AMPLIAÇÃO FINAL e GIGANTE! Contando como foi o festão mega de quinze anos do blog, mostrando o novo destaque da cena indie paulistana (o trio Ema Stoned) e trazendo uma MUSA ROCKER verdadeiramente ESPETACULAR para celebrar nossa década e meia de existência, wow! – Mesmo em um momento politicamente e democraticamente terrível e crucial para todo o Brasil, o blog zapper tenta se manter em festa e escapar ao menos um pouco desses dias angustiantes: nesse post especial celebramos nossos QUINZE ANOS DE EXISTËNCIA online, damos todas as infos do festão que vai BEBEMORAR e ROCKAR a data amanhã (sexta-feira) em Sampa, no Sesc Belenzinho, e ainda adiantamos que, sim, este espaço virtual se despede em DEFINITO de seu dileto leitorado ainda este ano (afinal, é melhor fechar a tampa no auge do que na decadência, como vemos por aí na “concorrência”, hihi); mais: em um tempo em que o rock e a cultura pop estão inapelavelmente no fundo do poço e no final de sua história, a grande Cat Power ainda se mantém total relevante com um belíssimo novo trabalho inédito de estúdio; e ainda nossas observações e opiniões sobre o segundo turno das eleições deste ano, uma musa rocker absolutamente de li ci ous (e que causa furor no circuito do baixo Augusta/SP) e muuuuuitooooo mais aqui, onde JAMAIS haverá espaço para a caretice, a intolerância, o preconceito e o FASCISMO comportamental, cultural, social e intelectual (postão MEGA totalmente ampliado e FINALIZADO em 26-10-2018)

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A cultura pop e o rock alternativo estão em seus estertores mas ainda resistem como podem, e nos oferecem ainda grandes discos, como o novo álbum da folk singer americana lindona que é Cat Power (acima), muito bem resenhado nesta edição comemorativa de quinze anos do blog zapper; uma data que inclusive será mega bem comemorada na noite desta sexta-feira em Sampa, com showzaços das bandas Saco De Ratos e The Dead Rocks (abaixo)

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MICROFONIA EXTRA E ESPECIAL – AS DUAS FACES DESTA ELEIÇÃO E DE QUAL LADO CADA UM ESTÁ

Analisando por alto a situação e sem uma pesquisa mais aprofundada nesse momento (pois teríamos que ter tempo para fazer isso, embora esse detalhe não inviabilize a realidade do que vamos elencar aí embaixo), podemos chegar a algumas conclusões. Começando por QUEM ESTÁ DO LADO DA VERDADE, DA DEMOCRACIA, da liberdade de expressão, do humanismo, do respeito, da tolerância com quem pensa diferente, e que é contra fascismo e nazismo político, ditadura e cerceamento de pensamento, machismo, homofobia, racismo, misoginia e mentira na política e nessas eleições:

 

– lideranças políticas que merecem nosso respeito pela sua trajetória, cultura, inteligência, equilíbrio, propostas de governança e RESPEITO à liberdade e democracia (Fernando Haddad, Ciro Gomes, Guilherme Boulos, Eduardo Suplicy, Luiza Erundina, José Luiz Penna etc.)

 

– artistas gigantes e de mega PESO da música brasileira e internacional (Roger Waters, Nick Cave, Madonna, os dois ex-guitarristas e fundadores do gigante indie Sonic Youth, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Daniella Mercury, Mano Brown, o guitarrista do Ira!, Egard Scandurra e o ex-baterista do grupo, André Jung), das artes dramáticas (Fernanda Montenegro, Wagner Moura, Thaís Araújo), da poesia (o escritor Ademir Assunção), medicina (dr. Dráuzio Varella) etc.

 

– imprensa mundial que importa (jornais como o inglês The Guardian, o espanhol El País, o francês Le Mond e o americano The New York Times).

 

– e uma renca de pensadores, escritores, poetas, cientistas políticos e sociólogos daqui e de fora, todos reconhecidos pelo seu trabalho intelectual e pela sua obra e que sabem o tamanho do RETROCESSO institucional, social, político, econômico e comportamental que irá se abater sobre o Brasil caso o MONSTRO NAZISTA ganhe a eleição.

 

Agora, quem está do lado totalmente NEGRO e reacionário, calhorda, imundo, podre e BANDIDO da eleição, APOIANDO o candidato NAZI FASCISTA:

 

– toda a pior TORPEZA da política nacional atual (DEM, psdbosta, parte do mdbosta, João Escória Dólar, senador Magno Malta, o centrão político etc, etc, etc.).

 

– igrejas evangélicas corruptas, reacionárias ao extremo, ignorantes e boçais no pensamento medieval que impõem aos seus seguidores, fundamentalistas e com os líderes evanJEGUES mais BANDIDOS que se tem notícia e que ROUBAM na cara larga seus milhões de seguidores (Edyr Macedo, Silas Malafaia, Waldemiro Santiago etc.).

 

– PATRÕES que estão loucos para dar CAMBAU no décimo terceiro salário e nas férias dos seus pobres funcionários.

 

– os 1% SUPER ricos do país, que querem continuar NÃO PAGANDO impostos, deixando os mesmos no LOMBO dos outros 99% pobres da população.

 

– “luminares” da cultura nacional como o ator PORNÔ (e cotado para ser futuro Ministro da Cultura, ahahahaha) Alexandre Frota, a gagá Regina Duarte e os “roqueiros” falidos e decadentes de direita, Lobão e Roger Moreira.

 

– agremiações políticas completamente CAFAJESTES, cretinas, mentirosas, manipuladoras, espalhadoras de fake News aos milhões e ordinárias como o MBLixo.

 

– e claro, os “cidadãos de bem” (uia!), aqueles extremamente trogloditas, ogros em estado bruto, bestiais e selvagens ao máximo. Os que perderam a vergonha (e que saíram finalmente do armário) de serem machistas, racistas, homofóbicos e misóginos, e que não têm pudor algum em mostrar que odeiam pretos, pobres e que acham que homem tem que MANDAR na mulher, e esta OBEDECER caludinha (se não, leva PORRADA!). Pior é encontrar no meio dessa malta gigante de eleitores boÇALnaros e bolsOTÁRIOS, negros que irão votar no nazi (sim, há negros que odeiam sua própria cor de pele), pobres que também irão votar nele (porque acham que irão ascender socialmente e financeiramente caso o monstro vença o pleito) e MULHERES (inacreditável, mas elas também existem como eleitoras do nazi) que acham isso mesmo: que a sociedade tem que continuar sendo eternamente e grosseiramente PATRIARCAL, machista, e que mulher tem mais é que ser bela, pudica, recatada, do lar e que tem apenas que servir como reprodutora humana e servir aos instintos SEXUAIS de seu macho, amo, senhor e provedor (com ela inclusive não tendo direito ao seu GOZO carnal).

 

É isso. Faça sua escolha. O blog já fez a sua. E vote consciente no próximo dia 28 de outubro, domingo.

 

#EleNÃO

 

#EleNUNCA

 

#EleJAMAIS

 

***Mas a BOMBA de ontem, quinta-feira, foi a manchete de capa da FolhaSP. E aí, STE, MP, PF e STF, vão se ACOVARDAR ou irão fazer o que precisa ser feito, ou seja, CASSAR a chapa do candidato nazifascista. Hein?

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***E de fato o país está em chamas a oito dias do segundo turno eleitoral. E nós também estamos tensos ao máximo, acompanhando tudo como todos estão. Mas agora vamos direto para os tópicos deste postão zapper, o que celebra quinze anos de nossa eternamente rocker existência. E ao longo da próxima semana (quando este post será ampliado, atualizado e finalizado), iremos colocar mais notas aqui na Microfonia, pode ficar sussa! Bora celebrar a década e meia de Zapnroll!

 

 

ZAPNROLL ANO QUINZE! A PROVÁVEL DERRADEIRA FESTONA QUE VAI MARCAR A DÉCADA E MEIA DE UM DOS PRINCIPAIS ESPAÇOS VIRTUAIS DA BLOGOSFERA BR DE ROCK ALTERNATIVO E CULTURA POP – E QUE DEVERÁ SE DESPEDIR DEFINITIVAMENTE DE SEUS LEITORES AINDA ESTE ANO

Não é todo dia (ainda mais nos tempos atuais, onde o rock praticamente morreu e a cultura pop está mais irrelevante do que nunca) que um blog dedicado à cultura pop e ao rock alternativo permanece no ar por uma década e meia. Pois a Zapnroll, que está na blogosfera BR desde 2003, com muito orgulho, conseguiu essa façanha. E se mantém firme e forte até hoje, com cerca de 70 mil acessos mensais. Este espaço rocker virtual começou como uma coluna semanal na verdade, no primeiro semestre de 2003, no finado portal Dynamite online. E antes ainda, foi uma coluna IMPRESSA e publicada na saudosa revista Dynamite, onde durou de 1993 a 1995 (há vinte e cinco anos!). Assim são praticamente duas décadas e meia acompanhando de muito perto tudo o que de importante aconteceu no rock alternativo e na cultura pop, no mundo todo e no Brasil também.

De modos que a bebemoração teria que ser (e vai ser) à altura da data. Fomos atrás do Sesc SP, conversamos com eles e conseguimos a espetacular comedoria da unidade Belenzinho (no bairro do Belém, zona leste da capital paulista) para celebrar nosso aniversário de quinze aninhos. Assim o festão rocker acontece lá nessa sexta-feira, 19 de outubro, a partir das 9 e meia da noite. Vai ter showzaços do Saco De Ratos (a banda de blues rock liderada pelo vocalista e escritor Mario Bortolotto) e do incrível The Dead Rocks (a melhor surf music instrumental da cena indie nacional). Também irão rolar vídeo projeções do expert vj Fabio Vietnica e estande da editora Kazuá onde você poderá comprar o nosso livro, “Escadaria para o inferno”.

E já na madruga ainda vai ter after party no sempre infernal open bar do Clube Outs (lá no 486 da rua Augusta), onde o blog fará dj set a partir da uma da manhã.

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Vai perder? Não, né! Então nos vemos lá amanhã. Afinal esta poderá (e deverá) ser a DERRADEIRA festa de aniversário de um blog e site de cultura pop que se mantém relevante há uma década e meia, mas que também tem consciência plena de que NADA é ETERNO neste mundo, sendo que um dia estas linhas zappers irão chegar ao seu fim (talvez já em dezembro próximo). Mas o Rock sim, este deverá se manter para sempre contra a opressão, o fascismo e pela liberdade individual dos cidadãos, da democracia e da alegria de viver livre e liberto.

 

***tudo sobre a festona desta sexta-feira pelos quinze anos do blogão zapper, você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/460162691145863/.

 

***e os INGRESSOS (preço merreca, o mais caro sai por apenas vinte pilas!) para o showzão podem ser comprados aqui: https://www.sescsp.org.br/programacao/168893_DEAD+ROCKS+E+SACO+DE+RATOS#/content=saiba-mais.

 

 

APÓS SEIS ANOS LONGE DOS ESTÚDIOS CAT POWER VOLTA AO DISCO, COM O BELÍSSIMO E TRISTE “WANDERER”

Uma perene melancolia sempre moveu a musicalidade folk de Cat Power. Foi sempre assim, desde que a americana batizada com o nome de Chan Marshall soltou a voz em seu primeiro compêndio de canções registradas oficialmente em disco, há mais de vinte anos. E assim ela permanece até hoje: reflexiva, tristonha, tecendo ambiências sonoras e melodias suaves que perscrutam caminhos solitários e desvelam um mundo sempre em desalento quase pleno. É o que sentimos no coração e nos ouvidos quando nos deparamos com a inebriante beleza das canções que integram “Wanderer”, décimo álbum de estúdio de Cat, e lançado oficialmente no começo deste mês. São onze músicas e pouco mais de trinta e sete minutos de duração onde a cantora, letrista, compositora e instrumentista continua deambulando fielmente pelos matizes sônicos que sempre nortearam seu trabalho musical. Continua não havendo alegria no mundo sombrio da desajustada e linda Chan. E isso é ótimo pois se traduz nas melhores pinturas sonoras que podemos escutar, em um tempo em que a música pop perdeu quase que totalmente sua relevância.

Lá se vão vinte e três anos desde que Cat Power estreou em disco, com “Dear Sir”, lançado em 1995. E já em sua estreia a cantora, então com apenas vinte e três anos de idade, mostrava a força introspectiva de seu cancioneiro de acepções melódicas folks e com forte acento melancólico nas letras e nas ambiências sonoras. Características que permearam desde então e desde sempre sua obra, acompanhando-a pelos nove discos seguintes (a maioria deles lançados pelo selo Matador, que ela abandonou depois de duas décadas, editando o novo trabalho pela Domino Records). Cat sempre deteve um olhar reflexivo e tristonho sobre o mundo que a cercava e ainda a cerca. Além disso sempre foi uma outsider e emocionalmente algo desajustada e inadequada existencialmente, colecionando problemas de saúde por conta de seu alcoolismo (hoje em dia em parte superado). Esse desajuste, no entanto, não a impediu de se tornar uma das vozes femininas mais respeitadas, relevantes e importantes do folk rock americano dos anos 2000. E de 1998 para cá a cantora lançou pelo menos três discos sublimes: “Moon Pix” (em 1998), “You Are Free” (em 2003) e “The Greatest” (lançado em 2006), que ganharam o respeito inequívoco da imprensa e também ajudaram outras artistas do novo milênio a moldar sua musicalidade. Não é exagero dizer que nomes como a deusa Lana Del Rey (que participa inclusive do novo álbum de Power, fazendo dueto com ela na belíssima “Woman”, o primeiro single de trabalho do disco) e a também cantora folk Sharon Van Etten (em bastante evidência já há algum tempo) se inspiraram em parte da construção de sua obra musical nos devaneios bucólicos e tristonhos de Chan.

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Após seis anos longe dos estúdios Cat Power volta com disco lindíssimo e tristonho

Após aventurar-se por paisagens eletrônicas em seu último registro de estúdio (no também muito bom “Sun”, lançado já há longos seis anos), Cat Power recolheu-se para voltar a trilhar os caminhos do folk introspectivo e quase pastoral. Nesse processo de recolhimento ela teve um filho (há três anos) e burilou novas e sublimes canções, que finalmente ganharam vida e corpo no início deste mês. Assim “Wanderer” exibe onze preciosidades onde não cabem arroubos sonoros, tampouco explosões de inquietude ou alegria fútil e sem sentido. Marshall continua observando o mundo como sempre fez: através de um olhar tristonho, que filtra o que vê e transforma essa visão em construções musicais muito delicadas e precisas, geralmente arquitetadas com arpejos de guitarras que se intercalam com pianos dolentes. Por cima de tudo flutua o vocal contido (às vezes quase sussurrado) da cantora. E o resultado é inebriante para se ouvir em uma madrugada solitária, com o barulho da chuva caindo ao longe. Não há como escapar da beleza e não se impactar com a delicadeza, quase fragilidade de canções como “In Your Face”, “Horizon”, “Stay” ou “Black”. Muito menos não se emocionar e quase se entristecer como retratos precisos como “Nothing Really Matters” ou “Me Voy”, onde Chan Marshall parece querer reafirmar mais uma vez (e já foram tantas vezes…) que não pertence a este mundo, que sua vida é eternamente errante e que ela jamais encontrou um verdadeiro motivo que pudesse arrancar um sorriso de seu belíssimo rosto.

Já pode ser considerado um dos grandes LPs deste 2018 tão trágico (ao menos para nosso colapsado e triste Brasil) e que está caminhando para mais um final sem nenhum motivo para esgares de felicidade. Aos quarenta e seis anos de idade Cat Power ainda seduz, acalenta e acolhe nossos corações e nossos ouvidos com carinho, ternura, beleza poética imensa e grandes canções. Não é pouco, aliás é uma imensidão de qualidade e deslumbre em um mundo onde até a música pop parece ter perdido totalmente o rumo e sua razão de existir. Grato por mais esse discaço, Chan. Ao menos agora temos mais uma ótima trilha sonora para nos confortar em nosso isolamento existencial e infortúnio emocional.

 

***A cantora começou há pouco nos EUA a turnê de divulgação do seu novo álbum. Quem sabe ela não aparece novamente no Brasil (onde tocou por algumas vezes, sendo que Zapnroll assistiu a uma gig inesquecível dela lá por 2009, na finada casa de shows Via Funchal).

 

***Mais sobre Cat Power e seu novo trabalho, vai aqui: https://www.catpowermusic.com/.

 

O TRACK LIST DE “WANDERER”

1.”Wanderer”

2.”In Your Face”

3.”You Get”

4.”Woman” (featuring Lana Del Rey)

5.”Horizon”

6.”Stay”

7.”Black”

8.”Robbin Hood”

9.”Nothing Really Matters”

10.”Me Voy”

11.”Wanderer/Exit”

 

E O DISCO AÍ EMBAIXO PARA AUDIÇÃO COMPLETA, ALÉM DO VÍDEO DO PRIMEIRO SINGLE DELE, PARA A MÚSICA “WOMAN”

 

 

LACROU! O JÁ QUASE VELHO MAS AINDA ÓTIMO (NO PALCO, PELO MENOS) FRANZ FERDINAND ARRASOU NA SUA GIG EM SAMPA – COM DIREITO ATÉ A CORO DE “ELE NÃO!” NO FINAL

Yep. Foi uma semana rocknroll beeeeem agitada na capital paulista. Ainda que o país esteja em chamas e ameaçado de eleger (graças a milhões de eleitores boÇALnaros selvagens, conservadores, imbecis e bestiais em nível extremo) um nazi fascista como presidente, ao menos o rock rolou farto na cidade. Teve Roger Waters, teve Peter Hook e Nick Cave. Tudo, vale repetir, em apenas UMA semana. E também teve Franz Ferdinand na sextona do feriado religioso nacional. E nesse o blog marcou presença. Foi a sétima vez que os escoceses liderados pelo vocalista, letrista e guitarrista Alex Kapranos baixaram no Brasil. Em Sampalândia a gig rolou na Tom Brasil (espaço ótimo como sempre, acústica muito boa, iluminação idem mas localização terrível pois é looooonge pra caralho, no cu da zona sul de São Paulo e ali só dá pra chegar mesmo de carro). E o local lotou em pleno feriado. Sendo que o show foi IN SA NO.

O FF pode já não ser mais em estúdio o grupo fodástico do primeiro e primoroso álbum, homônimo e lançado em 2004 (depois vieram mais quatro discos e a banda nunca mais acertou a mão em cheio como na sua estreia, sendo que “Always Ascending”, o mais recente e lançado no início deste ano, talvez seja o melhor trabalho de estúdio deles desde o primeiro cd). Mas ao vivo demonstrou que continua no gás total, com pique monstro e infalível em suas acepções de indie rock dançante com eflúvios claros do glam glitter rock de David Bowie, Marc Bolan e Roxy Music, além de algumas pitadas de Talking Heads. Fora que Kapranos, aos 46 anos de idade, continua um dínamo no palco, como se fosse um adolescente em início de trajetória musical.

Não deu outra: com um repertório bem equilibrado mas que privilegiou menos o novo disco e muito mais (claro!) o primeiro álbum, o FF deitou e rolou na Tom Brasil, levando as cerca de 4 mil pessoas que lotaram o local literalmente à loucura. E este velho mas ainda loker jornalista rocker, do alto dos seus quase 5.6 de vida, pulou como uma criança em boa parte da apresentação. Perdemos a vergonha e REBOLAMOS como uma BICHAÇA LOKA em “Lazy Boy” e “No You Girls” e só faltou nos jogarmos no chão quando eles dispararam “Michael”, aquele proto punk que em menos de 3 minutos conta a história do sujeito que vai com sua namorida a uma dance floor, lá conhece o Michael (“tão bonito, tão sexy…”) e se APAIXONA pelo dito cujo, hihi. Inclusive comentamos isso com dois amigos queridões (Dirlei e Renata), que estavam conosco assistindo a apresentação: o FF é uma banda com uma estética sonora bastante dançante, atrevida, subversiva e GAY, no final das contas (não à toa, haviam muitas bibas elegantérrimas, montadas, assanhadas e completamente desinibidas na plateia), o que é ótimo e se traduziu num ambiente que respirava liberdade musical, comportamental e de expressão. Tudo o que iremos perder daqui a duas semanas, caso o monstro nazi de extrema direita ganhar o pleito presidencial.

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De volta ao Brasil pela sétima vez, o escocês Franz Ferdinand arrasou em sua gig paulistana (acima), na semana passada, show que foi acompanhado por Zapnroll e amigos (abaixo)

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E o final foi lindaço e apoteótico como sempre em se tratando de FF: no bis tocaram, óbvio, “Take Me Out”, “Jaqueline” (que estas linhas online amam e que abre o primeiro disco do conjunto) e “This Fire”, em versão extra longa e que terminou de loucurar o povo já exausto àquela altura, de tanto dançar e berrar. O blog arrisca a dizer que talvez tenha sido o MELHOR show que presenciou do grupo até hoje (e olha que foi a quarta vez que os vimos ao vivo).

E teve a cereja no bolo: em um ambiente que parecia (e pelo jeito apenas parecia, mesmo e felizmente) dominado por coxinhas eleitores do nazista (afinal o ingresso mais barato custava 240 pilas), no intervalo da apresentação e antes do grupo voltar ao palco para o bis, começou um ENSURDECEDOR coro de “Ele NÃO!”, que dominou todo o ambiente da Tom Brasil. Foi lindo ouvir aquilo, de verdade!

 

 

UMA LINDA TARDE DE SÁBADO COM MILHARES GRITANDO E CANTANDO #ELENÃO – 150 MIL EM SP – 200 MIL NO RIO DE JANEIRO!!!

Faz tempo já que o autor deste espaço rock e político virtual vive em desalento por ter nascido e morar no Brasil. Sentimos um misto de vergonha e indignação (afinal aqui é o país em que coxas imbecis e eleitores bolsOTÁRIOS querem ensinar para os alemães o que foi o nazismo, ou que chamam Madonna de Merdonna e “beneficiária da lei Rouanet” porque ela aderiu ao #EleNão, ahahahaha), ainda mais agora que, perto do segundo turno das eleições presidenciais deste ano, nos damos conta de como grande parte da sociedade e do povo brasileiro se tornou SELVAGEM e BOÇAL ao máximo. Por isso o NAZISTA está aí, e vai receber milhões de votos também no segundo turno.

Mas NÃO VAI GANHAR a eleição. Porque há algumas semnas sentimos, depois de muito tempo, certo orgulho e MUITA SATISFAÇÃO de ser brasileiro. Estávamos todos lá no Largo Da Batata, em Pinheiros (zona oeste de Sampa). O blog, amigos queridíssimos e mais umas 150 MIL PESSOAS (no Rio foram 200 mil na Cinelândia). Um OCEANO de gente cantando, batucando, gritando #EleNÃO para todos ouvirem alto, muito alto. Lá pelas tantas, comentamos com um amigo, que estava conosco: “incrível o que está acontecendo aqui. Meus olhos estão marejados de tanta emoção por ver tanto carinho, afeto, tanta solidariedade humana, tanto RESPEITO e TOLERÂNCIA, tanta ARTE e CULTURA se manifestando, tantos cânticos diferentes, tantas cores e pessoas diferentes. Mas todas UNIDAS pelo mesmo sentimento de LIBERDADE e de RESPEITO ao ser humano”. Tudo o que NÃO EXISTE no outro lado, no pensamento fútil, vazio, preconceituoso, boçal, selvagem e MEDIEVAL dos eleitores que se espelham no seu “mito” nazi fascista.

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Imagem mais linda: na praça do bairro de Pinheiros, na capital paulista, 150 mil pessoas cantam e gritam “EleNÃO!”

Zapnroll ficou contente, muito, naquela tarde em Pinheiros. E mais do que nunca teve a certeza de que ele NÃO VAI GANHAR o que quer. Vamos barrá-lo, com a força das MULHERES, dos NORDESTINOS e do povo brasileiro que ainda pensa com a razão e não com o fígado.

Vote com a razão dia 28 agora. Apenas isso. O futuro de todos nós está em jogo, como nunca esteve nas últimas décadas.

 

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ZAPNROLL ANO 15 – A FESTANÇA ROCKER ARRASOU NA COMEDORIA DO SESC BELENZINHO!

As celebrações e “bebemorações” total rockers dos 15 anos do site e blog de cultura pop e rock alternativo Zapnroll não poderiam ter sido melhores. Um ótimo público compareceu à incrível comedoria do sensacional Sesc Belenzinho (em Sampa), para curtir os showzaços das bandas Saco De Ratos e The Dead Rocks.

E depois a esbórnia seguiu madrugada adentro, com a dj set de Finaski no sempre infernal open bar do Clube Outs, último bastião rock alternativo noturno do baixo AugustaSP. Quem foi, amou e deve estar morto até agora. Quem não foi perdeu. E perdeu MESMO: Zapnroll se despede e encerra com orgulho e no auge sua trajetória na blogosfera BR em dezembro próximo, após uma década e meia de ótimos e relevantes serviços prestados ao jornalismo cultural online brasileiro. E agradece imensamente a todos que nos acompanharam através do blog nesses 15 anos. Valeu galera, de coração!

Abaixo uma seleção em imagens dos melhores momentos da festa rocker arrasa quarteirão que invadiu o Sesc, e depois ainda se prolongou pela madrugada no clube OutsSP. As fotos são das gatíssimas Renata Porto e Gisélia Silva.

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Saco De Ratos, a banda liderada por Mario Bortolotto: blues rock de bebuns fodões

 

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The Dead Rocks: incendiou o povo com sua surf music instrumental fodona

 

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O blogger rocker e suas amigas gatas! (Samara, Renata, Flávia e Gisélia)

 

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Dupla de novos amigos queridos, ambos total do rock, claro: Sandro Saraiva (Sesc Belenzinho) e Zapnroll, bebemorando o sucesso do evento

 

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“Mestre de cerimônias” (rsrs) falando rapidamente sobre os quinze anos de Zapnroll

 

ENGENDRANDO PSICODELIA INSTRUMENTAL FODONA, EMA STONED SE DESTACA NA NOVA CENA ROCK ALTERNATIVA PAULISTANA

Em tempos onde o rock está praticamente morto tanto lá fora quanto aqui também, três garotas paulistanas não apenas insistem em manter sua fé no gênero musical que já foi um dos mais importantes de toda a história da música mundial (e que também mobilizou milhões de seguidores por mais de cinco décadas). Elas insistem em uma subversão e ousadia ainda mais radical, até mesmo para os padrões da cena rock alternativa da capital paulista: desde novembro de 2011 o trio feminino Ema Stoned investe em uma sonoridade apenas instrumental (sem vocais) e com forte acento psicodélico. Pode parecer loucura mas está dando certo, e já rendendo seus dividendos artísticos e de público também: a trinca tem tocado com regularidade nos espaços possíveis (que também são bem poucos atualmente) e começa a chamar a atenção de um público que vem crescendo aos poucos.

A banda começou como um quarteto. E decidiu se manter como trio e compondo material apenas instrumental depois que a quarta integrante, a guitarrista e vocalista Sabine Holler, se mudou para a Alemanha. Ficaram Alessandra Duarte (guitarras), Elke Lamers (baixo) e Jéssica Fulganio (bateria). E mesmo lutando com muitas dificuldades elas permanecem juntas até agora, sete anos após a fundação do grupo. Zapnroll as viu ao vivo há algumas semanas em São Paulo, na comedoria do Sesc Belenzinho, onde abriram para o também trio (e nome já clássico e lendário do rock BR dos anos 80) Violeta De Outono. O blog ficou realmente impressionado com a potência sonora do conjunto, e com suas ambiências psicodélicas construídas em longas e envolventes passagens instrumentais. Desta forma, não poderíamos deixar de destacar o trabalho do trio neste espaço rocker online. Para tanto fomos conversar com as três instrumentistas para saber um pouco mais sobre a trajetória delas até o momento, além de saber como é lidar com uma banda de rock psicodélico e instrumental nos dias que correm.

Os principais trechos deste bate papo você confere aí embaixo.

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O trio psicodélico instrumental paulistano Ema Stoned: um dos destaques da novíssima cena alternativa paulistana e nacional

 

Zapnroll – A banda já tem um tempo razoável de existência mas ainda longe de ser conhecida do grande público. Então para quem ainda não conhece o Ema Stoned, dê um resumo da trajetória do grupo até aqui, como e quando ele foi criado etc.

 

Jéssica Fulganio – Ema Stoned começou oficialmente em Novembro de 2011 no formato de quarteto que durou até 2013 quando saiu nosso primeiro EP Gema. De lá pra cá lançamos um EP ao vivo, Live from Aurora (2016) e o single Proxima b (2017), que saiu pela coletânea da Levis no projeto Original’s Studio. Estamos passando com a “Around Galaxies Tour” em festivais pelo país e nosso primeiro álbum full sai em 2019.

 

Elke – Acho que a Jéssica resumiu tudo.

 

Zapnroll – Em um momento onde não há muito espaço na mídia e interesse do público pelo rock, o Ema Stoned começa a chamar a atenção fazendo um trabalho musical nada convencional, investindo em canções apenas instrumentais e com forte acento psicodélico. Como se deu a opção por esse estilo (instrumental e psicodélico) e o que vocês acham que podem alcançar com esse trabalho.

 

Jéssica – Com a ida da guitarrista/vocalista Sabine para Alemanha decidimos seguir como trio já que boa parte do repertório era instrumental. Foi o caminho natural. Passamos um período redescobrindo nossas músicas, tocando com outras pessoas e maturando novas ideias. Nossa sonoridade não foi desenhada a partir de um estilo ou formato pré-estabelecido, mas sim por meio do mix das nossas individualidades e referências.

 

Elke – Não foi uma escolha, o som surgiu naturalmente quando começamos a nos reunir, mesmo antes de trocarmos referências. As músicas já eram em maior parte instrumentais, e com a partida da Sabine aí sim foi uma opção, continuamos com as composições em trio.

 

Alessandra Duarte – Acho que conseguimos alcançar os públicos mais diversos com esse tipo de trabalho. Acredito que a música instrumental pode criar um canal de acesso para uma conexão consigo mesma/o, atravessando as pessoas de formas diferentes, onde cada uma/um pode criar e acessar a sua própria história dentro de si.

 

Zapnroll – Quais artistas do rock nacional e mundial vocês podem citar como influência direta no trabalho que vocês desenvolvem.

 

Jéssica – Morphine, Acid Mothers Temple, Velvet Underground, Meat Puppets.

 

Elke – Mutantes, Pink Floyd, Sonic Youth.

 

Alessandra – Ash Ra Tempel, Blonde Redhead, Can, Radiohead.

 

 

Zapnroll – A banda já é conhecida fora do Brasil? Há planos para se fazer algo em torno de construir uma carreira no exterior?

 

Jéssica – O Gema no seu lançamento teve uma resposta muito bacana em países da Europa e Ásia. Alcançamos também EUA, Austrália e Argentina. Há tempos recebemos convites para tocar fora mas ainda não conseguimos alinhar uma mini tour sustentável.

 

Zapnroll – O que você gosta e não gosta na atual cena do rock independente nacional.

 

Alessandra – Acho que tá surgindo uma nova onda de experimentalismo no rock que sai do formato de canção, mistura noise, drone, barulhos não identificados, com uma pegada ritualística que tem me interessado bastante. Também tem surgido umas bandas de mulheres que estão dando uma nova cara pro rock. Não gosto quando o rock é muito pop ou previsível, muito menos quando o negócio fica muito mental, tipo martelada de notas na cabeça que para mim acaba virando um exibicionismo sem sentido.

 

 

Zapnroll – Novamente, é visível que o rock atravessa um momento de baixa, não apenas aqui mas no mundo todo. O público parece mais interessado em gêneros musicais mais acessíveis e de fácil digestão, como música pop e eletrônica (lá fora), e sertanejo e funk (por aqui). Como furar esse bloqueio e voltar a fazer com que as pessoas se interessem pelo bom e velho rocknroll?

 

Elke – O rock teve seus momentos de glória, de novidade, talvez pra voltar à tona novamente tivesse que se reinventar, ele já anda por aí disfarçado de pop, dissolvido em outros estilos. Não sei se é um bloqueio que queremos furar, coexistimos em proporções muito diferentes, são universos paralelos…

 

Alessandra – Eu tendo a pensar que, como a reconstrução do mundo, o futuro do rock é feminino.  Acho que já cansamos um pouco dessa energia masculina que sempre predominou o mundo do rock e está na hora de escutarmos e sentirmos mais atentamente o que a experiência de ser mulher no mundo pode nos dizer e trazer através da música.

 

Zapnroll – Planos futuros da banda?

 

Elke – Lançar um álbum em 2019.

 

Alessandra – Por enquanto estamos focadas no #EleNão antes de qualquer outra coisa.

 

***Mais sobre o Ema Stoned, vai aqui: https://www.facebook.com/EmaStoned/. E aqui também: https://www.emastoned.com/?fbclid=IwAR2Ndb9nW56kxLIAD8-jviVzI9SU3jetkgXHo8hZYneOpGZ3psvJI5t2CXE.

 

 

UM EXGERO DE TESÃO E GOSTOSURA NO POST DE 15 ANOS DO BLOG ZAPPER: UMA MUSA ROCKER PRA ENLOUQUECER NOSSO LEITORADO MACHO (CADO), ULALÁ!

Ela é linda, doce, meiga, total do rock e costuma enlouquecer o povo que frequenta baladas alternativas do baixo Augusta (em Sampa), onde volta e meia atua como hostess (e que hostess, wow!) de bares como o do Netão (onde estará nessa noitona de sextona pré eleição do segundo turno) e o Clube Outs. E como estas linhas online sempre a admirou e sempre teve enorme carinho e simpatia por ela (além de uma amizade bem bacana), não poderíamos deixar de convidar a garota para fazer um ensaio pra lá de sensual nesse espaço virtual.

Assim, podem se deleitar avonts. Com vocês a lindaça, mega sensual e incrível Nay In, a nossa musa dos quinze anos de Zapnroll. Apreciem sem moderação alguma!

 

(fotos: Otavio Macedo – @visionsp.br)

 

MUSA NAY IN

Nome: Nayanny Ito Nogueira.

Idade: 25 anos.

Nasceu em: São Paulo.

Mora em: São Paulo, capital.

Com quem: tios e avó.

No que trabalha e estuda: Hostess e DJ, formada em audiovisual.

Três discos: “Living in Darkness” (Agent Orange), “Wasted Again” (Black Flag) e “Houdini” (Melvins).

Três artistas ou bandas: Adolescents, Dinosaur Jr, e Stone Temple Pilots.

Três filmes: “Kids”, “Taxi Driver” e “Clube da Luta” (um quarto filme pode ser “Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas”).

Três diretores de cinema:

Tarantino, Tim Burton e Alfred Hitchcock.

Um livro: “Veronika decide morrer”.

Um escritor: Paulo Coelho.

Um show inesquecível: Dinosaur Jr no Cine Joia.

Sobre

Sexo: é algo que precisa fluir naturalmente, atração não tem uma regra pré estabelecida, mas acho que nosso gosto muda muito de acordo com a nossa frequência de vida.

Drogas: experimentei algumas na adolescência, foi importante pra compreender/saber como lidar com as pessoas, mas não tenho nenhum vício.

E rocknroll, claro: foi o que começou a mover minha vida, a sensação causada pela música faz você se conhecer, se descobrir, se libertar, aprender a sentir, mesmo quando não tem uma letra tão óbvia, a atitude rock’n roll faz você questionar as coisas “será que está tudo certo e eu só preciso seguir… ou eu quero meu espaço porque não concordo com isso?”.

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Com quantos desejos construo meu amor por você…

 

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Um dia conto meus segredos mais secretos a alguém especial…

 

 

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Não basta ser bonita, tem que ser do rock!

 

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Vermelho básico escondendo um corpo em chamas

 

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Linda, rocker, tatuada e mortalmente sedutora!

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

Disco: o novo e lindão da Cat Power, óbvio.

Livros: estas linhas online estão devendo algumas resenhas literárias de ótimos lançamentos independentes que chegaram até nossas mãos nas últimas semanas. E assim que passar a loucura destas eleições presidenciais sinistras ao cubo, iremos falar detalhadamente aqui de “Fogo, fatos e frangos” (da sereia loka e gatíssima Flávia Dias, que inclusive já foi também musa rocker do blog), “Macumba rock” (do jornalista e brother Jesse Navarro) e de “De analgésicos e opióides”, da escritora e poeta (e querida amiga zapper) Tatiana Pereira. Todos bacaníssimos e que mantém a chama literária alternativa vibrando em um país onde a cultura está cada vez menos prestigiada e onde as pessoas leem cada vez menos. Assim, podem aguardar nos próximos posts mais infos sobre estes livros, promessa de blogger fináttico fanático por livros.

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A sereia loka e linda Flavinha Dias, e seu primeiro livro, lançamento da Bar Editora

 

Show indie: na correria total (já é noitão de sexta feira) o blog está indo pro baixo Augusta, para prestigiar a gig do Cenário Liquído, nova empreitada musical do guitarrista, cantor, compositor, poeta, letrista e professor Edner Morelli, velho chapa destas linhas bloggers rockers. Se você estiver a fim de colar lá também, corre que ainda da tempo: o grupo liderado por ele sobe ao palco do Augusta 339 (na rua Augusta no mesmo número, oras) a partir da meia noite.

 

 

E AGORA É THE END MESMO!

Yep. Postão ficou grandão e bacanão como sempre. E no domingo tem segundo turno de uma eleição decisiva para o futuro do Brasil. Pense nisso quando for votar. Diga NÃO gigante ao retrocesso, ao autoritarismo de extrema direita e ao fascismo que ameaça a todos nós. Vote em quem pode manter o país livre, democrático, liberto e sem ódio e violência. Fica o apelo sincero destas linhas sempre libertárias, diretamente ao coração de seu amado leitorado. Vote bem neste domingo!

E logo menos a gente volta aqui com novo post daquele que é, há década e meia, o blog de cultura pop e rock alternativo mais legal e RESPEITADO da web BR. Beijos pra todos vocês!

 

(amplaido, atualizado e finalizado por Finatti em 26-10-2019 às 22hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL E MONSTRUOSA, UHÚ! Com a abertura do Rock In Rio 2017, mostrando os novos discos do The National e The Cult, falando de grandes perdas essa semana para o rock’n’roll e mostrando mais fotos incríveis da tesudíssima e gatíssima musa rocker Flávia Dias! – Depois de quatro anos longe dos estúdios o Queens Of The Stone Age volta GIGANTE com seu novo álbum inédito, se mantendo como uma das pouquíssimas bandas relevantes no rock mundial dos anos 2000’; tem musa rocker gostosíssima esta semana? Claaaaaro: novamente atendendo a pedidos, oferecemos ao nosso distinto e dileto leitorado macho (cado) uma nova batelada de imagens tesudíssimas da gatíssima Flavinha, um demônio em forma de sereia que ama poesia beat e loucuras variadas; e mais isso e aquilo tudo que você só encontra mesmo aqui, no espaço de cultura pop mais legal da web BR há catorze anos! (postão AMPLIADÃO e finalmente total concluído, em 15/9/2017)

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Com discaço novo que acaba de sair o americano Queens Of The Stone Age (acima) mostra mais uma vez que continua sendo uma das únicas bandas do rock mundial que vale a pena dos anos 2000’pra cá; e mesmo com o nosso miserável bananão tropical totalmente afundado na lama, um setor da cultura pop se mantém mais ativo do que nunca e lançando bons títulos: é o mercado editorial voltado a livros sobre musica e biografias em geral, como a do saudoso e genial cantor Belchior, cujo volume teve noite de autógrafos essa semana em Sampa (abaixo, com Zapnroll dando um abraço no seu amigo Jotabê Medeiros, jornalista e amigo zapper há quase trinta anos)

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MAIS MICROFONIA

(com Rock In Rio começando SEM Lady Gaga, a mais nova “flechada” de Janot contra o conde Drácula golpista, o mais recente e bom disco do velho Cult, a morte de um baterista gigante da história do rock e também de uma jovem e gatinha cantora indie rocker americana,  e mais isso e aquilo tudo)

 

***Entonces, conforme prometido (aqui se promete e se cumpre, uia! Rsrs), entrando agora no ar, já no final da sextona, 15 de setembro, a ampliação gigante desse post zapper. E como ele finalizamos os trabalhos aqui também, ao menos por enquanto néan. Mas caaaaalma que ainda tem mais notinhas aí embaixo e os complementos todos. Inclusive falando do Rock In Rio 2017, que começa hoje na cidade Marabichosa. Vai lendo aí embaixo e divirta-se!

 

***Rodrigo Janot está se despedindo da PGR. Mas ontem ainda teve tempo pra disparar a nova denúncia (“enquanto houver BAMBU lá vai FLECHA!”) criminal contra o MAIOR BANDIDO que já existiu na história da política brasileira: ele mesmo, esse velho desgraçado e imundo, esse conde Drácula do Planalto chamado Michel Temer. Claro que todos nós sabemos que esse filho da puta vai novamente ter sua pele salva pela Câmara dos Deputados em Brasília, tão corrupta e imunda quanto ele. E teremos que agüentar esse LIXO humano e político até o final de 2018. O consolo que nos resta é que esse VERME sairá da presidência do Brasil mais imundo do que pau de galinheiro. E se houver justiça aqui, depois que ele deixar a presidência vai passar alguns anos MOFANDO na cadeia, onde é o seu merecido lugar.

 

***A grata surpresa desta semana que está chegando ao foi… o último cd do The Cult, que toca na primeira noite do festival SP Trip, no próximo dia 21 de setembro, abrindo pro gigante The Who. O álbum se chama “Hidden City”e já saiu há mais de um ano – foi lançado em fevereiro de 2016. O site zapper ainda não tinha escutado o dito cujo, assume. Aliás não ouvíamos Cult há séculos na verdade. Mas como a banda está vindo aí e pretendemos estar lá na noite em que eles vão tocar (pedimos credenciamento e se rolar ótimo, porque grana pra pagar o ingresso sem chance; e se conseguirmos ir vai ser mesmo por causa do Who, óbvio), resolvemos ver a quantas eles andam e fomos matar nossa curiosidade em relação ao último trabalho deles de estúdio. Sendo que Zapnroll não esperava mais nada do grupo já há muitos anos. Vejam bem: os vimos no auge ao vivo quando estiveram pela primeira vez no Brasil, em 1991. Era a turnê do “Sonic Temple” (que eles haviam lançado em 1989), Finaski trampava na revista IstoÉ, estava casado e foi no único show que eles fizeram então por aqui, no ginásio do Ibirapuera, em Sampa. Que lotou, claro (15 mil malucos lá dentro). E foi uma gig inesquecível. Depois o conjunto começou a descer a ladeira, tanto em disco quanto ao vivo. Se não for engano assistimos a turma mais duas vezes e aí então largamos mão deles. Foi em 1994 (no finado Olympia), onde a performance já não foi lá nenhum primor, longe disso inclusive. E depois em 1999’, numa festa de aniversário da 89fm (ah, aquela noite… o sujeito aqui era apaixonado pela linda Ana Cristina B., que foi ao show com ele e CHUPOU O PINTO do jornalista rapidamente no back stage, num momento em que fomos nele… saudades dessa puta inigualável, com quem o então trintão jornalista teria se casado…), e onde a banda se mostrou horrível no palco. Depois eles ainda voltaram pra cá em 2006, 2011 e 2013, é isso mesmo produção? Se estivermos equivocados, plis, podem nos corrigir. Nunca mais fizemos questão de vê-los ao vivo. Mesmo porque os discos que também foram lançando se tornaram irrelevantes, daqueles que ninguém viu nem ouviu. Mas este “Hidden City” muda UM POUCO o contexto da parada. Guarda pouca similitude com os imbatíveis “Love” (de 1985) e “Electric” (de 1987) que sim, ficaram algo datados já musicalmente falando, mas que permanecem como dois clássicos do pós-punk inglês dos anos 80’. Enfim, a sonoridade atual está hard rock, e algo sombria e melancólica nas ambiências e nas melodias. Ouvimos apenas uma vez e de cara já simpatizamos com “Dark Energy” (que abre bem o disco), “No Love Lost” (mezzo pós-punk e sombria na sua condução), “Birds Of Paradise” e “Sound and Fury”, que fecha tudo com pianos e guitarras agônicas, em clima de final dos tempos. E sim, notamos uma queda na qualidade das músicas na segunda metade do álbum mas ainda assim, para um grupo que está há mais de 30 anos na estrada e cujos integrantes principais (o vocalista Ian Astbury e o guitarrista Billy Duffy) estão com 55 e 56 anos nas costas, não dá pra reclamar. Fora que Ian continua mantendo bom vocal. E Billy sempre foi um puta guitarrista. De modos que essa porra poderá render bem ao vivo, no final das contas. É o que pretendemos e esperamos conseguir conferir e saber no próximo dia 21 de setembro. E sendo que você conferir o novo disco do velho Cult na íntegra aí embaixo.

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A dupla eterna do velho Cult (Ian Astbury e Billy Duffy, acima) e seu novo disco (abaixo): o grupo continua em forma

 

***E quem também lançou novo discão após quatro anos longe dos estúdios foi o sempre lindo e incrível The National. “Sleep Well Beast”, a nova e belíssima obra sônica de Matt Berninger, foi lançado oficialmente no último dia 8 de setembro e estas linhas virtuais ainda estão, hã, degustando o dito cujo. Sendo que em breve faremos uma análise detalhada dele por aqui, mas você já pode escutar o discão aí embaixo, na íntegra.

 

***Uma das mais queridas amigas zappers, a DJ Silmara Oliveira, faz niver semana que vem. E vai comemorar como gosta e da melhor forma possível, fazendo o que ela faz mega super bem: animando a pista como DJ convidada da festona que pretende reviver os dias de gloria do Anny44, que foi um dos clubs rockers mais legais de Sampa nos anos 80’. Vai rolar muito gothic sound e anos 80’, claaaaaro. E Zapnroll já confirmou presença, pra dar um beijão na Sil, reencontrar velhos amigos e também por saber que vai ser uma noitada bacaníssima. Interessou? Tudo sobre a festa aqui: https://www.facebook.com/events/1443940582357044/?acontext=%7B%22ref%22%3A%223%22%2C%22ref_newsfeed_story_type%22%3A%22regular%22%2C%22action_history%22%3A%22null%22%7D&pnref=story

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Silmara Oliveira, querida amiga zapper e uma das ótimas djs da cena alternativa paulistana, toca semana que vem em festa na Vila Madalena

 

*** AMOR E CARINHO ETERNO PARA OS QUE SE FORAM ESSA SEMANA – Yep. A morte de alguém ainda choca e entristece bastante estas linhas rockers bloggers. Ainda mais quando ela leva pessoas que admiramos mesmo sem ter conhecido pessoalmente, mesmo que distantes de nós e do nosso mundo. Pessoas com as quais sentimos algum tipo de identificação, afinidade cultural, comportamental, musical etc. E choca ainda mais quando nos damos conta de que era alguém ainda muito jovem, cheia de vida, fazendo bom rock, boa arte e contribuindo de alguma forma para que o mundo e a raça humana sejam menos escrotos do que estão sendo nos dias que correm. Então essa semana perdemos dois na batalha contra o câncer (sendo que Zapnroll também já teve o seu), no rock americano. Um deles o grande Grant Hart, baterista e fundador do gigante e essencial Husker Du. A outra, essa lindinha aí na foto com a banda onde ela cantava, o Those Darlins. Jessi Zazu tinha apenas 28 anos. Cantava bem e a banda era bacana, uma das bem legais da cena americana alternativa dos anos 2000’. É isso. Desse mundo selvagem ninguém nunca sairá vivo mesmo. Já Grant Hart se foi jovem ainda. 56 anos. Fundador e baterista de uma BANDA FUNDAMENTAL da história de todo o rock’n’roll. Sem eles (sendo que tivemos em vinil os ESSENCIAIS “Candy Apple Grey” e “Warehouse – songs & histories”, há 30 anos) não teria existido Pixies. E sem Pixies não teria havido Nirvana, uma das cinco bandas da nossa vida (pra sempre!) e o último grupo que valeu a pena nessa porra de rocknroll. Rip, Grant Hart e Jessi Zazu. Se houver alguma outra estação por aí, além dessa desgraça chamada Planeta Terra, esperamos reencontrar vocês um dia nela, e trocarmos uma idéia e fazer um som.

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Jessi Zazu (acima, à frente dos Those Darlins) e Grant Hart (abaixo, um dos fundadores do seminal trio americano Husker Du): ambos nos deixaram essa semana, derrubados pelo câncer

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***Entonces é isso. Microfonia parando por aqui. Agora segue lendo o postão que tem muuuuuita info nele, ainda com a “engordada” que foi dada na parada, beleusma? Então vamos Nelson!

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, a política, discos, filmes, shows, comportamento etc.)

 

***Notinhas da “Microfonia” em construção. A primeira parte do post do site zapper está entrando no ar na véspera do feriadão em si, de modos que iremos alimentando isso aqui ao longo da próxima semana e sempre que um assunto relevante merecer nossa atenção na cultura pop e na cena rocker alternativa.

 

***E já que estamos falando em feriadón, tem muita gente que vai ficar em Sampa durante o mesmo. É o seu caso? Então tem baladona bacanuda na sextona em si pra ir: mais uma edição do já bombado Bailindie da saudade. Que desta vez vai rolar lá na Vila Madalena. Os detalhes e todas as infos sobre ele estão aqui: https://www.facebook.com/events/2107541696156504/.

 

Já se você prefere curtir um rock’n’roll no meio do mato, dentro da natureza e tals, também sem problema. O sempre incrível Simplão Rock Bar (que fica numa chácara, em Paranapiacaba), da nossa eternamente mui amada Cris Doidona, abriga a partir de HOJE a sexta edição do festival “Independência e Rock”. Vai ter uma renca de bandas legais (entre elas os queridos do Betty57) e rola até domingo, sendo que as infos todas sobre a festona na floresta você acessa aqui: https://www.facebook.com/events/121775775134074/?acontext=%7B%22ref%22%3A%2229%22%2C%22ref_notif_type%22%3A%22plan_reminder%22%2C%22action_history%22%3A%22null%22%7D&notif_t=plan_reminder&notif_id=1504735183380872.

 

***E por enquanto é isso, povo. Mas após o feriadão em si fiquem atentos que mais infos irão aparecer aqui no Microfonia, que por hora encerra com a IMAGEM aí embaixo desta semana. Claaaaaro, os R$ 51 milhões do Geddel, muito bem abrigados na nova sede da Casa da Moeda. Onde? Ora, em Salvador, Bahia, MEU REI! Hihihi.

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COMEÇA MAIS UM ROCK IN RIO, QUE MOSTRA COMO UM DOS MAIORES FESTIVAIS DO MUNDO REFLETE SEU TEMPO E COMO ELE NÃO TEM MAIS QUASE NADA A VER COM… ROCK

São onze da noite da sexta, 15 de setembro de 2017 (quando este postão zapper está finalmente sendo ampliado e finalizado). Dia da abertura de mais uma edição do Rock In Rio, hoje um dos maiores festivais de música (e não apenas de rock) do mundo e marca empresarial mais do que consolidada.

Zapnroll está nele, vai nele? Nope, vai acompanhar o que for possível “do sofá” mesmo, no conforto do seu lar. Mesmo porque o que queremos realmente ver ao vivo estará aqui mesmo em Sampa, semana que vem.

Este espaço rocker no entanto teria um livro pra escrever aqui sobre o festival, sobre o RIR de ontem e de hoje e sobre o que ele significou para a cultura pop brasileira. Ao invés disso vamos resumir toda a parada deste tópico nesse excelente texto algo memorialista que o querido chapa André Forastieri publicou em sua página no Faceboquete. E complementamos com a nossa própria visão do evento, na reposta que demos nos comentários desse mesmo post do Forasta. Os dois textos seguem abaixo, tal como foram redigidos no FB. Com certeza trarão ótima leitura e uma ótima visão ao nosso dileto leitorado, sobre o que foi ou é atuamente o festival criado há trinta e dois anos por Bob Medina.

 

De André Forastieri:

Eu tinha 19 anos e estava sozinho no ônibus Copacabana-Cidade do Rock, com o coração na boca. Meu primeiro dia no Rio de Janeiro. Meu primeiro dia de Rock In Rio.

Já morava sozinho em São Paulo há dois anos, mas tive que pedir aprovação para os meus pais mesmo assim. Eu não tinha grana para ir, só estudava. Não encrencaram, ajudaram. Descolaram até um lugar para eu ficar hospedado.

Moleza total. Noite no barrão do festival, dia num mega-apê lotado de obras de arte e livros louquíssimos do Umberto, meu primo cardiologista society, marchand, descoladésimo, que mal vi enquanto estava lá. Morreu jovem, como muita gente boa naqueles 80 e 90.

Umberto trabalhava e badalava como um louco, jantava fora todo dia. A geladeira dele só tinha guaraná e iogurte de morango. Vivi de sanduba na rua meus dias de Rock In Rio. E salada de frango do Bob’s e Malt 90 de noite.

O engraçado é que eu não armei a viagem com ninguém, mesmo sabendo de alguns conhecidos que iam. Não lembro por que foi assim. Encontrei lá, que eu me lembre, dois colegas de colegial, Paulo Cabral – colega jornalista – e Viviane Zveiter, minha amiga de infância.

Foi a última vez que vi Viviane – quer dizer, até 2008, aniversário de 25 anos de formatura do colegial. Ela estava igualzinha. Eu, 25 quilos mais pesado. Hope I die before I get old, indeed…

A ironia é que em 85 meu negócio era punk e new wave fazia séculos, e eu estava me sentindo um pouco traído com New Wave ter virado gel com glitter para cabelo. Que ondinha é essa de B-52’s, Legal Tender? Eu era fã dos caras desde 1980!

Fiquei mais chateado ainda porque os artistas que eu mais gostava, o próprio B-52’s, Go-Go’s, Nina Hagen e tal, fizeram umas porcarias de show. Os brasileirinhos, coitados, mal a gente escutava, Paralamas, Kid Abelha, Blitz. O Rock In Rio foi dos dinossauros: Queen, AC/DC, Whitesnake, Yes, Iron Maiden.

Eles é que sabiam tocar em descampados com uma acústica de pesadelo. Fui lá pra implicar com a velharada. Não era e nunca fui metaleiro. Mas tive que me render. Me converti ao AC/DC, que achava coisa pra jacu, lá mesmo.

Até hoje cravo sem dúvida nenhuma: o melhor show do festival foi o Queen. Só estando lá para ver. Outro que aquela maldita praga levou, Freddie Mercury.

O Rock In Rio, de uma maneira esquisita, foi o Woodstock do Brasil: rock, amor e lama, um divisor de águas geracional. Não tínhamos voto direto para presidente, mas pelo menos a gente estava livre dos generais. Chega de mau humor. Chega de tromba. Chega de patrulha ideológica. Chega de Fagner, Gonzaguinha, Simone, chororô. Let’s rock!

Não arrumei uma namorada lá, mas tentei bastante. Me atolei no gramado e nos lagos de esgoto que se formavam nos banheiros. Meus tênis viraram blocos de barro. Voltei do Rio de havaianas (com meia! estava frio!), cheguei uma da matina. Dormi na rodoviária de SP, para pegar o primeiro ônibus para Piracicaba sete da manhã. Eu tinha me transformado em outro cara.

Foi bom, tudo foi lindo, foi uma aventura. Sem risco, mas para minha parca experiência da época, uma aventura mesmo assim. Perto das maluquices que conhecidos fizeram, tive um festival de playboy total. O mano Paulo César Martin, o Paulão do Garagem, fritou o braço com o óleo da batata frita e foi enfaixado ver o Ozzy!

O Rock In Rio teve consequências diretas na minha vida. Porque durante o festival, foi realizada uma pesquisa com o público sobre a viabilidade de uma revista sobre rock no Brasil. Em termos de leitores, de anunciantes e tal.

Foi com base nesses resultados que ela foi lançada no Brasil alguns meses depois: Bizz. Ideia de executivos e jornalistas roqueiros, que xavecaram os chefões na Abril. Hei, Carlos Arruda, aquele abraço!

Seis anos depois, eu era editor da Bizz, cabeludo, e passei o Rock In Rio 2 inteiro instalado numa suíte do Copacabana Palace. Dormia de dia, dividia a piscina com o George Michael à tarde, enfiava o pé na jaca noite adentro, nos shows, nas salas Vip das gravadoras e num after que não acabava nunca. Meus dias de rockstar. Dava autógrafo na rua, juro.

Em 2001, voltei for fun, com grandes amigos, para um final de semana regado a REM e Guns N’Roses. Fiquei feliz de ter ido. E nunca mais voltei.

Agora tem outro Rock In Rio. E parece menos legal do que o meu primeiro, porque não tem bandas com cheiro de novidade. Isso ficou para outros festivais, grandes como o Lollapalloza, do tamanho certo como o Popload. Mas também parece mais legal, porque tem eventos paralelos sensacionais, como o GameXP, uma espécie de filial da Comic Con Experience no meio do Rock in Rio, recheada de jogatina, gibi e companhia.

Duvido que voltarei um dia ao Rock in Rio. Festival requer energia jovem. Só se for com meu moleque, que começa a gostar de rock, e rock velho. O ingresso para o Deep Purple está comprado.

E o do São Paulo Trip também. Anotem aí, jovenzinhos: hope you get old before you die. Te vejo no show do The Who!

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O gigante e ultra clássico The Who: pela primeira vez no Brasil e a MELHOR e PRINCIPAL atração do Rock In Rio 2017

 

De Zapnroll:

De volta ao passado total agora. Também estive naquela lama toda e nunca mais esqueci. Eu tinha 22 anos de idade e fui nos três últimos dias, depois de encher muito o saco da minha saudosa mama Janet, que bancou toda a operação. Queen na sexta foi INESQUECÍVEL (já tinha sido 4 anos antes aqui em SP mesmo, no estádio do Morumbi, meu segundo show internacional; o primeiro foi, imagine, o Genesis em 1977 no ginásio do Ibirapuera, quando eu tinha 14 anos de idade e fui com a mana mais velha, a Jaque). Eu também não era fã de heavy MERDAL (nunca fui) mas era o que tinha pro sábado (penúltimo dia) e fiquei sem voz depois de tanto berrar no show do AC/DC, que realmente foi fodástico. Domingo, último dia, fui sem voz pra cidade do rock (ou pra lama do rock, rsrs). Vi Yes, Barão Vermelho e foi aquilo.

 

Quando rolou o segundo RIR, em 1991 (no Maracanã) eu já era jornalista (estava trabalhando na editoria de cultura da IstoÉ desde 1988) como você. E tal qual o Sr também me esbaldei na área vip, onde só entravam jornalistas e convidados e artistas, claro. Inclusive me lembro que apenas a “tenda” da gravadora Warner estava lotada e badalada – as outras estavam às moscas, rsrs. Logo descobri por que: havia um open bar (opa!) ali com salgadinhos e CAIXAS E CAIXAS com garrafas de whisky Logan (o whisky da moda então, por causa do Collor, uia!) que eram abertos na nossa frente e os atendentes enchiam nossos copos sem pudor ou culpa alguma. Depois do segundo copo cheio até a boca comecei a ficar com o cérebro ébrio e mergulhado em nevoas e brumas de álcool e achei que era melhor dar um gole desse meu copo cheio pro Supla, ahahahaha. Dali a pouco chegou do meu lado o queridão Guto Goffi (já éramos chegados naquela época, e ele era como sempre foi o batera gente finíssima do Barão Vermelho), me AGARROU pela cintura (ele é alto pra porra) e me tirou do chão, gritando “Finaaaaaaattiiiiiii!”. E eu algo bêbado pedindo: “me coloca no chão, porra!”. Depois da bebedeira desci pro gramado do estádio, pra ver o show do Guns N`Shit. Achei uma porcaria (com exceção do momento em que eles tocaram a ótima “Civil War”, que sempre gostei), ainda mais que pouco antes o Faith No More tinha causado comoção com seu set. E fim.

 

Voltei no Rock In Rio em 2001, na noite que teve Beck, Foo Fighters e REM. Aí já não tinha mais lama, já havia telões, eu continuava no jornalismo musical (que como bem e sempre frisa mestre Luis Antonio Giron, morreu na era da web, junto com todo o jornalismo de cultura pop no final das contas), escrevendo para a (imaginem) revistona da rádio Transamérica. E lá fui eu pra ver principalmente a turma de Michel Stipe, eternamente uma das 5 bandas da minha vida. E fui bem LOKO pra aquela noite do RIR, rsrs. Namorava com uma gostosa e loka arquiteta de 24 anos de idade, que AMAVA chapar a cabeça com ácido, ahahahaha. Ela então levou 2 “doces” pra tomarmos durante os shows. Fora que “apertou” uma tora gigante de marijuana pra fumarmos também. Então fumamos o beck e tomamos os doces, cada um o seu, no intervalo do show do Foo Fighters pro REM. Na metade da gig da banda do Michael, do Peter Buck e do Mike Mills (e mais alguns músicos convidados) o “negócio” começou a bater. A cor vermelha do camisão do Michael, reproduzida em tamanho gigante no telão, estourava na minha cara. E de repente eu comecei a ver aqueles cones gigantes da Aol (lembra, Forasta? Ela era uma das patrocinadoras do festival), que tinham ao lado do palco começarem a AVANÇAR na minha direção, e achei que ia ser DEVORADO por eles, ahahahaha. Tudo acabou com eu e a girlfriend estirados no chão, olhando pro céu (que estava limpo e cheio de estrelas) e felizes como dois pintos na chuva.

 

Assim como você nunca mais voltei no RIR. E acho que nem vou mais. Não dá pra negar que o festival se tornou um dos maiores do mundo e mega se profissionalizou. Assim como não dá pra negar que inovações como o espaço gigante para games é total bem vindo e sintonizado com a época atual. Mas… e a MÚSICA em si? E a PROGRAMAÇÃO MUSICAL? Essa já era né. Basta conferir toda a grade de atrações. Dá pra separar nos dedos o que tem de realmente importante pra se ver ali (eu contei e separei Céu com Boogarins, Naçäo Zumbi com Ney Matogrosso, The Kills e The Who, e acho que só. Sendo que Kills e Who também tocam semana que vem aqui mesmo em Sampa e espero conseguir ir aos shows). Mas no final das contas o que importa isso, não é mesmo? Quase ninguém mais vai ao RIR pela música, como já bem frisou nosso prezado André Barcinski. O grosso do público quer ir mesmo na roda gigante, na tirolesa, tirar selfie adoidado, comer, paquerar, ver, ser visto e FODA-SE o que ta rolando no palco. São os tempos da música e da cultura pop em 2017, na era cibernética. O romantismo e a poesia que havia nessa história ficaram lá atrás, há 32 anos, embalsamados para sempre na lama do primeiro e inesquecível Rock In Rio. É isso.

 

Valeu pelas lembranças, Forasta. Pelas suas e por trazer à tona as minhas também.

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A entrada principal do primeiro Rock In Rio, em janeiro de 1985: a poesia e o romantismo que existiam no festival ficou lá atrás, embalsamada na lama do tempo

 

A PROGRAMAÇÃO DO ROCK IN RIO 2017

15 de setembro (sexta)

Palco Mundo

19h – Ivete Sangalo

21h – Pet Shop Boys

22h35 – 5 Seconds of Summer

0h25 – Lady Gaga (headliner)

 

Palco Sunset

16h30 – Céu e Boogarins

 

16 de setembro (sábado)

Palco Mundo

19h – Skank

21h – Shawn Mendes

22h35 – Fergie

0h25 – Maroon 5 (headliner)

 

Palco Sunset

16h30 – Blitz & Alice Caymmi & Davi Moraes

18h – Charles Bradley & His Extraordinaires

20h – Miguel e Emicida

 

17 de setembro (domingo)

Palco Mundo

19h – Frejat

21h – WALK THE MOON

22h35 – Alicia Keys

0h25 – Justin Timberlake (headliner)

 

Palco Sunset

18h – Maria Rita e Melody Gardot

20h – Nile Rodgers & Chic

 

21 de setembro (quinta)

Palco Mundo

19h – Scalene

21h – Fall Out Boy

22h35 – Def Leppard

0h25 – Aerosmith (headliner)

 

Palco Sunset

16h30 – The Pretty Reckless

18h – The Kills

20h – Alice Cooper & Arthur Brown

 

22 de setembro (sexta)

Palco Mundo

19h – Jota Quest

21h – Alter Bridge

22h35 – Tears for Fears

0h25 – Bon Jovi (headliner)

 

Palco Sunset

20h – Ney Matogrosso & Nação Zumbi

 

23 de setembro (sábado)

Palco Mundo

19h – Titãs

21h – Incubus

22h35 – The Who (headliner)

0h25 – Guns n’ Roses (headliner)

 

Palco Sunset

18h – Bomba Estéreo & Karol Conka

20h – Cee Lo Green & IZA

 

24 de setembro (domingo)

Palco Mundo

19h – Capital Inicial

21h – The Offspring

22h35 – Thirty Seconds to Mars

0h25 – Red Hot Chili Peppers (headliner)

 

Palco Sunset

15h05 – Ego Kill Talent

16h30 – Dr. Pheabes e Supla

18h – Republica

20h – Sepultura

 

 

HÁ MAIS DE VINTE ANOS NA ESTRADA O QUEENS OF THE STONE AGE RESSURGE FODÃO COM DISCO INÉDITO, E MOSTRA QUE AINDA É A GRANDE BANDA ROCKER DOS ANOS 2000’

Talvez a última (e melhor) grande banda de rock ainda em atividade de 2000’pra cá, o americano Queens Of The Stone Age provocou comoção no mondo pop com o lançamento no último dia 25 de agosto de seu novo álbum de estúdio, “Villains”, que inclusive já deve estar ganhando edição física nacional – na web ele já está total disponível para audição nos Spotify espalhados pela rede. É o sétimo trabalho inédito da turma liderada pelo genial guitarrista, vocalista e letrista Josh Homme e que surge após o grupo passar bons quatro anos longe dos estúdios de gravação. E como de hábito na trajetória musical deles o disco já chegou causando barulho (o que era inevitável, em se tratando de QOTSA) e despertando as mais diversas reações entre os fãs e ouvintes em geral: a maioria, como sempre, amou o novo esporro sônico das Rainhas da idade da pedra. Mas também teve quem torcesse o nariz, achando a nova coleção de canções fracas, repetitivas, mais do mesmo e… pop e dançantes em demasia. Hã?

Quem não gostou da nova obra rocker de Homme e Cia e achou o cd “pop” e dançante demais, por certo está ruim do ouvido, mezzo surdo e deve ter implicado com o fato de o grupo ter convocado para pilotar a produção do álbum ninguém menos do que Mark Ronson. Ele mesmo, o produtor, músico e DJ inglês que transformou a saudosa Amy Winehouse em superstar quando meteu a mão na direção musical do hoje clássico (e excelente, musicalmente falando) “Back To Black”, o segundo rebento sonoro de Amy e que vendeu milhões de cópias e a deixou milionária. Muita gente do rock torce o nariz para o trabalho de Ronson por considerá-lo pop e radiofônico em excesso, muito pelo seu envolvimento em trabalhos de nomes como Lady Gaga, Adele, Lily Allen ou Bruno Mars. No entanto Mark se tornou uma celebridade na música planetária de anos pra cá justamente por trafegar com desenvoltura tanto na seara mais pop quanto no rock mais ortodoxo, o que lhe garantiu reconhecimento crítico e prestigio junto aos músicos. Hoje seu nome se tornou praticamente uma grife e sinônimo/garantia de que o trabalho produzido por ele irá se tornar sucesso junto à mídia e ao público.

E não deverá ser diferente com este “Villains”, do QOTSA. Óbvio que o mérito maior de o disco ter saído mais uma vez no capricho e com a qualidade de sempre é mesmo da própria banda. Mas de fato Ronson deu uma bem vinda e providencial oxigenada e “swingada” nas melodias e na seção rítmica do grupo, o que fica bastante evidente em (por exemplo) “The Way You Used To Do”, o primeiro single de trabalho do novo cd. Porém as guitarras porradas, por vezes chapadas e mezzo psicodélicas que constroem a já famosa ambiência “stoner” do som do conjunto continuam lá, espalhadas por todo o disco. Sendo que elas literalmente destroem o nosso sistema auditivo em “Domesticated Animals”, em “Head Like A Haunted House” ou ainda em “Un-Reborn Again”. Além disso também chama a atenção a textura sombria, quase goth, que permeia faixas como “Fortress” (possivelmente o ponto alto de um ótimo álbum) e “Villains Of Circumstance”, que fecha de maneira bastante impactante e agônica um disco que felizmente é bastante conciso (nove músicas em menos de cinqüenta minutos), uma raridade nos tempos atuais onde artistas gravam e lançam tranqueiras insuportáveis que enchem o saco e nossos ouvidos muitas vezes por mais de uma hora seguida.

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O novo discaço do QOTSA: já na lista dos melhores de 2017

Yep, “Villains” é um grande disco – e já está indo para a lista dos melhores de 2017 do site zapper, que aliás ainda tem bem poucos títulos na concorrência. Se considerarmos que a banda já tem mais de duas décadas de existência (sendo que ela está finalmente conseguindo manter um line up fixo há um bom par de anos já e contando com, entre outros, o guitarrista Troy Van Leeuwen e o tecladista Dean Fertita) e que Josh Homme (que está com a inflexão vocal melhor do que nunca, com seu mezzo falsete quase sempre contido modulando-se com perfeição às melodias de cada faixa) está com quarenta e quatro anos de idade, não é difícil chegar a conclusão de que o QOTSA ainda dá um pau em 90% das bandinhas medíocres atuais, todas elas chafurdadas em um roquinho irrelevante e que já está na UTI (respirando por aparelhos) há tempos. E nem seria o caso de comparar o novo trabalho com discaços do início da carreira deles, como “Rated R” ou “Songs For The Deaf”, pois vai ter gente chata dizendo que “aquilo sim era STONER ROCK fodão”. De fato era. E mesmo sendo, o grupo já naquela época adicionava esse tempero algo dançante nas suas melodias. De resto, algum problema ou demérito em dar uma atualizada na sonoridade do conjunto sem no entanto descaracterizá-lo e torná-lo superficial? Nenhum, no entender destas linhas rockers online.

Pois que o Queens Of The Stone Age continue fodástico assim por muito tempo ainda. E nunca é demais lembrar: a turma, que já fez grandes gigs por aqui, volta ao Brasil no começo de 2018, junto com os Foo Fighters. Que venham. Serão muito bem recebidos por todos nós, seus fãs leais e incondicionais.

 

***a maioria da rock press gringa recebeu muito bem “Villains”, como mostram as cotações dadas ao álbum pelo Consequence Of Sound, pelo Guardian e pela Rolling Stone americana.

 

O TRACK LIST DO NOVO DISCO DO QOTSA

  1. “Feet Don’t Fail Me”
  2. “The Way You Used to Do”
  3. “Domesticated Animals”
  4. “Fortress”
  5. “Head Like a Haunted House”
  6. “Un-Reborn Again”
  7. “Hideaway”
  8. “The Evil Has Landed”
  9. “Villains of Circumstance”

 

 

E O CD PARA AUDIÇÃO NA ÍNTEGRA AÍ EMBAIXO

 

AS RAINHAS DA IDADE DA PEDRA, ALGUMAS DE SUAS GIGS NO BRASIL E O JORNALISTA ROCKER/LOKER LOUCURANDO NELAS

***O QOTSA já é meio que macaco véio em terras brazucas. A primeira vez que a banda tocou por aqui foi na terceira edição do festival Rock In Rio, em janeiro de 2001 (a mesma edição que também trouxe Foo Fighters, Beck, REM, Neil Young e Oasis, entre outros). A turma liderada por Josh Homme existia há pouco mais de três anos, tinha dois discos de estúdio no currículo e já era uma das sensações do circuito alternativo do rock planetário. E CAUSOU, claro, na sua gig no RIR, com o ex-baixista Nick Oliveri entrando no palco completamente PELADO – sendo que ele permaneceu assim durante todo o show. Não deu outra: assim que a apresentação terminou Nick foi “gentilmente” convidado a ir preso até o distrito policial mais próximo, onde foi liberado após se explicar pro delegado de plantão e pagar fiança. “Ué, sempre vejo VÍDEOS do carnaval carioca onde todo mundo aparece completamente sem ROUPA. Então pensei que também não haveria problema em eu tocar assim”, disse ele na época. Alguém discorda do loki? Rsrs.

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O ex-baixista do QOTSA, Nick Oliveri, toca PELADO no RIR de 2001; terminado o show o músico foi em cana por atentado ao pudor. “Ué, mas todo mundo não fica pelado aqui no carnaval?”, indagou ele após pagar fiança e ser liberado, uia! 

 

***Na sequencia a banda voltou ao Brasil em 2010 (na primeira edição do sensacional e saudoso festival SWU), em 2013 (na segunda edição do Lollapalooza BR) e em 2014 (finalmente em show solo e único na capital paulista e que abarrotou o Espaço Das Américas, com oito mil malucos pulando lá dentro ao som do grupo). Destes o jornalista eternamente rocker só perdeu mesmo o de 2014. Vamos ver se, véio que estamos, nos animamos pra rever Josh Homme e Cia agora em 2018, junto com os Foo Fighters.

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Dupla fodona do rock mundial: Josh Homme e Dave Ghrol, os líderes do QOTSA e dos Foo Fighters; ambas tocam juntas no Brasil no começo de 2018

 

***Das gigs vistas pelo site zapper, a melhor e a que nos traz ótimas lembranças foi mesmo a de 2010, na segunda noite do festival SWU. Fazia um frio dantesco (cerca de 11 graus, isso em pleno mês de outubro) na arena Maeda, em Itú (cidade próxima à capital paulista). Antes do QOTSA entrar em cena no palco 2 os Pixies já haviam feito uma apresentação pra lá de preguiçosa e burocrática no palco 1. O frio não dava trégua. E o autor destas linhas online, credenciado como jornalista que estava, aguardava na área de imprensa (bem na frente do palco) o início da gig do Queens. Junto com ele estavam sua então girlfriend naquela época (a francesa/macapaense Rudja) e nosso eterno “gordito de mi corazón”, o Wladymir Cruz (o poderoso boss do site Zona Punk). Pois não deu outra: quando o show começou o povaréu foi à loucura e o frio que fazia todos baterem os dentes, desapareceu como por milagre. Foi um set infernal e num dos seus momentos mais violentos (quando o conjunto atacou a esporrenta “Little Sister”) o autor deste espaço rocker virtual perdeu o pouco de juízo que ainda lhe restava naquele momento e não se conteve: se esqueceu que tinha mais de quarenta e cinco anos nas costas e, tal qual um adolescente maluco, literalmente se ATIROU na grade que separava a área de imprensa do palco. Isso para irritação de sua namorada que, do alto dos seus então vinte e três aninhos, chamou a atenção do “tiozão” rock’n’roll: “para com isso! Você está parecendo uma criança alucinada!”. Oras, afinal estávamos num show de rock (e, ainda por cima, do Queens Of The Stone Age) ou numa missa dominical? Rsrs.

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O zapper eternamente loker/rocker e sua ex-girlfriend, no meio da muvuca do festival SWU e durante a apresentação do Queens Of The Stone Age, em outubro de 2010: o frio que estava arrasador na arena Maeda simplesmente SUMIU quando Josh Homme e sua turma começaram a devastação sonora no palco (foto: Wladymir Cruz)

 

***Yep, Josh Homme nunca escondeu sua predileção por drugs, rsrs. Tanto que a letra do clássico “Feel Good Hit Of The Summer” começa justamente assim: “Nicotina, valium, Vicodin, marijuana, ecstasy, álcool, COCAÍNA!”. Uia!

 

***E sim, Josh continua com sua dancinha “sensual” ao vivo (não é, Carolina Calanca?), enquanto a banda dispara anátemas sonoros que rasgam o sistema auditivo de qualquer um. Como este Finaski sempre gosta de ressaltar: se todas as bandas de heavy metal burrão fossem como o Queens Of The Stone Age, o HM estaria salvo como gênero rocker e não seria a merda gigante que é. Ponto.

 

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ANÁLISE: O FIM PARECE REALMENTE PRÓXIMO PRO CIRCUITO DE BARES DE ROCK ALTERNATIVO EM SAMPA – E OS MOTIVOS SÃO… (LEIAM, ORAS! RSRS)

Entonces: Zapnroll foi ao bar paulistano DJ Club, que fica na alameda Franca, região dos Jardins (área nobre da capital paulista, próxima a avenida Paulista) no finde passado. Foi lá principalmente pra rever sua super querida amiga Vanessa Porto, e prestigiar a dj set que ele iria fazer (Vanessa, além de ser uma queridíssima amiga há mais de década, é uma das melhores DJs do que ainda resta da cena rocker noturna paulistana). Como chegamos relativamente cedo (pros nossos padrões habituais) por lá, deu pra papear legal com ela e ainda curtir bastante o som que rolava tanto na pista principal quanto no lounge.

Foi aí que começamos e tivemos tempo para ANALISAR o ambiente, a música que estava rolando e as pessoas que estavam por lá. E percebemos que muita coisa mudou ali desde a última vez em que fomos ao local.

O DJ Club é velhinho já. Deve existir há uns quinze anos ou mais. E durante boa parte desses anos foi um dos principais clubes de indie rock de Sampalândia. Vivia lotadaço, principalmente aos sábados, quando uma horda de indie kids (eles trajando invariavelmente calças apertadíssimas, t-shirts de bandas de indie rock e tênis All Star; elas também com t-shirts de bandas mas geralmente customizadas ou bem justas e coladas ao corpo, pra realçar as peitolas ou peitões, muita mini saia e botas de cano alto) invadia em peso o lugar pra dançar ao som da sua banda predileta até o dia clarear. O site zapper mesmo freqüentou muito ali no seu auge. E claaaaaro, algumas vezes ficou total alucicrazy por lá, chapado de álcool em excesso e de cocaine idem.

(abrindo um parêntese meio grandinho aqui: Finaski nunca esquece, inclusive, de uma das últimas festas em que foi lá, isso há uns seis anos. O loki aqui ainda cheirava muuuuuita cocaína. Foi já doidão e “trabalhado na maldade” pro Dj Club. Lá pelas tantas, já estando como o diabo gostava e tomando um drink, uma gin tônica, a vimos do nosso lado. Estava de camiseta branca justíssima e calça preta. Bonita de rosto, cabelos lisos e compridos. E peitos GIGANTES. Não deu outra: fomos pra cima, entabulamos um papo qualquer sobre um som qualquer que tinha acabado de rolar e ela deu atenção. O papo degenerou pra noitadas, amenidades sobre rock, comportamento, loucuras e DROGAS. Ela disse que gostava de TECAR farinha de vez em quando. O loki aqui disse que tinha. Fomos pro banheiro. Finaski esticou uma pra ela. Foi aí que FODEU literalmente a noite, rsrs. Ela queria e queria mais. A que tinha estava acabando. Então como já estava acabando a madrugada o zapper sugeriu que ela fosse com ele. Ela foi. Descobrimos que éramos quase VIZINHOS, morando na avenida Jabaquara, a poucos quarteirões um do outro. Como o jornalista doidão não tinha muita grana já àquela altura da manhã e os dois queriam mais, novamente ele sugeriu que a dupla rachasse uma “parada”. Ela topou. O zapper teve que ir buscar a “encomenda” na famosa rua Alba, que era mais perto de onde estávamos do que a comunidade de Heliópolis (onde ele sempre ia em busca do “produto”). Foi e voltou o mais rápido que pôde já que além de estar no apto onde ela morava SOZINHA (não deve morar mais) com a dita cuja, ele queria aspirar mais e também MAMAR naquelas tetas gigantes, ahahaha. Enfim, resumindo a ópera: ele saiu bem loko daquele apê quando já eram umas 9 da manhã de mais um triste domingo na nossa existência cinza. Se MAMOU nos peitões da loca? Não, rsrs. O máximo que conseguiu da moça foi ela TIRAR a camiseta e mostrar sua comissão de frente – os bicos eram de fato gigantescos e de enlouquecer um macho. Mas ficou nisso. E nunca mais viu a figura, mesmo ela morando pertíssimo de casa)

Voltando ao DJ Club: a madrugada foi muito mais tranqüila e normal por lá. O bar e a pista tinham bastante gente? Sim. Mas longe de estar LOTADO como lotava há alguns anos. Também notamos mudança significativa no público freqüentador. Os indie kids saíram de cena. Agora há uma mistura heterogênea de coxinhas, playbas, alguns metaleiros cabeludos (trajando inclusive camisetas do Merdallica), e ainda alguns remanescentes e cultores de rock mais alternativo (tinha um garoto com uma camiseta do Joy Division, outro com uma dos Ramones, e só). Sim, ainda tinha muitos garotos e garotas (sempre muito gostosas e vistosas) na faixa dos vinte anos de idade. Mas a maioria do público ali presente parecia mais velha, na faixa dos 25/30 anos.

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A gatíssima, super DJ e old friend amiga zapper Vanessa Porto, ao lado de Zapnroll na porta do DJ Club, na semana passada (acima); o club continua ótimo, o som é incrível a madrugada toda e onde toca muito anos 80’e seus mega clássicos como os imbatíveis Smiths (abaixo), que literalmente arrancou o povo do chão. Mas infelizmente ao que parece o fim está mesmo próximo para as casas dedicadas ao rock em Sampalândia

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O som nas duas pistas? Muito bom, total rock e bem ok. Mas contamos nos DEDOS o que rolou de bandas de rock que surgiram do ano 2000’ pra cá, a saber: Arctic Monkeys, Kaiser Chiefs, The Killers (aff, como Zapnroll DETESTA essa porra), Franz Ferdinand, Alabama Shakes (no lounge), Interpol e She Wants Revenge – também tocou Queens Of The Stone Age (com a sempre fodíssima “No One Knows”) mas eles não contam porque a banda surgiu bem antes do ano 2000’. De resto, rolou absolutamente apenas VELHARIAS e autênticos cavalos de batalha das pistas com mais de 25/30 anos de idade. E todo mundo dançando, pulando e quase GRITANDO loucamente ao som dessas velharias, especialmente em hits já mega clássico e imbatíveis como “Boys Don`t Cry” (do Cure), “Bigmouth Strikes Again” (dos Smiths e que literalmente arrancou o povo do chão da pista de dança), “London Calling” (do Clash), “Private Idaho” (dos B-52’s) ou qualquer uma dos Ramones (tocou pelo menos duas dos pais americanos do punk).

O que significa o que relatamos no parágrafo acima? Algumas coisas: a) que não está havendo RENOVAÇÃO alguma no rock de 17 anos pra cá. Não há renovação de bandas, de músicas, nem de PÚBLICO. Sim, claro, existem ainda milhares de novos grupos surgindo todos os dias (a maioria, ruins de doer) mas quem se importa com eles em um momento em que a PIRRALHADA imbecil da era da web (e sendo que é essa pirralhada que ainda é o grosso do contingente que escuta e consome música no mundo) só quer saber de música eletrônica, pop descartável americano e inglês, e todo o grande lixão musical daqui mesmo (representado por sertanojos, feminejas, funk burrão e axé brucutu)? O que nos leva à conclusão b) sem bandas novas e hits novos e de qualidade, o que impera nas pistas dos bares que ainda se dedicam ao rock (uma atitude heróica essa desses bares, devemos exarar) é isso mesmo: clássicos de 25/30 anos atrás. E sendo que todos eles são sempre os mesmos e tocam em todos as pistas (seja ela do Dj Club, do Madame Satã ou da Tex, na rua Augusta); c) pistas estas que estão vendo justamente seu público mais jovem minguar (e o de mais idade ainda permanecer nelas) porque a molecada  DEFINITIVAMENTE não está mais nem aí para o rock’n’roll; e por fim, d) tudo isso é ruim? Sem dúvida. Desalentador ficar escutando as mesmas músicas nos bares que ainda resistem tocando rock? De forma alguma: são clássicos já atemporais e imbatíveis. Daquelas músicas que você escuta mil vezes seguidas sem se cansar delas. Algo que NENHUMA (vamos repetir: nenhuma) banda atual consegue compor. E nem vai conseguir, provavelmente.

Então saímos bem satisfeitos do Dj Club naquela madrugada, por tudo o que escutamos por lá. Mas também algo melancólico por nos darmos conta de que, talvez, mais um histórico bar da cena rocker under paulistana esteja a caminho do seu fim, como já se foram o Astronete, o Matrix, o Inferno e a Funhouse recentemente. Sinal de que os tempos atuais acabaram mesmo para e com o rock’roll.

 

MUSA ROCKER EM REPETECO DELIRANTE! ATENDENDO A PEDIDOS, UMA NOVA BATELADA DE FOTOS DA TESUDÍSSIMA (E COMO!) FLÁVIA DIAS!

Yep, não teve como. Bastou o post original onde a moça mostrou sua abusada e deliciosa nudez cair no seu mural no Faceboquete, para que uma turba ensandecida de amigos e fãs dela pedisse bis e um novo ensaio. E Zap’n’roll, sempre atenta aos “anseios” (uia!) de seu dileto leitorado masculino, resolveu ouvir os apelos (ou o “chamado das ruas”, hihi). Portanto aí embaixo repetimos a entrevista original com a gatíssima Flavinha, sua seção original de fotos e novas imagens clicadas com esmero pelo seu love boy, Daniel Inácio. E, de bônus luxuoso, um dos muitos poemas escritos pela garota, inspirado no clássico “Uivo”, do escritor norte-americano Allen Ginsberg.

Apreciem sem NENHUMA moderação!

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A sereia louca e tesuda e seus amores literários

 

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Buk, não me abandone JAMAIS!

 

IMAGEMMUSAFLAVIAVI

Meus diários secretos e repletos de devassidão carnal…

 

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Fuck you, asshole!

 

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Sou leitora dedicada e aplicada

 

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Sempre fui, aliás

 

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Duvida? VEM ME CATAR ENTÃO, se for capaz! (difícil! Já amo meu DRAGÃO CARALHUDO!)

 

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Mas tudo bem, eu deixo você escutar Stones do meu ladinho assim

 

 

XXX

 

Nome: Flavia Dias.

 

Idade: 39.

 

De onde é: São Paulo.

 

Mora onde e com quem: Moro na masmorra de um castelo com um dragão caralhudo.

 

O que faz: Escrevo e leio almas. E nos intervalos, se pedir com jeitinho, eu faço tudo.

 

O que estudou: O único diploma que tenho não serve pra porra nenhuma. E me recuso dizer que tenho ensino médio completo porque pra mim, nada que é médio pode ser completo. E vou dizer-lhes mais: em meio livro do Dostoiévski aprendi muito mais do que em todas as escolas que estudei. A minha ignorância vem do bolso mesmo, porque acho que nem berço eu tive. Enfim, eu leio.

 

Três discos: Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets. (E de preferência com muitos Baurets),

 

Uah Bap-Lu-Bap-Lah-Béinn-Bum!  (Toca Raul!! ) e Beggars Banquet (The Rolling Stones, porque aquela noite foi incrível)

 

Três bandas ou artistas: Rita Lee, Janis Joplin, Rolling Stones.

 

Três filmes: Psicose, Taxi Driver, Um estranho no ninho.

 

Três diretores: Quentin Tarantino, Charlie Chaplin, Steven Spielberg.

 

Três livros: Notas do Subsolo (Dostoiévski), Pergunte ao pó (John Fante), Misto Quente (Bukowski).

 

Um show inesquecível: Inesquecível mesmo foi o primeiro. Titãs. Eu tinha uns doze anos, e até hoje me arrepio quando lembro da multidão mandando as oncinhas pintadas, as zebrinhas listradas e os coelhinhos peludos se fuderem. Foi mágico. Acho que nem foi o show mais foda que eu fui, mas foi o único que eu estava sóbria, deve ser por isso que eu lembro.

 

Como o blog conheceu Flavinha: ela é super amiga de uma outra musa rocker zapper, a escritora e roteirista Juliana Frank. Foi assim que, algum tempo atrás, o velho jornalista ainda loker conheceu a morenaça pessoalmente, quando todos estavam “derrubando” algumas brejas no bar Cemitério de Automóveis, do dramaturgo Mário Bortolotto. Conheceram e não se desgrudaram mais: o blog estava no último finde no apê de Flávia, tomando um ótimo cabernet sauvignon chileno e admirando sua incrível coleção de livros (ela é fã dos russos e dos beats americanos, entre outros). Mas enfim, chega de papo, rsrs. Podem preparar as bronhas, ulalá! Aí embaixo o ensaio fodástico de miss Flávia, em imagens registradas pelo seu love boy, o fotógrafo e técnico de som Daniel Inácio.

 

XXX

 

E UM POEMA DA GATA

 

“URRO”

Eu vi um sobrevivente de outra geração encostado em um balcão sujo, de um bar sujo, bebendo uísque falso em um copo de extrato de tomate engordurado. Ele estava feliz da vida porque tinha acabado de comer uma puta banguela que tem tatuado no cóccix o nome do cantor Wando. escutei esse homem dizer QUE perdeu um dos testículos no lápis de um valentão da escola,

QUE apanhava da sua mãe com vara de marmelo quando se masturbava na frente das visitas desagradáveis enquanto seu irmão caçula tocava piano,

QUE foi enrabado pelo padrasto quando seu saco ainda nem tinha pentelhos,

QUE aos dezoito anos perdeu o cabaço dentro de uma buceta promíscua com um caso grave de gonorreia,

QUE fumou maconha da lata e deixou a mulher que amava enfiar o dedo em seu cu durante uma foda incrível em Arraial do Cabo,

QUE fugiu da mulher que amava porque amava outra mulher que ainda não o amava,

QUE tomava lisérgicos e chorava em frente a tv se comparando com o coiote,

QUE deixou um eco do seu grito na Pedra Lisa de Paranapiacaba quando escorregou e descobriu que podia voar,

QUE pulou de um trem andando só pra desejar um bom dia para a dona dos olhos mais bonitos que ele já viu,

QUE pescou um peixe alcoólatra do aquário de uma vizinha gorda que se masturbava com um pepino besuntado com óleo Johnson,

QUE bateu punheta lendo os livros do Marquês de Sade,

QUE desceu tão baixo que pra tocar no chão teve que erguer os braços,

QUE subiu do céu ladeira abaixo direto para um inferno frio e cheio de pecadores arrependidos e incapazes de chorar,

QUE bateu o pau mole na cara de um anão homossexual em um cinema de filmes pornográficos,

QUE mijou dentro do vinho tinto de um padre porque ele deixou sua castidade no rabo de um coroinha,

QUE fez amor com uma abóbora morna assistindo a Rita Cadillac no cassino do Chacrinha,

QUE foi preso depois de cortar com uma gilete o caralho de um estuprador de crianças pobres,

QUE achou a vida demorada durante toda a pena que cumpriu dentro de uma latrina mal cheirosa e cheia de olhos sangrentos enforcando o seu sono,

QUE enterrou a mãe odiada sem derramar nenhuma lágrima falsa,

QUE não voltou porque nunca teve pra onde…

QUE seu sítio fica no meio fio de um cruzamento qualquer de uma rua de asfalto gasto onde se pode ver alguns trilhos de bonde,

QUE gosta de ser invisível e de passar através de desprezos aclarados sem nenhuma sombra de dúvidas,

QUE urinou na samambaia de uma vizinha gostosa de um sargento ruivo da polícia militar,

QUE limpou o cu com um bilhete de loteria premiado e o descartou junto com um monte de merda na privada de um banheiro público,

QUE pra casar com a solidão fodeu com a vida dentro de uma caçamba lixosa mergulhado em um lago de chorume,

E QUE a puta banguela com a tatuagem do Wando no cóccix é a mulher que ele ama, e ele vai tirar ela daquele lugar miserável e vai levá-la para a melhor sarjeta desta cidade. Porque ele a ama. E também porque a carne dela ainda está boa para comer por mais uns mil anos.

 

(Flávia Dias, SP, 2017)

 

E UFA! FIM DE PAPO!

Agora acabou meeeeesmooooo! Também pudera, ulalá! O maior POSTAÇO zapper dos últimos tempos, hein! Assim até vale a pena esperar um pouco mais por cada novo post aqui no site campeão em cultura pop – enquanto isso, outros “broguis” pobreloaders penam com seus postecos irrelevantes diários, ô dó, ahahahahaha.

Então ficamos por aqui, beleusma? Já é sextona à noite, o RIR 2017 começou, o conde Drácula continua lá no Planalto e o jornalista eternamente loker/rocker se vai. Deixando um beijo GIGANTE no coração de duas garotas/gatas que estão tornando a vida dele e a alma dele muito menos cinza de tempos pra cá. Amor pra Anna “Kika” Rodrigues e pra Thays Karolline, hoje e sempre!

Até a próxima, rockers & lovers!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 15/9/2017,  às 23hs.)

 

AMPLIAÇÃO EXTRA E FINAL! Falando da MORTE do amado KID VINL, dos vinte anos de “Ok Computer” (a obra-prima do Radiohead), da hecatombe nuclear política que está sacudindo o bananão tropical e dando a programação da Virada Cultural fracote, que rola este finde em Sampa – Com o rock planetário dos anos 2000’ praticamente morto e enterrado, duas bandaças inglesas já veteranas soltam seus novos discos e reafirmam pela enésima vez o que todos já estão carecas de saber: apenas grupos com duas décadas ou mais de estrada, como Kasabian e Slowdive (este, lançando seu primeiro disco inédito em vinte e dois anos) é que estão salvando o rock’n’roll atual da extinção definitiva, sendo que neste post zapper você confere análises detalhadas (ao invés de ler a mixórdia que é geralmente publicada num certo “pobreloa…” blog vizinho) sobre os dois álbuns em questão, além de já saber como foi a gig do Slowdive ONTEM em Sampa; mais: é de BABAR nossa nova, sensacional e total delicious musa rocker, a gatíssima Flávia Dias, ulalá! Não acredita? Vai aí embaixo no post e veja com seus próprios olhos, oras (postão COMPLETÃO e AMPLIADÃO, finalizado em 20/5/2017)

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Com o rock’n’roll dos anos 2000’ definitivamente quase morto e total irrelevante, resta apelar para os veteranos como o Slowdive (acima, se apresentando ontem à noite na capital paulista) e o Kasabian (abaixo), que acabam de lançar dois ótimos álbuns

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ADEUS AO AMADO KID VINIL, NOSSO INESQUECÍVEL HERÓI DO BRASIL

Foi uma semana bastante maluca. Começou com os boiadeiros delatando todo mundo e explodindo a política nacional, não deixando nada em pé. Prosseguiu com Chris Cornell se matando aos 52 anos de idade – ironia das ironias: no dia (18 de maio) em que se completaram 37 anos da morte de outro gênio gigante da história do rock mundial, o igualmente suicidado Ian Curtis. E por fim, veio a sexta-feira. Que parecia que iria ser um dia tranqüilo, onde finalizamos o post da Zap’n’roll e o coloquei no ar, onde fomos cuidar de assuntos pessoais no centro da cidade e depois fomos tomar uma breja amiga com os mui queridos por nós Luiz Calanca e Gisélia. E sendo que depois fomos jantar num churras rodízio onde o blog faz um bom repasto todas as sextas-feiras.

Mas mais uma vez não foi uma sexta-feira normal. Quando Finaski estava saindo de casa, pouco depois das 5 da tarde, uma amiga o chamou inbox dizendo “ele se foi!”. Não entendemos muito bem e como estávamos já atrasados, desligamos o notebook e fomos para o metrô. Foi apenas quando já estávamos  caminho do centro que começamos a pensar que, há um mês e meio, nosso irmão Johnny Hansen havia partido deste mundo. E por conta desse pensamento, entramos em pânico: “será que ele TAMBÉM SE FOI?”.

Sim, ele se foi. Ao chegar na loja Baratos Afins, foi a primeira coisa que perguntamos ao Luizinho. Ele confirmou. Os olhos se encheram de água. Sim, sabemos que desse mundo ninguém sairá vivo. E pensamos muito na nossa própria morte todos os dias. Um pensamento que nos acompanha desde que éramos jovem e que agora, aos 5.4 de vida e depois de ter passado por um câncer, nos fustiga mais do que nunca – apenas IDIOTAS e pessoas de cabeça OCA (daquelas que postam imbecilidades astrológicas nos FB da vida) é que não refletem sobre a questão da finitude da existência humana.  E não, não temos medo algum da morte. Temos apenas medo de não ter tempo hábil para realizar alguns poucos projetos que ainda sonhamos em realizar. De resto temos medo é de não sair logo desse mundo horrendo, miserável, sinistro e tenebroso em que todos nós vivemos. Temos medo de ir vendo quase todos os amigos com os quais convivemos e amamos por longos anos irem embora enquanto permanecemos aqui, ficando cada vez mais velhos, caquéticos, solitários, melancólicos e angustiados.

WS52 SÃO PAULO 13/05/2015 -  ENTREVISTA / KID VINIL / CADERNO 2 - Entrevista com Kid Vinil. FOTO:WERTHER SANTANA/ESTADÃO
O amado Kid Vinil, amigo pessoal de Zap’n’roll por 30 anos: mais uma perda gigante para a cena rock brasileira

É isso. Zap’n’roll achou que seu AMIGO PESSOAL de mais de 30 anos de convivência, Antonio Carlos Senefonte, nosso mui amado por todos Kid Vinil (um artista genial e um ser humano sem igual, encantador, generoso, humilde e pra lá de atencioso e sempre super bem humorado com todos, mesmo com aqueles que ele não conhecia, daí tantas manifestações nas redes sociais de pesar pelo falecimento dele), iria se recuperar do delicado estado de saúde em que se encontrava já há um mês, desde que sofreu um AVC após um show no interior de Minas Gerais. Isso não aconteceu. E assim como Hansen nos deixou numa sexta-feira triste e desalentadora, Kid tb se foi ontem.

Rip queridão. Nunca iremos me esquecer das ótimas risadas que demos ao seu lado, dos papos que tivemos ao vivo em programas que vc apresentava nas rádios Brasil 2000 e 97fm, das discotecagens que você fez em festas noturnas promovidas pelo blog, e nem de tudo que aprendemos com você em termos de rock’n’roll (aaaaaah… aquelas fitinhas cassete que você nos gravou nos anos 90’, com os primeiros singles de umas tais bandas chamadas Oasis, Suede e Ride… quanta saudade!). Nunca, nunca iremos esquecer.

Você estará para sempre no nosso coração, esteja onde estiver agora. Quem sabe um dia a gente se encontra novamente por aí, em alguma outra estação.

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, discos, shows, filmes, livros, baladas etc)

 

***Como todos já estão sabendo, lá se foi o gigante Chris Cornell, que resolveu dar um fim na própria existência aos cinqüenta e dois anos de idade. O eterno e lendário vocalista do Soundgarden ainda estava em plena forma e era jovem ainda. Mas o blog até entende sua atitude: ele deve ter realmente ficado com o saco cheio desse mundo escroto e perenemente cinza no qual vive a igualmente escrota raça humana – um mundo onde apenas IDIOTAS encontram motivos para rir e sorrir. Rip, Chris!

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Chris Cornell: muito jovem ainda para o rock’n’roll e também para ter partido

 

***Cornell se foi. Scott Weiland também. Antes dos dois já tinham ido Layne Staley (do Alice In Chains) e Kurt Cobain. Quem restou da inesquecível geração grunge de Seattle? Eddie Veder, Mark Lanegan e a turma do Mudhoney. Por enquanto…

 

***A edição deste ano da Virada Cultural acontece neste finde (o postão zapper está sendo concluído no começo de uma chuvosa tarde de sextona, 19 de maio, em Sampa) e é provavelmente a mais fraca de todos os tempos. Atrações demais, qualidade de menos e nada impactante como nos anos anteriores. De qualquer forma dá pra “pescar” algo no meio das novecentas apresentações programadas, sendo que o blog pretende conferir as gigs do duo The Baggios e do baiano Maglore (no sábado à noite, no palco rock da rua 7 de abril), além da sempre gata Tiê (no Centro Cultural São Paulo, já na madrugada do domingo), da selvática Karina Buhr (também no CCSP, mas no domingão à tarde) e o sensacional trio rock instrumental gaúcho Pata De Elefante (novamente no palco 7 de abril, no final da tarde de domingo). Pra quem se interessar a programação completa da Virada está aqui: http://viradacultural.prefeitura.sp.gov.br/, e aqui também: https://www.facebook.com/viradaculturaloficial/?hc_location=ufi.

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Duas gatas que valem a pena ver suas gigs na Virada Cultural deste final de semana em Sampa: Tiê (acima) e Karina Buhr (abaixo)

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***Já na semana que vem, mais especificamente na quinta-feira (25 de maio) rola a festa TinyBox – No Hits, no clube Alberta (que fica no centrão de Sampa). Promovido pelo chapa e agitador cultural e dj Ricardo Lopes, o evento pretende centrar a dj set toda apenas em lados “b” e faixas esquecidas do rock alternativo dos anos 80’ até os 2000’. A proposta é bem bacana e interessante e estas linhas bloggers pretendem estar lá, sendo que todas as infos pra quem quiser conferir a balada estão aqui: https://www.facebook.com/events/635931713268902/?active_tab=about.

 

***E fechando a tampa, claaaaaro, não poderíamos deixar de falar algo sobre a HECATOMBE NUCLEAR política detonada pela delação (abastecida com áudios, fotos e filmagens) dos manos boiadeiros donos da JBS. É o FIM finalmente (e vivemos para ver este dia chegar) do desgracento vampiro bandido golpista que ocupa a cadeira de presidente desse triste bananão tropical, além do seu PARSA quadrilheiro, o COCALERO Aébrio Fezes. Se dessa vez os dois não rodarem, Zap’n’roll sinceramente DESISTE dessa porra de país. A conferir…

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OS GRANDES KASABIAN E SLOWDIVE LANÇAM SEUS NOVOS DISCOS E CONFIRMAM MAIS UMA VEZ: O ROCK’N’ROLL AINDA ESTÁ VIVO GRAÇAS A VETERANOS COMO ESSAS DUAS BANDAÇAS INGLESAS

Yep, são duas das melhores formações que o rock inglês pode oferecer ao mundo nos últimos vinte e cinco anos. E ambos os grupos lançaram na semana passada (no mesmo dia, inclusive) seus novos álbuns de estúdio. São discos distintos entre si pois o som de um grupo nada tem a ver com o outro. No entanto tanto o indie dançante e que combina guitarras com eletrônica do Kasabian quanto o shoegazer clássico do Slowdive acabam de colocar nas lojas dois discos que já podem entrar facilmente na lista dos melhores lançamentos de 2017 – e sendo que nenhum dos dois CDs deverá ganhar edição física brasileira, o que não quer dizer praticamente nada nestes tempos onde tudo pode ser escutado de graça na web. O quarteto liderado pelo vocalista Tom Meighan e pelo guitarrista Sergio Pizzorno mantém uma impressionante consistência musical e artística em “For Crying Out Loud”. Já o veterano Slowdive reaparece com um impecável e homônimo trabalho inédito, após passar mais de vinte anos longe dos estúdios.

Surgido em Reading, na Inglaterra, em 1989, o Slowdive (atualmente integrado pelos vocalistas e guitarristas Neil Halstead e Rachel Goswell, pelo também guitarrista Christian Savill, pelo baixista Nick Chaplin e pelo baterista Simon Scott) logo se destacou na então nascente cena indie shoegazer inglesa, composta por aquelas bandas cujos integrantes tocavam de cabeça baixa no palco (quase que olhando apenas para os próprios pés) e cujas melodias das canções combinavam guitarras noise com ambiências tristonhas emoldurando letras oníricas. O primeiro álbum no entanto demorou um pouco a sair e foi lançado apenas em 1991, recebendo boa aceitação por parte da imprensa e do público. Com os dois discos seguintes (editados em 1993 e 1995) o Slowdive consolidou sua posição no cenário alternativo britânico e se tornou uma espécie de cult band até interromper sem grandes explicações suas atividades no mesmo ano em que lançou seu terceiro trabalho de estúdio. O conjunto ficou então quase duas décadas inativo e voltou a fazer apresentações ao vivo em 2014. E agora, vinte e dois anos depois do lançamento do último disco inédito, a banda finalmente mostra ao mondo rock que seu shoegazer noventista não ficou datado. Pelo contrário, está mais bonito e atual do que nunca e se mostrando imensamente necessário no atual esmaecido rock’n’roll planetário.

“Slowdive”, o álbum, mantém todos os procedimentos musicais que seduziram fãs e crítica no início dos anos 90’. São apenas oito canções e nelas estão as melodias contemplativas, melancólicas e bucólicas, os vocais lassos e vaporosos e as guitarras estridentes e tratadas com pedaleira. Essa ambiência resulta em momentos sublimes como o single “Star Roving”, seguramente uma das músicas mais bonitas já compostas pelo grupo e também candidata a um dos singles deste ano. Mas há mais no cd: “Sugar For The Pill” é de uma candura, docilidade, e bucolismo tristonho que encantam alma e coração do ouvinte, com seu baixo poderoso e sua condução melódica suave. Uma faixa com elementos sonoros preciosos e que praticamente inexistem no rock atual, que parece ter desaprendido como compor grandes músicas. E o Slowdive, ao contrário, manteve sua qualidade e seu conhecimento composicional inalterado, sendo que “No Longer Making Time” e “Falling Ashes” (que encerra o disco com seus oito minutos de impressionante clima melancólico, bordada com as notas oníricas e reflexivas de um piano que parece ser a reprodução sonora de uma alma tingida de inefável matiz cinza) demonstram isso de forma inebriante e inquestionável.

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Os novos discos do Slowdive (acima) e Kasabian (abaixo): dois veteranos que ainda trazem relevância e dignidade ao rock

 

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E o também já veterano Kasabian? Retorna com fôlego ultra renovado nesse mega dançante (mas também eivado de guitarras envenenadas) “For Crying Out Loud”, que levou três anos para ser lançado e sucede o igualmente muito bom “48:13”, editado em 2014. Já com duas décadas de existência o quarteto formado em 1997 na cidade inglesa de Leicester por Tom Meighan (vocais), Sergio Pizzorno (guitarras e vocais, além de principal compositor do grupo), Chris Edwards (baixo) e Ian Matthews (bateria) lançou até o momento seis álbuns de estúdio que nunca foram menos do que bons. A estréia em disco em 2004 com o homônimo “Kasabian” já colocou o conjunto em evidência entre crítica e público muito por conta das ótimas composições engendradas por Pizzorno, que habilidosamente mixava guitarras algo psicodélicas com melodias dançantes e bordadas com ambiências eletrônicas. Foi assim que a banda fez estourar seu primeiro hit, “Club Foot”, recriando no Reino Unido o mesmo clima de uma década antes, quando os Stone Roses também lançaram mão da mesma fórmula musical para chegar ao topo do rock inglês. Inclusive não deixou de haver quem enxergasse no Kasabian um êmulo do grupo do vocalista Ian Brown.

Mas o quarteto mostrou nos quatro discos seguintes que possuía uma personalidade musical muito forte e própria, notadamente no cd “Velociraptor!”, lançado em 2011. E agora consegue exibir novamente coleção de canções empolgantes e que já tornam este “For Crying…” um dos candidatos a figurar na lista dos melhores álbuns de rock deste ano. Sendo que não há nenhum grande segredo aqui: o Kasabian apenas procurou reeditar o que já vem fazendo muito bem há vinte anos. Assim o cd abre já em clima de total party com “III Ray (The King)” e prossegue dessa forma no primeiro single de trabalho, “You’re In Love With A Psycho”. “Good Fight”, “Wasted” e “Comeback Kid” mantém em temperatura elevada o clima de combustão reinante no trabalho, que exibe o grupo flertando também com nuances de reggae (em “Sixteen Blocks”) e resgatando o clima “madchester” dos tempos de “Fools Gold” (dos Stone Roses) nos mais de oito de minutos de “Are You Looking For Action”, que combina à perfeição guitarras, mezzo psicodelia e ritmo dançante. Melhor impossível.

Trata-se enfim, de um trabalho que desvela a grande capacidade do Kasabian em manter-se relevante em um tempo onde bandas não duram absolutamente nada e onde a sonoridade dos discos se torna obsoleta e enferrujada em questão de semanas. Pois este espertíssimo e ótimo “For Crying Out Loud”, em que pese sua capa bastante cafona (mostrando o velhote que é o road chefe do conjunto se debulhando em lágrimas), está bem longe da ferrugem. E mostra que o Kasabian felizmente continua sendo um dos grandes nomes do rock inglês dos anos 2000’.

 

 

O TRACK LIST DO NOVO ÁLBUM DO SLOWDIVE

1.”Slomo”

2.”Star Roving”

3.”Don’t Know Why”

4.”Sugar for the Pill”

5.”Everyone Knows”

6.”No Longer Making Time”

7.”Go Get It”

8.”Falling Ashes”

 

 

E O TRACK LIST DO NOVO KASABIAN

1.”Ill Ray (The King)”

2.”You’re in Love with a Psycho”

3.”Twentyfourseven”

4.”Good Fight”

5.”Wasted”

6.”Comeback Kid”

7.”The Party Never Ends”

8.”Are You Looking for Action?”

9.”All Through the Night”

10.”Sixteen Blocks”

11.”Bless This Acid House”

12.”Put Your Life on It”

 

 

OS NOVOS DISCOS DAS DUAS BANDAS AÍ EMBAIXO, NA ÍNTEGRA

 

 

E OS VÍDEOS DOS NOVOS SINGLES DE AMBAS

 

 

SLOWDIVE AO VIVO EM SP ONTEM, DOMINGO

Yep. A cult band shoegazer inglesa se apresentou na noite de ontem em Sampa. O blog acompanhou a gig e relata em detalhes como foi ela, através do texto do nosso colaborador Pedro Damian. Leia abaixo.

 

Precisamos falar de Slowdive

 

(Por Pedro Damian, especial para Zap’n’roll)

Serei honesto: quando decidi abrir o blog Shoegazer Alive em 2008 e comecei a compartilhar músicas do estilo shoegaze, um dos meus objetivos era tornar o gênero conhecido a ponto de criar um zumzum que chegasse aos ouvidos dos ícones (My Bloody Valentine, Slowdive, Ride, Swervedriver) e de alguma forma os motivasse a voltar à ativa – visto que todos seus membros estavam em outros projetos. A febre dos blogs na época instrumentalizou outros ativistas musicais a fazer o mesmo e 9 anos depois estou aqui, em pleno dia das mães, em frente ao palco do Cine Jóia, em São Paulo, onde o Slowdive se apresenta pela primeira vez no Brasil, fechando a terceira edição do Balaclava Fest. Posso dizer que a meta está mais que alcançada.

O Slowdive foi formado em Reading, Inglaterra, no final dos anos 80, por Neil Halstead (vocal e guitarra), Rachel Goswell (vocais, guitarra, teclado e pandeiro), Nick Chaplin (baixo), Christian Savill (guitarra) e Simon Scott (bateria). Sua discografia é composta por 4 trabalhos: Just For A Day (1991), Souvlaki (1993) e Pygmalion (1995) e o recente Slowdive, lançado no último dia 5. A banda encerrou o mesmo festival que trouxe em 2016 o Swervedriver, outro ícone shoegazer, mas de menor dimensão que o Slowdive. Muitos fãs que conheceram os ingleses via blog estavam no Cine Jóia, assim como os veteranos como eu que tiveram seu primeiro contato por meio de programas de rádio antenados (do mestre Kid Vinil, por exemplo, à época na Brasil 2000) e depois foram comprar os CDs importados em lojas especializadas (em São Paulo na Galeria do Rock e na Galeria Presidente). Analisando a imensa fila que se formou à porta do local

momentos antes da abertura das portas, previ que começado o festival dificilmente encontaria aqueles bocós que vemos normalmente em grandes festivais, de costas para o palco, fazendo selfies com caretas estúpidas e se preocupando mais em encher a cara do que com o que se passa no palco. Errei em parte. Sempre vai ter um ou outro boçal pra encher o saco de quem gosta de música. Porém, neste festival foram em número reduzido. Ainda bem.

A programação do terceiro Balaclava Fest foi variada e interessante. Abrindo os trabalhos o duo americano de guitarpop Widowspeak apresentou músicas de seus três discos (Widowspeak, de 2011, Almanac, de 2012, All Yours, de 2015) e do EP The Swamps, de 2013. Formada pela dupla Molly Hamilton (voz e guitarra) e Robert Earl Thomas (guitarra), que ao vivo costuma se apresentar com o baixista Willy Muse e o baterista James Jano (os quais não vieram para este show no Brasil, deixando só a dupla no palco), agrada pela baladas agridoces, quase folksters, que ganham suavidade com a bela voz de Molly. O ponto alto da apresentação ocorreu quase no final, na penúltima música, com uma versão arrebatadora de Wicked Game, tema do seriado Twin Peaks e que ficou famosa na voz de Chris Isaak.

Na sequência o indie americano do Clearance trouxe repertório baseado no último disco Rapid Rewards, de 2015, e algumas músicas novas. Ao vivo, Mike Bellis

(vocal e guitarra), Kevin Fairbairn (Guitarra), Greg Obis (baixo) e Arthur Velez (bateria) mostraram o mesmo que no disco citado. Se você ouve a música e não sabe quem está tocando, vai dizer que é Pavement. As mesmas inflexões vocais do Stephen Malkmus, as mesmas guitarras quebradas, mesma seção rítmica, estrutura das músicas… Já as músicas novas fogem um pouco desse quase plágio, colocando um pé no indie rock mais tradicional. Quem ama esse tipo de som como eu, adorou. Quem não conhecia bem ou não gostou deu as costas e foi tomar uma cerveja.

Missão terrível coube ao E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, banda paulistana de post-rock, formada por Lucas Theodoro, Luden Viana, Luccas Villela e Rafael Jonke, que viria a seguir: atrair a atenção do público que, naquela altura estava voltada para o show principal. O trabalho instrumental é refinado. Percebe-se que as músicas – poucas e longas – são bem trabalhadas e a banda deu o seu melhor para levantar o público, que a esta altura já lotava o Cine Joia. E conseguiu entusiasmar boa parte da galera, principalmente nas músicas mais pesadas, que flertam com o post-metal. Taí uma banda de futuro, ao menos no estreito nicho que atua, o rock instrumental. Terminado o show, encontro com duas grandes figuras desse segmento, Lucas Lippaus e Elson Barbosa [nota do editor do blog: mais conhecido como Elson BarBOSTA, rsrs], membros do Herod e capitães do selo Sinewave, especializado nesse tipo de som. Embora contente com a apresentação do E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, Elson vaticinava o que esperava do show do Slowdive: “Vai ser lindo!”. A presença de vários músicos de post-rock no show do Slowdive não é à toa. Mesmo na

Inglaterra a banda é considerada como uma precursora do gênero, com suas canções em que o instrumental predomina sobre as letras e as estruturas musicais rebuscadas. Muitos consideram o terceiro álbum, Pygmalion, o primeiro disco de post-rock.

Um dos destaques do Balaclava Fest foi a pontualidade. Todos os shows começaram, se não na hora, poucos minutos depois do agendado. E o Slowdive, à maneira e à educação de seu país de origem, entrou com uma pontualidade britânica, às 21:20, como estava previsto pela organização do festival. Antes de passar ao setlist, algumas considerações gerais sobre o Slowdive e seus membros. A entrada triunfal de Rachel e o carinho com que foi recebida pelo público não deixa dúvidas: ela é a líder, a cara e o coração do Slowdive. Afastada dos palcos por 6 anos, devido a um problema no ouvido – que quase abreviou sua carreira – retornou timidamente à música como convidada especial de shows acustícos feitos pelo amigo Neil Halstead, em 2013 (isso é fácil de achar no youtube). Nem parece a Rachel de hoje: carinha de nerd, óculos… aparência quase de uma estudante ou dona de casa. No palco do Cine Joia, Rachel foi um vulcão: tocou

teclado (instrumento introduzido neste retorno da banda), pandeiro, guitarra, e, claro, nos brindou com sua belíssima voz! Por sinal, nas músicas novas, há uma gritante diferença nos vocais: Rachel “roubou” partes que no disco eram cantadas apenas por Neil. Interessante que seu entusiasmo contrasta com a frieza de grande parte das músicas do Slowdive, que, definitivamente, não foram feitas para o agito.

Já Neil Halstead, que costuma ser contido e bastante tímido nas apresentações, demonstrou uma simpatia e desinibição inesperados. Se Rachel é o coração da banda, Neil é o poeta. O construtor das letras que são feitas para se harmonizar musicalmente com as melodias. Seu talento nesse sentido é mais perceptível no Mojave 3, banda paralela que mantém com Rachel, aonde a tristeza das letras dão sentido às canções. Na guitarra ele é o número 2, que participa em alguns solos e no “wall of sound” das músicas características do Slowdive.

Já o engenheiro por trás do “wall of sound” da banda é Christian Savill, a guitarra número 1 e de onde saem os timbres que sustentam as melodias e caracterizam o som do Slowdive. Todos os sons mais agudos e os principais reverbs saem de lá. Seu trabalho é quase matemático… a elaboração de camadas e camadas de timbres, e noise de todos os tipos.

A “cozinha” do Slowdive, formada por Nick Chaplin (baixo) e Simon Scott (batera), devido à característica da banda, sempre ficou em segundo plano. Mas nas

novas músicas isso mudou. Não que o noise tenha sido deixado de lado em “Slowdive” em favor de músicas mais “pop”. Mas a participação do baixo e bateria ficou mais evidente. Até houve o caso de um pocket show realizado nos Estados Unidos em que o baixo do Nick foi mixado à frente das guitarras em Star Roving, em uma versão acelerada da música. Foi uma experiência única e que ficou bem interessante. No Brasil, entretanto, a versão tocada foi a do disco.

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O Slowdive ao vivo ontem em Sampa: emocionando a velha guarda shoegazer (foto divulgação)

O show no Brasil foi aberto com Slomo, a mesma música que abre o disco novo (que para mim deveria ser o título de Star Roving, que tem mais a ver – entendendo-se Slomo como uma junção dos nomes das bandas Slowdive e Mojave 3). A música mantém o mesmo ritmo lento das canções do Slowdive, com poucos momentos de noise, vocais esparsos de Neil e Rachel. A guitarra de Christian Savill conduz toda a canção, com seus timbres agudos e melódicos. Na sequência,  as duas primeiras músicas do Slowdive, incluídas no EP homônimo de 1990: “Slowdive” e “Avalyn”. Ambas trazem o wall of sound que caracterizou o shoegaze em seus primórdios: a primeira mais pop, com estruturas bem definidas, e a segunda mais viajante, com ampla passagem instrumental. “Catch the Breeze” encerra esse bloco das antigas, trazendo outro shoegazer clássico, inserido no álbum Just For A Day, de 1991. Foi a primeira música em que o público começou a se manifestar. Até então todos (exceto aqueles de sempre que vão aos shows para conversar e infernizar a vida dos outros, como pode ser comprovado em vídeos do show que upei no Youtube) estavam curtindo o show em silêncio.

“Crazy For You”, a música que se segue e que tem apena uma frase (Crazy for lovin’ you, repetida 9 vezes), mostra a incrível versatilidade de Neil em brincar com a sonoridade das palavras e estruturas musicais. Uma das músicas mais rápidas do set, com pouco mais de 4 minutos. Faz parte do terceiro álbum, Pygmalion, o mais experimental da banda. A seguir, um novo clássico, “Star Roving”, certamente a música do Slowdive com ritmo mais acelerado. Lembra muito Mojave 3, projeto paralelo de Rachel e Neil. O público respondeu com entusiasmo. Pela receptividade das músicas novas, o Slowdive fez uma grande jogada para se reinventar e manter-se relevante no atual cenário musical.

A sétima música continuou a missão de manter os espectadores agitados. “Souvlaki Space Station”, do segundo álbum, “Souvlaki”, mostra o lado space rock do Slowdive, gênero em que eles também mostram maestria, com um vasto repertório de efeitos. A seguir, outra música nova, “No Longer Making Time” que, junto com “Sugar For A Pill” dá a cara do novo Slowdive: ainda com ritmo lento, quase arrastado, com passagens quase minimalistas mescladas com um arranjo vocal perfeito entre Neil e Rachel.

Dagger, de Souvlaki, quebrou totalmente o ritmo da apresentação e surpreendeu a todos, inclusive a mim. Neil pegou sua guitarra e cantou a emotiva balada sem auxílio de outros instrumentos, inclusive pedais. Momento “acústico” do Slowdive. No final, até Neil bateu palmas para a platéia (alguns cantaram junto a letra).

As 4 músicas subsequentes foram o ponto alto do show. Alison, a bela música que abre Souvlaki, e que parece ter sido composta na fase anterior da banda, do shoegaze clássico do primeiro álbum (Just For A Day), ouriçou o povão (ao que parece Souvlaki era o favorito da galera). Muita gente cantando junto. Sugar For the Pill, uma das melhores do novo álbum, também conquistou uma receptividade surpreendente. Para mim é a melhor música do ano até agora. Mais uma vez, Rachel divide os vocais com Neil (enquanto no álbum, só aparece a voz do cantor). A seguir viria o que eu consideraria o ponto alto do espetáculo (até a música seguinte): When the Sun Hits, provavelmente a música mais conhecida do Slowdive. A perfeição de sua execução, o brilhante “wall of sound” entre

estrofes e refrão, faziam com que acreditasse que estava certo em minha previsão.

Não estava. Mesmo já tendo ouvido à exaustão tanto “When the Sun Hits” como “Golden Hair”, a cover de Syd Barret com que fecharam o show no set normal, não achava que a homenagem que fizeram ao ex-Pink Floyd soasse tão emocionante ao vivo. Que me desculpem Kevin Shields e Mark Gardner (os quais criaram impressionantes “wall of sounds” nas apresentações das músicas You Made Me Realize e Drive Blind, do My Bloody Valentine e Ride, respectivamente). Mas os seis minutos instrumentais de Golden Hair somam ao caótico noise ensurdecedor das músicas citadas das outras bandas shoegaze uma emoção que só grandes artistas conseguem criar.

Uma pausa para tomar água e o Slowdive volta para as duas músicas finais. “She Calls”, do terceiro EP da banda, Morningrise, de 1991, apesar de ser da fase inicial da banda mostra caminhos instrumentais que seriam retomados em Pygmalion. Muito noise, vocais esparsos, porém mais “desesperados” que o normal por parte da Rachel. Para encerrar, “40 Days”, do Souvlaki, encerra uma apresentação magnífica com chave de ouro. Uma das canções mais pop e mais emocionais escritas por esse gênio chamado Neil Halstead.

Uma noite gloriosa para os fãs de música, que poderia ter sido um pouco mais satisfatória por conta de algumas características típicas de shows em São Paulo e que parecem não mudar nunca. Primeiro, o preço das bebidas: uma latinha de Bud por 13 dilmas e Stella por 15 é um absurdo. Segundo: estacionamentos ao redor que fecham às 11 da noite (exata hora do encerramento dos shows). Como tive que sair para pegar o carro, não foi possível tentar conseguir uma foto com a banda nos camarins. Paciência.

O que o Slowdive mostrou compensa qualquer frustração. Oferece um estado de êxtase que compensa os aborrecimentos do dia a dia, cada vez mais frequentes.

 

***Pedro Damian, 51 anos de idade, é jornalista, fã de shoegazer britânico dos anos 90’ e editor do blog Shoegaze Alive (https://shoegazeralive9.blogspot.com.br/).

 

***O blog quer deixar registrado aqui que lamenta o profundo menosprezo e falta de atenção (além de também falta de respeito e educação) com que a produtora do show do Slowdive, Balaclava, tratou estas linhas zappers. Entramos em contato com os sócios da produtora (os músicos Fernando Dotta e Raphael Farah) em busca de infos sobre credenciamento para o evento. E nenhum dos dois sequer se dignificou a responder algo. Faz parte e pelo menos temos nesse post uma excelente cobertura da gig, através do ótimo texto do amigão Pedro Damina. Por certo a Balaclava só se importa em ganhar dinheiro com seus festivais e não faz questão que eles sejam cobertos jornalisticamente por um blog como Zap’n’roll, que tem cerca de 70 mil acessos mensais.

 

 

SLOWDIVE AO VIVO ONTEM EM SAMPA

Em dois momentos da gig, registrados no YouTube por Pedro Damian.

 

HÁ VINTE ANOS O RADIOHEAD LANÇAVA A OBRA-PRIMA “OK COMPUTER”, UM DOS ÚLTIMOS GRANDES DISCOS DA HISTÓRIA RECENTE DO ROCK

É realmente incrível como, à medida em que vamos envelhecendo, os anos parecem avançar de maneira muito mais rápida. Meteórica, até. É o caso dos últimos 20 anos da vida do autor destas linhas bloggers rockers: 1997 parece que foi ontem. E no entanto muita coisa mudou no mundo e na nossa existência nessas duas décadas.

Onde você estava em 21 de maio de 1997? Bien, este já velho jornalista rocker (e ainda loker) havia acabado de se mudar para uma república de estudantes no bairro da Liberdade, centrão selvagem e loki de Sampa (uma das piores fases da nossa vida quase sempre loka: sobrevivendo de frilas jornalísticos esporádicos, morando numa república, fumando crack etc. Mas mesmo assim, as BOCETAS não faltavam rsrs). E na Inglaterra o quinteto Radiohead estava lançando o disco que o tornou definitivamente mega banda: “Ok Computer”, talvez um dos últimos grandes álbuns da história recente do rock’n’roll mundial.

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O quinteto inglês Radiohead (acima) e sua obra-prima, “Ok Computer” (abaixo): um dos últimos álbuns seminais da história recente do rock mundial

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O grupo liderado pelo eternamente estranhíssimo vocalista e letrista Thom Yorke vinha de dois trabalhos muito bem sucedidos (“Pablo Honey” e “The Bends”) mas que ainda meio que aprisionavam o conjunto na estreita redoma do indie guitar rock. Foi quando Yorke e o restante da turma literalmente piraram, soltaram suas amarras musicais e deu no que deu: “Ok Computer” era (e continua sendo) uma obra-prima sem igual. Ampliou os horizontes musicais do grupo quase ao infinito, e fez a transição perfeita entre o indie guitar inicial da banda e a sonoridade experimental e o art rock que a partir de então seria a marca registrada deles – e que, sejamos honestos, rendeu discos bem sacais na trajetória do Radiohead, como os posteriores “Kid A” e “Amnesiac”, progs demais pro gosto zapper.

Mas “Ok Computer” permanece, 20 anos após seu lançamento, como marco definitivo da trajetória do “Cabeça de rádio”. O disco que tem “Paranoid Android”, “Airbag”, “No Surprises” e, principalmente, a imbatível “Karma Police”. Yep, depois dele o quinteto ainda lançou trabalhos dignos de nota (“Hail To The Thief”, “In Rainbows”, o recente “A Moon Shaped Pool”), um único realmente ruim (“The King Of Limbs”) e segue na ativa – inclusive está em turnê mundial de promoção do último disco e talvez apareçam novamente aqui em 2018. Fica a nossa torcida em relação a isso. E para celebrar as duas décadas de “Ok Computer”, nada melhor do que escutar novamente essa obra-prima, que está aí embaixo na integra.

 

 

OS DIAS ERAM ASSIM EM 1997, QUANDO “OK COMPUTER” FOI LANÇADO

***não havia internet, cels, apps e redes sociais no mundo em 1997. E por isso mesmo, definitivamente, o ser humano era mais feliz, menos solitário, menos egoísta, menos careta e mais liberal.

 

***mas Thom Yorke previa justamente um mundo sombrio, dominado por computadores e bastante desajustado nas relações humanas, nas letras das canções de “Ok Computer”.

 

***o disco era complicado e difícil, não restava dúvida quanto a isso. A gravadora do grupo (a Parlophone) ficou decepcionada com o material entregue pela banda e previu que o álbum seria um fracasso de vendas. Pois “Ok Computer” emplacou nada menos do que quatro singles nas paradas e rádios do mundo inteiro. E é até hoje o disco mais vendido da história do Radiohead. Ou seja: os ouvintes de música mundo afora também eram mais inteligentes e cultos naqueles tempos. E se tornaram muito mais BURROS de 20 anos pra cá.

 

***como o blog conheceu “Ok Computer?”. Bien, Finaski já conhecia o Radiohead, óbvio. Mas não era nenhum fã de carteirinha do conjunto. Foi quando começou a ter um “affair” com uma magrela de bunda e peitos miúdos que morava no bairro do Belém, começo da zona leste de Sampa, e que AMAVA ser fodida no cu pequeno pela grossa rola fináttica, rsrs. Ela nem era muito bonita. Mas tinha uma cultura elevadíssima para a sua pouquíssima idade (20 anos). E literalmente AMAVA o Radiohead. Foi de tanto freqüentar sua casa e ouvir zilhões de vezes “Ok Computer” na sua cia que o sujeito aqui acabou se rendendo à genialidade do disco.

 

***em Sampa a maior lenda do circuito alternativo noturno da cidade estava chegando enfim ao fim: o Espaço Retrô (só quem freqüentou e viveu momentos inesquecíveis e incríveis ali sabe o que aquilo significou em nossas vidas e em nossos anos jovens) fechou suas portas em 1998. Ano em que o Radiohead acabou também se transformando em febre por aqui.

 

***uma febre tão grande que levou este Finaski a sugerir ao nosso eterno e amado Pomba (então “editador-chefe” da edição impressa da revista Dynamite, uma das principais publicações de rock do Brasil naquela época) que déssemos uma CAPA para a banda na revista. Essa capa veio na última edição de 1998, em texto/perfil do grupo assinado por Zap’n’roll e complementado por uma entrevista exclusiva que o nosso então correspondente em Londres, Celso Barbieri, conseguiu com o vocalista Thom Yorke.

CAPADYNAMITE1998

A extinta revista alternativa Dynamite e sua edição de dezembro de 1998: a capada publicação registrou a explosão mundial (Brasil incluso) de popularidade do Radiohead

***yep, não existem mais bandas como o Radiohead nos anos 2000’. Nem discos como “Ok Computer”. E muito menos revistas como a saudosa Dynamite – na boa: a imprensa musical e rock brasileira literalmente ACABOU. Ou você ainda duvida disso?

 

 

MUSA ROCKER TOTAL DELICIOUS – A LINDAÇA E GOSTOSASSA FLÁVIA DIAS

Nome: Flavia Dias.

Idade: 38 e alguns quebrados.

De onde é: São Paulo.

Mora onde e com quem: Moro na masmorra de um castelo com um dragão caralhudo.

O que faz: Escrevo e leio almas. E nos intervalos, se pedir com jeitinho, eu faço tudo.

O que estudou: O único diploma que tenho não serve pra porra nenhuma. E me recuso dizer que tenho ensino médio completo porque pra mim, nada que é médio pode ser completo. E vou dizer-lhes mais: em meio livro do Dostoiévski aprendi muito mais do que em todas as escolas que estudei. A minha ignorância vem do bolso mesmo, porque acho que nem berço eu tive. Enfim, eu leio.

Três discos: Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets. (E de preferência com muitos Baurets),

Uah Bap-Lu-Bap-Lah-Béinn-Bum!  (Toca Raul!! ) e Beggars Banquet (The Rolling Stones (porque aquela noite foi incrível)

Três bandas ou artistas: Rita Lee, Janis Joplin, Rolling Stones.

 

Três filmes: Psicose, Taxi Driver, Um estranho no ninho.

Três diretores: Quentin Tarantino, Charlie Chaplin, Steven Spielberg.

Três livros: Notas do Subsolo (Dostoiévski), Pergunte ao pó (John Fante), Misto Quente (Bukowski).

Um show inesquecível: Inesquecível mesmo foi o primeiro. Titãs. Eu tinha uns doze anos, e até hoje me arrepio quando lembro da multidão mandando as oncinhas pintadas, as zebrinhas listradas, e os coelhinhos peludos se fuderem. Foi mágico. Acho que nem foi o show mais foda que eu fui, mas foi o único que eu estava sóbria, deve ser por isso que eu lembro.

Como o blog conheceu Flavinha: ela é super amiga de uma outra amigaça (e também musa rocker) zapper, a escritora e roteirista Juliana Frank. Foi assim que, algum tempo atrás, o velho jornalista ainda loker conheceu a morenaça pessoalmente, quando todos estavam “derrubando” algumas brejas no bar Cemitério de Automóveis, do dramaturgo Mário Bortolotto. Conheceram e não se desgrudaram mais: o blog estava no último finde no apê de Flávia, tomando um ótimo cabernet sauvignon chileno e admirando sua incrível coleção de livros (ela é fã dos russos e dos beats americanos, entre outros). Mas enfim, chega de papo, rsrs. Podem preparar as bronhas, ulalá! Aí embaixo o ensaio fodástico de miss Flávia, em imagens registradas pelo seu Love boy, o fotógrafo Daniel Inácio.

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Ela ama (assim como o blog também ama) os Stones

 

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Ela ama Allen Ginsberg

 

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Ela ama vinho e letras

 

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Ela ama se desnudar e refletir

 

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Ela AMA nos provocar e nos enlouquecer

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E FIM DE PAPO

Postão já está gigantão, néan? Então ficamos definitivamente por aqui porque a sextona já chegou e tem Virada Cultural em Sampa nesse finde. De modos que deixamos para o próximo post (sem falta!) uma análise mais bacana sobre o novo álbum do Vanguart (“Beijo Estranho”) e também sobre a estréia em cd da banda surf instrumental paulistana Pultones, sendo que o disco deles está em sorteio lá no hfinatti@gmail.com.

Beleusma? Então é isso. Logo menos voltamos aqui com postão inédito do blog que há catorze anos se mantém como um dos campeões de audiência da blogosfera brazuca de cultura pop. Até mais!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 19/5/2017 às 15hs.)