadouro em Rio Branco (no Acre) e está sendo assim com o QuebraMar em Macapá (capital do Amapá): a última versão do evento seria realizada originalmente em novembro de 2014. Já sofreu dois adiamentos e agora está prometida para acontecer em março próximo. A conferir.

 

Estas linhas online já foram próximas do FDE? Com certeza, pois viram no início do coletivo (há uma década) uma promessa de renovação na cena musical alternativa brasileira. Fomos a vários festivais organizados por eles (em Mato Grosso, no Acre etc.) e com passagens e hospedagens pagas pela entidade? Também e não negamos isso em momento algum. Mas quando o blog começou a sentir cheiro de PATIFARIA no ar e questionou o “grande chefe” Capiloso e escorregadio a respeito, nos tornamos imediatamente inimigos mortais da quadrilha. Ela é assim: ou você está de acordo total e sem reserva alguma com seus métodos, ou você é inimigo. Ali não se aceita contestação de nada ao seu método de atuação. Não há meio termo. Não há permissão para divergir do que eles pensam e como agem. Eles são donos da verdade absoluta e ponto final.

 

O blog também assume que votou em Dilma (ruim por ruim, o Brasil iria se foder bem mais nas mãos de aébrio fezes) e que está bastante descontente com o ministério montado por ela. Sobre a entrada de Juca Ferreira no Minc especificamente, há quem aplauda e há quem condene com veemência. Mas ao menos um fato é líquido e certo: com a gang Fora Do Eixo ali dentro o pobre cofre do Minc será assaltado SEM DÓ pelos próximos quatro anos. Infelizmente.

 

* Adendo, I: é muito lamentável que mesmo com denúncias SOBRANDO na pequena, média e grande mídia, ninguém investigou a fundo as pilantrices do FDE. Revistas semanais como a IstoÉ ou a reacionária Veja poderiam ter feito uma bela reportagem a respeito. Mas… por outro lado o Ministério Público, a Polícia Federal ou mesmo a policia civil de São Paulo poderiam ter aberto algum inquérito. Nada foi feito. Absolutamente nada.

 

* Adendo, II: historinha rápida aqui. Na noite de 18 de dezembro passado o blog embarcou no aeroporto de Brasília em um vôo para Rio Branco, no Acre, em jato da Tam. Estava indo pra lá a convite do grupo Euphônicos, para acompanhar o show de lançamento do primeiro e execelente disco do trio. A passagem de Zap’n’roll foi paga pela produção do show. Até aí, beleusma. Mas qual não foi a surpresa do blog quando, ao entrar no avião, ele deu de cara com alguns integrantes do Fora Do Eixo (as produtoras Marielle Ramirez e Lenissa Lenza). Mais tarde e apurando os fatos, estas linhas online descobriram que a dupla tinha ido à capital do Acre para a festa de diplomação do deputado estadual Daniel Zen (que é alinhado com o FDE, mas também um dileto amigo deste espaço virtual). Ai vem a pergunta: QUEM PAGA AS VIAGENS DESSA TURMA? Passagens de avião estão caras e eles vivem viajando pelo Brasil, especialmente mr. Pablo Capilé, que não para um dia de sua vida na mesma cidade. Afinal, se eles vivem coletivamente e sem reeber salários da entidade…

 

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Disco, I: o novo e muito bom do sempre meigo e querido Belle & Sebastian.

 

* Disco, II: “Rock’n’roll Sugar Darling”, o terceiro álbum do cantor e compositor paulistano Thiago Pethit é tudo aquilo que o rock’n’roll nunca deveria deixar de ser: dançante, barulhento, cheio de melodias e guitarras glam/glitter, e total bichona sem culpa na postura e na concepção ideológica. Um dos grandes lançamentos do indie rock brazuca do final de 2014 e que por pouco não entrou na lista dos melhores do ano aqui do blog. Pode ir atrás sem susto que é bão para caralho – literalmente, rsrs.

 

*Cinema: rola nessa sexta-feira (leia-se amanhã, dia 23, já que o postão zapper está finalmente sendo concluído no final da tarde desta quinta-feira, 22) o primeiro noitão de 2015 do Cine Belas Artes (lá na esquina da avenida Paulista com a rua da Consolação, na região central da capital paulista). E vai ser dedicado ao gênio (e “ídalo” destas linhas online) Tim Burton, com a exibição de seu novo longa, “Grandes Olhos” e mais dois filmes surpresas. Programação imperdível pra quem ama cinema como o sujeito aqui.

 Cena de “Grandes Olhos”, novo filme de Tim Burton e que tem exibição nessa sexta-feira em Sampa

 

 

* Single dos Pronominais na web: yeah! Finalmente a primeira faixa do novíssimo grupo Pronominais (uma das apostas do blog na cena independente nacional para este ano) está disponível para audição na internet. “Centralismo” tem letra com versos intensos e reflexivos e de um burilamento poético que praticamente inexiste no atual pobre e raquítico roquinho nacional. Fora que a parte instrumental também é fodástica, remetendo ao melhor rock BR anos 80’. Vai no SounCloud dos meninos, ouça e veja se estamos exagerando: https://soundcloud.com/pronominais.

 O novíssimo quarteto Pronominais: o single de estreia deles já está na web

 

 

* Outra aposta zapper: é a rocker Samara Noronha. Natural do distante Estado de Rondônia mas radicada já há alguns anos em Sampa, a pequenina (mas gigante no talento) Samara é cantora, letrista, compositora e produtora, além de dileta amiga deste espaço blogger rocker. Ela está reunindo material para lançar seu primeiro álbum completo e enquanto ele não chega a garota vai postando no YouTube singles bacanudos como esse “Caos”, que você pode conferir aí embaixo. E pra saber mais sobre ela, vai aqui: https://www.facebook.com/noronha.samara?fref=ts.

 

* Sabotage em documentário: o saudoso rapper paulistano, que seria um dos grandes nomes da cena brasileira dos anos 2000’ caso não tivesse sido covardemente assassinado há mais de uma década, ganha finalmente um documentário bacanão sobre sua trajetória. E ele será exibido neste final de semana em São Paulo, no Auditório Ibirapuera (dentro do parque do mesmo nome, na zona sul da cidade). Haverá sessões amanhã (sexta) e sábado, às 9 da noite, e elas serão GRATUITAS. As senhas serão distribuídas uma hora e e meia antes, então é bom chegar cedo pra garantir a sua porque provavelmente a parada vai estrumbar de gente.

 

* Festão rocker em pleno carnaval: é o que vai rolar no Simplão Rock Bar em Paranapiacaba, durante os cinco dias do reinado de Momo. Com co-produção do blog o “Carna Rock Simplão 2015” vai ter shows com grupos legais da indie scene paulistana (como The Concept, Elevadores e Poetas Marginais), além de djs set diárias e noturnas (uia!) do blogão campeão em cultura pop. Vai ser mesmo um festão e você pode saber tudo sobre ele aqui: https://www.facebook.com/events/1535604500043441/?fref=ts.

 

* Festão rocker DEPOIS do carnaval: claaaaaro! Depois da folia momesca a esbórnia vai continuar com a primeira festona destas linhas online em 2015. Vai ser o “Noitão Zap’n’roll – a festa rocker nunca termina” que acontece dia 21 de fevereiro, sábado, lá na Sensorial Discos, com showzaços dos Pronominais e do gaúcho folker Spangled Shore. Logo menos iremos dar mais infos aqui a respeito, ok?

 

* Baladas, enfim: yep, elas estão aqui já no começo do finde desta semana (quando o post está sendo finalmente conluído). Então bora lá porque hoje, quinta-feira, 22 de janeiro (quando o postão está indo completão pro ar), tem a sempre animada festa “Loucuras” na Loca (lá na rua Frei Caneca, 916, Consolação, centro de Sampa), sob o comando do super dj André Pomba.///Amanhã, sextona em si, é noite de começar a balada tomando brejas artesenais na Sensorial Discos (na rua Augusta, 2389) e depois seguir pro BAIXO Augusta indo na Tex (com o melhor burger de fraldinha da madrugada alternativa), na Blitz Haus e no Astronete (no 335 da mesma Augusta).///E no sabadão não dá pra perder o open bar infernal do Outs (no 486 da Augusta), onde só quem tem fígado de verdade sobrevive até o final, hihihi. Tá bão, né? Se joga então!

 

 

E O POST CHEGOU AO FIM

Primeirão do ano e como o povo gosta: gigante. Então ficamos por aqui com a promessa de retorno na semana que vem com outro igual a esse e com mais uma musa tesuda e deliciosa, que já está escalada para aparecer aqui e deixar os marmanjos em desespero carnal, hihihi.

 

Até lá então!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 22/1/2015 às 19:00hs.)

Provavelmente chapado de álcool, entupido de bolas e de cocaine o anarfa Chorão, vocalista do medonho Charlie Brown Jr., pede pra sair e protagoniza uma morte total rock’n’roll no mais do que medíocre roquinho BR. Mais: “Next Day”, o novo discão de David Bowie, mostra que ele continua gênio aos sessenta e seis anos de idade; a volta do Low Dream, uma lenda do indie guitar brazuca; e mais um monte de paradas aê – como aqueles TICKETS FREE (!!!) pro Lollapalooza BR e também pra gig do Paul Banks! (atualização gigante e final em 12/3/2013)

O mundo da cultura pop e a ignorância do populacho é assim mesmo: uma lenda do indie guitar nacional da melhor estirpe, o brasiliense Low Dream (acima), banda cult dos anos 90’, retorna agora para alegria de seu pequeno mas fiel séquito de seguidores; enquanto isso a massa da manobra cada vez mais burra chora copiosamente a morte do vocalista Chorão (abaixo), ex-líder de uma das maiores deformações e aberrações já surgidas no rock BR, o horrendo Charlie Brown Jr.

 

“Meu escritório é na praia/Eu não sou da sua laia”.
Esse verso de rima ultra pobre e consistência intelectual/comportamental medíocre, faz parte da letra de um dos maiores sucessos da carreira do grupo santista Charlie Brown Jr. Aliás total medíocre foi a trajetória do CBJr. e de seu líder, o vocalista e letrista Chorão, cujo nome real era Alexandre Magno Abrão, nascido em Sampa e radicado anos depois na cidade do litoral paulista). E mesmo assim, sendo um conjunto porco, medíocre musical e textualmente, o CBJr. fez sucesso e vendeu quase cinco milhões de discos em quase vinte anos de existência, o que dá bem a medida de como o populacho inculto brasileiro ama consumir arte de baixíssima qualidade. Mas como todo carnaval tem seu fim o conjunto deverá pendurar definitivamente as chuteiras já que Chorão foi pro saco na última terça-feira: o cantor foi encontrado morto de madrugada na cobertura que tinha no bairro paulistano de Pinheiros, e onde se instalava quando estava na capital paulista. Ele tinha quarenta e dois anos de idade, o apartamento estava em estado deplorável e pelo que a polícia encontrou lá, não é nada difícil concluir que o vocalista foi pro vinagre após fazer uma esbórnia onde se entupiu de álcool, bolas variadas e cocaine, claaaaaro. Zap’n’roll, óbvio, não deseja a morte de ninguém, nem de seu pior inimigo (seja lá quem for ele) mas não vai santificar um bronco e ignorante do calibre de Chorão apenas porque a figura morreu – algo de resto muito típico na cultura ocidental: morreu (mesmo que seja Hitler), virou Deus e não tinha defeitos, apenas qualidades. Não é por aí e é esse um dos tópicos que o blogão aborda nesse post, findando já quase uma semana em que o mundo também foi sacudido pela morte do presidente venezuelano Hugo Chávez, em que se confirmou que o novo trabalho do camaleão David Bowie é de fato um discão e, por fim, em que se teve a notícia mais bacana do indie rock brazuca nos últimos meses: a volta do sensacional Low Dream, uma das melhores formações indie guitar da história do rock brasileiro. Tudo está bem esmiuçado aí embaixo, em um post que começa a ser construído agora, nesta tarde de quinta-feira horrivelmente quente em Sampalândia. Uma construção que promete ir loooonge, beeeeem longe…

 

* Entonces. Hugo Chávez morreu na terça-feira, Chorão também e… pouca gente comentou mas quem também foi pro céu é (ou era) o guitarrista gênio Alvin Lee. Ele tinha sessenta e oito anos de idade e morreu depois de sofrer complicações decorrentes de um procedimento cirúrgico de rotina. O jovem e dileto leitor zapper nem deve se dar conta de quem foi o sujeito. Mas Alvin foi o fundador (em 1996) e líder do grupo inglês Ten Years After, um GIGANTE do rock’n’roll cok nuances bluesísticas e jazzísticas do final da década de sessenta/início dos anos 70’. Considerado um dos melhores guitarristas de sua geração, Alvin influenciou um monte de gente e deixou pelo menos meia dúzia de obras-primas registradas para a posteridade da música. Isso sim foi uma perda fenomenal para o rock planetário esta semana.

 

* Já sobre o “caudilho” da Venezuela, o blog não vai se estender muito, néan? Chávez era o que todos nós sabemos: um ditador disfarçado de democrata, populista até o talo e que tirou sim milhões de venezuelanos da pobreza graças à grana conseguida com a venda de petróleo. Mas por trás de um regime aparentemente, hã, democrático, havia um presidente que queria se perpetuar no poder até a sua morte (e foi assim mesmo, no final das contas), que combatia a oposição a ferro e fogo, que manipulava os meios de comunicação do país (fechando emissoras de rádio e tv que eram contrárias a ele) e que mandava no Congresso e no Supremo Tribunal Federal do país. Assim ficava fácil posar de democrata e pai dos pobres, não? De qualquer forma: rip Hugo Chávez.

O amado Chávez se foi: mais um caudilho populista que desaparece no msierável continente latino-americano

 

* Encerrada a sessão “obituário” do blog (rsrs), vamos à cultura pop e ao rock. Estréia finalmente em 3 de maio o longa “Somos tão jovens”, a cinebiografia enfim feita sobre o início da trajetória musical do saudoso e inesquecível Renato Russo. O filme foca a vida do vocalista da Legião Urbana da adolescência até o momento em que ele se torna mega rock star e a Legião se transforma na maior banda da história do rock brasileiro – uma história aliás que o autor deste blog acompanhou muuuuuito de perto, durante os anos em que conviveu com Russo, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, assistindo desde o primeiro show do trio em São Paulo (no mítico Napalm, lá por 1983 e quando não haviam mais do que cinqüenta pessoas no local), até ver o conjunto tocando em estádios para cinquenta mil pessoas. Essa etapa final (e gigante) da história da Legião, ao que tudo indica, não foi privilegiada nas filmagens mas, ainda assim, é interessante pra quem não sabe como tudo começou entender os primórdios do grupo. O blog torce pra que seja um filmão (igual é a cinebio do também inesquecível Cazuza) e o cartaz do longa e o trailer dele você confere aí embaixo.

 

 

* Show do Paul Banks chegando. E como você já deve estar sabendo, o set do (ex?) guitarrista e vocalista do Interpol iria ser no Cine Metrópole, no centrão de Sampa. O local mudou e agora a gig rola na próxima quinta-feira, 14 de março, lá no também bacanudo Cine Jóia (cujo um dos sócios, por acaso, é o nosso sempre querido dear Luscious Ribeiro). E sim, você tá mega a fim de ir conferir o trabalho solo do Paul, mas tá na pindaíba total, certo? Ok, ok: vai aí embaixo no final do post que, como sempre, o blogão campeão em promos bacanas vai resolver o seu problema, hehe.

Paul Banks, o homem que comanda(va?) os vocais e guitarras no Interpol: show semana que vem em Sampalândia, no Cine Jóia, e com promo de ingressos free adivinha onde?

 

* Cantinho dos manos Gallagher, uia! Enquanto o guitarrista Jay Mehler deixou o grande Kassabian pra se juntar ao não tão grande Beady Eye (o combo rocker comandado pelo sempe trêfego Liam Gallagher), Noel disparou uma das melhores frases desta semana no mondo pop/rock: “meu gato é mais rock’n’roll que o Justin Bieber”. Wow! Alguém duvida?

 

* E ultra rock’n’roll vai ser a festa de uma década de existência deste espaço blogger rocker, como não? A esbórnia vai rolar no dia 20 de abril, sábado, pela primeira vez no Dynamite Pub (o charmoso bar da ONG Dynamite, claaaaaro), com showzaços confirmados das bandas Algarve, Coyotes California, A Luneta Mágica (de Manaus, em participação muito especial) e Doutor Jupter. Fora que as pick-up’s irão .pegar fogo sob o comando do super DJ André Pomba e do autor destas linhas virtuais. Então comece a se preparar desde já porque a balada vai ser histórica. Nos próximos posts iremos dar mais detalhes do festão, pode esperar.

Duas bandaças da indie scene nacional que importa: A Luneta Mágica (de Manaus, acima) e Doutor Jupter (abaixo), estarão na festa de dez anos do blogão zapper, que acontece dia 20 de abril em Sampa, no Dynamite Pub

 

* Ah, lá dolce vita das celebridades, modelos, cachorras, cadelas e putanas que todos nós amamos, hihihi. A vacuda da vez é a Carol Narizinho, claaaaaro. Aquela mesma, que faz os machos sem cérebro delirar diante da tv, quando ela desfila no programa “Pânico”, da Band. Pois a moçoila está tendo seus quinze minutos de glória também na mídia impressa já que é capa da revista Playboy deste mês, como você pode conferir aí embaixo. Uma vez putana…

Carol Narizinho, esse xoxotaço inigualável e com um rabaço pra aguentar rôla grossa, degusta um inocente pedaço de melancia (acima), uia! Não é à toa que a cadeluda foi parar na capa da Playboy deste mês (abaixo)

 

* Aliás, hoje é o Dia Internacional da Mulher! Então o blog não poderia deixar de homenagear aquelas sem as quais nós, machos empedernidos, não seríamos absolutamente nada, hehe. E nossa homenagem vai através da lembrança do que o venerável Marcelo Nova diz, antes de começar a cantar a música “Silvia” (aquela cujo refrão era/é “Ô Silvia!/Piraaaaanha!”, hihihi), no inesquecível álbum “Viva!”, lançado pelo Camisa De Vênus, em 1986. Olha só: “Hoje é o Dia Internacional da Mulher (o show, realizado e gravado em Santos, foi mesmo em 8 de março). Então nós queremos dizer que AMAMOS as mulheres. E vou mais longe: acho mesmo que as mulheres devem tomar o poder no mundo, porque elas têm mais tato e mais sensibilidade.
Bom, agora que nós já enchemos o ego de vcs, PODEM ARRIAR AS CALÇOLINHAS e vamos botar pra foder!!!”. Ahahahaha, o Camisa era mesmo fodástico nessa época.

 

* Tão fodástico quanto continua sendo um certo David Bowie que, aos sessenta e seis anos de idade, lança um discão após ficar uma década sem gravar. Lê aí embaixo e você irá concordar com o blog.

 

 

DAVID BOWIE AOS SESSENTA E SEIS – DEIXANDO O MEDÍOCRE ROCK ATUAL NO CHINELO
Uma vez gênio, gênio eterno da história do grande rock mundial que realmente importa. E é muito fácil chegar a essa conclusão depois de várias audições, durante dias e dias, de “The Next Day”, o novo discão do cantor e compositor inglês David Bowie. Aos sessenta e seis anos de idade o “Camaleão” não se deixou abater pelo tempo nem pelos dez anos que passou ausente dos estúdios de gravação. Ele gravou uma coleção de canções primorosas no decorrer dos últimos dois anos e que finalmente chegaram às lojas no velho formato físico do cd na última sexta-feira – na web o álbum já havia vazado há dias. O trabalho inclusive terá edição nacional, via Sony Music.

 

Quando anunciou, logo no início deste ano, que iria lançar um disco com material inédito em março, Bowie causou comoção, estupor e furor no mondo pop/rock. Afinal todos julgavam que um dos maiores nomes do rock em todos os tempos estava definitivamente aposentado: ele havia lançado seu último disco, o mediano “Reality”, em 2003. Desde então DB permanecia recluso em seu apartamento em Nova York (onde mora há anos com a esposa, a modelo Iman, e a filha do casal), saindo apenas para alguns passeios pela cidade e para visitas ocasionais a museus. Convidado a participar da festa de encerramento dos últimos jogos Olímpicos (em agosto passado), o Camaleão simplesmente recusou a oferta. Portanto, já era dado como certo que Bowie não mais voltaria aos estúdios de gravação.

 

Ledo engano da humanidade. Em completo segredo David Bowie reuniu sua banda e o produtor e velho amigo Tony Visconti (responsável pela produção e engenharia de som de vários dos mais memoráveis álbuns do cantor) e começou uma série de sessões de gravação, que foram sendo realizadas ao longo dos últimos dois anos. Quando fez sessenta e seis anos de idade, no último dia 8 de janeiro, Bowie anunciou ao mundo que iria lançar um novo trabalho de estúdio. E junto ao anúncio divulgou via YouTube o primeiro single de trabalho do novo disco, a belíssima e melancólica canção “Where Are We Now?”. Foi apenas uma pequena e primorosa amostra do que estava por vir.

Capa do novo álbum de David Bowie: aos sessenta e seis anos de idade, o gênio mostra ao medíocre rock de hoje como ainda se faz um grande disco

 

E esta ausência e a espera de uma década por um novo cd de um dos maiores gênios da música planetária não foi em vão. Antes de querer soar “muderno”, “contemporâneo” ou de querer embarcar em alguma novidade pop fácil e fugaz, David Bowie fez o que sempre soube fazer de melhor: ser ele mesmo e engendrar músicas sublimes e atemporais. É assim que o disco começa com guitarras nervosas e swingadas na faixa-título, para depois enveredar para algo próximo de um jazz/rock igualmente nervoso, em “Dirty Boys” (que é pontuada por um sax elegantíssimo ao longo de sua melodia). Como se não bastasse na sequência temos “The Stars (Are Out Tonight)”, rock acelerado que lembra os melhores momentos do inesquecível álbum “Scary Monsters”, editado em 1980. A já citada “Where Are We Now?” talvez seja o momento mais bucólico, plácido e melancólico de todo o disco, uma música onde Bowie relembra os tempos em que residiu em Berlim, no final dos anos 70’. Fora ela o álbum segue mergulhado em rocks e momentos acachapantes (como “Boss Of Me” e suas guitarras setentistas, e ainda “Dancing Out In Space” e “Heat”, que fecha o trabalho com uma melodia densa e sombria, tramada com violões e teclados soturnos e acompanhando a interpretação vocal de Bowie no mesmo naipe).

 

Se analisarmos “The Next Day” pelo prisma de que ele foi pensado, criado, composto e gravado por um homem de quase sete décadas de vida, iremos sim chegar à conclusão de que estamos diante de uma pequena obra-prima, e que pode ser tranquilamente colocada ao lado dos melhores discos já lançados pelo cantor. E quando ouvimos este retorno triunfal de David Bowie ao mundo da música, nos damos conta de como o rock de hoje está pobre em todos os aspectos: pobre de idéias, pobre de conceitos musicais, paupérrimo de boas letras. Talvez seja necessário juntar umas dez bandas atuais pra que elas consigam gravar algo próximo deste “The Next Day”, um trabalho que – com o próprio Bowie já informou – não terá turnê de divulgação. Não faz mal: o álbum já cumpre exemplarmente a sua função. A de mostrar que mesmo afundando em mediocridade, o rock mundial de ontem e de hoje será eternamente lembrado por gênios como David Bowie.

 

 

O TRACK LIST DE “THE NEXT DAY”
1.”The Next Day”1
2.”Dirty Boys”
3.”The Stars (Are Out Tonight)”
4.”Love Is Lost”
5.”Where Are We Now?”
6.”Valentine’s Day”
7.”If You Can See Me”
8.”I’d Rather Be High”
9.”Boss of Me”
10.”Dancing Out in Space”
11.”How Does the Grass Grow?”
12.”(You Will) Set the World On Fire”
13.”You Feel So Lonely You Could Die”
14.”Heat”

 

 

DAVIB BOWIE AÍ EMBAIXO
Nos videos dos dois primeiros singles de trabalho do album “The Next Day”: as músicas “The Stars (Are Out Tonight)” e “Where Are We Now?”

 

 

 

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CHORÃO – UMA MORTE ULTRA ROCK’N’ROLL PÕE FIM (FELIZMENTE) À TRAJETÓRIA DE UMA BANDA ULTRA MEDÍOCRE
Este postão zapper, iniciado na última sexta-feira, está sendo concluído agora, entre a noite de segunda-feira e a madrugada de terça, 12 de março. Já faz portanto uma semana que o vocalista Chorão, o ex-líder do Charlie Brown Jr. (uma das maiores deformações artísticas surgidas no rock brasileiro dos anos 90’), foi encontrado morto em seu apartamento de cobertura, no elegante bairro de Pinheiros (reduto da classe média alta paulistana), na zona oeste da capital paulista. E mesmo assim o assunto continua rendendo – e como. Chorão, da noite pro dia, foi canonizado santo e transformado em “poeta” (segundo palavras de outro emérito imbecil da mídia eletrônica atual brazuca, o insuportável Marcos Mion) do nível de Renato Russo ou Cazuza. Homenagens pipocaram em todos os telejornais das grandes redes televisivas e até o sisudo programa “Ensaio”, da tv Cultura, desenterrou uma entrevista com o letrista e vocalista, e reprisou a dita cuja na noite do último domingo.

 

Bão, e daí? Daê que a morte desse autêntico imbecil, e que representou o que de PIOR poderia ter existido no rock brasileiro dos anos 90’ (uma década bastante infeliz pro rock nacional, diga-se), provocou a comoção esperada nas redes sociais e só comprova o que o blog diz todo dia: quando algum assunto realmente sério e relevante é abordado nos faceboquetes da vida (corrupção política, miséria social no Nordeste, a quase completa falta de estrutura de um país que pretende abrigar Copa do Mundo e Olimpíada e zilhões de etcs.), a massa BURRA e FÚTIL das redes sociais absolutamente não abre a boca.
Mas bastou morrer o vocalista do Charlie Brown Jr. e voilá: todos se manifestam de maneira eloqüente, como se tivéssemos perdido o maior gênio da história da humanidade.

 

Sem chance. Estas linhas online não desejam a morte de ninguém, nem do nosso pior inimigo (que nem imaginamos quem possa ser). Mas vamos ser honestos e sinceros com nós mesmos: esse sujeito não vai fazer a menor falta, muito menos aquele horror musical no qual ele atuava como vocalista. E estamos escrevendo isso no âmbito estritamente artístico, em se tratando de rock brasileiro. O blog não sabe como ele era como pessoa (e os relatos que temos são os piores possíveis) pois felizmente nunca convivemos com ele. Mas musicalmente Charlie Brown Jr. era de uma pobreza musical e textual de dar dó, vergonha alheia total. Só estourou e fez o sucesso que fez porque mesmo sendo um analfabeto de primeira (ou última) linha, Chorão foi esperto o suficiente pra engendrar um mix de rap com hardcore e algumas pitadas de reggae, dando suporte a letras (mal escritas, simplistas ao extremo e que não raro continham erros grosseiros de gramática em sua composição) que falavam dos problemas cotidianos da juventude burra desse país. Daí a empatia imediata que ele conseguiu junto ao público, angariando milhões de fãs.

 

Claro que todo carnaval tem seu fim (né Marcelo Camelo, esse sim um compositor e letrista de mão cheia) e o Charlie Brown começou a descer a ladeira, atropelado por outras imbecilidades musicais mais atraentes ao populacho sem cérebro (funk pancadão carioca, pagode de corno paulistano e breganejo universotário). O grupo santista não resistiu à pressão desses novos gêneros e já estava em franca decadência. Deu no que deu: separado da mulher e sem o sucesso de antes, mr. Chorão entrou em depressão e em parafuso emocional. Pelo menos (e ao que parece) teve uma morte total rock’n’roll: chapado de álcool, entupido de bolas e de cocaine.

O Charlie Brown Jr., banda do finado vocalista Chorão: retrato perfeito de uma geração burra e que desce cada vez mais a ladeira em termos culturais

 

Mas não vai deixar saudades, com certeza. E o blog não vai ficar endeusando um anarfa musical desse naipe apenas porque ele morreu, ponto. Afinal no mesmo dia do falecimento desse “gênio” do rock nacional, também morreu uma lenda do rock inglês, o guitarrista Alvin Lee (esse sim um músico fenomenal e que junto ao grupo Ten Years After, escreveu alguns dos momentos mais sublimes do rock’n’roll britânico na virada dos anos 60’ pros 70’, sendo que o chapa Dum DeLucca analisa com bastante precisão a trajetória de Alvim no mais recente post do seu blog, o Jukebox, lá no portal Dynamite). E aí fica a pergunta: essa geração de jovens brasileiros cretinos vai lamentar a morte de Alvin Lee? Aliás, ao menos sabe quem foi o sujeito?

 

Óbvio que não sabe. Porque infelizmente cada geração produz os “gênios” que merece. Alguém argumentou que Chorão fez sucesso com sua banda escrota porque ele tinha vindo das ruas e não da elite burguesa. Assim sendo ele vivenciava o que cantava e conseguiu a enooooorme empatia com o seu público graças a letras que eram uma radiografia precisa do que a molecada vivia em seu cotidiano. Ok. Só que depois de vinte anos de carreira o cantor do CBJr. já tinha uma patrimônio pessoal que o distanciava bem dessa pseudo “realidade das ruas” que ele cantava com tanto orgulho em suas músicas.

 

E assim caminhamos. Nos anos sessenta nossos ídolos eram Gil, Caetano e a Tropicália. Nos setenta tivemos o imortal Raul Seixas. Nos anos oitenta o rock BR de grande estirpe tomou o poder. Depois começou a queda: nos 90’ tivemos essa excrescência chamada Charlie Brown Jr., que agora faz a garotada chorar copiosamente a morte de seu líder. Dos anos 2000’ pra cá é o que se sabe: os mega ídolos nacionais são pagodeiros iletrados (Thiaguinho e cia.), cantores/as de axé com repertório horrendo (Ivete Sangalo) e bandas de rock “sentimentais” que são a vergonha alheia total (Strike, For Fun, Cine, Restart). Até quando o Brasil vai chafurdar nessa ignorância cultural sem fim é o que estas linhas rockers online gostariam de poder adivinhar…

 

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O LADO Z DO ROCK BR DOS 90’ – O SUBLIME SHOEGAZER LOW DREAM ANUNCIA SEU COMEBACK E CAUSA FUROR NA INDIE SCENE NACIONAL

Pois entonces: houve uma época, lá pelos idos dos early 90’, que existiu DE FATO uma cena rock alternativa sublime no Brasil. Em um tempo onde não havia internet nem a tecnologia disponível atualmente para se gravar música, em que a MTV estava dando seus primeiros passos, onde não havia publicações especializadas em música e a cobertura musical dos cadernos culturais dos grandes diários não era ostensiva como hoje, tudo era muito mais difícil. E mesmo assim, mesmo com toda essa situação bastante adversa, alguns grupos foram surgindo e se tornando lenda na cena alternativa nacional. Eram bandas que, além de serem ótimas musicalmente, tinham total inspiração na psicodelia e no shoegazer inglês do final dos anos 80’/início dos 90’. E uma dessas bandas, a brasiliense Low Dream, anunciou há poucos dias em sua página no Facebook que está voltando com a sua formação original, para uma série de shows no decorrer de 2013. Notícia mais empolgante, impossível.

 

A Low Dream surgiu em Brasília em algum momento do início dos anos 90’. Foi engendrada pelos irmãos Giulliano (vocais, guitarras, composições) e Giovanni (bateria) Fernandes, que pouco tempo depois receberam a adesão de Samuel Lobo no baixo e Luis Eduardo na segunda guitarra. A paixão comum dos quatro era mesmo pelas sublimes emenações da psicodelia, do noise e do shoegazer que então varria a Inglaterra através de nomes como Jesus & Mary Chain, Lush, Ride ou My Bloody Valentine. Vieram os ensaios, os primeiros shows e, em 1995, saiu a estréia em disco do grupo com o acachapante “Between my Dreams and the Real Things”. O trabalho provocou comoção na então rock press brazuca (e da qual o sujeito aqui já fazia parte, escrevendo textos para a poderosa revista Interview e também para a prestigiosa edição impressa da revista Dynamite), amealhou uma legião de fãs para o conjunto e deixou surpresos até mesmo músicos de mega bandas brasilienses já consagradas, como a Legião Urbana. Foi o próprio vocalista da Legião, Renato Russo, que disparou em uma entrevista ao Caderno 2, do jornal O Estado De S. Paulo: “Eu não sei como eles [do Low Dream] conseguem tirar aquele som de guitarra, aqueles timbres. A gente tenta na Legião, mas não consegue!”. Esse “som de guitarra” a que Russo se referiu na entrevista, era um dos segredos da alma do grupo: Giulliano ia fundo nas distorções e no noise tramado com uma muralha de pedais de efeitos. E no entanto, por trás de uma autêntica “parede” de ruídos e barulho, surgiam as mais doces melodias, embalando os vocais suaves, bucólicos e melancólicos do guitarrista.

 

Tudo isso se repetiu no disco seguinte do LD, “Reaching For Balloons”. A essa altura a banda já era mito na indie scene, ao lado dos também geniais brincando de deus (da Bahia) e Sonic Disruptor (de Guarulhos, na Grande São Paulo), sendo que o autor destas linhas rockers já, hã, “tiazonas” no jornalismo musical (uia!) acabou escrevendo uma matéria gigante sobre os três grupos numa das edições impressas da revista Dynamite – isso lá por volta de 1996. A reportagem, modéstia às favas, ficou tão bacana que o Low Dream agradeceu colocando o nome do jornalista rocker loker na lista de agradecimentos do encarte de seu segundo cd.

O quarteto brasiliense, em foto P&B clássica dos anos 90′: as sublimes guitarras indies/shoegazer voltam pra mostrar pro pífio rock br atual como se faz música

 

 

Era um momento sem igual para a cena rock underground brasileira. As bandas de fato eram sensacionais na questão da qualidade musical e textual, lutavam contra uma série de dificuldades e ainda assim lançavam discos memoráveis e que estavam zilhões de anos à frente da imbecilidade e ignorância sônica que reina hoje no pobre roquinho BR, seja na cena independente ou no que resta do mainstream. Mas como tudo que é ótimo sempre acaba, essa cena indie shoegazer nacional foi se evanescendo. Por motivos diversos os grupos foram encerrando atividades e com o Low Dream não foi diferente. Após fazer algumas gigs memoráveis por boa parte do país (inesquecível foi a noite em que eles tocaram no Espaço Retrô, em Sampa: a melhor indie guitar band brasileira de então se apresentando em um muquifo alternativo lendário e glorioso; não à toa mais de duzentas pessoas abarrotaram a casa, entre elas o autor deste texto, ao lado de suas queridas irmãs Adriana e Vera Ribeiro), o quarteto brasiliense silenciou suas guitarras. Nunca encerrou oficialmente suas atividades. Mas também nunca mais gravou discos ou se apresentou ao vivo.

 

E eis que agora, após mais de uma década e meia de silêncio, o Low Dream resolveu votar às atividades. Inicialmente para shows apenas, que deverão acontecer a partir do segundo semestre – no momento o grupo está reunido em Brasília e realizando os primeiros ensaios para a turnê, sendo que a banda deverá passar por São Paulo, com certeza. É, enfim, talvez a melhor notícia na seara do rock brasileiro em anos. Que o Low Dream venha e toque novamente nossos corações, almas e mentes, mostrando para toda uma geração emburrecida e entorpecida pela ignorância dos dias que correm que, sim, o indie rock brasileiro já foi GIGANTE um dia, em termos de musicalidade, melodias e letras insuperáveis.

 

* Você não conhece o som do Low Dream e se interessou após ler o que está escrito aí em cima? Vai lá então: https://www.facebook.com/lowdreamband ou https://soundcloud.com/lowdream .

 

LOW DREAM AÍ EMBAIXO
Em um vídeo algo raro da época (1996), para a belíssima canção “From the ocean inside your bewitched eyes”, uma das faixas do segundo álbum lançado pela banda.

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA
* Discos: os dois CDs lançados pelo grupo brasiliense Low Dream nos anos 90’, e que podem ser ouvidos no Soundcloud do grupo (endereço aí em cima, no tópico sobre eles).

 

* Filmes: sem grandes estréias no último finde e com boa parte dos longas que venceram o Oscar 2013 ainda em cartaz, o blog vai recomendar uma fita nacional bacaníssima: “O som ao redor” possui edição de som primorosa, roteiro bem construído e ótimas atuações de um elenco praticamente desconhecido do grande público. O filme está em cartaz em apenas UMA sala em Sampa (no Espaço Itaú de Cinema, na rua Augusta), portanto se você ainda não assistiu corra, antes que ele saia de cartaz.

 

* Baladas já pro finde: e não? Com o postão zapper sendo finalizado já na madrugada de terça-feira, podemos dar uma geral no que já vai rolar neste próximo final de semana. Então bora lá: na quinta-feira em si tem o aguardado show solo de Paul Banks (guitarrista e vocalista do Interpol), que se apresenta no Cine Jóia (lá na praça Carlos Gomes, 82, metrô Liberdade, centrão de São Paulo). Depois você pode (e deve!) esticar a balada no baixo Augusta, e lá as opções são o Astronete (no 335), a Outs (com open bar, no 486) ou a Blitz Haus (no 657).///Já na sextona em si o super DJ André Pomba sempre comanda DJ set mega rock’n’roll no já veterano Dj Club (que fica na Alameda Franca, 241, Jardins, zona sul de Sampa).///E sabadão tem novamente showzaço do Barão Vermelho em Sampa (lá no HSBC Brasil, laaaaaá no fundão da zona sul paulistana, na altura do número dezenove mil da avenida Nações Unidas). Depois, você mesmo decide onde continuar a noitada, néan? Então se joga, porra!

 

 

LOLLA BR E PAUL BANKS CHAMANDO!
Yeeeeesssss! Vai correndo no hfinatti@gmail.com que lá estão à sua espera:

 

* UM INGRESSO pra cada noite do festival Lollapalooza BR 2013, que rola no final do mês em São Paulo;

 

* E UM PAR DE CONVITES para o show solo do Paul Banks, que acontece nesta quinta-feira no Cine Jóia, também em São Paulo, sendo que o (a) vencedor (a) desta promo será avisado por e-mail até o final da tarde da própria quinta-feira. Esta promo é mais uma parceria super bacanuda entre o blogão zapper e as produtoras Playbook e NMEClub Brasil.

 

 

O FIM, ENFIM
O post começou a ser escrito na última sexta-feira e está sendo concluído finalmente agora, já alta madrugada de terça-feira. De modos que uma nova postagem gigante talvez venha mesmo somente na semana que vem – mas se algo bombástico movimentar o mondo pop/rock, é claro que iremos informar aqui, através de uma nota extra. De qualquer forma, como já temos comentado nas últimas semanas, a rotina zapper vai continuar sendo alterada nos próximos meses. Não é fácil lutar contra um monstrinho que está instalado na sua garganta e que poderá levá-lo para sete palmos embaixo da terra. Porém, se isso vier de fato a acontecer, fica a lição e as recordações que tivemos nesta madrugada, enquanto finalizávamos estas linhas virtuais e na MTV passava uma Video Collection sensacional, inteira dedicada aos Smiths (uma das cinco bandas da vida de Zap’n’roll): a de que ao olharmos para trás nos damos conta de que, sim, tudo o que fizemos valeu a pena pois nossa alma jamais foi ou irá se permitir ser pequena. E é muito difícil manter a alma grande em um mundo onde as pessoas perderam totalmente a noção de amor, civilidade, compreensão, carinho, afeto e respeito pelo próximo. Um mundo onde um motorista playboy e bêbado, sem alma e sem coração, atropela um ciclista na avenida Paulista (em São Paulo) no domingo pela manhã e, além de não prestar socorro à vítima, ainda JOGA FORA EM UM RIACHO o braço da mesma, que foi arrancado no atropelamento e que ficou preso no para-brisa do automóvel. É esse mundo total desumano que enfrentamos diariamente e que só podemos suportar se tivermos a alma do tamanho do Universo. Uma alma grande o suficiente pra aceitar que nosso corpo é finito e que um dia não estaremos mais aqui, tragados que seja pelos males da vida moderna, como tumores cancerígenos. O blog se vai e deixa um mega e apaixonado beijo pra linda negra Maru Mardou Fox, que está chegando amanhã (quarta-feira) a Sampa, vindo lá do sempre amado Norte brasileiro. É isso aí. Até o próximo post, galere!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 121/3/2013 às 5:00hs.)

 

Haleluia: O blogão zapper finalmente volta ao ataque! E volta cuspindo lava contra a atual cena independente de merda brazuca. Mais: o fodaço festival Rockers Noise com Telescopes e Gallon Drunk. Os retornos desnecessários de Bloc Party e Darkness, o som fodástico do Luneta Mágica (mais uma incrível descoberta zapper, uia!), por que as xoxotas das negras fodem melhor, livros e dvds de rock bacanas etc, etc, etc (mega versão ampliada e finalizada em 20/8/2012)

O gigante mega U2: um dos maiores nomes de toda a história do rock vive dando exemplo de humildade e zero de arrogância, assim como os acrianos Los Porongas (ambos, acima); a mesma humildade que falta hoje a “gênios” de nossa cena indie de merda. “Gênios” como Hélio Flanders (abaixo, vocalista do Vanguart) e a alguns integrantes do grupo paulistano O Quarto Negro (também abaixo)

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UP TO DATE, JÁ NA MADRUGA DE SEGUNDA-FEIRA

* Yeeeeesssss! Postaço lindóno no ar e aqui em cima, bem no começo dele, algumas notinhas derradeiras pra você ler e começar bem a semana, uia!

 

* Suede praticamente confirmado no Planeta Terra 2012. Junto com Garbage e Best Coast, vai fazer o festival pegar fogo. Agora sim tá valendo ir ao Jockey Club no mês que vem.

A bichaça Brett Anderson e o Suede, reis eternos do britpop: a caminho do Brasil

 

* E dear Luscious Ribeiro marca gol de placa (uia!) ao anunciar que a musa Feist vai tocar no Cine Jóia nos dias 22 e 23 de outubro próximo. Feist é linda, canta horrores e seu mais recente álbum, “Metals”, é de chorar de tão lindo. Nessa gig até Zap’n’roll vai querer participar da sua promo de ingressos na Popload, hihi.

Ela é linda, canta pra carajo e se apresenta no Cine Jóia em outubro. Feist é tudibom!

 

* Bien, todo mundo já sabe: as Pussy Riot foram mesmo condenadas na Rússia. A solução é agilizar campanhas pra pressionar o governo russo a libertar a garotas. Putin, seu grande merda e ditador: você tá precisando é levar rôla grossa e dura no cu pra deixar de ser tirano.

 

* Vídeos bacanas recebidos (via YouTube, óbvio) pelo blog há pouco, do brother Tanner Gondim. O primeiro mostra uma devastação nasal (uuuuuiaaaaa!) arrasadora. Atentem pras taturanas que os sujeitos esticam, com CAPAS de disco de vinil, rsrs. O outro vídeo mostra cenas do saudoso Espaço Retrô, a lenda maior da cena alternativa paulistana, lá em 1996 – dezesseis anos atrás… parece que foi ontem… Quantas cafungadas em cocaine ótima e quantas trepadas com xoxotas em brasa o autor deste blog deu naqueles banheiros podres, rsrs. Sendo que no vídeo apaece o querido DJ Toninho (que já foi pro céu, infelizmente, há alguns anos), e o mega amigos zappers Julio Chileno e Rodrigo Kargan, músico atuante até hoje na indie scene paulistana. Pra ver (ou rever) e derramar uma lágrima de saudade.

Devastação nasal mortal, wow!

 

O saudoso Espaço Retrô em Sampa, em 1996: a melhor casa rock alternativa que a capital paulista já teve

 

* É isso? É isso. Mas logo menos tem mais aqui, na próxima sexta-feira. Até lá!

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Hollas! Ó nóis aqui traveis!
Rsrs. Essa proposital saudação grafada em péssimo português é pura zoação, claro. Mas demonstra a felicidade pelo fato de estas linhas rockers bloggers estarem de volta, após quase um mês de “recesso” forçado. A vida é dura, dileto leitorado. Não é mole, não. E se torna ainda mais difícil e complicada quando descobrimos que, nos dias que correm, não dá  mais pra viver (e, em alguns casos como o do autor destas linhas virtuais, também trabalhar) sem um PC de mesa ou notebook e uma conexão com internet dentro de casa. Foi o que rolou com Zap’n’roll nas últimas três semanas: um componente da placa mãe do HP/Compaq (que tem menos de dois anos de uso) corrompeu e pronto: lá se foi o “bebê” Compaq novamente pro “hospital”, atrapalhando (fodendo seria o termo mais exato) a vida do jornalista rocker que escreve semanalmente não apenas um dos blogs de cultura pop e rock alternativo mais acessados da web brasileira hoje, mas também diversos outros textos para outros veículos – entre eles, o portal cultural ligado a uma das maiores editoras e rede de mega livrarias do país. E claro que nesses quase vinte dias de ausência zapper, o mundo continou rodando a mil lá fora. E nós procuramos ir acompanhando essa movimentação da forma que nos era possível. Mas na real e mais uma vez este já tiozão jornalista musical chega mais uma vez àquela inexorável conclusão: a de que éramos, talvez, mais felizes quando não havia internet e computadores conectados em rede no mundo. Não sentíamos falta do que não tínhamos. E quando queríamos informação de qualidade e necessária, íamos heroicamente atrás dela (em jornais e revistas importadas, livros idem, discos, filmes etc.). Hoje está tudo mais fácil, tudo mais à mão e no entanto as pessoas nunca foram tão ignorantes, reacionárias, preconceituosas, moralistas e conservadoras. E se você fica três semanas sem internet na SUA casa, sua vida parece se transformar num caos monstruoso e você parece estar vivendo em outro planeta. Mas enfim, cá estamos novamente. O postaço de hoje vai ser realmente hot, falando da grande merda que é a atual cena rock independente nacional. E também de muitos outros assuntos que o leitor zapper só encontra aqui mesmo (cultura pop, rock alternativo, putarias, loucuras variadas), no blog que há uma década se mantém como o mais legal e polêmico da blogosfera brazuca dedicada à cultura pop.

 

* E começando, só pra constar: o livro que vai compilar as melhores colunas já publicadas aqui, já tem título definido: vai se chamar “Zap’n’roll – sexo, drogas, loucuras e rock’n’roll no blog do jornalista musical mais junky da imprensa brasileira”. Bacana, hein! O livrinho/livrão deve sair até o início de 2013, vamos verrrrr…

 

* Si, si, infelizmente não vai ter SWU esse ano, no? Infelizmente porque foi o melhor festival que rolou por aqui em 2011. Mas o Terra está ficando bem animado, ainda mais com a possibilidade de o grande Suede (bichas lokas rockers em polvorosa agora, uhú!) estar no line up, o que vai se confirmado (ou não) a qualquer momento pela organização do festival. Fora o Lollapalooza BR 2013, que já tem o Pearl Jam como um dos headliners e que vai ter também provavelmente o Cure, como estas linhas online estão comentando há séculos. Então não há tanto motivo pra choro, afinal de contas.

 

* De chorar mesmo foi o encerramento MUSICAL das Olimpíadas, no? A inglesada como de hábito deu show e teve de tudo – Spice Girls, Freddie Mecury em aparição virtual, Blur e até uma emocionante versão do mega clássico “Wonderwall”, do Oasis, tocada pelo Beady Eye de Liam. Tudo lindo, tudo muito bonito até que entrou em cena a vergonha alheia brasileira, nos oito minutos em que o país teve para mostrar sua, hã, Cultura (já que a próxima Olimpíada é no Rio, em 2016). Foi de chorar novamente (e, desta vez, de vergonha e raiva): batucada de Escola de Samba, Marisa Monte (essa mulher está cada vez mais insuportável) e o picareta mor, Seu Jorge. O horror brazuca de sempre, enfim.

 Miss Marisa aos montes: vergonha alheia brasileira no encerramento das Olimpíadas

* Agora, impossível agüentar a megolamania prog/rock/”muderna” do Muse, que já foi uma banda muito lecal. Hoje…

 

* Pois então, há gente já “veterana” que ainda surpreende, néan? Caso dos suecos do Hives, que lançaram seu novo disco (“Lex Hives”) em junho passado e ninguém deu muita bola pro dito cujo. Ok, o blog também ainda não ouviu o álbum (apenas o quinto da banda, em quase duas décadas de existência), mas tá curtindo muito o primeiro single, “Go Right Ahead”, cujo vídeo tá aí embaixo:

 

* E muito mais rock’n’roll do que a esmagadora maioria da podre e pobre cena rock indie BR atual, é a cantora Céu. Yep, isso mesmo: com uma carreira que já dura sete anos e três discos, a paulistana trintona (e muito gostosona) impressiona pela qualidade de seu trabalho musical. O disco mais recente dela é “Caravana Sereia Bloom”, que saiu no início deste ano e que possui músicas densas, poéticas, climáticas e fantásticas como “Retrovisor”, cujo clip tá aí embaixo pra quem ainda não viu (será possível?).

 

* O mulherio atual da música brasileira anda mandando muito bem, na verdade. Muito mais do que essa cuecada tosca, imbecil e burra que não sabe tocar, não sabe compor, não sabe escrever boas letras, não sabe cantar e, ainda por cima, se acha – hahahahaha. O blog é mesmo fã da Céu e também da Tiê, da Vanessa da Mata, Tulipa Ruiz (ela é sensacional!), da Karina Bhur e até da rainha paraense do tecno-brega, a Gabi Amarantos, que tem muito mais personalidade do que essas bandinhas indies escrotas que pululam pelo Brasil afora. Por tudo isso a nova categoria do VMB 2012, “melhor artista feminina”, é mais do que bem-vinda.

 A rainha paraense do tecno-brega, Gabi Amarantos: até ela tem mais personalidade musical do que as bandinhas de merda do indie rock BR atual

 

* Falando em MTV, boatos dão conta de que o canal musical da Abril está para ser vendido e poderá ser extinto no Brasil. Será? Será???

 

* AS XOXOTAÇAS NEGRAS SÃO SEMPRE AS MELHORES NA HORA DA TREPADA – continuando com mais uma das queridas séries (rsrs) destas linhas rockers cafajestes e canalhas, a das “memórias afetivas e SEXUAIS de Finas”, hoje vamos, talvez, ser acusados de “preconceito racial” às avessas. Yep, porque as branquelas e loiras que nos perdoem, mas sempre o jornalista taradón e fodedor sempre preferiu muito mais foder com negras. Óbvio, também existem mulheres brancas que trepam horrores (e o autor destas linhas ordinárias já teve várias assim na cama). Mas as crioulas realmente é que sabem fazer a parada na hora da foda. Fora que aquele cheiro forte e delicioso de boceta preta melada de tesão, sempre deixa Zap’n’roll  louco na hora de lamber e chupar o grelo inchado das moçoilas. Entonces, quantas black girls o blog teve em sua vida? Oito? Dez? Todas foram fodásticas. Como Thaís, que dava o cu de ladinho enquanto batia uma escandalosa e safada siririca, até gozar gritando como uma cadela parindo. Ou Ângela, que também adorava ser socada no cu. Ou ainda Greta (que tinha tetas gigantes e deliciosas), ou Andréia (que fazia Geografia na Usp e não chegou a dar, mas chupou e punhetou com maestria o pinto zapper), Olimaris, Abigaiu (que além de dar o cu de frente ainda sentava na vara e fazia a “gangorra” ou “sobe-e-desce” como ninguém, isso depois de meter a napa em uma bem fornida carreira de cocaine, uia!), Paulinha (outra devotada fã da rola enterrada em seu cu até os bagos baterem na bunda, hihi), Graça (que era realmente uma gracinha) etc, etc. Enfim todas grandes garotas, cultas, inteligentes, lindas (como o último e mais recente affair do jornalista branquelo), que trazem ótimas recordações e que sempre deram show de bola na hora da fodelança putanhesca. O blog fala com conhecimento de causa: as negras são as melhores na cama. Por isso, a todas as ex-black girls do jornalista fanático por pretas, fica esta homenagem, além do carinho e admiração eternos por elas terem sido amantes, rolos ou namoradas tão espetaculares! Beijos em todas vocês, estejam onde e com quem estiverem!

As negras são as melhores, sempre! Só elas fodem como ninguém, só elas engolem porra até arrotar a mesma, só elas possuem um rabaço fenomenal como esse aí em cima (e ainda por cima, “decorado” com um filete de leite quente e grosso, uia!). O macho (cado) que discordar, é porque NUNCA fodeu uma xoxota preta de verdade e com gosto

 

* E sai hoje à tarde, sextona em si (o postão zapper está sendo escrito na madrugada de quinta pra sexta-feira, e com um certo  “luxo” hoje, hihi: enquanto batuca nas teclas do note, o blogger fã dos prazeres etílicos vai sorvendo generosas doses de whisky com água de côco, uia! Ou como diz o bordão perpetrado pelo amado André Pomba: “somos pobres, porém finas!”), a sentença das Pussy Riot, lá em Moscou. Até o braço brasileiro das bocetudas Femen protestou em solidariedade ao trio riot girrrl russo. Pois que elas sejam soltas JÁ! Liberdade para as xoxotas punks guerrilheiras! E Putin, seu grande ditador disfarçado de “democrata”, vai tomar no cu!

As punks russas do Pussy Riot: liberdade JÁ pra elas! 

 

* Falando em sentenças e julgamentos, a parada tá esquentando em Brasília, no STF. O relator do processo do Mensalão, o negão Joaquim Barbosa, começou a pedir a condenação dos réus. Vamos ver se desta vez alguns tubarões da política brasileira e pilantras desde sempre, vão finalmente parar na cadeia.

 

* Enquanto isso não acontece, o blog faz sua parte. Como? Falando algumas verdades sobre a nossa escrota cena rock independente atual, como você vai ler agora aí embaixo.

 

 

ZAP’N’ROLL X INDIE SCENE BR: A GUERRA ESTÁ MAIS DO QUE DECLARADA!
O fato de estas linhas rockers online terem ficado em “recesso” forçado durante as últimas três semanas teve seu lado positivo e bastante reflexivo, afinal. Este tópico que foi sendo escrito na madrugada da última segunda para terça-feira (mais especificamente às três e meia da matina, enquanto a tv estava ligada no “Na Brasa” da MTV, sem áudio para não atrapalhar a concentração textual do sujeito aqui), quando o querido “bebê HP/compaq” finalmente retornou ao seu lar, talvez seja o ataque e a porrada mais virulenta que este blog já desferiu contra quase a maioria daquilo que hoje é conhecido como o rock independente brasileiro. E este ataque/porrada tem zilhões de motivos para estar sendo publicado no post que marca o retorno destas linhas zappers.

 

Não é de hoje que Zap’n’roll anda irritadíssima com a indie scene nacional atual. Como já foi dito aqui mesmo várias vezes, a democratização do acesso à tecnologia (via instrumentos e equipamentos eletrônicos mais baratos) e à informação (via internet, óbvio) foi ótimo por um lado (permitiu que muitos artistas e músicos em potencial, que antes não tinham como entrar no circuito musical e mostrar sua arte ao público, passassem a ter esse direito de maneira equânime aos que ainda trafegam no pra lá de moribundo “mainstram” musical) e péssimo por outro: criou uma autêntica monstruosidade que hoje atende pelo nome de cena musical independente nacional. Uma monstruosidade porque, devido às facilidades encontradas para a gravação e divulgação (via web, sites, blogs, portais, YouTube e os caralho) da música, hoje qualquer Zé ruela se acha artista, músico e, muitas vezes, gênio mesmo (e sem a mínima condição ou senso auto-crítico que permita ao sujeito ver, por si próprio, que ele está longe da genialidade que julga possuir). Vai daí que, cotidianamente, a internet é bombardeada por milhares de novas bandas, artistas solo e os links de suas “obras” musicais “magistrais” – que de magistrais não têm absolutamente nada, tamanha a vergonha musical alheia que trazem e propagam na maioria dos casos. E quem sofre com isso, óbvio, são jornalistas como o sujeito aqui ou produtores como o decano, conhecido e respeitadíssimo Luiz Calanca (proprietário há mais de três décadas da já lendária loja de discos e selo Baratos Afins). Ambos, jornalista e produtor, sofrem todos os dias o mesmíssimo problema: são trocentas bandas enviando links atrás de links por todo os caminhos possíveis (e-mail, Twitter, Faceboquete) e implorando (sim, não há exagero aqui, elas imploram mesmo) por um pouco de atenção e divulgação ao seu trabalho. De resto, uma atitude legítma dos artistas (correr atrás de divulgação para o seu trabalho junto a produtores e jornalistas). Mas como já bem observou Calanca tempos atrás, em bate-papo de fim-de-tarde com o autor destas linhas virtuais lá na Baratos (um dos melhores prazeres que um amante de música pode ter é passar um final de dia conversando um pouco com o Luizinho em sua loja na Galeria do Rock, no centrão de Sampa; a informação jorra farta e as risadas são garantidas), “se eu for ouvir tudo o que me enviam pela internet todo santo dia, não faço mais nada na vida”.

 

O blogão zapper começou a dar razão a Calanca quando também começou a ser bombardeado, anos atrás, com links e mais links de bandas querendo divulgar seus trabalhos. E num primeiro momento tentou ser paciente o suficiente para ouvir PRATICAMENTE TUDO o que era enviado ao blog, embora faltasse tempo hábil pra essas audições e a QUALIDADE do material enviado fosse HORRENDA em quase 90% dos casos. Esta estatística, por si só, já seria suficiente para fazer este jornalista dar um foda-se para esse povo todo mas ele continuou procurando divulgar a cena e ser simpático e respeitoso com o trabalho das bandas (ah, o zapper e seu notório coração mole…), por pior que fosse este trabalho, além de se tornar, em muitos casos, “amigo” destas bandas – e com isso, ignorar uma das principais lições deixadas pelo mestre do jornalismo musical americano, o gênio (esse sim, gênio autêntico e imortal) Lester Bangs: a de que jornalistas musicais JAMAIS devem se tornar AMIGOS de artistas. “O artista tem que ser encarado como INIMIGO”, dizia Bangs. E ele estava coberto de razão.

O Agridoce, de Pitty e Martim: ambos também já foram mais humildes. E,
pra piorar, ainda trabalham com um produtor “meia pedra” e neurado, que ameaça jornalistas de agressão sem mais nem menos

 

E o autor deste blog começou a entender que Bangs estava certíssimo em sua “lição” quando começou a observar outras características que hoje estão, mais do que nunca, enraizadas até o talo na porca cena rocker independente brazuca. Uma dessas características: a de que essa corja de músicos de décima categoria quer mordomia e tudo “de grátis” em sua tentativa de chegar a um pseudo e cada vez mais abstrato (nos dias de hoje) “estrelato”. Explicando melhor: estas linhas rockers bloggers se tornaram já, há meses, um dos espaços dedicados à cultura pop e ao rock alternativo mais acessados da blogosfera nacional (cerca de 70 mil visitas/mês, média de vinte e cinco comentários por post e mais de cinqüenta recomendações em redes sociais por postagem). Com esses números em mãos Zap’n’roll lançou uma campanha para vender publicidade no blog, e também ganhar algum dinheiro com ele, algo igualmente justo e legítmo. Ofereceu então banners às suas bandas “amigas”, aquelas mesmas que viviam (e ainda vivem) enchendo literalmente o saco zapper em troca de divulgação para suas músicas. O que aconteceu depois de quase três meses de tentativas de fazer esta parceria comercial/publicitária com os artistas? As mais estapafúrdias respostas negativas que o dileto leitor possa imaginar. Ou as mais clichês, também: “estamos sem dinheiro nenhum! Gravamos num estúdio caríssimo (wow!) e também produzimos um clip com um diretor fodíssimo, que custou a maior grana!” (novamente: wow!!!).

 

Felizmente o autor deste espaço online não depende do blog pra viver, senão já teria morrido de inanição. Mas o fato de ter recebido as respostas que recebeu diante da oferta de publicidade feita às bandas, só demonstrou o MENOSPREZO que a maioria delas possui pelo veículo midiático online que elas tanto enchem por divulgação. Quer dizer: enchem enquanto vêem nele a possibilidade de divulgação gratuita ao seu trabalho. Falou em GASTAR algum dindim de forma honesta e comercial na parada (em forma de anúncio), todos saem correndo e o menosprezo se instala.

 

Tudo isso somado levou o blog à seguinte conclusão (santa inocência, Batman!): não existe mesmo AMIZADE nesse mundinho indiecente que graça hoje no Brasil. O que existe é apenas e tão somente o bom e velho interesse. Como Zap’n’roll NÃO precisa desse povo (mas eles sim precisam do blog), decidimos levar finalmente em consideração a lição master do mestre Lester Bangs: a partir deste post o blog é INIMIGO de quase a totalidade das bandas da indie scene brazuca atual. Elas podem continuar enviando seus links e buscar sua justa divulgação aqui, através do e-mail do autor destas linhas online e que todos já estão carecas de saber qual é (hfinatti@gmail.com). Quando o blog achar algo realmente interessante, será comentado aqui, não se preocupem.

 

Agora, tudo o que foi escrito aqui neste tópico, até o momento, é apenas uma parte da história. A outra, final e pior ainda, se refere à insuportável arrogância e prepotência desse povo todo, algo que estas linhas zappers também vêm observando há tempos na nossa paupérrima (artisticamente falando) cena independente. Observação corrobarada nas últimas semanas por fatos algo desagradáveis e que envolveram o sujeito aqui e músicos que gravitam nessa cena medíocre – sendo que o autor deste espaço rocker blogger sempre DETESTOU gente arrogante. E continua detestando. Há cerca de quinze dias o blog foi até o StudioSP da Vila Madalena, para prestigiar o show do grupo Quarto Negro, que estava lançando naquela noite seu muito bom álbum “Desconocidos”. Tudo muito bom, tudo muito bem não fosse o fato de que havia ali muita gente que integra ou puxa o saco da Ong Fora do Eixo (uma das PRINCIPAIS RESPONSÁVEIS pelo nivelamento ao rés do chão da qualidade, ou falta dela, que se observa nas bandas nacionais atuais). Foi o suficiente para começar os ataques e “tirações de sarro” em cima do autor deste blog, que semanas antes havia metralhado os FDE durante a entrega do Prêmio Dyanmite de Música Independente, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Pois então: a temperatura foi subindo no Studio SP e o zapper que já estava ficando “mamadão” de whisky e brejas e que é notoriamente conhecido por não ser nada simpático quando está nesse estado etílico, perdeu de vez a paciência quando ouviu alguém falando, entre risos: “esse crítico de merda…”. Foi a conta pro blog dar seu contra-ataque (e assume que na atitude que tomou naquele instante foi mega ofensivo, grosseiro e agressivo com seus desafetos): ele simplesmente pegou uma cópia em vinil do disco do Quarto Negro que tinha acabado de ganhar do produtor Bruno Montalvão (que produzia a festa naquela noite e foi um lorde com estas linhas virtuais) e a atirou ao chão, pisando em cima da mesma em seguida. Sim, uma atitude destemperada do zapper barril de pólvora, mas que teve sua razão de ser. Tão destemperada e mais arrogante foi a reação dos integrantes da banda (agora formada também por membros de grupos como Pública e Bicicletas de Atalaia), que passaram a ofender ostensivamente o sujeito aqui. Curioso que um dos músicos que mais partiu para agredir moralmente este jornalista foi justamente o grande MALA Léo Mattos, integrante do tal Biclicletas de Atalaia. Mala porque ninguém mais do que ele encheu o saco de Zap’n’roll para que déssemos espaço editorial para a sua banda. Foi um final de noite tenso e mega desagradável e o blog apenas lamenta pelo Montalvas, sempre um querido por este espaço online e que ficou vivamente (e com razão) chateado com o ocorrido. De resto o show do Quarto Negro foi muito bom porque a banda é muito boa. Infelizmente a prepotência e a arrogância de alguns de seus músicos, que se acham “gênios” (sem serem) e que têm uma certa condição financeira, hã, confortável (por que será que, via de regra, quem possui estofo monetário se julga no direito de humilhar e menosprezar seus pares?), empalidece o bom trabalho musical do grupo.

 

Episódio semelhante rolou também na semana passada na casa noturna Beco, no baixo Augusta, quando o blog foi procurar ouvir ao vivo as canções do projeto “Agridoce”, integrado pela Srta. Pitty e por seu guitarrista, Martim. O autor deste blog sempre teve simpatia pela dupla e achava que essa simpatia era recíproca da parte deles. Não foi o que se viu por lá: todos tratando Zap’n’roll com uma prepotência de dar inveja a George Michael. Pior foi quando, após o show, o guitarrista Martim tocou Raconteurs em sua DJ set: o blog achou bacana e quis comentar com ele sobre o recente lançamento de um DVD da banda aqui no Brasil (pela ST2), com o registro de um show do grupo no festival de Montreaux, em 2008. Ao tentar mostrar o DVD para o músico o blog foi quase AGREDIDO fisicamente por um nóia escroto, que atende pela alcunha de Meia Pedra (vejam só o nível do sujeito) e que, segundo estas linhas zappers apuraram, trabalha como “auxiliar” de produção de dona Pitty e da banda Cachorro Grande. O figura não possui a mínima condição emocional e psicológica para exercer suas funções, tanto que também já arrumou confusão com um casal amigo do blog, os queridos Vandré Caldas (que é o sujeito mais pacífico do mundo) e Adriana Cristina, sócios do Simplão de Tudo Rock Bar em Paranapiacaba e onde vai rolar um bacaníssimo mini-festival de rock no próximo feriado de 7 de setembro, evento que está sendo co-produzido e apoiado por Zap’n’roll.

 

Em suma, é lamentável que tanto Pitty quanto o Cachorro Grande permitam que um tranqueira desse naipe trabalhe com eles. E mais lamentável ainda é se dar conta de que gente que anos atrás era tão humilde, simpática e generosa (Pitty, quando estava iniciando sua carreira musical, tocou na primeira edição do Dynamite Independente Festival, no Sesc Pompéia em 2003, evento produzido pelo autor deste blog. Seu “cachê” foi na base da “brodagem”: ela estava lançando seu primeiro disco e naquela época ganhou um generoso anúncio na edição impressa da revista Dynamite), tenha se tornado tão prepotente e tão “nariz empinado” e “salto alto”.

Os sensacionais Madame Saatan (acima) e The Baudelaires (abaixo, “cercando” Zap’n’roll em um bar em Belém, durante visita do blog à cidade, em agosto de 2011), ambos do Pará: dois ótimos exemplos de grande qualidade musical e rocker, aliada à humildade e simplicidade

 

 

O blog acha mesmo incrível como essa cena de merda que hoje representa o grosso da produção musical alternativa brasileira, está eivada de prepotência. Todos se acham “gênios”, todos se consideram “rockstars”. A maioria das bandas não é nem uma coisa muitos menos a outra. Conta-se nos DEDOS (o blog vai repetir: nos dedos) os grupos que possuem realmente uma obra ultra consistente ou, no mínimo, AUDÍVEL. E, dentre estas, novamente conta-se nos dedos aquelas que além de serem ótimas musicalmente, ainda possuem integrantes que encaram a arte de fazer música como algo seríssimo, responsável e um ofício que demanda SIM HUMILDADE, SIMPATIA E GENTILEZA para com o próximo (seja o próximo um jornalista, um simples ouvinte ou seja quem for). De que adianta o Vanguart, por exemplo, continuar com um ótimo trabalho se seu vocalista, Hélio Flanders, se julga o Bob Dylan brasileiro? (e o blog zapper tem culpa nisso, assume. Muita culpa…). Falta HUMILDADE e VERGONHA NA CARA nessa turma mequetrefe. Para efeito de comparação de cenas, épocas e situações: o jovem leitor zapper pode hoje achar que o grupo mineiro Skank é uma bela droga, cafona e mainstream. Ou considerar que bandas como Legião Urbana e Barão Vermelho já tiveram seu momento e hoje não signficam mais nada para o rock nacional. Pois bem: todos eles também foram INDEPENDENTES um dia. E todos eles se tornaram GIGANTES (em uma época em que o rock nacional conseguiu se tornar gigante dentro da mega indústria musical brasileira) graças a um trabalho artístico de altíssima qualidade – existe hoje nessa cena rock alternativa ridícula, inculta, burra, sem estofo cultural e intelectual algum e de MERDA fedorenta, algum poeta do calibre de um Renato Russo ou de um Cazuza? Pois é… e mesmo assim, se tornando gigantes em número de discos vendidos e do público que ia a seus shows Barão, Skank e Legião NUNCA perderam a humildade. O autor deste blog foi amigo próximo de Renato Russo durante algum tempo. JAMAIS foi destratado por ele. Pelo contrário: num dos últimos shows da história da Legião, diante de um ginásio do Ibirapuera LOTADO (com cerca de quinze mil pessoas lá dentro), Russo dedicou uma música ao autor deste blog (“Ainda É Cedo”). Barão Vermelho? Gutto Goffi, baterista e um dos fundadores da banda é amigão zapper até hoje. Skank? Estão ricos, nunca tocam em espaços com menos de dez mil pessoas (uma multidão para a qual as bandinhas toscas da indie scene brazuca atual jamais irão se apresentar) e, mesmo assim, Samuel Rosa, Lello, Henrique e Haroldo são quatro “manés” (no ótimo sentido do termo) tamanho o respeito, carinho e simpatia com que eles tratam seus fãs e amigos – inesquecível a cena do vocalista Samuel Rosa encontrando com Zap’n’roll numa premiação do VMB, anos atrás, e gritando: “Finatti! Você é o cara!!!”.

 

Enfim,  diante de tudo o que foi escrito, explicado, exposto e detalhado aqui a pergunta que não cala é: quem é essa ceninha escrotinha rocker de hoje, pra querer se achar genial, rockstar e ter o nariz empinado até a lua? Como bem frisa o produtor Ulysses Cristianinni, proprietário da Pisces Records: “um bando de babacas que não são merda nenhuma, que vivem enchendo o saco por divulgação e pra lançar seus discos e que no final se acham a última bolacha do pacote”. Bolacha velha, ruim e mofada, claro. Essa turma deveria aprender algumas lições de humildade e simpatia com o gigante U2, um dos maiores grupos de toda a história do rock. Afinal a arrogância ABAIXO de zero e a simpatia de Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen, já é lendária.

 

Ulysses também tem razão em sua declaração. Por isso, finalizando este tópico repetimos mais uma vez: o blog mais do que nunca vai seguir a lição de Lester Bangs (um jornalista que se tornou lenda ao demolir mitos como Elvis Presley ou Lou Reed): bandas, a partir de agora, são inimigas deste espaço. E serão tratadas como tal. Haverá poucas exceções nesse quadro – nomes como Los Porongas (uma dos DEZ MELHORES GRUPOS em atividade hoje no Brasil e cujos integrantes, além de serem irmãos de fé destas linhas online, ainda são um exemplo de total humildade), Madame Saatan, Doutor Jupter (outro quarteto GIGANTE na qualidade musical e também na SIMPLICIDADE de seus integrantes), Madrid (Adriano Cintra, que já foi popstar internacional quando tocava no CSS, também é outro exemplo de sujeito humilde e super boa praça), Coyotes California (esses moleques da zona leste paulistana ainda vão causar muita raiva em supostos “rockstarzinhos” cu de rola que pululam pelo baixo Augusta), Stereovitrola, Mini Box Lunar e Vila Vintém (todos lá do distante Amapá), Transmissor (de Minas Gerais), Veludo Branco e Mr. Jungle (de Roraima), Nicotines e Luneta Mágica (de Manaus), Baudelaires (de Belém), Cartolas (de Porto Alegre), O Sonso e o Jardim Das Horas (de Fortaleza) e mais alguns poucos são a exceção e continuarão sendo considerados como amigos queridos por este espaço virtual, pela qualidade de seu trabalho e pela humildade que seus integrantes demonstram ter no trato com as pessoas. O resto é o resto e Zap’n’roll quer que todos se fodam, de verdade. Ponto final.

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O SHOEGAZER 90’ ATACA EM SAMPA, NO ROCKERS NOISE FESTIVAL
A essa altura você, dileto leitor destas linhas bloggers rockers e sempre antenado nas movimentações da indie secene paulistana, já está sabendo do Rockers Noise Festival, que rola em outubro em Sampalândia – e também, talvez, no Rio De Janeiro. Organizado pela produtora homônima, o Rockers vai trazer ao Brasil duas lendas do indie guitar shoegazer britânico dos anos 90’, os grupos Gallon Drunk e The Telescopes – estes últimos chegaram a ter uma coletânea lançada aqui há uma década, pelo heróico agitador carioca Rodrigo Lariú. E sendo que no evento também irão tocar grupos essenciais da cena guitar da capital paulista, como o já histórico The Concept e o Twinpines.

 

O blogão zapper ficou sabendo do festival há semanas, quando o produtor Neo Distortion (um dos organizadores da parada), ex-músico do saudoso Starfish100 e brother destas linhas online, começou a pilhar o sujeito aqui pelo faceboquete: “Finatti, você vai cair de costas quando souber o que vamos fazer em outubro e bla bla blá”. Zap’n’roll ficou de fato maluco quando soube da história (quantas madrugadas o autor deste blog passou no extinto e célebre Espaço Retrô, chapado de álcool e cocaine, e dançando desvairadamente ao som de Telescopes…) e combinou uma entrevista sobre o festival com o Neo. O bate-papo rolou suave e quando ia ser publicado aqui… pimba: o notebook saiu de combate e foi pro conserto. Aí outros blogs de rock alternativo foram divulgando o assunto e agora ele já é de domínio público.

 

Porém, a entrevista com Neo ficou tão bacana que ela entra finalmente hoje, no post que marca o retorno destas linhas à blogosfera brazuca de cultura pop. E sendo que de lá pra cá houve mudanças no festival: ele saiu do Santana Hall, onde seria realizado inicialmente, e vai para uma casa chamada Victory, na zona leste paulistana. Mais você fica sabendo lendo aí embaixo o bate-papo que o blog realizou com o Neo:

Os ingleses do Gallon Drunk: ao vivo em Sampa em outubro, pra alegria da confraria shoegazer noventista 

 

Zap’n’roll – Como surgiu a idéia do festival e como foram os contatos para trazer as bandas? Pra quem não conhece você, dê um resumo rápido de sua trajetória como músico e produtor na cena indie paulistana.

 

Neo Distortion –  A idéia do festival surgiu há muito tempo, só nao tínhamos dinheiro pra fazer isso. Depois que saí do Starfish100 [grupo indie guitar paulistano bastante cultuado no início dos anos 2000] reparei que as bandas estavam travadas nessa cena de acesso ao circuito internacional, pois alguns vícios da indústria exigem uma estrutura financeira que muitas bandas não têm pra seguir adiante. Temos na cena bandas como o The Concept, Twinpines e a mais nova de todas Set The Settings, que não estão mais com fôlego de continuar nessas condições de baixos cachês e outras coisas mais que não pegaria bem dizer agora. Mas a partir da minha banda (a Set The Settings) resolvemos resgatar as bandas que estao aí há anos e sem estrutura e montamos nossa produtora, a Rockers. Pra quem não me conhece, sou produtor há 15 anos, sou radialista e ja fiz alguns trabalhos como fotógrafo pro cinema independente. Fiquei anos fazendo festas em lugares que nao quero citar, porque não me valorizaram. Os contatos com as bandas foram super fáceis, até porque eu conto com uma equipe que conhece de musica, como o Renato Malizia, Plínio César Batista, que representaram a Rockers ao contatar as bandas. A nossa intenção é resgatar as bandas e importar e exportar como um grande intercâmbio musical. Juntos na Rockers estão três sócios: Franco Milane ( produtor musical, músico da banda Set the settings), Tatiana Vieira (produtora executiva) e eu. A Rockers é uma produtora que trabalha com vídeo, cinema, música, gravações, ensaios, skate, e temos um projeto social que abrigará atividades diárias para criancas, jovens e terceira idade, dando oficinas e exibições de filmes e teatro amador. Com grandes tentáculos a Rockers vem sendo puxada pelo nosso primeiro evento, o Rockers noise festival.

 

Zap – Bacana. E qual a expectativa para os shows, em termos de público, faixa etária? Na sua visão será um autêntico “baile da saudade indie 90’” para um pessoal trintão, ou nomes como Telescopes e Gallon Drunk também poderão atrair uma molecada mais nova e ligada em atrações como o Best Coast, que estará uma semana antes no festival Planeta Terra?

 

Neo – Bom, seria um grande baile da saudade pros trintões que curtiram os anos 90. Existe uma cultura de esquecimento nesse ramo, e nós temos a intenção de não deixar pra trás artistas tão importantes como esses que estamos trazendo. Em relação a molecada, nós temos a intenção de mostrar essas bandas porque eles ouvem coisas que têm como base essas bandas que estamos trazendo mas nunca ouviram, eles mal sabem de onde vem esse ritmo new indie de hoje. Resgatando a raíz acho que vamos dar uma boa clareada, com certeza os que prestarem atenção não vão pensar duas vezes antes de ir no festival e vão sair ganhando ao conhecer bandas tão importantes. Agora em relação aos trinões, grande baile da saudade mesmo! Se você já não tem mais aquele cabelo shoegazer e é careca agora não tem problema, realmente a geração dos anos 90 que caía na calçada e pulava ouvindo essas bandas, em outubro vai poder relembrar momentos inesquecíveis.

 

Zap – E por que a escolha de um local como o Santana Hall, na zona norte paulistana, para a realização dos shows, ao invés de um tradicional ponto rocker como os que existem no baixo Augusta, por exemplo?

 

Neo – Bom, por praticidade da estrutura que nos ofereceram, e porque queríamos um lugar diferente, uma vez que estamos tentando sair da Augusta como músicos, não seria muito legal tocar pela milésima vez lá, estamos cansados desse circuito. O festival vai ser no dia 30 no Santana hall e dia 31 numa casa menor com capacidade para mil pessoas, mas ainda não vamos divulgar, e teremos um terceiro show provavelmente no Rio de Janeiro, estamos acertando detalhes. O preco do ingresso vai variar de 100 a 200 reais sendo o primeiro lote mais em conta.

 

Zap – Ok. Pra encerrar: alguma curiosidade sobre a contratação das bandas? É verdade que os Telescopes, mesmo tiozões já ainda estão no gás e fizeram alguns pedidos, hã, “bizarros”, pra vir tocar? Quais foram esses pedidos?

 

Neo – Então, eu achei que os pedidos bizarros viriam do Motorama, porque são jovens e tal, mas quem realmente tá a fim de festa à moda antiga sao os caras do Telescopes. Querem festa, luxúria e muita diversão, rsrs. O restante fica na imaginação de vocês (nota do blog: leia-se devastações etílicas e nasais e putarias xoxotescas, uia!), rsrs.

 

* Última forma! (e o Neo vai matar o sujeito aqui por estar divulgando isso, hihi). Se tudo der muito certo com a primeira edição do Rockers Noise Fest, a produtora do evento já agendou uma segunda edição para o começo de 2013. E que vai trazer até nós “apenas” a lenda… Wedding Present! Wow!! Vamos torcer!!!

 

* E os ingressos pro Rockers Noise começam a ser vendidos AMANHÃ (sabadão em si), nos seguintes locais: Loja Fock | Telefone: 11 3898 2898/3061-3769 –  Galeria Ouro FinoRua Augusta 2690 – Térreo – Loja 111, Jardins São Paulo. Locomotiva Discos | Telefone: 11 3257 5938, Galeria Nova Barão: Rua Barão de Itapetininga 37, Loja 51 (rua alta) entrada também pela Rua sete de abril, 157, Metrô Anhangabaú / Republica. Hoteltee’s | Telefone: 11 3081 4426, rua Matias Aires 78, Baixo Augusta.

 

* E claaaaaro que você, sempre naquela irremediável pindaíba, está já bem loko pra ir no Rockers Noise mas não tem dindim pra adquirir seu ticket, certo? Pois então vai aí embaixo no final do post, que o blog talvez resolva seu problema, hihi.

 

POR QUE BLOC PARTY E DARKNESS NÃO DESISTEM E PEDEM PRA SAIR?
São duas das piores (de)formações surgidas no rock inglês de uma década pra cá. The Darkness, todo mundo sabe, é aquele grotesto horror parido em 2000 e que reeditava os piores e mais pavorosos clichês do hard poser rock americano. Cafona e histriônico ao extremo, o grupo liderado pelo breguíssimo vocalista Justin Hawkins estourou com o seu álbum de estréia, “Permission To Land”, editado em 2003 e que vendeu milhões de cópias – isso em uma época em que ainda se vendiam CDs no mundo. Como a piada era de péssimo gosto, a queda brutal veio no segundo disco, lançado dois anos depois e que não vendeu porra nenhuma.

 

Pior é o caso do indie guitar Bloc Party. Surgido na furiosa cena indie Londrina de 2003 e contando com um vocalista que, além de negro, era (e é) gay assumido, o BP lançou um fodástico disco de estréia em 2005, o ótimo “Silent Alarm”. Depois, com o ego inflado e descontrolado veio a queda: os dois trabalhos seguintes ficaram muito aquém do primeiro álbum, em termos de qualidade e impacto musical. Pra completar a banda passou vergonha em terras brazucas, ao fazer playback (!!!) durante sua apresentação numa das festas de premiação do VMB. Parecia o fim da linha para a banda.

The Darkness (acima) e Bloc Party (abaixo): duas tranqueiras do rock inglês dos anos 2000 que deveriam sumir de circulação 

Só que tanto Darkness quanto Bloc Party estão aí, com seus novos trabalhos. O novo álbum do metal farofa inglês se chama “Hot Cakes” e será lançado oficialmente na próxima segunda-feira, 20 de agosto. Já o Bloc Party solta “Four” também na próxima segundona.

 

Zap’n’roll, na boa, não está com a menor vontade de ouvir os dois CDs. Já viu/ouviu sim os singles de trabalho de cada um. E a conclusão depois da audição é inevitável: ambas as bandas deveriam desaperecer de circulação de uma vez por todas.

 

Veja (se é que você ainda não viu) os vídeos das duas músicas aí embaixo e diga se estas linhas rockers, hã, severas (uia!) não estão com a razão.

The Darkness – “Everybody Have A Good Time

 

Bloc Party – “Octopus”

 

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A LUNETA MÁGICA, MAIS UMA INCRÍVEL DESCOBERTA ZAPPER, FAZ PSICODELIA FODONA E BELÍSSIMA NO MEIO DA FLORESTA
Manaus, capital do Amazonas, tem realmente uma cena indie rocker incrível, ao que parece. O blog não conhece a cidade ainda (só passou por lá de avião algumas vezes, a caminho de Boa Vista, e pretende de fato dar uma passeada na cidade agora em setembro), mas já teve contato com algumas bandas bem bacanas de lá, como a Tetris (existe ainda?) e o ótimo Mezzatrio (a mesma pergunta: ainda estão na ativa?), uma autêntica orquestra de guitarras que Zap’n’roll teve o privilégio de assistir ao vivo alguns anos atrás, no festival Varadouro (em Rio Branco, no Acre). Mas nada se compara ao desvairio que tomou conta do sujeito que digita estas linhas quando ele começou a ouvir, nos últimos dias, o disco de estréia do trio A Luneta Mágica – que na verdade foi apresentado ao blog por uma amiga do grupo, uma espécie de “quarto integrante” honorário do conjunto, a linda e meiga Karla Sanches.

 

Pois então: enquanto a maioria dos grupos indies paulistanos cospe arrogância e se compraz em produzir autêntica vergonha alheia travestida de música, a Luneta Mágica mergulha fundo na música em seu estado mais sublime de arte – e não há exagero algum nessa afirmação, muito pelo contrário: causa enorme espanto (o mesmo espanto que atordoou estas linhas online quando ela descobriu o Vanguart em Cuiabá, em 2005, ou conheceu a Mini Box Lunar em Macapá, em 2009) se dar conta de que uma banda assim surgiu em Manaus. E não há nenhum viés preconceituoso nesse espanto. Yep, porque é sabido que apesar de ter uma cena rock alternativa, a capital amazonense é certamente dominada pela música regional e pelos ritmos mais populares da Região Norte.

 

E a Luneta Mágica não tem absolutamente nada a ver com isso. O álbum de estréia da banda, que foi lançado há pouco na web (sim, hoje em dia quase não há mais lançamentos em plataforma física entre os grupos independentes; tudo é jogado na internet, com direito a muito lixo, sendo que de vez em nunca surge uma pérola precioso no lodo, como é o caso aqui), tem dez faixas e é um escândalo delirante de canções sublimes, com ambiências melódicas eivadas de psicodelia. Formado por Pablo Araújo (vocais, guitarras, violões), (baixo, guitarra, teclados, percussão, vocais) e Chico Só (guitarras, violões, e baixo), o LM é mix improvável de Beatles (fase beeeem psicodélica dos Fab Four), rock bucólico e pastoral, algo de Los Hermanos (algo, apenas) e deambulações por folk combinado com ruídos e percussão eletrônica – sim, há bateria acústica no disco (tocada pelo músico convidado Eron Oliveira) mas ela não é preponderante na construção rítmica das faixas. Há também – vejam só – um naipe de cordas (violino e violoncelo, ambos tocados também por músicos convidados), e tudo isso resulta na trilha sonora dionisíaca e dos deuses, música para você entorpecer a alma e o cérebro com as mais diáfanas e prazerosas doses de vinho, ácido ou maconha.

O sensacional trio A Luneta Mágica, de Manaus (acima) e seu disco de estréia (capa, abaixo): já tem o voto do blog como melhor lançamento do indie rock BR de 2012

Não é brincadeira: os vocais dolentes e sobrepostos, as letras abstratas (“Vem, ainda somos os mesmos/Gênios embriagados/Esperando o sol nascente/Loucos pela noite inteira/Amanhã vai ser/O melhor dia da sua vida”, em “O vento e as árvores”), o bucolismo e a plenitude sônica que se encerra em canções lindíssimas (“Astronauta”, “Não acredito”, “Aqui nunca nasceram heróis”), o torpor alucinógeno que domina trecho de outras (como a repetição quase mântrica da frase “cinco bolas de sorvete por apenas um real”, no final da música que tem o mesmo título) e, por fim, o fortíssimo apelo radiofônico e pop de mais algumas (fato raríssimo e que as bandinhas escrotas da atual cena indie nacional dão a mãe pra conseguir e não conseguem: unir altíssima qualidade musical com apelo pop e radiofônico), como “Largo São Sebastião” (uma música que, se houvesse justiça nesse país, estaria tocando em disaparada nas nossas medíocres redes de rádio, ainda incrivelmente movidas a jabá em plena era da web), fazem da Luneta Mágica a GRANDE banda nova da indie scene nacional em 2012.

 

Acha que o blog exagerou? Pois vá em http://lunetamagica.bandcamp.com/ , e ouça você mesmo. Já tem o voto dessas linhas bloggers para o – até o momento – melhor disco de rock nacional deste ano.

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA
* Disco: “Amanhã vai ser o melhor dia da sua vida”, a estréia do trio manauara A Luneta Mágica. Não tem pra mais ninguém na indie scene nacional nesse momento.

 

* DVD: a ST2 acabou de mandar pras lojas “Kasabian live at the o2”. Gravado na casa de shows homônima da capital inglesa em 15 de novembro do ano passado, mostra o quarteto em um dos shows da turnê do fodástico disco “Velociraptor!”, que eles lançaram no ano passado e que é um dos álbuns preferidos destas linhas online nos anos 2000. Dá bem pra ter uma dimensão da gig que veremos possivelmente aqui em outubro, no festival Planeta Terra, em Sampa. Ainda mais que o DVD vem acompanhado de um cd com áudio do mesmo show. Coisa fina, afinal o Kassabian é ótimo.

 

* Livros: a editora paulistana Madras continua lançando livros bacanudos que contam boa parte da emocionante história do rock’n’roll que todos nós amamos. Agora mesmo ela mandou pras livrarias mais dois volumes: “The New York Dolls – do glitter ao caos”, e “Encurralados – os Stones no banco dos réus”. O primeiro é uma boa biografia das “Bonecas de Nova York”, registrando a trajetória bem loka e putanhesca do grupo que na verdade foi o maior inspirador do punk que iria explodir nas ruas de Londres em 1975. E o tomo (ops!) dedicado às Pedras Rolantes esmiúça o célebre inquérito policial que levou Jagger e Richards pra trás das grades (por alguns dias apenas, felizmente) em 1967, por causa de uma “festinha” que Richards promoveu certa vez em sua casa – e onde rolou de tudo, claaaaaro, até a polícia chegar pra acabar com a fodelança movida a trepadas e dorgas. Interessou? Vai lá, pra mais infos: WWW.madras.com.br .

Os livros sobre os New York Dolls (acima) e Stones (abaixo): mais dois bons lançamentos da editora Madras

 

* Baladas? Não é porque o post do blogão está sendo finalizado na madruga de segunda pra terça-feira que elas não estão aqui, hehe. Indo então direto ao ponto: na próxima quinta-feira, 23/8, rola mais uma edição da festa rocker promovida pelo chapa Bruno Montalvão lá no StudioSP da Vila Madalena (na rua Inácio Pereira da Rocha, 170, zona oeste de Sampa). Vai ter show dos sensacionais Los Porongas (que arrasaram na última sexta-feira em seu retorno aos palcos paulistanos, lá no Quintal 251, também na Vila Madalena) e também do The Baggios, nova aposta do Montalvas na indie scene BR. Fikadika pra uma noitada rocker pra lá de recomendada, sendo que no próximo post (na próxima sexta-feira) colocamos aqui o roteiro completo pro finde em si. Mas apenas dando um toque desde já: vai ter showzaço de lançamento do primeiro disco do Coyotes Califórnia na Outs (lá no baixo Augusta), no próximo dia 31 de agosto. E no feriadão do 7 de setembro: primeiro Independence Rock Festival no Simplão de Tudo Rock Bar, em Paranapiacaba. Uma co-produção de Zap’n’roll que vai contar com shows do Coyotes, do grande Doutor Jupter e de várias outras bandas legais de Sampa. Se preparem porque vai se um autêntico micro Woodstock, no meio do mato com bebidas, liberdade, xoxotas em profusão, discotecagem do blog e ótimo rock’n’roll. Capicce?

 

 

TICKETS PRO ROCKERS NOISE FESTIVAL – VEM QUE TEM!
E não? A promo foi posta no ar anteontem e um enxame de pedidos já invadiu o hfinatti@gmail.com . Então não perca tempo e corra lá, que estão em disputa sangrenta:

 

* DOIS PARES DE INGRESSOS pro Rockers Noise Festival, que rola dia 31 de outubro em Sampa, na casa noturna Victory (em frente à estação Penha do metrô, na zona leste paulistana), com showzaços do The Telescopes e Gallon Drunk, e muito mais. Tá dentro? Então boa sorte!

 

 

AGORA, FINDE MESMO!
Postão como o povo gosta, no? Após três semanas de descanso “forçado”, tínhamos que voltar no gás, néan? E guentem só mais um pouco que na próxima sextona tem mais aqui, sempre no blog onde tudo acontece e tudo se comenta em termos de rock alternativo e cultura pop. Até lá então!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 20/8/2012, às 3hs.)