AMPLIAÇÃO FINAL! Com o início das comemorações dos 15 anos do blog zapper (sim, estamos chegando à década e meia de existência, é mole?), as DJs set que vão DETONAR o baixo Augusta/SP neste finde e uma musa rocker rockabilly de fazer qualquer um perder o juízo: a sensacional Cris Ribeiro! – No “Dia Mundial Do Rock”, data que estas linhas online sempre abominaram e quando não há realmente NADA digno de nota a se comemorar, o blog zapper prefere continuar seguindo sua nova linha editorial e prestando total reverência e vassalagem ao que importou e continua importando na história do gênero musical mais impactante da música mundial em todos os tempos; assim falamos aqui dos trinta anos do mega clássico álbum “Psicoacústica”, lançado pelo ainda gigante Ira! (um dos maiores nomes de todo o rock brasileiro) em 1988 e que agora está na estrada com uma turnê comemorativa do disco, com entrevistas exclusivas com o guitarrista Edgard Scandurra e com o ex-batera do grupo, André Jung; e muito mais em um postão que finalmente está total concluído, em 26/7/2018

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O gigante Ira! em foto clássica da capa de primeiro disco, “Mudança de comportamento”, lançado em 1985 (acima); o grupo está na estrada, fazendo a turnê comemorativa dos 30 anos do seminal álbum “Psicoacústica” (abaixo), e cujos shows em Sampa acontecem em setembro, no SESC Belenzinho

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MAIS MICROFONIA, COM OS 15 ANOS DO BLOG MAIS LEGAL DA WEB BR E O NOVO LANÇAMENTO DO LIVRO “ESCADARIA PARA O INFERNO”!

 

***Yeeeeesssss! Postão sendo finalmente concluído! E na semana onde começamos enfim a comemorar os quinze anos de existência zapper. Para tanto as celebrações já começam hoje, quinta-feira, 26 de julho (quando este post está sendo ampliado e finalizado), quando haverá nova noite de lançamento e autógrafos de “Escadaria para o inferno”, o livro lançado por Finaski no final de 2017 e que até agora repercute e continua dando o que falar. Quer participar do evento de hoje, que terá inclusive bate papo com o sujeito aqui? Vai no SESC da avenida 9 de julho em Sampa, que estaremos por lá a partir das sete da noite, beleza? Sendo que as infos todas do evento você pode conferir aqui: https://www.facebook.com/events/995286970645414/.

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***Tem mais? Claro, tem muuuuuito mais, sempre! No finde o blog toca o terror e o puteiro rocker em duas das noitadas/festas/baladas mais badaladas do que ainda resta do circuito rocknroll alternativo noturno em Sampa. Na sexta-feira em si (leia-se amanhã, 27 de julho), vamos incendiar a pista rock no open bar infernal do Clube Outs, que também está comemorando quinze aninhos de existência lá na rua Augusta, 486. Todas as infos aqui: https://www.facebook.com/events/238770006940901/.

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***E no domingo a parada vai ser na domingueira rock mais bombada do Brasil já há vinte anos, a Grind, sempre comandada pelo super DJ e “mozão” (ahahaha) André Pomba. Zapnroll vai assumir a discotecagem às duas da matina de domingo pra segunda-feira e fará um set especial apenas com clássicos gigantes do rock BR dos anos 80. Vai perder? Não? Então pegue todas as infos da balada aqui: https://www.facebook.com/events/203279387021267/.

 

***E não pára por aqui. Em outubro vai rolar a festa OFICIAL da década e meia do blog, com showzaços num super espaço da zona leste da capital paulista e onde irão se apresentar as bandas The Dead Rocks e Saco De Ratos. Vai ser no dia 19 daquele mês, uma sexta-feira e logo menos iremos informar aqui o local da festona, okays?

 

***Agora por enquanto é isso neste post, que já está bem grandinho como sempre. Vamos parando por aqui e prometendo voltar com muito mais na semana que vem, beleusma? Até lá então!

 

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, o rock, bandas, discos, filmes, livros etc.)

 

***Celebrar dia do rock no Brasil, onde “roqueiro” se tornou reaça, vai votar em BolsoNAZI e apoia intervenção militar? Não, gracias!

 

***Preferimos nessa deliciosamente fria noite de sextona abrir o novo postão zapper falando do que vale realmente a pena em termos de rocknroll de verdade: os trinta anos do ultra clássico álbum “Psicoacústica”, editado pelo ainda gigante Ira! em maio de 1988.

 

***Mas antes, só pra lembrar nosso dileto leitorado (e deixar os fakes psicopatas do painel do leitor zapper se MATANDO de ódio e inveja, hihi), tem novo lançamento do livro “Escadaria para o inferno” no final deste mês, conforme você ver nas infos abaixo:

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***E julho também vai ser o mês das DJs set de Zapnroll, celebrando os quinze anos do blog, wow! Tem discotecagem arrasadora dia 27, sexta-feira, no Clube Outs (o último e sempre bombado reduto rocker do baixo Augusta, em Sampa). E domingo, 29, será a vez de invadirmos a pista do Grind, a super domingueira rock comandada pelo amado e fofo André Pomba. Logo menos iremos dar mais infos aqui sobre as duas festonas, pode aguardar!

 

***Mas chega de papo furado. Vamos já falar dos trinta anos de “Psicoacústica”, do Ira! E ao longo da próxima semana iremos “engordar” as notinhas do Microfonia, beleza? Bora!

 

 

EM NOVA TURNÊ O AINDA GIGANTE IRA! RESGATA SEU ÁLBUM “PSICOACÚSTICA”, LANÇADO HÁ 30 ANOS E UM DOS MELHORES DISCOS DO ROCK BR DOS ANOS 80

Quando lançou seu terceiro trabalho de estúdio em 1988, o então quarteto paulistano Ira! já estava consolidado como um dos nomes gigantes e mais respeitados do rock BR dos anos 80. A banda vinha de dois ótimos discos (a estreia em 1985, com “Mudança de comportamento”, e na sequencia “Vivendo e não aprendendo”, editado em 1986) que além de terem forjado a ótima estética sonora do conjunto (com ambiências calcadas no punk inglês do final dos anos 70 e também no movimento mod que tomou de assalto o rock britânico nos sixties), ainda obtiveram ótima resposta comercial e de público – “Vivendo…, graças a inclusão da música “Flores em você” como tema de abertura da novela do horário nobre da TV Globo da época, vendeu rapidamente mais de duzentas e cinquenta mil cópias, um número excepcional para aquele tempo. Assim sendo o Ira! estava com a moral nas alturas junto à sua gravadora, a WEA (atual Warner Music), e também junto aos fãs e a imprensa rock brazuca. E foi essa moral toda que permitiu ao grupo mudar bastante sua concepção sônica em “Psicoacústica”. Lançado oficialmente em 11 de maio de 1988, o disco chegou agora às suas três décadas de existência mantendo o posto de MELHOR álbum de estúdio que a banda lançou até hoje. Um trabalho que vendeu muito menos do que seus dois antecessores mas que estava, em termos sonoros, muito à frente do seu tempo. E que agora é rememorado pela atual formação do conjunto com uma turnê comemorativa que chega à capital paulista em setembro próximo, no SESC Belenzinho. Motivos mais do que suficientes, portanto, para que tanto o LP quanto o grupo mereçam ser o tópico principal deste post zapper.

O Ira! entrou em estúdio para gravar seu terceiro disco inédito em novembro de 1987. Saiu de lá em fevereiro do ano seguinte (pouco depois de dar uma pausa nos trabalhos de gravação, para se apresentar na primeira edição do saudoso festival Hollywood Rock) com um “Psicoacústica” que deixou fãs e imprensa em geral de boca aberta quando foi oficialmente lançado, três meses depois. Com apenas oito faixas e pouco mais de trinta e três minutos de duração o disco recebeu aprovação da maioria das críticas musicais que recebeu na época. Mas também houve quem torceu o nariz. E o motivo para essas reações diversas estava muito claro: a banda de Edgard Scandurra (guitarras, vocais), Nasi (vocais, samplers, percussão), Gaspa (baixo) e André Jung (bateria) tinha praticamente rompido com os cânones sonoros que nortearam seus dois primeiros LPs. Sim, havia ainda rocknroll bastante abrasivo e de guitarras no álbum. Mas quando o grupo resolveu absorver e enveredar por nuances de hip hop, rap e embolada nordestina nos sulcos de algumas faixas, o choque foi inevitável entre alguns jornalistas e admiradores do conjunto. Era como se DOIS Iras! distintos estivessem convivendo (e se debatendo) dentro de um único grupo: de um lado o guitarrista monstro Scandurra e o baixista Gaspa mantendo a estética rock e empunhando com garra e afinco a bandeira do estilo; do outro a dupla Nasi/Jung, que havia começado a se envolver com a nascente cena rap/hip hop paulistana (sendo ambos inclusive responsáveis pela produção da coletânea “Cultura De Rua”, lançada pelo extinto selo Eldorado também em 1988, o primeiro registro que cobria com bastante amplitude essa cena rapper da capital paulista), trazendo eflúvios (como sons sampleados e scratches) dessa cena para agregar novas sonoridades em algumas canções do disco.

No final das contas, este “choque” sônico que poderia acabar em um conflito ideológico/estético/musical problemático de ser solucionado, resultou em um LP surpreendente e que se mostrou muito à frente do que então estava rolando no rock nacional. O quarteto soube equilibrar os espaços e mixar bem as ideias e influências que levou para o estúdio Nas Nuvens, no Rio De Janeiro, onde gravou sob a direção do português Paulo Junqueiro. Fora que os registros musicais foram sendo feitos com a turma totalmente entorpecida por nuvens densas formadas pelo consumo de quilos de ótima marijuana, como o próprio Nasi relembra em sua biografia, “A Ira de Nasi” (editora Belas Letras, 2012): “A gente colocava conhaque e maconha no narguilé e fumava”. Um estado de torpor criativo genial, também recordado por Paulo Junqueiro, na mesma bio do vocalista: “Psicoacústica era uma palavra que eu falava muito. Foi tudo superlativo nas gravações. A guitarra que era gravada com 17 microfones e 4 amplificadores. Tinha coisa que ficava uma merda, mas muita coisa genial. A [gravadora] Warner deu três meses pra gente trabalhar, na maior liberdade. A gente fumava pra caralho. Era o que mais rolava. De resto, a gente dava um teco ou outro [de cocaína] mas o grosso era a maconha da lata no narguilé do Edgard. Foi uma sintonia fina, afinal na época pouca gente conseguia trabalhar com o Ira!, e eles também confiavam em poucas pessoas. Principalmente numa ousadia como essa”.

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A atual linha de frente do Ira!, formada pelos fundadores da banda, Edgard Scandurra (guitarras, vocais) e Nasi (vocais), “cercando” o jornalista loker/rocker, no camarim após apresentação do projeto Ira! Folk; abaixo Finaski entrevista a banda em sua formação clássica, no final do ano 2000

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Essa “ousadia” se materializou em músicas hoje clássicas, como os rocks “Rubro Zorro”, “Manhãs de domingo” (as duas primeiras do álbum, que o abrem com poder, fogo e fúria) e “Farto do rocknroll” (composta e cantada por Scandurra, como uma espécie de “alfinetada” na dupla Nasi/André Jung, que estava encantada pelas novas possibilidades sonoras que o hip hop lhes mostrava), e no rap/embolada que era “Advogado do Diabo”, faixa que anos depois se tornou influência confessa na obra de bandas gigantes do rock BR dos 90, como Chico Science & Nação Zumbi. Por fim ainda sobrou espaço para a psicodelia sessentista em estado bruto, como na belíssima “Mesmo distante”, que fecha o disco. E claro, o conjunto pagou um preço até certo ponto bastante elevado por ter ousado e experimentado tanto em seu terceiro álbum: “Psicoacústica” frustrou as expectativas da gravadora, vendendo muito menos (em torno de 60 mil cópias) do que os dois trabalhos anteriores. De certa forma foi o começo da derrocada mercadológica do Ira!, que iria se acentuar cada vez mais nos discos seguintes (o último LP do contrato deles com a Warner, “Música calma para pessoas nervosas”, editado em 1993, vendeu pífias três mil cópias), com a banda se reerguendo novamente apenas uma década e meia depois, quando lançou o mega sucesso “Acústico MTV” em 2004, que vendeu mais de 350 mil discos.

Mas “Psicoacústica” acabou se tornando um marco na trajetória da banda. E hoje, trinta anos após seu lançamento, é reconhecido e reverenciado como um dos principais álbuns de todo o rock brasileiro, figurando na lista dos cem melhores discos da música brasileira em todos os tempos, publicada há alguns anos pela finada revista Rolling Stone Brasil. Motivos mais do que suficientes para que o redivivo Ira! esteja agora na estrada, fazendo a turnê comemorativa de três décadas do LP. Turnê que chega à capital paulista em setembro, com dois shows no SESC Belenzinho nos dias 14 e 15 daquele mês. Vai ser a grande oportunidade (e talvez a única) de conferir “Psicoacústica” em sua totalidade, faixa a faixa, ao vivo. E Zapnroll, velho amigo da turma (o autor deste blog conhece pessoalmente Scandurra e Nasi há quase 40 anos), estará lá com certeza. Afinal e mesmo com a triste derrocada pelo qual o rock está passando na era estúpida da web e das redes sociais, ainda não estamos fartos dele. E enquanto houver bandas como o Ira! e álbuns como “Psicoacústica” (disco igual a ele, nos tempos funestos atuais? Nem em sonho, mané) para escutarmos, o rocknroll não irá morrer JAMAIS!

 

 

EDGARD SCANDURRA E ANDRÉ JUNG FALAM AO BLOG SOBRE “PSICOACÚSTICA”

O jornalista rocker/loker/zapper conhece o Ira! desde os primórdios do grupo, quando ele sequer ainda havia lançado algum disco. Assistiu seu primeiro show do grupo em 1981, durante um festival punk promovido pelo Teatro Tuca, que era administrado pela PUC/SP – yep, Finaski fez parte do movimento punk paulistano de 1980 a 1984. Em 1983 a banda lançou seu primeiro compacto simples pela gravadora WEA (atual Warner Music), com as músicas “Gritos na multidão” e “Pobre paulista”. O primeiro LP do grupo, “Mudança de comportamento” foi lançado dois anos depois, em 1985. E no ano seguinte, em maio de 1986, Zapnroll iniciou sua trajetória no jornalismo musical e cultural brasileiro. Desde então, além de fã do grupo o autor deste blog se tornou AMIGO PESSOAL da turma, amizade que permanece até hoje. Desta forma não foi difícil acionar os queridos Edgard Scandurra e André Jung (que tocou bateria no conjunto por quase trinta anos, e gravou com ele todos os discos de estúdio) para que os dois batessem um papo conosco e relembrassem como foram aqueles tempos incríveis em que conceberam essa obra gigante que é “Psicoacústica”. Eles também desvelam suas impressões sobre o trabalho, três décadas após seu lançamento.

Abaixo, os principais trechos das entrevistas que a dupla concedeu a estas linhas rockers/bloggers.

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Zapnroll com seus diletos amigos de décadas, e também integrantes do Ira!, um dos nomes fundamentais do rock brasileiro dos anos 80: acima com o ex-batera do grupo, André Jung, e abaixo com o guitarrrista gênio Edgard Scandurra

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Zapnroll – “Psicoacústica”, disco lançado pelo Ira! em maio de 1988, completou 30 anos e continua sendo reverenciado como um dos melhores álbuns do rock brasileiro dos anos 80, sendo que até hoje sua sonoridade é (ou foi) considerada muito à frente da época em que o LP foi lançado. E hoje como enxergam e avaliam musicalmente um disco tão importante e esencial na discografia do conjunto?

 

André Jung – Os dois primeiros álbuns do Ira!, Mudança de Comportamento e Vivendo e Não Aprendendo, representavam o momento MOD extremo da banda, discos feitos quando todos caminhavam na mesma direção. O segundo álbum, que nos trouxe o sucesso nacional, teve uma realização muito complicada, na qual rompemos com o produtor e voltamos do Rio para finalizá-lo em SP. Entre esse disco e o Psico, Edgard foi ao Rio gravar seu primeiro álbum solo, Amigos Invisíveis, uma obra puríssima MOD; por outro lado eu e o vocalista, que morávamos juntos então, estávamos arrebatados pela cena hip-hop, que entendíamos como o new Punk. A atitude do Edgard de gravar um álbum solo logo quando o grupo vivia sua maior popularidade o deixou um tanto à margem do processo que desencadeou o Psico, na época eu tinha um estúdio caseiro e nele começamos a desenvolver temas como Advogado do Diabo e Farto do Rock’n Roll, Edgard queria tempo para trabalhar seu disco solo e nós queríamos entrar em estúdio e desenvolver um novo caminho para o Ira! Esse conflito marca a gênese do Psico. Esse disco foi uma ruptura com a estética, o processo criativo e o formato dos arranjos que estavam presentes nos 2 primeiros discos. Edgard e Gaspa, faziam a dupla MOD, ligada às harmonias bem construídas e à um certo lirismo, e do outro lado eu e o vocalista defendíamos o Rhythmn and Poetry, como um novo caminho a trilhar. Democraticamente como nunca, conseguimos fazer uma equilibrada junção dessas aparentemente antagônicas diretrizes. Psico acústica foi criado a 8 mãos, de forma que boa parte das músicas é assinada como Ira!, assim como a produção. Nesse aspecto, eu tinha em mente fazer um disco com sonoridade que em nada lembrasse o Vivendo e Não Aprendendo, que considero obra de repertório excelente com sonoridade ruim. Paulo Junqueiro, engenheiro de som e co-produtor, entendeu bem como extrair peso e “verdade” das sessões de gravação, que eram plenas de experimentações. Avalio que o Psicoacústica, lançado em 1988, antecipou várias características da Geração 90 do Rock BR, quais sejam: interação com o Rap/Hip Hop, diálogo com elementos da música brasileira e utilização de samplers, percussão e interferências.

 

Edgard Scandurra – o Ira, até o disco “ isso é amor” ou seja , por todo os anos 80 e quase todo os anos 90, trabalhou com o intuito de fazer álbuns conceituais e esse foi mais um dos nossos álbuns/conceito. Talvez o mais bem sucedido nesses termos.  O trabalho a 10 mãos ( as 8 dos 4 iras e as 2 do nosso produtor, Paulo Junqueiro) foi a característica desse disco.

 

Zap – Curiosamente e apesar de ter uma sonoridade tão elaborada e complexa, foi um dos LPs que menos vendeu da banda. A que vocês atribuem isso?

 

Jung – Era uma obra de vanguarda, muitos não entenderam, a gravadora queria um Vivendo 2, e fizemos o contrário.

 

Scandurra – Faltavam refrões pop, não que isso seja algum problema, mas a nossa estética era realmente experimental demais para transformar esse disco em sucesso de vendas.

 

Zap – Há, nas oito faixas do álbum, canções com a estrutura rock clássica do Ira! (com influências do punk e do movimento mod inglês) mas, também, eflúvios claros de rap, hip hop (com scratches em algumas faixas) e até de ritmos brasileiros tradicionais, como a embolada nordestina. De onde surgiu, na época, a ideia de trabalhar essas sonoridades na construção do disco?

 

Jung – Comecei percussionista, amante de Hermeto, Gismonti, Grupo Um, Airto Moreira, Naná Vasconcelos e outros gênios da nossa música instrumental, sou Pernambucano, cresci ouvindo a maravilhosa música do meu estado natal e região, para mim era como resgatar um pedaço profundo de minha alma, na época tb me envolvi de cabeça com a embrionária cena Hip Hop paulistana, Comecei a produzir, em meu home studio, bases para vários rappers de SP, entre eles Thaíde, que pouco depois se juntou ao DJ Hum, dupla com a qual produzi, em 1989, o álbum Pergunte a Quem Conhece, primeiro álbum solo de um artista do Hip Hop Br.

 

Scandurra – esse foi o 1º disco onde as composições foram mais divididas entre nós 4. André jung e Nasi tinham essa forte influência do Rap, pesquisas de ritmos e sons brasileiros e essa mistura com o meu rock e com os riffs do Gaspa, geraram esse disco com essa sonoridade única.

 

Zap – Há também doses generosas de ambiências psicodélicas no LP, que parece ter sido gravado sob total influencia de farto consumo de maconha, como o vocalista Nasi descreve em sua auto-biografia. Procede? Rsrs.

 

Jung – Levamos uma lata do “Da Lata” para o Rio, foi um álbum movido a cannabis.

 

Scandurra – o fumo da lata esteve presente em todo o processo desse trabalho. Mas além disso estávamos muito ligados em conceitos e na tecnologia que existia na época, pra podermos trabalhar nosso psicodelismo, sem necessariamente precisar ficar chapado.

 

Zap – Vocês acreditam que nos medíocres tempos atuais, onde o rock praticamente morreu aqui e lá fora, alguma banda teria estofo musical e cultural/intelectual para gravar um trabalho semelhante a “Psicoacústica”?

 

Jung – Acho que não é tão medíocre não, já ouvi muita coisa linda e surpreendente de bandas e artistas atuais, Ventre e Jaloo por exemplo, o que ocorre é que o mainstream tornou-se um reduto de “projetos” bancados por investidores voltados a música de entretenimento, sem reflexão, questionamento ou arte.

 

Scandurra – eu acho que uma obra de arte sempre terá espaço, não importa o tamanho. Importa sim quando a pessoa compra o disco, o escuta e o admira ( ou não) sejam mil , 500 ou 1 milhão de pessoas.

 

 

“PSICOACÚSTICA” AÍ EMBAIXO

Para ser ouvido na íntegra, na plataforma à sua escolha.

 

 

DUAS LETRAS DO DISCO

RUBRO ZORRO

Trata-se de um faroeste sobre o terceiro mundo…

 

O caminho do crime o atrai

Como a tentação de um doce

Era tido como um bom rapaz

Foi quem foi

 

Ao calar da noite

Anda nessas bandas

Do paraíso é o zorro

Rubro zorro

 

Espertos rondam o homem

Um tipo comum

Tesouro dos jornais

Sem limite algum

 

Luz Vermelha foi perdido no cais

Do terror

Um inocente na cela de gás

Sem depor

 

Luz Vermelha foi perdido no cais

Dos sem nome

Era tido como um bom rapaz

Tal qual o “Golem”[*]

 

Sou o inimigo público número um

Queira isso ou não

Por ser tão personal

Personal, personal…

 

O caminho do crime o atrai

Como a tentação de um doce

Foi calado na cela de gás

O bom homem mau

 

No asfalto quente

O crime é o que arde

Bandidos estão vindo

De toda parte

 

O caminho do crime o atrai…

 

É na cabeça…

Seu poder racional…

É na cabeça…

Personal, personal…

 

FARTO DO ROCKNROLL

Eu fico tentando me satisfazer

Com outros sons, outras batidas, outras pulsações

O planeta é grande e eu vou descobrir

Muitas respostas as minhas perguntas agora

Sempre tem alguma coisa pra me atrapalhar

E com a testa franzida de tanto me preocupar

Então eu faço como os outros e vou assistir ao show

Faço como os outros e vou assistir ao show

 

Fim de semana sim

Fim de semana não

Às vezes tudo bem

Às vezes sem razão

Já estou farto do Rock’n Roll

Já estou farto do Rock’n Roll

 

Eu fico buscando nos quatro cantos do mundo…

Música!

Música!…

 

Algo que esteja na minh’ alma

Que me faça enxergar além

Outros sons, outras batidas, outras pulsações

 

 

TURNÊ “PSICOACÚSTICA 30 ANOS”, COM SHOWS DO IRA! EM SAMPA

As gigs acontecem dias 14 e 15 de setembro, às 9 e meia da noite, na comedoria do SESC Belenzinho (próximo ao metrô Belém, zona leste da capital paulista). Os ingressos estarão à venda no início de setembro, pelo site do SESC.

 

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MUSA ROCKER DESTE POST – A SEXY, SENSUAL E INCRÍVEL CRIS RIBEIRO!

Nome: Cristina Ribeiro

Nasceu em: 17 de agosto de 1989

Mora em: São Paulo.

Com quem mora: meu esposo (do segundo casamento) e filho.

Idade: 28 anos.

O que faz (estudo e trabalho):  Atualmente estou me dedicando apenas ao meu programa de radio sobre rockabilly e cultura dos anos 50, a minha banda também de rockabilly e fazendo freela como Dj em festas de rockabilly, além de modelo pin up Old Hollywood.

Três bandas ou artistas: vou citar aqui três bandas que foram cruciais para que eu ficasse de vez na “cena”

Rockabilly: Charlie Feathers ( DEUS) , Johnny Burnette Rock’n’Roll Trio (e 2009 pra cá escuto todos os dias) e Billy  Lee Riley, este marcou muito o inicio de tudo o que vinha a se tornar  meu “mundo” atualmente.

Três discos: The Glen Glenn Story ( AMO e ouço muito), The Legendary- Johnny Burnette Rock’n’Roll Trio, e Chug-A-Lug Vol. 8 que é uma coletânea que contém Blues e Rythm, Popcorn, Exotica e Tittyshakers (EXCELENTE, to viciada e escuto todo dia, juntamente com as minhas coletâneas de Jungle Exotica) Desculpa sei que eram só três mas não resisti hahaha.

Três Filmes: CASABLANCA ( Sou louca por Humprey Bogart E TUDO QUE ELE JÁ FEZ), SCARFACE (Tanto o de 1932 quanto o de 1983 porque sou fã numero um de Al Pacino) e Gilda de 1946, com a minha musa e diva inspiradora Rita Hayworth (podia citar todos do Tarantino que eu amo, principalmente Death Proof, ou alguns do Russ Meyer como O Faster Pussycat  Kill Kill Kill DE 1965 HAHAHA mas só são três!).

Três livros: Rockin’ The Rockabilly Scene (contém imagens e histórias de quem vivencia a cultura), A Profecia de David Seltzer, o de 1972 (li várias vezes morrendo de medo, mas li)  e Christine do Stephen King, clássico de 83.

Um diretor de cinema: Clint Eastwood, porque o admiro como ator, diretor, cineasta, produtor acho ele brilhante em tudo que já fez.

Um escritor: Charles Bukowski.

Um show inesquecível: JERRY LEE LEWIS no VIVA LAS VEGAS.

Como se deu seu envolvimento com a cena rockabilly: bom, tudo começou em 2008 quando comecei a frequentar eventos de carros cláassicos, que sempre foi minha paixão, aí comecei a ver uma galera vestida como se estivesse nos anos 50, topetes, jaquetas, algumas meninas vestidas de Pin Up, e como eu já gostava de Elvis, Johnny Cash, Chuck Berry, Jerry Lee, enfim Rock’n’roll no geral, eu vi que existia uma outra cena mais interessante além do rock’n’roll, a galera do ROCKABILLY, desde então passei a frequentar as festas do gênero em São Paulo e interior, consequentemente fui convidada pra tocar como DJ nas festas de rockabilly, fui parar EM SANTA CATARINA kkk como DJ num principal evento de Rockabilly lá. Logo fui convidada a ter um programa de radio online, especializado e Rockabilly lado B (as vezes C) e sobre a cultura dos anos 50 no geral, o programa era escutado por mais de 25 países, depois eu e meu esposo formamos uma banda que chama-se Christine e The Mistery Guys e assim continuo, buscando me aprimorar a cada dia no que eu amo, e viajando o mundo atrás de festivais de Rockabilly e de novas experiências, pra que a cultura que eu AMO não morra!

Como o blog zapper conheceu Cris: a gatona e musa rocker é dileta amiga deste espaço online há alguns anos já. E sempre tivemos grande carinho, apreço e simpatia pela garota, que além de muito bonita e sensual, também é do rock e a humildade, simpatia e gentileza em pessoa. De modos que nada mais natural do que pintasse o convite destas linhas bloggers para que ela brindasse nosso leitorado com este ensaio especialíssimo e exclusivo. De modos que vocês estão prontos? Então deleitem-se abaixo com Cris Ribeiro, sem moderação alguma!

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Femme fatale rocker, ever!

 

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Quem resiste a tamanho deslumbre?

 

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A elegância e o charme que seduziram a cena rockabilly de SP

 

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Gata rocker poderosa!

 

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O olhar que desconcerta e que faria Johnny Cash perder o juízo

 

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Nada me abala, apenas o poder da melodia incendiária de uma guitarra!

 

E FIM DE PAPO

A finalização do postão zapper demorou mas chegou, néan. E agora que concluímos os trampos, podemos ter uma pausa até a próxima semana, quando iremos voltar como sempre com tudo o que a turma precisa saber sobre rock alternativo e cultura pop, certo? Até a próxima então. Bye!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 26/7/2018 às 12hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL! Com os assuntos já listados e mais um repeteco total tesudo e abusado: o ensaio nude total do casal rocknroll Jonnata Doll e Marcelle Louzada, uhú – Após longuíssima pausa retomamos os trampos no blog zapper, em um 2018 ainda mais sinistro do que nos dois últimos anos no falido e completamente selvagem bananão tropical DESgovernado pelo vampiro golpista. E tentamos colocar tudo em dia por aqui falando de… Copa do Mundo? Nem fodendo, mas sim do novo álbum do Arctic Monkeys, que retorna depois de cinco anos de ausência com um trabalho surpreendente, quase sem nenhum viés rocker e quase sem guitarras; o rock dos anos 2000 foi mesmo pro túmulo mas a vitória de Jonnata Doll & Os Garotos Solventes como melhor artista musical no Prêmio Governador do Estado ainda dá alguma esperança ao gênero; como foi o showzaço do Ira! na Virada Cultural SP 2018; o adeus de um dos espaços de rock alternativo e cultura pop mais legais da noite paulistana; e por que a morte de um certo produtor musical não causou comoção alguma no blog que não tem medo de dizer o que pensa (postão ampliadão, completão e total FINALIZADO em 29/5/2018)

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O mundo está caótico e o rock e a cultura pop estão praticamente mortos na era da web e nos anos 2000; mas o quarteto inglês Arctic Monkeys (acima) dribla todos os percalços atuais e se reiventa no novo disco, para continuar seguindo como o grande nome do rock britânico do século XXI; enquanto isso em Sampa a sensacional Sensorial Discos, um dos melhores espaços culturais da capital paulista, dá adeus ao seu endereço atual e sendo que neste post o blog zapper recorda alguns momentos incríveis que passou por lá, como quando aconteceu a festa de 11 anos destas linhas rockers por lá, em maio de 2014 e onde rolou até uma performance altamente erótica da nossa eterna deusa e musa number one, a sempre XOXOTUDA ao máximo Jully DeLarge (abaixo, ao lado do “dono” da festa, hihi)

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MICROFONIA

(cultura pop e rock alternativo em discos, shows, filmes, livros etc.)

***Pensou que estas linhas lokers e eternamente rockers tinham morrido, néan. Nope. Apesar de o Brasil estar MORTO sob o DESgoverno do maior bandido e desgraçado GOLPISTA imundo que já ocupou a presidência da república de maneira ILEGÍTIMA (e com apoio da patolândia/coxarada BURRA, reacionária, conservadora e IMBECIL, e que tem mais é que levar no CU agora), estas linhas online demoram mas aparecem e seguem firmes e fortes por aqui. Sendo que em outubro vindouro vai ter FESTAÇO num super espaço na capital paulista, para comemorar (com dois showzaços) os quinze anos de Zapnroll. Mas mais pra frente daremos melhores detalhes sobre isso. Por enquanto vamos a este postão (entrando no ar em sua primeira parte ainda, já na noitona de sabadão), que marca finalmente o retorno destas linhas bloggers à sua velha e ÓTIMA forma de sempre, ulalá!

 

***Como foi o show do ainda grande Ira! na Virada Cultural de Sampa deste ano, em sua edição mais rocker dos últimos anos? Veja abaixo:

 

***SHOW DO IRA! – foi sensacional, como prevíamos. Começou pontualmente às 4 e meia da manhã com a banda disparando “Envelheço na cidade” e seguindo assim a sequência (na íntegra) do clássico “Vivendo e não aprendendo”. Sendo que o público (bem menor do que se esperava, mas isso comentamos mais aí embaixo) cantou e pulou nas faixas mais conhecidas do disco (como “Dias de luta”, “Flores em você” e na dobradinha ao vivo de “Gritos na multidão” e “Pobre paulista”, que fecha a versão original do LP), e ficou MUDO nas bem menos conhecidas (mas não menos ótimas), como as poderosíssimas (e que tiveram suas letras literalmente BERRADAS pelo loki aqui) “Vitrine Viva” e “Nas ruas” (“Nas ruas é que me sinto bem/Ponho meu capote e está tudo bem/Vejo pessoas DESMIOLADAS/Viraram uma MASSA devorada por alguém/Sem princípios e muito ESPERTO”). E como se esperava a primeira parte da apresentação terminou quando o disco também acabou. Mas era muito óbvio que a banda iria voltar para um bis, onde todos (ou o blog, pelo menos) esperavam por uma saraivada de mais uns 5 hits clássicos pelo menos. Mas foi bem menos do que isso. A turma voltou e atacou com a sempre ótima (e inesperada, naquele momento) “Rubro Zorro”. Depois mais uma (qual mesmo? Esquecemos, ahahaha) e tudo terminou com “Núcleo Base” (“Meu amor eu sinto muito, muito mas vou indo/Pois é tarde e eu preciso ir embora…”), com a banda se mostrando potente e impecável como sempre ao vivo e deixando os fãs (a maioria velhos, já na faixa dos 35/45 anos de idade) mais do que satisfeitos, Finaski. Saímos FOCADOS de casa para ver ESTE show na Virada Cultural e não teve arrependimento. Voltamos mega contentes (já com o dia clareando) para casa. Valeu mesmo e total o rolê até o centrão de Sampalândia na sempre perigosa madrugada paulistana.

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Zapnroll ao lado da linha de frente do ainda gigante grupo Ira!, o guitarrista Edgard Scandurra e o vocalista Nasi, diletos amigos de décadas deste espaço online; o show da banda foi sensacional na Virada Cultural paulistana deste ano

***PÚBLICO – muuuuuito menor do que se esperava, tanto que deu pra chegar com o show começando e ainda ficar COLADO na grade na frente do palco. Se há 4 anos o grupo retornou em grande estilo na própria Virada Cultural e tocando diante de um público de cerca de 35 mil pessoas (e estávamos lá, ESPREMIDOS no meio da multidão), dessa vez nosso “chutômetro” calcula que não havia mais do que umas 5 mil pessoas no boulevard São João (que é um calçadão gigantesco e onde cabe com folga uma multidão muito maior). Claro que há alguns fatores que explicam essa plateia bem abaixo do que era esperado para a gig da banda: o horário total ingrato da apresentação (4 e meia da matina), o frio que finalmente chegou com tudo em Sampa (no momento do show devia estar fazendo uns 14 graus) e o fato de que a MOLECADA atual não curte mais rock, mesmo – como já foi dito aí em cima, o grosso do público era de trintões e quarentões. A pirralhada e o povão se aglomerou mesmo na frente de palcos onde estavam rolando samba e pagode, ou então funk e música eletrônica. Coube ao Ira manter a dignidade gigante que sua história possui até hoje e manter o amor ao rock, compartilhado por todos que presenciaram a performance do grupo.

 

***SEGURANÇA NO EVENTO – todos aqui sabem que não temos nenhuma simpatia pelo tucanato. E também que o item “segurança” é sempre algo problemático na Virada Cultural. Mas como sempre prezamos pela JUSTIÇA, sinceridade e VERDADE no que escrevemos, dessa vez somos obrigados a admitir que foi bastante diferente – e olha que o blog já foi em quase todas as edições da festa cultural até hoje. Óbvio que rolaram os costumeiros furtos de carteiras e cels lá no centro. Bom, nosso trajeto: saímos do Clube Outs 3 e meia da matina e descemos a pé a rua Augusta, que estava vazia e sem policiamento de fato, sendo que foi a parte mais tensa do trajeto, digamos. Seguimos pela praça Roosevelt até cair na avenida Ipiranga, onde começamos a passar por aglomerações de pessoas. Passamos pelo primeiro palco (o do rock, em frente ao Copan), onde inclusive pegamos as três primeiras músicas do set dos Inocentes. E seguimos em frente pelo centro até o local do show do Ira!. Aí rolou total suave pois, de verdade, nunca vimos tantos POLICIAIS (da PM mesmo e da guarda civil) ao logo do trajeto e tantas VIATURAS como nessa edição. Sendo que incrivelmente em alguns trechos da nossa caminhada vimos mais guardas e viaturas do que público, rsrs. De modos que não havia mesmo espaço pros malacos agirem e foi uma madrugada muito mais tranquila do que se esperava lá pelo centrão de Sampa. Se todas as Viradas fossem sempre assim, seria ótimo!

 

***Sem novas grandes novidades para serem incluídas aqui, nas notas microfônicas. De modos que qualquer extra irá entrar ainda neste post caso algo realmente bombástico aconteça, okays? Por enquanto, ficamos por aqui.

 

 

APÓS CINCO ANOS AUSENTE O ARCTIC MONKEYS RETORNA COM UM DISCO NADA ROCK E MUITO ESTRANHO – O QUE NÃO SIGNIFICA QUE ELE SEJA RUIM

Foi mais ou menos assim: após um sumiço de cinco anos dos estúdios de gravação, o quarteto inglês Arctic Monkeys precisava dar as caras novamente. Afinal, aquela que talvez seja a maior, mais relevante e a última banda inglesa de rock dos anos 2000 que ainda vale a pena ser ouvida e tem o respeito e a admiração não apenas da crítica musical mas de milhões de fãs mundo afora (Brasil incluso), tinha/tem consciência plena de que o tempo voa nesses tempos frugais e fúteis da era vazia da web e que, por isso mesmo, era preciso dar as caras novamente. E o AM o fez finalmente, no último dia 11 de maio. Com o seu sexto álbum de estúdio, “Tranquility Base Hotel & Casino”, lançado oficialmente naquela sexta-feira (inclusive aqui, via Deck Disc), trabalho que era esperado com mega ansiedade pela humanidade. Afinal a grande questão era: como seria o novo som dos Macaquinhos? Tão rock e com guitarras explosivas quanto o espetacular e ultra bem sucedido “AM”, editado em 2013 e que rendeu absurdos seis singles individuais? Mais calmo e com mais variedade sonora? Nada disso?

Sim, absolutamente NADA DISSO. O que rolou foi que a banda decidiu que precisava se reinventar musicalmente para continuar existindo. Isso significou praticamente abandonar o rock de guitarras que funcionou tão bem até “AM” (de 2013) e tornou o quarteto britânico um dos últimos nomes gigantes do quase morto rocknroll dos anos 2000 e da era da web. E decidido a praticamente ignorar as guitarras, qual foi o caminho tomado pelo conjunto? Simples e o próprio líder, letrista, cantor e compositor Alex Turner falou sobre as mudanças em entrevistas recentes. Segundo ele, a sua inspiração para compor no instrumento de seis cordas icônico em toda a história do rock, estava literalmente acabando. Foi quando Turner ganhou um PIANO de presente de aniversário do empresário dos Macaquinhos ao completar trinta anos de idade, em 2016. Sentiu sua criatividade voltar com força ao começar a “brincar” no instrumento. E veio dali, do piano, toda a inspiração para compor as onze faixas do novo trabalho.

Que certamente vai DESORIENTAR quem está acostumado com o rock básico de nuances punksters do AM do início de sua carreira (lá em 2002, já se vão longos dezesseis anos…). Ou com a banda que abraçou com força e com competência absoluta (e com um grande help do gênio Josh Homme, do Queens Of The Stone Age) o stoner rock a partir de seu terceiro álbum (o espetacular “Humbug”, lançado em 2009). Se não causar desorientação nos fãs, no mínimo o novo cd vai causar irritação ou mesmo raiva nos mesmos – este espaço rocker online já “testou” opiniões sobre a nova empreitada musical dos Monkeys no faceboquete entre nossos amigos por lá, e o resultado foi bem previsível: boa parte deles achou “Tranquility…” uma merda gigante.

Talvez o disco esteja sendo, como sempre ocorre quando uma banda muda radicalmente sua proposta sonora, mal compreendido. Nunca é demais lembrar: o AM estourou para o mundo via internet e com seus dois primeiros discos de estúdio, lançados em 2006 e 2007, e quando Alex Turner ainda era um pirralho cheio de boas ideias tanto nas letras quanto na parte musical. Mas tudo aquilo ainda precisava ser lapidado e burilado, tanto que essa fase inicial do conjunto (com ele tentando reeditar para os anos 2000 a fúria e a iconoclastia punk inglesa do final dos anos 70) é justamente a que o blog zapper não suporta na trajetória dele. Estas linhas zappers passaram a morrer de amores por Turner e sua turma justamente quando lançaram o já citado “Humbug”. E depois de assistir uma gig inesquecível e fodástica do quarteto na edição de 2007 do Tim Festival, em Sampa. Naquele show e antes de lançar seu terceiro LP o AM já dava pistas totais de que o trabalho vindouro iria mudar bastante a concepção sônica deles. Foi quando entrou em cena o stoner rock que dominou os três álbuns seguintes, os melhores da carreira da banda.

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Mas a fórmula “stoner” também parecia ter se esgotado, ao menos na cabeça de Alex Turner. Foi quando entrou em cena o piano dado de presente pelo empresário do cantor e de sua banda. O resultado apareceu agora, cinco anos depois do mega sucesso que foi o disco “AM”. E se você que está lendo esse texto ainda não ouviu o novo álbum (algo difícil nesses tempos onde tudo flui hiper velozmente, não é? Ainda assim e como sempre dissemos aqui, nunca é tarde para se comentar/resenhar um ótimo trabalho musical), esqueça absolutamente TUDO o que você imaginava em termos sonoros em relação aos Monkeys. As guitarras saíram quase que totalmente de cena. Prevalece em todo o disco ambiências absolutamente calmas em termos melódicos, com fartas referencias a soul (!) e a R&B (!!!). Sendo que boa parte da rock press gringa também captou em algumas faixas do CD eflúvios e referências diretas do inesquecível e saudoso gênio David Bowie. Isso é ruim? De forma alguma. Fora que Alex Turner está cantando cada vez melhor e se utilizando como nunca de um falsete sarcástico, irônico e debochado, para reforçar algumas inflexões e algumas passagens vocais e dar mais força a alguns versos das letras, que também estão cada vez melhores e aqui refletem sobre o mundo moderno, sobre avanços tecnológicos que dão tudo ao ser humano e ao mesmo tempo o deixam completamente vazio e anódino por dentro. E, claro, já na faixa de abertura (a soberba “Star Treatment”) Turner reflete sobre si próprio e sobre em que e como, afinal, se tornar um rock star muda a existência e a essência de uma pessoa.

Sendo que há muitos outros momentos bem bacanas ao longo do disco. Como a faixa título (veja letra mais aí embaixo), ou ainda a mezzo psicodélica “Four Out Of Five” (o primeiro single de um álbum que não foi precedido por NENHUM single antes de seu lançamento oficial), “Science Fiction”, “American Sports” (onde Turner zomba sem piedade dos EUA da era Trump), “Batphone” ou a estoica/eloquente e algo melancólica (em seu clima de cabaré tristonho e decadentista, com melodia impecavelmente construída e conduzida pelo piano) “The Ultracheese”, que fecha tudo em grandioso estilo.

Yep, é um disco diferente de tudo que o Arctic Monkeys havia feito até então. Isso é ótimo? Péssimo? Depende do ponto de vista e do gosto do ouvinte e fã sectário. No caso de Zapnroll achamos que “Tranquility Base Hotel & Casino” é um álbum que desvela que Alex Turner teve coragem e MATURIDADE (quem disse que o rock não pode conviver com a maturidade comportamental e emocional do ser humano?) para, aos trinta e dois anos de idade, enxergar que o AM havia chegado a um ponto de não retorno e que a banda precisava mudar tudo para continuar existindo e continuar sendo relevante. E ele conseguiu o que queria. Musicalmente os Macaquinhos se reinventaram e seguem totalmente relevantes, como talvez a última banda inglesa que valha a pena de duas décadas pra cá. Se isso vai fazer alguma diferença no rock atual e na vida dos fãs do grupo, só o tempo irá dizer.

 

 

TRACK LIST DO NOVO ÁLBUM DOS AM

1. “Star Treatment”
2. “One Point Perspective”
3. “American Sports”
4. “Tranquility Base Hotel & Casino”
5. “Golden Trunks”
6. Four Out of Five
7. “The World’s First Ever Monster Truck Front Flip”
8. “Science Fiction”
9. “She Looks Like Fun”
10. “Batphone”
11. “The Ultracheese”

 

 

 

AM AÍ EMBAIXO

No vídeo para o primeiro single do novo álbum, “Four Out Of Five”.

 

E O DISCO COMPLETO PARA OUVIR, ABAIXO

 

A LETRA DA FAIXA TÍTULO DO NOVO DISCO DOS MACAQUINHOS

 

Hotel e cassino base de tranquilidade

Jesus no day spa preenchendo o formulário de informações

Mamãe fez o cabelo dela

Apenas pulando para cantar uma música de protesto

Eu estive em um bender de volta para essa esplanada profética

Onde eu pondero todas as perguntas, mas apenas consigo perder a marca

 

Boa tarde

Hotel e Casino Base de Tranquilidade

Mark falando

Por favor, me diga como posso direcionar sua ligação?

 

Esse pensamento mágico

Parece que realmente pode pegar

Mamãe quer algumas respostas

Você se lembra de onde tudo deu errado?

Avanços tecnológicos

Realmente sangrenta me deixa de bom humor

Puxe-me para perto de um bebê de véspera crisp

Beije-me debaixo do peito do lado da lua

 

Boa tarde

Hotel e Casino Base de Tranquilidade

Mark falando

Por favor, me diga como posso direcionar sua ligação?

 

Você comemora seu lado negro

Então gostaria que você nunca tivesse saído de casa?

Você já passou uma geração tentando descobrir isso?

 

Boa tarde

Hotel e Casino Base de Tranquilidade

Mark falando

Por favor, me diga como posso direcionar sua ligação?

 

 

O FECHAMENTO (INFELIZMENTE) DE MAIS UM ESPAÇO ALTERNATIVO INCRÍVEL E QUE MARCOU ÉPOCA EM SAMPA, MESMO TENDO DURADO APENAS 5 ANOS

Não há mais escapatória, pelo jeito. O bananão tropical falido, fodido e DESgovernado por um golpista desgraçado e do inferno vai fazendo cada vez mais vítimas, espaços culturais, eventos e empreendimentos, diariamente. Inclusive na cena musical noturna alternativa da capital paulista, onde diversos bares e clubes bacaníssimos dedicados ao rock (que, sim, também anda quase morto nesses tempos de internet fútil, vazia e de cultura pop banal, irrelevante e total rasa, com a pirralhada dando um “foda-se” para o gênero musical que todos nós amamos, e se descabelando ao som de sertanojo e funk boçal) encerraram atividades nos últimos dois anos – como o Astronete, o Inferno, a Funhouse etc. E agora neste sábado, conforme já está anunciado nas redes sociais, é a vez da festa de despedida da sensacional Sensorial Discos, que tornou nossas vidas medíocres menos ordinárias ao menos nas noites de quarta-feira a sábado, nos últimos quase cinco anos.

O espaço, um mix genial de loja que comercializava discos de vinil importados com venda de cervejas artesanais (chegou a ter mais de 150 marcas em seu cardápio), além de sandubas e petiscos sofisticados, vai deixar mega saudades por zilhões de motivos. Por exemplo: as bruschettas de tomate seco eram divinas, idem as rodelas de cebola empanadas e os recentes hot dogs incorporados à carta de comestíveis, tudo com preços ótimos e em porção generosa, adornados na versão mais caprichada com bacon e queijos diversos, tudo preparado com absoluto esmero pela Lilian, uma das sócias e esposa do proprietário, o queridão Lucio Fonseca.

A carta de cervejas artesanais era impecável (sendo que recentemente a casa também havia incorporado ao quesito bebidas doses de Red Label, de Jack Daniel’s e de rum importado, mas nem era preciso), indo da Paulistânia/Ypiranga vermelha (e bem forte e encorpada, a preferida deste jornalista loker/rocker quando ele ia ao local) que custava módicos 20 mangos a garrafa (de 600 ml), a até rótulos tchecos com valor em torno de 80 reais a garrafa. Mas tanto as brejas quanto os petiscos saborosos, otimamente preparados e bem servidos, eram apenas a desculpa para segurar a clientela no lugar e chamar a atenção dela ao que realmente importava ali: a música (sempre rock ou MPB de ótima qualidade, apresentada por artistas iniciantes ou alguns até já meio consagrados no circuito independente ou mezzo mainstream). Durante os seus quase 5 anos de existência a Sensorial abriu espaço para alguns dos melhores shows que tivemos o prazer de assistir nesse período. Não só: o bar/loja de discos de vinil foi espaço de eventos incríveis como lançamento de livros, feiras, exposições sobre temas ligados à cultura pop etc, etc. O autor deste texto, ele mesmo promoveu eventos mega legais por lá, como festas de aniversário do blog zapper. E sendo que nossa última e super bem sucedida festa por lá foi a noite de autógrafos e de lançamento do livro “Escadaria para o inferno”, que aconteceu no final de novembro do ano passado.

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Zapnroll ao lado de Lucio Fonseca (acima), proprietário de um dos espaços rockers e de cultura pop mais incríveis da capital paulista, e que hoje está encerrando atividades em seu atual endereço; abaixo turma de “lendas” do rock paulistano se junta ao jornalista e escritor para bebemorar o lançamento de seu primeiro livro, em novembro passado: o músico e escritor Luiz Cesar Pimentel, o ex-baterista do Ira!, André Jung, e Callegari, um dos fundadores do movimento punk paulistano, nos anos 80

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Como tudo começou, afinal? A versão original da Sensorial era uma simples loja de discos e CDs localizada no centro de São Paulo, na rua 24 de maio (na Galeria Presidente, ao lado da célebre Galeria Do Rock). O proprietário era o conhecido músico e agitador cultural Carlos Costa (que toca baixo na banda Continental Combo). E um dos frequentadores mais assíduos era Lucio Fonseca, um sujeito que trabalhava no mercado financeiro e que possuía um amor e um conhecimento ENCICLOPÉDICO de rock e cultura pop. Pois bem: com a crise se agravando no país Carlinhos resolveu fechar a loja que tinha no centro da capital paulista. Foi quando Lucio lhe fez a proposta: reabrir a Sensorial mas com outra proposta comercial, outro foco de público e em uma região um pouco mais nobre da cidade. Foi assim que nasceu a Sensorial Discos onde ela estava/está localizada até hoje à noite: na rua Augusta, região dos Jardins (a parte, digamos, rica e chic de uma das ruas mais famosas do Brasil). E foi assim que ela marcou época, vendendo os melhores discos de vinil novos, lacrados e importados, servindo as melhores cervejas artesanais da noite paulistana e oferecendo ótimos pocket shows para um público ainda interessado em MPB e rock de qualidade.

Mas tudo acaba um dia nesse sempre cinza, triste e miserável país. E mesmo conseguindo manter um público fiel a Sensorial Discos enfim cedeu às pressões de uma situação econômica caótica dominando o Brasil e resolveu fechar as portas, mesmo porque Carlinhos já havia saído da sociedade há algum tempo e Lucio estava tocando o negócio sozinho, junto à sua dileta love girl Lilian. Em papos com este blog semana retrasada ele já havia dito que iria fechar a loja no final deste mês (“o aluguel está absurdo, tentei negociar com o proprietário mas ele não aceitou acordo algum”, disse ele quando conversamos. “Fora que as pessoas estão sem dinheiro e apesar de ainda mantermos um público fiel o CONSUMO no bar caiu”, completou). Ele tem planos de reabrir em outro local. Mas ainda sem previsão de data nem endereço já escolhido.

De modos que neste sábado iremos perder mais um incrível espaço cultural alternativo em Sampa. E isso é de se lamentar profundamente visto que a sociedade brasileira, quase como um todo, se tornou bastante ignorante, boçal e conservadora de alguns anos pra cá, muito mais do que era há três décadas. Hoje não há mais espaço no país para música de qualidade, idem literatura, cinema, artes visuais, teatro, o que for. O que impera aqui é o reino do raso e do fácil, de consumo simples, direto e rápido. Está ficando cada vez mais impossível manter espaços comerciais dedicados à cultura de qualidade, como era o caso da Sensorial Discos.

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Mais dois ótimos momentos do blog ao longo dos últimos, na Sensorial Discos/SP, que está encerrando atividades hoje no atual endereço: acima a finada banda Star61 toca o terror rocker na bombadíssima festa de 11 anos da Zap, em maio de 2014; e abaixo o jornalista e escritor zapper brinda com seu amigo Nasi (vocalista do grupo Ira!), durante gravação de entrevista para o programa “Nasi noite adentro” (do Canal Brasil), em janeiro passado

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Vai deixar muitas saudades, com certeza. E para amenizar um pouco essa saudade estaremos todos lá neste sábado, para (repetindo novamente) nos despedir (tomando ótimas brejas) de um local que tornou nossas vidas quase sempre imensamente cinzas, caóticas, vazias e tediosas, menos ordinárias nas noites de quarta-feira a sábado. Sendo que daqui desejamos todo o sucesso e sorte do mundo pra dom Lucio e miss Lilian, em suas novas e futuras empreitadas.

 

XXX

 

Do texto que consta na página do evento aberta no Facebook, sobre a festa de despedida da loja/bar:

 

Aconteceram nestes 4 anos e 7 meses de funcionamento:

– Mais de 1500 Shows

– Lançamentos de livros e quadrinhos

– Discotecagens e Festas

– Exposições de fotos, pinturas e ilustrações

– Performances

– Debates Filosóficos

– Saraus

– Degustações de Cervejas

– Feiras e Bazares

 

***última forma: em papo com o blog na tarde de hoje, sábado em si, Lucio Fonseca deu a ÓTIMA notícia: a Sensorial Discos já reabre nas próximas semanas em novo endereço, na rua Augusta mesmo, mas do lado entre a avenida Paulista e o centro da cidade. Vai funcionar na Galeria Ouro Velho, tradicional ponto do baixo Augusta e que ferve nos finais de semana à noite. Logo menos daremos mais detalhes aqui sobre o novo endereço de um dos bares e lojas de discos mais incríveis da capital paulista.

 

**********

A VITÓRIA DO GRANDE ROCK ALTERNATIVO NO PRÊMIO GOVERNADOR DO ESTADO 2018 COM JONNATA DOLL E SEUS GURIS SOLVENTES, DÁ ALGUM ALENTO À MORIBUNDA CENA ALT ROCK BR

Palavra deste velho (mas jamais obsoleto) jornalista eternamente rocker e ainda loker: mesmo falido e já quase morto o rock BR ainda respira e mostra sua força, aqui e ali. E um dos momentos em que ele mostrou essa força rolou no final de março passado, durante a cerimônia de entrega do Prêmio Governador do Estado para a Cultura 2018 – do qual o autor deste espaço online foi um dos três jurados na categoria música. E no evento assistimos com o coração em júbilo absoluto ao triunfo do Jonnata Doll e seus guris solventes (na real este espaço rocker já sabia do resultado da premiação e apenas não podia abrir seu enorme bico antes da entrega dos prêmios, mesmo porque isso iria estragar o fator surpresa e a alegria da banda, hehe). Que DISSOLVERAM concorrentes pesos-pesados como Mano Brown (vocalista dos Racionais), por exemplo.

O quinteto cearense merece, e como. Grupo bom pra carajo e que ainda por cima recebe um mega merecido destaque para seu trabalho, ainda mais em um momento em que o rock precisa de total apoio e visibilidade na mídia e na música total emburrecida de um país idem, e onde o que manda no gosto do populacho é sertanojo, axé burrão e funk podreira em nível hard. E sim, mesmo estando em “baixa”, o rock ainda vive, respira e CHUTA.

E a Secult/SP merece todos os elogios do mundo por dar essa força à cultura como um todo e ao rock em particular. Sem palavras para agradecer ao (agora ex) Secretário José Luiz Penna e ao amado André Pomba, por essa autêntica revolução dentro da Secult.

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O telão instalado no teatro Sérgio Cardoso (no centro da capital paulista), durante a cerimônia de entrega do Prêmio Governador do EstadoSP para a Cultura 2018, anuncia a vitória da banda Jonnata Doll & Os Garotos Solventes na categoria música (acima), dando novo alento ao combalido rock alternativo brasileiro atual; abaixo o vocalista Jonnata Araújo comemora a vitória ao lado de Zapnroll, que foi um dos jurados da premiação

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Finda a premiação fomos todos bebemorar, claaaaaro. Com brejas e em seguida Finaski indo jantar com seu queridaço advogado ricaço “hipócrita de extrema direita” (hihihi), o também loker/rocker TG, que voltou de viagem de trabalho de uma semana ao exterior. Enfim, fakes otários e doentes de inveja no FB (como o PORCÃO José Flávio JOTALHÃO MERDA Jr., que foi destilar sua raiva, rancor, inveja, torpeza, ódio e dor mortal de cotovelo no grupelho que ele “administra” sobre a finada revista Bizz, dizendo por lá que “é uma vergonha a Secult permitir que Finatti faça parte de algo, e quanto ele irá receber de ‘gorjeta’ da banda por tê-la ajudado a ganhar a premiação?”, ahahahaha) e no painel do leitor da Zapnroll: podem SE MATAR avonts de ódio. E latir à vontade também.

De modos que mais uma vez: parabéns pro Joninha e os guris solventes. E daqui pra frente, foco no trabalho e administrar mega bem o money que irão receber da premiação. Afinal a banda é mesmo uma das melhores e das poucas com trabalho realmente relevante na novíssima cena independente do rock nacional. Sendo que com a grana que irão receber por ter ganho o prêmio (R$ 60 mil reais), o plano é gravar um novo e caprichado disco, que será o terceiro inédito de estúdio deles. É isso aí: sucesso pros meninos, que estão no coração destas linhas zappers já para sempre!

 

***Adendo: um covarde e retardado ainda foi VOMITAR no painel do leitor de Zapnroll, perguntando o que fizemos até hoje pela cena rock alternativa nacional, como jornalista. Nem precisamos responder, hihi.

 

 

 

E A MORTE LEVOU O PRODUTOR MUSICAL CEM (NOÇÃO) EM MARÇO PASSADO

Yep. Em 22 de março passado o meio musical brazuca foi surpreendido com a notícia da morte de um dos produtores musicais mais conhecidos do país nas duas últimas décadas – e não exatamente por ele ser o pseudo e superestimado “gênio” que muitos consideravam e ainda consideram, num exagero sem tamanho. Na ocasião o jornalista zapper postou o texto abaixo em sua página no FaceTRUQUE, emitindo sua opinião sobre o falecido. Foi um escândalo: Finaski foi xingado, insultado, chamado de aético, foi repreendido publicamente (por chapas como o prezado André Forastieri, que declarou no mural fináttico da rede social: “você perdeu o direito de me chamar de queridão”) etc. Tudo porque vivemos na era da web escrota, do politicamente correto exacerbado, do moralismo total hipócrita e da falta de sinceridade plena, onde ser sincero e dizer/publicar o que se realmente pensa sobre algo se tornou um crime.

Enfim, o blog não mudou e não mudará uma linha sequer sobre o que escreveu naquele momento, e que segue aí embaixo. Sem mais.

 

XXX

IMAGEMCEM18 O produtor musical CEM (noção), um dos nomes mais conhecidos da cena musical nacional nas últimas duas décadas e que morreu repentinamente em março passado: superestimado profissionalmente em demasia, virou “santo” assim que seu falecimento foi anunciado. Que descanse em paz mas seu passamento não comoveu absolutamente em nada este espaço rocker online

Sobre a morte do produtor CEM (ou Carlos Miranda).

Na boa? NÃO VOU ALIVIAR pro finado em questão, como não aliviei pro analfabeto funcional que era Chorão (vocalista do Charlie Bronha Jr.), quando ele também foi pro saco. O ser humano tem o PÉSSIMO hábito de endeusar e perdoar todos os pecados de quem morre, por pior que a pessoa tenha sido em vida e como se ela sempre tivesse sido uma santa, sem cometer nenhum erro, falha ou cagada em sua existência, e sem ter jamais prejudicado quem quer que fosse. Partindo dessa premissa até Hitler e Stalin foram “santos”. Mas como não tolero injustiça, acho que o que tem que ser dito DEVE ser dito, mesmo que seja algo desabonador sobre a vida pregressa de um morto.

Posto isso, digo que não desejo a morte de absolutamente NINGUÉM nesse mundo. Nem a de Hitler (pra exemplificar meu pensamento), nem a de um inimigo FEROZ e cruel, como este senhor foi de mim e sendo que muitas vezes ele tentou me prejudicar moralmente e profissionalmente da forma mais solerte, canalha, calhorda e infame possível. Mas enfim, como sempre digo: desse mundo ninguém jamais sairá vivo. Meus sentimentos aos amigos e familiares dele. É isso. Podem me xingar e fuzilar à vontade por causa deste post. Pelo menos sou honesto, transparente e detesto falsidade. E sei que quando EU morrer (e não tenho medo algum da morte, além de achar que a minha está cada dia mais próxima) muitos irão lamentar meu fenecimento da maneira mais FALSA possível. De modos que terei (do além, se ele existir) muito mais respeito pelos HONESTOS que me DETESTERAM e tentaram me foder a vida toda pelas costas e que irão COMEMORAR secretamente meu desaparecimento, dizendo: “já foi tarde, filho da puta!”.

Quem quiser saber o que eu pensava de fato de mr. Miranda, segue abaixo o link de post que publiquei no blog zapper há seis anos, em 2012. E novamente: rip, Mirandinha.

http://www.zapnroll.com.br/2047/

 

 

ENSAIO ROCKER SENSUAL EM REPETECO MERECIDO: JONNATA DOLL E SUA LOVE GIRL MARCELLE, UHÚ!

Yep, para comemorar a vitória da banda Jonnata Doll & Os Garotos Solventes no Prêmio Governador do EstadoSP 2018 para a Cultura, nada melhor do que republicarmos um dos melhores ensaios eróticos já produzidos para o blog zapper: o que mostra o cantor Jonnata total avonts ao lado da sua gatíssima e gostosíssima lovegirl, Marcelle Louzada. Apreciem sem moderação!

 

ELA

Quem: Marcelle Louzada.

De onde: sou do mundo sou Minas Gerais. Moro no centro da São Paulo desvairada, vale do Anhangabau.

Idade: 35 anos.

O que faz: artista do corpo, pesquisadora das artes. Doutoranda em educação pela Unicamp.

Três artistas: Patti Smith, Rita Lee e Karina Bhur.

Três discos: “Horses” (Patti Smith), “Hoje é o primeiro dia do resto de sua vida” (Rita Lee) e “Selvática” (Karina Bhur).

Três filmes: “Je vos salue  Marie”, “Zabriskie Point” e “Sonhos”.

Livros: “Flicks” (Ziraldo), “Macunaíma” (Mario de Andrade) e “A revolução dos bichos” (George  Orwell).

Três diretores de cinema: Zé do Caixão, Jean Luc Goddard e Federico Fellini.

Três escritores: Ziraldo, Mario de Andrade e Italo Calvino.

Show inesquecível: Jonnata doll e os Garotos Solventes no vale do Anhangabaú em São Paulo, 2016.

 

ELE

Quem: Jonnata Araújo.

De onde: Fortaleza (Ceará).

Mora em: São Paulo, capital.

Idade: 35.

O que faz: vocalista, letrista e compositor na banda Jonnata Doll & Os Garotos Solventes,

Três artistas : Ramones, Dago Red (Fortaleza/CE) e Iggy Pop.

Três discos: “It’s Time For” (Jonathan richiman), “Lust for life” (Iggy Pop) e “Uhuu” (Cidadão Instigado).

Três livros: “Misto quente” (Charles Bukowski), “Junky” (William Burroughs) e “Crônica da províncias em chamas” (Airton Uchoa Neto).

Três filmes: “A noite dos mortos-vivos”, “O império contra-ataca” e “A montanha sagrada”.

Três diretores de cinema: George Romero, David Cronemberg e Lucio Fulci.

Três autores literários: Isaac Assimov, Wiliam Burroughs e Jack Kerouack.

Show inesquecível: da banda cearence Dago Red,  em 1997 no padang padang, atigo espaço de show de rock na pria de iracema em Fortaleza. Foi a primiera vez que vi uma banda de punk rock tocando algo, falou diretamente comigo, todos da banda chapados e com uma energia incrível e ao contrário da maioria de bandas punks da época, todas com letras engajadas, as letras do dago red falavam de coisas que eu sentia: tristeza, sexo, drogas, amor, ateísmo e musicalmente eu entendi o que era uma guitar band e um pedal fuzz ali. Depois disso fui na casa do Robério, o vocalista, e saí com um monte de discos emprestados: Velvet, Iggy Pop, Husker Du, Mercenárias, Smack, Inocentes, Pixies e aí minha vida mudou depois disso e achei meu som.

 Sobre o casal e como o blog os conheceu: Marcelle e Jonnata têm a mesma idade, total afinidade cultural e intelectual e moram juntos em um aconchegante apê de um dormitório no centrão rocker de Sampa. Cercados por discos de vinil e livros, o casal leva uma vida bastante agitada: ela está fazendo doutorando na área de Humanas; ele sempre fazendo shows e cantando à frente dos Garotos Solventes, banda da qual é vocalista. Além disso Jonnata participou de várias gigs da turnê que comemorou os trinta anos do lançamento do primeiro álbum da Legião Urbana, tocando e cantando ao lado de Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá ao longo de todo 2016.

E estas linhas sempre total rockers conheceu Jonnata, Marcelle e a banda há apenas alguns meses, após assistir uma apresentação do grupo durante uma peça de teatro marginal, em Sampa. Foi paixão à primeira vista pelo conjunto e agora o blog já tem os Solventes e o casal rock’n’roll no nosso coração.

Mas chega de bla bla blá, rsrsrs. Aí embaixo nosso dileto leitorado confere um ensaio fodíssimo e tesudo da dupla, especialmente para Zap’n’roll. Então deleitem-se e apreciem sem NENHUMA moderação, uia!

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Casal rocker: tesão e música caminhando juntos

 

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Ele com olhar atento e agressivo; ela, observando a fera com suavidade

 

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Um baseado pra relaxar 

 

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Corpo, carne e corações em conexão plena

 

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Observando as estações lunares impressas no corpo da amada

 

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FIM DE PAPO

Pronto! Demorou mas o postão voltou bem, com textão e afiado como sempre. De modos que podemos encerrar os trampos por aqui, mesmo porque o blogger sempre andarilho está se mandando para a tenebrosa (atualmente) capital fluminense (yep, o Rio De Janeiro mesmo) nesta quarta-feira (amanhã em si, véspera de mais um feriadón), onde fica até a semana que vem, para divulgar nosso livro “Escadaria para o inferno”.

Beleusma? Então o blog retorna com post inédito logo menos, assim que novos assuntos bacanas surgirem e merecerem uma pauta bacana por aqui, okays? Bijokas nos leitores e ótimo feriado pra galera rocknroll!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 29/5/2018 às 14hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL! (com análise detalhada do segundo disco de estúdio do Ira! e cinco vídeos clássicos da banda, mais o novo disco do MERDALLICA e a indicação do blog ao Prêmio Dynamite de Música Independente 2016) – Agosto, o mês do cachorro louco, também marca os trinta anos do lançamento de outro mega clássico da história do rock brasileiro: “Vivendo e não aprendendo”, do Ira!, que é relembrado neste post especial em análise detalhada, acompanhada de entrevista EXCLUSIVA com André Jung (ex-baterista do grupo paulista) e também de lembranças zappers da época, incluindo nelas um capítulo INÉDITO do livro “Escadaria para o inferno”, que narra um encontro nos anos 90’ movido a cocaine, entre o vocalista Nasi e o jornalista rocker eternamente loker; o novo disco do Cachorro Grande (e que a banda lança com show neste finde na capital paulista) e mais isso e aquilo tudo, sempre no blog campeão quando o papo é cultura pop e rock alternativo (postão TOTAL CONCLUÍDO, em 19/8/2016)

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Há trinta anos (em agosto de 1986) o quarteto paulistano Ira! (acima, em sua formação clássica) lançava a obra-prima “Vivendo e não aprendendo”, que é analisada em detalhes neste postão do blog zapper; abaixo Zap’n’roll entrevista a banda no final de 2000’, na sede da extinta gravadora Abril Music, em São Paulo

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FINALIZANDO O POSTÃO: O FIM DAS OLIM-PIADAS, ERUNDINA BARRADA NO DEBATE, O NOVO DISCO DO MERDALLICA E O BLOGÃO ZAPPER TOTAL BOMBATOR NESTE POSTÃO (MAIS DE 400 LIKES!) CONCORRENDO AO PRÊMIO DYNAMITE

  • Yep, postão finalmente chegando ao fim, néan. E ele chega chegando ao seu final, com mais de quatrocentas curtidas em redes sociais (isso mesmo, você não leu errado). Enquanto isso, os blogs concorrentes… tadinho deles com seus micro posts diários com ZERO likes em cada um, hihi.

 

  • Fora que agora é oficial: a Zap’n’roll, após treze anos no ar, está finalmente concorrendo ao Prêmio Dynamite de Música Independente 2016, na categoria “melhor blog”. Trata-se “apenas” de uma das maiores premiações da cena independente nacional, já sendo entregue há catorze anos. Quer votar na gente? Vai aqui: http://www.premiodynamite.com.br/.

 

  • E agora que o pão e circo (leia-se: olim-PIADAS) no país total vira lata (o Brasil, claro) está chegando ao fim e os ufanistas otários esperneiam histericamente por causa de mixurucas menos de vinte medalhinhas conquistadas, vamos acordar pro choque de realidade: desemprego na casa dos 13% (o maior número da história da economia brasileira), mais de doze milhões de pessoas desempregadas. E aí? FORA TEMER!

 

  • Ah, sim: não se esquecendo que semana que vem começa o julgamento da Dilma.

 

  • A véia e ótima Luiza Erundina (a candidata do blog à prefeitura de Sampa este ano; pra vereador: André Pomba, claro!) está BARRADA nos debates eleitorais que começam a partir da próxima semana (o primeiro rola na Band, nessa segunda-feira). O motivo: ela teve sua participação VETADA pelos escrotos candidatos do PSDBosta, do PMDBosta e do Solidariedade, com base na nova lei eleitoral vigente, que pode não aceitar candidatos em debates de partidos com menos de nove deputados  no Congresso, em Brasília (o Psol, partido de Erundina, tem apenas seis deputados). Óbvio que ela poderia participar se houvesse acordo nesse sentido (o PT não se opôs que ela fosse ao debate), mas é claro que a BANDIDADA política com o cu na mão preferiu barrar a candidata que está em terceiro lugar nas pesquisas, com cerca de 10% das intenções de voto. Esse país é mesmo uma VER GO NHA.

 

  • Por fim: o velhão e cuzão Merdallica anunciou novo disco de estúdio (álbum duplo) para 18 de novembro deste ano. Vai ser o primeiro disco total inédito da banda em pelo menos oito anos. E pra antecipar o lançamento o quarteto divulgou a faixa “Hardwired”, cujo vídeo você pode conferir aí embaixo. É talvez a música mais porrada que o grupo gravou nos últimos vinte e cino anos. Mas isso não muda a opinião destas linhas rockers lokers sobre o conjunto: um bando de tiozões escrotos e miliardários, querendo pagar de barulhentos e malvados para atrair uma nova geração de ouvintes. Não vai funcionar: uma ver MERDALLICA, merdallica forever!

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O Merdallica (acima) vai lançar finalmente dsco novo e antecipou uma amostra do que vem por aí (abaixo): bando de velhotes cuzões metidos a malvados

 

  • É isso. Fim do postão, sendo que semana que vem ele volta total inédito por aqui. Até lá!

 

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Há três décadas, em 1986…

O rock BR dos 80’ experimentava um de seus auges criativos. Em abril daquele ano o trio Paralamas Do Sucesso lançou seu terceiro disco de estúdio, “Selvagem?”, considerado um divisor de águas na trajetória do conjunto (pela sua impactante e precisa combinação de ritmos brasileiros e jamaicanos com o rock’n’roll). Logo em seguida Titãs e Legião Urbana também editaram outras duas obras-primas da história do rock nacional: “Cabeça Dinossauro” (dos Titãs, que saiu em junho daquele ano) e “Dois” (da Legião Urbana, que chegou às lojas de discos um mês depois). Todos eles discos essenciais e que permanecem até hoje como obras capitais do rock brasileiro. Assim como também foi e continua sendo essencial o LP “Vivendo e não aprendendo”, o segundo álbum da carreira do quarteto paulistano Ira!, e que foi lançado oficialmente no final de agosto de 1986, um ano realmente inesquecível do grande rock BR daquela década. Por sua importância e por tudo o que representou e continua representando até os dias atuais, o segundo disco do Ira! é o destaque desta Zap’n’roll que você começa a ler agora. O blog faz uma análise detalhada do trabalho e contextualiza o dito cujo em relação a época em que foi lançado, além de mostrar sua dimensão social e política dentro do então mega efervescente rock que era feito no Brasil. São portanto três décadas desde o seu lançamento e o disco ter permanecido imune ao avançar dos anos, pois pode-se escutá-lo hoje com o mesmo e imenso prazer de trinta anos atrás. É essa atemporalidade que torna álbuns como “Vivendo e não aprendendo” uma obra eterna, extemporânea e com um estofo artístico muito superior à mediocridade que se verifica nos tempos atuais na música brasileira em geral e no nosso rock em particular. Então vamos ao novo post do blog que nunca perde o pique na cultura pop e no rock alternativo. Mesmo quando o país vive clima estúpido e ufanista por causa de jogos olímpicos (enquanto isso, nas tenebrosas reuniões políticas em Brasília, o golpe contra a democracia travestido de impeachment segue seu curso implacável), mesmo com a quase completa irrelevância e o neo conservadorismo que dominam a cultura pop e o mundo no geral nos dias atuais. Mesmo com todo esse cenário adverso continuamos aqui, ao lado do nosso dileto leitorado (seja ele jovem ou já coroa), para lembrar a ele que a humanidade já foi menos careta e muito mais criativa, nos tempos em que eram lançados discos como “Vivendo e não aprendendo”, do gigante Ira!

 

  • Bora lá! Sextona (leia-se hoje) e com ela chega o novo postão zapper. E no dia da abertura do jogos olímpicos do Rio de Janeiro. Na boa? Estas linhas online não agüentam mais ouvir falar de Olimpíada. Que ela e a “Grobo” se fodam (e enquanto isso e enquanto o país vive o clima olímpico ufanista, o golpe contra a democracia travestido de impeachment avança no senado).

 

 

  • O blog também não tá nem aí pra porra do Pokémon Go. Mais uma idiotice gigante pra distrair a massa de manobra imbecil. E com um bônus: os larápios farão a festa nas ruas, ROUBANDO os celulares dos trouxas e distraídos que estiverem exibindo seus smartphones enquanto jogam essa droga.

 

 

  • Vander Lee? Não desejamos a morte de ninguém e que ele descanse em paz. Mas na real? Era músico, compositor e letrista de terceiro escalão, tanto que nunca soltou disco por nenhum selo realmente importante. Fora que boa parte do cancioneiro composto por ele era bem brega. Assim, a morte dele não nos falou ao pau. Mas como nesses tempos de internet fútil e imbecil qualquer um se transforma em sub-celebridade quando bate as botas…

 

 

  • Libertines em Sampa: a grande notícia do dia. Ainda que a gig dos ingleses vá INFELIZMENTE acontecer dentro do MERCENÁRIO Popload Festival, dia 8 de outubro. Mercenário mesmo: há no evento a famigerada pista Premium (que sempre foi tão combatida por um dos organizadores do festival, o prezado jornalista vira-casaca Lucio Ribeiro), cujo valor do ingresso chega a 500 temers. E ainda há ingresso em camarote, que chega a custar absurdos 700 mangos. Tudo bem, vai ter Wilco também e tals, mas com o país no buraco em que está, é uma SACANAGEM sem tamanho negociar tickets por esse valor abjetamente extorsivo. Se o blog vai? Bien, Finaski assistiu a banda em 2004 no finado Free Jazz Festival. E sem Pete Doherty (que tinha acabado de sair do grupo). Foi um show beeeeem meia-boca. Agora, com Pete novamente ao lado de Carl Barat e a bordo de um disquinho bacana (o que eles lançaram no ano passado), a parada deverá ser mais interessante. Então vamos fazer um esforço e ir, COMPRANDO nosso ingresso e COLABORANDO para que mr. LR e sua sócia (a mala Paola Wescher) fiquem um pouquinho mais ricos.

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Carl Barat e Pete Doherty, dos Libertines: finalmente juntos e ao vivo em São Paulo em outubro próximo; pena que o preço dos ingressos pra ver o show seja um assalto ao bolso…

 

  • CACHORRO GRANDE NA ÁREA COM SHOW E DISCO NOVO – Yes! O já veterano quinteto gaúcho (que foi formado em Porto Alegre em 1999, e que fixou residência em Sampalândia já há muitos anos) integrado por Beto Bruno (vocais), Marcelo Gross (guitarras), Rodolfo Krieger (baixo), Gabriel Boizinho (bateria) e Pedro Pelotas (teclados) acabou de lançar esta semana seu oitavo álbum de estúdio. “Electromod”, o disco em questão, foi produzido pelo também gaucho rocker e lenda Edú K (o homem que inventou a banda DeFalla), e a sonoridade do mesmo trafega entre o rock’n’roll básico e classudo de guitarras e ambiências mais eletrônicas, em um mix que eles já haviam explorado no cd anterior (Costa do Marfim”, editado em 2014). A faixa-título título (uma porrada sonora com letra de teor político e contestatório) já circula bem em plataformas na web e a Cachorrada (todos diletos chapas destas linhas rockers virtuais) faz showzão de lançamento do trabalho HOJE, sexta-feira, lá no Cine Jóia (colado no metrô Liberdade, região central da capital paulista), em noitada rock’n’roll que ainda vai ter participação do grande Autoramas. O blog vai estar por lá e ainda vai falar novamente por aqui do novo álbum da turma, sendo que você conferir o dito cujo na íntegra aí embaixo.

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O quinteto rocker gaúcho Cachorro Grande (acima) está de volta e lança seu oitavo álbum de estúdio, que pode ser ouvido aí embaixo; a banda toca hoje à noite na capital paulista, para lançar o trabalho; abaixo o vocalista Beto Bruno ao lado de Zap’n’roll, durante a Virada Cultural de 2015

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  • Sendo que “Electromod” recolou os Cachorros na mídia novamente. A banda até estampou a capa do caderno Ilustrada, da FolhaSP, esta semana. Pena que o autor da matéria é um jornalista mega conhecido pela sua preguiça e por ser um autêntico porcão e lambão de plantão. Mas o quinteto gaúcho mereceu o espaço editorial que lhe foi dado, sem dúvida.
  • Assim como o ainda gigante Ira! continua merecendo todas as atenções do mundo também. “Vivendo e não aprendendo”, o segundo disco de estúdio do grupo paulistano e uma das obras-primas do rock BR dos 80’, completa este mês trinta anos de existência. Então é dele que nos ocupamos a partir de agora neste post, analisando o álbum em si e trazendo uma entrevista EXCLUSIVA com o ex-baterista do conjunto, André Jung, que relembra fatos daquela época inesquecível do rock’n’roll no Brasil. Vai lendo aí embaixo.

 

 

 

AGOSTO DE 1986 – O IRA! LANÇAVA “VIVENDO E NÃO APRENDENDO”, OUTRO CLÁSSICO DA HISTÓRIA DO ROCK BR

Os meses entre abril e agosto de 1986 foram capitais para a história do rock brasileiro dos anos 80’. Foi nesse período exato que foram lançadas quatro das principais obras do rock BR dos 80’: “Selvagem?”, terceiro trabalho de estúdio dos Paralamas Do Sucesso, saiu em abril; logo depois chegava às lojas (em junho) “Cabeça Dinossauro”, o álbum que levou os Titãs ao mega estrelato. Um mês depois (em julho) era a vez de “Dois”, da Legião Urbana, invadir as lojas e rádios, vendendo em pouco tempo a inacreditável marca de seicentas mil cópias. E por fim, em agosto (mais especificamente no dia 25), o quarteto paulistano Ira! também surgia com o seu segundo trabalho de inédias, “Vivendo e não aprendendo”.

Era a prova de fogo do grupo formado pelo extraordinário guitarrista e vocalista Edgard Scandurra, pelo vocalista Marcos “Nasi” Valadão, pelo baixista Ricardo Gaspa e pelo baterista André Jung. Antes desse LP o conjunto havia lançado, pela mesma gravadora Wea, um compacto em 1983 (com as faixas “Pobre Paulista” e “Gritos na multidão”) e, dois anos depois, estreou em álbum completo com “Mudança de comportamento”. O compacto vendeu timidamente e teve pouca execução em rádio. Situação que melhorou um pouco com o primeiro disco cheio e que além de possuir um ótimo repertório, ainda trouxe já algumas faixas bastante radiofônicas – como “Longe de tudo”, “Núcleo Base” e a tristonha e belíssima balada “Tolices”. Mas ainda não era o suficiente para a gravadora que, após os estouros dos álbuns dos Titãs e do Ultraje A Rigor (um ano antes, em 1985, com “Nós vamos invadir sua praia”, que também emplacou uma renca de hits nas fms e vendeu horrores), apostava no Ira! como sendo a bola da vez de seu cast rocker.

A banda, formada em 1981 pelos amigos de adolescência Edgard e Nasi, estreou naquele mesmo ano em um festival punk no teatro Tuca, mantido pela PUC paulista (numa gig a qual o autor deste blog esteve presente, em um episódio que ele descreve em detalhes mais aí embaixo, narrando também outras histórias saborosas e bizarras, vividas com a turma do grupo). Com forte influência do punkismo inglês dos 80’ e também do rock de garagem dos sixties, o Ira! tinha na figura do guitarrista Edgard Scandurra o seu ponto alto: canhoto e tocando sem inverter as cordas, ele iria se tornar nos anos seguintes um dos cinco melhores guitarristas de toda a música brasileira, além de ser compositor dos principais hits do grupo. Então juntou-se a ele um vocalista poderoso e sempre com cara de “enfezado”, além de uma seção rítmica igualmente poderosa (formada por Gaspa e Jung) e estava pronta a receita para o estouro de mais um grande grupo paulistano dos anos 80’. Era apenas questão de tempo para o Ira! chegar lá.

E esse “chegar lá” aconteceu justamente com o lançamento de “Vivendo e não aprendendo”. Era um disco que, como o próprio André Jung comenta na entrevista concedida ao blogão zapper, possuía um repertório com uma força descomunal. Ia de rocks empolgantes como “Envelheço na cidade” (que se tornou um dos muitos hinos do grupo e que é cantada até hoje nos shows em côro pelo público) a faixas de eflúvios punkster (caso de “Nas ruas”, cantada por Scandurra) e passando ainda por outras que mostravam uma sonoridade à frente de seu tempo (como “Vitrine Viva” que mixava rock de guitarras com uma levada hip hop). Porém o que tornou o disco conhecido nacionalmente e fez suas vendas dispararem foi a inclusão da canção “Flores em você” (novamente uma linda balada, e com um magnífico arrnajo de cordas) como tema de abertura da novela daquela época do horário nobre da TV Globo. Em pouco tempo o LP vendeu cerca de duzentos mil cópias e o Ira! se tornou a nova estrela do primeiro escalão do rock paulista e brasileiro.

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“Vivendo e não aprendendo”, o segundo álbum de estúdio do quarteto paulista Ira!, lançado em 25 de agosto de 1986: outro clássico gigante da história do rock BR

Daí em diante são mais de duas décadas de estrada onde aconteceu de tudo no percurso deles. Discos novamente excepcionais e com a música à frente do seu tempo (como “Psicoacústica”, editado em 1988) mas que não repetiram o êxito comercial do segundo álbum, trabalhos de ótima qualidade mas totalmente subestimados e ignorados pela mídia e pelo público (e aí os exemplos são “Clandestino”, de 1990, e “Os Meninos da Rua Paulo”, lançado um ano depois), que já estava ficando interessado em novas tendências musicais mais popularescas (como axé, pagode e música sertaneja) e assim por diante. De repente o Ira! se viu ficando obsoleto e extemporâneo no coração dos fãs e do consumidor de música. Continuava fazendo gigs demolidoras mas as vendas minguavam cada vez mais. O resultado foi a saída do conjunto do cast da Wea com o derradeiro disco editado pelo selo, “Música calma para pessoas nervosas” (de 1993). Daí em diante o quarteto perambulou por selos menores, ainda lançou um grande disco (“Isso É Amor”, apenas com covers, editado em 1999 e que foi muito bem recebido pela crítica) e quando estava à beira do abismo foi salvo pela MTV com a gravação e lançamento do “Acústico Ira!”, em 2004. Revisitando seu repertório em formato não elétrico e contando com participações especiais da nova geração rocker que despontava no país (como a cantora Pitty e o vocalista do grupo mineiro Skank, Samuel Rosa), o Ira! se reencontrou com o público e com o sucesso: o cd vendeu mais de trezentas mil cópias e recolou o quarteto no pódio dos ainda grandes vendedores do rock nacional.

Mas não por muito tempo: após lançar mais um álbum de estúdio (“Invisível Dj”, em 2007) e que teve vendagem novamente pífia, um abalo interno fez com com que o Ira! decretasse o seu fim: o vocalista Nasi entrou em briga feroz e pública com seu irmão, Ayrton Valadão Jr, que era o empresário do conjunto. Nasi abandonou a banda em meio a uma turnê, a briga dos irmãos ganhou as manchetes até no “Fantástico” da TV Globo e se encerrou então a primeira trajetória do quarteto, com sua formação clássica.

Cinco anos depois, em 2012, Nasi e Jr. voltaram a se entender. Fizeram as pazes e anunciaram que o Ira! estava retomando as atividades. Novamente com Scandurra na guitarras mas… para surpresa dos velhos fãs, sem André Jung na bateria e Gaspa no baixo, com a parte rítmica sendo ocupada por músicos convidados. A volta aos palcos enfim aconteceu na Virada Cultural da capital paulista em maio de 2014, diante de uma multidão de mais de vinte mil pessoas. E de lá para cá o grupo permanece na estrada, fazendo shows mas sem ainda anunciar algum material inédito.

Então “Vivendo e não aprendendo”, lançado há exatos trinta anos, permanece como um marco na trajetória do Ira! Um LP de um tempo em que rock’n’roll significava corpo, alma, coração, entrega total. Um trabalho cujo repertório altamente politizado encantou toda uma geração, influenciou outras bandas e entrou para a história do rock brasileiro, ao lado de alguns outros igualmente poucos gigantes. E nos tempos atuais, onde o horror cultural pop domina a molecada sem cérebro com hits como “Metralhadora” e “Tá tranqüilo, tá favorável”, é ótimo saber que o rock brasileiro já foi incrível e que já existiram bandas como o Ira! e um disco como “Vivendo e não aprendendo”. Igual a ele, nunca mais.

 

 

O TRACK LIST DE “VIVENDO E NÃO APRENDENDO”

1.”Envelheço Na Cidade”

2.”Casa De Papel”

3.”Dias de Luta”

4.”Tanto Quanto Eu”

5.”Vitrine Viva”

6.”Flores Em Você”

7.”Quinze Anos (Vivendo E Não Aprendendo)”

8.”Nas Ruas”

9.”Gritos Na Multidão”

10.”Pobre Paulista”

 

 

IRA! AÍ EMBAIXO

Em uma série de vídeos clássicos para músicas idem: “Envelheço na cidade”, “Flores em você”, “Flerte fatal” e, de quebra, o álbum “Vivendo e não aprendendo” para audição na íntegra e ainda a gravação completa do “Acústico MTV – Ira!”, lançado em 2004.

 

 

ENTREVISTA EXCLUSIVA – O EX-BATERA DO IRA! FALA AO BLOG: “A VOLTA DA BANDA É UM VILIPÊNDIO!”

André Jungmann Pinto, recifense de nascença e radicado na capital paulista desde sua infância, está com cinqüenta e cinco anos de idade. Destes dedicou pelo menos vinte e sete a tocar bateria no Ira!, onde entrou logo no início da carreira da banda em substituição ao baterista original Charles Gavin (que acabou se fixando nos Titãs). De 1983 (quando o quarteto lançou seu primeiro compacto) a 2007 (ano em que saiu o derradeiro trabalho de estúdio do grupo, “Invisível DJ”), foi André Jung quem comandou as baquetas do conjunto, em estúdio e ao vivo. Uma longa trajetória e que teve participação essencial na criação de discos clássicos como “Mudança de comportamento” (1985), “Vivendo e não aprendendo” (1986) e “Psicoacústica” (1988).

Por isso mesmo boa parte dos fãs estranhou muito quando o Ira! anunciou seu retorno em 2012 (após ficar parado durante cinco anos) mas tendo apenas o guitarrista Edgard Scandurra e o vocalista Nasi de sua formação clássica, e sem Jung na bateria e Ricardo Gaspa no baixo. Os motivos pelos quais a dupla da seção rítmica original não está no line up atual do Ira! nunca foram muito bem esclarecidos por Scandurra e Nasi e, desta forma, Zap’n’roll não se esquivou de tocar no assunto durante esta entrevista exclusiva que o blog fez com Jung esta semana e onde ele também recordou histórias saborosas vividas durante seu período na banda, em especial na época da gravação, lançamento e turnê de divulgação do segundo LP. Foi um ótimo bate-papo, mesmo porque o autor deste espaço rocker online e o músico se conhecem pessoalmente há mais de duas décadas.

Além disso André Jung segue na atividade musical. Além de ser sócio de uma marca de instrumentos de percussão, ele continua tocando em alguns projetos musicais. Mas tudo isso é assunto para a entrevista concedida ao blogão zapper, e cujos principais trechos você lê abaixo:

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André Jung, durante quase três décadas o baterista da formação clássica do Ira!: “de certa forma a volta da banda é um vilipêndio”

 

Zap’n’roll – “Vivendo e não aprendendo”, o segundo disco lançado pelo Ira! em agosto de 1986, já se tornou um clássico do rock BR dos anos 80’. E está completando trinta anos do seu lançamento. O que você se recorda da época em que ele foi gravado e da turnê de divulgação dele? Como foi o processo todo, a composição, registro das músicas em estúdio etc? Há alguma história divertida ou bizarra que é desconhecida dos fãs da banda?

 

André Jung – uma fase bastante intensa, tínhamos conseguido nos afirmar com o Mudança de Comportamento e estávamos seguros, com um repertório poderoso na manga, e um bom respaldo de crítica. Fui ao Rio e negociei pessoalmente com o Liminha para que ele fizesse a produção. Pouco depois, os Titãs fizeram o mesmo e acabaram por gravar o Cabeça Dinossauro logo antes do Ira! Isso gerou um mal estar que acabou por contaminar a gravação do Vivendo. Certo que não teríamos escolhido o Liminha se soubéssemos da história toda. A questão não era os Titãs, o que queríamos era uma abordagem mais íntima com nosso trabalho, e não mais uma obra “do produtor”. Então desandou. Começamos o disco no [estúdio carioca] Nas Nuvens, e terminamos no [estúdio] Transamérica, SP. Em São Paulo reunimos Peninha e Paulo Junqueiro, lambemos as feridas, e finalizamos o disco. Ainda teve o episódio de Pobre Paulista/Gritos na Multidão: a gravadora queria e insistia para que gravássemos [as duas faixas], o argumento era a baixa tiragem do compacto de estréia da banda e a importância das músicas. Pobre Paulista é aquela encrenca duvidosa mesmo [nota do blog: durante muitos anos o Ira! deixou de tocar essa música ao vivo pois parte da crítica musical julgava que sua letra possuía um teor algo racista, em função dos versos “Não quero ver mais essa gente feia/Não quero ver mais os ignorantes/Eu quero ver gente da minha terra/Eu quero ver gente do meu sangue”] , mas não queríamos gravar as músicas por duas razões. Não queríamos estabelecer comparações com a formação antiga. As músicas não representavam mais o momento da banda. Acabamos por conceder gravar, mas desde que fosse ao vivo. Assim conseguimos evitar que tivéssemos uma delas como música de trabalho do Vivendo… Leninha Brandão foi nossa tour manager, ela era muito bem relacionada e nós éramos encrenqueiros e emburrados. Como era um tempo ainda bastante primitivo no que tange aos equipamentos de som Brasil afora, exigimos viajar com som e luz, fazíamos um monte de shows e ganhávamos pouco, uma vez que nosso custo fixo era muito alto. A música [“Flores em você”] na [abertura] da novela (em horário nobre na TV Globo) nos deu reconhecimento nacional e passamos a viajar para o Norte e Centro Oeste também. Apesar do sucesso do disco, a relação com a Warner não melhorou. E pessoalmente não gosto da sonoridade desse disco e ele não me traz boas recordações. No entanto uma música em especial sempre me é comentada: Dias de Luta. Diversos bateristas profissionais que conheci me disseram que escolheram bateria por causa dessa música. Quando digo diversos é + de 10.

 

Zap – sim, a levada dela é bastante poderosa. E enfim, pelo visto todos esses problemas acabaram não influindo no resultado final do trabalho, visto que o disco é considerado um dos marcos da trajetória do Ira!

 

Jung – a força do repertório era descomunal.

 

Zap – E sobre a turnê que se seguiu ao lançamento do disco, alguma história curiosa? Eu fui naquele show na praça do Relógio, na USP, onde estavam umas vinte mil pessoas (na época falou-se em quarenta mil, mas hoje fazendo uma avaliação mais realista, acho que não chegou a esse número). Foi emocionante…

 

Jung – acho que pode ter passado de 20.000, mas 40 é muito mesmo, foi um show muito foda. Fizemos um puta evento na faixa pra geral. Botamos o Violeta de Outono e o Vultos pra abrir. Paula Toller, Renato Russo e outros vieram pra ver. Paulo Junqueiro na mesa de som, ameaça de chuva direto, aí acabaram os shows de abertura e o Gaspa nada. Os roadies afinaram e aprontaram a bagaça e o Gaspa nada. Aí quando já estava pegando a demora o Gaspa aparece pelo meio do povo, chegou subiu e foi tocar,nem viu o camarim.

 

Zap – Ahahahahahaha, e onde ele estava, afinal?

 

Jung – vacilando por aí.

 

Zap – rsrs, certo. Eu me lembro que fiquei no backstage e consegui ver parte do show na lateral do palco, em cima dele, mas a assessora de imprensa da Wea na época, a Marildinha Vieira, não me dava sossego, rsrs – sendo que eu e ela somos amigos até hoje, hehe. Bien, depois do sucesso do disco a gravadora apostou alto na banda, certo? E aí vocês voltaram dois anos depois com um disco estranhíssimo para a época, o “Psicoacústica”, que no entanto hoje também é considerado como outro marco da carreira do Ira! e cuja sonoridade estava muito à frente do tempo em que ele foi lançado. Mas ele vendeu bem menos do que o “Vivendo…”, né?

 

Jung – muito menos, foi uma ducha fria na gravadora. Havia um consenso que depois de Ultraje e Titãs era a vez do Ira! estourar a boca do balão.

 

Zap – E como vocês lidaram com essa situação? Por que, na sua opinião, o disco vendeu muito menos que o anterior? Vocês quiseram mesmo que “Psicoacústica” tivesse aquela sonoridade mais complexa e não tão comercial e radiofônica?

 

Jung – nós não queríamos fazer esse papel, não éramos mainstream o suficiente para lidar com a farofada geral, também tínhamos nossa própria dinâmica interna. A via Mod estava esgotada, eu e o vocalista só ouvíamos hip-hop, que entendíamos ser o “new” punk. Edgard ainda estava bastante preso ao modelo sixties e com essa dicotomia instalada entramos em estúdio e gravamos um disco conceitual, auto-produzido, experimental e democrático, que vendeu pouco e fez história.

 

Zap – E daí para a frente, infelizmente, é o que todos nós sabemos: o Ira! entrou em curva descendente e, embora tenha lançado ainda ótimos discos (como “Meninos da Rua Paulo”, de 1991, um dos trabalhos mais subestimados da banda na minha modesta opinião), nunca mais conseguiu obter vendagens expressivas. Algo que só foi mudar com o lançamento do “Acústico MTV” em 2004, quando o grupo novamente se reencontrou com o grande público e voltou a vender muitos discos. Desta forma, quais as lembranças que você tem desse longo período de “baixa” em termos comerciais para o grupo, e que durou mais ou menos de 1990 até o ressurgimento midiático e de vendas em 2004?

 

Jung – a volta foi progressiva, começou com Isso é Amor, um disco lindo de versões. Esse disco nos colocou de volta no radar, depois fizemos o “Ao Vivo MTV”, que deu disco de ouro, fizemos o Rock’n Rio com muito sucesso e quando fizemos o Acústico foi consagração.

 

Zap – Sim, claro. Me recordo que, mesmo não vendendo muito, o grupo nunca deixou de fazer shows e estes sempre lotavam. No entanto, após o novo mega sucesso comercial com o “Acústico” e a turnê que se seguiu a ele, vocês novamente lançaram mais dois trabalhos que não obtiveram vendas expressivas. E finalmente houve o “racha” entre Nasi e seu irmão (que era empresário da banda), pondo fim ao Ira! O que você tem a dizer desse período?

 

Jung – o sucesso subiu a cabeça. Muitas solicitações, bajulações, tapinha nas costas e mão na maçaneta, aí nego começa a se achar. Foram tempos em que não existia mais o espírito, gravamos um disco apenas depois, Invisível DJ. Com boas idéias, num corpo sem alma.

 

Zap – Verdade, “Entre seus rins” foi lançado em 2001. E “Invisível DJ” não teve repercussão alguma. Veio a briga entre os irmãos Valadão e o fim do quarteto. Um episódio bastante explorado midiaticamente na época. Mesmo assim, com toda a imprensa noticiando o fato, há algo relacionado a essa briga que não chegou ao conhecimento do público e que você, ainda baterista da banda, tenha guardado em segredo esses anos todos?

 

Jung – cara, o final do Ira! foi muito sofrido para mim, para quem vê de fora as coisas são movidas pelas aparências, dividíamos papéis numa equação construída por convivência, limitações e qualidades de cada um. Grande público, mídia, querem espetáculo, e no fundo o problema é íntimo, não é porque alguém está promovendo agressões com estardalhaço que a real dimensão de uma ruptura como essa é percebida, ela é íntima, então desde o final do Ira! fui tirando o Ira! de mim e hoje sou grato ao destino. Demorou para que eu conseguisse ouvir uma música do Ira!, hoje às vezes escuto um disco inteiro. Foram muitos e não lembro direito, me dá uma boa sensação. Dever cumprido.

 

Zap – o que nos leva ao momento presente, com a volta da banda mas apenas com Nasi e Edgard Scandurra da formação clássica, e sem você e o baixista Gaspa. O que você, como ex-integrante do conjunto, tem a dizer sobre a volta dele? Por que você e Gaspa não foram incluídos nesse comeback, afinal?

 

Jung – não falo pelo Gaspa, não sei o que rolou com ele. Edgard me sondou e eu não tive interesse em tentar. Acho que esse projeto, (acho que é um projeto), poderia se chamar Ira, como a banda foi batizada em sua fase inicial, ou mesmo fazer com Page & Plant,

Zap – por que não teve? Você provavelmente estaria ganhando um ótimo dinheiro agora, rsrs.

 

Jung – dinheiro? Minha banda era a mais foda que tinha, porque o assunto não era dinheiro. Entre outras qualidades eu fui Ira! de corpo e alma.

 

Zap – com certeza. Mas você tocou bateria nela por quase três décadas. Mesmo não tendo sido o baterista original (antes de Jung, Charles Gavin, ex-Titãs, chegou a ocupar o posto no Ira!), você e Gaspa também se tornaram marca registrada do line up do quarteto. Não soa estranho a parte dos fãs que um retorno do Ira! não inclua vocês dois na formação?

 

Jung – claro que soa, de certa forma é um vilipêndio.

 

Zap – e olhando por esse aspecto, não teria sido melhor você ter aceito a “sondagem” do Scandurra e estar tocando com eles? Ou há alguma rusga entre você e a dupla de frente da banda?

 

Jung – Edgard é alguém da minha família, que hoje está distante, o outro não sei mais quem é.

 

Zap – há alguma rusga entre você e Nasi? Foi ele que não quis sua presença na volta do grupo?

 

Jung – eu nunca quis voltar pro grupo.

 

Zap – certo. Mas (e me perdoe a insistência) pela forma como você respondeu sobre Nasi, a impressão é que rolou algum desentendimento entre você e ele.

 

Jung – Humberto, essa história é antiga, já passou.

 

Zap – mas creio que os leitores gostariam de saber dela. Porém se você não quiser falar sobre, tudo bem.

 

Jung – houve muito desentendimento naquela separação, eu não fui poupado, não quero remexer no que deve ficar pra trás.

 

Zap – Ok. Buenas, já temos um ótimo material. E para encerrar, duas questões: o que você anda fazendo atualmente em termos musicais? E por fim, você tocou bateria durante quase trinta anos em uma banda que pertenceu à geração 80’, aquela que é considerada como uma das grandes gerações de toda a história do rock BR, pela importância que ela teve na questão social, política e artística e por todos os discos clássicos que foram lançados naquela época. Dessa forma como você vê o rock que é feito hoje no Brasil? Não há um abismo infinito, qualitativamente falando, entre o que já feito no rock brasileiro de ontem e de hoje?

 

Jung – acho que a geração 80 teve méritos, mas ela é super dimensionada, o rock dos 70 teve bandas incríveis. Anyway hoje o maistream está desastroso e o rock não tem força, nem apelo para furar a maçaroca de mediocridade que entope os veículos tradicionais. Hoje os anos 80’ parecem aqueles anos que não querem acabar. Depois do fim do Ira! recuperei um tesão pela música que estava submerso nas intrigas do dia a dia. Anos atrás fiz uma banda chamada F.A.U.T.

 

Zap – muito bom. E continua com ela? Parece que você se tornou sócio de uma marca conhecida de instrumentos de percussão…

 

Jung – sim, da PBR, empresa que importa a marca Pearl. Essa banda acabou, estou montado um projeto com uma rapaziada bacana e em breve mostramos algo. Também toco na Banda Performática, e nos Desconstrutores, ambos em parceria com Aguilar e Rick Villas Boas.

 

Zap – Ótimo. E pra FECHAR mesmo a entrevista, a pergunta que não pode faltar: seu álbum favorito do Ira!

 

Jung – pode falar mais de um? Mudança de Comportamento, Psicoacústica e Acústico MTV. São esses.

 

 

OS ANOS 80’ E 90’ E O BLOGGER LOKER NA VIDA LOKA, CONVIVENDO COM A TURMA DO IRA!

  • A gênese do grupo Ira! está em um colégio estadual da capital paulista, chamado Brasílio Machado. Localizado até hoje na rua Afonso Celso, no bairro da Vila Mariana (zona sul da cidade), era lá que faziam o ensino fundamental os amigos Edgard Scandurra e Marcos Valadão – futuros guitarrista e vocalista da banda. E também era lá que estudava o “pimpolho” aborrescente Finatti (uia!), na sétima série do ensino fundamental. Foi nessa época que o autor destas linhas bloggers rockers conheceu a dupla que anos depois iria formar o Ira! O ensino fundamental foi concluído por todos e cada um foi pra uma turma diferente no ensino médio. Finaski perdeu a partir daí contato com os dois e não os viu mais. Foi reencontrar a dupla em 1981, num festival punk que estava sendo realizado no teatro Tuca (da PUC/SP). Zap’n’roll era então um jovem “dirty punk” e já conhecia a banda Ira! de “ouvir falar dos caras”. Foi assistir ao show dela na PUC e levou um susto quando viu Scandurra e Marcos (agora já sendo chamado de “Nasi”) à frente do conjunto, no palco. Daí em diante não perdeu mais os passos do Ira!, que lançaria seu primeiro compacto em 1983. Três anos depois e quando o conjunto iria lançar seu clássico segundo álbum de estúdio, o zapper também estreava como jornalista profissional, na revista Rock Stars, em maio de 1986.

 

 

  • Daí em diante são três décadas de jornalismo rock’n’roll e loucuras ao som do Ira! (além de um certo convívio com a turma). O primeiro grande show da banda visto pelo jovem repórter foi aquele em que eles tocaram na praça do relógio da USP, em fins de 1986, para lançar “Vivendo e não aprendendo”. Tendo os grupos alternativos Vultos e Violeta De Outono na abertura, o Ira! arrastou uma multidão de mais de vinte mil pessoas para a gig, que foi sensacional e enfurecida. Uma tarde rocker inesquecível (e como não se faz mais hoje em dia) e que foi documentada pelo autor destas linhas online em uma matéria de quatro páginas intitulada “Rock In USP”, e publicada na edição inaugural da revista Zorra (que era especializada apenas em rock nacional e infelizmente durou apenas três edições), no início de 1987.

 

 

  • De 1988 até a metade dos anos 90’ o já então conhecido jornalista rocker (e já bem loker, por conta de seu sempre exagerado consumo de cocaine nos shows, festas e baladas noturnas que freqüentava) assistiu a zilhões de gigs do Ira! Algumas das mais memoráveis aconteceram na extinta danceteria Dama Xoc (onde o blogger maloker também cansou de ver ao vivo Barão Vermelho, 365, Inocentes e até o RPM, além de também ter presenciado shows inesquecíveis dos Ramones e dos ingleses do New Model Army), onde Zap’n’roll literalmente se jogava no chão ao som do quarteto de Edgard, Nasi, Gaspa e André. Bons tempos que não voltam mais…

 

 

  • E em 1993, quando a banda estava no final de seu contrato com a gravadora Wea, e estava lançando pelo selo o disco “Música calma para pessoas nervosas” (que vendeu menos de três mil cópias, um desastre para quem já havia conseguido disco de platina com o segundo LP), houve a célebre entrevista NÃO feita pelo repórter loki no sobrado onde morava o vocalista Nasi, no bairro de Pinheiros. Uma NÃO entrevista detonada por uma MONTANHA de pó, claro, hihihi. Mas isso está melhor explicado mais aí embaixo, onde o blog publica um capítulo inédito do livro “Escadaria para o inferno”, o que narra em detalhes a história da entrevista que acabou se transformando em samba do crioulo doido, uia!

 

 

  • O repórter Finaski seguiu acompanhando o Ira! de perto, mesmo nos períodos de baixa do conjunto. Até que houve o convite da MTV para que o grupo gravasse seu “acústico”. O disco marcou o reencontro da banda com o sucesso. E o autor destas linhas zappers esteve lá, na gravação do programa.

FINATTINASISCANDRRA2014

Zap’n’roll “cercado”por Edgard Scandurra e Nasi no camarim do Ira!, após show da banda no Audio Club/SP, no final de 2014

 

  • Veio a briga infernal entre os irmãos Valadão (Nasi e Ayrton) e o fim do Ira! Em 2012, a reconciliação e a volta, sem Gaspa e André Jung. A reestréia nos palcos aconteceu na Virada Cultural da capital paulista em 2014, no centro da cidade e diante de uma multidão de mais de vinte mil pessoas. O  blog estava lá. Assim como também esteve em mais outras duas gigs deste comeback do Ira!: em uma noite no auditório (lotado) do SESC Vila Mariana e, tempos depois, na casa noturna Audio Club. No SESC, após o final da gig, se dá o seguinte diálogo hilário entre os velhos conhecidos Finaski e Nasi (ele, munido de um copo de whisky): “estou finalizando meu livro de memórias e vou contar aquele episódio em que nos entupimos de farinha na sua casa, em 1993. Sem problema?”, pergunta o jornalista, dando um riso maroto. Nasi: “sem problema. Tudo o que eu tinhha que falar da minha vida eu também já falei no meu livro. Aliás Finatti, com QUANTOS PROCESSOS você já está nas costas?”. O blogger, espantado: “Eu??? Que eu saiba, apenas um, rsrs”.

 

 

  • Atualmente o grupo está em turnê apenas com Edgard, Nasi e Daniel (filho do guitarrista), fazendo releituras novamente acústicas do seu repertório. O título da turnê: “Ira! Folk”.

 

 

  • E muitos fãs consideram a arte da capa de “Vivendo e não aprendendo” como um dos pontos altos da trajetória do quarteto também na questão gráfica. Quem fez as pinturas para a capa do disco na época foram os artistas Dora Longo Bahia, Ana Ciça, Paulo Monteiro e Camila Trajber.

 

 

  • Quem tiver curiosidade em conhecer o projeto FAUT, do baterista André Jung, basta ir no vídeo aí embaixo.

 

EXCLUSIVO! CAPÍTULO INÉDITO DO LIVRO “ESCADARIA PARA O INFERNO”, COM AS MEMÓRIAS JUNKIES DO JORNALISTA GONZO ZAPPER, AQUI NARRANDO O DIA EM QUE ELE ENTREVISTOU O VOCALISTA NASI ASPIRANDO UMA MONTANHA DE COCAINE, UIA!

 

Capítulo 4 –“Farinhada” boa na casa do vocalista do Ira!

 

Eu sempre gostei muuuuuito do Ira! Além de sempre ter sido amigo dos caras, considero a banda mega digna e um dos grandes nomes do rock paulistano e brasileiro dos anos 80’. Fora que Egard Scandurra é um autêntico monstro das seis cordas. Se você nunca viu o sujeito debulhando sua guitarra ao vivo, em cima de um palco, ainda não viu nada. E com um detalhe: ele é canhoto, e não toca com as cordas invertidas, como Hendrix também não tocava e tal. Se juntarmos uns dez ótimos guitarristas destros, ainda assim eles não conseguirão tocar o que Edgard toca sozinho, sério.

Foi emocionante rever a banda em cima do palco, após sete anos de separação (por conta de brigas do vocalista Nasi com seu irmão, o Jr., que também era empresário do grupo, e que voltou a ser novamente agora que a paz foi selada entre eles e o conjunto finalmente voltou à ativa). Diante de um público de cerca de 30 mil pessoas, o Ira! abriu a edição 2014 da Virada Cultural da cidade de São Paulo em maio daquele ano, e causou emoção e comoção nos velhos e novos fãs ao desfilar todos aqueles clássicos inesquecíveis (“Longe de Tudo”, “Núcleo Base”, “Tolices”, “Tarde Vazia”, “Gritos na Multidão”, “Rubro Zorro”, “Flerte Fatal”, “Nas Ruas” etc, etc, etc.). Agora a banda segue em turnê, percorrendo o Brasil de Norte a Sul durante quase dois anos e fazendo mais de 200 shows.

Mas eu conheço Nasi e Scandurra pessoalmente há milênios. Presenciei o nascimento do Ira! em 1981, vi eles chegarem ao auge em 1986 (com o segundo álbum, “Vivendo e não aprendendo”, que naquela época, empurrado pela música “Flores em Você” que havia sido escolhida como tema de abertura da novela das 9 da tv Globo, vendeu quase 300 mil cópias) e também acompanhei a decadência (injusta) do quarteto (que além de Nasi e Edgard tinha o baixista Gaspa e o batera André Jung, sendo que os dois últimos não estão na formação que voltou agora aos palcos): em 1993, uma década depois de seu nascimento, o Ira! ainda fazia ótimo rock’n’roll mas sua música tinha sido “atropelada” por grupos mais novos e instigantes aos ouvidos da molecada (como Skank, Planet Hemp e Chico Science & Nação Zumbi, além dos Raimundo que logo menos também iriam estourar no país todo), além de ter sido tirado do foco da mídia, que queria saber de nojeiras ao estilo pagode de corno paulistano e axé burrão baiano.

Foi esse Ira! então (já considerado irrelevante pela indústria fonográfica e perdendo público dia a dia) que eu, com meus trinta anos de idade, colaborando com a Interview e escrevendo para a revista Dynamite, me deparei quando a gravadora Warner mandou para a jornalistada o álbum “Música calma para pessoas nervosas”, que estava saindo no final daquele ano. Era o último disco do contrato do conjunto com a gravadora, que não fez absolutamente nada por ele: mandou o suplemento obrigatório para divulgação na imprensa e sequer trabalhou alguma faixa em rádio ou televisão. O resultado foi mais do que óbvio: um fracasso total de vendas – dados oficiais da época indicaram que o disco não chegou a vender duas mil cópias. Isso para uma banda que sete anos antes havia chegado a ganhar disco duplo de ouro.

FINATTINASI2014

Nasi e Finaski, uma dupla de chapas há mais de trinta anos: “Finatti, quantos processos você já tem nas costas?”. Ahahahahaha.

Mas nem por isso o Ira! deixou de continuar merecendo minha admiração, respeito, amor e carinho. Foi então que, com o disco em mãos, eu propus uma matéria com eles para a Dyamite. Mr. André Pomba, nosso eterno “editador”, topou no ato. Eu, já velho chapa dos caras, não tive dificuldades em marcar um bate-papo com o Nasi na casa dele, numa tarde qualquer daquele mês de novembro. A redação da Dynamite naquela época ficava na rua dos Pinheiros, na zona oeste de Sampa. Nasi morava não muito longe dali, num sobrado próximo à avenida Francisco Morato e também próximo ao campus da USP. Quando eu estava pronto pra cumprir minha missão e partir rumo à casa do vocalista do Ira!, liguei pra ele pra dizer que estava indo. Nasi: “Cola aí! Ow, você consegue me trazer um baseado? Eu tô a fim de fumar e estou sem aqui em casa…”. Eu: “poutz, também tô sem. Não fumo muito, você sabe. Eu gosto mais é de dar umas narigadas, hehe”. Ele: “Verdade. Bom, vem pra cá que inclusive tenho uma surpresa pra você!”.

Eu fui. E logo que cheguei Nasi me recebeu com a simpatia de sempre, me levando pro andar de cima do sobrado. Fomos fazer a entrevista num dos quartos, onde uma pilha fantástica de discos de vinil se escorava nas paredes. E antes que eu ligasse o gravador para fazer a entrevista, ele disse: “lembra da surpresa que te falei?”. Ato contínuo puxou debaixo da cama um prato onde havia um autêntico monte Everest de cocaína. Eu olhei aquilo e não acreditei. Meu coração disparou enquanto ele esticava duas carreiras beeeeem gordas para serem aspiradas. Mandei a minha imediatamente. O pó era bonzão. A entrevista começou a ir por água abaixo exatamente ali.

Cerca de uma hora e meia depois (mais ou menos isso, meu senso de tempo e espaço àquela altura já tinha ido pra casa do caralho) nenhum dos dois se entendia mais nas perguntas e respostas, totalmente malucas e sem nexo algum. A dupla, bicudaça, também não aguentava mais cheirar. A entrevista havia se transformado em um autêntico samba do crioulo doido (fui ter certeza disso quando ouvi a fita em casa, no dia seguinte). Saí da residência de mr. Marcos Valadão (o nome real dele) quando o dia estava indo embora e a penumbra se desenhava e caía sobre os prédios e o poluído rio Pinheiros. Saí daquele sobrado parecendo um robozinho, andando como um Robocop pelas ruas do bairro. Não via a hora de chegar no centro (eu ainda morava na avenida 9 de julho, no apartamento do Felipe). E claaaaaro que não consegui aproveitar absolutamente nada do que estava gravado na fita da entrevista. Mas a matéria acabou saindo na Dynamite – em forma de resenha bem extensa do disco. Pelo menos isso, para uma banda que sempre mereceu e vai continuar merecendo muito mais do jornalista loker.

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

  • Disco, I: “Vivendo e não aprendendo”, o clássico imbatível lançado pelo grupo Ira! em 1986.
  • Disco, II: e quando você, já sem esperança alguma, acha que o rock independente brazuca chegou ao fim da sua história e estrada, eis que… wooooow! Surge, diretamente de João Pessoa, na Paraíba (isso mesmo que você leu: na capital da Paraíba) o trio Augustine Azul. Nunca tinha ouvido falar? Nem o blog zapper também, que descobriu a banda essa semana (falha nossa, assumimos) ao ler um texto sobre ela no Facebook (publicado pelo chapa Eduardo Roberto). Bão, e o que é o Augustine Azul? Simplesmente o MELHOR trio instrumental que estas linhas zappers escutam no rock brasileiro em muitos anos. A banda (formada pelo guitarrista João Yor, pelo baixista Jonathan Beltrão e pelo baterista Edgard Moreira) surgiu em 2014 e lançou até o momento um EP e este absurdamente incrível cd intitulado “Lombramorfose”, com seis faixas longas e menos de meia hora de som. Mas o suficiente para o grupo demonstrar a MONSTRUOSA qualidade sonora que possui, com a trinca compondo peças instrumentais que trafegam harmoniosa e espetacularmente por stoner rock, prog rock (sem a chatice habitual que contamina o gênero) e algo de psicodelia. E salta aos ouvidos de quem ouve as faixas como a cama sonora é construída com perfeição absoluta, com espaços para improvisos e solos tanto da guitarra como do baixo, com uma fluidez sonora impressionante e que não cansa jamais quem escuta. Pelo contrário: a cada nova audição o prazer de ouvir a guitarra tecendo melodias, riffs e solos envolventes e a seção rítmica dando um show à parte, só aumenta. É como se o três músicos do Augustine estivessem em uma jam interminável, complexa mas que possui foco e conexão definida entre os instrumentos – algo que faltava por vezes ao já veterano (e quase extinto) Macaco Bong, que também possuía músicos excelentes mas cujas músicas por vezes pareciam perder o controle melódico e harmônico, para se transformar em uma maçaroca sônica movida a maconha, rsrs. Resumindo: “Lombramorfose” (que já saiu nos EUA pelo selo More Fuzz Records) já tem o voto do blog para DISCO DO ANO no rock nacional em 2016. Podem acreditar: um MONSTRO (no melhor sentido do termo) está nascendo na Paraíba. E ele se chama Augustine Azul, sendo que você pode saber mais sobre a trinca aqui: https://www.facebook.com/AugustineAzul/. E ouvir o disco inteiro aqui: http://augustineazul.bandcamp.com/album/lombramorfose.

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O trio rock instrumental paraibano Augustine Azul (acima) e a capa do seu primeiro álbum (abaixo): stoner prog rock fodão e já sério candidato a melhor disco do rock BR em 2016

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  • Baladas no finde: ufa! Blogão tendo o postão finalmente encerrado, néan. E na boa, o finde tá meio assim com poucas opções realmente bacanas pra você curtir no circuito alternativo de Sampalândia. De modos que hoje, sextona em si, a pedida é ir tomar umas brejas no Outs Pub (na rua Augusta, colado no clube Outs), antes de cair no open bar em si do próprio Outs, rsrs.///Sabadão? Tem a estréia da festa Interzone Rock Party, comandada pelo queridão agitador cultural Adriano Pacianotto. Vão rolar shows ao vivo e DJ sets bacanudas, tudo lá na rua Padre João, 522, Penha, zona leste de Sampa. Bora lá! E é isso, sendo que na semana que vem o sabadão vai ferver com gigs do velho Metrô e do trio blues/rock do jornalista e músico Ayrton Mugnaini. Mas isso contamos melhor na… semana que vem, rsrs.

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FIM, ENFIM

E demorou dessa vez, fato. Mas é que o postão lindão e bombator (mais de quatrocentos likes!) sobre o Ira! ficou tão bacana que resolvemos deixar ele o mês inteiro de agosto no ar. Então colaê na semana que vem novamente que aí deverá ter novo post no blog campeão em cultura pop.

Até lá!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 19/8/2016, às 18hs.)

Como recordar é sempre mesmo viver (ulalá!), o blog comenta os trinta anos de dois álbuns GIGANTES da história do rock brasileiro dos anos 80’: as estreias do Ira! e da Plebe Rude (e de quebra, histórias como sempre cabulosas de duergas envolvendo o zapper loker ao som dessas bandas); o velho e genial Neil Young volta à boa forma em seu novo disco; bons sons indies vindos do Norte brazuca; edição ESPECIAL das nossas sempre total delicious musas rockers, com uma seleção de algumas das gatas mais incríveis que já apareceram no tópico; e mais as indicações culturais da próxima semana e os agitos no circuito rocker underground paulistano (postão finalmente concluído com ampliação MONSTRO: indicações de discos, livros e o roteiro de baladas legais para esta semana no circuito alternativo de Sampa!) (ampliação final em 1/7/2015)

Duas bandas gigantes do rock BR dos anos 80’ e seus fundamentais discos de estréia, lançados há exatos trinta anos (e relembrados e comentados neste post): o paulistano Ira! (acima) e o brasiliense Plebe Rude (abaixo) deixaram um legado difícil de ser batido pela atual geração do rock nacional, onde não surgem mais grandes músicos e cantores como Edgard Scandurra e Nasi (ambos do Ira!), velhos amigos de Zap’n’roll (também abaixo)

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EXTRINHAS RAPIDÕES FECHANDO A TAMPA DE UM POST GIGANTESCO

* Yeah. O post enfim chega ao fim já na quarta-feira da primeira semana do mês de julho. Ontem (terça), a Câmara dos Deputados em Brasília rejeitou a proposta de mudança na Constituição que reduzia a maioridade penal para dezesseis anos de idade. Okays. Pelo menos algo SENSATO esse bando de bandidos e pilantras fez pelo país.

 

 

* E Glastonbury 2015 terminou no último domingo assim: Roger Daltrey e Pete Townshend dando sangue no palco. Os dois estão jurássicos, carecas, caindo aos pedaços. Mas ambos (ou o que resta do glorioso The Who) levantaram cem mil pessoas ao som desse hino aí no vídeo. Infelizmente nós, aqui no bananão do cu do mundo, não iremos ver isso ao vivo. E sério, o blog gostaria de ver…

 

 

* É isso. Semana que vem novo postão na área. Até lá!

 

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Clássicos imortais do rock BR que importa.

Eles foram lançados há trinta anos e permanecem relevantes até hoje. Aliás, sua importância e dimensão se tornam ainda mais gigantescas em um tempo onde a música se tornou praticamente perfumaria, quase mero acessório e fundo sonoro para as mais banais e diversas atividades do cotidiano humano. Afinal em um mundo dominado por internet, por musica de péssima qualidade circulando aos milhões pela web, por redes sociais (como o Facebook) e aplicativos de celular (como o detestável whats app) que nada mais fazem do que contribuir para o emburrecimento e a imbecilização completa de hordas cada vez maiores de pessoas ignorantes e bestiais ao extremo, quem se importa com questões como composição, melodia, harmonia, arranjos e letras que provoquem profunda reflexão social, política e comportamental? É um mundo cruel o de hoje, dominado pela idiotização em massa (e isso com tanta informação disponível…) e o rock’n’rol que se faz atualmente, seja aqui ou na gringa, é o reflexo direto dessa idiotização. Mas nem sempre foi assim, felizmente. E estão aí discos como “Mudança de comportamento”, do grupo paulistano Ira!, e “O concreto já rachou”, do brasiliense Plebe Rude, ambos lançados há exatos trinta anos, em 1985 –  ano inclusive que também viu chegar ao mercado fonográfico nacional trabalhos essenciais como “Revoluções por minuto” (do RPM de Paulo Ricardo), e “Nós vamos invadir a sua praia” (do Ultraje A Rigor), e que serão igualmente comentados em Zap’n’roll em posts futuros – para mostrar isso. Eram outros tempos. Não havia a facilidade de acesso à informação que se tem hoje, e era preciso correr atrás dela. Não havia internet, redes sociais, celulares, nada disso. E a molecada ainda tinha prazer em se dedicar a ler ótimos livros, ouvir grandes discos de vinil, assistir a filmes clássicos. Todo esse ambiente bastante erudito (mesmo dentro da cultura pop) e ainda aliado ao fato de que o país estava saindo de um longo período de um regime político duro e fechado (e que limitava ao máximo possível os direitos individuais e civis), proporcionou um estimulo grandioso à alta criação artística em seus mais diversos segmentos (música, literatura, cinema, teatro, artes plásticas). E  o rock’n’roll de então acompanhou esse processo com grandes bandas se formando e lançado discos que se tornariam momentos fundamentais de toda a história da música brasileira. A Legião Urbana, também de Brasília, já havia estreado em vinil no final de 1984 com um trabalho irrepreensível. E meses depois era a vez do Ira! e da Plebe chegarem com registros que permanecem até hoje como marcos sólidos e essenciais de um rock que tinha o que cantar e que levava o ouvinte ao questionamento e à reflexão. Então nada mais justo do que o blog comentar e esmiuçar esses dois momentos inesquecíveis do rock nacional neste post que começa agora. E ainda mais em tempos em que nada digno de nota está sendo lançado aqui ou lá fora (com a possível exceção do novo disco do velho e genial Neil Young, programado para sair oficialmente na semana que vem, mas que já “despencou” na internet). Portanto vamos lá, fazer uma agradável viagem de volta ao passado. Bem-vindos a 1985, o ano em que o rock brasileiro se tornou gigante de verdade e legou para a posteridade dois de seus maiores clássicos em todos os tempos.

 

 

* E a semana termina (o postão está entrando no ar no final da tarde de sábado, 27 de junho) sim com duas notícias impactantes mas fora do mondo pop/rock. E que demonstram o quão estranho e bestial (por um lado) o mundo se tornou. Enquanto  nos Estados Unidos a Suprema Corte de Justiça americana legalizou o casamento gay em todo o território dos EUA, na Tunísia e no Kwait atentados terroristas praticados pelo sanguinário Estado Islâmico mataram quase setenta pessoas, além de deixar centenas de feridos.

 

* A leitura dos dois episódios é claríssima. Você pode não ter a menor simpatia pelos Estados Unidos e por seu povo (de fato o americano médio é bastante estúpido, além de conservador e racista). Mas a democracia LÁ é muito mais aperfeiçoada do que a brasileira, quanto a isso não resta a menor dúvida. E a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo pela Suprema Corte mostra isso.

 

 

* Já do outro lado do planeta, no Oriente Médio, as trevas bestiais infelizmente dominam a maioria do pensamento humano, o que permite o surgimento de grupos de grupos terroristas assassinos e radicais como o Estado Islâmico. E infelizmente, ao que parece, o destino da humanidade é assistir daqui pra fretnte ao aprofundamento dessa aparentemente intransponível dicotomia social/comportamental: o respeito total ao ser humano em todos os aspectos possíveis de um lado, e um igualmente total desrespeito por outro, onde matar alguém é algo tão comum e banal quanto beber um copo de água. E assim seguiremos caminhando, infelizmente.

 

 

* Agora bizarro mesmo é a rede social reacionária e nazista que é o Facebook, querer surfar na onda da decisão tomada pela Suprema Corte dos EUA, e dar aos seus usuários a opção de eles “adornarem” suas fotos de perfil com as cores do arco-íris e que são o símbolo mundial da luta pela diversidade sexual. E ainda pior é ver milhões de manés embarcando nessa onda. Oportunismo é isso aí e a gente encontra nos domínios do FB, uia!

 

 

* Resumo rápido e ligeiríssimo da edição 2015 da Virada Cultural paulistana, que rolou no último finde em Sampa: muuuuuito menos público do que em 2014 (e os motivos para isso foram evidentes: programação ruim e o frio da madrugada já invernal, que deixou com ares de deserto boa parte da região central da cidade). O lado positivo disso? Muito menos tumulto e violência também, com policiamento reforçado e que proporcionou um clima de maior segurança a quem se aventurou pelo centro na noite de sábado pra domingo. O blog esteve no palco Rio Branco, onde acompanhou a gig do Cachorro Grande, das duas às três da matina. O público foi enorme e o jornalista zapper assistiu ao set (fodão como sempre) do palco e depois foi beber no camarim com a Cachorrada, velhos amigos destas linhas online. E depois nos mandamos pro Astronete no baixo Augusta, pois não havia mais nada interessante pra se ver/ouvir nos palcos da Virada – ao menos de madrugada.

 O jornalista loker/rocker e o chapa Beto Bruno, logo após o showzaço do Cachorro Grande na Virada Cultural 2015

 

*Resumo rapidão e ligeirão do show do ex-guitarrista dos Smiths e gênio Jhonny Marr, que rolou no final da noite de domingo no Memorial da América Latina em Sampa, dentro do festival Cultura Inglesa: ele “apenas” mostrou porque foi um dos nomes fundamentais da história recente do rock’n’roll, e também porque tocou naquela que é uma das cinco bandas da vida do autor destas linhas virtuais rockers. Performance impecável, momento “olhos total marejados” em “There’s A Light That Never Goes Out” e, de bônus, o rapaz está cantando muito bem pra quem era “só” o guitarrista do grupo onde Morrissey um dia foi vocalista. Que Johnny retorne mais vezes ao Brasil, sendo que alguns momentos do showzão você pode conferir nos vídeos aí embaixo.

 

* E já está rolando neste finde na Inglaterra aquele que é considerado o maior festival de música (rock incluso) do mundo. Yep, o gigante Glastonbury, em sua edição 2015, parece estar sofrendo do mesmo mal que se abate sobre outros eventos semelhantes pelo mundo afora, como o brazuca Rock In Rio e o americano Coachella: a dificuldade em montar um line up que não tenha nomes repetidos em edições anteriores ou que sejam “arroz-de-festa” nos festivais ao redor do planeta. Mas com o mondo pop/rock carente de renovação de grupos que realmente se destaquem, a situação fica realmente complicada. Vai daí que o Glasto deste ano tem como headliners o Foo Fighters (já velho freguês do Brasil, sendo que a banda teve que cancelar sua gig em Glasto na última hora, devido ao acidente sofrido por Dave Grohl em um show, semanas atrás), o rapper Kanye West e o velhaço The Who, os três puxando centenas de atrações pra todos os gostos. Do já velho britpop de Suede, passando pelo dream pop sempre onírico e bacana do Belle & Sebastian (e que irá tocar em Sampa em outubro) e chegando à nova sensação que é o Wolf Alice, Glastonbury vai tentando se manter a duras penas como o MAIOR dos festivais. Aí embaixo o cartaz da edição deste ano.

 

 

* O COMPLETO DESASTRE E A TOTAL FALÊNCIA DO TRANSPORTE PÚBLICO EM SAMPA, NAS MÃOS DO PSDBOSTA – o blogão zapper abre espaço entre as notas iniciais deste post, focadas em rock alternativo e cultura pop, para falar de assunto que interessa a todos no final das contas: o desmantelamento que está acontecendo, há anos já, na estrutura do transporte público em São Paulo, a maior cidade do Brasil e uma das cinco maiores do mundo. E esse desmantelamento, que se abate já há séculos sobre a frota de ônibus do município, agora também chegou ao sistema de metrô, de (ir) responsabilidade do (des) governo de Geraldinho Alckmin e sua CORJA BANDIDA tucanalha, encastelados há mais de vinte anos no Palácio dos Bandeirantes. Pois então: se até uma década atrás o metrô de São Paulo era referencia mundial em rapidez, conforto, limpeza e MANUTENÇÃO, tudo isso já Elvis e foi pro saco há tempos. Quem utiliza o sistema metroviário da capital paulista diariamente, já sabe que irá provavelmente enfrentar algum tipo de problema ali. Notadamente no horário de pico, entre cinco e meia da tarde e sete e meia da noite. Nesse espaço de duas horas e onde o metrô recebe o maior número de usuários durante o dia (pois as pessoas estão saindo dos seus empregos para voltar para casa ou, ainda, ir para seus cursos estuantis noturnos) e, por isso mesmo, deveria ser o momento em que o sistema NÃO poderia apresentar falhas e problemas em hipótese alguma, é quando estão ocorrendo com cada vez mais freqüência atrasos e paralisações no deslocamento dos trens. Atrasos e paralisações que superlotam as estações, afetam toda a malha metroviária e colocam em desespero quem está nos vagões. Foi o que aconteceu na noite de anteontem, quinta-feira, 25 de junho, exatamente às seis e meia da tarde um carro do metrô simplesmente quebrou na estação Praça da Árvore (no bairro da Vila Mariana, zona sul paulistana, e próximo à residência do jornalista zapper). O tumulto logo se formou: estação lotada, ânimos exaltados, um funcionário da bilheteria totalmente despreparado para lidar com a situação se NEGANDO a devolver o dinheiro de quem tinha adquirido bilhetes para a viagem e queria devolver os mesmos. Depois de cerca de meia hora de espera a situação começou a se normalizar mais aí já era tarde e muita gente iria chegar atrasada aos seus compromissos do final do dia/início de noite. Então, diante de mais esse ACINTE contra a população, o blog aqui deixa seu protesto contra um (des) governo sórdido, pilantra, escroto ao máximo e que não cumpre minimamente com suas obrigações perante uma população sofrida, que paga impostos caros e de Primeiro Mundo pra receber de volta serviços públicos de QUINTO MUNDO. Até quando isso, afinal? Até quando o populacho BURRO e CONSERVADOR que é o eleitor paulista vai seguir votando nesse grande MERDA que é o PSDB? Por que, ao invés de ir pra rua pedir o impeachment da presidente, esse bando de OTÁRIOS não pede a saída JÁ de geraldinho e sua quadrilha? Talvez porque gente coxinha, playba e endinheirada NÃO ande de metrô e de transporte público, não é?

 Um carro do metrô paulistano quebrado e parado em uma estação (acima) e o tumulto formado por conta disso (abaixo), na última quinta-feira: a qualidade do transporte público em SP segue em queda livre sob o (des) governo do PSDBosta

 

* Voltando ao mondo pop/rock, que segue em marcha lentíssima: nenhuma novidade realmente bombástica por esses dias. Assim, se algo EXPLOSIVO rolar pela semana vindoura, iremos comentar aqui, fiquem sussa quanto a isso.

 

* Então melhor ir logo aí embaixo, onde o blog rememora as três décadas de existência de dois álbuns fundamentais da história do rock brasileiro.

 

 

TRÊS DÉCADAS ESTE ANO – OU QUANDO IRA! E PLEBE RUDE INSCREVERAM PARA SEMPRE SEUS NOMES NA HISTÓRIA GIGANTE DO ROCK BRASILEIRO QUE IMPORTA

O ano de 1985 foi bastante emblemático para a cultura pop brasileira e, dentro desse contexo, também para o rock nacional. O país estava saindo de um período de mais de duas décadas de regime militar ditatorial (sendo que já haviam eleições diretas para governdores de Estado mas o primeiro pleito presidencial direto ainda iria acontecer apenas em 1989). Respirava-se ares politicamente mais abertos e liberais. Isso se refletiu na indústria musical: um novo movimento rock nacional havia sido iniciado em 1982 no Rio De Janeiro, com o estouro em vendagens do disco de estréia do grupo Blitz. E em janeiro de 85’ também acontecia no Rio a primeira edição do Rock In Rio, festival que consagrou bandas nacionais como Barão Vermelho e Paralamas Do Sucesso. E por fim, seguindo esse “boom” e dando um tom muito mais político a um rock ainda sem esse viés em grande escala, estavam os quartetos Ira! (de São Paulo) e Plebe Rude (de Brasília). Ambos lançaram seus álbuns de estréia naquele 1985. E hoje, trinta anos depois, tanto “Mudança de Comportamento” do Ira!, quanto “O concreto já rachou” da Plebe Rude, permanecem como duas das obras fundamentais de toda a história do rock brasileiro.

 

Surgido na capital paulista em 1981, no bairro da Vila Mariana (zona sul da cidade), e contando com Egard Scandurra nas guitarras, Marcos “Nasi” Valadão nos vocais, Ricardo Gaspa no baixo e André Jung na bateria, o Ira! logo conseguiu um contrato com a major Warner Music (que estava em busca de novos talentos rockers em Sampa, para fazer frente à “invasão carioca” que estava então em curso, com nomes como Lobão, Kid Abelha, Biquini Cavadão etc.), que lançou em 1983 um compacto simples do cojunto, com as músicas “Pobre Paulista” e “Gritos na multidão”. Ambas alcançaram boa repectividade junto ao público e execução nas rádios, o que motivou a gravadora a colocar os garotos novamente em estúdio para que eles pudessem registrar seu primeiro disco cheio. E o Ira! saiu de lá com “Mudança de comportamento”, LP de onze faixas e pouco mais de meia hora de duração.

 

Lançado oficialmente em maio de 1985, o disco emplacou de cara duas musicas nas FMs mais “alternativas” e menos comerciais. Eram justamente as duas canções que abriam o trabalho, “Longe de tudo” e “Núcleo Base”. Rocks poderosos, dançantea, acelerados e calcados na melodia e nos riffs construídos por Edgard Scandurra Pereira, guitarrista canhoto e que começava ali a se tornar mito das seis cordas e um dos maiores e melhores instrumentistas do rock brasileiro em todos os tempos. E não só: além dessa abertura arrasadora o trabalho ainda possuía uma balada lindíssima e de partir o coração com sua letra e melodia (“Tolices”) e mais uma batelada de faixas de inspiração no rock’n’roll garageiro dos sixties e no célebre movimento “mod” inglês (cujos grandes expoentes foram The Who, Kinks e The Jam). Fora que o quarteto possuía uma sólida seção rítmica e um ótimo vocalista. Não tinha como dar errado. E não deu, por um bom tempo: “Mudança de Comportamento” vendeu cerca de 60 mil cópias (um bom número) e abriu caminho para a asensão do Ira! ao panteão dos grandes nomes do rock BR dos 80’. Uma ascensão que chegou ao auge no segundo LP, “Vivendo e não aprendendo”, editado em 1986 e que emplacou música (a lindíssima “Flores em você”) como tema de abertura de novela da TV Globo. Isso fez o disco disparar em vendagens, com mais de 250mil cópias comercializadas na época. É também um grande álbum. Mas “Mudança de Comportamento” permanece até hoje como a pedra fundamental de uma banda que votltou à ativa há pouco mais de um ano e que continua sendo um dos nomes mais relevantes da história do rock nacional.

 

Já a Plebe Rude, surgida em Brasília em 1981, chegou ao seu primeiro lançamento de estúdio apenas (e também) em 1985. “O concreto já rachou”, o disco em questão, era (é) um EP de apenas sete faixas e pouco mais de vinte minutos de duração. Mas que concentra nesse pequeno recorte musical mais poder instrumental e qualidade textual (notadamente no questionamento e engajamento político e social) do que uma dúzia de grupelhos atuais juntos do tristemente e totalmente amburrecido roquinho brazuca. Um trabalho fodaço, conduzido pelas guitarras e pelas sensacionais harmonias e jogos vocais de Philippe Seabra e Jander Bilaphra, além da impecável “cozinha” de André X (no baixo) e Gutjie (na bateria). O grupo chegou até a multinacional EMI apadrinhado pelos Paralamas Do Sucesso (que então já estavam consagrados, após sua participação na primeira edição do Rock In Rio). E seu EP de estréia foi produzido pelo guitarrista e vocalista Herbert Vianna, o líder dos Paralamas.

As estreias do Ira! (acima) e Plebe Rude (abaixo), ambas em 1985: dois discos fundamentais para a história do rock brasileiro

 

Não há UMA música menos do que espetacular em “O concreto já rachou”. Da abertura arrasadora com “Até quando esperar” (onde um grupo punkster como a Plebe se permitiu utilizar um cello na introdução da canção), passando por “Proteção”, por “Seu jogo”, pela sensacional “A minha renda” (um olhar cruel e preciso/precioso sobre a indústria musical de então, e como ela se utilizava de métodos nada éticos e morais para produzir mitos e popstars) e até chegar ao fecho em “Brasília” (outra radiografia cruel e precisa sobre como era e é a capital do país, e como era e é até hoje viver nela), trata-se de uma obra impecável e quase que totalmente atemporal pois seus temas permanecem mais atuais do que nunca. Depois desse EP a trajetória da PR prosseguiu bastante errática, com discos oscilando entre medianos e fracos. A banda perdeu dois de seus integrantes originais (Jander e Gutjie) e permanece na ativa até os dias atuais, contando inclusive com o guitarrista e vocalista Clemente (fundador do grupo paulistano Inocentes, onde também toca até hoje) em seu line up.

 

“Mudança de comportamento”, do Ira!, e “O concreto já rachou”, da Plebe Rude, no final das contas definiram um padrão de qualidade artística no rock brasileiro que dificilmente seria alcançado nos anos (ou décadas) seguintes. Dos anos 90’ em diante então, foi o horror. Um horror que chegou ao fundo do poço no novo milênio. Hoje o rock nacional é o que se escuta e o que se vê dele: reduzido a escombros (muito devido ao massacre realizado nele pela organização quase criminosa denominada Fora Do Eixo), ignorante na estrutura musical e nas letras escritas por uma garotada sem estofo intelectual/cultural algum, sobrevive como pode no underground ou então mamando na teta pública (através de editais que patrocinam turnês e festivais com shows onde não existe público) ou no circuito Sesc (que paga bons cachês a quem consegue tocar em suas unidades, mesmo que haja dez pagantes para assistir a apresentaçao). Enquanto isso a cultura musical brasileira (ou o que resta dela) desce sem dó a ladeira, com funk ostentação de péssima qualidade, axé music idem e sertanojo universotário dominando a execução em rádios comerciais e em programas populares de auditório na TV. Esse é o negro retrato da música pop brasileira, versão 2015.

 

Bons tempos o de três décadas atrás. Grande ano o de 1985 para o rock made in Brazil. Ira! e Plebe Rude, em suas estréias gigantes, serão inesquecíveis. E esses dois álbuns irão permanecer para a posteridade como dois marcos de um tempo em que, sim, o rock brasileiro foi um dos melhores do mundo.

 

 

IRA! E PLEBE RUDE AÍ EMBAIXO

Em alguns vídeos que mostram alguns clássicos dos discos de estréia das duas bandas, além da versão integral de “O concreto já rachou”.

 

 

PLEBE RUDE – UMA LETRA DO EP DE ESTRÉIA

 

“Minha renda”

 

Você me prometeu um apartamento em Ipanema

Iate em Botafogo, se eu entrasse no esquema

contrato milionário, grana, fama e mulheres

a música não importa, o importante é a renda!

 

Ambição – grana, fama e você

Ambição – grana, fama e você

 

Tenho fazer sucesso antes que seja tarde

Eles acham que eu vendo, eu tenho uma boa imagem

o meu produtor, ele gosta de mim

grana vale mais que a minha dignidade

 

Tocar no Chacrinha ou na televisão

tudo isso ajuda pra minha divulgação

isso quer dizer mais grana pra produção – e pra mim!

 

Você me comprou, pôs meu talento a venda

você me ensinou que o importante é a renda

contrato milionário, grana, fama e mulheres

a música não importa, o importante é a renda!

 

Ambição – grana, fama e você

Ambição – grana, fama e você

 

Eles trocam minhas letras, mudam a harmonia

no compacto esta escrito que a música é minha

ja sei o que vou fazer pra ganhar muita grana

vou mudar meu nome para Herbert Vianna

 

Estar no Chacrinha ou na televisão

tudo isso ajuda pra minha divulgação

isso quer dizer mais grana pra produção – e pra mim!

 

Grana, fama e você!

 

Um lá menor aqui, um coralzinho de fundo (fundo!)

minha letra é muito forte? Se quiser eu a mudo

e tem que ter refrão (sim!) um refrão repetido (repetido!)

pra música vender, tem que ser acessivel!

 

Ambição – grana, fama e você

Ambição – grana, fama e você

 

Não sei o que fazer, grana tá difícil

tenho que me formar e nem escolhi um ofício

Você é músico, não é revolucionário!

Faça o que eu te digo que te faço milionário!

 

Estar no Chacrinha ou na televisão (a minha renda)

tudo isso ajuda pra minha divulgação (a minha renda)

isso quer dizer mais grana pra produção – e pra mim!

 

A minha renda!

 

 

OS ANOS 80’/90’ E A TRAJETÓRIA DO JORNALISTA LOKER/ROCKER AO SOM DE IRA! E PLEBE RUDE

* O Ira! foi fundado em 1981 pelo guitarrista Edgard Scandurra e pelo vocalista Marcos Valadão, o “Nasi”. Ambos esrtudaram no ensino fundamental (e parte do médio) no colégio estadual Brasílio Machado, famoso celeiro de porra-loucas localizado (até hoje) na rua Afonso Celso, no bairro da Vila Mariana, zona sul da capital paulista. E o bizarro da parada é que o então jovem adolescente Finaski e futuro jornalista musical TAMBÉM estudava no mesmo colégio e na MESMA sala de Scandurra e Nasi – isso quando a trinca não tinha mais do que quinze anos de idade. Depois o autor deste blog perdeu totalmente o contato com a dupla. Foi reencontrá-los anos depois quando o Ira! já existia e estava se tornando uma banda grande, e o sujeito aqui começou sua trajetória no jornalismo musical brasileiro. E até hoje Zap’n’roll é amigo dos dois.

 

* Por conta disso o blog perdeu a conta de quantos shows acompanhou da banda. O primeiro foi em 1981, no teatro Tuca, da PUC/SP (no bairro das Perdizes), durante a realização de um festival de bandas punks. Depois o zapper, então um jovem repórter que havia entrado no jornalismo há poucos meses, presenciou uma gig monstro do quarteto, em meados de 1986. O Ira! tinha mandado para as lojas seu segundo disco, “Vivendo e não aprendendo”, que estourou em vendagens por conta da inclusão da música “Flores em você” na abertura de uma novela da TV Globo. Para comemorar o grupo marcou um show ao ar livre e de graça num sábado à tarde, na famosa “praça do Relógio”, na USP. Não deu outra: superlotação no local, com o conjunto tocando para cerca de quarenta mil pessoas.

 

 

* A partir daí estas linhas online assistiram a dezenas de gigs do Ira! em danceterias (que estavam em moda na época), festivais etc. E quando o Ira! retornou às atividades em 2014 (após uma separação de sete anos, motivada por brigas internas) o jornalista zapper também voltou a acompanhar o grupo de perto, comparecendo apenas no ano passado a três shows deles.

 Zap’n’roll e Nasi, vocalista do Ira!: amizade que já dura três décadas

 

 

* Já com a Pebe Rude foi diferente. Por ser de Brasília dificilmente o quarteto se apresentava em Sampa. Tanto que o blog só foi conseguir ver uma gig deles por volta de 2001, quando eles tocaram num sábado à noite no Sesc Belenzinho (na zona leste de São Paulo). E foi um showzaço.

 

* E claaaaaro, não poderia faltar a história junkie aqui, inclusive já contada no blogão anos atrás e que também estará bem detalhada no livro “Memórias de um jornalista junkie”. Algum final de tarde de 1993. O Ira! estava em sua fase decadente, contrato encerrado com a multinacional Warner e com um novo disco na praça, o  bom “Música calma para pessoas nervosas”, e que não vendeu nada no final das contas. O autor deste blog estava já há alguns meses fora de um grande veículo de mídia e escrevendo textos para a modesta (porém bem conceituada no meio rock’n’roll) revista Dynamite. Graças à sua amizade com Nasi, marcou uma entrevista com o vocalista (que morava em um sobrado na zona oeste de Sampa) e lá se foi, fazer seu trabalho. Foi recebido na casa do front-man do Ira! com um prato onde havia um autêntico monte Everest de COCAÍNA, uia! A devastação nasal entrou em cena e a entrevista virou o próprio samba do crioulo doido. No dia seguinte, ao ouvir as fitas gravadas do bate papo, o jornalista doidão viu que absolutamente NADA ali poderia ser aproveitado. A entrevista teve que ser remarcada, claro. E sem cocaína, rsrs.

 

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MUSAS ROCKERS EDIÇÃO ESPECIAL – CINCO TOTOSAS TOTAL DELICIOUS QUE JÁ PASSARAM PELO BLOGÃO

Yeah! Um dos tópicos mais festejados pelo nosso dileto leitorado macho (cado, uia!) faz uma reedição especial nesse post, onde republicamos cinco das mais gatas musas rock’n’roll que já passaram por aqui. Todas lindonas, abusadas, atrevidas, tatuadas, inteligentes e rockers, sempre! Então aproveite e se delicie novamente com elas, enquanto a nova musa do blog está a caminho.

 Solange De-Ré: 32 anos, poetisa louca e rocker de Floripa

 

Fabiana Marques, 26 anos, diretora de arte em São Paulo: tattoos e amor pelo rock’n’roll

 

Michelle Fernandes, 27 anos, de São Paulo: sempre na night rocker

 

Yasmin Takimoto, 20 anos, de São Paulo: sinuosidade orienta

 

Madeleine Akye, 32 anos, de Osasco: japa rocker dos sonhos de muitos homens, e seduzindo até atores da tv Globo!

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Disco, I: o quarteto de Manaus Supercolisor existe desde 2008 e antes se chamava Malbec. Passou por uma reestruturação interna, trocou de nome, mudou de line up e contando com novo integrante (o baixista, multiinstrumentista e vocalista Diego Souza, que antes tocou no ótimo Luneta Mágica) lançou há pouco este “Zen total do Ocidente”, onde o grupo (que também conta com Ian Fonseca nos vocais e pianos, Zé Cardoso nas guitarras e vocais e Natan Fonseca na bateria) literalmente apaixona o ouvinte com uma coleção de canções belíssimas, melancólicas e bucólicas em sua concepção melódica e instrumental. Arranjos de pianos e condução de violões constroem planos sonoros que acalentam a alma e o coração e isso se sobressai mais em faixas tristonhas como “Sim”, “Três luzes fixas”, “Os cinco”, “Não”, “Móbile” e a própria canção-título. São as músicas onde a banda consegue seu melhor resultado graças à coesão de uma proposta que rompe com seu próprio passado recente (a “versão” Malbec do conjunto carregava muito no rebuscamento instrumental se espelhando na fase prog do Radiohead, aliás a fase mais sacal do quinteto britânico; fora que havia a incômoda dicotomia das músicas com vocais em inglês e em portguês). Ainda há estranhamentos aqui e ali (as levadas synthpop e os vocoders que surgem nas ambiências eletrônicas e vocais de “Pista Íntima” e “Corte”, e que destoam em muito do restante do trabalho) mas o saldo final, com bons versos em português e canções que remetem ao melhor de um rock reflexivo e melancólico, colocam o Supercolisor muito à frente de boa parte do que se faz nesse momento no quase totalmente inculto rock’n’roll brasileiro. E sinaliza mais uma vez que algumas das melhores formações musicais do país nesse momento estão mesmo na região Norte – basta lembrar dos acreanos Euphônicos, Los Porongas e Os Descordantes, nomes que deixam grupos do Sudeste comendo poeira no quesito qualidade artística. Para saber tudo sobre o Supercolisor e ouvir seu novo álbum, vai nesses links: http://www.supercolisor.com/home e http://www.supercolisor.com/.

 O quarteto manauara Supercolisor: lindas, bucólicas e tristonhas canções em seu novo disco, “Zen total do Ocidente”.

 

* Disco, II: também da capital do Amazonas, o quarteto Nicotines lançou seu primeiro EP com cinco faixas, e batizado “A mil por hora”. É rock’n’roll direto de guitarras algo sujas e boas letras em português, escritas e cantadas pelo jornalista Sandro “Nine” Corrêa (agitador muito conhecido na cena rocker de Manaus, além de amigo destas linhas bloggers). Resgatando eflúvios de hard e garage rock, além de proto punk setentista, o quarteto (que ainda tem em seu formação o guitarrista Lauro, o baixista Israel e o batera Gustavo) mostra agressividade e potência instrumental na faixa-título e em “Rock brasileiro”, cuja letra faz uma crítica virulenta à estupidificação que se abateu sobre o rock’n’roll nacional, eivado de pilantras e enganadores de bandas como o produtor escroque e mau caráter Carlos Eduardo Miranda, citado nominalmente nos versos. São músicas que devem render bem ao vivo e você pode ouvi-las aqui: https://soundcloud.com/nicotinesoficial. O EP também saiu em formato físico em cd encartado na revista paulistana “Gatos & Alfaces”, e você pode saber mais sobre os Nicotines aqui: https://www.facebook.com/pages/Nicotines/1512374429022788?fref=ts.

O EP de estréia do grupo Nicotines

 

* Disco, III: com quase setenta anos de idade a lenda Neil Young segue firme e forte, lançando discos quase em profusão. Mas se a produção do canadense não dá mostras de cansaço na quantidade de discos editados (só em 2014 foram dois trabalhos inéditos), na questão qualitativa o guitarrista e vocalista andou meio claudicante em seus últimos discos. Porém neste “The Monsanto Years” (que chegou oficialmente às lojas americanas anteontem, segunda-feira, 29 de junho; sendo o que o blogão está sendo finalizado na quarta), Neil parece recuperar um pouco da sua velha forma. O álbum se equilibra bem entre rocks de guitarras mais ásperas (como em “People Want To Her About Love”) e baladas de acento folk/country (com direito a violão e gaita), caso da estradeira e tristonha “Wolf Moon”. Com um pouco de boa vontade dá pra se lembrar da época em que Young inscreveu definitivamente seu nome na história do rock, quando lançou clássicos imbatíveis como “Harvest” ou “Zuma”. Não é igual a eles, claro. Mas as canções 2015 do velho rocker mostram que ele ainda tem o que cantar e segue relevante como músico.

O novo álbum do velho Neil Young

 

* Livro, I: “Breve História do rock brasileiro”, escrito pelo jornalista, músico, pesquisador e produtor cultural Ayrton Mugnaini Jr., um volume com pouco mais de oitenta páginas de texto e formato de bolso procura mostrar para os não iniciados a trajetória do rock’n’roll feito aqui, desde a década de cinqüenta até os dias atuais – a chamada geração web (e onde Ayrton talvez tenha se esquecido apenas de mencionar o grupo cuiabano, radicado em Sampa, Vanguart, talvez o único nome da indie scene nacional dos anos 2000’ a ter se tornado realmente grande em termos mercadológicos). Mais do que se aprofundar em estilos e nomes, Ayrton procurou mostrar um painel simplificado de artistas e do que eles representaram para determinada época. Leitura rápida, ligeira e de fácil compreensão, o que são méritos e pontos bastante positivos do livrinho, tornando-o muito interessante e atraente. Para conseguir o seu basta entrar em contato com o próprio autor, através de sua página no Facebook: https://www.facebook.com/ayrtonmu?fref=ts.

 Dupla rocker do barulho: Zap’n’roll e o jornalista Ayrton Mugnaini, autor do livro “Breve História do rock brasileiro”

 

* Livro, II: “Poesias escolhidas, volume II – o melhor de mim”, é um abrangente compêndio da nova poesia que se faz hoje no Brasil e em países como Argentina, Méxixo, Uruguai, Espanha, França e Áustria. Ao todo são cento e setenta e quatro poemas do mesmo número de autores (cada um contribuiu com uma poesia), reunidos num livro bem acabado editorialmente e que mapeia, no caso brasileiro, a produção poética em todas as regiões do país. Tanto que até o distante Amapá está representado no livro, através dos bons versos da jovem Sarah Aranha. Com apenas vinte e três anos de idade Sarah, que mora em Macapá (a capital do Estado) e é dileta amiga deste espaço virtual, verseja desde sua adolescência e já conta com um bom material de lavra própria. Para o livro ela escolheu o poema “Meu passarinho”, que flui bem através de rimas e versos bem encadeados. Mas há outras saborosas descobertas ao longo das paginas, e quem se interessar pode ir atrás do volume aqui: https://www.facebook.com/PoesiasEscolhidas?fref=ts.

 A jovem poeta macapaense Sarah Aranha (acima), uma das que estão no livro “Poesias Escolhidas”, com o poema “Meu passarinho” (abaixo) (foto Sarah: Ana Lages)

* Baladas badaladas fechando o postão e as indicações do blog: yeah! Com esse post monstro sendo finalizado já na quarta-feira (1 de julho), vamos ver o que sucede pelo circuito cultural alternativo de Sampa já a partir de amanhã, quinta. É quando vai ter o evento lançando oficialmente o vídeo para a música “Olha pra mim”, do grupo Vanguart (a bela e triste balada que fecha o mais recente disco de estúdio da banda), a partir das nove da noite no Bambolina (que fica na praça Roosevelt, 124, centrão de Sampa).///Já na sexta-feira e durante todo o finde rola no bar/teatro Cemitério de Automóveis (que fica na rua Frei Caneca, 384, Consolação, centro de São Paulo) as últimas apresentações da peça “Tanto Faz”, baseada em livro do escritor Reinaldo Moraes e adapatada por Mário Bortolotto.///Na sextona e sabadão em si a pedida é começar a noite tomando as ótimas brejas artesanais da Sensorial Discos (lá na rua Augusta, 2389, Jardins, zona sul de São Paulo), e depois cair pro baixo Augusta (passando pela Tex, Outs e Astronete).///E no sábado tem a volta dos mineiros metal celta do Thuatha De Danann, após longo período longe dos palcos paulistanos. Eles fazem show de lançamento do seu novo disco no tradicional Manifesto Rock Bar (que fica na rua Iguatemi, 36, Itaim Bibi, zona oeste de Sampa), ou seja, uma ótima pedida rocker pro noitão de sábado. É isso. Nessas noites frias de inverno nada como um ótimo show pra aquecer nossos corpos. Se joga!

 

 

E TCHAU PRA QUEM FICA!

Ufa, postão monstro, néan? Saiu no capricho e ele fica por aqui. Mas na semana que vem voltamos sempre com muuuuuito mais. Até lá, então!

 

(ampliado, atuaizado e finaizado por por Finatti em 1/7/2015, às 14hs.)

Exclusivão do blogão: a invasão do GRANDE rock do sempre amado norte brazuca, com a estreia em cd dos Descordantes (de Rio Branco, no Acre) e o novo disco da Luneta Mágica (Manaus); as “novas” (???) atrações do Rock In Rio, o showzaço do Temples em maio em Sampa e diretamente de Santa Catarina, uma musa rocker comportada mas muito sexy e classuda, ulalá! (postão finalmente e totalmente concluído, com o roteiro cultural e de baladas, mostrando já um vídeo de como foi a gig de Jack White em Porto Alegre e abrindo a promo que vai dar tickets NA FAIXA pro show do quarteto inglês Temples, em maio em Sampa) (atualização final em 25/3/2015)

O grande rock do Norte e uma gataça tesuda do Sul se encontram nesse postão zapper: Os Desocordantes (acima), do Acre, e a Luneta Mágica (abaixo), de Manaus, lançam dois dos melhores discos da cena independente nacional deste ainda início de 2015; e diretamente de Santa Catarina a classuda musa rocker Karla Souza (também abaixo) vai deixar a marmanjada com água na boca em seu ensaio para o blog

 

O Acre existe.

E não apenas existe como é o Estado que está dando ao rock brasileiro dos anos 2000’ algumas de suas melhores bandas. E não há exagero algum nessa afirmação pois o “caso de amor” de Zap’n’roll com a região Norte do país já é longo e permitiu a estas linhas virtuais conhecer grupos e artistas que estão muito à frente do que se produz hoje em dia em termos de música pop no sempre arrogante Sudeste brazuca (onde, teoricamente, está o centro difusor de cultura do país). Yep, em sua eterna prepotência e complexo de superioridade, de “olhar o restante do Brasil sempre com o nariz empinado” a “intelligentsia” rock de Rio e Sampa sempre desdenhou de um Estado que fica muito distante daqui e que está praticamente encravado no coração da floresta amazônica. A pergunta, em tom de sarcasmo e deboche, era sempre a mesma: “mas o Acre existe?”. Pois o blog começou a desbravar as terras acreanas e seu povo bonito, inteligente, hospitaleiro, simples, humilde e acolhedor (fora e as gatas de lá que são lindíssimas) a partir de 2006, quando foi pela primeira vez até Rio Branco (a capital do Estado) para cobrir um festival de rock. Conheceu bandas espetaculares, fez grandes amigos (e convive com muitos deles até hoje) e voltou à cidade mais algumas vezes, sendo a última no final de 2014 quando fomos convidados a cobrir o show de lançamento do disco de estreia do trio Euphônicos, um dos atuais nomes gigantes da música de lá e sobre o qual estas linhas online já falou bastante (e vai falar novamente neste mesmo post, mais aí embaixo). E hoje, mais uma vez, dedicamos em edição especial do blog zapper boa parte de nosso espaço a falar dos grupos nortistas, especificamente Os Descordantes do Acre, e a Luneta Mágica de Manaus. O primeiro acaba de lançar seu primeiro cd em plataforma física (sendo que as músicas já estavam disponíveis na web desde o ano passado), fazendo inclusive uma mini turnê pelo Sudeste (tocaram na semana passada e esta semana em São Paulo, sendo que uma das gigs foi acompanhada de perto pelo jornalista rocker, que se emocionou de verdade com a apresentação do quarteto) para divulgar o trabalho. Já o manauara Luneta acabou de disponibilizar na internet seu segundo disco de estúdio (em breve será lançada a versão física do mesmo), um escândalo de melodias estranhas, envolventes, belíssimas, com alto teor de psicodelia e letras que desvelam uma qualidade textual e poética inimaginável no raquítico rock que se faz nesse momento no eixo Rio/SP. Portanto, com muita justiça, o blogão fala bastante neste post que começa agora sobre os ótimos sons que emanam do Norte. E se o Acre nas últimas semanas se tornou mais comentado e conhecido no restante do Brasil por conta da cheia cruel do rio que corta todo o Estado e que tem o mesmo nome, já está mais do que na hora de ele também ser conhecido e reverenciado pela arte musical que produz. Pois é de lá que surgiram alguns dos melhores conjuntos que os ouvidos deste já calejado jornalista musical tiveram o prazer de escutar nos últimos anos. Então se acomode aí do outro lado da tela e venha conosco, descobrir o fantástico rock que é feito pelos povos da floresta.

 

 

* Não dá pra começar as notas iniciais deste post sem mencionar o grande e bizarro festival que foi a defenestração do Ministro da Educação, Cid Gomes, na última quarta-feira. O cabra macho foi no Congresso e disse na cara larga o que todo mundo está careca de saber: que o bando de RATAZANAS que habita eternamente aquele lugar podre é sim ACHACADOR do governo. Foi demitido logo em seguida pela Dilmona, claro. E não que o blog morresse de amores pelo Cidão (muito pelo contrário) mas que ele foi MACHO, isso foi. No final das contas a situação política do país está mesmo ganhando ares de tragicomédia farsesca e dantesca. E isso não é de hoje: há exatos vinte anos os Paralamas Do Sucesso lançaram a música “Luis Inácio (300 picaretas)”, no álbum “Vamo batê lata” e onde Herbert Vianna, com grande argúcia e sagacidade, escreveu uma letra mega crítica do quadro político de então,  baseado em declarações de Lula onde o ainda deputado (e depois, presidente do Brasil) reclamava da calhordice de seus “colegas” de ofício. Ou seja: de lá pra cá absolutamente NADA mudou no Brasil. Então o que Cid Gomes disse a respeito dos parlamentares em Brasília não é nenhuma novidade, infelizmente.

 

* Só pra recordar, aí embaixo no vídeo a música dos Paralamas.

 

 

* Descendo a ladeira, I: a produção do Rock In Rio anunciou ontem: Rihanna volta ao festival, que também vai ter… Motley Crue!!! Wow!!! Ok, ok, ela é um BOCETAÇO cantante mas pelamor… e essas bichonas velhas do hoje cafoníssimo MC, fala sério… definitivamente é uma VERGONHA o RIR, na edição comemorativa dos seus trinta anos, estar com um line up desse nível. Não dá pra ir, não rola.

 Ela é um XOXOTAÇO cantante mas… de novo no Rock In Rio???

 

 

* Pelo menos anunciaram que vai ter (olha só!) o fodástico duo inglês Royal Blood, tocando no dia 19 de setembro no palco Mundo, antes do arremedo do Queen fechar a noite. Já é alguma coisa (o RB lançou um disco de estreia fodíssimo ano passado) mas quem sabe a dupla também faça uma gig em Sampa, o que evitaria ter que ir até o balneário apenas pra conferir a apresentação deles.

 

 

* Descendo a ladeira, II: basta apenas uma olhada no site da revista e na capa de sua mais recente edição (com o “rockstar” Slash, jezuiz…) pra se chegar à conclusão: a edição brasileira da Rolling Stone já elvis. Está indo mesmo pro buraco, sem dó. Também, tendo em seu corpo editorial um ESTRUME chamado PC como um de seus editores, esperar o quê?

 

 

* Ok, ok, o hype do momento é o quarteto pós-punk canadense Viet Cong. Que estas linhas online já estavam ouvindo falar desde o final do ano passado mas acabaram indo escutar o disco de estreia deles (homônimo, e que saiu em janeiro passado) apenas esta semana. São apenas sete faixas e pouco mais de trinta e seis minutos de música. E sim, o som é soturno, as guitarras oscilam entre noise e melodias sombrias e o vocal do baixista e líder da banda, Matt Flegel, lembra de fato muito o saudoso Ian Curtis, a lenda que um dia cantou à frente do Joy Division. Há pelo menos uma faixa sensacional no álbum, “Bunker Buster”, e ele ganhou cotações expressivas no Allmusic, no Pitchfork e no Consequence Of Sound. Mas a questão que fica é: não seria apenas mais um hype gigantesco que logo menos irá se dissipar na poeira do rock indigente de hoje em dia? A conferir…

 O pós-punk canadense Viet Cong: o novo Joy Division?

 

 

* Pra quem quiser conhecer a estreia do Viet Cong (que além de Mett conta com Scott Munro e Daniel Christiansen nas guitarras, além do batera Mike Wallace), basta clicar aí embaixo, onde está o disco integral da turma.

 

 

*E melhor notícia sobre shows gringos, impossível: a gig dos psicodélicos ingleses do Temples rola dia 16 de maio (um sabadão) em Sampa, lá onde era o Studio Emme em Pinheiros (na avenida Pedroso de Moraes, próximo ao prédio da Fnac). E os tickets já estão à venda, com preços decentíssimos (milagre!), sendo que o mais caro sai por 80 pilas. Esse show sim é IMPERDÍVEL!

 Os neo psicodélicos ingleses do Temples: show dia 16 de maio em Sampa

 

 

* Você ainda NÃO ouviu a estreia do Temples? Pelamor, rsrs. Clica aí embaixo então e escuta, porran.

 

 

* E nope, sem putaria nesse post e sem dorgas também (uia!) aqui nas notas iniciais. No próximo postão sim teremos um diário sentimental erótico (ulalá!), capaz de fazer chocar as putaças mais ordinárias. Aguardem!

 

 

* E yep, tem música nova do Blur na área. Eles lançaram ontem “There Are Too Many Of Us”, que é bem legalzinha e deverá fazer parte do novo disco de estúdio deles. Ouça aí embaixo e veja o que você acha.

 

 

* Mas agora é hora de falarmos com total orgulho do grande rock que vem do Norte brasileiro. Com vocês: Os Descordantes!

 

 

DE RIO BRANCO, NO ACRE, MAIS UMA BANDA SUBLIME DO ATUAL INDIE ROCK BR: OS DESCORDANTES

Eles surgiram em Rio Branco, capital do Acre, em julho de 2010. A ideia era fazer rock mas com elementos da música regional nortista, de MPB e até do chamado cancioneiro popular brega. E foram quatro anos burilando um repertório que prima pelo excelente gosto melódico, pelos arranjos preciosos de metais e teclados e por uma poesia intensamente romântica nas letras escritas e cantadas pelo vocalista e guitarrista Diego Torres. Ao lado dele estão o tecladista Marxon Henrique, o baixista Saulo Melo e o baterista George Naylor, com quem Zap’n’roll bateu um ótimo papo esta semana e cujos principais trechos você pode conferir mais aí embaixo.

 

A banda então foi crescendo musicalmente e compôs uma batelada de lindas canções que resultaram no álbum “Espera a chuva passar”. Produzido pelo músico João Vasconcelos (ex-guitarrista de outro gigante do rock acreano, o quarteto Los Porongas, além de dileto amigo destas linhas rockers bloggers) o disco chegou antes na internet, onde foi postado na íntegra em meados do segundo semestre de 2014 na plataforma Soundcloud. A repercussão foi enorme para um grupo egresso de um Estado encravado na floresta amazônica e muito distante do centro do país. E agora em março foi com alegria que Os Descordantes finalmente conseguiram também registrar na plataforma física do cd as canções de seu primeiro trabalho de estúdio.

 

Para comemorar o fato o conjunto veio fazer uma mini turnê pelo Sudeste, com shows em São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba – depois os rapazes voltam novamente pro Norte, tocando em Porto Velho (capital de Rondônia) e na sua cidade natal, que anda sofrendo cruelmente nas últimas semanas por conta das enchentes do rio Acre.

 

O blog assistiu a apresentação deles semana passada na loja Sensorial Discos. Foi uma noite emocionante, com uma performance arrebatadora e que conquistou o público presente. E mais agora sobre eles você fica sabendo aí embaixo, lendo a entrevista que fizemos com o batera George.

Zap’n’roll “cercado” pela turma dos Descordantes, semana passada na Sensorial Discos em São Paulo: o show foi lindão!

 

Zap’n’roll – a banda acaba de lançar seu primeiro álbum, “Espera a chuva passar” na plataforma física, sendo que na verdade ele já está na internet (no serviço Soundcloud) desde o final do ano passado. Então como tem sido a repercussão dele na web e qual a expectativa de vocês agora que o cd foi lançado?

 

George Naylor – A repercussão na web foi muito boa, mas a gente sentiu que tinha dado o que tinha que dar e que só daríamos o próximo passo com esse lançamento físico. Tivemos 15mil audições do disco online e agora estamos começando o trabalhado de divulgação do disco físico. É aí que vamos sentir a real repercussão desse disco.

 

Zap – ok. E eu mesmo, admito, fui conhecer a banda apenas quando o jornalista e amigo Fábio Gomes veio comentar comigo, no final de 2014. Então para quem não conhece o trabalho dos Descordantes, gostaria que você desse um resumo da história do grupo até aqui.

 

George – essa é uma parte muito especial do trabalho, é a materialização de um sonho. O lançamento virtual é muito importante neste contexto “digital moderno”, mas menos de 40 % da população tem acesso aos links. A ideia nasceu em 2010 quando o Dito (apelido do vocalista Diego) que já tinha tocado em vários outros projetos musicais me convidou pra compor essa nova experiência que buscava na prática realizar esse passeio pelas vertentes nacionais. Começamos a ensaiar e gravamos o nosso primeiro Ep em 2012 no estúdio do produto acreano Alamo Kario. Em seguida a banda passou por uma reformulação, quando o querido Saulinho assumiu a chefia da nossa “cozinha”. Em 2140 entramos no estúdio GDmusic com a produção do nosso conterrâneo e parceiro de sonhos, João Eduardo, que contribuiu diretamente com o resultado e harmonia desse projeto musical “Espera a Chuva Passar”.

 

Zap – sim, e o disco é sensacional, pode ter certeza disso. E observo que vocês formam, ao lado dos Euphônicos e dos Los Porongas, uma tríade de bandas fantásticas vindas do Acre. O que me leva a perguntar: você considera que o rock feito hoje no seu Estado está entre os melhores da atual cena independente brasileira?

 

George – o nosso trabalho não busca nivelar qualidades artísticas. Nosso objetivo é buscar da melhor maneira possível apresentar a qualidade da música produzida pelos artistas acreanos. Nossa escola sempre trabalhou dessa forma, observando os antigos como Tião Natureza, Jorge Cardoso, Pia Vila e os nossos sempre mentores Los Porongas, assim revelado um novo cenário artístico cultural para o nosso estado.

 

Zap – bom, eu e o blog sempre fomos fãs das bandas do Norte. E como tal sempre achei uma tremenda babaquice as pessoas do Sudeste terem aquela postura arrogante e sarcástica ao fazer a pergunta, em tom de deboche: o Acre existe? Não apenas existe como está dando ao país grupos musicais melhores dos que os que existem hoje em São Paulo ou Rio De Janeiro, por exemplo. Aqui as bandas se preocupam muito em COPIAR guitarras, riffs e melodias do indie rock inglês. Já vocês possuem uma gama de referências que abarca o cancioneiro do Norte, o rock propriamente dito e até a música popularmente classificada como “brega”, na linha de Odair José, algo que fica claríssimo nos arranjos de metais em algumas faixas. É isso mesmo? Se sim, fale sobre as influências e o processo de composição de vocês.

 

George – ” O  Acre é aquilo que ainda estar por vir ” como afirmou lucidamente o gênio Gilberto Gil. O processo de criação começa sempre com o Dito apresentando as letras e depois todos construímos as músicas, seus ritmos e harmonias. Todas as nossas influências fazem grande parte do processo final do trabalho e nossos ouvidos sempre foram atentos a esses nomes como Cartola, Paulo Diniz, Zé Geraldo, Paulinho da Viola, Reginaldo Rossi e vários nomes do rock mundial.

 

Zap – com bandas acreanas, um Estado tão distante dos habitualmente principais centros difusores de cultura do país (como Rio e São Paulo), fazendo um trabalho autoral tão bacana, qual a avaliação que você da atual cena independente nacional? As melhores bandas estariam mesmo no Norte do Brasil?

 

George – acredito que o cenário nacional da música independente  vem novamente ganhando força e voltando a respirar e hoje podemos citar vários exemplos de atuais pérolas da música brasileira como o premiado disco Gira Mundo do nosso querido Daniel Groove, o trabalho do Bruno Solto, dos Porongas e vários outros artistas. Sem dúvidas o norte e o nordeste tem uma parcela significativa nesse processo.

 

Zap – certo. E encerrando: com disco agora lançado também em cd físico, quais as perspectivas do grupo para os próximos meses?

 

George – nossa ideia principal é centralizar as energias nessa turnê e conseguir da melhor maneira possível divulgar nosso trabalho. Em seguida vamos fazer o encerramento da turnê com um show beneficente em solidariedade as famílias atingidas pelas águas do rio Acre. A turnê também vai acontecer nos 22 municípios acreanos em um segundo momento.

 

 

“ESPERA A CHUVA PASSAR” – O DISCO

Nos anos 80’ o rock nacional era mainstream e havia ótimas bandas e péssimas bandas. Mas as ótimas construíram uma geração inesquecível em termos de composições perfeitas e letras que beiravam a perfeição em termos de poesia romântica ou contestação político/social. Eram tempos de Legião Urbana, Ira!, Titãs, Plebe Rude, Paralamas Do Sucesso. Depois veio o declínio já na década de 90’. E nos anos 2000’ o mainstream se esfacelou, o rock nacional em sua quase totalidade se tornou independente (ou alternativo) e o resultado é que hoje há milhares de bandas espalhadas pelo país de Norte a Sul. E poucas, muito poucas, escapam da grotesca mediocridade intelectual que domina essa cena rock independente. Então quando nos deparamos com uma banda como Os Descordantes e com um disco quase sublime como esse “Espera a chuva passar”, só podemos exultar de satisfação, com o coração e alma em alegria plena.

 

Não há uma música ruim no disco. Todas possuem um burilamento melódico precioso e arranjos precisos de metais e teclados. A voz de Diego é poderosa e ele mesmo já declarou que prefere valorizar mais a melodia do que riffs de guitarra. E sua ótima formação cultural (tanto ele quanto o baterista Naylor são jornalistas e trabalham na imprensa da capital do Acre) lhe permitiu compor versos que estão muito acima da média tosca que se ouve atualmente no emburrecido roquinho nacional. Não só: veterenos e experientes músicos da cena acreana, o tecladista Max e o baixista Saulinho completam à perfeição a formação musical da banda. Não há erros no cd, só acertos.

Capa do primeiro disco do quarteto acreano Os Descordantes: o melhor rock do Brasil hoje vem do Norte

 

Como se não bastasse, a gama de referências musicais impressiona: as faixas deambulam pelo rock mas também por MPB, música regional do Norte e até cancioneiro popular à lá Reginaldo Rossi e Odair José, como na divertidíssima “Sair Daqui”, onde os metais gritam junto com a guitarra enquanto o vocalista Diego canta “Vou te ver pra sempre/Em cada rosto que olhar/Em cada pescoço que eu beijar/Em cada canto que eu cantar”. Além dela há um festival de canções avassaladoras e arrebatadoras no disco de tão lindas e, em alguns casos, melancólicas. Escolha a sua (“Três dias”, “Hoje de manhã”, “Descrença”, “O porto e o rio”), sendo que a preferida do blog é “Não me leve a mal” (letra mais aí embaixo): a perfeição em forma de balada rock que tocaria sem parar em qualquer FM se elas burra e teimosamente ainda não fossem movidas a esquemas sórdidos de jabá.

 

É um discão que já entra tranquilamente na lista dos melhores de 2015. E os Descordantes vêm se juntar aos Euphônicos e aos já veteranos Los Porongas para compor uma tríade do que de melhor existe nesse momento no rock brasileiro. Um rock que vem do amado e distante Norte. Que vem do Acre. Com muita honra e orgulho.

 

* Para saber mais sobre a banda e ouvir as músicas do seu estupendo disco de estreia, vai aqui: https://soundcloud.com/search?q=os%20descordantes. E aqui também: https://www.facebook.com/OsDescordantes?fref=ts.

 

* Os próximos shows do quarteto são amanhã, sábado (21) no Espaço 50, em São Caetano Do Sul (grande SP), e dia 24 no Espaço Zé Presidente (na rua Cardeal Arcoverde, na Vila Madalena, zona oeste da capital paulista).

 

 

OS DESCORDANTES – UMA LETRA

“Não me leve a mal”

 

Não me leve à mal

pensei mais em ti do que em mim

pesei todos os pontos

Os bons e os ruins

Sinto muito se não deu

Pois eu acho que valeu

Ainda hoje eu guardo o retrato na minha cabeceira

Não é falta de amor

Nem é falta de carinho

Simplesmente acho que eu fico melhor sozinho

Passa o tempo e eu sinto Que nada mudou

Poderia até tentar novamente

Mas me diga, sincera

Você acha que iria mudar

Não que eu estaja contente

Vou fazendo de tudo que posso

Pra não te lembra

Madrugada chuvosa me esforço

Pra não te ligar

Não foi falta de amor

Nem é falta carinho

Mas quando bate a saudade me dói ficar sozinho

 

 

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AINDA MAIS PSICODÉLICA E GENIAL, A LUNETA MÁGICA LANÇA O SENSACIONAL “NO MEU PEITO”

Não é brincadeira: enquanto o acreano Descordantes desembarcava em São Paulo a bordo do seu sublime primeiro disco de estúdio, o também quarteto Luneta Mágica, de Manaus, disponibilizava em seu site a íntegra do seu segundo álbum, batizado “No meu peito”. Ele está lá, para audição completa, desde o último dia 16. E deve ganhar em breve seu lançamento físico. Pois trata-se de mais um lançamento arrebatador do Grande rock que se faz hoje no Norte do Brasil. A LM não se contentou apenas em manter todos os procedimentos musicais que tornaram sua estreia em “Amanhã vai ser o melhor dia da sua vida” (editado em 2012) algo assombroso e espetacular. A banda incrivelmente conseguiu ampliar e aperfeiçoar o mix de psicodelia com reverberações de Beatles, bucolismo rocker, canções pastorais eivadas de melodias perfeitas (e imiscuídas aqui e ali por arranjos estranhos e malucos, além de ambiências adornadas por ruídos e distorções), lisergia e chapações diversas, tudo emoldurando vocais harmoniosos e sobrepostos e que dão corpo e vida a letras magníficas, de tão poéticas e imagético/pictóricas. O resultado é um discaço, zilhões de anos luz de distância da imbecilidade sonora que toma conta das bandas independentes do Sudeste. Basta apenas uma audição para se comprovar isso.

 

A Luneta existe há cerca de cinco anos, sendo que inicialmente era um trio formado pelo vocalista e guitarrista Pablo Araújo e pelos multi-instrumentistas Diego Souza e Chico Hernandez, que acabou saindo do conjunto pouco tempo depois do lançamento do primeiro cd. Agora o grupo se transformou em quarteto, com a entrada do também guitarrista Erick Omena e do baterista Eron Oliveira (que já havia participado das gravações do primeiro álbum). É esta formação que registrou a nova e fodástica formada de músicas de uma banda que o blog foi conhecer no final de 2012, quando a produtora e empresária deles, a sempre fofa, meiga e mega simpática Karla Sanchez, entrou em contato com estas linhas online em busca de divulgação para a obra que eles haviam acabado de editar. O já veterano, experiente e calejado jornalista musical ouviu o link enviado por Karla, pirou no ato e caiu de amores pela Luneta Mágica. E desde então é fã ardoroso e incondicional da turma e sempre se pergunta, com todo o respeito e amor que devotamos ao Norte brazuca: como um grupo em MANAUS consegue desenvolver um trabalho artístico tão primoroso enquanto que as bandalhas de Sampa e Rio, tendo perto de si e à sua disposição os melhores estúdios do país, toda a tecnologia de ponta possível e toda a informação possível também (uma informação que, de resto e por conta da internet, circula hoje em qualquer quebrada do planeta), só produzem lixo sônico em sua grande maioria?

 

“No meu peito” exibe onze canções concisas (não há nenhuma que chegue a quatro minutos de duração) e portentosas. Da vinheta que abre e dá título ao disco até a lindíssima, algo “beatle” e mega radiofônica (em sua melodia) “Rita”, que fecha o cd, o ouvinte vai se extasiar plenamente com os eflúvios de Pink Floyd (fase Syd Barrett, of course) e Mutantes, com os arabescos de Radiohead e até com as lembranças de rock rural Mineiro, 14-Bis (!) e Clube Da Esquina (!!!), como nos jogos vocais que conduzem faixas como “Acima das Nuvens” e “Lembra?”. Já “Mantra” é psicodelia inglesa sessentista em estado puro. “Preciso” é um épico sem igual, na melodia tristíssima e na letra que é um escândalo de beleza poética, como as letras de todas as músicas aliás: “O marinheiro/desaguou no mar/sozinho a navegar/desaguou no mar”. Sustentando o poema há um turbilhão de guitarras ao mesmo tempo agônicas e em noise, como o Radiohead produziu em “Paranoid Android”.

A capa (acima) do segundo álbum de estúdio do quarteto Luneta Mágica, já sério candidato a melhor disco de rock deste ano; abaixo, Zap’n’roll e o guitarrista e vocalista Pablo Araújo no bar do Armando, em Manaus, em dezembro passado, tomando algumas brejas

 

Há muito mais. Uma fortíssima presença de personagens femininas (reais? Fictícias?) como que impulsionou o vocalista e letrista Pablo a conceber três momentos primorosos e que desvelam uma obra que beira a perfeição estética. “Lulu”, “Mônica” e “Rita” falam de três garotas/mulheres mergulhadas em um mundo de abstrações e doces (ou cruéis) onirismos, em histórias narradas através de letras que dariam bastante satisfação a Lou Reed, Jim Morrison, Van Morrison, Leonard Cohen ou mesmo Cazuza e Lô Borges. “Mônica”, inclusive, é especial para o autor desta resenha: o blog a escutou pela primeira vez há mais de dois anos, durante uma de suas visitas à capital do Amazonas. Numa noite quente de outono (sempre faz calor em Manaus, muito calor) fomos tomar umas brejas com o guitarrista Erick Omena, e dar um passeio de carro com ele pela cidade. Foi quando Erick nos monstrou um registro de “Mônica”, ainda apenas com violão e a voz de Pablo. Zap’n’roll ficou maravilhado. E hoje, escutando a mesma música em seu formato definitivo (com violões, pianos dolentes e uma melodia dionisíaca que a colocaria em qualquer programação DIGNA de rádio fm idem; mas claro, estamos no Brasil e isso não vai acontecer, infelizmente), o jornalista sempre sentimental voltou a se emocionar mais ainda.

 

É um disco AVASSALADOR, no final das contas. Já seríssimo candidato a melhor álbum de rock de 2015. E que mantém viva nossa esperança e crença de que ainda existe vida muito inteligente na cena musical independente brasileira de hoje. A Luneta Mágica continua sensacional, está melhor do que nunca em seu novo trabalho e a cena rocker manauara pode se encher de satisfação e orgulho por saber que possui um grupo dessa qualidade na cidade. “No meu peito” com certeza será lembrado daqui a alguns anos como um dos clássicos desta geração. Uma triste geração inclusive e infelizmente, que perdeu o rumo e mergulhou na ignorância em quase sua totalidade.

 

* Para ouvir o novo e fodíssimo álbum da Luneta Mágica, vai aqui: http://lunetamagica.com.br/. E pra saber mais sobre a banda, vai aqui: https://www.facebook.com/bandalunetamagica/timeline.

 

 

LUNETA MÁGICA – UMA LETRA

 

“Mônica”

 

mônica, a vida sopra forte

e aqui no norte

só o amor vai te salvar, mônica

 

amanhã a árvore da vida

ainda vai florescer

eu sei

 

mônica, teus sonhos sempre foram

o teu caminho, mônica

o teu caminho, mônica

 

amanhã a velha roupa colorida

não serve mais, mônica

eu sei

 

vi no teu quarto só retratos desbotados

vi nos teus braços só retratos desbotados

e no teu quarto só retratos desbotados

 

mônica, mônica, mônica, mônica

 

 

TÓPICO IMAGÉTICO: FINASKI, O JORNALISTA LOKER/ROCKER NO ROLÊ COM OS AMIGOS DO ROCK’N’ROLL

Com quem: Edgard Scandurra e Nasi, a dupla fundadora do gigante Ira!

 

Onde: no camarim do Audio Club, em São Paulo.

 

Quando: após showzaço do Ira! por lá, em setembro do ano passado.

 

Sobre a foto: Zap’n’roll conhece pessoalmente o guitarrista e o vocalista do Ira! há mais de três décadas. Uma longuíssima amizade que sobrevive ao tempo e acompanha a banda desde que ela nasceu, em 1981. E essa gig na Audio foi sensacional: quase duas horas e meia de show que emocionou as quase três mil pessoas que estavam lá. É por causa de grupos como o Ira! que ainda acreditamos nessa porra de rock’n’roll.

O jornalista loker e seus velhos amigos do rock’n’roll

 

 

MUSA ROCKER – A CLASSUDA E DELICIOUS CATARINENSE KARLA

Nome: Karla Souza.

 

Idade: 36 anos.

 

De: São José (região metropolitana de Florianópolis), Santa Catarina.

 

O que faz: estuda Jornalismo e é chef de cozinha.

 

Mora com: bichos de estimação.

 

Três bandas: The White Stripes, Imelda May e Dave Matthews Band.

 

Três discos: “Mothership” (Led Zeppelin), “Flashpoint” (The Rolling Stones) e “Love Tattoo” (Imelda May).

 

Três filmes: “Pulp Fiction”, “O Poderoso Chefão” e “O fabuloso destino de Amélie Poulain”.

 

Três diretores de cinema: Quentin Tarantino, Martin Scorsese e Alfred Hitchcock.

 

Um show inesquecível: U2 na turnê “360 graus”.

 

O que o blog tem a dizer sobre ela: Karlinha é tudibom, sendo que jornalista e musa se conhecem apenas VIRTUALMENTE (e lá se vão mais de cinco anos nessa amizade, rsrs). Mas sempre fomos fã da gata pela sua beleza, inteligência, cultura e por ela ser do rock e uma chef de mão cheia – ela é dona de uma confeitaria em São José. E além disso tudo se trata de uma moça classuda no último, como você pode conferir ensaio logo abaixo.

 

Então pros rapazes: Karla Souza, garota pra casar! Mesmo porque ela está SOLTEIRA, ulalá!

 A musa rocker e o Rei

 

A bocona com batom vermelho,, as unhas pintadas de preto… um convite ao delírio carnal…

Ela olha e observa em silêncio. E nós a desejamos em sonhos pecaminosos

Ar pensativo, tipo vida do cinema

 

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Discos: a estreia em cd dos Descordantes e o segundo álbum da Luneta Mágica, os grandes destaques deste primeiro trimestre de 2015 no rock independente nacional.

 

* Discos, II: o trio Bula, de Santos, já foi comentado aqui. Formado pelo guitarrista e vocalista Marcão (ex-Charlie Brown Jr.), pela baixista Lena e pelo batera Pinguim (também ex-CBJr.), o grupo exibe ótimos rocks, riffs de guitarra e melodias bem radiofônicas em sua estreia em disco. E surpresa: Marcão se revela um bom vocalista (guitarrista fodão ele sempre foi) e bom letrista, escrevendo versos acima da média do que se houve por aí atualmente e até mesmo bem melhores do que aqueles que eram cantados pelo finado Chorão. Perca o preconceito, arrisque, ouça o cd e tire você mesmo (a) suas conclusões. E se o caso for assistir a banda ao vivo, fikadika: eles tocam neste sábado em Interlagos, no festival Lollapalooza, logo no inicio da tarde. Pra saber mais sobre a banda, vai aqui: http://www.bularock.com.br/. Ou aqui: https://www.facebook.com/OficialBulaRock/timeline.

O disco de estreia da Bula: bem melhor do que o finado Charlie Brown Jr.

 

* Loja de discos: localizada na rua Alta da Galeria Nova Barão (com entrada pela rua Barão de Itapetininga e também pela 7 de abril, ambas no centrão de Sampa, próximo à estação República do metrô), a Tuca Discos tem um acervo fodíssimo de LPs de vinil, em edições caprichadas nacionais e importadas. Também não é para menos: o proprietário Tuca trampou quase uma década e meia na Baratos Afins (a loja do lendário e amado produtor Luiz Calanca), onde adiquiriu o know how necessário para tocar bem seu próprio negócio. O resultado é que a lojinha é uma das melhores que existem em Sampalândia nesse momento, para atender àqueles que cultuam um enorme fetiche pelos bolachões. O blog foi lá conhecer, achou sensacional e em breve volta a falar da Tuca Discos por aqui, sendo que você ficar sabendo mais sobre o espaço e os títulos disponíveis lá para venda aqui: https://www.facebook.com/tuca.discos?fref=photo.

 Interior da loja Tuca Discos, no centrão rocker de Sampa

 

* Festival: rola o gigante Lollapalooza Brasil 2015 neste finde em São Paulo, lá no autódromo de Interlagos, néan. Apesar do line up fraquíssimo (e já comentado aqui no post anterior), se você ainda não se decidiu a ir (o blogão zapper não vai), dá pra encarar as gigs de Jack White, Bob Plant, Kassabian, St. Vincent e mais alguns poucos. Mas na boa, estas linhas online estão mais empolgadas em esperar pelos ingleses do Temples, que tocam em maio também na capital paulista.

 

* Baladas para o próximo finde: yeeeeesssss!!! O postão zapper está sendo finalmente concluído já na quarta-feira da nova semana, dia 25. Entonces já podemos ver o que rola de bom pelo circuito alternativo de Sampa de amanhã (quinta-feira) até o finde. Começando que nesta quinta tem showzaço dos Corazones Muertos lá no Inferno Club (que fica na rua Augusta, 501, centrão de Sampa).///Já na sextona em si vai rolar a festa Dedo de Moça, organizada pela conhecidíssima (e dileta amiga zapper) dj Lu Riot, que irá acontecer na Associação Cecília (rua Vitorino Carmillo, 449, Barra Funda, zona oeste paulistana), com show do trio surf music The Dead Rocks e mais dj set da própria Lu e convidados. Bacana hein!///Sabadão em si é semrpe bom começar a noitada tomando brejas artesanais na Sensorial Discos (lá no 2389 da rua Augusta) e depois cair pro outro lado da mesma Augusta, pra ir beber Jack Honey na Tex, passar pelo open bar infernal do Outs (no 486) e terminar a noite no sempre fodástico pub rock que é o Astronete (no 335 da Augusta). Tá bão, né? Só fica em casa quem quer vestir ceroulão e dormir, uia! Então se joga, maluco (a)!

 Rock’n’roll rolando à toda em Sampa non finde que começa já amanhã (quinta-feira), com showzão dos Corazones Muertos (acima) no Inferno Club; já no sábado Jack White (abaixo, em vídeo filmado na gig de ontem em Porto Alegre) vai provavelmente fazer uma das poucas apresentações que irão valer a pena no Lollapalooza Brasil 2015

 

 

 

PROMO FODONA A CAMINHO!

Ela ainda está sendo negociada mas vai rolar! Então já começa a mandar sua mensagem desde já pro hfinatti@gmail.com, que lá vai começar a disputa por:

 

* INGRESSOS (número sendo definido até o próximo post) para o showzaço que os ingleses do Temples irão fazer em Sampa dia 16 de maio, lá no antigo Studio Emme, em Pinheiros. Já vai se antecipando no seu pedido deseseperado e boa sorte!

 

 

FIM DE PAPO

Que o postão agora ficou gigante, completão e do jeito que todo mundo gosta, certo? Semana que vem voltamos com outro inédito por aqui. E até lá deixamos beijos doces e quentes em duas garotas que ainda não conhecemos pessoalmente mas que adoramos desde já pelo que elas são e estão representando na vida do sujeito aqui, neste momento: a Angella Alves (de Sorocaba) e a Lidiana Corrêa (de João Pinheiro, Minas Gerais). E yep, em abril lá vamos nós pro amado Norte brasileiro novamente. Mas antes disso estaremos de volta aqui, podem esperar. Até mais então!

 

 

ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 25/3/2015 às 22hs.)

No dia em que o blog empreende mais uma viagem rock’n’roll, para cobrir um festival em Manaus, sai este post especial com uma radiografia do melhor rock que se faz hoje no Norte do Brasil. Mais: as notas fodásticas da semana, o arraso que foi o podcast onde o jornalista zapper foi o entrevistado, como vai ser o VMB 2012 e a reedição do texto (acrescido de mais infos e novas imagens) em que este espaço online declarou guerra à atual cena musical independente brasileira (ampliado e finalizado com complemento gigante, direto de Manaus, em 14/09/2012)

 O novo e ótimo rock do extremo Norte marca presença neste finde em Manaus, no festival Até o Tucupi, onde irão tocar bandas como o sensacional trio A Luneta Mágica (acima), descoberto jornalisticamente por Zap’n’roll, que na foto abaixo troca um dedo de prosa com o super boa praça vj China. Jornalista e vj se encontraram na última terça-feira, durante a coletiva de imprensa na sede da MTV, e onde foi detalhado como será o VMB 2012. E tanto o blog quanto China têm a mesma opinião: é preciso dar um basta no mandonismo daquela “entidade” fora do beiço, uia!

 

Correria master, por conta de viagem.
E o eterno amor pelo extremo Norte brazuca. Yep, é algo meio inexplicável mas estas linhas virtuais sempre tiveram uma paixão avassaladora por qualquer assunto que se relacione com a região norte brasileira. E isso desde que o autor deste blog era um pirralho, estudante do ensino fundamental. Zap’n’roll se lembra muito bem dessa época: eternamente apaixonado pelas aulas de Geografia e História, sonhava em conhecer a floresta amazônica, o rio Amazonas, a rodovia Transamazônica, os Estados da região etc, etc, etc. Os anos passaram, o jornalismo musical entrou em cena na vida do sujeito e ele continuou alimentando sua paixão por aquele imenso pedaço do território brasileiro. Foi assim que, balizado pela sua profissão, o zapper andarilho acabou percorrendo e conhecendo praticamente todo o Norte brazuca. O blog, nos últimos cinco ou seis anos, foi a todos os Estados (com exceção do Tocantins) da região, cobriu festivais independentes em Rio Branco (no Acre), Porto Velho (em Rondônia), Macapá (no Amapá), Boa Vista (em Roraima) e Belém (no Pará). Mais do que isso, realizou alguns de seus sonhos de infância: conheceu sim a floresta, o rio Amazonas, a cultura da região, sua população (sempre simples, humilde e hospitaleira), seus costumes e mais do que nunca se apaixonou pelo Norte, um dos pedaços mais lindos, incríveis e geniais deste grande Brasil. Uma região que encanta e emociona qualquer um, muito mais do que muitos outros países para os quais a turistada brega vive pagando pau e sonhando em visitar um dia. O Norte brasileiro é tão bacana que o autor deste blog se apaixonou por uma garota de lá – a francesa Rudja Santos, que mora em Macapá, e que acaba de se tornar mãe do pequeno Arthur (bem-vindo, rapá!) – e quase se casou com ela. E é tão bacana que, quando você estiver lendo estas linhas online, quem as ecreveu estará dentro de um busão aéreo a caminho de Manaus, para cobrir neste finde o festival Até o Tucupi, que vai rolar por lá. Assim, este post vair ser mezzo especial, dando grande e merecido destaque para o novo rock independente que se faz hoje no extremo Norte brasileiro. Uma região atulhada de ótimas bandas (como a incrível manauara A Luneta Mágica), que dão um cambau em termos de qualidade no pobrinho indie rock que se faz hoje no Sudeste do país. Bora então ler este novo post zapper, pra entender porque o Norte brasileiro – e o rock que se faz por lá – é tão apaixonante, afinal de contas.

 

 

* Nada apaixonante é a violência fora de controle que está tomando conta do país. Isso do lado da bandidagem e também do lado da Lei, néan? Se na Baixada Fluminense traficantes chacinaram sem dó seis jovens por motivo nenhum, em Sampa a ROTA foi num sítio e executou (sempre com a tese de “resistência à prisão”) nove integrantes do PCC que lá estavam reunidos. O blog, óbvio, não é e nunca será a favor da bandidagem. Mas lamenta profundamente que as polícias militar e civil brasileiras quase sempre ajam fora da Legalidade e como se fossem autênticos BANDIDOS fardados.

 

 

* Já no nosso território principal (o rock e a cultura pop, óbvio), a NME desta semana põe em sua capa o imortal Ian Curtis e o Joy Division (o símbolo máximo do pós-punk inglês). A justificativa para a capa é uma entrevista “exclusiva” com o ex-baixista do Joy (e também do New Order), Peter Hook, e onde ele supostamente conta toda a REAL história por trás do mito de Curtis. Hum…

 

 

* E no próximo dia 28 de setembro tem outro festão indie promovido pela sempre antenada produtora Playbook, em Sampa, no? Vai ser a festa de aniversário de Mr. Jack (o criador daquele bourboon delícia chamado Jack Daniel’s, uma das paixões do autor destas linhas beberronas, hihi), com baladaça no extinto Cine Metrópole (na galeria do mesmo nome, na avenida São Luis, centrão rocker de Sampa). Com shows da gata indie Ladyhawke e do grupo sueco I’m From Barcelona, além de discotecagens bacanudas (como a do nosso sempre onipresente dear Luscious R.), a parada promete ser pra lá de fervida. Os tickets pra festança já estão à venda em WWW.playbook.com.br e custam cento e quarenta mangos (preço justo, né?). E TALVEZ (estamos falando talvez…), vá pintar uma certa promo aqui em torno da esbórnia, mas isso o blog comenta melhor na próxima semana, ok?

Ela é linda, loira e “ídala” da indie generation dos anos 2000: Ladyhawke toca em Sampa dia 28 de setembro, em noitada regada a Jack Daniel’s

 

* VMB 2012, O MAIOR DE TODOS OS TEMPOS? – na opinião da MTV, sim. A direção do canal musical reuniu a jornalistada para um café da manhã na última terça-feira, para detalhar pra turma como será a premiação deste ano. Zap’n’roll estava lá, claaaaaro, e notou que há um certo excesso de pretensão da emissora quando ela afirma que a décima oitava edição do VMB vai ser a maior de todos os tempos. Ok, como já foi dito aqui mesmo semanas atrás, o nível das indicações subiu muito este ano em relação às últimas premiações. Também é ultra saudável o fato de que a novíssima cena rapper nacional está novamente em alta tanto na MTV quanto na preferência do público – estas linhas online consideram que nomes como Projota, Lurdes da Luz, Emicida e Criolo têm muito mais consistência e engajamento político e social em seu trabalho musical do que 70% da atual cena rock nacional, integrada por nomes lamentáveis como Restart, For Fun, Strike, CW7 e merdas semelhantes. Tanto que o VMB deste ano será aberto com show do Planet Hemp (com sua formação original) e encerrado com os gigantes Racionais MC’s. A mega festa está programada para durar quatro horas. E o blog vai estar lá, acompanhando tudo bem de perto, sendo que no post da semana que vem voltamos a falar do assunto, listando aqui os indicados finais ao VMB e fazendo nossos comentários sempre ácidos sobre os mesmos, uia!

Racionais MC’s, ainda o maior nome do rap nacional, fecha com show a festa do VMB 2012

 

* Falando na novíssima cena indie nacional, aí embaixo dois clips bacanudos que já circulam na web. São os novos vídeos promocionais das músicas “Telefone na Cara” (a primeira faixa de trabalho de “Rock Chiclete Dançante”, o novo ep dos graaaaandes Imitáveis, de Cuiabá, diletos amigos destas linhas online e uma das melhores bandas de garage rock/jovem guarda da safra recente da indie scene nacional) e “O Conto” (esta, mais uma faixa do incrível álbum de estréia dos Coyotes California, “Hello Fellas”). Dá uma olhada e confira que ainda existem ótimas bandas dentro do lixo no qual se transformou a cena alternativa rock brazuca.

 

Imitáveis – “Telefone na cara”

 

Coyotes California – “O Conto”

 

* Aliás, pra saber mais sobre as duas bandas, vai lá: WWW.imitaveis.com.br, e https://www.facebook.com/coyotescalifornia.

 

* Agora, “crasse” mesmo foi a participação do blog no sempre sensacional podcast “Comando Legal”, apresentado pela trinca maluca Rica Pancita, Stan Molina e Edu “Eu amo tubaína” (uia!). Rolou na última segunda-feira e foi a segunda vez que Zap’n’roll participou do podcast. E como o blogger ainda loker não é covarde, não tem rabo preso e não teme a covardia alheia (que só se torna valentona em redes sociais e através de fakes ordinários), ele soltou o verbo em quem merecia – em ratos como José Bosta Banha Podre Jotalhão Flávio Jr., Alex Fofoca Loser Antunes e Carlos Pilantra Eduardo Miranda, entre outros. Claaaaaro que o conteúdo do programa já chegou ao conhecimento do grupo de discussão da Bizz(cate) no facebook e os losers e desocupados que lá estão instalados já estão em polvorosa, soltando cobras e lagartos sobre o Comando Legal e o autor deste blog, inclusive com ameaças de ações judiciais. Uia! Só pra constar: este blog sim está acionando criminalmente o infeliz JFJr., através de um inquérito aberto em uma DP de São Paulo, por injúria e difamação – já que o sujo em questão afirmou naquele grupo de discussão torpe (que só é importante pra quem está nele), que o autor deste blog é traficante de drogas. Ele vai ter que provar isso em breve – ou vai pra cadeia, simples assim.

 

* Não ouviu a entrevista feita com o blog no Comando Legal? Sem problema, vai aqui: http://comandolegal.tumblr.com/post/31338068774/o-retorno-do-jornalista-gonzo-rocker-malocker-h-f

 

* E bora saber como anda o grande rock feito hoje em dia no extremo Norte brasileiro.

 

 

O NOVO ROCK DO EXTREMO NORTE BRASILEIRO É BOM PRA CARAJO!
E estas linhas online sabem o que estão dizendo, pois há anos cobrem festivais e a cena rock da região. Hoje mesmo, após a finalização (a toque de caixa) deste novo post, o blog está indo novamente pros lados da Amazônia. Mais especificamente para Manaus, onde vai acompanhar neste finde a edição 2012 do festival Até o Tucupi – evento produzido pelo coletivo local Difusão, e que é associado à Ong Fora do Eixo. Por isso mesmo Zap’n’roll está indo cobrir o festival (e que terá resenhas também publicadas no portal Dynamite online) por SUA CONTA, sem nenhum vínculo ou pedido de apoio de qualquer espécie ao Difusão. É melhor assim pois aí o trabalho de cobertura deste jornalista terá independência total e não sofrerá nenhum tipo de pressão.

 

A programação do Tucupi está logo mais aí embaixo. Antes, neste post especial dedicado ao novo rock da região Norte, reproduzimos texto publicado pelo autor destas linhas online há um ano, no Caderno 2 do jornal O Estado De S. Paulo (um dos quatro maiores diários do país), onde mostramos um amplo panorama do melhor rock que rola no Norte brazuca.

 

VOLUME LÁ NO ALTO

Humberto Finatti
Especial para O Estado

 

Mesmo em pleno século 21 e em tempos de internet, regiões como o extremo Norte brasileiro ainda não conseguem uma boa visibilidade para a sua intensa produção cultural no restante do País. Somente agora capitais como Boa Vista, de Roraima, e Macapá, Amapá, – com sua efervescente e novíssima cena musical jovem produz discos, promove festivais entre outras atividades – têm alguns de seus talentos apreciados pela grande mídia especializada do Sudeste.

 

A reportagem do Caderno 2 esteve nos dois municípios, para acompanhar de perto essa movimentação musical. Em Boa Vista (com cerca de 280 mil habitantes), por exemplo, se deparou com uma atuante cena formada por cerca de 30 bandas, que se dividem entre fazer um trabalho autoral e também produzir covers de gêneros como heavy metal e punk hardcore.
“O rock roraimense tem uma história que começou na década de 1980, mas que tomou forma e se organizou a partir dos anos 2000”, explica Victor Matheus, de 25 anos, vocalista e guitarrista da banda Veludo Branco, uma das principais em atividade na cidade. Além de músico, Matheus também é agitador cultural e produziu, em junho, a primeira edição do Skinni Rock Festival, que levou ao palco da unidade local do Sesc oito grupos, sendo seis do município e dois de Manaus.

 

Além da Veludo Branco, em Boa Vista diversas bandas já vêm conquistando um número enorme de fãs, como é o caso da Jamrock (que apesar do nome, produz um reggae de forte apelo pop e radiofônico) e da Mr. Jungle. Esta última, mais voltada ao hardcore, é liderada pelo vocalista Manoel Rolla, de 32 anos, também produtor cultural e um dos coordenadores da organização Canoa Cultural, um coletivo de artistas que já realizou dezenas de atividades no município. “De 2008 até agora, o Canoa já realizou mais de cem eventos, como festivais, shows, palestras, mesas-redondas e oficinas”, explica Manoel. “Trouxemos cerca de 50 bandas para tocar, algumas de outros Estados e outras já bem conhecidas na cena musical independente, como a Madame Saatan e os Los Porongas.”

 

Movimentação semelhante ocorre também em Macapá, a única capital brasileira que não possui ligação por terra com outros Estados – ali só se chega de navio ou avião. Esse “isolamento”, no entanto, não impediu que a cidade de quase 400 mil habitantes também desenvolvesse uma cena musical jovem e empolgante. Conectada, em termos de informação, ao restante do País através da internet e de suas redes sociais, e contando com entusiasmo dos músicos e apoio do poder público local, a cena macapaense hoje tem pelo menos dois nomes bem conhecidos no novo rock brasileiro, as bandas Mini Box Lunar e Stereovitrola. A primeira mistura em sua sonoridade referências da música regional local, Beatles, psicodelia, Mutantes e Arnaldo Baptista, tudo com letras em português escritas pela vocalista e poeta Heluana Quintas. A sonoridade do grupo chamou tanto a atenção que ele já foi tema de artigo na revista Rolling Stone, e deverá lançar seu primeiro disco ainda este ano.

 

Já a Stereovitrola se volta mais para as guitarras power pop e o pós-punk inglês dos saudosos Smiths, mas também com ótimas letras em português, escritas pelo vocalista Ruan Patrick. E tanto na Stereovitrola quanto na Mini Box Lunar atua o tecladista e produtor cultural Otto Ramos, de 31 anos, e coordenador do coletivo Palafita, que organiza as atividades relacionadas à nova cena musical da cidade. “Hoje, em Macapá, temos festivais, festas, programas de TV, estúdios de gravação e ensaios, workshops, sites, blogs, etc.”, conta ele. “Nada disso existia aqui há uns três anos. Agora a cena existe e está se projetando. É difícil ainda viver de arte e cultura em um Estado como o nosso, mas há ambição das bandas em crescer”, ressalta.

 

Todos desejam mostrar seu trabalho para além das fronteiras do extremo Norte. Mas não é nada fácil. A maioria dos músicos de Boa Vista e Macapá ainda precisa manter um emprego paralelo para conseguir sobreviver. Em Boa Vista, por exemplo, Victor Matheus, da Veludo Branco, é funcionário público. Já Manoel Rolla, vocalista da Mr. Jungle, dá aulas de biologia em um colégio da capital.

 

Mas nada tira o entusiasmo da turma. O isolamento territorial vem sendo quebrado graças à internet e a programas de TV como o Interferência, exibido ao vivo diariamente, por meia hora, na afiliada de Macapá da Rede TV!, e que procura manter a cena local sintonizada com as últimas novidades da cultura pop. “Ainda falta estudo e referência, saber utilizar bem ferramentas como a internet e o audiovisual”, observa Darlan Costa, de 25 anos, apresentador do programa. “Mas, mesmo assim, temos grandes bandas por aqui, como a Stereovitrola, que arrasta pequenas multidões aos seus shows.”

 

O que todos esses grupos querem é levar seu trabalho para cada vez mais perto das capitais do Sudeste. Mini Box Lunar e Stereovitrola já fizeram shows em São Paulo. A Mr. Jungle é a próxima a visitar a capital paulista, em julho. E a Veludo Branco já chegou a excursionar pelo outro lado do País, no Rio Grande do Sul.

 

A nova música jovem do extremo Norte pode se preparar para muito em breve, se seguir na mesma toada, ser a bola da vez no rock nacional.

 

* O texto original desta matéria também pode ser lido aqui: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,volume-la-no-alto,745599,0.htm

 

 

PARA OUVIR E CONHECER AS MELHORES BANDAS DA NOVA CENA MUSICAL DO EXTREMO NORTE

 

VELUDO BRANCO
De onde: Boa Vista (Roraima)
Ano de formação: 2006
Integrantes: Victor Matheus (guitarras, vocais), Veludo (baixo) e Cezar Matuza (bateria)
Discos: “Rock’n’roll”, lançado em 2010, e o Ep “Sem Mentiras”, que acaba de ser lançado e que será resenhado logo menos aqui no blogão zapper.
Sobre a banda: a Veludo Branco faz rock básico, com influências de hard e classic rock, além de blues pesado à AC/DC. Um dos destaques são as boas letras, escritas em português, pelo vocalista Victor. Em 2010 o grupo tocou em Manaus, na abertura de um show de Blaze Bayley, ex-vocalista do Iron Maiden.
Para ouvir: www.tramavirtual/veludobranco

 

MR. JUNGLE
De onde: Boa Vista (Roraima)
Ano de formação: 2000
Integrantes: Manoel Villas Boas (vocais), Rubens Ribeiro e Diego Moita (guitarras), Artur Sampaio (baixo) e Jon Nelson (bateria)
Discos: “Fazendo Rock’n’roll” (ep, 2005), “Mr. Jungle” (ep, 2006), “Rockstar” (ep, 2008) e “Mr. Rock’n’roll” (album, 2009)
Sobre a banda: da nova cena da capital de Roraima, a Mr. Jungle talvez seja a mais antiga e conhecida. O som do grupo tem como base o rock’n’roll básico, além de algo de blues e punk, e nas melodias e nas letras escritas pelo vocalista Manoel percebe-se a influência de Led Zeppelin, Black Crowes e até Barão Vermelho. Com público já mais do que cativo na cidade, o conjunto agora pretende mostrar seu som também no Sudeste. Para ouvir: http://palcomp3.com/mrjungle/#

 

MINI BOX LUNAR
De onde: Macapá (Amapá)
Ano de formação: 2008
Integrantes: Heluana Quintas (vocais), Alexandre Avelar (guitarras), Otto Ramos (teclados) e Ppeu Ramos (bateria)
Discos: Mini Box Lunar (ep, 2010)
Sobre a banda: a Mini Box é o outro grande nome da novíssima cena da capital amapaense. O nome foi inspirado nos mercadinhos locais, todos chamados de mini Box (São José, São Jorge, por exemplo). E talvez pelas suas influências sonoras, que jogam em um mesmo caldeirão Beatles, música regional, Mutantes, Arnaldo Baptista e psicodelismo, a peculiar sonoridade produzida pelo grupo já chamou a atenção da grande mídia do Sudeste, como a revista Rolling Stone, que publicou matéria sobre o conjunto no ano retrasado. A belíssima balada “Gregor Samsa” (de letra abstrata e inspirada no célebre personagem do escritor Franz Kafka) convida o ouvinte a devaneios oníricos, e poderia emplacar fácil em qualquer trilha de novela Global.
Para ouvir: www.myspace.com/miniboxlunar

 

STEREOVITROLA
De onde: Macapá (Amapá)
Ano de formação: 2004
Integrantes: Ruan Patrick Oliveira (vocais, guitarras), Otto Ramos e Wenderson Marck (teclados, sintetizadores), Marinho Pereira (baixo) e Rubens Ferro (bateria)
Discos: “Cada molécula é um ser” (ep, 2006) e “No espaço líquido” (2009)
Sobre a banda: o quinteto é um dos dois melhores grupos em atividade em Macapá e, talvez, um dos melhores nomes de todo o novo rock brasileiro. Com influências de pós-punk inglês (à Smiths), psicodelismo e indie guitar rock, além de melodias ultra radiofônicas e ótimas letras escritas em português pelo vocalista Patrick, a Stereovitrola já rodou o país (se apresentando inclusive em São Paulo) e tocaria fácil em fms, se elas não fossem obtusas e ainda movidas a… “parcerias” comerciais com as gravadoras.
Para ouvir: www.myspace.com/stereovitrola

 

A LUNETA MÁGICA
Mega revelação da cena rocker manauara, abre daqui a pouco (às sete e meia da noite já da sexta-feira, quando este post está sendo finalmente concluído, já em Manaus) a primeira noite do festival Até o Tucupi. Para saber mais sobre a banda, que já foi muuuuuito bem falada no blogão zapper sempre antenado, vai aqui: https://www.facebook.com/groups/215977935098146/. Para saber a opinião do blog sobre o trio, vá aqui: http://dynamite.com.br/zapnroll/2012/08/21/a-luneta-magica-mais-uma-incrivel-descoberta-zapper-faz-psicodelia-fodona-e-lindissima-no-meio-da-floresta-e-mostra-que-ha-excecoes-mega-bem-vindas-no-atual-lixo-indie-rock-br/

 

MALBEC
Outro dos grandes nomes da novíssima cena manaura, a Malbec (cuja parte dos integrantes fizeram parte do graaaaande Mezzatrio, um dos principais nomes da cena amazonense no início dos anos 2000) faz rock com nuances experimentais e lançou um primeiro álbum com músicas cantadas em inglês e também em português. Logo menos estas linhas rockers lokers irão falar melhor do grupo, mas se você quiser saber mais sobre eles vai aqui, onde inclusive o álbum “Paranormal Songs” está disponível para download: http://www.malbec.mus.br/

 

THE BAUDELAIRES
O “Teenage Fanclub” de Belém (capital do Pará) é, sem nenhum favor, uma das dez ou quinze melhores indie guitar bands do Brasil. Já fartamente comentado neste blog, o grupo tem dois álbuns e um ep lançados. O novo discão está a caminho e sai ainda este ano pelo selo Pisces Records, de Sampa. pra saber mais sobre o quarteto: https://www.facebook.com/pages/The-Baudelaires/288630517877034

 

MADAME SAATAN
Outro nome fodástico da cena rocker belenense (uma das mais ativas da atual cena musical independente nacional), o quarteto da linda e loira vocalista Sammliz (e também do guitarrista Edinho, do baixista Ícaro e do batera Ivan) faz rock pesado com inteligência e cérebro (algo que falta em 95% dos grupos de heavy rock), e com ótimas letras em português. Já lançaram dois ótimos álbuns e você pode saber mais sobre eles aqui: https://www.facebook.com/madamesaatan

 

 

É TEMPO DE FESTIVAIS – ATÉ O TUCUPI
Ele rola neste finde em Manaus. E o blogão zapper estará por lá, acompanhando tudo beeeem de perto. Portanto, dá uma olhada aí embaixo na programação completa do festival:

 

14 de Setembro – sexta-feira
Autoramas
Espantalho
Facada
Malbec
Elisa Maia e Euterpe
Grind
Brutal Exuberância
00:00
Luneta Mágica
Ramiro Hitotuzi
Luana Aleixo e Dj MC Fino – Intervalos

 Os mega legais grupos cariocas Autoramas (acima) e B-Negão & Os Seletores de Frequência (abaixo), são os headliners do festival Até o Tucupi, neste finde em Manaus – e que será acompanhado de perto pelo blogão zapper

 

15 de setembro – sábado
BNegão & Seletores de Frequência
Os Tucumanus
Gang do Eletro
Nekrost
Nunes Filho
Dpeids
Igor Muniz
Strobo
Karine Aguiar
Linha Rasta
Luana Aleixo e Dj MC Fino – Intervalos

 

* Locais de shows: Alameda do Samba, no Alvorada (ao lado do Sambódromo)

 

* Zap’n’roll está indo cobrir o festival por conta própria. E lá estará fazendo a cobertura do mesmo em parceria com o querido amigo e grande jornalista musical manauara Sandro Correia, um dos diretores de programação da web radio Manifesto Norte (WWW.manifestonorte.com).

 

* Mais sobre o festival, vai lá: https://www.facebook.com/events/141581889318258/

 

 

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O ROCK ROLOU EM PORTO VELHO
Yeah! Foi no já tradicional festival Casarão do Rock, que acontece já há anos na capital do Estado de Rondônia. O blogão zapper não esteve por lá (afinal, o produtor do evento, Vinícius Lemos, o “gago”, não simpatiza muito com o autor destas linhas virtuais) mas ne por isso vai deixar de registrar aqui como foi a movimentação por lá, dentro deste post especial sobre o rock na região Norte brasileira.

 

Assim, aí embaixo, publicamos um texto do músico, guitarrista, vocalista e compositor Victor Matheus Mattos (da banda Veludo Branco), que participou do Casarão 2012 e conta suas impressões sobre o mesmo.

 

DIÁRIO DE BAR: FESTIVAL CASARÃO 2012
Por Victor Matheus – www.roraimarocknroll.blogspot.com

Especial para Zap’n’roll

Power trio Veludo Branco retorna a cidade de Porto Velho, onde começou sua história, para escrever um novo capítulo no maior festival independente da região norte – O Casarão, dividindo o palco com os gaúchos do Cachorro Grande, Pouca Vogal e bandas em ascensão como Cassino Supernova (DF) e Kali e os Kalhordas (RO).

Contrariando a lógica comum para a maioria das bandas independentes do Brasil, em especial as da Região Norte, a Veludo Branco fez sua estréia oficial nos palcos do rock n’roll como um power trio em 2007, sendo a headliner e fechando a última noite do emblemático e seminal Festival Beradeiros, realizado na cidade de Porto Velho – RO e organizado na época pelo Coletivo Beradeiros. De lá pra cá foram mais 3 shows em PVh, incluindo no ano seguinte no Béra Night (evento organizado especialmente para a Veludo Branco), em 2009 pela 1ª vez no Festival Casarão, com Ratos de Porão e Pato FU e agora, em 2012 pela 2ª vez no Casarão.

Foi em Porto Velho também que a história da Veludo Branco se confunde com a vida pessoal desse blogger rocker que escreve este relato, pois foi lá que conheceu o grande amor de sua vida e que hoje é sua esposa e mãe do seu primeiro filho. Motivos não faltam para fazer dessa cidade um capítulo importante na história do power trio Veludo Branco e por essas razões nos sentimos em Porto Velho como em nossa própria casa, como se tivéssemos passado apenas um breve momento ausente de férias e voltando ao lar.

Pode parecer muito simples e prático pelas questões geográficas chegar a Porto Velho – RO, vindo de Boa Vista – RR, mas para a nossa infelicidade, a malha aérea brasileira literalmente fode a nossa vida e testa nossa paciência. Em tempo: O trecho aéreo de Boa Vista para Porto Velho faz uma escala/conexão em Manaus – AM de “adoráveis” 7 horas de espera na ida, e 6 horas na volta, um verdadeiro teste de paciência para qualquer pessoa. Felizmente cada integrante da banda veio acompanhado de sua respectiva esposa, afinal passaríamos um feriado prolongado que duraria 4 dias, então unimos o trabalho (tocar no Festival) ao passeio turístico com a família na terra da E.F.M.M., que tornou a espera menos ruim e ainda nos proporcionou uma situação no mínimo inusitada: No mesmo vôo encontramos o ex baixista da banda, Mirocem Beltrão que também passaria o feriado por lá. (Mirocem foi baixista da Veludo Branco entre 2007 e 2011 e coincidentemente veio de Porto Velho – outra razão pela cidade ser tão especial na história da banda – risos).

Chegamos quinta-feira, 06 de setembro por volta das 11h da manhã em Porto Velho, num clima “agradável” beirando os 40 graus e umidade relativa do ar abaixo de 10%. Fomos recebidos pela equipe de atendimento do Festival e levados de micro-ônibus ao Ecos Hotel, localizado no centro de Pvh e mesmo lugar de hospedagem das bandas “grandes” e convidadas de outros estados. Atendimento digno com as bandas, exemplo de respeito com os artistas e não o que se vê em muito festival por aí e aqui mesmo em Roraima, que mama nas tetas de editais públicos e nem se quer fazem o mínimo, que é colocar a banda num hotel legal e oferecer um rango bom, já que sempre exploram os artistas com as velhas desculpas chorosas da laia corporativista sangue suga pseudo colaborativa de não pagar cachê, passagens aéreas e blá blá blá. Para nossa felicidade além de ficarmos no mesmo andar do Cachorro Grande e Pouca Vogal ainda almoçamos com eles numa churrascaria incrível chamada Araguaia, com direito a rodízio e “open bar”.

O FESTIVAL

O Festival Casarão chegou a 13ª edição comemorando muito e celebrando a sua história. Foram 4 dias de eventos e um total de 21 shows, com bandas headliner de nome nacional como Cachorro Grande, Pouca Vogal e o cantor Wado, muitas bandas de Rondônia, com destaque para a poesia musical de Kali e os Kalhordas, o esporro sonoro dos cultuados Coveiros, a sonoridade psicodélica da beira do madeira da banda Beradelia, a suavidade quase ecumênica da banda Transmissor de Minas Gerais (um dos grandes destaques de todo o festival), o rock esquizofrênico e volátil do Tangherines and Elephants do Paraná, o som retro do Cassino Supernova do Distrito Federal (outro destaque absoluto do festival), o indie brega da banda Descordantes do Acre (grata surpresa) e nós, Veludo Branco de Roraima, numa verdadeira maratona musical, um banquete para os amantes da música independente do Brasil e prato cheio para os críticos e jornalistas deitarem e rolarem para o bem e para o mal.

O QUE FICA?

Retornar após 3 anos a cidade onde recebeu a Veludo Branco de braços abertos no começo de nossa carreira, nos trouxe um sentimento de novo recomeço. Reencontrar o passado no presente e projetar um futuro é algo nem sempre fácil de fazer, mas sentimos claramente nos olhos dos amigos que reencontramos em PVh de longa data, no público que nos prestigiou, nos contatos que fizemos, que vale a pena o esforço em arriscar tudo quando se tem um sonho na vida, mesmo que as vezes aconteçam revés ou críticas negativas quanto ao seu trabalho. Por incrível que pareça, o “negativo” se torna um estimulo a mais para a Veludo Branco, um novo desafio a ser superado.

Ser reconhecido pelo seu trabalho e principalmente recebido carinhosamente pelo público de uma cidade com tantos talentos, tantas bandas, lugares para tocar e festivais gigantes como é o Casarão é muito mais que pudéssemos imaginar, e enxergar o que prevaleceu em nosso legado cultivado em PVh, que vai além da música, nos dá combustível para continuar trilhando nesse caminho que escolhemos: Ser independentes e donos do próprio nariz.

Somos gratos a todos que fazem parte da nossa história, aqueles que nos apóiam, especialmente nesse novo capitulo da história da Veludo Branco ao Festival Casarão (Vinicius Lemos) por acreditar no nosso trabalho e nos dar oportunidade de retornar mais uma vez ao festival e a cidade onde nossa história começou, ao amigo pra todas as horas Fábio Gomes, que além de agente da banda é o quinto elemento dessa quadrilha do rock n’roll (risos), aos amigos que temos como família em PVh, em especial a Carol Melo que gentilmente cedeu sua “baratinha” para que pudéssemos conhecer a cidade e nos salvou de muitos apuros, e especialmente as nossas esposas por estarem ao nosso lado e apoiarem as loucuras rockers que a Veludo Branco faz.

Que venha o próximo capitulo em nossa história, o próximo show, o próximo festival, e que seja tão significante como o que acabamos de vivenciar em Porto Velho. A chama continua acesa e o amor pelo rock n’roll também.

Fecha a Conta

 

(Victor Matheus Mattos é jornalista em Boa Vista, e também guitarrista do trio Veludo Branco. Produtor cultural, em dezembro ele irá promover na capital de Roraima a segunda edição do festival Skinni Rock, que também será acompanhado de perto por este blog)

 

ZAP’N’ROLL X INDIE SCENE BR: A GUERRA ESTÁ MAIS DO QUE DECLARADA!
Este texto foi publicado há cerca de um mês aqui, nestas linhas bloggers ferozes que não têm medo de dizer o que pensa. A propósito da ida de Zap’n’roll até Manaus (onde nos encontramos desde ontem), para cobrir o festival Até o Tucupi, e TAMBÉM atendendo a alguns pedidos de leitores que queriam ver esta matéria republicada, este espaço online achou por bem postar novamente o texto. Ele segue abaixo:

 

O fato de estas linhas rockers online terem ficado em “recesso” forçado durante as últimas três semanas teve seu lado positivo e bastante reflexivo, afinal. Este tópico que foi sendo escrito na madrugada da última segunda para terça-feira (mais especificamente às três e meia da matina, enquanto a tv estava ligada no “Na Brasa” da MTV, sem áudio para não atrapalhar a concentração textual do sujeito aqui), quando o querido “bebê HP/compaq” finalmente retornou ao seu lar, talvez seja o ataque e a porrada mais virulenta que este blog já desferiu contra quase a maioria daquilo que hoje é conhecido como o rock independente brasileiro. E este ataque/porrada tem zilhões de motivos para estar sendo publicado no post que marca o retorno destas linhas zappers.

 

Não é de hoje que Zap’n’roll anda irritadíssima com a indie scene nacional atual. Como já foi dito aqui mesmo várias vezes, a democratização do acesso à tecnologia (via instrumentos e equipamentos eletrônicos mais baratos) e à informação (via internet, óbvio) foi ótimo por um lado (permitiu que muitos artistas e músicos em potencial, que antes não tinham como entrar no circuito musical e mostrar sua arte ao público, passassem a ter esse direito de maneira equânime aos que ainda trafegam no pra lá de moribundo “mainstram” musical) e péssimo por outro: criou uma autêntica monstruosidade que hoje atende pelo nome de cena musical independente nacional. Uma monstruosidade porque, devido às facilidades encontradas para a gravação e divulgação (via web, sites, blogs, portais, YouTube e os caralho) da música, hoje qualquer Zé ruela se acha artista, músico e, muitas vezes, gênio mesmo (e sem a mínima condição ou senso auto-crítico que permita ao sujeito ver, por si próprio, que ele está longe da genialidade que julga possuir). Vai daí que, cotidianamente, a internet é bombardeada por milhares de novas bandas, artistas solo e os links de suas “obras” musicais “magistrais” – que de magistrais não têm absolutamente nada, tamanha a vergonha musical alheia que trazem e propagam na maioria dos casos. E quem sofre com isso, óbvio, são jornalistas como o sujeito aqui ou produtores como o decano, conhecido e respeitadíssimo Luiz Calanca (proprietário há mais de três décadas da já lendária loja de discos e selo Baratos Afins). Ambos, jornalista e produtor, sofrem todos os dias o mesmíssimo problema: são trocentas bandas enviando links atrás de links por todo os caminhos possíveis (e-mail, Twitter, Faceboquete) e implorando (sim, não há exagero aqui, elas imploram mesmo) por um pouco de atenção e divulgação ao seu trabalho. De resto, uma atitude legítma dos artistas (correr atrás de divulgação para o seu trabalho junto a produtores e jornalistas). Mas como já bem observou Calanca tempos atrás, em bate-papo de fim-de-tarde com o autor destas linhas virtuais lá na Baratos (um dos melhores prazeres que um amante de música pode ter é passar um final de dia conversando um pouco com o Luizinho em sua loja na Galeria do Rock, no centrão de Sampa; a informação jorra farta e as risadas são garantidas), “se eu for ouvir tudo o que me enviam pela internet todo santo dia, não faço mais nada na vida”.

 

O blogão zapper começou a dar razão a Calanca quando também começou a ser bombardeado, anos atrás, com links e mais links de bandas querendo divulgar seus trabalhos. E num primeiro momento tentou ser paciente o suficiente para ouvir PRATICAMENTE TUDO o que era enviado ao blog, embora faltasse tempo hábil pra essas audições e a QUALIDADE do material enviado fosse HORRENDA em quase 90% dos casos. Esta estatística, por si só, já seria suficiente para fazer este jornalista dar um foda-se para esse povo todo mas ele continuou procurando divulgar a cena e ser simpático e respeitoso com o trabalho das bandas (ah, o zapper e seu notório coração mole…), por pior que fosse este trabalho, além de se tornar, em muitos casos, “amigo” destas bandas – e com isso, ignorar uma das principais lições deixadas pelo mestre do jornalismo musical americano, o gênio (esse sim, gênio autêntico e imortal) Lester Bangs: a de que jornalistas musicais JAMAIS devem se tornar AMIGOS de artistas. “O artista tem que ser encarado como INIMIGO”, dizia Bangs. E ele estava coberto de razão.

 

E o autor deste blog começou a entender que Bangs estava certíssimo em sua “lição” quando começou a observar outras características que hoje estão, mais do que nunca, enraizadas até o talo na porca cena rocker independente brazuca. Uma dessas características: a de que essa corja de músicos de décima categoria quer mordomia e tudo “de grátis” em sua tentativa de chegar a um pseudo e cada vez mais abstrato (nos dias de hoje) “estrelato”. Explicando melhor: estas linhas rockers bloggers se tornaram já, há meses, um dos espaços dedicados à cultura pop e ao rock alternativo mais acessados da blogosfera nacional (cerca de 70 mil visitas/mês, média de vinte e cinco comentários por post e mais de cinqüenta recomendações em redes sociais por postagem). Com esses números em mãos Zap’n’roll lançou uma campanha para vender publicidade no blog, e também ganhar algum dinheiro com ele, algo igualmente justo e legítmo. Ofereceu então banners às suas bandas “amigas”, aquelas mesmas que viviam (e ainda vivem) enchendo literalmente o saco zapper em troca de divulgação para suas músicas. O que aconteceu depois de quase três meses de tentativas de fazer esta parceria comercial/publicitária com os artistas? As mais estapafúrdias respostas negativas que o dileto leitor possa imaginar. Ou as mais clichês, também: “estamos sem dinheiro nenhum! Gravamos num estúdio caríssimo (wow!) e também produzimos um clip com um diretor fodíssimo, que custou a maior grana!” (novamente: wow!!!).

 Pitty em balada rocker com o “amigo” zapper, tempos atrás na Clash Club, em Sampa. Ela já foi mais humilde. E, pra piorar, ainda trabalha com um produtor “meia pedra” e neurado, que ameaça jornalistas de agressão sem mais nem menos

 

Felizmente o autor deste espaço online não depende do blog pra viver, senão já teria morrido de inanição. Mas o fato de ter recebido as respostas que recebeu diante da oferta de publicidade feita às bandas, só demonstrou o MENOSPREZO que a maioria delas possui pelo veículo midiático online que elas tanto enchem por divulgação. Quer dizer: enchem enquanto vêem nele a possibilidade de divulgação gratuita ao seu trabalho. Falou em GASTAR algum dindim de forma honesta e comercial na parada (em forma de anúncio), todos saem correndo e o menosprezo se instala.

 

Tudo isso somado levou o blog à seguinte conclusão (santa inocência, Batman!): não existe mesmo AMIZADE nesse mundinho indiecente que graça hoje no Brasil. O que existe é apenas e tão somente o bom e velho interesse. Como Zap’n’roll NÃO precisa desse povo (mas eles sim precisam do blog), decidimos levar finalmente em consideração a lição master do mestre Lester Bangs: a partir deste post o blog é INIMIGO de quase a totalidade das bandas da indie scene brazuca atual. Elas podem continuar enviando seus links e buscar sua justa divulgação aqui, através do e-mail do autor destas linhas online e que todos já estão carecas de saber qual é (hfinatti@gmail.com). Quando o blog achar algo realmente interessante, será comentado aqui, não se preocupem.

 

Agora, tudo o que foi escrito aqui neste tópico, até o momento, é apenas uma parte da história. A outra, final e pior ainda, se refere à insuportável arrogância e prepotência desse povo todo, algo que estas linhas zappers também vêm observando há tempos na nossa paupérrima (artisticamente falando) cena independente. Observação corrobarada nas últimas semanas por fatos algo desagradáveis e que envolveram o sujeito aqui e músicos que gravitam nessa cena medíocre – sendo que o autor deste espaço rocker blogger sempre DETESTOU gente arrogante. E continua detestando. Há cerca de quinze dias o blog foi até o StudioSP da Vila Madalena, para prestigiar o show do grupo Quarto Negro, que estava lançando naquela noite seu muito bom álbum “Desconocidos”. Tudo muito bom, tudo muito bem não fosse o fato de que havia ali muita gente que integra ou puxa o saco da Ong Fora do Eixo (uma das PRINCIPAIS RESPONSÁVEIS pelo nivelamento ao rés do chão da qualidade, ou falta dela, que se observa nas bandas nacionais atuais). Foi o suficiente para começar os ataques e “tirações de sarro” em cima do autor deste blog, que semanas antes havia metralhado os FDE durante a entrega do Prêmio Dyanmite de Música Independente, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Pois então: a temperatura foi subindo no Studio SP e o zapper que já estava ficando “mamadão” de whisky e brejas e que é notoriamente conhecido por não ser nada simpático quando está nesse estado etílico, perdeu de vez a paciência quando ouviu alguém falando, entre risos: “esse crítico de merda…”. Foi a conta pro blog dar seu contra-ataque (e assume que na atitude que tomou naquele instante foi mega ofensivo, grosseiro e agressivo com seus desafetos): ele simplesmente pegou uma cópia em vinil do disco do Quarto Negro que tinha acabado de ganhar do produtor Bruno Montalvão (que produzia a festa naquela noite e foi um lorde com estas linhas virtuais) e a atirou ao chão, pisando em cima da mesma em seguida. Sim, uma atitude destemperada do zapper barril de pólvora, mas que teve sua razão de ser. Tão destemperada e mais arrogante foi a reação dos integrantes da banda (agora formada também por membros de grupos como Pública e Bicicletas de Atalaia), que passaram a ofender ostensivamente o sujeito aqui. Curioso que um dos músicos que mais partiu para agredir moralmente este jornalista foi justamente o grande MALA Léo Mattos, integrante do tal Biclicletas de Atalaia. Mala porque ninguém mais do que ele encheu o saco de Zap’n’roll para que déssemos espaço editorial para a sua banda. Foi um final de noite tenso e mega desagradável e o blog apenas lamenta pelo Montalvas, sempre um querido por este espaço online e que ficou vivamente (e com razão) chateado com o ocorrido. De resto o show do Quarto Negro foi muito bom porque a banda é muito boa. Infelizmente a prepotência e a arrogância de alguns de seus músicos, que se acham “gênios” (sem serem) e que têm uma certa condição financeira, hã, confortável (por que será que, via de regra, quem possui estofo monetário se julga no direito de humilhar e menosprezar seus pares?), empalidece o bom trabalho musical do grupo.

Lello e Samuel Rosa, do gigante grupo mineiro Skank, ao lado de Zap’n’roll em festão do VMB, em 2009: eles tambèm não possuem um pingo da prepotência que domina hoje a cena independente nacional

 

 

Episódio semelhante rolou também na semana passada na casa noturna Beco, no baixo Augusta, quando o blog foi procurar ouvir ao vivo as canções do projeto “Agridoce”, integrado pela Srta. Pitty e por seu guitarrista, Martim. O autor deste blog sempre teve simpatia pela dupla e achava que essa simpatia era recíproca da parte deles. Não foi o que se viu por lá: todos tratando Zap’n’roll com uma prepotência de dar inveja a George Michael. Pior foi quando, após o show, o guitarrista Martim tocou Raconteurs em sua DJ set: o blog achou bacana e quis comentar com ele sobre o recente lançamento de um DVD da banda aqui no Brasil (pela ST2), com o registro de um show do grupo no festival de Montreaux, em 2008. Ao tentar mostrar o DVD para o músico o blog foi quase AGREDIDO fisicamente por um nóia escroto, que atende pela alcunha de Meia Pedra (vejam só o nível do sujeito) e que, segundo estas linhas zappers apuraram, trabalha como “auxiliar” de produção de dona Pitty e da banda Cachorro Grande. O figura não possui a mínima condição emocional e psicológica para exercer suas funções, tanto que também já arrumou confusão com um casal amigo do blog, os queridos Vandré Caldas (que é o sujeito mais pacífico do mundo) e Adriana Cristina, sócios do Simplão de Tudo Rock Bar em Paranapiacaba e onde vai rolar um bacaníssimo mini-festival de rock no próximo feriado de 7 de setembro, evento que está sendo co-produzido e apoiado por Zap’n’roll.

 

Em suma, é lamentável que tanto Pitty quanto o Cachorro Grande permitam que um tranqueira desse naipe trabalhe com eles. E mais lamentável ainda é se dar conta de que gente que anos atrás era tão humilde, simpática e generosa (Pitty, quando estava iniciando sua carreira musical, tocou na primeira edição do Dynamite Independente Festival, no Sesc Pompéia em 2003, evento produzido pelo autor deste blog. Seu “cachê” foi na base da “brodagem”: ela estava lançando seu primeiro disco e naquela época ganhou um generoso anúncio na edição impressa da revista Dynamite), tenha se tornado tão prepotente e tão “nariz empinado” e “salto alto”.

 

O blog acha mesmo incrível como essa cena de merda que hoje representa o grosso da produção musical alternativa brasileira, está eivada de prepotência. Todos se acham “gênios”, todos se consideram “rockstars”. A maioria das bandas não é nem uma coisa muitos menos a outra. Conta-se nos DEDOS (o blog vai repetir: nos dedos) os grupos que possuem realmente uma obra ultra consistente ou, no mínimo, AUDÍVEL. E, dentre estas, novamente conta-se nos dedos aquelas que além de serem ótimas musicalmente, ainda possuem integrantes que encaram a arte de fazer música como algo seríssimo, responsável e um ofício que demanda SIM HUMILDADE, SIMPATIA E GENTILEZA para com o próximo (seja o próximo um jornalista, um simples ouvinte ou seja quem for). De que adianta o Vanguart, por exemplo, continuar com um ótimo trabalho se seu vocalista, Hélio Flanders, se julga o Bob Dylan brasileiro? (e o blog zapper tem culpa nisso, assume. Muita culpa…). Falta HUMILDADE e VERGONHA NA CARA nessa turma mequetrefe. Para efeito de comparação de cenas, épocas e situações: o jovem leitor zapper pode hoje achar que o grupo mineiro Skank é uma bela droga, cafona e mainstream. Ou considerar que bandas como Legião Urbana e Barão Vermelho já tiveram seu momento e hoje não signficam mais nada para o rock nacional. Pois bem: todos eles também foram INDEPENDENTES um dia. E todos eles se tornaram GIGANTES (em uma época em que o rock nacional conseguiu se tornar gigante dentro da mega indústria musical brasileira) graças a um trabalho artístico de altíssima qualidade – existe hoje nessa cena rock alternativa ridícula, inculta, burra, sem estofo cultural e intelectual algum e de MERDA fedorenta, algum poeta do calibre de um Renato Russo ou de um Cazuza? Pois é… e mesmo assim, se tornando gigantes em número de discos vendidos e do público que ia a seus shows Barão, Skank e Legião NUNCA perderam a humildade. O autor deste blog foi amigo próximo de Renato Russo durante algum tempo. JAMAIS foi destratado por ele. Pelo contrário: num dos últimos shows da história da Legião, diante de um ginásio do Ibirapuera LOTADO (com cerca de quinze mil pessoas lá dentro), Russo dedicou uma música ao autor deste blog (“Ainda É Cedo”). Barão Vermelho? Gutto Goffi, baterista e um dos fundadores da banda é amigão zapper até hoje. Skank? Estão ricos, nunca tocam em espaços com menos de dez mil pessoas (uma multidão para a qual as bandinhas toscas da indie scene brazuca atual jamais irão se apresentar) e, mesmo assim, Samuel Rosa, Lello, Henrique e Haroldo são quatro “manés” (no ótimo sentido do termo) tamanho o respeito, carinho e simpatia com que eles tratam seus fãs e amigos – inesquecível a cena do vocalista Samuel Rosa encontrando com Zap’n’roll numa premiação do VMB, anos atrás, e gritando: “Finatti! Você é o cara!!!”.

O quarteto acreano Los Porongas “cercando” o blog, em show no clube Outs/SP, há alguns anos: eles são uma das melhores bandas do Brasil. E possuem ZERO de arrogância

Enfim,  diante de tudo o que foi escrito, explicado, exposto e detalhado aqui a pergunta que não cala é: quem é essa ceninha escrotinha rocker de hoje, pra querer se achar genial, rockstar e ter o nariz empinado até a lua? Como bem frisa o produtor Ulysses Cristianinni, proprietário da Pisces Records: “um bando de babacas que não são merda nenhuma, que vivem enchendo o saco por divulgação e pra lançar seus discos e que no final se acham a última bolacha do pacote”. Bolacha velha, ruim e mofada, claro. Essa turma deveria aprender algumas lições de humildade e simpatia com o gigante U2, um dos maiores grupos de toda a história do rock. Afinal a arrogância ABAIXO de zero e a simpatia de Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen, já é lendária.
Ulysses também tem razão em sua declaração. Por isso, finalizando este tópico repetimos mais uma vez: o blog mais do que nunca vai seguir a lição de Lester Bangs (um jornalista que se tornou lenda ao demolir mitos como Elvis Presley ou Lou Reed): bandas, a partir de agora, são inimigas deste espaço. E serão tratadas como tal. Haverá poucas exceções nesse quadro – nomes como Los Porongas (uma dos DEZ MELHORES GRUPOS em atividade hoje no Brasil e cujos integrantes, além de serem irmãos de fé destas linhas online, ainda são um exemplo de total humildade), Madame Saatan, Doutor Jupter (outro quarteto GIGANTE na qualidade musical e também na SIMPLICIDADE de seus integrantes), Madrid (Adriano Cintra, que já foi popstar internacional quando tocava no CSS, também é outro exemplo de sujeito humilde e super boa praça), Coyotes California (esses moleques da zona leste paulistana ainda vão causar muita raiva em supostos “rockstarzinhos” cu de rola que pululam pelo baixo Augusta), Stereovitrola, Mini Box Lunar e Vila Vintém (todos lá do distante Amapá), Transmissor (de Minas Gerais), Veludo Branco e Mr. Jungle (de Roraima), Nicotines e Luneta Mágica (de Manaus), Baudelaires (de Belém), Cartolas (de Porto Alegre), O Sonso e o Jardim Das Horas (de Fortaleza) e mais alguns poucos são a exceção e continuarão sendo considerados como amigos queridos por este espaço virtual, pela qualidade de seu trabalho e pela humildade que seus integrantes demonstram ter no trato com as pessoas. O resto é o resto e Zap’n’roll quer que todos se fodam, de verdade. Ponto final.

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA
* Livro: “A Ira de Nasi”, a biografia do ex-vocalista do finado grupo Ira!, e que acaba de ser lançada pela editora Belas Letras.

 A biografia de Nasi, ex-vocalista do Ira!: sexo, muuuuuuita cocaína e rock’n’roll

 

* Disco: em clima de rock  no extremo Norte brazuca, a dika do blog vai para “Paranormal Songs” (da Malbec) e “Amanhã vai ser o melhor dia da sua vida” (da Luneta Mágica), os dois álbuns das duas grandes bandas da atual cena rock de Manaus.

 

* Baladenhas em Sampa? O blog está looooonge da capital paulista, no? Mas se estivesse por aí hoje, com certeza iria para a sempre animadíssima esbórnia rocker no Astronete (lá na rua Augusta, 335, centrão de Sampalândia).///Ou entonces, cairia na já tradicional festa Glam Nation no Inferno (no 501 da Augusta), que rola no sabadão, 15 (ou seja: amanhã). Certo, manos e manas? Então boa balada aê, que o blog vai se jogar no rock aqui!

 

 

ROCKERS NOISE COM TICKETS NA FAIXA!
Claaaaaro! E não? Vai lá no hfinatti@gmail.com, que continuam em disputa sangrenta:

 

* DOIS PARES DE INGRESSOS pro Rockers Noise Fest, dia 31 de outubro em Sampa, com showzaços dos Telescopes e do Gallon Drunk.

 

 

INDO PRO TUCUPI
Bye bye, galere. Postão monstro pra ninguém reclamar! O blog agora vai enfrentar o calor e o rock manauara no festival Até o Tucupi, que terá cobertura a partir de amanhã no portal Dynamite e na semana que vem aqui no blogão zapper. O blogão que tem paixão pelo Norte, pelo rock que é feito aqui, pelos ótimos amigos que possui aqui (alô Karla, Diego, Pablo e Chico, da Luneta; alô queridaço Sandro Nine, o homem rock de Manaus; alô Victor Matheus, mega brother de Boa Vista; e alô pros queridos Carolina Cavalcanti, Rudá Jr., Dejanira, Telma, Carine e André Mont’Alverne, todos lá da bacana Macapá) e que hoje também dá as boas vindas ao Arthur, o primeiro filho da ex-girlfriend e sempre legal garota rocker Rudja (e desejando a ela toda a felicidade do mundo agora que se tornou mãe, e desejando também que a maternidade sempre a mantenha com o grande caráter e inteligência que ela sempre possuiu, e que um dia encantou o autor destas linhas bloggers sentimentais), vai pro rock. E com o coração sempre e eternamente apaixonado por umas das regiões mais incríveis deste nosso imenso Brasil. É isso aê: até a semana que vem!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti, direto de Manaus, em 14/9/2012, às 20hs.)

Bob Mould, o sujeito que “ensinou” música e guitarra para caras como Black Francis e Kurt Cobain, volta a gravar e a lançar novo disco, já seríssimo candidato a melhor de 2012. Raveonettes também novo na área. E mais uma bizarríssima história zapper: o dia em que voou e choveu (literalmente, uia!) cocaine da carteira do jornalista loki, em um festival de rock em Sampa, hihi.

O gênio Bob Mould (acima), ex-guitarrista e vocalista da lenda Husker Du, volta com um disco fodaço. E a dupla dinamarquesa The Raveonettes (abaixo), assume de vez a melancolia quase dark em seu novo e também ótimo disco 

 

Feriadão com ultra gripe.
É foda, e como! Fazia tempo que o blogger (agora quase ex, hihi) loker não ficava nessas condições. Na última terça-feira, o básico começou a atacar: espirros em profusão e garganta arranhando. Pra piorar, à noite, bate na porta da house zapper a turma bacana da banda Pronominais (Nani, Matheus e Luquinha “zica”, uia!), que está escalada pra tocar neste finde de feriado prolongado lá na primeira edição do Independence Rock Festival, no Simplão Rock Bar (em Paranapiacaba, sendo que você vai ler mais a respeito aí embaixo, acompanhando estas linhas online que começam agora), com apoio cultural do blog. “Bora tomar umas brejas e um vinho, e combinar os pormenores pro show”, intimou Lucas. E o blogger fã de um bom vinho foi, claro. Foi o suficiente pra anteontem, quarta, o sujeito aqui ficar total fora de combate. Tão fora de combate que ele só teve coragem de começar a escrever o post desta semana no final da tarde de ontem, já no feriadão. Mas afinal cá estamos, néan? E numa semana que se mostrava pouco agitada no meio pop/rock planetário e na cultura pop em geral, até que o novo postão da Zap’n’roll se sai bem, afinal de contas. Pois não é toda semana que estas linhas online ouvem um discaço como estão ouvindo esta semana (e isso está cada vez mais raro de acontecer nos dias atuais, ouvir um álbum novo que é absolutamente fodástico do início ao fim), e que já compete com o “Blunderbuss”, do Jack White, ao posto de melhor cd de rock de 2012. Qual é este trabalho? O novo solo de um gênio chamado Bob Mould. Já lembrou quem é ele? Não? Então bora ler o blog mais legal da web brazuca, que você já vai se lembrar. É o som que este virtual está ouvindo nesse instante, enquanto digita estas linhas no note e fica na torcida pra que a gripe, afinal, vá embora o mais rápido possível pois estamos no sabadão já e logo menos iremos nos mandar pra Paranapiacaba, pra esquecer um pouco do inferno urbano de Sampalândia que todos nós amamos mas que também nos sufoca em vários momentos da nossa vida.

 

 

* E anteontem (quinta-feira) foi noite de entrega do VMA 2012 lá nos EUA. O grande vencedor da premiação foi a boy band britânica One Direction, que levou três troféus. São os tempos atuais da música pop: cada vez mais rápida, rasteira e descartável. Ou você acha que alguém vai se lembrar desse One Direction daqui a alguns meses?

 

 

* O próprio VMA desse ano estava pavorosamente chato. O blog começou a assistir a premiação e mudou de canal uns vinte minutos depois. Não dava pra suportar a chatice da festa.

 

 

* Ainda no terreno da tv e do noticiário pop mais leve (uia) ou, hã, erótico (ops!): a loiraça putaça cadeluda Denise Rocha, a hoje célebre ex-assessora parlamentar que foi defenestrada do cargo depois que um vídeo “educativo” seu foi parar na web, apareceu no programa do Jô, na última quarta-feira. O que poderia render uma ótima entrevista (com revelações bombásticas sobre bastidores do poder e as putarias que rolam por lá), acabou se transformando em uma ladainha chorosa sobre como a moça é “casta”, “pura” e como seu ex-namorado foi sacana, postando o vídeo na internet, sem o consentimento da moçoila. Ahã. Fora que, pra quem é formada em Direito, ela se expressou bem mal (com timbre vocal de um travecão, hihihi). No final das contas, miss Rocha se deu bem nessa parada: deve ter levado uma bolada gigante da revista Playboy, onde ela estampa a capa da nova edição. Só que, pelo visto na palhinha que o blog publica aí embaixo, não é difícil chegar à conclusão de que é melhor ver o vídeo da vagaba em ação (ele ainda está na web, e de grátis) do que gastar grana comprando a revista, uia!

Essa cadeluda e putíssima vaca loira se deu bem, hihi: após dar aula de trepação em vídeo que foi parar na web, Denise Rocha foi parar na capa da Playboy (acima), em ensaio (abaixo) que no entanto deve perder longe em termos de impacto, para o vídeo “educativo” estrelado pela moçoila, uia! 

 

 

* Ah sim: o zapper sempre atento comentou o assunto também em sua página no faceboquete, inclusive postando lá a sequência de fotos extraídas do vídeo da loiraça belzebu e fodedora. Não deu outra: o post foi retirado do ar pelo Face e o sujeito aqui teve sua conta bloqueada por vinte e quatro horas, para novas postagens. Também, esperar o quê de uma rede social de merda, reacionária e conservadora, e que foi criada por um judeu branco americano, classe média (hoje não mais: o moleque tá bilionário) e ultra careta? Ou seja: estamos teoricamente numa democracia. Mas o Facebook se esquece disso e age como um ditador. Lamentável, pra dizer o mínimo.

 

 

* Melhor que a xota loira vacuda que trabalhou na Câmara em Brasília é Lana Del Ray, óbvio. Ela canta. E encanta os machos. E é a mulher do ano, segundo a GQ britânica. Ela merece. Ou não?

 Miss Lana Del Ray, sonho de consumo de machos mundo afora: peladinha na capa da GQ britânica, que a elegeu “mulher do ano”. Ela merece!

 

 

* Mais vídeos de putaria no mondo pop a caminho, uhú! Agora são dois ex-funcionários da xoxotuda Shakira que ameaçam divulgar imagens na web, onde a cantora aparece sendo bem fodida pelo namorado em um iate. A moda tá pegando, ouxe…

 

 

* Bien, blog sendo escrito (e postado) em pleno feriadón. Então está tudo mais calmo, digamos assim. Melhor portanto enfrentar esse calor ouvindo um discão, de um sujeito que ainda faz a diferença no rock’n’roll americano e planetário. Vai lendo aí embaixo, pra você saber de quem se trata.

 

 

BOB MOULD, O GÊNIO DO HUSKER DU, RESSURGE EM DISCO MONSTRO
Boa parte do dileto e muito jovem leitorado zapper talvez já não se lembre mais, ou nem saiba o que foi o Husker Du. Trio essencial para todo rock planetário que importa nas últimas três décadas, o grupo encerrou suas atividades há vinte e cinco anos. No entanto seu vocalista, guitarrista e principal compositor, Bob Mould, continua na ativa até hoje. E acaba de lançar seu novo trabalho solo, “Silver Age” – que saiu oficialmente na última terça-feira nos Estados Unidos, e pode ser facilmente achado na internet. O disco é monstro e o blog não para de ouvi-lo há alguns dias. Finalmente Jack White e seu fodástico “Blunderbuss” encontraram um concorrente à altura, na disputa pelo título de melhor álbum de rock de 2012.

 

Mould está com cinqüenta e um anos de idade e sua história musical começa com a do Husker Du, em 1979, em Minneapolis, quando Bob (então um pirralho estudante do ensino médio) trabalhava em uma loja de discos. Num belo dia adentraram na loja a dupla Grant Hart e Greg Norton, e os três começaram a papear sobre rock’n’roll. A identificação foi imediata e daí para montar a banda foi um pulo, com Mould nas guitarras e vocais, Norton no baixo e Grant na bateria. A estréia em disco se deu em 1983 com o álbum “Everything Falls Apart” e nele o Husker Du já mostrava o que seria sua marca registrada: uma sonoridade rápida, crua e punk, de guitarras furiosas mas tudo envolto em melodias ultra pop e com letras versando sobre problemas emocionais. A crítica adorou, os fãs foram aumentando e o conjunto acabou indo parar no cast da gigante Warner. Foi lá que o trio lançou uma sequência de trabalhos espetaculares, entre eles o álbum duplo “Zen Arcad” (de 1984), “Candy Apple Grey” (editado em 1986) e “Wirehouse – Songs & Stories” (de 1987). Sendo que os dois derradeiros chegaram a ser lançados naquela época no Brasil, em vinil que Zap’n’roll guardava carinhosamente, em sua gigantesca coleção de discos.

 

A banda chegou a fazer razoável sucesso de público e vendas nos Estados Unidos. Egressa da cena independente, conseguiu ir parar em uma major do disco sem alterar em um milímetro sua proposta musical. Efetivamente o Husker Du é considerado meio que “pai” dos Pixies e do Nirvana, e ambas as bandas sempre citaram o trio de Bob Mould como sua influência principal. Só que tudo que é ótimo sempre dura pouco, não é? No auge do sucesso tanto Mould quanto o batera Grant Hart começaram a brigar pesado, em discussões alimentadas pelo ego descomunal de ambos e pela enfiação gigantesca de pé na lama em drugs. Não tinha como ser diferente: em 1987, durante a turnê de “Wirehouse…” o pau comeu feio entre ambos. Foi o fim do Husker Du.
Dos três, Bob e Grant seguiram na música – o baixista Greg Norton, vejam só, se transformou em… chefe de cozinha. E Mould ainda montou o igualmente fodástico grupo Sugar e depois seguiu em uma produtiva carreira individual, ao mesmo tempo em que assumia sua homossexualidade e tentava de livrar do vício em heroína.

Capa do novo álbum de Bob Mould: o disco é monstro!

O último e mais recente capítulo dessa carreira solo é este “Silver Age”, que já toca feliz no note zapper há vários dias. O álbum é um escândalo, uma autêntica cacetada que une guitarras distorcidas e em disparada furiosa a melodias pop e perfeitas, bem ao estilo do Husker Du e do Sugar. O vocal de Mould não mudou com o passar dos anos – pelo contrário: ele parece mais sólido e menos desafinado que há duas décadas e meia. As músicas então beiram o sublime: são instantâneos velozes e concisos (o disco todo não chega a durar quarenta minutos), discorrendo sobre a vida, dores emocionais e a insensibilidade que domina a existência humana nos dias que correm. “Star Machine” é o power pop furioso que abre o cd, escancarando amplas avenidas para a guitarra de Mould avançar e derrubar tudo que encontra pela frente. Daí pra frente nos deparamos com mais canções devastadoras (“Fugue State”, “The Descent”, a própria faixa-título) mas ainda assim de incrível apelo radiofônico (como “Angels Rearrange” ou a linda “First Time Joy”, o momento “sweet ballad” e que fecha o álbum deixando no ouvinte a incrível vontade de ouvir tudo novamente e de imediato).

 

Em um mundo onde não existem mais heróis de verdade no rock, Bob Mould pode ser considerado um gênio. Um autêntico guitar hero que escreve músicas com uma potência e perfeição melódica absurdas. Bandas escrotas do indie rock gringo (e daqui também) venderiam a mãe pro Diabo e dariam o cu a seco (sem vaselina), pra compor um único riff de guitarra igual aos que Bob dispara com desenvoltura em suas canções. E o mais curioso dessa parada toda é que um disco MONSTRO como esse e que acabou de ser lançado, passou absolutamente “batido” por boa parte de sites e blogs da nossa web “muderninha” dedicada à cultura pop – uma resenha pequena foi publicada há pouco no Rock’n’beats, e o nosso sempre dileto “inimigo cordial” André Barcinski escreveu um  texto sobre o Husder Du no seu blog há alguns dias, mas sem mencionar o lançamento deste “Silver Age”. O mesmo aconteceu com a Jukebox, do portal Dynamite, que inclusive em seu último post fala do novo álbum dos Vaccines (em uma clara tentativa de deter um olhar mais preciso também ao que rola no rock atual, ao invés de ficar apenas aprisionada no classic rock e similares), mas passa despercebido pelo discaço do ex-Husker Du.

 

Talvez nós jornalistas musicais não tenhamos mais função no mundo, rsrs – estas linhas online,vão admitir, tomaram conhecimento do álbum de Bob através de um toque de um amigo virtual, lá no faceboquete. E logo em seguida fomos atrás de ouvir o discão. Ou, como diria a resenha do Allmusic: “trata-se de um rei exilado reclamando sua volta ao trono”. É bem por aí. Pois se depender de “Silver Age”, a volta do rei Bob Mould está garantida.

 

 

O TRACK LISTA DE “SILVER AGE”
1 – Star Machine
2 – Silver Age
3 – The Descent
4 – Briefest Moment
5 – Steam Of Hercules
6 – Fugue State
7 – Round The City Squire
8 – Angels Rearrange
9 – Keep Believing
10 – First Time Joy

 

 

BOB MOULD AÍ EMBAIXO
Em dois vídeos: o primeiro da faixa “The Descent”, single de trabalho do álbum “Silver Age”. E o outro, do mega clássico  “Could you be the one”.

 

 

 

A DUPLA RAVEONETTES ASSUME DE VEZ SUA MELANCOLIA QUASE DARK
Dos grupos mais bacanas surgidos no novo rock alternativo dos anos 2000, o duo dinamarquês The Raveonettes (formado pelo compositor, guitarrista e vocalista Sune Rose Wagner, e pela delícia loira Sharin Foo, que também canta e toca baixo) é uma raridade nestes tempos de carreiras musicais ultra efêmeras no mondo pop. Formada em 2001 em Copenhague, a dupla já lançou sete bons álbuns de estúdio. E o mais recente, “The Observator”, já circula há alguns dias pela web – seu lançamento em lojas nos EUA e na Europa acontece no próximo dia 11 de setembro (data cabalística, no?).

 

 

E não deixa de ser mega curioso a mudança de rumos musicais na trajetória da banda. Os Raveonettes (que estas linhas bloggers rockers adoram, sendo que tivemos o mega prazer de assistir a dupla ao vivo, em um showzaço há uns três anos na chopperia do Sesc Pompéia, em Sampa), todo fã de rock contemporâneo sabe, começaram fazendo noise rock à la Jesus & Mary Chain mas com melodias e vocais à moda garage sessentista. Isso rendeu dois álbuns (os dois primeiros) espetaculares e ajudou Sune e Sharin a estabelecer um ótimo padrão de qualidade e respeito junto à crítica e aos fãs. Os discos continuaram sendo gravados e lançados e eis que, a partir de “Lust Lust Lust” (editado em 2007), o duo deu uma guinada quase radical em sua estética sonora. Os Raveonettes, de repente, se tornaram musicalmente sombrios e melancólicos – mas ainda assim fazendo uso de guitarras em noise e de melodias bastante concisas.

 

 

O novo capítulo desta mudança é este “The Observator”. Nele os dois músicos aprofundam e amplificam as ambiências melancólicas, como se não houvesse mais alegria no mundo dos Raveonettes. E, melhor ainda, essa tristeza e esse clima sombrio, quase dark, resulta em canções avassaladoramente belas. É o caso, por exemplo, do primeiro single do disco, “Observations”, de melodia lenta e construída por uma sólida execução pianística – fora que a música ganhou um vídeo igualmente belíssimo e sombrio, como você pode ver mais aí embaixo.

 O novo disco dos Raveonettes: melancólico e quase dark

 

E além de “Observations”, há outros momentos sublimes no cd: “Young And Cold” (o título já sugere o estado de espírito da música) abre o disco em tom de lamento, como se os vocais remetessem a lembranças de um tempo que foi bom mas que não existe mais. “Curse The Night”, “The Enemy” e “Downtown” (esta, um pouco mais acelerada e “alegre”, até onde isso é possível dentro da concepção do trabalho), todas seguem mais ou menos o mesmo padrão e conferem ao álbum uma unidade bacana, difícil de se encontrar em lançamentos atuais.

 

 

Os Raveonettes gravaram o disco em Los Angeles, nos mesmos estúdios onde os imortais Doors registraram boa parte de suas obras-primas. Se isso influenciou ou não no resultado final, é um detalhe. O fato é que este “Observator” mantém a dupla dinamarquesa como uma das – poucas – bandas de rock alternativo dos dias que correm, que continuam valendo a pena ouvir.

 

 

O TRACK LIST DE “OBSERVATOR”
1.”Young and Cold”
2.”Observations”
3.”Curse the Night”
4.”The Enemy”
5.”Sinking With the Sun”
6.”She Owns the Streets”
7.”Downtown”
8.”You Hit Me (I’m Down)”
9.”Till the End”

 

 

E A DUPLA AÍ EMBAIXO
No vídeo da bonita e sombria “Observations”, o primeiro single do álbum “Observator”.

 

 

 

MINI DIÁRIO SENTIMENTAL – MONTANHA DE NEVE NA CASA DO NASI E CHUVA DE PADÊ NO PLANETA TERRA, UIA!
Um dos assuntos que movimentou a cena rock brazuca esta semana foi a notícia do lançamento da biografia do cantor Nasi, ex-vocalista do saudoso Ira!, um dos nomes mais importantes do rock nacional dos anos 80’. “A Ira de Nasi” foi escrita a quatro mãos (pelos jornalistas Mauro Beting e Alexandre Petillo) e será lançada pela editora Belas Letras nesta segunda-feira.

 

Zap’n’roll ainda não leu o volume mas irá fazê-lo o mais breve possível. Mesmo porque achou interessantíssimo o texto publicado a respeito da bio na última segunda-feira, na capa da Ilustrada da FolhaSP. Na matéria, escrita por mr. Barcinski (nosso sempre dileto “inimigo cordial”), Nasi relembra como sua casa se transformou, em determinada época de sua vida, na “Meca da cocaína” e onde figuras ilustres como Nick Cave e Sebastian Bach, ex-vocalista daquele horrendo metal farofa chamado Skid Roll(a), iam para “deitar a napa”, uia!
Fato que trouxe recordações ao sujeito aqui, claaaaaro: o blogger loker também chegou a freqüentar a tal “Meca da cocaine” no início dos anos 90’. Foi em algum dia de 1993 quando o Ira!, então atravessando uma de suas piores fases artísticas e comerciais, tinha acabado de lançar o álbum “Música calma para pessoas nervosas” – que não vendeu porra nenhuma e encerrou o contrato da banda com a gravadora Warner. O sujeito aqui, que também não estava na sua melhor fase profissional, tinha acabado de começar a colaborar com a revista Dynamite. E sugeriu entrevistar Nasi, que conhecia de velhos carnavais. “Beleza, manda bala”, aceitou o sempre querido “tio” André Pomba, eterno e-ditador e Publisher da Dyna.

 

Pauta confirmada, data e hora da entrevista marcadas, o zapper sempre zeloso dá uma última telefonada pro vocalista, informando que estava indo pra casa dele (um sobrado perto da Usp, na zona oeste paulistana). “Ok, pode vir”, disse Nasi. “E você não consegue trazer um baseado? É que eu to sem e…”. Zap’n’roll: “Pô, também não tenho, você sabe que sou mais chegado nas narigadas, rsrs”. Nasi: “é verdade, rsrs. Bom, se manda pra cá que tenho uma surpresa pra você!”.

Zap’n’roll, loker como sempre, era bem agitadón anos atrás (nas duas fotos acima, o jornalista brinca de dj “enjaulado” e entrevista seus amigos do grupo Ira! no final do ano 2000, no escritório da produtora da banda; sete anos antes, rolou a padelança cruel na casa do vocalista Nasi, uia!). Abaixo, o blog junto com o amigão Wlad Cruz (do portal Zona Punk), na sala de imprensa do festival SWU 2011, em Paulínia. Anos antes, em outro festival, Wlad presenciou uma autêntica “chuva de padê”, voando da carteira do jornalista rocker doidão, hihi

 

 

E lá se foi o zapper doidón (bastante doidón ainda, naquela época). Chegando ao sobrado, foi recebido com simpatia pelo velho chapa. Ambos imediatamente subiram para o andar de cima e foram para um dos quartos, onde havia dezenas de discos de vinil escorados nas paredes e onde seria realizada a entrevista. Seria, porque não houve a dita cuja no final das contas. Ou houve: assim que ligou o mini-gravador pra começar o ping-pong o jornalista foi surpreendido por Nasi, que tirou debaixo da cama um prato onde havia (literalmente) uma montanha de pó branco. “Taí a surpresa que eu te falei”. Não dava pra acreditar, rsrs. As carreiras começaram a ser esticadas e aspiradas pela dupla, enquanto um autêntico diálogo “samba do crioulo doido” se instalava entre ambos e era registrado pelo mini-gravador. Quando o padê acabou, bateu o desespero por mais. E acabou também a “entrevista”.
Não deu outra: quando chegou em casa e foi ouvir o que estava gravado na fita, o jornalista loker ficou pasmo: não havia nada aproveitável no “diálogo” entre músico e repórter – parecia mais uma conversa incompreensível entre um marciano e um jupteriano. A entrevista, óbvio, teve que ser remarcada (e sem cocaine dessa vez). E a matéria felizmente acabou sendo publicada na edição impressa da revista Dynamite.

 

Quinze anos depois do episódio de devastação nasal na casa de mr. Nasi, foi a vez de (literalmente) chover padê no festival Planeta Terra. Foi na edição de 2008, em um longínquo espaço na zona sul de Sampa, próximo à Marginal do rio Pinheiros, quando tocaram entre outros a lenda Jesus & Mary Chain, e mais Kaiser Chiefs etc. Zap’n’roll como de hábito, estava credenciado para a grande esbórnia rocker. E resolveu que precisava ir pra lá devidamente “abastecido” do “produto”, hihi. Foi em busca de dois “pinos” de cocaine e se mandou pro festival. Lá chegando, começou a intercalar narigadas com visitas à sala de imprensa onde (voilá!) havia cerveja à disposição da jornalistada. E onde estava também o sempre querido “gordito de nosso corazón”, Wlad Cruz, o homem que comanda o portal Zona Punk. O autor deste blog nunca havia parado pra bater um papão com Wlad e ali estava a oportunidade pra isso. E foi então que, entre um gole e outro de cerveja, o blogger maloker tirou sua carteira do bolso pois queria pegar um cartão onde pudesse anotar o número de telefone que Wlad queria lhe passar. Não deu outra: um dos pinos de padê estava justamente na carteira. E tinha aberto involuntariamente. Segundo Wlad se recorda (sempre às gargalhadas), “a carteira abriu e foi aquela chuva de cocaína. Voou padê pra todo lado, literalmente”. Uia!

 

Moral dessas duas histórias: a) nunca faça uma entrevista dando tecos em “farinha”. O resultado da gravação pode ser desastroso; b) nunca coloque um pino mal fechado de padê em sua carteira. Você pode fazer nevar em plena sala de imprensa de um festival de rock, hihi.

 

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA
* Discos: os novos do Bob Mould (“Silver Age”) e dos Raveonettes (“Observator”), dois CDs bacanudos pra você ouvir e curtir no feriadão.

 

* Filme: “Cosmópolis” entrou em cartaz ontem nos cinemas paulistanos. É o novo longa do algo demente diretor David Cronenberg (o homem que já deu ao cinema longas como “Scanners” e “A mosca”), de quem o blog sempre foi fã. Fikadika então pra quem quer pegar um bom filme neste finde.

 

* Fest Rock em Paranapiacaba: yeah! Começou ontem (sextona em si) e continua hoje, no Simplão Rock Bar, lá na linda e bucólica Paranapiacaba, a primeira edição do Independence Rock Festival, que tem curadoria do blog e sendo que vamos atacar de DJ por lá hoje, wow! Na parte dos shows, destaque pro ótimo Doutor Jupter (que também se apresenta um pouco antes, agora no final da tarde, lá na Galeria Olido, colado na Galeria do Rock, no centrão de Sampa), que vai fechar a balada já na madrugada tocando seu incrível folk rock. Vai perder? Não, né? Então se manda pra Paranapiacaba que ainda dá tempo!

Doutor Jupter e seu ótimo folk rock animam festival em Paranapiacaba, hoje à noite 

 

* Baladíssimas no feriadão? Pra quem ficou em Sampalândia sempre rola algo bacana, no? Pois então se manda pro Inferno (opa!), lá no 501 da Augusta onde hoje tem showzaço dos americanos do Red Fang às seis da tarde. Depois, na madruga e no mesmo Inferno, rola mais uma edição bacana da festona oitentista “Pop&Wave” e que hoje vai contar com super especial dos inesquecíveis Smiths.///Fora isso tem o Astronete, né? Sempre bombado e sempre cheio de xoxotas rockers lokas e deliciosas, também lá na Augusta, no 335. Então escolha sua melhor balada, faça aquela produção no capricho e se jogue com tudo porque a vida é curta, rapá!

 

 

ROCKERS NOISE FESTIVAL NA FAIXA!
Yes! Os pedidos estão se avolumando cada vez mais mas ainda há chances pra quem não mandou e-mail e tá marcando na parada. Se esse é o SEU caso, acorda e vai lá no hfinatti@gmail.com, pra tentar a sorte e ganhar:

 

* DOIS PARES DE INGRESSOS pro Rockers Noise Festival, que rola dia 31 de outubro em Sampa, no Espaço Victory (na Penha, zona leste paulistana), com showzaços dos ingleses Telescopes e Gallon Drunk. Corre lá no e-mail e boooooa sorte!

 

 

E FINDE NÉ?
Que o postão tá de bom tamanho, com ótimas resenhas e histórias divertidas como sempre. Agora, em pleno sabadón, o blogger eternamente rocker vai se mandar pra Paranapiacaba e curtir a noite de hoje por lá, discotecando no Independence Rock Festival. E semana que vem estaremos em Manaus, conhecendo a cena rock local e cobrindo o festival Até o Tucupi. Até lá o blog deixa beijos e abraços na mega querida Silvia Ruksenas (que fez aniversário ontem) e nos mega fofos e meigos Diego Souza e Karla Sanchez, que chegaram ontem em Sampa e curtem o feriado aqui até a próxima terça-feira.

 

Beleusma? Até o próximo post zapper então!

 

 

(enviado por Finatti às 17hs.)