AMPLIAÇÃO FINAL! Com os assuntos já listados e mais um repeteco total tesudo e abusado: o ensaio nude total do casal rocknroll Jonnata Doll e Marcelle Louzada, uhú – Após longuíssima pausa retomamos os trampos no blog zapper, em um 2018 ainda mais sinistro do que nos dois últimos anos no falido e completamente selvagem bananão tropical DESgovernado pelo vampiro golpista. E tentamos colocar tudo em dia por aqui falando de… Copa do Mundo? Nem fodendo, mas sim do novo álbum do Arctic Monkeys, que retorna depois de cinco anos de ausência com um trabalho surpreendente, quase sem nenhum viés rocker e quase sem guitarras; o rock dos anos 2000 foi mesmo pro túmulo mas a vitória de Jonnata Doll & Os Garotos Solventes como melhor artista musical no Prêmio Governador do Estado ainda dá alguma esperança ao gênero; como foi o showzaço do Ira! na Virada Cultural SP 2018; o adeus de um dos espaços de rock alternativo e cultura pop mais legais da noite paulistana; e por que a morte de um certo produtor musical não causou comoção alguma no blog que não tem medo de dizer o que pensa (postão ampliadão, completão e total FINALIZADO em 29/5/2018)

IMAGEMLULALIVREIV

IMAGEMAM2018

O mundo está caótico e o rock e a cultura pop estão praticamente mortos na era da web e nos anos 2000; mas o quarteto inglês Arctic Monkeys (acima) dribla todos os percalços atuais e se reiventa no novo disco, para continuar seguindo como o grande nome do rock britânico do século XXI; enquanto isso em Sampa a sensacional Sensorial Discos, um dos melhores espaços culturais da capital paulista, dá adeus ao seu endereço atual e sendo que neste post o blog zapper recorda alguns momentos incríveis que passou por lá, como quando aconteceu a festa de 11 anos destas linhas rockers por lá, em maio de 2014 e onde rolou até uma performance altamente erótica da nossa eterna deusa e musa number one, a sempre XOXOTUDA ao máximo Jully DeLarge (abaixo, ao lado do “dono” da festa, hihi)

FINATTIJULLYFESTAZAP14

MICROFONIA

(cultura pop e rock alternativo em discos, shows, filmes, livros etc.)

***Pensou que estas linhas lokers e eternamente rockers tinham morrido, néan. Nope. Apesar de o Brasil estar MORTO sob o DESgoverno do maior bandido e desgraçado GOLPISTA imundo que já ocupou a presidência da república de maneira ILEGÍTIMA (e com apoio da patolândia/coxarada BURRA, reacionária, conservadora e IMBECIL, e que tem mais é que levar no CU agora), estas linhas online demoram mas aparecem e seguem firmes e fortes por aqui. Sendo que em outubro vindouro vai ter FESTAÇO num super espaço na capital paulista, para comemorar (com dois showzaços) os quinze anos de Zapnroll. Mas mais pra frente daremos melhores detalhes sobre isso. Por enquanto vamos a este postão (entrando no ar em sua primeira parte ainda, já na noitona de sabadão), que marca finalmente o retorno destas linhas bloggers à sua velha e ÓTIMA forma de sempre, ulalá!

 

***Como foi o show do ainda grande Ira! na Virada Cultural de Sampa deste ano, em sua edição mais rocker dos últimos anos? Veja abaixo:

 

***SHOW DO IRA! – foi sensacional, como prevíamos. Começou pontualmente às 4 e meia da manhã com a banda disparando “Envelheço na cidade” e seguindo assim a sequência (na íntegra) do clássico “Vivendo e não aprendendo”. Sendo que o público (bem menor do que se esperava, mas isso comentamos mais aí embaixo) cantou e pulou nas faixas mais conhecidas do disco (como “Dias de luta”, “Flores em você” e na dobradinha ao vivo de “Gritos na multidão” e “Pobre paulista”, que fecha a versão original do LP), e ficou MUDO nas bem menos conhecidas (mas não menos ótimas), como as poderosíssimas (e que tiveram suas letras literalmente BERRADAS pelo loki aqui) “Vitrine Viva” e “Nas ruas” (“Nas ruas é que me sinto bem/Ponho meu capote e está tudo bem/Vejo pessoas DESMIOLADAS/Viraram uma MASSA devorada por alguém/Sem princípios e muito ESPERTO”). E como se esperava a primeira parte da apresentação terminou quando o disco também acabou. Mas era muito óbvio que a banda iria voltar para um bis, onde todos (ou o blog, pelo menos) esperavam por uma saraivada de mais uns 5 hits clássicos pelo menos. Mas foi bem menos do que isso. A turma voltou e atacou com a sempre ótima (e inesperada, naquele momento) “Rubro Zorro”. Depois mais uma (qual mesmo? Esquecemos, ahahaha) e tudo terminou com “Núcleo Base” (“Meu amor eu sinto muito, muito mas vou indo/Pois é tarde e eu preciso ir embora…”), com a banda se mostrando potente e impecável como sempre ao vivo e deixando os fãs (a maioria velhos, já na faixa dos 35/45 anos de idade) mais do que satisfeitos, Finaski. Saímos FOCADOS de casa para ver ESTE show na Virada Cultural e não teve arrependimento. Voltamos mega contentes (já com o dia clareando) para casa. Valeu mesmo e total o rolê até o centrão de Sampalândia na sempre perigosa madrugada paulistana.

FINATTIIRAFOLK17

Zapnroll ao lado da linha de frente do ainda gigante grupo Ira!, o guitarrista Edgard Scandurra e o vocalista Nasi, diletos amigos de décadas deste espaço online; o show da banda foi sensacional na Virada Cultural paulistana deste ano

***PÚBLICO – muuuuuito menor do que se esperava, tanto que deu pra chegar com o show começando e ainda ficar COLADO na grade na frente do palco. Se há 4 anos o grupo retornou em grande estilo na própria Virada Cultural e tocando diante de um público de cerca de 35 mil pessoas (e estávamos lá, ESPREMIDOS no meio da multidão), dessa vez nosso “chutômetro” calcula que não havia mais do que umas 5 mil pessoas no boulevard São João (que é um calçadão gigantesco e onde cabe com folga uma multidão muito maior). Claro que há alguns fatores que explicam essa plateia bem abaixo do que era esperado para a gig da banda: o horário total ingrato da apresentação (4 e meia da matina), o frio que finalmente chegou com tudo em Sampa (no momento do show devia estar fazendo uns 14 graus) e o fato de que a MOLECADA atual não curte mais rock, mesmo – como já foi dito aí em cima, o grosso do público era de trintões e quarentões. A pirralhada e o povão se aglomerou mesmo na frente de palcos onde estavam rolando samba e pagode, ou então funk e música eletrônica. Coube ao Ira manter a dignidade gigante que sua história possui até hoje e manter o amor ao rock, compartilhado por todos que presenciaram a performance do grupo.

 

***SEGURANÇA NO EVENTO – todos aqui sabem que não temos nenhuma simpatia pelo tucanato. E também que o item “segurança” é sempre algo problemático na Virada Cultural. Mas como sempre prezamos pela JUSTIÇA, sinceridade e VERDADE no que escrevemos, dessa vez somos obrigados a admitir que foi bastante diferente – e olha que o blog já foi em quase todas as edições da festa cultural até hoje. Óbvio que rolaram os costumeiros furtos de carteiras e cels lá no centro. Bom, nosso trajeto: saímos do Clube Outs 3 e meia da matina e descemos a pé a rua Augusta, que estava vazia e sem policiamento de fato, sendo que foi a parte mais tensa do trajeto, digamos. Seguimos pela praça Roosevelt até cair na avenida Ipiranga, onde começamos a passar por aglomerações de pessoas. Passamos pelo primeiro palco (o do rock, em frente ao Copan), onde inclusive pegamos as três primeiras músicas do set dos Inocentes. E seguimos em frente pelo centro até o local do show do Ira!. Aí rolou total suave pois, de verdade, nunca vimos tantos POLICIAIS (da PM mesmo e da guarda civil) ao logo do trajeto e tantas VIATURAS como nessa edição. Sendo que incrivelmente em alguns trechos da nossa caminhada vimos mais guardas e viaturas do que público, rsrs. De modos que não havia mesmo espaço pros malacos agirem e foi uma madrugada muito mais tranquila do que se esperava lá pelo centrão de Sampa. Se todas as Viradas fossem sempre assim, seria ótimo!

 

***Sem novas grandes novidades para serem incluídas aqui, nas notas microfônicas. De modos que qualquer extra irá entrar ainda neste post caso algo realmente bombástico aconteça, okays? Por enquanto, ficamos por aqui.

 

 

APÓS CINCO ANOS AUSENTE O ARCTIC MONKEYS RETORNA COM UM DISCO NADA ROCK E MUITO ESTRANHO – O QUE NÃO SIGNIFICA QUE ELE SEJA RUIM

Foi mais ou menos assim: após um sumiço de cinco anos dos estúdios de gravação, o quarteto inglês Arctic Monkeys precisava dar as caras novamente. Afinal, aquela que talvez seja a maior, mais relevante e a última banda inglesa de rock dos anos 2000 que ainda vale a pena ser ouvida e tem o respeito e a admiração não apenas da crítica musical mas de milhões de fãs mundo afora (Brasil incluso), tinha/tem consciência plena de que o tempo voa nesses tempos frugais e fúteis da era vazia da web e que, por isso mesmo, era preciso dar as caras novamente. E o AM o fez finalmente, no último dia 11 de maio. Com o seu sexto álbum de estúdio, “Tranquility Base Hotel & Casino”, lançado oficialmente naquela sexta-feira (inclusive aqui, via Deck Disc), trabalho que era esperado com mega ansiedade pela humanidade. Afinal a grande questão era: como seria o novo som dos Macaquinhos? Tão rock e com guitarras explosivas quanto o espetacular e ultra bem sucedido “AM”, editado em 2013 e que rendeu absurdos seis singles individuais? Mais calmo e com mais variedade sonora? Nada disso?

Sim, absolutamente NADA DISSO. O que rolou foi que a banda decidiu que precisava se reinventar musicalmente para continuar existindo. Isso significou praticamente abandonar o rock de guitarras que funcionou tão bem até “AM” (de 2013) e tornou o quarteto britânico um dos últimos nomes gigantes do quase morto rocknroll dos anos 2000 e da era da web. E decidido a praticamente ignorar as guitarras, qual foi o caminho tomado pelo conjunto? Simples e o próprio líder, letrista, cantor e compositor Alex Turner falou sobre as mudanças em entrevistas recentes. Segundo ele, a sua inspiração para compor no instrumento de seis cordas icônico em toda a história do rock, estava literalmente acabando. Foi quando Turner ganhou um PIANO de presente de aniversário do empresário dos Macaquinhos ao completar trinta anos de idade, em 2016. Sentiu sua criatividade voltar com força ao começar a “brincar” no instrumento. E veio dali, do piano, toda a inspiração para compor as onze faixas do novo trabalho.

Que certamente vai DESORIENTAR quem está acostumado com o rock básico de nuances punksters do AM do início de sua carreira (lá em 2002, já se vão longos dezesseis anos…). Ou com a banda que abraçou com força e com competência absoluta (e com um grande help do gênio Josh Homme, do Queens Of The Stone Age) o stoner rock a partir de seu terceiro álbum (o espetacular “Humbug”, lançado em 2009). Se não causar desorientação nos fãs, no mínimo o novo cd vai causar irritação ou mesmo raiva nos mesmos – este espaço rocker online já “testou” opiniões sobre a nova empreitada musical dos Monkeys no faceboquete entre nossos amigos por lá, e o resultado foi bem previsível: boa parte deles achou “Tranquility…” uma merda gigante.

Talvez o disco esteja sendo, como sempre ocorre quando uma banda muda radicalmente sua proposta sonora, mal compreendido. Nunca é demais lembrar: o AM estourou para o mundo via internet e com seus dois primeiros discos de estúdio, lançados em 2006 e 2007, e quando Alex Turner ainda era um pirralho cheio de boas ideias tanto nas letras quanto na parte musical. Mas tudo aquilo ainda precisava ser lapidado e burilado, tanto que essa fase inicial do conjunto (com ele tentando reeditar para os anos 2000 a fúria e a iconoclastia punk inglesa do final dos anos 70) é justamente a que o blog zapper não suporta na trajetória dele. Estas linhas zappers passaram a morrer de amores por Turner e sua turma justamente quando lançaram o já citado “Humbug”. E depois de assistir uma gig inesquecível e fodástica do quarteto na edição de 2007 do Tim Festival, em Sampa. Naquele show e antes de lançar seu terceiro LP o AM já dava pistas totais de que o trabalho vindouro iria mudar bastante a concepção sônica deles. Foi quando entrou em cena o stoner rock que dominou os três álbuns seguintes, os melhores da carreira da banda.

CAPAAM18II

 

Mas a fórmula “stoner” também parecia ter se esgotado, ao menos na cabeça de Alex Turner. Foi quando entrou em cena o piano dado de presente pelo empresário do cantor e de sua banda. O resultado apareceu agora, cinco anos depois do mega sucesso que foi o disco “AM”. E se você que está lendo esse texto ainda não ouviu o novo álbum (algo difícil nesses tempos onde tudo flui hiper velozmente, não é? Ainda assim e como sempre dissemos aqui, nunca é tarde para se comentar/resenhar um ótimo trabalho musical), esqueça absolutamente TUDO o que você imaginava em termos sonoros em relação aos Monkeys. As guitarras saíram quase que totalmente de cena. Prevalece em todo o disco ambiências absolutamente calmas em termos melódicos, com fartas referencias a soul (!) e a R&B (!!!). Sendo que boa parte da rock press gringa também captou em algumas faixas do CD eflúvios e referências diretas do inesquecível e saudoso gênio David Bowie. Isso é ruim? De forma alguma. Fora que Alex Turner está cantando cada vez melhor e se utilizando como nunca de um falsete sarcástico, irônico e debochado, para reforçar algumas inflexões e algumas passagens vocais e dar mais força a alguns versos das letras, que também estão cada vez melhores e aqui refletem sobre o mundo moderno, sobre avanços tecnológicos que dão tudo ao ser humano e ao mesmo tempo o deixam completamente vazio e anódino por dentro. E, claro, já na faixa de abertura (a soberba “Star Treatment”) Turner reflete sobre si próprio e sobre em que e como, afinal, se tornar um rock star muda a existência e a essência de uma pessoa.

Sendo que há muitos outros momentos bem bacanas ao longo do disco. Como a faixa título (veja letra mais aí embaixo), ou ainda a mezzo psicodélica “Four Out Of Five” (o primeiro single de um álbum que não foi precedido por NENHUM single antes de seu lançamento oficial), “Science Fiction”, “American Sports” (onde Turner zomba sem piedade dos EUA da era Trump), “Batphone” ou a estoica/eloquente e algo melancólica (em seu clima de cabaré tristonho e decadentista, com melodia impecavelmente construída e conduzida pelo piano) “The Ultracheese”, que fecha tudo em grandioso estilo.

Yep, é um disco diferente de tudo que o Arctic Monkeys havia feito até então. Isso é ótimo? Péssimo? Depende do ponto de vista e do gosto do ouvinte e fã sectário. No caso de Zapnroll achamos que “Tranquility Base Hotel & Casino” é um álbum que desvela que Alex Turner teve coragem e MATURIDADE (quem disse que o rock não pode conviver com a maturidade comportamental e emocional do ser humano?) para, aos trinta e dois anos de idade, enxergar que o AM havia chegado a um ponto de não retorno e que a banda precisava mudar tudo para continuar existindo e continuar sendo relevante. E ele conseguiu o que queria. Musicalmente os Macaquinhos se reinventaram e seguem totalmente relevantes, como talvez a última banda inglesa que valha a pena de duas décadas pra cá. Se isso vai fazer alguma diferença no rock atual e na vida dos fãs do grupo, só o tempo irá dizer.

 

 

TRACK LIST DO NOVO ÁLBUM DOS AM

1. “Star Treatment”
2. “One Point Perspective”
3. “American Sports”
4. “Tranquility Base Hotel & Casino”
5. “Golden Trunks”
6. Four Out of Five
7. “The World’s First Ever Monster Truck Front Flip”
8. “Science Fiction”
9. “She Looks Like Fun”
10. “Batphone”
11. “The Ultracheese”

 

 

 

AM AÍ EMBAIXO

No vídeo para o primeiro single do novo álbum, “Four Out Of Five”.

 

E O DISCO COMPLETO PARA OUVIR, ABAIXO

 

A LETRA DA FAIXA TÍTULO DO NOVO DISCO DOS MACAQUINHOS

 

Hotel e cassino base de tranquilidade

Jesus no day spa preenchendo o formulário de informações

Mamãe fez o cabelo dela

Apenas pulando para cantar uma música de protesto

Eu estive em um bender de volta para essa esplanada profética

Onde eu pondero todas as perguntas, mas apenas consigo perder a marca

 

Boa tarde

Hotel e Casino Base de Tranquilidade

Mark falando

Por favor, me diga como posso direcionar sua ligação?

 

Esse pensamento mágico

Parece que realmente pode pegar

Mamãe quer algumas respostas

Você se lembra de onde tudo deu errado?

Avanços tecnológicos

Realmente sangrenta me deixa de bom humor

Puxe-me para perto de um bebê de véspera crisp

Beije-me debaixo do peito do lado da lua

 

Boa tarde

Hotel e Casino Base de Tranquilidade

Mark falando

Por favor, me diga como posso direcionar sua ligação?

 

Você comemora seu lado negro

Então gostaria que você nunca tivesse saído de casa?

Você já passou uma geração tentando descobrir isso?

 

Boa tarde

Hotel e Casino Base de Tranquilidade

Mark falando

Por favor, me diga como posso direcionar sua ligação?

 

 

O FECHAMENTO (INFELIZMENTE) DE MAIS UM ESPAÇO ALTERNATIVO INCRÍVEL E QUE MARCOU ÉPOCA EM SAMPA, MESMO TENDO DURADO APENAS 5 ANOS

Não há mais escapatória, pelo jeito. O bananão tropical falido, fodido e DESgovernado por um golpista desgraçado e do inferno vai fazendo cada vez mais vítimas, espaços culturais, eventos e empreendimentos, diariamente. Inclusive na cena musical noturna alternativa da capital paulista, onde diversos bares e clubes bacaníssimos dedicados ao rock (que, sim, também anda quase morto nesses tempos de internet fútil, vazia e de cultura pop banal, irrelevante e total rasa, com a pirralhada dando um “foda-se” para o gênero musical que todos nós amamos, e se descabelando ao som de sertanojo e funk boçal) encerraram atividades nos últimos dois anos – como o Astronete, o Inferno, a Funhouse etc. E agora neste sábado, conforme já está anunciado nas redes sociais, é a vez da festa de despedida da sensacional Sensorial Discos, que tornou nossas vidas medíocres menos ordinárias ao menos nas noites de quarta-feira a sábado, nos últimos quase cinco anos.

O espaço, um mix genial de loja que comercializava discos de vinil importados com venda de cervejas artesanais (chegou a ter mais de 150 marcas em seu cardápio), além de sandubas e petiscos sofisticados, vai deixar mega saudades por zilhões de motivos. Por exemplo: as bruschettas de tomate seco eram divinas, idem as rodelas de cebola empanadas e os recentes hot dogs incorporados à carta de comestíveis, tudo com preços ótimos e em porção generosa, adornados na versão mais caprichada com bacon e queijos diversos, tudo preparado com absoluto esmero pela Lilian, uma das sócias e esposa do proprietário, o queridão Lucio Fonseca.

A carta de cervejas artesanais era impecável (sendo que recentemente a casa também havia incorporado ao quesito bebidas doses de Red Label, de Jack Daniel’s e de rum importado, mas nem era preciso), indo da Paulistânia/Ypiranga vermelha (e bem forte e encorpada, a preferida deste jornalista loker/rocker quando ele ia ao local) que custava módicos 20 mangos a garrafa (de 600 ml), a até rótulos tchecos com valor em torno de 80 reais a garrafa. Mas tanto as brejas quanto os petiscos saborosos, otimamente preparados e bem servidos, eram apenas a desculpa para segurar a clientela no lugar e chamar a atenção dela ao que realmente importava ali: a música (sempre rock ou MPB de ótima qualidade, apresentada por artistas iniciantes ou alguns até já meio consagrados no circuito independente ou mezzo mainstream). Durante os seus quase 5 anos de existência a Sensorial abriu espaço para alguns dos melhores shows que tivemos o prazer de assistir nesse período. Não só: o bar/loja de discos de vinil foi espaço de eventos incríveis como lançamento de livros, feiras, exposições sobre temas ligados à cultura pop etc, etc. O autor deste texto, ele mesmo promoveu eventos mega legais por lá, como festas de aniversário do blog zapper. E sendo que nossa última e super bem sucedida festa por lá foi a noite de autógrafos e de lançamento do livro “Escadaria para o inferno”, que aconteceu no final de novembro do ano passado.

FINATTILUCIOSENSORIAL18

Zapnroll ao lado de Lucio Fonseca (acima), proprietário de um dos espaços rockers e de cultura pop mais incríveis da capital paulista, e que hoje está encerrando atividades em seu atual endereço; abaixo turma de “lendas” do rock paulistano se junta ao jornalista e escritor para bebemorar o lançamento de seu primeiro livro, em novembro passado: o músico e escritor Luiz Cesar Pimentel, o ex-baterista do Ira!, André Jung, e Callegari, um dos fundadores do movimento punk paulistano, nos anos 80

FINATTIAMIGOSSENSORIALLIVRO17

 

Como tudo começou, afinal? A versão original da Sensorial era uma simples loja de discos e CDs localizada no centro de São Paulo, na rua 24 de maio (na Galeria Presidente, ao lado da célebre Galeria Do Rock). O proprietário era o conhecido músico e agitador cultural Carlos Costa (que toca baixo na banda Continental Combo). E um dos frequentadores mais assíduos era Lucio Fonseca, um sujeito que trabalhava no mercado financeiro e que possuía um amor e um conhecimento ENCICLOPÉDICO de rock e cultura pop. Pois bem: com a crise se agravando no país Carlinhos resolveu fechar a loja que tinha no centro da capital paulista. Foi quando Lucio lhe fez a proposta: reabrir a Sensorial mas com outra proposta comercial, outro foco de público e em uma região um pouco mais nobre da cidade. Foi assim que nasceu a Sensorial Discos onde ela estava/está localizada até hoje à noite: na rua Augusta, região dos Jardins (a parte, digamos, rica e chic de uma das ruas mais famosas do Brasil). E foi assim que ela marcou época, vendendo os melhores discos de vinil novos, lacrados e importados, servindo as melhores cervejas artesanais da noite paulistana e oferecendo ótimos pocket shows para um público ainda interessado em MPB e rock de qualidade.

Mas tudo acaba um dia nesse sempre cinza, triste e miserável país. E mesmo conseguindo manter um público fiel a Sensorial Discos enfim cedeu às pressões de uma situação econômica caótica dominando o Brasil e resolveu fechar as portas, mesmo porque Carlinhos já havia saído da sociedade há algum tempo e Lucio estava tocando o negócio sozinho, junto à sua dileta love girl Lilian. Em papos com este blog semana retrasada ele já havia dito que iria fechar a loja no final deste mês (“o aluguel está absurdo, tentei negociar com o proprietário mas ele não aceitou acordo algum”, disse ele quando conversamos. “Fora que as pessoas estão sem dinheiro e apesar de ainda mantermos um público fiel o CONSUMO no bar caiu”, completou). Ele tem planos de reabrir em outro local. Mas ainda sem previsão de data nem endereço já escolhido.

De modos que neste sábado iremos perder mais um incrível espaço cultural alternativo em Sampa. E isso é de se lamentar profundamente visto que a sociedade brasileira, quase como um todo, se tornou bastante ignorante, boçal e conservadora de alguns anos pra cá, muito mais do que era há três décadas. Hoje não há mais espaço no país para música de qualidade, idem literatura, cinema, artes visuais, teatro, o que for. O que impera aqui é o reino do raso e do fácil, de consumo simples, direto e rápido. Está ficando cada vez mais impossível manter espaços comerciais dedicados à cultura de qualidade, como era o caso da Sensorial Discos.

FINATTIFLAMINGOSENSORIAL2014

Mais dois ótimos momentos do blog ao longo dos últimos, na Sensorial Discos/SP, que está encerrando atividades hoje no atual endereço: acima a finada banda Star61 toca o terror rocker na bombadíssima festa de 11 anos da Zap, em maio de 2014; e abaixo o jornalista e escritor zapper brinda com seu amigo Nasi (vocalista do grupo Ira!), durante gravação de entrevista para o programa “Nasi noite adentro” (do Canal Brasil), em janeiro passado

FINATTINASI17

 

Vai deixar muitas saudades, com certeza. E para amenizar um pouco essa saudade estaremos todos lá neste sábado, para (repetindo novamente) nos despedir (tomando ótimas brejas) de um local que tornou nossas vidas quase sempre imensamente cinzas, caóticas, vazias e tediosas, menos ordinárias nas noites de quarta-feira a sábado. Sendo que daqui desejamos todo o sucesso e sorte do mundo pra dom Lucio e miss Lilian, em suas novas e futuras empreitadas.

 

XXX

 

Do texto que consta na página do evento aberta no Facebook, sobre a festa de despedida da loja/bar:

 

Aconteceram nestes 4 anos e 7 meses de funcionamento:

– Mais de 1500 Shows

– Lançamentos de livros e quadrinhos

– Discotecagens e Festas

– Exposições de fotos, pinturas e ilustrações

– Performances

– Debates Filosóficos

– Saraus

– Degustações de Cervejas

– Feiras e Bazares

 

***última forma: em papo com o blog na tarde de hoje, sábado em si, Lucio Fonseca deu a ÓTIMA notícia: a Sensorial Discos já reabre nas próximas semanas em novo endereço, na rua Augusta mesmo, mas do lado entre a avenida Paulista e o centro da cidade. Vai funcionar na Galeria Ouro Velho, tradicional ponto do baixo Augusta e que ferve nos finais de semana à noite. Logo menos daremos mais detalhes aqui sobre o novo endereço de um dos bares e lojas de discos mais incríveis da capital paulista.

 

**********

A VITÓRIA DO GRANDE ROCK ALTERNATIVO NO PRÊMIO GOVERNADOR DO ESTADO 2018 COM JONNATA DOLL E SEUS GURIS SOLVENTES, DÁ ALGUM ALENTO À MORIBUNDA CENA ALT ROCK BR

Palavra deste velho (mas jamais obsoleto) jornalista eternamente rocker e ainda loker: mesmo falido e já quase morto o rock BR ainda respira e mostra sua força, aqui e ali. E um dos momentos em que ele mostrou essa força rolou no final de março passado, durante a cerimônia de entrega do Prêmio Governador do Estado para a Cultura 2018 – do qual o autor deste espaço online foi um dos três jurados na categoria música. E no evento assistimos com o coração em júbilo absoluto ao triunfo do Jonnata Doll e seus guris solventes (na real este espaço rocker já sabia do resultado da premiação e apenas não podia abrir seu enorme bico antes da entrega dos prêmios, mesmo porque isso iria estragar o fator surpresa e a alegria da banda, hehe). Que DISSOLVERAM concorrentes pesos-pesados como Mano Brown (vocalista dos Racionais), por exemplo.

O quinteto cearense merece, e como. Grupo bom pra carajo e que ainda por cima recebe um mega merecido destaque para seu trabalho, ainda mais em um momento em que o rock precisa de total apoio e visibilidade na mídia e na música total emburrecida de um país idem, e onde o que manda no gosto do populacho é sertanojo, axé burrão e funk podreira em nível hard. E sim, mesmo estando em “baixa”, o rock ainda vive, respira e CHUTA.

E a Secult/SP merece todos os elogios do mundo por dar essa força à cultura como um todo e ao rock em particular. Sem palavras para agradecer ao (agora ex) Secretário José Luiz Penna e ao amado André Pomba, por essa autêntica revolução dentro da Secult.

IMAGEMJONNATAVENCEPREMIOGOV18

O telão instalado no teatro Sérgio Cardoso (no centro da capital paulista), durante a cerimônia de entrega do Prêmio Governador do EstadoSP para a Cultura 2018, anuncia a vitória da banda Jonnata Doll & Os Garotos Solventes na categoria música (acima), dando novo alento ao combalido rock alternativo brasileiro atual; abaixo o vocalista Jonnata Araújo comemora a vitória ao lado de Zapnroll, que foi um dos jurados da premiação

FINATTIJONATTA18

Finda a premiação fomos todos bebemorar, claaaaaro. Com brejas e em seguida Finaski indo jantar com seu queridaço advogado ricaço “hipócrita de extrema direita” (hihihi), o também loker/rocker TG, que voltou de viagem de trabalho de uma semana ao exterior. Enfim, fakes otários e doentes de inveja no FB (como o PORCÃO José Flávio JOTALHÃO MERDA Jr., que foi destilar sua raiva, rancor, inveja, torpeza, ódio e dor mortal de cotovelo no grupelho que ele “administra” sobre a finada revista Bizz, dizendo por lá que “é uma vergonha a Secult permitir que Finatti faça parte de algo, e quanto ele irá receber de ‘gorjeta’ da banda por tê-la ajudado a ganhar a premiação?”, ahahahaha) e no painel do leitor da Zapnroll: podem SE MATAR avonts de ódio. E latir à vontade também.

De modos que mais uma vez: parabéns pro Joninha e os guris solventes. E daqui pra frente, foco no trabalho e administrar mega bem o money que irão receber da premiação. Afinal a banda é mesmo uma das melhores e das poucas com trabalho realmente relevante na novíssima cena independente do rock nacional. Sendo que com a grana que irão receber por ter ganho o prêmio (R$ 60 mil reais), o plano é gravar um novo e caprichado disco, que será o terceiro inédito de estúdio deles. É isso aí: sucesso pros meninos, que estão no coração destas linhas zappers já para sempre!

 

***Adendo: um covarde e retardado ainda foi VOMITAR no painel do leitor de Zapnroll, perguntando o que fizemos até hoje pela cena rock alternativa nacional, como jornalista. Nem precisamos responder, hihi.

 

 

 

E A MORTE LEVOU O PRODUTOR MUSICAL CEM (NOÇÃO) EM MARÇO PASSADO

Yep. Em 22 de março passado o meio musical brazuca foi surpreendido com a notícia da morte de um dos produtores musicais mais conhecidos do país nas duas últimas décadas – e não exatamente por ele ser o pseudo e superestimado “gênio” que muitos consideravam e ainda consideram, num exagero sem tamanho. Na ocasião o jornalista zapper postou o texto abaixo em sua página no FaceTRUQUE, emitindo sua opinião sobre o falecido. Foi um escândalo: Finaski foi xingado, insultado, chamado de aético, foi repreendido publicamente (por chapas como o prezado André Forastieri, que declarou no mural fináttico da rede social: “você perdeu o direito de me chamar de queridão”) etc. Tudo porque vivemos na era da web escrota, do politicamente correto exacerbado, do moralismo total hipócrita e da falta de sinceridade plena, onde ser sincero e dizer/publicar o que se realmente pensa sobre algo se tornou um crime.

Enfim, o blog não mudou e não mudará uma linha sequer sobre o que escreveu naquele momento, e que segue aí embaixo. Sem mais.

 

XXX

IMAGEMCEM18 O produtor musical CEM (noção), um dos nomes mais conhecidos da cena musical nacional nas últimas duas décadas e que morreu repentinamente em março passado: superestimado profissionalmente em demasia, virou “santo” assim que seu falecimento foi anunciado. Que descanse em paz mas seu passamento não comoveu absolutamente em nada este espaço rocker online

Sobre a morte do produtor CEM (ou Carlos Miranda).

Na boa? NÃO VOU ALIVIAR pro finado em questão, como não aliviei pro analfabeto funcional que era Chorão (vocalista do Charlie Bronha Jr.), quando ele também foi pro saco. O ser humano tem o PÉSSIMO hábito de endeusar e perdoar todos os pecados de quem morre, por pior que a pessoa tenha sido em vida e como se ela sempre tivesse sido uma santa, sem cometer nenhum erro, falha ou cagada em sua existência, e sem ter jamais prejudicado quem quer que fosse. Partindo dessa premissa até Hitler e Stalin foram “santos”. Mas como não tolero injustiça, acho que o que tem que ser dito DEVE ser dito, mesmo que seja algo desabonador sobre a vida pregressa de um morto.

Posto isso, digo que não desejo a morte de absolutamente NINGUÉM nesse mundo. Nem a de Hitler (pra exemplificar meu pensamento), nem a de um inimigo FEROZ e cruel, como este senhor foi de mim e sendo que muitas vezes ele tentou me prejudicar moralmente e profissionalmente da forma mais solerte, canalha, calhorda e infame possível. Mas enfim, como sempre digo: desse mundo ninguém jamais sairá vivo. Meus sentimentos aos amigos e familiares dele. É isso. Podem me xingar e fuzilar à vontade por causa deste post. Pelo menos sou honesto, transparente e detesto falsidade. E sei que quando EU morrer (e não tenho medo algum da morte, além de achar que a minha está cada dia mais próxima) muitos irão lamentar meu fenecimento da maneira mais FALSA possível. De modos que terei (do além, se ele existir) muito mais respeito pelos HONESTOS que me DETESTERAM e tentaram me foder a vida toda pelas costas e que irão COMEMORAR secretamente meu desaparecimento, dizendo: “já foi tarde, filho da puta!”.

Quem quiser saber o que eu pensava de fato de mr. Miranda, segue abaixo o link de post que publiquei no blog zapper há seis anos, em 2012. E novamente: rip, Mirandinha.

http://www.zapnroll.com.br/2047/

 

 

ENSAIO ROCKER SENSUAL EM REPETECO MERECIDO: JONNATA DOLL E SUA LOVE GIRL MARCELLE, UHÚ!

Yep, para comemorar a vitória da banda Jonnata Doll & Os Garotos Solventes no Prêmio Governador do EstadoSP 2018 para a Cultura, nada melhor do que republicarmos um dos melhores ensaios eróticos já produzidos para o blog zapper: o que mostra o cantor Jonnata total avonts ao lado da sua gatíssima e gostosíssima lovegirl, Marcelle Louzada. Apreciem sem moderação!

 

ELA

Quem: Marcelle Louzada.

De onde: sou do mundo sou Minas Gerais. Moro no centro da São Paulo desvairada, vale do Anhangabau.

Idade: 35 anos.

O que faz: artista do corpo, pesquisadora das artes. Doutoranda em educação pela Unicamp.

Três artistas: Patti Smith, Rita Lee e Karina Bhur.

Três discos: “Horses” (Patti Smith), “Hoje é o primeiro dia do resto de sua vida” (Rita Lee) e “Selvática” (Karina Bhur).

Três filmes: “Je vos salue  Marie”, “Zabriskie Point” e “Sonhos”.

Livros: “Flicks” (Ziraldo), “Macunaíma” (Mario de Andrade) e “A revolução dos bichos” (George  Orwell).

Três diretores de cinema: Zé do Caixão, Jean Luc Goddard e Federico Fellini.

Três escritores: Ziraldo, Mario de Andrade e Italo Calvino.

Show inesquecível: Jonnata doll e os Garotos Solventes no vale do Anhangabaú em São Paulo, 2016.

 

ELE

Quem: Jonnata Araújo.

De onde: Fortaleza (Ceará).

Mora em: São Paulo, capital.

Idade: 35.

O que faz: vocalista, letrista e compositor na banda Jonnata Doll & Os Garotos Solventes,

Três artistas : Ramones, Dago Red (Fortaleza/CE) e Iggy Pop.

Três discos: “It’s Time For” (Jonathan richiman), “Lust for life” (Iggy Pop) e “Uhuu” (Cidadão Instigado).

Três livros: “Misto quente” (Charles Bukowski), “Junky” (William Burroughs) e “Crônica da províncias em chamas” (Airton Uchoa Neto).

Três filmes: “A noite dos mortos-vivos”, “O império contra-ataca” e “A montanha sagrada”.

Três diretores de cinema: George Romero, David Cronemberg e Lucio Fulci.

Três autores literários: Isaac Assimov, Wiliam Burroughs e Jack Kerouack.

Show inesquecível: da banda cearence Dago Red,  em 1997 no padang padang, atigo espaço de show de rock na pria de iracema em Fortaleza. Foi a primiera vez que vi uma banda de punk rock tocando algo, falou diretamente comigo, todos da banda chapados e com uma energia incrível e ao contrário da maioria de bandas punks da época, todas com letras engajadas, as letras do dago red falavam de coisas que eu sentia: tristeza, sexo, drogas, amor, ateísmo e musicalmente eu entendi o que era uma guitar band e um pedal fuzz ali. Depois disso fui na casa do Robério, o vocalista, e saí com um monte de discos emprestados: Velvet, Iggy Pop, Husker Du, Mercenárias, Smack, Inocentes, Pixies e aí minha vida mudou depois disso e achei meu som.

 Sobre o casal e como o blog os conheceu: Marcelle e Jonnata têm a mesma idade, total afinidade cultural e intelectual e moram juntos em um aconchegante apê de um dormitório no centrão rocker de Sampa. Cercados por discos de vinil e livros, o casal leva uma vida bastante agitada: ela está fazendo doutorando na área de Humanas; ele sempre fazendo shows e cantando à frente dos Garotos Solventes, banda da qual é vocalista. Além disso Jonnata participou de várias gigs da turnê que comemorou os trinta anos do lançamento do primeiro álbum da Legião Urbana, tocando e cantando ao lado de Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá ao longo de todo 2016.

E estas linhas sempre total rockers conheceu Jonnata, Marcelle e a banda há apenas alguns meses, após assistir uma apresentação do grupo durante uma peça de teatro marginal, em Sampa. Foi paixão à primeira vista pelo conjunto e agora o blog já tem os Solventes e o casal rock’n’roll no nosso coração.

Mas chega de bla bla blá, rsrsrs. Aí embaixo nosso dileto leitorado confere um ensaio fodíssimo e tesudo da dupla, especialmente para Zap’n’roll. Então deleitem-se e apreciem sem NENHUMA moderação, uia!

IMAGEMJONINHAMARCELLE

Casal rocker: tesão e música caminhando juntos

 

IMAGEMJONINHAMARCELLEII

Ele com olhar atento e agressivo; ela, observando a fera com suavidade

 

IMAGEMJONINHAMARCELLEIII

Um baseado pra relaxar 

 

IMAGEMJONINHAMARCELLEIV

Corpo, carne e corações em conexão plena

 

IMAGEMJONINHAMARCELLEV

Observando as estações lunares impressas no corpo da amada

 

**********

FIM DE PAPO

Pronto! Demorou mas o postão voltou bem, com textão e afiado como sempre. De modos que podemos encerrar os trampos por aqui, mesmo porque o blogger sempre andarilho está se mandando para a tenebrosa (atualmente) capital fluminense (yep, o Rio De Janeiro mesmo) nesta quarta-feira (amanhã em si, véspera de mais um feriadón), onde fica até a semana que vem, para divulgar nosso livro “Escadaria para o inferno”.

Beleusma? Então o blog retorna com post inédito logo menos, assim que novos assuntos bacanas surgirem e merecerem uma pauta bacana por aqui, okays? Bijokas nos leitores e ótimo feriado pra galera rocknroll!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 29/5/2018 às 14hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL e GIGANTE!!! Com papos sobre o novo disco do The Killers, sobre o Três Olhos Music Festival (que rola agora em novembro em Sampa, com show dos Mutantes), com recuerdos do Echo & The Bumnymen e uma ANÁLISE social zapper demonstrando por que o CRACK não vai ser derrotado no triste bananão tropical brazuca – Na sombria, imbecilizada e triste era pós-moderna, pós-revolução digital e quando a internet e a web produziram uma legião de IDIOTAS e praticamente MATARAM o rock’n’roll (emburrecendo e tornando igualmente idiotas bandas e ouvintes) o já velhíssimo (e desconhecido hoje em dia) quarteto psicodélico australiano The Church lança um disco primoroso e eivado de ambiências espaciais e melancólicas; um dos jornalistas gigantes da imprensa musical brasileira dos anos 80’e 90’, o amigo zapper Fernando Naporano fala ao blog sobre seu novo livro de poesia, que teve lançamento semana passada em Sampa; e mais uma renca de assuntos bacanudos sobre rock alternativo e cultura pop que você só encontra aqui mesmo, no espaço rocker online que está muito looooonge de ser “pobreloader”, hihihi (postão AMPLIADO e total CONCLUÍDO em 4/11/2017)

finas

BANNERMUG17

IMAGEMTHECHURCH17

A cultura pop e o rock mundial atual estão mesmo morrendo já que as novíssimas gerações de músicos e artistas em geral produzem apenas obras sem relevância alguma; assim cabe a veteranos como o quarteto australiano The Church (acima) continuar lançando discos com qualidade sonora quase sublime; a mesma qualidade encontrada nos versos dos poemas escritos pelo jornalista Fernando Naporano (abaixo, ao lado de Zap’n’roll e do dramaturgo Mário Bortolotto), nome lendário da rock press brasileira e que esteve essa semana em São Paulo para lançar sua nova obra literária

FINATTINAPORANOMARIAO17

**********

MAIS MICROFONIA (com atualização e finalização das notas de cultura pop e rock em 4/11/2017)

***NADA DE NOVO NO ROCK MEIA BOCA DO THE KILLERS – Estas linhas zappers sempre consideraram a banda de Brandon Flowers como fazendo parte do segundo (ou até terceiro) escalão do rock americano dos anos 2000’. Fora que o vocalista possui um incorrigível complexo vira-lata de sub Freddie Mercury. No mais o rock do Killers é pretensioso, chumbrega, histriônico e histérico. Nada contra, tem quem ame. Finaski DETESTA e até tentou gostar, mas desistiu depois que viu a gig deles no finado Tim Festival de 2007 (lá se vão 10 anos…), numa noite que ainda teve Arctic Monkeys (com estes foi o contrário: o blog não suportava os macaquinhos e se apaixonou por eles depois de enlouquecer com o show). Tudo era pavorosamente cafona durante a apresentação do quarteto de Las Vegas: o cenário montado no palco, a performance da banda, o desempenho afetado e bisonho do front man. Zap’n’roll não agüentou meia hora e caiu fora dali (já eram 4 e meia da manhã quando decidi ir embora) pois queria meter a napa em cocaine (e meteu, assim que encontrou a dita cuja na biqueira onde foi buscar) depois de estar “trêbado” de vodka com energético (o blog estava credenciado e com acesso a uma área onde estava rolando open bar; foi um DESASTRE, claro, rsrs). Voltando aos “matadores”: o grupo existe há 16 anos, Flowers tem 36 de idade e pelo jeito não irão mudar a sua forma de pensar e fazer música. “The Man”, o primeiro single do novo álbum deles (“Wonderfull Wonderfull”), o primeiro em cinco anos inclusive, tenta emular rock com nuances dance ao estilo Bowie na fase “Fame” ou “Scary Monsters”. Mas é frouxa. O segundo single do novo trabalho, “Run for Cover” é um pouco melhor e mais acelerado/agressivo no instrumental. Mas ainda assim peca pelo excesso de cafonice (inclusive no vídeo promocional). Ou seja: Killers já deveria ter desistido. Numa era (a da web e dos anos 2000’) onde o rock definitivamente morreu e onde a música pop virou uma mixórdia gigante (com pop stars surgindo e desaparecendo aos borbotões diariamente, ao sabor do número de views e likes dos fãs em redes sociais e no YouTube), a turma de Brandon Flowers não vai renovar seu público com o som chocho e imutável que faz há década e meia – e que rendeu inclusive apenas 5 cds até hoje, prova da enorme dificuldade que o conjunto possui em compor. Pede pra sair, Brandon!

 

***O disco novo (para audição na íntegra) e os novos singles promocionais dos “Matadores” aí embaixo para quem quiser conferir.

 

*** JÁ ECHO & THE BUNNYMEN POSSUI AQUELE BRILHO INTENSO E ETERNO DE GENIALIDADE ROCKER, E QUE NUNCA MAIS IRÁ SE REPETIR – o blog zapper sentiu uma vontade enorme de falar agora sobre o Echo & The Bunnymen. Talvez porque tenha tocado a imortal e indescritível (em sua melodia, beleza poética e sonora imbatíveis e gigantescas) “The Killing Moon” há pouco na rádio classic rock (yep, ela e os “homens coelho” já se tornaram… classic rock, rsrs) da TV Net. Sim, a música cansou de tocar em tudo quanto é lugar (rádios, pistas de dança dos porões unders e nem tão unders assim de casas noturnas Brasil e mundo afora) nas últimas três décadas. Se tornou carne-de-vaca até. Mas quando você fica algum tempo sem ouvi-la e do nada se depara com aquela progressão de acordes, aquela melodia bordada com arranjos sublimes de cordas, numa sonoridade que vai se desenvolvendo em um crescendo algo estóico e grandioso até explodir em um solo magnífico de guitarra, você se surpreende pela milésima vez e se pergunta: como uma banda conseguiu compor tamanho brilho intenso de genialidade rocker? E por que isso não se repete mais na história da música e do próprio rocknroll? Aliás onde foi que o rock dos anos 2000’ e da CRETINA era da web começou a dar errado e afundou de vez na mediocridade, se tornando irrelevante e quase morto para as gerações atuais (tão estúpidas quanto o próprio rock em si dos dias de hoje)? Além de sua beleza imensurável, “The Killing Moon” também possui uma letra que é de um torpor poético inigualável. E por fim, é cantada por um vocalista que SABIA, ele mesmo, ser um dos cantores mais PORTENTOSOS do chamado pós-punk inglês. Além de tudo a música é apenas UMA das insuperáveis faixas de um disco insuperável na carreira do próprio Echo: “Ocean Rain”, o quarto álbum de estúdio do quarteto (que ainda tinha o sublime guitarrista Will Sergeant, o baixista fenomenal que era Les Pattinson e o batera monstro que era Pete De Freitas, uma formação dos sonhos de qualquer rocker e do inferno para se ouvir e ver ao vivo) e que saiu em maio de 1984. Irrepreensível da primeira à última música, está eternamente na nossa lista pessoal dos dez melhores discos de rock de todos os tempos, apenas isso. Não se gravam nem se lançam mais LPs como esse. E nem existem mais bandas assim. E nem vai existir, pode esquecer. Você escuta “The Killing Moon” e pensa com total horror no que existe hoje em dia: Imagine Dragons, The 1975, War On Drugs e DROGAS gigantes e semelhantes. Não dá nem pra comparar, é covardia, além de dar PENA da molecada atual por conta do que ela tem para ouvir em termos de música. O único senão que nos entristece em relação aos “homens coelho” é que nem Ian “Big Mac” McCulloch e nem Will souberam a hora de parar com tudo. Assistimos a pelo menos uns cinco shows do grupo ao longo de mais de 30 anos de jornalismo musical. A primeira vez (com a formação ainda original e clássica), em maio de 1987 no Palácio do Anhembi em Sampa, foi algo COLOSSAL. Depois, em 1999 (e com o conjunto já sem o baixista Les Pattinson e o batera Pete, que morreu em um acidente de moto uma década antes), já não foi nem de longe a mesma gig sublime mas, ainda assim, o blog se emocionou lá na finada Via Funchal. E na sequencia o Echo começou a vir a todo instante pra cá, os trabalhos inéditos que foram lançando se tornaram cada vez piores e vergonha alheia perto do que já haviam gravado nos anos 80’, a voz TROVEJANTE de mr. Big Mac (detonada por cigarros, álcool e drugs) foi pra casa do caralho e a última vez que os vimos ao vivo (em 2000’e alguma coisa, naquela porra longe pra cacete que é o Citibank Hall) foi um de sas tre. Cansamos ali da banda, que já rastejava como um moribundo ou doente terminal. E assim permanece até o momento, ao que parece. Mas sentimos saudades gigantescas e insuperáveis do Echo & The Bunnymen dos anos 80’. E de tudo que vivemos e ouvimos ao som deles. Éramos jovens (tinha 22 anos de idade quando “Ocean Rain” foi lançado), apaixonados por poesia, por grande rocknroll, e loucos para viver, loucos para amar, loucos para escapar para qualquer lugar bem longe da mediocridade existencial e do horror humano cotidiano. Por isso vamos amar e venerar para sempre uma canção clássica e imortal como é “The Killing Moon”. Estávamos vivos e jovens na hora, no momento certo, no tempo certo. E agradecemos aos céus por isso. Amém.

 

***Ficou de bobeira no feriadão de Finados em Sampa? Então anota na sua agenda para este sabadão (4 de novembro, quando o postão zapper está sendo finalmente concluído): tem mais uma edição do sempre bacaníssimo festival under “Volume Morto” e que acontece no Espaço Zé Presidente, na Vila Madalena (zona oeste da capital paulista). Vão rolar gigs do sempre ótimo Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, do músico curitibano Giovanni Caruso e mais uma renca de atrações legais, sendo que você pode conferir todas as infos aqui: https://www.facebook.com/events/1555874571102714/.

IMAGEMJONNATADOLL17

Jonnata Doll canta à frente dos Garotos Solventes nesse sábado, em show em Sampa (foto Jairo Lavia)

 

***Outro fest bacaníssimo que rola agora em novembro em Sampa é o Três Olhos Music Festival, que acontece no próximo dia 25 de novembro, sábado em si, a partir das três da tarde no Tropical Butantã (zona oeste de Sampa). Vai ter como headliner o sempre imperdível show dos Mutantes (um dos nomes GIGANTES da história do rock mundial), além de participações de grupos da novíssima safra indie, como o Bike. Como as gigs irão começar e acabar cedo dá tempo de você curtir o evento de caráter bastante psicodélico e depois ainda ir conferir o lançamento do livro “Escadaria para o inferno”, na Sensorial Discos. Tudo sobre o Três Olhos Music Fest você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/121708945128350/.

Os Mutantes_Fotografa_Patricia_Soransso

O gigante Mutantes, a principal atração do Três Olhos Music Festival, que acontece agora em novembro em São Paulo

 

***E por enquanto é isso, fechando a atualização das notas microfônicas, rsrs. Continuem lendo o postão que lá pra semana que vem voltamos na área com post inédito, beleusma? Então ta!

**********

MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, o rock, shows, discos, livros, filmes, TV, comportamento etc.)

 

***O blog zapper já está em ritmo total e louco de lançamento do livro “Escadaria para o inferno” e sobre o qual você já leu bastante aqui mesmo, em nosso post anterior. Mas agora é oficial: o primeiro livro escrito pelo jornalista eternamente gonzo, loker e rocker, será lançado com festão dia 25 de novembro na Sensorial Discos/SP (que fica lá na rua Augusta na parte em que ela corta lo chiquérrimo bairro dos Jardins), em evento que promete ABALAR a noite alternativa paulistana. Já há página oficial da festona aberta no Facebook e onde você pode conferir absolutamente todos os detalhes sobre a mesma. Vai aqui: https://www.facebook.com/events/135199137131252/?active_tab=about.

Finatti_ Banner Face_ Lançamentos (1)

 

***Beck Hansen está de volta finalmente. O pequeno gênio americano que encantou o mundo nos anos 90’ com sua até então inédita e inimaginável combinação de hip hop com folk music lançou há pouco “Colors”. É o décimo terceiro trabalho de estúdio do rocker loiro, saiu há apenas duas semanas e estas linhas bloggers poppers ainda não escutaram o dito cujo por inteiro, mas farão isso o quanto antes. E você pode ouvir o cd todo aí embaixo, sendo que como todo mundo já sabe ao menos o primeiro single do álbum (a fodástica “Dreams”) é bom pra carajo.

 

***E Noel Gallagher aproveitou sua passagem pelo Brasil (abrindo as gigs do U2 em Sampa) e foi parar no programa do Danilo Gentili! Não, você NÃO leu errado. O sujeito que passou vinte anos comandando o Oasis foi no talk show noturno do SBT, onde deu uma entrevista pra lá de hilária. E que você pode conferir a dita cuja abaixo:

 

***Um BOCETAÇO moreno mineiro. Quem é ela? Segredo, por enquanto. Mas é amiga zapper de Belo Horizonte, onde dividiu com o velho jornalistas loker brejas, sessão de cinema e a CAMA no último feriado. Ela tem vinte e quatro anos de idade, AMA o velho safado e degenerado que é Charles Bukowski (como nós amamos também, aliás foi a literatura do célebre escritor americano que uniu Zap’n’roll e a deusa morena mineira para um finde de papos, brejas e sexo incendiário, rsrs) e grande rock’n’roll e gigante MPB. O zapper perdeu o juízo pela garota, claro. E está tentando convencê-la a ser a próxima musa rocker destas linhas online. Fiquem na torcida pra que a gente consiga. Porque ela é uma XOTAÇA inigualável!

FINATTITHAYSXOTAO

Fã do velho ordinário e safado essa DEUSA morena mineira (acima e abaixo, após ser devorada na cama pelo jornalista loker calhorda) enlouqueceu o zapper canalha há duas semanas na capital mineira, durante uma noite de brejas, sessões de cinema e TREPADA infernal onde a divina PUTA de tetas sublimes e xoxota idem, após gozar SENTADA no pau grosso zapper, ficou de quatro e pediu: “ME FODE!”. Ela é uma garota delicious total, linda, inteligente ao cubo e o blog está tentando convencê-la a posar como nossa nova musa rocker; portanto torçam para que ela aceita porque a mineirinha é mesmo um bo ce ta ço!

IMAGEMTHAYSBHTESUDA

 

***Postão do blogão entrando no ar em ritmo de correria total já na noite de quinta-feira. Então vamos ampliando e atualizando aos poucos as notas aqui na sessão Microfonia, beleusma? Mas enquanto essa ampliação não vem vamos aí embaixo falar do novo discaço de uma veteraníssima banda do rock planetário, o ainda genial The Church.

 

 

HÁ QUASE QUATRO DÉCADAS NA ATIVA, O ROCK PSICODÉLICO DO AUSTRALIANO THE CHURCH AINDA SE MANTÉM VIVO E GRANDIOSO

São quase quarenta anos de atividade e de rock’n’roll nunca menos do que ótimo. Surgido na Austrália em 1980, o quarteto The Church lançou alguns dos melhores álbuns do rock psicodélico de guitarras do mundo entre as décadas de 80’e 90’. Ameaçou se tornar um grupo gigante (quando estourou com o disco “Starfish” nos EUA, em 1988) mas seu rock de caráter reflexivo, melancólico e espacial, além das letras que eram quase poemas simbolistas de desalento amoroso/existencial (todas escritas e cantadas pelo líder, baixista e fundador do conjunto, Steve Kilbey, um apaixonado por poesia maldita e simbolista francesa de nomes como Lautréamont, Rimbaud e Baudelaire), encontrava enorme receptividade junto à critica musical mas nem tanto junto aos milhões de ouvintes que sustentavam as vendagens de discos. Assim a “Igreja” foi a “promessa” que acabou não dando certo, em termos mercadológicos – deu apenas no citado “Starfish”. Isso no entanto não determinou jamais o fim das atividades do quarteto. E ele se manteve e se mantém ativo até os dias atuais, lançando ainda ótimos trabalhos. Como o seu novíssimo cd de estúdio, que saiu há apenas duas semanas. “Man Woman Life Death Infinity” chegou às lojas em sua versão física (lá fora, aqui sem previsão de lançamento) no dia 10 de outubro. É um disco belíssimo e algo tristonho. E com uma qualidade musical e textual que NÃO se consegue encontrar na produção dos grupelhos atuais. O que não é pouco em se tratando de Church, cujos integrantes já passaram dos sessenta anos de idade (o baixista, letrista e vocalista Kilbey está com sessenta e três).

Claro, a pirralhada ultra informada (eivada de informações inúteis, na verdade) e burra da geração web nem deve saber mais o que é ou o que foi The Church. E Zap’n’roll conheceu e conhece a banda há muuuuuito tempo. Há mais de trinta anos, para ser mais exato: em 1986, quando o autor destas linhas rockers/bloggers estava iniciando sua trajetória como jornalista musical, o então pequeno selo RGE (braço da gigante Som Livre, que pertence até hoje ao conglomerado Globo de comunicação) e que era especializado em música sertaneja (!!!), do nada adquiriu os direitos para lançar no Brasil dois LPs de um novo grupo de rock australiano que estava sendo considerado pela rock press gringa como uma das promessas da nova safra de bandas de guitar rock de então. Foi assim que saíram por aqui “The Blurred Crusade” (o segundo disco do grupo, de 1982) e “Remote Luxury” (editado em 1983). Os dois acabaram indo parar nas mãos do jovem jornalista zapper, que àquela altura havia começado a receber os primeiros “suplementos” de LPs que as gravadoras enviavam regularmente aos críticos musicais, para que estes endeusassem ou destruíssem os ditos cujos em suas análises publicadas em jornais e revistas. Pois o autor deste blog enlouqueceu quando escutou a pequena obra-prima que era/é “The Blurred…”, um álbum eivado de acepções folksters e também psicodélicas, com melodias perfeitas, guitarras poderosas, baladas belíssimas e um vocalista que transmutava poesia simbolista em versos pop, cantados com a dolência e doçura vocal de um Rimbaud transfigurado em um amalgama de Jim Morrison com Bob Dylan. Era IMPOSSÍVEL não se quedar de paixão louca pelo LP e assim o jovem repórter musical passou a acompanhar todos os passos seguintes do The Church.

Esses passos renderam os discos “Heyday” (de 1985) e “Starfish”, lançado três anos depois. A essa altura o Church já havia ultrapassado as fronteiras australianas e angariava cada vez mais fãs na Europa e nos Estados Unidos, onde o som do conjunto passou a ser tratado pela imprensa como “the next big thing” do rock’n’roll planetário. E “Starfish”, gravado pela formação clássica do quarteto (além de Kilbey no baixo e vocais também havia os ótimos guitarristas Peter Koppes e Marty Wilson-Piper, além do batera Richard Ploog) e puxado pelo belíssimo e melancólico single “Under The Milky Way”, invadiu as rádios do mundo inteiro, Brasil incluso (o que permitiu que a banda viesse se apresentar aqui em outubro de 1988). Aclamado pela imprensa e adorado pelo público americano, o Church estava mesmo se tornando a bola da vez no rock mundial.

CAPATHECHURCH17

O novo disco do australiano The Church: há quase 40 anos na ativa e ainda fazendo rock’n’roll sublime

 

Mas algo deu errado no meio dessa trajetória. Os muitos trabalhos que se seguiram ao estrondoso sucesso alcançado por “Starfish” jamais se igualaram ao impacto mercadológico obtido pelo álbum de 1988. O público também diminuiu, interessado em que estava em sons não tão cerebralmente complexos (ainda que bastante pop e radiofônicos em boa parte das canções do grupo) e mais acessíveis e de fácil assimilação. Tudo isso acabou também afetando as relações do Church com as grandes gravadoras e menos de uma década após ameaçar se tornar um dos maiores nomes do rock’n’roll mundial, o conjunto liderado por Steve Kilbey voltou a se tornar um grupo semi-independente, lançando seus CDs por selos menores. Isso não impediu que a banda continuasse com uma produção bastante profícua e de alta densidade e qualidade musical. Algo que se mantém até os dias atuais, como pode ser ouvindo no novo disco inédito deles.

Nesse sentido, “Man Woman…” é magnífico e chega perto do sublime. Como se não houvessem passado quase três décadas desde “Starfish”, o Church retoma ambiências bucólicas, melancólicas, contemplativas e psicodélicas que seduzem o ouvinte por completo por oferecer estruturas e construções sonoras e melódicas belíssimas, como dificilmente se encontra no rock atual. Basta mergulhar os ouvidos na quase majestosa “Another Century” (que abre o disco com um impactante space rock incomum na rock music dos tempos atuais) para se perceber o quão grandioso permanece o som do quarteto. E há muito mais nas certeiras e sucintas dez faixas do álbum: “Submarine” abraça a psicodelia e ambiências bordadas com ruídos espaciais com primor e delicadeza sonora. Já “Undersea” transporta o ouvinte aos primórdios da musicalidade do Church, de quando o grupo iniciou sua trajetória em 1980. E o ápice de um CD que já pode figurar na lista dos melhores lançamentos de 2017 chega na dobradinha “Before The DeLuge” e “I don’t Now How I don’t Now”. A primeira é um guitar rock de nuances psicodélicas como a banda sempre soube engendrar muito bem ao longo de sua carreira, e pode constar das grandes músicas já compostas pelo conjunto. E a outra… simplesmente uma road folk rock ballad também mezzo psicodélica, de uma beleza melódica e atmosfera sônica incomparáveis e infinitamente superior a qualquer “esgoto” musical feito pelos grupelhos do circuito rocker atual. Daquelas canções que você escuta centenas de vezes seguidas sem se cansar dela. Como se não bastasse ainda há momentos preciosos em “In Your Fog”e em “Dark Waltz”, que fecha o disco plena de contrição e reflexão sonora melancólica, como se Kilbey estivesse recitando um poema simbolista e sombrio ao cantar a letra, esta adornada por instrumentação reverente com pianos e guitarras que provocam plena sinestesia em quem está ouvindo a faixa.

É enfim um trabalho primoroso e ultra digno para um conjunto que está em plena forma e há quase quatro décadas fazendo rock’n’roll com alma e coração maiúsculos. The Church não se rendeu às modas fugazes que devoram a música pop desde sempre. Nem sucumbiu à tentação do estrelismo, da arrogância artística e da prepotência que devora muitos rock stars. E que por isso fazem com que carreiras musicais hoje não durem absolutamente nada em um oceano de mediocridade e onde grupos e artistas solo surgem e desaparecem ao sabor de um clic na internet. Não, The Church não é nada disso e é MUITO MAIOR que tudo isso. A prova está aí, com este álbum de beleza indescritível. Com ele a “Igreja” de reverendo Kilbey pode até se aposentar, pois já terão deixado para a história do rock obras atemporais, magníficas, clássicas e eternas como essa que acabaram de lançar.

 

***Mais sobre The Church, vai aqui: https://thechurchband.net/. E aqui também: https://www.facebook.com/thechurchband/.

 

 

O TRACK LIST DO NOVO CD DO THE CHURCH

1 – Another Century

2 – Submarine

3 – For King Knife

4 – Undersea

5 – Before The DeLuge

6 – I Don’t Now How I Don’t Now

7 – A Face In A Film

8 – In Your Fog

9 – Something Out There Is Wrong

10 – Dark Waltz

 

 

O NOVO ÁLBUM DO CHURCH AÍ EMBAIXO

Para audição na íntegra.

 

E O PRIMEIRO SINGLE DO NOVO DISCO

 

HÁ QUASE 30 ANOS MATÉRIAS SOBRE THE CHURCH INAUGURAVAM A TRAJETÓRIA ZAPPER NA GRANDE IMPRENSA MUSICAL BRASILEIRA

Como já mencionou acima, no tópico resenhando o novo álbum do The Church, Zap’n’roll conheceu a banda em 1986, quando recebeu da gravadora RGE dois LPs do grupo que ela estava lançando no Brasil. Dois anos depois, já em plena ascensão em sua ainda curta carreira jornalística, o jovem repórter rocker (com apenas vinte e quatro anos de idade) estreava como colaborador da revista mensal Somtrês – a primeira grande publicação nacional voltada a assuntos musicais. E nesse mesmo ano, 1988, o jovem Finaski foi ainda mais longe: em setembro entrou para o time de críticos da ultra prestigiada página de música do Caderno 2, o suplemento cultural do diário paulistano O Estado De S. Paulo (na época, um dos quatro jornais de maior circulação do Brasil). A página era editada pelo célebre jornalista Luis Antonio Giron. E entre seus colaboradores estavam nomes gigantes da crítica musical da época, como Pepe Escobar, Kid Vinil e Fernando Naporano.

Pois Zap’n’roll fez matérias sobre a vinda do Church ao Brasil para shows (que aconteceram em outubro daquele ano), tanto na Somtrês quanto no CAD 2 – uma análise sobre a trajetória musical do grupo foi o texto de estréia deste blogger zapper no caderno cultural do jornal.

IMAGEMMATERIACHURCHFINASSOMTRES1988

O início da trajetória jornalística de Zap’n’roll na grande imprensa musical brasileira passa pelo The Church: em 1988 o então ainda jovem repórter fez matérias sobre a banda australiana para a revista Somtrês (acima) e quando estreou como crítico na lendária página musical do Caderno 2 do jornal O Estado De S. Paulo (abaixo), em setembro daquele ano

IMAGEMMATERIAFINASCAD21988

 

A gig da “Igreja” em Sampa foi inesquecível e para muito poucos. Rolou no finado (e ótimo) ProjetoSP, um galpão enorme no bairro da Barra Funda (zona oeste de Sampa) e onde cabiam cerca de cinco mil pessoas. Por lá passaram (em gigs todas testemunhadas por este espaço virtual) Might Lemon Drops, Iggy Pop, Jethro Tull, Jesus & Mary Chain, Nick Cave, Cocteau Twins, Sisters Of Mercy, The Mission, Legião Urbana e muitos outros. E na noite do Church, infelizmente, apenas cerca de trezentas pessoas tiveram a sorte de ver e ouvir ao vivo o quarteto liderado por Steve Kilbey.

Foi um show fantástico. E inesquecível. Como eram e serão para sempre aqueles tempos, que nunca mais irão se repetir em termos de bandas, de shows de rock e de grande jornalismo cultural e musical.

 

 

UM DOS NOMES LENDÁRIOS DO JORNALISMO ROCK BRASILEIRO DOS ANOS 80’ E 90’, FERNANDO NAPORANO LANÇA SEU NOVO LIVRO DE POESIA E FALA COM EXCLUSIVIDADE AO BLOGÃO ZAPPER

Foi breve mas adorável a noite de uma terça-feira muito aprazível (uns 20 graus de temperatura, e isso com o sórdido calor primaveril já castigando Sampa durante o dia) no clima “paulistanês”. Zapnroll foi no bar/teatro Cemitério de Automóveis, do queridíssimo Marião Bortolotto, prestigiar a noite de autógrafos e o lançamento de “A respiração da rosa”, o novo livro de poemas de um nome GIGANTE do jornalismo musical e cultural que importou no Brasil nos anos 80 e 90: nosso amigo de décadas dom Fernando Naporano.

Estas linhas online e ele se conhecem pessoalmente há quase 30 anos. E não se viam também pessoalmente há mais de 25, pelo menos. Na real o blog já o conhecia de nome antes de conhecê-lo pessoalmente. O jovem futuro repórter (esse aqui mesmo, rsrs) amava jornalismo musical, sonhava em ser um jornalista musical um dia e era um pós-adolescente que DEVORAVA textos sobre música em revistas e jornais (pode esquecer: não existia internet quando o sujeito aqui tinha seus 22 anos de idade, e nos informávamos NA RAÇA, ou seja: através de publicações nacionais e importadas, e escutando os poucos programas especializados em rock que havia na TV e em rádios como a 97FM de Santo André ou a então recém-nascida 89FM). Foi assim que começamos a ler matérias escritas por gente como Pepe Escobar, nosso eterno mestre Luis Antonio Giron e Naporano em si, quando eles assinavam resenhas e reportagens musicais clássicas e sublimes em veículos como as revistas Somtrês e Bizz, e jornais como O Estado De S. Paulo.

Então Finaski mesmo se tornou jornalista, em 1986. E dois anos depois já estreava como repórter de música na revista semanal IstoÉ. E em substituição justamente a… Fernando Naporano, que havia ido para a inesquecível e sensacional página de música que era editada no Caderno 2, do Estadão, por “pai” Luis Antonio Giron. E logo em seguida à nossa entrada na IstoÉ, este mesmo Finaski também começou a colaborar com a mesma página musical do Caderno 2 – que era, numa palavra, FANTÁSTICA. A pirralha geração atual da torta e quase inútil era da web, pode esquecer: vocês NUNCA MAIS terão um jornalismo musical como o que foi feito há 30 anos no diário paulistano Estadão. E fizemos parte daquilo, daquela história. E nos orgulhamos mega de ter feito.

Foi lá no Oesp, enfim, que conhecemos dom Fernando. E nos tornamos amigos, como somos até hoje. Este então ainda jovem repórter se sentia um jornalista verdadeiramente feliz por um lado (tinha “apenas” 25 anos de idade e dois na profissão!) e um ANÃO no meio de dois GIGANTES como Naporano e o nosso saudoso e inesquecível Kid Vinil. Mas ambos se tornaram nossos amigos queridos e NUNCA nos trataram como se fôssemos inferior aos dois, na questão cultural, intelectual e profissional. E o blog escreveria um LIVRO aqui nesse post, com histórias memoráveis e bizarras dos bastidores da redação de um dos jornais que naquela época era (e continua sendo) um dos quatro maiores diários do Brasil. Como num dia em que mr. Giron, em desespero, se viu sem nenhuma matéria de CAPA decente para a edição do dia seguinte do Caderno 2. Ligou para Naporano pedindo socorro. Apenas UMA HORA depois Fernando entregou um texto sobre as então novas tendências do rock inglês. Giron ficou extasiado e ainda alfinetou o jovem Finas no dia seguinte: “O Naporano me salvou ontem. VOCÊ não conseguiria fazer o mesmo, nunca!”. Rsrs. Ficamos putos com a alfinetada, claro. Mas sabíamos que LAG falava aquilo pro nosso próprio bem. Tanto que o amamos até hoje como um irmão mais velho. Foi e continua sendo nosso mestre eterno, sendo que é dele o prefácio do livro (que sai agora em novembro), “Escadaria para o inferno”.

Outro episódio bastante surreal e engraçado foi quando FN lançou o primeiro mini LP da sua banda (da qual ele era o vocalista e letrista e cuja sonoridade ele mesmo definia como “regressive rock”, wow!), a cult Maria Angélica Não Mora Mais Aqui. Rolou então um saudável e merecido “jabá” editorial no Caderno 2 do Estadão sobre o lançamento. Com Giron convocando Finaski para fazer uma entrevista com Fernando, e Kid Vinil para resenhar o disco num box da entrevista. Nosso loiro eterno merecia o espaço pois ele era então um dos jornalistas mais brilhantes do suplemento cultural do diário. E afinal, se a revista Bizz também fazia o mesmo (elogiando sem parar em suas páginas as bandas formadas por jornalistas e colaboradores da própria publicação, sendo que essas bandas nem de longe possuíam a mesma qualidade do Maria Angélica), porque nós do CAD 2 não podíamos fazer o mesmo pelo grupo do querido FN? Pois então… rsrs.

Estas linhas rockers bloggers se lembraram dessas histórias e muitas outras lá no sempre aconchegante bar do Marião (esse “véio” ranzinza e rabugento como também somos, ahahahaha. E que além de também ser um querido amigo fináttico é outro GÊNIO da poesia e dramaturgia undeground que ainda importa nesse Brasil tristemente bestializado e emburrecido no século da pós-internet e das redes sociais) enquanto papeava com Fernando, tomava uma breja e folheava seu livro, que parece maravilhoso e digno da melhor poesia dos malditos franceses (Rimbaud, Baudelaire, Lautréamont) ou dos ingleses (William Blake e Dylan Thomas). “Quando findam as sensações que ainda tremem em carmim?”, é a pergunta que abre o primeiro leque de poemas do tomo. Foi uma noite agradabilíssima, enfim. Revemos pessoalmente um amigo com quem não tínhamos contato cara a cara há quase três décadas. O loiro continua como sempre foi: elegante, humilde, gentil, papo imperdível. E sempre trajando camisas com estampas psicodélicas e tomando seu whisky. E se hoje Zap’n’roll se sente, aos quase 5.5 de existência, de certa forma muito orgulhoso por ter pertencido àquela que talvez tenha sido a ÚLTIMA geração de jornalistas musicais de fato GENIAIS (modéstia às favas nesse momento) da imprensa brasileira, devemos isso a caras como Fernando Naporano. Por termos lido seus textos na nossa juventude e depois por termos sido colegas de redação dele e nos tornado, por fim, amigos pessoais.

Valeu, dear. E sucesso para “A respiração da Rosa”. Sendo que deixamos o próprio Fernando Naporano falar mais sobre seus novos livros de poesia, em bate-papo exclusivo com o site zapper, e cujos principais trechos você confere abaixo.

IMAGEMNAPORANO17

Um dos nomes mais lendários da rock press brazuca dos anos 80’e 90’, o jornalista Fernando Naporano (acima), que reside há muitos anos na Europa, voltou ao Brasil para lançar em São Paulo seu mais recente livro de poemas (abaixo) (foto: Caio Augusto Braga)

CAPALIVRONAPORANO17

 

Zapnroll – Talvez a geração mais nova, dos anos 2000, não saiba mas você foi um dos principais nomes do jornalismo musical (e rock) brasileiro nas décadas de 80 e 90. E de repente, do nada, decidiu sair de cena e ir embora do Brasil, isso há quase trinta anos. Por que tomou essa decisão, afinal?

 

Fernando Naporano – Sou aquele que, no comando de minha finada banda Maria Angélica Não Mora Mais Aqui,- ainda em 84 – escreveu “British Caledonian”, um ácido Manifesto-Anti-Brasil, muito antes de tornar-se moda reclamar e falar mal do país. Num caráter mais extremo compus “Eu Gostei Da Guerra”, cuja letra cairia como uma luva para os dias atuais do Brasil. Como ingressei em grande imprensa ainda em plena adolescência, fiz o que pude e o que nem poderia fazer. Abri caminhos nas diretrizes da imprensa musical numa época em que ninguém levava a cultura do rock a sério. Dei uma nova dimensão ao tecido musical e abordei a música, sobretudo como uma Obra De Arte. Inaugurei em grandes jornais um cardume de inventividades, fossem pílulas de notícias de bastidores, fossem entrevistas telefônicas com bandas internacionais que estavam a explodir nos umbrais dos anos 80. Mas seja com a minha pessoa – magnética e dona de atitudes desafiadoras -, seja com minha banda – única e sui generis que viveu numa panorâmica flácida, pretenciosa e repetitiva –, o Brasil me boicotou demais, me feriu em excesso e me desrespeitou o tanto quanto (im) possível. Ao virar correspondente internacional, morando em Londres e, posteriormente, em Los Angeles, e a escrever para veículos internacionais, meu nome virou sinônimo de respeito. Atualmente tanto a banda como meus 25 anos de imprensa vem ganhando uma dimensão até de culto.

 

Zap – Mora onde atualmente e o que faz por lá, além de escrever e publicar seus livros de poesia?

 

Naporano – Moro Europa-Afora, atualmente em Madri. Me dedico integralmente a poesia, minha paixão primordial desde meus 7 anos de idade.Obviamente, tenho outras atividades, entre elas a de tradutor e professor de língua inglesa.

 

Zap – Como foi essa transição da música e do rocknroll para a escrita? Afinal você tinha um intenso envolvimento com a cena musical alternativa de São Paulo no final dos anos 80, quando cantou à frente do grupo Maria Angélica Não Mora Mais Aqui.

 

Naporano – Nunca houve transição alguma. A escrita – que começa aos 7 anos quando esboçava versinhos de amor a minha professor primária – vem muito antes de qualquer outra coisa. A poesia sempre me acompanhou desde a infância. Hoje, além de várias obras devidamente finalizadas, acumulo um material que daria para uns 10 livros. Isso sem falar que, se eu fizesse compilações de meus escritos jornalísticos com centenas de entrevistas, seria material para outros 5 livros. Nunca tive carinho ou envolvimento algum com qualquer cena “alternativa” ou “mainstream”. Sempre abominei ambos os lados. Fui e serei sempre um verdadeiro “outsider”. À margem de tudo e de todos. Personalidade e atitudes únicas, sem jamais fazer concessões.

 

Zap – Você também passou pelas redações dos principais veículos de mídia impressa do país, jornais como FolhaSP e Estadão, além de revistas como IstoÉ, Bizz e Interview. Como você vê o jornalismo musical hoje no Brasil e no mundo? Ele perdeu mesmo o romantismo e a excelência cultural de trinta anos atrás e caminha para uma inefável morte?

 

Naporano – Eu acredito ser algo devidamente morto e sepultado. A internet deu cabo de tudo. Todos são jornalistas. Como diria o Mestre Raul, “é muita estrela para pouca constelação. Não há, por assim concluir, nenhum rastro de “romantismo”ou de “excelência cultural”. O jornalismo de “Auteur” – que sempre foi o meu caso – não tem mais espaço no lamaçal do automatismo e da escrita liquída.

 

Zap – Vamos falar dos livros que o escritor e poeta Fernando Naporano está lançando, claro. São três tomos diferentes e gostaria que você explicasse melhor o conteúdo de cada um deles.

 

Naporano – Os três livros lançados esse ano possuem o mesmo pano de fundo, ou seja, uma veia poética voltada ao simbolismo, ao intimismo do reino das sinestesias baudelairianas e dos “paraísos artificiais”. “A Coerência Das Águas” (Poética Edições, Portugal) é uma deambulação pelos segredos místicos e contemplativos da existência. Envolve muitos elementos de astrologia, – diga-se de passagem, minha religião – magia e platonismo. “Detestável Liberdade” (Abstract Editions, Espanha) é um exercício sobre o horror em ser livre. Reflete a terminal solidão produzida pela Liberdade. É um relato sobre minha vida nomade-errante dos últimos anos, vivida em cidades como Casablanca, Paris, Lisboa, Los Angeles e Lanzarote. “A Respiração Da Rosa” (Córrego Editora, Brasil) é diferente dos citados acima. É um livro de temperamento pictórico, uma deambulatória ode às artes plásticas buscando uma reflexão sobre o sentimento do amor quando vivido em pleno vazio existencial.

 

Zap – Qual é a sua escola literária e poética? Você se encaixa em qual vertente? E seus autores preferidos tanto na prosa quanto na poesia, quais são?

 

Naporano – Minha escola literária é o amor. Minha escola poética é essa grande Aventura de viver. Minha arte se encaixa entre um palpitante hermetismo metafísico e um simbolismo profundamente imagético. Na infância minha base foram coleções de contos de fadas. Havia uma série de volumes, se calhar, da editora Melhoramentos que eram os “Melhores Contos De Fadas” da China, Hungria, Índia, França, Bélgica, Espanha, etc. Um bocadito mais tarde li clássicos de Stevenson, Melville, Lewis Carroll, Cervantes, Flaubert, Alexandre Dumas e outros. Com poesia minhas primeiras leituras, na altura de meus 13 anos, foram Álvares De Azevedo, Fernando Pessoa, Byron, Keats, Fagundes Varela, Heine, Shelley, etc. Ao adquirir o livro ”Anotações Para Um Apocalipse” do Claudio Willer, lá havia um poema do – já então meu amigo – Roberto Piva onde eram citados “Apóstolos da Desordem” tais como Freud, Desnos, Michaux, Artaud, Rimbaud, Blake, etc . Então, anotei os nomes e indo a bibliotecas passei a ler um por por um. Em termos de poesia, já na minha maturidade, eu citaria William Blake, Kavafis, Trakl, Dylan Thomas, William Wordsworth, Y.B.Yeats, Rilke, Novalis, Leopardi, Emily Dickinson, René Char, Eugénio De Andrade, Sylvia Plath, Nuno Júdice, Paul Celan, Fernando Pessoa, Adonis e por todos aqueles e aquelas cuja a iluminação é exaustiva e permanente.

 

Zap – Para encerrar: ao que parece você pretende retomar a carreira de front man do Maria Angélica. Mas ainda há espaço para bandas como ela nos dias de hoje? E para a poesia, também haveria espaço ainda?

 

Naporano – Não, não pretendo de forma alguma voltar com o Maria Angélica Não Mora Mais Aqui de forma atuante em palcos. Isso fez parte de uma época que não volta jamais e de uma conjuntura de visceral delírio. Acredito que a máxima da ópera-rock de Ian Anderson cai bem aqui : “Too Old To Rock’n’Roll; Too Young To Die”. Acho que hoje – uma vez que parte da mídia que sempre me boicotou em suas panelinhas abomináveis não é mais atuante – a banda teria muito mais espaço e os vôos seriam muito mais altos. Exemplo disso é o documentário “Guitar Days” de Caio Augusto Braga a ser exibido em 2018 [nota do site zapper: documentário no qual o jornalista Finaski também aparece, dando um depoimento sobre a cena alternativa rock brasileira dos anos 90’]. Nesse filme, há bandas dos anos 90 e 00 que apontam a influência do Maria Angélica bem como reconhecem de forma reverencial meu desempenho enquanto jornalista. Pretendo sim lançar um álbum (em português, por acaso) inédito do Maria bem como dezenas de canções inéditas. O formato ideal seria uma box-set de 3 Cds (com 78 minutos cada) de apenas material inédito e ao vivo. Assim como busco editores para meus novos livros de poesia, a busca é a mesma em achar uma gravadora ou alguém que banque – com direito a livreto – a box set do Maria, a qual vai se chamar “They Could Have Been Bigger Than The Television Personalities”, em alusão a um álbum dos TV’s.

 

**********

 

ANÁLISE ZAPPER: LADO A LADO A OPULÊNCIA GOVERNAMENTAL E OS MISERÁVEIS DO CRACK – E POR QUE ESSA DROGA MALDITA NÃO VAI SER DERROTADA AQUI NA PORRA DO BANANÃO TROPICAL

Semana passada Zap’n’roll ficou absurdamente impressionado com o CONTRASTE gigante e digno de uma ficção cientifica cinematográfica surreal, à la “Blade Runner” (só que REAL), quando o blog e sua amiga Gisélia presenciaram no trajeto entre a estação da Luz (onde descemos do metrô) e a sede da Secretaria Estadual da Cultura, onde estas linhas bloggers tinham uma rápida reunião agendada com nosso amado amigo de décadas e agitador cultural, André Pomba. Não são nem 500 metros de caminhada. Mas é/foi algo verdadeiramente impressionante.

A sede da Secult/SP, todos sabem, está localizada bem no CORAÇÃO da tristemente miserável CRACOLÂNDIA paulistana. E o prédio que abriga a Secult, a reformada antiga estação de trem Julio Prestes, é algo magnífico e que causa deslumbramento aos olhos de qualquer um. Construção em estilo clássico, foi reformado e restaurado há alguns anos, mantendo o padrão e estilo arquitetônico original. Lá, além da sede da Secult ainda funciona também a prestigiadíssima sala São Paulo, um dos melhores e mais nobres espaços da capital paulista para concertos de música erudita. É, em suma, um prédio exuberante e que desvela toda a opulência arquitetônica e financeira que envolve alguns endereços do poder público estadual, comandado há mais de 20 anos pelo tucanato – na real nem poderia ser diferente afinal São Paulo, mesmo com a crise monstro que se abate sobre nosso arrasado bananão tropical, ainda é o Estado mais rico do Brasil.

Porém (sempre há um porém…), causa CHOQUE a qualquer um que passe por aquela região o tal contraste monstro que mencionamos no começo desse texto. A menos de 100 metros da entrada principal da Secult (na rua Mauá) e já nas escadas e portas (algumas fechadas) da fachada da secretaria, este jornalista e Gisélia passaram por pequenos aglomerados que reuniam algumas dezenas de viciados em crack. Todos com seus cachimbos à mostra (em plena luz do dia), todos se entorpecendo ou já entorpecidos e completamente alheios ao ir e vir de quem passava ao lado deles. Todos muito miseráveis, sujos, maltrapilhos mesmo. Uma espécie de escória sub-humana que a sociedade “normal” parece ter esquecido por completo ou que prefere ignorar mesmo, na cara larga. Um usuário em particular chamou a atenção da Gigi e penalizou o coração dela, dado o estado de DEGRADAÇÃO em que ele se encontrava: sujo, vestido com TRAPOS e solitário num degrau (a apenas uns 10 passos da entrada principal da Secult, muito bem vigiada e policiada por viaturas da PM e da guarda civil, além de policiais também fora das viaturas e circulando no entorno da entrada), ele raspava o que restava de seu cachimbo para tentar dar uma última tragada nessa droga do inferno, que o blog mesmo fumou durante quase uma década. E zilhões de vezes fumou ali mesmo, na cracolândia ao lado dos “nóias”, em madrugadas insanas após sair completamente enlouquecido de álcool de alguma balada open bar e desesperado para dar uma TRAGADA numa pedrinha em cima de um cachimbo.

Depois que saímos da Secult, fomos em direção à Sta Cecília (bairro também colado ali) pois o jornalista e agora quase escritor também (rsrs) tinha uma reunião na editora Kazuá. Ao passarmos pela praça bem à frente do prédio da secretaria (e que durante muitas décadas abrigou a antiga rodoviária de Sampa) Zap’n’roll mostrou pra sua amiga, mais à frente e à nossa direita, o já tristemente célebre “fluxo”, que é onde se aglomeram mesmo os consumidores de crack e onde a droga é vendida livremente. É uma autêntica multidão gigante de ZUMBIS (quase mortos-vivos mesmo, ao estilo “walking dead”) pipando pedras em cachimbos improvisados (ou em latinhas usadas de breja e refri, em copos de água mineral, onde for possível) em tempo integral, dia e noite. Noite e dia. A visão então é/foi essa e muito clara aos olhos de qualquer observador minimamente mais atento: atrás de nós a impressionante OPULÊNCIA visual e financeira da Secretaria Estadual da Cultura de SP. E um pouco à frente de nós (e a apenas alguns metros da opulência governamental), o mais pavoroso e DEGRADANTE cenário da TOTAL decadência e miséria humanas. Um cenário composto por uma multidão de gente que perdeu tudo: dignidade, respeito, saúde, moradia, amor próprio etc. Que permanece alheia ao mundo real e que parece até viver em outra dimensão ou outro planeta que não a Terra. E, por fim, uma multidão de seres humanos IGUAIS A NÓS mas que, infelizmente, parece ter sido totalmente esquecida por uma sociedade cada vez mais insensível, egoísta, intolerante, moralista hipócrita, conservadora, hostil de verdade e que prefere ignorar os que estão na miséria final da existência humana (que é viver na cracolândia) como se aquilo lá não fosse problema de ninguém. “Não tenho nada a ver com isso, eles que se fodam e o governo e a POLÍCIA que resolvam e cuidem deles”, deve ser o pensamento de muitos que passam por ali diariamente.

FINATTICRACK

Zap’n’roll ao lado da frase que está pintada em todas as unidades móveis de polícia comunitária, espalhadas pelo entorno da cracolândia no centrão da capital paulista: não, o crack NÃO vai ser vencido no Brasil, infelizmente (foto: Gisélia Camelo)

 

É algo dantesco e surreal ao cubo. Nem o melhor e mais premiado roteirista de Hollywood conseguiria conceber um enredo de ficção tão impactante e tão fiel a uma REALIDADE que NÃO É FICÇÃO.

E este espaço virtual mesmo chegou a uma triste conclusão, que dividiu com Gisélia: não, NÃO É POSSÍVEL VENCER O CRACK, ao contrário do que diz a frase estampada ao ao nosso lado aí na foto que ilustra este comentário social zapper. Aliás pedimos pra Gi tirar essa foto (na frente de uma das muitas unidades móveis de polícia comunitária que estão espalhadas por ali, no entorno da cracolândia) por PURA PROVOCAÇÃO, claro. Porque não, o crack NÃO VAI SER VENCIDO num país onde o poder público e os governos (federal e estadual) não possuem ESTRUTURA de ponta para combater o problema. Uma estrutura mega complexa que envolve questões de saúde pública (com apoio médico e psicológico aos dependentes da droga), de trabalho (conseguir reinserir essas pessoas num mercado formal de emprego), de educação, lazer, cultura e também de inteligência policial (para combater o tráfico em si). E não, não é com um prefeito IDIOTA, coxa, insensível e que nada entende de HUMANIDADE, como João Dória ESCÓRIA Dólar é, e que quer internar à força usuários, que vai se resolver o problema. Não é fazendo operações pontuais por ali, jogando bombas de gás e jatos d’água nos usuários, que vai se acabar com aquela zumbilândia – mesmo porque o PCC MANDA ALI. E ganha milhões ali. E o (des) governo paulista deixou o PCC se tornar a orcrim gigante que é hoje e agora é quase IMPOSSÍVEL removê-lo da cracolândia, que já existe há mais de 20 anos.

E por fim, nunca será possível vencer a epidemia de crack que tomou conta do Brasil justamente por vivermos num dos países mais CORRUPTOS do mundo, que possui a classe política mais IMUNDA do universo e onde bilhões (vejam bem: isso aqui ainda é uma das dez maiores economias do planeta, mesmo com toda a grana gigantesca que escorre sem dó pelo ralo da corrupção endêmica que nos assola) somem nas mãos desses políticos e de parte da iniciativa privada que também é corrupta e corrompe agentes públicos. Você acha mesmo que esse pessoal escroto e do inferno está a fim de resolver o problema dos miseráveis em estágio final de degradação humana que este jornalista e sua amiga viram pelas ruas do centro de São Paulo, fumando crack em pleno dia? Se você acredita nisso e leu até aqui, jezuiz e parabéns… seu pensamento é ainda mais surreal do que as cenas tristes que presenciamos no centrão “blade runner” de Sampalândia.

 

 

FIM DE JOGO

Yeah. Mais um postão finalizado, no meião do feriadão de Finados. Sendo que o blogão zapper deseja que o feriado esteja sendo ótimo pra toda galere. E lembrando sempre: dia 25 de novembro tem lançamento de “Escadaria para o inferno”, na Sensorial Discos/SP. Te esperamos por lá!

E logo menos voltamos aqui com novo post inédito. Até mais!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 4/11/2017 às 4hs.)

Em post especial sobre lançamentos de LIVROS dedicados à cultura pop e a música em geral (um mercado que, mesmo com a crise bravíssima que assola o triste bananão tropical, tem seu nicho de público e segue ativo), o blog zapper fala de alguns títulos que chegaram há pouco às livrarias; e também anuncia (finalmente e oficialmente!) orgulhosamente o lançamento de “Escadaria para o inferno”, o volume escrito pelo jornalista eternamente rocker/loker (esse aqui mesmo, autor destas linhas poppers online, ulalá!) e que sai do forno em novembro! Mais: como foi o showzaço do The Who (já a gig internacional de 2017 no Brasil?) em Sampa, pela ótica não jornalística e sim de um FÃ da banda, em texto especial para este espaço rock virtual, o line up do Lollapalooza BR 2018 e mais isso e aquilo tudo que você sempre encontra por aqui! (postão em SUPER CONSTRUÇÃO, claaaaarooooo! Com esta primeira parte entrando no ar pra falar EXCLUSIVAMENTE do lançamento do livro total rocker do zapper eternamente loker!)

BANNERMUG17

IMAGENLOJACRISDIAS

Escadaria-para-o-Inferno

Três anos após estar pronto e depois de passar por três editoras que queriam mexer em seu conteúdo, o livro “Escadaria para o inferno”, primeiro texto literário escrito pelo jornalista zapper eternamente rocker, locker e gonzo (abaixo), sai finalmente em novembro vindouro, com festa de lançamento dia 25 daquele mês na Sensorial Discos/SP

DSC_8181-2

Era pra ser um novo POSTÃO, aquele que iria entrar HOJE no ar, aqui no nosso já mega longevo (14 anos na web BR!) espaço rocker online. Mas a emoção é tanta nesse momento e está tão difícil segurar a mesma que, sim, esse postão irá chegar aqui já no comecinho da próxima semana (falando como sempre de assuntos bacanudos, como o mercado editorial de livros sobre música e que continua resistindo à crise, comentários sobre o line up do Lollapalooza BR 2018 e mais uma renca de paradas sempre total dignas da leitura do nosso dileto leitorado). Promessa de zapper sempre rocker e ainda algo loker.

 

Mas então vamos aqui ao que interessa: sem muitas legendas ou TEXTÃO nesse post, já que o melhor é deixar as IMAGENS falarem por si.

 

Apenas acrescentamos que este livro está pronto há quase 3 anos. Passou por três editoras que não o compreenderam em sua essência e queriam mudar essa essência. E agora finalmente ele encontrou seu LAR ideal, e que entendeu de fato e de verdade que uma “escadaria para o inferno” pode levar a um compêndio de estórias sensacionais, e que resgatam uma trajetória de vida junkie, louca, alucinada e muitas vezes incrível ou quase trágica.

Escadaria-para-o-Inferno

 

Bem-vindo NOSSO SEGUNDO FILHO (o primeiro já fizemos, há 26 anos)!

 

E pra galera não esquecer: lançamento (com noite de autógrafos) em 25 de novembro, sábado, a partir das 8 da noite, na Sensorial Discos/SP (rua Augusta, 2389, Jardins). Com shows bacanudos de Psychotria, Jonnata Doll & Os Garotos Solventes (set acústico) e Jenni Sex, além de DJs set igualmente fodonas dos super DJs André Pomba e Vanessa Porto.

 

E para todos aqueles que vivem uma existência total ROCKNROLL, este Finaski e seu livro saúdam vocês!

 

XXX

 

“Escadaria para o inferno”, escrito por Humberto Finatti, é um lançamento da editora Kazuá. A qualquer momento o livro estará em pré venda no site da editora, em http://editorakazua.com.br/.

 

XXX

 

Pronto, fakes merdões e cuzões do inferno, losers lambe bagos do “pobreloader” LR, podem se MATAR de ódio e vir aqui encher o saco na covardia total, no painel do leitor do nosso “humirde” blog. Finaski deixa, ahahahaha. Chupa, bando de otários!

 

(enviado por Finatti às 17:30hs.)

Em post emergencial com mais imagens e menos texto o blog zapper lamenta a volta de uma banda que já foi sensacional (o Arcade Fire) e que acabou de lançar um disco ruim, e também fala da perda de um nome gigante da MPB, de um showzaço grátis que rola neste finde em Sampa e de mais algumas poucas paradas aê, enquanto o novo postão não chega de fato

BANNERMUG17

 

IMAGENLOJACRISDIAS

Acesse a Vintage nas redes sociais: https://www.facebook.com/vintagelandmodavintage/

IMAGEMAF17II

O americano Arcade Fire (acima), liderado pelo vocalista e guitarrista Win Buttler (abaixo), lança seu novo e ruim disco de estúdio, mostrando que uma das poucas outrora ótimas bandas do rock planetário dos anos 2000′, ao que parece também começou sua descida rumo à decadência

IMAGEMAF17

 

Foram e continuam sendo dias (ou semanas) bastante complicados na vida de Zap`n`roll. O blog foi há dois finais de semana para Sorocaba com a missão de cobrir o bacaníssimo festival indie Circadélica que rolou por lá, foi organizado e produzido pela turma querida do grupo Wry e que reuniu muitos nomes beeeeem legais da indie scene nacional. Enfim, tudo estava ótimo até o final da noite de domingo quando, na volta para o bastante luxuoso hotel em que a produção do evento nos hospedou, dois malacos armados em uma moto colaram ao lado do loker aqui e simplesmente levaram a bolsa onde estava o seu notebook, nossa atualmente principal ferramenta de trabalho.
Zap`n`roll sentiu seu mundo literalmente desabar e não havia o que fazer naquele instante. A volta sem o note para Sampa foi dolorosa e passamos os últimos dez dias penando sem o equipamento – aliás o jornalista zapper nunca havia ficado tanto tempo sem um notebook desde 2011, quando começou a utilizar este tipo de computador portátil.
Mas tudo se resolve, mesmo que aos poucos e na raça. Então já com um novo velho note em mãos cá estamos novamente. Com um post menor e emergencial, é verdade e mais para lembrar ao nosso sempre dileto leitorado que estamos aqui, vivos e sem abandonar quem nos acompanha. Sendo que na semana que vem, se nada der errado, estaremos publicando outro post, este como sempre com textão e todas aquelas análises e opiniões polêmicas que você só encontra aqui, certo?
De modos que vamos aí embaixo a alguns assuntos em textos rápidos, tipo express mesmo, apenas para não deixar passar mais uma semana em branco. Vamos que vamos!

 

***O Arcade Fire, que confirmou duas gigs no Brasil em dezembro (8, sextona, no Rio De Janeiro, e sabadão, 9, em Sampa, lá no estacionamento do Anhembi), enfim lançou “Everything Now”, seu quinto álbum de estúdio nesses dezesseis anos de carreira. Pode esquecer aquela banda fantástica que lançou um sublime álbum de estréia em 2004 (o até hoje imbatível “Funeral”), repleto de ambiências sonoras e melódicas variadas, intensas e algo melancólicas. A versão 2017 do AF caiu despudoradamente em nuances pop dançantes, algo que já havia se pronunciando no CD anterior do grupo, “Reflektor”. E o problema nem é esse direcionamento musical mais pop/dance. O trabalho sofre mesmo de falta de profundidade estética e orgânica, o que pode ser facilmente percebido após duas audições. Resvalando no superficial e quase irrelevante em termos artísticos, o novo álbum de Win Buttler e cia infelizmente indica que um dos poucos ótimos nomes do rock planetário dos anos 2000′ começou sua descida rumo à decadência artística – mas tem “brogui vizinho” arroz-de-festa que continua amando, hihihi.

CAPAAF1

Capa do novo álbum do Arcade Fire

 

***Sendo que o novo disco do AF pode ser conferido aí embaixo, além também do mais recente single do conjunto, “Electric Blue”.

 

***Já a produção do Lollapalooza BR 2018 divulgou as datas do festival ano que vem. Ele acontece novamente em Interlagos, em três noites: 23, 24 e 25 de março. E com prováveis headliners como LCD Soundsystem (argh…), Red Hot Chili Peppers (de novo?), The Killers (aaaaargh!) e Pearl Jam (também de novo?), não custa perguntar: alguém vai mesmo gastar sua suada bufunfa nessa porra?

 

***Showzaço fodíssimo, como sempre, foi o que Jonnata Doll e seus guris solventes mostraram no domingo passado no Centro Cultural São Paulo. O rock nacional, mesmo o independente, está mais morto do que vivo. Mas bandaças como Jonnata e os Boogarins (sendo que uma não tem absolutamente NADA a ver com a outra, em termos sonoros: a primeira resgata com fúria o proto punk, o glam rock e o pós-punk dos 80’ com ótimas letras em português; a outra mergulha com ambiências e melodias sublimes na psicodelia sessentista e setentista) são geniais EXCEÇÕES nesse oceano de grupelhos inúteis da atual geração rock BR e talvez duas das melhores formações que surgiram no rock brazuca nos anos 2000′. Foi uma porrada sônica e que está muito bem registrada aí embaixo, nas sempre ótimas imagens do expert fotógrafo rocker Jairo Lavia.

IMAGEMJONNATADOLL17

Jonnata Doll (acima) arrasa mais uma vez com sua performance semana passada, em Sampa; após a gig, no camarim, dupla rocker de respeito (o vocalista dos Garotos Solventes e o blogger loker) se confraternizamFINATTIJONNATA17

 

***E neste finde tem mais rock alternativo de ótima cepa no CCSP. Sobem ao palco por lá amanhã, sábado, os sorocabanos já lendários do Wry, acompanhados do noise guitar dos mineiros do Lava Divers. Começa às oito da noite e é DE GRÇA, sendo que o CCSP fica na rua Vergueiro 1.000, ao lado da estação de metrô do mesmo nome. Programão rock’n’roll pra este sábado!

 

***Vão-se os ÓTIMOS, ficam os bandidos. Luiz Melodia, nome gigante da MPB que importa, nos deixou, vencido por um câncer. Enquanto isso o vampiro e Conde Drácula do Planalto segue por lá, comprando o Congresso Nacional e comandando a QUADRILHA que saqueia sem dó este pobre e miserável bananão desdentado. Rip Negro Gato. Um dia nos reencontramos numa outra estação, se ela existir mesmo.

IMAGEMLUIZMELODIA

Negro Gato, gênio da MPB, infelizmente nos deixou para sempre

 

***Então é isso. Como já explicamos este é um post menor e emergencial (com mais imagens e menos texto), enquanto ainda estamos nos adaptando ao novo notebook. Mas fica a promessa de que, na semana que vem, tudo voltará ao normal por aqui, okays? Então até lá, sempre com o melhor da cultura pop e do rock alternativo.

XXX

Zap’n’roll manda um beijo no coração da Gisélia Silva, da Patrícia Ariane e da Patrícia Santos, que sempre estarão dentro da alma zapper!

 

(enviado por Finatti às 18hs.)

TCHAU 2016! Um ano que foi do INFERNO em todos os sentidos possíveis, que já vai mega tarde e que não vai deixar saudade alguma; e para encerrar esses doze meses pavorosos com alguma alegria e dignidade o blog traz a sua modesta lista de melhores do ano (no rock e em mais alguns setores da cultura pop), além de brindar os leitores como um “presente” de ano novo: um super ensaio total NUDE e safado com um casal rock’n’roll total, uhú!

imagempjharvey2016ii

2016 será lembrando (ou esquecido?) como o ano do horror no mundo e do inferno na cultura pop; ainda assim os últimos doze meses viram o rock alternativo ser salvo por nomes como a deusa inglesa PJ Harvey (acima) ou a revelação do indie rock brazuca, Jonnata Doll & Os Garotos Solventes (abaixo)

imagemjonnatadolllivez

Fim de jogo melancólico para um 2016 idem.

Sim, talvez Zap’n’roll esteja nos últimos tempos mais azedo e amargo e cinza na alma (seja lá o que for ela) e no coração, do que habitualmente já é. Na real (e como já bem observou mana Jaqueline, que conhece melhor do que ninguém o titular deste blog) o autor destas linhas rockers virtuais sempre foi um INADEQUADO e DESAJUSTADO emocional e existencial. E isso não vai mudar aos 5.4 de vida. Assim a melancolia perene só aumenta nesse período de festas (ilusórias e algo falsas também) de fim de ano. Festas que nunca nos fizeram grande sentido no final das contas. E o pouco que havia de sentido para nós nelas se foi em definitivo quando mama Janet se foi, há 12 anos. Talvez todo esse nosso universo perenemente cinza já esteja meio que cansando alguns (ou muitos) aqui, e por conseqüência afastando “amigos” (reais ou virtuais) e leitores, visto que a regra do MUNDO VIRTUAL é bem clara: o mundo pode estar um CAOS TOTAL (atentados terroristas com caminhões, embaixador abatido a tiros diante de câmeras de tv, Brasil vira lata na maior crise e buraco da sua história, estupidez, ignorância e neo conservadorismo se generalizando pela sociedade global, a daqui inclusa etc.) mas em redes sociais como o FACETRUQUE (ótima definição dada pra ele pelo querido capixaba Alex Sobrinho), por exemplo,  todos são MEGA FELIZES, suas vidas são PERFEITAS, o mundo está ÓTIMO e não temos nada do que reclamar – até mesmo porque precisamos fazer INVEJA a quem lê nossas postagens, não é? Então o blogger zapper deve mesmo ser um ALIEN em total desajuste, pois não se sente compelido a agir dessa forma, de maneira alguma. Prefere ser o que é, ainda que isso custe o AFASTAMENTO dos, hã, “amigos”. No entanto o blog prefere mesmo olhar o mundo com a crueza e a realidade dura que os olhos exigem ao observar o que se passa em nossa própria existência e ao redor dela. Claro, não está fácil para ninguém, diria o outro. Então por que insistir em brumas ilusórias e surreais de felicidade quando na verdade a grande maioria da humanidade vive mergulhada em matizes totalmente infelizes? Finaski escreve como sempre na madrugada (é quando o silêncio total e a solidão do ato da escrita permitem que o raciocínio tenha a reflexão e a fluidez máxima, algo que jamais se consegue durante a confusão barulhenta do dia). E escrevendo especificamente este último editorial do blog em 2016, pensamos no pouco que ainda almejamos no que resta de nossa jornada nesse mundo (e se é que existe outro além dele), que não deve durar muito mais. Pensamos basicamente em ter um livro publicado e passar alguns (poucos que sejam) anos tranqüilos morando na montanha mágica. Conseguindo isso, já nos daremos totalmente por satisfeitos. Enquanto isso não acontece e não se resolve, continuamos mergulhados nas reflexões cinzas e amargas de sempre pois apenas elas nos dão a real dimensão do quão infrutífera e cruel é a existência humana no final das contas. Afinal o ano que está terminando não traz absolutamente NENHUM MOTIVO para comemorações ou felicidade. Principalmente na esfera política, social e também na cultura pop. Aliás temos consciência de que andamos escrevendo cada vez menos sobre música (e rock) aqui. E cada vez mais sobre política, sobre angústias existenciais etc. Não é preciso refletir muito para se saber o motivo dessa postura editorial: o rock’n’roll está morto, simples. E quando dizemos isso nos referimos à renovação do gênero em si. Uma renovação quase inexistente de 16 anos pra cá. Houve ainda um espasmo de novidade e criatividade com alguns novos nomes realmente muito bons como The Strokes (no primeiro disco), Interpol (idem), Franz Ferdinand (ibidem), Arctic Monkeys, Arcade Fire, The Raveonettes e mais alguns poucos. E depois? O que vimos e ouvimos então? O silêncio paulatino das guitarras e o avanço de gêneros hoje bem mais populares no pop, como música eletrônica, rap, hip hop e as xotonas cantantes ao estilo Beyoncé, Rihanna etc. O fenômeno do desmonte do rock’n’roll se tornou algo tão sério que uma gigante lendária da indústria de instrumentos, lançou uma campanha publicitária em 2016 SUPLICANDO aos jovens para que eles NÃO DEIXASSEM DE COMPRAR GUITARRAS. E não é só na gringa que o rock está praticamente morto. No Brasil (esse tristíssimo e miserável bananão tropical, fodido e falido, total vira lata e de população/sociedade burra, ignorante e bestial em grau máximo) é a mesma situação: o rock sumiu da mídia, das rádios, da TV, de boa parte da web. A cultura pop de massa (ela também em total e franca decadência cultural e qualitativa), música inclusa no pacote, acompanha o gosto médio do que o populacho quer consumir. E nesse momento o populacho gosta e consome em doses elevadas no bananão podre a música que é a cara desses tempos estúpidos, reacionários, amorfos, anestesiados onde não há mais discussão e debate de idéias, nem transgressão ou subversão artística. É a música dos conformistas e BURROS, que aceitam passivamente e sem bater mais panela alguma ver o país afundar e ser tragado por uma crise brutal, enquanto um desgoverno golpista de merda caga e anda para todos. Qual a trilha desse bananão e dessa sociedade imbecil? Não é preciso ser nenhum gênio pra descobrir: ela está aí na boca do povo, com os hits porcos de sempre no axé burrão, no sertanojo universotário, no pagode machista e dor-de-corno de quinta categoria, no funk ostentação podrão de hits como “Tá tranqüilo, ta favorável”, “Metralhadora” e outras idiotices do mesmo calibre. E quem ainda dá alguma sobrevida ao rock são VELHOS como, por exemplo, Noel Gallagher (o gênio que carregava o Oasis nas costas e que irá fazer cinqüenta anos de idade em 2017) ou Nando Reis (o sujeito que comandou por duas décadas o baixo nos Titãs e que continua sendo um dos maiores e melhores compositores e hit makers do pop brasileiro, e que está já com cinqüenta e três nas costas). Ambos tiveram programas dedicados a eles esta semana no canal Bis (Gallagher se apresentando no Jools Holland; Nando, no “Pop na estrada”) e mostraram que ainda dão dignidade, criatividade e força ao que resta de rock’n’roll no mundo e na cultura pop. De resto um gênero que perdeu mesmo sua capacidade de renovação e isso até no indie rock brazuca, que nunca esteve tão imbecilizado, criativamente falando (sendo que há exceções nesse quadro pavoroso, claro, e algumas delas esse ano foram bandas como Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, Rios Voadores, Trem Fantasma, The Baggios, Carne Doce e Vinyl Laranja). Ou você acredita mesmo na balela bombardeada pelo blog Pobreload e seu autor, nosso “prezado” Lucio Ribeiro (aquele eterno adolescente com síndrome de Peter Pan, mesmo estando com mais de cinquentinha de idade já, uia!), que delira com sua ilha da fantasia indie onde o indie rock nacional nunca esteve tão bem? Fala sério… Então, quando escrevemos que o rock’n’roll morreu ou está à beira da morte, é nesse sentido: de que ele não se renovou, perdeu o rumo estético e está aí, totalmente irrelevante e à deriva no final desse 2016. Bandas ainda existem aos milhares aqui e pelo mundo todo. Mas elas duram cada vez menos, são cada vez menos dignas de nota e o que gravam e postam na internet é ouvido uma ou duas vezes por quem se dispõe a ouvir o material e depois esse mesmo ouvinte já descarta o que ouviu, interessado em que está em escutar outra banda inútil e esquecível em tempo recorde. Pois fato é que nenhuma banda atual consegue mais ter prazo de validade enorme, como os grupos clássicos tiveram. Porém o rock’n’roll será eterno, sim, e justamente pelo que ele já legou de fantástico e clássico para a música mundial: todas as obras gigantes de nomes idem (Stones, Who, Led Zep, Ramones, Clash, Doors, Velvet, Smiths, Joy Division, Echo & The Bunnymen, REM, Nirvana, Oasis etc, etc, etc.) estão aí, eternizadas e registradas de forma sublime para quem quiser sempre ouvir. Então, velho que também está ficando (ranzinza? Rabugento? Talvez…) este zapper prefere ficar com os VELHOS (mas jamais obsoletos) iguais a nós, quando o assunto é rock. Enfim é isso: assim como o mundo todo e a humanidade talvez estejam mesmo no fim da sua história, o rock’n’roll pelo jeito chegou ao fim da sua. E este velho jornalista loker, que será um amante apaixonado e devotado pelo rock ad eternum, irá sim sempre amar quem fez esta história musical que foi a trilha sonora principal da nossa existência. Uma trilha que irá permanecer em nós até nosso derradeiro respirar, que esperamos não demore muitos anos mais. E pelo menos, enquanto esse último respiro não chega, esse horrendo 2016 dá finalmente seu adeus – e já vai tarde, sem deixar saudade alguma. Vamos então ao post derradeiro desse ano, com nossas modestas escolhas sobre o que achamos de melhor no que ainda resta de ótimo no rock’n’roll e na música em geral. E dando de brinde ao nosso dileto leitorado um último ensaio imagético e erótico no capricho, com um CASAL total rocker. Ao menos isso: imagens mega sensuais para fechar e colorir um pouco um ano desastroso para um mundo idem.

 

 

E no último post deste ano e que está entrando no ar nessa tarde de calor senegalesco de sextona pré virada de ano, sem notinhas iniciais. Mas apenas deixamos mais uma vez nosso rip e nossa saudade para cinco GIGANTES da história da música pop e do cinema e que nos deixaram em 2016.

bowieziggys

imagemprince

imagemgeorgem

imagemcarriefisher

 

FIM DE JOGO PARA 2016, UM ANO PAVOROSO NO ROCK E NA CULTURA POP EM GERAL – MAS AINDA ASSIM O BLOG ZAPPER APRESENTA SUA MODESTÍSSIMA LISTA DOS MELHORES DOS ÚLTIMOS DOZE MESES

Yep, como já cansamos de escrever e repetir aqui nos últimos tempos, o rock’n’roll planetário e a cultura pop em geral também estão sofrendo horrores com estes tempos onde a falta de criatividade e de qualidade artística reinam no mondo pop – no rock em particular. Dessa forma estas linhas online, que sempre foram algo avessas a listas de “melhores do ano”, ficaram pasmas ao verificar como publicações gringas publicaram, ao longo das últimas semanas, zilhões de listas com os “melhores álbuns de 2016”. Listas que foram sendo regurgitadas por aqui através de blogs “vizinhos” que vivem de empurrar hypes duvidosos e inúteis aos seus já parcos leitores. E não eram listas pequenas, não: a maioria conseguiu listar 50 MELHORES DISCOS (!!!) neste ano. E até o famigeradao “Tenho mais discos que amigos” (e mais discos do que leitores também, provavelmente) conseguiu a façanha de listar igualmente 50 grandes discos nacionais para este ano que finalmente está dizendo adeus.

Na boa? Haja enrolação, embromação e boa vontade para montar essas listas. Zap’n’roll, sempre mais honesta e sabedora da falência qualitativa que se instalou no rock daqui e de fora, vai direto ao ponto. E elenca (que palavra chic, uia!) aí embaixo aqueles POUCOS que, na nossa opinião, salvaram 2016 do naufrágio completo na música e na cultura pop em geral. Veja os nossos eleitos e fique avonts para discordar, claaaaaro!

 

 

CINCO DISCOS GRINGOS GLORIOSOS NESTE TRÁGICO 2016

capabowie16

  1. David Bowie/”BlackStar”
  2. J. Harvey/”The Hope Six Demolition Project”
  3. Teenage Fanclub/”Here”
  4. Leonard Cohen/”You Want It Darker”
  5. Radiohead/”A Moon Shaped Pool”.

 

 

CINCO DISCOS NACIONAIS QUE SALVARAM O ROCK E A MPB ESTE ANO

capaceu16

1.Céu/”Tropix”

2. Jonnata Doll & Os Garotos Solventes/”Crocodilo”

3.Sabotage/”Sabotage”

4. Metá Metá/”MM3”

5. Rios Voadores/”Rios Voadores”.

 

 

UM FILME MARCANTE DE 2016

“Aquarius”, de Kléber Mendonça. Alguma dúvida?

 

 

UM LIVRO

“A segunda mais antiga profissão do mundo”, coletânea de textos da lenda do jornalismo brazuca que foi Paulo Francis.

capalivropaulofrancis16iii

 

O SHOW DO ANO

Os Stones, claaaaaro!

 

 

E O MICO DO ANO

A série “O boom do indie nacional”, criada pela “ilha da fantasia indie” que é o blog Pobreloa…, quer dizer, Popload.

 

 

E PARA FECHAR BEM UM ANO PÉSSIMO, NOSSO PRESENTE DE NATAL PROS LEITORES ZAPPERS: UM CASAL TOTAL ROCKER E MEGA SAFADO/DEVASSO, WOW!

Yep, 2016 foi um ano pra lá de pavoroso em todos os sentidos, néan. E como se não bastasse todo esse pavor (crise econômica monstro, país no buraco total, violência urbana e social fora de controle, cultura pop aos pedaços e rock’n’roll planetário praticamente extinto), há ainda aquele ingrediente extra, a “cereja no bolo”: a nova mega onda conservadora planetária, que atinge todos os países, Brasil incluso no pacote.

De modos que nosso célebre tópico “musa rocker” andou sumido do blog, não é mesmo? Sim, ele hibernou por um tempo bom, até porque os tempos atuais são total refratários a qualquer tipo de “ousadia” – editorial e em blogs, inclusive.

Mas enfim, como este é finalmente o ÚLTIMO post zapper deste cabuloso (e ponha cabuloso nisso) 2016, resolvemos tirar o tópico de seu período, hã, sabático. E como uma espécie de brinde ao nosso sempre fiel e diletíssimo leitorado, trazemos para fechar bem este ano cruel não uma musa mas um CASAL ROCKER em ensaio total nude ousado, abusado e safado. Acompanhe abaixo os textos sobre quem são eles e como estas linhas online conheceu a dupla. Além de se locupletar com as imagens, claaaaaro!

 

ELA

Quem: Marcelle Louzada.

De onde: sou do mundo sou Minas Gerais. Moro no centro da São Paulo desvairada, vale do Anhangabau.

Idade: 35 anos.

O que faz: artista do corpo, pesquisadora das artes. Doutoranda em educação pela Unicamp.

Três artistas: Patti Smith, Rita Lee e Karina Bhur.

Três discos: “Horses” (Patti Smith), “Hoje é o primeiro dia do resto de sua vida” (Rita Lee) e “Selvática” (Karina Bhur).

Três filmes: “Je vos salue  Marie”, “Zabriskie Point” e “Sonhos”.

Livros: “Flicks” (Ziraldo), “Macunaíma” (Mario de Andrade) e “A revolução dos bichos” (George  Orwell).

Três diretores de cinema: Zé do Caixão, Jean Luc Goddard e Federico Fellini.

Três escritores: Ziraldo, Mario de Andrade e Italo Calvino.

Show inesquecível: Jonnata doll e os Garotos Solventes no vale do Anhangabaú em São Paulo, 2016.

 

ELE

Quem: Jonnata Araújo.

De onde: Fortaleza (Ceará).

Mora em: São Paulo, capital.

Idade: 35.

O que faz: vocalista, letrista e compositor na banda Jonnata Doll & Os Garotos Solventes,

Três artistas : Ramones, Dago Red (Fortaleza/CE) e Iggy Pop.

Três discos: “It’s Time For” (Jonathan richiman), “Lust for life” (Iggy Pop) e “Uhuu” (Cidadão Instigado).

Três livros: “Misto quente” (Charles Bukowski), “Junky” (William Burroughs) e “Crônica da províncias em chamas” (Airton Uchoa Neto).

Três filmes: “A noite dos mortos-vivos”, “O império contra-ataca” e “A montanha sagrada”.

Três diretores de cinema: George Romero, David Cronemberg e Lucio Fulci.

Três autores literários: Isaac Assimov, Wiliam Burroughs e Jack Kerouack.

Show inesquecível: da banda cearence Dago Red,  em 1997 no padang padang, atigo espaço de show de rock na pria de iracema em Fortaleza. Foi a primiera vez que vi uma banda de punk rock tocando algo, falou diretamente comigo, todos da banda chapados e com uma energia incrível e ao contrário da maioria de bandas punks da época, todas com letras engajadas, as letras do dago red falavam de coisas que eu sentia: tristeza, sexo, drogas, amor, ateísmo e musicalmente eu entendi o que era uma guitar band e um pedal fuzz ali. Depois disso fui na casa do Robério, o vocalista, e saí com um monte de discos emprestados: Velvet, Iggy Pop, Husker Du, Mercenárias, Smack, Inocentes, Pixies e aí minha vida mudou depois disso e achei meu som.

 

Sobre o casal e como o blog os conheceu: Marcelle e Jonnata têm a mesma idade, total afinidade cultural e intelectual e moram juntos em um aconchegante apê de um dormitório no centrão rocker de Sampa. Cercados por discos de vinil e livros, o casal leva uma vida bastante agitada: ela está fazendo doutorando na área de Humanas; ele sempre fazendo shows e cantando à frente dos Garotos Solventes, banda da qual é vocalista. Além disso Jonnata participou de várias gigs da turnê que comemorou os trinta anos do lançamento do primeiro álbum da Legião Urbana, tocando e cantando ao lado de Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá ao longo de todo 2016.

E estas linhas sempre total rockers conheceu Jonnata, Marcelle e a banda há apenas alguns meses, após assistir uma apresentação do grupo durante uma peça de teatro marginal, em Sampa. Foi paixão à primeira vista pelo conjunto e agora o blog já tem os Solventes e o casal rock’n’roll no nosso coração.

Mas chega de bla bla blá, rsrsrs. Aí embaixo nosso dileto leitorado confere um ensaio fodíssimo e tesudo da dupla, especialmente para Zap’n’roll. É o nosso presente para fechar BEM este ano horroroso que foi 2016. Então deleitem-se e apreciem sem NENHUMA moderação, uia!

imagemmarcellejonnatanudevi

 

imagemmarcellejonnatanudevii

 

imagemmarcellejonnatanudev

 

imagemmarcellejonnatanudeiv

 

imagemmarcellejonnatanudeii

 

FIM DE PAPO E TCHAU PORRA DE 2016

Foi um ano pra lá de terrivel, e todos já estão carecas de saber disso. E o próprio blog zapper em si também passou seus perrengues – tanto que nosso último post de 2016 está entrando no ar somente hoje, 30 de dezembro, no apagar das luzes desse ano funesto. Entonces agora é um período de férias curtas (que ninguém é de ferro), pra que possamos voltar no pique pra enfrentar um ano novo que promete ser tão terrivel quanto o velho que está acabando. E haverá como sempre mudanças por aqui no novo ano. Sendo que talvez o blog até mude de nome e de perfil editorial, mas tudo isso ainda está sendo estudado.

Por hora é isso. Voltamos por aqui lá pelo dia 20 de janeiro, se nenhum atropelo acontecer antes pelo caminho. De modos que desejamos de coração a todos um ótimo novo ano. A situação não tá mole pra ninguém e 2017 vai vir fervendo também. Então que todos entrem com o pé direito e com fé no Grande lá em cima para suportar mais uma longa jornada.

Até 2017, turma!

 

(enviado por Finatti às 16hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL! Com um RESUMÃO político da semana, o anúncio dos primeiros (e inúteis) shows de rock internacionais de 2017 e as indicações culturais e o roteiro de baladas do blog – Em mais uma semana pavorosa e surreal para o país VIRA LATA TOTAL (esse mesmo aqui, o Brasil miserável) e atolado na MERDA até o pescoço, e com todo mundo contando os dias pro horrendo 2016 acabar de uma vez por todas, mais uma vez é o grande e VELHÍSSIMO rock’n’roll dos imortais Rolling Stones (com o seu novo e fodástico disco) que salva a todos e traz alguma alívio pra galera; e a falência geral do bananão tropical continua se refletindo inclusive na cena musical independente brazuca: neste final de semana algo melancólico fecha as portas na capital paulista o lendário bar Matrix, que foi um dos principais lares de uma cena indie que infelizmente também está no buraco e morrendo aos poucos (uma cena que vive um “boom” somente na ilha da fantasia indie estúpida criada por um certo blog “vizinho”), como iremos mostrar e comentar em detalhes neste post zapper (postão COMPLETÃO e totalmente concluído em 16/12/2016)

imagemstoneslive16ii

O mundo está no buraco e o Brasil mais ainda; assim apenas o velho e ÓTIMO rock’n’roll nos dá algum alivio, que vem dessa vez através do novo discão dos Rolling Stones (acima), tão bom quanto o cd que os Rios Voadores (abaixo) lançaram esse ano, lutando pra se manter em uma cena independente (a brasileira) quase falida mas que ainda produz, em termos de cultura pop, musas rockers como a gataça Marcelle Louzada (também abaixo)

imagemriosvoadores16ii

imagemmarcelle16

**********

FECHANDO A TAMPA DO POSTÃO: A GRANDE VERGONHA E RAIVA QUE O BLOG SENTE DE SER… BRASILEIRO – E TAMBÉM SHOWS INÚTEIS EM 2017 A CAMINHO E O FIM DO PROGRAMA DO JÔ

  • Final de semana chegou e com ele, a finalização desse post zapper. Assim, vamos a um RESUMO desta semana nesse país total fodido (pela classe política imunda e calhorda ao máximo que aliás está onde está porque foi VOTADA e ELEITA por um BANDO de OTÁRIOS e BURROS ao máximo) e vira lata que é este miserável Brasil.

 

  • PEC do fim do mundo: aprovada em segundo turno pela QUADRILHA do senado federal. Beleusma. Absolutamente TODOS IRÃO SE FODER – inclusive DIREITOPATAS e COXAS/PATOS IDIOTAS que ainda estão apoiando o desgoverno do GOLPISTA DO INFERNO.

 

  • Depoimento/delação de Marcelo Odebrecht: o CAPPO e dono da maior empreiteira do país começou seu depoimento/delação ontem, falando por 10 HORAS (!!!) na primeira rodada de informações ao MPF e à Justiça Federal no Paraná. Vai falar ainda até esta sexta-feira. Se apenas ALGUMAS LINHAS da sua delação VAZAREM provavelmente o MUNDO ACABA em Brasília. E estamos TORCENDO TOTALMENTE POR ESSE FIM.

 

  • Quadrilhas do Congresso e do Senado federal total de COSTAS para o populacho que os elegeu: alguma dúvida quanto a isso? Basta ver como foi esta semana na capital do Brasil, aquela MERDA chamada Brasília.

 

  • Protestos e pancadaria generalizada pelo país afora: yep. Teve protesto e quebra-quebra contra a aprovação da PEC dos infernos em várias capitais. Em Porto Alegre manifestantes estraçalharam vidros em portas de agências bancárias. Aqui em Sampa, na avenida Paulista, foi LINDO ver o povaréu finalmente CRIANDO CORAGEM e INVADINDO o prédio daquela escrotice gigante chamada Fiesp, e tocando o terror lá dentro com rojões, bolinhas de gude, o que fosse possível enfim. Sempre fomos contra a violência em passeatas mas estamos quase começando a concordar e a APOIAR atos como os de hoje. O país não tem mais jeito. E só quando o povão começar a ESPANCAR os políticos (na porrada mesmo, e não metaforicamente) e empresários corruptos (muitos deles encastelados dentro da porra da Fiesp), talvez comece a haver alguma chance de o Brasil sair da LAMA e do buraco no qual está metido.

 

  • Reação/repressão aos manifestantes: claaaaaro que as forças policiais entraram em ação durante os protestos desta semana e meteram cassetete, spray de pimenta e balas de borracha em quem estava protestando. Nas fotos abaixo, registradas pelo querido e ótimo fotógrafo Jairo Lavia, uma pequena “amostra” da atuação da PM SUJA e TRUCULENTA do geraldinho alckmerda (o desgovernador de SP, o “santo” segundo a delação da Odebrecht, uia!) durante a manifestação na avenida Paulista. A vítima dos PMs: uma pobre estudante (uma JOVEM e MULHER, pelamor!), DOMINADA por vários guardas e enfiada À FORÇA numa viatura apenas porque estava… protestando contra a PEC do demônio e do desgoverno golpista.

imagemgarotapresaavpaulista16iii

imagemgarotapresaavpaulista16ii

  • País RACISTA DO CARALHO: foi o que mostrou uma das matérias da edição de quarta-feira última do Jornal Da Cultura, e que você pode assistir no vídeo aí embaixo nos comentários, a partir dos 38 minutos e 40 segundos de exibição do telejornal. A reportagem nos deixou com NOJO e LOUCOS de RAIVA: mostra como a sociedade brasileira (boa parte dela composta por uma classe média ESTÚPIDA e BRANCA, que se acha IGUAL à minúscula elite triliardária que de fato MANDA nisso aqui), que é composta em sua maioria por afro-descendentes, continua tão RACISTA quanto sempre foi na verdade. O JC mostrou uma entrevista feita com algumas pessoas, que foram instadas a analisar algumas fotos de pessoas nas mesmas situações e com os mesmos visuais. Com uma diferença: primeiramente o grupo de pessoas mostradas era de BRANCOS. O segundo grupo era de NEGROS. Veja o resultado das respostas de quem analisou os dois grupos no vídeo da tele reportagem, aí embaixo.

  • Resumindo a ópera: Finaski deve estar mesmo ficando velho, ranzinza e rabugento ao máximo. Porque a RAIVA e VERGONHA disso aqui, desse país que está se transformando em um LIXO de nação, só aumentam. Sério, quando tínhamos 20/25/30 anos, isso não estava assim. E olha que tínhamos acabado de sair de duas décadas de ditadura e de governo militar e ainda estávamos enfrentando uma hiper inflação (HERANÇA dos milicos) que no final de 1986 estava em 60% ao mês. E mesmo assim a situação não estava como está hoje, social, política e economicamente falando.

 

 

  • Bien, além desse resumão político da semana aí em cima, a sextona (16 de dezembro) está, hã, “quentíssima”: até Silas Malafaia (uia!), o pastor mega REAÇA do inferno e “exemplo” de correção moral e ética (uuuuuiiiiiaaaaa!), também acaba de cair nas garras da Polícia Federal, por envolvimento em esquemas, hã, nada éticos e morais. Ulalá! Os fiéis sentam e choram, hihihi.

 

 

  • Aí a assessoria de imprensa (administrada por um chegado destas linhas rockers bloggers) dispara e-mail BOMBÁSTICO anunciando um dos GRANDES shows internacionais de rock no bananão tropical, em 2017. Qual banda??? O “sensacional” e “imperdível”… King Diamond! Ahahahahahaha. Foi maus, o blog não conseguiu conter o riso diante da piada.

cartazshowkingd17

 

  • Pior é a anunciada também hoje turnê conjunta no Brasil reunindo ninguém menos que… James Taylor e Elton John. Rola entre março e abril, em Curitiba, Porto Alegre, Rio e Sampa. Os ASILOS de todo o país já estão em polvorosa com a notícia, rsrs.

 

 

  • E hoje é a despedida do gênio Jô Soares de seu programa de entrevistas. Foram vinte e oito anos no ar, entre SBT e Globo. O “Gordo” vai deixar saudades e fazer muita falta, com certeza. Mas é isso. Fim de uma era, sendo que o mundo está mesmo ficando sem gênios que valham a pena em todos os setores da existência humana.

 

 

  • E é isso: 2016 vai se  despedindo sem deixar saudade alguma. Semana que vem tem o último post deste ano do blog. Nos vemos nele então. Até lá!

**********

Um país total VIRA LATA (o Brasil) atolado na MERDA até o pescoço.

A primeira frase do editorial que abre este penúltimo post de Zap’n’roll nesse pavoroso 2016 que está finalmente e felizmente chegando ao fim (sendo que 2017 promete ser tão horrendo quanto, se não for pior), pode ser e parecer pesada em demasia. Mas ela reflete fielmente o que o autor deste blog pensa da realidade atual brasileira – e com certeza milhões de pessoas a essa altura dos acontecimentos está pensando da mesma forma. Inclusive a nação neo conservadora de direita e COXA brasileira, essa mesma que foi pra rua pedir o impeachment de Dilma e que segue apoiando (por enquanto em silêncio e com o rabo enfiado no meio das pernas) esse desgoverno GOLPISTA dos infernos, comandado pelo vampiro e mordomo de filme de terror que ocupa nesse momento a cadeira de presidente da República. E a razão para dizermos que este bananão tropical miserável está atolado até o pescoço na MERDA plena e fedorenta decorre de mais uma semana (esta que está chegando já ao fim; a primeira parte do postão está entrando no ar na tarde de sexta-feira, 9 de dezembro) onde o INACREDITÁVEL aconteceu na terra brasilis. Quando na última segunda-feira o eminente Ministro Marco Aurélio de Mello, um dos mais dignos e confiáveis do STF (a Corte mais alta do país), expediu liminar AFASTANDO o ultra canalha, pulha e bandido Renan Calheiros de suas funções como presidente do Senado, em decisão acertadíssima vale exarar (afinal Renan tem contra ele nada menos do que ONZE inquéritos sendo analisados no STF; em um deles já é RÉU na ação, traduzindo: em qualquer país minimamente sério do planeta um sujeito desse naipe estaria na CADEIA, e não presidindo o senado da nação; mas isso aqui é o Brasil, claaaaaro), ninguém poderia imaginar, nem em sonho, o que aconteceria na sequencia. E o que aconteceu todos já sabem: Renan PEITOU o STF, se recusou a receber o oficial de Justiça da Corte pra assinar a decisão que o afastava do cargo, e ainda por cima SE MANTEVE na condição de presidente do Senado Federal. Dois dias depois o plenário do STF se reuniu em caráter de urgência pra decidir sobre o caso. O resultado do julgamento da liminar de Marco Aurélio todos também já estão sabendo: por 6 votos a 3 os Ministros do Supremo decidiram MANTER o chefe de quadrilha das Alagoas no cargo que ocupa, afastando-o apenas da linha sucessória da presidência do país. Uma decisão que significou várias paradas, entre elas: se de onde deveria partir o exemplo CORRETO de RESPEITO à Lei, isso não aconteceu, então por que você aí, cidadão comum que está enfretando uma ação penal (por qual motivo seja) vai ACEITAR uma decisão judicial desfavorável a você? Pelo jeito é mais fácil tacar o foda-se e dizer: “não vou cumprir, e daí?”. De modos que além de toda a crise pela qual estamos passando nesse momento acabamos de ver enterrada aqui também um dos preceitos BÁSICOS da Lei: a de que decisão judicial não se discute, se CUMPRE. Pelo visto nem isso mais existe nesse triste Brasil a partir da atitude de enfrentamento do “coronel” Renan, que HUMILHOU o STF – e a Corte aceitou essa humilhação de cabeça abaixada. E assim seguimos aqui… Brasília segue DESTRUINDO o restante do país. Os IMUNDOS políticos brasileiros há muito já perderam totalmente qualquer resquício de vergonha. CAGAM em cima de toda a população e legislam apenas em causa própria, como se o restante do país não existisse. Onde tudo isso vai parar, afinal? Como será 2017? Nesse momento estas linhas bloggers sempre dedicadas à cultura pop (mas falando muito sobre a situação política nacional neste editorial e nos nossos posts mais recentes, não há como fugir do tema sob pena de passarmos a impressão de que somos totalmente alienados; não é assim que agem certos blogs “vizinhos” de cultura pop?) nem se arriscam a prever algo – mas achamos que o próximo ano será igual a este, se não for pior. Por isso o que podemos fazer aqui é isso mesmo: lamentar e ficar com a alma aos pedaços ao testemunharmos pessoalmente o DESMONTE do Brasil. Um desmonte que já chegou inclusive e implacavelmente à cena musical independente brazuca. Uma cena que está quase completamente FALIDA, com bares e espaços para shows fechando, bandas acabando ou não levando ninguém aos seus shows etc, etc. Uma situação trágica e que só não é mostrada pelo nosso blog “vizinho”, aquele mesmo que vive numa delirante ilha da fantasia indie, que ENGANA seus pobres leitores (falando de um ridículo boom da cena indie nacional atual) e que não tem a coragem suficiente pra ser sincero e honesto com quem o lê. Iremos, enfim, falar desse assunto melhor nesse post que está começando agora. E também iremos escrever ao menos sobre um assunto bastante agradável: o novo discaço da maior banda de rock de todos os tempos, os Rolling Stones. Pois é… quando tudo parece realmente perdido, só mesmo o ótimo e velho rock’n’roll para dar algum alívio ao nosso coração, à nossa alma e ao nosso sistema auditivo, néan. Bora então ler mais um post zapper. Venha conosco!

 

 

  • Ainda sobre política: a metranca .100 da delação da Odebrecht começa enfim a mirar a QUADRILHA tucanalha. Será que agora o PSDBosta se FODE e CAI?

capafolhasptucanos16

 

  • Enquanto isso o digníssimo juiz Sérgio Moro mostra como é JUSTO e IMPARCIAL em sua atuação profissional, através dessa fotoca aí embaixo, que já VIRALIZOU na web.

imagemtemeraeciosergiomoro16

 

  • E as PANELAS, que fim levaram? Esse mesmo, aí embaixo, uia!

imagempanelacoxanocu

 

  • Indo pro bom e velho rock’n’roll: o Jesus & Mary Chain, lenda gigante do rock inglês dos 80’ lança novo disco de estúdio após quase vinte anos de ausência – o último cd, “Munky”, foi editado em 1998. Pois então: “Damage and Joy”, o novo esporro sônico dos irmãos Jim e William Reid chegará ao mundo em março vindouro. Ao vivo o JMC anda capenga há anos já. Mas em estúdio eles continuam mandando muito bem. A conferir então.

capajmc16

 

  • Quem também anunciou volta é o barulhento e experimental At The Drive In, cujo último álbum saiu em 2000’. A malokerada está em estúdio trabalhando em novo disco e já soltou no YouTube uma amostra do mesmo, a esporrenta “Governed by Contagions”. Se o cd inteiro for nesse naipe, vai ser uma paulada!

 

  • E mais notícia rocker bacanuda: o genial velhão Neil Young acaba de também soltar na web seu novo trampo, “Peace Trail”, sobre o qual falaremos melhor mais pra frente mas que você já pode escutar integralmente aí embaixo.

 

  • A nota chata da semana: o falecimento do baixista e vocalista Greg Lake, ex-Emerson Lake & Palmer, gigante do jurássico prog rock dos 70’. Lake foi pro saco vitimado por um câncer. Rip.

 

 

  • E não, o blog zapper não vai embarcar na onda de listas GIGANTES com os melhores do ano, aliás já está com o saco bem cheio dessas listas. A nossa, que será publicada no post derradeiro de 2016 (provavelmente na semana do natal), será beeeeem reduzida. Com no máximo cinco discos gringos e uns dois brasileiros. E olhe lá!

 

 

  • IMAGEM TESÃO TOTAL DA SEMANA! – yeeeeesssss! Aí embaixo um APERITIVO para o nosso dileto leitorado macho (cado) da nossa próxima musa rocker. Ela mesma, Marcelle Louzada, 35 anos de puro tesão. Fora que a garota, que faz doutorado em Sociologia e namora com o queridão Jonnata Doll (vocalista dos Garotos Solventes), é total do rock’n’roll. Vão se preparando aê e aguardem o ensaio com ela, que vai ser fodástico!

imagemmarcelle16ii

imagemmarcelle16iii

 

  • Nada fodástica é a atual cena indie nacional. Que aliás está FALIDA, ao contrário do que vive babando um certo blog “vizinho”. Mas como Zap’n’roll só fala VERDADES, você confere aí embaixo um retrato FIEL e PRECISO de como anda a indie scene rock brazuca atualmente. Bora lá!

 

bannerrealcenaindiezap

ESPECIAL A REAL CENA INDIE NACIONAL ATUAL: BARES E ESPAÇOS PARA SHOWS ALTERNATIVOS FECHANDO, BANDAS TOCANDO PRA NINGUÉM ETC. E ENQUANTO ISSO O BLOG “VIZINHO” POBRELOAD CONTINUA ILUDINDO SEU LEITORADO COM SUA ILHA DA FANTASIA EDITORIAL, CHAMADA DE “BOOM DO INDIE NACIONAL”, UIA!

Está sendo mais uma semana infernal a que está terminando entre hoje (sexta-feira) e amanhã (sabadão em si). Mais uma semana onde o país vira lata total (nosso pobre Brasil) se vê cada mais vez mais atolado na merda de uma crise política e econômica (ambas alimentadas por escândalos de corrupção infindáveis) que parece interminável e que pode DERRETER por completo o país a qualquer momento. Incluso nesse derretimento total a nossa querida e, nesse momento, triste e maltratada cena musical independente.

Yep, a indie secene rock brazuca também está sofrendo com a crise monstro que se abateu sobre o bananão tropical. E como está… sinceramente, Zap’n’roll queria sempre trazer em cada novo post somente boas notícias para seu dileto leitorado. E especificamente nesse post até há ÓTIMAS notícias (o novo discão dos Rolling Stones, o novo álbum do velhão e genial Neil Young, as voltas do Jesus & Mary Chain e At The Drive In etc). Só que, INFELIZMENTE, nenhuma dessas notícias se refere ao rock brasileiro (ele existe ainda?), seja ele mainstream (ainda existe?) ou independente (está às portas da morte também). Mais IRRITANTE ainda é se dar conta de que, diante do quadro tenebroso que estamos vendo atualmente, um blog de cultura pop outrora respeitado na web BR, o Popload, escrito pelo jornalista Lúcio Ribeiro (hoje mais empresário da noite do que propriamente jornalista e blogueiro), INSISTE em iludir seu ainda fiel séquito de leitores com uma série editorial intitulada “O boom da cena indie nacional”, uma autêntica ILHA DA FANTASIA INDIE que vende a (falsa) idéia de que a cena alternativa brasileira atual nunca esteve tão bem. Não está. Aliás está atravessando um dos seus PIORES momenos desde que o autor destas linhas bloggers rockers acompanha essa mesma cena, há mais de vinte anos já.

Exagero do blog zapper? Infelizmente não – até gostaríamos que fosse exgero e pessimismo exacerbado nosso. Mas ao longo desse infernal 2016 que insiste em não morrer (mas que felizmente irá desaparecer pra sempre em mais três semanas; pena que 2017 vem aí aparentando ser tão cruel ou PIOR do que este ano está sendo, em todos os sentidos possíveis) as PÉSSIMAS notícias para a indie scene foram se acumulando durante as semanas e os meses do ano. Só o blog “Pobreload” foi vendo o contrário. E por certo nosso “vizinho” não foi vendo (e muito menos comentando) o fechamento de bares e espaços para shows lendários e históricos da noite under paulistana, como o Astronete (que encerrou atividades em 2015 mas cuja repercussão do seu fechamento permanece até hoje) e o Hangar110. Mais? Todo mundo já está sabendo que amanhã, sabadão, dia 10 de dezembro, o Matrix também vai se despedir após mais de duas décadas de funcionamento (e já falamos bastante sobre o que foi o Matrix e sobre seu desaparecimento em nosso post anterior a esse, vai lá dar uma conferida no texto) na capital paulista. Não só: o também já clássico Inferno Club, no baixo Augusta, e que durante uma década abrigou shows nacionais e gringos sensacionais (o blog assistiu ali uma inesquecível gig do grupo americano Bellrays), além de ótimas festas onde abundavam xoxotões total lokas e repletas de tatuagens, anunciou o fim de suas atividades. O club ainda irá ter eventos até o final deste mês de dezembro. Com o apagar das luzes de 2016 o Inferno também irá extinguir seu fogo.

Veja bem: no parágrafo acima o blog se deteve APENAS na questão do fechamento de espaços para shows e bares dedicados ao rock alternativo na capital paulista (e nem vamos entrar em outros pontos relativos aos espaços que ainda estão funcionando, como o fato de muitos deles simplesmente não promoverem mais shows ao vivo porque isso não atrai mais público, ou pior ainda: outros aderiram ao esquema “open bar PORQUEIRA”, com entrada a preço fixo e bebida ruim avonts mais discotecagem que mistura funk, eletronices e UM POUCO de rock’n’roll, o que tem garantido uma até certo ponto rentável sobrevida a esses espaços). Quando o assunto se amplia para bandas e locais para apresentações ao vivo então, aí o buraco parece não ter fundo. De anos pra cá a cena indie nacional CRESCEU em tamanho e quantidade de bandas? Sim, certamente. Mas ao mesmo tempo também aumentou (e muito) a indigência qualitativa e artística dessas bandas, o que acaba tornando as mesmas quase que completamente (em sua grande maioria) IRRELEVANTES para o público. Hoje em dia, graças às facilidades tecnológicas da era da web, todo mundo consegue gravar um disco até mesmo no quintal de casa. E também graças a essa mesma tecnologia todo mundo posta o que gravou na internet (no YouTube, no Instamerda, nas redes sociais e plataformas diversas, como Deezer, Bandcamp, Soundcloud e os caralho) e se sente imediatamente um pop star, ulalá! Quando o “artista” então estoura em “curtidas” na sua página no faceboquete, aí fodeu! O ego vai pras alturas e o sujeito se sente o máximo. Isso tudo é lindão… no mundo surreal e IRREAL da nuvem virtual e ilusória das redes sociais e do blog Pobreload, claaaaaro. Porque quando a banda da esquina marca um show em qualquer espelunca ainda com espaço disponível para gigs e abre evento no Facebook, com 500 “fãs” confirmando “presença” na parada e na hora surgem de fato no local apenas uns 30 gatos suados e pingados (menos de 10% do total dos que haviam confirmados VIRTUALMENTE que estariam presentes na bagaça), a CHORADEIRA é gigante, gritante e geral. E não adianta a banda da esquina ter já 50 mil fãs em sua pagina na rede social MENTIROSA: ela, a banda, irá continuar AMARGANDO fazer sets ao vivo para vinte ou trinta malucos (metade deles, vale ressaltar, entrando na faixa, com o nome na lista vip por serem amigos ou parentes dos músicos).

imagemthebaggios16

As bandas The Baggios (acima, de Sergipe) e Maglore (abaixo, da Bahia) que tocaram ontem à  noite no Centro Cultural São Paulo, dentro da programação do festival SIM São Paulo: dois bons grupos que sofrem os efeitos da crise em cima de uma cena alternativa quase falida (fotos: Jairo Lavia)

imagemaglore16

Enfim, uma situação desalentadora em todos os sentidos. E que infelizmente atinge inclusive as bandas ÓTIMAS que ainda existem na cena independente brasileira – sim, essas bandas são muito poucas atualmente, mas existem e resistem. Exemplos dessa situação trágica abundam: semanas atrás o incrível Los Porongas (do Acre e que reside há quase uma década em São Paulo) tocou para menos de cinqüenta pessoas no badalado Z Carniceria, na zona oeste de Sampa. Semanas depois foi a vez de Rios Voadores (de Brasília) e Jonnata Doll & Os Garotos Solventes (de Fortaleza mas morando em Sampalândia), duas das MELHORES bandas da atual cena indie nacional e que lançaram dois dos MELHORES discos nacionais deste ano (até o momento), também tocarem para um público bem reduzido (ainda assim e felizmente, um pouco mais numeroso do que o que viu a apresentação dos Porongas) no mesmo Z Carniceria. Quer mais? Tem mais (ou menos, na verdade): a Luneta Mágica, de Manaus, é outro nome espetacular da cena alternativa brasileira. Já estão com dois ótimos discos lançados. E mesmo assim enfrenta dificuldades atualmente para marcar shows e tocar até mesmo na capital do Amazonas, cidade natal do conjunto.

De dez anos pra cá talvez o único grupo que se tornou realmente GRANDE na cena independente (tocando atualmente sempre pra platéias com no mínimo quinhentas pessoas) é o cuiabano (também residindo em Sampa há anos já) Vanguart, descoberto por este blog mesmo há mais de uma década na capital do Mato Grosso, quando para lá fomos para cobrir um festival alternativo em pleno carnaval. E nessa última década a situação só piorou para a indie scene nacional. Bandas surgem e desaparecem aos montes, todos os dias. As que sobrevivem, mesmo tendo um ótimo trabalho, só ganham algum dinheiro quando conseguem emplacar uma apresentação em algum SESC da vida (e que paga cachês em torno de R$ 6 mil temers mesmo a grupos iniciantes), mesmo que o show não tenha público algum. Ou então conseguem boa exposição na mídia (o que não significa retorno financeiro ou de público imediato) quando se encaixam em eventos como o SIM, que está acontecendo essa semana em São Paulo: trata-se da Semana Internacional de Música, que espalhou por vários locais da cidade uma extensa programação composta de shows ao vivo, palestras, mesas de debates, exibições de filmes e vídeos etc. Tudo isso tentando atrair um público que custa cada vez mais a dar as caras em gigs de bandas indies, mesmo que algumas poucas delas sejam ótimas (a grande maioria é ruim de doer). Foi o caso dos shows acompanhados pelo blog zapper ontem à noite no Centro Cultural São Paulo, quando subiram ao palco o The Baggios (de Sergipe) e o Maglore (da Bahia). Dois conjuntos decentíssimos em suas acepções sonoras e que, milagrosamente, conseguiram atrair um bom número de espectadores para o CCSP. Detalhe: a entrada para os shows foi GRATUITA.

Fora que eventos como o SIM São Paulo só conseguem se viabilizar quando a produtora responsável consegue captar alguns milhares (ou milhões, dependendo do caso) de reais junto a patrocinadores, públicos ou privados, algo que também está cada vez mais impossível de acontecer nesses tempos mega bicudos pelos quais estamos passando. No caso do SIM (que já está em seu quarto ano de realização) a organização conseguiu bons patrocínios da cerveja Skol, da Coca-Cola, do ProacSP (programa de incentivo à Cultura do governo paulista) e do BNDES. E quem não consegue entrar numa benesse desse tipo ou não tem a sorte de descolar uma MAMADA desse naipe, se vira como pode. Exemplo desse “se virar como der” e da resistência FONOGRÁFICA independente a essa crise gigantesca pode ser vista na atuação do selo paulistano Baratos Afins, coligado à já histórica loja do mesmo nome. Capitaneada há mais de trinta anos pelo produtor Luiz Calanca (dileto amigo pessoal destas linhas rockers virtuais), a Baratos conseguiu lançar em 2016 cinco novos CDs, sendo o mais recente deles da banda de hard rock Kamboja (sobre o qual o blog irá falar melhor até o primeiro post de 2017). Mas o próprio Calanca admite que os tempos estão muito mais difíceis do que até poucos anos atrás.

É essa a REAL situação da REAL cena indie nacional. Infelizmente. Mas é claro que alguns ainda preferem enxergar a dura e triste realidade de outra forma, como o blog PobreLoad (e sendo justos aqui: prezado Lúcio Ribeiro já foi um jornalista importantíssimo na imprensa de cultura pop nacional, além de bom amigo zapper durante muitos anos; agora além de estarmos com a relação de amizade um tanto “azedada” por divergências de opinião profissional e ideológica, estas linhas bloggers lamentam que Luscious tenha se tornado um jornalista PREGUIÇOSO e quase total chapa branca, que fala bem de tudo e para quem está tudo LINDO no rock e na cena indie nacional, ahahahaha). Enquanto isso essa cena só definha. Pois o que resta a nós é justamente isso: torcer no final deste tópico especial para que a cena rock alternativa brasileira se recupere e volte aos seus dias de glória, como foi no anos 80’ e 90’. E se essa recuperação vai de fato acontecer, só o tempo dirá.

 

OS IMORTAIS ROLLING STONES ESTÃO DE VOLTA, COM UM DISCAÇO DE… COVERS DE CLÁSSICOS DO BLUES

Com cinqüenta e quatro anos de INESTIMÁVEIS e ESPETACULARES serviços prestados ao rock’n’roll mundial, os “vovôs” ingleses dos Rolling Stones (a maior banda de todos tempos, que já está acima do bem e do mal e que é o grupo supremo no coração zapper) voltam a surpreender o mondo rocker quando ninguém mais esperava lá um grande lançamento de estúdio com a assinatura do conjunto. Pois “Blue & Lonesome”, lançado pela turma de Mick Jagger, Keith Richards, Ronnie Wood e Charlie Watts há cerca de duas semanas não apenas salva o ano rock de 2016 (e até quase seu final se mostrava como um dos PIORES dos últimos tempos, em termos de novos discos), como ainda traz os RS em seu melhor momento desde, talvez, “Tattoo You”, o hoje já clássico álbum editado por eles em 1981. E detalhe: a nova obra stoniana, como milhões de fãs já estão sabendo, não traz composições inéditas do conjunto mas sim… uma impecável reunião de doze covers de clássicos do blues.

E há outros detalhes que também chamam a atenção em relação ao novo trabalho musical dos Stones. A banda não lançava um cd inédito há mais de uma década –  “A Bigger Band”, o registro de estúdio anterior, saiu há onze anos, em 2005. Pois após esse gigantesco período de “férias”, deu a louca em Jagger e cia: do nada eles resolveram se enfurnar em um estúdio em Londres, em dezembro de 2015. E não precisaram do que mais de três dias (!!!) para sair de lá com esse “Blue & Lonesome” totalmente gravado. Sendo que a opção por resgatar clássicos da história do blues a essa altura da existência da banda, parece fazer todo o sentido do mundo. Afinal e mesmo sendo quem são (a maior banda de rock’n’roll de todos os tempos), os Stones não se viram imunes à passagem do tempo e ao desgaste criativo e artístico. Tanto é que suas últimas tentativas de continuar produzindo material próprio e inédito, soaram bastante sofríveis (o citado “A Bigger Bang”), quando não francamente consgtrangedoras (caso de “Bridges To Babylon”, lançado pelo grupo em 1997 e que merecidamente desapareceu da memória até dos fãs mais mais aguerridos).

capastones16ii

O novo discaço da maior banda de rock de todos os tempos: só covers de clássicos do blues

Assim a opção por regravar clássicos da história do blues soa perfeitamente compreensível: ao invés de arriscar gravar novas composições inéditas e que pudessem novamente atestar o desgaste criativo do conjunto, os Stones fizeram um mergulho e uma viagem sem nostalgia às suas raízes bluesísticas – yep, a matriz sonora do grupo sempre foi o blues e o R&B, algo totalmente perceptível nos primeiros discos lançados pela banda. O resultado desse mergulho é algo portentoso: em doze faixas os “vovôs” dão sua visão sonora a canções de bluesmen lendários como Howlin’ Wolf, Memphis Slim, Little Water e Willie Dixon, de quem regravaram o imbatível clássico “I Can’t Quit You Baby” (e que anteriormente já havia sido “coverizada” por outro monstro da história do rock, o Led Zeppelin, que fez uma versão pesadíssima da música no seu disco de estréia, em 1969). Não só: os dois primeiros singles extraídos do disco (e que já ganharam vídeos promocionais) mostram a potência implementada pelo conjunto às regravações, e aí é um prazer ouvir Mick Jagger alternando vocais bluesy com solos de harmônica em “Hate To See You Go”. Ou ainda ver o trabalho de guitarra do gênio imortal que é Keith Richards em “Ride ‘Em On Down”.

Não teve erro, não deu ruim. Com “Blue & Lonesome” a maior banda de rock de todos os tempos apenas ratificou o que todos nós já estamos carecas de saber: quando os Stones querem APAVORAR, eles apavoram. E sem a existência desses velhões imbatíveis, o rock teria deixado de escrever e legar para a história da música muitas de suas paginais mais incríveis. Ainda bem que eles existem e que ainda estão aí, em plena atividade. Pois que não nos deixem órfãos tão cedo.

 

 

O TRACK LIST DO NOVO DISCO DOS ROLLING STONES

1.”Just Your Fool”

2.”Commit a Crime”

3.”Blue and Lonesome”

4.”All of Your Love”

5.”I Gotta Go”

6.”Everybody Knows About My Good Thing”

7.”Ride ‘Em On Down”

8.”Hate to See You Go”

9.”Hoo Doo Blues”

10.”Little Rain”

11.”Just Like I Treat You”

12.”I Can’t Quit You Baby”

 

 

“BLUE & LONESOME” PARA AUDIÇÃO COMPLETA, AÍ EMBAIXO

 

E OS DOIS PRIMEIROS VÍDEOS TIRADOS DO ÁLBUM

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

Disco: o novo e fodástico dos Rolling Stones, óbvio.

 

Livro: “A segunda mais antiga profissão do mundo” (editora Três Estrelas) reúne textos publicados pelo genial, saudoso e inesquecível Paulo Francis no jornal Folha De S. Paulo, nos anos 90’. É um livro ESSENCIAL para se compreender boa parte da história política e cultural brasileira nas últimas três décadas, além de uma AULA de jornalismo onde Francis, impecável como sempre foi em seu trabalho, mostra para a geração atual porque ele foi talvez o maior nome da imprensa nacional  nos anos 70’, 80’ e 90’. A escrita de PF carregava tudo o que falta à mídia nos dias de hoje: honestidade, sinceridade, virulência, cultura, informação, elegância e erudição. Ele faz muita falta. Mas ao menos podemos relembrar sua pena magnífica através desse volume imperdível.

finattilivropf16iii

 

Gig total rock’n’roll pra hoje: os Pin Ups, ícone máximo do indie guitar noise paulistano e nacional dos 90’, continuam a toda ao vivo. E fazem a última grande balada noturna alternativa do ano hoje, sextona em si (16 de dezembro, quando esse postão está enfim sendo finalizado), lá no Z Carniceria (que fica na avenida Faria Lima, 724, Pinheiros, zona oeste paulistana). A banda sobe ao palco por volta da meia-noite e é a pedida imperdível pra hoje à noite, sendo que mais infos sobre o show você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/1116619501802465/.

 

Evento bacana para janeiro: é o festival “Volume Morto”, qie vai rolar dia 15 do mês que vem, logo  no comecinho de 2017, em Sampa. Organizado por Jonnata Araújo (vocalista dos esporrentos e ótimos Garotos Solventes), vai reunir shows de várias bandas alternativas, exposições, performances e até LEITURAS, a cargo de Zap’n’roll (que foi convidado a participar, aceitou e ainda vai estudar o que irá ler no palco, durante um dos intervalos entre as gigs dos grupos que irão tocar). Vai ser num domingão, e promete ser bacanão sendo que voltaremos a falar do assunto após as férias do blog, que começam semana que vem. Mas você já pode ir se agendando pra curtir a parada, e se informar sobre ela aqui: https://www.facebook.com/events/2063098163916451/.

cartazfestvolumemorto17

 

Baladas para este finde: final de ano já aí, natal e reveillon se aproximando e as baladas under já também tirando o time de campo. Assim, fora o showzão de hoje à noite dos Pin Ups, pouco há pra se fazer neste finde em Sampa, sendo que semana que vem todo mundo já estará pensando mais é em pular fora de Sampalândia pra algum lugar sussa e sem a correria infernal da capital. Bien, hoje também tem show da lenda Harry (junto com o Garage Fuzz) lá no Torto Bar, em Santos (avenida Siqueira Campos, 800).///Sabadão? Boa pedida é ir tomar uma breja no bar teatro Cemitério De Automóveis, do queridão Mario Bortolotto, lá na rua Frei Caneca, 384, Consolação, centro de Sampa.///E domingão, como sempre, é noite de projeto Grind na Loca (rua Frei Caneca, 916), a melhor domingieira rock’n’roll de Sampa e há dezoito anos (!!!) comandada pelo super dj André Pomba. Falouzes? Então capricha no modelon e se joga!

 

E FIM DE FEIRA

Yep. Postão chegou ao fim. E com ele esse 2016 dos infernos também está indo finalmente e felizmente pra casa do caralho. Semana que vem voltamos com o ÚLTIMO post do ano do blog zapper. Publicando nele nossa rápida e pequena lista com os melhores discos do ano. E TAMBÉM, de presente de natal, um ENSAIO FOTOGRÁFICO rock’n’roll que vai enlouquecer nosso dileto leitorado, ainda mais nesses tempos total reaça em que estamos vivendo. Pela primeira vez o blog irá mostrar um CASAL rocker bacaníssimo em sua INTIMIDADE. Ficou curioso? Beleusma: deixamos já aí embaixo, pra fechar este post, um APERITIVO do que virá na semana que vem. Apreciem sem moderação. E até a próxima!

imagemmarcellejonnatanudeiii

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 16/12/2016 às 17hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL, falando do fechamento (infelizmente) de mais uma casa clássica do circuito alternativo paulistano, além de comentar sobre os novos discos dos Rolling Stones e dos Raveonettes e também dando o roteiro cultural e de baladas do blog – Em post especial o blog zapper sempre antenado apresenta o Holy White Hounds, nova banda que está dando o que falar no circuito indie dos EUA (e, de quebra, ainda traz uma entrevista com a turma) mas ainda total desconhecida no Brasil; o fim (infelizmente) de mais uma LENDA do circuito de bares alternativos da noite rocker paulistana; com o final de mais um ano (esse trágico e pavoroso 2016) chegando damos um “recuerdo” em algumas das melhores e mais gatíssimas musas rockers que já passaram pelo blog, repostando uma seleção de fotos tesudíssimas das garotas; e dessa vez o papo é seríssimo: 2017 será mesmo talvez o último ano de um espaço virtual (esse aqui mesmo) que há treze anos dá o que falar na blogosfera BR dedicada ao rock alternativo e a cultura pop; e mais um ano na vida do já velho (mas jamais obsoleto) jornalista rocker/loker e que está completando hoje 5.4 de existência (postão ampliado e total finalizado em 2/12/2016)

imagemholywhitehoundsii

O novo post do blog entra no ar no dia em que o jornalista eternamente rocker completa mais um ano de vida, motivo para celebrar com boas novidades no indie rock como a banda americana Holy White Hounds (acima) e também para recordar momentos da trajetória jornalística do zapper (abaixo, ao lado do guitarrista Dado Villa-Lobos, eterno Legião Urbana) e de algumas das MELHORES musas bocetudas que passaram por Zap’n’roll nos últimos anos, como a sempre total delicious Jully De Large (abaixo)

finattidadolegiao2015

jullylargenudexotaco2014

**********

FECHANDO O POSTÃO: O DESGOVERNO GOLPISTA METENDO NO CU INCLUSIVE DA COXARADA QUE O APÓIA, POR QUE OS STONES SÃO FODA MESMO VELHOS E O MERDALLICA NÃO, O NOVO DISCO DOS RAVEONETTES E O FECHAMENTO DE MAIS UM INCRÍVEL BAR ROCK DE SAMPA

  • Madrugada no pequenino infinito particular do zapper maloker. Passam dois clips em sequência na MTV – yep, o jornalista blogger geralmente deixo a TV ligada no canal musical (ou em outros, vai zappeando de quando em vez pra ver se tá passando algo bacana no Bis, no Canal Brasil ou nos canais de filmes), som baixinho, enquanto lemos ou teclamos na tela do note. Os vídeos em questão são dos novos singles do MERDALLICA e da banda suprema do nosso coração, os velhíssimos e até hoje bacaníssimos e insuperáveis Rolling Stones. Pois então, a audição/visão dos dois um atrás do outro (de resto, já estão há algum tempo no YouTube) permite a qualquer pessoa mais racional e imparcial concluir o óbvio: enquanto o hoje INSUPORTÁVEL quarteto heavy merdal americano repisa clichês musicais ad infinitum e passa vergonha alheia total com uma sonoridade que emula da pior forma possível o que eles já fizeram muito bem, os velhinhos ingleses, quase duas décadas mais velhos que os integrantes do Merdallica, dão show de bola: ao invés de se arriscar a gravar material inédito (e possivelmente ruim) para um novo disco de estúdio, os Stones reviraram um baú de clássicos do blues e saíram do estúdio com um compêndio de faixas escritas por gigantes como Howlin’ Wolf, Memphis Slim, Magic Sam, Little Water e Willie Dixon. Nunca é demais lembrar: a essência do som stoniano é o blues e o R&B, que formatou as melodias e as letras magistralmente compostas por Mick Jagger e Keith Richards. Assim “Blues & Lonesome”, o novo álbum das Pedras Rolantes (o primeiro de estúdio em mais de uma década) chega ao mundo hoje, 2 de dezembro, quando este postão está sendo enfim finalizado. Foi gravado em apenas e inacreditáveis duas semanas, em um estúdio em Londres. E já chega com pinta de DISCAÇO, a julgar pelo que a banda mostra no vídeo de “Hate Too See”. É um prazer auditivo inenarrável ver um “velhinho” como Jagger (que está com 73 anos de idade!) dando sangue nos vocais e inclusive debulhando uma harmônica, além do restante do grupo que também mata a pau na moldura instrumental.

imagemstonesclassic

Os Rolling Stones (aqui, em imagem clássica dos sixties): mesmo VELHÕES eles continuam FODÕES

  • Já o pobre Merdallica… dá engulhos e irritação ver/ouvir o vídeo de “Moth Into Flame” (do novo disco dos velhacos merdaleiros cafonas, “Hardwired… To Self Destruct”). Um amontoado de clichês e POSES regurgitando o que o conjunto já fez e repetiu zilhões de vezes ao longo dos seus 35 anos de existência. Só para soltar essa BOMBA nova o quarteto levou OITO anos. E passou quase um ano no estúdio gravando essa porqueira que certamente ainda vai faturar alguns milhões, tirados dos bolsos dos eternos fãs otários – essa porra de banda, inclusive, é o headliner do Lollapalooza BR 2017, na primeira noite do festival. Na boa: o Merdallica já deveria ter pedido pra sair há uns 20 anos, pelo menos. Seu heavy/thrash merdal BURRÃO, reacionário, machista, envelhecido, ultrapassado e conservador é bem a cara da humanidade atual. E é TUDO o que o rock’n’roll NÃO precisa nos dias de hoje.

 

 

  • A imunda política brasileira deu mais um show de sujeira e oportunismo aproveitando a comoção nacional pela desastre aéreo que vitimou todos os jogadores da Chapecoense, e na calada da madrugada de ontem (quinta-feira) RETALHOU o projeto contra a corrupção durante a votação do mesmo no plenário da Câmara em Brasília. O que foi aprovado se transformou em uma colcha de retalhos do que era o texto original. Beleusma. Com isso a Lava Jato ameaça ir pro saco. E a COXARADA BURRA, estúpida, egoísta e idiota pressentido que vai se foder também, voltou a BATER PANELAS (ulalá!) na noite de ontem. Pois que os coxas se FODAM e levem no CU desse desgoverno golpista sem dó, como nós (que não apoiamos e nunca iremos apoiar essa QUADRILHA DE BANDIDOS que assumiu o poder no país vira lata de população otária) já estamos levando.

 

 

  • A sempre legal dupla dinarmaquesa The Ravevonettes ainda vive! Anunciaram disco novo agora para dezembro e já soltaram single novo do mesmo, a noise e tristonha “Fast Food”, que você pode conferir aí embaixo, junto com os vídeos do Merdallica e dos Stones, citados mais acima.

 

  • Também vai sair single novo dos imortais Smiths (outra das cinco bandas da nossa vida). Trazendo versões demo remixadas e nunca antes lançadas de “The Boy With The Thorn In His Side” e de “Rubber Ring”, sendo que o blog tinha esse single magnífico em vinil de 12 polegadas e rotação 45rpm, que compramos quando ele saiu no Brasil, lá na saudosa Devil Discos, na galeria do rock (isso lá por 1986…)

capasinglesmiths16

 

  • Fechando a tampa: ainda estamos chorando, viúvas que somos, o fim do Matrix bar em Sampa. E nem nos recuperamos da notícia e estoura outra bomba já quase no final desta semana (o blog está sendo finalizado na sextona em si, 2 de dezembro): o Inferno Club, um dos mais tradicionais espaços do rock underground no baixo Augusta (na capital paulista), também acaba de anunciar que vai encerrar atividades agora em dezembro após uma década de ÓTIMOS serviços prestados ao rock’n’roll. Zap’n’roll perdeu a conta das noites sensacionais que passou por lá, assistindo gigs inesquecíveis de grupos nacionais (Vanguart, Forgotten Boys etc.) e gringos (como o americano Bellrays, que foi realmente fodástico). E também perdeu a noção das loucuras que aprontou por lá, como a que está registrada na imagem abaixo: o jornalista loker/maloker fazendo BACKING VOCALS (uia!) na música “Do amor de morte”, durante um dos inúmeros shows que o sempre bacanudo grupo Daniel Belleza & Os Corações Em Fúria apresentou por lá. Estas linhas online estão em contato com o chapa Joe Klener (o proprietário do Inferno), para que ele diga algumas palavras rápidas sobre o fechamento da casa. E colocamos suas declarações aqui assim que elas chegarem até nós. Mas de qualquer forma é isso: 2016 que não acaba nunca vai fechando sua conta funesta como o ano MAIS PAVOROSO para a cena independente nacional nos últimos tempos. E ainda tem “brog” ilha da fantasia indie que ENGANA seus leitores (né, Popload…), insistindo na tese de que a cena indie nacional vive seu melhor momento. Ahahahahahaha.

finattidanielbellezainferno2013

Zap’n’roll faz a linha rock star, cantando com Daniel Belleza no Inferno Club (que infelizmente vai fechar) em Sampa, anos atrás

  • Adendo: já está EVIDENTE que o avião da tal Lamia que caiu matando quase todo o time da Chapecoense, foi pro saco por falta de combustível. Ou seja: ele deveria ter sido REABASTECIDO antes do seu destino final. E não o foi, por aparentemente CONTENÇÃO de GASTOS. E assim fica mais uma vez demonstrado que a GANÂNCIA e IRRESPONSABILIDADE humanas não têm limites. E essa ganância sem limites produziu mais uma tragédia (que poderia ter sido evitada), ceifando 71 vidas.

 

 

  • É isso. Agora fim de transmissão mesmo! Semana que vem estamos na área novamente, no penúltimo post do blog neste pavoroso 2016.

 

**********

 

 

5.4 de existência rocker.

Não é fácil chegar a quase cinco décadas e meia de uma vida que foi, quase toda ela, movida a paixão por conhecimento, por cultura pop, por rock’n’roll – e também por muito sexo e drogas. E se até alguns anos atrás muito inimigos covardes e ferozes de Zap’n’roll acusavam (através de postagens fakes no painel do leitor deste espaço virtual) o autor deste blog dos mais variados absurdos, entre eles o de escondermos nossa idade (por algum tipo de problema emocional em relação a isso) hoje, quando completamos mais um ano nesse mundo sempre cinza e bastante desalentador, o já velho (mas nunca obsoleto) jornalista não tem o menor pudor em assumir seus cinqüenta e quatro anos de vida, que estão sendo completados hoje, sábado. E num (quase impossível) resumo dessas mais de cinco décadas o jornalista zapper pode se gabar de ter tido uma trajetória profissional e pessoal de fato total rock’n’roll. Até o momento foram trinta anos de jornalismo musical (trabalhando/colaborando e escrevendo nos principais veículos de mídia impressa do Brasil, e também produzindo textos e material jornalístico para a chamada imprensa alternativa), treze deles dedicados apenas a este blog. E com passagens por revistas como Somtrês, IstoÉ, Bizz, Interview e Rolling Stone, além de jornais como FolhaSP, Estadão e Gazeta Mercantil, o autor deste espaço online viu e ouviu muito ao longo dos anos. Escutou zilhões de discos e bandas, perdeu a conta de quantos shows e filmes assistiu, de quantos livros leu, de quantas milhões de enfiações de pé na lama em álcool e drugs participou em baladas loucas na noite sem fim de Sampa e em muitas outras cidades pelo país afora. Foram no final das contas tempos gloriosos e bacanas e onde tudo era muuuuuito diferente do que é hoje. O mundo era  muito mais liberal e menos careta no comportamento, as pessoas respiravam e buscavam informação e cultura que valia a pena, não havia intolerância de ordem comportamental, social, sexual, político, religiosa ou de raça. Não havia (não nos níveis que vemos hoje em dia) moralismo hipócrita e conservadorismo exacerbado dominando o pensamento das pessoas. E o mundo e a raça humana pareciam mais felizes, enfim. Trinta anos depois estamos como estamos: a humanidade parece ter regredido aos tempos da Idade das Trevas no pensamento e em seu comportamento. Uma nova e assustadora onda mega neo conservadora de direita avança por todo o planeta (nos EUA, na Europa e também aqui no bananão brazuca) e isso, no final das contas, se reflete também no rock’n’roll e na cultura pop atual. Ambos nunca estiveram tão irrelevantes, desinteressantes e conservadores como nos dias que correm. Talvez por isso mesmo estas linhas bloggers rockers estejam cada vez mais com dificuldade de encontrar boas pautas para publicar aqui. E talvez também por conta disso nós finalmente iremos dizer adeus ao nosso dileto leitorado (que nos acompanhou durante todos esses anos) agora em 2017. Claro, se estas linhas zappers chegarem mesmo ao seu fim iremos produzir outro blog, com um possível leque mais amplo de assuntos a serem abordados em nossa linha editorial. Mas por enquanto ainda seguimos aqui e fazendo o que sempre fizemos bem ao longo de três décadas de jornalismo musical e cultural: indo atrás de novidades – e nesse post que começa agora, entrando no ar em pleno dia dos nossos 5.4 de vida, a novidade se chama Holy White Hounds, nova banda bacana do circuito indie americano e que é apresentada aos brasileiros pelo nosso corespondente nos Estados Unidos, Felipe Almeida. É a forma de nos manter aqui, ao lado de quem nos lê: velhos já, sim. Mas nunca obsoletos, rsrs. É a melhor forma de comemorarmos mais um ano em um mundo e em um planeta que, definitivamente, não é mais o mesmo e que já foi muito mais legal. Então o que nos resta é continuar sendo essa autêntica trincheira de resistência, para que este velho mundão novamente assombrado por reacionarismo e populismo fascista sobreviva a tudo isso e, quem sabe, volte a se tornar novamente um lugar bacana pro ser humano viver e ser feliz.

 

 

  • O blogão não é essencialmente sobre temas políticos (mas está, de alguns pra cá, cada vez mais político em suas postagens). Mas entrando no ar no sabadão em que o sujeito aqui chega aos 5.4 de existência, não dá pra deixar de abrir as nossas notinhas iniciais sem mencionar a morte daquele que talvez tenha sido o maior mito político da humanidade no século XX. Véio Fidel Castro se foi enfim ontem, aos noventa anos de idade. Você pode amá-lo ou odiá-lo. Mas jamais ignorá-lo. É isso: o mundo realmente chegando ao fim. Ao menos como o conhecíamos. Rip.

imagemfidel

 

  • E foi a semana, na política, em que a IMUNDICIE continuou avassalando Brasília. Pelo menos Geddel, o pilantra, foi defenestrado. Já é o SEXTO ministro do desgoverno GOLPISTA a ter que ser ejetado de sua cadeira. Agora o sempre valente PSOL vai pedir o impichamento do próprio mordomo de filme de terror que ocupa o Palácio do Planalto. Vamos ver se rola…

 

 

  • E já indo pra música e pro rock’n’roll: o novo álbum do MERDALLICA, lançado na semana passada, teve o que merecia: ser ignorado pelos fãs e levar várias porradas das resenhas mais honestas e corajosas, publicadas pela rock press mundo afora. Vem cá: você acha que esses VELHOTES total OBSOLETOS ainda merecem algum crédito de alguém? Pensa…

imagemmetallicalive

O Merdallica PEIDOU seu novo disco e teve a acolhida merecida: fãs nem aí e crítica dando porrada no cd

  • A edição 2016 do SIM São Paulo (Semana Internacional de Música) que rola na capital paulista de 7 a 11 de dezembro próximo, vai ter dezenas de atrações bacanas como shows, palestras, debates etc. envolvendo o povo que ainda faz a cena alternativa musical funcionar. E um dos destaques da programação será a estréia nacional do documentário “Supersonic”, que desvela em detalhes o início da carreira do amado Oasis e a ascenção do grupo dos manos Gallagher na Inglaterra, nos anos 90’. A exibição acontece dia 10 de dezembro no Centro Cultural São Paulo (que fica na rua Vergueiro, 1000, zona sul da cidade), às três e cinco da tarde e a entrada é gratuita (os ingressos precisam ser retirados com uma hora de antecedência). Claaaaaro que estas linhas online prevêem que vai haver tumulto pra assistir o filme mas iremos lá, TENTAR ver o mesmo. Já a programação completa do SIM você pode conferir aqui: http://www.simsaopaulo.com/pb/.

cartazdocoasis

O super documentário do Oasis: passa dia 10 de dezembro em Sampa, dentro da programa do SIM

  • E a situação anda preta, mas tão preta para o rock’n’roll mundão afora que a lendária marca de guitarras Fender vai lançar uma campanha nos EUA, para IMPLORAR aos jovens para que eles NÃO DEIXEM DE COMPRAR… guitarras! Jezuiz…

 

 

  • E ELA continua sendo um BO CE TA ÇO. Quem? Miss Luciana Gimenez, claaaaro! A comprovação está aí embaixo, nessa foto que ela postou em seu Instagram, anteontem. É, véio Mick Jagger passou mesmo muito bem anos atrás, hihihi.

imagemlucianagpelada

 

  • Final do ano chegando (acaba logo 2016, que você não vai deixar NENHUMA saudade) e começam a pipocar as já célebres e maletas listas de melhores do ano. Uma das primeiras é a do top 50 da NME, sendo que ela dá bem a dimensão de como o ano foi RUIM para o pop e o rock – aliás a música só PIORA de qualidade de anos pra cá, já repararam? Pior são os nossos queridos blogs “vizinhos” (como o inefável Pobreloa…, quer dizer, Popload), que ainda fazem o maior carnaval em torno dessas listinhas meia boca, ulalá! Enfim, se alguém quiser conferir a tal lista da NME, vai lá: http://www.nme.com/list/nme-best-albums-2016-1869261.

 

 

  • E não, Zap’n’roll não vai aderir a essa bobagem de publicar listas esse ano. O blog quer mais é que 2016 desapareça o mais rápido possível, sendo que 2017 também promete ser tenebroso para o rock e para a cultura pop. Infelizmente…

 

 

  • Mas nem tudo é tristeza e lágrimas, uia! Hoje o blogger loker zapper comemora mais um aninho de vida. E pra comemorar não tem melhor jeito: vai rolar DJ SET FODONA do blog neste domingo (leia-se amanhã) no projeto Grind, a domingueira rock mais clássica e classuda da noite paulistana, há 18 anos no ar! Acontece na Loca, que fica lá na rua Frei Caneca, 916 (pertinho do metrô Consolação, região central de Sampa), a partir da meia noite. Cola lá que iremos garantir sua diversão com muito anos 80’, pós-punk e britpop na pista, uhú!

imagemflyerlocafinas16

 

  • Mas enquanto o domingão não chega e com ele nossa discotecagem no Grind, bora ler aí embaixo sobre a nova sensação do indie rock americano, o Holy White Hounds.

 

 

EXCLUSIVA DO BLOG ZAPPER – DIRETO DOS EUA ENTREVISTAMOS O HOLY WHITE HOUNDS, NOVA SENSAÇÃO DO INDIE ROCK AMERICANO

 

(por Felipe Almeida Nally, de Orlando/EUA, especial para Zap’n’roll)

 

Des Moines, a Capital do pacato Estado de Iowa, é mais conhecida aqui nos Estados Unidos como um dos principais pólos do Agronegócio e do ramo de seguros. Distante dos principais centros culturais como Nova Iorque, Los Angeles e Chicago, a cidade é responsável por abrigar uma das bandas mais interessantes da nova cena alternativa, o Holy White Hounds.

Fundada pelo vocalista Brenton Dean e pelo baixista Ambrose Lupercal a banda iniciou as atividades em 2005, porém só em meados de 2013, com a entrada do guitarrista James Manson e do baterista Seth Luloff, o quarteto começaria a pensar e compor o que seria o album de estréia, “Sparkle Sparkle (Razor & Tie)”, lançado em 2015.

A banda esta na segunda perna da turnê norte americana de divulgação do CD, abrindo os shows dos The Pretty Reckless, e bateu um rápido porém muito bem humorado papo com Zap’n’Roll, minutos antes da apresentação na lendária casa de shows House Of Blues, de Orlando. Os principais trechos da entrevista você confere aí embaixo.

imagemholywhitehounds

O quarteto americano Holy White Hounds: Pixies e Franz Ferdinand entre suas influências

Zap n Roll –  A banda tem pouco mais de 10 anos de existência, porém somente em 2015 o álbum de estréia foi lançado. Por que demorou tantos anos?

 

Brenton Dean – Eu e o Ambrose (baixista) começamos a tocar juntos em 2005, mas ainda não era muito serio, e sabíamos que não estávamos ainda preparados para gravar um álbum, esse processo demorou alguns anos, até que há aproximadamente 3 anos e meio o James e o Seth entraram para a banda, e as coisas começaram a tomar forma. O álbum foi produzido pelo Brandon Darner, que ja trabalhou com Imagine Dragons e Radio Moscow, ou seja um produtor tarimbado e que soube extrair a sonoridade que estávamos procurando.

 

Zap n Roll – “Switchblade”, o primeiro single do álbum, virou uma espécie de hit alternativo, as principais college radios daqui tocam a música varias vezes por dia, e esta há semanas no Top 10 Alternativo. Como vocês estão lidando com isso?

 

Brenton – Cara, é incrível, e realmente é isso que você falou, a musica é uma das mais tocadas no pais, é surreal. Inicialmente pensávamos que tocaria bastante na nossa cidade natal, mas a musica chegou ao primeiro lugar das paradas de alternative Rock, e superou nossas expectativas. Gravamos um clipe que esta com aproximadamente 400 mil visualizações no YouTube e estamos tocando muito, inclusive este show é parte da segunda perna da turne norte americana, que tem rodado a America toda.

 

Zap n Roll – Fale um pouco das influencias musicais da banda?

 

Brenton – Bom, quando iniciamos a banda ouvíamos muito The Hives, Franz Ferdinand e Nirvana. Depois, outras influências foram adicionadas, você cresce e ouve outros gêneros musicais, mas fazemos questão de tentar soar o mais original possível, claro que vira e mexe somos comparados com esse ou aquele artista. Pessoas dizem que temos uma dose de Queens of The Stone Age, uma pitada de Beck, um tempero de The Pixies, mas a gente procura não dar muita atenção e continuamos fazendo nosso som, sempre buscando algo autentico e original.

 

Zap n Roll – O fato de a banda ser de Iowa, distante de Nova Iorque e Los Angeles, atrapalha de algum modo a carreira do grupo?

 

James Manson – Na verdade, não. A banda mais conhecida da nossa cidade é o Slipknot, que tem uma sonoridade totalmente diferente da nossa e que coincidentemente eu morava perto de um dos caras. Mas hoje em dia com as mídias sociais, a musica chega em todos os lugares. E é legal eu falar algo. Apesar de termos um single em primeiro lugar nas paradas de Rock Alternativo quem dirige a van somos nós, ou seja, ainda precisamos percorrer um longo caminho, estamos no inicio mesmo. Nós montamos o palco, cuidamos do merchandise e tocamos. Aqui não tem frescura e nem vaidade, talvez por isso conquistamos o respeito de bandas com que temos nos apresentado juntos, como Cake, Cage the Elephant, Rob Zombie e agora os caras do The Pretty Reckless e dos The Struts.

 

Zap n Roll – Falando em tours, como esta sendo essa segunda parte dos shows?

 

Brenton – Está sendo muito legal, confesso que é bastante cansativo porque como te disse anteriormente, nós fazemos tudo. Nossa equipe é muito enxuta e dirigimos a van para os shows, alem de cuidarmos da venda de merchandise e montagem do palco, isso desgasta bastante. Temos feito shows praticamente todos os dias, então às vezes no dia off, passamos de repente 12 horas dirigindo para o próximo show, em outro Estado. Serão quase 35 shows, mas daremos conta do recado! (risos)

 

– James: Nos últimos 3 dias, se eu dormi  mais de 2 horas por noite foi muito, mas amamos fazer isso, e é o que escolhemos. É uma carreira muito difícil, sabemos dos sacrifícios, sentimos falta da família e de casa, mas agora é a hora da banda mostrar para que veio, e tocar para o maior numero de pessoas na America toda.

 

Zap n Roll – Daqui a pouco vocês sobem ao palco. O que vocês gostariam de dizer ao publico Brasileiro?

 

Brenton – Em primeiro lugar, muito obrigado pela oportunidade. A Zap n Roll é o primeiro veículo de comunicação do Brasil e da America do Sul que conversamos. Seria uma honra ir ao Brasil tocar. Obviamente sabemos da existência do Rock in Rio, que é um dos maiores festivais do mundo, da chegada do Lollapalooza em São Paulo, e lembro que você me contou desse festival anual realizado também em São Paulo…

 

Zap n Roll – Virada Cultural?

 

James – Exatamente. É incrível que uma cidade produza um evento que dure 24 horas seguidas, e tenha um monte de palcos espalhados pela cidade, de todos os estilos musicais. Muito interessante. Quem sabe, após a entrevista, a gente seja convidado, iríamos correndo! (risos)

 

Brenton – Ah, queria dizer também: Brasil, vocês estão com tudo, são a bola da vez. Continuem com essas mulheres incríveis, com esse povo animado mas não esqueçam de estudar, ou seja, tenham o pacote todo! (Risos)

 

Quer conhecer mais sobre a banda? Vai aqui: https://www.facebook.com/holywhitehounds/?fref=ts. Ou aqui: http://www.holywhitehounds.com/.

 

 

HOLY WHITE HOUNDS AÍ EMBAIXO

No video de “Switchblade”

 

O FIM DE MAIS UMA LENDA DA NOITE ROCKER ALTERNATIVA DE SAMPA

O mundo como o conhecíamos (e ele era ótimo até bem pouco tempo atrás) definitivamente não existe mais. E o mais recente capítulo final desse velho e saudoso mundo será agora, em 10 de dezembro. É quando irá fechar as portas o Matrix Bar Rock’n’roll, uma das últimas grandes instituições da noite alternativa da capital paulista.

Aberto em 1995 pelo popular Gigio (que antes já havia sido dono do Hoellisch, na praça Roosevelt, e também do Der Temple, na rua Augusta, sendo que foi neste que Kurt Cobain e Courtney Love passaram a madrugada se entupindo de cocaine, bolas e álcool após o show que o Nirvana fez no festival Hollywood Rock, no estádio do Morumbi, em janeiro de 1993) na rua Aspicuelta, na Vila Madalena (bairro boêmio, território de artistas e músicos e repleto de bares, restaurantes e ateliers de arte, na zona oeste paulistana), o Matrix logo se tornou um dos principais espaços para o rock alternativo em Sampa. A pista de dança era (e é, até hoje) minúscula, não havia (como nunca houve) palco para as bandas se apresentarem mas nada disso importava: o som dos DJs (no auge da casa, comandado por Aldo e Sérgio Barbo) era o MELHOR da noite under rocker e maluca, todas as bandas bacanas da indie scene paulistana dos 90’ tocavam lá e o buteco vivia lotado, principalmente de gatas lokas, deliciosas, tatuadas e xoxotudas – e sempre dispostas a ter atos LIBIDINOSOS com você, se o seu papo fosse bom e elas fossem com a sua cara.

E na porta, em pessoa e controlando o fluxo de clientes, ficava sempre o próprio Gigio, o dono da bagaça. Com seu eterno e imutável visual rockabilly, cara sempre fechada e mau humorada, ele ostentava uma feição de poucos amigos tipo “não me enche senão leva porrada!”. E por conta dessa cara “feia” e nada amiga, Gigio colecionou “elogios” ao longo dos anos como, por exemplo, “o sujeito mais antipático do circuito rock paulistano”. Pois é bom que se diga aqui e que se faça justiça a ele: além de ter sido proprietário de alguns dos espaços mais importantes para a cena alternativa da cidade nos anos 90’ e início dos 2000’, pelo menos com o autor deste blog Gigio sempre foi um LORDE e a educação em pessoa. Fora que nunca paguamos pra entrar no Matrix (afinal, além de ser jornalista que vivia envolvido com a cena under paulistana, o zapper loker era conhecido do Gigio desde o Hoellisch). Então passamos boa parte dos nossos anos loucos (entre 1995 e 2005, mais ou menos) indo sem parar no Matrix. E lá o loki aqui bebeu e deitou a napa com gosto nos banheiros do bar, além de dançar muuuuuito naquela pista. Teve uma época, inclusive, que Gigio resolveu fazer uma permuta com Zap’n’roll. Em troca de um banner no blog tínhamos uma consumação mensal generosa lá. Foi o caos, claaaaaro: Finaski saía invariavelmente detonado do buteco, após zilhões de doses de whisky com energético e muitas aspiradas em carreiras gordas de padê.

finattidjmatrix2001ii

Zap’n’roll METENDO O LOKO em DJ set insana no Matrix Bar, em 2001 (há quinze anos!) em Sampa; a lenda da noite rocker paulistana fecha as portas agora dia 10 de dezembro

Mas tudo o que é bom um dia chega ao fim, né? Foi há umas duas semanas que num papo com o também DJ Fabiano, lá na loja Baratos Afins, que ficamos sabendo que o Matrix vai fechar as portas, após 21 anos de ÓTIMOS serviços prestados ao povo que ainda curte rock alternativo em São Paulo. Tão importante quanto foi o Madame Satã e o Espaço Retrô (outras duas lendas da noite alternativa de Sampalândia em todos os tempos) nos anos 80’ e 90’ e, mais recentemente, o Astronete (já nos 2000’), o Matrix chega ao fim por alguns motivos como queda no movimento (não ta fácil pra ninguém e o país está mesmo no buraco, e sem melhora da situação à vista), queda do rock como o gênero musical preferido pela molecada (que, de fato, é quem sustenta a noite, e a molecada está cada vez mais EMBURRECIDA culturalmente e gostando cada vez mais de pop/dance eletrônico boçal, ou então de funk ostentação de quinta categoria, que é o que toca atualmente em bares MENTIROSOS no baixo Augusta, que se dizem de rock, e até já foram do rock, mas hoje entopem de gente graças ao open bar porqueira que fazem e a tocar funkeiras podreiras) etc. E, por fim, tem a questão do próprio Gigio: ele mora há anos em Florianópolis (Santa Catarinha) e vem todos os finais de semana (de avião) pra Sampa, pra cuidar do bar. O sujeito tá ficando velho (deve ser um pouco mais véio do que o sujeito aqui) e deve estar com o saco cheio já. Nós estaríamos, no lugar dele.

Então, segundo o Fabiano nos contou lá na Baratos, o Matrix fecha as portas com uma festa de despedida no próximo dia 10 de dezembro, sabadão em si. Vamos lá, óbvio. Além de ter se divertido horrores ali também fizemos algumas poucas mas ÓTIMAS festas rockers naquele lugar. Como uma em outubro de 2001 (lá se vão quinze anos…), para lançar a edição impressa daquela época da revista Dynamite e que trazia na capa uma entrevista feita pelo jornalista Finas com o baterista de um tal de The Strokes (conhecem? Rsrs), que então estavam estourando com tudo nos EUA e cujo primeiro cd estava sendo lançado no Brasil. Foi uma noite memorável e cuja recordação tá aí embaixo, numa das fotos deste tópico: o zapper de camisa social e gravata (tentando emular o visual da época do Julian Casablancas), discotecando total alucicrazy na também minúscula cabine de som do da pista de dança.

O mundo pode acabar, fato. Rock’n’roll planetário e brazuca quase morto, cultura pop falida e aos pedaços, ser humano bestial, conservador e reacionário como não era em pelo menos três décadas. Onde tudo isso vai dar não sabemos e nem queremos saber pois tivemos a sorte de curtir tudo o que pudemos e aproveitamos ao máximo também enquanto a humanidade ainda era muito mais culta, liberal no comportamento, louca e despudorada do que é hoje. Tivemos realmente essa sorte, disso não podemos nos queixar. E só podemos lamentar pela pirralhada boçal de hoje, que não viveu nada do que nossa geração viveu. E nem irá viver.

 

 

5.4 DE EXISTÊNCIA E 30 ANOS DE JORNALISMO MUSICAL – ALGUMAS IMAGENS QUE RESUMEM BEM ESSA TRAJETÓRIA DO JORNALISTA ETERNAMENTE ROCKER

finattibobsmithcure

Entrevistando Robert Smith (The Cure) em janeiro de 1996

finattikimgordonsy

Com Kim Gordon (ex-baixista do finado Sonic Youth) em São Paulo, em novembro de 2005

finattifrejat

Papos com Frejat, pós-show do Barão Vermelho, Sampa, 2014

finattipittyd2

Divulgando edição da revista Dynamite, com Marcelo D2 e Pitty em Sampalândia, meados dos anos 2000′

finattipitty

Novamente com Pitty, pela night de Sampa

finattiskank

“Cercado” por Samuel Rosa e Lelo, do Skank, entrega do VMB 2009

finattiira200oii

Entrevistando o Ira!, quase no natal de 2000″

finattiira

E novamente com Edgard Scandurra e Nasi, mas em 2014, após showzaço do Ira! em São Paulo

finatticachorrorelesnoise2014

Com povo loker/rocker (Cachorro Grande, Relespúbica) no festival Goiânia Noise, na capital de Goiás, final de 2014

finattihelinho16ii

Abraço afetuoso em Helinho Flanders (Vanguart), em Sampa, 2016

 

RECORDANDO ALGUMAS DAS MELHORES MUSAS ROCKERS QUE JÁ POSARAM PARA ZAP’N’ROLL

Yep, ao longo dos seus treze anos de existência Zap’n’roll tinha (e ainda tem) um tópico de muito sucesso: a musa rocker da semana. Ali era sempre publicado um ensaio de imagens bacanas com garotas amigas ou conhecidas do autor dessas linhas bloggers poppers e que tinham uma formação cultural e comportamental total rock’n’roll. E cada uma delas que posou para o blog produziu seu próprio ensaio com as fotos, sendo que umas eram totalmente desinibidas (ou seja, ficaram totalmente peladas aqui) e outras foram, hã, mais “comedidas” na hora de se mostrar. Mas todas fizeram sucesso com seus ensaios, por serem gatíssimas e terem ótimo gosto musical e cultural.

O blog já está há 13 anos no ar e provavelmente vai ser extinto em 2017, dando lugar a um novo espaço online mais amplo no leque de assuntos (falando, por exemplo, muito de sociedade, política e comportamento, além da cultura pop e do sempre bom e velho rock’n’roll). Ainda estamos estudando o que iremos fazer nesse sentido. Fato é que os tempos atuais estão muito diferentes, mais reacionários e conservadores do que nunca, e talvez também por conta disso o tópico da musa rocker esteja meio ausente do blogão zapper. Assim, resolvemos fazer nesse post uma seleção de algumas das melhores musas que já passaram por aqui e republicamos algumas fotos das garotas.

São dez musas realmente tesudas e espetaculares que você se deleita e recorda a partir de agora, vendo as imagens das deusas aí embaixo.

imagemmusasr2015

Neide R., 34, São Paulo

musazapyasmin2015iii

Yasmin Takimoto, 20, São Paulo

musasol2015vi

Solange De-Ré, 34, Florianópolis

musabruna2015vii

Bruna Vicious, 27, São Paulo

imagemmusalili2016

Lili O., 28, São Paulo

musarockerfabiastroneteii

Fabi M., 27, São Paulo

musazappermichellef2014

Michelle F., 27, São Paulo

madeleinemusazapv

Madeleine A., 35, São Paulo

imagemmusaflavinha2015vi

Flávia S., 23, São Paulo

finattijully2014

Zap’n’roll e Jully De Large, São Paulo, 2014

**********

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

  • Disco: “Crocodilo”, o segundo álbum de estúdio do grupo cearense (mas radicado em São Paulo) Jonnata Doll & Os garotos solventes, já é sério candidato a melhor cd de 2016, em um ano em que pouco ou nada digno de nota foi lançado na indie scene nacional (que só vive um “boom” na cabeça oca e delirante da ilha da fantasia indie que o blog Pobreloa…, quer dizer, Popload, insiste em impingir aos seu pobre leitorado). O grupo já foi bem mencionado nestas linhas bloggers rockers em nossas últimas postagens e quem nos acompanha sabe do que se trata: rock’n’roll básico e formatado em ambiências garageiras e proto-punk, com nítidos eflúvios de New York Dolls, The Stooges, Iggy Pop, glam rock, Bowie etc. Jonnata é um vocalista expressivo, escreve letras acima da média (versando sobre drogas, amores desmantelados, existência aos pedaços, caótica e turbulenta) e as músicas tem ótima performance instrumental, com destaque para o guitarrista Edson Van Gogh. “Swing De Fogo” (que abre o disco em levada pós-punk inglesa à la 80’), “Apesar de você ter tesão pela vida” (essa bastante stoniana), “Gari”, “Táxi” e “Cheira Cola” são faixas que REPELEM totalmente a caretice e o bunda-molismo que se instalou no rock independente nacional nos últimos tempos, fofo e MPB demais e ROCK (com guitarras barulhentas) de menos. Só por isso o conjunto já merece todo o crédito do mundo. Interessou e quer saber mais sobre eles? Vai aqui: https://www.facebook.com/jonnatadoll/?fref=ts. Ou aqui: https://jonnatadolleosgarotossolventes.bandcamp.com/. Sendo que o cd pode ser encontrado na capital paulista na Baratos Afins (WWW.baratosafins.com.br, fone 11/3223-3629).

capajdgs16

 

  • Livro: dos nomes mais conhecidos e respeitados do jornalismo cultural brasileiro nos anos 80’ e 90’, o brother Ademir Assunção está lançando HOJE, sexta-feira, seu novo romance. “Ninguém na praia brava” terá noite de autógrafos a partir das sete da noite no Patuscada – livraria, bar & café (e que fica na rua Luís Murat, 40, Vila Madalena, zona oeste de Sampa). Trata-se (se o blog não estiver enganado nas contas) do décimo terceiro livro publicado por Ademir, em uma produção literária que abarca poesia, ficção e romance. Não só: o loker também já lançou discos (com a banda Fracasso da Raça) e escreveu ótimas matérias para revistas como Somtrês e jornais como O Estado De S. Paulo, fazendo parte da última grande geração de jornalistas que valeu a pena serem lidos na imprensa cultural do país. Estas linhas online vão lá hoje prestigiar o lançamento do tomo e sugere que nosso dileto leitorado também compareça. E nos próximos posts voltaremos a falar de “Ninguém na praia brava”, podem esperar!

capalivroademirassuncao

 

  • Festival SIM São Paulo: como já falamos nesse mesmo post, nas notas inciais, começa na próxima quarta-feira, 7 de dezembro, a edição 2016 da Semana Internacional de Música na capital paulista. A programação é bastante extensa (mais de setenta e sete atrações, entre shows, palestras, debates e exibição de filmes) e variada. E você pode conferir tudo sobre o evento aqui: http://www.simsaopaulo.com/pb/.

Trailer do doc “Supersonic”, que conta a história do Oasis: vai passar na SIM São Paulo

  • Baladas em… baixa? Pois entonces, com a crise brava que assola o país afetando inclusive o circuito alternativo, ta cada vez mais difícil selecionar festas, gigs e eventos interessantes pra destacarmos aqui em nosso roteiro. Matrix fecha na semana que vem. Inferno Club também acaba de anunciar o encerramento das suas atividades. Assim só vai sobrar (principalmente no baixo Augusta) baladas com open bar porqueira e onde o que menos toca é rock, néan? De qualquer forma, bora lá: amanhã, sabadão em si (dia 3), rola a última edição deste ano da bacaníssima festa Call The Cops, comandada pelo DJ e chapa Ricardo Fernandes lá no Alberta (que fica na avenida São Luis, 272, centrão rocker de Sampalândia).///E também amanhã tem Smiths Cover tocando no Inferno Club (no 501 da rua Augusta), numa das últimas baladas que irão rolar no tradicional bar rocker e que infelizmente também vai fechar as portas ao apagar de 2016. Beleusma? É isso. Capricha na produção do visu e se joga!

 

 

TODO CARNAVAL TEM SEU FIM

Inclusive o do postão do blog. Ficamos por aqui mas na semana que vem a gente volta, com o penúltimo post zapper deste ano. Até lá então, com beijos no coração de todos os nossos leitores.

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 2/12/2016 às 17hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL: na madrugada mais triste deste final de um horrendo 2016 o blog chora a morte do gênio, poeta e mestre Leonard Cohen, além de lamentar profundamente a vitória de Trump na eleição americana (e mais o conteúdo que já estava no postão) – A humanidade e o país vira lata (o Brasil) se curvam cada vez mais diante da mega reacionária nova onda ultra conservadora planetária (com Donald Trump ameaçando virar presidente dos EUA e com políticos como João Escória e bispo Crivella assumindo o comando das duas maiores cidades brasileiras); e talvez o grande rock’n’roll de nomes como Brian Jonestown Massacre seja um dos pontos de resistência a esse avanço conservador na sociedade; por que The Strokes e Duran Duran podem ser as melhores atrações do Lollapalooza BR 2017; e a cena indie nacional REAL e que vale a pena (e que você só encontra aqui) destaca o grupo cearense (mas radicado atualmente em Sampa) Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, que inclusive tocam HOJE na capital paulista ao lado do também sensacional Rios Voadores; e blog entrevista a lindinha estudante carioca de apenas dezesseis anos de idade e que causou furor essa semana na web mundial com um tuíte seu zoando a coxarada brazuca imbecil que está apoiando Donald Trump, uia! (postão de LUTO e total finalizado, em 11/11/2016)

bannerrodamob

bannervoicemusic2016

imagembjm16

O rock’n’roll planetário atual segue na UTI mas ainda assim se mantém vivo através de ótimas bandas, já veteranas ou novas, e também de ótimos discos; é o caso do americano Brian Jonestown Massacre (acima) e do brasileiro Jonnata Doll & Os Garotos Solventes (abaixo), que acabam de lançar seus novos álbuns

imagemjonnatadoll16iii

imagemleonardcohenii

A música mundial perde um gênio GIGANTE e o pavoroso 2016 nos deixa ainda mais tristes: o bardo canadense Leonard Cohen (acima) morreu ontem (10/11/2016), aos 82 anos de idade

**********

SILÊNCIO ENSURDECEDOR NA MÚSICA MUNDIAL – 2016 MALDITO NOS TIRA TAMBÉM O GÊNIO, MESTRE E BARDO CANADENSE LEONARD COHEN

O blog está chocado e desalentado na alma. Um arrepio triste e sinistro percorre tudo. Este Finaski costuma ficar bastante melancólico quando fica sabendo do falecimento de alguém querido, mesmo que não seja uma pessoa exatamente do nosso onvívio pessoal. Quando se trata então de um ARTISTA que admiramos muito ou pelo qual temos devoção, nossa alma e coração costumam se despedaçar e ficar totalmente cinzas, mais do que já são habitualmente. Foi assim que ficamos em janeiro desse ano, quando Bowie nos deixou.

E é assim que nos sentimos exatamente agora, quando todos nós que conhecemos e veneramos o GÊNIO, POETA e MESTRE Leonard Cohen, ficamos sabendo do seu desaparecimento. O canadense que deu ao mundo da música algumas de suas canções e discos mais sublimes morreu na noite desta quinta-feira, aos 82 anos e poucas semanas após lançar seu epitáfio musical, outro álbum magistral e lindamente triste, sobre o qual comentamos aqui mesmo, no último post.

imagemleonardcohen

O mestre e poeta (acima) e seu último disco (capa abaixo), lançado há poucas semanas: canções eternas na história da música

capaleonardcohen16

E assim 2016 vai chegando ao seu final (ano maldito, que não acaba nunca), deixando atrás de si um rastro de horror social, econômico e político e uma série de perdas artísticas irrecuperáveis e como há muito não se via nesse mundo cada vez mais desolador e que abriga uma raça humana cada vez mais esfacelada, bestializada e sem ídolos (culturais ou políticos) que possam novamente engrandecer o homem e mostrar-lhe um caminho correto e seguro a seguir.

RIP velhinho GIGANTE. E gratidão por tudo o que você legou para a música e para a humanidade. Se houver alguma outra estação além desta aqui que é o verdadeiro INFERNO, esperamos encontrá-lo um dia, onde quer que você esteja.

**********

E A VITÓRIA DE TRUMP NOS EUA, OH SHIT!

Yep, contrariando todas as previsões o ogro e boçal bilionário americano Donald Trump levou a melhor nas eleições presidenciais nos EUA. O que isso vai significar para o restante do mundo (e provavelmente não vai significar nada alentador para a humanidade, já vivendo tempos mega sombrios) só saberemos com o tempo.

imagemtrumpii

As manchetes ATÔNITAS dos jornais americanos (acima): um BOÇAL assume o comando da maior potência do mundo

Mas um fato é inquetionável: a onda ultra neo conservadora avança no planeta, Brasil incluso. E a continuar dessa forma em breve estaremos de volta à Idade Média, quando bruxas eram queimadas em praça pública. E isso em plena era da web e da tecnologia plena, quando as pessoas deveriam estar mais informadas e avançadas no comportamento do que nunca.

Pelo jeito, está dando TUDO ERRADO no final das contas. E infelizmente…

 

**********

UP TO DATE – O ESPORRO SONICO DE JONNATA DOLL E RIOS VOADORES SEMANA PASSADA EM SAMPA

O cérebro e o sistema auditivo do autor deste blog ainda continuam completamente aturdidos uma semana depois do que vimos/ouvimos ao vivo no Z Carniceria (onde um dia existiu o lendário Aeroanta), em Pinheiros (zona oeste de Sampa). E falamos isso com muita seriedade, se é que se pode definir essa afirmação dessa forma.

Primeiro veio Rios Voadores e sua psicodelia e tropicalismo em ponto de bala, com discão recém-lançado e que rendeu muito no palco. A vocalista Gaivota vestida de noiva loker (à la… Tim Burton) exibiu performance vocal e corporal impecável, sustentada melódica e instrumentalmente por uma banda que já uma das melhores da cena indie nacional nesse momento.

E depois veio Jonnata Doll & seus garotos (putos, selvagens, alucinados, desvairados, alucicrazies) solventes. Dissolveram TUDO no lugar ESPORRANDO um proto garage rock barulhento, cru, furioso, sustentando músicas e letras de completa subversão da moral, da ética e do comportamento “normal” (careta e reaça, na real) do grosso da sociedade atual. Sexo, drogas, desajuste e desencanto emocional, existência em devassidão e junkismo total. Alma e corpo marginais e entorpecidos de loucura total – Jonnata começou a gig trajando calça, coturno e camisa berrante vermelha. Terminou vestindo apenas uma demente e ordinária CALCINHA fio dental (e nope, ele não é gay, namora com a gata Marcelle; talvez seja alguma espécie de criatura pansexual), sendo que no transcorrer da fodelança sônica o loker se jogou no palco, no meio do público (parte dele, formado por COXAS e patricetes caretas e endinheiradas, CHOCADO com o que estava presenciando saiu em debandada antes da apresentação acabar), se esfregou num tapete, seu PAU insistia em ficar pra fora da calcinha mínima e quando a cantora convidada (a também gata loka total Laura Diaz) subiu ao palco os dois se engalfinharam, e aí os PEITOS dela também voaram pra fora da blusa (sem sutiã, vale exarar).

imagemjonnatadolllivez

Esporro rock’n’roll total e como o blog talvez JAMAIS tenha visto no rock BR  em muitos anos: Jonnata Doll & seus garotos solventes detonaram no palco do Z Carniceria em São Paulo, com Jonnata começando a gig VESTIDO (acima) e terminando a apresentação apenas de… calcinha! (abaixo)

imagemjonnatadollliveziii

Lou Reed iria pirar, com certeza. Idem Bowie em sua fase Ziggy BICHAÇA LOKA Stardust. Iggy Pop (que se cortava no palco com gilete, na época gloriosa dos Stooges)? Amaria e pediria a banda em casamento. Este blog? Acha que nunca viu NADA IGUAL no rock nacional – e olha que são mais de 30 anos vendo gigs de bandas brasileiras, das nanicas às gigantes.

Rock’n’roll é isso, sempre foi e sempre será. Transgressão, fúria, subversão, garagismo, psicodelia, tropicalismo, tudo junto e misturado como fizeram semana passada Rios Voadores e Jonnata Doll. Um CHUTE NO SACO E NO CU do HORRENDO rock brazuca de hoje, quase morto, total careta (quando não conservador e reaça), moralista, babaquinha, com letras estúpidas e músicas idem. Não é à toa que as duas bandas que botaram fogo no Z Carniceria estão subindo como foguete na ampliação do seu público e na repercussão midiática (olha o Jonnata aê, que está participando da atual turnê que comemora os 30 anos do lançamento do primeiro disco da Legião Urbana, e tocando junto com os ex-legionários Dado e Bonfá).

Longa vida aos Rios Voadores e ao Jonnata Doll & os garotos solventes, é o que deseja sinceramente Zap’n’roll!

**********

 

O ASSUSTADOR E ULTRA PERIGOSO AVANÇO DO NEO CONSERVADORISMO RADICAL E REACIONÁRIO, NO BRASIL E NO MUNDO

Um tema mais do que apropriado e necessário para o editorial de abertura deste post de Zap’n’roll (cuja primeira parte está entrando no ar hoje, sexta-feira. Uma semana que está chegando ao fim pautada por vários assuntos, sendo que um dos principais foi a vigília montada por alguns dos nomes mais expressivos da arte e da cultura brasileira, para lembrar os 24 anos do massacre de presos do finado presídio do Carandiru em São Paulo, quando 111 detentos foram MASSACRADOS E FUZILADOS SEM DÓ pela polícia militar de São Paulo. Esta vigília, ocorrida entre a última terça e quarta-feira, foi organizada pelo artista plástico Nuno Ramos. Durante 24 horas seguidas, com transmissão ao vivo pela internet, alguns dos mais expressivos nomes da cultura nacional se revezaram para ler repetida e continuamente os nomes dos cento e onze detentos que foram mortos pela polícia militar de São Paulo em 2 de outubro de 1992, quando a tropa de choque entrou no presídio do Carandiru para conter uma rebelião. Pois causou choque e horror ao blog se deparar com as mensagens e manifestações publicadas na página criada para o evento no Facebook. Particularmente a quantidade GIGANTESCA de postagens escritas por pessoas truculentas, ignorantes, reacionárias, completamente insensíveis e bestializadas em seu pensamento (como se pertencessem à Idade Média ou pior, ao tempo do homem das cavernas), aquelas que defendem o “bandido bom é bandido morto”, que apóiam políticos reacionários ao extremo, populistas, demagogos, machistas e de conduta ética e moral hiper duvidosa (como Jair BolsoNAZI e bispo Crivella), que gritam em defesa da truculência da ação policial contra marginais e que, enfim, estão mostrando no que está se transformando o grosso da sociedade brasileira dentro dessa nova ordem conservadora que assola todo o planeta. Pro leitor destas linhas bloggers ter uma idéia: fomos chamados de tudo ali, quando também resolvemos nos manifestar, e sem os agressores verbais sequer conhecerem o mínimo a respeito do autor deste espaço virtual). De petista, vagabundo, maconheiro, viado, defensor de bandido, lixo humano etc, etc, etc, de tudo fomos qualificados. Tudo isso é MUITO PERIGOSO. Como bem observou o músico Roger Waters (ex-baixista do grupo Pink Floyd), em entrevista à Rolling Stone americana: “a ascensão de Trump é comparável a de Hitler na Alemanha, antes da eclosão da segunda guerra mundial”. E por que estamos citando isso? Porque a ascensão de Trump nos EUA tem total conexão com o avanço da direita reacionária na política e na sociedade brasileira. Lá, o bilionário boçal ameaça ganhar a presidência. Aqui, João Escória Dólar e Crivella já ganharam seus quintais (São Paulo e Rio, os dois maiores colégios eleitorais desse Brasil ogro, vira lata, bestial e quinto mundo dos infernos). Tudo isso nos faz lembrar SIM da ascensão NAZISTA na Alemanha. E todos sabem no que resultou a tomada do poder por Hitler: uma guerra mundial que custou a vida de 50 milhões de pessoas. Este já calejado e velho jornalista rocker não quer estar vivo para ver algo semelhante acontecer novamente, seja aqui mesmo no nosso país ou em outra parte do mundo. E também somos totalmente justos: defendemos o RIGOR DA LEI para todos: marginais comuns, assaltantes, homicidas, estupradores, agressores de mulheres e TAMBÉM POLICIAIS que são BANDIDOS fardados porque cometem crimes tão intoleráveis quanto os que chocam a sociedade e cometidos por marginais NÃO fardados. E somos totalmente CONTRA que se pratique/institucionalize a pena de morte num país (o nosso) onde ela NÃO ESTÁ PREVISTA NO CÓDIGO PENAL. Nos entristece sim e muito quando um policial é morto em serviço ou fora dele, idem se for um cidadão de bem que sofre com o avanço da violência social urbana (já fora de controle no Brasil). Nos entristece ver a VERGONHA que é a PM paulista e no que ela se transformou (truculenta, assassina, pessimamente preparada, equipada e remunerada), graças ao HORROR que é o DESGOVERNO do Estado paulista, há 20 anos nas mãos do PSDBosta que trata a (in) Segurança Pública (e a educação e a saúde) como artigos de ÚLTIMA NECESSIDADE. Junte-se a tudo isso o pensamento CRETINO e RETRÓGRADO de uma classe média estúpida, bestial, ignorante, imbecil, que se acha parte de uma elite ainda pior do que ela e o caldeirão está pronto para explodir. Como bem observou um amigo dileto deste jornalista no FB, essa classe média COXA e OTÁRIA ao máximo ODEIA pretos e pobres. E é em função desse ódio não declarado, SELETIVA: defende a morte de bandidos quando eles são pretos ou pobres. Mas se o facínora for traficante de drogas ou armas e MILIONÁRIO, com mansão, carro importado e conta não declarada na Suíça, aí a dondoca classe média se apaixona por ele, dá o cu, chupa o pinto do canalha e ainda o pede em casamento. O pensamento dessa classe média é o mesmo para políticos PILANTRAS como Eduardo Cunha, BolsoNazi e Crivella: esses são bem quistos porque são FACÍNORAS brancos e bem sucedidos (???). Podem ser machistas, proferir discurso de ódio e intolerância contra negros e gays que sem problema. Eles PODEM! Este desabafo aqui no editorial do post é de puro desalento com essa situação toda. Mas quando sabemos que ainda há pessoas e uma classe artística nesse país miserável que levanta sua voz contra toda essa desgraça neo conservadora, ainda dá pra acreditar que nem tudo está perdido. Por isso mesmo o blog zapper dá os parabéns a TODOS que participaram da vigília, artistas de mega respeito como Paulo Miklos, Bárbara Paz, Zé Celso Martinez Correa, Nuno Ramos, Marina Person etc. Todos merecedores de nosso total aplauso e respeito. E por isso mesmo seguimos aqui neste espaço dedicado ao melhor da cultura pop e do rock alternativo. É por existirem nomes gigantes como Brian Jonestown Massacre ou o menestrel e poeta  Leonard Cohen ainda em atividade na música, que ainda existe alguma sensibilidade e GRANDE ARTE respirando no planeta e chegando aos ouvidos humanos. E que artistas assim continuem produzindo ad eternum. Quem sabe assim a raça humana ainda tenha alguma chance de escapar deste horrendo e trágico destino: o de chafurdar na bestialidade social e comportamental final e que irá levar a todos nós para o mesmo buraco escuro debaixo da terra.

 

 

  • E nada muito digno de nota para começar o post, com nossas tradicioalíssimas notas iniciais. A semana está total morna no mondo pop, sendo que talvez um destaque a ser comentado é sobre a divulgação de “Vegetable Man” por uma emissora de rádio inglesa ontem. Trata-se de uma faixa INÉDITA dos primórdios do Pink Floyd (quando a banda ainda era relevante e antes de se tornar o mega flácido grupo milionário dos anos 80’), composta provavelmente pelo fundador do conjunto, o gênio louco Syd Barrett, em 1965 mas lançada apenas dois anos depois. A música faz parte da gigantesca coletânea “The Early Years – 1965/1972”, que cobre toda a carreira inicial do PF e que deverá sair a qualquer momento. O Box incluirá vinte músicas jamais lançadas oficialmente pelo grupo e nada menos do que SETE LIVROS contando a história dos primeiros anos do conjunto. Beleza, hein!

imagempfclassic

O Pink Floyd: música nunca antes lançada em nova coletânea do grupo

  • E também ontem aquele XOXOTAÇO que todos nós amamos, a Juliana Paes, não teve pudores em afirmar durante entrevista no “Adnight”, na “Grobo”: sim, ela sente atração por MULHERES. Wow!

imagemjulianapaes

 

  • Outro DESTAQUE feminino desta semana é essa também gatinha aí embaixo. O nome dela? Lara Rotenberg. Estudante do ensino médio no Rio De Janeiro e que com apenas dezesseis aninhos de idade causou furor na web planetária com um tuíte seu zoando a turma brasileira coxa, burrona e reaça que apóia a eleição de Trump nos EUA (ahahahaha). Mas a gente fala mais sobre ela e sobre essa parada toda ao longo desse post, okays?

imagemlara16ii

 

  • E como a correria nessa sextona está total pelos lados do blog, assim que rolar algo mais, hã, impactante, vamos atualizando as notas iniciais. Por enquanto bora já ir aí embaixo ler sobre o graaaaande Brian Jonestown Massacre.

 

 

O SEMPRE ÓTIMO E JÁ VETERANO (E TOTAL DESCONHECIDO AQUI, NO BRASIL VIRA LATA) BRIAN JONESTOWN MASSACRE LANÇA DISCO NOVO E TOCA NA AMÉRICA DO SUL ESTE MÊS – MENOS NO PAÍS BESTIAL (O NOSSO), CLARO!

Você, dileto e muito jovem leitor zapper, provavelmente nunca ouviu falar do grupo americano Brian Jonestown Massacre. Não fique triste por isso: praticamente NINGUÉM conhece a banda aqui no Brasil sempre vira lata ao máximo. Mas o BJM, surgido em 1990 na California (ou seja, há quase trinta anos) é um dos melhores nomes do indie rock americano dos anos 90’ e que ainda segue em atividade. Não só: lançaram há pouco seu novo álbum de estúdio, o décimo sexto da carreira deles (!) e que se chama “Third World Pyramid”. E, mais incrível: tocam esse mês aqui na América do Sul, em festivais na Argentina e no Chile. Shows no bananão brasileiro? Negativo: segundo o líder da banda, o guitarrista, vocalista, compositor e pequeno grande gênio Anton Newcomb, nenhum produtor brasileiro se interessou em trazer o grupo pra tocar aqui.

O blog zapper, sempre atento às novidades do rock alternativo planetário (e está cada vez mais difícil acompanhar tudo que é lançado pois os discos saem aos borbotões e na era da web isso não significa vantagem alguma: nunca se lançou tantos discos com qualidade TÃO RUIM), resolveu escutar o novo cd do conjunto (atualmente integrado por mais seis músicos, além de Anton) após ler uma resenha mega elogiosa sobre ele no blog do chapa André Barcinski no Uol – aliás Barça publica atualmente um dos melhores blogs sobre cultura pop na internet BR e está também sempre antenadíssimo com os movimentos em torno do indie rock (já a pobre Pobreloa…, quer dizer, Popload… rsrs). E o disco é mesmo fodíssimo em suas ambiências psicodélicas, com melodias eivadas de guitarras espaciais e barulhentas (caso da longuíssima e ótima “Assignment Song”, com mais de nove minutos de duração) e também de eflúvios do shoegazer britânico noventista (e aí um ótimo exemplo é a própria faixa-título). Fora que a banda também engendrou peças instrumentais e sem vocal (uma raridade no rock de hoje), como na tristonha e bela “Oh Bother” e mostra doses bem construídas de noise guitar em “Govemment Beard”.

Com apenas nove faixas e menos de trinta e oito minutos de duração, “Third World…” não cansa jamais o ouvinte que, pelo contrário, termina a audição com gosto de quero mais. Outra raridade nos tempos atuais, quando conjuntos sem estofo artístico lançam discos com mais de uma hora de duração e onde pouco realmente se aproveita em termos musicais.

12''_GATEFOLD_BLEED

O novo disco do BJM: mantendo a qualidade rocker há quase 30 anos

A própria história do BJM é bizarra. Eles começaram praticamente juntos com o também ótimo The Dandy Wharols (outro dos grupos prediletos destas linhas bloggers rockers de 2000’ pra cá), de quem acabaram se tornando muito amigos. Só que enquanto o DW se agigantavam no rock americano e ascendia ao mainstream musical (que ainda existia nos anos 90’) o BJM descia a ladeira da impopularidade, muito por conta do temperamento mega difícil do total loker Anton Newcomb, que viva chapado de drogas variadas, vivia brigando com as gravadoras que se dispunham a contratar a banda e por conta disso tudo quase fodeu a trajetória do conjunto, sendo que a história dos dois grupos e sua relação de amizade foram muito bem esmiuçado anos atrás num documentário chamado “Dig”. Mas o BJM felizmente resiste e se mantém até hoje. Newcomb, aos quarenta e nove anos de idade, está mais “calmo” e reside há alguns anos na Alemanha. E lá segue compondo freneticamente e tocando o conjunto que agora vai se apresentar no Chile e Argentina.

É uma ótima chance para vê-los ao vivo e quem puder se deslocar até os “vizinhos”, não deve perder o show. Se não der pra ir, um ótimo cartão de visitas deles é seu novo trabalho de estúdio. Uma prova de que ainda existe vida inteligente no emburrecido rock’n’roll dos anos 2000’.

 

 

 

E VOCÊ PODE OUVIR O NOVO DISCO DO BJM AÍ EMBAIXO

 

bannerrealcenaindiezap

NESTE POST COM O FODÃO GARAGE PROTO PUNK ROCK DO JONNATA DOLL & OS GAROTOS SOLVENTES

O blog nunca tinha ouvido falar deles até meados do ano passado. Foi quando nossa queridíssima amiga, atriz e produtora teatral Paulinha Micki fez o convite: “Finas, vai ver a nova peça que estou produzindo e atuando, é total subversiva e punk rock, com temática sobre a desconstrução da existência humana. E a trilha sonora é sensacional, tocada ao vivo por uma banda fodíssima!”.

O blog foi ver a tal peça, que realmente era ótima. E se impressionou também com a tal banda que fazia a trilha do espetáculo ali mesmo, ao vivo, fazendo intervenções entre a atuação dos atores e o desenrolar do texto. E quem era a porra do grupo, afinal? Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, formados em Fortaleza (Ceará) e atualmente morando em Sampa.

O grupo é comandado por Jonnata Araújo (o Doll, pros “íntimos”, rsrs), que canta e escreve as letras, todas versando sobre drogas, desajustes emocionais e existenciais e a barra pesada que é viver em um mundo sem perspectiva alguma para a grande maioria das pessoas. E a moldura sonora para essas letras cantadas com entrega e paixão por Jonnata (um sujeito simpático e afável de trinta e cinco anos de idade e que está na estrada do rock’n’roll há quase vinte, desde sua adolescência) vem dos guitarristas Edson e Léo, do baixista Loiro Sujo (ulha!) e do batera Felipe Maia. O som? Proto garage glam punk rock porrada e muito bem tocado, com melodias que fazem quem escuta as músicas querer imediatamente arrancar os pés do chão e sair pulando. Não à toa eles mesmos entregam suas influências em sua página no Facebook: Iggy Pop, Legião Urbana, Smiths, por aí.

capajdgs16

Capa do novo disco da banda Jonnata Doll & Os Garotos Solventes

Da noite que o blog assistiu no centrão de Sampa ao grupo, na peça de teatro que estavam fazendo a trilha sonora até agora, Jonnata Doll e seus garotos solventes estão chamando mais e mais a atenção da mídia (menos daquele nosso blog “vizinho” e sua ilha da fantasia indie, hihi) e angariando cada vez mais público. Com já três CDs lançados (o mais recente, “Crocodilo”, acaba de sair) e fazendo uma exensa agenda de gigs, a banda já ganhou até a simpatia de Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá. E por conta disso, foi convidada a tocar na atual turnê do que restou da Legião Urbana, junto com a turma legionária.

Interessou pela banda? Pois fikadika: eles se apresentam ao vivo HOJE, sexta-feira (quando a primeira parte deste postão zapper está entrando no ar, 4 de novembro, lá no Z Carniceria em Pinheiros, zona oeste da capital paulista e nesse momento um dos melhores picos para shows ao vivo de bandas alternativas em Sampa. Junto com eles também sobe ao palco o igualmente fodão Rios Voadores, de quem o blog já falou bastante no post anterior. Promete ser uma das melhores noites indies em Sampa nos últimos meses e todas as infos sobre a balada total rock’n’roll estão aqui: https://www.facebook.com/events/176328299490933/.

 

 

PRA OUVIR O JD&GS

Vai aí embaixo.

 

E PRA VER A BANDA EM VÍDEOS

Confere aê.

**********

 

MUSA ROCKER ULTRA JOVEM DA SEMANA – A LINDINHA E GENTE FINÍSSIMA CARIOCA LARA

Ela tem apenas dezesseis anos de idade. E meio que se tornou uma celebridade na web quando um tuíte seu zoando a coxarada brasileira que estava apoiando a eleição do boçal Donald Trump para a presidência dos EUA (e sim, infelizmente ele ganhou a eleição), viralizou mundo afora. Por conta desse tuíte Lara Rotenberg recebeu espaços generosos na mega mídia, em veículos como a revista Veja (em sua edição online) e o diário paulistano Folha De S. Paulo.

E o blog zapper, sempre atento às movimentações na cultura pop e também na esfera política e comportamental, foi atrás da garota para saber mais sobre ela, como ela vive, o que pensa em termos políticos, sociais e comportamentais, do que gosta na música e no rock’n’roll etc. O resultado do bate papo que estas linhas bloggers tiveram com ela foi uma bacana e agradável entrevista cujos trechos principais você confere aí embaixo.

imagemlara16

A estudante carioca lindinha e gente finíssima, Lara Rotenberg (acima)

Zap’n’roll – Você é uma estudante carioca de apenas dezesseis anos de idade e que ganhou repentina e grande notoriedade por conta de um tuíte seu, onde zoava uma imagem que foi colhida durante uma passeata de apoio realizada em São Paulo à candidatura de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. Por que você resolveu se manifestar a respeito do fato no seu Twitter? E imaginava que o tuíte iria viralizar e causar tamanha repercussão?

 

Lara Rotenberg – Bom, eu tenho o costume de salvar fotos para fazer memes (piadas) com elas depois. Ao ver aquela foto da passeata na minha timeline achei curiosa, e salvei para caso tivesse alguma ideia de legenda engraçada. “Acreditava que se você tem que afirmar que é gay, mulher, negro, etc e que “mesmo assim” vota no Trump, há uma contradição. Essas pessoas podem ser a favor do candidato mas ele com certeza não é “a favor” delas. Comparando com o Brasil, seria o mesmo se fizesse um cartaz “Gays pelo Bolsonaro”, assumidamente homofóbico”. Essa parte dei como resposta para a Folha (diário paulistano). Nunca imaginei que fosse ter essa repercussão. Nos primeiros 5 minutos a interação foi normal, foi no dia seguinte que começou a crescer. Usando o Twitter há vários anos, o tweet de maior alcance que eu tinha tido até então era um (em português) com 5.000 retweets. Já tinha achado um número absurdo. De resto, os mais populares não costumavam passar dos 100 ou 200.

 

Zap – ceeeeerto. Então como agora você é uma quase jovem celebridade, que tal falar um pouco sobre sua vida e seu cotidiano para que os leitores do blog a conheçam melhor? Tipo, algo sobre sua família, seus pais (o que eles fazem e como orientam você em varias questões, como política, cultura, comportamento, educação, sexualidade etc.), o que você estuda e qual profissão pretende seguir. Fique à vontade para falar!

 

Lara – Bom, sou uma estudante do Colégio Pedro II há 5 anos. Pelo o contrário do que muitos pensam, a instituição colaborou para o aumento do meu pensamento crítico, me ensinando a questionar tudo – e não a ser “doutrinada”. De uns anos para cá me envolvi no movimento estudantil e feminista, além de dar total apoio aos LGBT’s e aos negros em sua luta. Meus pais são funcionários públicos, proporcionando atualmente uma vida tranquila de classe média. Ainda não tendo completado o ensino médio, não tenho total certeza do que pretendo seguir quando chegar a faculdade. Não desejo seguir nada que eu não goste somente para “ganhar dinheiro”, então ainda preciso de um longo tempo de reflexão para fazer esta escolha.

 

Zap – Mas pelo que já conversamos e pelas infos do seu perfil no FB percebe-se que você tem grande apreço por cultura e arte, rock principalmente. Pensa ou já pensou na possibilidade de seguir algo nesse sentido em termos profissionais?

 

Lara – Bom, música é a minha paixão. Beatles literalmente mudou minha vida, me permitindo ter momentos incríveis e conhecer pessoas maravilhosas. Além de também ter me introduzido a outras bandas, que fizeram o mesmo. Também tenho gosto pelas artes plásticas, tendo feito algumas pinturas e desenhos. Porém não penso em seguir nada relacionado a isso pois acredito que, dependendo do desgaste causado pelo trabalho, eu pudesse acabar criando uma certa repulsa pelas coisas que amo.

 

Zap – muito bem, ótima resposta! E você sendo tão jovem (dezesseis anos de idade) mas já tão bem esclarecida e formada intelectualmente, não poderíamos deixar de perguntar: como você vê a atual situação do Brasil, na questão política, econômica e social? O que uma garota como você acha dessa nova onda mega conservadora que está dominando boa parte da sociedade (e em todas as classes sociais), inclusive levando adolescentes da sua idade a apoiarem políticos reacionários e conservadores de direita, como Jair Bolsonaro e bispo Crivella?

 

Lara – O mundo está uma loucura. Há falta de empatia para todos os lados. No sistema em que estamos o rico fica mais rico e o pobre fica mais pobre. A salvação é ver como há jovens, como eu, que estão abrindo os olhos para os problemas da sociedade. Que não abaixam a cabeça e dizem “Deus quis assim” ou “É desse jeito desde os primórdios”. Me repulsa ver homens como o Bolsonaro (ou Trump, nos EUA) com grande influencia. No geral me agoniza ver machistas, racistas, homofóbicos, xenofóbicos etc no poder. Sou de esquerda mas não apoio o sistema socialista ou “comunista” (isso porque ele não chegou a se efetivar plenamente). Sou a favor de uma reforma no poder, algo que vise o bem comum onde todos começam da mesma linha de largada. Não há meritocracia num país como o Brasil, não há como comparar as oportunidades de um jovem de periferia que estuda numa escola municipal com as de um jovem de classe média que estuda no Ph. Acredito que o mais importante é realmente focar numa educação pública de qualidade para que todos pudessem partir de um mesmo ponto.

 

Zap – sensacional sua resposta, de verdade. E fico com uma alegria imensa no coração ao constatar que ainda existem adolescentes tão lúcidos e bem informados como você, sobre o que é necessário para termos um país do qual nós possamos REALMENTE nos ORGULHAR dele. Você está de parabéns por pensar como pensa, Larinha (se me permite te chamar assim, rsrs). Então para terminar nosso papo eu não poderia deixar de perguntar sobre suas bandas preferidas, hehe. Já notei que você adora Beatles, Hendrix e Oasis. Quem mais, além deles? E também se quiser falar sobre um livro e autor do seu coração, além de um filme e diretor idem vai matar minha curiosidade, rsrs.

 

Lara – Hahahahaha muito obrigada!!! Minhas bandas favoritas são fáceis, hehe. Em primeiro lugar Beatles, é claro. Em segundo e terceiro Oasis e Zeppelin. Floyd, The Smiths e U2 não sou realmente fã mas curto bastante. Todas as bandas de Classic Rock tem uma espaço no meu coração para lhe ser sincera.

 

Quer ler algumas matérias que saíram com a Lara? Vai aqui: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2016/11/1828672-carioca-de-16-anos-viraliza-nos-eua-ao-zombar-de-ato-pro-trump-na-paulista.shtml. E aqui: http://veja.abril.com.br/blog/virou-viral/nao-acredito-em-meritocracia-em-um-pais-desigual-como-o-brasil-diz-estudante-cujo-post-anti-trump-viralizou-nos-eua/. Sendo que você pode encontrá-la no Facebook: https://www.facebook.com/lara.rotenberg?fref=ts.

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

  • Discos: o novo do Brian Jonestow Massacre e “Crocodilo”, novo do Jonnata Doll & Os Garotos Solventes e sobre o qual falamos ainda e mais detalhdamente no próximo post. Mas você pode escutar na íntegra o esporro garage proto punk da talvez grande banda do atual rock BR aí embaixo:

 

E FIM DO POST COM O BLOG ZAPPER EM LUTO TOTAL

Ainda haviam zilhões de textos e lances legais pra entrar nesse postão (como nossa opinião do porquê considerarmos as gigs dos Strokes e do Duran Duran como as provavelmente melhores do Lollapalooza BR 2017) mas a notícia da morte do gigante Leonard Cohen na noite de ontem arrasou estas linhas bloggers rockers sentimentais, tirou nosso prumo e qualquer vontade de prolongar os trampos nesse post. Fica pra semana que vem, se nossos leitores não se importarem.

(suspiro…)

2016 foi e continua sendo isso mesmo, até sua última gota pelo jeito: um ano HORRENDO, cruel para o mundo e para a raça humana, cada vez mais inculta, bestial e sem nomes de relevância máxima nas artes. Que esse ano MALDITO acabe logo de uma vez. É tudo o que o blog pede nesse momento.

Rip querido Leonard Cohen. Na semana que vem estaremos novamente aqui, e lembrando sempre de ti. Até lá, lovers & rockers.

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 11/11/2016 às 5hs.)