AMPLIAÇÃO FINAL e GIGANTE! Contando como foi o festão mega de quinze anos do blog, mostrando o novo destaque da cena indie paulistana (o trio Ema Stoned) e trazendo uma MUSA ROCKER verdadeiramente ESPETACULAR para celebrar nossa década e meia de existência, wow! – Mesmo em um momento politicamente e democraticamente terrível e crucial para todo o Brasil, o blog zapper tenta se manter em festa e escapar ao menos um pouco desses dias angustiantes: nesse post especial celebramos nossos QUINZE ANOS DE EXISTËNCIA online, damos todas as infos do festão que vai BEBEMORAR e ROCKAR a data amanhã (sexta-feira) em Sampa, no Sesc Belenzinho, e ainda adiantamos que, sim, este espaço virtual se despede em DEFINITO de seu dileto leitorado ainda este ano (afinal, é melhor fechar a tampa no auge do que na decadência, como vemos por aí na “concorrência”, hihi); mais: em um tempo em que o rock e a cultura pop estão inapelavelmente no fundo do poço e no final de sua história, a grande Cat Power ainda se mantém total relevante com um belíssimo novo trabalho inédito de estúdio; e ainda nossas observações e opiniões sobre o segundo turno das eleições deste ano, uma musa rocker absolutamente de li ci ous (e que causa furor no circuito do baixo Augusta/SP) e muuuuuitooooo mais aqui, onde JAMAIS haverá espaço para a caretice, a intolerância, o preconceito e o FASCISMO comportamental, cultural, social e intelectual (postão MEGA totalmente ampliado e FINALIZADO em 26-10-2018)

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A cultura pop e o rock alternativo estão em seus estertores mas ainda resistem como podem, e nos oferecem ainda grandes discos, como o novo álbum da folk singer americana lindona que é Cat Power (acima), muito bem resenhado nesta edição comemorativa de quinze anos do blog zapper; uma data que inclusive será mega bem comemorada na noite desta sexta-feira em Sampa, com showzaços das bandas Saco De Ratos e The Dead Rocks (abaixo)

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MICROFONIA EXTRA E ESPECIAL – AS DUAS FACES DESTA ELEIÇÃO E DE QUAL LADO CADA UM ESTÁ

Analisando por alto a situação e sem uma pesquisa mais aprofundada nesse momento (pois teríamos que ter tempo para fazer isso, embora esse detalhe não inviabilize a realidade do que vamos elencar aí embaixo), podemos chegar a algumas conclusões. Começando por QUEM ESTÁ DO LADO DA VERDADE, DA DEMOCRACIA, da liberdade de expressão, do humanismo, do respeito, da tolerância com quem pensa diferente, e que é contra fascismo e nazismo político, ditadura e cerceamento de pensamento, machismo, homofobia, racismo, misoginia e mentira na política e nessas eleições:

 

– lideranças políticas que merecem nosso respeito pela sua trajetória, cultura, inteligência, equilíbrio, propostas de governança e RESPEITO à liberdade e democracia (Fernando Haddad, Ciro Gomes, Guilherme Boulos, Eduardo Suplicy, Luiza Erundina, José Luiz Penna etc.)

 

– artistas gigantes e de mega PESO da música brasileira e internacional (Roger Waters, Nick Cave, Madonna, os dois ex-guitarristas e fundadores do gigante indie Sonic Youth, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Daniella Mercury, Mano Brown, o guitarrista do Ira!, Egard Scandurra e o ex-baterista do grupo, André Jung), das artes dramáticas (Fernanda Montenegro, Wagner Moura, Thaís Araújo), da poesia (o escritor Ademir Assunção), medicina (dr. Dráuzio Varella) etc.

 

– imprensa mundial que importa (jornais como o inglês The Guardian, o espanhol El País, o francês Le Mond e o americano The New York Times).

 

– e uma renca de pensadores, escritores, poetas, cientistas políticos e sociólogos daqui e de fora, todos reconhecidos pelo seu trabalho intelectual e pela sua obra e que sabem o tamanho do RETROCESSO institucional, social, político, econômico e comportamental que irá se abater sobre o Brasil caso o MONSTRO NAZISTA ganhe a eleição.

 

Agora, quem está do lado totalmente NEGRO e reacionário, calhorda, imundo, podre e BANDIDO da eleição, APOIANDO o candidato NAZI FASCISTA:

 

– toda a pior TORPEZA da política nacional atual (DEM, psdbosta, parte do mdbosta, João Escória Dólar, senador Magno Malta, o centrão político etc, etc, etc.).

 

– igrejas evangélicas corruptas, reacionárias ao extremo, ignorantes e boçais no pensamento medieval que impõem aos seus seguidores, fundamentalistas e com os líderes evanJEGUES mais BANDIDOS que se tem notícia e que ROUBAM na cara larga seus milhões de seguidores (Edyr Macedo, Silas Malafaia, Waldemiro Santiago etc.).

 

– PATRÕES que estão loucos para dar CAMBAU no décimo terceiro salário e nas férias dos seus pobres funcionários.

 

– os 1% SUPER ricos do país, que querem continuar NÃO PAGANDO impostos, deixando os mesmos no LOMBO dos outros 99% pobres da população.

 

– “luminares” da cultura nacional como o ator PORNÔ (e cotado para ser futuro Ministro da Cultura, ahahahaha) Alexandre Frota, a gagá Regina Duarte e os “roqueiros” falidos e decadentes de direita, Lobão e Roger Moreira.

 

– agremiações políticas completamente CAFAJESTES, cretinas, mentirosas, manipuladoras, espalhadoras de fake News aos milhões e ordinárias como o MBLixo.

 

– e claro, os “cidadãos de bem” (uia!), aqueles extremamente trogloditas, ogros em estado bruto, bestiais e selvagens ao máximo. Os que perderam a vergonha (e que saíram finalmente do armário) de serem machistas, racistas, homofóbicos e misóginos, e que não têm pudor algum em mostrar que odeiam pretos, pobres e que acham que homem tem que MANDAR na mulher, e esta OBEDECER caludinha (se não, leva PORRADA!). Pior é encontrar no meio dessa malta gigante de eleitores boÇALnaros e bolsOTÁRIOS, negros que irão votar no nazi (sim, há negros que odeiam sua própria cor de pele), pobres que também irão votar nele (porque acham que irão ascender socialmente e financeiramente caso o monstro vença o pleito) e MULHERES (inacreditável, mas elas também existem como eleitoras do nazi) que acham isso mesmo: que a sociedade tem que continuar sendo eternamente e grosseiramente PATRIARCAL, machista, e que mulher tem mais é que ser bela, pudica, recatada, do lar e que tem apenas que servir como reprodutora humana e servir aos instintos SEXUAIS de seu macho, amo, senhor e provedor (com ela inclusive não tendo direito ao seu GOZO carnal).

 

É isso. Faça sua escolha. O blog já fez a sua. E vote consciente no próximo dia 28 de outubro, domingo.

 

#EleNÃO

 

#EleNUNCA

 

#EleJAMAIS

 

***Mas a BOMBA de ontem, quinta-feira, foi a manchete de capa da FolhaSP. E aí, STE, MP, PF e STF, vão se ACOVARDAR ou irão fazer o que precisa ser feito, ou seja, CASSAR a chapa do candidato nazifascista. Hein?

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***E de fato o país está em chamas a oito dias do segundo turno eleitoral. E nós também estamos tensos ao máximo, acompanhando tudo como todos estão. Mas agora vamos direto para os tópicos deste postão zapper, o que celebra quinze anos de nossa eternamente rocker existência. E ao longo da próxima semana (quando este post será ampliado, atualizado e finalizado), iremos colocar mais notas aqui na Microfonia, pode ficar sussa! Bora celebrar a década e meia de Zapnroll!

 

 

ZAPNROLL ANO QUINZE! A PROVÁVEL DERRADEIRA FESTONA QUE VAI MARCAR A DÉCADA E MEIA DE UM DOS PRINCIPAIS ESPAÇOS VIRTUAIS DA BLOGOSFERA BR DE ROCK ALTERNATIVO E CULTURA POP – E QUE DEVERÁ SE DESPEDIR DEFINITIVAMENTE DE SEUS LEITORES AINDA ESTE ANO

Não é todo dia (ainda mais nos tempos atuais, onde o rock praticamente morreu e a cultura pop está mais irrelevante do que nunca) que um blog dedicado à cultura pop e ao rock alternativo permanece no ar por uma década e meia. Pois a Zapnroll, que está na blogosfera BR desde 2003, com muito orgulho, conseguiu essa façanha. E se mantém firme e forte até hoje, com cerca de 70 mil acessos mensais. Este espaço rocker virtual começou como uma coluna semanal na verdade, no primeiro semestre de 2003, no finado portal Dynamite online. E antes ainda, foi uma coluna IMPRESSA e publicada na saudosa revista Dynamite, onde durou de 1993 a 1995 (há vinte e cinco anos!). Assim são praticamente duas décadas e meia acompanhando de muito perto tudo o que de importante aconteceu no rock alternativo e na cultura pop, no mundo todo e no Brasil também.

De modos que a bebemoração teria que ser (e vai ser) à altura da data. Fomos atrás do Sesc SP, conversamos com eles e conseguimos a espetacular comedoria da unidade Belenzinho (no bairro do Belém, zona leste da capital paulista) para celebrar nosso aniversário de quinze aninhos. Assim o festão rocker acontece lá nessa sexta-feira, 19 de outubro, a partir das 9 e meia da noite. Vai ter showzaços do Saco De Ratos (a banda de blues rock liderada pelo vocalista e escritor Mario Bortolotto) e do incrível The Dead Rocks (a melhor surf music instrumental da cena indie nacional). Também irão rolar vídeo projeções do expert vj Fabio Vietnica e estande da editora Kazuá onde você poderá comprar o nosso livro, “Escadaria para o inferno”.

E já na madruga ainda vai ter after party no sempre infernal open bar do Clube Outs (lá no 486 da rua Augusta), onde o blog fará dj set a partir da uma da manhã.

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Vai perder? Não, né! Então nos vemos lá amanhã. Afinal esta poderá (e deverá) ser a DERRADEIRA festa de aniversário de um blog e site de cultura pop que se mantém relevante há uma década e meia, mas que também tem consciência plena de que NADA é ETERNO neste mundo, sendo que um dia estas linhas zappers irão chegar ao seu fim (talvez já em dezembro próximo). Mas o Rock sim, este deverá se manter para sempre contra a opressão, o fascismo e pela liberdade individual dos cidadãos, da democracia e da alegria de viver livre e liberto.

 

***tudo sobre a festona desta sexta-feira pelos quinze anos do blogão zapper, você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/460162691145863/.

 

***e os INGRESSOS (preço merreca, o mais caro sai por apenas vinte pilas!) para o showzão podem ser comprados aqui: https://www.sescsp.org.br/programacao/168893_DEAD+ROCKS+E+SACO+DE+RATOS#/content=saiba-mais.

 

 

APÓS SEIS ANOS LONGE DOS ESTÚDIOS CAT POWER VOLTA AO DISCO, COM O BELÍSSIMO E TRISTE “WANDERER”

Uma perene melancolia sempre moveu a musicalidade folk de Cat Power. Foi sempre assim, desde que a americana batizada com o nome de Chan Marshall soltou a voz em seu primeiro compêndio de canções registradas oficialmente em disco, há mais de vinte anos. E assim ela permanece até hoje: reflexiva, tristonha, tecendo ambiências sonoras e melodias suaves que perscrutam caminhos solitários e desvelam um mundo sempre em desalento quase pleno. É o que sentimos no coração e nos ouvidos quando nos deparamos com a inebriante beleza das canções que integram “Wanderer”, décimo álbum de estúdio de Cat, e lançado oficialmente no começo deste mês. São onze músicas e pouco mais de trinta e sete minutos de duração onde a cantora, letrista, compositora e instrumentista continua deambulando fielmente pelos matizes sônicos que sempre nortearam seu trabalho musical. Continua não havendo alegria no mundo sombrio da desajustada e linda Chan. E isso é ótimo pois se traduz nas melhores pinturas sonoras que podemos escutar, em um tempo em que a música pop perdeu quase que totalmente sua relevância.

Lá se vão vinte e três anos desde que Cat Power estreou em disco, com “Dear Sir”, lançado em 1995. E já em sua estreia a cantora, então com apenas vinte e três anos de idade, mostrava a força introspectiva de seu cancioneiro de acepções melódicas folks e com forte acento melancólico nas letras e nas ambiências sonoras. Características que permearam desde então e desde sempre sua obra, acompanhando-a pelos nove discos seguintes (a maioria deles lançados pelo selo Matador, que ela abandonou depois de duas décadas, editando o novo trabalho pela Domino Records). Cat sempre deteve um olhar reflexivo e tristonho sobre o mundo que a cercava e ainda a cerca. Além disso sempre foi uma outsider e emocionalmente algo desajustada e inadequada existencialmente, colecionando problemas de saúde por conta de seu alcoolismo (hoje em dia em parte superado). Esse desajuste, no entanto, não a impediu de se tornar uma das vozes femininas mais respeitadas, relevantes e importantes do folk rock americano dos anos 2000. E de 1998 para cá a cantora lançou pelo menos três discos sublimes: “Moon Pix” (em 1998), “You Are Free” (em 2003) e “The Greatest” (lançado em 2006), que ganharam o respeito inequívoco da imprensa e também ajudaram outras artistas do novo milênio a moldar sua musicalidade. Não é exagero dizer que nomes como a deusa Lana Del Rey (que participa inclusive do novo álbum de Power, fazendo dueto com ela na belíssima “Woman”, o primeiro single de trabalho do disco) e a também cantora folk Sharon Van Etten (em bastante evidência já há algum tempo) se inspiraram em parte da construção de sua obra musical nos devaneios bucólicos e tristonhos de Chan.

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Após seis anos longe dos estúdios Cat Power volta com disco lindíssimo e tristonho

Após aventurar-se por paisagens eletrônicas em seu último registro de estúdio (no também muito bom “Sun”, lançado já há longos seis anos), Cat Power recolheu-se para voltar a trilhar os caminhos do folk introspectivo e quase pastoral. Nesse processo de recolhimento ela teve um filho (há três anos) e burilou novas e sublimes canções, que finalmente ganharam vida e corpo no início deste mês. Assim “Wanderer” exibe onze preciosidades onde não cabem arroubos sonoros, tampouco explosões de inquietude ou alegria fútil e sem sentido. Marshall continua observando o mundo como sempre fez: através de um olhar tristonho, que filtra o que vê e transforma essa visão em construções musicais muito delicadas e precisas, geralmente arquitetadas com arpejos de guitarras que se intercalam com pianos dolentes. Por cima de tudo flutua o vocal contido (às vezes quase sussurrado) da cantora. E o resultado é inebriante para se ouvir em uma madrugada solitária, com o barulho da chuva caindo ao longe. Não há como escapar da beleza e não se impactar com a delicadeza, quase fragilidade de canções como “In Your Face”, “Horizon”, “Stay” ou “Black”. Muito menos não se emocionar e quase se entristecer como retratos precisos como “Nothing Really Matters” ou “Me Voy”, onde Chan Marshall parece querer reafirmar mais uma vez (e já foram tantas vezes…) que não pertence a este mundo, que sua vida é eternamente errante e que ela jamais encontrou um verdadeiro motivo que pudesse arrancar um sorriso de seu belíssimo rosto.

Já pode ser considerado um dos grandes LPs deste 2018 tão trágico (ao menos para nosso colapsado e triste Brasil) e que está caminhando para mais um final sem nenhum motivo para esgares de felicidade. Aos quarenta e seis anos de idade Cat Power ainda seduz, acalenta e acolhe nossos corações e nossos ouvidos com carinho, ternura, beleza poética imensa e grandes canções. Não é pouco, aliás é uma imensidão de qualidade e deslumbre em um mundo onde até a música pop parece ter perdido totalmente o rumo e sua razão de existir. Grato por mais esse discaço, Chan. Ao menos agora temos mais uma ótima trilha sonora para nos confortar em nosso isolamento existencial e infortúnio emocional.

 

***A cantora começou há pouco nos EUA a turnê de divulgação do seu novo álbum. Quem sabe ela não aparece novamente no Brasil (onde tocou por algumas vezes, sendo que Zapnroll assistiu a uma gig inesquecível dela lá por 2009, na finada casa de shows Via Funchal).

 

***Mais sobre Cat Power e seu novo trabalho, vai aqui: https://www.catpowermusic.com/.

 

O TRACK LIST DE “WANDERER”

1.”Wanderer”

2.”In Your Face”

3.”You Get”

4.”Woman” (featuring Lana Del Rey)

5.”Horizon”

6.”Stay”

7.”Black”

8.”Robbin Hood”

9.”Nothing Really Matters”

10.”Me Voy”

11.”Wanderer/Exit”

 

E O DISCO AÍ EMBAIXO PARA AUDIÇÃO COMPLETA, ALÉM DO VÍDEO DO PRIMEIRO SINGLE DELE, PARA A MÚSICA “WOMAN”

 

 

LACROU! O JÁ QUASE VELHO MAS AINDA ÓTIMO (NO PALCO, PELO MENOS) FRANZ FERDINAND ARRASOU NA SUA GIG EM SAMPA – COM DIREITO ATÉ A CORO DE “ELE NÃO!” NO FINAL

Yep. Foi uma semana rocknroll beeeeem agitada na capital paulista. Ainda que o país esteja em chamas e ameaçado de eleger (graças a milhões de eleitores boÇALnaros selvagens, conservadores, imbecis e bestiais em nível extremo) um nazi fascista como presidente, ao menos o rock rolou farto na cidade. Teve Roger Waters, teve Peter Hook e Nick Cave. Tudo, vale repetir, em apenas UMA semana. E também teve Franz Ferdinand na sextona do feriado religioso nacional. E nesse o blog marcou presença. Foi a sétima vez que os escoceses liderados pelo vocalista, letrista e guitarrista Alex Kapranos baixaram no Brasil. Em Sampalândia a gig rolou na Tom Brasil (espaço ótimo como sempre, acústica muito boa, iluminação idem mas localização terrível pois é looooonge pra caralho, no cu da zona sul de São Paulo e ali só dá pra chegar mesmo de carro). E o local lotou em pleno feriado. Sendo que o show foi IN SA NO.

O FF pode já não ser mais em estúdio o grupo fodástico do primeiro e primoroso álbum, homônimo e lançado em 2004 (depois vieram mais quatro discos e a banda nunca mais acertou a mão em cheio como na sua estreia, sendo que “Always Ascending”, o mais recente e lançado no início deste ano, talvez seja o melhor trabalho de estúdio deles desde o primeiro cd). Mas ao vivo demonstrou que continua no gás total, com pique monstro e infalível em suas acepções de indie rock dançante com eflúvios claros do glam glitter rock de David Bowie, Marc Bolan e Roxy Music, além de algumas pitadas de Talking Heads. Fora que Kapranos, aos 46 anos de idade, continua um dínamo no palco, como se fosse um adolescente em início de trajetória musical.

Não deu outra: com um repertório bem equilibrado mas que privilegiou menos o novo disco e muito mais (claro!) o primeiro álbum, o FF deitou e rolou na Tom Brasil, levando as cerca de 4 mil pessoas que lotaram o local literalmente à loucura. E este velho mas ainda loker jornalista rocker, do alto dos seus quase 5.6 de vida, pulou como uma criança em boa parte da apresentação. Perdemos a vergonha e REBOLAMOS como uma BICHAÇA LOKA em “Lazy Boy” e “No You Girls” e só faltou nos jogarmos no chão quando eles dispararam “Michael”, aquele proto punk que em menos de 3 minutos conta a história do sujeito que vai com sua namorida a uma dance floor, lá conhece o Michael (“tão bonito, tão sexy…”) e se APAIXONA pelo dito cujo, hihi. Inclusive comentamos isso com dois amigos queridões (Dirlei e Renata), que estavam conosco assistindo a apresentação: o FF é uma banda com uma estética sonora bastante dançante, atrevida, subversiva e GAY, no final das contas (não à toa, haviam muitas bibas elegantérrimas, montadas, assanhadas e completamente desinibidas na plateia), o que é ótimo e se traduziu num ambiente que respirava liberdade musical, comportamental e de expressão. Tudo o que iremos perder daqui a duas semanas, caso o monstro nazi de extrema direita ganhar o pleito presidencial.

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De volta ao Brasil pela sétima vez, o escocês Franz Ferdinand arrasou em sua gig paulistana (acima), na semana passada, show que foi acompanhado por Zapnroll e amigos (abaixo)

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E o final foi lindaço e apoteótico como sempre em se tratando de FF: no bis tocaram, óbvio, “Take Me Out”, “Jaqueline” (que estas linhas online amam e que abre o primeiro disco do conjunto) e “This Fire”, em versão extra longa e que terminou de loucurar o povo já exausto àquela altura, de tanto dançar e berrar. O blog arrisca a dizer que talvez tenha sido o MELHOR show que presenciou do grupo até hoje (e olha que foi a quarta vez que os vimos ao vivo).

E teve a cereja no bolo: em um ambiente que parecia (e pelo jeito apenas parecia, mesmo e felizmente) dominado por coxinhas eleitores do nazista (afinal o ingresso mais barato custava 240 pilas), no intervalo da apresentação e antes do grupo voltar ao palco para o bis, começou um ENSURDECEDOR coro de “Ele NÃO!”, que dominou todo o ambiente da Tom Brasil. Foi lindo ouvir aquilo, de verdade!

 

 

UMA LINDA TARDE DE SÁBADO COM MILHARES GRITANDO E CANTANDO #ELENÃO – 150 MIL EM SP – 200 MIL NO RIO DE JANEIRO!!!

Faz tempo já que o autor deste espaço rock e político virtual vive em desalento por ter nascido e morar no Brasil. Sentimos um misto de vergonha e indignação (afinal aqui é o país em que coxas imbecis e eleitores bolsOTÁRIOS querem ensinar para os alemães o que foi o nazismo, ou que chamam Madonna de Merdonna e “beneficiária da lei Rouanet” porque ela aderiu ao #EleNão, ahahahaha), ainda mais agora que, perto do segundo turno das eleições presidenciais deste ano, nos damos conta de como grande parte da sociedade e do povo brasileiro se tornou SELVAGEM e BOÇAL ao máximo. Por isso o NAZISTA está aí, e vai receber milhões de votos também no segundo turno.

Mas NÃO VAI GANHAR a eleição. Porque há algumas semnas sentimos, depois de muito tempo, certo orgulho e MUITA SATISFAÇÃO de ser brasileiro. Estávamos todos lá no Largo Da Batata, em Pinheiros (zona oeste de Sampa). O blog, amigos queridíssimos e mais umas 150 MIL PESSOAS (no Rio foram 200 mil na Cinelândia). Um OCEANO de gente cantando, batucando, gritando #EleNÃO para todos ouvirem alto, muito alto. Lá pelas tantas, comentamos com um amigo, que estava conosco: “incrível o que está acontecendo aqui. Meus olhos estão marejados de tanta emoção por ver tanto carinho, afeto, tanta solidariedade humana, tanto RESPEITO e TOLERÂNCIA, tanta ARTE e CULTURA se manifestando, tantos cânticos diferentes, tantas cores e pessoas diferentes. Mas todas UNIDAS pelo mesmo sentimento de LIBERDADE e de RESPEITO ao ser humano”. Tudo o que NÃO EXISTE no outro lado, no pensamento fútil, vazio, preconceituoso, boçal, selvagem e MEDIEVAL dos eleitores que se espelham no seu “mito” nazi fascista.

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Imagem mais linda: na praça do bairro de Pinheiros, na capital paulista, 150 mil pessoas cantam e gritam “EleNÃO!”

Zapnroll ficou contente, muito, naquela tarde em Pinheiros. E mais do que nunca teve a certeza de que ele NÃO VAI GANHAR o que quer. Vamos barrá-lo, com a força das MULHERES, dos NORDESTINOS e do povo brasileiro que ainda pensa com a razão e não com o fígado.

Vote com a razão dia 28 agora. Apenas isso. O futuro de todos nós está em jogo, como nunca esteve nas últimas décadas.

 

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ZAPNROLL ANO 15 – A FESTANÇA ROCKER ARRASOU NA COMEDORIA DO SESC BELENZINHO!

As celebrações e “bebemorações” total rockers dos 15 anos do site e blog de cultura pop e rock alternativo Zapnroll não poderiam ter sido melhores. Um ótimo público compareceu à incrível comedoria do sensacional Sesc Belenzinho (em Sampa), para curtir os showzaços das bandas Saco De Ratos e The Dead Rocks.

E depois a esbórnia seguiu madrugada adentro, com a dj set de Finaski no sempre infernal open bar do Clube Outs, último bastião rock alternativo noturno do baixo AugustaSP. Quem foi, amou e deve estar morto até agora. Quem não foi perdeu. E perdeu MESMO: Zapnroll se despede e encerra com orgulho e no auge sua trajetória na blogosfera BR em dezembro próximo, após uma década e meia de ótimos e relevantes serviços prestados ao jornalismo cultural online brasileiro. E agradece imensamente a todos que nos acompanharam através do blog nesses 15 anos. Valeu galera, de coração!

Abaixo uma seleção em imagens dos melhores momentos da festa rocker arrasa quarteirão que invadiu o Sesc, e depois ainda se prolongou pela madrugada no clube OutsSP. As fotos são das gatíssimas Renata Porto e Gisélia Silva.

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Saco De Ratos, a banda liderada por Mario Bortolotto: blues rock de bebuns fodões

 

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The Dead Rocks: incendiou o povo com sua surf music instrumental fodona

 

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O blogger rocker e suas amigas gatas! (Samara, Renata, Flávia e Gisélia)

 

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Dupla de novos amigos queridos, ambos total do rock, claro: Sandro Saraiva (Sesc Belenzinho) e Zapnroll, bebemorando o sucesso do evento

 

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“Mestre de cerimônias” (rsrs) falando rapidamente sobre os quinze anos de Zapnroll

 

ENGENDRANDO PSICODELIA INSTRUMENTAL FODONA, EMA STONED SE DESTACA NA NOVA CENA ROCK ALTERNATIVA PAULISTANA

Em tempos onde o rock está praticamente morto tanto lá fora quanto aqui também, três garotas paulistanas não apenas insistem em manter sua fé no gênero musical que já foi um dos mais importantes de toda a história da música mundial (e que também mobilizou milhões de seguidores por mais de cinco décadas). Elas insistem em uma subversão e ousadia ainda mais radical, até mesmo para os padrões da cena rock alternativa da capital paulista: desde novembro de 2011 o trio feminino Ema Stoned investe em uma sonoridade apenas instrumental (sem vocais) e com forte acento psicodélico. Pode parecer loucura mas está dando certo, e já rendendo seus dividendos artísticos e de público também: a trinca tem tocado com regularidade nos espaços possíveis (que também são bem poucos atualmente) e começa a chamar a atenção de um público que vem crescendo aos poucos.

A banda começou como um quarteto. E decidiu se manter como trio e compondo material apenas instrumental depois que a quarta integrante, a guitarrista e vocalista Sabine Holler, se mudou para a Alemanha. Ficaram Alessandra Duarte (guitarras), Elke Lamers (baixo) e Jéssica Fulganio (bateria). E mesmo lutando com muitas dificuldades elas permanecem juntas até agora, sete anos após a fundação do grupo. Zapnroll as viu ao vivo há algumas semanas em São Paulo, na comedoria do Sesc Belenzinho, onde abriram para o também trio (e nome já clássico e lendário do rock BR dos anos 80) Violeta De Outono. O blog ficou realmente impressionado com a potência sonora do conjunto, e com suas ambiências psicodélicas construídas em longas e envolventes passagens instrumentais. Desta forma, não poderíamos deixar de destacar o trabalho do trio neste espaço rocker online. Para tanto fomos conversar com as três instrumentistas para saber um pouco mais sobre a trajetória delas até o momento, além de saber como é lidar com uma banda de rock psicodélico e instrumental nos dias que correm.

Os principais trechos deste bate papo você confere aí embaixo.

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O trio psicodélico instrumental paulistano Ema Stoned: um dos destaques da novíssima cena alternativa paulistana e nacional

 

Zapnroll – A banda já tem um tempo razoável de existência mas ainda longe de ser conhecida do grande público. Então para quem ainda não conhece o Ema Stoned, dê um resumo da trajetória do grupo até aqui, como e quando ele foi criado etc.

 

Jéssica Fulganio – Ema Stoned começou oficialmente em Novembro de 2011 no formato de quarteto que durou até 2013 quando saiu nosso primeiro EP Gema. De lá pra cá lançamos um EP ao vivo, Live from Aurora (2016) e o single Proxima b (2017), que saiu pela coletânea da Levis no projeto Original’s Studio. Estamos passando com a “Around Galaxies Tour” em festivais pelo país e nosso primeiro álbum full sai em 2019.

 

Elke – Acho que a Jéssica resumiu tudo.

 

Zapnroll – Em um momento onde não há muito espaço na mídia e interesse do público pelo rock, o Ema Stoned começa a chamar a atenção fazendo um trabalho musical nada convencional, investindo em canções apenas instrumentais e com forte acento psicodélico. Como se deu a opção por esse estilo (instrumental e psicodélico) e o que vocês acham que podem alcançar com esse trabalho.

 

Jéssica – Com a ida da guitarrista/vocalista Sabine para Alemanha decidimos seguir como trio já que boa parte do repertório era instrumental. Foi o caminho natural. Passamos um período redescobrindo nossas músicas, tocando com outras pessoas e maturando novas ideias. Nossa sonoridade não foi desenhada a partir de um estilo ou formato pré-estabelecido, mas sim por meio do mix das nossas individualidades e referências.

 

Elke – Não foi uma escolha, o som surgiu naturalmente quando começamos a nos reunir, mesmo antes de trocarmos referências. As músicas já eram em maior parte instrumentais, e com a partida da Sabine aí sim foi uma opção, continuamos com as composições em trio.

 

Alessandra Duarte – Acho que conseguimos alcançar os públicos mais diversos com esse tipo de trabalho. Acredito que a música instrumental pode criar um canal de acesso para uma conexão consigo mesma/o, atravessando as pessoas de formas diferentes, onde cada uma/um pode criar e acessar a sua própria história dentro de si.

 

Zapnroll – Quais artistas do rock nacional e mundial vocês podem citar como influência direta no trabalho que vocês desenvolvem.

 

Jéssica – Morphine, Acid Mothers Temple, Velvet Underground, Meat Puppets.

 

Elke – Mutantes, Pink Floyd, Sonic Youth.

 

Alessandra – Ash Ra Tempel, Blonde Redhead, Can, Radiohead.

 

 

Zapnroll – A banda já é conhecida fora do Brasil? Há planos para se fazer algo em torno de construir uma carreira no exterior?

 

Jéssica – O Gema no seu lançamento teve uma resposta muito bacana em países da Europa e Ásia. Alcançamos também EUA, Austrália e Argentina. Há tempos recebemos convites para tocar fora mas ainda não conseguimos alinhar uma mini tour sustentável.

 

Zapnroll – O que você gosta e não gosta na atual cena do rock independente nacional.

 

Alessandra – Acho que tá surgindo uma nova onda de experimentalismo no rock que sai do formato de canção, mistura noise, drone, barulhos não identificados, com uma pegada ritualística que tem me interessado bastante. Também tem surgido umas bandas de mulheres que estão dando uma nova cara pro rock. Não gosto quando o rock é muito pop ou previsível, muito menos quando o negócio fica muito mental, tipo martelada de notas na cabeça que para mim acaba virando um exibicionismo sem sentido.

 

 

Zapnroll – Novamente, é visível que o rock atravessa um momento de baixa, não apenas aqui mas no mundo todo. O público parece mais interessado em gêneros musicais mais acessíveis e de fácil digestão, como música pop e eletrônica (lá fora), e sertanejo e funk (por aqui). Como furar esse bloqueio e voltar a fazer com que as pessoas se interessem pelo bom e velho rocknroll?

 

Elke – O rock teve seus momentos de glória, de novidade, talvez pra voltar à tona novamente tivesse que se reinventar, ele já anda por aí disfarçado de pop, dissolvido em outros estilos. Não sei se é um bloqueio que queremos furar, coexistimos em proporções muito diferentes, são universos paralelos…

 

Alessandra – Eu tendo a pensar que, como a reconstrução do mundo, o futuro do rock é feminino.  Acho que já cansamos um pouco dessa energia masculina que sempre predominou o mundo do rock e está na hora de escutarmos e sentirmos mais atentamente o que a experiência de ser mulher no mundo pode nos dizer e trazer através da música.

 

Zapnroll – Planos futuros da banda?

 

Elke – Lançar um álbum em 2019.

 

Alessandra – Por enquanto estamos focadas no #EleNão antes de qualquer outra coisa.

 

***Mais sobre o Ema Stoned, vai aqui: https://www.facebook.com/EmaStoned/. E aqui também: https://www.emastoned.com/?fbclid=IwAR2Ndb9nW56kxLIAD8-jviVzI9SU3jetkgXHo8hZYneOpGZ3psvJI5t2CXE.

 

 

UM EXGERO DE TESÃO E GOSTOSURA NO POST DE 15 ANOS DO BLOG ZAPPER: UMA MUSA ROCKER PRA ENLOUQUECER NOSSO LEITORADO MACHO (CADO), ULALÁ!

Ela é linda, doce, meiga, total do rock e costuma enlouquecer o povo que frequenta baladas alternativas do baixo Augusta (em Sampa), onde volta e meia atua como hostess (e que hostess, wow!) de bares como o do Netão (onde estará nessa noitona de sextona pré eleição do segundo turno) e o Clube Outs. E como estas linhas online sempre a admirou e sempre teve enorme carinho e simpatia por ela (além de uma amizade bem bacana), não poderíamos deixar de convidar a garota para fazer um ensaio pra lá de sensual nesse espaço virtual.

Assim, podem se deleitar avonts. Com vocês a lindaça, mega sensual e incrível Nay In, a nossa musa dos quinze anos de Zapnroll. Apreciem sem moderação alguma!

 

(fotos: Otavio Macedo – @visionsp.br)

 

MUSA NAY IN

Nome: Nayanny Ito Nogueira.

Idade: 25 anos.

Nasceu em: São Paulo.

Mora em: São Paulo, capital.

Com quem: tios e avó.

No que trabalha e estuda: Hostess e DJ, formada em audiovisual.

Três discos: “Living in Darkness” (Agent Orange), “Wasted Again” (Black Flag) e “Houdini” (Melvins).

Três artistas ou bandas: Adolescents, Dinosaur Jr, e Stone Temple Pilots.

Três filmes: “Kids”, “Taxi Driver” e “Clube da Luta” (um quarto filme pode ser “Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas”).

Três diretores de cinema:

Tarantino, Tim Burton e Alfred Hitchcock.

Um livro: “Veronika decide morrer”.

Um escritor: Paulo Coelho.

Um show inesquecível: Dinosaur Jr no Cine Joia.

Sobre

Sexo: é algo que precisa fluir naturalmente, atração não tem uma regra pré estabelecida, mas acho que nosso gosto muda muito de acordo com a nossa frequência de vida.

Drogas: experimentei algumas na adolescência, foi importante pra compreender/saber como lidar com as pessoas, mas não tenho nenhum vício.

E rocknroll, claro: foi o que começou a mover minha vida, a sensação causada pela música faz você se conhecer, se descobrir, se libertar, aprender a sentir, mesmo quando não tem uma letra tão óbvia, a atitude rock’n roll faz você questionar as coisas “será que está tudo certo e eu só preciso seguir… ou eu quero meu espaço porque não concordo com isso?”.

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Com quantos desejos construo meu amor por você…

 

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Um dia conto meus segredos mais secretos a alguém especial…

 

 

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Não basta ser bonita, tem que ser do rock!

 

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Vermelho básico escondendo um corpo em chamas

 

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Linda, rocker, tatuada e mortalmente sedutora!

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

Disco: o novo e lindão da Cat Power, óbvio.

Livros: estas linhas online estão devendo algumas resenhas literárias de ótimos lançamentos independentes que chegaram até nossas mãos nas últimas semanas. E assim que passar a loucura destas eleições presidenciais sinistras ao cubo, iremos falar detalhadamente aqui de “Fogo, fatos e frangos” (da sereia loka e gatíssima Flávia Dias, que inclusive já foi também musa rocker do blog), “Macumba rock” (do jornalista e brother Jesse Navarro) e de “De analgésicos e opióides”, da escritora e poeta (e querida amiga zapper) Tatiana Pereira. Todos bacaníssimos e que mantém a chama literária alternativa vibrando em um país onde a cultura está cada vez menos prestigiada e onde as pessoas leem cada vez menos. Assim, podem aguardar nos próximos posts mais infos sobre estes livros, promessa de blogger fináttico fanático por livros.

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A sereia loka e linda Flavinha Dias, e seu primeiro livro, lançamento da Bar Editora

 

Show indie: na correria total (já é noitão de sexta feira) o blog está indo pro baixo Augusta, para prestigiar a gig do Cenário Liquído, nova empreitada musical do guitarrista, cantor, compositor, poeta, letrista e professor Edner Morelli, velho chapa destas linhas bloggers rockers. Se você estiver a fim de colar lá também, corre que ainda da tempo: o grupo liderado por ele sobe ao palco do Augusta 339 (na rua Augusta no mesmo número, oras) a partir da meia noite.

 

 

E AGORA É THE END MESMO!

Yep. Postão ficou grandão e bacanão como sempre. E no domingo tem segundo turno de uma eleição decisiva para o futuro do Brasil. Pense nisso quando for votar. Diga NÃO gigante ao retrocesso, ao autoritarismo de extrema direita e ao fascismo que ameaça a todos nós. Vote em quem pode manter o país livre, democrático, liberto e sem ódio e violência. Fica o apelo sincero destas linhas sempre libertárias, diretamente ao coração de seu amado leitorado. Vote bem neste domingo!

E logo menos a gente volta aqui com novo post daquele que é, há década e meia, o blog de cultura pop e rock alternativo mais legal e RESPEITADO da web BR. Beijos pra todos vocês!

 

(amplaido, atualizado e finalizado por Finatti em 26-10-2019 às 22hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL!!! Informando em primeira mão sobre o festão de 40 anos do selo Baratos Afins, analisando (mais uma vez) a morte do rock no Brasil e no mundo, mostrando quem já comprou o livro “Esacadaria para o inferno” e dando um “aperitivo” da nossa próxima musa rocker, uhú! – Hollas 2018, que começou mais SINISTRO do que nunca no fodido, falido e triste bananão tropical não abençoado por NENHUM deus e amaldiçoado por todos os DEMÔNIOS imagináveis; mesmo assim (com Lula condenado em segunda instância e com a nação pato/coxa otária se fodendo cada vez mais e ainda assim gostando de se foder ao máximo) cá estamos, sobrevivendo como possível e chegando aos quinze anos de blogagem rock alternativa e de cultura pop na web BR. Mas Agora vai!!! Postão novão e inaugural deste ano chega chegando agora e vem fervendo, com programação normal e NADICA de carnaval na véspera do reinado de Momo, ulha! Nossa primeira publicação de 2018 traz sim uma entrevista EXCLUSIVA com um gênio do rockabilly americano, o Reverendo Horton Heat (e que poderá fazer shows no Brasil ainda este ano); mais: a morte de um nome lendário do rock alternativo inglês dos anos 90 desperta saudade e ótimas lembranças em um músico indie brazuca; uma entrevista bacanuda com uma das bandas mais importantes da cena rocker goiana há mais de duas décadas e mais isso e aquilo tudo em mais um ano de atividade zapper, que começa aqui e agora! (postão COMPLETÃO e total finalizado em 16/2/2018)

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São tempos mega sombrios e sinistros para a cultura pop em geral e para o rockroll em particular, que resiste como pode à sua precoce quase extinção como gênero musical que mobiliza as massas mundo afora; um dos que resistem é o trio rockabilly americano Reverend Horton Heat (acima), com quem o blog bateu um papo exclusivo e onde o grupo avisa que poderá tocar no Brasil ainda este ano; e outro que resistiu por mais de quarenta anos foi o inglês Mark E. Smith (abaixo), ex-líder do The Fall e que infelizmente morreu em janeiro passado, sendo que o blog zapper relembra sua trajetória neste post

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MAIS MICROFONIA!

***Os 40 anos do selo Baratos Afins – E já que estamos em clima total rocker nesse post, vamos dar a notícia em primeira mão: o mini festival que vai comemorar os 40 anos da loja/selo Baratos Afins, fundada pelo queridão e gênio Luiz Calanca em 1978, acontece de 10 a 13 de maio na chopperia do SESC Pompéia SP. Serão quatro noites de shows com diversas bandas que já passaram pelo selo. Entre elas o sensacional Kafka, quarteto pós-punk paulistano de ambiências ultra sombrias e que gravou apenas dois álbuns pela Baratos antes de encerrar atividades. Calanca sempre diz que se trata de um dos grupos que ele mais gostou de gravar, dentre as centenas de nomes que lançou. Concordamos com ele: “Musikanervosa”, o disco de estreia do conjunto, lançado em 1987, é uma pequena obra prima e que hoje se tornou um clássico cult e obscuro do rock paulistano dos anos 80`. O blog teve o disco em vinil e “Tribos da noite” (que abre o LP) é magnífica e nos transporta para as ruas cobertas de fog de Londres nos idos de 1983/85. Quem dançou na época nos porões escuros do Madame Satã e, um pouco depois, também no Retrô, conhece muito bem o Kafka e jamais esquece a sonoridade dark deles. Um show pra não se perder, ainda mais que será a primeira reunião da formação original da banda em quase 30 anos (!!!)

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O grupo goth paulistano Kafka, tocando ao vivo nos anos 80: atração do festival que vai marcar os 40 anos do selo Baratos Afins

 

***Reunião de LENDAS do rock BR ontem (quinta-feira em si) – yep, trinca poderosa na imagem abaixo: Zapnroll ao lado do produtor Luiz Calanca e do batera Rolando Castelo Jr, que fundou a seminal Patrulha Do Espaço ao lado do eterno “loki” Arnaldo Baptista. Sendo que Jr. também aproveitou pra comprar seu exemplar de “Escadaria para o inferno”, wow!

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop em discos, shows, filmes, livros etc.)

 

***Entonces, cá estamos de volta, e na véspera do início de mais um carnaval no bananão tropical falido e fodido. Yep, já era pra Zap versão 2018 ter surgido mas como sempre ocorrem imprevistos aqui e ali (o último deles, esta semana, foi uma gripe cavalar que literalmente derrubou o autor deste espaço rocker virtual), a reestreia zapper acabou atrasando um pouco. Mas enfim vamos que vamos antes que o maldito “carnival” comece, uia!

 

***E nada mudou muito do final do ano passado pra cá. O país continua na imundície e falência total, com o quadrilhão do MDBosta movendo mundos e fundos pra continuar ROUBANDO tudo o que pode enquanto está no Poder, o Judiciário CONIVENTE dando um jeito de impedir a qualquer custo a candidatura de Lula nas eleições presidenciais deste ano (pois sabe que o barba entrar na disputa, ganha de BARBADA a mesma), o país sem Ministro do Trabalho há um mês já e por aí vai… enquanto isso a nação pato/coxa espera feliz e imbecilizada a chegada da semana momesca. E quando tudo acabar e a quarta-feira de cinzas chegar (com botijão de gás a quase 100 pilas, e litro de gasolina a quase 5 mangos), a choradeira como sempre continuará sendo geral.

 

***O blog zapper nem vai viajar e fica em Sampa neste carnaval. Primeiro por falta de Money. Segundo porque tem muita parada cultural bacana pra se ver aqui pelos próximos dias. Uma delas é a exposição em torno da obra do gênio Jean Michel Basquiat, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil e cujas infos você pode ver aqui: https://www.terra.com.br/diversao/guiadasemana/jean-michel-basquiat-ganha-mega-exposicao-no-ccbb-com-retrospectiva-inedita-saiba-mais,a32db72921f96c2e0917b95b5b17b0ae85c4pmgs.html. E aqui também: http://culturabancodobrasil.com.br/portal/jean-michel-basquiat-obras-da-colecao-mugrabi/.

 

***Que mais? Okays, tudo bem, a partir de hoje só se fala em carnaval na porra do bananão que na real gosta mesmo é disso. E sobra ainda ALGUM ESPAÇO pro rock? Sobra. Tanto que hoje estão saindo oficialmente lá fora os novos álbuns do já veterano Franz Ferdinand (“Always Ascending”) e do MGMT (você se lembra deles?), que vem com “Little Dark Age”. Estas linhas online ainda não escutaram nenhum dos dois e provavelmente vá aproveitar o feriadão momesco gigante pra fazer as audições. Por enquanto disponibilizamos ambos os CDs para audição na íntegra aí embaixo, para que nosso dileto leitorado tire suas próprias conclusões. E se acharmos que vale a pena, iremos resenhar os dois por aqui assim que for possível, beleusma?

 

***E yep, o primeiro livro do autor deste espaço rocker online que segue firme e forte há década e meia na blogosfera BR de cultura pop, “Escadaria para o inferno”, segue vendendo bem e ganha seu primeiro festão de lançamento fora de Sampa. Vai rolar logo após o carnaval no Rio De Janeiro onde estaremos no sábado, 17 de fevereiro, para participar da festa “Bauhaus” (organizada pelos chapas cariocas Kleber Tuma e Wilson Power), onde iremos autografar exemplares do livro fináttico. Quem estiver no balneário no finde pós-Momo está convidado desde já a comparecer, sendo que todas as infos da baladona rock/goth você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/185497448876480/. E aqui também: https://www.facebook.com/events/317273378785958/.

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***Tocando o postão em frente, que já temos muito e um ótimo material para publicar. Mas mais notas poderão entrar aqui ao longo do carnaSHIT ou logo após o fim da folia, se algo de fato relevante acontecer até lá. Bora então que já aí embaixo o blog zapper bate um papo exclusivo com uma lenda do rockabilly americano, o Reverend Horton Heat.

 

LENDA DO ROCKABILLY AMERICANO, REVEREND HORTON HEAT FALA AO BLOG E AVISA QUE PODERÁ TOCAR AINDA ESTE ANO NO BRASIL

Felipe “Nally” Almeida, da Flórida/EUA, especial para Zapnroll

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O músico americano Jim Horton Heat: a banda rockabilly poderá tocar no Brasil ainda este ano

Considerados uma das maiores bandas do rockabilly/psychobilly americano e mundail, os texanos do Reverend Horton Heat se apresentaram no House Of Blues, em Orlando-Florida, poucos dias antes do natal do ano passado. E quem ganhou o presente, ainda que com algum atraso, foram os leitores da ZapNRoll. Em uma rápida, porem bem humorada entrevista concedida no camarim horas antes do show Jim Heath, o “Reverendo” e lider da banda, falou sobre o processo de gravação do último álbum da banda, ‘Rev” (que saiu em 2014 e é o décimo primeiro disco de estúdio do trio em mais de três décadas de atividades), a evolução da banda durante 30 anos de carreira, e sobre as diferenças entre Psychobilly e Rockabilly, a cena pop Americana e sobre possíveis shows no Brasil.

 

Zapnroll – Jim, muito obrigado por atender a Zap n Roll. Como foi o processo de gravação de “Rev”, o ultimo trabalho da banda, lançado em 2014 pelo selo Victory Records?

 

Jim “Reverend Horton Heat” – O album foi gravado inteiramente em Dallas, no Texas. Utilizamos dois estúdios, e o processo de gravação foi muito  tranquilo. Alem de ter escrito as musicas, também produzi e mixei o disco. A sonoridade pode ser considerada mais RockNRoll que os anteriores e ficamos muito felizes do modo que ele foi concebido.

 

Zap – Como foi a receptividade do álbum pela cena Rockabilly/Psychobilly?

 

Jim – A receptividade tem sido ótima! “Smell of Gasoline”, a segunda faixa do álbum, tocou muito nas rádios americanas, e a faixa ” Let Me Show You How To Eat”, foi usada para um comercial de televisão da Rede Subway, expondo a banda para milhares de pessoas. e atingindo o publico mainstream. A turnê do álbum continua firme e forte.

 

Zap – A banda já tem 30 anos de existência, e o que você acha que mudou principalmente desde o primeiro album “Smoke Them If You Got Em”, de 1990 para o “Rev”?

 

Jim – Bom, hoje nós temos 11 discos lançados, então posso dizer que experimentamos muito durante os anos, algumas pessoas nos associam ao Psychobilly, porque anos atrás “Psychobilly Freakout” estourou mas penso que sejamos mais próximos ao Rockabilly ou Bluesy Country Rockabilly. Navegamos na onda Psychobilly, mas acredito que bandas europeias como The Meteors, Batmobile, Demented Are Go e Guana Bats são a essencia do Pychobilly.

 

Zap – Há pouco você mencionou que uma musica do novo álbum foi usada para um comercial de televisão de uma Rede de Fast Food e que o público mainstream foi exposto ao som da banda. Você acompanha a cena pop Americana?

 

Jim – Sinceramente, não! Minha filha é mais interada, talvez eu reconheça algum trecho de musicas da Kate Perry, por exemplo, consiga relacionar a musica com a pessoa mas não acompanho a cena pop. Continuo ouvindo muito The WildTones, Bloodshot Bill, Big Sandy, e Deke Dickerson. Em relação a artistas recentes gosto de uma cantora country chamada Kacey Musgrave e de um cantor e compositor chamado JD McPherson. Também acho legal a pegada dos caras do Greta Van Fleet, com muita influência de Led Zeppelin e Blues Rock.  Muito legal as bandas estarem resgatando a sonoridade dos anos 60 e 70, essa oxigenação é importante.

 

Zap – Jim, vamos finalizar a entrevista e gostaríamos que você mandasse uma mensagem para os fãs brasileiros, que são muitos e pedem demais a banda no pais.

 

Jim – Muito obrigado aos fãs do Brasil, sei que estamos em dívida com vocês. As turnês agora se concentram mais na América do Norte porque a familia do Jimbo e a minha demandam muito mais tempo que antes. Já não viajamos tanto para Europa e vamos a Austrália a cada 3 ou 4 anos, em média. Nossos amigos sempre nos dizem que o público brasileiro é muito acolhedor. Quem sabe 2018 não seja o ano que a banda irá desembarcar no país, está mais do que na hora! (risos)

 

 

E 2018 COMEÇOU COM O INDIE ROCK INGLÊS PERDENDO UM DE SEUS GÊNIOS

Nesses tempos sombrios e de cultura pop quase total decadente ou em crise, e onde o rock planetário está desaparecendo aos poucos (logo menos ele estará presente apenas nos museus musicais e na memória dos fãs), quase ninguém mais lembra ou sequer sabe quem foi Mark E. Smith. Pois o músico, cantor, letrista e compositor nascido em Manchester (o lendário e grande santuário do rock gigante inglês que importou nos anos 80, a cidade que deu ao mundo nomes imortais como Smiths, Joy Division e New Order) liderou por mais de quatro décadas (de 1976 até o começo deste ano) o The Fall, um dos grupos mais expressivos e representativos da cena rocker formada na cidade e que impactou toda a cultura rock britânica de então. Ao longo desses mais de quarenta anos de existência o Fall lançou mais de trinta discos de estúdio (e outra batelada de registros ao vivo). Alguns, como “Bend Sinister” (editado em 1986 e que saiu um ano depois no Brasil, sendo naquela época resenhado por este Finaski na finada revista Somtrês, quando ainda éramos um jovem jornalista musical em início de carreira na imprensa), são hoje tratados como obras clássicas do pós-punk inglês.

Infelizmente o Fall chegou ao fim porque Smtih morreu em 24 de janeiro passado, aos sessenta anos de idade. Fumante compulsivo, ele enfrentava problemas respiratórios sérios há meses já. E enfim nos deixou no começo deste ano, abrindo mais uma lacuna difícil de preencher num gênero musical – o rock – que parece cada vez mais próximo da extinção.

Estas linhas bloggers não poderiam deixar de prestar sua homenagem a Mark. E o faz agora publicando abaixo este texto sobre o músico, escrito pelo escritor e músico Cassiano Fagundes, dileto amigo zapper e que sempre foi fã declarado da obra do Fall. No mais, rip Mark. Um dia a gente se encontra por aí.

 

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O inglês The Fall, no auge da carreira, no final dos anos 80: um dos grandes nomes do rock de Manchester em todos os tempos

 

Cassiano Fagundes, especial para Zapnroll

Vi o The Fall ao vivo duas vezes: em 1989, no Canecão, no Rio; e em 1999, em NYC, aquela cidade lá no grande norte do supercontinente. O show do Rio marcou minha vida. Eu tinha apenas 16 anos, e estava com o meu primo, o Guilherme, meu companheiro de sons até hoje. O show do Rio mudou minha vida.

Por que? Primeiro, porque a plateia ficava sentada em mesas compridas, dividindo-as com estranhos. E quem sentou conosco? LULU SANTOS. Lá pela terceira canção, ele se levantou e foi embora. Na cabeça de um piá de 16 anos, aquilo significou: “que babaca, que careta do cacete, que bostalhão”. Talvez ele estivesse com dor de dente. Talvez tivesse lembrado de fazer uma ligação urgente e saiu procurando o orelhão mais próximo. Ou talvez tenha sido atingido por uma ideia fulminante de canção, e teve que encontrar o violão mais próximo para compô-la. O lance é que isso ficou em mim como algo não muito legal.

Segundo, porque Mark E. Smith estava particularmente inspirado naquela noite. Não fazia muito tempo que seu casamento com Brix (por quem eu tinha um desejo adolescente muito fértil) tinha terminado. Eu e meu primo chegamos a achar que vimos em determinado momento meia lágrima escorrer de seu rosto.

Terceiro porque foi ali que entendi que músico é uma coisa, e artista é outra um pouquinho ou muito diferente, e para mim, bem preferível. No Canecão, nasceu em mim a ideia de que artistas que se servem da música de uma forma pervertida para criar seus esquemas são os únicos dignos de nota, o resto é reprodutor de fórmula, por melhor que sejam (tipo aquele cara que deixou o show cedo demais). Sem menosprezar os galináceos, digo que até galo depenado canta bem (parafraseando um senhor iluminado que me disse isso, e de quem nunca esquecerei), mas prefiro a elocução que se tornou uma gema da língua inglesa falada, que é a de Smith em canções como “Wrong Place, Right Time” ou “Frenz”, que tem sussurros de Brix, a responsável por tornar o som do Fall mais “palatável” para os ouvidos mais sensíveis do além-mar estadunidense e de quebra, brasilianos.

Se o Ruy Castro não curte Bob Dylan, ele certamente não gostaria do canto descantado e declamante de Mark E. Smith. Não vou xingar o Ruy Castro por isso, ele é um gigante, e talvez não tenha uma ligação suficientemente íntima com as línguas germânicas para entender seus arranjos estéticos (se bem que nem precisaria de muito conhecimento, né? É só curtir a onda, como eu mesmo faço, na maior parte do tempo). E nem vou xingar o Lulu Santos, que, bem ou mal, compôs algumas das canções mais memoráveis da música popular. Já essa gente que reproduz sem nenhuma vergonha a estrutura escravagista luso-brasileira do século 16, sem se dar conta que está na senzala, junto com os famintos e bem longe da Casa-Grande, eu faço questão de dizer: FODAM-SE!!!

Ah, claro: o show de 99 em Noviorque foi aquilo que John Peel dizia sobre o Fall: Sempre igual, sempre diferente.

Vale terminar esse texto dizendo que Mark E. Smith era da classe trabalhadora inglesa, assim como a maioria esmagadora dos bastiões de sua geração, que compreende o punk e o chamado pós-punk. Gente revoltada com o neo-liberalismo desumano de Thatcher e Reagan por princípio e por questão de sobrevivência, que acharia muito estranho alguém gostar de música popular e ser contra os movimentos sociais e o movimento trabalhista. Nos últimos anos, Smith disse besteiras contra imigrantes e refugiados – ele andava irremediavelmente bêbado, Mas também disse coisas como: “”O problema da indústria musical é que ela se tornou muito burguesa. Um negócio da classe-média , como a policia”.

 

 

HÁ 20 ANOS FAZENDO BARULHO NO INDIE ROCK GOIANO, OS MECHANICS COMEÇAM 2018 COM NOVO SINGLE E FAZENDO COMO SEMPRE: NADANDO CONTRA A MARÉ

Você, jovem e dileto leitor zapper (ainda teremos nós jovens e diletos leitores, e será que eles ainda são fãs dessa arte musical quase extinta, chamada rocknroll?), provavelmente nunca ouviu falar do grupo Mechanics. Pois a banda, nascida no underground rocker goiano (a capital do Estado de Goiás e berço das maiores duplas SERTANOJAS do país) há cerca de 20 anos, resiste ao tempo e ao “fracasso” existencial e musical de sua trajetória. Liderado desde o início pelo vocalista e letrista Márcio Jr, o Mechanics foi o primeiro grupo a ter disco lançado pelo célebre e heroico selo Monstro Discos, o mesmo que realiza também há mais de duas décadas o Goiânia Noise, até hoje um dos festivais independentes mais importantes dentro do que resta na cena rock brasileira.

Pois o conjunto segue resistindo ao tempo. E começou 2018 nadando contra a corrente (como sempre). Em um país onde o rock também está indo pra casa do caralho e onde pavores musicais como funk podrão, axé e feminejas estão dominando o mercado musical e mobilizando milhões de fãs e ouvintes (estúpidos e boçais, vale exarar), os Mechanics resistem como podem e inclusive acabam de colocar um novo single para audição nas plataformas digitais. Por isso mesmo fomos atrás de dom Márcio Jr, o homem na linha de frente da banda, para que ele contasse em detalhes o que é o novo lançamento e como anda uma das instituições do rock alternativo de Goiânia rock city. Com sólida formação cultural e intelectual Marcinho deu a ótima entrevista que você confere aí embaixo.

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Os goianos do Mechanics: há 20 anos fazendo rock barulhento em plena terra dos sertanojos

 

Zapnroll – “Fracasso” é o nome do novo single dos Mechanics, banda já lendária da cena indie goiana. Saiu em edição limitadíssima em compacto de vinil há 4 anos e agora foi disponibilizada também nas plataformas virtuais. A banda encara o fracasso artístico e comercial de uma forma, digamos, estética e musical/autoral, ou ele – o fracasso – permeia de fato a trajetória do grupo e se tornou uma espécie de dádiva para vocês?

 

Márcio Jr. – Bom, primeiro vamos acertar as datas aqui. Em outubro de 2014 passamos 03 dias nebulosos em Pirenópolis, cidade turística do interior goiano onde, na época, estava sediado o RockLab, estúdio do grande Gustavo Vezquez – que já produziu, Macaco Bong, Patrulha do Espaço e Black Drawing Chalks. Gravamos 3 músicas ali, sendo que duas delas só viram a luz do dia no compacto lançado ano passado pela Lombra Records. A Lombra é um empreendimento fonográfico do meu grande chapa, escritor, roteirista de HQs e maluco de carteirinha, Biu. Ele tem uma máquina de riscar vinis. Ou seja, produz bolachas em tiragens limitadíssimas como se fossem gravuras. Aí tive a ideia de lançar Fracasso (lado A) e Vietnamérica (lado B ) neste formato. Só que a capa foi feita em xilografia, um zine acompanhava o disco e por aí vai. A ideia é que fosse uma espécie de gravura sonora, peça de colecionador, fritações Andy Warholianas. Este ano resolvemos lançar o single nas plataformas digitais pela Monstro Discos – gravadora que ajudei a fundar e que nasceu 20 anos atrás tendo como peça de estreia justamente um 7 polegadas do Mechanics. Ou seja, 20 anos nessa lama.

 

Zap – Viver perenemente em “fracasso” artístico conferiu no final das contas e na sua opinião, uma credibilidade musical aos Mechanics que talvez inexista em grande parte do rock atual, mesmo na chamada cena alternativa?

 

Márcio – A ideia de Fracasso nasce de um conjunto de questões que são sintomáticas não só no rock, mas no momento em que estamos vivendo. Penso no fracasso como a antítese do sucesso. E o que significa sucesso, hoje?

 

Zap – sim, o que seria sucesso, afinal? Vender milhões de discos (sendo que isso não existe mais, para ninguém) ou obter milhões de audições/visualizações em plataformas virtuais, produzindo música sem estofo artístico algum? Partindo dessa premissa, talvez Mechanics seja uma das bandas mais “fracassadas” da indie scene nacional, não? E no entanto, uma das que possui mais respeitabilidade em termos musicais, certo?

 

Marcio – A letra se esboçou pra mim numa entrevista do saudoso Darcy Ribeiro. Em dado momento, perguntaram a ele se ele se considerava um homem de sucesso ou algo assim. E ele respondeu que tudo que fez ao longo de sua vida resultou em fracasso. Ele quis criar um Universidade espetacular a aberta ao povo brasileiro (a UnB) e fracassou. Ele lutou pela questão indígena e fracassou. Ele passou a vida na defesa do povo brasileiro e também fracassou. Por outro lado, esse fracasso era sua derradeira vitória. Afinal, se ele fracassou, significa que seus opositores venceram. E se tornar um deles teria sido a única derrota, o único fracasso possível. Penso no Mechanics por um prisma semelhante. A banda existe desde 1994. Sem modéstia alguma, somos a pedra fundamental da cena que se formou em Goiânia, tanto do ponto de vista de alavancar esta cena, quanto do ponto de vista estético. Aquilo que se convencionou chamar de rock goiano traz o Mechanics em seu DNA. E estarmos aí, após tanto tempo, fazendo única e exclusivamente o que consideramos relevante, isso pra mim é fracasso. Ou sucesso. Acredito que o rock atravessa uma crise em escala mundial – mas que tem um acento bem forte aqui no Brasil. Isso deriva de vários fatores. Mas tem alguns que eu sempre gosto de levantar. O primeiro deles é a dificuldade de se estabelecer um canal de comunicação com as gerações mais jovens. Mas não penso que a responsabilidade seja exclusiva do rock. Penso que a letargia do público, via redes sociais e facilidades letárgicas da vida contemporânea acabaram por subtrair da molecada o senso de perigo que a conduzia ao rock. Se tudo está ao alcance de um clique, se rebelar contra o quê? Sempre acreditei que o rock exigisse uma dose de transgressão e de perigo. Isso praticamente sumiu do mapa. Não existe rock a favor. Portanto, são tempos obscuros. O que me faz ter mais certeza dos caminhos do Mechanics. Não tenho interesse em tronar absolutamente nada palatável para ninguém. Tudo que interessa é criar coisas que me deixem desconfortavelmente instigado. Fazer música que siga na contracorrente. Realizar shows que sejam experiências únicas e viscerais para quem está presente. E, principalmente, para mim mesmo. O resto não faz muito sentido, hoje, pra mim. Penso que temos um certo grau de respeitabilidade, sim. Mas o respeito que me interessa acima de tudo é o meu próprio. Não é que eu faça música só pra mim, entende? Mas o que me move de fato é olhar pras coisas que produzi e sentir que tudo aquilo é íntegro.

 

Zap – Ótima resposta e ótimas colocações. Aproveitando e para quem não conhece ou nunca ouviu falar dos Mechanics, dê um resumo rápido da trajetória do grupo, seu estilo musical, influências, um momento marcante na trajetória da banda nessas suas duas décadas de existência etc. Qual a formação atual e há quanto tempo ela está junta? O conjunto segue fazendo shows?

 

Marcio – Ficar muito tempo na estrada te dá uma certa perspectiva. Quantas e quantas bandas eu vi começar acabar? Quantas não se iludiram com alguma perspectiva de sucesso? Seguir adiante é só o que me interessa. O Mechanics é uma banda que surgiu em Goiânia em 1994, influenciada por coisas como cinema B, literatura beat, quadrinhos, pornografia, ultraviolência. Musicalmente, bebemos na fonte dos Stooges e quetais. Melvins, Butthole Surfers, Jesus Lizard, Mudhoney… Todas estas coisas sempre estiveram presentes. Mas sempre houve uma influência de artistas mutantes como David Bowie, pela abordagem de estar sempre se deslocando em relação a uma suposta expectativa do público. Fomos a banda que inaugurou a Monstro Discos e a única que tocou em absolutamente todas as 23 edições do Goiânia Noise Festival. Tem um trabalho do qual me orgulho muito: o Music for Anthropomorphics, uma espécie de álbum/graphic novel, que desenvolvemos junto ao genial quadrinista e artista plástico Fabio Zimbres. Um disco que vinha acompanhado de um livro em quadrinhos gestado conjuntamente com o Zimbres. Isso foi parte do meu Mestrado em Comunicação na UnB que acabou gerando o livro teórico COMICZZZT!, que lancei em 2015. Este mesmo projeto gerou uma exposição e agora em 2018 dará origem a um curta-metragem em animação que dirijo ao lado da minha mulher, Márcia Deretti. O livro/disco foi republicado ano passado na Colômbia e terá nova edição no Brasil este ano. Portugal e França estão nessa fila também. É um trabalho que vem se desenvolvendo e se desdobrando há mais de uma década. Depois de mais de dez anos onde estabelecemos um certo padrão no rock goiano – bandas barulhentas, baseadas em guitarras e cantando em inglês – foi a vez de partirmos para um trabalho em Português, o 12 Arcanos, que foi super bem recebido.

 

Zap – Wow, sensacional e isso mostra que a banda está mais ativa do que nunca. O que nos leva a outra questão: como está o rock BR atual? Faça uma análise detalhada se possível, na sua opinião, de como está a cena, tanto a independente como o que resta do mainstream.

 

Marcio – Fizemos vários shows desse disco, muitos deles com a presença do Grupo empreZa, coletivo de artes performáticas daqui, reconhecidos como um dos mais importantes do país. Já tiveram, inclusive, projetos com a deusa da performance mundial Marina Abramovic. Já compusemos trilha sonora para documentários, fizemos shows e disco acústico – ou quase isso – e por aí vai. A hibridação de linguagens é algo que sempre este na raiz da banda. Da formação original, eu e o baixista Little John. O Katú está na guitarra há mais de dez anos. Ricardo Darin, também guitarra – e eventualmente baixo – há bastante tempo também. E temos dois bateristas, Pedro Henrique e Junão Cananéia. Ou seja, temos shows diferentes para cada ocasião. Quanto ao rock, ele sobrevive no underground, nos esgotos da cultura contemporânea. É lá que ele é honesto e fracassado. Do ponto de vista mainstream, praticamente foi varrido do mapa. No Brasil, o público está completamente alheio ao rock. No resto do mundo não é muito diferente. Penso que tenha a ver com aquela bundamolice do público da qual falamos há pouco. Não há mainstream. Chegamos ao ponto em que pega mal pro jovem dizer que gosta de rock. A coisa migrou pra uma caretice e imbecilidade deslavadas, inacreditáveis. Os artistas que catalisam algum senso de transgressão até conseguem aglutinar o público. Mas por qualquer fator que não seja a música.Acho que estamos vivendo um fenômeno sui generis – que eu tenho chamado de pós-música. O que vale para o artista é sua agenda, seu discurso, sua relação com grupos identitários. A música tornou-se irrelevante. Penso que isso ajude a explicar fenômenos como Pablo Vittar. Ele é um agente muito importante hoje. Mas ninguém parece se filiar a ele pela música. Do mesmo modo acontece com festivais e eventos. Naqueles que têm grande público, parece que o que menos interessa é a música. O Rock in Rio ilustra isso de forma explícita. Mas não só ele. Mesmo festivais outrora orientados para a vanguarda musical no Brasil, agora vivem de pesquisa para saber o que leva ou não público – que por sua vez se vincula ao hype e às agendas dos artistas, quase nunca ao seu trabalho musical. A coisa voltou pra um universo pequeno, alternativo, underground. Fracassado, em última instância. Mas é por isso mesmo que a resistência é necessária. Olha só, Finatti. Você mesmo é um exemplo disso. Depois que a Monstro lançou o novo single do Mechanics, ele foi notícia em diversos veículos principalmente os virtuais. Mas a esmagadora maioria se ocupou exclusivamente de reproduzir um press release. Quando pensamos que a cena rock fosse chegar a este ponto? Você, por outro lado, ainda acredita na importância do debate, do trampo de fazer uma entrevista, fazer as ideias circularem. Isso, mais que nunca, é necessário. Isso é que eu entendo por Rock. O resto é só sucesso. E sucesso é para os fracos.

Zap – Mais uma resposta sensacional, hehehe. Sendo que já temos um ótimo material e podemos encerrar o papo com a seguinte questão e aproveitando o “gancho” de tudo o que você expôs acima: como uma gravadora como a Monstro, eminentemente independente, consegue sobreviver durante mais de duas décadas nesse cenário sinistro que você descreveu e no qual o rock e a música atual estão vivendo? Como ela também consegue manter um festival como o Goiânia Noise? Afinal vocês tiveram um ex-sócio que pulou fora (ou foi “pulado”, rsrs) da gravadora e do festival justamente porque ele se importava, ao que parece, apenas com a questão MERCANTILISTA do negócio, e utilizando de esquemas nada abonadores se tornou uma espécie de “reizinho” pançudo da cena rock goiana, fazendo um outro festival que hoje desfruta de relativo sucesso de público e mídia (principalmente entre certos blogs “pobreloaders”, rsrs, que o consideram como a grande eminência da cena rocker da capital de Goiás) justamente por priorizar muito menos as bandas alternativas de fato e dar espaço a artistas caros e renomados e que têm garantia de levar bom público aos seus shows. Fale sobre isso.

 

Marcio – Esta é uma questão espinhosa por causa da proximidade que tenho com a cena daqui. Mas como você tocou no assunto, vamos lá. Fui fundador da Monstro e do Noise ao lado do Leo Bigode. Depois vieram o Fabrício e o Razuk. Em um dado momento, os interesses do Fabrício (que já estava atuando com a Construtora) ficaram conflitantes com os da Monstro e ele teve que seguir adiante sozinho. Muita água já passou debaixo da ponte desde então – eu mesmo deixei a Monstro tempos depois para tocar outros projetos com literatura, animação, cinema, quadrinhos e mesmo um doutorado. O cenário mudou drasticamente. Houve um período em que a coisa mais legal que tínhamos aqui – que me parecia claramente a cena rock mais interessante do país – era o público. Fazíamos festivais com 50 bandas independentes e o público comparecia em peso, interessado em conhecer novos sons, novas propostas. Isso mudou. O público ficou anestesiado pelos novos tempos. A curiosidade foi pras cucuias. Hype. Pós-música. Percebo os heróicos Bigode e Razuk lutando para manter o legado rock da Monstro. Mas não é fácil. E é justamente por isso que é tão importante os caras resistirem e se reiventarem – sem abrir mão dos princípios que nortearam tudo desde o começo. Apostar no independente, criar condições para que bandas relevantes encontrem seu público, botar a molecada pra pensar e viver. Tudo isso é algo muito importante neste momento. Fracassar é preciso! O que acho inadmissível é se curvar ao senso comum. A um hype que não significa absolutamente nada (ao menos para mim). Querer aglutinar a mesma quantidade de público de outrora não é possível no panorama que vivemos. Mas é sempre possível buscar aspectos qualitativos ao invés de quantitativos. É isso que sempre converso com os Monstros. Acredito piamente que, neste momento, o mais importante é fazer os festivais mais radicais possíveis. E se o público for pequeno, who cares? O que interessa é a ousadia do que se faz. Sobre o Fabrício e o Bananada – tenho certeza que é dele que você está falando -, acho que ele está em outra. Ele sequer se coloca como rock. Essa não é – nunca foi – a preocupação primordial dele, do trabalho dele. Sempre que tem alguma atração que me interessa eu vou ao Bananada. (Infelizmente, não é tão frequente quanto no passado.) A estrutura do festival é gigante. Uma festona, mega profissa. Mas é aquilo: a música ali ocupa uma posição meio secundária. Existe um claro interesse em entender tendências para aglutinar um público. Mas nem isso garante sucesso financeiro. Ou seja, são posturas distintas, lidando com uma mesma crise.

 

***Você pode ouvir o novo single dos Mechanics aí embaixo.

 

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SOBRE (MAIS UMA VEZ) A MORTE DO ROCK BR E O QUÊ ISSO TEM A VER COM O BRASIL DE HOJE, EM TERMOS POLITICOS, SOCIAIS E COMPORTAMENTAIS

Estas linhas bloggers eternamente rockers têm escutado muito a rádio rock BR da Tv NET. É de longe nosso canal musical preferido na operadora de TV a cabo já há muitas semanas (os outros três que também ouvimos são new rock, classic rock e MPB) e nem é preciso se estender muito aqui nos motivos pelos quais especificamente este canal musical da Net já conta com nossa devoção absoluta. Basicamente 80% da programação dele foca no rock BR GIGANTE dos anos 80. Uns 10% ficam para clássicos e bandas mais obscuras dos anos 70. E os 10% restantes (se muito) ficam para o rock produzido no país dos anos 2000 pra cá.

Ou seja: tirando um Suricato, um Plutão já foi planeta, um Scalene, um Vanguart, uma Pitty e a turma besta do emocore (NX Zero, Fresno e essas tranqueiras que ninguém aguenta mais ouvir hoje em dia e cuja música envelheceu esteticamente com uma velocidade assustadora), o restante da programação é um autêntico e AVASSALADOR massacre/rolo compressor do que foi produzido no Brasil no rock dos anos 80 – com tudo o de melhor e também o pouco de PIOR que foi feito naquela época. Sim, em meio a zilhões de canções clássicas e inesquecíveis de Secos & Molhados (sempre toca), Casa Das Máquinas (tocou hoje a sensacional “Vou morar no ar”), A Bolha, Legião Urbana, Capital Inicial (a banda tem lá suas boas músicas, sejamos honestos), RPM, Titãs, Paralamas Do Sucesso, Lobão (quando ele era um gênio musical e não o bosta reacionário dos tempos atuais), Lulu Santos, Ultraje A Rigor, Ira!, Barão Vermelho, Cazuza, Biquíni Cavadão, Engenheiros Do Hawaii (que foram sim ótimos pelo menos em seus dois primeiros discos de estúdio), Violeta De Outono (tocou hoje!), Finnis Africae (quem se lembra?), Picassos Falsos (idem, quem também se lembra?), Magazine (quanta saudade do queridão Kid Vinil…), Planet Hemp (já avançando pros anos 90) e Skank (idem), sempre sobra espaço pra tocar algumas podreiras completamente esquecíveis como Doutor Silvana, Uns & Outros (aquela cópia asquerosa da Legião Urbana e que emplacou um único hit em sua falida carreira) e mais alguns poucos que nem merecem ser citados.

Todos os nomes citados acima compõem o grosso da programação do canal musical dedicado ao rock BR da TV Net. Por isso o autor do blog zapper, aos 5.5 de existência e que ouviu e viveu de perto tudo e CONVIVEU intensamente com essa geração de 30 anos atrás, quando dava seus primeiros passos no jornalismo musical que o acompanha profissionalmente até hoje, sente enorme prazer e satisfação ao ficar com o som ligado no canal. Sim, também sente um tanto de nostalgia dos seus anos jovens que nunca mais irão voltar e da saudosa loucura daqueles anos incríveis e alucinados.

De resto (e repetimos isso pela bilionésima vez aqui, de tempos pra cá) essa grade musical do canal rock BR da Net só atesta em definitivo o que todos nós já estamos CARECAS de saber: o rock simplesmente MORREU no Brasil – aliás não só aqui como lá fora também. Morreu, acabou ou foi/está indo para o MUSEU. Quer dizer, bandas novas sempre continuam surgindo e irão continuar aparecendo (com o detalhe de que a maioria das que aparecem atualmente é de uma pobreza musical e textual constrangedora, daí considerarmos que até um suposto “patinho feio” dos anos 80 como o Kid Abelha, hoje pode ser classificado como GENIAL se comparado com o que anda sendo gravado nos dias atuais). Mas não existe mais PÚBLICO interessado em ESCUTAR estas bandas ou ir nos shows delas, ponto. Esqueça. A pirralhada quer saber é de sertanojo, feminejas sofrência brega ao máximo, funkão burrão, axé idem, Anitta, Jojô Todynho, Nego do Borel, um MC qualquer e por aí vai.

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Zapnroll ao lado do Vanguart, uma das ÚNICAS bandas do rock BR que valem a pena nos anos 2000

E tudo isso deságua (ahá!), claro, na questão cultural, política e comportamental de um país e uma sociedade que deu total ERRADO, definitivamente. A cultura e a música brasileira foram mesmo pro fundo do abismo mais profundo e pelo jeito não irão sair nunca mais de lá. E isso na era da tecnologia e da informação máxima, onde todo mundo tem toda a informação do mundo ao alcance das mãos e de um clic no PC ou no celular. Uma raça humana que dispõe de tecnologia de ponta como nunca teve antes e, ao mesmo tempo, também se tornou BOÇAL como não era desde pelo menos a Idade Média. E no caso específico do nosso triste bananão tudo é isso é resultado do descaso de décadas do poder público com educação e cultura (sabem como é, populacho BURRÃO é mais fácil de ser manipulado) e também culpa de uma sociedade idiota, omissa e alienada, que nunca teve apreço por grande Cultura, por ler, por ouvir ótima música, ver ótimos filmes, ir a exposições, peças de teatro, nada enfim que a obrigue PENSAR com um pouco mais de ESFORÇO mental. Aqui reina a cultura da MEDIOCRIDADE artística. O fácil vende fácil em termos de música e de artes em geral. O difícil, esse não vende nada e não dá audiência.

Se o Brasil INVOLUIU de décadas pra cá? Óbvio que sim, e mais uma vez basta escutar durante uma tarde como a de hoje, sextona pós reinado momesco, a radio rock BR da Net pra se perceber isso. Há 30 anos ainda havia poesia no rock BR, contestação social e política etc. E até uma banda mais pop como o Metrô (tocou deles hoje “Tudo pode mudar”; foi quando colocamos no volume máximo a TV e deu vontade de sair pulando de bengalinha pela kit, velhinho da quase terceira idade que já estamos, ahahaha) tinha uma qualidade melódica e harmônica inimagináveis nos “artistas” que hoje ENVERGONHAM a música pop nacional.

E por fim, também tocou hoje “Canos silenciosos”, de mr. Lobão. Sim, aquele que se tornou o ESCROTO e BOÇAL de direita que todos nós sabemos. É inacreditável imaginar que o sujeito que um dia compôs ESSA música e outras obras-primas do rock BR de trinta/quarenta anos atrás, se transformou no que se naquilo que ele é hoje. O que faz concluir que a CRETINICE e o ultra conservadorismo político de direita contaminou não apenas a sociedade estúpida, preconceituosa, selvagem, coxa e otária, mas até o rock brasileiro. O rocknroll, justo ele, o gênero musical que um dia foi o mais combativo, transgressivo e subversivo da história da música. Pois é… fim da história pro rocknroll, pelo jeito e infelizmente.

 

 

ESCADARIA PARA O INFERNO SE ESPALHA PELO BRASIL – E VOCÊ PODE COLABORAR COM NOVOS LANÇAMENTOS DO LIVRO, ADERINDO AO FINANCIAMENTO COLETIVO DELE!

Yeeeeesssss! A primeira incursão literária do jornalista gonzo/zapper eternamente loker/maloker/rocker, lançada em novembro passado em Sampa, segue vendendo bem e se espalhando pelo Brasil de Norte a Sul. Tanto é que a boa repercussão do livro está exigindo que se façam novas festas de lançamento dele fora da capital paulista. A primeira dessas festas acontece neste sábado (amanhã, já que o postão zapper está sendo finalizado na sextona em si, 16 de fevereiro) no Rio De Janeiro, dentro da balada rock/goth “Ceremony” (sendo que todas as infos sobre ela estão aqui: https://www.facebook.com/events/317273378785958/). Já no final de março, em Sampa mesmo, haverá outra noite de autógrafos do livro no espaço cultural Presidenta, no baixo Augusta (onde antes funcionou o lendário bar Astronete). E ainda estão sendo agendados lançamentos do livro até na distante Macapá.

Claro que esses eventos geram custos que Zapnroll não tem condições de cobrir sozinho. Portanto fizemos o que todo mundo faz hoje em dia, para arrecadar fundos para cobrir custos de eventos relacionados a lançamentos de obras artísticas: abrimos um financiamento coletivo no Kickante, e estamos aguardando sua força amiga por lá, para ajudar o jornalista (este mesmo aqui, rsrs) que já fez muito pela cena rock alternativa brazuca nos últimos vinte e cinco anos. Interessou em ajudar? Vai aqui: https://www.kickante.com.br/campanhas/lancamentos-do-livro-escadaria-inferno.

Enquanto isso “Escadaria…” vai arrebanhando leitores felizes (todos elogiando o livro) pelo Brasil afora, como você pode conferir nas imagens abaixo: alguns dos muitos que já compraram a obra literária fináttica. Junte-se você também a eles, comprando seu exemplar aqui: http://www.editorakazua.net/catalogo/escadaria-para-o-inferno-de-humberto-finatti. E ótima descida pela escadaria sinistra!

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Juliana Marta e Letícia Coimbra, as gatas de Belo Horizonte

 

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Alex Sobrinho (Colatina/ES)

 

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Neide Assunção (São Luis/MA)

 

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Leandro Binão/Ipira (SC)

 

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

***Bailindie: a nova edição de uma das festas mais legais do circuito under de Sampa rola amanhã, sábado, 17, lá no já queridíssimo Clube VU. Vai ter inclusive DJ especial da adorável Vera Ribeiro, que estará fazendo aniversário. Todas as infos aqui: https://www.facebook.com/events/200379083883774/.

 

***Musa rocker: a nossa primeira musa de 2018 já está escolhida! É a gata rocker/loker mais legal e amiga destas linhas bloggers online. Fique de olho porque o ensaio com a deusa Cris Dias estará aqui, em nosso próximo post. Mas por enquanto você fica com esse “aperitivo” pra já ir sonhando com o ensaio completo da garota. Beleusma?

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LIVRO “ESCADARIA PARA O INFERNO” EM PROMOÇÃO, UHÚ!

Sim!!! Você ainda não comprou a estreia literária de Finaski porque está com o bolso vazio? No problema, rsrs. Resolveremos JÁ a parada: vai no hfinatti@gmail.com, que tem UM EXEMPLAR do livro dando sopa por lá. O vencedor da promo será anunciado aqui até o início de março, okays?

 

 

FIM DE PAPO

Chega, né? O post ficou lindão e o jornalista loker e agora também escritor está se mandando pro Rio De Janeiro, onde passa o finde para lançar seu livro por lá. De modos que assim que possível a gente volta na área, beleusma? Até mais então, com beijos na galera toda – inclusive nos psicopatas tipo Alex PORCASSO Antunes e Victor Matheus Mattos, os reis da covardia fake no painel do leitor zapper, hihihi.

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 16/2/2018 às 20hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL, falando do neo conservadorismo que está dominando a humanidade e do disco INÉDITO de David Bowie que vai ser lançado ainda este ano! – (e ainda:) O dia mundial do rock já passou (13 de julho) mas ainda em comemoração a ele o blog diz: bem-vindos ao grande e imbatível passado do rock’n’roll! Há trinta anos o mondo rocker tinha os Smiths na Inglaterra (lançando “The Queen Is Dead”) e os Titãs em seu auge no Brasil, lançando o também histórico, clássico e até hoje insuperável “Cabeça Dinossauro”, além de zilhões de outros motivos e bandas para se realmente comemorar a data; e hoje??? Mais terrorismo e sangue na França, com o caminhão da morte espalhando sangue e horror pelas ruas de Nice; a cultura brazuca, que já anda péssima das pernas, perde um gênio do cinema; e mais uma renca de assuntos no postão que custou pacas a chegar dessa vez mas que aí está, sempre com o rock’n’roll e a cultura pop em primeiro lugar (postão FINALIZADO em 23/7/2016)

IMAGEMTITASCLASSICO

Dois nomes gigantes do rock’n’roll classe 1986: os Titãs (acima), hoje em franca decadência, lançaram há trinta anos sua obra-prima, “Cabeça Dinossauro”, um disco que merece ser relembrado nesse post; assim como os Smiths (abaixo) também legaram obras imortais para a história do rock, discos como não se fazem mais hoje em dia, infelizmente

by Stephen Wright, resin print, 1985

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ÚLTIMA, FECHANDO O POSTÃO: NOVO DISCO DO GÊNIO DAVID BOWIE A CAMINHO!

Yep. A notícia foi dada ontem (sexta-feira) e dá conta de que a nova coletânea póstuma do inesquecível Camaleão, vai se chamar “Who Can I Be Now (1974-1976)” e será lanaçada ainda este ano. E o mais importante: a compilação trará na íntegra o disco inédito “The Gouster”, que Bowie registrou ao mesmo tempo em que gravava “Young Americans”, lançado por ele em 1975.

É um período que corresponde ao auge da trajetória de Ziggy Stardust. Então deve vir parada musical ÓTIMA por aí. Vamos aguardar!

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O gênio David Bowie, em sua fase Ziggy Stardust: disco inédito a caminho

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O fim enfim do rock’n’roll.

Ou ainda, o dia em que o rock finalmente morreu, quase parafraseando o título do livro (“O dia em que o rock morreu”) lançado pelo chapa e grande jornalista André Forastieri, há dois anos. Pois após a comemoração de mais um Dia Mundial do Rock (que aconteceu anteontem, 13 de julho) Zap’n’roll reflete cada vez mais sobre um provável fim que JÁ SE ABATEU sobre o gênero musical mais popular, revolucionário e impactante surgido na metade final do século XX. Ele mesmo, o rock’n’roll, que já foi mega relevante em todos os sentidos possíveis (e não apenas no artístico mas principalmente no âmbito político e social da história contemporânea) e que desde o advento do novo milênio, da era da internet e do mundo totalmente globalizado e digitalizado/integrado por redes sociais e apps (muitos deles inúteis) parece ter mergulhado no fundo do abismo da superficialidade, da futilidade e da falta de criatividade e relevância cultural, social e política. Um mergulho sem volta, ao que parece. Papo de jornalista já velho, ranzinza e que passou dos cinqüenta anos de idade? De forma alguma: estamos em julho de 2016 e quando nos damos conta de que discos hoje já clássicos da história do rock, como “The Queen Is Dead” (do inesquecível e insuperável quarteto inglês The Smiths) ou “Cabeça Dinossauro” (dos brasileiros Titãs) estão completando três décadas de seu lançamento e que até hoje não foram superados qualitativamente por nenhuma banda ou lançamento discográfico da nova geração, aqui ou lá fora, não dá mesmo pra escapar da conclusão de que o esgotamento criativo chegou ao pop/rock planetário e que a era dos grandes grupos e dos álbuns clássicos chegou definitivamente ao fim. Pensem: quantos zilhões de grupos surgem e desaparecem com a velocidade de um meteorito nos dias atuais? Quantos emplacam apenas um hit por alguns meses (quando não apenas algumas semanas ou dias) pra depois desaparecer por completo sem deixar nenhum rastro ou saudade? Qual foi a última música que se tornou um hit clássico e duradouro na história recentíssima do rock? “Seven Nation Army”, lançada pelo já finado The White Stripes, há treze anos? Talvez… ou a popíssima e pegajosa “Pumped Up Kicks”, lançada pelo Foster The People (quem, a essa altura???) há cinco anos, que varreu o planeta em 2011 e ninguém mais se lembra dela pois já parece algo do século 19 e que já foi atropelada por milhares de outros hits mais fúteis, vazios e grudentos e cujas únicas serventias parecem ser fazer adolescentes descerebrados pularem em pistas de dança ou em shows, enquanto tiram selfies com os (as) amigos (as)? (abrindo parêntese um pouco mais longo: e pior são blogs de cultura pop que ficam caçando assunto em vários micro-posts diários sem repercussão alguma, falando com estardalhaço de nomes sem importância alguma dentro de um contexto musical SÉRIO e realmente de qualidade, como se esses nomes fossem salvar a humanidade com um peido bombástico e fedorento, né Popload? Aliás nem o bloguinho do nosso vizinho dear L.R. agüenta mais caçar tanta “novidade” irrelevante e sem importância alguma, isso em um esapço que primava por querer ser novidadeiro a todo custo). O autor destas linhas rockers bloggers, elas mesmas no ar já há quase década e meia, sempre defendeu que bandas de rock deveriam durar mesmo apenas o tempo necessário para legar uma obra gigante e inesquecível dentro da música mundial. Caso novamente dos Smiths, que duraram apenas cinco anos (de 1982 a 1987), gravaram quatro obras-primas em estúdio e deram adeus ao mundo sem dó nem piedade – tanto que a Inglaterra passou quase três décadas seguintes procurando o “novo” Smiths e nunca mais encontrou. O problema é que nos tempos atuais os conjuntos não duram absolutamente NADA. E os poucos que duram alguma coisa, nem em sonho conseguem legar um trabalho realmente estupendo do início ao fim e que algum futurólogo possa vaticinar que este trabalho irá se tornar um CLÁSSICO daqui a vinte ou trinta anos. Toda essa situação, enfim, é um tanto tristonha, melancólica. Talvez por isso que o blog zapper esteja ficando com cada vez mais desanimo e preguiça de atualizar seus posts, que demoram cada vez mais a serem renovados – não, não vamos cair mesmo na armadilha “poploader” e de outros blogs que também estão afundando, de querer caçar novidades diárias a qualquer custo e ainda mais onde elas estão cada vez mais indignas de serem mencionadas – yep, novos nomes continuam surgindo aos borbotões (e este espaço virtual escuta centenas deles diariamente na radio “new rock” da TV NET, no Spotify etc.), mas achar entre eles algum que valha realmente uma menção aqui é tarefa das mais ingratas atualmente. Por isso vamos caminhando como podemos nestas linhas online (que na real, talvez sejam extintas mesmo até o início de 2017, quando enfim pretendemos ter lançado o livro “Escadaria para o inferno – memórias de um jornalista junkie”). E falando do que realmente consideramos relevante. Como relembrar neste post que começa agora os trinta anos de “Cabeça Dinossauro”, dos Titãs. Um disco imbatível até hoje. E de uma época inesquecível e igualmente imbatível do rock BR, os anos 80’. Uma época que não irá mais voltar. Ainda mais nos tempos atuais, medíocres, reacionários, conservadores e com pessoas cada vez mais ignorantes, intolerantes e bestiais espalhadas pelos quatro cantos deste triste planeta chamado Terra.

 

  • E apenas pra reforçar o que está escrito aí em cima, no editorial de abertura do post – inclusive poderia ser uma piada ou um texto engraçado esse pra abrir as notas iniciais. Mas na real corrobora e revela apenas UM dos lados trágicos da FALÊNCIA artística e qualitativa que dominou a música brasileira de hoje, o rock nacional em particular. Como jornalista musical que somos (há trinta anos), volta e meia recebemos e-mails de assessorias de imprensa, divulgando artistas e eventos como shows, lançamentos de discos e vídeos etcs. Pois bem, alguns dos últimos que recebemos esta semana (de uma assessoria de resto legal, que trabalha com a cena mais underground e cujo assessor também é um sujeito simpático e sempre prestativo com os jornalistas) nos deram a certeza de que o rock BR dos anos 2000’, mesmo o mais alternativo, está mesmo no fundo do poço. Um dos e-mails divulga as datas da edição deste ano do Matanza Fest, festival já promovido pelo grupo carioca Matanza há alguns anos. O blog zapper sempre DETESTOU o Matanza, banda escrota, machista, sexista e com letras que fariam corar um adolescente com QI de ostra. E como se não bastasse, começamos a prestar atenção nos outros grupos que irão tocar no mesmo festival (em Sampa, pros interessados, ele acontece em 17 de julho agora). No show na capital paulista estarão, ao lado do headliner pavoroso, o Cólera (Cólera sem o grande e saudoso Redson??? Temerário…) e o Zumbis do Espaço (que era ok há anos atrás e sinceramente não sabemos como está atualmente). E nas outras cidades por onde o festival vai passar? No Rio uma das bandas que vai tocar se chama MONSTROS DO ULA ULA. Isso mesmo, você não leu errado: Monstros do Ula Ula. O que ESPERAR de um grupo com um nome ridículo a esse nível? Tem mais. Outro e-mail da mesma assessoria informa que a banda MUQUETA NA OREIA (!!!) anuncia a pré-produção do seu novo disco. Wow! Uma notícia que vai causar uma REVOLUÇÃO/TERREMOTO no rock nacional! Fora que o grupo (veja bem: ele se chama Muqueta na Oreia) é descrito no referido e-mail como uma das “grandes e surpreendentes revelações do cenário do rock/metal nacional”. Jezuiz… Pobres anos 2000’. Nos anos 80’ tivemos Ira!, Legião Urbana, Titãs, Plebe Rude, Ultraje A Rigor, Violeta De Outono, Replicantes, Barão Vermelho. Hoje temos Matanza, Monstros do Ula Ula e Muqueta na Oreia. Ainda é preciso dizer algo mais sobre a MORTE do rock’n’roll aqui e lá fora?

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Muqueta na Oreia, uma das novas, hã, “sensações” do rock BR atual; pobre de nossas orelhas… rsrs

 

  • Bien, de qualquer forma e pra quem é fanático por datas comemorativas tivemos mais um Dia Mundial do Rock. Uma bobagem sem tamanho, claro, e que Zap’n’roll sempre considerou a maior babaquice – rock se vive todos os dias e não em apenas UM DIA da sua vida ou ano. Houve como sempre programações especiais em emissoras de rádio e TV (os canais pagos Brasil e Bis mostraram boas atrações especiais) e bla bla blá. MAS rolou algum evento ao vivo e específico em Sampa, por exemplo, que fosse digno de registro? O blog não ficou sabendo de nenhum…

 

 

  • Digna de nota, infelizmente, foi a notícia da morte ontem (em São Paulo) do cineasta Hector Babenco, de quem estas linhas virtuais eram fãs incondicionais. O diretor que nos legou obras-primas como “Pixote”, “O beijo da mulher aranha” e “Carandiru”, sofreu um ataque cardíaco e se foi aos setenta anos de idade. E assim a cultura nacional fica ainda mais pobre do que já está. Rip, Hector.

 

 

  • Digno de nota, II: “vovô” Mick Jagger continua em plena forma sexual e PAUZUDO aos quase setenta e três anos de idade, uia! Foi divulgado na tarde de hoje que o vocalista da eterna maior banda de rock de todos os tempos (os Rolling Stones, quem mais?) vai ser PAI pela OITAVA vez. A futura mamis é sua atual namorada, a bailarina americana Melanie Hanrick, de vinte e nove aninhos de idade. Ulalá, Mick!

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O novo XOXOTAÇO moreno que mr. Mick Jagger está TRAÇANDO (uia!); o vovô dos Stones acaba de engravidar a moça, uia!

 

 

  • Já na França o terror atacou novamente, com o caminhão da morte matando (até agora) oitenta pessoas nas ruas de Nice. A bestialidade humana chegando ao seu limite. E você aí, achando que o rock de hoje vai mudar algo no mundo…

 

 

  • O bandido e pilantra evangélico Eduardo Cunha começou a ser finalmente EJETADO da Câmara dos Deputados, com o próprio pedindo sua renúncia ao cargo de presidente da casa, na semana passada. E ontem seus últimos recursos contra o pedido de cassação do seu mandato foram rejeitados pela CCJ da Câmara. Óbvio que ainda não há muito a comemorar pois haverão MANOBRAS articuladas para SALVAR o mandato de um dos maiores mafiosos da política brasileira, alguém duvida? A saída definitiva para nos livrarmos dessa PRAGA seria ele ter de fato seu mandato CASSADO pelos colegas (o que parece difícil, mas não impossível) e ainda condenado pelo STF, pra ir passar um bom tempo na cadeia. Mas vamos aguardar o desenrolar dos próximo capítulos desta já looooonga e dantesca novela.

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Vai logo pro inferno, Cunha!

  • IMAGEM BACANUDA DA SEMANA – um casal rocker jovem e estiloso. Ele, vinte e dois anos de idade, fã de Arctic Monkeys e poesia. Ela, vinte e um, fã de Radiohead. Ambos baristas e já moram juntos. Foram descobertos ao acaso no metrô de Sampa pelo blog, que ficou encantado com o visual e a simpatia deles. Então tá aí: Jr. e Julia. Um casal rock’n’roll, sem dúvida!

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  • E ainda sobre o canal Bis: ele andou reprisando nas madrugadas desta semana que está chegando ao fim os episódios do documentário “London Calling – The Untold Story Of British Pop Music”, que foi levado ao ar originalmente pela emissora há dois anos – e naquela época estas linhas online perderam a exibição. Pois foi emocionante recordar, na madrugada de ontem, histórias sobre a cena musical de Manchester nos anos 80’, sobre como se desenvolveram selos com a célebre Factory Records e bandas como Joy Division, The Smiths e Happy Mondays. Tudo pontuado por depoimentos e entrevistas com produtores e jornalistas que contextualizam muito bem a importância social e cultural e o ambiente em que o pós-punk inglês se formou. Para nos darmos conta mais uma vez de que, sim, não haverá mais bandas iguais. E que aquela foi uma das últimas grandes gerações do rock mundial.

 

 

  • Teve showzaço do Saco de Ratos semana passada, no Centro Cultural São Paulo. Quinteto de blues/rock já com quase uma década de existência (foi formado em 2007) e liderado pelo escritor e dramaturgo Mario Bortolotto (nos vocais), o SDR está cada vez melhor e mais afiado no palco (fora que a ambiência acústica do teatro do Centro Cultural São Paulo sempre realça pra caralho a qualidade e a potência musical de uma grande banda ao vivo). As guitarras de Fabio Brum e do japa Marcelo Watanabe estão mais entrosadas e dinamicas do que nunca, e a “cozinha” formada pelo baixista Fabio e pelo batera Rick segura tudo com precisão e peso. As letras escritas e cantadas por Marião são o que os fãs do grupo já sabem: a melhor tradução “bukowskiana” para um universo povoado por marginais, desajustados sociais, boêmios, putas, putos, beberrões e todos aqueles que a sociedade “normal” costuma rejeitar. Foi showzão enfim, gratuito e além disso o blog percebeu que o quinteto está atraindo cada vez mais uma legião de xoxotões gostosíssimos às suas sempre mega animadas gigs. Não foi e perdeu? Sem problema: esses velhacos rockers e blueseiros estão sempre fazendo alguma apresentação pelo circuito de bares alternativos (ou do que resta deste circuito) da capital paulista. Quer saber mais sobre eles? Vai aqui: https://www.facebook.com/BANDA-SACO-DE-RATOS-121151831228419/.

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A turma blueseira do Saco De Ratos (acima) fez showzaço semana passada em Sampa; após a gig o blog se encontra com seu brother e chapa de alguns goles, o grande Mário Bortolotto (abaixo)

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  • Quem está de volta pela milésima vez é o já jurássico gigante indie Pixies. O quarteto do gordão Black Francis anunciou nos últimos dias o lançamento do seu novo álbum de estúdio. “Head Carrier” chega às lojas em setembro e sucede o bom “Indie Cindy”, editado há dois anos. A questão é: o quarteto deixou sua marca inquestionável nos anos 90’ e influenciou até o Nirvana. Mas quase trinta anos depois já ostenta um incômodo odor de anacronismo em seu som. E fica a questão: alguém ainda se importa realmente com os Pixies?

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Na buena: alguém ainda se importa com os Pixies?

 

 

  • Goodbye, I: o baixista Cliff Williams já avisou: vai se aposentar e deixa seu posto no AC/DC assim que acabar a atual turnê do velhão combo hard australiano. Pelo jeito, já passou da hora de a turma liderada por Angus Young pendurar as guitarras.

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O velho Cliff Williams pede pra sair e deixa o posto de baixista do já jurássico AC/DC: está na hora da banda se aposentar, não?

 

 

  • Goodbye, II: quem também anunciou que está tirando o time de campo é o guitarrista Nick McCarthy, que ajudou a fundar o Franz Ferdinand. A banda vai continuar sem ele mas na real o FF deve até hoje um álbum à altura de sua estréia, em 2004.

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Franz já não é mais um quarteto, com a saída de seu guitarrista

 

  • O retorno da baleia branca: Guns N’Roses tocam no Brasil em novembro, com sua formação “clássica” (???). Numa palavra: desecessário.

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Guns toca em novembro no Brasil, com sua formação “clássica” (hã?); desnecessário…

 

  • Bien, bora lá. Com postão novão finalmente entrando no, vamos relembrar os trinta anos de um dos mais importantes discos de toda a história do rock brasileiro. Ele mesmo, “Cabeça Dinossauro”, dos Titãs e sobre o qual falamos melhor a partir de agora, aí embaixo.

 

JUNHO/JULHO s DE 1986 – HÁ TRINTA ANOS O GRANDE ROCK BR ATINGIA UM DE SEUS AUGES COM “CABEÇA DINOSSAURO”, DOS TITÃS

O tempo anda voando de anos pra cá. Parece que foi ontem que um dos mais fundamentais e essenciais discos de toda a história do rock BR foi lançado e que o então jovem jornalista zapper (iniciando-se na profissão de repórter musical) vivia escutando o mesmo no volume máximo no quarto do pequeno apartamento em que morava, na rua Frei Caneca (na região central da capital paulista). Mas na realidade já se passaram trinta anos do lançamento do sensacional “Cabeça Dinossauro”, o disco que marcou o auge da trajetória do hoje totalmente decadente grupo paulistano Titãs. O álbum foi lançado especificamente em junho de 1986 . Mas mesmo já estando em julho e por tudo o que ele significou para o rock nacional, para os fãs e para a própria banda e continua significando, é mais do que justo e necessário relembrarmos e falarmos dele neste post de Zap’n’roll.

Para chegarmos ao disco em si e entender os motivos que levaram o então octeto Titãs a conceber o trabalho da forma como ele foi concebido, é preciso retornar no tempo mais de três décadas e recordar a existência do conjunto desde seu início. Formado por um grupo de amigos músicos que estudavam no colégio Equipe (um dos mais prestigiados da capital paulistana nos anos 70’), os Titãs a princípio se chamavam Titãs do IeIeIê. E estrearam oficialmente em um grande palco profissional em setembro de 1982, no SESC Pompeia, em Sampa. Nos dois anos seguintes o conjunto (formado por OITO músicos e vocalistas) abreviou seu nome apenas para Titãs, foi burilando seu material musical e enfim conseguiu um contrato com o selo Wea (atual Warner Music), onde estrearam em disco em agosto de 1984, com um álbum homônimo. Era um disco bastante pop e que logo emplacou nas rádios a música “Sonífera Ilha”. Razoavelmente bem recebido pela crítica, não vendeu o que a gravadora esperava. Assim mesmo, no ano seguinte, o octeto entrou em estúdio novamente. Desta vez para registrar o LP “Televisão”. É o trabalho que marca a primeira mudança na formação da banda, com a saída do batera André Jung (em seu lugar entrou Charles Gavin), que foi tocar no Ira! Produzido por Lulu Santos, é também o disco que dá mais um hit para o grupo, a faixa-título que estoura nas rádios do Brasil inteiro – além dela também teve boa execução a faixa “Insensível”. Com letra escrita pelo vocalista Arnaldo Antunes (e também cantada pelo próprio), a faixa-título fazia uma inteligente e sagaz crítica ao então maior meio de comunicação de massa do mundo, a TV. E já desvelava que Antunes iria se projetar, ao longo da carreira do conjunto, como um de seus principais e melhores compositores.

“Televisão” melhorou a posição do grupo no rock nacional e dentro da gravadora Wea. Mas ainda faltava ALGO que transformasse os Titãs em uma mega banda, tanto na questão do potencial comercial quanto na aceitação integral pelo público e imprensa. E esse “algo” começou a se desenhar quando o grupo iniciou os preparativos para a gravação de seu terceiro álbum de estúdio. Ao mesmo tempo em que o conjunto pensava a formatação de seu novo trabalho, uma turbulência e nuvem negra inesperada se abateu sobre ele: no final de 1985 o guitarrista Tony Bellotto e o vocalista Arnaldo Antunes foram presos por porte (Tony) e tráfico (Arnaldo) de heroína, que ambos consumiram no apartamento onde residia o vocalista. Quando estava indo para a sua casa, de táxi, Tony foi parado em uma blitz policial. Pego ainda com uma pequena quantidade da droga e pressionado pelos policiais sobre onde a tinha conseguido, o guitarrista acabou confessando que Antunes havia lhe passado o entorpecente. Foram ambos encaminhados a um distrito policial e ao abrir o inquérito sobre o caso o delegado entendeu que Antunes, por ter fornecido a heroína ao seu companheiro de banda, deveria ser enquadrado como traficante. Tony Bellotto pagou fiança e foi libertado quase imediatamente. Já Arnaldo Antunes amargou cerca de trinta dias em cana, sob protestos dos fãs e da classe artística em geral, que se mobilizou pela sua soltura. Quando Arnaldo enfim conseguiu o relaxamento de sua prisão, os Titãs estavam bastante abalados com o episódio. E foi justamente este abalo emocional o principal combustível e motivo para que o novo trabalho de estúdio saísse como saiu.

“Cabeça Dinossauro” foi lançado quase no final de junho de 1986 e começou a bombar algumas faixas em rádio já em julho. O disco era uma cacetada e abordava temas e tocava em feridas que sempre incomodaram a sociedade “normal” (e que incomodam mais ainda atualmente, dado o processo de conservadorismo e retrocesso comportamental e moral que está se verificando no mundo todo). Com uma abordagem sonora muito menos pop que nos dois primeiros discos e investindo pesado em guitarras algo punk, além de melodias barulhentas, dançantes e aceleradas (tudo cortesia do produtor Liminha, que mudou muitas das concepções musicais do conjunto e ampliou seus horizontes a ponto de, durante muito tempo, ser chamado de “o nono titã”), o grupo atacava instituições como a igreja (na faixa do mesmo nome) e a polícia (idem, mesmo nome), além de desancar o estilo de vida e o comportamento médio das pessoas que viviam na sociedade “normal” – e aí temos obras-primas e polaróides instantâneos do que é a vida da grande maioria das pessoas em faixas como “Homem primata”, “Estado violência”, “Tô cansado” e “Porrada”. Era como se a banda quisesse gritar para o mundo seu inconformismo com as prisões (no final das contas desnecessárias, visto que os envolvidos no caso não eram bandidos perigosos mas, sim, artistas) de dois de seus integrantes e manifestar sua posição contra as arbitrariedades de uma sociedade moralista e dominada por preconceitos e conceitos comportamentais arcaicos.

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“Cabeça Dinossauro”, a obra-prima dos Titãs: lançado em junho/julho de 1986, vendeu rapidamente trezentas mil cópias e passou a ter várias músicas tocando sem parar nas rádios, mesmo com sonoridade agressiva e falando de temas espinhosos e atacando instituições como a igreja e a polícia

 

O que ninguém imaginava era que um álbum com esse viés textual e barulhento como ele era, que abordava e atacava temas espinhosos e as convenções sociais caretas (e que, justamente por tudo isso, era considerado “difícil” pela gravadora) se tornasse um estouro de vendas e execução em rádio.

Pois foi exatamente o que aconteceu, para espanto da Wea e da própria banda. Músicas como “Aa Uu”, “Polícia” e “Bichos escrotos” invadiram as rádios e começaram a tocar sem parar. Em pouco tempo “Cabeça Dinossauro” chegava a trezentas mil cópias vendidas (a maior vendagem do grupo até então) e o grupo passou a lotar seus shows, tocando em espaços para até cinco mil pessoas. Ao longo dos meses seguintes o trabalho iria receber diversos prêmios de associações de críticos e jornalistas e a agenda de apresentações lotou: todo mundo queria ver os Titãs ao vivo e pular ao som das porradas sonoras contidas em “Cabeça Dinossauro”.

Foi a consagração e o auge dos Titãs, que estavam ainda apenas em seu terceiro álbum de estúdio. O que veio daí em diante é bastante conhecido. “Jesus não tem dentes no país dos banguelas”, editado em 1987, era uma espécie de “continuação” de “Cabeça Dinossauro”, mas sem o mesmo impacto de seu antecessor. “Go Back”, que saiu em 1988, era um disco ao vivo sem muito brilho. A banda voltou a experimentar o sucesso combinado com grande qualidade artística em “Õ Blésq Blom”, lançado em 1989 e que recebeu novamente aprovação unânime da crítica e teve boa execução de algumas de suas músicas nas rádios. A partir daí começaram as debandadas na formação titânica: Arnaldo Antunes é o primeiro a sair em 1992, logo após o grupo soltar “Tudo ao mesmo tempo agora” um ano antes. “Titanomaquia” (1993, pesadíssimo e considerado o disco “grunge” do agora septeto) e “Domingo” (1995) são talvez os últimos trabalhos dignos de nota na trajetória de um dos mais importantes nomes do rock BR dos anos 80’. Mesmo assim em 1997 o grupo, já entrando em curva artística descendente, obteve seu maior sucesso comercial com o lançamento do “Acústico MTV – Titãs”, que até hoje vendeu mais de um milhão de cópias. Mas nem isso impediu a derrocada qualitativa do conjunto e nem a saída de mais integrantes. Em junho de 2001 o guitarrista Marcelo Frommer foi atropelado e morto por uma moto equanto fazia exercícios e caminhada perto de sua casa. E pouco mais de um ano depois era a vez de o baixista Nando Reis pedir pra sair. O quinteto remanescente permaneceu junto até 2010 quando foi a vez do baterista Charles Gavin pedir a conta (em seu lugar entrou Mario Fabre, que permanece até hoje). E na última segunda-feira quem também anunciou sua saída foi o multiinstrumentista e vocalista Paulo Miklos, após permanecer trinta e cinco anos nos Titãs. Em seu lugar entrou Beto Lee, filho de Rita Lee. E da formação original restam apenas o guitarrista Tony Bellotto, o vocalista Branco Mello e o tecladista Sérgio Brito.

Com mais de três décadas de existência e sem lançar nada digno de nota há pelo menos vinte anos (pelo contrário: CDs como “Volume II”, de 1998, “As dez mais”, de 1999, “Como estão vocês?”, de 2003, “Sacos Plásticos”, de 2009, e “Nheengatu”, que saiu em 2014, são uma vergonha total para um grupo que um dia causou um terremoto no rock brasileiro com apenas três discos lançados), é muito óbvio que os Titãs, reduzidos a um trio original (com dois músicos os acompanhando) e definhando a olhos vistos, deveriam ter simancol e acabar definitivamente com sua trajetória, que já está pra lá de indigna de quinze anos pra cá. Mas alguém já disse que pouquíssimas bandas sabem a hora exata de parar (como o REM soube, por exemplo). E os Titãs já deram mostras de que perderam o timing para encerrar com dignidade sua carreira. Uma carreira que já foi sim gloriosa. E que deixa para sempre um disco imbatível, irrepreensível, já clássico e imortal como é “Cabeça Dinossauro”.

 

“CABEÇA DINOSSAURO” AÍ EMBAIXO

Para ser ouvido na íntegra.

 

TRÊS LETRAS DE UM DISCO DE 1986 E QUE PERMANECEM MAIS ATUAIS DO QUE NUNCA

 

“Polícia”

Dizem que ela existe pra ajudar
Dizem que ela existe pra proteger
Eu sei que ela pode te parar
Eu sei que ela pode te prender
Polícia! Para quem precisa!

Polícia! Para quem precisa de polícia!

Polícia! Para quem precisa!

Polícia! Para quem precisa de polícia!
Dizem pra você obedecer
Dizem pra você responder
Dizem pra você cooperar
Dizem pra você respeitar
Polícia! Para quem precisa!

Polícia! Para quem precisa de polícia!

Polícia! Para quem precisa!

Polícia! Para quem precisa de polícia!

 

“Igreja”

Eu não gosto de padre
Eu não gosto de madre
Eu não gosto de frei.
Eu não gosto de bispo
Eu não gosto de Cristo
Eu não digo amém.
Eu não monto presépio
Eu não gosto do vigário
Nem da missa das seis.
Eu não gosto do terço
Eu não gosto do berço
De Jesus de Belém.
Eu não gosto do papa
Eu não creio na graça
Do milagre de Deus.
Eu não gosto da igreja
Eu não entro na igreja
Não tenho religião.

 

“Estado Violência”

Sinto no meu corpo
A dor que angustia
A lei ao meu redor
A lei que eu não queria

Estado violência
Estado hipocrisia
A lei que não é minha
A lei que eu não queria

Meu corpo não é meu
Meu coração é teu
Atrás de portas frias
O homem está só

Homem em silêncio
Homem na prisão
Homem no escuro
O Futuro da nação

Homem em silêncio
Homem na prisão
Homem no escuro
O Futuro da nação

Estado violência
Deixem-me querer
Estado violência
Deixem-me pensar
Estado violência
Deixem-me sentir
Estado violência
Deixem-me em paz

Estado violência
Deixem-me querer
Estado violência
Deixem-me pensar
Estado violência
Deixem-me sentir
Estado violência
Deixem-me em paz

Estado violência
Deixem-me querer
Estado violência
Deixem-me pensar
Estado violência
Deixem-me sentir
Estado violência
Deixem-me em paz

 

HISTÓRIAS RÁPIDAS E SELVAGENS DE SEXO, DROGAS E ROCK’N’ROLL: OS TITÃS, OS ANOS 80’/90’ E O JOVEM JORNALISTA ZAPPER NA VIDA ROCKER LOKA, AO SOM DA BANDA

  • Zap’n’roll não se lembra exatamente como e quando conheceu o som dos Titãs. Mas já curtia a banda antes de começar sua trajetória como jornalista musical profisional. Foi talvez por volta de 1985 que o então aspirante a repórter musical comprou, na extinta loja Devil Discos (na Galeria Do Rock, no centrão de Sampa), o LP “Televisão”, segundo lançamento da discografia titânica. Finaski gostava do disco mas não morria de amores por ele. Quando “Cabeça Dinossauro” saiu, em junho do ano seguinte (justamente na época em que o autor deste blog começou a fazer suas primeiras colaborações para publicações musicais), tudo mudou e foi paixão louca e instantânea pelo LP à primeira audição. “Cabeça…” literalmente virou a cabeça do jovem repórter e chapou o côco dele, que não perdeu tempo em ir atrás de credenciamento para assistir ao show de lançamento do trabalho, que aconteceu em agosto de 1986 na “lona de circo” que era o ProjetoSP, um dos espaços para gigs então mais badalados da capital paulista na época. E que ficava a menos de duzentos metros de onde o zapper morava (na rua Frei Caneca, atrás da rua Augusta e onde ficava o ProjetoSP). A “lona” lotou na noite do show e quase veio abaixo com a empolgação do público. Zap’n’roll, com seus ainda jovens vinte e três anos de idade, saiu literalmente morto da apresentação.

 

  • Daí em diante o jovem jornalista também foi crescendo em sua profissão e sempre que possível, ia a um show dos Titãs. Veio seu casamento, seu filho, o início das colaborações para a revista Somtrês, a contratação como repórter na editoria de cultura da revista IstoÉ. E entrou em cena também a cocaína e a paixão algo avassaladora do autor deste blog pelo pó branco. Bocetas loucas e calhordas também começaram a surgir aos borbotões na vida do jornalista já a essa altura bastante alucicrazy. Seu casamento foi pro saco por conta desses detalhes. Mas o gosto pelo som dos Titãs permaneceu inalterado.

 

  • Entre 1990/1993, durante as turnês de “Õ Blésq Blom”, “Tudo ao mesmo tempo agora” e “Titanomaquia”, Zap’n’roll assistiu a pelo menos uns cinco shows da banda no período. Em um deles, num ginásio do Ibirapuera (em São Paulo) LOTADO (com quinze mil pessoas lá dentro), o zapper doidão não parou de pular a gig inteira. Quase ao final dela, deu um pulo máster e se desequilibrou (estava com uma bota de couro de salto razoavelmente alto), torcendo o pé direito. Teve que sair do ginásio CARREGADO pelas irmãs Silvia e Sueli Ruksenas. E em seguida ficou de molho três dias em casa, sem poder andar.

 

  • Já em 1993 o autor deste blog e que havia terminado seu casamento um ano antes, namorava com a XOXOTUDÍSSIMA crioula Greta. Ele, trinta e um anos de idade; ela, dezoito. Um bocetaço de mamicaços gigantes e que era uma cadela em grau máximo na hora da foda (quando disparava frases como “seu cavalo, seu cachorro! Me FODE, VAI!”), era fã de rock’n’roll (adorava Doors e Smiths), de maconha, queria fazer faculdade de Letras (e acabou se formando no  curso, na USP) e… não podia beber muito que se transformava em um autêntico exu. Não deu outra: separado da ex-mulher e dividindo um apê com o amigo Felipe Britto na avenida 9 de julho (também no centrão de Sampa), o jornalista namorado do bocetão preto e crazy, armou uma autêntica “caranava do delírio” (expressão criada pelo saudoso Ezequiel Neves) para ir ver um show dos Titãs (dentro da turnê do LP “Titanomaquia”) na extinta casa Olympia (que ficava no bairro da Lapa, zona oeste de Sampa e que era outra das mais badaladas casas de espetáculos musicais da época na cidade). Reuniu Greta e uma turma de amigos no apartamento e lá fez um “esquenta” pra gig, regada a uma garrafa de whisky. Pois eis que miss Greta encheu um copo descartável até a boca e querendo dar uma de fodona, virou o mesmo de uma vez. A big shit estava armada: no meio do caminho para o Olympia a negona simplesmente DESMAIOU na rua e não tinha mais como ir para o show. O zapper ficou absolutamente puto e desesperado. Sem saber o que fazer, pediu a dois dos amigos que o acompanhavam: “peguem um táxi e a levem pra casa, aqui está a chave e grana pro táxi. E depois voltem. Eu não posso perder o show pois estou credenciado e bla bla blá”. Eles atenderam o pedido. Foram, deixaram Greta “confortavelmente” instalada na cama do jornalista e rumaram novamente pro Olympia. O show foi fodástico como de costume (sempre era, naquele tempo) e a surpresa veio quando Zap’n’roll voltou pro apartamento e foi rapidamente ver como estava sua namorada maluca. Ela estava bem e dormindo na cama. Só que… totalmente PELADA! E como ela estava absolutamente desacordada quando foi deixada no apê, permanece até hoje a dúvida: quem teria TIRADO A ROUPA da crioulaça putaça, ela mesma ou… os “amigos” (mui amigos…) do zapper? Uia!

CAPAREVISTAZORRATITAS

  • Os Titãs no auge de sua carreira estrelam a capa da primeira edição da revista Zorra, especializada em rock nacional, em 1987; foi também nessa revista que Zap’n’roll escrevia algumas de suas primeiras matérias musicais
  • Ainda em 1993 o já trintão jornalista rocker estreou como repórter de música da edição brasileira da célebre revista americana Interview – e nela permaneceu até 1996, quando a publicação deixou de circular. Sua primeira entrevista publicada na revista (que era o emprego dos sonhos de qualquer jornalista: ótimo salário, viagens de avião pra tudo quanto era canto, rodadas de whisky oito anos na redação ao final do expediente, portas abertas para festas, coquetéis etc, etc, etc, bastava ligar dizendo que era da redação da Interview que o convite saía no mesmo instante em que era pedido) foi justamente com os Titãs. E curiosamente a matéria derradeira de Finaski na revista também foi com a banda, em 1995, quando ela estava lançando o álbum “Domingo”.

 

  • Em uma das sessões de entrevista para esta matéria, realizada no estúdio paulistano Be Bop (onde o grupo estava gravando o disco “Domingo”), Zap’n’roll conheceu ELA! Quem? Laura, outro BOCETAÇO moreno, cabelos longos e que com apenas vinte e um aninhos de idade já trampava no estúdio, como técnica auxiliar de gravação. Ao ver aquele monumento na sua frente o jornalista sempre paquerador não se conteve: ao final da entrevista foi puxar papo com a garota. Ela lhe ofereceu um café, prontamente aceito. Ambos começaram a falar de música, de rock, de jornalismo. Ela era fã de… PJ Harvey, a deusa inglesa que era e é até hoje uma das paixões musicais do autor destas linhas bloggers/lokers e sempre repletas de histórias saudosas para serem resgatadas aqui. O coração zapper começou a bater mais forte pela moçoila. Os dois trocaram telefones (não havia internet naquela época, nem celulares ou redes sociais; era tudo mais sincero, real, elegante e romântico) e marcaram um encontro para a noite seguinte. Laura foi até a kit onde Finaski a essa altura estava morando (no mesmo prédio em que já havia morado em 1993, na avenida 9 de julho). E lá a dupla passou a noite TREPANDO furiosamente e depois CHEIRANDO cocaine (que a própria garota tinha levado pois ela também apreciava o “esporte”, wow!). Óbvio que o zapper se apaixonou pela boceta “perfeita”: rocker, fã de PJ Harvey e de padê, além de ótima foda na cama. E também por conta dessa paixão, óbvio que o jornalista sempre grudento e carente com suas paixões, começou a SUFOCAR a moça. O resultado foi o esperado: ela foi se afastando aos poucos, até que ambos perderam totalmente o contato. E o repórter musical  nunca mais soube do xoxotaço que ele conheceu em uma bela noite num estúdio de gravação, após entrevistar os Titãs.

 

  • Mas antes que Laurinha sumisse de vez, ela ainda acompanhou Zap’n’roll em uma gig dos Titãs no velho ginásio do Ibirapuera, na turnê do disco “Domingo”. Nessa época e por conta das entrevistas que haviam sido publicadas na Interview, o autor deste espaço online estava razoavelmente próximo do grupo. Foi assim que, show encerrado, ele e Laura foram parar no camarim dos Titãs – que estava cheio pra caralho. Lá pelas tantas o zapper sempre atento percebeu Marcelo Frommer e Branco Mello se dirigindo apressados para um dos BANHEIROS do camarim. Entraram nele e trancaram a porta. O jornalista cara-de-pau foi atrás e começou a bater na porta, dizendo: “também quero!”. Frommer abriu, Finaski entrou e disse: “põe um risco pra mim!”. Branco: “Não!”. Finaski: “Sim!”!. Frommer interveio: “porra, vamos por um risquinho pro Finatti, rsrs”. Aí foram esticadas TRÊS carreiras de cocaine no TAMPO do sanitário. E quando o blogger loker foi cheirar a sua, Branco cantarolou: “É dia de Finatti/Nem precisava tanto!”. Uia!

 

  • O último show que o blog assistiu da banda foi no final de 1995, numa das festas de aniversário da 89fm (a rádio rock, que existe até hoje). Desde então perdeu o contato com os integrantes dos Titãs e nunca mais assistiu a uma gig deles. Nem sentiu falta: com o grupo definhando aos poucos e lançando discos cada vez piores, o zapper preferiu e prefere guardar em sua memória a melhor fase do conjunto e seus momentos de glória, tanto em disco quanto ao vivo. E ambas as fases duraram, no máximo, até 1995. Agora, só escombros titânicos e só ótimas lembranças aqui, de um tempo que não vai voltar nunca mais.

 

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O NEO CONSERVADORISMO MUNDIAL – INCLUSIVE NA CULTURA POP

O que escrever e publicar neste blog, quando o mundo está tão eivada de opiniões preconceituosas, de moralismo hipócrita, de intolerância e conservadorismo expostos sem nenhum pudor ou temor? O que escrever nesta já noite de sábado (quando o post está finalmente sendo finalizado), quando se mora em uma das capitais com população mais reacionária de um país (o Brasil) já ele mesmo cada vez mais reacionário e bestial, além de inculto e ignorante? O neo conservadorismo escroto está dominando e ACABANDO com o mundo inteiro e em todas as instancias da existência humana – inclusive na cultura pop, na música, no outrora revolucionário e ultra transgressor rock’n’roll.

Você acha que não e que isso é papo de um jornalista já tiozão (o autor destas linhas virtuais), ranzinza e rabugento e que está com 5.3 já pesando nas costas? Então tomemos dois exemplos que já há alguns dias vem fustigando nossos pensamentos. Um deles é Pepeu Gomes. Sim, o véio Pepeu, que nem de longe nunca foi um primor como CANTOR, mas é um dos MELHORES GUITARRISTAS da história da música brasileira. Pois então: há mais de trinta anos (em 1983, mais exatamente), Pepeu lançou um disco solo cuja faixa-título se chamava “Masculino & Feminino”. E em cuja letra ele fazia uma alegre e inflamada elegia/apologia da diversidade sexual, quando isso nem era assunto muito recorrente na MPB. Mas a música fez sucesso naquela época justamente por não ser um tema muito explorado até então. E também porque a massa de OUVINTES de música de então era muito menos burra e careta do que o populacho dos tempos atuais.

O outro exemplo: o amado e inesquecível Renato Russo, que morreu em outubro de 1996 (lá se vão quase vinte anos…), pondo fim à Legião Urbana (um dos maiores e melhores grupos do rock nacional em todos os tempos) e nos deixando todos órfãos para sempre. Pois sete anos antes de se mandar desse mundo cada vez mais cuzão em todos os sentidos, Renato gravou “Meninos & Meninas” (no álbum “As Quatro Estações”, lançado em 1989), que também era um libelo sensacional sobre o direito de um ser humano ter de gostar de… garotos e garotas. A letra era fantástica, a música mais ainda e ela tocou horrores nas rádios naquela época, além de ser cantada em coro pelas multidões que iam aos shows da banda – e o blog ESTEVE PRESENTE em muitos desses shows.

Aí vem a pergunta: qual artista brasileiro (seja ele de MPB, axé, pagode, forró, funk, sertanojo, a puta que o pariu que for) aborda com coragem e ousadia algum tema POLÊMICO em suas canções nos dias atuais? Pagodeiros e sertanejos cretinos compõem sobre o que todos já estão carecas de ouvir (e parece que a massa tigrona não se cansa de ouvir isso): dor-de-corno, a gostosa que deu uma bota na bunda do machinho playba e por aí vai. Axezeiros: não sabem falar de outro tema a não ser exaltar a alegria de ser baiano, tudo com português sofrível, claro. Funkeiros (as)? Quando não é uma besta quadrada como a tal Anitta (que é um bocetão, reconheça-se) exaltando o poder feminino através de letras ginasianas, é o funkão proibidão tecendo vassalagem interminável à bandidagem. E nem vamos falar aqui de debilidades mentais como “Metralhadora”, “Tá tranqüilo, tá favorável”, “Gordinho gostoso” e outras aberrações que estouraram nas rádios e viralizaram na web (no YouTube) nos últimos meses ou anos. É fedor cultural/sonoro demais entupindo nossas pobres narinas e ouvidos.

LEGIAOURBANA

A inesquecível Legião Urbana: cantando a diversidade sexual em “Meninos & Meninas”, em um tempo em que o mundo era menos reacionário e careta

Vai mal o ser humano e a cultura da humanidade. Vai mal, não: vai péssima e a arte talvez esteja mesmo no fundo do abismo e com seus dias contados. A nós só restará se resignar com o fato de que não irão surgir mais outro Bob Dylan, outro Jimi Hendrix, outro Jim Morrison, outro Lou Reed, outro Bowie, outro Chico Buarque, Caetano, Gil, Gal, Elis ou mesmo (para sermos, hã, mais recentes e contemporâneos) outro Morrissey, Ian Curtis, Cazuza ou Renato Russo.

E todo esse desmantelamento artístico da cultura pop em geral e da música (e do rock) em particular, nada mais é do que o reflexo de uma humanidade que se tornou isso mesmo: ignorante, inculta, intolerante, burra e bestial. E isso num mundo dominado por alta tecnologia e globalizado pela informação ultra veloz, conectando todo mundo através da internet, de cels, redes sociais sacais, apps imbecis (o Whats app me deixou burro, muito burro demais…) e os caralho.

O que deu errado, afinal de contas? Algum leitor zapper pode dizer?

 

  • A DITADURA ESTÉTICA DAS XOXOTAS RASPADAS – é outro exemplo claríssimo do conservadorismo moral e estético que se abate nos dias de hoje sobre a humanidade. Nosso dileto leitorado (sejam leitores ou LEITORAS) já percebeu que, de anos pra cá, a DITADURA estética IMPÕE que o correto é modelos, atrizes e mulheres comuns exibirem seus sexos total DEPILADOS, sem UM pêlo que seja. Isso, claro, metaforicamente pode ser associado a alguma espécie de HIGIENIZAÇÃO e CORREÇÃO total do mulherio, não apenas na questão física como também MORAL. Seria mais ou menos isso: mulheres depiladas e bem cuidadas são as que possuem correção MORAL e ÉTICA. Quem não se adéqua a esse padrão ESTÚPIDO seria alguma espécie de “vagabunda”, “puta”, “safada” e “PORCA”. Será isso mesmo o certo? Pros dias atuais sim, claaaaaro. Mas há três décadas atrizes idolatradas e amadas pelo povão, como Claudia Ohana, Helena Ramos e Aldine Muller exibiam sem constrangimento seus bocetões PELUDÍSSIMOS, e deixavam a macharada com água na boca. Até mesmo a deusa Demi Moore, em glorioso ensaio feito por ela aos dezenove anos de idade (quando ainda não havia se tornado mega star da indústria do cinema) para uma revista francesa, não teve pudor em exibir sua xotaça totalmente peluda – e Zap’n’roll sempre AMOU bocetas que são verdadeiras matas atlânticas, rsrs. Então fica novamente a questão que não quer calar: o que deu errado com o mundo e o ser humano, afinal?

IMAGEMDEMIMOOREXOTAPELUDA

Dois XOXOTAÇOS PELUDOS sem igual, de um tempo em que não havia ditadura estética e ultra conservadorismo na humanidade: a deusa Demi Moore (acima, na flor de seus dezenove aninhos de idade) e a nossa brazuca Claudia Ohana (abaixo); bons tempos…

IMAGEMCLAUDIAOHANAPELADA

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

  • Disco: sem nada digno de nota sendo lançado nunca é demais re-ouvir “Cabeça Dinossauro”, o clássico dos Titãs. Mais atual do que nunca!
  • Festival da linguagem eletrônica: a edição 2016 do File (Festival internacional da linguagem eletrônica) já está rolando em Sampa, lá no prédio da Fiesp (avenida Paulista, 1313, centro da capital paulista) e vai até 19 de agosto. Quer saber mais? Vai aqui: http://www.fiesp.com.br/agenda/festival-internacional-de-linguagem-eletronica-file/.
  • Baladenhas pro finde: yeah! Postão sendo enfim concluído já na noite de sabadão. Então vamos ver o que rola de bão no circuito alternativo de Sampalândia. Começando pelo já clássico casarão que abriga o Madame Satã (na rua Conselheiro Ramalho, 873, Bixiga, centrão da cidade), e onde hoje rola super DJ set especial dedicado ao imbatível Joy Division, com discotecagem comandada pelo Rodrigo Cyber, pelo Sérgio Barbo e pelo Fábio Vietnica, todos queridos amigos destas linhas online. Mas se você quer pista entupida e open bar infernal, se joga no Outs (na rua Augusta, 486), já um clássico rocker do baixo Augusta.///E pra fechar beeeeem o finde não dá pra perder a domingueira rock’n’roll da boate gls A Loca (na rua Frei Caneca, 916, Consolação, centro de Sampalândia), o projeto Grind comandado há dezoito anos pelo super DJ André Pomba. Beleusma? Então vai nessa que o blog vai também, uia!

 

 

FIM DE JOGO

Mais um postão concluído, certo manos? Então é isso. Semana que vem voltamos aqui, sempre com a cultura pop e o rock alternativo em primeiro lugar. Até lá!

 

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 23/7/2016, às 21hs.)

 

Agora vai: o blogão campeão em rock alternativo e em cultura pop volta com post MONSTRO e lança seu olhar (ou sua audição) sobre os novos discos do Travis, do Superchunk e do… FRANZ FERDINAND! Mais: TUDO (ou quase) sobre o gigante festival indie Porão Do Rock, que rola neste finde em Brasília (e o blog vai estar lá, claro!); e em mais um rigoroso trabalho de investigação jornalística, entrevistamos uma advogada (que já estagiou no MINISTÉRIO PÚBLICO) que afirma: “a atuação do Fora do Eixo já pode ser enquadrada em vários crimes”; e finalmente os tópicos de tirar o fôlego da galere: mais fotos incríveis da nossa musa indie oficial, a XOXOTUDA Julieta DeLarge, e um diário sentimental sexual pra lá de ordinário e cafajeste, uhú! (postão completasso e com ATUALIZAÇÃO em 30/8/2013)

O indie mega rock dos anos 2000’ entrando em declínio criativo e rumando para a total irrelevância? O escocês Franz Ferdinand (acima, o vocalista e guitarrista Alex Kapranos voa no palco, durante show da banda no festival Lollapalooza BR 2013, em abril último em Sampa) lança novo disco onde falta ousadia e sobram canções inócuas; e na edição deste ano do inglês Reading uma das principais atrações foi o Biffy Clyro (abaixo)… Biffy o quê ou quem???

 

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“Capital da esperança
(Brasília tem luz, Brasília tem carros)
Asas e eixos do Brasil
(Brasília tem mortes, tem até baratas)
Longe do mar, da poluição
(Brasília tem prédios, Brasília tem máquinas)
mas um fim que ninguém previu
(Árvores nos eixos a polícia montada)
(Brasília), Brasília

 

Brasília tem centros comerciais
Muitos porteiros e pessoas normais
(Muitos porteiros e pessoas normais)”

(“Brasília”/Plebe Rude)

 

Zap’n’roll está a partir de hoje, e até domingo, na capital do Poder, para acompanhar de perto tudo o que vai rolar na edição 2013 do mega festival Porão Do Rock.

 

Depois a geo nte volta aqui pra contar como foi, beleusma?

 

Até logo menos então!

 

 

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Demorô mas cá estamos, uia!

Em plena terça-feira, ainda começo de semana e pra já ir atropelando tudo na blogosfera brazuca de rock alternativo e cultura pop, já que os próximos dias prometem mais agitação do que os que andaram passando e que motivaram uma pausa estratégica na publicação destas linhas online. Yep, não houve o tradicional post das sextas-feiras de Zap’n’roll porque o blog estava envolvido em correrias mil, entre elas a dj set especial que rolou na madrugada de sábado pra domingo no clube Outs/SP (lá no baixo Augusta) e que, sem modéstia alguma, de foder – mais de duzentas e cinquenta pessoas se acabando na pista do clubinho rocker under mais tradicional de Sampalândia e isso até seis da matina, wow! De modos que o zapper, após a esbórnia violenta na madruga, passou mesmo o domingão inteiro na cama fora de combate (hihi), se recuperando, re-hidratando, trepando à noite (ops!) e se preparando pra uma semana (esta) em que discos de bandas conhecidas estão saindo (né Franz Ferdinand) e em que vai rolar em Brasília o Porão Do Rock, talvez o maior festival realmente independente do Brasil e que já acontece na capital do país há quinze anos – e onde o blogão campeão estará a partir da próxima sexta-feira, pra acompanhar tudo beeeeem de perto (vai ter Mark Lanegan!!! E session nostalgia rock BR anos 80’ com Capital Inicial e Paralamas Do Sucesso, além de uma renca de grupos independentes da nova cena brasiliense), pra depois contar tudinho por aqui. De modos que o postão zapper excepcionalmente entra no ar esta semana hoje, terça, e será o único post mesmo desta semana (se houver alguma bomba pelo caminho, iremos atualizando a parada aqui mesmo), onde inclusive tem promo de tickets pro Porão em caráter urgente (vai lá no final da postagem e manda seu alô; quem ganhar os ingressos será avisado por e-mail até quinta-feira no final do dia), uia! Enfim, procurando não perder a mão jamais e sempre trazendo um zilhão de tópicos e infos bacanudas (hoje tem também fotos tesudas da musa indie zapper oficial e que estará sempre frequentando este espaço virtual, a deusa da luxúria e da sacanagem carnal chamada Julieta DeLarge, além de um diário sentimental mega ordinário, canalha, cafajeste, sexista, putão e cuja leitura não é recomendável para menores, hihihi) cá estamos, néan? O tempo não para e estas linhas bloggers lokers também não podem parar. Jamais!

 

 

* Reiterando: esse é postão desta semana. Que poderá ser ele mesmo atualizado (ou não, rsrs) até o próximo finde.

 

 

* E mon dieu, o que foi a discotecagem zapper no último sábado, no clube Outs/SP? Quase trezentas pessoas na casa, som rock bombator até seis da matina, whisky rolando solto no bico da garrafa, show de air guitar do dj loki zapper com guitarra de verdade (ahahaha, valeu Samuel!), BOCETAS LOKAS E DELICIOUS em profusão dançando alucicrazy na pista chapada de gente. Sério, o Outs renasceu com suas festas open bar e voltou a ser, junto com o Astronete, o melhor club rock do baixo Augusta. Nem tem o que discutir quanto a isso.

 

 

* Na pic aí embaixo, quarteto de responsa mandando ver na balada do baixo Augusta: Zap’n’roll (ele mesmo, cara de véio e barriguinha proeminente, aff; assim não, Edu Ramos! Rsrs), a super e lindaça dj Tati Ramos e o casal do corazón do blog, Bruna Vicious (delícia total, sempre!) e seu boyfriend, Wagner Freitas. Foi nozes!

 

* O NOME DELE É ROBSON GOMES – mas pode chamar de Robsongs, rsrs. Yep, dileto amigo destas linhas online há quase uma década, o músico paulistano Robson mora non extremo leste da cidade (no Itaim Paulista). É lá que ele nasceu e cresceu. E foi lá que desenvolveu seu aprendizado musical e sua carreira como músico. Ele é vocalista e guitarrista há quinze anos (!) do The Concept, uma das bandas mais bacanas da indie scene nacional de uma década e meia pra cá – e também uma das preferidas destas linhas rockers. Pois não satisfeito em compor excelentes canções em inglês no Concept, Robson também partiu para um trabalho solo e autoral, gravando músicas com letras em português mas com a mesma dinâmica sonora que norteia seu trampo na Concepção, hehe. Ou seja: guitarras trabalhadas no mais puro shoegazer inglês dos anos 90’. Anyway, em breve o garoto pretende lançar seu primeiro disco solo. Enquanto isso não acontece ele vai soltando aos poucos na web músicas lindonas como essa “Chuva de Tijolos”, cujo vídeo você confere aí embaixo juntamente com uma entrevista também em vídeo, produzida pelo blog/selo The Blog That Celebrates Itself.

 

 

*E a balada sem fim também rolou no finde lá na Inglaterra, com mais uma edição do gigantesco festival de Reading (que atualmente só perde em tamanho pro Glastonbury). Mas… e aí? Estas linhas rockers virtuais na verdade nem iriam comentar algo sobre Reading 2013 (afinal, outros blogs já estão postando fotos e vídeos a milhão do evento), mas resolvemos fazer isso. E pra dizer o seguinte: a edição deste ano do festival dá bem a medida do que se transformou a música pop – e o rock em particular – de hoje: algumas honrosas exceções que conseguiram manter suas carreiras com dignidade por mais de uma década e um amontoado GIGANTE de artistas inúteis, sem importância alguma, que duram menos do que os quinze minutos de fama vaticinados pelo gênio Andy Warhol há quase meio século. Isso esteve muito claro e presente lá em Reading. Sério: você consegue levar a sério (com o perdão da repetição do adjetivo) uma banda que se chama… Biffy Clyro? Disclosure? Parquet Courts (sorry dear Cris Viteck, mas essa bandinha é chata pra carajo)? ALGUÉM vai se lembrar desses nomes daqui a, digamos, seis meses? Que fim levaram The View, The Rakes, Maximo Park, Doves, Futurehads e tantos outros nessa história? Eminem??? Coisa mais chumbrega e chata pra se por no line up de um festival. Aliás, não há mais novidades nesse festivais: o americano Phoenix, que tocou na Inglaterra neste finde, também já tocou aqui no Brasil e no Lollapalooza EUA deste ano. São as mesmas bandas tocando nos mesmos festivais porque o rock’n’roll, infelizmente, não está conseguindo se renovar e isso é sério e muito preocupante. E pior do que isso, apenas, são as estações repetidoras da web brazuca ficar regurgitando coberturas, reproduzindo fotos e vídeos de shows que todos nós já assistismos aqui mesmo no Brasil (e que por isso vão gerar zero comentários e zero recomendações quando postados em sites). Resumindo bem a ópera estas linhas rockers rigorosas e analíticas consideram que Reading 2013 foi quase desimportante. Veremos se em 2014 a situação por lá vai melhorar ou piorar ainda mais.

 O mala mor do rap, Eminem, foi um dos “destaques” do festival inglês de Reading, no último finde: o rock e a música pop estão mesmo se tornando irrelevantes...

 

 

* E teve VMA 2013 no último domingo, na MTV americana, néan (a daqui encerra suas transmissões no próximo dia 31, sábado; nessa data a editora Abril deixa depois de duas décadas de ter direitos da marca para transmissão dela no Brasil. A Viacom, empresa americana detentora da marca promete relançar o canal no Brasil, via tv paga, o mais breve possível). Outro momento para ratificar o que dissemos aí em cima, no tópico sobre o festival de Reading: a música pop em geral (e o rock, em particular) estão mesmo na UTI. Não é preciso ser nenhum gênio pra sacar isso quando olhamos os nomes dos principais vencedores deste ano (One Direction, Selena Gomez, Bruno Mars e outras tranqueiras semelhantes). Bien, pelo menos teve performance CADELUDA e arrasadora da Miley Cyrus. A ex-musa teen se transformou numa PUTAÇA de primeira mesmo, wow! Se não acredita, veja a foto aí embaixo:

 

*A maior prova de que o rock do novo milênio anda mal das pernas é o novo álbum dos escoceses do Franz Ferdinand, e que saiu ontem na Inglaterra. Vai lendo aí embaixo.

 

 

APÓS UMA DÉCADA DE EXISTÊNCIA, FRANZ FERDINAND DEMONSTRA FADIGA CRIATIVA NO NOVO ÁLBUM

Lançado oficialmente ONTEM na Inglaterra (e já saindo também no Brasil, via Sony Music), “Right Thoughts, Right Words, Right Action” é o quarto disco de estúdio do quarteto escocês Franz Ferdinand, o primeiro inédito em quatro anos (desde 2009, quando a banda editou o quase pífio “Tonight – Franz Ferdinand”). A banda é amada no Brasil e Zap’n’roll sempre gostou muito dela também. O grupo continua fodaço ao vivo e quem os viu (como o blog) no Lollapalooza BR deste ano, sabe disso. No entanto, algo muito estranho está acontecendo no mundo musical do FF. Incapaz de ousar muito na confecção das novas músicas e demonstrando claramente estar em uma cruel discotomia estético/musical (continuar com um rock cru e de acepções punk nas levadas melódicas ainda que dançantes, ou se bandear definitivamente para composições pop meia-boca mas de grande apelo comercial e de levadas eletrônicas), o conjunto mostra grande fadiga criativa em seu novo trabalho.

 

Não que o álbum seja ruim. Ele é bem produzido e bem gravado. Mas ao se ouvir o MATERIAL contido nele fica muito claro que o grupo liderado pelo vocalista e letrista Alex Kapranos não vai mais conseguir resgatar a urgência musical combinada com letras irônicas e sarcásticas e que tornaram a estréia da banda, com o disco homônimo em 2004, quase uma obra-prima do rock inglês do novo milênio. Assim é que o novo cd começa com a animada e dançante “Right Action” (também o primeiro single de trabalho do disco) mas que soa como uma canção qualquer, igual a tantos outros rocks dançantes compostos pelo próprio FF. A situação não melhora com “Evil Eye” e o disco ameaça decolar finalmente em “Love Illumination” (o segundo single de trabalho), talvez o melhor momento do álbum muito porque a banda investe pesado na condução melódica através das guitarras e abrindo pouco espaço pra ruídos e traquitanas eletrônicas (elas estão presentes, mas de maneira discreta, assim como um naipe de metais pontuando o refrão).

 Algo de estranho está acontecendo com o Franz Ferdinand e a banda mostra fadiga criativa no novo trabalho

 

 

O restante do cd oscila entre músicas medianas e momentos francamente esquecíveis. A situação volta a melhorar um pouco novamente no final, quando canções como “Brief Encounters” e “Goodbye Lovers & Friends” (belo título, aliás) resgatam o lado romântico/melancólico (mas ainda assim sarcástico) de Kapranos e isso resulta em dois quase belos momentos. Mas o resultado final é muito pouco favorável, ainda mais se levarmos em conta de que o conjunto levou quatro anos para lançar um novo trabalho.

 

É duvidoso e sombrio o futuro do Franz Ferdinand. Este “Right Thoughts” está longe de devolver a banda aos seus melhores dias e aos rocks inspirados e arrasa-quarteirão da estréia, há quase uma década. Se a idade está pesando nas costas de Kapranos (que já passou dos quarenta anos) talvez seja melhor ele dar uma saída honrosa para o grupo, com uma turnê de despedida. Por que não?

 

 

 

O TRACK LIST DO NOVO DISCO DO FRANZ FERDINAND

1.”Right Action”

2.”Evil Eye”

3.”Love Illumination”

4.”Stand on the Horizon”

5.”Fresh Strawberries”

6.”Bullet”

7.”Treason! Animals.”

8.”The Universe Expanded”

9.”Brief Encounters”

10.”Goodbye Lovers & Friends”

 

E FF AÍ EMBAIXO

No vídeo de “Love Illumination”, o novo single e melhor momento do novo disco.

 

 

 

E O QUASE ESQUECIDO TRAVIS RETORNA COM UM DISCÃO

O quarteto pós-britpop Travis, quem diria, está de volta. Quem??? Ah, a falta de memória de nosso jovem e diletíssimo leitorado zapper… liderado pelo carismático vocalista Fran Healy, o Travis surgiu em Glasgow, na Escócia, em 1990. Mas só foi estourar depois de Oasis e Blur, já quase no final da mesma década (o primeiro álbum, “Good Feeling”, saiu apenas em 1997). Depois de ameçar virar mega banda, entrou em curva descendente e quase sumiu de circulação nos anos 2000’. Até retornar agora com esse (acredite) incrível “Where You Stand”. É um discão.

 

Estas linhas online nunca morreram de amores pelo Travis. Mas sempre consideraram que a banda produziu grandes momentos nos álbuns “The Man Who” (lançado em 1999) e “The Invisible Band” (de 2001). São os dois álbuns em que o grupo firmou sua estética sonora (canções doces, bucólicas, algo melancólicas, sempre engendradas por guitarras sinuosas, violões suaves e pianos discretos) e onde estão os maiores hits do conjunto (“Why Does It Always Rain on Me?”, “Sing” e “Side”) e que chegaram inclusive a tocar exaustivamente nas rádios brasileiras.

 

Daí em diante, foi a queda. O Travis começou a ter problemas com empresários e produtoras de shows e lançou mais três discos que ninguém deu muita bola pra eles – nem o público, nem a crítica. O último tinha sido lançado em 2008. E cinco anos depois, quando ninguém (nem mesmo o autor deste blog) esperava mais nada dos escoceses eis que… a banda ressurgiu de forma consagradora. Primeiro foram headliners do festival T In The Park, realizado há cerca de um mês na Escócia, e onde arrastaram uma multidão gigantesca ao seu set, e que cantou o repertório do show praticamente inteiro junto com Fran Healy. E em seguida, o grupo lançou este “Where You Stand” (que saiu na semana passada na Inglaterra), seu sétimo disco de estúdio.

O novo disco do renascido Travis: sensacional!

 

Pois enquanto o Franz Ferdinand levou quatro anos para editar um novo trabalho e pareceu absolutamente cansado e sem inovação nele, o Travis voltou mais do que revigorado em seu novo disco. Partindo do mesmo bucolismo suave e melancólico que tornou a banda gigante em “The Man Who”, o quarteto compôs uma batelada de canções que perigam ser as MELHORES já feitas por ele até hoje. A singeleza de uma música como “Mother” (que abre o disco em clima de celebração, com violões e pianos alegres) abre uma ampla avenida onde desfilam power pops encantadores como “Moving” e “Reminder”. Fora que há momentos preciosos de introspecção e reflexão sonora (e aí podem ser incluídas o single “Another Guy”, além de “New Shoes” e “Boxes”) e que desvelam como o compositor Healy se renovou na arte de escrever ótimas canções. Talvez o maior exemplo disso seja mesmo a faixa que encerra o cd, “The Big Screen”: conduzida apenas por vocais e pianos, é de uma melancolia profunda e preciosa, uma das mais belas músicas já feitas pelo Travis.

 

E como se não bastasse a ótima surpresa de retornar com um grande álbum, o grupo (novamente: quem diria!) foi anunciado como uma das atrações da edição 2013 do festival Planeta Terra, que acontece em 9 de novembro, em São Paulo. Melhor impossível: ao lado do Blur, de Beck, de Lana Del Rey e do também incrível Palma Violets, o Travis vem pela primeira vez ao Brasil a bordo de um trabalho fodão. Ou seja: festival imperdível e pra fechar dignamente um ano onde o rock’n’roll planetário está perdendo cada vez mais a dignidade e a qualidade.

 

 

O TRACK LIST DO NOVO ÁLBUM DO TRAVIS

1.”Mother”

2.”Moving”

3.”Reminder”

4.”Where You Stand”

5.”Warning Sign”

6.”Another Guy”

7.”A Different Room”

8.”New Shoes”

9.”On My Wall”

10.”Boxes”

11.”The Big Screen

 

 

E TRAVIS AÍ EMBAIXO

No vídeo ao vivo que mostra o apoteótico encerramento do show da banda no festival escocês T In The Park deste ano. Acompanhado por uma multidão enlouquecida de felicidade, a banda toca seu maior hit, “Why Does It Always Rain on Me?”, e onde até os seguranças na frente do palco pularam e dançaram.

 

Aperitivo pra gig deles aqui em novembro, em Sampa, no festival Planeta Terra, uhú!

 

 

 

 

 

É TEMPO DE FESTIVAIS – PORÃO DO ROCK 2013 SACODE BRASÍLIA NESTE FINDE!

Não tem pra ninguém e já é uma tradição na capital do Poder: há década e meia em algum finde entre julho e agosto, Brasília é sacudida pelo Porão do Rock. Talvez o de fato maior festival de rock independente do Brasil acontece este ano nos próximos dias 30 e 31 de agosto (sexta-feira e sábado), como de hábito no estacionamento do estádio Mané Garrincha.

E a edição 2013 vai ser realmente hot: além de uma renca de bandas da nova cena brasiliense e nacional, o PDR também vai ter shows da lenda americana Mark Lanegan, do Soufly de Max Cavalera e de gigantes do rock BR dos anos 80’, como Capital Inicial e Paralamas Do Sucesso. Não só: com ingressos a preços decentes (quinze pilas por noite, sendo que o blogão zapper campeão em promos bacanudas tem à disposição de algum/a sortudo/a leitor/a um par de ingressos pra cada dia/noite do evento; vai lá no final do post e saiba como concorrer) e uma série de atividades sociais e culturais extra-shows, o festival é mesmo um exemplo de como se organizar um evento desse tipo de forma honesta e sem apelar para falcatruas obscuras como certos “Coletivos” insistem em fazer pelo Brasil afora.

E Zap’n’roll estará neste finde em Brasília, pra acompanhar beeeeem de perto tudo o quw vai rolar no PDR 2013, pra depois trazer um relato preciso aqui de como foi a esbórnia rocker por lá. E enquanto ela não começa você confere aí embaixo a programação completa do festival, além de entrevistas com o músico Alf (que além de tocar no evento também é diretor artístico dele) e com a delicinha Gaivota Naves, vocalista da banda Rios Voadores e que está sendo considerada como um dos grandes destaques da novíssima geração candanga. E yep, claro, a RV também vai tocar no Porão. Bora pro rock, povo!

 

PORÃO DO ROCK 2013 – A PROGRAMAÇÃO COMPLETA

SEXTA-FEIRA (30/8)

PALCO UNICEUB
18h – Penteando Macaco (DF/GO)
19h10 – The Galo Power (GO)
20h20 – Dead Fish (ES)
22h – Nem Liminha Ouviu (SP)
23h10 – Alf (DF)
1h20 – Leela (RJ)


PALCO BRB

18h35 – Dualid (DF)
19h45 – Kita (RJ)
21h25 – Banda de La Muerte (Argentina)
22h35 – Selvagens a Procura de Lei (CE)
0h – Capital Inicial (DF)
1h55 – Matanza (RJ)
PALCO BUDWEISER
19h05 – Cadibóde (DF)
19h55 – Falls of Silence (DF)
20h45 – Kábula (DF)
21h35 – Devotos (PE)
22h55 – Os Maltrapilhos (DF)
23h45 – Test (SP)
0h50 – Soulfly (EUA)

 

SÁBADO (31/8)

PALCO UNICEUB
17h30 – Saurios (DF)
18h40 – Supercombo (ES)
19h50 – Sexy Fi (DF)
22h – Uh La La (PR)
23h10 – Mark Lanegan (EUA)
0h50 – The Mono Men (EUA)

 

PALCO BRB
18h05 – The EgoRaptors (DF)
19h15 – Rocca Vegas (CE)
20h25 – Os Paralamas do Sucesso (RJ)
22h35 – Na Lata (DF)
0h15 – Rios Voadores (DF)
1h55 – Lobão (RJ)

 

PALCO BUDWEISER
19h – Pastel de Miolos (BA)
19h50 – Prisão Civil (DF)
20h40 – Unconscious Disturbance (SP)
21h30 – Krisiun (RS)
22h50 – Galinha Preta (DF)
23h55 – Leptospirose (SP)
1h – Suicidal Tendencies (EUA)

 

 

ALF REAPARECE E QUER RECOLOCAR O ROCK DE BRASÍLIA NOVAMENTE NO MAPA MUSICAL DO PAÍS

(matéria publicada originalmente em julho passado e atualizada para este post)

Foi mais ou menos assim: nos anos 80’, em Brasília, haviam Legião Urbana, Plebe Rude, Escola De Escândalo, Detrito Federal, Elite Sofisticada, Arte No Escuro, Finis Africae. Toda uma gloriosa geração de bandas autorais, politizadas, com grande densidade e estofo intelectual, cultural e poético, o que permitiu que quase todas elas produzissem canções de altíssimo nível, tanto musical quanto textual. Pelo menos uma se tornou gigante (a Legião) e as outras, infelizmente, sucumbiram no limbo da história.

 

Veio então uma segunda geração brasiliense, a dos anos 90’. Que ia do indie guitar sublime do Low Dream (cantado em inglês) ao esporro em bom português dos Raimundos e do Little Quaile, passando também pelo Rumbora, a boa banda pop/rock do vocalista, guitarrista e letrista Luiz Eduardo Sá, o Alf. Quem? Ah, sim claro: o jovem e dileto leitor zapper, desmemoriado como só o brasileiro nato sabe ser (yep, não é novidade pra ninguém que o Brasil é um dos países mais sem memória cultural da humanidade), talvez não se recorde do músico. Pois Alf, que nasceu em Fortaleza mas se radicou na capital do poder ainda criança (e lá começou sua carreria musical em 1994, no grupo El Kabong), estourou com o Rumbora no Brasil inteiro nos anos 90’, quando pelo menos duas músicas do grupo tocaram sem parar em tudo quanto foi emissora de rádio e tv (isso, numa época em que não havia internet, YouTube, esses papos todos): “Skaô” e “O mapa da mina”. Podia não ser um rock tão cerebral quanto a da geração anterior mas, ainda assim, possuía qualidade muito acima da média, melodias envolventes (daquelas de grudar no seu ouvido e não sair mais dele) e um espírito genuinamente rock’n’roll.

 

Mas por algum motivo o Rumbora acabou. Alf partiu então para montar o trio Supergalo (que contava também com Fred, ex-batera dos Raimundos), que andou fazendo barulho na cena independente nacional (quando o mainstream musical, aqui e lá fora, já estava indo pro buraco), chegou a tocar em festivais bacanudos mas também desapareceu depois de algum tempo e alguns bons discos lançados. O que houve, afinal? “Pode parecer que eu sumi, mas sempre continuei fazendo de tudo um pouco em relação à música”, explica o guitarrista e vocalista, em papo animado com o blog. “Fui morar em Londres. Lá toquei em pubs, fui DJ, Técnio de som o que aparecia pela frente. Em Praga gravei e fiz shows com um artista de lá chamado DJ Rockstar que é vj da MTV deles. Toquei guitarra e baixo com ele. Fazia uns grooves mais anos 70. Umas funkeiras à la Chic, Parliament e umas latinidades em cima das bases dele”.

 

Ele prossegue: “Quando voltei ao Brasil resolvi voltar pra Brasília dar uma reconectada. Voltei a compor meus rocks e retomei alguns que já estava fazendo após o primeiro disco do Supergalo. Cheguei a ensaiar uma dupla electro-stoner com o Balé (ex-Escola de Escåndalos). Saíram umas coisas legais que eventualmente lançaremos. De lá pra cá compus incessantemente e mergulhei em proudução. desenvolvendo o que estou começando a trabalhar agora”.

 

Uma pequena amostra do que Alf está fazendo agora começa a surgir na internet, via redes sociais e YouTube. São os bons rocks “O sol saiu” e “Pra onda boa me levar”. Que irão fazer parte de um álbum completo que o músico pretende lançar até o final deste ano. “Como músico independente do século XXI que sou além de todo o trampo na feitura do principal que é o disco tem todo o outro lado de apresentar pras pessoas”, explica ele. “Enquanto isso estou finalizando mais três músicas. Pretendo lançar um ep com as duas2 que já lancei mais duas inéditas e o clipe novo em agosto, mês do Porão 2013 [nota do blog: o tradicional festival candango Porão do Rock, que existe há uma década e meia, é um dos principais do país e do qual Alf também é o diretor artístico], e quem sabe o disco inteiro até o fim do ano”.

O guitarrista, vocalista e letrista Alf, que já foi do Rumbora e agora seguindo em carreira solo: recolocando o rock de Brasília no mapa musical brasileiro

 

Beleusma. E como ele sente esse “comeback” ao rock nacional? Como está a música feita hoje na capital do país? Ela é algo próxima ou ao menos dialoga satisfatoriamente com as gerações anteriores de Brasília? “Nós da 2ª geração crescemos assitindo a primeira”, relembra Alf. “Fui a show da Legião em festa de aniversário, assistia ensaios das bandas a gente ia a todo show da Plebe, Detrito, Capital, Finis, Arte no Escuro. Quando voltei pra Brasília e a me envolver com o Porão começamos a fazer as Noites PDR e o Programa PDR na Transamérica de Brasília. Com isso fui ficando brother da galera dessa nova leva e invariavelmente algum integrante me falava: ‘Pô, tu era do Rumbora, né? Comecei a tocar por causa de vocês!’, ou ‘minha banda tocava Skaô’ e por aí vai. É uma galera que cresceu indo ao Porão do Rock e à shows do Rumbora, Raimundos, DFC, Little Quail etc”.

 

Ele também não economiza elogios para a nova geração do Planalto Central: “Existe uma cena fantástica em Brasíla atualmente e assim como a dos 90’, variadíssima. Tem o Cassino Supernova que é meio 60’, The Neves, mais folk e com um puta vocalista, Rios Voadores faz rock psicodélico, Dualid faz Proto-punk, Dinamites faz rockabilly com baixo acústico, baterista em pé e saxofonista menina, Darshan um grunge com dois vocalistas…”.

 

E encerra falando sobre a conexão entre gerações e a perenidade do rock’n’roll no coração de quem ama música: “acho que todas essas gerações naturalmente tiveram grandes expoentes e outras bandas menores. Não vejo essa hierarquia mas uma continuidade. A de hoje tem seu valor, sim. Como disse, várias bandas bem legais. Sendo a figura mais emblemática o Frango, vocalista do Galinha Preta. Acho que o rock é tipo barata: umas morrem mas procriam-se milhões todos os dias. todo ano matam o o rock, desde antes do Elvis!!! Em 1954 já tinha música chamada “Rock’n’Roll is dead”! Não dá pra cobrar que se tenha a revolução dos anos 50’ nem do punk. Já foi. Hoje em dia qualquer criança já conhece tudo de ilícito nessa vida. Mas o rock ainda é um dos poucos estilos que te fazem ter uma visão mais crítica das coisas”.

 

Com certeza. E antes que o leitor pergunte porque estas linhas rockers online resolveram abrir espaço para falar da volta de Alf ao cenário rock de Brasília (e também nacional), a resposta já está aqui: simples, porque o sujeito tem história. E também porque tocou em boas bandas e está com músicas novas decentes e bem bacanudas já circulando por aí. E isso anda em falta (e como) no raquítico rock brasileiro de hoje. Seja bem-vindo de volta, Alf! E que venha um discão por aí até o final do ano, é o desejo sincero do blog.

 

 

ALF AÍ EMBAIXO

No vídeo de “O Sol saiu”, a primeira faixa do futuro álbum completo, que deverá ser lançado até o final deste ano. E também no áudio de “Guarde um lugar”, o terceiro single que ele lança este ano e que também deverá estar em seu vindouro disco solo.

 

 

* Mais sobre Alf, vai aqui: https://www.facebook.com/ALFfanpage?fref=ts.

 

 

RIOS VOADORES E A NOVA PSICODELIA QUE VEM DO PLANALTO

A nova sensação indie da capital do país tem uma vocalista totosa e que se define como “louca e bêbada” (e por isso e por ter gritado pra um mala da plateia durante um show do grupo “toca meu clitóris, filho da puta!”, quando o mesmo pediu o insuportável “toca Raul!”, ela já ganhou o coração do véio jornalista loki e ainda algo junkie, hihi). Ela se chama Gaivota Naves. E a entrevista que você lê com ela aí embaixo foi cedida gentilmente ao blog pela assessoria de imprensa do Porão Do Rock:

A linda e loki Gaivota, vocalista da Rios Voadores: psicodelia de Brasília marcando presença no Porão Do Rock 2013, neste final de semana

 

Esses Rios vem de onde?

Gaivota Naves – Esses rios vêm de vários lugares. A nascente é em Sergipe. O Marcelo, o Tarso e eu temos uma história em Sergipe. Só que a gente veio se juntar em Brasília, e a partir daí a gente colou. Sempre tocou muito junto. E uma bela hora começamos a colocar nossas composições pra jogo. A gente sempre soube que o nosso negócio era fazer música. Mesmo eu no teatro, o Tarso, biólogo, e o Marcelo lá, dando aula. De alguma forma era uma questão de tempo pra gente. Aí a gente começou a tocar no Leitão, que é um amigão, que promove toda lua cheia um encontro de várias pessoas na chácara dele, a “Casa do Aprender”, que é lindo, cara, incrível. E a partir daí a gente começou a invadir o espaço público, né? Qualquer lugar que tivesse uma tomada. A gente levava os amplificadores, plugava tudo e começava e nisso também a gente começou a conhecer outras bandas, foram aparecendo pessoas.

 

De que forma o nome da banda dialoga com o som de vocês?

Gaivota – Rios Voadores é a junção de várias individualidades extremamente fortes, fluxas, que se encontram e fazem chover. Se você for olhar individualmente somos totalmente diferentes um do outro, mas a junção de todos cria uma coisa que é meio única e que é maior que a gente. Sem contar que nós somos um bando de lombrados, bêbados, vagabundos, hehe. Bom, tem uns que trabalham… Enfim, é essa junção que faz o negócio grande. Se fosse todo mundo igual, que ridículo, a gente ia fazer o que, um iê-iê-iê de merda? A gente quer fazer um puta dum hibridismo cabuloso, pois a gente não escuta só rock sessentista. Não escuta só 70 Brasil. Escutamos muito jazz, muita bossa nova e psicopatia instrumental sem noção. Na verdade queremos mesmo é hibridizar tudo e falar sobre o que a gente vivencia, o que a gente toma, o que a gente pensa, o que a gente lê. É isso. Provocar sensações! Eu pessoalmente, Gaivota, sou ilustradora. Eu gosto de criar imagens. Eu crio imagens das letras, crio imagens com a performance no palco. Imagens melódicas. O Marcelo é um cara que topa experimentar tudo, não tem caô. Ao mesmo tempo a gente tem o Tarso que já faz uma balada ultra vendável, popular, mas falando de uma treta sinistra, existencial, bizarra. Tem também o Beto, arranjador e trabalhador, casado, mas que é um cara multi-instrumentista com uma percepção de harmonia incrível. O vagabundo iluminado, Gabriel, ele é extremamente bêbado, mas é um cara que traz as melodias, ele traz o lúdico, ele traz as ideias iniciais. E o Hélio, também multi-instrumentista, que compõe a parte dura da parada.

O som de vocês vem sendo chamado de rock psicodélico. Mas o que é isso hoje, rock psicodélico, nos anos dois mil e tantos?

Independente da época, na música, a psicodelia é um lugar. Ele cria espaços, cria ambiência. A psicodelia pra mim, especificamente, é deslocamento do cotidiano para um novo olhar.

 

Mas os Rios Voadores deságuam em que tipo de público? A galera não associa ao rock psicodélico dos anos 60?

Gaivota – A experiência psicodélica pega qualquer um em qualquer idade. Esse deslocamento de realidade, deslocamento de protagonista pra observador em qualquer momento. É isso que a gente quer buscar com o nosso som. As pessoas mais velhas ficam muito gratas e curtem pra caralho, ao mesmo tempo você vê crianças, menores de idade… Outro dia fomos fazer um show e um garoto nos procurou dizendo que era menor de idade e que queria muito ver o show da gente, mas não podia entrar no pub porque era novo demais. Sabe? A gente não tem como dimensionar! Acho que a experiência é além de qualquer determinação. Se você se sente tocado com aquilo.

 

A relação de vocês com o público já é, digamos, íntima. Ouvi falar de uma história que pediram pra vocês tocarem Raul e…

Gaivota – Pois é, era meu aniversário, pisciana, louca, completamente embriagada, fazendo um show ultra badauê e aí um cara no meio das músicas autorais pediu “Toca Raul!” e eu não hesitei e gritei: “Toca meu clitóris, filho da puta!”. Eu fico meio indignada quando as pessoas não dão valor pro som que ta sendo feito hoje em dia. Nada contra o Raul, pelo contrário.

 

E essa outra história, de que você subiu num outro palco e deu um beijo mágico?

Gaivota – Pois é cara. Eu sou cria psicodélica. Pode não parecer, mas é verdade. E dentro disso, primeiro show dos Mutantes, eu já tinha visto Casa das Máquinas, Som Nosso, etc. Antes do show eu já tava tendo um enfarto. Tudo bem, só tinha o Sergio Dias da formação original, mas sinceramente, quero ver alguém tocar uma guitarra tão escrota quanto a que o Sergio toca.

 

* Mais sobre o Rios Voadores, vai aqui: https://www.facebook.com/bandariosvoadores. Ou aqui: https://soundcloud.com/riosvoadores.

 

 

EXTRA!!! EM PAPO INFORMAL COM DOIS ADVOGADOS AMIGOS, O BLOG ADIANTA COMO O COLETIVO FORA DO EIXO PODE SER ENQUADRADO JÁ EM DIVERSOS CRIMES

Yep. Jornalismo investigativo é isso aí, sempre: ao longo desta semana o assunto “as bandidagens do Coletivo Fora do Eixo” (a máfia travestida de associação cultural FANTASMA, já que ela NÃO existe LEGALMENTE, sediada em São Paulo e chefiada pelo mega escorregadio cappo Pablo Capilé) continuou dominando o noticiário e os comentários na web brazuca dedicada ao rock alternativo e à cultura pop independente. Sites, blogs e redes sociais continuam debatendo o tema à exaustão. Denúncias contra o FDE continuam pipocando de todos os lados. E o Coletivo, num ato já demonstrando certo desespero e grande preocupação, convidou quem quiser comparecer para um DEBATE PÚBLICO E ABERTO com o cappo Capilé, sobre o funcionamento da “entidade”. Uia!

 

Zap’n’roll preferiu tomar um caminho diferente. Com base nas denúncias (algumas baseadas em provas bastante consistentes) que estão surgindo aos borbotões sobre a atuação do Coletivo, o blog bateu um papo informal ontem (via Facebook e telefone) com dois amigos pessoais de longa data destas linhas online. Ambos são advogados e residem na região Norte brasileira. Ambos gostam de rock e eram, anos atrás, jovens estudantes de Direito, idealistas e entusiastas da novidade que o então nascente Fora do Eixo propunha como modelo de gerenciamento da cena musical independente nacional – tanto que o autor deste blog conheceu a dupla durante a cobertura de um dos festivais promovidos pelo FDE anos atrás em Rio Branco, capital do Acre.

 

Ambos hoje trabalham na área na qual se graduaram. E, mais do que isso, passaram por estágio rigoroso no Ministério Público. E assim como este espaço virtual, ambos estão completamente ESTARRECIDOS com os rumos que o Fora do Eixo tomou. “É realmente um absurdo”, comenta a amiga zapper, integrante da dupla de advogados. “Se todas essas denúncias forem realmente confirmadas os responsáveis pela organização, já que ela não existe legalmente, podem sim ser enquadrados em diversos crimes, e isso imediatamente”.

 

Desta forma o blog mais polêmico e dinâmico da web brazuca de cultura pop foi bater o já mencionado papo com seus diletos amigos (que, por razões de trabalho e de possível atuação neste caso se o MP de fato abrir uma investigação contra o FDE, preferem não ser identificados nesta matéria) a respeito dos supostos desvios de conduta perante a Lei e que estariam sendo praticados pelo Coletivo “cultural” mais sagaz e solerte que já surgiu nesse país. Veja abaixo o que a dupla de advogados comentou sobre os principais pontos levantados pelo blog, em relação à atuação do Fora do Eixo e que pode levar os RESPONSÁVEIS pelo Coletivo a serem acionados criminalmente de forma imediata:

As “fantásticas” e inúteis formas que o Coletivo Fora do Eixo utiliza pra PAGAR quem trabalha com ele ou presta serviços: cubo card (acima, que decora os calotes dados em hotéis e restaurantes em Cuiabá) e Sol latão (abaixo), o “cachê” que as bandas recebem em troca de tocar nos festivais da Rede Brasil de Festivais; lamentável…

 

* Criação de uma moeda paralela (o chamado cubo card): a Constituição não é específica sobre o assunto e precisa ser consultada. Mas pode sim haver CRIME FINANCEIRO aí (a criação e circulação de um dinheiro que não seja o oficial do país), ainda mais se essa moeda for utilizada para pagamento de terceiros, de pessoas que NÃO fazem parte do Coletivo.

 

 

* Descumprimento de REGRAS estabelecidas em um edital público (o Coletivo ganha um edital, consegue verba para fazer um festival de música e não paga cachês a diversas bandas que tocaram no evento, quando o edital deixa BEM CLARO que TODOS os artistas participantes devem ser REMUNERADOS): Se não cumpriram com o edital inicialmente cabe a administração pública analisar isso, porque precisam fazer prestação de contas. Também pode configurar crime de apropriacao indébita.

 

 

* Utilização de CARTÃO DE CRÉDITO de TERCEIROS (um ex-integrante do Coletivo denunciou a prática em redes sociais, afirmando que a cúpula do FDE fazia pressão psicológica em seus integrantes para que eles autorizassem uso de cartões bancários e liberassem as senhas dos respectivos): Cartão de crédito é pessoal e intransferível. O direito é aberto pro TITULAR do cartão, não para terceiros. Mesmo com a suposta AUTORIZAÇÃO do TITULAR, ainda assim essa prática configura crime de ESTELIONATO.

 

 

* Trabalho SEM REMUNERAÇÃO (é público e notório que quem entra pro Fora do Eixo não recebe nenhum tipo de REMUNERAÇÃO; não as legais e previstas em Lei, pelo menos): o Coletivo sequer existe legalmente, então nem pode ser enquadrado na categoria de entidade beneficiente ou filantrópica, SEM FINS LUCRATIVOS e que, por essas condições, poderia admitir o trabalho de VOLUNTÁRIOS não remunerados. Nem de longe parece ser o caso aqui. Parece mais se tratar mesmo de trabalho ESCRAVO (ainda que consentido por quem está fazendo esse trabalho) e com FLAGRANTES VIOLAÇÕES da CLT (especialmente quanto a ambiente de trabalho, jornada excessiva e assédio moral). Prato cheio pro Ministério Público do Trabalho investigar.

 

As questões e as explanações estão aí em cima. Mas como bem frisou a dupla ouvida pelo blog, é preciso que alguém faça uma DENÚNCIA formal contra o Fora do Eixo (e essa denúncia pode ser feita por qualquer pessoa que tenha se sentido lesada pelo Coletivo, e pode ser encaminhada através do Ministério Público Estadual de São Paulo ou mesmo o Federal). De qualquer forma os advogados amigos do blog estão já se empenhando em tentar abrir investigações nesse sentido.

 

Estas linhas online voltarão ao assunto, nos próximos posts. Mas o que se depreende de tudo isso é: o fim da patifaria e do desmonte da cena musical independente brasileira, ambos promovidos pelo Fora do Eixo nos últimos anos, está próxima do fim. Felizmente.

 

 

ENQUANTO ISSO, NO PROGRAMA METRÓPOLIS DA TV CULTURA…

A apresentadora Marina Person reuniu, na edição de domingo passado do programa, o jornalista e músico Márvio Dos Anjos e um “representante” da Casa Fora do Eixo São Paulo (a sede nacional da máfia, ops, do Coletivo) para ambos debaterem sobre a atuação do FDE, além de comentar sobre as zilhões de denúncias que estão surgindo sobre a nefasta atuação da organização quase criminosa na cena cultural alternativa nacional.

 

Foi um massacre, óbvio. Márvio foi abastecido de provas contra o FDE ao programa. Já o pobre “representante” do FDE fez o de sempre: falou, falou, falou e nada explicou, hihihi.

 

Vejam abaixo a íntegra do programa:

 

 

 

 

E AQUI ESTÁ ELA NOVAMENTE! A INCRÍVEL JULIETA DE LARGE – AGORA MUSA INDIE OFICIAL DO BLOG, WOW!

Yeeeeesssss! Ela é linda, tesuda, liberada, loka, rocker e topou fazer uma performance pra lá de hot na festa de lançamento do livro “Zap’n’roll – histórias de sexo, drogas, loucuras e rock’n’roll na trajetória do jornalista mais junkie da imprensa musical brasileira”, que acontece em novembro em Sampa. Por isso, não deu outra: agora miss July é a musa indie oficial destas linhas online sacanas, hihihi.

 

E pra comemorar e oficializar o fato nem poderia ser diferente: aí embaixo novas e exclusivaças imagens delirantes que andam enlouquecendo os leitores machos do blog, uia! Babem rapazes – mas não se acabem na punheta hein!

 

 

 

 

MINI DIÁRIO SENTIMENTAL – FINAL DOS AN0S 90’ AO SOM DE TRAVIS E SUPERCHUNK, E FODENDO DUAS CRIOULAS ULTRA CADELUDAS

Ah, os eternos recuerdos zappers, canalhas ao cubo às vezes. Lembranças de uma existência movida a rock, álcool, dorgas variadas e muitas, mas muitas mesmo bocetas fodidas – mais de duzentas, pelas últimas contas do sujeito aqui. E entre estas, muuuuuitas negras deliciosas e totalmente devassas e ordinárias na hora da trepada. Não é segredo pra ninguém que acompanha há anos os relatos do jornalista maloker: ele é doente quase obsessivo por pretas, se apaixonou por algumas e quis casar com algumas poucas.

 

Pois em um período de dois anos e meio de sua vida (de meados de 1997 a julho de 1999) o autor destas linhas sexuais sujas viveu enfurnado em muquifos rockers alternartivos de Sampalândia, onde sempre ouvia sons do Travis e do Superchunk, e onde também se entupia de dorgas variadas e sempre estava à caça de uma nova xoxota preta pra foder. Também foi um dos períodos mais pavorosos da existência de Zap’n’roll: fazendo frilas jornalísticos esparsos aqui e ali, “viúvo” de uma namorada linda (que havia morrido em um acidente de carro no início de 1999) e morando em um pulgueiro para estudantes no bairro da Liberdade (região central da capital paulista), o jornalista trintão estava perenemente em estado de melancolia existencial.

 

Mas nem tudo foi tragédia naquela época, afinal de contas. Foi entre 1997 e 1999 que o autor deste blog cafajeste conviveu, teve affair e namorou com duas das crioulas mais ORDINÁRIAS que ele conheceu em toda a sua vida. Abaixo você, dileto e sempre curioso leitor do blogger cadeludo, vai saber como foi a convivência do sujeito aqui com essas duas autênticas máquinas de foder.

 

* ABIGAIL, MULATA FÃ DE COCAINE E DE DAR A BUNDA – em alguma noite calorenta de 1998 o blogger sempre andarilho foi parar na Penha, bairro da zona leste paulistana. Era lá que se localizava o Alternative Video Bar, um muquifo indie do tamanho de um ovo mas onde rolavam, naquela época, os melhores shows alternativos de Sampalândia – sempre tocavam de duas a três bandas por noite nos finais de semana, e o zapper rocker chegou a organizar festas da extinta revista Dynamite por lá. Pois entonces: em uma bela noite de sábado lá se foi o blog pro Alternative. Madrugada avançando, bandas rolando no palco e o maloker, contrariando sua habitual fama de lokaço e beberrão em tempo integral, estava tranquilo naquela noite. Tão tranquilo que pediu uma porção de salgadinhos e começou a devorá-los, sentado em uma das mesas do bar. Foi quando ELA se aproximou e perguntou: “Oi, posso comer um dos seus salgadinhos?”. Claro que podia! ELA era uma mulata de dar gosto: cara de loka (cabelos cacheados caídos em cima das orelhas) e safada, peitos fartos e suculentos e uma bunda encantadora. A convite do autor deste diário sentimental a garota sentou junto à mesa e o papo começou. Vieram em seguida brejas e duas caipirinhas, pedidas pelo jornalista já cheio de más intenções. Não deu outra: em alguns minutos a dupla já se devorava em ferozes beijos de língua. O maloker arrastou a mulata pra um dos banheiros do bar. Lá ela abaixou sua calça e a calcinha (ordinária e mínima, de putaça que sai mesmo pra encontrar um macho e ir foder com ele) e a pica do jornalista, já dura, deslizou suave pra dentro da boceta preta que recebeu algumas estocadas rápidas, até que a porra jorrou na coxa da cadela. A dupla se recompôs e voltou pro bar. Trocaram contatos (números de telefone fixo; naquela época não havia internet e sequer redes sociais, celular então era coisa de gente milionária) e conversaram mais um pouco, já como um casalzinho apaixonado em início de romance. O nome dela era Abigail. Tinha vinte e seis anos de idade, dois filhos (era separada), morava no Itaim Paulista (literalmente na puta que pariu da zona leste de Sampa) e tinha ido ao Alternative para ver o show de uma banda de amigos seus. E, sim, o pedido pra comer um salgadinho tinha sido apenas um pretexto pra vir conversar com o zapper, como ela mesmo explicou: “Eu estava com uma amiga que olhou pra você e me disse: ‘aquele cara parece ser legal, mas tem jeito de viado!’ E eu respondi pra ela: ‘vou descobrir JÁ se ele é viado ou não’”. E descobriu com gosto, rsrs. Nos meses seguintes o blog e Biga saíram juntos muitas vezes. E o autor destas linhas calhordíssimas descobriu que além de ser rocker e foder muito a mulata também adooooorava participar de devastações nasais – o que deixou as saídas da dupla ainda mais animadas, com o casal indo sempre pra dançar no Madame Satã, onde se entupia de padê e não sem antes dar uma trepada cabulosa. Mas Zap’n’roll, perdido emocionalmente como estava na época, não queria saber de compromisso sério com ninguém. E começou a pisar na bola com a deliciosa Biga. Até que ela ficou puta um dia, o casal quebrou um pau fenomenal e ela se foi da vida do jornalista. Não sem antes aparecer numa bela noite no pulgueiro da Liberdade e dar o seu cu de frente, com as pernas total abertas, pro seu ex-affair. Zap’n’roll tinha que ir naquela noite num show da banda americana Man Or Astro Man, que estava tocando pela primeira vez em São Paulo. Biga veio da Galeria do Rock, já doidona de álcool, e certa de que iria junto à gig. Nada feito: o jornalista safardana fodeu a bunda da nega até soltar porra no seu cu e disse a ela que não tinha como coloca-la dentro do show. Ela ficou emputecida e falou, quase gritando: “ok. Então já que você comeu o meu cu, agora vou procurar alguém que COMA A MINHA BOCETA”. E foi embora. O blog nunca mais a viu. Ou melhor, viu sim: há uns três anos, na entrada do metrô Anhangabaú (centrão de Sampa). Ela estava toda arrumada, bem vestida (de saia longa) e ainda muito gata. “Virei evangélica”, disse ela ao blog. “Parei com as drogas, com tudo. E quero casar com um cara que me leve a sério”. De lá pra cá não se viram mais novamente. Semanas atrás surgiu no Faceboquete do blogger loker um pedido de add. O nome: Abigail. Será…???

 Quem não gosta e nunca chupou um grelo preto (acima) ou não fodeu com gosto um bocetaço preto (abaixo), não sabe o que está perdendo, rsrs. Negras são animais na hora da trepada loka e insana; que o digam Abigail e Joyce, uia!

 

* JOYCE, A NEGRAÇA DE 1,80m E QUE TAMBÉM LEVAVA FODA NO RABO – era um domingo à noite, entre abril e maio de 1999. O blogger eternamente carente vivia um período conturbabo de sua vida. Havia namorado por quase um mês com a linda e loira Karine, que morava em Santo André (cidade da Grande São Paulo) e que tinha morrido súbita e estupidamente em um acidente de carro. O episódio destroçou o coração do jornalista junkie e eternamente sentimental. Os amigos se preocuparam e logo um deles (o querido Vailer, que acabou se casando com a também loira Patrícia) apresentou ao “viúvo” a sua amig goth Rogéria – ou simplesmente “Côco”. Garota simpática, não exatamente linda de rosto mas com um par de mamicas, coxaços e uma xota de deixar qualquer macho maluco. Já na primeira balada que foram juntos, Côco não se fez de rogada e aplicou um caloroso boquete no pinto zapper – isso dentro do carro do amigão Vailer, uia. E enquanto chupava, disse: “você é muito gostoso. E eu não vou deixar você escapar fácil de mim”. O casal então manteve um affair por cerca de um mês (período em que treparam bastante, e numa dessas trepadas a cena inesquecível: Côco sentada na cama, com as pernas arreganhadas e recebendo de frente o pau grosso do sujeito aqui em seu cu, e quase gritando: “eu nunca senti tanto tesão na minha vida!”. Wow!). Tudo ia mais ou menos bem quando enfim, naquele domingo à noite, o distinto casal rocker estava no porão escuro do Madame Satã (que na época se chamava… The The, é isso?). Dançaram, beberam e Côco resolveu ir embora um pouco antes pois morava longe (também em Santo André; e o autor deste blog mesmo também estava morando lá na época, onde dividiu um sensacional apê com Vailer no centrão da cidade, por cerca de seis meses). O zeloso “namorado” zapper levou a garota até onde ela pudesse pegar um busão e voltou pra curtir um pouco mais o The The, já que iria embora de carona com um amigo. E quando entrou novamente no bar, foi como se tivesse encontrado com uma espécie de visão dionisíaca e infernal: aquele monumento de ébano, de 1,80m diante de si, saia curtíssima encobrindo metade de coxas grossas e negras, uma blusa vermelha (cheia de furos estratégicos) cobrindo um par de peitos gigantes e um rosto com ar inocente onde se destacava uma bocarra enorme com batom vermelho nos lábios mega carnudos. Zap’n’roll ficou literalmente louco quando viu aquilo e foi conversar com a garota. Seu nome era Joyce. Moradora de Itaquera (também na zona leste paulistana), dezoito aninhos de puro tesão (e o blogger taradón já com trinta e cinco…). A princípio ela se mostrou arredia às investidas do moreno de rabo-de-cavalo. Foi quando, por sorte, um amigo em comum de ambos (o dj Celinho, que fazia djs sets beeeeem bacanas no casarão do Bixiga naquela época) se aproximou e cumprimentou a deusa negra. E recomendou: “O Finatti tá te paquerando? Se sim, fica tranquila, ele é amigo, jornalista e um grande cara”. Wow! Isso fez a negraça abrir um sorriso um pouco maior e permitir que o jornalista avançasse um pouco mais no papo. Em pouco tempo ambos já tomavam duas doses cavalares de algum destilado. Ela, mais ébria também ficou mais “solta”. Veio o primeiro beijo na boca. E ela: “mas você me disse que tem namorada. E eu não gosto de ficar com caras que são comprometidos”. O zapper: “vou largar dela AMANHÃ, por sua causa!”. Ela: “Então larga que a gente volta a se falar”. E assim foi: sem sentir muito remorso na alma e no coração o autor deste diário se livrou rapidinho de Côco, com alguma desculpa qualquer (“ainda não estou bem pra ficar com outra garota, ainda me lembro da Karina” e bla bla blá), o que deixou a garota bastante emputecida no final das contas. Mas e daí? Havia uma crioulaça sensacional em jogo e o blog não podia perdê-la. Já no outro final de semana combinaram de saírem juntos. As fodas fodásticas começaram. Joyce era estranha: adorava, na hora da trepada, que tudo ficasse absolutamente escuro (ela dizia ter vergonha de seus peitaços, que tinham bicos gigantes e que na verdade enlouqueciam o jornalista trintão de tesão), mas também amava pingar cera quente no corpo do macho. E também gostava de dar mordidas algo dolorosas nele. E tinha uma boceta divina. E um cu idem, que era franqueado sem cerimônia pro namorado. Aliás estas linhas online tiveram com Joyce algumas de suas melhores fodidas de cu de toda a nossa existência sexual, rsrs. Era realmente inesquecível e enlouquecedor quando ela ficava de frente, dobrava suas pernas gigantes deixando o cu piscando à mostra e o zapper enterrava sua vara nele, enquanto ainda apertava os peitaços da negra ordinária ao cubo. E quando o gozo se aproximava, ele dizia: “vou soltar porra no seu cu!”. E ela apenas dizia: “GOZA!”. Tudo acabou pouco mais de um mês depois, quando o blog saiu do muquifo estudantil onde morava na Liberdade, pra dividir o apê com Vailer. Aconteceu com Joyce (por mais tesuda que a negra fosse, e o autor deste espaço online canalha chegou a ficar mezzo xonado pela moçoila) o mesmo que com Côco e com outras tantas mulheres que o blog teve na época: ele ainda era novo, queria comer a humanidade e não queria saber de algo realmente sério com alguém – ainda mais com uma pirralha de dezoito anos de idade. A negra ficou bastante magoada com o zapper, que começou a demonstrar pouco caso com ela. E tudo acabou num domingo à noite, quando Vailer passou no muquifo da Liberdade pra levar Zap’n’roll embora pro apê de Santo André. Joyce chegou um pouco antes (iriam todos dançar um pouco no The The antes de ir embora pro distante ABCD). O casal começou a se atracar dentro do pequeno quarto porém a negra resistiu naquela noite e não quis dar. Mas a pedido do quase ex-namorado, chupou. E chupou muito, com requintes de tara. O blog: “passa batom preto na boca e BORRA a cabeça do meu pau com ele”. Ela passou o batom. E começou a chupar. E borrou todo o pinto zapper de batom preto, que a tudo via refletido num espelho perto da cama. A porra não demorou a sair e quando sentiu os primeiros jatos quentes dentro da sua boca a cachorra negra se assustou e tirou a boca do pinto. O restante da porra voou na sua cara safada. Houve mais algumas trepadas entre os dois já no apê de Santo André. Mas logo depois Joyce desapareceu da vida do blogger por vezes sórdido. Ao que parece, hoje está casada com um policial.

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Disco I: o novo do Travis, já candidato a figurar na lista dos melhores álbuns de rock de 2013.

 

* Disco II: o tempo parece não ter passado pro quarteto americano Superchunk. Ainda liderado pelo casal Mac McCaughan (guitarras e vocais) e Laura Ballance (baixo), eles estão aí com novo álbum (provocativamente intitulado “I Hate Music”) e onde o indie guitar de eflúvios punksters que tornaram o grupo quase um gigante da indie scene americana nos 90’, se mantém inalterado. Faixas mais curtas e rápidas convivem em harmonia com momentos mais delicados e o Superchunk segue em forma, felizmente.

O novo disco do veterano indie americano Superchunk

 

* Rock psicodélico do Amapá: a Stereovitrola, de Macapá (capital do Estado do extremo Norte brazuca) continua sendo uma das bandas prediletas do blogão zapper dentro da indie scene nacional do novo milênio. Com formação enxuta agora (chegou a ser um sexteto; agora continua com Ruan Patrick nos vocais e guitarras, Marinho Pereira no baixo, Rubens Ferro na bateria e Wanderson Matix nos teclados) mas não menos poderosa, a banda finalmente soltou seu novo trabalho de estúdio (isso, após quatro anos da estréia em disco). Trata-se do ep “Symptomatosys”, com cinco faixas cabulosas onde a psicodelia e o estranhamento composicional reinam, aliados a vocais sussurrados e sonolentos (no ótimo sentido do termo) e melodias que grudam fácil no ouvido. Sério, a Stereovitrola é seguramente uma das melhores bandas em atividade no atual raquítico rock indie brazuca (difícil achar, em Sampalândia, algum grupo com a mesma qualidade musical dos macapaenses) e dá gosto ouvir músicas como “Experiências com modelo animal” ou “Macaco Rei”. E afinal, quem mais senão Ruan Patrick batizaria uma faixa com o nome “VHS” (um antagonismo proposital e que afronta com gosto esses tempos de tecnologia desumana e irracional às vezes), e nela cantaria versos como “Naves e automóveis em Berlim/A monotonia é um refrigerador/Encaro a vida como Blade Runner”? Pois é. Pra ouvir tomando vinho num dia chuvoso, chapado de ácido ou maconha, com certeza. Interessou? Vai lá: https://soundcloud.com/stereovitrola.

O quarteto Stereovitrola: psicodelia rocker (e muito boa!) direto da longínqua Macapá

 

 

* Nova MPB do Amapá: não é exatamente a praia do blog, mas vamos lá. Daquelas surpresas ÓTIMAS do dia: o blog recebe e-mail da assessoria de imprensa do Som do Norte, anunciando o disco de estréia da cantora amapaense Emília Monteiro. O release fala em mistura de sons regionais (carimbó, marabaixo) com flertes na nova mpb e pitadas de jazz. Músicas de Zeca Baleiro e Dona Onete (um dos destaques da nova música paraense) compõem o repertório do álbum. O jornalista calejado já imagina: “lá bem abacaxi!”. Decide ouvir o disco. Se engano no seu pensamento e se surpreende de verdade. Ela canta bem, voz suave, músicas bem construídas, melodias bucólicas e letras acima da média. Taí: mesmo não sendo mega fã de mpb tradicional, estas linhas virtuais gostaram do que ouviram. Tomara que ela desça pro Sudeste e faça algum sucesso por aqui. E longe da máfia do Fora do Eixo, de preferência. Pra saber mais sobre Emília Monteiro, vai lá: http://musicadonorte.blogspot.com.br/2013/06/disco-do-mes-cheia-de-graca.html.

Emília Monteiro, a bela de Macapá: boas canções de mpb em seu disco de estréia

 

* Baladenhas: o finde ainda está longe e nele o blog estará lá em Brasília. Entonces quando chegarmos mais perto da sextona em si, daremos uma atualizada neste tópico, okays? Mas já fikadika desde agora: as noites open bar do Outs (no 486 da rua Augusta) estão literalmente demoníacas, rsrs. E sexta-feira também sempre é noite de curtir a pista do Astronete (no 335 da Augusta), com a incrível discotecagem soul e anos sessenta da dupla Sérgio Barbo e Claudio Medusa, além das melhores xoxotas lokas e rockers de Sampa deitando e rolando por lá.

 

 

PRÊMIOS CHEGANDO, PRÊMIOS SAINDO!

Tá na hora já, néan? Então vamos lá, ver quem ganhou o quê do blog:

 

* Adriana Mantrei, de Jundiaí/SP: já deve ter recebido seu exemplar da biografia do Slayer, lançada aqui pela Idéia Editorial;

 

* Marcos Flávio Medeiros, do Rio De Janeiro: ficou com o pacote da Cia Das Letras, contendo os dois clássicos de Nick Hornby, “Alta Fidelidade” e “Febre de Bola”.

 

E pra essa semana? Corra, leitor, corra! Lá no hfinatti@gmail.com tem:

 

* UM PAR DE INGRESSOS pra cada noite do festival Porão do Rock 2013, que rola neste finde em Brasília (e como este será o único postão zapper desta semana, os vencedores serão informados por e-mail até o final da tarde de quinta-feira, okays?);

 

* E mais UM PAR DE INGRESSOS pro show do duo inglês The KBV em Sampa, dia 14 de dezembro (yep, tá longe ainda mas você já pode concorrer desde já).

 

Tá bão, né? Então dedo no mouse e boa sorte!

 

 

E CHEGA!

Postão gigante pra ninguém reclamar, uia! Vai ser o único desta semana mas se rolar algo realmente bombástico nos próximos dias, pode ficar sussa que iremos comentar por aqui, hehe. Então vamos nessa, deixando beijos nas crianças (um muito especial pra fofa e meiga Huana Morais) e abraços nos marmanjos. Semana que vem, depois que estas linhas online retornarem de Brasília, aí sem teremos novo postão do blogão campeão por aqui. Até lá!

 

(atualizado, ampliado e finalizado por Finatti em 30/8/2013 às 6hs.)

A segunda edição do gigante festival Lollapalooza Brasil invade Sampa neste finde, com showzaços (espera-se!) de Pearl Jam, Black Keys, QOTSA, Franz Ferdinand, Alabama Shakes e os caralho, e o blogger sempre sentimental relembra algumas gigs de algumas dessas bandas que ele já assistiu; a lenda electro-goth oitentista Depeche Mode balança o mondo rocker com o seu novo álbum, devidamente resenhado neste post (agora vai!); e mais isso e aquilo tudo, inclusive com os nomes de quem vai NA FAIXA e por conta do blog, no Lolla BR 2013 (plus: ampliação e finalização GIGANTES, contando parte do que foi o Lollapalooza no último finde em Sampa, inclusive com a fofoca do quase pugilato entre o autor deste blog e um conhecido jornalista histérico da rock press nacional) (finalizado em 2/4/2013)

Dois front-man de peso e que já deixaram registrados seus nomes na grande história do rock’n’roll mundial: Eddie Vedder (acima), vocalista do Pearl Jam, encerra o gigante festival Lollapalooza BR 2013 neste domingo, no Jockey Club, em São Paulo; o mesmo festival que irá contar com mais uma gig explosiva de Josh Homme (abaixo) e seu fodástico Queens Of The Stone Age

 

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UP TO DATE GIGANTE: O LOLLAPALOOZA BR 2013 (RESUMIDO) E MAIS ALGUMAS COISINHAS…
Pois entonces, a essa altura a humanidade já sabe como foi a segunda edição do Lollapalooza BR, graças a veloz cobertura midiática desses tempos de internet. Mas o blog zapper não poderia deixar de também transmitir suas impressões sobre o que rolou no Jockey Club de Sampa, no último, ainda que de forma bastante resumida – nunca é demais lembrar: o jornalista gonzo/loker que publica este blog há uma década, está passando por tratamento médico devido ao seu problema de saúde recém-descoberto.

 

Foi inclusive por conta deste problema (o tumor canceroso que se instalou na garganta do sujeito aqui) que Zap’n’roll quase perdeu o festival inteiro. Com boa parte da garganta bastante dolorida de sexta-feira para sábado, o blog preferiu deixar a cobertura dos dois primeiros dias nas mãos do mega queridaço Luciano Victor Oliveira, amigo destas linhas online há anos e experiente repórter e fotógrafo em coberturas deste naipe.

 

O texto que você aí embaixo, em quase sua totalidade, é do Luciano. O blog só fez questão mesmo, de manter sob sua rédea, a análise do showzaço que fechou o Lolla deste ano, protagonizado pelo ainda gigante grunge Pearl Jam. Então leia aí e veja como foi a esbórnia rocker lá no Jockey.

Por Luciano Victor, especial para Zap’n’roll

Primeiro Dia – 28-03

Na chegada ao local do evento, no Jockey Club de São Paulo, notei uma organização ímpar! As filas milimetricamente organizadas, a guarda municipal e a polícia militar orientando todos e tirando dúvidas, nenhum sinal de uma mínima confusão e centenas de pessoas
esperando a sua vez para entrar.

 

OS SHOWS
Copacabana Club: o show chegou a ofuscar outro show que acontecia no mesmo horário, a banda indie “Of Monsters and Men”. De um lado os curitibanos eram a mais pura empolgação em meio a um ótimo público para o horário, do outro, o septeto islandês também empolgava, porém de uma maneira mais branda. Jogo ganho para os Copas, 1×0!
Mas e a lama que assolava o público entre um palco e outro? As pessoas ficaram chateadas, mas a ignoravam tão logo pisavam nela. Assim é o rock!

 

Cake: Após alguns anos longe dos palcos brasileiros, os norte americanos do Cake arrastaram um excelente público para o seu show. O show que começou pontualmente as 17:15 foi bom, mas não aquilo que se esperava de uma fábrica de hits alternativos. Um tarde de chuva, clima familiar e clássico da banda e covers (também clássicos),
como: “Never There”, “I will Survive” “War Pigs”, “Frank Sinatra”, “Long Time” entre tantas outras preencheram a vontade do fãs, mas ficou longe do que se esperava. Não foi um show ruim, pelo contrário, foi um ótimo show, mas com muitas falas de John MacCrea o show se tornou comum e fugiu de um possível brilhantismo, mesmo assim foi bom, muito bom!

 

Flaming Lips: o que era aquilo? Se for um show de Wayne Coyne, não deve ser um show normal! Podem ter certeza, não será algo “normal”, nada convencional. E assim foi. Pontualmente as 18:30 com o céu escurecendo a banda adentra ao palco e seu vocalista segurando um bebê de brinquedo dentro de algo parecido com um móbile. O palco era uma mistura de luzes vermelhas e azuis, um fundo de leds como se fosse uma tela de monitor
de áudio. Complicado? Não! Apenas experimentalismo elevado a enésima potência com um público hipnotizado pelo que via a sua frente. O mundo era psicodélico e na maioria das vezes é mais fácil complicar do que se fazer entender. Assim é o Flaming Lips, se no palco anterior (Cake) o som estava caindo para um volume menor, no palco dos lábios flamejantes o som beirava o limite dos graves e agudos, tomando conta do ambiente! Um espetáculo de insanidade de luz, cores e loucura sonora. Só faltou o Tom Zé! O mundo é psicodélico e na maioria das vezes é mais fácil complicar do que se fazer
entender, assim são os Flaming Lips. Os sons graves, agudos, cantos a capela, um verdadeiro espetáculo de luz e cores.

 

Wayne Coyne informou ao final de uma canção que seu bebê estava dormindo. What??? Um mundo estranho e uma banda que instalou um pouco de medo e delírio em São Paulo!

 

Para normalizar um pouco as coisas, a massa ganhou um show mais “normal” do Passion Pit. A banda empolgou a turba que a essa altura quase lotava o Jockey Club (52 mil pessoas segundo a produção).
Batidas secas e ao mesmo tempo cheias vindas da bateria, vocal harmonioso e uma banda com canções indies e também dançantes. Harmonias oitentistas e empolgação juvenil, uma combinação que conquistou a multidão no palco alternativo. O mundo de sexta-feira era indie, aprendam logo de uma vez e as evidências estavam por toda a parte.

 

Senhoras e Senhores, com vocês o The Killers!
Até então nenhuma banda tinha atrasado um minuto sequer, cronometragem do início ao fim dos shows perfeita, mas estrelas podem se dar ao luxo de atrasinhos, ainda mais quando são irrisórios oito minutos.
E assim foi, oito minutos após o horário previsto, o The Killers entraram como um verdadeiro arrasa quarteirões! Brandon Flowers com uma jaqueta preta discreta, cabelos milimetricamente cortados e
seus parceiros tomaram o Lollapalooza de assalto! Em menos de 3 minutos o público estava domado, conquistado e fascinado com “Mr.Brightside”. Os figurinos extravagantes e o ar oitentista ficaram definitivamente para trás. As músicas soavam mais pujantes e rápidas e o público, principalmente o feminino, delirou! De uma vez por todas os americanos são headliners e estão parelhos com as grandes bandas do rock n roll!
Afinal de contas, 52 mil pessoas não podem estar erradas (nota do editor do blog: se formos raciocinar por essa lógica, querido Luciano “Carioca”, então eu vou dizer que milhões de brasileiros não podem estar errados por gostar de escrotices musicais ao cubo como breganejos universotários, axé machista e sexista e pagode corno, certo? Sejamos francos e honestos: Killers é uma das piores deformações surgidas no rock dos anos 2000’, e sua popularidade só comprova, pela enésima vez, o quão burro é o gosto musical do populacho mediano e ignorante). O rock de arena ainda tem seu grandioso lugar em um festival dominado por indies.

 

A simples presença de Mike Patton a frente de uma banda arrasta uma verdadeira turba para ver o “homem das mil vozes” e claro, no Lollapalooza a frente de seu Tomhawk não foi nada diferente. Experimentalismos, um baterista possuído e uma banda a fim de tocar pesado, fórmula certeira que não atraiu apenas fãs e curiosos, pessoas comuns na sua enorme maioria mas também o vocalista de uma famosa banda, quem? Mr. Josh Homme estava ao lado
do palco para curtir o show como um fã normal, e ver a bateria ensandecida de John Stanier, ex-integrante do Helmet.
Por mais alternativa que fosse o Tomhawk, com o status de “coolguy” a presença de Mike Patton confere a banda uma aura de cult. O show transcorreu normal até grande parte da multidão começar a gritar p#$* car*# a plenos pulmões, relembrando o último show no Brasil de outra banda de Patton, o Faith No More.
Ironicamente Patton disse em português que não tinha entendido as palavras para em seguida emendar as mesmas e começar outra canção.
Com direito a mais alguns palavrões de praxe e um elogio a John Stanier, que  foichamado em português de cachaceiro pelo vocalista, o show terminou com a alma em júbilo dos ardorosos fãs de Patton.

 

Two Door Cinema Club: Os novos queridinhos da mídia levaram mais uma multidão para ver seu show no festival. Uma banda indie alçada a condição de “cool” com seu rock redondinho e melodias assobiáveis.
Pegada rockeira, visual despojado e criticas favoráveis e positivas da imprensa, a banda entrou no palco e justificou tudo isso com um show afiado e bastante aplaudido.

 

Franz Ferdinand e a pista de dança indie! Uma pista de dança indie, assim pode ser denominada o show do FF no Lollapaloza. Um caminhão de hits, uma banda afiada em um horário meio fora dos padrões para a
banda, e um público ensandecido dançando sem parar. Se na sexta feira o público divulgado pela produção foi de 52 mil pessoas, no sábado
os 55 mil presentes enchiam ainda mais o Jockey Club, e a sensação é de que boa parte estava lá para ver o FF.
E quem encontramos no meio do show? Ele, a lenda e bardo gaúcho que tinha tocado mais cedo, Frank Jorge. Solicito e simpático, o mítico e lendário Frank estava em meio a turba curtindo um som como todos os mortais.

Queens Of The Stone Age: Talvez naquela altura do campeonato, a multidão já fosse maior que na sexta-feira, não saberemos mas milhares de pessoas ecoaram uma única voz quando o QOTA entrou pontualmente no palco antes das sete da noite. A banda capitaneada por outro “coolguy” do rock, Josh Hommer (aquele mesmo presente na lateral do palco do Tomhawk) começou até leve, com a faixa “The Lost Art of Keeping a Secret”, mas em seguida desceu a lenha com “No One Knows”, daí meus amigos, meninos eu vi a terra tremer, juro! A terceira canção “First It Giveth” manteve o ritmo do público, todos pulando e mesmo com um palco quase espartano (apenas continha a logo da banda ao fundo) a banda veio pronta para uma batalha, sem dar tempo de ninguém respirar, a essa altura a pergunta era apenas uma: alguém que tocar depois, terá alguma chance? Mais 12 músicas e alegria chegava ao fim. Ou apenas começava…

 

Criolo: Criolo é um daqueles artistas que chegou ao limite de citar em algumas entrevistas que se o seu último álbum não desse certo e ele finalmente estourasse ou acontecesse, ele
desistiria da música. Sorte de todos nós que o álbum aconteceu e hoje Criolo é o “cara”! Em seu auge criativo, uma fábrica de hits, um disco perfeito e todo o público que foi conferir o QOTA, só teve o trabalho de se virar e assistir Criolo, na minha modesta opinião, um verdadeiro doutrinador da massa! Um artista brasileiro que enfrentou de igual para igual gigantes do rock mundial em seu quintal, como se fosse apenas mais um show, mas que show!
Criolo trouxe toda a sua banda, naipe de metais, jaqueta de torcida organizada, roupa em estilo africano e nem pediu licença para arrebatar o público. Ora era um reggae, ora um rap nervoso, ora um música com cara de dor de cotovelo, o
que importava era que mesmo que para ele “não exista amor em SP”, ele provou que sim, o amor pode vir de seu show iluminado e denso. E como todo bom artista brasileiro, claro que rolou o tradicional “Fora Feliciano”, pois
o bom e velho contexto político não poderia ficar de fora.

 

The Black Keys: após excelentes shows restava ao duo The Black Keys provar que o estrondoso sucesso de “El Camino”, seu último trabalho não tinha sido por acaso. Sem muito alarde, Dan Auerbach e Patrick Carney entraram no palco e mais um showzaço começava! Com a faixa “Howlin´ for You” o duo apoiado por alguns músicos, começava a dominar o Jockey Club… O duo não precisou se esforçar muito, apesar de tanto o baterista quanto o guitarrista
suarem as suas camisas, mais um jogo estava ganho.
Com uma guitarra pesada e garageira e bateria seca, o BK seguiu a risca sua cartilha de entrelaçar o show com hits matadores e músicas mais obscuras de outros álbuns. O jeito meio nerd da banda engana a primeira vista, pois os músicos são verdadeiros soldados do rock.
Sem muitas firulas, sem artifícios e muito suor e sorrisos o duo provou que o sucesso chegou de maneira árdua, muito trabalho e dedicação.
Não faltaram os hits matadores como “Tighten Up”, “Lonely Boy”, “Run Right Back” e “Gold On The Ceiling”. Uma verdadeira arca de tesouros de hits!
E assim terminava mais uma excelente noite do Lolapalooza!

 

 

E NO FINAL, O AINDA GIGANTE PEARL JAM EMOCIONA 60 MIL PESSOAS NO JOCKEY

Por Humberto Finatti, editor de Zap’n’roll

O blog precisava MUITO escrever esse textoe postá-lo aqui. Fim do show do Pearl Jam. Fim do Lollapalooza BR 2013. Pelo que mostrou duas horas em cima do palco a banda está total perdoada pela babaquice de não autorizar a transmissão ao vivo da sua gig (e última forma: o PJ finalmente autorizou a exibição da gig: ela será mostrada neste sábado, 6 de abril, pelo canal Multishow, às nove e meia da noite).

Porran, o que falar? Que Zap’n’roll deve MESMO estar se tornando um tiozão mega sentimental pois vaaaaárias vezes os olhos encheram de água durante o set. Que foi intenso, repleto de canções mais rocks, rápidas e potentes, mas sem abandonar os momentos de lirismo que só Eddie Vedder e sua turma sabem fazer.

Sério, estas linhas online se DEVIAM esse show: em 2005 perdemos mais da metade, em 2011 não vimos. E no último domingo (este post está sendo concluído na madrugada de segunda pra terça-feira), no meio de uma multidão de 60 mil pessoas (impossível chegar perto do palco, o blog ficou na lateral direita dele, mas ouvindo tudo no talo e acompanhando muito pelo telão, que exibiu tudo em p&b nostálgico até o bis, e também de olho no palco, um pouco distante de onde estámos), vibramos com “D-Evolution”, com “Daughter”, “Go” (já no final), “Even Flow”, “Jeremy” e todos aqueles hinos que fazem parte de nossa vida rocker nos últimos vinte anos. Sim, as lágrimas desceram pelo rosto em “Black”. E também e principalmente em “Alive”, que NÃO fechou o show – o PJ encerra agora suas gigs com uma lindaça cover pra “Baba O’Riley”, mega clássico do The Who. Aliás quantas bandas ousam encerrar seu show com um cover magnífico de um clássico insuperável da história do rock?

 

Pois o PJ ousa. Porque sabe que tem cacife pra isso. A banda no palco estava uma porrada (McCready e Gossard precisos nos riffs e nos solos; Ament e Cameron fodões segurando tudo na “cozinha”, perfeito!).

E Eddie Vedder… parecia uma criança feliz. E desejou feliz Páscoa em português, se lembrou do amigo Johnny Ramone (“toda vez que a zenti vem pra cá, eu me lembro do meu amigo Johnny Ramone”, disse em português carregado mas corretíssimo) e parabenizou São Paulo “por respeitar o casamento de pessoas do mesmo sexo”.

 

Foi isso. No horizonte, uma linda lua iluminava a noite outonal paulistana. Não sabemos quem virá ao Lolla BR do ano que vem, nem mesmo se estaremos vivos até lá (a inquietude da possibilidade de uma morte próxima perpassou os pensamentos do blogger emotivo várias vezes, durante o show). Só sabemos que, depois de hoje e do Cure semana que vem, talvez possamos “fechar nossa conta” nessa emocionante vida acompanhando grandes shows de rock. Se logo menos Zap’n’roll não estiver mais por aqui saberá que, sim, quase tudo valeu a pena. E que, tal qual o personagem de Camus em “O Estrangeiro”, fomos sim felizes.

Eddie Vedder voa no set do Pearl Jam, no último domingo em Sampa: show inesquecível desde já!

 

* O blog agradece de coração, nesse momento complicado pelo qual está passando, em termos de saúde, o carinho e compreensão com os quais foi credenciado, recebido e tratado pelas queridas Elisa Marques e Fabiane Abel (além de toda a equipe comandada por elas), da imprensa da Geo (produtora do festival). Esperamos nos ver novamente em 2014. Valeu, garotas!

 

* E sem notas de bastidores desta vez. Ou apenas uma, a se lamentar profundamente: Zap’n’roll se encontrou com poucos e queridos conhecidos na ala de imprensa do festival (estavam por lá os prezadíssimos Luiz Cesar Pimentel, do portal R7, o casal vj doçura da MTV, Chuck e Gaía, a mais que amada assessora Míriam Martinez, o carioca boa praça Pedro Só etc, etc, etc.). Mas é óbvio que entre tanta gente simpática, querida, bacana e principalmente HUMILDE estava um autêntico tranqueira do jornalismo musical.

 

Era o Sr. PC, editor-assistente da poderosa revista Rolling Stone, publicação na qual o blog colaborou com mega orgulho por vários anos. Inimigo declarado do autor deste blog, uma pessoa miserável de alma e comportamento histérico em público, o dito cujo deu um show de cretinice quando o blog passou perto dele.

Na verdade Zap’n’roll, distraída como só ela sabe ser (e ainda mais dopada por doses de Codeína, que andam amenizando a ardência na garganta e palato zapper), estava procurando uma mesa disponível, onde ela pudesse instalar seu notebook para começar a escrever, isso no intervalo entre as gigs do The Hives (que, o blog assume, foi fodona) e do Planet Hemp. Encontrada a tal mesa e quando se preparava pra sentar nela, o blog começou a ouvir alguém gritar de forma absurda e absolutamente histérica: “Finatti, essa mesa é da ROLLING STONE e estamos trabalhando aqui e eu NÃO quero você aqui, portanto SAIA daqui!”.

 

Era PC em pessoa, sempre baixo (no trato com as pessoas), sempre tampinha (fisicamente) e sempre ultra rotundo, despejando suas frustrações pessoais, raivas e histeria em cima de um “inimigo” seu – no caso, o autor destas linhas virtuais.

 

Não deu outra: o blog foi imediatamente comunicar o insulto e grosseria a uma das garotas que estavam fazendo atendimento à imprensa. E perguntou a ela: “as mesas colocadas à disposição da imprensa têm “donos” (veículos) específicos? “De forma alguma”, respondeu ela solicitamente, completando: “você pode se sentar onde melhor lhe convir”.

 

Foi o suficiente pro sujeito aqui (que apesar de estar com um tumor na garganta não leva desaforo pra casa, muito menos de um verme qualquer) voltar a tal mesa e disparar pro histérico de plantão que lá estava: “você alugou a mesa? Não? Então VÁ TOMAR NO SEU CU! E cale a sua boca, respeite meu estado de saúde antes que eu perca a paciência”. E lá se sentou (por pouco tempo, felizmente).

 

É um episódio bastante desabonador (principalmente em um momento em que o autor do blog zapper, notório no passado por ser um brigão quase incorrigível, está em momento “ternura” com todo mundo em sua vida), patrocinado por uma figura que trabalha em uma das mais importantes mídias do país. O que cabe a pergunta: até quando o editor-chefe da publicação, o querido super monge japa zen Pablo Miyazawa (um dos mais diletos amigos pessoais que o blog tem na grande imprensa) vai permitir que um sujeito desse nível, que DENIGRE a imagem da revista com esse tipo de atitude (e aí não importa se ele é um ótimo jornalista: seus atributos profissionais caem por terra diante de atitudes escabrosas como a que ele teve na sala de imprensa do Lollapalooza), continue trabalhando na redação da Rolling Stone? Por muito menos o autor deste espaço online foi desligado da publicação, em episódio onde o blog assume que errou e quando o editor-chefe era o também querido Ricardo Cruz (hoje, comandando a redação da edição brasileira da GQ).

 

A indagação está aí (aqui), de público. Ficamos aguardando a resposta.

 

PICS DO LOLLA 2013

(fotos: Luciano Victor, Roberto Auad e imprensa do Lollapalooza BR 2013)

O final apoteótico do Pearl Jam no Lollapalooza BR 2013: triunfo do ótimo rock’n’roll diante de 60 mil pessoas

Planet Hempo em ação no palco: ainda pela legalização da maconha (e o blog apoia!) e pedindo pela saída do estrume Marcos Feliciano. Showzaço!

 

O punk pop dos suecos do Hives mostrou que ainda está em forma total: uma das melhores gigs de todo o festival

 

Público curte o dia na área do Lolla…

 

…para à noite delirar no showzão do Pearl Jam

 

Homens do rock’n’roll: o vj super boa praça e velho amigo destas linhas online, Chuck (também vocalista e guitarrista dos Vespas Mandarinas), ao lado de Zap’n’roll, na sala de imprensa do festival

 

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Sexo, ternura, violência e QOTSA na madruga.
Yep. Este post começou a ser pensado realmente na noite de anteontem, quarta-feira, quando Zap’n’roll fazia sua refeição noturna na padoca vinte e quatro horas ao lado de sua house, e junto com a amada Maru Mardou Fox – que tem tornado a vida zapper mais feliz nas últimas semanas. A janta foi ótima e estava deliciosa (estrogonofe de camarão, arroz e batata palha), apesar da ardência e dor mastigatória pelas quais o autor destas linhas online tem passado nas últimas semanas, toda vez que mastiga algo ou ingere líquidos, tudo cortesia do maldito Carcinoma Espino celular que avança inclemente na garganta e palato do jornalista ainda rocker e que JAMAIS vai se deixar entregar ou se lamentar por estar com um problema de saúde deste naipe (fora que, de resto, em algumas semanas o tratamento médico para combater o dragãozinho será iniciado e temos fé que seremos bem sucedidos nessa empreitada). Se comentamos aqui sobre o problema é porque isso sempre foi uma característica muito particular destas linhas virtuais (e todo o nosso dileto leitorado que nos acompanha há anos sabe muito bem disso): expor em carne viva e aos olhos de todos que nos lêem o que se passa na vida pessoal do autor do blog, e isso sem intuito algum de angariar alguma espécie de piedade daqueles que estão lendo estas linhas bloggers – como insinuou uma infeliz e imbecil figurinha escrota, ilustre desconhecida e complexada estudante de filosofia em Manaus, que era uma falsa “amiga” do autor deste blog lá no faceboquete, e que dia desses foi no mural dele vomitar a asneira de que “clamamos por dó o tempo todo aqui”, ahahahaha. Declaração mais sem noção do que essa, impossível. Afinal, solidariedade é algo muito bom e todas as manifestações solidárias que temos recebido desde que o tumor foi confirmado, são muito bem-vindas. Mas sentimentos de dó, piedade e compaixão, estes são dispensáveis porque além de ofender a dignidade alheia na maioria das vezes soam incômodos, forçados e algo mentirosos. Mas… voltando ao início deste texto (rsrs): quando retornaram da padoca o blogger e a linda negra Maru começaram a se “paquerar” e partiram para o que de mais natural pode acontecer entre casais em um momento desses: o interlúdio carnal, wow. E ele veio intenso, terno, carinhoso, selvagem, tudo misturado ao mesmo tempo e com um elemento inusitado: a trilha sonora que o embalou. Yeah, aí sim surgiu o lado bizarro da parada: enquanto o casal se deleitava carnalmente, na MTV rolava incrivelmente um especial com ninguém menos do que… Queens Of The Stone Age. Sim, a fodaça e gigante banda do gênio Josh Homme (aliás, um dos pouquíssimos gênios do rock dos anos 2000’ pra cá) e que se apresenta neste sábado, 30 de março, na segunda noite do festival Lollapalooza Brasil 2013. Foi um instante intenso, repleto de tesão e experiência sensorial única: afinal não é todo dia que você pode dar uma trepada sensacional com uma garota idem ouvindo… QOTSA. E foi isso que aconteceu agora e que deu novo ânimo, gás e inspiração para o jornalista ainda rocker/loker escrever esta abertura e este post, onde vamos falar muito do Lolla BR deste ano. Sim, a vida está aí e nos ensina lições diárias. A de hoje é que, mesmo com um tumor consumindo sua garganta, você ainda está vivo, pode continuar vivo e fazendo o que quer, o que ama e curte. Se o último suspiro vier de fato e estiver próximo, ali na próxima esquina, iremos felizes, sem mágoas e remorsos e sabedores que vivenciamos intensamente tudo o que foi possível em nossa vida. Vivenciamos inclusive grandes garotas como a Maru e grandes festivais, como o Lollapalooza 2013, que começa hoje. Entonces, bora pra ele (pro festival) e pra ler este post também.

 

* Um post que começa engajadíssimo na campanha “Fora Marco Feliciano!”. E fora ONTEM! Sério, não dá pra manter na presidência da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara Federal um pastor escroque e reacionário e conservador da pior espécie, e que cansou de proferir publicamente declarações homofóbicas e racistas. Mas como no Brasil tudo é possível e a piada é sempre sem graça… enfim, vamos ver quanto tempo essa figura lamentável se mantém no posto de presidente da Comissão dos Direitos Humanos.

Feliciano, seu GRANDE MERDA: vai tomar no cu e pede pra sair! 

 

* Aliás, durante muitos anos o autor destas linhas imaginou que o Brasil e seu povo fossem uma das nações mais liberais do mundo, em termos de avanços sociais e comportamentais. Ledo engano. Percebe-se claramente, de anos pra cá, que infelizmente a população brasileira está se tornando cada vez mais reacionária, conservadora e moralista. Um ótimo exemplo disso: pesquisa realizada recentemente pelo Data Folha (o instituto de pesquisas do jornal FolhaSP), apontou que 54% da população brasileira é CONTRA a união civil de pessoas do mesmo sexo. Mais do que preocupante o resultado da pesquisa demonstra o quão lamentavelmente estamos RETROCENDO em nosso pensamento. Se continuarmos assim, daqui a pouco o país irá estar defendendo a pena de morte e outras barbaridades por aqui.

 

* Enquanto o pensamento do brasileiro médio retrocede em termos comportamentais, o do americano também médio (e que sempre foi ultra conservador) avança. Lá a campanha midiática a favor do casamento gay é intensa. E a semanal Time (uma das maiores revistas de informação do mundo) estampou esta capa aí embaixo, na sua edição desta semana. Não seria o caso de alguma publicação por aqui (Isto É, Carta Capital, Época, Rolling Stone) fazer o mesmo e se engajar nesse tema socialmente tão caro e importante?

A capa da revista americana Time desta semana: alguma publicação brasileira teria coragem semelhante? 

 

* Bien, bora pra música e pro rock. O mega festival Lollapalooza domina Sampalândia a partir de hoje e é claaaaaro que o blog vai falar bastante sobre o evento mais aí embaixo. Mas aqui em cima (opa!), nas nossas notas incicais, é preciso destacar que estão armando uma possível participação do gênio Josh Homme (o cérebro por trás do Queens Of The Stone Age) na gig do Pearl Jam, que vai encerrar o Lolla na noite do próximo domingo. Mano, se isso realmente acontecer, VAI SER O BICHO!

 

* E essa nota é pro nosso leitorado, hã, acima dos trinta – já que a pirralhada que lê estas linhas virtuais absolutamente não deve saber do que se trata nem de quem iremos falar agora. Pois entonces: fazendo varredura de pesquisa na web para compor este post, eis que o blog descobre que o House Of Love está vivo e não só: o grupo também acaba de lançar um novo disco na Inglaterra. Ok mas… que cazzo é House Of Love? Um dos quartetos mais brilhantes da cena shoegazer britânica do final dos 80’/início dos 90’, o HOL causou comoção com o seu álbum de estréia, homônimo, editado em 1988. O disco saiu pelo lendário selo Creation (que deu ao mundo lendas como Oasis e Primal Scream) e com suas camadas e camadas de guitarras em noise pleno, seus vocais dolentes e bucólicos dando suporta a letras e melodias ultra tristonhas, enlouqueceu a rock press na época e ganhou todas as eleições de “melhor disco do ano” de 1988. Mas aí o grupo seguiu uma carreira um tanto errática, lançou álbuns que nunca mais repercutiram como na sua estréia e depois de alguns anos a banda quase que caiu em um completo ostracismo, mesmo nunca tendo encerrado oficialmente suas atividades. O último trabalho de estúdio do conjunto havia sido “Days Run Away”, editado em 2005. E agora, oito anos depois, sai este “She Paints Words In Red”, que está dando sopa na web e que estas linhas bloggers sempre curiosas já capturaram em seu note. O blog espera sinceramente que seja, no mínimo, um bom disco. E assim que fizer uma audição acurada do mesmo, irá transmitir suas impressões por aqui, pode esperar.

Ulalá! Um dos nomes mais importantes do shoegazer britânico dos 90′, o quarteto House Of Love, está de volta com disco novo 

 

* Bão, Stones de headliner no Glastonbury 2013 (a pensão pros filhos do bocudo Mick Jagger está garantida por mais alguns anos, hihi), Sir Paul McCartney em nova turnê brazuca, Alicia Keys no Rock In Rio… são os fatos que alegraram o mondo pop de ontem pra hoje. Vamos então ver como vai ser a alegria no Jockey Club de Sampa neste finde, quando ele irá abrigar a partir de hoje a segunda edição do gigante Lollapalooza Brasil.

 

 

LOLLA BR 2013 – MUITOS SHOWS, MAS POUCOS QUE VALEM REAMENTE A PENA ASSISTIR
Ninguém duvida ou discute a importância de termos, aqui, uma versão brasileira de um festival de música gigantesco como o Lollapalooza. Nascido pelas mãos de Perry Farrell (vocalista e líder do hoje mítico Jane’s Addiction) há duas décadas nos Estados Unidos, como espaço para agrupar bandas que eram cultuadas pelo público mas não tinham visibilidade na grande mídia, o Lolla ganhou tal dimensão que hoje se transformou em uma marca ultra bem-sucedida e inclusive exportada para outros países, como o Chile e o Brasil, onde ele aconteceu pela primeira vez no ano passado, tendo como headliners ninguém menos do que o Foo Fighters e o Arctic Monkeys.

 

Bien, e a edição deste ano? Ampliado em mais um dia (agora são três), o festival volta novamente ao Jockey Club de São Paulo, onde foi aberto na manhã de hoje, sexta-feira. Ao todo serão sessenta atrações espalhadas por toda a programação e aí é que entra em cena o grande “problema” de “montar” a programação de um festival desse porte. Definitivamente incluído no roteiro mundial de grandes turnês e festivais internacionais de rock – e isso já há anos – o Brasil hoje sofre justamente pela falta de opções e novidades genuínas quando produtores vão atrás de contratar elencos para eventos semelhantes ao Lolla. Além disso é público e notório que o setor de entretenimento está entrando em crise no país por conta do número exagerado de atrações que atualmente aportam por aqui ao longo do ano, além do preço sempre exorbitante que produtoras insistem em cobrar pelos ingressos desses shows e/ou festivais. Somados os dois fatores, o resultado é evidente: o público anda sumindo de grandes gigs internacionais. Basta lembrar que Madonna e Lady Gaga encalharam ingressos em suas turnês brasileira do ano passado. E a própria edição 2013 do Lollapalooza não conseguiu esgotar totalmente seus tickets para os três dias.

 

De qualquer forma há bastante espaço na grade de programação deste ano para a cena alternativa nacional (justo ela, que anda tão pobre de novos e ótimos talentos). Na ala internacional há zilhões de grupos que já se apresentaram no Brasil por diversas vezes (Kaiser Chiefs, que está em franca decadência, além Cake, Passion Pit, Flaming Lips etc, etc, etc.) sendo que o headliner de hoje, o insuportável The Killers, já tocou no país em outras duas ocasiões. Amanhã, sábado, será mesmo o melhor dia do festival: vão subir nos palcos montados no Jockey nomes como Alabama Shakes (a grande revelação do soul e do R&B americano dos últimos anos, e cuja vocalista, a negona Brittany Howard, é um show à parte), Franz Ferdinand (já velhos conhecidos dos brasileiros, mas sempre garantia de um bom show), Tomahawk (uma das muitas facetas do loucaço Mike Patton, vocalista do Faith No More), o IMPERDÍVEL Queens Of The Stone Age (nem é preciso comentar aqui a importância da banda do gênio Josh Homme para a história recente do rock) e a grande revelação que é o Black Keys – que apesar de já existir há mais de uma década, só estourou mesmo com os seus dois últimos discos, entre eles o fodástico “El Camino”, lançado no final de 2011.

 

E domingo é dia de Pearl Jam, óbvio. Pode esquecer todo o resto (a não ser que você seja um mega curioso por novidades musicais) e chegar no Lolla no final do dia: gigante do rock’n’roll que importa nas últimas duas décadas, um dos últimos sobreviventes da grande geração grunge de Seattle, o PJ vem pela terceira vez ao Brasil (as outras duas foram em 2005 e 2011) e mais uma vez deverá fazer uma multidão de fãs chorar quando entoar, no palco, hinos como “Alive”, “Black” ou “Jeremy”. Fora isso e movimentando a economia da cidade de maneira bastante acentuada, o Lollapalooza continua sendo mais do que bem-vindo no Brasil. E já com sua edição 2014 confirmada pela produção da Geo (a empresa que organiza o festival), o desejo que fica, não só do blog mas também de milhões de fãs que suam a camisa pra ir a shows de rock, é: line up mais instigante no ano que vem. E preços mais camaradas para os ingressos. Só isso.

 

 

LOLLAPALOOZA BR 2013 – QUEM TOCA HOJE

Palco Cidade Jardim
Perrosky
Agridoce
The Temper Trap
The Flaming Lips
The Killers

 

PALCO BUTANTÃ
Holger
Of Monsters And Men
Cake
Deadmaus

 

PALCO ALTERNATIVO
Tokyo Savannah
Copacabana Club
Crystal Castles
Passion Pit

 

PALCO PERRY
Bruno Barudi
Boos In Drama
Dirtyloud
Porter Robinson
Dj Marky
Knife Party

 

PALCO KIDPALOOZA
Dakota
Oficina de bateria com Igor Cavalera
Dazantiga
Revoltz

 

LOLLA 2013 – AMANHÃ, SÁBADO
PALCO CIDADE JARDIM
Stop Play Moon
Toro Y Moi
Two Door Cinema Club
Queens Of The Stone Age
The Black Keys

 

PALCO BUTANTÃ
Graforréia Xilarmônica
Tomahawk
Franz Ferdinand
A Perfect Circle

 

PALCO ALTERNATIVO
Ludov
Gary Clarck Jr.
Alabama Shakes

 

PALCO PERRY
Classic
William Naraine
Lennox
Zeds Dead
Nas
Madeon
Steve Aoki

 

LOLLAPALOOZA 2013 –  DOMINGO
PALCO CIDADE JARDIM
Baia
Lirinha+Eddie
Puscifer
The Hives
Pearl Jam

 

PALCO BUTANTÃ
Vivendo do Ócio
Foals
Kaiser Chiefs
Planet Hemp

 

PALCO ALTERNATIVO
Wannabe Jalva
República
Vanguart
Hot Chip

 

PALCO PERRY
Wehbba
Database
Mix Hell
Felguk
Rusko
Major Lazer
Kaskade

 

* Tudo sobre o festival? Vai lá: http://www.lollapaloozabr.com/ .

 

 

MICRO DIÁRIO SENTIMENTAL – PJ, FF E QOTSA VISTOS PELO BLOG
Como falamos aí em cima, no tópico principal sobre o Lollapalooza BR 2013, o Brasil se inseriu de tal forma no circuito internacional de shows de anos pra cá, que hoje uma das maiores dificuldades das produtoras que organizam gigs solo ou mega festivais é justamente conseguir trazer pra cá alguém que ainda NÃO tenha tocado no país. E o Lolla não é exceção nesse quadro: boa parte das bandas que estarão se apresentando a partir de hoje no Jockey Club, em Sampalândia, já esteve por aqui em outras ocasiões.
É o caso, por exemplo, de três das melhores atrações do Lolla 2013: o gigante grunge americano Pearl Jam, o indie escocês Franz Ferdinand e o stoner metal porrada e fodaço do Queens Of The Stone Age. Zap’n’roll já assistiu as três bandas ao vivo, em diferentes ocasiões. E recorda aí embaixo, em textos rápidos, como foram as gigs destes grupos que deverão ser responsáveis por alguns dos melhores momentos do rock que vai rolar neste finde na capital paulista.

 

* PEARL JAM/SÃO PAULO/ESTÁDIO DO PACAEMBÚ, 3/12/2005 – depois de anos de espera por parte dos fãs o gigante grunge de Seattle anunciou que finalmente viria ao Brasil. Cinco shows, sendo dois deles em Sampa, no velho estádio do Pacaembú. As duas noites lotaram. O blogger naquela época ultra loker vivia mergulhado em devastações nasais e em oceanos de álcool. E também fodia compulsivamente com sua grande paixão de então, a linda, gostosa, junky e putaça Tânia A., que adorava levar cacete grosso na boceta em chamas quando estava chapada de cocaine. O casal viva às turras e na semana do show do PJ, haviam combinados de irem juntos à gig. Deu tudo errado: o blog não conseguiu um convite extra pra sua amada cadela ruiva, ela ficou putíssima com isso e mais um pau rolou, via telefone, justamente quando o sujeito aqui precisava se mandar pro Pacaembú. Não deu outra: o zapper sempre atrasado chegou já quase na metade da apresentação do quinteto liderado por Eddie Vedder – sendo que o blog também perdeu o incrível show de abertura, feito pelo Mudhoney. Ainda assim os cerca de quarenta minutos de gig vistos pelo jornalista melancólico e solitário (em meio a uma multidão de quarenta mil pessoas) foram inesquecíveis. E tudo acabou com “Alive”, quando Zap’n’roll não se conteve e derramou algumas lágrimas de seus olhos. Agora, em 2013 e neste domingo, não daremos margem para atrasos: estas linhas online estarão já às sete da noite no Jockey Club, por total precaução. E esperam se emocionar (talvez pela última vez) com o show completo de um grupo que, vinte anos depois de seu aparecimento, continua genial, fodaço e íntegro como sempre foi, desde o início.

Comoção no estádio do Pacaembú em São Paulo, em dezembro de 2005: o Pearl Jam encerra o show com “Alive” (acima) e leva Zap’n’roll às lágrimas

 

* FRAZ FERDINAND/SÃO PAULO/ESTÁDIO DO MORUMBI, 21/2/2006 – na verdade o show principal era do gigante U2, que estava finalmente retornando ao país após sua primeira aparição por aqui, em 1998. E o quarteto liderado pelo eterno boa praça Bono resolveu trazer a tiracolo, pra fazer a abertura das gigs, um novato quarteto escocês que estava causando furor na Grã-Bretanha. Um tal de… Franz Ferdinand. O blog, que então era repórter/colaborador de música do caderno de variedades do finado (e naquela época, poderosíssimo) diário Gazeta Mercantil, foi ao Morumba municiado de uma credencial especial e gigante, que lhe dava direito a circular em quase todo o estádio, inclusive na cobiçada área mega vip montada pelo supermercado Pão-De-Açucar (o patrocinador da turnê) e onde se servia whisky irlandês aos baldes, além de cerveja (idem) e champagne Chandon (ibidem). Quando os quatro escoceses adentraram o palco, o jornalista pé-de-cana (e que, àquela altura, já estava bem “mamadão”) se mandou da área mega vip pro meio da multidão que se espremia na outra área vip – esta, na frente do palco. O zapper sempre antenado com as últimas tendências e novidades do mondo pop/rock, já era razoavelmente fã do Franz Ferdinand. E se tornou admirador ferrenho do grupo depois dessa apresentação, já que a turma deu o sangue no palco mesmo tocando para um estádio onde cerca de setenta mil pessoas permaneciam no mais completo silêncio, pois ninguém ali conhecia Alex Kapranos e cia. Podem ter certeza: o FF vai fazer uma gig explosiva amanhã no final da tarde, no Lolla BR.

O U2 voltou ao Brasil em fevereiro de 2006 e trouxe, como “abertura luxuosa” de seus shows o então ainda desconhecido quarteto escocês Franz Ferdinand. E o blog, claaaaaro, esteve na gig, municiado com essa poderosa credencial (aí em cima) que permitiu ao jornalista loker e pé-de-cana se afogar em um oceano de whisky irlandês e champagne Chandon, uia!

 

* QUEENS OF THE STONE AGE/FESTIVAL SWU/ARENA MAEDA, ITÚ/SP, 10/10/2010 – mais uma gig inesquecível da vida de quase três décadas de shows acompanhados pelo zapper maloker, uia! Era a segunda noite do festival ecológico SWU (que, estas linhas virtuais torcem, volte a acontecer pois eles conseguiram realizar duas edições fantásticas). Fazia um frio do cão na arena Maeda, em Itú (interior de São Paulo). Tão frio que a macapaense Rudja, então a grande paixão do autor deste blog e que o acompanhava na cobertura do festival, reclamava a todo instante: “não agüento mais esse frio! Tá saindo fumacinha da minha boca!” (e tava mesmo; agora imaginem um frio desses sentido por uma garota acostumada em uma cidade, Macapá, onde a temperatura média o ano todo gira em torno dos trinta e dois graus…). Mas foi o QOTSA adentrar o palco (após um momento de relativa tensão e atraso no começo do set do grupo, já que havia ocorrido uma pane no sistema de som) e o frio, como num passe de mágica, desapareceu: o gênio Josh Homme pôs seus demônios pra fora e o povo que estava pendurado na grade (este jornalista incluso, ao lado da Rudja e do nosso querido gordito, mr. Wladimir Cruz, o homem do Zona Punk) que separava o palco da área vip foi literalmente à loucura. O combo liderado por Josh é uma máquina de esporro sonoro ao vivo; o repertório da banda (com todas aquelas músicas urdidas brilhantemente entre a psicodelia insana e o stoner/heavy rock mais chapado possível) é um escândalo. E o show… bien, quando o grupo disparou “Little Sister” o sujeito que relembra estes fatos não se conteve e, tal qual um adolescente insano, literalmente se JOGOU na grade, distribuindo pontapés a granel em quem estava perto dele (o que deixou a Rudjinha ligeiramente irritada, hihi). Enfim, gig animal e que deverá se repetir neste sábado, no Jockey paulistano. Quem estiver por lá, verá!

O fodaço Queens Of The Stone Age mata a pau em seu show no festival SWU 2010 (acima, o vídeo que registra o momento em que a banda ataca a esporrenta “Little Sister”), em Itú. A gig foi tão animal que o zapper enloquecido não resistiu e se jogou na grade que separava o palco da área vip, pra irritação da gata rocker macapaense Rudja (abaixo, ao lado de Zap’n’roll e em pic registrada pelo queridão Wladimir Cruz), que também estava no festival e sofrendo com o frio de 11 graus que fazia na fazenda Maeda

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E nem pensem que acabou! Este post está em enooooorme construção em pleno feriadão da Semana Santa, uia! Então colaê mais tarde que até o final da noite desta sextona lokona (e que promete, uhú!), entra muuuuuito mais por aqui. E, claaaaaro, não esquecemos da promo feita pelo blog em torno do Lollapalooza. Você mandou seu e-mail? Então olha aí embaixo e confere se o seu nome está entre os três felizardos que vão NA FAIXA no Lollapallooza 2013, a partir de hoje:

 

* Marianne Abel Okawa, de Presidente Prudente/SP;

 

* Alicia Marcondes Fontenelle, de Santos/SP;

 

* E Gilson Fernando Argentino (!!!), do Rio De Janeiro/RJ.

 

Os três sortudos já foram devidamente contatados pelo blog via e-mail, com todas as instruções para retirar seus tickets e irem curtir felizes a maratona rocker que rola a partir de hoje lá no Jockey Club. Bons shows, galere!

 

 

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E FIM DE PAPO POR ENQUANTO
O finde foi cansativo e o tumorzinho zapper anda infernizando a garganta do jornalista tiozão. Portanto a crítica do novo álbum do Depeche Mode e mais um monte de paradas fica pro próximo post, que sai ainda até o final desta semana quando iremos falar de outra lenda do rock mundial e que toca em Sampalândia neste finde. Quem? O Cure, claaaaaro.
Até logo menos então!

 

(ampliado e finalizado por Finatti em 2/4/2013 às 5hs.)

Agora vai: o domingão rocker no Parque da Independência foi lindão! E o herói elegante Alex Kapranos mostrou que seu Franz Ferdinand ainda é uma bandaça! (post concluído em 29/5/2012)

O super Alex Kapranos, vocal do Franz Ferdinand, comanda o bailão rock para vinte mil fãs na tarde de ontem, em Sampa: show já pra ficar entre os melhores de 2012 (fotos deste post: Folha online)

 

Você foi ao domingão rocker no Parque, anteontem? Ótimo. Se você foi um dos vinte mil sortudos que conseguiram entrar foi premiado com uma das tardes mais incríveis dos últimos tempos em Sampalândia, essa metrópole eternamente cinza, poluída, congestionada, apressada e – nos últimos tempos – tão castigada por uma violência urbana que está ameaçando ficar fora de controle graças à mega incompetência de um governo estadual, que simplesmente deixou a Segurança Pública relegada a último plano.

 

Mas era o domingão da parte musical do Festival da Culura Inglesa. Com shows free de The Horrors e Franz Ferdinand. Então (quase) todo o sacrifício valeu a pena: enfrentar a fila quilométrica para entrar no Parque da Independência, a hostilidade da polícia (que após as cinco da tarde pôs pra correr quem ainda tentava entrar de qualquer forma no parque já lotado; e os homens da lei não exitaram em jogar bombas de efeito moral e gás de pimenta em cima do pobre e pacífico público para dispersá-lo. Enquanto isso, a tradicionalíssima pizzaria 1900 sofria um “arrastão” na Vila Mariana, zona sul de Sampa, e lá a polícia não deu as caras…), o relativo (mas bem vindo) calor que fez durante todo o dia etc.

 

Zap’n’roll vai ser honesto: nem se preocupou em chegar cedo pra assistir a banda Uó fazendo covers (sinistras?) dos inesquecíveis Smiths. E com todo o respeito e carinho que tem pelos Garotas Suecas, também não se animou pra ver o quinteto paulistano fazer um set apenas com covers dos Rolling Stones. O blog chegou ao parque por volta das quatro e meia da tarde e entrou direto (sem pegar fila; ser jornalista tem algumas vantagens pelo menos), quando estava começando a apresentação dos ingleses do Horrors. Que foi muito boa: a banda é mais rock ao vivo e ainda conserva traços do seu gothic/garage rock inicial, imprindo mais peso e distorção nas guitarras em algumas músicas. Até as canções do álbum “Skying”, lançado no ano passado e onde o grupo mudou sensivelmente sua sonoridade (incorporando muito mais referências do new romantic e do pós-punk à la Psychedelic Furs) soaram melhor ao vivo, como o semi-hit “Open Your Eyes”, que ganhou contornos mais pesados.

 

The Horrors em cena: mais rocker ao vivo do que em disco

 

Mas incrível mesmo foi a volta do Franz Ferdinand ao país. E Alex Kapranos e sua turma não decepcionaram os vinte mil fãs que foram prestigiar a banda no domingão rocker no parque. O FF já está com uma década de existência, lançou um primeiro álbum primoroso e depois soltou outros dois discos medianos – e há uma grande expectativa em relação ao trabalho que devem lançar este ano, o quarto disco de estúdio, do qual a banda tocou três músicas em Sampa, todas muito boas. Mas ao vivo o Franz continua se mostrando absolutamente incendiário e durante pouco menos de uma hora e meia tocou com pique adolescente tudo o que povaréu queria ouvir, em uma performance irrepreensível e que ainda foi ajudada pela ótima equalização do PA do palco – o som chegava limpo e alto em toda a extensão do parque. Com isso a gig não teve erro: todo mundo pulou e berrou a valer (inclusive o autor desta linhas online), principalmente no final apoteótico com “Michael” (a última do set principal) e “Jacqueline” e “This Fire” (estas duas no bis único).

 

Deu até pra imaginar que estávamos no Hyde Park, em Londres, em dia de mega show. Um domingão rocker, enfim, pra deixar saudades. E que coloca desde já o show do Franz Ferdinand como um dos melhores deste ano no Brasil, em termos de gigs com bandas gringas. Que venham mais shows assim lá no Parque da Independência, um espaço lindão e que recebeu um público rocker e igualmente lindão no último domingo.

 

 

EMBALOS DE DOMINGO À TARDE
* Zap’n’roll combinou de se encontrar com a humanidade para ir domingo assistir Franz e Horrors. E como sempre, quando chegou ao Parque da Independência, se desencontrou de todo mundo (as Adrianas Cristina e Ribeiro, o André Morelli, mais Vandré Caldas, Ulysses “Pisces” Cristianinni e a loira sempre mega enrolada, miss Grasiele Reis, que iria inclusive comemorar seu niver por lá, sendo que ela é uma das amigas mais queridas hoje por estas linhas bloggers rockers). E mesmo estando com celular à mão e disparando (e recebendo) torpedos, não conseguiu ver seus amigos. No meio de vinte mil pessoas, ficava realmente difícil encontrar alguém.

 

* Por sorte, quando estava entrando no Parque o blog deu de cara com a turma rocker do Itaim Paulista (bairro do extremo leste da capital paulista): o baixista do The Concept, o sempre queridão Wagner Sousa (acompanhado de dois dos seus filhos adolescentes: família rock unida é isso aê, hihi), mais o brother André Cordeiro e a sempre lindaça girlfriend do Wagner, a também vocalista Roxy Perrota. Ficou com a turma atéo final das gigs e teve um dos domingos mais animados dos últimos tempos.

Zap’n’roll, a querida Roxy Perrota e a “turma da Leste” (rsrs): domingão rocker mega divertido

 

* Claaaaaro, o zapper fã de delírios e excessos ébrios, foi bem municiado para o show. Levou na mochila três garrafinhas de Heineken e mais uma garrafa plástica com meio litro de vodka e energético misturados. As brejas tiveram que ser detonadas antes de se entrar no parque (pois era obviamente proibido entrar lá com garrafas de vidro). Mas a garrafa de vodka entrou e fez a alegria zapper e de seus amigos por um bom tempo.

 

* Lá dentro o calor era grande e a sede também. Havia em cada lateral do palco uma placa gigante onde se lia: “distribuição de água”. Só que esta distribuição não suportou a demanda e acabou muito antes do que se esperava.

 

* Com isso, ambulantes autorizados pela produção fizeram a festa: um simples copinho de água mineral saía por três “real”. Já a lata de refri ou breja custava quatro.

 

* Dorgas? Aaah, o doce cheiro de marijuana pairava sobre o parque, claaaaaro. Mas Zap’n’roll ficou mesmo feliz quando encontrou um outro amigo rocker maluco na porta dos banheiros químicos (onde o sujeito aqui tinha ido realmente “esvaziar” a bexiga das brejas consumidas). Ele: “Quer? Eu tenho um pouco”. Zap’n’roll: “yeah, por que não?”. E o blog foi brindado com uma bem-vinda e inocentizinha “maldade nasal”, hihi. Que estava ótima e ajudou a manter o pique pra curtir o showzão dos escoceses do Franz Ferdinand, uia!

 

* Muita gente não conseguiu entrar pelas vias “normais” no parque. A solução foi tentar pular o muro e as grades que cercam o espaço. O blog topou com duas tesudíssimas cariocas que tinham apelado para esta alternativa, no final do show, perto de um dos postos de atendimento médico. Ambas tinham ido até lá para ser atendidas pois estavam com os joelhos beeeem ralados. Tadinhas!

Com uma fila gigante dessas pra entrar, muita gente não teve dúvidas: pulou a grade do Parque da Independência

 

* Foi isso. domingão rocker em Sampa digno de Londres. Que venham outros iguais a esse!

 

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Até esta sexta-feira entra aqui mais um novo post, com as infos, matérias e comentários sobre o mondo rock alternativo e a cultura pop que você só encontra na Zap’n’roll. Até logo menos, então!

 

(atualizado e finalizado por Finatti em 29/5/2012, às 16hs.)

 

O niver do amado Morrissey (hoje!) e os vinte e cinco anos de ausência de uns certos Smiths. A semana “São Paulo/Londres” com Horrors, Franz Ferdinand, David Bowie e os caralho. E as invejas, mentiras e os fakes covardes de sempre enchendo o saco em um blog campeão de audência – esse aqui mesmo, hehe – PLUS: um discaço ao vivo de Iggy Pop e, claaaaaro, a volta dos Stone Roses (up grade e atualização bacana no post em 25/5/2012

Imagens para a eternidade: os Smiths (acima) no auge de sua carreira, na histórica foto em frente ao Salford Lads Club, em Manchester, Inglaterra, nos anos 80′. A banda acabou mas o gênio Morrissey (abaixo), que faz aniversário hoje, continua em plena atividade

 

 

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UM PLUS PRA TURBINAR UM POST JÁ MEGA, HEHE

 

* Yep. Sextona em si chegou e resolvemos postar algumas “up to dates” aqui, pra fechar de vez o blog esta semana e deixar nossos sempre fiel e dileto leitorado sempre alegre e mui bem informado. Vamos lá, então!

 

* Wow! A ST2 acabou de mandar pras lojas o cd “Iggy & Ziggy – Sister Midnight”. Hã? Trata-se de um registro ao vivo, gravado em 21 de março de 1977 em Cleveland, Ohio, em um dos shows da turnê do álbum “The Idiot”, a estréia solo da lenda Iggy Pop (e que havia saído dois dias antes da gravação deste show). Pois então: Iggy estava passando por um período mega complicado em sua carreira musical. Os Stooges tinham ido pro saco, ele estava mergulhado até o pescoço em dorgas e então… voilá! Eis que o eterno amigão David Bowie entrou em cena pra dar um bem-vindo help ao Iguana. Daí surgiu “The Idiot” (um dos melhores discos solo de Iggy, que teve produção de Bowie sendo que ele ainda tocou teclados no álbum e participou discretamente da turnê promocional como… tecladista, uia!) e os shows subsequentes de lançamento, entre eles o que está nesse disquinho/discão. É uma cacetada: tem “Raw Power”, “1969”, “Search & Destroy”, “TV Eye”, “No Fun” e “I Wanna Be Your Dog”, todas em versões anfetamínicas e tocadas pelos músicos/irmãos Tony e Hunt Sales, que anos mais tarde iriam formar a banda Tin Machine, com Bowie à frente óbvio. Enfim, o cd sai no capricho (com capinha digipack e tal) e com ele em mãos você até esquece essa chatice de que estamos na era da web, e que tudo é “baixado” no computador e não temos mais o prazer de deslacrar um cdzinho e manusear sua capinha. Pois volte a praticar este ritual com “Iggy & Ziggy” e seja feliz!

O eterno Iguana Iggy Pop (acima) mostra, ao vivo, suas catarses sônicas dos anos 70′ no cd “Iggy & Ziggy”, que acaba de sair no Brasil

 

 

* Falando em Iggy e Bowie, a Mostra de filmes do Camaelão dentro do Festival da Cultura Inglesa (cujos detalhes estão aqui mesmo, mais aí embaixo no post) já está rolando, né? E domingo, a parada é uma só: Parque da Independência em Sampa, com showzaços free de Horrors e Franz Ferdinand. Eba!

 

*Mas antes disso um bom aquecimento pra hoje, sexta-feira (quando este plus está sendo publicado), é mais uma festinha da Pisces Records lá no Espaço Cultural Walden (que fica na Praça da República, 119, centrão rocker de Sampalândia). Vai ter pocket shows e dj set indie rock de responsa. O blog vai colar lá, e depois se mandar pro Astronete Augusta, claaaaaro!

 

* E os Roses, enfim, voltaram né? Foi O assunto rocker da semana: show surpresa em Warrington, na Inglaterra, anteontem, pra apenas mil felizardos, como “aquecimento” para as mega gigs que eles vão começar a fazer logo menos pelo Reino Unido e pelo “resto” do mundo. Será que sobra um espaço pra turma vir até aqui, no SWU deste ano? Fikadika pro nosso querido amigo Théo Van Der Loo, um dos diretores artísticos do festival. Enquanto isso, você baba com as pics aí embaixo do showzaço da última quarta-feira, em fotos produzidas pelo site da NME:

Os Stone Roses, de volta aos palcos após quinze anos de ausência: povo enlouquecido e uma prévia da turnê monstro que vem por aí

O vocalista Ian Brown, comandando a gig

 

E o guitarrista John Squire, revivendo clássicos como “She Bang The Drums”

 

* E é isso. Novo postão zapper na próxima semana, entre terça e sexta-feira, okays? Bom finde pra galere, ótimas baladas e domingo, todo mundo lá no Ipiranga (zona sul de Sampa) pra curtir Franz e Cia. Até!

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Recordes, fakes, pequenas invejas e alguma preguiça.
Pois então, foi mais ou menos isso mesmo: era pra ter entrado na última sexta-feira mais um post aqui. Aquele postão tradicional dos findes. Mas enrola daqui, enrola dali, o blogger ainda mezzo loker (mesmo estando a caminho dos 5.0 de existência) sai na quinta à noite e enfia o pé na lama com gosto no baixo Augusta de Sampa (vendo shows sensacionais da Bidê ou Balde no Beco203, e ainda Brollies & Apples no Astronete), chegando em casa às dez da matina (!!!) da sexta e… fuck! Destruído, “ressacudo”, fora de combate total: bateu a preguiça assumida e o autor destas linhas online decretou uma mini-folga pra si mesmo, decidindo que a Zap’n’roll voltaria com tudo hoje, terça-feira já da nova semana, com esse postão que você começa a ler agora. Mas este micro-recesso foi até bom por um lado. Permitiu, mais uma vez, que o zapper sempre atento se desse conta que (sem falsa modéstia) este espaço virtual talvez esteja em seu melhor momento em termos de acesso/audiência e comentários/recomendações em redes sociais. Vejam bem (e não é moleza): o último post bateu em quarenta e três comentários (muitos deles enviados, é verdade, por fakes ardilosos, invejosos, recalcados e covardes como sempre, que escrevem mensagens não pra contribuir com algo positivo para a postagem mas, sim, para atacar grosseira e moralmente quem faz o blog, e para destilar suas raivas, frustrações de vida, inveja master e covardia em cima de alguém que sequer conhecem pessoalmente) e teve exatas oitenta recomendações em redes sociais, um recorde em tempos em que ninguém mais quase envia mensagens a painéis de leitores de blogs. Se isso causa um certo “conforto” ao sujeito aqui (e, consequentemente, lhe dá alguma “acomodação” que resulta em eventuais ataques de “preguiça” como a deste finde, corroborando aquele célebre clichê de “criar fama e deitar na cama”, rsrs), por outro lado também desperta os temores e inseguranças de sempre: até quando o espaço zapper, já há uma década no ar na blogosfera, vai se manter assim? E até quando o blog será alvo de ataques insanos de gente à toa na vida? Um bom exemplo desse tipo escroto é um fake do nosso querido “inimigo cordial” André Barcinski, reconhecidamente um dos melhores jornalistas de cultura pop em atividade na imprensa brazuca. Pois bem: o tal fake, assinando “Barcinsky” (com Y, vejam só…) enviou mensagem pro último post (e que foi vetada) com o seguinte texto: “Tenho tanta coisa pra contar.. como no dia em que peguei ele postando coments fakes no próprio blog pq ninguem comentava. isso é triste heim”. Dá até dó ler uma parada dessas, e por alguns motivos. Primeiro, porque o tal “Barcinsky” é, obviamente, um infeliz e invejoso. Segundo, porque ele retirou isso, supostamente, de um post escrito no Twitter de uma igualmente triste figura e com a qual infelizmente o autor destas linhas rockers bloggers se relacionou, tempos atrás. Um tuite mega mentiroso e escrito, de resto, por outra figura também recalcada, infeliz, que vive enclausurada no cu do mundo à espera de algum milionário que encha a sua barriga e a tire de lá. Uma figura que possui como únicos trunfos um rosto bonito, um par de tetas enormes e uma ótima xota pra foder mas que por outro lado possui uma índole maldosa, sequer possui o ensino médio completo, tenta ser jornalista mas não consegue porque escreve muito mal e que teve trocentos blogs – nenhum foi pra frente e todos sempre amargavam zero comentários em seus posts, a não ser quando o próprio zapper escrevia algo nos comentários, para dar uma “força” ao blog da criatura. Muito diferente deste blog, há uma década no ar e sempre mantendo uma ótima média de mensagens enviadas pelo seu fiel leitorado. E além do mais, raciocinem com o autor deste espaço: a Zap’n’roll do portal Dynamite amarga um período de baixa audiência (pois o grosso dos leitores migrou para o endereço próprio do blog), com quase todos os últimos posts lá não tenho nenhum comentário. Se este jornalista realmente fosse dado a ficar perdendo seu tempo criando fakes e enviando mensagens, ele iria fazer isso na Zap da Dynamite, para alavancar o painel do leitor de lá, certo? E por fim, será que os oitenta que recomendaram a leitura do blog no Facebook são FAKES, mesmo com seus avatares aparecendo no post zapper? Enfim, é isso: são as agruras de ter um blog bem acessado, de ser um jornalista já com uma história na imprensa cultural brasileira e de ser autêntico, honesto e imparcial no que escreve e analisa. Zap’n’roll sempre será assim, enquanto existir. E também será sempre estóica em seus textos. E também saudosista, a ponto de neste post prestar vassalagem àquela que é (na opinião deste espaço rocker online) uma das cinco bandas mais importantes de toda a história do rock’n’roll, e que deixou de existir há meio século: os inesquecíveis Smiths e o grande Morrissey, que hoje completa inclusive mais um ano de vida. Quanto ao resto (barcinskys fakes, donas de twitter mentirosas e frustradas, que enganam a própria família e os machos com os quais se relacionam), isso é nada: cães sarnentos sempre irão existir e latir. E a caravana zapper continuará passando.

 

* Postaço em plena terça-feira, uia! Mas este saiu no capricho, como você mesmo irá conferir.

 

* E começamos com dois rip’s, que abalaram o mondo musical no último finde. Lá se foram Donna Summer e Robin Gibb (o eterno Bee Gees), ambos vencidos pelo câncer. Ok, isso aqui é um blog de cultura pop e rock alternativo, mas é inegável a importância dos dois falecidos para a história da música pop, certo? E além disso quem nunca dançou disco music no final dos anos 70’ (yep, os inesquecíveis “embalos de sábado à noite”, que o zapper adolescente, então com seus dezesseis aninhos de idade, curtiu muito, hihi), não estava no planeta Terra. Fica assim a homenagem do blog através dessas duas belas imagens p&b aí embaixo, “emprestadas” do site da NME. Boa viagem, Donna e Robin!

Dois registros p&b clássicos de Donna Summer (acima) e Robin Gibb (abaixo): a disco music perdeu dois de seus maiores nomes (fotos: site NME)

* E no sabadão passado o Black Sabbath, lenda do metal (e, sim, um dos únicos grupos que de fato merecem respeito dentro dessa estupidez chamada heavy metal), enfim subiu ao palco com sua formação quase original – quase porque continua o embate entre a banda e o batera Bill Ward, que não participou do show. A gig rolou no 02 Arena em Birmingham (terra natal da banda), os três mil ingressos postos à venda se evaporaram e os tickets, no “mercado paralelo”, estavam custando até R$ 8 mil reais (jezuiz…). Já há quem sonhe com uma vinda do grupo ao Brasil ainda este ano, algo que obviamente vai ficar mesmo apenas na esfera onírica, rsrs.

 Black Sabbath, a volta em Birmingham com a formação “quase” original: e o Bill Ward, como é que fica? (foto: Uol)

 

* Mas olha só: o Gaz Coombes, ex-vocalista e guitarrista do finado (e saudoso) Supergrass lançou ontem, na Inglaterra, um disco solo chamado “Here Comes The Bombs”, cuja capa você pode ver aí embaixo. Se o álbum é o ok estas linhas online ainda não podem dizer, pois não ouvimos o dito cujo. Mas a NME não foi muito bondosa com o trabalho, dando-lhe uma modesta nota 5. Claro, o Supergrass era super legal e foi um dos grupos britpop prediletos deste blogger rocker nos anos 90’, o que não significa que Gaz tenha feito um discão. Vamos dar uma “orelhada” nele e depois retornamos aqui com nossas impressões.

 O disco solo de Gaz Coombes: será que é bom?

* E O FESTIVAL CULTURA INGLESA TRANSFORMA SAMPA EM LONDRES – e não? É sempre assim, há dezesseis anos: em uma semana de junho, a Cultura Inglesa (uma das entidades de ensino britânicas mais respeitadas no Brasil) realiza um grande evento em Sampa (e também em algumas das principais cidades do interior paulista) para celebrar e cultura produzidas na Inglaterra, ontem e hoje. O ponto alto da programação, como sempre, são os shows ao ar livre e de graça que rolam durante toda a tarde de domingo no Parque da Independência, na capital paulista. E este ano a curadoria da parte musical do festival caprichou mesmo: tocam no próximo domingo, dia 27, aqui em Sampalândia os escoceses do Franz Ferdinand e The Horrors (dentre outras atrações sendo que os shows começam a partir da uma e meia da tarde e se estendendo até a noite). Há motivos de sobra pra ver (ou rever) o FF ao vivo: o grupo liderado pelo vocalista Alex Kapranos deve lançar em junho deste ano o quarto álbum de sua trajetória, o primeiro desde 2009 quando editaram o mediano “Tonight – Franz Ferdinand!. Porém, se os escoceses andaram “escorregando” no repertório do segundo e terceiro disco (o primeiro, homônimo e que saiu em 2004, ainda é o grande trabalho da banda), ao vivo eles sempre mantiveram o pique altíssimo – e Zap’n’roll pôde comprovar isso quando os viu na abertura do show do U2 em 2006, no estádio do Morumbi, e seis meses depois no Espaço das Américas (aquele “caixotão” desagradável localizado no bairro paulistano da Barra Funda). Antes do Fraz vai rolar The Horrors, grupo mezzo rock garage, mezzo neo goth de quem o blog curte os primeiros álbuns mas não o último, o “neo romantic” “Skying”, que saiu em 2011, vendeu bem na Velha Ilha e foi resenhado por aqui, nessas linhas bloggers rockers. Enfim, tem tudo pra ser um domingão em que o Parque da Independência poderá respirar um ar londrino de Hyde Park em dia de mega show, hehe. Fora que o festival em si ainda vai ter uma renca de atrações e mostras paralelas, com destaque para a exibição de alguns dos principais filmes protagonizados pelo “camaleão” e gênio David Bowie (como “O homem que caiu na Terra”, “Fome de Viver” ou “Velvet Goldmine”, este último inspirado na trajetória de Bowie em sua fase glam). Então fica todo mundo avisado: a ordem esta semana é curtir o festival da Cultura Inglesa, sendo que a programação completa do evento pode ser acessada aqui: http://festival.culturainglesasp.com.br/ .

 Domingo no parque: no próximo dia 27 Franz Ferdinand (acima) e The Horrors (abaixo) vão fazer a festança rocker inglesa em Sampa

* E sim, o ex-repórter da revista GQ (dirigida pelo sempre querido Ricardo Cruz) e atual FolhaSP, Rodrigo Salem, escreve bem e tem bom conhecimento de cultura pop. Mas alguém avisa o moço, por favor, que Pete Doherty NUNCA foi baixista dos Libertines, como ele (Salem) afirmou hoje em texto na Folha online.

 

* A nota “maldosa” e “putanhesca” da semana? Claaaaaro, não poderia ser outra senão sobre a nossa querida Xuxa, ex-rainha dos baixinhos e que deu um depoimento emocionado (emocionante?) ao Fantástico da “Grobo”, falando sobre sua trajetória de vida. Entre outras paradas, a apresentadora confessou até que foi abusada, até os treze anos de idade. Hoje, quase cinquentona e milionária, Xuxa pode se dar ao luxo de fazer a linha “comportada” e “mãe zelosa” em frente às câmeras. Mas vem cá: não dá saudade da Xuxona xoxotuda dos anos 80’, aquela beeeeem safada e putona que posou pelada, participou de filmes pornôs e deixou impressa na memória das “criancinhas” imagens cadeludas como estas duas aí embaixo? Hein??? Uia!

* Pois então, a Xuxa dos anos 80’ deixa muitas saudades, até hoje. Assim também como uns certos The Smiths…

 

VINTE E CINCO ANOS DEPOIS, AINDA NÃO SURGIU UMA BANDA COMO OS SMITHS
Nas duas últimas semanas Zap’n’roll foi tomado por uma nostalgia avassaladora dos anos 80’, mais especificamente em relação ao inesquecível e imortal quarteto de Manchester, os Smiths. Essa nostalgia tem sua razão de existir: em um mundo fugaz como o de hoje, onde nada mais perdura na indústria cultural do que os quinze minutos vaticinados por Andy Warhol, onde não se produz nada mais relevante em termos de música e de letras com dimensão e imagens poéticas profundas, onde tudo é raso como uma poça de água na calçada e fútil e descartável como hypes produzidos para servir de trilha para embalar tarefas e afazeres sem importância (papear com os amigos, namorar, jogar games, falar bobagens em redes sociais etc.), fazer uma “imersão” (um termo bonito e usado bem a propósito aqui, embora ele esteja sendo conspurcado em demasia por gente sagaz que faz da “imersão” o ato de mergulhar em atividades inócuas e sem foco algum, em Ongs e Coletivos idem, e cujo único resultado prático é conseguir “mamar” $$$ na teta pública) na obra legada por Morrissey, Johnny Marr, Andy Rourke e Mike Joyce, é algo absolutamente necessário. Mais necessário ainda quando nos damos conta de que neste 2012 estão fazendo vinte e cinco anos que o quarteto encerrou atividades para sempre. E que hoje o poeta Morrissey (o “ser vivo mais maravilhoso que existe”, segundo a imprensa britânica, e o blog concorda com esta afirmação, rsrs) completa cinqüenta e três anos de vida.

 

 

A história dos Smiths é mais do que conhecida por quem é fã do grupo ou por aqueles que vivenciaram de perto (como o autor destas linhas virtuais) a explosão do pós-punk inglês nos anos 80’. Banda formada na lendária Manchester em 1982, os Smiths tinham um vocalista e letrista extraordinário (Morrissey, o “filho e herdeiro de uma timidez criminosa e vulgar/Filho e herdeiro de nada em particular”, como ele mesmo cantou nos versos sublimes de “How Soon Is Now?”, uma das dezenas de clássicos legados pelo conjunto), um guitarrista (Johnny Marr) que hoje é reconhecido como um dos dez melhores da história do rock, e uma seção rítmica (Andy Rourke no baixo e Mike Joyce na bateria) poderosa, precisa e inabalável. Mozz (como Morrissey ficou conhecido) passou a adolescência trancado no quarto da casa em que morava com a mãe bibliotecária, devorando obras de Oscar Wilde e lapidando sua poesia, enquanto sonhava em ser um astro igual ao seu ídolo James Dean (de quem ele pretendia escrever uma biografia). Quando conheceu Marr, Rourke e Joyce a empatia foi imediata e total e os quatro começaram a ensaiar e a compor as canções que se tornariam obras irretocáveis do rock mundial do último quarto de século. Não tinha como dar errado.

 

 

E deu muito certo, pelo menos por cinco anos, de 1982 até 1987. Foi a meia década em que a “smithmania” varreu o Reino Unido e chegou até ao Brasil, então um país muito menos inculto, brega e muito mais liberal (comportamentalmente falando) do que é hoje. Pense bem: em 1985 (quando saíram os primeiros discos dos Smiths em edição nacional) não havia sequer MTV ainda no Brasil (ela chegaria aqui em 1991), muito menos internet. No entanto as pessoas buscavam informação de qualidade, de maior relevância artística e cultural com muuuuuito mais empenho do que hoje, quando se tem tudo à mão (através da web, de sites, blogs, redes sociais, MTV e canais a cabo em geral) e o país e o gosto cultural do brasileiro médio nunca foi tão terrível (no pior sentido da expressão), brega e conservador. Porque as pessoas involuíram culturalmente aqui (e no mundo todo, na verdade) de maneira brutal nos últimos vinte e cinco anos é um mistério insondável, que talvez nem o mais capacitado filósofo e estudioso em cultura popular tenha a exegese precisa para desvendar.

 

 

O zapper já quase com meio século de existência se lembra bem como tomou contato com a música dos Smiths. Em 1984 o então aspirante a jornalista, que começaria a trabalhar na imprensa apenas dois anos depois (leia sobre esta e outras curiosidades daquela época no sub-tópico logo abaixo a este), devorava informações a respeito de bandas novas. Com vinte anos de idade e prestes a deixar o movimento punk de lado, o sujeito aqui era movido a vinho, maconha (que ele fumou quase diariamente, dos dezesseis aos vinte e dois anos de idade; depois entrou em cena a deusa da luxúria e dos prazeres algo deletérios e mentirosos, a cocaine, mas isso é assunto para uma outra ocasião por aqui), a leituras vorazes de dezenas de livros de poesia e de clássicos da literatura mundial, e também a audições de discos, muuuuuitos discos, que ele comprava na extinta Devil Discos, na Galeria do Rock. Foi quando, em algum dia daquele ano, o jornalista Pepe Escobar (grandiosa geração de escribas: Ezequiel Neves, Pepe, Fernando Naporano… com a possível exceção do querido amigo e grande mestre Luís Antonio Giron, editor de Cultura da revista Época, não há hoje na imprensa cultural brazuca alguém que produza textos de alto teor reflexivo, como eram os escritos pelos nomes citados acima há duas décadas e meia) publicou no caderno Ilustrada, da FolhaSP, uma matéria de página inteira falando de uns certos Smiths. O texto era precioso e fazia uma ampla radiografia e estudo aprofundado do conjunto que estava abalando a Velha Ilha.

Johnny Marr, um dos dez melhores guitarristas da história do rock: sua saída dos Smiths determinou o fim da banda

O jovem zapper saiu correndo atrás dos Smiths. Conseguiu gravar algumas canções do grupo no programa “Patrulha noturna”, da FM 97 de Santo André (hoje, Energia 97). Apaixonou-se pelo que ouviu: melodias trabalhadas com guitarras que pouco se utilizavam de pedais de efeitos, e onde os dedilhados construíam imagens pictóricas, quase idílicas. E um vocalista que cantava versos tão eloqüentes quanto os contidos em um poema de Charles Baudelaire. Quando os discos finalmente começaram a ser lançados no Brasil (“Hatful Of Hollow” e “Meat Is Murder” saíram aqui em 1985; “The Queen Is Dead” em 1986, mesmo ano em que foi lançado na Inglaterra), eles se tornaram peças essenciais e insubstituíveis na já grandinha coleção de lps (que a essa altura somava cerca de mil discos) do futuro jornalista rocker, maluco e gonzo.

 

 

Os Smiths duraram exatos cinco anos – de 1982 a 1987 – e gravaram quatro álbuns de estúdio (além de uma compilação de faixas registradas ao vivo, nos estúdios da BBC de Londres) que podem ser inscritos entre os melhores discos de toda a história do rock’n’roll. E se o blog hoje dedica este post mega nostálgico ao grupo é porque ainda não surgiu, nestes últimos vinte e cinco anos, uma banda capaz de reeditar a grandiosidade e a qualidade musical que Morrissey, Marr e Cia conseguiram engendrar. O blog zapper inclusive sempre defende a tese de que as duas últimas bandas que valeram de verdade ser idolatradas são justamente os Smiths e o Nirvana de Kurt Cobain. Não por acaso as duas estão entre os cinco grupos da vida de Zap’n’roll – os outros três são Rolling Stones, The Clash e REM.

 

 

A separação oficial do conjunto ocorreu em setembro de 1987 – um mês antes as lojas inglesas receberam o “canto do cisne” da banda, o álbum “Strangeways, Here We Come”. Mas os problemas que culminaram nessa separação já vinham rolando desde o começo daquele ano quando o guitarrista Johnny Marr, mergulhado em uma trip pesada de álcool e algumas dorgas, começou a se desentender com Morrissey. Os desentendimentos foram aumentando até que em julho daquele ano Marr anunciou que estava abandonando a banda. Mesmo contando com um vocalista fantástico, ultra carismático e amado por milhões de fãs, e também com um baixista e um baterista excepcionais, não havia como continuar sem aquele que era a metade exata da alma dos Smiths. No mês de agosto de 1987 o grupo anunciou oficialmente seu fim. Durou o tempo exato para não ser corroído pela ferrugem, pela auto-indulgência e pela decadência inexorável que acomete bandas de rock depois de muitos anos de estrada – são raríssimos os grupos que conseguem manter carreiras dignas por mais de uma década.

 

 

Foi-se a banda, permanece sua obra magna e eterna. Até hoje a Inglaterra procura os novos Smiths. O mais próximo que um grupo conseguiu chegar deles foram os Stone Roses e seu também fodástico primeiro álbum, lançado em 1989. De lá pra cá são vinte e três anos, zilhões de discos lançados, zilhões de bandas que surgiram e desapareceram sem conseguir ocupar o trono deixado vago por Morrissey, Marr, Rourke e Joyce. Por isso mesmo os Smiths serão eternos. E por isso estão aqui hoje, neste post zapper. Para que o nosso jovem e dileto leitorado saiba que a música pop mundial, um dia, foi muito mais do que o horror perpetrado nos dias atuais pelos michels telós da vida.

 

 

THE SMITHS – CINCO DISCOS QUE SE TORNARAM CLÁSSICOS

* The Smiths – a estréia em disco do grupo. Foi lançado em 20 de fevereiro de 1984 e já trazia nas canções a marca registrada da banda: as guitarras sem efeitos de pedaleira, tocadas por Johnny Marr e que compunham melodias arrebatadoras, e os verdadeiros poemas escritos e cantados pelo gênio Morrissey. Clássicos às pencas no álbum: “Reel Around The Fountain”, “Still Ill”, “Hand In Glove” e “What Difference Does It Make” entraram para a história recente do rock. E vão permanecer lá para sempre.

 

* Hatful Of Hollow – lançado em 12 de novembro de 1984, era na verdade uma compilação de faixas ao vivo e “lados b” registrados pelo grupo nos estúdios da rádio BBC de Londres. É neste disco que está mais uma obra-prima smithiana, a avassaladora “How Soon Is Now?”. E tem também “This Charming Man”, que embalou pistas alternativas pelo mundo afora no final dos anos 80’.

 

* Meat Is Murder – o “libelo ecológico” dos Smiths (já que na faixa título Morrissey, vegan convicto, protestava contra a matança de animais no mundo) saiu em 11 de fevereiro de 1985. É considerado o disco menos “inspirado” do quarteto (o que significa que ele ainda é zilhões de vezes melhor, musicalmente falando, do que 90% do rock produzido no mundo atualmente). E, ainda assim, tem “The Headmaster Ritual” e a arrasadora “Barbarism Begins At Home”, um funk de mais de seis minutos que estraçalha até hoje qualquer pista de dança.

 

*  The Queen Is Dead – a obra-prima definitiva e máxima. Lançado em 16 de junho de 1986, capturava os Smiths no auge da criatividade musical e textual. Seria necessário um post inteiro apenas para falar desse álbum, que começa com um violento ataque à Rainha da Inglaterra na faixa-título (e aí Mozz mostrou mais uma vez sua envergadura como letrista e ativista social e político), e prossegue com clássicos em sucessão. É neste disco que estão “Cemetry Gates” (“Você tem Keats e Yeats do seu lado/E eu tenho Wilde do meu”), “Bigmouth Strikes Again”, “The Boy with the Thorn in His Side” e a lindíssima e triste “There Is a Light That Never Goes Out”, talvez a mais bela canção de amor escrita por Morrissey e uma das músicas mais fantásticas de todos os tempos. Não podia ter outro resultado: o trabalho foi aclamado pela crítica e recebeu cotação máxima da Rolling Stone americana. É considerado, hoje, um dos dez melhores álbuns da história do rock.

* Strangeways, Here We Come  – um mês antes do seu lançamento (em 28 de setembro de 1987), os Smiths anunciaram oficialmente o fim da banda, sendo que Johnny Marr já não estava tocando com ela há dois meses. Depois de “The Queen Is Dead” seria muito difícil o conjunto se superar, ainda mais passando por um período de crise que culminou na sua dissolução. Ainda assim “Strangeways…” é um discaço e deixou pelo menos dois clássicos para a posteridade: “Girlfriend In A Coma” e “Stop Me If You Think You’ve Heard This One Before”

 

* Existem ainda várias coletâneas do grupo, além do disco ao vivo “Rank!”, editado em 1988. E, claro, a carreira solo do grande Morrissey, que já dura quase vinte e cinco anos e rendeu até o momento nove álbuns, alguns deles (como sua estréia, “Viva Hate!”, em 1988) tão excepcionais quanto os discos lançados pelos Smiths. Ou seja: assunto e análise para muitos e muitos posts zappers…

 

SMITHS AÍ EMBAIXO, EM TRÊS VÍDEOS CLÁSSICOS

 

 

 

RECUERDOS DO MONDO DOS SMITHS E DOS ANOS 80’/90’
* Zap’n’roll começou sua carreira jornalística há exatos vinte e seis anos, em maio de 1986. O primeiro texto publicado (e pago) com a assinatura zapper foi na “revista de bolso” Rock Stars, que era produzida e distribuída pela extinta editora Imprima. Foi nessa mesma editora que começaram também alguns dos mais conhecidos jornalistas hoje em atividade na imprensa musical brazuca, como um dos atuais editores da revista Rolling Stone e também aquele renomado repórter da FolhaSP – ele mesmo, o boa praça e rotundo profissional que por ter problemas de mobilidade, vai hoje a grandes festivais e escreve tudo sobre os shows sem sair da sala de imprensa. O primeiro texto do autor deste blog na Rock Stars? Claaaaaro, um perfil de uma banda chamada The Smiths, que estava estourando na Inglaterra e aqui também.

 

* Yep, houve uma época em que o país era bem menos brega do que é hoje. Essa época foi os anos 80’, embalados musicalmente aqui pela explosão do rock nacional. Bandas como Legião Urbana, Titãs e Paralamas do Sucesso dominavam a programação das rádios. Uma emissora surgida em São Paulo em 1985, a 89 fm (hoje, 89 Fast), chegou a alcançar o topo da audiência das fms paulistanas tocando apenas rock e pop o dia todo. Nesse panorama, era normal ouvir músicas dos Smiths bem no meio da tarde no dial. E o grupo de Morrissey e Marr tocou muito nas rádios brazucas. Tanto que a banda angariou milhões de fãs por aqui também.

 

* O Brasil, que ainda recebia poucos shows gringos, de repente entrou na rota do pós-punk inglês. Em novembro de 1986 Siouxsie e seus Banshees fizeram quatro gigs sold out em Sampa, no Palácio do Anhembi (e Zap’n’roll estava em uma delas, óbvio). No ano seguinte, em fevereiro, os Ramones tocaram pela primeira vez no Brasil. E em maio veio o Echo & The Bunnymen, com sua formação original e ainda no auge da carreira. Cinco datas esgotadas em Sampalândia – isso mesmo, o blog vai repetir: cinco shows lotados no Anhembi. Havia uma nação rocker moderna então por aqui, ávida por ver seus ídolos de perto e ao vivo. Faltava vir os Smiths, claro.

 

* Só que eles nunca vieram. Até hoje rola essa história lendária nas “internas” do show business nacional: em 1987 um grande empresário brazuca tentou “costurar” uma turnê conjunta por aqui dos Smiths com o New Order. Os dois grupos estavam no auge na Inglaterra e estourando aqui também, e o sucesso da empreitada seria garantido. Mas não deu tempo: Johnny Marr brigou com Mozz e os Smiths acabaram em setembro daquele ano. Já o New Order acabaria vindo pra cá finalmente no ano seguinte, lotando todos os shows que fez em São Paulo, Rio e Porto Alegre.

 

* Zap’n’roll foi casado (na verdade, morou junto) com a mãe de seu filho de 1990 a 1992. A garota era fã das bandas do pós-punk inglês e amava Morrissey. Sua frase predileta era: “no dia em que essa bicha [Morrissey, óbvio] aparecer na minha frente, eu faço ele virar homem!”. Uia!

 

* A sexualidade do vocalista dos Smiths na verdade sempre foi um mistério. Mozz enlouquecia homens e mulheres mas se dizia “celibatário” (hã???). E até hoje ninguém sabe se ele traçou ou foi traçado por alguém em sua vida.

 

* Mozz se apresentou solo duas vezes no Brasil. A primeira, em 2000 – e no show em Sampa, na extinta casa de shows Olympia, o zapper sentimental chorou quando o ex-vocalista dos Smiths cantou “Half A Person”. E a última este ano, em março passado. Nesta gig o blog não foi. Mas a nossa dileta companheira de blogagem, Tatiana Pereira, esteve no Espaço das Américas em Sampa. E contou suas impressões aqui: http://deanalgesicoseopioides.blogspot.com.br/2012/03/morrissey-11032012-sao-paulo.html .

 

* E como já foi dito lá no começo do post, hoje é aniversário de mr. Steven Patrick Morrissey. Cinquentra e três anos de idade. Daqui do blog nossos parabéns àquele que é, inegavelmente, um dos maiores vocalistas e letristas da história recente do rock’n’roll mundial.

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA
* Discos: toda a discografia dos Smiths citada acima, claro. São álbuns essenciais para se compreender a melhor música e a melhor poesia produzida no rock e no pós-punk inglês dos anos 80’.

 

* Blog: um dos melhores jornalistas de música e cultura pop do país, o querido “sobrinho” Luiz Cesar Pimentel, estréia seu espaço online no portal R7, onde ele é chefe de redação. “Você tem que ler isso” é ótimo e tem dezenas de textos e posts sobre o que o Luiz adora escrever: rock’n’roll. A informação é abundante, o texto preciso e super bem escrito e, de quebra, Luiz é um dos caras mais humildes e boa praça que você pode conhecer na sua vida. Dá uma acessada lá e confira: http://entretenimento.r7.com/blogs/luiz-pimentel/ .

 

* Baladas: já??? Yes!!! O postão chega na terça e já mira a movimentação no circuito alternativo de Sampa pro finde. Então vamos lá: começando já nesta quarta-feira (amanhã em si), com a festona Fuck Rehab no Beco (que fica na rua Augusta, 609, centro de Sampa). A festa das quartas é sempre open bar (isso é muito importante, hihi) e nesta semana, como não poderia deixar de ser, o tema da balada são os Smiths, claaaaaro, inclusive com show dos Smiths cover. Vai lá!///Na sexta, quem está literalmente abalando o baixo Augusta é o Astronete (que fica no 335 da Augusta, óbvio), com as incríveis DJs set do expert em anos sessenta e soul music, o queridão Claudio Medusa.///Sabadón? Vai que tem: Comodoro na Outs (no 486 da Augusta), a festa oficial do festival Cultura Inglesa no Beco e… a volta aos palcos indies do ótimo grupo Dest_Lado, que vai tocar lá no bar do Aranha (na avenida Álvaro Ramos, 934-A, Belém, zona leste de Sampa). O DL sempre foi uma das bandas prediletas aqui da casa zapper graças ao seu poderoso som que mixa rock com drum’n’bass e a  temática das letras, sempre evocando os prazeres etílicos, uia! E fora que estão de vocalista nova, a lindinha e gracinha (e super amiga destas linhas online) Samara Noronha. Ou seja: motivos mais do que suficientes pra ver a gig da turma lá na Leste neste finde, certo?///Acabou? Que nada! Ainda vai ter o domingão, né? Com o festival da Cultura Inglesa em si no Parque da Independência. Mas se você estiver a fim de algo mais, hã, alternativo, anotaê: vai rolar lá no Império Beer (que fica na rua Mercedes Lopes, 990, Penha, zona leste paulistana) a terceira edição do festival Interzone. Organizado pelo mega brother zapper e agitador cultural Adriano Pacianotto o evento vai por várias bandas pra agitar a galere da Leste, sendo que o grand finale fica por conta do já clássico Dance Of Days. O festival tem o apoio deste blog e rola a partir das três da tarde do próximo domingo. E, ufa! Se você sobreviver a tudo isso e ainda tiver fôlego pra encarar a noitada do domingão, a pedida é sempre o projeto Grind, comandado lá na Loca (que fica na rua Frei Caneca, 916, Consolação, centrão rocker de Sampalândia) pelo super DJ André Pomba, sendo que neste domingão a festa será dedicada a outro ícone do pós-punk inglês, a deusa Siouxsie Sioux que esta semana também apaga velinhas. Se joga, porra!

 

O SACO DE BONDADES ZAPPER AINDA VIVE!
Sim, aos trancos e barrancos ele ainda funciona. Em breve pintam mais tickets aqui em sorteio, pra alguns shows gringos bacanas que estão pra rolar em Sampa. Enquanto esses tickets não entram de fato em sorteio vai lá no hfinatti@gmail.com, que separamos pros interessados:

 

* Dois kits da sempre parceira gravadora ST2, cada um contendo o DVD “Screamadelica” (do Primal Scream), mais o “Somme Girls” (dos Stones) e o mais novo cd dos Forgotten Boys, o ótimo “Taste It”. Dedo no mouse e boa sorte!

 

E CHEGA, PELAMOR!
Post gigantesco, né? Vamos ver agora o que o bando de babacas de sempre vai comentar no painel dos leitores. E o blogão agora provavelmente só dá sinal de vida novamente no começo da próxima semana, okays? Sabe como é, vai ter Cultura Inglesa fest neste finde e tudo vai ficar muito corrido por aqui. Mas se algo justificar um post (pequeno que seja) até esta sexta-feira, ele estará por aqui sem problema. O de hoje, com esta mega homenagem aos Smiths e ao Morrissey, é dedicado a algumas pessoas que o blog ama e que sempre estiveram ao seu lado nos últimos anos, todos muito fãs de Mozz e Cia: André Pomba, Eliana Martins, Adriana Ribeiro, Vera Ribeiro e Adriana Olinto. Mega beijo em todos vocês! E até logo menos!

 

(atualizado, ampliado e finalizado por Finatti em 25/5/2012, às 16hs.)