AMPLIAÇÃO FINAL EXTRA!!! Informando OFICIALMENTE a data e local da mega festona de quinze anos do blog zapper, falando do show (com ingressos esgotados) do Ira! semana que vem no Sesc Belenzinho em Sampa, e muito mais! – Novo postaço zapper no ar! E em edição especial sobre o pós punk inglês dos anos 80 e também dos anos 2000, o blog analisa em detalhes o novo discão do grupo Interpol, além de celebrar os quarenta anos de existência de dois gigantes da história do rock, os ingleses do Echo & The Bunnymen e do Bauhaus; mais: a “invasão” da armada brit oitentista que vai acontecer no Brasil (e em Sampa, claro!) de setembro a dezembro, os livros sobre o gigante Lula que foram lançados, o grande HORROR golpista político e jurídico no país às vésperas das eleições presidenciais, e mais isso e aquilo tudo no espaço blogger que é campeão na blogosfera BR de cultura pop já há quinze anos! (postão gigantão totalmente ampliado e finalizado em 6-9-2018)

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Em mega postaço especial sobre o pós punk, o blogão zapper analisa em detalhes o novo discão do trio americano Interpol (acima), além de falar dos quarenta anos de existência de um dos maiores nomes do rock mundial em todos os tempos, o inglês Echo & The Bunnymen (abaixo)

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MAIS MICROFONIA – AGORA VAI! A MEGA FESTA DE QUINZE ANOS DA ZAPNROLL ACONTECE MÊS QUE VEM EM SAMPA, NO SESC BELENZINHO, UHÚ!

O site e blog de cultura pop e rock alternativo mais legal da web BR chega a uma década e meia de existência. E para celebrar, vai ter uma comemoração à altura da data! No próximo dia 19 de outubro, sexta-feira, a partir das 9 e meia da noite, a comedoria do Sesc Belenzinho na capital paulista, recebe dois showzaços dos grupos Saco De Ratos e The Dead Rocks, que vão tocar o puteiro e o terror rocker para festejar o niver zapper. Bora lá!

E após a maratona rock ao vivo no Sesc, ainda vai rolar uma after party show no Clube Outs (localizado na Rua Augusta, 486, no centro de Sampa), com dj set especial do blog, a partir da uma e meia da manhã. O Outs também existe há 15 anos, é o último reduto rocknroll da cena alternativa noturna do baixo Augusta e vive lotado nos finais de semana, graças ao vitorioso sistema open bar (pague um preço fixo e beba até cair!) implantado pela casa há quase 5 anos. Não dá pra perder!!!

Quem vai fazer a festa e tocar o puteiro e o terror rock no Sesc Belenzinho:

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***Saco De Ratos – a banda de blues rock existe há mais de uma década e já gravou quatro álbuns. É um dos destaques da cena independente brasileira e paulistana e cujo vocalista e letrista, o escritor, poeta e dramaturgo Mário Bortolotto, é um dos destaques da cena literária marginal brasileira há mais de vinte anos. Mais sobre eles aqui: https://www.facebook.com/BANDA-SACO-DE-RATOS-121151831228419/?fb_dtsg_ag=AdwjGDA39anTwQWKwrhAh9__oSTdyWkXiqrbKrZ85SIvOw%3AAdwCc08wU0iZzIGbX9yn0oKlNzZ99N-e7nKKtr2TNScTbA.

 

***The Dead Rocks – O trio baseado no interior paulista (na cidade de São Carlos) existe há uma década e meia e nesse período se transformou num dos principais nomes do estilo surf music no rock alternativo brasileiro. Compondo apenas temas instrumentais e com quatro discos editados, a banda alcançou tanto prestígio para o seu trabalho musical que já excursionou pela Europa e Estados Unidos, onde também lançou alguns EPs e participou de coletâneas com músicas de sua autoria. Não tocam na capital paulista há um bom tempo já, de modos que será uma ótima oportunidade para os fãs da cidade se reencontrar com o grupo ao vivo ou para conferir a potência sônica deles no palco pela primeira vez. Mais sobre eles aqui: https://www.facebook.com/thedeadrocks/.

 

Ingressos à venda em breve no site do Sesc Belenzinho, aguardem! E tudo sobre o festão você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/460162691145863/?active_tab=about.

 

***E SEMANA QUE VEM TAMBÉM NO SESC BELENZINHO TEM IRA! – Conforme estas linhas zappers imaginavam os ingressos para os dois shows que o Ira! irá realizar no final da semana que vem (dias 14 e 15 de setembro, sexta-feira e sábado), na comedoria do Sesc Belenzinho (unidade da entidade que fica no bairro do Belém, zona leste de Sampa, aliás como todas as unidades do Sesc esta também é sensacional), se EVAPORARAM do site (e também na compra física) em menos de 24hs. Os tickets começaram a ser vendidos ANTEONTEM. Já acabaram – a comedoria do Belenzinho não é grande, cabem umas 500 pessoas lá. E com o Ira! tocando na íntegra e ao vivo o seu fodástico terceiro disco de estúdio, o “Psicoacústica” (lançado em 1988, daí a turnê comemorativa pelos 30 anos dele), não tinha mesmo como ser muito diferente o sumiço das entradas em velocidade recorde. Sendo que o blog se sente algo contente e orgulhoso nessa parada. Contente porque além de admirar pra carajo a banda, também é amigo pessoal da dupla Scandurra-Nasi há séculos. E orgulhoso porque o texto do press kit sobre o evento e sobre o LP em questão é de nossa autoria. Sim, o Sesc confiou este trabalho ao jornalista rocker aqui, não apenas pela amizade que ele mantém com a banda mas também por (modéstia às favas) conhecer profundamente a trajetória dos Irados e as nuances que permeiam “Psicoacústica”. De modos que estaremos por lá na semana que vem, já que temos par de convites disponíveis (cortesia do Sesc) pra ir lá na gig. Pra quem não vai: sorry, hihi.

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Zapnroll (acima) e o bacanudo press kit criado pelo departamento gráfico e de divulgação do Sesc Belenzinho, para divulgar o showzão do Ira! que rola lá semana que vem, e cujo texto encartado no kit (abaixo) foi produzido pelo autor do blogão zapper

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, o rock alternativo, a política e o comportamento)

 

***LULA ONTEM, LULA LIVRO, LULA LIVRE, LULA SEMPRE! – Foi realmente emocionante o evento realizado no último dia 13 de agosto em Sampa, por conta do lançamento oficial e nacional do livro “Lula Livre – Lula Livro”, coletânea de textos organizado pelo jornalista e queridão deste espaço online Ademir Assunção, e que conseguiu reunir num volume extraordinário (e que estava sendo vendido por módicos 15 dinheiros durante o evento, sendo que os exemplares à disposição do público se esgotaram rapidinho), textos e poemas de artistas variados, como poetas, cantores, compositores, rappers etc (estão no livro, entre outros, textos de Chico Buarque, Augusto de Campos, Alice Ruiz, Carlos Rennó, Sergio Mamberti, Paulo Lins etc.). E boa parte desses artistas compareceu ao lançamento, que lotou as dependências do já lendário, mitológico e histórico teatro Oficina, lar do grupo homônimo criado há décadas pelo gênio gigante que é Zé Celso Martinez Correa, um dos monstros sagrados de toda a história da dramaturgia brasileira. Foram lidos textos no pequeno palco montado, mostrados vídeos, entoados hinos e canções eivadas de sentimento de liberdade, de apoio total à democracia e a tudo que importa ao ser humano: respeito às minorias, aos negros, às mulheres, aos gays, além de um não gigante ao retrocesso comportamental, ao arbítrio, a intolerância, ao discurso de ódio boçal que tornou o país uma nação de pensamento binário, ao reacionarismo de extrema direita e, principalmente, a prisão política e completamente injusta e surreal do maior líder popular que este pobre Brasil (uma nação vilipendiada por golpistas imundos em esferas variadas: na política, no Judiciário etc.) já teve. Ele mesmo, Luis Inácio LULA da Silva, o MELHOR PRESIDENTE que o Brasil teve em pelo menos 50 anos. O blog poderia escrever um LIVRO aqui sobre como foi bacana a aquela noite. Mas tenta resumir sua emoção e orgulho de ter participado do evento dizendo que, sim, a VERDADE e a JUSTIÇA irão prevalecer e VENCER no final de tudo. Apenas fica-se questionando do por que dessa dicotomia apavorante: a NATA da arte e da cultura brasileira reunida numa segunda-feira à noite na capital paulista pedindo LULA LIVRE, enquanto a sociedade e povo do país, quase como um todo, se deixando contaminar por uma ignorância abominável e monstruosa e se mostrando propensa a eleger como presidente um BOÇAL e BESTIAL herdeiro maldito da pior escrotidão (em todos os sentidos) que já houve na história do país, a ditadura militar. É isso mesmo que o brasileiro quer, ter como presidente um mentiroso, asqueroso, crápula, também escroque e pilantra (que enriqueceu como deputado federal durante 30 anos, nos quais não fez absolutamente NADA digno de nota como político) e que ainda por cima é homofóbico, racista e machista ao máximo. Só pra saber… Foi lindo o evento. E a melhor imagem do que rolou no Oficina, para resumir tudo, é a que está aí embaixo: Finaski (com sua amiga Silvia Fasioli) ao lado de um GIGANTE da história política nacional, um dos ÚNICOS políticos realmente DECENTES em grau máximo deste Brasil corroído pela corrupção. Ele mesmo, o “velhinho” mais fofo de todos e nosso eterno senador, a quem sempre daremos nosso voto. Um beijo no seu coração ever, Eduardo Suplicy!

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Finaski, sua amiga Silvia e o gigante (como político e como ser humano) Eduardo Suplicy (acima), no lançamento do livro “Lula Livre – Lula livro”, em São Paulo; abaixo no mesmo evento o senador, ladeado pelo diretor de teatro Zé Celso Correa e pela poeta Alice Ruiz

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***Mais Lula em livro – yep, outro lançamento em torno do ex-presidente Lula é “A verdade vencerá – o povo sabe por que me condenam”, volume editado pela Boitempo editorial e onde o ex-presidente concede uma enorme entrevista a um grupo de jornalistas, em bate papo organizado por Ivana Jinkings e Juca Kfouri, além de textos complementares escritos por Eric Nepomuceno e Rafael Valim. Vale muito a pena ler e tomar contato com uma radiografia textual isenta e escrita por gente séria e por alguns dos principais nomes do jornalismo brasileiro, para que se possa entender todo o imundo processo político golpista que segue em curso no país, às vésperas de mais uma eleição presidencial – talvez a PIOR eleição desde que o país se redemocratizou.

 

*** O BRASIL E O ROCK BR NO FUNDO DO ABISMO SEM FUNDO – Quando uma cadeia varejista de lojas como a gigantesca Americanas chega ao completo desplante de vender (pelo seu site) dois modelos de camisetas (um enaltecendo BolsoNAZI; outro contra Lula, o MELHOR presidente que este país já teve em pelo menos 50 anos), a conclusão é inefável: essa MERDA monstro chamada Brasil chegou mesmo ao fundo de um abismo que parece não ter nenhum fundo. E não só. Segundo reportagem da revista Carta Capital, olhem só a “inspiração” visual para os modelos: “as peças têm inspiração estética em BANDAS DE ROCK, como o modelo que imita a camiseta-símbolo do grupo punk RAMONES. Em vez do nome dos integrantes da banda, como no modelo original, consta o lema bolsonarista “Deus acima de todos / Brasil acima de tudo”. A águia americana, por sua vez, foi trocada por uma estrela com a data de proclamação da República”. Que DESASTRE e que nojo. Depois questionam por que o rock MORREU nessa porra horrenda de país cu tropical, não abençoado por NENHUM Deus (seja lá o que for Deus) e habitado por milhões de asnos, ogros, idiotas, imbecis, ignorantes, BURROS, conservadores, sem cérebro, reacionários, boçais e MEDIEVAIS no comportamento e pensamento. É esse povo triste, indecente, ordinário e bolsOTÁRIO que irá votar no “mito”. E boa parte desses JUMENTOS machistas, misóginos, racistas e homofóbicos é que empunham a BANDEIRA do rocknroll hoje em dia no bananão falido. Que triste fim pro Brasil e pro “roqueiro” brasileiro, jezuiz… (adendo: após a publicação da reportagem no site da CC, as lojas Americanas RETIRARAM da venda no seu site os tais modelos das camisetas. Menos mal…)

 

***A “INVASÃO” BRASILEIRA DO PÓS-PUNK INGLÊS DOS ANOS 80 – como este postão que você está começando a ler agora é especial e focado na vertente pós punk do rock mundial (seja o pós punk oitentista ou de bandas atuais, como o grande Interpol), não poderíamos deixar de mencionar a autêntica “invasão” que o estilo irá promover na terra brasilis entre setembro e dezembro vindouros. De modos que o blog zapper dá abaixo seu PITACO sobre as atrações que vêm aí, todas célebres no pós punk britânico dos anos 80.

 

***Peter Murphy e David J.: ou MEIO Bauhaus, que vão relembrar seus clássicos das tumbas em Sampalândia, dia 7 de outubro, no Carioca Clube. Pois então, os maiores morcegões trevosos da cena goth inglesa também celebram 4 décadas de sombras sonoras este ano. Tudo começou em 1978 e yep, sempre gostamos MUITO deles. Mas fato é que solo o vocalista Peter Murphy (uma BICHAÇA loka e das trevas que enlouqueceu garotos e garotas darks no auge do conjunto, lá por 1983) nunca funcionou e passou longe da genialidade musical conseguida quando ele estava junto com Daniel Ash (guitarras), David J. (baixo) e Kevin Askins (bateria). Vimos Pedro Morfético solo em sua primeira visita a Sampa, em fevereiro de 2009 (na finada Via Funchal). Na metade da gig Zapnroll já estava de saco cheio e rezando pra aquilo acabar logo. Agora vamos lá ver esse meio Bauhaus mesmo porque Peter, com mais de 60 anos nas costas, continua com o vocal super em forma e porque o show vai contemplar apenas Bauhaus em seu set. E além de tudo vai ser ótimo e bizarro encontrar aquele monte de gótico velhão e com a pança à mostra, todos reunidos no mesmo local e todos com capotões pretos, claro!

 

***Nick Cave: uma semana depois do meio Bauhaus, o gênio e já icônico Nick Caverna também aterrissa em Sampa, em 14 de outubro. Quase sessentão, Nick continua em plena forma e atividade e segue lançando discos ótimos. Esteve uma única vez no Brasil, em 1988 (lá se vão 30 anos…), e estas linhas online estavam naquele show, lá no saudoso ProjetoSP. Foi inesquecível. Agora vamos TENTAR ir novamente, porque credencial não iremos pedir (o show é produzido por aquele jornalista e “bloggero” pobreloader, hihi, de modos que…) e dindin pra comprar ingresso não tá fácil. Mas vamos verrrrr…

 

***New Order: totalmente DISPENSÁVEL a essa altura do campeonato. E sinceramente não dá pra entender porque tá todo mundo esperneando por conta do show único da banda este ano no Brasil, em SP, dia 28 de novembro. Na boa: quando aqui esteve pela primeira vez, também em 1988, o NO ainda estava no auge e fez uma apresentação histórica, memorável e inesquecível (o blog estava nela) no ginásio do Ibirapuera. Depois, entre paradas e retomadas da carreira, o grupo volto aqui em 2006 (também na saudosa Via Funchal), já não era nem em sonho mais ótima banda que tínhamos assistido ao vivo 18 anos antes mas a gig ainda assim foi razoável. Depois ainda assistimos os sucessores do Joy Division uma terceira vez, no Ultra Music Festival em São Paulo, em dezembro de 2011. Foi o horror total: o vocalista Bernard Sumner gordo (e sem pudor algum em ostentar a barrigona) e preguiçoso ao vivo (e sem voz também), a banda sem o baixista fodão e ícone que é Peter Hook e por aí foi. Conseguiram destruir a si próprios em uma versão ao vivo lamentável do ultra clássico “Blue Monday”, parecendo uma banda COVER de si mesma de quinta categoria. Este jornalista ficou realmente bodeado naquele show e só não saiu mais puto do estacionamento do Anhembi porque estava com uma credencial máster (de jornalista) pendurada no pescoço e que o permitiu ir na área vip open bar, onde tomou todo o whisky que pôde com energy drink. Moral da história: o zapper saiu completamente alucicrazy do festival e foi VOANDO atrás de cocaine, claaaaaro! Bien, depois disso a Nova VELHA Ordem ainda voltou pra cá (o grupo já tinha virado carne de vaca) no Lollapalooza BR 2014 e literalmente CAGAMOS pra assisti-lo ao vivo novamente. Yep, em estúdio o conjunto segue ok (“Music Complete”, lançado em 2015, é bem bom), mas ao vivo vamos passar bem longe pois achamos (achamos não, temos certeza) de que não vale mais a pena. A não ser que você nunca tenha visto eles ao vivo. Aí quem sabe…

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Bauhaus (pela metade, no caso da gig brazuca) e Nick Cave (acima), e New Order e Morrissey (abaixo): todos eles vêm ao Brasil entre setembro e dezembro

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***Morrissey: ah, a velha bexa dos Smiths de volta ao Breeeziiilll… e daí. Daí que Morrisséia está cada vez mais rabugenta e chata com o avançar da idade. Se ainda está em forma em cima de um palco, não sabemos. Os Smiths são uma das 5 bandas da nossa vida (ever) e vimos Moz uma única vez ao vivo e solo, quando ele esteve aqui pela primeira vez em 2000 (lá no finado Olympia SP). Foi lindão, inesquecível e depois nunca mais conseguimos vê-lo novamente on stage. Até queríamos ir esse ano novamente (seu último cd solo dá pro gasto) mas o foda é que na mesma noite do show (2 de dezembro) vai ter também em Sampa L7 com Pin Ups. E vamos preferir ir no segundo.

 

***Fora essa autêntica “invasion” pós punk inglesa dos 80, ainda vai rolar Kasabian (setembro, 30), Peter Hook (dia 10 de outubro, e talvez valha mais a pena ver ou rever este do que o New Order), Franz Ferdinand (outubro, dia 12, mas esse também já deu, né), Noel Gallagher (ainda a confirmar) etc. A pergunta é: quem tem dinheiro pra ir em tudo isso, rsrs. O autor deste blog definitivamente não tem, rsrs.

 

***Não esquecendo: é já em outubro a mega e oficial festa de quinze anos do blog de cultura pop e rock alternativo mais legal da web BR. Vão ter showzaços do The Dead Rocks e do Saco De Ratos. E depois ainda vai ter after party com dj set do blog no Clube Outs, o open bar rocker mais infernal do baixo Augusta SP. Tudo no dia 19 de outubro, sexta-feira, wow! Logo menos a gente divulga aqui o local onde irão rolar os shows, pode esperar!

 

***E antes que o blog esqueça: a primeira tiragem do livro “Escadaria para o inferno” está quase esgotada. Restam poucos exemplares à venda na loja virtual do site da editora Kazuá. De modos que se você ainda não comprou o seu exemplar, vai JÁ aqui e faz seu pedido: http://www.editorakazua.net/prosa/escadaria-para-o-inferno-de-humberto-finatti.

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***E mais notinhas irão entrar aqui na Microfonia ao longo da semana vindoura. Mas por enquanto vamos já direto ao ponto e ao que interessa aí embaixo: o novo discão daquele que ainda é o grande nome do pós punk dos anos 2000, o trio americano Interpol. Bora lá!

 

 

AUSENTE HÁ QUATRO ANOS DOS ESTÚDIOS, O GOTH E INDIE NOVA IORQUINO INTERPOL RETORNA COM TALVEZ SEU MELHOR ÁLBUM DESDE A ESTREIA DA BANDA

Das zilhões de bandas que surgiram no chamado “new rock” (ou indie rock alternativo) na virada dos anos 2000, uma das que Zapnroll mais gosta (e sempre gostou, e continua gostando) é o nova iorquino Interpol. Em tempos em que o rock praticamente MORREU (aqui e lá fora também), em que grupos surgem e desaparecem na velocidade de um bólido e onde conjuntos novos, por melhores que sejam, não conseguem encontrar espaço para mostrar seu trabalho e muito menos público JOVEM interessado em ouvir sua música (esqueça: a pirralhada OGRA e BURRONA da era da web detesta fazer esforço mental, odeia música que a obriga a PENSAR e AMA música total irrelevante e mega RASA em sua construção, daí a ascensão irresistível e implacável do popão eletrônico e R&B pasteurizado lá fora, e do funk, axé e sertanojo aqui no bananão), o agora trio (ainda integrado pelo fundador, o vocalista, baixista e guitarrista Paul Banks, pelo também guitarrista Daniel Kessler e pelo batera Sam Fogarino) está resistindo bem ao tempo: foi fundado em 1997 e lançou seu primeiro álbum (o espetacular “Turn On The Bright Lights”) 5 anos depois, em 2002. E além de resistir bem ao tempo o grupo ainda está em grande forma e acaba de lançar aquele que talvez seja seu melhor trabalho de estúdio desde sua estreia em disco, há dezesseis anos. “Marauder”, o sexto álbum de músicas inéditas do Interpol, chegou ao mercado (nos formatos físico e virtual) na semana passada e não apenas traz de volta as ambiências sonoras sombrias engendradas pelo conjunto em sua estreia, como faz isso através de melodias dançantes e envolventes e também com guitarras abrasivas e poderosas. Já é provavelmente um dos grandes lançamentos de 2018, no que ainda resta de relevante no rock mundial.

E por que estas linhas zappers gosta tanto do Interpol não é nenhum mistério. O blog sempre apreciou muito os vocais sombrios de Banks (que emulam quase à perfeição Ian Curtis) e a ambiência pós punk (circa 1980,1983) sinistra deles, bem na linha do Joy Division. Com um detalhe: mesmo EMULANDO tudo isso o Interpol sempre soou muito convincente e REAL em sua sonoridade, algo difícil de se ver no rock atual, ou no que ainda resta dele. Sim, a banda cometeu deslizes. O autor destas linhas bloggers não gosta do segundo disco deles, o “Antics”. E os três que vieram na sequencia eram ok, mas longe de reeditar o brilhantismo sonoro obtido em sua estreia. De qualquer forma, assistimos a um SHOWZAÇO deles em Sampa, na finada Via Funchal (em março de 2008, há mais de uma década, sendo que eles voltariam ao Brasil por mais duas vezes, em 2011 no extinto festival Planeta Terra, e depois em 2015 no Lollapalooza BR), quando a saudosa casa de espetáculos da capital paulista lotou e a banda brindou o público com uma gig acachapante em sua potência e energia no palco. De modos que sempre ficamos na torcida para que o conjunto voltasse ainda com um grande álbum.

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Capa do novo Interpol: discão!

Pois este retorno com este grande álbum finalmente se materializou em “Marauder”. Em suas treze faixas (sendo duas vinhetas curtas, batizadas de “Interlude I e II”) e pouco mais de quarenta e quatro minutos de duração, o trio reedita finalmente as nuances sombrias (em alguns momentos, quase sinistras) porém dançantes que marcaram o seu hoje já clássico primeiro cd. São melodias aceleradas e construídas com guitarras poderosas e que cativam o ouvinte já nas primeiras audições, o que fica evidente nas quatro primeiras canções do disco (“If You Really Love Nothing”, “The Rover”, “Complications” e “Flight Of Fancy”). “If You…”, que abre o disco, inclusive possui uma letra de consistência poética belíssima e ultra densa (veja a tradução mais abaixo, neste mesmo post) e acabou se transformando no terceiro single do novo trabalho, com direito a um espetacular vídeo de divulgação e onde a atriz deusa loira e XOXOTAÇO Kristen Stewart faz a loka, deitando e rolando com vários homens em um bar onde tudo acontece (duas garotas se beijando, povo loko bebendo Jack Daniel´s no gargalo etc, etc.), enquanto o Interpol surge tocando entre sombras e escuridão quase plena. Melhor impossível!

Há mais do mesmo nível na sequência, sendo que o disco mantém sua qualidade até o final da audição. Ok, ele poderia ser mais econômico e sucinto, com menos faixas e menor duração. Mas não há nada nele que comprometa o prazer, cada vez mais raro nos dias que correm, de se escutar um álbum quase perfeito do começo ao fim. No caso deste “Marauder”, cuja musicalidade nos remete diretamente à Londres do início dos anos 80 (em especial nas muito darks “Stay In Touch”, “NYSMAW” e “Surveillance”), esta quase perfeição sônica além de oferecer grande satisfação a quem a escuta ainda desvela que o Interpol, aos vinte e um anos de existência e com um front man ainda relativamente jovem (Paul Banks fez quarenta anos de idade em maio passado), poderá se manter em forma ainda por alguns anos, impedindo que (e sem trocadilho aqui) o triste rocknroll da estúpida era da web feneça de vez.

 

 

O TRACK LIST DE “MARAUDER”

1.”If You Really Love Nothing”

2.”The Rover”

3.”Complications”

4.”Flight of Fancy”

5.”Stay in Touch”

6.”Interlude 1″

7.”Mountain Child”

8.”NYSMAW”

9.”Surveillance”

10.”Number 10″

11.”Party’s Over”

12.”Interlude 2″

13.”It Probably Matters”

 

 

O DISCO PARA AUDIÇÃO AÍ EMBAIXO, NA ÍNTEGRA

 

 

E O TERCEIRO SINGLE, COM ÓTIMO VÍDEO PARA “IF YOU REALLY LOVE NOTHING”

 

 

UMA LETRA DO DISCO

 

“If You Really Love Nothing”

 

Se você realmente ama nada

Em que futuro construímos ilusões

Se você realmente ama nada

Nós esperamos em glória silenciosa

Se você realmente ama nada

Que parte da traição você quer negar?

 

Quando eu encontrar minha casa

A próxima artéria

Esplêndido eu sangro toda a minha vida

Então é provavelmente um beijo

Adeus então

 

Se você realmente ama nada

Todo mundo é inventado

Todo mundo está perdendo

Se você realmente ama nada

Vamos dormir na glória silenciosa

Se você realmente ama nada

Como você pode estar lá

Você poderia simplesmente deixar para sempre

 

Quando eu encontrar minha casa

A próxima artéria

Esplêndido eu sangro toda a minha vida

Então é provavelmente um beijo

Adeus então

 

Você pode traçar um buraco no seu vestido

 

Respiração é ótima

Lendo lembrar

A classificação final da semana

Melhor que sete outros homens

Imprudente das mulheres que quebram a dimensão

Eu sei que você poderia simplesmente partir para sempre

 

Quando eu encontrar minha casa

A próxima artéria

Esplêndido eu sangro toda a minha vida

Então vai ser um beijo de despedida então

 

Você pode traçar um buraco no seu vestido

E me dê adeus e um beijo

Eu vejo você traçar esse buraco no seu peito

Me dê um tchau e um beijo

 

 

HÁ 40 ANOS SURGIA NA CIDADE INGLESA DE LIVERPOOL (TERRA DE UNS CERTOS BEATLES) ECHO & THE BUNNYMEN, UM DOS MAIORES NOMES DO PÓS PUNK DOS ANOS 80 E DE TODA A HISTÓRIA DO ROCK MUNDIAL

Ninguém discorda de que o quarteto pós-punk inglês Echo & The Bunnymen foi um dos maiores nomes do rock britânico dos anos 80 e de toda a história do rocknroll mundial. Por pelo menos quase uma década (de 1980 até meados de 1988) a banda que em sua formação original e clássica tinha o sublime vocalista Ian McCulloch, o gigante (na qualidade e técnica instrumental) guitarrista Will Sergeant, e os ótimos Les Pattinson (no baixo) e Pete De Freitas (na bateria), reinou absoluta na Velha Ilha e foi aclamada unanimemente pela imprensa e pelos fãs. Foi nesse período de oito anos que o Echo lançou seus cinco primeiros e imbatíveis álbuns de estúdio, onde uma combinação de melodias e harmonias aceleradas e herdadas da simplicidade punk, se unia a ambiências psicodélicas e melancólicas egressas do melhor rock feito nos anos sessenta (com fartas referências e eflúvios de Beatles, Rolling Stones e The Doors), tudo dando suporte para as letras memoráveis (em sua construção poética) escritas por McCulloch. Se depois de 1988 e até hoje o grupo lançou uma série trabalhos sofríveis e que nem de longe lembram seu passado inicial e glorioso, não importa. Tampouco o fato de que da formação original só restam Will e Ian. Mas daqui a exatos dois meses Echo & The Bunnymen estará completando quarenta anos de existência. E nesse período ele já deixou inscrito para a eternidade seu nome entre aqueles que construíram com maestria e encantamento máximo a grande e imortal história do rock mundial.

Tudo começou em Liverpool (a cidade inglesa terra de uns certos Beatles) por volta de 1977, quando o então adolescente Ian McCulloch começou a cantar em um grupo local chamado Crucial Tree (considerado por muitos pesquisadores e estudiosos do rock inglês do período como sendo quase tão excepcional em sua musicalidade quando o Echo seria alguns anos depois). O grupo, no entanto, teve curta existência e logo McCulloch se juntou ao guitarrista prodígio Will Sergeant e ao baixista Les Pattinson, para formar o Echo & The Bunnymen – em tradução literal, “Echo & Os homens coelho”. E que foi batizado assim por, no princípio, não ter um baterista humano – o trio fazia seus registros sonoros acompanhado de uma bateria eletrônica, a Echo. Foi com essa formação e com a bateria eletrônica no fundo do palco que o conjunto fez sua estreia em novembro de 1978, em uma apresentação no Eric Club em Liverpool. É o marco zero da trajetória dos coelhinhos.

Daí em diante a fama do trio foi crescendo rapidamente, em função de suas ótimas composições e apresentações ao vivo. Quando a banda assinou com o selo Zoo Records e lançou seu primeiro single, “Pictures On My Wall”, em maio de 1979, a aclamação da imprensa britânica foi instantânea. Em julho do ano seguinte e já contando com o baterista Pete De Freitas em seu line up o Echo fez sua estreia em LP, editando o a um só tempo barulhento, climático e psicodélico “Crocodiles”, hoje considerado um clássico na discografia da banda. Nova aclamação da crítica, com a legião de fãs aumentando rapidamente e de maneira espantosa. Não parecia haver limites para a genialidade sonora do Echo & The Bunnymen.

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Os “Coelhinhos” em seu auge, no início dos anos 80 (acima); abaixo Ian McCulloch também nos anos 80, destruindo nos vocais ao vivo

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Nos anos seguintes e até por volta de 1988, o quarteto se manteve no topo em tempo integral. Lançou mais quatro álbuns impecáveis da primeira à última música de cada um deles e rodou o mundo com seu show, aportando pela primeira vez no Brasil em maio de 1987, para cinco apresentações inesquecíveis e sold out em São Paulo, além de tocar também no litoral paulista (na cidade de Santos) e no Rio De Janeiro. E quando retornou à Inglaterra, começou sua fase descendente. Primeiro o baterista De Freitas morreu em um acidente de moto em Londres, em 1989. Logo em seguida Ian McCulloch decidiu largar os Bunnymen para seguir em carreira solo. O que sobrou do Echo decidiu seguir em frente, lançando em novembro de 1990 o inexpressivo disco “Reverberation”, onde os vocais ficaram por conta do desconhecido Noel Burke. O trabalho foi um retumbante fracasso, tanto comercial quanto perante à rock press. E assim determinou o fim da primeira fase do conjunto, já que Will e Ian se reuniram novamente mas sob outro nome, Electrafixion, lançando um único e ótimo cd em 1995, intitulado “Burned”. O álbum era muito bom (contava inclusive com a participação especial do ex-guitarrista dos Smiths, Johnny Marr) mas nem de longe vendeu o que os primeiros discos dos Bunnymen venderam.

Foi quando Will Sergeant e Ian McCulloch tiveram a infeliz ideia de voltar novamente como Echo & The Bunnymen. Com Les Pattinson novamente no baixo, o grupo lançou “Evergreen” em 1997. Um disco sofrível que inaugurava a segunda encarnação do conjunto, e que perdura até os dias atuais. Desde então a banda lançou mais seis trabalhos inéditos de estúdio, alguns razoáveis (como “Flowers”, de 2001, e “Siberia”, editado em 2005) mas a maioria demonstrando que aquele grupo de musicalidade absolutamente impecável e gloriosa dos anos 80, não mais existia. Além disso o baixista Pattinson abandonou definitivamente o grupo em 1999, e a voz outrora trovejante de Ian (que se tornou famoso pelo apelido de Big Mac) havia desaparecido, destruída por décadas de consumo de álcool, tabaco e drogas variadas. Por fim o conjunto acabou se tornando carne de vaca e figurinha carimbadíssima no Brasil: voltou novamente pra cá em 1999 (na turnê do fraquíssimo cd “What Are You Going To Do With Your Life”), em gig realizada na saudosa casa paulistana Via Funchal. No ano seguinte Ian voltou retornou ao país, em tour solo. Em 2002 o grupo fez nova aparição por aqui (na mesma Via Funchal) e aí não parou mais de excursionar na terra brasilis, tocando por diversas vezes em São Paulo no extinto Credicard Hall (atual Citibank Hall). E claro, a cada nova visita as performances ao vivo decaiam de qualidade a olhos vistos.

Zapnroll no entanto, sempre teve amor por aquele quarteto pós punk fantástico dos anos 80 e que lançou ao menos cinco LPs que podem figurar tranquilamente entre os cinquenta melhores de toda a história do rock (“Ocean Rain”, de 1984 e o preferido deles destas linhas rockers, está eternamente na nossa lista dos dez melhores álbuns de rock de todos os tempos). E por ter devotado esse imenso amor ao conjunto é que o acompanhou muito de perto durante toda a década de 80 e também na de 90, ouvindo os discos, assistindo a vários dos shows brasileiros e entrevistando os coelhinhos em algumas das coletivas dadas por eles aqui. Momentos em que a banda fez parte essencial da vida do autor destas linhas bloggers e que inclusive renderam algumas histórias bastante divertidas (leia mais abaixo, nesse mesmo post). E agora, ao rememorar as quatro décadas de existência do Echo & The Bunnymen, este jornalista se dá conta de que o tempo avança e não perdoa mesmo ninguém. Nem mesmo artistas, músicos e bandas. Talvez os Bunnymen já devessem ter se aposentado há anos, preservando um passado irretocável e que nunca mais irá voltar. Preferiram continuar, mesmo que flertando cada vez mais com a decadência irrefreável. Não importa: os cinco primeiros e inesquecíveis LPs daquele grupo que um dia surgiu em Liverpool e encantou o mundo para sempre, estarão em nossos corações igualmente para sempre e da mesma forma: encantando ad eternum quem quiser os escutar.

 

 

ECHO & THE BUNNYMEN – UMA ANÁLISE DA TRAJETÓRIA DISCOGRÁFICA DA BANDA

 

Por Valdir Angeli, especial para Zapnroll

 

Conheci o Echo & The Bunnymen meio por acaso, lá pela virada de 1984 para 85. Por essa época eu, normalmente ávido por novidades no âmbito do rock e do pop, vinha ouvindo um bocado de Talking Heads, tinha conhecido o Prince, já tinha adquirido os novos lançamentos do Frank Zappa e do David Bowie (deste último o, para mim, fraco ‘Tonight’), mas achava que o rock estava precisando de uma boa sacudida; na verdade, o que eu achava que estava faltando já existia, mas eu ainda não tinha entrado em contato com o que as novas bandas inglesas – notadamente as de Manchester e Liverpool – andavam fazendo há algum tempo. Quase sem querer, folheando o jornal diário paulistano Estadão, dei de cara com um artigo no Caderno 2 (nota do editor do blog: caderno de variedades do diário e onde o jornalista zapper se tornaria repórter e colaborador anos depois, em 1988, integrando a lendária equipe da página de música editada por Luis Antonio Giron, e que tinha textos assinados por gente do calibre de Fernando Naporano e do saudoso Kid Vinil) sobre o lançamento no Brasil do último disco de um grupo de Liverpool de quem eu nunca tinha ouvido falar, um tal de Echo & The Bunnymen. Interessei-me de cara pelo conjunto, não só pelos elogios a ele contidos no tal artigo, mas também por sua procedência; afinal, se em tempos idos Liverpool tinha sido o berço do merseybeat e o Estadão elogiava tanto uma banda nova vinda de lá (infelizmente não me recordo quem era o articulista), coisa ruim ela não deveria ser, pensei. Movido pela curiosidade, adquiri às cegas logo em seguida o tal disco, o ‘Porcupine’, terceiro álbum por eles lançado, em uma das minhas regulares visitas à lendária Galeria do Rock, até hoje localizada no centro de São Paulo e um dos “points” rockers mais conhecidos do Brasil. A princípio não fiquei nem um pouco animado com o que ouvi, achei estranha e meio desagradável aquela maçaroca de guitarras tocando contra um arranjo de violinos que, segundo o que eu tinha lido no jornal (o disco nacional que eu comprei não trazia sequer ficha técnica) eram do violinista Lakshminarayana Shankar, que já havia colaborado com Peter Gabriel e John McLaughlin. Mesmo assim, gostei muito de uma faixa, chamada “Gods Will Be Gods”, e graças a ela em vez de tentar devolver o disco na loja ou encostá-lo num canto, resolvi repetir um procedimento que eu já havia feito anteriormente, com o álbum ‘Wonderwall’, do George Harrison, e com o ‘Whistle Rymes’, do John Entwistle, baixista do The Who, dois discos que, graças à minha persistência em ouvi-los após uma decepção inicial, acabaram se tornando praticamente dois discos de cabeceira pra mim. Minha ideia deu certo, de fato concluí que os caras desse tal Echo eram bons mesmo, como o artigo informava. Semanas depois, um amigo meu, do circuito das lojas de discos que eu freqüentava, jogou em minhas mãos uma fita cassete com gravações de grupos diversos (entre as quais fiquei conhecendo outras bandas do tal “pós-punk” inglês), contendo no meio duas das músicas do ‘Porcupine’, “The Cutter” e “The Back Of Love”, porém em suas versões de compacto, com arranjos bem diferentes e, aos meus ouvidos, muito melhores, e mais uma inédita dos Bunnymen, o “Never Stop (Discotheque)”, que de imediato me deixou encantado com seu arranjo cheio de cellos, toques em pizzicato e outros detalhes e ambiência que lembravam, e muito, aquela outra antiga banda de Liverpool; esse mesmo amigo também me fez ouvir um exemplar importado do ‘Porcupine’, através do qual pude perceber que muito do meu desencanto inicial com o long-play era fruto da péssima prensagem da edição nacional, cortesia da EMI-Odeon, que era quem, na época, prensava os lançamentos da Warner (distribuidora da Korova, a gravadora  do grupo) por aqui. “Ah, então era isso…! Acho que vou ter que ouvir mais coisas desses caras…”

Demorou mais alguns meses para sair no Brasil o álbum seguinte do Echo, mas nesse meio tempo um outro amigo me emprestou um compacto de doze polegadas deles, que tinha “The Killing Moon” nas versões “standard” e estendida, e mais uma gravação ao vivo sensacional, “Do It Clean”, que me fez conhecer outra faceta da banda, a porrada que era uma gravação ao vivo deles. Foi então, com grande ansiedade, que adquiri logo que saiu aqui ‘Ocean Rain’, quarto disco da banda. E como era de se esperar, caí de amores por ele logo na primeira audição (pois é, a prensagem nacional desse já era bem melhor). Passei a ouvir direto “Silver”, “Seven Seas”, “Crystal Days”… Era fantástico!

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“Crocodiles”, 1980

Um nada de tempo depois disso consegui, escarafunchando várias lojas especializadas, achar dois álbuns importados da banda, os quais comprei sem perda de tempo: ‘Heaven Up Here’, que continha as excelentes “A Promise” e “Over The Wall”, e logo em seguida o disco de estreia deles, ‘Crocodiles’, um álbum mais cru e básico, onde estava a versão original do “Do It Clean” (esse disco que eu achei era a versão americana; a inglesa não contém essa faixa) e as absurdas de boas “Rescue” e “Villiers Terrace”, além do “Read It In Books”, composição oriunda da banda anterior do cantor Ian McCulloch, banda essa que também contava com os geniais Julian Cope  e Pete Wylie.

A seqüência dos acontecimentos ia meio que em banho-maria até que, lá pelo final de 1985, após grande demora, surgiu mais um compacto deles na praça, o “Bring On The Dancing Horses” que, além de trazer no lado principal uma música de qualidade e que mantinha em alta o nível da banda, ainda continha no seu lado dois duas faixas das quais uma em particular, “Bedbugs And Ballyhoo”, acabou virando uma das minhas preferidas de sua obra para todo o sempre. Logo após, foi anunciado que o baterista, Pete De Freitas, havia deixado a banda.

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“Heaven Up Here”, 1981

Paralelamente no passar de todos esses meses, fui conhecendo outras bandas do tal “pós-punk” inglês como, entre outras, The Cure, Joy Division e sua continuação New Order, The Smiths, Bauhaus, Dead Can Dance, Siouxsie & The Banshees e, naturalmente, comecei a enquadrar os Bunnymen como parte integrante desse contexto; a partir daí, meu conceito a respeito do Echo foi se tornando mais relativo e minhas expectativas em relação à banda foram ficando mais exigentes e, como conseqüência disso, a forma de eu enxergar os discos do conjunto começou lentamente a mudar, fazendo com que eu, dia a dia, cada vez mais questionasse a sua música  (a do ‘Ocean Rain’ em particular), até que eu, por fim, não mais estava achando que o trabalho do grupo pudesse ser algo comparável a, por assim dizer, “a arte dos deuses”. Eu já começava, como hoje vejo com mais clareza, a olhar, se não a totalidade da obra do Echo, ao menos o ‘Ocean Rain’ – apesar de eu até hoje reconhecer entre suas faixas uma obra prima atemporal meio subestimada, o”Nocturnal Me”, carregada que é de elementos góticos e sombrios, pouco comuns no repertório do grupo –, suas composições, arranjos  e interpretações, quase como um esnobismo, uma coisa pretensiosa, como se esse disco fosse uma forma de auto-afirmação desnecessária – e até exagerada, eu acrescento – em sua desesperada tentativa de emular os Beatles e os Doors, referências onipresentes, quem sabe para tentar provar a todos (e talvez até a si próprios) o quanto eles eram superiores, como se eles pertencessem a uma casta acima da das demais bandas – a campanha do lançamento do ‘Ocean Rain’ anunciava ser esse “o maior álbum já gravado até então”.

Embora por conta disso meu entusiasmo pelo conjunto tivesse diminuído um pouco, nada impediu que em 1987, na ocasião em que foi anunciada a vinda da banda para apresentações no Brasil (e, melhor ainda, com o retorno do “portuga” De Freitas às baquetas), eu fosse um dos primeiros a entrar na disputada briga para adquirir um ingresso para os shows que ocorreriam no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo, parte da turnê brazílica do  grupo. Consegui ir ao evento em duas noites, nos dias 12 e 15 de maio, e fiquei cara a cara com os gajos que ficaram bem na frente de meus olhos esbugalhados, com o direito de testemunhar o McCulloch tragando copos e copos de caipirinha entre uma música e outra, e de verificar “in loco” a exímia performance do “portuga” na bateria, além de tudo mais que, atônito, consegui captar no momento, incluindo execuções inéditas de faixas que fariam parte do lançamento que eles estavam prestes a fazer.

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“Porcupine”, 1983

E no final de julho desse mesmo ano esse esperado álbum (sem título, apenas ostentando o nome do grupo, talvez em mais uma alusão aos Beatles, que lá pelas tantas também haviam lançado um disco apenas com o seu nome, chamado informalmente de “album branco”) foi lançado, carregando a honra de ter em duas faixas a presença do próprio Ray Manzareck, dos Doors, como tecladista convidado. Uma delas, uma equivocada releitura, no meu modesto entender, de “Bedbugs  And Ballyhoo”, que se revelou uma escolha infeliz mas acabou tendo mais sucesso entre o público que a versão original; a outra em compensação, “Blue Blue Ocean”, para mim (não sei sei até hoje se por conotações emocionalmente fortes para mim na época ou pela sua mera excelência) foi outra das que estarão entre as minhas preferidas do grupo para sempre. No geral o álbum – que teve como hits (inclusive por aqui) “Lips Like Sugar” e “The Game” – foi bem recebido pelo público, principalmente nos Estados Unidos, se bem que não tanto pela crítica, e foi o primeiro a apresentar entre os convidados, além do Ray Manzareck, músicos como Jake Brockman, que faria parte de posteriores encarnações da banda; também foi o último a contar com as baquetas de Pete De Freitas, vítima fatal em um acidente de moto em 1989.

Uma tentativa de reformulação da banda após a morte do baterista e, para surpresa de todos, após a saída de McCulloch, que optou por seguir carreira solo, não chamou a atenção de ninguém. Nem a minha na época, embora hoje eu reconheça que ‘Reverberation’, o único álbum lançado por essa nova formação, que contou com Noel Burke nos vocais, até tinha lá suas qualidades, só não vingando devido à enorme carga que o nome da banda carregava consigo. Pouco tempo se passaria e logo McCulloch e o guitarrista Will Sergeant já estavam novamente experimentando algo juntos, formando uma banda que levava o nome de Electrafixion (e ainda por cima contando com a colaboração do Johnny Marr, dos Smiths), algo ao meu ver bem mais animador, a julgar por um álbum e uma caixa de compactos com registros ao vivo colocados no mercado; pena que o projeto não vingou…

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“Ocean Rain”, 1984

Com a entrada do baixista original do Echo, o Les Pattinson, no que sobrou do Electrafixion (a dupla McCulloch/Sergeant) o mundo viu em 1997 o renascimento do Echo & The Bunnymen com o disco ‘Evergreen’, cuja capa lembrava muito – sei lá se propositadamente ou não – a do primeiro LP, o ‘Crocodiles’. Um álbum que se não era lá tão digno de comparação com a sua obra anterior, ou não tinha tudo o que eles ainda poderiam render àquela altura do campeonato, ainda oferecia um resto de gás que os caras tinham em estoque e até tinha seus bons momentos, e acabou caindo bem em minhas memórias afetivas, em grande parte por conta de um feriado prolongado que passei em companhia de minha então namorada – atual esposa – em Campos de Jordão, do qual o disco foi a trilha sonora (curiosamente minha mulher, normalmente interessada em música brasileira e new age, acabou se tornando fã da banda); o que pouca gente sabe é que logo depois de seu lançamento, ‘Evergreen’ teve uma tiragem limitada contendo um CD bônus, de subtítulo ‘History Of The Peel Sessions 1979-1997’, que trazia gravações feitas pelo grupo através de todos esses anos para a BBC, no programa do lendário John Peel, muitas delas até melhores que as versões originais, uma tetéia!

E daí pra frente eles tentaram… tentaram…  A partir do horrendo ‘What Are You Going To Do With Your Life?’, de 1999 (no qual o Les Pattinson tocou apenas em uma faixa antes de pular fora de novo – esse aí ao menos deve ter pensado direito no que fazer da vida), eles lançaram, até agora, mais seis discos (um deles, aliás, ao vivo, onde o coitado do Ian só consegue estragar as músicas antigas com sua voz totalmente comprometida pela bebida e pelo cigarro, algo só comparável ao Bob Dylan atual) que não acrescentam absolutamente nada ao que de bom eles fizeram no passado.

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“Echo & The Bunnymen”, 1987

 

Se, no final das contas, o Echo & The Bunnymen não conseguiu ser a maior banda surgida no “pós-punk” inglês ou quase não chega a ter relevância e influência hoje em dia, eles podem ainda se orgulhar de ter sido uma das grandes bandas dos anos oitenta, uma época em que, ao menos para mim, foi feita a melhor música dento daquilo que se entende por rock, música até mesmo melhor do que o que foi lançado nos cultuados anos sessenta, com todos os seus ídolos sagrados…

 

(Valdir Angeli, 64, é fã do Echo & The Bunnymen, além de colecionador e pesquisador de rock; se formou em Publicidade na Eca-Usp)

 

 

TODOS OS DISCOS DOS HOMENS COELHO

Crocodiles (1980)

Heaven Up Here (1981)

Porcupine (1983)

Ocean Rain (1984)

Echo & the Bunnymen (1987)

Reverberation (1990)

Evergreen (1997)

What Are You Going to Do with Your Life? (1999)

Flowers (2001)

Siberia (2005)

The Fountain (2009)

Meteorites (2014)

The Stars, The Oceans & The Moon (2018, será lançado oficialmente no próximo dia 5 de outubro)

 

Mais sobre a banda aqui: http://www.bunnymen.com/. E aqui também: https://www.facebook.com/thebunnymen/.

 

DOIS “COELHINHOS” (WILL SERGEANT E LES PATTINSON) JUNTOS EM POLTERGEIST – O FENÔMENO, OU OS FANTASMAS SE DIVERTEM!

 

Alex Sobrinho, especial para Zapnroll

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A dupla Poltergeist, formada pelos Bunnymen Will Sergeant (guitarras) e Les Pattinson (vocais)

 

Os puristas afirmam que o Echo & The Bunnymen acabou em 1987. Discordo somente da data: o correto seria 1997, com o disco “Evergreen”, a última vez que os três membros originais trabalharam juntos, literalmente, na composição de todas as faixas. O baixista Les Pattinson caiu fora de baixo e cuias reclamando em entrevistas que o vocalista “estava  reciclando canções solo” nos discos do Echo. Essa reciclagem pode ser ouvida no cd “What Are You Going to Do with Your Life?” (de 1999, nas faixas  “Lost on You” e “Rust”,  derivadas de “Birdy” e “Ribbon & Chains”,  presentes  no compacto “Lover, Lover, Lover”, de1992 e cover  de Leonard Cohen).

E de 1999 a 2014 vieram à tona mais cinco discos a cargo da dupla Ian McCullouch e Will Sergeant que pouco acrescentam a discografia da banda. À exceção de alguns lados B de singles, o ao vivo registrando a tour do “Ocean Rain” com orquestra que esteve no Brasil em 2010 e o EP “Avalanche” com recriações dos clássicos “Silver” e “All My Colours”. O mesmo expediente vai ser utilizado no disco a ser lançado em outubro deste ano (provando que coelho velho não aprende truque novo).

Will Seargent já tinha uma carreira solo iniciada 1978 e lançado um excelente disco influenciado pela música eletrônica chamado “Curvature of the Earth” – em 2004, com o projeto Glide. O fã que por acaso tenha torcido o nariz para os últimos trabalhos do Echo se sentirá recompensado logo na primeira audição.                                                                                   Já Les Pattinson seguiu seu caminho pondo itens dos mais variados de sua trajetória com os Bunnymen em leilão e se dedicou a fabricação de barcos. Só saiu de exílio musical atendendo ao chamado de velho companheiro Wiil Seargent para colaborar no projeto ‘Poltergeist”, que a dupla criou em 2012 e que lançou apenas um único álbum até o momento, editado em março de 2013 (lá se vão cinco anos…).

A bolacha se chama “Your Mind is Box (Let Uss Fill It Wonder)”. A sensação é de que a dupla de amigos resolveu despejar a criatividade represada pelo tempo de separação musical e virar o ouvinte pelo avesso e levá-lo para uma viagem a outra dimensão já nos primeiros acordes.

As guitarras do Will nunca estiveram tão livres e desconcertantemente geniais ao longo das oito faixas desde, desde quando mesmo… rsrs. Desde o “Curvature of The Earth” – Glide, o único paralelo possível. Logicamente é preciso dizer que o baixo de Les Patinson vem matador, pulsando nervoso quase explodindo as caixas de som ou seus ouvidos (caso ouça com fones; recomendável) em simbiose perfeita com bateria do desconhecido Nick Kilroe. Um ouvinte ocasional do disco o recomendaria aos amigos mais descolados. Já alguns fãs dos Bunnymen ficariam imaginando “ah se tivesse vocais!”. Afirmo que é desnecessário.

 

(Alex Sobrinho, além de dileto amigo zapper há anos e radialista em Colatina, Espírito Santo, também é fã FANÁTICO pelo Echo & The Bunnymen)

(e adendo do editor do blog, ouvindo agora o projeto de Will Sergeant e Les Pattinson no Spotify: melhor do que qualquer álbum que os Bunnymen gravaram de 1990 pra cá. Lembra total o Echo do início, especialmente em “Heaven Up Here” e “Porcupine”, mas sem vocais. E nem precisa!)

 

 

MINI DIÁRIO SENTIMENTAL – O JOVEM JORNALISTA ZAPPER, O ECHO & THE BUNNYMEN E A SAMPA PÓS PUNK DOS ANOS 80 E 90

***Descobrindo os Coelhinhos – Zapnroll conheceu o Echo & The Bunnymen por volta de 1983, quando o grupo lançou seu terceiro disco, o espetacular “Porcupine” (álbum sombrio e GÉLIDO em suas ambiências pós-punk). O LP foi lançado naquele ano no Brasil e o jovem Finas (com vinte aninhos de idade apenas), que havia tomado conhecimento da existência do grupo através de matérias publicadas no caderno Ilustrada, do diário paulistano Folha De S. Paulo (e assinadas pela então lenda do jornalismo cultural, mr. Pepe Escobar), foi atrás de um exemplar. Não conseguiu encontrar nas lojas onde procurou e acabou desencanando de adquirir o tal disco. Daí pra frente começou a escutar músicas do conjunto na programação noturna da rádio 97fm (localizada na cidade de Santo André e possivelmente a primeira rádio rock do Brasil), e começou a ficar literalmente apaixonado pelo som do Echo. Um ano depois também saiu no Brasil o quarto trabalho da banda, o mega clássico “Ocean Rain”. Finaski foi na Galeria Do Rock (que já existia) e achou o LP por lá, juntamente com o “Porcupine”. Comprou os dois de uma vez. E nunca mais deixou de amar Echo e os Homens Coelho.

 

***A primeira vinda ao Brasil e três histórias BIZARRAS da primeira entrevista coletiva do quarteto – Era o primeiro semestre de 1987. A produtora paulistana Poladian (que na época trazia muitos shows internacionais ao Brasil), animada pelo sucesso obtido com a turnê brasileira do inglês The Cure, que ela havia promovido em março daquele ano, resolveu arriscar novamente: anunciou que estava trazendo o Echo & The Bunnymen pra cá, e que os shows aconteceriam em maio daquele ano. Foi um verdadeiro TUMULTO entre jornalistas (o sujeito aqui incluso), fãs, góticos e darks em geral (os darks DOMINAVAM O MUNDO então). Finaski, que havia começado a trabalhar como jornalista musical há apenas um ano, conseguiu se credenciar para a primeira entrevista coletiva para a imprensa do grupo em terras brazucas, e também para assistir a um dos shows da perna paulistana da turnê (foram cinco no total na capital paulista, no Palácio do Anhembi, e todos com ingressos ESGOTADOS), sendo que eles ainda fizeram gigs em Santos (litoral paulista) e no Rio De Janeiro. E na coletiva de imprensa que rolou em uma tarde quente em Sampa, aconteceram ao menos três histórias curiosas, quase bizarras. A primeira: o jovem zapper foi para o bate papo com o conjunto vestindo estrategicamente uma t-shirt da banda The Doors, com a cara enorme do vocalista Jim Morrison estampada na camiseta. No meio da entrevista o cantor Ian McCulloch olhou para a camiseta e fez sinal de “ok” com o dedo. Segundo lance: Zapnroll foi na entrevista acompanhado dos amigos Carlos Quintero (que era proprietário da loja Antitedium Discos, na Galeria Do Rock) e Arlindinho (uia!). Este último, um moleque sensível dos seus dezenove aninhos de idade, não se contentava apenas em ser FANÁTICO pelo Echo. Ele era o SÓSIA perfeito e irmão GÊMEO de Big Mac. Tanto que a ideia da dupla Finas e Carlinhos era apresentar Arlindo para Ian ao final da entrevista. Mas o garoto ficou completamente tímido e achamos melhor abortar a aproximação entre ídolo e fã sósia perfeito. E por fim: entrevista terminada, o zapper não se fez de rogado nem tímido. Foi com uma caneta e a CAPA de “Porcupine” nas mãos até os músicos e pediu na cara larga o autógrafo de todos eles. Que foram super gentis e atenciosos e assinaram seus nomes na capa do LP.

 

***O show no Anhembi – foi, literalmente, inesquecível. Começou (se não nos falha a memória) com “Going Up”, a faixa de abertura de “Crocodiles”, o álbum de estreia dos Bunnymen. A banda em forma e potência máxima no palco. E teve “Paint It Black”, clássico dos Rolling Stones, “coverizada” já no bis. Gig igual a essa, nunca mais!

Registro HISTÓRICO e na íntegra: a banda se apresenta no Brasil em maio de 1987, aqui neste vídeo na gig realizada no Canecão, Rio De Janeiro

 

***Dançando nos porões goth de Sampa ao som dos Coelhinhos – O autor deste blog perdeu a conta das madrugadas que dançou tristonho ao som das músicas do Echo no eternamente escuríssimo porão do Madame Satã. Tempos depois (por volta de 1988), o ritual passou a se repetir na pista do Espaço Retrô, onde Zapnroll conheceu e meio que se apaixonou pela loirinha Márcia B.B. Teve um brevíssimo romance com ela e ambos ficaram algumas noites “namorando” no apê da rua Frei Caneca, ao som do Echo. Mas Marcinha (que era uma peituda lindona e xoxotudíssima) nunca quis de fato ficar pra valer com o jovem jornalista.

 

***A volta ao Brasil e o “embate” em outra coletiva – Em 1999, já em sua segunda encarnação (tendo como membros originais apenas o vocalista Ian e o guitarrista Will, e lançando álbuns cada vez menos inspirados e distantes da banda gloriosa que havia encantado o mundo rocker nos anos 80), o Echo & The Bunnymen finalmente voltou para shows ao Brasil, doze anos após a primeira turnê pelo país. Em Sampa a gig rolou na mui saudosa Via Funchal, a melhor casa de shows internacionais que existiu na capital paulista. Novamente o espaço lotou mas a banda que subiu ao palco já não ostentava mais o brilho exibido em 1987 no Palácio do Anhembi. De qualquer forma, foi uma boa apresentação. Daí para a frente o grupo começou a tocar sem parar no bananão tropical. E a cada nova turnê por aqui a qualidade das apresentações decaía mais um pouco. Numa dessas turnês, houve quase um “embate” entre o autor destas linhas memorialistas e o vocalista Ian McCulloch, durante a entrevista coletiva de imprensa dada pelo conjunto. Lá pelas tantas Finaski levantou a mão e LASCOU a porrada para Big Mac: “O que houve com aquela voz TROVEJANTE dos anos 80, afinal. Só sobrou um FIAPO dela desde que o grupo voltou à ativa”. McCulloch ficou VERMELHO como um peru e este jornalista chegou a pensar que o vocalista iria VOAR no pobre pescocinho fináttico. “Minha voz continua a mesma”, retrucou Ian, irritadíssimo. “Mas se você acha que entende tanto assim de performances vocais, vá hoje à noite ao show com PLAQUINHAS com números, e me dê NOTAS avaliando meu vocal ao final de cada canção”. A sala, claro, veio abaixo em gargalhadas.

 

***E rolou a FODA do inferno após a gig dos Bunnymen – Yeeeeesssss. Para encerrar este mini diário sentimental não poderia faltar (claaaaaro!) um relato sexual sujo e devasso envolvendo a existência zapper e seu amor pelo Echo & The Bunnymen (ainda mais nesses tempos totalmente caretas, moralistas, ultra conservadores e sacalmente politicamente corretos como os de hoje, uma historinha dessas se faz absolutamente necessária, hihi). Enfim, faltavam umas três semanas para a apresentação dos Bunnymen em Sampa, na Via Funchal. Sem ter muito o que fazer num domingo à noite lá se foi Zapnroll pro porão do Madame Satã, dançar e beber um pouco. Até que pelas tantas foi tomar um pouco de ar na porta do clássico casarão goth paulistano. Foi quando viu ali aquela DEUSA arrebatadora: toda vestida de preto, muito jovem, muito magra (mas com peitinhos durinhos e salientes) e com uma beleza facial apolínea e arrebatadora, algo parecida com a musa inglesa Siouxsie Sioux. Como se aproximar desse encanto feminino pleno, pensou o jornalista sempre mega atrevido e já cheio de más intenções. Finaski fez então o que lhe veio à cabeça naquele instante: começou a cantarolar baixinho a letra do clássico do Echo, “The Killing Moon” (seguramente uma das canções mais lindas de toda a história do rock). “Isso é Echo & The Bunnymen!”, disse a garota, algo triunfante, após alguns segundos. Wow! O contato estava estabelecido! O papo entre ambos começou e não demorou muito para a dupla descer para um dos BANHEIROS do Madame, onde os malhos incendiários começaram. Mas Aninha (o nome da deusa) não cedeu fácil e disse que precisava ir embora. O casal trocou números de telefone (não havia ainda celulares, apps, nada dessas merdas tecnológicas dos fúteis e banais tempos atuais), começou a se falar com alguma frequência e também a se encontrar algumas vezes. E o jornalista rocker e eternamente loker, já com trinta e seis anos nas costas, começou a ficar perdidamente apaixonado pela garota pois ela era inteligentíssima para os seus parcos dezessete anos de idade, além de ser um xo xo ta ço. Só restava saber se ela também… FODIA gostoso. Algo que finalmente o gonzo loker descobriu na noite da gig do Echo em Sampa. Ele convidou a sua deusa e musa pra acompanha-lo ao show. Ela mais do que aceitou, imediatamente. Apresentação encerrada na Via Funchal, primeiro o casal foi beber drinks e dançar no finado bar Nias (que funcionava no bairro de Pinheiros e era muuuuuito legal). E já no meio da madrugada e louco pra COMER a garota, o zapper sugeriu: “vamos pro Madame Satã!”. Ana topou novamente no ato e o casal embarcou num táxi rumo ao casarão do bairro do Bixiga. Quando chegou na porta, para surpresa do jornalista, a mui tesuda adolescente se antecipou: “não quero entrar. Vamos pra algum HOTEL!”. Wow!!! Ela queria FODER! E nem precisou pedir duas vezes: saímos dali literalmente voando, em busca de algum muquifo próximo que pudesse abrigar nossos desejos carnais sórdidos, sujos e imorais. E como fodia miss Aninha… uma chupada esplendorosa no caralho e pelo menos duas gozadas em que a garota goth de apenas dezessete anos literalmente urrou com o pinto fináttico enterrado em sua boceta. Um pinto que ela apelidou naquela madrugada de “pau quilométrico”, ahahaha. O jornalista sempre carentão e taradão, GRUDOU na garota, óbvio. Queria namorar com ela. Mas a guria, que havia vindo de Mato Grosso Do Sul para morar e estudar em Sampa, estava vivendo na casa de uma tia quase NAZISTA no pensamento e comportamento. Tanto que os encontros entre ela e seu paquera jornalista eram quase às escondidas (a desculpa dela era sempre que ia sair com “amigas”). Desta forma o relacionamento acabou se tornando inviável, ainda mais que um acontecimento muito trágico marcou a convivência entre Zapnroll e a garota (e que já foi relatado neste mesmo blog, anos atrás). O casal se encontrou por mais duas vezes no final das contas, trepou como se não houvesse dia seguinte e Aninha sumiu por muitos anos. Procurou o autor deste blog novamente por volta de 2013, quando estava CASADA com um espanhol com o dobro da idade dela. Procurou, quis reencontrar o agora já envelhecido blogger ainda rocker e acabou DANDO pra ele novamente. E sumiu novamente. E hoje permanece nas melhores lembranças do autor destas linhas online como uma de suas aventuras carnais inesquecíveis, da época em que o rocknroll valia a pena, a noite de Sampalândia idem e o mundo ainda tinha bandas fantásticas como o Echo & The Bunnymen mobilizando multidões.

 

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FIM DE FESTA – POR ENQUANTO!

Yeeeeesssss! O postão ficou lindão e monstrão, néan. De modos que paramos mesmo por aqui. Afinal já é quinta-feira, 6 de setembro, véspera de mais um feriadon, e o blog vai descansar que ninguém é de ferro. Mas voltamos em breve com novo postão totalmente reformulado na sua pauta, prometendo inclusive publicar novo ensaio com mais uma tesudíssima musa rocker. E também em breve colocaremos na roda alguns pares de ingressos para você ir curtir a festona de quinze anos do blog de cultura pop definitivamente mais legal da web BR, ulalá!

Até mais então!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 6-9-2018,  às 3hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL! Com o início das comemorações dos 15 anos do blog zapper (sim, estamos chegando à década e meia de existência, é mole?), as DJs set que vão DETONAR o baixo Augusta/SP neste finde e uma musa rocker rockabilly de fazer qualquer um perder o juízo: a sensacional Cris Ribeiro! – No “Dia Mundial Do Rock”, data que estas linhas online sempre abominaram e quando não há realmente NADA digno de nota a se comemorar, o blog zapper prefere continuar seguindo sua nova linha editorial e prestando total reverência e vassalagem ao que importou e continua importando na história do gênero musical mais impactante da música mundial em todos os tempos; assim falamos aqui dos trinta anos do mega clássico álbum “Psicoacústica”, lançado pelo ainda gigante Ira! (um dos maiores nomes de todo o rock brasileiro) em 1988 e que agora está na estrada com uma turnê comemorativa do disco, com entrevistas exclusivas com o guitarrista Edgard Scandurra e com o ex-batera do grupo, André Jung; e muito mais em um postão que finalmente está total concluído, em 26/7/2018

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O gigante Ira! em foto clássica da capa de primeiro disco, “Mudança de comportamento”, lançado em 1985 (acima); o grupo está na estrada, fazendo a turnê comemorativa dos 30 anos do seminal álbum “Psicoacústica” (abaixo), e cujos shows em Sampa acontecem em setembro, no SESC Belenzinho

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MAIS MICROFONIA, COM OS 15 ANOS DO BLOG MAIS LEGAL DA WEB BR E O NOVO LANÇAMENTO DO LIVRO “ESCADARIA PARA O INFERNO”!

 

***Yeeeeesssss! Postão sendo finalmente concluído! E na semana onde começamos enfim a comemorar os quinze anos de existência zapper. Para tanto as celebrações já começam hoje, quinta-feira, 26 de julho (quando este post está sendo ampliado e finalizado), quando haverá nova noite de lançamento e autógrafos de “Escadaria para o inferno”, o livro lançado por Finaski no final de 2017 e que até agora repercute e continua dando o que falar. Quer participar do evento de hoje, que terá inclusive bate papo com o sujeito aqui? Vai no SESC da avenida 9 de julho em Sampa, que estaremos por lá a partir das sete da noite, beleza? Sendo que as infos todas do evento você pode conferir aqui: https://www.facebook.com/events/995286970645414/.

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***Tem mais? Claro, tem muuuuuito mais, sempre! No finde o blog toca o terror e o puteiro rocker em duas das noitadas/festas/baladas mais badaladas do que ainda resta do circuito rocknroll alternativo noturno em Sampa. Na sexta-feira em si (leia-se amanhã, 27 de julho), vamos incendiar a pista rock no open bar infernal do Clube Outs, que também está comemorando quinze aninhos de existência lá na rua Augusta, 486. Todas as infos aqui: https://www.facebook.com/events/238770006940901/.

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***E no domingo a parada vai ser na domingueira rock mais bombada do Brasil já há vinte anos, a Grind, sempre comandada pelo super DJ e “mozão” (ahahaha) André Pomba. Zapnroll vai assumir a discotecagem às duas da matina de domingo pra segunda-feira e fará um set especial apenas com clássicos gigantes do rock BR dos anos 80. Vai perder? Não? Então pegue todas as infos da balada aqui: https://www.facebook.com/events/203279387021267/.

 

***E não pára por aqui. Em outubro vai rolar a festa OFICIAL da década e meia do blog, com showzaços num super espaço da zona leste da capital paulista e onde irão se apresentar as bandas The Dead Rocks e Saco De Ratos. Vai ser no dia 19 daquele mês, uma sexta-feira e logo menos iremos informar aqui o local da festona, okays?

 

***Agora por enquanto é isso neste post, que já está bem grandinho como sempre. Vamos parando por aqui e prometendo voltar com muito mais na semana que vem, beleusma? Até lá então!

 

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, o rock, bandas, discos, filmes, livros etc.)

 

***Celebrar dia do rock no Brasil, onde “roqueiro” se tornou reaça, vai votar em BolsoNAZI e apoia intervenção militar? Não, gracias!

 

***Preferimos nessa deliciosamente fria noite de sextona abrir o novo postão zapper falando do que vale realmente a pena em termos de rocknroll de verdade: os trinta anos do ultra clássico álbum “Psicoacústica”, editado pelo ainda gigante Ira! em maio de 1988.

 

***Mas antes, só pra lembrar nosso dileto leitorado (e deixar os fakes psicopatas do painel do leitor zapper se MATANDO de ódio e inveja, hihi), tem novo lançamento do livro “Escadaria para o inferno” no final deste mês, conforme você ver nas infos abaixo:

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***E julho também vai ser o mês das DJs set de Zapnroll, celebrando os quinze anos do blog, wow! Tem discotecagem arrasadora dia 27, sexta-feira, no Clube Outs (o último e sempre bombado reduto rocker do baixo Augusta, em Sampa). E domingo, 29, será a vez de invadirmos a pista do Grind, a super domingueira rock comandada pelo amado e fofo André Pomba. Logo menos iremos dar mais infos aqui sobre as duas festonas, pode aguardar!

 

***Mas chega de papo furado. Vamos já falar dos trinta anos de “Psicoacústica”, do Ira! E ao longo da próxima semana iremos “engordar” as notinhas do Microfonia, beleza? Bora!

 

 

EM NOVA TURNÊ O AINDA GIGANTE IRA! RESGATA SEU ÁLBUM “PSICOACÚSTICA”, LANÇADO HÁ 30 ANOS E UM DOS MELHORES DISCOS DO ROCK BR DOS ANOS 80

Quando lançou seu terceiro trabalho de estúdio em 1988, o então quarteto paulistano Ira! já estava consolidado como um dos nomes gigantes e mais respeitados do rock BR dos anos 80. A banda vinha de dois ótimos discos (a estreia em 1985, com “Mudança de comportamento”, e na sequencia “Vivendo e não aprendendo”, editado em 1986) que além de terem forjado a ótima estética sonora do conjunto (com ambiências calcadas no punk inglês do final dos anos 70 e também no movimento mod que tomou de assalto o rock britânico nos sixties), ainda obtiveram ótima resposta comercial e de público – “Vivendo…, graças a inclusão da música “Flores em você” como tema de abertura da novela do horário nobre da TV Globo da época, vendeu rapidamente mais de duzentas e cinquenta mil cópias, um número excepcional para aquele tempo. Assim sendo o Ira! estava com a moral nas alturas junto à sua gravadora, a WEA (atual Warner Music), e também junto aos fãs e a imprensa rock brazuca. E foi essa moral toda que permitiu ao grupo mudar bastante sua concepção sônica em “Psicoacústica”. Lançado oficialmente em 11 de maio de 1988, o disco chegou agora às suas três décadas de existência mantendo o posto de MELHOR álbum de estúdio que a banda lançou até hoje. Um trabalho que vendeu muito menos do que seus dois antecessores mas que estava, em termos sonoros, muito à frente do seu tempo. E que agora é rememorado pela atual formação do conjunto com uma turnê comemorativa que chega à capital paulista em setembro próximo, no SESC Belenzinho. Motivos mais do que suficientes, portanto, para que tanto o LP quanto o grupo mereçam ser o tópico principal deste post zapper.

O Ira! entrou em estúdio para gravar seu terceiro disco inédito em novembro de 1987. Saiu de lá em fevereiro do ano seguinte (pouco depois de dar uma pausa nos trabalhos de gravação, para se apresentar na primeira edição do saudoso festival Hollywood Rock) com um “Psicoacústica” que deixou fãs e imprensa em geral de boca aberta quando foi oficialmente lançado, três meses depois. Com apenas oito faixas e pouco mais de trinta e três minutos de duração o disco recebeu aprovação da maioria das críticas musicais que recebeu na época. Mas também houve quem torceu o nariz. E o motivo para essas reações diversas estava muito claro: a banda de Edgard Scandurra (guitarras, vocais), Nasi (vocais, samplers, percussão), Gaspa (baixo) e André Jung (bateria) tinha praticamente rompido com os cânones sonoros que nortearam seus dois primeiros LPs. Sim, havia ainda rocknroll bastante abrasivo e de guitarras no álbum. Mas quando o grupo resolveu absorver e enveredar por nuances de hip hop, rap e embolada nordestina nos sulcos de algumas faixas, o choque foi inevitável entre alguns jornalistas e admiradores do conjunto. Era como se DOIS Iras! distintos estivessem convivendo (e se debatendo) dentro de um único grupo: de um lado o guitarrista monstro Scandurra e o baixista Gaspa mantendo a estética rock e empunhando com garra e afinco a bandeira do estilo; do outro a dupla Nasi/Jung, que havia começado a se envolver com a nascente cena rap/hip hop paulistana (sendo ambos inclusive responsáveis pela produção da coletânea “Cultura De Rua”, lançada pelo extinto selo Eldorado também em 1988, o primeiro registro que cobria com bastante amplitude essa cena rapper da capital paulista), trazendo eflúvios (como sons sampleados e scratches) dessa cena para agregar novas sonoridades em algumas canções do disco.

No final das contas, este “choque” sônico que poderia acabar em um conflito ideológico/estético/musical problemático de ser solucionado, resultou em um LP surpreendente e que se mostrou muito à frente do que então estava rolando no rock nacional. O quarteto soube equilibrar os espaços e mixar bem as ideias e influências que levou para o estúdio Nas Nuvens, no Rio De Janeiro, onde gravou sob a direção do português Paulo Junqueiro. Fora que os registros musicais foram sendo feitos com a turma totalmente entorpecida por nuvens densas formadas pelo consumo de quilos de ótima marijuana, como o próprio Nasi relembra em sua biografia, “A Ira de Nasi” (editora Belas Letras, 2012): “A gente colocava conhaque e maconha no narguilé e fumava”. Um estado de torpor criativo genial, também recordado por Paulo Junqueiro, na mesma bio do vocalista: “Psicoacústica era uma palavra que eu falava muito. Foi tudo superlativo nas gravações. A guitarra que era gravada com 17 microfones e 4 amplificadores. Tinha coisa que ficava uma merda, mas muita coisa genial. A [gravadora] Warner deu três meses pra gente trabalhar, na maior liberdade. A gente fumava pra caralho. Era o que mais rolava. De resto, a gente dava um teco ou outro [de cocaína] mas o grosso era a maconha da lata no narguilé do Edgard. Foi uma sintonia fina, afinal na época pouca gente conseguia trabalhar com o Ira!, e eles também confiavam em poucas pessoas. Principalmente numa ousadia como essa”.

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A atual linha de frente do Ira!, formada pelos fundadores da banda, Edgard Scandurra (guitarras, vocais) e Nasi (vocais), “cercando” o jornalista loker/rocker, no camarim após apresentação do projeto Ira! Folk; abaixo Finaski entrevista a banda em sua formação clássica, no final do ano 2000

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Essa “ousadia” se materializou em músicas hoje clássicas, como os rocks “Rubro Zorro”, “Manhãs de domingo” (as duas primeiras do álbum, que o abrem com poder, fogo e fúria) e “Farto do rocknroll” (composta e cantada por Scandurra, como uma espécie de “alfinetada” na dupla Nasi/André Jung, que estava encantada pelas novas possibilidades sonoras que o hip hop lhes mostrava), e no rap/embolada que era “Advogado do Diabo”, faixa que anos depois se tornou influência confessa na obra de bandas gigantes do rock BR dos 90, como Chico Science & Nação Zumbi. Por fim ainda sobrou espaço para a psicodelia sessentista em estado bruto, como na belíssima “Mesmo distante”, que fecha o disco. E claro, o conjunto pagou um preço até certo ponto bastante elevado por ter ousado e experimentado tanto em seu terceiro álbum: “Psicoacústica” frustrou as expectativas da gravadora, vendendo muito menos (em torno de 60 mil cópias) do que os dois trabalhos anteriores. De certa forma foi o começo da derrocada mercadológica do Ira!, que iria se acentuar cada vez mais nos discos seguintes (o último LP do contrato deles com a Warner, “Música calma para pessoas nervosas”, editado em 1993, vendeu pífias três mil cópias), com a banda se reerguendo novamente apenas uma década e meia depois, quando lançou o mega sucesso “Acústico MTV” em 2004, que vendeu mais de 350 mil discos.

Mas “Psicoacústica” acabou se tornando um marco na trajetória da banda. E hoje, trinta anos após seu lançamento, é reconhecido e reverenciado como um dos principais álbuns de todo o rock brasileiro, figurando na lista dos cem melhores discos da música brasileira em todos os tempos, publicada há alguns anos pela finada revista Rolling Stone Brasil. Motivos mais do que suficientes para que o redivivo Ira! esteja agora na estrada, fazendo a turnê comemorativa de três décadas do LP. Turnê que chega à capital paulista em setembro, com dois shows no SESC Belenzinho nos dias 14 e 15 daquele mês. Vai ser a grande oportunidade (e talvez a única) de conferir “Psicoacústica” em sua totalidade, faixa a faixa, ao vivo. E Zapnroll, velho amigo da turma (o autor deste blog conhece pessoalmente Scandurra e Nasi há quase 40 anos), estará lá com certeza. Afinal e mesmo com a triste derrocada pelo qual o rock está passando na era estúpida da web e das redes sociais, ainda não estamos fartos dele. E enquanto houver bandas como o Ira! e álbuns como “Psicoacústica” (disco igual a ele, nos tempos funestos atuais? Nem em sonho, mané) para escutarmos, o rocknroll não irá morrer JAMAIS!

 

 

EDGARD SCANDURRA E ANDRÉ JUNG FALAM AO BLOG SOBRE “PSICOACÚSTICA”

O jornalista rocker/loker/zapper conhece o Ira! desde os primórdios do grupo, quando ele sequer ainda havia lançado algum disco. Assistiu seu primeiro show do grupo em 1981, durante um festival punk promovido pelo Teatro Tuca, que era administrado pela PUC/SP – yep, Finaski fez parte do movimento punk paulistano de 1980 a 1984. Em 1983 a banda lançou seu primeiro compacto simples pela gravadora WEA (atual Warner Music), com as músicas “Gritos na multidão” e “Pobre paulista”. O primeiro LP do grupo, “Mudança de comportamento” foi lançado dois anos depois, em 1985. E no ano seguinte, em maio de 1986, Zapnroll iniciou sua trajetória no jornalismo musical e cultural brasileiro. Desde então, além de fã do grupo o autor deste blog se tornou AMIGO PESSOAL da turma, amizade que permanece até hoje. Desta forma não foi difícil acionar os queridos Edgard Scandurra e André Jung (que tocou bateria no conjunto por quase trinta anos, e gravou com ele todos os discos de estúdio) para que os dois batessem um papo conosco e relembrassem como foram aqueles tempos incríveis em que conceberam essa obra gigante que é “Psicoacústica”. Eles também desvelam suas impressões sobre o trabalho, três décadas após seu lançamento.

Abaixo, os principais trechos das entrevistas que a dupla concedeu a estas linhas rockers/bloggers.

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Zapnroll com seus diletos amigos de décadas, e também integrantes do Ira!, um dos nomes fundamentais do rock brasileiro dos anos 80: acima com o ex-batera do grupo, André Jung, e abaixo com o guitarrrista gênio Edgard Scandurra

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Zapnroll – “Psicoacústica”, disco lançado pelo Ira! em maio de 1988, completou 30 anos e continua sendo reverenciado como um dos melhores álbuns do rock brasileiro dos anos 80, sendo que até hoje sua sonoridade é (ou foi) considerada muito à frente da época em que o LP foi lançado. E hoje como enxergam e avaliam musicalmente um disco tão importante e esencial na discografia do conjunto?

 

André Jung – Os dois primeiros álbuns do Ira!, Mudança de Comportamento e Vivendo e Não Aprendendo, representavam o momento MOD extremo da banda, discos feitos quando todos caminhavam na mesma direção. O segundo álbum, que nos trouxe o sucesso nacional, teve uma realização muito complicada, na qual rompemos com o produtor e voltamos do Rio para finalizá-lo em SP. Entre esse disco e o Psico, Edgard foi ao Rio gravar seu primeiro álbum solo, Amigos Invisíveis, uma obra puríssima MOD; por outro lado eu e o vocalista, que morávamos juntos então, estávamos arrebatados pela cena hip-hop, que entendíamos como o new Punk. A atitude do Edgard de gravar um álbum solo logo quando o grupo vivia sua maior popularidade o deixou um tanto à margem do processo que desencadeou o Psico, na época eu tinha um estúdio caseiro e nele começamos a desenvolver temas como Advogado do Diabo e Farto do Rock’n Roll, Edgard queria tempo para trabalhar seu disco solo e nós queríamos entrar em estúdio e desenvolver um novo caminho para o Ira! Esse conflito marca a gênese do Psico. Esse disco foi uma ruptura com a estética, o processo criativo e o formato dos arranjos que estavam presentes nos 2 primeiros discos. Edgard e Gaspa, faziam a dupla MOD, ligada às harmonias bem construídas e à um certo lirismo, e do outro lado eu e o vocalista defendíamos o Rhythmn and Poetry, como um novo caminho a trilhar. Democraticamente como nunca, conseguimos fazer uma equilibrada junção dessas aparentemente antagônicas diretrizes. Psico acústica foi criado a 8 mãos, de forma que boa parte das músicas é assinada como Ira!, assim como a produção. Nesse aspecto, eu tinha em mente fazer um disco com sonoridade que em nada lembrasse o Vivendo e Não Aprendendo, que considero obra de repertório excelente com sonoridade ruim. Paulo Junqueiro, engenheiro de som e co-produtor, entendeu bem como extrair peso e “verdade” das sessões de gravação, que eram plenas de experimentações. Avalio que o Psicoacústica, lançado em 1988, antecipou várias características da Geração 90 do Rock BR, quais sejam: interação com o Rap/Hip Hop, diálogo com elementos da música brasileira e utilização de samplers, percussão e interferências.

 

Edgard Scandurra – o Ira, até o disco “ isso é amor” ou seja , por todo os anos 80 e quase todo os anos 90, trabalhou com o intuito de fazer álbuns conceituais e esse foi mais um dos nossos álbuns/conceito. Talvez o mais bem sucedido nesses termos.  O trabalho a 10 mãos ( as 8 dos 4 iras e as 2 do nosso produtor, Paulo Junqueiro) foi a característica desse disco.

 

Zap – Curiosamente e apesar de ter uma sonoridade tão elaborada e complexa, foi um dos LPs que menos vendeu da banda. A que vocês atribuem isso?

 

Jung – Era uma obra de vanguarda, muitos não entenderam, a gravadora queria um Vivendo 2, e fizemos o contrário.

 

Scandurra – Faltavam refrões pop, não que isso seja algum problema, mas a nossa estética era realmente experimental demais para transformar esse disco em sucesso de vendas.

 

Zap – Há, nas oito faixas do álbum, canções com a estrutura rock clássica do Ira! (com influências do punk e do movimento mod inglês) mas, também, eflúvios claros de rap, hip hop (com scratches em algumas faixas) e até de ritmos brasileiros tradicionais, como a embolada nordestina. De onde surgiu, na época, a ideia de trabalhar essas sonoridades na construção do disco?

 

Jung – Comecei percussionista, amante de Hermeto, Gismonti, Grupo Um, Airto Moreira, Naná Vasconcelos e outros gênios da nossa música instrumental, sou Pernambucano, cresci ouvindo a maravilhosa música do meu estado natal e região, para mim era como resgatar um pedaço profundo de minha alma, na época tb me envolvi de cabeça com a embrionária cena Hip Hop paulistana, Comecei a produzir, em meu home studio, bases para vários rappers de SP, entre eles Thaíde, que pouco depois se juntou ao DJ Hum, dupla com a qual produzi, em 1989, o álbum Pergunte a Quem Conhece, primeiro álbum solo de um artista do Hip Hop Br.

 

Scandurra – esse foi o 1º disco onde as composições foram mais divididas entre nós 4. André jung e Nasi tinham essa forte influência do Rap, pesquisas de ritmos e sons brasileiros e essa mistura com o meu rock e com os riffs do Gaspa, geraram esse disco com essa sonoridade única.

 

Zap – Há também doses generosas de ambiências psicodélicas no LP, que parece ter sido gravado sob total influencia de farto consumo de maconha, como o vocalista Nasi descreve em sua auto-biografia. Procede? Rsrs.

 

Jung – Levamos uma lata do “Da Lata” para o Rio, foi um álbum movido a cannabis.

 

Scandurra – o fumo da lata esteve presente em todo o processo desse trabalho. Mas além disso estávamos muito ligados em conceitos e na tecnologia que existia na época, pra podermos trabalhar nosso psicodelismo, sem necessariamente precisar ficar chapado.

 

Zap – Vocês acreditam que nos medíocres tempos atuais, onde o rock praticamente morreu aqui e lá fora, alguma banda teria estofo musical e cultural/intelectual para gravar um trabalho semelhante a “Psicoacústica”?

 

Jung – Acho que não é tão medíocre não, já ouvi muita coisa linda e surpreendente de bandas e artistas atuais, Ventre e Jaloo por exemplo, o que ocorre é que o mainstream tornou-se um reduto de “projetos” bancados por investidores voltados a música de entretenimento, sem reflexão, questionamento ou arte.

 

Scandurra – eu acho que uma obra de arte sempre terá espaço, não importa o tamanho. Importa sim quando a pessoa compra o disco, o escuta e o admira ( ou não) sejam mil , 500 ou 1 milhão de pessoas.

 

 

“PSICOACÚSTICA” AÍ EMBAIXO

Para ser ouvido na íntegra, na plataforma à sua escolha.

 

 

DUAS LETRAS DO DISCO

RUBRO ZORRO

Trata-se de um faroeste sobre o terceiro mundo…

 

O caminho do crime o atrai

Como a tentação de um doce

Era tido como um bom rapaz

Foi quem foi

 

Ao calar da noite

Anda nessas bandas

Do paraíso é o zorro

Rubro zorro

 

Espertos rondam o homem

Um tipo comum

Tesouro dos jornais

Sem limite algum

 

Luz Vermelha foi perdido no cais

Do terror

Um inocente na cela de gás

Sem depor

 

Luz Vermelha foi perdido no cais

Dos sem nome

Era tido como um bom rapaz

Tal qual o “Golem”[*]

 

Sou o inimigo público número um

Queira isso ou não

Por ser tão personal

Personal, personal…

 

O caminho do crime o atrai

Como a tentação de um doce

Foi calado na cela de gás

O bom homem mau

 

No asfalto quente

O crime é o que arde

Bandidos estão vindo

De toda parte

 

O caminho do crime o atrai…

 

É na cabeça…

Seu poder racional…

É na cabeça…

Personal, personal…

 

FARTO DO ROCKNROLL

Eu fico tentando me satisfazer

Com outros sons, outras batidas, outras pulsações

O planeta é grande e eu vou descobrir

Muitas respostas as minhas perguntas agora

Sempre tem alguma coisa pra me atrapalhar

E com a testa franzida de tanto me preocupar

Então eu faço como os outros e vou assistir ao show

Faço como os outros e vou assistir ao show

 

Fim de semana sim

Fim de semana não

Às vezes tudo bem

Às vezes sem razão

Já estou farto do Rock’n Roll

Já estou farto do Rock’n Roll

 

Eu fico buscando nos quatro cantos do mundo…

Música!

Música!…

 

Algo que esteja na minh’ alma

Que me faça enxergar além

Outros sons, outras batidas, outras pulsações

 

 

TURNÊ “PSICOACÚSTICA 30 ANOS”, COM SHOWS DO IRA! EM SAMPA

As gigs acontecem dias 14 e 15 de setembro, às 9 e meia da noite, na comedoria do SESC Belenzinho (próximo ao metrô Belém, zona leste da capital paulista). Os ingressos estarão à venda no início de setembro, pelo site do SESC.

 

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MUSA ROCKER DESTE POST – A SEXY, SENSUAL E INCRÍVEL CRIS RIBEIRO!

Nome: Cristina Ribeiro

Nasceu em: 17 de agosto de 1989

Mora em: São Paulo.

Com quem mora: meu esposo (do segundo casamento) e filho.

Idade: 28 anos.

O que faz (estudo e trabalho):  Atualmente estou me dedicando apenas ao meu programa de radio sobre rockabilly e cultura dos anos 50, a minha banda também de rockabilly e fazendo freela como Dj em festas de rockabilly, além de modelo pin up Old Hollywood.

Três bandas ou artistas: vou citar aqui três bandas que foram cruciais para que eu ficasse de vez na “cena”

Rockabilly: Charlie Feathers ( DEUS) , Johnny Burnette Rock’n’Roll Trio (e 2009 pra cá escuto todos os dias) e Billy  Lee Riley, este marcou muito o inicio de tudo o que vinha a se tornar  meu “mundo” atualmente.

Três discos: The Glen Glenn Story ( AMO e ouço muito), The Legendary- Johnny Burnette Rock’n’Roll Trio, e Chug-A-Lug Vol. 8 que é uma coletânea que contém Blues e Rythm, Popcorn, Exotica e Tittyshakers (EXCELENTE, to viciada e escuto todo dia, juntamente com as minhas coletâneas de Jungle Exotica) Desculpa sei que eram só três mas não resisti hahaha.

Três Filmes: CASABLANCA ( Sou louca por Humprey Bogart E TUDO QUE ELE JÁ FEZ), SCARFACE (Tanto o de 1932 quanto o de 1983 porque sou fã numero um de Al Pacino) e Gilda de 1946, com a minha musa e diva inspiradora Rita Hayworth (podia citar todos do Tarantino que eu amo, principalmente Death Proof, ou alguns do Russ Meyer como O Faster Pussycat  Kill Kill Kill DE 1965 HAHAHA mas só são três!).

Três livros: Rockin’ The Rockabilly Scene (contém imagens e histórias de quem vivencia a cultura), A Profecia de David Seltzer, o de 1972 (li várias vezes morrendo de medo, mas li)  e Christine do Stephen King, clássico de 83.

Um diretor de cinema: Clint Eastwood, porque o admiro como ator, diretor, cineasta, produtor acho ele brilhante em tudo que já fez.

Um escritor: Charles Bukowski.

Um show inesquecível: JERRY LEE LEWIS no VIVA LAS VEGAS.

Como se deu seu envolvimento com a cena rockabilly: bom, tudo começou em 2008 quando comecei a frequentar eventos de carros cláassicos, que sempre foi minha paixão, aí comecei a ver uma galera vestida como se estivesse nos anos 50, topetes, jaquetas, algumas meninas vestidas de Pin Up, e como eu já gostava de Elvis, Johnny Cash, Chuck Berry, Jerry Lee, enfim Rock’n’roll no geral, eu vi que existia uma outra cena mais interessante além do rock’n’roll, a galera do ROCKABILLY, desde então passei a frequentar as festas do gênero em São Paulo e interior, consequentemente fui convidada pra tocar como DJ nas festas de rockabilly, fui parar EM SANTA CATARINA kkk como DJ num principal evento de Rockabilly lá. Logo fui convidada a ter um programa de radio online, especializado e Rockabilly lado B (as vezes C) e sobre a cultura dos anos 50 no geral, o programa era escutado por mais de 25 países, depois eu e meu esposo formamos uma banda que chama-se Christine e The Mistery Guys e assim continuo, buscando me aprimorar a cada dia no que eu amo, e viajando o mundo atrás de festivais de Rockabilly e de novas experiências, pra que a cultura que eu AMO não morra!

Como o blog zapper conheceu Cris: a gatona e musa rocker é dileta amiga deste espaço online há alguns anos já. E sempre tivemos grande carinho, apreço e simpatia pela garota, que além de muito bonita e sensual, também é do rock e a humildade, simpatia e gentileza em pessoa. De modos que nada mais natural do que pintasse o convite destas linhas bloggers para que ela brindasse nosso leitorado com este ensaio especialíssimo e exclusivo. De modos que vocês estão prontos? Então deleitem-se abaixo com Cris Ribeiro, sem moderação alguma!

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Femme fatale rocker, ever!

 

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Quem resiste a tamanho deslumbre?

 

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A elegância e o charme que seduziram a cena rockabilly de SP

 

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Gata rocker poderosa!

 

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O olhar que desconcerta e que faria Johnny Cash perder o juízo

 

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Nada me abala, apenas o poder da melodia incendiária de uma guitarra!

 

E FIM DE PAPO

A finalização do postão zapper demorou mas chegou, néan. E agora que concluímos os trampos, podemos ter uma pausa até a próxima semana, quando iremos voltar como sempre com tudo o que a turma precisa saber sobre rock alternativo e cultura pop, certo? Até a próxima então. Bye!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 26/7/2018 às 12hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL! Com os assuntos já listados e mais um repeteco total tesudo e abusado: o ensaio nude total do casal rocknroll Jonnata Doll e Marcelle Louzada, uhú – Após longuíssima pausa retomamos os trampos no blog zapper, em um 2018 ainda mais sinistro do que nos dois últimos anos no falido e completamente selvagem bananão tropical DESgovernado pelo vampiro golpista. E tentamos colocar tudo em dia por aqui falando de… Copa do Mundo? Nem fodendo, mas sim do novo álbum do Arctic Monkeys, que retorna depois de cinco anos de ausência com um trabalho surpreendente, quase sem nenhum viés rocker e quase sem guitarras; o rock dos anos 2000 foi mesmo pro túmulo mas a vitória de Jonnata Doll & Os Garotos Solventes como melhor artista musical no Prêmio Governador do Estado ainda dá alguma esperança ao gênero; como foi o showzaço do Ira! na Virada Cultural SP 2018; o adeus de um dos espaços de rock alternativo e cultura pop mais legais da noite paulistana; e por que a morte de um certo produtor musical não causou comoção alguma no blog que não tem medo de dizer o que pensa (postão ampliadão, completão e total FINALIZADO em 29/5/2018)

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O mundo está caótico e o rock e a cultura pop estão praticamente mortos na era da web e nos anos 2000; mas o quarteto inglês Arctic Monkeys (acima) dribla todos os percalços atuais e se reiventa no novo disco, para continuar seguindo como o grande nome do rock britânico do século XXI; enquanto isso em Sampa a sensacional Sensorial Discos, um dos melhores espaços culturais da capital paulista, dá adeus ao seu endereço atual e sendo que neste post o blog zapper recorda alguns momentos incríveis que passou por lá, como quando aconteceu a festa de 11 anos destas linhas rockers por lá, em maio de 2014 e onde rolou até uma performance altamente erótica da nossa eterna deusa e musa number one, a sempre XOXOTUDA ao máximo Jully DeLarge (abaixo, ao lado do “dono” da festa, hihi)

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MICROFONIA

(cultura pop e rock alternativo em discos, shows, filmes, livros etc.)

***Pensou que estas linhas lokers e eternamente rockers tinham morrido, néan. Nope. Apesar de o Brasil estar MORTO sob o DESgoverno do maior bandido e desgraçado GOLPISTA imundo que já ocupou a presidência da república de maneira ILEGÍTIMA (e com apoio da patolândia/coxarada BURRA, reacionária, conservadora e IMBECIL, e que tem mais é que levar no CU agora), estas linhas online demoram mas aparecem e seguem firmes e fortes por aqui. Sendo que em outubro vindouro vai ter FESTAÇO num super espaço na capital paulista, para comemorar (com dois showzaços) os quinze anos de Zapnroll. Mas mais pra frente daremos melhores detalhes sobre isso. Por enquanto vamos a este postão (entrando no ar em sua primeira parte ainda, já na noitona de sabadão), que marca finalmente o retorno destas linhas bloggers à sua velha e ÓTIMA forma de sempre, ulalá!

 

***Como foi o show do ainda grande Ira! na Virada Cultural de Sampa deste ano, em sua edição mais rocker dos últimos anos? Veja abaixo:

 

***SHOW DO IRA! – foi sensacional, como prevíamos. Começou pontualmente às 4 e meia da manhã com a banda disparando “Envelheço na cidade” e seguindo assim a sequência (na íntegra) do clássico “Vivendo e não aprendendo”. Sendo que o público (bem menor do que se esperava, mas isso comentamos mais aí embaixo) cantou e pulou nas faixas mais conhecidas do disco (como “Dias de luta”, “Flores em você” e na dobradinha ao vivo de “Gritos na multidão” e “Pobre paulista”, que fecha a versão original do LP), e ficou MUDO nas bem menos conhecidas (mas não menos ótimas), como as poderosíssimas (e que tiveram suas letras literalmente BERRADAS pelo loki aqui) “Vitrine Viva” e “Nas ruas” (“Nas ruas é que me sinto bem/Ponho meu capote e está tudo bem/Vejo pessoas DESMIOLADAS/Viraram uma MASSA devorada por alguém/Sem princípios e muito ESPERTO”). E como se esperava a primeira parte da apresentação terminou quando o disco também acabou. Mas era muito óbvio que a banda iria voltar para um bis, onde todos (ou o blog, pelo menos) esperavam por uma saraivada de mais uns 5 hits clássicos pelo menos. Mas foi bem menos do que isso. A turma voltou e atacou com a sempre ótima (e inesperada, naquele momento) “Rubro Zorro”. Depois mais uma (qual mesmo? Esquecemos, ahahaha) e tudo terminou com “Núcleo Base” (“Meu amor eu sinto muito, muito mas vou indo/Pois é tarde e eu preciso ir embora…”), com a banda se mostrando potente e impecável como sempre ao vivo e deixando os fãs (a maioria velhos, já na faixa dos 35/45 anos de idade) mais do que satisfeitos, Finaski. Saímos FOCADOS de casa para ver ESTE show na Virada Cultural e não teve arrependimento. Voltamos mega contentes (já com o dia clareando) para casa. Valeu mesmo e total o rolê até o centrão de Sampalândia na sempre perigosa madrugada paulistana.

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Zapnroll ao lado da linha de frente do ainda gigante grupo Ira!, o guitarrista Edgard Scandurra e o vocalista Nasi, diletos amigos de décadas deste espaço online; o show da banda foi sensacional na Virada Cultural paulistana deste ano

***PÚBLICO – muuuuuito menor do que se esperava, tanto que deu pra chegar com o show começando e ainda ficar COLADO na grade na frente do palco. Se há 4 anos o grupo retornou em grande estilo na própria Virada Cultural e tocando diante de um público de cerca de 35 mil pessoas (e estávamos lá, ESPREMIDOS no meio da multidão), dessa vez nosso “chutômetro” calcula que não havia mais do que umas 5 mil pessoas no boulevard São João (que é um calçadão gigantesco e onde cabe com folga uma multidão muito maior). Claro que há alguns fatores que explicam essa plateia bem abaixo do que era esperado para a gig da banda: o horário total ingrato da apresentação (4 e meia da matina), o frio que finalmente chegou com tudo em Sampa (no momento do show devia estar fazendo uns 14 graus) e o fato de que a MOLECADA atual não curte mais rock, mesmo – como já foi dito aí em cima, o grosso do público era de trintões e quarentões. A pirralhada e o povão se aglomerou mesmo na frente de palcos onde estavam rolando samba e pagode, ou então funk e música eletrônica. Coube ao Ira manter a dignidade gigante que sua história possui até hoje e manter o amor ao rock, compartilhado por todos que presenciaram a performance do grupo.

 

***SEGURANÇA NO EVENTO – todos aqui sabem que não temos nenhuma simpatia pelo tucanato. E também que o item “segurança” é sempre algo problemático na Virada Cultural. Mas como sempre prezamos pela JUSTIÇA, sinceridade e VERDADE no que escrevemos, dessa vez somos obrigados a admitir que foi bastante diferente – e olha que o blog já foi em quase todas as edições da festa cultural até hoje. Óbvio que rolaram os costumeiros furtos de carteiras e cels lá no centro. Bom, nosso trajeto: saímos do Clube Outs 3 e meia da matina e descemos a pé a rua Augusta, que estava vazia e sem policiamento de fato, sendo que foi a parte mais tensa do trajeto, digamos. Seguimos pela praça Roosevelt até cair na avenida Ipiranga, onde começamos a passar por aglomerações de pessoas. Passamos pelo primeiro palco (o do rock, em frente ao Copan), onde inclusive pegamos as três primeiras músicas do set dos Inocentes. E seguimos em frente pelo centro até o local do show do Ira!. Aí rolou total suave pois, de verdade, nunca vimos tantos POLICIAIS (da PM mesmo e da guarda civil) ao logo do trajeto e tantas VIATURAS como nessa edição. Sendo que incrivelmente em alguns trechos da nossa caminhada vimos mais guardas e viaturas do que público, rsrs. De modos que não havia mesmo espaço pros malacos agirem e foi uma madrugada muito mais tranquila do que se esperava lá pelo centrão de Sampa. Se todas as Viradas fossem sempre assim, seria ótimo!

 

***Sem novas grandes novidades para serem incluídas aqui, nas notas microfônicas. De modos que qualquer extra irá entrar ainda neste post caso algo realmente bombástico aconteça, okays? Por enquanto, ficamos por aqui.

 

 

APÓS CINCO ANOS AUSENTE O ARCTIC MONKEYS RETORNA COM UM DISCO NADA ROCK E MUITO ESTRANHO – O QUE NÃO SIGNIFICA QUE ELE SEJA RUIM

Foi mais ou menos assim: após um sumiço de cinco anos dos estúdios de gravação, o quarteto inglês Arctic Monkeys precisava dar as caras novamente. Afinal, aquela que talvez seja a maior, mais relevante e a última banda inglesa de rock dos anos 2000 que ainda vale a pena ser ouvida e tem o respeito e a admiração não apenas da crítica musical mas de milhões de fãs mundo afora (Brasil incluso), tinha/tem consciência plena de que o tempo voa nesses tempos frugais e fúteis da era vazia da web e que, por isso mesmo, era preciso dar as caras novamente. E o AM o fez finalmente, no último dia 11 de maio. Com o seu sexto álbum de estúdio, “Tranquility Base Hotel & Casino”, lançado oficialmente naquela sexta-feira (inclusive aqui, via Deck Disc), trabalho que era esperado com mega ansiedade pela humanidade. Afinal a grande questão era: como seria o novo som dos Macaquinhos? Tão rock e com guitarras explosivas quanto o espetacular e ultra bem sucedido “AM”, editado em 2013 e que rendeu absurdos seis singles individuais? Mais calmo e com mais variedade sonora? Nada disso?

Sim, absolutamente NADA DISSO. O que rolou foi que a banda decidiu que precisava se reinventar musicalmente para continuar existindo. Isso significou praticamente abandonar o rock de guitarras que funcionou tão bem até “AM” (de 2013) e tornou o quarteto britânico um dos últimos nomes gigantes do quase morto rocknroll dos anos 2000 e da era da web. E decidido a praticamente ignorar as guitarras, qual foi o caminho tomado pelo conjunto? Simples e o próprio líder, letrista, cantor e compositor Alex Turner falou sobre as mudanças em entrevistas recentes. Segundo ele, a sua inspiração para compor no instrumento de seis cordas icônico em toda a história do rock, estava literalmente acabando. Foi quando Turner ganhou um PIANO de presente de aniversário do empresário dos Macaquinhos ao completar trinta anos de idade, em 2016. Sentiu sua criatividade voltar com força ao começar a “brincar” no instrumento. E veio dali, do piano, toda a inspiração para compor as onze faixas do novo trabalho.

Que certamente vai DESORIENTAR quem está acostumado com o rock básico de nuances punksters do AM do início de sua carreira (lá em 2002, já se vão longos dezesseis anos…). Ou com a banda que abraçou com força e com competência absoluta (e com um grande help do gênio Josh Homme, do Queens Of The Stone Age) o stoner rock a partir de seu terceiro álbum (o espetacular “Humbug”, lançado em 2009). Se não causar desorientação nos fãs, no mínimo o novo cd vai causar irritação ou mesmo raiva nos mesmos – este espaço rocker online já “testou” opiniões sobre a nova empreitada musical dos Monkeys no faceboquete entre nossos amigos por lá, e o resultado foi bem previsível: boa parte deles achou “Tranquility…” uma merda gigante.

Talvez o disco esteja sendo, como sempre ocorre quando uma banda muda radicalmente sua proposta sonora, mal compreendido. Nunca é demais lembrar: o AM estourou para o mundo via internet e com seus dois primeiros discos de estúdio, lançados em 2006 e 2007, e quando Alex Turner ainda era um pirralho cheio de boas ideias tanto nas letras quanto na parte musical. Mas tudo aquilo ainda precisava ser lapidado e burilado, tanto que essa fase inicial do conjunto (com ele tentando reeditar para os anos 2000 a fúria e a iconoclastia punk inglesa do final dos anos 70) é justamente a que o blog zapper não suporta na trajetória dele. Estas linhas zappers passaram a morrer de amores por Turner e sua turma justamente quando lançaram o já citado “Humbug”. E depois de assistir uma gig inesquecível e fodástica do quarteto na edição de 2007 do Tim Festival, em Sampa. Naquele show e antes de lançar seu terceiro LP o AM já dava pistas totais de que o trabalho vindouro iria mudar bastante a concepção sônica deles. Foi quando entrou em cena o stoner rock que dominou os três álbuns seguintes, os melhores da carreira da banda.

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Mas a fórmula “stoner” também parecia ter se esgotado, ao menos na cabeça de Alex Turner. Foi quando entrou em cena o piano dado de presente pelo empresário do cantor e de sua banda. O resultado apareceu agora, cinco anos depois do mega sucesso que foi o disco “AM”. E se você que está lendo esse texto ainda não ouviu o novo álbum (algo difícil nesses tempos onde tudo flui hiper velozmente, não é? Ainda assim e como sempre dissemos aqui, nunca é tarde para se comentar/resenhar um ótimo trabalho musical), esqueça absolutamente TUDO o que você imaginava em termos sonoros em relação aos Monkeys. As guitarras saíram quase que totalmente de cena. Prevalece em todo o disco ambiências absolutamente calmas em termos melódicos, com fartas referencias a soul (!) e a R&B (!!!). Sendo que boa parte da rock press gringa também captou em algumas faixas do CD eflúvios e referências diretas do inesquecível e saudoso gênio David Bowie. Isso é ruim? De forma alguma. Fora que Alex Turner está cantando cada vez melhor e se utilizando como nunca de um falsete sarcástico, irônico e debochado, para reforçar algumas inflexões e algumas passagens vocais e dar mais força a alguns versos das letras, que também estão cada vez melhores e aqui refletem sobre o mundo moderno, sobre avanços tecnológicos que dão tudo ao ser humano e ao mesmo tempo o deixam completamente vazio e anódino por dentro. E, claro, já na faixa de abertura (a soberba “Star Treatment”) Turner reflete sobre si próprio e sobre em que e como, afinal, se tornar um rock star muda a existência e a essência de uma pessoa.

Sendo que há muitos outros momentos bem bacanas ao longo do disco. Como a faixa título (veja letra mais aí embaixo), ou ainda a mezzo psicodélica “Four Out Of Five” (o primeiro single de um álbum que não foi precedido por NENHUM single antes de seu lançamento oficial), “Science Fiction”, “American Sports” (onde Turner zomba sem piedade dos EUA da era Trump), “Batphone” ou a estoica/eloquente e algo melancólica (em seu clima de cabaré tristonho e decadentista, com melodia impecavelmente construída e conduzida pelo piano) “The Ultracheese”, que fecha tudo em grandioso estilo.

Yep, é um disco diferente de tudo que o Arctic Monkeys havia feito até então. Isso é ótimo? Péssimo? Depende do ponto de vista e do gosto do ouvinte e fã sectário. No caso de Zapnroll achamos que “Tranquility Base Hotel & Casino” é um álbum que desvela que Alex Turner teve coragem e MATURIDADE (quem disse que o rock não pode conviver com a maturidade comportamental e emocional do ser humano?) para, aos trinta e dois anos de idade, enxergar que o AM havia chegado a um ponto de não retorno e que a banda precisava mudar tudo para continuar existindo e continuar sendo relevante. E ele conseguiu o que queria. Musicalmente os Macaquinhos se reinventaram e seguem totalmente relevantes, como talvez a última banda inglesa que valha a pena de duas décadas pra cá. Se isso vai fazer alguma diferença no rock atual e na vida dos fãs do grupo, só o tempo irá dizer.

 

 

TRACK LIST DO NOVO ÁLBUM DOS AM

1. “Star Treatment”
2. “One Point Perspective”
3. “American Sports”
4. “Tranquility Base Hotel & Casino”
5. “Golden Trunks”
6. Four Out of Five
7. “The World’s First Ever Monster Truck Front Flip”
8. “Science Fiction”
9. “She Looks Like Fun”
10. “Batphone”
11. “The Ultracheese”

 

 

 

AM AÍ EMBAIXO

No vídeo para o primeiro single do novo álbum, “Four Out Of Five”.

 

E O DISCO COMPLETO PARA OUVIR, ABAIXO

 

A LETRA DA FAIXA TÍTULO DO NOVO DISCO DOS MACAQUINHOS

 

Hotel e cassino base de tranquilidade

Jesus no day spa preenchendo o formulário de informações

Mamãe fez o cabelo dela

Apenas pulando para cantar uma música de protesto

Eu estive em um bender de volta para essa esplanada profética

Onde eu pondero todas as perguntas, mas apenas consigo perder a marca

 

Boa tarde

Hotel e Casino Base de Tranquilidade

Mark falando

Por favor, me diga como posso direcionar sua ligação?

 

Esse pensamento mágico

Parece que realmente pode pegar

Mamãe quer algumas respostas

Você se lembra de onde tudo deu errado?

Avanços tecnológicos

Realmente sangrenta me deixa de bom humor

Puxe-me para perto de um bebê de véspera crisp

Beije-me debaixo do peito do lado da lua

 

Boa tarde

Hotel e Casino Base de Tranquilidade

Mark falando

Por favor, me diga como posso direcionar sua ligação?

 

Você comemora seu lado negro

Então gostaria que você nunca tivesse saído de casa?

Você já passou uma geração tentando descobrir isso?

 

Boa tarde

Hotel e Casino Base de Tranquilidade

Mark falando

Por favor, me diga como posso direcionar sua ligação?

 

 

O FECHAMENTO (INFELIZMENTE) DE MAIS UM ESPAÇO ALTERNATIVO INCRÍVEL E QUE MARCOU ÉPOCA EM SAMPA, MESMO TENDO DURADO APENAS 5 ANOS

Não há mais escapatória, pelo jeito. O bananão tropical falido, fodido e DESgovernado por um golpista desgraçado e do inferno vai fazendo cada vez mais vítimas, espaços culturais, eventos e empreendimentos, diariamente. Inclusive na cena musical noturna alternativa da capital paulista, onde diversos bares e clubes bacaníssimos dedicados ao rock (que, sim, também anda quase morto nesses tempos de internet fútil, vazia e de cultura pop banal, irrelevante e total rasa, com a pirralhada dando um “foda-se” para o gênero musical que todos nós amamos, e se descabelando ao som de sertanojo e funk boçal) encerraram atividades nos últimos dois anos – como o Astronete, o Inferno, a Funhouse etc. E agora neste sábado, conforme já está anunciado nas redes sociais, é a vez da festa de despedida da sensacional Sensorial Discos, que tornou nossas vidas medíocres menos ordinárias ao menos nas noites de quarta-feira a sábado, nos últimos quase cinco anos.

O espaço, um mix genial de loja que comercializava discos de vinil importados com venda de cervejas artesanais (chegou a ter mais de 150 marcas em seu cardápio), além de sandubas e petiscos sofisticados, vai deixar mega saudades por zilhões de motivos. Por exemplo: as bruschettas de tomate seco eram divinas, idem as rodelas de cebola empanadas e os recentes hot dogs incorporados à carta de comestíveis, tudo com preços ótimos e em porção generosa, adornados na versão mais caprichada com bacon e queijos diversos, tudo preparado com absoluto esmero pela Lilian, uma das sócias e esposa do proprietário, o queridão Lucio Fonseca.

A carta de cervejas artesanais era impecável (sendo que recentemente a casa também havia incorporado ao quesito bebidas doses de Red Label, de Jack Daniel’s e de rum importado, mas nem era preciso), indo da Paulistânia/Ypiranga vermelha (e bem forte e encorpada, a preferida deste jornalista loker/rocker quando ele ia ao local) que custava módicos 20 mangos a garrafa (de 600 ml), a até rótulos tchecos com valor em torno de 80 reais a garrafa. Mas tanto as brejas quanto os petiscos saborosos, otimamente preparados e bem servidos, eram apenas a desculpa para segurar a clientela no lugar e chamar a atenção dela ao que realmente importava ali: a música (sempre rock ou MPB de ótima qualidade, apresentada por artistas iniciantes ou alguns até já meio consagrados no circuito independente ou mezzo mainstream). Durante os seus quase 5 anos de existência a Sensorial abriu espaço para alguns dos melhores shows que tivemos o prazer de assistir nesse período. Não só: o bar/loja de discos de vinil foi espaço de eventos incríveis como lançamento de livros, feiras, exposições sobre temas ligados à cultura pop etc, etc. O autor deste texto, ele mesmo promoveu eventos mega legais por lá, como festas de aniversário do blog zapper. E sendo que nossa última e super bem sucedida festa por lá foi a noite de autógrafos e de lançamento do livro “Escadaria para o inferno”, que aconteceu no final de novembro do ano passado.

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Zapnroll ao lado de Lucio Fonseca (acima), proprietário de um dos espaços rockers e de cultura pop mais incríveis da capital paulista, e que hoje está encerrando atividades em seu atual endereço; abaixo turma de “lendas” do rock paulistano se junta ao jornalista e escritor para bebemorar o lançamento de seu primeiro livro, em novembro passado: o músico e escritor Luiz Cesar Pimentel, o ex-baterista do Ira!, André Jung, e Callegari, um dos fundadores do movimento punk paulistano, nos anos 80

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Como tudo começou, afinal? A versão original da Sensorial era uma simples loja de discos e CDs localizada no centro de São Paulo, na rua 24 de maio (na Galeria Presidente, ao lado da célebre Galeria Do Rock). O proprietário era o conhecido músico e agitador cultural Carlos Costa (que toca baixo na banda Continental Combo). E um dos frequentadores mais assíduos era Lucio Fonseca, um sujeito que trabalhava no mercado financeiro e que possuía um amor e um conhecimento ENCICLOPÉDICO de rock e cultura pop. Pois bem: com a crise se agravando no país Carlinhos resolveu fechar a loja que tinha no centro da capital paulista. Foi quando Lucio lhe fez a proposta: reabrir a Sensorial mas com outra proposta comercial, outro foco de público e em uma região um pouco mais nobre da cidade. Foi assim que nasceu a Sensorial Discos onde ela estava/está localizada até hoje à noite: na rua Augusta, região dos Jardins (a parte, digamos, rica e chic de uma das ruas mais famosas do Brasil). E foi assim que ela marcou época, vendendo os melhores discos de vinil novos, lacrados e importados, servindo as melhores cervejas artesanais da noite paulistana e oferecendo ótimos pocket shows para um público ainda interessado em MPB e rock de qualidade.

Mas tudo acaba um dia nesse sempre cinza, triste e miserável país. E mesmo conseguindo manter um público fiel a Sensorial Discos enfim cedeu às pressões de uma situação econômica caótica dominando o Brasil e resolveu fechar as portas, mesmo porque Carlinhos já havia saído da sociedade há algum tempo e Lucio estava tocando o negócio sozinho, junto à sua dileta love girl Lilian. Em papos com este blog semana retrasada ele já havia dito que iria fechar a loja no final deste mês (“o aluguel está absurdo, tentei negociar com o proprietário mas ele não aceitou acordo algum”, disse ele quando conversamos. “Fora que as pessoas estão sem dinheiro e apesar de ainda mantermos um público fiel o CONSUMO no bar caiu”, completou). Ele tem planos de reabrir em outro local. Mas ainda sem previsão de data nem endereço já escolhido.

De modos que neste sábado iremos perder mais um incrível espaço cultural alternativo em Sampa. E isso é de se lamentar profundamente visto que a sociedade brasileira, quase como um todo, se tornou bastante ignorante, boçal e conservadora de alguns anos pra cá, muito mais do que era há três décadas. Hoje não há mais espaço no país para música de qualidade, idem literatura, cinema, artes visuais, teatro, o que for. O que impera aqui é o reino do raso e do fácil, de consumo simples, direto e rápido. Está ficando cada vez mais impossível manter espaços comerciais dedicados à cultura de qualidade, como era o caso da Sensorial Discos.

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Mais dois ótimos momentos do blog ao longo dos últimos, na Sensorial Discos/SP, que está encerrando atividades hoje no atual endereço: acima a finada banda Star61 toca o terror rocker na bombadíssima festa de 11 anos da Zap, em maio de 2014; e abaixo o jornalista e escritor zapper brinda com seu amigo Nasi (vocalista do grupo Ira!), durante gravação de entrevista para o programa “Nasi noite adentro” (do Canal Brasil), em janeiro passado

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Vai deixar muitas saudades, com certeza. E para amenizar um pouco essa saudade estaremos todos lá neste sábado, para (repetindo novamente) nos despedir (tomando ótimas brejas) de um local que tornou nossas vidas quase sempre imensamente cinzas, caóticas, vazias e tediosas, menos ordinárias nas noites de quarta-feira a sábado. Sendo que daqui desejamos todo o sucesso e sorte do mundo pra dom Lucio e miss Lilian, em suas novas e futuras empreitadas.

 

XXX

 

Do texto que consta na página do evento aberta no Facebook, sobre a festa de despedida da loja/bar:

 

Aconteceram nestes 4 anos e 7 meses de funcionamento:

– Mais de 1500 Shows

– Lançamentos de livros e quadrinhos

– Discotecagens e Festas

– Exposições de fotos, pinturas e ilustrações

– Performances

– Debates Filosóficos

– Saraus

– Degustações de Cervejas

– Feiras e Bazares

 

***última forma: em papo com o blog na tarde de hoje, sábado em si, Lucio Fonseca deu a ÓTIMA notícia: a Sensorial Discos já reabre nas próximas semanas em novo endereço, na rua Augusta mesmo, mas do lado entre a avenida Paulista e o centro da cidade. Vai funcionar na Galeria Ouro Velho, tradicional ponto do baixo Augusta e que ferve nos finais de semana à noite. Logo menos daremos mais detalhes aqui sobre o novo endereço de um dos bares e lojas de discos mais incríveis da capital paulista.

 

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A VITÓRIA DO GRANDE ROCK ALTERNATIVO NO PRÊMIO GOVERNADOR DO ESTADO 2018 COM JONNATA DOLL E SEUS GURIS SOLVENTES, DÁ ALGUM ALENTO À MORIBUNDA CENA ALT ROCK BR

Palavra deste velho (mas jamais obsoleto) jornalista eternamente rocker e ainda loker: mesmo falido e já quase morto o rock BR ainda respira e mostra sua força, aqui e ali. E um dos momentos em que ele mostrou essa força rolou no final de março passado, durante a cerimônia de entrega do Prêmio Governador do Estado para a Cultura 2018 – do qual o autor deste espaço online foi um dos três jurados na categoria música. E no evento assistimos com o coração em júbilo absoluto ao triunfo do Jonnata Doll e seus guris solventes (na real este espaço rocker já sabia do resultado da premiação e apenas não podia abrir seu enorme bico antes da entrega dos prêmios, mesmo porque isso iria estragar o fator surpresa e a alegria da banda, hehe). Que DISSOLVERAM concorrentes pesos-pesados como Mano Brown (vocalista dos Racionais), por exemplo.

O quinteto cearense merece, e como. Grupo bom pra carajo e que ainda por cima recebe um mega merecido destaque para seu trabalho, ainda mais em um momento em que o rock precisa de total apoio e visibilidade na mídia e na música total emburrecida de um país idem, e onde o que manda no gosto do populacho é sertanojo, axé burrão e funk podreira em nível hard. E sim, mesmo estando em “baixa”, o rock ainda vive, respira e CHUTA.

E a Secult/SP merece todos os elogios do mundo por dar essa força à cultura como um todo e ao rock em particular. Sem palavras para agradecer ao (agora ex) Secretário José Luiz Penna e ao amado André Pomba, por essa autêntica revolução dentro da Secult.

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O telão instalado no teatro Sérgio Cardoso (no centro da capital paulista), durante a cerimônia de entrega do Prêmio Governador do EstadoSP para a Cultura 2018, anuncia a vitória da banda Jonnata Doll & Os Garotos Solventes na categoria música (acima), dando novo alento ao combalido rock alternativo brasileiro atual; abaixo o vocalista Jonnata Araújo comemora a vitória ao lado de Zapnroll, que foi um dos jurados da premiação

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Finda a premiação fomos todos bebemorar, claaaaaro. Com brejas e em seguida Finaski indo jantar com seu queridaço advogado ricaço “hipócrita de extrema direita” (hihihi), o também loker/rocker TG, que voltou de viagem de trabalho de uma semana ao exterior. Enfim, fakes otários e doentes de inveja no FB (como o PORCÃO José Flávio JOTALHÃO MERDA Jr., que foi destilar sua raiva, rancor, inveja, torpeza, ódio e dor mortal de cotovelo no grupelho que ele “administra” sobre a finada revista Bizz, dizendo por lá que “é uma vergonha a Secult permitir que Finatti faça parte de algo, e quanto ele irá receber de ‘gorjeta’ da banda por tê-la ajudado a ganhar a premiação?”, ahahahaha) e no painel do leitor da Zapnroll: podem SE MATAR avonts de ódio. E latir à vontade também.

De modos que mais uma vez: parabéns pro Joninha e os guris solventes. E daqui pra frente, foco no trabalho e administrar mega bem o money que irão receber da premiação. Afinal a banda é mesmo uma das melhores e das poucas com trabalho realmente relevante na novíssima cena independente do rock nacional. Sendo que com a grana que irão receber por ter ganho o prêmio (R$ 60 mil reais), o plano é gravar um novo e caprichado disco, que será o terceiro inédito de estúdio deles. É isso aí: sucesso pros meninos, que estão no coração destas linhas zappers já para sempre!

 

***Adendo: um covarde e retardado ainda foi VOMITAR no painel do leitor de Zapnroll, perguntando o que fizemos até hoje pela cena rock alternativa nacional, como jornalista. Nem precisamos responder, hihi.

 

 

 

E A MORTE LEVOU O PRODUTOR MUSICAL CEM (NOÇÃO) EM MARÇO PASSADO

Yep. Em 22 de março passado o meio musical brazuca foi surpreendido com a notícia da morte de um dos produtores musicais mais conhecidos do país nas duas últimas décadas – e não exatamente por ele ser o pseudo e superestimado “gênio” que muitos consideravam e ainda consideram, num exagero sem tamanho. Na ocasião o jornalista zapper postou o texto abaixo em sua página no FaceTRUQUE, emitindo sua opinião sobre o falecido. Foi um escândalo: Finaski foi xingado, insultado, chamado de aético, foi repreendido publicamente (por chapas como o prezado André Forastieri, que declarou no mural fináttico da rede social: “você perdeu o direito de me chamar de queridão”) etc. Tudo porque vivemos na era da web escrota, do politicamente correto exacerbado, do moralismo total hipócrita e da falta de sinceridade plena, onde ser sincero e dizer/publicar o que se realmente pensa sobre algo se tornou um crime.

Enfim, o blog não mudou e não mudará uma linha sequer sobre o que escreveu naquele momento, e que segue aí embaixo. Sem mais.

 

XXX

IMAGEMCEM18 O produtor musical CEM (noção), um dos nomes mais conhecidos da cena musical nacional nas últimas duas décadas e que morreu repentinamente em março passado: superestimado profissionalmente em demasia, virou “santo” assim que seu falecimento foi anunciado. Que descanse em paz mas seu passamento não comoveu absolutamente em nada este espaço rocker online

Sobre a morte do produtor CEM (ou Carlos Miranda).

Na boa? NÃO VOU ALIVIAR pro finado em questão, como não aliviei pro analfabeto funcional que era Chorão (vocalista do Charlie Bronha Jr.), quando ele também foi pro saco. O ser humano tem o PÉSSIMO hábito de endeusar e perdoar todos os pecados de quem morre, por pior que a pessoa tenha sido em vida e como se ela sempre tivesse sido uma santa, sem cometer nenhum erro, falha ou cagada em sua existência, e sem ter jamais prejudicado quem quer que fosse. Partindo dessa premissa até Hitler e Stalin foram “santos”. Mas como não tolero injustiça, acho que o que tem que ser dito DEVE ser dito, mesmo que seja algo desabonador sobre a vida pregressa de um morto.

Posto isso, digo que não desejo a morte de absolutamente NINGUÉM nesse mundo. Nem a de Hitler (pra exemplificar meu pensamento), nem a de um inimigo FEROZ e cruel, como este senhor foi de mim e sendo que muitas vezes ele tentou me prejudicar moralmente e profissionalmente da forma mais solerte, canalha, calhorda e infame possível. Mas enfim, como sempre digo: desse mundo ninguém jamais sairá vivo. Meus sentimentos aos amigos e familiares dele. É isso. Podem me xingar e fuzilar à vontade por causa deste post. Pelo menos sou honesto, transparente e detesto falsidade. E sei que quando EU morrer (e não tenho medo algum da morte, além de achar que a minha está cada dia mais próxima) muitos irão lamentar meu fenecimento da maneira mais FALSA possível. De modos que terei (do além, se ele existir) muito mais respeito pelos HONESTOS que me DETESTERAM e tentaram me foder a vida toda pelas costas e que irão COMEMORAR secretamente meu desaparecimento, dizendo: “já foi tarde, filho da puta!”.

Quem quiser saber o que eu pensava de fato de mr. Miranda, segue abaixo o link de post que publiquei no blog zapper há seis anos, em 2012. E novamente: rip, Mirandinha.

http://www.zapnroll.com.br/2047/

 

 

ENSAIO ROCKER SENSUAL EM REPETECO MERECIDO: JONNATA DOLL E SUA LOVE GIRL MARCELLE, UHÚ!

Yep, para comemorar a vitória da banda Jonnata Doll & Os Garotos Solventes no Prêmio Governador do EstadoSP 2018 para a Cultura, nada melhor do que republicarmos um dos melhores ensaios eróticos já produzidos para o blog zapper: o que mostra o cantor Jonnata total avonts ao lado da sua gatíssima e gostosíssima lovegirl, Marcelle Louzada. Apreciem sem moderação!

 

ELA

Quem: Marcelle Louzada.

De onde: sou do mundo sou Minas Gerais. Moro no centro da São Paulo desvairada, vale do Anhangabau.

Idade: 35 anos.

O que faz: artista do corpo, pesquisadora das artes. Doutoranda em educação pela Unicamp.

Três artistas: Patti Smith, Rita Lee e Karina Bhur.

Três discos: “Horses” (Patti Smith), “Hoje é o primeiro dia do resto de sua vida” (Rita Lee) e “Selvática” (Karina Bhur).

Três filmes: “Je vos salue  Marie”, “Zabriskie Point” e “Sonhos”.

Livros: “Flicks” (Ziraldo), “Macunaíma” (Mario de Andrade) e “A revolução dos bichos” (George  Orwell).

Três diretores de cinema: Zé do Caixão, Jean Luc Goddard e Federico Fellini.

Três escritores: Ziraldo, Mario de Andrade e Italo Calvino.

Show inesquecível: Jonnata doll e os Garotos Solventes no vale do Anhangabaú em São Paulo, 2016.

 

ELE

Quem: Jonnata Araújo.

De onde: Fortaleza (Ceará).

Mora em: São Paulo, capital.

Idade: 35.

O que faz: vocalista, letrista e compositor na banda Jonnata Doll & Os Garotos Solventes,

Três artistas : Ramones, Dago Red (Fortaleza/CE) e Iggy Pop.

Três discos: “It’s Time For” (Jonathan richiman), “Lust for life” (Iggy Pop) e “Uhuu” (Cidadão Instigado).

Três livros: “Misto quente” (Charles Bukowski), “Junky” (William Burroughs) e “Crônica da províncias em chamas” (Airton Uchoa Neto).

Três filmes: “A noite dos mortos-vivos”, “O império contra-ataca” e “A montanha sagrada”.

Três diretores de cinema: George Romero, David Cronemberg e Lucio Fulci.

Três autores literários: Isaac Assimov, Wiliam Burroughs e Jack Kerouack.

Show inesquecível: da banda cearence Dago Red,  em 1997 no padang padang, atigo espaço de show de rock na pria de iracema em Fortaleza. Foi a primiera vez que vi uma banda de punk rock tocando algo, falou diretamente comigo, todos da banda chapados e com uma energia incrível e ao contrário da maioria de bandas punks da época, todas com letras engajadas, as letras do dago red falavam de coisas que eu sentia: tristeza, sexo, drogas, amor, ateísmo e musicalmente eu entendi o que era uma guitar band e um pedal fuzz ali. Depois disso fui na casa do Robério, o vocalista, e saí com um monte de discos emprestados: Velvet, Iggy Pop, Husker Du, Mercenárias, Smack, Inocentes, Pixies e aí minha vida mudou depois disso e achei meu som.

 Sobre o casal e como o blog os conheceu: Marcelle e Jonnata têm a mesma idade, total afinidade cultural e intelectual e moram juntos em um aconchegante apê de um dormitório no centrão rocker de Sampa. Cercados por discos de vinil e livros, o casal leva uma vida bastante agitada: ela está fazendo doutorando na área de Humanas; ele sempre fazendo shows e cantando à frente dos Garotos Solventes, banda da qual é vocalista. Além disso Jonnata participou de várias gigs da turnê que comemorou os trinta anos do lançamento do primeiro álbum da Legião Urbana, tocando e cantando ao lado de Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá ao longo de todo 2016.

E estas linhas sempre total rockers conheceu Jonnata, Marcelle e a banda há apenas alguns meses, após assistir uma apresentação do grupo durante uma peça de teatro marginal, em Sampa. Foi paixão à primeira vista pelo conjunto e agora o blog já tem os Solventes e o casal rock’n’roll no nosso coração.

Mas chega de bla bla blá, rsrsrs. Aí embaixo nosso dileto leitorado confere um ensaio fodíssimo e tesudo da dupla, especialmente para Zap’n’roll. Então deleitem-se e apreciem sem NENHUMA moderação, uia!

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Casal rocker: tesão e música caminhando juntos

 

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Ele com olhar atento e agressivo; ela, observando a fera com suavidade

 

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Um baseado pra relaxar 

 

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Corpo, carne e corações em conexão plena

 

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Observando as estações lunares impressas no corpo da amada

 

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FIM DE PAPO

Pronto! Demorou mas o postão voltou bem, com textão e afiado como sempre. De modos que podemos encerrar os trampos por aqui, mesmo porque o blogger sempre andarilho está se mandando para a tenebrosa (atualmente) capital fluminense (yep, o Rio De Janeiro mesmo) nesta quarta-feira (amanhã em si, véspera de mais um feriadón), onde fica até a semana que vem, para divulgar nosso livro “Escadaria para o inferno”.

Beleusma? Então o blog retorna com post inédito logo menos, assim que novos assuntos bacanas surgirem e merecerem uma pauta bacana por aqui, okays? Bijokas nos leitores e ótimo feriado pra galera rocknroll!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 29/5/2018 às 14hs.)

FIM DE FESTA PARA 2017! Com… ANITTA (vaaaaai MALANDRA CADELONA!), ulalá e tudo o mais que já está nesse post! – Agora vai, ufa! Finalmente estamos de volta e já encerrando os trabalhos nesse pavoroso 2017! E após trinta anos de atuação no jornalismo cultural e musical brazuca e mantendo no ar há catorze anos o site/blog de cultura pop e rock alternativo mais legal da web BR, o jornalista zapper mais MALDITO da rock press brazuca enfim lançou “Escadaria para o inferno”, sua primeira incursão literária e que chegou aos leitores com festão de lançamento e noite de autógrafos na véspera de mais um aniversário do escriba eternamente loker/rocker, na Sensorial Discos/SP no final do mês passado; nesse post especial – provavelmente o derradeiro deste ano – você fica sabendo de detalhes sobre o livro e de como foi a “bebemoração” literária/rock’n’roll que marcou seu lançamento; mais: Morrissey e Noel Gallagher, dois GIGANTES do rock planetário que ainda importa, lançam seus novos discos; e mesmo em um momento de crise bravíssima no circuito rock alternativo paulistano o novo Clube VU (com inspirações sonoras e imagéticas na obra do lendário Velvet Underground) abriu suas portas na capital paulista; e mais isso e aquilo tudo no site/blog zapper onde felizmente a decadência informativa e textual ainda não chegou (já em outros espaços “pobreloaders” na web… hihihi…) (postão COMPLETÃO E TOTAL FINALIZADO/CONCLUÍDO, em 25/12/2017)

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Um autêntico “quem é quem” do ainda grande rock’n’roll BR que importa e do jornalismo cultural/musical brasileiro de duas décadas e meia pra cá se reuniu para prestigiar e prestar vassalagem ao primeiro livro lançado pelo jornalista mais maldito e alucinado da imprensa brasileira nos últimos 30 anos: acima Zap’n’roll ao lado de Luiz Cesar Pimentel (autor do texto da “orelha” do livro), André Jung – ex-batera do gigante Ira! – e Callegari; mais abaixo o zapper papeia com Clemente na rádio KissFM e ainda se vê “cercado” pelos “Andrés” lendas do jornalismo: Forastieri e Barcinski. Isso que é moral, néan? E para DESESPERO dos fakes otários, psicopatas e doentes de inveja, que vão se matar após ler este post, hihihi

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MICROFONIA II: FIM DE PAPO PRA 2017 – E SEM LISTAS DE MELHORES DO ANO MAS FALANDO DE… ANITTA, ULALÁ!

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O XOXOTAÇO carioca Anitta: com justiça a CADELONA funkeira é o grande destaque da música pop brazuca e mundial em 2017. Vaaaaai MALANDRONA CACHORRONA!

 

***Yep, último postão zapper de 2017 sendo finalmente concluído na tarde do dia 25 de dezembro, natal, quem diria… Foda-se o natal, claro. Estas linhas rockers online ABOMINAM o natal, desde sempre. Hipocrisia social e familiar monstro, total. Capitalismo predatório e selvagem em seu grau mais elevado. Chega a ser bizarro: a raça humana se ODIANDO e se matando uns aos outros 364 dias por ano. E de repente, num único dia, todos esquecem esse ódio intenso e se abraçam com amor intenso, fraternal e universal. Para recomeçar imediatamente a PORRADARIA logo aos primeiros segundos do dia 26 de dezembro. Ulalá!

 

***de modos que desejamos mesmo é um ótimo final de ano pro nosso dileto leitorado. E que 2018 seja ao menos um pouco menos dantesco e menos pior do que foram os três últimos anos no falido e fodido bananão tropical.

 

***e pela primeira vez desde que Zap’n’roll existe, NÃO iremos publicar nenhuma lista de “melhores do ano”. E por um motivo muito simples: a cultura pop simplesmente morreu, acabou e se fodeu na porca era boçal da web. Sim, filmes continuam sendo produzidos, livros continuam sendo escritos, discos continuam sendo gravados, bandas novas surgem aos montes todos os dias. Mas é tudo tão fútil, ruim, irrelevante e rapidamente esquecível que nem vale a pena tentar garimpar alguma pérola em meio a tanto lodo fétido. Basta dar uma espiada rápida em algumas listas de melhores álbuns de 2017, como estas linhas zappers se deram ao trabalho de fazer. Spin, BBC, Rolling Stone americana, Consequence Of Sound… nada se salva e o que se vê é um amontoado interminável de discos e artistas que ninguém irá se lembrar mais deles quando saírem as listas de melhores de 2018, daqui a doze meses.

 

***de modos que esse papel algo inútil e ridículo de compilar listas de “melhores”, deixamos para blogs pobreloaders e que também já estão em fim de linha, hihihi. Tão fim de linha que agora inventaram até de reproduzir capas de LPs clássicos da história do rock’n’roll colocando… gatinhos neles, ulalá! Que fofo, ahahahahahahaha.

 

***algum mega destaque de fato e de direito na música pop brazuca e mundial em 2017? Sim: a funkeira carioca Anitta, com todos os méritos e honras que ela merece. Você pode DETESTAR a figura e o som que ela faz. E este espaço blogger Popper se deu ao trabalho de conferir “Vai Malandra!”, seu novo mega hit e que está explodindo na web, no YouTube, no mundo todo, na puta que o pariu. O diagnóstico é inefável: a música é ruim de doer, a letra é imbecil e a construção melódica é paupérrima. Mas há o OUTRO LADO dessa parada: Anitta canta sim com empenho, sabe explorar o potencial VISUAL das imagens, é uma artista mega esforçada e, por fim, é aquele BO CE TA ÇO que todos nós sabemos que é – tendo sido inclusive capa da revista Vip há uns dois anos já. Por tudo isso a gringa está pirando no xotaço cantante carioca. Fora que “Vai Malandra!” é daquelas músicas que grudam instantaneamente no cérebro. Por tudo isso Anitta talvez seja de fato o único gigantesco e merecido destaque musical deste podre 2017 que felizmente está chegando ao fim. Para um mundo que já teve James Brown, Michael Jackson, Madonna, Tim Maia, Hyldon etc, Anitta seria a tranqueira e indigência sonora total. Mas para os tempos atuais, quando a cultura pop foi nivelada ABAIXO do abismo, ela é GÊNIA. Vai que vai, Malandra!

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Um BOCETAÇO sem igual e que está conquistando o mondo pop planetário: Anitta (acima e abaixo) não possui grandes atributos, hã, musicais, mas é a RACHA do inferno com que todas as pirocas do mundo sonham em foder, hihihi

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***E chega, néan. O site/blog zapper agora se dá férias até o final de janeiro próximo. Volta em 2018 para comemorar seus quinze anos de existência – talvez com um show internacional –  e para talvez e finalmente se despedir da web. Falouzes? Boa virada de ano então pra todos vocês, nossos amados/as putos e putas do coração! Inté!

 

 

MICROFONIA

(reverberando a cultura pop em discos, livros, filmes, shows, baladas etc.)

 

***Antes de mais nada é preciso dar um alô ao nosso dileto leitorado sobre o por que do sumiço deste espaço rocker virtual nas últimas semanas. Primeiro o velho noteSHIT Toshiba do jornalista zapper/loker entrou em pane total, o que impediu que mantivéssemos as postagens por aqui em dia, fora que o último post ficou verdadeiramente prejudicado e todo atrapalhado, sem fotos, incompleto no texto etc. Daí o motivo, inclusive, de estarmos repostando parte do material que já estava nele.

 

***2017 quase chegando ao fim – já vai tarde, na verdade. E nem por isso o agito rocker termina: lá se foi o velho (mas jamais obsoleto) jornalista e escritor rocker e (ainda às vezes) loker, assistir ao último show deste ano do projeto “Ira! Folk” e que reúne no palco apenas a dupla central da banda, meus amigos de décadas Edgard Scandurra (nos violões) e Nasi (nos vocais). Ambos desfilando todos aqueles clássicos do Ira! e do gigante rock BR dos anos 80’ que todos nós conhecemos e amamos. Foi no Bourbon Music Street Hall, na última terça-feira. Que é do tamanho de um ovo, pico total de playba e coxas endinheirados, fica em Moema – zona sul chic da capital paulista – e é uma das casas de shows mais caras da capital paulista – o ingresso pra ver a gig custava 130 pilas por cabeça. Mas foda-se tudo isso. Quando Scandurra começou a tocar e Nasi a cantar, o local (que lotou até o teto) veio abaixo. Povaréu cantando contente e feliz e em coro absolutamente TODAS as músicas do set. E depois teve beija mão tradicional no camarim, óbvio. O zapper loker foi lá também, deu um oi rápido pros seus brothers de décadas, tomou uma taça de cabernet e caiu fora. Foi bem bacana no final das contas.

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O jornalista e agora também escritor zapper, ao lado de seus velhos amigos do grande rock BR dos 80′, Nasi e Edgard Scandurra, no camarim do Ira! após gig do grupo na última terça-feira em Sampa

 

***Sendo que neste sábado em si – ou amanhã – rola a talvez última gig bacanuda do ano em Sampa: os sempre amados Vanguart sobem ao palco no Teatro Mars, na região central de Sampa, pra fazer a saideira do ano. Todas as infos do evento aqui: https://www.facebook.com/events/180026795907515/.

 

***E teve também o lançamento de “Escadaria para o inferno”, o primeiro “filhote” do jornalista musical que agora também é escritor, hihi. Foram semanas pesadas de divulgação do livro, com mr. Finaski indo a entrevistas na rádio paulistana KissFM – onde papeou no programa “Filhos Da Pátria” com seu brother de séculos, Clemente, fundador e vocalista dos Inocentes – , gravando outra entrevista para o programa “Nasi Noite Adentro” – apresentado semanalmente no Canal Brasil pelo vocalista do Ira!.que não por acaso também é amigo pessoal zapper há décadas – , e mais isso e aquilo.

 

***Fora a “resenha” – uia! – publicada por dom André Barcinski em seu bombadíssimo blog no Uol, o maior portal de internet da América LaTRINA, rsrs. Barça fez o que se esperava no texto: ESCULACHOU com fervor e gosto o livro e seu autor, ahahahaha. E quem o conhece – como este jornalista o conhece, há mais de 20 anos – sabe que ele é exatamente assim: só não detona a própria mãe porque é filho dela, rsrs. De resto, com amigos como o autor deste espaço online – com “amigos” desse naipe, quem precisa de inimigos? Uia! – lhe pedindo uma “força” na divu do livro, claaaaaro que ele não iria perder a piada. Perde o amigo, mas a piada JAMAIS, rsrs. Sendo que você pode ler o que ele escreveu sobre “Escadaria para o inferno” aqui: https://blogdobarcinski.blogosfera.uol.com.br/2017/12/04/um-perdido-numa-noite-suja-o-estranho-mundo-de-humberto-finatti/.

 

***E teve muito mais sobre o lançamento da obra literária fináttica. Esse “mais” você vai acompanhando mais aí embaixo, ao longo desse post.

 

***O mês dos gigantes, I: Morrissey – Sim, estamos falando – com certa demora e pelos motivos já explicados acima – do novo álbum de estúdio daquele que é considerado por boa parte da humanidade como o inglês mais genial e legal ainda vivo na face da Terra. Sim, ele mesmo, “tia” Morrisséia, aliás Morrisey, ou Moz pros fãs. “Low In High School” é o décimo primeiro disco solo do ex-vocalista dos Smiths desde que a banda que o tornou célebre acabou e ele começou a lançar trabalhos sozinho, em 1988. E é o primeiro cd inédito dele em três anos – o último, “World Peace Is None Of Your Business”, saiu em 2014. “Low in…” saiu mês passado na Inglaterra. Estas linhas rockers online ainda não escutaram o dito cujo. Afinal estamos numa correria insana por conta do lançamento do nosso livro. Mas enfim, o que esperar do novo álbum do amado e ainda gigante Morrissey? Que ele seja no mínimo ok. Sim, claro, Moz não precisa provar mais nada pra ninguém. Aos 58 anos de idade já deixou seu nome eternizado na história do rock mundial, apenas por ter escrito as letras que escreveu e cantado as canções que cantou nos quatro FENOMENAIS discos de estúdio dos Smiths (eternamente uma das 5 bandas da nossa vida). Perto desses quatro LPs inatacáveis e imortais sua carreira solo é até dispensável – sejamos honestos e não fãs fanáticos: Zap’n’roll gosto muito da sua estréia solo com o “Viva Hate”, que saiu em 1988 (e que teria sido na verdade o quinto disco de estúdio dos “Silvas”, caso eles não tivessem acabado no ano anterior). Depois, se formos bastante rigorosos, vamos chegar a conclusão de que o bardo de Manchester ainda gravou mais um ótimo/impecável trabalho solo (“Your Arsenal”, de 1992) e só. Claro, ele nunca se permitiu lançar algo de qualidade realmente ruim. E mesmo um disco mediano de Morrissey ainda dá um pau gigante em tudo o que o vergonhoso, pífio e irrelevante rock da era da web (principalmente de 2000’ pra cá) anda lançando. Quanto a isso não há dúvida. Mas reiterando: o que a bicha velha tinha que legar de CLÁSSICO e INESQUECÍVEL para a humanidade ela já legou, junto aos Smiths. Uma banda que, em quatro discos de vinil e em quatro momentos iluminados, deixou para a História algumas das pérolas poéticas e musicais mais sublimes e avassaladoras que a Cultura universal poderia ter produzido. Enfim, assim que passar o tumulto com o lançamento do livro fináttico, vamos resenhar sim “Low In High School” por aqui com a devida atenção. O primeiro single do álbum (“Spent The Day In Bed”) ao menos é bem bacana. E sendo que tanto o disco quanto o single você pode conferir abaixo.

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***O mês dos gigantes, II: Noel Gallagher – e teve também o lançamento do novo trabalho musical do gênio Noel Gallagher (o homem que comandou o saudoso e inesquecível Oasis por quase duas décadas). “Who Built The Moon” é o terceiro álbum solitário do gigante guitarrista, e já coleciona fartos elogios na rock press gringa e nos veículos musicais midiáticos que importam. Zap’n’roll também ainda não ouviu o dito cujo e o fará assim que a situação se acalmar por aqui além de resenhar o cd nestas linhas online o quanto antes, beleusma? Mas enquanto isso você pode escutar o disco inteiro aí embaixo.

 

***E mais notas na Microfonia irão entrando aqui, nesse provável último post zapper de 2017, ao longo da semana vindoura, okays? Agora vamos direto ao assunto porque a correria está monstro por aqui hoje. Vamos ver do que trata, afinal, o primeiro livro lançado pelo sujeito que escreve esse espaço virtual popper há quase década e meia.

 

 

AGITO LITERÁRIO NO MONDO ROCKER: “ESCADARIA PARA O INFERNO”, O PRIMEIRO LIVRO DO JORNALISTA ZAPPER E ETERNAMENTE LOKER, CHEGOU FINALMENTE AOS LEITORES NO FINAL DE NOVEMBRO ÚLTIMO

Aconteceu finalmente no sabado, 25 de novembro, o lançamento de “Escadaria para o inferno”, provavelmente o ÚNICO livro que este jornalista irá publicar pois imagina que não terá tempo suficiente em vida para escrever outro. E sem drama algum em relação a isso: saindo este já nos damos por satisfeitos e com ele iremos completar a tríade que, reza o clichê existencial, todo ser humano precisa fazer ao longo de sua vida: plantar uma árvore, ter um filho (tivemos/temos, embora pai e filho não se falem e não se vejam pessoalmente há séculos) e escrever um livro. Com o lançamento bombadíssimo e bacaníssimo que rolou na Sensorial Discos/SP completa-se então essa tríade, no nosso caso. Missão fináttica TERRENA cumprida? Talvez…

É pensando no lançamento desse tomo e agora avançando pela tarde insuportalvemente calorenta que o blog resolveu dividir com vocês infos sobre o livro e também algumas considerações e pensamentos soltos sobre ele e sobre seu autor, divididos por tópicos. A eles.

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Noite de lançamento de “Escadaria para o inferno”, o primeiro livro do jornalista Finaski, e que aconteceu no final de novembro em festa badaladíssima na Sensorial Discos/SP: um brinde rock’n’roll à literatura degenerada!

 

***O LIVRO – “Escadaria para o inferno” está pronto há uns 3 anos já. Nesse período mudou de nome (o título inicial era “Memórias de um jornalista junkie”, que acabou entrando agora na edição final e oficial como sub-título) e passou por pelo menos três editoras, todas pequenas. Uma se interessou mas não tinha dinheiro para bancar o dito cujo. A segunda queria rachar os custos da publicação com o autor, o que obviamente foi recusado. E a última queria que fosse mudada muita coisa no livro original (o título, inclusive) o que também não foi aceito. Fomos salvos quando encontramos a turma da Kazuá, onde chegamos através do queridão Edner Morelli (que acabou de lançar por lá também seu terceiro livro de poemas, “Cenário”), músico, professor (de Letras), escritor e amigo do jornalista zapper há décadas. Foi o melhor lar editorial que poderíamos ter encontrado pois trata-se de uma editora modesta mas que tem um cuidado quase artesanal com cada livro publicado por ela. Fora que a equipe de lá é total maluca, libertária, transgressora, transgressiva, culturalmente DEGENERADA pode-se dizer, rsrs. Pelo conteúdo que se encerra em “Escadaria…” o livro não poderia ter encontrado lugar melhor. E somos absolutamente sinceros nisso.

 

***O QUE É E DE ONDE SURGIU A IDEIA – Todos já sabem: o titular deste espaço de cultura pop online é jornalista musical e cultural há mais de 30 anos. Já passou (e tem orgulho disso) por alguns dos maiores veículos da imprensa brasileira, como repórter ou colaborador. Ao longo desse tempo todo ele foi colecionando milhares de histórias (todas reais) absolutamente MALUCAS, surreais e quase inacreditáveis de enfiações desvairadas de pé na lama em sexo, álcool, drogas e rock’n’roll, muitas dessas ao lado de gente bastante conhecida. E toda vez que contávamos alguma dessas histórias para algum (a) amigo (a), a reação de espanto de quem ouvia era imediata e o comentário inevitável: “porra Finas, isso dá um livro! Ou até um FILME! Rsrs”. Foi então que tivemos enfim a ideia de escrever o tal livro. Mas a primeira versão dele era algo preguiçosa, podemos afirmar. Apenas reunimos alguns dos melhores posts de Zap’n’roll, que existe há 14 anos, e tal qual eles foram escritos, foram organizados em um provável e futuro livro. Mostramos esse material ao chapa Marcelo Viegas (que conhecemos há quase 20 anos), então trampando como editor na Ideal Edições. Foi dom “Priegas” quem leu o material e disse: “as histórias são de fato ótimas. Mas deixa de ser preguiçoso, cria vergonha na cara, senta na frente do computador e escreve um livro de VERDADE, não reproduzindo apenas posts que já foram publicados no seu blog. Lembre APENAS das histórias malucas e as conte como aconteceram, dando tom textual de crônica ou romance em cima delas”. Foi o que acabamos fazendo, no final das contas. E por ter vivido a vida que viveu (intensa na maior parte do seu tempo, com o sujeito aqui sempre “plugado” em 220 wolts, sempre ansioso, agitado, e quase sempre total alucicrazy nas baladas noturnas e em muitos momentos da sua vida profissional, enquanto cobria shows, festivais, entrevistando bandas e músicos etc.), sempre no limite da sanidade, conseguiu colecionar esse turbilhão de histórias quase inacreditáveis. Separamos 20 delas para publicar no livro. Que sim, tem uma narrativa auto-biográfica mas que não se trata de uma biografia na pura acepção do termo literário. Uma narrativa que desvela loucuras ao lado de gente como John Lydon (o homem que um dia foi Johnny Rotten e cantou nos Sex Pistols), Evan Dando (dos Lemonheads), Nasi (nosso brother que canta no Ira! até hoje), João Gordo, Lobão, Helinho Flanders (o amado singer do Vanguart) etc, etc. Ficamos bastante satisfeitos com o resultado do livro. A Kazuá também, ao que parece. Veremos o que VOCÊS, futuros leitores (assim esperamos) do mesmo irão achar.

 

***NÃO HÁ MORALISMOS NO LIVRO, NEM NO SEU AUTOR – As mais de 140 páginas de “Escadaria para o inferno” estão repletas de narrativas envolvendo sexo desenfreado, consumo abusivo de drogas e álcool e tudo aquilo que provavelmente “choca” a moral e os bons costumes, ainda mais nesses tempos de total intolerância e de uma sociedade cada vez mais moralista hipócrita e babaca, reacionária e conservadora ao extremo. Bem sabemos que somos um jornalista ainda mezzo loker, eternamente rocker e já quase um VELHO (mas jamais obsoleto) desajustado na alma e no coração, e inadequado na existência. Um sujeito perenemente à margem do que é considerado “normal” pelo senso comum estúpido da raça humana idem. Isso incomoda? Um pouco, às vezes e não há como negar. Nos arrependemos de ser assim ou de termos sido assim na maior parte de nossa existência? Nem um pouco e o livro deixa isso bem claro: não há MORALISMO algum na narrativa dos capítulos dele (20 ao todo). Tudo é contado com distanciamento moral absoluto (apesar de estarmos no olho do furacão em todos os episódios que estão ali descritos) pois sempre dizemos que, se pudéssemos voltar no tempo mudaríamos muito pouco essa trajetória. Provavelmente teríamos feito tudo novamente, evitando cometer excessos aqui e ali e também evitando consumir aditivos que de fato não deveríamos ter consumido ao longo da vida. Mas no final o livro tenta transmitir ao leitor mais ou menos a mesma sensação que o já clássico filme “Trainspotting” passou a todos que o assistiram: a vida de um JUNKIE é isso. Ele escolheu viver dessa forma. Cada um que escolha viver a sua vida da forma que melhor lhe convier.

 

***NÃO FOI FÁCIL TER TIDO UMA EXISTÊNCIA QUASE TOTALMENTE JUNKIE – Não mesmo. Sem moralismos novamente mas NÃO recomendamos a vida que tivemos para ninguém, embora tenhamos nos divertido horrores. Como jornalista o sujeito aqui poderia estar muito bem hoje, profissional e financeiramente falando. Não estamos, claro. Muito longe de estar, inclusive. Zap’n’roll poderia ter se tornado um “jornalista” total careta e bunda-mole e provavelmente estaria enorme de gordo, casado com uma esposa chata, com filhos, tendo uma amante igualmente chata e trampando em alguma redação de algum mega veículo de mídia e ganhando seus 10 mil dinheiros (ou mais) por mês. Mas escolheu o caminho torto e da loucura, óbvio. E foi perdendo grandes empregos e grandes oportunidades na imprensa, claro, pois além de ser um maluco em tempo quase integral também sempre teve o gênio e o sangue italiano quente e explosivo, o que o fez brigar com muita gente (a imprensa é um dos meios profissionais mais escrotos, hostis e terríveis para se trabalhar, uma autêntica piscina de tubarões e uma fogueira das vaidades insuportável na maioria das vezes). Certa vez o jornalista Luiz Fernando Sá (que foi nosso chefe nas revistas IstoÉ e Interview, e atualmente ocupa alto cargo na editora Três) nos disse: “você já teve ótimas oportunidades e portas abertas na sua vida, que muita gente igualmente competente quis ter e não teve. E você foi desperdiçando todas essas oportunidades”. Talvez ele tenha razão, no final das contas. E num dia, almoçando com amado “sobrinho” Luiz Cesar Pimentel (que é o autor do texto que está na “orelha” do livro), perguntamos a ele onde tínhamos errado no meio do nosso caminho. Onde deveríamos ter entrado na curva à direita, e acabamos entrando na da esquerda. “Finas, cada um tem suas escolhas na vida. Você fez as suas. E paga um preço por elas, simples.”. Nisso ele tem total razão. Fizemos nossas escolhas e pagamos o preço por elas. Sabemos que nossa existência não foi nada fácil. E continua não sendo, inclusive: este jornalista rocker é adicto (dependente químico) há anos. Não deveria nem beber mais nada alcoólico. Mas quem disse que não conseguimos beber? O zapper AMA beber. Só que bebe maaaaais que todo mundo e NÃO fico ébrio. Fica, sim, com um desejo quase incontrolável de ASPIRAR cocaína, quando não de voltar a fumar crack, essa droga do inferno que realmente odiamos. Então hoje em dia procuramos controlar ao máximo o consumo alcoólico. Quando vemos que estamos chegando a ponto de sair do controle, damos um jeito de parar. Senão sabemos que a vaca irá inevitavelmente para o brejo, sendo que também sabemos que somos muito melhor e mais sociáveis quando não estamos “bicudaço” de cocaine e transtornados de álcool (e Marião Bortolotto, que assina o texto da contra-capa do livro, também sabe muito bem disso, ahahaha: “Fininho” estava um doce de sociabilidade no último sábado lá no Cemitério de Automóveis, não é Marião? Rsrs). Fora que algumas lembranças nos atormentam e ainda nos traumatizam ao máximo. Por exemplo: é algo total crazy você estar JANTANDO num churras rodízio (como estávamos na última sexta-feira, no Tendall Grill, onde sempre fazemos um repasto semanal há uns 30 anos já) e, do nada, começar a TREMER por dentro por se lembrar que, ali perto, tem uma “biqueira” de crack, onde freqüentamos e fumamos “pedrinhas” anos atrás. Sendo que nesse período (anos atrás), este jornalista estando com dinheiro no bolso ou na conta estaria ali naquela área (no centrão de Sampa) não jantando no tal churras rodízio mas sim, na tal biqueira e fumando “pedras”. Felizmente isso já passou. Mas ainda restam as (por vezes) tormentosas lembranças. E essas irão nos acompanhar até a morte, pelo jeito. Mas novamente, sem ressacas morais: fizemos o que queríamos fazer. Que a molecada aproveite MESMO enquanto é jovem (a pirralhada no mundo atual está CARETA demais pro nosso gosto, vocês concordam?) e tem a vida toda pela frente. Que TREPE HORRORES, beba até cair, cheire, fume o que quiser e boa. Um dia a idade adulta irá chegar, o corpo irá pedir arrego e aí será a hora de tirar o pé do acelerador e levar uma existência, hã, mais tranqüila digamos assim. E sem olhar para trás e ter arrependimentos, mas pensando: sim, vivi a vida com gosto. E tirei ótimas lições, mesmo dos piores momentos. É isso.

 

***FIM DA HISTÓRIA? – Talvez. Além do lançamento do livro, este Finaski também chegou aos 5.5 de vida. Ele se sente algo envelhecido no corpo já, embora muitas amigas digam que ainda é um coroa charmoso e sedutor (ahahaha, jezuiz… será mesmo?). Mas a cabeça, essa felizmente continua a mil. E mais jovem do que muito pirralho de 20 anos de idade. Apenas queríamos estar um pouco melhor de dindin, rsrs. Mas fato é que a maioria do país está quebrado e muitos dos que conhecemos também. De modos que não há muito o que fazer quanto a isso a não ser torcer por dias melhores (FORA TEMER, seu bandido merda do caralho!). Amores, romances e paixões aos 5.5 de vida? Tivemos centenas (vamos repetir: CENTENAS) de mulheres na vida (e na cama) ao longo da existência. E chegamos a conclusão inefável de que apenas umas quatro delas realmente fizeram este loker perder o juízo. Ele teria se casado com a Flavia (quando tinha meus 28 anos de idade), que se tornou uma advogada muito bem sucedida, está casada e com filho. Ou com a Tania (já aos 41) que desapareceu (deve ter encontrado o homem “sem vícios” que ela queria encontrar para contrair matrimônio; com este blogger maloker ela jamais iria “casar” pois como a própria ruiva puta e malvada disse certa vez: “Humberto, você é ÓTIMO pra sair, se divertir, cheirar cocaína, beber, trepar, mas NÃO pra casar. Quando eu me casar não vou querer nada disso pra mim”. Ok, rsrs), com a Rudja (de Macapá), de quem somos amigos até hoje e que AMAMOS toda a família dela. Ou com a Neidinha Rodrigues, aquela magrela branquela linda, deliciosa, peituda, mega inteligente e fã de literatura (como este velho jornalista) que é uma “demônia” na cama mas que, infelizmente, é CASADA (o que não nos impediu de ficar trepando com ela por um ano). Teríamos casado e ficado pra sempre com uma dessas quatro mulheres incríveis. Mesmo sabendo que talvez não estivesse mais com nenhuma delas até hoje. Mas as tivemos, ao menos. E deu certo o tempo que tinha que dar. E agora? (suspiro…) Agora imaginamos que nosso tempo já tenha se esgotado. E que não haverá mais tempo para que um novo amor surja na vida de Finas. De modos que ele segue sozinho. E provavelmente vai morrer sozinho. Por isso agora entende, mais do que nunca, porque Van Gogh morreu sozinho e sem uma das orelhas. Porque Jack Kerouac (o homem que nos deu o clássico beat “On The Road”) morreu aos 47 anos de idade (muito jovem ainda) quando vivia com a mãe, e foi levado por uma cirrose ocasionado pelo consumo excessivo de vinho licoroso (adoramos). Também compreende porque Rimbaud se foi, sozinho e sem uma das pernas (amputada por causa de um tumor) e porque J. D. Salinger (o gênio que nos deu “O apanhador no campo de centeio”) preferiu terminar sua vida, já velhíssimo, isolado do mundo no alto de uma montanha. Talvez este será mesmo nosso fim (e não nos importamos que seja, aliás até almejamos que seja, num certo sentido): sozinho mas contente e em paz, no alto da montanha mágica, lá em São Thomé Das Letras. Publicado “Escadaria para o inferno”, é pra lá que pretendemos ir pra morar, em 2018.

 

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E a semana que está quase acabando já foi agitadíssima em se tratando da divulgação do livro zapper. Ele já foi parar nas mãos de alguns dos principais personagens que fazem há anos a cena rocker paulistana acontecer: o lendário produtor e cappo do selo indie Baratos Afins, queridão Luiz Calanca, além de nosso igualmente eterno e amadorado DJ e produtor cultural André Pomba. Na grande imprensa a repercussão também já começou, com este Finaski tendo dado entrevista na última quarta-feira no programa “Filhos Da Pátria” na KissFM, e que é apresentado pelo brother Clemente. Fora a visitinha de cortesia que fizemos à redação do diário Folha De S. Paulo (um dos maiores jornais do país) e onde fomos super bem recebidos pelo também queridão Ivan Finotti e pela fofura que é a repórter Amanda Nogueira. E nas próximas semanas o agito em torno do livro vai prosseguir, pode esperar!

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Com o produtor musical Luiz Calanca, na sede do selo e loja Baratos Afins/SP

 

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Concedendo entrevista para o “irmão preto” Clemente, no programa “Filhos Da Pátria” na KissFM/SP

 

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Visitando o queridão Ivan Finotti, na redação do diário Folha De S. Paulo

 

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Com o amado super dj André Pomba, na domingueira rock mais badalada do Brasil, o Grind/SP

 

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E tomando algumas com o dramaturgo Mário Bortolotto, autor do texto da contra-capa do livro, no bar/teatro dele, o Cemitério de Automóveis, em Sampa

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“Escadaria para o inferno” já está à venda na loja virtual do site da editora Kazuá, que pode ser acessado aqui: WWW.editorakazua.com.br. O livro também está à venda na Sensorial Discos/SP, que pode ser contatada em WWW.sensorialdiscos.com.br ou pelo fone 11 3333-1914. E por fim também na Livraria Cultura em Sampa.

 

 

IMAGENS DE ALGUNS DOS MOMENTOS BACANUDOS DO LANÇAMENTO DO LIVRO, QUE ROLOU NO FINAL DE NOVEMBRO EM SAMPA

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O jornalista gonzo e escritor loker e as amigas gatas

 

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Ganhando bijokas das novas leitoras

 

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Com os brothers André Jung, ex-batera do Ira!, e Jonnata Doll, vocalista da banda Garotos Solventes

 

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Se preparando para dar mais um autógrafo

 

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A loirinha mais linda e meiga, sorrindo ao lado do novo escritor

 

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Leitor degustando e apreciando a nova obra literária

 

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Dedicatória para uma amiga querida

 

 

O NOVO BAR ROCKER UNDER DE SAMPA: O CLUBE VU TAMBÉM ABRIU SUAS PORTAS PARA A GALERA AINDA ROCKER DA CAPITAL PAULISTA

Mesmo com a crise existencial, mercadológica, artística e de público que o rock vem enfrentando já há alguns anos lá fora e aqui também, ainda há alguns MALUCOS que mantêm a fé no gênero musical mais genial e importante da música mundial nos últimos 70 anos.

Ele está quase morto? Talvez. Anda total em baixa no circuito noturno alternativo paulistano (sempre é bom lembrar: em um ano e meio nada menos do que quatro dos mais tradicionais clubes de rock da capital paulista fecharam suas portas)? Pode ser, também. Mas nada disso abalou a confiança de três sócios que se uniram para fazer funcionar e ferver, na Barra Funda (bairro da zona oeste paulistana), o novíssimo Clube VU. Com toda sua inspiração (do espaço a decoração, da fachada aos nomes que irão batizar os drinks exclusivos da casa) vinda da obra gigante do lendário Velvet Underground (uma das mais fundamentais bandas de toda a história do rock’n’roll), o VU promete manter acesa a chama do rock na noite under de Sampa. Para isso vai apostar em drinks e coquetéis especialíssimos, em uma programação temática variada ao longo dos dias da semana e, principalmente, em um público mais adulto, que já passou dos 30 mas que ainda curte sair à noite para beber e dançar ao som do bom e velho rock.

Dos três sócios da nova empreitada do circuito de entretenimento de São Paulo, dois são velhos conhecidos da cena rocker da cidade: Claudio Medusa (que durante quase uma década foi proprietário do finado Astronete, na rua Augusta) e nosso “quase” xará, o jornalista Ivan Finotti, um dos nomes mais conhecidos e respeitados do jornalismo cultural e musical da equipe do caderno Ilustrada, do jornal diário Folha De S. Paulo. E foi com mr. Ivan que Zap’n’roll bateu um papo rápido para saber o que podemos esperar do Clube VU. Os principais trechos do papo seguem abaixo.

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Dupla dinâmica do jornalismo cultural em noitada de bebemoração rock’n’roll na capital paulista: Ivan Finotti e Zap’n’roll na inauguração do novo clube VU; abaixo a fachada da nova casa noturna de Sampa

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Zap’n’roll – Você poderia explicar, resumidamente, o conceito do novo Club VU? Como surgiu a idéia, quando surgiu, o que vai tocar por lá, como será o atendimento, ambiente, carta de bebidas e comidas (se houver) etc?

 

Ivan Finotti – é Clube V.U., em português. Por ser jornalista, tento ao máximo manter as palavras na nossa língua. Lá no Clube V.U., por exemplo, bebe-se gim e uísque, não gin nem whisky. Manias à parte, o Claudio Medusa estava atrás de uma nova empreitada após o fechamento do Astronete em 2016. Nós já haviamos aberto juntos o Alberta #3 em 2010, com a Thea Severino e a Noemi Silva. Então eu não via como criar algo muito diferente daquilo. Então apareceu a artista plástica Suemi Uemura, amante de drinques e frequentadora de bares de coquetelaria. Com ela, bolamos o conceito de uma balada com drinques tão bem feitos quanto nesses bares, que estão em alta na cidade nos últimos tempos. Vai ser um desafio atender 300 pessoas dessa forma, mas temos um balcão de 11 metros e excelentes barmen e barwomen.

 

Zap – é sabido que o rock está em baixa (infelizmente) nesse momento, mesmo no chamado circuito noturno alternativo de Sampa. Tanto que clubs bacanas como Astronete (que era de propriedade do Medusa, seu sócio nessa nova empreitada), Inferno Club, Funhouse e Matrix (que voltou a reabrir há poucas semanas) fecharam suas portas nos últimos meses. Dessa forma não é temerário investir em um novo espaço apenas dedicado ao rock? Ou o VU vai mirar também outros públicos, com festas variadas em noites especificas?

 

Finotti – O rock é o gênero que liga toda a semana, mas as festas são variadas. Na segunda-feira, receberemos chefes de bar de diversas casas da cidade para fazerem seus drinques em nosso balcão. Na terça, exibiremos filmes icônicos no telão , enquanto você desfruta seu coquetél. Nesses dias, de entrada gratuita, abriremos a pista se houver público para isso. Na quarta-feira a casa está fechada, mas não é bem assim. Você pode abri-la para a sua festa de aniversário, por exemplo. A quinta é inspirada nas musas transexuais de Lou Reed, imortalizadas em canções do Velvet Underground, como Candy Darling e Lady Godiva. Essa noite terá uma pegada mais pop. A sexta traz o lado B do rock, com clássicos desconhecidos dos anos 60, 70 e 80, além de soul. E o sábado é para a turma que ama o indie e tudo isso que a gente falou antes também.

 

Zap – São três sócios na nova casa, sendo que um deles, Claudio Medusa, é um conhecido personagem da noite alternativa paulistana. Já você é um dos nomes mais conhecidos do atual jornalismo cultural brasileiro, trabalhando na Folha Ilustrada, do jornal Folha De S. Paulo (um dos maiores diários brasileiros). E é sabido que você também ama rock’n’roll, especialmente Bob Dylan, rsrs. O que o levou a investir nessa nova atividade, aparentemente muito distante do universo do jornalismo?

 

Finotti – Eu amo ser jornalista e investir nessa atividade nunca foi uma forma de escapar do emprego. Pretendo seguir mais 15 anos no jornalismo. Acontece que eu também amo música e fazer parte de uma casa noturna (inspirado pelo meu amigo André Barcinski, que abriu a Clash em 2007) foi a forma que encontrei de estar mais próximo dela. Você falou em Bob Dylan e realmente o Alberta #3 foi completamente inspirado nele. Dois anos depois, abrimos o restaurante Ramona, meio Dylan, meio Ramones, também na avenida São Luís. Fiquei quatro meses fazendo a trilha sonora e os frequentadores se surpreendem com a música de lá. Há três meses, reabrimos o bar Stônia, no subterrâneo do Ramona. Homenageia os Stones. Agora, o V.U. é a casa noturna do Velvet Underground, o grupo que mais influenciou e menos vendeu da história do rock. A banda de Lou Reed, Nico e Andy Warhol. Temos muito veludo vermelho por lá. E a cachaça da casa chama Heroin, como a canção deles.

 

Zap – falando em musica e em rock’n’roll, o que você mais curte? Apenas bandas clássicas e antigas ou também fica atento às bandas mais novas?

 

Finotti – Só as clássicas. E as novas que parecem velhas.

 

Zap – pra encerrar: na sua opinião, qual o futuro do rock nesse momento (aqui e lá fora) e de casas noturnas que ainda se dedicam ao gênero? Ele, o rock, dará a volta por cima e irá reinar novamente como reinou na música mundial por quase 70 anos? Ou isso não vai mais acontecer?

 

Finotti – Eu acho que não vai mais reinar. Já foi esse tempo. Mas não vai acabar, sempre haverá um bando de malucos como você para dar um pouco de fôlego ao rock.

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TCHAU 2017, JÁ VAI TARDE!

Mais um ano infernal que chega ao fim. Mas conseguimos sobreviver a ele, felizmente. Então que venha 2018! E que ele traga algum alivio imediato para todos nós – na economia, na cultura pop, na existência humana no final das contas.

O site/blog zapper se dá férias agora, até o final de janeiro quando voltamos por aqui. Até lá desejamos que todos tenham uma super virada na semana que vem e ótimas férias também!

Inté!

 

(atualizado, ampliado e finalizado por Finatti em 25/12/2017, às 17hs.)

 

 

AMPLIAÇÃO FINAL! (com análise detalhada do segundo disco de estúdio do Ira! e cinco vídeos clássicos da banda, mais o novo disco do MERDALLICA e a indicação do blog ao Prêmio Dynamite de Música Independente 2016) – Agosto, o mês do cachorro louco, também marca os trinta anos do lançamento de outro mega clássico da história do rock brasileiro: “Vivendo e não aprendendo”, do Ira!, que é relembrado neste post especial em análise detalhada, acompanhada de entrevista EXCLUSIVA com André Jung (ex-baterista do grupo paulista) e também de lembranças zappers da época, incluindo nelas um capítulo INÉDITO do livro “Escadaria para o inferno”, que narra um encontro nos anos 90’ movido a cocaine, entre o vocalista Nasi e o jornalista rocker eternamente loker; o novo disco do Cachorro Grande (e que a banda lança com show neste finde na capital paulista) e mais isso e aquilo tudo, sempre no blog campeão quando o papo é cultura pop e rock alternativo (postão TOTAL CONCLUÍDO, em 19/8/2016)

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Há trinta anos (em agosto de 1986) o quarteto paulistano Ira! (acima, em sua formação clássica) lançava a obra-prima “Vivendo e não aprendendo”, que é analisada em detalhes neste postão do blog zapper; abaixo Zap’n’roll entrevista a banda no final de 2000’, na sede da extinta gravadora Abril Music, em São Paulo

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FINALIZANDO O POSTÃO: O FIM DAS OLIM-PIADAS, ERUNDINA BARRADA NO DEBATE, O NOVO DISCO DO MERDALLICA E O BLOGÃO ZAPPER TOTAL BOMBATOR NESTE POSTÃO (MAIS DE 400 LIKES!) CONCORRENDO AO PRÊMIO DYNAMITE

  • Yep, postão finalmente chegando ao fim, néan. E ele chega chegando ao seu final, com mais de quatrocentas curtidas em redes sociais (isso mesmo, você não leu errado). Enquanto isso, os blogs concorrentes… tadinho deles com seus micro posts diários com ZERO likes em cada um, hihi.

 

  • Fora que agora é oficial: a Zap’n’roll, após treze anos no ar, está finalmente concorrendo ao Prêmio Dynamite de Música Independente 2016, na categoria “melhor blog”. Trata-se “apenas” de uma das maiores premiações da cena independente nacional, já sendo entregue há catorze anos. Quer votar na gente? Vai aqui: http://www.premiodynamite.com.br/.

 

  • E agora que o pão e circo (leia-se: olim-PIADAS) no país total vira lata (o Brasil, claro) está chegando ao fim e os ufanistas otários esperneiam histericamente por causa de mixurucas menos de vinte medalhinhas conquistadas, vamos acordar pro choque de realidade: desemprego na casa dos 13% (o maior número da história da economia brasileira), mais de doze milhões de pessoas desempregadas. E aí? FORA TEMER!

 

  • Ah, sim: não se esquecendo que semana que vem começa o julgamento da Dilma.

 

  • A véia e ótima Luiza Erundina (a candidata do blog à prefeitura de Sampa este ano; pra vereador: André Pomba, claro!) está BARRADA nos debates eleitorais que começam a partir da próxima semana (o primeiro rola na Band, nessa segunda-feira). O motivo: ela teve sua participação VETADA pelos escrotos candidatos do PSDBosta, do PMDBosta e do Solidariedade, com base na nova lei eleitoral vigente, que pode não aceitar candidatos em debates de partidos com menos de nove deputados  no Congresso, em Brasília (o Psol, partido de Erundina, tem apenas seis deputados). Óbvio que ela poderia participar se houvesse acordo nesse sentido (o PT não se opôs que ela fosse ao debate), mas é claro que a BANDIDADA política com o cu na mão preferiu barrar a candidata que está em terceiro lugar nas pesquisas, com cerca de 10% das intenções de voto. Esse país é mesmo uma VER GO NHA.

 

  • Por fim: o velhão e cuzão Merdallica anunciou novo disco de estúdio (álbum duplo) para 18 de novembro deste ano. Vai ser o primeiro disco total inédito da banda em pelo menos oito anos. E pra antecipar o lançamento o quarteto divulgou a faixa “Hardwired”, cujo vídeo você pode conferir aí embaixo. É talvez a música mais porrada que o grupo gravou nos últimos vinte e cino anos. Mas isso não muda a opinião destas linhas rockers lokers sobre o conjunto: um bando de tiozões escrotos e miliardários, querendo pagar de barulhentos e malvados para atrair uma nova geração de ouvintes. Não vai funcionar: uma ver MERDALLICA, merdallica forever!

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O Merdallica (acima) vai lançar finalmente dsco novo e antecipou uma amostra do que vem por aí (abaixo): bando de velhotes cuzões metidos a malvados

 

  • É isso. Fim do postão, sendo que semana que vem ele volta total inédito por aqui. Até lá!

 

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Há três décadas, em 1986…

O rock BR dos 80’ experimentava um de seus auges criativos. Em abril daquele ano o trio Paralamas Do Sucesso lançou seu terceiro disco de estúdio, “Selvagem?”, considerado um divisor de águas na trajetória do conjunto (pela sua impactante e precisa combinação de ritmos brasileiros e jamaicanos com o rock’n’roll). Logo em seguida Titãs e Legião Urbana também editaram outras duas obras-primas da história do rock nacional: “Cabeça Dinossauro” (dos Titãs, que saiu em junho daquele ano) e “Dois” (da Legião Urbana, que chegou às lojas de discos um mês depois). Todos eles discos essenciais e que permanecem até hoje como obras capitais do rock brasileiro. Assim como também foi e continua sendo essencial o LP “Vivendo e não aprendendo”, o segundo álbum da carreira do quarteto paulistano Ira!, e que foi lançado oficialmente no final de agosto de 1986, um ano realmente inesquecível do grande rock BR daquela década. Por sua importância e por tudo o que representou e continua representando até os dias atuais, o segundo disco do Ira! é o destaque desta Zap’n’roll que você começa a ler agora. O blog faz uma análise detalhada do trabalho e contextualiza o dito cujo em relação a época em que foi lançado, além de mostrar sua dimensão social e política dentro do então mega efervescente rock que era feito no Brasil. São portanto três décadas desde o seu lançamento e o disco ter permanecido imune ao avançar dos anos, pois pode-se escutá-lo hoje com o mesmo e imenso prazer de trinta anos atrás. É essa atemporalidade que torna álbuns como “Vivendo e não aprendendo” uma obra eterna, extemporânea e com um estofo artístico muito superior à mediocridade que se verifica nos tempos atuais na música brasileira em geral e no nosso rock em particular. Então vamos ao novo post do blog que nunca perde o pique na cultura pop e no rock alternativo. Mesmo quando o país vive clima estúpido e ufanista por causa de jogos olímpicos (enquanto isso, nas tenebrosas reuniões políticas em Brasília, o golpe contra a democracia travestido de impeachment segue seu curso implacável), mesmo com a quase completa irrelevância e o neo conservadorismo que dominam a cultura pop e o mundo no geral nos dias atuais. Mesmo com todo esse cenário adverso continuamos aqui, ao lado do nosso dileto leitorado (seja ele jovem ou já coroa), para lembrar a ele que a humanidade já foi menos careta e muito mais criativa, nos tempos em que eram lançados discos como “Vivendo e não aprendendo”, do gigante Ira!

 

  • Bora lá! Sextona (leia-se hoje) e com ela chega o novo postão zapper. E no dia da abertura do jogos olímpicos do Rio de Janeiro. Na boa? Estas linhas online não agüentam mais ouvir falar de Olimpíada. Que ela e a “Grobo” se fodam (e enquanto isso e enquanto o país vive o clima olímpico ufanista, o golpe contra a democracia travestido de impeachment avança no senado).

 

 

  • O blog também não tá nem aí pra porra do Pokémon Go. Mais uma idiotice gigante pra distrair a massa de manobra imbecil. E com um bônus: os larápios farão a festa nas ruas, ROUBANDO os celulares dos trouxas e distraídos que estiverem exibindo seus smartphones enquanto jogam essa droga.

 

 

  • Vander Lee? Não desejamos a morte de ninguém e que ele descanse em paz. Mas na real? Era músico, compositor e letrista de terceiro escalão, tanto que nunca soltou disco por nenhum selo realmente importante. Fora que boa parte do cancioneiro composto por ele era bem brega. Assim, a morte dele não nos falou ao pau. Mas como nesses tempos de internet fútil e imbecil qualquer um se transforma em sub-celebridade quando bate as botas…

 

 

  • Libertines em Sampa: a grande notícia do dia. Ainda que a gig dos ingleses vá INFELIZMENTE acontecer dentro do MERCENÁRIO Popload Festival, dia 8 de outubro. Mercenário mesmo: há no evento a famigerada pista Premium (que sempre foi tão combatida por um dos organizadores do festival, o prezado jornalista vira-casaca Lucio Ribeiro), cujo valor do ingresso chega a 500 temers. E ainda há ingresso em camarote, que chega a custar absurdos 700 mangos. Tudo bem, vai ter Wilco também e tals, mas com o país no buraco em que está, é uma SACANAGEM sem tamanho negociar tickets por esse valor abjetamente extorsivo. Se o blog vai? Bien, Finaski assistiu a banda em 2004 no finado Free Jazz Festival. E sem Pete Doherty (que tinha acabado de sair do grupo). Foi um show beeeeem meia-boca. Agora, com Pete novamente ao lado de Carl Barat e a bordo de um disquinho bacana (o que eles lançaram no ano passado), a parada deverá ser mais interessante. Então vamos fazer um esforço e ir, COMPRANDO nosso ingresso e COLABORANDO para que mr. LR e sua sócia (a mala Paola Wescher) fiquem um pouquinho mais ricos.

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Carl Barat e Pete Doherty, dos Libertines: finalmente juntos e ao vivo em São Paulo em outubro próximo; pena que o preço dos ingressos pra ver o show seja um assalto ao bolso…

 

  • CACHORRO GRANDE NA ÁREA COM SHOW E DISCO NOVO – Yes! O já veterano quinteto gaúcho (que foi formado em Porto Alegre em 1999, e que fixou residência em Sampalândia já há muitos anos) integrado por Beto Bruno (vocais), Marcelo Gross (guitarras), Rodolfo Krieger (baixo), Gabriel Boizinho (bateria) e Pedro Pelotas (teclados) acabou de lançar esta semana seu oitavo álbum de estúdio. “Electromod”, o disco em questão, foi produzido pelo também gaucho rocker e lenda Edú K (o homem que inventou a banda DeFalla), e a sonoridade do mesmo trafega entre o rock’n’roll básico e classudo de guitarras e ambiências mais eletrônicas, em um mix que eles já haviam explorado no cd anterior (Costa do Marfim”, editado em 2014). A faixa-título título (uma porrada sonora com letra de teor político e contestatório) já circula bem em plataformas na web e a Cachorrada (todos diletos chapas destas linhas rockers virtuais) faz showzão de lançamento do trabalho HOJE, sexta-feira, lá no Cine Jóia (colado no metrô Liberdade, região central da capital paulista), em noitada rock’n’roll que ainda vai ter participação do grande Autoramas. O blog vai estar por lá e ainda vai falar novamente por aqui do novo álbum da turma, sendo que você conferir o dito cujo na íntegra aí embaixo.

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O quinteto rocker gaúcho Cachorro Grande (acima) está de volta e lança seu oitavo álbum de estúdio, que pode ser ouvido aí embaixo; a banda toca hoje à noite na capital paulista, para lançar o trabalho; abaixo o vocalista Beto Bruno ao lado de Zap’n’roll, durante a Virada Cultural de 2015

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  • Sendo que “Electromod” recolou os Cachorros na mídia novamente. A banda até estampou a capa do caderno Ilustrada, da FolhaSP, esta semana. Pena que o autor da matéria é um jornalista mega conhecido pela sua preguiça e por ser um autêntico porcão e lambão de plantão. Mas o quinteto gaúcho mereceu o espaço editorial que lhe foi dado, sem dúvida.
  • Assim como o ainda gigante Ira! continua merecendo todas as atenções do mundo também. “Vivendo e não aprendendo”, o segundo disco de estúdio do grupo paulistano e uma das obras-primas do rock BR dos 80’, completa este mês trinta anos de existência. Então é dele que nos ocupamos a partir de agora neste post, analisando o álbum em si e trazendo uma entrevista EXCLUSIVA com o ex-baterista do conjunto, André Jung, que relembra fatos daquela época inesquecível do rock’n’roll no Brasil. Vai lendo aí embaixo.

 

 

 

AGOSTO DE 1986 – O IRA! LANÇAVA “VIVENDO E NÃO APRENDENDO”, OUTRO CLÁSSICO DA HISTÓRIA DO ROCK BR

Os meses entre abril e agosto de 1986 foram capitais para a história do rock brasileiro dos anos 80’. Foi nesse período exato que foram lançadas quatro das principais obras do rock BR dos 80’: “Selvagem?”, terceiro trabalho de estúdio dos Paralamas Do Sucesso, saiu em abril; logo depois chegava às lojas (em junho) “Cabeça Dinossauro”, o álbum que levou os Titãs ao mega estrelato. Um mês depois (em julho) era a vez de “Dois”, da Legião Urbana, invadir as lojas e rádios, vendendo em pouco tempo a inacreditável marca de seicentas mil cópias. E por fim, em agosto (mais especificamente no dia 25), o quarteto paulistano Ira! também surgia com o seu segundo trabalho de inédias, “Vivendo e não aprendendo”.

Era a prova de fogo do grupo formado pelo extraordinário guitarrista e vocalista Edgard Scandurra, pelo vocalista Marcos “Nasi” Valadão, pelo baixista Ricardo Gaspa e pelo baterista André Jung. Antes desse LP o conjunto havia lançado, pela mesma gravadora Wea, um compacto em 1983 (com as faixas “Pobre Paulista” e “Gritos na multidão”) e, dois anos depois, estreou em álbum completo com “Mudança de comportamento”. O compacto vendeu timidamente e teve pouca execução em rádio. Situação que melhorou um pouco com o primeiro disco cheio e que além de possuir um ótimo repertório, ainda trouxe já algumas faixas bastante radiofônicas – como “Longe de tudo”, “Núcleo Base” e a tristonha e belíssima balada “Tolices”. Mas ainda não era o suficiente para a gravadora que, após os estouros dos álbuns dos Titãs e do Ultraje A Rigor (um ano antes, em 1985, com “Nós vamos invadir sua praia”, que também emplacou uma renca de hits nas fms e vendeu horrores), apostava no Ira! como sendo a bola da vez de seu cast rocker.

A banda, formada em 1981 pelos amigos de adolescência Edgard e Nasi, estreou naquele mesmo ano em um festival punk no teatro Tuca, mantido pela PUC paulista (numa gig a qual o autor deste blog esteve presente, em um episódio que ele descreve em detalhes mais aí embaixo, narrando também outras histórias saborosas e bizarras, vividas com a turma do grupo). Com forte influência do punkismo inglês dos 80’ e também do rock de garagem dos sixties, o Ira! tinha na figura do guitarrista Edgard Scandurra o seu ponto alto: canhoto e tocando sem inverter as cordas, ele iria se tornar nos anos seguintes um dos cinco melhores guitarristas de toda a música brasileira, além de ser compositor dos principais hits do grupo. Então juntou-se a ele um vocalista poderoso e sempre com cara de “enfezado”, além de uma seção rítmica igualmente poderosa (formada por Gaspa e Jung) e estava pronta a receita para o estouro de mais um grande grupo paulistano dos anos 80’. Era apenas questão de tempo para o Ira! chegar lá.

E esse “chegar lá” aconteceu justamente com o lançamento de “Vivendo e não aprendendo”. Era um disco que, como o próprio André Jung comenta na entrevista concedida ao blogão zapper, possuía um repertório com uma força descomunal. Ia de rocks empolgantes como “Envelheço na cidade” (que se tornou um dos muitos hinos do grupo e que é cantada até hoje nos shows em côro pelo público) a faixas de eflúvios punkster (caso de “Nas ruas”, cantada por Scandurra) e passando ainda por outras que mostravam uma sonoridade à frente de seu tempo (como “Vitrine Viva” que mixava rock de guitarras com uma levada hip hop). Porém o que tornou o disco conhecido nacionalmente e fez suas vendas dispararem foi a inclusão da canção “Flores em você” (novamente uma linda balada, e com um magnífico arrnajo de cordas) como tema de abertura da novela daquela época do horário nobre da TV Globo. Em pouco tempo o LP vendeu cerca de duzentos mil cópias e o Ira! se tornou a nova estrela do primeiro escalão do rock paulista e brasileiro.

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“Vivendo e não aprendendo”, o segundo álbum de estúdio do quarteto paulista Ira!, lançado em 25 de agosto de 1986: outro clássico gigante da história do rock BR

Daí em diante são mais de duas décadas de estrada onde aconteceu de tudo no percurso deles. Discos novamente excepcionais e com a música à frente do seu tempo (como “Psicoacústica”, editado em 1988) mas que não repetiram o êxito comercial do segundo álbum, trabalhos de ótima qualidade mas totalmente subestimados e ignorados pela mídia e pelo público (e aí os exemplos são “Clandestino”, de 1990, e “Os Meninos da Rua Paulo”, lançado um ano depois), que já estava ficando interessado em novas tendências musicais mais popularescas (como axé, pagode e música sertaneja) e assim por diante. De repente o Ira! se viu ficando obsoleto e extemporâneo no coração dos fãs e do consumidor de música. Continuava fazendo gigs demolidoras mas as vendas minguavam cada vez mais. O resultado foi a saída do conjunto do cast da Wea com o derradeiro disco editado pelo selo, “Música calma para pessoas nervosas” (de 1993). Daí em diante o quarteto perambulou por selos menores, ainda lançou um grande disco (“Isso É Amor”, apenas com covers, editado em 1999 e que foi muito bem recebido pela crítica) e quando estava à beira do abismo foi salvo pela MTV com a gravação e lançamento do “Acústico Ira!”, em 2004. Revisitando seu repertório em formato não elétrico e contando com participações especiais da nova geração rocker que despontava no país (como a cantora Pitty e o vocalista do grupo mineiro Skank, Samuel Rosa), o Ira! se reencontrou com o público e com o sucesso: o cd vendeu mais de trezentas mil cópias e recolou o quarteto no pódio dos ainda grandes vendedores do rock nacional.

Mas não por muito tempo: após lançar mais um álbum de estúdio (“Invisível Dj”, em 2007) e que teve vendagem novamente pífia, um abalo interno fez com com que o Ira! decretasse o seu fim: o vocalista Nasi entrou em briga feroz e pública com seu irmão, Ayrton Valadão Jr, que era o empresário do conjunto. Nasi abandonou a banda em meio a uma turnê, a briga dos irmãos ganhou as manchetes até no “Fantástico” da TV Globo e se encerrou então a primeira trajetória do quarteto, com sua formação clássica.

Cinco anos depois, em 2012, Nasi e Jr. voltaram a se entender. Fizeram as pazes e anunciaram que o Ira! estava retomando as atividades. Novamente com Scandurra na guitarras mas… para surpresa dos velhos fãs, sem André Jung na bateria e Gaspa no baixo, com a parte rítmica sendo ocupada por músicos convidados. A volta aos palcos enfim aconteceu na Virada Cultural da capital paulista em maio de 2014, diante de uma multidão de mais de vinte mil pessoas. E de lá para cá o grupo permanece na estrada, fazendo shows mas sem ainda anunciar algum material inédito.

Então “Vivendo e não aprendendo”, lançado há exatos trinta anos, permanece como um marco na trajetória do Ira! Um LP de um tempo em que rock’n’roll significava corpo, alma, coração, entrega total. Um trabalho cujo repertório altamente politizado encantou toda uma geração, influenciou outras bandas e entrou para a história do rock brasileiro, ao lado de alguns outros igualmente poucos gigantes. E nos tempos atuais, onde o horror cultural pop domina a molecada sem cérebro com hits como “Metralhadora” e “Tá tranqüilo, tá favorável”, é ótimo saber que o rock brasileiro já foi incrível e que já existiram bandas como o Ira! e um disco como “Vivendo e não aprendendo”. Igual a ele, nunca mais.

 

 

O TRACK LIST DE “VIVENDO E NÃO APRENDENDO”

1.”Envelheço Na Cidade”

2.”Casa De Papel”

3.”Dias de Luta”

4.”Tanto Quanto Eu”

5.”Vitrine Viva”

6.”Flores Em Você”

7.”Quinze Anos (Vivendo E Não Aprendendo)”

8.”Nas Ruas”

9.”Gritos Na Multidão”

10.”Pobre Paulista”

 

 

IRA! AÍ EMBAIXO

Em uma série de vídeos clássicos para músicas idem: “Envelheço na cidade”, “Flores em você”, “Flerte fatal” e, de quebra, o álbum “Vivendo e não aprendendo” para audição na íntegra e ainda a gravação completa do “Acústico MTV – Ira!”, lançado em 2004.

 

 

ENTREVISTA EXCLUSIVA – O EX-BATERA DO IRA! FALA AO BLOG: “A VOLTA DA BANDA É UM VILIPÊNDIO!”

André Jungmann Pinto, recifense de nascença e radicado na capital paulista desde sua infância, está com cinqüenta e cinco anos de idade. Destes dedicou pelo menos vinte e sete a tocar bateria no Ira!, onde entrou logo no início da carreira da banda em substituição ao baterista original Charles Gavin (que acabou se fixando nos Titãs). De 1983 (quando o quarteto lançou seu primeiro compacto) a 2007 (ano em que saiu o derradeiro trabalho de estúdio do grupo, “Invisível DJ”), foi André Jung quem comandou as baquetas do conjunto, em estúdio e ao vivo. Uma longa trajetória e que teve participação essencial na criação de discos clássicos como “Mudança de comportamento” (1985), “Vivendo e não aprendendo” (1986) e “Psicoacústica” (1988).

Por isso mesmo boa parte dos fãs estranhou muito quando o Ira! anunciou seu retorno em 2012 (após ficar parado durante cinco anos) mas tendo apenas o guitarrista Edgard Scandurra e o vocalista Nasi de sua formação clássica, e sem Jung na bateria e Ricardo Gaspa no baixo. Os motivos pelos quais a dupla da seção rítmica original não está no line up atual do Ira! nunca foram muito bem esclarecidos por Scandurra e Nasi e, desta forma, Zap’n’roll não se esquivou de tocar no assunto durante esta entrevista exclusiva que o blog fez com Jung esta semana e onde ele também recordou histórias saborosas vividas durante seu período na banda, em especial na época da gravação, lançamento e turnê de divulgação do segundo LP. Foi um ótimo bate-papo, mesmo porque o autor deste espaço rocker online e o músico se conhecem pessoalmente há mais de duas décadas.

Além disso André Jung segue na atividade musical. Além de ser sócio de uma marca de instrumentos de percussão, ele continua tocando em alguns projetos musicais. Mas tudo isso é assunto para a entrevista concedida ao blogão zapper, e cujos principais trechos você lê abaixo:

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André Jung, durante quase três décadas o baterista da formação clássica do Ira!: “de certa forma a volta da banda é um vilipêndio”

 

Zap’n’roll – “Vivendo e não aprendendo”, o segundo disco lançado pelo Ira! em agosto de 1986, já se tornou um clássico do rock BR dos anos 80’. E está completando trinta anos do seu lançamento. O que você se recorda da época em que ele foi gravado e da turnê de divulgação dele? Como foi o processo todo, a composição, registro das músicas em estúdio etc? Há alguma história divertida ou bizarra que é desconhecida dos fãs da banda?

 

André Jung – uma fase bastante intensa, tínhamos conseguido nos afirmar com o Mudança de Comportamento e estávamos seguros, com um repertório poderoso na manga, e um bom respaldo de crítica. Fui ao Rio e negociei pessoalmente com o Liminha para que ele fizesse a produção. Pouco depois, os Titãs fizeram o mesmo e acabaram por gravar o Cabeça Dinossauro logo antes do Ira! Isso gerou um mal estar que acabou por contaminar a gravação do Vivendo. Certo que não teríamos escolhido o Liminha se soubéssemos da história toda. A questão não era os Titãs, o que queríamos era uma abordagem mais íntima com nosso trabalho, e não mais uma obra “do produtor”. Então desandou. Começamos o disco no [estúdio carioca] Nas Nuvens, e terminamos no [estúdio] Transamérica, SP. Em São Paulo reunimos Peninha e Paulo Junqueiro, lambemos as feridas, e finalizamos o disco. Ainda teve o episódio de Pobre Paulista/Gritos na Multidão: a gravadora queria e insistia para que gravássemos [as duas faixas], o argumento era a baixa tiragem do compacto de estréia da banda e a importância das músicas. Pobre Paulista é aquela encrenca duvidosa mesmo [nota do blog: durante muitos anos o Ira! deixou de tocar essa música ao vivo pois parte da crítica musical julgava que sua letra possuía um teor algo racista, em função dos versos “Não quero ver mais essa gente feia/Não quero ver mais os ignorantes/Eu quero ver gente da minha terra/Eu quero ver gente do meu sangue”] , mas não queríamos gravar as músicas por duas razões. Não queríamos estabelecer comparações com a formação antiga. As músicas não representavam mais o momento da banda. Acabamos por conceder gravar, mas desde que fosse ao vivo. Assim conseguimos evitar que tivéssemos uma delas como música de trabalho do Vivendo… Leninha Brandão foi nossa tour manager, ela era muito bem relacionada e nós éramos encrenqueiros e emburrados. Como era um tempo ainda bastante primitivo no que tange aos equipamentos de som Brasil afora, exigimos viajar com som e luz, fazíamos um monte de shows e ganhávamos pouco, uma vez que nosso custo fixo era muito alto. A música [“Flores em você”] na [abertura] da novela (em horário nobre na TV Globo) nos deu reconhecimento nacional e passamos a viajar para o Norte e Centro Oeste também. Apesar do sucesso do disco, a relação com a Warner não melhorou. E pessoalmente não gosto da sonoridade desse disco e ele não me traz boas recordações. No entanto uma música em especial sempre me é comentada: Dias de Luta. Diversos bateristas profissionais que conheci me disseram que escolheram bateria por causa dessa música. Quando digo diversos é + de 10.

 

Zap – sim, a levada dela é bastante poderosa. E enfim, pelo visto todos esses problemas acabaram não influindo no resultado final do trabalho, visto que o disco é considerado um dos marcos da trajetória do Ira!

 

Jung – a força do repertório era descomunal.

 

Zap – E sobre a turnê que se seguiu ao lançamento do disco, alguma história curiosa? Eu fui naquele show na praça do Relógio, na USP, onde estavam umas vinte mil pessoas (na época falou-se em quarenta mil, mas hoje fazendo uma avaliação mais realista, acho que não chegou a esse número). Foi emocionante…

 

Jung – acho que pode ter passado de 20.000, mas 40 é muito mesmo, foi um show muito foda. Fizemos um puta evento na faixa pra geral. Botamos o Violeta de Outono e o Vultos pra abrir. Paula Toller, Renato Russo e outros vieram pra ver. Paulo Junqueiro na mesa de som, ameaça de chuva direto, aí acabaram os shows de abertura e o Gaspa nada. Os roadies afinaram e aprontaram a bagaça e o Gaspa nada. Aí quando já estava pegando a demora o Gaspa aparece pelo meio do povo, chegou subiu e foi tocar,nem viu o camarim.

 

Zap – Ahahahahahaha, e onde ele estava, afinal?

 

Jung – vacilando por aí.

 

Zap – rsrs, certo. Eu me lembro que fiquei no backstage e consegui ver parte do show na lateral do palco, em cima dele, mas a assessora de imprensa da Wea na época, a Marildinha Vieira, não me dava sossego, rsrs – sendo que eu e ela somos amigos até hoje, hehe. Bien, depois do sucesso do disco a gravadora apostou alto na banda, certo? E aí vocês voltaram dois anos depois com um disco estranhíssimo para a época, o “Psicoacústica”, que no entanto hoje também é considerado como outro marco da carreira do Ira! e cuja sonoridade estava muito à frente do tempo em que ele foi lançado. Mas ele vendeu bem menos do que o “Vivendo…”, né?

 

Jung – muito menos, foi uma ducha fria na gravadora. Havia um consenso que depois de Ultraje e Titãs era a vez do Ira! estourar a boca do balão.

 

Zap – E como vocês lidaram com essa situação? Por que, na sua opinião, o disco vendeu muito menos que o anterior? Vocês quiseram mesmo que “Psicoacústica” tivesse aquela sonoridade mais complexa e não tão comercial e radiofônica?

 

Jung – nós não queríamos fazer esse papel, não éramos mainstream o suficiente para lidar com a farofada geral, também tínhamos nossa própria dinâmica interna. A via Mod estava esgotada, eu e o vocalista só ouvíamos hip-hop, que entendíamos ser o “new” punk. Edgard ainda estava bastante preso ao modelo sixties e com essa dicotomia instalada entramos em estúdio e gravamos um disco conceitual, auto-produzido, experimental e democrático, que vendeu pouco e fez história.

 

Zap – E daí para a frente, infelizmente, é o que todos nós sabemos: o Ira! entrou em curva descendente e, embora tenha lançado ainda ótimos discos (como “Meninos da Rua Paulo”, de 1991, um dos trabalhos mais subestimados da banda na minha modesta opinião), nunca mais conseguiu obter vendagens expressivas. Algo que só foi mudar com o lançamento do “Acústico MTV” em 2004, quando o grupo novamente se reencontrou com o grande público e voltou a vender muitos discos. Desta forma, quais as lembranças que você tem desse longo período de “baixa” em termos comerciais para o grupo, e que durou mais ou menos de 1990 até o ressurgimento midiático e de vendas em 2004?

 

Jung – a volta foi progressiva, começou com Isso é Amor, um disco lindo de versões. Esse disco nos colocou de volta no radar, depois fizemos o “Ao Vivo MTV”, que deu disco de ouro, fizemos o Rock’n Rio com muito sucesso e quando fizemos o Acústico foi consagração.

 

Zap – Sim, claro. Me recordo que, mesmo não vendendo muito, o grupo nunca deixou de fazer shows e estes sempre lotavam. No entanto, após o novo mega sucesso comercial com o “Acústico” e a turnê que se seguiu a ele, vocês novamente lançaram mais dois trabalhos que não obtiveram vendas expressivas. E finalmente houve o “racha” entre Nasi e seu irmão (que era empresário da banda), pondo fim ao Ira! O que você tem a dizer desse período?

 

Jung – o sucesso subiu a cabeça. Muitas solicitações, bajulações, tapinha nas costas e mão na maçaneta, aí nego começa a se achar. Foram tempos em que não existia mais o espírito, gravamos um disco apenas depois, Invisível DJ. Com boas idéias, num corpo sem alma.

 

Zap – Verdade, “Entre seus rins” foi lançado em 2001. E “Invisível DJ” não teve repercussão alguma. Veio a briga entre os irmãos Valadão e o fim do quarteto. Um episódio bastante explorado midiaticamente na época. Mesmo assim, com toda a imprensa noticiando o fato, há algo relacionado a essa briga que não chegou ao conhecimento do público e que você, ainda baterista da banda, tenha guardado em segredo esses anos todos?

 

Jung – cara, o final do Ira! foi muito sofrido para mim, para quem vê de fora as coisas são movidas pelas aparências, dividíamos papéis numa equação construída por convivência, limitações e qualidades de cada um. Grande público, mídia, querem espetáculo, e no fundo o problema é íntimo, não é porque alguém está promovendo agressões com estardalhaço que a real dimensão de uma ruptura como essa é percebida, ela é íntima, então desde o final do Ira! fui tirando o Ira! de mim e hoje sou grato ao destino. Demorou para que eu conseguisse ouvir uma música do Ira!, hoje às vezes escuto um disco inteiro. Foram muitos e não lembro direito, me dá uma boa sensação. Dever cumprido.

 

Zap – o que nos leva ao momento presente, com a volta da banda mas apenas com Nasi e Edgard Scandurra da formação clássica, e sem você e o baixista Gaspa. O que você, como ex-integrante do conjunto, tem a dizer sobre a volta dele? Por que você e Gaspa não foram incluídos nesse comeback, afinal?

 

Jung – não falo pelo Gaspa, não sei o que rolou com ele. Edgard me sondou e eu não tive interesse em tentar. Acho que esse projeto, (acho que é um projeto), poderia se chamar Ira, como a banda foi batizada em sua fase inicial, ou mesmo fazer com Page & Plant,

Zap – por que não teve? Você provavelmente estaria ganhando um ótimo dinheiro agora, rsrs.

 

Jung – dinheiro? Minha banda era a mais foda que tinha, porque o assunto não era dinheiro. Entre outras qualidades eu fui Ira! de corpo e alma.

 

Zap – com certeza. Mas você tocou bateria nela por quase três décadas. Mesmo não tendo sido o baterista original (antes de Jung, Charles Gavin, ex-Titãs, chegou a ocupar o posto no Ira!), você e Gaspa também se tornaram marca registrada do line up do quarteto. Não soa estranho a parte dos fãs que um retorno do Ira! não inclua vocês dois na formação?

 

Jung – claro que soa, de certa forma é um vilipêndio.

 

Zap – e olhando por esse aspecto, não teria sido melhor você ter aceito a “sondagem” do Scandurra e estar tocando com eles? Ou há alguma rusga entre você e a dupla de frente da banda?

 

Jung – Edgard é alguém da minha família, que hoje está distante, o outro não sei mais quem é.

 

Zap – há alguma rusga entre você e Nasi? Foi ele que não quis sua presença na volta do grupo?

 

Jung – eu nunca quis voltar pro grupo.

 

Zap – certo. Mas (e me perdoe a insistência) pela forma como você respondeu sobre Nasi, a impressão é que rolou algum desentendimento entre você e ele.

 

Jung – Humberto, essa história é antiga, já passou.

 

Zap – mas creio que os leitores gostariam de saber dela. Porém se você não quiser falar sobre, tudo bem.

 

Jung – houve muito desentendimento naquela separação, eu não fui poupado, não quero remexer no que deve ficar pra trás.

 

Zap – Ok. Buenas, já temos um ótimo material. E para encerrar, duas questões: o que você anda fazendo atualmente em termos musicais? E por fim, você tocou bateria durante quase trinta anos em uma banda que pertenceu à geração 80’, aquela que é considerada como uma das grandes gerações de toda a história do rock BR, pela importância que ela teve na questão social, política e artística e por todos os discos clássicos que foram lançados naquela época. Dessa forma como você vê o rock que é feito hoje no Brasil? Não há um abismo infinito, qualitativamente falando, entre o que já feito no rock brasileiro de ontem e de hoje?

 

Jung – acho que a geração 80 teve méritos, mas ela é super dimensionada, o rock dos 70 teve bandas incríveis. Anyway hoje o maistream está desastroso e o rock não tem força, nem apelo para furar a maçaroca de mediocridade que entope os veículos tradicionais. Hoje os anos 80’ parecem aqueles anos que não querem acabar. Depois do fim do Ira! recuperei um tesão pela música que estava submerso nas intrigas do dia a dia. Anos atrás fiz uma banda chamada F.A.U.T.

 

Zap – muito bom. E continua com ela? Parece que você se tornou sócio de uma marca conhecida de instrumentos de percussão…

 

Jung – sim, da PBR, empresa que importa a marca Pearl. Essa banda acabou, estou montado um projeto com uma rapaziada bacana e em breve mostramos algo. Também toco na Banda Performática, e nos Desconstrutores, ambos em parceria com Aguilar e Rick Villas Boas.

 

Zap – Ótimo. E pra FECHAR mesmo a entrevista, a pergunta que não pode faltar: seu álbum favorito do Ira!

 

Jung – pode falar mais de um? Mudança de Comportamento, Psicoacústica e Acústico MTV. São esses.

 

 

OS ANOS 80’ E 90’ E O BLOGGER LOKER NA VIDA LOKA, CONVIVENDO COM A TURMA DO IRA!

  • A gênese do grupo Ira! está em um colégio estadual da capital paulista, chamado Brasílio Machado. Localizado até hoje na rua Afonso Celso, no bairro da Vila Mariana (zona sul da cidade), era lá que faziam o ensino fundamental os amigos Edgard Scandurra e Marcos Valadão – futuros guitarrista e vocalista da banda. E também era lá que estudava o “pimpolho” aborrescente Finatti (uia!), na sétima série do ensino fundamental. Foi nessa época que o autor destas linhas bloggers rockers conheceu a dupla que anos depois iria formar o Ira! O ensino fundamental foi concluído por todos e cada um foi pra uma turma diferente no ensino médio. Finaski perdeu a partir daí contato com os dois e não os viu mais. Foi reencontrar a dupla em 1981, num festival punk que estava sendo realizado no teatro Tuca (da PUC/SP). Zap’n’roll era então um jovem “dirty punk” e já conhecia a banda Ira! de “ouvir falar dos caras”. Foi assistir ao show dela na PUC e levou um susto quando viu Scandurra e Marcos (agora já sendo chamado de “Nasi”) à frente do conjunto, no palco. Daí em diante não perdeu mais os passos do Ira!, que lançaria seu primeiro compacto em 1983. Três anos depois e quando o conjunto iria lançar seu clássico segundo álbum de estúdio, o zapper também estreava como jornalista profissional, na revista Rock Stars, em maio de 1986.

 

 

  • Daí em diante são três décadas de jornalismo rock’n’roll e loucuras ao som do Ira! (além de um certo convívio com a turma). O primeiro grande show da banda visto pelo jovem repórter foi aquele em que eles tocaram na praça do relógio da USP, em fins de 1986, para lançar “Vivendo e não aprendendo”. Tendo os grupos alternativos Vultos e Violeta De Outono na abertura, o Ira! arrastou uma multidão de mais de vinte mil pessoas para a gig, que foi sensacional e enfurecida. Uma tarde rocker inesquecível (e como não se faz mais hoje em dia) e que foi documentada pelo autor destas linhas online em uma matéria de quatro páginas intitulada “Rock In USP”, e publicada na edição inaugural da revista Zorra (que era especializada apenas em rock nacional e infelizmente durou apenas três edições), no início de 1987.

 

 

  • De 1988 até a metade dos anos 90’ o já então conhecido jornalista rocker (e já bem loker, por conta de seu sempre exagerado consumo de cocaine nos shows, festas e baladas noturnas que freqüentava) assistiu a zilhões de gigs do Ira! Algumas das mais memoráveis aconteceram na extinta danceteria Dama Xoc (onde o blogger maloker também cansou de ver ao vivo Barão Vermelho, 365, Inocentes e até o RPM, além de também ter presenciado shows inesquecíveis dos Ramones e dos ingleses do New Model Army), onde Zap’n’roll literalmente se jogava no chão ao som do quarteto de Edgard, Nasi, Gaspa e André. Bons tempos que não voltam mais…

 

 

  • E em 1993, quando a banda estava no final de seu contrato com a gravadora Wea, e estava lançando pelo selo o disco “Música calma para pessoas nervosas” (que vendeu menos de três mil cópias, um desastre para quem já havia conseguido disco de platina com o segundo LP), houve a célebre entrevista NÃO feita pelo repórter loki no sobrado onde morava o vocalista Nasi, no bairro de Pinheiros. Uma NÃO entrevista detonada por uma MONTANHA de pó, claro, hihihi. Mas isso está melhor explicado mais aí embaixo, onde o blog publica um capítulo inédito do livro “Escadaria para o inferno”, o que narra em detalhes a história da entrevista que acabou se transformando em samba do crioulo doido, uia!

 

 

  • O repórter Finaski seguiu acompanhando o Ira! de perto, mesmo nos períodos de baixa do conjunto. Até que houve o convite da MTV para que o grupo gravasse seu “acústico”. O disco marcou o reencontro da banda com o sucesso. E o autor destas linhas zappers esteve lá, na gravação do programa.

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Zap’n’roll “cercado”por Edgard Scandurra e Nasi no camarim do Ira!, após show da banda no Audio Club/SP, no final de 2014

 

  • Veio a briga infernal entre os irmãos Valadão (Nasi e Ayrton) e o fim do Ira! Em 2012, a reconciliação e a volta, sem Gaspa e André Jung. A reestréia nos palcos aconteceu na Virada Cultural da capital paulista em 2014, no centro da cidade e diante de uma multidão de mais de vinte mil pessoas. O  blog estava lá. Assim como também esteve em mais outras duas gigs deste comeback do Ira!: em uma noite no auditório (lotado) do SESC Vila Mariana e, tempos depois, na casa noturna Audio Club. No SESC, após o final da gig, se dá o seguinte diálogo hilário entre os velhos conhecidos Finaski e Nasi (ele, munido de um copo de whisky): “estou finalizando meu livro de memórias e vou contar aquele episódio em que nos entupimos de farinha na sua casa, em 1993. Sem problema?”, pergunta o jornalista, dando um riso maroto. Nasi: “sem problema. Tudo o que eu tinhha que falar da minha vida eu também já falei no meu livro. Aliás Finatti, com QUANTOS PROCESSOS você já está nas costas?”. O blogger, espantado: “Eu??? Que eu saiba, apenas um, rsrs”.

 

 

  • Atualmente o grupo está em turnê apenas com Edgard, Nasi e Daniel (filho do guitarrista), fazendo releituras novamente acústicas do seu repertório. O título da turnê: “Ira! Folk”.

 

 

  • E muitos fãs consideram a arte da capa de “Vivendo e não aprendendo” como um dos pontos altos da trajetória do quarteto também na questão gráfica. Quem fez as pinturas para a capa do disco na época foram os artistas Dora Longo Bahia, Ana Ciça, Paulo Monteiro e Camila Trajber.

 

 

  • Quem tiver curiosidade em conhecer o projeto FAUT, do baterista André Jung, basta ir no vídeo aí embaixo.

 

EXCLUSIVO! CAPÍTULO INÉDITO DO LIVRO “ESCADARIA PARA O INFERNO”, COM AS MEMÓRIAS JUNKIES DO JORNALISTA GONZO ZAPPER, AQUI NARRANDO O DIA EM QUE ELE ENTREVISTOU O VOCALISTA NASI ASPIRANDO UMA MONTANHA DE COCAINE, UIA!

 

Capítulo 4 –“Farinhada” boa na casa do vocalista do Ira!

 

Eu sempre gostei muuuuuito do Ira! Além de sempre ter sido amigo dos caras, considero a banda mega digna e um dos grandes nomes do rock paulistano e brasileiro dos anos 80’. Fora que Egard Scandurra é um autêntico monstro das seis cordas. Se você nunca viu o sujeito debulhando sua guitarra ao vivo, em cima de um palco, ainda não viu nada. E com um detalhe: ele é canhoto, e não toca com as cordas invertidas, como Hendrix também não tocava e tal. Se juntarmos uns dez ótimos guitarristas destros, ainda assim eles não conseguirão tocar o que Edgard toca sozinho, sério.

Foi emocionante rever a banda em cima do palco, após sete anos de separação (por conta de brigas do vocalista Nasi com seu irmão, o Jr., que também era empresário do grupo, e que voltou a ser novamente agora que a paz foi selada entre eles e o conjunto finalmente voltou à ativa). Diante de um público de cerca de 30 mil pessoas, o Ira! abriu a edição 2014 da Virada Cultural da cidade de São Paulo em maio daquele ano, e causou emoção e comoção nos velhos e novos fãs ao desfilar todos aqueles clássicos inesquecíveis (“Longe de Tudo”, “Núcleo Base”, “Tolices”, “Tarde Vazia”, “Gritos na Multidão”, “Rubro Zorro”, “Flerte Fatal”, “Nas Ruas” etc, etc, etc.). Agora a banda segue em turnê, percorrendo o Brasil de Norte a Sul durante quase dois anos e fazendo mais de 200 shows.

Mas eu conheço Nasi e Scandurra pessoalmente há milênios. Presenciei o nascimento do Ira! em 1981, vi eles chegarem ao auge em 1986 (com o segundo álbum, “Vivendo e não aprendendo”, que naquela época, empurrado pela música “Flores em Você” que havia sido escolhida como tema de abertura da novela das 9 da tv Globo, vendeu quase 300 mil cópias) e também acompanhei a decadência (injusta) do quarteto (que além de Nasi e Edgard tinha o baixista Gaspa e o batera André Jung, sendo que os dois últimos não estão na formação que voltou agora aos palcos): em 1993, uma década depois de seu nascimento, o Ira! ainda fazia ótimo rock’n’roll mas sua música tinha sido “atropelada” por grupos mais novos e instigantes aos ouvidos da molecada (como Skank, Planet Hemp e Chico Science & Nação Zumbi, além dos Raimundo que logo menos também iriam estourar no país todo), além de ter sido tirado do foco da mídia, que queria saber de nojeiras ao estilo pagode de corno paulistano e axé burrão baiano.

Foi esse Ira! então (já considerado irrelevante pela indústria fonográfica e perdendo público dia a dia) que eu, com meus trinta anos de idade, colaborando com a Interview e escrevendo para a revista Dynamite, me deparei quando a gravadora Warner mandou para a jornalistada o álbum “Música calma para pessoas nervosas”, que estava saindo no final daquele ano. Era o último disco do contrato do conjunto com a gravadora, que não fez absolutamente nada por ele: mandou o suplemento obrigatório para divulgação na imprensa e sequer trabalhou alguma faixa em rádio ou televisão. O resultado foi mais do que óbvio: um fracasso total de vendas – dados oficiais da época indicaram que o disco não chegou a vender duas mil cópias. Isso para uma banda que sete anos antes havia chegado a ganhar disco duplo de ouro.

FINATTINASI2014

Nasi e Finaski, uma dupla de chapas há mais de trinta anos: “Finatti, quantos processos você já tem nas costas?”. Ahahahahaha.

Mas nem por isso o Ira! deixou de continuar merecendo minha admiração, respeito, amor e carinho. Foi então que, com o disco em mãos, eu propus uma matéria com eles para a Dyamite. Mr. André Pomba, nosso eterno “editador”, topou no ato. Eu, já velho chapa dos caras, não tive dificuldades em marcar um bate-papo com o Nasi na casa dele, numa tarde qualquer daquele mês de novembro. A redação da Dynamite naquela época ficava na rua dos Pinheiros, na zona oeste de Sampa. Nasi morava não muito longe dali, num sobrado próximo à avenida Francisco Morato e também próximo ao campus da USP. Quando eu estava pronto pra cumprir minha missão e partir rumo à casa do vocalista do Ira!, liguei pra ele pra dizer que estava indo. Nasi: “Cola aí! Ow, você consegue me trazer um baseado? Eu tô a fim de fumar e estou sem aqui em casa…”. Eu: “poutz, também tô sem. Não fumo muito, você sabe. Eu gosto mais é de dar umas narigadas, hehe”. Ele: “Verdade. Bom, vem pra cá que inclusive tenho uma surpresa pra você!”.

Eu fui. E logo que cheguei Nasi me recebeu com a simpatia de sempre, me levando pro andar de cima do sobrado. Fomos fazer a entrevista num dos quartos, onde uma pilha fantástica de discos de vinil se escorava nas paredes. E antes que eu ligasse o gravador para fazer a entrevista, ele disse: “lembra da surpresa que te falei?”. Ato contínuo puxou debaixo da cama um prato onde havia um autêntico monte Everest de cocaína. Eu olhei aquilo e não acreditei. Meu coração disparou enquanto ele esticava duas carreiras beeeeem gordas para serem aspiradas. Mandei a minha imediatamente. O pó era bonzão. A entrevista começou a ir por água abaixo exatamente ali.

Cerca de uma hora e meia depois (mais ou menos isso, meu senso de tempo e espaço àquela altura já tinha ido pra casa do caralho) nenhum dos dois se entendia mais nas perguntas e respostas, totalmente malucas e sem nexo algum. A dupla, bicudaça, também não aguentava mais cheirar. A entrevista havia se transformado em um autêntico samba do crioulo doido (fui ter certeza disso quando ouvi a fita em casa, no dia seguinte). Saí da residência de mr. Marcos Valadão (o nome real dele) quando o dia estava indo embora e a penumbra se desenhava e caía sobre os prédios e o poluído rio Pinheiros. Saí daquele sobrado parecendo um robozinho, andando como um Robocop pelas ruas do bairro. Não via a hora de chegar no centro (eu ainda morava na avenida 9 de julho, no apartamento do Felipe). E claaaaaro que não consegui aproveitar absolutamente nada do que estava gravado na fita da entrevista. Mas a matéria acabou saindo na Dynamite – em forma de resenha bem extensa do disco. Pelo menos isso, para uma banda que sempre mereceu e vai continuar merecendo muito mais do jornalista loker.

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

  • Disco, I: “Vivendo e não aprendendo”, o clássico imbatível lançado pelo grupo Ira! em 1986.
  • Disco, II: e quando você, já sem esperança alguma, acha que o rock independente brazuca chegou ao fim da sua história e estrada, eis que… wooooow! Surge, diretamente de João Pessoa, na Paraíba (isso mesmo que você leu: na capital da Paraíba) o trio Augustine Azul. Nunca tinha ouvido falar? Nem o blog zapper também, que descobriu a banda essa semana (falha nossa, assumimos) ao ler um texto sobre ela no Facebook (publicado pelo chapa Eduardo Roberto). Bão, e o que é o Augustine Azul? Simplesmente o MELHOR trio instrumental que estas linhas zappers escutam no rock brasileiro em muitos anos. A banda (formada pelo guitarrista João Yor, pelo baixista Jonathan Beltrão e pelo baterista Edgard Moreira) surgiu em 2014 e lançou até o momento um EP e este absurdamente incrível cd intitulado “Lombramorfose”, com seis faixas longas e menos de meia hora de som. Mas o suficiente para o grupo demonstrar a MONSTRUOSA qualidade sonora que possui, com a trinca compondo peças instrumentais que trafegam harmoniosa e espetacularmente por stoner rock, prog rock (sem a chatice habitual que contamina o gênero) e algo de psicodelia. E salta aos ouvidos de quem ouve as faixas como a cama sonora é construída com perfeição absoluta, com espaços para improvisos e solos tanto da guitarra como do baixo, com uma fluidez sonora impressionante e que não cansa jamais quem escuta. Pelo contrário: a cada nova audição o prazer de ouvir a guitarra tecendo melodias, riffs e solos envolventes e a seção rítmica dando um show à parte, só aumenta. É como se o três músicos do Augustine estivessem em uma jam interminável, complexa mas que possui foco e conexão definida entre os instrumentos – algo que faltava por vezes ao já veterano (e quase extinto) Macaco Bong, que também possuía músicos excelentes mas cujas músicas por vezes pareciam perder o controle melódico e harmônico, para se transformar em uma maçaroca sônica movida a maconha, rsrs. Resumindo: “Lombramorfose” (que já saiu nos EUA pelo selo More Fuzz Records) já tem o voto do blog para DISCO DO ANO no rock nacional em 2016. Podem acreditar: um MONSTRO (no melhor sentido do termo) está nascendo na Paraíba. E ele se chama Augustine Azul, sendo que você pode saber mais sobre a trinca aqui: https://www.facebook.com/AugustineAzul/. E ouvir o disco inteiro aqui: http://augustineazul.bandcamp.com/album/lombramorfose.

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O trio rock instrumental paraibano Augustine Azul (acima) e a capa do seu primeiro álbum (abaixo): stoner prog rock fodão e já sério candidato a melhor disco do rock BR em 2016

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  • Baladas no finde: ufa! Blogão tendo o postão finalmente encerrado, néan. E na boa, o finde tá meio assim com poucas opções realmente bacanas pra você curtir no circuito alternativo de Sampalândia. De modos que hoje, sextona em si, a pedida é ir tomar umas brejas no Outs Pub (na rua Augusta, colado no clube Outs), antes de cair no open bar em si do próprio Outs, rsrs.///Sabadão? Tem a estréia da festa Interzone Rock Party, comandada pelo queridão agitador cultural Adriano Pacianotto. Vão rolar shows ao vivo e DJ sets bacanudas, tudo lá na rua Padre João, 522, Penha, zona leste de Sampa. Bora lá! E é isso, sendo que na semana que vem o sabadão vai ferver com gigs do velho Metrô e do trio blues/rock do jornalista e músico Ayrton Mugnaini. Mas isso contamos melhor na… semana que vem, rsrs.

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FIM, ENFIM

E demorou dessa vez, fato. Mas é que o postão lindão e bombator (mais de quatrocentos likes!) sobre o Ira! ficou tão bacana que resolvemos deixar ele o mês inteiro de agosto no ar. Então colaê na semana que vem novamente que aí deverá ter novo post no blog campeão em cultura pop.

Até lá!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 19/8/2016, às 18hs.)

Como recordar é sempre mesmo viver (ulalá!), o blog comenta os trinta anos de dois álbuns GIGANTES da história do rock brasileiro dos anos 80’: as estreias do Ira! e da Plebe Rude (e de quebra, histórias como sempre cabulosas de duergas envolvendo o zapper loker ao som dessas bandas); o velho e genial Neil Young volta à boa forma em seu novo disco; bons sons indies vindos do Norte brazuca; edição ESPECIAL das nossas sempre total delicious musas rockers, com uma seleção de algumas das gatas mais incríveis que já apareceram no tópico; e mais as indicações culturais da próxima semana e os agitos no circuito rocker underground paulistano (postão finalmente concluído com ampliação MONSTRO: indicações de discos, livros e o roteiro de baladas legais para esta semana no circuito alternativo de Sampa!) (ampliação final em 1/7/2015)

Duas bandas gigantes do rock BR dos anos 80’ e seus fundamentais discos de estréia, lançados há exatos trinta anos (e relembrados e comentados neste post): o paulistano Ira! (acima) e o brasiliense Plebe Rude (abaixo) deixaram um legado difícil de ser batido pela atual geração do rock nacional, onde não surgem mais grandes músicos e cantores como Edgard Scandurra e Nasi (ambos do Ira!), velhos amigos de Zap’n’roll (também abaixo)

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EXTRINHAS RAPIDÕES FECHANDO A TAMPA DE UM POST GIGANTESCO

* Yeah. O post enfim chega ao fim já na quarta-feira da primeira semana do mês de julho. Ontem (terça), a Câmara dos Deputados em Brasília rejeitou a proposta de mudança na Constituição que reduzia a maioridade penal para dezesseis anos de idade. Okays. Pelo menos algo SENSATO esse bando de bandidos e pilantras fez pelo país.

 

 

* E Glastonbury 2015 terminou no último domingo assim: Roger Daltrey e Pete Townshend dando sangue no palco. Os dois estão jurássicos, carecas, caindo aos pedaços. Mas ambos (ou o que resta do glorioso The Who) levantaram cem mil pessoas ao som desse hino aí no vídeo. Infelizmente nós, aqui no bananão do cu do mundo, não iremos ver isso ao vivo. E sério, o blog gostaria de ver…

 

 

* É isso. Semana que vem novo postão na área. Até lá!

 

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Clássicos imortais do rock BR que importa.

Eles foram lançados há trinta anos e permanecem relevantes até hoje. Aliás, sua importância e dimensão se tornam ainda mais gigantescas em um tempo onde a música se tornou praticamente perfumaria, quase mero acessório e fundo sonoro para as mais banais e diversas atividades do cotidiano humano. Afinal em um mundo dominado por internet, por musica de péssima qualidade circulando aos milhões pela web, por redes sociais (como o Facebook) e aplicativos de celular (como o detestável whats app) que nada mais fazem do que contribuir para o emburrecimento e a imbecilização completa de hordas cada vez maiores de pessoas ignorantes e bestiais ao extremo, quem se importa com questões como composição, melodia, harmonia, arranjos e letras que provoquem profunda reflexão social, política e comportamental? É um mundo cruel o de hoje, dominado pela idiotização em massa (e isso com tanta informação disponível…) e o rock’n’rol que se faz atualmente, seja aqui ou na gringa, é o reflexo direto dessa idiotização. Mas nem sempre foi assim, felizmente. E estão aí discos como “Mudança de comportamento”, do grupo paulistano Ira!, e “O concreto já rachou”, do brasiliense Plebe Rude, ambos lançados há exatos trinta anos, em 1985 –  ano inclusive que também viu chegar ao mercado fonográfico nacional trabalhos essenciais como “Revoluções por minuto” (do RPM de Paulo Ricardo), e “Nós vamos invadir a sua praia” (do Ultraje A Rigor), e que serão igualmente comentados em Zap’n’roll em posts futuros – para mostrar isso. Eram outros tempos. Não havia a facilidade de acesso à informação que se tem hoje, e era preciso correr atrás dela. Não havia internet, redes sociais, celulares, nada disso. E a molecada ainda tinha prazer em se dedicar a ler ótimos livros, ouvir grandes discos de vinil, assistir a filmes clássicos. Todo esse ambiente bastante erudito (mesmo dentro da cultura pop) e ainda aliado ao fato de que o país estava saindo de um longo período de um regime político duro e fechado (e que limitava ao máximo possível os direitos individuais e civis), proporcionou um estimulo grandioso à alta criação artística em seus mais diversos segmentos (música, literatura, cinema, teatro, artes plásticas). E  o rock’n’roll de então acompanhou esse processo com grandes bandas se formando e lançado discos que se tornariam momentos fundamentais de toda a história da música brasileira. A Legião Urbana, também de Brasília, já havia estreado em vinil no final de 1984 com um trabalho irrepreensível. E meses depois era a vez do Ira! e da Plebe chegarem com registros que permanecem até hoje como marcos sólidos e essenciais de um rock que tinha o que cantar e que levava o ouvinte ao questionamento e à reflexão. Então nada mais justo do que o blog comentar e esmiuçar esses dois momentos inesquecíveis do rock nacional neste post que começa agora. E ainda mais em tempos em que nada digno de nota está sendo lançado aqui ou lá fora (com a possível exceção do novo disco do velho e genial Neil Young, programado para sair oficialmente na semana que vem, mas que já “despencou” na internet). Portanto vamos lá, fazer uma agradável viagem de volta ao passado. Bem-vindos a 1985, o ano em que o rock brasileiro se tornou gigante de verdade e legou para a posteridade dois de seus maiores clássicos em todos os tempos.

 

 

* E a semana termina (o postão está entrando no ar no final da tarde de sábado, 27 de junho) sim com duas notícias impactantes mas fora do mondo pop/rock. E que demonstram o quão estranho e bestial (por um lado) o mundo se tornou. Enquanto  nos Estados Unidos a Suprema Corte de Justiça americana legalizou o casamento gay em todo o território dos EUA, na Tunísia e no Kwait atentados terroristas praticados pelo sanguinário Estado Islâmico mataram quase setenta pessoas, além de deixar centenas de feridos.

 

* A leitura dos dois episódios é claríssima. Você pode não ter a menor simpatia pelos Estados Unidos e por seu povo (de fato o americano médio é bastante estúpido, além de conservador e racista). Mas a democracia LÁ é muito mais aperfeiçoada do que a brasileira, quanto a isso não resta a menor dúvida. E a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo pela Suprema Corte mostra isso.

 

 

* Já do outro lado do planeta, no Oriente Médio, as trevas bestiais infelizmente dominam a maioria do pensamento humano, o que permite o surgimento de grupos de grupos terroristas assassinos e radicais como o Estado Islâmico. E infelizmente, ao que parece, o destino da humanidade é assistir daqui pra fretnte ao aprofundamento dessa aparentemente intransponível dicotomia social/comportamental: o respeito total ao ser humano em todos os aspectos possíveis de um lado, e um igualmente total desrespeito por outro, onde matar alguém é algo tão comum e banal quanto beber um copo de água. E assim seguiremos caminhando, infelizmente.

 

 

* Agora bizarro mesmo é a rede social reacionária e nazista que é o Facebook, querer surfar na onda da decisão tomada pela Suprema Corte dos EUA, e dar aos seus usuários a opção de eles “adornarem” suas fotos de perfil com as cores do arco-íris e que são o símbolo mundial da luta pela diversidade sexual. E ainda pior é ver milhões de manés embarcando nessa onda. Oportunismo é isso aí e a gente encontra nos domínios do FB, uia!

 

 

* Resumo rápido e ligeiríssimo da edição 2015 da Virada Cultural paulistana, que rolou no último finde em Sampa: muuuuuito menos público do que em 2014 (e os motivos para isso foram evidentes: programação ruim e o frio da madrugada já invernal, que deixou com ares de deserto boa parte da região central da cidade). O lado positivo disso? Muito menos tumulto e violência também, com policiamento reforçado e que proporcionou um clima de maior segurança a quem se aventurou pelo centro na noite de sábado pra domingo. O blog esteve no palco Rio Branco, onde acompanhou a gig do Cachorro Grande, das duas às três da matina. O público foi enorme e o jornalista zapper assistiu ao set (fodão como sempre) do palco e depois foi beber no camarim com a Cachorrada, velhos amigos destas linhas online. E depois nos mandamos pro Astronete no baixo Augusta, pois não havia mais nada interessante pra se ver/ouvir nos palcos da Virada – ao menos de madrugada.

 O jornalista loker/rocker e o chapa Beto Bruno, logo após o showzaço do Cachorro Grande na Virada Cultural 2015

 

*Resumo rapidão e ligeirão do show do ex-guitarrista dos Smiths e gênio Jhonny Marr, que rolou no final da noite de domingo no Memorial da América Latina em Sampa, dentro do festival Cultura Inglesa: ele “apenas” mostrou porque foi um dos nomes fundamentais da história recente do rock’n’roll, e também porque tocou naquela que é uma das cinco bandas da vida do autor destas linhas virtuais rockers. Performance impecável, momento “olhos total marejados” em “There’s A Light That Never Goes Out” e, de bônus, o rapaz está cantando muito bem pra quem era “só” o guitarrista do grupo onde Morrissey um dia foi vocalista. Que Johnny retorne mais vezes ao Brasil, sendo que alguns momentos do showzão você pode conferir nos vídeos aí embaixo.

 

* E já está rolando neste finde na Inglaterra aquele que é considerado o maior festival de música (rock incluso) do mundo. Yep, o gigante Glastonbury, em sua edição 2015, parece estar sofrendo do mesmo mal que se abate sobre outros eventos semelhantes pelo mundo afora, como o brazuca Rock In Rio e o americano Coachella: a dificuldade em montar um line up que não tenha nomes repetidos em edições anteriores ou que sejam “arroz-de-festa” nos festivais ao redor do planeta. Mas com o mondo pop/rock carente de renovação de grupos que realmente se destaquem, a situação fica realmente complicada. Vai daí que o Glasto deste ano tem como headliners o Foo Fighters (já velho freguês do Brasil, sendo que a banda teve que cancelar sua gig em Glasto na última hora, devido ao acidente sofrido por Dave Grohl em um show, semanas atrás), o rapper Kanye West e o velhaço The Who, os três puxando centenas de atrações pra todos os gostos. Do já velho britpop de Suede, passando pelo dream pop sempre onírico e bacana do Belle & Sebastian (e que irá tocar em Sampa em outubro) e chegando à nova sensação que é o Wolf Alice, Glastonbury vai tentando se manter a duras penas como o MAIOR dos festivais. Aí embaixo o cartaz da edição deste ano.

 

 

* O COMPLETO DESASTRE E A TOTAL FALÊNCIA DO TRANSPORTE PÚBLICO EM SAMPA, NAS MÃOS DO PSDBOSTA – o blogão zapper abre espaço entre as notas iniciais deste post, focadas em rock alternativo e cultura pop, para falar de assunto que interessa a todos no final das contas: o desmantelamento que está acontecendo, há anos já, na estrutura do transporte público em São Paulo, a maior cidade do Brasil e uma das cinco maiores do mundo. E esse desmantelamento, que se abate já há séculos sobre a frota de ônibus do município, agora também chegou ao sistema de metrô, de (ir) responsabilidade do (des) governo de Geraldinho Alckmin e sua CORJA BANDIDA tucanalha, encastelados há mais de vinte anos no Palácio dos Bandeirantes. Pois então: se até uma década atrás o metrô de São Paulo era referencia mundial em rapidez, conforto, limpeza e MANUTENÇÃO, tudo isso já Elvis e foi pro saco há tempos. Quem utiliza o sistema metroviário da capital paulista diariamente, já sabe que irá provavelmente enfrentar algum tipo de problema ali. Notadamente no horário de pico, entre cinco e meia da tarde e sete e meia da noite. Nesse espaço de duas horas e onde o metrô recebe o maior número de usuários durante o dia (pois as pessoas estão saindo dos seus empregos para voltar para casa ou, ainda, ir para seus cursos estuantis noturnos) e, por isso mesmo, deveria ser o momento em que o sistema NÃO poderia apresentar falhas e problemas em hipótese alguma, é quando estão ocorrendo com cada vez mais freqüência atrasos e paralisações no deslocamento dos trens. Atrasos e paralisações que superlotam as estações, afetam toda a malha metroviária e colocam em desespero quem está nos vagões. Foi o que aconteceu na noite de anteontem, quinta-feira, 25 de junho, exatamente às seis e meia da tarde um carro do metrô simplesmente quebrou na estação Praça da Árvore (no bairro da Vila Mariana, zona sul paulistana, e próximo à residência do jornalista zapper). O tumulto logo se formou: estação lotada, ânimos exaltados, um funcionário da bilheteria totalmente despreparado para lidar com a situação se NEGANDO a devolver o dinheiro de quem tinha adquirido bilhetes para a viagem e queria devolver os mesmos. Depois de cerca de meia hora de espera a situação começou a se normalizar mais aí já era tarde e muita gente iria chegar atrasada aos seus compromissos do final do dia/início de noite. Então, diante de mais esse ACINTE contra a população, o blog aqui deixa seu protesto contra um (des) governo sórdido, pilantra, escroto ao máximo e que não cumpre minimamente com suas obrigações perante uma população sofrida, que paga impostos caros e de Primeiro Mundo pra receber de volta serviços públicos de QUINTO MUNDO. Até quando isso, afinal? Até quando o populacho BURRO e CONSERVADOR que é o eleitor paulista vai seguir votando nesse grande MERDA que é o PSDB? Por que, ao invés de ir pra rua pedir o impeachment da presidente, esse bando de OTÁRIOS não pede a saída JÁ de geraldinho e sua quadrilha? Talvez porque gente coxinha, playba e endinheirada NÃO ande de metrô e de transporte público, não é?

 Um carro do metrô paulistano quebrado e parado em uma estação (acima) e o tumulto formado por conta disso (abaixo), na última quinta-feira: a qualidade do transporte público em SP segue em queda livre sob o (des) governo do PSDBosta

 

* Voltando ao mondo pop/rock, que segue em marcha lentíssima: nenhuma novidade realmente bombástica por esses dias. Assim, se algo EXPLOSIVO rolar pela semana vindoura, iremos comentar aqui, fiquem sussa quanto a isso.

 

* Então melhor ir logo aí embaixo, onde o blog rememora as três décadas de existência de dois álbuns fundamentais da história do rock brasileiro.

 

 

TRÊS DÉCADAS ESTE ANO – OU QUANDO IRA! E PLEBE RUDE INSCREVERAM PARA SEMPRE SEUS NOMES NA HISTÓRIA GIGANTE DO ROCK BRASILEIRO QUE IMPORTA

O ano de 1985 foi bastante emblemático para a cultura pop brasileira e, dentro desse contexo, também para o rock nacional. O país estava saindo de um período de mais de duas décadas de regime militar ditatorial (sendo que já haviam eleições diretas para governdores de Estado mas o primeiro pleito presidencial direto ainda iria acontecer apenas em 1989). Respirava-se ares politicamente mais abertos e liberais. Isso se refletiu na indústria musical: um novo movimento rock nacional havia sido iniciado em 1982 no Rio De Janeiro, com o estouro em vendagens do disco de estréia do grupo Blitz. E em janeiro de 85’ também acontecia no Rio a primeira edição do Rock In Rio, festival que consagrou bandas nacionais como Barão Vermelho e Paralamas Do Sucesso. E por fim, seguindo esse “boom” e dando um tom muito mais político a um rock ainda sem esse viés em grande escala, estavam os quartetos Ira! (de São Paulo) e Plebe Rude (de Brasília). Ambos lançaram seus álbuns de estréia naquele 1985. E hoje, trinta anos depois, tanto “Mudança de Comportamento” do Ira!, quanto “O concreto já rachou” da Plebe Rude, permanecem como duas das obras fundamentais de toda a história do rock brasileiro.

 

Surgido na capital paulista em 1981, no bairro da Vila Mariana (zona sul da cidade), e contando com Egard Scandurra nas guitarras, Marcos “Nasi” Valadão nos vocais, Ricardo Gaspa no baixo e André Jung na bateria, o Ira! logo conseguiu um contrato com a major Warner Music (que estava em busca de novos talentos rockers em Sampa, para fazer frente à “invasão carioca” que estava então em curso, com nomes como Lobão, Kid Abelha, Biquini Cavadão etc.), que lançou em 1983 um compacto simples do cojunto, com as músicas “Pobre Paulista” e “Gritos na multidão”. Ambas alcançaram boa repectividade junto ao público e execução nas rádios, o que motivou a gravadora a colocar os garotos novamente em estúdio para que eles pudessem registrar seu primeiro disco cheio. E o Ira! saiu de lá com “Mudança de comportamento”, LP de onze faixas e pouco mais de meia hora de duração.

 

Lançado oficialmente em maio de 1985, o disco emplacou de cara duas musicas nas FMs mais “alternativas” e menos comerciais. Eram justamente as duas canções que abriam o trabalho, “Longe de tudo” e “Núcleo Base”. Rocks poderosos, dançantea, acelerados e calcados na melodia e nos riffs construídos por Edgard Scandurra Pereira, guitarrista canhoto e que começava ali a se tornar mito das seis cordas e um dos maiores e melhores instrumentistas do rock brasileiro em todos os tempos. E não só: além dessa abertura arrasadora o trabalho ainda possuía uma balada lindíssima e de partir o coração com sua letra e melodia (“Tolices”) e mais uma batelada de faixas de inspiração no rock’n’roll garageiro dos sixties e no célebre movimento “mod” inglês (cujos grandes expoentes foram The Who, Kinks e The Jam). Fora que o quarteto possuía uma sólida seção rítmica e um ótimo vocalista. Não tinha como dar errado. E não deu, por um bom tempo: “Mudança de Comportamento” vendeu cerca de 60 mil cópias (um bom número) e abriu caminho para a asensão do Ira! ao panteão dos grandes nomes do rock BR dos 80’. Uma ascensão que chegou ao auge no segundo LP, “Vivendo e não aprendendo”, editado em 1986 e que emplacou música (a lindíssima “Flores em você”) como tema de abertura de novela da TV Globo. Isso fez o disco disparar em vendagens, com mais de 250mil cópias comercializadas na época. É também um grande álbum. Mas “Mudança de Comportamento” permanece até hoje como a pedra fundamental de uma banda que votltou à ativa há pouco mais de um ano e que continua sendo um dos nomes mais relevantes da história do rock nacional.

 

Já a Plebe Rude, surgida em Brasília em 1981, chegou ao seu primeiro lançamento de estúdio apenas (e também) em 1985. “O concreto já rachou”, o disco em questão, era (é) um EP de apenas sete faixas e pouco mais de vinte minutos de duração. Mas que concentra nesse pequeno recorte musical mais poder instrumental e qualidade textual (notadamente no questionamento e engajamento político e social) do que uma dúzia de grupelhos atuais juntos do tristemente e totalmente amburrecido roquinho brazuca. Um trabalho fodaço, conduzido pelas guitarras e pelas sensacionais harmonias e jogos vocais de Philippe Seabra e Jander Bilaphra, além da impecável “cozinha” de André X (no baixo) e Gutjie (na bateria). O grupo chegou até a multinacional EMI apadrinhado pelos Paralamas Do Sucesso (que então já estavam consagrados, após sua participação na primeira edição do Rock In Rio). E seu EP de estréia foi produzido pelo guitarrista e vocalista Herbert Vianna, o líder dos Paralamas.

As estreias do Ira! (acima) e Plebe Rude (abaixo), ambas em 1985: dois discos fundamentais para a história do rock brasileiro

 

Não há UMA música menos do que espetacular em “O concreto já rachou”. Da abertura arrasadora com “Até quando esperar” (onde um grupo punkster como a Plebe se permitiu utilizar um cello na introdução da canção), passando por “Proteção”, por “Seu jogo”, pela sensacional “A minha renda” (um olhar cruel e preciso/precioso sobre a indústria musical de então, e como ela se utilizava de métodos nada éticos e morais para produzir mitos e popstars) e até chegar ao fecho em “Brasília” (outra radiografia cruel e precisa sobre como era e é a capital do país, e como era e é até hoje viver nela), trata-se de uma obra impecável e quase que totalmente atemporal pois seus temas permanecem mais atuais do que nunca. Depois desse EP a trajetória da PR prosseguiu bastante errática, com discos oscilando entre medianos e fracos. A banda perdeu dois de seus integrantes originais (Jander e Gutjie) e permanece na ativa até os dias atuais, contando inclusive com o guitarrista e vocalista Clemente (fundador do grupo paulistano Inocentes, onde também toca até hoje) em seu line up.

 

“Mudança de comportamento”, do Ira!, e “O concreto já rachou”, da Plebe Rude, no final das contas definiram um padrão de qualidade artística no rock brasileiro que dificilmente seria alcançado nos anos (ou décadas) seguintes. Dos anos 90’ em diante então, foi o horror. Um horror que chegou ao fundo do poço no novo milênio. Hoje o rock nacional é o que se escuta e o que se vê dele: reduzido a escombros (muito devido ao massacre realizado nele pela organização quase criminosa denominada Fora Do Eixo), ignorante na estrutura musical e nas letras escritas por uma garotada sem estofo intelectual/cultural algum, sobrevive como pode no underground ou então mamando na teta pública (através de editais que patrocinam turnês e festivais com shows onde não existe público) ou no circuito Sesc (que paga bons cachês a quem consegue tocar em suas unidades, mesmo que haja dez pagantes para assistir a apresentaçao). Enquanto isso a cultura musical brasileira (ou o que resta dela) desce sem dó a ladeira, com funk ostentação de péssima qualidade, axé music idem e sertanojo universotário dominando a execução em rádios comerciais e em programas populares de auditório na TV. Esse é o negro retrato da música pop brasileira, versão 2015.

 

Bons tempos o de três décadas atrás. Grande ano o de 1985 para o rock made in Brazil. Ira! e Plebe Rude, em suas estréias gigantes, serão inesquecíveis. E esses dois álbuns irão permanecer para a posteridade como dois marcos de um tempo em que, sim, o rock brasileiro foi um dos melhores do mundo.

 

 

IRA! E PLEBE RUDE AÍ EMBAIXO

Em alguns vídeos que mostram alguns clássicos dos discos de estréia das duas bandas, além da versão integral de “O concreto já rachou”.

 

 

PLEBE RUDE – UMA LETRA DO EP DE ESTRÉIA

 

“Minha renda”

 

Você me prometeu um apartamento em Ipanema

Iate em Botafogo, se eu entrasse no esquema

contrato milionário, grana, fama e mulheres

a música não importa, o importante é a renda!

 

Ambição – grana, fama e você

Ambição – grana, fama e você

 

Tenho fazer sucesso antes que seja tarde

Eles acham que eu vendo, eu tenho uma boa imagem

o meu produtor, ele gosta de mim

grana vale mais que a minha dignidade

 

Tocar no Chacrinha ou na televisão

tudo isso ajuda pra minha divulgação

isso quer dizer mais grana pra produção – e pra mim!

 

Você me comprou, pôs meu talento a venda

você me ensinou que o importante é a renda

contrato milionário, grana, fama e mulheres

a música não importa, o importante é a renda!

 

Ambição – grana, fama e você

Ambição – grana, fama e você

 

Eles trocam minhas letras, mudam a harmonia

no compacto esta escrito que a música é minha

ja sei o que vou fazer pra ganhar muita grana

vou mudar meu nome para Herbert Vianna

 

Estar no Chacrinha ou na televisão

tudo isso ajuda pra minha divulgação

isso quer dizer mais grana pra produção – e pra mim!

 

Grana, fama e você!

 

Um lá menor aqui, um coralzinho de fundo (fundo!)

minha letra é muito forte? Se quiser eu a mudo

e tem que ter refrão (sim!) um refrão repetido (repetido!)

pra música vender, tem que ser acessivel!

 

Ambição – grana, fama e você

Ambição – grana, fama e você

 

Não sei o que fazer, grana tá difícil

tenho que me formar e nem escolhi um ofício

Você é músico, não é revolucionário!

Faça o que eu te digo que te faço milionário!

 

Estar no Chacrinha ou na televisão (a minha renda)

tudo isso ajuda pra minha divulgação (a minha renda)

isso quer dizer mais grana pra produção – e pra mim!

 

A minha renda!

 

 

OS ANOS 80’/90’ E A TRAJETÓRIA DO JORNALISTA LOKER/ROCKER AO SOM DE IRA! E PLEBE RUDE

* O Ira! foi fundado em 1981 pelo guitarrista Edgard Scandurra e pelo vocalista Marcos Valadão, o “Nasi”. Ambos esrtudaram no ensino fundamental (e parte do médio) no colégio estadual Brasílio Machado, famoso celeiro de porra-loucas localizado (até hoje) na rua Afonso Celso, no bairro da Vila Mariana, zona sul da capital paulista. E o bizarro da parada é que o então jovem adolescente Finaski e futuro jornalista musical TAMBÉM estudava no mesmo colégio e na MESMA sala de Scandurra e Nasi – isso quando a trinca não tinha mais do que quinze anos de idade. Depois o autor deste blog perdeu totalmente o contato com a dupla. Foi reencontrá-los anos depois quando o Ira! já existia e estava se tornando uma banda grande, e o sujeito aqui começou sua trajetória no jornalismo musical brasileiro. E até hoje Zap’n’roll é amigo dos dois.

 

* Por conta disso o blog perdeu a conta de quantos shows acompanhou da banda. O primeiro foi em 1981, no teatro Tuca, da PUC/SP (no bairro das Perdizes), durante a realização de um festival de bandas punks. Depois o zapper, então um jovem repórter que havia entrado no jornalismo há poucos meses, presenciou uma gig monstro do quarteto, em meados de 1986. O Ira! tinha mandado para as lojas seu segundo disco, “Vivendo e não aprendendo”, que estourou em vendagens por conta da inclusão da música “Flores em você” na abertura de uma novela da TV Globo. Para comemorar o grupo marcou um show ao ar livre e de graça num sábado à tarde, na famosa “praça do Relógio”, na USP. Não deu outra: superlotação no local, com o conjunto tocando para cerca de quarenta mil pessoas.

 

 

* A partir daí estas linhas online assistiram a dezenas de gigs do Ira! em danceterias (que estavam em moda na época), festivais etc. E quando o Ira! retornou às atividades em 2014 (após uma separação de sete anos, motivada por brigas internas) o jornalista zapper também voltou a acompanhar o grupo de perto, comparecendo apenas no ano passado a três shows deles.

 Zap’n’roll e Nasi, vocalista do Ira!: amizade que já dura três décadas

 

 

* Já com a Pebe Rude foi diferente. Por ser de Brasília dificilmente o quarteto se apresentava em Sampa. Tanto que o blog só foi conseguir ver uma gig deles por volta de 2001, quando eles tocaram num sábado à noite no Sesc Belenzinho (na zona leste de São Paulo). E foi um showzaço.

 

* E claaaaaro, não poderia faltar a história junkie aqui, inclusive já contada no blogão anos atrás e que também estará bem detalhada no livro “Memórias de um jornalista junkie”. Algum final de tarde de 1993. O Ira! estava em sua fase decadente, contrato encerrado com a multinacional Warner e com um novo disco na praça, o  bom “Música calma para pessoas nervosas”, e que não vendeu nada no final das contas. O autor deste blog estava já há alguns meses fora de um grande veículo de mídia e escrevendo textos para a modesta (porém bem conceituada no meio rock’n’roll) revista Dynamite. Graças à sua amizade com Nasi, marcou uma entrevista com o vocalista (que morava em um sobrado na zona oeste de Sampa) e lá se foi, fazer seu trabalho. Foi recebido na casa do front-man do Ira! com um prato onde havia um autêntico monte Everest de COCAÍNA, uia! A devastação nasal entrou em cena e a entrevista virou o próprio samba do crioulo doido. No dia seguinte, ao ouvir as fitas gravadas do bate papo, o jornalista doidão viu que absolutamente NADA ali poderia ser aproveitado. A entrevista teve que ser remarcada, claro. E sem cocaína, rsrs.

 

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MUSAS ROCKERS EDIÇÃO ESPECIAL – CINCO TOTOSAS TOTAL DELICIOUS QUE JÁ PASSARAM PELO BLOGÃO

Yeah! Um dos tópicos mais festejados pelo nosso dileto leitorado macho (cado, uia!) faz uma reedição especial nesse post, onde republicamos cinco das mais gatas musas rock’n’roll que já passaram por aqui. Todas lindonas, abusadas, atrevidas, tatuadas, inteligentes e rockers, sempre! Então aproveite e se delicie novamente com elas, enquanto a nova musa do blog está a caminho.

 Solange De-Ré: 32 anos, poetisa louca e rocker de Floripa

 

Fabiana Marques, 26 anos, diretora de arte em São Paulo: tattoos e amor pelo rock’n’roll

 

Michelle Fernandes, 27 anos, de São Paulo: sempre na night rocker

 

Yasmin Takimoto, 20 anos, de São Paulo: sinuosidade orienta

 

Madeleine Akye, 32 anos, de Osasco: japa rocker dos sonhos de muitos homens, e seduzindo até atores da tv Globo!

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Disco, I: o quarteto de Manaus Supercolisor existe desde 2008 e antes se chamava Malbec. Passou por uma reestruturação interna, trocou de nome, mudou de line up e contando com novo integrante (o baixista, multiinstrumentista e vocalista Diego Souza, que antes tocou no ótimo Luneta Mágica) lançou há pouco este “Zen total do Ocidente”, onde o grupo (que também conta com Ian Fonseca nos vocais e pianos, Zé Cardoso nas guitarras e vocais e Natan Fonseca na bateria) literalmente apaixona o ouvinte com uma coleção de canções belíssimas, melancólicas e bucólicas em sua concepção melódica e instrumental. Arranjos de pianos e condução de violões constroem planos sonoros que acalentam a alma e o coração e isso se sobressai mais em faixas tristonhas como “Sim”, “Três luzes fixas”, “Os cinco”, “Não”, “Móbile” e a própria canção-título. São as músicas onde a banda consegue seu melhor resultado graças à coesão de uma proposta que rompe com seu próprio passado recente (a “versão” Malbec do conjunto carregava muito no rebuscamento instrumental se espelhando na fase prog do Radiohead, aliás a fase mais sacal do quinteto britânico; fora que havia a incômoda dicotomia das músicas com vocais em inglês e em portguês). Ainda há estranhamentos aqui e ali (as levadas synthpop e os vocoders que surgem nas ambiências eletrônicas e vocais de “Pista Íntima” e “Corte”, e que destoam em muito do restante do trabalho) mas o saldo final, com bons versos em português e canções que remetem ao melhor de um rock reflexivo e melancólico, colocam o Supercolisor muito à frente de boa parte do que se faz nesse momento no quase totalmente inculto rock’n’roll brasileiro. E sinaliza mais uma vez que algumas das melhores formações musicais do país nesse momento estão mesmo na região Norte – basta lembrar dos acreanos Euphônicos, Los Porongas e Os Descordantes, nomes que deixam grupos do Sudeste comendo poeira no quesito qualidade artística. Para saber tudo sobre o Supercolisor e ouvir seu novo álbum, vai nesses links: http://www.supercolisor.com/home e http://www.supercolisor.com/.

 O quarteto manauara Supercolisor: lindas, bucólicas e tristonhas canções em seu novo disco, “Zen total do Ocidente”.

 

* Disco, II: também da capital do Amazonas, o quarteto Nicotines lançou seu primeiro EP com cinco faixas, e batizado “A mil por hora”. É rock’n’roll direto de guitarras algo sujas e boas letras em português, escritas e cantadas pelo jornalista Sandro “Nine” Corrêa (agitador muito conhecido na cena rocker de Manaus, além de amigo destas linhas bloggers). Resgatando eflúvios de hard e garage rock, além de proto punk setentista, o quarteto (que ainda tem em seu formação o guitarrista Lauro, o baixista Israel e o batera Gustavo) mostra agressividade e potência instrumental na faixa-título e em “Rock brasileiro”, cuja letra faz uma crítica virulenta à estupidificação que se abateu sobre o rock’n’roll nacional, eivado de pilantras e enganadores de bandas como o produtor escroque e mau caráter Carlos Eduardo Miranda, citado nominalmente nos versos. São músicas que devem render bem ao vivo e você pode ouvi-las aqui: https://soundcloud.com/nicotinesoficial. O EP também saiu em formato físico em cd encartado na revista paulistana “Gatos & Alfaces”, e você pode saber mais sobre os Nicotines aqui: https://www.facebook.com/pages/Nicotines/1512374429022788?fref=ts.

O EP de estréia do grupo Nicotines

 

* Disco, III: com quase setenta anos de idade a lenda Neil Young segue firme e forte, lançando discos quase em profusão. Mas se a produção do canadense não dá mostras de cansaço na quantidade de discos editados (só em 2014 foram dois trabalhos inéditos), na questão qualitativa o guitarrista e vocalista andou meio claudicante em seus últimos discos. Porém neste “The Monsanto Years” (que chegou oficialmente às lojas americanas anteontem, segunda-feira, 29 de junho; sendo o que o blogão está sendo finalizado na quarta), Neil parece recuperar um pouco da sua velha forma. O álbum se equilibra bem entre rocks de guitarras mais ásperas (como em “People Want To Her About Love”) e baladas de acento folk/country (com direito a violão e gaita), caso da estradeira e tristonha “Wolf Moon”. Com um pouco de boa vontade dá pra se lembrar da época em que Young inscreveu definitivamente seu nome na história do rock, quando lançou clássicos imbatíveis como “Harvest” ou “Zuma”. Não é igual a eles, claro. Mas as canções 2015 do velho rocker mostram que ele ainda tem o que cantar e segue relevante como músico.

O novo álbum do velho Neil Young

 

* Livro, I: “Breve História do rock brasileiro”, escrito pelo jornalista, músico, pesquisador e produtor cultural Ayrton Mugnaini Jr., um volume com pouco mais de oitenta páginas de texto e formato de bolso procura mostrar para os não iniciados a trajetória do rock’n’roll feito aqui, desde a década de cinqüenta até os dias atuais – a chamada geração web (e onde Ayrton talvez tenha se esquecido apenas de mencionar o grupo cuiabano, radicado em Sampa, Vanguart, talvez o único nome da indie scene nacional dos anos 2000’ a ter se tornado realmente grande em termos mercadológicos). Mais do que se aprofundar em estilos e nomes, Ayrton procurou mostrar um painel simplificado de artistas e do que eles representaram para determinada época. Leitura rápida, ligeira e de fácil compreensão, o que são méritos e pontos bastante positivos do livrinho, tornando-o muito interessante e atraente. Para conseguir o seu basta entrar em contato com o próprio autor, através de sua página no Facebook: https://www.facebook.com/ayrtonmu?fref=ts.

 Dupla rocker do barulho: Zap’n’roll e o jornalista Ayrton Mugnaini, autor do livro “Breve História do rock brasileiro”

 

* Livro, II: “Poesias escolhidas, volume II – o melhor de mim”, é um abrangente compêndio da nova poesia que se faz hoje no Brasil e em países como Argentina, Méxixo, Uruguai, Espanha, França e Áustria. Ao todo são cento e setenta e quatro poemas do mesmo número de autores (cada um contribuiu com uma poesia), reunidos num livro bem acabado editorialmente e que mapeia, no caso brasileiro, a produção poética em todas as regiões do país. Tanto que até o distante Amapá está representado no livro, através dos bons versos da jovem Sarah Aranha. Com apenas vinte e três anos de idade Sarah, que mora em Macapá (a capital do Estado) e é dileta amiga deste espaço virtual, verseja desde sua adolescência e já conta com um bom material de lavra própria. Para o livro ela escolheu o poema “Meu passarinho”, que flui bem através de rimas e versos bem encadeados. Mas há outras saborosas descobertas ao longo das paginas, e quem se interessar pode ir atrás do volume aqui: https://www.facebook.com/PoesiasEscolhidas?fref=ts.

 A jovem poeta macapaense Sarah Aranha (acima), uma das que estão no livro “Poesias Escolhidas”, com o poema “Meu passarinho” (abaixo) (foto Sarah: Ana Lages)

* Baladas badaladas fechando o postão e as indicações do blog: yeah! Com esse post monstro sendo finalizado já na quarta-feira (1 de julho), vamos ver o que sucede pelo circuito cultural alternativo de Sampa já a partir de amanhã, quinta. É quando vai ter o evento lançando oficialmente o vídeo para a música “Olha pra mim”, do grupo Vanguart (a bela e triste balada que fecha o mais recente disco de estúdio da banda), a partir das nove da noite no Bambolina (que fica na praça Roosevelt, 124, centrão de Sampa).///Já na sexta-feira e durante todo o finde rola no bar/teatro Cemitério de Automóveis (que fica na rua Frei Caneca, 384, Consolação, centro de São Paulo) as últimas apresentações da peça “Tanto Faz”, baseada em livro do escritor Reinaldo Moraes e adapatada por Mário Bortolotto.///Na sextona e sabadão em si a pedida é começar a noite tomando as ótimas brejas artesanais da Sensorial Discos (lá na rua Augusta, 2389, Jardins, zona sul de São Paulo), e depois cair pro baixo Augusta (passando pela Tex, Outs e Astronete).///E no sábado tem a volta dos mineiros metal celta do Thuatha De Danann, após longo período longe dos palcos paulistanos. Eles fazem show de lançamento do seu novo disco no tradicional Manifesto Rock Bar (que fica na rua Iguatemi, 36, Itaim Bibi, zona oeste de Sampa), ou seja, uma ótima pedida rocker pro noitão de sábado. É isso. Nessas noites frias de inverno nada como um ótimo show pra aquecer nossos corpos. Se joga!

 

 

E TCHAU PRA QUEM FICA!

Ufa, postão monstro, néan? Saiu no capricho e ele fica por aqui. Mas na semana que vem voltamos sempre com muuuuuito mais. Até lá, então!

 

(ampliado, atuaizado e finaizado por por Finatti em 1/7/2015, às 14hs.)

Exclusivão do blogão: a invasão do GRANDE rock do sempre amado norte brazuca, com a estreia em cd dos Descordantes (de Rio Branco, no Acre) e o novo disco da Luneta Mágica (Manaus); as “novas” (???) atrações do Rock In Rio, o showzaço do Temples em maio em Sampa e diretamente de Santa Catarina, uma musa rocker comportada mas muito sexy e classuda, ulalá! (postão finalmente e totalmente concluído, com o roteiro cultural e de baladas, mostrando já um vídeo de como foi a gig de Jack White em Porto Alegre e abrindo a promo que vai dar tickets NA FAIXA pro show do quarteto inglês Temples, em maio em Sampa) (atualização final em 25/3/2015)

O grande rock do Norte e uma gataça tesuda do Sul se encontram nesse postão zapper: Os Desocordantes (acima), do Acre, e a Luneta Mágica (abaixo), de Manaus, lançam dois dos melhores discos da cena independente nacional deste ainda início de 2015; e diretamente de Santa Catarina a classuda musa rocker Karla Souza (também abaixo) vai deixar a marmanjada com água na boca em seu ensaio para o blog

 

O Acre existe.

E não apenas existe como é o Estado que está dando ao rock brasileiro dos anos 2000’ algumas de suas melhores bandas. E não há exagero algum nessa afirmação pois o “caso de amor” de Zap’n’roll com a região Norte do país já é longo e permitiu a estas linhas virtuais conhecer grupos e artistas que estão muito à frente do que se produz hoje em dia em termos de música pop no sempre arrogante Sudeste brazuca (onde, teoricamente, está o centro difusor de cultura do país). Yep, em sua eterna prepotência e complexo de superioridade, de “olhar o restante do Brasil sempre com o nariz empinado” a “intelligentsia” rock de Rio e Sampa sempre desdenhou de um Estado que fica muito distante daqui e que está praticamente encravado no coração da floresta amazônica. A pergunta, em tom de sarcasmo e deboche, era sempre a mesma: “mas o Acre existe?”. Pois o blog começou a desbravar as terras acreanas e seu povo bonito, inteligente, hospitaleiro, simples, humilde e acolhedor (fora e as gatas de lá que são lindíssimas) a partir de 2006, quando foi pela primeira vez até Rio Branco (a capital do Estado) para cobrir um festival de rock. Conheceu bandas espetaculares, fez grandes amigos (e convive com muitos deles até hoje) e voltou à cidade mais algumas vezes, sendo a última no final de 2014 quando fomos convidados a cobrir o show de lançamento do disco de estreia do trio Euphônicos, um dos atuais nomes gigantes da música de lá e sobre o qual estas linhas online já falou bastante (e vai falar novamente neste mesmo post, mais aí embaixo). E hoje, mais uma vez, dedicamos em edição especial do blog zapper boa parte de nosso espaço a falar dos grupos nortistas, especificamente Os Descordantes do Acre, e a Luneta Mágica de Manaus. O primeiro acaba de lançar seu primeiro cd em plataforma física (sendo que as músicas já estavam disponíveis na web desde o ano passado), fazendo inclusive uma mini turnê pelo Sudeste (tocaram na semana passada e esta semana em São Paulo, sendo que uma das gigs foi acompanhada de perto pelo jornalista rocker, que se emocionou de verdade com a apresentação do quarteto) para divulgar o trabalho. Já o manauara Luneta acabou de disponibilizar na internet seu segundo disco de estúdio (em breve será lançada a versão física do mesmo), um escândalo de melodias estranhas, envolventes, belíssimas, com alto teor de psicodelia e letras que desvelam uma qualidade textual e poética inimaginável no raquítico rock que se faz nesse momento no eixo Rio/SP. Portanto, com muita justiça, o blogão fala bastante neste post que começa agora sobre os ótimos sons que emanam do Norte. E se o Acre nas últimas semanas se tornou mais comentado e conhecido no restante do Brasil por conta da cheia cruel do rio que corta todo o Estado e que tem o mesmo nome, já está mais do que na hora de ele também ser conhecido e reverenciado pela arte musical que produz. Pois é de lá que surgiram alguns dos melhores conjuntos que os ouvidos deste já calejado jornalista musical tiveram o prazer de escutar nos últimos anos. Então se acomode aí do outro lado da tela e venha conosco, descobrir o fantástico rock que é feito pelos povos da floresta.

 

 

* Não dá pra começar as notas iniciais deste post sem mencionar o grande e bizarro festival que foi a defenestração do Ministro da Educação, Cid Gomes, na última quarta-feira. O cabra macho foi no Congresso e disse na cara larga o que todo mundo está careca de saber: que o bando de RATAZANAS que habita eternamente aquele lugar podre é sim ACHACADOR do governo. Foi demitido logo em seguida pela Dilmona, claro. E não que o blog morresse de amores pelo Cidão (muito pelo contrário) mas que ele foi MACHO, isso foi. No final das contas a situação política do país está mesmo ganhando ares de tragicomédia farsesca e dantesca. E isso não é de hoje: há exatos vinte anos os Paralamas Do Sucesso lançaram a música “Luis Inácio (300 picaretas)”, no álbum “Vamo batê lata” e onde Herbert Vianna, com grande argúcia e sagacidade, escreveu uma letra mega crítica do quadro político de então,  baseado em declarações de Lula onde o ainda deputado (e depois, presidente do Brasil) reclamava da calhordice de seus “colegas” de ofício. Ou seja: de lá pra cá absolutamente NADA mudou no Brasil. Então o que Cid Gomes disse a respeito dos parlamentares em Brasília não é nenhuma novidade, infelizmente.

 

* Só pra recordar, aí embaixo no vídeo a música dos Paralamas.

 

 

* Descendo a ladeira, I: a produção do Rock In Rio anunciou ontem: Rihanna volta ao festival, que também vai ter… Motley Crue!!! Wow!!! Ok, ok, ela é um BOCETAÇO cantante mas pelamor… e essas bichonas velhas do hoje cafoníssimo MC, fala sério… definitivamente é uma VERGONHA o RIR, na edição comemorativa dos seus trinta anos, estar com um line up desse nível. Não dá pra ir, não rola.

 Ela é um XOXOTAÇO cantante mas… de novo no Rock In Rio???

 

 

* Pelo menos anunciaram que vai ter (olha só!) o fodástico duo inglês Royal Blood, tocando no dia 19 de setembro no palco Mundo, antes do arremedo do Queen fechar a noite. Já é alguma coisa (o RB lançou um disco de estreia fodíssimo ano passado) mas quem sabe a dupla também faça uma gig em Sampa, o que evitaria ter que ir até o balneário apenas pra conferir a apresentação deles.

 

 

* Descendo a ladeira, II: basta apenas uma olhada no site da revista e na capa de sua mais recente edição (com o “rockstar” Slash, jezuiz…) pra se chegar à conclusão: a edição brasileira da Rolling Stone já elvis. Está indo mesmo pro buraco, sem dó. Também, tendo em seu corpo editorial um ESTRUME chamado PC como um de seus editores, esperar o quê?

 

 

* Ok, ok, o hype do momento é o quarteto pós-punk canadense Viet Cong. Que estas linhas online já estavam ouvindo falar desde o final do ano passado mas acabaram indo escutar o disco de estreia deles (homônimo, e que saiu em janeiro passado) apenas esta semana. São apenas sete faixas e pouco mais de trinta e seis minutos de música. E sim, o som é soturno, as guitarras oscilam entre noise e melodias sombrias e o vocal do baixista e líder da banda, Matt Flegel, lembra de fato muito o saudoso Ian Curtis, a lenda que um dia cantou à frente do Joy Division. Há pelo menos uma faixa sensacional no álbum, “Bunker Buster”, e ele ganhou cotações expressivas no Allmusic, no Pitchfork e no Consequence Of Sound. Mas a questão que fica é: não seria apenas mais um hype gigantesco que logo menos irá se dissipar na poeira do rock indigente de hoje em dia? A conferir…

 O pós-punk canadense Viet Cong: o novo Joy Division?

 

 

* Pra quem quiser conhecer a estreia do Viet Cong (que além de Mett conta com Scott Munro e Daniel Christiansen nas guitarras, além do batera Mike Wallace), basta clicar aí embaixo, onde está o disco integral da turma.

 

 

*E melhor notícia sobre shows gringos, impossível: a gig dos psicodélicos ingleses do Temples rola dia 16 de maio (um sabadão) em Sampa, lá onde era o Studio Emme em Pinheiros (na avenida Pedroso de Moraes, próximo ao prédio da Fnac). E os tickets já estão à venda, com preços decentíssimos (milagre!), sendo que o mais caro sai por 80 pilas. Esse show sim é IMPERDÍVEL!

 Os neo psicodélicos ingleses do Temples: show dia 16 de maio em Sampa

 

 

* Você ainda NÃO ouviu a estreia do Temples? Pelamor, rsrs. Clica aí embaixo então e escuta, porran.

 

 

* E nope, sem putaria nesse post e sem dorgas também (uia!) aqui nas notas iniciais. No próximo postão sim teremos um diário sentimental erótico (ulalá!), capaz de fazer chocar as putaças mais ordinárias. Aguardem!

 

 

* E yep, tem música nova do Blur na área. Eles lançaram ontem “There Are Too Many Of Us”, que é bem legalzinha e deverá fazer parte do novo disco de estúdio deles. Ouça aí embaixo e veja o que você acha.

 

 

* Mas agora é hora de falarmos com total orgulho do grande rock que vem do Norte brasileiro. Com vocês: Os Descordantes!

 

 

DE RIO BRANCO, NO ACRE, MAIS UMA BANDA SUBLIME DO ATUAL INDIE ROCK BR: OS DESCORDANTES

Eles surgiram em Rio Branco, capital do Acre, em julho de 2010. A ideia era fazer rock mas com elementos da música regional nortista, de MPB e até do chamado cancioneiro popular brega. E foram quatro anos burilando um repertório que prima pelo excelente gosto melódico, pelos arranjos preciosos de metais e teclados e por uma poesia intensamente romântica nas letras escritas e cantadas pelo vocalista e guitarrista Diego Torres. Ao lado dele estão o tecladista Marxon Henrique, o baixista Saulo Melo e o baterista George Naylor, com quem Zap’n’roll bateu um ótimo papo esta semana e cujos principais trechos você pode conferir mais aí embaixo.

 

A banda então foi crescendo musicalmente e compôs uma batelada de lindas canções que resultaram no álbum “Espera a chuva passar”. Produzido pelo músico João Vasconcelos (ex-guitarrista de outro gigante do rock acreano, o quarteto Los Porongas, além de dileto amigo destas linhas rockers bloggers) o disco chegou antes na internet, onde foi postado na íntegra em meados do segundo semestre de 2014 na plataforma Soundcloud. A repercussão foi enorme para um grupo egresso de um Estado encravado na floresta amazônica e muito distante do centro do país. E agora em março foi com alegria que Os Descordantes finalmente conseguiram também registrar na plataforma física do cd as canções de seu primeiro trabalho de estúdio.

 

Para comemorar o fato o conjunto veio fazer uma mini turnê pelo Sudeste, com shows em São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba – depois os rapazes voltam novamente pro Norte, tocando em Porto Velho (capital de Rondônia) e na sua cidade natal, que anda sofrendo cruelmente nas últimas semanas por conta das enchentes do rio Acre.

 

O blog assistiu a apresentação deles semana passada na loja Sensorial Discos. Foi uma noite emocionante, com uma performance arrebatadora e que conquistou o público presente. E mais agora sobre eles você fica sabendo aí embaixo, lendo a entrevista que fizemos com o batera George.

Zap’n’roll “cercado” pela turma dos Descordantes, semana passada na Sensorial Discos em São Paulo: o show foi lindão!

 

Zap’n’roll – a banda acaba de lançar seu primeiro álbum, “Espera a chuva passar” na plataforma física, sendo que na verdade ele já está na internet (no serviço Soundcloud) desde o final do ano passado. Então como tem sido a repercussão dele na web e qual a expectativa de vocês agora que o cd foi lançado?

 

George Naylor – A repercussão na web foi muito boa, mas a gente sentiu que tinha dado o que tinha que dar e que só daríamos o próximo passo com esse lançamento físico. Tivemos 15mil audições do disco online e agora estamos começando o trabalhado de divulgação do disco físico. É aí que vamos sentir a real repercussão desse disco.

 

Zap – ok. E eu mesmo, admito, fui conhecer a banda apenas quando o jornalista e amigo Fábio Gomes veio comentar comigo, no final de 2014. Então para quem não conhece o trabalho dos Descordantes, gostaria que você desse um resumo da história do grupo até aqui.

 

George – essa é uma parte muito especial do trabalho, é a materialização de um sonho. O lançamento virtual é muito importante neste contexto “digital moderno”, mas menos de 40 % da população tem acesso aos links. A ideia nasceu em 2010 quando o Dito (apelido do vocalista Diego) que já tinha tocado em vários outros projetos musicais me convidou pra compor essa nova experiência que buscava na prática realizar esse passeio pelas vertentes nacionais. Começamos a ensaiar e gravamos o nosso primeiro Ep em 2012 no estúdio do produto acreano Alamo Kario. Em seguida a banda passou por uma reformulação, quando o querido Saulinho assumiu a chefia da nossa “cozinha”. Em 2140 entramos no estúdio GDmusic com a produção do nosso conterrâneo e parceiro de sonhos, João Eduardo, que contribuiu diretamente com o resultado e harmonia desse projeto musical “Espera a Chuva Passar”.

 

Zap – sim, e o disco é sensacional, pode ter certeza disso. E observo que vocês formam, ao lado dos Euphônicos e dos Los Porongas, uma tríade de bandas fantásticas vindas do Acre. O que me leva a perguntar: você considera que o rock feito hoje no seu Estado está entre os melhores da atual cena independente brasileira?

 

George – o nosso trabalho não busca nivelar qualidades artísticas. Nosso objetivo é buscar da melhor maneira possível apresentar a qualidade da música produzida pelos artistas acreanos. Nossa escola sempre trabalhou dessa forma, observando os antigos como Tião Natureza, Jorge Cardoso, Pia Vila e os nossos sempre mentores Los Porongas, assim revelado um novo cenário artístico cultural para o nosso estado.

 

Zap – bom, eu e o blog sempre fomos fãs das bandas do Norte. E como tal sempre achei uma tremenda babaquice as pessoas do Sudeste terem aquela postura arrogante e sarcástica ao fazer a pergunta, em tom de deboche: o Acre existe? Não apenas existe como está dando ao país grupos musicais melhores dos que os que existem hoje em São Paulo ou Rio De Janeiro, por exemplo. Aqui as bandas se preocupam muito em COPIAR guitarras, riffs e melodias do indie rock inglês. Já vocês possuem uma gama de referências que abarca o cancioneiro do Norte, o rock propriamente dito e até a música popularmente classificada como “brega”, na linha de Odair José, algo que fica claríssimo nos arranjos de metais em algumas faixas. É isso mesmo? Se sim, fale sobre as influências e o processo de composição de vocês.

 

George – ” O  Acre é aquilo que ainda estar por vir ” como afirmou lucidamente o gênio Gilberto Gil. O processo de criação começa sempre com o Dito apresentando as letras e depois todos construímos as músicas, seus ritmos e harmonias. Todas as nossas influências fazem grande parte do processo final do trabalho e nossos ouvidos sempre foram atentos a esses nomes como Cartola, Paulo Diniz, Zé Geraldo, Paulinho da Viola, Reginaldo Rossi e vários nomes do rock mundial.

 

Zap – com bandas acreanas, um Estado tão distante dos habitualmente principais centros difusores de cultura do país (como Rio e São Paulo), fazendo um trabalho autoral tão bacana, qual a avaliação que você da atual cena independente nacional? As melhores bandas estariam mesmo no Norte do Brasil?

 

George – acredito que o cenário nacional da música independente  vem novamente ganhando força e voltando a respirar e hoje podemos citar vários exemplos de atuais pérolas da música brasileira como o premiado disco Gira Mundo do nosso querido Daniel Groove, o trabalho do Bruno Solto, dos Porongas e vários outros artistas. Sem dúvidas o norte e o nordeste tem uma parcela significativa nesse processo.

 

Zap – certo. E encerrando: com disco agora lançado também em cd físico, quais as perspectivas do grupo para os próximos meses?

 

George – nossa ideia principal é centralizar as energias nessa turnê e conseguir da melhor maneira possível divulgar nosso trabalho. Em seguida vamos fazer o encerramento da turnê com um show beneficente em solidariedade as famílias atingidas pelas águas do rio Acre. A turnê também vai acontecer nos 22 municípios acreanos em um segundo momento.

 

 

“ESPERA A CHUVA PASSAR” – O DISCO

Nos anos 80’ o rock nacional era mainstream e havia ótimas bandas e péssimas bandas. Mas as ótimas construíram uma geração inesquecível em termos de composições perfeitas e letras que beiravam a perfeição em termos de poesia romântica ou contestação político/social. Eram tempos de Legião Urbana, Ira!, Titãs, Plebe Rude, Paralamas Do Sucesso. Depois veio o declínio já na década de 90’. E nos anos 2000’ o mainstream se esfacelou, o rock nacional em sua quase totalidade se tornou independente (ou alternativo) e o resultado é que hoje há milhares de bandas espalhadas pelo país de Norte a Sul. E poucas, muito poucas, escapam da grotesca mediocridade intelectual que domina essa cena rock independente. Então quando nos deparamos com uma banda como Os Descordantes e com um disco quase sublime como esse “Espera a chuva passar”, só podemos exultar de satisfação, com o coração e alma em alegria plena.

 

Não há uma música ruim no disco. Todas possuem um burilamento melódico precioso e arranjos precisos de metais e teclados. A voz de Diego é poderosa e ele mesmo já declarou que prefere valorizar mais a melodia do que riffs de guitarra. E sua ótima formação cultural (tanto ele quanto o baterista Naylor são jornalistas e trabalham na imprensa da capital do Acre) lhe permitiu compor versos que estão muito acima da média tosca que se ouve atualmente no emburrecido roquinho nacional. Não só: veterenos e experientes músicos da cena acreana, o tecladista Max e o baixista Saulinho completam à perfeição a formação musical da banda. Não há erros no cd, só acertos.

Capa do primeiro disco do quarteto acreano Os Descordantes: o melhor rock do Brasil hoje vem do Norte

 

Como se não bastasse, a gama de referências musicais impressiona: as faixas deambulam pelo rock mas também por MPB, música regional do Norte e até cancioneiro popular à lá Reginaldo Rossi e Odair José, como na divertidíssima “Sair Daqui”, onde os metais gritam junto com a guitarra enquanto o vocalista Diego canta “Vou te ver pra sempre/Em cada rosto que olhar/Em cada pescoço que eu beijar/Em cada canto que eu cantar”. Além dela há um festival de canções avassaladoras e arrebatadoras no disco de tão lindas e, em alguns casos, melancólicas. Escolha a sua (“Três dias”, “Hoje de manhã”, “Descrença”, “O porto e o rio”), sendo que a preferida do blog é “Não me leve a mal” (letra mais aí embaixo): a perfeição em forma de balada rock que tocaria sem parar em qualquer FM se elas burra e teimosamente ainda não fossem movidas a esquemas sórdidos de jabá.

 

É um discão que já entra tranquilamente na lista dos melhores de 2015. E os Descordantes vêm se juntar aos Euphônicos e aos já veteranos Los Porongas para compor uma tríade do que de melhor existe nesse momento no rock brasileiro. Um rock que vem do amado e distante Norte. Que vem do Acre. Com muita honra e orgulho.

 

* Para saber mais sobre a banda e ouvir as músicas do seu estupendo disco de estreia, vai aqui: https://soundcloud.com/search?q=os%20descordantes. E aqui também: https://www.facebook.com/OsDescordantes?fref=ts.

 

* Os próximos shows do quarteto são amanhã, sábado (21) no Espaço 50, em São Caetano Do Sul (grande SP), e dia 24 no Espaço Zé Presidente (na rua Cardeal Arcoverde, na Vila Madalena, zona oeste da capital paulista).

 

 

OS DESCORDANTES – UMA LETRA

“Não me leve a mal”

 

Não me leve à mal

pensei mais em ti do que em mim

pesei todos os pontos

Os bons e os ruins

Sinto muito se não deu

Pois eu acho que valeu

Ainda hoje eu guardo o retrato na minha cabeceira

Não é falta de amor

Nem é falta de carinho

Simplesmente acho que eu fico melhor sozinho

Passa o tempo e eu sinto Que nada mudou

Poderia até tentar novamente

Mas me diga, sincera

Você acha que iria mudar

Não que eu estaja contente

Vou fazendo de tudo que posso

Pra não te lembra

Madrugada chuvosa me esforço

Pra não te ligar

Não foi falta de amor

Nem é falta carinho

Mas quando bate a saudade me dói ficar sozinho

 

 

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AINDA MAIS PSICODÉLICA E GENIAL, A LUNETA MÁGICA LANÇA O SENSACIONAL “NO MEU PEITO”

Não é brincadeira: enquanto o acreano Descordantes desembarcava em São Paulo a bordo do seu sublime primeiro disco de estúdio, o também quarteto Luneta Mágica, de Manaus, disponibilizava em seu site a íntegra do seu segundo álbum, batizado “No meu peito”. Ele está lá, para audição completa, desde o último dia 16. E deve ganhar em breve seu lançamento físico. Pois trata-se de mais um lançamento arrebatador do Grande rock que se faz hoje no Norte do Brasil. A LM não se contentou apenas em manter todos os procedimentos musicais que tornaram sua estreia em “Amanhã vai ser o melhor dia da sua vida” (editado em 2012) algo assombroso e espetacular. A banda incrivelmente conseguiu ampliar e aperfeiçoar o mix de psicodelia com reverberações de Beatles, bucolismo rocker, canções pastorais eivadas de melodias perfeitas (e imiscuídas aqui e ali por arranjos estranhos e malucos, além de ambiências adornadas por ruídos e distorções), lisergia e chapações diversas, tudo emoldurando vocais harmoniosos e sobrepostos e que dão corpo e vida a letras magníficas, de tão poéticas e imagético/pictóricas. O resultado é um discaço, zilhões de anos luz de distância da imbecilidade sonora que toma conta das bandas independentes do Sudeste. Basta apenas uma audição para se comprovar isso.

 

A Luneta existe há cerca de cinco anos, sendo que inicialmente era um trio formado pelo vocalista e guitarrista Pablo Araújo e pelos multi-instrumentistas Diego Souza e Chico Hernandez, que acabou saindo do conjunto pouco tempo depois do lançamento do primeiro cd. Agora o grupo se transformou em quarteto, com a entrada do também guitarrista Erick Omena e do baterista Eron Oliveira (que já havia participado das gravações do primeiro álbum). É esta formação que registrou a nova e fodástica formada de músicas de uma banda que o blog foi conhecer no final de 2012, quando a produtora e empresária deles, a sempre fofa, meiga e mega simpática Karla Sanchez, entrou em contato com estas linhas online em busca de divulgação para a obra que eles haviam acabado de editar. O já veterano, experiente e calejado jornalista musical ouviu o link enviado por Karla, pirou no ato e caiu de amores pela Luneta Mágica. E desde então é fã ardoroso e incondicional da turma e sempre se pergunta, com todo o respeito e amor que devotamos ao Norte brazuca: como um grupo em MANAUS consegue desenvolver um trabalho artístico tão primoroso enquanto que as bandalhas de Sampa e Rio, tendo perto de si e à sua disposição os melhores estúdios do país, toda a tecnologia de ponta possível e toda a informação possível também (uma informação que, de resto e por conta da internet, circula hoje em qualquer quebrada do planeta), só produzem lixo sônico em sua grande maioria?

 

“No meu peito” exibe onze canções concisas (não há nenhuma que chegue a quatro minutos de duração) e portentosas. Da vinheta que abre e dá título ao disco até a lindíssima, algo “beatle” e mega radiofônica (em sua melodia) “Rita”, que fecha o cd, o ouvinte vai se extasiar plenamente com os eflúvios de Pink Floyd (fase Syd Barrett, of course) e Mutantes, com os arabescos de Radiohead e até com as lembranças de rock rural Mineiro, 14-Bis (!) e Clube Da Esquina (!!!), como nos jogos vocais que conduzem faixas como “Acima das Nuvens” e “Lembra?”. Já “Mantra” é psicodelia inglesa sessentista em estado puro. “Preciso” é um épico sem igual, na melodia tristíssima e na letra que é um escândalo de beleza poética, como as letras de todas as músicas aliás: “O marinheiro/desaguou no mar/sozinho a navegar/desaguou no mar”. Sustentando o poema há um turbilhão de guitarras ao mesmo tempo agônicas e em noise, como o Radiohead produziu em “Paranoid Android”.

A capa (acima) do segundo álbum de estúdio do quarteto Luneta Mágica, já sério candidato a melhor disco de rock deste ano; abaixo, Zap’n’roll e o guitarrista e vocalista Pablo Araújo no bar do Armando, em Manaus, em dezembro passado, tomando algumas brejas

 

Há muito mais. Uma fortíssima presença de personagens femininas (reais? Fictícias?) como que impulsionou o vocalista e letrista Pablo a conceber três momentos primorosos e que desvelam uma obra que beira a perfeição estética. “Lulu”, “Mônica” e “Rita” falam de três garotas/mulheres mergulhadas em um mundo de abstrações e doces (ou cruéis) onirismos, em histórias narradas através de letras que dariam bastante satisfação a Lou Reed, Jim Morrison, Van Morrison, Leonard Cohen ou mesmo Cazuza e Lô Borges. “Mônica”, inclusive, é especial para o autor desta resenha: o blog a escutou pela primeira vez há mais de dois anos, durante uma de suas visitas à capital do Amazonas. Numa noite quente de outono (sempre faz calor em Manaus, muito calor) fomos tomar umas brejas com o guitarrista Erick Omena, e dar um passeio de carro com ele pela cidade. Foi quando Erick nos monstrou um registro de “Mônica”, ainda apenas com violão e a voz de Pablo. Zap’n’roll ficou maravilhado. E hoje, escutando a mesma música em seu formato definitivo (com violões, pianos dolentes e uma melodia dionisíaca que a colocaria em qualquer programação DIGNA de rádio fm idem; mas claro, estamos no Brasil e isso não vai acontecer, infelizmente), o jornalista sempre sentimental voltou a se emocionar mais ainda.

 

É um disco AVASSALADOR, no final das contas. Já seríssimo candidato a melhor álbum de rock de 2015. E que mantém viva nossa esperança e crença de que ainda existe vida muito inteligente na cena musical independente brasileira de hoje. A Luneta Mágica continua sensacional, está melhor do que nunca em seu novo trabalho e a cena rocker manauara pode se encher de satisfação e orgulho por saber que possui um grupo dessa qualidade na cidade. “No meu peito” com certeza será lembrado daqui a alguns anos como um dos clássicos desta geração. Uma triste geração inclusive e infelizmente, que perdeu o rumo e mergulhou na ignorância em quase sua totalidade.

 

* Para ouvir o novo e fodíssimo álbum da Luneta Mágica, vai aqui: http://lunetamagica.com.br/. E pra saber mais sobre a banda, vai aqui: https://www.facebook.com/bandalunetamagica/timeline.

 

 

LUNETA MÁGICA – UMA LETRA

 

“Mônica”

 

mônica, a vida sopra forte

e aqui no norte

só o amor vai te salvar, mônica

 

amanhã a árvore da vida

ainda vai florescer

eu sei

 

mônica, teus sonhos sempre foram

o teu caminho, mônica

o teu caminho, mônica

 

amanhã a velha roupa colorida

não serve mais, mônica

eu sei

 

vi no teu quarto só retratos desbotados

vi nos teus braços só retratos desbotados

e no teu quarto só retratos desbotados

 

mônica, mônica, mônica, mônica

 

 

TÓPICO IMAGÉTICO: FINASKI, O JORNALISTA LOKER/ROCKER NO ROLÊ COM OS AMIGOS DO ROCK’N’ROLL

Com quem: Edgard Scandurra e Nasi, a dupla fundadora do gigante Ira!

 

Onde: no camarim do Audio Club, em São Paulo.

 

Quando: após showzaço do Ira! por lá, em setembro do ano passado.

 

Sobre a foto: Zap’n’roll conhece pessoalmente o guitarrista e o vocalista do Ira! há mais de três décadas. Uma longuíssima amizade que sobrevive ao tempo e acompanha a banda desde que ela nasceu, em 1981. E essa gig na Audio foi sensacional: quase duas horas e meia de show que emocionou as quase três mil pessoas que estavam lá. É por causa de grupos como o Ira! que ainda acreditamos nessa porra de rock’n’roll.

O jornalista loker e seus velhos amigos do rock’n’roll

 

 

MUSA ROCKER – A CLASSUDA E DELICIOUS CATARINENSE KARLA

Nome: Karla Souza.

 

Idade: 36 anos.

 

De: São José (região metropolitana de Florianópolis), Santa Catarina.

 

O que faz: estuda Jornalismo e é chef de cozinha.

 

Mora com: bichos de estimação.

 

Três bandas: The White Stripes, Imelda May e Dave Matthews Band.

 

Três discos: “Mothership” (Led Zeppelin), “Flashpoint” (The Rolling Stones) e “Love Tattoo” (Imelda May).

 

Três filmes: “Pulp Fiction”, “O Poderoso Chefão” e “O fabuloso destino de Amélie Poulain”.

 

Três diretores de cinema: Quentin Tarantino, Martin Scorsese e Alfred Hitchcock.

 

Um show inesquecível: U2 na turnê “360 graus”.

 

O que o blog tem a dizer sobre ela: Karlinha é tudibom, sendo que jornalista e musa se conhecem apenas VIRTUALMENTE (e lá se vão mais de cinco anos nessa amizade, rsrs). Mas sempre fomos fã da gata pela sua beleza, inteligência, cultura e por ela ser do rock e uma chef de mão cheia – ela é dona de uma confeitaria em São José. E além disso tudo se trata de uma moça classuda no último, como você pode conferir ensaio logo abaixo.

 

Então pros rapazes: Karla Souza, garota pra casar! Mesmo porque ela está SOLTEIRA, ulalá!

 A musa rocker e o Rei

 

A bocona com batom vermelho,, as unhas pintadas de preto… um convite ao delírio carnal…

Ela olha e observa em silêncio. E nós a desejamos em sonhos pecaminosos

Ar pensativo, tipo vida do cinema

 

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Discos: a estreia em cd dos Descordantes e o segundo álbum da Luneta Mágica, os grandes destaques deste primeiro trimestre de 2015 no rock independente nacional.

 

* Discos, II: o trio Bula, de Santos, já foi comentado aqui. Formado pelo guitarrista e vocalista Marcão (ex-Charlie Brown Jr.), pela baixista Lena e pelo batera Pinguim (também ex-CBJr.), o grupo exibe ótimos rocks, riffs de guitarra e melodias bem radiofônicas em sua estreia em disco. E surpresa: Marcão se revela um bom vocalista (guitarrista fodão ele sempre foi) e bom letrista, escrevendo versos acima da média do que se houve por aí atualmente e até mesmo bem melhores do que aqueles que eram cantados pelo finado Chorão. Perca o preconceito, arrisque, ouça o cd e tire você mesmo (a) suas conclusões. E se o caso for assistir a banda ao vivo, fikadika: eles tocam neste sábado em Interlagos, no festival Lollapalooza, logo no inicio da tarde. Pra saber mais sobre a banda, vai aqui: http://www.bularock.com.br/. Ou aqui: https://www.facebook.com/OficialBulaRock/timeline.

O disco de estreia da Bula: bem melhor do que o finado Charlie Brown Jr.

 

* Loja de discos: localizada na rua Alta da Galeria Nova Barão (com entrada pela rua Barão de Itapetininga e também pela 7 de abril, ambas no centrão de Sampa, próximo à estação República do metrô), a Tuca Discos tem um acervo fodíssimo de LPs de vinil, em edições caprichadas nacionais e importadas. Também não é para menos: o proprietário Tuca trampou quase uma década e meia na Baratos Afins (a loja do lendário e amado produtor Luiz Calanca), onde adiquiriu o know how necessário para tocar bem seu próprio negócio. O resultado é que a lojinha é uma das melhores que existem em Sampalândia nesse momento, para atender àqueles que cultuam um enorme fetiche pelos bolachões. O blog foi lá conhecer, achou sensacional e em breve volta a falar da Tuca Discos por aqui, sendo que você ficar sabendo mais sobre o espaço e os títulos disponíveis lá para venda aqui: https://www.facebook.com/tuca.discos?fref=photo.

 Interior da loja Tuca Discos, no centrão rocker de Sampa

 

* Festival: rola o gigante Lollapalooza Brasil 2015 neste finde em São Paulo, lá no autódromo de Interlagos, néan. Apesar do line up fraquíssimo (e já comentado aqui no post anterior), se você ainda não se decidiu a ir (o blogão zapper não vai), dá pra encarar as gigs de Jack White, Bob Plant, Kassabian, St. Vincent e mais alguns poucos. Mas na boa, estas linhas online estão mais empolgadas em esperar pelos ingleses do Temples, que tocam em maio também na capital paulista.

 

* Baladas para o próximo finde: yeeeeesssss!!! O postão zapper está sendo finalmente concluído já na quarta-feira da nova semana, dia 25. Entonces já podemos ver o que rola de bom pelo circuito alternativo de Sampa de amanhã (quinta-feira) até o finde. Começando que nesta quinta tem showzaço dos Corazones Muertos lá no Inferno Club (que fica na rua Augusta, 501, centrão de Sampa).///Já na sextona em si vai rolar a festa Dedo de Moça, organizada pela conhecidíssima (e dileta amiga zapper) dj Lu Riot, que irá acontecer na Associação Cecília (rua Vitorino Carmillo, 449, Barra Funda, zona oeste paulistana), com show do trio surf music The Dead Rocks e mais dj set da própria Lu e convidados. Bacana hein!///Sabadão em si é semrpe bom começar a noitada tomando brejas artesanais na Sensorial Discos (lá no 2389 da rua Augusta) e depois cair pro outro lado da mesma Augusta, pra ir beber Jack Honey na Tex, passar pelo open bar infernal do Outs (no 486) e terminar a noite no sempre fodástico pub rock que é o Astronete (no 335 da Augusta). Tá bão, né? Só fica em casa quem quer vestir ceroulão e dormir, uia! Então se joga, maluco (a)!

 Rock’n’roll rolando à toda em Sampa non finde que começa já amanhã (quinta-feira), com showzão dos Corazones Muertos (acima) no Inferno Club; já no sábado Jack White (abaixo, em vídeo filmado na gig de ontem em Porto Alegre) vai provavelmente fazer uma das poucas apresentações que irão valer a pena no Lollapalooza Brasil 2015

 

 

 

PROMO FODONA A CAMINHO!

Ela ainda está sendo negociada mas vai rolar! Então já começa a mandar sua mensagem desde já pro hfinatti@gmail.com, que lá vai começar a disputa por:

 

* INGRESSOS (número sendo definido até o próximo post) para o showzaço que os ingleses do Temples irão fazer em Sampa dia 16 de maio, lá no antigo Studio Emme, em Pinheiros. Já vai se antecipando no seu pedido deseseperado e boa sorte!

 

 

FIM DE PAPO

Que o postão agora ficou gigante, completão e do jeito que todo mundo gosta, certo? Semana que vem voltamos com outro inédito por aqui. E até lá deixamos beijos doces e quentes em duas garotas que ainda não conhecemos pessoalmente mas que adoramos desde já pelo que elas são e estão representando na vida do sujeito aqui, neste momento: a Angella Alves (de Sorocaba) e a Lidiana Corrêa (de João Pinheiro, Minas Gerais). E yep, em abril lá vamos nós pro amado Norte brasileiro novamente. Mas antes disso estaremos de volta aqui, podem esperar. Até mais então!

 

 

ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 25/3/2015 às 22hs.)

Yeah! O blogão sempre com olhar atento também para a cena rock brazuca (e isso já há uma década), abre espaço para falar do novo álbum do Cachorro Grande e outras bandas gaúchas e paranaenses bacanudas pra você ouvir agora; saem as PROVÁVEIS datas da turnê sul americana dos Rolling Stones; a festa do Prêmio Dynamite 2014; uma jornalista que é um XOXOTAÇO crioulo defende ao vivo na tv dos EUA a legalização da maconha; plus: Queens Of The Stone Age arrasando em Sampa, uma loiraça delícia total como musa rocker da semana e mais isso e aquilo tudo (postão completão, com as datas da tour do Real Estate no Brasil em novembro, e contando como foi o showzaço do Ira! no último sábado em Sampalândia) (atualização final em 30/9/2014)

 

Uma banda e uma garota rock’n’roll: o gaúcho Cachorro Grande (acima) tenta sair da sua zona de conforto e investe em psicodelia e eletrônica no novo disco; já a nossa sensacional musa rocker deste postão, a lindaça loira Michelle (abaixo) permanece com o coração fiel aos grandes nomes do rock, como David Bowie e Ramones. Ela sabe o que é bom!

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COMPLETANDO O POSTÃO: SHOWZAÇO DO IRA EM SAMPA, A TOUR BRASILEIRA DO REAL ESTATE E A ESCROTICE HOMOFÓBICA DO CANDIDATO LEVY FIDELIX

 

* Yeah! No último sábado teve gig arrasadora do gigante Ira em Sampalândia. O Audio Club (na zona oeste da capital paulista) lotou (havia quase três mil pessoas lá dentro), o povo loucurou total e foi emocionante ouvir novamente ao vivo a banda disparando seu caminhão de clássicos, entre eles “Pobre Paulista” que andava sumida das apresentações ao vivo (ela possui uma letra, hã, preconceituosa e segregacionista? Pode ser, mas vamos dar um desconto: o guitarrista Edgard Scandurra a escreveu quando tinha dezesseis anos de idade). Foi um showzaço, o grupo está inteiraço e afiadíssimo e depois teve bebemoração (com Blue Label) no camarim, com o blog brindando com seus velhos e queridaços amigos de décadas, Nasi e Scandurra. Quem não foi, perdeu!

 Zap’n’roll bebemora com Scandurra e Nasi no camarim, depois de mais um showaço do Ira no último finde em Sampa 

 

* Saíram as datas da turnê do grupo indie americano The Real Estate pelo Brasil. A banda vem pra cá através da parceria entre o pessoal do bacanudo grupo paulistano Single Parents com o produtor Bruno Montalvão. E as gigs rolam dia 20 de novembro em Sampa (no Beco), dia 21 em Porto Alegre (no Beco de lá) e dia 23 no Rio De Janeiro (no Circo Voador), sendo que os ingressos começam a ser vendidos nos próximos dias. Mais infos sobre a tour, vai aqui: https://www.facebook.com/groups/realestatebrasil/?fref=ts.

 O americano The Real Estate: shows confirmados no Brasil em novembro

 

* Fechando a tampa: domingo tem eleição (primeiro turno). O blog pede apenas isso ao seu dileto leitorado: vote em candidatos que realmente valem a pena e que possuem uma plataforma de avanços para o país em todos os sentidos, não de retrocesso. Gente do naipe de Levy Fidelix, um escroto reacionário e fundamentalista que destilou toneladas de preconceito e homofobia em rede nacional no último domingo (durante o debate ocorrido na tv Record) não merece crédito algum do eleitorado esclarecido. Então domingo faça ótimo uso do seu voto. O blog vai votar em André Pomba para deputado federal por São Paulo. E sugere o nome dele para todos os que nos acompanham aqui. É isso. Bom voto pra todo mundo!

 

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Foi uma semana pouco animada.E que está quase chegando ao fim (hoje é tarde de sexta-feira, quando o editorial que abre tradicionalmente nosso postão está sendo escrito) com chuva em Sampalândia, muita chuva. E ela nunca foi tão bem-vinda e necessária por aqui como agora. Pois se a mega incompetência do (des) governo bandido e tucanalha do PSDB durante mais de duas décadas no Estado mais rico do país não conseguiu prever e solucionar a crise hídrica que aí está, na nossa cara, só resta mesmo contar com a providência divina de São Pedro. E torcer para que as águas desabem por muito tempo ainda por aqui. Só isso trará um pouco de alívio e alento para quem está agora convivendo com ameaça de colapso iminente no abastecimento de água. O mesmo alento que a cultura pop e o nosso amado rock’n’roll sempre nos trouxe e contiua trazendo: junto com a chuva também chegaram (na web) novos discos do Weezer e do Thom Yorke (aquele sujeito estranho que canta à frente do grande Radiohead). E além da chuva e desses discos o mondo pop também ganhou esta semana o novo trabalho dos gaúchos do Cachorro Grande e do paranaense Giovanni Caruzzo (e seu grupo, O Escambau), e as prováveis datas da turnê sul americana que os vovôs Stones farão no início de 2015. Motivos mais do que sobra para comemorar? Talvez… mas a verdade é que Zap’n’roll sempre oscila e se equilibra tenuamente entre a euforia e a melancolia. Entre o mundo azul e alegre e a existência cinza e tristonha. Tem sido assim nos últimos dias, mesmo com o conforto e o carinho de se sentir amado por alguém que (infelizmente) está muito distante fisicamente do autor destas linhas online. Yep, nada é fácil nessa vida. Mas com calma, sapiência e paz na alma e no coração seguimos sempre em frente. Porque amar é bom. E estar sempre com o rock’n’roll por perto idem. E é por tudo isso que continuamos aqui, semana após semana, há onze anos já. Para levar sempre amor, cultura pop e rock’n’roll para quem também nos ama. E até para os inimigos que nos detestam. Portanto, bora lá ler mais um postão zapper.

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.2:0.0.0.0″>* Como já dito aí em cima, a sextona chegou com chuva em Sampalândia. E também com os novos discos do Weezer (“Everything Will Be Alright In The End”) e do Thom Yorke (“Tomorrow’s Modern Boxes”) e que, sim, ainda canta no Radiohead. Some-se a eles o primeiro disco solo da deusa magrela Karen O (a lindona e ultra estilosa vocalista do Yeah Yeah Yeahs), “Crush Songs”, e estas linhas bloggers rockers estão com uma caralhada de álbuns pra ouvir e comentar por aqui, nesse post mesmo e nos próximos. Entonces, vamos que vamos!

O primeiro disco solo da magrela estilosa Karen O’, vocaliista do YYY: um dos discos da temporada e que o blog ainda vai comentar

 

* E quem está vindo por aí também com disco novo é o velhusco, chumbrega e paquidérmico Pink Fkoyd. O lendário grupo progressivo inglês, que não lança um disco inédito há vinte anos (!!!), causou comoção esta semana na mídia pop planetária e entre os fãs ao anunciar o lançamento de “The Endless River” – na verdade, sobras de estúdio do último trabalho deles, “The Division Bell”, lançado em 1994. O cd deverá chegar às lojas do mundo todo em 7 de novembro e a pergunta que se faz é: alguém ainda se importa com um dinossauro sem sentido (hoje em dia) do calibre do Pink Floyd? Ok, a banda foi mega relevante na história do rock? Sem dúvida, principalmente na fase Syd Barrett, no final dos anos 60’. Lançou álbuns que são clássicos inabaláveis da música pop, como “Dark Side Of The Moon”, “Wish You Were Here” e “The Wall”? Também. Mas a verdade cruel e inexorável é que o PF deveria ter acabado lá por 1983, quando editou o já sonolento e sacal “The Final Cut” (que na verdade era um disco solo do baixista Roger Waters, mas ostentando o nome do grupo). Agora a importância de se ouvir um NOVO disco desses caras é, sinceramente, nula. E olha que quem está falando isso (o autor deste espaço popper virtual) já foi ultra fã do conjunto, quando era adolescente. Mas agora já elvis, chega. Que se enterre de uma vez a velharia do rock’n’roll, que se ouçam para sempre os grandes discos gravados por essa velharia e que se abra caminho para os novos talentos rockers – se existir algum por aí dando sopa…

O novo disco do velhão e cafona Pink Floyd: alguém ainda se importa com isso?

 

 

* Nosso amado ser vivo mais maravilhoso que existe, o Moz, continua a “fofura” em pessoa. Olhaê embaixo a CAMISETA que o ex-vocalista dos Smiths acabou de lançar. Sem comentários adicionais…

 

* O blog não foi lá ontem (já tinha assistido os caras ao vivo duas vezes e não se importou muito em ir dessa vez), mas quem baixou no Espaço das Américas, em Sampa, jura que a gig do Queens Of The Stone Age foi matadora. Algum dileto leitor zapper confirma? Se sim, mandaê sua impressão.

 

 

* De qualquer forma Josh Homme (o vocalista e líder das Rainhas da Idade da Pedra) continua sendo um figuraça. Pois não é que ele contou em uma entrevista na gringa que chegou a AMEAÇAR sua filhota de oito anos de idade porque ela queria ouvir… One Direction? Foi mais ou menos assim: papi Josh estava levando a fofinha para o colégio. E ela pediu, dentro do carro em que estavam os dois: “põe One Direction pra eu ouvir!”. O loiro não titubeou e respondeu: “você prefere chegar viva no colégio ou quer que eu ENFIE O CARRO naquele morro ali na frente?”. Uia! Educar BEM musicalmente uma criança é isso aí!

 Josh Homme comanda o esporro rocker do QOTSA ontem em Sampa: showzaço segundo quem esteve por lá

 

* E na próxima terça-feira o já freguês brazuca Franz Ferdinand também toca na capital paulista. Os últimos discos do FF são meia-boca e estas linhas virtuais já viram a banda ao vivo pelo menos três vezes. Então vamos passar dessa vez. Mas fato é que, ao vivo, o quarteto de Alex Kapranos sempre manda muito bem. Então pra quem nunca viu uma gig deles, vai lá que vale a pena.

 

 

* Agora, bacana mesmo foi a atitude de MACHO dessa repórter de uma emissora de tv do estado americano do Alasca. Além de ser um XOXOTAÇO preto, Charlo Greene (o nome da garota) defendeu a legalização da maconha em seu Estado e se demitiu AO VIVO do canal onde trabalhava, em função da causa que defende. O blog pergunta: algum jornalista da nossa bundona mega mídia brazuca teria coragem de fazer o mesmo? Hein???

 

 

 

* Que os Rolling Stones tocam na América do Sul (e no Brasil também, óbvio) em fevereiro/março de 2015, não há mais dúvida. O que há, no momento, é muita especulação em torno das datas das apresentações dos vovôs do rock em solo brasileiro e em nossos vizinhos. Vai daí que o sempre confiável site espanhol Rolling Stones Ok soltou as datas das gigs sul-americanas que estão aí embaixo, dando-as como certas. A aguardar e conferir se é isso mesmo.

 

 

* Pelo sim, pelo não, certa mesmo ficou a data da festa de entrega dos troféus do Prêmio Dynamite de Música Independente 2014. O grande encontro anual da indie scene nacional acontece no próximo dia 2 de outubro em São Paulo, na casa noturna Beco (lá no baixo Augusta). Além da premiação em si vão rolar shows dos Los Porongas, 365 e Daniel Peixoto (ex-vocalista do finado duo electro Montage). A entrada é franca e aberta ao público em geral, então você pode colar lá sem problema a partir das oito da noite da próxima quinta-feira. E bebemorar conosco.

 O punk old school do 365 vai fazer um dos shows na festa do Prêmio Dynamite 2014

 

 

* Lembrando que a votação do Prêmio ainda não se encerrou e vai até este domingo, 28 de setembro. Se você ainda não votou, vai no site e deixa lá sua participação: http://www.premiodynamite.com.br/.

 

 

* E sim, a suposta escalação do Lollapalooza BR 2015 está cada vez mais ASSUSTADORA de tão ruim. Fala-se agora até que o sacal e já ultrapassado Linkin Park será um dos headliners do festival (que ainda poderá ter Bob Plant, Jack White e Interpol, e se tiver mesmo é o que vai salvar a parada). Sério, não dá pra gastar uma grana preta, sair de casa e ir parar no longínquo autódromo de Interlagos pra acompanhar um festival que vai ter a porra do Linkin Park como uma de suas atrações principais. Sorry, não rola.

 

 

* Pelo menos o novo disco dos gaúchos do Cachorro Grande é melhor do que anda especulado sobre o line up do Lolla. Dá uma lida ai embaixo e veja como Beto Bruno e cia estão atualmente.

 

 

O CACHORRO GRANDE VOLTOU MUDADO – E ISSO NÃO É RUIM

O quinteto porto-alegresense Cachorro Grande ainda é, talvez, o principal nome do rock gaúcho de década e meia pra cá. Velho conhecido e amigo pessoal do autor dessas linhas bloggers rockers, o grupo também se tornou um dos principais nomes do novo rock brasileiro dos anos 2000’, muito graças aos primeiros e impecáveis álbuns, que mergulhavam fundo nas raízes do rock’n’roll Stoniano básico e garageiro dos anos 60’. Só que depois o grupo se acomodou em sua própria fórmula e começou a lançar trabalhos bem menos inspirados. E agora tenta dar a volta por cima com este “Costa do Marfim”, primeiro registro inédito de estúdio do conjunto em três anos – sendo que o disco já está fácil pra ser ouvido na web, e também já está à venda em cd e vinil.

 

O grupo eternamente comandado pelo vocalista Beto Bruno e pelo guitarrista Marcelo Gross (e que atualmente também conta com os músicos Rodolfo Krieger, Pedro Pelotas e Gabriel Azambuja) se destacou com seus dois primeiros discos (a estreia homônima, lançada em 2001, e depois “As próximas horas serão muito boas”, que veio encartado em 2004 na finada revista Outra Coisa, que era publicada pelo cantor Lobão). Rock’n’roll sem frescura, evocando o garagismo dos Stones e do Who, com letras algo simplórias (as letras, de fato, nunca foram o forte deles) mas com canções instrumentalmente poderosas e que receberam aclamação da jornalistada musical e do público em geral. Beleusma. Vai daí que o selo carioca Deck (do produtor Rafael Ramos) se interessou pelo CG e o contratou, lançando “Pista Livre” em 2005. Foi o último disco realmente relevante dos Cachorros, que se aninharam em uma perniciosa zona de conforto e de lá não saíram mais nos três quase irrelevantes álbuns seguintes (“Todos os Tempos”, “Cinema” e “Baixo Augusta”), todos exibindo qualidade muito inferior ao que o conjunto havia exibido em seu início.

 

“Costa do Marfim” chegou, então, em um momento crucial na trajetória da Cachorrada. Com quinze anos nas costas a banda sacou que ou abandonava o conforto estético (e, a essa altura, já mostrando sinais de esgotamento criativo) no qual estava mergulhado e partia para tentar ousar e invoar novamente, ou um fim melancólico de carreira se desenhava no horizonte. Não se sabe se o fato de o guitarrista Marcelo Gross ter lançado um discaço solo ano passado (o “Use o assento para flutuar”, envolto totalmente em brumas de psicodelia e rock sessentista) ajudou nesse processo, mas fato é que o CG decidiu mudar e arriscar. E isso, no mínimo, já é digno de registro.

A versão em vinil do novo álbum do Cachorro Grande (capa acima); abaixo, Zap’n’roll e o vocalista Beto Bruno, durante festa do Prêmio Dynamite de Música Independente, no início dos anos 2000′

 

 

O grupo se uniu ao veterano músico e produtor Edu K (outro velho amigo zapper e lenda do rock gaúcho que importa nos últimos vinte e cinco anos, atuando até hoje à frente do DeFalla), se trancou com ele num estúdio em Sampa e de lá saiu com um trabalho que trafega entre o rock de garagem e a psicodelia, tudo bordado com ambiências eletrônicas. Nota-se claramente que as referências buscadas pelos Cachorros se encontram em discos recentes do Primal Scream ou do Kasabian, que são mestres em tramar à perfeição o sincretismo entre guitarras e teclados viajantes. Isso gerou mais acertos do que erros em “Costa do Marfim”: “Nós vamos fazer você se ligar” (com mais de dez minutos de duração), “Nuvens de fumaça” e “Eu não vou mudar” (um rock com riffs agressivos de guitarra à moda inicial da banda, lá por 1999) equalizam bem o rock’n’roll básico com a eletrônica e a psicodelia, que surge magistral em “Como era bom”, de melodia altamente radiofônica e que talvez por isso mesmo tenha sido escolhida como primeiro single do álbum.

 

Claro, nem tudo deu certo nessa tentativa de ousar e mudar. “Torpor, partes 2 & 5”, além de ser longa demais (mais de oito minutos), acaba se tornando enfadonha pelo uso excessivo de loops eletrônicos e por criar uma atmosfera psicodélica algo irreal, forçada. O mesmo ocorre com as faixas finais do cd, que não ostentam a mesma qualidade das primeiras músicas.

 

Não, não vai revolucionar nada no atual empobrecido panorama do rock BR. E também não vai resgatar o início glorioso do Cachorro Grande. Mas o blog reitera: a tentativa de mudança e de abandonar zonas confortáveis já é admirável – afinal, só os preguiçosos e com cérebro anestesiado de maneira irreversível é que não se arriscam artisticamente e na vida. Quem ainda está vivo, respirando e possui o espírito inquieto, faz como o Cachorro Grande fez: arrisca. Mesmo que o resultado não seja sensacional.

 

 

* O Cachorro Grande lança o álbum “Costa do Marfim” com show nos próximos dias 17 e 18 na choperia do Sesc Pompeia, em São Paulo. Mais infos aqui: http://www.sescsp.org.br/programacao/s/qsZ#/content=saiba-mais.

 

* E mais sobre o Cachorro Grande e seu novo álbum de estúdio aqui: https://www.facebook.com/CGOficial?fref=ts.

 

 

CACHORRO GRANDE AÍ EMBAIXO

No vídeo do primeiro single do novo disco, “Como era bom”, e também no link para audição completo do novo cd.

 

 

 

MUSA ROCKER DA SEMANA – A LOIRAÇA TATUADA DE DAR ÁGUA NA BOCA!

Nome: Michelle Fernandes.

 

De: São Paulo.

 

Mora em: Sampa também.

 

Idade: 27 anos.

 

Bandas e artistas: David Bowie, Ramones e Foo Fighters.

 

Discos: “Heroes” (do Bowie) e “Wasting Light” (dos FF).

 

Filmes: “Sweeney Tood – o barbeiro demoníaco da rua Fleet” (de Tim Burton) e “Fight Club” (dirigido por David Fincher).

 

O que o blog tem pra falar dela: loiraça delícia total e enlouquece os marmanjos rockers que perambulam pelo baixo Augusta, em Sampa. E também é a simpatia e doçura em pessoa. O jornalista zapper conheceu Michellinha quando ela trampou de hostess no eternamente bombado e já clássico clube Outs – atualmemte, ela recebe a galera com a beleza e o carinho que são suas características desde sempre lá no Skull Bar (também no centrão rocker de Sampalândia). E desde então nunca mais deixaram de ser amigões.

 

As fotos que vocês curtem aí embaixo foram produzidas pela própria Michelle. Então deleitem-se com mais uma musa incendiária, que só Zap’n’roll traz até seu leitorado.

Loira poderosa; alguém duvida e se atreve a encarar?

Eu só quero quem é da minha turma: os garotos do rock’n’roll!

Venha decifrar minhas tatuagens!

O jornalista eternamente gonzo/rocker e a loira divina e tatuada, na balada noturna sem fim na oporta do clube Outs/SP: amizade meiga e sincera

 

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

Disco: “O novo tentamento” (uma clara provocação religiosa à Bíblia) é o quarto álbum de estúdio do músico Giovanni Caruso e sua banda, O Escambau. Vocalista. Baixista, letrista e compositor, Giovanni é velho conhecido na indie scene paranaense e nacional pois foi um dos fundadores do saudoso trio Faichecleres há mai de uma década. E o novo disco dele e sua turma (que é completada por Zo nas guitarras, Yan Lemos nos violões, Ivan Rodrigues na bateria e a Paraguaya na percussão e vocais) periga ser um dos melhores lançamentos independentes do ano, pela rica diversidade instrumental e melódica que exibe. Há vinhetas instigantes com pianos (como a que abre o cd), rocks básicos com melodia pop/radiofônica bacanuda (e aí o destaque fica por conta do primeiro single, “Cidade dos normais”, que inclusive já ganhou vídeo aqui: http://vimeo.com/106654438), baladas densas e algo melancólicas e instrumentação rebuscada (mas nunca chata) em faixas como “Parábola dos Errantes” e “Epistola de um homem a sí próprio”. Fora as letras bizarras e nonsense (como direito a frases como “Acho que tu faz amor com esse computador/Mas ele não fode”). Já tem o voto destas linhas rockers bloggers pra constar na lista dos melhores discos nacionais de 2014. Sendo que você pode ouvir “O novo tentamento” aqui: https://soundcloud.com/escambauoficial/sets/novo-tentamento. E saber mais sobre a banda aqui: https://www.facebook.com/pages/GIOVANNI-CARUSO-E-O-ESCAMBAU/246819602010650?fref=ts.

Giovanni Caruso & O Escambau: discão dos paranaenses já na área!

 

* Banda gaúcha legal, I: já há quinze anos na estrada rocker, o quinteto gaúcho Fantomáticos, formado por Augusto Stern, Fernando Efron, André Krause, Gabriel Hornos e Rodrigo Trujillo está com mais um disco legalíssimo tanto na web, quanto no velho formato físico. “Dispersão” exibe rockão estradeiro e poderoso, construído com ótimas melodias e guitarras cheias de riffs e timbres empolgantes. Canções como a fodíssima “Derreter na estrada” e a lindaça “Ao longe” (de acento folk e conduzida por viola, além de possuir uma letra de grande impacto imagético) desvelam que os guris continuam perpetuando a tradição sulista de dar grandes bandas ao (infelizmente) empobrecido rock brazuca. Quer ouvir “Dispersão” na íntegra? Vai aqui: https://fantomaticos.bandpage.com/. Mais sobre o grupo, vai aqui: https://www.facebook.com/fantomaticos.oficial?fref=ts.

 O quinteto Fantomáticos: levando adiante a tradição do grande rock gaúcho

 

 

* Banda gaúcha legal, II: já o quarteto Wannabe Jalva (formado por Rafael Rocha, Felipe Puperi, Thiago Abrahão e Fernando Paulista) é bem mais novo – surgiu em 2010. Mas igualmente legalzão e fazendo space rock e rock’n’roll com letras em inglês. E curioso é que o grupo está começando a ficar falado nos… EUA, é mole? Competente eles são, e muito. E o mais recente vídeo do conjunto, para a música “Miracle” (e que você pode conferir aí embaixo), dá bem uma ideia de qual é a pegada deles. Mais sobre a banda, aqui: https://www.facebook.com/wannabejalva/timeline.

 

 

* Baladas pra semana toda: yeah! Com o postão sendo concluído já na madruga de terça-feira, vamos dando o serviço aqui pra toda a semana, okays? Começando que hoje, terça em si, tem show amigo do Daniel Belleza & Os Corações em Fúria junto com o ótimo quarteto glam Star61 lá no Da Leoni (na rua Augusta. 591, centrão de Sampa).///Mais? Yep: na quinta-feira, 2 de outubro, tem a entrega do Prêmio Dynamite 2014 lá no Beco (também na Augusta, no 609), com entrada free e aberta ao público em geral. Colá lá que vai ser ótimo! E mais a gente vai atualizando aqui até o final desta semana, beleusma?

 

 

AGORA É TCHAU PRA QUEM FICA

Com postão completão, paramos por aqui. Mas voltamos novamente até esta sextona em si (com as atualizações que se fizerem necessárias por aqui) e com postão novão na semana que vem. Isso aê! Inté, amores!

 

(atualizado, ampliado e finalizado por Finatti em 30/9/2014, às 3:00hs.)