AMPLIAÇÃO FINAL! Contando como foi o show do Gang Of Four no Sesc Pompeia, em Sampa! – Nos quinze anos do blog zapper continuamos publicando posts comemorativos como este, em que destacamos as três décadas do lançamento (celebrados esta semana) de um dos discos mais importantes e clássicos do rock mundial nos anos 80: o álbum “Green”, do gigante, saudoso e inesquecível REM; quem também chega aos trinta anos de existência e lançando um bacanudo novo álbum é o Smashing Pumpkins; mais: os vinte anos do Grind, a domingueira rock mais lendária e bombada do Brasil (e que recebe nesse domingo dj set do blog zapper, “bebemorando” mais um niver do jornalista ainda loker e eternamente rocker!) e o fechamento (infelizmente) do bar e teatro Cemitério de Automóveis e também (novamente) do clássico Matrix Rock Bar; análises sombrias do que aguarda todo o país a partir de 1 de janeiro de 2019, com a chegada ao poder de um presidente e de um governo fascista, autoritário, conservador e de extrema direita; e enquanto o reacionário, troglodita e boçal moralismo ultra conservador e hipócrita (que já saiu do armário) não avança sobre nós com tudo e com sangue nos olhos e faca entre os dentes, presenteamos nosso sempre dileto leitorado macho (cado) com uma musa rocker absolutamente e divinamente abusada, tesuda, transgressiva e subversiva ao máximo: a gataça, filósofa, escritora e nada pudica, recatada e de lar nenhum, Sue Nhamandu Vieira. Aproveitem e deleitem-se com as imagens total nudes deste mulherão enquanto isso ainda é possível! (postão MEGA finalmente concluído em 1/12/2018)

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2018 celebra os trinta anos de existência de um dos maiores nomes do rock mundial (ou do que resta dele): o americano Smashing Pumpkins (acima, reunido no estúdio este ano com sua formação quase original) retorna com um bom disco inédito, após quatro anos longe dos estúdios; já o inesquecível e também americano REM (abaixo, com sua formação original, em imagem de 1988) tem seu clássico álbum “Green” relembrado neste post por ocasião do seu trigésimo aniversário, em textos do próprio blog e do convidado especial Léo Rocha

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E MAAAAAIS MICROFONIA SUPER EXTRA! – SALVEM A DATA! FINASKI NESTA QUINTA-FEIRA MEIA NOITE NO “NASI NOITE ADENTRO” (CANAL BRASIL), FALANDO DE SEU LIVRO EM “O ESTRANHO MUNDO DE HUMBERTO FINATTI”

 

Yes. Custou mas finalmente vai ao ar. Gravado em janeiro deste ano numa agradabilíssima noite de segunda-feira no antigo endereço da sempre bacanuda Sensorial Discos SP, a entrevista que concedemos para o amigo de décadas, vocalista do Ira! e queridão Nasi será finalmente exibida no “Nasi noite adentro” desta quinta-feira, 6 de dezembro, à meia noite, no Canal Brasil (canal 150 na tv Net). O bate-papo, claro, girou em torno do nosso então recém lançado livro, “Escadaria para o inferno”.

Nem o blog mesmo sabe como ficou o resultado final, rsrs. Afinal não vimos o programa editado. Mas o papo foi ótimo e tanto Finaski quanto ele ficaram “trêbados” de tanto vinho (ótimo, diga-se) que tomamos, ahahahaha.

 

Contamos com a audiência dos nossos leitores. E depois digam o que acharam, claro!

 

(sendo que as fotos deste tópico, inéditas, foram tiradas diretamente das gravações do programa)

 

O quê: entrevista de Finaski para o programa Nasi noite adentro.

 

Título do programa: “O ESTRANHO MUNDO de Humberto Finatti” (ahahahaha, a risada é por nossa conta)

 

Quando: nesta quinta-feira, 6 de dezembro, meia noite.

 

Onde: no Canal Brasil (150 na tv Net)

 

Apresentação: Nasi. Direção: André Barcinski. Co-direção: Rogério Lacanna (a quem agradecemos pelas imagens deste post)

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O jornalista zapper rocker e seu amigo Nasi, vocalista do grupo Ira!: bate-papo entre ambos hoje à noite no programa “Nasi noite adentro”, no Canal Brasil

 

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MAIS MICROFONIA: GANG OF FOUR NO SESC POMPEIA – SP, 23/11/2018

 

Então foi isso: o blog esperou mais de uma década para conseguir ver a “Camarilha dos quatro” ao vivo (em 2006, no festival Campari rock, que rolou em Atibaia, próximo à capital paulista, mesmo estando credenciado o jornalista sempre atrasildo chegou atrasado o suficiente para perder todo o set dos ingleses lendários do pós-punk dos anos 80’). E finalmente lá foi Zapnroll na última sexta-feira (23 de dezembro) para a choperia do Sesc Pompeia, conferir a última gig deles em Sampa – a primeira havia sido na quinta-feira e, assim como ontem, esgotou os ingressos e lotou o local.

E no final das contas, a performance do grupo foi apenas… razoável. A parada já não começou muito bem na noite de sexta: Andy Gill (guitarrista, fundador e único membro original da banda ainda nela) subiu ao palco com ALGUM problema na sua guitarra. O músico demonstrou visível irritação quando simplesmente jogou com quase fúria seu instrumento no chão, e ficou encarando o público de braços abertos. A plateia achou que se tratava de algum “chilique” de rockstar para iniciar com ímpeto a apresentação e aplaudiu (alguns gritaram) em aprovação. Mas não era nada disso e quem observou atentamente (como o sujeito aqui) sacou que havia algo errado, sendo que um dos roadies se apressava em aprontar outra guitarra para o loiro e que FUNCIONASSE a contento.

Até que o show começou finalmente. Foi beeeeem mais ou menos até a metade pelo menos. Na verdade quem deveria ser a estrela e ter brilhado no palco seria Andy Gill, autor da maioria do repertório do GOF, inclusos aí os clássicos punk dançantes do conjunto. Mas quem DE FATO roubou a cena quase o tempo todo foi o negão Thomas McNeice, um baixista do inferno que literalmente destruiu com suas linhas pesadas e matadoras, todas tiradas na base da palhetada. Gill foi “apenas” (vamos dizer assim) o ótimo guitarrista que sempre foi, mas sem arroubos de genialidade. O baterista Tobias Humble foi apenas correto. E o vocalista John Sterry (que o velho chapa e ex-vj da MTV Thunderbird, presente ao show, achou que ele se parece com Peter Murphy, quando o ex-vocalista dos Bauhaus era uma bicha loka novinha e bonitinha) bem que tentou se esforçar: instigava o público, rebolava, pulava, dançava etc. Mas é irremediavelmente FRACO, ainda mais se lembrarmos que esses caras tiveram um Jon King nos vocais.

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Os ingleses do Gang Of Four no palco da choperia do Sesc Pompeia, na capital paulista, na última sexta-feira (23 de dezembro): a gig foi apenas razoável, e quem brilhou mesmo e roubou o show foi o baixista

 

Set list? Tocaram de tudo um pouco e fizeram um bom apanhado da trajetória deles. Claro, o povo que lotou a choperia (muitos velhões e velhonas na faixa dos 40/50 anos, como este jornalista ainda rocker mas já “tiozão” sem pudor e problema algum; mas também havia uma pirralhada mais jovem, incluso aí muitas xoxotinhas tesudas com cabelos descoloridos, tattoos e tetas QUASE à mostra, afinal estava bem quente na choperia, e todos com t-shirts de bandas ícones do pré e pós punk, como Television e Joy Division, sendo que o zapper vestia a sua do Clash, uma das eternas cinco bandas da nossa vida) só enlouqueceu mesmo quando o GOF disparou seus dois grandes hits (dentro do que se pode considerar “hit” no caso deles e no rock alternativo), “Damaged Goods” e “I Love A Man In A Uniform” (sendo que essa Andy Gill bem poderia tê-la dedicado ao futuro presidente nazi fascista brasileiro e a quase todos os 55 milhões de OTÁRIOS, BOÇAIS e IMBECIS e completos selvagens que votaram nele). Mas aí já era um pouco tarde para virar o jogo totalmente, ainda que o bis tenha sido empolgante a ponto de conseguir fazer todo mundo dançar.

Para quem esperou tanto tempo e esperava mais em termos de performance, o Gang Of Four ficou devendo. Como não deverão mais voltar aqui (nesse país fodido, falido e agora mergulhado em trevas medievais culturais profundas a partir de 2019), vamos ter que ficar com esse registro mesmo em nossa memória de jornalista musical.

 

***O set list da gig do GOF, no Sesc:

 

Anthrax

Where The Nightingale Sings

Not Great Men

Isle of Dogs

Toreador

Paralysed

I Parade Myself

What We All Want

Natural’s Not In It

Lucky

Damaged Goods

Do As I Say

I Love a Man in a Uniform

Why Theory?

At Home He’s a Tourist

To Hell With Poverty

 

Bis:

Return the Gift

Ether

I Found That Essence Rare

 

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MICROFONIA (reverberando a cultura pop em todas as suas múltiplas facetas)

 

***Okays, o novo post demorou mesmo desta vez para sair. Mas cá estamos, com zilhões de assuntos pendentes e para serem colocados em dia. Fora que este é o penúltimo postão do blog em 2018 e talvez em sua história, fechando um ciclo que já dura quinze anos – muito bem sucedidos, diga-se. A partir de 2019 este espaço deverá continuar presente na blogosfera brasileira de cultura pop mas apenas para divulgar EVENTOS ESPECIAIS com a marca Zapnroll, como festas e noites com o nome do blog e que serão prioritariamente realizadas em unidades do Sesc da capital paulista, reeditando o sucesso que foi a comemoração do nosso décimo quinto aniversário mês passado, na unidade Belenzinho, na zona leste de Sampa. Mas sobre isso daremos mais e melhores detalhes em nosso último post deste ano, beleusma?

 

***E falando em festas, essa bacanuda e celebrando o niver do nosso querido brother carioca Kleber Tuma, rola mês que vem (dia 22, pertinho do natal) no Rio De Janeiro. Noitona pós-punk anos 80 pra nenhum gótico do Rio MEDO De Janeiro reclamar, hihi. Com especiais do Echo & The Bunnymen e Joy Division, além de Finaski como dj convidado, wow! Se você mora no balneário ou se estiver de bobeira por lá no dia, já sabe pra onde ir pra dançar até cair! Tudo sobre a baladadona aqui: https://www.facebook.com/events/293078024871304/.

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***“BOHEMIAN RHAPSODY”, O FILME, É SENSACIONAL E FEZ FINASKI CHORAR! – a cinebiografia do Freddie Mercury, que se eternizou na história do rock e da música mundial como o vocalista do inesquecível Queen, é um filmaço! Com alguns defeitos, isso é inegável. Um dramalhão quase mexicano, só que muito bem produzido e roteirizado? Sem dúvida. Passa muito superficialmente por diversos momentos da trajetória do grupo? Também, e nem tinha como ser diferente, afinal estão condensados em duas horas de filmagem uma história de mais de 20 anos. Comete equívocos cronológicos grosseiros? Sim, e talvez esta tenha sido a principal “escorregada no tomate” do longa, que mostra o show do Queen em janeiro de 1985, na primeira edição do Rock In Rio, absolutamente fora do tempo correto. Naquela época Freddie já ostentava seu visual que o acompanhou até sua morte em 1991, com cabelo curtíssimo e bigodão. No filme, na gig no Rio, ele ainda aparece de cabelos compridos e sem bigode. Fora que DEPOIS da apresentação no festival carioca a banda é mostrada criando o clássico “We Will Rock You” – que na verdade abre o álbum “News Of The World”, lançado 8 anos antes (!), em 1977. Mas nada disso tira o prazer gigantesco de assistir o filme. Os atores que vivem os quatro integrantes do conjunto não poderiam ter sido melhor escolhidos. E a cada avanço e ascensão na jornada do quarteto, a plateia fica extasiada de verdade. Como quando é mostrado como eles criaram o HINO que dá título ao longa, uma das obras-primas de toda a história do rock mundial e que a gravadora não queria lançar como single de trabalho de forma alguma por causa da longa duração da canção (uns 6 minutos). O Queen bateu o pé para que “Bhoemian…” fosse o primeiro single do clássico e sensacional LP “A Night At The Opera” (lançado em 1975) e deu no que deu: a faixa estourou nas rádios inglesas e foi parar no topo das paradas. O final então é mega emocionante e de arrepiar, quando a banda se reúne para tocar no Live Aid, concerto monstro organizado em 1985 e que reuniu os maiores nomes do rock mundial de então, para um show beneficente que visava arrecadar fundos para as vítimas da fome na África. O evento entrou para a história da música, e no palco do estádio de Wembley o Queen mostrou mais uma vez porque era a RAINHA máxima do rock. O filme acaba ali e não foca nos anos finais da vida de Freddie, que seria derrotado pela Aids seis anos depois, quando tinha 45 de idade. Mas mostra (ainda que de forma sutil e discreta) como ele se descobriu gay ao longo da sua vida, após namorar seis anos com Mary Austin e terminar sua vida ao lado do companheiro Jim Hutton. Tanto Mary como Jim herdaram a maior parte da fortuna deixada por Mercury. E vendo o filme, um OUTRO FILME passou diante dos nossos olhos. O blog se lembrou de como amava o Queen na nossa pós-adolescência, dos LPs que tínhamos deles (tivemos durante anos meia dúzia de discos do grupo, em suas edições originais com capas duplas, e não parávamos de escutá-los) e dos DOIS SHOWS que vimos da banda, em março de 1981 no estádio do Morumbi em Sampa, e depois em 1985 no primeiro Rock In Rio. Zapnroll foi sozinho em ambos, graças ao “apoio” financeiro da saudosa mama Janet, que superprotegia o jovem Finas e pagou os ingressos nas duas vezes sob protestos irados, pois ela morria de medo de que seu filho fosse sozinho naquela idade (18 anos no primeiro show; 22 no segundo) num “tumulto” musical e rocker onde estariam milhares de pessoas. Mas que loko: ela mesma AMAVA o Queen e por isso deixou o jovem Finaski ir às duas gigs. No final das contas, “Bohemian Rhapsody” nos mostra o que todos nós já sabemos há bastante tempo: nunca mais haverá na história da música bandas como o Queen ou vocalistas fodásticos como Freddie Mercury. O rock morreu, já está no museu e a música pop de hoje (assim como a própria cultura pop em si) se tornou completamente anêmica, irrelevante, ignorante. Burra como são estes tempos da internet. Estúpida como são os próprios ouvintes de música de hoje em dia. De modos que, se temos alguma felicidade por estar com quase 5.6 nas costas, é por saber que conseguimos viver, ouvir e ver tudo aquilo de perto, ao vivo. As últimas fases de uma história emocionante, empolgante e fantástica, chamada rocknroll. Uma história que não mais irá se repetir. Nunca mais. E sim, o zapper CHOROU nos minutos finais do filme, viu mozão André Pomba (rsrs). E ao final do filme a sala inteira do Belas Artes (que não lotou mas estava bem cheia) APLAUDIU e deu URROS de satisfação. E não teve (felizmente) bolsominion retardado, boçal e imbecil para vaiar o personagem de Freddie Mercury quando ele começou a beijar homens na boca e descobriu que, sim, o ser humano tem que ser FELIZ NO AMOR COM QUEM ELE BEM ENTENDER e com quem o faz se sentir amado, acolhido, carinhado e respeitado, e não com quem a sociedade careta e moralista hipócrita quer determinar. Valeu Queen e Freddie Mercury, por ter tornado grande parte da nossa vida menos ordinária e menos cinza também.

 

 

*** HORA DE JOGAR A TOALHA, ACEITAR A DERROTA TRÁGICA PARA A DEMOCRACIA E A PARTIR DE AGORA FAZER OPOSIÇÃO SÉRIA, HONESTA, CORAJOSA E GIGANTE FRENTE AO NAZI FASCISMO AUTORITÁRIO QUE VEM AÍ – Sim, não há o que fazer. Lutamos todos como GAROTOS e GAROTAS, mas a onda nazi fascista ultra conservadora de extrema direita que VARREU a sociedade selvagem e o eleitorado bestial brasileiro foi mais forte do que nós. E nesse momento sentimos mais VERGONHA DO QUE NUNCA de ser brasileiro. Mas não iremos desistir de nossa luta por democracia e liberdade. E achamos que NINGUÉM que está do nosso lado irá desistir. Sim, a partir de agora seremos todos outsiders novamente. OPOSIÇÃO seríssima e forte contra o senso comum BOÇAL que elegeu um presidente autoritário, truculento, irracional e amante da tortura e da ditadura militar. Exatamente como há quase 40 anos quando foi fundado, o PT volta a ser oposição contra o conservadorismo medieval político e social. E assim sendo terá chance de reavaliar sua postura e fazer a auto-crítica necessária aos seus erros. Mas sobretudo estaremos na oposição e na luta incansável por um Brasil menos horrível do que se prenuncia pelos próximos 4 anos. Jamais iremos nos arrepender do voto que demos para Fernando Haddad. Valeu, professor! Você também LUTOU COMO UM GAROTO. E seguiremos todos ao seu lado! E todos os que votaram nesse TRASTE Jairzinho bolsa de cocô vão se arrepender AMARGAMENTE e muito em breve. Vamos todos pagar muito caro por esse desastre (muitos até com a vida, talvez), mas esse MONSTRO será TOTALMENTE DESCONSTRUÍDO em tempo recorde. E aí vamos ver quem irá ter CORAGEM de assumir que ajudou a AFUNDAR de vez o Brasil.

 

***E só pra não esquecer, sendo que nunca foi tão necessário ter uma gig dessas nesse momento no Brasil: logo menos à noite, na choperia do Sesc Pompeia, rola o segundo show dos ingleses do Gang Of Four, um dos grupos mais politizados e esquerdistas da história do pós punk inglês dos anos 80. Os ingressos estão esgotados (ontem também se esgotaram) mas o blog estará presente e depois conta aqui nesse mesmo post como foi a apresentação, pode ficar sussa.

 

***Bien, mais notas e novidades poderão pintar aqui na Microfonia a qualquer momento e ao longo da próxima semana, já que o postão está entrando no ar na sexta-feira e seguirá como sempre em enorme construção. Mas vamos em frente aí embaixo, falando da volta dos Smashing Pumpkins e também dos trinta anos do mega clássico álbum “Green”, lançado pelo gigante inesquecível que foi o REM. Bora!

 

 

AOS TRINTA ANOS DE EXISTÊNCIA O SMASHING PUMPKINS RETORNA COM SUA FORMAÇÃO QUASE ORIGINAL – E, QUEM DIRIA, COM UM BOM DISCO DE INÉDITAS

Yeah, a lendária e clássica banda fundada há também exatos 30 anos pelo guitarrista, vocalista, compositor e gênio Billy Corgan, lançou semana passada seu novo disco de estúdio, após quatro anos sem gravar. Título enooooorme: “Shiny and Oh So Bright, Vol. 1 / LP: No Past. No Future. No Sun.”. É o décimo primeiro trabalho inédito do grupo e o primeiro a reunir em décadas a formação quase original da banda, já que ao lado de Corgan estão novamente o guitarrista (e nas gravações deste álbum também tocando baixo) japa James Iha, e o batera monstro Jimmy Chamberlin, sendo que só não se juntou a eles novamente a loira e loka e tesuda baixista D’Arcy.

O SM e Billy Corgan deram obras musicais GIGANTESCAS e IMORTAIS ao rocknroll, especificamente em seus três primeiros discos de estúdio (“Gish”, “Siamese Dream” e o duplo “Mellon Collie and the Infinite Sadness”, lançado em 1995 e que apenas naquela época vendeu absurdas 14 milhões de cópias) e isso é incontestável. É vero que daí pra frente a banda nunca mais acertou a mão e se tornou apenas grupo de apoio para o ditador Corgan. Depois que lançou o magistral álbum duplo “Mellon Collie…”, o SM nunca mais foi o mesmo. Fora que o conjunto se desfigurou por completo, com zilhões de músicos entrando e saindo do seu line up e onde apenas o careca Billy permanecia.

A banda também tocou no Brasil algumas vezes, sendo que o blog esteve nas duas primeiras: em janeiro de 1996 na derradeira edição do festival Hollywood Rock, quando eles vieram justamente na turnê do “Mellon Collie…” e fizeram um show ARRASADOR no estádio do Pacaembú (numa noite que ainda seria magistralmente fechada pelo The Cure, ótimos tempos que nunca mais irão voltar), e dois anos depois na tour do fraquinho “Adore”, sendo que a gig nem de longe foi igual a de dois anos antes.

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O novo e bom álbum do Smashing Pumpkins (capa acima), banda que completa 30 anos de existência em 2018 e cuja formação inicial e clássica incluía a baixista D’Arcy (abaixo)

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Mas enfim, trata-se de um bom retorno para um conjunto que soube como ninguém engendrar um mix sonoro onde cabiam eflúvios de heavy rock, psicodelia, dream pop e até shoegazer inglês. O disco tem enxutos 31 minutos de duração, uma ótima e bem vinda raridade em tempos em que se gravam discos com mais de uma hora de música insuportável e que não diz NADA ao ouvinte. E essa meia hora onde estão condensadas oito faixas periga ser o MELHOR DISCO da banda desde “Mellon Collie…”, lançado há seculares 23 anos. Ótimas melodias, músicas enxutas e bem resolvidas, sem enchimento de linguiça. Parece que a reunião dos três (Corgan, Iha e Chamberlin) reascendeu a mágica que havia na sonoridade do grupo nos anos 90’. Estas linhas bloggers rockers gostaram especialmente de “Silvery Sometimes (Ghosts)” (que lembra demais “1979”, pela melodia dela) e da lindíssima “With Simpathy”. Deu até pra se sentir de volta a 1995, dançando na pista do Espaço Retrô da rua Fortunato, no centro de Sampa.

Em tempos em que o rocknroll está definitivamente morto e atropelado pela completa irrelevância da música pop atual, e quando não se esperava nada mais de um conjunto como o Smashing Pumpkins, o fato de ele conseguir lançar um cd como este “Shiny…” é mais do que bem vindo. Vai agradar bastante aos velhos fãs e poderá ser uma ótima surpresa para uma pirralhada que não sabe mais o que é rock ou uma banda de rock, mas que tem curiosidade em descobrir como era e é esse gênero musical “do tempo das cavernas”.

 

 

A TRACK LIST DO NOVO ÁLBUM DO SMASHING PUMPKINS

1.”Knights of Malta”

2.”Silvery Sometimes (Ghosts)”

3.”Travels”

4.”Solara”

5.”Alienation”

6.”Marchin’ On”

7.”With Sympathy”

8.”Seek and You Shall Destroy”

 

 

E O DISCO PARA VOCÊ OUVIR, AÍ EMBAIXO

 

 

GRIND ANO 20 E FINAS 5.6 – ALGUMAS HISTÓRIAS BEM LOKAS NA MELHOR DOMINGUEIRA ROCK DO BRASIL

Yep, o rocknroll pode ter morrido no mundo (o que é muito triste) mas no Grind, a domingueira rock mais famosa e bombada do Brasil, ele segue firme e forte. Já se tornou um clássico da noite paulistana e isso num dia da semana dado como morto – o domingo. E nesse próximo domingo, 25 de novembro, ele completa 20 anos de existência, um recorde! Sendo que lá também estaremos discotecando para bebemorar nosso próprio aniversário, já que chegamos aos 5.6 de vida (não é mole, não!) na segunda-feira, 26.

Zapnroll se lembra bem (ou mais ou menos bem, rsrs) de quando tudo começou, em maio de 1998. A internet ainda engatinhava no Brasil, não existiam redes sociais e, tal como hoje, o rock era o gênero da música pop dado como morto. Pois o venerável André Pomba (nosso melhor amigo há 25 anos, ou seja, nos conhecemos 5 anos antes da festa dominical começar), sempre visionário, procurou a direção do clubinho gls A Loca (que estava começando a bombar na noite paulistana), propôs fazer uma noite rock para um público mix (gays, lésbicas e simpatizantes), o povo da Loca topou a parada e aí tudo começou. Nos primeiros anos era mesmo uma matiné dominical, que começava às 8 da noite e encerrava pontualmente meia-noite de segunda-feira. Não haviam flyers virtuais mas sim uma filipeta impressa em formato retangular, que divulgava a programação e a lista de djs e especiais do mês todo.

Com o passar dos anos o público foi aumentando e o horário teve que ser progressivamente esticado. A balada passou a funcionar até duas da manhã de segunda-feira. E no seu auge, quando cerca de mil pessoas passaram a frequentar a domingueira, o horário passou a ser estendido até (acreditem!) 6 da matina. Era uma piração bizarra: enquanto o povo “normal” amanhecia na avenida Paulista saindo de metrôs lotados para ir estudar ou trabalhar (todos devidamente engravatados ou trajando uniformes empresariais), uma galera loka, de óculos escuros e devidamente chapados de álcool e outros “aditivos”, saía do “inferninho” da rua “Gay” Caneca (no centro de Sampa) para chegar em casa e desabar na cama.

Estas linhas zappers fizeram muitas djs set no Grind ao longo dessas duas décadas (o sujeito aqui é jornalista e sempre foi, mas gosta de “brincar” de dj). E as histórias absolutamente MALUCAS que vivemos na festona sempre animada do mozão Pomba, dariam um livro. Não resistimos e contamos duas abaixo, tentando resumir ao máximo a ópera rock.

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A domingueira rock mais famosa do Brasil chega aos vinte anos de existência nesse domingo (25 de novembro) com festão, que irá contar com dj set especial do blog (acima); abaixo, o jornalista loker rocker manda bala na cabine de som do Grind

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***2004 e o strip do jornalista loker-rocker – era julho daquele ano e o Grind fazia sua festa especial celebrando o famigerado Dia Mundial do rock. Pomba montou um line de djs especial onde, entre outros, tocariam o saudoso Kid Vinil e Finas, claro. Pois quando chegou a hora da nossa dj set lá foi o jornalista loker (já turbinado por boas doses de vodka com energético e gin tônica) fazer o “serviço”, rsrs. Até que resolveu tocar “I Can’t Get Enough”, super hit dançante (naquela época) do grupo britpop Suede, que sempre amadoramos (a banda e a música em si). E sempre que tocava essa música em alguma discotecagem Finaski despirocava e se transformava numa bicha mais loca que o vocalista Brett Anderson. Pois o dj loki e ainda relativamente jovem e PAUZUDO (rsrs) começou a se ESFREGAR na parede e também a… TIRAR A ROUPA em plena cabine de discotecagem! Terminou a faixa apenas de CUECA (sunga, ainda por cima), o que levou sua então love girl (a tesudíssima Tânia, com quem ele havia começado a ter um caso um mês antes e sendo que ela em outra noitada no Grind, bem loka de álcool, chupou o pinto zapper em plena pista de dança, num cantinho ao lado da cabine de som) a exclamar para um amigo em comum que nos acompanhava: “Mas o que é isso que ele fez!!!”. “Ficou pelado, oras!”, respondeu nosso amigo, uia!

 

***Dando entrevista BICUDAÇO de farinha, e a LOCA do “acabou, acabou!” – maio de 2009 e o Grind faz sua mega festa de 11 anos de existência. Casa lotada, Finas bem loko de álcool e cocaine, rsrs. E num momento que estava na cabine enquanto Pomba manda bala no som, chega uma equipe do programa de tv do Chato Mesquita, ops, Otávio Mesquita, para fazer uma matéria sobre a festa. Uma repórter tesudinha entrevista Pombinha na cabine mesmo. Logo em seguida ele RECOMENDA que a repórter também entreviste o mancebo aqui, por ele ser jornalista conhecido e bla bla blá. Ela vem falar com o gonzo chapado, põe o microfone na cara dele, acende a luz da câmera de filmagem e manda bala. O zapper total alucicrazy, com os olhos estalados e as órbitas saltando pra fora deles, dispara a falar a 200 kms por segundo. Ao final da curta entrevista, dom Pomba com sua sempre impoluta sabedoria, vaticina: “se eles aproveitarem 20 segundos do que você falou será muito, hihi”. Mas o grand finale dessa madrugada (sendo que o blog já tinha indo embora quando rolou a parada, mas depois ficamos sabendo pelo relato de dom Pombinha) foi mesmo quando, às 5 e meia da matina (!!!), uma LOCA literalmente INVADIU a cabine do dj e tentou jogar as CDJs (os tocadores de cds) no chão, enquanto gritava total alucinada: “ACABOU! ACABOU!!!”. Pomba só teve tempo de literalmente AGARRAR as CDJs pra evitar que elas fossem pro chão, enquanto um segurança arrancava a maluca da cabine. Depois, ficou-se sabendo, a moçoila tinha levado uma botinada do (ex) namorido durante a balada, o que a motivou a fazer a loucura de invadir a cabine. Só não se sabe até hoje se os gritos dela de “acabou!” se referiam ao fim do namoro ou se ela queria mesmo ACABAR com a balada, ahahaha.

 

Então é isso. Domingo agora promete ser lindo: 20 anos de Grind (no Espaço Desmanche, onde a festa está muito bem instalada há quase dois anos, e que deverá lotar), uma festa que já formou gerações na capital paulista, e 5.6 de Finaski, com dj set dele avassaladora a partir das duas da matina. E deverá ser mesmo nossa ÚLTIMA dj set pois já estamos véios demais pra essas loucuras, hihi.

Espero todo mundo por lá, sendo que todas as infos da balada imperdível você pode conferir aqui: https://www.facebook.com/events/254150721931307/.

Feliz aniversário, Grind! Que venham outros 20 anos pela frente!

 

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“GREEN”, UM DOS DISCOS GIGANTESCOS DA HISTÓRIA DO ROCK MUNDIAL E LANÇADO EM 1988 PELO INESQUECÍVEL REM (UMA DAS CINCO BANDAS DA VIDA DE ZAPNROLL), CHEGA AOS 30 ANOS DE EXISTÊNCIA – MOSTRANDO QUE REALMENTE NÃO EXISTEM MAIS BANDAS E NEM DISCOS COM TAMANHA QUALIDADE ARTÍSTICA E MUSICAL

Sexto álbum de estúdio da trajetória da banda norte americana REM (que durou exatamente trinta e um anos, lançando durante este período um total de quinze discos inéditos, além de Eps e coletâneas), “Green” é um dos trabalhos gigantes do grupo e superlativo em vários aspectos. Lançado oficialmente em 7 de novembro de 1988, marca a estreia do então quarteto criado em Athens (no Estado da Georgia) e integrado pelo vocalista e letrista Michael Stipe, pelo guitarrista Peter Buck, pelo baixista e tecladista Mike Mills e pelo baterista Bill Berry, na gigante major do disco Warner Bros, após editar seus primeiros LPs pelo pequeno selo IRS.

Quando foi cooptado para a Warner Music (o braço musical do monstruoso conglomerado de mídia e comunicação sediado nos Estados Unidos), o REM (o nome do grupo foi escolhido de maneira aleatória por seus integrantes, mas tem a ver com um termo da psiquiatria que determina a fase do sono humano em que a pessoa mergulha em sonhos e quando os olhos desta pessoa passam a piscar freneticamente, daí o termo “Rapid Eye Movement” ou “movimento rápido do olhar”) já existia há oito anos (foi fundado em 1980) e havia lançado cinco álbuns pelo selo IRS (na verdade, uma subdivisão de outra major gigante, a Columbia Records, fundada por Miles Coppeland, empresário do meio musical e irmão de Stewart Coppeland, baterista do lendário trio inglês The Police). Todos venderam muito bem, ganharam grande respeito da crítica e amealharam alguns milhões de fãs nos EUA (especialmente no circuito do rock mais alternativo), seduzidos pelas ótimas melodias que combinavam aceleração punk com eflúvios de folk e country music, e também pelas letras poéticas (escritas e cantadas por Stipe) e pela postura altamente engajada do grupo, tanto na questão política quanto social. Além disso um dos maiores trunfos do quarteto era mesmo o guitarrista extraordinário Peter Buck, que possuía um conhecimento ENCICLOPÉDICO de rocknroll por ter trabalhado durante anos na sua juventude em uma loja de discos.

Assim, quando “Green” chegou às lojas de discos, ele veio cercado das maiores expectativas possíveis. E não decepcionou nem os fãs muito menos a imprensa rock. Alternando canções rocks vigorosas (como “Pop Song 89”, “Get Up”, “Stand”, “Orange Crush” e “Turn You Inside-Out”) com momentos de puro lirismo e melancolia melódica (e aí dois ótimos exemplos são as belíssimas “World Leader Pretend” e “The Wrong Child”), “Green” foi efusivamente saudado como um grande disco pelos principais veículos de mídia do mundo à época. Vendeu muito bem também e abriu caminho para que, três anos depois, a banda se tornasse um fenômeno planetário de vendas e de público, quando editou o álbum “Out Of Time”, que produziu um dos maiores hits que se tem notícia em toda a história do rock mundial, a igualmente lindíssima “Losing My Religion”. Mas “Green” permanece como um marco ESSENCIAL na trajetória do conjunto até hoje, três décadas após seu lançamento. Reverenciado por astros como o saudoso vocalista do Nirvana, Kurt Cobain (que incluiu o LP na sua lista de cinquenta melhores discos de todos os tempos), ou por jornais lendários como o inglês The Times (onde o disco permanece também na lista dos cem melhores de todos os tempos), “Green” não envelheceu. Pelo contrário: continua com uma musicalidade atualíssima e com temas idem, mesmo em tempos onde a cultura pop não vale praticamente mais nada e quando o rocknroll virou infelizmente peça de museu.

CAPAREM1988II

Um dos nomes mais importantes de toda a história do rock mundial, o quarteto americano REM lançou há exatos 30 anos um de seus melhores álbuns, “Green” (acima); abaixo, o vocalista Michel Stipe canta e canta quase 200 mil pessoas (o blog zapper entre elas!) na terceira edição do Rock In Rio, em janeiro de 2001

IMAGEMREMRIR2001

 

Após “Green”, o grupo ainda ficaria ainda na ativa por mais de duas décadas, onde continuou lançando ótimos trabalhos e alguns mais medianos no final de sua carreira, que se encerrou de maneira pacífica (e sem brigas entre seus integrantes) em 2011, quando terminou o contrato do grupo com a Warner. Antes, por duas vezes, a banda se apresentou no Brasil, em janeiro de 2001 (na terceira edição do festival Rock In Rio, em uma gig inesquecível e que provocou comoção generalizada no público de quase duzentas mil pessoas que estava na “cidade do rock”, o autor deste blog incluso), e depois em novembro de 2008, quando tocou em São Paulo, Rio De Janeiro e Porto Alegre. Foram dignos, gigantes em sua musicalidade, amados pelos fãs e ultra respeitados pela imprensa mundial até o fim. Foram, com justiça, um dos maiores nomes de toda a história do rock. E deixam saudades até hoje.

Abaixo, em texto especialmente escrito para o blog pelo carioca Leo Rocha (querido amigo, fã e especialista em REM), nosso dileto leitorado terá uma extensa e ótima análise da trajetória do quarteto, além de também uma preciosa análise de “Green”. Boa leitura!

 

 

 

REM – A TRAJETÓRIA DA BANDA E A VISÃO DE UM FÃ E ESPECIALISTA NELA, SOBRE O ÁLBUM “GREEN”

 

(por Leo Rocha, especial para Zapnroll)

 

“Michael Stipe gritou pela última vez:

– And I feel…

Cem mil vozes urraram em respostas:

– Fine!

Bernardino pensou:

– Pu-ta que pa-riu!

Duas e quarenta e quatro da madrugada de 14 de janeiro de 2001.”

 

Pois é, amigos… Esse é o começo do livro de Arthur Dapieve (jornalista carioca) (e nota do editor do blog, com todo respeito à admiração do querido Léo pelo referido jornalista carioca: Dapieve, superestimado como jornalista, sempre cometeu equívocos e imprecisões em seus textos: haviam quase 200 mil pessoas no show do REM em 13 de janeiro de 2001, na terceira edição do Rock In Rio, e não apenas 100 mil. E Finaski era UMA dessas quase 200 mil pessoas) chamado “De Cada Amor Tu Herdarás Só o Cinismo” (Ed. Objetiva). Uma analogia com a canção “O Mundo é um Moinho” de Cartola. Uma senhora lição de vida!!!! Compareci ao lançamento e de lá descolei uma assinatura circulando o nome do vocalista (informei ao jornalista que era um admirador da banda) junto ao meu. Tenho guardado o exemplar intacto na minha estante. O livro narra uma história romântica e ímpar de um homem de quarenta e poucos anos seduzido por uma jovem ingênua e arisca. E, justamente, tudo inicia-se ao fim do show do REM no Rio de Janeiro (Rock in Rio 2001). Sincrônico, não?

A primeira vez que me deparei com essas linhas fiquei auspicioso e hirto. Pensei: “Que porra é essa?” Não esperava que o começo da minha leitura iria de encontro ao show mui especial da banda do meu coração, tampouco numa noite que foi ÚNICA pra mim. Em diversos aspectos. Antes que você ache que me refiro ao show em si… interrompo para dizer: meu casamento havia terminado naquele ano e na semana do show. Você consegue imaginar o meu espanto agora? Ou melhor: no instante em que li o livro de Dapieve? Pois é, meu caro. A vida é cheia de surpresas e ironias. Enfim… E devo dizer que durante muitas páginas do livro fiquei mais espantado, pois os detalhes dentro da história lembram muito o que eu fiz naquele show e como foi a volta do mesmo pra casa. Assustador!!! Muita sincronia!!! De qualquer modo, a banda nunca havia pisado em solo nativo para tocar. Jamais. E minha ex-mulher sabia bem o que aquele dia representava pra mim. De novo: a vida é irônica e sacana. Lembro-me de muito do show e do dia inteiro. Foi surreal esse momento de celebração com os amigos (em comum) e ao mesmo tempo a nossa frustração interna com a separação. Foi punk! Mas, antes de prolongar-me nessa retórica deixe-me voltar anos atrás para resumir como a banda surgiu na minha vida…

Eu já havia escutado “The One I Love”, “Stand” e “It’s the End” na extinta Rádio Fluminense. Final da década de 80. Faz-se necessário recordar que não havia internet nem celular. Então as coisas, os sons, as novidades “gringas” chegavam ao Brasil tempos depois. Era sempre assim. Se por acaso uma banda lançasse algo fora o país só receberia anos depois. Salvo se você fosse ingressar como jornalista musical. O que a gente podia fazer era ter amigos ou parentes que viajassem e comprassem um vinil ou K-7. No máximo. Não tinha muito como escapar. Tinham poucas revistas que informavam, mas era árdua a missão. Quem gostasse de som alternativo e afins tinha que ler revistas especializadas, corresponder-se (cartas) com os fã-clubes pelos correios (duas semanas ou mais chegavam as respostas) e sair pela noite nas festas “estranhas com gente esquisita”. E eu fui um adolescente assim. Juro! Por mais uma ironia do destino viajei para Nova York a lazer para casa da minha prima mais velha em 1991. Hmmmm… acho que o leitor já sentiu aonde vou chegar né? Sim…  saía “Out Of Time” com tudo no país (EUA). O disco estava muito estourado (“hype” pros mais jovens). Tocava em toda esquina de NY. Concomitante o Nirvana também havia lançado “Nevermind” e eu peguei tudo lá, direto da fonte. Mas, essa é outra história. Comprei o “Out Of Time” e com isso comprei todos os outros CDs (só tinha no exterior a mídia) da banda. Do EP “Chronic Town” ao “Green”. Levei tudo. Eram sessenta cds (sim, sessenta). O dono da loja ficou rindo à toa. Gastei na época uns seiscentos dólares. Cada cd custava dez dólares. Sacou? O dólar na época estava 1,5 para moeda brasileira. Nada de muito assustador. Mais: tive que comprar o aparelho!!!! Sim… Não havia cd nem aparelho pra rolar no Brasil. Só rico tinha. Eu não era rico. Voltei de lá lotado de sons e louco para desvendar a banda de Athens. Aí… bom… vamos deixar de lado o que aconteceu, pois é como se eu narrasse um encontro meu com uma mulher. Foi lindo! Tinham oito trabalhos distintos do REM para escutar. Devorar mesmo. Havia a coletânea “Epponymous” lançada lá nos EUA em 1988. Desse momento em diante passei a “alugar” cds em lojas recém-abertas no Rio de Janeiro. Permitia você alugar um cd por um dia ou mais para escutar ou gravar (olha a pirataria aí…Tsc…Tsc…). Quem tem mais de quarenta anos irá lembrar. Dali eu escutei muito REM antes de comprar. Mas, eu não tinha o aparelho. O jeito era escutar nas casas dos amigos. Mas, tudo bem. Quando eu volto pro Brasil estava com tudo. Munido de som, aparelho, roupas, revistas etc. Diversos amigos meus enfurnaram-se na minha casa para ouvir, beber, apreciar a qualidade do CD… Vínhamos do som do Vinil. Eu adorava, mas o cd estava chegando, entende? Bom, desde então consumi a literatura de música pop, rock e indie feito um esfomeado. Absorvi tudo, tudo. Mas sempre com o REM em particular… cada vez mais. Quando frequentei as festinhas de rock eram as camisas quem ditavam regras. Quem curtia Smiths, Joy Division, The Cure e tal. Porém eu comprei uma lá do REM e foi justamente com ela que conheci diversas pessoas na noite e ficamos amigos. Alguns famosos, rsrsrrs. Nesse passo fui encontrando-me nesse pessoal (da noite) que curtia outros sons. Eu, cada vez mais, aprofundava-me nos rapazes da Georgia. Em resumo: a banda fez-me conhecer muitas pessoas distintas, era apreciada em conjunto, embalou namoricos meus e acalantou-me em outros pés na bunda que tomei também. Esteve sempre comigo na adolescência, juventude e plena maturidade. Veio o milênio novo e com ele a esperança de um show no Brasil (esse mesmo!!!) em 2001. Foi um alvoroço na minha turma. Gente de São Paulo, Minas, de vários lugares comentando e combinando. Foi quando o meu casamento (eu já era pai também) acabou. Eles chegaram no ano certinho. Pior: no mesmo mês. Eu me separei em janeiro. Foi inimaginável assisti-los, degustá-los e ao mesmo tempo ficar firme. Algo próximo da catarse! Mais uma ironia? Fato. A tecnologia foi chegando, celulares, internet, redes sociais… O que unia a rapaziada nos anos 80 e 90 a rede receberia anos depois. Salvo se você fosse ingressar como jornalista musical. O que a gente podia fazer era ter amigos ou parentes que viajassem e comprassem um vinil ou K-7. No máximo. Não tinha muito como escapar. Tinham poucas revistas que informavam, mas era árdua a missão. Quem gostasse de som alternativo e afins tinha que ler revistas especializadas, corresponder-se (cartas) com os fã-clubes pelos correios (duas semanas ou mais chegavam as respostas) e sair pela noite nas festas “estranhas com gente esquisita”. E eu fui um adolescente assim. Juro! Por mais uma ironia do destino viajei para Nova York a lazer para casa da minha prima mais velha em 1991. Hmmmm… Acho que o leitor já sentiu aonde vou chegar né? Sim… Saía “Out Of Time” com tudo no país (EUA). O disco estava muito estourado (“hype” pros mais jovens). Tocava em toda esquina de NY. Concomitante, o Nirvana também havia lançado “Nevermind” e eu peguei tudo lá, direto da fonte. Mas, essa é outra história. Comprei o “Out Of Time” e com isso comprei todos os outros CDs (só tinha no exterior a mídia) da banda. Do EP “Chronic Town” ao “Green”. Levei tudo. Eram sessenta cds (sim, sessenta). O dono da loja ficou rindo à toa. Gastei na época uns seiscentos dólares. Cada cd custava dez dólares. Sacou? O dólar na época estava 1,5 para moeda brasileira. Nada de muito assustador. Mais: tive que comprar o aparelho! Sim, não havia cd nem aparelho pra rolar no Brasil. Só rico tinha. Eu não era rico. Voltei de lá lotado de sons e louco para desvendar a banda de Athens. Aí… Bom, vamos deixar de lado o que aconteceu, pois é como se eu narrasse um encontro meu com uma mulher. Foi lindo! Tinham oito trabalhos distintos do REM para escutar. Devorar mesmo. Havia a coletânea “Epponymous” lançada lá nos EUA em 1988. Desse momento em diante passei a “alugar” cds em lojas recém-abertas no Rio de Janeiro. Permitia vc alugar um cd por um dia ou mais para escutar ou gravar (olha a pirataria aí…Tsc…Tsc…). Quem tem mais de quarenta anos irá lembrar. Dali eu escutei muito REM antes de comprar. Mas, eu não tinha o aparelho. O jeito era escutar nas casas dos amigos. Mas, tudo bem. Quando eu volto pro Brasil estava com tudo. Munido de som, aparelho, roupas, revistas etc. Diversos amigos meus enfurnaram-se na minha casa para ouvir, beber, apreciar a qualidade do CD. Vínhamos do som do Vinil. Eu adorava, mas o cd estava chegando… Entende? Bom, desde então consumi a literatura de música pop, rock e indie feito um esfomeado. Absorvi tudo, tudo. Mas sempre com o REM em particular. Cada vez mais. Quando frequentei as festinhas de rock eram as camisas quem ditavam regras. Quem curtia Smiths, Joy Division, The Cure e tal. Porém eu comprei uma lá do REM e foi justamente com ela que eu conheci diversas pessoas na noite, e ficamos amigos. Alguns famosos, rsrsrrs… Nesse passo fui encontrando-me nesse pessoal (da noite) que curtia outros sons. Eu, cada vez mais, aprofundava-me nos rapazes da Georgia. Em resumo: a banda fez-me conhecer muitas pessoas distintas, era apreciada em conjunto, embalou namoricos meus e acalantou-me em outros pés na bunda que tomei também, rsrsrs. Esteve sempre comigo na adolescência, juventude e plena maturidade. Veio o milênio novo e com ele a esperança de um show no Brasil (esse mesmo!) em 2001. Foi um alvoroço na minha turma. Gente de São Paulo, Minas, de vários lugares comentando e combinando. Foi quando o meu casamento (eu já era pai também) acabou. Eles chegaram no ano certinho. Pior: no mesmo mês. Eu me separei em janeiro. Foi inimaginável assisti-los, degustá-los e ao mesmo tempo ficar firme. Algo próximo da catarse! Mais uma ironia? Fato. A tecnologia foi chegando, celulares, internet, redes sociais… O que unia a rapaziada nos anos 80 e 90 a rede social podia fazer “online”. E, assim foi. Comunidades e fãs de diversos lugares do mundo eu fiz amizade. Estreitando mais ainda os laços internacionais com algo em comum: REM. Por fora eu traí muito a banda, rsrsrs. Nunca fui fiel nesse sentido. Eu adoro som. Flertei com tudo: jazz, rock, indie, pós-punk, punk, blues, jungle pop, power pop, techno, rap, etc. Nunca prendi-me a um som ou a uma coisa somente. Isso eu sempre tratei bem. Porém, nunca deixava de ser um fã da banda. Um pesquisador de várias bandas que tinha um afeto especial por eles. Era bem simples. A banda entrou na minha vida como entra um amigo ou parente e fica. Participa, convive e estabelece-se. Entende? É assim que funciona comigo. Tenho as minhas predileções, contudo mantenho-me ouvindo e curtindo tudo mais. Mas, é fato que as pessoas lembram de mim, também, por ser um fã de REM. Afinal de contas, o que faço aqui no blog do Finas? Falando do quê? Ora bolas, rsrsrs.

Para arrematar esse papo todo menciono a segunda vez deles aqui. Antes, em 2005, conheci uma moça que faz meu coração balançar mais uma vez. Nada estava dando certo nesse período. Conhecê-la foi uma virada pra mim. Namoramos durante quase três anos e nos programamos para morar juntos e tal. Seria o “segundo” casamento. Ugh! Como dizia a famosa canção: “pro inferno ele foi pela segunda vez”… Rsrsrs. Mais uma relação pro vinagre. O ano? Era 2008. Adivinhe quem viria naquele ano pro Brasil? Pois é… De novo, os caras para alentar esse jovem recém separado. Ou seja: a banda esteve e está em todos os momentos cruciais meus. Não havia como ignorar tanta ironia e capricho da vida. Foram quatro shows (dois em SP e um no RJ e em Porto Alegre). Daí vieram mais amigos, celebrações, etc. E um disco de encerramento (“Collapse Into Now” em 2011) por parte da banda. Um momento forte, mas essencial. Opinião minha.

O show do REM na terceira edição do festival Rock In Rio, na noite de 13 de janeiro de 2001: quase 200 mil pessoas cantaram junto com a banda; e CHORARAM quanto ela tocou “Losing My Religion”

 

 

PARTE REM EM CARREIRA

O contexto histórico e musical em que se encontra a banda REM é complexo, mas muito interessante. Como toda banda de mais de trinta anos (exatos trinta e um anos redondos) o REM passou por fases internas, mudança de gravadora, contratos novos, modismo no mercado fonográfico e tudo mais. Porém, comecemos ali no ano de mil e novecentos e setenta e nove. Os jovens Michael Stipe e Peter Buck se conhecem em Athens (berço da banda, na Georgia) numa loja de discos em que o guitarrista trabalhava. Michael descobrira que eles tinham gostos similares com a música. Sobretudo punk rock e pós-punk. Mike Mills e Bill Berry (baixista e baterista) estudavam na mesma universidade e tocavam juntos em bandinhas locais. Conheceram-se nessa cena pequena de Athens e resolveram montar a banda. O nome REM foi escolhido de forma aleatória num simples dicionário. Uma amiga de Stipe estava de aniversário marcado e a banda resolve tocar em celebração numa igreja abandonada (data de 5 de abril de 1980 – esse é o ponto zero da banda) que eles costumavam ensaiar. Dali gravaram o single “Radio Free Europe” pela Hib-Tone para ver o que rolaria. Fez um barulho além da expectativa chamando atenção da IRS Records (gravadora genitora deles que seria a responsável por tudo que eles fizeram nessa fase independente). Lançam o EP “Chronic Town” com cinco canções aceleradas e pungentes. Começam a arrebatar fãs pela cidade. Essa fase é de ouro. A banda começa a reputação de “cult” e de largos elogios pelas “colleges radios” (cenário independente dos EUA). Gravam em 83 o clássico “Murmur” (obra prima dessa fase considerada pela crítica) e batem “WAR” do U2 e, pasmem, “Thriller” de Michael Jackson! Simplesmente tornam-se imensos para a cena local e começam a fazer shows pelo país… A fama começa a crescer de forma incontrolável e à medida que eles faziam shows e gravavam mais discos a demanda do mercado e a crítica especializada começou a apelidá-los de “maior banda de rock dos EUA” ou “Number one with Attitude” (título estampado na Rolling Stone anos mais tarde). Seguem “Reckoning” (84), “Fables Of Reconstruction” (85), “Lifes Reach Pageant” (86) em sequência. As letras mudam, o tom político e contestador sobressaltam e há uma esperança nova nesses caras. O que pouca gente sabe é que no meio de 1985, na gravação de “Fables”, em Londres, a banda quase termina. Brigas no estúdio, discussões acerca do som e instabilidade emocional no estúdio quase puseram tudo a perder. Michael admitiu numa entrevista que foi difícil, mas necessário para a banda decidir o que queria e como seguiria. Dizem que o clima de Londres também deixou o clima soturno na época. De qualquer forma o tempo foi o maior aliado deles. Transformaram-nos no maior expoente americano em 87. Ano do último disco pela IRS: “Document”. Um discaaaaço. Dos singles, “The One I Love” e Its The End…”, sucesso imediato nas rádios também comerciais. Nesse mesmo ano a IRS percebendo que ia perder seu principal artista do catálogo relança o EP “Chronic Town” juntamente com uma coletânea chamada “Dead Letter Office” em CD – trabalho que constam os takes jogados fora e os lados B (sim, isso existia, rsrs) das canções lançadas além de algumas covers. Acho esse trabalho grandioso, inclusive. Estava óbvio que a banda precisava de uma grande gravadora. Muitas tentaram, mas eles fecharam com a Warner. Dizem que o contrato girou em torno de dez milhões por cinco discos. A banda já tinha excursionado desde 1983 pra fora dos EUA. Fez Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Espanha, Holanda, etc. Flertavam com a Ásia e Oceania. Em 1988 gravaram “Green” (na impressão da capa há um erro com a letra “R” e o numeral “4) e entraram em todas as paradas europeias e americanas com “Stand”, “Pop Song 89” (uma sátira com “Hello I love You” dos Doors) e “World Leader Pretend”. O álbum torna-se um sucesso comercial e uma turnê fez-se necessária. Excursionaram por desgastantes meses. Stipe adotou um corte moicano terrível em seu cabelo (Sim, ele ainda tinha bastante cabelo!) e abraçou causas ambientais e políticas pelo mundo. Esse registro vale muito a pena. “Tourfilm”, o registro em questão, existe em VHS e DVD. Pra quem é fã é quase uma obrigação ter. Resolvem descansar após essa turnê (iniciada em 88 e finalizada quase em 90), a primeira pela nova gravadora. Nessa época, a América Latina já escutava esses dois discos (“Document” e “Green”). Sem a banda e o mercado saber, há um terreno sendo preparado ao Brasil, inclusive. Quando voltam ao estúdio gravam o seu álbum de maior sucesso mundial – “Out Of Time” – um sucesso à moda Beatles. Estouro, fãs, MTV, fama e inúmeros prêmios. Chefiado por “Losing My Religion”, “Radio Song” e “Shinne Happy People”. No Brasil o clipe de “Losing My Religion” tocou mais do que qualquer outra canção. E, assim começa a nova fase da banda. Fãs dessa geração noventista e MTV se apaixonam pelos caras e a banda alcança o patamar de GIGANTE. É importante salientar duas coisas aqui: 1) o sucesso veio de forma natural sem se vender nem abrir concessões. 2) o som do REM nunca mudou em busca disso ou daquilo. Desde o “Green” a sonoridade deles já havia desacelerado. Culminando em “Out Of Time” e no álbum seguinte: “Automatic For The People” de 1992. Um tapa na cara da crítica que esperava outra coisa do REM… Era a fase “grunge” no mundo. Eles vieram com um disco quase acústico e recheado de metais e cordas com participação da Orquestra Sinfônica da Georgia. A Warner quase teve um treco. Mas as boas vendas e a resposta dos fãs acalmaram tudo. Desse álbum “Drive”, “Man on The Moon” e “Everybody Hurts” desbancam várias canções nas paradas. “Man on The Moon” é lançada também para promover o filme sobre o comediante Andy Kaufman (uma celebridade televisiva americana que morreu precocemente com apenas 35 anos de idade, sendo que a música é dedicada a ele), que chegava aos cinemas. A banda tinha uma queda pelo controverso humorista. “Everybody Hurts” emociona mulheres e homens. Muitos machões choraram com a letra e chegou-se a se falar pela América que aquela era a música “masculina” (não faço ideia do que isso queria dizer, juro!) mais triste do planeta. Por mais louco que possa ser a banda resolve não excursionar para divulgação do disco. Também não o fizeram em “Out Of Time” (apenas deixaram as TVs e lojas venderem e recolheram todos os louros disso). Uma decisão que só pode ser tomada por uma banda que tenha maturidade, culhão e banca pra botar. E eles tinham isso. O tão citado título de “number one with Attitude” não era em vão. Essa atitude era sempre de conversar e deixar claro que o trabalho e postura não iriam mudar. Sem apelos ou vulgaridade com seu som em nome de um mercado. Posso assegurar (quebrando a janela, gente) que isso foi feito em toda carreira. Talvez, exceção feita em “Monster” (1994) onde eles toparam distorcer e afiar as guitarras numa época que as bandas de rock mais novas faziam. Mesmo assim fizeram à moda deles, rsrsrs. Gostaria de abrir um enorme aposto aqui: os produtores da banda sempre foram importantes e considerados “amigos” do coração. Começou com Mich Easter (frontman do Let’s Active) na fase independente, chegou em Scott Litt (grande Scott!) na fase Warner e, tida por muitos como a melhor de um produtor, passando pela produção de LUXO de John Paul Jones (baixista do Led Zeppelin) em “Automatic…” e Pat McCarthy. Verdadeiros mágicos, parceiros e responsáveis pela sonoridade que eles sempre buscaram nos álbuns. Tenham certeza disso. Produção musical é a parte essencial para dar vida ao que o artista criou. Fundamental.

Bom, voltando ao álbum seguinte: “Monster” vendeu bem e aproximou a banda de outros públicos. Dentro desse disco tem “Let Me In” (canção dedicada a Kurt Cobain) em homenagem ao líder do Nirvana, que havia se matado em abril de 1994. O trabalho também rende homenagem ao ator River Phoenix, morto naquele ano também, vítima de uma overdose. Nessa época começa a “Road Movie” outra turnê clássica e importante da banda. Ali eles puderam incluir nos shows as canções mais pesadas deles feitas nesse disco. O resultado foi incrível. Mesclaram de maneira acertada o set list da turnê. Esse registro existe em DVD, outra peça importante pra fãs. Em 1996 eles lançam “New Adventures In Hi-fi”, o último do contrato com a Warner. As vendas não são boas e há a primeira “pressão” em cima da banda. Apesar da sonoridade desse disco ser bem “on the road” há uma gama de teclados e pianos ganhando luz no som deles e isso irritou uma turma radical (críticos e fãs) fazendo com que o álbum fosse duramente criticado. O mais engraçado disso é que eu considero esse um belo registro. Acho-o superior ao “Monster”, inclusive. Mas, a crítica não enxergou assim. Fica aqui a minha imane discordância. É um disco de viagem mesmo. Experimente ouvi-lo na estrada. Putz… e ali tem canções ótimas como “Undertow”, “Binky The Doormat”, “E-Bow Letter” (com participação de Patti Smith nos vocais), “Be Mine” e “New Test Lepper”. Enfim… foi subestimado pelo mercado. Nesse disco acontece aquilo que nenhum fã deseja: sai um membro fundador. Bill Berry, exausto e de saco cheio decide deixar a banda e dedicar-se a sua fazenda (sendo que na turnê do álbum anterior, “Monster”, o baterista teve um pequeno AVC ao final de um show, o que fez com que ele desmaiasse em pleno palco, episódio que também contribuiu para sua saída do grupo). A banda sente o golpe. Muito. Eu senti também. Nunca pensei que isso poderia acontecer. Juro. Achava que os quatro iriam juntos até o final. Mas o fato é que Bill Berry pede as contas e se manda. Segue amigo e irmão deles, mas longe de qualquer estrelato. Importante comentar: a banda NUNCA substituiu o músico. Sempre trabalhou com bateristas contratados. Nunca receberam alcunha de “membro REM”. Outra coisa fundamental nos caras. Sempre assinaram os quatro. Eu disse “os quatro”, autorias de todas as canções. Assim era dividido igualmente sempre. Outra faceta de credibilidade e caráter da banda. Raro hoje, né? Nesse climão eles assinam um novo contrato com Warner por mais cinco discos sob a bagatela de R$ 80 milhões!!!! Uow! Um sucesso de renovação. Repito: somente porque era o REM. A banda sempre se posicionou e bancou seu som. Em 1998 eles lançam “Up”. Uma retomada boa nas vendas e com algum sucesso nos EUA e na Europa. Excursionam incansavelmente por países mais distantes e fora de rota das grandes bandas. Outro fator deles. Nesse disco canções como “Daysleeper”, “At My Most Beautyful” (Mike Mills compõe um lindo arranjo nos teclados) e “Lotus” alcançam o público. Nessa altura do campeonato o REM já tinha renovado seus fãs… São pessoas que gostam da fase da Warner primeira e essa segunda. São distantes um pouco da fase independente. Isso é comum em bandas com mais de vinte, trinta anos. E é cool. É importante, sobretudo. Em 2001 eles lançam “Reveal”, um disco redondo, ensolarado e bonito. Acertam a mão e a crítica e as vendas ficam condizentes. Os rapazes voltam ao trilho. E aí vai acontecer algo inédito pra gente aqui do Brasil: a banda vem no mês de janeiro de 2001 ao Rock in Rio. Simplesmente fazem um dos melhores shows do Festival e ganham o dobro de fãs no país. Os músicos nunca mais esqueceram aquela noite. Foram quase 200 mil pessoas uníssonas cantando e entoando gritos. Michael ficou bêbado com caipirinha e foi pro público. Uma leve confissão aqui (quebrando a parede pela segunda vez): eu estava nas primeiras filas e cocei a careca de Stipe. Visivelmente emocionado. Foi uma catarse! Quem foi nunca esquece. Ali eu resgatei um “furo”: The Lifting” e “She Just Wants to be” foram executadas ao vivo pela primeira vez no MUNDO. Sim, isso que você leu: o Rio de Janeiro (e o Brasil) foi o primeiro lugar na Terra que eles tocaram essa duas canções, já que o disco só saiu cinco meses depois. O que deixou os fãs mais excitados com o que viria no álbum. Estabelecido de volta ao bom caminho a banda lança mais um disco: “Around The Sun” de 2004. Um trabalho honesto repleto de teclados, pops duvidosos e ousadia em outras sonoridades. O resultado é bom para as vendas, mas a crítica torce o nariz. Eu também acho esse trabalho um dos menores. Tem coisas ali como “The Outsiders”, “Aftermath”, “Leaving New York” e “Electron Blue” que são hinos. Lindos! Mas, tem outras derrapadas ali bem feias. Não vou citar para não depor contra. Mas eles erraram feio na minha opinião. Os novos fãs curtem e nem ligam. No fim de tudo é isso que importa, não? Em 2007 eles entram pro Hall Of Rock And Roll Fame, importante e definitiva homenagem a uma banda de rock. Comparecem e entregam tal honraria Patti Smith e Eddie Vedder no palco. Bill Berry (ex baterista) é convidado e comparece. Depois de muito tempo toca com seus antigos amigos. Um ano de celebração. No ano seguinte eles lançam “Accelerate”, o décimo quarto da carreira. Um retorno bom às guitarras e distorções além do bom e velho rock antigo que eles faziam no começo. Dali canções como “Living Well is the Best Revenge”, “Accelerate” (faixa título), “Man-Sized Wreath” e “Mr. Richards” se destacam. Um bom trabalho dos rapazes. Disco enxuto e direto. Exatamente como eles (bem) faziam no começo. Em 2010 entram em estúdio para gravar o último disco: “Collapse Into Now”. Lançam em 2011 e vendem de maneira satisfatória. A partir daquele momento a banda encerrava quaisquer obrigações contratuais com a Warner. Obviamente existem inúmeras coletâneas, registros oficiais ao vivo, compilações, boxes especiais, etc… Minha intenção foi fazer um apanhado básico e específico dos discos de estúdios. Na internet tem material de sobra para você saber, conhecer, escutar e se aprofundar sobre o REM. Está tudo aí. Basta começar. Pra fechar: nesse ano do último disco, em 2011, a banda em seu site oficial escreve uma nota e encerra as atividades. Deixou um buraco no peito dos fãs, mas eu entendi. Foram trinta e um anos de trabalho, arte, viagens, hotéis, discos, shows, aeroportos e tudo mais. Um carreira bonita e ímpar. Ficou demais… E, como eles mesmo disseram e profetizaram: Its the end (and i feel fine)! Não é mesmo? REM, senhoras e senhores! Clap! Clap! Clap!

 

PARTE GREEN CONTEXTO

Contextualizar o álbum Green dentro do som da banda e do rock é complexo e torto ao mesmo tempo. Prefiro ambientar em termos da banda. O mundo nessa época vivia uma enxurrada de possibilidades musicais: havia de tudo um pouco. Inclusive a dance music (gênero que se solidificaria anos mais tarde). Mas a banda havia feito cinco álbuns de estúdio (além de um EP e duas coletâneas) pela IRS e estava insatisfeita com a distribuição externa dos trabalhos feitos. Nessa época surgiram convites de diversos selos, mas a Warner levou Stipe e cia. com a promessa de imensa distribuição e “liberdade criativa” para a banda. Martelo batido. Era hora de gravar o que seria o “Green”. Apesar do nome a capa (feita pelo artista Jon McCFerrty ) saiu na cor laranja. Alguns dizem que se apertar os olhos algumas vezes a visão embaça e aparece o “verde”, rsrsrs. Eu já fiz isso e deu certo, rsrsrs. Mas decerto que existem algumas edições lançadas com um tom mais amarelado também. A capa recebeu um tratamento especial e foi um grande trunfo para as vendas. Mas retornando ao processo criativo deles, os integrantes disseram que na época resolveram criar sem nenhuma necessidade de soar como o “velho REM”. Queriam um álbum mais experimental. E foi o que fizeram mesmo. Tanto que trocaram os instrumentos e batizaram os lados A e B (A seria o lado ar e B seria o lado metal). A ideia era eletrificar bem o primeiro lado e deixar acústico o segundo. Entraram acordeão, bandolim, violoncelo e percussão para ajudar a fazer o som experimental quisto pelo produtor Scott Litt e pela banda. As letras das canções tornaram-se mais satíricas e cínicas. Michael Stipe gravou os arranjos de sua voz depois dos outros. O resultado ficou na medida para a gravadora. No ano de 1988 havia uma disputa eleitoral entre republicanos (Bush) e democratas acirrada. E os membros do REM entraram de sola em Bush. Isso ajudou mais ainda o lançamento do álbum. O público gostou e comprou o discurso deles. Tanto que canções como “World Leader Pretend”, “Orange Crush” e “Haitshirt” caíram no gosto americano. Pungentes, cínicas e diretas. A banda tinha uma qualidade e jeito em passar sua mensagem de maneira criativa e harmoniosa. O líder do “The Divine Comedy”, Neil Hannon, afirmou numa entrevista que esse álbum era um dos seus prediletos. E que o protesto e a ideia deles era algo que só eles sabiam fazer de forma tão competente e distinta. Soava diferente. Kurt Cobain listou “Green” como um dos seus 50 melhores discos. Algo controverso, inclusive. “The Wrong Child”, “I Remember California” e “You Are Everything” acertaram os fãs mais antigos. Muitos consideram essas verdadeiras profecias do que seria o “Out Of Time” três anos depois. De algum modo elas soam mesmo como um embrião. “Pop Song 89” (uma sátira com os Doors), “Stand” e “Get Up” deram o tom mais pop e irônico do disco. Foram usados dois estúdios para gravação: Ardent Studios (Memphis) e Bearsville Studio (Nova York). Processo que tornou-se natural depois, pois certas canções necessitavam de mixagens diferentes e outras foram finalizadas conforme o potencial de cada estúdio. Duas ficaram sem nome no fim. “Untitled” foi uma delas e assim ficou no disco. “Turn You Inside-Out” e “Orange Crush” precisaram de mixagens distintas também. Scott Litt trabalhou incansavelmente nos estúdios dando acabamento bacana. A produção de “Green” foi a primeira dele com a banda. Uma parceria de ouro na história do REM. Quem é fã sabe disso. Feito e lançado o álbum a banda partiu para uma das turnês mais importantes e históricas, a famosa “Tourfilm” (1988). Foram onze meses de estrada e show. O registro encontra-se em VHS e DVD (tenho ambos). Vale a pena. A performance do REM é única. O moicano de Stipe é um diferencial também. E a banda estava em forma. Recomendo muito esse registro. O disco foi remasterizado em 2013 para o 25º aniversário e adicionado o ao vivo “Live in Greensboro” de 1989. Esse ano o disco completou 30 anos. Um salve enorme para esse que foi o primeiro disco da banda pela Warner (sexto na carreira) e que soou mais experimental do que o público poderia supor. Gostaria de acrescentar uma coisa: como fã, nesse disco, há duas canções que fazem parte do meu rol de favoritas: “World Leader Pretend” e a lindíssima “I Remember California”. Dois petardos dignos de banda GIGANTE! Salve Green, salve REM!

 

(Leo Rocha, dileto amigo carioca há mais de uma década do autor deste blog, tem 41 anos de idade e se formou em publicidade. Blogueiro, apresentador de programa em web rádio e autor de três livros de ficção, mora no Rio De Janeiro, onde nasceu. O REM é a banda da sua vida)

 

 

A POSTAGEM TRISTE DESTA EDIÇÃO, ANUNCIANDO O FECHAMENTO DO CEMITÉRIO DE AUTOMÓVEIS (O BAR DO QUERIDÃO DRAMATURGO E ESCRITOR MARIO BORTOLOTTO, EM SP) E TAMBÉM (E NOVAMENTE) DO MATRIX ROCK BAR

É isso. Em tempos absolutamente sombrios e tenebrosos, com a cultura pop entregando os pontos, o rock indo pro museu e o Brasil BOÇAL aguardando a posse do futuro PIOR presidente que o país já teve, as notícias cruéis continuam se sucedendo: o Cemitério de Automóveis, misto de bar e teatro administrado pelo dramaturgo, poeta, ator e cantor Mário Bortolotto, encerra atividades no próximo dia 5 de dezembro. Funcionava há alguns anos na rua Frei Caneca, centro de Sampa, e era (e ainda é, ao menos até a semana que vem) um dos espaços culturais alternativos mais incríveis da capital paulista.

O blog vai muito ao “Foda-se” (a denominação mega carinhosa e genial que a sereia linda e loka do nosso coração, a gatona e também escritora Flavia Dias, dá pro bar). Estivemos lá na sexta-feira passada inclusive. Estava bem cheio, o que não vinha ocorrendo nos últimos tempos porque o país está quebrado e as pessoas estão sem grana pra curtir uma noitada num espaço legal bebendo boas brejas e ótimos drinks. Mas enfim, Marião mantinha o espaço há alguns anos já. E sempre está lá nas madrugadas, na sua cadeira cativa na indefectível mesa ao lado do balcão onde a clientela é atendida pela Silvia e (eventualmente) pelo Linguinha. O Cemitério acabou aglutinando uma turma hoje em dia rara na noite paulistana: homens e mulheres mais adultos (na faixa dos 30-50 anos de idade) e apaixonados por ótima música (volta e meia rolam sets acústicos por lá), ótima literatura (uma micro livraria funciona dentro do bar) e também ótimo teatro: há igualmente lá dentro um espaço para encenação de peças e onde geralmente Marião encenava, atuava e dirigia os próprios textos, que eram interpretados por atores de sua trupe teatral (estas linhas bloggers nunca se esquecem da montagem sensacional que assistimos lá, anos atrás, de “Mulheres”, baseado no livro homônimo do gênio Charles Bukowski, um dos nossos ídolos literários ad eternum. E do Mario idem).

E o povo que frequenta (va) lá é bem loki também. Mulheres insinuantes, libidinosas, ébrias, poéticas, cultas, inteligentes, nada recatadas, nada do lar. Todas gostosas, ousadas mas jamais vulgares e totalmente mega interessantes (na questão intelectual), daquelas que são pura transgressão, subversão e resistência cultural e que você, ao se deparar com elas tomando uma dose de gin ou uma taça de vinho, imagina que a mesma fará estragos irreversíveis em seu corpo sedento e carente durante um embate carnal feroz em alguma cama bêbada de hotel idem. Os caras que frequentam (ou frequentavam) ali também eram o que podemos chamar de “escória” e “marginais” perante a sociedade ultra careta e moralista sacal hipócrita destes tempos terríveis atuais: músicos, escritores, autores teatrais etc.

O autor deste espaço online conhecia Marião de nome há anos e já admirava seu trabalho de escritor, diretor teatral, poeta e ator de cinema mesmo antes de se tornar seu amigo pessoal, algo que acabou acontecendo há uns… 4 anos ou um pouco mais. Com o tempo descobrimos que por trás daquela rabugice e “ranzinzisse” toda existe um sujeito gente finíssima, de coração muito generoso e que sobreviveu sem ser auto piedoso de um assalto onde quase morreu após levar 3 tiros. Na medida do possível ajuda os amigos: pedimos a ele que escrevesse o texto para a contra-capa do nosso livro, “Escadaria para o inferno” (que foi lançado há exatamente um ano), e ele topou no ato. Somos gratos a ele por isso até hoje.

E nosso coração dói bastante nesse momento, ao escrever esse post falando do fim do “Foda-se”. As doses generosas e bem-vindas de Bell’s que o blog toma neste momento começam a aquecer a alma e coração, ampliam as sensações neuro transmissoras cerebrais e nos reconfortam ante o fato de saber que estamos perdendo mais um espaço cultural que vai fazer muita falta. Como já dito mais acima, estivemos lá na sextona passada. O bar estava cheio, o clima estava ótimo e acabamos até batendo um papo com a lindona, tesudíssima e ótima atriz (em filmes e no teatro, não a curtimos muito em seus trabalhos na tv “Grobo”) Maria Ribeiro (sim, Marião tem muita moral com o povo da tv, do cinema e do teatro pois convive com eles e é um autor mega respeitado). O zapper disse a ela que é fã de dois filmaços nos quais atuou: “Tolerância” (dirigido pelo “replicante” Carlos Gerbase, lá em 2000) e “Como nossos pais”, rodado ano passado pela Laís Bodansky.

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Trio rocker e literário de respeito MÁXIMO se encontra no bar e teatro Cemitério de Automóveis, no final de 2017: Zapnroll “cercado” pelo jornalista e escritor Fernando Naporano e pelo dramaturgo Mário Bortolotto (acima); uma semana atrás o autor deste blog encontrou por lá a sensacional atriz, feminista e gata bi incrível e dos sonhos de qualquer homem que se preza, a XOXOTAÇA Maria Ribeiro, aqui (e abaixo) em imagens nudes total delicious, extraídas do ensaio que ela fez para o amigo fotógrafo Jorge Bispo, onde a divina musa esquerdopata e nada pudica e do lar, mostra toda a exuberância de sua BOCETA PELUDAÇA, como toda xota decente e do inferno deveria ser, inclusive (sorry, idiotinhas de direita: vocês são “limpinhas” demais, “cheirosas” demais, DEPILADAS demais e SEM CÉREBRO algum; jamais chegarão aos pés das garotas de esquerda, especialmente na questão intelectual e cultural e na hora da FODA). Infelizmente o bar do Marião fecha na próxima semana, no dia 5 de dezembro. Vai deixar saudades!

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Todo mundo “comunista”, “de esquerda” e “do mal” no final das contas, né. Pois o bloog se ORGULHA de fazer parte dessa turma. E fará até o fim e até o derradeiro respirar. Afinal não há mais ilusões aqui, elas se perderam todas definitivamente quando cerca de 55 milhões de eleitores (a maioria deles BOÇAIS, trogloditas, selvagens, racistas, homofóbicos, misóginos, machistas, medievais de pensamento, machistas ogros, moralistas hipócritas e conservadores de extrema direita do inferno) elegeram para presidente do Brasil um nazi fascista que, além de total intolerante e ignorante, ainda é um evangélico FUNDAMENTALISTA. E esse pessoal ODEIA cultura e quem trabalha com arte e cultura. Para eles, incapazes de compreender e aceitar o que lhes foge do raciocínio binário e ultra limitado, cultura é “coisa de vagabundo e petralha”, ou se resume a ler a Bíblia, orar, PRAGUEJAR quem pensa diferente e assistir a novelas toscas ou séries religiosas da tv Record (a emissora do escroque Edir Macedo, que juntamente com outro pilantra evanjegue mor, Silas Malafaia, ajudou a eleger presidente o monstro da extrema direita). Nunca é demais lembrar: quando tomou o poder na Alemanha NAZISTA, Hitler quis ANIQUILAR toda a produção cultural passada do país. Mandou COLOCAR FOGO em milhões de exemplares de livros. E todos sabem como a história do nazismo e a da própria Alemanha acabou, ao final da segunda guerra mundial.

De modos que não se iludam: BolsoNAZI e seus seguidores BESTIAIS farão tudo o que for possível para EXTERMINAR a Cultura nesse miserável e triste Brasil. O desmonte já começou, mesmo antes da posse do nazi. Mário Bortolotto e seu sensacional Cemitério de Automóveis saem de cena um pouco antes. Quem sabe até para não sentir na pele o que está por vir em janeiro próximo.

Rip, querido Foda-se. Este jornalista loker se divertiu muito ali (ficamos bem lokos lá muitas vezes, a ponto de tirar Marião do sério e de dar trabalho pra ele, ahahahaha). Vamos sentir saudades. E antes que as portas e cortinas se fechem de uma vez por todas, ainda iremos baixar lá pra tomar a saideira. E MERDA para todos nós!

 

***E a outra baixa no circuito cultural e rock alternativo de Sampa é o fechamento (agora, definitivamente ao que parece) do lendário Matrix Rock Bar. Durante mais de duas décadas e sob o comando do brother Giggio, o Matrix animou as noitadas da Vila Madalena (zona oeste de Sampa), na rua Aspicuelta, sendo que este blog mesmo fez algumas festas e djs set muito bacanas por lá. Há cerca de três anos o espaço fechou, devido à alta um tanto quanto abusiva do valor do aluguel do imóvel onde estava localizado. Giggio porém batalhou novo espaço (com preço mais em conta na locação) e reabriu o Matrix na rua Inácio Pereira Da Rocha (também na Vila Madalena), onde funcionava até agora. Há algumas semanas, veio a notícia novamente tristonha e surpreendente: o Matrix fecha definitivamente suas portas no próximo dia 7 de dezembro. Ainda dá tempo de ir curtir por lá neste sabadão (1 de dezembro, quando este post está sendo enfim finalizado), e é o que o blog pretende fazer, para tomar uma breja e curtir os ótimos sets dos queridos amigos e djs Shiva On e Fabiano Bulgarelli. Depois, só na sexta da semana que vem e pela última vez. Rip Matrix! Foi muito bom enquanto durou e tornou nossas vidas rockers muito mais alegres, animadas e menos ordinárias do que elas são nos tempos atuais. Tempos que, pelo visto, só irão piorar e onde o rocknroll está mesmo deixando de fazer parte da vida noturna e cultural de uma cidade como São Paulo, infelizmente.

 

 

MUSA ROCKER DESTA EDIÇÃO – A ABSOLUTAMENTE TESUDA E AVASSALADORA SUE NHAMANDU!

Nome:  Sue Nhamandu

 

Nasceu em: 11/03/1984 em Campinas de parto natural nas mãos do meu tio avô obstetra Deodato.

 

Mora onde e com quem: com meu filho de 10 anos, o cabeça da gang, Pablo Miguel Nhamandu.

 

O que estudou ou estuda: sou formada em filosofia desde os 24 anos, mas leciono filosofia desde os 19, psicanalista e esquizonalaista em formação, sou mestranda em filosofia de gênero e pornografia pela Universidade Federal do ABC, e  pesquisadora convidada 2019 pela Universidade Toulouse 2 Jean Jaures, e vencedora do segundo prêmio select de artista educadora, ou seja, estudo o próprio estudar. Estudei teatro na Universidade Antropófaga com José Celso Martinez Correa, e teatro com Gerald Thomas.

 

O que faz profissionalmente: Sou a Pornoklasta, terapeuta orgástica, filósofa e desartista multimeios.

 

Três artistas musicais ou bandas: tenho um trabalho musical experimental que divulgo submidialógicamente através de avatares-persona como no projeto Domitila Mataha(cker)ari Pompadour Monroe, uma projeto de música tática e cyber feminismo que envolve música e artes visuais num contexto de hackeamento de identidade, mas entrei no meu teste no Oficina em 2011 cantando Casisa Listada, imitando Isaurinha Garcia e já vivi de cantar em pequenos bares periféricos, com alguns brothers no violão.

 

Três discos: Ando só numa multidão de amores (Maysa), Drama ato três luz da noite, (Maria Bethania) e Deus é mulher (Elza Soares). Elza e Wilson das neves: is so hard to tell whos going to love yoi best, Karen Dalton, Chets Billie.

 

Três filmes: Bin jip kim ki duk, Mutantes despentes, mi sexualidad es una creacion artística, Lucia egana (sombra) rojas.

 

Três livros: Crise da filosofia messiânica (Oswald De Andrade), Manifesto contrassexual (P B Preciado), O teatro e seu Duplo (Antonin Artaud), O que é filosofia  (Giles Deleuze), Água viva (Clarice Lispector) e (ufa!) Meta linguagem e outras metas (Haroldo De Campos).

 

Um diretor de cinema: Annie Sprinkle.

 

Um diretor de teatro: Artaud.

 

Um autor literário: Haroldo de Campos.

 

Um show inesquecível: Mutantes no Parque Do Ipiranga.

 

O que pensa sobre

 

Sexo: é uma criação artística.

 

Drogas: Isdeus.

 

Rocknroll:  Toca Raul!

 

Política: esquerda radical (ótimo!).

 

Relacionamentos: os éticos com cuidado de si e do outro.

 

Eleições presidenciais deste ano: Levamos uma solapada de mídia tática, a direita comeu as teorias todas e usou com capital neo liberal nossas ideias melhor que nós. Todos sabemos que o humanismo acabou. Não sou ingênua de acreditar que o problema é cultura e civilização. É hora de lutar, de reler o anti-édipo, de entender os desejos construídos, de combater o fascismo, de andar em bandos. Essas eleições foram o momento  histórico mais importante que vivi, nasci em 84, não esperava viver isso, só posso dizer que sobreviver e viver bem tem sido minha vingança contra um sistema que me queria natimorta, afinal sou mulhler cafuza não binária poliafetiva, pansexual, ativista feminista pró-sexo demi-sexual, latino-americana.

 

E como o blog conheceu Sue: como nosso dileto leitorado pode ver pelas respostas aí em cima, essa deusa GIGANTE é uma mulher AVASSALADORA em todos os sentidos (tão avassaladora que chega a dar medo, ahahahaha). Enfim ela nos foi apresentada por uma amiga querida em comum (a escritora e poetisa Rita Medusa), nos encantamos pelo perfil e pelo pensamento da garota, a convidamos para fazer ensaio para estas linhas eternamente e totalmente subversivas e abusadas ao máximo, e cá está o resultado. Apreciem sem NENHUMA moderação!

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Avassaladora, apenas isso

 

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O peito que te seduz é o mesmo que pode matá-lo em pequena, rápida e gloriosa morte…

 

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O espelho é o reflexo preciso e que jamais MENTE!

 

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A água escorre pelos poros. E Rimbaud, se vivo estivesse, sentaria toda essa beleza em seus joelhos, para admirá-la ad eternum

 

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Corpo relaxado mas também perenemente em chamas

 

 

FIM DE UM POST REALMENTE GIGANTESCO!

Com quase 80 mil caracteres de texto (uma autêntica bíblia!) este é o provavelmente o MAIOR post já publicado por Zapnroll em seus quinze anos de existência, o que demonstra que o fôlego destas linhas online continua inalterado.

Mas tudo precisa ter um fim, não é. De modos que paramos por aqui, e sendo que havia tanto material ainda a ser publicado que deixamos parte dele para a nossa derradeira edição deste triste 2018 que está chegando ao fim e prenunciando um 2019 absolutamente SINISTRO no Brasil. De qualquer forma no próximo post traremos sim as histórias dos shows que o blog viu na inesquecível Via Funchal. E também iremos falar do superb músico e guitarrista Dhema Netho, que residiu por 16 anos em Londres e agora está de volta ao Brasil, onde pretende retomar sua carreira. E claaaaaro, já temos a musa rocker pra fechar com chave de ouro este sombrio 2018: a delicious total Juliana Gelinskas (cujo aperitivo do ensaio futuro você vê aí embaixo).

Beleusma? Então até a próxima!

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(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 01/12/2018 às 22:20hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL e GIGANTE!!! Com papos sobre o novo disco do The Killers, sobre o Três Olhos Music Festival (que rola agora em novembro em Sampa, com show dos Mutantes), com recuerdos do Echo & The Bumnymen e uma ANÁLISE social zapper demonstrando por que o CRACK não vai ser derrotado no triste bananão tropical brazuca – Na sombria, imbecilizada e triste era pós-moderna, pós-revolução digital e quando a internet e a web produziram uma legião de IDIOTAS e praticamente MATARAM o rock’n’roll (emburrecendo e tornando igualmente idiotas bandas e ouvintes) o já velhíssimo (e desconhecido hoje em dia) quarteto psicodélico australiano The Church lança um disco primoroso e eivado de ambiências espaciais e melancólicas; um dos jornalistas gigantes da imprensa musical brasileira dos anos 80’e 90’, o amigo zapper Fernando Naporano fala ao blog sobre seu novo livro de poesia, que teve lançamento semana passada em Sampa; e mais uma renca de assuntos bacanudos sobre rock alternativo e cultura pop que você só encontra aqui mesmo, no espaço rocker online que está muito looooonge de ser “pobreloader”, hihihi (postão AMPLIADO e total CONCLUÍDO em 4/11/2017)

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A cultura pop e o rock mundial atual estão mesmo morrendo já que as novíssimas gerações de músicos e artistas em geral produzem apenas obras sem relevância alguma; assim cabe a veteranos como o quarteto australiano The Church (acima) continuar lançando discos com qualidade sonora quase sublime; a mesma qualidade encontrada nos versos dos poemas escritos pelo jornalista Fernando Naporano (abaixo, ao lado de Zap’n’roll e do dramaturgo Mário Bortolotto), nome lendário da rock press brasileira e que esteve essa semana em São Paulo para lançar sua nova obra literária

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MAIS MICROFONIA (com atualização e finalização das notas de cultura pop e rock em 4/11/2017)

***NADA DE NOVO NO ROCK MEIA BOCA DO THE KILLERS – Estas linhas zappers sempre consideraram a banda de Brandon Flowers como fazendo parte do segundo (ou até terceiro) escalão do rock americano dos anos 2000’. Fora que o vocalista possui um incorrigível complexo vira-lata de sub Freddie Mercury. No mais o rock do Killers é pretensioso, chumbrega, histriônico e histérico. Nada contra, tem quem ame. Finaski DETESTA e até tentou gostar, mas desistiu depois que viu a gig deles no finado Tim Festival de 2007 (lá se vão 10 anos…), numa noite que ainda teve Arctic Monkeys (com estes foi o contrário: o blog não suportava os macaquinhos e se apaixonou por eles depois de enlouquecer com o show). Tudo era pavorosamente cafona durante a apresentação do quarteto de Las Vegas: o cenário montado no palco, a performance da banda, o desempenho afetado e bisonho do front man. Zap’n’roll não agüentou meia hora e caiu fora dali (já eram 4 e meia da manhã quando decidi ir embora) pois queria meter a napa em cocaine (e meteu, assim que encontrou a dita cuja na biqueira onde foi buscar) depois de estar “trêbado” de vodka com energético (o blog estava credenciado e com acesso a uma área onde estava rolando open bar; foi um DESASTRE, claro, rsrs). Voltando aos “matadores”: o grupo existe há 16 anos, Flowers tem 36 de idade e pelo jeito não irão mudar a sua forma de pensar e fazer música. “The Man”, o primeiro single do novo álbum deles (“Wonderfull Wonderfull”), o primeiro em cinco anos inclusive, tenta emular rock com nuances dance ao estilo Bowie na fase “Fame” ou “Scary Monsters”. Mas é frouxa. O segundo single do novo trabalho, “Run for Cover” é um pouco melhor e mais acelerado/agressivo no instrumental. Mas ainda assim peca pelo excesso de cafonice (inclusive no vídeo promocional). Ou seja: Killers já deveria ter desistido. Numa era (a da web e dos anos 2000’) onde o rock definitivamente morreu e onde a música pop virou uma mixórdia gigante (com pop stars surgindo e desaparecendo aos borbotões diariamente, ao sabor do número de views e likes dos fãs em redes sociais e no YouTube), a turma de Brandon Flowers não vai renovar seu público com o som chocho e imutável que faz há década e meia – e que rendeu inclusive apenas 5 cds até hoje, prova da enorme dificuldade que o conjunto possui em compor. Pede pra sair, Brandon!

 

***O disco novo (para audição na íntegra) e os novos singles promocionais dos “Matadores” aí embaixo para quem quiser conferir.

 

*** JÁ ECHO & THE BUNNYMEN POSSUI AQUELE BRILHO INTENSO E ETERNO DE GENIALIDADE ROCKER, E QUE NUNCA MAIS IRÁ SE REPETIR – o blog zapper sentiu uma vontade enorme de falar agora sobre o Echo & The Bunnymen. Talvez porque tenha tocado a imortal e indescritível (em sua melodia, beleza poética e sonora imbatíveis e gigantescas) “The Killing Moon” há pouco na rádio classic rock (yep, ela e os “homens coelho” já se tornaram… classic rock, rsrs) da TV Net. Sim, a música cansou de tocar em tudo quanto é lugar (rádios, pistas de dança dos porões unders e nem tão unders assim de casas noturnas Brasil e mundo afora) nas últimas três décadas. Se tornou carne-de-vaca até. Mas quando você fica algum tempo sem ouvi-la e do nada se depara com aquela progressão de acordes, aquela melodia bordada com arranjos sublimes de cordas, numa sonoridade que vai se desenvolvendo em um crescendo algo estóico e grandioso até explodir em um solo magnífico de guitarra, você se surpreende pela milésima vez e se pergunta: como uma banda conseguiu compor tamanho brilho intenso de genialidade rocker? E por que isso não se repete mais na história da música e do próprio rocknroll? Aliás onde foi que o rock dos anos 2000’ e da CRETINA era da web começou a dar errado e afundou de vez na mediocridade, se tornando irrelevante e quase morto para as gerações atuais (tão estúpidas quanto o próprio rock em si dos dias de hoje)? Além de sua beleza imensurável, “The Killing Moon” também possui uma letra que é de um torpor poético inigualável. E por fim, é cantada por um vocalista que SABIA, ele mesmo, ser um dos cantores mais PORTENTOSOS do chamado pós-punk inglês. Além de tudo a música é apenas UMA das insuperáveis faixas de um disco insuperável na carreira do próprio Echo: “Ocean Rain”, o quarto álbum de estúdio do quarteto (que ainda tinha o sublime guitarrista Will Sergeant, o baixista fenomenal que era Les Pattinson e o batera monstro que era Pete De Freitas, uma formação dos sonhos de qualquer rocker e do inferno para se ouvir e ver ao vivo) e que saiu em maio de 1984. Irrepreensível da primeira à última música, está eternamente na nossa lista pessoal dos dez melhores discos de rock de todos os tempos, apenas isso. Não se gravam nem se lançam mais LPs como esse. E nem existem mais bandas assim. E nem vai existir, pode esquecer. Você escuta “The Killing Moon” e pensa com total horror no que existe hoje em dia: Imagine Dragons, The 1975, War On Drugs e DROGAS gigantes e semelhantes. Não dá nem pra comparar, é covardia, além de dar PENA da molecada atual por conta do que ela tem para ouvir em termos de música. O único senão que nos entristece em relação aos “homens coelho” é que nem Ian “Big Mac” McCulloch e nem Will souberam a hora de parar com tudo. Assistimos a pelo menos uns cinco shows do grupo ao longo de mais de 30 anos de jornalismo musical. A primeira vez (com a formação ainda original e clássica), em maio de 1987 no Palácio do Anhembi em Sampa, foi algo COLOSSAL. Depois, em 1999 (e com o conjunto já sem o baixista Les Pattinson e o batera Pete, que morreu em um acidente de moto uma década antes), já não foi nem de longe a mesma gig sublime mas, ainda assim, o blog se emocionou lá na finada Via Funchal. E na sequencia o Echo começou a vir a todo instante pra cá, os trabalhos inéditos que foram lançando se tornaram cada vez piores e vergonha alheia perto do que já haviam gravado nos anos 80’, a voz TROVEJANTE de mr. Big Mac (detonada por cigarros, álcool e drugs) foi pra casa do caralho e a última vez que os vimos ao vivo (em 2000’e alguma coisa, naquela porra longe pra cacete que é o Citibank Hall) foi um de sas tre. Cansamos ali da banda, que já rastejava como um moribundo ou doente terminal. E assim permanece até o momento, ao que parece. Mas sentimos saudades gigantescas e insuperáveis do Echo & The Bunnymen dos anos 80’. E de tudo que vivemos e ouvimos ao som deles. Éramos jovens (tinha 22 anos de idade quando “Ocean Rain” foi lançado), apaixonados por poesia, por grande rocknroll, e loucos para viver, loucos para amar, loucos para escapar para qualquer lugar bem longe da mediocridade existencial e do horror humano cotidiano. Por isso vamos amar e venerar para sempre uma canção clássica e imortal como é “The Killing Moon”. Estávamos vivos e jovens na hora, no momento certo, no tempo certo. E agradecemos aos céus por isso. Amém.

 

***Ficou de bobeira no feriadão de Finados em Sampa? Então anota na sua agenda para este sabadão (4 de novembro, quando o postão zapper está sendo finalmente concluído): tem mais uma edição do sempre bacaníssimo festival under “Volume Morto” e que acontece no Espaço Zé Presidente, na Vila Madalena (zona oeste da capital paulista). Vão rolar gigs do sempre ótimo Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, do músico curitibano Giovanni Caruso e mais uma renca de atrações legais, sendo que você pode conferir todas as infos aqui: https://www.facebook.com/events/1555874571102714/.

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Jonnata Doll canta à frente dos Garotos Solventes nesse sábado, em show em Sampa (foto Jairo Lavia)

 

***Outro fest bacaníssimo que rola agora em novembro em Sampa é o Três Olhos Music Festival, que acontece no próximo dia 25 de novembro, sábado em si, a partir das três da tarde no Tropical Butantã (zona oeste de Sampa). Vai ter como headliner o sempre imperdível show dos Mutantes (um dos nomes GIGANTES da história do rock mundial), além de participações de grupos da novíssima safra indie, como o Bike. Como as gigs irão começar e acabar cedo dá tempo de você curtir o evento de caráter bastante psicodélico e depois ainda ir conferir o lançamento do livro “Escadaria para o inferno”, na Sensorial Discos. Tudo sobre o Três Olhos Music Fest você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/121708945128350/.

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O gigante Mutantes, a principal atração do Três Olhos Music Festival, que acontece agora em novembro em São Paulo

 

***E por enquanto é isso, fechando a atualização das notas microfônicas, rsrs. Continuem lendo o postão que lá pra semana que vem voltamos na área com post inédito, beleusma? Então ta!

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, o rock, shows, discos, livros, filmes, TV, comportamento etc.)

 

***O blog zapper já está em ritmo total e louco de lançamento do livro “Escadaria para o inferno” e sobre o qual você já leu bastante aqui mesmo, em nosso post anterior. Mas agora é oficial: o primeiro livro escrito pelo jornalista eternamente gonzo, loker e rocker, será lançado com festão dia 25 de novembro na Sensorial Discos/SP (que fica lá na rua Augusta na parte em que ela corta lo chiquérrimo bairro dos Jardins), em evento que promete ABALAR a noite alternativa paulistana. Já há página oficial da festona aberta no Facebook e onde você pode conferir absolutamente todos os detalhes sobre a mesma. Vai aqui: https://www.facebook.com/events/135199137131252/?active_tab=about.

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***Beck Hansen está de volta finalmente. O pequeno gênio americano que encantou o mundo nos anos 90’ com sua até então inédita e inimaginável combinação de hip hop com folk music lançou há pouco “Colors”. É o décimo terceiro trabalho de estúdio do rocker loiro, saiu há apenas duas semanas e estas linhas bloggers poppers ainda não escutaram o dito cujo por inteiro, mas farão isso o quanto antes. E você pode ouvir o cd todo aí embaixo, sendo que como todo mundo já sabe ao menos o primeiro single do álbum (a fodástica “Dreams”) é bom pra carajo.

 

***E Noel Gallagher aproveitou sua passagem pelo Brasil (abrindo as gigs do U2 em Sampa) e foi parar no programa do Danilo Gentili! Não, você NÃO leu errado. O sujeito que passou vinte anos comandando o Oasis foi no talk show noturno do SBT, onde deu uma entrevista pra lá de hilária. E que você pode conferir a dita cuja abaixo:

 

***Um BOCETAÇO moreno mineiro. Quem é ela? Segredo, por enquanto. Mas é amiga zapper de Belo Horizonte, onde dividiu com o velho jornalistas loker brejas, sessão de cinema e a CAMA no último feriado. Ela tem vinte e quatro anos de idade, AMA o velho safado e degenerado que é Charles Bukowski (como nós amamos também, aliás foi a literatura do célebre escritor americano que uniu Zap’n’roll e a deusa morena mineira para um finde de papos, brejas e sexo incendiário, rsrs) e grande rock’n’roll e gigante MPB. O zapper perdeu o juízo pela garota, claro. E está tentando convencê-la a ser a próxima musa rocker destas linhas online. Fiquem na torcida pra que a gente consiga. Porque ela é uma XOTAÇA inigualável!

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Fã do velho ordinário e safado essa DEUSA morena mineira (acima e abaixo, após ser devorada na cama pelo jornalista loker calhorda) enlouqueceu o zapper canalha há duas semanas na capital mineira, durante uma noite de brejas, sessões de cinema e TREPADA infernal onde a divina PUTA de tetas sublimes e xoxota idem, após gozar SENTADA no pau grosso zapper, ficou de quatro e pediu: “ME FODE!”. Ela é uma garota delicious total, linda, inteligente ao cubo e o blog está tentando convencê-la a posar como nossa nova musa rocker; portanto torçam para que ela aceita porque a mineirinha é mesmo um bo ce ta ço!

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***Postão do blogão entrando no ar em ritmo de correria total já na noite de quinta-feira. Então vamos ampliando e atualizando aos poucos as notas aqui na sessão Microfonia, beleusma? Mas enquanto essa ampliação não vem vamos aí embaixo falar do novo discaço de uma veteraníssima banda do rock planetário, o ainda genial The Church.

 

 

HÁ QUASE QUATRO DÉCADAS NA ATIVA, O ROCK PSICODÉLICO DO AUSTRALIANO THE CHURCH AINDA SE MANTÉM VIVO E GRANDIOSO

São quase quarenta anos de atividade e de rock’n’roll nunca menos do que ótimo. Surgido na Austrália em 1980, o quarteto The Church lançou alguns dos melhores álbuns do rock psicodélico de guitarras do mundo entre as décadas de 80’e 90’. Ameaçou se tornar um grupo gigante (quando estourou com o disco “Starfish” nos EUA, em 1988) mas seu rock de caráter reflexivo, melancólico e espacial, além das letras que eram quase poemas simbolistas de desalento amoroso/existencial (todas escritas e cantadas pelo líder, baixista e fundador do conjunto, Steve Kilbey, um apaixonado por poesia maldita e simbolista francesa de nomes como Lautréamont, Rimbaud e Baudelaire), encontrava enorme receptividade junto à critica musical mas nem tanto junto aos milhões de ouvintes que sustentavam as vendagens de discos. Assim a “Igreja” foi a “promessa” que acabou não dando certo, em termos mercadológicos – deu apenas no citado “Starfish”. Isso no entanto não determinou jamais o fim das atividades do quarteto. E ele se manteve e se mantém ativo até os dias atuais, lançando ainda ótimos trabalhos. Como o seu novíssimo cd de estúdio, que saiu há apenas duas semanas. “Man Woman Life Death Infinity” chegou às lojas em sua versão física (lá fora, aqui sem previsão de lançamento) no dia 10 de outubro. É um disco belíssimo e algo tristonho. E com uma qualidade musical e textual que NÃO se consegue encontrar na produção dos grupelhos atuais. O que não é pouco em se tratando de Church, cujos integrantes já passaram dos sessenta anos de idade (o baixista, letrista e vocalista Kilbey está com sessenta e três).

Claro, a pirralhada ultra informada (eivada de informações inúteis, na verdade) e burra da geração web nem deve saber mais o que é ou o que foi The Church. E Zap’n’roll conheceu e conhece a banda há muuuuuito tempo. Há mais de trinta anos, para ser mais exato: em 1986, quando o autor destas linhas rockers/bloggers estava iniciando sua trajetória como jornalista musical, o então pequeno selo RGE (braço da gigante Som Livre, que pertence até hoje ao conglomerado Globo de comunicação) e que era especializado em música sertaneja (!!!), do nada adquiriu os direitos para lançar no Brasil dois LPs de um novo grupo de rock australiano que estava sendo considerado pela rock press gringa como uma das promessas da nova safra de bandas de guitar rock de então. Foi assim que saíram por aqui “The Blurred Crusade” (o segundo disco do grupo, de 1982) e “Remote Luxury” (editado em 1983). Os dois acabaram indo parar nas mãos do jovem jornalista zapper, que àquela altura havia começado a receber os primeiros “suplementos” de LPs que as gravadoras enviavam regularmente aos críticos musicais, para que estes endeusassem ou destruíssem os ditos cujos em suas análises publicadas em jornais e revistas. Pois o autor deste blog enlouqueceu quando escutou a pequena obra-prima que era/é “The Blurred…”, um álbum eivado de acepções folksters e também psicodélicas, com melodias perfeitas, guitarras poderosas, baladas belíssimas e um vocalista que transmutava poesia simbolista em versos pop, cantados com a dolência e doçura vocal de um Rimbaud transfigurado em um amalgama de Jim Morrison com Bob Dylan. Era IMPOSSÍVEL não se quedar de paixão louca pelo LP e assim o jovem repórter musical passou a acompanhar todos os passos seguintes do The Church.

Esses passos renderam os discos “Heyday” (de 1985) e “Starfish”, lançado três anos depois. A essa altura o Church já havia ultrapassado as fronteiras australianas e angariava cada vez mais fãs na Europa e nos Estados Unidos, onde o som do conjunto passou a ser tratado pela imprensa como “the next big thing” do rock’n’roll planetário. E “Starfish”, gravado pela formação clássica do quarteto (além de Kilbey no baixo e vocais também havia os ótimos guitarristas Peter Koppes e Marty Wilson-Piper, além do batera Richard Ploog) e puxado pelo belíssimo e melancólico single “Under The Milky Way”, invadiu as rádios do mundo inteiro, Brasil incluso (o que permitiu que a banda viesse se apresentar aqui em outubro de 1988). Aclamado pela imprensa e adorado pelo público americano, o Church estava mesmo se tornando a bola da vez no rock mundial.

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O novo disco do australiano The Church: há quase 40 anos na ativa e ainda fazendo rock’n’roll sublime

 

Mas algo deu errado no meio dessa trajetória. Os muitos trabalhos que se seguiram ao estrondoso sucesso alcançado por “Starfish” jamais se igualaram ao impacto mercadológico obtido pelo álbum de 1988. O público também diminuiu, interessado em que estava em sons não tão cerebralmente complexos (ainda que bastante pop e radiofônicos em boa parte das canções do grupo) e mais acessíveis e de fácil assimilação. Tudo isso acabou também afetando as relações do Church com as grandes gravadoras e menos de uma década após ameaçar se tornar um dos maiores nomes do rock’n’roll mundial, o conjunto liderado por Steve Kilbey voltou a se tornar um grupo semi-independente, lançando seus CDs por selos menores. Isso não impediu que a banda continuasse com uma produção bastante profícua e de alta densidade e qualidade musical. Algo que se mantém até os dias atuais, como pode ser ouvindo no novo disco inédito deles.

Nesse sentido, “Man Woman…” é magnífico e chega perto do sublime. Como se não houvessem passado quase três décadas desde “Starfish”, o Church retoma ambiências bucólicas, melancólicas, contemplativas e psicodélicas que seduzem o ouvinte por completo por oferecer estruturas e construções sonoras e melódicas belíssimas, como dificilmente se encontra no rock atual. Basta mergulhar os ouvidos na quase majestosa “Another Century” (que abre o disco com um impactante space rock incomum na rock music dos tempos atuais) para se perceber o quão grandioso permanece o som do quarteto. E há muito mais nas certeiras e sucintas dez faixas do álbum: “Submarine” abraça a psicodelia e ambiências bordadas com ruídos espaciais com primor e delicadeza sonora. Já “Undersea” transporta o ouvinte aos primórdios da musicalidade do Church, de quando o grupo iniciou sua trajetória em 1980. E o ápice de um CD que já pode figurar na lista dos melhores lançamentos de 2017 chega na dobradinha “Before The DeLuge” e “I don’t Now How I don’t Now”. A primeira é um guitar rock de nuances psicodélicas como a banda sempre soube engendrar muito bem ao longo de sua carreira, e pode constar das grandes músicas já compostas pelo conjunto. E a outra… simplesmente uma road folk rock ballad também mezzo psicodélica, de uma beleza melódica e atmosfera sônica incomparáveis e infinitamente superior a qualquer “esgoto” musical feito pelos grupelhos do circuito rocker atual. Daquelas canções que você escuta centenas de vezes seguidas sem se cansar dela. Como se não bastasse ainda há momentos preciosos em “In Your Fog”e em “Dark Waltz”, que fecha o disco plena de contrição e reflexão sonora melancólica, como se Kilbey estivesse recitando um poema simbolista e sombrio ao cantar a letra, esta adornada por instrumentação reverente com pianos e guitarras que provocam plena sinestesia em quem está ouvindo a faixa.

É enfim um trabalho primoroso e ultra digno para um conjunto que está em plena forma e há quase quatro décadas fazendo rock’n’roll com alma e coração maiúsculos. The Church não se rendeu às modas fugazes que devoram a música pop desde sempre. Nem sucumbiu à tentação do estrelismo, da arrogância artística e da prepotência que devora muitos rock stars. E que por isso fazem com que carreiras musicais hoje não durem absolutamente nada em um oceano de mediocridade e onde grupos e artistas solo surgem e desaparecem ao sabor de um clic na internet. Não, The Church não é nada disso e é MUITO MAIOR que tudo isso. A prova está aí, com este álbum de beleza indescritível. Com ele a “Igreja” de reverendo Kilbey pode até se aposentar, pois já terão deixado para a história do rock obras atemporais, magníficas, clássicas e eternas como essa que acabaram de lançar.

 

***Mais sobre The Church, vai aqui: https://thechurchband.net/. E aqui também: https://www.facebook.com/thechurchband/.

 

 

O TRACK LIST DO NOVO CD DO THE CHURCH

1 – Another Century

2 – Submarine

3 – For King Knife

4 – Undersea

5 – Before The DeLuge

6 – I Don’t Now How I Don’t Now

7 – A Face In A Film

8 – In Your Fog

9 – Something Out There Is Wrong

10 – Dark Waltz

 

 

O NOVO ÁLBUM DO CHURCH AÍ EMBAIXO

Para audição na íntegra.

 

E O PRIMEIRO SINGLE DO NOVO DISCO

 

HÁ QUASE 30 ANOS MATÉRIAS SOBRE THE CHURCH INAUGURAVAM A TRAJETÓRIA ZAPPER NA GRANDE IMPRENSA MUSICAL BRASILEIRA

Como já mencionou acima, no tópico resenhando o novo álbum do The Church, Zap’n’roll conheceu a banda em 1986, quando recebeu da gravadora RGE dois LPs do grupo que ela estava lançando no Brasil. Dois anos depois, já em plena ascensão em sua ainda curta carreira jornalística, o jovem repórter rocker (com apenas vinte e quatro anos de idade) estreava como colaborador da revista mensal Somtrês – a primeira grande publicação nacional voltada a assuntos musicais. E nesse mesmo ano, 1988, o jovem Finaski foi ainda mais longe: em setembro entrou para o time de críticos da ultra prestigiada página de música do Caderno 2, o suplemento cultural do diário paulistano O Estado De S. Paulo (na época, um dos quatro jornais de maior circulação do Brasil). A página era editada pelo célebre jornalista Luis Antonio Giron. E entre seus colaboradores estavam nomes gigantes da crítica musical da época, como Pepe Escobar, Kid Vinil e Fernando Naporano.

Pois Zap’n’roll fez matérias sobre a vinda do Church ao Brasil para shows (que aconteceram em outubro daquele ano), tanto na Somtrês quanto no CAD 2 – uma análise sobre a trajetória musical do grupo foi o texto de estréia deste blogger zapper no caderno cultural do jornal.

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O início da trajetória jornalística de Zap’n’roll na grande imprensa musical brasileira passa pelo The Church: em 1988 o então ainda jovem repórter fez matérias sobre a banda australiana para a revista Somtrês (acima) e quando estreou como crítico na lendária página musical do Caderno 2 do jornal O Estado De S. Paulo (abaixo), em setembro daquele ano

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A gig da “Igreja” em Sampa foi inesquecível e para muito poucos. Rolou no finado (e ótimo) ProjetoSP, um galpão enorme no bairro da Barra Funda (zona oeste de Sampa) e onde cabiam cerca de cinco mil pessoas. Por lá passaram (em gigs todas testemunhadas por este espaço virtual) Might Lemon Drops, Iggy Pop, Jethro Tull, Jesus & Mary Chain, Nick Cave, Cocteau Twins, Sisters Of Mercy, The Mission, Legião Urbana e muitos outros. E na noite do Church, infelizmente, apenas cerca de trezentas pessoas tiveram a sorte de ver e ouvir ao vivo o quarteto liderado por Steve Kilbey.

Foi um show fantástico. E inesquecível. Como eram e serão para sempre aqueles tempos, que nunca mais irão se repetir em termos de bandas, de shows de rock e de grande jornalismo cultural e musical.

 

 

UM DOS NOMES LENDÁRIOS DO JORNALISMO ROCK BRASILEIRO DOS ANOS 80’ E 90’, FERNANDO NAPORANO LANÇA SEU NOVO LIVRO DE POESIA E FALA COM EXCLUSIVIDADE AO BLOGÃO ZAPPER

Foi breve mas adorável a noite de uma terça-feira muito aprazível (uns 20 graus de temperatura, e isso com o sórdido calor primaveril já castigando Sampa durante o dia) no clima “paulistanês”. Zapnroll foi no bar/teatro Cemitério de Automóveis, do queridíssimo Marião Bortolotto, prestigiar a noite de autógrafos e o lançamento de “A respiração da rosa”, o novo livro de poemas de um nome GIGANTE do jornalismo musical e cultural que importou no Brasil nos anos 80 e 90: nosso amigo de décadas dom Fernando Naporano.

Estas linhas online e ele se conhecem pessoalmente há quase 30 anos. E não se viam também pessoalmente há mais de 25, pelo menos. Na real o blog já o conhecia de nome antes de conhecê-lo pessoalmente. O jovem futuro repórter (esse aqui mesmo, rsrs) amava jornalismo musical, sonhava em ser um jornalista musical um dia e era um pós-adolescente que DEVORAVA textos sobre música em revistas e jornais (pode esquecer: não existia internet quando o sujeito aqui tinha seus 22 anos de idade, e nos informávamos NA RAÇA, ou seja: através de publicações nacionais e importadas, e escutando os poucos programas especializados em rock que havia na TV e em rádios como a 97FM de Santo André ou a então recém-nascida 89FM). Foi assim que começamos a ler matérias escritas por gente como Pepe Escobar, nosso eterno mestre Luis Antonio Giron e Naporano em si, quando eles assinavam resenhas e reportagens musicais clássicas e sublimes em veículos como as revistas Somtrês e Bizz, e jornais como O Estado De S. Paulo.

Então Finaski mesmo se tornou jornalista, em 1986. E dois anos depois já estreava como repórter de música na revista semanal IstoÉ. E em substituição justamente a… Fernando Naporano, que havia ido para a inesquecível e sensacional página de música que era editada no Caderno 2, do Estadão, por “pai” Luis Antonio Giron. E logo em seguida à nossa entrada na IstoÉ, este mesmo Finaski também começou a colaborar com a mesma página musical do Caderno 2 – que era, numa palavra, FANTÁSTICA. A pirralha geração atual da torta e quase inútil era da web, pode esquecer: vocês NUNCA MAIS terão um jornalismo musical como o que foi feito há 30 anos no diário paulistano Estadão. E fizemos parte daquilo, daquela história. E nos orgulhamos mega de ter feito.

Foi lá no Oesp, enfim, que conhecemos dom Fernando. E nos tornamos amigos, como somos até hoje. Este então ainda jovem repórter se sentia um jornalista verdadeiramente feliz por um lado (tinha “apenas” 25 anos de idade e dois na profissão!) e um ANÃO no meio de dois GIGANTES como Naporano e o nosso saudoso e inesquecível Kid Vinil. Mas ambos se tornaram nossos amigos queridos e NUNCA nos trataram como se fôssemos inferior aos dois, na questão cultural, intelectual e profissional. E o blog escreveria um LIVRO aqui nesse post, com histórias memoráveis e bizarras dos bastidores da redação de um dos jornais que naquela época era (e continua sendo) um dos quatro maiores diários do Brasil. Como num dia em que mr. Giron, em desespero, se viu sem nenhuma matéria de CAPA decente para a edição do dia seguinte do Caderno 2. Ligou para Naporano pedindo socorro. Apenas UMA HORA depois Fernando entregou um texto sobre as então novas tendências do rock inglês. Giron ficou extasiado e ainda alfinetou o jovem Finas no dia seguinte: “O Naporano me salvou ontem. VOCÊ não conseguiria fazer o mesmo, nunca!”. Rsrs. Ficamos putos com a alfinetada, claro. Mas sabíamos que LAG falava aquilo pro nosso próprio bem. Tanto que o amamos até hoje como um irmão mais velho. Foi e continua sendo nosso mestre eterno, sendo que é dele o prefácio do livro (que sai agora em novembro), “Escadaria para o inferno”.

Outro episódio bastante surreal e engraçado foi quando FN lançou o primeiro mini LP da sua banda (da qual ele era o vocalista e letrista e cuja sonoridade ele mesmo definia como “regressive rock”, wow!), a cult Maria Angélica Não Mora Mais Aqui. Rolou então um saudável e merecido “jabá” editorial no Caderno 2 do Estadão sobre o lançamento. Com Giron convocando Finaski para fazer uma entrevista com Fernando, e Kid Vinil para resenhar o disco num box da entrevista. Nosso loiro eterno merecia o espaço pois ele era então um dos jornalistas mais brilhantes do suplemento cultural do diário. E afinal, se a revista Bizz também fazia o mesmo (elogiando sem parar em suas páginas as bandas formadas por jornalistas e colaboradores da própria publicação, sendo que essas bandas nem de longe possuíam a mesma qualidade do Maria Angélica), porque nós do CAD 2 não podíamos fazer o mesmo pelo grupo do querido FN? Pois então… rsrs.

Estas linhas rockers bloggers se lembraram dessas histórias e muitas outras lá no sempre aconchegante bar do Marião (esse “véio” ranzinza e rabugento como também somos, ahahahaha. E que além de também ser um querido amigo fináttico é outro GÊNIO da poesia e dramaturgia undeground que ainda importa nesse Brasil tristemente bestializado e emburrecido no século da pós-internet e das redes sociais) enquanto papeava com Fernando, tomava uma breja e folheava seu livro, que parece maravilhoso e digno da melhor poesia dos malditos franceses (Rimbaud, Baudelaire, Lautréamont) ou dos ingleses (William Blake e Dylan Thomas). “Quando findam as sensações que ainda tremem em carmim?”, é a pergunta que abre o primeiro leque de poemas do tomo. Foi uma noite agradabilíssima, enfim. Revemos pessoalmente um amigo com quem não tínhamos contato cara a cara há quase três décadas. O loiro continua como sempre foi: elegante, humilde, gentil, papo imperdível. E sempre trajando camisas com estampas psicodélicas e tomando seu whisky. E se hoje Zap’n’roll se sente, aos quase 5.5 de existência, de certa forma muito orgulhoso por ter pertencido àquela que talvez tenha sido a ÚLTIMA geração de jornalistas musicais de fato GENIAIS (modéstia às favas nesse momento) da imprensa brasileira, devemos isso a caras como Fernando Naporano. Por termos lido seus textos na nossa juventude e depois por termos sido colegas de redação dele e nos tornado, por fim, amigos pessoais.

Valeu, dear. E sucesso para “A respiração da Rosa”. Sendo que deixamos o próprio Fernando Naporano falar mais sobre seus novos livros de poesia, em bate-papo exclusivo com o site zapper, e cujos principais trechos você confere abaixo.

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Um dos nomes mais lendários da rock press brazuca dos anos 80’e 90’, o jornalista Fernando Naporano (acima), que reside há muitos anos na Europa, voltou ao Brasil para lançar em São Paulo seu mais recente livro de poemas (abaixo) (foto: Caio Augusto Braga)

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Zapnroll – Talvez a geração mais nova, dos anos 2000, não saiba mas você foi um dos principais nomes do jornalismo musical (e rock) brasileiro nas décadas de 80 e 90. E de repente, do nada, decidiu sair de cena e ir embora do Brasil, isso há quase trinta anos. Por que tomou essa decisão, afinal?

 

Fernando Naporano – Sou aquele que, no comando de minha finada banda Maria Angélica Não Mora Mais Aqui,- ainda em 84 – escreveu “British Caledonian”, um ácido Manifesto-Anti-Brasil, muito antes de tornar-se moda reclamar e falar mal do país. Num caráter mais extremo compus “Eu Gostei Da Guerra”, cuja letra cairia como uma luva para os dias atuais do Brasil. Como ingressei em grande imprensa ainda em plena adolescência, fiz o que pude e o que nem poderia fazer. Abri caminhos nas diretrizes da imprensa musical numa época em que ninguém levava a cultura do rock a sério. Dei uma nova dimensão ao tecido musical e abordei a música, sobretudo como uma Obra De Arte. Inaugurei em grandes jornais um cardume de inventividades, fossem pílulas de notícias de bastidores, fossem entrevistas telefônicas com bandas internacionais que estavam a explodir nos umbrais dos anos 80. Mas seja com a minha pessoa – magnética e dona de atitudes desafiadoras -, seja com minha banda – única e sui generis que viveu numa panorâmica flácida, pretenciosa e repetitiva –, o Brasil me boicotou demais, me feriu em excesso e me desrespeitou o tanto quanto (im) possível. Ao virar correspondente internacional, morando em Londres e, posteriormente, em Los Angeles, e a escrever para veículos internacionais, meu nome virou sinônimo de respeito. Atualmente tanto a banda como meus 25 anos de imprensa vem ganhando uma dimensão até de culto.

 

Zap – Mora onde atualmente e o que faz por lá, além de escrever e publicar seus livros de poesia?

 

Naporano – Moro Europa-Afora, atualmente em Madri. Me dedico integralmente a poesia, minha paixão primordial desde meus 7 anos de idade.Obviamente, tenho outras atividades, entre elas a de tradutor e professor de língua inglesa.

 

Zap – Como foi essa transição da música e do rocknroll para a escrita? Afinal você tinha um intenso envolvimento com a cena musical alternativa de São Paulo no final dos anos 80, quando cantou à frente do grupo Maria Angélica Não Mora Mais Aqui.

 

Naporano – Nunca houve transição alguma. A escrita – que começa aos 7 anos quando esboçava versinhos de amor a minha professor primária – vem muito antes de qualquer outra coisa. A poesia sempre me acompanhou desde a infância. Hoje, além de várias obras devidamente finalizadas, acumulo um material que daria para uns 10 livros. Isso sem falar que, se eu fizesse compilações de meus escritos jornalísticos com centenas de entrevistas, seria material para outros 5 livros. Nunca tive carinho ou envolvimento algum com qualquer cena “alternativa” ou “mainstream”. Sempre abominei ambos os lados. Fui e serei sempre um verdadeiro “outsider”. À margem de tudo e de todos. Personalidade e atitudes únicas, sem jamais fazer concessões.

 

Zap – Você também passou pelas redações dos principais veículos de mídia impressa do país, jornais como FolhaSP e Estadão, além de revistas como IstoÉ, Bizz e Interview. Como você vê o jornalismo musical hoje no Brasil e no mundo? Ele perdeu mesmo o romantismo e a excelência cultural de trinta anos atrás e caminha para uma inefável morte?

 

Naporano – Eu acredito ser algo devidamente morto e sepultado. A internet deu cabo de tudo. Todos são jornalistas. Como diria o Mestre Raul, “é muita estrela para pouca constelação. Não há, por assim concluir, nenhum rastro de “romantismo”ou de “excelência cultural”. O jornalismo de “Auteur” – que sempre foi o meu caso – não tem mais espaço no lamaçal do automatismo e da escrita liquída.

 

Zap – Vamos falar dos livros que o escritor e poeta Fernando Naporano está lançando, claro. São três tomos diferentes e gostaria que você explicasse melhor o conteúdo de cada um deles.

 

Naporano – Os três livros lançados esse ano possuem o mesmo pano de fundo, ou seja, uma veia poética voltada ao simbolismo, ao intimismo do reino das sinestesias baudelairianas e dos “paraísos artificiais”. “A Coerência Das Águas” (Poética Edições, Portugal) é uma deambulação pelos segredos místicos e contemplativos da existência. Envolve muitos elementos de astrologia, – diga-se de passagem, minha religião – magia e platonismo. “Detestável Liberdade” (Abstract Editions, Espanha) é um exercício sobre o horror em ser livre. Reflete a terminal solidão produzida pela Liberdade. É um relato sobre minha vida nomade-errante dos últimos anos, vivida em cidades como Casablanca, Paris, Lisboa, Los Angeles e Lanzarote. “A Respiração Da Rosa” (Córrego Editora, Brasil) é diferente dos citados acima. É um livro de temperamento pictórico, uma deambulatória ode às artes plásticas buscando uma reflexão sobre o sentimento do amor quando vivido em pleno vazio existencial.

 

Zap – Qual é a sua escola literária e poética? Você se encaixa em qual vertente? E seus autores preferidos tanto na prosa quanto na poesia, quais são?

 

Naporano – Minha escola literária é o amor. Minha escola poética é essa grande Aventura de viver. Minha arte se encaixa entre um palpitante hermetismo metafísico e um simbolismo profundamente imagético. Na infância minha base foram coleções de contos de fadas. Havia uma série de volumes, se calhar, da editora Melhoramentos que eram os “Melhores Contos De Fadas” da China, Hungria, Índia, França, Bélgica, Espanha, etc. Um bocadito mais tarde li clássicos de Stevenson, Melville, Lewis Carroll, Cervantes, Flaubert, Alexandre Dumas e outros. Com poesia minhas primeiras leituras, na altura de meus 13 anos, foram Álvares De Azevedo, Fernando Pessoa, Byron, Keats, Fagundes Varela, Heine, Shelley, etc. Ao adquirir o livro ”Anotações Para Um Apocalipse” do Claudio Willer, lá havia um poema do – já então meu amigo – Roberto Piva onde eram citados “Apóstolos da Desordem” tais como Freud, Desnos, Michaux, Artaud, Rimbaud, Blake, etc . Então, anotei os nomes e indo a bibliotecas passei a ler um por por um. Em termos de poesia, já na minha maturidade, eu citaria William Blake, Kavafis, Trakl, Dylan Thomas, William Wordsworth, Y.B.Yeats, Rilke, Novalis, Leopardi, Emily Dickinson, René Char, Eugénio De Andrade, Sylvia Plath, Nuno Júdice, Paul Celan, Fernando Pessoa, Adonis e por todos aqueles e aquelas cuja a iluminação é exaustiva e permanente.

 

Zap – Para encerrar: ao que parece você pretende retomar a carreira de front man do Maria Angélica. Mas ainda há espaço para bandas como ela nos dias de hoje? E para a poesia, também haveria espaço ainda?

 

Naporano – Não, não pretendo de forma alguma voltar com o Maria Angélica Não Mora Mais Aqui de forma atuante em palcos. Isso fez parte de uma época que não volta jamais e de uma conjuntura de visceral delírio. Acredito que a máxima da ópera-rock de Ian Anderson cai bem aqui : “Too Old To Rock’n’Roll; Too Young To Die”. Acho que hoje – uma vez que parte da mídia que sempre me boicotou em suas panelinhas abomináveis não é mais atuante – a banda teria muito mais espaço e os vôos seriam muito mais altos. Exemplo disso é o documentário “Guitar Days” de Caio Augusto Braga a ser exibido em 2018 [nota do site zapper: documentário no qual o jornalista Finaski também aparece, dando um depoimento sobre a cena alternativa rock brasileira dos anos 90’]. Nesse filme, há bandas dos anos 90 e 00 que apontam a influência do Maria Angélica bem como reconhecem de forma reverencial meu desempenho enquanto jornalista. Pretendo sim lançar um álbum (em português, por acaso) inédito do Maria bem como dezenas de canções inéditas. O formato ideal seria uma box-set de 3 Cds (com 78 minutos cada) de apenas material inédito e ao vivo. Assim como busco editores para meus novos livros de poesia, a busca é a mesma em achar uma gravadora ou alguém que banque – com direito a livreto – a box set do Maria, a qual vai se chamar “They Could Have Been Bigger Than The Television Personalities”, em alusão a um álbum dos TV’s.

 

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ANÁLISE ZAPPER: LADO A LADO A OPULÊNCIA GOVERNAMENTAL E OS MISERÁVEIS DO CRACK – E POR QUE ESSA DROGA MALDITA NÃO VAI SER DERROTADA AQUI NA PORRA DO BANANÃO TROPICAL

Semana passada Zap’n’roll ficou absurdamente impressionado com o CONTRASTE gigante e digno de uma ficção cientifica cinematográfica surreal, à la “Blade Runner” (só que REAL), quando o blog e sua amiga Gisélia presenciaram no trajeto entre a estação da Luz (onde descemos do metrô) e a sede da Secretaria Estadual da Cultura, onde estas linhas bloggers tinham uma rápida reunião agendada com nosso amado amigo de décadas e agitador cultural, André Pomba. Não são nem 500 metros de caminhada. Mas é/foi algo verdadeiramente impressionante.

A sede da Secult/SP, todos sabem, está localizada bem no CORAÇÃO da tristemente miserável CRACOLÂNDIA paulistana. E o prédio que abriga a Secult, a reformada antiga estação de trem Julio Prestes, é algo magnífico e que causa deslumbramento aos olhos de qualquer um. Construção em estilo clássico, foi reformado e restaurado há alguns anos, mantendo o padrão e estilo arquitetônico original. Lá, além da sede da Secult ainda funciona também a prestigiadíssima sala São Paulo, um dos melhores e mais nobres espaços da capital paulista para concertos de música erudita. É, em suma, um prédio exuberante e que desvela toda a opulência arquitetônica e financeira que envolve alguns endereços do poder público estadual, comandado há mais de 20 anos pelo tucanato – na real nem poderia ser diferente afinal São Paulo, mesmo com a crise monstro que se abate sobre nosso arrasado bananão tropical, ainda é o Estado mais rico do Brasil.

Porém (sempre há um porém…), causa CHOQUE a qualquer um que passe por aquela região o tal contraste monstro que mencionamos no começo desse texto. A menos de 100 metros da entrada principal da Secult (na rua Mauá) e já nas escadas e portas (algumas fechadas) da fachada da secretaria, este jornalista e Gisélia passaram por pequenos aglomerados que reuniam algumas dezenas de viciados em crack. Todos com seus cachimbos à mostra (em plena luz do dia), todos se entorpecendo ou já entorpecidos e completamente alheios ao ir e vir de quem passava ao lado deles. Todos muito miseráveis, sujos, maltrapilhos mesmo. Uma espécie de escória sub-humana que a sociedade “normal” parece ter esquecido por completo ou que prefere ignorar mesmo, na cara larga. Um usuário em particular chamou a atenção da Gigi e penalizou o coração dela, dado o estado de DEGRADAÇÃO em que ele se encontrava: sujo, vestido com TRAPOS e solitário num degrau (a apenas uns 10 passos da entrada principal da Secult, muito bem vigiada e policiada por viaturas da PM e da guarda civil, além de policiais também fora das viaturas e circulando no entorno da entrada), ele raspava o que restava de seu cachimbo para tentar dar uma última tragada nessa droga do inferno, que o blog mesmo fumou durante quase uma década. E zilhões de vezes fumou ali mesmo, na cracolândia ao lado dos “nóias”, em madrugadas insanas após sair completamente enlouquecido de álcool de alguma balada open bar e desesperado para dar uma TRAGADA numa pedrinha em cima de um cachimbo.

Depois que saímos da Secult, fomos em direção à Sta Cecília (bairro também colado ali) pois o jornalista e agora quase escritor também (rsrs) tinha uma reunião na editora Kazuá. Ao passarmos pela praça bem à frente do prédio da secretaria (e que durante muitas décadas abrigou a antiga rodoviária de Sampa) Zap’n’roll mostrou pra sua amiga, mais à frente e à nossa direita, o já tristemente célebre “fluxo”, que é onde se aglomeram mesmo os consumidores de crack e onde a droga é vendida livremente. É uma autêntica multidão gigante de ZUMBIS (quase mortos-vivos mesmo, ao estilo “walking dead”) pipando pedras em cachimbos improvisados (ou em latinhas usadas de breja e refri, em copos de água mineral, onde for possível) em tempo integral, dia e noite. Noite e dia. A visão então é/foi essa e muito clara aos olhos de qualquer observador minimamente mais atento: atrás de nós a impressionante OPULÊNCIA visual e financeira da Secretaria Estadual da Cultura de SP. E um pouco à frente de nós (e a apenas alguns metros da opulência governamental), o mais pavoroso e DEGRADANTE cenário da TOTAL decadência e miséria humanas. Um cenário composto por uma multidão de gente que perdeu tudo: dignidade, respeito, saúde, moradia, amor próprio etc. Que permanece alheia ao mundo real e que parece até viver em outra dimensão ou outro planeta que não a Terra. E, por fim, uma multidão de seres humanos IGUAIS A NÓS mas que, infelizmente, parece ter sido totalmente esquecida por uma sociedade cada vez mais insensível, egoísta, intolerante, moralista hipócrita, conservadora, hostil de verdade e que prefere ignorar os que estão na miséria final da existência humana (que é viver na cracolândia) como se aquilo lá não fosse problema de ninguém. “Não tenho nada a ver com isso, eles que se fodam e o governo e a POLÍCIA que resolvam e cuidem deles”, deve ser o pensamento de muitos que passam por ali diariamente.

FINATTICRACK

Zap’n’roll ao lado da frase que está pintada em todas as unidades móveis de polícia comunitária, espalhadas pelo entorno da cracolândia no centrão da capital paulista: não, o crack NÃO vai ser vencido no Brasil, infelizmente (foto: Gisélia Camelo)

 

É algo dantesco e surreal ao cubo. Nem o melhor e mais premiado roteirista de Hollywood conseguiria conceber um enredo de ficção tão impactante e tão fiel a uma REALIDADE que NÃO É FICÇÃO.

E este espaço virtual mesmo chegou a uma triste conclusão, que dividiu com Gisélia: não, NÃO É POSSÍVEL VENCER O CRACK, ao contrário do que diz a frase estampada ao ao nosso lado aí na foto que ilustra este comentário social zapper. Aliás pedimos pra Gi tirar essa foto (na frente de uma das muitas unidades móveis de polícia comunitária que estão espalhadas por ali, no entorno da cracolândia) por PURA PROVOCAÇÃO, claro. Porque não, o crack NÃO VAI SER VENCIDO num país onde o poder público e os governos (federal e estadual) não possuem ESTRUTURA de ponta para combater o problema. Uma estrutura mega complexa que envolve questões de saúde pública (com apoio médico e psicológico aos dependentes da droga), de trabalho (conseguir reinserir essas pessoas num mercado formal de emprego), de educação, lazer, cultura e também de inteligência policial (para combater o tráfico em si). E não, não é com um prefeito IDIOTA, coxa, insensível e que nada entende de HUMANIDADE, como João Dória ESCÓRIA Dólar é, e que quer internar à força usuários, que vai se resolver o problema. Não é fazendo operações pontuais por ali, jogando bombas de gás e jatos d’água nos usuários, que vai se acabar com aquela zumbilândia – mesmo porque o PCC MANDA ALI. E ganha milhões ali. E o (des) governo paulista deixou o PCC se tornar a orcrim gigante que é hoje e agora é quase IMPOSSÍVEL removê-lo da cracolândia, que já existe há mais de 20 anos.

E por fim, nunca será possível vencer a epidemia de crack que tomou conta do Brasil justamente por vivermos num dos países mais CORRUPTOS do mundo, que possui a classe política mais IMUNDA do universo e onde bilhões (vejam bem: isso aqui ainda é uma das dez maiores economias do planeta, mesmo com toda a grana gigantesca que escorre sem dó pelo ralo da corrupção endêmica que nos assola) somem nas mãos desses políticos e de parte da iniciativa privada que também é corrupta e corrompe agentes públicos. Você acha mesmo que esse pessoal escroto e do inferno está a fim de resolver o problema dos miseráveis em estágio final de degradação humana que este jornalista e sua amiga viram pelas ruas do centro de São Paulo, fumando crack em pleno dia? Se você acredita nisso e leu até aqui, jezuiz e parabéns… seu pensamento é ainda mais surreal do que as cenas tristes que presenciamos no centrão “blade runner” de Sampalândia.

 

 

FIM DE JOGO

Yeah. Mais um postão finalizado, no meião do feriadão de Finados. Sendo que o blogão zapper deseja que o feriado esteja sendo ótimo pra toda galere. E lembrando sempre: dia 25 de novembro tem lançamento de “Escadaria para o inferno”, na Sensorial Discos/SP. Te esperamos por lá!

E logo menos voltamos aqui com novo post inédito. Até mais!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 4/11/2017 às 4hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL, falando do neo conservadorismo que está dominando a humanidade e do disco INÉDITO de David Bowie que vai ser lançado ainda este ano! – (e ainda:) O dia mundial do rock já passou (13 de julho) mas ainda em comemoração a ele o blog diz: bem-vindos ao grande e imbatível passado do rock’n’roll! Há trinta anos o mondo rocker tinha os Smiths na Inglaterra (lançando “The Queen Is Dead”) e os Titãs em seu auge no Brasil, lançando o também histórico, clássico e até hoje insuperável “Cabeça Dinossauro”, além de zilhões de outros motivos e bandas para se realmente comemorar a data; e hoje??? Mais terrorismo e sangue na França, com o caminhão da morte espalhando sangue e horror pelas ruas de Nice; a cultura brazuca, que já anda péssima das pernas, perde um gênio do cinema; e mais uma renca de assuntos no postão que custou pacas a chegar dessa vez mas que aí está, sempre com o rock’n’roll e a cultura pop em primeiro lugar (postão FINALIZADO em 23/7/2016)

IMAGEMTITASCLASSICO

Dois nomes gigantes do rock’n’roll classe 1986: os Titãs (acima), hoje em franca decadência, lançaram há trinta anos sua obra-prima, “Cabeça Dinossauro”, um disco que merece ser relembrado nesse post; assim como os Smiths (abaixo) também legaram obras imortais para a história do rock, discos como não se fazem mais hoje em dia, infelizmente

by Stephen Wright, resin print, 1985

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ÚLTIMA, FECHANDO O POSTÃO: NOVO DISCO DO GÊNIO DAVID BOWIE A CAMINHO!

Yep. A notícia foi dada ontem (sexta-feira) e dá conta de que a nova coletânea póstuma do inesquecível Camaleão, vai se chamar “Who Can I Be Now (1974-1976)” e será lanaçada ainda este ano. E o mais importante: a compilação trará na íntegra o disco inédito “The Gouster”, que Bowie registrou ao mesmo tempo em que gravava “Young Americans”, lançado por ele em 1975.

É um período que corresponde ao auge da trajetória de Ziggy Stardust. Então deve vir parada musical ÓTIMA por aí. Vamos aguardar!

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O gênio David Bowie, em sua fase Ziggy Stardust: disco inédito a caminho

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O fim enfim do rock’n’roll.

Ou ainda, o dia em que o rock finalmente morreu, quase parafraseando o título do livro (“O dia em que o rock morreu”) lançado pelo chapa e grande jornalista André Forastieri, há dois anos. Pois após a comemoração de mais um Dia Mundial do Rock (que aconteceu anteontem, 13 de julho) Zap’n’roll reflete cada vez mais sobre um provável fim que JÁ SE ABATEU sobre o gênero musical mais popular, revolucionário e impactante surgido na metade final do século XX. Ele mesmo, o rock’n’roll, que já foi mega relevante em todos os sentidos possíveis (e não apenas no artístico mas principalmente no âmbito político e social da história contemporânea) e que desde o advento do novo milênio, da era da internet e do mundo totalmente globalizado e digitalizado/integrado por redes sociais e apps (muitos deles inúteis) parece ter mergulhado no fundo do abismo da superficialidade, da futilidade e da falta de criatividade e relevância cultural, social e política. Um mergulho sem volta, ao que parece. Papo de jornalista já velho, ranzinza e que passou dos cinqüenta anos de idade? De forma alguma: estamos em julho de 2016 e quando nos damos conta de que discos hoje já clássicos da história do rock, como “The Queen Is Dead” (do inesquecível e insuperável quarteto inglês The Smiths) ou “Cabeça Dinossauro” (dos brasileiros Titãs) estão completando três décadas de seu lançamento e que até hoje não foram superados qualitativamente por nenhuma banda ou lançamento discográfico da nova geração, aqui ou lá fora, não dá mesmo pra escapar da conclusão de que o esgotamento criativo chegou ao pop/rock planetário e que a era dos grandes grupos e dos álbuns clássicos chegou definitivamente ao fim. Pensem: quantos zilhões de grupos surgem e desaparecem com a velocidade de um meteorito nos dias atuais? Quantos emplacam apenas um hit por alguns meses (quando não apenas algumas semanas ou dias) pra depois desaparecer por completo sem deixar nenhum rastro ou saudade? Qual foi a última música que se tornou um hit clássico e duradouro na história recentíssima do rock? “Seven Nation Army”, lançada pelo já finado The White Stripes, há treze anos? Talvez… ou a popíssima e pegajosa “Pumped Up Kicks”, lançada pelo Foster The People (quem, a essa altura???) há cinco anos, que varreu o planeta em 2011 e ninguém mais se lembra dela pois já parece algo do século 19 e que já foi atropelada por milhares de outros hits mais fúteis, vazios e grudentos e cujas únicas serventias parecem ser fazer adolescentes descerebrados pularem em pistas de dança ou em shows, enquanto tiram selfies com os (as) amigos (as)? (abrindo parêntese um pouco mais longo: e pior são blogs de cultura pop que ficam caçando assunto em vários micro-posts diários sem repercussão alguma, falando com estardalhaço de nomes sem importância alguma dentro de um contexto musical SÉRIO e realmente de qualidade, como se esses nomes fossem salvar a humanidade com um peido bombástico e fedorento, né Popload? Aliás nem o bloguinho do nosso vizinho dear L.R. agüenta mais caçar tanta “novidade” irrelevante e sem importância alguma, isso em um esapço que primava por querer ser novidadeiro a todo custo). O autor destas linhas rockers bloggers, elas mesmas no ar já há quase década e meia, sempre defendeu que bandas de rock deveriam durar mesmo apenas o tempo necessário para legar uma obra gigante e inesquecível dentro da música mundial. Caso novamente dos Smiths, que duraram apenas cinco anos (de 1982 a 1987), gravaram quatro obras-primas em estúdio e deram adeus ao mundo sem dó nem piedade – tanto que a Inglaterra passou quase três décadas seguintes procurando o “novo” Smiths e nunca mais encontrou. O problema é que nos tempos atuais os conjuntos não duram absolutamente NADA. E os poucos que duram alguma coisa, nem em sonho conseguem legar um trabalho realmente estupendo do início ao fim e que algum futurólogo possa vaticinar que este trabalho irá se tornar um CLÁSSICO daqui a vinte ou trinta anos. Toda essa situação, enfim, é um tanto tristonha, melancólica. Talvez por isso que o blog zapper esteja ficando com cada vez mais desanimo e preguiça de atualizar seus posts, que demoram cada vez mais a serem renovados – não, não vamos cair mesmo na armadilha “poploader” e de outros blogs que também estão afundando, de querer caçar novidades diárias a qualquer custo e ainda mais onde elas estão cada vez mais indignas de serem mencionadas – yep, novos nomes continuam surgindo aos borbotões (e este espaço virtual escuta centenas deles diariamente na radio “new rock” da TV NET, no Spotify etc.), mas achar entre eles algum que valha realmente uma menção aqui é tarefa das mais ingratas atualmente. Por isso vamos caminhando como podemos nestas linhas online (que na real, talvez sejam extintas mesmo até o início de 2017, quando enfim pretendemos ter lançado o livro “Escadaria para o inferno – memórias de um jornalista junkie”). E falando do que realmente consideramos relevante. Como relembrar neste post que começa agora os trinta anos de “Cabeça Dinossauro”, dos Titãs. Um disco imbatível até hoje. E de uma época inesquecível e igualmente imbatível do rock BR, os anos 80’. Uma época que não irá mais voltar. Ainda mais nos tempos atuais, medíocres, reacionários, conservadores e com pessoas cada vez mais ignorantes, intolerantes e bestiais espalhadas pelos quatro cantos deste triste planeta chamado Terra.

 

  • E apenas pra reforçar o que está escrito aí em cima, no editorial de abertura do post – inclusive poderia ser uma piada ou um texto engraçado esse pra abrir as notas iniciais. Mas na real corrobora e revela apenas UM dos lados trágicos da FALÊNCIA artística e qualitativa que dominou a música brasileira de hoje, o rock nacional em particular. Como jornalista musical que somos (há trinta anos), volta e meia recebemos e-mails de assessorias de imprensa, divulgando artistas e eventos como shows, lançamentos de discos e vídeos etcs. Pois bem, alguns dos últimos que recebemos esta semana (de uma assessoria de resto legal, que trabalha com a cena mais underground e cujo assessor também é um sujeito simpático e sempre prestativo com os jornalistas) nos deram a certeza de que o rock BR dos anos 2000’, mesmo o mais alternativo, está mesmo no fundo do poço. Um dos e-mails divulga as datas da edição deste ano do Matanza Fest, festival já promovido pelo grupo carioca Matanza há alguns anos. O blog zapper sempre DETESTOU o Matanza, banda escrota, machista, sexista e com letras que fariam corar um adolescente com QI de ostra. E como se não bastasse, começamos a prestar atenção nos outros grupos que irão tocar no mesmo festival (em Sampa, pros interessados, ele acontece em 17 de julho agora). No show na capital paulista estarão, ao lado do headliner pavoroso, o Cólera (Cólera sem o grande e saudoso Redson??? Temerário…) e o Zumbis do Espaço (que era ok há anos atrás e sinceramente não sabemos como está atualmente). E nas outras cidades por onde o festival vai passar? No Rio uma das bandas que vai tocar se chama MONSTROS DO ULA ULA. Isso mesmo, você não leu errado: Monstros do Ula Ula. O que ESPERAR de um grupo com um nome ridículo a esse nível? Tem mais. Outro e-mail da mesma assessoria informa que a banda MUQUETA NA OREIA (!!!) anuncia a pré-produção do seu novo disco. Wow! Uma notícia que vai causar uma REVOLUÇÃO/TERREMOTO no rock nacional! Fora que o grupo (veja bem: ele se chama Muqueta na Oreia) é descrito no referido e-mail como uma das “grandes e surpreendentes revelações do cenário do rock/metal nacional”. Jezuiz… Pobres anos 2000’. Nos anos 80’ tivemos Ira!, Legião Urbana, Titãs, Plebe Rude, Ultraje A Rigor, Violeta De Outono, Replicantes, Barão Vermelho. Hoje temos Matanza, Monstros do Ula Ula e Muqueta na Oreia. Ainda é preciso dizer algo mais sobre a MORTE do rock’n’roll aqui e lá fora?

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Muqueta na Oreia, uma das novas, hã, “sensações” do rock BR atual; pobre de nossas orelhas… rsrs

 

  • Bien, de qualquer forma e pra quem é fanático por datas comemorativas tivemos mais um Dia Mundial do Rock. Uma bobagem sem tamanho, claro, e que Zap’n’roll sempre considerou a maior babaquice – rock se vive todos os dias e não em apenas UM DIA da sua vida ou ano. Houve como sempre programações especiais em emissoras de rádio e TV (os canais pagos Brasil e Bis mostraram boas atrações especiais) e bla bla blá. MAS rolou algum evento ao vivo e específico em Sampa, por exemplo, que fosse digno de registro? O blog não ficou sabendo de nenhum…

 

 

  • Digna de nota, infelizmente, foi a notícia da morte ontem (em São Paulo) do cineasta Hector Babenco, de quem estas linhas virtuais eram fãs incondicionais. O diretor que nos legou obras-primas como “Pixote”, “O beijo da mulher aranha” e “Carandiru”, sofreu um ataque cardíaco e se foi aos setenta anos de idade. E assim a cultura nacional fica ainda mais pobre do que já está. Rip, Hector.

 

 

  • Digno de nota, II: “vovô” Mick Jagger continua em plena forma sexual e PAUZUDO aos quase setenta e três anos de idade, uia! Foi divulgado na tarde de hoje que o vocalista da eterna maior banda de rock de todos os tempos (os Rolling Stones, quem mais?) vai ser PAI pela OITAVA vez. A futura mamis é sua atual namorada, a bailarina americana Melanie Hanrick, de vinte e nove aninhos de idade. Ulalá, Mick!

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O novo XOXOTAÇO moreno que mr. Mick Jagger está TRAÇANDO (uia!); o vovô dos Stones acaba de engravidar a moça, uia!

 

 

  • Já na França o terror atacou novamente, com o caminhão da morte matando (até agora) oitenta pessoas nas ruas de Nice. A bestialidade humana chegando ao seu limite. E você aí, achando que o rock de hoje vai mudar algo no mundo…

 

 

  • O bandido e pilantra evangélico Eduardo Cunha começou a ser finalmente EJETADO da Câmara dos Deputados, com o próprio pedindo sua renúncia ao cargo de presidente da casa, na semana passada. E ontem seus últimos recursos contra o pedido de cassação do seu mandato foram rejeitados pela CCJ da Câmara. Óbvio que ainda não há muito a comemorar pois haverão MANOBRAS articuladas para SALVAR o mandato de um dos maiores mafiosos da política brasileira, alguém duvida? A saída definitiva para nos livrarmos dessa PRAGA seria ele ter de fato seu mandato CASSADO pelos colegas (o que parece difícil, mas não impossível) e ainda condenado pelo STF, pra ir passar um bom tempo na cadeia. Mas vamos aguardar o desenrolar dos próximo capítulos desta já looooonga e dantesca novela.

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Vai logo pro inferno, Cunha!

  • IMAGEM BACANUDA DA SEMANA – um casal rocker jovem e estiloso. Ele, vinte e dois anos de idade, fã de Arctic Monkeys e poesia. Ela, vinte e um, fã de Radiohead. Ambos baristas e já moram juntos. Foram descobertos ao acaso no metrô de Sampa pelo blog, que ficou encantado com o visual e a simpatia deles. Então tá aí: Jr. e Julia. Um casal rock’n’roll, sem dúvida!

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  • E ainda sobre o canal Bis: ele andou reprisando nas madrugadas desta semana que está chegando ao fim os episódios do documentário “London Calling – The Untold Story Of British Pop Music”, que foi levado ao ar originalmente pela emissora há dois anos – e naquela época estas linhas online perderam a exibição. Pois foi emocionante recordar, na madrugada de ontem, histórias sobre a cena musical de Manchester nos anos 80’, sobre como se desenvolveram selos com a célebre Factory Records e bandas como Joy Division, The Smiths e Happy Mondays. Tudo pontuado por depoimentos e entrevistas com produtores e jornalistas que contextualizam muito bem a importância social e cultural e o ambiente em que o pós-punk inglês se formou. Para nos darmos conta mais uma vez de que, sim, não haverá mais bandas iguais. E que aquela foi uma das últimas grandes gerações do rock mundial.

 

 

  • Teve showzaço do Saco de Ratos semana passada, no Centro Cultural São Paulo. Quinteto de blues/rock já com quase uma década de existência (foi formado em 2007) e liderado pelo escritor e dramaturgo Mario Bortolotto (nos vocais), o SDR está cada vez melhor e mais afiado no palco (fora que a ambiência acústica do teatro do Centro Cultural São Paulo sempre realça pra caralho a qualidade e a potência musical de uma grande banda ao vivo). As guitarras de Fabio Brum e do japa Marcelo Watanabe estão mais entrosadas e dinamicas do que nunca, e a “cozinha” formada pelo baixista Fabio e pelo batera Rick segura tudo com precisão e peso. As letras escritas e cantadas por Marião são o que os fãs do grupo já sabem: a melhor tradução “bukowskiana” para um universo povoado por marginais, desajustados sociais, boêmios, putas, putos, beberrões e todos aqueles que a sociedade “normal” costuma rejeitar. Foi showzão enfim, gratuito e além disso o blog percebeu que o quinteto está atraindo cada vez mais uma legião de xoxotões gostosíssimos às suas sempre mega animadas gigs. Não foi e perdeu? Sem problema: esses velhacos rockers e blueseiros estão sempre fazendo alguma apresentação pelo circuito de bares alternativos (ou do que resta deste circuito) da capital paulista. Quer saber mais sobre eles? Vai aqui: https://www.facebook.com/BANDA-SACO-DE-RATOS-121151831228419/.

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A turma blueseira do Saco De Ratos (acima) fez showzaço semana passada em Sampa; após a gig o blog se encontra com seu brother e chapa de alguns goles, o grande Mário Bortolotto (abaixo)

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  • Quem está de volta pela milésima vez é o já jurássico gigante indie Pixies. O quarteto do gordão Black Francis anunciou nos últimos dias o lançamento do seu novo álbum de estúdio. “Head Carrier” chega às lojas em setembro e sucede o bom “Indie Cindy”, editado há dois anos. A questão é: o quarteto deixou sua marca inquestionável nos anos 90’ e influenciou até o Nirvana. Mas quase trinta anos depois já ostenta um incômodo odor de anacronismo em seu som. E fica a questão: alguém ainda se importa realmente com os Pixies?

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Na buena: alguém ainda se importa com os Pixies?

 

 

  • Goodbye, I: o baixista Cliff Williams já avisou: vai se aposentar e deixa seu posto no AC/DC assim que acabar a atual turnê do velhão combo hard australiano. Pelo jeito, já passou da hora de a turma liderada por Angus Young pendurar as guitarras.

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O velho Cliff Williams pede pra sair e deixa o posto de baixista do já jurássico AC/DC: está na hora da banda se aposentar, não?

 

 

  • Goodbye, II: quem também anunciou que está tirando o time de campo é o guitarrista Nick McCarthy, que ajudou a fundar o Franz Ferdinand. A banda vai continuar sem ele mas na real o FF deve até hoje um álbum à altura de sua estréia, em 2004.

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Franz já não é mais um quarteto, com a saída de seu guitarrista

 

  • O retorno da baleia branca: Guns N’Roses tocam no Brasil em novembro, com sua formação “clássica” (???). Numa palavra: desecessário.

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Guns toca em novembro no Brasil, com sua formação “clássica” (hã?); desnecessário…

 

  • Bien, bora lá. Com postão novão finalmente entrando no, vamos relembrar os trinta anos de um dos mais importantes discos de toda a história do rock brasileiro. Ele mesmo, “Cabeça Dinossauro”, dos Titãs e sobre o qual falamos melhor a partir de agora, aí embaixo.

 

JUNHO/JULHO s DE 1986 – HÁ TRINTA ANOS O GRANDE ROCK BR ATINGIA UM DE SEUS AUGES COM “CABEÇA DINOSSAURO”, DOS TITÃS

O tempo anda voando de anos pra cá. Parece que foi ontem que um dos mais fundamentais e essenciais discos de toda a história do rock BR foi lançado e que o então jovem jornalista zapper (iniciando-se na profissão de repórter musical) vivia escutando o mesmo no volume máximo no quarto do pequeno apartamento em que morava, na rua Frei Caneca (na região central da capital paulista). Mas na realidade já se passaram trinta anos do lançamento do sensacional “Cabeça Dinossauro”, o disco que marcou o auge da trajetória do hoje totalmente decadente grupo paulistano Titãs. O álbum foi lançado especificamente em junho de 1986 . Mas mesmo já estando em julho e por tudo o que ele significou para o rock nacional, para os fãs e para a própria banda e continua significando, é mais do que justo e necessário relembrarmos e falarmos dele neste post de Zap’n’roll.

Para chegarmos ao disco em si e entender os motivos que levaram o então octeto Titãs a conceber o trabalho da forma como ele foi concebido, é preciso retornar no tempo mais de três décadas e recordar a existência do conjunto desde seu início. Formado por um grupo de amigos músicos que estudavam no colégio Equipe (um dos mais prestigiados da capital paulistana nos anos 70’), os Titãs a princípio se chamavam Titãs do IeIeIê. E estrearam oficialmente em um grande palco profissional em setembro de 1982, no SESC Pompeia, em Sampa. Nos dois anos seguintes o conjunto (formado por OITO músicos e vocalistas) abreviou seu nome apenas para Titãs, foi burilando seu material musical e enfim conseguiu um contrato com o selo Wea (atual Warner Music), onde estrearam em disco em agosto de 1984, com um álbum homônimo. Era um disco bastante pop e que logo emplacou nas rádios a música “Sonífera Ilha”. Razoavelmente bem recebido pela crítica, não vendeu o que a gravadora esperava. Assim mesmo, no ano seguinte, o octeto entrou em estúdio novamente. Desta vez para registrar o LP “Televisão”. É o trabalho que marca a primeira mudança na formação da banda, com a saída do batera André Jung (em seu lugar entrou Charles Gavin), que foi tocar no Ira! Produzido por Lulu Santos, é também o disco que dá mais um hit para o grupo, a faixa-título que estoura nas rádios do Brasil inteiro – além dela também teve boa execução a faixa “Insensível”. Com letra escrita pelo vocalista Arnaldo Antunes (e também cantada pelo próprio), a faixa-título fazia uma inteligente e sagaz crítica ao então maior meio de comunicação de massa do mundo, a TV. E já desvelava que Antunes iria se projetar, ao longo da carreira do conjunto, como um de seus principais e melhores compositores.

“Televisão” melhorou a posição do grupo no rock nacional e dentro da gravadora Wea. Mas ainda faltava ALGO que transformasse os Titãs em uma mega banda, tanto na questão do potencial comercial quanto na aceitação integral pelo público e imprensa. E esse “algo” começou a se desenhar quando o grupo iniciou os preparativos para a gravação de seu terceiro álbum de estúdio. Ao mesmo tempo em que o conjunto pensava a formatação de seu novo trabalho, uma turbulência e nuvem negra inesperada se abateu sobre ele: no final de 1985 o guitarrista Tony Bellotto e o vocalista Arnaldo Antunes foram presos por porte (Tony) e tráfico (Arnaldo) de heroína, que ambos consumiram no apartamento onde residia o vocalista. Quando estava indo para a sua casa, de táxi, Tony foi parado em uma blitz policial. Pego ainda com uma pequena quantidade da droga e pressionado pelos policiais sobre onde a tinha conseguido, o guitarrista acabou confessando que Antunes havia lhe passado o entorpecente. Foram ambos encaminhados a um distrito policial e ao abrir o inquérito sobre o caso o delegado entendeu que Antunes, por ter fornecido a heroína ao seu companheiro de banda, deveria ser enquadrado como traficante. Tony Bellotto pagou fiança e foi libertado quase imediatamente. Já Arnaldo Antunes amargou cerca de trinta dias em cana, sob protestos dos fãs e da classe artística em geral, que se mobilizou pela sua soltura. Quando Arnaldo enfim conseguiu o relaxamento de sua prisão, os Titãs estavam bastante abalados com o episódio. E foi justamente este abalo emocional o principal combustível e motivo para que o novo trabalho de estúdio saísse como saiu.

“Cabeça Dinossauro” foi lançado quase no final de junho de 1986 e começou a bombar algumas faixas em rádio já em julho. O disco era uma cacetada e abordava temas e tocava em feridas que sempre incomodaram a sociedade “normal” (e que incomodam mais ainda atualmente, dado o processo de conservadorismo e retrocesso comportamental e moral que está se verificando no mundo todo). Com uma abordagem sonora muito menos pop que nos dois primeiros discos e investindo pesado em guitarras algo punk, além de melodias barulhentas, dançantes e aceleradas (tudo cortesia do produtor Liminha, que mudou muitas das concepções musicais do conjunto e ampliou seus horizontes a ponto de, durante muito tempo, ser chamado de “o nono titã”), o grupo atacava instituições como a igreja (na faixa do mesmo nome) e a polícia (idem, mesmo nome), além de desancar o estilo de vida e o comportamento médio das pessoas que viviam na sociedade “normal” – e aí temos obras-primas e polaróides instantâneos do que é a vida da grande maioria das pessoas em faixas como “Homem primata”, “Estado violência”, “Tô cansado” e “Porrada”. Era como se a banda quisesse gritar para o mundo seu inconformismo com as prisões (no final das contas desnecessárias, visto que os envolvidos no caso não eram bandidos perigosos mas, sim, artistas) de dois de seus integrantes e manifestar sua posição contra as arbitrariedades de uma sociedade moralista e dominada por preconceitos e conceitos comportamentais arcaicos.

CAPATITAS1986

“Cabeça Dinossauro”, a obra-prima dos Titãs: lançado em junho/julho de 1986, vendeu rapidamente trezentas mil cópias e passou a ter várias músicas tocando sem parar nas rádios, mesmo com sonoridade agressiva e falando de temas espinhosos e atacando instituições como a igreja e a polícia

 

O que ninguém imaginava era que um álbum com esse viés textual e barulhento como ele era, que abordava e atacava temas espinhosos e as convenções sociais caretas (e que, justamente por tudo isso, era considerado “difícil” pela gravadora) se tornasse um estouro de vendas e execução em rádio.

Pois foi exatamente o que aconteceu, para espanto da Wea e da própria banda. Músicas como “Aa Uu”, “Polícia” e “Bichos escrotos” invadiram as rádios e começaram a tocar sem parar. Em pouco tempo “Cabeça Dinossauro” chegava a trezentas mil cópias vendidas (a maior vendagem do grupo até então) e o grupo passou a lotar seus shows, tocando em espaços para até cinco mil pessoas. Ao longo dos meses seguintes o trabalho iria receber diversos prêmios de associações de críticos e jornalistas e a agenda de apresentações lotou: todo mundo queria ver os Titãs ao vivo e pular ao som das porradas sonoras contidas em “Cabeça Dinossauro”.

Foi a consagração e o auge dos Titãs, que estavam ainda apenas em seu terceiro álbum de estúdio. O que veio daí em diante é bastante conhecido. “Jesus não tem dentes no país dos banguelas”, editado em 1987, era uma espécie de “continuação” de “Cabeça Dinossauro”, mas sem o mesmo impacto de seu antecessor. “Go Back”, que saiu em 1988, era um disco ao vivo sem muito brilho. A banda voltou a experimentar o sucesso combinado com grande qualidade artística em “Õ Blésq Blom”, lançado em 1989 e que recebeu novamente aprovação unânime da crítica e teve boa execução de algumas de suas músicas nas rádios. A partir daí começaram as debandadas na formação titânica: Arnaldo Antunes é o primeiro a sair em 1992, logo após o grupo soltar “Tudo ao mesmo tempo agora” um ano antes. “Titanomaquia” (1993, pesadíssimo e considerado o disco “grunge” do agora septeto) e “Domingo” (1995) são talvez os últimos trabalhos dignos de nota na trajetória de um dos mais importantes nomes do rock BR dos anos 80’. Mesmo assim em 1997 o grupo, já entrando em curva artística descendente, obteve seu maior sucesso comercial com o lançamento do “Acústico MTV – Titãs”, que até hoje vendeu mais de um milhão de cópias. Mas nem isso impediu a derrocada qualitativa do conjunto e nem a saída de mais integrantes. Em junho de 2001 o guitarrista Marcelo Frommer foi atropelado e morto por uma moto equanto fazia exercícios e caminhada perto de sua casa. E pouco mais de um ano depois era a vez de o baixista Nando Reis pedir pra sair. O quinteto remanescente permaneceu junto até 2010 quando foi a vez do baterista Charles Gavin pedir a conta (em seu lugar entrou Mario Fabre, que permanece até hoje). E na última segunda-feira quem também anunciou sua saída foi o multiinstrumentista e vocalista Paulo Miklos, após permanecer trinta e cinco anos nos Titãs. Em seu lugar entrou Beto Lee, filho de Rita Lee. E da formação original restam apenas o guitarrista Tony Bellotto, o vocalista Branco Mello e o tecladista Sérgio Brito.

Com mais de três décadas de existência e sem lançar nada digno de nota há pelo menos vinte anos (pelo contrário: CDs como “Volume II”, de 1998, “As dez mais”, de 1999, “Como estão vocês?”, de 2003, “Sacos Plásticos”, de 2009, e “Nheengatu”, que saiu em 2014, são uma vergonha total para um grupo que um dia causou um terremoto no rock brasileiro com apenas três discos lançados), é muito óbvio que os Titãs, reduzidos a um trio original (com dois músicos os acompanhando) e definhando a olhos vistos, deveriam ter simancol e acabar definitivamente com sua trajetória, que já está pra lá de indigna de quinze anos pra cá. Mas alguém já disse que pouquíssimas bandas sabem a hora exata de parar (como o REM soube, por exemplo). E os Titãs já deram mostras de que perderam o timing para encerrar com dignidade sua carreira. Uma carreira que já foi sim gloriosa. E que deixa para sempre um disco imbatível, irrepreensível, já clássico e imortal como é “Cabeça Dinossauro”.

 

“CABEÇA DINOSSAURO” AÍ EMBAIXO

Para ser ouvido na íntegra.

 

TRÊS LETRAS DE UM DISCO DE 1986 E QUE PERMANECEM MAIS ATUAIS DO QUE NUNCA

 

“Polícia”

Dizem que ela existe pra ajudar
Dizem que ela existe pra proteger
Eu sei que ela pode te parar
Eu sei que ela pode te prender
Polícia! Para quem precisa!

Polícia! Para quem precisa de polícia!

Polícia! Para quem precisa!

Polícia! Para quem precisa de polícia!
Dizem pra você obedecer
Dizem pra você responder
Dizem pra você cooperar
Dizem pra você respeitar
Polícia! Para quem precisa!

Polícia! Para quem precisa de polícia!

Polícia! Para quem precisa!

Polícia! Para quem precisa de polícia!

 

“Igreja”

Eu não gosto de padre
Eu não gosto de madre
Eu não gosto de frei.
Eu não gosto de bispo
Eu não gosto de Cristo
Eu não digo amém.
Eu não monto presépio
Eu não gosto do vigário
Nem da missa das seis.
Eu não gosto do terço
Eu não gosto do berço
De Jesus de Belém.
Eu não gosto do papa
Eu não creio na graça
Do milagre de Deus.
Eu não gosto da igreja
Eu não entro na igreja
Não tenho religião.

 

“Estado Violência”

Sinto no meu corpo
A dor que angustia
A lei ao meu redor
A lei que eu não queria

Estado violência
Estado hipocrisia
A lei que não é minha
A lei que eu não queria

Meu corpo não é meu
Meu coração é teu
Atrás de portas frias
O homem está só

Homem em silêncio
Homem na prisão
Homem no escuro
O Futuro da nação

Homem em silêncio
Homem na prisão
Homem no escuro
O Futuro da nação

Estado violência
Deixem-me querer
Estado violência
Deixem-me pensar
Estado violência
Deixem-me sentir
Estado violência
Deixem-me em paz

Estado violência
Deixem-me querer
Estado violência
Deixem-me pensar
Estado violência
Deixem-me sentir
Estado violência
Deixem-me em paz

Estado violência
Deixem-me querer
Estado violência
Deixem-me pensar
Estado violência
Deixem-me sentir
Estado violência
Deixem-me em paz

 

HISTÓRIAS RÁPIDAS E SELVAGENS DE SEXO, DROGAS E ROCK’N’ROLL: OS TITÃS, OS ANOS 80’/90’ E O JOVEM JORNALISTA ZAPPER NA VIDA ROCKER LOKA, AO SOM DA BANDA

  • Zap’n’roll não se lembra exatamente como e quando conheceu o som dos Titãs. Mas já curtia a banda antes de começar sua trajetória como jornalista musical profisional. Foi talvez por volta de 1985 que o então aspirante a repórter musical comprou, na extinta loja Devil Discos (na Galeria Do Rock, no centrão de Sampa), o LP “Televisão”, segundo lançamento da discografia titânica. Finaski gostava do disco mas não morria de amores por ele. Quando “Cabeça Dinossauro” saiu, em junho do ano seguinte (justamente na época em que o autor deste blog começou a fazer suas primeiras colaborações para publicações musicais), tudo mudou e foi paixão louca e instantânea pelo LP à primeira audição. “Cabeça…” literalmente virou a cabeça do jovem repórter e chapou o côco dele, que não perdeu tempo em ir atrás de credenciamento para assistir ao show de lançamento do trabalho, que aconteceu em agosto de 1986 na “lona de circo” que era o ProjetoSP, um dos espaços para gigs então mais badalados da capital paulista na época. E que ficava a menos de duzentos metros de onde o zapper morava (na rua Frei Caneca, atrás da rua Augusta e onde ficava o ProjetoSP). A “lona” lotou na noite do show e quase veio abaixo com a empolgação do público. Zap’n’roll, com seus ainda jovens vinte e três anos de idade, saiu literalmente morto da apresentação.

 

  • Daí em diante o jovem jornalista também foi crescendo em sua profissão e sempre que possível, ia a um show dos Titãs. Veio seu casamento, seu filho, o início das colaborações para a revista Somtrês, a contratação como repórter na editoria de cultura da revista IstoÉ. E entrou em cena também a cocaína e a paixão algo avassaladora do autor deste blog pelo pó branco. Bocetas loucas e calhordas também começaram a surgir aos borbotões na vida do jornalista já a essa altura bastante alucicrazy. Seu casamento foi pro saco por conta desses detalhes. Mas o gosto pelo som dos Titãs permaneceu inalterado.

 

  • Entre 1990/1993, durante as turnês de “Õ Blésq Blom”, “Tudo ao mesmo tempo agora” e “Titanomaquia”, Zap’n’roll assistiu a pelo menos uns cinco shows da banda no período. Em um deles, num ginásio do Ibirapuera (em São Paulo) LOTADO (com quinze mil pessoas lá dentro), o zapper doidão não parou de pular a gig inteira. Quase ao final dela, deu um pulo máster e se desequilibrou (estava com uma bota de couro de salto razoavelmente alto), torcendo o pé direito. Teve que sair do ginásio CARREGADO pelas irmãs Silvia e Sueli Ruksenas. E em seguida ficou de molho três dias em casa, sem poder andar.

 

  • Já em 1993 o autor deste blog e que havia terminado seu casamento um ano antes, namorava com a XOXOTUDÍSSIMA crioula Greta. Ele, trinta e um anos de idade; ela, dezoito. Um bocetaço de mamicaços gigantes e que era uma cadela em grau máximo na hora da foda (quando disparava frases como “seu cavalo, seu cachorro! Me FODE, VAI!”), era fã de rock’n’roll (adorava Doors e Smiths), de maconha, queria fazer faculdade de Letras (e acabou se formando no  curso, na USP) e… não podia beber muito que se transformava em um autêntico exu. Não deu outra: separado da ex-mulher e dividindo um apê com o amigo Felipe Britto na avenida 9 de julho (também no centrão de Sampa), o jornalista namorado do bocetão preto e crazy, armou uma autêntica “caranava do delírio” (expressão criada pelo saudoso Ezequiel Neves) para ir ver um show dos Titãs (dentro da turnê do LP “Titanomaquia”) na extinta casa Olympia (que ficava no bairro da Lapa, zona oeste de Sampa e que era outra das mais badaladas casas de espetáculos musicais da época na cidade). Reuniu Greta e uma turma de amigos no apartamento e lá fez um “esquenta” pra gig, regada a uma garrafa de whisky. Pois eis que miss Greta encheu um copo descartável até a boca e querendo dar uma de fodona, virou o mesmo de uma vez. A big shit estava armada: no meio do caminho para o Olympia a negona simplesmente DESMAIOU na rua e não tinha mais como ir para o show. O zapper ficou absolutamente puto e desesperado. Sem saber o que fazer, pediu a dois dos amigos que o acompanhavam: “peguem um táxi e a levem pra casa, aqui está a chave e grana pro táxi. E depois voltem. Eu não posso perder o show pois estou credenciado e bla bla blá”. Eles atenderam o pedido. Foram, deixaram Greta “confortavelmente” instalada na cama do jornalista e rumaram novamente pro Olympia. O show foi fodástico como de costume (sempre era, naquele tempo) e a surpresa veio quando Zap’n’roll voltou pro apartamento e foi rapidamente ver como estava sua namorada maluca. Ela estava bem e dormindo na cama. Só que… totalmente PELADA! E como ela estava absolutamente desacordada quando foi deixada no apê, permanece até hoje a dúvida: quem teria TIRADO A ROUPA da crioulaça putaça, ela mesma ou… os “amigos” (mui amigos…) do zapper? Uia!

CAPAREVISTAZORRATITAS

  • Os Titãs no auge de sua carreira estrelam a capa da primeira edição da revista Zorra, especializada em rock nacional, em 1987; foi também nessa revista que Zap’n’roll escrevia algumas de suas primeiras matérias musicais
  • Ainda em 1993 o já trintão jornalista rocker estreou como repórter de música da edição brasileira da célebre revista americana Interview – e nela permaneceu até 1996, quando a publicação deixou de circular. Sua primeira entrevista publicada na revista (que era o emprego dos sonhos de qualquer jornalista: ótimo salário, viagens de avião pra tudo quanto era canto, rodadas de whisky oito anos na redação ao final do expediente, portas abertas para festas, coquetéis etc, etc, etc, bastava ligar dizendo que era da redação da Interview que o convite saía no mesmo instante em que era pedido) foi justamente com os Titãs. E curiosamente a matéria derradeira de Finaski na revista também foi com a banda, em 1995, quando ela estava lançando o álbum “Domingo”.

 

  • Em uma das sessões de entrevista para esta matéria, realizada no estúdio paulistano Be Bop (onde o grupo estava gravando o disco “Domingo”), Zap’n’roll conheceu ELA! Quem? Laura, outro BOCETAÇO moreno, cabelos longos e que com apenas vinte e um aninhos de idade já trampava no estúdio, como técnica auxiliar de gravação. Ao ver aquele monumento na sua frente o jornalista sempre paquerador não se conteve: ao final da entrevista foi puxar papo com a garota. Ela lhe ofereceu um café, prontamente aceito. Ambos começaram a falar de música, de rock, de jornalismo. Ela era fã de… PJ Harvey, a deusa inglesa que era e é até hoje uma das paixões musicais do autor destas linhas bloggers/lokers e sempre repletas de histórias saudosas para serem resgatadas aqui. O coração zapper começou a bater mais forte pela moçoila. Os dois trocaram telefones (não havia internet naquela época, nem celulares ou redes sociais; era tudo mais sincero, real, elegante e romântico) e marcaram um encontro para a noite seguinte. Laura foi até a kit onde Finaski a essa altura estava morando (no mesmo prédio em que já havia morado em 1993, na avenida 9 de julho). E lá a dupla passou a noite TREPANDO furiosamente e depois CHEIRANDO cocaine (que a própria garota tinha levado pois ela também apreciava o “esporte”, wow!). Óbvio que o zapper se apaixonou pela boceta “perfeita”: rocker, fã de PJ Harvey e de padê, além de ótima foda na cama. E também por conta dessa paixão, óbvio que o jornalista sempre grudento e carente com suas paixões, começou a SUFOCAR a moça. O resultado foi o esperado: ela foi se afastando aos poucos, até que ambos perderam totalmente o contato. E o repórter musical  nunca mais soube do xoxotaço que ele conheceu em uma bela noite num estúdio de gravação, após entrevistar os Titãs.

 

  • Mas antes que Laurinha sumisse de vez, ela ainda acompanhou Zap’n’roll em uma gig dos Titãs no velho ginásio do Ibirapuera, na turnê do disco “Domingo”. Nessa época e por conta das entrevistas que haviam sido publicadas na Interview, o autor deste espaço online estava razoavelmente próximo do grupo. Foi assim que, show encerrado, ele e Laura foram parar no camarim dos Titãs – que estava cheio pra caralho. Lá pelas tantas o zapper sempre atento percebeu Marcelo Frommer e Branco Mello se dirigindo apressados para um dos BANHEIROS do camarim. Entraram nele e trancaram a porta. O jornalista cara-de-pau foi atrás e começou a bater na porta, dizendo: “também quero!”. Frommer abriu, Finaski entrou e disse: “põe um risco pra mim!”. Branco: “Não!”. Finaski: “Sim!”!. Frommer interveio: “porra, vamos por um risquinho pro Finatti, rsrs”. Aí foram esticadas TRÊS carreiras de cocaine no TAMPO do sanitário. E quando o blogger loker foi cheirar a sua, Branco cantarolou: “É dia de Finatti/Nem precisava tanto!”. Uia!

 

  • O último show que o blog assistiu da banda foi no final de 1995, numa das festas de aniversário da 89fm (a rádio rock, que existe até hoje). Desde então perdeu o contato com os integrantes dos Titãs e nunca mais assistiu a uma gig deles. Nem sentiu falta: com o grupo definhando aos poucos e lançando discos cada vez piores, o zapper preferiu e prefere guardar em sua memória a melhor fase do conjunto e seus momentos de glória, tanto em disco quanto ao vivo. E ambas as fases duraram, no máximo, até 1995. Agora, só escombros titânicos e só ótimas lembranças aqui, de um tempo que não vai voltar nunca mais.

 

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O NEO CONSERVADORISMO MUNDIAL – INCLUSIVE NA CULTURA POP

O que escrever e publicar neste blog, quando o mundo está tão eivada de opiniões preconceituosas, de moralismo hipócrita, de intolerância e conservadorismo expostos sem nenhum pudor ou temor? O que escrever nesta já noite de sábado (quando o post está finalmente sendo finalizado), quando se mora em uma das capitais com população mais reacionária de um país (o Brasil) já ele mesmo cada vez mais reacionário e bestial, além de inculto e ignorante? O neo conservadorismo escroto está dominando e ACABANDO com o mundo inteiro e em todas as instancias da existência humana – inclusive na cultura pop, na música, no outrora revolucionário e ultra transgressor rock’n’roll.

Você acha que não e que isso é papo de um jornalista já tiozão (o autor destas linhas virtuais), ranzinza e rabugento e que está com 5.3 já pesando nas costas? Então tomemos dois exemplos que já há alguns dias vem fustigando nossos pensamentos. Um deles é Pepeu Gomes. Sim, o véio Pepeu, que nem de longe nunca foi um primor como CANTOR, mas é um dos MELHORES GUITARRISTAS da história da música brasileira. Pois então: há mais de trinta anos (em 1983, mais exatamente), Pepeu lançou um disco solo cuja faixa-título se chamava “Masculino & Feminino”. E em cuja letra ele fazia uma alegre e inflamada elegia/apologia da diversidade sexual, quando isso nem era assunto muito recorrente na MPB. Mas a música fez sucesso naquela época justamente por não ser um tema muito explorado até então. E também porque a massa de OUVINTES de música de então era muito menos burra e careta do que o populacho dos tempos atuais.

O outro exemplo: o amado e inesquecível Renato Russo, que morreu em outubro de 1996 (lá se vão quase vinte anos…), pondo fim à Legião Urbana (um dos maiores e melhores grupos do rock nacional em todos os tempos) e nos deixando todos órfãos para sempre. Pois sete anos antes de se mandar desse mundo cada vez mais cuzão em todos os sentidos, Renato gravou “Meninos & Meninas” (no álbum “As Quatro Estações”, lançado em 1989), que também era um libelo sensacional sobre o direito de um ser humano ter de gostar de… garotos e garotas. A letra era fantástica, a música mais ainda e ela tocou horrores nas rádios naquela época, além de ser cantada em coro pelas multidões que iam aos shows da banda – e o blog ESTEVE PRESENTE em muitos desses shows.

Aí vem a pergunta: qual artista brasileiro (seja ele de MPB, axé, pagode, forró, funk, sertanojo, a puta que o pariu que for) aborda com coragem e ousadia algum tema POLÊMICO em suas canções nos dias atuais? Pagodeiros e sertanejos cretinos compõem sobre o que todos já estão carecas de ouvir (e parece que a massa tigrona não se cansa de ouvir isso): dor-de-corno, a gostosa que deu uma bota na bunda do machinho playba e por aí vai. Axezeiros: não sabem falar de outro tema a não ser exaltar a alegria de ser baiano, tudo com português sofrível, claro. Funkeiros (as)? Quando não é uma besta quadrada como a tal Anitta (que é um bocetão, reconheça-se) exaltando o poder feminino através de letras ginasianas, é o funkão proibidão tecendo vassalagem interminável à bandidagem. E nem vamos falar aqui de debilidades mentais como “Metralhadora”, “Tá tranqüilo, tá favorável”, “Gordinho gostoso” e outras aberrações que estouraram nas rádios e viralizaram na web (no YouTube) nos últimos meses ou anos. É fedor cultural/sonoro demais entupindo nossas pobres narinas e ouvidos.

LEGIAOURBANA

A inesquecível Legião Urbana: cantando a diversidade sexual em “Meninos & Meninas”, em um tempo em que o mundo era menos reacionário e careta

Vai mal o ser humano e a cultura da humanidade. Vai mal, não: vai péssima e a arte talvez esteja mesmo no fundo do abismo e com seus dias contados. A nós só restará se resignar com o fato de que não irão surgir mais outro Bob Dylan, outro Jimi Hendrix, outro Jim Morrison, outro Lou Reed, outro Bowie, outro Chico Buarque, Caetano, Gil, Gal, Elis ou mesmo (para sermos, hã, mais recentes e contemporâneos) outro Morrissey, Ian Curtis, Cazuza ou Renato Russo.

E todo esse desmantelamento artístico da cultura pop em geral e da música (e do rock) em particular, nada mais é do que o reflexo de uma humanidade que se tornou isso mesmo: ignorante, inculta, intolerante, burra e bestial. E isso num mundo dominado por alta tecnologia e globalizado pela informação ultra veloz, conectando todo mundo através da internet, de cels, redes sociais sacais, apps imbecis (o Whats app me deixou burro, muito burro demais…) e os caralho.

O que deu errado, afinal de contas? Algum leitor zapper pode dizer?

 

  • A DITADURA ESTÉTICA DAS XOXOTAS RASPADAS – é outro exemplo claríssimo do conservadorismo moral e estético que se abate nos dias de hoje sobre a humanidade. Nosso dileto leitorado (sejam leitores ou LEITORAS) já percebeu que, de anos pra cá, a DITADURA estética IMPÕE que o correto é modelos, atrizes e mulheres comuns exibirem seus sexos total DEPILADOS, sem UM pêlo que seja. Isso, claro, metaforicamente pode ser associado a alguma espécie de HIGIENIZAÇÃO e CORREÇÃO total do mulherio, não apenas na questão física como também MORAL. Seria mais ou menos isso: mulheres depiladas e bem cuidadas são as que possuem correção MORAL e ÉTICA. Quem não se adéqua a esse padrão ESTÚPIDO seria alguma espécie de “vagabunda”, “puta”, “safada” e “PORCA”. Será isso mesmo o certo? Pros dias atuais sim, claaaaaro. Mas há três décadas atrizes idolatradas e amadas pelo povão, como Claudia Ohana, Helena Ramos e Aldine Muller exibiam sem constrangimento seus bocetões PELUDÍSSIMOS, e deixavam a macharada com água na boca. Até mesmo a deusa Demi Moore, em glorioso ensaio feito por ela aos dezenove anos de idade (quando ainda não havia se tornado mega star da indústria do cinema) para uma revista francesa, não teve pudor em exibir sua xotaça totalmente peluda – e Zap’n’roll sempre AMOU bocetas que são verdadeiras matas atlânticas, rsrs. Então fica novamente a questão que não quer calar: o que deu errado com o mundo e o ser humano, afinal?

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Dois XOXOTAÇOS PELUDOS sem igual, de um tempo em que não havia ditadura estética e ultra conservadorismo na humanidade: a deusa Demi Moore (acima, na flor de seus dezenove aninhos de idade) e a nossa brazuca Claudia Ohana (abaixo); bons tempos…

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

  • Disco: sem nada digno de nota sendo lançado nunca é demais re-ouvir “Cabeça Dinossauro”, o clássico dos Titãs. Mais atual do que nunca!
  • Festival da linguagem eletrônica: a edição 2016 do File (Festival internacional da linguagem eletrônica) já está rolando em Sampa, lá no prédio da Fiesp (avenida Paulista, 1313, centro da capital paulista) e vai até 19 de agosto. Quer saber mais? Vai aqui: http://www.fiesp.com.br/agenda/festival-internacional-de-linguagem-eletronica-file/.
  • Baladenhas pro finde: yeah! Postão sendo enfim concluído já na noite de sabadão. Então vamos ver o que rola de bão no circuito alternativo de Sampalândia. Começando pelo já clássico casarão que abriga o Madame Satã (na rua Conselheiro Ramalho, 873, Bixiga, centrão da cidade), e onde hoje rola super DJ set especial dedicado ao imbatível Joy Division, com discotecagem comandada pelo Rodrigo Cyber, pelo Sérgio Barbo e pelo Fábio Vietnica, todos queridos amigos destas linhas online. Mas se você quer pista entupida e open bar infernal, se joga no Outs (na rua Augusta, 486), já um clássico rocker do baixo Augusta.///E pra fechar beeeeem o finde não dá pra perder a domingueira rock’n’roll da boate gls A Loca (na rua Frei Caneca, 916, Consolação, centro de Sampalândia), o projeto Grind comandado há dezoito anos pelo super DJ André Pomba. Beleusma? Então vai nessa que o blog vai também, uia!

 

 

FIM DE JOGO

Mais um postão concluído, certo manos? Então é isso. Semana que vem voltamos aqui, sempre com a cultura pop e o rock alternativo em primeiro lugar. Até lá!

 

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 23/7/2016, às 21hs.)

 

Yeeeeesssss, agora vai! O blogão de cultura pop e rock alternativo mais legal da web brazuca e que NÃO se pauta apenas por bobagens do indie rock planetário entrevista com EXCLUSIVIDADE o gênio marginal Mário Bortolotto, o maior nome da atual dramaturgia underground nacional; o novo e bacanudo grupo Alvvays e o indie folk sensação de Sharon Van Eteen; mais uma musa rocker TESÃO TOTAL (a japa girl dos seus sonhos delirantes, hihi); e papos sobre Morrissey, Bailen Putos! e Leave Me Out (grunge Mineiro dos bons!), além de filmes e livros que tornam nossas vidas mais legais com certeza! (postão COMPLETÃO e BOMBATOR, com as indicações culturais e o roteiro de baladas alternativas pro finde em Sampa!) (NOVA atualização GIGANTE em 31/7/2014, falando da morte do humorista Fausto Fanti, da escalação do Circuito Banco do Brasil 2014, de mais um chifre tomado pelo xoxotaço Bruna Marquezini e da mudança do trio Branco Ou Tinto pra Sampa)

O mundo anda péssimo e o ser humano está se tornando total bestial; o que ameniza esse quadro desalentador ainda é a grande, intensa e arrebatadora arte de um escritor e dramaturgo como Mário Bortolotto (acima) ou de uma cantora folk como a americana Sharon Van Etten (abaixo), que lançou recentemente um disco sublime e já sério candidato a melhor álbum de 2014

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PLUS MONSTRO! COM POSTÃO TOTAL BOMBATOR ELE FICA NO AR MAIS UMA SEMANA, MAS COM ESSAS ATUALIZAÇÕES AÍ EMBAIXO

 

* Yeeeeesssss! Aos onze anos de existência o blogão zapper atinge sua melhor performance e o AUGE de acessos e audiência com este post. Pela primeira vez o painel do leitor rompeu a barreira das 100 mensagens enviadas e está, no momento em que esta atualização é escrita (na noite de quinta-feira), batendo em 200 likes em redes sociais. São números gigantes pra um blog independente e que nos enchem de orgulho, sem dúvida. E muito desse sucesso devemos a você, diletíssimo leitor que nos acompanha fielmente há tantos anos. Valeu!!!

 

 

*Mas nem tudo é alegria e satisfação, como sempre. Estas linhas online ficaram mega chocadas na noite de quarta-feira quando souberam da morte do humorista Fausto Fanti, que integrava a trupe do sensacional Hermes & Renato desde que o grupo havia sido criado, em 1998. H&R marcaram época na MTV com seu humor totalmente ácido, corrosivo, sagaz, cínico, repleto de ironia e absolutamente politicamente incorreto. Tudo o que está em falta no humorismo brasileiro atual, eivado de preconceito, conservadorismo e moralismo babaca, e com texto chulo e no limite da imbecilidade plena – estão aí tosquices em grau máximo como “Zorra Total” ou “A praça é nossa”, pra não desmentir a opinião do blog. Por isso estas linhas bloggers poppers eram total fãs do humorístico da MTV e de seus personagens inesquecíveis vividos por Fanti, como o apresentador Claudio Ricardo ou o palhaço Gozo. A turma estava em plena atividade e iria estrear nova temporada em 2015, no canal pago Fox. Mas a vida estava cinza pra Fausto, que sofria de depressão aguda (e mesmo dando tanta alegria e riso para seus fãs). Uma depressão que finalmente o fez se enforcar com um cinto, em seu apartamento em São Paulo, no final da tarde da última quarta-feira. Ele tinha trinta e cinco anos de idade. E nos deixou órfãos, com certeza. Vai na paz, camarada, e provoque muito riso e alegria no paraíso!

 Fausto Fanti (acima e abaixo interpretando o apresentador Claudio Ricardo, um dos mais hilários da trupe Hermes & Renato, que ficou célebre na MTV nos anos 2000′), que morreu na última quarta-feira em São Paulo: ele vai fazer falta ao humor brasileiro

 

 

* E foi divulgado o line up do Circuito Banco do Brasil 2014, néan. Em Sampa a balada rock’n’roll vai acontecer no dia 1 de novembro no Campo de Marte, com gigs do Kings Of Leon (de novo??? Argh!), do Paramore (não fede nem cheira) e do hoje caidaço MGMT. Também se apresentam os nacionais (e queridos amigos destas linhas online) Pitty e Skank que, no final das contas, perigam ser as melhores atrações da noitada. Os tickets pra esbórnia começam a ser vendidos a partir da próxima segunda-feira no site www.tudus.com.br. Ah sim: no Rio de Janeiro, o show rola no dia 8 de novembro.

 

 

* Também vai aparecer por aqui mas em outubro o Biffy Clyro, que está se tornando gigante na Inglaterra mas que fora de lá ninguém conhece nem dá muita bola. Shows no Rio dia 15 e em Sampa na noite seguinte.

 

 

* E okays: o mulherio vive dizendo que nós, machos, somos canalhas e que não prestamos. Mas aí um notícia na página F5 (de celebridades) da Folha online informa que a totosa Bruna Marquezine acaba de levar mais um chifre do namorado anarfa, o craque Neymar. Segundo o site, o jogador da selecinha brasileira e do Barcelona meteu rôla grossa na xotaça de uma jovem empresária cadeluda e putona de Fortaleza, e que se encontrou com Neymarzinho em Ibiza. Pois é, rsrs. Fica a questão: nós que somos canalhas ou elas é que são… vagabundas na cara larga? Uia!

 

 Bruna Marquezini é um BOCETÃO, mas só leva chifre do namorado canalha, o jogador e craque anarfa Neymar

 

* Uma das bandas mais legais da cena rock de Cuiabá (a capital do Mato Grosso e que já deu ao Brasil o grande Vanguart), o trio Branco Ou Tinto, está de malas prontas pra São Paulo, onde vai fixar residência a partir de outubro. O BOT (que é formado pelo vocalista e guitarrista Welliton Moraes, pelo baixista Thiago Araújo e pelo batera Tubarão) tem uma sonoridade rock potente, letras muito boas em português e já foi bem resenhado aqui mesmo tempos atrás, nestas linhas bloggers zappers. Se você ainda não conhece ou não ouviu nada deles, dá uma olhada no vídeo aí embaixo, da música “O amor caiu em desuso”, que tem levada pop radiofônica sensacional, melodia com guitarras fodonas e letra idem.

 

 

 

 

 

 

* E mais sobre o Branco Ou Tinto, vai aqui: https://www.facebook.com/brancooutinto?fref=ts.

 O trio cuiabano Branco Ou Tinto: de mudança pra Sampa em outubro

 

 

* E fechando a tampa do up grade neste já gigante postão: o finde promete ser hot em Sampalândia no circuito alternativo. Vai vendo: nesta sexta-feira, 1 de agosto em si, tem show de estreia de A carne é fraca, a nova banda do dramaturgo Mário Bortolotto e que promete “rock para garotos sem futuro e velhos de passado sujo” (o caso do sujeito aqui, hihi). A gig vai rolar no Vagão (rua Nestor Pestana, 237, no centrão junkie e total putaço de Sampalândia), e com bônus de mulherio PELADO durante o show, wow! Rola na madrugada, com entrada a quinze pilas.///Já no sabadão, dia 2 de agosto, continua o festival All Star Converse no Cine Joia, quando sobem ao palco o americano Dinosaur Jr. e os ótimos grupos da indie scene paulistana Single Parents e Churrasco Elétrico. Mas pra essa balada os tickets já elvis, infelizmente.

 

 

* E é isso. Agora chega de verdade, sendo que na semana que vem o blogão rocker mais BOMBATOR da web BR de cultura pop volta com tudo e com postão total inédito. Até lá!

 

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A BOCA MAIS SENSUAL DO ROCK APAGA VELINHAS HOJE!

Yes, estas linhas online não poderiam deixar de registrar a data de hoje, quando uma das figuras mais lendárias e ilustres de toda a história do rock’n’roll completa mais um ano de vida.

 

Ele canta à frente da MAIOR banda de rock de todos os tempos (e uma das cinco bandas da vida deste jornalista ainda mezzo loker) há mais de meio século. Yep, Finaski já quis beijar MICK JAGGER na boca em sua vida, e não tem problema algum em admitir isso. Quem não iria querer beijar a boca mais famosa e sensual do rock’n’roll um dia, se tivesse oportunidade, fosse homem ou mulher? Pois o autor deste blog quis: alimentava essa fantasia absurda e loka desde a adolescência (quando descobriu os Stones com o álbum “Black And Blue”, de 1976, e quando tínhamos uns 14 anos de idade e elegemos os Stones uma das bandas da nossa vida pra sempre). Os anos foram passando, o rapaz aqui se tornou jornalista, sonhava em ver um show deles (quase foi ver uma gig da banda em Nova York em 1989: descolou passagem de avião permutada, lugar pra ficar e NÃO foi, nem se lembra mais porque) e, quando isso finalmente aconteceu, em janeiro de 1995 (no estádio do Pacaembu, em São Paulo), o jornalista enlouqueceu no meio do set mas não o suficiente pra tentar subir no palco e tentar alcançar a boca de Mick “lábios de borracha” Jagger. O autor destas linhas rockers malokers, que então namorava com um BOCETAÇO crioulo (a Gretona, que tinha 20 aninhos na época, tetas gigantes e era uma foda monumental, que quando estava metendo e levando pinto em sua xotaça gemia no ouvindo zapper: “seu cavalo, seu cachorro! ME FODE, VAI!!!”), ainda era jovem, magro, morenão tesudo e naquela noite estava de calça preta e um colete de couro (sem camiseta por baixo), se contentou APENAS em abaixar as calças e a cueca por alguns segundos rápidos e dar uns tapas na própria bunda. Os Stones estavam tocando “Miss You” no palco naquele instante.

 

Então seguimos amando as Pedras Rolantes, até hoje. Esses caras já fizeram absolutamente TUDO o que uma banda poderia fazer em termos de gigante rock’n’roll. Lançaram discos que são verdadeiras obras-primas e fizeram shows inesquecíveis.

 

Por isso o blog só pode desejar ao Mick, que hoje completa 71 anos de idade: FELIZ ANIVERSÁRIO cara! E muito rock pela frente ainda, sendo que todos nós esperamos você e a banda toda em fevereiro de 2015 por aqui (Maracanã, aí vamos nós!).

Mick “lábios de borracha” Jagger: o blog já quis beijar essa bocona, rsrs

 

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O mundo bestial e a alma cinza.

A semana que está chegando ao fim (o postão está entrando no ar já na tarde de quinta-feira mas ainda não totalmente, sendo que ele será completado até a tarde do próximo sabadão em si) foi pródiga em reafirmar como o mundo está se tornando cada vez pior e o ser humano cada vez mais insensível, egoísta, escroto, materialista, despossuído de solidariedade ao próximo e algo verdadeiramente BESTIAL no final das contas. Foi (está sendo) a semana em que separatistas pró-Rússia abateram com um míssil um jato no céu da Ucrânia, provocando a morte de quase trezentos inocentes (entre eles, dezenas de cientistas e médicos que estavam indo para uma conferência na Ásia, sobre os avanços em relação à cura da Aids). E também a semana em que o GENOCIDA e COVARDE Estado de Israel continuou promovendo o massacre de palestinos na Faixa de Gaza – até o momento em que este editorial do blog está sendo escrito, já foram contabilizados mais de seicentos palestinos mortos, a maioria civis e com muitas mulheres e crianças entre as vítimas fatais. O que nos leva a perguntar, estupefatos: o ser humano se tornou isso mesmo, essa monstruosidade sem alma, sem coração e sem compaixão alguma por seus pares? Foi para ISSO que chegamos ao século XXI, o século da era ultra tecnológica e pós-moderna e que, com todos os seus avanços e engenhocas (celulares, tablets, redes hiper conectadas, os caralho), só está tornando a raça humana cada dia mais insensível, individualista, ressentida, rancorosa e solitária? E como se não bastasse esse panorama desalentador Zap’n’roll também teve (e continua tendo) uma nova crise de inadequação existencial, em grande parte desencadeada por questões de relacionamento com alguém que o blog está gostando muito mas que, mais uma vez, se mostra um relacionamento mega complicado por vários fatores. O amor é sim uma grande e sórdida droga, no final das contas. Ele pode ser sublime e redentor; mas também pode ser perverso e mortal. Entre uma opção e outra, entre os dois extremos a alma vai se tornando perenemente cinza como de resto a própria existência física também é, com breves instantes de parca felicidade. E apenas idiotas não percebem isso, o quanto a vida é cinzenta. O que traz alento a tudo isso é saber que ainda podemos alimentar nosso espírito e nosso intelecto com doses generosas de grande arte. A grande arte de um dramaturgo como Mário Bortolotto (que transita com intensidade, desenvoltura e paixão entre texto, palco, teatro, rock’n’roll, poesia, cinema e vida no final das contas), ou a grande e igualmente intensa arte de uma cantora como a americana Sharon Van Etten. Tanto ele (Mário) quanto ela (Sharon) estão analisados em suas obras nesse post que você começa a ler agora. Ambos sabem que a existência humana se tornou algo bestial. E ainda assim tentam combater essa bestialidade com sua arte em estado bruto e puro, belíssima, poética, intensa e à flor da pele. Se todos nós pudéssemos fazer o mesmo, viver, criar e RESPIRAR arte desta forma, talvez o mundo se tornasse bem menos bestial e nossas almas fossem bem menos cinzas do que são. Mas enquanto isso não é possível, vamos ao que está ao nosso alcance para tornar menos dura a vida do dileto leitor destas linhas virtuais: oferecer a vocês mais um post bacana do blog que ama eternamente a cultura pop e o nosso sagrado rock’n’roll.

 

 

* E enquanto o mundo desaba lá fora, aqui a situação não é nada melhor. As chuvas de inverno estão total insuficientes pra recuperar o Sistema Cantareira, que continua secando em seu agora “volume morto”. São Paulo vai virar sertão. E Geraldinho “merda suprema” Alckmin segue liderando a disputa para Governador do Estado. Lamentável…

 

 

* E o último postão do blogão campeão em cultura pop e rock alternativo foi total bombator, mais uma vez: 161 curtidas em redes sociais e 68 comentários no painel do leitor. A firma agradece, uia!

 

 

* Indo pra música: é mesmo admirável a HUMILDADE que sempre permeou a personalidade dos quatro integrantes do U2. Há cinco anos sem lançar novo álbum de estúdio (o último trabalho foi editado em 2009), o gigante quarteto irlandês andou revelvando em entrevistas recentes que chegou a se questionar qual seria a importância de um novo disco do grupo para os fãs e para o rock atual. “Sim, tivemos essa insegurança”, declarou o vocalista Bono. Superada essa “crise existencial”, a banda pretende que o novo disco chegue ao mundo em novembro próximo. Pois então: se todas as bandas de rock (principalmente as brasileiras) tivessem essa noção de reavaliação de suas trajetórias, com certeza estaríamos livres de muito lixo musical. Mas como sempre, falta humildade a quem mais precisa dela…

 U2, a lenda gigante do rock irlandês: crise de insegurança e disco novo no final deste ano

 

* Como o Merdallica, por exemplo. O baterista Lars Ulrich declarou ao semanário New Musical Express que Noel Gallagher, ex-Oasis e gênio da guitarra, inspirou o baterista da velhusca e cafona banda de thrash metal a largar o vício da cocaína. Poxa… o Merdallica também poderia aprender com Noel a ser uma banda de rock minimamente decente, em todos os sentidos.

 O genial Noel Gallagher, ex-guitarrista e líder do finado Oasis: servindo de inspiração para o batera do Merdallica parar de tecar cocaine, uia!

 

 

* E semana que vem tem o festival Converse Rubber Tracks Brasil, que rola em Sampa (no Cine Jóia) de 30 de julho a 3 de agosto. Desde a última quarta-feira os ingressos pro evento (que vai ter gigs de, entre outros, Dinosaur Jr., Chet Faker, Churrasco Elétrico e Single Parents) estão disponíveis, de GRAÇA, no site do mesmo. Para conseguir um par é entrar no dito cujo e se cadastrar, o que deve ser feito aqui: http://rubbertracks.converseallstar.com.br/.

 

 

* Última forma: esqueçam guys e desconsiderem a info acima. Os tickets pro evento já estão ESGOTADOS, uia!

 

 

* O blog continua sendo mega fã do XOXOTAÇO Lana Del Rey. Motivos pra isso não faltam. Além de ser linda, cantar pra caralho e de ter acabado de lançar um discaço (o sensacional “Ultraviolence”), nossa doce Laninha também é a sinceridade total, algo em falta na música pop há séculos já. Em recente entrevista a uma revista americana, ela não teve pudores em declarar: “dormi com muitos caras na indústria musical. E nenhum deles me ajudou a conseguir um contrato…”. Wow! (sorte do macho que conseguiu esporrar naquela boceta divina…)

 O bocetaço que todos nós amamos, miss Laninha Del Rey, assume em entrevista: levou muita rôla grossa em sua xoxotona, pra conseguir entrar na indústria musical

 

 

* E na capa dessa semana da NME está o nosso amado Manic Street Preachers. A banda merece, e como, pois continua lançando discaços como o recém-editado “Futurology”, que foi beeeeem resenhado no último postão zapper. Será que um dia veremos os Manics tocando por aqui???

 

 

* E tão bacana quanto o som do Manic Street Preachers é a obra teatral e rock’n’roll do dramaturgo Mário Bortolotto. Mas isso você confere aí embaixo, no bate-papo exclusivo que o blog teve com ele.

 

 

A VIDA DE MÁRIO BORTOLOTTO NÃO CABE NUM CHEVROLET

Ele pode ser considerado como uma espécie de Jack Kerouac ou Charles Bukowski (ou um mix de ambos os lendários e inesquecíveis autores da geração de escritores beats americanos, que dominaram a contra-cultura literária americana nas décadas de 50’ e 60’) destes eternos tristes trópicos culturais brazucas, onde teatro é sinônimo de palavrão para as massas e sucessos editoriais se resumem a biografias escandalosas de algum jogador de futebol ou astros de telenovelas, ou então a livros de auto-ajuda ou de padrecos cantores. Ainda assim o paranaense (de Londrina) Mário Bortolotto, cinquenta e um anos de idade e há quase vinte morando em São Paulo (na capital), segue produzindo intensamente e melhor do que isso, consegue VIVER de sua produção artística/cultural. Ele escreve peças de teatro (já foram encenadas mais de trinta), roteiros para minisséries de tv, dirige e atua. E suas obras já foram premiadas duas vezes em 2000’, quando recebeu da Associação Paulista dos Críticos de Arte um troféu pelo conjunto de sua obra, e também ganhou o Prêmio Shell de melhor autor pela peça “Nossa vida não vale um Chevrolet”.

 

E Mário é gente finíssima e do rock também. É o cantor e letrista à frente da banda de blues Saco De Ratos (que já lançou três discos), que volta e meia se apresenta em bares da região do baixo Augusta, no centrão de Sampalândia. Quer encontrá-lo e bater um papo com ele ou vê-lo em cena? Sem problema: nosso (quase) anti-herói literário está sempre participando de alguma peça (como autor, diretor ou ator) que está sendo encenada no bar/teatro Cemitério de Automóveis, do qual ele é um dos sócios proprietários, um pequeno porém aconchegante espaço cultural localizado na rua Frei Caneca, também no centro da capital paulista. Quando não está atuando Mário ainda assim fica por lá na boa, conversando com os amigos e sempre degustando uma boa taça de vinho ou uma dose de Jack Daniel’s.

 

Bortolotto até se tornou conhecido do grande público este ano, ao participar da minissérie “A Teia”, que foi levada ao ar pela Rede Globo tempos atrás. E tem uma trajetória de vida que inclui passagens dramáticas, como quando quase morreu no final de 2009, ao ser baleado durante um assalto a um bar onde ele bebia com amigos, na praça Roosevelt (naquela época, um dos locais mais sinistros pra se aventurar na madrugada paulistana e hoje totalmente revitalizado por artistas que frequentam a própria praça, e que também contaram com a justa e necessária ajuda do Poder Público). Mas felizmente ele sobreviveu e segue firme e forte para continuar brindando os fãs de cultura underground com seus textos sempre calcados em personagens marginais e que vivem mergulhados em álcool, drogas e inadequação existencial.

 

E é esse Mário Bortolotto, um artista total a ver com o pensamento editorial destas linhas zappers, que o blog entrevistou com prazer na semana passada. Foi um longo e bacaníssimo bate-papo realizado através do Facebook e cujos melhores momentos você confere aí embaixo.

 Mário Bortolotto encarna o papel do escritor Henry Chinaski em cena da peça “Mulheres”, adaptada do livro homônimo escrito por Charles Bukowski 

 

Zap’n’roll – Você se tornou um dos dramaturgos e escritores do chamado “teatro marginal” ou “alternativo” mais conhecidos do Brasil de alguns anos pra cá. Pra quem ainda não conhece sua obra, como você se define dentro da produção cultural nacional e como você resumiria sua trajetória até aqui?

 

Mário Bortolotto – Eu sou basicamente um bluesman, rockeiro e escritor que também escreve dramaturgia e que procura levar pra minha dramaturgia justamente o que eu mais gosto em literatura, blues e rock and roll. A minha trajetória é totalmente coerente com a vida que eu decidi ter e que pago o preço por isso. Uma trajetória sem qualquer espécie de concessão. Eu simplesmente decidi que só iria fazer o que acreditasse em minha vida e é o que venho fazendo.

 

Zap – Muito bom. E no seu caso específico, parece que todas essas formas de criação e manifestação artística (música, rock, blues, poesia, literatura, teatro etc.) se conectam super bem. Mas é sabido que é duro viver de arte no Brasil. E ainda mais quando se trata de um criador como você, disposto a não abrir concessões na sua obra. Então vem a questão: você consegue viver bem do que faz?

 

Mário – Como eu sabia que eu seria assim totalmente torto na vida, procurei me preparar para levar uma vida com um padrão baixo. E nesse padrão tenho conseguido fazer apenas o que gosto. Não tenho despesas altas, levo uma vida modesta, etc. Se eu começar a subir o meu padrão de vida, vou ter que ganhar mais pra sustentar esse padrão. Então procuro manter o padrão lá embaixo. Por exemplo, até há pouco tempo morava numa kitchenete abarrotada de livros e discos e fitas cassete. Mal conseguia andar lá dentro. Então entrei num financiamento pra comprar um apartamento maior, mas eu esperava vender logo a kitchenete pra quitar a maior parte da dívida do outro, mas tá sendo muito dificil vender, então tô me ferrando pra pagar as prestações do meu financiamento, o que vai contra os meus principios de contrair dividas. Nunca tive dívidas, justamente porque nunca sei como vou poder pagar. É uma situação nova pra mim, mas que devo resolver assim que conseguir vender a minha kitchenete. Então a minha resposta é: eu vivo bem sim, mas quase que franciscanamente. Não diria franciscanamente, porque tenho os meus luxos como comprar livros e discos e beber whisky. Mas eu consigo sustentar esses luxos com o meu trabalho. E eu trabalho muito. Mas é só no que eu gosto. Escolhi viver assim.

 

Zap – O que nos leva a outra questão: foi por isso, pra ter uma grana um pouco maior, que você aceitou fazer uma participação na minissérie “A Teia”, exibida recentemente pela Tv Globo? Aliás, como se deu o convite para você, um autor e escritor essencialmente underground, participar de uma produção Global?

 

Mário – De maneira nenhuma aceitei pelo dinheiro. Se fosse por esse motivo, já teria aceitado nas outras vezes que me convidaram. Na minha vida toda já recebi muitos convites para trabalhos, alguns com boa remuneração e outros com remuneração nenhuma. E eu só aceito quando eu gosto do trabalho. Se tiver dinheiro, eu vou achar ótimo. Não tenho nada contra ganhar dinheiro fazendo o que gosto. E no caso especifico da “Teia” eu recebi porque foi um trabalho profissa na Rede Globo. Mas eu só aceitei porque gostei do roteiro do Braulio Mantovani. Eles mandaram pra mim todos os capítulos. Eu li, gostei do personagem e aceitei. Já recusei muitos outros trabalhos que seriam muito bem remunerados. E já aceitei trabalhos sem remuneração nenhuma só porque gostei do roteiro. Acho isso muito simples. Mas não tenho nada contra fazer algo para a Globo ou qualquer outra emissora ou produção se eu achar bacana. Gostei do roteiro e fiquei feliz de ter feito. Gostei muito do resultado. Acho que ficou uma puta série bacana, bem dirigida e com uma puta trilha sonora com Stones, The Band, Police e o escambau. Nem esperava por tanto. Atualmente estou escrevendo um episódio pra uma série da HBO. É claro que vou receber por isso, mas é uma série que eu quero escrever sobre um assunto que eu sou a fim de escrever. Do mesmo jeito que eu acabei de dirigir uma peça no meu teatro onde eu ganho apenas porcentagem como todos os outros atores. Eu gosto de fazer o meu trabalho e nunca é pelo dinheiro. Eu me diverti fazendo “A Teia” na Globo e me diverti fazendo a minha peça ou cantando com a banda “Saco de Ratos”. A diferença é que quando eu fiz “A Teia” eu recebi um salário e consegui beber mais whisky e pagar algumas prestações a mais. Mas eu faria um roteiro daquele mesmo que não pagassem porra nenhuma, como eu faço uma porrada de outros trampos. Mas sendo a Globo, eles pagam. E pagam muito corretamente, diga-se de passagem.

 

Zap – Bem, a minha opinião pessoal é de que “A Teia” foi sim uma bola dentro da Globo, muito por alguns dos motivos que você já elencou na sua resposta (a trilha sonora da série era realmente fantástica), e mesmo com muita gente criticando apenas porque era algo produzido pela… Globo. Mas você chegou a receber algum tipo de crítica de algum amigo ou admirador da sua obra por ter aceito participar do seriado?

 

Mário – Claro que sim. Mas são pessoas desavisadas e por quem eu não tenho o menor respeito. Eles não conhecem a minha trajetória nem o meu jeito de pensar realmente e apenas presumem como eu deveria agir. Gosto de muitas séries de tv e costumava gostar de muitas novelas nos anos 80 tipo “Água viva”, “Dancin Days” , etc. A Globo fez ótimas séries nesse período também como “Ciranda Cirandinha”, “Plantão de Polícia”, “Carga Pesada”. Eu gostaria de ter feito qualquer um desses trabalhos. E parece que agora eles querem fazer outros trampos desse tipo, o que eu acho ótimo. E tem as séries das emissoras a cabo que cada dia ficam mais interessantes. O meu amigo Marcelo Montenegro está escrevendo muitos roteiros para essas séries. Vejo com muito otimismo um mercado bacana e com qualidade para a rapaziada trabalhar. E sempre que me convidarem pra trampar em algo que eu considere, vou aceitar, independente de qual veículo ela vai estar, seja tv, cinema ou teatro. Encaro tudo da mesma forma e com o mesmo profissionalismo, tenha dinheiro o não na parada. A minha vida inteira foi assim. Tem trampos que eu ganho muito bem e acho ótimo. E tem trampos que não ganho porra nenhuma e faço com a mesma disposição só por gostar do que tô fazendo. O trampo que fiz na “Teia” não desabona em nada minha trajetória. Muito pelo contrário, tenho o mó orgulho de ter feito.

 

Zap – Falando em cinema, você já teve roteiros seus levados à tela, como “Minha vida não cabe num Opala”. Mas ultimamente parece que você tem centrado fogo em adaptar peças ou escrever textos baseados nos escritores da geração beat americana, como Jack Kerouac ou Charles Bukowski (cuja encenação do livro “Mulheres”, assistida pelo blog, ficou sensacional). Você vai retomar algo pro cinema nos próximos meses ou vai continuar concentrado em encenar suas própria peças lá no seu teatro, o Cemitério de Automóveis?

O anti-herói da dramaturgia nacional canta à frente da banda de blues Saco De Ratos

 

 

Mário – Eu vou continuar fazendo tudo que pintar na minha vida se me interessar. Atualmente tô esperando pra começarem as filmagens da adaptação do meu texto “A Frente Fria que a chuva traz” pelo Neville D´Almeida e trabalhando no roteiro da adaptação de outra peça minha que é o “Uma pilha de pratos na cozinha”. Também vou escrever esse roteiro pra um episódio de uma série da HBO. Escrevo prefácios pra livros de amigos (sem ganhar porra nenhuma), Também escrevo e dirijo peças pro nosso teatro (meu e dos meus sócios) sem nenhuma certeza de que vou ganhar algo. Amanhã faremos a primeira leitura do texto “Patrimônio” do meu amigo e sócio Lucas Mayor que eu vou dirigir. Trabalho pra caralho. De vez em quando eu ganho, e na maioria das vezes não, mas costumo ficar muito feliz com minhas escolhas profissionais, sempre. E é isso que importa no final. E é isso que vai ficar. Daqui a alguns anos quero olhar pra trás, pra minha carreira profissional e dizer: “caramba, me orgulho de tudo que fiz”. É isso que importa pra mim.

 

Zap – Bacaníssimo. E um dos episódios mais marcantes da sua trajetória infelizmente nem está ligado à sua produção artística. Mas sim ao assalto que aconteceu em um bar na Praça Roosevelt (centro de São Paulo), em uma madrugada em dezembro de 2009. Você estava no local no momento do assalto e acabou levando três tiros de um dos assaltantes. Foi levado em coma pro hospital, quase morreu e felizmente sobreviveu. Hoje, passados cinco anos e olhando pra trás, que marcas e lições esse episódio deixou em você?

 

Mário – Não sentar de costas pra porta em mesa de bar, principalmente, rs. Na verdade, não trouxe lição nenhuma. Me trouxe sim uma dor no meu peito que não vai me abandonar até que eu morra de vez. No meu peito onde abriram e depois costuraram de volta dói sempre, às vezes me falta ar. O que aconteceu comigo poderia ter acontecido com qualquer um. Os caras entraram, barbarizaram e atiraram em mim. Foi isso. Eu tava muito bêbado, Já tinha matado uma garrafa de Jack [Daniel’s]. Entraram gritando e mandando todo mundo deitar no chão. Eu não tava a fim de encrenca, mas também não queria deitar. Aí um deles veio por trás e me deu uma puta coronhada na cabeça. Qualquer um teria desmaiado e ficaria tudo certo. Até hoje tem um lugar na minha cabeça que não nasce cabelo. A porrada foi muito forte. O que acontece é que eu sou um bosta de um cabeça dura. O cara me deu a porrada, eu levantei e falei: “Qual é, porra, tá louco?” e fui pra cima dele. Entenda que eu não tava bancando o herói como alguns chegaram a dizer. Eu não tava defendendo minhas amigas que foram agredidas. Eu sequer percebi que minhas amigas tinham sido agredidas. Eu não percebi porra nenhuma porque eu tava muito bêbado. Eu só percebi a porrada na minha cabeça. Então eu me levantei. Então eu não quero ser tirado de herói. Mas também não quero ser tirado de irresponsável que enfrenta um cara armado. Eu não reagi a um assalto. Eu reagi a uma agressão. Eu reagi instintivamente e com certeza instintivamente eu reagiria de novo. Essa não é uma reação calculada, pensada. Eu não sou herói e nem irresponsável. Então não ficou nenhuma lição. Tenho certeza que hoje em dia nas condições que eu estava, reagiria da mesma forma.

 

Zap – Entendi. E encerrando então: a praça Roosevelt era meio “sinistra” naquela época, estava bastante abandonada pelo poder público. E depois que aconteceu isso com você, houve toda uma movimentação para que a prefeitura de São Paulo revitalizasse o local o que de fato acabou acontecendo e hoje o espaço lá está completamente reformado, bem policiado e é um dos locais mais seguros pra se frequentar à noite ou mesmo de madrugada. Ou seja: na sua opinião, será que é preciso que ocorra quase uma tragédia com alguém conhecido para que o poder público se mexa e tome as providências necessárias para que eventos semelhantes não voltem a ocorrer?

 

Mário – Não foi exatamente o que aconteceu. A praça já estava em franca revitalização. Os grandes responsáveis pela revitalização da praça foram os grupos de teatro que foram pra lá e implantaram as suas sedes na praça, mais especifamente o Grupo “Satyros” que teve a coragem de ir pra lá quando o lugar era bastante inóspito e que enfrentaram a maior barra pesada e depois os Parlapatões. Eles são os grandes responsáveis pela revitalização da praça. Se não fossem esses dois grupos, a praça não seria o que é hoje. A rua movimentada, os teatros e bares funcionando traz vida pra noite e consequentemente torna a cidade mais segura. Eu só sofri a violencia que sofri justamente porque os bares já estavam fechados por causa dessa lei ridicula que é a Lei Psiu. Uma lei como essa numa metrópole como São Paulo é inaceitável. Se o teatro estivesse aberto e houvessem pessoas na rua, não teria acontecido o que aconteceu comigo. Os bandidos não teriam entrado no bar. Eles só entraram porque a porta estava abaixada e foi levantada para alguns fregueses entrarem. E quando eles entraram, os bandidos entraram na cola. É preciso que a vida boêmia não seja extinta, caso contrário não poderemos sair mais nas ruas de madrugada porque estaremos correndo o risco de ser assassinados. O maior problema hoje é essa evangelização a que estamos nos submetendo. Os evangélicos vão dominar o país e teremos todos que ficar recolhidos em casa. Noite funcionando, bares funcionando é saudável, caramba. Gera cultura, música ao vivo, performances, empregos. Eu lembro com saudades e nostalgia da noite de São Paulo nos anos 80 como era du caralho. Eu conto pros meus amigos que tinha uma livraria no Bexiga, na Rua Santo Antonio, que ficava aberta a madrugada toda e ninguém acredita. É muito foda. Então eu afirmo: para que eventos semelhantes ao que aconteceu comigo não voltem a ocorrer, é preciso que consigamos conter o avanço evangélico. É preciso que voltemos a ter liberdade. Bares abertos, todo mundo fumando, bebendo, se divertindo, assistindo filmes, shows de música, trocando idéias nas mesas dos bares, discutindo projetos, tramando revoluções, namorando, se divertindo e conseguindo pelo menos à noite ou de madrugada, sonhar com uma vida melhor, menos opressora e divertida. Se o sujeito se encontra tolhido na sua vida, infeliz e apenas vendo a sua vida se esvair sem sentido, é claro que em algum momento ele vai se revoltar e fazer alguma cagada. É preciso evitar isso.

 

* Mais sobre Mário Bortolotto, vai aqui: https://www.facebook.com/mario.bortolotto?fref=ts.

 

 

ALVVAYS E SHARON VAN ETTEN TORNAM NOSSA EXISTÊNCIA MENOS AMARGA

O mundo não anda fácil. O ser humano em geral, cada vez mais insensível e bestial, também não anda fácil – e tome aviões comerciais sendo abatidos por mísseis (matando quase trezentos inocentes), Isarel voltando a massacrar palestinos em Gaza etc. Pra piorar tudo de uma vez, o rock’n’roll igualmente não anda fácil. É cada vez mais difícil surgir uma banda ou artista novo que chame a atenção e valha realmente a pena pela QUALIDADE do que gravou. Assim é que quando nos deparamos com uma banda como o canandense Alvvays (assim mesmo, grafado com dois “v”) ou com uma cantora folk como a americana Sharon Van Etten, temos que dar graças aos céus. E acalentar nossos ouvidos escutando muuuuuito o som de ambos.

 

O quinteto Alvvays era desconhecido destas linhas rockers bloggers até a semana passada. Quem nos alertou para a existência dele foi o velho chapa Cristiano Viteck, amigão de anos do blog zapper e blogueiro e apresentador de um programa de rock em uma emissora FM no interior do Paraná, o “Garagem 95”. Sempre antenadíssimo com tudo o que rola no rock alternativo planetário, Cris avisou ao jornalista Finaski pelo Facebook há alguns dias: “fica de olho no Alvvays. Eles acabam de lançar o primeiro disco, que está sendo muito elogiado pela Rolling Stone americana e por sites como o Pitchfork. E o som deles remete a dream pop e shoegazer, bem como você gosta”. De fato: formado em Toronto em 2011, o Alvvays é integrado por duas garotas (a vocalista e guitarrista Molly Rankin e a tecladista Kerri MacLellan) e três marmanjos (Alec O’Hanley também nas guitarras, Brian Murphy no baixo e Phil MacIsaac na bateria). À primeira audição o som deles remete totalmente à algo entre Belle & Sebastian e The Pains Of Being Pure At Heart. As melodias são doces, fofinhas, cativantes, os vocais de Molly idem e há toda uma ambiência shoegazer anos 90’ perpassando a maioria das faixas do disco de estreia homônimo do grupo, e que foi lançado oficialmente na última segunda-feira. Com um detalhe: são apenas nove músicas em enxutos e certeiros trinta e três minutos de rock – uma raridade nos dias de hoje onde conjuntos gravam cds de quase uma hora (ou mais) com repertório que é sempre quase puro lixo. O que nem de longe é o caso do Alvvays que já mostra logo em seu primeiro lançamento alguns momentos preciosos como em “Adult Diversion” (o primeiro single do disco, já com vídeo rodando no YouTube), “Party Police” ou “Red Planet”. Este espaço rocker virtual se encantou pelo trabalho da banda (que de fato recebeu ótimas cotações na Rolling Stone americana, na NME e no AllMusic) e torce para que ela continue assim no futuro.

O quinteto indie shoegazer canadense Alvvays (acima) e o novo disco da cantora folk americana Sharon Van Etten (capa abaixo): o rock alternativo dos anos 2000″ ainda tem salvação!

 

 

 

O mesmo encantamento que se apoderou do autor destas linhas virtuais quando ele foi ouvir “Are We There”, quarto álbum de estúdio da cantora e compositora folk americana Sharon Van Etten. O disco na verdade saiu em maio último mas está começando a bombar entre público, sites e blogs somente agora. E como nunca é tarde para se comentar sobre ótimos trabalhos, Zap’n’roll não se importa nem um pouco de falar dele apenas neste post. Sharon nasceu em Nova York e tem trinta e três anos de idade. Mas começou sua carreira musical há apenas cinco, em 2009. E talvez esteja chegando ao ápice com este belíssimo novo trabalho. Ela possui a inflexão vocal ao mesmo tempo potente e delicada. As canções, todas altamente reflexivas, inebriantes, bucólicas e com melodias eivadas de melancolia plena, transportam o ouvinte para um mundo onde habitam inquietude da alma e do coração, inadequação existencial e dores provocadas por desalentos amorosos. Como se não bastasse essa torrente de faixas que afaga com mega ternura nosso lado emocional, Van Eteen ainda é uma excelente instrumentista que toca com desenvoltura violões, guitarras e pianos. Secundada por um numeroso naipe de músicos convidados, a garota emociona total quem ouve canções avassaladoras como “Afraid Of Nothing”, “Our Love”, “Break Me”, “Your Love Is Killing Me” (título arrebatador para uma música idem) ou “I Know”. Não à toa, no caso dela, a rock press também ficou de joelhos diante do cd, com a Rolling Stone americana e o site Pitchfork se desmanchando em elogios a ele. É um dos discos campeões de audição na house de Zap’n’roll há semanas. E já tem o voto do blog para estar na lista dos melhores lançamentos de 2014.

 

Yep, o rock alternativo mundial ainda tem salvação nestes tristes anos 2000’. Alvvays e Sharon Van Etten estão aí para mostrar isso. Pena que esteja cada dia mais impossível garimpar essa salvação através de artistas como os dois citados neste tópico.

 

* Mais sobre o Alvvays, vai aqui: https://www.facebook.com/ALVVAYS?fref=ts.

 

* E mais sobre Sharon Van Etten, vai aqui: https://www.facebook.com/SharonVanEttenMusic?fref=ts.

 

 

O TRACK LIST DO CD DE ESTREIA DO ALVVAYS

1.Adult Diversion

2.Archie, Marry Me

3.Ones Who Love You

4.Next of Kin

5.Party Police

6.The Agency Group

7.Dives

8.Atop a Cake

9.Red Planet

 

 

E ALVVAYS E SHARON AÍ EMBAIXO

Em dois vídeos: com o quinteto canadense tocando o single “Adult Diversion” e no link do YouTube onde você pode escutar na íntegra o novo álbum da cantora folk americana.

 

 

 

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MUSA ROCKER DA SEMANA – UMA SUPER JAPA GIRL DELÍCIA CREMOSA TOTAL, WOW!

Nome: Madeleine Akye.

 

Idade: 32 aninhos delicious.

 

De onde: Osasco, na Grande São Paulo.

 

Filmes: “Blade Runner – o caçador de androides”, “Áta-me”, “A bela da tarde”, “Dançando no escuro” e “Pulp Fiction”.

 

Livro: “A insustentável leveza do ser”.

 

Bandas: The Smiths, The Cure, Mutantes.

 

Discos: “Is This It?” (a hoje clássica estreia dos Strokes) e “Ok Computer” (a obra-prima do Radiohead).

 

O que o blog tem a dizer sobre ela: além de linda, tesão total e gatíssima, Madeleine é um furacão em termos de agito e de formação intelectual e cultural. Estas linhas online a conheceram há pouco tempo (por intermédio da nossa mui amada amiga e também lindaça cientista política, miss Josiane Butignon) e agora o blogger rocker e a japa girl são amigos inseparáveis. Também, como não se encantar por uma garota que estudou artes cênicas, já cantou em banda de rock, já foi repórter de site e que ainda saca muuuuito de moda?

 

Essa é a nossa musa desta semana. E que está (atenção garotos mui bem intencionados, hihi) solteiríssima. E Madeleine será uma das atrações da Noite Zap’n’roll, que rola em 30 de agosto na Sensorial Discos, em São Paulo, quando ela irá fazer performance erótica abusadíssima ao lado de outro monumento feminino ao tesão nosso de cada dia, a nossa também eterna musa rocker Jully DeLarge.

 

Mas enquanto esse festão não chega, a marmanjada pode se deliciar com essas imagens incríveis da nossa japa idem, clicadas pelo expert Nickk Fotógrafo. Babem crianças, babem!

 Vem, e me DEVORA!

 

Boneca de porcelana ameaçando deixar escapar um dos seios pelas mãos

 

Ultra sexy girl esperando apenas para dar o bote

 

E o encontro das DEUSAS: a japa troca carinhos com a também deliciosa Jully DeLarge

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Discos: A estreia do quinteto canadense Alvvays, o novo de Sharon Van Etten e também o novo do nosso eternamente amado Morrissey. Yep, Moz é Moz: as letras podem ter perdido um pouco a densidade poética de anos atrás e o disco exagera pelo número de faixas (dezoito, na versão de luxo). Mas musicalmente talvez seja o trabalho mais consistente dos últimos anos do ex-vocalista dos inesquecíveis Smiths.

 

*Livros: “Indiscotíveis” (lançamento da novata editora Lote 42) reuniu um time de jornalistas, músicos e produtores que se dispuseram a analisar catorze dos mais importantes discos da história da música brasileira, em diversos segmentos (rock, mpb, reggae, rap, funk etc.). A seleção das obras incluídas no volume pode ter sido algo completamente subjetivo (e foi, claro) mas ainda assim o livro organizado por Itaici Brunetti lançar um olhar textual bacaníssimo sobre discos clássicos como “Cabeça Dinossauro” (dos Titãs), “Acabou Chorare” (dos Novos Baianos), “Afrociberdelia” (de Chico Science & Nação Zumbi), entre outros. Pra ler ouvindo (se possível) os trabalhos ali comentados.

 

* Banda: direto de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, vem o som potente do quinteto Leave Me Out (formado pelo vocalista Bruce Camilo, pelos guitarristas Victor Hugo e Raphael Maldonado, pelo baixista Bob e pelo baterista Danilo Caju). Eles já rodaram bastante por festivais independentes pelo Brasil afora, tem um bom disco lançado há pouco (o “Endless Maze”) e o som do conjunto é poderoso e remete total a Soundgarden e Alice In Chains, dos tempos gloriosos do grunge de show do quinteto mês passado em um mini-festival em Uberlândia e realmente ficou impressionado com a dinâmica sonora deles em cima do palco. Assim, fica aí a dica pra quem quiser conhecer a turma, sendo que mais sobre o Leave Me Out você encontra aqui: https://www.facebook.com/bandaleavemeout/timeline.

 O Leave Me Out: grunge das Minas Gerais

 

* Baladenhas friorentas: e não? Estamos no inverno e anda um frio delicious em Sampalândia. Bom pra ficar em casa embaixo do edredon mas também muito bom pra ir pra rua curtir a night. E como hoje já é sextona em sim (quando esse post está sendo concluído), a pedida é ir ver o pocket show do grupo Alarde lá na sempre ótima Sensorial Discos (na rua Augusta, 2389, Jardins, zona sul de Sampa). Depois ainda dá pra emendar curtindo a noitada rocker na Blitz Haus (também na Augusta, mas no 657) ou no sempre bombado Astronete (no 335 da mesma Augusta).///Sabadon? Tem especial rock nacional anos 80’ no Inferno (no 501 da Augusta) e o open bar literalmente do INFERNO no Outs (no 486 da, ufa!, Augusta), onde só os fortes sobrevivem no final da madrugada, uia! Então é isso: veste aquela jaqueta ou capote bacanão e se joga, porra!

 

 

SAINDO A BIO DO IAN CURTIS

Yeeeeesssss! E ele vai para:

 

* Camila Souza, do Rio De Janeiro/RJ.

 

Mas ainda tem promos por aqui, não perca a esperança! Vai lá no hfinatti@gmail.com que continuam em disputa:

 

* UM PAR DE INGRESSOS pro show do The Mission, dia 20 de agosto em São Paulo;

 

* E mais DOIS INGRESSOS pro show do Peter Murphy dia 13 de setembro, também em Sampa. Certo? Mande sua mensagem e boa sorte!

 

 

E AGORA É FIM MESMO!

O postão ficou lindão (modéstia à puta que pariu) e já dá pro nosso dileto leitorado se divertir com ele até a semana que vem. Então paramos por aqui, deixando um beijo apaixonado pra Tainara Rezende e outros no coração da Renata Paes Dias e de todos nossos amados leitores. Até mais!

 

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 31/7/2014 às 20:00hs.)

Na semana em que a selecinha inútil foi MASSACRADA por uma divisão PANZER alemã na Copa de merda (que felizmente chega ao fim neste finde), o mondo pop/rock é atropelado pelos novos discos do Manic Street Preachers e do gênio Morrissey; um bate-papo EXCLUSIVO com Mário Bortolotto, o grande nome da dramaturgia rocker e marginal brasileira; e claaaaaro: uma nova musa rocker gatíssima e tesudíssima, pra macho (cado) tarado nenhum reclamar, uia! (postão completo e finalizado, falando infelizmente das mortes dos grandes Tommy Ramone e Vange Leonel) (atualização final em 15/7/2014)

Na semana em que a selecinha escrota e inútil se fodeu definitivamente na Copa de merda, o mondo rocker recebe de braços abertos os novos discaços do trio galês Manic Street Preachers (acima) e da velha e genial biba Morrissey (abaixo); aí sim!

 

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AS ÚLTIMAS DE UMA SEGUNDA/TERÇA-FEIRA QUE DERRUBARAM EMOCIONALMENTE O BLOG, POR CONTA DAS MORTES DE TOMMY RAMONE E VANGE LEONEL

Yep. O postão iria ser completado com gosto no começo desta semana (estamos escrevendo este último texto dele já na alta madrugada de terça-feira, 15 de julho). Temos uma sensacional entrevista prontinha pra ser publicada, com o gênio da dramaturgia marginal Mário Bortolotto. Também iríamos postar a resenha do novo disco do amado Morrissey. E mais isso e aquilo.

 

Mas como sempre o destino é cruel, nos prega peças e a Lei de Murphy ataca quando menos se espera. Fora que a existência humana é perenemente cinza, até a chegada de nosso inefável desaparecimento.

 

Pois a morte começou a chegar a alguns nomes da história do rock’n’roll (daqui e de fora) que o blog venera e respeita demais já na última sexta-feira. Naquele dia morreu em Nova York Tommy Ramone, o último integrante original dos Ramones que ainda estava vivo. Ele foi um dos fundadores da banda em 1974 e tocou bateria nos três primeiros e insuperáveis discos do grupo, incluso a obra-prima “Rocket To Russia”, de 1977. Tommy estava com sessenta e cinco anos e lutava contra um câncer no duto biliar. A doença infelizmente venceu – como também derrubou o vocalista Joey em 2001 e o guitarrista Johnny em 2004.

 

Essa notícia por si só já havia deixado estas linhas online (que ainda estão em Minas Gerais e retornando hoje à São Paulo) bastante tristonhas. Uma tristeza que se transformou em assombro e impactante melancolia profunda ontem quando o mondo rock nacional foi colhido de surpresa pela notícia do falecimento da cantora Vange Leonel. Ela tinha cinquenta e um anos de idade (nova, ainda) e também foi derrubada por um câncer (no ovário) que foi descoberto há apenas vinte dias.

O baterista e fundador dos Ramones, Tommy (acima) e a cantora Vange Leonel, vocalista do grupo Nau (abaixo), um dos nomes essenciais do rock BR dos anos 80’: ambos levados pelo câncer nos últimos dias, deixando o mondo rock mais empobrecido do que já anda nos tempos atuais

 

O jovem e dileto leitor zapper pode não se dar conta de quem foi Vange Leonel. Mas ela foi vocalista, na segunda metade dos anos 80’, da banda paulistana Nau. Um grupo de hard/blues rock que era um espanto: tinha um guitarrista fenomenal (Zique), uma “cozinha” absurda e Vange nos vocais. Ela possuía uma inflexão a um só tempo ultra sexy e trovejante e poderosa. As músicas eram fantásticas, as letras idem (como as bandinhas escrotas do rock nacional de hoje nem em sonho conseguem fazer) e o Nau lançou apenas um disco memorável pela gravadora CBS (atual Sony Music), que deixou a crítica de joelhos mas vendeu pouco. Quando a banda iria registrar um segundo trabalho a gravadora percebeu o potencial solo de Vange (que além de tudo era gatíssima) e resolveu lançar um disco apenas dela. O álbum estourou a música “Noite Preta” nas rádios de todo o país, foi tema de abertura de novela da Globo mas tempos depois Vange desencanou da carreira e a gravadora rompeu o contrato que tinha com ela. A cantora foi então cuidar de sua vida pessoal: passou a escrever colunas para jornais como a FolhaSP, se tornou ativista gay (sim, ela era gay e ficou quase três décadas casada com a jornalista Silmara Bedaque) e produziu muita arte bacana e em defesa das minorias e em favor da diversidade sexual. Além de ótima cantora e letrista, também era um ser humano incrível, em todos os sentidos.

 

Tommy e Vange se foram, derrubados por uma doença terrível, implacável e cruel (e Finaski já teve seu tumor cancerígeno na garganta em 2013 e agora fica esperando pelo dia em que ele irá voltar e também irá nos alcançar com o beijo gélido e inexorável da doce morte). Ambos irão fazer muita falta em um mundo onde não há mais espaço para a grande criação artística e para o sentimento humano. Porém a arte que ambos produziram foi gigante. E se a vida é breve e finita, a arte deles é eterna. E como tal estará sempre presente no mundo dos que ainda estão vivos.

 

Rip Tommy Ramone e Vange Leonel. Tenham um ótimo e eterno sonho, por todos nós.

 

(a entrevista com Mário Bortolotto e a resenha do novo álbum do querido Moz sairão em nosso próximo post)

 

 

CORPO VADIO

Nesse corpo vadio
Mora alguém que, quando você vai embora, sente tão só
Nesse corpo vadio
Chora um anjo louco…

E nessas horas de frio
Fecho os olhos, molho o travesseiro e começo a sonhar
Nessas horas de frio
Quero mais que o paraiso…

Me diga, que eu te sinto
E eu morro por você
Sussura em meus ouvidos
O que vc quer, tudo que eu tenho, além de mim…

Mora alguém que, quando você vai embora, sente tão só
Nesse corpo vadio
Chora um anjo louco…

Ah, e nessas horas de frio
Fecho os olhos, choro
Fecho os olhos, choro

E esse corpo vadio
Tão igual aos outros, um entre tantos

Me diga, que eu te sinto
E eu morro por você
Sussura em meus ouvidos
O que vc quer, tudo que eu tenho, além de mim…

Me diga, que eu te sinto
E eu morro por você
Sussura em meus ouvidos
O que vc quer, tudo que eu tenho, além de mim…

 

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O massacre alemão.

Alguém duvidava que isso iria acontecer? Algum torcedor FANÁTICO, otário e acéfalo por esse esporte estúpido chamado futebol realmente chegou a acreditar que a selecinha brasileira, em sua eterna arrogância, salto alto, falta de planejamento tático, prepotência e petulância ridículas e desmesurada (além de ser COMANDADA por uma entidade esportiva pra lá de bandida e mafiosa, que é a sinistra CBF), seria capaz de suplantar a máquina de jogar alemã (uma equipe que estava sendo já preparada há mais de uma década pra encarar o campeonato mundial de futebol deste ano)? Zap’n’roll, que assumidamente ODEIA futebol e entende quase nada do esporte, tinha certeza (como dois e dois são quatro) de que o Brasil não chegaria na final dessa Copa. Só era preciso saber quando o timeco nacional (que não teve esquema tático durante toda a competição e dependeu muito mais de seus poucos grandes valores individuais, sendo que quando o principal deles, Neymar, foi colocado fora de combate, o restante do time simplesmente evaporou e se fodeu) iria dançar em definitivo. Assim foi que, enfrentando seleções de segundo escalão e fazendo performances sofríveis em campo o Brasil (outrora a “melhor seleção de futebol do mundo”), ao se deparar com um adversário realmente poderoso, tomou no cu sem lubrificante que amenizasse a foda. Foi MASSACRADO e HUMILHADO pelos alemães com um placar de 7 a 1 que já entrou para a história esportiva mundial. E o autor deste blog, de verdade, vibrou com o resultado pois ele deixa muitas e variadas lições. Uma delas: esse país (que é lindo em sua diversidade étnica e cultural, em suas riquezas e belezas naturais etc, etc, etc, e quem está falando isso é um jornalista que conhece essa porra de Brasil de Norte a Sul) precisa parar de pensar APENAS em futebol. O povo brasileiro (esse sim que de décadas pra cá se tornou cada vez mais inculto, ignorante, insensível, egoísta, individualista, não solidário, violento, machista, sexista, reacionário, conservador, preconceituoso e moralista babaca, com as exceções de sempre, claro) precisava tomar esse choque de realidade pra acordar e começar a se importar mais com o país onde nasceu, cresceu e vive. Se importar em cobrar das autoridades que haja uma melhoria monstro nos serviços públicos essenciais (Educação, Saúde, transporte, infra estrutura como um todo), cobrar que a corrupção endêmica que assola o Brasil desde sempre tenha um fim, exigir que nossa vergonhosa classe política (uma das piores do mundo) se torne minimamente decente e mais zilhões de demandas que precisam ser urgentemente postas em prática. Ou é isso ou é melhor arrumar as malas e se mudar pra Islândia. É muito óbvio que o projeto “Copa no Brasil” foi feito e pensado para render dividendos políticos a quem está no Poder (e nenhum problema nisso, qualquer outro Partido faria e iria querer o mesmo), além de desviar a atenção para os problemas que o país enfrenta e precisa solucionar. O que espanta nesse quadro é que tem gente que não se dá conta disso e ainda acha que o futebol não interfere em outras questões da vida cotidiana do brasileiro, um fanático incorrigível por um esporte violento, que gera violência e que há muito deixou de ser sinônimo de excelência e lazer por aqui. Também causa mega irritação esse ufanismo babaca, hipócrita, falso e de ocasião e que só é mostrado pelo grosso da população durante um mês – o da realização da Copa. E tome bandeirinhas brasileiras nos carros, nas janelas das residências, em locais públicos, o povaréu cantando o Hino Nacional com a mão no peito e lágrimas nos olhos e bla bla blá. Porran, por que no restante do ano também não é assim? E antes que digam que Finaski odeia o Brasil e que este editorial é o exemplo mais bem acabado de um pseudo complexo de vira lata, negativo: o país é lindo e estas linhas bloggers sentem orgulho dele e de ter nascido aqui. O que, infelizmente, estraga e ATRASA a evolução brasileira em quase todos os aspectos, é justamente a péssima índole de boa parte da população (e incluso aí autoridades públicas, a Justiça, o Legislativo, o Executivo, a polícia etc.). O exemplo de Justiça igualitária, de respeito à Ordem e à Lei, é sabido, TEM QUE VIR DE CIMA. E aqui isso NUNCA acontece. Então, se a putaria começa já lá em cima por que alguém aqui embaixo vai querer respeitar algo, afinal? Enfim, neste sábado (leia-se amanhã) ainda tem o canto do cisne da selecinha na Copa 2014, disputando o terceiro lugar contra a Holanda. E pro gosto do blog, vai perder mais uma vez. Aqui não tem ufanismo babaca, jamais. Tem sim pé no chão e olho na realidade e na crença fervorosa de que o Brasil precisa mudar e acordar. Tem eleição em outubro, a disputa vai ser sangrenta (com muitos golpes abaixo da linha da cintura) e esse país, de quem o autor deste blog se orgulha sim e muito (mesmo que ele seja sempre maltratado e espezinhado pelos seus próprios filhos) precisa ACORDAR pra vida. Não é mole, é cruel mas é isso mesmo. E dado este recado bora lá curtir o postão que começa agora e que está incrível esta semana, com Manic Street Preachers, Morrissey, o dramaturgo Mário Bortolotto e aquela musa rocker tesudíssima e gatíssima e que você, dileto leitor zapper, só encontra aqui.

 

 

* Ainda a propósito da selecinha, circulou nas redes sociais esta semana uma publicação informando o SALÁRIO que os vinte e três jogadores convocados para defender o Brasil na Copa 2014 recebem mensalmente, entre pagamento fixo e faturamentos extras (como “bichos”, participação em campanhas publicitárias etc.). Vejam só que VERGONHA:

 

 

GOLEIROS:
● Júlio César (R$ 530 mil/mês);
● Victor (R$ 235 mil/mês);
● Jefferson (R$ 250 mil/mês);

DEFESA:
● Thiago Silva (R$ 3,2 milhões/
mês);
● David Luiz (R$ 418 mil/mês);
● Dante (R$960 mil/mês);
● Henrique (R$ 100 mil/mês);
● Daniel Alves (R$ 600 mil/mês);
● Maicon (R$ 1,2 milhão/mês);
● Marcelo (R$ 830 mil/mês);
● Maxwell (R$ 1,08 milhão/mês);

MEIO-CAMPO:
● Fernandinho (R$ 1,2 milhão/
mês);
● Luiz Gustavo (R$ 660 mil/mês);
● Paulinho (R$ 1 milhão/mês);
● Hernanes (R$ 800 mil/mês);
● Ramires (R$ 656 mil/mês);
● Oscar (R$ 475 mil/mês);
● Willian (R$ 625 mil/mês);

ATAQUE:
● Hulk (R$ 2 milhões/mês);
● Bernard (R$ 1,1 milhão/mês);
● Fred (R$ 750 mil/mês);
● Jô (R$ 150 mil/mês);
● Neymar (R$ 5 milhões/mês).

(não foi incluído nessa planilha o valor que a máfia da CBF pagou ao escrete pela sua atuação na selecinha).

 

 

* Ao saber de alguns dos valores citados acima, em bate-papo com estas linhas online, o sempre querido Lúcio Fonseca (um dos proprietários da loja Sensorial Discos e dileto amigo zapper) não se conteve e disparou: “isso é fruto da IGNORÂNCIA que reina entre o povo brasileiro. Será que algum dia veremos um intelectual daqui, um pesquisador ou cientista renomado, ou mesmo um ganhador de Prêmio Nobel e que com certeza contribuiu muito mais para a evolução da humanidade e para o bem-estar do ser humano do que um reles jogador de futebol, ganhar valores semelhantes pelo seu trabalho?”. O blog endossa as palavras de Lúcio, sem precisar acrescentar absolutamente nada a elas.

 

 

* Já na esfera política, a Sabesp mandou avisar: o Sistema Cantareira (que abastece, ou ABASTECIA, de água cerca de oito milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo) literalmente SECOU. A água que lá está agora é a do chamado “volume morto” e que deverá durar apenas até outubro ou novembro, quando o (des) governo estadual paulista conta com o início do período das chuvas para normalizar a situação do reservatório. A pergunta que não quer calar nunca: e se as chuvas não vierem ou forem totalmente pífias, como foram no início deste ano? E depois que o “volume morto” também acabar e tudo secar de vez? E aí, comofas Geraldinho Alckmin, seu BANDIDO e MERDA gigante? As eleições 2014 serão em outubro. vote consciente: SUMA com a tucanalha! Vamos ARRANCAR o PSDB do poder no Estado de São Paulo, pelo bem do povo paulista.

 

* O candidato do blog em 2014 a deputado federal é o super dj André Pomba, o melhor amigo dessas linhas online há mais de duas décadas. Quanto ao voto para governador e presidente, ainda estamos analisando as opções disponíveis no primeiro turno. Mas não vai ser mole escolher alguém que valha minimamente a pena.

 

 

* IMAGEM DA SEMANA (UIA!!!) – nope, não se trata de nenhum xoxotaço, de nenhum bocetão cadeludo daqueles que arrancam porra do macho com gosto, tal qual (nas palavras do professor Pedro Serafim Neto) uma “autêntica máquina pneumática industrial coletora de esperma”, hihihi. Desta vez (e para horror de nosso dileto leitorado punheteiro, hihi) a fotoca da semana é mesmo do apresentador Luis Datena, da Band. O sujeito (em que pese seu programa ser reaça ao cubo) pelo menos é MACHO e cumpre com a palavra (algo que pouca gente faz nesse país). Prometeu que iria apresentar o seu “Brasil Urgente” de CUECA caso a selecinha se fodesse na Copa de merda. E literalmente CUMPRIU com a promessa, como você pode ver aí embaixo. Isso aê Datenão: por essa atitude estas linhas bloggers, que odeiam gente sem palavra, batem palmas pra você!

 Datena de cuecão, ao vivo na Band: pelo menos ele honra sua palavra

 

 

 

* E o último postão zapper continuou campeão de audiência: quase noventa curtidas em redes sociais e mais de SETENTA COMENTÁRIOS no painel do leitor. Não temos do que reclamar por aqui, sinceramente.

 

 

* Yep, Mick Jagger esteve aqui esta semana. O vocalista dos Rolling Stones (que devem se apresentar no Brasil em fevereiro de 2015), acompanhado do filho Lucas, foi ao estádio do Mineirão em Belzonte, e presenciou a selecinha ser literalmente TRUCIDADA pelo Alemanha. E a quem o chamou mais uma vez de pé-frio, ele retrucou: “eu posso até ser culpado pelo primeiro gol da Alemanha. Mas não pelos outros seis!”. Uia!

 O eterno Rolling Stone assiste ao massacre do Brasil pela Alemanha: “sou culpado apenas pelo primeiro gol!”; uia!

 

 

 

* Você se lembra do Interpol? Pois entonces: o hoje trio pós-punk nova-iorquino lança no início de setembro seu quinto álbum de estúdio, e que vai se chamar “El Pintor”. E a primeira faixa do novo trabalho a ganhar vídeo promocional é “All The Rage Back Home”, que é bacaninha e retoma em parte o clima soturno à la Joy Division, presente no até hoje insuperável “Turn On The Bright Lights”, a fenomenal estreia em disco da banda em 2002. Resta saber como será o restante do trabalho mas, por essa música em si (e cujo vídeo você confere aí embaixo), dá pra esperar que o grupo liderado pelo vocalista e hoje baixista Paul Banks ganhe uma sobrevida por mais algum tempo.

 

 

* E eles voltaram, néan. E arrastaram sessenta mil pessoas ao seu show de comeback em Londres, na semana passada. E prometem disco inédito para 2015. E estão na capa da NME desta semana – merecidamente. Quem? Os Libertines, oras.

 

 

* E tendo abertura do sempre esporrento The Hives, a gig paulistana do Arctic Monkeys acaba de ficar imperdível, de verdade.

 

 

* Tão imperdível quanto é o novo álbum do sempre gigante Manic Street Preachers. Confere aí embaixo.

 

 

EM UM MUNDO ONDE O ROCK SE TORNOU TOTAL IRRELEVANTE, OS MANICS AINDA SE MOSTRAM FODÕES!

Eles existem há quase três décadas (o grupo foi formado em 1986), o primeiro disco foi lançado há mais de vinte anos (em 1992), são GIGANTESCOS e ADORADOS na Inglaterra (mais até talvez do que o Oasis), mas quase ilustres desconhecidos fora da Velha Ilha. E mesmo com tanto tempo de estrada e em um momento em que o rock planetário amarga uma entressafra pavorosa (com bandas horrendas fazendo trabalhos igualmente horrendos e desaparecendo tão rápido quanto surgem), os Manic Street Preachers colocam na praça (lá fora; aqui o cd não deverá ser lançado mas ele já está dando sopa na web) seu décimo segundo álbum de estúdio, “Futurology”. Não chega a ser uma obra-prima como o anterior, “Rewind The Film”, editado ano passado (e que era um disco lindíssimo, intenso, emotivo e emocionante). Mas ainda assim mantém a banda como uma das melhores em atividade no rock britânico.

 

A própria história e trajetória dos Manics (como a banda é carinhosamente chamada pelo seu mega exército de fãs apaixonados na Grã-Bretanha) é emocionante, digna de um filme. Formada em 1986 pelos amigos adolescentes James Dean Bradfield (vocais e guitarras), Nicky Wire (baixo) e Sean Moore (bateria), logo receberam a adesão de um quarto integrante, o também guitarrista Richard James Edward, ou simplesmente Richey James. Essa formação lançou o disco de estreia em 1992, “Generation Terrorists”, que logo recebeu aclamação da crítica por mostrar um rock de guitarras bastante agressivo e POLITIZADO – algo que estava em falta no rock inglês naquele momento. E logo Richey se tornou a figura CENTRAL do quarteto: ele compunha a maioria das canções, escrevia ótimas letras (todas de cunho político e/ou existencial) e também chamava a atenção pelos seus constantes problemas de depressão emocional. Não demorou muito para a Inglaterra “adotar” os Manics e os fãs tratarem Richey James como aquele “irmão tristonho e problemático” que todos queriam ter e cuidar.

 

Vieram mais dois trabalhos de estúdio (entre os quais o hoje clássico “The Holy Bible”, editado em 1994) e Richey James começou a dar sinais de que estava pensando em se suicidar. Uma das imagens mais emblemáticas da cultura pop dessa época é quando ele foi fotografado escrevendo num dos seus braços, com gilete, a frase “4 real”, um trocadilho com “é real”. O músico explicaria, durante uma entrevista, que aquela inscrição significava que as dores emocionais que ele sentia eram de verdade e não apenas mera alegoria para impressionar os fãs.

O ex-Manics Richey James: a dor dele era real

 

Pois foi no dia primeiro de fevereiro de 1995 que Richey saiu de sua casa de carro, rumou para uma ponte em Cardiff (cidade do País de Gales onde a banda nasceu), muito notória por ser um ponto onde os que queriam se matar se jogavam dela no rio que passava embaixo, e ali desapareceu para sempre. A polícia fez buscas minuciosas na região e no rio mas o corpo do músico nunca foi encontrado (seu carro abandonado, com documentos dentro, sim) e há quem ache que ele está vivo até hoje, e vivendo muito longe de qualquer atividade que seja relacionada à música. Pelo sim, pelo não, o desaparecimento do guitarrista causou comoção nacional na Velha Ilha entre os fãs dos Manics, que até hoje choram a sua ausência. E em novembro de 2008 (treze anos após seu desaparecimento) a polícia inglesa oficialmente o deu como “presumivelmente morto”.

 

Só essa história, do desaparecimento do saudoso Richard James Edward, já daria uma aura fantástica à trajetória do Manic Street Preachers. Mas o conjunto, mesmo traumatizado com o sumiço de seu amado integrante, decidiu seguir em frente. E seguiu lançando discos geniais como “Eeverything Must Go” (de 1996), “This Is My Truth Tell Me Yours” (editado em 1998) ou “Know Your Enemy” (lançado em 2001). Já nos anos 2000 os Manics oscilaram entre alguns cds medianos (onde enveredaram até pela eletrônica, como em “Lifeblood”, de 2004) e outros de cunho emocional avassalador, como o belíssimo “Journal for Plague Lovers”, editado há quatro anos e que trazia as últimas letras escritas por Richey James e que haviam sido musicadas posteriormente pelo trio remanescente.

O novo álbum do Manic Street Preachers: a banda segue poderosa

 

Pois após editar o avassalador “Rewind The Film” ano passado (e ganhou a eleição do blogón zapper como o melhor álbum de rock de 2013), o MSP volta ao ataque com mais um disco poderoso. “Futurology”, que saiu oficialmente na Inglaterra na última segunda-feira, tem uma grande diferença estética em relação ao seu antecessor: aqui a banda voltou a trabalhar com guitarras mais contundentes e com melodias mais rockers (ao contrário de “Rewind…”, que possuía uma grande elaboração instrumental, incorporava a utilização de instrumentos inusitados ao formato rock do grupo e aind era recheado de canções reflexivas, contemplativas e melancólicas). Isso, no entando, não traz demérito algum ao disco e só reafirma o quão poderosa continua sendo a sonoridade de um conjunto que está há quase trinta anos em atividade. Assim é que canções como a faixa-título (que abre o disco), “Let’s Go To War” ou “Walk Me To The Bridge” (o primeiro single de trabalho e com um refrão e riff de guitarra mortais) já sacodem o esqueleto do ouvinte na primeira audição. Além disso o baixo soa trovejante em “Dreaming A City”, “The Next Jet to Leave Moscow” tem uma melodia e inflexão vocal que remetem ao Clash dos tempos de “London Calling”, e “Divine Youth” (cujos vocais James Dean divide com a cantora Georgia Ruth) e “Black Square” retomam a doce verve tristonha do álbum anterior dos Manics, só que sempre mantendo o apelo radiofônico intacto.

 

É um discão e que já está colecionando cotações altamente positivas entre os principais veículos de mídia britânicos. “Futurology” entrega o essencial ao ouvinte: grandes músicas, alto teor de reflexão social e política (algo que o rock se esqueceu de ter) e o empenho musical que está praticamente extinto no rock’n’roll de hoje. É uma bandaça que um dia estas linhas online ainda esperam ver ao vivo no Brasil. Antes que os Manics saiam gloriosa e definitivamente de cena.

 

 

O TRACK LIST DE “FUTUROLOGY”

1.”Futurology”

2.”Walk Me to the Bridge”

3.”Let’s Go to War”

4.”The Next Jet to Leave Moscow”

5.”Europa Geht Durch Mich”

6.”Divine Youth”

7.”Sex, Power, Love and Money”

8.”Dreaming a City (Hughesovka)”

9.”Black Square”

10.”Between the Clock and the Bed”

11.”Misguided Missile”

12.”The View from Stow Hill”

13.”Mayakovsky”

 

 

E MANIC STREET PREACHERS AÍ EMBAIXO

Em dois vídeos bacanudos: o primeiro trazendo o primeiro single do novo disco; e o outro com o show inteiro da banda na edição deste ano do gigante festival de Glastonbury.

 

 

 

MUSA ROCKER DA SEMANA – UMA LOIRAÇA DELÍCIA DO EXTREMO NORTE, UHÚ!

Quem é: Tainara Razende.

 

A idade: 25 anos.

 

De onde: Belém do Pará.

 

Mora: em Macapá (capital do Amapá)

 

As bandas que ela gosta: Nirvana, System Of A Dow e Beirut (e yep, eclética, a garota também adora Chico Buarque).

 

Os livros: O diário secreto de Laura Palmer (wow!)

 

Os filmes: “O caçador de pipas”, “A cor púrpura” e “9 Songs” (wooooow!!!)

(e ah sim: ela também adora as pin ups e modelos do site Suicide Girls, wow!)

 

O que o blog tem a dizer sobre ela: o “docinho loiro” (como o blog a chama) Tainara é a MAIOR PROVA de que as garotas do Norte são as melhores, ahahaha – e que nos perdoem as cariocas, paulistas, gaúchas, etc. Estas linhas online a conheceram há poucas semanas (ela é amiga de amigos queridos que o jornalista ainda maloker tem na capital do Amapá. Aí papo vai, papo vem e a deusa loira e o jornalista coroa rocker também se tornaram amigos e agora não param de se falar pelo faceboquete e por celular). E já estamos absolutamente encantados pela gataça, que é um tesão na mais pura acepção do termo.

 

Filha de um falecio militante de esquerda e de uma médica, Tainara não tem pudores em afirmar que ama aventuras, rock’n’roll e fazer ótimo sexo. E está solteiríssima. E já tem um certo jornalista paulistano quedado por ela, hihihi.

 

Então marmanjos, podem babar à vontade com mais uma incríve musa rocker descoberta pelo blog.

A loira fatal e seu olhar blasé (tipo: foda-se! Rsrs)

 

A loira fatal, II: desejada por muitos, e à procura de alguém especial

 

A loira fatal, III: ameaçando deixar escapar pelo decote um par de seios fantásticos

 

A loira fatal, IV: ela quer, ela pode!

 

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FIM DE PAPO! NÃO HÁ MAIS FESTA, NEM CARNAVAL (NEM FUTEBOL E COPA DE MERDA, FELIZMENTE)

E como diria o Camisa de Vênus, no clássico “Hoje”: “acho que você foi ENGANADO!”.

 

O blog para por aqui, pelas razões já expostas lá em cima, na nota dando conta do falecimento dos já saudosos Tommy Ramone e Vange Leonel.

 

Mas no hfinatti@gmail.com continua a promo de ingressos pros shows do The Mission (dia 20 de agosto em Sampa) e do Peter Murphy (no dia 13 de setembro, também em Sampalândia). Vai lá e boa sorte!

 

O blogão zapper volta ainda nesta semana, na sexta-feira, se nenhum atropelo novo acontecer pelo caminho. E ele se vai deixando o maior beijo do mundo no coração da nossa incrível musa desta semana, a linda e fantástica Tainara Rezende, porque o velho jornalista loker, assume, está mezzo xonado (mais uma vez Macapá em nosso caminho e em nossa vida… veremos o que acontece dessa vez…).

 

É isso. Tchau pra quem fica e até o próximo post.

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 15/7/20’4 às 6hs.)

Hollas 2013! O ano começa bombando e muito bem, com discão novo da lenda indie Yo La Tengo. Mais: as confusas datas do Cure na América do Sul (Brasil incluso), os vinte anos do show de um certo Nirvana em Sampalândia e um mega diário sentimental onde o blog relembra histórias cabulosas de putaria e consumo pesado de drugs ao som do gênio imortal David Bowie, que acaba de sacudir o mondo pop ao anunciar para março seu novo disco, o primeiro inédito em uma década (versão final em 21/1/2013)

O novo e “muderno” rock’n’roll planetário perde cada vez mais sua essência e qualidade; cabe então aos gênios eternos da história da música, como o camaleão David Bowie (acima, em foto p&b clássica dos anos 70’, quando ele morou em Berlim e enlouqueceu homens, mulheres e lesbos e bichaças variadas com sua beleza indescritível), que anunciou seu novo disco para março, ou a grupos indies já veteranos mas ainda relevantes como o americano Yo La Tengo (abaixo), manter o que resta de alta qualidade em meio a toda essa mixórdia  

 

Mais um ano. O décimo do blog.
Yep. Após a sua já habitual e tradicional pausa de final/início de ano, Zap’n’roll inicia os trabalhos neste 2013 – que já começou mega agitado na verdade. Um agito a altura de um blog de rock alternativo e de cultura pop que este ano celebra uma década de existência ininterrupta, sendo que a data será devidamente comemorada em abril, com festona bacana (intercalada por shows indies de responsa e discotecagem idem) lá na “nossa” casa, o Dynamite Pub. O mesmo abril que poderá ver a lenda goth The Cure finalmente voltar ao Brasil, após quase vinte anos de espera por parte dos fãs. E o mesmo abril que já estará vendo nas lojas do mundo todo o novo álbum de outra lenda gigante e imortal do rock, o gênio David Bowie, que como todos já ficaram sabendo anunciou, no dia do seu aniversário (que aconteceu em 8 de janeiro) o lançamento de seu novo álbum de estúdio, o primeiro em uma década. Tudo isso (datas do Cure confirmadas no Brasil, novo disco do Camaleão) foi sendo divulgado e pegando os rockers e a mídia de surpresa ainda no comecinho do ano, prenunciando que 2013 vai ser fodástico em se tratando de discos, shows e agitos na cultura pop. O mesmo agito que o blog espera embalar seus posts nos próximos doze meses. Afinal foi pra isso que o autor destas linhas online foi descansar na virada do ano, passando dez dias aprazíveis e inesquecíveis no autêntico paraíso na Terra que é a minúscula cidade Mineira de São Thomé Das Letras: pra voltar com as energias renovadas e com gás total pra enfrentar um mundo que continua cada vez mais caótico e cruel lá fora, seja numa mega metrópole como Sampalândia, seja no interior de Goiás, seja no Mali (lá na paupérrima África), seja na Síria, seja onde for. Se não houver equilíbrio emocional e energia de sobra a pessoa não agüenta a pressão e o mundo nos engole, é fato. Mas o ano está aí, começando e a esperança renovada é de que sempre tudo flua melhor em todos os sentidos e pra todo mundo, em especial para o nosso sempre fiel e dileto leitorado que nos acompanha há tantos anos. O blog está cheio de projetos para os próximos meses, incluso aí a publicação de seu aguardado livro compilando as melhores colunas e posts publicados até hoje. E depois de Cure pela terceira vez, de ver seu livro publicado e, quem sabe, de se ver apaixonado novamente (e desta vez, em definitivo) o blogger ainda loker mas já tiozão possa aposentar de vez estas linhas online, para vê-la se despedindo no auge e deixando seu registro impresso para a posteridade. E depois: o merecido descanso no paraíso na Terra. Sim, São Thomé onde a violência urbana e os distúrbios sociais que infestam o planeta nunca haverão de chegar. Dali iremos curtir de fato os anos que ainda restam e seremos testemunhos serenos do turbilhão que cerca nossa existência. Mas antes, bem-vindos ao blog em sua versão 2013. E ao primeiro post do novo ano, que já começa quente como prometem ser os próximos meses.

 

* O réveillon zapper no matão Mineiro não poderia ter sido melhor, uia! Foram dez dias na bucólica e sempre paradisíaca São Thomé Das Letras, minúscula cidade (com oito mil habitantes!) localizada no sul de Minas Gerais. O blog passa viradas de ano por lá há anos (mais de década e meia, pelo menos) e nunca se enjoa da calma do lugar, da sempre deliciosa comida típica mineira, das saborosas pingas artesanais (com dezenas de sabores), dos passeios pelas trilhas e pelo sempre indispensável banho de cachoeira de ano novo, lá no complexo da Eubiose. E este ano particularmente a cidade estava animadona, com centenas de turistas se divertindo e descansando do inferno cotidiano que reina nos grandes centros, por lá. Fora que, numa das noites em que estava por lá o blog foi experimentar a pizza local, com os queridos Hansen (o homem do Harry, uma das grandes lendas do rock eletrônico under brazuca dos anos 80’), Jackie e Max. Foram três sabores diferentes degustados no restaurante “Alquimista” (na praça central da cidade, que serve cozinha italiana de ótima categoria), e a turma saiu de lá mega satisfeita. Thomé, na verdade, está se “sofisticando” de anos pra cá, até onde isso é possível: tem bons restaurantes, boas opções de balada, ótimas pousadas, serviço decente de internet etc. E ainda assim, mantém sua calma inalterada, o que é o melhor da parada. Por isso mesmo que o autor destas linhas virtuais mantém seu projeto de se mudar pra lá até o final deste ano. Afinal, quando se chega numa segunda-feira bravíssima de manhã em Sampa, e depois de dez dias no paraíso você se defronta com um terminal rodoviário do Tietê chupinhado de gente, e ainda pega um metrô que mais parece uma lata de sardinha, a conclusão é inevitável: o blogger outrora maloker não tem mais saco pra agüentar isso aqui.

Trio parada duríssima (rsrs) curtindo o último reveillon na paradisíaca São Thomé Das Letras, entre pizzas, cachoeiras, marijuanas e goles generosos de whisky Buchana’s: Zap’n’roll e os amigões e músicos Hansen e Max

 

*E uma boa notícia política no início do ano: o senador Randolfe Rodrigues (do Psol do Amapá) será candidato à presidência do Senado. Em um mundo político (o brasileiro) pra lá de podre e corrupto, o jovem senador amapaense é um dos poucos nomes hoje com um trabalho honesto e confiável na esfera pública nacional. O blog torce pela sua eleição desde já.

O senador Randolfe Rodrigues (Psol/Amapá) vai sair candidato a presidente do Senado Federal; o blog torce pela sua vitória desde já!

 

* Prestem bem atenção na foto aí embaixo. O “grande chefe” com a expressão mezzo franzida (querendo dizer algo na linha “quem manda aqui sou EU!”) e ao seu lado, o “aprendiz de chefe” com o olhar meio constrangido, rsrs.
No Jornal do SBT, há pouco, o comentarista político José Newmanne Pinto foi “direto ao assunto”: “como reza o dito popular, que PODE MANDA. Quem tem JUÍZO… obedece”. Simples assim.
Em que mesmo nós paulistanos VOTAMOS para ser o PREFEITO de São Paulo, nas últimas eleições?

O “aprendiz de chefe” ao lado do “chefe supremo”: em quem o eleitor paulistano votou mesmo para prefeito nas últimas eieições?

 

* Música e rock, néan? Afinal estamos aqui pra isso, hihi. Entre as várias notícias que já agitaram o mondo pop logo nas primeiras semanas do novo ano (disco novo de Bowie a caminho, disco novo do grande Yeah Yeah Yeahs finalmente também a caminho, Psy vindo tocar no Brasil em fevereiro, o saudoso Joe Strummer, falecido vocalista da lenda The Clash, sendo homenageado com o seu nome em uma praça na Espanha, o aumento no preço dos tickets do Lollapalooza BR, novo disco dos Strokes ainda em 2013 e bla bla blá), uma das que mais continuam chamando a atenção é sobre o lançamento do primeiro disco solo do gênio Johnny Marr (que um dia foi guitarrista de uns certos Smiths), marcado para o mês que vem. Marr já produziu vídeos para duas faixas do álbum, sendo que o mais recente é para “Upstarts” (e que você pode conferir aí embaixo). Na boa? A música é ok e tal mas… falta algo ali, é o que estas linhas online acham. Assim como também achamos que vai ser meio difícil Johnny Marr compor um disco completo que reedite os momentos de glória e brilho composicional que ele atingiu nos Smiths. Mas enfim, vamos aguardar “The Messenger” (que será lançado oficialmente em 25 de fevereiro) pra depois fazermos uma avaliação mais, hã, criteriosa do trabalho.

Johnny Marr/”Upstarts”

 

* E anteontem fizeram exatos vinte anos que o Nirvana se apresentou no Brasil, no extinto festival Hollywood Rock, no estádio do Morumbi em Sampa. O blog já falou muitas vezes aqui a respeito desse show pois estava lá (de camiseta preta de manga comprida com estampa/logo do Soundgarden, bermuda jeans e jaqueta de couro amarrada na cintura, ou seja, grunge style total, hehe, já que o gênero surgido em Seattle estava então dominando o mundo), e presenciou (juntamente com outras setenta mil pessoas) um dos maiores desastres musicais que se tem notícia na história recente do rock’n’roll. Mas era o Nirvana que estava ali, né? E em 1993, com o trio no auge e a bordo da turnê do acachapante “Nevermind”, um dos melhores discos de rock de todos os tempos. Foi pensando nisso tudo que o sujeito aqui, lá pelo meio da apresentação e quando a banda disparou sua sempre esporrenta cover pra “Molly’s Lips” (dos Vaselines, grupo obscuríssimo e que era idolatrado por Kurt Cobain), não se conteve e gritou para uma amiga, que estava ao seu lado na pista do estádio: “O show tá uma merda mas foda-se! É o Nirvana e eu estou aqui!”.

O hoje conhecido, “limpinho”  e “cheiroso” apresentador da tv Record, João Gordo (também vocalista do grupo Ratos De Porão) e amigo zapper, em foto abraçado ao grande e inesquecível Kurt Cobain; a foto foi tirada na festa dentro do bar Der Temple, em Sampa. E um dos motivos pelos quais o blog foi embora de lá antes da hora (além de estar com um bocetaço pra ir foder na sua house) foi justamente esse: naquela época, Gordo e o autor deste blog eram inimigos mortais, uia!

 

* Depois, como também já escrevemos aqui tempos atrás, a balada continuou e rolou forte no bar Der Temple (que era de propriedade do Giggio, hoje dono do Matrix, na Vila Madalena), no baixo Augusta. E o zapper loker também estava lá, a poucos passos de distância do então maior rock star do planeta (e que estava completamente chapado de tudo e ansioso por dar umas narigadas em cocaine, já que ali não havia a sua amada heroin). Enfim, o blog sempre taradón e canalha preferiu trocar o restante da balada por uma bela foda em seu apê na Frei Caneca com a deusa Jade, com quem ele já havia tido um affair anos antes e com quem esbarrou no Der Temple. Jade era uma putaça de primeira: ex-gótica de tetas grandes e suculentas, xoxota total raspada (por que garotas goth adoram raspar suas bocetas ordinárias e fodedoras? Um mistério que o autor destas linhas canalhas nunca conseguiu explicar) e uma boqueteira profissional, agora (ops, naquela época) vivia em baladas indie guitar. Quando o zapper sacana a viu, nem pensou duas vezes em sair dali com ela, e arrastá-la pra uma sessão de orgia carnal das mais baixas, cadeludas e vulgares. E assim a noite acabou: com Jade dando de ladinho sua xotaça cachorríssima e gritando: “me come, me come!”. Wow!

 

* Haveria muito mais pra se falar aqui sobre esse glorioso Hollywood Rock grunge de 1993, que além do Nirvana ainda teve Red Hot Chili Peppers, Alice In Chains e L7, todos no auge de suas carreiras. Pois é, quem estava lá (como o blog estava, aliás foi no intervalo entre os shows do Alice In Chains e do Red Hot, que Zap’n’roll conheceu, na sala de imprensa do estádio do Morumbi, o querido André Pomba, hoje um dos maiores DJs da noite paulistana. Pois é, lá se vão vinte anos de amizade, que estão se completando também este mês, hehe) viu. Pra quem não estava (como boa parte de nosso ainda mui jovem leitorado), só resta ler relatos como este e imaginar como foi a parada. Bons tempos, que definitivamente não irão mais voltar…

 

* Ainda sobre o show do Nirvana, a sempre gatíssima, doce e fofa Mariana Tramontina (editora de música do portal Uol) produziu uma matéria espetacular e que mereceu o aplauso do hoje velho blogger rocker. Você pode ler o texto da Mari aqui: http://musica.uol.com.br/noticias/redacao/2013/01/16/ha-20-anos-nirvana-fazia-em-sao-paulo-show-mais-surreal-e-emblematico-da-carreira.htm

 

* A “NOVELA” THE CURE NO BRASIL – que o grupo inglês The Cure, talvez a maior lenda e nome do gothic rock planetário ainda em atividade, está de malas prontas para fazer uma turnê sul-americana agora no primeiro semestre de 2013, todo mundo já está careca de saber e é líquido e certo que o combo liderado pelo sempre extravagante vocalista e guitarrista Robert Smith volta ao continente quase duas décadas depois de se apresentar pela última vez por aqui – em janeiro de 1996, quando no Brasil a banda tocou na derradeira edição do extinto e saudoso festival Hollywood Rock. No entanto, o que tem chamado a atenção (e causado uma certa irritação nos fãs) nos últimos dias, é a quantidade de infos desencontradas que circulam na blogosfera brazuca de cultura pop sobre as datas corretas dos shows em solo brasileiro. Blogs “espertos” e sempre ultra bem “informados” e que querem soltar o peido na frente de todo mundo, a cada dia soltam notas com datas diferentes, numa evidente demonstração de “chutando datas até acertar uma”. Pois então: sempre zelosa das informações que publica aqui, estas linhas bloggers investigativas estão em contato com uma “fonte secreta” sua, que trabalha junto à produtora que está negociando a vinda do Cure ao Brasil. E na noite de anteontem, quarta-feira, essa fonte informou ao blog que as datas PROVÁVEIS das apresentações do grupo em Sampa seriam em 14 e 15 de abril (sendo que na web já circulavam datas dos shows em Buenos Aires, Santiago e Lima, respectivamente 10, 12 e 18 de abril). Tudo, porém, ainda dependia de aprovação do manager do conjunto – e de fat Bob, claro. De qualquer forma o autor destas linhas rockers online resolveu comentar o assunto em sua página no famigerado Faceboquete. Foi o suficiente pra que, ontem, os mesmos blogs que trombeteiam datas diferentes a cada dia, informassem com estardalhaço que as gigs brasileiras do Cure estariam sendo rearranjadas para maio – como se houvesse pintado um certo “ciúme” ou incômodo pelo fato de o zapper aqui ter abordado o assunto em rede social. E não só: na cola dos blogs espertalhões um tal de site Cure Brasil (daqueles que são sempre mantidos por fãs fanáticos e ansiosos e que também querem ser os “bambambans” quando o assunto é informações sobre sua banda predileta) também trombeteou o suposto adiamento da turnê para maio e, não satisfeito, ainda chamou via Twitter este jornalista de “desinformado”, rsrs. Pois então: como já estamos meio cansados dessa lenga-lenga toda e dessa estúpida disputa pra ver quem solta primeiro as datas oficiais dos shows do Cure no Brasil, vamos nos calar sobre esse assunto até que tenhamos dados realmente concretos sobre a vinda do conjunto pra cá. Assim os outros blogs e sites de fãs podem especular de maneira tola e como se fossem adolescentes pueris à vontade. Afinal, o que importa mesmo é que Smith e sua trupe vem mesmo. Se é em abril ou maio, foda-se. O fato é que poderemos rever finalmente e pela terceira vez este ano o show de um dos melhores nomes da história do pós-punk inglês.

Roberth Smith e o Cure a caminho do Brasil: foda-se a especulação de blogs espertalhões e fãs fanáticos, e se a banda virá em abril ou maio. O importante é que ela virá, ponto

 

*Já os Strokes resolveram encurtar bem a novela em torno do seu novo álbum. O quinteto nova-iorquino não confirmou mas sites americanos já anteciparam que a banda vai lançar ainda este ano o quinto álbum de estúdio de sua trajetória. Um primeiro single do disco, chamado “All The Time”, foi tocado por uma emissora de rádio de Seattle ontem. Bão, e daí? “Angles”, o último cd, foi lançado há quase dois anos e é quase um horror total. A banda segue tendo um único e sensacional trabalho em seu currículo, o primeiro e já clássico “Is This It?”, lançado há mais de uma década. Todos os que vieram na sequência ficaram muito abaixo, em termos qualitativos, do que o grupo mostrou em sua estréia. De modos que só resta torcer para que Julian Casablancas e sua turma dêem a volta por cima este ano, com o novo álbum.

Os Strokes, nos bons tempos do seu primeiro e hoje clássico disco; de lá pra cá a banda não conseguiu mais acertar a mão em seus álbuns. Será que vai conseguir no novo?

 

* E quem continua sendo gigante na indie scene americana e manteve a qualidade musical impecável no novo trabalho é o trio Yo La Tengo. Mas sobre isso você lê aí embaixo.

 

 

UMA LENDA DO INDIE AMERICANO ABRE O ANO COM UM DISCÃO
Não é fácil se manter na ativa por quase três décadas e ainda se mostrar relevante quando se lança um novo trabalho de estúdio. Pois o trio americano Yo La Tengo conseguiu tal proeza com “Fade”, seu décimo terceiro disco de estúdio e que saiu oficialmente nos Estados Unidos na última terça-feira – e que nem em sonho vai ganhar edição brasileira, embora isso não tenha a menor importância nos dias atuais. O disco pode ser encontrado sem grandes problemas na web.

 

Formado em 1984 em New Jersey pelo casal Ira Kaplan (guitarras, composições, vocais) e Georgia Hubley (bateria, vocais) o Yo La Tengo lançou álbuns magníficos ao longo de quase trinta anos, sendo que alguns deles (como “I Can Hear the Heart Beating as One”, de 1997, e “And Then Nothing Turned Itself Inside Out”, lançado em 2000) chegaram a ser editados no Brasil. Em todos eles o procedimento musical dominante sempre se pautou por canções bucólicas e reflexivas, tramadas com guitarras sem muita distorção e onde as melodias não raro eram bordadas com arranjos de cordas simples porém eficientes e que davam o amparo perfeito às letras reflexivas e algo melancólicas, escritas por Kaplan. O vocal suave, algo sussurrado do guitarrista, se encarregava de dar o toque definitivo às músicas.

O novo disco do trio americano Yo La Tengo: bucólico, melancólico e muito bom

 

Pois em “Fade” essa fórmula permanece e parece não ter se esgotado. Muito pelo contrário: é alentador ouvir músicas compostas por um homem de meia idade (Ira está com cinqüenta e seis anos) e constatar que as belas melodias, os arranjos e as letras escritas por ele ainda possuem o encantamento e o poder de sedução como se tivessem sido feitas por uma ótima banda em início de carreira. É assim que nos deparamos com a longa “Ohm”, que abre o álbum com seus quase sete minutos de duração, em clima quase pastoral, poucas distorções nas guitarras e com Kaplan cantando: “Sempre tentamos não perder nossos corações e mentes”. Daí em diante surgem momentos realmente belíssimos e onde o trio (que é completado pelo baixista James McNews) se permite deambular por rocks mais distorcidos (em “Paddle Forward”), por baladas tão belas quanto melancólicas (“Is That Enough”, “Well You Better”) e por faixas onde a esposa de Ira, Georgia, assume os vocais de forma contrita mas envolvente (em “Cornelia & Jane” e na quase suntuosa “Before We Run”, que fecha o trabalho com orquestrações magníficas).

 

Trata-se de um disco do qual a banda pode se orgulhar e muito, e que se equipara aos melhores momentos do Yo La Tengo em sua já longa trajetória. Óbvio, a garotada mais nova, fã de Lady Gaga e One Direction, jamais vai ter estofo cerebral para compreender as nuances que permeiam a obra musical do grupo de Ira e Georgia. Mas tudo bem, deixe a garotada ser feliz com o pop ultra descartável e acéfalo dos tempos atuais. Enquanto houverem bandas como o Yo La Tengo e discos como este “Fade”, ainda será sempre um prazer ouvir o bom e, hã, cafona e velhusco rock alternativo americano.

 

 

O TRACK LIST DE “FADE”
“Ohm” – 6:48
“Is That Enough” – 4:15
“Well You Better” – 2:37
“Paddle Forward” – 2:49
“Stupid Things” – 5:06
“I’ll Be Around” – 4:47
“Cornelia and Jane” – 4:49
“Two Trains” – 4:45
“The Point of It” – 3:38
“Before We Run” – 6:14

 

 

PRIMEIRO E GIGANTE DIÁRIO SENTIMENTAL DE 2013 – AO SOM DE DAVID BOWIE, NOITES E NOITES MERGULHADAS EM COCAINE E EM FODAS COM BOCETAS ALUCINADAS
Yep, são histórias realmente cabulosas as que serão relatadas aqui, no primeiro diário sentimental deste ano. E a lembrança de todas elas foi motivada, claro, pelo anúncio do comeback de David Bowie ao mondo rock: o gênio camaleônico lança seu novo álbum de estúdio agora em março, sendo que é o seu primeiro disco inédito em uma década.

 

Mas calmaê que o diário ainda está sendo escrito. Ele entra aqui no próximo post, que entra no ar nesta próxima quinta-feira (já que a semana vai ser curta, por conta do feriado na sexta-feira). Aí o blogão zapper vai aproveitar e também fazer uma análise da carreira gigante do Camaleão, destacando os principais álbuns lançados por ele em sua trajetória.
Okays? Pode aguardar então, que vai ser bacanudo – e putanhesco também, hihihi.

 

MUSA INDIE ZAPPER DO INÍCIO DO ANO
Pura dinamite, gostosura, tesão, cultura, inteligência e rock’n’roll, tudo na mesma garota. Quem? Élida Miranda, paulistana, vinte e nove anos de idade e querida amiga zapper há anos.

Ela já freqüentou muito o baixo Augusta, foi a zilhões de shows, mergulhou nas loucuras da alma e cansou. Agora se prepara pra enfrentar novos desafios, novos rumos: acaba de ser aprovada no vestibular para o curso de Medicina, em Uberlândia.

Mas o amor pelas artes, pelo rock e o visual “femme fatale” irão acompanhar a lindaça Élida, sempre! Mineiros, tremei!

Lindaça, sexy, rocker e futura médica: Elida Miranda, a primeira musa indie zapper de 2013, vai logo menos arrasar corações em Minas Gerais

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA PRO INÍCIO DO ANO
* Disco: “Fade”, o novo do Yo La Tengo. Nem tem o que discutir.

 

*Filmes: em temporada onde já há vários candidatos ao Oscar em cartaz (“As aventuras de Pi”, “Argo”, “A hora mais escura”), eis que entra em cartaz hoje o esperadíssimo novo longa do grande Quentin Tarantino. “Django Livre” emula os western espaghetti italianos dos anos sessenta, ambientando a parada nos Estados Unidos pós-guerra de Secessão. O blog é fã de Tarantino desde sempre e ainda não viu a fita, mas bota fé que ela seja sensacional (embora já tenha recebido críticas negativas na blogosfera brazuca de cultura pop). Enfim, a dika é ir ver e conferir, simples.

Cena de “Django Livre”, o novo filme de Quentin Tarantino, que entrou hoje em cartaz nos cinemas brasileiros: e aí, é bão afinal?

 

* Teatro: entrou em cartaz anteontem em Sampa a versão teatral para o clássico “Mulheres”, do imortal velho safado Charles Bukowski. A adaptação foi feita pelo dramaturgo Mario Bortolotto (um dos nomes de pontal do teatro marginal paulistano), a direção é da Fernanda D’Umbra (também vocalista da ótima banda Fábrica de Animais) e o resultado disso você pode conferir de quarta-feira a domingo, sempre às nove e meia da noite, na rua Frei Caneca 384, Consolação, região central de Sampa. Resumindo bem a ópera, Bukowski adaptado por Bortolotto: imperdível!

O cartaz da peça teatral “Mulheres” (acima) adaptação feita pelo dramaturgo marginal Mario Bortolotto, para o clássico romance do escritor norte-americano Charles Bukowski (abaixo): imperdível!

 

* A nova balada imperdível do baixo Augusta: Sampalândia volta a ter uma casa noturna ao mesmo tempo alternativa e classuda. Foi aberta no finalzinho de 2012 (uma semana antes do natal) a Blitz Haus. Hã? Trata-se de de um espaço fodástico, com três andares e ambientes, localizado claaaaaro lá na rua Augusta (no 657). Há um lounge com mesas e sofás pra sentar, papear com os amigos, beber e comer lanches caprichados, um andar superior onde pode se curtir jogos eletrônicos e sinuca a noite toda e, por fim, a pista enorme e com iluminação acachapante no sub-solo. A programação? Electro-rock bacanudo às quintas e sábados e rock alternativo às sextas. E a cereja no bolo: todo o mega simpático staff da casa é comandado pelo querido gerente Edu Shock, dileto e velho amigo destas linhas online. E a própria Blitz Haus em si é de propriedade do querido “sobrinho” DJ Click, que fez história no início dos anos 2000 com o inesquecível Atari Club, nos Jardins. Precisam mais motivos pra você ir na Blitz Haus? Se joga lá, porran!

 A pista gigante (acima) da Blitz Haus, o novo e badaladíssimo club do baixo Augusta, e o povo (abaixo) se acabando nela; ontem, na noitada rocker da casa (e onde Zap’n’roll se esbaldou em vodka com energético ao som de Nirvana, Blur, Queens Of The Stone Age etc.), havia cerca de seicentas pessoas por lá. Entre elas, dezenas de xotinhas rockers e tatuadas delicia total!

 

 

* Baladas no finde: yeah! O ano já começou e o circuito under paulistano volta a se animar. Hoje, sextona em si, tem a festa de seis anos da sempre agitadíssima e badaladíssima festa “Shakesvile” no Astronete (que fica também na rua Augusta, 335, centrão rocker de Sampa), onde rola sempre o melhor do rock’n’roll e do soul sessentista, além das bocetas rockers mais lokas e incríveis deste planeta. Cola lá!///Já amanhã a Outs (no 486 da Augusta) manda a Lei Seca pro diabo que a carregue, investindo pesado em mais uma noitada open bar (você paga quarenta mangos na entrada e bebe até cair). É isso? Yep. Então se prepare e se jogue com tudo que tem direito na esbórnia.

 

 

E PRA COMEÇAR REALMENTE BEM O ANO… TICKETS PRO LOLLAPALOOZA, AEEÊ!
Claaaaaro! O blog está de volta em versão turbinada e você acha que não iria pintar nenhum mimo aqui pro nosso dileto leitorado. Pois acaba de pintar, uia! Vai lá no hfinatti@gmail.com que entram a partir deste post, em disputa mega sangrenta:

 

* INGRESSOS pro mega festival Lollapalooza BR 2013, sendo que a quantidade de tickets em sorteio por noite ainda será definida nos próximos dias. Mas você já pode começar a enviar seus pedidos desesperados desde já, sendo que o sorteio será realizado na semana do festival, okays? Então mandem bala e boa sorte!

 

FIM DE PAPO, POR ENQUANTO
Falta o diário sentimental sobre as loucuras e putarias vividas pelo zapper loker ao som do imortal David Bowie, mas como já dissemos lá em cima esse complemento chega logo menos por aqui. Por hora o blog encerra seus trabalhos e desejando um super novo ano pra todo mundo que nos acompanha já há uma década. E deixa milhões de beijos e abraços especiais no querido Paulo Vieira (que fica mais velho amanhã), na Adriana Ribeiro, na sempre linda e fofa Carolina Cavalcanti (lá de Macapá), na turma ultra querida de Manaus (a Bruna Viana, a Karla Sanchez, os Lunetas Diego, Pablo e Chico, o mestre Sandro Nine) e muito particularmente na linda Irlene, que também ficou mais velha esta semana. É isso aê, logo menos Zap’n’roll vai novamente passear pelo Norte do país. Mas enquanto isso não acontece, daqui a pouco esse post será concluído com o diário sentimental. E o blog como um todo volta com tudo na semana que vem. Até lá!

 

(atualizado e finalizado por Finatti em 21/1/2013 às 14:30hs.)