AMPLIAÇÃO FINAL EXTRA!!! Informando OFICIALMENTE a data e local da mega festona de quinze anos do blog zapper, falando do show (com ingressos esgotados) do Ira! semana que vem no Sesc Belenzinho em Sampa, e muito mais! – Novo postaço zapper no ar! E em edição especial sobre o pós punk inglês dos anos 80 e também dos anos 2000, o blog analisa em detalhes o novo discão do grupo Interpol, além de celebrar os quarenta anos de existência de dois gigantes da história do rock, os ingleses do Echo & The Bunnymen e do Bauhaus; mais: a “invasão” da armada brit oitentista que vai acontecer no Brasil (e em Sampa, claro!) de setembro a dezembro, os livros sobre o gigante Lula que foram lançados, o grande HORROR golpista político e jurídico no país às vésperas das eleições presidenciais, e mais isso e aquilo tudo no espaço blogger que é campeão na blogosfera BR de cultura pop já há quinze anos! (postão gigantão totalmente ampliado e finalizado em 6-9-2018)

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Em mega postaço especial sobre o pós punk, o blogão zapper analisa em detalhes o novo discão do trio americano Interpol (acima), além de falar dos quarenta anos de existência de um dos maiores nomes do rock mundial em todos os tempos, o inglês Echo & The Bunnymen (abaixo)

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MAIS MICROFONIA – AGORA VAI! A MEGA FESTA DE QUINZE ANOS DA ZAPNROLL ACONTECE MÊS QUE VEM EM SAMPA, NO SESC BELENZINHO, UHÚ!

O site e blog de cultura pop e rock alternativo mais legal da web BR chega a uma década e meia de existência. E para celebrar, vai ter uma comemoração à altura da data! No próximo dia 19 de outubro, sexta-feira, a partir das 9 e meia da noite, a comedoria do Sesc Belenzinho na capital paulista, recebe dois showzaços dos grupos Saco De Ratos e The Dead Rocks, que vão tocar o puteiro e o terror rocker para festejar o niver zapper. Bora lá!

E após a maratona rock ao vivo no Sesc, ainda vai rolar uma after party show no Clube Outs (localizado na Rua Augusta, 486, no centro de Sampa), com dj set especial do blog, a partir da uma e meia da manhã. O Outs também existe há 15 anos, é o último reduto rocknroll da cena alternativa noturna do baixo Augusta e vive lotado nos finais de semana, graças ao vitorioso sistema open bar (pague um preço fixo e beba até cair!) implantado pela casa há quase 5 anos. Não dá pra perder!!!

Quem vai fazer a festa e tocar o puteiro e o terror rock no Sesc Belenzinho:

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***Saco De Ratos – a banda de blues rock existe há mais de uma década e já gravou quatro álbuns. É um dos destaques da cena independente brasileira e paulistana e cujo vocalista e letrista, o escritor, poeta e dramaturgo Mário Bortolotto, é um dos destaques da cena literária marginal brasileira há mais de vinte anos. Mais sobre eles aqui: https://www.facebook.com/BANDA-SACO-DE-RATOS-121151831228419/?fb_dtsg_ag=AdwjGDA39anTwQWKwrhAh9__oSTdyWkXiqrbKrZ85SIvOw%3AAdwCc08wU0iZzIGbX9yn0oKlNzZ99N-e7nKKtr2TNScTbA.

 

***The Dead Rocks – O trio baseado no interior paulista (na cidade de São Carlos) existe há uma década e meia e nesse período se transformou num dos principais nomes do estilo surf music no rock alternativo brasileiro. Compondo apenas temas instrumentais e com quatro discos editados, a banda alcançou tanto prestígio para o seu trabalho musical que já excursionou pela Europa e Estados Unidos, onde também lançou alguns EPs e participou de coletâneas com músicas de sua autoria. Não tocam na capital paulista há um bom tempo já, de modos que será uma ótima oportunidade para os fãs da cidade se reencontrar com o grupo ao vivo ou para conferir a potência sônica deles no palco pela primeira vez. Mais sobre eles aqui: https://www.facebook.com/thedeadrocks/.

 

Ingressos à venda em breve no site do Sesc Belenzinho, aguardem! E tudo sobre o festão você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/460162691145863/?active_tab=about.

 

***E SEMANA QUE VEM TAMBÉM NO SESC BELENZINHO TEM IRA! – Conforme estas linhas zappers imaginavam os ingressos para os dois shows que o Ira! irá realizar no final da semana que vem (dias 14 e 15 de setembro, sexta-feira e sábado), na comedoria do Sesc Belenzinho (unidade da entidade que fica no bairro do Belém, zona leste de Sampa, aliás como todas as unidades do Sesc esta também é sensacional), se EVAPORARAM do site (e também na compra física) em menos de 24hs. Os tickets começaram a ser vendidos ANTEONTEM. Já acabaram – a comedoria do Belenzinho não é grande, cabem umas 500 pessoas lá. E com o Ira! tocando na íntegra e ao vivo o seu fodástico terceiro disco de estúdio, o “Psicoacústica” (lançado em 1988, daí a turnê comemorativa pelos 30 anos dele), não tinha mesmo como ser muito diferente o sumiço das entradas em velocidade recorde. Sendo que o blog se sente algo contente e orgulhoso nessa parada. Contente porque além de admirar pra carajo a banda, também é amigo pessoal da dupla Scandurra-Nasi há séculos. E orgulhoso porque o texto do press kit sobre o evento e sobre o LP em questão é de nossa autoria. Sim, o Sesc confiou este trabalho ao jornalista rocker aqui, não apenas pela amizade que ele mantém com a banda mas também por (modéstia às favas) conhecer profundamente a trajetória dos Irados e as nuances que permeiam “Psicoacústica”. De modos que estaremos por lá na semana que vem, já que temos par de convites disponíveis (cortesia do Sesc) pra ir lá na gig. Pra quem não vai: sorry, hihi.

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Zapnroll (acima) e o bacanudo press kit criado pelo departamento gráfico e de divulgação do Sesc Belenzinho, para divulgar o showzão do Ira! que rola lá semana que vem, e cujo texto encartado no kit (abaixo) foi produzido pelo autor do blogão zapper

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, o rock alternativo, a política e o comportamento)

 

***LULA ONTEM, LULA LIVRO, LULA LIVRE, LULA SEMPRE! – Foi realmente emocionante o evento realizado no último dia 13 de agosto em Sampa, por conta do lançamento oficial e nacional do livro “Lula Livre – Lula Livro”, coletânea de textos organizado pelo jornalista e queridão deste espaço online Ademir Assunção, e que conseguiu reunir num volume extraordinário (e que estava sendo vendido por módicos 15 dinheiros durante o evento, sendo que os exemplares à disposição do público se esgotaram rapidinho), textos e poemas de artistas variados, como poetas, cantores, compositores, rappers etc (estão no livro, entre outros, textos de Chico Buarque, Augusto de Campos, Alice Ruiz, Carlos Rennó, Sergio Mamberti, Paulo Lins etc.). E boa parte desses artistas compareceu ao lançamento, que lotou as dependências do já lendário, mitológico e histórico teatro Oficina, lar do grupo homônimo criado há décadas pelo gênio gigante que é Zé Celso Martinez Correa, um dos monstros sagrados de toda a história da dramaturgia brasileira. Foram lidos textos no pequeno palco montado, mostrados vídeos, entoados hinos e canções eivadas de sentimento de liberdade, de apoio total à democracia e a tudo que importa ao ser humano: respeito às minorias, aos negros, às mulheres, aos gays, além de um não gigante ao retrocesso comportamental, ao arbítrio, a intolerância, ao discurso de ódio boçal que tornou o país uma nação de pensamento binário, ao reacionarismo de extrema direita e, principalmente, a prisão política e completamente injusta e surreal do maior líder popular que este pobre Brasil (uma nação vilipendiada por golpistas imundos em esferas variadas: na política, no Judiciário etc.) já teve. Ele mesmo, Luis Inácio LULA da Silva, o MELHOR PRESIDENTE que o Brasil teve em pelo menos 50 anos. O blog poderia escrever um LIVRO aqui sobre como foi bacana a aquela noite. Mas tenta resumir sua emoção e orgulho de ter participado do evento dizendo que, sim, a VERDADE e a JUSTIÇA irão prevalecer e VENCER no final de tudo. Apenas fica-se questionando do por que dessa dicotomia apavorante: a NATA da arte e da cultura brasileira reunida numa segunda-feira à noite na capital paulista pedindo LULA LIVRE, enquanto a sociedade e povo do país, quase como um todo, se deixando contaminar por uma ignorância abominável e monstruosa e se mostrando propensa a eleger como presidente um BOÇAL e BESTIAL herdeiro maldito da pior escrotidão (em todos os sentidos) que já houve na história do país, a ditadura militar. É isso mesmo que o brasileiro quer, ter como presidente um mentiroso, asqueroso, crápula, também escroque e pilantra (que enriqueceu como deputado federal durante 30 anos, nos quais não fez absolutamente NADA digno de nota como político) e que ainda por cima é homofóbico, racista e machista ao máximo. Só pra saber… Foi lindo o evento. E a melhor imagem do que rolou no Oficina, para resumir tudo, é a que está aí embaixo: Finaski (com sua amiga Silvia Fasioli) ao lado de um GIGANTE da história política nacional, um dos ÚNICOS políticos realmente DECENTES em grau máximo deste Brasil corroído pela corrupção. Ele mesmo, o “velhinho” mais fofo de todos e nosso eterno senador, a quem sempre daremos nosso voto. Um beijo no seu coração ever, Eduardo Suplicy!

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Finaski, sua amiga Silvia e o gigante (como político e como ser humano) Eduardo Suplicy (acima), no lançamento do livro “Lula Livre – Lula livro”, em São Paulo; abaixo no mesmo evento o senador, ladeado pelo diretor de teatro Zé Celso Correa e pela poeta Alice Ruiz

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***Mais Lula em livro – yep, outro lançamento em torno do ex-presidente Lula é “A verdade vencerá – o povo sabe por que me condenam”, volume editado pela Boitempo editorial e onde o ex-presidente concede uma enorme entrevista a um grupo de jornalistas, em bate papo organizado por Ivana Jinkings e Juca Kfouri, além de textos complementares escritos por Eric Nepomuceno e Rafael Valim. Vale muito a pena ler e tomar contato com uma radiografia textual isenta e escrita por gente séria e por alguns dos principais nomes do jornalismo brasileiro, para que se possa entender todo o imundo processo político golpista que segue em curso no país, às vésperas de mais uma eleição presidencial – talvez a PIOR eleição desde que o país se redemocratizou.

 

*** O BRASIL E O ROCK BR NO FUNDO DO ABISMO SEM FUNDO – Quando uma cadeia varejista de lojas como a gigantesca Americanas chega ao completo desplante de vender (pelo seu site) dois modelos de camisetas (um enaltecendo BolsoNAZI; outro contra Lula, o MELHOR presidente que este país já teve em pelo menos 50 anos), a conclusão é inefável: essa MERDA monstro chamada Brasil chegou mesmo ao fundo de um abismo que parece não ter nenhum fundo. E não só. Segundo reportagem da revista Carta Capital, olhem só a “inspiração” visual para os modelos: “as peças têm inspiração estética em BANDAS DE ROCK, como o modelo que imita a camiseta-símbolo do grupo punk RAMONES. Em vez do nome dos integrantes da banda, como no modelo original, consta o lema bolsonarista “Deus acima de todos / Brasil acima de tudo”. A águia americana, por sua vez, foi trocada por uma estrela com a data de proclamação da República”. Que DESASTRE e que nojo. Depois questionam por que o rock MORREU nessa porra horrenda de país cu tropical, não abençoado por NENHUM Deus (seja lá o que for Deus) e habitado por milhões de asnos, ogros, idiotas, imbecis, ignorantes, BURROS, conservadores, sem cérebro, reacionários, boçais e MEDIEVAIS no comportamento e pensamento. É esse povo triste, indecente, ordinário e bolsOTÁRIO que irá votar no “mito”. E boa parte desses JUMENTOS machistas, misóginos, racistas e homofóbicos é que empunham a BANDEIRA do rocknroll hoje em dia no bananão falido. Que triste fim pro Brasil e pro “roqueiro” brasileiro, jezuiz… (adendo: após a publicação da reportagem no site da CC, as lojas Americanas RETIRARAM da venda no seu site os tais modelos das camisetas. Menos mal…)

 

***A “INVASÃO” BRASILEIRA DO PÓS-PUNK INGLÊS DOS ANOS 80 – como este postão que você está começando a ler agora é especial e focado na vertente pós punk do rock mundial (seja o pós punk oitentista ou de bandas atuais, como o grande Interpol), não poderíamos deixar de mencionar a autêntica “invasão” que o estilo irá promover na terra brasilis entre setembro e dezembro vindouros. De modos que o blog zapper dá abaixo seu PITACO sobre as atrações que vêm aí, todas célebres no pós punk britânico dos anos 80.

 

***Peter Murphy e David J.: ou MEIO Bauhaus, que vão relembrar seus clássicos das tumbas em Sampalândia, dia 7 de outubro, no Carioca Clube. Pois então, os maiores morcegões trevosos da cena goth inglesa também celebram 4 décadas de sombras sonoras este ano. Tudo começou em 1978 e yep, sempre gostamos MUITO deles. Mas fato é que solo o vocalista Peter Murphy (uma BICHAÇA loka e das trevas que enlouqueceu garotos e garotas darks no auge do conjunto, lá por 1983) nunca funcionou e passou longe da genialidade musical conseguida quando ele estava junto com Daniel Ash (guitarras), David J. (baixo) e Kevin Askins (bateria). Vimos Pedro Morfético solo em sua primeira visita a Sampa, em fevereiro de 2009 (na finada Via Funchal). Na metade da gig Zapnroll já estava de saco cheio e rezando pra aquilo acabar logo. Agora vamos lá ver esse meio Bauhaus mesmo porque Peter, com mais de 60 anos nas costas, continua com o vocal super em forma e porque o show vai contemplar apenas Bauhaus em seu set. E além de tudo vai ser ótimo e bizarro encontrar aquele monte de gótico velhão e com a pança à mostra, todos reunidos no mesmo local e todos com capotões pretos, claro!

 

***Nick Cave: uma semana depois do meio Bauhaus, o gênio e já icônico Nick Caverna também aterrissa em Sampa, em 14 de outubro. Quase sessentão, Nick continua em plena forma e atividade e segue lançando discos ótimos. Esteve uma única vez no Brasil, em 1988 (lá se vão 30 anos…), e estas linhas online estavam naquele show, lá no saudoso ProjetoSP. Foi inesquecível. Agora vamos TENTAR ir novamente, porque credencial não iremos pedir (o show é produzido por aquele jornalista e “bloggero” pobreloader, hihi, de modos que…) e dindin pra comprar ingresso não tá fácil. Mas vamos verrrrr…

 

***New Order: totalmente DISPENSÁVEL a essa altura do campeonato. E sinceramente não dá pra entender porque tá todo mundo esperneando por conta do show único da banda este ano no Brasil, em SP, dia 28 de novembro. Na boa: quando aqui esteve pela primeira vez, também em 1988, o NO ainda estava no auge e fez uma apresentação histórica, memorável e inesquecível (o blog estava nela) no ginásio do Ibirapuera. Depois, entre paradas e retomadas da carreira, o grupo volto aqui em 2006 (também na saudosa Via Funchal), já não era nem em sonho mais ótima banda que tínhamos assistido ao vivo 18 anos antes mas a gig ainda assim foi razoável. Depois ainda assistimos os sucessores do Joy Division uma terceira vez, no Ultra Music Festival em São Paulo, em dezembro de 2011. Foi o horror total: o vocalista Bernard Sumner gordo (e sem pudor algum em ostentar a barrigona) e preguiçoso ao vivo (e sem voz também), a banda sem o baixista fodão e ícone que é Peter Hook e por aí foi. Conseguiram destruir a si próprios em uma versão ao vivo lamentável do ultra clássico “Blue Monday”, parecendo uma banda COVER de si mesma de quinta categoria. Este jornalista ficou realmente bodeado naquele show e só não saiu mais puto do estacionamento do Anhembi porque estava com uma credencial máster (de jornalista) pendurada no pescoço e que o permitiu ir na área vip open bar, onde tomou todo o whisky que pôde com energy drink. Moral da história: o zapper saiu completamente alucicrazy do festival e foi VOANDO atrás de cocaine, claaaaaro! Bien, depois disso a Nova VELHA Ordem ainda voltou pra cá (o grupo já tinha virado carne de vaca) no Lollapalooza BR 2014 e literalmente CAGAMOS pra assisti-lo ao vivo novamente. Yep, em estúdio o conjunto segue ok (“Music Complete”, lançado em 2015, é bem bom), mas ao vivo vamos passar bem longe pois achamos (achamos não, temos certeza) de que não vale mais a pena. A não ser que você nunca tenha visto eles ao vivo. Aí quem sabe…

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Bauhaus (pela metade, no caso da gig brazuca) e Nick Cave (acima), e New Order e Morrissey (abaixo): todos eles vêm ao Brasil entre setembro e dezembro

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***Morrissey: ah, a velha bexa dos Smiths de volta ao Breeeziiilll… e daí. Daí que Morrisséia está cada vez mais rabugenta e chata com o avançar da idade. Se ainda está em forma em cima de um palco, não sabemos. Os Smiths são uma das 5 bandas da nossa vida (ever) e vimos Moz uma única vez ao vivo e solo, quando ele esteve aqui pela primeira vez em 2000 (lá no finado Olympia SP). Foi lindão, inesquecível e depois nunca mais conseguimos vê-lo novamente on stage. Até queríamos ir esse ano novamente (seu último cd solo dá pro gasto) mas o foda é que na mesma noite do show (2 de dezembro) vai ter também em Sampa L7 com Pin Ups. E vamos preferir ir no segundo.

 

***Fora essa autêntica “invasion” pós punk inglesa dos 80, ainda vai rolar Kasabian (setembro, 30), Peter Hook (dia 10 de outubro, e talvez valha mais a pena ver ou rever este do que o New Order), Franz Ferdinand (outubro, dia 12, mas esse também já deu, né), Noel Gallagher (ainda a confirmar) etc. A pergunta é: quem tem dinheiro pra ir em tudo isso, rsrs. O autor deste blog definitivamente não tem, rsrs.

 

***Não esquecendo: é já em outubro a mega e oficial festa de quinze anos do blog de cultura pop e rock alternativo mais legal da web BR. Vão ter showzaços do The Dead Rocks e do Saco De Ratos. E depois ainda vai ter after party com dj set do blog no Clube Outs, o open bar rocker mais infernal do baixo Augusta SP. Tudo no dia 19 de outubro, sexta-feira, wow! Logo menos a gente divulga aqui o local onde irão rolar os shows, pode esperar!

 

***E antes que o blog esqueça: a primeira tiragem do livro “Escadaria para o inferno” está quase esgotada. Restam poucos exemplares à venda na loja virtual do site da editora Kazuá. De modos que se você ainda não comprou o seu exemplar, vai JÁ aqui e faz seu pedido: http://www.editorakazua.net/prosa/escadaria-para-o-inferno-de-humberto-finatti.

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***E mais notinhas irão entrar aqui na Microfonia ao longo da semana vindoura. Mas por enquanto vamos já direto ao ponto e ao que interessa aí embaixo: o novo discão daquele que ainda é o grande nome do pós punk dos anos 2000, o trio americano Interpol. Bora lá!

 

 

AUSENTE HÁ QUATRO ANOS DOS ESTÚDIOS, O GOTH E INDIE NOVA IORQUINO INTERPOL RETORNA COM TALVEZ SEU MELHOR ÁLBUM DESDE A ESTREIA DA BANDA

Das zilhões de bandas que surgiram no chamado “new rock” (ou indie rock alternativo) na virada dos anos 2000, uma das que Zapnroll mais gosta (e sempre gostou, e continua gostando) é o nova iorquino Interpol. Em tempos em que o rock praticamente MORREU (aqui e lá fora também), em que grupos surgem e desaparecem na velocidade de um bólido e onde conjuntos novos, por melhores que sejam, não conseguem encontrar espaço para mostrar seu trabalho e muito menos público JOVEM interessado em ouvir sua música (esqueça: a pirralhada OGRA e BURRONA da era da web detesta fazer esforço mental, odeia música que a obriga a PENSAR e AMA música total irrelevante e mega RASA em sua construção, daí a ascensão irresistível e implacável do popão eletrônico e R&B pasteurizado lá fora, e do funk, axé e sertanojo aqui no bananão), o agora trio (ainda integrado pelo fundador, o vocalista, baixista e guitarrista Paul Banks, pelo também guitarrista Daniel Kessler e pelo batera Sam Fogarino) está resistindo bem ao tempo: foi fundado em 1997 e lançou seu primeiro álbum (o espetacular “Turn On The Bright Lights”) 5 anos depois, em 2002. E além de resistir bem ao tempo o grupo ainda está em grande forma e acaba de lançar aquele que talvez seja seu melhor trabalho de estúdio desde sua estreia em disco, há dezesseis anos. “Marauder”, o sexto álbum de músicas inéditas do Interpol, chegou ao mercado (nos formatos físico e virtual) na semana passada e não apenas traz de volta as ambiências sonoras sombrias engendradas pelo conjunto em sua estreia, como faz isso através de melodias dançantes e envolventes e também com guitarras abrasivas e poderosas. Já é provavelmente um dos grandes lançamentos de 2018, no que ainda resta de relevante no rock mundial.

E por que estas linhas zappers gosta tanto do Interpol não é nenhum mistério. O blog sempre apreciou muito os vocais sombrios de Banks (que emulam quase à perfeição Ian Curtis) e a ambiência pós punk (circa 1980,1983) sinistra deles, bem na linha do Joy Division. Com um detalhe: mesmo EMULANDO tudo isso o Interpol sempre soou muito convincente e REAL em sua sonoridade, algo difícil de se ver no rock atual, ou no que ainda resta dele. Sim, a banda cometeu deslizes. O autor destas linhas bloggers não gosta do segundo disco deles, o “Antics”. E os três que vieram na sequencia eram ok, mas longe de reeditar o brilhantismo sonoro obtido em sua estreia. De qualquer forma, assistimos a um SHOWZAÇO deles em Sampa, na finada Via Funchal (em março de 2008, há mais de uma década, sendo que eles voltariam ao Brasil por mais duas vezes, em 2011 no extinto festival Planeta Terra, e depois em 2015 no Lollapalooza BR), quando a saudosa casa de espetáculos da capital paulista lotou e a banda brindou o público com uma gig acachapante em sua potência e energia no palco. De modos que sempre ficamos na torcida para que o conjunto voltasse ainda com um grande álbum.

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Capa do novo Interpol: discão!

Pois este retorno com este grande álbum finalmente se materializou em “Marauder”. Em suas treze faixas (sendo duas vinhetas curtas, batizadas de “Interlude I e II”) e pouco mais de quarenta e quatro minutos de duração, o trio reedita finalmente as nuances sombrias (em alguns momentos, quase sinistras) porém dançantes que marcaram o seu hoje já clássico primeiro cd. São melodias aceleradas e construídas com guitarras poderosas e que cativam o ouvinte já nas primeiras audições, o que fica evidente nas quatro primeiras canções do disco (“If You Really Love Nothing”, “The Rover”, “Complications” e “Flight Of Fancy”). “If You…”, que abre o disco, inclusive possui uma letra de consistência poética belíssima e ultra densa (veja a tradução mais abaixo, neste mesmo post) e acabou se transformando no terceiro single do novo trabalho, com direito a um espetacular vídeo de divulgação e onde a atriz deusa loira e XOXOTAÇO Kristen Stewart faz a loka, deitando e rolando com vários homens em um bar onde tudo acontece (duas garotas se beijando, povo loko bebendo Jack Daniel´s no gargalo etc, etc.), enquanto o Interpol surge tocando entre sombras e escuridão quase plena. Melhor impossível!

Há mais do mesmo nível na sequência, sendo que o disco mantém sua qualidade até o final da audição. Ok, ele poderia ser mais econômico e sucinto, com menos faixas e menor duração. Mas não há nada nele que comprometa o prazer, cada vez mais raro nos dias que correm, de se escutar um álbum quase perfeito do começo ao fim. No caso deste “Marauder”, cuja musicalidade nos remete diretamente à Londres do início dos anos 80 (em especial nas muito darks “Stay In Touch”, “NYSMAW” e “Surveillance”), esta quase perfeição sônica além de oferecer grande satisfação a quem a escuta ainda desvela que o Interpol, aos vinte e um anos de existência e com um front man ainda relativamente jovem (Paul Banks fez quarenta anos de idade em maio passado), poderá se manter em forma ainda por alguns anos, impedindo que (e sem trocadilho aqui) o triste rocknroll da estúpida era da web feneça de vez.

 

 

O TRACK LIST DE “MARAUDER”

1.”If You Really Love Nothing”

2.”The Rover”

3.”Complications”

4.”Flight of Fancy”

5.”Stay in Touch”

6.”Interlude 1″

7.”Mountain Child”

8.”NYSMAW”

9.”Surveillance”

10.”Number 10″

11.”Party’s Over”

12.”Interlude 2″

13.”It Probably Matters”

 

 

O DISCO PARA AUDIÇÃO AÍ EMBAIXO, NA ÍNTEGRA

 

 

E O TERCEIRO SINGLE, COM ÓTIMO VÍDEO PARA “IF YOU REALLY LOVE NOTHING”

 

 

UMA LETRA DO DISCO

 

“If You Really Love Nothing”

 

Se você realmente ama nada

Em que futuro construímos ilusões

Se você realmente ama nada

Nós esperamos em glória silenciosa

Se você realmente ama nada

Que parte da traição você quer negar?

 

Quando eu encontrar minha casa

A próxima artéria

Esplêndido eu sangro toda a minha vida

Então é provavelmente um beijo

Adeus então

 

Se você realmente ama nada

Todo mundo é inventado

Todo mundo está perdendo

Se você realmente ama nada

Vamos dormir na glória silenciosa

Se você realmente ama nada

Como você pode estar lá

Você poderia simplesmente deixar para sempre

 

Quando eu encontrar minha casa

A próxima artéria

Esplêndido eu sangro toda a minha vida

Então é provavelmente um beijo

Adeus então

 

Você pode traçar um buraco no seu vestido

 

Respiração é ótima

Lendo lembrar

A classificação final da semana

Melhor que sete outros homens

Imprudente das mulheres que quebram a dimensão

Eu sei que você poderia simplesmente partir para sempre

 

Quando eu encontrar minha casa

A próxima artéria

Esplêndido eu sangro toda a minha vida

Então vai ser um beijo de despedida então

 

Você pode traçar um buraco no seu vestido

E me dê adeus e um beijo

Eu vejo você traçar esse buraco no seu peito

Me dê um tchau e um beijo

 

 

HÁ 40 ANOS SURGIA NA CIDADE INGLESA DE LIVERPOOL (TERRA DE UNS CERTOS BEATLES) ECHO & THE BUNNYMEN, UM DOS MAIORES NOMES DO PÓS PUNK DOS ANOS 80 E DE TODA A HISTÓRIA DO ROCK MUNDIAL

Ninguém discorda de que o quarteto pós-punk inglês Echo & The Bunnymen foi um dos maiores nomes do rock britânico dos anos 80 e de toda a história do rocknroll mundial. Por pelo menos quase uma década (de 1980 até meados de 1988) a banda que em sua formação original e clássica tinha o sublime vocalista Ian McCulloch, o gigante (na qualidade e técnica instrumental) guitarrista Will Sergeant, e os ótimos Les Pattinson (no baixo) e Pete De Freitas (na bateria), reinou absoluta na Velha Ilha e foi aclamada unanimemente pela imprensa e pelos fãs. Foi nesse período de oito anos que o Echo lançou seus cinco primeiros e imbatíveis álbuns de estúdio, onde uma combinação de melodias e harmonias aceleradas e herdadas da simplicidade punk, se unia a ambiências psicodélicas e melancólicas egressas do melhor rock feito nos anos sessenta (com fartas referências e eflúvios de Beatles, Rolling Stones e The Doors), tudo dando suporte para as letras memoráveis (em sua construção poética) escritas por McCulloch. Se depois de 1988 e até hoje o grupo lançou uma série trabalhos sofríveis e que nem de longe lembram seu passado inicial e glorioso, não importa. Tampouco o fato de que da formação original só restam Will e Ian. Mas daqui a exatos dois meses Echo & The Bunnymen estará completando quarenta anos de existência. E nesse período ele já deixou inscrito para a eternidade seu nome entre aqueles que construíram com maestria e encantamento máximo a grande e imortal história do rock mundial.

Tudo começou em Liverpool (a cidade inglesa terra de uns certos Beatles) por volta de 1977, quando o então adolescente Ian McCulloch começou a cantar em um grupo local chamado Crucial Tree (considerado por muitos pesquisadores e estudiosos do rock inglês do período como sendo quase tão excepcional em sua musicalidade quando o Echo seria alguns anos depois). O grupo, no entanto, teve curta existência e logo McCulloch se juntou ao guitarrista prodígio Will Sergeant e ao baixista Les Pattinson, para formar o Echo & The Bunnymen – em tradução literal, “Echo & Os homens coelho”. E que foi batizado assim por, no princípio, não ter um baterista humano – o trio fazia seus registros sonoros acompanhado de uma bateria eletrônica, a Echo. Foi com essa formação e com a bateria eletrônica no fundo do palco que o conjunto fez sua estreia em novembro de 1978, em uma apresentação no Eric Club em Liverpool. É o marco zero da trajetória dos coelhinhos.

Daí em diante a fama do trio foi crescendo rapidamente, em função de suas ótimas composições e apresentações ao vivo. Quando a banda assinou com o selo Zoo Records e lançou seu primeiro single, “Pictures On My Wall”, em maio de 1979, a aclamação da imprensa britânica foi instantânea. Em julho do ano seguinte e já contando com o baterista Pete De Freitas em seu line up o Echo fez sua estreia em LP, editando o a um só tempo barulhento, climático e psicodélico “Crocodiles”, hoje considerado um clássico na discografia da banda. Nova aclamação da crítica, com a legião de fãs aumentando rapidamente e de maneira espantosa. Não parecia haver limites para a genialidade sonora do Echo & The Bunnymen.

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Os “Coelhinhos” em seu auge, no início dos anos 80 (acima); abaixo Ian McCulloch também nos anos 80, destruindo nos vocais ao vivo

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Nos anos seguintes e até por volta de 1988, o quarteto se manteve no topo em tempo integral. Lançou mais quatro álbuns impecáveis da primeira à última música de cada um deles e rodou o mundo com seu show, aportando pela primeira vez no Brasil em maio de 1987, para cinco apresentações inesquecíveis e sold out em São Paulo, além de tocar também no litoral paulista (na cidade de Santos) e no Rio De Janeiro. E quando retornou à Inglaterra, começou sua fase descendente. Primeiro o baterista De Freitas morreu em um acidente de moto em Londres, em 1989. Logo em seguida Ian McCulloch decidiu largar os Bunnymen para seguir em carreira solo. O que sobrou do Echo decidiu seguir em frente, lançando em novembro de 1990 o inexpressivo disco “Reverberation”, onde os vocais ficaram por conta do desconhecido Noel Burke. O trabalho foi um retumbante fracasso, tanto comercial quanto perante à rock press. E assim determinou o fim da primeira fase do conjunto, já que Will e Ian se reuniram novamente mas sob outro nome, Electrafixion, lançando um único e ótimo cd em 1995, intitulado “Burned”. O álbum era muito bom (contava inclusive com a participação especial do ex-guitarrista dos Smiths, Johnny Marr) mas nem de longe vendeu o que os primeiros discos dos Bunnymen venderam.

Foi quando Will Sergeant e Ian McCulloch tiveram a infeliz ideia de voltar novamente como Echo & The Bunnymen. Com Les Pattinson novamente no baixo, o grupo lançou “Evergreen” em 1997. Um disco sofrível que inaugurava a segunda encarnação do conjunto, e que perdura até os dias atuais. Desde então a banda lançou mais seis trabalhos inéditos de estúdio, alguns razoáveis (como “Flowers”, de 2001, e “Siberia”, editado em 2005) mas a maioria demonstrando que aquele grupo de musicalidade absolutamente impecável e gloriosa dos anos 80, não mais existia. Além disso o baixista Pattinson abandonou definitivamente o grupo em 1999, e a voz outrora trovejante de Ian (que se tornou famoso pelo apelido de Big Mac) havia desaparecido, destruída por décadas de consumo de álcool, tabaco e drogas variadas. Por fim o conjunto acabou se tornando carne de vaca e figurinha carimbadíssima no Brasil: voltou novamente pra cá em 1999 (na turnê do fraquíssimo cd “What Are You Going To Do With Your Life”), em gig realizada na saudosa casa paulistana Via Funchal. No ano seguinte Ian voltou retornou ao país, em tour solo. Em 2002 o grupo fez nova aparição por aqui (na mesma Via Funchal) e aí não parou mais de excursionar na terra brasilis, tocando por diversas vezes em São Paulo no extinto Credicard Hall (atual Citibank Hall). E claro, a cada nova visita as performances ao vivo decaiam de qualidade a olhos vistos.

Zapnroll no entanto, sempre teve amor por aquele quarteto pós punk fantástico dos anos 80 e que lançou ao menos cinco LPs que podem figurar tranquilamente entre os cinquenta melhores de toda a história do rock (“Ocean Rain”, de 1984 e o preferido deles destas linhas rockers, está eternamente na nossa lista dos dez melhores álbuns de rock de todos os tempos). E por ter devotado esse imenso amor ao conjunto é que o acompanhou muito de perto durante toda a década de 80 e também na de 90, ouvindo os discos, assistindo a vários dos shows brasileiros e entrevistando os coelhinhos em algumas das coletivas dadas por eles aqui. Momentos em que a banda fez parte essencial da vida do autor destas linhas bloggers e que inclusive renderam algumas histórias bastante divertidas (leia mais abaixo, nesse mesmo post). E agora, ao rememorar as quatro décadas de existência do Echo & The Bunnymen, este jornalista se dá conta de que o tempo avança e não perdoa mesmo ninguém. Nem mesmo artistas, músicos e bandas. Talvez os Bunnymen já devessem ter se aposentado há anos, preservando um passado irretocável e que nunca mais irá voltar. Preferiram continuar, mesmo que flertando cada vez mais com a decadência irrefreável. Não importa: os cinco primeiros e inesquecíveis LPs daquele grupo que um dia surgiu em Liverpool e encantou o mundo para sempre, estarão em nossos corações igualmente para sempre e da mesma forma: encantando ad eternum quem quiser os escutar.

 

 

ECHO & THE BUNNYMEN – UMA ANÁLISE DA TRAJETÓRIA DISCOGRÁFICA DA BANDA

 

Por Valdir Angeli, especial para Zapnroll

 

Conheci o Echo & The Bunnymen meio por acaso, lá pela virada de 1984 para 85. Por essa época eu, normalmente ávido por novidades no âmbito do rock e do pop, vinha ouvindo um bocado de Talking Heads, tinha conhecido o Prince, já tinha adquirido os novos lançamentos do Frank Zappa e do David Bowie (deste último o, para mim, fraco ‘Tonight’), mas achava que o rock estava precisando de uma boa sacudida; na verdade, o que eu achava que estava faltando já existia, mas eu ainda não tinha entrado em contato com o que as novas bandas inglesas – notadamente as de Manchester e Liverpool – andavam fazendo há algum tempo. Quase sem querer, folheando o jornal diário paulistano Estadão, dei de cara com um artigo no Caderno 2 (nota do editor do blog: caderno de variedades do diário e onde o jornalista zapper se tornaria repórter e colaborador anos depois, em 1988, integrando a lendária equipe da página de música editada por Luis Antonio Giron, e que tinha textos assinados por gente do calibre de Fernando Naporano e do saudoso Kid Vinil) sobre o lançamento no Brasil do último disco de um grupo de Liverpool de quem eu nunca tinha ouvido falar, um tal de Echo & The Bunnymen. Interessei-me de cara pelo conjunto, não só pelos elogios a ele contidos no tal artigo, mas também por sua procedência; afinal, se em tempos idos Liverpool tinha sido o berço do merseybeat e o Estadão elogiava tanto uma banda nova vinda de lá (infelizmente não me recordo quem era o articulista), coisa ruim ela não deveria ser, pensei. Movido pela curiosidade, adquiri às cegas logo em seguida o tal disco, o ‘Porcupine’, terceiro álbum por eles lançado, em uma das minhas regulares visitas à lendária Galeria do Rock, até hoje localizada no centro de São Paulo e um dos “points” rockers mais conhecidos do Brasil. A princípio não fiquei nem um pouco animado com o que ouvi, achei estranha e meio desagradável aquela maçaroca de guitarras tocando contra um arranjo de violinos que, segundo o que eu tinha lido no jornal (o disco nacional que eu comprei não trazia sequer ficha técnica) eram do violinista Lakshminarayana Shankar, que já havia colaborado com Peter Gabriel e John McLaughlin. Mesmo assim, gostei muito de uma faixa, chamada “Gods Will Be Gods”, e graças a ela em vez de tentar devolver o disco na loja ou encostá-lo num canto, resolvi repetir um procedimento que eu já havia feito anteriormente, com o álbum ‘Wonderwall’, do George Harrison, e com o ‘Whistle Rymes’, do John Entwistle, baixista do The Who, dois discos que, graças à minha persistência em ouvi-los após uma decepção inicial, acabaram se tornando praticamente dois discos de cabeceira pra mim. Minha ideia deu certo, de fato concluí que os caras desse tal Echo eram bons mesmo, como o artigo informava. Semanas depois, um amigo meu, do circuito das lojas de discos que eu freqüentava, jogou em minhas mãos uma fita cassete com gravações de grupos diversos (entre as quais fiquei conhecendo outras bandas do tal “pós-punk” inglês), contendo no meio duas das músicas do ‘Porcupine’, “The Cutter” e “The Back Of Love”, porém em suas versões de compacto, com arranjos bem diferentes e, aos meus ouvidos, muito melhores, e mais uma inédita dos Bunnymen, o “Never Stop (Discotheque)”, que de imediato me deixou encantado com seu arranjo cheio de cellos, toques em pizzicato e outros detalhes e ambiência que lembravam, e muito, aquela outra antiga banda de Liverpool; esse mesmo amigo também me fez ouvir um exemplar importado do ‘Porcupine’, através do qual pude perceber que muito do meu desencanto inicial com o long-play era fruto da péssima prensagem da edição nacional, cortesia da EMI-Odeon, que era quem, na época, prensava os lançamentos da Warner (distribuidora da Korova, a gravadora  do grupo) por aqui. “Ah, então era isso…! Acho que vou ter que ouvir mais coisas desses caras…”

Demorou mais alguns meses para sair no Brasil o álbum seguinte do Echo, mas nesse meio tempo um outro amigo me emprestou um compacto de doze polegadas deles, que tinha “The Killing Moon” nas versões “standard” e estendida, e mais uma gravação ao vivo sensacional, “Do It Clean”, que me fez conhecer outra faceta da banda, a porrada que era uma gravação ao vivo deles. Foi então, com grande ansiedade, que adquiri logo que saiu aqui ‘Ocean Rain’, quarto disco da banda. E como era de se esperar, caí de amores por ele logo na primeira audição (pois é, a prensagem nacional desse já era bem melhor). Passei a ouvir direto “Silver”, “Seven Seas”, “Crystal Days”… Era fantástico!

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“Crocodiles”, 1980

Um nada de tempo depois disso consegui, escarafunchando várias lojas especializadas, achar dois álbuns importados da banda, os quais comprei sem perda de tempo: ‘Heaven Up Here’, que continha as excelentes “A Promise” e “Over The Wall”, e logo em seguida o disco de estreia deles, ‘Crocodiles’, um álbum mais cru e básico, onde estava a versão original do “Do It Clean” (esse disco que eu achei era a versão americana; a inglesa não contém essa faixa) e as absurdas de boas “Rescue” e “Villiers Terrace”, além do “Read It In Books”, composição oriunda da banda anterior do cantor Ian McCulloch, banda essa que também contava com os geniais Julian Cope  e Pete Wylie.

A seqüência dos acontecimentos ia meio que em banho-maria até que, lá pelo final de 1985, após grande demora, surgiu mais um compacto deles na praça, o “Bring On The Dancing Horses” que, além de trazer no lado principal uma música de qualidade e que mantinha em alta o nível da banda, ainda continha no seu lado dois duas faixas das quais uma em particular, “Bedbugs And Ballyhoo”, acabou virando uma das minhas preferidas de sua obra para todo o sempre. Logo após, foi anunciado que o baterista, Pete De Freitas, havia deixado a banda.

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“Heaven Up Here”, 1981

Paralelamente no passar de todos esses meses, fui conhecendo outras bandas do tal “pós-punk” inglês como, entre outras, The Cure, Joy Division e sua continuação New Order, The Smiths, Bauhaus, Dead Can Dance, Siouxsie & The Banshees e, naturalmente, comecei a enquadrar os Bunnymen como parte integrante desse contexto; a partir daí, meu conceito a respeito do Echo foi se tornando mais relativo e minhas expectativas em relação à banda foram ficando mais exigentes e, como conseqüência disso, a forma de eu enxergar os discos do conjunto começou lentamente a mudar, fazendo com que eu, dia a dia, cada vez mais questionasse a sua música  (a do ‘Ocean Rain’ em particular), até que eu, por fim, não mais estava achando que o trabalho do grupo pudesse ser algo comparável a, por assim dizer, “a arte dos deuses”. Eu já começava, como hoje vejo com mais clareza, a olhar, se não a totalidade da obra do Echo, ao menos o ‘Ocean Rain’ – apesar de eu até hoje reconhecer entre suas faixas uma obra prima atemporal meio subestimada, o”Nocturnal Me”, carregada que é de elementos góticos e sombrios, pouco comuns no repertório do grupo –, suas composições, arranjos  e interpretações, quase como um esnobismo, uma coisa pretensiosa, como se esse disco fosse uma forma de auto-afirmação desnecessária – e até exagerada, eu acrescento – em sua desesperada tentativa de emular os Beatles e os Doors, referências onipresentes, quem sabe para tentar provar a todos (e talvez até a si próprios) o quanto eles eram superiores, como se eles pertencessem a uma casta acima da das demais bandas – a campanha do lançamento do ‘Ocean Rain’ anunciava ser esse “o maior álbum já gravado até então”.

Embora por conta disso meu entusiasmo pelo conjunto tivesse diminuído um pouco, nada impediu que em 1987, na ocasião em que foi anunciada a vinda da banda para apresentações no Brasil (e, melhor ainda, com o retorno do “portuga” De Freitas às baquetas), eu fosse um dos primeiros a entrar na disputada briga para adquirir um ingresso para os shows que ocorreriam no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo, parte da turnê brazílica do  grupo. Consegui ir ao evento em duas noites, nos dias 12 e 15 de maio, e fiquei cara a cara com os gajos que ficaram bem na frente de meus olhos esbugalhados, com o direito de testemunhar o McCulloch tragando copos e copos de caipirinha entre uma música e outra, e de verificar “in loco” a exímia performance do “portuga” na bateria, além de tudo mais que, atônito, consegui captar no momento, incluindo execuções inéditas de faixas que fariam parte do lançamento que eles estavam prestes a fazer.

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“Porcupine”, 1983

E no final de julho desse mesmo ano esse esperado álbum (sem título, apenas ostentando o nome do grupo, talvez em mais uma alusão aos Beatles, que lá pelas tantas também haviam lançado um disco apenas com o seu nome, chamado informalmente de “album branco”) foi lançado, carregando a honra de ter em duas faixas a presença do próprio Ray Manzareck, dos Doors, como tecladista convidado. Uma delas, uma equivocada releitura, no meu modesto entender, de “Bedbugs  And Ballyhoo”, que se revelou uma escolha infeliz mas acabou tendo mais sucesso entre o público que a versão original; a outra em compensação, “Blue Blue Ocean”, para mim (não sei sei até hoje se por conotações emocionalmente fortes para mim na época ou pela sua mera excelência) foi outra das que estarão entre as minhas preferidas do grupo para sempre. No geral o álbum – que teve como hits (inclusive por aqui) “Lips Like Sugar” e “The Game” – foi bem recebido pelo público, principalmente nos Estados Unidos, se bem que não tanto pela crítica, e foi o primeiro a apresentar entre os convidados, além do Ray Manzareck, músicos como Jake Brockman, que faria parte de posteriores encarnações da banda; também foi o último a contar com as baquetas de Pete De Freitas, vítima fatal em um acidente de moto em 1989.

Uma tentativa de reformulação da banda após a morte do baterista e, para surpresa de todos, após a saída de McCulloch, que optou por seguir carreira solo, não chamou a atenção de ninguém. Nem a minha na época, embora hoje eu reconheça que ‘Reverberation’, o único álbum lançado por essa nova formação, que contou com Noel Burke nos vocais, até tinha lá suas qualidades, só não vingando devido à enorme carga que o nome da banda carregava consigo. Pouco tempo se passaria e logo McCulloch e o guitarrista Will Sergeant já estavam novamente experimentando algo juntos, formando uma banda que levava o nome de Electrafixion (e ainda por cima contando com a colaboração do Johnny Marr, dos Smiths), algo ao meu ver bem mais animador, a julgar por um álbum e uma caixa de compactos com registros ao vivo colocados no mercado; pena que o projeto não vingou…

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“Ocean Rain”, 1984

Com a entrada do baixista original do Echo, o Les Pattinson, no que sobrou do Electrafixion (a dupla McCulloch/Sergeant) o mundo viu em 1997 o renascimento do Echo & The Bunnymen com o disco ‘Evergreen’, cuja capa lembrava muito – sei lá se propositadamente ou não – a do primeiro LP, o ‘Crocodiles’. Um álbum que se não era lá tão digno de comparação com a sua obra anterior, ou não tinha tudo o que eles ainda poderiam render àquela altura do campeonato, ainda oferecia um resto de gás que os caras tinham em estoque e até tinha seus bons momentos, e acabou caindo bem em minhas memórias afetivas, em grande parte por conta de um feriado prolongado que passei em companhia de minha então namorada – atual esposa – em Campos de Jordão, do qual o disco foi a trilha sonora (curiosamente minha mulher, normalmente interessada em música brasileira e new age, acabou se tornando fã da banda); o que pouca gente sabe é que logo depois de seu lançamento, ‘Evergreen’ teve uma tiragem limitada contendo um CD bônus, de subtítulo ‘History Of The Peel Sessions 1979-1997’, que trazia gravações feitas pelo grupo através de todos esses anos para a BBC, no programa do lendário John Peel, muitas delas até melhores que as versões originais, uma tetéia!

E daí pra frente eles tentaram… tentaram…  A partir do horrendo ‘What Are You Going To Do With Your Life?’, de 1999 (no qual o Les Pattinson tocou apenas em uma faixa antes de pular fora de novo – esse aí ao menos deve ter pensado direito no que fazer da vida), eles lançaram, até agora, mais seis discos (um deles, aliás, ao vivo, onde o coitado do Ian só consegue estragar as músicas antigas com sua voz totalmente comprometida pela bebida e pelo cigarro, algo só comparável ao Bob Dylan atual) que não acrescentam absolutamente nada ao que de bom eles fizeram no passado.

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“Echo & The Bunnymen”, 1987

 

Se, no final das contas, o Echo & The Bunnymen não conseguiu ser a maior banda surgida no “pós-punk” inglês ou quase não chega a ter relevância e influência hoje em dia, eles podem ainda se orgulhar de ter sido uma das grandes bandas dos anos oitenta, uma época em que, ao menos para mim, foi feita a melhor música dento daquilo que se entende por rock, música até mesmo melhor do que o que foi lançado nos cultuados anos sessenta, com todos os seus ídolos sagrados…

 

(Valdir Angeli, 64, é fã do Echo & The Bunnymen, além de colecionador e pesquisador de rock; se formou em Publicidade na Eca-Usp)

 

 

TODOS OS DISCOS DOS HOMENS COELHO

Crocodiles (1980)

Heaven Up Here (1981)

Porcupine (1983)

Ocean Rain (1984)

Echo & the Bunnymen (1987)

Reverberation (1990)

Evergreen (1997)

What Are You Going to Do with Your Life? (1999)

Flowers (2001)

Siberia (2005)

The Fountain (2009)

Meteorites (2014)

The Stars, The Oceans & The Moon (2018, será lançado oficialmente no próximo dia 5 de outubro)

 

Mais sobre a banda aqui: http://www.bunnymen.com/. E aqui também: https://www.facebook.com/thebunnymen/.

 

DOIS “COELHINHOS” (WILL SERGEANT E LES PATTINSON) JUNTOS EM POLTERGEIST – O FENÔMENO, OU OS FANTASMAS SE DIVERTEM!

 

Alex Sobrinho, especial para Zapnroll

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A dupla Poltergeist, formada pelos Bunnymen Will Sergeant (guitarras) e Les Pattinson (vocais)

 

Os puristas afirmam que o Echo & The Bunnymen acabou em 1987. Discordo somente da data: o correto seria 1997, com o disco “Evergreen”, a última vez que os três membros originais trabalharam juntos, literalmente, na composição de todas as faixas. O baixista Les Pattinson caiu fora de baixo e cuias reclamando em entrevistas que o vocalista “estava  reciclando canções solo” nos discos do Echo. Essa reciclagem pode ser ouvida no cd “What Are You Going to Do with Your Life?” (de 1999, nas faixas  “Lost on You” e “Rust”,  derivadas de “Birdy” e “Ribbon & Chains”,  presentes  no compacto “Lover, Lover, Lover”, de1992 e cover  de Leonard Cohen).

E de 1999 a 2014 vieram à tona mais cinco discos a cargo da dupla Ian McCullouch e Will Sergeant que pouco acrescentam a discografia da banda. À exceção de alguns lados B de singles, o ao vivo registrando a tour do “Ocean Rain” com orquestra que esteve no Brasil em 2010 e o EP “Avalanche” com recriações dos clássicos “Silver” e “All My Colours”. O mesmo expediente vai ser utilizado no disco a ser lançado em outubro deste ano (provando que coelho velho não aprende truque novo).

Will Seargent já tinha uma carreira solo iniciada 1978 e lançado um excelente disco influenciado pela música eletrônica chamado “Curvature of the Earth” – em 2004, com o projeto Glide. O fã que por acaso tenha torcido o nariz para os últimos trabalhos do Echo se sentirá recompensado logo na primeira audição.                                                                                   Já Les Pattinson seguiu seu caminho pondo itens dos mais variados de sua trajetória com os Bunnymen em leilão e se dedicou a fabricação de barcos. Só saiu de exílio musical atendendo ao chamado de velho companheiro Wiil Seargent para colaborar no projeto ‘Poltergeist”, que a dupla criou em 2012 e que lançou apenas um único álbum até o momento, editado em março de 2013 (lá se vão cinco anos…).

A bolacha se chama “Your Mind is Box (Let Uss Fill It Wonder)”. A sensação é de que a dupla de amigos resolveu despejar a criatividade represada pelo tempo de separação musical e virar o ouvinte pelo avesso e levá-lo para uma viagem a outra dimensão já nos primeiros acordes.

As guitarras do Will nunca estiveram tão livres e desconcertantemente geniais ao longo das oito faixas desde, desde quando mesmo… rsrs. Desde o “Curvature of The Earth” – Glide, o único paralelo possível. Logicamente é preciso dizer que o baixo de Les Patinson vem matador, pulsando nervoso quase explodindo as caixas de som ou seus ouvidos (caso ouça com fones; recomendável) em simbiose perfeita com bateria do desconhecido Nick Kilroe. Um ouvinte ocasional do disco o recomendaria aos amigos mais descolados. Já alguns fãs dos Bunnymen ficariam imaginando “ah se tivesse vocais!”. Afirmo que é desnecessário.

 

(Alex Sobrinho, além de dileto amigo zapper há anos e radialista em Colatina, Espírito Santo, também é fã FANÁTICO pelo Echo & The Bunnymen)

(e adendo do editor do blog, ouvindo agora o projeto de Will Sergeant e Les Pattinson no Spotify: melhor do que qualquer álbum que os Bunnymen gravaram de 1990 pra cá. Lembra total o Echo do início, especialmente em “Heaven Up Here” e “Porcupine”, mas sem vocais. E nem precisa!)

 

 

MINI DIÁRIO SENTIMENTAL – O JOVEM JORNALISTA ZAPPER, O ECHO & THE BUNNYMEN E A SAMPA PÓS PUNK DOS ANOS 80 E 90

***Descobrindo os Coelhinhos – Zapnroll conheceu o Echo & The Bunnymen por volta de 1983, quando o grupo lançou seu terceiro disco, o espetacular “Porcupine” (álbum sombrio e GÉLIDO em suas ambiências pós-punk). O LP foi lançado naquele ano no Brasil e o jovem Finas (com vinte aninhos de idade apenas), que havia tomado conhecimento da existência do grupo através de matérias publicadas no caderno Ilustrada, do diário paulistano Folha De S. Paulo (e assinadas pela então lenda do jornalismo cultural, mr. Pepe Escobar), foi atrás de um exemplar. Não conseguiu encontrar nas lojas onde procurou e acabou desencanando de adquirir o tal disco. Daí pra frente começou a escutar músicas do conjunto na programação noturna da rádio 97fm (localizada na cidade de Santo André e possivelmente a primeira rádio rock do Brasil), e começou a ficar literalmente apaixonado pelo som do Echo. Um ano depois também saiu no Brasil o quarto trabalho da banda, o mega clássico “Ocean Rain”. Finaski foi na Galeria Do Rock (que já existia) e achou o LP por lá, juntamente com o “Porcupine”. Comprou os dois de uma vez. E nunca mais deixou de amar Echo e os Homens Coelho.

 

***A primeira vinda ao Brasil e três histórias BIZARRAS da primeira entrevista coletiva do quarteto – Era o primeiro semestre de 1987. A produtora paulistana Poladian (que na época trazia muitos shows internacionais ao Brasil), animada pelo sucesso obtido com a turnê brasileira do inglês The Cure, que ela havia promovido em março daquele ano, resolveu arriscar novamente: anunciou que estava trazendo o Echo & The Bunnymen pra cá, e que os shows aconteceriam em maio daquele ano. Foi um verdadeiro TUMULTO entre jornalistas (o sujeito aqui incluso), fãs, góticos e darks em geral (os darks DOMINAVAM O MUNDO então). Finaski, que havia começado a trabalhar como jornalista musical há apenas um ano, conseguiu se credenciar para a primeira entrevista coletiva para a imprensa do grupo em terras brazucas, e também para assistir a um dos shows da perna paulistana da turnê (foram cinco no total na capital paulista, no Palácio do Anhembi, e todos com ingressos ESGOTADOS), sendo que eles ainda fizeram gigs em Santos (litoral paulista) e no Rio De Janeiro. E na coletiva de imprensa que rolou em uma tarde quente em Sampa, aconteceram ao menos três histórias curiosas, quase bizarras. A primeira: o jovem zapper foi para o bate papo com o conjunto vestindo estrategicamente uma t-shirt da banda The Doors, com a cara enorme do vocalista Jim Morrison estampada na camiseta. No meio da entrevista o cantor Ian McCulloch olhou para a camiseta e fez sinal de “ok” com o dedo. Segundo lance: Zapnroll foi na entrevista acompanhado dos amigos Carlos Quintero (que era proprietário da loja Antitedium Discos, na Galeria Do Rock) e Arlindinho (uia!). Este último, um moleque sensível dos seus dezenove aninhos de idade, não se contentava apenas em ser FANÁTICO pelo Echo. Ele era o SÓSIA perfeito e irmão GÊMEO de Big Mac. Tanto que a ideia da dupla Finas e Carlinhos era apresentar Arlindo para Ian ao final da entrevista. Mas o garoto ficou completamente tímido e achamos melhor abortar a aproximação entre ídolo e fã sósia perfeito. E por fim: entrevista terminada, o zapper não se fez de rogado nem tímido. Foi com uma caneta e a CAPA de “Porcupine” nas mãos até os músicos e pediu na cara larga o autógrafo de todos eles. Que foram super gentis e atenciosos e assinaram seus nomes na capa do LP.

 

***O show no Anhembi – foi, literalmente, inesquecível. Começou (se não nos falha a memória) com “Going Up”, a faixa de abertura de “Crocodiles”, o álbum de estreia dos Bunnymen. A banda em forma e potência máxima no palco. E teve “Paint It Black”, clássico dos Rolling Stones, “coverizada” já no bis. Gig igual a essa, nunca mais!

Registro HISTÓRICO e na íntegra: a banda se apresenta no Brasil em maio de 1987, aqui neste vídeo na gig realizada no Canecão, Rio De Janeiro

 

***Dançando nos porões goth de Sampa ao som dos Coelhinhos – O autor deste blog perdeu a conta das madrugadas que dançou tristonho ao som das músicas do Echo no eternamente escuríssimo porão do Madame Satã. Tempos depois (por volta de 1988), o ritual passou a se repetir na pista do Espaço Retrô, onde Zapnroll conheceu e meio que se apaixonou pela loirinha Márcia B.B. Teve um brevíssimo romance com ela e ambos ficaram algumas noites “namorando” no apê da rua Frei Caneca, ao som do Echo. Mas Marcinha (que era uma peituda lindona e xoxotudíssima) nunca quis de fato ficar pra valer com o jovem jornalista.

 

***A volta ao Brasil e o “embate” em outra coletiva – Em 1999, já em sua segunda encarnação (tendo como membros originais apenas o vocalista Ian e o guitarrista Will, e lançando álbuns cada vez menos inspirados e distantes da banda gloriosa que havia encantado o mundo rocker nos anos 80), o Echo & The Bunnymen finalmente voltou para shows ao Brasil, doze anos após a primeira turnê pelo país. Em Sampa a gig rolou na mui saudosa Via Funchal, a melhor casa de shows internacionais que existiu na capital paulista. Novamente o espaço lotou mas a banda que subiu ao palco já não ostentava mais o brilho exibido em 1987 no Palácio do Anhembi. De qualquer forma, foi uma boa apresentação. Daí para a frente o grupo começou a tocar sem parar no bananão tropical. E a cada nova turnê por aqui a qualidade das apresentações decaía mais um pouco. Numa dessas turnês, houve quase um “embate” entre o autor destas linhas memorialistas e o vocalista Ian McCulloch, durante a entrevista coletiva de imprensa dada pelo conjunto. Lá pelas tantas Finaski levantou a mão e LASCOU a porrada para Big Mac: “O que houve com aquela voz TROVEJANTE dos anos 80, afinal. Só sobrou um FIAPO dela desde que o grupo voltou à ativa”. McCulloch ficou VERMELHO como um peru e este jornalista chegou a pensar que o vocalista iria VOAR no pobre pescocinho fináttico. “Minha voz continua a mesma”, retrucou Ian, irritadíssimo. “Mas se você acha que entende tanto assim de performances vocais, vá hoje à noite ao show com PLAQUINHAS com números, e me dê NOTAS avaliando meu vocal ao final de cada canção”. A sala, claro, veio abaixo em gargalhadas.

 

***E rolou a FODA do inferno após a gig dos Bunnymen – Yeeeeesssss. Para encerrar este mini diário sentimental não poderia faltar (claaaaaro!) um relato sexual sujo e devasso envolvendo a existência zapper e seu amor pelo Echo & The Bunnymen (ainda mais nesses tempos totalmente caretas, moralistas, ultra conservadores e sacalmente politicamente corretos como os de hoje, uma historinha dessas se faz absolutamente necessária, hihi). Enfim, faltavam umas três semanas para a apresentação dos Bunnymen em Sampa, na Via Funchal. Sem ter muito o que fazer num domingo à noite lá se foi Zapnroll pro porão do Madame Satã, dançar e beber um pouco. Até que pelas tantas foi tomar um pouco de ar na porta do clássico casarão goth paulistano. Foi quando viu ali aquela DEUSA arrebatadora: toda vestida de preto, muito jovem, muito magra (mas com peitinhos durinhos e salientes) e com uma beleza facial apolínea e arrebatadora, algo parecida com a musa inglesa Siouxsie Sioux. Como se aproximar desse encanto feminino pleno, pensou o jornalista sempre mega atrevido e já cheio de más intenções. Finaski fez então o que lhe veio à cabeça naquele instante: começou a cantarolar baixinho a letra do clássico do Echo, “The Killing Moon” (seguramente uma das canções mais lindas de toda a história do rock). “Isso é Echo & The Bunnymen!”, disse a garota, algo triunfante, após alguns segundos. Wow! O contato estava estabelecido! O papo entre ambos começou e não demorou muito para a dupla descer para um dos BANHEIROS do Madame, onde os malhos incendiários começaram. Mas Aninha (o nome da deusa) não cedeu fácil e disse que precisava ir embora. O casal trocou números de telefone (não havia ainda celulares, apps, nada dessas merdas tecnológicas dos fúteis e banais tempos atuais), começou a se falar com alguma frequência e também a se encontrar algumas vezes. E o jornalista rocker e eternamente loker, já com trinta e seis anos nas costas, começou a ficar perdidamente apaixonado pela garota pois ela era inteligentíssima para os seus parcos dezessete anos de idade, além de ser um xo xo ta ço. Só restava saber se ela também… FODIA gostoso. Algo que finalmente o gonzo loker descobriu na noite da gig do Echo em Sampa. Ele convidou a sua deusa e musa pra acompanha-lo ao show. Ela mais do que aceitou, imediatamente. Apresentação encerrada na Via Funchal, primeiro o casal foi beber drinks e dançar no finado bar Nias (que funcionava no bairro de Pinheiros e era muuuuuito legal). E já no meio da madrugada e louco pra COMER a garota, o zapper sugeriu: “vamos pro Madame Satã!”. Ana topou novamente no ato e o casal embarcou num táxi rumo ao casarão do bairro do Bixiga. Quando chegou na porta, para surpresa do jornalista, a mui tesuda adolescente se antecipou: “não quero entrar. Vamos pra algum HOTEL!”. Wow!!! Ela queria FODER! E nem precisou pedir duas vezes: saímos dali literalmente voando, em busca de algum muquifo próximo que pudesse abrigar nossos desejos carnais sórdidos, sujos e imorais. E como fodia miss Aninha… uma chupada esplendorosa no caralho e pelo menos duas gozadas em que a garota goth de apenas dezessete anos literalmente urrou com o pinto fináttico enterrado em sua boceta. Um pinto que ela apelidou naquela madrugada de “pau quilométrico”, ahahaha. O jornalista sempre carentão e taradão, GRUDOU na garota, óbvio. Queria namorar com ela. Mas a guria, que havia vindo de Mato Grosso Do Sul para morar e estudar em Sampa, estava vivendo na casa de uma tia quase NAZISTA no pensamento e comportamento. Tanto que os encontros entre ela e seu paquera jornalista eram quase às escondidas (a desculpa dela era sempre que ia sair com “amigas”). Desta forma o relacionamento acabou se tornando inviável, ainda mais que um acontecimento muito trágico marcou a convivência entre Zapnroll e a garota (e que já foi relatado neste mesmo blog, anos atrás). O casal se encontrou por mais duas vezes no final das contas, trepou como se não houvesse dia seguinte e Aninha sumiu por muitos anos. Procurou o autor deste blog novamente por volta de 2013, quando estava CASADA com um espanhol com o dobro da idade dela. Procurou, quis reencontrar o agora já envelhecido blogger ainda rocker e acabou DANDO pra ele novamente. E sumiu novamente. E hoje permanece nas melhores lembranças do autor destas linhas online como uma de suas aventuras carnais inesquecíveis, da época em que o rocknroll valia a pena, a noite de Sampalândia idem e o mundo ainda tinha bandas fantásticas como o Echo & The Bunnymen mobilizando multidões.

 

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FIM DE FESTA – POR ENQUANTO!

Yeeeeesssss! O postão ficou lindão e monstrão, néan. De modos que paramos mesmo por aqui. Afinal já é quinta-feira, 6 de setembro, véspera de mais um feriadon, e o blog vai descansar que ninguém é de ferro. Mas voltamos em breve com novo postão totalmente reformulado na sua pauta, prometendo inclusive publicar novo ensaio com mais uma tesudíssima musa rocker. E também em breve colocaremos na roda alguns pares de ingressos para você ir curtir a festona de quinze anos do blog de cultura pop definitivamente mais legal da web BR, ulalá!

Até mais então!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 6-9-2018,  às 3hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL! (falando dos shows da VELHARIA rock’n’roll que estão a caminho do Brasil, além do roteiro de baladas e dicas culturais do blogão) – Às vésperas da eleição 2016 (que acontece nesse domingo, quando o Brasil elege seus novos prefeitos e vereadores) o país TOTAL VIRA LATA revela a face mais FASCISTA, OGRA, REACIONÁRIA, INTOLERANTE e BESTIAL de uma sociedade e de um eleitorado que está mais IGNORANTE do que nunca; por isso mesmo o blog zapper fala dos vinte anos (que se completam agora, em 11 de outubro) da morte do inesquecível gênio Renato Russo, que marcou para sempre o rock brasileiro com sua poesia e sua intensa contestação política; e mais: o line up do Lollapalooza BR 2017; a REAL CENA INDIE NACIONAL (e não aquela criada pela “ilha da fantasia indie” de um certo blog “vizinho”), mostrada em um sensacional documentário; o blogão também político entrevista André Pomba, nosso candidato a vereador em Sampa; e mais zilhões de indicações de discos (como o novo das meninas do Warpaint e também do grupo paulistano Fábrica de Animais), shows, livros e baladas no roteiro cultural do blog que é campeão quando o assunto é cultura pop e rock alternativo (postão TOTALMENTE CONCLUÍDO, com ampliação final em 7/10/2016)

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O grande, clássico e inesquecível rock’n’roll da saudosa Legião Urbana (acima) é relembrado em histórias exclusivas nesse post, em homenagem aos vinte anos da morte de Renato Russo; mas o blogão também fala do novo rock planetário que ainda importa, resenhando o novo disco das garotas do Warpaint (abaixo)

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ÚLTIMAS DAS ÚLTIMAS, FECHANDO O POSTÃO

  • Abriram as portas de algum ASILO do rock’n’roll e um bando de VELHÕES vai aportar em terras brazucas até o final do ano e também em 2017. O já gagá Aerosmith e que toca no país ainda este mês, foi anunciado como uma das “novas” atrações do Rock In Rio 2017 – ou seja: as turnês caça níqueis por aqui agora são ANUAIS e na cara larga, uia! Fala sério…

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Eles já estão gagás, e tocam aqui este mês e ano que vem, no Rock In Rio 2017; pelamor…

  • Vai ter também New Order dia 1 de dezembro na capital paulista. Show único no Brasil. Ok, o último disco de estúdio deles, “Music Complete”, é muito bom. Mas ao vivo a banda já está CAIDAÇA há anos. Então essas linhas rockers online batem uma APOSTA como a gig do ex-baixista Peter Hook vai ser mais legal do que o show do NO. Peter toca dia 6 de dezembro, também em Sampa.

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O New Order (à esquerda) e o ex-baixista Peter Hook (à direita): os dois se apresentam em São Paulo em dezembro

  • E amanhã, sabadão em si, tem o Popload Festival, com Wilco e Libertines a infelizmente preços MEGA EXTORSIVOS. O blog não vai no evento (pois JAMAIS iria pagar o que estão cobrando pelos tickets), mas já escalou a queridona Tatiana Pereira para resenhar as gigs pra este espaço rocker blogger. Mas só de curiosidade, e a pergunta vai pro nosso prezado dear Luscious R.: os 8 mil ingressos já se esgotaram? Ou estão SOBRANDO e terão que ser QUEIMADOS na última hora?

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Tem Libertines (foto) e Wilco amanhã em Sampa; pena que o ingresso pra ver os dois seja um autêntico ASSALTO A MÃO ARMADA

  • Que beleza, hein! Outra banda “sensação” da “ilha da fanasia indie” que é o nosso blog “vizinho” (o Pobrel…, ops, Popload, hihi), o inútil Bonde Do Rolê, acaba de ter um SEGREDO revelado: um de seus fundadores também é um dos fundadores do direitista e reacionário Movimento Brasil Livre (o detestável MBL). Oxe, será que Luscious R. também está se tornando um jornalista musical de DIREITA e reaça? Será???

 

  • Fim de transmissão. Semana que vem tem mais!

 

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A RUÍNA DO PT E A LIÇÃO QUE A ELEIÇÃO DO ÚLTIMO DOMINGO NOS DEIXA

O autor deste blog nunca foi petista de carteirinha, mas durante anos simpatizeou muito com o partido e com muitos de seus quadros. Votou em Lula, votou em Dilma (assume sem o menor constrangimento mas com algum arrependimento, principalmente na sua reeleição já que seu segundo mandato foi mesmo um desastre). Sempre amou o velhinho do coração de todos nós, o gigante (na moral e ética irrepreensíveis) Eduardo Suplicy (um dos políticos mais DIGNOS da imunda política brasileira; não por acaso ele acaba de se eleger como o vereador mais votado dessas eleições na capital paulista). Continua sendo fã do infelizmente derrotado Fernando Haddad e também DETESTA muita gente no petismo (Zé Dirceu, por exemplo).

Mas as eleições do último domingo deixam um recado INEQUÍVOCO ao PT: o partido está ARRUINADO, e por sua própria culpa (não à toa quadros históricos e ultra honrados do petismo, como Luiza Erundina, foram abandonando a legenda ao longo dos anos e quanto mais ela se distanciava dos princípios que nortearam sua fundação). Ele se tornou apenas mais um partido igual a todos os outros e a tudo que ele combatia na política – corrupção, bandidagem, pilantragem, roubo na cara larga. Sim, ainda há muita gente digna e honesta ali, mas não dá pra negar que o petismo se transformou num antro de ratazanas graúdas e que se locupletaram quando assumiram o poder e o controle da maquina pública.

Deu no que deu: Haddad derrotado em São Paulo. Os candidatos do partido FORA de quase todas as disputas de segundo turno nas capitais brasileiras (exceções: Rio Branco, no Acre, onde o candidato do partido já levou no primeiro turno, e em Recife, onde o PT está no segundo turno) e por aí vai. Tudo já seria bastante digno de tristeza mas a GRANDE TRAGÉDIA petista ainda produziu mais um efeito DESASTROSO na política: a ruína petista ainda deu combustível para que as forças políticas de direita, reacionárias e conservadoras ao máximo (bem ao gosto do grosso da sociedade brasileira atual) AVANÇASSEM COM TUDO nessas eleições – o Fantástico da Rede GOLPE de televisão  informou (em matéria feita por Roberto Kovalic, um ótimo repórter diga-se) que o PT é o grande derrotado dessas eleições. E os grandes vencedores são os lastimáveis PSDBosta e PMDBosta, dois partidos ainda mais BANDIDOS e quadrilheiros do que o petismo. Só que o PSDB, hoje partido quase de direita (e que também não tem mais nada a ver com os princípios que nortearam a sua fundação) e adotado pela elite suja e egoísta desse país, pode roubar à vontade pois ele conta com a benevolência de parte das instituições jurídicas brasileiras (setores do MPF e dos MPEs, da PGR, da PF e eventualmente até do STF e do STE, né Gilmar Mendes e Sergio Moro). E conta com TOTAL APOIO das grandes corporações de mídia – a FALHA de São Paulo só faltou estampar uma tarja em suas capas ao longo da campanha, dizendo ao leitor: “votem em João Escória, a Folha garante!”.

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E enquanto o PT naufraga sem dó, a esquerda mais à esquerda avança – olha lá o pequeno PSOL (hj muito mais ético do que o atual PT e com nomes bacaníssimos em sua legenda, como a própria Erundina e também Marcelo Freixo, Chico Alencar etc.) disputando o segundo turno no Rio De Janeiro e em Belém, aliás os eleitores dessas duas capitais estão de parabéns por colocar o partido no segundo turno, dando uma LIÇÃO DE INTELIGÊNCIA POLÍTICA ao total conservador e ignorante eleitor paulistano.

Infelizmente é isso. Não há mais saída para o PT. Ele precisa ser IMPLODIDO e REFUNDADO. E com urgência.

 

Adendo: Fernando Haddad cometeu erros e equívocos em sua gestão, sem dúvida – ele é humano e, como tal, falível. Mas seus acertos foram muito maiores do que os erros. Fez uma gestão quase VISIONÁRIA e que daqui a muitos anos, se houver justiça, será reconhecida e terá enfim seu valor admitido.

 

A GIG FODÍSSIMA DO GRUPO HARRY NO ÚLTIMO SÁBADO EM SAMPA

Yep, o combo electro rock do vocalista Johnny Hansen se apresentou no último sábado em Sampa, na Clash Club. Era a gig de lançamento de “Electric Fairy Tales”, a versão rocker do disco lançado pela banda em 1988, e que se tornou um dos marcos do indie rock nacional quando ele acontecia sem a ajuda de redes sociais, de apps, de internet e celulares (já que não havia nada disso). Uma cena fodíssima (e não essa droga atual, que só é incenssada na “ilha da fantasia indie” criada por dear Luscious Ribeiro em seu blog também fantasia, o Popload) e um banda (o Harry) que estava tão à frente do seu tempo que seu som permenece moderníssimo até os dias atuais.

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Hansen (acima), guitarrista e vocalista do grupo Harry (abaixo) comanda o esporro rock eletrônico da banda, no último sábado na capital paulista

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O set foi porrada (com guitarras em chamas, a cargo do “véio” Hansen) e empolgante, fazendo o público pular e dançar com gosto – e foi bem mais gente na Clash do que estas linhas bloggers imaginaram que iria.

 

Valeu, Harry! Que a banda permaneça assim por mais três décadas, hehe.

 

(as fotos, ótimas, que ilustram este texto são de Jairo Lavia)

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O país bestial e total vira lata e as eleições deste domingo.

São os temas que dominam as atenções de todos (nos noticiários dos veículos de mídia, impressos, eletrônicos, digitais, em revistas, jornais, TVs, rádios, sites, blogs etc, etc.) esta semana. Nem poderia ser diferente, com a eleição para novos prefeitos e vereadores batendo à nossa porta – ela acontece amanhã (a primeira parte do novo postão de Zap’n’roll está entrando no ar já na tarde do sabadão) em todo o Brasil. Fora que os acontecimentos das últimas semanas e o quadro político, econômico e social mega tenebroso reinante no país nesse momento praticamente obriga o blog a falar muito em política por aqui, mesmo sendo este um espaço virtual eminentemente dedicado a cultura pop e ao rock alternativo já há mais de treze anos ininterruptos. Pois de semanas pra cá o Brasil assiste algo estupefato a uma série de eventos bastante aterradores: os crimes de conotação política que já mataram mais de vinte candidatos por todo o país nos últimos meses (transformando a terra brasilis num autêntico faroeste caboclo), o avanço da violência social, o aprofundamento da crise econômica (e que nesta semana totalizou doze milhões de desempregados no país) e, muito por conta disso tudo, o AVANÇO das candidaturas políticas ultra conservadoras e de direita – não à toa, quem está melhor colocado nas pesquisas de intenção de voto nas duas maiores cidades do país (São Paulo e Rio De Janeiro) são nomes como bispo Crivella (evangélico e pertencente ao nanico e escroque PRB, no Rio) e João Doria e Celso Russomano (em Sampa). E não à toa TAMBÉM o Tribunal de Justiça de São Paulo anulou na última semana a sentença que condenava setenta e quatro PMs paulistas pela matança ocorrida no tristemente célebre massacre do Carandiru, ocorrido em 1992. É como se a (in) Justiça brasileira OFICIALIZASSE o “bandido bom é bandido MORTO” e concedesse licença OFICIAL para a polícia MATAR indiscriminadamente. Diante desse quadro tão tenebroso vale lembrar da pergunta/exclamação que o gênio Renato Russo já havia feito quase trinta anos atrás à frente da inesquecível Legião Urbana: “QUE PAÍS É ESSE???”. Russo se foi há exatos vinte anos (que serão completados no próximo dia 11 de outubro, quando este post ainda estará no ar) e por isso ele e sua obra musical é um dos destaques do postão que você começa a ler agora. Um postão sendo publicado na véspera de mais uma eleição e onde as perspectivas de mudanças na política e na sociedade brasileira parecem cada vez mais sombrias e/ou remotas. Está na hora, de verdade, de todos nós fazermos uma reflexão profunda sobre o que queremos de fato para nós (como cidadãos) e para o país. E se estas linhas rockers online puderem ajudar nessa reflexão, ótimo. Do jeito que a situação está é que não pode ficar. Então bora começar a leitura de mais um post zapper, sempre do lado do seu dileto leitorado.

 

 

  • O blog já declarou publicamente seu voto para as eleições de amanhã, domingo. Nosso candidato a vereador em Sampa é o DJ e agitador/produtor cultural André Pomba, com quem Zap’n’roll bateu um papo essa semana e cujo resumo desse papo você lê mais aí embaixo, nesse mesmo post. Para prefeito no primeiro turno: Luiza Erundina ou Fernando Haddad (iremos decidir amanhã, após verificarmos as últimas pesquisas de intenção de voto). E estas linhas bloggers fazem o apelo aos seus leitores: NÃO DESPERDICE SEU VOTO AMANHÃ!

 

 

  • E já indo pro rrrrrock nas notas iniciais (que a correria tá grande por aqui, em pleno sabadão), o destaque da semana que está chegando ao fim foi mesmo o anúncio do line up do festival Lollapalooza BR em sua edição vindoura de 2017 (rola nos dias 25 e 26 de março em São Paulo, no autódromo de Interlagos). O que já era esperado foi oficializado pela produção do evento: o insuportável Merdallica é o headliner do festival. Mas também vai ter The Strokes (eba!), Duran Duran (novamente: eba!) e The XX (wow!) entre outros (veja o quadro aí embaixo). Como sempre o esquadrão intermediário de atrações será duro de engolir/assistir mas ao que parece o Lolla BR 2017 está um tiquinho melhor do que as duas últimas edições. Já o preço dos ingressos não mudou nada: continua um ASSALTO à mão armada ao bolso dos fãs.

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O line up da edição 2017 do Lollapalooza BR (acima): os Strokes (abaixo) voltam ao Brasil e são uma das atrações do festival

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  • Quem também está promovendo assalto ao bolso do fã de rock é o Popload Festival. Não custa lembrar: para ver Wilco, Libertines etc semana que vem em Sampa (sábado, dia 8 de outubro) quem se interessar terá que desembolsar até quase 800 pilas por um ticket (da famigerada pista vip, antes tão combatida pelo prezado jornalista Lúcio Ribeiro, um dos produtores do festival). Não só: o evento perdeu o show da banda americana Battles (que desistiu de vir e na real não vai fazer falta alguma) e, pior, causou irritação nos fãs do Wilco devido a enooooorme confusão que foi a venda online ontem dos ingressos para o show extra a preços populares (vinte dinheiros) que o grupo americano faz no dia 9 (domingo) no auditório Ibirapuera. Vai mal o Popload festival desse jeito…

 

 

  • Aí vem aquela notícia redentora para a galera indie rocker e fã do graaaaande e saudoso Sonic Youth: a ex-baixista da banda, a deusa e musa loira Kim Gordon, vai fazer duas gigs neste mês em Sampa, nos dias 21 e 22 de outubro no SESC Pinheiros. Preço do ingresso: suaves sessenta pratas.

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Zap’n’roll ao lado da musa, deusa loira e baixista Kim Gordon, no backstage do festival Claro Que É Rock, em novembro de 2005 em Sampa, ao final da gig do Sonic Youth no evento; Kim se apresenta novamente na capital paulista no final desse mês

  • Pois então: se um show da Kim Gordon numa unidade do SESC pode custar apenas sessenta mangos pro bolso de quem quiser ir, vem a pergunta que não quer calar: por que tanto o Lollapalooza BR quanto o Popload Festival precisam cobrar quase MIL REAIS por um ÚNICO ingresso? Hein???

 

 

  • Bien, vamos nessa. Novo postão zapper entrando a toque de caixa no ar, com sua primeira parte. Calma que vai vir muito mais por aqui ao longo da semana vindoura, inclusive nas notas iniciais que irão sendo atualizadas e ampliadas caso algo relevante mereça ser comentado aqui. Mas por enquanto vamos direto aí embaixo, quando relembramos com histórias inéditas de bastidores os vinte anos sem Renato Russo, o gênio que criou e cantou à frente do gigante Legião Urbana.

 

 

11 DE OUTUBRO DE 1996 – HÁ VINTE ANOS O ROCK BR DOS 80’ PERDIA SEU GÊNIO MAIOR, RENATO RUSSO

(E ZAP’N’ROLL ESTAVA LÁ NO OLHO DO FURACÃO, ACOMPANHANDO TODA A TRAJETÓRIA DA INESQUECÍVEL LEGIÃO URBANA)

Renato Manfredini Jr., ou Renato Russo, fundador e vocalista do grupo brasiliense Legião Urbana, tinha trinta e seis anos de idade quando morreu (em decorrência de complicações causadas pela AIDS) há vinte anos, em 11 de outubro de 1996. A Legião então já existia há quase quinze anos e havia se tornado a maior banda do rock BR dos anos 80’, com discos clássicos em sua discografia, milhões de cópias vendidas de seus álbuns e uma legião gigantesca de fãs espalhados por todo o país. E Zap’n’roll acompanhou muito de perto toda a trajetória da banda de Russo, Renato Rocha (o baixista Billy, também já falecido), Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá.

O que o blog viu, ouviu e viveu ao som da Legião Urbana? Isso daria um LIVRO aqui, de umas 200 páginas mais ou menos. De 1982 a 1994 o autor destas linhas bloggers rockers assistiu a exatamente DEZ SHOWS do grupo. O primeiro, em alguma noite do segundo semestre de 1982, num buraco chamado Napalm e que ficava na rua Marquês de Itú, no centrão de São Paulo. Era um muquifo pós-punk pré-Madame Satã e numa noite a Legião tocou lá. Ainda com Renato Russo tocando baixo e cantando (Renato Rocha, o negão, entraria no conjunto um ano depois). Não havia mais do que 50 pessoas ali e Finaski era uma delas. Três anos depois, em 1985, lá estava o futuro jornalista na Devil Discos, na Galeria do Rock (centro de São Paulo), comprando o primeiro disco do grupo, “Legião Urbana”, aquele de capa branca e apenas com uma foto p&b da banda na frente e verso da capa. Zap’n’roll era BANCÁRIO (imaginem… duramos menos de um ano na profissão), tinha deixado de ser punk (foi durante 4 anos) e aquele disco de capa branca do quarteto de Brasília possuía algumas das melhores músicas que já tínhamos ouvido na vida no então nascente rock BR dos anos 80’.

Pouco mais de um ano depois (em meados de 1986) o jovem zapper acabara de estrear como jornalista profissional numa revisteca chamada Rock Stars, e começou a ganhar CONVITES e credenciamentos para ir a shows. Foi quando finalmente viu a Legião pela segunda vez em um palco: foi num sábado à noite, no SALÃO DE FESTAS do Palmeiras (não, não foi no estádio). Aí já havia umas mil pessoas ali pois além de as músicas da Legião estarem tocando nas rádios, também tocaram no mesmo show o Ira! (já com seu primeiro álbum lançado) e o Capital Inicial (que estava prestes a lançar seu primeiro LP pela Polygram, atual Universal Music). Foi um show tríplice empolgante (o jovem jornalista foi com o seu primo que estudava medicina e que hoje é um respeitável médico cinqüentão e evangélico) e mais uma vez teve a certeza de que a Legião era a GRANDE banda brasileira de então. Foi também a primeira vez que trocou algumas palavras com Renato, no camarim após o final do show.

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Agosto de 1990: a Legião Urbana está no auge, só toca em estádios lotados na turnê do disco “As Quatro Estações” e o jornalista zapper registrou o maior fenômeno do rock BR dos anos 80′ nas páginas da revista IstoÉ (acima e abaixo)

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Em dezembro daquele mesmo 1986 a Legião Urbana voltou a São Paulo para apenas um único show e só com ela mesma no palco. O disco “Dois” havia sido lançado meses antes, estourou nas rádios e em vendagem (mais de meio milhão de discos vendidos em poucos meses) e o grupo de Renato, Dado, Bonfá e Renato Rocha simplesmente LOTOU o ginásio do Ibirapuera, colocando 15 mil pessoas ensadencidas lá dentro.

A partir daí a Legião se tornou gigante e o sujeito aqui também foi crescendo e se tornando conhecido como jornalista musical. Em questão de dois anos passamos a colaborar com a revista Somtrês (então dirigida por Maurício Kubrusly, hoje repórter do quadro “Me leva Brasil”, do Fantástico), depois nos tornamos repórter da revista semanal IstoÉ, do Caderno 2 do jornal O Estado De S. Paulo e mais adiante da revista mensal de estilo e comportamento Interview (poderosíssima naquela época). Foi nesse período, entre 1988 e 1994, que o agora já bem conhecido repórter musical entrevistou a Legião Urbana para matérias gigantes que renderam uma “páginas vermelhas” da IstoÉ (o entrevistão que abre todas a edições da revista até hoje), um matéria de abertura da editoria de Cultura da mesma IstoÉ (na edição de 1 de agosto de 1990; era a turnê do disco “As Quatro Estações”, a maior feita pela banda até então e onde ela só estava tocando em estádios para 40 mil pessoas; acompanhamos umas quatro gigs dessa turnê para poder fazer a matéria, que ocupou três páginas da revista), uma matéria de três página na Interview (edição de janeiro de 1994) e, por fim, uma capa inteira do extinto caderno Folhateen, da Folha De S. Paulo. Nessa época o autor deste blog já era muito próximo da turma toda (inclusive do Rafael Borges, o poderoso manager do conjunto) e rolou um fato bizarro em relação a matéria da Folha: a banda estava estourada (“As quatro estações” havia vendido mais de um milhão de cópias e pelo menos cinco faixas do disco tocavam sem parar em tudo quanto era rádio, desde as fms mais roqueiras às mais bregas) e não tocava há 4 ANOS AO VIVO em São Paulo. Haveria dois shows na capital paulista em setembro, novamente no Palmeiras – e desta vez no ESTÁDIO, com público estimado em 45 mil pessoas em cada noite. A Folha, que se auto-proclamava “o maior jornal do Brasil”, TINHA que dar uma matéria com a banda, de preferência entrevistando-a. Mas o que rolou? Renato se negava terminantemente a falar com o jornal dos Frias desde que o disco “Que País É Este!”, lançado pelo quarteto em 1987, havia sido chamado de “esquálido” em uma resenha assinada pelo crítico Mario Cesar Carvalho no caderno Ilustrada.

Como foi “quebrada” a resistência de Russo em falar com a Folha e saiu enfim a matéria de capa INTEIRA no caderno Folhateen? Simples: um dia Finas resolveu ir na redação da Folha (vivíamos fazendo alguns frilas pra lá) e chegou pra Noely Russo (então editora do Folhateen e que não ia nem um pouco com a cara deste jornalista), dizendo: “se você quiser eu CONSIGO falar com eles e faço a matéria pro caderno”. Ela olhou com total ar de desdém e respondeu: “pode tentar. Se conseguir, a capa do caderno será sua”. Passamos duas semanas enchendo o saco do Rafa por telefone (não havia e-mails, internet, cels, apps, nenhuma dessas porras malditas de hoje em dia) pra conseguir a entrevista, argumentando que seria Finatti quem iria fazer, que iríamos pro Rio ao encontro da banda e bla bla blá. Até que um dia ele respondeu: “Venha pra cá na segunda-feira. Eles vão falar com você. E vão dar a entrevista pra Folha porque é VOCÊ quem vai fazer. Senão não ia rolar”. Moral da história: uma semana antes dos shows em São Paulo em 1990, o Folhateen da FolhaSP dava Legião Urbana na CAPA INTEIRA do caderno, em matéria assinada pelo sujeito aqui. Pra talvez um certo desgosto de miss Noely Russo (onde andará ela, afinal?), rsrs.

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Capa (acima) e reportagem gigante (abaixo) da revista Interview, edição de janeiro de 1994, com matéria com a Legião assinada por Finaski

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Os últimos shows que vimos da Legião foram no final de 1994, ambos no ginásio do Ibirapuera novamente. Era a turnê do álbum “O descobrimento do Brasil” e na primeira noite, quinta-feira, o ginásio não chegou a lotar. Na sexta, tinha gente pendurada no teto. E Zap’n’roll lá, já muito amigo de toda a banda, com nossa sempre credencial “all acess” pendurada no pescoço. Foi nesse último show que vimos deles que, já no bis, Renato Russo foi ao microfone e disse: “a gente vai tocar uma música agora que não tocamos ao vivo faz um tempo já. Mas como um AMIGO nosso pediu ontem pra gente tocar, então vamos tocar”. O “amigo” era este velho Finaski, que na noite anterior e depois do show, já papeando com Russo e a turma no lobby do hotel Maksoud Plaza (onde o conjunto estava hospedado), pediu ao se despedir: “toca ‘Ainda É Cedo’ amanhã. Faz tempo que vocês não a tocam ao vivo”. Russo: “vamos ver Humberto, vamos ver…” (yep, ele estranhamente me chamava pelo primeiro nome, Humberto).

O último show da banda na verdade foi em janeiro de 1995, em Santos. Finaski ligou pro Rafael no Rio e pediu dois convites (o repórter já trintão e doidão namorava com a Greta, uma crioulaça de 19 anos de tetas gigantescas, que estava entrando no curso de Letras na USP e que amava Smiths, Doors, poesia e Legião Urbana; e além de tudo era uma foda do inferno e que amava engolir porra). Ele disse ok, sem problema. O show foi num sábado à noite. O zapper estava morando num apê antigo e grandão no Cambuci, que dividia com o fotógrafo e até hoje querido amigo Luiz Carlos Leite. O final da história é que a Greta chegou no apê, estávamos ambos com uma preguiça gigante de ir parar em Santos, e acabamos preferindo ficar trepando e depois fomos dormir. Foi o ÚNICO show da Legião para o qual o blogger loker tinha CONVITES e deixou de ir. E curiosamente, foi o último da trajetória do grupo.

Nunca mais o blog viu Renato. Ele morreu em 11 de outubro de 1996, aos 36 anos de idade, em decorrência da Aids. E o blog soube da morte dele no meio da tarde daquele dia 11. Morávamos então numa kit na avenida 9 de julho que era a própria sucursal do inferno, e lá vivia me entupindo de cocaína e whisky. Ainda trabalhava na Interview mas a revista já estava pra fechar as portas. E o já muito junkie jornalista musical havia passado uma noite infernal na kit, aspirando quilos de pó com dois ou três amigos. Fritou a manhã toda do dia 11 de outubro. Quando enfim sentiu-se minimamente em condições de sair do apto foi até a rua 7 de abril, no escritório que a queridona amiga Sandra Otilia tinha lá. Finas foi ver se ela queria almoçar junto com o loki aqui. E quando chegou a primeira coisa que ela disse foi: “seu ‘amigo’ Renato Russo morreu essa madrugada, você ficou sabendo?”. Aquilo acabou de vez com o dia já total cinza de Zap’n’roll e que já havia começado da pior forma possível.

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Credencial de um show da Legião Urbana em 1988 (acima), fechado apenas para convidados e no qual o blog esteve presente; abaixo, Zap’n’roll se reencontra com o guitarrista da banda, Dado Villa-Lobos, durante lançamento da sua biografia em Sampa ano passado

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A Legião foi o MAIOR nome do rock BR dos 80’, fato. Renato Russo foi gênio, outro fato (e não adianta amigos como Claudio Medusa, Luiz Calanca e outros desafetos legionários que adoramos dizer que a banda era péssima e Renato uma bicha afetada sem estofo poético; suas letras até hoje são debatidas em aulas de Português em escolas de ensino fundamental, médio e até em cursos de Letras de faculdades). E mais: não vai mais haver bandas com a capacidade musical e textual que a geração 80’ teve, pode esquecer. A cena independente nacional está caindo pelas tabelas (só Lucio Ribeiro, na sua iludida Popload, é que acha que essa cena está “madura”, ahahahaha), bandas não vendem mais discos muito menos enchem casas onde não cabem nem 300 pessoas (deu dó ver um puta grupo como Los Porongas tocando, semanas atrás, para menos de 50 pessoas no bar Z Carniceria, no bairro paulistano de Pinheiros). Estamos mesmo no fim da história do rock e da cultura pop (e talvez da própria humanidade), vivendo tempos de hits relâmpagos, medonhos e esquecíveis como “Tá tranqüilo, tá favorável”, “Gordinho gostoso” e “Metralhadora”.

O que ficou e o que irá ficar ainda por gerações e gerações é a obra de gente como Renato Russo, Cazuza, Cássia Eller, Mutantes, Chico, Caetano, Gil, Dylan, Lennon, Ian Curtis, Morrissey, Kurt Cobain. O resto, de 2000’ pra cá, mais cedo ou mais tarde estará totalmente esquecido e soterrado pela poeira inclemente do tempo.

E este velho jornalista rock’n’roll se sente de certa forma nostálgico e melancólico por saber que tudo da grande na música já foi criado, já passou e se foi. Mas também se sente igualmente contente e com um sorriso no rosto ao olhar para trás e pensar: “sim, eu estava lá. E vivi tudo aquilo de perto. Sorte a minha”.

 

 

LEGIÃO URBANA – OS CINCO PRIMEIROS DISCOS, CLÁSSICOS E IMBATÍVEIS

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E O GRUPO AÍ EMBAIXO

Em também cinco vídeos e áudios de canções inesquecíveis, incluso o show completo que o conjunto fez em 7 de julho de 1990 no Jockey Club do Rio De Janeiro, para cinqüenta mil pessoas.

 

 

ZAP’N’ROLL ORGULHOSAMENTE APRESENTA:

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OU: A GRANDE CENA INDIE QUE EXISTIU NO BRASIL – E NÃO É ESSA ATUAL, CRIADA PELA ILHA DA FANTASIA DE UM CERTO BLOG DE CULTURA POP

Foi emocionante (e também um pouco nostálgico, o blog assume) assistir semana passada a última exibição (dentro do festival de documentários musicais “InEdit Brasil”) do documentário “Time Will Burn – o rock underground brasileiro do início dos anos 90’”. A sala do cine Olido (no centrão rocker de Sampa) não lotou, mas recebeu um bom público (havia uma garotada nova por lá mas a maioria da platéia era composta por tiozões como o autor destas linhas bloggers, rsrs) que aplaudiu o doc de pé ao final da exibição.

O blog escreveria um livro aqui para falar sobre o documentário e também sobre uma cena que acompanhamos totalmente de perto (como fã de rock e como jornalista musical), há 25 anos. Vimos zilhões de shows das bandas mostradas no filme (Pin Ups, Killing Chainsaw, Second Come, Mickey Junkies, DeFalla etc.), freqüentamos quase todos os lugares mostrados (o Retrô em São Paulo era o nosso segundo lar, rsrs; fora que também fomos no Aeroanta, Urbania, Der Temple, Cais etc, etc.) e, enfim, convivemos com a turma dessas bandas todas. Então rever essa cena e essa história toda na tela só ratificou para este jornalista (e para todos que estavam na sala de exibição) que o Brasil já teve, sim, uma cena rock independente SENSACIONAL, mas que infelizmente ficou para sempre aprisionada nos anos 90’. E era um cena grandinha, com ótimas e numerosas bandas e que chegou a atrair bom público pras suas gigs. Exemplo: em determinado momento do doc um dos integrantes do grupo carioca Second Come conta que o quarteto chegou a tocar para 800 pessoas (!!!) no Circo Voador.

E hoje? Hoje é esse DESASTRE que está aí. Uma cena inócua, lotada de bandas PÉSSIMAS e que não levam 30 gatos moribundos e pingados aos seus shows. Uma cena que só está BOMBADA e no seu MELHOR MOMENTO (hã???) na cabeça do prezado Lucio Ribeiro, que criou uma delirante ilha da fantasia indie no seu blog, Popload. Vamos ver até quando ele consegue sustentar essa ilha… aliás, vem cá querido Luscious, nos diga (e batemos uma APOSTA com você): essas bandas que o Sr. menciona no seu blog (Inky, FingerFingerrr, Dom Pescoço etc) conseguem, que seja, enfiar 100 PESSOAS em um show delas com ingresso PAGO pelo público, em algum lugar? Zap’n’roll DU VI DA!

A diferença entre a indie scene nacional dos 90’ e a de hoje é muito clara e óbvia: ali se fazia rock BARULHENTO, com guitarras estridentes e cantado em inglês. Rock é isso, não? Hoje em dia todo mundo canta em português (sofrível e com letras não raro vexatórias em sua verve simplória e adolescente) e insiste em tentar misturar rock de guitarras com a malemolência da MPB tradicional. Não dá, não rola. Se é pra tocar rock que se ponha a guitarra, a distorção e os amplis no talo. Se é pra ser MPB (nada contra, adoramos MPB que seja ÓTIMA, bem composta e classuda), que se tire as guitarras barulhentas e a distorção e o noise das músicas, simples.

Faltou algo em “Time Will Burn”? Sim, sempre falta, né? Sentimos não terem falado do brincando de deus (da Bahia), do Low Dream (de Brasília) e do Sonic Disruptor (de Guarulhos), uma trinca de guitar bands fantástica ali do início dos anos 90’, e que este Finaski mesmo na época apresentou aos leitores da revista Dynamite numa matéria de duas páginas – enquanto isso onde estava mesmo dear Luscious, o homem da Popload? Provavelmente começando sua carreira de jornalista e fazendo bem o que faz até hoje: falando de algum hype irrelevante da gringa e que depois de um tempo ninguém mais vai lembrar do que se tratava.

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O já lendário quarteto indie guitar paulistano Pin Ups (acima, em sua formação clássica dos anos 90′) é um dos destaques do documentário “Time Will Burn”, que mostra a REAL E GRANDE cena indie que existiu no Brasil (e não é essa que é  mostrada a todo instante nos posts do blog Popload); abaixo cena do documentário “Guitar Days”, que foca na mesma cena indie guitar br dos anos 90′ e que ainda vai ser lançado, com depoimento do autor deste blog

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Agora é esperar pelo também documentário “Guitar Days”, produzido e dirigido pelo querido Caio Augusto (quando ele será lançado, afinal?), que foca na mesma cena mas que aparentemente é bem mais abrangente – sendo que neste doc o velho jornalista loker/rocker aqui aparece dando depoimento, hehe. Enfim, são dois docs que mostram o que era e o que foi, de fato, a grande cena rock independente brasileira em todos os tempos. Ou vocês acham que daqui a 20 anos alguém vai se preocupar em fazer um documentário falando de O Terno, FingerFingerrr, Dom Pescoço ou algum desses aí da ilha da fantasia indie da Popload?

 

  • E mais: também na semana passada a cantora Céu fez gig gratuita na área externa do MIS (Museu da Imagem e do Som de São Paulo). Abrindo pra ela estava Aninha Martins, pretinha total delicious e uma das maiores revelações da novíssima cena indie de Recife. O show foi gratuito e lotou. Mas claaaaaro que o blog “vizinho” Popload nunca ouviu falar de Aninha Martins.

 

  • Já o lendário, célebre e mega respeitado selo indie paulistano Baratos Afins (dirigido há três décadas pelo queridão Luiz Calanca, um dos produtores musicais que mais entendem de rock independente nesse país) acaba de lançar o segundo CD do quinteto paulistano Fábrica de Animais, combo rock’n’roll porrada de ótimas guitarras rockers e algo bluesy e que tem como vocalista a atriz de teatro Fernanda D’Umbra. Como? A Popload também não conhece essa banda e nunca falou dela? Sem problema: o blogão zapper dá o serviço e resenha o novo disco do FA no final desse post.

 

  • E por fim, pra registrar: o logotipo especial desse post foi criado pelo artista gráfico agitador cultural, músico e vocalista Falcão Moreno, que canta na banda Coyotes California, quarteto bacaníssimo da zona leste paulistana e que já possui dois discos lançados. Com quase uma década de existência e tendo no seu som as melhores influências do rock funky de grupos como Red Hot Chili Peppers e Faith No More, o CC também NUNCA foi sequer mencionado no nosso blog “vizinho”, uia! Vai mal a ilha da fantasia indie por lá hein!

 

 

TÓPICO POLÍTICO – NA VÉSPERA DA ELEIÇÃO MUNICIPAL O BLOG ENTREVISTA O CANDIDATO A VEREADOR ANDRÉ POMBA

O jornalista, músico, produtor e agitador cultural, DJ e presidente de ONG (a Associação Cultural Dynamite) André Pomba, enfrenta novamente uma disputa político/eleitoral neste domingo. Ele que já foi candidato a vereador e deputado federal em pleitos anteriores, agora se lança novamente na corrida por uma vaga na camara de vereadores da capital paulista. Aos cinqüenta e dois anos de idade, Pomba é candidato pelo Partido Verde (foi filiado ao PSDB por duas décadas mas se desligou do partido tucano há cerca de quatro anos) e com uma plataforma bacana, que privilegia áreas como a cultura (em especial a música e o rock) e temas como a diversidade sexual – gay assumido, ele é um dos militantes LGBT mais aguerridos de São Paulo.

O autor deste blog conhece André Pomba há mais de vinte anos e o tem como um de seus melhores amigos. É uma relação de amizade e profissional que começou em janeiro de 1993 e que perdura até os dias de hoje, tempo em que Zap’n’roll atuou como repórter da extinta revista Dynamite, também do portal Dynamite online (WWW.dynamite.com.br) e, por fim, como editor do blog Zap’n’roll, que começou no portal para depois ganhar vida e endereços próprios na web. Portanto, nada mais natural que estas linhas rockers mas também políticas abram espaço neste post para que Pomba exponha suas idéias e seus objetivos caso consiga se eleger. O bate-papo com ele rolou esta semana e os principais trechos da entrevista você confere abaixo.

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Dupla dinâmica e inseparável há duas décadas: Zap’n’roll e o produtor cultural e candidato a vereador André Pomba

 

Zap’n’roll – você já concorreu a cargos políticos em eleições passadas (para vereador mesmo, em 1992, e mais recentemente para deputado federal) e não conseguiu se eleger. Quais são as perspectivas dessa vez, para a eleição deste domingo próximo?

 

André Pomba – Quando você não tem recursos, justamente vai ampliando a base. A promeira eleição fui lançado para preencher chapa e mesmo assim tive 1500 votos. Já para deputado tive quase 7000 e foi para preparar esta agora a vereador, aonde tenho chances reais, devido a alta renovação que deve ter a Câmara Municipal e a desilusão com os políticos profissionais.

 

Zap – há um consenso generalizado de que a política brasileira se tornou a mais imunda do mundo e que ela precisa mudar com urgência. O fato de ter sido proibida nessa eleição o financiamento de candidatos por empresas privadas já seria um avanço no sentindo dessa mudança urgente e necessária? O que mais, na sua opinião, é preciso mudar na política brasileira?

 

Pomba – Costumo dizer que a política brasileira é pior do que a retratada no seriado americano House of Cards. Realmente o fim do financiamento privado nivelou um pouco mais as chances, embora deve ter ampliado o caixa dois e o dinheiro sujo (corrupção, tráfico). Esperamos que o TSE e o STF puna realmente os criminosos da política, para que os honestos e sem recursos, mas com grande capacidade e história possam se eleger. Para melhorar ainda mais, essa punição e consequente cassação teríam que ser mais ágeis.

 

Zap – você possui um histórico de ativismo cultural (em especial na música e no rock) e em favor da diversidade sexual. É presidente de uma ONG dedicada a projetos culturais e inclusão social, além de ativo militante LGBT. Pretende, se eleito, dar ênfase a essas questões durante seu mandato?

 

Pomba – Costumo dizer que minha atuação será focada em 4 itens: Cultura, diversidade, sustentabilidade e a defesa da noite paulistana. Na área de diversidade, quero discutir a criação de casas de acolhida, para jovens e adolescentes que são expulsos ou vítimas de violência em suas casas e pretendo apresentar uma lei anti-discriminação municipal que puna toda forma de preconceito (racismo, machismo, homofobia, transfobia, de origem, contra pessoas com deficiência etc). Dentro da área cultural pretendo revalorizar as casas de cultura nos bairros, hoje abandonadas; quero cobrar a implantação de um programa de incentivo municipal de cultura; quero efetivar a obrigatoriedade do ensino de música nas escolas e reforçar o caráter de inclusão social através da cultura. Na área de sustentabilidade, pretendo focar na questão do lixo (reciclagem e compostagem), bem como defender com unhas e dentes as parcas áreas verdes da cidade hoje ameaçadas pela especulação imobiliária. Sou coordenador dos Movimentos Noite Paulistana e Em Defesa da Rua Augusta, e vou lutar pelo licenciamento online com renovação automática, apoiar a implantação do projeto São Paulo 24 horas e rever leis que prejudicam o funcionamento de estabelecimentos noturnos. E também buscar a valorização dos profissionais da área (DJs, barmen, hostess etc). Bom, tenho uma ampla gama de propostas e no meu site www.andrepombapv.com.br tem tudo o que defendo para a cidade de São Paulo e minha biografia.

 

Zap – E analisando num espectro mais amplo, o que é preciso ser melhorado em São Paulo através da gestão dos futuros novos vereadores?

 

Pomba – Justamente ter uma câmara mais independente e menos afeita a troca de apoio por cargos e verbas. Não votar em políticos que já estão lá há décadas!

 

Zap – um recado final para seus potenciais eleitores.

 

Pomba – Peço que domingo votem 43969. Porque eu tenho ficha limpa e um histórico de 30 anos de ativismo urbano em vários flancos. Um amigo meu disse que admira minha luta por juntar tribos e bandeiras antagônicas que pouco dialogam, mas que unidas teriam muito a ganhar, como demonstração de força. Rock, cultura, diversidade, sustentabilidade e a defesa da noite paulistana, para muito são temas menores, ante os graves problemas de uma cidade, mas ter essas bandeiras à frente não exclui você brigar por uma cidade com melhor transporte, saúde e educação. Pelo contrário, o empoderamento desses temas transversais ajuda e muito a termos uma cidade melhor e mais justa. E obrigado pelo espaço Finas, e parabéns pela Zap’n’Roll!

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

  • Disco, I: as meninas do americano Warpaint estão de volta após dois anos, e acabam de lançar “Heads Up”, seu quarto disco de estúdio. A banda continua mandando muito bem em sua proposta sonora (nuances de shoegazer e dream pop) e há momentos belíssimos no novo trabalho, sendo que o blog ainda vai voltar a falar melhor dele. Mas você conferir o discão na íntegra aí embaixo:

 

  • Disco, II: o quinteto paulistano Fábrica De Animais (que tem Fernanda D’Umbra nos vocais, Sergio Arara nas guitarras, Flavio Vajman na gaita, Caio Góes no baixo e Cristiano Miranda na bateria) chega ao segundo disco, homônimo, em lançamento do sempre antenado selo Baratos Afins. O procedimento musical do grupo não mudou em relação à sua estréia: ele deambula por planícies onde rock’n’roll de guitarras cruas e abrasivas se mixam a eflúvios bluesisticos – e aí entra em cena a sempre empolgante gaita de Flavinho Vajman. O cd abre porradão com “De quando lamentávamos o disco arranhado” e prosssegue em andamento acelerado com “Jogo de dardos”. Mas estas linhas online preferem os momentos mais calmos e bluesy do disco, como em “Tudo errado” e, principalmente, em “Erro”, onde Fernandinha (que também é atriz de teatro) dá show nos vocais com inflexões suaves e bem moduladas. É álbum pra se escutar em casa numa madrugada fria, de preferência acompanhado de um bom vinho e um baseado. E se as letras das músicas não são exatamente um primor em termos textuais, a banda compensa exibindo um dos já muito bons discos de rock nacional deste triste e já quase findo 2016, onde a indie scene nacional continua a definhar a olhos vistos. Mas é claaaaaro que o Fábrica De Animais, um dos poucos bons conjuntos da cena atual do rock BR, não vai ser mencionada JAMAIS no blog “ilha da fantasia indie” Popload, onde seu autor (mr. Lúcio Ribeiro) só fala de bandas “fodásticas” como FingerFingerrr (quem?), Dom Pescoço (quem??), Inky (quem???) e outras “sensações” da cena independente brazuca atual, uia! Pobres leitores do blog vizinho, hihihi. Pra saber mais sobre o FA, vai aqui: https://www.facebook.com/fabricadeanimais/. E se você interessou, para comprar o cd vai aqui: http://baratosafinsloja.com.br/fabrica-de-animais-fabrica-de-animais-de-quando-lamentavamos-o-disco-arranhado-cd-bra.html.

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  • Livro: “Transformer”, a biografia do saudoso e imortal gênio Lou Reed lançada há pouco no Brasil pela editora Aleph, é um ESCÂNDALO. Em quase quinhentas páginas o autor Victor Bockris esmiúça com profundidade a trajetória pessoal e artística do sujeito que deu ao mundo “apenas” o Velvet Underground, uma das bandas de rock mais influentes de todos os tempos. Lou foi o que todos os seus fãs sabem: controverso, polemico, genial, de temperamento explosivo e rude. De sua adolescência tomando eletrochoques em clinicas psiquiátricas (onde foi internado pelos pais, pois assim eles acreditavam que Reed deixaria suas tendências homossexuais e se tornaria um jovem “normal” e socialmente aceito pelos padrões reacionários e caretas do americano médio comum e estúpido) e passando por toda a sua looooonga trajetória como cantor e compositor (e suas descidas aos infernos das drogas e do submundo de Nova York), está tudo no volume, ainda por cima embalado em belíssima capa dura. Imperdível! Sendo que você pode saber mais sobre o livro aqui: http://www.editoraaleph.com.br/site/transformer-a-historia-completa-de-lou-reed.html.

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Zap’n’roll com o seu exemplar da bio fodona do inesquecível gênio Lou Reed

 

  • Site bacanão: quer saber tudo o que rola na cena cultural de São Carlos, no interior paulista? Basta acessar o RodaMob, editado pela gatíssima jornalista (e amigona zapper) Sarah Mascarenhas, que mostra um panorama gigante de tudo o que acontece por lá, com roteiros de eventos, resenhas, entrevistas com artistas locais e muito mais. Vai aqui e divirta-se: https://www.rodamob.com.br/.

 

  • Baladas: tão devagar, quaaaaase parando neste finde (o postão está sendo finalizado já na sextona em si, 7 de outubro). Então a melhor dica mesmo é pegar um cineminha (“Aquarius” e o doc sobre Janis Joplin, por exemplo, continuam em cartaz no cine Belas Artes) e depois fechar a noite tomando uma breja a preço justo no Outs Pub (na rua Augusta, colado no já clássico Outs em si) ou no Cemitério de Automóveis, do queridão Mario Bortolotto, lá na rua Frei Caneca, quase esquina da rua Paim. Beleusma? Vai que vai!

 

 

E FIM DE PAPO

Que o postão ficou bacanão, né. Semana que vem estamos por aqui novamente. Até lá com beijos no coração da galera.

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 7/10/2016, às 18hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL!!! Com a segunda parte da nossa cobertura máster dos últimos festivais de rock europeus e as dicas culturais e de baladas pro finde – Os tempos estão tristes e sombrios e setembro começa com postão novo zapper (até que enfim!), com multidões marchando pelas ruas contra o governo do GOLPISTA e NAZISTA Michel Temer, e com a notícia de que tem sim Garbage ao vivo no Brasil em dezembro; em tópico mega especial nosso blog dá um SPANKO monstro no vizinho “Popload”, que se tornou uma autêntica “ilha da fantasia indie” e para quem a cena rock independente nacional vive seu melhor momento até hoje (ahahahaha); mais: o blogão mostra como foram bacaníssimos alguns dos mais recentes e últimos festivais de rock que rolaram na Europa, com showzaços de PJ Harvey, Massive Attack e muito mais, sempre no espaço blogger mais legal da web BR (postão ampliado e finalizado em 9/9/2016)

 

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O país vira lata (esse mesmo em que vivemos) vai de mal a pior e isso se reflete na cena indie nacional: enquanto na Europa veteranas alternativas como a deusa inglesa PJ Harvey ainda se mantém fazendo shows empolgantes (acima, no recente Oya Festival, na Noruega) e lançando ótimos discos; aqui a tristeza impera, tristeza que será ao menos amenizada com as gigs do Garbage (abaixo) em dezembro e que também é suportável quando lembramos que pelo menos o grande Vanguart (também abaixo) deu certo em uma cena que segue ladeira abaixo sem dó

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Tempos tristes no Brasil.

Até o papa Francisco comentou, mostrando seu descontentamento com a situação política tenebrosa que se abate sobre esse país (o nosso) vira lata total e que ninguém respeita ou leva a sério lá fora. Também pudera: como respeitar uma nação que possui a classe política mais IMUNDA e ORDINÁRIA do Universo? Uma classe política em que um bando de senadores corruptos e implicados até o cu em inquéritos criminais sobre escândalos de corrupção e desvio de dinheiro público, ejetam do poder uma presidente eleita com mais de cinqüenta milhões de votos num processo totalmente político e sem base jurídica alguma? Dilma errou? Sim, muito. foi totalmente inábil na condução política e econômica do Brasil. É turrona, teimosa como uma porta e sem jogo de cintura algum. No entanto, não é BANDIDA. Não há NENHUM processo ou investigação em curso contra ela em qualquer instância jurídica do país. Logo os erros do seu governo deveriam ser julgados pelo povo nas URNAS, e não por um bando de senadores sem a mínima condição ética ou moral para tirar quem quer que seja da presidência da República. Mas infelizmente a parada no bananão miserável funciona assim e agora só resta resistir (dentro da Lei e da Ordem) a esse desgoverno golpista comandado pelo PMDBosta e pelo mordomo de filme de terror que é Michel Temer. Para isso as passeatas estão sendo diárias, se alastrando pelo país afora e se tornando GIGANTES (como a de ontem, domingo, em São Paulo, quando mais de cem mil pessoas se reuniram na avenida Paulista para gritar “fora Temer!”). Mesmo com a repressão policial MONSTRO em cima dos manifestantes, a ordem é continuar indo para as ruas. E o próprio autor de Zap’n’roll pretende ir no próximo protesto, já marcado para esta quinta-feira, após o feriado de 7 de setembro. De modos que a posição do blog é bem clara: somos CONTRA o governo NAZISTA e GOLPISTA de Michel Temer. E a favor de eleições diretas e em todos os níveis JÁ. Enquanto isso não ocorre estaremos ao lado de todos aqueles que gritam “Fora Temer!”. E sempre também ao lado da VERDADE dos fatos – por isso mesmo estamos rebatendo aqui, nesse post que começa agora, a “ilha da fantasia indie” publicada no “vizinho” Popload, há alguns dias. E para completar este post especial e bacanudo (que custou a chegar mas chegou chegando, hehe), ainda temos uma cobertura mega especial dos mais recentes festivais de rock que rolaram na Europa, em texto primoroso escrito pelo nosso já velho e dileto amigo Ricardo Fernandes. Ou seja: estas linhas zappers continuam fazendo muito bem o que sempre fizeram, que é defender a verdade dos fatos e seguir amando a cultura pop e o  rock alternativo.

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FECHANDO A TAMPA DO POSTÃO BACANÃO

  • Os boatos de bastidores mandam avisar: o Lollapalooza BR 2017 deve ter Radiohead (wow!), Duran Duran (wow!!) e Strokes (ulalá!). E sim, também o insuportável MERDALLICA como um dos seus headliners – já pensou, aquele mar de metaleiros machos feiosos,  suarentos e fedidos pulando como macacos ao som desses velhos boçais do heavy merdal? Jezuiz… rsrs. Tudo será confirmado nas próximas semanas e o blog zapper está de olho, fica sussa.

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O gigante indie Radiohead: a caminho do Lolla BR 2017?

 

 

 

  • Zap’n’roll bate uma APOSTA com seus leitores: a de que irão menos de 30 gatos pingados na maioria das gigs listadas na “avalanche indie” descrita na Pobrel, ops, Popload. Se alguém for, nos diga depois
  • E agora é fim mesmo porque o post já está enooooorme. Semana que vem voltamos com mais por aqui. Até lá!

 

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  • O postão demorou a ser renovado, mas cá estamos. E em plena semana do feriado da Independência do Brasil. E com o país em chamas, gritando “Fora Temer!”. Então, reiterando: Zap’n’roll É CONTRA GOVERNO NAZISTA E GOLPISTA, ponto!

 

 

  • Janaína Paschoal, a LOUCA e HISTÉRICA, socorro!

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  • Vergonha MÁXIMA é a PM truculenta ao máximo, comandada pelo NAZISTA Geraldo Alckmerda, descer o cacete sem dó nos manifestantes que estão indo para as ruas de Sampa contra Temer. Alô MPE, vai ficar CALADO?

 

 

  • E enquanto Dilma se defendia na sessão do Senado que iria votar seu impichamento, um dos nossos “nobres” representantes do povo sacudia alegre um saquinho de padê, sentado em sua mesa. Viralizou na web, claaaaaro! “Olha o saquinho, olha o saquinho! Aeeeeê MULEKE!”.

 

  • A MELHOR notícia do mondo rocker todo mundo já está sabendo: o grande Garbage e nossa musa Shirley Manson (que continua um XOXOTAÇO aos 5.0 de vida) estão de volta ao Brasil em dezembro. Em Sampa o quarteto toca dia 10 de dezembro (sabadão!) no Tropical Butantã. No dia seguinte é a vez do Rio, com gig no Circo Voador. Os preços dos ingressos estão bem decentes e você pode comprar o seu aqui: http://www.clubedoingresso.com/index.php?route=product/product&product_id=1263.

 

  • E com postão novão entrando no ar em plena segunda-feira (pra começar bem a semana), iremos ampliando e atualizando essas notinhas inicias ao longo da semana, até a conclusão total dos trabalhos neste post. Mas agora vamos já direto pro tópico principal, aí embaixo: o blogão zapper desmascarando a “ilha da fantasia indie” criada pelo blog Popload. Bora!

 

 

TÓPICO ESPECIAL: AO CONTRÁRIO DO QUE ANDOU AFIRMANDO O ILUDIDO E SEMPRE FESTEIRO (NO QUE O TERMO TEM DE PIOR) BLOG POPLOAD (QUE JÁ TEVE DIAS MELHORES), A CENA INDIE ROCK BR ESTÁ MAIS MORTA E IRRELEVANTE DO QUE NUNCA – E ISSO PELO JEITO NÃO VAI MUDAR…

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Zap’n’roll e Lúcio Ribeiro, a dupla responsável por dois dos principais blogs de cultura pop da web BR: ambos já foram bons amigos, hoje a amizade entre ambos estão meio azedada

 

Há alguns dias, mais exatamente em 26 de agosto passado, o blog “vizinho” de cultura pop Popload, escrito há quase década e meia pelo mui conhecido jornalista Lúcio Ribeiro, soltou um postão (ou seria peidão?) bombástico, onde afirmava categoricamente (e dando zilhões de exemplos e argumentos para corroborar sua tese) que a cena independente do rock brasileiro vive, em 2016 (o ano em que o país está pegando fogo politicamente, onde uma presidente que cometeu erros crassos na administração da nação mas que era e é honesta, acaba de ser ejetada de seu cargo por um bando de políticos dos mais pilantras; um ano em que a economia brasileira amarga seu sexto trismestre em retração, um ano em que há mais ou menos doze milhões de desempregados pelo país afora) seu MELHOR MOMENTO e onde ela está MADURA como nunca esteve antes. Seria um post apenas hilário, risível, para iludir incautos e oportunista/tendencioso, para agradar meia dúzia de artistas totalmente irrelevantes, que são citados naquele mesmo post. Mas se torna algo digno de ser REBATIDO com vigor, ainda mais por se tratar de ter sido escrito por quem foi – logo nosso dear Luscious, que já teve um passado respeitável como jornalista de cultura pop, que já não é nenhum adolescente (está com mais de cinqüenta anos de idade) embora insista em se comportar como tal, e que sabe, ele mesmo, que a cena independente rock brazuca segue quase morta e mais irrelevante do que nunca neste quase trágico em todos os sentidos ano de 2016. O blog Popload já teve dias melhores, em termos de informação jornalística e musical. E seu titular, nosso por muitos anos grande chapa (vamos reconhecer: sempre nos demos bem com ele, até meses atrás quando atitudes pessoais suas para com o autor destas linhas zappers começaram a azedar essa relação de amizade) LR, também já teve dias melhores como jornalista de alta credibilidade.

Antes de entrar na argumentação esdrúxula publicada na Popload para balizar a tese de que o indie rock nacional vive seu melhor momento (quando, na real, ele está no fundo do poço), vamos traçar um rápido paralelo entre as trajetórias do poploader LR e do autor de Zap’n’roll. O primeiro começou sua carreira profissional nos anos 90’, escrevendo já em grandes veículos como o diário paulistano Folha De S. Paulo. A partir daí Luscious colaborou com os principais veículos de mídia do país e há mais de década é o responsável pelo blog Popload, que já foi (não é mais) referência em termos de informação na área do rock alternativo e da cultura pop. E antes de se tornar o blog quase pífio que é atualmente, a Popload teve um passado memorável como coluna impressa na FolhaSP e depois online, no próprio site da Folha, período em que Luscious (em seu texto sobre a maturidade da indie scene nacional) se gaba de ter visto Cansey de Ser Sexy não sei onde e o falecido trio Los Pirata tocando em um muquifo na rua Augusta (o também extinto bar Orbital provavelmente, e onde o autor deste blog fez algumas festas da também extinta revista Dynamite, sendo que em uma delas um dos DJs convidados foi inclusive… Lúcio Ribeiro!).

Pois então:a trajetória de Zap’n’roll no jornalismo musical brasileiro já é conhecida de cor e salteado por todo nosso dileto leitorado. O autor deste blog publicou seu primeiro texto profissional e PAGO em uma revista em junho de 1986 (há portanto mais de trinta anos). E cerca de uma década depois (quando já havia trabalhado e/ou colaborado com igualmente alguns dos principais órgãos da imprensa brasileira como jornais como o Estado De S. Paulo, ou revistas IstoÉ, Bizz e Interview), já na metade dos anos 90’ o jornalista zapper passou a dedicar seu olhar com atenção a então nascente e forte cena rocker alternativa brasileira, algo que fazemos até hoje, vinte anos depois e mesmo com essa cena atravessando (ao contrário do que firma nosso blog vizinho) seu talvez PIOR momento. Nessas duas décadas cobrindo essa cena, o repórter Finaski (através de matérias aqui mesmo neste blog ou na extinta edição impressa da revista Dynamite) viajou o Brasil cobrindo festivais indies. Promoveu festas em bares no baixo Augusta com bandas que mais tarde iriam se tornar mundialmente conhecidas (caso do também citado por LR Cansei de Ser Sexy, que chegou a tocar em uma festa da revista Dynamite e organizada pelo autor destas linhas online no clube Outs, de GRAÇA, ou melhor: com cachê em troca de anúncio na revista) e que também iriam desaparecer alguns anos depois (quem se lembra hoje em dia do CSS?). Não só: em uma edição do ano de 1995 da revista Dynamite este repórter produziu duas páginas de texto analisando o trabalho dos grupos brincando de deus (o nome da banda baiana era grafado em minúsculas), Low Dream (de Brasília) e Sonic Disruptor (de Guarulhos, em São Paulo), três das MELHORES GUITAR BANDS que já existiram no Btasil, que cantavam apenas em inglês e que ainda assim sempre lotavam os pequenos bares onde se apresentavam – isso em uma época onde não havia internet, celulares, apps, redes sociais e nada disso para divulgar os eventos, que enchiam através da divulgação via flyers impressos ou simplesmente através do boca-a-boca dos fãs. Hoje, com whats app e páginas BOMBANDO de likes na porra do faceboquete, bandas suam para enfiar trinta ou quarenta fãs em qualquer local onde vão se apresentar.

Não só, II: a partir do ano 2000’ o blog zapper se tornou um dos principais da blogosfera da web BR de cultura pop. Com isso aumentaram os convites para cobrir festivais pelo Brasil afora. Ao mesmo tempo Finaski ainda começou a colaborar com a edição brasileira da revista Rolling Stone (que começou a circular aqui em 2006) e nela falou de bandas fodonas da indie scene nacional, como Pública (do Rio Grande Do Sul), Ludovic (de Sampa, e infelizmente já extinto) e Gram (outra bandaça paulistana e que infelizmente também acabou). Além disso e por conta do seu envolvimento com a cena alternativa (sempre acompanhando-a de perto e atentamente como jornalista musical), Zap’n’roll acabou sendo incumbido pela revista Dynamite e seu então editor-chefe (André Pomba), de produzir um festival que ocupou por três noites seguidas as dependências da chopperia do SESC Pompéia, na capital paulista. O Dynamite Independente Festival foi realizado em dois anos consecutivos (em 2003 e 2004), ambos com a produção e curadoria do autor deste blog. Na primeira edição tocaram numa noite memorável Supla e Pitty (então prestes a estourar como a nova rock star brasileira). E na segunda edição do evento, em 2004, a trinca Ludov, Gram e Leela simplesmente lotou a chopperia (com quase oitocentos ingressos vendidos!) na noite de estréia do festival, o que comprova que naquela época SIM a cena under brazuca estava vivendo um ótimo momento, com grupos formando público e levando um número considervel de fãs aos seus shows.

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O vocalista Helinho Flanders, da banda Vanguart, ao lado de Zap’n’roll em 2015: o sexteto cuiabano é talvez a ÚNICA banda indie que deu realmente certo no circuito independente brasileiro de 2005 até hoje

Enquanto isso, onde estava o homem da Popload? Escrevendo sua coluna/blog na Folha online e já naquela época fazendo seu desavisado leitor engolir à força hypes gringos duvidosos (uma mania que ele mantém até hoje) ou mesmo nacionais, como o lamentável trio paulistano Los Pirata, um dos maiores ENGODOS da cena rock indie brazuca e que teve o fim merecido: o total esquecimento. Já o jornalista zapper ao mesmo tempo em que colaborava com a gigante Rolling Stone brasileira, também não descuidava do seu blog e através dele viajava o Brasil, cobrindo festivais. E foi num desses que ele DESCOBRIU JORNALISTICAMENTE o quinteto folk cuiabano Vanguart, no carnaval de 2005 na sempre horrivelmente e infernalmente quente Cuiabá (capital do Mato Grosso), durante um festival que estava rolando por lá e para o qual Zap’n’roll havia sido convidado a acompanhar de perto. O blog voltou pra Sampa encantado com o grupo do vocalista Helinho Flanders e hoje todos sabem o que é o Vanguart: a ÚNICA banda de TODA a indie scene nacional que realmente DEU CERTO e que vive confortavelmente de sua música (financeiramente falando), sempre tocando para espaços lotados com até cinco mil pessoas. Os Vangs inclusive deram tão certo que o vocalista Helinho (até hoje amado amigo dessas linhas rockers bloggers) atualmente em dia pode se dar ao luxo de bancar em parte do próprio bolso uma mini tour européia (como acabou de fazer), para apresentar aos gringos as belíssimas canções de seu primeiro disco solo.

E o restante da atual cena indie nacional? Quem ainda lê a Popload e leu o post o qual estamos rebatendo aqui, vai achar que o rock independente nacional está nesse momento no melhor dos mundos. Não está, nem em sonho. Ou está, apenas para o blog escrito por mr. LR, que faz questão de criar uma “ilha da fantasia” que não existe na realidade de um país bastante arrasado por três anos de recessão econômica e onde a cultura pop (e, junto com ela, a produção musical independente) amarga estar nesse momento em um abismo aparentemente sem fim, onde faltam espaços para shows, falta público e, principalmente, faltam BANDAS DECENTES e que valham a pena ser ouvidas. Exemplo clássico: há uma década grupos como Forgotten Boys e Thee Butcher’s Orchestra conseguiam quase lotar um bar como o clube Outs (na rua Augusta, em São Paulo, e onde cabem quase setecentas pessoas) em plena quinta-feira à noite – o próprio blog fez festas ali com essas duas bandas, com casa cheia. Com o passar dos anos o cenário foi mudando: bons grupos foram desaparecendo da cena, muitos acabaram e bares como o célebre Astronete também acabaram fechando. A Outs, um autêntico “sobrevivente” na Augusta (o clube já completou treze anos de existência), após quase falir (pois ninguém ia mais lá pra ver bandas medíocres tocando ao vivo) teve que se reinventar: há três anos realiza uma festa open bar infernal nas noites de sexta e sábado e onde só rolam DJs set, sem grupos musicais tocando ao vivo. Resultado: bar ENTUPIDO de gente nas duas noites. Do outro lado da rua, em frente à Outs, o também já tradicional Inferno Club faz o que pode para se manter funcionando. Isso significa fazer noitadas e madrugadas rock’n’roll animadas quase sempre por bandas COVERS e não autorais.

Mas na “ilha da fantasia” da Popload, tudo está indo às mil maravilhas. Há uma renca de bandas geniais espalhadas pelo Brasil, que gravam discos a todo momento e fazem shows sem parar. Vem cá: você aí do outro lado da tela do PC por acaso alguma vez OUVIU alguma música do tal FingerFingerrr? Já foi a ALGUM show deles? E o Inky, tem cd deles? Aliás quantas cópias o grupo vendeu até hoje de seus discos? E quantas pessoas eles conseguem levar a uma gig sua? Aldo The Band? Quantos shows conseguiu fazer nos últimos meses? E pra quantas pessoas em cada um deles? Carne Doce? Yep, é um dos (poucos, diga-se) nomes consistentes da atual cena indie nacional. De Goiânia, possui uma vocalista bonita e de voz agradabilíssima e que combina bem nuances de MPB com rock. Mas fora da capital de Goiás o grupo é ainda praticamente desconhecido e quando vem tocar na capital paulista mal consegue encher a “fantástica” (palavras da Popload) Casa Do Mancha, no bairro da Vila Madalena, e onde não cabem mais do que cinqüenta pessoas. Mas na visão algo (ou total) BIZARRA do nosso blog “vizinho”, tudo está indo às mil maravilhas em uma cena que está ultra “madura” e altamente “profissionalizada”, vejam só: as bandas contam agora com apoio e patrocínio de empresas como a Natura (cosméticos), Skol (cervejaria) ou Red Bull (bebidas energéticas). A Popload só se esqueceu de dizer aos seus incautos leitores que empresas sempre bancaram e continuam bancando projetos musicais (inclusive alternativos) pois essas receitas estão previstas em seus orçamentos, são dedutíveis no imposto de renda (os famosos editais públicos…) e no final das contas acabam representando uma NINHARIA para o departamento financeiro dessas marcas, fora que sempre pega bem investir em “produtos culturais”.

Bizarro também é o jornalista LR insistir na tese de que bandas indies nacionais vão dominar o mundo, hihihi. Sejamos realistas: as únicas bandas brasileiras que realmente chegaram a mobilizar multidões de fãs fora do Brasil foram o metaleiro Sepultura e o electro rock do CSS. O primeiro, após passar duas décadas e meia lotando festivais pela Europa e sendo headliner em vários deles, está em franca decadência. Já o CSS (combo de garotas malucas que foram criadas sob a batuta do genial músico, multiinstrumentista e produtor Adriano Cintra, outro dileto amigo destas linhas virtuais há séculos), acabou há tempos. E nem sua vocalista, a maleta e prepotente Lovefoxxx, deixou saudades desaparecendo sem dó do mondo pop. Bizarramente dear Luscious quer fazer seus leitores acreditar que bandas como Black Drawing Chalks (metal stoner também de Goiânia) e Boogarins (também da capital de Goiás e outro dos poucos grupos que merecem algum destaque no cenário atual, pela excelência se suas melodias e composições eivadas de eflúvios da psicodelia rocker sessentista) estão BOMBANDO no exterior. O BDC tentou decolar lá fora e não conseguiu. Os Boogarins já fizeram turnês por circuitos pequenos na Europa e Estados Unidos e foram bem recebidos pelo público (longe de ser numeroso em cada show) e pela imprensa especializada. E bizarramente a Popload chama de “instituição goiana” um sujeito que, na verdade, é um dos picaretas mais escroques que se tem notícia na indie scene nacional nos últimos anos. Enquanto isso o venerável (esse sim!) e mega respeitado (além de heróico) selo goiano Monstro Discos e que há mais de duas décadas realiza na capital de Goiás o Goiânia Noise Festival (até hoje um dos principais festivais independentes do Brasil), além de ter lançado dezenas de grupos bacanas para o rock alternativo nacional, NUNCA é citado na Popload. Qual seria o motivo? E antes que estas linhas zappers se esqueçam: dizer que o meia-boca festival goiano Bananada é o Lollapalooza brasileiro e que o Se Rasgum (em Belém) e o DoSol (em Natal, no Rio Grande Do Norte) seriam as versões brazucas do gigante americano Coachella é de um exagero (e falta de bom senso também, ou simplesmente engodo editorial?) risível e acachapante, além de um total menosprezo pela inteligência do leitor poploader. Se houve algum dia um festival de fato de grandes proporções em Natal (e houve, durante alguns anos), esse festival foi o Mada, produzido pelo agitador cultural Jomardo Jomas e sendo que o blog esteve presente nele em pelo menos duas edições.

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O jornalista zapper com Adriano Cintra (acima), o sujeito que criou o já extinto CSS; abaixo com a turma do já lendário Pin Ups na Virada Cultural 2016, em São Paulo: bandas de um tempo que a cena indie nacional não era a miserável tristeza que é atualmente

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É muito fácil perceber que a cena rock independente nacional já teve dias melhores que os atuais. E já teve bandas muuuuuito melhores também. Há duas décadas e meia o já lendário grupo indie noise guitar paulistano Pin Ups (que teve seu quarto CD de estúdio, “Jodie Foster”, resenhado pelo jornalista Finaski na revista Bizz em 1995; enquanto isso, Lúcio Ribeiro… onde estava mesmo?) lotava o inesquecível Espaço Retrô (o muquifo rocker underground mais célebre que existiu até hoje na capital paulista) por TRÊS NOITES SEGUIDAS. Ok, tudo bem, o Retrô era pequenino e tal mas uma banda alternativa, que não tocava em rádio e em uma época (1990/1992) onde não havia internet e redes sociais para “bombar” eventos do tipo (era tudo na base do flyer impresso e do boca-a-boca), um grupo lotar um bar três noites seguidas era uma proeza e tanto. Aliás esse detalhe nos leva a outro HORROR dos tempos atuais e da atual cena indie quase morta: a praga e o vício das redes sociais, dos apps nos celulares e de toda essa droga virtual que simplesmente ESCRAVIZOU a raça humana. Hoje em dia qualquer bandinha bomba no faceboquete: sua fan Page chega rapidão às vinte mil “curtidas”. E quando ela abre então uma página pra divulgar seu próximo show ao vivo? Wow! Em questão de alguns dias surgem mais de quinhentos fãs confirmando presença na gig. E quando chega o dia e a hora do show REAL, de VERDADE, aí vem a choradeira e o choque de realidade: comparecem ao local do evento menos de 10% dos fãs que haviam GARANTIDO VIRTUALMENTE sua presença na balada rock’n’roll, que triste… um exemplo do que acabamos de citar foi a gig que o quarteto Los Porongas (originário do Acre mas radicado há quase uma década em São Paulo) fez semana passada (na sexta-feira) no tão badalado (por LR e sua Pobrelo…, ops, Popload) Z Carniceria, no bairro paulistano de Pinheiros (que possui uma concentração enorme de bares e casas noturnas e onde as noitadas são sempre muito agitadas nos findes). Já um grupo veterano, os Porongas além de diletos amigos deste blog também são um dos MELHORES nomes do rock BR dos anos 2000’, pela beleza melódica e poder instrumental do conjunto, além das letras de alta densidade poética escritas pelo vocalista Diogo Soares. Pois bem: deu DÓ ver uma banda tão bacana dando o sangue no palco de um bar onde não havia nem CINQUENTA PESSOAS na platéia (isso, vamos repetir, numa SEXTA-FEIRA à noite). Pois é, a indie scene nacional, como diz o blog “ilha da fantasia” chamado Popload, está mesmo bombadíssimo atualmente, uia!

Voltando ao parágrafo anterior: além dos Pin Ups, dos anos 90’ até pelo menos 2005 a cena rock independente brasileira teve sim uma cena estável, de ótimas bandas e muitos festivais (como o JuntaTribo, em Campinas e, já nos anos 2000’, o já decano e célebre Goiânia Noise na capital de Goiás, o Porão Do Rock em Brasília, e o já citado Mada em Natal) que chegaram a atrair um grande público. Foi a época do estouro dos Raimundos e, um pouco mais adiante, da aceitação e aclamação midiática de grupos como Thee Butcher’s Orchestra, Forgotten Boys, Borderlinerz, Rock Rocket, Gram, Ludov, Leela, Pelvs, Pública, Cachorro Grande, Cartolas, Bidê Ou Balde, Daniel Belleza & Os Corações Em Fúria e mais alguns nomes que além de serem ótimos musicalmente ainda conseguiam atrair um público razoável para seus shows. Isso, vale repetir, em uma época onde não existia internet ou redes sociais (anos 90’) ou então quando ambas ainda engatinhavam (a partir dos anos 2000’). Fora que o Brasil vivia outra conjuntura na economia e na política, o que se refletia na cultura e na área musical, incluso a cena rock alternativa: não havia a cruel recessão econômica de agora, não havia desemprego e o país estava crescendo em termos de PIB. Isso se refletia em todos os setores da economia, inclusive na área de entretenimento com bares com espaço para shows abrindo a todo instante ou sempre recebendo bom público naqueles que já estavam funcionando. Bem ou mal as bandas conseguiam gravar e lançar seus discos e formar um bom séquito de fãs, que também compareciam às gigs. Prova disso é que, como já foi dito mais acima neste tópico, a segunda edição do Dynamite Independente Festival, realizada em 2004 na chopperia do SESC Pompéia em São Paulo (evento cujo produtor-chefe executivo foi o autor destas linhas bloggers que não vivem no mundo da fantasia mas, que sim, acompanham a realidade dos fatos, uma realidade infelizmente muito dura e cruel nos tempos atuais) LOTOU o local na sua primeira noite (uma quinta-feira), colocando quase oitocentas pessoas para curtir os shows de Ludov, Gram e Leela – isso, sempre reiterando, sem apoio de apps em celulares, sem divulgação em redes sociais (que estavam engatinhando nessa época) e sem divulgação em mídia eletrônica expressiva (leia-se rádio ou TV). Tudo apenas no boca-a-boca, através de flyers impressos e de divulgação em sites especializados (que já começavam a existir na época, como o portal Dynamite online).

De uma década pra cá tudo mudou rapidamente e infelizmente para pior. Em 2016 o Brasil vive sua maior crise econômica em décadas, a recessão já dura três anos e o país contabiliza a assombrosa marca de doze milhões de desempregados – é como se uma capital do tamanho da cidade de São Paulo estivesse inteira sem trabalhar. Num ambiente assim não há cena musical, mainstream ou principalmente independente, que resista. Em bate-papo com o blog na última quinta-feira (enquanto a dupla degustava uma breja holandesa no Outs Pub, no baixo Augusta) José Ramos, um dos sócios do clube Outs concordou com o pensamento que este espaço virtual lhe expôs, ao comentar com ele sobre a iminente publicação deste tópico rebatendo a “ilha da fantasia indie” criada pelo jornalista LR. “Ele não sabe o que está falando”, disse Zé Carlos. “Bares que mantinham espaço para shows fecharam em sua maioria. A Outs mesmo, se não mudasse seu perfil e não tivesse investido no open bar apenas com DJs set e sem bandas ao vivo, também já teria fechado as portas”. Existem ações ISOLADAS que tentam manter a cena indie acesa? Sim, claro. Bandas também continuam existindo, aos borbotões espalhadas pelo país. Mas a qualidade musical delas decaiu a olhos (ou ouvidos) vistos de anos pra cá, o que contribui para que haja ainda mais sofrimento e debandada de público dentro desta cena. E sim, ainda há ótimos grupos atuando no rock alternativo nacional e que vão se virando como podem dentro de um cenário altamente desalentador. Curiosamente a Popload dificilmente dedica algumas linhas que seja a bandas que realmente valem a pena. Caso do trio instrumental stoner heavy prog Augustine Azul (da Paraíba, recém-descoberto por Zap’n’roll e que foi contratado por um selo americano), ou mesmo do paulistano (também stoner) Necro. Ou ainda de maravilhas do Norte brasileiro como os acreanos Euphônicos e Descordantes, que nunca foram sequer citados nos textos do poploader Luscious R. Ou mesmo o manauara Alaíde Negão ou, ainda, o sensacional grupo paulista Metá Metá, que faz uma experimentação sonora loki combinando música brasileira, algo de jazz e delírios sônicos. Um combo musical tão fodástico que vive, ele sim, excursionando pela Europa e sendo aplaudido pelo público de lá.

Então a verdade VERDADEIRA, infelizmente, é essa. E não aquela que o nosso blog “vizinho” quer fazer seu hoje reduzido leitorado acreditar. Na boa, Lúcio Ribeiro é um jornalista ainda de respeito e um dos grandes nomes da imprensa musical (e rock) brasileira nas últimas duas décadas. Ele e o autor destas linhas bloggers poppers já foram bons amigos – uma amizade que está meio assim, “azeda” desde o ano passado, e por conta de atitudes não muito legais vindas de dear Luscious (atitudes que não cabe serem comentadas aqui). E antes que alguém pense que este tópico rebatendo o post da Popload se configura numa espécie de vingancinha pessoal, negativo: o jornalista zapper resolveu publicar este texto porque ele de fato ficou espantado com a (vamos repetir mais uma vez) “ilha da fantasia INDIE” criada por LR em seu blog. A quem interessa essa “ilha da fantasia”? Ao próprio LR que hoje, sabidamente, parece meio cansado do jornalismo musical (sim, como já dissemos mais acima, o blogueiro poploader já passou dos cinqüenta anos de idade) e está se dando melhor como produtor de shows e festivais (como o Popload Gig, que deve andar rendendo um bom troco para o bolso dele) e como sócio de casas de shows (como o Cine Jóia)? Talvez. Porque outros espaços para shows de rock alternativo ou não existem mais ou estão à míngua (os que ainda sobrevivem). E as bandas… FingerFingerrr, Inky, Aldo The Band… quem é esse povo, mesmo?

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Os Descordantes (acima) e os Euphônicos (abaixo): duas bandaças do Acre (e das melhores da atual péssima indie scene nacional) e que o blog Popload JAMAIS falou delas em seus posts

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A “ilha da fantasia indie” criada pelo blog Popload (e que motivou este tópico contrário na Zap’n’roll) pode ser vista e lida aqui: http://www.popload.com.br/cena/.

 

 

Para ouvir o mais recente álbum do grupo paulistano Metá Metá, vai aí embaixo.

 

 

E NO FINAL DO VERÃO EUROPEU, FESTIVAIS BACANUDOS AGITAM A NORUEGA, FINLÂNDIA E PORTUGAL

Yep, e Zap’n’roll acompanhou alguns deles e traz o que rolou aí embaixo, em texto primoroso do nosso correspondente especial Ricardo Fernandes.

 

Festivais Europeus 2016

Por Ricardo Fernandes, enviado especial de Zap’n’roll

Não sou do tipo que frequenta grandes festivais de música. Eu gosto muito de ver shows, mas próximo ao palco e sem a aglomeração de dezenas de milhares de pessoas em minha volta, então não espere me encontrar num Reading ou Coachella da vida. Aqui no Brasil costumo frequentar o Lollapalooza, mas puramente por falta de opção e no fundo meio contrariado.

Eu já havia ido para festivais pequenos na Europa, como o Festival Beauregard na Normandia, no noroeste da França e o Live fromJodrell Bank em Macclesfield, no noroeste da Inglaterra. Foram duas das melhores experiências em festivais de música que tive na vida. Nesse ano aproveitei a oportunidade de ver três festivais de verão europeu num espaço de pouco mais de dez dias, dois deles em países nórdicos e outro em Portugal. Eu sabia que seria puxado, mas estava fisicamente e mentalmente preparado para o desafio.

Øya Festival, Noruega – Introdução

Amigos brasileiros já haviam me recomendado o Øya (se pronuncia “êia”) em Oslo. Um festival relativamente pequeno, bem organizado, localizado no meio da cidade, com fácil acesso de transporte, com um ambiente tranquilo e um lineup respeitável. Até 2013 o festival era feito no Medieval Park, mas teve que se mudar devido a obras nas linhas de trem. Então, a partir de 2014 o Øya passou a ser realizado no Tøyen Park, um bonito parque próximo ao Museu Munch e ao Jardim Botânico de Oslo, mas ainda assim bem perto do centro da cidade.

Øya Festival, 10 de agosto, quarta-feira

Meu hotel ficava no centro de Oslo e foi moleza chegar no Tøyen Park: apenas duas estações de metrô. Se aqui no Brasil entrar num festival é um teste de paciência, com diversas inspeções e revistas, lá fora é sempre mais fácil. Mostrei meu ingresso e minha carteira de motorista em um dos vários quiosques na entrada e peguei minha pulseira. Após uma rápida revista na entrada eu já estava lá dentro.

A entrada do festival estava enlameada devido à chuva dos dias anteriores e no primeiro dia de festival presenciei a instabilidade do tempo em países escandinavos. Encarei sol, tempo nublado e chuva, tudo no mesmo dia.  O segundo dia de festival foi só de sol e o terceiro só de chuva. Quem disse que seria fácil?Ao menos a previsão do tempo foi certeira em todos os dias, prevendo com precisão de horas qual seria o tempo em cada um dos dias e consegui me preparar, vestindo o tipo de roupa adequada em cada dia.

Após uma rápida volta, deu para sacar os palcos do festival: três palcos em locais abertos do parque (Amfiet, Vindfruen e Hagen), todos em terrenos com inclinação para facilitar a visão do palco, outro palco grande montado em uma tenda (Sirkus), uma pequena tenda de música eletrônica (Hi-FiKlubben) e um palquinho que imitava uma biblioteca (Biblioteket), que comportava a mesma quantidade de pessoas que a Casa do Mancha. Tudo era muito perto, em cinco minutos era possível se deslocar entre os palcos mais distantes entre si.

A primeira banda que vi foi o Sweden por volta de 15:30 no palco Amfiet, o maior de todos. Apesar do nome, o grupo foi formado por dois noruegueses tão fanáticos pelo indie-pop das bandas suecas dos anos 90 que resolveram batizar sua banda com o nome do país vizinho. O público que estava todo espalhado pelo gramado curtiu o rock de guitarras ligeiras e refrãos grudentos, assim como eu também curti. Logo em seguida fui para o Sirkus, onde uma placa ao lado do palco me chamou a atenção: “No CrowdSurfing”. Ao longo do festival percebi que essa placa é totalmente desnecessária. Não consigo imaginar um norueguês sequer fazendo crowdsurfing. Arrisco afirmar que não existe povo mais sussa no mundo do que o norueguês. Aplaudem muito e pulam um pouco, mas não fazem questão de se aglomerar na frente do palco e não empurram ninguém. Na verdade, nem encostam em você. Darei outros exemplos mais para frente.

Às 15:54, um minuto antes do esperado, começou o show deChristine And The Queens, artista francesa que na verdade se chama Héloïse Letissier. Pequena e com visual andrógino, ela apresentou as músicas de seu único álbum “Chaleur Humaine”, uma mistura fina de pop e eletropop. Claramente deslumbrada pela grande quantidade de pessoas que estava vendo seu show logo cedo, Christine falava muito entre as músicas, mostrou que além de cantar bem também sabia dançar ao se juntar a dois dançarinos em certos momentos e ganhou a simpatia do público ao imitar Rihanna e Beyoncé.

De volta ao palco principal, era hora de ver The Last Shadow Puppets, supergrupo inglês liderado por Alex Turner e Miles Kane (ArcticMonkeys e The Rascals, respectivamente). Dei uma de norueguês e fiquei lá atrás, bem no alto, apenas assistindo comportadamente o show. Apesar de gostar bastante de “EverythingYou’ve Come to Expect”, o segundo álbum da banda, achei que não funcionou ao vivo. Mesmo com a adição de um quarteto de cordas, parecia que faltava alguma coisa. Talvez o sentimento negativo tenha sido aumentado por uma certa frieza do público. Talvez um show do The Last Shadow Puppets não funcione de dia. Talvez o grupo somente faça sentido em lugares menores, com uma acústica melhor. Não sei exatamente o que pode ter sido, mas achei o show apático e pretensioso demais.

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O trip hop inglês do Massive Attack (acima): um dos grandes momentos do Oya Festival, que atraiu um público tranquilão na capital da Noruega, Oslo (abaixo) (fotos: Ricardo Fernandes)

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Tinha tempo sobrando até o próximo show que gostaria de ver, então dei uma passada no quiosque que vendia o merchandising das bandas e do festival, onde comprei algumas camisetas.Também fui conferir oHi-FiKlubben, onde Matt Karmil estava tocando para meia dúzia de gatos pingados. Eu havia estranhado que Aurora, uma cantora norueguesa, seria a penúltima a se apresentar no palco principal, mas tudo fez sentido quando vi seu show. A gatíssima e simpaticíssima cantora de vinte anos e apenas um álbum nas costas conseguiu lotar o Amfiet. Fazendoum pop sofisticado e exótico cantado em inglês, ela já está pronta para o mercado internacional, conseguindo merecidamente críticas positivas de veículos como o New York Times e Entertainment Weekly.

O Sirkus era o único lugar que possuía um telão atrás do palco, então foi lá que o M83 teve que se apresentar. Como anoitece tarde nessa época do ano em Oslo, por volta de 22:00, foi providencial que o M83 tenha se apresentado numa tenda escura às 19:50. Eram projetadas imagens de estrelas e galáxias, que combinavam bem com o ambiente etéreo e melancólico do grupo liderado pelo francês Anthony Gonzalez. Amigos ingleses que curtem música eletrônica piraram com o show, mas não achei tudo isso. Foi um bom show, mas nada de outra galáxia, que teve seu ponto alto obviamente com “Midnight City”.

Hora de fazer um lanchinho. Aqui cabe uma observação pertinente: como as coisas são caras na Noruega! Não só a comida, mas tudo é caríssimo. Dizem que a Noruega é o segundo país mais caro do mundo (só perderia para o Japão) e eu acredito nisso. Uma cerveja custava 85 coroas norueguesas (cerca de R$ 34 pelo câmbio oficial) e um sanduíche de pernil custava 120 coroas norueguesas (cerca de R$ 47). A pipoca parecia ter a melhor relação custo/benefício: custava “apenas” o equivalente a R$ 15 e o saco era tão grande que nunca conseguia comer tudo.

Estava comendo tão tranquilamente que até esqueci da hora. Quando olhei o relógio já eram 21:30 e estava começando naquele momento o grande show do dia: MassiveAttack & Young Fathers. Por sorte, cheguei no palco principal em poucos minutos e foi tranquilo conseguir um bom local lá na frente, do lado esquerdo do palco. Definitivamente os noruegueses são tranquilos até demais e estavam todos esparsos vendo contemplativamente o show. Se fosse em qualquer outro lugar do mundo teria que me contentar em ficar no fundo ou usar a força bruta para chegar próximo ao palco. É incrível como os pioneiros do trip hop conseguem reproduzir ao vivo as complicadas texturas das gravações em estúdio. Está tudo lá: as batidas quebradas e hipnóticas, os sintetizadores que criam um clima de tensão, os graves acachapantes, as guitarras distorcidas e os samples bem colocados. Nesse ano o MassiveAttack lançou o ótimo EP “Ritual Spirit”, que possui participação do Young Fathers na faixa “Voodoo in MyBlood” e foi com o trio escocês que o grupo se apresentou no Øya. O público presente só teve a ganhar com isso, que saiu extasiado após quase uma hora e meia de show.

 

Øya Festival, 11 de agosto, quinta-feira

No segundo dia de festival adotei uma estratégia um pouco diferente com relação à minha alimentação. Já que tudo é tão caro em Oslo, não iria almoçar em um restaurante naquele dia e passaria o dia todo comendo somente na área de alimentação do Øya. Não saiu tão barato, mas foi menos caro do que no dia em que comi um salmão e tomei uma cerveja em um restaurante pela bagatela de 400 coroas norueguesas (quase R$ 160). Entre as várias barracas, tinha de tudo um pouco, menos culinária norueguesa, mas isso não foi problema: acabei comendo um ótimo falafel pela módica quantia de 100 coroas norueguesas (R$ 40).

A essa altura, já cansei de falar que tudo era caro, mas pelo menos o festival era extremamente bem organizado. Eu nunca vi tantos banheiros químicos e mictórios, mesmo em festivais com o dobro da capacidade e nunca havia filas para comprar cerveja. Para comprar comida, somente algumas filas nas barracas mais disputadas no final da noite (a minha querida barraca da pipoca era uma delas). A única grande pisada de bola foi com o Wi-Fi gratuito provido pela Cisco para o festival, que funcionou perfeitamente até a metade do primeiro dia, para depois desaparecer e nunca mais funcionar.

Uma curiosidade na Noruega é que o papel moeda já foi praticamente extinto, inclusive dentro do festival. Ninguém usa dinheiro em espécie e vários lugares simplesmente só aceitam pagamentos com cartão com chip. Se você aparece com dinheiro vivo eles olham para você com uma cara de decepção ou de horror. Foi difícil gastar as notas de coroas norueguesas que saquei num caixa eletrônico. Se soubesse que seria assim, não teria sacado nada, pois não faria a menor diferença.

O primeiro show que vi na quinta-feira, um dia dominado pelas mulheres no lineup, foi da Frøder, mais uma cantora norueguesa no estilo electropop. Foi um show regular, nada além disso. Logo em seguida, no palco Vindfruen, quem se apresentou foi a cantora americana Julia Holter. Seu último álbum “HaveYou in MyWilderness”é belíssimo e chegou a ser considerado (com um certo exagero) por algumas publicações (como a Mojo) como o melhor disco do ano passado. Ao vivo, uma formação nada usual: Julia nos vocais e teclados, um baixista tocando um contrabaixo acústico, uma violinista e um baterista. Seu show foi delicado e inebriante de uma forma que nem sentia o tempo passar. Quando Julia anunciou que seria sua última música, não podia acreditar. Eu gostaria de ter ficado horas vendo aquele show.

De volta ao palco principal, estava animado para um dos shows que mais gostaria de ver: The Kills. Para minha decepção, Alison Mosshart e Jamie Hince não subiram ao palco. Quem estava lá era uma moça gordinha que eu não fazia a menor ideia de quem se tratava. Gastei parte de meu plano de dados para descobrir na internet o que havia acontecido: Alison estava com pneumonia, forçando a banda a cancelar vários shows, inclusive esse do Øya Festival. Para tapar o buraco foi chamada SeinaboSey, uma cantora sueca. Fiquei tão decepcionado que mudei de palco, indo parao Hagen ver o Rat Boy, um molecão inglês que faz uma curiosa mistura de hip hop e indie rock.

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O veterano shoegazer britânico Lush (acima) também marcou presença no festival norueguês; abaixo o público faz fila pra comprar pipoca, um dos “hits” entre as comidas vendidas na área do evento

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Para agradar os fãs de música eletrônica, nesse dia foi escalado o Floating Points, pseudônimo usado pelo músico inglês Sam Shepherd, que ao vivo se apresenta com outros quatro músicos. Não cheguei a achar o show ruim, mas tentar equiparar ao vivo a complexidade de seu único álbum “Elaenia” não é tarefa fácil. No final das contas fiquei com a impressão de que ouvir em casa é melhor.

Não planejava ver o show do Mastodon, mas já que estava com tempo sobrando pensei: “vou lá ouvir uma barulheira”. Logo assim que cheguei ao palco Amfiet vi uma figura passando que parecia familiar. “Será que é o Lucio?”, pensei. Cheguei mais perto e era ele mesmo, o querido Lucio Ribeiro. Ele ficou tão espantado quanto eu ao encontrar um brasileiro conhecido num festival em Oslo e conversamos rapidamente sobre os shows que havíamos visto. Expliquei para ele os outros festivais que ainda veria na Europa, tiramos uma selfie e depois só o vi novamente mais uma vez durante todo o festival. Foi um encontro improvável, num local improvável.

Esse dia estava rendendo: antes da última atração da noite ainda deu tempo de ver o folk sofisticado da cantora sueca Amanda Bergman. Eis que surgiu o primeiro conflito de horários no festival: Jamie xx tocaria no Sirkus no mesmo horário em que PJ Harvey se apresentaria no Amfiet. Jamie Smith que me perdoe, mas ele ainda tem que comer muito arroz com feijão para chegar perto de Polly Jean Harvey. Com vinte e cinco anos de carreira, PJ Harvey é uma artista única, inconformada e nunca acomodada. A cada álbum novo PJ Harvey aprende a tocar um novo instrumento e dessa vez foi o saxofone, que ela empunhava ao entrar no palco com sua banda ao som da bateria marcial e solene de “Chain of Keys”. O show foi baseado basicamente no seu último álbum “The Hope Six Demolition Project”, que ficou ainda mais grandioso ao vivo. No final do show, petardos mais antigos de seu repertório como “50ft Queenie”, “Down bytheWater” e “To BringYouMy Love”, uma sequência que até me deixou desnorteado. Não foi apenas o melhor show do Øya Festival, foi o melhor show que vi nesse ano.

 

Øya Festival, 12 de agosto, sexta-feira

O terceiro dia de festival era o dia da chuva e estava preparado para isso. Fui com uma jaqueta impermeável (somente até certo ponto, para ser honesto) e quando saí do metrô ainda ganhei uma capa plástica vermelha do Klassekampen. Dias depois, curioso em saber o que aquilo significava, pesquisei no Google. Klassekampen significa “Luta de Classes” e se tratava de um tabloide que se auto intitula “o jornal diário da esquerda”. Que merda, logo eu que me defino como um liberal clássico caí nessa cilada. Lição aprendida: nunca use uma capa de chuva vermelha se você não sabe o que está escrito nela.

Foi embaixo de uma chuva fraca e insistente que vi o show do Hedvig Mollestad Trio, um power trio instrumental liderado pela maluquete norueguesa Hedvig Mollestad Thomassen, que faz uma interessante mistura de rock psicodélico e free jazz. A chuva aumentou ainda mais no show mais inusitado de todo o festival: Oslo Sinfonietta, uma orquestra com repertório de música contemporânea que tocou “Music for 18 Musicians”, uma peça minimalista composta pelo americano Steve Reich entre 1974 e 1976. Acredite, valeu cada pingo de chuva tomado.

Foi durante o show da Oslo Sinfonietta que matei uma dúvida que eu tinha durante todo o festival: por que as crianças recolhiam todos os copos de cerveja que eram jogados no chão? Para todo lado que olhava, eram crianças e mais crianças carregando pilhas de copos plásticos. Uma senhora me explicou: a organização do festival pagava uma coroa norueguesa (cerca de R$ 0,40) por cada copo, que posteriormente seriam reciclados. A consciência ecológica norueguesa é enorme, mas no fundo se trata de puro sentimento de culpa: a Noruega é um dos maiores exploradores de petróleo do mundo, que agride o meio ambiente desde a extração até o consumo. Deve ser por esse mesmo sentimento de culpa que se veem tantos carros elétricos nas ruas.

Para minha sorte, o próximo show seria na tenda coberta: Lush. Cheguei menos de dez minutos antes do show e (adivinhe só) consegui ficar lá na frente sem maiores problemas. Eu me posicionei na segunda fileira de pessoas, logo atrás da grade. Na minha frente, três crianças, o menorzinho deles sendo pouco maior do que a grade. O show foi brilhante, uma verdadeira viagem no tempo para a época em que o shoegaze dominava a cena alternativa inglesa, mesmo que o termo fosse renegado por algumas bandas. No fundo, foi um pouco triste ficar sem ver os integrantes do Lush por vinte anos e encontrá-los velhos e um pouco acabados, especialmente a guitarrista Emma Anderson (uma MILF de braços pelancudos) e o baixista Phil King (totalmente grisalho, mais parecendo um executivo de multinacional). Mas faz parte da vida envelhecer, não? Eu também mudei. Perdi meus cabelos e estou bem diferente do que era há duas décadas.

A chuva deu uma trégua e fui para o palco principal conferir o show do Eagles Of Death Metal. Até hoje não consegui entender se o grupo é uma paródia no estilo Spinal Tap ou se trata de algo sério. Provavelmente é uma mistura dos dois. O público lá na frente parecia se divertir com os clichês rock’n’roll tocados pela banda, mas achei tudo uma brincadeira sem graça e voltei para o Sirkus depois de umas quatro músicas. Uma plateia formada basicamente por adolescentes estava presente em peso para o show do Chvrches, da pequenina Lauren Mayberry. O synthpop competente executado pelo grupo escocês se sustenta bem ao vivo, ainda mais com a plateia nas mãos. Em alguns momentos a molecada cantava tão alto que até sobrepunha o volume vindo das caixas de som.

O último show que vi no Øya foi justamente aquele me motivou a ir para esse festival e para o Flow Festival na Finlândia dias depois. Eu já havia visto vinte e cinco shows do New Order em diferentes países e assim que acabou o show do Chvrches fui tranquilamente para a grade, me preparando para mais um. Desde os shows do New Order que vi na Rússia em 2013 passei a adotar uma estratégia para mostrar ao grupo que um brasileiro estava na plateia: levar uma bandeira do Brasil (que óbvio). Algumas vezes fui notado, outras não. Dessa vez consegui prender a bandeira na grade, pois havia achado duas abraçadeiras jogadas no chão perto do palco Hagen. Assim, fiquei quase uma hora na grade esperando o show começar.

Depois da saída do baixista Peter Hook e com o lançamento do álbum “Music Complete” no ano passado o veterano New Order voltou revigorado. Os costumeiros erros ao vivo ficaram no passado. O New Order é uma banda muito mais profissional hoje em dia. Apresentaram novos arranjos para algumas velhas músicas, novas projeções e novas músicas no repertório. Foi justamente depois de tocar “Plastic”, uma das músicas novas, que o vocalista Bernard Sumner notou minha bandeira e perguntou: “Você é do Brasil?”. Respondi com um sinal positivo e ele na sequência emendou: “Então você está perdendo os Jogos Olímpicos!”. Haha! Como se eu estivesse preocupado com isso. Apenas encolhi os ombros e abri os braços fazendo aquele gesto “shruggie”, tão característico da internet (¯\_(ツ)_/¯). Pena que o New Order teve pouco mais de uma hora para tocar e seu set ficou restrito a onze músicas, mas ainda assim valeu a pena.

Todos os shows do festival não poderiam passar das 23:00 e foi assim todos os dias. Eu acho ótimo que acabe cedo e se tenha tempo para aproveitar a manhã do dia seguinte. Show não é balada. Era possível sair tranquilamente do Tøyen Park e utilizar o transporte público para voltar para casa, seja de metrô (como eu fazia), bonde ou ônibus. Muitos voltavam de bicicleta e alguns poucos pegavam um táxi. O metrô voltava incrivelmente vazio para o centro da cidade e tenho que confessar que nesses momentos sentia muita inveja da qualidade de vida de quem mora em Oslo.

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OS FESTIVAIS QUE AGITARAM O FINAL DO VERÃO EUROPEU – PARTE FINAL

 

Por Ricardo Fernandes, enviado especial de Zap’n’roll

 

Flow Festival, Finlândia- Introdução

O Flow Festival em Helsinque é uma espécie de irmão do Øya Festival. Acontece mais ou menos na mesma época, com alguma sobreposição de datas, e compartilhando cerca de 80% dos artistas internacionais. Para que tudo não fique muito parecido, alguns headliners só tocam em um dos festivais. Nesse ano, somente o Øya teve PJ Harvey, enquanto que apenas o Flow teve Morrissey. Já tinha visto o Flow aparecer numa lista de festivais nos lugares mais inusitados no mundo (ele é feito em uma antiga usina de energia), então minhas expectativas para esse festival eram altas.
FlowFestival, 14 de agosto, domingo

Perdi o sábado me deslocando de Oslo para Helsinque. Se fosse mais sangue nos olhos poderia ter escolhido um voo mais cedo de forma a chegar a tempo também para o penúltimo dia do Flow, mas foi bom ter descansado um dia. O local do festival é relativamente próximo ao centro da cidade e eu estava hospedado a pouco mais de 1 km de distância. Meu hotel emprestava bicicletas para os hóspedes, mas por algum motivo preferi ir a pé. Foi uma decisão acertada. Apesar de ter chegado cedo, o estacionamento de bicicletas estava completamente abarrotado. Acho que nunca tinha visto tantas bicicletas juntas. As pessoas começavam a improvisar e prender suas bikes em todos os lugares possíveis, até mesmo no alto de árvores. Helsinque não chega a ser uma Amsterdã no uso de bicicletas, mas está quase lá. Quase toda a cidade é plana e possui muitas ciclovias, então a bicicleta possui uma função importante como meio de transporte pelos habitantes locais.

A usina de energia e gás desativada em Suvilahti, região nordeste da cidade, realmente impressiona. Fazer um festival em um antigo complexo industrial foi uma bola dentro da organização do festival, mas achei que estava muvucado demais. Apesar de ocupar aproximadamente o mesmo espaço que o Øya, tive a impressão que havia o dobro de pessoas no Flow. Ambos os festivais estavam com ingressos esgotados, o que me faz concluir que o Flow colocou à venda mais ingressos do que deveria. O festival possuía seis palcos, sendo um palco principal enorme, uma grande tenda que parecia um circo e quatro tendas menores. Não havia muitas opções de comida e também achei que poderiam ter instalado mais bares e banheiros.

Consegui ver o finalzinho do show de Ruger Hauer feat. Regina, a união de esforços de uma dupla de rappers e uma cantora pop da Finlândia no LapinKultaRed Arena, o palco em formato de circo. Não tenho muito o que comentar propriamente sobre o show, mas naquele momento percebi que os finlandeses são bem mais agitados que os frios noruegueses. Logo em seguida, conferi o show deJ.Karjalainen se apresentando no palco principal. Muitas pessoas cantavam todas as suas músicas, mostrando a popularidade desse veterano cantor finlandês. Enquanto isso, na Black Tent, quem estava se apresentando era a gata inglesa Dua Lipa, que faz um moderno amálgama de música pop, hip hop e soul. Seu álbum de estreia que será lançado no ano que vem promete. Fiquem de olho nessa menina!

De volta à Red Arena, quem iria se apresentar era o Daughter, que eu gostaria muito de ter visto em Oslo, mas havia conflitado com o Lush. Consegui um bom local do lado direito do palco, onde pude acompanhar de perto o delicado dream pop com texturas envolventes da banda londrina. Ainda bem que eles se apresentaram em uma tenda fechada. O show não iria funcionar em um palco aberto em plena luz do dia.

Assim que acabou a apresentação fui para a central de controle conversar com Andy Liddle, o iluminador que acompanha o New Order há mais de três décadas e que estava se preparando para o próximo show. Foi ali que encontrei um amigo inglês, que faz parte dos Vikings, o grupo de fãs hardcore do New Order que acompanha a banda por todos os lugares do mundo. Alguns deles possuem mais de uma centena de shows do New Order nas costas e os Vikings até ganharam um número de catálogo da Factory Records (FAC 383), homologado em um documento assinado pelo próprio Tony Wilson. Eu mesmo, prestes a ver meu vigésimo sétimo show do New Order em onze países diferentes, já fui chamado de “Viking verdadeiro” e “filial brasileira dos Vikings”.

Eram cerca de dez Vikings que estavam posicionados para o show em um local estratégico: ao lado do bar. Por falar nisso, vale ressaltar que a Finlândia não é um lugar barato, mas uma cerveja custava “apenas” 7 euros, cerca de 30% menos do que na Noruega. Se vi o show em Oslo bem de perto, ficar ao lado do bar me deixou bem longe, mas estava valendo, já que pelo menos me diverti bastante ao lado dos ingleses arruaceiros. Também fui apresentado a Yuri, um fã finlandês do New Order que chegou a morar dez anos em Manchester devido à sua paixão pelo Manchester United e pelas bandas mancunianas como The Smiths e Stone Roses. Atualmente ele trabalha em uma empresa de segurança e por estar muito envolvido com o MMA conhecia bem o Brasil, tendo ido diversas vezes a São Paulo e Rio de Janeiro.

Por sorte o New Order teve mais tempo para tocar no Flow Festival, de forma que conseguiram encaixar no setlist os clássicos “Regret” e “Your Silent Face”, além de uma arrepiante versão de “Decades” do JoyDivision no bis. Depois do show fomos bater um papo com Andy Robinson, empresário da banda, que confirmou que uma turnê sul-americana do New Order nesse ano estava em processo adiantado de negociações mas foi cancelada pois a banda (leia-se Bernard Sumner) não gostaria de viajar muito no momento. Andy estava visivelmente desapontado, assim como eu e os Vikings, que estavam se preparando para invadir a América do Sul mais uma vez. Quem sabe no ano que vem…

A ala feminina dos Vikings foi para o palco principal ver o show da Sia, mas preferi vazar do festival com os rapazes, onde fomos levados por Yuri até um pub nas proximidades chamado Mäki Kupla. “Esse lugar é uma merda, mas pelo menos a cerveja é barata”, me confidenciou Yuri. Acompanhar os Vikings na bebedeira não é tarefa fácil e na sequência ainda fomos para um pub de visual rock’n’roll mais ajeitadinho, onde ficamos até sermos praticamente expulsos do lugar por estar muito tarde. Que noite! Após me despedir dos Vikings fiquei pensando quando será minha próxima oportunidade de encontrar novamente esse bando de malucos.

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O veteraníssimo inglês New Order (acima), um dos destaques dos festivais vistos por Zap’n’roll; abaixo o bucólico local do festival português Paredes De Coura (fotos: Ricardo Fernandes)

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Festival Paredes de Coura, Portugal- Introdução

Olhando no calendário de festivais de verão europeu não foi difícil escolher outro festival para a sequência do Flow Festival. Na semana seguinte começaria o Paredes de Coura na vila de mesmo nome em Portugal. Já tinha ouvido falar bem desse festival e um amigo português confirmou: “Fui lá uma vez, ver Nine InchNails. O local é perfeito, um anfiteatro natural. Em termos de beleza de cenário é imbatível”. Após conferir a escalação do festival rapidamente a escolha estava definida.

Festival Paredes de Coura, 17 de agosto, quarta-feira

O mesmo amigo de Portugal meu deu a dica para que me hospedasse em Vigo na Espanha e alugasse um carro, pois essa era a cidade com aeroporto mais próxima do festival. Foi isso mesmo que fiz e assim que desembarquei no aeroporto de Vigo aluguei um simpático Smart vermelho. Não foi fácil sair de Helsinque e chegar em Vigo. Tive que tomar três aviões, de três companhias áreas diferentes (Finnair, Air France e Air Europa). Perdi um dia inteiro em voos e aeroportos, mas pelos menos cheguei inteiro e minha mala foi corretamente despachada até o destino final (meu maior medo quando viajo de avião não é uma possível queda, é ter a bagagem extraviada).

Apesar de ter que atravessar uma fronteira entre países a viagem entre Vigo e Paredes de Coura é tranquila e rápida, menos de uma hora. Todas as estradas possuíam um asfalto que mais parecia um tapete e eram bem sinalizadas. Paredes de Coura é uma bela vila de pouco mais de 9000 habitantes no norte de Portugal. Ao contrário do Brasil, onde chamamos qualquer lugar de cidade, Portugal faz uma clara distinção entre aldeia (pequena povoação), vila (localidade mais desenvolvida e de média concentração populacional) e cidade (alta densidade populacional e alta variedade de serviços prestados aos cidadãos, como hospitais e transportes de massa). Portanto, não chame Paredes de Coura de cidade, a menos que queira ser corrigido por um português.

Chegando na vila, não encontrei nenhum estacionamento, então deixei o carro em uma vaga pública um pouco afastada do centro. Poderia ir a pé até o festival, localizado a pouco mais de 1 km, mas fiz a correta escolha de pegar a van do festival. Dividindo espaço na van comigo, muitas pessoas com sacolas e mais sacolas de supermercado. Estavam todos transportando mantimentos para o camping, o local onde fica a maioria dos frequentadores do festival. Boa parte da graça do Paredes de Coura é ficar no camping com os amigos bebendo, ouvindo música, tocando violão ou se banhando no Rio Coura. Dei uma volta pelo camping e percebi que certamente eu era um dos poucos que estava se hospedando em um confortável hotel para o festival. O camping parecia divertido, mas eu já passei da idade de passar perrengue.

Meu amigo tinha razão: o palco principal é um incrível anfiteatro natural, com uma inclinação tão grande que é possível ver perfeitamente o palco de qualquer lugar. Diria que é o segundo lugar mais fantástico onde já vi um show na vida, perdendo somente para o Teatro Grego em Los Angeles, outro local privilegiado pela natureza. Quem teve a missão de abrir o festival foi We Trust ft. Coura All Stars, a união de uma banda do Porto com uma orquestra composta por crianças da região. “Foi um privilégio vir para aqui todos os dias às 9h da manhã, desde abril, ensaiar com eles”, disse André Tentugal, o líder do We Trust. Não havia como duvidar de sua afirmação. Estava tudo perfeitamente ensaiado e o show correu tranquilo, do começo até o fim. Como no primeiro dia de festival o palco secundário ainda estava sem shows, tive que esperar um pouco a apresentação do Best Youth, dupla do Porto que faz uma música sintética e soturna. Na sequência, subiu ao palco o Minor Victories, espécie de supergrupo alternativo formado por membros do Slowdive, Editors e Mogwai. Eles são a prova de que grandes músicos nem sempre fazem grandes bandas. O grupo tem pouco tempo de estrada e talvez evolua no futuro, mas no momento não mostrou a que veio e não conseguiu empolgar o público português.

A atração principal da noite foi o Unknown Mortal Orchestra, os penúltimos a tocar. Em outros festivais, seria pouco provável que o Unknown Mortal Orchestrafosse um headliner, mas aqui no Paredes de Coura eles cumpriram seu papel e conseguiram levantar a galera portuguesa. O rock psicodélico do grupo era cantado pela plateia em vários momentos, o que de certa forma foi surpreendente para mim. Quem fechou a noite foi o Orelha Negra, banda instrumental portuguesa que faz uma mistureba de funk, soul, jazz e trip hop, que conseguiu manter o povo dançando.

A solução do festival para diminuir o lixo gerado é interessante. Você só pode tomar cerveja, vinho ou refrigerante usando um copo do festival, que é obtido mediante uma caução de 2 euros. Se você quiser levar o copo de recordação, pagou 2 euros por ele. Se devolver o copo no bar, recebe de volta seus 2 euros. Portugal é um dos países mais baratos da Europa e cada cerveja de meio litro custava 4 euros (cerca de R$ 15). Tomei quatro cervejas durante o festival e para meu azar fui parado pela polícia portuguesa na volta, que fez um teste do bafômetro comigo. Eu não podia acreditar. Após um primeiro teste dentro do carro, o policial pediu para que estacionasse meu carro e me encaminhou até um etilômetro mais sofisticado, que ocupava toda a traseira de um carro policial. Soprei e apareceu o resultado: 0,48 g/l. Na mesma hora pensei: “Estou fodido, o limite deve ser 0,2 ou algo assim”. Tudo passava pela minha cabeça naquele momento. Vou ser levado a uma delegacia? Vou pagar uma multa? Meu carro alugado será apreendido? Nunca mais poderei dirigir em Portugal? Vou ser preso? Vou ser deportado? Para minha sorte, o limite era 0,50 g/l e fui liberado pelos policiais. Que sorte. Bebi quatro cervejas ao longo de seis horas e ainda assim não estava oficialmente alcoolizado. Talvez minha capacidade de metabolizar o álcool seja maior do que imaginava, mas era melhor não arriscar no dia seguinte.

 

Festival Paredes de Coura, 18 de agosto, quinta-feira

No segundo dia de festival decidi chegar um pouco mais cedo para dar uma voltinha na vila de Paredes de Coura, tomar um café e comer um bolo ou torta. Quando fui até o local onde havia estacionado meu carro em Vigo ele não estava lá! Carro nenhum estava. Havia dezenas de carros naquela rua na noite anterior, mas agora não havia nenhum. Voltei desesperado para o hotel, onde me explicaram o que havia acontecido: estacionei o carro numa área de carga e descarga, onde é permitido estacionar durante a noite, mas não durante o dia. Meu carro havia sido guinchado. E agora? Eu precisava daquele carro para ver o festival em Portugal em poucas horas. Peguei um táxi até o depósito municipal de carros em Vigo, paguei uma multa e em quinze minutos já estava dirigindo o Smart vermelho novamente. Fiquei 144 euros mais pobre, mas pelo menos tinha um carro para me deslocar até o festival.

Foi tudo tão rápido que ainda assim consegui comer um bolo e tomar um café na vila, como eu havia planejado. Por falar em comida, a princípio achei que os quiosques no festival eram poucos, mas a maior parte do tempo eles estavam sem clientes. Certamente quem estava acampado já havia comido no camping e não precisava gastar com comida na área do festival posteriormente. Comigo a situação era diferente. Todos os dias eu me esbaldei com os pregos (sanduíches de carne suína), bifanas (carne bovina) e tripas de Aveiro (uma massa crua doce).

A primeira atração do dia foi Ryley Walker, cantor e violonista que por coincidência estava lançando seu novo álbum “Golden Sings That Have Been Sung” no dia seguinte ao seu show no Paredes de Coura. É uma pena que estava muito cedo e com pouca gente próxima ao palco principal quando Ryley Walker tocou. A plateia parecia dispersa e não prestou muita atenção no delicado folk com pitadas de rock psicodélico e blues do americano de Illinois. Vale ressaltar que os portugueses são um dos povos mais animados que eu já vi em shows, mas parecem ignorar qualquer um que faça um som acústico. A próxima banda a se apresentar foi o Whitney, com seu indie-rock esquisitão e de formação inusitada, com um trompetista e vocais executados pelo baterista Julien Ehrlich. Um drone sobrevoava o público a ponto de chamar a atenção de todos, inclusive da banda. “Eu não gosto de drones”, disse Julien Ehrlich. Eu também não, Julien.

Dei uma passada no palco secundário pela primeira vez, mas não dei sorte. Quem estava se apresentando era a banda de Braga Bed Legs, com um vocalista horrível e cheia de clichês rock’n’roll mais do que batidos. Já havia anoitecido quando o Sleaford Mods subiu ao palco principal. Minimalismo eletrônico ao extremo. Apenas dois caras no palco: Andrew Robert Lindsay Fearn apertando botões num notebook e o vocalista Jason Williamson destilando sua verborragia politizada. A dupla inglesa gerou reações contraditórias no público. Enquanto alguns saíram inconformados na primeira música, outros ecoavam cantos que pareciam vir de um estádio de futebol. “Sleaford Mods! Sleaford Mods! Sleaford Mods!”, berravam eles. “Nós não costumamos ter uma reação positiva dessas em festivais”, disse Jason, enquanto Andrew concordava mexendo a cabeça.

Thee Oh Sees é uma banda sem estrelismos. Foram os próprios músicos do grupo que fizeram a passagem de som no palco e começaram o show com uma antecedência de quatro minutos. Fiz a besteira de ficar lá frente do palco. Eu poucos segundos a banda de garage rock de San Francisco incendiou a molecada portuguesa, que começou a abrir rodas, pular descontroladamente e fazer crowdsurfing. A grama na frente do palco havia virado terra e a terra se levantava na forma de poeira. Alguns começaram a cobrir o rosto com suas camisetas para se proteger. Caos total. Arreguei e fui para trás, mas ainda assim a plateia estava insana. Estava tentando tirar fotos quando um crowdsurfing mal executado fez com que um rapaz caísse em cima de minha cabeça. Poderia ter quebrado meu pescoço. Fiquei feliz de sair inteiro desse show e mais ainda por ver uma banda imbatível ao vivo.

Eis que chegava a hora da grande atração, não apenas do dia, mas de todo o Festival Paredes de Coura. Num primeiro momento me senti tapeado pela volta do LCD Soundsystem, afinal fizeram um estardalhaço com seu show de despedida no Madison Square Garden, que virou um álbum ao vivo e DVD, para voltar apenas cinco anos depois. No entanto, foi com grande satisfação que pude ver James Murphy e sua turma em ação novamente. Foi uma superprodução, com novos arranjos para velhos clássicos, que deram um frescor novo para músicas como “Daft Punk Is Playingat My House”, “Losing My Edge”e “Tribulations”. O final do show foi épico, com uma emocionante versão para “New York, I Love You But You’re Bringing Me Down”. Ainda voltaram para mais duas músicas no bis, “Dance Yrself Clean” e “All My Friends”, que mostram que o LCD Soundsystem continua afiado. Resta saber como será o novo material que dizem estar compondo e se virão para o Brasil no ano que vem. Aguardo ansiosamente uma nova chance de vê-los ao vivo.

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O americano LCD SoundSystem (acima) e o Chvrches (abaixo), um dos atuais “grupos top” de um certo blog vizinho; mas como bem observou nosso correspondente, a banda é fraquinha e não tem condições de ser headliner de um grande festival

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Na volta para Vigo, havia novamente uma blitz policial no mesmo local, mas como havia bebido apenas Coca-Cola e água os policiais não me pararam. Melhor assim.

 

Festival Paredes de Coura, 19 de agosto, sexta-feira

Antes de começar a falar sobre os shows do penúltimo dia, gostaria de divagar um pouco sobre Portugal, que é um dos meus países preferidos no mundo. Ao contrário do que a crença popular diz no Brasil, as portuguesas não têm bigode e costumam ser muito bonitas, magras e elegantes. A comida é a melhor da Europa, o clima é agradável e os preços não são abusivos quando comparados a outros países europeus ou mesmo ao Brasil. Idealmente, um dia quando estiver velhinho vou morar seis meses no Brasil e seis meses em Portugal.

Assim como Ryley Walker no dia anterior, Kevin Morby foi recebido de maneira um pouco fria pelos portugueses. O folk rock do texano foi executado com competência, mas não a ponto de gerar muita reação na plateia. Aplaudiam ao final de cada música e mais nada. Melhor sorte teve a banda norte-americana Crocodiles, que levantou os portugueses com seu noise pop melódico. Eu já estava cansado e decidi adotar uma postura diferente para os outros shows do dia. Ficaria sentado no fundo e me levantaria apenas quando as bandas começassem seus shows. Foi assim com o King Gizzard & the Lizard Wizard, banda australiana que me pareceu melhor em estúdio do que ao vivo. A mistura de rock psicodélico e garage rock malucão dos discos virou um hard rock chato para caramba ao vivo. Nem parecia a mesma banda.

Quem tocou depois no palco principal foi The Vaccines, que aparecia em destaque no material de divulgação do festival, como se fossem uma das principais atrações. Ao vivo provaram que poderiam ter sido o headliner do dia. Mesmo ficando no fundo, não tive sossego. A plateia portuguesa abria rodas e fazia crowdsurfing sem parar. Agitaram de forma insana praticamente em todas as músicas. Curiosamente, “Melody Calling”, possivelmente minha música preferida do Vaccines, gerou uma resposta quase nula na molecada. Cage The Elephant foi outro headliner improvável, mostrando que o Paredes de Coura não deve ter tanta grana assim para contratar grandes nomes de peso. Aposto que se fosse no Brasil, qualquer organização de festival seria detonada nas redes sociais por essa escolha. Para os portugueses, no entanto, não houve problema nenhum. O vocalista Matt Shultz parecia uma criança hiperativa, correndo e pulando de um lado para o outro, tornando a tarefa de fotografá-lo algo quase impossível. Da mesma forma, a plateia parecia uma turba de milhares de adolescentes hiperativos que queriam se divertir até o último minuto de suas vidas.

Passei mais um dia sem beber nada e dessa vez nem havia blitz policial na estrada. Se eu soubesse disso antes…

 

Festival Paredes de Coura, 20 de agosto, sábado

O último dia de festival foi aquele com a escalação mais fraca na minha opinião e também o mais vazio. Conversando com algumas pessoas fiquei sabendo que muita gente já havia saído do camping e voltado para suas casas. O Paredes de Coura se aproximava de seu fim, mas não fiquei abatido pelo cansaço que se acumulava. Aproveitei para fazer uma coisa típica dos europeus, mas que eu mesmo nunca tinha feito: tomar uma taça de vinho num festival. O trauma da blitz de certa forma já estava superado.

Quem começou os trabalhos do último dia foi The Last Internationale, banda nova-iorquina de discurso politizado e rock simples e direto, sem muitas firulas. Serviram como um bom aquecimento para Capitão Fausto, banda de Lisboa com três álbuns editados. Apostaria sem medo que esse foi o show com maior número de crowdsurfings. Se no Øya Festival o crowdsurfing era proibido, no Paredes de Coura era institucionalizado. Os seguranças à beira do palco seguravam cuidadosamente cada um dos meninos e meninas (sim, meninas também) que eram atirados para dentro do cercadinho dos fotógrafos. O rock psicodélico do grupo agradou de forma inesperada, pois nunca tinha visto nesse festival uma banda local gerar uma reação tão entusiasmada por parte do público.

Deu tempo de conferir o show do Motorama no palco secundário, grupo russo de pós-punk que fazia uma apresentação climática e um pouco sombria. Jorge Coelho, promotor português responsável pela vinda do grupo, estava eufórico em uma postagem no Facebook: “Que grande concerto deram os Motorama no Palco Vodafone e que se revelou muito pequeno para os russos.Tudo farei para que a banda regresse a Portugal já em 2017”. Voltando ao palco principal, era hora de The Tallest Man On Earth. Uma bela ironia, considerando-se que o líder Kristian Matsson é bem baixinho, ainda mais para um sueco. Seu indie folk não me agradou muito ao vivo, mas tenho que reconhecer que o rapaz tem carisma e os portugueses parecem ter amado o show. Portugal. The Man subiu ao palco já com o jogo ganho. Como uma banda com um nome desses poderia dar errado num show em Portugal? Também não achei grandes coisas o show, mas novamente os portugas adoraram. Várias pessoas nos ombros dos outros, mais crowdsurfing e mais poeira levantada. Talvez o problema fosse comigo, que já estava bem cansado a essa altura do festival.

Coube ao Chvrches fechar o palco principal. O show deles é bom, mas pareciam muito mais cansados do que no show em Oslo. Em lugar nenhum do mundo o Chvrches seria headliner num festival. A banda possui dois bons álbuns, mas não possuem repertório, nem peso para ser a atração principal. Ainda assim, o trio possuía alguns fãs na plateia, que vibravam a cada música executada. Terminava assim minha maratona de festivais. Três festivais em três países diferentes, em oito dias de shows, num intervalo de onze dias.

 

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Ricardo Augusto Fernandes (acima, ao lado de Zap’n’roll durante a última edição da festa “Call The Cops”, no clube Alberta/SP) e o autor deste blog se conhecem pessoalmente há quase uma década e meia, período em que desenvolveram uma grande amizade. Mas ao contrário de Finaski Ricardo é jornalista eventual, escreve ótimos textos por puro diletantismo, tem um conhecimento enciclopédico de rock’n’roll e rock alternativo e ganha a vida há décadas trabalhando na área de informática, especializado que é no assunto – sendo que ele também publicou reportagens em muitas das edições impressas da saudosa Dynamite. E sim, é fanático pelo New Order, rsrs. Esta cobertura dos festivais que rolaram na Europa foi encomendada a ele por este espaço virtual, que não tem dúvida em afirmar que se trata de um dos melhores relatos já publicados na web BR de cultura pop nos últimos tempos – né Popload?

Valeu, Ricardo!

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

  • Disco: em momento de total falta de lançamentos relevantes no mondo rocker (aqui e lá fora), a melhor indicação destas linhas zappers é de um LP que foi lançado há vinte e cinco anos. Ele mesmo, o clássico absoluto “Nevermind”, que o inesquecível e até hoje gigante Nirvana deu ao mundo no final de 1991. Sendo que neste sábado, dia 10 de setembro (leia-se amanhã, já que o postão está sendo concluído finalmente hoje, sextona em si, 9 de setembro) o single que abria o disco, a hoje clássica “Smell Like Teen Spirit”, era lançado oficialmente. Não há mais bandas como o Nirvana nos dias atuais. Nem caras como Kurt Cobain no rock. E nunca mais irá haver. Então o melhor é re-ouvir esse DISCAÇO, sempre e sempre, que você escutar na integra aí embaixo:

 

  • Nova edição do festival In-Edit Brasil: yeah! A oitava edição do festival que reúne a nata dos documentários musicais começou anteontem em Sampa e prossegue até o próximo dia 18 de setembro, quando serão exibidos nada menos do que cinqenta e sete documentários em diversas salas exibidoras da capital paulista, além de shows ao vivo. Há de tudo para todos os gostos e um dos destaques da Mostra é “Time Will Burn”, documentário fodástico que mostra a inesquecível cena indie guitar paulistana dos anos 90’, quando bandas como Pin Ups, Second Come e Mickey Junkies faziam muuuuuito mais barulho do que a atual cena criada pela “ilha da fantasia indie” do blog “vizinho” Popload. O doc será mostrado no Cine Olido, na galeria do mesmo nome, no centrão de São Paulo, neste domingo (às seis da tarde) e também no próximo dia 21 (quarta-feira), às sete e meia da noite. E você pode saber tudo sobre o In-Edit indo aqui: http://www.in-edit-brasil.com/.

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O quarteto indie noise guitar paulistano Pin Ups: um dos GIGANTES da história do indie rock BR, presente no documentário “Time Will Burn”

  • Show: e dentro da programação do festival o bacanudo combo rocker paulistano (e que nunca foi citado na Pobrel, ops, Popload) Fábrica de Animais toca ao vivo hoje, sextona, na mesma Galeria Olido, a partir das sete da noite. Se programa que dá tempo tranqüilo de assistir a gig.

 

  • Baladenhas: finde fraquinho, fraquinho na seara dos agitos alternartivos. Então sem grandes baladas pra curtir, dá pra se jogar na festa open bar que o site Zona Punk promove hoje à noite no Outs (lá na rua Augusta, 486, centrão rock’n’roll de Sampalândia).///Mas se você quer sair da metrópole, agüenta ir um pouco mais longe e curtir um rock no meio da mata Atlântica, a dica é ir pra Paranapiacaba no Simplão Rock Bar, onde rola a partir de hoje a quinta edição do festival Independência e Rock. Vai ter discotecagens, cine Simplão e shows com bandas legais (como Jonata Doll & Os Garotos Solventes), essas tocando amanhã, sabadão em si. Interessou? Vai aqui, onde tem todas as infos sobre o evento: https://www.facebook.com/events/1348522815175711/. E fora que o Simplão, comandado pela queridaça Cris Mamuska, é um dos locais mais bonitos e bucólicos que estas linhas bloggers rockers já conheceram.///E é isso. Então se programa aê e se joga, porra!

 

 

FIM DE PAPO

Postão monstrão e ótimo (modéstia às favas, uia!) finalmente chega ao fim – tudo acaba uma hora, néan. Então ficamos por aqui mas prometendo voltar com muito mais na semana que vem. Até lá!

 

(ampliado e finalizado por Finatti em 9/9/2016, às 17hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL (com o enfim afastamento de Eduardo Cunha do comando da Câmara dos deputados, o novo disco do Radiohead que ACABA DE SER LANÇADO e mini resenhas dos novos discos do Primal Scream e da cantora Céu) – O tempo voa, 2016 já avança para a metade do ano e o mondo rock finalmente volta a se agigantar com os novos e ótimos discos da deusa inglesa PJ Harvey e do The Last Shadow Puppets; o que o rapper Mano Brown e o ator José De Abreu possuem em comum; os vinte e cinco anos da morte de um GÊNIO da produção rocker da geração madchester; a volta DELAS!!! Yeah! Três XOXOTAÇAS (semi-secretas) no retorno das musas do blog; e sorteio de VIPS para uma das melhores baladas alternativas noturnas da capital paulista e que acontece neste finde em São Paulo (postão ATUALIZADO E FINALIZADO em 8/5/2016)

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Em um tempo onde até mesmo o indie rock planetário se tornou qualitativamente quase que totalmente irrelevante, a deusa e musa inglesa PJ Harvey (acima) mantém um trabalho impecável que já dura mais de vinte anos e que agora ganha mais um discão em sua trajetória, que saiu há pouco na Inglaterra; e da safra mais ou menos nova do rock alternativo também britânico surge enfim o segundo trabalho do grupo The Last Shadow Puppets (abaixo), que o blogão comenta neste post onde também temos a volta de nossas sempre abusadas, ousadas, safadas e ultra tesudas musas rockers, como a paulistana Neide R. (também abaixo)

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E MAAAAAIS UMA ATUALIZAÇÃO NO DOMINGÃO DAS MÃES, COM ENFIM O NOVO DISCO DO RADIOHEAD

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Saiu finalmente, néan. Presentão pros rockers em pleno dia das mães. Depois de cinco anos de espera e jogadas de marketing que a banda sabe fazer como poucas no mondo rock, o Radiohead ressurge com “A Moon Shaped Pool”. E que já aparenta ser o melhor disco do quinteto inglês desde… “In Rainbows” (de 2007)? Parece que sim.

O  blogão ainda vai fazer algumas audições bem rigorosas do trabalho, antes de escrever um texto preciso e bacana sobre ele. Thom Yorke e sua turma merecem essa deferência, não? E enquanto esse texto não é publicado aqui, você já pode escutar o cd na íntegra aí embaixo. Boa audição!

 

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EXTRAS FECHANDO O POSTÃO

  • Postão lindão sendo concluído já na sextona DESTA semana (6 de maio). Ficou bacana e ainda tem umas notinhas aí embaixo pra fechar de vez a tampa do blogão.

 

  • A volta mais esperada do indie rock nos últimos anos, néan? O gigante Radiohead lança nos próximos dias seu novo álbum de estúdio, cinco anos após o fraquinho “The King Of Limbs”. A expectativa é enooooorme em torno do novo trabalho, mesmo porque o primeiro single do álbum, “Burn The Witch”, já roda à toda no YouTube (e a humanidade já deve ter visto) e mostra o quinteto em boa forma, com melodia bacana, orquestrações e Thom Yorke cantando bem como nunca. A aguardar então, sendo que o single você confere aí embaixo.

 

  • E em outubro na Califórnia, o festival dos sonhos de todos nós. Dá até vontade de ir pra lá, sendo que depois dessa reunião desde já inesquecível o mundo poderia acabar de vez.

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  • Enfim, o PILANTRA e BANDIDO máster Cunha foi ARRANCADO da cadeira de presidente do Congresso, e pelo STF (porque se fossêmos depender dos próprios deputados…). Pelo jeito ainda resta um mínimo de Justiça e de credibilidade nas instituições desse país total falido em todos os sentidos. TCHAU, querido!

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  • É isso. Postão fodão pra ninguém reclamar. Semana que vem tem mais. Até lá!

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O país surreal e a musa rocker inglesa.

Pode-se dizer que um não tem absolutamente nada a ver com o outro, mas são ambos (país e musa) que dominam os pensamentos de Zap’n’roll no final da tarde desta deliciosa última sexta-feira de abril, quando o outono finalmente chegou a Sampalândia e derrubou as temperaturas (nesse momento, na casa dos dezesseis graus, com céu totalmente nublado). O Brasil, óbvio, se tornou mais piada pronta do que nunca perante a imprensa internacional, por todo o quadro político que está em curso por aqui. O lado bizarro e surreal desse quadro é um processo de impeachment absurdo, contra uma presidente que, sim, cometeu muitos, grosseiros e GRAVES erros em sua administração, mas que definitivamente NÃO é BANDIDA. E o absurdo desse processo se dá justamente no fato de ele ser conduzido pelos REAIS e MAIORES BANDIDOS da história recente da política nacional, gente do naipe de Michel “mordomo de filme de terror” Temer e Eduardo “mão pesada (e nada de leve)” Cunha. Qual a legitimidade ÉTICA e/ou MORAL de um processo conduzido por esse tipo de gente? Nenhuma, claro. Fora que o lado DRAMÁTICO (e não bizarro) da situação atual é aquele que todos nós já sabemos e estamos sentido na carne: recessão, desemprego, aumento da inflação etc. Diante disso tudo conforta ao blog e, imaginamos, também ao nosso dileto leitorado, saber que uma cantora, compositora, letrista e multiinstrumentista como a inglesa PJ Harvey (uma das artistas do rock alternartivo planetário mais adoradas por estas linhas bloggers poppers há mais de vinte anos) continua ótima e brilhante em sua arte de compor e gravar grandes discos, como o seu mais novo trabalho de estúdio e que foi lançado oficialmente na Inglaterra há duas semanas. Em mundo onde a cultura pop e o rock’n’roll parecem ter sucumbido inexoravelmente à indigência criativa total, é um alento monstruoso escutar um discaço como o novo rebento dessa inglesinha miúda e sempre cáustica em sua percepção arguta e aguda sobre a existência humana, e sobre uma sociedade cada vez mais esgarçada por todo tipo de desajuste. Por isso Polly Jean é o destaque desse postão que você começa a ler agora. Enquanto o país da piada pronta e que  nunca foi sério continua pegando fogo, o melhor a fazer numa deliciosamente fria sexta-feira outonal é escutar o cd de PJ, tomando um bom vinho. E deixar o mundo podre explodir lá fora, contanto que seus escombros voem para bem longe de nós.

 

  • A repercussão ao novo projeto visual do blog não poderia ter sido melhor: quase cento e quarenta compartilhamentos e setenta e nove comentários, o que mantém essas linhas zappers como um dos blogs de cultura pop mais acessados do Brasil. Chupa, fakezada cagona e mortinha de inveja, hihihi.

 

  • E o outono finalmente chegou em Sampa, que beleza! Olha só a temperatura ontem à noite perto da house do jornalista rocker/loker/maloker:

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  • Temperatura mais do que ideal para se jogar na melhor balada noturna rocker/goth alternativa da capital paulista e que acontece nesse sábado (leia-se amanhã) em Sampa. Essa mesma, do flyer aí embaixo. Quer ir nela mas está sem dindin? No “poblema”, ahahaha. Vai lá no final do postão que tem um par de Vips esperando por você, pra te colocar na FAIXA na parada.

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  • E até o digníssimo e ultra respeitado apresentador Jô Soares se posicionou a respeito do que está acontecendo atualmente no Brasil, saindo em defesa do ator José de Abreu e do cantor Chico Buarque esta semana, em seu programa nas madrugadas da TV Globo. Não assistiu? Confere aí embaixo então.

 

  • O QUE MANO BROWN E JOSÉ DE ABREU TÊM EM COMUM – um é dos mais conhecidos, polêmicos e dos melhores compositores e letristas do rap brasileiro desde que ele (rap) existe por aqui. À frente do grupo paulistano Racionais MC’s, gravou pelo menos duas obras-primas em sua já longa trajetória musical: “Raio X Brasil” (de 1993 e que tem “Homem na estrada” e “Fim de semana no parque”) e “Sobrevivendo no inferno” (lançado em 1997 e que se tornou, mesmo sendo comercializado de forma independente, o álbum de rap mais vendido da história da música brasileira, com cerca de um milhão de cópias adquiridas pelos fãs). E antes que algum COXA imbecil venha GRASNAR algo, dois detalhes a saber: a) o grupo, tirando cachês recebidos pela prefeitura de São Paulo para participar de algumas edições da Virada Cultural, dificilmente foi ou vai em busca de verba PÚBLICA para bancar algum projeto seu; e b) o vocalista do grupo está sim hoje em dia com uma situação profissional e financeira confortável, sendo que segundo se sabe ele mora em um ótimo condomínio fechado na zona sul paulistana. Mas é um conforto/status que ele adquiriu graças à EXCELÊNCIA da sua ARTE e do seu trabalho como músico, ponto. E quem disse que preto e rapper não pode morar bem e ter grana? O outro é um dos mais conhecidos atores da televisão, teatro e cinema brasileiros. Foi um dos principais destaques da última novela do horário nobre da TV Globo. E nem por isso deixou de mudar suas convicções/posturas político/ideológicas. Sempre esteve à ESQUERDA e deu show de bola durante entrevista ao atualmente nefasto Domingão do Faustão, no último domingo na Globo. Cada declaração sua dada no programa merece ser APLAUDIDA DE PÉ. O que o cantor de rap e o ator Global têm em comum? Simples: apesar de serem artistas mega conhecidos e de possuírem uma situação financeira que muito COXINHA imbecil não tem, são FIÉIS às suas posturas políticas. Estão enxergando com clareza a grande BANDIDAGEM em curso nesse país (na questão do processo de impeachment da presidente) e estão soltando o verbo contra essa bandidagem, ainda que isso lhes custe rusgas, ataques pessoais escrotos (disparados por OGROS da direta e da egoísta, moralista hipócrita e estúpida classe média brasileira) e menos popularidade. Parabéns José De Abreu e Mano Brown. Zap’n’roll segue sendo total fã de ambos. Aliás é um claro sinal dessa época bestial que vivemos atualmente: enquanto ex-roqueiros “subversivos” de outrora se transformaram em REACIONÁRIOS de MERDA (né, Lobão e Roger Moreira), um RAPPER de respeito mostra o que é coerência política e ideológica. E antes que o blog se esqueça: quem insultou Zé de Abreu no restaurante onde o ator jantava com sua esposa, foi identificado como sendo um ADVOGADO. Belo EXEMPLO de cidadania e (in) civilidade por parte de um representante de uma classe profissional que deveria se pautar totalmente pela inteligência/ótima argumentação/educação e elegância máxima.

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O rapper mai famoso do Brasil (acima) e o ator da TV Globo (abaixo): coerência e defesa da democracia e da legalidade político/institucional, ainda que isso custe impopularidade e insultos públicos a ambos

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  • E o bom e velho Power pop escocês do grupo Travis (já há duas décadas e meia fazendo a alegria do povo que curte guitarras e melodias, hã, fofinhas) está de volta. A banda do vocalista Fran Healy lançou HOJE “Everything At Once”, seu novo disco de estúdio e que sucede o muito bom “Where You Stand”, editado há três anos. O blog vai escutar o dito cujo pelos próximos dias pra comentá-lo melhor aqui. Mas enquanto isso você já pode ouvir o dito cujo na íntegra aí embaixo.

 

  • E as nossas tradicionais notas iniciais estão em construção nesse post, hehe. Ao longo do finde e também do início da próxima semana elas irão sendo “engordadas” caso algum assunto relevante for surgindo. Enquanto isso não acontece, vamos falar aí embaixo da espetacular volta da nossa musa rocker inglesa PJ Harvey.

 

 

PJ HARVEY SE MANTÉM COMO MUSA E DEUSA SUPREMA DO ROCK INGLÊS QUE IMPORTA EM SEU NOVO DISCO

A cantora, guitarrista, multiinstrumentista e compositora inglesa Polly Jean Harvey vai completar quarenta e sete anos de idade em outubro próximo. E está na estrada do grande rock’n’roll alternativo desde o início dos anos 90’ quando ela, ainda muito jovem, ganhou a aclamação da crítica e amealhou milhares de fãs na Inglaterra com os seus três primeiros (e ótimos) discos de estúdio, que a transformaram num dos nomes mais “quentes” da então efervescente indie rock scene britânica. Foi nessa época inclusive que Zap’n’roll também se tornou super fã da garota magrelíssima e baixinha. E essa admiração pela sua obra musical permanece inalterada até hoje, mais de duas décadas depois. Aliás aumentou um pouco mais depois que o blog fez diversas audições de “The Hope Six Demolition Project”, o novo álbum de estúdio da cantora e que foi lançado há menos de duas semanas no Reino Unido. É o nono trabalho inédito de PJ Harvey, não tem previsão de lançamento físico em edição nacional e estas linhas online, claro, não iriam deixar de comentar sobre ele aqui.

PJ Harvey sempre foi uma artista no mínimo… estranha. De personalidade algo enigmática e desajustada, fisicamente sempre muito magra, ela logo chamou a atenção da imprensa musical britânica em sua estréia discográfica com “Dry”, em 1992. Era um disco cru, rude, ríspido em sua musicalidade (com nuances de punkismo nas melodias e nos ataques da guitarra) e que tratava de temas sombrios e incômodos nas letras (desequilíbrios emocionais, anseios femininos, descompassos nas relações entre homens e mulheres). A jornalistada musical adorou, os novos fãs idem e Polly Jean se tornou musa aos vinte e dois anos de idade da então cena musical alternativa inglesa. Um status que aumentou ainda mais com “Ride Of Me” (lançado em 1993) e que chegou ao ápice em “To Bring You My Love”, editado em 1995 e que era muito mais sofisticado musicalmente do que os dois primeiros CDs. Deambulando por paisagens sonoras menos rudes e com um pé em blues mezzo psicodélico, a cantora prosseguiu falando dos mesmos temas nas canções mas com um apelo menos agressivo e mais sedutor. Foi assim que o single “Down By The Water” estourou nas rádios inglesas e levou o disco a vender mais de um milhão de cópias. Foi nesse período também que PJ se “enroscou” em um affair com outra celebridade indie da Velha Ilha, o cantor australiano Nick Cave. Um romance que terminou tempos depois e deixou como saldo uma depressão mediana em Harvey, além de lhe causar distúrbios alimentares.

A partir daí a cantora diminuiu sua produção musical e gravou no período de uma década apenas três discos, que podem ser considerados medianos em sua qualidade musical – e no caso DELA, entenda-se por mediano: muuuuuito superior a pelo menos 90% do LIXO rock’n’roll que é produzido nos dias atuais. Porém, ao vivo, ela e sua banda se mantinham IMPECÁVEIS – quem viu a apresentação de PJ no Tim Festival em São Paulo, no segundo semestre de 2004 (o blog estava naquela gig, em uma noite em que também subiu ao palco o igualmente grande Primal Scream), não esquece até hoje, sendo que há um trecho deste show logo mais aí embaixo, para que nosso dileto leitorado possa conferir.

Foi em 2007 que PJ Harvey, sempre procurando jamais se repetir musicalmente, deu uma guinada surpreendente em sua trajetória ao lançar “White Chalk”. Deixando as guitarras de lado a compositora gravou um disco inteiro apenas tocando piano, alguns violões e cantando. Bordou uma coleção de músicas introspectivas, reflexivas e bastante melancólicas. O resultado ficou belíssimo, transformou o disco numa pequena obra-prima e abriu caminho para outra mudança quase radical em termos de ambiência musical: “Let England Shake”, lançado quatro anos depois (em 2011) trazia Harvey novamente tocando guitarra e muitos outros instrumentos – até uma auto-harpa que ela não sabia tocar e aprendeu a dominar com relativa maestria. De fortíssimo conteúdo social e político, “Let England…” tratava da desustruturação e desagregação social da humanidade através de canções que falavam em tom ficcional (mas com um fundo total de verdade) das duas grandes guerras mundiais. Se tornou uma das grandes obras do rock inglês dos anos 2000’ e ganhou com justiça o Mercury Prize (um dos prêmios artísticos máximos da Inglaterra).

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O novo e excelente álbum (acima) de PJ Harvey (abaixo) mantém a cantora como uma das melhores artistas ainda em atividade no rock inglês e planetário

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E aí chegamos a este igualmente estupendo “The Hope Six Demolition Project”, que saiu oficialmente na Inglaterra no último dia 15 de abril. O trabalho pode ser considerado meio que como uma extensão de “Let England…”, que saiu já há cinco anos, período em que a cantora não parou de fazer shows e quando ela também viajou por diferentes países para coletar material de viés social e político para compor o novo álbum. Que com efeito se mostra ainda mais político em suas onze faixas, onde PJ trafega desde rocks de guitarras com melodia de acento indie/bluesy (notadamente nos dois primeiros singles de trabalho, “The Community Of Hope” e “The Wheel”) até faixas estranhíssimas, como o blues “torto” e agônico de “The Ministry Of Social Affairs”, que termina com um solo de sax angustiado, descompassado e como se fosse sair do controle do músico que o está executando a qualquer momento. Pelo caminho entre estas três músicas ainda sobram canções intensas e abrasivas (como “The Ministry Of Defence”) ou mais “contidas” (mas não menos poderosas), e aí dois ótimos exemplos são “A Line In The Sand” e “Chain Of Keys” (esta também pontuada por muitos sons de sax, que são bastante preponderantes em vários momentos do cd).

Como se não bastasse a excelência musical do álbum, que tem produção de Flood (que trabalhou em alguns dos melhores discos do U2 e do Depeche Mode) e do já velho parceiro John Parish, há ainda a verve textual cada vez mais corrosiva e abrasiva da cantora, verbalizando o olhar desalentador que ela tem sobre a sociedade e o mundo de hoje, com suas guerras insanas, suas imensas desigualdade econômico/sociais, seus brutais atos terroristas e seu pós-modernismo capenga e falido, que transformou a utopia de um mundo tecnologicamente ultra avançado e também tranquilo, justo e igualitário para todos em DISTOPIA planetária e permeada pelo horror descrito por Joseph Conrad em “O coração das trevas”. “Agora esta é apenas a cidade de drogas/Apenas zumbis/Mas isso é apenas a vida/Eles vão colocar um Walmart aqui”, canta ela em “The Community Of Hope”. Ou ainda, em “The Wheel”: “Um quadro dos desaparecidos/Amarrado ao prédio do governo/8.000 fotografias amareladas pelo sol/Empalideceram com as rosas”.

“The Hope Six Demolition Project” produz, no final das contas, enorme satisfação em quem o escuta por mostrar que ainda há vida muito pensante, inteligente e muita reflexão política e social no rock’n’roll, em um tempo (o atual) onde ele se tornou quase que absolutamente fútil, banal, superficial, comercial e desprezível. Polly Jean Harvey é a prova cabal de que ainda podemos ter o rock como trilha de nossas reflexões sobre a existência humana e todos os seus percalsos. Ela cometeu mais um grande disco, que será celebrado por muitos anos ainda. E que mantém essa mulher franzina ainda como musa e deusa GIGANTE do rock inglês que realmente importa.

 

 

O TRACK LIST DO NOVO DISCO DE PJ HARVEY

1.The Community of Hope”

2.”The Ministry of Defence”

3.”A Line in the Sand”

4.”Chain of Keys”

5.”River Anacostia”

6.”Near the Memorials to Vietnam and Lincoln”

7.”The Orange Monkey”

8.”Medicinals”

9.”The Ministry of Social Affairs”

10.”The Wheel”

11.”Dollar, Dollar”

 

E A DEUSA DO ROCK INGLÊS AÍ EMBAIXO

Nos vídeos dos dois primeiros singles de trabalho do novo álbum, além de um trecho do shows inesquecível que ela fez em São Paulo em 2004, no Tim Festival – volta pra cá Polly Jean!

 

 

E O NOVO DISCO DE PJ HARVEY NA ÍNTEGRA ABAIXO

 

25 ANOS SEM MARTIN HANNETT, O GÊNIO LOUCO DA PRODUÇÃO MUSICAL ROCKER EM MANCHESTER

Ao rever madrugada dessas no YouTube “A festa nunca termina”, o sensacional misto de documentário e ficção que conta a história da cena musical de Manchester (na Inglaterra) no final dos anos 70’/início dos 80’ (uma cena inesquecível, já clássica e histórica e que deu ao mundo MONUMENTOS da música pop e do rock como Joy Division e New Order), surgiu no jornalistas rocker/blogger a inspiração para escrever este tópico. E numa semana (a passada) em que a música perdeu Prince (e num ano em que também já perdemos David Bowie), um PERSONAGEM chamou novamente a atenção no filme: o produtor Martin Hannett, que foi o responsável pelas gravações dos dois álbuns de estúdio do Joy Division (“Unknow Pleasures”, de 1979, e “Closer”, de 1980) e pelo disco de estréia do New Order (“Movement”, lançado em novembro de 1981).

A certa altura do filme o dono do ultra lendário selo Factory Records (lar tanto do JD quanto do NO), o igualmente lendário (e já morto) Tony Wilson, diz: “esse é um filme sobre MÚSICA e seus GÊNIOS. Eu sou um personagem MENOR aqui. Os maiores são Ian Curtis (vocalista do Joy, que se matou em maio de 1980) e MARTIN HANNETT”.

Ele tinha/tem absoluta razão ao dizer isso. Sendo que em um mundo tão efêmero como o da era da web, onde tudo é esquecido fácil e rápido demais, não custa lembrar um pouco de Hannett, mesmo porque 95% da pirralhada BURRA de hoje ou não se lembra mais dele ou sequer sabe quem ele foi. Detalhe: na semana passada se completaram exatos 25 anos da sua morte – ele foi fulminado por um ataque cardíaco em 18 de abril de 1991. Era jovem ainda, tinha apenas 42 anos de idade.

Martin Hannett era mais que genial. Era um MONSTRO como produtor. E um completo ALUCINADO, que devorava drogas (maconha, xaropes variados, cocaína, heroína, além de beber horrores) como quem devora um prato de comida na hora do almoço. E isso não interferia em NADA em sua genialidade artística e em suas percepções/concepções de produtor musical, muito pelo contrário. Foi de Hannett toda a inspiração/concepção da ambiência sonora que permeia todo a obra-prima que é “Closer”, o disco derradeiro do Joy Division, lançado apenas dois meses antes que Ian Curtis resolvesse mandar o mundo tomar no cu e pusesse uma corda em seu pescoço, aos 23 anos de idade. Aquela sonoridade gélida, sombria e distante que permeia o disco todo saiu da cabeça de MH, que a conseguiu simplesmente construindo uma abóbada de GESSO no TETO do estúdio onde a banda estava gravando. O resultado sonoro obtido se tornou um marco único na história do rock’n’roll e até hoje nenhum disco conseguiu ter uma sonoridade parecida ou próxima daquela que escutamos em “Closer”. Ou talvez o mais próximo dessa sonoridade esteja no álbum de estréia do New Order (que surgiu das sombras do Joy), “Movement”, de 1981. Também produzido por Martin, é sim um trabalho com canções dançantes mas absurdamente SOMBRIO em sua ambiência sônica – basta ouvir as duas primeiras faixas dele, “Dreams Never End” e “Truth”, pra sacar isso. É como se o Joy ainda existisse mas com Bernard Sumner cantando no lugar de Ian Curtis.

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Martin Hannett (acima), o gênio louco da inesquecível geração rocker de Manchester, nos anos 80’: ele produziu a obra-prima do Joy Division e também o primeiro álbum do New Order

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Claro que apenas dois anos depois o NO mudaria cada vez mais sua estética musical em direção a um mix impecável de rock com dance music. Isso, todo mundo sabe, resultou no ponto culminante da carreira da banda, o single “Blue Monday” (1983), sendo que ESSA todo mundo conhece até hoje (até os aborrescentes que babam com Rihana e Kate Perry). O single de 12 polegadas mais vendido de toda a história da música, “Blue Monday” tornou o New Order milionário e fez a banda vender uma quantidade de discos jamais sonhada nos tempos do Joy Division. Mas isso é outra história e voltemos a Martin Hannett.

Como já foi dito aí em cima, ele era um completo ALUCINADO. Não raro dava TIROS de revólver dentro do estúdio. E cansou de quebrar o pau com Tony Wilson (outro visionário, que também morreu ainda novo, aos 57 anos de idade, de ataque cardíaco, em 2007) que, mesmo assim, admirava a genialidade de Hannett de forma incondicional. Mas Martin era um louco irrecuperável. Jamais parou de beber e de se entupir de drogas. E morreu em 1991 também de ataque do coração, com 42 anos. Pesava então cerca de 150 quilos (!!!).

Como já dissemos, esse post foi escrito por causa do filme “A festa nunca termina” e porque fomos pesquisar um pouco mais sobre MH na web. Foi aí que verificamos que no último dia 18 de abril se passaram 25 anos da sua morte. E pela importância que esse sujeito teve na história do rock inglês e mundial dos anos 80’, achamos que ele merecia ser melhor lembrado para a turma de agora, tão inculta e ignorante quando o assunto é rock e cultura pop. Daí um ótimo motivo pra publicar este texto, não?

 

  • O blog assistiu a TRÊS shows do New Order: em 1988 no ginásio do Ibirapuera lotado (15 mil pessoas lá dentro) e que veio abaixo quando eles tocaram “Blue Monday”, depois em 2006 (salvo engano) na extinta Via Funchal (showzaço, ainda) e, por fim, alguns anos depois no Ultra Music Festival. Aí o blog já achou o grupo CAIDAÇO no palco e desencanou. Não vimos a gig no Lollapalooza BR e nem fizemos questão.

 

 

“A FESTA NUNCA TERMINA” AÍ EMBAIXO

Para quem nunca assistiu ao filme que radiografa com bastante humor (negro, muitas vezes, rsrs) a cena musical inesquecível de Manchester no final dos anos 70’ e durante toda a década de 80’. Uma cena que se tornou lendária e que ficou conhecida como “Madchester”.

 

 

ARQUIVO IMAGÉTICO/JORNALÍSTICO GIGANTE – TRINTA ANOS DE JORNALISMO MUSICAL E TREZE ANOS DE UM BLOG DE CULTURA POP

Já estamos praticamente em maio de 2016, que começa neste domigo. E especificamente o maio deste ano tem um significado muito especial para este já velho jornalista ainda mezzo loker e eternamente rocker. Foi neste mesmo mês, há 30 anos (em 1986), que ele começou sua trajetória no jornalismo musical brasileiro e paulistano. E daria para escrever um LIVRO aqui nesse tópico, sobre essas três décadas de atuação na imprensa. Como isso não é possível, vinte histórias desses trinta anos de jornalismo musical estão compiladas no livro “Escadaria para o inferno – memórias de um jornalista junkie”, que pretendemos lançar finalmente este ano.

Foi em maio também, mas em 2003, que começamos a escrever a versão online da coluna “Zap’n’roll” sobre rock alternativo e cultura pop, que foi publicada de 1993 a 1995 na extinta edição impressa da revista Dynamite. A coluna, que era postada no portal Dynamite online, se transformou em blog, migrou para seu endereço próprio na web e hoje, treze anos depois (uma eternidade em um mundo tão efêmero quanto o dos blogs e de toda a internet no final das contas), é um dos espaços virtuais de maior acesso e leitura na web BR dedicada ao rock alternativo e a cultura pop.

Então, a partir deste postão, vamos falar bastante sobre essas duas datas aqui na Zap’n’roll. Por enquanto iniciamos as comemorações e rememorações das duas datas com esse arquivo imagético algo extenso, onde resgatamos cerca de nove matérias, entrevistas e críticas de discos assinadas pelo autor deste espaço online nos diversos veículos (alguns dos principais jornais e revistas da história da imprensa do Brasil, alguns já extintos) para os quais trabalhamos e/ou colaboramos. São momentos bacaníssimos e que nos trazem ótimas lembranças.

E nesses trinta anos de jornalismo o blog precisa deixar registrado seu agradecimento de coração e eterno a pelo menos quatro nomes. Foram e continuam sendo nossos MESTRES nessa área profissional tão fascinante (e árdua, penosa e não raro espinhosa e louca), além de AMIGOS ultra queridos. Se não fosse por eles e as oportunidades qu nos deram e as portas que nos abriram, talvez não tivéssemos uma história tão legal para recordar aqui. nosso carinho e GRATIDÃO para sempre para Leopoldo Rey (que me abriu a porta na nanica editora Imprima, que publicava a igualmente nanica revista Rock Stars), Maurício Kubrusly (que recebeu o zapper em sua inesquecível e lendária revista Somtrês, sendo que há anos ele atua brilhantemente como repórter da TV Globo), Luis Antonio Giron (nosso “pai” no Caderno 2, do jornal O Estado De S. Paulo e um dos mais brilhantes jornalistas culturais deste país) e o “irmão de coração eterno” Pomba, que nos recebeu na independente e alternativa revista Dynamite em um momento (1993) bastante dramático da nossa jornada como jornalista.

Nas fotos aí embaixo, as seguintes capas de revistas e as matérias assinadas pelo jornalista nelas e também em jornais:

 

– primeira edição da revista Zorra (do início de 1987), e que era dedicada apenas ao então soberano rock nacional dos 80’, sendo que nessa edição específica (a revista acabou durando apenas três números) assinamos diversas matérias (Ira!, Camisa De Vênus, Fellini) e resenhas discos (entre eles, das Mercenárias e do Ratos De Porão) e shows (Capital Inicial).

 

– revista Somtrês de agosto de 1987, com resenha comentando o lançamento de “Closer”, o clássico segundo álbum do Joy Division.

 

– revista IstoÉ de agosto de 1990: assinamos uma matéria de TRÊS PÁGINAS sobre o então estouro nacional da saudosa Legião Urbana.

 

– revista Interview, de janeiro de 1994: fizemos um entrevistão com Renato Russo e a Legião Urbana.

 

– revista Dynamite, de outubro de 1996: matéria de capa falando do estouro do Oasis na Inglaterra.

 

– revista Dynamite, início de 1998: outra matéria de capa, dessa vez radiografando a explosão do Radiohead na Inglaterra e também no Brasil.

 

– revista Showbizz, dezembro de 1988: resenha de um disco solo do Mark Lanegan, ex-vocalista do grupo Screaming Trees, da era de ouro do grunge.

 

– revista Rolling Stone Brasil, agosto de 2008: matéria bacaníssima de duas páginas sobre o Vanguart, que estava em super ascensão e que se tornou o único grupo independente brasileiro a ficar muito popular.

 

– jornais: matérias de página inteira no caderno de variedades do extinto Jornal Da Tarde (em agosto de 1988, falando das vindas ao Brasil de Iggy Pop e dos grupos The Mission e Jethro Tull) e na capa do caderno de variedades do também extinto Gazeta Mercantil (em novembro de 2008) traçando um perfil do inesquecível REM, que tocou no final daquele ano em São Paulo.

 

E por último: uma montagem com as capas de diversas revistas onde há matérias do blogger rocker sobre o CARTAZ da festa de quatro anos do blog Zap’n’roll, que rolou no clube Outs/SP com shows do Vanguart e Faichecleres (que não existe mais). Foi uma madrugada insana e inesquecível, com mais de quinhentas pessoas no clube rock mais legal e infernal do baixo Augusta em Sampa.

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É isso, queridos (as). Ao contrário de gente (pouca hoje em dia, felizmente) que nos detesta e quer fazer acreditar (principalmente fakes que vivem latindo no painel do leitor do blog, né Marco Rezende, malbostinha tahan, Marcinho Passos filho da cutinha/putinha, oleúde oleoso etc.), este FINASKI tem sim (modéstia às favas) uma bela história no jornalismo cultural brazuca. E muito nos orgulhamos dela.

 

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OITO ANOS APÓS O PRIMEIRO DISCO, A BOA VOLTA DO THE LAST SHADOW PUPPETS

Alex Turner, guitarrista, vocalista e principal compositor do quarteto inglês Arctic Monkeys (um dos poucos nomes que realmente ainda importam no indie rock planetário deste triste milênio), está de férias de sua banda principal – o último álbum do AM, aliás justamente batizado de “AM”, saiu em 2013. Assim, com mais tempo disponível ele fez algo que talvez já devesse ter feito há alguns anos: se juntou novamente ao velho amigo e também músico Miles Kane e finalmente lançou o segundo trabalho de estúdio do grupo paralelo da dupla, The Last Shadow Puppets. “Everything You’ve Come To Expect” saiu na Inglaterra mês passado, e não tem previsão (óbvio) de ganhar edição brasileira. Mas você o encontra fácil em qualquer plataforma digital (como o Spotify, por exemplo). E cá entre nós é um álbum beeeeem legal, quase tanto (ou mais ainda, dependendo do ponto de vista de cada ouvinte) são os três últimos discos dos macaquinhos.

E a dupla demorou consideravelmente para voltar ao estúdio. A estréia deles se deu em abril de 2008, com “The Age Of The Understatement”. Nessa época o AM já caminhava para se tornar mega banda no indie rock inglês e Turner resolveu criar junto com Miles Kane um projeto musical “paralelo” que se diferenciasse do que ambos faziam até então. Nasceu o TLSP, com uma sonoridade mais pop e radiofônica e mais centrada em rocks garageiros com eflúvios dos anos 50’ e 60’. O álbum de estréia agradou a imprensa e também aos fãs do Arctic Monkeys, mas não se tornou nenhum estouro mercadológico.

CAPALASTSHADOWPUPPETS2016

O novo disco do TLSP: tão legal quanto os do Arctic Monkeys

 

Agora, oito anos depois e com novo trabalho disponível a dupla quer, além do reconhecimento artístico (e isso o disco poderá lhes dar com tranqüilidade), tentar também se dar bem no quesito financeiro. Para isso a gravadora Domino está investindo bastante no trabalho de divulgação e colocando o duo pra fazer barulho em shows ao vivo pelos Estados Unidos e Japão. Mas o principal mesmo é o material desse novo cd, que combina baladas com emanações algo bluesy/psicodélicas com rocks mais acelerados (como o primeiro single de trabalho, “Bad Habits”) e outros de puro apelo garageiro. Assim vão surgindo ótimas canções ao longo do disco, como “Aviation”, “Miracle Aligner” ou a belíssima “Used To Be My Girl”. Músicas com melodias pop em sua essência e que não vão revolucionar absolutamente nada na cultura pop. Mas que mostram que o falido rock planetário atual ainda guarda algumas boas surpresas e alguns nomes capazes de gravar um bom disco. E o The Last Shadow Puppets felizmente ainda se mantém como uma dessas boas surpresas.

 

 

O TRACK LIST DO NOVO ÁLBUM DO TLSP

1.”Aviation”

2.”Miracle Aligner”

3.”Dracula Teeth”

4.”Everything You’ve Come to Expect”

5.”The Element of Surprise”

6.”Bad Habits”

7.”Sweet Dreams, TN”

9.”She Does the Woods”

10.”Pattern”

11.”The Dream Synopsis”

 

E A BANDA EM SEU NOVO VÍDEO E O NOVO DISCO INTEIRO, PARA VOCÊ ESCUTAR

Mostrando “Bad Habits”, o primeiro single de trabalho do novo álbum.

 

ELAS ESTÃO DE VOLTA!!!  AS SAFADAS, TESUDAS E ABUSADAS MUSAS ROCKERS (EM VERSÃO SEMI-SECRETA, ULALÁ!)

Yeeeeesssss!!! Bem que a gente tenta ficar um tempo sem ELAS por aqui. Mas nosso dileto leitorado macho (cado) acaba sentindo a ausência dessas deliciosas cadelinhas ordinárias e safadas como apenas elas sabem ser, ficam pedindo a volta delas, não resistimos e acabamos atendendo.

Então aqui estão elas novamente: nossas tesudíssimas musas rockers em sua primeira aparição em 2016 (já quase meio do ano, uia!). E pra marcar BEM o retorno do tópico selecionamos três delícias que já estiveram aqui, em poses absolutamente DEVASSAS. Por isso mesmo as musas desse post serão “semi-secretas”, com suas identidades completas mantidas em SIGILO, ok? Então deleitem-se, apreciem sem moderação e caprichem na sessão masturbatória, ulala!

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Neide R. (acima e abaixo) Idade: 33 anos. De: São Paulo. Gosta de Charles Bukowski, Gabriel Garcia Marquez, Cazuza, Tiê e Lana Del Rey. E AMA trepar. E há oito meses enlouquece o autor deste blog, a quem ela chama de “velho roludo dos infernos e/ou bruxo velho de pau gostoso”, ahahahaha.

 

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Lili O. (abaixo) Idade: 28 anos. De: São Paulo. Gosta de gothic rock, visuais extravagantes, couro,  vinil e baladas sado/masoquistas. E é um XOXOTAÇO.

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Andressa (abaixo). Idade: 23 anos. De: interior de São Paulo. Gosta de fazer academia, de hard rock (AC/DC) e de se exibir. E confessou certa vez ao blog: “sou casada e adoro meu marido. Mas também AMO FODER com outros machos!”.

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

  • Disco, I: os novos da deusa PJ Harvey e da dupla The Last Shadow Puppets.
  • Disco, II: já um gigante da história do indie rock britânico o Primal Scream, eternamente liderado pelo vocalista e compositor Bobby Gillespie até hoje persegue um resultado igual ao conseguido na obra-prima “Screamadelica”, lançado em 1991 (lá se vão vinte e cinco anos…) e até hoje o ponto culminante da banda. Este “Chaosmosis” mostra o grupo em boa forma mas ainda assim longe de reeditar o impacto conseguindo com o discaço de 1991. O PS continua perseguindo a contemporaneidade do pop e para isso não economiza no mix de guitarras com melodias mais dançantes e apoiadas em nuances eletrônicas. E sempre atento aos movimentos atuais do mondo pop, não deixou de convidar a cantora americana Sky Ferreira para participar do primeiro single do cd, a dançante “Where The Light Gets In”. É um bom trabalho mas mostra que, aos cinqüenta e três anos de idade, mr. Gillespie começa a dar sinais de esgotamento criativo.
  • Disco, III: da safra das cantoras surgidas na cena paulistana dos anos 2000’, Céu é uma das mais legais. Não apenas pela sua ótima inflexão e pela capacidade de trafegar em diferentes registros e influencias (MPB, pop, música eletrônica), mas principalmente por sempre mostrar grande fôlego criativo e tarimba artística para compor ótimas melodias, letras e arranjos. Tudo isso pode ser conferido em “Tropix”, seu quarto álbum de estúdio (em uma carreria que já se iniciou há mais de uma década, em 2005) e que chegou às lojas há algumas semanas. A bela cerrcou-se no novo trabalho de gente bacana como a cantora Tulipa Ruiz e o vocalista Jorge Du Peixe (da Nação Zumbi) para engendrar uma coleção de canções que seduzem quem as escuta pelo seu refinamento composicional, e pela estrutura que permite que ela vá do reggae ao eletrônico (como na sombria e bela faixa que abre o disco, “Pefume do invisível”) sem constrangimento e com ótima eficiência e elegância. O cd anterior, “Caravana Sereia Bloom” já era um discão. E o novo mantém o fôlego de Céu inalterado, mostrando que ela, aos trinta e seis anos de idade, ainda tem muito de bom a mostrar para os fãs de ótima música brasileira. E também torna completamente dispensável precisarmos continuar agüentando os sacais trinados da já caidaça e mala Marisa Monte. Sendo que “Tropix” pode ser ouvido na íntegra aí embaixo.

 

  • Filme: há dois ótimos e imediatos motivos para se assistir “A frente fria que a chuva traz” (que o blog, assume, ainda não viu). O primeiro é que ele marca a volta de Neville D’Almeida (um dos cineastas mais subversivos e transgressores da história do cinema brasileiro) à direção, após uma ausência de quase dezessete anos. O segundo é que o roteiro do longa (que mostra um grupo de jovens endinheirados realizando “festinhas” movidas a putaria, álcool e cocaine em uma laje de uma comunidade pobre carioca, numa metáfora sobre a desintegração/desagregação da sociedade atual) é baseado em texto escrito pelo graaaaande (e amigo pessoal destas linhas bloggers poppers) dramaturgo Mário Bortolotto. Então fikadika, sendo que assim que formos conferir o filme voltaremos a falar sobre ele.

 

  • Festa bacanuda: produzida pelo chapa Ricardo Fernandes (amigão zapper há pelo menos década e meia), rola neste sábado (o postão está finalmente sendo concluído na sexta-feira, 6 de maio) mais uma edição da legalíssima festona pop “Call The Cops”, cuja idéia é misturar muitas tendências da música pop na DJ set, mas sempre privilegiando o indie rock. Vai acontecer lá no Alberta 3 (que fica na avenida São Luis, 272, metrô República, centrão rocker de Sampa), um dos clubinhos rock’n’roll mais decentes do centro da capital paulista. Interessou em saber mais sobre o evento? Vai aqui: https://www.facebook.com/events/266962876973017/. Que ir nele na FAIXA? Manda JÁ seu pedido pra hfinatti@gmail.com, que tem um par de Vips pro babado esperando por você. Arrisque e boa sorte!
  • Baladas pro finde: yep, com o postão chegando ao fim enfim, é hora de ver o que temos de bacana no circuito alternativo de Sampalândia pra este final de semana. E a parada começa muito bem nessa sexta-feira, 6 de maio (leia-se: hoje), com show de lançamento do novo disco do redivivo DeFalla no Sesc Pompeia (que fica na rua Clélia, 93, Pompeia, zona oeste paulistana), a partir das nove  e meia da noite. E também hoje, sextona em si mas no Inferno Club (no 501 da rua Augusta), rola mais uma edição da “Party Bitch” (ou festa puta, uia!), sempre com muuuuuito rock garageiro na discotecagem.///Já no sabadão tem mais um showzaço do shoegazer Wry na Casa do Mancha (que fica na rua Felipe de Alcaçova, na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo), às nove da noite. E de lá dá pra esticar pro sempre infernal open bar do clube Outs (lá no 486 da rua Augusta). Tá bão, néan. Então se monta e se joga, porra!

 

E O FIM, ENFIM

Postão mais grandão e bacanão que esse impossível, hein! Mas como tudo sempre tem um final, precisamos parar por aqui que já é hora. Porém sem crise: semana que vem o blog mais legal da web BR de rock alternativo e cultura pop estará aqui novamente, sempre pra te deixar mais feliz em um mundo que está cada vez mais cinza e complicado. Até lá então, com beijos no coração de todos os nossos leitores.

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 8/5/2016, às 15:50hs.)

 

ADEUS 2015 (que já vai tarde!), o ano terrível na política e na economia brasileira, do quase impeachment de Dilma e da quase completa FALÊNCIA do rock’n’roll alternativo mundial e nacional, sendo que o blogão, AVESSO a listas gigantes e intermináveis de “melhores do ano”, apresenta suas modestas escolhas em discos, filmes, livros e shows; a semana natalina em que um museu ardeu em chamas em Sampa, em que perdemos Júpiter Maçã e Lemmy Kilmister e onde até o gênio e mito Chico Buarque foi hostilizado por playbas e coxas imbecis; e para encerrar ao menos com alguma ALEGRIA os trabalhos por aqui, uma MUSA ROCKER realmente delicious total, com curvas delirantes, PEITOS GIGANTES, muitas tattoos e uma formação cultural e literária de fazer inveja (postão total no ar e de férias até 20 de janeiro de 2016)

2015, o ano total SINISTRO e que acaba sem deixar saudade alguma: o ano em que perdemos gênios do rock como Lemmy Kilmister (acima), fundador e vocalista do Motorhead e que morreu ontem, vitimado por um câncer; mas ainda assim um ano que teve bons momentos na cultura pop, como o novo disco dos Libertines (abaixo) e onde também o blog zapper descobriu mais uma sensacional musa rocker, como a gatíssima Suzy Babi (também abaixo)

Um ano horrendo e pra ser esquecido.

Alguém ainda tem alguma dúvida de que 2015 foi catastrófico em quase todos os sentidos e em quase todas as esferas possíveis no Brasil e no mundo? Crise política mosntruosa (e desvelando cada vez mais a gigantesca imundície que permeia nossos políticos, os mais sujos e corruptos da face da Terra), crise econômica idem. Pais quase paralisado por uma polarização e embate ideológico e social como não se via há décadas. Dilma sofrendo a pressão de um processo de impeachment aberto contra ela. O bandido gigante Eduardo Cunha se AGARRANDO de todas as formas possíveis à cadeira de presidente do Congresso. E a CULTURA brasileira (e também do resto do planeta) em queda livre e isso já há muito tempo. Traduzindo: não há muito o que comemorar nestes dias finais do ano. Ainda mais em uma semana (a passada) que começou com o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo (um dos grandes motivos de orgulho do país lá fora, e um dos museus mais importantes do mundo), destruído por um incêndio, com o gênio Chico Buarque sendo agredido verbalmente na saída de um restaurante no Rio De Janeiro por um grupo de playbas estúpidos, reacionários e ignorantes ao extremo e, por fim, com o também gênio do rock independente nacional Flávio Basso (aliás, Júpiter Maçã) nos deixando inesperadamente, aos quarenta e sete anos de idade. Fora a morte ONTEM (segunda-feira, 28 de dezembro) da lenda e mito Lemmy Kilmister, o homem que criou o Motorhead. Diante de fatos como os elencados neste editorial que abre o último post de Zap’n’roll em 2015, fica difícil para estas linhas online participar do oba-oba que contamina outros espaços dedicados à cultura pop e ao rock alternativo na blogosfera brazuca. Aliás ESTE blog fica realmente espantado em ver como tais “vizinhos”, que já foram muito relevantes em seu ofício, agora se comprazem apenas em ficar publicando por esses dias listas inúteis de “melhores do ano”, e não informam aos seus DESINFORMADOS leitores uma linha sequer sobre a morte do músico gaúcho Flávio Basso, do frontman do Motorhead ou sobre o incêndio no museu paulistano, como se tais fatos fossem totalmente irrelevantes ou como se este “vizinho” falasse de outro mundo (Marte?) que não o nosso, e onde o que é relevante é uma lambança brega chamada “Mel Azul” (ahahahahahaha, foi inevitável rir agora, mesmo diante do caráter algo sério e trágico deste texto de abetura do post zapper). Então nosso post derradeiro deste ano vai na contra-mão disso tudo. Irá sim elencar aquilo que achou com o melhor de 2015 em termos de discos, filmes, livros etc, mas em listas muito modestas e muito longe de ter cinqüenta títulos de “obras” que já possuem destino certo: o limbo da cultura pop, já que ninguém irá ouvir ou se lembrar de tanta inutilidade artística daqui a alguns meses. De resto tudo isso é reflexo inefável do momento pelo qual passa não apenas o Brasil mas todo o planeta: uma humanidade total confusa e com uma sociedade quase em convulsão, depossuída de referências estéticas e culturais que valham realmente a pena. Esse quadro vai melhorar em 2016? Provavelmente não. Mas é preciso sempre acreditar que sim. Ainda que tenhamos que conviver em um país (o nosso) dominado por uma população inculta, burra, ignorante, reacionária, moralista, conservadora, intolerante e no limite da bestialidade. O que pudermos fazer para nos manter na RESISTÊNCIA ante esse quadro desalentador, iremos fazê-lo. Afinal é isso que mantém este blog aqui já há quase treze anos.

 

 

* Então é isso. Ante véspera do réveillon e cá estamos, pra saideira derradeira do ano. Com poucas notas iniciais já que todo mundo já está em clima de férias e  de fim de festa (?) de um ano que na verdade não teve quase motivo algum pra se fazer festa.

 

 

* E o postão final chega pra acalmar os hormônios dos fakes psicopatas, cuzões e inúteis, aqueles que não têm vida própria nem na semana entre natal e ano novo, e ficam doentiamente enchendo o saco no painel do leitor. É com eles, inclusive, que iniciamos nossa LISTA de PIORES do ano, hihihi. Fake mais IMBECIL, DOENTE e MALA: Márcio Albuquerque Passos, vulgo cutinha/putinha. Segundo fake mais DOENTE e MALA (mas o primeiro em inveja, ódio, covardia e rancor): Marco Rezende. Ulalá!

 

 

* E 2015 não poderia mesmo terminar de forma mais cruel e desgracenta. Depois de perdermos Scott Weiland e Flávio Basso (aka Júpiter Maçã) ontem foi a vez do junkie eterno Lemmy Kilmister, o homem que criou o Motorhead. Yep, Zap’n’roll nunca morreu de amores pela banda mas reconhece sua importância fundamental na história do heavy metal. E Lemmy era lenda e mito, tendo levado às últimas conseqüências uma vida eivada de sexo, drogas e rock’n’roll. Foi derrubado, enfim, por um câncer mega agressivo. Tinha setenta anos de idade. Vai fazer falta, muita, ainda mais em um tempo onde não surgem mais ícones gigantes na música pop. Rip Lemmy. A gente se encontra um dia por aí.

 

 

* E vamos falar sério: essas chatíssimas listas de “discos do ano” (muitas delas com inacreditáveis cinqüenta títulos) que estão pipocando há dias na rock press gringa ( sendo repercutidas aqui por blogs que estão mesmo descendo a ladeira em termos de relevância e informações que valham a pena) são CHATAS PRA CARALHO e mostram que o mundo está mesmo na hora extra – senão o mundo, ao menos a cultura pop parece estar. Basta ver, a título de ilustração, os ELEITOS da americana Spin. É um festival de sandices e discos inúteis de artistas idem e que daqui a pouco ninguém irá mais se lembrar deles.

 

 

* Portanto, nem vamos nos alongar demais nessa parada. Aí embaixo o blog zapper elenca suas listas bem mais modestas. Mas que com certeza trazem, na nossa visão pessoal, o que de fato foi RELEVANTE em 2015 na música alternativa e na cultura pop em geral. Leia e fique avonts pra concordar, discordar, xingar, elogiar etc.

 

 

CINCO ÁLBUNS GRINGOS PRA SENTIR ORGULHO DE 2015 (SEM ORDEM DE PREFERÊNCIA)

* Não foi nem de longe o melhor disco de rock do ano. Mas depois de uma década sem gravar um álbum cheio e inédito, os Libertines voltaram muito bem com este “Anthems For Doomed Youth”, que se equilibra bem entre rockões (como “Gunga Din”) e baladas (como a bela faixa-título). É um dos CDs que o blog mais escutou esse ano.

 

* A “música completa” do New Order deu novo fôlego ao veterano grupo electropop. Não se compara aos clássicos oitentistas do grupo inglês. Mas é o melhor esforço musial deles em anos.

 

 

* Lana é Lana, o resto é conversa. Mais uma coleção de canções primorosas fizeram de “Honeymoon” outro dos discos mais escutados pelo blog nos últimos doze meses.

 

 

 * Com o gênio Noel lançando um DISCAÇO como esse – e logo no começo do ano – , pra que pensar em um (improvável) retorno do Oasis?

 

* Foi a surpresa ESTRANHÍSSIMA do ano. Uma formação gótica em pleno 2015. E vinda do Canadá, com canções sorumbáticas. Pois o Viet Cong lançou um primeiro e ótimo disco e nos levou de volta à Londres de 1980, nos tempos sombrios do Joy Division.

 

 

CINCO DISCOS NACIONAIS BACANUDOS QUE SAÍRAM NESSE ANO TENEBROSO

1 – Luneta Mágica/”No meu peito”

2 – Supercolisor/”Zen total do ocidente”

3 – Hélio Flanders/”Uma temporada fora de mim”

4 – Descordantes/”Espera a chuva passar”

5 – Forgotten Boys/”Out Of Society”

 

 

APOSTAS ZAPPERS PARA 2016

Seti: https://www.facebook.com/setirock/?fref=ts.

 

Manic Mood: https://www.facebook.com/manicmood/?fref=ts.

 

Sendo que iremos falar novamente e melhor dos dois grupos nos primeiros posts do blog em 2016, podem aguardar.

 

 

DUAS GIGS INESQUECÍVEIS DO ANO QUE ESTÁ ENFIM (E GRAÇAS AOS CÉUS) ACABANDO

Nacional: Pin Ups no Sesc Pompéia, em São Paulo.

 

 

Internacional: Iggy Pop, no Audio Club, também em São Paulo.

 

 

CINCO FILMES QUE VALERAM A IDA AO CINEMA (E NÃO, O NOVO  “STAR WARS” NÃO ESTÁ INCLUSO NA LISTA)

 Califórnia, de Marina Person

 

Chico – artista brasileiro, doc primoroso sobre Chico Buarque

 

Amy – outro doc também primoroso, sobre a inesquecível Amy Winehouse

 

Homem irracional – o último longa do gênio Woody Allen

 

Chatô, o rei do Brasil – levou 20 anos pra ficar pronto, mas enfim entrou em exibição

 

 

 

QUATRO LIVROS BACANUDOS QUE RENOVARAM NOSSO PRAZER EM LER NOS ÚLTIMOS DOZE MESES

Gênio sem igual da poesia norte-americana, Charles Bukowski teve um volume inédito de poemas publicado no Brasil também este ano

 

Um calhamaço de quase 600 páginas conta a história de algumas das principais bandas da cena indie brazuca de vinte anos pra cá; um livro realmente rock’n’roll

 

Em “A garota da banda”, a baixista Kim Gordon repassa toda a sua trajetória musical durante as três décadas em que tocou no genial e inesquecível Sonic Youth 

 

Outra bio no capricho editada em 2015 no Brasil: a da lenda Iggy Pop

 

 

E PRA ENCERRAR O ANO COM AO MENOS UMA ALEGRIA PARA NOSSO DILETO LEITORADO, AÍ ESTÁ: A ÚLTIMA E TESUDÍSSIMA MUSA ROCKER DE 2015!

Nome: Suzy Babi Azevedo.

 

De onde: São Paulo/SP;

 

Mora onde: também em Sampa, com o marido.

 

Idade: 37 anos.

 

O que faz: modelo e pin up.

 

Três bandas: The Doors, Motorhead e Pink Floyd.

 

Três discos: “Let It Be” (The Beatles), “The Wall” (Pink Floyd) e “At Last” (Etta James).

 

Três filmes: “Bastardos Inglórios”, “Três homens em conflito” e “Todos os homens do presidente”.

 

Três livros: “O mundo como vontade e representação” (Schopenhauer), “Para além do bem e do mal” (Nietzsche) e “Trilogia suja de Havana” (Pedro Gutierrez).

 

Um diretor de cinema: Quentim Tarantino.

 

Um show inesquecível: Motorhead, em 2009.

 

O que o blog tem a dizer sobre ela: gatíssima e inteligentíssima, Suzy é dileta amiga virtual destas linhas online e participa ativamente de alguns grupos bacanas de discussão literária no Facebook, sendo que foi num desses grupos que Finaski começou a papear com ela. Logo vimos seu potencial para ser musa do blog, fizemos o convite e ela aceitou. Então aí está: pra fechar com chave-de-ouro um ano que foi quase todo de chumbo, imagens realmente delicious da incrível Suzy. Apreciem sem moderação!

 Garota do rock!

 Pode vir, eu deixo!

 Revelando aos poucos muitos segredos

 Tattoos classudas ornando um corpão rock’n’roll

 

 A intelectual rocker tímida – ou nem tanto…

 

TCHAU 2015! JÁ VAI TARDE!

Ano escroto da porra. muitas perdas importantes. Fica a torcida para que 2016 seja ao menos um pouco melhor. Então o blog para por aqui e entra em recesso temporário de férias, sendo que estaremos de volta lá pelo dia 20 de janeiro já do novo ano, okays? Até lá deixamos beijos, abraços e felicidades pra todos que nos acompanham aqui ano a ano, desde 2003. Ótimas entradas (opa!) e até mais!

 

 

(enviado por Finatti às 15hs.)

O rock brasileiro que realmente ainda importa, ontem e hoje: em post especial o blog rememora uma década de amizade com o grande Vanguart, da descoberta do grupo em 2005 na capital do Mato Grosso, e acompanhando sua trajetória até os dias atuais (com plus EXCLUSIVO trazendo um dos capítulos inéditos do livro “Memórias de um jornalista junkie”, o que conta exatamente como o jornalista gonzo/loker conheceu o conjunto); a inesquecível Legião Urbana, revista através do livro que traz os diários de Renato Russo; a diva, deusa e xoxotaça Lana Del Rey ressurge mais esplendorosa do que nunca em nova, triste e belíssima canção; os agitos da semana no mondo pop/rock, e uma musa rocker fã do velho safado Bukowski, com ar intelectual mas total loker, tatuada e NUA, wow! (postão FINALMENTE concluído, com ampliação MONSTRO, trazendo o novo disco do Wilco, as novas músicas do New Order e Keith Richards, falando do novo e ótimo disco de Paul Weller e ainda, ufa e uhú: SORTEANDO biografias legais do Cure e Steven Adler) (atualização FINAL em 30/7/2015)

O sexteto cuiabano Vanguart (acima) é o destaque deste postão do blog: ele mantém a tradição dos grandes nomes da história do rock nacional como a Legião Urbana, do saudoso e inesquecível Renato Russo (abaixo) e cujo livro com seus diários está chegando agora às livrarias; não é à toa que as duas bandas são adoradas pela nossa musa rocker desta semana, a linda e tesuda Flávia Soares (também abaixo) 

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MAIS UM “EXTRÃO” AMPLIANDO O POSTÃO: A ÓTIMA VOLTA DO WILCO

O Wilco nasceu em Chicago em 1995 (portanto, há exatos 20 anos) e já gravou 9 discos. Pratica o que se convencionou chamar de “alt country”, ou country alternativo, experimental. É um som realmente instigante e que avança na direção de outros elementos sonoros, o que fez com que o conjunto logo ganhasse respeito e admiração da crítica e do público pela qualidade dos seus lançamentos. Notadamente em algumas obras-primas como “Yankee Hotel Foxtrot”, lançado em 2002.

 

E como eu disse já aí em cima, o Wilco acabou de lançar seu novo trabalho de estúdio. O primeiro em quatro anos (o último havia saído em 2011) e que se chama “Star Wars” (e que não tem nada a ver com a gloriosa série cinematográfica de ficção científica que encanta gerações há décadas). O disco foi lançado assim, sem muito alarde, no último dia 16 de julho. Está disponível para download GRATUITO no site oficial do grupo, até 13 de agosto. O que significa que ele está facílimo de ser baixado e ouvido na internet, inclusive no YouTube.

 

E o que mais também significa esse lançamento do Wilco, feito em meio à turnê (por enquanto apenas nos Estados Unidos; a banda já tocou no Brasil há muitos anos, no Tim Festival de 2005 se eu não estiver com a memória total falida) que comemora seus 20 anos? Simples: que a música produzida hoje por grupos de rock (ou músicos/artistas de qual estilo for) NÃO VALE MESMO MAIS NADA. É a triste realidade dos tempos do download, das plataformas musicais virtuais, das redes sociais (como esta) dos apps de celular, da puta que o pariu. O Wilco liberou a audição do álbum com Tweedy dizendo que, sim, ainda gosta de ser pago pelo que faz, mas que a música é o mais importante em sua vida e bla bla blá. Bobagem e falatório desnecessário: ele sabia (e sabe) que mais cedo ou mais tarde o material registrado pelo conjunto iria acabar desabando na web de qualquer forma. Preferiu se antecipar à pirataria digital e jogou ele mesmo o cd na rede.

 

Isso apenas mostra o quão triste se tornou a realidade de quem produz música no mundo virtual em que vivemos. E arrasta a qualidade da música contemporânea para o fundo do abismo. Afinal, pensa o “artista” (?) que cria uma “obra” musical (???): se ninguém vai mesmo valorizar o meu trabalho e PAGAR por ele, por que devo me esforçar em criar e compor algo realmente notável e digno de nota?

O novo disco do Wilco (capa acima), que está disponível de graça para audição na internet (link abaixo): o alt country da banda continua muito bom

 

Vai daí que diariamente uma enxurrada de LIXO da pior espécie, travestida de música, entope a internet sem dó. Pouquíssima coisa se salva nessa história (e falo isso como jornalista musical há quase 30 anos). Posso parecer um coroa ranzinza e saudosista, mas é bem por aí: o mundo era melhor e mais criativo artisticamente há três décadas – além de mais romântico e sincero, quando artistas se empenhavam em produzir grandes discos e quem os consumia sabia AGREGAR valor não apenas material mas também INTELECTUAL e EMOCIONAL ao que estavam escutando. Afinal era preciso ir até uma loja, enfiar a mão no bolso e gastar DINHEIRO para comprar aquela obra (quantas milhares de vezes eu mesmo não fiz isso, mesmo depois que me tornei jornalista e vivia recebendo de graça pacotes e pacotes de LPs das gravadoras). Bons tempos…

 

E sobre “Star Wars”: é o Wilco sendo um tiquinho mais “pop´” mas experimental como sempre foi. Menos alt country, mais psicodélico, com guitarras rockers e mezzo barulhento (como na faixa instrumental que abre o cd). E com algumas canções espetaculares (como “You Satellite”, “Pickled Ginger” ou a sombria “Magnetized”, que fecha o disco) em onze faixas e pouco mais de 33 minutos de audição. Uma raridade nesses tempos onde conjuntos gravam discos pavorosos e inúteis, com mais de uma hora de duração.

 

A versão em cd do novo trabalho do Wilco sairá apenas em 21 de agosto. Até lá quem gosta da banda como eu (gosto muito, embora não seja fanático por ela), já terá ouvido bastante o álbum. O que não diminui a importância e a qualidade dele. Bem lá dentro de si Jeff Tweedy sabe que a música hoje foi tristemente rebaixada a mera trilha sonora para atividades banais do cotidiano humano. Mas nem por isso ele deixou de ser rigoroso com a música que cria. E nem pretende deixar de ser, a julgar por este bacaníssimo “Star Wars”.

 

 

E OS “VELHÕES” DO ROCK VOLTAM AO ATAQUE NA SEMANA, VIA YOUTUBE

O já jurássico (e clássico e lendário?) New Order mandou pra sua conta no YouTube o áudio de “Restless”, primeiro single do novo álbum do grupo, “Music Complete”, que será lançado em setembro. É a primeira música inédita da banda em mais de uma década. E pra quem diz que NO sem Peter Hook (que saiu do conjunto em 2007; mas agora ele tem a Gillian Gilbert de volta nos teclados) NÃO é NO, fica o aviso: achamos (por enquanto) boa a música, menos eletrônica e mais “humana”, algo na pegada de “Regret”, que eles lançaram laaaaá em 1993. Vamos aguardar e conferir o disco todo.

 

E tem o gigante e gênio Keith Richards, o velhíssimo MOTOR por trás dos The Rolling Stones, néan. Keith lança o terceiro disco solo de sua vida também em setembro. Se chama “Crosseyed Heart” e o áudio de “Trouble”, o primeiro single do cd, tb já está no YouTube. Não foge muito da pegada dele nos Stones. E na boa, dá um pau em 90% da pirralhada atual que se mete a fazer rock’n’roll.

 

 

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EXTRINHAS PRA ENGORDAR O POSTÃO – SENDO QUE ELE AINDA  SERÁ AMPLIADO NOS PRÓXIMOS DIAS!

* Yep. O post ta bacanudo, ta rendendo em likes e comentários mas precisa ser ampliado e finalizado, néan. Ainda que hoje já seja sabadão à noite em Sampa (25 de julho), esteja fazendo um friozinho “diliça” lá fora e tudo isso acabe dado uma preguiça enooooorme de ampliar algo aqui, rsrs. Mas vamos lá.

 

 

* E a grande notícia da semana que está chegando ao fim foi mesmo a CONFIRMAÇÃO (finalmente!) das DATAS dos shows dos Stones no Brasil, em fevereiro de 2016. Pois é, dessa vez é oficial mesmo e as putas velhas mais amadas da história do rock’n’roll por enquanto fazem duas apresentações em Sampa nos dias 21 e 23 de fevereiro, no estádio do Palmeiras. O blog, claaaaaro, já está lá!

 Dessa vez os “vovôs” vêm mesmo!!! The Rolling Stones tocam em Sampa nos dias 21 e 23 de fevereiro de 2016, wow!

 

 

* Mas pra quem não quer esperar tanto tempo ainda, tem mais um showzaço em breve na capital paulista: no próximo dia 8 de agosto (também sábado), o sempre incrível Vanguart sobe ao palco do Sesc Santana, na capital paulista, pra fazer um set especial onde irá reler na íntegra o álbum “Blood On The Tracks”, o clássico lançado por Bob Dylan em 1975. Uma gig desde já imperdível!

“Blood On The Tracks”, clássico disco (capa acima) lançado pelo gênio Bob Dylan, será revisto na íntegra pelo Vanguart, em show em São Paulo no início de agosto

 

 

* E vai voltando aqui que logo menos ainda vamos analisar em detalhes o novo discaço que o grande Wilco acabou de lançar, além de falar do livro com os diários do inesquecível Renato Russo. O zapper sempre atento ao cenário musical independente agora dá nova pausa aqui nos trampos do blog, pra ir lá na Sensorial Discos assistir pocket show dos seus amigos da banda Alarde.

 

* Okays? Até daqui a pouco então, com maaaaais aqui no blogão.

 

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O grande rock BR, ontem e ainda hoje.

É dele que o blogão de rock alternativo e cultura pop que está na internet já há doze anos se detém neste post. Afinal quando Zap’n’roll começou a ser publicada semanalmente em 2003 (em forma de coluna online, ainda no portal Dynamite online), a Legião Urbana já não mais existia mas seguia sendo um mito entre seu inabalável contingente de milhões de fãs espalhados pelo Brasil. E o quinteto cuiabano Vanguart ainda engatinhava na capital do Mato Grosso, onde seria descoberto (jornalisticamente falando) pelo autor deste espaço rocker virtual no carnaval de 2005 (em uma história que será muito bem relembrada neste postão, com a publicação EXCLUSIVA de um dos capítulos inéditos do livro “Memórias de um jornalista junkie”, o que narra justamente como o jornalista gonzo/maloker conheceu os Vangs e se encantou pelo som deles), dando inclusive início a uma amizade que perdura até hoje. Então são duas bandas símbolo do rock que de fato ainda importa no Brasil. E por que tanto Vanguart quanto Legião são o foco desta edição do blog zapper? Simples: o agora sexteto liderado pelo vocalista Hélio Flanders está no auge de seu reconhecimento artístico e de público, sendo que neste final de semana irá fazer três gigs em Sampa: duas apresentações no teatro Bradesco (dentro do projeto “Sons da Nova FM”, promovido pela rádio do mesmo nome e especializada em todas as vertentes da MPB) e mais uma no Centro Cultural São Paulo (esta, já com ingressos esgotados), onde os Vangs irão gravar seu novo DVD, baseado no mais recente álbum de estúdio deles, “Muito mais que o amor” (editado em 2013). Já a Legião, um dos maiores nomes da história do rock brasileiro em todos os tempos, continua em evidência permanente e também nesta semana chega às livrarias o livro contendo os diários que o saudoso Renato Russo escreveu durante um período em que ficou internado em uma clínica de reabilitação de dependentes de álcool e drogas, há mais de vinte anos. São enfim motivos mais do que suficientes para que estas linhas bloggers detenham seu olhar esta semana sobre dois nomes que mantêm e perpetuam a qualidade artística no que sobrou no rock nacional, hoje atolado na indigência criativa e mergulhado quase que exclusivamente em escombros em um país cujo gosto musical do grosso da população oscila entre a barbárie intelectual do sertanojo universotário e a inutilidade/nulidade/total futilidade do funk ostentação e do axé/pop brega. É um quadro que chega a ser desalentador e ele se reflete no final das contas na bestialidade comportamental e social que tomou conta do brasileiro médio. Por isso enquanto houver muita gente (e gente jovem) que ainda ame e prefira ouvir Vanguart e Legião Urbana do que sertanojo e funk medíocre, sempre haverá motivo para falarmos dessas bandas grandiosas aqui, neste espaço que preza e respeita a sensibilidade, a cultura e a inteligência de seu dileto leitorado. E irá prezar e respeitar sempre, enquanto estivermos por aqui, defendendo com unhas e dentes a cultura pop que realmente vale a pena.

 

 

* Números do postão anterior: mais de duzentos likes em redes sociais e cento e oitenta e seis comentários. Muitos deles enviados, claaaaaro, por fakes imbecis e covardes (além de otários) que insistem em tentar desqualificar o trabalho do blog, numa prática cansativa que já dura anos e beira a psicopatia doentia. Eles não vão aprender nunca e o blog segue firme e forte e rindo, seguindo com a caravana enquanto a matilha histérica dos fakes late sem parar e sem obter nenhum resultado prático pra eles. Coitados, rsrs.

 

 

* O país segue bestial. E o blog se pergunta onde iremos parar dessa forma, com sites como esse aí no link estimulando a Lei de Talião e o olho por olho. http://www.facanacaveira.net/adolescente-que-participou-de-estupro-coletivo-no-piaui-e-morto-dentro-de-cela/.

 

 

* E o “nobre” e ultra “distinto” senador Fernando Collor, mandou aviar, mandou ameaçar. E o blog pede a ele: faça esse FAVOR ao país, queridão! http://pensabrasil.com/collor-ameaca-se-eu-for-preso-vai-faltar-cela-vai-muita-gente-comigo-isso-eu-garanto/.

 

 

* Ela é uma deusa, sempre. Um primor de xoxota, uma louca insana, uma boneca divina e que canta como nenhuma outra hoje em dia no mondo pop. Yep, miss Lana Del Rey soltou esta semana sua nova música para audição no YouTube. Melodia belíssima e vocais melancólicos. Não à toa ela segue como a diva predileta destas linhas online na música mundial nos anos 2000’. Ouça aí embaixo e entenda por que.

 

* Por uma boa causa, I: localizado numa chácara oito quilômetros pra frente de Paranapiacaba (distrito de Santo André, na Grande São Paulo) e em plena região da Mata Atlântica (do que resta dela, na verdade) o bar rocker Simplão De Tudo, é um dos espaços mais bucólicos e idílicos que você pode curtir em um final de semana ou feriadão prolongado. Mas o espaço, gerido há mais de uma década pela queridona Cris Mamuska, vem sofrendo de tempos pra cá constantes ameaças. Ameaças que partem de gente gananciosa e que tomar o lugar (que possui pelo menos oitenta e quatro alqueires de mata virgem e preservada) para fazer plantações de eucaliptos ou, ainda (e óbvio), construir condomínios de luxo. Pois Cris resolveu lutar bravamente e lançou uma campanha de arrecadação de fundos para que ela possa criar a Reserva Ecológica do Simplão. É uma campanha justíssima e árdua pois todo o processo legal para a efetiva criação da Reserva irá demandar custos na ordem de R$ 80 mil reais. Então todos os leitores do blog estão convidados a colaborar e a dar uma força pra Cris, sendo que você pode saber tudo como colaborar aqui: http://www.kickante.com.br/campanhas/simplao-de-todos.

 

 

* Sendo que a própria Cris explica o projeto nesse vídeo aí embaixo:

 

* Por uma boa causa, II: quem também iniciou campanha visando arrecadar fundos mas para gravar seu terceiro álbum de estúdio, é o mega amado por este espaço blogger rocker Los Porongas. Banda surgida no Acre há mais de uma década e há anos radicada em Sampa, os Porongas já se firmaram como um dos grandes nomes do rock BR dos anos 2000’. E agora já está em estúdio trabalhando no material que irá fazer parte de seu novo registro sonoro inédito. Boa parte dessas canções novas foram mostradas num ótimo pocket show realizado na última segunda-feira na Fnac do bairro paulistano de Pinheiros. O blog esteve por lá e pode garantir que vem discão novo dos Poronguinhas por aí. E você pode saber mais sobre a campanha e colaborar com ela acessando aqui: https://www.catarse.me/pt/losporongas.

 O quarteto do Acre Los Porongas, em show em Sampa na última segunda-feira

* E vocês pensam que as baladas/noitadas rock’n’roll promovidas pelo blog estão em recesso? Nadica! No próximo dia 22 já está marcado mais uma vez: vai ter “Noitão Zap’n’roll – a festa nunca termina”, como sempre na aconchegante e ótima Sensorial Discos. Logo menos estaremos divulgando por aqui o line up do evento, que vai contar com duas banda mais a tradicional DJ set deste espaço online. Aguardem.

 

 

* Não é por nada não mas o sempre bacaníssimo “vizinho” Scream&Yell (do chapa Marcelo Costa) disponibilizou para download gratuito uma coletânea/tributo com trinta regravações de momentos memoráveis do gigante Milton Nascimento (que, sim, apesar de estar caindo pelas tabelas hoje em dia, musicalmente falando, construiu uma das obras mais essenciais da história da música brasileira). O material, produzido por Pedro Ferreira, reuniu alguns dos principais nomes da nova geração musical independente nacional. E o blog amou, entre outras, as versões do Vanguart para “Clube Da Esquina 2”, dos Los Porongas para “Nada será como antes”, do The Outs para “O trem azul” (uma trip psicodélica avassaladora), e da banda Tereza para “Maria Maria”. Interessou? Audição gratuita dos dois CDs e download idem aqui: http://www.screamyell.com.br/.

 

 

* Enfim, mondo pop/rocker continua em rotação lenta. Caíram na web os novos discos dos velhões do Chemical Brothers (quem se importa a essa altura, afinal?) e também do Tame Impala, que sinceramente o jornalista zapper gosta bastante mas ainda não se animou a ouvir. E assim que o fizer, irá dar suas impressões aqui, pode esperar.

 

 

* Portanto, como este postão irá sendo ampliado ao longo deste final de semana e parte da próxima, pode ficar sussa que se algo realmente bombástico e relevante acontecer, iremos comentar aqui. Por enquanto vamos relembrar a trajetória do Vanguart aí embaixo na última década, em que o blog conviveu (e continua convivendo) com o sexteto cuiabano e quando ele se tornou, talvez, o maior nome do novo rock brasileiro dos anos 2000’.

 

 

HÁ UMA DÉCADA O BLOG CONHECIA E DESCOBRIA EM CUIABÁ O VANGUART, HOJE O GRANDE NOME DO INDIE ROCK BR E QUE GRAVA NESTE FINDE EM SAMPA SEU NOVO DVD

O sexteto cuiabano (e radicado na capital paulista já há muitos anos) Vanguart é hoje talvez o único grande nome do rock nacional a ter surgido na cena independente brasileira e ter se consolidado no mainstream musical, conquistando um público gigantesco de adolescentes e jovens ouvintes além de viver confortavelmente apenas do que sabe e gosta de fazer, muito bem por sinal: ótima música, que enfeixa eflúvios de folk, MPB e rock’n’roll. E trata-se de uma trajetória árdua e fascinante, que remonta há mais de uma década na capital do Mato Grosso. E que culmina neste final de semana quando os Vangs estão fazendo duas apresentações dentro do projeto “Sons da Nova FM” (produzido pela emissora de rádio homônima) no teatro Tom Jazz em São Paulo (ontem, sexta-feira, e hoje, sábado), além de gravar neste domingo, ao vivo, seu novo DVD, com uma gig no Centro Cultural São Paulo, apresentação para a qual os ingressos já estão há semanas esgotados.

 

O grupo formado pelo vocalista, violonista, letrista e compositor Helinho Flanders, pelo guitarrista David Dafré, pelo tecladista Luiz Lazzaroto, pelo baixista Reginaldo Lincoln, pelo baterista Douglas Godoy e pela violinista Fernandinha Kostchak (esta, agregada à banda há poucos anos) começou a burilar seu som e a traçar sua trajetória como milhares de outros conjuntos, aqui e lá fora: amigos que resolveram tocar juntos por terem afinidades musicais. Daí começaram os ensaios e as apresentações em espaços pequenos. E no caso do Vanguart, havia toda uma mística estranha em torno do então quinteto, a começar pelo seu próprio nome. Além disso havia um pequeno gênio ali, o vocalista e letrista Hélio, que era apaixonado por sonoridades que definitivamente não combinavam com a calorenta Cuiabá onde ele vivia. Enquanto o cenário rock alternativo da cidade se dividia entre bandas que emulavam o emocore do CPM22 (então no auge) ou o metal melódico e cafona de Angra e Shaman, Helinho e seus parceiros musicais compunham as mais bucólicas melodias inspiradas em… folk music. E ainda por cima, cantadas em inglês. Aonde eles queriam chegar com isso, afinal?

 

Foi a pegunta que o autor deste blog se fez quando DESCOBRIU o conjunto em uma infernal noite de verão do carnaval de 2005. O jornalista zapper eternamente andarilho tinha ido até Cuiabá cobrir um pequeno festival de rock local, a convite da produtora do evento, numa história que está totalmente destrinchada logo mais aí embaixo, em um enoooooorme capítulo inédito do livro “Memórias de um jornalista junkie” (que deverá ser lançado no primeiro semestre de 2016; nesse momento duas editoras avaliam os originais do mesmo). As gigs do festival estavam rolando dentro de uma galeria de arte da cidade, onde não cabiam mais do que cento e cinquenta pessoas. O calor era sempre devastador. E quando na segunda noite o Vanguart entrou no palco, começou a tocar e o pequenino Helinho começou a cantar, o jornalista loker simplesmente não acreditou no que estava escutando. Voltou alucinado para São Paulo e absolutamente apaixonado pelo som dos meninos.

 

A descoberta do conjunto rendeu a matéria “Vanguart – folke e melancolia em Cuiabá”, publicada por Zap’n’roll na edição de maio daquele ano da revista (ainda impressa) Dynamite. Foi o suficiente para que a malta de inimigos ferozes do autor deste blog (e que já existiam aos montes naquela época) começasse a latir em comunidades da extinta rede social Orkut, debochando do “achado” do jornalista. Gente estúpida, ordinária, invejosa, escrota e ressentida (como, por exemplo, o triste e rotundo José Flávio “jotalhão” Jr.) zoava sem dó, atacando tanto a banda quanto o jornalista que havia dado todo o crédito musical do mundo a ela.

 

Todos estão pagando sua língua até hoje, claro. E espumando cada vez mais de ódio. O Vanguart lançou seu primeiro (e muito bom) trabalho de estúdio em 2007, gravado lá mesmo em Cuiabá. Era um disco que ainda padecia de definição na questão do idioma adotado nas letras e vocais das canções, já que ali haviam músicas cantadas em inglês, espanhol e português. Mas quando o single “Semáforo” começou a estourar na internet e a empolgar o público nos shows Helinho viu que o caminho era mesmo cantar em bom português, por mais que os primeiros EPs do grupo (todos em inglês) fossem ótimos e hoje tenham se tornando autênticos collector’s item.

O Vanguart ao vivo, no Sesc Pompéia no final de 2013 (acima): a banda está impecável ao vivo, e seus vídeos também cada vez melhores, como mostra o novíssimo para a canção “Olha pra mim” (abaixo), faixa de seu último disco de estúdio

 

Daí pra frente a trajetória do conjunto deslanchou. Eles se mudaram para São Paulo em 2006 e aqui tocaram em festa de aniversário do blog no clube Outs (no baixo Augusta) e começaram a formar um público gigante de garotas apaixonadas pelos garotos da banda. Foi quando assinaram contrato com a major Universal e lançaram através dela em 2009 o DVD e cd ao vivo “Vanguart Multishow – registro”. Era ALI que o grupo poderia e deveria ter deslanchado definitivamente para o grande público e para o primeiro time dos grandes nomes do rock nacional dos anos 2000’ sendo que o jornalista zapper, sempre amigo dos rapazes e acompanhando de perto sua trajetória, já havia vislumbrado esse possível estouro em matéria publicada na revista Rolling Stone, em agosto de 2008 . Inclusive durante anos o autor deste espaço virtual achou que uma balada estradeira e absurdamente radiofônica como “Enquanto isso na lanchonete” (do primeiro álbum de estúdio deles) um dia ainda iria entrar na trilha sonora de alguma novela na TV. Mas nada disso aconteceu: por motivos não muito bem claros até hoje o Vanguart preferiu rescindir o contrato com a Universal – anos mais tarde, em conversa particular com seu amigo Finaski, Helinho diria que os Vangs não se sentiam bem ali dentro, vendo que eram a ÚLTIMA prioridade da gravadora.

 

E talvez tenha sido melhor assim. Entrou em cena o selo Vigilante, agregado à mediana porém aguerrida Deck Disc (dirigida pelo produtor Rafael Ramos), e através dele o agora sexteto lançou seus dois mais recentes discos, “Boa parte de mim vai embora” (editado em 2011) e “Muito mais que o amor” (lançado em 2013) e que finalmente fez a banda estourar nas rádios e ainda emplacou a canção “Meu sol” em trilha de novela da TV Globo. A essa altura o grupo já havia participado de festivais como o Planeta Terra e feito o show de abertura no estádio do Morumbi para uma das gigs brasileiras do gigante inglês Coldplay. Agora os Vangs lotavam qualquer espaço médio por onde se apresentassem. E hoje o cachê do grupo gira em torno de R$ 20 mil reais por apresentação, o que permite aos garotos viverem confortavelmente única e exclusivamente do seu trabalho musical.

 

O DVD que será registrado nesse domingo no Centro Cultural São Paulo, na capital paulista, é baseado no último trabalho de estúdio e nos shows que o Vanguart também vem realizando pelo país todo nos últimos meses. Reflexo da maturidade artística de uma banda que está cada vez mais impecável no palco e que ainda tem muito a oferecer ao seu público, provavelmente será tão bem sucedido comercialmente quanto os dois últimos CDs. Então se hoje o Vanguart está onde está, estas linhas rockers bloggers se sentem orgulhosas em terem feito parte dessa história do conjunto, de alguma forma. Fora que a amizade entre o blog e a banda já dura uma década. Ainda que tenham havido percalços pelo caminho nesse relacionamento (fofocas disparadas pela turma invejosa e asquerosa de inimigos fizeram o jornalista Finaski e o vocalista Helinho ficar sem se falar por um bom tempo, mas a amizade entre ambos foi retomada, de forma emocionante e com direito a abraços amorosos e olhos marejados, após um show na choperia do Sesc Pompéia, também em São Paulo, no final de 2013), ele se mantém firme e forte até hoje. Afinal qual amigo nunca brigou com outro em algum momento desse relacionamento de amizade?

 

E assim se passou uma década na trajetória dos Vangs. Uma banda hoje que retoma o espírito do que era um Legião Urbana há vinte e cinco anos, em termos de qualidade artística e musical e de adoração dos fãs. E eles merecem isso. E ainda irão, o blog tem certeza, lançar discos magníficos em sua trajetória que, espera-se, esteja bem longe de acabar.

 

* O Vanguart se apresenta ao vivo hoje à noite, às vinte e duas horas, no Tom Jazz, que fica na Avenida Angélica, 2331, no bairro de Higienópolis, em São Paulo.

 

 

VANGUART E ZAP’N’ROLL – UMA DÉCADA DE AMIZADE E DE SHOWS EM ALGUMAS IMAGENS

 O blog ao lado de Helinho Flanders e de Diogo Soares (vocalista dos Los Porongas), em algum bar da Vila Madalena, São Paulo, 2009

 

 Também nas noites sem fim da Vila Madalena em Sampa, mesma época

 

Ao lado do baixista Reginaldo Lincoln numa manhã de domingo, na Virada Cultural de São Paulo, em 2009

 

 Trio porreta: Zap’n’roll, Hélio e o batera Douglas Godoy

 

Abraço fraterno de irmãos, depois de show da banda no Itaú Cultural/SP

 

Na Sensorial Discos em São Paulo, começo de 2015: amizade querida e eterna

 

EXCLUSIVÃO DO BLOGÃO – CAPÍTULO INÉDITO DO LIVRO “MEMÓRIAS DE UM JORNALISTA JUNKIE” (COM PREVISÃO DE LANÇAMENTO PARA O INÍCIO DE 2016), E QUE CONTA COMO O JORNALISTA GONZO CONHECEU OS VANGS

 

Capítulo 17 – Folk e “cocada” boa em HellCity (ou: descobrindo e conhecendo o Vanguart em Cuiabá, turbinado de cocaine)

 

Foi no carnaval de 2005 que eu conheci o hoje consagrado grupo folk/rock/mpb Vanguart. Talvez o nome que mais deu certo na cena musical independente brasileira nos anos 2000’, o sexteto cuiabano (e que mora já há anos na capital paulista) liderado pelo vocalista e letrista Helinho Flanders possui uma trajetória de respeito e bastante invejável. Com três discos lançados, já tocou em vários festivais gigantes (como o Lollapalooza Brasil), abriu gigs do Coldplay por aqui, lota espaços médios onde toca e vive, atualmente, confortavelmente de apenas produzir música – no caso deles de ótima qualidade, vale exarar.

 

Mas em 2005 ninguém fazia a menor idéia do que era ou quem era o Vanguart. Nem mesmo em Cuiabá, capital do Mato Grosso e onde o grupo havia se formado alguns anos antes, ele era muito conhecido. E muito menos eu sabia do que se tratava o Vanguart. Mas naquele carnaval calorento e dantesco (Cuiabá é provavelmente a capital mais quente do Brasil: ali a temperatura média anual oscila entre 35, 37 graus e não raro com picos de 42, 44. E isso praticamente todos os dias do ano, sendo que não existe inverno naquela cidade, daí ela ter o “carinhoso” apelido de HellCity), uma década atrás, eu iria dar de cara com uma formação folk absolutamente fodástica e totalmente improvável de existir em… Mato Grosso. E como fui conhecer um sujeito baixinho, mirrado, na época com 22 anos de idade, muito afável e doce como pessoa e que tinha uma paixão gigante por nomes como Nick Drake, Bob Dylan, Rickie Lee Jones e Jeff Buckley, e que liderava um grupo cuja música exalava referências desses nomes por todos os acordes, além de o vocalista só cantar em um inglês perfeitíssimo? Looooonga história, mas vamos como sempre tentar resumir ao máximo a opereta.

 

Em 2005 meu blog, Zap’n’roll, já existia há três anos e já estava bem conhecido na blogosfera brasileira de rock alternativo e cultura pop. Ele era ainda hospedado no portal Dynamite online (hoje, está em endereço próprio, o .com), um dos maiores do país no segmento de rock e sendo que eu também era repórter do mesmo e também da edição impressa da revista homônima, que ainda circulava e que tinha grande credibilidade junto à garotada leitora de publicações musicais. Vai daí que, por eu ser esse jornalista bastante conhecido na imprensa musical brazuca já há décadas, alguém passou meu contato (na época, o hoje paleontológico MSN) para um sujeito na capital mato-grossense que tinha uma produtora de eventos culturais por lá. Ele se chamava Pablo Capilé (ahá!) e a tal produtora tinha o nome Cubo. O figura me adicionou no MSN dele e passou a me contatar, querendo que eu fosse pra lá para cobrir um festival que ele iria realizar em pleno carnaval daquele ano. O festival se chamava “Grito Rock” e aquela seria sua segunda edição. Para me convencer a ir até Cuiabá mr. Capilé (que anos depois iria se transformar numa das figuras mais conhecidas da cena musical independente brasileira e também se transformaria naquilo que todos nós bem sabemos no que ele se transformou) usou todos os argumentos possíveis, durante cerca de duas semanas de intensos bate-papos pela velhusca plataforma de conversa virtual (hoje nem Skype se usa mais nesses tempos de whats app, não é?). “O festival vai ser bacana, vai rolar numa galeria de arte da cidade”, dizia ele. “Muitas bandas bacanas e sua presença será super importante pra gente e bla bla blá”. Até que um dia eu resolvi topar e disse que ia, mas com a ressalva de sempre: “a Dynamite não tem grana pra bancar essa viagem”, informei. “Comofas?”. Ele: “sem problema! Daremos passagens, hospedagem e alimentação pra você. Só um detalhe: você se importaria de vir de… ônibus?”.

 

Puta que pariu! Ir de busão de São Paulo até Cuiabá??? Fui pesquisar: eram nada menos do que 25 horas (!) de viagem, com o ônibus passando por todo o interior paulista, entrando em Minas Gerais, passando por Goiás para finalmente adentrar Mato Grosso. Uma viagem sem fim, com estradas idem e por onde eu iria passar por dezenas de cidades que eu nunca tinha ouvido falar na vida. Mas como sempre fui aventureiro e adorei enfrentar desafios, aceitei. Tudo acertado embarquei numa quarta-feira (nas vésperas do início do carnaval), às 8 da noite em Sampa. Cheguei na rodoviária cuiabana no outro dia, às 9 da noite. Com a bunda quadrada, podre de cansaço mas vivo e inteiro. Fui recebido por uma simpática, magra e bonita (de rosto) garota, que integrava a equipe de produção do festival, e que me levou imediatamente para o hotel onde me hospedaram. Aposentos simples mas aconchegantes e confortáveis. Nunca tive frescura quanto a isso: tendo uma boa cama pra dormir e banheiro dentro do quarto, beleza. E assim foi. Nessa primeira noite em Hell City eu não quis saber de nada, apenas dormir. Foi o que fiz. Mesmo porque na noite seguinte, sexta-feira, o tal Grito Rock iria começar.

 

Fazia um calor literalmente dos infernos naquela cidade. O hotel era muito simples e por isso não tinha ar-condicionado no quarto, mas um providencial ventilador de pá no teto, o que já amenizava bastante o clima da “sauna” onde eu me encontrava. Almocei no meio da tarde e voltei pro quarto, onde fiquei até o começo da noite à espera que viessem me buscar pra irmos ao local do festival. Tratava-se de uma galeria de arte, chamada Galeria do Pádua. Então lá fomos nós enfrentar a maratona de gigs da primeira noite do Grito Rock: espaço pequeno, cerca de 150 pessoas lá dentro, temperatura nas alturas, cervejas e destilados toscos à venda no bar e nada de outras drogas à vista. As bandas foram se revezando no pequeno palco e aquilo tudo foi me entediando, um pouco pelo calor insuportável e outro tanto pela absoluta má qualidade musical dos grupos que iam tocando, e cujo som oscilava entre êmulos de metal melódico (à la Angra e Shaman) e emocore (à la CPM22 ou NX Zero). Nada muito animador, pra ser bastante honesto e sincero. Tanto que, quando perguntado pelo capo Pablo Capilé o que eu estava achando até aquele momento dos artistas que estavam se apresentando, procurei ser, hã, “diplomático”, dizendo que estava achando ok mas que de fato eu ainda não tinha visto/ouvido nada que realmente me empolgasse tremendamente. Ao final da primeira noite/madrugada de shows, Capilé se despediu de mim dizendo: “amanhã teremos bandas melhores. E talvez um presente pra você”. Ok. Fiquei curioso mas rumei de volta pro hotel, a bordo da van que haviam me disponibilizado pra ir embora. Caí novamente cansadão e morrendo de calor na cama. E nem imaginando que, no sábado, realmente tudo seria muito diferente.

 

E veio a segunda noite do GR. E com ela as coisas começaram enfim a acontecer naquele festival na capital do cerrado, e bem na sucursal brasileira do inferno. Pra começar enquanto a primeira banda se apresentava no palco, um sujeito ligado à equipe de produção do festival se aproximou de mim e me deu discretamente algo na mão, dizendo: “mandaram buscar isso pra você, cortesia nossa!”. Eu fui ver o que era e não acreditei: um autêntico mutucão de cocaína, onde deveria ter umas 5 gramas de pó. E eu sempre ouvi dizer que a “farinha” em Cuiabá devia ser das melhores, já que a “fábrica” do “produto” é ali ao lado, na Bolívia. Não perdi tempo pra saber se o negócio era bom ou não: fui direto pros banheiros que ficavam no subsolo do lugar, me tranquei em um deles e estiquei uma generosa “taturana” para devastar meu pobre orifício nasal. Aspirei o bagulho e saí dali voltando ao andar térreo, onde o primeiro conjunto acabara de encerrar seu set. E não demorou muito pra eu perceber que o “negócio” era bom pra caralho e que eu já estava no estágio da bicudisse plena e irreversível – sendo que ainda havia toda a farinha do mundo para eu praticar devastação nasal o resto da madrugada. Foi nesse instante que outro sujeito ligado à produção do festival me chamou dizendo que a MTV local queria fazer uma entrevista rápida comigo, pra eu dar minha opinião sobre o evento e tal. Foi talvez a entrevista mais paranóica que eu já dei na vida: aquele holofote estalando na minha cara, um calor exasperante, eu bicudaço de cocaine e uma repórter loira bocetudíssima me entrevistando. E eu falando a 200 kms por segundo em resposta a cada pergunta que me era feita. Tanto que ao final da gravação da entrevista, o produtor da mesma chegou também discretamente em mim e disse: “porra, fodona essa farinha que você cheirou hein, rsrs. Tem um tiro pra me dar?”. Como não sou muquirana com essas paradas (se eu tenho bastante, como era o caso ali, eu divido generosamente, sem problema), chamei o sujeito pro banheiro do subsolo e estiquei mais duas carreiras, uma pra ele e outra pra euzinho, claro.

O Vanguart versão 2015, ao lado de Zap’n’roll: amizade que já dura uma década

 

A essa altura o calor já me consumia, a cocaína derretia meus neurônios e eu bebia o que pudesse pegar no bar: cerveja, licor de menta, o que viesse descia na minha garganta, contanto que estivesse bem gelado. Foi quando o manda-chuva Capiloso (sempre ele!) chegou no meu ouvido e cochichou: “presta atenção na banda que vai tocar agora. Pelo que você comentou comigo sobre seu gosto musical, acho que vai curtir o som deles”. Tentei prestar atenção embora achando que no estado em que eu me encontrava nada mais iria prender a minha atenção. Mas aí entrou no palco a tal banda. Cinco garotos liderados por um vocalista baixote, magrinho, com uma pinta no queixo. E os detalhes que começaram a me chamar a atenção (ou o que restava dela): o rapazola estava de camisa social de mangas compridas e arregaçadas; por cima dela um paletó (!), isso em um local onde a temperatura deveria estar beirando os 35 graus. E por cima do paletó um suporte de gaita com a própria e também um violão pendurado no pescoço. Quando vi aquilo, travadíssimo como eu já estava perguntei pra mim mesmo: “quem esse pirralho está pensando que é? Algum Bob Dylan do cerrado?”.

 

Pois quando o “pirralho” abriu a boca e começou a cantar e a banda começou a tocar, eu abri a minha boca e arregalei os olhos (quer dizer, eles já deviam estar totalmente estalados por causa da “farinha”) e não acreditei no que estava ouvindo: as mais lindas canções que eu tinha escutado até aquele momento naquele Grito Rock, com melodias repletas de referências de folk music, bordadas com esmero absoluto e cantadas em um inglês impecável. Quando o set da banda, que se chamava Vanguart, acabou eu já estava absolutamente seduzido e apaixonado pelo conjunto. Folk music de primeira qualidade? Com as melhores referências da história do gênero? E tudo isso em… Cuiabá? Não era possível, aliás era impossível. Tentei organizar as minhas idéias (meu cérebro nesse momento já estava completamente alucicrazy) e fui conversar com o vocalista baixinho. Perguntei a ele: “de onde você tirou essas referências sensacionais?”. Helinho respondeu: “bom, eu achei que havia algo além de metal melódico e emocore no rock’n’roll. Então eu fui atrás desse além”. Perfeito! Depois de ver/ouvir aquela banda, nada mais me interessou no festival.

 

Voltei para São Paulo falando sem parar do tal Vanguart. Marquei uma entrevista por MSN com o pequeno Flanders. A entrevista resultou em uma matéria de duas páginas na edição impressa da revista Dynamite, e cujo título era “Vanguart – Folk e melancolia em Cuiabá”. Inimigos meus na imprensa musical (gente porca, escrota e quem nem merece ser citada aqui) começaram a me zoar sem dó no falecido Orkut, tirando sarro da minha descoberta: “uma banda folk que se chama Vanguart e que, ainda por cima, é de Cuiabá! Ahahahahaha”. Esses otários se foderam e hoje devem se roer de inveja: os Vangs acabaram se mudando para São Paulo um ano depois, trilharam um caminho árduo na capital paulista, foram se tornando nacionalmente conhecidos, Helinho passou a cantar em português e hoje o agora sexteto (que tem também em sua formação uma violinista) desfruta de ótima posição no atual cenário musical nacional. Como eu já disse lá em cima, no começo deste capítulo, talvez tenha sido a única banda da cena independente brasileira a se tornar grande e bastante popular a ponto de ter uma música de seu último disco, a faixa “Meu Sol”, incluída na trilha sonora de uma novela da tv Globo.

 

Eu sempre costumo traçar esse paralelo, com as devidas diferenças de época e situação, e sempre mantendo minha humildade: o saudoso produtor Ezequiel Neves (que também foi um dos maiores nomes do jornalismo musical brasileiro, nas décadas de 70’ e 80’, e que acabou se tornando meu amigo no final da vida dele) descobriu o Barão Vermelho. E eu descobri o Vanguart, em termos jornalísticos. Me sinto feliz por isso e orgulhoso disso, sendo que tudo aconteceu em uma noite de calor infernal, há uma década em um festival durante o carnaval em Hell City, com o jornalista gonzo/maloker/loker chapado de padê e ouvindo as mais lindas baladas folk. Canções que hoje são cantadas por multidões nos shows sempre lotados dos queridos Vangs.

 

 

MUSA ROCKER FLAVINHA – ELA É MAGRINHA, LINDINHA, ABUSADA, FÃ DE BUKOWSKI E DO ROCK. PRECISA MAIS?

Nome: Flávia Monteiro Soares.

 

Idade: 22 anos.

 

De onde: São Paulo.

 

Mora: com os pais, também em Sampa.

 

O que faz: estudante de trabalhos multimídia, e vocalista e gaitista na banda Compendium Blues Band.

 

Três artistas: Credence Clearwater Revival, Black Sabbath e Nina Simone.

 

Três discos: “Led Zeppelin III”, “Black Sabbath 1970” e “Hooker’n Heat” (Canned Heat).

 

Três filmes: “Clube da Luta”, “Darko” e “V de Vingança”.

 

Um diretor de cinema: Quentin Tarantino.

 

Três livros: “O sobrevivente” (Chuck Palahniuk), “Misto Quente” (Charles Bukowski) e seleção poética de Fernando Pessoa.

 

Um show inesquecível: Black Sabbath em São Paulo.

 

O que o blog tem a dizer sobre a gata: jornalista loker e Flavinha se conheceram em uma noite qualquer e bizarra há cerca de um ano. Ambos tinham acabado de sair do Mis (Museu da Imagem e do Som), em São Paulo, onde haviam visto uma sessão de cinema de “As virgens suicidas”, a estréia cinematográfica de Sofia Coppola. A pequena e magra porém sedutora jovem rocker estava meio perdida na rua Colômbia e perguntou ao jornalista como fazia para chegar à estação de metrô mais próxima. “Vem comigo”, disse ele. Desde então os dois se tornaram mega amigos, sendo que o blog a chama de “filhota adotiva loker”, ahahaha. Flávia é ótima: além de lindinha também possui grande cultura (é fã do velho safado Bukowski) e formação musical. É com justiça nossa musa deste post.

 Sou uma metamorfose ambulante, sempre!

 

Só os loucos iguais a mim podem me devorar

Um corpo, tatuagens e uma guitarra: ela é do rock!

 

Eu sou devassa. E amo carregar o velho safado no meio das minhas pernas

 

O jornalista zapper e Flavinha loker (e mais uma amiga dela) na última quinta-feira em Sampa, na Sensorial Discos

 

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Disco: Como o blog sempre diz, nunca é tarde pra se falar de um bom (ou ótimo) disco. E nesse caso o som desta já quinta-feira (30 de julho, quando esse mega post está finalmente sendo concluído) é esse aí: “Saturns Pattern”, o novo álbum solo de mr. Paul Weller, o sujeito que criou o incrível trio mod/pós-punk The Jam (na Inglaterra no final dos anos 70’) e, em seguida, o não tão incrível assim duo Style Council (há quem adore o SC, o autor destas linhas rockers acha chatinho). Weller está com 57 anos nas costas e é adorado e considerado gênio por crítica e público na Inglaterra. Aqui ninguém o conhece (salvo honrosas exceções). E o disco é MUITO BOM. Saiu lá fora no final de maio e por incrível que pareça acabou de ganhar edição nacional. O blogão está ouvindo agora e gostando. É um cd recheado de ótimos rocks básicos (mas muito bem estruturados musicalmente) e que também se equilibra bem em seus momentos mais baladeiros. “Long Time”, por exemplo, lembra Iggy Pop dos tempos de “Raw Power”.E sendo que Weller andou sendo ovacionado durante sua gig no Glastonbury deste ano. Poderia vir até o Brasil, mas quem iria trazê-lo até aqui? Eis a questão. Mas pelo menos o novo discão dele pode ser escutado aqui: https://play.spotify.com/album/3JUYH5aFVFP3j97rSVaARK.

O novo disco do ex-líder do The Jam: Weller em forma aos 57 anos

 

* Livro: “Só por hoje e para sempre” chegou às livrarias na semana passada e já é um dos campões de venda da temporada. Não é para menos: ele reúne os diários escritos pelo eternamente amado e saudoso Renato Russo (o inesquecível vocalista e líder da Legião Urbana) no período em que o cantor passou internado em uma clínica de reabilitação no Rio De Janeiro, entre abril e maio de 1993 – sendo que Russo iria morrer três anos depois, em 1996, vitimado pela AIDS. Para quem conviveu de perto com a banda (como o jornalista zapper), alguns dos relatos que agora vêm a publico nem são tão novidade assim. Mas em outros episódios mais obscuros Renato detalha o seu envolvimento com álcool e drogas e sua vida pessoal além da persona pública e fora dos palcos. São narrativas contudentes (como ele descrever como gastou US$ 40 mil dólares numa viagem aos EUA, onde tomava cerca de dez doses diárias de whisky, a seis doletas cada dose) de episódios idem (quando ele foi agredido por seguranças da casa noturna carioca Canecão, após uma apresentação do jurássico trio prog inglês Emerson Lake & Palmer, pois Russo queria entrar de qualquer forma nos camarins pra conversar com os gringos) e que ajudam a entender o lado humano do artista e genial poeta do rock brasileiro dos anos 80’. O volume é pequeno (167 páginas) mas a leitura empolga mesmo quem não é fã da Legião.

 

 

* Baladas enfim pro finde: e não? O post demora pra ser concluído mas a gente nunca esquece do circuito rock under de Sampa, não é? Então como hoje já é quinta-feira, 30 de julho (férias chegando ao fim, que pena…), vamos ver o que tem de bom pra fazer nesse finde de inverno nem tão rigoroso assim (pelo menos até o momento): logo menos à noite o músico Daniel Belleza lança sua marca de cerveja artesanal lá na Sensorial Discos (que fica na rua Augusta, 2389, Jardins, zona sul de Sampa). Depois a dica é se mandar pro Astronete (no 335 da mesma Augusta, em direção ao centrão da cidade), onde sempre rola às quintas a bacanuda festa Master Blaster, comandada pelo DJ Johnny Bird.///Na sextona em si tem open bar sempre bacanão no Outs (no 486 da Augusta).///E o sabadão vai ser mega agitado, com show do Felipe Ricotta e dj set do queridão Wlad Cruz (o homem do Zona Punk) na Sensorial Discos (à tarde), sendo que à noite e lá também vai ter showzaço do Churrasco Elétrico. E pra fechar beeeeem a madrugada você pode escolher entre ir dançar na estréia da festa “War Pigs” no Astronete (com os DJs Plínio, Focka e Serginho) ou curtir gig bluesística do Saco De Ratos (do mestre dramaturgo Mário Bortolotto) no Centro Cultural Zapata (rua Riachelo, 309, centrão brabo de Sampa). beleusma? Então vai na fé e se joga!

 

 

E APÓS UM RELATIVO RECESSO, EIS QUE O SACO DE BONDADES DO BLOG ESTÁ DE VOLTA!

Yeeeeesssss! E em parceria bacanuda com a Ideal Edições, vamos colocar alguns livros legais da editora pra sorteio. Então vai lá no hfinatti@gmail.com, que entram em disputa:

 

* Um exemplar da biografia do The Cure que acaba de sair no Brasil;

 

* E outro exemplar da bio do ex-batera do Guns N’Roses, Steven Adler. Mas pode mandar sua mensagem sussa que iremos sortear os mimos até o dia 10 de agosto, okays? Vai nessa e boa sorte!

 

 

E AGORA É FIM DE PAPO

Postão monstrão e completão no ar, ainda que demorado. Mas ninguém pode reclamar pois o blogão zapper é hoje um dos campeões em extensão de infos de cultura pop que interessam de fato aos leitores. Então ficamos assim: na semana que vem voltamos aqui, com novo post (o começo dele, pelo menos) e a qualidade crítica de sempre nele. Isso aê: beijos na galera e até lá!

 

 

(ampliado, atualizado e FINALIZADO por Finatti em 30/7/2015, às 5hs)

Mega silêncio em Seattle: há exatas duas décadas um tiro disparado pelo inesquecível gênio Kurt Cobain contra a própria cabeça, pôs fim ao Nirvana (a última grande banda da história recente do rock’n’roll) e à geração que importou no grunge; mais: o finde do Lollapalooza BR 2014, a terceira e mais fraca edição do festival até o momento (e cuja a péssima assessoria de imprensa só credencia veículos de mega mídia), o “superstar” Matthew Bellamy (do Muse, a banda mais BABACA do rock atual) dando foda-se pra imprensa e fãs, a morte do gênio José Wilker e o que rola no circuito alternativo em Sampalândia pra quem não quer gastar grana absurda no festival de Interlagos (post em construção gigante ainda, com primeira atualização em 7/4/2014, dando um resumão de como foi o finde rocker no autódromo de Interlagos, em Sampa) (versão final em 9/4/2014)

Dois trios com diferenças abissais e importância idem na história do rock’n’roll: o Nirvana (acima, no banheiro dos camarins do estádio do Morumbi em São Paulo, durante o festival Hollywood Rock, ocorrido em janeiro de 1993) revolucionou e mudou os rumos do rock com apenas três discos, e encerrou sua existência com a morte do saudoso Kurt Cobain há exatos vinte anos; já o inglês Muse (abaixo) é o exemplo máximo de escrotice, babaquice e arrogância musical vazia no rock atual: uma banda de merda, e fim de papo

 

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RESUMÃO DO LOLLA BR 2014 – QUE FOI VISTO PELO ZAPPER NO CONFORTO DO SEU LAR, UIA!

 

Yep, idade chegou pra estas linhas bloggers sempre rockers. Vai daí que, sem credencial pra cobrir a gigante edição deste ano do Lollapalloza BR, ficamos mesmo em casa e vimos o que nos interessava pelo canal Multishow e pela web, simples assim. Depois de quase três décadas cobrindo shows e festivais aos montes, você nem esquenta muito de não ir ao Lolla. Claro, ainda não é a aposentadoria definitiva do jornalista já assumidamente tiozão. Mas estamos a caminho, hehe. Sendo que antes de pararmos de vez, ainda pretendemos ver algumas paradas por aqui este ano – Depeche Mode (será?), Queens Of The Stone Age (dias 25 em Sampa, e 27 de setembro, em Porto Alegre) e Stones (no final do ano, será???).

 

O Lollapalooza foi monstro, teve mais de cinquenta shows e reuniu público total de cerca de cento e trinta mil pessoas (sábado os ingressos esgotaram; ontem, sobrou). O que não significa que ele foi sensacional. Muito pelo contrário: o line deste ano foi o mais fraco até o momento. E aí embaixo estas linhas online dão um resumo rapidão do que acharam das gigs assistidas pela tv e internet.

 

* Julian Casablancas: o front man dos Strokes está mesmo descendo a ladeira em sua carreira solo. Prestes a lançar novo disco, Julian fez um show quase pavoroso: músicas ruins, melodias canhestras, heavy metal sendo emulado por uma banda que NÃO é metal. Enfim, quase o caos completo. O blog aguentou assistir apenas duas músicas e desistiu do resto, sério. Comofas daqui praa frente, Julian?

 

* Lorde: a pequena e jovem deusa neo-zelandesa de apenas dezessete aninhos ARRASOU em Interlagos. Showzaço que mostra que a garota vai muito além do (hoje) mega hit “Royals”. Acompanhada de apenas dois músicos e sem efeitos mirabolantes no palco, Lorde apaixonou o público e fez um dos (poucos) grandes shows de fato do Lolla deste ano.

 

* Muse: ok, Matthew Bellamy realmente estava gripadaço, com a voz ruim e a banda fez o que pôde no palco pra compensar isso. O que não muda a opinião zapper sobre o trio inglês: arrogante, egocêntrico, música histriônica prog metal repulsivo de dar nojo.

 

* Jake Bugg: o moleque tem talento de sobra e sua performance segurou bem a gig. Mas ele está beeeeem longe de ser um novo Bob Dylan, como exageram alguns colegas de blogosfera de cultura pop.

 

* Savages: outro momento fodaço do Lolla 2014. Talvez um dos melhores novos nomes do rock inglês dos anos 2000’. Muita atitude, rock porrada e sombrio com eflúvios do pós-punk à la Siouxsie & The Banshees. Pena que o público (pelo menos pela tv) não entendeu e não deu muita atenção.

 

* Pixies: o disco novo até que é bom mas nessa sua terceira passagem pelo Brasil o quarteto americano só ratificou a impressão que Zap’n’roll teve deles ao ver o show no festival SWU, em 2010: a banda está mesmo velha e preguiçosa ao vivo. E pelo jeito não vai mais mudar isso.

 

* Johnny Marr: sem palavras para definir a apresentação do ex-guitarrista dos Smiths. Outro dos grandes momentos do festival, com direito a aparição de Andy Rourke (também ex-Smiths) no baixo, quando a dupla relembrou o clássico “How Soon Is Now?”.

 

* New Order: fez um set mais animado e menos constrangedor do que há dois anos em um festival eletrônico em Sampa. Emocionou os tiozões fãs do pós-punk ao tocar “Transmission”, mega clássico do Joy Division. Mas Bernnie Sumner, que não é Ian Curtis e sempre teve um vocal sofrível, literalmente sofreu pra cantar uma das obras máximas de um dos nomes gigantes da história do rock.

 

* Soundgarden: esse o blog gostaria de ter estado em Interlagos pra ver lá mesmo, no calor da plateia. Showzaço de uma lenda do grunge americano que finalmente deu as caras no Brasil. Repertório privilegiando os clássicos e o grupo em grande forma no palco. Não precisou mais nada pra levantar o povo.

 

* Arcade Fire: o blog assistiu a banda no já distante ano de 2005, no extinto Tim Festival. E naquela época já era fã deles. Agora, com disco novo (o bom “Reflektor”) lançado e muito mais maturidade musical acumulada, o AF se tornou mega banda e fez um set emocionante, repleto de adereços, efeitos visuais e referências à música brasileira, além de mostrar uma performance incrível. Outra gig que o blog queria ter visto no autódromo e que foi, ao lado de Lorde, possivelmente o melhor momento do Lolla BR 2014.

 

Abaixo as impressões do festival, enviadas pelo nosso querido amigo, colaborador e leitor Pedro Neto, músico e professor em São Paulo:

 

* Jake Bugg: bom o rapaz hein… ao vivo ele tem potencia de voz, presença de palco e muita competência musical por tocar só com um baixista e um baterista sem sequenciadores ou samplers… apesar de, pelas crianças vendo o show dele, naquele momento eu me sentir no show do Justin Bieber (que hoje é mais rocker que muito roqueirinho por ai hein)

 

* Pixies: show limpo e correto.. se tornaram profissionais demais… mas ainda tem algum sangue nas veias… no show fica muito claro a influencia que exerceram no Kurtinho

 

* New order… tinha gente chorando na plateia quando eles tocaram Joy Division. O baixista novo é extremamente técnico e honrosamente nem tenta ser algo perto do Peter Hook.

 

* Sobre o festival: o capitalismo venceu o rock. Mãozinhas de papel com os dedos em chifres como símbolo icônico de subversão do rock com logotipo de empresa de cartão é de fazer o cu cair da bunda. E aquele povo de escritório se achando em pleno Woodstock fumando maconha e usando florzinhas no cabelo fez meu saco doer e acho que pelo menos uns dez astros e gênios do rock, já mortos, se reviraram onde quer que eles estejam.

 

 

LOLLA BR 2014 – O ROCK ROLANDO EM INTERLAGOS EM IMAGENS

A deusa Lorde: um dos grandes momentos do Lolla BR 2014

Muse: a banda comprovou pel enésima vez que é insuportável

Jake Bugg: não é o novo Bob Dylan, mas tem futuro

O ex-Smiths Johnny Marr: outro momento memorável do festival em Interlagos

New Order: Bernard Sumner não é Ian Curtis cantando, mas emocionou o povo com “Transmission”

$$$Pixies: ficou velho e preguiçoso ao vivo

 

 

 

Soungarden: valeu a pena esperar vinte anos pra ver ao vivo o grunge deles

 

Arcade Fire: o melhor show de um festival que teve muito lixo no seu line up

 

 

LOLLA BR 2014 AÍ EMBAIXO

Em dois dos melhores momentos do festival, com Soundgarden e Arcade Fire arrasando no palco.

 

 

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Há vinte anos…

Era noite de 8 de abril, na verdade. Zap’n’roll não se lembra exatamente qual dia da semana era mas se recorda como se fosse ontem onde estava: esperando um buso pra ir embora pra casa, em frente à lanchonete Estadão (no centrão bravo e rocker de Sampalândia, e onde se serve o melhor sanduba de pernil da capital paulista). O blogger já trintão geralmente jantava no Estadão quando estava pela região central de Sampa, e depois rumava para o apê antigão e algo grande que ele estava dividindo com o fotógrafo da FolhaSP e amigo de anos, Luiz Carlos Leite, próximo ao largo do Cambuci, no comecinho da zona sul. Naquela época o jornalista, então escrevendo para as extintas revistas Dynamite e Interview, estava separado da mãe de seu filho já há mais de ano, havia assistido a um PÉSSIMO concerto do Nirvana um ano antes (em janeiro de 1993, no festival Hollywood Rock) mas continuava amando a banda e seu líder e vocalista, Kurt Cobain, talvez o último grande gênio da história recente do rock mundial. E naquela noite de 8 de abril de 1994, impaciente com a demora do busão que não passava, o sujeito que escreve esse editorial (e que tradicionalmente abre nossos posts) já na tarde desse sábado, 5 de abril de 2014, foi dar uma olhada nas manchetes dos jornais que estavam em exposição na banca próxima ao ponto. Como de hábito naquela época o primeiro jornal do dia seguinte a chegar era o hoje célebre e lendário Notícias Populares, o “jornal do sangue” editado pela empresa Folha Da Manhã (a mesma da FolhaSP). Devia ser umas dez, onze da noite e os olhos do autor destas linhas online se detiveram na manchete, que dizia mais ou menos isso: “Rockstar se mata com tiro na cabeça”. Curiosidade aguçada, lá fomos nós ler o sub-título. E quando foi lido que o tal rockstar era ninguém menos do que Kurt Cobain, vocalista, líder e fundador do Nirvana, veio o choque. Um exemplar do NP foi imediatamente comprado e a reportagem foi sendo lida/deovorada a caminho do Cambuci, dentro do bus que finalmente havia aparecido. E aquela foi uma looooonga e dolorosa noite/madrugada. Como mantinha sempre uma garrafa de whisky em casa (nos momentos de fartura financeira era sempre um Jack Daniel’s; quando a situação apertava apelava-se para o bom e velho Old Eight), o jornalistas rocker e sentimental foi sorvendo várias doses naquela madrugada, enquanto ouvia compulsivamente o vinil de “Bleach” (a estreia em disco do Nirvana) inteiro. E foi assim quase até de manhã, com algumas lágrimas querendo escorrer dos olhos, com pensamentos sobre o sentido (ou não) da existência humana, até que o sono veio e tomou conta do corpo e alma zapper. Não era nenhuma surpresa para quem era fã e acompanhava a trajetória auto-destrutiva de Kurt Cobain, que mais cedo ou mais tarde ele iria dar um fim abrupto à sua vida cinza. Mas ainda assim quando se defrontou com o fato em si o impacto emocional foi grande. Afinal estava se encerrando ali a trajetória curta e incandescente de uma banda que realmente tinha virado a mesa do rock’n’roll naquele instante, que possuía uma musicalidade forte, intensa e com algo a dizer a seus milhões de fãs. Uma banda que tinha muito mais a a oferecer do que simplesmente pose e canções ocas, vazias de conteúdo, hoje tão em voga no rock planetário. Enfim lá se vão exatos vinte anos que Kurt Cobain nos deixou. Qual o legado do Nirvana, afinal? O que mudou no mundo, na cultura pop e no rock de lá pra cá? Respostas que exigiriam um livro e não um um blog. De qualquer forma este post que você está lendo agora tenta responder estas questões. Ou, no mínimo, reafirma aqui a certeza que todos aqueles que sabem o que é realmente ter GRANDEZA na arte e como artista, já sacaram há duas décadas: a obra do Nirvana e de Kurt Cobain será eterna. E não há poeira do tempo que irá apaga-las.

 

 

* E no finde em que se comemora os vinte anos da morte de Kurt Cobain, a terceira edição do mega festival Lollapalooza BR, que começa hoje (sabadão em si) em São Paulo, também domina o noticiário de cultura pop. Muito (ou tudo) já foi falado sobre o evento deste ano e é muito óbvio que se trata da edição com o line up mais fraco desde que o Lolla chegou ao país, em 2012. Yep, há shows instigantes dentro do enoooooorme e variado leque de atrações que irão passar pelos palcos do autódromo de Interlagos (que é looooonge pra caralho, nos confins da zona sul da capital paulista) nos dois dias, e aí pode-se dizer que são quase imperdíveis as gigs de Lorde e Nine Inch Nails (no sábado) e Jake Bugg, Savages, Johnny Marr, Soundgarden e Arcade Fire (todos no domingo). Mas a quantidade de tranqueiras presentes na escalação supera de longe as boas opções. Quem aguenta Disclosure, Vampire Weekend, Phoenix, Imagine Dragons (essa lamentável formação pop/rock bunda-mole e coxinha ao extremo) e, principalmente, Muse, a banda MAIS BABACA do rock atual?

A gracinha Lorde mandou bem agora há pouco, em sua gig no primeiro dia do Lollapalooza BR 2014 (foto: Uol)

 

* Essa babaquice e prepotência monstro do trio inglês (que de resto se tornou uma banda musicalmente pedante e algo ridícula em sua grandioquencia sonora) foi totalmente exposta ao longo da semana no Brasil. Na quarta-feira, para uma entrevista aos telejornais da tv Globo, só apareceram o baixista e o baterista do grupo. O “mega” rock star Matthew Bellamy (guitarrista, vocalista e cérebro do trio) não quis participar da matéria, alegando “precisar poupar sua voz”, uia! Não só: na noite seguinte (quinta-feira), quando iria rolar a primeira das “Lolla Parties”, com show do grupo no centro de Sampa, o Muse simplesmente cancelou a gig alegando “problemas de saúde” do mesmo Matthew. Ou seja: os fãs imbecis (e que são muitos no Brasil, graças à saga cinematográfica “Crepúsculo”, que tem canções do conjunto em todos os filmes e tornou o Muse mega popular aqui) que se fodam. É assim que essa trinca escrota trata seu público. E é por isso mesmo que o respeito do blog por eles é ABAIXO DE ZERO. Vai tomar no cu, Muse!

 

 

* Mesmo com tudo isso a produção do festival informa que os tickets para hoje, sábado, se esgotaram. Amanhã (domingo), quando estão programados os provavelmente melhores shows do festival (Arcade Fire, Soundgarden, Savages, Jake Bugg, Johnny Marr), ainda há bastante ingresso disponível. A lição que se tira disso é muito óbvia: até para se curtir rock o público brasileiro se tornou careta, conservador e algo burro.

 

 

* E estas linhas bloggers eteramente rockers NÃO vão ao Lolla 2014, iniciando assim seu projeto de aposentadoria de grandes festivais. São quase três décadas nessa putaria e um dia cansa, néan. Yep, o blog pediu credenciamento para o segundo dia do festival (hoje, não fazíamos mesmo questão nenhuma de ir). O pedido foi negado pela assessoria de imprensa da produtora T4F – como de resto têm negado sistematicamente todos os últimos pedidos de credenciamento feito a eles, ao longo dos últimos meses. E aê, vocês pensam que o já tiozão jornalista rocker ficou puto ou arrancou os cabelos? Nadica. Fazendo a linha “André Barcinski”, desta vez estas linhas bloggers irão assistir sim ao Lollapalooza… no conforto do lar, deitadão na cama e acompanhando pelo Multi Show (na tv e também na web). Melhor do que ir até Interlagos e se matar na caminhada entre os palcos, onde a distância entre os principais chega a 2,5 kms (ninguém merece…).

 

 

* O não credenciamento do blog pela assessoria da T4F, comadanda pelo “distinto” cavalheiro Regis Motisuki (e com o “auxílio luxuoso” de Costábile Salzano), tem explicação. A produtora Time For Fun praticamente monopolizou a realização de turnês de artistas gringos no Brasil. Com isso, sua assessoria de imprensa se tornou a PIOR do país, pela arrogância, menosprezo e absoluta falta de atenção com que trata boa parte dos profissionais que cobrem shows musicais. A política da equipe é credenciar apenas mega portais de internet (como Uol, iG, Terra, R7, G1 etc.) e mega veículos de mídia impressa (principais jornais e revistas, e basta). Sites menores e mais modestos ou blogs especializados em rock alternativo e cultura pop (como o nosso) deixaram há tempos de ser priorizados pela assessoria, o que é um erro gigante da parte deles visto que um contigente enorme de leitores e fãs de rock procuram se informar e se orientar para ir em shows e festivais através desses sites e blogs, por considera-los mais independentes, honestos e confiáveis do que a grande mídia. Mas é claro que a assessoria da T4F não pensa assim e literalmente dá o foda-se para sites e blogs que ela não considera, pela sua ótica, como sendo relevantes. Vai daí que não apenas a Zap’n’roll mas vários blogs e sites não foram credenciados este ano para cobrir o Lollapalooza. E como não fomos credenciados, nos sentimos bastante à vontade para dizer aqui que mr. Regis e sua equipe deveriam aprender algumas lições de como trabalhar corretamente como o pessoal, por exemplo, da Inpress PNI, uma das melhores e mais simpáticas assessorias de imprensa do país e que foi a responsável por cuidar dos jornalistas nas duas primeiras edições do Lolla BR. As duas edições, diga-se, onde o blog esteve credenciado, foi super bem tratado e realizou um ótimo trabalho de cobertura do festival. Mas os tempos mudam e estas linhas online já decidiram que não irão mais pedir nenhum tipo de credenciamento para eventos produzidos pela T4F, visto que o trabalho estúpido e seletivo implementado pela sua assessoria de imprensa não deixa dúvidas de que pedidos futuros para cobertura de shows serão mesmo recusados. Quando o autor deste blog quiser ir em algum show da T4F (como o Queens Of The Stone Age, que estará no Brasil em outubro), simplemente irá comprar seu ticket e boa – mesmo com a gananciosa T4F praticando os preços mais abusivos que se tem notícia no mercado de shows no Brasil.

 

 

* Bien, enquanto o blog está sendo finalizado, os shows estão rolando em Interlagos. A Globo irá exibir um compacto do primeiro dia hoje à noite. E quem quiser acompanhar o festival em tempo real, o canal Multishow está transmitindo tudo ao vivo, pela tv e pela web.

 

 

* IMAGEM NADA SEXY DA SEMANA, UIA! – a edição brasileira da revista Playboy, que já publicou ensaios fotográficos com algumas das xoxotaças mais espetaculares do Universo, continua descendo a ladeira em sua fase decadente. Na capa da edição de abril, que chega às bancas nesta segunda-feira, está a ambientalista gaúcha Ana Paula Maciel, aquela que ficou presa na Rússia por dois meses. Entonces: de corpo a moçoila é até digerível, rsrs. Mas o rosto dela é a própria visão do inferno e páreo dúreo para o dragão da maldade, hihi. Se você acha que o blog está exagerando, veja a foto aí embaixo.

 

* Noite de sábado já, o blog prestando atenção em alguns shows do Lollapalooza via transmission na web – sendo que o sempre queridón Luciano Victor Oliveira promete texto bacanudo sobre o festival para entrar aqui, neste espaço virtual. Então o post dá uma pausa nos trabalhos por aqui pra, até o final deste finde (amanhã à noite), falar de fato sobre a grande falta que faz ao rock de hoje um certo Kurt Cobain. Até logo menos então, sendo que deixamos nosso RIP ao grande Zé Wilker, que nos deixou repentinamente hoje pela manhã e foi desfilar seu gigantesco talento no céu. Sem nenhum favor, um dos maiores atores da história das artes brasileiras, no nível de uma Fernanda Montenegro. Vai em paz Zé!

O mundo cada vez mais pobre de gênios nas artes: o grande José Wilker (acima) morreu na manhã de hoje, de infarto, deixando uma lacuna monstro no cinema, teattro e tv brasileira; a mesma lacuna deixada no rock mundial há vinte anos, pelo inesquecivel Kurt Cobain (abaixo, na arte da capa da NME desta semana)

 

PARANDO POR AQUI MESMO

Correria daqui, problemas operacionais dali e de fato esse post não saiu como queríamos e assumimos isso de pronto. Portanto, ele para por aqui mesmo.

 

Mas fiquem sussa: a promessa é de novo postão aind esta semana (entre sexta-feira e sabadão em si) com – aí sim! – os textos e análises que Kurt Cobain merece (afinal, não há tempo exato pra se falar de um gênio do rock como ele, que merece SEMPRE ser relembrado). Fora que o editorial DESTE post já prestou sua devida cota de vassalagem ao sujeito que tornou o rock’n’roll novamente algo essencial em nossas vidas, há duas décadas.

 

Ficamos assim então. Logo menos a gente volta aqui. Até lá!

 

 

 

(ampliado,  atualizado e finalizado por Finatti em 9/4/2014 às 13hs.)

Fim de ano chegando: New Order amanhã em Sampa, a prog do Lollapalooza BR anunciada, festivais no Norte (do Brasil), bandas novas brazucas em aposta para 2012, e uma bio explosiva que ainda vai ser escrita

 

Dave Grohl e os Foo Fighters: eles fecham a noite de sábado do Lollapalooza BR, em abril de 2012 em Sampa

 

Pois então.
Novo post zapper sendo escrito diretamente de uma “muderna” lan house, na Praça da Árvore, a poucos metros da residência eterna do autor destas linhas rockers online. Motivo? Nope, nada a ver com problemas com o notebook Compaq/HP do sujeito aqui. Mas sim com dona Telefonica, responsável pelo serviço de internet Speedy. Pois eis que na manhã de ontem (quinta-feira), quando Zap’n’roll ligou o note e foi conectar-se à internet, a porra não funcionou. Não funcionou e não queria funcionar. Passo imediato: ligar para a Telefonica, para saber o que estava rolando visto que as contas tanto de telefone quanto de internet estão rigorosamente em dia. Após mais de uma hora (!) de papos com atendentes do serviço de Speedy, do Terra banda larga etc, descobriu-se o que havia acontecido. “Foi uma falha sistêmica nossa, o Sr. nos desculpe”, disse o atendente com a educação que lhe era possível naquele instante. “Dezenas de clientes tiveram suas linhas de Speddy canceladas e retiradas inadvertidamente, sem que eles pedissem esse cancelamento. Foi o seu caso também”, explicou o sujeito, informando ainda que o sinal do Speddy estaria de volta em no máximo três dias úteis. Ok, aí entra a questão: e quem paga o preju dos assinantes do Speedy com a interrupção do serviço? E quem paga o gasto extra com utilização de lan house? Que a Telefonica é uma autêntica merda e seu serviço o pior possível, todo mundo tá careca de saber. Mas daí a retirar o sinal do Speedy de um cliente, sem que este tenha feito pedido nesse sentido, aí já é um pouco demais. Alou Telefonica: vai tomar no cu! E depois desse esporro público e necessário nessa operadora de telefonia de quinto mundo, vamos ao post desta semana, que ainda não vai ser aquela Brastemp habitual, mas que vai dar pra distrair e divertir nosso sempre amado e dileto leitorado, uia!

* E o que temos pra este finde? Buenas, tem Ultra Music Festival amanhã em Sampa (naquele pavor que é o estacionamento do complexo do Anhembi), com New Order e talz, e o blog vai estar por lá, claro.

Já o velho New Order é a grande atração do Ultra Music Fest, amanhã em Sampalândia

* Mas as atenções desta sextona friorenta (delícia: 16 graus na novamente terra da garoa, e isso em pleno verão, wow!) estão novamente voltadas para o Lollapalooza BR, que soltou seu line up definitivo dos dois de festival, com a inclusão dos Racionais MC’s e do sempre esporrento e ótimo Daniel Belleza & Os Corações em Fúria. Dá uma olhada aê embaixo:

Lolla BR – dia 7 de abril de 2012 (sábado)
Márcio Techjun
Balls
Tipo Whisky
Daniel Belleza & Os Corações Em Fúria
Veiga & Salazar
Ritmo Machine
Pavilhão 9
Rhythm Monks
Marcelo Nova
Wander Wildner
Peaches
Perryetti V/S Chris Cox
The Chrystal Method
Bassnectar
O Rappa
Joan Jett
Cage The Elephant
Band Of Horses
Calvin Harris
Tv On The Radio
Foo Fighters

O sempre esporrento Daniel Belleza & Os Corações Em Fúria (acima), além dos rappers do Racionais MC’s (abaixo): dois ótimos reforços no line up do Lolla BR

Dia 8 de abril (domingo)
Daniel Brandão
Bluebell
Suvaca
Black Drawing Chalks
Kings Of Swingers
Killer On The Dancefloor
Garage Fuzz
Velhas Virgens
Cascadura
Plebe Rude
Tinie Tempah
Gogol Bordello
Pretty Lights
Friendly Fires
Racionais MC’s
Foster The People
Skrillex
Thievery Corporation
MGMT
Jane’s Addiction
Arctic Monkeys

* É isso. Tirando alguns nomes bizarríssimos da prog (“matador na dancefloor” ou “os reis do swing”), o Lolla BR até que tá médio, rsrs. E vai continuar rendendo assunto como foi a “guerra” semana passada entre o cantor Lobão e Perryl Farrell, o homem que criou um dos festivais mais importantes e badalados do rock mundial. Uma “guerra” inclusive registrada por estas linhas zappers lá no endereço do blog no portal Dynamite, e cujo texto iremos reproduzir aqui até este sábado (leia-se: amanhã).

* Buenas, tem muuuuuita parada ainda a ser escrita aqui. Mas como a tarde já está acabando e o blogger rocker sempre na correria tem que sair da lan pra resolver uns lances pessoais, vamos parar por aqui e deixar o post ainda em mega construção. Até o final da tarde deste sábado ele vai estar completo aqui, falando de novos nomes bacanas do rock indie nacional (a banda Pronominais), dos festivais que rolam pelo Norte do Brasil na semana que vem, além do roteiro de baladas pra este finde aqui mesmo em Sampalândia. Certo, povo? Até logo menos, então!

(enviado por Finatti às 19hs.)

Noel Gallagher fode gostoooso o mano Liam, com sua estréia solo. Sem PB&J mas com New Order. A volta da escrota comunidade da revista Bizz (agora, no Facebook). E fica: neste sábado o bicho vai pegar no baixo Augusta, com DJ set do blog!

O gênio Noel: estréia solo pósp-Oasis mostra quem é o fodão dos manos Gallagher 

Uma renca de assuntos, no?
Mas o post vai ser mais modesto hoje, sextona em si e quando mais um finde se aproxima. E justamente por isso: amanhã tem noitada rock’n’roll mega fodaça no bar Outs, em Sampalândia, quando o trio Rock Rocket (um dos grandes nomes da indie scene nacional), que está pra lançar seu novo álbum, sobe ao palco pra animar a galere com o seu sempre ótimo rock garageiro. De quebra vai ter a DJ set mensal do blog por lá, o que está tomando o tempo do autor destas linhas rockers online com preparativos, gravação de CDs (pois é, “antigamente” eram fitinhas cassete, como é tão bem mostrado no legal “Alta Fidelidade”, baseado no clássico pop do Nick Hornby e que todo mundo já assistiu mas que a Globo passou na semana passada, numa dessas madrugadas aconchegantes. Agora são cd-rs, “queimados” no computador, para depois virarem trilha pra discotecagens em pistas de casas noturnas, isso quando a DJ set não é feita mesmo com notebooks e i-Pods. Ou seja: o mundo “muderno” é muito chato, às vezes, e não tem nenhum charme ou glamour) etc. Assim, então, vamos direto ao ponto hoje, com notas rápidas e, claro, explicando por que mano Noel Gallagher é melhor solo do que o Beady Eye, do caçula Liam. É isso, não tempos tempo a perder a qui, como alguns idiotas daquela escrota comunidade da extinta revista Bizz (agora no Facebook) perdem, insultando pessoas e destruindo-as moralmente apenas onde conseguem ser machões: nas redes sociais (porque ao vivo…). E nem temos tempo também a perder com putaças de quinta categoria, verdadeiras oportunistas cadeludas que após passar quase dois anos viajando de grátis de avião (às custas de quem tinha consideração pela figura escrota e falsa ao cubo) e indo a festivais gigantes também de graça em Sampa (como SWU e Umf), já que moram no cu do mundo, agora desejam a morte de quem tanto fez por elas – será que o novo “marido” da figura em questão um dia terá o (des)prazer de ver um vídeo onde sua amada aparece pelada, com as tetas de vaca caídas sobre a barrigona de grávida, batendo siririca e aspirando gulosamente algumas carreiras de cocaine? Hum… bom, isso não é problema do blog, rsrs. Melhor não perder tempo com gente inútil. Pois como diria o saudoso e genial Cazuza: o tempo não pára, nunca!

A dona (oportunista, cadeluda e falsa ao cubo) dessas tetas gigantes surge gloriosa em um vídeo secreto, batendo siririca e aspirando cocaine. Ela cansou de viajar de grátis de avião e a ir em festivais também na faixa. E agora deseja a morte de quem lhe proporcionou essas regalias. É a vida…

* Pois então como todos já devem estar sabendo, o festival Planeta Terra (que rola dia 5 de novembro em Sampa, com promo de ingressos aqui no blogão zapper), acaba de perder também o show do trio Peter, Bjorn & John – antes, não custa lembrar, quem também havia cancelado a participação no evento havia sido o grande quarteto inglês Vaccines. Anyway, mesmo com essas duas “baixas” o Terra ainda está total ok e digno de se ver, por conta de Strokes, Interpol, Bombay Bicycle Club, Bead Eye (que acaba de levar um “couro” do Noel Gallagher, hihi) etc. Fora que a qualquer momento, a produção do Terra irá divulgar uma nova atração no lugar do PB&J.

PB&J: eles não vêm mais pro Terra

* Que bem poderia ser a gataça Florence e sua Máquina, né? Mas vai ser difícil… a muié tá bombadíssima lá fora por conta do lançamento do seu esperadíssimo novo disco, “Ceremonials”, que sai no final deste mês e já está sendo avidamente caçado na web – onde, aparentemente, ainda não “despencou”. Enfim, ela está na capa da NME desta semana e se viesse ao Terra, seria tudibom.

* Já o Ultra Music Festival deste ano vai ter como headliner o já velhão New Order. Tudo ótimo, tudo lindo mas, cacete, o NO já esteve duas vezes aqui – ambas assistidas pelo autor destas linhas online. A primeira foi em 1988, quando a banda estava no auge e com sua formação original. Depois, há alguns anos, foi novamente emocionante revê-los na Via Funchal. Agora, sem Peter Hook no baixo (que está em guerra mortal contra seus ex-companheiros de banda), fica a questão: pra que ver novamente? Ok, a Gillian Gilbert voltou aos teclados e tal e o NO um dia foi o ultra venerável Joy Division, uma das maiores lendas de toda a história do rock. Mas lendas também existem para ser demolidas, e é partindo deste princípio que o blog vai dizer que  não tem mais saco pra ir a um terceiro show do grupo no Brasil. Pra quem nunca viu, vai lá e boa sorte.

O New Order, mais uma vez no Brasil – só que agora sem Peter Hook, mas com Gillian Gilbert de volta

* E o “vizinho” blog Remix (aquele… da moça cheia de deslumbramento, rsrs) achou o máximo o super gente fina Dave Grohl tocar bateria com o ruim de doer Cage The Elephant esta semana. Fala sério: a moça que escreve o blog disse que adora o CTE, uma cópia horrenda do que de pior existiu no grunge. Enfim, pra quem se deslumbra com qualquer peido “muderno” do pop/rock atual…

* Pior é a volta da escrota ao cubo comunidade da extinta revista Bizz (um cadáver insepulto que um monte de viúvas tiazonas velhas, chatas, recalcadas, invejosas e frustradas insistem em não deixar em paz), agora no “moderníssimo” Facebook. Essa porra de comunidade, o leitor zapper vai se recordar bem, causou durante séculos no hoje moribundo Orkut, ofendendo moralmente e destruindo em público pessoas que não faziam parte da panela de merda que comandava as postagens e os temas debatidos nela – assuntos sempre irrelevantes e que tomavam o tempo de gente desocupada e ociosa na vida, que nada mais tem a fazer do que ficar falando mal da vida alheia em redes sociais. Pois então: agora essa mesma corja nojenta voltou a vomitar e a latir via Facebook. E segundo o queridão Diogo Soares, vocalista do grande Los Porongas, os bostas já andaram rosnando em direção ao autor de Zap’n’roll, que não entrou e JAMAIS vai entrar ali, pra perder seu tempo (que é precioso demais) com idiotas que só conseguem ser machos pra ofender as pessoas na frente do computador – porque ao vivo… a covardia rola solta. Enfim, o blog até imagina as mesmas e lamentáveis figuras de sempre, comandando a “quadrilha” de otários e covardes: Elson Barbosta, Reginaldo Jéguis Tadeu (jornalista que é dublê de dentista e que ficou apavorado quando, certa vez, ao engrossar a voz com o jornalista Felipe Almeida, dileto amigo destas linhas online, levou um chega pra lá do mesmo que, do alto dos seus quase 1,90m, disse pro Jéguis: “mano, não grita comigo que eu te dou porrada!”. O “quebrador de cds” que participava do programa da burra Luciana Gimenez ficou quietinho no ato, rsrs), Alex fofoqueiro/gordo/careca/loser Antunes, Boberto Sadovski e, principalmente… ele! Claaaaaro! José Merda Jotalhão Jr., um dos maiores crápulas do jornalismo cultural brasileiro, que cansou de falar grosso e ofender Zap’n’roll mas, quando se viu frente a frente com o sujeito aqui, anos atrás no festival Calango, em Cuiabá, levou uma latada de cerveja na cara (tudo registrado em um vídeo engraçadíssimo, que você pode ver e rever aí embaixo, hihi) e saiu correndo, pedindo socorro pros seguranças do local. Ou seja: mais cuzão e merda do que isso, impossível. Moral da história: dá pra perder tempo com uma escrotice dessas? Óbvio que não. Por isso, fica o alerta aqui: como bem fez o querido Paulo Cavalcanti (o super mr. Alderaba, que edita o Guia da revista Rolling Stone), não perca tempo entrando na comunidade Bizz do Facebook. É total perda de tempo.

* Aí embaixo, o vídeo que documenta o “espanco” levado por José Jotalhão Jr. em Cuiabá, há alguns anos, durante o festival Calango, uia!

Zap’n’roll em Cuiabá (no festival Calango), dando um espanco no Jotalhão, hihi

* Espanco semelhante ao que o grande Noel Gallagher acaba de dar no mano Liam, com sua sensacional estréia solo. Lê aí embaixo e comprove.

NOEL GALLAGHER VOA ALTÍSSIMO EM SUA ESTRÉIA SOLO E DÁ UM ESPANCO NO MANO LIAM
A timeline do Twitter zapper começou a ficar frenética no final da noite do último domingo. O finde havia sido mega bacana (rolês a pé na madrugada de sexta pra sábado com a jovem girlfriend do blogger rocker, Helena Lucas, quando o casal andou pela avenida Paulista e depois desceu a rua Augusta, tomando uma garrafa de Martini e etc.), o domingo foi total tranquilo e deliciosamente chuvoso e na madruga iria passar “Alta Fidelidade” (a versão em filme da hoje clássica estréia literária de Nick Hornby, em 1995). Foi quando o povo começou a dar o alarme nas redes sociais: “Noel Gallagher’s High Flying Birds”, a esperadíssima estréia solo do mano Gallagher mais velho, havia acabado de despencar na web. A versão física do disco sai oficialmente no próximo dia 17 de outubro, segunda-feira, na Inglaterra – e o cd sai por aqui também, no início de novembro. Zap’n’roll não perdeu tempo e correu pra ouvir o dito cujo. Achou apenas ok na primeira audição. Mas com o avançar da madrugada e novas escutadas, o álbum foi crescendo aos ouvidos do autor deste blog.

E agora, quando estas linhas estão sendo enfim digitadas, dá pra afirmar que Noel deu um espanco em seu mano Liam. O Beady Eye que se cuide.
Não dá pra falar da estréia solo de Noel sem lembrar que o cérebro do finado Oasis era ele. O sujeito que começou sua história na música sendo roadie do Inspiral Carpets (alguém se lembra deles?), entrou no Oasis quando o irmão mais novo, Liam, já tinha fundado a banda (em 1991, em Manchester). Só que o grupo não decolava porque, segundo o próprio Noel, as composições do Gallagher caçula eram um “lixo”. Pois então: o guitarrista (e também vocalista) entrou na formação, tomou as rédeas da situação e o resto todo mundo sabe. O Oasis foi seguramente, até o seu final há dois anos, um dos maiores grupos da história recente do rock inglês. E seus dois e primeiros clássicos álbuns (“Definitely, Maybe”, de 1994, e “What’s The Story – Morning Glory?”, editado no ano seguinte) entram tranquilos em qualquer lista dos vinte melhores discos de rock de todos os tempos.

Claro que o Oasis vivia sob tensão constante, por conta dos paus homéricos entre Liam e Noel – dois loucaços assumidos, junkies de carteirinha (quantas carreiras de cocaine cheiradas ao longo de quase vinte anos de existência do conjunto…) e com o ego descontrol do tamanho do Universo. Até que duraram muito juntos no mesmo grupo (e tocaram quatro vezes no Brasil, duas delas assistidas pelo blogger rocker que escreve estas linhas virtuais, mas isso será melhor contado ainda esta semana no endereço próprio do blog, em www.zapnroll.com.br). E com o último e monumental arranca-rabo há dois anos (com a dupla quase saindo no braço dentro do camarim da banda, instantes antes de ela entrar no palco do festival espanhol Benicassim, para encerrar o mesmo. A gig foi pro saco e um “herói” teve que subir no palco para informar as mais de trinta mil pessoas presentes que não haveria show do Oasis, porque o grupo havia acabado de… acabar), cada um foi pro seu lado. Liam montou seu Beady Eye, que soltou o primeiro álbum no início deste ano e que vem ao festival Planeta Terra, em Sampa, no próximo dia 5 de novembro. E agora, Noel finalmente deu as caras com sua estréia solo. �
As comparações entre os dois trabalhos serão inevitáveis, óbvio. Ninguém discute que a estréia do Beady Eye se traduziu em um bom disco de rock, muito porque Liam se apoiou em uma banda já tarimbada e muito entrosada (afinal, os ótimos Gem Archer e Andy Bell haviam tocado com o vocalista no Oasis). Ou seja, tarefa mais árdua, talvez, teria Noel.

A estréia solo de Noel: a capa é horrível, mas o disco é sensacional

Pois acompanhado de três músicos relativamente obscuros (o baterista Jeremy Stacey, o percussionista Lenny Castro, além do tecladista Mike Rowe, que também tocou no Oasis), ele gravou dez faixas que não ficam nada a dever aos melhores momentos da banda que o tornou célebre. Na verdade este “Noel Gallagher’s High Flying Birds” chega a ser bem melhor do que a trinca de álbuns ruins que o Oasis lançou em sua trajetória (“Be Here Now”, “Standing on the Shoulder of Giants” e “Heathen Chemistry”). E pode ser equiparado aos dois discos que encerraram dignamente a história do conjunto (os muito bons “Don’t Believe The Truth” e “Dig Out Your Soul”). Estão aqui as melodias “beatle” e power pop sessentista e radiofônicas, que os fãs do Oasis (e o próprio Noel) tanto apreciam. E também eflúvios de psicodelia e de rocks garageiros, alternados aqui e ali por lindas baladas. Há presença de pianos, arranjos de cordas e naipe de sopros em algumas faixas (como em “The Death Of You And Me”, o primeiro single de trabalho do disco e que nem é a melhor música dele). E Noel segura os vocais muito bem em todas elas – basta lembrar que ele já cantava, e bem, também no Oasis (dois bons exemplos dos tempos da sua ex-banda: “Don’t Look Back in Anger” e “The Importance of Being Idle”).

Assim, entre rocks bacanas (“Dream On”, “Broken Arrow” ou “Wrong Beach”, um dos melhores momentos de todo o cd), baladas mezzo psicodélicas (“Everybody’s On The Run”, que abra o disco, ou a belíssima “I Wanna Live in a Dream in My Record Machine”, levada por uma seção de violinos) e lindas melodias construídas por dedilhados de violões (como “If I Had A Gun”), o álbum vai revelando detalhes preciosos e crescendo aos ouvidos a cada nova audição.

Dá até vontade de ver Noel tocando ao vivo por aqui. Afinal, sua estréia solo pode ser encarada tranquilamente como uma espécie de continuação do Oasis, só que se vem os vocais de Liam Gallagher. A continuação de uma trajetória como poucas na fase contemporânea do rock’n’roll. E que foi interrompida porque os gênios, afinal, serão eternamente egocêntricos – e sempre serão perdoados por isso, pelo seu egocentrismo. Justamente por serem artistas geniais.

* Mais sobre a estréia solo de Noel Gallagher, vai lá: www.noelgallagher.com

O TRACK LIST DO DISCO
1. “Everybody’s on the Run”  �
2. “Dream On”
3. “If I Had a Gun…”
4. “The Death of You and Me”
5. “(I Wanna Live in a Dream in My) Record Machine”
6. “AKA… What a Life!”
7. “Soldier Boys and Jesus Freaks”
8. “AKA… Broken Arrow”
9. “(Stranded On) The Wrong Beach”
10. “Stop the Clocks”  

 NOEL GALLAGHER EM VÍDEO
No clip de “The Death of You and Me”, o primeiro single de trabalho de sua estréia solo.

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E calmaê que este post ainda está em total construção. Vamos dar um break nele agora, pra cuidarmos dos preparativos da discotecagem zapper que rola amanhã no Outs/SP, fora o showzão do Rock Rocket.
Então colaê até a tarde deste sábado que ainda entram aqui o roteiro de baladas pro finde, um texto bacana do blog 23 Gotas (da querida girlfriend Helena Lucas) e mais isso e aquilo tudo.
E só pra lembrar: hoje tem DJ set do super André Pomba no descoladérrimo Sonique, lá na Bela Cintra. E amanhã, você já sabe…

E continua de olho no hfinatti@gmail.com pois a disputa por lá pelos DOIS INGRESSOS pro Planeta Terra festival está realmente cruel, hihi.
Até logo menos então!

(enviado por Finatti às 17:45hs.)