AMPLIAÇÃO FINAL! Contando como foi o show do Gang Of Four no Sesc Pompeia, em Sampa! – Nos quinze anos do blog zapper continuamos publicando posts comemorativos como este, em que destacamos as três décadas do lançamento (celebrados esta semana) de um dos discos mais importantes e clássicos do rock mundial nos anos 80: o álbum “Green”, do gigante, saudoso e inesquecível REM; quem também chega aos trinta anos de existência e lançando um bacanudo novo álbum é o Smashing Pumpkins; mais: os vinte anos do Grind, a domingueira rock mais lendária e bombada do Brasil (e que recebe nesse domingo dj set do blog zapper, “bebemorando” mais um niver do jornalista ainda loker e eternamente rocker!) e o fechamento (infelizmente) do bar e teatro Cemitério de Automóveis e também (novamente) do clássico Matrix Rock Bar; análises sombrias do que aguarda todo o país a partir de 1 de janeiro de 2019, com a chegada ao poder de um presidente e de um governo fascista, autoritário, conservador e de extrema direita; e enquanto o reacionário, troglodita e boçal moralismo ultra conservador e hipócrita (que já saiu do armário) não avança sobre nós com tudo e com sangue nos olhos e faca entre os dentes, presenteamos nosso sempre dileto leitorado macho (cado) com uma musa rocker absolutamente e divinamente abusada, tesuda, transgressiva e subversiva ao máximo: a gataça, filósofa, escritora e nada pudica, recatada e de lar nenhum, Sue Nhamandu Vieira. Aproveitem e deleitem-se com as imagens total nudes deste mulherão enquanto isso ainda é possível! (postão MEGA finalmente concluído em 1/12/2018)

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2018 celebra os trinta anos de existência de um dos maiores nomes do rock mundial (ou do que resta dele): o americano Smashing Pumpkins (acima, reunido no estúdio este ano com sua formação quase original) retorna com um bom disco inédito, após quatro anos longe dos estúdios; já o inesquecível e também americano REM (abaixo, com sua formação original, em imagem de 1988) tem seu clássico álbum “Green” relembrado neste post por ocasião do seu trigésimo aniversário, em textos do próprio blog e do convidado especial Léo Rocha

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E MAAAAAIS MICROFONIA SUPER EXTRA! – SALVEM A DATA! FINASKI NESTA QUINTA-FEIRA MEIA NOITE NO “NASI NOITE ADENTRO” (CANAL BRASIL), FALANDO DE SEU LIVRO EM “O ESTRANHO MUNDO DE HUMBERTO FINATTI”

 

Yes. Custou mas finalmente vai ao ar. Gravado em janeiro deste ano numa agradabilíssima noite de segunda-feira no antigo endereço da sempre bacanuda Sensorial Discos SP, a entrevista que concedemos para o amigo de décadas, vocalista do Ira! e queridão Nasi será finalmente exibida no “Nasi noite adentro” desta quinta-feira, 6 de dezembro, à meia noite, no Canal Brasil (canal 150 na tv Net). O bate-papo, claro, girou em torno do nosso então recém lançado livro, “Escadaria para o inferno”.

Nem o blog mesmo sabe como ficou o resultado final, rsrs. Afinal não vimos o programa editado. Mas o papo foi ótimo e tanto Finaski quanto ele ficaram “trêbados” de tanto vinho (ótimo, diga-se) que tomamos, ahahahaha.

 

Contamos com a audiência dos nossos leitores. E depois digam o que acharam, claro!

 

(sendo que as fotos deste tópico, inéditas, foram tiradas diretamente das gravações do programa)

 

O quê: entrevista de Finaski para o programa Nasi noite adentro.

 

Título do programa: “O ESTRANHO MUNDO de Humberto Finatti” (ahahahaha, a risada é por nossa conta)

 

Quando: nesta quinta-feira, 6 de dezembro, meia noite.

 

Onde: no Canal Brasil (150 na tv Net)

 

Apresentação: Nasi. Direção: André Barcinski. Co-direção: Rogério Lacanna (a quem agradecemos pelas imagens deste post)

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O jornalista zapper rocker e seu amigo Nasi, vocalista do grupo Ira!: bate-papo entre ambos hoje à noite no programa “Nasi noite adentro”, no Canal Brasil

 

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MAIS MICROFONIA: GANG OF FOUR NO SESC POMPEIA – SP, 23/11/2018

 

Então foi isso: o blog esperou mais de uma década para conseguir ver a “Camarilha dos quatro” ao vivo (em 2006, no festival Campari rock, que rolou em Atibaia, próximo à capital paulista, mesmo estando credenciado o jornalista sempre atrasildo chegou atrasado o suficiente para perder todo o set dos ingleses lendários do pós-punk dos anos 80’). E finalmente lá foi Zapnroll na última sexta-feira (23 de dezembro) para a choperia do Sesc Pompeia, conferir a última gig deles em Sampa – a primeira havia sido na quinta-feira e, assim como ontem, esgotou os ingressos e lotou o local.

E no final das contas, a performance do grupo foi apenas… razoável. A parada já não começou muito bem na noite de sexta: Andy Gill (guitarrista, fundador e único membro original da banda ainda nela) subiu ao palco com ALGUM problema na sua guitarra. O músico demonstrou visível irritação quando simplesmente jogou com quase fúria seu instrumento no chão, e ficou encarando o público de braços abertos. A plateia achou que se tratava de algum “chilique” de rockstar para iniciar com ímpeto a apresentação e aplaudiu (alguns gritaram) em aprovação. Mas não era nada disso e quem observou atentamente (como o sujeito aqui) sacou que havia algo errado, sendo que um dos roadies se apressava em aprontar outra guitarra para o loiro e que FUNCIONASSE a contento.

Até que o show começou finalmente. Foi beeeeem mais ou menos até a metade pelo menos. Na verdade quem deveria ser a estrela e ter brilhado no palco seria Andy Gill, autor da maioria do repertório do GOF, inclusos aí os clássicos punk dançantes do conjunto. Mas quem DE FATO roubou a cena quase o tempo todo foi o negão Thomas McNeice, um baixista do inferno que literalmente destruiu com suas linhas pesadas e matadoras, todas tiradas na base da palhetada. Gill foi “apenas” (vamos dizer assim) o ótimo guitarrista que sempre foi, mas sem arroubos de genialidade. O baterista Tobias Humble foi apenas correto. E o vocalista John Sterry (que o velho chapa e ex-vj da MTV Thunderbird, presente ao show, achou que ele se parece com Peter Murphy, quando o ex-vocalista dos Bauhaus era uma bicha loka novinha e bonitinha) bem que tentou se esforçar: instigava o público, rebolava, pulava, dançava etc. Mas é irremediavelmente FRACO, ainda mais se lembrarmos que esses caras tiveram um Jon King nos vocais.

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Os ingleses do Gang Of Four no palco da choperia do Sesc Pompeia, na capital paulista, na última sexta-feira (23 de dezembro): a gig foi apenas razoável, e quem brilhou mesmo e roubou o show foi o baixista

 

Set list? Tocaram de tudo um pouco e fizeram um bom apanhado da trajetória deles. Claro, o povo que lotou a choperia (muitos velhões e velhonas na faixa dos 40/50 anos, como este jornalista ainda rocker mas já “tiozão” sem pudor e problema algum; mas também havia uma pirralhada mais jovem, incluso aí muitas xoxotinhas tesudas com cabelos descoloridos, tattoos e tetas QUASE à mostra, afinal estava bem quente na choperia, e todos com t-shirts de bandas ícones do pré e pós punk, como Television e Joy Division, sendo que o zapper vestia a sua do Clash, uma das eternas cinco bandas da nossa vida) só enlouqueceu mesmo quando o GOF disparou seus dois grandes hits (dentro do que se pode considerar “hit” no caso deles e no rock alternativo), “Damaged Goods” e “I Love A Man In A Uniform” (sendo que essa Andy Gill bem poderia tê-la dedicado ao futuro presidente nazi fascista brasileiro e a quase todos os 55 milhões de OTÁRIOS, BOÇAIS e IMBECIS e completos selvagens que votaram nele). Mas aí já era um pouco tarde para virar o jogo totalmente, ainda que o bis tenha sido empolgante a ponto de conseguir fazer todo mundo dançar.

Para quem esperou tanto tempo e esperava mais em termos de performance, o Gang Of Four ficou devendo. Como não deverão mais voltar aqui (nesse país fodido, falido e agora mergulhado em trevas medievais culturais profundas a partir de 2019), vamos ter que ficar com esse registro mesmo em nossa memória de jornalista musical.

 

***O set list da gig do GOF, no Sesc:

 

Anthrax

Where The Nightingale Sings

Not Great Men

Isle of Dogs

Toreador

Paralysed

I Parade Myself

What We All Want

Natural’s Not In It

Lucky

Damaged Goods

Do As I Say

I Love a Man in a Uniform

Why Theory?

At Home He’s a Tourist

To Hell With Poverty

 

Bis:

Return the Gift

Ether

I Found That Essence Rare

 

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MICROFONIA (reverberando a cultura pop em todas as suas múltiplas facetas)

 

***Okays, o novo post demorou mesmo desta vez para sair. Mas cá estamos, com zilhões de assuntos pendentes e para serem colocados em dia. Fora que este é o penúltimo postão do blog em 2018 e talvez em sua história, fechando um ciclo que já dura quinze anos – muito bem sucedidos, diga-se. A partir de 2019 este espaço deverá continuar presente na blogosfera brasileira de cultura pop mas apenas para divulgar EVENTOS ESPECIAIS com a marca Zapnroll, como festas e noites com o nome do blog e que serão prioritariamente realizadas em unidades do Sesc da capital paulista, reeditando o sucesso que foi a comemoração do nosso décimo quinto aniversário mês passado, na unidade Belenzinho, na zona leste de Sampa. Mas sobre isso daremos mais e melhores detalhes em nosso último post deste ano, beleusma?

 

***E falando em festas, essa bacanuda e celebrando o niver do nosso querido brother carioca Kleber Tuma, rola mês que vem (dia 22, pertinho do natal) no Rio De Janeiro. Noitona pós-punk anos 80 pra nenhum gótico do Rio MEDO De Janeiro reclamar, hihi. Com especiais do Echo & The Bunnymen e Joy Division, além de Finaski como dj convidado, wow! Se você mora no balneário ou se estiver de bobeira por lá no dia, já sabe pra onde ir pra dançar até cair! Tudo sobre a baladadona aqui: https://www.facebook.com/events/293078024871304/.

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***“BOHEMIAN RHAPSODY”, O FILME, É SENSACIONAL E FEZ FINASKI CHORAR! – a cinebiografia do Freddie Mercury, que se eternizou na história do rock e da música mundial como o vocalista do inesquecível Queen, é um filmaço! Com alguns defeitos, isso é inegável. Um dramalhão quase mexicano, só que muito bem produzido e roteirizado? Sem dúvida. Passa muito superficialmente por diversos momentos da trajetória do grupo? Também, e nem tinha como ser diferente, afinal estão condensados em duas horas de filmagem uma história de mais de 20 anos. Comete equívocos cronológicos grosseiros? Sim, e talvez esta tenha sido a principal “escorregada no tomate” do longa, que mostra o show do Queen em janeiro de 1985, na primeira edição do Rock In Rio, absolutamente fora do tempo correto. Naquela época Freddie já ostentava seu visual que o acompanhou até sua morte em 1991, com cabelo curtíssimo e bigodão. No filme, na gig no Rio, ele ainda aparece de cabelos compridos e sem bigode. Fora que DEPOIS da apresentação no festival carioca a banda é mostrada criando o clássico “We Will Rock You” – que na verdade abre o álbum “News Of The World”, lançado 8 anos antes (!), em 1977. Mas nada disso tira o prazer gigantesco de assistir o filme. Os atores que vivem os quatro integrantes do conjunto não poderiam ter sido melhor escolhidos. E a cada avanço e ascensão na jornada do quarteto, a plateia fica extasiada de verdade. Como quando é mostrado como eles criaram o HINO que dá título ao longa, uma das obras-primas de toda a história do rock mundial e que a gravadora não queria lançar como single de trabalho de forma alguma por causa da longa duração da canção (uns 6 minutos). O Queen bateu o pé para que “Bhoemian…” fosse o primeiro single do clássico e sensacional LP “A Night At The Opera” (lançado em 1975) e deu no que deu: a faixa estourou nas rádios inglesas e foi parar no topo das paradas. O final então é mega emocionante e de arrepiar, quando a banda se reúne para tocar no Live Aid, concerto monstro organizado em 1985 e que reuniu os maiores nomes do rock mundial de então, para um show beneficente que visava arrecadar fundos para as vítimas da fome na África. O evento entrou para a história da música, e no palco do estádio de Wembley o Queen mostrou mais uma vez porque era a RAINHA máxima do rock. O filme acaba ali e não foca nos anos finais da vida de Freddie, que seria derrotado pela Aids seis anos depois, quando tinha 45 de idade. Mas mostra (ainda que de forma sutil e discreta) como ele se descobriu gay ao longo da sua vida, após namorar seis anos com Mary Austin e terminar sua vida ao lado do companheiro Jim Hutton. Tanto Mary como Jim herdaram a maior parte da fortuna deixada por Mercury. E vendo o filme, um OUTRO FILME passou diante dos nossos olhos. O blog se lembrou de como amava o Queen na nossa pós-adolescência, dos LPs que tínhamos deles (tivemos durante anos meia dúzia de discos do grupo, em suas edições originais com capas duplas, e não parávamos de escutá-los) e dos DOIS SHOWS que vimos da banda, em março de 1981 no estádio do Morumbi em Sampa, e depois em 1985 no primeiro Rock In Rio. Zapnroll foi sozinho em ambos, graças ao “apoio” financeiro da saudosa mama Janet, que superprotegia o jovem Finas e pagou os ingressos nas duas vezes sob protestos irados, pois ela morria de medo de que seu filho fosse sozinho naquela idade (18 anos no primeiro show; 22 no segundo) num “tumulto” musical e rocker onde estariam milhares de pessoas. Mas que loko: ela mesma AMAVA o Queen e por isso deixou o jovem Finaski ir às duas gigs. No final das contas, “Bohemian Rhapsody” nos mostra o que todos nós já sabemos há bastante tempo: nunca mais haverá na história da música bandas como o Queen ou vocalistas fodásticos como Freddie Mercury. O rock morreu, já está no museu e a música pop de hoje (assim como a própria cultura pop em si) se tornou completamente anêmica, irrelevante, ignorante. Burra como são estes tempos da internet. Estúpida como são os próprios ouvintes de música de hoje em dia. De modos que, se temos alguma felicidade por estar com quase 5.6 nas costas, é por saber que conseguimos viver, ouvir e ver tudo aquilo de perto, ao vivo. As últimas fases de uma história emocionante, empolgante e fantástica, chamada rocknroll. Uma história que não mais irá se repetir. Nunca mais. E sim, o zapper CHOROU nos minutos finais do filme, viu mozão André Pomba (rsrs). E ao final do filme a sala inteira do Belas Artes (que não lotou mas estava bem cheia) APLAUDIU e deu URROS de satisfação. E não teve (felizmente) bolsominion retardado, boçal e imbecil para vaiar o personagem de Freddie Mercury quando ele começou a beijar homens na boca e descobriu que, sim, o ser humano tem que ser FELIZ NO AMOR COM QUEM ELE BEM ENTENDER e com quem o faz se sentir amado, acolhido, carinhado e respeitado, e não com quem a sociedade careta e moralista hipócrita quer determinar. Valeu Queen e Freddie Mercury, por ter tornado grande parte da nossa vida menos ordinária e menos cinza também.

 

 

*** HORA DE JOGAR A TOALHA, ACEITAR A DERROTA TRÁGICA PARA A DEMOCRACIA E A PARTIR DE AGORA FAZER OPOSIÇÃO SÉRIA, HONESTA, CORAJOSA E GIGANTE FRENTE AO NAZI FASCISMO AUTORITÁRIO QUE VEM AÍ – Sim, não há o que fazer. Lutamos todos como GAROTOS e GAROTAS, mas a onda nazi fascista ultra conservadora de extrema direita que VARREU a sociedade selvagem e o eleitorado bestial brasileiro foi mais forte do que nós. E nesse momento sentimos mais VERGONHA DO QUE NUNCA de ser brasileiro. Mas não iremos desistir de nossa luta por democracia e liberdade. E achamos que NINGUÉM que está do nosso lado irá desistir. Sim, a partir de agora seremos todos outsiders novamente. OPOSIÇÃO seríssima e forte contra o senso comum BOÇAL que elegeu um presidente autoritário, truculento, irracional e amante da tortura e da ditadura militar. Exatamente como há quase 40 anos quando foi fundado, o PT volta a ser oposição contra o conservadorismo medieval político e social. E assim sendo terá chance de reavaliar sua postura e fazer a auto-crítica necessária aos seus erros. Mas sobretudo estaremos na oposição e na luta incansável por um Brasil menos horrível do que se prenuncia pelos próximos 4 anos. Jamais iremos nos arrepender do voto que demos para Fernando Haddad. Valeu, professor! Você também LUTOU COMO UM GAROTO. E seguiremos todos ao seu lado! E todos os que votaram nesse TRASTE Jairzinho bolsa de cocô vão se arrepender AMARGAMENTE e muito em breve. Vamos todos pagar muito caro por esse desastre (muitos até com a vida, talvez), mas esse MONSTRO será TOTALMENTE DESCONSTRUÍDO em tempo recorde. E aí vamos ver quem irá ter CORAGEM de assumir que ajudou a AFUNDAR de vez o Brasil.

 

***E só pra não esquecer, sendo que nunca foi tão necessário ter uma gig dessas nesse momento no Brasil: logo menos à noite, na choperia do Sesc Pompeia, rola o segundo show dos ingleses do Gang Of Four, um dos grupos mais politizados e esquerdistas da história do pós punk inglês dos anos 80. Os ingressos estão esgotados (ontem também se esgotaram) mas o blog estará presente e depois conta aqui nesse mesmo post como foi a apresentação, pode ficar sussa.

 

***Bien, mais notas e novidades poderão pintar aqui na Microfonia a qualquer momento e ao longo da próxima semana, já que o postão está entrando no ar na sexta-feira e seguirá como sempre em enorme construção. Mas vamos em frente aí embaixo, falando da volta dos Smashing Pumpkins e também dos trinta anos do mega clássico álbum “Green”, lançado pelo gigante inesquecível que foi o REM. Bora!

 

 

AOS TRINTA ANOS DE EXISTÊNCIA O SMASHING PUMPKINS RETORNA COM SUA FORMAÇÃO QUASE ORIGINAL – E, QUEM DIRIA, COM UM BOM DISCO DE INÉDITAS

Yeah, a lendária e clássica banda fundada há também exatos 30 anos pelo guitarrista, vocalista, compositor e gênio Billy Corgan, lançou semana passada seu novo disco de estúdio, após quatro anos sem gravar. Título enooooorme: “Shiny and Oh So Bright, Vol. 1 / LP: No Past. No Future. No Sun.”. É o décimo primeiro trabalho inédito do grupo e o primeiro a reunir em décadas a formação quase original da banda, já que ao lado de Corgan estão novamente o guitarrista (e nas gravações deste álbum também tocando baixo) japa James Iha, e o batera monstro Jimmy Chamberlin, sendo que só não se juntou a eles novamente a loira e loka e tesuda baixista D’Arcy.

O SM e Billy Corgan deram obras musicais GIGANTESCAS e IMORTAIS ao rocknroll, especificamente em seus três primeiros discos de estúdio (“Gish”, “Siamese Dream” e o duplo “Mellon Collie and the Infinite Sadness”, lançado em 1995 e que apenas naquela época vendeu absurdas 14 milhões de cópias) e isso é incontestável. É vero que daí pra frente a banda nunca mais acertou a mão e se tornou apenas grupo de apoio para o ditador Corgan. Depois que lançou o magistral álbum duplo “Mellon Collie…”, o SM nunca mais foi o mesmo. Fora que o conjunto se desfigurou por completo, com zilhões de músicos entrando e saindo do seu line up e onde apenas o careca Billy permanecia.

A banda também tocou no Brasil algumas vezes, sendo que o blog esteve nas duas primeiras: em janeiro de 1996 na derradeira edição do festival Hollywood Rock, quando eles vieram justamente na turnê do “Mellon Collie…” e fizeram um show ARRASADOR no estádio do Pacaembú (numa noite que ainda seria magistralmente fechada pelo The Cure, ótimos tempos que nunca mais irão voltar), e dois anos depois na tour do fraquinho “Adore”, sendo que a gig nem de longe foi igual a de dois anos antes.

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O novo e bom álbum do Smashing Pumpkins (capa acima), banda que completa 30 anos de existência em 2018 e cuja formação inicial e clássica incluía a baixista D’Arcy (abaixo)

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Mas enfim, trata-se de um bom retorno para um conjunto que soube como ninguém engendrar um mix sonoro onde cabiam eflúvios de heavy rock, psicodelia, dream pop e até shoegazer inglês. O disco tem enxutos 31 minutos de duração, uma ótima e bem vinda raridade em tempos em que se gravam discos com mais de uma hora de música insuportável e que não diz NADA ao ouvinte. E essa meia hora onde estão condensadas oito faixas periga ser o MELHOR DISCO da banda desde “Mellon Collie…”, lançado há seculares 23 anos. Ótimas melodias, músicas enxutas e bem resolvidas, sem enchimento de linguiça. Parece que a reunião dos três (Corgan, Iha e Chamberlin) reascendeu a mágica que havia na sonoridade do grupo nos anos 90’. Estas linhas bloggers rockers gostaram especialmente de “Silvery Sometimes (Ghosts)” (que lembra demais “1979”, pela melodia dela) e da lindíssima “With Simpathy”. Deu até pra se sentir de volta a 1995, dançando na pista do Espaço Retrô da rua Fortunato, no centro de Sampa.

Em tempos em que o rocknroll está definitivamente morto e atropelado pela completa irrelevância da música pop atual, e quando não se esperava nada mais de um conjunto como o Smashing Pumpkins, o fato de ele conseguir lançar um cd como este “Shiny…” é mais do que bem vindo. Vai agradar bastante aos velhos fãs e poderá ser uma ótima surpresa para uma pirralhada que não sabe mais o que é rock ou uma banda de rock, mas que tem curiosidade em descobrir como era e é esse gênero musical “do tempo das cavernas”.

 

 

A TRACK LIST DO NOVO ÁLBUM DO SMASHING PUMPKINS

1.”Knights of Malta”

2.”Silvery Sometimes (Ghosts)”

3.”Travels”

4.”Solara”

5.”Alienation”

6.”Marchin’ On”

7.”With Sympathy”

8.”Seek and You Shall Destroy”

 

 

E O DISCO PARA VOCÊ OUVIR, AÍ EMBAIXO

 

 

GRIND ANO 20 E FINAS 5.6 – ALGUMAS HISTÓRIAS BEM LOKAS NA MELHOR DOMINGUEIRA ROCK DO BRASIL

Yep, o rocknroll pode ter morrido no mundo (o que é muito triste) mas no Grind, a domingueira rock mais famosa e bombada do Brasil, ele segue firme e forte. Já se tornou um clássico da noite paulistana e isso num dia da semana dado como morto – o domingo. E nesse próximo domingo, 25 de novembro, ele completa 20 anos de existência, um recorde! Sendo que lá também estaremos discotecando para bebemorar nosso próprio aniversário, já que chegamos aos 5.6 de vida (não é mole, não!) na segunda-feira, 26.

Zapnroll se lembra bem (ou mais ou menos bem, rsrs) de quando tudo começou, em maio de 1998. A internet ainda engatinhava no Brasil, não existiam redes sociais e, tal como hoje, o rock era o gênero da música pop dado como morto. Pois o venerável André Pomba (nosso melhor amigo há 25 anos, ou seja, nos conhecemos 5 anos antes da festa dominical começar), sempre visionário, procurou a direção do clubinho gls A Loca (que estava começando a bombar na noite paulistana), propôs fazer uma noite rock para um público mix (gays, lésbicas e simpatizantes), o povo da Loca topou a parada e aí tudo começou. Nos primeiros anos era mesmo uma matiné dominical, que começava às 8 da noite e encerrava pontualmente meia-noite de segunda-feira. Não haviam flyers virtuais mas sim uma filipeta impressa em formato retangular, que divulgava a programação e a lista de djs e especiais do mês todo.

Com o passar dos anos o público foi aumentando e o horário teve que ser progressivamente esticado. A balada passou a funcionar até duas da manhã de segunda-feira. E no seu auge, quando cerca de mil pessoas passaram a frequentar a domingueira, o horário passou a ser estendido até (acreditem!) 6 da matina. Era uma piração bizarra: enquanto o povo “normal” amanhecia na avenida Paulista saindo de metrôs lotados para ir estudar ou trabalhar (todos devidamente engravatados ou trajando uniformes empresariais), uma galera loka, de óculos escuros e devidamente chapados de álcool e outros “aditivos”, saía do “inferninho” da rua “Gay” Caneca (no centro de Sampa) para chegar em casa e desabar na cama.

Estas linhas zappers fizeram muitas djs set no Grind ao longo dessas duas décadas (o sujeito aqui é jornalista e sempre foi, mas gosta de “brincar” de dj). E as histórias absolutamente MALUCAS que vivemos na festona sempre animada do mozão Pomba, dariam um livro. Não resistimos e contamos duas abaixo, tentando resumir ao máximo a ópera rock.

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A domingueira rock mais famosa do Brasil chega aos vinte anos de existência nesse domingo (25 de novembro) com festão, que irá contar com dj set especial do blog (acima); abaixo, o jornalista loker rocker manda bala na cabine de som do Grind

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***2004 e o strip do jornalista loker-rocker – era julho daquele ano e o Grind fazia sua festa especial celebrando o famigerado Dia Mundial do rock. Pomba montou um line de djs especial onde, entre outros, tocariam o saudoso Kid Vinil e Finas, claro. Pois quando chegou a hora da nossa dj set lá foi o jornalista loker (já turbinado por boas doses de vodka com energético e gin tônica) fazer o “serviço”, rsrs. Até que resolveu tocar “I Can’t Get Enough”, super hit dançante (naquela época) do grupo britpop Suede, que sempre amadoramos (a banda e a música em si). E sempre que tocava essa música em alguma discotecagem Finaski despirocava e se transformava numa bicha mais loca que o vocalista Brett Anderson. Pois o dj loki e ainda relativamente jovem e PAUZUDO (rsrs) começou a se ESFREGAR na parede e também a… TIRAR A ROUPA em plena cabine de discotecagem! Terminou a faixa apenas de CUECA (sunga, ainda por cima), o que levou sua então love girl (a tesudíssima Tânia, com quem ele havia começado a ter um caso um mês antes e sendo que ela em outra noitada no Grind, bem loka de álcool, chupou o pinto zapper em plena pista de dança, num cantinho ao lado da cabine de som) a exclamar para um amigo em comum que nos acompanhava: “Mas o que é isso que ele fez!!!”. “Ficou pelado, oras!”, respondeu nosso amigo, uia!

 

***Dando entrevista BICUDAÇO de farinha, e a LOCA do “acabou, acabou!” – maio de 2009 e o Grind faz sua mega festa de 11 anos de existência. Casa lotada, Finas bem loko de álcool e cocaine, rsrs. E num momento que estava na cabine enquanto Pomba manda bala no som, chega uma equipe do programa de tv do Chato Mesquita, ops, Otávio Mesquita, para fazer uma matéria sobre a festa. Uma repórter tesudinha entrevista Pombinha na cabine mesmo. Logo em seguida ele RECOMENDA que a repórter também entreviste o mancebo aqui, por ele ser jornalista conhecido e bla bla blá. Ela vem falar com o gonzo chapado, põe o microfone na cara dele, acende a luz da câmera de filmagem e manda bala. O zapper total alucicrazy, com os olhos estalados e as órbitas saltando pra fora deles, dispara a falar a 200 kms por segundo. Ao final da curta entrevista, dom Pomba com sua sempre impoluta sabedoria, vaticina: “se eles aproveitarem 20 segundos do que você falou será muito, hihi”. Mas o grand finale dessa madrugada (sendo que o blog já tinha indo embora quando rolou a parada, mas depois ficamos sabendo pelo relato de dom Pombinha) foi mesmo quando, às 5 e meia da matina (!!!), uma LOCA literalmente INVADIU a cabine do dj e tentou jogar as CDJs (os tocadores de cds) no chão, enquanto gritava total alucinada: “ACABOU! ACABOU!!!”. Pomba só teve tempo de literalmente AGARRAR as CDJs pra evitar que elas fossem pro chão, enquanto um segurança arrancava a maluca da cabine. Depois, ficou-se sabendo, a moçoila tinha levado uma botinada do (ex) namorido durante a balada, o que a motivou a fazer a loucura de invadir a cabine. Só não se sabe até hoje se os gritos dela de “acabou!” se referiam ao fim do namoro ou se ela queria mesmo ACABAR com a balada, ahahaha.

 

Então é isso. Domingo agora promete ser lindo: 20 anos de Grind (no Espaço Desmanche, onde a festa está muito bem instalada há quase dois anos, e que deverá lotar), uma festa que já formou gerações na capital paulista, e 5.6 de Finaski, com dj set dele avassaladora a partir das duas da matina. E deverá ser mesmo nossa ÚLTIMA dj set pois já estamos véios demais pra essas loucuras, hihi.

Espero todo mundo por lá, sendo que todas as infos da balada imperdível você pode conferir aqui: https://www.facebook.com/events/254150721931307/.

Feliz aniversário, Grind! Que venham outros 20 anos pela frente!

 

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“GREEN”, UM DOS DISCOS GIGANTESCOS DA HISTÓRIA DO ROCK MUNDIAL E LANÇADO EM 1988 PELO INESQUECÍVEL REM (UMA DAS CINCO BANDAS DA VIDA DE ZAPNROLL), CHEGA AOS 30 ANOS DE EXISTÊNCIA – MOSTRANDO QUE REALMENTE NÃO EXISTEM MAIS BANDAS E NEM DISCOS COM TAMANHA QUALIDADE ARTÍSTICA E MUSICAL

Sexto álbum de estúdio da trajetória da banda norte americana REM (que durou exatamente trinta e um anos, lançando durante este período um total de quinze discos inéditos, além de Eps e coletâneas), “Green” é um dos trabalhos gigantes do grupo e superlativo em vários aspectos. Lançado oficialmente em 7 de novembro de 1988, marca a estreia do então quarteto criado em Athens (no Estado da Georgia) e integrado pelo vocalista e letrista Michael Stipe, pelo guitarrista Peter Buck, pelo baixista e tecladista Mike Mills e pelo baterista Bill Berry, na gigante major do disco Warner Bros, após editar seus primeiros LPs pelo pequeno selo IRS.

Quando foi cooptado para a Warner Music (o braço musical do monstruoso conglomerado de mídia e comunicação sediado nos Estados Unidos), o REM (o nome do grupo foi escolhido de maneira aleatória por seus integrantes, mas tem a ver com um termo da psiquiatria que determina a fase do sono humano em que a pessoa mergulha em sonhos e quando os olhos desta pessoa passam a piscar freneticamente, daí o termo “Rapid Eye Movement” ou “movimento rápido do olhar”) já existia há oito anos (foi fundado em 1980) e havia lançado cinco álbuns pelo selo IRS (na verdade, uma subdivisão de outra major gigante, a Columbia Records, fundada por Miles Coppeland, empresário do meio musical e irmão de Stewart Coppeland, baterista do lendário trio inglês The Police). Todos venderam muito bem, ganharam grande respeito da crítica e amealharam alguns milhões de fãs nos EUA (especialmente no circuito do rock mais alternativo), seduzidos pelas ótimas melodias que combinavam aceleração punk com eflúvios de folk e country music, e também pelas letras poéticas (escritas e cantadas por Stipe) e pela postura altamente engajada do grupo, tanto na questão política quanto social. Além disso um dos maiores trunfos do quarteto era mesmo o guitarrista extraordinário Peter Buck, que possuía um conhecimento ENCICLOPÉDICO de rocknroll por ter trabalhado durante anos na sua juventude em uma loja de discos.

Assim, quando “Green” chegou às lojas de discos, ele veio cercado das maiores expectativas possíveis. E não decepcionou nem os fãs muito menos a imprensa rock. Alternando canções rocks vigorosas (como “Pop Song 89”, “Get Up”, “Stand”, “Orange Crush” e “Turn You Inside-Out”) com momentos de puro lirismo e melancolia melódica (e aí dois ótimos exemplos são as belíssimas “World Leader Pretend” e “The Wrong Child”), “Green” foi efusivamente saudado como um grande disco pelos principais veículos de mídia do mundo à época. Vendeu muito bem também e abriu caminho para que, três anos depois, a banda se tornasse um fenômeno planetário de vendas e de público, quando editou o álbum “Out Of Time”, que produziu um dos maiores hits que se tem notícia em toda a história do rock mundial, a igualmente lindíssima “Losing My Religion”. Mas “Green” permanece como um marco ESSENCIAL na trajetória do conjunto até hoje, três décadas após seu lançamento. Reverenciado por astros como o saudoso vocalista do Nirvana, Kurt Cobain (que incluiu o LP na sua lista de cinquenta melhores discos de todos os tempos), ou por jornais lendários como o inglês The Times (onde o disco permanece também na lista dos cem melhores de todos os tempos), “Green” não envelheceu. Pelo contrário: continua com uma musicalidade atualíssima e com temas idem, mesmo em tempos onde a cultura pop não vale praticamente mais nada e quando o rocknroll virou infelizmente peça de museu.

CAPAREM1988II

Um dos nomes mais importantes de toda a história do rock mundial, o quarteto americano REM lançou há exatos 30 anos um de seus melhores álbuns, “Green” (acima); abaixo, o vocalista Michel Stipe canta e canta quase 200 mil pessoas (o blog zapper entre elas!) na terceira edição do Rock In Rio, em janeiro de 2001

IMAGEMREMRIR2001

 

Após “Green”, o grupo ainda ficaria ainda na ativa por mais de duas décadas, onde continuou lançando ótimos trabalhos e alguns mais medianos no final de sua carreira, que se encerrou de maneira pacífica (e sem brigas entre seus integrantes) em 2011, quando terminou o contrato do grupo com a Warner. Antes, por duas vezes, a banda se apresentou no Brasil, em janeiro de 2001 (na terceira edição do festival Rock In Rio, em uma gig inesquecível e que provocou comoção generalizada no público de quase duzentas mil pessoas que estava na “cidade do rock”, o autor deste blog incluso), e depois em novembro de 2008, quando tocou em São Paulo, Rio De Janeiro e Porto Alegre. Foram dignos, gigantes em sua musicalidade, amados pelos fãs e ultra respeitados pela imprensa mundial até o fim. Foram, com justiça, um dos maiores nomes de toda a história do rock. E deixam saudades até hoje.

Abaixo, em texto especialmente escrito para o blog pelo carioca Leo Rocha (querido amigo, fã e especialista em REM), nosso dileto leitorado terá uma extensa e ótima análise da trajetória do quarteto, além de também uma preciosa análise de “Green”. Boa leitura!

 

 

 

REM – A TRAJETÓRIA DA BANDA E A VISÃO DE UM FÃ E ESPECIALISTA NELA, SOBRE O ÁLBUM “GREEN”

 

(por Leo Rocha, especial para Zapnroll)

 

“Michael Stipe gritou pela última vez:

– And I feel…

Cem mil vozes urraram em respostas:

– Fine!

Bernardino pensou:

– Pu-ta que pa-riu!

Duas e quarenta e quatro da madrugada de 14 de janeiro de 2001.”

 

Pois é, amigos… Esse é o começo do livro de Arthur Dapieve (jornalista carioca) (e nota do editor do blog, com todo respeito à admiração do querido Léo pelo referido jornalista carioca: Dapieve, superestimado como jornalista, sempre cometeu equívocos e imprecisões em seus textos: haviam quase 200 mil pessoas no show do REM em 13 de janeiro de 2001, na terceira edição do Rock In Rio, e não apenas 100 mil. E Finaski era UMA dessas quase 200 mil pessoas) chamado “De Cada Amor Tu Herdarás Só o Cinismo” (Ed. Objetiva). Uma analogia com a canção “O Mundo é um Moinho” de Cartola. Uma senhora lição de vida!!!! Compareci ao lançamento e de lá descolei uma assinatura circulando o nome do vocalista (informei ao jornalista que era um admirador da banda) junto ao meu. Tenho guardado o exemplar intacto na minha estante. O livro narra uma história romântica e ímpar de um homem de quarenta e poucos anos seduzido por uma jovem ingênua e arisca. E, justamente, tudo inicia-se ao fim do show do REM no Rio de Janeiro (Rock in Rio 2001). Sincrônico, não?

A primeira vez que me deparei com essas linhas fiquei auspicioso e hirto. Pensei: “Que porra é essa?” Não esperava que o começo da minha leitura iria de encontro ao show mui especial da banda do meu coração, tampouco numa noite que foi ÚNICA pra mim. Em diversos aspectos. Antes que você ache que me refiro ao show em si… interrompo para dizer: meu casamento havia terminado naquele ano e na semana do show. Você consegue imaginar o meu espanto agora? Ou melhor: no instante em que li o livro de Dapieve? Pois é, meu caro. A vida é cheia de surpresas e ironias. Enfim… E devo dizer que durante muitas páginas do livro fiquei mais espantado, pois os detalhes dentro da história lembram muito o que eu fiz naquele show e como foi a volta do mesmo pra casa. Assustador!!! Muita sincronia!!! De qualquer modo, a banda nunca havia pisado em solo nativo para tocar. Jamais. E minha ex-mulher sabia bem o que aquele dia representava pra mim. De novo: a vida é irônica e sacana. Lembro-me de muito do show e do dia inteiro. Foi surreal esse momento de celebração com os amigos (em comum) e ao mesmo tempo a nossa frustração interna com a separação. Foi punk! Mas, antes de prolongar-me nessa retórica deixe-me voltar anos atrás para resumir como a banda surgiu na minha vida…

Eu já havia escutado “The One I Love”, “Stand” e “It’s the End” na extinta Rádio Fluminense. Final da década de 80. Faz-se necessário recordar que não havia internet nem celular. Então as coisas, os sons, as novidades “gringas” chegavam ao Brasil tempos depois. Era sempre assim. Se por acaso uma banda lançasse algo fora o país só receberia anos depois. Salvo se você fosse ingressar como jornalista musical. O que a gente podia fazer era ter amigos ou parentes que viajassem e comprassem um vinil ou K-7. No máximo. Não tinha muito como escapar. Tinham poucas revistas que informavam, mas era árdua a missão. Quem gostasse de som alternativo e afins tinha que ler revistas especializadas, corresponder-se (cartas) com os fã-clubes pelos correios (duas semanas ou mais chegavam as respostas) e sair pela noite nas festas “estranhas com gente esquisita”. E eu fui um adolescente assim. Juro! Por mais uma ironia do destino viajei para Nova York a lazer para casa da minha prima mais velha em 1991. Hmmmm… acho que o leitor já sentiu aonde vou chegar né? Sim…  saía “Out Of Time” com tudo no país (EUA). O disco estava muito estourado (“hype” pros mais jovens). Tocava em toda esquina de NY. Concomitante o Nirvana também havia lançado “Nevermind” e eu peguei tudo lá, direto da fonte. Mas, essa é outra história. Comprei o “Out Of Time” e com isso comprei todos os outros CDs (só tinha no exterior a mídia) da banda. Do EP “Chronic Town” ao “Green”. Levei tudo. Eram sessenta cds (sim, sessenta). O dono da loja ficou rindo à toa. Gastei na época uns seiscentos dólares. Cada cd custava dez dólares. Sacou? O dólar na época estava 1,5 para moeda brasileira. Nada de muito assustador. Mais: tive que comprar o aparelho!!!! Sim… Não havia cd nem aparelho pra rolar no Brasil. Só rico tinha. Eu não era rico. Voltei de lá lotado de sons e louco para desvendar a banda de Athens. Aí… bom… vamos deixar de lado o que aconteceu, pois é como se eu narrasse um encontro meu com uma mulher. Foi lindo! Tinham oito trabalhos distintos do REM para escutar. Devorar mesmo. Havia a coletânea “Epponymous” lançada lá nos EUA em 1988. Desse momento em diante passei a “alugar” cds em lojas recém-abertas no Rio de Janeiro. Permitia você alugar um cd por um dia ou mais para escutar ou gravar (olha a pirataria aí…Tsc…Tsc…). Quem tem mais de quarenta anos irá lembrar. Dali eu escutei muito REM antes de comprar. Mas, eu não tinha o aparelho. O jeito era escutar nas casas dos amigos. Mas, tudo bem. Quando eu volto pro Brasil estava com tudo. Munido de som, aparelho, roupas, revistas etc. Diversos amigos meus enfurnaram-se na minha casa para ouvir, beber, apreciar a qualidade do CD… Vínhamos do som do Vinil. Eu adorava, mas o cd estava chegando, entende? Bom, desde então consumi a literatura de música pop, rock e indie feito um esfomeado. Absorvi tudo, tudo. Mas sempre com o REM em particular… cada vez mais. Quando frequentei as festinhas de rock eram as camisas quem ditavam regras. Quem curtia Smiths, Joy Division, The Cure e tal. Porém eu comprei uma lá do REM e foi justamente com ela que conheci diversas pessoas na noite e ficamos amigos. Alguns famosos, rsrsrrs. Nesse passo fui encontrando-me nesse pessoal (da noite) que curtia outros sons. Eu, cada vez mais, aprofundava-me nos rapazes da Georgia. Em resumo: a banda fez-me conhecer muitas pessoas distintas, era apreciada em conjunto, embalou namoricos meus e acalantou-me em outros pés na bunda que tomei também. Esteve sempre comigo na adolescência, juventude e plena maturidade. Veio o milênio novo e com ele a esperança de um show no Brasil (esse mesmo!!!) em 2001. Foi um alvoroço na minha turma. Gente de São Paulo, Minas, de vários lugares comentando e combinando. Foi quando o meu casamento (eu já era pai também) acabou. Eles chegaram no ano certinho. Pior: no mesmo mês. Eu me separei em janeiro. Foi inimaginável assisti-los, degustá-los e ao mesmo tempo ficar firme. Algo próximo da catarse! Mais uma ironia? Fato. A tecnologia foi chegando, celulares, internet, redes sociais… O que unia a rapaziada nos anos 80 e 90 a rede receberia anos depois. Salvo se você fosse ingressar como jornalista musical. O que a gente podia fazer era ter amigos ou parentes que viajassem e comprassem um vinil ou K-7. No máximo. Não tinha muito como escapar. Tinham poucas revistas que informavam, mas era árdua a missão. Quem gostasse de som alternativo e afins tinha que ler revistas especializadas, corresponder-se (cartas) com os fã-clubes pelos correios (duas semanas ou mais chegavam as respostas) e sair pela noite nas festas “estranhas com gente esquisita”. E eu fui um adolescente assim. Juro! Por mais uma ironia do destino viajei para Nova York a lazer para casa da minha prima mais velha em 1991. Hmmmm… Acho que o leitor já sentiu aonde vou chegar né? Sim… Saía “Out Of Time” com tudo no país (EUA). O disco estava muito estourado (“hype” pros mais jovens). Tocava em toda esquina de NY. Concomitante, o Nirvana também havia lançado “Nevermind” e eu peguei tudo lá, direto da fonte. Mas, essa é outra história. Comprei o “Out Of Time” e com isso comprei todos os outros CDs (só tinha no exterior a mídia) da banda. Do EP “Chronic Town” ao “Green”. Levei tudo. Eram sessenta cds (sim, sessenta). O dono da loja ficou rindo à toa. Gastei na época uns seiscentos dólares. Cada cd custava dez dólares. Sacou? O dólar na época estava 1,5 para moeda brasileira. Nada de muito assustador. Mais: tive que comprar o aparelho! Sim, não havia cd nem aparelho pra rolar no Brasil. Só rico tinha. Eu não era rico. Voltei de lá lotado de sons e louco para desvendar a banda de Athens. Aí… Bom, vamos deixar de lado o que aconteceu, pois é como se eu narrasse um encontro meu com uma mulher. Foi lindo! Tinham oito trabalhos distintos do REM para escutar. Devorar mesmo. Havia a coletânea “Epponymous” lançada lá nos EUA em 1988. Desse momento em diante passei a “alugar” cds em lojas recém-abertas no Rio de Janeiro. Permitia vc alugar um cd por um dia ou mais para escutar ou gravar (olha a pirataria aí…Tsc…Tsc…). Quem tem mais de quarenta anos irá lembrar. Dali eu escutei muito REM antes de comprar. Mas, eu não tinha o aparelho. O jeito era escutar nas casas dos amigos. Mas, tudo bem. Quando eu volto pro Brasil estava com tudo. Munido de som, aparelho, roupas, revistas etc. Diversos amigos meus enfurnaram-se na minha casa para ouvir, beber, apreciar a qualidade do CD. Vínhamos do som do Vinil. Eu adorava, mas o cd estava chegando… Entende? Bom, desde então consumi a literatura de música pop, rock e indie feito um esfomeado. Absorvi tudo, tudo. Mas sempre com o REM em particular. Cada vez mais. Quando frequentei as festinhas de rock eram as camisas quem ditavam regras. Quem curtia Smiths, Joy Division, The Cure e tal. Porém eu comprei uma lá do REM e foi justamente com ela que eu conheci diversas pessoas na noite, e ficamos amigos. Alguns famosos, rsrsrrs… Nesse passo fui encontrando-me nesse pessoal (da noite) que curtia outros sons. Eu, cada vez mais, aprofundava-me nos rapazes da Georgia. Em resumo: a banda fez-me conhecer muitas pessoas distintas, era apreciada em conjunto, embalou namoricos meus e acalantou-me em outros pés na bunda que tomei também, rsrsrs. Esteve sempre comigo na adolescência, juventude e plena maturidade. Veio o milênio novo e com ele a esperança de um show no Brasil (esse mesmo!) em 2001. Foi um alvoroço na minha turma. Gente de São Paulo, Minas, de vários lugares comentando e combinando. Foi quando o meu casamento (eu já era pai também) acabou. Eles chegaram no ano certinho. Pior: no mesmo mês. Eu me separei em janeiro. Foi inimaginável assisti-los, degustá-los e ao mesmo tempo ficar firme. Algo próximo da catarse! Mais uma ironia? Fato. A tecnologia foi chegando, celulares, internet, redes sociais… O que unia a rapaziada nos anos 80 e 90 a rede social podia fazer “online”. E, assim foi. Comunidades e fãs de diversos lugares do mundo eu fiz amizade. Estreitando mais ainda os laços internacionais com algo em comum: REM. Por fora eu traí muito a banda, rsrsrs. Nunca fui fiel nesse sentido. Eu adoro som. Flertei com tudo: jazz, rock, indie, pós-punk, punk, blues, jungle pop, power pop, techno, rap, etc. Nunca prendi-me a um som ou a uma coisa somente. Isso eu sempre tratei bem. Porém, nunca deixava de ser um fã da banda. Um pesquisador de várias bandas que tinha um afeto especial por eles. Era bem simples. A banda entrou na minha vida como entra um amigo ou parente e fica. Participa, convive e estabelece-se. Entende? É assim que funciona comigo. Tenho as minhas predileções, contudo mantenho-me ouvindo e curtindo tudo mais. Mas, é fato que as pessoas lembram de mim, também, por ser um fã de REM. Afinal de contas, o que faço aqui no blog do Finas? Falando do quê? Ora bolas, rsrsrs.

Para arrematar esse papo todo menciono a segunda vez deles aqui. Antes, em 2005, conheci uma moça que faz meu coração balançar mais uma vez. Nada estava dando certo nesse período. Conhecê-la foi uma virada pra mim. Namoramos durante quase três anos e nos programamos para morar juntos e tal. Seria o “segundo” casamento. Ugh! Como dizia a famosa canção: “pro inferno ele foi pela segunda vez”… Rsrsrs. Mais uma relação pro vinagre. O ano? Era 2008. Adivinhe quem viria naquele ano pro Brasil? Pois é… De novo, os caras para alentar esse jovem recém separado. Ou seja: a banda esteve e está em todos os momentos cruciais meus. Não havia como ignorar tanta ironia e capricho da vida. Foram quatro shows (dois em SP e um no RJ e em Porto Alegre). Daí vieram mais amigos, celebrações, etc. E um disco de encerramento (“Collapse Into Now” em 2011) por parte da banda. Um momento forte, mas essencial. Opinião minha.

O show do REM na terceira edição do festival Rock In Rio, na noite de 13 de janeiro de 2001: quase 200 mil pessoas cantaram junto com a banda; e CHORARAM quanto ela tocou “Losing My Religion”

 

 

PARTE REM EM CARREIRA

O contexto histórico e musical em que se encontra a banda REM é complexo, mas muito interessante. Como toda banda de mais de trinta anos (exatos trinta e um anos redondos) o REM passou por fases internas, mudança de gravadora, contratos novos, modismo no mercado fonográfico e tudo mais. Porém, comecemos ali no ano de mil e novecentos e setenta e nove. Os jovens Michael Stipe e Peter Buck se conhecem em Athens (berço da banda, na Georgia) numa loja de discos em que o guitarrista trabalhava. Michael descobrira que eles tinham gostos similares com a música. Sobretudo punk rock e pós-punk. Mike Mills e Bill Berry (baixista e baterista) estudavam na mesma universidade e tocavam juntos em bandinhas locais. Conheceram-se nessa cena pequena de Athens e resolveram montar a banda. O nome REM foi escolhido de forma aleatória num simples dicionário. Uma amiga de Stipe estava de aniversário marcado e a banda resolve tocar em celebração numa igreja abandonada (data de 5 de abril de 1980 – esse é o ponto zero da banda) que eles costumavam ensaiar. Dali gravaram o single “Radio Free Europe” pela Hib-Tone para ver o que rolaria. Fez um barulho além da expectativa chamando atenção da IRS Records (gravadora genitora deles que seria a responsável por tudo que eles fizeram nessa fase independente). Lançam o EP “Chronic Town” com cinco canções aceleradas e pungentes. Começam a arrebatar fãs pela cidade. Essa fase é de ouro. A banda começa a reputação de “cult” e de largos elogios pelas “colleges radios” (cenário independente dos EUA). Gravam em 83 o clássico “Murmur” (obra prima dessa fase considerada pela crítica) e batem “WAR” do U2 e, pasmem, “Thriller” de Michael Jackson! Simplesmente tornam-se imensos para a cena local e começam a fazer shows pelo país… A fama começa a crescer de forma incontrolável e à medida que eles faziam shows e gravavam mais discos a demanda do mercado e a crítica especializada começou a apelidá-los de “maior banda de rock dos EUA” ou “Number one with Attitude” (título estampado na Rolling Stone anos mais tarde). Seguem “Reckoning” (84), “Fables Of Reconstruction” (85), “Lifes Reach Pageant” (86) em sequência. As letras mudam, o tom político e contestador sobressaltam e há uma esperança nova nesses caras. O que pouca gente sabe é que no meio de 1985, na gravação de “Fables”, em Londres, a banda quase termina. Brigas no estúdio, discussões acerca do som e instabilidade emocional no estúdio quase puseram tudo a perder. Michael admitiu numa entrevista que foi difícil, mas necessário para a banda decidir o que queria e como seguiria. Dizem que o clima de Londres também deixou o clima soturno na época. De qualquer forma o tempo foi o maior aliado deles. Transformaram-nos no maior expoente americano em 87. Ano do último disco pela IRS: “Document”. Um discaaaaço. Dos singles, “The One I Love” e Its The End…”, sucesso imediato nas rádios também comerciais. Nesse mesmo ano a IRS percebendo que ia perder seu principal artista do catálogo relança o EP “Chronic Town” juntamente com uma coletânea chamada “Dead Letter Office” em CD – trabalho que constam os takes jogados fora e os lados B (sim, isso existia, rsrs) das canções lançadas além de algumas covers. Acho esse trabalho grandioso, inclusive. Estava óbvio que a banda precisava de uma grande gravadora. Muitas tentaram, mas eles fecharam com a Warner. Dizem que o contrato girou em torno de dez milhões por cinco discos. A banda já tinha excursionado desde 1983 pra fora dos EUA. Fez Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Espanha, Holanda, etc. Flertavam com a Ásia e Oceania. Em 1988 gravaram “Green” (na impressão da capa há um erro com a letra “R” e o numeral “4) e entraram em todas as paradas europeias e americanas com “Stand”, “Pop Song 89” (uma sátira com “Hello I love You” dos Doors) e “World Leader Pretend”. O álbum torna-se um sucesso comercial e uma turnê fez-se necessária. Excursionaram por desgastantes meses. Stipe adotou um corte moicano terrível em seu cabelo (Sim, ele ainda tinha bastante cabelo!) e abraçou causas ambientais e políticas pelo mundo. Esse registro vale muito a pena. “Tourfilm”, o registro em questão, existe em VHS e DVD. Pra quem é fã é quase uma obrigação ter. Resolvem descansar após essa turnê (iniciada em 88 e finalizada quase em 90), a primeira pela nova gravadora. Nessa época, a América Latina já escutava esses dois discos (“Document” e “Green”). Sem a banda e o mercado saber, há um terreno sendo preparado ao Brasil, inclusive. Quando voltam ao estúdio gravam o seu álbum de maior sucesso mundial – “Out Of Time” – um sucesso à moda Beatles. Estouro, fãs, MTV, fama e inúmeros prêmios. Chefiado por “Losing My Religion”, “Radio Song” e “Shinne Happy People”. No Brasil o clipe de “Losing My Religion” tocou mais do que qualquer outra canção. E, assim começa a nova fase da banda. Fãs dessa geração noventista e MTV se apaixonam pelos caras e a banda alcança o patamar de GIGANTE. É importante salientar duas coisas aqui: 1) o sucesso veio de forma natural sem se vender nem abrir concessões. 2) o som do REM nunca mudou em busca disso ou daquilo. Desde o “Green” a sonoridade deles já havia desacelerado. Culminando em “Out Of Time” e no álbum seguinte: “Automatic For The People” de 1992. Um tapa na cara da crítica que esperava outra coisa do REM… Era a fase “grunge” no mundo. Eles vieram com um disco quase acústico e recheado de metais e cordas com participação da Orquestra Sinfônica da Georgia. A Warner quase teve um treco. Mas as boas vendas e a resposta dos fãs acalmaram tudo. Desse álbum “Drive”, “Man on The Moon” e “Everybody Hurts” desbancam várias canções nas paradas. “Man on The Moon” é lançada também para promover o filme sobre o comediante Andy Kaufman (uma celebridade televisiva americana que morreu precocemente com apenas 35 anos de idade, sendo que a música é dedicada a ele), que chegava aos cinemas. A banda tinha uma queda pelo controverso humorista. “Everybody Hurts” emociona mulheres e homens. Muitos machões choraram com a letra e chegou-se a se falar pela América que aquela era a música “masculina” (não faço ideia do que isso queria dizer, juro!) mais triste do planeta. Por mais louco que possa ser a banda resolve não excursionar para divulgação do disco. Também não o fizeram em “Out Of Time” (apenas deixaram as TVs e lojas venderem e recolheram todos os louros disso). Uma decisão que só pode ser tomada por uma banda que tenha maturidade, culhão e banca pra botar. E eles tinham isso. O tão citado título de “number one with Attitude” não era em vão. Essa atitude era sempre de conversar e deixar claro que o trabalho e postura não iriam mudar. Sem apelos ou vulgaridade com seu som em nome de um mercado. Posso assegurar (quebrando a janela, gente) que isso foi feito em toda carreira. Talvez, exceção feita em “Monster” (1994) onde eles toparam distorcer e afiar as guitarras numa época que as bandas de rock mais novas faziam. Mesmo assim fizeram à moda deles, rsrsrs. Gostaria de abrir um enorme aposto aqui: os produtores da banda sempre foram importantes e considerados “amigos” do coração. Começou com Mich Easter (frontman do Let’s Active) na fase independente, chegou em Scott Litt (grande Scott!) na fase Warner e, tida por muitos como a melhor de um produtor, passando pela produção de LUXO de John Paul Jones (baixista do Led Zeppelin) em “Automatic…” e Pat McCarthy. Verdadeiros mágicos, parceiros e responsáveis pela sonoridade que eles sempre buscaram nos álbuns. Tenham certeza disso. Produção musical é a parte essencial para dar vida ao que o artista criou. Fundamental.

Bom, voltando ao álbum seguinte: “Monster” vendeu bem e aproximou a banda de outros públicos. Dentro desse disco tem “Let Me In” (canção dedicada a Kurt Cobain) em homenagem ao líder do Nirvana, que havia se matado em abril de 1994. O trabalho também rende homenagem ao ator River Phoenix, morto naquele ano também, vítima de uma overdose. Nessa época começa a “Road Movie” outra turnê clássica e importante da banda. Ali eles puderam incluir nos shows as canções mais pesadas deles feitas nesse disco. O resultado foi incrível. Mesclaram de maneira acertada o set list da turnê. Esse registro existe em DVD, outra peça importante pra fãs. Em 1996 eles lançam “New Adventures In Hi-fi”, o último do contrato com a Warner. As vendas não são boas e há a primeira “pressão” em cima da banda. Apesar da sonoridade desse disco ser bem “on the road” há uma gama de teclados e pianos ganhando luz no som deles e isso irritou uma turma radical (críticos e fãs) fazendo com que o álbum fosse duramente criticado. O mais engraçado disso é que eu considero esse um belo registro. Acho-o superior ao “Monster”, inclusive. Mas, a crítica não enxergou assim. Fica aqui a minha imane discordância. É um disco de viagem mesmo. Experimente ouvi-lo na estrada. Putz… e ali tem canções ótimas como “Undertow”, “Binky The Doormat”, “E-Bow Letter” (com participação de Patti Smith nos vocais), “Be Mine” e “New Test Lepper”. Enfim… foi subestimado pelo mercado. Nesse disco acontece aquilo que nenhum fã deseja: sai um membro fundador. Bill Berry, exausto e de saco cheio decide deixar a banda e dedicar-se a sua fazenda (sendo que na turnê do álbum anterior, “Monster”, o baterista teve um pequeno AVC ao final de um show, o que fez com que ele desmaiasse em pleno palco, episódio que também contribuiu para sua saída do grupo). A banda sente o golpe. Muito. Eu senti também. Nunca pensei que isso poderia acontecer. Juro. Achava que os quatro iriam juntos até o final. Mas o fato é que Bill Berry pede as contas e se manda. Segue amigo e irmão deles, mas longe de qualquer estrelato. Importante comentar: a banda NUNCA substituiu o músico. Sempre trabalhou com bateristas contratados. Nunca receberam alcunha de “membro REM”. Outra coisa fundamental nos caras. Sempre assinaram os quatro. Eu disse “os quatro”, autorias de todas as canções. Assim era dividido igualmente sempre. Outra faceta de credibilidade e caráter da banda. Raro hoje, né? Nesse climão eles assinam um novo contrato com Warner por mais cinco discos sob a bagatela de R$ 80 milhões!!!! Uow! Um sucesso de renovação. Repito: somente porque era o REM. A banda sempre se posicionou e bancou seu som. Em 1998 eles lançam “Up”. Uma retomada boa nas vendas e com algum sucesso nos EUA e na Europa. Excursionam incansavelmente por países mais distantes e fora de rota das grandes bandas. Outro fator deles. Nesse disco canções como “Daysleeper”, “At My Most Beautyful” (Mike Mills compõe um lindo arranjo nos teclados) e “Lotus” alcançam o público. Nessa altura do campeonato o REM já tinha renovado seus fãs… São pessoas que gostam da fase da Warner primeira e essa segunda. São distantes um pouco da fase independente. Isso é comum em bandas com mais de vinte, trinta anos. E é cool. É importante, sobretudo. Em 2001 eles lançam “Reveal”, um disco redondo, ensolarado e bonito. Acertam a mão e a crítica e as vendas ficam condizentes. Os rapazes voltam ao trilho. E aí vai acontecer algo inédito pra gente aqui do Brasil: a banda vem no mês de janeiro de 2001 ao Rock in Rio. Simplesmente fazem um dos melhores shows do Festival e ganham o dobro de fãs no país. Os músicos nunca mais esqueceram aquela noite. Foram quase 200 mil pessoas uníssonas cantando e entoando gritos. Michael ficou bêbado com caipirinha e foi pro público. Uma leve confissão aqui (quebrando a parede pela segunda vez): eu estava nas primeiras filas e cocei a careca de Stipe. Visivelmente emocionado. Foi uma catarse! Quem foi nunca esquece. Ali eu resgatei um “furo”: The Lifting” e “She Just Wants to be” foram executadas ao vivo pela primeira vez no MUNDO. Sim, isso que você leu: o Rio de Janeiro (e o Brasil) foi o primeiro lugar na Terra que eles tocaram essa duas canções, já que o disco só saiu cinco meses depois. O que deixou os fãs mais excitados com o que viria no álbum. Estabelecido de volta ao bom caminho a banda lança mais um disco: “Around The Sun” de 2004. Um trabalho honesto repleto de teclados, pops duvidosos e ousadia em outras sonoridades. O resultado é bom para as vendas, mas a crítica torce o nariz. Eu também acho esse trabalho um dos menores. Tem coisas ali como “The Outsiders”, “Aftermath”, “Leaving New York” e “Electron Blue” que são hinos. Lindos! Mas, tem outras derrapadas ali bem feias. Não vou citar para não depor contra. Mas eles erraram feio na minha opinião. Os novos fãs curtem e nem ligam. No fim de tudo é isso que importa, não? Em 2007 eles entram pro Hall Of Rock And Roll Fame, importante e definitiva homenagem a uma banda de rock. Comparecem e entregam tal honraria Patti Smith e Eddie Vedder no palco. Bill Berry (ex baterista) é convidado e comparece. Depois de muito tempo toca com seus antigos amigos. Um ano de celebração. No ano seguinte eles lançam “Accelerate”, o décimo quarto da carreira. Um retorno bom às guitarras e distorções além do bom e velho rock antigo que eles faziam no começo. Dali canções como “Living Well is the Best Revenge”, “Accelerate” (faixa título), “Man-Sized Wreath” e “Mr. Richards” se destacam. Um bom trabalho dos rapazes. Disco enxuto e direto. Exatamente como eles (bem) faziam no começo. Em 2010 entram em estúdio para gravar o último disco: “Collapse Into Now”. Lançam em 2011 e vendem de maneira satisfatória. A partir daquele momento a banda encerrava quaisquer obrigações contratuais com a Warner. Obviamente existem inúmeras coletâneas, registros oficiais ao vivo, compilações, boxes especiais, etc… Minha intenção foi fazer um apanhado básico e específico dos discos de estúdios. Na internet tem material de sobra para você saber, conhecer, escutar e se aprofundar sobre o REM. Está tudo aí. Basta começar. Pra fechar: nesse ano do último disco, em 2011, a banda em seu site oficial escreve uma nota e encerra as atividades. Deixou um buraco no peito dos fãs, mas eu entendi. Foram trinta e um anos de trabalho, arte, viagens, hotéis, discos, shows, aeroportos e tudo mais. Um carreira bonita e ímpar. Ficou demais… E, como eles mesmo disseram e profetizaram: Its the end (and i feel fine)! Não é mesmo? REM, senhoras e senhores! Clap! Clap! Clap!

 

PARTE GREEN CONTEXTO

Contextualizar o álbum Green dentro do som da banda e do rock é complexo e torto ao mesmo tempo. Prefiro ambientar em termos da banda. O mundo nessa época vivia uma enxurrada de possibilidades musicais: havia de tudo um pouco. Inclusive a dance music (gênero que se solidificaria anos mais tarde). Mas a banda havia feito cinco álbuns de estúdio (além de um EP e duas coletâneas) pela IRS e estava insatisfeita com a distribuição externa dos trabalhos feitos. Nessa época surgiram convites de diversos selos, mas a Warner levou Stipe e cia. com a promessa de imensa distribuição e “liberdade criativa” para a banda. Martelo batido. Era hora de gravar o que seria o “Green”. Apesar do nome a capa (feita pelo artista Jon McCFerrty ) saiu na cor laranja. Alguns dizem que se apertar os olhos algumas vezes a visão embaça e aparece o “verde”, rsrsrs. Eu já fiz isso e deu certo, rsrsrs. Mas decerto que existem algumas edições lançadas com um tom mais amarelado também. A capa recebeu um tratamento especial e foi um grande trunfo para as vendas. Mas retornando ao processo criativo deles, os integrantes disseram que na época resolveram criar sem nenhuma necessidade de soar como o “velho REM”. Queriam um álbum mais experimental. E foi o que fizeram mesmo. Tanto que trocaram os instrumentos e batizaram os lados A e B (A seria o lado ar e B seria o lado metal). A ideia era eletrificar bem o primeiro lado e deixar acústico o segundo. Entraram acordeão, bandolim, violoncelo e percussão para ajudar a fazer o som experimental quisto pelo produtor Scott Litt e pela banda. As letras das canções tornaram-se mais satíricas e cínicas. Michael Stipe gravou os arranjos de sua voz depois dos outros. O resultado ficou na medida para a gravadora. No ano de 1988 havia uma disputa eleitoral entre republicanos (Bush) e democratas acirrada. E os membros do REM entraram de sola em Bush. Isso ajudou mais ainda o lançamento do álbum. O público gostou e comprou o discurso deles. Tanto que canções como “World Leader Pretend”, “Orange Crush” e “Haitshirt” caíram no gosto americano. Pungentes, cínicas e diretas. A banda tinha uma qualidade e jeito em passar sua mensagem de maneira criativa e harmoniosa. O líder do “The Divine Comedy”, Neil Hannon, afirmou numa entrevista que esse álbum era um dos seus prediletos. E que o protesto e a ideia deles era algo que só eles sabiam fazer de forma tão competente e distinta. Soava diferente. Kurt Cobain listou “Green” como um dos seus 50 melhores discos. Algo controverso, inclusive. “The Wrong Child”, “I Remember California” e “You Are Everything” acertaram os fãs mais antigos. Muitos consideram essas verdadeiras profecias do que seria o “Out Of Time” três anos depois. De algum modo elas soam mesmo como um embrião. “Pop Song 89” (uma sátira com os Doors), “Stand” e “Get Up” deram o tom mais pop e irônico do disco. Foram usados dois estúdios para gravação: Ardent Studios (Memphis) e Bearsville Studio (Nova York). Processo que tornou-se natural depois, pois certas canções necessitavam de mixagens diferentes e outras foram finalizadas conforme o potencial de cada estúdio. Duas ficaram sem nome no fim. “Untitled” foi uma delas e assim ficou no disco. “Turn You Inside-Out” e “Orange Crush” precisaram de mixagens distintas também. Scott Litt trabalhou incansavelmente nos estúdios dando acabamento bacana. A produção de “Green” foi a primeira dele com a banda. Uma parceria de ouro na história do REM. Quem é fã sabe disso. Feito e lançado o álbum a banda partiu para uma das turnês mais importantes e históricas, a famosa “Tourfilm” (1988). Foram onze meses de estrada e show. O registro encontra-se em VHS e DVD (tenho ambos). Vale a pena. A performance do REM é única. O moicano de Stipe é um diferencial também. E a banda estava em forma. Recomendo muito esse registro. O disco foi remasterizado em 2013 para o 25º aniversário e adicionado o ao vivo “Live in Greensboro” de 1989. Esse ano o disco completou 30 anos. Um salve enorme para esse que foi o primeiro disco da banda pela Warner (sexto na carreira) e que soou mais experimental do que o público poderia supor. Gostaria de acrescentar uma coisa: como fã, nesse disco, há duas canções que fazem parte do meu rol de favoritas: “World Leader Pretend” e a lindíssima “I Remember California”. Dois petardos dignos de banda GIGANTE! Salve Green, salve REM!

 

(Leo Rocha, dileto amigo carioca há mais de uma década do autor deste blog, tem 41 anos de idade e se formou em publicidade. Blogueiro, apresentador de programa em web rádio e autor de três livros de ficção, mora no Rio De Janeiro, onde nasceu. O REM é a banda da sua vida)

 

 

A POSTAGEM TRISTE DESTA EDIÇÃO, ANUNCIANDO O FECHAMENTO DO CEMITÉRIO DE AUTOMÓVEIS (O BAR DO QUERIDÃO DRAMATURGO E ESCRITOR MARIO BORTOLOTTO, EM SP) E TAMBÉM (E NOVAMENTE) DO MATRIX ROCK BAR

É isso. Em tempos absolutamente sombrios e tenebrosos, com a cultura pop entregando os pontos, o rock indo pro museu e o Brasil BOÇAL aguardando a posse do futuro PIOR presidente que o país já teve, as notícias cruéis continuam se sucedendo: o Cemitério de Automóveis, misto de bar e teatro administrado pelo dramaturgo, poeta, ator e cantor Mário Bortolotto, encerra atividades no próximo dia 5 de dezembro. Funcionava há alguns anos na rua Frei Caneca, centro de Sampa, e era (e ainda é, ao menos até a semana que vem) um dos espaços culturais alternativos mais incríveis da capital paulista.

O blog vai muito ao “Foda-se” (a denominação mega carinhosa e genial que a sereia linda e loka do nosso coração, a gatona e também escritora Flavia Dias, dá pro bar). Estivemos lá na sexta-feira passada inclusive. Estava bem cheio, o que não vinha ocorrendo nos últimos tempos porque o país está quebrado e as pessoas estão sem grana pra curtir uma noitada num espaço legal bebendo boas brejas e ótimos drinks. Mas enfim, Marião mantinha o espaço há alguns anos já. E sempre está lá nas madrugadas, na sua cadeira cativa na indefectível mesa ao lado do balcão onde a clientela é atendida pela Silvia e (eventualmente) pelo Linguinha. O Cemitério acabou aglutinando uma turma hoje em dia rara na noite paulistana: homens e mulheres mais adultos (na faixa dos 30-50 anos de idade) e apaixonados por ótima música (volta e meia rolam sets acústicos por lá), ótima literatura (uma micro livraria funciona dentro do bar) e também ótimo teatro: há igualmente lá dentro um espaço para encenação de peças e onde geralmente Marião encenava, atuava e dirigia os próprios textos, que eram interpretados por atores de sua trupe teatral (estas linhas bloggers nunca se esquecem da montagem sensacional que assistimos lá, anos atrás, de “Mulheres”, baseado no livro homônimo do gênio Charles Bukowski, um dos nossos ídolos literários ad eternum. E do Mario idem).

E o povo que frequenta (va) lá é bem loki também. Mulheres insinuantes, libidinosas, ébrias, poéticas, cultas, inteligentes, nada recatadas, nada do lar. Todas gostosas, ousadas mas jamais vulgares e totalmente mega interessantes (na questão intelectual), daquelas que são pura transgressão, subversão e resistência cultural e que você, ao se deparar com elas tomando uma dose de gin ou uma taça de vinho, imagina que a mesma fará estragos irreversíveis em seu corpo sedento e carente durante um embate carnal feroz em alguma cama bêbada de hotel idem. Os caras que frequentam (ou frequentavam) ali também eram o que podemos chamar de “escória” e “marginais” perante a sociedade ultra careta e moralista sacal hipócrita destes tempos terríveis atuais: músicos, escritores, autores teatrais etc.

O autor deste espaço online conhecia Marião de nome há anos e já admirava seu trabalho de escritor, diretor teatral, poeta e ator de cinema mesmo antes de se tornar seu amigo pessoal, algo que acabou acontecendo há uns… 4 anos ou um pouco mais. Com o tempo descobrimos que por trás daquela rabugice e “ranzinzisse” toda existe um sujeito gente finíssima, de coração muito generoso e que sobreviveu sem ser auto piedoso de um assalto onde quase morreu após levar 3 tiros. Na medida do possível ajuda os amigos: pedimos a ele que escrevesse o texto para a contra-capa do nosso livro, “Escadaria para o inferno” (que foi lançado há exatamente um ano), e ele topou no ato. Somos gratos a ele por isso até hoje.

E nosso coração dói bastante nesse momento, ao escrever esse post falando do fim do “Foda-se”. As doses generosas e bem-vindas de Bell’s que o blog toma neste momento começam a aquecer a alma e coração, ampliam as sensações neuro transmissoras cerebrais e nos reconfortam ante o fato de saber que estamos perdendo mais um espaço cultural que vai fazer muita falta. Como já dito mais acima, estivemos lá na sextona passada. O bar estava cheio, o clima estava ótimo e acabamos até batendo um papo com a lindona, tesudíssima e ótima atriz (em filmes e no teatro, não a curtimos muito em seus trabalhos na tv “Grobo”) Maria Ribeiro (sim, Marião tem muita moral com o povo da tv, do cinema e do teatro pois convive com eles e é um autor mega respeitado). O zapper disse a ela que é fã de dois filmaços nos quais atuou: “Tolerância” (dirigido pelo “replicante” Carlos Gerbase, lá em 2000) e “Como nossos pais”, rodado ano passado pela Laís Bodansky.

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Trio rocker e literário de respeito MÁXIMO se encontra no bar e teatro Cemitério de Automóveis, no final de 2017: Zapnroll “cercado” pelo jornalista e escritor Fernando Naporano e pelo dramaturgo Mário Bortolotto (acima); uma semana atrás o autor deste blog encontrou por lá a sensacional atriz, feminista e gata bi incrível e dos sonhos de qualquer homem que se preza, a XOXOTAÇA Maria Ribeiro, aqui (e abaixo) em imagens nudes total delicious, extraídas do ensaio que ela fez para o amigo fotógrafo Jorge Bispo, onde a divina musa esquerdopata e nada pudica e do lar, mostra toda a exuberância de sua BOCETA PELUDAÇA, como toda xota decente e do inferno deveria ser, inclusive (sorry, idiotinhas de direita: vocês são “limpinhas” demais, “cheirosas” demais, DEPILADAS demais e SEM CÉREBRO algum; jamais chegarão aos pés das garotas de esquerda, especialmente na questão intelectual e cultural e na hora da FODA). Infelizmente o bar do Marião fecha na próxima semana, no dia 5 de dezembro. Vai deixar saudades!

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Todo mundo “comunista”, “de esquerda” e “do mal” no final das contas, né. Pois o bloog se ORGULHA de fazer parte dessa turma. E fará até o fim e até o derradeiro respirar. Afinal não há mais ilusões aqui, elas se perderam todas definitivamente quando cerca de 55 milhões de eleitores (a maioria deles BOÇAIS, trogloditas, selvagens, racistas, homofóbicos, misóginos, machistas, medievais de pensamento, machistas ogros, moralistas hipócritas e conservadores de extrema direita do inferno) elegeram para presidente do Brasil um nazi fascista que, além de total intolerante e ignorante, ainda é um evangélico FUNDAMENTALISTA. E esse pessoal ODEIA cultura e quem trabalha com arte e cultura. Para eles, incapazes de compreender e aceitar o que lhes foge do raciocínio binário e ultra limitado, cultura é “coisa de vagabundo e petralha”, ou se resume a ler a Bíblia, orar, PRAGUEJAR quem pensa diferente e assistir a novelas toscas ou séries religiosas da tv Record (a emissora do escroque Edir Macedo, que juntamente com outro pilantra evanjegue mor, Silas Malafaia, ajudou a eleger presidente o monstro da extrema direita). Nunca é demais lembrar: quando tomou o poder na Alemanha NAZISTA, Hitler quis ANIQUILAR toda a produção cultural passada do país. Mandou COLOCAR FOGO em milhões de exemplares de livros. E todos sabem como a história do nazismo e a da própria Alemanha acabou, ao final da segunda guerra mundial.

De modos que não se iludam: BolsoNAZI e seus seguidores BESTIAIS farão tudo o que for possível para EXTERMINAR a Cultura nesse miserável e triste Brasil. O desmonte já começou, mesmo antes da posse do nazi. Mário Bortolotto e seu sensacional Cemitério de Automóveis saem de cena um pouco antes. Quem sabe até para não sentir na pele o que está por vir em janeiro próximo.

Rip, querido Foda-se. Este jornalista loker se divertiu muito ali (ficamos bem lokos lá muitas vezes, a ponto de tirar Marião do sério e de dar trabalho pra ele, ahahahaha). Vamos sentir saudades. E antes que as portas e cortinas se fechem de uma vez por todas, ainda iremos baixar lá pra tomar a saideira. E MERDA para todos nós!

 

***E a outra baixa no circuito cultural e rock alternativo de Sampa é o fechamento (agora, definitivamente ao que parece) do lendário Matrix Rock Bar. Durante mais de duas décadas e sob o comando do brother Giggio, o Matrix animou as noitadas da Vila Madalena (zona oeste de Sampa), na rua Aspicuelta, sendo que este blog mesmo fez algumas festas e djs set muito bacanas por lá. Há cerca de três anos o espaço fechou, devido à alta um tanto quanto abusiva do valor do aluguel do imóvel onde estava localizado. Giggio porém batalhou novo espaço (com preço mais em conta na locação) e reabriu o Matrix na rua Inácio Pereira Da Rocha (também na Vila Madalena), onde funcionava até agora. Há algumas semanas, veio a notícia novamente tristonha e surpreendente: o Matrix fecha definitivamente suas portas no próximo dia 7 de dezembro. Ainda dá tempo de ir curtir por lá neste sabadão (1 de dezembro, quando este post está sendo enfim finalizado), e é o que o blog pretende fazer, para tomar uma breja e curtir os ótimos sets dos queridos amigos e djs Shiva On e Fabiano Bulgarelli. Depois, só na sexta da semana que vem e pela última vez. Rip Matrix! Foi muito bom enquanto durou e tornou nossas vidas rockers muito mais alegres, animadas e menos ordinárias do que elas são nos tempos atuais. Tempos que, pelo visto, só irão piorar e onde o rocknroll está mesmo deixando de fazer parte da vida noturna e cultural de uma cidade como São Paulo, infelizmente.

 

 

MUSA ROCKER DESTA EDIÇÃO – A ABSOLUTAMENTE TESUDA E AVASSALADORA SUE NHAMANDU!

Nome:  Sue Nhamandu

 

Nasceu em: 11/03/1984 em Campinas de parto natural nas mãos do meu tio avô obstetra Deodato.

 

Mora onde e com quem: com meu filho de 10 anos, o cabeça da gang, Pablo Miguel Nhamandu.

 

O que estudou ou estuda: sou formada em filosofia desde os 24 anos, mas leciono filosofia desde os 19, psicanalista e esquizonalaista em formação, sou mestranda em filosofia de gênero e pornografia pela Universidade Federal do ABC, e  pesquisadora convidada 2019 pela Universidade Toulouse 2 Jean Jaures, e vencedora do segundo prêmio select de artista educadora, ou seja, estudo o próprio estudar. Estudei teatro na Universidade Antropófaga com José Celso Martinez Correa, e teatro com Gerald Thomas.

 

O que faz profissionalmente: Sou a Pornoklasta, terapeuta orgástica, filósofa e desartista multimeios.

 

Três artistas musicais ou bandas: tenho um trabalho musical experimental que divulgo submidialógicamente através de avatares-persona como no projeto Domitila Mataha(cker)ari Pompadour Monroe, uma projeto de música tática e cyber feminismo que envolve música e artes visuais num contexto de hackeamento de identidade, mas entrei no meu teste no Oficina em 2011 cantando Casisa Listada, imitando Isaurinha Garcia e já vivi de cantar em pequenos bares periféricos, com alguns brothers no violão.

 

Três discos: Ando só numa multidão de amores (Maysa), Drama ato três luz da noite, (Maria Bethania) e Deus é mulher (Elza Soares). Elza e Wilson das neves: is so hard to tell whos going to love yoi best, Karen Dalton, Chets Billie.

 

Três filmes: Bin jip kim ki duk, Mutantes despentes, mi sexualidad es una creacion artística, Lucia egana (sombra) rojas.

 

Três livros: Crise da filosofia messiânica (Oswald De Andrade), Manifesto contrassexual (P B Preciado), O teatro e seu Duplo (Antonin Artaud), O que é filosofia  (Giles Deleuze), Água viva (Clarice Lispector) e (ufa!) Meta linguagem e outras metas (Haroldo De Campos).

 

Um diretor de cinema: Annie Sprinkle.

 

Um diretor de teatro: Artaud.

 

Um autor literário: Haroldo de Campos.

 

Um show inesquecível: Mutantes no Parque Do Ipiranga.

 

O que pensa sobre

 

Sexo: é uma criação artística.

 

Drogas: Isdeus.

 

Rocknroll:  Toca Raul!

 

Política: esquerda radical (ótimo!).

 

Relacionamentos: os éticos com cuidado de si e do outro.

 

Eleições presidenciais deste ano: Levamos uma solapada de mídia tática, a direita comeu as teorias todas e usou com capital neo liberal nossas ideias melhor que nós. Todos sabemos que o humanismo acabou. Não sou ingênua de acreditar que o problema é cultura e civilização. É hora de lutar, de reler o anti-édipo, de entender os desejos construídos, de combater o fascismo, de andar em bandos. Essas eleições foram o momento  histórico mais importante que vivi, nasci em 84, não esperava viver isso, só posso dizer que sobreviver e viver bem tem sido minha vingança contra um sistema que me queria natimorta, afinal sou mulhler cafuza não binária poliafetiva, pansexual, ativista feminista pró-sexo demi-sexual, latino-americana.

 

E como o blog conheceu Sue: como nosso dileto leitorado pode ver pelas respostas aí em cima, essa deusa GIGANTE é uma mulher AVASSALADORA em todos os sentidos (tão avassaladora que chega a dar medo, ahahahaha). Enfim ela nos foi apresentada por uma amiga querida em comum (a escritora e poetisa Rita Medusa), nos encantamos pelo perfil e pelo pensamento da garota, a convidamos para fazer ensaio para estas linhas eternamente e totalmente subversivas e abusadas ao máximo, e cá está o resultado. Apreciem sem NENHUMA moderação!

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Avassaladora, apenas isso

 

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O peito que te seduz é o mesmo que pode matá-lo em pequena, rápida e gloriosa morte…

 

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O espelho é o reflexo preciso e que jamais MENTE!

 

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A água escorre pelos poros. E Rimbaud, se vivo estivesse, sentaria toda essa beleza em seus joelhos, para admirá-la ad eternum

 

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Corpo relaxado mas também perenemente em chamas

 

 

FIM DE UM POST REALMENTE GIGANTESCO!

Com quase 80 mil caracteres de texto (uma autêntica bíblia!) este é o provavelmente o MAIOR post já publicado por Zapnroll em seus quinze anos de existência, o que demonstra que o fôlego destas linhas online continua inalterado.

Mas tudo precisa ter um fim, não é. De modos que paramos por aqui, e sendo que havia tanto material ainda a ser publicado que deixamos parte dele para a nossa derradeira edição deste triste 2018 que está chegando ao fim e prenunciando um 2019 absolutamente SINISTRO no Brasil. De qualquer forma no próximo post traremos sim as histórias dos shows que o blog viu na inesquecível Via Funchal. E também iremos falar do superb músico e guitarrista Dhema Netho, que residiu por 16 anos em Londres e agora está de volta ao Brasil, onde pretende retomar sua carreira. E claaaaaro, já temos a musa rocker pra fechar com chave de ouro este sombrio 2018: a delicious total Juliana Gelinskas (cujo aperitivo do ensaio futuro você vê aí embaixo).

Beleusma? Então até a próxima!

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(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 01/12/2018 às 22:20hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL e GIGANTE!!! Com papos sobre o novo disco do The Killers, sobre o Três Olhos Music Festival (que rola agora em novembro em Sampa, com show dos Mutantes), com recuerdos do Echo & The Bumnymen e uma ANÁLISE social zapper demonstrando por que o CRACK não vai ser derrotado no triste bananão tropical brazuca – Na sombria, imbecilizada e triste era pós-moderna, pós-revolução digital e quando a internet e a web produziram uma legião de IDIOTAS e praticamente MATARAM o rock’n’roll (emburrecendo e tornando igualmente idiotas bandas e ouvintes) o já velhíssimo (e desconhecido hoje em dia) quarteto psicodélico australiano The Church lança um disco primoroso e eivado de ambiências espaciais e melancólicas; um dos jornalistas gigantes da imprensa musical brasileira dos anos 80’e 90’, o amigo zapper Fernando Naporano fala ao blog sobre seu novo livro de poesia, que teve lançamento semana passada em Sampa; e mais uma renca de assuntos bacanudos sobre rock alternativo e cultura pop que você só encontra aqui mesmo, no espaço rocker online que está muito looooonge de ser “pobreloader”, hihihi (postão AMPLIADO e total CONCLUÍDO em 4/11/2017)

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A cultura pop e o rock mundial atual estão mesmo morrendo já que as novíssimas gerações de músicos e artistas em geral produzem apenas obras sem relevância alguma; assim cabe a veteranos como o quarteto australiano The Church (acima) continuar lançando discos com qualidade sonora quase sublime; a mesma qualidade encontrada nos versos dos poemas escritos pelo jornalista Fernando Naporano (abaixo, ao lado de Zap’n’roll e do dramaturgo Mário Bortolotto), nome lendário da rock press brasileira e que esteve essa semana em São Paulo para lançar sua nova obra literária

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MAIS MICROFONIA (com atualização e finalização das notas de cultura pop e rock em 4/11/2017)

***NADA DE NOVO NO ROCK MEIA BOCA DO THE KILLERS – Estas linhas zappers sempre consideraram a banda de Brandon Flowers como fazendo parte do segundo (ou até terceiro) escalão do rock americano dos anos 2000’. Fora que o vocalista possui um incorrigível complexo vira-lata de sub Freddie Mercury. No mais o rock do Killers é pretensioso, chumbrega, histriônico e histérico. Nada contra, tem quem ame. Finaski DETESTA e até tentou gostar, mas desistiu depois que viu a gig deles no finado Tim Festival de 2007 (lá se vão 10 anos…), numa noite que ainda teve Arctic Monkeys (com estes foi o contrário: o blog não suportava os macaquinhos e se apaixonou por eles depois de enlouquecer com o show). Tudo era pavorosamente cafona durante a apresentação do quarteto de Las Vegas: o cenário montado no palco, a performance da banda, o desempenho afetado e bisonho do front man. Zap’n’roll não agüentou meia hora e caiu fora dali (já eram 4 e meia da manhã quando decidi ir embora) pois queria meter a napa em cocaine (e meteu, assim que encontrou a dita cuja na biqueira onde foi buscar) depois de estar “trêbado” de vodka com energético (o blog estava credenciado e com acesso a uma área onde estava rolando open bar; foi um DESASTRE, claro, rsrs). Voltando aos “matadores”: o grupo existe há 16 anos, Flowers tem 36 de idade e pelo jeito não irão mudar a sua forma de pensar e fazer música. “The Man”, o primeiro single do novo álbum deles (“Wonderfull Wonderfull”), o primeiro em cinco anos inclusive, tenta emular rock com nuances dance ao estilo Bowie na fase “Fame” ou “Scary Monsters”. Mas é frouxa. O segundo single do novo trabalho, “Run for Cover” é um pouco melhor e mais acelerado/agressivo no instrumental. Mas ainda assim peca pelo excesso de cafonice (inclusive no vídeo promocional). Ou seja: Killers já deveria ter desistido. Numa era (a da web e dos anos 2000’) onde o rock definitivamente morreu e onde a música pop virou uma mixórdia gigante (com pop stars surgindo e desaparecendo aos borbotões diariamente, ao sabor do número de views e likes dos fãs em redes sociais e no YouTube), a turma de Brandon Flowers não vai renovar seu público com o som chocho e imutável que faz há década e meia – e que rendeu inclusive apenas 5 cds até hoje, prova da enorme dificuldade que o conjunto possui em compor. Pede pra sair, Brandon!

 

***O disco novo (para audição na íntegra) e os novos singles promocionais dos “Matadores” aí embaixo para quem quiser conferir.

 

*** JÁ ECHO & THE BUNNYMEN POSSUI AQUELE BRILHO INTENSO E ETERNO DE GENIALIDADE ROCKER, E QUE NUNCA MAIS IRÁ SE REPETIR – o blog zapper sentiu uma vontade enorme de falar agora sobre o Echo & The Bunnymen. Talvez porque tenha tocado a imortal e indescritível (em sua melodia, beleza poética e sonora imbatíveis e gigantescas) “The Killing Moon” há pouco na rádio classic rock (yep, ela e os “homens coelho” já se tornaram… classic rock, rsrs) da TV Net. Sim, a música cansou de tocar em tudo quanto é lugar (rádios, pistas de dança dos porões unders e nem tão unders assim de casas noturnas Brasil e mundo afora) nas últimas três décadas. Se tornou carne-de-vaca até. Mas quando você fica algum tempo sem ouvi-la e do nada se depara com aquela progressão de acordes, aquela melodia bordada com arranjos sublimes de cordas, numa sonoridade que vai se desenvolvendo em um crescendo algo estóico e grandioso até explodir em um solo magnífico de guitarra, você se surpreende pela milésima vez e se pergunta: como uma banda conseguiu compor tamanho brilho intenso de genialidade rocker? E por que isso não se repete mais na história da música e do próprio rocknroll? Aliás onde foi que o rock dos anos 2000’ e da CRETINA era da web começou a dar errado e afundou de vez na mediocridade, se tornando irrelevante e quase morto para as gerações atuais (tão estúpidas quanto o próprio rock em si dos dias de hoje)? Além de sua beleza imensurável, “The Killing Moon” também possui uma letra que é de um torpor poético inigualável. E por fim, é cantada por um vocalista que SABIA, ele mesmo, ser um dos cantores mais PORTENTOSOS do chamado pós-punk inglês. Além de tudo a música é apenas UMA das insuperáveis faixas de um disco insuperável na carreira do próprio Echo: “Ocean Rain”, o quarto álbum de estúdio do quarteto (que ainda tinha o sublime guitarrista Will Sergeant, o baixista fenomenal que era Les Pattinson e o batera monstro que era Pete De Freitas, uma formação dos sonhos de qualquer rocker e do inferno para se ouvir e ver ao vivo) e que saiu em maio de 1984. Irrepreensível da primeira à última música, está eternamente na nossa lista pessoal dos dez melhores discos de rock de todos os tempos, apenas isso. Não se gravam nem se lançam mais LPs como esse. E nem existem mais bandas assim. E nem vai existir, pode esquecer. Você escuta “The Killing Moon” e pensa com total horror no que existe hoje em dia: Imagine Dragons, The 1975, War On Drugs e DROGAS gigantes e semelhantes. Não dá nem pra comparar, é covardia, além de dar PENA da molecada atual por conta do que ela tem para ouvir em termos de música. O único senão que nos entristece em relação aos “homens coelho” é que nem Ian “Big Mac” McCulloch e nem Will souberam a hora de parar com tudo. Assistimos a pelo menos uns cinco shows do grupo ao longo de mais de 30 anos de jornalismo musical. A primeira vez (com a formação ainda original e clássica), em maio de 1987 no Palácio do Anhembi em Sampa, foi algo COLOSSAL. Depois, em 1999 (e com o conjunto já sem o baixista Les Pattinson e o batera Pete, que morreu em um acidente de moto uma década antes), já não foi nem de longe a mesma gig sublime mas, ainda assim, o blog se emocionou lá na finada Via Funchal. E na sequencia o Echo começou a vir a todo instante pra cá, os trabalhos inéditos que foram lançando se tornaram cada vez piores e vergonha alheia perto do que já haviam gravado nos anos 80’, a voz TROVEJANTE de mr. Big Mac (detonada por cigarros, álcool e drugs) foi pra casa do caralho e a última vez que os vimos ao vivo (em 2000’e alguma coisa, naquela porra longe pra cacete que é o Citibank Hall) foi um de sas tre. Cansamos ali da banda, que já rastejava como um moribundo ou doente terminal. E assim permanece até o momento, ao que parece. Mas sentimos saudades gigantescas e insuperáveis do Echo & The Bunnymen dos anos 80’. E de tudo que vivemos e ouvimos ao som deles. Éramos jovens (tinha 22 anos de idade quando “Ocean Rain” foi lançado), apaixonados por poesia, por grande rocknroll, e loucos para viver, loucos para amar, loucos para escapar para qualquer lugar bem longe da mediocridade existencial e do horror humano cotidiano. Por isso vamos amar e venerar para sempre uma canção clássica e imortal como é “The Killing Moon”. Estávamos vivos e jovens na hora, no momento certo, no tempo certo. E agradecemos aos céus por isso. Amém.

 

***Ficou de bobeira no feriadão de Finados em Sampa? Então anota na sua agenda para este sabadão (4 de novembro, quando o postão zapper está sendo finalmente concluído): tem mais uma edição do sempre bacaníssimo festival under “Volume Morto” e que acontece no Espaço Zé Presidente, na Vila Madalena (zona oeste da capital paulista). Vão rolar gigs do sempre ótimo Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, do músico curitibano Giovanni Caruso e mais uma renca de atrações legais, sendo que você pode conferir todas as infos aqui: https://www.facebook.com/events/1555874571102714/.

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Jonnata Doll canta à frente dos Garotos Solventes nesse sábado, em show em Sampa (foto Jairo Lavia)

 

***Outro fest bacaníssimo que rola agora em novembro em Sampa é o Três Olhos Music Festival, que acontece no próximo dia 25 de novembro, sábado em si, a partir das três da tarde no Tropical Butantã (zona oeste de Sampa). Vai ter como headliner o sempre imperdível show dos Mutantes (um dos nomes GIGANTES da história do rock mundial), além de participações de grupos da novíssima safra indie, como o Bike. Como as gigs irão começar e acabar cedo dá tempo de você curtir o evento de caráter bastante psicodélico e depois ainda ir conferir o lançamento do livro “Escadaria para o inferno”, na Sensorial Discos. Tudo sobre o Três Olhos Music Fest você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/121708945128350/.

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O gigante Mutantes, a principal atração do Três Olhos Music Festival, que acontece agora em novembro em São Paulo

 

***E por enquanto é isso, fechando a atualização das notas microfônicas, rsrs. Continuem lendo o postão que lá pra semana que vem voltamos na área com post inédito, beleusma? Então ta!

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, o rock, shows, discos, livros, filmes, TV, comportamento etc.)

 

***O blog zapper já está em ritmo total e louco de lançamento do livro “Escadaria para o inferno” e sobre o qual você já leu bastante aqui mesmo, em nosso post anterior. Mas agora é oficial: o primeiro livro escrito pelo jornalista eternamente gonzo, loker e rocker, será lançado com festão dia 25 de novembro na Sensorial Discos/SP (que fica lá na rua Augusta na parte em que ela corta lo chiquérrimo bairro dos Jardins), em evento que promete ABALAR a noite alternativa paulistana. Já há página oficial da festona aberta no Facebook e onde você pode conferir absolutamente todos os detalhes sobre a mesma. Vai aqui: https://www.facebook.com/events/135199137131252/?active_tab=about.

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***Beck Hansen está de volta finalmente. O pequeno gênio americano que encantou o mundo nos anos 90’ com sua até então inédita e inimaginável combinação de hip hop com folk music lançou há pouco “Colors”. É o décimo terceiro trabalho de estúdio do rocker loiro, saiu há apenas duas semanas e estas linhas bloggers poppers ainda não escutaram o dito cujo por inteiro, mas farão isso o quanto antes. E você pode ouvir o cd todo aí embaixo, sendo que como todo mundo já sabe ao menos o primeiro single do álbum (a fodástica “Dreams”) é bom pra carajo.

 

***E Noel Gallagher aproveitou sua passagem pelo Brasil (abrindo as gigs do U2 em Sampa) e foi parar no programa do Danilo Gentili! Não, você NÃO leu errado. O sujeito que passou vinte anos comandando o Oasis foi no talk show noturno do SBT, onde deu uma entrevista pra lá de hilária. E que você pode conferir a dita cuja abaixo:

 

***Um BOCETAÇO moreno mineiro. Quem é ela? Segredo, por enquanto. Mas é amiga zapper de Belo Horizonte, onde dividiu com o velho jornalistas loker brejas, sessão de cinema e a CAMA no último feriado. Ela tem vinte e quatro anos de idade, AMA o velho safado e degenerado que é Charles Bukowski (como nós amamos também, aliás foi a literatura do célebre escritor americano que uniu Zap’n’roll e a deusa morena mineira para um finde de papos, brejas e sexo incendiário, rsrs) e grande rock’n’roll e gigante MPB. O zapper perdeu o juízo pela garota, claro. E está tentando convencê-la a ser a próxima musa rocker destas linhas online. Fiquem na torcida pra que a gente consiga. Porque ela é uma XOTAÇA inigualável!

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Fã do velho ordinário e safado essa DEUSA morena mineira (acima e abaixo, após ser devorada na cama pelo jornalista loker calhorda) enlouqueceu o zapper canalha há duas semanas na capital mineira, durante uma noite de brejas, sessões de cinema e TREPADA infernal onde a divina PUTA de tetas sublimes e xoxota idem, após gozar SENTADA no pau grosso zapper, ficou de quatro e pediu: “ME FODE!”. Ela é uma garota delicious total, linda, inteligente ao cubo e o blog está tentando convencê-la a posar como nossa nova musa rocker; portanto torçam para que ela aceita porque a mineirinha é mesmo um bo ce ta ço!

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***Postão do blogão entrando no ar em ritmo de correria total já na noite de quinta-feira. Então vamos ampliando e atualizando aos poucos as notas aqui na sessão Microfonia, beleusma? Mas enquanto essa ampliação não vem vamos aí embaixo falar do novo discaço de uma veteraníssima banda do rock planetário, o ainda genial The Church.

 

 

HÁ QUASE QUATRO DÉCADAS NA ATIVA, O ROCK PSICODÉLICO DO AUSTRALIANO THE CHURCH AINDA SE MANTÉM VIVO E GRANDIOSO

São quase quarenta anos de atividade e de rock’n’roll nunca menos do que ótimo. Surgido na Austrália em 1980, o quarteto The Church lançou alguns dos melhores álbuns do rock psicodélico de guitarras do mundo entre as décadas de 80’e 90’. Ameaçou se tornar um grupo gigante (quando estourou com o disco “Starfish” nos EUA, em 1988) mas seu rock de caráter reflexivo, melancólico e espacial, além das letras que eram quase poemas simbolistas de desalento amoroso/existencial (todas escritas e cantadas pelo líder, baixista e fundador do conjunto, Steve Kilbey, um apaixonado por poesia maldita e simbolista francesa de nomes como Lautréamont, Rimbaud e Baudelaire), encontrava enorme receptividade junto à critica musical mas nem tanto junto aos milhões de ouvintes que sustentavam as vendagens de discos. Assim a “Igreja” foi a “promessa” que acabou não dando certo, em termos mercadológicos – deu apenas no citado “Starfish”. Isso no entanto não determinou jamais o fim das atividades do quarteto. E ele se manteve e se mantém ativo até os dias atuais, lançando ainda ótimos trabalhos. Como o seu novíssimo cd de estúdio, que saiu há apenas duas semanas. “Man Woman Life Death Infinity” chegou às lojas em sua versão física (lá fora, aqui sem previsão de lançamento) no dia 10 de outubro. É um disco belíssimo e algo tristonho. E com uma qualidade musical e textual que NÃO se consegue encontrar na produção dos grupelhos atuais. O que não é pouco em se tratando de Church, cujos integrantes já passaram dos sessenta anos de idade (o baixista, letrista e vocalista Kilbey está com sessenta e três).

Claro, a pirralhada ultra informada (eivada de informações inúteis, na verdade) e burra da geração web nem deve saber mais o que é ou o que foi The Church. E Zap’n’roll conheceu e conhece a banda há muuuuuito tempo. Há mais de trinta anos, para ser mais exato: em 1986, quando o autor destas linhas rockers/bloggers estava iniciando sua trajetória como jornalista musical, o então pequeno selo RGE (braço da gigante Som Livre, que pertence até hoje ao conglomerado Globo de comunicação) e que era especializado em música sertaneja (!!!), do nada adquiriu os direitos para lançar no Brasil dois LPs de um novo grupo de rock australiano que estava sendo considerado pela rock press gringa como uma das promessas da nova safra de bandas de guitar rock de então. Foi assim que saíram por aqui “The Blurred Crusade” (o segundo disco do grupo, de 1982) e “Remote Luxury” (editado em 1983). Os dois acabaram indo parar nas mãos do jovem jornalista zapper, que àquela altura havia começado a receber os primeiros “suplementos” de LPs que as gravadoras enviavam regularmente aos críticos musicais, para que estes endeusassem ou destruíssem os ditos cujos em suas análises publicadas em jornais e revistas. Pois o autor deste blog enlouqueceu quando escutou a pequena obra-prima que era/é “The Blurred…”, um álbum eivado de acepções folksters e também psicodélicas, com melodias perfeitas, guitarras poderosas, baladas belíssimas e um vocalista que transmutava poesia simbolista em versos pop, cantados com a dolência e doçura vocal de um Rimbaud transfigurado em um amalgama de Jim Morrison com Bob Dylan. Era IMPOSSÍVEL não se quedar de paixão louca pelo LP e assim o jovem repórter musical passou a acompanhar todos os passos seguintes do The Church.

Esses passos renderam os discos “Heyday” (de 1985) e “Starfish”, lançado três anos depois. A essa altura o Church já havia ultrapassado as fronteiras australianas e angariava cada vez mais fãs na Europa e nos Estados Unidos, onde o som do conjunto passou a ser tratado pela imprensa como “the next big thing” do rock’n’roll planetário. E “Starfish”, gravado pela formação clássica do quarteto (além de Kilbey no baixo e vocais também havia os ótimos guitarristas Peter Koppes e Marty Wilson-Piper, além do batera Richard Ploog) e puxado pelo belíssimo e melancólico single “Under The Milky Way”, invadiu as rádios do mundo inteiro, Brasil incluso (o que permitiu que a banda viesse se apresentar aqui em outubro de 1988). Aclamado pela imprensa e adorado pelo público americano, o Church estava mesmo se tornando a bola da vez no rock mundial.

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O novo disco do australiano The Church: há quase 40 anos na ativa e ainda fazendo rock’n’roll sublime

 

Mas algo deu errado no meio dessa trajetória. Os muitos trabalhos que se seguiram ao estrondoso sucesso alcançado por “Starfish” jamais se igualaram ao impacto mercadológico obtido pelo álbum de 1988. O público também diminuiu, interessado em que estava em sons não tão cerebralmente complexos (ainda que bastante pop e radiofônicos em boa parte das canções do grupo) e mais acessíveis e de fácil assimilação. Tudo isso acabou também afetando as relações do Church com as grandes gravadoras e menos de uma década após ameaçar se tornar um dos maiores nomes do rock’n’roll mundial, o conjunto liderado por Steve Kilbey voltou a se tornar um grupo semi-independente, lançando seus CDs por selos menores. Isso não impediu que a banda continuasse com uma produção bastante profícua e de alta densidade e qualidade musical. Algo que se mantém até os dias atuais, como pode ser ouvindo no novo disco inédito deles.

Nesse sentido, “Man Woman…” é magnífico e chega perto do sublime. Como se não houvessem passado quase três décadas desde “Starfish”, o Church retoma ambiências bucólicas, melancólicas, contemplativas e psicodélicas que seduzem o ouvinte por completo por oferecer estruturas e construções sonoras e melódicas belíssimas, como dificilmente se encontra no rock atual. Basta mergulhar os ouvidos na quase majestosa “Another Century” (que abre o disco com um impactante space rock incomum na rock music dos tempos atuais) para se perceber o quão grandioso permanece o som do quarteto. E há muito mais nas certeiras e sucintas dez faixas do álbum: “Submarine” abraça a psicodelia e ambiências bordadas com ruídos espaciais com primor e delicadeza sonora. Já “Undersea” transporta o ouvinte aos primórdios da musicalidade do Church, de quando o grupo iniciou sua trajetória em 1980. E o ápice de um CD que já pode figurar na lista dos melhores lançamentos de 2017 chega na dobradinha “Before The DeLuge” e “I don’t Now How I don’t Now”. A primeira é um guitar rock de nuances psicodélicas como a banda sempre soube engendrar muito bem ao longo de sua carreira, e pode constar das grandes músicas já compostas pelo conjunto. E a outra… simplesmente uma road folk rock ballad também mezzo psicodélica, de uma beleza melódica e atmosfera sônica incomparáveis e infinitamente superior a qualquer “esgoto” musical feito pelos grupelhos do circuito rocker atual. Daquelas canções que você escuta centenas de vezes seguidas sem se cansar dela. Como se não bastasse ainda há momentos preciosos em “In Your Fog”e em “Dark Waltz”, que fecha o disco plena de contrição e reflexão sonora melancólica, como se Kilbey estivesse recitando um poema simbolista e sombrio ao cantar a letra, esta adornada por instrumentação reverente com pianos e guitarras que provocam plena sinestesia em quem está ouvindo a faixa.

É enfim um trabalho primoroso e ultra digno para um conjunto que está em plena forma e há quase quatro décadas fazendo rock’n’roll com alma e coração maiúsculos. The Church não se rendeu às modas fugazes que devoram a música pop desde sempre. Nem sucumbiu à tentação do estrelismo, da arrogância artística e da prepotência que devora muitos rock stars. E que por isso fazem com que carreiras musicais hoje não durem absolutamente nada em um oceano de mediocridade e onde grupos e artistas solo surgem e desaparecem ao sabor de um clic na internet. Não, The Church não é nada disso e é MUITO MAIOR que tudo isso. A prova está aí, com este álbum de beleza indescritível. Com ele a “Igreja” de reverendo Kilbey pode até se aposentar, pois já terão deixado para a história do rock obras atemporais, magníficas, clássicas e eternas como essa que acabaram de lançar.

 

***Mais sobre The Church, vai aqui: https://thechurchband.net/. E aqui também: https://www.facebook.com/thechurchband/.

 

 

O TRACK LIST DO NOVO CD DO THE CHURCH

1 – Another Century

2 – Submarine

3 – For King Knife

4 – Undersea

5 – Before The DeLuge

6 – I Don’t Now How I Don’t Now

7 – A Face In A Film

8 – In Your Fog

9 – Something Out There Is Wrong

10 – Dark Waltz

 

 

O NOVO ÁLBUM DO CHURCH AÍ EMBAIXO

Para audição na íntegra.

 

E O PRIMEIRO SINGLE DO NOVO DISCO

 

HÁ QUASE 30 ANOS MATÉRIAS SOBRE THE CHURCH INAUGURAVAM A TRAJETÓRIA ZAPPER NA GRANDE IMPRENSA MUSICAL BRASILEIRA

Como já mencionou acima, no tópico resenhando o novo álbum do The Church, Zap’n’roll conheceu a banda em 1986, quando recebeu da gravadora RGE dois LPs do grupo que ela estava lançando no Brasil. Dois anos depois, já em plena ascensão em sua ainda curta carreira jornalística, o jovem repórter rocker (com apenas vinte e quatro anos de idade) estreava como colaborador da revista mensal Somtrês – a primeira grande publicação nacional voltada a assuntos musicais. E nesse mesmo ano, 1988, o jovem Finaski foi ainda mais longe: em setembro entrou para o time de críticos da ultra prestigiada página de música do Caderno 2, o suplemento cultural do diário paulistano O Estado De S. Paulo (na época, um dos quatro jornais de maior circulação do Brasil). A página era editada pelo célebre jornalista Luis Antonio Giron. E entre seus colaboradores estavam nomes gigantes da crítica musical da época, como Pepe Escobar, Kid Vinil e Fernando Naporano.

Pois Zap’n’roll fez matérias sobre a vinda do Church ao Brasil para shows (que aconteceram em outubro daquele ano), tanto na Somtrês quanto no CAD 2 – uma análise sobre a trajetória musical do grupo foi o texto de estréia deste blogger zapper no caderno cultural do jornal.

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O início da trajetória jornalística de Zap’n’roll na grande imprensa musical brasileira passa pelo The Church: em 1988 o então ainda jovem repórter fez matérias sobre a banda australiana para a revista Somtrês (acima) e quando estreou como crítico na lendária página musical do Caderno 2 do jornal O Estado De S. Paulo (abaixo), em setembro daquele ano

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A gig da “Igreja” em Sampa foi inesquecível e para muito poucos. Rolou no finado (e ótimo) ProjetoSP, um galpão enorme no bairro da Barra Funda (zona oeste de Sampa) e onde cabiam cerca de cinco mil pessoas. Por lá passaram (em gigs todas testemunhadas por este espaço virtual) Might Lemon Drops, Iggy Pop, Jethro Tull, Jesus & Mary Chain, Nick Cave, Cocteau Twins, Sisters Of Mercy, The Mission, Legião Urbana e muitos outros. E na noite do Church, infelizmente, apenas cerca de trezentas pessoas tiveram a sorte de ver e ouvir ao vivo o quarteto liderado por Steve Kilbey.

Foi um show fantástico. E inesquecível. Como eram e serão para sempre aqueles tempos, que nunca mais irão se repetir em termos de bandas, de shows de rock e de grande jornalismo cultural e musical.

 

 

UM DOS NOMES LENDÁRIOS DO JORNALISMO ROCK BRASILEIRO DOS ANOS 80’ E 90’, FERNANDO NAPORANO LANÇA SEU NOVO LIVRO DE POESIA E FALA COM EXCLUSIVIDADE AO BLOGÃO ZAPPER

Foi breve mas adorável a noite de uma terça-feira muito aprazível (uns 20 graus de temperatura, e isso com o sórdido calor primaveril já castigando Sampa durante o dia) no clima “paulistanês”. Zapnroll foi no bar/teatro Cemitério de Automóveis, do queridíssimo Marião Bortolotto, prestigiar a noite de autógrafos e o lançamento de “A respiração da rosa”, o novo livro de poemas de um nome GIGANTE do jornalismo musical e cultural que importou no Brasil nos anos 80 e 90: nosso amigo de décadas dom Fernando Naporano.

Estas linhas online e ele se conhecem pessoalmente há quase 30 anos. E não se viam também pessoalmente há mais de 25, pelo menos. Na real o blog já o conhecia de nome antes de conhecê-lo pessoalmente. O jovem futuro repórter (esse aqui mesmo, rsrs) amava jornalismo musical, sonhava em ser um jornalista musical um dia e era um pós-adolescente que DEVORAVA textos sobre música em revistas e jornais (pode esquecer: não existia internet quando o sujeito aqui tinha seus 22 anos de idade, e nos informávamos NA RAÇA, ou seja: através de publicações nacionais e importadas, e escutando os poucos programas especializados em rock que havia na TV e em rádios como a 97FM de Santo André ou a então recém-nascida 89FM). Foi assim que começamos a ler matérias escritas por gente como Pepe Escobar, nosso eterno mestre Luis Antonio Giron e Naporano em si, quando eles assinavam resenhas e reportagens musicais clássicas e sublimes em veículos como as revistas Somtrês e Bizz, e jornais como O Estado De S. Paulo.

Então Finaski mesmo se tornou jornalista, em 1986. E dois anos depois já estreava como repórter de música na revista semanal IstoÉ. E em substituição justamente a… Fernando Naporano, que havia ido para a inesquecível e sensacional página de música que era editada no Caderno 2, do Estadão, por “pai” Luis Antonio Giron. E logo em seguida à nossa entrada na IstoÉ, este mesmo Finaski também começou a colaborar com a mesma página musical do Caderno 2 – que era, numa palavra, FANTÁSTICA. A pirralha geração atual da torta e quase inútil era da web, pode esquecer: vocês NUNCA MAIS terão um jornalismo musical como o que foi feito há 30 anos no diário paulistano Estadão. E fizemos parte daquilo, daquela história. E nos orgulhamos mega de ter feito.

Foi lá no Oesp, enfim, que conhecemos dom Fernando. E nos tornamos amigos, como somos até hoje. Este então ainda jovem repórter se sentia um jornalista verdadeiramente feliz por um lado (tinha “apenas” 25 anos de idade e dois na profissão!) e um ANÃO no meio de dois GIGANTES como Naporano e o nosso saudoso e inesquecível Kid Vinil. Mas ambos se tornaram nossos amigos queridos e NUNCA nos trataram como se fôssemos inferior aos dois, na questão cultural, intelectual e profissional. E o blog escreveria um LIVRO aqui nesse post, com histórias memoráveis e bizarras dos bastidores da redação de um dos jornais que naquela época era (e continua sendo) um dos quatro maiores diários do Brasil. Como num dia em que mr. Giron, em desespero, se viu sem nenhuma matéria de CAPA decente para a edição do dia seguinte do Caderno 2. Ligou para Naporano pedindo socorro. Apenas UMA HORA depois Fernando entregou um texto sobre as então novas tendências do rock inglês. Giron ficou extasiado e ainda alfinetou o jovem Finas no dia seguinte: “O Naporano me salvou ontem. VOCÊ não conseguiria fazer o mesmo, nunca!”. Rsrs. Ficamos putos com a alfinetada, claro. Mas sabíamos que LAG falava aquilo pro nosso próprio bem. Tanto que o amamos até hoje como um irmão mais velho. Foi e continua sendo nosso mestre eterno, sendo que é dele o prefácio do livro (que sai agora em novembro), “Escadaria para o inferno”.

Outro episódio bastante surreal e engraçado foi quando FN lançou o primeiro mini LP da sua banda (da qual ele era o vocalista e letrista e cuja sonoridade ele mesmo definia como “regressive rock”, wow!), a cult Maria Angélica Não Mora Mais Aqui. Rolou então um saudável e merecido “jabá” editorial no Caderno 2 do Estadão sobre o lançamento. Com Giron convocando Finaski para fazer uma entrevista com Fernando, e Kid Vinil para resenhar o disco num box da entrevista. Nosso loiro eterno merecia o espaço pois ele era então um dos jornalistas mais brilhantes do suplemento cultural do diário. E afinal, se a revista Bizz também fazia o mesmo (elogiando sem parar em suas páginas as bandas formadas por jornalistas e colaboradores da própria publicação, sendo que essas bandas nem de longe possuíam a mesma qualidade do Maria Angélica), porque nós do CAD 2 não podíamos fazer o mesmo pelo grupo do querido FN? Pois então… rsrs.

Estas linhas rockers bloggers se lembraram dessas histórias e muitas outras lá no sempre aconchegante bar do Marião (esse “véio” ranzinza e rabugento como também somos, ahahahaha. E que além de também ser um querido amigo fináttico é outro GÊNIO da poesia e dramaturgia undeground que ainda importa nesse Brasil tristemente bestializado e emburrecido no século da pós-internet e das redes sociais) enquanto papeava com Fernando, tomava uma breja e folheava seu livro, que parece maravilhoso e digno da melhor poesia dos malditos franceses (Rimbaud, Baudelaire, Lautréamont) ou dos ingleses (William Blake e Dylan Thomas). “Quando findam as sensações que ainda tremem em carmim?”, é a pergunta que abre o primeiro leque de poemas do tomo. Foi uma noite agradabilíssima, enfim. Revemos pessoalmente um amigo com quem não tínhamos contato cara a cara há quase três décadas. O loiro continua como sempre foi: elegante, humilde, gentil, papo imperdível. E sempre trajando camisas com estampas psicodélicas e tomando seu whisky. E se hoje Zap’n’roll se sente, aos quase 5.5 de existência, de certa forma muito orgulhoso por ter pertencido àquela que talvez tenha sido a ÚLTIMA geração de jornalistas musicais de fato GENIAIS (modéstia às favas nesse momento) da imprensa brasileira, devemos isso a caras como Fernando Naporano. Por termos lido seus textos na nossa juventude e depois por termos sido colegas de redação dele e nos tornado, por fim, amigos pessoais.

Valeu, dear. E sucesso para “A respiração da Rosa”. Sendo que deixamos o próprio Fernando Naporano falar mais sobre seus novos livros de poesia, em bate-papo exclusivo com o site zapper, e cujos principais trechos você confere abaixo.

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Um dos nomes mais lendários da rock press brazuca dos anos 80’e 90’, o jornalista Fernando Naporano (acima), que reside há muitos anos na Europa, voltou ao Brasil para lançar em São Paulo seu mais recente livro de poemas (abaixo) (foto: Caio Augusto Braga)

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Zapnroll – Talvez a geração mais nova, dos anos 2000, não saiba mas você foi um dos principais nomes do jornalismo musical (e rock) brasileiro nas décadas de 80 e 90. E de repente, do nada, decidiu sair de cena e ir embora do Brasil, isso há quase trinta anos. Por que tomou essa decisão, afinal?

 

Fernando Naporano – Sou aquele que, no comando de minha finada banda Maria Angélica Não Mora Mais Aqui,- ainda em 84 – escreveu “British Caledonian”, um ácido Manifesto-Anti-Brasil, muito antes de tornar-se moda reclamar e falar mal do país. Num caráter mais extremo compus “Eu Gostei Da Guerra”, cuja letra cairia como uma luva para os dias atuais do Brasil. Como ingressei em grande imprensa ainda em plena adolescência, fiz o que pude e o que nem poderia fazer. Abri caminhos nas diretrizes da imprensa musical numa época em que ninguém levava a cultura do rock a sério. Dei uma nova dimensão ao tecido musical e abordei a música, sobretudo como uma Obra De Arte. Inaugurei em grandes jornais um cardume de inventividades, fossem pílulas de notícias de bastidores, fossem entrevistas telefônicas com bandas internacionais que estavam a explodir nos umbrais dos anos 80. Mas seja com a minha pessoa – magnética e dona de atitudes desafiadoras -, seja com minha banda – única e sui generis que viveu numa panorâmica flácida, pretenciosa e repetitiva –, o Brasil me boicotou demais, me feriu em excesso e me desrespeitou o tanto quanto (im) possível. Ao virar correspondente internacional, morando em Londres e, posteriormente, em Los Angeles, e a escrever para veículos internacionais, meu nome virou sinônimo de respeito. Atualmente tanto a banda como meus 25 anos de imprensa vem ganhando uma dimensão até de culto.

 

Zap – Mora onde atualmente e o que faz por lá, além de escrever e publicar seus livros de poesia?

 

Naporano – Moro Europa-Afora, atualmente em Madri. Me dedico integralmente a poesia, minha paixão primordial desde meus 7 anos de idade.Obviamente, tenho outras atividades, entre elas a de tradutor e professor de língua inglesa.

 

Zap – Como foi essa transição da música e do rocknroll para a escrita? Afinal você tinha um intenso envolvimento com a cena musical alternativa de São Paulo no final dos anos 80, quando cantou à frente do grupo Maria Angélica Não Mora Mais Aqui.

 

Naporano – Nunca houve transição alguma. A escrita – que começa aos 7 anos quando esboçava versinhos de amor a minha professor primária – vem muito antes de qualquer outra coisa. A poesia sempre me acompanhou desde a infância. Hoje, além de várias obras devidamente finalizadas, acumulo um material que daria para uns 10 livros. Isso sem falar que, se eu fizesse compilações de meus escritos jornalísticos com centenas de entrevistas, seria material para outros 5 livros. Nunca tive carinho ou envolvimento algum com qualquer cena “alternativa” ou “mainstream”. Sempre abominei ambos os lados. Fui e serei sempre um verdadeiro “outsider”. À margem de tudo e de todos. Personalidade e atitudes únicas, sem jamais fazer concessões.

 

Zap – Você também passou pelas redações dos principais veículos de mídia impressa do país, jornais como FolhaSP e Estadão, além de revistas como IstoÉ, Bizz e Interview. Como você vê o jornalismo musical hoje no Brasil e no mundo? Ele perdeu mesmo o romantismo e a excelência cultural de trinta anos atrás e caminha para uma inefável morte?

 

Naporano – Eu acredito ser algo devidamente morto e sepultado. A internet deu cabo de tudo. Todos são jornalistas. Como diria o Mestre Raul, “é muita estrela para pouca constelação. Não há, por assim concluir, nenhum rastro de “romantismo”ou de “excelência cultural”. O jornalismo de “Auteur” – que sempre foi o meu caso – não tem mais espaço no lamaçal do automatismo e da escrita liquída.

 

Zap – Vamos falar dos livros que o escritor e poeta Fernando Naporano está lançando, claro. São três tomos diferentes e gostaria que você explicasse melhor o conteúdo de cada um deles.

 

Naporano – Os três livros lançados esse ano possuem o mesmo pano de fundo, ou seja, uma veia poética voltada ao simbolismo, ao intimismo do reino das sinestesias baudelairianas e dos “paraísos artificiais”. “A Coerência Das Águas” (Poética Edições, Portugal) é uma deambulação pelos segredos místicos e contemplativos da existência. Envolve muitos elementos de astrologia, – diga-se de passagem, minha religião – magia e platonismo. “Detestável Liberdade” (Abstract Editions, Espanha) é um exercício sobre o horror em ser livre. Reflete a terminal solidão produzida pela Liberdade. É um relato sobre minha vida nomade-errante dos últimos anos, vivida em cidades como Casablanca, Paris, Lisboa, Los Angeles e Lanzarote. “A Respiração Da Rosa” (Córrego Editora, Brasil) é diferente dos citados acima. É um livro de temperamento pictórico, uma deambulatória ode às artes plásticas buscando uma reflexão sobre o sentimento do amor quando vivido em pleno vazio existencial.

 

Zap – Qual é a sua escola literária e poética? Você se encaixa em qual vertente? E seus autores preferidos tanto na prosa quanto na poesia, quais são?

 

Naporano – Minha escola literária é o amor. Minha escola poética é essa grande Aventura de viver. Minha arte se encaixa entre um palpitante hermetismo metafísico e um simbolismo profundamente imagético. Na infância minha base foram coleções de contos de fadas. Havia uma série de volumes, se calhar, da editora Melhoramentos que eram os “Melhores Contos De Fadas” da China, Hungria, Índia, França, Bélgica, Espanha, etc. Um bocadito mais tarde li clássicos de Stevenson, Melville, Lewis Carroll, Cervantes, Flaubert, Alexandre Dumas e outros. Com poesia minhas primeiras leituras, na altura de meus 13 anos, foram Álvares De Azevedo, Fernando Pessoa, Byron, Keats, Fagundes Varela, Heine, Shelley, etc. Ao adquirir o livro ”Anotações Para Um Apocalipse” do Claudio Willer, lá havia um poema do – já então meu amigo – Roberto Piva onde eram citados “Apóstolos da Desordem” tais como Freud, Desnos, Michaux, Artaud, Rimbaud, Blake, etc . Então, anotei os nomes e indo a bibliotecas passei a ler um por por um. Em termos de poesia, já na minha maturidade, eu citaria William Blake, Kavafis, Trakl, Dylan Thomas, William Wordsworth, Y.B.Yeats, Rilke, Novalis, Leopardi, Emily Dickinson, René Char, Eugénio De Andrade, Sylvia Plath, Nuno Júdice, Paul Celan, Fernando Pessoa, Adonis e por todos aqueles e aquelas cuja a iluminação é exaustiva e permanente.

 

Zap – Para encerrar: ao que parece você pretende retomar a carreira de front man do Maria Angélica. Mas ainda há espaço para bandas como ela nos dias de hoje? E para a poesia, também haveria espaço ainda?

 

Naporano – Não, não pretendo de forma alguma voltar com o Maria Angélica Não Mora Mais Aqui de forma atuante em palcos. Isso fez parte de uma época que não volta jamais e de uma conjuntura de visceral delírio. Acredito que a máxima da ópera-rock de Ian Anderson cai bem aqui : “Too Old To Rock’n’Roll; Too Young To Die”. Acho que hoje – uma vez que parte da mídia que sempre me boicotou em suas panelinhas abomináveis não é mais atuante – a banda teria muito mais espaço e os vôos seriam muito mais altos. Exemplo disso é o documentário “Guitar Days” de Caio Augusto Braga a ser exibido em 2018 [nota do site zapper: documentário no qual o jornalista Finaski também aparece, dando um depoimento sobre a cena alternativa rock brasileira dos anos 90’]. Nesse filme, há bandas dos anos 90 e 00 que apontam a influência do Maria Angélica bem como reconhecem de forma reverencial meu desempenho enquanto jornalista. Pretendo sim lançar um álbum (em português, por acaso) inédito do Maria bem como dezenas de canções inéditas. O formato ideal seria uma box-set de 3 Cds (com 78 minutos cada) de apenas material inédito e ao vivo. Assim como busco editores para meus novos livros de poesia, a busca é a mesma em achar uma gravadora ou alguém que banque – com direito a livreto – a box set do Maria, a qual vai se chamar “They Could Have Been Bigger Than The Television Personalities”, em alusão a um álbum dos TV’s.

 

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ANÁLISE ZAPPER: LADO A LADO A OPULÊNCIA GOVERNAMENTAL E OS MISERÁVEIS DO CRACK – E POR QUE ESSA DROGA MALDITA NÃO VAI SER DERROTADA AQUI NA PORRA DO BANANÃO TROPICAL

Semana passada Zap’n’roll ficou absurdamente impressionado com o CONTRASTE gigante e digno de uma ficção cientifica cinematográfica surreal, à la “Blade Runner” (só que REAL), quando o blog e sua amiga Gisélia presenciaram no trajeto entre a estação da Luz (onde descemos do metrô) e a sede da Secretaria Estadual da Cultura, onde estas linhas bloggers tinham uma rápida reunião agendada com nosso amado amigo de décadas e agitador cultural, André Pomba. Não são nem 500 metros de caminhada. Mas é/foi algo verdadeiramente impressionante.

A sede da Secult/SP, todos sabem, está localizada bem no CORAÇÃO da tristemente miserável CRACOLÂNDIA paulistana. E o prédio que abriga a Secult, a reformada antiga estação de trem Julio Prestes, é algo magnífico e que causa deslumbramento aos olhos de qualquer um. Construção em estilo clássico, foi reformado e restaurado há alguns anos, mantendo o padrão e estilo arquitetônico original. Lá, além da sede da Secult ainda funciona também a prestigiadíssima sala São Paulo, um dos melhores e mais nobres espaços da capital paulista para concertos de música erudita. É, em suma, um prédio exuberante e que desvela toda a opulência arquitetônica e financeira que envolve alguns endereços do poder público estadual, comandado há mais de 20 anos pelo tucanato – na real nem poderia ser diferente afinal São Paulo, mesmo com a crise monstro que se abate sobre nosso arrasado bananão tropical, ainda é o Estado mais rico do Brasil.

Porém (sempre há um porém…), causa CHOQUE a qualquer um que passe por aquela região o tal contraste monstro que mencionamos no começo desse texto. A menos de 100 metros da entrada principal da Secult (na rua Mauá) e já nas escadas e portas (algumas fechadas) da fachada da secretaria, este jornalista e Gisélia passaram por pequenos aglomerados que reuniam algumas dezenas de viciados em crack. Todos com seus cachimbos à mostra (em plena luz do dia), todos se entorpecendo ou já entorpecidos e completamente alheios ao ir e vir de quem passava ao lado deles. Todos muito miseráveis, sujos, maltrapilhos mesmo. Uma espécie de escória sub-humana que a sociedade “normal” parece ter esquecido por completo ou que prefere ignorar mesmo, na cara larga. Um usuário em particular chamou a atenção da Gigi e penalizou o coração dela, dado o estado de DEGRADAÇÃO em que ele se encontrava: sujo, vestido com TRAPOS e solitário num degrau (a apenas uns 10 passos da entrada principal da Secult, muito bem vigiada e policiada por viaturas da PM e da guarda civil, além de policiais também fora das viaturas e circulando no entorno da entrada), ele raspava o que restava de seu cachimbo para tentar dar uma última tragada nessa droga do inferno, que o blog mesmo fumou durante quase uma década. E zilhões de vezes fumou ali mesmo, na cracolândia ao lado dos “nóias”, em madrugadas insanas após sair completamente enlouquecido de álcool de alguma balada open bar e desesperado para dar uma TRAGADA numa pedrinha em cima de um cachimbo.

Depois que saímos da Secult, fomos em direção à Sta Cecília (bairro também colado ali) pois o jornalista e agora quase escritor também (rsrs) tinha uma reunião na editora Kazuá. Ao passarmos pela praça bem à frente do prédio da secretaria (e que durante muitas décadas abrigou a antiga rodoviária de Sampa) Zap’n’roll mostrou pra sua amiga, mais à frente e à nossa direita, o já tristemente célebre “fluxo”, que é onde se aglomeram mesmo os consumidores de crack e onde a droga é vendida livremente. É uma autêntica multidão gigante de ZUMBIS (quase mortos-vivos mesmo, ao estilo “walking dead”) pipando pedras em cachimbos improvisados (ou em latinhas usadas de breja e refri, em copos de água mineral, onde for possível) em tempo integral, dia e noite. Noite e dia. A visão então é/foi essa e muito clara aos olhos de qualquer observador minimamente mais atento: atrás de nós a impressionante OPULÊNCIA visual e financeira da Secretaria Estadual da Cultura de SP. E um pouco à frente de nós (e a apenas alguns metros da opulência governamental), o mais pavoroso e DEGRADANTE cenário da TOTAL decadência e miséria humanas. Um cenário composto por uma multidão de gente que perdeu tudo: dignidade, respeito, saúde, moradia, amor próprio etc. Que permanece alheia ao mundo real e que parece até viver em outra dimensão ou outro planeta que não a Terra. E, por fim, uma multidão de seres humanos IGUAIS A NÓS mas que, infelizmente, parece ter sido totalmente esquecida por uma sociedade cada vez mais insensível, egoísta, intolerante, moralista hipócrita, conservadora, hostil de verdade e que prefere ignorar os que estão na miséria final da existência humana (que é viver na cracolândia) como se aquilo lá não fosse problema de ninguém. “Não tenho nada a ver com isso, eles que se fodam e o governo e a POLÍCIA que resolvam e cuidem deles”, deve ser o pensamento de muitos que passam por ali diariamente.

FINATTICRACK

Zap’n’roll ao lado da frase que está pintada em todas as unidades móveis de polícia comunitária, espalhadas pelo entorno da cracolândia no centrão da capital paulista: não, o crack NÃO vai ser vencido no Brasil, infelizmente (foto: Gisélia Camelo)

 

É algo dantesco e surreal ao cubo. Nem o melhor e mais premiado roteirista de Hollywood conseguiria conceber um enredo de ficção tão impactante e tão fiel a uma REALIDADE que NÃO É FICÇÃO.

E este espaço virtual mesmo chegou a uma triste conclusão, que dividiu com Gisélia: não, NÃO É POSSÍVEL VENCER O CRACK, ao contrário do que diz a frase estampada ao ao nosso lado aí na foto que ilustra este comentário social zapper. Aliás pedimos pra Gi tirar essa foto (na frente de uma das muitas unidades móveis de polícia comunitária que estão espalhadas por ali, no entorno da cracolândia) por PURA PROVOCAÇÃO, claro. Porque não, o crack NÃO VAI SER VENCIDO num país onde o poder público e os governos (federal e estadual) não possuem ESTRUTURA de ponta para combater o problema. Uma estrutura mega complexa que envolve questões de saúde pública (com apoio médico e psicológico aos dependentes da droga), de trabalho (conseguir reinserir essas pessoas num mercado formal de emprego), de educação, lazer, cultura e também de inteligência policial (para combater o tráfico em si). E não, não é com um prefeito IDIOTA, coxa, insensível e que nada entende de HUMANIDADE, como João Dória ESCÓRIA Dólar é, e que quer internar à força usuários, que vai se resolver o problema. Não é fazendo operações pontuais por ali, jogando bombas de gás e jatos d’água nos usuários, que vai se acabar com aquela zumbilândia – mesmo porque o PCC MANDA ALI. E ganha milhões ali. E o (des) governo paulista deixou o PCC se tornar a orcrim gigante que é hoje e agora é quase IMPOSSÍVEL removê-lo da cracolândia, que já existe há mais de 20 anos.

E por fim, nunca será possível vencer a epidemia de crack que tomou conta do Brasil justamente por vivermos num dos países mais CORRUPTOS do mundo, que possui a classe política mais IMUNDA do universo e onde bilhões (vejam bem: isso aqui ainda é uma das dez maiores economias do planeta, mesmo com toda a grana gigantesca que escorre sem dó pelo ralo da corrupção endêmica que nos assola) somem nas mãos desses políticos e de parte da iniciativa privada que também é corrupta e corrompe agentes públicos. Você acha mesmo que esse pessoal escroto e do inferno está a fim de resolver o problema dos miseráveis em estágio final de degradação humana que este jornalista e sua amiga viram pelas ruas do centro de São Paulo, fumando crack em pleno dia? Se você acredita nisso e leu até aqui, jezuiz e parabéns… seu pensamento é ainda mais surreal do que as cenas tristes que presenciamos no centrão “blade runner” de Sampalândia.

 

 

FIM DE JOGO

Yeah. Mais um postão finalizado, no meião do feriadão de Finados. Sendo que o blogão zapper deseja que o feriado esteja sendo ótimo pra toda galere. E lembrando sempre: dia 25 de novembro tem lançamento de “Escadaria para o inferno”, na Sensorial Discos/SP. Te esperamos por lá!

E logo menos voltamos aqui com novo post inédito. Até mais!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 4/11/2017 às 4hs.)