AMPLIAÇÃO FINAL EXTRA!!! Informando OFICIALMENTE a data e local da mega festona de quinze anos do blog zapper, falando do show (com ingressos esgotados) do Ira! semana que vem no Sesc Belenzinho em Sampa, e muito mais! – Novo postaço zapper no ar! E em edição especial sobre o pós punk inglês dos anos 80 e também dos anos 2000, o blog analisa em detalhes o novo discão do grupo Interpol, além de celebrar os quarenta anos de existência de dois gigantes da história do rock, os ingleses do Echo & The Bunnymen e do Bauhaus; mais: a “invasão” da armada brit oitentista que vai acontecer no Brasil (e em Sampa, claro!) de setembro a dezembro, os livros sobre o gigante Lula que foram lançados, o grande HORROR golpista político e jurídico no país às vésperas das eleições presidenciais, e mais isso e aquilo tudo no espaço blogger que é campeão na blogosfera BR de cultura pop já há quinze anos! (postão gigantão totalmente ampliado e finalizado em 6-9-2018)

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Em mega postaço especial sobre o pós punk, o blogão zapper analisa em detalhes o novo discão do trio americano Interpol (acima), além de falar dos quarenta anos de existência de um dos maiores nomes do rock mundial em todos os tempos, o inglês Echo & The Bunnymen (abaixo)

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MAIS MICROFONIA – AGORA VAI! A MEGA FESTA DE QUINZE ANOS DA ZAPNROLL ACONTECE MÊS QUE VEM EM SAMPA, NO SESC BELENZINHO, UHÚ!

O site e blog de cultura pop e rock alternativo mais legal da web BR chega a uma década e meia de existência. E para celebrar, vai ter uma comemoração à altura da data! No próximo dia 19 de outubro, sexta-feira, a partir das 9 e meia da noite, a comedoria do Sesc Belenzinho na capital paulista, recebe dois showzaços dos grupos Saco De Ratos e The Dead Rocks, que vão tocar o puteiro e o terror rocker para festejar o niver zapper. Bora lá!

E após a maratona rock ao vivo no Sesc, ainda vai rolar uma after party show no Clube Outs (localizado na Rua Augusta, 486, no centro de Sampa), com dj set especial do blog, a partir da uma e meia da manhã. O Outs também existe há 15 anos, é o último reduto rocknroll da cena alternativa noturna do baixo Augusta e vive lotado nos finais de semana, graças ao vitorioso sistema open bar (pague um preço fixo e beba até cair!) implantado pela casa há quase 5 anos. Não dá pra perder!!!

Quem vai fazer a festa e tocar o puteiro e o terror rock no Sesc Belenzinho:

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***Saco De Ratos – a banda de blues rock existe há mais de uma década e já gravou quatro álbuns. É um dos destaques da cena independente brasileira e paulistana e cujo vocalista e letrista, o escritor, poeta e dramaturgo Mário Bortolotto, é um dos destaques da cena literária marginal brasileira há mais de vinte anos. Mais sobre eles aqui: https://www.facebook.com/BANDA-SACO-DE-RATOS-121151831228419/?fb_dtsg_ag=AdwjGDA39anTwQWKwrhAh9__oSTdyWkXiqrbKrZ85SIvOw%3AAdwCc08wU0iZzIGbX9yn0oKlNzZ99N-e7nKKtr2TNScTbA.

 

***The Dead Rocks – O trio baseado no interior paulista (na cidade de São Carlos) existe há uma década e meia e nesse período se transformou num dos principais nomes do estilo surf music no rock alternativo brasileiro. Compondo apenas temas instrumentais e com quatro discos editados, a banda alcançou tanto prestígio para o seu trabalho musical que já excursionou pela Europa e Estados Unidos, onde também lançou alguns EPs e participou de coletâneas com músicas de sua autoria. Não tocam na capital paulista há um bom tempo já, de modos que será uma ótima oportunidade para os fãs da cidade se reencontrar com o grupo ao vivo ou para conferir a potência sônica deles no palco pela primeira vez. Mais sobre eles aqui: https://www.facebook.com/thedeadrocks/.

 

Ingressos à venda em breve no site do Sesc Belenzinho, aguardem! E tudo sobre o festão você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/460162691145863/?active_tab=about.

 

***E SEMANA QUE VEM TAMBÉM NO SESC BELENZINHO TEM IRA! – Conforme estas linhas zappers imaginavam os ingressos para os dois shows que o Ira! irá realizar no final da semana que vem (dias 14 e 15 de setembro, sexta-feira e sábado), na comedoria do Sesc Belenzinho (unidade da entidade que fica no bairro do Belém, zona leste de Sampa, aliás como todas as unidades do Sesc esta também é sensacional), se EVAPORARAM do site (e também na compra física) em menos de 24hs. Os tickets começaram a ser vendidos ANTEONTEM. Já acabaram – a comedoria do Belenzinho não é grande, cabem umas 500 pessoas lá. E com o Ira! tocando na íntegra e ao vivo o seu fodástico terceiro disco de estúdio, o “Psicoacústica” (lançado em 1988, daí a turnê comemorativa pelos 30 anos dele), não tinha mesmo como ser muito diferente o sumiço das entradas em velocidade recorde. Sendo que o blog se sente algo contente e orgulhoso nessa parada. Contente porque além de admirar pra carajo a banda, também é amigo pessoal da dupla Scandurra-Nasi há séculos. E orgulhoso porque o texto do press kit sobre o evento e sobre o LP em questão é de nossa autoria. Sim, o Sesc confiou este trabalho ao jornalista rocker aqui, não apenas pela amizade que ele mantém com a banda mas também por (modéstia às favas) conhecer profundamente a trajetória dos Irados e as nuances que permeiam “Psicoacústica”. De modos que estaremos por lá na semana que vem, já que temos par de convites disponíveis (cortesia do Sesc) pra ir lá na gig. Pra quem não vai: sorry, hihi.

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Zapnroll (acima) e o bacanudo press kit criado pelo departamento gráfico e de divulgação do Sesc Belenzinho, para divulgar o showzão do Ira! que rola lá semana que vem, e cujo texto encartado no kit (abaixo) foi produzido pelo autor do blogão zapper

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, o rock alternativo, a política e o comportamento)

 

***LULA ONTEM, LULA LIVRO, LULA LIVRE, LULA SEMPRE! – Foi realmente emocionante o evento realizado no último dia 13 de agosto em Sampa, por conta do lançamento oficial e nacional do livro “Lula Livre – Lula Livro”, coletânea de textos organizado pelo jornalista e queridão deste espaço online Ademir Assunção, e que conseguiu reunir num volume extraordinário (e que estava sendo vendido por módicos 15 dinheiros durante o evento, sendo que os exemplares à disposição do público se esgotaram rapidinho), textos e poemas de artistas variados, como poetas, cantores, compositores, rappers etc (estão no livro, entre outros, textos de Chico Buarque, Augusto de Campos, Alice Ruiz, Carlos Rennó, Sergio Mamberti, Paulo Lins etc.). E boa parte desses artistas compareceu ao lançamento, que lotou as dependências do já lendário, mitológico e histórico teatro Oficina, lar do grupo homônimo criado há décadas pelo gênio gigante que é Zé Celso Martinez Correa, um dos monstros sagrados de toda a história da dramaturgia brasileira. Foram lidos textos no pequeno palco montado, mostrados vídeos, entoados hinos e canções eivadas de sentimento de liberdade, de apoio total à democracia e a tudo que importa ao ser humano: respeito às minorias, aos negros, às mulheres, aos gays, além de um não gigante ao retrocesso comportamental, ao arbítrio, a intolerância, ao discurso de ódio boçal que tornou o país uma nação de pensamento binário, ao reacionarismo de extrema direita e, principalmente, a prisão política e completamente injusta e surreal do maior líder popular que este pobre Brasil (uma nação vilipendiada por golpistas imundos em esferas variadas: na política, no Judiciário etc.) já teve. Ele mesmo, Luis Inácio LULA da Silva, o MELHOR PRESIDENTE que o Brasil teve em pelo menos 50 anos. O blog poderia escrever um LIVRO aqui sobre como foi bacana a aquela noite. Mas tenta resumir sua emoção e orgulho de ter participado do evento dizendo que, sim, a VERDADE e a JUSTIÇA irão prevalecer e VENCER no final de tudo. Apenas fica-se questionando do por que dessa dicotomia apavorante: a NATA da arte e da cultura brasileira reunida numa segunda-feira à noite na capital paulista pedindo LULA LIVRE, enquanto a sociedade e povo do país, quase como um todo, se deixando contaminar por uma ignorância abominável e monstruosa e se mostrando propensa a eleger como presidente um BOÇAL e BESTIAL herdeiro maldito da pior escrotidão (em todos os sentidos) que já houve na história do país, a ditadura militar. É isso mesmo que o brasileiro quer, ter como presidente um mentiroso, asqueroso, crápula, também escroque e pilantra (que enriqueceu como deputado federal durante 30 anos, nos quais não fez absolutamente NADA digno de nota como político) e que ainda por cima é homofóbico, racista e machista ao máximo. Só pra saber… Foi lindo o evento. E a melhor imagem do que rolou no Oficina, para resumir tudo, é a que está aí embaixo: Finaski (com sua amiga Silvia Fasioli) ao lado de um GIGANTE da história política nacional, um dos ÚNICOS políticos realmente DECENTES em grau máximo deste Brasil corroído pela corrupção. Ele mesmo, o “velhinho” mais fofo de todos e nosso eterno senador, a quem sempre daremos nosso voto. Um beijo no seu coração ever, Eduardo Suplicy!

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Finaski, sua amiga Silvia e o gigante (como político e como ser humano) Eduardo Suplicy (acima), no lançamento do livro “Lula Livre – Lula livro”, em São Paulo; abaixo no mesmo evento o senador, ladeado pelo diretor de teatro Zé Celso Correa e pela poeta Alice Ruiz

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***Mais Lula em livro – yep, outro lançamento em torno do ex-presidente Lula é “A verdade vencerá – o povo sabe por que me condenam”, volume editado pela Boitempo editorial e onde o ex-presidente concede uma enorme entrevista a um grupo de jornalistas, em bate papo organizado por Ivana Jinkings e Juca Kfouri, além de textos complementares escritos por Eric Nepomuceno e Rafael Valim. Vale muito a pena ler e tomar contato com uma radiografia textual isenta e escrita por gente séria e por alguns dos principais nomes do jornalismo brasileiro, para que se possa entender todo o imundo processo político golpista que segue em curso no país, às vésperas de mais uma eleição presidencial – talvez a PIOR eleição desde que o país se redemocratizou.

 

*** O BRASIL E O ROCK BR NO FUNDO DO ABISMO SEM FUNDO – Quando uma cadeia varejista de lojas como a gigantesca Americanas chega ao completo desplante de vender (pelo seu site) dois modelos de camisetas (um enaltecendo BolsoNAZI; outro contra Lula, o MELHOR presidente que este país já teve em pelo menos 50 anos), a conclusão é inefável: essa MERDA monstro chamada Brasil chegou mesmo ao fundo de um abismo que parece não ter nenhum fundo. E não só. Segundo reportagem da revista Carta Capital, olhem só a “inspiração” visual para os modelos: “as peças têm inspiração estética em BANDAS DE ROCK, como o modelo que imita a camiseta-símbolo do grupo punk RAMONES. Em vez do nome dos integrantes da banda, como no modelo original, consta o lema bolsonarista “Deus acima de todos / Brasil acima de tudo”. A águia americana, por sua vez, foi trocada por uma estrela com a data de proclamação da República”. Que DESASTRE e que nojo. Depois questionam por que o rock MORREU nessa porra horrenda de país cu tropical, não abençoado por NENHUM Deus (seja lá o que for Deus) e habitado por milhões de asnos, ogros, idiotas, imbecis, ignorantes, BURROS, conservadores, sem cérebro, reacionários, boçais e MEDIEVAIS no comportamento e pensamento. É esse povo triste, indecente, ordinário e bolsOTÁRIO que irá votar no “mito”. E boa parte desses JUMENTOS machistas, misóginos, racistas e homofóbicos é que empunham a BANDEIRA do rocknroll hoje em dia no bananão falido. Que triste fim pro Brasil e pro “roqueiro” brasileiro, jezuiz… (adendo: após a publicação da reportagem no site da CC, as lojas Americanas RETIRARAM da venda no seu site os tais modelos das camisetas. Menos mal…)

 

***A “INVASÃO” BRASILEIRA DO PÓS-PUNK INGLÊS DOS ANOS 80 – como este postão que você está começando a ler agora é especial e focado na vertente pós punk do rock mundial (seja o pós punk oitentista ou de bandas atuais, como o grande Interpol), não poderíamos deixar de mencionar a autêntica “invasão” que o estilo irá promover na terra brasilis entre setembro e dezembro vindouros. De modos que o blog zapper dá abaixo seu PITACO sobre as atrações que vêm aí, todas célebres no pós punk britânico dos anos 80.

 

***Peter Murphy e David J.: ou MEIO Bauhaus, que vão relembrar seus clássicos das tumbas em Sampalândia, dia 7 de outubro, no Carioca Clube. Pois então, os maiores morcegões trevosos da cena goth inglesa também celebram 4 décadas de sombras sonoras este ano. Tudo começou em 1978 e yep, sempre gostamos MUITO deles. Mas fato é que solo o vocalista Peter Murphy (uma BICHAÇA loka e das trevas que enlouqueceu garotos e garotas darks no auge do conjunto, lá por 1983) nunca funcionou e passou longe da genialidade musical conseguida quando ele estava junto com Daniel Ash (guitarras), David J. (baixo) e Kevin Askins (bateria). Vimos Pedro Morfético solo em sua primeira visita a Sampa, em fevereiro de 2009 (na finada Via Funchal). Na metade da gig Zapnroll já estava de saco cheio e rezando pra aquilo acabar logo. Agora vamos lá ver esse meio Bauhaus mesmo porque Peter, com mais de 60 anos nas costas, continua com o vocal super em forma e porque o show vai contemplar apenas Bauhaus em seu set. E além de tudo vai ser ótimo e bizarro encontrar aquele monte de gótico velhão e com a pança à mostra, todos reunidos no mesmo local e todos com capotões pretos, claro!

 

***Nick Cave: uma semana depois do meio Bauhaus, o gênio e já icônico Nick Caverna também aterrissa em Sampa, em 14 de outubro. Quase sessentão, Nick continua em plena forma e atividade e segue lançando discos ótimos. Esteve uma única vez no Brasil, em 1988 (lá se vão 30 anos…), e estas linhas online estavam naquele show, lá no saudoso ProjetoSP. Foi inesquecível. Agora vamos TENTAR ir novamente, porque credencial não iremos pedir (o show é produzido por aquele jornalista e “bloggero” pobreloader, hihi, de modos que…) e dindin pra comprar ingresso não tá fácil. Mas vamos verrrrr…

 

***New Order: totalmente DISPENSÁVEL a essa altura do campeonato. E sinceramente não dá pra entender porque tá todo mundo esperneando por conta do show único da banda este ano no Brasil, em SP, dia 28 de novembro. Na boa: quando aqui esteve pela primeira vez, também em 1988, o NO ainda estava no auge e fez uma apresentação histórica, memorável e inesquecível (o blog estava nela) no ginásio do Ibirapuera. Depois, entre paradas e retomadas da carreira, o grupo volto aqui em 2006 (também na saudosa Via Funchal), já não era nem em sonho mais ótima banda que tínhamos assistido ao vivo 18 anos antes mas a gig ainda assim foi razoável. Depois ainda assistimos os sucessores do Joy Division uma terceira vez, no Ultra Music Festival em São Paulo, em dezembro de 2011. Foi o horror total: o vocalista Bernard Sumner gordo (e sem pudor algum em ostentar a barrigona) e preguiçoso ao vivo (e sem voz também), a banda sem o baixista fodão e ícone que é Peter Hook e por aí foi. Conseguiram destruir a si próprios em uma versão ao vivo lamentável do ultra clássico “Blue Monday”, parecendo uma banda COVER de si mesma de quinta categoria. Este jornalista ficou realmente bodeado naquele show e só não saiu mais puto do estacionamento do Anhembi porque estava com uma credencial máster (de jornalista) pendurada no pescoço e que o permitiu ir na área vip open bar, onde tomou todo o whisky que pôde com energy drink. Moral da história: o zapper saiu completamente alucicrazy do festival e foi VOANDO atrás de cocaine, claaaaaro! Bien, depois disso a Nova VELHA Ordem ainda voltou pra cá (o grupo já tinha virado carne de vaca) no Lollapalooza BR 2014 e literalmente CAGAMOS pra assisti-lo ao vivo novamente. Yep, em estúdio o conjunto segue ok (“Music Complete”, lançado em 2015, é bem bom), mas ao vivo vamos passar bem longe pois achamos (achamos não, temos certeza) de que não vale mais a pena. A não ser que você nunca tenha visto eles ao vivo. Aí quem sabe…

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Bauhaus (pela metade, no caso da gig brazuca) e Nick Cave (acima), e New Order e Morrissey (abaixo): todos eles vêm ao Brasil entre setembro e dezembro

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***Morrissey: ah, a velha bexa dos Smiths de volta ao Breeeziiilll… e daí. Daí que Morrisséia está cada vez mais rabugenta e chata com o avançar da idade. Se ainda está em forma em cima de um palco, não sabemos. Os Smiths são uma das 5 bandas da nossa vida (ever) e vimos Moz uma única vez ao vivo e solo, quando ele esteve aqui pela primeira vez em 2000 (lá no finado Olympia SP). Foi lindão, inesquecível e depois nunca mais conseguimos vê-lo novamente on stage. Até queríamos ir esse ano novamente (seu último cd solo dá pro gasto) mas o foda é que na mesma noite do show (2 de dezembro) vai ter também em Sampa L7 com Pin Ups. E vamos preferir ir no segundo.

 

***Fora essa autêntica “invasion” pós punk inglesa dos 80, ainda vai rolar Kasabian (setembro, 30), Peter Hook (dia 10 de outubro, e talvez valha mais a pena ver ou rever este do que o New Order), Franz Ferdinand (outubro, dia 12, mas esse também já deu, né), Noel Gallagher (ainda a confirmar) etc. A pergunta é: quem tem dinheiro pra ir em tudo isso, rsrs. O autor deste blog definitivamente não tem, rsrs.

 

***Não esquecendo: é já em outubro a mega e oficial festa de quinze anos do blog de cultura pop e rock alternativo mais legal da web BR. Vão ter showzaços do The Dead Rocks e do Saco De Ratos. E depois ainda vai ter after party com dj set do blog no Clube Outs, o open bar rocker mais infernal do baixo Augusta SP. Tudo no dia 19 de outubro, sexta-feira, wow! Logo menos a gente divulga aqui o local onde irão rolar os shows, pode esperar!

 

***E antes que o blog esqueça: a primeira tiragem do livro “Escadaria para o inferno” está quase esgotada. Restam poucos exemplares à venda na loja virtual do site da editora Kazuá. De modos que se você ainda não comprou o seu exemplar, vai JÁ aqui e faz seu pedido: http://www.editorakazua.net/prosa/escadaria-para-o-inferno-de-humberto-finatti.

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***E mais notinhas irão entrar aqui na Microfonia ao longo da semana vindoura. Mas por enquanto vamos já direto ao ponto e ao que interessa aí embaixo: o novo discão daquele que ainda é o grande nome do pós punk dos anos 2000, o trio americano Interpol. Bora lá!

 

 

AUSENTE HÁ QUATRO ANOS DOS ESTÚDIOS, O GOTH E INDIE NOVA IORQUINO INTERPOL RETORNA COM TALVEZ SEU MELHOR ÁLBUM DESDE A ESTREIA DA BANDA

Das zilhões de bandas que surgiram no chamado “new rock” (ou indie rock alternativo) na virada dos anos 2000, uma das que Zapnroll mais gosta (e sempre gostou, e continua gostando) é o nova iorquino Interpol. Em tempos em que o rock praticamente MORREU (aqui e lá fora também), em que grupos surgem e desaparecem na velocidade de um bólido e onde conjuntos novos, por melhores que sejam, não conseguem encontrar espaço para mostrar seu trabalho e muito menos público JOVEM interessado em ouvir sua música (esqueça: a pirralhada OGRA e BURRONA da era da web detesta fazer esforço mental, odeia música que a obriga a PENSAR e AMA música total irrelevante e mega RASA em sua construção, daí a ascensão irresistível e implacável do popão eletrônico e R&B pasteurizado lá fora, e do funk, axé e sertanojo aqui no bananão), o agora trio (ainda integrado pelo fundador, o vocalista, baixista e guitarrista Paul Banks, pelo também guitarrista Daniel Kessler e pelo batera Sam Fogarino) está resistindo bem ao tempo: foi fundado em 1997 e lançou seu primeiro álbum (o espetacular “Turn On The Bright Lights”) 5 anos depois, em 2002. E além de resistir bem ao tempo o grupo ainda está em grande forma e acaba de lançar aquele que talvez seja seu melhor trabalho de estúdio desde sua estreia em disco, há dezesseis anos. “Marauder”, o sexto álbum de músicas inéditas do Interpol, chegou ao mercado (nos formatos físico e virtual) na semana passada e não apenas traz de volta as ambiências sonoras sombrias engendradas pelo conjunto em sua estreia, como faz isso através de melodias dançantes e envolventes e também com guitarras abrasivas e poderosas. Já é provavelmente um dos grandes lançamentos de 2018, no que ainda resta de relevante no rock mundial.

E por que estas linhas zappers gosta tanto do Interpol não é nenhum mistério. O blog sempre apreciou muito os vocais sombrios de Banks (que emulam quase à perfeição Ian Curtis) e a ambiência pós punk (circa 1980,1983) sinistra deles, bem na linha do Joy Division. Com um detalhe: mesmo EMULANDO tudo isso o Interpol sempre soou muito convincente e REAL em sua sonoridade, algo difícil de se ver no rock atual, ou no que ainda resta dele. Sim, a banda cometeu deslizes. O autor destas linhas bloggers não gosta do segundo disco deles, o “Antics”. E os três que vieram na sequencia eram ok, mas longe de reeditar o brilhantismo sonoro obtido em sua estreia. De qualquer forma, assistimos a um SHOWZAÇO deles em Sampa, na finada Via Funchal (em março de 2008, há mais de uma década, sendo que eles voltariam ao Brasil por mais duas vezes, em 2011 no extinto festival Planeta Terra, e depois em 2015 no Lollapalooza BR), quando a saudosa casa de espetáculos da capital paulista lotou e a banda brindou o público com uma gig acachapante em sua potência e energia no palco. De modos que sempre ficamos na torcida para que o conjunto voltasse ainda com um grande álbum.

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Capa do novo Interpol: discão!

Pois este retorno com este grande álbum finalmente se materializou em “Marauder”. Em suas treze faixas (sendo duas vinhetas curtas, batizadas de “Interlude I e II”) e pouco mais de quarenta e quatro minutos de duração, o trio reedita finalmente as nuances sombrias (em alguns momentos, quase sinistras) porém dançantes que marcaram o seu hoje já clássico primeiro cd. São melodias aceleradas e construídas com guitarras poderosas e que cativam o ouvinte já nas primeiras audições, o que fica evidente nas quatro primeiras canções do disco (“If You Really Love Nothing”, “The Rover”, “Complications” e “Flight Of Fancy”). “If You…”, que abre o disco, inclusive possui uma letra de consistência poética belíssima e ultra densa (veja a tradução mais abaixo, neste mesmo post) e acabou se transformando no terceiro single do novo trabalho, com direito a um espetacular vídeo de divulgação e onde a atriz deusa loira e XOXOTAÇO Kristen Stewart faz a loka, deitando e rolando com vários homens em um bar onde tudo acontece (duas garotas se beijando, povo loko bebendo Jack Daniel´s no gargalo etc, etc.), enquanto o Interpol surge tocando entre sombras e escuridão quase plena. Melhor impossível!

Há mais do mesmo nível na sequência, sendo que o disco mantém sua qualidade até o final da audição. Ok, ele poderia ser mais econômico e sucinto, com menos faixas e menor duração. Mas não há nada nele que comprometa o prazer, cada vez mais raro nos dias que correm, de se escutar um álbum quase perfeito do começo ao fim. No caso deste “Marauder”, cuja musicalidade nos remete diretamente à Londres do início dos anos 80 (em especial nas muito darks “Stay In Touch”, “NYSMAW” e “Surveillance”), esta quase perfeição sônica além de oferecer grande satisfação a quem a escuta ainda desvela que o Interpol, aos vinte e um anos de existência e com um front man ainda relativamente jovem (Paul Banks fez quarenta anos de idade em maio passado), poderá se manter em forma ainda por alguns anos, impedindo que (e sem trocadilho aqui) o triste rocknroll da estúpida era da web feneça de vez.

 

 

O TRACK LIST DE “MARAUDER”

1.”If You Really Love Nothing”

2.”The Rover”

3.”Complications”

4.”Flight of Fancy”

5.”Stay in Touch”

6.”Interlude 1″

7.”Mountain Child”

8.”NYSMAW”

9.”Surveillance”

10.”Number 10″

11.”Party’s Over”

12.”Interlude 2″

13.”It Probably Matters”

 

 

O DISCO PARA AUDIÇÃO AÍ EMBAIXO, NA ÍNTEGRA

 

 

E O TERCEIRO SINGLE, COM ÓTIMO VÍDEO PARA “IF YOU REALLY LOVE NOTHING”

 

 

UMA LETRA DO DISCO

 

“If You Really Love Nothing”

 

Se você realmente ama nada

Em que futuro construímos ilusões

Se você realmente ama nada

Nós esperamos em glória silenciosa

Se você realmente ama nada

Que parte da traição você quer negar?

 

Quando eu encontrar minha casa

A próxima artéria

Esplêndido eu sangro toda a minha vida

Então é provavelmente um beijo

Adeus então

 

Se você realmente ama nada

Todo mundo é inventado

Todo mundo está perdendo

Se você realmente ama nada

Vamos dormir na glória silenciosa

Se você realmente ama nada

Como você pode estar lá

Você poderia simplesmente deixar para sempre

 

Quando eu encontrar minha casa

A próxima artéria

Esplêndido eu sangro toda a minha vida

Então é provavelmente um beijo

Adeus então

 

Você pode traçar um buraco no seu vestido

 

Respiração é ótima

Lendo lembrar

A classificação final da semana

Melhor que sete outros homens

Imprudente das mulheres que quebram a dimensão

Eu sei que você poderia simplesmente partir para sempre

 

Quando eu encontrar minha casa

A próxima artéria

Esplêndido eu sangro toda a minha vida

Então vai ser um beijo de despedida então

 

Você pode traçar um buraco no seu vestido

E me dê adeus e um beijo

Eu vejo você traçar esse buraco no seu peito

Me dê um tchau e um beijo

 

 

HÁ 40 ANOS SURGIA NA CIDADE INGLESA DE LIVERPOOL (TERRA DE UNS CERTOS BEATLES) ECHO & THE BUNNYMEN, UM DOS MAIORES NOMES DO PÓS PUNK DOS ANOS 80 E DE TODA A HISTÓRIA DO ROCK MUNDIAL

Ninguém discorda de que o quarteto pós-punk inglês Echo & The Bunnymen foi um dos maiores nomes do rock britânico dos anos 80 e de toda a história do rocknroll mundial. Por pelo menos quase uma década (de 1980 até meados de 1988) a banda que em sua formação original e clássica tinha o sublime vocalista Ian McCulloch, o gigante (na qualidade e técnica instrumental) guitarrista Will Sergeant, e os ótimos Les Pattinson (no baixo) e Pete De Freitas (na bateria), reinou absoluta na Velha Ilha e foi aclamada unanimemente pela imprensa e pelos fãs. Foi nesse período de oito anos que o Echo lançou seus cinco primeiros e imbatíveis álbuns de estúdio, onde uma combinação de melodias e harmonias aceleradas e herdadas da simplicidade punk, se unia a ambiências psicodélicas e melancólicas egressas do melhor rock feito nos anos sessenta (com fartas referências e eflúvios de Beatles, Rolling Stones e The Doors), tudo dando suporte para as letras memoráveis (em sua construção poética) escritas por McCulloch. Se depois de 1988 e até hoje o grupo lançou uma série trabalhos sofríveis e que nem de longe lembram seu passado inicial e glorioso, não importa. Tampouco o fato de que da formação original só restam Will e Ian. Mas daqui a exatos dois meses Echo & The Bunnymen estará completando quarenta anos de existência. E nesse período ele já deixou inscrito para a eternidade seu nome entre aqueles que construíram com maestria e encantamento máximo a grande e imortal história do rock mundial.

Tudo começou em Liverpool (a cidade inglesa terra de uns certos Beatles) por volta de 1977, quando o então adolescente Ian McCulloch começou a cantar em um grupo local chamado Crucial Tree (considerado por muitos pesquisadores e estudiosos do rock inglês do período como sendo quase tão excepcional em sua musicalidade quando o Echo seria alguns anos depois). O grupo, no entanto, teve curta existência e logo McCulloch se juntou ao guitarrista prodígio Will Sergeant e ao baixista Les Pattinson, para formar o Echo & The Bunnymen – em tradução literal, “Echo & Os homens coelho”. E que foi batizado assim por, no princípio, não ter um baterista humano – o trio fazia seus registros sonoros acompanhado de uma bateria eletrônica, a Echo. Foi com essa formação e com a bateria eletrônica no fundo do palco que o conjunto fez sua estreia em novembro de 1978, em uma apresentação no Eric Club em Liverpool. É o marco zero da trajetória dos coelhinhos.

Daí em diante a fama do trio foi crescendo rapidamente, em função de suas ótimas composições e apresentações ao vivo. Quando a banda assinou com o selo Zoo Records e lançou seu primeiro single, “Pictures On My Wall”, em maio de 1979, a aclamação da imprensa britânica foi instantânea. Em julho do ano seguinte e já contando com o baterista Pete De Freitas em seu line up o Echo fez sua estreia em LP, editando o a um só tempo barulhento, climático e psicodélico “Crocodiles”, hoje considerado um clássico na discografia da banda. Nova aclamação da crítica, com a legião de fãs aumentando rapidamente e de maneira espantosa. Não parecia haver limites para a genialidade sonora do Echo & The Bunnymen.

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Os “Coelhinhos” em seu auge, no início dos anos 80 (acima); abaixo Ian McCulloch também nos anos 80, destruindo nos vocais ao vivo

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Nos anos seguintes e até por volta de 1988, o quarteto se manteve no topo em tempo integral. Lançou mais quatro álbuns impecáveis da primeira à última música de cada um deles e rodou o mundo com seu show, aportando pela primeira vez no Brasil em maio de 1987, para cinco apresentações inesquecíveis e sold out em São Paulo, além de tocar também no litoral paulista (na cidade de Santos) e no Rio De Janeiro. E quando retornou à Inglaterra, começou sua fase descendente. Primeiro o baterista De Freitas morreu em um acidente de moto em Londres, em 1989. Logo em seguida Ian McCulloch decidiu largar os Bunnymen para seguir em carreira solo. O que sobrou do Echo decidiu seguir em frente, lançando em novembro de 1990 o inexpressivo disco “Reverberation”, onde os vocais ficaram por conta do desconhecido Noel Burke. O trabalho foi um retumbante fracasso, tanto comercial quanto perante à rock press. E assim determinou o fim da primeira fase do conjunto, já que Will e Ian se reuniram novamente mas sob outro nome, Electrafixion, lançando um único e ótimo cd em 1995, intitulado “Burned”. O álbum era muito bom (contava inclusive com a participação especial do ex-guitarrista dos Smiths, Johnny Marr) mas nem de longe vendeu o que os primeiros discos dos Bunnymen venderam.

Foi quando Will Sergeant e Ian McCulloch tiveram a infeliz ideia de voltar novamente como Echo & The Bunnymen. Com Les Pattinson novamente no baixo, o grupo lançou “Evergreen” em 1997. Um disco sofrível que inaugurava a segunda encarnação do conjunto, e que perdura até os dias atuais. Desde então a banda lançou mais seis trabalhos inéditos de estúdio, alguns razoáveis (como “Flowers”, de 2001, e “Siberia”, editado em 2005) mas a maioria demonstrando que aquele grupo de musicalidade absolutamente impecável e gloriosa dos anos 80, não mais existia. Além disso o baixista Pattinson abandonou definitivamente o grupo em 1999, e a voz outrora trovejante de Ian (que se tornou famoso pelo apelido de Big Mac) havia desaparecido, destruída por décadas de consumo de álcool, tabaco e drogas variadas. Por fim o conjunto acabou se tornando carne de vaca e figurinha carimbadíssima no Brasil: voltou novamente pra cá em 1999 (na turnê do fraquíssimo cd “What Are You Going To Do With Your Life”), em gig realizada na saudosa casa paulistana Via Funchal. No ano seguinte Ian voltou retornou ao país, em tour solo. Em 2002 o grupo fez nova aparição por aqui (na mesma Via Funchal) e aí não parou mais de excursionar na terra brasilis, tocando por diversas vezes em São Paulo no extinto Credicard Hall (atual Citibank Hall). E claro, a cada nova visita as performances ao vivo decaiam de qualidade a olhos vistos.

Zapnroll no entanto, sempre teve amor por aquele quarteto pós punk fantástico dos anos 80 e que lançou ao menos cinco LPs que podem figurar tranquilamente entre os cinquenta melhores de toda a história do rock (“Ocean Rain”, de 1984 e o preferido deles destas linhas rockers, está eternamente na nossa lista dos dez melhores álbuns de rock de todos os tempos). E por ter devotado esse imenso amor ao conjunto é que o acompanhou muito de perto durante toda a década de 80 e também na de 90, ouvindo os discos, assistindo a vários dos shows brasileiros e entrevistando os coelhinhos em algumas das coletivas dadas por eles aqui. Momentos em que a banda fez parte essencial da vida do autor destas linhas bloggers e que inclusive renderam algumas histórias bastante divertidas (leia mais abaixo, nesse mesmo post). E agora, ao rememorar as quatro décadas de existência do Echo & The Bunnymen, este jornalista se dá conta de que o tempo avança e não perdoa mesmo ninguém. Nem mesmo artistas, músicos e bandas. Talvez os Bunnymen já devessem ter se aposentado há anos, preservando um passado irretocável e que nunca mais irá voltar. Preferiram continuar, mesmo que flertando cada vez mais com a decadência irrefreável. Não importa: os cinco primeiros e inesquecíveis LPs daquele grupo que um dia surgiu em Liverpool e encantou o mundo para sempre, estarão em nossos corações igualmente para sempre e da mesma forma: encantando ad eternum quem quiser os escutar.

 

 

ECHO & THE BUNNYMEN – UMA ANÁLISE DA TRAJETÓRIA DISCOGRÁFICA DA BANDA

 

Por Valdir Angeli, especial para Zapnroll

 

Conheci o Echo & The Bunnymen meio por acaso, lá pela virada de 1984 para 85. Por essa época eu, normalmente ávido por novidades no âmbito do rock e do pop, vinha ouvindo um bocado de Talking Heads, tinha conhecido o Prince, já tinha adquirido os novos lançamentos do Frank Zappa e do David Bowie (deste último o, para mim, fraco ‘Tonight’), mas achava que o rock estava precisando de uma boa sacudida; na verdade, o que eu achava que estava faltando já existia, mas eu ainda não tinha entrado em contato com o que as novas bandas inglesas – notadamente as de Manchester e Liverpool – andavam fazendo há algum tempo. Quase sem querer, folheando o jornal diário paulistano Estadão, dei de cara com um artigo no Caderno 2 (nota do editor do blog: caderno de variedades do diário e onde o jornalista zapper se tornaria repórter e colaborador anos depois, em 1988, integrando a lendária equipe da página de música editada por Luis Antonio Giron, e que tinha textos assinados por gente do calibre de Fernando Naporano e do saudoso Kid Vinil) sobre o lançamento no Brasil do último disco de um grupo de Liverpool de quem eu nunca tinha ouvido falar, um tal de Echo & The Bunnymen. Interessei-me de cara pelo conjunto, não só pelos elogios a ele contidos no tal artigo, mas também por sua procedência; afinal, se em tempos idos Liverpool tinha sido o berço do merseybeat e o Estadão elogiava tanto uma banda nova vinda de lá (infelizmente não me recordo quem era o articulista), coisa ruim ela não deveria ser, pensei. Movido pela curiosidade, adquiri às cegas logo em seguida o tal disco, o ‘Porcupine’, terceiro álbum por eles lançado, em uma das minhas regulares visitas à lendária Galeria do Rock, até hoje localizada no centro de São Paulo e um dos “points” rockers mais conhecidos do Brasil. A princípio não fiquei nem um pouco animado com o que ouvi, achei estranha e meio desagradável aquela maçaroca de guitarras tocando contra um arranjo de violinos que, segundo o que eu tinha lido no jornal (o disco nacional que eu comprei não trazia sequer ficha técnica) eram do violinista Lakshminarayana Shankar, que já havia colaborado com Peter Gabriel e John McLaughlin. Mesmo assim, gostei muito de uma faixa, chamada “Gods Will Be Gods”, e graças a ela em vez de tentar devolver o disco na loja ou encostá-lo num canto, resolvi repetir um procedimento que eu já havia feito anteriormente, com o álbum ‘Wonderwall’, do George Harrison, e com o ‘Whistle Rymes’, do John Entwistle, baixista do The Who, dois discos que, graças à minha persistência em ouvi-los após uma decepção inicial, acabaram se tornando praticamente dois discos de cabeceira pra mim. Minha ideia deu certo, de fato concluí que os caras desse tal Echo eram bons mesmo, como o artigo informava. Semanas depois, um amigo meu, do circuito das lojas de discos que eu freqüentava, jogou em minhas mãos uma fita cassete com gravações de grupos diversos (entre as quais fiquei conhecendo outras bandas do tal “pós-punk” inglês), contendo no meio duas das músicas do ‘Porcupine’, “The Cutter” e “The Back Of Love”, porém em suas versões de compacto, com arranjos bem diferentes e, aos meus ouvidos, muito melhores, e mais uma inédita dos Bunnymen, o “Never Stop (Discotheque)”, que de imediato me deixou encantado com seu arranjo cheio de cellos, toques em pizzicato e outros detalhes e ambiência que lembravam, e muito, aquela outra antiga banda de Liverpool; esse mesmo amigo também me fez ouvir um exemplar importado do ‘Porcupine’, através do qual pude perceber que muito do meu desencanto inicial com o long-play era fruto da péssima prensagem da edição nacional, cortesia da EMI-Odeon, que era quem, na época, prensava os lançamentos da Warner (distribuidora da Korova, a gravadora  do grupo) por aqui. “Ah, então era isso…! Acho que vou ter que ouvir mais coisas desses caras…”

Demorou mais alguns meses para sair no Brasil o álbum seguinte do Echo, mas nesse meio tempo um outro amigo me emprestou um compacto de doze polegadas deles, que tinha “The Killing Moon” nas versões “standard” e estendida, e mais uma gravação ao vivo sensacional, “Do It Clean”, que me fez conhecer outra faceta da banda, a porrada que era uma gravação ao vivo deles. Foi então, com grande ansiedade, que adquiri logo que saiu aqui ‘Ocean Rain’, quarto disco da banda. E como era de se esperar, caí de amores por ele logo na primeira audição (pois é, a prensagem nacional desse já era bem melhor). Passei a ouvir direto “Silver”, “Seven Seas”, “Crystal Days”… Era fantástico!

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“Crocodiles”, 1980

Um nada de tempo depois disso consegui, escarafunchando várias lojas especializadas, achar dois álbuns importados da banda, os quais comprei sem perda de tempo: ‘Heaven Up Here’, que continha as excelentes “A Promise” e “Over The Wall”, e logo em seguida o disco de estreia deles, ‘Crocodiles’, um álbum mais cru e básico, onde estava a versão original do “Do It Clean” (esse disco que eu achei era a versão americana; a inglesa não contém essa faixa) e as absurdas de boas “Rescue” e “Villiers Terrace”, além do “Read It In Books”, composição oriunda da banda anterior do cantor Ian McCulloch, banda essa que também contava com os geniais Julian Cope  e Pete Wylie.

A seqüência dos acontecimentos ia meio que em banho-maria até que, lá pelo final de 1985, após grande demora, surgiu mais um compacto deles na praça, o “Bring On The Dancing Horses” que, além de trazer no lado principal uma música de qualidade e que mantinha em alta o nível da banda, ainda continha no seu lado dois duas faixas das quais uma em particular, “Bedbugs And Ballyhoo”, acabou virando uma das minhas preferidas de sua obra para todo o sempre. Logo após, foi anunciado que o baterista, Pete De Freitas, havia deixado a banda.

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“Heaven Up Here”, 1981

Paralelamente no passar de todos esses meses, fui conhecendo outras bandas do tal “pós-punk” inglês como, entre outras, The Cure, Joy Division e sua continuação New Order, The Smiths, Bauhaus, Dead Can Dance, Siouxsie & The Banshees e, naturalmente, comecei a enquadrar os Bunnymen como parte integrante desse contexto; a partir daí, meu conceito a respeito do Echo foi se tornando mais relativo e minhas expectativas em relação à banda foram ficando mais exigentes e, como conseqüência disso, a forma de eu enxergar os discos do conjunto começou lentamente a mudar, fazendo com que eu, dia a dia, cada vez mais questionasse a sua música  (a do ‘Ocean Rain’ em particular), até que eu, por fim, não mais estava achando que o trabalho do grupo pudesse ser algo comparável a, por assim dizer, “a arte dos deuses”. Eu já começava, como hoje vejo com mais clareza, a olhar, se não a totalidade da obra do Echo, ao menos o ‘Ocean Rain’ – apesar de eu até hoje reconhecer entre suas faixas uma obra prima atemporal meio subestimada, o”Nocturnal Me”, carregada que é de elementos góticos e sombrios, pouco comuns no repertório do grupo –, suas composições, arranjos  e interpretações, quase como um esnobismo, uma coisa pretensiosa, como se esse disco fosse uma forma de auto-afirmação desnecessária – e até exagerada, eu acrescento – em sua desesperada tentativa de emular os Beatles e os Doors, referências onipresentes, quem sabe para tentar provar a todos (e talvez até a si próprios) o quanto eles eram superiores, como se eles pertencessem a uma casta acima da das demais bandas – a campanha do lançamento do ‘Ocean Rain’ anunciava ser esse “o maior álbum já gravado até então”.

Embora por conta disso meu entusiasmo pelo conjunto tivesse diminuído um pouco, nada impediu que em 1987, na ocasião em que foi anunciada a vinda da banda para apresentações no Brasil (e, melhor ainda, com o retorno do “portuga” De Freitas às baquetas), eu fosse um dos primeiros a entrar na disputada briga para adquirir um ingresso para os shows que ocorreriam no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo, parte da turnê brazílica do  grupo. Consegui ir ao evento em duas noites, nos dias 12 e 15 de maio, e fiquei cara a cara com os gajos que ficaram bem na frente de meus olhos esbugalhados, com o direito de testemunhar o McCulloch tragando copos e copos de caipirinha entre uma música e outra, e de verificar “in loco” a exímia performance do “portuga” na bateria, além de tudo mais que, atônito, consegui captar no momento, incluindo execuções inéditas de faixas que fariam parte do lançamento que eles estavam prestes a fazer.

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“Porcupine”, 1983

E no final de julho desse mesmo ano esse esperado álbum (sem título, apenas ostentando o nome do grupo, talvez em mais uma alusão aos Beatles, que lá pelas tantas também haviam lançado um disco apenas com o seu nome, chamado informalmente de “album branco”) foi lançado, carregando a honra de ter em duas faixas a presença do próprio Ray Manzareck, dos Doors, como tecladista convidado. Uma delas, uma equivocada releitura, no meu modesto entender, de “Bedbugs  And Ballyhoo”, que se revelou uma escolha infeliz mas acabou tendo mais sucesso entre o público que a versão original; a outra em compensação, “Blue Blue Ocean”, para mim (não sei sei até hoje se por conotações emocionalmente fortes para mim na época ou pela sua mera excelência) foi outra das que estarão entre as minhas preferidas do grupo para sempre. No geral o álbum – que teve como hits (inclusive por aqui) “Lips Like Sugar” e “The Game” – foi bem recebido pelo público, principalmente nos Estados Unidos, se bem que não tanto pela crítica, e foi o primeiro a apresentar entre os convidados, além do Ray Manzareck, músicos como Jake Brockman, que faria parte de posteriores encarnações da banda; também foi o último a contar com as baquetas de Pete De Freitas, vítima fatal em um acidente de moto em 1989.

Uma tentativa de reformulação da banda após a morte do baterista e, para surpresa de todos, após a saída de McCulloch, que optou por seguir carreira solo, não chamou a atenção de ninguém. Nem a minha na época, embora hoje eu reconheça que ‘Reverberation’, o único álbum lançado por essa nova formação, que contou com Noel Burke nos vocais, até tinha lá suas qualidades, só não vingando devido à enorme carga que o nome da banda carregava consigo. Pouco tempo se passaria e logo McCulloch e o guitarrista Will Sergeant já estavam novamente experimentando algo juntos, formando uma banda que levava o nome de Electrafixion (e ainda por cima contando com a colaboração do Johnny Marr, dos Smiths), algo ao meu ver bem mais animador, a julgar por um álbum e uma caixa de compactos com registros ao vivo colocados no mercado; pena que o projeto não vingou…

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“Ocean Rain”, 1984

Com a entrada do baixista original do Echo, o Les Pattinson, no que sobrou do Electrafixion (a dupla McCulloch/Sergeant) o mundo viu em 1997 o renascimento do Echo & The Bunnymen com o disco ‘Evergreen’, cuja capa lembrava muito – sei lá se propositadamente ou não – a do primeiro LP, o ‘Crocodiles’. Um álbum que se não era lá tão digno de comparação com a sua obra anterior, ou não tinha tudo o que eles ainda poderiam render àquela altura do campeonato, ainda oferecia um resto de gás que os caras tinham em estoque e até tinha seus bons momentos, e acabou caindo bem em minhas memórias afetivas, em grande parte por conta de um feriado prolongado que passei em companhia de minha então namorada – atual esposa – em Campos de Jordão, do qual o disco foi a trilha sonora (curiosamente minha mulher, normalmente interessada em música brasileira e new age, acabou se tornando fã da banda); o que pouca gente sabe é que logo depois de seu lançamento, ‘Evergreen’ teve uma tiragem limitada contendo um CD bônus, de subtítulo ‘History Of The Peel Sessions 1979-1997’, que trazia gravações feitas pelo grupo através de todos esses anos para a BBC, no programa do lendário John Peel, muitas delas até melhores que as versões originais, uma tetéia!

E daí pra frente eles tentaram… tentaram…  A partir do horrendo ‘What Are You Going To Do With Your Life?’, de 1999 (no qual o Les Pattinson tocou apenas em uma faixa antes de pular fora de novo – esse aí ao menos deve ter pensado direito no que fazer da vida), eles lançaram, até agora, mais seis discos (um deles, aliás, ao vivo, onde o coitado do Ian só consegue estragar as músicas antigas com sua voz totalmente comprometida pela bebida e pelo cigarro, algo só comparável ao Bob Dylan atual) que não acrescentam absolutamente nada ao que de bom eles fizeram no passado.

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“Echo & The Bunnymen”, 1987

 

Se, no final das contas, o Echo & The Bunnymen não conseguiu ser a maior banda surgida no “pós-punk” inglês ou quase não chega a ter relevância e influência hoje em dia, eles podem ainda se orgulhar de ter sido uma das grandes bandas dos anos oitenta, uma época em que, ao menos para mim, foi feita a melhor música dento daquilo que se entende por rock, música até mesmo melhor do que o que foi lançado nos cultuados anos sessenta, com todos os seus ídolos sagrados…

 

(Valdir Angeli, 64, é fã do Echo & The Bunnymen, além de colecionador e pesquisador de rock; se formou em Publicidade na Eca-Usp)

 

 

TODOS OS DISCOS DOS HOMENS COELHO

Crocodiles (1980)

Heaven Up Here (1981)

Porcupine (1983)

Ocean Rain (1984)

Echo & the Bunnymen (1987)

Reverberation (1990)

Evergreen (1997)

What Are You Going to Do with Your Life? (1999)

Flowers (2001)

Siberia (2005)

The Fountain (2009)

Meteorites (2014)

The Stars, The Oceans & The Moon (2018, será lançado oficialmente no próximo dia 5 de outubro)

 

Mais sobre a banda aqui: http://www.bunnymen.com/. E aqui também: https://www.facebook.com/thebunnymen/.

 

DOIS “COELHINHOS” (WILL SERGEANT E LES PATTINSON) JUNTOS EM POLTERGEIST – O FENÔMENO, OU OS FANTASMAS SE DIVERTEM!

 

Alex Sobrinho, especial para Zapnroll

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A dupla Poltergeist, formada pelos Bunnymen Will Sergeant (guitarras) e Les Pattinson (vocais)

 

Os puristas afirmam que o Echo & The Bunnymen acabou em 1987. Discordo somente da data: o correto seria 1997, com o disco “Evergreen”, a última vez que os três membros originais trabalharam juntos, literalmente, na composição de todas as faixas. O baixista Les Pattinson caiu fora de baixo e cuias reclamando em entrevistas que o vocalista “estava  reciclando canções solo” nos discos do Echo. Essa reciclagem pode ser ouvida no cd “What Are You Going to Do with Your Life?” (de 1999, nas faixas  “Lost on You” e “Rust”,  derivadas de “Birdy” e “Ribbon & Chains”,  presentes  no compacto “Lover, Lover, Lover”, de1992 e cover  de Leonard Cohen).

E de 1999 a 2014 vieram à tona mais cinco discos a cargo da dupla Ian McCullouch e Will Sergeant que pouco acrescentam a discografia da banda. À exceção de alguns lados B de singles, o ao vivo registrando a tour do “Ocean Rain” com orquestra que esteve no Brasil em 2010 e o EP “Avalanche” com recriações dos clássicos “Silver” e “All My Colours”. O mesmo expediente vai ser utilizado no disco a ser lançado em outubro deste ano (provando que coelho velho não aprende truque novo).

Will Seargent já tinha uma carreira solo iniciada 1978 e lançado um excelente disco influenciado pela música eletrônica chamado “Curvature of the Earth” – em 2004, com o projeto Glide. O fã que por acaso tenha torcido o nariz para os últimos trabalhos do Echo se sentirá recompensado logo na primeira audição.                                                                                   Já Les Pattinson seguiu seu caminho pondo itens dos mais variados de sua trajetória com os Bunnymen em leilão e se dedicou a fabricação de barcos. Só saiu de exílio musical atendendo ao chamado de velho companheiro Wiil Seargent para colaborar no projeto ‘Poltergeist”, que a dupla criou em 2012 e que lançou apenas um único álbum até o momento, editado em março de 2013 (lá se vão cinco anos…).

A bolacha se chama “Your Mind is Box (Let Uss Fill It Wonder)”. A sensação é de que a dupla de amigos resolveu despejar a criatividade represada pelo tempo de separação musical e virar o ouvinte pelo avesso e levá-lo para uma viagem a outra dimensão já nos primeiros acordes.

As guitarras do Will nunca estiveram tão livres e desconcertantemente geniais ao longo das oito faixas desde, desde quando mesmo… rsrs. Desde o “Curvature of The Earth” – Glide, o único paralelo possível. Logicamente é preciso dizer que o baixo de Les Patinson vem matador, pulsando nervoso quase explodindo as caixas de som ou seus ouvidos (caso ouça com fones; recomendável) em simbiose perfeita com bateria do desconhecido Nick Kilroe. Um ouvinte ocasional do disco o recomendaria aos amigos mais descolados. Já alguns fãs dos Bunnymen ficariam imaginando “ah se tivesse vocais!”. Afirmo que é desnecessário.

 

(Alex Sobrinho, além de dileto amigo zapper há anos e radialista em Colatina, Espírito Santo, também é fã FANÁTICO pelo Echo & The Bunnymen)

(e adendo do editor do blog, ouvindo agora o projeto de Will Sergeant e Les Pattinson no Spotify: melhor do que qualquer álbum que os Bunnymen gravaram de 1990 pra cá. Lembra total o Echo do início, especialmente em “Heaven Up Here” e “Porcupine”, mas sem vocais. E nem precisa!)

 

 

MINI DIÁRIO SENTIMENTAL – O JOVEM JORNALISTA ZAPPER, O ECHO & THE BUNNYMEN E A SAMPA PÓS PUNK DOS ANOS 80 E 90

***Descobrindo os Coelhinhos – Zapnroll conheceu o Echo & The Bunnymen por volta de 1983, quando o grupo lançou seu terceiro disco, o espetacular “Porcupine” (álbum sombrio e GÉLIDO em suas ambiências pós-punk). O LP foi lançado naquele ano no Brasil e o jovem Finas (com vinte aninhos de idade apenas), que havia tomado conhecimento da existência do grupo através de matérias publicadas no caderno Ilustrada, do diário paulistano Folha De S. Paulo (e assinadas pela então lenda do jornalismo cultural, mr. Pepe Escobar), foi atrás de um exemplar. Não conseguiu encontrar nas lojas onde procurou e acabou desencanando de adquirir o tal disco. Daí pra frente começou a escutar músicas do conjunto na programação noturna da rádio 97fm (localizada na cidade de Santo André e possivelmente a primeira rádio rock do Brasil), e começou a ficar literalmente apaixonado pelo som do Echo. Um ano depois também saiu no Brasil o quarto trabalho da banda, o mega clássico “Ocean Rain”. Finaski foi na Galeria Do Rock (que já existia) e achou o LP por lá, juntamente com o “Porcupine”. Comprou os dois de uma vez. E nunca mais deixou de amar Echo e os Homens Coelho.

 

***A primeira vinda ao Brasil e três histórias BIZARRAS da primeira entrevista coletiva do quarteto – Era o primeiro semestre de 1987. A produtora paulistana Poladian (que na época trazia muitos shows internacionais ao Brasil), animada pelo sucesso obtido com a turnê brasileira do inglês The Cure, que ela havia promovido em março daquele ano, resolveu arriscar novamente: anunciou que estava trazendo o Echo & The Bunnymen pra cá, e que os shows aconteceriam em maio daquele ano. Foi um verdadeiro TUMULTO entre jornalistas (o sujeito aqui incluso), fãs, góticos e darks em geral (os darks DOMINAVAM O MUNDO então). Finaski, que havia começado a trabalhar como jornalista musical há apenas um ano, conseguiu se credenciar para a primeira entrevista coletiva para a imprensa do grupo em terras brazucas, e também para assistir a um dos shows da perna paulistana da turnê (foram cinco no total na capital paulista, no Palácio do Anhembi, e todos com ingressos ESGOTADOS), sendo que eles ainda fizeram gigs em Santos (litoral paulista) e no Rio De Janeiro. E na coletiva de imprensa que rolou em uma tarde quente em Sampa, aconteceram ao menos três histórias curiosas, quase bizarras. A primeira: o jovem zapper foi para o bate papo com o conjunto vestindo estrategicamente uma t-shirt da banda The Doors, com a cara enorme do vocalista Jim Morrison estampada na camiseta. No meio da entrevista o cantor Ian McCulloch olhou para a camiseta e fez sinal de “ok” com o dedo. Segundo lance: Zapnroll foi na entrevista acompanhado dos amigos Carlos Quintero (que era proprietário da loja Antitedium Discos, na Galeria Do Rock) e Arlindinho (uia!). Este último, um moleque sensível dos seus dezenove aninhos de idade, não se contentava apenas em ser FANÁTICO pelo Echo. Ele era o SÓSIA perfeito e irmão GÊMEO de Big Mac. Tanto que a ideia da dupla Finas e Carlinhos era apresentar Arlindo para Ian ao final da entrevista. Mas o garoto ficou completamente tímido e achamos melhor abortar a aproximação entre ídolo e fã sósia perfeito. E por fim: entrevista terminada, o zapper não se fez de rogado nem tímido. Foi com uma caneta e a CAPA de “Porcupine” nas mãos até os músicos e pediu na cara larga o autógrafo de todos eles. Que foram super gentis e atenciosos e assinaram seus nomes na capa do LP.

 

***O show no Anhembi – foi, literalmente, inesquecível. Começou (se não nos falha a memória) com “Going Up”, a faixa de abertura de “Crocodiles”, o álbum de estreia dos Bunnymen. A banda em forma e potência máxima no palco. E teve “Paint It Black”, clássico dos Rolling Stones, “coverizada” já no bis. Gig igual a essa, nunca mais!

Registro HISTÓRICO e na íntegra: a banda se apresenta no Brasil em maio de 1987, aqui neste vídeo na gig realizada no Canecão, Rio De Janeiro

 

***Dançando nos porões goth de Sampa ao som dos Coelhinhos – O autor deste blog perdeu a conta das madrugadas que dançou tristonho ao som das músicas do Echo no eternamente escuríssimo porão do Madame Satã. Tempos depois (por volta de 1988), o ritual passou a se repetir na pista do Espaço Retrô, onde Zapnroll conheceu e meio que se apaixonou pela loirinha Márcia B.B. Teve um brevíssimo romance com ela e ambos ficaram algumas noites “namorando” no apê da rua Frei Caneca, ao som do Echo. Mas Marcinha (que era uma peituda lindona e xoxotudíssima) nunca quis de fato ficar pra valer com o jovem jornalista.

 

***A volta ao Brasil e o “embate” em outra coletiva – Em 1999, já em sua segunda encarnação (tendo como membros originais apenas o vocalista Ian e o guitarrista Will, e lançando álbuns cada vez menos inspirados e distantes da banda gloriosa que havia encantado o mundo rocker nos anos 80), o Echo & The Bunnymen finalmente voltou para shows ao Brasil, doze anos após a primeira turnê pelo país. Em Sampa a gig rolou na mui saudosa Via Funchal, a melhor casa de shows internacionais que existiu na capital paulista. Novamente o espaço lotou mas a banda que subiu ao palco já não ostentava mais o brilho exibido em 1987 no Palácio do Anhembi. De qualquer forma, foi uma boa apresentação. Daí para a frente o grupo começou a tocar sem parar no bananão tropical. E a cada nova turnê por aqui a qualidade das apresentações decaía mais um pouco. Numa dessas turnês, houve quase um “embate” entre o autor destas linhas memorialistas e o vocalista Ian McCulloch, durante a entrevista coletiva de imprensa dada pelo conjunto. Lá pelas tantas Finaski levantou a mão e LASCOU a porrada para Big Mac: “O que houve com aquela voz TROVEJANTE dos anos 80, afinal. Só sobrou um FIAPO dela desde que o grupo voltou à ativa”. McCulloch ficou VERMELHO como um peru e este jornalista chegou a pensar que o vocalista iria VOAR no pobre pescocinho fináttico. “Minha voz continua a mesma”, retrucou Ian, irritadíssimo. “Mas se você acha que entende tanto assim de performances vocais, vá hoje à noite ao show com PLAQUINHAS com números, e me dê NOTAS avaliando meu vocal ao final de cada canção”. A sala, claro, veio abaixo em gargalhadas.

 

***E rolou a FODA do inferno após a gig dos Bunnymen – Yeeeeesssss. Para encerrar este mini diário sentimental não poderia faltar (claaaaaro!) um relato sexual sujo e devasso envolvendo a existência zapper e seu amor pelo Echo & The Bunnymen (ainda mais nesses tempos totalmente caretas, moralistas, ultra conservadores e sacalmente politicamente corretos como os de hoje, uma historinha dessas se faz absolutamente necessária, hihi). Enfim, faltavam umas três semanas para a apresentação dos Bunnymen em Sampa, na Via Funchal. Sem ter muito o que fazer num domingo à noite lá se foi Zapnroll pro porão do Madame Satã, dançar e beber um pouco. Até que pelas tantas foi tomar um pouco de ar na porta do clássico casarão goth paulistano. Foi quando viu ali aquela DEUSA arrebatadora: toda vestida de preto, muito jovem, muito magra (mas com peitinhos durinhos e salientes) e com uma beleza facial apolínea e arrebatadora, algo parecida com a musa inglesa Siouxsie Sioux. Como se aproximar desse encanto feminino pleno, pensou o jornalista sempre mega atrevido e já cheio de más intenções. Finaski fez então o que lhe veio à cabeça naquele instante: começou a cantarolar baixinho a letra do clássico do Echo, “The Killing Moon” (seguramente uma das canções mais lindas de toda a história do rock). “Isso é Echo & The Bunnymen!”, disse a garota, algo triunfante, após alguns segundos. Wow! O contato estava estabelecido! O papo entre ambos começou e não demorou muito para a dupla descer para um dos BANHEIROS do Madame, onde os malhos incendiários começaram. Mas Aninha (o nome da deusa) não cedeu fácil e disse que precisava ir embora. O casal trocou números de telefone (não havia ainda celulares, apps, nada dessas merdas tecnológicas dos fúteis e banais tempos atuais), começou a se falar com alguma frequência e também a se encontrar algumas vezes. E o jornalista rocker e eternamente loker, já com trinta e seis anos nas costas, começou a ficar perdidamente apaixonado pela garota pois ela era inteligentíssima para os seus parcos dezessete anos de idade, além de ser um xo xo ta ço. Só restava saber se ela também… FODIA gostoso. Algo que finalmente o gonzo loker descobriu na noite da gig do Echo em Sampa. Ele convidou a sua deusa e musa pra acompanha-lo ao show. Ela mais do que aceitou, imediatamente. Apresentação encerrada na Via Funchal, primeiro o casal foi beber drinks e dançar no finado bar Nias (que funcionava no bairro de Pinheiros e era muuuuuito legal). E já no meio da madrugada e louco pra COMER a garota, o zapper sugeriu: “vamos pro Madame Satã!”. Ana topou novamente no ato e o casal embarcou num táxi rumo ao casarão do bairro do Bixiga. Quando chegou na porta, para surpresa do jornalista, a mui tesuda adolescente se antecipou: “não quero entrar. Vamos pra algum HOTEL!”. Wow!!! Ela queria FODER! E nem precisou pedir duas vezes: saímos dali literalmente voando, em busca de algum muquifo próximo que pudesse abrigar nossos desejos carnais sórdidos, sujos e imorais. E como fodia miss Aninha… uma chupada esplendorosa no caralho e pelo menos duas gozadas em que a garota goth de apenas dezessete anos literalmente urrou com o pinto fináttico enterrado em sua boceta. Um pinto que ela apelidou naquela madrugada de “pau quilométrico”, ahahaha. O jornalista sempre carentão e taradão, GRUDOU na garota, óbvio. Queria namorar com ela. Mas a guria, que havia vindo de Mato Grosso Do Sul para morar e estudar em Sampa, estava vivendo na casa de uma tia quase NAZISTA no pensamento e comportamento. Tanto que os encontros entre ela e seu paquera jornalista eram quase às escondidas (a desculpa dela era sempre que ia sair com “amigas”). Desta forma o relacionamento acabou se tornando inviável, ainda mais que um acontecimento muito trágico marcou a convivência entre Zapnroll e a garota (e que já foi relatado neste mesmo blog, anos atrás). O casal se encontrou por mais duas vezes no final das contas, trepou como se não houvesse dia seguinte e Aninha sumiu por muitos anos. Procurou o autor deste blog novamente por volta de 2013, quando estava CASADA com um espanhol com o dobro da idade dela. Procurou, quis reencontrar o agora já envelhecido blogger ainda rocker e acabou DANDO pra ele novamente. E sumiu novamente. E hoje permanece nas melhores lembranças do autor destas linhas online como uma de suas aventuras carnais inesquecíveis, da época em que o rocknroll valia a pena, a noite de Sampalândia idem e o mundo ainda tinha bandas fantásticas como o Echo & The Bunnymen mobilizando multidões.

 

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FIM DE FESTA – POR ENQUANTO!

Yeeeeesssss! O postão ficou lindão e monstrão, néan. De modos que paramos mesmo por aqui. Afinal já é quinta-feira, 6 de setembro, véspera de mais um feriadon, e o blog vai descansar que ninguém é de ferro. Mas voltamos em breve com novo postão totalmente reformulado na sua pauta, prometendo inclusive publicar novo ensaio com mais uma tesudíssima musa rocker. E também em breve colocaremos na roda alguns pares de ingressos para você ir curtir a festona de quinze anos do blog de cultura pop definitivamente mais legal da web BR, ulalá!

Até mais então!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 6-9-2018,  às 3hs.)

Hollas povo! Blogão zapper de volta em sua versão 2017, o ano que promete ser tão pavoroso e horroroso quanto foi 2016, alguma dúvida quanto a isso? De modos que este espaço online retorna com mudanças em sua pauta editorial – mais focada no comportamento e na política, mas ainda mantendo também o olhar sobre o rock alternativo e a cultura pop em geral; e com os tempos bicudíssimos pelos quais estamos passando fazemos o convite: não está na hora de IRMOS TODOS PRA RUA E PRO PAU PRA VALER?

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2017 já chegou chegando com o mesmo horror e a mesma crise (social, moral, ética, política e econômica) vivenciada pelo país em 2016; assim o blog retorna com nova linha editorial e adotando um viés mais comportamental e político em seus posts, mas sem abandonar o rock e a cultura pop, além de lamentar profundamente neste primeiro post do ano o falecimento de dona Marisa Letícia que, ao lado de Lula (ambos acima) deu exemplo de humildade e simplicidade ao povo brasileiro; por outro lado seguimos atentos aos movimentos do rock’n’roll planetário e da cultura pop em geral na nova seção Microfonia, que destaca aqui o novo e vindouro disco do veterano Blondie (abaixo)

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Bem-vindos a 2017. O ano do monstro do pântano, do cachorro louco, do trem desgovernado, chame como quiser. Exagero? Sério que você acha que estamos exagerando? Vejamos: no primeiro mês do ano (janeiro, sempre o pior dos meses, como já bem observou o saudoso grupo paulistano Ludovic) o sistema prisional brasileiro entrou em colapso absoluto. Dominados por facções criminosas (como PCC e Comando Vermelho) cada vez mais poderosas alguns presídios do país (especialmente nas regiões Norte e Nordeste, as mais desassistidas pelo poder público desde que o Brasil existe como nação) deram show de horror (com direito a repercussão gigante na mídia internacional), com mais de uma centena de presos sendo massacrados por integrantes de facções rivais. Boa parte dos assassinatos teve requintes de crueldade extrema, com cabeças sendo decepadas. Pior: diante de tal barbárie boa parte da estúpida população classe média reaça de direita brasileira salivou de satisfação, torcendo para que houvesse um massacre por dia nas prisões pelo país afora – a clássica “higienização social”, defendida por gente que possui merda na cabeça ao invés de neurônios. Um pensamento estúpido e hediondo enfim, típico de quem se tornou bestial, selvagem, é ignorante e não possui o mínimo conhecimento histórico e/ou social dos problemas que corroem esse país vira lata e de quinto mundo chamado Brasil.

O que mais? Dívida pública fora de controle – superou a casa dos R$ 150 bilhões. PEC do inferno e do fim do mundo arrasando a educação e saúde públicas pelos próximos vinte anos, sendo que a educação pública brasileira já está no buraco há séculos. Estados como Rio De Janeiro e Rio Grande Do Sul absolutamente FALIDOS. Mais de doze milhões de desempregados espalhados pelos quatro cantos do país. Lava Jato andando a passos de tartaruga. Ok, nunca imaginamos que veríamos figurões como Eduardo Cunha, Eike Batista, Marcelo Odebrecht e dois ex-GOVERNADORES de Estado (no caso, Sérgio Cabral e Anthony Garotinho, ambos do Rio De Janeiro) atrás das grades. Mas, e o resto? E os mais de duzentos políticos citados nas delações da Odebrecht? Por que ainda não foram processados e, se provada sua culpa, também não foram condenados à prisão? Por que Sérgio Moro, comandante-em-chefe da Lava Jato, se mostra tão tirano e PARCIAL em várias de suas decisões e sentenças? Onde está a QUADRILHA do PSDB nessa parada, com vários políticos já citados em dezenas de delações e nenhum deles realmente investigados pela força tarefa de Curitiba, como se estivessem estranhamente BLINDADOS pela Justiça e pelos processos investigatórios em curso? O que parece é que há conchavos e tenebrosas transações na calada da madrugada à vista, entre os Três Poderes para mitigar ao máximo possível os resultados finais das investigações. E o Ministro Teori? O avião em que ele estava caiu ou FOI CAÍDO?

Tudo isso que está aí em cima foi pensado e repensado como tema do primeiro post deste ano de Zap’n’roll. Yep, o blog mudou e vai mudar mais ao longo dos próximos meses. Saem os diversos tópicos que eram publicados em formato de revista eletrônica/virtual, entra via de regra (poderá haver exceções de acordo com o que rolar ao longo da semana em que o post for publicado) um tópico ÚNICO (como este que você está lendo) e abordando um tema específico, como estamos fazendo nesta reestreia do blog em 2017. E além deste tópico único e mais longo a seção “Microfonia” (ahá!) substitui o “O blog zapper indica” ao final de cada post, falando em poucas linhas do que importa e reverbera na cultura pop, no comportamento, em discos, bandas, filmes, livros, TV, baladas, passeios, exposições, viagens, acontecimentos variados etc.

De modos que voltemos ao tema que deu início a este tópico: como está o país nesse exato momento. Sim, as coisas estão ruins no Brasil. Muito ruins, diríamos. O autor deste blog está com 5.4 de existência nas costas. Passou sua infância e toda a sua adolescência vivendo em um país que foi conduzido politicamente por uma ditadura militar que durou mais de duas décadas e que é em grande parte responsável pela situação algo calamitosa que enfrentamos atualmente. Graduado que é em curso de História, Zap’n’roll compreende muito bem toda a estrutura e toda a trajetória que nos últimos quarenta anos levou a nação a chegar ao abismo em que ela se encontra nesse momento. O país já esteve ruim, fato (quem quiser ter uma aula portentosa sobre as últimas quatro décadas do Brasil na esfera social, política e econômica, basta ler “A segunda mais antiga profissão do mundo”, tomo reunindo textos do inesquecível Paulo Francis, um dos maiores nomes da história do jornalismo brasileiro, sendo que o livro foi lançado no final do ano passado pela editora Três Estrelas, braço editorial do grupo que edita o jornal Folha De S. Paulo). Mas nunca como agora, talvez. Os (des) governos militares, que tomaram o poder em 1964 e só saíram dele em 1985 pensavam no “Brasil Grande”. Daí o investimento em obras faraônicas (como a usina hidrelétrica de Itaipu ou a rodovia Transamazônica, que não foi concluída até hoje) que trouxeram endividamento público monstro ao país, além de enriquecer ilegalmente o bolso de muito general – só que naquela época o regime militar controlava toda a informação de mídia, daí que o populacho jamais ficava sabendo dos desvios de milhões e da corrupção que campeava solta na esfera pública, exatamente como ocorre hoje. Ao menos agora felizmente estamos numa democracia (ainda que frágil e que precisa ser fortalecida ao máximo e a todo custo), e temos acesso total à informação e a tudo (ou quase tudo) que ocorre no país. Por isso é um erro crasso e grosseiro achar que todos os males e mazelas do país surgiram de década e meia pra cá, com os governos petistas. E não, o blog não está fazendo defesa aqui do petismo e jamais irá se colocar como advogado do PT, de Lula, Dilma, de quem quer que seja. O que queremos dizer é simples e básico: absolutamente TODOS os governos e todos os partidos que estiveram no poder e na gerência do Brasil e da máquina pública pós-ditadura militar, herdaram os piores vícios dessa ditadura. Todos (tanto PT quanto PSDB, PMDB e partidos nanicos e menos importantes no espectro político nacional) cometeram zilhões de erros, todos se locupletaram e se lambuzaram quando estiveram no comando da nação. Fernando Collor, o primeiro presidente eleito democraticamente após a ditadura? Foi impichado por ser o facínora que todos sabem que ele é. O sociólogo Fernando Henrique? Fez um primeiro mandato ok e se perdeu na busca pela reeleição, deixando o país novamente sob a sombra da inflação, além de tornar os ricos mais ricos e os pobres mais pobres do que nunca. O metalúrgico Lula? Cometeu sim zilhões de erros. Mas fez o Brasil prosperar durante seus dois mandatos, tirou mais de quarenta milhões de pessoas da pobreza absoluta e deixou o governo com recorde de aprovação popular. Seu maior erro: fazer sua sucessora, Dilma, aquele poste e aquele poço de teimosia e arrogância que todos nós também sabemos que ela é.

O impeachment dela foi justo? Óbvio que não e quem tem um mínimo de massa encefálica sabe que os objetivos para o impichamento de Dilma eram claríssimos: deter a Lava Jato a qualquer custo (ou ao menos minimizar um pouco seu efeito devastador na classe política brasileira, a mais CORRUPTA e IMUNDA do universo) e fazer as reformas que vão deixar os muito ricos do país (cerca de 1% da população) cada vez mais ricos e os restantes 99% cada vez mais falidos e fodidos. Mas é claaaaaro que a coxarada BURRA e ESTÚPIDA (o grosso de nossa classe média egoísta, ignorante, reacionária e conservadora como só ela sabe ser) que saiu às ruas e bateu panela pedindo a destituição da presidente não entende nada disso e achou que o (des) governo golpista do mordomo de filme de terror chamado Michel Temer (ele próprio envolvido até o pescoço na Lava Jato) iria resolver todos os problemas do Brasil da noite para o dia. Não resolveu, claro. Aliás tudo está muito pior do que há seis meses. Mas coxa otário que é coxa otário não dá o braço a torcer: com o cabo da panela agora enfiado no rabo ele amarga quietinho e caludinho o desastre que apoiou, via movimentos reaças como o MBL e através de políticos populistas e sem um pingo de envergadura moral para exigir o mínimo de lisura no trato da coisa pública.

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Não deixa de ser um certo alivio ver figurões pilantras como Eike Batista e Sérgio Cabral (acima) atrás das grades; mas a situação do país continua horrenda e parece estar chegando a tal grau de esfacelamento das instituições que talvez seja necessário ocorrer aqui o que aconteceu na Revolução Francesa: decepar algumas centenas de cabeças de políticos imundos na guilhotina (abaixo); assim, quem sabe, o Brasil entra nos trilhos novamente

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E o que mais espanta em todo esse quadro absolutamente assustador é como a população brasileira se mostra completamente inerte, passiva, dócil, serviçal e subserviente diante de tudo o que está acontecendo. Chega a ser um paradoxo estarrecedor e inexplicável: o Brasil se tornou um dos países mais VIOLENTOS DO MUNDO. A sociedade é bruta, bestial, selvagem e ignorante. Aqui se mata por qualquer motivo, do mais fútil (discussão e briga entre bêbados numa mesa de bar) ao mais torpe (em roubos seguidos de morte, por exemplo). Você sai para a rua para trabalhar sem saber se irá voltar vivo para casa no final do dia. Os dados já fartamente publicados em centenas de matérias na mídia impressa e eletrônica atestam: são cerca de 60 MIL ASSASSINATOS POR ANO no Brasil. Uma autêntica carnificina e guerra civil não declarada. Isso sem contar os números assustadores de atos de violência contra as mulheres (estupro incluso, óbvio), também dos mais altos do planeta. E isso também sem contar a violência policial no país, que possui um dos efetivos mais truculentos e vergonhosamente mal preparados e remunerados do mundo.

Pois é essa mesma população, tão bestial e violenta e que agride e mata o outro por qualquer motivo, que se mostra absolutamente passiva e inerte diante de toda a calhordice/canalhice que a nossa classe política nos impõe diariamente – em qualquer país minimamente sério do planeta nomes como Renan Calheiros, Romero Jucá, Aécio Neves e Geraldo Alckmin estariam atrás das grades, e não ocupando cargos públicos ou políticos. . Parecemos carneirinhos quando o assunto é algum escândalo político. Não sabemos votar desde sempre (isso é um fato inquestionável). E nos comprazemos em reclamar apenas em redes sociais, quando não estamos mais ocupados em dar likes em memes estúpidos ou em fotos fúteis, inúteis e superficiais. Isso tudo é o Brasil, o país que foi celebremente definido na frase do presidente francês Charles De Gaule: “O Brasil NÃO É UM PAÍS SÉRIO”. Nunca foi, aliás. E pelo jeito não será jamais.

O autor deste blog sempre foi contra a violência e contra matar quem quer que seja. Mas a situação do país está chegando (ou já chegou) a um tal ponto que talvez apenas uma solução RADICAL resolva a situação por aqui. Qual seria essa solução? Algo na linha da Revolução Francesa, quando a população pobre e oprimida foi PRA RUA E PRO PAU PRA VALER, e todo mundo sabe o que aconteceu: centenas de cabeças de políticos sujos e que não estavam nem aí para o populacho foram decepadas nas gilhotinas. Talvez fosse o caso de acontecer algo semelhante por aqui…

O Brasil é um país ruim? É o fim do mundo? Claro que não. Somos ainda a décima economia do planeta. O país possui uma beleza natural avassaladora (estas linhas online sabem muito bem disso pois conhecem o Brasil de norte a sul), é riquíssimo em recursos naturais e sua agricultura é das mais poderosas do mundo. Rola muito dinheiro aqui. Mas infelizmente a maior parte dessa grana gigantesca escoa pelo ralo sem fundo da corrupção. Outra parte, também gigantesca, fica nas mãos dos super ricos que existem aqui (vale repetir: cerca de 1% da população). E o resto… bien, o que sobra tem que ser dividido entre os 99% restantes da população. Não há nação e sociedade que resista a isso pelo resto da vida.

Se você leu até aqui, ótimo. Se gostou e concordou, melhor ainda. Se detestou, o painel do leitor está lá para que você faça seus comentários. Mas basicamente é isso e é essa a nova postura editorial do blog: um assunto importante do momento por post. E para abrir os trabalhos neste por enquanto mega tenebroso 2017, achamos que tínhamos a OBRIGAÇÃO de nos posicionar e falar sobre o que pensamos da situação atual do Brasil. Agora aí embaixo tem a seção “Microfonia”, mais leve e com o que reverbera (em poucas linhas) ainda na cultura pop.

É isso. Zap’n’roll, ano 14 no ar. Segue o jogo!

 

***Obs e fikadika: os textos do chapa André Forastieri (tanto no seu blog quanto na sua página no Facebook) continuam primorosos e radiografam com precisão como está a situação no Brasil atual. Um dos últimos é esse aí embaixo, que tomamos a liberdade de reproduzir no blog zapper. Leiam!

 

XXX

 

(texto postado por André Forastieri em seu Facebook, esta semana)

 

Sabemos hoje o mesmo que sabíamos no dia que Teori Zavascki morreu. O avião caiu. O juiz e os outros morreram. Foi a chuva, falha mecânica, barbeiragem do piloto? A Aeronáutica divulgou laudo dizendo que os dados extraídos do gravador “não apontam qualquer anormalidade nos sistemas da aeronave.” Foi assassinato? São dezenas, talvez centenas de pessoas que se beneficiaram da morte dele. Estão sendo investigados?

Não sabemos. Já mudamos de assunto. Agora é Eike Batista. A careca. A cela. O que ele almoça e janta. A reação dos filhos. Luma nas redes sociais. A prisão de Eike vem no momento perfeito para nos fazer esquecer Teori. Tirar o foco dos “acordos” da União com o Rio, que força arrocho no funcionalismo e privatização (e outros Estados estão na fila). Distrai da reeleição de Rodrigo Maia para a presidência da Câmara. Do acordo no Senado, com Eunício de Oliveira, o tesoureiro do PMDB, na presidência, e Renan como líder do governo.

Para não falar das “reformas” que nos aguardam, da Previdência para começar. Da ajuda bilionário às teles, da Operação Oi… a lista vai longe.

Distrai, principalmente, de Carmem Lúcia Antunes Rocha, presidente do Supremo Tribunal Federal, sempre elogiadíssima, reservada, discreta, técnica, teve até Caetano Veloso cantando para ela quando foi empossada…

Carmem Lúcia homologou as 77 delações premiadas da Odebrecht. Mantém sigilo sobre todas. O procurador geral da República, Rodrigo Janot, não pediu a suspenção do sigilo. Por quê? Não explica. Nem ela.

O sigilo vai até quando? É difícil e fácil responder. Em casos anteriores Janot pediu a Teori que fosse suspenso o sigilo. No caso de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, foram só vinte dias. No caso do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, foram 166 dias.

Agora são 77 delações, só da Odebrecht. Podem demorar vinte dias, 166 dias, mais, menos. Podem ficar pro dia de São Nunca. A delação de Otávio Azevedo, ex-executivo da construtora Andrade Gutierrez, foi homologada em 6 de abril de 2016. Até agora seu conteúdo é secreto.

E é facílimo responder. O sigilo vai durar o tempo necessário para que vazamentos seletivos abatam os inimigos políticos do governo. Até que acordos sejam feitos para que os poderosos citados nas delações negociem saídas. Até que a missão do atual governo seja cumprida.

Atenção: o governo não é o Planalto. O governo é o amálgama de interesses entre o Executivo, Legislativo e Judiciário. O que os une é a submissão ao grande Capital e a compreensão que a maioria dos brasileiros não tem noção do que acontece no Brasil, nem imaginação para sonhar com outro país, e muito menos energia para construi-lo. O que move o Brasil é a inércia.

Foi nessa prostração, na falta de proteína do nosso povo, que apostaram os governos que se seguiram à ditadura, do PSDB e do PT. Os únicos partidos de verdade do país, porque orgânicos, representantes de grupos sociais de verdade. Governaram com o pior da política brasileira. Enricaram os ricos, deram umas esmolas para os pobres, garantiram sua parte. Lambuzaram-se. É o habitual em política, aqui e em qualquer lugar – aqui com mais ganância e descaramento, talvez.

Quando a economia global virou, o cobertor encurtou. Alguém ia ter que pagar a conta. Temos uma elite ultra-privilegiada: não paga impostos, nem na jurídica, nem na física; nem imposto de herança. Tem os maiores rendimentos do planeta Terra, bastando manter seu dinheiro no banco, emprestado ao governo, que é seu empregado. Assim se empurrou a conta para a classe média, os pobres e os miseráveis. É o que Dilma fez. É o que Temer faz, de maneira ainda mais cruel e inconsequente, começando pela PEC do Teto, chamada pela ONU de “o mais radical pacote de austeridade do planeta”.

O impeachment teve outras três funções importantes. A primeira foi exterminar o PT, o que foi feito (com a devida colaboração do próprio PT, que desperdiçou seu capital simbólico e seu mandato histórico). Falta retirar os direitos políticos de Lula, o que inevitavelmente virá ainda em 2017.

A segunda missão da conspiração era, com a desculpa de que o país e os estados estão “quebrados”, forçar privatizações a toque de caixa. A preço amigo, para empresas amigas, e naturalmente com as devidas comissões enchendo os devidos bolsos. É o que está acontecendo. E o terceiro objetivo era minimizar os estragos da Lava Jato.

É evidente que os políticos no Executivo e no Legislativo não tinham como fazer tudo isso sem a colaboração do Judiciário. Mas a História é dinâmica, seus atores são múltiplos, e quanto mais complexa a sociedade, maior a probabilidade dos melhores planos darem com os burros n´água.

O Brasil não seguiu o roteiro previsto. Nem na economia e na política, que seguem afundando, nem na Justiça. A Lava-Jato é um pequeno e patético passo na direção de um Brasil mais transparente; a turma de Moro, messiânica e parcial; mas bem melhor que nada. E ver na cadeia Marcelo Odebrecht, Eike, Cunha etc. deve tirar o sono de muitos bacanas.

Que bacanas? Não sabemos. É sigilo…

Das 77 delações, conhecemos os nomes citados em apenas uma delação. Alguns famosos: Aécio, Pallocci, Romário, Skaf, Renan, Mantega, Geddel, Romero Jucá, Eliseu Padilha, Kátia Abreu, Eunício Oliveira, Rodrigo Maia. Entre os que ocupam cargo no governo: Antônio Imbassahy (novo secretário de governo de Temer), Bruno Araújo (Ministro das Cidades) , Kassab, Moreira Franco… e Temer. Faltam 76 delações. Imagine o que vem – ou viria – por aí.

Além de manter sob sigilo as delações, Carmem Lúcia faz suspense sobre o método que usará para selecionar o novo relator da Lava-Jato. A maioria aposta que ela vai optar pelo sorteio. E é muito provável que somente entre os integrantes da Segunda Turma do STF: Gilmar Mendes, Toffoli, Lewandoski e Celso de Mello. Nenhum especialmente fã da Lava Jato, para dizer o mínimo. Mesmo que fosse entre os dez integrantes do plenário, a perspectiva é nada animadora – ainda mais considerando esse sigilo sem fim e sem lógica.

A cereja no bolo: nesta quarta-feira, no mesmo dia que Carmem Lúcia determina como será a escolha do relator, também está na sua mesa uma ação que pode… transformá-la em Presidente da República.

É a ação da Rede Sustentabilidade, que questiona se um réu no STF pode ocupar a linha de sucessão da presidência. O julgamento foi inciado no dia 3 de novembro. O relator, Marco Aurélio Mello, e outros cinco ministros votaram pela impossibildade de haver réus na linha sucessória. Réus como… Rodrigo Maia e Eunício de Oliveira. Se o STF seguir nessa linha, em caso de afastamento de Temer, quem assumiria a presidência seria a presidente do STF, a própria Carmem Lúcia. É um caso chocante conflito de interesses, mas a gente não se choca com mais nada.

O que faria Teori se estivesse vivo? Jamais saberemos. Felizmente para um grande número de poderosos, ele está morto.

O conluio Executivo-Legislativo-Judiciário botou suas cartas na mesa. Ao que parece, a jogada é empurrar com a barriga a Lava-Jato, aprovar as “reformas” que der, privatizar tudo voando e chegar até 2018 fora da cadeia e com os bolsos cheios. Se a situação fugir do controle, e Temer perder o mandato, improvável, assume – veja só – Carmem Lúcia.

Com ela ou com Temer, em 2018 tem eleição e em 2019 teremos outro governo. Que será o mesmo governo. Porque será o mesmo STF e os mesmos políticos, obedecendo aos interesses dos mesmos poderosos. E segue a farsa…

São cartas marcadas. Difícil virar o jogo. Talvez o melhor seja virar a mesa.

 

XXX

 

MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, o rock, discos, bandas, shows, livros, filmes, baladas etc.)

 

***Barão sem Frejat – a cena rock BR oitentista foi agitada logo no início do ano com a notícia da saída do guitarrista e vocalista Roberto Frejat do Barão Vermelho. Frejat, amigo pessoal destas linhas bloggers rockers há anos, criou sua identidade na banda onde atuou por mais de três décadas. Prefere agora seguir carreira solo. Os barões remanescentes (entre eles os fundadores Guto Goffi e Maurício Barros) anunciaram que o grupo segue em frente: para cantar no conjunto foi convocado Rodrigo Suricato, do grupo homônimo e revelado no programa The Voice Brazil, da TV Globo. E a turma já quer sair em nova turnê a partir de maio próximo. Daqui o blog deseja sorte e sucesso tanto a Frejat em fase solo quanto ao Barão em sua nova formação.

 

***Psicodelia e não romance na praia brava – Ademir Assunção é da velha e grande geração de jornalistas lokers/rockers da imprensa cultural brasileira que importou nos anos 80’ e parte dos 90’. E além de jornalista publicou mais de uma dezena de livros. O mais recente, “Ninguém na praia brava”, saiu no final de 2016 (editora Patuá) e Zap’n’roll está devorando o mesmo com prazer absoluto. Trata-se de uma ficção psicodélica e maluca, onde o personagem principal (o escritor chamado Ninguém) se isola numa praia onde pretende escrever um romance que depois será vendido a um grande estúdio em Hollywood, tornando o autor do livro milionário. Isso é um resumo (im) possível do livro de 192 páginas, mas ele possui um texto total desconstrutivista, não linear e repleto de referencias à cultura pop e ao rock’n’roll. Interessou? Vai na página do Ademir (que também já gravou um disco, “Viralatas de Córdoba”, que saiu há uns três anos mas sobre ele falamos melhor em outro post) no Facebook: https://www.facebook.com/ademir.assuncao?fref=ts. Ou então entra no site da Patuá: http://www.editorapatua.com.br/index.php.

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***Velhões do rock’n’roll de volta – já que o “novo” rock planetário parece estar mais morto do que vivo atualmente (tem o novo disco dos ingleses do Temples, “Volcano”, saindo agora no começo de março; já é alguma coisa), cabe à velha guarda manter-se na ativa. Depeche Mode e Blondie anunciaram seus novos lançamentos: “Spirit”, o novo do DM chega às lojas em 5 de março e a banda cai na estrada logo em seguida, jurando que dessa vez passa pela América Do Sul. Já o lendário combo new wave americano liderado eternamente pela loiraça Debbie Harry vem com “Pollinator”, que sai em 17 de maio e que traz uma renca de participações especiais (Laurie Anderson, a lenda Johnny Marr e Nick Valensi, um dos guitarristas dos Strokes). Não é por nada não mas o blog zapper bota mais fé no álbum do Blondie. A conferir ambos logo menos, sendo que as capas dos referidos CDs estão aí embaixo e também o primeiro single (áudio) extraído do novo trampo do Blondie.

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***Rock nacional pra conferir – é a estreia do quarteto paulistano Kamboja, que lançou seu primeiro cd pelo sempre venerável selo Baratos Afins. A praia dos caras é heavy/classic rock setentista (algo entre ZZ Top e Kiss), o som não é exatamente o que o autor destas linhas online curte, mas dentro do que eles se propõem a fazer é um disco de responsa. Fora que o batera é o figuraça Paulão, que também toca no Baranga e é um dos sujeitos mais queridos na cena rock paulistana. Vale a pena conferir e você pode saber mais sobre o grupo aqui: https://www.facebook.com/BandaKamboja/.

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***Prêmio especial para o jornalista loker e eternamente rocker – yep, rolou a edição 2017 do Prêmio Dynamite de Música Independente, no último dia 25 de janeiro. Zap’n’roll concorreu na categoria melhor blog mas não ganhou (quem levou foi o Tenho Mais Discos do Que Amigos). Porém fomos surpreendidos (de verdade!) com um troféu especial que ganhamos em reconhecimento à nossa trajetória de trinta anos no jornalismo musical brasileiro. Este Finaski agradece emocionado ao querido André Pomba e a toda a equipe que organiza uma das premiações mais importantes da música brasileira há mais de uma década.

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O jornalista ainda loker e eternamente rocker exibe o seu troféu especial do prêmio Dynamite, ganho em reconhecimento à sua trajetória de 30 anos no jornalismo musical brazuca

 

***E no último finde em Maringá (PR)… – rolou Noitão Zap’n’roll com DJ set matadora do blog. Foi no bar The Joy (pequeno, aconchegante e charmosíssimo na sua decoração) e a madrugada foi incrível, com discotecagem também do brother Flávio Silva. Finde incrível, ótimos sons, ótima bebida (muuuuuita vodka Skyy com energético) e o carinho e a atenção dos queridões Paty Ramirez, Vanessa e Anderson. Valeu turma e queremos voltar para nova noitada assim que possível.

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Zap’n’roll bota pra foder no noitão do blog no último finde em Maringá, Paraná: até as paredes dançaram!

 

***Duas baladas legais pra este sabadão em Sampa, 4 de fevereiro em si –  a festa K7 no Alberta (https://www.facebook.com/events/1863573717218896/?active_tab=about) e edição especial da Glam Nation (que rolava no finado Inferno Club), dessa vez no Olga 17 (https://www.facebook.com/events/632139330306508/). Escolha a sua e caia na pista!

 

 

FIM DE TRANSMISSÃO

E assim termina o primeiro postão zapper de 2017. Blog mais político e social mas ainda de olho no rock alternativo e na cultura pop. Ficamos por aqui com a alma e o coração algo cinzas pelo falecimento de dona Marisa Letícia e deixando nosso carinho, afeto e condolências à Lula e a toda sua família. Força Lulão!

E nos vemos novamente no próximo post. Até lá!

 

(enviado por Finatti às 13hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL (com análise sobre o impeachment que será votado neste domingo, e ainda as datas da turnê do Black Sabbath no final do ano no Brasil e o roteiro de baladas e dicas culturais zappers): O blogão enfim ressurge em novo visual/plataforma, e comentando (claaaaaro) o memê musical da semana: o novo e PÉSSIMO disco do escroto e ultra reaça Lobão, que ficou uma década sem gravar e ao invés de pedir pra sair de uma vez insiste em manchar seu glorioso passado rocker com suas atuais vergonhas musicais e políticas; o Iron Merda, ops, Maiden, continua a lotar estádios no Brasil e suscita a questão: é mesmo o fim do rock’n’roll? E mais isso e aquilo tudo no blog de cultura pop e rock alternativo que segue firme e forte há treze anos no ar! (postão TOTAL CONCLUÍDO E COMPLETÃO, com atualização definitiva em 14/4/2016)

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O cantor e compositor Lobão (acima) e o velhusco, cafona e grotesco grupo de heavy metal Iron Maiden (abaixo, durante seu último show em São Paulo, no final de março passado) possuem mais em comum do que você imagina: ambos são o exemplo máximo do pior rock que existe atualmente, aquele burro, antiquado, atrasado, reacionário, machista, branco e conservador ao extremo, o que reflete também no comportamento dos fãs tanto da banda britânica quanto do músico carioca, que acaba de lançar seu novo e péssimo álbum

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FECHANDO O POSTÃO, TRÊS IMAGENS QUE DIZEM E RESUMEM TUDO SOBRE O ATUAL MOMENTO POLÍTICO BRASILEIRO – a foto principal foi tirada essa semana no Rio. Mostra um sujeito que veio do sertão nordestino em um CAMINHÃO para São Paulo e aqui se tornou um dos maiores líderes políticos/sindicais da história do país. Respeitado no mundo inteiro, foi presidente do Brasil por duas vezes, tirou MILHÕES de pessoas da linha da pobreza absoluta e terminou seu segundo mandato com uma das MAIORES APROVAÇÕES populares da história política do país. Junto a ele, na foto, um dos monstros sagrados e inatacáveis da música popular brasileira gigante e que realmente importa – sua obra é e será eterna e também possui reconhecimento e respeito máximo no mundo todo. Os dois personagens estão JUNTOS E UNIDOS na mesma foto porque estão do mesmo lado, na questão político/ideológica.

As outras duas fotos mostram apenas figuras IMUNDAS e lamentáveis da política brasileira. As mesmas que querem nesse final de semana arrancar À FORÇA da presidência do país quem está ocupando o cargo. Conduzindo o processo de impeachment está um BANDIDO que tem 5 processos contra ele no STF (já sendo RÉU em um deles), e mais de DEZ CONTAS bancárias ILEGAIS no exterior e NÃO DECLARADAS ao Fisco brasileiro. Junto a ele um vice-presidente que VAZA cartas particulares à presidente e tb ÁUDIOS de whats app, onde pronuncia um discurso como se já fosse o novo presidente do país. Um golpista torpe e meia-boca e que, como bem definiu o jornal americano The New York Times, se parece com um MORDOMO de filme de terror.

Por fim, a terceira foto: reúne a NATA do PSDBosta. Aébrio, o cheirador hipócrita; Zé Serra, aquele que nunca termina seus mandatos e que ainda foi um dos PIORES Ministros da Saúde que o país já teve (lembram do esquema da máfia das ambulâncias?); FHC, o ex-presidente que COMPROU deputados para votarem pela sua reeleição; e geraldinho MERDA Alckmin, que há 6 anos FODE o Estado de S. Paulo com seu desgoverno (falta de água, rede hospitalar estadual sucateada, rede de ensino idem, Segurança Pública aos pedaços com uma PM truculenta, mortífera, assassina, e que não prende bandidos mas apenas mata civis inocentes), sendo que nem é preciso citar aqui o TRENSALÃO do metrô paulistano (que fim levou?), a máfia da propina das merendas escolares (que vergonha… tucanos ROUBANDO COMIDA da boca de CRIANÇAS!), comandada pelo PRESIDENTE da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo e, agora, a descoberta pelo MP estadual de um esquema de corrupção na construção do rodoanel que circunda a capital paulista. Ulalá!

IMAGEMLULAECHICO2016

No próximo domingo a democracia brasileira terá um TESTE decisivo para a sua sobrevivência, e a história deverá fazer JUSTIÇA a GIGANTES da nossa política e cultura (como Lula e Chico Buarque, acima) e mandar para o LIXO de uma vez políticos IMUNDOS como os das duas fotos abaixo

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É ESSE bando de PORCOS (nas duas últimas fotos) que está patrocinando o impeachment. Ok, o país está no buraco, o petismo tb se transformou em uma quadrilha de facínoras e é preciso fazer uma limpeza no Partido, no governo, na política brasileira como um todo. Mas eis que… a turrona, arrogante, teimosa, cabeça-dura e bocuda Dilma pode ser TUDO ISSO, mas BANDIDA a mulher não é. Tanto que não há sequer um MEIO processo contra ela em curso em qualquer instância jurídica nacional. E todos nós aqui sabemos que impeachment é um processo POLÍTICO, não judicial.

Domingo agora será um dia decisivo. E Zap’n’roll espera que a história faça JUSTIÇA a quem merece. Por isso SEMPRE SEREMOS e estaremos totalmente do lado do ex-metalúrgico e do cara que escreveu algumas das canções mais fantásticas da história de nossa música. E JAMAIS estaremos do lado de IMUNDOS, canalhas, bandidos e escroques que posam de paladinos da política e da sociedade brasileira.

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O blog em novo visual e o ex-rocker que virou coxa reaça.

Qual seria a conexão entre estes dois fatores? Aparentemente, nenhuma. Mas ambos perscrutam, no final da contas, um tema comum: o avançar do tempo, as mudanças que se inserem nesse avanço e o que ele pode significar de bom e de ruim. No caso do blog, que estréia com este post novo visual completo e nova plataforma, as mudanças se faziam necessárias já há séculos. Em um mundo virtual onde tudo é absurdamente veloz, ficar com o visual inalterado por meia década pode ser mortal para um blog como Zap’n’roll, voltado à cobertura e a análise de assuntos relacionados ao rock alternativo (daqui e de fora) e à cultura pop – e também, eventualmente, à política, comportamento e sociedade. E desde que ganhou endereço próprio na web, em meados de 2010 (lá se vão seis anos!), o blogão zapper jamais tinha feito alterações significativas em seu visual e plataforma, tornando tudo aqui cada vez menos atraente (visualmente, assumimos; em termos de conteúdo estas linhas online felizmente sempre se garantiram e prosseguiram como um dos endereços mais relevantes da blogosfera BR voltada à cultura pop) e mais defasado. E como sempre fomos um espaço virtual pra lá de independente, obviamente que tínhamos dificuldades em contatar um profissional competente na área de web design e que se dispusesse a promover mudanças e atualizações visuais aqui sem nos cobrar uma fortuna pelo trabalho. Encontrado esse profissional (graças a indicações do queridão Maurício Martins, o homem que comanda o portal Nada Pop) e estabelecido um acordo de parceria entre ele e estas linhas bloggers rockers para se efetuar as mudanças necessárias e urgentes aqui, foi questão de tempo para que a Zap pudesse mostrar sua nova cara, brilhantemente trabalhada e desenvolvida pelo web desginer Marcelo Shiniti (falamos mais sobre ele no final deste post). De modos que o blog zapper procurou, com essa mudança em seu visual, acompanhar a evolução estética que permeia velozmente qualquer plataforma que se dedica hoje em dia na web a transmitir informações e opiniões a uma determinada gama de leitores dispostos a perder alguns minutos (ou horas) de seu dia-a-dia na leitura destes textos, sejam eles de qual assunto for (política, cultura, esporte, comportamento etc.). Infelizmente o mesmo avançar do tempo e suas mudanças velozes parecem ter causado efeito contrário e negativo nas postura pessoal e política e no trabalho musical de um dos outrora grandes nomes da história do rock brasileiro dos anos 80’. Yep, João Luiz Woerdenbag Filho, mais conhecido como Lobão, e que lançou discos magníficos há quase trinta anos, passou uma década sem gravar e lançou finalmente esta semana seu novo trabalho de estúdio, intitulado “O rigor e a misericórdia”. No período em que passou fora dos estúdios de gravação Lobão jamais saiu de cena: apresentou programas de TV, escreveu e publicou livros (como a sua auto-biografia, que se tornou um grande sucesso editorial), seguiu fazendo shows e, talvez o principal, mudou sua postura político/ideológica radicalmente. De ex-militante mais à esquerda (e que chegou a votar em Lula para presidente), hoje o Velho Lobo se assume como total direitista. Não só: tomado de incontrolável pensamento ultra reacionário, se tornou um dos mais ferozes detratores do atual governo petista e um dos mais aguerridos defensores do impeachment da presidente Dilma. Até aí, direito dele agir e pensar dessa forma atualmente. Mas o que espanta é ver como suas opiniões são extremamente moralistas e conservadoras, não condizendo em absolutamente NADA com o músico e compositor que um dia cometeu pequenas obras-primas como “Vida Bandida” ou o mais recente (nem tão recente assim, pois foi lançado em 1999) “A vida é doce”. Enfim, se a mudança para PIOR tivesse se dado apenas no aspecto PESSOAL, não haveria muito o que comentarmos aqui – afinal cada um com suas opiniões e direito de dizer o que pensa sobre tudo, pois estamos numa democracia, não? O péssimo mesmo dessa história toda é constatar como Lobão, o músico, se tornou um zero à esquerda artisticamente falando, lançado um disco de fazer um adolescente que acaba de montar sua primeira banda de rock morrer de vergonha – da ruindade do álbum lançado por um sujeito que, aos cinqüenta e oito anos de idade, parece perdido e precocemente gagá em seu ofício de compor. Um ofício que nomes como Chico Buarque (com mais de setenta anos nas costas), por exemplo, não DESAPRENDERAM. Lobão parece que sim, desaprendeu o que já soube fazer muito bem. Ele continua o arrogante de sempre, o bocudo que solta a língua e dispara a esmo e que ainda se acha relevante musicalmente, sem ser um décimo do que era nos anos 80’. Mas isso é assunto para falarmos mais aí embaixo, nesse post que começa agora e que mostra portanto, a possível conexão mencionada lá em cima: o blog zapper, em sua sempre modéstia editorial e com seu respeito ao nosso eterno dileto leitorado, procurou se atualizar visualmente e se adequar a tempos duros de informação cada vez mais veloz, além da concorrência feroz por todos os lados. Já o músico Lobão, alheio à sua irrelevância em um mundo musical onde não existem mais mega stars, voltou atrás no tempo e regrediu mentalmente, politicamente e artisticamente a um tempo de obscurantismo total, que nós não imaginamos que ele poderia habitar. Então vamos lá, com o primeiro postão da nova Zap’n’roll.

 

 

  • Apreciem o novo visual do blog sem moderação, hihihi.

 

 

  • E sem comentários políticos esta semana aqui na notas iniciais. Está tudo igual no país da classe política mais imunda do universo. Então pra quê ficar repisando assuntos que todos já estão com o saco cheio de saber e comentar?

 

 

  • Teve show do Coldplay ontem em Sampa, com estádio do Palmeiras lotado pra receber a performance dos ingleses. O blog não foi na gi e nem precisava: já assistiu ao vivo Chris Martin e cia. em duas ocasiões, em 2003 e 2006 e ambas na saudosa casa de shows paulistana Via Funchal. Foram duas apresentações sensacionais, e que rolaram em um tempo em que o Coldplay ainda não era a banda gigantesca que é hoje e que só se apresenta em arenas para mais de quarenta mil pessoas. Muita gente odeia o quarteto e acha que ele se tornou pop demais. Pode ser. Mas estas linhas online ainda preferem ver um Coldplay lotando o estádio do Palmeiras do que o pavoroso Iron Merda, que lotou também o mesmo local no final de março. Mas prefere mesmo gaurdar as lembranças de ver o grupo ali, colado numa platéia de seis mil pessoas, há uma década. Esse Coldplay, infelizmente, não existe mais.

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O Coldplay ontem ao vivo, em Sampa: a banda ainda é boa, mas se tornou pop e gigantesca demais

 

  • Mas eis que no final deste ano já temos boas novas na área de showzaços rockers gringos por aqui. Pelo menos isso!

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  • E você já pode anotar na sua agenda: dia 30 de abril rola mais uma edição da festa goth/anos/80’ e com temática erótico/sado/masô Libertine, que tem sido uma das mais legais do atual circuito indie noturno paulistano. Dessa vez tudo vai acontecer no espaço Augusta 339 (lá no baixo Augusta, colado onde era o Astronete, que infelizmente fechou suas portas na semana passada) e com DJ set do blog, claaaaaro! Vai se preparando que vai ser daora.

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  • Daora também é a volta da Playboy brasileira, cuja primeira edição está programada para chegar às bancas no próximo dia 13 de abril. E a primeira capa da nova fase da revista não poderia ser melhor, néan.Yep, aquele XOXOTAÇO eterno que todos nós amamos! Miss Luana Piovani, uhú! Dá uma zoiada aí embaixo num “aperitivo” do que chega às mãos dos punheteiros de plantão na semana que vem.

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A nova edição brasileira da revista Playboy (acima) chega às bancas na semana que vem, com o XOXOTAÇO Luana Piovani (abaixo) como destaque, wow!

IMAGEMLUANAPLAYBOY2016

 

  • O postão está entrando no ar com tudo e aos poucos iremos atualizando as notas iniciais, se algo mega importante assim o exigir, certo? Mas por enquanto vamos direto ao ponto aí embaixo, mostrando porque o outrora grande Lobão se tornou um dos personagens mais lamentáveis do rock nacional. Leia e confira o que Zap’n’roll achou do novo disco do cantor e compositor.

 

 

APÓS UMA DÉCADA LONGE DOS ESTÚDIOS, LOBÃO NÃO SE CONTENTOU EM TER SE TORNADO UM REAÇA DE DIREITA – TAMBÉM LANÇOU TALVEZ O PIOR DISCO DE SUA CARREIRA

Foi o assunto musical da semana que está chegando ao fim, claro. O cantor, compositor, letrista e multiinstrumentista carioca (mas já radicado há alguns anos em São Paulo) Lobão, cinqüenta e oito anos de idade, um dos nomes mais conhecidos da história da música e do rock brasileiro dos anos 80’, lançou um novo disco com catorze faixas inéditas, após permancer uma década sem editar um álbum totalmente novo. Intitulado “O rigor e a misericórdia”, o trabalho na verdade já estava disponível há tempos para audição na web, em plataformas como o YouTube e o Spotify. Mas foi com a chegada do disco no seu formato físico (em cd) às lojas na última semana, que Lobão voltou aos holofotes. O cantor, atualmente muito mais conhecido e comentado por suas posturas políticas abertamente de direita e reacionárias (ele é um feroz crítico do atual governo petista, além de defensor ferrenho do impeachment da presidente Dilma) do que propriamente pelo seu ofício como músico, conseguiu ser capa do caderno Ilustrada, do jornal Folha De S. Paulo (em matéria assinada por um dos PIORES jornalistas do diário paulistana, o bundaça mole e lambão Thales De Menezes, conhecido na mídia pelo seu texto sempre total arroz-de-festa e chapa branca, não importa sobre o que ou quem ele esteja escrevendo). Não só: Lobão também recebeu resenhas (muitas elogiosas; algumas, mais rigorosas e sinceras, ANIQUILANDO com o lançamento) em jornais como O Globo, em sites como o da revista Noize e em blogs como o do jornalista Luiz Cesar Pimentel, no mega portal R7, em uma das melhores análises publicadas sobre o cd e lidas pelo autor deste blog.

“O rigor e a misericórdia” é ruim de doer, claro. Para quem (como este já calejado e veterano jornalista rocker) acompanha a trajetória de Lobão desde que ele fundou o grupo Blitz (ainda no início dos anos 80’), e tendo ouvido com entusiasmo pequenas obras-primas pop/rock suas como “Ronaldo Foi pra Guerra” (de 1984, no auge da new wave brasileira e quando Lobão sabia como ninguém alinhar guitarras rockers com melodias pop/radiofônicas dançantes e que grudavam nos ouvidos de quem as escutava), “O rock errou” (editado em 1986) ou “Vida Bandida” (seu auge comercial e como compositor, lançado em 1987 e que chegou a vender quase quatrocentos mil cópias na época), se torna uma autêntica TORTURA escutar catorze canções que se dividem entre heavy/hard rocks (com guitarras cujos acordes qualquer adolescente de dezesseis anos de idade, fã de Iron Maiden e que saiba tocar o instrumento, faz igual ou melhor) primários e juvenis, e baladas com pouca ou nenhuma inspiração, com uma “poética” digna de um garoto ginasiano (leia alguns trechos de algumas letras do disco logo mais aí embaixo).

Lobão possui um passado artístico respeitável, e isso é inegável. Contemporâneo de nomes gigantes da história do rock nacional (como Cazuza, Júlio Barroso e Renato Russo), aos dezessete anos de idade já tocava junto com Lulu Santos no grupo de prog rock Vímana. De lá saiu para montar a Blitz, onde ficou apenas no primeiro disco e depois partiu em carreira solo. Músico prodígio que se sai bem tocando diversos instrumentos (bateria, principalmente), ele logo mostrou grande pendor como compositor de potenciais hits para tocar nas rádios. E Lobão compôs vários ao longo dos anos 80’ e 90’, como “Corações psicodélicos”, “O rock errou”, “Revanche”, “Me chama” (uma das baladas mais lindas já feitas em toda a história do rock BR), “Rádio Blá”, “Decadence Avec Elegance”, “Vida bandida” e muitas outras. Sua trajetória artística entrou em decadência no meio dos anos 90’ mas, ainda assim e mesmo já fora do esquema das grandes corporações do disco, ele lançou alguns trabalhos de forma independente que ainda traziam a marca de um grande compositor e que, embora não fosse um letrista ao nível criativo dos textos escritos por Cazuza e Renato Russo, ainda assim possuía estofo cultural e intelectual suficientes para produzir uma obra como o ótimo, sombrio, quase dark, “A vida é doce”, que ele editou em 1999 e onde deambulava pelas gélidas planícies sonoras do trip hop, emoldurando letras que falavam de desencanto existencial agudo.

De lá pra cá a produção musical do cantor foi rareando cada vez mais. Mesmo assim ele se manteve sob os holofotes: nunca parou de tocar ao vivo, criou uma revista de música e cultura pop alternativa (a “Outracoisa”), publicou livros (entre eles sua auto-biografia, “Cinquenta anos a mil”, lançada em 2010 e que se tornou um best-seller para os padrões editoriais brasileiros, vendendo mais de cem mil exemplares, sendo que o jornalista Finaski inclusive tem seu nome citado neste livro), atuou à frente de programas de TV (na MTV e na Band) e, a grande surpresa: o sujeito que um dia gravou e cantou uma música como “Canos silenciosos”, que sempre se mostrou política e ideologicamente à esquerda, que fez campanha para Lula na eleição presidencial de 1989 foi, nos últimos anos, mudando radicalmente seu posicionamento. Hoje Lobão se tornou um dos artistas mais reacionários da música brasileira. Se declarando abertamente de direita e contra a presidente Dilma e o governo do PT, ele defende com unhas e dentes o atual processo de impeachment que está em curso em Brasília. Não só: participou de várias das passeatas promovidas contra o atual governo. E o título de seu novo álbum, “O rigor e a misericórdia”, quem diria, foi inspirado em um texto de autoria de Olavo de Carvalho, um dos papas da atual direita ultra reacionária brasileira. Jezuiz…

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O cantor, compositor e reaça de direita Lobão (acima) lança seu novo e péssimo disco; em entrevista chapa branca à Ilustrada, da FolhaSP (abaixo), ele afirma que “está do lado que venceu”. Será???

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Até aí, direito dele ter se tornado reaça (como pessoa, Lobão é de um mau caratismo exemplar e isso foi descoberto pelo jornalista zapper ainda nos anos 90’, quando o músico e o então ainda jovem mas já bastante conhecido repórter musical, e que já havia trabalhado em revistas como a semanal IstoÉ e a mui poderosa mensal Interview, foram razoavelmente próximos e quando o autor deste blog entrevistou o compositor em algumas ocasiões; na última delas, Lobão acabou desdizendo o que havia dito para uma matéria publicada na Interview e ainda chamou o blogger zapper de “canalha” e “mentiroso”, em entrevista dada ao jornal O Globo. Isso causou um rompimento definitivo entre jornalista e artista, numa história que você confere em detalhes também logo mais aí embaixo, quando o blog publica com exclusividade um dos capítulos inéditos do livro “Escadaria para o inferno”, justo o que conta em detalhes essa briga, sendo que o livro tem seu lançamento previsto para o segundo semestre deste ano). Porém, o que espanta é perceber como o MÚSICO Lobão regrediu como artista, em relação ao que ele já produziu em sua vida. E estas linhas online se deram ao trabalho de ouvir, ao longo dos últimos dias, pelo menos umas cinco vezes as catorze faixas de “O rigor e a misericórdia”, para se certificar de que não iria cometer injustiça ao escrever esta resenha. Pois então: o que esperar de um disco que começa com uma faixa instrumental (“Overture”), que remete ao que de pior e mais brega já foi produzido pelo prog/hard/heavy rock dos anos 70’? E não só: depois surgem horrores como “Os vulneráveis”, “A marcha dos infames” e “A posse dos impostores”, exemplos do que de PIOR já existiu no prog/heavy rock chumbrega. Emulando guitarras, melodias, efeitos sonoros e procedimentos de bandas cafonas como Supertramp (alguém se lembra dessa droga?) Iron Maiden, Judas Priest, Manowar, Dream Theather, Angra e Shaman, Lobão desce sem dó a ladeira da imbecilidade musical – a breguice do disco transcende o lado musical e chega à sua arte de capa, que lembra aqueles discos pavorosos lançados por Ronnie James Dio, Whitesnake ou qualquer uma dessas pragas hoje tão fora de moda. Se comporta como um ginasiano que acabou de montar sua primeira banda de rock e que acha que Steve Vai ou Joe Satriani são os maiores gênios da história da guitarra. Na parte das letras então, nem um adolescente de quinze anos de idade cometeria tamanha vergonha textual alheia – basta ler logo mais aí embaixo alguns trechos de algumas letras que o blog selecionou para corroborar sua análise. E vejam bem: estamos falando de um homem que está com cinqüenta e oito anos de idade!

Lobão gravou o disco inteiro sozinho (no estúdio que ele possui em sua casa, no bairro paulistano do Sumaré), também produziu o mesmo e isso é um mérito – sendo que o lançamento é do seu próprio selo, o Universo Paralelo. Como já foi dito aqui, ele é um multiinsrumentista que se vira muito bem em diversos instrumentos. Isso, no entanto, não livra a cara em nenhum momento de um disco que não possui novidade alguma (além dos heavy rocks, há algumas baladas frouxas, tramadas com violões e que não chegam à sola do sapato de uma música como “Me chama”, por exemplo), que é rasteiro musicalmente, sem unidade entre as músicas e que será rapidamente esquecido. Na matéria publicada na capa do caderno Ilustrada, da FolhaSP (onde o autor da reportagem, o jornalista Merda de Menezes, lambe os bagos do cantor sem pudor algum, derrama elogios sobre o disco e afirma que ele irá continuar “ótimo” daqui a uma década), entre outras “pérolas” de arrogância, Lobão disse que ficou tanto tempo sem gravar porque queria “aprender” pra lançar seu “melhor disco”. Se compara (meo deos…) a gênios como Villa-Lobos e Paulinho da Viola – aliás e talvez por isso mesmo ele tenha tentado emular o mestre maior do samba brasileiro em “Ação fantasmagórica à distância”, uma tentativa de samba totalmente torta e que deve estar causando dores estomacais inomináveis em Paulinho da Viola. Por fim, o músico diz que EVITOU politizar as músicas e contaminar o lançamento do trabalho com sua postura ideológica e pessoal atual. Mentira: a letra de “A posse dos impostores” é um claro ataque textual ao atual governo do país. Mas a música é tão ruim e a letra tão infantil que seu efeito acaba se tornando nulo. Nesse aspecto Renato Russo, Caetano e Chico Buarque já fizeram misérias e zilhões de vezes melhor, com versos e metáforas que, pelo visto, estão muito longe do alcance intelectual de mr. Lobão.

“Estou do lado que venceu”, disparou o cantor na matéria porca e chapa branca da FolhaSP. Se ele julga que esse peido indefensável chamado “O rigor e a misericórdia” é uma “vitória”, é porque o outrora Grande Lobo está precocemente senil e gagá. E cabe a quem é rigoroso (como este blog é, em suas análises) não ter misericórdia alguma com o reaça Lobão. Peça pra sair, queridão. E faça um favor a si mesmo e ao que resta de digno na sua trajetória no rock BR e na música brasileira.

 

 

O TRACK LIST DO NOVO DISCO DE LOBÃO

CAPALOBAO2016

 

1 – Overture

2 – Os Vulneráveis

3 – A Marcha dos Infames

4 – Assim Sangra A Mata

5 – O Que É A Solidão Em Sermos Nós

6 – Alguma Coisa Qualquer

7 – Dilacerar

8 – Os Últimos Farrapos da Liberdade

9 – A Posse Dos Impostores

10 – Ação Fantasmagórica À Distância

11 – Profunda E Deslumbrante Como O Sol

12 – Uma Ilha Na Lua

13 – A Esperança É A Praia de Um Outro Mar

14 – O Rigor E A Misericórdia

 

 

ALGUMAS “PÉROLAS” CONTIDAS NAS LETRAS DO NOVO DISCO DE LOBÃO

“Há muito tempo quero te dizer/que esse teu mundinho redondinho/a qualquer hora vai desmoronar”

(em “Alguma coisa qualquer”)

 

“O silêncio de uma lápide/Não evita a tempestade”

(em “Os últimos farrapos da liberdade”)

 

“Eu vou falar e é pra valer/Tenho mesmo que dizer/Só não sabe quem não quer saber”

(na faixa “Profunda e deslumbrante como o sol”)

 

“Tudo é tão simples e transcendental/Ao fazer um arco-íris no jardim”

(em “Uma ilha na lua”)

 

“A chuva que golpeia a pedra/Que golpeia o coração/Me faz imaginar que todo herói/Se diverte só/Possuímos o que desejamos/Mas nem sempre somos o que imaginamos ter”

(na faixa-título “O rigor e a misericórdia”)

 

 

O BLOGÃO ZAPPER ESTÁ EXAGERANDO EM SUA ANÁLISE SEM MISERICÓRDIA DO ÁLBUM DO BOBÃO?

Tire você mesmo suas conclusões, escutando o disco aí embaixo, no YouTube ou no Spotify.

 

E HÁ VINTE ANOS, UMA ENTREVISTA LENDÁRIA RESULTA NUMA BRIGA HISTÓRICA E NO ROMPIMENTO ENTRE O CANTOR E O JORNALISTA ZAPPER

 

(texto integral e inédito do capítulo “Duelando com Lobão”, que faz parte do livro de memórias do autor deste blog, “Escadaria para o inferno”, que será lançado no segundo semestre deste ano)

 

Capítulo 6 – Duelando com Lobão

 

Eu já era fã do Lobão artista, músico, compositor e cantor antes mesmo de eu me tornar jornalista – depois acabei descobrindo que o Lobão pessoa é um mau caráter de primeira. E hoje se tornou um reacionário de primeira também. Mas isso eu comento melhor logo aí embaixo, nesse mesmo capítulo.

Enfim eu gostava pra caralho do trabalho dele, e ainda gosto da maioria dos discos lançados por Big Wolf nos anos 80’ e parte dos 90’. João Luiz Woerdenbag Filho (seu nome verdadeiro) começou tocando bateria num (imaginem) grupo carioca de rock progressivo, chamado Vímana. Isso quando ele tinha apenas 17 anos de idade. Mas ele se tornou conhecido mesmo na Blitz, banda da qual foi um dos fundadores e que estourou no Brasil inteiro em 1982 com aquele grudento hit total new wave “Você não soube me amar”. Depois de mal saborear o mega sucesso com a Blitz João Luiz quebrou o pau com Evandro Mesquita (o vocalista e outro dos fundadores da banda) e caiu fora, seguindo em carreira solo. Lançou seu primeiro disco, “Cena de Cinema”, também em 1982. Depois veio “Ronaldo foi pra Guerra” (em 1984), com Os Ronaldos e seu primeiro sucesso solitário, “O rock Errou”, editado em 1986 e que tomou de assalto as rádios na época com a balada “Revanche”. É o célebre disco onde Lobão aparece vestido de padre na capa, ao lado de sua ex-mulher (e, diziam na época, prima) Daniele Daumerie. Que tinha apenas 17 anos de idade e que estava na mesma capa… pelada! (ok, coberta apenas por um véu)

E foi justamente por causa desse disco que eu conheci Lobão pessoalmente e falei com ele pela primeira vez na minha vida. Eu tinha acabado de conseguir meu primeiro emprego profissional como jornalista, fazendo frilas para a revista “Rock Stars”. Era março de 1986 e a gravadora RCA (hoje, Sony) estava lançando o disco do Grande Lobo (grande mesmo: ele tem quase 1,90m de altura). Convocou a jornalistada para uma coletiva de imprensa onde o selo sempre fazia isso em Sampa: no seu estúdio de gravação que ficava numa rua perto do largo de Santa Cecília. Lá fui eu todo pimpão, nos meus ainda inocentes 23 anos de idade, fazer minha primeira entrevista com um autêntico rockstar (isso em 1986, ano em que eu ainda iria entrevistar Lulu Santos e iria brigar com ele durante a entrevista; fora o bate-boca com John Lydon, ex-Sex Pistols e que aportou no Brasil em 1987 com o Pil, mas calma que eu chego nessas histórias ainda neste livro, rsrs). Enfim, foi como toda e qualquer outra coletiva: aquele festival de perguntas chatas e respostas idem. Com o passar dos anos atuando nessa porra de jornalismo musical eu aprendi isso: coletivas geralmente são sacais e a maioria dos jornalistas presentes nelas estão ali muito mais para adular o entrevistado do que efetivamente encostá-lo na parede e arrancar alguma declaração bombástica dele. Quer realmente fazer uma ótima matéria com quem quer que seja (artista, político, esportista famoso, o que for)? Consiga uma exclusiva (ou individual) com o sujeito, se prepare pro embate (pesquisando absolutamente tudo sobre a vida dele) e vá pro campo de batalha bem armado e municiado. Yep, algumas entrevistas se transformam em verdadeiros embates sangrentos entre entrevistador e entrevistado. E são dessas que saem as melhores reportagens.

Mas para mim, 23 anos de idade, primeira entrevista e ainda por cima com o Lobão (de quem eu era quase fã), tudo era festa. Até pedi autógrafo pra ele na capa do meu disco, ao final da coletiva. Atitude (pedir autógrafo) que eu teria mais umas cinco vezes durante minha trajetória como jornalista de música, e depois nunca mais. Me lembro de ter pedido autógrafos pro Echo & The Bunnymen ao final da coletiva com o grupo (na primeira e gloriosa vez que eles estiveram no Brasil, em 1987), pro Renato Russo (no camarim ao final de um show da Legião Urbana, no salão de festas do Palmeiras, também em 1986, quando eles estavam prestes a estourar) e pra mais uns dois ou três que nem me lembro agora. Depois, com o passar dos anos, com o peso da profissão vergando nas suas costas, com você também se tornando conhecido como jornalista, frequentando coletivas a todo instante e sacando o quão chatos e egocêntricos eram (e continuam sendo) a maioria (há exceções, claro) dos artistas que você admirava antes de conviver com eles, você vai perdendo o tesão por esse tipo de parada (pedir autógrafo). Aliás passa até a achar ridículo. E não se trata de uma postura ou declaração blasé. Mas sim de constatar o óbvio: músicos são como eu e você. Cagam, mijam, arrotam, peidam, comem, dormem, trepam (se forem mega famosos, óbvio que trepam muito mais que os simples mortais). O que a fama e a grana lhes dão a mais do que nós temos é exatamente isso (além do conforto material): arrogância, vaidade e egocentrismo. Como eu também fui me tornando egocêntrico (assumo) à medida em que crescia e ficava conhecido na profissão (principalmente quando trabalhei na IstoÉ e na Interview), passei a ter cada vez menos saco pra entrevistas coletivas.

Mas enfim, me tornei mais ou menos amigo do Lobão. Os anos foram passando e lá fui eu novamente entrevistar João Luiz. Dessa vez o ano era 1989, eu já estava na editoria de Cultura da poderosíssima IstoÉ e Lobão havia se tornado super rockstar com o estouro do disco “Vida Bandida”, que ele havia lançado em 1987 e que havia vendido quase 400 mil cópias. Agora o sempre bocudo cantor e um dos símbolos do rock brasileiro dos anos 80’ se preparava para lançar “Sob o sol de Parador”.  Eu era repórter de música da IstoÉ. O disco veio parar na minha mão junto com a pressão da gravadora para que eu entrevistasse seu artista. Sugeri a pauta e ela foi obviamente aceita. Só que tinha que ser no Rio, na casa dele, exclusiva. Aí sim! Data marcada, me mandei pro Rio na ponte aérea e o papo rolou suave. Ficamos um tantinho mais “amigos” um do outro. E anos depois essa “amizade” foi um dos principais fatores para que eu conseguisse entrevistar o sujeito novamente, desta feita para a Interview.

Era 1995. E muita água havia rolado embaixo da ponte – tanto da minha quanto do Lobão. Eu continuava na Interview (já estava lá há quase três anos), que infelizmente estava prestes a ser fechada pela editora Abril. E Big Wolf havia despencado ladeira abaixo em sua carreira: o sucesso comercial de seus discos lançados nos anos 80’ não havia se repetido na década de 90’. O resultado foi que ele havia saído da major RCA (após ficar anos por lá) e estava lançando “Nostalgia da Modernidade” pelo selo Virgin (que havia se instalado havia pouco tempo no Brasil), após ficar mais de quatro anos sem gravar um disco inédito. Foi quando sugeri uma entrevista com ele para a revista – que a essa altura estava sendo dirigida por Walcyr Carrasco, hoje um dos autores de novelas mais badalados da tv Globo. “Sim, precisamos entrevistar o Lobão”, aquiesceu Walcyr. “Pode cuidar disso”, acrescentou ele.

Lá fui eu bater na porta da assessoria de imprensa da Virgin, para pedir a entrevista com o cantor. E logo veio a resposta da assessora da Virgin uma tarde, por telefone: “Finatti, ele disse que te conhece, te considera mas ele não vai falar com a Interview”, disse a garota (não me lembro quem era a assessora na época, mas lembro que era mulher). Eu: “Por que não? A revista é bacana, descolada, formadora de opinião…”. Ela: “e também polêmica, abusada, encrenqueira. Todo mundo conhece a fama da Interview e do tipo de pergunta que ela faz nas entrevistas. Ele disse que não quer se submeter a isso pois tem receio que o foco das perguntas seja apenas em assuntos escandalosos e não no trabalho musical dele”.

CAPAINTERVIEWLOBAO

A capa da edição da extinta revista Interview, de dezembro de 1995 (acima), com entrevista feita com Lobão por Zap’n’roll (abaixo); o cantor soltou a língua contra a cantora Fernanda Abreu e quis DESDIZER o que disse, em episódio que causou o rompimento de diálogo entre músico e jornalista

IMAGEMMATERIALOBAOINTERVIEW

Ok. Fui obrigado a garantir que, além de ser eu quem iria entrevistá-lo, a pauta também seria focada na sua carreira musical e no lançamento do novo disco. Para reforçar o pedido o próprio Walcyr Carrasco enviou uma carta a Lobão, garantido que as perguntas da entrevista não ficariam concentradas em… escândalos e declarações polêmicas. Com isso, conseguimos vencer a resistência do músico e nosso encontro foi finalmente agendado. Lobão viria a São Paulo em determinada data, para gravar o programa de entrevistas do Jô Soares. A instrução era: eu iria acompanhar a gravação da entrevista dele no Jô e, em seguida, ambos iríamos para o flat onde ele estava hospedado (na chic zona sul da cidade, claro) e a entrevista seria concedida lá. E de fato tudo correu conforme o combinado: gravação do Jô Soares e depois ping-pong no flat onde o cantor estava naquela noite. A entrevista rolou durante um ótimo jantar (pago por Lobão, assumo), regado inclusive a algumas doses de Black Label. E todo o conteúdo das perguntas e respostas havia sido registrado por mim em duas fitas gravadas, totalizando duas horas de bate-papo.

O caldo começou a entornar lá pelo meio da entrevista, quando começamos a relembrar sua passagem pela Blitz. Lobão se enfureceu quando eu citei o nome da Fernanda Abreu, que era uma das cantoras do grupo. Espumou, bufou, se irritou e com sua conhecida metralhadora giratória oral fuzilou a ex-companheira de banda sem dó, disparando declarações como “Ela sapateava [na Blitz], não apitava. Ela não sabia nem cantar. (…) Ela é uma pessoa inconsciente, (…) ela não sabe falar direito!”. O atual ex-bad Wolf do rock brasileiro dos 80’ só voltou a se acalmar quando passamos a discorrer sobre seu novo trabalho musical. E ao final da entrevista, já se despedindo de mim, ele teve a cara larga pra me pedir: “Pô Finatti, eu me exaltei na hora de falar sobre a Fernanda Abreu, e acho que isso não é legal, reconheço. Você bem que podia me fazer um favor e dar uma ‘editadinha’ nessa parte, pode ser?”. “Vou pensar no seu caso” foi a minha resposta, rindo. E me despedi, rumando pra casa com as fitas gravadas com a entrevista.

Nunca que eu iria subtrair aquela parte da entrevista. Se coloque no meu lugar: você é jornalista e vai entrevistar um artista conhecido. Que lá pelas tantas do bate-papo (que, repetindo, estava sendo gravado) perde a estribeira e dispara cobras e lagartos contra outro artista conhecido. Ao final da entrevista o sujeito se arrepende e pede, de maneira sagaz (e apelando para a sua relativa amizade para com ele), que você retire das declarações aquela que pode lhe causar dor-de-cabeça no futuro. No meu lugar, você atenderia a um pedido desses? Eu não atendi, claro. E a entrevista com Lobão foi para as bancas na edição de dezembro de 1995 da revista Interview. Com a fuzilada na Fernanda Abreu inclusa na matéria.

A big shit estava armada. Isso porque dali a pouco mais de um mês (em janeiro de 1996), iria acontecer mais uma edição do festival Hollywood Rock (então o grande festival de rock que rolava anualmente no Brasil, com shows em Sampa e no Rio De Janeiro). E justamente nessa edição do HR o músico baiano Gilberto Gil iria se apresentar com uma big band em uma das noites. Big band onde estavam escalados pra participar dela, entre outros, Lobão e… Fernanda Abreu! E um mês antes do tal show a Interview lindona e pimpona nas bancas, com o ex-baterista da Blitz detonando impiedosamente a pobre Fernandinha, uia!

Big Wolf se apressou em desdizer o que disse na entrevista, claaaaaro. E ficou com um ódio mortal do seu (a essa altura) ex-“amigo”, esse mesmo aqui, autor deste livro. Tanto que, em uma entrevista publicada na época no diário carioca O Globo, e onde foi abordada a entrevista publicada na Interview, Lobão não perdoou: chamou a revista de mentirosa e o repórter de “canalha”. Ahã.

E o “embate” entre músico e jornalista não parou aí. Nos dias em que aconteceu o Hollywood Rock em São Paulo, lá estava eu dando plantão no lobby do hotel Maksoud Plaza, onde a trupe do evento (produção e artistas) ficava hospedada – foi ali, inclusive, que consegui uma exclusiva com o total arredio líder do The Cure, o estranhíssimo guitarrista e cantor Robert Smith. Até que na tarde do segundo dia de festival, quem surge todo faceiro no lobby do hotel? Lobão em pessoa. E ao ver-me já veio em minha direção, pronto pra… me trucidar ali mesmo? Quase isso: começou um bate-boca meio alto e escandaloso entre os dois ex-“amigos”, acompanhado por uma platéia razoavelmente grande de curiosos, entre hóspedes, jornalistas, seguranças e fãs que tentavam conseguir algum autógrafo com alguém que fosse se apresentar no HR. Eu nem lembro mais o que um disse ao outro durante a discussão. Só me lembro do final dela, com Lobão gritando: “Você é burro, Finatti!”. E eu respondendo: “e você é um fodido, que nem estando falido na carreira, desce do salto alto”. Terminou ali uma suposta amizade de uma década.

Nunca mais falei com João Luiz Woerdenbag Filho. E nem pretendo voltar a falar algum dia, mesmo que continue admirando e respeitando sua obra musical. Essa continua bacana e resistindo ao tempo. Mas o Lobão como pessoa, mau caráter como descobri que ele era e reacionário como se tornou hoje em dia, esse pra mim já era.

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CINCO MOTIVOS PELOS QUAIS O BLOG ACHA QUE A CULTURA POP E O ROCK ALTERNATIVO ESTÃO MESMO MORRENDO – E O IRON MERDA LOTANDO ESTÁDIOS NO BRASIL ATÉ HOJE É APENAS UM DELES

No final de março último o atualmente pavoroso, velhusco e ultra chumbrega grupo britânico de heavy metal clássico Iron Merda, ops, Maiden, esteve em turnê pela bilionésima vez no Brasil. Foi o de sempre, principalmente na gig na capital paulista: estádios lotados, fãs fanáticos em convulsão na hora do show etc. Ou seja: quando um conjunto RIDÍCULO como o Iron Maiden provoca essa autêntica catarse no rock’n’roll, quatro décadas após a sua fundação, é porque algo vai realmente muito mal na cultura pop planetária dos dias de hoje.

Assim, Zap’n’roll resolveu listar nesse tópico cinco motivos pelos quais estas linhas virtuais acham que o rock alternativo e a cultura pop estão mesmo indo pro saco, sem apelação. Leia e fique avonts pra concordar, discordar, elogiar e xingar (só não vale assinar fake, uia!).

 

1 – o próprio sucesso do Iron Merda até hoje, no Brasil: é um fenômeno realmente inexplicável. O quinteto liderado pelo baixista Steve Harris e pelo vocalista Bruce Dickinson já foi RELEVANTE na história do rock? Já e isso há uns trinta anos ou mais, quando de fato o surgimento do grupo provocou uma renovação bem vinda em um gênero (o metal) que sempre foi tosco, grotesco, obtuso, burrão (musical e textualmente falando), sexista, machista, reacionário e conservador. O IM chegou a lançar discos bacanas (“Killers”, “The Number Of The Beast”, “Powerslave”) mas há décadas se transformou numa caricatura de si próprio, além de ter se tornado completamente OBSOLETO sonoramente falando (e pra quem foi VANGUARDA um dia, isso é mortal). Então não dá pra entender porque até hoje essa BOMBA rocker segue tendo milhares de fãs no Brasil – e por causa deles vem praticamente todos os anos pra cá, pra encher o saco e arrancar milhões de dólares (sim, o cachê do grupo é pago em dólar) dos otários fãs brazucas. Lamentável é pouco e o sucesso secular desse MENUDO do heavy metal talvez seja um dos principais indicativos de que o rock está… morrrendo.

 

2 – os fãs do Iron Merda e do heavy merdal em geral: sério, você já viu raça mais escrota (comportamentalmente falando), conservadora, machista, reacionária e grotesca do que fãs de heavy metal? Pare para conversar com um sujeito (ou uma garota) dessa turma e depois nos diga. Pergunte a eles/elas suas opiniões sobre política (se é que o cérebro com 02 neurônios dessa pelegada consegue raciocinar para emitir opinião sobre algo), o que eles acham sobre negros, diversidade sexual, drogas, tolerância, ética, moral, sociedade, cultura em geral. E o pior é que o fã de metal se tornou o exemplo do que, no final das contas, o rock de hoje se tornou: inofensivo, inócuo, babaca, careta, bunda-mole e conservador. Justo ele, o rock’n’roll, que inspirou mometos iluninados de mobilização política e social na história da humanidade (como os festivais de Woodstock e o Live Aid, aliás festival de rock no mundo atual virou piada: basta freqüentar o Lollapalooza BR, aquele parque de diversões pra coxas endinheirados onde o que menos importa é a MÚSICA, e você entenderá o que estamos falando aqui). Já Elvis, né?

3 –  mundo virtual, internet, plataformas digitais, aplicativos e redes sociais: FODEU a humanidade, claro. Tá tudo dominado! Você entra no metrô e não consegue mais ver NINGUÉM lendo um LIVRO (ou jornal ou revista, que seja). Todos estão com os dedos digitando freneticamente imbecilidades/inutilidades em seus smartphones, em apps como o detestável whats app. Yep, a revolução digital DEMOCRATIZOU o acesso à informação, à cultura e propiciou que músicos sem lastro financeiro ou comercial pudessem mostrar suas criações para a humanidade. Mas e daí? Também ARREGANHOU as portas para um bando de milhões de idiotas que se consideram artistas geniais (sem o ser) VOMITAREM suas barbaridades sonoras na nossa orelha. Sábias foram as palavras ditas pelo filósofo italiano Umberto Eco pouco antes de ele morrer, em fevereiro passado: “a internet produziu uma LEGIÃO de IDIOTAS”. É verdade, ponto.

4 – e a derrocada não é apenas musical ou no rock’n’roll. Ela atinge praticamente todas as esferas da cultura pop planetária. Pensa: todos os clássicos (na música, na literatura, no cinema, nas artes plásticas etc.) já foram CRIADOS e eternizados. Ou você acha que, a essa altura infame do campeonato, vai surgir um novo Jimi Hendrix? Ou um David Bowie? Ou mesmo um novo Morrissey ou Ian Curtis? Cinema? Hollywood não possui mais roteiristas com cérebro e o que rende bilheteria são IDIOTICES monstro como “Superman X Batman” (e o populacho burrão AMA, claro) e que tais. Não vai surgir outro Francis Ford Coppola, outro Stanley Kubric, outro Martin Scorsese, Tim Burton, nem filmes como “O poderoso chefão”, “2001 – uma odisséia no espaço” ou “Laranja Mecânica”. Esqueça: o que espirra aos borbotões nas telas 3-D de hoje são jatos de sangue, provenientes de cabeças humanas decepadas em filmes de terror de quinta categoria, e nada mais. Literatura? Vem cá: há quantos anos não ouvimos falar de um novo nome que chegue PERTO da genialidade de um Oscar Wilde, de um Rimbaud, de um Jack Kerouac, de um Fernando Pessoa, Augusto Dos Anjos, Bukowski, Manuel Bandeira, Drummond ou de um Albert Camus? Hein???

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A cultura pop e o rock alternativo estão mesmo indo pra casa do caralho e o eterno sucesso de uma banda repulsiva como o Iron Merda (acima) é a maior prova disso; uma derrocada que também atinge o jornalismo cultural brasileiro, que não possui mais profissionais com o nível de um André Forastieri ou André Barcinski (ambos abaixo, junto com Zap’n’roll na noite de lançamento do livro do Forasta, ano passado em Sampa)

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5 – e por fim, o JORNALISMO cultural também está indo pra casa do caralho (literalmente, rsrs): ao menos aqui no Brasil ele está assim. O autor deste blog está com 5.3 de idade nas costas e se lembra quando começou sua trajetória no jornalismo musical, em 1986. Eram tempos realmente incríveis. Não havia internet, computadores, celulares, e-mails, apps, redes sociais, nenhuma dessas merdas pós-modernas. Quem queria se INFORMAR tinha que ir atrás de ÓTIMOS discos, filmes, livros, jornais (com seus cadernos culturais inesquecíveis) e revistas – muitas vezes importadas, já que publicações de qualiadade e relevância na imprensa nacional não davam exatamente em árvores (mas elas existiam). E essa busca por alta informação (de alta densidade cultural/cerebral) também se refletia na FORMAÇÃO do profissional que abraçava o jornalismo cultural. Foram muitos os nomes lendários que formaram uma geração imbatível na imprensa cultural brasileira até meados dos anos 90’, nomes como Maurício Kubrusly, Ezequiel Neves, Luís Antonio Giron (dileto amigo destas linhas rockers bloggers até hoje e um dos prefaciadores do livro “Escadaria para o inferno”, escrito pelo jornalista blogger/zapper), Fernando Naporando, Pepe Escobar, André Forastieri, André Barcinski e mais alguns poucos. Revistas como Somtrês e Bizz (em sua primeira encarnação) e cadernos culturais como a Ilustrada (da FolhaSP) e Caderno 2 (do jornal O Estado de S. Paulo, onde o autor deste blog trabalhou entre 1988 e 1989) eram fonte de informação total relevante e REFERÊNCIA para quem queria estar mega ultra bem informado sobre cultura. Hoje tudo isso foi pro saco, óbvio. O último suspiro de bom jornalismo cultural foi a edição brasileira da revista Rolling Stone e isso em seus primeiros três anos de existência (quando ela era dirigida pelos ótimos Ricardo Cruz e Pablo Miyazawa, época em que o zapper aqui também colaborou com ela). Atualmente a RS Brasil está um lixo jornalístico de dar dó, editada por jornalistas completamente bundas e incompetentes, como o retardado Paulo Cavalcanti. Blogs RELEVANTES de cultura pop na web BR? O que era produzido pelo André Barcinski no portal R7 (e que era excelente), foi encerrado pela direção do portal (sob a justificativa de contenção de gastos). Popload, de Lúcio Ribeiro? Já foi referência, hoje em dia… No terreno dos cadernos culturais: Ilustrada, da FolhaSP, um caderno que teve nomes como Giron e Carlos Heitor Cony, hoje se compraz em ter como repórter especial o LAMENTÁVEL Thales De Menezes (mr. chapa branca e bunda-mole e gorda em pessoa), aka Merda De Menezes, um sujeito de texto lambão, preguiçoso ao máximo, eivado de clichês e que geralmente fala bem de tudo o que escreve (afinal, ele vive indo NA FAIXA em todos os shows possíveis). Diante de um quadro desses fica praticamente impossível formar novos e bons leitores e dar a eles informação de qualidade. Na real (e isso é muito triste de se constatar) o jornalismo cultural brasileiro também está morrendo, tal qual a cultura pop atual.

É isso. Cinco ótimos motivos (infelizmente) que, na opinião destas linhas bloggers sempre contudentes em suas opiniões, demonstram como o rock’n’roll e a cultura pop já eram. Bem vaticinou o também gênio Andy Warhol, décadas atrás: “no futuro, todos serão famosos por quinze minutos”. Pois o futuro chegou e a profecia de Warhol se confirmou: hoje todos (músicos, escritores, atores e atrizes de cinema, e reles mortais em geral) se tornam celebridades por quinze minutos, principalmente em redes sociais como o faceboquete. E depois desaparecem pois sua IMBECILIDADE e IDIOTICE artística e pessoal terá que dar lugar a outro imbecil e idiota igual ou pior do que o anterior.

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

  • Disco, I: Bob Mould está ficado véio mas não pára. Aos cinqüenta e cinco anos de idade o sujeito que deu ao mundo duas BANDAÇAS (o Husker Du nos anos 80’, e o Sugar, uma década depois) continua bastante ativo em sua carreira solo. Tanto que ele lançou no final de março passado “Patch The Sky”, seu décimo terceiro disco solo (!). Não há grandes novidades em relação aos seus últimos trabalhos – e na real “Silver Age”, editado em 2012, sou um pouco mais abrasivo e melhor musicalmente. O que não é demérito algum: nas doze faixas do novo cd Bob engendra aquelas melodias com guitarras afiadas e aceleradas e que ele soube tão bem alinhavar nos tempos do Husker Du, quando descobriu o mix perfeito entre sua herança punk e melodias que pudessem ser tocadas em rádio e cantaroladas pelos fãs. Longe de ser uma obra-prima, é um álbum honesto e onde músicas como “Voices In My Head”, “Hold On”, “Black Confetti” ou “Losing Time” (as preferidas do blog) ainda garantem ótimas melodias e guitarras em um mundo pop/rock onde quase ninguém mais se importa com isso. Interessou em ouvir? Vai aí embaixo no Spotify, onde o cd já está disponível na íntegra para audição.

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O novo cd do grande Bob Mould (que pode ser ouvido abaixo)

  • Disco, II: nascido e criado na zona leste paulistana, o quarteto Coyotes California (formado pelo vocalista e letriste Falcão Moreno, pelo guitarrista William Antonetti, pelo baixista Toddynho e pelo batera Biano Rodrigues) lançou no final de 2015 seu segundo álbum de estúdio, “A minha parte eu quero em groove”. Numa primeira audição o trabalho pode soar algo anacrônico, visto que o foco musical do grupo sempre foi o rock mixado com grooves de funk, e sua inspiração sonora claramente vem do Faith No More, do Red Hot Chili Peppers (na fase gloriosa dos americanos, lá por 1991 com “Blood Sugar Sex Magik”) e no brazuca Charlie Brown Jr. Porém – e tal qual no cd de estréia, “Hello Fellas”, editado em 2012 – o CC ganha o ouvinte pela potência de suas músicas e pela excelência de seus músicos – todos ali são, sem exceção, MONSTROS em seus instrumentos e fazem barbaridades (no ótimo sentido) com os mesmos, montando a moldura sonora perfeita para as boas canções, letras e vocalizes tramados por Falcão Moreno. Assim há uma dose exemplar de porradas no disco (“Viva”, “Minhas escolhas”, “Menos dois centímetros de língua” ou “Não se importe e dance”, que fecha o cd com esse convite irresistível apoiado em uma grooveria infernal) e até algumas baladas singelas, como “A vida me ensinou” (que tem até a adição de uma surpreendente flauta em seu arranjo), “Tão nautral pra mim” e “Cicatrizes”. Não é a salvação da humanidade mas numa época em que o rock nacional (seja ele mainstream ou alternativo) literalmente FALIU (na qualidade artística e na repercussão comercial, de público e midiática) e não há mais heróis nessa parada, o novo rebento dos CC é uma agradabilíssima surpresa e ótima trilha sonora para uma festinha com os amigos ou para por o pé na estrada. Interessou pela banda? Vai aqui: https://www.facebook.com/groups/coyotescalifornia/?fref=ts. Sendo que você pode escutar o cd na íntegra aí embaixo.

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Coyotes California: grooveria dos infernos, direto da zona leste de Sampa

  • Filme: tem longa do novíssimo cinema paulistano aparentemente muito interessante em cartaz. “A bruta flor do querer” conta a história de um recém-formado no curso de Cinema e que ganha a vida filmando… casamentos. Está em cartaz no Cine Belas Artes (em Sampa) em apenas UM horário diário e vale a conferida, sendo que o trailer dele está aí embaixo.

  • BALADAS? Vamos a elas! Yep, com o primeiro postão lindão da nova fase do blogão sendo concluído já na quinta-feira (14 de abril), vamos ver o que rola no circuito alternativo paulistano, que ficou um pouco mais tristonho após o fechamento do Astronete. Enfim o oba-oba já começa hoje, com a noite pop “Loucuras” no bar gls A Loca (rua Frei Caneca, 916, Consolação, região central de Sampalândia), com as pick-up’s comandadas pelo super DJ André Pomba.///Amanhã, sextona em sim, tem a festa “No Fun” no Outs (na rua Augusta, 486, centro de Sampa), comandada pelo DJ João Pedro Ramos.///E sabadão é noite do open bar mais infernal da cidade, também no Outs. É isso. Poucas opções essa semana pra se jogar, vocês não acharam? O blog também achou, rsrs. Mas bora lá curtir com gosto, porque a vida é curta.

 

 

E FIM DE PAPO!

Postão ficou lindão e grandão no novo visual zapper, e todo mundo feliz com ele, néan. Então aproveitem e leiam com calma e sem moderação que na semana que vem estamos por aqui novamente. Até lá!

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O novo visual e plataforma da Zap’n’roll foram desenvolvidos pelo web designer Marcelo Shiniti, que trabalha há anos na área. Entre outros, ele é o responsável pelo visual do portal de rock e cultura pop Nada Pop, que pode ser acessado em WWW.nadapop.com.br. Para saber mais sobre o trabalho do Marcelo, vai aqui: http://marceloshina.com.br/.

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 14/4/2016, às 18:30hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL (falando da festa Libertine, que vai agitar o finde em Sampa, e também do novo álbum do Primal Scream) – Em post especial (e menor) e MUITO POLÍTICO o blog zapper fala sobre e analisa a situação de um país completamente em chamas (o Brasil), com a política e a economia mergulhados no caos e com parte da população (a que não aceita até hoje a derrota nas urnas nas últimas eleições presidenciais do seu candidato) e de agentes públicos total inescrupulosos querendo dar um GOLPE político/institucional na nação; e o desaparecimento de um blog e a morte de um jornalista musical tornam ainda mais pobre a cultura pop e a mídia rock brazuca (post finalizado em 24/3/2016)

O país em chamas: mega mídia porca em conluio com partidos políticos sujos de direita e total reaças arquitetam golpe institucional contra Dilma e Lula (acima), isso na mesma semana em que a cobertura jornalística dedicada à cultura pop e ao rock alternativo na blogosfera da web BR ficou mais pobre, com o fim do blog de André Barcinski e a morte do jornalista Dum De Lucca (na foto abaixo, junto com a saudosa equipe do portal Dynamite online, durante uma das festas de entrega do Prêmio Dynamite de Música Independente anos atrás, no Centro Cultural São Paulo)

 

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EXTRINHAS RAPIDÕES PRA FECHAR O POST

* Como falamos na semana paasada, ao publicar o novo post zapper, ele seria menor e mais político. Enfim, de lá pra cá a fervura política só aumenta nesse país ABANDONADO por deus (seja o que for e quem for ele). E ESSA LISTA encontrada na Odebrecht promete DERRUBAR a imunda política nacional de vez. Será que vamos finalmente conseguir DESRATIZAR a política brazuca? A conferir…

 

* E como o blogon resolveu passar o feriado “santo” em Sampa mesmo, ESSA FESTA aí no cartaz promete DERRUBAR tudo na madrugada de sábado pra domingo no centrão rocker da capital paulista. É a estréia de Zap’n’roll como DJ residente da balada e todos estão convidados desde já a ir lá, loucurar na pista. Sendo que você fica sabendo de todas as infos sobre o esporro rock’n’roll aqui: https://www.facebook.com/events/898498760268559/.

 

* É isso. Semana que vem voltamos aos trabalhos em ritmo normal por aqui, falando inclusive do novo disco do grande Primal Scream, que já está agitando a web e sendo que o primeiro single de trabalho já pode ser visualizado nas plataformas como o YouTube. Firmeza? Então até mais!

 Os escoceses do Primal Scream (acima) e o novo vídeo da banda, com participação da gostosona Sky Ferreira: “Chaosmosis” na área!  

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A semana do caos total.

É assim que ela está prestes a se encerrar nessa sexta-feira, quando finalmente o novo post de Zap’n’roll está entrando no ar. Mergulhado em um caos político e econômico sem precedentes e como há décadas não se via, o Brasil segue completamente dividido entre os que defendem a manutenção da democracia, do estado de direito, da liberdade de expressão e da permanência da presidente Dilma no Palácio do Planalto, e entre aqueles que – absolutamente inconformados com a derrota nas urnas nas últimas eleições presidenciais – querem ARRANCAR Dilma do Poder a qualquer custo. Com isso o Brasil segue paralisado tanto política quanto economicamente. E quem acompanha estas linhas online há séculos sabe muito bem de que lado o blog está: ele defende com unhas e dentes a permanência de Dilma à frente da presidência. Sim, o PT CAGOU tudo o que pôde na condução/gerenciamento do país? Fato, cagou. O partido se lambuzou no Poder, se locupletando na máquina pública? Também. Está LOTADO de RATAZANAS imundas em seus quadros? Sim. Mas cabe a nós perguntar: e a Polícia Federal, o Ministério Público, a Justiça Federal, todos não estão cumprindo suas funções de INVESTIGAR e APURAR todos esses crimes? Se não estivessem, a operação Lava Jato já não estaria durando dois anos e não teria condenado até agora mais de trinta réus envolvidos nos crimes investigados. E por que tudo isso foi possível, afinal? Porque foi no governo de LULA e do PT que deu-se ampla liberdade de ação para a PF investigar absolutamente TUDO e TODOS aqueles suspeitos de estar cometendo algum crime. Uma liberdade que a PF JAMAIS teve nos tempos da ditadura militar ou dos governos Collor, Itamar Franco e FHC. Então há de se LOUVAR sim essa iniciativa dos tempos do petismo. E há também de sempre se ressaltar o seguinte: Dilma pode ser tudo (turrona, teimosa, cabeça-dura, raçuda etc.) mas BANDIDA ela definitivamente não é só quem acompanha a história do país nas últimas cinco décadas e conhece a biografia dela, sabe disso (apenas pra constar: o autor destas linhas virtuais hoje totalmente preocupadas com os rumos que a crise política nacional está tomando, é GRADUADO em História). Mas a COXARADA estúpida, BURRA, idiota, imbecil, escrota, reacionária, EGOÍSTA  e moralista hipócrita que formou desde sempre a elite e a classe média BESTIAL do Brasil, não quer saber da biografia de Dilma. Não quer saber que Lula foi o MELHOR presidente que o país teve de trinta anos pra cá (tirando milhões de pessoas da pobreza absoluta e lhes dando condições humanas e dignas de existência). Essa classe média HORRENDA está gritando na avenida Paulista (no centro financeiro do Brasil) porque ela não suporta sentir dor no seu BOLSO. Não suporta saber que não tem dinheiro pra fazer compras em Miami ou levar os filhos pra passear na Disneylândia. Porque enquanto ela tiver dinheiro pra isso, FODA-SE a maioria humilde e pobre da população, aquela que mora nas periferias das grandes metrópoles brasileiras, que trabalha em empregos de rotina pesada e mal remunerada e que sequer nunca botaram os pés pra fora da própria cidade. Então os COXAS GRITAM e com o beneplácito da mega e PORCA mídia e até com a conivência do GRANDE CRÁPULA e BANDIDO que DESGOVERNA o Estado De São Paulo, esse IMUNDO chamado Geraldo Alckmin, o cafajeste que joga sua PM truculenta ao máximo em cima de manifestantes que saem às ruas para protestar contra aumentos nas tarifas de transporte, mas deixa um bando de coxas estúpidos ACAMPAR na avenida Paulista por mais de trinta horas, impedindo o livre trânsito de veículos. Tudo bem, afinal o alvo são Dilma e Lula. Vamos ver como será o tratamento dado aos manifestantes que irão HOJE, sexta-feira, 18 de março, à mesma avenida Paulista, fazer passeata em DEFESA da democracia e da permanência de Dilma na presidência da República. O blog estará lá também, não apenas para acompahar tudo como profissional do jornalismo que é, mas para dar seu APOIO IRRESTRITO ao governo e bradar contra essa calhordíssima tentativa de golpe político em curso no país, um golpe patrocinado pela elite suja, pela classe média BURRA, por políticos de direita, pela mega mídia PORCA e igualmente CORRUPTA e até por um Poder Judiciário que deveria ser EXEMPLO de retidão ética, moral e de IMPARCIALIDADE total – Sérgio Moro, o atual novo “herói” do Brasil, mais parece um agente moderno da GESTAPO (a polícia política e secreta de Hitler, durante os anos do governo nazista na Alemanha). Afinal desde quando um juiz federal se presta à CANALHICE e a completa falta de escrúpulos morais de VAZAR para a imprensa o teor de gravações sigilosas provenientes de investigações determinadas por ele mesmo e que, por isso mesmo, deveriam permanecer em rigoroso SEGREDO de JUSTIÇA? Esse senhor está se julgando acima dos Poderes constituídos e da própria Constituição brasileira, rasgando a mesma e mandando-a pra casa do caralho? E depois é Dilma que está comtendo crime, ao tornar Lula Ministro de seu governo??? Vamos ver onde tudo isso vai dar. No momento, o blog encerra esse editorial de abertura desse post apenas firmando sua posição: SOMOS DILMA. E NÃO VAI TER GOLPE!

 

 

* A GRANDE CANALHICE DA MEGA MÍDIA E DOS CAPITALISTAS SELVAGENS, ENGANANANDO A MANADA COXINHA, IMBECIL E BURRA, VISANDO DAR GOLPE POLÍTICO NO BRASIL – acompanhando os noticiários da mídia impressa e eletrônica e dos telejornais ao longo desta semana, chega-se à conclusão de que não é preciso refletir muito (e quem tem um mínimo de inteligência e capacidade de raciocínio também não precisa) para entender na real o que está se passando nesse momento no Brasil – além, sim, das investigações da operação Lava Jato, que visam LIMPAR a apodrecida política brasileira de todos os bandidos que nela estão entranhados. E quando dizemos todos têm que ser TODOS MESMO, não importa qual seja a agremiação política. Mas enfim: onde os manifestantes anti-governo se concentraram em São Paulo, ao longo da semana? Na frente do prédio da FIESP. Yep, a CAPITALISTA SELVAGEM em grau máximo e ultra poderosa Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. Ela mesma, que durante décadas EXPLOROU (e continua explorando) SEM DÓ a massa trabalhadora humilde, mal remunerada e sempre tratada como CAPACHO por esse PORCO, arrogante, sujo, egoísta e elitista sindicato patronal de também LADRÕES que são. O mesmo sindicato (com muitos BANDIDOS também entrincheirados ali, naquele prédio suntuoso localizado na avenida mais importante da capital paulista) que ontem cobriu sua fachada com essa faixa sórdida aí na foto (“renuncia já”) e que já a trocou (agora é “impeachment” já). E o mesmo sindicato que ontem, quinta-feira, ofereceu ALMOÇO GRATUITO (com direito a FILÉ MIGNON no cardápio) pra quem participou das manifestações contra Dilma. Que beleza, hein! Como bem observou o querido André Forastieri (um dos diretores executivos do portal R7, da TV Record, além de dileto amigo destas linhas bloggers), se fossem OUTROS manifestantes (defendendo o governo e direitos justos de todos nós), não haveria filé mignon grátis pra eles mas, sim, cassetetes e balas de borracha da PM de  geraldinho alckmerda. Coxarada BURRA, IMBECIL, ESTÚPIDA, EGOÍSTA, MASSA DE MANOBRA e que não está nem aí pros POBRES desse país. No final das contas saberemos quem estará certo nessa já batalha quase civil e sangrenta.

 

 

* Quem é a favor da democracia e do livre estado de direito: borá hoje à tarde pra Avenida Paulista, em São Paulo.

 

 

* E os COXAS BESTIAIS tratam ASSIM quem pensa ao contrário deles:

 

 

* #NÃOVAITERGOLPE!

 

 

* E enquanto o Brasil pega fogo na esfera política, econômica e social, nada digno de nota acontece no pop/rock planetário. Em Sampa ao menos tem show do Black Rebel Motorcycle Club hoje, na Casa Das Caldeiras, hoje à noite.

 Os americanos do BRMC: show hoje à noite em Sampa

* Mas o blog tem a incômoda sensação de que a cultura pop está ficando cada vez mais pobre a cada dia, inclusive na sua cobertura jornalística, com o fim de um ótimo blog e a morte de um jornalista que, embora estas linhas rockers estivessem de relações rompidas com ele, reconhece o conhecimento enciclopédico de rock’n’roll que ele possuía. Mas falamos sobre isso melhor aí embaixo.

 

 

O FIM DO BLOG DE ANDRÉ BARCINSKI E A MORTE DO AUTOR DA JUKEBOX

Em uma semana já caótica em grau máximo para o Brasil na esfera política e econômica, a mídia eletrônica voltada à cobertura de assuntos relacionados ao rock’n’roll e a cultura pop em geral, sofreu dois golpes bastante negativos. No domingo passado, 13 de março, amigos em comum comunicaram a estas linhas online o falecimento do jornalista Dum De Lucca, responsável pelo blog e programa de web radio “Jukebox”. E na segunda-feira logo pela manhã André Barcinski, um dos principais jornalistas da área cultural na atual imprensa brasileira (além de bom amigo zapper), também anunciava o fim de seu blog homônimo no portal R7.

 

São duas perdas bastante consideráveis, ainda mais em um momento como o atual, onde o rock alternativo mundial e brasileiro se mostra visivelmente em crise criativa e qualitativa, e quando a mídia nacional especializada nesse tipo de cobertura também sofre com a ausência de bons profissionais e de boas plataformas (sejam elas impressas ou digitais) que ofereçam uma cobertura decente desses assuntos. Nesse aspecto o blog escrito por André Barcinski no R7 era um dos melhores e mais confiáveis do Brasil. Barça, quase um cinqüentão já, começou sua carreira jornalística muito jovem e como fotógrafo. Durante anos trabalhou nas empresas do grupo Folha (em jornais como o extinto Notícias Populares e também na própria Folha De S. Paulo, onde colabora até hoje) e há seis anos começou a escrever seu próprio blog, inicialmente na FolhaSP e por fim no R7. Com vasto conhecimento de cultura pop e rock alternativo é um jornalista versátil, de ótimo texto e que também já publicou vários livros sobre música (sendo um dos mais conhecidos a biografia que ele escreveu do cineasta Zé do Caixão), atuou em programas de rádio (como o lendário “Garagem”) e participou de zilhões de coberturas dos principais festivais de rock que aconteceram no país nas duas últimas décadas. E segundo ele próprio, o R7 (atualmente o maior portal de internet do Brasil, mantido pela TV Record) decidiu encerrar o blog por um motivo intransponível (e não, não foi baixa audiência dos leitores): a crise econômica que arrasa o país nesse momento, atingindo também e em cheio o meio jornalístico.

O jornalismo rocker ficando mais pobre no Brasil: em uma mesma semana a blogosfera da web BR de cultura pop perde os excelentes textos de André Barcinski (acima, com Zap’n’roll e o também grande jornalista André Forastieri) e a coluna Jukebox, escrita pelo jornalista Dum De Lucca (abaixo), falecido no último domingo, vitimado por um câncer 

 

Já Dum De Lucca era antigo conhecido pessoal do autor deste espaço rocker online. Aliás Zap’n’roll não se recorda direito quando ambos se tornaram (naquela época) amigos. Deve ter sido por volta de 1988, quando tanto Dum quanto o jornalista zapper estavam cobrindo um festival gigante de blues que estava acontecendo em São Paulo. De lá pra cá foram muitas idas e vindas, discussões e desavenças e reaproximações entre ambos, sendo que cada um tomou rumos diferentes em sua trajetória jornalística: enquanto Dum (que tinha dupla nacionalidade, por ter nascido em Paris), que já havia trabalhado em veículos como o SBT e a rádio do Centro Cultural São Paulo, se dedicava a escrever seus textos para revistas privadas de empresas, o jornalista zapper passou por veículos como as revistas Somtrês, Bizz, IstoÉ, Interview e Rolling Stone, além de jornais como Estadão, FolhaSP, Jornal Da Tarde e Gazeta Mercantil. E por fim, de anos pra cá ambos seguiam atuantes na blogosfera BR de cultura pop com seus blogs. Sendo que de meses pra cá a comunicação entre Zap’n’roll e Dum estava definitivamente rompida, um afastamento causado por divergências políticas, comportamentais e pessoais aparentemente irreconciliáveis. Mas nem por isso este espaço  virtual deixou de respeitar o excelente material que Dum (que possuía um conhecimento enciclopédico de rock’n’roll, fato que inclusive e infelizmente tornava a personalidade do jornalista um tanto arrogante) postava em seu blog e em seu programa de rádio na internet. Sua morte (comunicada a este blog na noite do último domingo pelo também jornalista e amigo Ayrton Mugnaini) foi repentina e completamente inesperada: há 30 dias, durante uma viagem a Paris, o jornalista sentiu-se mal e foi internado às pressas em um hospital da capital francesa. Os exames feitos então revelaram um câncer fulminante e já incurável, que havia surgido no fígado e já tinha atingido também baço e rins. De Lucca morreu um mês depois, aos cinqüenta e oito anos de idade, no último domigo.

 

Estas linhas rockers online lamentam tanto o fim do blog do Barça quanto a morte de Dum (e o conseqüente desaparecimento do seu blog e programa Jukebox). Em uma era em que o jornalismo musical empobreceu ao máximo e o rock’n’roll planetário segue descendo sem dó em direção ao abismo pleno da mediocridade total, ambos os espaços textuais vão fazer falta e deixar muitos leitores órfãos. A nós só resta torcer para que um milagre aconteça e surjam novos talentos jornalísticos do nível de André Barcinski e Dum De Lucca.

 

* Para ler a despedida do blog do Barça no portal R7, vai aqui: http://entretenimento.r7.com/blogs/andre-barcinski/adios-amigos-20160314/.

 

* Para ver como era o blog Jukebox, de Dum De Lucca, vai aqui: http://www.dumjukebox.com.br/.

 

 

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 FINALIZANDO O POST

Yep, o post realmente está beeeeem mais modesto desta vez porque a correria aqui ta grande, como sempre. Mas fique sussa que semana que  vem voltamos ao ritmo normal, okays? Vai ficar em Sampalândia no feriado? Então cola na festa Libertine (mais infos laaaaaá em cima, no início do post) que é a MELHOR opção de balada rocker pra este finde no circuito under de Sampa. Beleusma? Então até a próxima, povo!

 

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti  em 24/3/2016, às 18hs.)

Hollas 2013! O ano começa bombando e muito bem, com discão novo da lenda indie Yo La Tengo. Mais: as confusas datas do Cure na América do Sul (Brasil incluso), os vinte anos do show de um certo Nirvana em Sampalândia e um mega diário sentimental onde o blog relembra histórias cabulosas de putaria e consumo pesado de drugs ao som do gênio imortal David Bowie, que acaba de sacudir o mondo pop ao anunciar para março seu novo disco, o primeiro inédito em uma década (versão final em 21/1/2013)

O novo e “muderno” rock’n’roll planetário perde cada vez mais sua essência e qualidade; cabe então aos gênios eternos da história da música, como o camaleão David Bowie (acima, em foto p&b clássica dos anos 70’, quando ele morou em Berlim e enlouqueceu homens, mulheres e lesbos e bichaças variadas com sua beleza indescritível), que anunciou seu novo disco para março, ou a grupos indies já veteranos mas ainda relevantes como o americano Yo La Tengo (abaixo), manter o que resta de alta qualidade em meio a toda essa mixórdia  

 

Mais um ano. O décimo do blog.
Yep. Após a sua já habitual e tradicional pausa de final/início de ano, Zap’n’roll inicia os trabalhos neste 2013 – que já começou mega agitado na verdade. Um agito a altura de um blog de rock alternativo e de cultura pop que este ano celebra uma década de existência ininterrupta, sendo que a data será devidamente comemorada em abril, com festona bacana (intercalada por shows indies de responsa e discotecagem idem) lá na “nossa” casa, o Dynamite Pub. O mesmo abril que poderá ver a lenda goth The Cure finalmente voltar ao Brasil, após quase vinte anos de espera por parte dos fãs. E o mesmo abril que já estará vendo nas lojas do mundo todo o novo álbum de outra lenda gigante e imortal do rock, o gênio David Bowie, que como todos já ficaram sabendo anunciou, no dia do seu aniversário (que aconteceu em 8 de janeiro) o lançamento de seu novo álbum de estúdio, o primeiro em uma década. Tudo isso (datas do Cure confirmadas no Brasil, novo disco do Camaleão) foi sendo divulgado e pegando os rockers e a mídia de surpresa ainda no comecinho do ano, prenunciando que 2013 vai ser fodástico em se tratando de discos, shows e agitos na cultura pop. O mesmo agito que o blog espera embalar seus posts nos próximos doze meses. Afinal foi pra isso que o autor destas linhas online foi descansar na virada do ano, passando dez dias aprazíveis e inesquecíveis no autêntico paraíso na Terra que é a minúscula cidade Mineira de São Thomé Das Letras: pra voltar com as energias renovadas e com gás total pra enfrentar um mundo que continua cada vez mais caótico e cruel lá fora, seja numa mega metrópole como Sampalândia, seja no interior de Goiás, seja no Mali (lá na paupérrima África), seja na Síria, seja onde for. Se não houver equilíbrio emocional e energia de sobra a pessoa não agüenta a pressão e o mundo nos engole, é fato. Mas o ano está aí, começando e a esperança renovada é de que sempre tudo flua melhor em todos os sentidos e pra todo mundo, em especial para o nosso sempre fiel e dileto leitorado que nos acompanha há tantos anos. O blog está cheio de projetos para os próximos meses, incluso aí a publicação de seu aguardado livro compilando as melhores colunas e posts publicados até hoje. E depois de Cure pela terceira vez, de ver seu livro publicado e, quem sabe, de se ver apaixonado novamente (e desta vez, em definitivo) o blogger ainda loker mas já tiozão possa aposentar de vez estas linhas online, para vê-la se despedindo no auge e deixando seu registro impresso para a posteridade. E depois: o merecido descanso no paraíso na Terra. Sim, São Thomé onde a violência urbana e os distúrbios sociais que infestam o planeta nunca haverão de chegar. Dali iremos curtir de fato os anos que ainda restam e seremos testemunhos serenos do turbilhão que cerca nossa existência. Mas antes, bem-vindos ao blog em sua versão 2013. E ao primeiro post do novo ano, que já começa quente como prometem ser os próximos meses.

 

* O réveillon zapper no matão Mineiro não poderia ter sido melhor, uia! Foram dez dias na bucólica e sempre paradisíaca São Thomé Das Letras, minúscula cidade (com oito mil habitantes!) localizada no sul de Minas Gerais. O blog passa viradas de ano por lá há anos (mais de década e meia, pelo menos) e nunca se enjoa da calma do lugar, da sempre deliciosa comida típica mineira, das saborosas pingas artesanais (com dezenas de sabores), dos passeios pelas trilhas e pelo sempre indispensável banho de cachoeira de ano novo, lá no complexo da Eubiose. E este ano particularmente a cidade estava animadona, com centenas de turistas se divertindo e descansando do inferno cotidiano que reina nos grandes centros, por lá. Fora que, numa das noites em que estava por lá o blog foi experimentar a pizza local, com os queridos Hansen (o homem do Harry, uma das grandes lendas do rock eletrônico under brazuca dos anos 80’), Jackie e Max. Foram três sabores diferentes degustados no restaurante “Alquimista” (na praça central da cidade, que serve cozinha italiana de ótima categoria), e a turma saiu de lá mega satisfeita. Thomé, na verdade, está se “sofisticando” de anos pra cá, até onde isso é possível: tem bons restaurantes, boas opções de balada, ótimas pousadas, serviço decente de internet etc. E ainda assim, mantém sua calma inalterada, o que é o melhor da parada. Por isso mesmo que o autor destas linhas virtuais mantém seu projeto de se mudar pra lá até o final deste ano. Afinal, quando se chega numa segunda-feira bravíssima de manhã em Sampa, e depois de dez dias no paraíso você se defronta com um terminal rodoviário do Tietê chupinhado de gente, e ainda pega um metrô que mais parece uma lata de sardinha, a conclusão é inevitável: o blogger outrora maloker não tem mais saco pra agüentar isso aqui.

Trio parada duríssima (rsrs) curtindo o último reveillon na paradisíaca São Thomé Das Letras, entre pizzas, cachoeiras, marijuanas e goles generosos de whisky Buchana’s: Zap’n’roll e os amigões e músicos Hansen e Max

 

*E uma boa notícia política no início do ano: o senador Randolfe Rodrigues (do Psol do Amapá) será candidato à presidência do Senado. Em um mundo político (o brasileiro) pra lá de podre e corrupto, o jovem senador amapaense é um dos poucos nomes hoje com um trabalho honesto e confiável na esfera pública nacional. O blog torce pela sua eleição desde já.

O senador Randolfe Rodrigues (Psol/Amapá) vai sair candidato a presidente do Senado Federal; o blog torce pela sua vitória desde já!

 

* Prestem bem atenção na foto aí embaixo. O “grande chefe” com a expressão mezzo franzida (querendo dizer algo na linha “quem manda aqui sou EU!”) e ao seu lado, o “aprendiz de chefe” com o olhar meio constrangido, rsrs.
No Jornal do SBT, há pouco, o comentarista político José Newmanne Pinto foi “direto ao assunto”: “como reza o dito popular, que PODE MANDA. Quem tem JUÍZO… obedece”. Simples assim.
Em que mesmo nós paulistanos VOTAMOS para ser o PREFEITO de São Paulo, nas últimas eleições?

O “aprendiz de chefe” ao lado do “chefe supremo”: em quem o eleitor paulistano votou mesmo para prefeito nas últimas eieições?

 

* Música e rock, néan? Afinal estamos aqui pra isso, hihi. Entre as várias notícias que já agitaram o mondo pop logo nas primeiras semanas do novo ano (disco novo de Bowie a caminho, disco novo do grande Yeah Yeah Yeahs finalmente também a caminho, Psy vindo tocar no Brasil em fevereiro, o saudoso Joe Strummer, falecido vocalista da lenda The Clash, sendo homenageado com o seu nome em uma praça na Espanha, o aumento no preço dos tickets do Lollapalooza BR, novo disco dos Strokes ainda em 2013 e bla bla blá), uma das que mais continuam chamando a atenção é sobre o lançamento do primeiro disco solo do gênio Johnny Marr (que um dia foi guitarrista de uns certos Smiths), marcado para o mês que vem. Marr já produziu vídeos para duas faixas do álbum, sendo que o mais recente é para “Upstarts” (e que você pode conferir aí embaixo). Na boa? A música é ok e tal mas… falta algo ali, é o que estas linhas online acham. Assim como também achamos que vai ser meio difícil Johnny Marr compor um disco completo que reedite os momentos de glória e brilho composicional que ele atingiu nos Smiths. Mas enfim, vamos aguardar “The Messenger” (que será lançado oficialmente em 25 de fevereiro) pra depois fazermos uma avaliação mais, hã, criteriosa do trabalho.

Johnny Marr/”Upstarts”

 

* E anteontem fizeram exatos vinte anos que o Nirvana se apresentou no Brasil, no extinto festival Hollywood Rock, no estádio do Morumbi em Sampa. O blog já falou muitas vezes aqui a respeito desse show pois estava lá (de camiseta preta de manga comprida com estampa/logo do Soundgarden, bermuda jeans e jaqueta de couro amarrada na cintura, ou seja, grunge style total, hehe, já que o gênero surgido em Seattle estava então dominando o mundo), e presenciou (juntamente com outras setenta mil pessoas) um dos maiores desastres musicais que se tem notícia na história recente do rock’n’roll. Mas era o Nirvana que estava ali, né? E em 1993, com o trio no auge e a bordo da turnê do acachapante “Nevermind”, um dos melhores discos de rock de todos os tempos. Foi pensando nisso tudo que o sujeito aqui, lá pelo meio da apresentação e quando a banda disparou sua sempre esporrenta cover pra “Molly’s Lips” (dos Vaselines, grupo obscuríssimo e que era idolatrado por Kurt Cobain), não se conteve e gritou para uma amiga, que estava ao seu lado na pista do estádio: “O show tá uma merda mas foda-se! É o Nirvana e eu estou aqui!”.

O hoje conhecido, “limpinho”  e “cheiroso” apresentador da tv Record, João Gordo (também vocalista do grupo Ratos De Porão) e amigo zapper, em foto abraçado ao grande e inesquecível Kurt Cobain; a foto foi tirada na festa dentro do bar Der Temple, em Sampa. E um dos motivos pelos quais o blog foi embora de lá antes da hora (além de estar com um bocetaço pra ir foder na sua house) foi justamente esse: naquela época, Gordo e o autor deste blog eram inimigos mortais, uia!

 

* Depois, como também já escrevemos aqui tempos atrás, a balada continuou e rolou forte no bar Der Temple (que era de propriedade do Giggio, hoje dono do Matrix, na Vila Madalena), no baixo Augusta. E o zapper loker também estava lá, a poucos passos de distância do então maior rock star do planeta (e que estava completamente chapado de tudo e ansioso por dar umas narigadas em cocaine, já que ali não havia a sua amada heroin). Enfim, o blog sempre taradón e canalha preferiu trocar o restante da balada por uma bela foda em seu apê na Frei Caneca com a deusa Jade, com quem ele já havia tido um affair anos antes e com quem esbarrou no Der Temple. Jade era uma putaça de primeira: ex-gótica de tetas grandes e suculentas, xoxota total raspada (por que garotas goth adoram raspar suas bocetas ordinárias e fodedoras? Um mistério que o autor destas linhas canalhas nunca conseguiu explicar) e uma boqueteira profissional, agora (ops, naquela época) vivia em baladas indie guitar. Quando o zapper sacana a viu, nem pensou duas vezes em sair dali com ela, e arrastá-la pra uma sessão de orgia carnal das mais baixas, cadeludas e vulgares. E assim a noite acabou: com Jade dando de ladinho sua xotaça cachorríssima e gritando: “me come, me come!”. Wow!

 

* Haveria muito mais pra se falar aqui sobre esse glorioso Hollywood Rock grunge de 1993, que além do Nirvana ainda teve Red Hot Chili Peppers, Alice In Chains e L7, todos no auge de suas carreiras. Pois é, quem estava lá (como o blog estava, aliás foi no intervalo entre os shows do Alice In Chains e do Red Hot, que Zap’n’roll conheceu, na sala de imprensa do estádio do Morumbi, o querido André Pomba, hoje um dos maiores DJs da noite paulistana. Pois é, lá se vão vinte anos de amizade, que estão se completando também este mês, hehe) viu. Pra quem não estava (como boa parte de nosso ainda mui jovem leitorado), só resta ler relatos como este e imaginar como foi a parada. Bons tempos, que definitivamente não irão mais voltar…

 

* Ainda sobre o show do Nirvana, a sempre gatíssima, doce e fofa Mariana Tramontina (editora de música do portal Uol) produziu uma matéria espetacular e que mereceu o aplauso do hoje velho blogger rocker. Você pode ler o texto da Mari aqui: http://musica.uol.com.br/noticias/redacao/2013/01/16/ha-20-anos-nirvana-fazia-em-sao-paulo-show-mais-surreal-e-emblematico-da-carreira.htm

 

* A “NOVELA” THE CURE NO BRASIL – que o grupo inglês The Cure, talvez a maior lenda e nome do gothic rock planetário ainda em atividade, está de malas prontas para fazer uma turnê sul-americana agora no primeiro semestre de 2013, todo mundo já está careca de saber e é líquido e certo que o combo liderado pelo sempre extravagante vocalista e guitarrista Robert Smith volta ao continente quase duas décadas depois de se apresentar pela última vez por aqui – em janeiro de 1996, quando no Brasil a banda tocou na derradeira edição do extinto e saudoso festival Hollywood Rock. No entanto, o que tem chamado a atenção (e causado uma certa irritação nos fãs) nos últimos dias, é a quantidade de infos desencontradas que circulam na blogosfera brazuca de cultura pop sobre as datas corretas dos shows em solo brasileiro. Blogs “espertos” e sempre ultra bem “informados” e que querem soltar o peido na frente de todo mundo, a cada dia soltam notas com datas diferentes, numa evidente demonstração de “chutando datas até acertar uma”. Pois então: sempre zelosa das informações que publica aqui, estas linhas bloggers investigativas estão em contato com uma “fonte secreta” sua, que trabalha junto à produtora que está negociando a vinda do Cure ao Brasil. E na noite de anteontem, quarta-feira, essa fonte informou ao blog que as datas PROVÁVEIS das apresentações do grupo em Sampa seriam em 14 e 15 de abril (sendo que na web já circulavam datas dos shows em Buenos Aires, Santiago e Lima, respectivamente 10, 12 e 18 de abril). Tudo, porém, ainda dependia de aprovação do manager do conjunto – e de fat Bob, claro. De qualquer forma o autor destas linhas rockers online resolveu comentar o assunto em sua página no famigerado Faceboquete. Foi o suficiente pra que, ontem, os mesmos blogs que trombeteiam datas diferentes a cada dia, informassem com estardalhaço que as gigs brasileiras do Cure estariam sendo rearranjadas para maio – como se houvesse pintado um certo “ciúme” ou incômodo pelo fato de o zapper aqui ter abordado o assunto em rede social. E não só: na cola dos blogs espertalhões um tal de site Cure Brasil (daqueles que são sempre mantidos por fãs fanáticos e ansiosos e que também querem ser os “bambambans” quando o assunto é informações sobre sua banda predileta) também trombeteou o suposto adiamento da turnê para maio e, não satisfeito, ainda chamou via Twitter este jornalista de “desinformado”, rsrs. Pois então: como já estamos meio cansados dessa lenga-lenga toda e dessa estúpida disputa pra ver quem solta primeiro as datas oficiais dos shows do Cure no Brasil, vamos nos calar sobre esse assunto até que tenhamos dados realmente concretos sobre a vinda do conjunto pra cá. Assim os outros blogs e sites de fãs podem especular de maneira tola e como se fossem adolescentes pueris à vontade. Afinal, o que importa mesmo é que Smith e sua trupe vem mesmo. Se é em abril ou maio, foda-se. O fato é que poderemos rever finalmente e pela terceira vez este ano o show de um dos melhores nomes da história do pós-punk inglês.

Roberth Smith e o Cure a caminho do Brasil: foda-se a especulação de blogs espertalhões e fãs fanáticos, e se a banda virá em abril ou maio. O importante é que ela virá, ponto

 

*Já os Strokes resolveram encurtar bem a novela em torno do seu novo álbum. O quinteto nova-iorquino não confirmou mas sites americanos já anteciparam que a banda vai lançar ainda este ano o quinto álbum de estúdio de sua trajetória. Um primeiro single do disco, chamado “All The Time”, foi tocado por uma emissora de rádio de Seattle ontem. Bão, e daí? “Angles”, o último cd, foi lançado há quase dois anos e é quase um horror total. A banda segue tendo um único e sensacional trabalho em seu currículo, o primeiro e já clássico “Is This It?”, lançado há mais de uma década. Todos os que vieram na sequência ficaram muito abaixo, em termos qualitativos, do que o grupo mostrou em sua estréia. De modos que só resta torcer para que Julian Casablancas e sua turma dêem a volta por cima este ano, com o novo álbum.

Os Strokes, nos bons tempos do seu primeiro e hoje clássico disco; de lá pra cá a banda não conseguiu mais acertar a mão em seus álbuns. Será que vai conseguir no novo?

 

* E quem continua sendo gigante na indie scene americana e manteve a qualidade musical impecável no novo trabalho é o trio Yo La Tengo. Mas sobre isso você lê aí embaixo.

 

 

UMA LENDA DO INDIE AMERICANO ABRE O ANO COM UM DISCÃO
Não é fácil se manter na ativa por quase três décadas e ainda se mostrar relevante quando se lança um novo trabalho de estúdio. Pois o trio americano Yo La Tengo conseguiu tal proeza com “Fade”, seu décimo terceiro disco de estúdio e que saiu oficialmente nos Estados Unidos na última terça-feira – e que nem em sonho vai ganhar edição brasileira, embora isso não tenha a menor importância nos dias atuais. O disco pode ser encontrado sem grandes problemas na web.

 

Formado em 1984 em New Jersey pelo casal Ira Kaplan (guitarras, composições, vocais) e Georgia Hubley (bateria, vocais) o Yo La Tengo lançou álbuns magníficos ao longo de quase trinta anos, sendo que alguns deles (como “I Can Hear the Heart Beating as One”, de 1997, e “And Then Nothing Turned Itself Inside Out”, lançado em 2000) chegaram a ser editados no Brasil. Em todos eles o procedimento musical dominante sempre se pautou por canções bucólicas e reflexivas, tramadas com guitarras sem muita distorção e onde as melodias não raro eram bordadas com arranjos de cordas simples porém eficientes e que davam o amparo perfeito às letras reflexivas e algo melancólicas, escritas por Kaplan. O vocal suave, algo sussurrado do guitarrista, se encarregava de dar o toque definitivo às músicas.

O novo disco do trio americano Yo La Tengo: bucólico, melancólico e muito bom

 

Pois em “Fade” essa fórmula permanece e parece não ter se esgotado. Muito pelo contrário: é alentador ouvir músicas compostas por um homem de meia idade (Ira está com cinqüenta e seis anos) e constatar que as belas melodias, os arranjos e as letras escritas por ele ainda possuem o encantamento e o poder de sedução como se tivessem sido feitas por uma ótima banda em início de carreira. É assim que nos deparamos com a longa “Ohm”, que abre o álbum com seus quase sete minutos de duração, em clima quase pastoral, poucas distorções nas guitarras e com Kaplan cantando: “Sempre tentamos não perder nossos corações e mentes”. Daí em diante surgem momentos realmente belíssimos e onde o trio (que é completado pelo baixista James McNews) se permite deambular por rocks mais distorcidos (em “Paddle Forward”), por baladas tão belas quanto melancólicas (“Is That Enough”, “Well You Better”) e por faixas onde a esposa de Ira, Georgia, assume os vocais de forma contrita mas envolvente (em “Cornelia & Jane” e na quase suntuosa “Before We Run”, que fecha o trabalho com orquestrações magníficas).

 

Trata-se de um disco do qual a banda pode se orgulhar e muito, e que se equipara aos melhores momentos do Yo La Tengo em sua já longa trajetória. Óbvio, a garotada mais nova, fã de Lady Gaga e One Direction, jamais vai ter estofo cerebral para compreender as nuances que permeiam a obra musical do grupo de Ira e Georgia. Mas tudo bem, deixe a garotada ser feliz com o pop ultra descartável e acéfalo dos tempos atuais. Enquanto houverem bandas como o Yo La Tengo e discos como este “Fade”, ainda será sempre um prazer ouvir o bom e, hã, cafona e velhusco rock alternativo americano.

 

 

O TRACK LIST DE “FADE”
“Ohm” – 6:48
“Is That Enough” – 4:15
“Well You Better” – 2:37
“Paddle Forward” – 2:49
“Stupid Things” – 5:06
“I’ll Be Around” – 4:47
“Cornelia and Jane” – 4:49
“Two Trains” – 4:45
“The Point of It” – 3:38
“Before We Run” – 6:14

 

 

PRIMEIRO E GIGANTE DIÁRIO SENTIMENTAL DE 2013 – AO SOM DE DAVID BOWIE, NOITES E NOITES MERGULHADAS EM COCAINE E EM FODAS COM BOCETAS ALUCINADAS
Yep, são histórias realmente cabulosas as que serão relatadas aqui, no primeiro diário sentimental deste ano. E a lembrança de todas elas foi motivada, claro, pelo anúncio do comeback de David Bowie ao mondo rock: o gênio camaleônico lança seu novo álbum de estúdio agora em março, sendo que é o seu primeiro disco inédito em uma década.

 

Mas calmaê que o diário ainda está sendo escrito. Ele entra aqui no próximo post, que entra no ar nesta próxima quinta-feira (já que a semana vai ser curta, por conta do feriado na sexta-feira). Aí o blogão zapper vai aproveitar e também fazer uma análise da carreira gigante do Camaleão, destacando os principais álbuns lançados por ele em sua trajetória.
Okays? Pode aguardar então, que vai ser bacanudo – e putanhesco também, hihihi.

 

MUSA INDIE ZAPPER DO INÍCIO DO ANO
Pura dinamite, gostosura, tesão, cultura, inteligência e rock’n’roll, tudo na mesma garota. Quem? Élida Miranda, paulistana, vinte e nove anos de idade e querida amiga zapper há anos.

Ela já freqüentou muito o baixo Augusta, foi a zilhões de shows, mergulhou nas loucuras da alma e cansou. Agora se prepara pra enfrentar novos desafios, novos rumos: acaba de ser aprovada no vestibular para o curso de Medicina, em Uberlândia.

Mas o amor pelas artes, pelo rock e o visual “femme fatale” irão acompanhar a lindaça Élida, sempre! Mineiros, tremei!

Lindaça, sexy, rocker e futura médica: Elida Miranda, a primeira musa indie zapper de 2013, vai logo menos arrasar corações em Minas Gerais

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA PRO INÍCIO DO ANO
* Disco: “Fade”, o novo do Yo La Tengo. Nem tem o que discutir.

 

*Filmes: em temporada onde já há vários candidatos ao Oscar em cartaz (“As aventuras de Pi”, “Argo”, “A hora mais escura”), eis que entra em cartaz hoje o esperadíssimo novo longa do grande Quentin Tarantino. “Django Livre” emula os western espaghetti italianos dos anos sessenta, ambientando a parada nos Estados Unidos pós-guerra de Secessão. O blog é fã de Tarantino desde sempre e ainda não viu a fita, mas bota fé que ela seja sensacional (embora já tenha recebido críticas negativas na blogosfera brazuca de cultura pop). Enfim, a dika é ir ver e conferir, simples.

Cena de “Django Livre”, o novo filme de Quentin Tarantino, que entrou hoje em cartaz nos cinemas brasileiros: e aí, é bão afinal?

 

* Teatro: entrou em cartaz anteontem em Sampa a versão teatral para o clássico “Mulheres”, do imortal velho safado Charles Bukowski. A adaptação foi feita pelo dramaturgo Mario Bortolotto (um dos nomes de pontal do teatro marginal paulistano), a direção é da Fernanda D’Umbra (também vocalista da ótima banda Fábrica de Animais) e o resultado disso você pode conferir de quarta-feira a domingo, sempre às nove e meia da noite, na rua Frei Caneca 384, Consolação, região central de Sampa. Resumindo bem a ópera, Bukowski adaptado por Bortolotto: imperdível!

O cartaz da peça teatral “Mulheres” (acima) adaptação feita pelo dramaturgo marginal Mario Bortolotto, para o clássico romance do escritor norte-americano Charles Bukowski (abaixo): imperdível!

 

* A nova balada imperdível do baixo Augusta: Sampalândia volta a ter uma casa noturna ao mesmo tempo alternativa e classuda. Foi aberta no finalzinho de 2012 (uma semana antes do natal) a Blitz Haus. Hã? Trata-se de de um espaço fodástico, com três andares e ambientes, localizado claaaaaro lá na rua Augusta (no 657). Há um lounge com mesas e sofás pra sentar, papear com os amigos, beber e comer lanches caprichados, um andar superior onde pode se curtir jogos eletrônicos e sinuca a noite toda e, por fim, a pista enorme e com iluminação acachapante no sub-solo. A programação? Electro-rock bacanudo às quintas e sábados e rock alternativo às sextas. E a cereja no bolo: todo o mega simpático staff da casa é comandado pelo querido gerente Edu Shock, dileto e velho amigo destas linhas online. E a própria Blitz Haus em si é de propriedade do querido “sobrinho” DJ Click, que fez história no início dos anos 2000 com o inesquecível Atari Club, nos Jardins. Precisam mais motivos pra você ir na Blitz Haus? Se joga lá, porran!

 A pista gigante (acima) da Blitz Haus, o novo e badaladíssimo club do baixo Augusta, e o povo (abaixo) se acabando nela; ontem, na noitada rocker da casa (e onde Zap’n’roll se esbaldou em vodka com energético ao som de Nirvana, Blur, Queens Of The Stone Age etc.), havia cerca de seicentas pessoas por lá. Entre elas, dezenas de xotinhas rockers e tatuadas delicia total!

 

 

* Baladas no finde: yeah! O ano já começou e o circuito under paulistano volta a se animar. Hoje, sextona em si, tem a festa de seis anos da sempre agitadíssima e badaladíssima festa “Shakesvile” no Astronete (que fica também na rua Augusta, 335, centrão rocker de Sampa), onde rola sempre o melhor do rock’n’roll e do soul sessentista, além das bocetas rockers mais lokas e incríveis deste planeta. Cola lá!///Já amanhã a Outs (no 486 da Augusta) manda a Lei Seca pro diabo que a carregue, investindo pesado em mais uma noitada open bar (você paga quarenta mangos na entrada e bebe até cair). É isso? Yep. Então se prepare e se jogue com tudo que tem direito na esbórnia.

 

 

E PRA COMEÇAR REALMENTE BEM O ANO… TICKETS PRO LOLLAPALOOZA, AEEÊ!
Claaaaaro! O blog está de volta em versão turbinada e você acha que não iria pintar nenhum mimo aqui pro nosso dileto leitorado. Pois acaba de pintar, uia! Vai lá no hfinatti@gmail.com que entram a partir deste post, em disputa mega sangrenta:

 

* INGRESSOS pro mega festival Lollapalooza BR 2013, sendo que a quantidade de tickets em sorteio por noite ainda será definida nos próximos dias. Mas você já pode começar a enviar seus pedidos desesperados desde já, sendo que o sorteio será realizado na semana do festival, okays? Então mandem bala e boa sorte!

 

FIM DE PAPO, POR ENQUANTO
Falta o diário sentimental sobre as loucuras e putarias vividas pelo zapper loker ao som do imortal David Bowie, mas como já dissemos lá em cima esse complemento chega logo menos por aqui. Por hora o blog encerra seus trabalhos e desejando um super novo ano pra todo mundo que nos acompanha já há uma década. E deixa milhões de beijos e abraços especiais no querido Paulo Vieira (que fica mais velho amanhã), na Adriana Ribeiro, na sempre linda e fofa Carolina Cavalcanti (lá de Macapá), na turma ultra querida de Manaus (a Bruna Viana, a Karla Sanchez, os Lunetas Diego, Pablo e Chico, o mestre Sandro Nine) e muito particularmente na linda Irlene, que também ficou mais velha esta semana. É isso aê, logo menos Zap’n’roll vai novamente passear pelo Norte do país. Mas enquanto isso não acontece, daqui a pouco esse post será concluído com o diário sentimental. E o blog como um todo volta com tudo na semana que vem. Até lá!

 

(atualizado e finalizado por Finatti em 21/1/2013 às 14:30hs.)

 

O bacana novo disco solo do Graham Coxon, e que ninguém comentou na blogosfera rock brazuca. O mimimi invejoso de sempre no painel do leitor zapper. Tickets FREE pras gigs do Radio Dept. em Sampa e Rio. O dia em que o zapper deu um “cano” no grande Tom Zé (adivinhem o motivo, hihi). Os 14 anos do projeto Grind. E o pobre Brasil vê a corrupção sem fim e a sacanagem política foder o país… (plus: o novo discão dos Dandy Warhols) (ampliado, atualizado e finalizado em 23/6/2012)

Graham Coxon (acima), guitarrista do grande e já lendário Blur (abaixo): enquanto um dos ícones do britpop não decide o que fazer do seu futuro, o músico das seis cordas vai lançando discos solos bacaninhas

 

Mimimi daqui, corrupção e sacanagem dali.
Tem sido uma semana, hã, estranha. Sentimentos de inadequação existencial e melancolia voltaram a flertar com a alma (ela existe, afinal?) de Zap’n’roll. Além disso o zapper que sempre foi muito politizado e interessado nas questões políticas e sociais que são caras ao país, foi ficando cada vez mais estarrecido ao acompanhar o noticiário nos jornais, na internet e na tv, sobre o lodaçal de corrupção e sacanagem política em que o país está cada vez mais mergulhado. Yep pode parecer estranho falar sobre isso aqui, em um blog eminentemente voltado à cobertura e a análise da cultura pop brazuca e planetária, e à cena rock alternativa daqui e da gringa. Mas é que o panorama está ficando tão absurdamente degradado na esfera política (e qualquer um minimamente informado e que acompanha jornais e telejornais, já percebeu isso), que não dá pra escapar de comentar o tema aqui. Enquanto isso e por outro lado, enquanto o blog continua batendo recordes de acesso, audiência, comentários dos leitores (cinqüenta e dois no último post) e recomendações em redes sociais (setenta, também no último post), a eterna e incansável e sacal turma do “mimimi” insiste em torrar o saco no painel do leitor, com suas mensagens fakes, covardonas, insultuosas, agressivas, ressentidas, invejosas e por vezes até hilárias (de tão ridículas que chegam a ser). É muito óbvio que o autor deste espaço online tira essa turma de babacas de letra e até se diverte com eles, pois sabe que isso só aumenta a audiência do blogão zapper. A questão que nos intriga é: será que esse pessoal por acaso se preocupa com tudo o que está acontecendo no país em que eles vivem? Ou são um bando de idiotas, gente à toa na vida, despolitizados, tigres ignorantes e imbecis que não estão aí com nada, e contanto que tenham seu salário no final do mês foda-se o país, sua política e sua sociedade? Pra esse bando de desocupados, talvez sua única diversão seja mesmo gritar por futebol e encher o saco no painel dos leitores zappers. Uma existência triste e medíocre a desse povo, no final das contas. Enquanto isso o país pega fogo. E justamente por estar pegando fogo é que estas linhas virtuais se preocupam muito mais com isso do que com otários relinchando semanalmente, no espaço reservado ao nosso sempre dileto e amado leitorado. Então bora pra mais um postão, que vai falar do nosso horror político atual, das desventuras do blogger loker (relembrando o dia em que ele deu um “cano” no gênio Tom Zé), do lecal disco solo lançado por um certo Graham Coxon (e que ninguém comentou por aqui, na blogosfera brazuca de cultura pop que importa). e mais algumas paradas aê.

 

* Começando as notinhas semanais com a “imagem política da semana”. Uma imagem absurda, torpe, calhorda e que demonstra que a política, no Brasil, assumiu na cara larga seu vale-tudo e a disputa por poder a qualquer preço, custe o que custar. Zap’n’roll sempre foi simpatizante (não militante, isso jamais) do PT, desde que o partido foi fundado. Mas de anos pra cá está cada vez mais decepcionado e desencantado com os rumos que o partido tomou. A gota d’água foi o Sr. Lula correr para os braços do eterno ladrão Paulo Maluf, em busca de apoio do partido malufista à candidatura de Fernando Haddad à prefeitura de Sampa, nas eleições deste ano. Luíza Erundina, a até então vice na chapa petista, não engoliu e dignamente caiu fora da campanha. E a foto de Lula apertando a mão de Maluf (urgh!) correu o país. É essa aí embaixo.

 A imagem que não quer calar e que ninguém imaginaria que um dia seria registrada: Lula de mãos dadas com Maluf. É o fim das ideologias no país onde a política assumiu o vale-tudo, a corrupção e a busca pelo poder custe o que custar

 

* Com isso, o blog desiste de vez do PT. E começa a pensar em quem vai votar para prefeito de São Paulo este ano – Serra, nem fodendo também!

 

* Como se não bastasse essa desonra e vergonha petista, a Assembléia Legislativa do pequenino Estado do Amapá foi parar nos noticiários das grandes redes nacionais de tv. O motivo, bidú, é a autêntica quadrilha que se instalou por lá. Yeah, os deputados de lá tiraram a máscara e assumiram sua porção bandida, praticando zilhões de patifarias e delinqüências variadas – com gente que trabalha lá ganhando mais de quarenta mil reais por mês. A sangria nos cofres públicos amapaenses, praticada pelos próprios deputados do Estado, se tornou tão escandalosa que motivou uma investigação do Ministério Público do Amapá. Resultado: a Promotora responsável pela investigação teve que ir a Brasília pedir garantias de vida ao Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (ele e nada no Ministério é a mesma coisa), pois começou a receber ameaças. Isso é o Brasil de hoje.

 

* E fora o juiz responsável pelo inquérito do caso do bicheiro Carlinhos Caichoeira, que pediu afastamento do caso ontem, por também estar recebendo ameaças de morte.

 

* Enquanto isso o populacho, o povo burro, pobre e desdentado, se matava de alegria anteontem com a vitória da porra do Coríntians, e que levou o “timão” à final da Libertadores. O blog só tem isso a dizer: que o Coríntians vá pra puta que o pariu.

 

* Enquanto o Brasil mergulha em retrocesso social, político e comportamental, o vizinho Uruguai avança rumo à modernidade do vigente século XXI. O presidente uruguaio José Mujica está para enviar ao Congresso de lá, projeto de lei que LEGALIZA a produção e comercialização da MACONHA em todo o país, sob controle total do Estado. Ou seja: quem quiser plantar e vender sem problema, desde que sob supervisão governamental e pagando os devidos impostos. Todo mundo sai ganhando: governo, produtores e consumidores da erva. Acaba o tráfico, a violência gerada por ele, o risco que consumidores correm ao ir atrás do produto etc. Nota mil pro governo uruguaio por esta iniciativa, que pelo visto está muito longe de um dia acontecer no retrógrado Brasil – onde, quem diria, o ex-presidente FHC se tornou um quase solitário defensor da legalização da maconha. Pois é… aqui plantar e vender marijuana não pode. Roubar e corromper pode, indiscriminadamente.

 A marijuana está para ter seu plantio e comercialização legalizados no moderno e avançado Uruguai. Já no corrupto, retrógrado e atrasado Brasilzão…

 

* Terminada a parte de “indignação política e social destas linhas bloggers”, de volta à música e ao rock’n’roll, que torna nossa existência um pouco mais alegre.  Pois entonces: não basta ele ter sido ex-guitarrista do Oasis e gênio do rock nas última duas décadas. E também não basta ele ter lançado um dos melhores discos de 2011, o “Noel Gallagher’s High Flying Birds”. Noel, o grande, ainda lança vídeos fodaços pra promover o disco. Como esse aí embaixo, que começou a circular esta semana na web:

 

* Alô Planeta Terra 2012, câmbio! A produção do festival vai convocar a jornalistada a qualquer momento para uma coletiva de imprensa, onde será anunciado o line up deste ano. Conforme o blog já antecipou no último post, é forte a possibilidade de o gênio Jack White estar nele. Comentários que chegam das Nações Unidas (a avenida em Sampa onde fica a sede do portal) até o zapper bem-informado, dão conta de que também estarão na esbórnia indie rock o grande Kasabian (que lançou um discaço em 2011), o Mumford & Sons (o blog gosta muito do folk/pop suave desses ingleses) e o Pulp, mega venerado pela nação indie brazuca. Se for tudo isso mesmo, vai ser fodão. A qualquer momento damos um “extra” aqui a respeito, ok?

 A lenda britpop Pulp (acima) e o Kasabian (abaixo): a caminho do Planeta Terra 2012?

* E info “secreta” que chega até estas linhas zappers notívagas, na madruga de quinta pra sextona em si (quando o post está sendo finalizado): um produtor independente de Sampa, que já fez parte de um saudoso e histórico grupo indie guitar (o Starfish100), está costurando a vinda do célebre The Telescopes (shoegazer inglês fodão dos 90’, e venerado pela galera under com mais de trinta de idade) pra cá, agora no segundo semestre de 2012. Mais infos a respeito serão postadas aqui assim que soubermos maaaaaisssss sobre a parada.

 

* DUPLAS DE ROCK, UMA TENDÊNCIA DO POP NOS ANOS 2000? – pode ser. Se você pensar que um dos grandes nomes do rock mundial na última década e meia, o finado The White Stripes, era formado apenas por dois músicos (Jack e Meg White, óbvio) e que o Black Keys, um dos nomes gigantes do rock alternativo americano atual, também é formado por uma dupla (o guitarrista e vocalista Dan Auerbach e o baterista Patrick Carney), dá pra começar a falar em tendência. O BK, inclusive, existe já há uma década, estourou com o ótimo “El Camino” (lançado em 2011) e está começando a influenciar outros músicos a montarem bandas com apenas dois integrantes. Caso do novato e ainda bem desconhecido (nem o blog conhecia, rsrs) duo My Goodness, que foi apresentado a estas linhas rockers por amigos do Facebook. Não há grandes infos sobre o duo na web; o que se sabe é que eles têm um álbum lançado (homônimo) no ano passado, e um vídeo bacanudo (que você pode conferir aí embaixo), que dá pistas do que é o som deles. Fora isso, já se observa também na indie scene paulistana a formação de alguns grupos com apenas dois integrantes (e geralmente no esquema guitarra e bateria), como o caso do novíssimo e já badalado Madrid, formado pelo querido ex-CSS Adriano Cintra (velho amigo deste blog) e pela Marina, ex-vocalista do Bonde do Rolê. Enfim, se a tendência vai mesmo pegar e se transformar em algo mais sólido entre os novos grupos daqui e da gringa, aí só o tempo pra dizer, no?

 O duo americano Black Keys, um dos melhores nomes do atual rock planetário: já inspirando as novíssimas duplas rockers

* Aí embaixo, dois vídeos bacaninhas de duas duplas idem: o Black Kays e o My Goodness.

Black Keys – “Gold on the Ceiling” 

My Goodness – “I’ve Got A Notion”

 

* Falando no Madrid, Zap’n’roll bateu um papo enooooorme ontem à tarde, via chat(o) do faceboquete, com o Adriano Cintra. E o blog também está ouvindo, agora e com certa exclusividade, o álbum de estréia da dupla, que tem show de lançamento no próximo dia 3 de julho no Sesc Pompéia, em Sampa. À primeira audição o disco é lindão (até rimou, hihi), todo bucólico, com nuances algo melancólicas e muitos pianos e até sopros em algumas faixas. Muito distante do electro-rock do CSS e do rock garageiro, básico e esporrento do Thee Butcher’s Orchestra. Anyway, o blog gostou do que ouviu até agora (sendo que algumas faixas já andam circulando na web há algum tempo, mas não o disco todo e na versão mixada e pronta pra ser lançada, a que o blog teve acesso) e esse papão com o Adriano vai aparecer por aqui a qualquer momento, pode esperar.

Dupla rock’n’roll do barulho fervendo na “naite” under de Sampalândia: Zap’n’roll e seu amigão Adriano Cintra, que está lançando o disco de estréia do seu projeto Madrid

* Que mais? Si, si, a deusa Fiona Apple lançando disco novo. E a também deusa Cat Power vindo com o seu novo álbum. Mas o blog por enquanto não vai falar de nenhuma das duas, pois (pra infelicidade do “fã da popload”, hihi) não se trata de pauta importante para este post zapper.

 

* Importante sim é falar que Graham Coxon, o também grande guitarrista do Blur (acaba ou não acaba, afinal?) lançou um disquinho solo bacanão em abril passado. E que ninguém, na blogosfera brazuca de rock alternativo, se deu ao trabalho de esmiuçar. Bien, lá vamos nós fazer isso, aí embaixo.

 

 

ENQUANTO O BLUR NÃO DECIDE SEU FUTURO, GRAHAM COXON CUIDA DO SEU
O quarteto Blur, já uma lenda do britpop, vai acabar novamente ou não? Não se sabe. Em fevereiro último o grupo lançou seu primeiro single inédito desde 2003 e anunciou que um novo disco de estúdio sairia este ano. Só que nas últimas semanas o vocalista Damon Albarn disse a jornalistas ingleses que, depois da participação da banda no show de encerramento dos jogos olímpicos em Londres (no dia 12 de agosto e onde também irão tocar New Order e Specials), o Blur vai mesmo encerrar atividades – e desta vez para sempre, ao que parece. Pelo sim, pelo não, o guitarrista Graham Coxon está cuidando da sua vida e de sua carreira solo que já soma oito discos, incluso aí o bacanudo “A+E”, lançado em abril deste ano.

 

Yep, o trabalho já saiu há quase três meses, não foi lançado em plataforma física no Brasil (nem vai, embora lá fora tenha sido editado pela Parlophone, aqui distribuída pela Universal) e nem precisa, pois é facilmente “baixável” na web. E o blog decidiu falar dele com mais atenção agora pois como já cansamos de repetir aqui, nunca é tarde para se falar de bons (ou ótimos) trabalhos, ainda mais quando ninguém na blogosfera de rock alternativo brazuca que importa se dignificou a fazer isso.

 

Todo mundo que acompanhou a trajetória do Blur e ama o conjunto (como é o caso destas linhas rockers britpoppers) sabe que um dos fatores que tornaram o grupo um dos mais queridos na Inglaterra tanto pelos fãs quanto pela imprensa, foi justamente a ótima formação cultural e musical de seus integrantes. E o guitarrista Graham Coxon não era exceção: um dos fundadores da banda (ao lado de Damon, do baixista Alex James e do batera Dave Rowntree), Coxon também se desenvolveu como multiinstrumentista de grande talento, além de ótimo compositor e eventual vocalista do quarteto. Isso permtiu que ele tocasse uma carreria individual paralela à do Blur, e que começou há catorze anos, em 1998 sendo que um de seus álbuns, “Happiness in Magazines” (de 2004), chegou a ser lançado no Brasil, com a devida resenha publicada aqui (na época, a coluna Zap’n’roll).

Capa de “A+E”, novo solo do guitarrista Graham Coxon: enquanto o Blur não se decide, o músico vai lançando seus discos 

 

Pois este “A+E” é um disco de indie guitar rock pop básico, ao mesmo tempo melódico e radiofônico, mas também estranhíssimo em alguns momentos. Contando com a colaboração do produtor Ben Hillier (que tocou bateria e alguns teclados no disco), Coxon chegou a gravar vinte e uma músicas. Destas dez entraram em um álbum enxuto e onde ele, além de compor, tocar guitarra e cantar em todas as  faixas, ainda se virou no baixo, bateria e teclados. O resultado, em alguns momentos, lembra muito as britsongs mais agressivas do Blur (ao estilo “Song 2”), principalmente em “Advice” e “City Hall”, que abrem o cd com guitarras aceleradas e baixão estridente (no caso de “City…”). Por sua vez “What’ll It Take” e “Meet and Drink and Pollinate” (esta com distorções nos vocalizes e baixão anguloso à moda New Order) investem em camadas de teclados e sintetizadores para construir uma melodia dançante, próximo do sinthpop oitentista. Desce bem em qualquer pista de dança.
Mas Graham se dá melhor mesmo nas músicas em que ele resgata as nuances do britpop – e nisso o disco está bem servido de ótimas canções, como “Bah Singer” e até mesmo na estranha “Knife In The Cast”, lenta (quase arrastada) e conduzida pelo baixo em primeiro plano, com intervenções pontuais da guitarra.

 

E querendo mostrar, afinal, que fez um disco algo fora do padrão pop/rock de hoje, o guitarrista deixou talvez o melhor momento do álbum para o seu final. “Ooh, yeh yeh”, também o primeiro single de trabalho (e já com clip rodando há algum tempo na MTV e YouTube) é uma das melhores guitar pop songs que estas linhas rockers online tiveram o prazer de ouvir nos últimos meses. Poderia estar perfeitamente no primeiro ou segundo disco do Blur. Mas Graham Coxon, aos quarenta e três anos de idade, a compôs apenas agora, em 2012. É daquelas faixas que valem quase por um disco inteiro. E cuja audição mostra que, em meio à péssima qualidade musical que reina hoje no rock planetário, alguns pequenos gênios como Graham Coxon ainda resistem.

 

Pode ir atrás de “A+E” sem susto. O blog zapper garante.

 

 

O TRACK LIST DE “A+E”
1.”Advice”
2.”City Hall”
3.”What’ll It Take”
4.”Meet and Drink and Pollinate”
5.”The Truth”
6.”Seven Naked Valleys”
7.”Running for Your Life”
8.”Bah Singer”
9.”Knife in the Cast”
10.”Ooh, Yeh Yeh”

 

 

E GRAHAM COXON AÍ EMBAIXO
No clip da ótima “Ooh, Yeh Yeh”, o single de trabalho do disco.

 

WEB RADIO DUCA, CENA E FESTIVAL BACANA – O ROCK TAMBÉM ROLA EM… MANAUS!
E não? Muito graças aos agitos promovidos pelo jornalista, radialista e vocalista Sandro Correia, popularmente conhecido por lá como Sandro Nine. Zap’n’roll conheceu pessoalmente a figura no final do ano passado em Boa Vista (capital de Roraima, pros manés sudestinos que não conhecem nada de geografia do extremo Norte e acham, de maneira imbecil diga-se, que o Brasil acaba em Brasília), quando o blog foi até lá pra cobrir o bacanão festival Tomarrock. “Finatti, você precisa conhecer o Sandro. Ele é o Tony Wilson de Manaus!”, falou pro sujeito aqui o também amigão e músico Victor Matheus (vocalista e guitarrista do trio Veludo Branco). Pois o autor destas linhas online não apenas conheceu o “Tony Wilson” manauara como também ficou super amigo do sujeito – uma das cenas mais divertidas dessa nova amizade foi ver a dupla, em plena última noite do Tomarrock (enquanto a droga pesada For Fun se esgoelava no palco do ginásio do Sesc de Boa Vista), tomando brejas e discorrendo sobre a obra de uma paixão comum de ambos: a linda, louca e tesuda rainha do indie inglês, PJ Harvey. Uia!

Sandro é gente finíssima e de uma humildade impressionante. E está à frente da web radio Manifesto Norte (que pode ser acessada em WWW.manifestonorte.com), que já foi comentada aqui no último post. Pois a emissora online, há pouquíssimo tempo no ar, é tão bacana que estas linhas rockers se tornaram fãs da rádio. E por conta disso o blog fez duas rápidas perguntas pro querido Sandro, via Faebook, na última madrugada. Nas respostas ele fala da rádio, da sua banda (a Nicotines) e dá uma geral na atual cena rock da capital do Amazonas. Leia aí embaixo:

 O jornalista e vocalista Sandro Correia (com a camiseta do CBGB’s), com a turma rocker de Manaus

Zap’n’roll – Como surgiu a idéia da rádio e quando ela entrou em funcionamento na web? Fale também um pouco da sua trajetória de jornalista musical aí em Manaus.

 

Sandro Correia – Bom, eu tinha um programa numa web radio aqui em Manaus há uns 3 anos. Lá eu apresentava 4 programas, sempre com temática indie e undreground. Daí eu tive de me mudar pra Roraima e foi lá, trabalhando na assessoria de comunicação do coletivo Canoa, foi que eu vi que dava pra fazer uma web radio com viés de divulgar a cena rock da região Norte. O projeto foi feito, mas até entao não se concretizava, e tinha a cobrança da moçada que ficava na escuta do meu programa. Então esse ano meu irmao Marcelo Augusto, junto com os amigos William Dángelo (também jornalista), Robson Santos e eu, montamos a rádio Manifesto Norte – o espaço da música independente tocando músicas de bandas de Manaus e de toda a regioa Norte.

 

Zap – E como teve início sua carreira de jornalista e seu envolvimento com a cena musical daí? Você também canta em uma banda, a Nicotines…

 

Sandro – Eu tenho 40 anos, cresci ouvindo e vendo muitas bandas de rock, assim como o surgimento da cena rock local nos anos 80’, tipo 84, 85, por ai. Li muita [revista] Somtrês, Bizz etc, lendo resenhas do Alex Antunes, André Barcinski e de você Finatti. Então eu sempre escrevia algo que raramente publicava, foi então que eu entrei pra faculdade de jornalismo e lá pude desenvolver melhor minha habilidade pra escrever. Meu pai foi jornalista político nos anos 70’, então tava na veia. Meu primeiro trabalho mesmo foi cobrir o festival Grito rock Roraima em 2010, como jornalista do coletivo Canoa, lá trabalhei na cobertura com web radio e web tv. Eu já tinha o meu blog Manifesto rock, sempre escrevendo resenhas de shows, cds das bandas e etc. Hoje eu também trabalho como produtor cultural, tenho um projeto com bandas independentes na Saraiva megastore Manaus, projeto Riffs desplugados que jáa tem um ano de vida. Esse projeto consiste em pocket shows acústicos com bandas da cena rock de Manaus que tenham trabalho autoral e o evento criou fortes laços com Roraima. Lá já passaram bandas e artistas do extremo Norte. Sobre o Nicotines, em 5 anos de banda já tocamos em 2 festivais independentes, o Tomarock em 2011 e o Grito Rock Bonfim (fronteira com a Guiana Inglesa) ambos em Roraima, e no próximo dia 7 de julho a banda vaio abrir o show da banda cearense Platique Noir. A banda tá naquela fase, mente aberta e pé no chão. O lance é ao menos sermos reconhecidos na nossa região, estamos preparando nosso priemtio EP “Café, Martinis e Cigarros”. A cena rock de Manaus tá num momento muito bacana, algo que não se via há anos. Pra você ter uma idéia, só no ano passado 14 bandas circularam por festivais pela regioa Norte, Brasil afora e na Europa (caso da Nekrost, banda de heavy metal que tocou no Wacken open air, na Alemnha). A Evil Syndicate, outra banda do metal extremo, tocou em grandes festivais da região Norte. E ao redor do boom da cena rock de Manaus tem os festivais. Como o nosso “Até o Tucupi”, realizado pelo coletivo Difusão e que vai acontecer em Setembro.

 

* Interessou em ouvir a Manifesto Rock? Como já foi informado mais acima, vai lá: www.manifestorock.com

 

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DIÁRIO SENTIMENTAL – UM “CANO” NO GÊNIO TOM ZÉ (ELE NÃO MERECIA, RSRS)
Em algumas entrevistas dadas nos últimos anos, o mega rockstar David Bowie (hoje recluso, aos sessenta e cinco anos de idade) sempre ressalta sua dificuldade em rememorar fatos de sua vida pessoal durante o ano de 1976. Segundo o Camaleão foi um período de consumo desenfreado de drugs – principalmente cocaína –, o que colaborou e muito para que sua memória daquela época sofresse um autêntico “apagão”.

 

É mais ou menos o que ocorre, por vezes, com Zap’n’roll. O blogger loker eventualmente não consegue identificar com precisão algumas datas, períodos e locais onde aconteceram alguns eventos de sua trajetória pessoal e profissional, devido ao consumo desenfreado de aditivos ilícitos que permeou a existência do sujeito aqui durante anos. Por exemplo, para se recordar de como o jornalista gonzo e (atualmente, ex) junky deu um autêntico “cano” em uma entrevista com um dos gênios da música brasileira e do movimento tropicalista (algo que o profissional zapper hoje jamais faria, dada a seriedade e responsabilidade com que ele encara suas tarefas profissionais atualmente, mas sem caretice, plis!), o autor destas linhas online teve que fazer uma autêntica “varredura” mental em sua vida no período de 1990 a 1998 – ano em que efetivamente rolou a história a seguir.

 

Tom Zé sempre foi considerado como um dos gênios da música brasileira que importa. Um dos fundadores do Tropicalismo nos anos 60’, no entanto ele entrou no limbo musical da MPB nos anos seguintes (por possuir um trabalho experimental e avançado demais para a época), enquanto Caetano e Gil se tornavam popstars. E o bom e velho (e sempre humilde e simpático) Tom assim permaneceu, até ser redescoberto musicalmente por ninguém menos do que o ex-Talking Heads David Byrne. Com seu prestígio no rock planetário, Byrne tirou Tom Zé desse “limbo” artístico e recolocou o músico baiano em evidência novamente, com muita justiça diga-se. Tom voltou a ser celebrado como gênio, foi redescoberto por uma nova geração de fãs e nunca foi um estouro de vendas. Mas conseguiu se manter ativo desde então, lançando periodicamente bons discos e fazendo turnês pelo Brasil e também na gringa.

 

Foi no lançamento de um desses discos (“Com defeito de fabricação”, editado em 1998) que Zap’n’roll conseguiu emplacar uma pauta sobre o músico, para a extinta revista Bizz, onde o jornalista loker colaborava eventualmente desde 1995. Publicação musical mais influente do país no final dos anos 80’/início dos 90’ (em uma época em que não existia internet nem MTV, nem cobertura ostensiva dos grandes jornais diários em cima de assuntos de cultura pop) a Bizz chegou a vender duzentos mil exemplares por mês. Com o advento justamente da MTV e do início da era da web, entrou em decadência já a partir da segunda metade dos anos 90’. Ainda assim possuía certa relevância editorial, quando o zapper ainda jovem jornalista trintão e bem doidón começou a publicar textos nela. A revista era editada pela Azul, uma subsidária da poderosa editora Abril, que também publicava a Interview. Quando o sujeito aqui foi trampar na Interview logo se enturmou com a redação da Bizz (na época dirigida por Felipe Zobaran, pelo saudoso Celso Pucci e pelo sempre competente Sérgio Martins, hoje repórter da asquerosa Veja), e passou a colaborar por lá também.

 

Foi tudo muito bem até justamente por volta de 1998. A Interview tinha fechado, a Azul foi incorporada de vez pela Abril, Celso Pucci infelizmente morreu, Sérgio Martins foi para a revista Época e a Bizz foi parar nas mãos do célebre PS (hoje, “eminência parda” da edição brasileira de uma grande revista de música americana). O distinto jornalista sempre se mostrou simpático ao autor destas linhas online, mas meio que começou a “dificultar” a vida zapper na Bizz. Em outras palavras: estava cada vez mais foda emplacar uma pauta por lá. Até que veio a parada do lançamento do novo álbum de Tom Zé. O que motivou a sugestão de pauta para a revista, e um dia qualquer. Zap’n’roll, ao telefone: “Porra, o Tom Zé tá lançando seu novo disco. E hoje ele é artista Cult aqui e lá fora, graças ao David Byrne e bla bla blá”. PS, então editor-chefe da Bizz: “Pode fazer! Podemos dar uma matéria até bem grande, com umas três páginas. O prazo de entrega é uma semana. E o valor do ‘frila’ é…”.

O cantor, compositor e gênio Tropicalista Tom Zé: ele levou um “cano” do zapper loker em uma entrevista, sem merecer, rsrs. A matéria foi feita, afinal, mas nunca publicada (e aí o “cano” foi da extinta revista Bizz e do seu então editor-chefe, hihi)

 

Tava de bom tamanho. A grana não era nenhuma fortuna (longe de ser, inclusive), mas como o autor destas linhas rockers memorialistas sempre amou o que fazia e faz (escrever sobre música), estava ótimo. Começou então a articulação para a entrevista, com papos com a assessora de imprensa de Tom e mais bla bla blá. O encontro foi marcado para um dia de semana, pela manhã (por volta das onze horas) no apartamento onde o cantor e compositor mora até hoje, em uma rua do bairro das Perdizes, na zona oeste de Sampa. Tudo lindo, tudo ótimo: entrevista marcada, material de pesquisa levantado, era relaxar e gozar, hihi. Não haveria mal algum em dar uma “saidinha” básica na “naite”, tomar uma breja rápida com algum chegado e depois ir pra casa, já que o jornalista eterno pé-de-cana morava na região da Liberdade, centrão de Sampalândia, e relativamente próximo da residência do gênio tropicalista.

 

Deu tudo errado, claaaaaro. E começou a dar quando o zapper, sempre em busca de emoções “fortes”, aceitou convite de uns brothers pra ir rachar “uma parada” de cinqüenta pilas da tia B. Quem? Tia B, uma senhora já de idade, rotunda, simpática e acima de qualquer suspeita, que tinha um aconchegante barzinho nas imediações da praça Roosevelt. Pois o tal boteco era apenas um disfarce e lá se comprava um petecão de cinco gramas de cocaine por cinqüenta pilas. E diferentemente da farinha de trigo porca que circula hoje pelo centrão de Sampa (onde o crack domina atualmente e infelizmente, na verdade), o padê da querida tia B era tiro e queda: bastava um risco bem dado pro sujeito ficar doidão.

 

Não deu outra: adquirido o “produto”, começou a via sacra pelos bares da Augusta. Horas passando, Zap’n’roll (que tinha bancado metade do negócio) ficando bicudo e lesado ao extremo. Quando deu por si, o dia estava… clareando. Soou o alarme do pânico: como estar inteiro, com a cara boa pra entrevistar Tom Zé às onze da matina se já eram quase sete da manhã e o gonzo junky estava literalmente “estragado”, com as pupilas querendo saltar pra fora dos olhos? Correria pra ir embora. Chegada em casa oito da matina. Boca seca, pedindo mais álcool. Uma conferida no espelho do banheiro: olhos ainda total “estalados”. Não ia dar certo. Às nove, gaguejando e “travando” pra falar, o jornalista maluco resolve ligar para a casa de Tom Zé, que já devia estar acordado. Atende a esposa dele. Zap’n’roll: “posso falar com o Tom um minuto? Estou com uma entrevista marcada com ele e…”. Ela: “ah, sim. Minutinho, vou chamar”. O músico veio ao telefone e o gonzolino despirocado por mais uma noitada movida a devastação nasal, caprichou na sua melhor voz de “mal estar físico” (nem precisava): “Tom, aqui é o Finatti. Querido, mil perdões mas estou péssimo! Comi algo ontem que me fez muito mal a noite toda e estou indo num hospital agora, pra ver o que está acontecendo comigo. É possível remarcamos a entrevista pra amanhã ou o mais breve possível?”. Foi um alívio ouvir do músico, com a simpatia e humildade que sempre foram sua marca registrada: “rapaz, vá cuidar de você, que é isso? Espero que não seja nada grave. Podemos fazer sim amanhã, se você estiver melhor”. Ufa!

 

Problema resolvido, era se recuperar para não dar novo “balão” em Tom Zé no dia seguinte. A entrevista foi feita, ficou boa mas obviamente o “sumiço” do repórter na hora marcada para a entrevista foi parar no ouvido do editor-chefe da Bizz. Que cobrou explicações quando Zap’n’roll foi na redação entregar o texto (naquela época, ainda não havia e-mail para se mandar os textos para a redação): “o que aconteceu que você NÃO apareceu na casa do Tom Zé no dia marcado para a entrevista? O nosso fotógrafo foi. Mas você, não!”. O zapper: “passei mal a noite toda, comi algo estragado, sei lá. Mas remarquei o encontro, fiz a parada e o texto está aqui. Qual o problema?”.

 

Aparentemente não havia mais problema. Foi uma matéria custosa (inclusive para ser transcrita e editada), tinha ficado ok e o autor deste diário confessional recebeu o pagamento combinado por ela. Mas o texto JAMAIS foi publicado na Bizz, rsrs. Ou seja: no final, Tom Zé levou um cano maior ainda da própria revista. Mas este só o querido PS pode explicar, um dia. Se ele quiser, claro.

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA
* Discos: O novo solo do Graham Coxon e “This Machine”, discaço que o já veterano indie americano The Dandy Warhols lançou em abril deste ano – e que, com a possível exceção do blog escrito pelo nosso “inimigo cordial” André Barcinski, ninguém teve a coragem de comentar na blogosfera brazuca de rock e cultura pop. Pode ir atrás que é bom pra caralho, sendo que estas linhas virtuais irão falar melhor do cd em nossos próximos posts, ok?

 Os ainda grandes da cena indie americana, The Dandy Warhols: novo discão que o blog comenta melhor nos próximos posts

 

* Filmes: o nacional “A febre do rato” merece e precisa ser visto antes que saia de cartaz. E, claaaaaro, a dupla dinâmica Tim Burton e Johnny Depp estão de volta em grande forma, em “Sombras da noite”. Dois ótimos motivos pra sair de casa nesse frio e mergulhar no escurinho do cinema.

 

* Baladas: complemento zapper mezzo atrasado e sendo finalizado a toque de caixa, pois daqui a instantes o sujeito aqui também vai se dar ao direito de ir pra esbórnia, hehe. Então, tipo rapidez: cai no Beco (rua Augusta, 609, centrão rocker de Sampalândia) hoje, sábado, que vai rolar por lá a “festa junina” da casa, com open bar e tudo, wow!///Já amanhã, domingão… sai de baixo: o já ultra clássico projeto Grind, comandado pelo super DJ André Pomba, chega aos catorze anos de existência na Loca (que fica na rua Frei Caneca, 916, Consolação, centro de Sampa). O autor deste blog desconhece alguma festa na “naite” under paulistana que tenha durado tanto tempo e o Grind merece: pioneiro na questão de bombar uma noite rock pro público gls, acabou se tornando uma das melhores baladas alternativas da capital paulista. O blogger maloker já aprontou mil loucuras ali e vai estar lá neste domingo, com certeza. E se você nunca foi, veja aí embaixo a matéria feita pelo programa do Chato, ops, Otávio Mesquita (na Band), sobre o Grind, quando o projeto completou onze anos – com direito a aparição rápida de Zap’n’roll, àquela altura já completamente bicudo de tudo, hihi. Enfim, cola lá que a festa vai ser fodona!

 

 

SOLTANDO PRÊMIOS E DANDO INGRESSOS, UIA!
Yeah! Tem um kit com DVDs e CDs da ST2 já há um tempo esperando pra ser desovado. Bien, ele vai cair nas mãos da:

 

* Eliana Martins, de São Paulo/SP.

 

Mas calmaê que semana que vem tem show gringo indie bacanudo na área. Então corre lá no hfinatti@gmail.com, que é a sua última chance de faturar:

 

* UM PAR DE INGRESSOS pros shows do The Radio Dept. semana que vem, dia 6 no Beco/SP, e dia 8 no teatro Odisséia, no Rio. Corre que ainda dá tempo de participar!

 

* E inda um PAR DE VIPS pro festão de catorze anos do Grind amanhã, na Loca. O (a) vencedor (a) desta promo será avisado (a) até às 18 horas deste domingo, por e-mail, ok? Então corre aê!

 

E FIM DE PAPO!
Tá bão, né? Postão finalmente concluído e agora brejas e álcool nos esperam na deliciosa e fria noite paulistana. O blog se vai e deixa beijos quentes e queridos na Adriana Ribeiro, na Samara Noronha e na Camila Valente, sempre! Até a semana que vem!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 23/6/2012, às 23hs.)