AMPLIAÇÃO EXTRA! Falando novamente sobre a eleição deste domingo (amanhã) e mais uma vez pedindo ao nosso dileto leitorado: vote CONSCIENTE! – Às vésperas da eleição presidencial deste ano e em um momento crucial para a democracia brasileira o blog zapper, neste mini post EXTRA e especial, declara publicamente sua opção de voto em 7 de outubro, além de mostrar como (e infelizmente) o rock brasileiro (que já está mortinho da silva em 2018) se tornou reacionário e conservador de extrema direita a ponto de apoiar a candidatura do NAZISTA, que a maioria SENSATA da população não quer ver sentado na cadeira de presidente; enquanto isso artistas gigantes da música mundial como Madonna declaram seu apoio ao movimento #EleNÃO, que vai sacudir o país de ponta a ponta neste sábado (amanhã, 29 de setembro) em centenas de manifestações CONTRA o candidato mais NEFASTO que já surgiu em terras brasileiras até hoje (ampliação EXTRA e final em 6-10-2018)

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A humanidade, o mundo e TODOS os artistas quem importam na música pop planetária CONTRA O CANDIDATO NAZISTA à presidência do Brasil em 2018: a gigante popstar Madonna (acima) divulgou hoje em seu Instagram uma foto (abaixo) em apoio ao movimento #EleNÃO, que neste sábado, 29 de setembro, vai levar às ruas de todo o Brasil milhões de manifestantes contra a candidatura presidencial de Jair Bolsonaro

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MICROFONIA EXTRA E ESPECIAL – AS DUAS FACES DESTA ELEIÇÃO E DE QUAL LADO CADA UM ESTÁ

Analisando por alto a situação e sem uma pesquisa mais aprofundada nesse momento (pois teríamos que ter tempo para fazer isso, embora esse detalhe não inviabilize a realidade do que vamos elencar aí embaixo), podemos chegar a algumas conclusões. Começando por QUEM ESTÁ DO LADO DA VERDADE, DA DEMOCRACIA, da liberdade de expressão, do humanismo, do respeito, da tolerância com quem pensa diferente, e que é contra fascismo e nazismo político, ditadura e cerceamento de pensamento, machismo, homofobia, racismo, misoginia e mentira na política e nessas eleições:

 

– lideranças políticas que merecem nosso respeito pela sua trajetória, cultura, inteligência, equilíbrio, propostas de governança e RESPEITO à liberdade e democracia (Fernando Haddad, Ciro Gomes, Guilherme Boulos, Eduardo Suplicy, Luiza Erundina, José Luiz Penna etc.)

 

– artistas gigantes e de mega PESO da música brasileira e internacional (Madonna, os dois ex-guitarristas e fundadores do gigante indie Sonic Youth, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Daniella Mercury, Mano Brown, o guitarrista do Ira!, Egard Scandurra e o ex-baterista do grupo, André Jung), das artes dramáticas (Fernanda Montenegro, Wagner Moura, Thaís Araújo), da poesia (o escritor Ademir Assunção), medicina (dr. Dráuzio Varella) etc.

 

– imprensa mundial que importa (jornais como o inglês The Guardian, o espanhol El País, o francês Le Mond e o americano The New York Times).

 

– e uma renca de pensadores, escritores, poetas, cientistas políticos e sociólogos daqui e de fora, todos reconhecidos pelo seu trabalho intelectual e pela sua obra e que sabem o tamanho do RETROCESSO institucional, social, político, econômico e comportamental que irá se abater sobre o Brasil caso o MONSTRO NAZISTA ganhe a eleição.

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Protestos contra a candidatura nazi fascista de Jair BoÇALnaro se espelharam pelo país no final de semana passado e neste também: apenas em São Paulo no bairro de Pinheiros (zona oeste, acima) cerca de 150 mil pessoas se reuniram no Largo da Batata para mostrar seu repúdio ao presidenciável de extrema direita, entre eles Zapnroll e alguns de seus amigos queridos (abaixo)

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Agora, quem está do lado totalmente NEGRO e reacionário, calhorda, imundo, podre e BANDIDO da eleição, APOIANDO o candidato NAZI FASCISTA:

 

– toda a pior TORPEZA da política nacional atual (DEM, psdbosta, parte do mdbosta, João Escória Dólar, senador Magno Malta, o centrão político etc, etc, etc.).

 

– igrejas evangélicas corruptas, reacionárias ao extremo, ignorantes e boçais no pensamento medieval que impõem aos seus seguidores, fundamentalistas e com os líderes evanJEGUES mais BANDIDOS que se tem notícia e que ROUBAM na cara larga seus milhões de seguidores (Edyr Macedo, Silas Malafaia, Waldemiro Santiago etc.).

 

– PATRÕES que estão loucos para dar CAMBAU no décimo terceiro salário e nas férias dos seus pobres funcionários.

 

– os 1% SUPER ricos do país, que querem continuar NÃO PAGANDO impostos, deixando os mesmos no LOMBO dos outros 99% pobres da população.

 

– “luminares” da cultura nacional como o ator PORNÔ (e cotado para ser futuro Ministro da Cultura, ahahahaha) Alexandre Frota, a gagá Regina Duarte e os “roqueiros” falidos e decadentes de direita, Lobão e Roger Moreira.

 

– agremiações políticas completamente CAFAJESTES, cretinas, mentirosas, manipuladoras, espalhadoras de fake News aos milhões e ordinárias como o MBLixo.

 

– e claro, os “cidadãos de bem” (uia!), aqueles extremamente trogloditas, ogros em estado bruto, bestiais e selvagens ao máximo. Os que perderam a vergonha (e que saíram finalmente do armário) de serem machistas, racistas, homofóbicos e misóginos, e que não têm pudor algum em mostrar que odeiam pretos, pobres e que acham que homem tem que MANDAR na mulher, e esta OBEDECER caludinha (se não, leva PORRADA!). Pior é encontrar no meio dessa malta gigante de eleitores boÇALnaros e bolsOTÁRIOS, negros que irão votar no nazi (sim, há negros que odeiam sua própria cor de pele), pobres que também irão votar nele (porque acham que irão ascender socialmente e financeiramente caso o monstro vença o pleito) e MULHERES (inacreditável, mas elas também existem como eleitoras do nazi) que acham isso mesmo: que a sociedade tem que continuar sendo eternamente e grosseiramente PATRIARCAL, machista, e que mulher tem mais é que ser bela, pudica, recatada, do lar e que tem apenas que servir como reprodutora humana e servir aos instintos SEXUAIS de seu macho, amo, senhor e provedor (com ela inclusive não tendo direito ao seu GOZO carnal).

É isso. A capa (genial) da revista Carta Capital desta semana (aí embaixo) resume bem o que será o confronto político neste domingo. O confronto que poderá manter o Brasil livre, liberto, democrático e com uma conjuntura social e política ainda minimamente moderna, avançada e digna do século XXI. Ou que poderá jogar o país no mais aterrador obscurantismo MEDIEVAL e das TREVAS.

Faça sua escolha. O blog já fez a sua. E vote consciente no domingo.

 

#EleNÃO

 

#EleNUNCA

 

#EleJAMAIS

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XXX

 

***Agora é partir pro voto neste domingo. E o blogão volta com tudo e com postão inédito na semana que vem, falando com ótima e detalhada análise sobre o novo disco da sempre musa e deusa Cat Power. E também trazendo novos detalhes sobre a super festa de quinze anos da Zapnroll que acontece em Sampa no dia 19 de outubro, sexta-feira, a partir das nove e meia da noite no Sesc Belenzinho (com showzaços do Saco De Ratos e dos Dead Rocks), mais uma mini entrevista com o novo trio psicodélico feminino paulistano Ema Stoned, além de uma nova MUSA ROCKER que vai deixar nosso dileito leitorado macho (cado) pedindo água, ulalá! Até lá então!

 

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Yep. Um novo postão do blog mais legal de cultura pop e rock alternativo da web BR já há década e meia está sendo preparado para a semana que vem. Mas em um momento em que o país pega fogo às vésperas das eleições presidenciais mais tensas da história política nacional em décadas, estas linhas bloggers entendem que é necessário se posicionar publicamente em relação ao tema. E não só: é necessário mostrar também que triste fim levou o rock brasileiro em 2018: de outrora movimento musical moderno, avançado, à frente de seu tempo e totalmente transgressor, subversivo e sempre do lado de posturas sociais, comportamentais e políticas relevantes, agora o “róqui” brazuca se compraz em retroceder décadas e se tornar moralista, conservador, hipócrita, reacionário de extrema direita e declarar apoio ao candidato a presidente mais nefasto da história política brasileira em todos os tempos. O rock brasileiro morreu, finalmente. Se tornou bunda mole, cretino e BABACA no final das contas. Triste fim para um gênero que já nos deu gênios e bandas geniais como Mutantes, Legião Urbana, Ira! (este, ao menos, ainda continua grande, genial, na ativa e do lado certo da força), Titãs, Renato Russo, Cazuza etc.

No momento em que este mini post (para os padrões habitualmente gigantes de nossas postagens) está sendo escrito, já no final da tarde de sexta-feira, 28 de setembro, o país literalmente está pegando fogo com as eleições que acontecerão na semana que vem, domingo 7 de outubro. E enquanto revistas como a semanal Veja (quem diria, o maior exemplo de mega jornalismo pérfido, de direita, conservador, manipulador e TORPE) acaba de jogar A PÁ DE CAL na candidatura do NAZISTA com a CAPA da sua edição desta semana, que já está nas bancas (em matéria que revela toda a documentação sobre o processo que a mulher de Jair Bolsonaro moveu contra ele há uma década, acusando-o de agressão física, de ameaças de morte e de o deputado agora candidato a presidente ter OCULTADO milhões em patrimônio pessoal), artistas do Brasil e do mundo inteiro aderem ao movimento #EleNÃO, contra a candidatura do deputado e que pretende mobilizar milhões de pessoas em manifestações de norte a sul do Brasil amanhã, sábado. Somente hoje a gigantesca estrela Madonna declarou apoio ao movimento em seu Instagram. Idem a cantora Cher. E aqui mesmo no Brasil cantores e artistas como Daniella Mercury, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Pablo Vittar, Anitta e CENTENAS de outros igualmente declararam seu apoio ao movimento e contra o voto em BolsoNAZI, o fascista que representa todo o mega atraso, conservadorismo, preconceito, truculência, ignorância, boçalidade, racismo, machismo, homofobia, misoginia e selvageria de pensamento que habita o cérebro de milhões de eleitores iguais a ele e que pensam como ele (veja texto mais abaixo).

Enquanto isso, enquanto uma grande parcela de artistas musicais dos mais variados matizes e gêneros se posicionam contra a candidatura do monstro nazi fascista o ROCK nacional… quem diria… o POBRE rock brasileiro em fim de linha vai na contra mão de tudo isso, se mostrando abertamente reacionário, moralista hipócrita e ultra conservador de extrema direita. Dois exemplos já clássicos dessa postura inacreditável estão em Lobão e Roger, o eterno vocalista do hoje em dia total decadente Ultraje A Rigor (grupo que atualmente sobrevive como animador de auditório de um quase estúpido programa diário noturno de entrevistas na tv). Ambos foram nomes inquestionavelmente relevantes no rock BR dos anos 80, e produziram uma obra musical digna de respeito. Agora se tornaram uma dupla lamentavelmente BABACA de tão conservadora e reacionária. A eles se juntaram milhares de pseudo “roqueiros” brazucas, principalmente os que estão na esfera dos fãs do velhusco, machista, conservador, atrasado intelectualmente e culturalmente heavy metal (ou heavy MERDAL). Não é difícil encontrar um cabeludo MERDALEIRO que não tem pudor em declarar seu voto em Jair BoÇALnaro. Triste, para dizer o mínimo.

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O outrora grande rock brasileiro finalmente chega ao seu triste fim: reacionário, moralista hipócrita, aderindo ao conservadorismo de extrema direita e declarando apoio ao candidato NAZI FASCISTA a presidente Jair Bolsonaro, como demonstram Roger (acima, ao lado do presidenciável), vocalista do falido Ultraje A Rigor, e Lobão (abaixo), no vídeo em que explica porque resolveu votar em BolsoNAZI

 

Por tudo isso Zapnroll não tem medo em declarar sua posição política e ideológica nesse momento tão grave para a democracia brasileira. Somos sim totalmente HADDAD para presidente. Estaremos amanhã na manifestação do #EleNÃO em São Paulo. E ao lado de milhões de brasileiros que ainda pensam com a razão (e não com o fígado à mostra), daremos a vitória ao candidato do PT nas eleições presidenciais livrando assim o Brasil de ter, em pleno século XXI, um presidente troglodita, medieval e autêntico sub Hitler tropical.

Adeus, BoÇALnaro. Adeus seus milhões de eleitores selvagens e bolsOTÁRIOS, além de completos IMBECIS. Descansem em paz! Nos vemos nas urnas daqui a dez dias!

 

***Tudo sobre um dos vários eventos e manifestações de apoio ao #EleNÃO, amanhã em São Paulo e pelo Brasil, pode ser conferido aqui: https://www.facebook.com/events/1028508947328424/?active_tab=about.

 

***Abaixo, o blog explica por que milhões de eleitores acéfalos aderiram ao candidato nazista.

 

 

OS BOÇAIS E REAÇAS PRECONCEITUOSOS SAEM DO ARMÁRIO, PARA VOTAR NO NAZISTA. MAS HADDAD VAI GANHAR!!!

O NAZISTA. Aquele que talvez seja o ser humano mais tresloucado, grotesco, ogro, descerebrado, truculento, acéfalo, racista, machista, misógino, homofóbico, reacionário, medieval (no pensamento e comportamento) e conservador candidato a já ter postulado a cadeira de presidente do Brasil.

E por que há milhões de eleitores OTÁRIOS e igualmente BOÇAIS dispostos a votar nesse TRASTE e nessa herança maldita e insepulta dos PIORES ANOS da história brasileira (os que vivemos sob o jugo de uma horrenda ditadura militar de direita), não é nenhum mistério. Como bem observou um cientista político em análise na Globo News dias atrás, o (a) eleitor (a) que vai votar no nazista pertence a um segmento da sociedade que estava “escondido” no armário há décadas e que tinha vergonha de se mostrar, de se expor. Afinal esse segmento não se via representado por NENHUM dos políticos que tocaram (vá lá) uma agenda mais moderna e progressista para o país, de 1998 (lá se vão 20 anos…) pra cá. Yep, você pode detestar FHC mas ao menos ele tinha (e continua tendo) uma visão muito mais moderna de vida, de sociedade, de comportamento e do mundo do que esse projeto de sub Hitler tropical, que agora tenta ganhar as eleições presidenciais. E sendo que depois dos 8 anos de FHC tivemos 8 anos de Lula, o MELHOR presidente que o Brasil teve em pelo menos 5 décadas.

Aí o que rolou depois e que agora chega ao dias atuais é o que todos sabem: surgiu finalmente o candidato OGRO, ESCROTO e ultra conservador para dar voz a milhões IGUAIS a ele. Assim, o eleitor do nazista finalmente pôde sair do armário e mostrar o que realmente é, e o que realmente é boa parte do eleitor e da sociedade brasileira: um povo IGNORANTE e ultra conservador, eivado de preconceitos de toda espécie, que alimenta dentro de si um machismo (fruto de nossa sociedade eternamente patriarcal) pavoroso, um racismo idem (aqui no triste bananão tropical até muitos pretos têm vergonha da própria cor da pele, o que é inacreditável), além de misoginia, preconceito de gênero sexual e por aí vai. É como se quem vai votar nesse monstro batesse no peito e gritasse a plenos pulmões: “sim, sou isso mesmo! ODEIO pretos, pobres, bichas, dou porrada mesmo em mulher e sou MACHISTA assumido! E agora encontrei QUEM ME REPRESENTA, em quem posso me ENXERGAR e em que posso VOTAR para presidente!”.

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É isso. As BESTAS boçais e reacionárias em nível hard saíram enfim e finalmente do armário, onde se escondiam envergonhadas de mostrar como pensam e como são. Agora, com a candidatura do NAZISTA aí na cara de todos, as bestas podem ganhar as ruas. País de sociedade e povo cordial, simpático e civilizado… ahahahaha. Nem fodendo! Isso aqui é o quinto mundo dos infernos, o país com mais de 60 mil mortes violentas por ano e onde se matam mais lgbts no mundo, além de ser também um dos campeões em feminicídio. E tudo isso só vai PIORAR se esse NAZISTA ganhar a eleição.

Fechamos mais do que nunca com Haddad e Manu. O professor de filosofia (formado pela Usp) e advogado possui temperança, sapiência, equilíbrio emocional e visão moderna do que é o mundo e a sociedade de sobra, para fazer esse país voltar a ser minimamente feliz. O outro… vai ser o caos completo, total e final se levar a eleição, claro.

De modos que o jogo está jogado. Agora é ir pro segundo turno com garra e torcer para que Fernandão ganhe com tudo. Que assim seja. Para o bem de todos nós. Inclusive dos boÇALnaros que irão triste e cegamente votar no nazista.

 

 

E PARAMOS POR AQUI

Lembrando que semana que vem (na véspera do primeiro turno das eleições) estaremos de volta com novo postão. E dia 19 de outubro, no Sesc Belenzinho em Sampa, a MEGA FESTA DE 15 ANOS da Zapnroll. Vai ser in crí vel! Esperamos vocês todos por lá!

Até mais, então. Beijos pra galera e fé na democracia e liberdade de expressão, com Haddad presidente!

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(ampliado e atualizado por Finatti em 6-10-2018 às 19hs.)

 

O ano chega ao fim com o geniozinho Brendan Benson lançando mais um grande disco solo (agora vai!); como foi a edição 2013 do fodástico Goiânia Noise Festival (com notas “hot” de bastidores que você só lê no blogão campeão em relatos de esbórnias movidas a dorgas, álcool e muita putaria), e também como foi o evento “SEx=Sub Expressions” em Sampa no último finde; a estréia solo do “cachorro grande” Marcelo Gross, além de mais isso e aquilo tudo e SÓ AQUI: super biografia dos Ramones em sorteio, wow! (post sempre e em enooooorme construção, com engordada MONSTRO falando do Goiânia Noise e dando com EXCLUSIVIDADE o nome de quem foi demitido na redação da revista Rolling Stone Brasil) (e postão enfim concluído, com atualização final em 16/12/2013)

 O pequeno gênio Brendan Benson (acima) mantém a grande e “retrógrada” tradição do rock’n’roll, compondo uma batelada de belas canções movidas a guitarras, violões e órgãos vintage em seu novo e muito bom disco; a mesma tradição perpetuada pelo inesquecível e imortal cantor country Johnny Cash (abaixo), morto há mais de uma década e que terá um disco totalmente inédito lançado em março do ano que vem

 

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DEMISSÃO NA REDAÇÃO DA ROLLING STONE

Conforme já havíamos antecipado aqui na semana passada, rolou dança das cadeiras na redação da Rolling Stone, a ainda atual maior revista de cultura pop do Brasil. O defenestrado foi o ex-editor Paulo Terron. O motivo extra-oficial alegado para a demissão, o blog apurou, foi “corte de gastos” (yep, apesar de a revista estar seguindo firme e forte, ela também está sofrendo com retração nas vendas e no mercado editorial como um todo). Terron teria um dos salários mais altos da redação nesse momento – em torno de R$ 10 mil mensais.

 

Zap’n’roll começou a saber da parada antes de ir para Goiânia, cobrir o Goiânia Noise Festival. Na capital de Goiás apurou melhor a história e levantou dados sobre ela. E lamenta a demissão do jornalista: não era amigo dele (e nem inimigo também) mas o respeitava bastante como profissional competente e que possuía um dos melhores textos da equipe da revista, que segue sob o comando do respeitável editor-chefe Pablo Miyazawa.

 

Pena que abaixo do super monge japa zen reine a quase incompetência editorial, já que prosseguem na empresa como editores-assistentes o histérico e ultrapassado Paulo Cavalcanti (jornalista que perdeu a relevância já há anos e hoje trabalha no piloto automático) e a francamente burrona Bruna Veloso, uma autêntica ignorante em termos de cultura pop.

 

Não seria o caso de poupar Terron e por um desses dois (ou ambos) pra correr? A revista sairia no lucro, com certeza.

 O competente jornalista Paulo Terron, que acabou de ser demitido da redação da revista Rolling Stone Brasil

 

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 MERDALLICA MAIS UMA VEZ AQUI, JEZUIZ…

Yep, a notícia que sacudiu os rockers ontem (sexta-feira, o blogão está sendo atualizado já no final da tarde de sábado, 14 de dezembro) foi a divulgação das datas da turnê latina do Metallica, em março de 2014.

 

A tour é produção da Time For Fun. E no Brasil rola show ÚNICO dia 22 de março, no estádio do Morumbi, em Sampa.

 

A pergunta que não quer calar: essa banda de merda, hoje o PIOR exemplo do mercantilismo e falta de respeito para com o seu público, não cansa de vir aqui pra arrancar grana de milhares de fãs otários?

 

Tsc, tsc…

 

Merdallica novamente no Brasil… quem ainda aguenta?

 

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Fim de ano. Fim de festa.

Reavaliação. Se defrontar finalmente com o momento da chamada “hora mais escura” de nossa existência. Yep, este 2013 que está chegando ao seu final dentro de mais quinze dias pode ser considerado como um divisor de águas na já longa trajetória terrena de Zap’n’roll, além de ter sido certamente o ano mais difícil e talvez mais doloroso dessa trajetória. E tudo isso ficou bastante evidenciado esta semana, após o blog retornar de um finde total rock’n’roll na capital de Goiás, onde rolou a décima nona edição do ótimo festival Goiânia Noise (onde muita parada bacana aconteceu com shows incríveis, reencontros com velhos e grandes amigos, algumas ótimas trepadas e o mais completo sossego do autor destas linhas online em relação a loucuras movidas a álcool e drugs, hehe; mas isso é assunto pra esse mesmo post, mais aí embaixo). Ao por os pés novamente em Sampalândia o blog voltou à dura (e espera que momentânea) realidade das sessões diárias de radio terapia no Icesp (Instuto do Câncer de São Paulo), onde teve reunião com o médico radiologista na última terça-feira. E ele foi duro e implacável, comendo sem dó o toco zapper: “O sr. esgotou toda a sua cota de falta nas sessões. Faltou em OITO até agora. Já poderia estar em mais da metade do tratamento. E seu tumor é MUITO SÉRIO, entenda isso! Mas cuidar da sua saúde ou não é uma decisão sua, não podemos mandar em você. Agora, o que eu não posso permitir é que sua indisciplina PREJUDIQUE os outros pacientes, que fizeram opção por se tratar, querem ter a chance de se curar e não podem ser prejudicados por uma pessoa que não cumpre sua agenda aqui, conosco”. E finalizou: “a radio, nesse momento, é a ÚNICA chance que você tem de se livrar do seu tumor. Então eu não autorizo mais nenhuma falta sua. Pode esquecer qualquer viagem neste final de ano, a prioridade é você cuidar da sua saúde. Ficando tudo em ordem com ela, você ainda terá muitos réveillons para passar fora de São Paulo”. Ok: o zapper sempre trêfego, bocudo, e que teve uma existência quase que totalmente movida pela indisciplina, foi obrigado a se calar e nem pensou muito em contra-argumentar algo. Se é pra se livrar do tumor, que façamos então o tratamento até o final, sem mais nenhuma falta ou ausência – e isso mesmo com a rádio tirando totalmente o paladar do sujeito que escreve este blog, com as aftas provocadas pelo tratamento infernizando a boca e com tudo isso somado gerando uma enorme falta de vontade de se alimentar (em dois meses o até então sempre robusto jornalista perdeu nada menos do que OITO QUILOS em seu peso; e ainda tem leitor fake otário e retardado e imbecil que envia mensagem idiota, dizendo que o jornalista rocker é um… balofo, ahahahaha. Enfim, pessoas acéfalas existem em todos os lugares e no painel do leitor do blog elas não seriam exceção). Mesmo porque ou é isso ou nada: em outra reunião na última quarta-feira, desta feita com o super boa praça oncologista japa rocker (o dr. Deniey, que é fã de rock e Black Sabbath), a pedido do próprio paciente ele foi bem honesto, sincero e esclarecedor: “seu tumor é grave, e é em órgão vital. Quando o tratamento acabar em janeiro, ainda iremos fazer tomografias para saber se a atividade tumoral cessou. Saberemos disso lá pra março. Se ela cessou, ótimo, sinal de que o tumor foi eliminado, o que não significa que ele não possa voltar um dia em algum outro ponto do seu organismo”. E se a tal atividade tumoral não cessar com o tratamento? O oncologista: “não dá pra responder nada agora, só depois de feitas as imagens com as tomografias. Mas hipoteticamente se essa atividade não cessar é sinal de que o tumor não sumiu e não vai sumir. O que poderemos fazer então é administrá-lo até quando for possível”. Esse “até quando for possível” significa que… “que um dia ele vai te matar”, foi enfático o Dr. Deniey. Foi isso: o blog saiu dessa consulta convicto (pois sempre se prepara pro pior) de que temos aí, pela frente, mais uns três ou quatro anos nesse mundo. E já é o suficiente: já vivemos demais, já fizemos quase tudo o que queríamos aqui (incluso aí dezenas de amores tórridos e centenas de fodas idem) e agora não há mais tempo a perder: o livro do blog virá até maio de 2014. Depois uma bem-vinda mudança pro meio do mato em Minas Gerais, onde uma  morte suave irá nos aguardar. Por tudo isso é esse 2013 que está acabando pode ser considerado um divisor de águas na vida do autor deste espaço virtual. O momento em que ele enfim se defronta com a questão inefável da morte. Com a sua hora mais escura. Todos irão se confrontar com essa hora um dia em suas vidas, mais cedo ou mais tarde. Não há exceção nessa regra. E a hora mais escura destas linhas bloggers parece apenas estar chegando mais cedo do que supúnhamos. Que ela venha então. E enquanto não chegar iremos continuar aqui, escrevendo como heróis e sobreviventes sobre essa emocionante aventura de vida chamada rock’n’roll.

 

 

* E esse é o último postão zapper com assuntos mega variados de 2013, já que na semana que vem o post derradeiro do ano vai trazer a nossa lista dos melhores dos últimos doze meses em termos de discos, shows, filmes, livros etc. Então vai acompanhando firme a parada aqui, que está sendo desenrolada já na madruga de quinta pra sexta-feira – e com possíveis atualizações até o final da tarde de sábado.

 

 

* E a semana chega ao seu final trazendo aquela que talvez tenha sido a notícia musical mais relevante do mondo pop e da música nos últimos sete dias. Johnny Cash, o gênio imortal do country rock americano (e que deixou este mundo há mais de uma década já) terá um disco totalmente INÉDITO lançado em março de 2014. Trata-se de um álbum gravado pelo músico no início dos anos 80’ e que jamais foi lançado pela sua ex-gravadora, a Columbia Records. Como as fitas originais foram também guardadas pelo casal Cash (o cantor e sua esposa, June Carter), agora os herdeiros anunciaram o lançamento do material. O trabalho vai se chamar “Out Ammong The Stars” e foi registrado em um período em que Johnny estava em baixa em sua trajetória musical. Mas, ainda assim, é o tipo de notícia que deveria (e deve) ser saudada com rojões pelos fãs da música que ainda importa pois mesmo um disco apenas mediano do saudoso Cash ainda é melhor do que 90% da merda pop/rock que é despejada hoje em dia no mercado musical planetário. Ou, como bem frisou a dileta amiga zapper Rudja Santos: “ele é do tempo em que a música era pura e vinha da alma do cara direto pros nossos corações”. Com certeza.

 

 

* O que espanta mesmo nessa questão é a absoluta desimportância que sites e blogs de música e cultura pop, hã, “descolados” e “moderninhos” (e que só sabem falar do último peido fedido, rasteiro e fugaz do pop mundial) deram a notícia. Johnny Cash merecia – e merece – mais respeito e tratamento melhor pois a marca de sua música é eterna, ao contrário dos pobres daft punks e disclosures da vida, que daqui a algum tempo ninguém mais vai lembrar da existência. Mas fazer o quê néan. Assim caminha o jornalismo musical brasileiro, infelizmente…

 

 

*E para homenagear o grande Johnny, claro aê embaixo o vídeo de “Hurt”, a inigualável cover que ele registrou de uma canção do também gênio Trent Reznor. Yep, todo mundo já cansou de assistir e ouvir mas a música é lindíssima, triste de doer no âmago da alma e do coração e um dos vídeos mais bonitos já registrados na história recente da música pop.

 

 

*Placebo maaaaais uma vez no Brasil. Show único em Sampa, dia 14 de abril, no horrendo Citibank Hall. Pista a cento e oitenta mangos (meia: noventa). A trinca liderada por Brian Molko é legal e tals mas o blog passa. Já viu a banda ao vivo três vezes e chega.

 Brian Molko e seu Placebo maaaaais uma vez ao vivo no Brasil; chega, né?

 

 

Cantinho da Velhonna, ops, Madonna, rsrs. A diva loira pop, ex-vacudda e agora quase pelancuda (uia!) passa por dois momentos distintos em sua vida nesse instante. Em um deles, se tornou a cantora que ganhou mais grana em 2013, ficando US$ 125 milhões mais rica por conta de sua última turnê. No entanto, na outra ponta, a loira acaba de perder seu último namorado, trinta anos mais novo do que ela (não custa lembrar: Madonna está com cinquenta e cinco anos nas costas), sendo que o motivo alegado para a separação foi o tradicional “incompatibilidade de agendas”. É, o mundo é cruel com as velhonnas, mesmo que elas sejam uma… Madonna.

 Velhonna e seu ex: os machos já começam a dispensar namoro com a loira quase pelancuda

 

 

*E quem ainda está beeeeem longe de ser velhonna é a japira Sabrina Sato, ex-Pânico e que acaba de assinar contrato milionário com a Tv Record, a rede do Bispo. Foi um dos assuntos mais comentados da semana no mondo pop brazuca. Agora, a questão é: ela vale MESMO tudo isso e todo esse bafafá? É apenas o blog zapper que acha essa japa muito chata e sem graça ou mais alguém aê?

 

 

* Sim, sim, todo mundo já sabendo que o Foo Fighters tocou em uma pizzaria nos EUA no início da semana, para apenas duzentos felizardos. E daí? O FF é uma banda muuuuuito legal, fez um showzão no Brasil ano passado mas fala-se demais no grupo por aqui. Tanto que acabamos por enjoar dele.

 

 

* E teve mais uma biografia bacana dos Ramones lançada esta semana em Sampa. Desta feita escrita pelo ex-empresário do conjunto e com o título “Na estrada com os Ramones”, acaba de sair aqui através da Edições Ideal. Logo menos estas linhas bloggers rockers vão falar melhor do livrão mas vai lá no final do post que já temos uma surpresinha pro nosso dileto leitorado em relação a isso, hihi.

 

* Assim como surpreendente – e muito bom – é também o novo disco do Brendan Benson, do qual o blog fala melhor aí embaixo.

 

 

BRENDAN BENSON FECHA O ANO COM NOVO E BACANUDO DISCO SOLO

O cantor e compositor Brendan Benson, quarenta e três anos de idade, é um dos nomes mais queridos e respeitados da indie scene americana desde meados dos anos 90’, quando iniciou sua carreira solo – tendo gravado, até o momento, seis discos solo, entre eles este “You Were Right”, que saiu oficialmente nos EUA em seu formato físico na última segunda-feira (e sem previsão de lançamento no Brasil, embora seja relativamente fácil de ser achado na web). Pois o geniozinho Brendan fecha 2013 com um disco bastante digno e que dá gosto de ouvir do começo ao fim.

 

Brendan, o dileto leitor zapper já sabe, chamou a atenção do público e da imprensa desde o início de sua carreira por exibir composições de alta qualidade e onde ele trafegava com desenvoltura pelo rock’n’roll básico e também por nuances bucólicas de country e folk, fazendo a utilização de melodias dolentes construídas por violões idem. Seus álbuns (“One Mississippi”, o primeiro, lançado em 1996 e, principalmente, a pequena obra-prima “LaPalco”, editada em 2002, aliás um dos únicos discos seus que ganhou edição brasileira) foram sempre muito bem recebidos pela rock press americana. E Brendan acabou por atrair a atenção e simpatia também de seus colegas de ofício. Tanto assim que Jack White o chamou, em 2006, para montar o super grupo The Raconteurs.

 

Em maio deste ano o cantor e guitarrista se apresentou em São Paulo (para um público diminuto, no Cine Jóia) e num showzaço dividido entre nuances mais eletrificadas e afolkalhadas, ele apresentou algumas poucas novas composições, dando pistas do que estaria por vir em sua nova incursão solo. Pois este “You Were…” soa como um conjunto de canções bastante retrô (“um álbum retrógrado”, como descreveu, em tom de aprovação, o velho chapa zapper Valdir Angeli), o que no caso de Benson é um baita elogio. Yep, porque o rock atual está “muderno” demais, oco demais e sem estofo musical algum. Isso quando não pende para a eletrônica rasteira, pura e simples. Vai daí que BB prefere navegar na contra-mão disso tudo: recheia suas composições com guitarras ora estridentes, ora tramadas com pedais steel. Isso quando não enfeixa belas melodias e arranjos conduzidos por violões e órgãos de timbre vintage.

O novo disco do geniozinho Brendan Benson: “retrógrado” e muito bom!

 

 

O resultado da nova obra solo do sujeito se traduz então em dezesseis ótimas canções que vão desde o rock de contornos folk eletrificado de “It’s Your Choice” (que abre o disco), passa por momentos de acento mais pop (mas não menos interessantes) como em “Rejuvenate Me” e “Pure Automatic”, chegam a baladas dolentes e estradeiras (“Diamond” e o blues/soul “I Don’t Wanna See You Anymore”, com direito a naipe de metais e arranjos de órgão) e chegam até a resvalar no reggae em “I’ll Never Tell”, numa grande demonstração da versatilidade estética e estilística de Brendan.

 

Não chega a entrar na lista dos melhores discos do ano do blog (mas sua recepção foi calorosa em veículos como a prestigiosa Mojo, por exemplo) mas quase foi parar lá. E no final das contas a situação está assim mesmo: mais vale um bom disco de Brendan Benson (que com este novo solo, continua se mantendo como um dos nomes relevantes do que ainda importa na cena rock alternativa americana) acariciando nossos ouvidos do que dez Daft Punk enchendo nosso saco.

 

 

O TRACK LIST DE “YOU WERE RIGHT”

1.”It’s Your Choice”

2.”Rejuvenate Me”

3.”As of Tonight”

4.”Diamond”

5.”Long Term Goal”

6.”I Don’t Wanna See You Anymore”

7.”I’ll Never Tell”

8.”Swallow You Whole”

9.”She’s Trying to Poison Me”

10.”Purely Automatic”

11.”New Words of Wisdom”

12.”Oh My Love”

13.”The Fritz”

14.”Swimming”

15.”Red White and Blues”

 

 

E O ÚLTIMO GRANDE FESTIVAL INDIE DE 2013 BOTOU FOGO EM GOIÂNIA ROCK CITY

Fez uma semana já – o postão zapper bombator está sendo concluído na tarde deste sábado, 14 de dezembro, quando a temperatura infelizmente começa a subir novamente em Sampa, após dias e dias de clima invernal em pleno verão. Mas nem por isso estas linhas online iriam deixar de publicar o seu registro do que foi a décima nona edição do Goiânia Noise Festival, que sacuiu a capital de Goiás no último finde, levando (no total) mais de três mil pessoas ao sempre ótimo, aprazível e acolhedor espaço do Centro Cultural Martim Cererê. Ali, distribuídas por dois palcos abrigados em dois teatros com capacidade para cerca de seiscentas pessoas cada um, quase cinquenta bandas (a grande maioria local, mas também havia grupos de quase todas as regiões do país) tinham (em sua maioria) meia hora para dar o seu recado sonoro – headliners como o punk inglês Exploited ou o eletrônico (ma no troppo) MixHell, tiveram mais tempo para tocar, óbvio. De qualquer forma foi um vasto panorama da indie scene nacional o que se viu nas três noites do evento, com predominância dos sons mais extremos (metal porrada, punk hardcore) e algumas incursões por outras variantes do rock’n’roll (leia-se: garagismo à sixties, classic rock, tropicalismo e até o hoje tão famigerado indie rock).

 

E yep, teve de tudo para todos os gostos, em variadas doses de qualidade (ou falta de) musical. Há de se registrar aqui que os quesitos produção e estrutura de som e luz do Goiânia Noise foram quase impecáveis: a acústica dos dois teatros do Martim Cererê é ótima, o PA estava bem regulado e os dois palcos contavam, além de bom e potente sistema de luzes, com um painel de led no fundo onde as bandas que estavam tocando podiam projetar imagens alusivas à sua performance (vídeos de música, grafismos etc.). Desta forma cabia a cada conjunto desempenhar bem – ou não – o seu papel. Ali, na verdade nua e crua do palco e amparado por bom som e boa iluminação, não havia espaço para cambalachos. Ou a banda era digna de verdade ou não era.

 

E foram muitas as bandas dignas de nota em um line up tão extenso e variado – de resto, já é público e notório que é humanamente impossível acompanhar absolutamente todas as atrações de um festival do tamanho do Goiânia Noise (provavelmente um dos três maiores eventos do Brasil no gênero, ao lado do brasiliense Porão Do Rock e do recifense Abril Pro Rock, todos felizmente e definitivamente divorciados já há tempos da máfia musical criminosa comandada pelo coletivo Fora Do Eixo). Afinal nem o mais jovem e aguerrido jornalista (ou mesmo músico ou simples espectador) tem fôlego para acompanhar mais de quinze shows por dia, em maratonas que começaram quase sempre por volta das sete da noite e se estenderam até quase três da manhã já do dia seguinte. Mas dentro do que foi possível conferir por lá, o blogão zapper destaca os seguintes shows e bandas:

 

* As Radioativas – as cinco garotas paulistanas fizeram um set matador em Goiânia. Além de todo um cuidado na questão visual o grupo mostra que seu garage, proto punk e rock’n’roll básico de contornos feministas cresce horrores em cima do palco – e só jornalistas cariocas retardados, imbecis, cafonas e metaleiros velhuscos é que discordam disso, né Marcos Brachatto. Não é à toa que elas estão se tornando cada vez mais conhecidas em São Paulo. Foi um dos melhores momentos do festival.

 

* The Baggios – outro destaque da primeira noite. A dupla sergipana formada pelo guitarrista Julinho Andrade e pelo batera Gabriel Carvalho está se tornando um dos grandes nomes da novíssima safra nacional graças a um som econômico mas poderoso, onde apenas dois instrumentistas destilam com maestria eflúvios de blues e rock básico, tudo sob uma ótica bem brasileira e peculiar. A associação imediata é com White Stripes. Mas os Baggios são bem mais e só assistindo o duo ao vivo pra se entender isso.

 

 

* Zefirina Bomba – já um clássico do hardcore nacional. Ilsom Barros com o seu violão distorcido e turbinado por zilhões de pedais, botou um dos teatros abaixo. Porradas com estilo e em doses acachapantes arrancaram o público do chão. Não é à toa que o Zefa vai tocar em 2014 no prestigioso mega festival indie americano South By Southwest.

 

* Mad Sneaks – o blog perdeu a gig do trio grunge Mineiro mas nossa queridaça (e sempre linda) jornalista rocker Adreana Oliveira, atesta: o som deles ganhou o público presente ao teatro. Não à toa, foram uma das bandas mais requisitadas em seguida para entrevistas com a imprensa rock local. A força do MS reside basicamente nas ótimas composições com letras em português, tocadas por um trio de ferro de guitarra, baixo e bateria. Não é preciso mais nada além disso.

 

* Mechanics – um dos heróis do rock de Goiânia há quase duas décadas. Pense num mix explosivo de Tad com Mudhoney e que tocou no festival com DOIS kits de baterias ensadencidas no palco. Além disso o vocalista Márcio Jr. sabe conduzir o público, insuflando-o com discursos repletos de raiva e provocações. Foi um dos shows que mais lotou em todo o evento.

 

* Marcelo Gross – em fase solo o guitarrista do já decano Cachorro Grande apresentou no festival o show de lançamento do seu álbum “Use o assento para flutuar” (leia mais sobre aqui, nesse mesmo post). Acompanhado pelo batera Clayton Martin (um dos músicos e produtores mais prolíficos e requisitados da atual indie scene nacional) e pelo baixista Fernando Papassoni, Gross mostrou um set bacaníssimo com todas aquelas ótimas influências e referências ao garagismo e à psicodelia rock sessentista, que ele já faz tão bem em sua banda original. Pena que havia pouco público pra prestigiar um dos melhores momentos de toda a maratona do Goiânia Noise.

 

 

* Rios Voadores – tropicalismo e riponguismo (mas com estilo e propriedade) em doses concentradas e alinhavadas em ótimas músicas. Não é à toa que a banda brasiliense, tendo a sensacional vocalista Gaivota Naves à frente, recebeu destaque de praticamente todos os blogs e sites que acompanharam o festival. Provavelmente a Rios vai ser the next big thing do novíssimo rock nacional.

 

 

* Versário – pouco comentado em outras coberturas o trio de Goiânia fez um show bastante vigoroso, com destaque para as melodias bem construídas e as boas letras em português. Alguma referência de Los Hermanos aqui e ali mas nada que comprometa o resultado final. É aparentemente um dos bons nomes da nova safra rock goiana.

 

* Johnny Suxxx & The Fucking Boys – já veteranos da cena local (e uma das bandas que mais atraem público por lá), os meninos estão cada vez melhor ao vivo, comandando um bailão esporrento de garage e glam rock. Joãozinho chupador Lucas (a filha bastarda que o blog zapper não teve, uia!) entrou em cena vestindo uma jaqueta com a cara do saudoso Lou Reed estampada nela – e ainda mandou um beijo do palco pro jornalista maloker, dizendo que era muito bom revê-lo novamente em Goiânia, hehe. E os garotos fodedores mandaram pau no suporte instrumental. Não deu outra: satisfação garantida em mais um grande momento do Goiânia Noise 2013.

 

 

* Alf – o cara que um dia cantou à frente do Rumbora e Supergalo, tocou pra um teatro quase vazio. Nem por isso deixou de esbanjar talento e competência, mostrando sua habilidade em compor rocks de pegada pop e com boas letras em português. Alf está construindo sua carreria solo aos poucos e em breve deverá lançar um belo disco.

 

 

Foi isso, um resumo possível do que rolou em Goiânia Rock City no finde passado. Em 2014 o festival chega aos seus vinte anos de existência e para comemorar, promete desde já ser um festão gigante. Mantendo viva a chama do rock’n’roll na terra dos sertanejos o Goiânia Noise continua sendo, de fato e de direito, um dos melhores festivais do rock independente brasileiro.

 

 

E NOS BASTIDORES DO GOIÂNIA NOISE… HISTÓRIAS DE SEXO, DORGAS, VIOLÊNCIA E ROCK’N’ROLL, UIA!

 

* A arremetida na chegada em Goiânia: o jornalista zapper ainda loker (mas infinitamente mais, hã, comportado, por força de um seríssimo tratamento de saúde) anda realmente vivendo dias emocionantes, hihi. Ele já sabia que estaria de volta ao Goiânia Noise deste ano desde que esteve no Porão Do Rock em Brasília, em agosto passado, quando reencontrou seu velho amigão Marcinho Jr. (vocalista da banda Mechanics e um dos sócios da gravadora e produtora Monstro) e que intimou: “Finatti, você vai pro Noise esse ano nem que tenha que ficar na minha casa!”. Oh yeah, afinal o autor destas linhas online ficou quase uma década sem ir ao festival já que a parte PODRE da sociedade da Monstro (leia-se o facínora Fabrício Nobre, que felizmente foi defenestrado da produtora, e agora vive grudado nos bagos do cappo do Fora Do Eixo, o notório Pablo Capilantra, além de tentar bombar bandas sem futuro como Black Drawing Chalks e Hellbenders) não queria o blog por lá. Anyway, lá se foi Zap’n’roll pra capital de Goiás em meio a um tratamento brabíssimo contra um tumor na garganta, sendo que na mesma semana o sujeito aqui havia passado por sessões de quimio e radio terapia em Sampa. Pois não é que na chegada ao aeroporto em Goiânia, quando já estava prestes a tocar a pista, o busão aéreo da Gol deu uma… arremetida??? Foi a primeira do gênero enfrentada pelo jornalista rocker em mais de vinte e cinco anos de andanças aéreas por esse Brasilzão. E é tudo muito rápido, nem dá tempo pra pensar se aquilo iria despencar com todo mundo dentro ou não. Depois de acalmada a situação, veio a explicação “oficial” do comandante do vôo: uma rajada de vento inesperada comprometeu o pouso da aeronave, o que forçou a arremetida. Se o cu zapper piscou de tensão? Nadica, hihihi.

 

* Hotel bom, internet péssima: toda a trupe do festival (bandas, jornalistas, produção), com exceção dos headliners The Exploited e MixHell, foi hospedada no hotel Serra de Goyáz (grafado assim mesmo, com y, “a” acentuado e z no final). Hotel bom, confortável, bom café da manhã mas internet PÉSSIMA, que praticamente não funcionou durante os dias em que ficamos hospedados por lá. E a grande cara de pau da direção: eles ainda COBRAVAM dez mangos por dia de utilização. Assim ficava difícil…

 

* A jornalistada presente para cobrir a esbórnia rocker: uma turma bacana de jornalistas musicais foi convidada pela Monstro a cobrir o Goiânia Noise. Estavam por lá representates do portal Terra, de sites e blogs locais e de Brasília etc. De Sampalândia foi o venerável Antonio Do Amaral Rocha, da Rolling Stone e PAI do editor-chefe da revista, o mui querido por nós Pablo Miyazawa. De Brasília veio o sempre gaúcho ranzinza (e um dos melhores amigos zappers) Cristiano Bastos, atualmente um dos melhores textos de cultura pop da imprensa brazuca. De Uberlândia veio a sempre linda, rocker, estilosa e amada Adreana Oliveira. E infelizmente também haviam os escrotos, claro. Entre eles o carioca Marcos Caggato, ops, Brachatto, aliás Bragatto, o sujeito que acha que tem o rei na barriga, que se julga o jornalista rock mais fodão do país mas que não passa de um metaleiro velho, cafona e que pouco entende de rock além do que ele gosta: heavy metal velhusco e brega. Pois é…

 

* Um garoto de futuro: e na segunda noite do evento, lá pelas tantas na área externa da sala de produção do evento (e onde só entrava quem tinha credencial), a sempre simpática Márcia, esposa do músico e produtor Márcio Jr, veio papear com o blog. E aproveitou pra apresentar seu filho, um molecão gente finíssima e que trajava uma t-shirt do… David Bowie! Wow! O blog: “mas você curte mesmo ele?”. O moleque, com seus parcos doze anos de idade: “Claro!”. O blog: “então vamos fazer um teste”. E começou a cantarolar trechos de canções clássicas do gênio eterno do rock mundial. Pois não é que o garoto acertou “Space Oddity”, “Ashes To Ashes”, “Starman” (ah, essa é sempre fácil, graças ao Nenhum De Nós) e só não identificou os versos de “Modern Love”? Tem futuro o rapazola, hehe.

 

* Zapper TOTAL careta em Goiânia: e não? Há quarenta e cinco dias sem beber uma gota de álcool (socorro!!!), aposentado nos aditivos ilícitos e tal, tudo por conta do tratamento médico que está enfrentando pra derrubar o monstrinho tumoroso que está na sua garganta, o outrora jornalista rocker doidón de plantão passou os três dias e noites do Goiânia Noise em abstinência quase absoluta. Deve ter sido a PRIMEIRA vez que isso aconteceu na vida do sujeito e na sua longa história de coberturas de festivais por quase duas décadas, onde ele invariavelmente tocava o terror e o puteiro (sempre municiado por garrafas de whisky e muita cocaine). E na capital de Goiás o que não faltou foi gente loka nos bastidores do Noise. Num determinado momento, inclusive, o blog inclusive EMPRESTOU sua carteira para um colega jornalista, para que o dito cujo esticasse em cima dela uma bem fornida taturana de padê, que foi aspirada dentro de um dos banheiros do camarim do teatro onde iria tocar o “cachorro grande” Marcelo Gross. E o zapper, que não está sentindo falta de padê nem aí pra parada. Mas de álcool definitivamente estamos sentindo falta sim: ao ver Gross e sua banda bebendo Jack Daniel’s e o povo todo se acabando em latas e latas de Heinekens (a cerveja que estava patrocinando o evento) geladinhas, o autor destas notas hot de bastidores começou a suar frio e a ter tremedeiras, rsrs. Mas não havia o que fazer. O jeito é aguentar a fissura, sendo que na melhor das hipóteses o blog vai poder voltar a beber algo alcoólico em meados de fevereiro próximo.

 

* Mas um tapa no baseado rolou: yeah! A “abstinência” zapper só foi interrompida quando ele resolveu dar um “tapa” num baseado, antes de um dos shows começarem – estudos apontam que maconha, por ser natural, faz até bem em tratamentos contra câncer. Afinal, ninguém é de ferro…

 

* Mais padê na madrugada: um dos músicos responsáveis por um dos melhores momentos do Noise deitou a napa com gosto na farinha em Goiânia, uia! E na madrugada de sábado pra domingo, já bicudíssimo em seu quarto no hotel e loko pra cheirar mais (o padê dele havia acabado), acionou por celular um dos produtores do festival, azucrinando o pobre sujeito: “porra, quebra essa pra mim! Vê quem pode me descolar mais uma carga agora!”. Nada feito: o produtor pediu pro guitarrista junkie desencanar e tentar sossegar o facho, hihihi. Dica de quem é o figura: ele é… gaúcho, uia!

 

* Violência e coquetéis molotov na madrugada: quase ninguém percebeu (felizmente) mas houve um momento de grande tensão envolvendo o festival em sua primeira noite. Num dos teatros os punks ingleses do Exploited encerravam a maratona de gigs do dia. Do lado de fora, na área reservada à produção e imprensa, o blog zapper papeava com um músico quando, do nada, pequenas explosões seguidas de chamas espocaram num transformador de energia localizado em um poste, além de também espocar bem próximo de onde o blog e seu interlocutor estavam. Correria, chama os seguranças e alguém da brigada de incêndio, que agiu rapidamente e controlou tudo. O que havia rolado, afinal? Um bando de sem noção passou correndo pela rua, ao lado do muro que cerca o centro cultural Martim Cererê, e simplesmente atirou TRÊS COQUETÉIS MOLOTOV em direção ao local. Felizmente nada aconteceu e ninguém se feriu.

 

* E elas fodem muuuuuito, rsrs: yep. Goiânia, terra de mulheres lokas, rockers, gostosas e… muito trepadeiras, ahahahaha. O blogger ainda taradón teve a oportunidade de conferir como elas são peitudas e como sentam com sua xotaça molhada com gosto na grossa rola zapper. E ainda gozam batendo siririca com uma técnica pra lá de exemplar: esfregando a cabeça do pau do macho em seu grelo, uhú! Aprovadíssimas no quesito foda as goianas, hihihi.

 

E é isso: a visita a Goiânia foi tudibom e Zap’n’roll agradece de coração a acolhida que teve da turma toda da Monstro (Léo Bigode, Léo Razuk, Márcio Jr., Guilherme Batista, o pessoal da imprensa) durante sua permanência por lá. Ano que vem tem mais!

 

O blog Zap’n’roll e o portal Dynamite online viajaram a Goiânia a convite da produtora Monstro.

 

 

PICS DE UM FINDE ROCK’N’ROLL EM GOIÂNIA 

Papo de bambas do rock: o jornalista zapper “cercado” por Agno Santos (Mad Sneaks) e Ilsom Barros (Zefirina Bomba), após o shwozaço do Zefa no festival

 

Imagem rocker para a posteridade: o blog ao lado dos queridos Leonardo Razuk e Márcio Jr., dois dois dos sócios da produora e selo Monstro, e que faz o rock ACONTECER de verdade em Goiânia rock city

 

O novo visu magrinho e punk style do blog: todo mundo aprovou, uia!

 

 

EM VÍDEO, UM MOMENTO DO GOIÃNIA NOISE 2013

Com o trio grunge Mineiro Mad Sneaks detonando no palco a lindona “Pandora”. E que inclusive foi dedicada ao blogão zapper!

(vídeo gravado pela jornalista Adreana Oliveira)

 

 

 

 

SEX=SUB EXPRESSIONS, O EVENTO MULTI CULTURAL QUE AGITOU SAMPA NO FINDE PASSADO

 

Realizada no sábado passado em São Paulo, a primeira edição da festa “Sex=Sub Expressions” (produzida pela empresa Provis e com curadoria do publicitário Tiago Bolzan de Luca, dileto amigo zapper há anos) foi um mix de diferentes manifestações artísticas, culturais e comportamentais. Rolaram shows com bandas, performances corporais (com destaque para a nossa musa indie oficial, Julieta DeLarge), leituras de poemas e mostras de grafite, entre inúmeras outras atividades. O resultado final foi tão positivo que duas novas edições estão sendo programadas: uma para acontecer em fevereiro, em alguma praia do litoral paulista, e outra novamente em Sampalândia, provavelmente em maio.

 

A pedido do blog o próprio Tiago produziu um relato (do ponto de curador do evento) sobre tudo o que aconteceu na primeira e vitoriosa edição da “Sex=Sub Expressions”. Leia abaixo:

 

(Texto: Tiago Bolzan e Daíse Neves, produtores da SEx = Sub Expressions

Fotos: Guilherme De Luca e Rafael Avancini)

 

PRIMEIRO,

ESTRANHAS.

DEPOIS,

ENTRANHAS… e SUBLIMAS!

 

No #SubExpress é tudo muito rápido! Num único dia a primeira individual da melhor grafiteira do Brasil, a projeção de um curta experimental inédito, três grandes shows e três performances de cair o queixo. Em comum entre as atrações? Todas são estreladas por mulheres!

 

Dias, meses e ano tendo milhões de idéias e finalmente o SEx nasceu. Foi um verdadeiro parto; vem ao mundo o evento que promete abalar as fronteiras entre as manifestações artísticas e causar muita bagunça nas mentes e corações, pegando de surpresa o público a cada instante.

 

Todo festival é uma correria e um que une Rock, Grafite, Performances e Audiovisual não tinha como ser diferente; veio cheio de perrengues e imprevistos como todo e qualquer evento que se disponha a ser realizado e multiplicado por quatro!

 

A exposição de Magrela que abriu o evento as 17:00 foi de rasgar as vísceras d’alma. Essa a magritcha faz de sua arte algo sublime!

 

Tudo muito bem, tinha sol. Mas lógico que bem na hora o tempo mudou. Corre para buscar gazebo e proteger a Hostess. Chuva? Que nada! As pessoas chegavam lentamente, a aflição do “será que vai lotar” deixou uma ansiedade sem tamanho, um milhão de pensamentos por segundo. Saiu até no Catraca Livre! E se lotar e as pessoas ficarem para fora?

 

Calma.

 

19:30h, tá na hora da primeira atração. “Peraí”, vamos segurar uns 30min para ter mais

publico. 20:15h. Vamos começar! Ai que desespero, que loucura! Síndrome do pânico! A nossa linda vocalista do Comma, Mini Lamers, não estava nada bem, seu coração palpitava tanto que dava para ver o pulsar por cima da roupa.

 

Agüenta coração é só mais um imprevisto. Vamos reformular a programação e fazer a festa rolar. Perfeito! Reformulamos e engatilhamos as outras atrações na frente.

 

Primeiro a acrobata do circo. Uau, Paula, quanta graça e sensualidade! As pessoas olhavam sem piscar aquela linda que dançava como se não houvesse chão nos seus pés.

 

Um tango sublime no ar, sublime!

 

Já acabou?

 

Na sequência, ceninha teatral de 1min para introduzir a projeção de curta nada leve. Tudo certo com o projetor?

 

A atriz pode entrar?

 

O projetor não funciona! Segura coração. Segura entrada da atriz pronta para entrar em cena. Eis que surge a nossa acelerada, já desacelerada. “Estou pronta!” Então vai Mini, vai Didi! Comma se apresentando… coração na mão e… O Show do Comma é mais do que sublime!

 

Ao contrário do que o nome sugere, essas meninas não estão em estado de convalescência (até porque, “comma” é vírgula em inglês). Liberdades sexuais, paixões descontroladas, decepções amorosas e crises existenciais compõe os ingredientes desta dupla rock’n roll.

https://www.facebook.com/commabr

 

COMMA

1- Christmas

2- Born to Be Alone

3- Happier

4- The Right

5- Tired

6- Dont Give Up

7- Criminal (Fiona Apple),

8- Earthquake,

9- Lose to Win e

10- You and I (Lady Gaga).

 

Marta Baião entra gritando e em seguida declama o seu poderoso poema “GRITE!”

 

SUBLIME!

 

O FILME “Obssesão por Júlia” entra e provoca a reação mais irada de uma platéia desde o Newport Folk Festival de 1965 quando Bob Dylan foi vaiado por tocar com guitarras elétricas. Eu toquei uma simulação de snuff movie onde a ex-namorada é torturada e estuprada com requintes de crueldade. Teve gente que, revoltada, GRITOU contra aquele absurdo. Ótimo, o casamento de ambos imaginado deu certo! Tanto é verdade que Marta Baião, ativista feminista, pediu ao roteirista e diretor Daniel Mattos, autorização para exibi-lo em suas palestras.

 

“Sublime” penso eu.

 

O evento segue freneticamente com a suspensão dirigida por Luciano Iritsu e coreografada por Thiago Soares e executada por Julieta DeLarge.

 

Jully levita graciosamente, representa a resistência em busca da libertação; sublima a dor de maneira sublime.

A nossa musa indie oficial Julieta DeLarge arrasa com sua performance na festona “SEx= Sub Expressions”

 

 

Daí que na sequência entra o Moxine. A banda afiada de Mônica Agena, cantora e guitarrista (do rapper Emicida, inclusive), como sempre, botando pra foder com suas mãos de guitar hero sublime. As melodias de Mônica Agena são calcadas em guitarras distorcidas e estimulam várias camadas de sensações cerebrais, uma espécie própria de stoner rock dançante, o que eu chamaria de “dream punk”.

 

Letras espertas sobre as relações sociais, armadilhas cotidianas, auto-estima e coração partido.

http://www.moxine.com.br/

As bandas Comma (acima) e Moxine e Punkake (abaixo), detonam no palco durante a primeira edição da festa “Sex=Sub Expressions”, que rolou no úlimo finde em Sampa

 

MOXINE

1- Pretend We Are Cool

2- She’s Never On Time

3- Make These Days

5- Hurt You

6- Melt This Love

7- Sexy Girls

8- Nasty

9- Tropical Storm

10- Baby, Baby

11- You Could Be Mine (Guns’n Roses)

12- Crazy in Love (Beyonce)

13- I Wanna Talk About You

14- Electric kiss

 

Bacabí,  e cia; cheias de energia botaram o povo para dançar de maneira especialmente… sublime.

 

Se em universo paralelo a Beth Ditto, vocalista do Gossip, tivesse uma filha com a cantora Adele, ela com certeza seria Bacabí. Acompanhada por outra três garotas cheias de estilo, o gogó da moça consegue se sobressair com as guitarras abrasivas e batidas dançantes construídas pela banda.

http://www.punkake.com.br/

 

PUNKAKE

1.Lovely Betty – PUNKAKE

2.Blondie – One Way or Another

3.QUERO- PUNKAKE

4.Jefferson Airplane – Somebody to Love

5.VANILLA DREAMS – PUNKAKE

6.The Clash- should I stay or should I go

7.KOL – Molly’s Chambers

8. ID – PUNKAKE

9. Arctic Monkeys – When the sun goe

10.Rock Cover Britney Spears – Toxic

11.Faces, Spaces, Laces – PUNKAKE

12.Talking Heads – Psycho Killer

13.My Beat – PUNKAKE

14.The Gossip – Standing in The Way

15.MEOW – PUNKAKE

16.The Beatles – Helter Skelter

17.Subways – Rock ‘n Roll Queen

 

e o bis que a galera pediu e que tocaram:

 

BIS – I Love Rock n Roll – Joan Jett

 

Antes de terminar o show da Punkake, deixa eu contar para vocês com exclusividade para a Zap’n Rolla sobre a atração mais inusitada deste  festival (e talvez de todos festivais) SEx #SubExpressions: “A Grande Boceta”, uma instalação penetrável (ui!) de 6m de comprimento por 2m de largura e 2m de altura. Feita com uma dúzia de carcaças de antigos relógios de rua que marcam hora e temperatura. Pintado por fora por Magrela e cenografado por Daíse Neves, fez o maior sucesso com o público do evento!

 

Lá pelas tantas, o arrasador show da Punkake passou dividir as atenções das pessoas com a performance inesperada de oito “naturistas” no interior da Grande Boceta

 A deusa Julieta DeLarge

 

Espaço da SEx=Sub Expressions

 

A grande boceta: para ser literalmente penetrada pelo público

 

Para conferir mais imagens, acesse:

https://www.facebook.com/media/set/?set=a.750833164931070.1073741826.100000131806409&type=1&l=ff0265db54.

 

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Disco I: o novo do geniozinho Brendan Benson.

 

* Disco II: nas últimas semanas todos os sites e blogs musicais voltaram sua atenção para a estréia solo de Marcelo Gross, guitarrista do já veterano grupo gaúcho Cachorro Grande. Atenção merecida, diga-se: “Use o assento para flutuar” (Monstro Discos, e que teve show de lançamento na última edição do Goiânia Noise Festival) é um dos melhores lançamentos deste já quase findo 2013. Gross se juntou ao multi-instrumentista, produtor e baterista (no disco) Clayton Martin e ao baxista Fernando Papassoni, e engendrou doze ótimas canções de altíssimo teor retrô (ou “retrógrado”, na melhor definição do termo, que aqui cabe como total elogio) e vintage. Ou seja: o que ele sempre soube fazer muito bem em sua banda original. Os rocks sessentitas stonianos dominam algumas faixas (algo visível em “Trilhos”, “Disfarça”, “A hora de levantar” ou na estradeira “O buraco da fresta”, talvez o ponto alto do disco), e ainda há espaço para baladas dolentes e com vocais em falsete (“Eu aqui e você nem aí”), e para nuances de pura contemplação psicodélica (“Rolar”). “Se libertar” é um folk com direito a bandolim e “Algo real” é uma balada doce e que encerra o disco de forma surpreendente: conta a história de duas personagens femininas que se encontram e, a partir desse encontro, descobrem um novo mundo fora dos padrões da sociedade normal e careta. Como se não bastasse tudo isso Gross canta bem, escreve boas letras e foi mega feliz na escolha de timbres, arranjos e harmonias que conferem uma riqueza enorme ao trabalho e o transformam em um deleite para os ouvidos. Não há modernices aqui. Apenas ótimo e velho rock’n’roll.

O guitarrista e cantor Marcelo Gross (acima) lançar seu primeiro disco solo (abaixo): rock retrô, sem modernices e muito bom!

 

* Disco III: custou mas saiu! “EP vol. I” é enfim a estréia física oficial dos paulistas do Churrasco Elétrico (que são de Araraquara mas atualmente estão radicados em Sampa), um dos novíssimos melhores grupos em atividade na indie scene paulistana. Aqui também a modernice pop rock passa longe, e isso é ótimo: são quatro faixas fodásticas onde ecos de Jovem Guarda, psicodelia e rock garageiro à la sixties reinam absolutos. Dá pra dançar e morrer de alegria com “Ela não me deixa ser o cara”, “Trovejar” e “A melhor companhia da cidade”. E ainda tem a especialíssima balada “O Dor”, com pianos e órgãos sessentistas que inebriam o ouvinte de satisfação. O epzinho estará à venda a partir desta semana nas melhores lojas de rock de Sampa. Mas você pode ouvi-lo aqui também: http://churrascoeletrico.bandcamp.com/.

 Capa do primeiro EP do grupo paulista de rock retrô Churrasco Elétrico

 

* Baladas: Natal chegando e as baladas alternativas noturnas desacelerando em Sampalândia. Como o postão zapper está sendo finalizado já na madrugada de segunda-feira (16), prometemos dar uma atualizada neste tópico do nosso roteiro até o meio desta semana, se algo realmente interessante merecer registro por aqui, okays?

 

 

 

BIO DOS RAMONES! VEM QUE TEM!!!

Yeeeeesssss! A nova promo zapper já está pegando fogo e pra que dê tempo de todo mundo concorrer, vamos deixa-la no ar até o primeiro post de 2014 (lá pelo meio de janeiro), quando estaremos de volta após merecidas férias – semana que vem é o último post do ano, com os melhores de 2013 eleitos pelo blogão campeão em cultura pop. Então, sem mais delongas, corre lá no hfinatti@gmail.com, que continua em disputa:

 

* UM EXEMPLAR da biografia “Na estrada com os Ramones”, que acaba de sair no Brasil pela Edições Ideal. Vai perder??? E junto com o livro, de bônus, ainda vai o ep do Churrasco Elétrico, que acaba de sair.

 

 

FIM DE PAPO

Postaço monstro, pra ninguém reclamar. E é o último deste ano, que foi de fato um ano de duras batalhas e mudanças na vida do zapper já quase ex-loker. Sendo que ainda esta semana (hoje já é segunda-feira) tem os nossos escolhidos para os melhores do ano e em seguida merecidas férias. E em 2014 estaremos de volta com o mesmo pique de sempre, se o grande lá em cima permitir. Inclusive lançando finalmente o livro do blog. É isso. Beijos doces nas crianças e em todo o nosso dileto leitorado.

 

 

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 16/12/2013 às 4:30hs.)

Black Sabbath, o velho deus e ícone máximo do metal, finalmente lança seu novo disco com Ozzy nos vocais; CSS, uma banda que talvez não tenha mais nada a dizer – e a cantar; aumentam os boatos sobre o fim da MTV Brasil; mais uma fotoca exclusiva zapper de uma xoxotuda musa indie que andou dando o que falar; e mais isso e aquilo tudo pra você relaxar e ler no finde… (plus: resenha do novo disco do CSS e como foi o festival Woodghotic em Minas Gerais) (versão final em 11/06/2013)

Os velhos do Black Sabbath (acima) ainda dão no couro em novo disco, o primeiro com Ozzy Osbourne nos vocais em trinta e cinco anos; já o outrora hypado CSS (abaixo) lança seu quarto álbum de estúdio e sem o gênio Adriano Cintra por trás, desce a ladeira sem dó

 

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EXTRINHAS FINAIS

E saiu enfim o vídeo de “The God Is Dead?”, o primeiro single do novo álbum do Black Sabbath. Música looooonga (sendo que o disco está bem resenhado aí embaixo) e clip idem, à velha moda sabbáthica. Confere aí embaixo:

 

Da mesma central de boatos do site Glamurama: agora diz-se que a MTV fecha mesmo no final deste ano. E que até lá o canal só irá passar reprises de seus programas. A novela promete ser longa e dolorosa…

 

Fechando a tampa: passar um feriadão em São Thomé Das Letras (no Sul de Minas Gerais) é sempre fodástico. Cidade linda, minúscula, cercada por mato, trilhas e cachoeiras. Tudibom enfim e que na semana passada ficou ainda melhor quando rolou por lá a quarta edição do Woodghotic Festival, evento que reuniu alguns dos melhores nomes do novo ghotic rock e do pós-punk daqui e da gringa também. Fora uma renca de djs paulistanos que invadiu Thomelândia e garantiu muitas horas de som bacanudo durante três noites seguidas. Com boa estrutura de som e luz, preços decentes e ótima localização, o Woodghotic mandou super bem e já tem tudo pra se tornar um evento obrigatório no calendário cultural anual do município. Estas linhas online (que assistiram gigs ótimas do Harry e do Plastique Noir no festival) mandam daqui seu abraço à turma do Escarlatina Obsessiva, que organizou e produziu tudo. Parabéns galere, foi beeeeem legal!

Johnny Hansen, o homem-banda Harry: uma lenda do indie rock eletrônico brazuca agita o palco do festival Woodghotic, em São Thomé Das Letras (Minas Gerais) na semana passada

 

 

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Audiência, responsabilidades, números, dor e solidão/reflexão.

São temas que perpassam a mente de Zap’n’roll quando ela está diante do notebook, em plena madrugada de sextona pra sábado (e no decorrer do finde), batucando as linhas digitais de mais um post semanal, que deverá estar completo aqui até esta segunda-feira, 10 de junho (por acaso, nier da nossa amada irmã, a Jaqueline, que mora laaaaá na Espanha). Yep, alguns hábitos na existência do outrora (e não muito tempo que ele era assim) blogger maloker, andam mudando de tempos pra cá, com uma velocidade até certo ponto impressionante. Quem convive (ou conviveu) com o autor deste espaço online sabe que ele, desde sempre, foi um devotado apreciador de circular pela night under rock paulistana, para ir a bares clubs, ver shows de bandas novas ou já estabelecidas, papear a esmo com as pessoas etc. Toda essa movimentação, durante décadas, foi acompanhada de homéricas enfiações de pé na lama em álcool, drugs e sexo. Mas um dia tudo chega ao fim, néan? Ou por cansaço e fastio de estar fazendo tudo igual há quase trinta anos, ou por algum problema seríssimo de saúde que impeça o sujeito de continuar sendo um jornalista gonzo e junkie em doses elevadas, ou porque todos nós, inexoravelmente, atingimos um estágio em nossa vida onde a vontade de sossegar fala mais alto do que qualquer outra parada. Então tudo isso perpassa os pensamentos do blog quando ele se dá conta das dores que vem sentindo há dias em sua garganta atingida por um tumor maligno e está se tornando cada vez maior. Dores que o impedem de engolir normalmente e que já subtraem o prazer de se alimentar e ingerir líquidos, visto que está também se perdendo gradativamente a capacidade de sentir o gosto dos alimentos. E estas linhas virtuais também – e por outro lado – sentem a responsabilidade e o peso de publicar semanalmente um blog que continua batendo recordes de comentários (quarenta e dois no último post) e recomendações em redes sociais, isso mesmo estando há uma década no ar. Ou seja: o que se escreve e postado aqui, repercute e muito. Então talvez seja o momento de, sabiamente, o quase ex-jornalista maloker se recolher cada vez mais à solidão existencial, para dela extrair as reflexões necessárias e que permitam sim a continuidade de nosso trabalho, seja aqui mesmo seja no livro compilando os melhores posts e colunas destes últimos dez anos e que deverá ser lançado em setembro próximo. A vida rock’n’roll – e todos os excessos inerentes a ela – sempre foi bacana. É bacana e continuará sendo. Mas para que o sujeito aqui continue sendo o que ele sempre foi (um jornalista antenado em cultura pop, despossuído de qualquer tipo de preconceito moral babaca), agora vai ser o momento de colocar os pés no freio (afinal, vem aí no final deste mês um procedimento cirúrgico bastante complexo, pra tentar exterminar o monstrinho que está em nossa garganta; procedimento que inclusive será complementado com tratamentos de quimio e radioterapia). Aí depois que tudo estiver em ordem novamente, com a saúde 100% e mantendo uma rotina de vida bem mais tranquila e muito menos enlouquecedora (a sapiência adquirida nesses últimos anos está gritando por isso), iremos continuar fazendo o que sempre amamos fazer: viver intensamente a cultura pop e o rock’n’roll, exatamente como temos feito nos últimos trinta e cincos anos de existência.

 

 

*Yep, sobre os protestos que andaram sacudindo Sampalândia nas últimas duas noites, contra o aumento no preço das passagens do transporte urbano, o blog vai dar o seu pitaco nessa história. E tem a dizer o seguinte: há dois lados nessa questão do aumento da tarifa dos transportes em Sampa. Um deles: busão e metrô não subiam há dois anos. E o país tem inflação, mascarada AO MÁXIMO pelo governo (como fazem lá na Argentina, só que lá é pior que aqui), mas tem. Logo, não haveria mesmo como não haver aumento. Dentro desse aspecto, R$ 0,20 de aumento (menos de 10%) nem é tanto assim, convenhamos. Agora, o outro lado da mesma moeda: R$ 3,20 é sim UM ROUBO dada a PÉSSIMA qualidade do transporte urbano em Sampa, gerido pela empresa SPTrans. Ônibus sempre lotados, boa parte da frota velha demais, demora para percorrer os itinerários (visto que o trânsito simplesmente NÃO anda mais em São Paulo, e não há corredor de ônibus que resolva isso) etc, etc, etc. Fora que, como foi observado no sempre ótimo Jornal da tv Cultura, quem anda de buso em Sampa é o POVÃO mesmo, a classe trabalhadora mais pobre – classe média só anda de carro, egoísta como só ela sabe ser. E 3,20 realmente é PESADO pra quem é das classes C, D e E. Há de se fazer uma ressalva ao metrô: mesmo com seus eventuais problemas (que vêm aumentando nos últimos meses com o também inevitável aumento da demanda de passageiros), ainda é o MELHOR meio de transporte público em Sampa. Estas linhas virtuais não se importam de pagar 3,20 pra andar de metrô. Já de ônibus… não compensa. E agora, Haddad (que começa a mostrar sua incompetência e ineficácia para resolver as mais simples questões envolvendo a prefeitura paulistana, e isso em menos de cinco meses no cargo de prefeito) e Alckmin (esse é o grande MERDA que todos nós já sabemos que ele é): como é que fica?

 Avenida Paulista, o principal centro financeiro do país em guerra nas duas  últimas noites: o pau comeu por conta do aumento no preço das passagens de busão e metrô em São Paulo; agora, sejamos francos: protestar ok, mas o que tem a ver o povaréu (abaixo, reunido no centro da cidade) depredar estações de metrô como a da Brigadeiro (acima) por causa do aumento? Fala sério…

 

* E sem querer ser babaca, moralista ou estar se tornando um coroa ranzinza e conservador, mas é muito óbvio que os protestos ocorridos na avenida Paulista, no centro da cidade e em Pinheiros (na zona oeste paulistana) foram de um exagero sem tamanho. Parar o trânsito (já completamente caótico e sem solução) da maior cidade do país, depredar lojas e estações de metrô… o que isso tem a ver com o protesto em si? Está mais pra ato de vandalismo, patrocinado por gente bandida e sectária (egressa mui provavelmente dos partidos ultra radicais de esquerda), do que de fato algo organizado pela população pobre e que depende realmente do transporte público em Sampa.

 

 

* Já a Marcha da Maconha, que também rolou na tarde de sábado em Sampa e pelo quarto ano consecutivo na capital paulista (e agora com o respaldo legal do STF, que considera o evento como um ato democrático legítimo e que não se configura em apologia ao uso das drogas), foi tranquila e sem incidentes. O blog não esteve presente mas continua dando todo o seu apoio ao movimento pois como todos que acompanham estas linhas bloggers (algo também analíticas da sociedade contemporânea) há anos já sabem, nossa posição é: legalizem JÁ todas a drogas nesse país!

 

* Bien, voltando ao rock’n’roll e já indo pra uma mini-bomba que foi “ventilada” (mas ainda não oficialmente confirmada) esta semana: o cantor americano Beck, um dos grandes ícones do indie rock que importa nos anos 90’ (e, de certa forma, até hoje), deverá ser anunciado a qualquer momento como mais uma das atrações do festival Planeta Terra 2013. Se for isso mesmo e já tendo o Blur como headliner (e ainda com a possibilidade de ter TAMBÉM o Yeah Yeah Yeahs e a delicious xota cantante Lana Del Rey no line up), o Terra deste ano está IMPERDÍVEL desde já.

Gênio do indie rock americano dos 90′, Beck também deve ser anunciado para o Planeta Terra 2013

 

* Assim vai se desenhando a cronologia dos últimos grandes shows que o jornalista zapper já a caminho da aposentadoria (uia!) pretende assistir, para coroar e concluir muito bem uma saga de trinta e cinco anos assistindo a tudo que você, dileto leitor destas linhas rockers semanais, pode imaginar. Pois entonces: vamos de Black Sabbath e Terra este ano, e Depeche Mode e Stones em 2014. E depois chega, que o sossego em São Thomé Das Letras nos aguarda!

 

* AS GLORIOSAS BOCETAS E A PUTARIA SEMPRE RENDEM AUDIÊNCIA – e não? Nos últimos posts este blog algo cafajeste (às vezes, hihi; nem sempre, convenhamos) voltou a bater recordes de audiência nos acessos, nos comentários enviados ao painel do leitor e no número de recomendações em redes sociais. E não há nenhum mistério ou segredo por trás desse aumento na audiência zapper: publicando tópicos onde andou se destacando beldades femininas peladonas (sobre garotas que fizeram ensaios nus ao natural, sem nenhum tratamento adicional dado às fotos, ou ainda reeditando a seção “musa indie da semana”), estas linhas virtuais mostraram mais uma vez que o povaréu curte mesmo uma putaria (sem moralismos hipócritas, por favor), quando ela vem publicada com bom gosto e comentários sagazes e bem-humorados. Zap’n’roll sempre foi e sempre será assim: além de lançar um olhar sério, severo e atento à produção musical rocker daqui e de fora e também à cultura pop em geral, também sempre irá se dedicar a mostrar como é prazeroso ler sobre e ver xoxotas divinais. Vai daí que neste post desovamos (aí embaixo) mais uma foto exclusiva do blog, e tirada há três anos durante um show da banda Daniel Belleza & Os Corações em Fúria, no clube Outs/SP. A imagem revela a delícia Julieta De Large (mostrada aqui há duas semanas em todo o seu fodástico esplendor natural e putanhesco, hihi) invadindo o palco e mostrando seus atributos carnais, naquela que deve ter sido sua primeira foto mostrando suas lindas tetas. Confiram:

A xoxotaça Julieta De Large (que já enlouqueceu o leitorado zapper há duas semanas) aparece aqui pela primeira vez mostrando suas gloriosas tetonas, em show perfomático da banda Daniel Belleza & Os Corações Em Fúria, na Outs/SP em 2010

 

E não só: um fotógrafo americano também revelou ao mundo, há algumas semanas, as fotos que realizou com miss Vaconna, ops, Madonna, quando a deusa e rainha eterna do pop tinha apenas vinte e um aninhos de idade e era apenas uma ilustre e desconhecida… dançarina de boate (e que devia foder até o cu fazer biquinho, hihihi). Atentem para o bocetaço peludaço que a “material girl” ostentava na época, sendo que Zap’n’roll sempre AMOU xoxotas peludas, wow!

 

 

E por fim, pra encerrar nosso “cantinho das peladonas que arrancam porra dos machos na punheta feliz”, mais duas beldades que fizeram ensaio para o Tumblr 302 (e que você pode acessar em http://apartamento302.tumblr.com/).

Bárbara (acima) e Roberta (abaixo): mais dois bocetaços divinos e sem retoques, fotografados no Tumblr Apto. 302

 

 

* Aumentaram sensivelmente esta semana os boatos sobre um fim próximo para a MTV Brasil. O site Glamurama noticiou que a data para o encerramento das atividades do canal é no próximo dia 30 de junho. Estas linhas online vão procurar seus contatos lá na emissora nesta semana, pra ver o que apuram a respeito. De qualquer forma a MTV já está decadente há séculos, e ganhou um sopro de sobrevida com a ótima série “A menina sem qualidades” que vai ser exibida até a semana que vem. Mas isso não basta pra manter o canal em pé. Aguardemos então as cenas dos próximos capítulos dessa dramática novela.

 

 

* O que não pode esperar é o livro “Zap’n’roll – Histórias de sexo, drogas, loucuras e rock’n’roll na trajetória do jornalista mais junkie da imprensa musical brasileira”, que deve sair finalmente em outubro. E muito menos nossos comentários sobre as voltas do Black Sabbath (com o véio Ozzy nos vocais) e do CSS (sem o gênio Adriano Cintra), os quais você lê aí embaixo.

 

 

OZZY ENFIM DE VOLTA AO VELHO SABBATH – MAS O DISCO NÃO FAZ FALTA NA TRAJETÓRIA DA BANDA

Os deuses do metal ainda estão vivos? Ou morreram finalmente? É uma questão pertinente a ser levantada quando se ouve “13”, o esperadíssimo álbum que marca a volta da lenda Ozzy Osbourne aos vocais do igualmente lendário Black Sabbath. Foram longos trinta e cinco anos de separação – o último disco gravado pelo grupo com os vocais de Ozzy havia sido o “Never Say Die!”, lançado em 1978. E quando se anunciou, já no segundo semestre do ano passado, que a formação original do BS voltaria a se reunir para lançar um novo álbum e sair em turnê, foi um tumulto total no mondo rock. Tumulto que continua mais forte do que nunca, agora que o disco caiu na web (o lançamento em cd está marcado para esta segunda-feira, 10 de junho, Brasil incluso e onde a banda fará três shows em outubro, em Sampa, Rio e Porto Alegre), provocando já as mais diversas reações na crítica e nos fãs. É um grande disco? É mediano? Está longe dos momentos de glória do grupo?

 

Há de se fazer algumas observações e dar alguns “descontos” em relação a “13”, que começou a ser gravado em agosto de 2012 e teve seus trabalhos concluídos em janeiro deste ano. A primeira e mais óbvia é sobre a idade que está pesando nas costas da trinca Tony Iommi, Ozzy e Geezer Butler: todos estão com mais de sessenta anos de idade (Geezer, o mais novo, tem sessenta e três; Iommi e Ozzy estão, respectivamente, com sessenta e cinco e sessenta e quatro anos). Ou seja: não dá pra exigir dos velhinhos que eles tenham hoje a mesma dinâmica artística, potência instrumental e capacidade criativa que exibiam há três décadas. Além disso, ao mesmo tempo em que anunciava a sua volta com a formação original (e na qual estava também o baterista Bill Ward, que saiu meses depois por não concordar com o contrato que estava sendo oferecido a ele para participar do esperadíssimo comeback; ou seja, como sempre, mais uma treta por causa de $$$ estragando a reunião dos membros originais de um grupo ícone de toda a história do rock), o Black Sabbath também anunciava que Tony Iommi havia sido diagnosticado com um câncer em estágio inicial – tumor em função do qual ele continua em tratamento médico até hoje.

 

Esses dois fatores (idade avançada dos integrantes e o tratamento contra um câncer do guitarrista Iommi) já seriam suficientes para não se esperar que o novo trabalho dos fundadores do heavy metal fosse uma obra-prima. E “13”, de fato, não chega perto de discos como “Paranoid” (de 1970), “Vol. 4” (editado em 1972) ou o imbatível “Sabotage” (lançado em 1975). Mas, em seu bojo, mantém a musicalidade que definiu o rock do Sabbath: as melodias sombrias, pesadas e arrastadas, riffs agônicos de guitarra, seção rítmica poderosa, e os vocais de Ozzy mantendo o timbre lamentoso que o celebrizou. É um disco longo na duração (quase uma hora de música) mas econômico no número de faixas: apenas oito canções, que oscilam dos quatro minutos e pouco de “Zeitgeist” (uma balada suave e contemplativa, levada por violões e percussão discreta)  aos quase nove do primeiro single, “God Is Dead?”. Nenhuma delas poderia ser incluída em um “greatest songs” histórico do conjunto mas ainda assim o álbum se mostra melhor resolvido e mais atraente do que alguns equívocos lamentáveis que o grupo lançou nos anos 90’.

O novo álbum da lenda do heavy metal, com Ozzy de volta aos vocais: bom disco, que funciona como aperitivo pra turnê da banda por aqui em outubro

 

Quem não conhece a obra magna e inicial do quarteto (em seu comeback contando com os serviços do baterista Brad Wilk, que já tocou no Rage Against The Machine) poderá até se entorpecer com faixas como “Age Of Reason” ou “Live Forever”. Já quem é calejado e experiente na discografia dos ingleses não vai deixar de notar a auto-referência à própria obra do Sabbath, notadamente em “Loner” (cujo riff de guitarra é idêntico ao de “Nib”, clássico do álbum de estréia da banda) ou em “Dear Father”, com aqueles sons de sinos e trovoadas que também povoam a estréia em disco do grupo. E além dessa auto-referência há também a interpretação vocal de Ozzy: ele continua com a mesma inflexão mas canta cada palavra de forma cada vez mais vagarosa – o que no final deixa as letras das músicas (sempre versando sobre questões religiosas e que atormentam a alma humana quando ela se defronta com o eterno maniqueísmo bem X mal) bem compreensíveis até para quem não saca muito de inglês.

 

Seria, enfim, perda de tempo esperar muito mais do que este “13” apresenta. É sim um bom disco de heavy rock (e que deixa muita banda de pirralhos atuais comendo poeira) mas que soa como música de ninar perto da escrotice que os abjetos grupos de metal extremo gravam hoje em dia. E é muito óbvio que o lançamento do disco foi apenas a desculpa para o velho Sabbath se reunir novamente e cair na estrada – tanto que no set list da atual turnê (a que vai passar por aqui em outubro) há apenas UMA música do novo trabalho inclusa no roteiro do show. Discos a banda não precisa mais vender (e hoje ninguém mais compra cds) pois seus integrantes estão podres de ricos. Mas alguns milhões de dólares a mais na conta bancária de cada um deles, advindos das gigs da turnê mundial, serão sempre bem-vindos.

 

Moral da história? “13” não mancha a trajetória do Black Sabbath (que já gravou discos piores em sua existência). Mas também não poderá jamais ser incluído entre os momentos sagrados (ou profanos, rsrs) de Ozzy, Iommi e Butler. No máximo, serve como bom aperitivo e aquecimento para os shows brasileiros, daqui a três meses.

 

 

O TRACK LIST DE “’13”

1.”End of the Beginning”

2.”God Is Dead?”

3.”Loner”

4.”Zeitgeist”

5.”Age of Reason”

6.”Live Forever”

7.”Damaged Soul”

8.”Dear Father”

 

 

 

UMA LETRA DO NOVO ÁLBUM

(do single “God Is Dead?”)

 

Perdido na escuridão

Me afasto da luz

Rezo para meu pai, meu irmão, meu criador e salvador

Me ajudar a sobreviver à noite

Sangue na minha consciência

E assassinato na mente

Escapando da melancolia, me ergo da tumba rumo a um destino nefasto iminente

Agora meu corpo é meu santuário

 

O sangue corre livremente

A chuva se torna vermelha

Me dê o vinho

E fique com o pão

As vozes ecoam na minha cabeça:

Deus está vivo ou Deus está morto?

Deus está morto?

 

Rios de maldade correm por terras moribundas

Nadando em sofrimento,

Eles matam, roubam e pegam emprestado

Não existe amanhã

Para os pecadores que serão punidos

De cinza em cinza, não é possível eximir sua alma

Em quem confiar quando corrupção e luxúria, o credo dos injustos

Te deixam vazio e incompleto?

 

Quando esse pesadelo vai acabar? Me diga!

Quando vou poder esvaziar minha cabeça?

Alguém me dirá a resposta?

Deus está mesmo morto?

Deus está mesmo morto?

 

Para proteger minha filosofia até meu último suspiro”

Me transfiro da realidade para uma pequena morte

Me aproximo dos inimigos até a hora certa

Com Deus e satanás ao meu lado

A escuridão chegará à luz

 

Vejo a chuva se tornar vermelha

Me dê mais vinho

Não preciso de pão

Essas charadas que vivem em minha cabeça

Não acredito que Deus esteja morto

Deus está morto

 

Não tem para onde correr

Não tem para onde se esconder

Me pergunto se iremos nos encontrar de novo do outro lado

Você acredita em alguma palavra que a bíblia diz?

Ou é tudo um conto de fadas sagrado e Deus está morto?

Deus está morto x4

 

É isso!

 

Mas continuam as vozes na minha cabeça me dizendo que Deus está morto

O sangue corre

A chuva se torna vermelha

Eu não acredito que Deus esteja morto

Deus está morto

 

 

E O VELHO SABBATH AÍ EMBAIXO

Em vídeo que mostra a banda ao vivo no Brasil, em 1992, com o gigante e saudoso baixinho Ronnie James Dio (o ídolo inesquecível da amada gata e amigona zapper, a Sabrina Kaltner) nos vocais. Foi uma turnê fodástica, o blog zapper esteve na gig em Sampa (no extinto Olympia) e aí embaixo a banda ataca com fúria seu mega clássico “Paranoid”

 

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CSS: UMA “PLANTA” JÁ MURCHA SELA O DESTINO DA BANDA

Na semana em que o mondo rock se agitou com o lançamento do novo álbum do Black Sabbath, o “velho” CSS teve a péssima idéia de também divulgar “Planta”, o quarto disco de estúdio do combo electro-rock formado em Sampa há uma década. O cd, que sai oficialmente nos Estados Unidos hoje (terça-feira, 11 de junho), já vazou total na web. E claro, foi completamente ofuscado pelo trabalho dos velhos reis e lendas do metal.

 

Se fosse apenas o problema de bater de frente com o novo cd do Black Sabbath, o CSS poderia estar rindo à toa e em uma posição bem mais confortável do que se encontra atualmente. Não custa lembrar: a banda foi fundada em São Paulo em 2003, pelo guitarrista, baterista, produtor, muliinstrumentista e gênio do underground paulistano Adriano Cintra (dileto amigo pessoal destas linhas online, diga-se), que já tinha um longo histórico no submundo musical de Sampalândia: ele tinha tocado nos grupos Ultrasom, Supermarket e Butcher’s Orchestra (este último chegou a ter boa projeção na indie scene americana e europeia, inclusive). Quando se descobriu meio farto do rock’n’roll Adriano descolou cinco gralhas dispostas a fazer um esporro sonoro e montou o conjunto. O CSS no início era um pandemônio: cinco garotas porra-lokas fazendo uma gritaria dos diabos em cima do palco, e apenas Adriano Cintra sabendo tocar instrumentos e tentando por alguma ordem naquele caos. Foi esse combo maluco que tocou numa das festas da revista Dynamite no clube Outs/SP, por volta de 2004, em balada organizada pelo sujeito aqui, embora ele nunca tenha morrido de amores pelo som da banda.

 

Os anos foram se passando e Cintra pacientemente foi ensinando tudo o que precisava e podia para as moçoilas. Ao mesmo tempo também ia burilando e lapidando o material sonoro do grupo, que começou a pender para ambiências electro e com um pé na então nascente new rave. Veio o primeiro álbum (homônimo), a gravadora Sub Pop (a lenda grunge de Seattle) descobriu o grupo e o resto todo mundo está careca de saber: o CSS virou a bola da vez no pop/rock planetário, foi capa da NME, passou a viajar pelo mundo como headliner de alguns dos principais festivais de música, ganhou milhões de dólares, as peruas se deslumbraram com o sucesso e Adriano quebrou o pau com elas, saindo do grupo há dois anos.

Capa do novo álbum do CSS: fim melancólico pro electro-rock BR que quase conquistou o mundo

 

“Planta” surge então como o primeiro registro de estúdio pós-saída de Cintra do CSS. E em seu novo trabalho e sem as benesses da produção, composição e condução musical de seu ex-fundador o agora quarteto (restaram nele, além da cantora Lovefoxxx, as “instrumentistas” Luiza Sá, Ana Rezende e Carolina Parra) não avança nada musicalmente, não mostra nenhuma novidade em relação ao electro-rock e às matrizes que fundem rock e eletrônica e que eram tão bem costuradas por Cintra. Óbvio, sabendo que não tem o conhecimento musical necessário pra conduzir o conjunto adiante sem seu ex-faz tudo, o CSS não perdeu tempo e se trancou em um estúdio em Los Angeles sob a batuta do produtor David Sitek (que já trabalhou com o maleta Tv On The Radio), e saiu de lá com as onze faixas de “Planta”. Disco redondo e bem gravado, há de ser sincero. Com boa qualidade de som e mostrando que em uma década ao menos a japonesa aprendeu a modular minimamente correto o seu vocal, e que as outras integrantes hoje possuem noções igualmente mínimas de seus instrumentos.

 

O problema e o que vai foder definitivamente o disco é a total ausência de boas idéias musicais ali. O CSS regurgita seu electro-rock mas sem a sensação de novidade e frescor que havia, por exemplo, numa faixa como “Meeting Paris Hilton”. Pior: na busca de uma inspiração ou “credibilidade” que balize o cd, investe em ambiências à lá New Order (em “Into The Sun”, com sua guitarrinha esparsa colocada meio que à força na melodia construída por bases eletrônicas) ou na lamentável tentativa de dar um sabor “saleroso” e algo latino ao primeiro single, “Hangover” (um eletro-pop pontuado por metais bregas). Mas pior do que a ausência de boas idéias na questão musical é também a quase nulidade contida nas letras – e isso já fica claro em títulos toscos como “Dynamite”, “Namorada”, “Doce”, “Querido”, “Tão quente” e por aí vai. Um bom momento do disco estaria na balada eletrônica (e com um eflúvio de melancolia nela) “Frank Goes To North Hollywood”, se no meio da música a descerebrada Lovefoxxx não enfiasse esses “primorosos” versos em português entre o restante da letra, que é em inglês: “A gente costumava se encontrar/Três horas da manhã/Sem hora pra voltar/Agora as madrugadas estão vazias/Fico olhando pro teto/Até o meio-dia/Eu e você/Você eu/Se lembra aquela vez que o pau comeu embaixo do Minhocão?/Sem você não tem mais emoção/Volta pra casa, volta pra mim/Frank, a minha saudade não tem mais fim!”. Wow!

 

Está muito claro que há um vazio temático no álbum. Adriano Cintra, além de tocar vários instrumentos e produzir os discos, escrevia letras muito melhores do que a pobre Lovefoxxx, que pode ser bonitinha e tal mas não tem estofo cerebral para enfeixar um texto realmente digno de se refletir sobre ele. Vai daí que “Planta” acaba se transformando em um festival de canções algo constrangedoras e inócuas, com as letras narrando histórias pueris de baladas, amores e bebedeiras. Como se todas ali ainda fossem adolescentes de dezesseis anos de idade. E não é esse o caso delas.

 

Vai vender? Provavelmente não – se nem o U2 vende mais cds físicos hoje em dia, que dirá o CSS… Porém, com trabalho novo na praça as meninas irão tentar conseguir mais alguns milhares de doletas, participando de festivais por aí. Depois disso será o fim inexorável do CSS. Porque na decadência a banda já chegou. E chegou muito rápido, infelizmente.

 

 

EM ENTREVISTA BOMBÁSTICA, ADRIANO CINTRA REVELA OS BASTIDORES DE SUA SAÍDA DO CSS

Quando lançou o primeiro disco de seu novo projeto musical, o duo Madrid (onde ele canta junto com a loiraça Marina Vello, ex-vocalista do Bonde do Rolê), Adriano Cintra concedeu entrevista enorme e exclusiva ao blog. Ela foi publicada aqui em meados de abril do ano passado. E agora, aproveitando o lançamento de “Planta”, do CSS, estas linhas online republicam o texto, para que você reler ou ler pela primeira vez.

 

Confira aí embaixo.

 

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Ele voltou – em termos – ao underground musical paulistano, onde nasceu e se criou. Você, jovem leitor zapper, pode não ter a noção exata de quem é Adriano Cintra. Mas o multiinstrumentista (toca bateria, guitarra, baixo, teclados e sopros), compositor, arranjador e produtor musical circula há quase duas décadas no rock alternativo de Sampa. As primeiras bandas foram o Ultrasom e o Supermarket, no início dos anos 90’. Depois veio o trio garage punk Thee Butcher’s Orchestra, que se tornou gigante na indie scene paulistana e projetou o trabalho de Adriano também no circuito rock independente europeu. Foi também, nessa época, que ele e Zap’n’roll se tornaram amigos.

 

E aí entrou em cena o combo electro-rock CSS (Cansei de Ser Sexy). Você e todo mundo sabe: a banda era Adriano mais cinco garotas (depois, apenas quatro) fazendo uma maçaroca barulhenta ao vivo – o grupo chegou a tocar, de graça, em festa da extitna revista Dynamite (e promovida pelo autor deste blog), no tradicional bar paulistano Outs. Isso lá por 2004. Aí a banda foi aprimorando seu som, Adriano foi fazendo contatos aqui e ali, conseguiu um contrato com o lendário selo SubPop (de Seattle e que deu ao mundo o grunge de Nirvana e Soundgarden) e… voilá! De repente o CSS era o nome um dos nomes mais “hot” do novo rock planetário dos anos 2000. Capa na NME, headliner em festivais pelo mundo afora, fama, dinheiro entrando e… tretas, muitas tretas. Que culminaram com a saída de Adriano Cintra (o “cérebro” e principal compositor do grupo) do CSS, no final do ano passado.

 

Isso é um resumo possível da história até aqui. Agora, aos trinta e oito anos de idade, o querido e velho Adriano está de volta com o seu novo projeto musical, o duo Madrid. Ao lado da cantora e compositora Marina (ex-integrante do grupo curitibano Bonde do Rolê), Adriano compôs uma batelada de belíssimas canções tramadas com violões, pianos e sopros. Tudo moldado em ambiências bucólicas, suaves e algo melancólicas (leia a resenha do álbum mais aí embaixo), em um disco que será lançado com um show na chopperia do Sesc eiapéia, em São Paulo, nesta terça-feira, 3 de julho.
Mas o que rolou afinal por trás da saída de Adriano do CSS? E o que é o Madrid e o que o músico espera conseguir com sua nova empreitada musical? É o que você fica sabendo abaixo, na entrevista gigante e exclusiva que estas linhas zappers fizeram com o seu velho amigo na semana passada, via Facebook.

A banda, ainda contando com seu fundador, produtor, multiinstrumentista e faz-tuto Adriano 

Cintra, na formação: ele saiu, o hype acabou e agora fim de festa pra Lovefoxxx e cia

 

Zap’n’roll – Você está lançando o primeiro álbum de seu novo projeto musical, o Madrid. O que esperar desse projeto e de um músico que já foi de uma formação histórica do indie guitar rock paulistano e que fundou um dos grandes nomes do electro-rock mundial nos anos 2000, o CSS?

Adriano Cintra – Tem a ver com minha primeira banda, o Ultrasom, onde eu tocava piano e cantava. É um disco lo fi, gravei tudo na minha sala, com poucos microfones. A Marina é incrivel, nos demos muito bem. Ela compõe, arranja, produz Desde o Caxabaxa [outro finado projeto musical de Adriano] eu não trabalhava com uma pessoa tão criativa.

 

Zap – Sim, e vocês dois são multiinstrumentistas. Mesmo assim, houve a adição de mais algum músico extra nas sessões de estúdio? E nos shows, serão apenas vocês dois mesmo ou pensa em montar uma banda maior?

Adriano – No disco só tem eu e ela. Eu toquei piano, bateria, baixo, algumas guitarras, sax e trompete. Ela tocou violão, guitarra, glockenspiel, órgão… Ao vivo contamos com dois músicos amigos nossos: O Rodrigo Sanches na bateria (foi ele que mixou o primeiro e o terceiro disco do CSS e gravou o segundo) e o Fil na guitarra. Ao vivo os arranjos são mais simples que no disco, mas tá soando super bem.

Zap – Ok. E sobre o quê falam as canções do Madrid?

Adriano – Separação, morte, maldade, desilusão, traição.

 

Zap – Esses temas presentes no trabalho do Madrid (separação, morte, maldade, desilusão, traição) têm a ver com o seu passado no CSS e os problemas que culminaram com a sua saída do grupo?

Adriano – claro, kkkkk. Então. Minha saída do CSS foi um dos períodos mais sofridos da minha vida. As pessoas acham que eu sou muito bafonzeiro, que xingo, que isso que aquilo. Mas ninguém parece entender que eu gostava daquelas meninas. De verdade. Era como se fossem da minha família. Eu tinha um sentimento de proteção com relação a elas fora do normal, talvez até por isso eu as tenha poupado tanto durante todo o processo. Eu as mimava de certa forma. E o dia que a japonesa [Lovefoxxx, vocalista do CSS] parou de falar comigo do NADA… Foi assim, um dia ela acordou e resolveu que não queria mais ser minha amiga. Olha, aquilo pra mim foi a morte. Eu demorei pra sair da banda, eu esperava que as coisas melhrassem mas só pioraram. Esse negócio aconteceu em janeiro de 2011. Até novembro, quando eu saí, as coisas se tornaram insustentáveis. Ela me excluía. Ela começou a fazer um grupo onde eu não era convidado. Eu fiquei muito deprimido. Foi praticamente um bullying. Quando eu saí, e foi assim, eu mandei um email bem ridículo falando AH ENTÃO VOCÊS VÃO PARAR DE ME PAGAR? ENTÃO EU TO FORA. Ninguem nem respondeu, tipo eu tava no fundo esperando um email NAAAAÃO, NÃO SE VÁ! Mas acho que era o que elas estavam planejando! E daí eu passei por todas as etapas do luto, neguei, fiquei com raiva, deprimi. E isso tudo influenciou as composições do Madrid, esse álbum foi composto e gravado em dois meses e meio. Pa pum.

 

Zap – Ok. E hoje, passado um ano dasua saída, você já descobriu o que motivou essa atitude da Lovefoxxx? Porque, embora muitas pessoas não saibam, a priori quem teve a idéia de montar a banda e efetivamente a montou foi você. Quando o CSS começou a estourar no rock planetário, não havia nenhum contrato formal que definia essas questões de quem era o autor das canções e de como eram divididos os lucros entre os músicos da banda?

Adriano – Nunca descobri o motivo. Desconheço, cansei de tentar adivinhar. Quem montou a banda na verdade foi a IRACEMA. Que pulou fora em 2008. Olha, eu sou o compositor do CSS, isso é uma questão de publishing. Eu nunca dividi a edição das músicas com ela, então eu continuo sendo dono das músicas, da propriedade intelectual que são as músicas. Muitas tem letras da Lovefoxxx, então ela também é dona das músicas que tem letras dela. Não exite motivo para eu proibir elas de tocarem minhas músicas pois cada vez que tocam eu ganho dinheiro. O que elas queriam parar de me pagar era o mísero salário da banda. Eu tirei licença médica por conta de um reumatismo no dedo mínimo. Eu ia voltar a tocar um mês depois. E elas querendo cortar meu salário. Sendo que no show elas estavam usando até meus backing vocals gravados. O grande problema era esse. Eu sempre ganhei mais dinheiro que todas elas, eu era o compositor da banda. E o produtor. Daí aproveitando que eu saí da banda, elas não me pagaram nem pela produção do ultimo disco da banda. E quer saber? Que enfiem esse dinheiro no rabo, nem era muito dinheiro assim. Mendigas. Passado o baque da tristeza de ter sido descartado, eu consegui ver as coisas como elas são. Essas meninas são umas patricinhas do Itaim [Bibi, bairro nobre da zona sul paulistana], que não têm noção do que significa trabalhar. Camelei um ano e meio pra fazer essa porra de último disco. Não ficou do jeito que eu queria. Usaram meu estudio,meus instrumentos, minha paciência. Minha VIDA. E não me pagam o que estava acertado? Daí o melhor foi a desculpa do empresário, querendo me dar o truque que não era aquele valor combinado. Sendo que eu tinha guardado o email onde ELE me oferecia o valor. Gente baixa, rasteira. E agora ficam lá tocando minhas músicas (fazendo dinheiro pra mim) pagando de MINAS DE BANDA. Quero muito ver que tipo de música elas vão compor. “BEER! VODKA! PROVOLNE!”. Vai ser tipo isso, creio eu. E outras assim, bem bem pretensiosas onde a japonesa vai chavecar algum bofe, tentnado fazer poesia.

 

Zap – Há duas fases bem distintas do CSS. A primeira, de grupo electro-rock no underground paulistano, sendo que vocês chegaram a tocar em festa da revista Dynamite, produzida por mim lá no Clube Outs, hehe. A segunda é quando a banda começa a ficar realmente grande (e nessa fase o único show que assisti do grupo foi no festival Mada, em Natal, anos atrás), é contratada pela SubPop, sai na capa da NME e começa a tocar nos principais festivais de rock do mundo. A mudança de um estágio para o outro provocou, de certa forma, algum impacto psicológico ou emocional em você e nas outras integrantes? Vocês estavam ganhando muito dinheiro, afinal? E como isso tudo se refletiu na vida pessoal de vocês todos?

Adriano – Eu nunca ganhei MUITO dinheiro com a banda. O que eu ganhei eu gastei morando fora. Houve o imbróglio com o ex-empresário, que me dá vontade de vomitar. Seria a vez que eu ganharia uma grana, e por isso entenda “uau, vou comprar meu apartamentINHO de 60 metros quadrados”. E o dinheiro evaporou. Depois, ganhamos dinheiro que gastei morando fora, morei quatro anos em Londres. Aluguel caro, comida cara. Psicologicamente acho que algumas pessoas na banda começaram a se levar a sério demais. Eu nunca me deixei levar por aquilo, pra mim era trampo, era chato pra caralho, não dava pra dormir, eu era alcoólatra. Eu não to nem aí de conhecer gente famosa. Eu detesto gente, caguei. “AI, OLHA A PEACHES”. Caguei. Olha, o “DAVID GROHL”. Caguei. Eu nunca, nunca puxei papo com essa gente. “MEU DEUS, VAMOS TOCAR ANTES DO SONIC YOUTH”. Mano, eu nem cheguei perto deles, imagina ir la pagar pau e ser mal tratado? Ia acabar com minha vida. Bom, eu sou um bicho né. Mas tinha nego da banda que STALKEAVA essa gente. Ia atrás, puxava assunto, tirava foto, trocava email. Putz, acho muito escroto. Muito deslumbre. Sabe o pior? No fim, eu tava me questionando, será que eu tinha que mudar? Será que eu sou tao insuportável assim? Daí eu fui la e tirei UMA FOTO COM O DAVID GROHL, hahaha. E sabe o que aconteceu? Aquela piranha do Kills me tratou mega mal e eu quase mandei ela à merda, groupie do caralho.

Zap – E da parte das garotas, você sentia que havia um certo deslumbramento delas em estar ficando famosas e convivendo com outros rock stars? A Lovefoxxx chegou a noivar (ou casar) com o vocalista do trio inglês Klaxons, que também já teve seus quinze minutos de fama, rsrs.

Adriano –  Elas super deslumbraram. Patético. Me constrangia muito.

 

Zap – Ceeeeerto. E falando ainda de problemas com grana, direitos autorais de músicas etc, os problemas que você teve com o primeiro empresário do CSS foram, afinal, solucionados? Sei que você já falou muito sobre isso em entrevistas anteriores mas o que aconteceu afinal, a ponto de vocês demitirem o sujeito da função de empresário da banda?

Adriano – Há um processo criminal acontecendo. Essas coisas demoram anos. Mas eu vou até o fim.

 

Zap – Mas você pode detalhar o que acontceu?

Adriano – Ai, que horror. Meu advogado mandou eu não ficar falando disso, kakakakaka. É preguiça! A gente era burro, ele era mais burro ainda. E a merda espalhou na cara de todo mundo. Pra você ter idéia como as coisas são, desde 2007 eu nunca mais vi essa pessoa. Nem por acaso na rua. Não sei o que faz, onde frequenta, quem são os coitados que estão andando com ele hoje em dia. Quero que exploda.

 

Zap – Ok. E no auge do sucesso do CSS como você se sentia estando no meio daquele turbilhão de shows, entrevistas, festivais etc? Como era viver nesse, hã, “glamour” de fama, drugs, festas, sexo etc? Hoje, de volta ao cenário independente nacional, você de alguma forma sente falta daqueles tempos com o CSS?

Adriano – Olha, eu no auge bebia uma garrafa de vodka inteira por dia. Você acha que eu LEMBRO? Eu no fundo detestava tudo aquilo, nada era do jeito que tinha que ser, era tudo caótico, errado, a gente sempre se fudendo, nunca tinha tempo pra dormir, tinha dia que pegávams cinco vôos! Quando a banda deu um break pra fazer o terceiro disco eu parei de beber, comecei a fazer academia 6X por semana. Eu gosto de acordar cedo, dormir cedo. Não gosto mais de boate. Eu gosto de rotina. Agora com o Madrid eu vou fazer as coisas do jeito certo. Vamos viajar? Ok. Vamos marcar os vôos pensando que temos que DORMIR. ANTES DE VOAR. Kkkkkkk.

 

Zap – Ou seja: no final das contas, nem havia tanto glamour assim. Ou se havia, ele cobrava um preço alto, né?

Adriano – Véio, não tem glamour nenhum. Tocamos várias vezes na BBC. Tinha que estar lá as seis da manha pra passar som. Ninguém merece. Daí ficava lá o dia todo no camarim. Fazendo o que? Bebendo né. E comendo. É muito deprê. Glamour é você mesmo fazer suas coisas. Finatti, eu sou punk. Sempre gravei meus discos. Mixei. Fiz as estampas das camisetas. Silkei as camisetas. Vendi as camisetas. Quando você entra no jogo grande, vc não faz mais nada! É deprê.

 

Zap – Na minha avaliação pessoal, e sem querer fazer média com você, o CSS vai acabar em breve. E Lovefoxxx vai tentar a óbvia carreira solo, que também não vai durar muito. É o que eu acho. E você, o que acha em relação ao futuro delas?

Adriano – Quero que explodam. Mano, vai ver aquela MERDA de música que ela canta com o Steve Aoki. Aquele imbecil do Steve Aoki. Japonês deslumbrado, hipster wigga maldito. Mano, a voz dela tem tanto autotune que perdeu pra CHER. Ela pode gravar mais cinco músicas com auqele autotune terrivel. Até a hora que ninguem mais aguentar aquele efeito. Porque ela não consegue cantar sem efeito. Eu tenho aqui umas gravações que fizemos num puta estudio nos EUA. Se eu soltar isso, ela vai se dar descarga de vergonha.

 

Zap – Sensacional a entrevista, dear. Você lembrou dos tempos do Ultrasom, sua primeira banda. Teve também o Supermarket e, claaaaaro, o grande Butchers Orchestra, que na verdade foi a banda que te projetou como músico. Mudou muito a cena indie paulistana daquela época pra hoje? Como você se sente participando novamente dessa cena, após passar alguns anos em uma banda mega do pop planetário? Pretende tentar fazer carreira internacional também com o Madrid ou isso não está nos seus planos?

Adriano – Acho que hoje em dia tá bem deprê. Não tem onde tocar… tá puxado. Cade o Juke Joint? Então, já temos uma carreira fora. A agencia que marca nossos shows é inglesa. Estamos marcando uma turnê européia em outubro. Estamos negociando com uma empresaria americana para nos representar. A Marina mora em Londres. Para nos vai ser natural continuar tocando fora, eu tenho mais contatos lá fora que aqui!

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Disco: não é o velho Sabbath, nem de longe. Mas dá pra curtir “13”, o novo cd dos velhos deuses do metal, e que marca o retorno de Ozzy aos vocais da banda.

 

* Filme: “Faroeste Caboclo”, baseado na música homônima escrita por Renato Russo, é uma das boas surpresas nacionais da temporada.

 

* Baladas: serão colocadas aqui no postão que chega nessa sexta-feira. Mas se preparem que semana que vem tem showzão de lançamento do primeiro disco das Radioativas lá no Beco/SP, em noitada rocker que promete ser imperdível desde já!

 

 

E FIM DE FESTA!

Yes! Terça-feira já e finalmente postão concluído. Mas nessa sextona pode colar aqui novamente que um novo encontro rocker nos aguarda. Até logo menos então!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 11/06/2013, às 16:30hs.)

 

Chega de choradeira e de saudade! Após passar por um período rápido de “ócio criativo” (uia!) o blogão volta e põe a casa em ordem e os assuntos em dia: as gigs, os atrasos e o encalhe de tickets de miss Velhonna, o showzaço de um pequeno gênio indie, a morte de gênios do jornalismo e da arquitetura, o niver de um gênio do cinema e… uma mega e exclusiva entrevista com o gigante Barão Vermelho, uma das quatro melhores e mais lendárias bandas do rock BR dos 80’, que está completando trinta anos de estrada e toca neste sábado em Sampa, wow! (plus: resenhas dos discos de Ben Kweller e do Amplexos)(versão atualizada e finalizada em 8/12/2012)

O grande rock’n’roll continua vivo e forte e vai sobreviver sempre assim, seja através das fodásticas músicas do gigante Barão Vermelho (acima, completando trinta anos de estrada e que se apresenta neste sábado em Sampa, sendo que só no blogão zapper você lê uma mega e exclusiva entrevista com o grupo), seja nas singelas canções indie folks do pequeno gênio Ben Kweller (abaixo), que tocou esta semana em Sampa na mesma noite do show da miss Velhonna, e encantou o público que lotou o auditório do Sesc Vila Mariana, em Sampa

 

Saudades do blog?
Nós também estávamos, hihihi. E nestes tempos ultra vorazes da internet, de um mundo pós-digital onde o excesso de informação, a velocidade da mesma e a superficialidade de boa parte também da mesma são norma corrente, passar quase duas semanas sem atualizar um dos blogs mais lidos e acessados da web brasileira de rock alternativo e cultura pop pode parecer estranho e causar apreensão em nosso hoje enorme e sempre dileto leitorado. Mas acontece, faz parte. Ainda mais quando de repente o autor de Zap’n’roll se vê premido por uma série de compromissos noturnos que vão, hã, minando sua disposição em sentar na frente do notebook e escrever estas linhas online. Foi assim semana passada: show na quarta-feira (Pulp), show na quinta (The Cribs), correria na sexta, DJ set no sábado (no sensacional Lab Club, no baixo Augusta, dentro da Tiger Robocop, atualmente uma das festas noturnas mais bombadas do circuito alternativo paulistano) e mais isso e aquilo tudo. Como estamos já em plena vivência de nossos assumidos 5.0 de existência e não temos mais o fôlego e a disposição de um garotão de vinte e poucos anos, foi batendo aquela preguiça (assumimos) master – e enquanto isso o mondo pop/rock pegando fogo, claro. Junto com a preguiça em si também veio o inevitável ataque de uma crise de inadequação existencial mediana e passageira. Daquelas que põem você em cheque, contra a parede, e disparam uma série de dúvidas em seu cérebro: estamos felizes? Fizemos realmente tudo o que queríamos em nossa vida? Somos melhores hoje ou falta-nos algo ou muita coisa ainda? Nos sentimos solitários? Sem amor? Iremos durar muito ainda ou pouco? E ficaremos só no tempo que nos resta? Ou teremos alguém, alguém especial e que seja muito diferente das zilhões de pessoas que passaram pela nossa trajetória nas últimas cinco décadas? Enfim, os questionamentos foram se desencadeando e se avolumando, foi necessário um “ócio criativo” para dar atenção e responder a algumas dessas questões (isso, entre leituras de livros e audições de discos, sempre, e nesse aspecto o imortal velho louco Charles Bukowski tem sido um ótimo companheiro) e finalmente estas linhas virtuais voltam ao seu pique normal, com um postão que pretende sim falar ainda de (e analisar) assuntos que já foram esmiuçados por todo mundo nesses tempos frenéticos mas que, por mais que já pareçam “batidos”, sempre ainda chamam a atenção quando analisados e comentados de uma forma que faz toda a diferença – como sempre tem sido feito aqui, neste que é sem modéstia alguma um dos espaços mais bacanas da blogosfera brazuca quando se trata de dissecar com rigor (e também bom humor, claro) algo importante na esfera da cultura pop. Mas um post que também vai abrir espaço (vejam só!) para uma entrevista enorme e mega exclusiva com dois personagens-chave do rock brasileiro dos anos 80’: o guitarrista, vocalista e compositor Roberto Frejat e o baterista Guto Goffi. Yep, os fundadores do grande Barão Vermelho e que há anos são chapas do autor destas linhas bloggers rockers. A entrevista é mais do que justificável: o Barão é sim um dos maiores nomes da história do rock BR, deu ao país um gênio como o imortal e inesquecível Cazuza (cuja poesia em forma de letra musical será eterna e atual, sempre, além de massacrar a ignorância e a vergonha alheia que dominam hoje a produção textual das ridículas bandinhas do pobre e vergonhoso rock brasileiro) e está completando trinta anos de existência. Para comemorar resolveu cair na estrada por seis meses, sendo que neste sábado a gig única é em Sampa, no velho e longínquo Credicard Hall. Então, vamos lá: de volta à velha forma zapper e isso já às vésperas do final de mais um ano, onde teremos ainda dois ou três posts pela frente. Depois, mais um ócio criativo de final/início de ano. E se o mundo realmente não acabar no próximo dia 21 o blogão campeão em cultura pop volta em 2013 para seu possível último ano de existência (afinal, já são dez anos no ar!), quando ele será encerrado com chave de ouro, com um livro compilando os melhores posts e colunas. Mas por enquanto vamos nos deter aqui e agora, neste post que você está começando a ler. Vai em frente e divirta-se por nossa conta!

 

* Entonces, como já comentado aí em cima, no nosso tradicional texto inicial, a correria de shows foi grande da semana passada pra cá. Resumindo bem a ópera: o Pulp foi ok na Via Funchal (o derradeiro show de rock da melhor casa de shows internacionais da capital paulista? O mistério permanece: quando foi retirar seu convite pra assistir a gig do quinteto britpop, estas linhas online bateram novamente um rápido papo com a sempre queridaça Miriam Martinez, dileta amiga zapper há mais de duas décadas e assessora de imprensa do local. Miroca reiterou mais uma vez o que vem dizendo: que ninguém se manifesta INTERNAMENTE sobre o fechamento da Via Funchal, mas que existe um forte rumor nesse sentido e que tudo deverá ser finalmente esclarecido após a virada do ano. O jeito é aguardar e torcer para que tudo não passe realmente de… boatos). Jarvis Cocker em grande forma aos 4.9, público bem reduzido mas animadão (o blog assistiu boa parte da apresentação ao lado do casal de amigos Daya e Marcos) e mais de duas horas de um show que poderia ter sido mais enxuto – o primeiro bis, todo mundo já soube, teve quatro músicas, um exagero evidente. Como estas linhas virtuais comentaram com alguém, na saída da balada: uma boa apresentação de uma banda pela qual Zap’n’roll nunca morreu de amores, afinal.

 

* Se for pra comparar, os moleques ingleses do Cribs foram muuuuuito melhores na noite seguinte, lá no Beco do baixo Augusta. Show esporrento, casa cheia, ótimas músicas e cerveja gelada deram a tônica da noitada. Fora que o blog reencontrou seu amigo de longa data, mr. Tiago Bolzan e a dupla rocker fã de uma esbórnia noturna ainda foi parar no Astronete e de lá, ainda depois, foi parar em… segredo, rsrs, sendo que a noite foi longa, definitivamente, uia!

 

* Yep: ainda falando em “fechamentos”, o blog de tv da Folha online comenta em sua edição de hoje que o destino da MTV, pra lá de nebuloso, será decidido mês que vem pela cúpula da editora Abril (que administra a emissora). Mas parece que o fim está mesmo próximo lá pelos lados da Alfonso Bovero e o Brasilzão vai ficar sem o seu primeiro canal musical. Também culpa dela mesmo, néan? Uma emissora que já teve Fábio Massari, Gastão Moreira, Jornal da MTV, Lado B, Buzz (quem se lembra?), 120 Minutos (quem se lembra?), Hermes & Renato e os caralho, tudo de altíssimo nível, e hoje se compraz com tranqueiras de última categoria como PC Siqueira, Trolalá (aquela Tatá Werneck é verdadeiramente insuportável, ela e os retardados todos que fazem o programa) e outros programas de auditório pavorosos (Acesso, Provão, Luv, cada um pior do que outro), só podia estar mesmo na linha de tiro. Fora que a concorrência (Multishow, YouTube, PlayTV) está bravíssima. É foda… o blog só assiste a MTV hoje em dia de madrugada (os clips do Na Brasa, Goo e Big Audio) e olhe lá. O resto é, com o perdão do neologismo que não existe, “inassistível”, rsrs. Aguardemos janeiro pra saber a pá de cal vai ser mesmo jogada.

A MTV deverá ir mesmo pro saco em 2013. Também pudera: com “estrelas” como a imbecil Tatá Werneck em sua grade de programação falida, não há mesmo o que fazer…

 

 

* Enquanto isso a turba incauta aguardava ansiosa pelas gigs de miss Velhonna por aqui. Ingressos a preços extorsivos, gente armando acampamento na fila dos locais dos shows há mais de mês, todo sacrifício valeu à pena pra ver (ou rever) a vaconna loira que um dia já foi a grande rainha do pop. Mas… será que valeu mesmo??? No primeiro show da turnê MNDA por aqui, domingo último no Rio, o atraso pro início da apresentação foi de “apenas” três horas. Na terça e quarta-feira em Sampa, a mesa coisa (sendo que na gig de quarta dona Vaconna culpou a chuva pelo atraso, uia!). Fora que há relatos de que em trechos do show Madonna simplesmente apela pro playback na cara larga. Some-se a isso mais um novo episódio de ENCALHE de tickets (dos que estavam sendo vendidos pro show da loira cinquentona), e chega-se à conclusão de que realmente em 2013 as produtoras de eventos musicais internacionais no Brasil vão ter que rever com muito rigor sua política em relação aos preços cobrados pelos ingressos pra se ver shows, concertos, musicais etc. É óbvio que a questão da carteira de estudante se transformou em uma excrescência e uma putaria vergonhosas no Brasil (uma autêntica mina de dinheiro na verdade, onde a porra da Une é uma das maiores responsáveis por esta pilantragem que distribui, em troca de grana, carteirinhas à rodo e pra qualquer um). Porém as produtoras também têm sua parcela de culpa nessa história toda. E não é pouca culpa não pois no Brasil, como sempre, a ganância impera e grita mais alto. Enfim, tudo precisa ser revisto e rediscutido em 2013, sob pena de o país começar a perder ótimos shows devido à baixa procura pelos ingressos. Quem avisa…

Que vergonha Velhonna/Vaconna: fazer os fãs suportarem atrasos de três horas em cada show no Brasil, e ainda por a culpa na chuva. Tsc, tsc…

 

* A propósito desse papo todo sobre meia-entrada em shows, preços abusivos na venda dos ingressos, ganância de produtores etc, a XYZ Live, através da sua assessoria (feita pela Midiorama), anunciou ontem a vinda da biba véia Elton John ao Brasil, em fevereiro próximo. Os shows serão em Porto Alegre, São Paulo e Brasília e… adivinhem! Os preços serão aqueles “camaradas” de sempre e que estão sendo praticados na área de turnês internacionais há tempos já por aqui. Por exemplo, para a gig em Sampa, dia 27 de fevereiro no Jockey Club: o ticket mais barato sairá por 250 mangos (pra uma cadeira que deverá ser lá no cu da pista do Jockey). E o mais caro, para a sempre famigerada “cadeira Premium” (bem na frente do palco, óbvio), será vendido pela bagatela de mil reais. Fala sério… yep, mr. Elton John já prestou serviços mega clássicos e relevantes para a história do rock’n’roll mas, na boa, não dá pra encarar uma apresentação da “tia” por esses valores. Moral da história: mais um encalhe de ingressos à vista.

A bexa véia do rock volta ao Brasil, para shows em fevereiro/março de 2013. Mas com ingressos custando mil pratas, é melhor passar longe

 

* Agora, se estas linhas bloggers lokers estão com algum arrependimento nas últimas quarenta e oito horas, foi de ter perdido o show do mini gênio Ben Kweller na última terça-feira, no Sesc Vila Mariana em Sampa. Yep, o blog já estava sabendo que Ben (aquele garoto que foi revelado aos quinze anos de idade, no grupo Radish e que se lançou em carreira solo em 2002 com o sensacional álbum “Sha Sha”, que chegou a sair no Brasil via Rca/BMG; estas linhas online tinham o cd original, que se perdeu ao longo dos anos. Hoje, o blog mantém o discão arquivado no HD do seu notebook) iria fazer uma inesperada e bizarra tour brasileira há algumas semanas, e chegou a comentar o fato aqui e em sua página no faceboquete. Mas como a memória do sujeito aqui por vezes também falha, e com o oba-oba em torno das vindas do Pulp, Cribs, Madonna etc, deu no que deu: a divulgação da gig em Sampa foi nula – e mesmo assim os ingressos para a apresentação única se esgotaram em espantosas duas horas! Quando o sujeito aqui se lembrou de que haveria o show, já era tarde demais. Sem ingressos pra comprar e sem algum convite fornecido pela assessoria do Sesc ou mesmo pela produtora do show em Sampa (a famigerada Agência Inker, misto de produtora de shows e assessoria de imprensa que só procura todos os jornalistas disponíveis no mercado quando ela, a Inker, está divulgando algo que de antemão ela já sabe que não irá ter repercussão alguma junto à mídia. Quando se trata de um evento com tickets esgotados em poucas horas, dona Inker se “esquece” de muitos jornalistas, por achar que eles são menos jornalistas que os outros. Lamentável, pra dizer o mínimo…), lá se foi a apresentação de Kweller, infelizmente.

 

* O garoto é gênio e o show deve ter sido fodão. Durante um tempo a musical press americana chegou a considerar que Ben Kweller era seríssimo candidato a ser um novo Bob Dylan. Exageros à parte a habilidade do cantor, compositor, guitarrista, pianista e gaitista é visível à primeira audição de “Sha Sha”, um disco recheado de lindas canções e um dos grandes lançamentos do indie rock do novo milênio. A mesma habilidade que pode ser vista e ouvida no seu mais recente álbum, “Go Fly A Kite”, que saiu em fevereiro desse ano e recebeu pouca ou nenhuma atenção da rock press brazuca – mas o blog fala melhor dele nas indicações zappers desta semana, lá no final do post.

 

* Enfim, sorte de quem foi ao Sesc Vila Mariana anteontem. Na mesma noite em Sampa, a exata oposição entre o que resta do carcomido mega mainstream musical planetário (com Madonna no estádio do Morumbi), e o ainda grande e ótimo rock independente americano (Kweller, que veio sozinho, sem banda, e assim mesmo segundo resenha entusiasmada do portal G1, “arrancou o público das cadeiras no teatro do Sesc”). É isso aê!

 

* Aí embaixo, um pouco do que foi o show do nosso herói indie na última terça-feira, em Sampa:

“Full Circle” – Ben Kweller ao vivo no Sesc Vila Mariana em Sampa, na última terça-feira

 

 

* E não, pelamor! Sem fotos do Instagram do show, que isso já encheu o saco nesse mundo de “mudernidadades” ocas e fúteis.

 

* E depois de falarmos bastante de algo tão bacana (o show do Ben Kweller anteontem em Sampa), somos obrigados a nos deparar com uma notícia fedida dessas: o produtor Rick Bonadio (aquele…) vai mostrar em 2013 uma música inédita que ele tem guardada dos… Mamonas Assassinas! A mesma será apresentada durante o reality show que Bonadio vai ganhar no canal musical pago Multishow. Wow!

 

* Puta que pariu! O mundo está mesmo acabando! Vem cá, digam vocês leitores zappers: a essa altura do campeonato, QUEM precisa de uma música inédita dos Mamonas Assassinas??? E, pior, quem precisa ser torturado e obrigado a assistir a um reality show estrelado pelo “gênio” Rick Bonadio? Fala sério Multishow… já não basta a MTV que está indo pro saco?

 

* Jack White, ninguém discute, é um dos poucos gênios do rock mundial dos anos 2000’. Também dono de um dos já eleitos melhores álbuns de 2012 (o fodástico “Blunderbuss”), o guitarrista, vocalista e compositor que um dia deu ao mundo os espetaculares White Stripes e Raconteurs, foi curto e grosso em uma entrevista à revista britânica Squire, sobre o que ele acha do mundo fútil de hoje das celebridades, entre elas Lady Gaga. “É só imagem, não há conteúdo”, disparou ele sobre a loira. Alguém discorda?

O gênio do rock dos anos 2000, Jack White (acima), descendo o cacete na loiraça Lady Gaga (abaixo, na gig dela em Sampa este ano): ele tem razão no que diz 

 

* Jack sabe das coisas. Assim como o grande e histórico Barão Vermelho também sabia – e continua sabendo, como você pode conferir aí embaixo, no bate-papo gigante do blog com Roberto Frejat e Guto Goffi.

 

 

BARÃO VERMELHO – TRINTA ANOS ESTA NOITE…
O nosso jovem e dileto leitorado, que acompanha essas linhas poppers rockers online há tempos, por certo poderá estranhar: “Barão Vermelho na Zap’n’roll? A trôco de quê, afinal?”. Reação imediata e compreensível de uma galera jovem (e quase sem memória alguma, sempre) e pra quem hoje o quinteto carioca é algo, hã, “careta”, “velho” e muuuuuito distante da realidade musical atual de um país dominado (no que resta da indústria musical mainstream e em boa parte de sua mega mídia, seja ela eletrônica, impressa, visual ou radiofônica) por gêneros como sertanejo universitário ou axé.

 

Pois há zilhões de motivos para o lendário, eterno e insubstituível Barão Vermelho estar aqui hoje, como assunto principal deste post zapper. O grupo que surgiu em 1982 no Rio De Janeiro deu à história da música brasileira um de seus maiores poetas, gênios e letristas – Cazuza, óbvio. Além disso o Barão, que na verdade foi fundado pelo baterista Guto Goffi e pelo guitarrista e vocalista Roberto Frejat, fez parte de um momento histórico e hoje clássico do rock nacional: a chamada geração anos 80’, que legou para a música brazuca nomes essenciais como Legião Urbana, Titãs, Paralamas Do Sucesso, Plebe Rude e… o próprio Barão Vermelho, claro. Todas bandas que possuíam uma excelência musical, um nível de qualidade textual e instrumental inimagináveis de se encontrar hoje em dia no porco e pobre rock brasileiro, seja ele ainda mainstrem ou independente (o grosso da produção atual, que foi nivelada abaixo do chão pela turma calhorda e politiqueira da ONG tristemente conhecida como Fora do Eixo, que montou um verdadeiro APARELHAMENTO em Sampa, objetivando poder político e mamação de grana sem fim na teta pública. Enquanto isso, a música e a qualidade musical que se fodam).

 

Só o citado aí em cima já bastaria para justificar este tópico com o Barão Vermelho no blog. Mas ainda há outros motivos também especiais: no ano em que a banda completa trinta anos de trajetória e reedita seu primeiro álbum (“Barão Vermelho”, editado em setembro de 1982), acrescido da faixa inédita “Sorte & Azar” (outro clássico escrito pelo inesquecível Cazuza), os Barões resolveram cair na estrada mais uma vez e por seis meses, para festejar a data. Batizada de “Mais uma dose”, a turnê – a primeira em cinco anos – começou há um mês no Rio De Janeiro e lotou por duas noites seguidas a Fundição Progresso, com fãs enlouquecidos e arrancando os cabelos ao som de “Maior Abandonado”, “Pro dia nascer feliz”, “Declare Guerra”, “Por que a gente é assim?”, “Bete Balanço”, “Pense & Dance” e outras dezenas de hits memoráveis compostos ao longo das últimas três décadas. Neste sábado a turnê chega a São Paulo, onde o grupo se apresenta uma única vez lá no Credicard Hall, a partir das dez da noite.

 

Zap’n’roll há anos convive com o Barão Vermelho. Seja pelos shows que assistiu da banda, pela trilha sonora que ela proporcionou a centenas de momentos (ótimos ou ruins) na vida do autor destas linhas rockers virtuais, seja pela relativa amizade que o sujeito aqui desenvolveu com os queridões Frejat e Guto. E foi justamente esta proximidade com a dupla fundadora do conjunto que possibilitou ao blog conseguir esta entrevista exclusiva, com o guitarrista e o baterista do Barão. Aí embaixo ambos fazem um resumo da trajetória do grupo, contam como era fazer rock no Brasil naquela época e o que eles acham do rock de hoje. Portanto, com nossos jovens leitores zappers: Barão Vermelho! E bora pro show neste sábado, em Sampa. Afinal, vai saber se haverá mais uma nova dose ao vivo de Barão daqui a alguns anos…

A dupla fundadora do Barão Vermelho: Roberto Frejat e Guto Goffi (ao fundo): três décadas de ótimo rock’n’roll made in Brasil

 

Zap’n’roll – A banda ficou cinco anos sem tocar ao vivo. O que o grupo levou a
essa retomada dos shows, além das comemorações de 30 anos de vida?

Roberto Frejat – O motivo é a comemoração dos 30 anos da gravação do primeiro disco acompanhado
da possibilidade de remixar o disco e incluir algumas faixas bônus.

Guto Goffi – O que nos reaproximou foi saudade mesmo, e o compromisso de uma satisfação aos fãs do grupo.

 

Zap – E há planos de um novo disco de estúdio?

Guto – A única coisa que planejamos fazer agora foi a remixagem e remasterização do primeiro LP. Trabalhamos o “Sorte & Azar”, inédita, e a faixa “Nós”, que incluímos no disco da turnê para dar um gás. E a mini turnê de seis meses. Acho que acabamos encontrando uma forma viável de convivência prazerosa e isso pode vir a ser repetido.

 

Zap – Fale sobre a música inédita “Sorte & Azar”, que deveria ter sido incluída no disco de estréia, de 1982, mas só está sendo lançada agora, três décadas depois. Por que ela não entrou no repertório do álbum naquela época, afinal? Como foi o processo para resgatá-la já que havia, ao que parece,
apenas a voz de Cazuza e o instrumental foi adicionado somente agora.

Guto – Acho que foi um presente que o Zeca [nota do blog: Ezequiel Neves, célebre jornalista, descobridor do Barão e que produziu muitos dos discos da banda] deixou pra gente mesmo. A emoção de tocar bateria em cima da voz do amigo já morto foi especial e muito louca. Estava com medo de não caber mais na música. A voz dele está linda como sempre foi. Se tivesse que dar nota seria 10.

Frejat – Isso se deve há várias razões, mas penso que as limitações de tempo de um disco de vinil
e o fato de ser mais uma balada num disco que já tinha dois blues (“Down em mim” e “Bilhetinho azul”)
daria menos pegada ao disco e isso fez com que achássemos melhor não incluí-la. É uma música que sempre gostei muito, mas não lembrava se ela estava completa, se Cazuza
a tinha cantado inteira, afinal esse disco foi gravado em 48 horas de gravação, é muito rápido para tantas músicas.

 

Zap – E por que ela não teria entrado na versão original do disco, na sua opinião? afinal é uma música tão bonita e boa quanto as outras do disco…

Guto – Acho que já tinha muita balada no LP de estréia e o Zeca queria um disco de Rock’n Roll urgente.

 

Zap – Há planos de um novo disco de estúdio?

Frejat – Não, nesse momento isso não me parece necessário, nem interessante.

 

Zap – E depois dessa excursão, com prazo de duração de seis meses, a
banda  pensa em fazer outras ou vão ficar mais um longo período sem se apresentar?

Frejat – Acredito que outra turnê deve demorar muito pra acontecer.
Estamos todos muito dedicados aos nossos trabalhos individuais.

 

Zap – Quando Cazuza saiu da banda, ela cogitou em algum momento encerrar
atividades para sempre?

Guto – Não jamais, o desafio foi provar que banda é um trabalho coletivo, sem heróis ou peças principais. Sabíamos que no quinteto original nós tínhamos cinco bandas encapsuladas. Todos tinham voz própria.

 

Zap – Em recente entrevista Frejat afirmou que respeita as novas bandas  mas que quem sabia mesmo fazer rock era a geração anos 80’. Qual a diferença entre os grupos daquela época e os de hoje?

Frejat – Minha declaração saiu mal reproduzida.
Eu acho que todas as gerações têm seus talentos.
O que eu disse foi que o tipo de rock que fizemos, aquela maneira de abrasileirar
uma linguagem musical internacional teve características muito distintas por conta
dos aspectos históricos da época: estarmos saindo de uma ditadura, como havíamos absorvido toda a história do rock até aquele ponto e morando num país distante e sem tanto acesso à informação. Existe gente fazendo rock bom hoje, só é diferente afinal os tempos são diferentes.

Guto – Fui criado nas ruas, não em playground. Experimentamos de tudo sem consultar o Google, talvez sejam essas as diferenças. O Barão tem uma característica de curtir o rock pré punk, isso nos deu propriedade também.

 

Zap – É sabido que sempre houve um grade hedonismo e glamour na famosa
tríade sexo, drogas e rock’n’roll e os barões não escaparam disso. Hoje,
cinqüentões, qual a visão que vocês tem disso? O rock só funciona com
sexo e drogas ou pode também ser muito bom sem os outros dois?

Guto – Acho isso uma coisa pessoal de cada um, o rock aposta na diversão das pessoas e com essa tríade a coisa rola legal. O mais importante na vida de uma pessoa é a saúde física e mental, com moderação pode se fazer de tudo, é escolha mesmo.

Frejat – Acho que curtimos bastante tudo isso, mas acho que pra fazer rock bem
é necessário talento, criatividade, ou seja boas idéias e muita força de vontade.

 

Zap – O que nos leva a outra questão importante: a sua
opinião sobre questões como legalização das drogas, violência urbana etc. Grandes cidades do país, como São Paulo e Rio, vivem uma guerra civil não
declarada oficialmente mas em curso. Você tem alguma opinião formada
sobre legalização ou não do consumo de drogas?

Frejat – Tenho, acho que droga é problema de saúde e deve ter venda controlada pelo governo, assim como remédio de tarja preta.
E com o dinheiro dos impostos arrecadados com essa venda se financiariam os centros para dependentes que infelizmente  são o custo social de uma sociedade que tem seus doentes e tem de cuidar deles. Acho que a mesma coisa deveria ser feita com o imposto de bebidas alcoólicas e do cigarro com seus dependentes.

 

Zap – Em 2007 o grupo lançou sua biografia, escrita pelo baterista Guto. Absolutamente tudo o que aconteceu na trajetória da banda está ali ou vocês preferiram deixar algo de fora?

Guto – Não é uma biografia sensacionalista, de entregação. Ela é bem documental e verdadeira. Está tudo ali bem claro, só não tem o quem comeu quem, quem cheirou com quem, etc… são bobagens na história de uma banda, a trajetória de conquistas e dificuldades está ali representada. Fiz o livro com o meu guru Ezequiel Neves, isso valeu demais!

Zap’n’roll ao lado do amigão Guto Goffi e do saudoso Ezequiel Neves, no coquetel de lançamento da biografia do Barão Vermelho, na Livraria Cultura em Sampa, no final de 2007

 

Zap – É sabido que a banda está sem gravadora. É uma tendência irreversível no mundo de hoje, da era da web, que grandes grupos como o Barão Vermelho prefiram administrar sua carreira por eles mesmos, sem estar atrelados a uma major do disco?

Guto – Sempre foram as gravadoras que procuraram quem querem contratar e acho que isso deve continuar. Não sei se eles têm interesse pelo Barão? Vamos tocando a bola pra frente, temos muitos trabalhos já lançados e o que virá só o futuro pode responder.

Frejat – Acredito que ser for interessante pode haver um contrato de distribuição ou de investimento
promocional. Poderemos ter parcerias com gravadoras ou outras empresas, mas para isso acontecer tem de haver um envolvimento grande deles no nosso projeto.

 

Zap – Encerrando: vocês pretendem tocar até os setenta anos de idade, como os Stones, ou esta
talvez seja mesmo a última turnê do Barão?

Guto – Eu tenho inveja dos Stones, assisti ao “Shine A Light” do Scorsese, e me enxergo ali naquele personagem. Num grupo a vontade do fazer juntos é o que vale. E tem um ditado que diz, “Sonhou? É seu!” Se isso for verdade estou na direção certa. O Barão Vermelho é um DEUS superior e maior que todos nós, é quase religião mesmo e nessa missa eu quero rezar sempre.

Frejat – Confesso que não pensei nisso ainda, mas se houver uma próxima turnê ela deve demorar bastante
para acontecer, pois tenho muitas coisas para fazer na minha carreira individual e isso me tomará muito tempo.

 

 

BARÃO VERMELHO EM VÍDEOS
Aí embaixo pra você conferir e se preparar pro showzão de amanhã em Sampa (e que segundos infos da assessoria do Credicard Hall, já está com os tickets quase esgotados), dois momentos do grupo, separados por vinte e sete anos um do outro: o primeiro vídeo mostra o show integral da banda no hsitórico Rock In Rio de 1985, com Cazuza nos vocais. E o segundo mostra a volta triunfal do grupo para a turnê “Mais uma dose”, em outubro passado na Fundição Progresso, no Rio De Janeiro.

Barão Vermelho no Rock In Rio 1985 – show completo

 

Barão Vermelho ao vivo na Fundição Progresso/Rio De Janeiro, outubro de 2012

 

 

 

DIÁRIO SENTIMENTAL: DOS ANOS 80’ ATÉ HOJE, QUASE TRÊS DÉCADAS DE HISTÓRIAS ZAPPERS DE ROCK, DRUGS E PUTARIAS AO SOM DO BARÃO VERMELHO
O blogger eternamente loker viveu zilhões de aventuras malucas em seus anos, hã, jovens, ao som do Barão Vermelho. Shows bacanudos, trepadas que foram “articuladas” nessas gigs, devastações nasais, amores feitos e desfeitos… tudo aconteceu na vida de Zap’n’roll tendo como trilha sonora as músicas do Barão.
Então, sem mais delongas, vamos recordar aqui alguns desses instantes inesquecíveis, e que rolaram ao longo das últimas três décadas, hihihi.

 

* O único show visto com Cazuza – Em 1985 o autor deste blog era um moleque pós-aborrescente de seus vinte e dois anos de idade. Fazia cursinho (vejam só!) pra tentar entrar na Eca/Usp (nunca conseguiu, afinal) e lá cursar jornalismo e cinema (duas das maiores paixões do sujeito aqui). Quem bancava tudo (cursinho, baladas etc) era a saudosa mama Janet, claro. Tanto que quando pintou a primeira edição do Rock In Rio, em janeiro daquele ano, o já fanático por rock’n’roll não deu descanso à su mama enquanto ela não comprou pra ele os tickets pras três últimas noites do festival. E foi no ÚLTIMO dia do primeiro RIR que estas linhas rockers bloggers assistiram ao primeiro show do Barão Vermelho de sua vida. O primeiro e também o único com Cazuza nos vocais. Quer dizer, atolado na lama e no meio de uma multidão de cem mil pessoas, em uma época em que não havia telões e toda a tecnologia de som e luz que existe nos dias atuais, o jovem zapper na verdade curtiu o show como pôde. Mas se lembra, sim, que o Barão levantou o povão – afinal a banda estava ali tocando a bordo do estrondoso sucesso do álbum “Maior Abandonado”, que havia sido lançado pouco tempo antes e que vendeu rapidamente cem mil cópias. Meses depois Cazuza iria sair do grupo e este seguiu em frente, com o guitarrista Frejat assumindo os vocais.

 

* “Declare Guerra” e o primeiro show pós-Cazuza – O baque com a saída de Caju foi enorme e a humanidade achou que era o fim do Barão Vermelho. Negativo: o conjunto foi à luta, com Frejat assumindo os vocais. E enquanto Cazuza já lançava em 1985 seu primeiro disco solo (“Exagerado”), os Barões atacaram com “Declare Guerra”, uma boa re-estréia de um grupo que estava sendo julgado “morto” por parte da mídia, por ter perdido seu vocalista e principal letrista. Foi na gig de “Declare Guerra” em Sampa (que aconteceu no teatro do Masp, na avenida Paulista, vejam só!) que Zap’n’roll pela primeira vez trocou algumas palavras rápidas com o pessoal da banda. O então ainda jovem aspirante a jornalista pagou pelo seu ingresso e, no final da apresentação, conseguiu se “infiltrar” nos camarins onde conversou rapidamente com a turma. Foi o primeiro contato com o conjunto, de muuuuuitos que viriam pelos anos seguintes…

 

* 1986 e a entrevista com Cazuza – Em maio de 1986 o zapper finalmente estréia como jornalista profissional, em um pocket magazine chamado “Rock Stars”, e onde ele fez textos sobre os Smiths e sobre Lobão. Ao longo do ano e sem falsa modéstia o autor deste blog foi conquistando cada vez mais espaço na revista, até que a editora que publicava a dita cuja resolveu lançar uma nova revista, em formato grande e que seria voltada exclusivamente ao rock nacional (que estava bombando então de forma avassaladora). Batizada pessimamente de “Zorra”, a revista durou apenas três edições. Mas a capa do número dois foi com Cazuza. Com entrevista feita por Zap’n’roll no final do ano, já que no início de 1987 o cantor iria lançar seu segundo trabalho solo, “Só se for a dois”. Foi a única vez que estas linhas virtuais conversaram longamente com Caju, que já era portador do vírus da Aids mas ainda não havia manifestado os sintomas da doença.

 

* Anos 90’: a morte de Cazuza, no dia de um mega show da Legião Urbana – O blog nunca vai se esquecer do dia em que Cazuza morreu, em 7 de julho de 1990. Era um sábado. Então já com quase vinte e oito anos de idade e trabalhando como repórter na editoria de Cultura da poderosa revista IstoÉ (uma das três maiores semanais do país), Zap’n’roll tinha um compromisso seríssimo naquele sábado: embarcar numa ponte aérea rumo ao Rio De Janeiro, onde iria assistir a um show da Legião Urbana, no Jockey Club carioca. O público estimado: cinqüenta mil pessoas. E o repórter da IstoÉ iria acompanhar a gig porque ele estava preparando uma matéria enorme sobre a banda de Renato Russo, Dado e Bonfá para a revista. Mas a noite anterior havia sido pesada: já em fase bem junky e consumindo muita cocaine, o zapper tinha passado a madrugada tomando whisky e fazendo devastação nasal com sua então namorada da época, a magricela Patrícia Carla. Não deu outra: o jornalista loker acordou ressacudo no meio da tarde, despertado pelo amigo Ivan Cláudio (que também era repórter da IstoÉ e que hoje comanda a editoria de Cultura da publicação) que estava em polvorosa: “Finatti, acorda porra! Você tem que ir pro Rio! E outra: o Cazuza morreu hoje de madrugada. Ele e o Renato eram super amigos. To achando que esse show da Legião nem vai rolar mais!”. Na dúvida, era melhor estar lá pra conferir. O autor destas linhas saudosistas fez o que pôde, então: tomou um banho literalmente voando, botou algumas roupas na mala e se mandou pro aeroporto de Congonhas. Conseguiu pegar o vôo das sete da noite – sendo que o show da Legião estava programado para começar às nove. Foi neste vôo, tomando uma dose de whisky (yep, naquela época servia-se ótimo whisky nos vôos da ponte aérea Rio/SP) que o zapper jovem, morenão, gostoso, cabeludo, jornalista de revista mega influente e garanhão conheceu uma das melhores bocetas de sua vida: a da loiraça peituda Flávia M.J. O jornalista se apaixonou perdidamente por ela, foram várias as fodas alucinadas entre ambos (com direito a metidas no cu da loira) e o relacionamento da dupla daria um diário sentimental à parte aqui, de modos que fica pra uma próxima postagem, hehe. Enfim, o blog desceu no Rio e foi correndo pro hotel onde ficaria hospedado, e onde um par de credenciais já o aguardava para o show da Legião. Que aconteceu normalmente mas com Renato Russo dizendo, antes de começar a apresentação: “Eu quero falar de um cara. Ele é ariano como eu, escreve músicas como eu e canta como eu. Esse show é dedicado ao Cazuza!”.

 

* Anos 90’ em Sampa: a era das discotecas e as putarias “articuladas” em shows do Barão –  Os anos foram passando e entre discos medianos  (“Rock’n’Geral”, de 1987) e outros muito bons (e aqui podem ser incluídos “Carnaval”, de 1988, “Na calada da noite”, de 1990, e “Supermercados da Vida”, lançado em 1992), o grupo deu a volta por cima e se firmou novamente como um dos grandes nomes do rock brasileiro. E para comemorar o sucesso dos últimos discos e o carinho com que sempre era recebido em Sampalândia, o Barão Vermelho resolveu gravar na capital paulista seu primeiro disco ao vivo. “Barão ao vivo” (lançado em 1989) foi registrado em três noites seguidas de shows lotados na danceteria paulistana DamaXoc, localizada em Pinheiros, na zona oeste de Sampa. O zapper – que a essa altura já era chegado da turma e era um dos principais jornalistas musicais do país, escrevendo não apenas na IstoÉ mas também pro Caderno 2, do jornal Estadão – deitou e rolou nessa época, em gigs do Barão. As danceterias estavam na moda em São Paulo (além do Dama também havia o Aeroanta) e um show do Barão Vermelho ali significava um público lotado de xoxotas deliciosas e prontas para o abate, rsrs. Não deu outra: no final de uma das apresentações do Barão no Dama, para registrar o disco ao vivo, o zapper eternamente cafajeste esperava o seu amigo Phillipe Britto ir buscar o carro no estacionamento quando deu de cara com aquela autêntica “cavala”: morenaça e peituda, de mini-saia curtíssima (e deixando à mostra coxas tesudíssimas) e cara de ordinária. O jornalista, óbvio, foi lá dar em cima da moçoila. Mas ela também estava indo embora, com algumas amigas. Conversa rápida daqui, troca de telefones dali (não custa lembrar: não havia celulares, nem internet nem essas porras de redes sociais naquela época, e mesmo assim a humanidade era mais feliz, hehe) e ambos começaram a se paquerar nas semanas seguintes. Até que a distinta resolveu ir um dia no apê em que o jornalista morava (com mama Janet), lá na rua Frei Caneca. Mas por algum motivo inexplicável ela NÃO queria subir no apartamento do autor destas linhas canalhas. A solução encontrada: a convite do jornalista taradão (e a essa altura, já louco pra foder a cavaluda) a dupla foi pro TERRAÇO do prédio, pra “apreciar a paisagem” lá em cima, hihi. A foda rolou lá mesmo, em pé, e a putaça (de quem o blog não se recorda o nome) disse, a certa altura: “Hummm… que pau gostoso!”. Esta foi UMA das muitas trepadas “armadas” pelo blog em shows do Barão Vermelho, uia!

 

* Mais fodas “barônicas”: ela queria um “sanduíche de queijo”. E ganhou… – Disco ao vivo lançado, o Barão Vermelho voltou a São Paulo para fazer a temporada de lançamento do mesmo. E novamente no DamaXoc. O zapper, já beeeeem chegado dos Barões, descolou alguns convites e levou uma pequena galera numa das gigs. E foi nesse show que ele “arquitetou” outra trepada do além, rsrs. No meio da apresentação o jornalista dá de cara com Darlene, um xotaço moreno que era sua amiga de tempos – embora nunca houvesse rolado nada entre ambos. Papo vai, papo vem, Darlene apresenta a AMIGA que estava com ela (e de quem o blog também não se recorda mais qual era o nome). “Fulana, esse aqui é o Finatti, brother e bla bla blá”. A “amiga” era uma delícia cremosa total: baixinha, cabelos curtos e cacheados, tetões apetitosos e vestindo uma micro-saia que deixava toda a sua tesuda coxaça à mostra. O blog literalmente grudou na figura e não largou mais, até o final da apresentação. Os primeiros beijos de língua já começaram a rolar ali mesmo, no DamaXoc, ao final do show. Foi quando o blogger mega crápula convidou: “vamos pra minha casa!”. Ela aceitou. E passou o trajeto inteiro, até o apê da Frei Caneca, pedindo: “to com fome! Quero comer um sanduíche de queijo!”. Naquele horário, não havia onde comprar pelo caminho a porra do sanduba que ela queria. A dupla foi então direto pro apartamento da foda, hihi. Lá chegando, trepada homérica: a baixinha sabia rebolar a xoxota quente como ninguém no pinto grosso zapper. Depois de uma foda que durou horas o casal dormiu feliz. E na manhã seguinte, antes de ir embora, a cachorrinha tomou um belo banho e novamente foi fodida pelo autor deste diário sentimental torpe. A imagem que fica desta manhã: o casal conversando após a trepada, sendo que o sujeito aqui em um instante olhou pros pelos da boceta da mocinha e os viu todos melados e salpicados de porra, uia! Ah sim: o sanduba de queijo não rolou. Mas em compensação a garota ganhou vara, muita vara…

 

* As “devastações nasais” – Não é segredo pra ninguém que os Barões curtiam na boa a tríade sex, drugs and rock’n’roll – hoje, cinqüentões, com certeza devem apreciar apenas um bom vinho ou whisky pós-show. Mas enfim, houve algumas “devastações nasais” pós show que contaram com a presença zapper, outro notório apreciador (naquela época) de cocaine. O bizarro numa dessas ocasiões foi o querido batera Guto Goffi disparar, com a ironia e o sarcasmo em ponto de bala: “Eu ODEIO cocaína!”. Isso depois de mandar uma bem fornida taturana pra dentro de sua napa, hihihi.

 

* A crítica que Frejat não gostou – Em 2006 a gravadora Warner (em parceria com a MTV) resolveu cometer um exagero: lançou uma caixa com nada menos do que três DVDs que compilavam shows ao vivo do Barão Vernelho. Zap’n’roll, que estava então escrevendo matérias para a mui poderosa revista Rolling Stone, ficou incumbido de resenhar a tal caixa. E disse no seu texto o que achava daquilo: que era cansativo pra caralho assistir três DVDs em sequência da mesma banda, por melhor que ela fosse ao vivo – e o Barão sempre foi uma banda FODÍSSIMA ao vivo. A resenha, óbvio, foi lida pelo vocalista e guitarrista Frejat. Que tempos depois comentou com um amigo em comum dele e deste blogger assumidamente fã do Barão: “ah é assim, né? Deixa o Sr. Finatti querer vir tomar um whisky conosco no camarim, depois do nosso show, hehe”. Claro que Frejat disse isso na mais pura zoação e entendeu que a crítica não era ao grupo em si, mas sim em relação ao exagero do lançamento. E claro que neste sábado o blog sentimental e que não vê seus amigos pessoalmente há séculos vai no camarim depois do show, dar um mega abraço em todos eles.

 

* A entrevista com os Barões Guto e Frejat e o diário sentimental aqui publicado vai pros mais que queridos Hugo Santos, Marilda Vieira, Adriana Cristina, Vandré Caldas, Silvia Ruksenas, Ana Mônica, Marciolínio Conserva e Fernão Vale, sendo que Zap’n’roll espera curtir o showzaço do Barão neste sábado ao lado de todos vocês!

 

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA
Disco I: Garoto gênio/prodígio precoce do indie/folk rock americano noventista (ele começou a se destacar com apenas quinze anos de idade, no grupo Radish), Ben Kweller tocou esta semana em Sampa e mostrou que, aos trinta e um anos de idade, maturou ainda mais suas concepções musicais que remetem à Bob Dylan e ao melhor do rock alternativo dos 90’. Não só: ele lançou um discão no início deste ano, “Go Fly A Kite”, que foi solenemente ignorado pela rock press brazuca – e ele pode ser facilmente encontrado na web. Assim como em sua espetacular estréia há uma década (com o discaço “Sha Sha”),  aqui Ben mantém inalterada a sua enorme habilidade em compor lindas canções e melodias, sejam elas embasadas em tom mais rocker e acelerado (como na abertura de “Mean To Me”), em baladas “estradeiras” de cunho sentimental (como “Full Circle, com ótimos vocais e levada ao piano) ou em road songs preciosas (e aí
“You Can Count On Me”, que fecha o cd, é um ótimo exemplo). Um dos grandes álbuns de 2012, sem dúvida alguma.

O disco deste ano de Ben Kweller: tão bom quanto sua estréia, há uma década

 

Disco II: o rock independente nacional está um lixo, afundado em ignorância textual e musical? Ok. Experimente então emanações de reggae, dub e ambiências afros. É isso que o ouvinte vai encontrar em “A música da Alma”, a estréia em disco do sexteto fluminense (de Volta Redonda) Amplexos. Formado por Guga (Voz e guitarra), Leandro Vilela (Guitarra e vocais), Martché (Teclados e vocais), Leandro Tolentino (percussão), Flávio Polito (Baixo) e Mestre André (Bateria) o grupo já está na ativa há alguns anos – estas linhas zappers ouviram falar deles pela primeira vez através da blogueira macapaense Rudja Santos, isso lá pelo final de 2009. Enfim, “A música da Alma” exibe boas canções onde a tônica é a malemolência melódica típica do reggae e do dub. Há vocais e baterias em eco, há as tradicionais letras de cunho social positivista e, sim, há aproximações com uma linguagem mais rock por conta de riffs de guitarras que se imiscuem sutilmente em várias das faixas do disco. Todas bacanas (como “Falsa Salsa”, “O homem” e “Leão”, as preferidas do blog), bem tocadas, bem arranjadas e bem produzidas (pela dupla Jorge Luiz Almeida e Buguinha, sendo que este último já trabalhou com a Nação Zumbi). Trilha perfeita pra se pensar com calma na vida, enquanto se degusta um bom beck, hehe. Amplexos é um grupo ainda a ser descoberto pela mídia musical brazuca e se você não quer esperar que a mídia os descubra, vai aqui (onde inclusive é possível baixar o disco todo): WWW.amplexos.com .

Capa de “A música da Alma” (acima), disco de estréia do fluminense Amplexos (abaixo): boas emanações de reggae, dub e música afro

 

Baladíssimas!!! Yes! Já no sabadão em si e em clima total de Barão Vermelho (que toca hoje à noite em Sampa, já com ingressos esgotados), vamos curto e grosso ao que dá pra se fazer de bão na madrugada alternativa de Sampa: vai ter mais uma edição “Combo Hits” da bombadíssima festa Tiger Robocop (comandada pelos queridos João Ramos e Romani) lá no Lab Club (no 523 da rua Augusta). Sabadão também é noite mega fervida (sempre!) no Astronete (no 335 da Augusta). E no domingão, pra fechar sempre com chave de ouro o finde tem a super festa Grind, na Loca (rua Frei Caneca, 916, Consolação, centro de Sampa), comandada pelo super DJ André Pomba. É isso: se joga, povo, que já estamos em mês de férias!

 

 

E FIM DE PAPO
Post enorme, como a galera gosta, néan. Foi uma semana estranha, no final das contas: perdemos um gênio do jornalismo brasileiro (Joelmir Beting), o maior gênio de nossa arquitetura (e um dos maiores do mundo), o insubstituível Oscar Niemeyer, e nos demos conta de que um gênio do cinema (Martin Scorsese) chegou aos setenta anos de idade. Ou seja: o mundo está cada vez mais carente de homens ilustres, nas artes, na cultura, na saúde, em tudo no final das contas. Os que ainda exitem já estão velhos (como Scorsese) e infelizmente nos deixarão, mais cedo ou mais tarde. E quando não houver mais nomes vivos dignos de orgulho para a raça humana, o que restará a este pobre e maltratado planeta Terra? Pra pensar… Semana que vem estaremos por aqui novamente, para o penúltimo post de 2012. Até lá!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 8/12/2012, às 16:30hs.)

 

O ótimo, introspectivo e melancólico Lotus Plaza mostra que o melhor rock do novo milênio sobrevive nos subterrâneos da música; as voltas de Alice In Chains e Muse (argh!) ao Brasil reafirmam o que todo mundo já sabe (que não há mais novidades pra tocar aqui); por que não vale a pena gastar grana pra assistir a uma banda palhaça de merda como é o Kiss hoje em dia; o xoxotaço que é a filha do velho cartunista; e em post modesto no meio do feriadão o blog põe a sorteio uns tickets pra gig do The Cribs, ueba!

O novo, underground e muito bom ainda existe, em oposição ao velho, cafona e mega desagradável: o Lotus Plaza (acima) faz ótimo rock de guitarras indies (à moda shoegazer anos 90’) e lançou um discão no início deste ano; enquanto isso o velhusco e palhaço Gene Simmons (abaixo, no show da última quinta-feira à noite, em Porto Alegre) não faz nada que preste há pelo menos duas décadas. E segue arrancando grana dos fãs incautos, infelizmente  

 

Mega feriado e frio de primavera.
Não poderia ser melhor, no? Apesar de Sampalândia ainda viver em clima de ultra tensão por conta da onda de violência fora de controle que tomou conta da cidade nas últimas semanas (e que tinha dado uma trégua nas últimas horas, mas infelizmente a onda de assassinatos recomeçou nas últimas madrugadas; o blog está sendo escrito ao longo do feriadão, com previsão de ser postado entre sábado e segunda-feira), e que a incompetência do (des)governo do PSDB foi incapaz de controlar até o momento, a capital dos paulistas e sua população vai vivendo como pode. Zap’n’roll, ela mesma, iria entrar em recesso esta semana (por conta desse ultra feriadón exagerado de quase uma semana), pra voltar com tudo apenas na semana que vem – iríamos, sim, complementar o último postão que, mesmo estando gigante e mega recomendado em redes sociais, acabou ficando incompleto no final das contas. Porém, como o mondo pop não pára e com os acontecimentos se avolumando pra serem analisados decidimos subir post inédito aqui, no endereço próprio do blog que após uma década de existência, continua sendo um dos mais acessados da web nacional na área de rock alternativo e de cultura pop. Um post que está sendo escrito em aprazíveis madrugadas de garoa em Sampa, com a temperatura nas ruas oscilando em torno dos dezesseis graus – isso, em plena primavera, e poderia ser sempre assim, néan? Enfim, o post será modesto mas vai falar de uma descoberta bacana destas linhas online esta semana (o lindíssimo som do Lotus Plaza que, até onde este espaço virtual percebeu, não mereceu nenhuma atenção de outros sites, portais e blogs brazucas dedicados ao rock alternativo), além de finalmente (agora é sério, vai mesmo, hihi) resenhar o novo álbum do Leela, e também de comentar as voltas ao país do Coldplay, do Muse e do Alice In Chains – e aí o recado é muito claro, evidente: o Brasil, hoje, está total integrado ao circuito mundial de shows de rock e de música pop. Ótimo por um lado e péssimo por outro: não há mais novidades inéditas pra se trazer pra cá e a grande maioria das bandas está se tornando “arroz-de-festa” por aqui. Mas tudo isso acaba se tornando, no final das contas, um problema “menor” quando damos um passeio pela madrugada de uma das maiores metrópoles do mundo, contemplamos o frio e a calma/quietude que fazem lá fora, nos esquecemos por um ínfimo instante que vivemos em uma cidade mergulhada em uma guerra civil não declarada e nos damos conta de que as pequenas coisas e os pequenos prazeres (como descobrir uma nova e bacana banda alternativa ou tomar um cerveja Malzebier às três da manhã, enquanto se degusta uma coxa creme especial, na padoca vinte e quatro horas ao lado de casa) é que continuam valendo a pena em nossa pequenina e finita existência.

 

*E como já dissemos aí em cima, no texto de abertura, foi maus: o último post não foi completado por pura preguiça zapper, uia. Mas o que faltou lá (disco do Leela, e mais umas paradas bacanas) está aqui, pode ir lendo.

 

* E estas linhas rockers lokers vão esclarecer mais uma vez (e, espera-se, de UMA VEZ POR TODAS): Zap’n’roll aposentou sim as drogas químicas de seu cardápio de vida. Mas o blog continua com o pensamento total LOUCO e LIBERTÁRIO. E continua amando álcool, marijuana, poesia, sexo, cinema, música e rock’n’roll. E permanecerá assim até a sua morte, sendo que as histórias insanas do que rolou na existência do autor destas linhas eternamente malucas, continuarão sendo sempre publicadas aqui. E em 2013… o livro compilando essas histórias. Aguardem e… chers!

 

* Tanto que, na quinta-feira, teve showzaço do Doutor Jupter no Sesc Consolação (onde o zapper esteve, junto com os queridões Adriana, Vandré, Silvia e Ana Mônica). Depois a trupe toda rumou em autêntica caravana do delírio, para uma degustação de vinhos de ótima safra e qualidade (e também de alguns “finos” de marijuana, hihi), no apê de uma amiga dos Jupters. Noite bacaníssima, que termino com o sujeito aqui virando mais de meia garrafa de vodka Skyy – socorro!!!

 

* As voltas do Coldplay (que seria no início de fevereiro, com shows em Sampa e em Porto Alegre, mas acabou de ser adiada pela banda) e do Alice In Chains no Rock In Rio, em setembro) ao Brasil, sinalizam o óbvio ululante: não há mais meeeeesmo novidades rockers “hot” pra se trazer ao país. Esse é o lado ruim de termos entrado definitivamente no circuito internacional de shows musicais: produtores queimam o juízo e sofrem pra descobrir um novo e expressivo nome do pop rock, que esteja estourando lá fora e que ainda não tenha se apresentado aqui, pra arrastar o artista em questão pra esses lados. Não é mole: Chris Martin e cia estiveram no Brasil no último RIR e já vão voltar (ainda na mesma turnê do álbum “Milo Xyloto”). O Alice In Chains tocou em Paulínia, no final de 2011 (há exatamente um ano), no festival SWU. E agora, Brasil?

Alice In Chains, mais uma figurinha repetida de volta ao Brasil, no Rock In Rio 2013 

 

* Curioso é que a volta do The Cure (anunciada por Robert Smith em pessoa, em coletiva de imprensa no começo deste ano) para a América do Sul em abril de 2013 não está sendo mais comentada por ninguém. E o Radiohead, que tocou no país apenas uma vez até o momento (em março de 2009), está em turnê e poderia ser sondado pela produção do Rock In Rio. Que preferiu fechar com a grande droga do insuportável Muse (azedo, rsrs). E assim caminham as paradas por aqui, em termos de shows gringos…

 

* Agora péssimo mesmo é termos de engolir mais uma turnê (a bilionésima) do pavoroso, asqueroso, cafona, velhusco e picareta Kiss. O quarteto de palhaços iniciou sua nova temporada brasileira na última quinta-feira, em Porto Alegre. Em Sampa o show começa daqui a pouco, naquele cemitério de concreto gigante, a Arena Anhembi. Em entrevista ao Jornal da Globo o escroque Paul Stanley (que já passou dos sessenta de idade e cujo pau, a essa altura, só deve subir a poder de Viagra) fez questão de esfregar na cara dos fãs o que realmente interessa ao grupo: “nós estamos nisso pelo dinheiro, claro. Se alguém disser que está na música apenas pela música, é mesmo um idiota”. Que beleza, hein! É muito óbvio que estas linhas online concordam sim que músicos e artistas em geral devem ser remunerados pelo seu trabalho e pela sua arte. E se ficarem ricos e famosos com ela, melhor ainda. Mas quando uma banda de merda, que um dia já chegou a ser relevante na história do rock’n’roll e há umas duas décadas pelo menos só vive de extorquir fãs saudosistas e incautos, é mesmo de se lamentar e pedir pra que esses trolhas partam de uma vez pro inferno. Vai tomar no cu, Gene Simmons e cia! E Zap’n’roll lamenta profundamente por quem vai gastar seu suado caraminguá com esses babacas na noite de hoje. Eles não merecem, mesmo!

 

* Detalhe: esse palhaços cuzões ainda fizeram os fãs em Porto Alegre esperar por mais de duas horas pra que a apresentação deles começasse. Desrespeito com o público é isso aí!

 

* Ainda falando em shows, mondo pop e tals, olha só quem deu o ar da graça no show de miss Vaconna, ops, Madonna, na última terça-feira, em Nova York:

 

 

* Será que ele também vai fazer participação especial nas gigs da loira por aqui?

 

* E parando um pouco de falar em cuecas, vamos ao XOXOTAÇO da semana, uia! É outra senão a filha do velho cartunista Angeli, que está peladona na capa da nova edição da revista Trip. Wow! Papai além de ser um dos maiores cartunistas brasileiros de todos os tempos, ainda mandou mega bem na hora de gerar a herdeira, hein!

Ô brother, que BOCETAÇO é a filha do Angeli!

 

* O BLOG VÊ TODA A MÍDIA/A DECADÊNCIA DA ILUSTRADA – que o caderno de variedades do jornal diário Folha de S. Paulo já não é mais o mesmo há séculos, todo mundo já percebeu. Ok, em alguns setores de reportagem (como literatura, artes plásticas e cinema, principalmente) a Ilustrada ainda se garante, muito pela qualidade de seus colaboradores e articulistas. Mas quando nos detemos na parte musical do caderno… jezuiz, não dá pra acreditar que um dia já escreveram ali gênios como Luís Antônio Giron (hoje, editor de Cultura da revista Época), Pepe Escobar, Fernando Naporano etc. Jornalistas que possuíam um texto absolutamente brilhante e que brindavam seu leitorado com matérias às vezes de página inteira, onde pesquisavam, aprofundavam, analisavam e forneciam com maestria absoluta (que não existe mais nos dias que correm) o panorama de determinado artista. E isso, veja bem, em uma época em que não havia internet nem Google pro sujeito pesquisar sobre o que estava escrevendo. Pois bem, de volta a 2012: o blog se deu ao trabalho de ler a página de música da Ilustrada, publicada na última quarta-feira. Vergonha alheia quase total. A matéria principal versava sobre o novo disco do produtor e compositor Gui Amabis (quem?). Mas não ficou apenas nisso: no canto inferior esquerdo da página havia um texto (assinado pelo editor-assistente do caderno, aquela notória figura rotunda do jornalismo cultural paulistano que já saiu e voltou pra Folha umas duzentas vezes na última década) elogiando o novo disco do grupo indie Two Door Cinema Club, que já tocou em Sampa e volta ao país no Lollapalooza 2013. O TDCC não é nenhuma maravilha (está longe de ser) mas sim, merece uma matéria já que está lançando seu novo álbum. O chato é descobrir que o texto talvez tenha sido publicado quase como uma OBRIGAÇÃO pelo caderno, visto que o autor do texto viajou aos EUA a convite da produtora Geo (que organiza o Lollapalooza no Brasil), para assistir o show de lançamento do novo trabalho do Two Door. Traduzindo: o bom e velho jabá, que tanta gente recrimina em rádios, também existe na mídia impressa, claaaaaro. Por fim, nas pequenas notas de lançamentos de discos no lado direito da pagina há uma micro-resenha de um músico canadense que termina exatamente assim: “…e letras que tratam dos problemas da vida”. Wow! Ou seja, o ótimo texto, a dinâmica literária e poética que um dia existiu ali (e que também existia nos textos de gente como Lester Bangs, Greil Marcus, Nick Kent, Ana Maria Bahiana, Ezequiel Neves, só pra ficar em meia dúzia de exemplos) foi mesmo pra casa do caralho na Ilustrada. Pensando bem, o que esperar destes tempos onde não há mais artistas relevantes e onde um caderno “cultural” (hã???) tem, como editor-assistente, um sueito rotundo de meia-idade e que vai a festivais gigantes (como o Lollapalooza) e NÃO sai da sala de imprensa em momento algum, pra se misturar com o povão na muvuca e sentir de fato o calor do show que está rolando no palco? Lamentável…

 

* Johnny Marr, o eterno gênio da guitarra dos Smiths (e talvez um dos cinco maiores guitarristas de todos os tempos) está aí, avisando que solta seu primeiro álbum solo logo no começo de 2013. E a julgar pelo primeiro single, que já circula no YouTube (esse aí embaixo), o disco vai ser bão!

Johnny Marr – “The Messenger” 

 

* Tão bom quanto é o Lotus Plaza, que o blog não conhecia e teve o prazer de descobri esta semana.

 

 

O ÓTIMO ROCK DOS ANOS 2000 SOBREVIVE SIM – NO UNDERGROUND, AQUI E NA GRINGA TAMBÉM
Yep. Se o rock mainstream (ou o que resta dele) mundial anda pavoroso, com Killers e Muses da vida abarrotando estádios com sua música lixosa e imprestável, o udi grudi continua respirado e ainda mostrando bandas e artistas de ótima qualidade. Caso do americano Lotus Plaza, que o blog NÃO conhecia (jornalistas não são obrigados a conhecer absolutamente tudo o tempo todo, néan?) e ficou conhecendo esta semana, meio que por acaso. E como sempre comentamos aqui, nunca é tarde pra se falar de um ótimo disco, como é “Spooky Action at a Distance”, o segundo álbum do LP e que saiu em… abril deste ano. Sair em edição nacional ele não vai, pelo visto. Mas você pode encontrá-lo facilmente na web.

 

Lotus Plaza é, na verdade, o projeto de um músico só. No caso, o multiinstrumentista, vocalista e compositor americano Lockett Pundt, fundador da banda Deerhunter. Não satisfeito apenas em tocar no seu grupo, Pundt (que nasceu na Georgia e tem trinta anos de idade) foi dar vasão à sua compulsão musical no Lotus Plaza. Uma compulsão que rendeu até o momento dois álbuns: “The Floodlight Collective”, lançado em 2009 e o citado “Spooky Action…”. Ambos foram lançados pelo ultra underground selo Kranky, que estas linhas online também nunca tinham ouvido falar.

A capa do segundo trabalho do Lotus Plaza: de volta ao shoegazer dos 90′ 

 

Pois o Lotus Plaza faz rock alternativo de guitarras como quase não se ouve mais nos dias que correm. Com vocais dolentes, melodias divinais, ambiências oníricas e contemplativas Lockett Pundt deixa explícito que ouviu muito shoegazer e seus expoentes (My Bloody Valentine, Lush, Ride) para formar sua estética sonora. Há canções belíssimas espalhadas por todo o cd, que abre com uma vinheta instrumental pra depois cair no rock acelerado de “Strangers”. Além dela há delírios de guitarras harmoniosas e com riffs bem construídos, como em “Out Of Touch” (que é na verdade conduzida por violões suaves e é uma das preferidas deste espaço virtual), em “Jet Out of the Tundra” ou ainda em “Remember Our Days”. Mas nada supera a beleza abrasiva e melancólica da faixa que fecha o disco: “Black Buzz”, de letra pesada, é uma balada que descreve a ressaca pós loucura de drogas, vivida por uma garota junky. Foi a faixa que fez estas linhas rockers curiosas descobrirem o Lotus Plaza: por acaso assistindo ao programa Goo (um dos poucos interessantes que restam na grade da MTV, por apresentar quase que somente vídeos de artistas obscuros e mais alternativos) em uma madrugada dessas qualquer, Zap’n’roll deu de cara com o clip de “Black Buzz”. Se apaixonou no ato pelas imagens e pela música, e foi atrás pra saber de quem era aquilo.

 

Era o Lotus Plaza. Que, até onde pesquisamos, nenhum portal, site ou blog de cultura pop da web brazuca comentou algo. No problem: estas linhas zappers acabam de fazer isso pra você. E se vale a recomendação, vá atrás do disco. Dá vontade de voltar correndo no tempo, e se imaginar em Sampa em 1995, na pista escura e esfumaçada do Espaço Retrô. Bons tempos… que só podem ser recordados quando ouvimos um álbum como este “Spooky Action at a Distance”.

 

 

O TRACK LIST DE “SPOOKY ACTION AT A DISTANCE”
“Untitled” – 1:25
“Strangers” – 4:30
“Out of Touch” – 4:33
“Dusty Rhodes” – 3:38
“White Galactic One” – 4:06
“Monoliths” – 3:35
“Jet Out of the Tundra” – 6:33
“Eveningness” – 5:05
“Remember Our Days” – 5:07
“Black Buzz” – 5:30

 

 

E O LOTUS PLAZA AÍ EMBAIXO
No vídeo da lindíssima e junky “Black Buzz”.

 

LOTUS PLAZA – UMA LETRA
De “Black Buzz”, óbvio.

Dirigir na rua
As mesmas estradas que levam você a cada noite
O mais escuro fica, mais rápido você dirigir
Os segredos que você mantém
Mas as respostas que você dá são mentiras
Uma batida larga distância, e olhos vidrados
E você queimar todos os seus satélites
Preto zumbido venha dançar com você esta noite
Uma vez que foi se torna o que nunca será
Desenhar as cortinas para a janela?
Você se deitar para dormir
Como o sol dá mais um dia
O frio e a dor ter desaparecido
Os raios através das cortinas
Desenhe linhas em toda a sua cama
Dormindo em suas roupas, só na sua cabeça
E você queimar todos os seus satélites
Preto zumbido venha dançar com você esta noite
Uma vez que foi se torna o que nunca será
Quando o seu?
E é difícil saber que você estaria bem
Quando o sangue está queimando dentro de você
No penhasco agora no seu próprio livre arbítrio
Desenhar as cortinas para a janela?

 

* Interesssou pelo Lotus Plaza? Vai lá: http://en.wikipedia.org/wiki/Lotus_Plaza.

 

* Esse texto vai pros queridos Adriana e Vera Ribeiro e mais Vagner Sousa, Roxy Perrota e Robson Gomes.

 

 

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E é muito óbvio que a parada aqui ainda está longe de acabar, sendo que desta vez o escoteiro zapper PROMETE que vai concluir o post ao longo do feriado – até a próxima segunda-feira, provavelmente.

 

Agora vamos dar uma pausa no trampo porque vamos lá pro baixo Augusta assistir ao show do Saco de Ratos, a banda bluesy do dramaturgo cult Mário Bortolotto. E enquanto o postão não chega ao fim você pode ir se mexendo desde já lá no hfinatti@gmail.com, onde entraram em disputa sangrenta:

 

* DOIS PARES DE INGRESSOS pro show do trio inglês The Cribs, que toca no próximo dia 29 de novembro no Beco/SP. Okays? Mão na massa e boa sortte!

 

E até logo menos com muito mais aqui!

 

Enviado por Finatti

A volta dos Smashing Pumpkins com “Oceania” – e o “duelo” entre Billy Corgan e Radiohead. Mais: a guerra dos Roses e a semana de decisões na vida do zapper. O novo discão da lenda Patti Smith. Tickets FREE pro show do Radio Dept em Sampa e no Rio. E o dia em que o blog enfrentou, ressacudo de cocaine, um ex-âncora do Jornal Nacional, uia! (plus URGENTE: um certo Jack White no… Planeta Terra 2012! Será???) (atualizado e finalizado em 15/6/2012)

Os Smashing Pumpkins hoje (na formação atual, foto acima) e com seu line up clássico (abaixo), com James Iha, D’Arcy e Jimmy Chamberlin: o ex-gênio Billy Corgan até tenta, mas os dias de glória da banda definitivamente já se foram

 

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UM UP TO DATE URGENTE E QUE VALE A PENA!

Um passarinho muito bem informado, amigão destas linhas rockers bloggers e que tem ótimo trânsito nas produtoras locais que organizam mega festivais aqui, contou que o sujeito da foto aí em cima deve ser anunciado em breve como a primeira grande atração do Planeta Terra 2012. Será? Será???

Vamos cruzar os dedos e
aguardarrr…

 

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A vida é assim mesmo, cheia de decisões.
Em uma semana em que o mondo pop/rock anda bastante agitado, com três nomes gigantes do rock planetário lançando seus novos discos e os respectivos indo parar na web (a saber: Neil Young de volta com o Crazy Horse em “Americana”, Patti Smith e seu já elogiadíssimo “Banga”, e o já lendário e veterano Smashing Pumpkins com “Oceania”), com os integrantes dos Stones Roses já quebrando o pau entre si e ameaçando o recentíssimo e comentadíssimo comeback do quarteto inglês, e com mais isso e aquilo rolando na cultura pop, o autor destas linhas online também andou provocando certa comoção no seu mural do faceboquete, ao expor ali que estava se aposentando da vida loka que leva há mais de três décadas. Yep, Zap’n’roll pensou muito durante o último finde sobre o que escreveu na rede social e que vai reproduzir aqui, no nosso habitual texto introdutório de cada post. Como jornalista o autor deste blog sempre cobra atitude de bandas e artistas no sentido de saber “parar” ou se “aposentar” na sua carreira, na hora certa. Tudo tem um tempo na vida, certo? Mas… e o zapper? Estaria sabendo a hora de parar ou de se “aposentar” em certas questões e comportamentos? Talvez não. É por isso que desta vez a decisão está tomada e vai ser cumprida – ou pelo menos vamos tentar cumprir. O blog está se aposentando das dorgas e da enfiação de pé na lama nas baladas rockers e noturnas. Já são mais de trinta anos fazendo isso, não somos mais nenhum adolescente e também não temos mais saúde, disposição nem saco pra ficar doidão quase todo o finde. E sem moralismos nessa decisão. É apenas questão de bom senso. Paulo Coelho (de quem estas linhas rockers não é nada fã, como escritor, mas respeita e admira sua inteligência) tem uma frase perfeita sobre isso: “É preciso saber a hora de entrar e também a hora de sair das drogas”. E mesmo o saudoso Peter Steele (ex-baixista e vocalista do finado Type O Negative), que morreu há dois anos (de enfarte, aos quarenta e oito de idade), muitos anos antes já havia declarado: “A banda vai acabar em breve. Rock é para jovens, não para velhos como eu”. Quando deu essa declaração Peter tinha apenas 36 anos de idade. E já se achava velho. Não é o caso do autor deste espaço virtual, claro. Não nos achamos velho (ainda) demais pro jornalismo, muito menos pro rock’n’roll. Vamos continuar indo a shows, saindo normalmente e também continuar bebendo, pois o autor deste blog adora um bom destilado. Mas a loucura mesmo, a despirocação em grau elevado, essa chegou a hora de parar com ela. Daqui a pouco Zap’n’roll terá 5.0 de vida nas costas e é preciso priorizar outras coisas nesse momento. Como, por exemplo, publicar um livro com as melhores histórias já postadas aqui, em um blog que a cada novo post bate recordes de comentários e recomendações em redes sociais. E há bilhões de ótimas histórias. Ou seja: a lenda já está formada (e construída por muito álcool, sexo, drogas variadas, e situações de vida verdadeiramente absurdas e bizarras) e não é mais preciso continuar alimentando-a. Se, sem falsa modéstia, o sujeito aqui se tornou – como dizem – um dos jornalistas musicais mais conhecidos do Brasil nos últimos anos, é porque seu estilo de vida e seu comportamento ajudaram a construir essa fama. Não é preciso continuar sendo um doidão de plantão. Agora, é hora de fazer a “lenda” render algum (em termos de $$$) e de perpetuá-la em um bom livro. E novamente: sem moralismos. Estas linhas rocker bloggers concordam com um amigo – ateu, que não acredita na existência de um Deus ou de uma outra vida além da terrena – que sempre diz: “aproveite e faça tudo que tem que fazer e faça aqui, nesse mundo e enquanto você está vivo. Porque depois…”. De fato e vamos mais longe: a vida é muito curta. Nossos anos jovens, mais ainda. Então, quem estiver lendo o que estamos expondo aqui e ainda for jovem, aproveite meeeeesmo: trepe horrores, beba até cair, fume seu baseado (se estiver a fim), cheire seu pó (idem), viva a vida enfim. Porque mesmo que exista uma “outra” vida além dessa com certeza ali não haverá nem pintos, nem bocetas, nem fodas, nem álcool, nem drugs. Simples assim. Zap’n’roll fez quase tudo o que quis e não se arrepende de quase nada. Mas agora chega. Dorgas e loucuras são para jovens, não pra tiozões como o autor deste blog, rsrs. E neste post Zap’n’roll começa a desovar mais histórias incríveis da vida loka de jornalista gonzo. Como no dia em que enfrentou uma entrevista com o Cid Moreira (ex-âncora do Jornal Nacional) no Rio, ressacudo de cocaine. Isso em um post que também fala do novo disco dos Smashing Pumpkins e de toda a movimentação no mondo pop/rock esta semana. É isso: vida longa ao rock’n’roll! E sem caretice também, sempre!

 

* Indo direto ao ponto, ao que importa: o blog continua indo muito bem, obrigado. Enquanto a cachorrada fake histérica continua latindo nos comentários (sempre com ataques pessoais e morais grosseiros, provocações idiotas e infantis e mentiras bizarras ao cubo), estes batem recordes. No último post o painel dos leitores acusou “apenas” quarenta e dois comentários. Nada mal, néan? Assim o blogão zapper que está completando dez anos de existência online (entre sua fase coluna e o blog propriamente dito), não se furta em abrir seu lado, hã, comercial, hihi. A partir de agora bandas interessadas em anunciar neste espaço online podem entrar em contato pelo hfinatti@gmail.com . O preço é ultra camarada e o retorno é garantido, uia! Que o digam as gravadoras Pisces e ST2 e bandas amigas como Coyotes California e Doutor Jupter. Entre em contato e bora conversar sobre divulgar a sua banda, galere!

 

* Já que não é mais segredo pra ninguém, estas linhas zappers reproduzem o diálogo (por telefone e e-mail) travado há algumas semanas entre Zap’n’roll e um dos envolvidos na produção da edição deste ano do SWU. O blog: “E aí, beleza? Porra, como está o andamento da coisa? Já estamos no final de maio!”. O produtor: “Não dá pra falar nada ainda, estamos em cima de um monte de gente e… bom, fechamos uma fodaça já, 90% garantido, falta só assinar o contrato. Mas se eu te conto você põe no teu blog e aí me fode a vida”. O blog: “prometo segredo”. O produtor: “Ok, vou confiar em você. É o Soundgarden. E facilitou muito o fato de o Chris [Cornell, vocalista do grupo] ter se apresentado lá em Paulínia. Mas olha lá, hein!”.

O velho grunge do Soundgarden: prestes a ser confirmado como primeira atração do festival SWU 2012 

 

* O resto todo mundo já sabe. A confirmação do Soundgarden, como provável primeira grande atração do SWU 2012, já foi comentada até no telejornal “Leitura Dinâmica”, da Rede Tv!, esta semana. De modos que não precisamos mais nos preocupar em “guardar segredo” aqui. Por outro lado, o mesmo produtor também adiantou ao blog: “estamos novamente em cima do Cure. Também fomos atrás do Blur, mas os caras estão querendo acabar a banda novamente. Stone Roses? Você acha que vale a pena?”, foi a pergunta que estas linhas virtuais ouviram quando tocaram no nome do ressurrecto e lendário indie guitar inglês. Pois é…

 

* Falando nos Roses… mal voltaram e a “guerra” entre eles já começou novamente. A NME destacou o assunto esta semana, bem como mega portais brasileiros de notícias. Tudo muito “normal” quando se trata de Ian Brown e Cia: no show da última terça-feira em Amsterdã, na Holanda, quando o grupo se preparava para fazer o bis (tocando uma versão longa de “I Am The Ressurrection”), o batera Reni simplesmente não voltou pro palco. O show acabou ali mesmo e Ian, o vocalista, putíssimo xingou seu companheiro de banda. Mas é claaaaaro que, com os milhões de dólares envolvidos no retorno do conjunto e com uma renca de shows em mega festivais já agendados (e alguns deles com ingressos já esgotados), nem se cogita nesse momento falar em um novo rompimento nos Roses. Afinal, loucura tem limite, no?

Os Roses mal retornaram e já estão em guerra novamente

 

* Ou não: vejam o caso da nossa sempre querida e mega amada diva Vaconna, ops Velhonna. Quer dizer, Madonna! A ainda rainha maior do pop planetário (e que passa com sua nova turnê mundial pelo Brasil em dezembro) está simplesmente arrasando esta semana nas gigs da turnê MNDA. Em um show na Turquia, mostrou que ainda é uma mulher de peito (e como!), tirando uma das tetas pra fora. E anteontem, na Itália… vejam a pic aí embaixo, hihi. E quer saber: Zap’n’roll ainda comia a diva cinquentona, tranquilamente!

 Loiraça mega vacuda, mostrando a bundona e ainda em forma aos 53 de idade: Zap’n’roll comia com gosto, wow! (foto: Uol)

 

* E quem também causou alvoroço esta semana foi o grande diretor de cinema Oliver Stone. Que aparece na capa da mais recente edição da célebre revista americana High Times (especializada em temas relacionados à maconha) exatamente assim (veja aí embaixo): fumando um belo baseado. Mais um ponto pra revista e pra Stone. Apesar de sua declarada intenção de se aposentar das loucuras em grau elevado, quem disse que o blog encaretou? Nadica! Continuamos apoiando a liberação de absolutamente TODAS as drogas.

A capa da nova edição da High Times mostra o cineasta Oliver Stone com um senhor baseadão na boca. Ponto pra ele e pra revista! (foto: Uol)

* A GUERRA BILLY CORGAN X RADIOHEAD – pois entonces, o carecão que lidera há duas décadas o Smashing Pumpkins (cujo novo disco, “Oceania”, com lançamento previsto para o dia 19 de junho, acabou de cair na web), anda falando demais. Esta semana Billy soltou o verbo em entrevistas: chamou o Radiohead de “droga pomposa” e disse que prefere
Ritchie Blackmore (ex-guitarrista do Deep Purple e do Rainbow) a Jonny Greenwood (que toca guitarra no Radiohead). Vem cá: achar que Ritchie Blackmore é gênio é piada. O Deep Purple teve sua – relativa, não mais do que isso – importância dentro de um certo contexto do velhusco, mala, chato e pentelho classic rock setentista e só. Nada mais além disso, sendo que hoje o Deep Purple é o que todos sabem: um bando de geriatras vergonha alheia total e que continuam tocando por aí, pra arrancar ainda alguns trocos de fãs saudosistas e incautos. Rainbow? Sempre foi um sub Deep Purple, e da pior espécie. E sim, ok, tá certo que o próprio Radiohead (cuja obra-prima “Ok Computer” é melhor do que qualquer disco lançado pelo Purple ou pelo Rainbow) anda pisando no tomate há anos, sendo incapaz de lançar um disco realmente acachapante – mas ao vivo o grupo continua impecável. Mas e o Smashing Pumpkins? Tornou-se também um sub-arremedo do que um dia foi uma das melhores bandas do guitar rock dos anos 90’. O novo álbum, que já foi ouvido por estas linhas online (e cuja resenha você confere mais aí embaixo), só é um pouco melhor do que as drogas que Corgan andou gravando nos últimos tempos. Conclusão: o líder do SP não está em condições de julgar musicalmente ninguém hoje em dia. Muito menos o ainda grande Radiohead.

 Billy Corgan (com sua clássica t-shirt “Zero”, nos tempos de glória dos Smashing Pumpkins) andou xingando o Radiohead. O careca anda falando demais na opinião destas linhas zappers

 

* Você curte o arrogante e mala Moveis Coloniais de Acaju? O blog, não. Estas linhas rockers virtuais sempre consideraram o combo brasiliense superestimado demais. Talvez por isso mesmo a turma lá se ache, principalmente o vocalista André Gonzales. Bien vai daí que na última terça-feira, o grupo anunciou com estardalhaço (via sua assessoria de imprensa) que iria promver uma “serenata online” (através da Twicam da banda), em comemoração ao Dia dos Namorados. Pois poucas horas antes de a tal “serenata” acontecer, a mesma assessoria divulgou nota em caráter urgente informando que a mesma havia sido cancelada pelo grupo. O motivo oficial alegado para o cancelamento seria “problemas de saúde” do vocalista. Ahã…

 

* Ou seria, na verdade, o medo da banda por um provável fracasso de audiência online para a sua serenata? De qualquer forma, essa atitude mostra bem o enorme “respeito” com que o MCA trata seus pobres fãs. Lamentável…

 

* Ou como diria o personagem Zé Pequeno (do filme “Cidade de Deus”): “dia dos namorados é o caralho!”. Zap’n’roll, solteiríssimo que está, na verdade ruiu muito das matérias bregas e cafoníssimas que rolaram na mídia (impressa, eletrônica e online) na última terça-feira. E se é pra fazer uma “homenagem” aos “pombinhos apaixonados”, o blog prefere destacar estes dois vídeos aí embaixo. O primeiro, com a conhecidíssima “Hurt”, marca a despedida deste mundo do grande Johnny Cash, morto há quase uma década. Ele já velho, sabendo que iria morrer de complicações decorrentes de um diabete e sempre ao lado da sua inseparável June Carter, dá um show de interpretação nessa hoje clássica cover do Nine Inch Nails. Já o outro vídeo é para a música “Nescafé”, do gaúcho Apanhador Só, um dos grandes nomes da atual cena independente brazuca. Um delírio e primor de melancolia combinada com psicodelia sonora. Duas trilhas muuuuuito melhores do que qualquer serenata de Moveis toscos de Acaju, para embalar casais apaixoandos, uia!

Johnny Cash – “Hurt”

 

Apanhador Só – “Nescafé” 

 

* E bora ver como está o retorno, enfim, do Smashing Pumpkins.

 

 

SMASHING PUMPKINS VOLTA COM UM BOM DISCO, MAS ALGUÉM AINDA SE IMPORTA?
E lá vem Billy Corgan novamente, em mais uma reencarnação do seu Smashing Pumpkins. Bien, na verdade o cantor, compositor, guitarrista e principal mentor daquela que foi uma das maiores e mais bem sucedidas lendas do indie guitar rock americano dos anos 90’, nunca deixou o grupo de lado – mesmo no período entre 2000 e 2005 quando o SP estava oficialmente “extinto”. Nesse período, óbvio, Corgan continuou alimentando o mito em torno da banda. Voltou de fato com ela, soltou dois álbuns inexpressivos (“Zeitgeist”, em 2007; e “Teargarden by Kaleidyscope”, editado em 2009) e agora tenta a sorte novamente com este “Oceania”, programado pra chegar às lojas americanas no próximo dia 19 de junho, sendo que na web ele já está dando sopa, óbvio.

 

É, a rigor, o nono álbum de estúdio do conjunto em duas décadas de existência. E Billy Corgan trabalhou duro nele ao que parece, já que as gravações do mesmo se estenderam de abril a setembro do ano passado. Isso não significa que o resultado final tenha sido primoroso. Na real é muito difícil ouvir a banda hoje e não lembrar dos seus três primeiros e magistrais álbuns – “Gish” (a estréia fenomenal, em 1991), “Siamese Dream” (de 1993) e a obra-prima “Mellon Collie And The Infinite Sadness”, o disco duplo editado em 1995 e que alavancado pelos mega hits “1979”, “Zero” e “Tonight Tonight”, bateu na casa das vinte milhões de cópias vendidas e colocou o conjunto nos píncaros da glória do mondo rock planetário. A comparação será sempre inevitável e cruel: por mais que Corgan se esforce, ele jamais irá chegar novamente aos pés do que conseguiu em termos de envergadura musical e artística naqueles três primeiros trabalhos, quando além dele o grupo ostentava sua formação clássica (o também guitarrista James Iha, a baixista D’Arcy e o baterista monstro Jimmy Chamberlin). Apesar de Billy ser o eterno gênio pensante e “ditador” do conjunto, os outros três fazem falta ali e muito. A famosa “química” entre os quatro era perfeita.

 

Zap’n’roll ama devotadamente a banda em seu período de 1991 até o sombrio disco “Adore” (um álbum que Corgan gravou sob o peso da perda de sua mãe e também do fim do seu casamento), lançado em 1998 e quando o batera Jimmy Chamberlin tinha sido expulso do grupo por Corgan (após ter se envolvido em um caso de consumo de heroína em 1996, em um quarto de hotel em Nova York, em um epísódio que matou de overdose um tecladista que estava excursionando com a banda, como músico convidado). Nessa época o autor deste blog assistiu o grupo ao vivo no Brasil por duas vezes. A primeira em janeiro de 1996, na edição derradeira do festival Hollywood Rock, no estádio do Pacaembu, em São Paulo, em uma noite de domingo. O SP estava no auge, havia lançado há poucos meses o fodaço “Mellon Collie…” e um público insano que lotou a pista do estádio (e, no meio dessa insanidade, o sujeito aqui) se acabou na gig do quarteto. Dois anos depois, na extinta casa de shows Olympia e na turnê de “Adore”, a banda já não era mais a mesma. Sem Iha e Chamberlin e com duas baterias (!) em cena, o SP fez um show pálido, já bem distante daquilo que os fãs haviam presenciado no começo de 1996 – em 2010 o conjunto esteve mais uma vez aqui, no festival Planeta Terra, mas aí o blog desencanou de vê-los ao vivo.

Capa do novo disco do SP: não chega a ser ruim, mas está longe de ser ótimo

 

Daí pra frente é o que se sabe: a formação do grupo mudou várias vezes, discos ruins foram lançados e veio o fim oficial, em 2000. Billy Corgan partiu para outros projetos, montou outra banda (a inexpressiva Zwan, que gravou apenas um disco), continuou compondo e gravando sozinho, começou a postar músicas na internet e resolveu, em 2005, reformar o velho Smashing Pumpkins. Editou mais dois discos sem muito brilho musical, anunciou que iria abandonar de vez o lançamento de músicas em plataformas físicas (e, por tabela, disse que a banda iria soltar aos poucos cerca de cinqüenta singles na web) até que, há algumas semanas, declarou à imprensa que o SP estava sim para lançar, inclusive em cd, seu novo álbum de estúdio.

 

O que nos leva a este longo (mais de sessenta minutos) “Oceania”. Se em seus primeiros trabalhos a sonoridade da banda era algo mezzo inclassificável (deambulando por rock de guitarras hard, grunge, psicodelia e até gothic rock), o que conferia a cada disco um estranhamento musical instigante e ultra bem-vindo, no novo álbum os procedimentos sonoros engendrados por Corgan já são por demais manjados. Há alternância de climas em algumas faixas, com a tradicional oscilação entre barulho e contemplação melódica. O disco até começa bem com “Quasar” (uma tentativa de reeditar “Cherub Rock”, que abria “Siamese Dream”) e “Panopticon”, ambas com guitarras trovejantes emoldurando o vocal ardido de Billy Corgan. A ambiência já muda em “The Celestials”, com a entrada em cena de violões e teclados e algumas cordas com certa dramaticidade. É a partir desse ponto que o cd começa a resvalar na mediocridade: “My Love Is Winter” parece feita de encomenda para ser trilha de algum filme que conta a história de um romance brega entre dois adolescentes bobos. Soa como se você estivesse ouvindo um Maroon 5 (!!!) mais “turbinado” por guitarras. E “One Diamond, One Heart” não consegue ser cafona apenas em seu título: a tecladeira com timbre de salão de baile de formatura de ensino médio, que se imiscui por toda a música, é um dos momentos mais constrangedores já concebidos pelo músico Billy Corgan.

 

Curiosamente a partir daí o trabalho começa a melhorar e ganha força com as mudanças de andamento e as nuances melancólicas da faixa-título. “Pale Horse”, em sua “tristeza quase infinita” é uma música curta e bonita, um dos melhores momentos de um disco que encerra bem com o retorno de guitarras mais ásperas em “The Chimera”, “Glissandra” e “Inkless”. Todas faixas mais curtas e sem grande complexidade melódica ou harmônica. E que denotam que Corgan acertou mais justamente quando simplificou mais as canções.

 

Mas a impressão que fica, ao final da audição de “Oceania”, é que a genialidade de Billy Corgan já está irremediavelmente gasta. Ela ficou lá atrás, nos primórdios do SP. E ainda que haja bons músicos acompanhando o vocalista atualmente (além de Billy participaram das gravações do disco o também guitarrista Jeff Schroeder, a baixista gostosona Nicole Fiorentino e o baterista Mike Byrne, que não chega aos pés de Jimmy Chamberlin nas criativas conduções rítmicas desenvolvidas pelo ex-batera do grupo), e que o novo álbum seja um pouco melhor do que os dois últimos discos de estúdio do conjunto, a pergunta que fica é: alguém ainda vai se importar com o Smashing Pumpkins daqui pra frente?

 

 

O TRACK LIST DE “OCEANIA”
1.”Quasar”
2.”Panopticon”
3.”The Celestials”
4.”Violet Rays”
5.”My Love Is Winter”
6.”One Diamond, One Heart”
7.”Pinwheels”
8.”Oceania”
9.”Pale Horse”
10.”The Chimera”
11.”Glissandra”
12.”Inkless”
13.”Wildflower”

 

 

SMASHING PUMPKINS AÍ EMBAIXO
Em três vídeos dos “bons tempos” de Billy Corgan e Cia: “Rocket”, “Tonight, Tonight” e a banda arrasando ao vivo no Hollywood Rock de 1996, no Rio De Janeiro, em “Bullet with Butterfly Wings”.

 

DIÁRIO SENTIMENTAL – UMA HISTÓRIA DO JORNALISMO ROCKER, GONZO E JUNKY, HIHI
Aaah… os tempos das despirocações noturnas em grau extremo. Das entrevistas realizadas (ou não, rsrs) sob efeito e/ou ressaca do consumo de algum aditivo, hã, proibido. A vida pessoal e profissional do autor destas linhas ainda anárquicas foi assim, nas últimas três décadas: uma sucessão de acontecimentos quase inacreditáveis. Momentos descaralhantes, invariavelmente movidos a consumo de dorgas, álcool e trepadas homéricas.

 

E como foi dito no início deste post, é chegada a hora de “aposentar” o lado loki e junky do sujeito aqui. A “lenda” do jornalismo rocker brazuca já está bem formada e não é preciso mais continuar alimentando-a. Mas é claaaaaro que o zapper não vai encaretar, jamais! E a partir deste post ele volta a desovar algumas histórias malucas (e algumas até bem hilárias) aqui, que marcaram a sua trajetória jornalística (e pessoal também, hehe). A que está relatada aí embaixo aconteceu nos anos 90’. E Zap’n’roll riu muito ao se lembrar dela esta semana. Leia e divirta-se!

 

* ENFRETANDO CID MOREIRA, RESSACUDO DE COCAINE – era começo de 1995 (ou final de 1994, a memória do blogger loker agora falhou um pouco, uia). Zap’n’roll trampava há um ano e meio num dos melhores empregos que já teve: repórter de música da poderosa (e finada, há séculos já) edição brasileira da revista Interview. Emprego dos sonhos de qualquer um: a revista era mensal e cada jornalista precisava desenvolver uma ou duas pautas por edição. A revista não vendia nada mas era luxuosa, descoladíssima, formadora de opinião, circulava onde importava e precisava (redações de outros mega veículos de mídia, agência de modelos e de publicidade etc, etc, etc.). O salário era bom. As festas envolvendo o lançamento de cada edição eram fodásticas (xoxotas prontas pra foder em profusão, champagne, whisky e… cocaine, claaaaaro). E boa parte da redação era maluca. Menos o editor-chefe, Luiz F. (hoje, segundo homem no comando da área editorial da Editora Três). Extremamente careta, corretíssimo ao cubo em suas funções e ótimo jornalista, Luiz sempre foi um dileto amigo do autor destas linhas online, embora sabedor que seu “pupilo” era um loki de carteirinha. Por conta disso, sempre o mantinha sob rédea curta.

 

Foi o que aconteceu quando o zapper se viu sem pauta para a edição seguinte da Interview. Escrever sobre o quê? “Vire-se!”, disse um belo dia Luiz F. pro repórter aflito, em sua sala. “E já sabe: se não tiver matéria, não tem salário mês que vem!”. Cruel. Pensa daqui, pesquisa dali, fuça acolá e então, numa bela tarde, toca o telefone na redação. Era a assessora de imprensa da também finada gravadora Continental. Ela: “Finatti, o Cid Moreira tá lançando seu novo cd de… salmos bíblicos. Você consegue emplacar uma entrevista com ele na Interview?”. Cid Moreira? Fazendo leitura de salmos bíblicos em cd??? Puta que pariu! Era dose. Ou nem tanto: Cid havia sido por séculos o âncora do Jornal Nacional (o principal telejornal da tv Globo), de onde havia saído havia pouco tempo. Era conhecidíssimo ainda, uma imagem presente no imaginário de 90% da população brasileira. Voilá! Era a salvação do mês. Lá foi Zap’n’roll falar com seu editor-chefe. Ele: “Só se o cara falar absolutamente todos os podres do jornalismo da Globo”. Missão difícil, mas não impossível. Telefonema de volta para a assessoria da gravadora: “Ok, entrevista confirmada. Quando pode ser?” A reportagem foi marcada para algum dia da semana na casa de Cid Moreira, às treze horas. Ele morava em um condomínio fechado no bairro nobre da Barra da Tijuca, no Rio De Janeiro. Data e horário acertados, era requisitar uma passagem de ponte-aérea na redação da Interview. E quando recebeu a dita cuja, o jornalista loker que detestava acordar cedo levou um susto: por que ele tinha que embarcar no vôo das OITO DA MANHÃ pro Rio (uma viagem de avião de quarenta e cinco minutos, apenas) se a entrevista seria somente a uma da tarde? De volta à sala do editor-chefe, onde se desenrolou um diálogo tenso. Zap’n’roll: “Eu não preciso sair daqui oito da manhã. Se eu pegar o vôo das onze horas, chego lá meio-dia, almoço e vou direto entrevistar o cara”. Luiz F.: “Negativo, Finatti. Eu te conheço muito bem e sei que você vai chegar na casa dele às três da tarde, se sair daqui às onze”. O zapper: “Não vou, não! Dá pra confiar em mim?”. Luiz F.: “Não, não dá. E preste atenção: eu QUERO você DENTRO do vôo das oito da manhã, ok? Se por um acaso você PERDER esse vôo, nem precisa aparecer mais aqui na redação, fui bem claro? Outra: sei que você detesta vestir roupa social. Mas você está indo entrevistar o Cid Moreira, não algum roqueiro porra-louca. Peça um terno emprestado a alguém, se for o caso, mas vá de terno, certo?”.

 

Certo. Não havia mais o que argumentar. A solução era ir embora pra casa, comer algo, descolar um terno com alguém (o jornalista ainda jovem, trintão, rabo-de-cavalo, rocker e tal, detestava mesmo vestir termo. Como não tinha a peça de vestuário, foi atrás de um. Conseguiu um em tons pastéis com seu velho amigo Giba) e dormir CEDO. Nessa época o autor destas linhas rockers online morava no Cambuci (zona sul de Sampa), no final da rua dos Lavapés, em um antigo e espaçoso apartamento de dois dormitórios (em um predinho aconchegante de três andares, com apenas dois apartamentos por andar) que ele dividia com o então amigão Luis Carlos Leite (na época, um dos fotógrafos mais conhecidos da redação do jornal FolhaSP, e também um junky notório, que amava reggae e viver chapado de marijuana). Naquela noite o jornalista emputecido chegou em casa por volta das onze horas. E quando ia entrar no prédio, deu de cara com o famoso “exú”. Quem? Alex, amigo boa praça do bairro, muito inteligente, muito politizado e tal e que adorava… meter a napa em cocaína. Alex estava esperando o zapper na porta do prédio, já bicudíssimo de padê. Quando o blogger chegou ele já foi avisando: “Eu tava te esperando. Tô com mais de cinco gramas aqui, muito boa!”. Não!!! Mil vezes não! Tendo que sair de casa às seis e meia da matina do dia seguinte pra pegar um vôo às sete no aeroporto de Congonhas, cocaine era tudo que o repórter da Interview NÃO queria naquela noite. “Escuta Alex, te adoro, você é um super brother mas hoje não. Eu tenho um compromisso seríssimo amanhã cedo e bla bla blá”, tentou argumentar o autor deste espaço virtual. “Ah, me acompanha só em uns risquinhos então, que eu vou embora daqui a pouco, prometo!”, rebateu Alex.

 Pode acreditar: o blogger loker enfrentou duas horas de entrevista com esse tiozão aí em cima, completamente ressacudo de uma mega noitada movida a devastação nasal, uia!

 

Resistência vencida, a dupla subiu pro apê. E começou a farra da devastação nasal. O pó era do bom, mesmo (nada a ver com as porqueiras que são vendidas hoje nas favelas de Sampalândia). As horas foram passando. A cocaine não acabava nunca. Quando o jornalista maluco olhou no relógio e viu que eram quatro da matina (!!!), soou o alarme em seu cérebro já completamente alucinado pelo pó branco. Bicudo e travando pra falar, disse ao seu amigo: “preciso beber algo alcoólico, urgente!”. Alex desceu, foi na loja de conveniência do posto que havia na esquina da avenida Lins de Vasconcelos, e voltou com uma sacola cheia de latas de cerveja. O padê, felizmente, estava acabando. E acabou… às cinco da manhã. O amigo do zapper se mandou e sobraram algumas brejas e uma travação monstro de cocaine. Como diria o querido Rica Pancita (do podcast “Comando Legal”), o jornalista gonzo ao cubo estava total “fritopan”, uia! O quê fazer, naquele estado de chapação cocainômana e tendo que sair daquele apartamento em uma hora e meia para ir pro aeroporto, pegar um vôo até o balneário e fazer uma entrevista com um velhote de setenta e tantos anos de idade, que estava lançando um cd de salmos? Não havia muito o que raciocinar (e o sujeito aqui, com o cérebro literalmente “derretido” por várias carreiras aspiradas, nem estava em condições de raciocinar algo): o loker junky tirou a roupa e foi tomar um banho quente. Ficou pelo menos meia hora embaixo do chuveiro, os olhos estalados e tentando “destravar” da coca. A duras penas conseguiu sair do chuveiro, se enxugar e trocar de roupa. Colocar o terno então (e tendo que dar nó na gravata), foi uma operação mais complexa do que vender geladeiras no Pólo Norte. Mas enfim arrumado e com um óculos escuro na fuça (pra esconder os olhos esbugalhados, óbvio), lá se foi Zap’n’roll. Desceu na porta do prédio e pegou o primeiro táxi que passou: “Toca pra Congonhas, estou atrasado”, foi tudo que o êmulo de Hunter Thompson conseguiu balbuciar pro taxista. Quando chegou ao aeroporto, começou a ressaca e o revertério da madrugada regada a padelança. Tudo irritava o jornalista fisicamente destruído: a espera na fila do chek-in, a tagarelagem dos outros passageiros (e sempre que você se encontra nesse estado, de ressaca pós-consumo de cocaína, sua paranóia sempre acha que todos estão falando algo relacionado a VOCÊ) etc. Enfim já dentro do avião, o autor destas linhas absurdas só pensava em beber algum destilado. Pediu à aeromoça: “Uma dose de whisky, por favor!” (naquela época, servia-se whisky na ponte aérea, pode acreditar). Ela: “sinto senhor, mas nos vôos da manhã só servimos café, leite, água e refrigerante. E isso depois que levantarmos vôo”.

 

Zap’n’roll não acreditava. Estava a ponto de enlouquecer e queria sumir dali, literalmente. Quando chegou ao Rio, já por volta das oito da manhã, “voou” pro primeiro bar do aeroporto Santos Dumont que pudesse lhe servir qualquer dose de qualquer destilado. Conseguiu tomar duas doses de whisky – em jejum, sem nada no estômago. Só aí a ressaca do pó começou a ceder. As horas foram passando, o estado do jornalista começou a melhorar e os olhos antes esbugalhados começaram a voltar ao normal – mas o inchaço e as olheiras denunciavam total que o gonzo maluquete não havia dormido nadica nas últimas vinte e quatro horas. Hora do almoço, finalmente: um lanche rápido (não havia fome, ainda) e toca pra Barra da Tijuca. O repórter chegou pontualmente a uma da tarde na casa de Cid Moreira. Foi recebido pela empregada: “o Sr. aguarde só um instante no escritório dele, que ele já vai descer”, disse ela. O zapper a essa altura já calmo e sendo tomado pelo sono e cansaço, esperou por cerca de quinze minutos (e foi observando o ambiente: tudo muito certinho, careta, com CDs de MPB e Roberto Carlos espalhados pela mesa). Até que foi recebido efusivamente pela voz grave e tonitroante de mr. Cid Moreira. Cumprimentos trocados, mini-gravador ligado (naquela época não existia i-Pod, MP-3, i-Phone, nada disso) e começou a entrevista. Duas looooongas horas de entrevista onde Cid Moreira pouco abriu o bico sobre os “podres” do jornalismo Global – embora tenha feito a hilária declaração de que, sim, na sua idade ele ainda “dava uma por dia na sua esposa”, wow!

 

Entrevista encerrada, o autor deste diário mais engraçado do que sentimental se mandou pra sucursal da Interview no Rio. Lá lhe foi providenciado um jantar. Em seguida, a volta pra Sampalândia no último vôo, o das dez e meia da noite. Zap’n’roll veio então confortavelmente relaxado em duas poltronas e tomando duas doses de whisky. Chegou em casa, no Cambuci, mais de meia-noite. Pensou em ir antes dar uma senhora foda na sua amiga e artista plástica Rosângela L., que morava perto de Congonhas (uma xotaça gaúcha deliciosa, trinta e dois anos de idade, boceta peluda, tetas empinadinhas, dois filhos, separada e que o jornalista taradón havia conhecido semanas antes no finado club Massivo. Os dois começaram a ter um affair e Rô fodia horrores, sempre avisando quando ia gozar, aos gritos: “tá vindo! Tá vindo! Mete, me fode!”), e com quem ele já havia dado algumas trepadas quando chegava de viagem em Congonhas. Mas naquela noite foi impossível. O zapper foi direto pro seu apê e desabou de terno mesmo na cama, quando chegou. No final das contas, deu tudo certo. Felizmente. E o querido ex-chefe Luiz F. nunca ficou sabendo que seu dileto repórter enfrentou Cid Moreira ressacudo de cocaine, hihihi.

 

* No próximo post: o dia em que o blog deu um  “balão” em uma entrevista com o gênio Tom Zé, também por causa de cocaine, uia! Aguardem!

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA
* Disco: “Banga” é o décimo primeiro álbum de estúdio da lenda Patti Smith. E o primeiro disco de inéditas da cantora e poetisa norte-americana em sete anos. Pois trata-se de um dos grandes lançamentos da temporada: a cantora, compositora, ativista social e política chega aos sessenta e cinco anos de idade em plena forma e entrega um disco forte, intenso, emotivo e melancólico aos fãs, onde ela exibe seu olhar reflexivo sobre o mundo atual, esse planeta tão desagregado não apenas social e politicamente, mas também no âmbito ecológico. Há participações de Johnny Depp (na faixa-título), homenagens a Neil Young e Amy Winehouse e faixas lindíssimas por todo o cd, que foi muito bem esmiuçado pelo chapa Dum DeLucca em seu blog Jukebox, lá no portal Dynamite (WWW.dynamite.com.br). Pode ir atrás correndo, mesmo porque “Banga” já está dando sopa na web.

“Banga”, o novo álbum de Patti Smith: discão! 

 

* Web rádio: quer ouvir uma rádio online alternativa bacanésima e ainda ficar por dentro de toda a movimentação rocker no extremo Norte brasileiro? É só ir até a Manifesto Norte. Pilotada pelo jornalista (e mega brother zapper) de Manaus, Sandro Correia, a Manifesto entrou há pouco no ar e já está causando estragos na internet, com uma programação ininterrupta dedicada quase que totalmente às novas bandas indies nacionais. Acesse lá e boa audição: http://www.manifestonorte.com/ .

 

* Baladaças! Yes!!! E começam cedo esta semana, no? Hoje já é quinta-feira em si e se você já está disposto a ir pra “naite”, a pedida é a festa “Loucuras” lá na Loca (rua Frei Caneca, 916, Consolação, centro de Sampa), sob o comando do super DJ André Pomba. E tem também showzaço do esporrento trio Zefirina Bomba lá no Astronete (que fica na rua Augusta, 335, centrão rocker de Sampa).///Sextona, mais conhecida como amanhã? Vai que tem: mais uma edição da festa Blue Room no Espaço Cultural Walden (que fica na praça da República, 119, centro de São Paulo), pilotada pelo pessoal rocker do Itaim Paulista (integrantes do graaaaande The Concept). E a volta do DJ Márcio Custódio à noite under rocker paulistana, na estréia da festa PopKiss no bar Lebowski (que fica na rua Barra Funda, 1070, Barra Funda, zona oeste paulistana).///E no sabadão tem mais uma edição da festa anos 80’ “Pop&Wave” no Inferno Club (lá no 501 da rua Augusta), com especial do Duran Duran na DJ set. Ah sim, apenas já avisando: no próximo dia 30 de junho tem a mega DJ set mensal do blog na Outs (lá no 486 da Augusta). E este mês a parada vai lá vai ser demolidora, pode esperar! Então é isso: capricha na montagem do visu rock’n’roll e caia com tudo na esbórnia.

 

 

E VEM QUE TEM! TICKETS FREE PRO SHOW DO RADIO DEPT!
Yeah! O blogão campeão em promos mega bacanas não iria deixar seu amado, fiel e dileto leitorado na mão, né?

 

Então fechamos parceria bacana com a produtora Playbook, e estamos colocando na roda através do hfinatti@gmail.com:

 

* DOIS PARES DE INGRESSOS pro showzaço que o grupo indie dream pop sueco The Radio Dept. faz no Brasil, no começo de julho. A saber: um par para o show em Sampa, dia 6, no sempre bacana Beco203. E outro par pro show no Rio De Janeiro, dia 8, no Teatro Odisséia. Tá dentro? Então comece a enviar suas mensagens desesperadas pedindo pelos tickets e torça!

 Os suecos do The Radio Dept.: shows no Brasil no começo de julho, com promo de ingressos free aqui no blogão zapper. Vai perder?

 

E yep, o blog não esqueceu da outra promo em sorteio, a que tem um kit da ST2 com DVDs (Stones, Primal Scream) e o novo cd dos Forgotten Boys. Guenta mais um pouco aê que logo desovamos o vencedor (ou vencedora) dessa promo, okays?

 

 

UFA! CHEGA NÉ?
Postaço mega, recuperando o pique do blog mais legal da web brasileira quando o assunto é rock alternativo, cultura pop e insanidades variadas, hehe. Este post comentando o novo álbum do Smashing Pumpkins vai dedicado pra turma do The Concept (Wagner, Robson, Augusto, André). E o blogão zapper se vai deixando beijos quentes na Ana Paula de Lima, na Samara Noronha, na Bruna Viana e na gatíssima portenha Camila Valente, wow! Semana que vem tem mais. Até lá!

 

(atualizado por Finatti em 15/06/2012, às 21hs.)

A nostalgia rock dos 90’ batendo forte com o novo álbum do Spiritualized, o show do Nada Surf em Sampa (e olha só: promo relâmpago de TICKETS FREE pro show no Rio!) e a leitura de textos antigos da coluna e do blog zapper – PLUS: a volta fodaça do Garbage! (versão ampliada, atualizada e finalizada em 29/4/2012)

O inglês Spiritualized (acima), fundado em 1990, lança novo disco; em São Paulo, o americano Nada Surf (abaixo) fez uma trip nostálgica em show na última quarta-feira. É a volta do indie rock dos anos 90′

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O Garbage, gigante do electro-rock dos 90′, voltando com tudo!

 

Entonces, o Garbage está de volta após sete anos sem gravar. Mais nostalgia anos 90’ (o tema deste postão da Zap’n’roll) né? A banda lança “Not Your Kind Of People” agora em maio (e o blog andou vasculhando a web hoje em busca de um link do dito cujo, mas nada por enquanto). O que estas linhas zappers esperam é que o electro-rock de Butch Vig, Shirley Manson e cia, que tornou o Garbage gigante nos early 90’, ainda funcione bem.

 

Pelo menos o primeiro single, “Blood For Poppies”, é bem legal: dançante, eletrônico e com guitarras na medida. E a boneca Shirley Manson (a louca, junky e devoradora de homens e mulheres que era o “sonho de consumo” do blog e da querida “tia” Andre Pomba, lá pelos idos de 1995, rsrs) continua um xoxotão aos 45 anos de idade.

Vamos aguardar o disco. E quem sabe eles não aparecem por aqui, no SWU ou Terra, né?

 

Aí embaixo o vídeo bacanudo para “Blodd For Poppies”, o primeiro single do novo disco do Garbage

 

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Rock e nostalgia.
Ambos estiveram muito presentes e caminharam juntos esta semana na vida de Zap’n’roll. Afinal, foi uma semana em que o blog assistiu a gig paulistana do grupo americano Nada Surf (cuja carreira foi iniciada há vinte anos, em 1992), ouviu algumas vezes o disco que marca o retorno dos ingleses do Spiritualized (e que começou sua carreira em 1990) e começou a pesquisar textos antigos (e não exatamente dos anos 90’, mas de 2002 pra cá) publicados neste espaço rocker online (que inicialmente era uma coluna virtual, se transformando em blog alguns anos depois), com o objetivo de selecionar os melhores e mais representativos para compilá-los em um volume impresso que deverá ser lançado até 2013, possivelmente pela Pisces Livros, o “braço editorial” do bacana selo indie paulista Pisces Records. Tudo isso deu uma espécie de “liga” e fio condutor editorial para o postão desta semana já que, não raro (muito comum, aliás), rock’n’roll e nostalgia caminham de mãos dadas. E por caminharem assim é que ouvimos discos antigos, vamos a exposições (como a Let’s Rock, ainda em cartaz no Parque do Ibirapuera, em São Paulo) e a shows como o do Nada Surf. Pra reviver um pouco mais novamente aquilo que já foi vivido intensamente – ou que nunca vivenciamos e gostaríamos de ter feito parte. Pode parecer um tanto piegas a abertura deste post, mas a lógica emocional (lógica emocional? Existe isso???) humana funciona extamente assim. O rock funciona assim (bandas lançam discos novos, caem na estrada mas seus shows são preenchidos invariavelmente por apenas duas ou três músicas do trabalho que acaba de ser lançado; o restante do set list é o habitual “greatest hits” da trajetória do grupo). Então não há escapatória desse eterno “recuerdo” nostálgico. E o blog zapper, mesmo sempre antenadíssimo com as novas tendências e a tudo que diz respeito à cultura pop e ao rock alternativo atual, jamais irá deixar de prestar vassalagem ao passado. Como bem diz o clichê: “recordar é viver”. E neste post vamos então recordar como foi o show do Nada Surf na última quarta-feira. E também falar como é o novo disco do Spiritualized. E dizer que, sim, já foram escritos aqui textos sensacionais e que são um arquivo vivo e imprescindível de tudo o que rolou no rock brasileiro e gringo na última década. Um arquivo vivo que breve estará em um livro, ao alcance das suas mãos.

 

* Yep, o trabalho é grande. Mas o blog está mesmo analisando tudo o que foi publicado aqui na última década (quando este espaço online ainda era uma coluna semanal), para selecionar cerca de quarenta colunas e posts inteiros (de um total de mais de quatrocentos) e que deverão ser reunidos em um livro. E olhando/resgatando esses textos, hã, “antigos”, encontram-se autênticos tesouros de informação sobre rock e cultura pop e que radiografam com precisão nascimento e desaparecimento de bandas, tendências, comportamentos. Dois exemplos disso podem ser vistos nestes links: http://www.dynamiteinfo.com.br/portal/view_coluna_antiga.cfm?materia=321 e http://www.dynamiteinfo.com.br/portal/view_coluna_antiga.cfm?materia=387 (sendo que este, em particular, discute a sexualidade humana e a diversidade sexual, a partir da análise de um disco do ex-vocalista do Suede, a bichaça louca e linda que é Brett Anderson, uia!). Mais, só esperando o livro sair ou indo nos arquivos do portal Dynamite online, né?

 

* Outro recuerdo dos últimos anos: onde você estava em fevereiro de 2006? O autor deste blog estava exatamente aqui:

Fevereiro de 2006: o U2 trouxe a mega turnê “Vertigo” ao Brasil, e Zap’n’roll foi ao show no estádio do Morumbi, em Sampa. Essa é uma das muitas histórias que estarão compiladas no livro do blog, a ser lançado até o início de 2013

 

* NO BRASIL, QUEM TEM MAIS $$$ CHORA E MORRE MENOS – mudando um pouco o foco destas linhas poppers bloggers, vamos comentar o assunto que foi pauta durante quase toda a semana nos telejornais das grandes redes de tv: a transferência do filho do cantor Leonardo, do hospital onde ele estava internado em Goiás, para o Sírio Libanês, aqui em São Paulo. Todo mundo sabe, o também cantor Pedro sofreu um gravíssimo acidente de carro após fazer um show em Minas Gerais e, desde então, está internado em coma induzido. Foi transferido ontem para SP, porque aqui os recursos para tratar caso clínico tão delicado são maiores e melhores.  Até aí, nada demais. A família, com recursos financeiros de sobra, fez o que achou melhor para tentar salvar a vida do rapaz – transferência até São Paulo em jatinho particular, UTI móvel particular etc. E o blog deseja sinceramente que o filho do cantor Leonardo se recupere plenamente. Agora, o que espanta e admira absurdamente neste episódio todo é a MOBILIZAÇÃO DE GUERRA que foi feita em SP quando o cantor acidentado chegou aqui: fechou-se uma das FAIXAS da avenida 23 de maio (uma das principais da capital paulista, e que vive com problemas sérios de congestionamento) para que a ambulância pudesse ir rapidamente do aeroporto de Congonhas ao hospital. Ambulância que ainda foi acompanhada por BATEDORES da polícia militar. A pergunta: em que pese seu delicadíssimo estado clínico, o artista é alguma autoridade pública para seu translado ter recebido essas regalias? Já que a família tem recursos financeiros disponíveis, não seria mais viável fazer o transporte do paciente do aeroporto até o hospital de helicóptero, evitando assim mais transtornos ao já caótico trânsito paulistano? E, por último: ricos conseguem cuidar bem dos seus entes queridos em um momento de mega urgência médica. E os pobres desse país? Se fosse um João, José ou Mané qualquer em situação semelhante? O que iria acontecer com ele? Iria morrer na sala de espera de alguma emergência de PS público superlotado? Ou na fila de algum posto de saúde, como vemos diariamente reportagens nos mesmos telejornais dando conta da morte de idosos, crianças e gestantes em parto de risco e que precisavam igualmente de atendimento URGENTE, como o filho de Leonardo precisou? Esse é o Brasil, infelizmente. Aqui, quem tem mais $$$, chora – e morre – menos.

 

* E voltando ao rock, demolir mitos é com a zapinha mesmo, hihihi. A pergunta que não quer calar: pra quê colocar o velho punk John Lydon na capa da NME (aí embaixo) desta semana? O semanário inglês não tinha assunto melhor?

 

* Se não tinha, este blog tem, e como! Esta semana a funkeira Valesca Popozuda disponibilizou na web o áudio de sua mais nova “obra prima”. A romântica canção se chama singelamente “Mama” e conta, ainda, com a participação do MC Catra (wow!). Veja – ou ouça – aí embaixo que primor de erudição desta nova obra-prima do cancioneiro pop brazuca, uia!

 

Essa vadiaça cadeluda aí em cima é uma putaça sem igual e deve dar a xota até o cu fazer biquinho, uia! Valesca Popozuda, a rainha do funk pornô, mostra como se faz em seu novo “hit”, “Mama”

 

* Não entendeu direito a letra? O blog reproduz alguns trechos pro seu dileto e liberal leitorado, sem problema algum: “Quando te vi de patrão/Logo encharcou minha xota/E ali percebi/Que piscou meu cu/Quando a piroca tem dono/É que vem a vontade/De foder/Então mama!/Pega no meu grelo e mama!/Me chama de piranha na cama/Minha xota quer gozar, quero dar!/Puxei sua calcinha de lado/E dei três cuspidas pro meu pau entrar/Mama, pega na minha vara e mama!”. Valesca e Catra: gênios!

 

* Brasileiro é ótário e merece se foder, de verdade. É a conclusão que se chega quando a assessoria da turnê de Velhonna, ops, Madonna no Brasil (que vai acontecer no final deste ano) informa que os tickets para a indecente e famigerada pista Premium, no show de São Paulo (dia 4 de dezembro, no estádio do Morumbi), já se esgotaram. Detalhe: o preço do ingresso nesse setor era 850 pilas. Ou seja: ir a shows de rock ou música pop no Brasil, hoje, virou sinônimo de ostentação fútil. O público reclama mas no final acaba pagando. Enquanto isso as produtoras de mega eventos seguem cobrando preços extorsivos (afinal, há quem pague por eles), e rindo da nossa cara e cagando em nossas cabeças. Lamentável.

 

* E, bien, a nostalgia rocker continua. Quarta-feira da semana que vem tem o grande Noel Gallagher em Sampa. E aí embaixo tem as impressões do blog sobre o disco que marca a volta do Spiritualized.

 

O SPACE ROCK DO SPIRITUALIZED VOLTA MENOS CHAPADO
Banda cultuadíssima na Inglaterra dos early 90’, o Spiritualized nunca havia encerrado oficialmente suas atividades. Mas o grupo liderado pelo compositor, guitarrista e vocalista Jason Pierce e que iniciou sua trajetória em 1990 (após Pierce deixar o line up de outra lenda do rock britânico da época, o Spaceman 3), não lançava disco inédito desde 2008. Bien, o hiato acabou: o Spiritualized lançou na Inglaterra há dez dias seu novo álbum de estúdio – o sétimo trabalho inédito nestas duas décadas de atividade. “Sweet Heart, Sweet Light”, o disco em questão, não deve ganhar edição nacional. Mas já flutua no espaço da web há semanas. E já foi ouvido algumas vezes pelo blog, que apenas agora se animou a comentar o dito cujo.

 

Compositor talentoso e com fama de doidão, Jason Pierce já havia conquistado uma certa notoriedade quando integrou o Spaceman 3, banda que aliava a chapação psicodélica estimulada por ácido e maconha com a distorção noise nas guitarras, à la Jesus & Mary Chain. Porém, o grupo nunca foi um estouro mercadológico e se tornou muito mais uma cult band do que um sucesso de vendas. Vai daí que Jason se cansou dessa vida de “rock star cult porém durango” e um dia pulou fora do barco. Foi montar o Spiritualized.

 

Que não era lá assim tão diferente do Spaceman 3. Um pouco menos noise e mais chapadão, talvez. Mas após lançar dois discos bacaninhas, Pierce e seus acólitos acertaram na mosca quando editaram, em 1997 (o mesmo ano de um certo “Ok Computer”, de um certo Radiohead), o fodástico “Ladies & Gentlemen, We Are Floating In Space”. Espécie de “ópera rock psicodélica”, o disco encantou a crítica especializada, alucinou os fãs e tornou o Spiritualized um dos nomes hot do então rock britânico. Mas ficou nisso: nos anos seguintes, a banda foi demorando cada vez mais para lançar novos trabalhos. E nenhum deles foi tão festejado quanto “Ladies & Gentlemen…”.

 A capa do novo álbum do Spiritualized: menos chapadão, mais calminho

 

O grupo poderia ter acabado há alguns anos, e ele teria garantido seu nominho na história do rock com o seu acachapante álbum de 1997. Mas Jason Pierce, no final das contas, nunca quis pendurar as chuteiras em definitivo. O que nos traz até este “Sweet Heart, Sweet Light”.

 

Trata-se de um álbum bem menos chapado e doidão do que a banda era, digamos, há década e meia. Sim, Jason Pierce continua hábil em compor ambiências bucólicas e algo psicodélicas. Mas aqui ele exagerou: a maioria das canções é longa demais, faltam guitarras no disco e sobram orquestrações e dolência vocal e melódica. Não por caso o melhor momento do cd talvez seja “Little Girl”, com seus menos de quatro minutos de duração. E o primeiro single, “Hey Jane”, ameaça reeditar novamente a combinação psicodelia/guitarras noise. Seria perfeita e o grande trunfo do novo trabalho, se ela não se alongasse por intermináveis nove minutos.

 

Claro, quem é fã vai amar músicas como “Get What You Deserve” ou “Life Is A Problem”. Mas Pierce, que está com quarenta e seis anos de idade, parece ter encaretado. Talvez ele precise voltar a tomar dorgas novamente, pra realmente compor um disco doidaralhaço e mais chapado e rocker. Afinal, a concorrência lá fora anda brava. E como…

 

NADA SURF REVIVE O INDIE GUITAR 90’ EM SHOW LONGO E NOSTÁLGICO
Ah, a nostalgia de tempos que não voltam mais… Parece que foi ontem que os anos 90’ estavam aí, com o indie guitar rock americano dominando o mundo e o Nada Surf estourando com seu primeiro disco, “High/Low” (aquele mesmo, do garotinho em cima de uma bicicleta e mergulhando em uma piscina, lançado em 1996) e o “semi hit” indie “Popular”. Bien, os anos se passaram – duas décadas, pra ser mais exato. Mas o Nada Surf continua uma banda empolgante ao vivo. E mostrou isso para um público sedento dessa nostalgia noventista, na gig realizado ontem no Cine Jóia, em São Paulo. A casa estava quase lotada (isso, em uma modorrenta quarta-feira). E os fãs assistiram a quase duas horas de show.

 

Não foi a primeira vez que o Nada Surf veio ao Brasil. A primeira visita foi há oito anos, em 2004. E este repórter/blogueiro tem muitas recordações daquele show, realizado em São Paulo no extinto Espaço Urbano, no bairro de Pinheiros. Tinha sido um ano turbulento na vida do autor deste texto: ele havia perdido sua saudosa mama Janet, e estava em fim de um longo namoro com a gigante negra Thaís (que também tinha ido ao show). A turnê era a do álbum “Let Go”, que havia saído dois anos antes. E o Nada Surf (que nasceu trio mas há anos excursiona com a adição de um guitarrista e um tecladista/trompetista extras) havia conquistado uma boa legião de fãs brasileiros, amantes do indie guitar ora bucólico ora mais garageiro engendrado pela dupla que comanda o grupo até hoje – o guitarrista, vocalista e compositor Matthews Caw e o baixista Daniel Lorca. O show foi mais intimista naquela época, mais introspectivo talvez. E relatar aqui tudo o que se passou naquela madrugada, renderia tranquilamente um mini diário sentimental no blog zapper.

 

Foi pensando nisso tudo que adentramos o Cine Jóia, para conferir a nova gig dos nova-iorquinos. De cara, a incômoda sensação de um certo tédio dominando o íntimo deste já algo “tiozinho” repórter (estaríamos nós velhos demais para o rock’n’roll? Afinal, antes de a gig de ontem ter início Zap’n’roll, que também escreve esta resenha para a página de notícias do nosso portal, já havia manifestado a pelo menos dois amigos seu “tédio” por estar ali, além de considerar que já está ficando algo enfastiado de ir a shows e festivais de rock. Será???). Sensação que começou a se dissipar apenas quando a banda de abertura, Os Selvagens A Procura De Lei, subiu ao palco por volta das dez e meia da noite. Com um indie rock melódico, mezzo beatle em algumas levadas, bons vocais e boas letras em português, os Selvagens são de Fortaleza, tem um disco lançado (“Aprendendo a mentir”, de 2011) e um clip legal rodando na MTV e no YouTube (para a música “Mucambo Cafundó”). Fizeram um bom “aquecimento” para um público algo indiferente e que ainda estava chegando ao Cine Jóia.

 

Mas quando os “donos” da noite subiram ao palco, o clima mudou bastante no novo espaço de shows da capital paulista. Com a casa já quase lotada, o Nada Surf abriu o set com duas faixas do seu novo disco, o recém-lançado “The Stars Are Indifferent To Astronomy” (que saiu em janeiro deste ano lá fora e que acaba de ganhar edição nacional via Inker, a também produtora da turnê). A galera recebeu bem as músicas (ainda desconhecidas da maioria), mas a primeira explosão de alegria coletiva se deu mesmo quando a banda disparou a contagiante “Happy Kid”, hit do álbum “Let Go”. Daí em diante o grupo foi alternando faixas de todos os seus sete discos de estúdio lançados até hoje, e mostrando uma disposição incomum para um conjunto que já tem exatos vinte anos de existência, em tocar por quase duas horas seguidas – incluso aí um generoso bis de quatro músicas, onde não faltou o hit “Popular” (cantado em coro pelo público) e duas canções do bom álbum “The Weight Is A Gift” (lançado em 2005): “Always Love” e “Blankest Year”.

 

Foi um set bacana, enfim. E bastante nostálgico (o que já ficou claro pelas músicas tocadas no PA do local, antes de o Nada Surf entrar em cena. Uma seleção de faixas do Sonic Youth, Smashing Pumpkins, Jane’s Addiction e outras lendas do guitar rock dos 90’), no final das contas. Já vai longe o tempo em que ninguém conhecia o Nada Surf por aqui (o autor desta resenha mesmo conheceu a banda ao ler sobre ela em algum momento do início dos anos 90’, na extinta coluna “Escuta Aqui”, que era publicada às segundas-feiras no caderno Folhateen, do jornal Folha De S. Paulo). Nestas quase duas décadas o Nada Surf ameaçou se tornar “grande” nos Estados Unidos, manteve os pés no chão, lançou discos regulares, continuou independente e talvez hoje tenha mais fãs no Brasil do que nos Estados Unidos. E Matthews Caw, aos quarenta e quatro anos de idade, ainda mantém o pique de um pós-adolescente em cima do palco. Ele sabe, tanto quanto nós, que rock’n’roll e nostalgia caminham juntos muitas vezes. E que podem eventualmente rejuvenescer quem curte ambos.

 

* Não viu o Nada Surf ao vivo, ainda? Programe-se então: os americanos tocam sábado, 28/4, em Curitiba (no Music Hall), domingo, 29, em Florianópolis (no John Bull), dia 2 de maio no Rio (no Circo Voador), dia 4 em Belém do Pará (no hotel Gold Mar, e onde terão abertura dos sensacionais Baudelaires, uma das melhores bandas indies brasileiras dos anos 2000’, e que está prestes a lançar seu novo disco pelo selo Pisces Records) e fecham a turnê brasileira no dia seguinte em Fortaleza, com gig no Órbita Bar.

 

* E olha só, atenção total povo! Em promo relâmpago feita em parceria com a produtora Inker, a Zap’n’roll e o portal Dynamite tem, aqui e agora:

 

* UM PAR DE INGRESSOS para o show do Nada Surf no Circo Voador, no Rio De Janeiro, na próxima quarta-feira, dia 2 de maio. Pra concorrer, já sabe: e-mail AGORA pro hfinatti@gmail.com, sendo que o (a) ganhador (a) será avisado por e-mail até a próxima terça-feira, feriado em si, no?

 

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Falando em metal, yep: já saiu a lista de quem vai na faixa daqui a pouco no showzão do Anthrax, em Sampa. Luciano Terriaca, Tatiana Ramos, Rodrigo Ramos, Valentim Der Meer, Vanessa Paulini e Luiz Patolli já foram devidamente comunicados por e-mail e a essa altura devem estar enfrentando um belo congestionamento a caminho do HSBC Brasil, hehe. Bom show, galere!

 

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O FRACASSO DO MOA MOSTRA COMO NÃO SE FAZER UM FESTIVAL
Ok, ok, todo mundo já sabe o que rolou na semana passada no Maranhão, durante a (não) realização do Metal Open Air, que pretendia ser “o maior festival de metal da América Latina”. Acabou se tornando o maior fiasco e a maior pilantragem do show business brazuca em décadas.
Quem acompanha estas linhas rockers online há anos sabe que Zap’n’roll não morre de amores pelo heavy metal, o gênero do rock que o autor deste blog considera como sendo, hoje, o mais obtuso, conservador, reacionário e menos criativo de todo o rock’n’roll. Logo, nem deveríamos estar perdendo tempo para escrever um texto analisando o que aconteceu em São Luis. Mas o desastre que foi o MOA merece, sim, algumas observações destas linhas bloggers.

 

Durante décadas o Brasil sofreu com a ausência de grandes shows de rock internacionais por aqui, e o zapper já quase com 5.0 de existência se lembra muito bem desse período. Nos início dos anos 80’, por exemplo, pode-se contar nos dedos as grandes bandas de rock que aqui aportaram para fazer gigs. Foram o Queen (no estádio do Morumbi, em Sampa, em 1981), o Van Halen (em 1983, com shows em São Paulo, Rio e Porto Alegre), o Kiss (também em 1983, no Rio De Janeiro e em São Paulo) e mais alguns poucos menos votados. O blogger rocker, então ainda um pirralho que nem jornalista era, esteve em todos esses shows. Era uma época em que não existia internet e que não existiam sequer telões nos locais das apresentações. Se você fosse assistir a um show no Morumbi da arquibancada do estádio (como foi o caso de Zap’n’roll, no show do Queen), tinha que usar binóculo, sério. A estrutura de som e luz do palco era a possível para a época. Mas enfim o show rolava e a galere, sedenta de atrações gringas bacanas, se esbaldava de piração e satisfação.

 

Havia poucos shows de peso internacionais no país porque o Brasil não era visto com bons olhos diante do business rock planetário. Os gringos desconfiavam de tudo em relação a nós: da capacidade de organizarmos de maneira eficiente um evento, dos equipamentos de som e luz utilizados e, principalmente, da capacidade de honrarmos contratos e efetuarmos os pagamentos dos cachês. Foi preciso que um certo Roberto Medina (esse crédito ele merece) entrasse em cena, organizasse com eficiência um mega festival (a primeira edição do Rock In Rio, em 1985), para que tudo mudasse. O RIR deu tão certo e foi realizado com um profissionalismo tão espetacular – e, até então, inexistente nesse tipo de evento no Brasil –, que produtores e empresários gringos de rock e música pop passaram a enxergar o país com outros olhos. As bandas, a partir de então, começaram a fazer fila para querer se apresentar aqui.

 

Quase três décadas se passaram. O Brasil, hoje (já há um bom tempo, aliás), está totalmente integrado ao circuito mundial dos grandes eventos musicais. As produtoras se profissionalizaram ao máximo, os equipamentos utilizados nas apresentações são de última geração, o calendário anual de shows é intenso e aqui rolam festivais de peso como o Planeta Terra, o RIR, o SWU ou a recente primeira edição do Lollapalooza Brasil. Tudo isso ajudou a mudar a imagem do país na área de grandes espetáculos, sendo que hoje o Brasil tem uma das melhores reputações no circuito pop mundial.
Mas aí entrou em cena o malfadado Metal Open Air…

O linguarudo e velhusco Gene Simmons: ele vinha ao MOA. Vinha…

 

O festival, programado para acontecer no último final de semana em São Luis, capital do Maranhão, tinha tudo para ser um grande evento. Escalação com nomes de peso (como Gene Simmons, Megadeth, Anthrax e mais quarenta e tantos artistas, nacionais e internacionais), shows durante três dias etc. Deu tudo errado: as duas produtoras responsáveis pela organização do festival (uma tal de Lamparina e uma outra, chamada Negri Concerts, esta sediada em São Paulo) não pagaram os cachês combinados com as bandas, não disponibilizaram passagens, vistos de entrada no país e zilhões de etcs para os grupos estrangeiros, não pagaram os valoes combinados aos fornecedores de som, luz e segurança do evento e o resultado foi o esperado: das mais de quarenta atrações programadas para tocar no MOA, apenas treze subiram ao palco – o restante dos grupos desistiu de tocar. O festival começou na última sexta-feira com mais de sete horas de atraso. No domingo, foi cancelado de vez. O público presente (havia metaleiros vindos do Amapá e até de São Paulo) foi tratado literalmente como gado, já que a “área de camping” e “alimentação” do MOA estava localizada em estábulos de animais (!!!) na fazenda onde festival foi precariamente realizado nas duas primeiras noites.
Zap’n’roll nunca havia ouvido falar nem da Lamparina e tampouco da Negri Concerts. De ondem surgiram estas duas empresas? Qual o histórico e o cacife que ambas possuíam/possuem para se aventurar a fazer um evento dessas proporções? Qual a experiência de ambas no ramo? São perguntas que todos estão fazendo. E mesmo que as respostas não surjam (e nem deverão surgir pois as duas empresas se acusam mutuamente pelo fracasso retumbante do Metal Open Air), as duas responsáveis pelo fiasco do Maranhão pelo menos deixaram uma bela lição: a de como NÃO se fazer um festival de rock de tamanhas proporções.

 

Se isso pode abalar novamente a credibilidade do Brasil no circuito internacional de shows? Sim e não. Sim, porque bandas e empresários gringos pensarão duas vezes quando forem contatados por produtoras nacionais desconhecidas e que não tem tradição no mercado de shows. E não porque, felizmente, hoje existem no país produtoras sérias, mega responsáveis e que já têm enorme experiência na realização desse tipo de evento. Tanto que ainda em 2012 teremos novas edições do Planeta Terra e do SWU em Sampa, shows de Madonna etc.

 

Infelizmente o Maranhão pagou o preço da incompetência de duas produtoras de eventos de fundo de quintal, e que se aventuraram em fazer algo além do que poderiam gerenciar – e isso não tem nada a ver com o fato de o festival ter sido programado para acontecer em um Estado nordestino, o fiasco poderia ter acontecido em qualquer outro lugar do país. As lições deixadas pelo fracasso do MOA estão aí. Que sejam aprendidas, para que um vexame desse naipe não volte mais acontecer no país do eterno carnaval mas que também é do rock’n’roll.

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA
* Disco: “Unrest” é a estréia em cd do trio paulistano Single Parents, integrado por Fernando Dotta, Anderson Lima e Rafael Farah. O disco, que já circula na web há algum tempo, agora ganhou caprichada edição em sua plataforma física. É indie rock de guitarras pra quem curte anos 90’ (yeah, novamente!), como Sonic Youth, Nirvana e até algo de Teenage Fanclub nas passagens mais calmas. As treze faixas, gravadas em um estúdio em Nova York, são bacanas (notadamente “Scape” e  “Ecstatic Pleasures”, que fecha o álbum), todas cantadas em inglês e o SP acaba se mostrando um dos melhores grupos da atual indie scene nacional. Pode ir atrás que vale a pena! Mais sobre a banda, vai lá: http://www.facebook.com/humberto.finatti/posts/354678684579802?ref=notif&notif_t=share_comment#!/thesingleparents .

O trio paulistano Single Parents: vassalagem ao guitar rock noventista

 

* Mini baladenhas do feriadón: pois entonces, postão sendo finalizado em pleno domingão, no meio de um mega feriado, uia! Ficou em Sampalândia e não sabe o que fazer da vida? Então corre pro Beco203 (lá na rua Augusta, 609, centrão de Sampa), que hoje rola a primeira das festas que comemoram os quinze anos do selo Pisces Records. Vai ter showzaço do Doutor Jupter e do The Salad Maker, além de DJ set zapper. Depois, ainda dá pra esticar a noitada na super balada Grind, comandada por André Pomba na Loca (que fica na rua Frei Caneca, 916, Consolação, centro de São Paulo).///Segundona véspera do feriado em si? Cai pro reaberto (e muito bom) , rolar noitada rocker de responsa, lá na rua Conselheiro Ramalho, 873, Bixiga, centro de Sampalândia. É isso. Se joga na night porque a vida é curta, mon amour!

 

 

NADA SURF NO RIO QUER VOCÊ!
E como! Já falamos aí em cima, mas vamos repetir: corre no hfinatti@gmail.com, que está dando sopa por lá

 

* UM PAR DE INGRESSOS pro show do Nada Surf no Rio, nesta quarta-feira, 2 de maio, no Circo Voador. O nome do (a) vencedor (a) da promo sai na terça-feira, feriado em si, e quem ganhar será comunicado por e-mail com as devidas instruções pra ir ao show, ok?

 

É isso, povo.

 

AGORA CHEGA!
Que o post já tá grandão e o feriado está longe de acabar. Na sexta que vem, estamos aqui novamente, palavra de blogger responsável, hihi. Bye!

 

 (atualizado e finalizado por Finatti em 29/4/2012, às 18:30hs.)

Ulalá! O novo disco do… Van Halen!!! (quem diria que um dia o blogão iria falar deles, hihi). E o incrível disco do Howler. E os neo folks (agora vai!), a volta do Prêmio Dynamite e mais isso e aquilo, além da volta de tickets free pra shows bacanas

O velho e o novo: Van Halen (acima) e Howler (abaixo) mostram que ainda existem discos sensacionais sendo lançados no rock mundial

Novamente: a vida é dura.
E como… frio de matar na Europa, Espanha se desmantelando economicamente, calor de derreter em Sampa, o sujeito aqui com preguiça eterna de completar seus posts na Zap.com (e ok, aqui vai um mea culpa: semana passada o post acabou ficando pela metade por puro excesso de, hã, ócio do autor destas linhas rockers bloggers, que ainda queria desfrutar de mais alguns momentos de “férias”. Pois hoje, sabadão já em si, o postão entra completo, incluso aqui os assuntos que ficaram faltando na semana passada), ministros que continuam sendo defenestrados do governo de miss Dil-má (para usar a grafia do querido “tio” Pomba, hihi), a blogueira cubana sem poder sair da ilha dos Castro pra vir ao Brasil etc, etc, etc. Resta então voltar os olhos e a fé para a cultura pop e o rock’n’roll. Que, apesar da imensa irrelevância que tomou conta de ambos de tempos pra cá (e isso se reflete também e inclusive nas publicações voltadas à cobertura da música pop: é bastante sintomático que a matéria mais interessante da edição de janeiro de 2012 da Rolling Stone Brasil, seja uma radiografia histórica do inesquecível gigante punk The Clash), ainda pulsa com vontade. Esta semana mesmo, que chega ao fim hoje, foi bastante agitada com o anúncio do novo álbum da eterna deusa Madonna, com o novo disco do gigante hard Van Halen (que já “escapou” por toda a web, mesmo nesses tempos bicudos de tentativa de repressão à liberdade na rede e aos sites de troca de arquivos digitais) e mais uma renca de paradas. Por isso mesmo aqui estamos novamente, a todo vapor e com postão comentando tudo isso da forma beeeeem particular que você só lê na Zap’n’roll. Bora ler o post então e, à noite, cair na putaria rocker sem fim, claaaaaro!

* A vida é dura, II: enquanto o Van Halen segue feliz com seu bombado comeback, disco novo e total inédito bacanudo saindo no próximo dia 7 de fevereiro (a velha versão em cd, óbvio; como já foi dito mais acima, o álbum já vazou total e pleno na internet), o batera Bill Ward botou a boca no trombone e disse que não vai mais participar da reunião do Black Sabbath original, que prevê disco inédito e turnê para este ano. O motivo, claro, é $$$ (sempre). Ward divulgou uma looooonga carta pública onde expõe os motivos pelos quais não pretende gravar o novo trabalho ao lado de Ozzy, Tony Iommi e Geezer Butler. Mas deixa claro que está aberto a negociar e reconsiderar sua decisão. No entanto, os outros três é que parecem não estar muito aí pra decisão do batera.

* A vida é bela, uia! E como, ainda mais pro nosso dileto leitorado e que vive ligado nas promoções legais do blog. Pois está dada a largada para o festival de promos que vai agitar estas linhas online em 2012. O blogão que não dorme em serviço acaba de fechar uma parceria bacana com a produtora paulistana TopLink e, por conta disso, vai por na roda dezenas de ingressos pra sorteio de shows que a TopLink irá realizar em Sampa ao longo de 2012. E a primeira promo é sobre a gig que uma certa lenda do gothic rock, que toca em março na Via Funchal. Dá uma lida lá no final do post e você saberá de quem se trata, hehe.

* A vida é bela, II e pra você marcar na sua agenda: 17 de março, sábado tem showzaço dos Forgotten Boys no Clube Outs/SP, para lançar seu novo e fodíssimo álbum “Taste It”. De quebra, DJ set arrasadora de Zap’n’roll. Vai ser a famosa noite “arrasa quarteirão”, claaaaaro!

Os “Garotos Esquecidos” lançam seu novo disco na Outs/SP no próximo dia 17 de março, com discotecagem do blog

* Voltando aos “véios” (ou “véias”, rsrs), Vaconna, ops, Madonna está aí com seu novo disco, “MDNA” que sai mês que vem no mundo todo. O primeiro single do álbum, “Give Me All Your Luvin”, já bomba feliz nas MTVs e YouTube desde a tarde de ontem. A música é ok e lembra bastante o electro-pop que a cantora fazia nos anos 80’, acrescido de um toque “muderno” (a faixa tem a participação de Mia, além de um trecho final cantado em forma de rap). Yep, não dá pra comparar com os clássicos já criados por ela, mas ainda assim tá valendo. E além disso é impressionante constatar como a loiraça, mesmo estando com mais de cinqüenta anos de idade, continua um bocetaço.

* O clip de “Give Me All Your Luvin” é esse aí embaixo:

* OS NOVOS FOLKS ATACAM – dos gêneros mais amados, influentes, engajados e cultuados da história da música pop, o country folk rock continua vivo e forte no novo milênio. E uma renca de bandas atuais segue escrevendo a saga de um estilo que teve seu auge nos anos 60’ com as canções ultra politizadas de gênios como Bob Dylan, e atravessou as décadas seguintes se imiscuindo na obra de bandas hoje lendárias, como o REM. Claro, o country folk de hoje é muito diferente daquele que era cantado por Dylan no início de sua carreira. Do chamado country experimental do grande Wilco ao folk mais rock e eletrificado dos Decemberists ou do Blitzen Trapper, e passando por bucolismos melódicos como o do Fleet Foxes, há espaço para diversas tendências e nomes dentro de um mesmo estilo. E dentre estes, talvez o nome preferido destas linhas zappers seja mesmo o do quinteto americano Blitzen Trapper, liderado pelo vocalista, guitarrista e compsitor Eric Earley. O grupo existe há mais de uma década, grava pela célebre SubPop (o selo de Seattle que deu o grunge ao mundo) e já lançou seis álbuns de estúdio. O mais recente, “American Goldwing” (editado no ano passado e que você consegue achar com certa facilidade na web) é um escândalo de melodias e harmonias perfeitas, daquelas pra se ouvir no meio do mato ou rodando à toda por alguma estrada perdida, enquanto se chapa o côco com doses de bourbon. Não só: a banda faz a ponte perfeita entre rock e folk, construindo canções com guitarras mais barulhentas e outras onde a dinâmica sonora é conduzida por violões suaves e gaitas. Fora que a inflexão de Earley o inscreve tranquilamente entre os grandes vocalistas do gênero. Pena que para cada Blitzen Trapper também exista uma chatice no nível do Bon Iver: o combo americano liderado pelo vocalista Justin Vernon foi formado há cinco anos e lançou apenas dois discos até o momento. Pois o último deles, homônimo, saiu em junho do ano passado e recebeu resenhas elogiosas na Rolling Stone americana e no inglês The Guardian, o que levou a banda a meio que estourar nas paradas dos EUA no final de 2011. Muito barulho por nada: o folk do Bon Iver é chatão, choroso, meloso e pop demais, sob medida pra tocar em trilhas de filmes românticos e seriados idem, daí a aceitação do som do conjunto pelo populacho médio americano. Melhor que ele é o inglês Mumford & Sons, já comentando aqui nestas linhas bloggers poppers. O quarteto liderado pelo vocalista Marcus Mumford surgiu em Londres, em 2007 e lançou apenas um disco até o momento, o bom “Sigh No More”. Que está longe de mostrar em suas canções algo do chamado folk “purista”. No entanto há ali boas músicas tramadas com banjos, mandolins e gaitas. E Marcus é um compositor bom o suficiente pra não ter criado faixas que resvalam no sentimentalismo piegas. Enfim, com bandas ótimas, médias ou ruins, o country folk rock continua sua saga, em pleno 2012. Que ela dure ainda por muuuuuitos anos!

O americano Blitzen Trapper: dos neo-folks, ele é um dos melhores

* Aí embaixo, três vídeos com os “hits” do Blitzen Trapper, do Bon Iver e do Mumford & Sons:

Blitzen Trapper – “Black River Killer”

 

Bon Iver – “Holocene”

 

Mumford & Sons – “The Cave”

 

* Bien, bien, foram divulgados os preços dos tickets pra ver o deus Morrissey no Rio, dia 9 de março. Os preços vão de 180 a 420 mangos – este, o setor mais caro,é a famigerada pista “Premium”. Ou seja: a produtora da turnê brasileira, a igualmente famigerada XYZ, continua gananciosa como sempre foi e vai na contra-mão de outras produtoras, que estão abolindo essa canalhice de seus shows (haja visto que na última edição do ótimo festival SWU, não houve pista vip na frente do palco). Em Sampa a gig de tia Mozz acontece dia 11 de março, na Via Funchal. E os preços deverão ser mais ou menos por aí mesmo.

* Falando em shows gringos, você ainda se lembra do simpático trio americano Nada Surf? Pois então, ele volta ao Brasil em abril, para dois shows. O primeiro rola dia 25 em Sampa, no Cine Jóia (cujo um dos sócios é o nosso eternamente querido Luscious R., uia!). depois o grupo segue pra gig em Curitiba, no dia 28, no Music Hall. A nação dos indies veteranos comemora desde já, wow!

* Agora, bizarra mesmo é a super volta do Van Halen. E mais bizarro ainda é este blog eternamente indie e inimigo mortal de hard rock e heavy metal, falar do disco aí embaixo. Mas os irmãos Eddie e Alex merecem, como você vai ler.

O TERREMOTO VAN HALEN ESTÁ DE VOLTA!
Não, você não está lendo errado: estas linhas rockers online, eterna e notoriamente inimigas do heavy metal burro e do hard rock brega, abrem espaço para falar da volta do quarteto americano Van Halen e de seu novo álbum de estúdio, “A Different Kind Of Truth”, o décimo segundo disco em quase quatro décadas de estrada. O lançamento oficial, em sua plataforma física (leia-se: o velhusco cd) acontece na próxima terça-feira, nos Estados Unidos e Europa. Em breve, ele também deve ganhar edição brazuca. Na internet, mesmo com toda a guerra contra a “pirataria” na troca de arquivos musicais, ele já circula livre.

Se o trabalho é bom ou não (e trata-se de um disco ok, como você vai ler mais adiante), é uma questão menor nesse momento. O que chama a atenção no comeback do VH é que, diferentemente de outros zilhões de grupos velhacos dos anos 70’ que retornam simplesmente pra faturar alguns milhões de dólares a mais nas costas de fãs igualmente velhacos e saudosistas (além das novas gerações de fãs), o quarteto liderado pelos irmãos Eddie (guitarras) e Alex (bateria) Van Halen se reuniu ao vocalista original Dave Lee Roth também por um certo amor ao hard rock classudo que eles sempre produziram. Não à toa, gravaram um disco com treze faixas inéditas e vão cair na estrada, na turnê de divulgação do mesmo. E é obvio que nas gigs não faltarão uma batelada de hits da banda. Mas as músicas do novo disco deverão ganhar bom destaque porque elas são boas.

O VH, para o nosso dileto e muito jovem leitorado que não conhece os primórdios do grupo, surgiu no início dos anos 70’na Califórnia, quando os manos holandeses Eddie e Alex se uniram ao vocalista Dave Lee Roth e ao baixista Mike Anthony. A famosa “química” entre os quatro foi instantânea e em 1978 veio o primeiro álbum, homônimo. Enquanto na Inglaterra o punk varria as ruas de Londres, nos EUA o hard rock cafona e espalhafatoso é que dominava as paradas de disco. E foi aí que o Van Halen mostrou seu diferencial e sua força: além de fazer um hard rock nada cafona e extremamente bem-humorado, o conjunto ainda não se levava a sério de forma alguma, ao contrário de outros zilhões de grupelhos que eram a quintessência da ignorância musical e se achavam o máximo. O disco de estréia do VH era uma porrada, vendeu horrores, a crítica caiu de joelhos diante da banda e eles se tornaram um dos maiores nomes do rock americano de então, sendo que Zap’n’roll (naquela época um adolescente dos seus dezesseis anos de idade), ainda imune aos acordes básicos do punk, caiu de amores pelo quarteto dos irmãos Van Halen.

O novo álbum do Van Halen: o primeiro inédito em catorze anos

Foram mais quatro discos fodásticos com Roth nos vocais. O grupo tocou no Brasil em janeiro de 1983 (em Sampa e no Rio; na capital paulista, para um ginásio do Ibirapuera lotado e onde estava o autor deste blog, que já sonhava em ser jornalista musical mas ainda estava longe de começar na profissão), lançou mais um discaço um ano depois, Dave Lee Roth se desentendeu com os irmãos e caiu fora, o mala e brega Sammy Hagar entrou em seu lugar, a banda começou a lançar discos cada vez mais pop e continuou faturando horrores e o resto quem conhece a trajetória deles já sabe. Em 1996 foi a vez de Hagar também cair fora e em seu lugar entrou – pasmem – Gary Cherone, que um dia cantou naquele horror chamado Extreme (alguém se lembra daquilo?). Foi o fundo do poço pro Van Halen, óbvio.

E agora, depois de muita conversa e negociação Dave Lee Roth retornou aos vocais e a banda volta com sua formação quase original – no lugar de Mike Anthony está Wolfgang Van Halen, por acaso sobrinho de Eddie. O novo álbum é o primeiro de inéditas em catorze anos (!). E é um ótimo disco, pra uma banda cujos integrantes estão na casa dos cinqüenta e cinco anos de idade. Antes de querer soar contemporâneo ou “muderninho”, o Van Halen preferiu manter os mesmos procedimentos musicais que celebrizaram o conjunto: as melodias pra cima e bem-humoradas estão lá, conduzidas pela guitarra acelerada mas impecável de Eddie (que não economiza naqueles solos de dedilhados meteóricos). E enquanto Roth continua com o seu vocal espalhafatoso, histriônico, fanfarrão mas poderoso de sempre, Eddie e Alex fazem aqueles corinhos ao fundo. Há ótimas músicas no disco, como “Tattoo” (o primeiro single de trabalho, já com farta execução na MTV e no YouTube), “She’s The Woman” e a incrível “Stay Frost”, onde violões com levada flamenca (que Eddie sempre curtiu) se contrapõem às guitarras em fúria que conduzem a melodia.

Há, claro, algumas bobagens aqui e ali. E as letras escritas por Roth continuam versando sobre nulidades existenciais. Mas enfim, é o bom e velho Van Halen de volta. Em um mundo onde o rock e a música pop se tornaram quase que totalmente irrelevantes, é muito bom ver que alguns tiozinhos ainda sabem fazer direito esse negócio chamado rock’n’roll.

O TRACK LIST DO NOVO VAN HALEN
1. “Tattoo”
2.”She’s the Woman”
3.”You and Your Blues”
4.”China Town”
5.”Blood and Fire”
6.”Bullethead”
7.”As Is”
8.”Honeybabysweetiedoll”
9.”The Trouble with Never”
10.”Outta Space”
11.”Stay Frosty”
12.”Big River”
13.”Beats Workin'”

 

O HOWLER É INCRÍVEL, BOTE FÉ

Yep. Você pode acreditar no que estas linhas zappers vão falar agora: cinco moleques montam uma bandeca de rock em Minneapolis, nos EUA, há menos de dois anos. Som garageiro, guitarras em fúria, vocais mezzo graves e com inflexão oscilando entre o cínico e o irônico. Referências imediatas: rock’n’roll básico, surf music, algo de Strokes. De repente, todo mundo começa a falar nos garotos. E surge mais um hype no rock atual, tão dizimado por bandas que não valem absolutamente nada e que irão desaparecer depois que tiverem seus quinze minutos de fama.

Capa do disco de estréia do Howler: rock fodão!

Só que neste caso, o do Howler, a esperança é que o hype dure bem mais que quinze minutos. Sério, o primeiro disco do quinteto, “America Give Up” (que saiu lá fora há menos de três semanas e pode ser encontrado fácil na web) é uma cacetada e justifica todo o falatório em torno do grupo. Músicas rápidas, guitarras em fúria, um vocalista (Jordan Gadesmith) que é a personificação da ironia blasé, melodias contagiantes (daquelas ótimas pra pular ao vivo ou dançar ensandecidamente na pista) e um frescor e fúria adolescentes inerentes a todo bom grupo de rock que se preza fazem do Howler talvez a melhor nova banda americana desde… a estréia dos Strokes, lá em 2001.

Se o conjunto vai manter o pique e continuar assim nos próximos discos, é outra história (vejam só o que aconteceu com Julian Casablancas e Cia após eles lançarem uma obra-prima logo na estréia em disco). De modos que o melhor mesmo é curtir a banda agora. Ainda mais que eles vêm ao Brasil daqui a três semanas: em Sampa o Howler toca dia 24 de fevereiro no Beco.
Nos vemos no show deles.

 

HOWLER AÍ EMBAIXO

No vídeo do bacanão single “Back Of Your Neck”

A VOLTA TRINFUAL DO PRÊMIO DYNAMITE
Não é todo dia que uma premiação dedicada à música independente brasileira chega aos dez anos de existência. E isso ainda mais em tempos de internet, sites, blogs, podcasts, webradios etc, etc, onde tudo é tão veloz, efêmero e descartável.

Pois o Prêmio Dynamite de Música Independente chega a 2012 completando uma década de existência. Uma década onde outras premiações e eventos semelhantes surgiram e desapareceram sem deixar rastro. Claro, houve dificuldades nessa trajetória – a entrega dos troféus foi interrompida nos últimos dois anos, por questões financeiras e por falta de patrocínio adequado. Mas agora, contando com apoio da Secretaria Estadual de Cultura do Estado de São Paulo, o Prêmio Dynamite está de volta. E promete fazer a maior festa de todas este ano, quando se comemora também vinte anos de circulação da revista Dynamite e uma década de existência do portal Dynamite online.

Para falar de tudo isso, da premiação e sua importância dentro do atual cenário musical independente nacional (que responde, hoje, por 90% da produção musical brasileira), Zap’n’roll foi bater um papo com o idealizador de tudo, o promoter, DJ, jornalista e produtor cultural e musical André Pomba. Abaixo, você confere os principais trechos da entrevista:

O produtor cultural, jornalista e dj André Pomba, criador do Prêmio Dynamite de Música Independente

Zap’n’roll – Faça um resumo rápido da história do Prêmio Dynamite de Música Independente: quando começou, como foi a trajetória dele até agora etc.

André Pomba – O Prêmio Dynamite foi uma idéia minha que surgiu para comemorar os 10 anos da Revista Dynamite em 2002. E também foi uma forma de dar visibilidade à cena musical independente, pois naquela época as gravadoras impunham com muita força seus artistas, sendo que havia pouco espaço para estes artistas no rádio, Tvs, jornais. Foi um evento tão legal, que todos perguntavam se ia ter no ano seguinte e
fomos realizando-o anualmente.

Zap – E agora, uma década depois e quando cerca de 90% da música produzida no país vem da cena independente, onde o Prêmio se insere nesse panorama? Com a derrocada do mainstream musical e a ascensão da distribuição de música via web você acha que o Prêmio, hoje, está em condições de visualizar e acompanhar tudo o que tem sido feito na cena musical independente brasileira?

Pomba – Pois é, você analisou bem pois o mercado todo praticamente virou independente. Mas ele ainda experimenta gargalos na difusão e integração. O Prêmio Dynamite em 2007 teve indicados de todos os 27 estados do país e este tipo de intercâmbio e visibilidade é que torna o Prêmio necessário.

Zap – Por que o evento sofreu uma interrupção nos últimos anos?

Pomba – Quando realizamos o último, perdemos o patrocínio depois de tudo acertado e tivemos um bom prejuízo e decidimos não mais realizá-lo até termos os custos cobertos. Esse ano conseguimos verba através do edital ProAc da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. E tem o fato também da ONG Dynamite ter priorizado o CMIJ – Centro de Música e Inclusão para Jovens (www.cmij.org.br) em 2009 no bairro do Bixiga em São Paulo, aonde um dia funcionou o Carbono 14, reduto contracultural do rock no início da década de 80.

Zap – O que significa que o evento volta com tudo este ano. Assim sendo, o que esperar da premiação em 2012? Quais as novidades, novas categorias etc? Quando e onde será a festa de entrega dos troféus? E como está sendo feito o processo de indicação de quem vai participar da votação pública?

Pomba – Isso mesmo, voltamos com tudo e queremos fazer uma cerimônia de premiação que vai ficar para a história, bem como fazer uma mostra do Prêmio com novos artistas e uma feira cultural. A mostra estamos tentando que seja realizada no Centro Cultural São Paulo, senão será realizada no Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso que fica na Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte da capital paulista. A premiação
estamos tentando que ocorra no Teatro Sérgio Cardoso, senão no próprio CCSP e será realizada em junho de 2012. Mantivemos as 22 categorias que tem uma grande abrangência de gêneros e de quem apóia a música independente, mas como a novidade pela primeira vez de abrimos inscrições para os artistas apresentarem seu trabalho feito em 2010 e 2011 para a curadoria. Os artistas podem se indicar via email premio@dynamite.com.br ou pelo facebook: http://www.facebook.com/groups/premiodynamite2012/. E vou te abrir em primeira mão que prorrogamos as inscrições até 15 de fevereiro de 2012.

Zap – Ótimo. Mas além da indicação própria dos artistas, haverá uma espécie de juri privado que irá enviar sua lista de indicações como nos anos anteriores?

Pomba –  Sim, mas somente na fase final do processo.

Zap – Ok. Pra finalizar, a pergunta que não quer calar e não pode faltar: como idealizador do Prêmio Dynamite como você vê a atual cena independente nacional e os organismos que a gerenciam? É fato que a cena cresceu de maneira espantosa mas ao mesmo tempo tem-se a clara impressão de que sobram músicos e bandas e falta qualidade musical e público para essas bandas. Além disso, entidades como a Abrafin e a ong Circuito Fora do Eixo tem sido pesadamente bombardeadas por supostamente não serem transparentes o suficiente na prestação de contas públicas de suas atividades. Isso acabou gerando descontentamento em boa parte da cena independente e também da imprensa, que passou a detectar nessas entidades os mesmos vícios de conduta e panelinhas que elas tanto odiavam, e que durante séculos dominaram o mainstream musical, que agia de forma extremamente nociva e predatória. Então eu queria que você discorresse sobre tudo isso. Não é um pouco estranho entidades como Abrafin e Fora do Eixo captarem tantos recursos financeiros junto ao Poder Público e não destinar esses recursos para que se pague cachês e transporte aos grupos que participam de seus festivais?

Pomba – Olha, eu realizo o festival Mix Music, que é voltado pra cena LGBT. Alguns anos realizamos na raça ninguém recebe, mas sempre que recebemos apoio, todos os artistas que participam recebem. Mas isso é um festival em São Paulo, com pouca circulação. Um festival realizado fora dos grandes eixos tem custos muito maiores e tem um orçamento bem pesado. E duvido que o patrocínio cubra 100% do orçamento destes festivais. No mundo todo festivais convidam e selecionam novos artistas que as vezes não recebem nem cachê nem passagem, então esse tipo de crítica é muitas vezes enviesada, mas com certeza tem um foco claro na falta de transparência principalmente quando se recebem recursos públicos ou de estatais. Sempre fui um cara que dentro da Abrafin brigou muito por transparência.

Zap – E essa briga surtiu algum efeito positivo? Ao que parece a Abrafin está com uma atuação bastante empalidecida, ofuscada pelo Fora do Eixo, que também está sob pesadas suspeitas de malversação no gerenciamento de festivais e da cena indie nacional como um todo.

Pomba – Me considero mais próximo dos festivais que saíram, e creio que em grande parte a sobreposição do Fora do Eixo com a Abrafin é que gerou essa divisão.

Zap – E na sua opinião qual será o desfecho disso tudo?

Pomba – A criação de uma nova associação de festivais independentes, como um foco menos político.

 

O BLOGÃO  ZAPPER INDICA
* Discos: “America Give Up”, do Howler, e “A Different Kind Of Truth”, do Van Halen.

* Filme: “Millenium – os homens que não amavam as mulheres”. É o novo longa do gênio David Fincher (“Clube da Luta”, “A Rede Social”), está concorrendo ao Oscar e isso já basta pra recomendá-lo (não a indicação ao Oscar, mas o fato de ser mais um longa com a assinatura de Fincher).

* Baladas: com o postão sendo finalizado já nesta calorenta noite de sábado, o blog dá a dica de que estará logo menos lá no Clube Outs (na rua Augusta, 486, centrão rocker de Sampa), pra conferir o sempre bacanudo show do Dance Of Days. Mas fica também o alô: o super DJ André Pomba agora discoteca todas as sextas-feiras no já lendário DJ Club (lá na Alameda Franca, nos Jardins) e as noitadas andam fervidíssimas por lá. Melhor pedida pra próxima sextona, impossível! Se joga, baby!

E CARIDADE DE INGRESSOS PARA AS IRMÃS DA CARIDADE
E não??? O blogão campeão em promos bacanas dá a largada em sua sacola de bondades pra 2012. Aí você faz o seguinte: vai no hfinatti@gmail.com, manda um alô e tenta a sorte pra ganhar:

* TRÊS PARES DE INGRESSOS para o show da lenda gótica Sisters Of Mercy, dia 10 de março em Sampa, na Via Funchal. Uma parceria bacana entre o blog e a produtora TopLink. Tá dentro? Então vai lá no email e se agiliza!

O velho gótico Andrew Eldritch volta ao Brasil em março. E você vai no show por conta do blog

E FUOMOS!
Postão grandão como tudo gosta. Mas agora o sujeito aqui se vai (deixando um super abraço no amigão Marciolínio Jr., que deu as coordenadas sobre o novo disco do Van Halen; e um mega beijo saudoso na sempre amada Helena Lucas, que está em férias no interior paulista), pois o baixo Augusta nos aguarda. E logo após o carnaval começam as mudanças visuais e editoriais aqui na Zap’n’roll, há nove anos acompanhando o rock alternativo e a cultura pop pelo mundo afora. Até a semana que vem!

(enviado por Finatti às 22hs.)