AMPLIAÇÃO FINAL! Com os assuntos já listados e mais um repeteco total tesudo e abusado: o ensaio nude total do casal rocknroll Jonnata Doll e Marcelle Louzada, uhú – Após longuíssima pausa retomamos os trampos no blog zapper, em um 2018 ainda mais sinistro do que nos dois últimos anos no falido e completamente selvagem bananão tropical DESgovernado pelo vampiro golpista. E tentamos colocar tudo em dia por aqui falando de… Copa do Mundo? Nem fodendo, mas sim do novo álbum do Arctic Monkeys, que retorna depois de cinco anos de ausência com um trabalho surpreendente, quase sem nenhum viés rocker e quase sem guitarras; o rock dos anos 2000 foi mesmo pro túmulo mas a vitória de Jonnata Doll & Os Garotos Solventes como melhor artista musical no Prêmio Governador do Estado ainda dá alguma esperança ao gênero; como foi o showzaço do Ira! na Virada Cultural SP 2018; o adeus de um dos espaços de rock alternativo e cultura pop mais legais da noite paulistana; e por que a morte de um certo produtor musical não causou comoção alguma no blog que não tem medo de dizer o que pensa (postão ampliadão, completão e total FINALIZADO em 29/5/2018)

IMAGEMLULALIVREIV

IMAGEMAM2018

O mundo está caótico e o rock e a cultura pop estão praticamente mortos na era da web e nos anos 2000; mas o quarteto inglês Arctic Monkeys (acima) dribla todos os percalços atuais e se reiventa no novo disco, para continuar seguindo como o grande nome do rock britânico do século XXI; enquanto isso em Sampa a sensacional Sensorial Discos, um dos melhores espaços culturais da capital paulista, dá adeus ao seu endereço atual e sendo que neste post o blog zapper recorda alguns momentos incríveis que passou por lá, como quando aconteceu a festa de 11 anos destas linhas rockers por lá, em maio de 2014 e onde rolou até uma performance altamente erótica da nossa eterna deusa e musa number one, a sempre XOXOTUDA ao máximo Jully DeLarge (abaixo, ao lado do “dono” da festa, hihi)

FINATTIJULLYFESTAZAP14

MICROFONIA

(cultura pop e rock alternativo em discos, shows, filmes, livros etc.)

***Pensou que estas linhas lokers e eternamente rockers tinham morrido, néan. Nope. Apesar de o Brasil estar MORTO sob o DESgoverno do maior bandido e desgraçado GOLPISTA imundo que já ocupou a presidência da república de maneira ILEGÍTIMA (e com apoio da patolândia/coxarada BURRA, reacionária, conservadora e IMBECIL, e que tem mais é que levar no CU agora), estas linhas online demoram mas aparecem e seguem firmes e fortes por aqui. Sendo que em outubro vindouro vai ter FESTAÇO num super espaço na capital paulista, para comemorar (com dois showzaços) os quinze anos de Zapnroll. Mas mais pra frente daremos melhores detalhes sobre isso. Por enquanto vamos a este postão (entrando no ar em sua primeira parte ainda, já na noitona de sabadão), que marca finalmente o retorno destas linhas bloggers à sua velha e ÓTIMA forma de sempre, ulalá!

 

***Como foi o show do ainda grande Ira! na Virada Cultural de Sampa deste ano, em sua edição mais rocker dos últimos anos? Veja abaixo:

 

***SHOW DO IRA! – foi sensacional, como prevíamos. Começou pontualmente às 4 e meia da manhã com a banda disparando “Envelheço na cidade” e seguindo assim a sequência (na íntegra) do clássico “Vivendo e não aprendendo”. Sendo que o público (bem menor do que se esperava, mas isso comentamos mais aí embaixo) cantou e pulou nas faixas mais conhecidas do disco (como “Dias de luta”, “Flores em você” e na dobradinha ao vivo de “Gritos na multidão” e “Pobre paulista”, que fecha a versão original do LP), e ficou MUDO nas bem menos conhecidas (mas não menos ótimas), como as poderosíssimas (e que tiveram suas letras literalmente BERRADAS pelo loki aqui) “Vitrine Viva” e “Nas ruas” (“Nas ruas é que me sinto bem/Ponho meu capote e está tudo bem/Vejo pessoas DESMIOLADAS/Viraram uma MASSA devorada por alguém/Sem princípios e muito ESPERTO”). E como se esperava a primeira parte da apresentação terminou quando o disco também acabou. Mas era muito óbvio que a banda iria voltar para um bis, onde todos (ou o blog, pelo menos) esperavam por uma saraivada de mais uns 5 hits clássicos pelo menos. Mas foi bem menos do que isso. A turma voltou e atacou com a sempre ótima (e inesperada, naquele momento) “Rubro Zorro”. Depois mais uma (qual mesmo? Esquecemos, ahahaha) e tudo terminou com “Núcleo Base” (“Meu amor eu sinto muito, muito mas vou indo/Pois é tarde e eu preciso ir embora…”), com a banda se mostrando potente e impecável como sempre ao vivo e deixando os fãs (a maioria velhos, já na faixa dos 35/45 anos de idade) mais do que satisfeitos, Finaski. Saímos FOCADOS de casa para ver ESTE show na Virada Cultural e não teve arrependimento. Voltamos mega contentes (já com o dia clareando) para casa. Valeu mesmo e total o rolê até o centrão de Sampalândia na sempre perigosa madrugada paulistana.

FINATTIIRAFOLK17

Zapnroll ao lado da linha de frente do ainda gigante grupo Ira!, o guitarrista Edgard Scandurra e o vocalista Nasi, diletos amigos de décadas deste espaço online; o show da banda foi sensacional na Virada Cultural paulistana deste ano

***PÚBLICO – muuuuuito menor do que se esperava, tanto que deu pra chegar com o show começando e ainda ficar COLADO na grade na frente do palco. Se há 4 anos o grupo retornou em grande estilo na própria Virada Cultural e tocando diante de um público de cerca de 35 mil pessoas (e estávamos lá, ESPREMIDOS no meio da multidão), dessa vez nosso “chutômetro” calcula que não havia mais do que umas 5 mil pessoas no boulevard São João (que é um calçadão gigantesco e onde cabe com folga uma multidão muito maior). Claro que há alguns fatores que explicam essa plateia bem abaixo do que era esperado para a gig da banda: o horário total ingrato da apresentação (4 e meia da matina), o frio que finalmente chegou com tudo em Sampa (no momento do show devia estar fazendo uns 14 graus) e o fato de que a MOLECADA atual não curte mais rock, mesmo – como já foi dito aí em cima, o grosso do público era de trintões e quarentões. A pirralhada e o povão se aglomerou mesmo na frente de palcos onde estavam rolando samba e pagode, ou então funk e música eletrônica. Coube ao Ira manter a dignidade gigante que sua história possui até hoje e manter o amor ao rock, compartilhado por todos que presenciaram a performance do grupo.

 

***SEGURANÇA NO EVENTO – todos aqui sabem que não temos nenhuma simpatia pelo tucanato. E também que o item “segurança” é sempre algo problemático na Virada Cultural. Mas como sempre prezamos pela JUSTIÇA, sinceridade e VERDADE no que escrevemos, dessa vez somos obrigados a admitir que foi bastante diferente – e olha que o blog já foi em quase todas as edições da festa cultural até hoje. Óbvio que rolaram os costumeiros furtos de carteiras e cels lá no centro. Bom, nosso trajeto: saímos do Clube Outs 3 e meia da matina e descemos a pé a rua Augusta, que estava vazia e sem policiamento de fato, sendo que foi a parte mais tensa do trajeto, digamos. Seguimos pela praça Roosevelt até cair na avenida Ipiranga, onde começamos a passar por aglomerações de pessoas. Passamos pelo primeiro palco (o do rock, em frente ao Copan), onde inclusive pegamos as três primeiras músicas do set dos Inocentes. E seguimos em frente pelo centro até o local do show do Ira!. Aí rolou total suave pois, de verdade, nunca vimos tantos POLICIAIS (da PM mesmo e da guarda civil) ao logo do trajeto e tantas VIATURAS como nessa edição. Sendo que incrivelmente em alguns trechos da nossa caminhada vimos mais guardas e viaturas do que público, rsrs. De modos que não havia mesmo espaço pros malacos agirem e foi uma madrugada muito mais tranquila do que se esperava lá pelo centrão de Sampa. Se todas as Viradas fossem sempre assim, seria ótimo!

 

***Sem novas grandes novidades para serem incluídas aqui, nas notas microfônicas. De modos que qualquer extra irá entrar ainda neste post caso algo realmente bombástico aconteça, okays? Por enquanto, ficamos por aqui.

 

 

APÓS CINCO ANOS AUSENTE O ARCTIC MONKEYS RETORNA COM UM DISCO NADA ROCK E MUITO ESTRANHO – O QUE NÃO SIGNIFICA QUE ELE SEJA RUIM

Foi mais ou menos assim: após um sumiço de cinco anos dos estúdios de gravação, o quarteto inglês Arctic Monkeys precisava dar as caras novamente. Afinal, aquela que talvez seja a maior, mais relevante e a última banda inglesa de rock dos anos 2000 que ainda vale a pena ser ouvida e tem o respeito e a admiração não apenas da crítica musical mas de milhões de fãs mundo afora (Brasil incluso), tinha/tem consciência plena de que o tempo voa nesses tempos frugais e fúteis da era vazia da web e que, por isso mesmo, era preciso dar as caras novamente. E o AM o fez finalmente, no último dia 11 de maio. Com o seu sexto álbum de estúdio, “Tranquility Base Hotel & Casino”, lançado oficialmente naquela sexta-feira (inclusive aqui, via Deck Disc), trabalho que era esperado com mega ansiedade pela humanidade. Afinal a grande questão era: como seria o novo som dos Macaquinhos? Tão rock e com guitarras explosivas quanto o espetacular e ultra bem sucedido “AM”, editado em 2013 e que rendeu absurdos seis singles individuais? Mais calmo e com mais variedade sonora? Nada disso?

Sim, absolutamente NADA DISSO. O que rolou foi que a banda decidiu que precisava se reinventar musicalmente para continuar existindo. Isso significou praticamente abandonar o rock de guitarras que funcionou tão bem até “AM” (de 2013) e tornou o quarteto britânico um dos últimos nomes gigantes do quase morto rocknroll dos anos 2000 e da era da web. E decidido a praticamente ignorar as guitarras, qual foi o caminho tomado pelo conjunto? Simples e o próprio líder, letrista, cantor e compositor Alex Turner falou sobre as mudanças em entrevistas recentes. Segundo ele, a sua inspiração para compor no instrumento de seis cordas icônico em toda a história do rock, estava literalmente acabando. Foi quando Turner ganhou um PIANO de presente de aniversário do empresário dos Macaquinhos ao completar trinta anos de idade, em 2016. Sentiu sua criatividade voltar com força ao começar a “brincar” no instrumento. E veio dali, do piano, toda a inspiração para compor as onze faixas do novo trabalho.

Que certamente vai DESORIENTAR quem está acostumado com o rock básico de nuances punksters do AM do início de sua carreira (lá em 2002, já se vão longos dezesseis anos…). Ou com a banda que abraçou com força e com competência absoluta (e com um grande help do gênio Josh Homme, do Queens Of The Stone Age) o stoner rock a partir de seu terceiro álbum (o espetacular “Humbug”, lançado em 2009). Se não causar desorientação nos fãs, no mínimo o novo cd vai causar irritação ou mesmo raiva nos mesmos – este espaço rocker online já “testou” opiniões sobre a nova empreitada musical dos Monkeys no faceboquete entre nossos amigos por lá, e o resultado foi bem previsível: boa parte deles achou “Tranquility…” uma merda gigante.

Talvez o disco esteja sendo, como sempre ocorre quando uma banda muda radicalmente sua proposta sonora, mal compreendido. Nunca é demais lembrar: o AM estourou para o mundo via internet e com seus dois primeiros discos de estúdio, lançados em 2006 e 2007, e quando Alex Turner ainda era um pirralho cheio de boas ideias tanto nas letras quanto na parte musical. Mas tudo aquilo ainda precisava ser lapidado e burilado, tanto que essa fase inicial do conjunto (com ele tentando reeditar para os anos 2000 a fúria e a iconoclastia punk inglesa do final dos anos 70) é justamente a que o blog zapper não suporta na trajetória dele. Estas linhas zappers passaram a morrer de amores por Turner e sua turma justamente quando lançaram o já citado “Humbug”. E depois de assistir uma gig inesquecível e fodástica do quarteto na edição de 2007 do Tim Festival, em Sampa. Naquele show e antes de lançar seu terceiro LP o AM já dava pistas totais de que o trabalho vindouro iria mudar bastante a concepção sônica deles. Foi quando entrou em cena o stoner rock que dominou os três álbuns seguintes, os melhores da carreira da banda.

CAPAAM18II

 

Mas a fórmula “stoner” também parecia ter se esgotado, ao menos na cabeça de Alex Turner. Foi quando entrou em cena o piano dado de presente pelo empresário do cantor e de sua banda. O resultado apareceu agora, cinco anos depois do mega sucesso que foi o disco “AM”. E se você que está lendo esse texto ainda não ouviu o novo álbum (algo difícil nesses tempos onde tudo flui hiper velozmente, não é? Ainda assim e como sempre dissemos aqui, nunca é tarde para se comentar/resenhar um ótimo trabalho musical), esqueça absolutamente TUDO o que você imaginava em termos sonoros em relação aos Monkeys. As guitarras saíram quase que totalmente de cena. Prevalece em todo o disco ambiências absolutamente calmas em termos melódicos, com fartas referencias a soul (!) e a R&B (!!!). Sendo que boa parte da rock press gringa também captou em algumas faixas do CD eflúvios e referências diretas do inesquecível e saudoso gênio David Bowie. Isso é ruim? De forma alguma. Fora que Alex Turner está cantando cada vez melhor e se utilizando como nunca de um falsete sarcástico, irônico e debochado, para reforçar algumas inflexões e algumas passagens vocais e dar mais força a alguns versos das letras, que também estão cada vez melhores e aqui refletem sobre o mundo moderno, sobre avanços tecnológicos que dão tudo ao ser humano e ao mesmo tempo o deixam completamente vazio e anódino por dentro. E, claro, já na faixa de abertura (a soberba “Star Treatment”) Turner reflete sobre si próprio e sobre em que e como, afinal, se tornar um rock star muda a existência e a essência de uma pessoa.

Sendo que há muitos outros momentos bem bacanas ao longo do disco. Como a faixa título (veja letra mais aí embaixo), ou ainda a mezzo psicodélica “Four Out Of Five” (o primeiro single de um álbum que não foi precedido por NENHUM single antes de seu lançamento oficial), “Science Fiction”, “American Sports” (onde Turner zomba sem piedade dos EUA da era Trump), “Batphone” ou a estoica/eloquente e algo melancólica (em seu clima de cabaré tristonho e decadentista, com melodia impecavelmente construída e conduzida pelo piano) “The Ultracheese”, que fecha tudo em grandioso estilo.

Yep, é um disco diferente de tudo que o Arctic Monkeys havia feito até então. Isso é ótimo? Péssimo? Depende do ponto de vista e do gosto do ouvinte e fã sectário. No caso de Zapnroll achamos que “Tranquility Base Hotel & Casino” é um álbum que desvela que Alex Turner teve coragem e MATURIDADE (quem disse que o rock não pode conviver com a maturidade comportamental e emocional do ser humano?) para, aos trinta e dois anos de idade, enxergar que o AM havia chegado a um ponto de não retorno e que a banda precisava mudar tudo para continuar existindo e continuar sendo relevante. E ele conseguiu o que queria. Musicalmente os Macaquinhos se reinventaram e seguem totalmente relevantes, como talvez a última banda inglesa que valha a pena de duas décadas pra cá. Se isso vai fazer alguma diferença no rock atual e na vida dos fãs do grupo, só o tempo irá dizer.

 

 

TRACK LIST DO NOVO ÁLBUM DOS AM

1. “Star Treatment”
2. “One Point Perspective”
3. “American Sports”
4. “Tranquility Base Hotel & Casino”
5. “Golden Trunks”
6. Four Out of Five
7. “The World’s First Ever Monster Truck Front Flip”
8. “Science Fiction”
9. “She Looks Like Fun”
10. “Batphone”
11. “The Ultracheese”

 

 

 

AM AÍ EMBAIXO

No vídeo para o primeiro single do novo álbum, “Four Out Of Five”.

 

E O DISCO COMPLETO PARA OUVIR, ABAIXO

 

A LETRA DA FAIXA TÍTULO DO NOVO DISCO DOS MACAQUINHOS

 

Hotel e cassino base de tranquilidade

Jesus no day spa preenchendo o formulário de informações

Mamãe fez o cabelo dela

Apenas pulando para cantar uma música de protesto

Eu estive em um bender de volta para essa esplanada profética

Onde eu pondero todas as perguntas, mas apenas consigo perder a marca

 

Boa tarde

Hotel e Casino Base de Tranquilidade

Mark falando

Por favor, me diga como posso direcionar sua ligação?

 

Esse pensamento mágico

Parece que realmente pode pegar

Mamãe quer algumas respostas

Você se lembra de onde tudo deu errado?

Avanços tecnológicos

Realmente sangrenta me deixa de bom humor

Puxe-me para perto de um bebê de véspera crisp

Beije-me debaixo do peito do lado da lua

 

Boa tarde

Hotel e Casino Base de Tranquilidade

Mark falando

Por favor, me diga como posso direcionar sua ligação?

 

Você comemora seu lado negro

Então gostaria que você nunca tivesse saído de casa?

Você já passou uma geração tentando descobrir isso?

 

Boa tarde

Hotel e Casino Base de Tranquilidade

Mark falando

Por favor, me diga como posso direcionar sua ligação?

 

 

O FECHAMENTO (INFELIZMENTE) DE MAIS UM ESPAÇO ALTERNATIVO INCRÍVEL E QUE MARCOU ÉPOCA EM SAMPA, MESMO TENDO DURADO APENAS 5 ANOS

Não há mais escapatória, pelo jeito. O bananão tropical falido, fodido e DESgovernado por um golpista desgraçado e do inferno vai fazendo cada vez mais vítimas, espaços culturais, eventos e empreendimentos, diariamente. Inclusive na cena musical noturna alternativa da capital paulista, onde diversos bares e clubes bacaníssimos dedicados ao rock (que, sim, também anda quase morto nesses tempos de internet fútil, vazia e de cultura pop banal, irrelevante e total rasa, com a pirralhada dando um “foda-se” para o gênero musical que todos nós amamos, e se descabelando ao som de sertanojo e funk boçal) encerraram atividades nos últimos dois anos – como o Astronete, o Inferno, a Funhouse etc. E agora neste sábado, conforme já está anunciado nas redes sociais, é a vez da festa de despedida da sensacional Sensorial Discos, que tornou nossas vidas medíocres menos ordinárias ao menos nas noites de quarta-feira a sábado, nos últimos quase cinco anos.

O espaço, um mix genial de loja que comercializava discos de vinil importados com venda de cervejas artesanais (chegou a ter mais de 150 marcas em seu cardápio), além de sandubas e petiscos sofisticados, vai deixar mega saudades por zilhões de motivos. Por exemplo: as bruschettas de tomate seco eram divinas, idem as rodelas de cebola empanadas e os recentes hot dogs incorporados à carta de comestíveis, tudo com preços ótimos e em porção generosa, adornados na versão mais caprichada com bacon e queijos diversos, tudo preparado com absoluto esmero pela Lilian, uma das sócias e esposa do proprietário, o queridão Lucio Fonseca.

A carta de cervejas artesanais era impecável (sendo que recentemente a casa também havia incorporado ao quesito bebidas doses de Red Label, de Jack Daniel’s e de rum importado, mas nem era preciso), indo da Paulistânia/Ypiranga vermelha (e bem forte e encorpada, a preferida deste jornalista loker/rocker quando ele ia ao local) que custava módicos 20 mangos a garrafa (de 600 ml), a até rótulos tchecos com valor em torno de 80 reais a garrafa. Mas tanto as brejas quanto os petiscos saborosos, otimamente preparados e bem servidos, eram apenas a desculpa para segurar a clientela no lugar e chamar a atenção dela ao que realmente importava ali: a música (sempre rock ou MPB de ótima qualidade, apresentada por artistas iniciantes ou alguns até já meio consagrados no circuito independente ou mezzo mainstream). Durante os seus quase 5 anos de existência a Sensorial abriu espaço para alguns dos melhores shows que tivemos o prazer de assistir nesse período. Não só: o bar/loja de discos de vinil foi espaço de eventos incríveis como lançamento de livros, feiras, exposições sobre temas ligados à cultura pop etc, etc. O autor deste texto, ele mesmo promoveu eventos mega legais por lá, como festas de aniversário do blog zapper. E sendo que nossa última e super bem sucedida festa por lá foi a noite de autógrafos e de lançamento do livro “Escadaria para o inferno”, que aconteceu no final de novembro do ano passado.

FINATTILUCIOSENSORIAL18

Zapnroll ao lado de Lucio Fonseca (acima), proprietário de um dos espaços rockers e de cultura pop mais incríveis da capital paulista, e que hoje está encerrando atividades em seu atual endereço; abaixo turma de “lendas” do rock paulistano se junta ao jornalista e escritor para bebemorar o lançamento de seu primeiro livro, em novembro passado: o músico e escritor Luiz Cesar Pimentel, o ex-baterista do Ira!, André Jung, e Callegari, um dos fundadores do movimento punk paulistano, nos anos 80

FINATTIAMIGOSSENSORIALLIVRO17

 

Como tudo começou, afinal? A versão original da Sensorial era uma simples loja de discos e CDs localizada no centro de São Paulo, na rua 24 de maio (na Galeria Presidente, ao lado da célebre Galeria Do Rock). O proprietário era o conhecido músico e agitador cultural Carlos Costa (que toca baixo na banda Continental Combo). E um dos frequentadores mais assíduos era Lucio Fonseca, um sujeito que trabalhava no mercado financeiro e que possuía um amor e um conhecimento ENCICLOPÉDICO de rock e cultura pop. Pois bem: com a crise se agravando no país Carlinhos resolveu fechar a loja que tinha no centro da capital paulista. Foi quando Lucio lhe fez a proposta: reabrir a Sensorial mas com outra proposta comercial, outro foco de público e em uma região um pouco mais nobre da cidade. Foi assim que nasceu a Sensorial Discos onde ela estava/está localizada até hoje à noite: na rua Augusta, região dos Jardins (a parte, digamos, rica e chic de uma das ruas mais famosas do Brasil). E foi assim que ela marcou época, vendendo os melhores discos de vinil novos, lacrados e importados, servindo as melhores cervejas artesanais da noite paulistana e oferecendo ótimos pocket shows para um público ainda interessado em MPB e rock de qualidade.

Mas tudo acaba um dia nesse sempre cinza, triste e miserável país. E mesmo conseguindo manter um público fiel a Sensorial Discos enfim cedeu às pressões de uma situação econômica caótica dominando o Brasil e resolveu fechar as portas, mesmo porque Carlinhos já havia saído da sociedade há algum tempo e Lucio estava tocando o negócio sozinho, junto à sua dileta love girl Lilian. Em papos com este blog semana retrasada ele já havia dito que iria fechar a loja no final deste mês (“o aluguel está absurdo, tentei negociar com o proprietário mas ele não aceitou acordo algum”, disse ele quando conversamos. “Fora que as pessoas estão sem dinheiro e apesar de ainda mantermos um público fiel o CONSUMO no bar caiu”, completou). Ele tem planos de reabrir em outro local. Mas ainda sem previsão de data nem endereço já escolhido.

De modos que neste sábado iremos perder mais um incrível espaço cultural alternativo em Sampa. E isso é de se lamentar profundamente visto que a sociedade brasileira, quase como um todo, se tornou bastante ignorante, boçal e conservadora de alguns anos pra cá, muito mais do que era há três décadas. Hoje não há mais espaço no país para música de qualidade, idem literatura, cinema, artes visuais, teatro, o que for. O que impera aqui é o reino do raso e do fácil, de consumo simples, direto e rápido. Está ficando cada vez mais impossível manter espaços comerciais dedicados à cultura de qualidade, como era o caso da Sensorial Discos.

FINATTIFLAMINGOSENSORIAL2014

Mais dois ótimos momentos do blog ao longo dos últimos, na Sensorial Discos/SP, que está encerrando atividades hoje no atual endereço: acima a finada banda Star61 toca o terror rocker na bombadíssima festa de 11 anos da Zap, em maio de 2014; e abaixo o jornalista e escritor zapper brinda com seu amigo Nasi (vocalista do grupo Ira!), durante gravação de entrevista para o programa “Nasi noite adentro” (do Canal Brasil), em janeiro passado

FINATTINASI17

 

Vai deixar muitas saudades, com certeza. E para amenizar um pouco essa saudade estaremos todos lá neste sábado, para (repetindo novamente) nos despedir (tomando ótimas brejas) de um local que tornou nossas vidas quase sempre imensamente cinzas, caóticas, vazias e tediosas, menos ordinárias nas noites de quarta-feira a sábado. Sendo que daqui desejamos todo o sucesso e sorte do mundo pra dom Lucio e miss Lilian, em suas novas e futuras empreitadas.

 

XXX

 

Do texto que consta na página do evento aberta no Facebook, sobre a festa de despedida da loja/bar:

 

Aconteceram nestes 4 anos e 7 meses de funcionamento:

– Mais de 1500 Shows

– Lançamentos de livros e quadrinhos

– Discotecagens e Festas

– Exposições de fotos, pinturas e ilustrações

– Performances

– Debates Filosóficos

– Saraus

– Degustações de Cervejas

– Feiras e Bazares

 

***última forma: em papo com o blog na tarde de hoje, sábado em si, Lucio Fonseca deu a ÓTIMA notícia: a Sensorial Discos já reabre nas próximas semanas em novo endereço, na rua Augusta mesmo, mas do lado entre a avenida Paulista e o centro da cidade. Vai funcionar na Galeria Ouro Velho, tradicional ponto do baixo Augusta e que ferve nos finais de semana à noite. Logo menos daremos mais detalhes aqui sobre o novo endereço de um dos bares e lojas de discos mais incríveis da capital paulista.

 

**********

A VITÓRIA DO GRANDE ROCK ALTERNATIVO NO PRÊMIO GOVERNADOR DO ESTADO 2018 COM JONNATA DOLL E SEUS GURIS SOLVENTES, DÁ ALGUM ALENTO À MORIBUNDA CENA ALT ROCK BR

Palavra deste velho (mas jamais obsoleto) jornalista eternamente rocker e ainda loker: mesmo falido e já quase morto o rock BR ainda respira e mostra sua força, aqui e ali. E um dos momentos em que ele mostrou essa força rolou no final de março passado, durante a cerimônia de entrega do Prêmio Governador do Estado para a Cultura 2018 – do qual o autor deste espaço online foi um dos três jurados na categoria música. E no evento assistimos com o coração em júbilo absoluto ao triunfo do Jonnata Doll e seus guris solventes (na real este espaço rocker já sabia do resultado da premiação e apenas não podia abrir seu enorme bico antes da entrega dos prêmios, mesmo porque isso iria estragar o fator surpresa e a alegria da banda, hehe). Que DISSOLVERAM concorrentes pesos-pesados como Mano Brown (vocalista dos Racionais), por exemplo.

O quinteto cearense merece, e como. Grupo bom pra carajo e que ainda por cima recebe um mega merecido destaque para seu trabalho, ainda mais em um momento em que o rock precisa de total apoio e visibilidade na mídia e na música total emburrecida de um país idem, e onde o que manda no gosto do populacho é sertanojo, axé burrão e funk podreira em nível hard. E sim, mesmo estando em “baixa”, o rock ainda vive, respira e CHUTA.

E a Secult/SP merece todos os elogios do mundo por dar essa força à cultura como um todo e ao rock em particular. Sem palavras para agradecer ao (agora ex) Secretário José Luiz Penna e ao amado André Pomba, por essa autêntica revolução dentro da Secult.

IMAGEMJONNATAVENCEPREMIOGOV18

O telão instalado no teatro Sérgio Cardoso (no centro da capital paulista), durante a cerimônia de entrega do Prêmio Governador do EstadoSP para a Cultura 2018, anuncia a vitória da banda Jonnata Doll & Os Garotos Solventes na categoria música (acima), dando novo alento ao combalido rock alternativo brasileiro atual; abaixo o vocalista Jonnata Araújo comemora a vitória ao lado de Zapnroll, que foi um dos jurados da premiação

FINATTIJONATTA18

Finda a premiação fomos todos bebemorar, claaaaaro. Com brejas e em seguida Finaski indo jantar com seu queridaço advogado ricaço “hipócrita de extrema direita” (hihihi), o também loker/rocker TG, que voltou de viagem de trabalho de uma semana ao exterior. Enfim, fakes otários e doentes de inveja no FB (como o PORCÃO José Flávio JOTALHÃO MERDA Jr., que foi destilar sua raiva, rancor, inveja, torpeza, ódio e dor mortal de cotovelo no grupelho que ele “administra” sobre a finada revista Bizz, dizendo por lá que “é uma vergonha a Secult permitir que Finatti faça parte de algo, e quanto ele irá receber de ‘gorjeta’ da banda por tê-la ajudado a ganhar a premiação?”, ahahahaha) e no painel do leitor da Zapnroll: podem SE MATAR avonts de ódio. E latir à vontade também.

De modos que mais uma vez: parabéns pro Joninha e os guris solventes. E daqui pra frente, foco no trabalho e administrar mega bem o money que irão receber da premiação. Afinal a banda é mesmo uma das melhores e das poucas com trabalho realmente relevante na novíssima cena independente do rock nacional. Sendo que com a grana que irão receber por ter ganho o prêmio (R$ 60 mil reais), o plano é gravar um novo e caprichado disco, que será o terceiro inédito de estúdio deles. É isso aí: sucesso pros meninos, que estão no coração destas linhas zappers já para sempre!

 

***Adendo: um covarde e retardado ainda foi VOMITAR no painel do leitor de Zapnroll, perguntando o que fizemos até hoje pela cena rock alternativa nacional, como jornalista. Nem precisamos responder, hihi.

 

 

 

E A MORTE LEVOU O PRODUTOR MUSICAL CEM (NOÇÃO) EM MARÇO PASSADO

Yep. Em 22 de março passado o meio musical brazuca foi surpreendido com a notícia da morte de um dos produtores musicais mais conhecidos do país nas duas últimas décadas – e não exatamente por ele ser o pseudo e superestimado “gênio” que muitos consideravam e ainda consideram, num exagero sem tamanho. Na ocasião o jornalista zapper postou o texto abaixo em sua página no FaceTRUQUE, emitindo sua opinião sobre o falecido. Foi um escândalo: Finaski foi xingado, insultado, chamado de aético, foi repreendido publicamente (por chapas como o prezado André Forastieri, que declarou no mural fináttico da rede social: “você perdeu o direito de me chamar de queridão”) etc. Tudo porque vivemos na era da web escrota, do politicamente correto exacerbado, do moralismo total hipócrita e da falta de sinceridade plena, onde ser sincero e dizer/publicar o que se realmente pensa sobre algo se tornou um crime.

Enfim, o blog não mudou e não mudará uma linha sequer sobre o que escreveu naquele momento, e que segue aí embaixo. Sem mais.

 

XXX

IMAGEMCEM18 O produtor musical CEM (noção), um dos nomes mais conhecidos da cena musical nacional nas últimas duas décadas e que morreu repentinamente em março passado: superestimado profissionalmente em demasia, virou “santo” assim que seu falecimento foi anunciado. Que descanse em paz mas seu passamento não comoveu absolutamente em nada este espaço rocker online

Sobre a morte do produtor CEM (ou Carlos Miranda).

Na boa? NÃO VOU ALIVIAR pro finado em questão, como não aliviei pro analfabeto funcional que era Chorão (vocalista do Charlie Bronha Jr.), quando ele também foi pro saco. O ser humano tem o PÉSSIMO hábito de endeusar e perdoar todos os pecados de quem morre, por pior que a pessoa tenha sido em vida e como se ela sempre tivesse sido uma santa, sem cometer nenhum erro, falha ou cagada em sua existência, e sem ter jamais prejudicado quem quer que fosse. Partindo dessa premissa até Hitler e Stalin foram “santos”. Mas como não tolero injustiça, acho que o que tem que ser dito DEVE ser dito, mesmo que seja algo desabonador sobre a vida pregressa de um morto.

Posto isso, digo que não desejo a morte de absolutamente NINGUÉM nesse mundo. Nem a de Hitler (pra exemplificar meu pensamento), nem a de um inimigo FEROZ e cruel, como este senhor foi de mim e sendo que muitas vezes ele tentou me prejudicar moralmente e profissionalmente da forma mais solerte, canalha, calhorda e infame possível. Mas enfim, como sempre digo: desse mundo ninguém jamais sairá vivo. Meus sentimentos aos amigos e familiares dele. É isso. Podem me xingar e fuzilar à vontade por causa deste post. Pelo menos sou honesto, transparente e detesto falsidade. E sei que quando EU morrer (e não tenho medo algum da morte, além de achar que a minha está cada dia mais próxima) muitos irão lamentar meu fenecimento da maneira mais FALSA possível. De modos que terei (do além, se ele existir) muito mais respeito pelos HONESTOS que me DETESTERAM e tentaram me foder a vida toda pelas costas e que irão COMEMORAR secretamente meu desaparecimento, dizendo: “já foi tarde, filho da puta!”.

Quem quiser saber o que eu pensava de fato de mr. Miranda, segue abaixo o link de post que publiquei no blog zapper há seis anos, em 2012. E novamente: rip, Mirandinha.

http://www.zapnroll.com.br/2047/

 

 

ENSAIO ROCKER SENSUAL EM REPETECO MERECIDO: JONNATA DOLL E SUA LOVE GIRL MARCELLE, UHÚ!

Yep, para comemorar a vitória da banda Jonnata Doll & Os Garotos Solventes no Prêmio Governador do EstadoSP 2018 para a Cultura, nada melhor do que republicarmos um dos melhores ensaios eróticos já produzidos para o blog zapper: o que mostra o cantor Jonnata total avonts ao lado da sua gatíssima e gostosíssima lovegirl, Marcelle Louzada. Apreciem sem moderação!

 

ELA

Quem: Marcelle Louzada.

De onde: sou do mundo sou Minas Gerais. Moro no centro da São Paulo desvairada, vale do Anhangabau.

Idade: 35 anos.

O que faz: artista do corpo, pesquisadora das artes. Doutoranda em educação pela Unicamp.

Três artistas: Patti Smith, Rita Lee e Karina Bhur.

Três discos: “Horses” (Patti Smith), “Hoje é o primeiro dia do resto de sua vida” (Rita Lee) e “Selvática” (Karina Bhur).

Três filmes: “Je vos salue  Marie”, “Zabriskie Point” e “Sonhos”.

Livros: “Flicks” (Ziraldo), “Macunaíma” (Mario de Andrade) e “A revolução dos bichos” (George  Orwell).

Três diretores de cinema: Zé do Caixão, Jean Luc Goddard e Federico Fellini.

Três escritores: Ziraldo, Mario de Andrade e Italo Calvino.

Show inesquecível: Jonnata doll e os Garotos Solventes no vale do Anhangabaú em São Paulo, 2016.

 

ELE

Quem: Jonnata Araújo.

De onde: Fortaleza (Ceará).

Mora em: São Paulo, capital.

Idade: 35.

O que faz: vocalista, letrista e compositor na banda Jonnata Doll & Os Garotos Solventes,

Três artistas : Ramones, Dago Red (Fortaleza/CE) e Iggy Pop.

Três discos: “It’s Time For” (Jonathan richiman), “Lust for life” (Iggy Pop) e “Uhuu” (Cidadão Instigado).

Três livros: “Misto quente” (Charles Bukowski), “Junky” (William Burroughs) e “Crônica da províncias em chamas” (Airton Uchoa Neto).

Três filmes: “A noite dos mortos-vivos”, “O império contra-ataca” e “A montanha sagrada”.

Três diretores de cinema: George Romero, David Cronemberg e Lucio Fulci.

Três autores literários: Isaac Assimov, Wiliam Burroughs e Jack Kerouack.

Show inesquecível: da banda cearence Dago Red,  em 1997 no padang padang, atigo espaço de show de rock na pria de iracema em Fortaleza. Foi a primiera vez que vi uma banda de punk rock tocando algo, falou diretamente comigo, todos da banda chapados e com uma energia incrível e ao contrário da maioria de bandas punks da época, todas com letras engajadas, as letras do dago red falavam de coisas que eu sentia: tristeza, sexo, drogas, amor, ateísmo e musicalmente eu entendi o que era uma guitar band e um pedal fuzz ali. Depois disso fui na casa do Robério, o vocalista, e saí com um monte de discos emprestados: Velvet, Iggy Pop, Husker Du, Mercenárias, Smack, Inocentes, Pixies e aí minha vida mudou depois disso e achei meu som.

 Sobre o casal e como o blog os conheceu: Marcelle e Jonnata têm a mesma idade, total afinidade cultural e intelectual e moram juntos em um aconchegante apê de um dormitório no centrão rocker de Sampa. Cercados por discos de vinil e livros, o casal leva uma vida bastante agitada: ela está fazendo doutorando na área de Humanas; ele sempre fazendo shows e cantando à frente dos Garotos Solventes, banda da qual é vocalista. Além disso Jonnata participou de várias gigs da turnê que comemorou os trinta anos do lançamento do primeiro álbum da Legião Urbana, tocando e cantando ao lado de Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá ao longo de todo 2016.

E estas linhas sempre total rockers conheceu Jonnata, Marcelle e a banda há apenas alguns meses, após assistir uma apresentação do grupo durante uma peça de teatro marginal, em Sampa. Foi paixão à primeira vista pelo conjunto e agora o blog já tem os Solventes e o casal rock’n’roll no nosso coração.

Mas chega de bla bla blá, rsrsrs. Aí embaixo nosso dileto leitorado confere um ensaio fodíssimo e tesudo da dupla, especialmente para Zap’n’roll. Então deleitem-se e apreciem sem NENHUMA moderação, uia!

IMAGEMJONINHAMARCELLE

Casal rocker: tesão e música caminhando juntos

 

IMAGEMJONINHAMARCELLEII

Ele com olhar atento e agressivo; ela, observando a fera com suavidade

 

IMAGEMJONINHAMARCELLEIII

Um baseado pra relaxar 

 

IMAGEMJONINHAMARCELLEIV

Corpo, carne e corações em conexão plena

 

IMAGEMJONINHAMARCELLEV

Observando as estações lunares impressas no corpo da amada

 

**********

FIM DE PAPO

Pronto! Demorou mas o postão voltou bem, com textão e afiado como sempre. De modos que podemos encerrar os trampos por aqui, mesmo porque o blogger sempre andarilho está se mandando para a tenebrosa (atualmente) capital fluminense (yep, o Rio De Janeiro mesmo) nesta quarta-feira (amanhã em si, véspera de mais um feriadón), onde fica até a semana que vem, para divulgar nosso livro “Escadaria para o inferno”.

Beleusma? Então o blog retorna com post inédito logo menos, assim que novos assuntos bacanas surgirem e merecerem uma pauta bacana por aqui, okays? Bijokas nos leitores e ótimo feriado pra galera rocknroll!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 29/5/2018 às 14hs.)

Como recordar é sempre mesmo viver (ulalá!), o blog comenta os trinta anos de dois álbuns GIGANTES da história do rock brasileiro dos anos 80’: as estreias do Ira! e da Plebe Rude (e de quebra, histórias como sempre cabulosas de duergas envolvendo o zapper loker ao som dessas bandas); o velho e genial Neil Young volta à boa forma em seu novo disco; bons sons indies vindos do Norte brazuca; edição ESPECIAL das nossas sempre total delicious musas rockers, com uma seleção de algumas das gatas mais incríveis que já apareceram no tópico; e mais as indicações culturais da próxima semana e os agitos no circuito rocker underground paulistano (postão finalmente concluído com ampliação MONSTRO: indicações de discos, livros e o roteiro de baladas legais para esta semana no circuito alternativo de Sampa!) (ampliação final em 1/7/2015)

Duas bandas gigantes do rock BR dos anos 80’ e seus fundamentais discos de estréia, lançados há exatos trinta anos (e relembrados e comentados neste post): o paulistano Ira! (acima) e o brasiliense Plebe Rude (abaixo) deixaram um legado difícil de ser batido pela atual geração do rock nacional, onde não surgem mais grandes músicos e cantores como Edgard Scandurra e Nasi (ambos do Ira!), velhos amigos de Zap’n’roll (também abaixo)

**********

EXTRINHAS RAPIDÕES FECHANDO A TAMPA DE UM POST GIGANTESCO

* Yeah. O post enfim chega ao fim já na quarta-feira da primeira semana do mês de julho. Ontem (terça), a Câmara dos Deputados em Brasília rejeitou a proposta de mudança na Constituição que reduzia a maioridade penal para dezesseis anos de idade. Okays. Pelo menos algo SENSATO esse bando de bandidos e pilantras fez pelo país.

 

 

* E Glastonbury 2015 terminou no último domingo assim: Roger Daltrey e Pete Townshend dando sangue no palco. Os dois estão jurássicos, carecas, caindo aos pedaços. Mas ambos (ou o que resta do glorioso The Who) levantaram cem mil pessoas ao som desse hino aí no vídeo. Infelizmente nós, aqui no bananão do cu do mundo, não iremos ver isso ao vivo. E sério, o blog gostaria de ver…

 

 

* É isso. Semana que vem novo postão na área. Até lá!

 

**********

Clássicos imortais do rock BR que importa.

Eles foram lançados há trinta anos e permanecem relevantes até hoje. Aliás, sua importância e dimensão se tornam ainda mais gigantescas em um tempo onde a música se tornou praticamente perfumaria, quase mero acessório e fundo sonoro para as mais banais e diversas atividades do cotidiano humano. Afinal em um mundo dominado por internet, por musica de péssima qualidade circulando aos milhões pela web, por redes sociais (como o Facebook) e aplicativos de celular (como o detestável whats app) que nada mais fazem do que contribuir para o emburrecimento e a imbecilização completa de hordas cada vez maiores de pessoas ignorantes e bestiais ao extremo, quem se importa com questões como composição, melodia, harmonia, arranjos e letras que provoquem profunda reflexão social, política e comportamental? É um mundo cruel o de hoje, dominado pela idiotização em massa (e isso com tanta informação disponível…) e o rock’n’rol que se faz atualmente, seja aqui ou na gringa, é o reflexo direto dessa idiotização. Mas nem sempre foi assim, felizmente. E estão aí discos como “Mudança de comportamento”, do grupo paulistano Ira!, e “O concreto já rachou”, do brasiliense Plebe Rude, ambos lançados há exatos trinta anos, em 1985 –  ano inclusive que também viu chegar ao mercado fonográfico nacional trabalhos essenciais como “Revoluções por minuto” (do RPM de Paulo Ricardo), e “Nós vamos invadir a sua praia” (do Ultraje A Rigor), e que serão igualmente comentados em Zap’n’roll em posts futuros – para mostrar isso. Eram outros tempos. Não havia a facilidade de acesso à informação que se tem hoje, e era preciso correr atrás dela. Não havia internet, redes sociais, celulares, nada disso. E a molecada ainda tinha prazer em se dedicar a ler ótimos livros, ouvir grandes discos de vinil, assistir a filmes clássicos. Todo esse ambiente bastante erudito (mesmo dentro da cultura pop) e ainda aliado ao fato de que o país estava saindo de um longo período de um regime político duro e fechado (e que limitava ao máximo possível os direitos individuais e civis), proporcionou um estimulo grandioso à alta criação artística em seus mais diversos segmentos (música, literatura, cinema, teatro, artes plásticas). E  o rock’n’roll de então acompanhou esse processo com grandes bandas se formando e lançado discos que se tornariam momentos fundamentais de toda a história da música brasileira. A Legião Urbana, também de Brasília, já havia estreado em vinil no final de 1984 com um trabalho irrepreensível. E meses depois era a vez do Ira! e da Plebe chegarem com registros que permanecem até hoje como marcos sólidos e essenciais de um rock que tinha o que cantar e que levava o ouvinte ao questionamento e à reflexão. Então nada mais justo do que o blog comentar e esmiuçar esses dois momentos inesquecíveis do rock nacional neste post que começa agora. E ainda mais em tempos em que nada digno de nota está sendo lançado aqui ou lá fora (com a possível exceção do novo disco do velho e genial Neil Young, programado para sair oficialmente na semana que vem, mas que já “despencou” na internet). Portanto vamos lá, fazer uma agradável viagem de volta ao passado. Bem-vindos a 1985, o ano em que o rock brasileiro se tornou gigante de verdade e legou para a posteridade dois de seus maiores clássicos em todos os tempos.

 

 

* E a semana termina (o postão está entrando no ar no final da tarde de sábado, 27 de junho) sim com duas notícias impactantes mas fora do mondo pop/rock. E que demonstram o quão estranho e bestial (por um lado) o mundo se tornou. Enquanto  nos Estados Unidos a Suprema Corte de Justiça americana legalizou o casamento gay em todo o território dos EUA, na Tunísia e no Kwait atentados terroristas praticados pelo sanguinário Estado Islâmico mataram quase setenta pessoas, além de deixar centenas de feridos.

 

* A leitura dos dois episódios é claríssima. Você pode não ter a menor simpatia pelos Estados Unidos e por seu povo (de fato o americano médio é bastante estúpido, além de conservador e racista). Mas a democracia LÁ é muito mais aperfeiçoada do que a brasileira, quanto a isso não resta a menor dúvida. E a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo pela Suprema Corte mostra isso.

 

 

* Já do outro lado do planeta, no Oriente Médio, as trevas bestiais infelizmente dominam a maioria do pensamento humano, o que permite o surgimento de grupos de grupos terroristas assassinos e radicais como o Estado Islâmico. E infelizmente, ao que parece, o destino da humanidade é assistir daqui pra fretnte ao aprofundamento dessa aparentemente intransponível dicotomia social/comportamental: o respeito total ao ser humano em todos os aspectos possíveis de um lado, e um igualmente total desrespeito por outro, onde matar alguém é algo tão comum e banal quanto beber um copo de água. E assim seguiremos caminhando, infelizmente.

 

 

* Agora bizarro mesmo é a rede social reacionária e nazista que é o Facebook, querer surfar na onda da decisão tomada pela Suprema Corte dos EUA, e dar aos seus usuários a opção de eles “adornarem” suas fotos de perfil com as cores do arco-íris e que são o símbolo mundial da luta pela diversidade sexual. E ainda pior é ver milhões de manés embarcando nessa onda. Oportunismo é isso aí e a gente encontra nos domínios do FB, uia!

 

 

* Resumo rápido e ligeiríssimo da edição 2015 da Virada Cultural paulistana, que rolou no último finde em Sampa: muuuuuito menos público do que em 2014 (e os motivos para isso foram evidentes: programação ruim e o frio da madrugada já invernal, que deixou com ares de deserto boa parte da região central da cidade). O lado positivo disso? Muito menos tumulto e violência também, com policiamento reforçado e que proporcionou um clima de maior segurança a quem se aventurou pelo centro na noite de sábado pra domingo. O blog esteve no palco Rio Branco, onde acompanhou a gig do Cachorro Grande, das duas às três da matina. O público foi enorme e o jornalista zapper assistiu ao set (fodão como sempre) do palco e depois foi beber no camarim com a Cachorrada, velhos amigos destas linhas online. E depois nos mandamos pro Astronete no baixo Augusta, pois não havia mais nada interessante pra se ver/ouvir nos palcos da Virada – ao menos de madrugada.

 O jornalista loker/rocker e o chapa Beto Bruno, logo após o showzaço do Cachorro Grande na Virada Cultural 2015

 

*Resumo rapidão e ligeirão do show do ex-guitarrista dos Smiths e gênio Jhonny Marr, que rolou no final da noite de domingo no Memorial da América Latina em Sampa, dentro do festival Cultura Inglesa: ele “apenas” mostrou porque foi um dos nomes fundamentais da história recente do rock’n’roll, e também porque tocou naquela que é uma das cinco bandas da vida do autor destas linhas virtuais rockers. Performance impecável, momento “olhos total marejados” em “There’s A Light That Never Goes Out” e, de bônus, o rapaz está cantando muito bem pra quem era “só” o guitarrista do grupo onde Morrissey um dia foi vocalista. Que Johnny retorne mais vezes ao Brasil, sendo que alguns momentos do showzão você pode conferir nos vídeos aí embaixo.

 

* E já está rolando neste finde na Inglaterra aquele que é considerado o maior festival de música (rock incluso) do mundo. Yep, o gigante Glastonbury, em sua edição 2015, parece estar sofrendo do mesmo mal que se abate sobre outros eventos semelhantes pelo mundo afora, como o brazuca Rock In Rio e o americano Coachella: a dificuldade em montar um line up que não tenha nomes repetidos em edições anteriores ou que sejam “arroz-de-festa” nos festivais ao redor do planeta. Mas com o mondo pop/rock carente de renovação de grupos que realmente se destaquem, a situação fica realmente complicada. Vai daí que o Glasto deste ano tem como headliners o Foo Fighters (já velho freguês do Brasil, sendo que a banda teve que cancelar sua gig em Glasto na última hora, devido ao acidente sofrido por Dave Grohl em um show, semanas atrás), o rapper Kanye West e o velhaço The Who, os três puxando centenas de atrações pra todos os gostos. Do já velho britpop de Suede, passando pelo dream pop sempre onírico e bacana do Belle & Sebastian (e que irá tocar em Sampa em outubro) e chegando à nova sensação que é o Wolf Alice, Glastonbury vai tentando se manter a duras penas como o MAIOR dos festivais. Aí embaixo o cartaz da edição deste ano.

 

 

* O COMPLETO DESASTRE E A TOTAL FALÊNCIA DO TRANSPORTE PÚBLICO EM SAMPA, NAS MÃOS DO PSDBOSTA – o blogão zapper abre espaço entre as notas iniciais deste post, focadas em rock alternativo e cultura pop, para falar de assunto que interessa a todos no final das contas: o desmantelamento que está acontecendo, há anos já, na estrutura do transporte público em São Paulo, a maior cidade do Brasil e uma das cinco maiores do mundo. E esse desmantelamento, que se abate já há séculos sobre a frota de ônibus do município, agora também chegou ao sistema de metrô, de (ir) responsabilidade do (des) governo de Geraldinho Alckmin e sua CORJA BANDIDA tucanalha, encastelados há mais de vinte anos no Palácio dos Bandeirantes. Pois então: se até uma década atrás o metrô de São Paulo era referencia mundial em rapidez, conforto, limpeza e MANUTENÇÃO, tudo isso já Elvis e foi pro saco há tempos. Quem utiliza o sistema metroviário da capital paulista diariamente, já sabe que irá provavelmente enfrentar algum tipo de problema ali. Notadamente no horário de pico, entre cinco e meia da tarde e sete e meia da noite. Nesse espaço de duas horas e onde o metrô recebe o maior número de usuários durante o dia (pois as pessoas estão saindo dos seus empregos para voltar para casa ou, ainda, ir para seus cursos estuantis noturnos) e, por isso mesmo, deveria ser o momento em que o sistema NÃO poderia apresentar falhas e problemas em hipótese alguma, é quando estão ocorrendo com cada vez mais freqüência atrasos e paralisações no deslocamento dos trens. Atrasos e paralisações que superlotam as estações, afetam toda a malha metroviária e colocam em desespero quem está nos vagões. Foi o que aconteceu na noite de anteontem, quinta-feira, 25 de junho, exatamente às seis e meia da tarde um carro do metrô simplesmente quebrou na estação Praça da Árvore (no bairro da Vila Mariana, zona sul paulistana, e próximo à residência do jornalista zapper). O tumulto logo se formou: estação lotada, ânimos exaltados, um funcionário da bilheteria totalmente despreparado para lidar com a situação se NEGANDO a devolver o dinheiro de quem tinha adquirido bilhetes para a viagem e queria devolver os mesmos. Depois de cerca de meia hora de espera a situação começou a se normalizar mais aí já era tarde e muita gente iria chegar atrasada aos seus compromissos do final do dia/início de noite. Então, diante de mais esse ACINTE contra a população, o blog aqui deixa seu protesto contra um (des) governo sórdido, pilantra, escroto ao máximo e que não cumpre minimamente com suas obrigações perante uma população sofrida, que paga impostos caros e de Primeiro Mundo pra receber de volta serviços públicos de QUINTO MUNDO. Até quando isso, afinal? Até quando o populacho BURRO e CONSERVADOR que é o eleitor paulista vai seguir votando nesse grande MERDA que é o PSDB? Por que, ao invés de ir pra rua pedir o impeachment da presidente, esse bando de OTÁRIOS não pede a saída JÁ de geraldinho e sua quadrilha? Talvez porque gente coxinha, playba e endinheirada NÃO ande de metrô e de transporte público, não é?

 Um carro do metrô paulistano quebrado e parado em uma estação (acima) e o tumulto formado por conta disso (abaixo), na última quinta-feira: a qualidade do transporte público em SP segue em queda livre sob o (des) governo do PSDBosta

 

* Voltando ao mondo pop/rock, que segue em marcha lentíssima: nenhuma novidade realmente bombástica por esses dias. Assim, se algo EXPLOSIVO rolar pela semana vindoura, iremos comentar aqui, fiquem sussa quanto a isso.

 

* Então melhor ir logo aí embaixo, onde o blog rememora as três décadas de existência de dois álbuns fundamentais da história do rock brasileiro.

 

 

TRÊS DÉCADAS ESTE ANO – OU QUANDO IRA! E PLEBE RUDE INSCREVERAM PARA SEMPRE SEUS NOMES NA HISTÓRIA GIGANTE DO ROCK BRASILEIRO QUE IMPORTA

O ano de 1985 foi bastante emblemático para a cultura pop brasileira e, dentro desse contexo, também para o rock nacional. O país estava saindo de um período de mais de duas décadas de regime militar ditatorial (sendo que já haviam eleições diretas para governdores de Estado mas o primeiro pleito presidencial direto ainda iria acontecer apenas em 1989). Respirava-se ares politicamente mais abertos e liberais. Isso se refletiu na indústria musical: um novo movimento rock nacional havia sido iniciado em 1982 no Rio De Janeiro, com o estouro em vendagens do disco de estréia do grupo Blitz. E em janeiro de 85’ também acontecia no Rio a primeira edição do Rock In Rio, festival que consagrou bandas nacionais como Barão Vermelho e Paralamas Do Sucesso. E por fim, seguindo esse “boom” e dando um tom muito mais político a um rock ainda sem esse viés em grande escala, estavam os quartetos Ira! (de São Paulo) e Plebe Rude (de Brasília). Ambos lançaram seus álbuns de estréia naquele 1985. E hoje, trinta anos depois, tanto “Mudança de Comportamento” do Ira!, quanto “O concreto já rachou” da Plebe Rude, permanecem como duas das obras fundamentais de toda a história do rock brasileiro.

 

Surgido na capital paulista em 1981, no bairro da Vila Mariana (zona sul da cidade), e contando com Egard Scandurra nas guitarras, Marcos “Nasi” Valadão nos vocais, Ricardo Gaspa no baixo e André Jung na bateria, o Ira! logo conseguiu um contrato com a major Warner Music (que estava em busca de novos talentos rockers em Sampa, para fazer frente à “invasão carioca” que estava então em curso, com nomes como Lobão, Kid Abelha, Biquini Cavadão etc.), que lançou em 1983 um compacto simples do cojunto, com as músicas “Pobre Paulista” e “Gritos na multidão”. Ambas alcançaram boa repectividade junto ao público e execução nas rádios, o que motivou a gravadora a colocar os garotos novamente em estúdio para que eles pudessem registrar seu primeiro disco cheio. E o Ira! saiu de lá com “Mudança de comportamento”, LP de onze faixas e pouco mais de meia hora de duração.

 

Lançado oficialmente em maio de 1985, o disco emplacou de cara duas musicas nas FMs mais “alternativas” e menos comerciais. Eram justamente as duas canções que abriam o trabalho, “Longe de tudo” e “Núcleo Base”. Rocks poderosos, dançantea, acelerados e calcados na melodia e nos riffs construídos por Edgard Scandurra Pereira, guitarrista canhoto e que começava ali a se tornar mito das seis cordas e um dos maiores e melhores instrumentistas do rock brasileiro em todos os tempos. E não só: além dessa abertura arrasadora o trabalho ainda possuía uma balada lindíssima e de partir o coração com sua letra e melodia (“Tolices”) e mais uma batelada de faixas de inspiração no rock’n’roll garageiro dos sixties e no célebre movimento “mod” inglês (cujos grandes expoentes foram The Who, Kinks e The Jam). Fora que o quarteto possuía uma sólida seção rítmica e um ótimo vocalista. Não tinha como dar errado. E não deu, por um bom tempo: “Mudança de Comportamento” vendeu cerca de 60 mil cópias (um bom número) e abriu caminho para a asensão do Ira! ao panteão dos grandes nomes do rock BR dos 80’. Uma ascensão que chegou ao auge no segundo LP, “Vivendo e não aprendendo”, editado em 1986 e que emplacou música (a lindíssima “Flores em você”) como tema de abertura de novela da TV Globo. Isso fez o disco disparar em vendagens, com mais de 250mil cópias comercializadas na época. É também um grande álbum. Mas “Mudança de Comportamento” permanece até hoje como a pedra fundamental de uma banda que votltou à ativa há pouco mais de um ano e que continua sendo um dos nomes mais relevantes da história do rock nacional.

 

Já a Plebe Rude, surgida em Brasília em 1981, chegou ao seu primeiro lançamento de estúdio apenas (e também) em 1985. “O concreto já rachou”, o disco em questão, era (é) um EP de apenas sete faixas e pouco mais de vinte minutos de duração. Mas que concentra nesse pequeno recorte musical mais poder instrumental e qualidade textual (notadamente no questionamento e engajamento político e social) do que uma dúzia de grupelhos atuais juntos do tristemente e totalmente amburrecido roquinho brazuca. Um trabalho fodaço, conduzido pelas guitarras e pelas sensacionais harmonias e jogos vocais de Philippe Seabra e Jander Bilaphra, além da impecável “cozinha” de André X (no baixo) e Gutjie (na bateria). O grupo chegou até a multinacional EMI apadrinhado pelos Paralamas Do Sucesso (que então já estavam consagrados, após sua participação na primeira edição do Rock In Rio). E seu EP de estréia foi produzido pelo guitarrista e vocalista Herbert Vianna, o líder dos Paralamas.

As estreias do Ira! (acima) e Plebe Rude (abaixo), ambas em 1985: dois discos fundamentais para a história do rock brasileiro

 

Não há UMA música menos do que espetacular em “O concreto já rachou”. Da abertura arrasadora com “Até quando esperar” (onde um grupo punkster como a Plebe se permitiu utilizar um cello na introdução da canção), passando por “Proteção”, por “Seu jogo”, pela sensacional “A minha renda” (um olhar cruel e preciso/precioso sobre a indústria musical de então, e como ela se utilizava de métodos nada éticos e morais para produzir mitos e popstars) e até chegar ao fecho em “Brasília” (outra radiografia cruel e precisa sobre como era e é a capital do país, e como era e é até hoje viver nela), trata-se de uma obra impecável e quase que totalmente atemporal pois seus temas permanecem mais atuais do que nunca. Depois desse EP a trajetória da PR prosseguiu bastante errática, com discos oscilando entre medianos e fracos. A banda perdeu dois de seus integrantes originais (Jander e Gutjie) e permanece na ativa até os dias atuais, contando inclusive com o guitarrista e vocalista Clemente (fundador do grupo paulistano Inocentes, onde também toca até hoje) em seu line up.

 

“Mudança de comportamento”, do Ira!, e “O concreto já rachou”, da Plebe Rude, no final das contas definiram um padrão de qualidade artística no rock brasileiro que dificilmente seria alcançado nos anos (ou décadas) seguintes. Dos anos 90’ em diante então, foi o horror. Um horror que chegou ao fundo do poço no novo milênio. Hoje o rock nacional é o que se escuta e o que se vê dele: reduzido a escombros (muito devido ao massacre realizado nele pela organização quase criminosa denominada Fora Do Eixo), ignorante na estrutura musical e nas letras escritas por uma garotada sem estofo intelectual/cultural algum, sobrevive como pode no underground ou então mamando na teta pública (através de editais que patrocinam turnês e festivais com shows onde não existe público) ou no circuito Sesc (que paga bons cachês a quem consegue tocar em suas unidades, mesmo que haja dez pagantes para assistir a apresentaçao). Enquanto isso a cultura musical brasileira (ou o que resta dela) desce sem dó a ladeira, com funk ostentação de péssima qualidade, axé music idem e sertanojo universotário dominando a execução em rádios comerciais e em programas populares de auditório na TV. Esse é o negro retrato da música pop brasileira, versão 2015.

 

Bons tempos o de três décadas atrás. Grande ano o de 1985 para o rock made in Brazil. Ira! e Plebe Rude, em suas estréias gigantes, serão inesquecíveis. E esses dois álbuns irão permanecer para a posteridade como dois marcos de um tempo em que, sim, o rock brasileiro foi um dos melhores do mundo.

 

 

IRA! E PLEBE RUDE AÍ EMBAIXO

Em alguns vídeos que mostram alguns clássicos dos discos de estréia das duas bandas, além da versão integral de “O concreto já rachou”.

 

 

PLEBE RUDE – UMA LETRA DO EP DE ESTRÉIA

 

“Minha renda”

 

Você me prometeu um apartamento em Ipanema

Iate em Botafogo, se eu entrasse no esquema

contrato milionário, grana, fama e mulheres

a música não importa, o importante é a renda!

 

Ambição – grana, fama e você

Ambição – grana, fama e você

 

Tenho fazer sucesso antes que seja tarde

Eles acham que eu vendo, eu tenho uma boa imagem

o meu produtor, ele gosta de mim

grana vale mais que a minha dignidade

 

Tocar no Chacrinha ou na televisão

tudo isso ajuda pra minha divulgação

isso quer dizer mais grana pra produção – e pra mim!

 

Você me comprou, pôs meu talento a venda

você me ensinou que o importante é a renda

contrato milionário, grana, fama e mulheres

a música não importa, o importante é a renda!

 

Ambição – grana, fama e você

Ambição – grana, fama e você

 

Eles trocam minhas letras, mudam a harmonia

no compacto esta escrito que a música é minha

ja sei o que vou fazer pra ganhar muita grana

vou mudar meu nome para Herbert Vianna

 

Estar no Chacrinha ou na televisão

tudo isso ajuda pra minha divulgação

isso quer dizer mais grana pra produção – e pra mim!

 

Grana, fama e você!

 

Um lá menor aqui, um coralzinho de fundo (fundo!)

minha letra é muito forte? Se quiser eu a mudo

e tem que ter refrão (sim!) um refrão repetido (repetido!)

pra música vender, tem que ser acessivel!

 

Ambição – grana, fama e você

Ambição – grana, fama e você

 

Não sei o que fazer, grana tá difícil

tenho que me formar e nem escolhi um ofício

Você é músico, não é revolucionário!

Faça o que eu te digo que te faço milionário!

 

Estar no Chacrinha ou na televisão (a minha renda)

tudo isso ajuda pra minha divulgação (a minha renda)

isso quer dizer mais grana pra produção – e pra mim!

 

A minha renda!

 

 

OS ANOS 80’/90’ E A TRAJETÓRIA DO JORNALISTA LOKER/ROCKER AO SOM DE IRA! E PLEBE RUDE

* O Ira! foi fundado em 1981 pelo guitarrista Edgard Scandurra e pelo vocalista Marcos Valadão, o “Nasi”. Ambos esrtudaram no ensino fundamental (e parte do médio) no colégio estadual Brasílio Machado, famoso celeiro de porra-loucas localizado (até hoje) na rua Afonso Celso, no bairro da Vila Mariana, zona sul da capital paulista. E o bizarro da parada é que o então jovem adolescente Finaski e futuro jornalista musical TAMBÉM estudava no mesmo colégio e na MESMA sala de Scandurra e Nasi – isso quando a trinca não tinha mais do que quinze anos de idade. Depois o autor deste blog perdeu totalmente o contato com a dupla. Foi reencontrá-los anos depois quando o Ira! já existia e estava se tornando uma banda grande, e o sujeito aqui começou sua trajetória no jornalismo musical brasileiro. E até hoje Zap’n’roll é amigo dos dois.

 

* Por conta disso o blog perdeu a conta de quantos shows acompanhou da banda. O primeiro foi em 1981, no teatro Tuca, da PUC/SP (no bairro das Perdizes), durante a realização de um festival de bandas punks. Depois o zapper, então um jovem repórter que havia entrado no jornalismo há poucos meses, presenciou uma gig monstro do quarteto, em meados de 1986. O Ira! tinha mandado para as lojas seu segundo disco, “Vivendo e não aprendendo”, que estourou em vendagens por conta da inclusão da música “Flores em você” na abertura de uma novela da TV Globo. Para comemorar o grupo marcou um show ao ar livre e de graça num sábado à tarde, na famosa “praça do Relógio”, na USP. Não deu outra: superlotação no local, com o conjunto tocando para cerca de quarenta mil pessoas.

 

 

* A partir daí estas linhas online assistiram a dezenas de gigs do Ira! em danceterias (que estavam em moda na época), festivais etc. E quando o Ira! retornou às atividades em 2014 (após uma separação de sete anos, motivada por brigas internas) o jornalista zapper também voltou a acompanhar o grupo de perto, comparecendo apenas no ano passado a três shows deles.

 Zap’n’roll e Nasi, vocalista do Ira!: amizade que já dura três décadas

 

 

* Já com a Pebe Rude foi diferente. Por ser de Brasília dificilmente o quarteto se apresentava em Sampa. Tanto que o blog só foi conseguir ver uma gig deles por volta de 2001, quando eles tocaram num sábado à noite no Sesc Belenzinho (na zona leste de São Paulo). E foi um showzaço.

 

* E claaaaaro, não poderia faltar a história junkie aqui, inclusive já contada no blogão anos atrás e que também estará bem detalhada no livro “Memórias de um jornalista junkie”. Algum final de tarde de 1993. O Ira! estava em sua fase decadente, contrato encerrado com a multinacional Warner e com um novo disco na praça, o  bom “Música calma para pessoas nervosas”, e que não vendeu nada no final das contas. O autor deste blog estava já há alguns meses fora de um grande veículo de mídia e escrevendo textos para a modesta (porém bem conceituada no meio rock’n’roll) revista Dynamite. Graças à sua amizade com Nasi, marcou uma entrevista com o vocalista (que morava em um sobrado na zona oeste de Sampa) e lá se foi, fazer seu trabalho. Foi recebido na casa do front-man do Ira! com um prato onde havia um autêntico monte Everest de COCAÍNA, uia! A devastação nasal entrou em cena e a entrevista virou o próprio samba do crioulo doido. No dia seguinte, ao ouvir as fitas gravadas do bate papo, o jornalista doidão viu que absolutamente NADA ali poderia ser aproveitado. A entrevista teve que ser remarcada, claro. E sem cocaína, rsrs.

 

**********

MUSAS ROCKERS EDIÇÃO ESPECIAL – CINCO TOTOSAS TOTAL DELICIOUS QUE JÁ PASSARAM PELO BLOGÃO

Yeah! Um dos tópicos mais festejados pelo nosso dileto leitorado macho (cado, uia!) faz uma reedição especial nesse post, onde republicamos cinco das mais gatas musas rock’n’roll que já passaram por aqui. Todas lindonas, abusadas, atrevidas, tatuadas, inteligentes e rockers, sempre! Então aproveite e se delicie novamente com elas, enquanto a nova musa do blog está a caminho.

 Solange De-Ré: 32 anos, poetisa louca e rocker de Floripa

 

Fabiana Marques, 26 anos, diretora de arte em São Paulo: tattoos e amor pelo rock’n’roll

 

Michelle Fernandes, 27 anos, de São Paulo: sempre na night rocker

 

Yasmin Takimoto, 20 anos, de São Paulo: sinuosidade orienta

 

Madeleine Akye, 32 anos, de Osasco: japa rocker dos sonhos de muitos homens, e seduzindo até atores da tv Globo!

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Disco, I: o quarteto de Manaus Supercolisor existe desde 2008 e antes se chamava Malbec. Passou por uma reestruturação interna, trocou de nome, mudou de line up e contando com novo integrante (o baixista, multiinstrumentista e vocalista Diego Souza, que antes tocou no ótimo Luneta Mágica) lançou há pouco este “Zen total do Ocidente”, onde o grupo (que também conta com Ian Fonseca nos vocais e pianos, Zé Cardoso nas guitarras e vocais e Natan Fonseca na bateria) literalmente apaixona o ouvinte com uma coleção de canções belíssimas, melancólicas e bucólicas em sua concepção melódica e instrumental. Arranjos de pianos e condução de violões constroem planos sonoros que acalentam a alma e o coração e isso se sobressai mais em faixas tristonhas como “Sim”, “Três luzes fixas”, “Os cinco”, “Não”, “Móbile” e a própria canção-título. São as músicas onde a banda consegue seu melhor resultado graças à coesão de uma proposta que rompe com seu próprio passado recente (a “versão” Malbec do conjunto carregava muito no rebuscamento instrumental se espelhando na fase prog do Radiohead, aliás a fase mais sacal do quinteto britânico; fora que havia a incômoda dicotomia das músicas com vocais em inglês e em portguês). Ainda há estranhamentos aqui e ali (as levadas synthpop e os vocoders que surgem nas ambiências eletrônicas e vocais de “Pista Íntima” e “Corte”, e que destoam em muito do restante do trabalho) mas o saldo final, com bons versos em português e canções que remetem ao melhor de um rock reflexivo e melancólico, colocam o Supercolisor muito à frente de boa parte do que se faz nesse momento no quase totalmente inculto rock’n’roll brasileiro. E sinaliza mais uma vez que algumas das melhores formações musicais do país nesse momento estão mesmo na região Norte – basta lembrar dos acreanos Euphônicos, Los Porongas e Os Descordantes, nomes que deixam grupos do Sudeste comendo poeira no quesito qualidade artística. Para saber tudo sobre o Supercolisor e ouvir seu novo álbum, vai nesses links: http://www.supercolisor.com/home e http://www.supercolisor.com/.

 O quarteto manauara Supercolisor: lindas, bucólicas e tristonhas canções em seu novo disco, “Zen total do Ocidente”.

 

* Disco, II: também da capital do Amazonas, o quarteto Nicotines lançou seu primeiro EP com cinco faixas, e batizado “A mil por hora”. É rock’n’roll direto de guitarras algo sujas e boas letras em português, escritas e cantadas pelo jornalista Sandro “Nine” Corrêa (agitador muito conhecido na cena rocker de Manaus, além de amigo destas linhas bloggers). Resgatando eflúvios de hard e garage rock, além de proto punk setentista, o quarteto (que ainda tem em seu formação o guitarrista Lauro, o baixista Israel e o batera Gustavo) mostra agressividade e potência instrumental na faixa-título e em “Rock brasileiro”, cuja letra faz uma crítica virulenta à estupidificação que se abateu sobre o rock’n’roll nacional, eivado de pilantras e enganadores de bandas como o produtor escroque e mau caráter Carlos Eduardo Miranda, citado nominalmente nos versos. São músicas que devem render bem ao vivo e você pode ouvi-las aqui: https://soundcloud.com/nicotinesoficial. O EP também saiu em formato físico em cd encartado na revista paulistana “Gatos & Alfaces”, e você pode saber mais sobre os Nicotines aqui: https://www.facebook.com/pages/Nicotines/1512374429022788?fref=ts.

O EP de estréia do grupo Nicotines

 

* Disco, III: com quase setenta anos de idade a lenda Neil Young segue firme e forte, lançando discos quase em profusão. Mas se a produção do canadense não dá mostras de cansaço na quantidade de discos editados (só em 2014 foram dois trabalhos inéditos), na questão qualitativa o guitarrista e vocalista andou meio claudicante em seus últimos discos. Porém neste “The Monsanto Years” (que chegou oficialmente às lojas americanas anteontem, segunda-feira, 29 de junho; sendo o que o blogão está sendo finalizado na quarta), Neil parece recuperar um pouco da sua velha forma. O álbum se equilibra bem entre rocks de guitarras mais ásperas (como em “People Want To Her About Love”) e baladas de acento folk/country (com direito a violão e gaita), caso da estradeira e tristonha “Wolf Moon”. Com um pouco de boa vontade dá pra se lembrar da época em que Young inscreveu definitivamente seu nome na história do rock, quando lançou clássicos imbatíveis como “Harvest” ou “Zuma”. Não é igual a eles, claro. Mas as canções 2015 do velho rocker mostram que ele ainda tem o que cantar e segue relevante como músico.

O novo álbum do velho Neil Young

 

* Livro, I: “Breve História do rock brasileiro”, escrito pelo jornalista, músico, pesquisador e produtor cultural Ayrton Mugnaini Jr., um volume com pouco mais de oitenta páginas de texto e formato de bolso procura mostrar para os não iniciados a trajetória do rock’n’roll feito aqui, desde a década de cinqüenta até os dias atuais – a chamada geração web (e onde Ayrton talvez tenha se esquecido apenas de mencionar o grupo cuiabano, radicado em Sampa, Vanguart, talvez o único nome da indie scene nacional dos anos 2000’ a ter se tornado realmente grande em termos mercadológicos). Mais do que se aprofundar em estilos e nomes, Ayrton procurou mostrar um painel simplificado de artistas e do que eles representaram para determinada época. Leitura rápida, ligeira e de fácil compreensão, o que são méritos e pontos bastante positivos do livrinho, tornando-o muito interessante e atraente. Para conseguir o seu basta entrar em contato com o próprio autor, através de sua página no Facebook: https://www.facebook.com/ayrtonmu?fref=ts.

 Dupla rocker do barulho: Zap’n’roll e o jornalista Ayrton Mugnaini, autor do livro “Breve História do rock brasileiro”

 

* Livro, II: “Poesias escolhidas, volume II – o melhor de mim”, é um abrangente compêndio da nova poesia que se faz hoje no Brasil e em países como Argentina, Méxixo, Uruguai, Espanha, França e Áustria. Ao todo são cento e setenta e quatro poemas do mesmo número de autores (cada um contribuiu com uma poesia), reunidos num livro bem acabado editorialmente e que mapeia, no caso brasileiro, a produção poética em todas as regiões do país. Tanto que até o distante Amapá está representado no livro, através dos bons versos da jovem Sarah Aranha. Com apenas vinte e três anos de idade Sarah, que mora em Macapá (a capital do Estado) e é dileta amiga deste espaço virtual, verseja desde sua adolescência e já conta com um bom material de lavra própria. Para o livro ela escolheu o poema “Meu passarinho”, que flui bem através de rimas e versos bem encadeados. Mas há outras saborosas descobertas ao longo das paginas, e quem se interessar pode ir atrás do volume aqui: https://www.facebook.com/PoesiasEscolhidas?fref=ts.

 A jovem poeta macapaense Sarah Aranha (acima), uma das que estão no livro “Poesias Escolhidas”, com o poema “Meu passarinho” (abaixo) (foto Sarah: Ana Lages)

* Baladas badaladas fechando o postão e as indicações do blog: yeah! Com esse post monstro sendo finalizado já na quarta-feira (1 de julho), vamos ver o que sucede pelo circuito cultural alternativo de Sampa já a partir de amanhã, quinta. É quando vai ter o evento lançando oficialmente o vídeo para a música “Olha pra mim”, do grupo Vanguart (a bela e triste balada que fecha o mais recente disco de estúdio da banda), a partir das nove da noite no Bambolina (que fica na praça Roosevelt, 124, centrão de Sampa).///Já na sexta-feira e durante todo o finde rola no bar/teatro Cemitério de Automóveis (que fica na rua Frei Caneca, 384, Consolação, centro de São Paulo) as últimas apresentações da peça “Tanto Faz”, baseada em livro do escritor Reinaldo Moraes e adapatada por Mário Bortolotto.///Na sextona e sabadão em si a pedida é começar a noite tomando as ótimas brejas artesanais da Sensorial Discos (lá na rua Augusta, 2389, Jardins, zona sul de São Paulo), e depois cair pro baixo Augusta (passando pela Tex, Outs e Astronete).///E no sábado tem a volta dos mineiros metal celta do Thuatha De Danann, após longo período longe dos palcos paulistanos. Eles fazem show de lançamento do seu novo disco no tradicional Manifesto Rock Bar (que fica na rua Iguatemi, 36, Itaim Bibi, zona oeste de Sampa), ou seja, uma ótima pedida rocker pro noitão de sábado. É isso. Nessas noites frias de inverno nada como um ótimo show pra aquecer nossos corpos. Se joga!

 

 

E TCHAU PRA QUEM FICA!

Ufa, postão monstro, néan? Saiu no capricho e ele fica por aqui. Mas na semana que vem voltamos sempre com muuuuuito mais. Até lá, então!

 

(ampliado, atuaizado e finaizado por por Finatti em 1/7/2015, às 14hs.)

Em post inacreditável e digno de “Medo e delírio em Las Vegas”, o blog relata seus quase DEZ dias na sempre calorenta capital do Amazonas: novíssimo rock’n’roll classudo, festival bacana (mas cheio de tretas), uma ÚLTIMA enfiação HOMÉRICA de pé na lama, uma trepada amazônica pra guardar na memória, novas e incríveis amizades e… a ABSURDA história (à la Hunter Thompson) pra se conseguir uma passagem de volta pra Sampa após perder um vôo da (grande merda que é a) Gol, em episódio incluindo briga verbal violenta no aeroporto e com direito a ameaça de prisão por parte de agentes da Polícia Federal, uia! (plus: a volta dos grandes Harry e Druques, mais uma patifaria da máfia paulistana do Fora do Eixo, o neo pós-punk do Savages e mais isso e aquilo tudo!) (atualização final, com o diário de bordo manauara e as indicações do blog, em 14/5/2013)

O rock’n’roll do novo milênio anda mal das pernas, mas vez por outra surgem nomes bacanas pra dar novo gás e alento ao gênero musical mais bacana que existe; caso das inglesas do Savages (acima), que acabam de lançar um fodaço disco de estréia, e do paulistano Druques (abaixo) que faz show de lançamento do seu segundo álbum hoje à noite, em São Paulo

 

Vida ainda loka aos 5.0.

Não deveria estar sendo assim, claro – e aí nem se trata de fazermos aqui qualquer auto-julgamento moral hipócrita e babaca, pois Zap’n’roll JAMAIS foi chegado a esse tipo de atitude. Se trata apenas e simplesmente de bom senso: assim que teve um tumor maligno diagnosticado em sua garganta no início deste ano, o autor deste espaço rocker online soube que teria que parar com a esbórnia e a putaria sem fim de sexo, drogas e álcool que já o acompanhava há quase três décadas. “Você já se divertiu bastante, agora é hora de cuidar da saúde, se quiser viver ainda mais alguns anos”, decretou uma simpática dentre as muitas médicas que andam atendendo o blogger loker no ambulatório do Hospital das Clínicas, em Sampa (uma referência mundial em medicina pública de última geração, e pelo menos DISSO nós brasileiros podemos nos orgulhar). O blog concordou: quantas centenas de bocetas bem fodidas nestes anos todos, quantos oceanos de whisky, vodka e cerveja ingeridos, quantas toneladas de cocaine aspiradas por uma napa nervosa e reconhecidamente gigante, rsrs. A festa foi de fato muuuuuito boa e durou beeeeem mais do que poderíamos supor. Assim estas linhas online decidiram mesmo que era hora de parar, mas sem moralismo ou arrependimento/remorso ALGUM embutidos nessa decisão. E aí é claaaaaro que programou-se sempre uma “última despedida” das loucuras que permearam a existência do sujeito que digita estas linhas. Assim foi que o zapper viajante decidiu que o local e momento ideais para essa despedida seria mesmo durante sua estadia na capital do Amazonas, onde este espaço virtual permaneceu por quase dez dias entre o final de abril e o início de maio. O blog foi pra lá pra passear, cobrir um festival de rock e ver como anda a cena rocker manauara atual. Tudo certo, tudo lindo não fosse o notório descontrole zapper para uma loucura já programada pra acontecer. Aí o que rolou em decorrência deste “descontrole” você irá ficar sabendo ao ler este post que está começando agora. Um post que ainda vai falar de muitas outras paradas (a volta do sempre bacana Druques, a nova banda Savages, a ascensão das bandas amazonenses Luneta Mágica e Malbec e etc, etc, etc.) que é o primeiro escrito no novo “filho” adotivo destas linhas bloggers rockers: um Acer de quatro gigas (mais hd de 500 e com Windows 8), já que o “velho” HP/Compaq (e por quem tínhamos enooooorme carinho) foi surrupiado de nossas mãos em pleno aeroporto internacional de Brasília. É o que acontece quando você mora em um país onde tudo parece ser tão normal (ter um pastor homofóbico e racista na presidência da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara Federal, ver um menor de dezesseis anos estuprar uma passageira em um busão no Rio em plena luz do dia, ver LEITE ser adulterado no Rio Grande Do Sul com água e FORMOL, ver pastor evangélico ser acusado de estupro e assassinato também no Rio De Janeiro etc, etc, etc. E vem aí a Copa 2014…). Assim Zap’n’roll, que jamais viveu uma existência, hã, normal, sabia que também seria um paciente rebelde e algo anormal, mesmo às vésperas do início da guerra (quimioterápica?) de fato contra o dragãozinho da maldade que está instalado em sua garganta e que quer nos levar pra debaixo da Terra. Normal: viver – e principalmente, viver no Brasil – definitivamente NÃO é para os fracos. É essa a lição que fica e que o blog vai levar consigo seja lá pra onde ele for, quando o beijo da morte vier tocar nossos lábios.

 

 

* E a semana chega ao fim com o país indo como já falamos aí em cima, no texto introdutório do blog. Pastores e menores estuprando mulheres no Rio, leite sendo “batizado” com FORMOL no Sul, polícia civil carioca perseguindo um traficante como se estivesse jogando um game (só que atirando balas de verdade pra tudo quanto é canto, de um helicóptero e em cima de uma comunidade pobre e altamente populosa da Cidade Marabichosa)… fala sério Brasil. É esse o PAÍS que vai sediar uma Copa do mundo daqui a doze meses???

Marcos Pereira, o pastor evangélico bandido da vez: acusações de estupro e assassinato no currículo

 

* Já aqui em Sampalândia, a lambança rola na própria prefeitura petista, que resolveu “abrigar” em seu seio aquela turma mafiosa da ong Fora do Eixo, e que ajudou Fernando Haddad ser eleito. Mas isso é assunto pra ser melhor comentado logo mais aí embaixo, vai lendo.

 

 

* A grande putaria/calhordice que é o país atualmente se reflete claramente inclusive no setor de entretenimento e shows internacionais. Vai vendo: começaram ONTEM as vendas dos tickets pros shows do Black Sabbath no Brasil, em outubro. Pois entonces: há relatos (não confirmados) de que os ingressos para a famigerada pista premium (a seicentos mangos cada) já teriam se ESGOTADO. Pior do que isso é saber que existe ainda um outro setor vip pra gig, mais caro, com ingressos custando 950 pilas (!!!), sendo que por esse valor o comprador do mesmo terá direito a buffet de comidas e bebidas. Dá pra imaginar a cena? Enquanto o velho gagá Ozzy Osbourne (vamos ser honestos e reconhecer que ele está exatamente assim atualmente: um velho gagá) se esgoela no palco cantando “Paranoid”, playboys coxinhas sem cérebro e acompanhados de putanas igualmente sem cérebro degustam um canapé de salmão, acompanhado de whisky oito anos. Por que esse pessoal todo (quem inventou essas pistas premium pra arrancar mais grana de otários que muitas vezes vão a shows sem saber quem está no palco, e só pra aparecer e “caçar” bocetas) não vai pra puta que os pariu?

 

 

* E lá se foi Peu, o primeiro guitarrista da Pitty e que compôs junto com ela quase a totalidade das músicas de “Admirável Chip Novo”, o álbum de estréia da cantora, lançado há uma década. Ele tinha trinta e cinco anos de idade e estava morando em Salvador, com a esposa Monique. Aparentemente se suicidou por enforcamento, na última segunda-feira. Nenhum blog “ixperto” comentou mas estas linhas virtuais deixam aqui o seu RIP pro músico.

O músico Peu, que se suicidou na última segunda-feira: ele gravou todas as guitarras de “Admirável Chip Novo”, o álbum de estréia da Pitty

 

* Continua a irresistível ascensão dos grupos amazonenses Luneta Mágica e Malbec pela mídia e público do Sudeste. Depois de fazer rápida tour por Sampa, Curitiba e interior de Minas Gerais em abril, as duas bandas começam a ser destacadas em sites e blogs de cultura pop que realmente importam. O nosso sempre querido vizinho Popload (escrito por ele, o primeiro e único dear Luscious Ribeiro, uia!), por exemplo, destacou os dois grupos nas últimas semanas, na sua sessão “Popload Sessions”, exibindo vídeos da turma – e em articulação que foi promovida, na verdade, por estas linhas online, que colocaram os grupos em contato com o titular do famoso blog hospedado no Uol. Vai daí que após toda essa movimentação a página da Luneta Mágica no Facebook, por exemplo, deu um salto em número de visitantes: passou de dois mil pra doze mil acessos, wow! Pois entonces: agora com o “aval” poploadder, Zap’n’roll está morrendo de curiosidade pra saber o que a tropa lambe-bagos do sempre bacana blog do Uol vai dizer, já que essa turma escrota e covardona adooooora espancar as apostas musicais bancadas por estas linhas online.

 

 

* Pra quem ainda não viu os vídeos da Luneta e da Malbec na Popload, eles podem ser alcançados nestes links: http://popload.blogosfera.uol.com.br/2013/05/02/popload-session-apresenta-malbec/ e http://popload.blogosfera.uol.com.br/2013/05/07/popload-session-apresenta-luneta-magica/

 

 

* E uma vez gênio… mesmo aos sessenta e seis anos de idade, David Bowie continua massacrando a pobre molecada que tenta fazer algo minimamente decente no rock atual. E o Camaleão não se contentou apenas em lançar um dos já melhores discos de 2013. Agora ele também botou pra foder no vídeo promocional de “The Next Day”, a faixa-título do disco. Que ganhou um clip, digamos, bem anti-religioso, como você pode conferir aí embaixo.

 

 

* AS VOLTAS (MAIS DO QUE NECESSÁRIAS) DO DRUQUES E DO HARRY – são dois GIGANTES do rock independente que ainda importa em São Paulo e no Brasil. E pelo menos duas décadas e meia separam as duas bandas. Harry surgiu em Santos (litoral de São Paulo) por volta de 1985, liderado pelo vocalista Johnny Hansen (sendo que a ele se juntariam logo em seguida o baterista Cezar e o tecladista e produtor musical Roberto Verta). Gravaram um primeiro EP no ano seguinte, com vocais femininos. Mas foi quando Hansen assumiu os microfones e o grupo lançou a obra-prima “Fairy Tales”, em 1988, que o Harry ganhou destaque na grande imprensa musical da época (o Caderno 2, do jornal O Estado De S. Paulo, chegou a publicar matéria de capa com a banda, em texto assinado pelo autor deste blog), aqui e até lá fora. Fazendo um som pesado e eletrônico, o grupo exibiu músicas que estavam muito à frente do seu tempo (em termos de modernidade e linguagem sonora) e que se tornaram clássicas e cults na cena independente nacional. Os anos – muitos – se passaram, o Harry mudou diversas vezes de formação e nunca encerrou suas atividades. Tanto que volta aos palcos santistas na próxima semana (mais especificamente no dia 16 de maio, quinta-feira) para apresentar um set com o material de “Fairy Tales” em versão menos eletrônica e mais rock (com a adição de baixo, guitarra e bateria às músicas). A gig vai acontecer no Studio Rock Café (avenida Marechal Deodoro, 110, em Santos) e vai ser a primeira vez que o Harry sobe ao palco em sete anos. Já os paulistanos do Druques são bem mais novinhos, rsrs. Formado há cerca de seis anos por Zé Pi (vocais), Marquinhos (baixo), Gui e Meno (guitarras) e André (bateria), o quinteto lançou um primeiro e espetacular álbum em 2009, onde combinava guitarras indie à la Strokes com melodias próximas dos Los Hermanos, tudo emoldurando letras de alta densidade cerebral, escritas por Zé (que na verdade se chama José de Castro Del Picchia – yep, ele é bisneto do célebre poeta Menotti Del Picchia, um dos idealizadores da Semana de Arte Moderna, que aconteceu na capital paulista em 1922). O disco foi super elogiado pela rock press brazuca, o grupo fez um razoável circuito de shows mas demorou quatro anos para finalizar seu novo trabalho. E ele chega finalmente agora, com o título “Nuvem Negra”, sendo que o primeiro single e vídeo de trabalho, para a belíssima e intensa canção “Não assim”, foi exibida anteontem no Programa do Jô. Estas linhas online ainda estão degustando o novo álbum do Druques e irão falar melhor dele nos próximos posts. Mas se você tem curiosidade em ouvir já, vai aqui: http://druques.bandcamp.com/. E se gostar do que ouvir, pode conferir o som dos garotos ao vivo hoje, sexta-feira: o Druques faz show de lançamento de “Nuvem Negra” no Espaço Cultural Mundo Pensante (rua Treze de maio, 825, Bixiga, centrão de Sampa), a partir das onze da noite. Enfim, fato é que faz falta mais bandas como o Harry e o Druques. Se existissem mais grupos desse nível aqui, o roquinho mixuruca brasileiro atual não estaria a atolado na merda como está.

O Harry (acima), lenda do rock alternativo de Sampa nos anos 80”, e o Druques (abaixo, no vídeo de “Não Assim”): dois retornos bem-vindos e absolutamente necessários

 

 

* Que mais? Ah, sim, o ano parece que finalmente está engrenando em termos de bons lançamentos rockers. Na próxima segunda-feira, 13 de maio, sai oficialmente lá fora o novo álbum da lenda inglesa Primal Scream. O disco se chama “More Light”, já rendeu um ótimo vídeo (para a música “It’s Alright, It’s OK”, que você confere aí embaixo) e estas linhas zappers também estão fazendo a devida e cuidadosa audição do mesmo, para falar melhor dele por aqui nos próximos posts. Aliás quem também promete resenha bacanuda do álbum é o queridón Dum De Lucca, na sua sempre bacana Jukebox, pra semana que vem. Dum está empolgadíssimo com o novo trabalho do PS e é sempre um prazer ler seus textos abalizados sobre um lançamento importante. A conferir, no portal Dynamite (www.dynamite.com.br).

 

 

* E a conferir, já aí embaixo, o que o nosso blog achou sobre a estréia das inglesas do Savages. Elas mergulham fundo no pós-punk oitentista e acabam de lançar um dos grandes discos deste ano. Leia e saiba porquê.

 

 

 

BEM-VINDOS DE VOLTA À SOMBRIA LONDRES DOS ANOS 80’ – CORTESIA DAS SAVAGES

Que o rock planetário atual está em um ponto de não retorno, quase no fundo do poço da mediocridade e da total falta de qualidade, não é novidade e todos já sabem disso. Bandas surgem e desaparecem aos montes diariamente, a maioria sem deixar nada digno que registre sua passagem pela história da música. Os poucos novos grupos que conseguem se destacar atualmente, o fazem ou por ter um trabalho vigoroso e absolutamente original (o que é raríssimo) ou por resgatar com competência as nuances de alguma fase passada da música pop. Nesse segundo caso entram as meninas do Savages, quarteto inglês formado há menos de dois anos (em Londres) e que acaba de lançar (no hoje quase extinto formato físico do cd) seu disco de estréia, “Silence Yourself” – lá fora ele está saindo pelo célebre selo Matador Records. Não deverá ganhar edição nacional, e isso pouco importa: vai na web que ele está lá, livre pra ser baixado.

 

O blog zapper começou a ouvir falar muito do Savages há um mês mais ou menos, quando o grupo começou a se tornar a “bola da vez” entre os milhares de hypes semanais produzidos pela rock press britânica e americana (leia-se: New Musical Express, Uncut, Guardian, Spin, Rolling Stone etc., sendo que todos esses veículos deram cotação altíssima pra estréia da banda). Um hype que rapidinho começou a reverberar também aqui, nos sites e blogs brazucas dedicados à cultura pop. Pois entonces: como esse jornalista rocker, já puta velha (e como…) no assunto, sempre começa a acompanhar esses “estouros” midiáticos de novos nomes da cena rock com os dois pés (e ouvidos) atrás, decidiu que só iria ouvir e falar aqui do Savages quando retornasse de sua viagem de dez dias por Manaus. E assim o fez.

 

Savages é formado pela vocalista Jehnny Beth, pela guitarrista Gemma Thompson, pela baixista Ayse Hassan e pela baterista Fay Milton. Todas muito novas, todas eivadas de vontade de tocar rock’n’roll poderoso, básico, visceral, por vezes agônico e inexoravelmente sombrio. Enfim, como todo ótimo rock’n’roll deve ser (ou deveria). Foram muitos ensaios e shows e apenas alguns singles para o quarteto começar a chamar a atenção da mídia rock em Londres. E quando o primeiro disco veio finalmente à tona, as Savages já eram deusas na atual indie scene da Inglaterra. E nesse caso (cada vez mais raro, diga-se), o maldito hype se justifica totalmente.

O álbum de estréia das Savages: sombrio, agônico, rocker e pós-punk em doses cavalares

 

“Silence Yourself” é um furacão de guitarras aceleradas e tratadas com distorção e timbragens que parecem saídas diretamente do primeiro álbum de Siouxsie & The Banshees, o clássico “The Scream”, lançado em 1980. O som é urgente, as melodias são sombrias (e gélidas, às vezes) e a comparação se justifica total: o vocal de Jehnny é ABSURDAMENTE idêntico ao de Siouxsie, sendo que parece que a musa gótica inglesa encarnou de verdade na cantora do Savages. Aí então alguém poderá bufar: êmulo dos Banshees e do pós-punk inglês. E o blog responde: sim, êmulo. E daí? O disco exibe uma potência e garra instrumental, uma SINCERIDADE estética e uma dinâmica/ambiência sonora inebriantes e difíceis de se encontrar no rock atual.

 

Mas não adianta ficar aqui falando sobre o álbum e não ouvi-lo. Então vá atrás dele e quando você ouvir o baixo entorpecedor que conduz “Shut Up” (o primeiro single de trabalho do álbum, com vídeo já rodando à toda no YouTube), as guitarras em fúria goth (que remetem à primeira fase dos Banshees) que dominam cacetadas como “I Am Here”, “City’s Full”, “Dead Nature” ou “No Face”, ou o cinismo terminal que permeia canções (vejam só os títulos) como “Hit Me” ou “Husbands”, você irá dar razão a estas linhas bloggers rockers. E não há NENHUMA estratégia de marketing monstro para bombar as meninas, mesmo porque elas não têm absolutamente nada a ver com o padrão visual gostosão das peruas acéfalas que infestam a música de hoje. Tanto que por trás do vozeirão de Jehnny Beth está uma garota magricela, de peitos miúdos e cabelos curtíssimos. Melhor impossível.

 

É um disco rápido (menos de quarenta minutos), virulento, sombrio, nada solar. Difícil em sua concepção sonora e por isso mesmo sensacional. Estas linhas online inclusive duvidam de que ele vá vender muito mesmo na Inglaterra, dada a burrice generalizada que acomete hoje artistas e público que consome música. Mas há sempre uma esperança, néan? Se sobreviver ao hype, conseguir chegar ao segundo cd e fizer um segundo trabalho tão fodaço quanto esta estréia, as Savages já terão seu lugar garantido na desalentadora história do rock nos anos 2000.

 

* Fikadika pra produção do festival Planeta Terra 2013 (e que vai ter o Blur como headliner): que tal trazer as Savages também pro evento?

 

* Quer saber mais sobre elas? Vai aqui: http://savagesband.com/. Ou aqui: https://www.facebook.com/savagestheband?ref=ts&fref=ts.

 

 

O TRACK LIST DE “SILENCE YOURSELF”

1.         “Shut Up”       4:48

2.         “I Am Here”  3:20

3.         “City’s Full”    3:27

4.         “Strife”            3:57

5.         “Waiting for a Sign”  5:25

6.         “Dead Nature”            2:06

7.         “She Will”       3:27

8.         “No Face”       3:35

9.         “Hit Me”         1:41

10.       “Husbands”     2:50

11.       “Marshal Dear”           4:03

 

 

SAVAGES AÍ EMBAIXO

No vídeo da esporrenta “Shut Up”, o primeiro single do álbum de estréia das garotas.

 

 

 

ZAP’N’ROLL VÊ (QUASE) TODA A MÍDIA, UIA!

O tópico, que não aparecia por aqui há tempos, volta e de forma rápida e sincera, hihihihi. Analisando as duas principais revistas de música e cultura pop do país (seria isso mesmo?), a Rolling Stone e a Billboard.

 

A primeira, dirigida pelo sempre querido amigo pessoal destas linhas online, o super monge japa zen Pablo Miyazawa, continua se mantendo bem editorialmente. Após o mega deslize (e vergonha alheia) de colocar o grande imbecil (e finado) Chorão em sua capa (razões editoriais e mercadológicas, claaaaaro, algo sempre compreensível e desculpável), a RS deste mês deu novamente a volta por cima e tascou Lobão como garoto da capa. Não poderia ser melhor: o cantor está lançando seu novo livro e, como sempre, dispara contra tudo e todos, sendo que ele está no olho do furacão de uma mega polêmica. Portanto, nova bola dentro da edição nacional da Pedra Rolante.

O jornalista carioca Pedro Só (acima), dileto amigo zapper e um dos grandes nomes da mídia musical brasileira atual comanda ainda a redação da Billboard, revista que infelizmente está em franca decadência, ainda mais por ter como editor esta porqueira aí embaixo na foto, o grander depósito de banha podre chamado José Flávio Merda Jr, o popular “Jotalhão”, uia!

 

 

Já a Billboard… vai de mal a pior ou é impressão deste espaço blogger popper? A revista, que na verdade nunca foi nenhuma Brastemp em termos editoriais, parece caminhar para um final melancólico. Além de ter reduzido seu formato físico (agora, ela está do tamanho de uma revistinha qualquer, uia) é sabido que a publicação tem como editor, já há alguns meses, aquele sujeito escroto, monte de banha podre e um dos maiores exemplos de mau caratismo do atual jornalismo musical brasileiro, mr. José BOSTA Flávio Jr., primeiro e único. É lamentável que alguma empresa jornalística ainda dê espaço para um verme deste naipe, uma figura tão nefasta e suja, possa destilar sua arrogância, prepotência e cretinice em forma de textos jornalísticos.

 

Quem se salva na Billbo é seu editor-chefe, o grande Pedro Só, jornalista dos mais respeitados e conceituados da mídia musical brazuca, e isso já há anos. Pois o blog acha que dear Pedrin Solitário deveria pular fora da Billbo (antes que o barco lá afunde de vez) e ir atrás de um trampo que esteja à altura de seu grande talento profissional.

 

Por enquanto é isso. Logo menos, a gente volta a comentar (quase) toda a mídia aqui no blog, hihihi.

**********

 

MEDO E DELÍRIO NA AMAZONIA: EM VIAGEM CABULOSA À MANAUS, O GONZO BLOGGER ENFIA O PÉ NA LAMA EM WHISKY E COCAINE, ACOMPANHA UM FESTIVAL DE ROCK LECAL (MAS QUE TEVE VÁRIOS PROBLEMAS), METE A BOCA EM TETAS GIGANTES (E DELICIOSAS) E BRIGA NO AEROPORTO COM AGENTES DA POLÍCIA FEDERAL, ULALÁ!

Este relato NÃO é uma ficção. Mas poderia ser. Quando resolveu voltar à capital do Amazonas (onde já estivera uma primeira vez, em setembro do ano passado) no final de abril último, Zap’n’roll já tinha tudo esquematizado em sua cabeça: iria descansar e passear por dez dias em Manaus, rever amigos, acompanhar a cena rocker local e suas novidades, também acompanhar um festival de rock que iria rolar no último finde do mês por lá e… fazer uma putaria de rock, álcool e drugs de “despedida”, antes de enfrentar de vez as sombrias semanas que se avizinham pela frente, com possível tratamento quimioterápico e os caralho (sério: na próxima terça-feira o sujeito aqui vai em mais uma consulta ambulatorial no Hospital das Clínicas, em Sampa, e vai indagar pro(a) médico(a) que o atender: “vocês vão mexer logo na minha garganta ou vão esperar o tumor me matar primeiro?”).

 

Enfim, era pra ser assim – mais ou menos. Com o zapper acometido por um monstrinho/dragão da maldade querendo levá-lo desta pra melhor (ou pra pior, vai saber…) e sem ainda saber qual será efetivamente o tratamento médico que irá receber nas próximas semanas, o tiozão loker (ainda, ainda…) não viu problema maior em fazer essa esbórnia derradeira – afinal, alguém aqui achou que o autor destas linhas online algum dia iria ser um paciente dócil e “normal”? Jamé! Mais rebelde e “anormal” do que nunca, lá se foi o blogger gonzolino pro calorento Norte do país. Mas decidido a fazer uma esbórnia “controlada”, “comedida”, hihihi. E claaaaaro que o “controle” foi pras picas logo na primeira noite do Hey Yo Music Festival, que aconteceu em Manaus nos dias 26 e 27 de abril. Bien, vai lendo aí embaixo, por tópicos, e veja do que uma mente insana é capaz…

 

* Primeiros dias em Manaus: passagem de avião em mãos, local bacanudo pra se hospedar (cortesia do queridão Sandro Nine, o jornalista rocker mais gente fina do Universo e um irmão que o blog tem em Manaus), lá se foi o zapper andarilho. O autor destas linhas virtuais chegou na capital amazonense numa agradável noite de segunda-feira e logo se mandou de táxi pra house do brother Nine. Papos de boas-vindas, colocar as conversas em dia e a dupla foi dormir quando já era alta madrugada. Nos dias seguintes a rotina foi tranquila e bacana, com passeios pela cidade, visitas à rádio online Manifesto Norte (onde Sandro é diretor artístico; sem favor algum, é uma web rádio fodíssima, que só toca rock alternativo 24 horas diárias, possui programas temáticos geniais, como um que é dedicado a questões ambientais, etc. Se interessou? Vai aqui: www.manifestonorte.com), onde inclusive Zap’n’roll deu entrevista bacanuda durante a semana, além de um delicioso tour gastronômico do qual estas linhas bloggers mezzo comilonas participaram, a convite do super casal Marcelo Correia (irmão de Sandro e também um dos diretores da Manifesto Norte) e Lidiane (os mais novos e queridos irmãos do blog no Norte brasileiro), e que se estendeu ao longo da semana – o sujeito aqui, que nunca foi muito chegado em peixes, provou e acabou lambendo os beiços em um tambaqui na brasa, preparado pelo grande Marceleza. Fora tudo isso, mr. Zapper gonzo loker ainda reencontrou, no meio da semana, sua grande paixão platônica manauara: a deliciosa loirinha (um tesão para quatrocentos machos, ops, talheres) Bruninha Viana, diletíssima amiga destas linhas online já há tempos. Ambos tomaram um chopp básico ao cair de uma tarde quente em Manaus e combinaram de irem juntos na primeira noite do Hey Yo Music Festival, na sexta-feira. Ou seja, foi tudo muito bem até chegar o final de semana. Aí…

 

 

* Festival bacana, mas tretado: o Hey Yo Music Festival, produzido por um agitador cultural local, o gente finíssima Mayko Silva (que foi um lorde com o blog e toda a imprensa que acompanhou o evento) tinha tudo pra ser A BALADA ROCK do finde na cidade. E foi num certo sentido. Mas também enfrentou problemas estruturais, de grana (sempre, néan?) etc. A primeira edição, muito mais modesta, tinha sido realizada em 2011. Na segunda, Mayko talvez tenha resolvido dar um salto grande demais e isso ajudou no surgimento dos problemas. Com mais de trinta bandas programadas pra tocar em duas noites, o Hey You 2013 sofreu com tretas que sempre surgem em eventos desse tipo: algumas bandas locais cancelaram suas apresentações sem maiores explicações (total falta de profissionalismo da parte delas, fato); duas das grandes atrações de fora (a porcona Velhas Virgens, de Sampa, e o bicho-grilo mineiro Ventania) não apareceram. Na segunda noite do festival (a mais concorrida), teve muita gente pulando o muro (!) do local pra entrar na faixa e outros simplesmente tiveram a cara larga de falsificar ingressos. Tudo isso dificultou a boa performance do Hey You, que ainda assim exibiu grandes shows (Inocentes, Rock Rocket, a incrível Jamrock de Roraima, com sua vocalista gatíssima e um reggae/pop pronto pra estourar nas rádios do Sudeste), abriu grande espaço pros novos talentos da cena manaura (como os bacanas DPeids e Tudo Pelos Ares, além do ótimo garage/glam dos Acossados, a banda liderada pela paulistana e velha amiga zapper, Mônica Cardozo, ainda totosíssima aos trinta e quatro anos de idade) e, claro, teve maletices pelo caminho – Korzus levando mais de uma hora pra subir no palco e fazer seu set…  ninguém merece. De qualquer forma, foi um evento beeeeem bacana e os problemas (que inevitavelmente acontecem) não tiraram a importância dele, sendo que a torcida é pra que em 2014 role mais uma edição do Hey You Music Festival

 

 

* E o blogger loker enfia o pé na lama com gosto na primeira noite do Hey You: claaaaaro! A oportunidade era mais que perfeita: uma semana em Manaus, festival de rock no finde, cocada boa vinda (quase) diretamente da fábrica (ali ao lado). Impossível resistir, mesmo com o sujeito aqui estando com um TUMOR na sua garganta. Assim o blog já saiu na maldade de Sampa rumo à capital do Amazonas, e sabedor que iria aprontar por lá na sextona. Pra isso já foi municiado daqui pra lá com uma garrafa (meio litro) de Johnny Walker e outra (também meio litro) de Jack Daniel’s. Quando chegou em Manaus, já agilizou um “contato” por lá (da turma rocker da cidade), que informou: “descolo 5 g do produto por 80 pilas”. O zapper louco pra ficar doidón no finde: “Fechado!”. Pagamento adiantado, e a entrega foi combinada no festival mesmo. O blog chegou por lá com a turma da rádio Manifesto Norte por volta das sete da noite, quando estava começando o set bacanudo dos Acossados. Algum tempo depois o “contato” chegou e entregou a “encomenda” ao blog. Sério, fazia muuuuuito tempo que o sujeito aqui não via tanta cocaine (e boa) em suas mãos. E lá se foi o zapper pro banheiro mais próximo, dar a primeira aspirada. O produto era suave – e bom, rsrs. Depois, doses de whisky e brejas. Até por volta das onze da noite o autor destas linhas malucas ainda conseguiu mantém a situação sob controle. Daí pra frente as merdas começaram a rolar. Chegou Bruninha (tesudíssima em um vestido preto mini, meias pretas e bota de cano alto) ao local do festival (atrasadíssima) e o blog já bicudón ficou mega feliz ao ver a loira. Foram ambos tomar cerveja e conversar um pouco e assistir a algum show (algo que estava ficando impossível devido ao estado francamente anormal do jornalista gonzo). De repente o loker rocker e a loira se perderam. Ele, ainda com grande quantidade de padê em seu poder mas já total alterado pelo dito cujo e por doses e doses de whisky, começou a fazer uma autêntica distribuição de maldades nasais entre chegado músicos que conheceu por lá na hora e gente que ele nunca tinha visto como… ela! Uma baixinha de tetas gigantes, rocker e tatuada. Zap’n’roll: “você… cheira?”. Ela: “sim!”. Os dois se mandaram pro banheiro. Lá chegando, duas fileiras algo taturanas foram mandadas pelas napas adentro. Foi aí que o jornalista já fora de controle lascou um beijo de língua na garota. Ela não recusou. O passo seguinte foi arrancar pra fora da blusa uma daquelas tetas enormes e suculentas, e mamar alguns segundos nela. Mamada que só foi interrompida quando alguém começou a bater na porta, querendo usar o banheiro. A dupla saiu e a rocker sumiu. A esbórnia continuava. Dali a pouco Bruninha reapareceu e ficou preocupada com o seu amigo loki paulistano. Ele: “fique sussa, eu me garanto!”. Mais ou menos: três e meia da manhã o pessoal da web rádio Manifesto Norte estava de saída e ordenou: “Vambora com a gente, Finatti!”. E o “adolescente” cinquentão rebelde queria ficar pois ele havia conhecido a lindinha e fofa… Jaqueline, outra rocker manauara gracinha e que meio que fez o coração zapper disparar. Como ela ainda ia ficar por lá, ambos trocaram números de celular e combinaram de se encontrar no domingo no centro da cidade (e pra onde o blog iria ficar, hospedado em um aprazível hostel, depois de uma ótima semana na house do querido Sandro; afinal o blog queria passear e também conhecer o centro de Manaus, onde fica o teatro Amazonas e muitos pontos turísticos da cidade), mais especificamente no espaço cultural Cauxi, onde iriam rolar shows com a sempre bacanuda Veludo Branco (do amigão/irmão Victor Matheus) de Roraima, da Jamrock e do local Alaíde Negão. Encontro marcado, o sujeito aqui finalmente entrou no carro. Mas não por muito tempo: quando a trupe já estava próxima do seu destino, o blogger “transtornado” (nas palavras do Marcelo, irmão de Sandro), pediu pra sair dele pois queria beber mais (já que o whisky havia acabado e o Jack Daniels também se foi, isso já pela manhã de sábado; mas na verdade a busca era por mais dorgas, já que o padê TAMBÉM havia acabado). Marcelo: “me ouve, vamos embora pra casa, não saia do carro!”. O blogger fora de controle: “não vou conseguir dormir agora. Vou beber algo e vou embora daqui a pouco”. E assim foi. Zap’n’roll bateu na porta do inferno quando saiu daquele carro e foi se aventurar pelas ruas de Manaus às cinco da matina. Resumindo muuuuito a ópera: foram horas e horas e idas e idas a locais tenebrosos, atrás de álcool e alguma coisa que “batesse” na cabeça do jornalista maluco. Não se sabe como mas o blog foi parar no centro velho (!) de Manaus, beeeeem longe de onde ele estava. Lá encontrou outra delícia local, uma mulatona peituda mas que era… profissional do sexo. Novamente o blog: “quero drugs!”. Ela: “eu te levo onde tem”. E foram mais algumas horas bebendo com a mulataça putona e gostosona e tecando um padê porco, que não “batia” nunca. Até que ela fez a proposta: “Vamos pro Panaí, lá tem pasta base pra fumar!” Pasta base é o mesmo que crack em Sampa, a única dorga que o blogger junkie detesta. Foi nessa hora que o autor deste diário de bordo delirante teve um acesso de coragem e lucidez e largou a figura, embarcou num táxi e rumou de volta pra onde estava – isso às duas horas da tarde de sábado! Não havia mais o que fazer. O blog se recuperou como pôde na casa de Marceleza e à noite rumou pro hostel. Onde literalmente capotou, largando mão de ir na segunda e derradeira noite do Hey Music Festival.

 

 

* Domingo suave no centrão de Manaus: recuperado da mega esbórnia feita na sexta-feira, Zap’n’roll queria um domingão tranquilaço. E assim foi. A doce e fofa Jaque veio ao encontro do blog e ambos foram assistir aos shows que rolaram no Espaço Cultural Cauxi. Todas as três bandas representaram muito bem: o trio Veludo Branco está cada vez melhor com o seu rock básico mas agora eivado de nuances psicodélicas, a Jamrock é o que blog já disse mais aí em cima e o Alaíde Negão é o típico combo samba-rock “muderno” que a jornalistada sudestina adora. Fazem música dançante e de responsa e se vierem pra cá, irão se dar bem. Anyway, o autor destas linhas desvairadas incrivelmente ficou no domingo tomando apenas… água mineral com gás, gelo e limão. Mas em compensação a aproximação com Jaque foi bacana, rolou paquera e besos e novo encontro foi marcado pra terça-feira à noite, véspera de feriado e sendo que o blog iria (iria, bem escrito) retornar a Sampa no feriado do Trabalho.  E assim foi: novamente o casal se encontrou na terça-feira e foram tomar uma breja de leve no bar do Armando, um dos pontos tradicionais da cidade, em frente ao teatro Amazonas e ao Largo São Sebastião – o mesmo que inspirou a música do gigante Luneta Mágica. Depois da breja, mais clima de romance e namoro… e a noite foi ótima ao lado de Jaqueline. Zap’n’roll voltou pra Sampa com a garota em seu coração.

 

 

* Confusão e tumulto no aeroporto, com o blog enfrentando até agentes da Polícia Federal, uia: yeeeeesssss! O grand finale dessa aventura estapafúrdia tinha mesmo que ser no… aeroporto de Manaus, hihihi. O vôo zapper (pela sempre horrenda Gol, que agora inclusive COBRA dos passageiros pelo lanche servido a bordo) estava marcado para às três e meia da tarde. O querido casal Marcelo e Lidiane ofereceu carona. Ficou combinado deles passarem no hostel e apanhar o jornalista amigo às duas e meia da tarde, tempo mais do que suficiente pra se chegar no aeroporto e fazer o check-in. Mas deu tudo errado: em pleno feriado Marceleza pegou congestionamento monstro em Manaus (!) e chegamos ao nosso destino às… três e dez da tarde, vinte minutos antes do horário previsto pro avião decolar. Lá se foi o sujeito aqui tentar negociar no balcão da Gol. Um funcionário escroto disse que não havia mais o que fazer. Chamou-se o supervisor e ele respondeu secamente a mesma coisa. O blog sempre estourado perdeu a paciência: deu um murro em cima do balcão e começou a xingar a Gol de todos os nomes possíveis (“companhia de merda” etc.). Nisso uma das funcionárias da empresa começou a RIR da cara do autor deste diário de bordo absurdo. Pode isso agora? Funcionária de empresa aérea RIR da cara de um cliente? Não pode! Zap’n’roll partiu pra cima da fulana, aos gritos: “você está RINDO da minha cara, sua mal educada?”. Ela perdeu a elegância: “Vai pro inferno!”, disse. O blog, que não leva desaforo pra casa, respondeu: “e você vai à merda!”. Nisso o tal supervisor pediu socorro pra… Polícia Federal, alegando que eu tinha insultado sua funcionária, que ela estava grávida (estava mesmo) e bla bla blá. Chegaram quatro (!!!) agentes federais (um já de algemas em punho) e cercaram o blogger brigão e que a essa altura já suava horrores, não de medo mas de calor e nervoso. Começaram a troca de acusações, com os agentes ouvindo as duas partes em conflito. O supervisor da Gol, espertinho, querendo comover a PF: “ele ofendeu minha funcionária com palavras de baixo calão. E ela está grávida!”. Zap’n’roll não queria APELAR, mas viu que teria que fazê-lo. E rebateu: “não seja por isso. Estou com um CARCINOMA EPIDERMOIDE na garganta. Ou seja, CÂNCER! Quem você acha que está com problema de saúde maior?”. Essa info imediatamente AMOLECEU a rispidez dos agentes federais. O que estava com as algemas em punho, abaixou as mesmas imediatamente. E um outro, muito simpático e se apresentando também como dentista, começou a conversar com o jornalista: “oh, o caso do senhor é sério! Já começou o tratamento, etc, etc?”. No final ficou tudo na mesma mas o zapper teria de qualquer forma que comprar outro trecho de vôo de volta pra Sampalândia. E decidiu que NÃO seria pela maldita Gol. Com a providencial ajuda de Marceleza e Lidiane, o esticou sua temporada em Manaus por mais um dia. Até que na quinta-feira, após descobrir um tiozinho que era dono de imobiliária, dono de pizzaria e de escritório de contabilidade (e que era a simpatia em pessoa, mas falava pelos cotovelos), e que também VENDIA passagens por preços em conta, utilizando as MILHAS que ele comprava de outras pessoas, Zap’n’roll finalmente encerrou sua aventura amazônica. E que aventura, wow!

 

 

* Este tópico é dedicado aos queridos amigos do blog em Manaus: Marcelo Correia, Lidiane, Sandro Nine, Jaqueline Figueroa, Bruna Viana, aos Lunetas e à Malbec (que foi uma das apoiadoras da ida do blog à capital amazonense) e a toda galera rocker de lá que nos recebeu super bem. Até a próxima visita, galere!

 

 

PICS DO FESTIVAL HEY YO MUSIC E DO ROLÊ ZAPPER POR MANAUS

(fotos: produção Hey You Music, Bruna Viana e Marcelo Correia)

 

Inocentes arrebentando tudo em Manaus

 

O paulistano Rock Rocket: mostrando a competência de sempre no palco

 

Os Acossados, liderados pela amigona zapper Mônica: garagismo rock no calor amazônico

 

Dpeids: rock “de merda” numa das boas revelações da nova cena manauara

 

Bocetão rocker do Norte curtindo a esbórnia (e querendo pica também, uia!)

 

Zap’n’roll muuuuuito bem acompanhado pelos queridões da Veludo Branco (Victor e Cezar, já no domingão tranquilo, no centro de Manaus)

 

E o blog ao lado de sua paixão de Manaus, a liiiiindaaaaaa, loira e rocker Bruninha

 

**********

A VIRADA CULTURAL 2013 E A GRANDE PATIFARIA DA ONG FDE, ENVOLVIDA NO EVENTO

É mais um assunto que o blog AMARIA comentar aqui, mas o post já está gigante e precisa ser finalizado. Porém, até esta sexta-feira entra novo postão zapper no ar e aí sim vamos falar aqui o que tem que ser dito sobre esse, hã, sempre palpitante tema, uia!

 

Aguardem!

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Discos: os novos das Savages e do Primal Scream, sendo que este já está muuuuito bem resenhado lá no blog Jukebox, do queridão Dum DeLucca e que você pode acessar aqui: http://dynamite.com.br/jukebox/2013/05/more-light-revitaliza-o-primal-scream/.

Capa do novo discão do Primal Scream

 

* Filme: “Somos tão jovens”, claaaaaro. Mostra a construção do mito Renato Russo, acompanhando sua trajetória da adolescência até a Legião Urbana se transformar na maior banda da história do rock brasileiro. O blog na verdade ainda não foi conferir o longa (pretende fazê-lo esta semana) e então pediu um texto sobre ele pra nossa querida amiga e jovem leitora Mayara Corbacho, que viu/sentiu desta forma o filme: “Desde a doença que o deixou sem andar por um bom tempo até a criação da Legião Urbana,  Somos Tão Jovens (2013) expõe alguns dos principais acontecimentos da vida de um dos maiores ícones do rock. Quem curtiu o recorte histórico escolhido em “O Garoto de Liverpool” (2009), provavelmente também irá gostar de “Somos Tão Jovens”, já que esse recorda o filme que narra a história de John Lennon. Outro detalhe bacana: é impossível sair do cinema, escutar músicas como “Por Enquanto”, “Geração Coca-Cola” e “Ainda é Cedo”, sem lembrar de determinadas cenas do filme. Um fato é inegável: nenhum filme, nenhum livro, nenhuma música jamais será capaz de transmitir a grandiosidade de Renato – ele era uma pessoa muito superior a tudo isso, enxergava coisas que poucos conseguiram ver. Porém, não será nenhum “tempo perdido” tirar pouco mais de 1 hora e meia para prestigiar a bela homenagem estrelada por Thiago Mendonça e dirigida por Antônio Carlos da Fontoura, que com certeza há de marcar toda uma legião de fãs”. Fikadika então e valeu Mayara pela sua participação especial neste post da Zap’n’roll!

O ator Tiago Mendonça, que vive Renato Russo em “Somos tão jovens”

 

* Baladas: opa, este postão está sendo finalizado já na madrugada de terça-feira, então este tópico será melhor atualizado no novo post, que deverá entrar nesta sexta-feira no ar. Mas vai se preparando que vai ter Rock Rocket no Beco (na quinta-feira), Vaccines no Cine Jóia (no sábado), Virada Cultural no finde, Brendan Benson na semana que vem (também no Cine Jóia) e os caralho. Haja saúde (e dindin no bolso também, hihihi).

 

 

E FIM DE PAPO

Postão gigantão pra ninguém reclamar. E que termina hoje com esse texto que publicamos em nosso perfil no faceboquete, mas que merece estar aqui também:

 

Só mesmo uma caminhada/passeio noturno (de metrô, ônibus e a pé) ao longo de algumas avenidas paulistanas, para produzir aquele momento reflexivo em que você novamente deixa o filme de sua existência passar diante de seus olhos. Foi isso o que aconteceu há pouco, quando o blog foi até Higienópolis e passou pelas avenidas Angélica, Paulista e praça Buenos Aires.

 

Sim, a grande metrópole é perigosa à noite (e durante boa parte do dia também), mas o silêncio e o frescor que tomam conta dela por vezes nos dão uma liberdade de pensamento e consciência que inexistem em outros instantes. E como sempre nos últimos meses, voltamos a meditar sobre a questão do envelhecimento, da possível morte em breve, da melancolia e solidão que nos acompanham de tempos pra cá, mas que paradoxalmente trazem conforto, calma, sapiência e quietude ao nosso coração e alma – se todo ser humano realmente possuir uma.

 

Talvez Zap’n’roll devesse ter se casado quando era mais jovem. Quer dizer, chegamos a morar junto com a mãe do nosso filho durante dois anos e meio. Depois nunca mais o blog passou pela experiência da vida conjugal. E o mais incrível é que, apesar de o sujeito aqui ter a fama e lenda (muito maior do que a realidade, no final das contas) de ser doidão de plantão, cafajeste com as mulheres etc, ele sempre foi um tremendo romântico e passional, que vivia em busca da mulher e do relacionamento perfeito (“alguém que caiba nos seus sonhos”, como cantou Cazuza). Nunca achou nenhum dos dois, mas algo próximo deles. E sempre que achou (na Vanessa, Tânia, Rudja), por algum motivo essas pessoas escaparam das mãos.

 

Hoje o jornalista vive só, apesar de conhecer zilhões de pessoas. E apesar de ter tido zilhões de garotas na sua vida. E talvez se ele tivesse casado novamente, ele ainda assim poderia estar só novamente (pois como diz André Pomba, relacionamentos têm prazo de validade; quem garante que o zapper não teria se separado novamente?). E como sempre temos dito aqui nos últimos meses, se ainda almejamos algo desta existência terrena é isso: um grande e infinito amor – e também a publicação de um livro compilando os dez anos do blog, pelo qual temos o maior carinho e orgulho.

 

Mas se nem isso conseguirmos, saberemos aceitar nosso destino. Não temos do que reclamar da vida. Fomos felizes e fizemos quase tudo o que quisemos. E a solidão… bem, ela deve ser como o espaço sideral. O misterioso e infinito Universo onde, hoje, o personagem fictício Major Tom (criação célebre, clássica e genial do imortal David Bowie) se transformou em realidade, com o comandante da Estação Espacial Internacional gravando uma emocionante versão de “Space Oddity”, de dentro da espaçonave.

 

O blog se emocionou de verdade ao ver o vídeo com a versão (já tem nosso voto pra clip do ano). E se o tumor maldoso nos derrubar mesmo nos próximos meses esperamos estar lá em cima, não tão perto do Major Tom mas ao lado de mama Janet, a observar serenamente a vida humana que vai seguir em frente, aqui embaixo.

 

É isso. Até o próximo post, galere!

 

 

E o Major Tom ganhou vida na voz de um astronauta de verdade…

 

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 14/05/2013, às 4hs.)