AMPLIAÇÃO FINAL EXTRA!!! Informando OFICIALMENTE a data e local da mega festona de quinze anos do blog zapper, falando do show (com ingressos esgotados) do Ira! semana que vem no Sesc Belenzinho em Sampa, e muito mais! – Novo postaço zapper no ar! E em edição especial sobre o pós punk inglês dos anos 80 e também dos anos 2000, o blog analisa em detalhes o novo discão do grupo Interpol, além de celebrar os quarenta anos de existência de dois gigantes da história do rock, os ingleses do Echo & The Bunnymen e do Bauhaus; mais: a “invasão” da armada brit oitentista que vai acontecer no Brasil (e em Sampa, claro!) de setembro a dezembro, os livros sobre o gigante Lula que foram lançados, o grande HORROR golpista político e jurídico no país às vésperas das eleições presidenciais, e mais isso e aquilo tudo no espaço blogger que é campeão na blogosfera BR de cultura pop já há quinze anos! (postão gigantão totalmente ampliado e finalizado em 6-9-2018)

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Em mega postaço especial sobre o pós punk, o blogão zapper analisa em detalhes o novo discão do trio americano Interpol (acima), além de falar dos quarenta anos de existência de um dos maiores nomes do rock mundial em todos os tempos, o inglês Echo & The Bunnymen (abaixo)

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MAIS MICROFONIA – AGORA VAI! A MEGA FESTA DE QUINZE ANOS DA ZAPNROLL ACONTECE MÊS QUE VEM EM SAMPA, NO SESC BELENZINHO, UHÚ!

O site e blog de cultura pop e rock alternativo mais legal da web BR chega a uma década e meia de existência. E para celebrar, vai ter uma comemoração à altura da data! No próximo dia 19 de outubro, sexta-feira, a partir das 9 e meia da noite, a comedoria do Sesc Belenzinho na capital paulista, recebe dois showzaços dos grupos Saco De Ratos e The Dead Rocks, que vão tocar o puteiro e o terror rocker para festejar o niver zapper. Bora lá!

E após a maratona rock ao vivo no Sesc, ainda vai rolar uma after party show no Clube Outs (localizado na Rua Augusta, 486, no centro de Sampa), com dj set especial do blog, a partir da uma e meia da manhã. O Outs também existe há 15 anos, é o último reduto rocknroll da cena alternativa noturna do baixo Augusta e vive lotado nos finais de semana, graças ao vitorioso sistema open bar (pague um preço fixo e beba até cair!) implantado pela casa há quase 5 anos. Não dá pra perder!!!

Quem vai fazer a festa e tocar o puteiro e o terror rock no Sesc Belenzinho:

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***Saco De Ratos – a banda de blues rock existe há mais de uma década e já gravou quatro álbuns. É um dos destaques da cena independente brasileira e paulistana e cujo vocalista e letrista, o escritor, poeta e dramaturgo Mário Bortolotto, é um dos destaques da cena literária marginal brasileira há mais de vinte anos. Mais sobre eles aqui: https://www.facebook.com/BANDA-SACO-DE-RATOS-121151831228419/?fb_dtsg_ag=AdwjGDA39anTwQWKwrhAh9__oSTdyWkXiqrbKrZ85SIvOw%3AAdwCc08wU0iZzIGbX9yn0oKlNzZ99N-e7nKKtr2TNScTbA.

 

***The Dead Rocks – O trio baseado no interior paulista (na cidade de São Carlos) existe há uma década e meia e nesse período se transformou num dos principais nomes do estilo surf music no rock alternativo brasileiro. Compondo apenas temas instrumentais e com quatro discos editados, a banda alcançou tanto prestígio para o seu trabalho musical que já excursionou pela Europa e Estados Unidos, onde também lançou alguns EPs e participou de coletâneas com músicas de sua autoria. Não tocam na capital paulista há um bom tempo já, de modos que será uma ótima oportunidade para os fãs da cidade se reencontrar com o grupo ao vivo ou para conferir a potência sônica deles no palco pela primeira vez. Mais sobre eles aqui: https://www.facebook.com/thedeadrocks/.

 

Ingressos à venda em breve no site do Sesc Belenzinho, aguardem! E tudo sobre o festão você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/460162691145863/?active_tab=about.

 

***E SEMANA QUE VEM TAMBÉM NO SESC BELENZINHO TEM IRA! – Conforme estas linhas zappers imaginavam os ingressos para os dois shows que o Ira! irá realizar no final da semana que vem (dias 14 e 15 de setembro, sexta-feira e sábado), na comedoria do Sesc Belenzinho (unidade da entidade que fica no bairro do Belém, zona leste de Sampa, aliás como todas as unidades do Sesc esta também é sensacional), se EVAPORARAM do site (e também na compra física) em menos de 24hs. Os tickets começaram a ser vendidos ANTEONTEM. Já acabaram – a comedoria do Belenzinho não é grande, cabem umas 500 pessoas lá. E com o Ira! tocando na íntegra e ao vivo o seu fodástico terceiro disco de estúdio, o “Psicoacústica” (lançado em 1988, daí a turnê comemorativa pelos 30 anos dele), não tinha mesmo como ser muito diferente o sumiço das entradas em velocidade recorde. Sendo que o blog se sente algo contente e orgulhoso nessa parada. Contente porque além de admirar pra carajo a banda, também é amigo pessoal da dupla Scandurra-Nasi há séculos. E orgulhoso porque o texto do press kit sobre o evento e sobre o LP em questão é de nossa autoria. Sim, o Sesc confiou este trabalho ao jornalista rocker aqui, não apenas pela amizade que ele mantém com a banda mas também por (modéstia às favas) conhecer profundamente a trajetória dos Irados e as nuances que permeiam “Psicoacústica”. De modos que estaremos por lá na semana que vem, já que temos par de convites disponíveis (cortesia do Sesc) pra ir lá na gig. Pra quem não vai: sorry, hihi.

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Zapnroll (acima) e o bacanudo press kit criado pelo departamento gráfico e de divulgação do Sesc Belenzinho, para divulgar o showzão do Ira! que rola lá semana que vem, e cujo texto encartado no kit (abaixo) foi produzido pelo autor do blogão zapper

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, o rock alternativo, a política e o comportamento)

 

***LULA ONTEM, LULA LIVRO, LULA LIVRE, LULA SEMPRE! – Foi realmente emocionante o evento realizado no último dia 13 de agosto em Sampa, por conta do lançamento oficial e nacional do livro “Lula Livre – Lula Livro”, coletânea de textos organizado pelo jornalista e queridão deste espaço online Ademir Assunção, e que conseguiu reunir num volume extraordinário (e que estava sendo vendido por módicos 15 dinheiros durante o evento, sendo que os exemplares à disposição do público se esgotaram rapidinho), textos e poemas de artistas variados, como poetas, cantores, compositores, rappers etc (estão no livro, entre outros, textos de Chico Buarque, Augusto de Campos, Alice Ruiz, Carlos Rennó, Sergio Mamberti, Paulo Lins etc.). E boa parte desses artistas compareceu ao lançamento, que lotou as dependências do já lendário, mitológico e histórico teatro Oficina, lar do grupo homônimo criado há décadas pelo gênio gigante que é Zé Celso Martinez Correa, um dos monstros sagrados de toda a história da dramaturgia brasileira. Foram lidos textos no pequeno palco montado, mostrados vídeos, entoados hinos e canções eivadas de sentimento de liberdade, de apoio total à democracia e a tudo que importa ao ser humano: respeito às minorias, aos negros, às mulheres, aos gays, além de um não gigante ao retrocesso comportamental, ao arbítrio, a intolerância, ao discurso de ódio boçal que tornou o país uma nação de pensamento binário, ao reacionarismo de extrema direita e, principalmente, a prisão política e completamente injusta e surreal do maior líder popular que este pobre Brasil (uma nação vilipendiada por golpistas imundos em esferas variadas: na política, no Judiciário etc.) já teve. Ele mesmo, Luis Inácio LULA da Silva, o MELHOR PRESIDENTE que o Brasil teve em pelo menos 50 anos. O blog poderia escrever um LIVRO aqui sobre como foi bacana a aquela noite. Mas tenta resumir sua emoção e orgulho de ter participado do evento dizendo que, sim, a VERDADE e a JUSTIÇA irão prevalecer e VENCER no final de tudo. Apenas fica-se questionando do por que dessa dicotomia apavorante: a NATA da arte e da cultura brasileira reunida numa segunda-feira à noite na capital paulista pedindo LULA LIVRE, enquanto a sociedade e povo do país, quase como um todo, se deixando contaminar por uma ignorância abominável e monstruosa e se mostrando propensa a eleger como presidente um BOÇAL e BESTIAL herdeiro maldito da pior escrotidão (em todos os sentidos) que já houve na história do país, a ditadura militar. É isso mesmo que o brasileiro quer, ter como presidente um mentiroso, asqueroso, crápula, também escroque e pilantra (que enriqueceu como deputado federal durante 30 anos, nos quais não fez absolutamente NADA digno de nota como político) e que ainda por cima é homofóbico, racista e machista ao máximo. Só pra saber… Foi lindo o evento. E a melhor imagem do que rolou no Oficina, para resumir tudo, é a que está aí embaixo: Finaski (com sua amiga Silvia Fasioli) ao lado de um GIGANTE da história política nacional, um dos ÚNICOS políticos realmente DECENTES em grau máximo deste Brasil corroído pela corrupção. Ele mesmo, o “velhinho” mais fofo de todos e nosso eterno senador, a quem sempre daremos nosso voto. Um beijo no seu coração ever, Eduardo Suplicy!

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Finaski, sua amiga Silvia e o gigante (como político e como ser humano) Eduardo Suplicy (acima), no lançamento do livro “Lula Livre – Lula livro”, em São Paulo; abaixo no mesmo evento o senador, ladeado pelo diretor de teatro Zé Celso Correa e pela poeta Alice Ruiz

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***Mais Lula em livro – yep, outro lançamento em torno do ex-presidente Lula é “A verdade vencerá – o povo sabe por que me condenam”, volume editado pela Boitempo editorial e onde o ex-presidente concede uma enorme entrevista a um grupo de jornalistas, em bate papo organizado por Ivana Jinkings e Juca Kfouri, além de textos complementares escritos por Eric Nepomuceno e Rafael Valim. Vale muito a pena ler e tomar contato com uma radiografia textual isenta e escrita por gente séria e por alguns dos principais nomes do jornalismo brasileiro, para que se possa entender todo o imundo processo político golpista que segue em curso no país, às vésperas de mais uma eleição presidencial – talvez a PIOR eleição desde que o país se redemocratizou.

 

*** O BRASIL E O ROCK BR NO FUNDO DO ABISMO SEM FUNDO – Quando uma cadeia varejista de lojas como a gigantesca Americanas chega ao completo desplante de vender (pelo seu site) dois modelos de camisetas (um enaltecendo BolsoNAZI; outro contra Lula, o MELHOR presidente que este país já teve em pelo menos 50 anos), a conclusão é inefável: essa MERDA monstro chamada Brasil chegou mesmo ao fundo de um abismo que parece não ter nenhum fundo. E não só. Segundo reportagem da revista Carta Capital, olhem só a “inspiração” visual para os modelos: “as peças têm inspiração estética em BANDAS DE ROCK, como o modelo que imita a camiseta-símbolo do grupo punk RAMONES. Em vez do nome dos integrantes da banda, como no modelo original, consta o lema bolsonarista “Deus acima de todos / Brasil acima de tudo”. A águia americana, por sua vez, foi trocada por uma estrela com a data de proclamação da República”. Que DESASTRE e que nojo. Depois questionam por que o rock MORREU nessa porra horrenda de país cu tropical, não abençoado por NENHUM Deus (seja lá o que for Deus) e habitado por milhões de asnos, ogros, idiotas, imbecis, ignorantes, BURROS, conservadores, sem cérebro, reacionários, boçais e MEDIEVAIS no comportamento e pensamento. É esse povo triste, indecente, ordinário e bolsOTÁRIO que irá votar no “mito”. E boa parte desses JUMENTOS machistas, misóginos, racistas e homofóbicos é que empunham a BANDEIRA do rocknroll hoje em dia no bananão falido. Que triste fim pro Brasil e pro “roqueiro” brasileiro, jezuiz… (adendo: após a publicação da reportagem no site da CC, as lojas Americanas RETIRARAM da venda no seu site os tais modelos das camisetas. Menos mal…)

 

***A “INVASÃO” BRASILEIRA DO PÓS-PUNK INGLÊS DOS ANOS 80 – como este postão que você está começando a ler agora é especial e focado na vertente pós punk do rock mundial (seja o pós punk oitentista ou de bandas atuais, como o grande Interpol), não poderíamos deixar de mencionar a autêntica “invasão” que o estilo irá promover na terra brasilis entre setembro e dezembro vindouros. De modos que o blog zapper dá abaixo seu PITACO sobre as atrações que vêm aí, todas célebres no pós punk britânico dos anos 80.

 

***Peter Murphy e David J.: ou MEIO Bauhaus, que vão relembrar seus clássicos das tumbas em Sampalândia, dia 7 de outubro, no Carioca Clube. Pois então, os maiores morcegões trevosos da cena goth inglesa também celebram 4 décadas de sombras sonoras este ano. Tudo começou em 1978 e yep, sempre gostamos MUITO deles. Mas fato é que solo o vocalista Peter Murphy (uma BICHAÇA loka e das trevas que enlouqueceu garotos e garotas darks no auge do conjunto, lá por 1983) nunca funcionou e passou longe da genialidade musical conseguida quando ele estava junto com Daniel Ash (guitarras), David J. (baixo) e Kevin Askins (bateria). Vimos Pedro Morfético solo em sua primeira visita a Sampa, em fevereiro de 2009 (na finada Via Funchal). Na metade da gig Zapnroll já estava de saco cheio e rezando pra aquilo acabar logo. Agora vamos lá ver esse meio Bauhaus mesmo porque Peter, com mais de 60 anos nas costas, continua com o vocal super em forma e porque o show vai contemplar apenas Bauhaus em seu set. E além de tudo vai ser ótimo e bizarro encontrar aquele monte de gótico velhão e com a pança à mostra, todos reunidos no mesmo local e todos com capotões pretos, claro!

 

***Nick Cave: uma semana depois do meio Bauhaus, o gênio e já icônico Nick Caverna também aterrissa em Sampa, em 14 de outubro. Quase sessentão, Nick continua em plena forma e atividade e segue lançando discos ótimos. Esteve uma única vez no Brasil, em 1988 (lá se vão 30 anos…), e estas linhas online estavam naquele show, lá no saudoso ProjetoSP. Foi inesquecível. Agora vamos TENTAR ir novamente, porque credencial não iremos pedir (o show é produzido por aquele jornalista e “bloggero” pobreloader, hihi, de modos que…) e dindin pra comprar ingresso não tá fácil. Mas vamos verrrrr…

 

***New Order: totalmente DISPENSÁVEL a essa altura do campeonato. E sinceramente não dá pra entender porque tá todo mundo esperneando por conta do show único da banda este ano no Brasil, em SP, dia 28 de novembro. Na boa: quando aqui esteve pela primeira vez, também em 1988, o NO ainda estava no auge e fez uma apresentação histórica, memorável e inesquecível (o blog estava nela) no ginásio do Ibirapuera. Depois, entre paradas e retomadas da carreira, o grupo volto aqui em 2006 (também na saudosa Via Funchal), já não era nem em sonho mais ótima banda que tínhamos assistido ao vivo 18 anos antes mas a gig ainda assim foi razoável. Depois ainda assistimos os sucessores do Joy Division uma terceira vez, no Ultra Music Festival em São Paulo, em dezembro de 2011. Foi o horror total: o vocalista Bernard Sumner gordo (e sem pudor algum em ostentar a barrigona) e preguiçoso ao vivo (e sem voz também), a banda sem o baixista fodão e ícone que é Peter Hook e por aí foi. Conseguiram destruir a si próprios em uma versão ao vivo lamentável do ultra clássico “Blue Monday”, parecendo uma banda COVER de si mesma de quinta categoria. Este jornalista ficou realmente bodeado naquele show e só não saiu mais puto do estacionamento do Anhembi porque estava com uma credencial máster (de jornalista) pendurada no pescoço e que o permitiu ir na área vip open bar, onde tomou todo o whisky que pôde com energy drink. Moral da história: o zapper saiu completamente alucicrazy do festival e foi VOANDO atrás de cocaine, claaaaaro! Bien, depois disso a Nova VELHA Ordem ainda voltou pra cá (o grupo já tinha virado carne de vaca) no Lollapalooza BR 2014 e literalmente CAGAMOS pra assisti-lo ao vivo novamente. Yep, em estúdio o conjunto segue ok (“Music Complete”, lançado em 2015, é bem bom), mas ao vivo vamos passar bem longe pois achamos (achamos não, temos certeza) de que não vale mais a pena. A não ser que você nunca tenha visto eles ao vivo. Aí quem sabe…

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Bauhaus (pela metade, no caso da gig brazuca) e Nick Cave (acima), e New Order e Morrissey (abaixo): todos eles vêm ao Brasil entre setembro e dezembro

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***Morrissey: ah, a velha bexa dos Smiths de volta ao Breeeziiilll… e daí. Daí que Morrisséia está cada vez mais rabugenta e chata com o avançar da idade. Se ainda está em forma em cima de um palco, não sabemos. Os Smiths são uma das 5 bandas da nossa vida (ever) e vimos Moz uma única vez ao vivo e solo, quando ele esteve aqui pela primeira vez em 2000 (lá no finado Olympia SP). Foi lindão, inesquecível e depois nunca mais conseguimos vê-lo novamente on stage. Até queríamos ir esse ano novamente (seu último cd solo dá pro gasto) mas o foda é que na mesma noite do show (2 de dezembro) vai ter também em Sampa L7 com Pin Ups. E vamos preferir ir no segundo.

 

***Fora essa autêntica “invasion” pós punk inglesa dos 80, ainda vai rolar Kasabian (setembro, 30), Peter Hook (dia 10 de outubro, e talvez valha mais a pena ver ou rever este do que o New Order), Franz Ferdinand (outubro, dia 12, mas esse também já deu, né), Noel Gallagher (ainda a confirmar) etc. A pergunta é: quem tem dinheiro pra ir em tudo isso, rsrs. O autor deste blog definitivamente não tem, rsrs.

 

***Não esquecendo: é já em outubro a mega e oficial festa de quinze anos do blog de cultura pop e rock alternativo mais legal da web BR. Vão ter showzaços do The Dead Rocks e do Saco De Ratos. E depois ainda vai ter after party com dj set do blog no Clube Outs, o open bar rocker mais infernal do baixo Augusta SP. Tudo no dia 19 de outubro, sexta-feira, wow! Logo menos a gente divulga aqui o local onde irão rolar os shows, pode esperar!

 

***E antes que o blog esqueça: a primeira tiragem do livro “Escadaria para o inferno” está quase esgotada. Restam poucos exemplares à venda na loja virtual do site da editora Kazuá. De modos que se você ainda não comprou o seu exemplar, vai JÁ aqui e faz seu pedido: http://www.editorakazua.net/prosa/escadaria-para-o-inferno-de-humberto-finatti.

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***E mais notinhas irão entrar aqui na Microfonia ao longo da semana vindoura. Mas por enquanto vamos já direto ao ponto e ao que interessa aí embaixo: o novo discão daquele que ainda é o grande nome do pós punk dos anos 2000, o trio americano Interpol. Bora lá!

 

 

AUSENTE HÁ QUATRO ANOS DOS ESTÚDIOS, O GOTH E INDIE NOVA IORQUINO INTERPOL RETORNA COM TALVEZ SEU MELHOR ÁLBUM DESDE A ESTREIA DA BANDA

Das zilhões de bandas que surgiram no chamado “new rock” (ou indie rock alternativo) na virada dos anos 2000, uma das que Zapnroll mais gosta (e sempre gostou, e continua gostando) é o nova iorquino Interpol. Em tempos em que o rock praticamente MORREU (aqui e lá fora também), em que grupos surgem e desaparecem na velocidade de um bólido e onde conjuntos novos, por melhores que sejam, não conseguem encontrar espaço para mostrar seu trabalho e muito menos público JOVEM interessado em ouvir sua música (esqueça: a pirralhada OGRA e BURRONA da era da web detesta fazer esforço mental, odeia música que a obriga a PENSAR e AMA música total irrelevante e mega RASA em sua construção, daí a ascensão irresistível e implacável do popão eletrônico e R&B pasteurizado lá fora, e do funk, axé e sertanojo aqui no bananão), o agora trio (ainda integrado pelo fundador, o vocalista, baixista e guitarrista Paul Banks, pelo também guitarrista Daniel Kessler e pelo batera Sam Fogarino) está resistindo bem ao tempo: foi fundado em 1997 e lançou seu primeiro álbum (o espetacular “Turn On The Bright Lights”) 5 anos depois, em 2002. E além de resistir bem ao tempo o grupo ainda está em grande forma e acaba de lançar aquele que talvez seja seu melhor trabalho de estúdio desde sua estreia em disco, há dezesseis anos. “Marauder”, o sexto álbum de músicas inéditas do Interpol, chegou ao mercado (nos formatos físico e virtual) na semana passada e não apenas traz de volta as ambiências sonoras sombrias engendradas pelo conjunto em sua estreia, como faz isso através de melodias dançantes e envolventes e também com guitarras abrasivas e poderosas. Já é provavelmente um dos grandes lançamentos de 2018, no que ainda resta de relevante no rock mundial.

E por que estas linhas zappers gosta tanto do Interpol não é nenhum mistério. O blog sempre apreciou muito os vocais sombrios de Banks (que emulam quase à perfeição Ian Curtis) e a ambiência pós punk (circa 1980,1983) sinistra deles, bem na linha do Joy Division. Com um detalhe: mesmo EMULANDO tudo isso o Interpol sempre soou muito convincente e REAL em sua sonoridade, algo difícil de se ver no rock atual, ou no que ainda resta dele. Sim, a banda cometeu deslizes. O autor destas linhas bloggers não gosta do segundo disco deles, o “Antics”. E os três que vieram na sequencia eram ok, mas longe de reeditar o brilhantismo sonoro obtido em sua estreia. De qualquer forma, assistimos a um SHOWZAÇO deles em Sampa, na finada Via Funchal (em março de 2008, há mais de uma década, sendo que eles voltariam ao Brasil por mais duas vezes, em 2011 no extinto festival Planeta Terra, e depois em 2015 no Lollapalooza BR), quando a saudosa casa de espetáculos da capital paulista lotou e a banda brindou o público com uma gig acachapante em sua potência e energia no palco. De modos que sempre ficamos na torcida para que o conjunto voltasse ainda com um grande álbum.

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Capa do novo Interpol: discão!

Pois este retorno com este grande álbum finalmente se materializou em “Marauder”. Em suas treze faixas (sendo duas vinhetas curtas, batizadas de “Interlude I e II”) e pouco mais de quarenta e quatro minutos de duração, o trio reedita finalmente as nuances sombrias (em alguns momentos, quase sinistras) porém dançantes que marcaram o seu hoje já clássico primeiro cd. São melodias aceleradas e construídas com guitarras poderosas e que cativam o ouvinte já nas primeiras audições, o que fica evidente nas quatro primeiras canções do disco (“If You Really Love Nothing”, “The Rover”, “Complications” e “Flight Of Fancy”). “If You…”, que abre o disco, inclusive possui uma letra de consistência poética belíssima e ultra densa (veja a tradução mais abaixo, neste mesmo post) e acabou se transformando no terceiro single do novo trabalho, com direito a um espetacular vídeo de divulgação e onde a atriz deusa loira e XOXOTAÇO Kristen Stewart faz a loka, deitando e rolando com vários homens em um bar onde tudo acontece (duas garotas se beijando, povo loko bebendo Jack Daniel´s no gargalo etc, etc.), enquanto o Interpol surge tocando entre sombras e escuridão quase plena. Melhor impossível!

Há mais do mesmo nível na sequência, sendo que o disco mantém sua qualidade até o final da audição. Ok, ele poderia ser mais econômico e sucinto, com menos faixas e menor duração. Mas não há nada nele que comprometa o prazer, cada vez mais raro nos dias que correm, de se escutar um álbum quase perfeito do começo ao fim. No caso deste “Marauder”, cuja musicalidade nos remete diretamente à Londres do início dos anos 80 (em especial nas muito darks “Stay In Touch”, “NYSMAW” e “Surveillance”), esta quase perfeição sônica além de oferecer grande satisfação a quem a escuta ainda desvela que o Interpol, aos vinte e um anos de existência e com um front man ainda relativamente jovem (Paul Banks fez quarenta anos de idade em maio passado), poderá se manter em forma ainda por alguns anos, impedindo que (e sem trocadilho aqui) o triste rocknroll da estúpida era da web feneça de vez.

 

 

O TRACK LIST DE “MARAUDER”

1.”If You Really Love Nothing”

2.”The Rover”

3.”Complications”

4.”Flight of Fancy”

5.”Stay in Touch”

6.”Interlude 1″

7.”Mountain Child”

8.”NYSMAW”

9.”Surveillance”

10.”Number 10″

11.”Party’s Over”

12.”Interlude 2″

13.”It Probably Matters”

 

 

O DISCO PARA AUDIÇÃO AÍ EMBAIXO, NA ÍNTEGRA

 

 

E O TERCEIRO SINGLE, COM ÓTIMO VÍDEO PARA “IF YOU REALLY LOVE NOTHING”

 

 

UMA LETRA DO DISCO

 

“If You Really Love Nothing”

 

Se você realmente ama nada

Em que futuro construímos ilusões

Se você realmente ama nada

Nós esperamos em glória silenciosa

Se você realmente ama nada

Que parte da traição você quer negar?

 

Quando eu encontrar minha casa

A próxima artéria

Esplêndido eu sangro toda a minha vida

Então é provavelmente um beijo

Adeus então

 

Se você realmente ama nada

Todo mundo é inventado

Todo mundo está perdendo

Se você realmente ama nada

Vamos dormir na glória silenciosa

Se você realmente ama nada

Como você pode estar lá

Você poderia simplesmente deixar para sempre

 

Quando eu encontrar minha casa

A próxima artéria

Esplêndido eu sangro toda a minha vida

Então é provavelmente um beijo

Adeus então

 

Você pode traçar um buraco no seu vestido

 

Respiração é ótima

Lendo lembrar

A classificação final da semana

Melhor que sete outros homens

Imprudente das mulheres que quebram a dimensão

Eu sei que você poderia simplesmente partir para sempre

 

Quando eu encontrar minha casa

A próxima artéria

Esplêndido eu sangro toda a minha vida

Então vai ser um beijo de despedida então

 

Você pode traçar um buraco no seu vestido

E me dê adeus e um beijo

Eu vejo você traçar esse buraco no seu peito

Me dê um tchau e um beijo

 

 

HÁ 40 ANOS SURGIA NA CIDADE INGLESA DE LIVERPOOL (TERRA DE UNS CERTOS BEATLES) ECHO & THE BUNNYMEN, UM DOS MAIORES NOMES DO PÓS PUNK DOS ANOS 80 E DE TODA A HISTÓRIA DO ROCK MUNDIAL

Ninguém discorda de que o quarteto pós-punk inglês Echo & The Bunnymen foi um dos maiores nomes do rock britânico dos anos 80 e de toda a história do rocknroll mundial. Por pelo menos quase uma década (de 1980 até meados de 1988) a banda que em sua formação original e clássica tinha o sublime vocalista Ian McCulloch, o gigante (na qualidade e técnica instrumental) guitarrista Will Sergeant, e os ótimos Les Pattinson (no baixo) e Pete De Freitas (na bateria), reinou absoluta na Velha Ilha e foi aclamada unanimemente pela imprensa e pelos fãs. Foi nesse período de oito anos que o Echo lançou seus cinco primeiros e imbatíveis álbuns de estúdio, onde uma combinação de melodias e harmonias aceleradas e herdadas da simplicidade punk, se unia a ambiências psicodélicas e melancólicas egressas do melhor rock feito nos anos sessenta (com fartas referências e eflúvios de Beatles, Rolling Stones e The Doors), tudo dando suporte para as letras memoráveis (em sua construção poética) escritas por McCulloch. Se depois de 1988 e até hoje o grupo lançou uma série trabalhos sofríveis e que nem de longe lembram seu passado inicial e glorioso, não importa. Tampouco o fato de que da formação original só restam Will e Ian. Mas daqui a exatos dois meses Echo & The Bunnymen estará completando quarenta anos de existência. E nesse período ele já deixou inscrito para a eternidade seu nome entre aqueles que construíram com maestria e encantamento máximo a grande e imortal história do rock mundial.

Tudo começou em Liverpool (a cidade inglesa terra de uns certos Beatles) por volta de 1977, quando o então adolescente Ian McCulloch começou a cantar em um grupo local chamado Crucial Tree (considerado por muitos pesquisadores e estudiosos do rock inglês do período como sendo quase tão excepcional em sua musicalidade quando o Echo seria alguns anos depois). O grupo, no entanto, teve curta existência e logo McCulloch se juntou ao guitarrista prodígio Will Sergeant e ao baixista Les Pattinson, para formar o Echo & The Bunnymen – em tradução literal, “Echo & Os homens coelho”. E que foi batizado assim por, no princípio, não ter um baterista humano – o trio fazia seus registros sonoros acompanhado de uma bateria eletrônica, a Echo. Foi com essa formação e com a bateria eletrônica no fundo do palco que o conjunto fez sua estreia em novembro de 1978, em uma apresentação no Eric Club em Liverpool. É o marco zero da trajetória dos coelhinhos.

Daí em diante a fama do trio foi crescendo rapidamente, em função de suas ótimas composições e apresentações ao vivo. Quando a banda assinou com o selo Zoo Records e lançou seu primeiro single, “Pictures On My Wall”, em maio de 1979, a aclamação da imprensa britânica foi instantânea. Em julho do ano seguinte e já contando com o baterista Pete De Freitas em seu line up o Echo fez sua estreia em LP, editando o a um só tempo barulhento, climático e psicodélico “Crocodiles”, hoje considerado um clássico na discografia da banda. Nova aclamação da crítica, com a legião de fãs aumentando rapidamente e de maneira espantosa. Não parecia haver limites para a genialidade sonora do Echo & The Bunnymen.

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Os “Coelhinhos” em seu auge, no início dos anos 80 (acima); abaixo Ian McCulloch também nos anos 80, destruindo nos vocais ao vivo

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Nos anos seguintes e até por volta de 1988, o quarteto se manteve no topo em tempo integral. Lançou mais quatro álbuns impecáveis da primeira à última música de cada um deles e rodou o mundo com seu show, aportando pela primeira vez no Brasil em maio de 1987, para cinco apresentações inesquecíveis e sold out em São Paulo, além de tocar também no litoral paulista (na cidade de Santos) e no Rio De Janeiro. E quando retornou à Inglaterra, começou sua fase descendente. Primeiro o baterista De Freitas morreu em um acidente de moto em Londres, em 1989. Logo em seguida Ian McCulloch decidiu largar os Bunnymen para seguir em carreira solo. O que sobrou do Echo decidiu seguir em frente, lançando em novembro de 1990 o inexpressivo disco “Reverberation”, onde os vocais ficaram por conta do desconhecido Noel Burke. O trabalho foi um retumbante fracasso, tanto comercial quanto perante à rock press. E assim determinou o fim da primeira fase do conjunto, já que Will e Ian se reuniram novamente mas sob outro nome, Electrafixion, lançando um único e ótimo cd em 1995, intitulado “Burned”. O álbum era muito bom (contava inclusive com a participação especial do ex-guitarrista dos Smiths, Johnny Marr) mas nem de longe vendeu o que os primeiros discos dos Bunnymen venderam.

Foi quando Will Sergeant e Ian McCulloch tiveram a infeliz ideia de voltar novamente como Echo & The Bunnymen. Com Les Pattinson novamente no baixo, o grupo lançou “Evergreen” em 1997. Um disco sofrível que inaugurava a segunda encarnação do conjunto, e que perdura até os dias atuais. Desde então a banda lançou mais seis trabalhos inéditos de estúdio, alguns razoáveis (como “Flowers”, de 2001, e “Siberia”, editado em 2005) mas a maioria demonstrando que aquele grupo de musicalidade absolutamente impecável e gloriosa dos anos 80, não mais existia. Além disso o baixista Pattinson abandonou definitivamente o grupo em 1999, e a voz outrora trovejante de Ian (que se tornou famoso pelo apelido de Big Mac) havia desaparecido, destruída por décadas de consumo de álcool, tabaco e drogas variadas. Por fim o conjunto acabou se tornando carne de vaca e figurinha carimbadíssima no Brasil: voltou novamente pra cá em 1999 (na turnê do fraquíssimo cd “What Are You Going To Do With Your Life”), em gig realizada na saudosa casa paulistana Via Funchal. No ano seguinte Ian voltou retornou ao país, em tour solo. Em 2002 o grupo fez nova aparição por aqui (na mesma Via Funchal) e aí não parou mais de excursionar na terra brasilis, tocando por diversas vezes em São Paulo no extinto Credicard Hall (atual Citibank Hall). E claro, a cada nova visita as performances ao vivo decaiam de qualidade a olhos vistos.

Zapnroll no entanto, sempre teve amor por aquele quarteto pós punk fantástico dos anos 80 e que lançou ao menos cinco LPs que podem figurar tranquilamente entre os cinquenta melhores de toda a história do rock (“Ocean Rain”, de 1984 e o preferido deles destas linhas rockers, está eternamente na nossa lista dos dez melhores álbuns de rock de todos os tempos). E por ter devotado esse imenso amor ao conjunto é que o acompanhou muito de perto durante toda a década de 80 e também na de 90, ouvindo os discos, assistindo a vários dos shows brasileiros e entrevistando os coelhinhos em algumas das coletivas dadas por eles aqui. Momentos em que a banda fez parte essencial da vida do autor destas linhas bloggers e que inclusive renderam algumas histórias bastante divertidas (leia mais abaixo, nesse mesmo post). E agora, ao rememorar as quatro décadas de existência do Echo & The Bunnymen, este jornalista se dá conta de que o tempo avança e não perdoa mesmo ninguém. Nem mesmo artistas, músicos e bandas. Talvez os Bunnymen já devessem ter se aposentado há anos, preservando um passado irretocável e que nunca mais irá voltar. Preferiram continuar, mesmo que flertando cada vez mais com a decadência irrefreável. Não importa: os cinco primeiros e inesquecíveis LPs daquele grupo que um dia surgiu em Liverpool e encantou o mundo para sempre, estarão em nossos corações igualmente para sempre e da mesma forma: encantando ad eternum quem quiser os escutar.

 

 

ECHO & THE BUNNYMEN – UMA ANÁLISE DA TRAJETÓRIA DISCOGRÁFICA DA BANDA

 

Por Valdir Angeli, especial para Zapnroll

 

Conheci o Echo & The Bunnymen meio por acaso, lá pela virada de 1984 para 85. Por essa época eu, normalmente ávido por novidades no âmbito do rock e do pop, vinha ouvindo um bocado de Talking Heads, tinha conhecido o Prince, já tinha adquirido os novos lançamentos do Frank Zappa e do David Bowie (deste último o, para mim, fraco ‘Tonight’), mas achava que o rock estava precisando de uma boa sacudida; na verdade, o que eu achava que estava faltando já existia, mas eu ainda não tinha entrado em contato com o que as novas bandas inglesas – notadamente as de Manchester e Liverpool – andavam fazendo há algum tempo. Quase sem querer, folheando o jornal diário paulistano Estadão, dei de cara com um artigo no Caderno 2 (nota do editor do blog: caderno de variedades do diário e onde o jornalista zapper se tornaria repórter e colaborador anos depois, em 1988, integrando a lendária equipe da página de música editada por Luis Antonio Giron, e que tinha textos assinados por gente do calibre de Fernando Naporano e do saudoso Kid Vinil) sobre o lançamento no Brasil do último disco de um grupo de Liverpool de quem eu nunca tinha ouvido falar, um tal de Echo & The Bunnymen. Interessei-me de cara pelo conjunto, não só pelos elogios a ele contidos no tal artigo, mas também por sua procedência; afinal, se em tempos idos Liverpool tinha sido o berço do merseybeat e o Estadão elogiava tanto uma banda nova vinda de lá (infelizmente não me recordo quem era o articulista), coisa ruim ela não deveria ser, pensei. Movido pela curiosidade, adquiri às cegas logo em seguida o tal disco, o ‘Porcupine’, terceiro álbum por eles lançado, em uma das minhas regulares visitas à lendária Galeria do Rock, até hoje localizada no centro de São Paulo e um dos “points” rockers mais conhecidos do Brasil. A princípio não fiquei nem um pouco animado com o que ouvi, achei estranha e meio desagradável aquela maçaroca de guitarras tocando contra um arranjo de violinos que, segundo o que eu tinha lido no jornal (o disco nacional que eu comprei não trazia sequer ficha técnica) eram do violinista Lakshminarayana Shankar, que já havia colaborado com Peter Gabriel e John McLaughlin. Mesmo assim, gostei muito de uma faixa, chamada “Gods Will Be Gods”, e graças a ela em vez de tentar devolver o disco na loja ou encostá-lo num canto, resolvi repetir um procedimento que eu já havia feito anteriormente, com o álbum ‘Wonderwall’, do George Harrison, e com o ‘Whistle Rymes’, do John Entwistle, baixista do The Who, dois discos que, graças à minha persistência em ouvi-los após uma decepção inicial, acabaram se tornando praticamente dois discos de cabeceira pra mim. Minha ideia deu certo, de fato concluí que os caras desse tal Echo eram bons mesmo, como o artigo informava. Semanas depois, um amigo meu, do circuito das lojas de discos que eu freqüentava, jogou em minhas mãos uma fita cassete com gravações de grupos diversos (entre as quais fiquei conhecendo outras bandas do tal “pós-punk” inglês), contendo no meio duas das músicas do ‘Porcupine’, “The Cutter” e “The Back Of Love”, porém em suas versões de compacto, com arranjos bem diferentes e, aos meus ouvidos, muito melhores, e mais uma inédita dos Bunnymen, o “Never Stop (Discotheque)”, que de imediato me deixou encantado com seu arranjo cheio de cellos, toques em pizzicato e outros detalhes e ambiência que lembravam, e muito, aquela outra antiga banda de Liverpool; esse mesmo amigo também me fez ouvir um exemplar importado do ‘Porcupine’, através do qual pude perceber que muito do meu desencanto inicial com o long-play era fruto da péssima prensagem da edição nacional, cortesia da EMI-Odeon, que era quem, na época, prensava os lançamentos da Warner (distribuidora da Korova, a gravadora  do grupo) por aqui. “Ah, então era isso…! Acho que vou ter que ouvir mais coisas desses caras…”

Demorou mais alguns meses para sair no Brasil o álbum seguinte do Echo, mas nesse meio tempo um outro amigo me emprestou um compacto de doze polegadas deles, que tinha “The Killing Moon” nas versões “standard” e estendida, e mais uma gravação ao vivo sensacional, “Do It Clean”, que me fez conhecer outra faceta da banda, a porrada que era uma gravação ao vivo deles. Foi então, com grande ansiedade, que adquiri logo que saiu aqui ‘Ocean Rain’, quarto disco da banda. E como era de se esperar, caí de amores por ele logo na primeira audição (pois é, a prensagem nacional desse já era bem melhor). Passei a ouvir direto “Silver”, “Seven Seas”, “Crystal Days”… Era fantástico!

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“Crocodiles”, 1980

Um nada de tempo depois disso consegui, escarafunchando várias lojas especializadas, achar dois álbuns importados da banda, os quais comprei sem perda de tempo: ‘Heaven Up Here’, que continha as excelentes “A Promise” e “Over The Wall”, e logo em seguida o disco de estreia deles, ‘Crocodiles’, um álbum mais cru e básico, onde estava a versão original do “Do It Clean” (esse disco que eu achei era a versão americana; a inglesa não contém essa faixa) e as absurdas de boas “Rescue” e “Villiers Terrace”, além do “Read It In Books”, composição oriunda da banda anterior do cantor Ian McCulloch, banda essa que também contava com os geniais Julian Cope  e Pete Wylie.

A seqüência dos acontecimentos ia meio que em banho-maria até que, lá pelo final de 1985, após grande demora, surgiu mais um compacto deles na praça, o “Bring On The Dancing Horses” que, além de trazer no lado principal uma música de qualidade e que mantinha em alta o nível da banda, ainda continha no seu lado dois duas faixas das quais uma em particular, “Bedbugs And Ballyhoo”, acabou virando uma das minhas preferidas de sua obra para todo o sempre. Logo após, foi anunciado que o baterista, Pete De Freitas, havia deixado a banda.

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“Heaven Up Here”, 1981

Paralelamente no passar de todos esses meses, fui conhecendo outras bandas do tal “pós-punk” inglês como, entre outras, The Cure, Joy Division e sua continuação New Order, The Smiths, Bauhaus, Dead Can Dance, Siouxsie & The Banshees e, naturalmente, comecei a enquadrar os Bunnymen como parte integrante desse contexto; a partir daí, meu conceito a respeito do Echo foi se tornando mais relativo e minhas expectativas em relação à banda foram ficando mais exigentes e, como conseqüência disso, a forma de eu enxergar os discos do conjunto começou lentamente a mudar, fazendo com que eu, dia a dia, cada vez mais questionasse a sua música  (a do ‘Ocean Rain’ em particular), até que eu, por fim, não mais estava achando que o trabalho do grupo pudesse ser algo comparável a, por assim dizer, “a arte dos deuses”. Eu já começava, como hoje vejo com mais clareza, a olhar, se não a totalidade da obra do Echo, ao menos o ‘Ocean Rain’ – apesar de eu até hoje reconhecer entre suas faixas uma obra prima atemporal meio subestimada, o”Nocturnal Me”, carregada que é de elementos góticos e sombrios, pouco comuns no repertório do grupo –, suas composições, arranjos  e interpretações, quase como um esnobismo, uma coisa pretensiosa, como se esse disco fosse uma forma de auto-afirmação desnecessária – e até exagerada, eu acrescento – em sua desesperada tentativa de emular os Beatles e os Doors, referências onipresentes, quem sabe para tentar provar a todos (e talvez até a si próprios) o quanto eles eram superiores, como se eles pertencessem a uma casta acima da das demais bandas – a campanha do lançamento do ‘Ocean Rain’ anunciava ser esse “o maior álbum já gravado até então”.

Embora por conta disso meu entusiasmo pelo conjunto tivesse diminuído um pouco, nada impediu que em 1987, na ocasião em que foi anunciada a vinda da banda para apresentações no Brasil (e, melhor ainda, com o retorno do “portuga” De Freitas às baquetas), eu fosse um dos primeiros a entrar na disputada briga para adquirir um ingresso para os shows que ocorreriam no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo, parte da turnê brazílica do  grupo. Consegui ir ao evento em duas noites, nos dias 12 e 15 de maio, e fiquei cara a cara com os gajos que ficaram bem na frente de meus olhos esbugalhados, com o direito de testemunhar o McCulloch tragando copos e copos de caipirinha entre uma música e outra, e de verificar “in loco” a exímia performance do “portuga” na bateria, além de tudo mais que, atônito, consegui captar no momento, incluindo execuções inéditas de faixas que fariam parte do lançamento que eles estavam prestes a fazer.

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“Porcupine”, 1983

E no final de julho desse mesmo ano esse esperado álbum (sem título, apenas ostentando o nome do grupo, talvez em mais uma alusão aos Beatles, que lá pelas tantas também haviam lançado um disco apenas com o seu nome, chamado informalmente de “album branco”) foi lançado, carregando a honra de ter em duas faixas a presença do próprio Ray Manzareck, dos Doors, como tecladista convidado. Uma delas, uma equivocada releitura, no meu modesto entender, de “Bedbugs  And Ballyhoo”, que se revelou uma escolha infeliz mas acabou tendo mais sucesso entre o público que a versão original; a outra em compensação, “Blue Blue Ocean”, para mim (não sei sei até hoje se por conotações emocionalmente fortes para mim na época ou pela sua mera excelência) foi outra das que estarão entre as minhas preferidas do grupo para sempre. No geral o álbum – que teve como hits (inclusive por aqui) “Lips Like Sugar” e “The Game” – foi bem recebido pelo público, principalmente nos Estados Unidos, se bem que não tanto pela crítica, e foi o primeiro a apresentar entre os convidados, além do Ray Manzareck, músicos como Jake Brockman, que faria parte de posteriores encarnações da banda; também foi o último a contar com as baquetas de Pete De Freitas, vítima fatal em um acidente de moto em 1989.

Uma tentativa de reformulação da banda após a morte do baterista e, para surpresa de todos, após a saída de McCulloch, que optou por seguir carreira solo, não chamou a atenção de ninguém. Nem a minha na época, embora hoje eu reconheça que ‘Reverberation’, o único álbum lançado por essa nova formação, que contou com Noel Burke nos vocais, até tinha lá suas qualidades, só não vingando devido à enorme carga que o nome da banda carregava consigo. Pouco tempo se passaria e logo McCulloch e o guitarrista Will Sergeant já estavam novamente experimentando algo juntos, formando uma banda que levava o nome de Electrafixion (e ainda por cima contando com a colaboração do Johnny Marr, dos Smiths), algo ao meu ver bem mais animador, a julgar por um álbum e uma caixa de compactos com registros ao vivo colocados no mercado; pena que o projeto não vingou…

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“Ocean Rain”, 1984

Com a entrada do baixista original do Echo, o Les Pattinson, no que sobrou do Electrafixion (a dupla McCulloch/Sergeant) o mundo viu em 1997 o renascimento do Echo & The Bunnymen com o disco ‘Evergreen’, cuja capa lembrava muito – sei lá se propositadamente ou não – a do primeiro LP, o ‘Crocodiles’. Um álbum que se não era lá tão digno de comparação com a sua obra anterior, ou não tinha tudo o que eles ainda poderiam render àquela altura do campeonato, ainda oferecia um resto de gás que os caras tinham em estoque e até tinha seus bons momentos, e acabou caindo bem em minhas memórias afetivas, em grande parte por conta de um feriado prolongado que passei em companhia de minha então namorada – atual esposa – em Campos de Jordão, do qual o disco foi a trilha sonora (curiosamente minha mulher, normalmente interessada em música brasileira e new age, acabou se tornando fã da banda); o que pouca gente sabe é que logo depois de seu lançamento, ‘Evergreen’ teve uma tiragem limitada contendo um CD bônus, de subtítulo ‘History Of The Peel Sessions 1979-1997’, que trazia gravações feitas pelo grupo através de todos esses anos para a BBC, no programa do lendário John Peel, muitas delas até melhores que as versões originais, uma tetéia!

E daí pra frente eles tentaram… tentaram…  A partir do horrendo ‘What Are You Going To Do With Your Life?’, de 1999 (no qual o Les Pattinson tocou apenas em uma faixa antes de pular fora de novo – esse aí ao menos deve ter pensado direito no que fazer da vida), eles lançaram, até agora, mais seis discos (um deles, aliás, ao vivo, onde o coitado do Ian só consegue estragar as músicas antigas com sua voz totalmente comprometida pela bebida e pelo cigarro, algo só comparável ao Bob Dylan atual) que não acrescentam absolutamente nada ao que de bom eles fizeram no passado.

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“Echo & The Bunnymen”, 1987

 

Se, no final das contas, o Echo & The Bunnymen não conseguiu ser a maior banda surgida no “pós-punk” inglês ou quase não chega a ter relevância e influência hoje em dia, eles podem ainda se orgulhar de ter sido uma das grandes bandas dos anos oitenta, uma época em que, ao menos para mim, foi feita a melhor música dento daquilo que se entende por rock, música até mesmo melhor do que o que foi lançado nos cultuados anos sessenta, com todos os seus ídolos sagrados…

 

(Valdir Angeli, 64, é fã do Echo & The Bunnymen, além de colecionador e pesquisador de rock; se formou em Publicidade na Eca-Usp)

 

 

TODOS OS DISCOS DOS HOMENS COELHO

Crocodiles (1980)

Heaven Up Here (1981)

Porcupine (1983)

Ocean Rain (1984)

Echo & the Bunnymen (1987)

Reverberation (1990)

Evergreen (1997)

What Are You Going to Do with Your Life? (1999)

Flowers (2001)

Siberia (2005)

The Fountain (2009)

Meteorites (2014)

The Stars, The Oceans & The Moon (2018, será lançado oficialmente no próximo dia 5 de outubro)

 

Mais sobre a banda aqui: http://www.bunnymen.com/. E aqui também: https://www.facebook.com/thebunnymen/.

 

DOIS “COELHINHOS” (WILL SERGEANT E LES PATTINSON) JUNTOS EM POLTERGEIST – O FENÔMENO, OU OS FANTASMAS SE DIVERTEM!

 

Alex Sobrinho, especial para Zapnroll

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A dupla Poltergeist, formada pelos Bunnymen Will Sergeant (guitarras) e Les Pattinson (vocais)

 

Os puristas afirmam que o Echo & The Bunnymen acabou em 1987. Discordo somente da data: o correto seria 1997, com o disco “Evergreen”, a última vez que os três membros originais trabalharam juntos, literalmente, na composição de todas as faixas. O baixista Les Pattinson caiu fora de baixo e cuias reclamando em entrevistas que o vocalista “estava  reciclando canções solo” nos discos do Echo. Essa reciclagem pode ser ouvida no cd “What Are You Going to Do with Your Life?” (de 1999, nas faixas  “Lost on You” e “Rust”,  derivadas de “Birdy” e “Ribbon & Chains”,  presentes  no compacto “Lover, Lover, Lover”, de1992 e cover  de Leonard Cohen).

E de 1999 a 2014 vieram à tona mais cinco discos a cargo da dupla Ian McCullouch e Will Sergeant que pouco acrescentam a discografia da banda. À exceção de alguns lados B de singles, o ao vivo registrando a tour do “Ocean Rain” com orquestra que esteve no Brasil em 2010 e o EP “Avalanche” com recriações dos clássicos “Silver” e “All My Colours”. O mesmo expediente vai ser utilizado no disco a ser lançado em outubro deste ano (provando que coelho velho não aprende truque novo).

Will Seargent já tinha uma carreira solo iniciada 1978 e lançado um excelente disco influenciado pela música eletrônica chamado “Curvature of the Earth” – em 2004, com o projeto Glide. O fã que por acaso tenha torcido o nariz para os últimos trabalhos do Echo se sentirá recompensado logo na primeira audição.                                                                                   Já Les Pattinson seguiu seu caminho pondo itens dos mais variados de sua trajetória com os Bunnymen em leilão e se dedicou a fabricação de barcos. Só saiu de exílio musical atendendo ao chamado de velho companheiro Wiil Seargent para colaborar no projeto ‘Poltergeist”, que a dupla criou em 2012 e que lançou apenas um único álbum até o momento, editado em março de 2013 (lá se vão cinco anos…).

A bolacha se chama “Your Mind is Box (Let Uss Fill It Wonder)”. A sensação é de que a dupla de amigos resolveu despejar a criatividade represada pelo tempo de separação musical e virar o ouvinte pelo avesso e levá-lo para uma viagem a outra dimensão já nos primeiros acordes.

As guitarras do Will nunca estiveram tão livres e desconcertantemente geniais ao longo das oito faixas desde, desde quando mesmo… rsrs. Desde o “Curvature of The Earth” – Glide, o único paralelo possível. Logicamente é preciso dizer que o baixo de Les Patinson vem matador, pulsando nervoso quase explodindo as caixas de som ou seus ouvidos (caso ouça com fones; recomendável) em simbiose perfeita com bateria do desconhecido Nick Kilroe. Um ouvinte ocasional do disco o recomendaria aos amigos mais descolados. Já alguns fãs dos Bunnymen ficariam imaginando “ah se tivesse vocais!”. Afirmo que é desnecessário.

 

(Alex Sobrinho, além de dileto amigo zapper há anos e radialista em Colatina, Espírito Santo, também é fã FANÁTICO pelo Echo & The Bunnymen)

(e adendo do editor do blog, ouvindo agora o projeto de Will Sergeant e Les Pattinson no Spotify: melhor do que qualquer álbum que os Bunnymen gravaram de 1990 pra cá. Lembra total o Echo do início, especialmente em “Heaven Up Here” e “Porcupine”, mas sem vocais. E nem precisa!)

 

 

MINI DIÁRIO SENTIMENTAL – O JOVEM JORNALISTA ZAPPER, O ECHO & THE BUNNYMEN E A SAMPA PÓS PUNK DOS ANOS 80 E 90

***Descobrindo os Coelhinhos – Zapnroll conheceu o Echo & The Bunnymen por volta de 1983, quando o grupo lançou seu terceiro disco, o espetacular “Porcupine” (álbum sombrio e GÉLIDO em suas ambiências pós-punk). O LP foi lançado naquele ano no Brasil e o jovem Finas (com vinte aninhos de idade apenas), que havia tomado conhecimento da existência do grupo através de matérias publicadas no caderno Ilustrada, do diário paulistano Folha De S. Paulo (e assinadas pela então lenda do jornalismo cultural, mr. Pepe Escobar), foi atrás de um exemplar. Não conseguiu encontrar nas lojas onde procurou e acabou desencanando de adquirir o tal disco. Daí pra frente começou a escutar músicas do conjunto na programação noturna da rádio 97fm (localizada na cidade de Santo André e possivelmente a primeira rádio rock do Brasil), e começou a ficar literalmente apaixonado pelo som do Echo. Um ano depois também saiu no Brasil o quarto trabalho da banda, o mega clássico “Ocean Rain”. Finaski foi na Galeria Do Rock (que já existia) e achou o LP por lá, juntamente com o “Porcupine”. Comprou os dois de uma vez. E nunca mais deixou de amar Echo e os Homens Coelho.

 

***A primeira vinda ao Brasil e três histórias BIZARRAS da primeira entrevista coletiva do quarteto – Era o primeiro semestre de 1987. A produtora paulistana Poladian (que na época trazia muitos shows internacionais ao Brasil), animada pelo sucesso obtido com a turnê brasileira do inglês The Cure, que ela havia promovido em março daquele ano, resolveu arriscar novamente: anunciou que estava trazendo o Echo & The Bunnymen pra cá, e que os shows aconteceriam em maio daquele ano. Foi um verdadeiro TUMULTO entre jornalistas (o sujeito aqui incluso), fãs, góticos e darks em geral (os darks DOMINAVAM O MUNDO então). Finaski, que havia começado a trabalhar como jornalista musical há apenas um ano, conseguiu se credenciar para a primeira entrevista coletiva para a imprensa do grupo em terras brazucas, e também para assistir a um dos shows da perna paulistana da turnê (foram cinco no total na capital paulista, no Palácio do Anhembi, e todos com ingressos ESGOTADOS), sendo que eles ainda fizeram gigs em Santos (litoral paulista) e no Rio De Janeiro. E na coletiva de imprensa que rolou em uma tarde quente em Sampa, aconteceram ao menos três histórias curiosas, quase bizarras. A primeira: o jovem zapper foi para o bate papo com o conjunto vestindo estrategicamente uma t-shirt da banda The Doors, com a cara enorme do vocalista Jim Morrison estampada na camiseta. No meio da entrevista o cantor Ian McCulloch olhou para a camiseta e fez sinal de “ok” com o dedo. Segundo lance: Zapnroll foi na entrevista acompanhado dos amigos Carlos Quintero (que era proprietário da loja Antitedium Discos, na Galeria Do Rock) e Arlindinho (uia!). Este último, um moleque sensível dos seus dezenove aninhos de idade, não se contentava apenas em ser FANÁTICO pelo Echo. Ele era o SÓSIA perfeito e irmão GÊMEO de Big Mac. Tanto que a ideia da dupla Finas e Carlinhos era apresentar Arlindo para Ian ao final da entrevista. Mas o garoto ficou completamente tímido e achamos melhor abortar a aproximação entre ídolo e fã sósia perfeito. E por fim: entrevista terminada, o zapper não se fez de rogado nem tímido. Foi com uma caneta e a CAPA de “Porcupine” nas mãos até os músicos e pediu na cara larga o autógrafo de todos eles. Que foram super gentis e atenciosos e assinaram seus nomes na capa do LP.

 

***O show no Anhembi – foi, literalmente, inesquecível. Começou (se não nos falha a memória) com “Going Up”, a faixa de abertura de “Crocodiles”, o álbum de estreia dos Bunnymen. A banda em forma e potência máxima no palco. E teve “Paint It Black”, clássico dos Rolling Stones, “coverizada” já no bis. Gig igual a essa, nunca mais!

Registro HISTÓRICO e na íntegra: a banda se apresenta no Brasil em maio de 1987, aqui neste vídeo na gig realizada no Canecão, Rio De Janeiro

 

***Dançando nos porões goth de Sampa ao som dos Coelhinhos – O autor deste blog perdeu a conta das madrugadas que dançou tristonho ao som das músicas do Echo no eternamente escuríssimo porão do Madame Satã. Tempos depois (por volta de 1988), o ritual passou a se repetir na pista do Espaço Retrô, onde Zapnroll conheceu e meio que se apaixonou pela loirinha Márcia B.B. Teve um brevíssimo romance com ela e ambos ficaram algumas noites “namorando” no apê da rua Frei Caneca, ao som do Echo. Mas Marcinha (que era uma peituda lindona e xoxotudíssima) nunca quis de fato ficar pra valer com o jovem jornalista.

 

***A volta ao Brasil e o “embate” em outra coletiva – Em 1999, já em sua segunda encarnação (tendo como membros originais apenas o vocalista Ian e o guitarrista Will, e lançando álbuns cada vez menos inspirados e distantes da banda gloriosa que havia encantado o mundo rocker nos anos 80), o Echo & The Bunnymen finalmente voltou para shows ao Brasil, doze anos após a primeira turnê pelo país. Em Sampa a gig rolou na mui saudosa Via Funchal, a melhor casa de shows internacionais que existiu na capital paulista. Novamente o espaço lotou mas a banda que subiu ao palco já não ostentava mais o brilho exibido em 1987 no Palácio do Anhembi. De qualquer forma, foi uma boa apresentação. Daí para a frente o grupo começou a tocar sem parar no bananão tropical. E a cada nova turnê por aqui a qualidade das apresentações decaía mais um pouco. Numa dessas turnês, houve quase um “embate” entre o autor destas linhas memorialistas e o vocalista Ian McCulloch, durante a entrevista coletiva de imprensa dada pelo conjunto. Lá pelas tantas Finaski levantou a mão e LASCOU a porrada para Big Mac: “O que houve com aquela voz TROVEJANTE dos anos 80, afinal. Só sobrou um FIAPO dela desde que o grupo voltou à ativa”. McCulloch ficou VERMELHO como um peru e este jornalista chegou a pensar que o vocalista iria VOAR no pobre pescocinho fináttico. “Minha voz continua a mesma”, retrucou Ian, irritadíssimo. “Mas se você acha que entende tanto assim de performances vocais, vá hoje à noite ao show com PLAQUINHAS com números, e me dê NOTAS avaliando meu vocal ao final de cada canção”. A sala, claro, veio abaixo em gargalhadas.

 

***E rolou a FODA do inferno após a gig dos Bunnymen – Yeeeeesssss. Para encerrar este mini diário sentimental não poderia faltar (claaaaaro!) um relato sexual sujo e devasso envolvendo a existência zapper e seu amor pelo Echo & The Bunnymen (ainda mais nesses tempos totalmente caretas, moralistas, ultra conservadores e sacalmente politicamente corretos como os de hoje, uma historinha dessas se faz absolutamente necessária, hihi). Enfim, faltavam umas três semanas para a apresentação dos Bunnymen em Sampa, na Via Funchal. Sem ter muito o que fazer num domingo à noite lá se foi Zapnroll pro porão do Madame Satã, dançar e beber um pouco. Até que pelas tantas foi tomar um pouco de ar na porta do clássico casarão goth paulistano. Foi quando viu ali aquela DEUSA arrebatadora: toda vestida de preto, muito jovem, muito magra (mas com peitinhos durinhos e salientes) e com uma beleza facial apolínea e arrebatadora, algo parecida com a musa inglesa Siouxsie Sioux. Como se aproximar desse encanto feminino pleno, pensou o jornalista sempre mega atrevido e já cheio de más intenções. Finaski fez então o que lhe veio à cabeça naquele instante: começou a cantarolar baixinho a letra do clássico do Echo, “The Killing Moon” (seguramente uma das canções mais lindas de toda a história do rock). “Isso é Echo & The Bunnymen!”, disse a garota, algo triunfante, após alguns segundos. Wow! O contato estava estabelecido! O papo entre ambos começou e não demorou muito para a dupla descer para um dos BANHEIROS do Madame, onde os malhos incendiários começaram. Mas Aninha (o nome da deusa) não cedeu fácil e disse que precisava ir embora. O casal trocou números de telefone (não havia ainda celulares, apps, nada dessas merdas tecnológicas dos fúteis e banais tempos atuais), começou a se falar com alguma frequência e também a se encontrar algumas vezes. E o jornalista rocker e eternamente loker, já com trinta e seis anos nas costas, começou a ficar perdidamente apaixonado pela garota pois ela era inteligentíssima para os seus parcos dezessete anos de idade, além de ser um xo xo ta ço. Só restava saber se ela também… FODIA gostoso. Algo que finalmente o gonzo loker descobriu na noite da gig do Echo em Sampa. Ele convidou a sua deusa e musa pra acompanha-lo ao show. Ela mais do que aceitou, imediatamente. Apresentação encerrada na Via Funchal, primeiro o casal foi beber drinks e dançar no finado bar Nias (que funcionava no bairro de Pinheiros e era muuuuuito legal). E já no meio da madrugada e louco pra COMER a garota, o zapper sugeriu: “vamos pro Madame Satã!”. Ana topou novamente no ato e o casal embarcou num táxi rumo ao casarão do bairro do Bixiga. Quando chegou na porta, para surpresa do jornalista, a mui tesuda adolescente se antecipou: “não quero entrar. Vamos pra algum HOTEL!”. Wow!!! Ela queria FODER! E nem precisou pedir duas vezes: saímos dali literalmente voando, em busca de algum muquifo próximo que pudesse abrigar nossos desejos carnais sórdidos, sujos e imorais. E como fodia miss Aninha… uma chupada esplendorosa no caralho e pelo menos duas gozadas em que a garota goth de apenas dezessete anos literalmente urrou com o pinto fináttico enterrado em sua boceta. Um pinto que ela apelidou naquela madrugada de “pau quilométrico”, ahahaha. O jornalista sempre carentão e taradão, GRUDOU na garota, óbvio. Queria namorar com ela. Mas a guria, que havia vindo de Mato Grosso Do Sul para morar e estudar em Sampa, estava vivendo na casa de uma tia quase NAZISTA no pensamento e comportamento. Tanto que os encontros entre ela e seu paquera jornalista eram quase às escondidas (a desculpa dela era sempre que ia sair com “amigas”). Desta forma o relacionamento acabou se tornando inviável, ainda mais que um acontecimento muito trágico marcou a convivência entre Zapnroll e a garota (e que já foi relatado neste mesmo blog, anos atrás). O casal se encontrou por mais duas vezes no final das contas, trepou como se não houvesse dia seguinte e Aninha sumiu por muitos anos. Procurou o autor deste blog novamente por volta de 2013, quando estava CASADA com um espanhol com o dobro da idade dela. Procurou, quis reencontrar o agora já envelhecido blogger ainda rocker e acabou DANDO pra ele novamente. E sumiu novamente. E hoje permanece nas melhores lembranças do autor destas linhas online como uma de suas aventuras carnais inesquecíveis, da época em que o rocknroll valia a pena, a noite de Sampalândia idem e o mundo ainda tinha bandas fantásticas como o Echo & The Bunnymen mobilizando multidões.

 

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FIM DE FESTA – POR ENQUANTO!

Yeeeeesssss! O postão ficou lindão e monstrão, néan. De modos que paramos mesmo por aqui. Afinal já é quinta-feira, 6 de setembro, véspera de mais um feriadon, e o blog vai descansar que ninguém é de ferro. Mas voltamos em breve com novo postão totalmente reformulado na sua pauta, prometendo inclusive publicar novo ensaio com mais uma tesudíssima musa rocker. E também em breve colocaremos na roda alguns pares de ingressos para você ir curtir a festona de quinze anos do blog de cultura pop definitivamente mais legal da web BR, ulalá!

Até mais então!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 6-9-2018,  às 3hs.)

A volta do power pop shoegazer fofo do The Pains Of Being Pure At Heart; mais (agora vai!): passadas duas décadas da morte de Kurt Cobain e do fim do Nirvana, o legado deixado pelo trio e o que mudou no rock mundial de lá pra cá; o que o blog viu, ouviu e viveu ao som do trio grunge; o bocetão Rihanna mostra seu lindo rabão em todo seu esplendor! Outra musa indie tesudíssima, pra balançar o coração e disparar os hormônios do leitorado macho (cado) zapper, e a festona que vai celebrar os onze anos do blogão que deve chegar ao fim ainda este ano (postão atualização completa, com diário sentimental repleto de putaria e dorgas, mais a nova atração da festa de aniversário do blog e as últimas notícias do mondo pop) (nova atualização final em 17/4/2014: RIP Gabriel García Marquéz)

O que restou ao rock e à música pop atual: ou reeditar e emular o que já foi feito de melhor, como o americano The Pains Of Being Pure At Heart (acima) faz em seu novo disco; ou explorar menos a música em si e muito mais o corpo e a imagem pessoal, como a cantora Rihanna (abaixo) não cansa de fazer 

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E o mundo atual, cada vez mais pobre culturalmente, fica ainda mais emburrecido.

 

Vai na paz, Gabo!

O escritor Gabriel García Marquéz, gênio da literatura mundial e que morreu aos oitenta e sete anos de idade

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ÚLTIMAS DAS ÚLTIMAS

Os goths velhos, carecas e barrigudos se rejubilam: Pedro Morfético, ops, Peter Murphy toca novamente em Sampa (ele este aqui há menos de um ano) no dia 20 de julho, no Carioca Club. Com show acústico de abertura do também véio Wayne Hussey. Hummm… talvez o blog até vá nessa gig, pra rever seus velhos amigos darks, hehe.

 

*E a festona de onze anos do blog, que rola dia 24 de maio na Sensorial Discos, em Sampa, acaba de ganhar uma atração de mega peso ERÓTICO: ela, a linda, devassa, divina, tesuda, primeira e única deusa e musa indie destas linhas online, Jully DeLarge, vai fazer performance no evento, Uhú! O que já era imperdível, agora ficou imperdível ao cubo!

Ela é um bocetão devasso e nossa eterna deusa e musa indie; e estará presente na festa de onze anos do blog em maio

 

* E o Coachella 2014, que aconteceu no último finde em Indio, California (EUA, néan), foi bacana e tals, embora tenha rolado muita tranqueira por lá. Mas um dos shows que ficam marcados na memória é o esporro sônico brutal detonado pelo Queens Of The Stone Age no palco. Insano, pra dizer o mínimo. Josh Homme é foda, a banda é foda (sem nenhum favor, um dos poucos nomes do atual rock planetário pra quem Zap’n’roll paga um pau animal) e eles estarão no Brasil em setembro, em turnê solo pela primeira vez. Então, como aperitivo e aquecimento até lá, fica esse vídeo aí embaixo: a abertura explosiva do show do grupo no Coachella. De foder, com certeza.

 

 

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Travação mental.

E o texto, enfim, acabou não saindo, não rolando. Foi por isso que o post de Zap’n’roll da semana passada ficou incompleto, sem alguns tópicos e depoimentos que seriam inseridos nele ainda sobre os vinte anos de ausência do grande e inesquecível Kurt Cobain, talvez o último grande gênio da história recente do rock mundial. Um sujeito tão importante e fundamental para a música que ele e seu conjunto imortal, o trio americano Nirvana, continuaram sendo comentados durante toda esta semana que termina hoje (sabadão em si). E não apenas continuaram sendo comentados como também entraram definitivamente para o célebre Hall da Fama do Rock’n’roll, em cerimônia ultra badalada  realizada anteontem em Nova York (e que contou com a presença de zilhões de figuras ilustres do pop e do rock, como os ex-Nirvana Dave Grohl e Krist Novoselic, a viúva de Kurt e eterna cadela loira Courtney Love, o ex-REM Michael Stipe e até a superstar teen Lorde, que fez vocais no clássico nirvânico “All Apologies”). Ou seja: a semana toda, uma semana diga-se meio leeeeenta no mondo pop, continou sendo dominada pelas lembranças do trio grunge de Seattle. O que permite que o postão zapper desta semana ainda insira aqui o que não foi publicado na semana passada. Desta forma este post que você começa a ler agora tenta dimensionar como ficou a música pop (e o rock) sem Kurt. E também relembra o que o sujeito que digita estas linhas ouviu, viu e viveu ao som da trinca que sacudiu a indústria da música há duas décadas. Talvez seja, afinal de contas, o mais essencial a ser escrito aqui, em um tempo onde não existem mais heróis na arte em geral e na música em particular. E onde o lançamento de um disco mediano como o novo do fofo shoegazer americano The Pains Of Being Pure At Heart nos entusiasma ao ponto de acharmos que ele pode soar quase como uma obra-prima aos nossos ouvidos. Sendo que obras-primas não existem mais. No rock, ao menos, a última se chamou “Nevermind” e saiu em 1991. Quando veremos outra de estatura semelhante, só os deuses sabem… e quando ela surgir novamente (e se surgir), quem sabe não tenhamos mais problemas de “travação” mental, textual e emocional para falar da referida obra. Enquanto isso não acontece, sigamos em frente com mais um post do blog que insiste em amar cultura pop e rock alternativo. Um amor que um dia vai acabar também pois nada, absolutamente nada dura para sempre neste muito. Muito menos um blog que já está com onze anos de estrada nas costas.

 

* Postão zapper sendo atualizado no sabadão, néan. Melhor assim: leitura pop ótima pro finde todo. E depois do dever cumprido o blogger maloker vai dar umas voltinhas pela night under de Sampalândia, uia!

 

 

* Nada de novo durante a semana, na política brasileira. Infelizmente. Enquanto as semanais Veja (reacionária e manipuladora como só ela sabe ser) e Época destacavam como o PT está saqueando sem dó e afundando a Petrobras, a edição de quinta-feira do Jornal Nacional, na Globo, destacava em primeira mão como a multacional Alstom, que está enlameada até o pescoço no Trensalão do PSDB em São Paulo, também meteu a mão (e como!) na pobre, falida e fodida estatal petrolífera brazuca (até bem pouco tempo nosso maior orgulho empresarial), num processo de pilhagem que começou no governo FHC e prosseguiu nas gestõe de Lula e Dilmá. Puta que pariu, Brasil! Há de se perguntar: o que esses BANDIDOS tucanalhas e petralhas querem, afinal de contas? SAQUEAR tudo o que podem, até não restar mais nada no país?

 

* E em São Paulo, como se não bastasse o trensalão da quadrilha tucana que está há mais de duas décadas no poder político do Estado, ainda há agora o problema gravíssimo da falta de água. Sim, choveu muito menos do que o esperado esse ano, até o momento. Mas São Pedro não tem culpa sozinho no desastre de abastecimento que se vislumbra no horizonte paulista para muito breve. O que faltou mesmo foi competência e administração, além de investimentos, para lidar com a situação que está rolando agora. E sobrou roubalheira, claro. Né Geraldinho Alckmin, seu GRANDE MERDA!

 

 

* Mas enfim, sigamos em frente, no mondo pop e no rock. Neste finde tá rolando a edição do gigante festival Coachella, nos EUA. Mas e daí? Festival de rock pelo mundo afora virou tudo a mesma parada, não é mesmo? Até mesmo o Coachella, que já foi beeeeem lecal, tá meio caído esse ano – basta lembrar que um dos headliners de lá é o pavoroso Muse, que acabou de tocar no Lollapalooza BR. Então pra que ficar perdendo tempo publicando zilhões de vídeos e fotos de shows que já acabamos de ver por aqui mesmo? Bobagem pura, na modesta opinião destas linhas bloggers rockers. A verdade é cruel mas é essa mesma: no mundo globalizado da internet, não há mais novidades que valham a pena em NENHUM festival pelo planeta afora. Todo mundo toca em todos os lugares, ad nauseam. E isso não vai mudar mais, pelo jeito.

 

 

* E como já foi dito aí em cima, no editorial de abertura do post, continua se falando e muito no Nirvana e em Kurt Cobain, mesmo após duas décadas do desaparecimento do gênio que deu ao mundo um dos últimos grandes nomes da história recente do rock’n’roll. Pois entonces: o trio grunge de Seattle foi finalmente alçado ao Hall da Fama do Rock’n’roll, em festa concorridíssima que rolou em Nova York na última quinta-feira. Várias personalidades do mondo pop presentes, vários momentos inesquecíveis e a IMAGEM que fica é da viúva Courtney Love dando um mega abraço em Dave Grohl e enterrando, desta forma e ao que se supõe, vinte anos de brigas, rixas e ódios mútuos. Pra que guardar mágoas e rancores, né Courtney?

 A viúva de Kurt Cobain, Courtney Love, abraça com amor e carinho Dave Grohl: fim de duas décadas de brigas e ódios mútuos

 

* Putaria pop da semana, I: Rihanna, o bocetaço mais hot da música atual, continua mostrando a que veio, uia! Desta vez, durante as sessões de mais um ensaio fotográfico, a cadelaça morena não se intimidou e deixou que o fotógrafo registrasse seu suculento rabaço… sem calcinha! Veja a imagem aí embaixo e confira.

 O RABAÇO mega da cachorrona Rihanna: sem calcinha e com marquinha safada de biquini no ensaio fotográfico, wow!

 

* Putaria pop da semana, II: já outra vagabun… ops, garota rocker americana, ao participar de um festival de tatuagem na Flórida, também resolveu “ousar” ao máximo: pediu que um tatuador tatuasse em volta do seu cu a inscrição “cuspa primeiro!”. wow!

 A cadelona putaça, ops, garota rocker, dá a dica em tatuagem ao redor do seu cuzão: “cuspa primeiro!”. Depois, pode meter e esporrar à vontade, uia!

 

* A festa de ONZE ANOS do blog finalmente está definida. Rola dia 24 de maio naquele que é um dos points de cultura pop mais badalados desse momento em Sampa: a loja Sensorial claaaaaro! A escolha tem tudo a ver: o espaço, embora não muito grande, é bacaníssimo e aconchegante e o mix de loja de discos com bar que vende brejas artesanais incríveis tem dado o que falar desde que foi inaugurado. Fora que estamos numa época em que precisamos promover a ANTI-ostentação. Então ao invés de fazer festa em bar grande do baixo Augusta (que está ficando saturado já) pra lotação baixa do lugar no dia do evento, é muito melhor reunir uma galera grandinha e compacta (e rocker) num espaço menor mas onde todos podem beber as melhores cervas artesanais e tb curtir três pocket shows ultra bacanudos. Quem vai tocar? Eron Falbo: garoto prodígio do folk rock com discão lançado, e que foi produzido por ninguém menos do que Bob Johnston (que “apenas” produziu o “Highway 61 Revisited”, de um tal Bob Dylan). Comma: um dos melhores novos nomes da indie scene paulistana, pop/rock de garotas com muito apuro melódico. Star 61: a banda que encntou Finaski recentemente. Marc Bolan, Bowie, Iggy e New York Dolls em doses concentradas. E como se não bastasse ainda vai ter dj set do blog (cabulosa como sempre) e sorteio de discos de vinil (wow!), livros e… garrafas de cervejas artesanais, pra você levar pra sua casa. Quer mais o quê? Rsrs. Logo menos vamos dando mais detalhes por aqui sobre o festão, okays?

 Star 61: glam rock fodão que vai tocar na festa de aniversário do blog, em maio

 

* MINAS GERAIS MANTÉM A TRADIÇÃO DE BOAS BANDAS DE ROCK COM OS MACHADOS – yep, e isso não é de hoje. O Estado montanhoso e mais bucólico do Sudeste brasileiro (e sonho de consumo do autor deste blog, que pretende morar por lá, na paradisíaca São Thomé Das Letras, até o final de 2014) sempre deu grandes bandas ao rock e à música pop nacional. Uma tradição que vem desde os anos 80’, passa pelos 90’ (quando surgiu o hoje consagrado Skank) e chega até o indie rock dos anos 2000’, com Pato Fu, o ótimo Transmissor, o grunge poderoso do trio Mad Sneaks e agora o rock radiofônico de guitarras dos Machados. Quem? Machados, formação surgida na pequena e histórica cidade de Tiradentes, em 2013 e que é liderada pelo vocalista, letrista, guitarrista e compositor Luiz André Nogueira – junto a ele estão o baixista Mattheus Lopes, o batera B. Berg e o também guitarrista Alisson Zakka. O som da banda é calcado em guitarras bem construídas, que engendram melodias bastante radiofônicas e que trafegam com desenvoltura por momentos mais dolentes e outros mais abrasivos. As letras, todas escritas por Luiz, estão bem acima da média do que se escuta no quase falido indie rock nacional atual. E foi com prazer que estas linhas online passaram alguns dias da última semana ouvindo as nove faixas do álbum “Taxidermia Coletiva”, que a banda disponibilizou na web (sendo que você pode ouvi-lo aqui: https://soundcloud.com/machados-1) e que deve ganhar versão em cd físico em breve. No disquinho de menos de quarenta minutos você vai querer sair pulando ao som das guitarras nervosas de “Nada a perder”. Ou então contemplar uma bela noite de luar nas montanhas de Minas e tomando um bom vinho ao lado do seu amor, enquanto escuta “Dom Quixote”. Enfim, o quarteto do interior Mineiro tem futuro e o blog irá voltar a falar dele por aqui nos próximos posts, pode esperar!

 O grupo Machados: mantendo a tradição Mineira de boas bandas de rock

 

* Se interessou pelo som dos Machados? Dá uma sacada no clip de “Dom Quixote”, aí embaixo.

 

 

* E sem tempo a perder vamos para outra boa surpresa que rolou no indie rock planetário esta semana: o novo álbum dos fofos The Pains Of Being Pure At Heart, que caiu na web. yeah!

 

 

THE PAINS OF BEING PURE AT HEART VOLTA MENOS SHOEGAZER, MAS AINDA EXALANDO DOÇURA ROCKER

Banda surgida em Nova York em 2007, o The Pains Of Being Pure At Heart logo conquistou um pequeno séquito de fãs e angariou a simpatia da rock press americana por desenvolver um noise pop de contornos bucólicos e que prestava vassalagem total ao shoegazer britânico dos anos 90’, aquele professado por bandas como Ride, Lush, Jesus & Mary Chain e My Bloody Valentine. E agora, sem muito alarde, o quarteto atualmente integrado por Kip Berman (vocais e guitarras), Peggy Wang (teclados e vocais), Alex Naidus (baixo) e Kurt Feldman (bateria), está lançando seu terceiro álbum de estúdio, “Days Of Abandon”, programado para chegar oficialmente às lojas no próximo dia 13 de maio. Nas lojas porque na web ele vazou inesperadamente na última semana. E como os dois discos anteriores do grupo, não será lançado no Brasil.

 

O TPOBPAH também conquistou público e crítica graças à qualidade de seu trabalho de estréia, homônimo, que saiu em 2009, trazendo uma batelada de canções tristonhas, com vocais lassos e dolentes e guitarras algo barulhentas que se imuscuíam em melodias doces. Num tempo (o nosso) onde nada mais se cria no rock e tudo se reprocessa nele, a reedição da sonoridade shoegazer inglesa de duas décadas e meia atrás e ainda por cima feita à perfeição por um grupo americano, deixou todo feliz e de queixo caído.

 

Mas a fórmula perdeu fôlego no segundo cd, “Belong”, editado dois anos depois. As mesmas canções fofas e bucólicas permaneceram mas com menos brilho do que na estréia. Foi inclusive na turnê deste disco que o The Pains… se apresentou em Sampalândia, em um pequeno festival indie que rolou em setembro de 2011. De lá pra cá a banda meio que desapareceu um pouco do circuito de shows e festivais, provavelmente pensando na composição do material que estaria em seu vindouro próximo álbum de estúdio.

O novo álbum do quarteto americano: menos shoegazer mas ainda tristonho

 

Pois este “Days Of Abandon” entrega que o quarteto não pretende mudar sua proposta sonora, algo que já fica claro a partir do título do disco. Na verdade algumas das dez faixas do cd desvelam que o conjunto está tentando soar menos melancólico e noise nas guitarras, e mais pop nas melodias. Isso pode ser ouvido em “Simple And Sure”, por exemplo. Ou também em “Kelly” e “Masokissed”, que soam leves e radiofônicas e lançam muito pouco mão de pedais de distorção nas guitarras, preferindo realçar os vocais doces da dupla Kip Berman e Peggy Wang.

 

Mas como a tristeza que permeia perenemente a alma cinza humana não poderia ficar ausente de um disco do grupo, ela surge gloriosa em “Art Smock” (que abre o cd com violões e vocais contemplativos) e em “The Asp In My Chest”, que encerra tudo no mesmo naipe melancólico, como que querendo ratificar que o The Pains… continua enxergando o mundo à sua volta com olhar marejado e desencantado. E longe de ser uma obra-prima o novo trabalho dos nova iorquinos mostra que, em um mundo onde o rock perdeu quase que totalmente a relevância, talvez a única solução seja mesmo olhar para trás e emular da melhor maneira possível o que ele já produziu de forma clássica e inesquecível.

 

 

O TRACK LIST DE “DAYS OF ABANDON”

1 – “Art Smock”

2 – “Simple And Sure”

3 – “Kelly”

4 – “Beautiful You”

5 – “Coral And Gold”

6 – “Eurydice”

7 – “Masokissed”

8 – “Until The Sun Explodes”

9 – “Life After Life”

10 – “The Asp At My Chest”

 

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DUAS DÉCADAS DEPOIS, O LEGADO DE KURT COBAIN, NA OPINIÃO DE QUEM ENTENDE

A semana passada, no mondo rock, foi toda dedicada à lembrança dos vinte anos sem Kurt Cobain, o gênio que deu ao mundo o inesquecível Nirvana, talvez a última grande e digna banda do rock’n’roll. E o próprio Kurt deu um final abrupto a tudo e à sua própria história, ao se matar em 5 de abril de 1994.

 

Para tentar entender e refletir melhor sobre o que mudou na música nestes vinte anos o blog foi ouvir alguns amigos queridos do jornalismo rock brasileiro. São opiniões de quem entende do assunto pois vivem e respiram música praticamente todos os dias de suas vidas. Leia abaixo o que eles disseram.

 

* Adreana Oliveira, 37 anos, editora de Cultura do jornal “Correio de Uberlândia” – O legado de Cobain para mim está ligado a um tipo de artista que pouca gente se dá ao trabalho de conhecer bem, entender e principalmente respeitar. Tenho como lema o verso que abre “Pennyroyal Tea” que pra mim resume um pouco do que ele era: “I´m om my time with everyone, I have very bad posture”. É como se ninguém pudesse realmente enxergar o homem que ele era de verdade, não importa o que fizesse. E seu maior legado cala a boca de qualquer um que insiste em vê-lo como um viciado fraco que acabou com a própria vida com um tiro na boca: as músicas que ele deixou. Tudo mais é especulação. Nós, como admiradores ou fãs só temos a agradecer e não deixar que essa música morra. As mudanças que vi desde a morte dele no mundo pop não foram boas. Sucessos instantâneos, promessas que não se concretizaram, aquela leva de artistas enlatados que tá pouco se lixando com a música e quer mais é parecer cool. E o comportamento do consumidor de música tornou-se algo quase leviano… Claro, que para tudo há exceção, mas são poucos aqueles que conseguem de forma tão sincera arrebatar corações e mentes por mais de uma estação.

 

* Daniel Vaughan, repórter de variedades do portal R7 – O Kurt Cobain foi o gênio que ajudou a dar uma chacoalhada na música no começo dos anos 90’. Com o Nirvana o rock underground virou de ponta cabeça. Foi para o topo. Bandas que eram “amaldiçoadas” pelos tubarões do sucesso invadiram a MTV e as rádios FMs. Além de ser um ótimo compositor, foi isso que mais me chamou a atenção na época. E hoje, cadê os filhotes de Cobain para fazer uma nova “manifestação”?

 Kurt Cobain toca, com o Nirvana, no festival Hollywood Rock, em janeiro de 1993 no Brasil: vinte anos depois de sua morte, o rock anda mal das pernas

 

 

* Laís Eiras, 35 anos, Editora Chefe do site Yonohablo.com – Kurt foi um marco na história do rock mundial porque nenhum outro compositor retratou aquele sentimento do início dos anos 90’ tão bem, aquela sensação de final de século e medo do que estava por vir. Musicalmente, demoliu preconceitos, quebrou a estética anterior, dos 80’. Se mudou para melhor, não sei dizer. Mas trouxe uma liberdade e apresentou uma estética nova que influenciou muita gente. Este foi um depoimento totalmente subjetivo e nada técnico.

 

 

* Luiz Cesar Pimental, 43 anos, editor-executivo do portal R7 – Óbvio que nunca saberemos, mas acredito que para o legado do Nirvana foi que a banda tivesse parado ali, ainda mantendo sombra do auge, que foi o Nevermind. Veja bem, não estou falando que foi bom o Kurt ter morrido. Claro que não. Ideal seria se eles tivessem parado o Nirvana, Dave Grohl formado o Foo Fighters e o Kurt, outra banda com a cara dele.Provavelmente ficaria parecida com Nirvana, por razões óbvias. Mas seria interessante ver o que ele produziria quando tivesse o desafio de criar algo diferente àquilo em que foi mestre.

 

 

MINI DIÁRIO SENTIMENTAL – O QUE O QUE O BLOG VIU, OUVIU E VIVEU AO SOM DO NIRVANA

* O zapper conhecendo o trio grunge de Seattle – era finalzinho de 1991. O jornalista loker, ainda em plena efervescência da loucura rocker de seus vinte e oito aninhos de idade, estava morando junto com a mãe de seu filho (no apê da rua Frei Caneca), e levava a vida se entupindo de cocaine, whisky e e escrevendo textos eventuais para a editoria de Cultura da revista IstoÉ e para o caderno de variedades do jornal Folha Da Tarde (atual Agora São Paulo). Foi quando numa bela tarde recebeu um pacote de vinis da gravadora BMG (atual Sony Music), enviados pela sempre queridaça e fofa assessora Miriam Martinez (até hoje, mega amiga destas linhas online, aliás onde anda você, Miroca?). Ao pegar o pacote na portaria do prédio onde morava o autor destas linhas virtuais conferiu o material e ligou pra Miriam, avisando que tinha recebido os discos e que estava tudo ok. Ela então pediu, com a simpatia de sempre: “Fininho, dê uma atenção especial ao disco de capa azul, do grupo NIRVANA. Você vai adorar e os moleques estão estourados nos Estados Unidos!”. Certo. O jornalista que sempre procurava estar atento às novidades (numa época em que não havia internet e nada do que gira em torno dela hoje em dia), já tinha ouvido falar do tal Nirvana. Mas ainda não conhecia o som da banda. E dedicou aquela noite a ouvir o álbum, que se chamava “Nevermind”. E gostou muito do que ouviu: ao mesmo tempo em que era barulhento e esporrento, o álbum tinha um senso melódico e radiofônico incomum nas canções. As letras eram muito boas e o vocalista, um loiro chamado Kurt Cobain, cantava como se o mundo fosse acabar no dia seguinte. Bacaníssimo, tanto que quando resenhou o pacote inteiro (que tinha outros quatro discos) na Folha Da Tarde, o jornalista rocker decretou no texto: “O álbum do Nirvana é, de longe, o melhor do pacote de rock lançado pela BMG”. Começava então uma longa história de amor entre Zap’n’roll e Nirvana e que perdura até hoje, com o trio de Seattle permanecendo como uma das cinco bandas da vida do sujeito que escreve este diário.

 

* A banda estoura no Brasil e sai aqui o álbum “Bleach” – a estréia do Nirvana em disco se deu na verdade em junho de 1989, com o lançamento do álbum “Bleach”, o lendário disco em que o produtor Jack Endino cobrou do trio de Seattle, por trinta horas de trabalho em estúdio, a ridícula quantia de US$ 600 dólares. Hoje considerado um clássico tão imbatível quanto “Nevermind”, o primeiro registro em vinil do Nirvana só iria sair no Brasil após o estouro do segundo trabalho do grupo por aqui. Já era meio de 1992, o casamento de Zap’n’roll estava indo pro buraco e boatos insistentes davam conta de que a banda iria logo menos fazer shows na América do Sul. O que de fato acabou acontecendo em outubro daquele ano mas apenas na… Argentina, onde o Nirvana se apresentou em um festival no estádio do River Plate (quem esteve naquela gig, garante que foi apoteótica) e com abertura da lenda Keith Richards. O Brasil ainda teria que esperar um pouco mais. Mas em janeiro de 1993…

“Nevermind”, segundo disco do Nirvana e hoje já um clássico e um dos dez melhores álbuns da história do rock: foi com ele que Zap’n’roll descobriu o som do trio de Seattle

 

* O zapper jogado às pulgas, putas e cocaine no baixo Augusta e uma cadelaça pelada pedindo “me come, me come!” –  em novembro de 1992 foi anunciada a bmba que todos aguardavam ansiosamente: o Nirvana viria ao Brasil em janeiro, para tocar no festival Hollywood Rock, com shows em Sampalândia e também no Rio. Foi, aliás, a edição “grunge” do festival e uma das mais inesquecíveis de todas: além do Nirvana se apresentaram também Alice In Chains, L7 e Red Hot Chili Peppers, todos no AUGE de suas carreiras. E se a notícia era uma lindeza só para o rocker Finaski, na vida pessoal o jornalista gonzo maloker só se afundava: pouco depois de seu aniversário (em novembro), a mãe de seu filho havia decidido se separar definitivamente do zapper junkie. Ele, sozinho, ainda ficou por mais algum tempo no apê da Frei Caneca, se entupindo de álcool, cocaine e bocetas lokas e safadas (Mônica, de São Caetano, Paulinha R., que trepou com com o ordinário aqui na FRENTE de uma amiga dela, apenas porque a garota queria ver o casal fodendo). E por aquele período descolou um trampo de cobertura de férias por três meses na rádio Bandeirantes. Foi credenciado pela Band que o autor deste blog acabou indo parar no estádio do Morumbi em janeiro de 1993, para acompanhar o Hollywood Rock. Na primeira noite do festival, no intervalo entre as gigs do Alice In Chains e do Red Hot, Zap’n’roll conheceu pessoalmente aquele que se tornou seu melhor e inseparável amigo nas últimas duas décadas: o nosso querido “editador” e super dj André Pomba. Mas foi no sabadão finalmente que o bicho pegou: ostentando visual grunge (bermuda, jaqueta de couro amarrada na cintura e cavanhaque), lá se foi o jornalista ao encontro do trio Nirvana, num estádio lotado e onde estavam pelo menos 70 mil pessoas. O show do L7 foi sensacional. E o do trio liderado por Kurt Cobain… sinceramente, um dos PIORES shows de rock presenciados pelo autor destas linhas sentimentais. Mas foda-se, era o Nirvana que estava tocando e era isso que importava naquele momento. Terminada a gig Finaski se mandou pro centro da cidade e ali começou uma das madrugadas mais insanas de sua existência naquela época. Primeiro ele encontrou, já no bairro do Bixiga, com a bocetuda Jade. Quem? Uma ex-gótica que vivia enfurnada no saudoso Espaço Retrô e que já havia sido traçada pelo pinto do jornalista (por quem ela se dizia apaixonada) algumas vezes. Jade estava especialmente mega gostosa naquela noite: de bermuda curta e justíssima, e uma camiseta amarela de onde seus peitões suculentos ameaçavam pular pra fora do decote a todo instante. Não deu outra: ao encontra-la o animal rocker comedor e já cheio de más intenções a chamou pra ir pra rua Augusta, no bar Der Temple, onde quem era quem do circuito rock under de Sampalândia se reunia naquela época. Convite aceito, o casal rumou pro bar. E alguns instantes depois que estavam por lá, o tumulto se formou na entrada: quem acabava de chegar ao lugar era ninguém menos do que Kurt Cobain e sua loira devassa, a eterna vacona Courtney Love. O proprietátio Giggio (hoje dono do Matrix, na Vila Madalena, na zona oeste de Sampa) imediatamente ordenou que a porta de aço do boteco fosse baixada. Quem estava fora, não entrava mais; quem estava dentro, poderia sair se quisesse – e àquela altura, alguém queria sair dali? Pois o jornalista trintão, recém-separado e com um xoxotaço do seu lado pronto pra ser bem fodido, passou boa parte da madrugada a dois passos do casal Kurt/Courtney, e não se animou a ir falar com eles. E lá pras tantas, com nuvens de álcool já pesando sobre seu cérebro, ele pegou a cadeluda Jade e disse: “vamos pra casa!”. E lá se foram eles. O final da noite de Kurt e Courtney na rua Augusta a humanidade ficou sabendo depois: eles foram descendo a rua em busca de cocaína e distribuindo notas de cem dólares pras putas que encontravam pelo caminho. E a noite do autor deste diário cafajeste, terminou como? Com ele metendo rola grossa sem dó na boceta canalha e mega safada de Jade. Que em certo momento da foda, dando de ladinho e gemendo como uma cachorra no cio, gritou: “Me come, me come!”. Levou muita porra na bunda e na boca. Depois o casal adormeceu e no dia seguinte acordou devorado por… pulgas. Yep. O jornalista safado e junkie ainda comia ótimas bocetas. Mas estava como Sid Vicious no final da vida do finado baixista dos Sex Pistols: sozinho, largado em um apartamento imundo e dominado por pulgas. Quanto à cadelona Jade, o autor deste blog ainda manteve contato com ela por alguns meses e depois nunca mais a viu.

 

Machete do jornal Notícias Populares, em abril de 1994: fim da era grunge

*O fim da festa e de uma era, com um tiro na própria cuca – em abril de 1994 o jornalista rocker maloker estava se recuperando profissional e emocionalmente gradativamente e da maneira que era possível. Dividia um bom apê (daqueles antigões e enormes) com o amigão e fótografo da FolhaSP (à época) Luiz Carlos Leite, próximo ao largo do Cambuci (e onde havia uma bocada que vendia um padê sensacional, na rua Muniz De Souza, a quatrocentos metros de onde o sujeito aqui estava morando; ou seja: ele viva em estado de bicudisse quase permanente, rsrs). Foi uma época gloriosa onde o autor deste diário calhorda, além de continuar escrevendo para a revista Dynamite, também havia começado a colaborar com a poderosíssima revista Interview, uma das principais publicações de comportamento e variedades do país naquela momento. E também foram tempos de namoro com a deliciosa cavala Greta, uma mulata de 1,72m de altura, mamicas gigantes e um rabo animal. Com apenas dezenove aninhos de idade (e Zap’n’roll a caminho dos trinta e três), Greta sabia ser ultra vagabunda na hora da foda: ficava apertando o pinto grosso do namorado com sua boceta sacana, enquanto levava o bico do próprio peito até sua boca e ficava lambendo-o. E quando o jornalista, após sempre ouvir frases como “Seu cavalo, cachorro! Me FODE! Vai, me fode!”, não aguentava mais a vontade de gozar, ele tirava o pinto da xotaça preta e enfiava na bocona da Gretinha, que recebia feliz jatos e jatos de porra, engolindo absolutamente tudo, uia. Mas sempre, em algum momento, alguma nuvem negra surge e estraga a felicidade momentânea de uma existência que é perenemente cinza. No caso, a nuvem negra apareceu na cara de Zap’n’roll na noite de 8 de abril de 1994, quando ele esperava um busão no centrão podre de Sampa pra ir embora pra casa, no Cambuci. Ao dar uma espiada nas manchetes da edição do dia seguinte do saudoso NP (o sangrento Notícias Populares, e que sempre chegava na noite anterior às bancas), ele leu: “Cantor do Nirvana se mata com um tiro”. O jornalista rocker, sentimental e que a essa altura já tinha o trio de Seattle como uma das cinco bandas da sua vida, não acreditou no que estava lendo – todos que acompanhavam a trajetória de Kurt Cobain sabiam que a qualquer momento o desfecho de sua existência seria aquele mesmo, mas mesmo assim a notícia chocou. Comprou um exemplar do NP e foi devorando o jornal a caminho do apê no Cambuci. Lá chegando, com os olhos já totalmente marejados, se pôs a ouvir vezes e vezes seguidas o vinil de “Bleach”, enquanto tomava talagadas de whisky e se punha a pensar: o que seria do rock e do próprio grunge dali pra frente? E foi elocubrando sobre isso e sobre zilhões de outros assuntos próximos (a própria vida do jornalista loker, o que ele queria e esperava pra si etc, etc, etc.) que o autor deste blog adormeceu. Não havia mais Kurt Cobain e nem Nirvana na música. E o rock nunca mais seria o mesmo depois daquele 5 de abril de 1994. Fim de uma era e fim talvez do último grande momento da história recente do rock’n’roll.

 

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A NOVA MUSA INDIE ZAPPER – GATA ROCKER DE ATITUDE LIBERTÁRIA

“Nada como uma boa cerveja e ter bons amigos”. Ou “eu tentei ficar casada mas os homens ainda não aceitam mulheres independentes”. Duas frases que definem bem o pensamento de Evelyn Freire, a nossa musa indie desta semana.

 

Ela tem vinte e sete anos de idade e mora em Ribeirão Pires. Ama as bandas The Smiths, Doors e REM. E é do rock’n’roll, tanto que as imagens deste ensaio foram feitas no bar American Graffitti, um dos mais legais da região.

 

Fotos bacaníssimas, diga-se. No ponto exato entre sedução elegante e convite à devassidão carnal, uia! E foram clicadas pelo amigo zapper e fotógrafo de mão cheia Rodrigo Fernandez.

 

É isso. Vejam, deleitem-se e apreciem sem moderação mais uma tesudíssima musa indie do blog mais rock’n’roll e sacana da web brazuca.

Delícia rocker total

 

Só para os fortes!

 

E também para os de alma junkie

 

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Disco: não é a salvação do indie rock planetário mas dá pra curtir na boa o novo álbum dos americanos do The Pains Of Being Pure At Heart.

 

* Exposição: ainda não foi visitar a mostra monuemental sobre a vida e obra do gênio David Bowie no Mis/SP? Vai passar o feriadão em Sampalândia? Então se programe e corra: a exposição se encerra neste final de semana, mais especificamente no domingo, dia 20. E como no último finde o Mis deverá estender o horário de visitação pública, pra atender a demanda. O Museu da Imagem e do Som de São Paulo fica na avenida Europa, 160, Jardins, zona sul da cidade. Vá até lá pra entender porque não existem mais gênios de verdade no rock de hoje.

 

* Site: perca o preconceito e procure mergulhar no universo musical do rock que se faz em toda a América Latina. Pra isso basta ir até http://www.yonohablo.com/. Criado e dirigido pela lindaça jornalista Mineira (e amada amiga destas linhas rockers bloggers) Laís Eiras, o YoNoHablo mostra um panorama amplo do rock que rola pelos nossos vizinhos e onde você acaba descobrindo bandas que fazem um trabalho artístico muito superior ao que se faz atualmente no Brasil. Vai lá e boa viagem sonora!

 

* Baladas pra semana e pro feriadão: yep, já vamos adiantando a parada aqui porque, como já foi dito, este post ficará por aqui até a semana que vem, pós feriadão, quando aí sim será substituído por nova postagem. Desta forma, pra quem vai ficar por Sampa mesmo na Semana Santa, além da expo do Bowie no Mis, também pode se jogar no esporrento open bar que anda lotando o clube Outs (na rua Augustam 486, centro de Sampa) e que vai começar a rolar esta semana já a partir da próxima quinta-feira, 17.///Já na sexta tem djs set especiais com as bandas The Killers e The Strokes, na noite rocker do sempre animadaço Blitz Haus (também na Augusta, no 609). Ainda na sextona em si mas mais cedo, tem pocket show do grupo Molodoys na mega bacana loja Sensorial Discos (também na rua Augusta, no 2389), hoje o ponto predileto destas linhas bloggers poppers em Sampa, pra se tomar ótimas brejas artesanais e se ouvir ótimos sons.///E no sabadão tem showzaço do grupo Saco de Ratos (a banda bluesy do grande dramaturgo Mario Bortolotto) no Centro Cultural São Paulo (que fica na rua Vergueiro, 1000, Paraíso, zona sul de Sampa), às sete da noite. Tá bão, né? Então pra quem vai ficar na área, ótimo feriadão e ótimas baladas também!

 O grupo indie paulistano The Molodoys: pocket show nessa sexta-feira na Sensorial Discos

 

 

SEBADOH – ÚLTIMA CHAMADA!

O trio indie americano se apresenta em São Paulo, choperia do Sesc Pompeia, nos próximos dias 20 e 21 de abril. Então vai lá no hfinatti@gmail.com que é a última chamada pra você tentar ganhar:

 

* DOIS INGRESSOS (um para cada noite) para a gig, sendo que informaremos por e-mail até a próxima quinta-feira à tarde quem venceu a parada, certo? Então mande sua mensagem e boooooaaaaa sorte!

 

 

 E TCHAU PRA QUEM FICA EM SAMPALÂNDIA

A vida é cheia de som, fúria, dias cinzas, alegrias e problemas. O blogão está indo pra Minas Gerais neste feriadão não apenas pra descansar mas também pra resolver questões familiares, que sempre surgem na vida de qualquer ser humano. De modos que novo post só na semana que vem mesmo, depois do feriadão. Mas é claro que se algo muito bombástico acontecer até lá, nós iremos comentar aqui. E vamos deixando o maior beijo do mundo pra dois arianos que fizeram aniversário esta semana e que o blogger sentimental tem o maior amor do mundo por ambos: André Pomba e a nossa gataça rocker de Manaus, a Jaqueline Figueiroa (que fica mais velha hoje, 15, terça-feira, quando este postão está sendo finalmente concluído). É isso. Semana que vem estamos por aqui novamente. Até lá!

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ATENÇÃO LEITORES!

O painel de comentários está temporariamente desativado pelo administrador do WordPress, que foi obrigado a tomar essa atitude depois que hackers tentaram INVADIR o sistema, pra foder o blogão zapper.

 

O problema já está sendo sanado e logo menos o painel voltará a receber comentários normalmente.

 

Quem andou querendo enviar mensagem e não conseguiu postar, aguentaê mais um pouco que logo tudo voltará ao normal.

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(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 17/4/2014 às 21:30hs,)

Yep, o novo disco dos Strokes cai na web e mostra que a banda ainda sabe fazer bom rock’n’roll; sem apelar para “mudernidades” ocas e imbecis, o também gigante bripop Suede volta com álbum inédito e bacana, após onze anos sem gravar. Mais: quando o encontro de dois sujeitos cinqüentões do rock’n’roll (o vocalista e guitarrista Roberto Frejat e o autor deste blog) produz uma reflexão sobre a vida, a morte, a cultura pop e sobre a grande fugacidade que é a existência humana, no final das contas… (postaço completo e mega ampliado, com histórias cabulosas da primeira aparição dos Strokes no Brasil, e a ÚLTIMA CHANCE para concorrer a tickets FREE pro festival Lollapalooza BR 2013) (versão final em 22/03/2013)

Mais uma vez o rock planetário reafirma uma tendência atual: bandas já veteranas como os Strokes (acima) ou o Depeche Mode (abaixo) é que continuam a lançar grandes discos; ou, no mínimo, trabalhos aceitáveis, visto que as bandinhas podres atuais não conseguem mais fazer álbuns que prestem 

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UP TO DATE, PRA MANTER O POSTÃO EM DIA
* Yep. Concluindo os trabalhos por aqui já na sexta-feira, o blog informa que está confirmada a DJ set zapper no próximo dia 6 de abril, sábado (por acaso, a noite do show do The Cure em Sampa), na festona “Onde os sóbrios não têm vez”, lá no Clube Outs (que fica na rua Augusta, 486, centrão de Sampalândia). Antes porém, na próxima sexta-feira, 29 de março (sexta Santa, no?), Zap’n’roll faz DJ set na noite rocker do bombadíssimo clube Blitz Haus, também na rua Augusta.

 

* Falando em um mundo onde quem é sóbrio NÃO tem mesmo vez, o blog sentiu isso na pele na semana passada no Cine Jóia, quando foi conferir a gig do vocalista e guitarrista Paul Banks – que foi legal e tal. Lá pelas tantas, no intervalo entre duas músicas, o antes notório jornalista pé-de-cana foi até o caixa da casa, para comprar uma inocente latinha de energético. Efetuada a compra, pagamento feito, o atendente encara o autor desta esbórnia virtual por alguns segundos, esperando ouvir mais algum pedido. Como isso não acontece, pergunta: “só isso mesmo, o energético?” (tipo: “caralho, não vai comprar uma dose de whisky ou vodka, pra tomar com essa porra?”). O sujeito aqui se sentiu como se fosse mesmo um Et. em um mundo onde apenas os ébrios têm vez, uia!

 

* Essa sensação só piorou no último sábado, quando o blog foi conferir mais uma gig do super Barão Vermelho, em Sampa, dentro da turnê comemorativa dos trinta anos da banda. Show encerrado lá fomos nós pro camarim, pra papear rapidamente com os velhos amigos e queridões Frejat e Guto Goffi. Backstage lotado, Guto tomando um copão de whisky, os frigo bares lotados de latas de breja estupidamente geladas… o autor destas linhas online não agüentou ficar muito tempo ali sem poder beber nada alcoólico (uma autêntica tortura, isso) e se mandou pro baixo Augusta com a sua querida Maru. E durante o trajeto ficou pensando em sua existência de meio século de rock’n’roll, na de Frejat (que também está com a mesma idade, 5.0), na questão de sermos autênticos SOBREVIVENTES de uma vida bem loka, e que já levou muitos pelo caminho (comos os saudosos Cazuza e Renato Russo, que não viveram o suficiente pra contar sua própria história). E a conclusão foi a mesma que temos tido nas últimas semanas: o fim é inevitável, e o beijo frio e sereno da irá chegar, só não se sabe quando. Se tivermos tempo de contarmos a NOSSA história dessa aventura insana de cinco décadas de existência total rock’n’roll (em um livro que poderá sair ainda este ano), já nos daremos por felizes.

Dupla rock’n’roll da pesada e de mega responsa se reencontra no último sábado, em Sampa: o guitarrista e vocalista Roberto Frejat e Zap’n’roll no camarim do HSBC Brasil, após showzaço do Barão Vermelho. Ambos com cinco décadas de rock nas costas, ambos sobreviventes de uma vida insana e ambos com zilhões de histórias para contar (foto: Maru Mardou Fox)

 

* E Hudson, o da dupla caipira, mostrando que é um sertanejo rock’n’roll, sim senhor: preso duas vezes em menos de vinte e quatro horas portando espingardas, armas sem registro, munição de uso exclusivo do Exército e… maconha. Ulalá!

 

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“Meu joelho dói/E não há nada a fazer agora”.
Esses dois versos fazem parte da enorme letra de “A montanha mágica”, uma das melhores músicas já compostas por Renato Russo e pela sempre saudosa Legião Urbana. Ela está incluída no álbum “V”, lançado pelo grupo em 1991. Nem é um dos discos preferidos de Zap’n’roll na discografia da Legião – que considera os três primeiros trabalhos do conjunto como essenciais na história do rock brasileiro dos anos 80’. Mas “A montanha mágica” sempre falou alto ao cérebro e ao espírito do autor deste espaço blogger rocker, sempre ANGUSTIOU o sujeito aqui a cada nova audição dela. A música escrita por Russo detalhava, através de metáforas imagéticas ou de versos diretos, os terríveis efeitos colaterais que a ingestão de heroína provocava no organismo do líder da Legião Urbana, que chegou a se viciar na droga durante alguns meses durante as gravações e excursão do álbum “As Quatro Estações” (lançado no final de 1989). E se hoje o blog começa seu já tradicional longo texto inicial citando dois versos da letra de “A montanha mágica”, não é sem motivo. Os últimos dois dias foram totalmente chuvosos, plúmbeos e aprazivelmente frios em Sampa, bem ao gosto do jornalista que escreve este blog há uma década e que é um incurável, eterno e célebre fã de temperaturas baixíssimas e invernos rigorosos. Além disso, também há dias a garganta e o palato (parte mole do céu da boca, por onde engolimos os alimentos mastigados) zapper estão lenta e progressivamente piorando, contaminados e atacados que estão pelo Carcinoma Espinocelular que ali surgiu. Já há duas semanas essas dores e ardências no lado direito superior da boca (e que se tornam algo insuportáveis no processo de mastigação de alimentos e ingestão de líquidos) têm sido controladas com doses de Codeína, tomadas de seis em seis horas. No entanto, mesmo tomando o medicamento, estas linhas online pela primeira vez deixaram um prato quase inteiro de saborosa comida (saladas variadas, costelinhas de porco, bistecas etc.) de lado no último sábado, no restaurante onde o blog habitualmente faz suas refeições, porque a dor que insistia em se imiscuir durante a refeição tirou deste escriba qualquer prazer e vontade de continuar comendo. E assim está sendo, de lá pra cá: o autor deste espaço virtual está comendo cada vez menos (o que por um lado será até bom, pois irá implicar na redução de alguns quilos em nosso corpo) e hoje, de repente, se viu pensando na música de Renato Russo, mas com uma leve alteração na letra: “minha boca dói/E não há nada a fazer agora…”. E ainda assim, mesmo com todos esses pensamentos trespassando céleres a mente do autor deste blog, estamos aqui neste texto inicial do post pra reafirmar o que sempre temos dito desde que anunciamos que estávamos acometidos de um tumor canceroso: estas linhas online JAMAIS vão se arrepender de qualquer coisa que tenhamos feito em nosso meio século de existência nesse mundo. Não há porque se arrepender (só os que possuem a alma pequena e são covardes é que se arrependem de algo durante sua permanência no mundo dos vivos) e provavelmente teríamos feito tudo novamente, evitando cometer alguns excessos e erros pelo caminho. Afinal, como o blog já cansou de reiterar: a vida é muito curta. E a juventude, mais curta ainda. Então que ambas (a vida e a juventude) sejam aproveitadas em toda a sua intensidade e loucura. A mesma intensidade que continua a mover a existência destas linhas apaixonadas por rock alternativo e por cultura pop. A mesma intensidade que continua a mover bandas como Strokes e Suede (que acabaram de lançar discos bacanas) e que provoca uma grande reflexão existencial no jornalista zapper quando ele se vê diante de outro cinqüentão rocker de responsa e atitude, o vocalista e guitarrista Roberto Frejat (do grande Barão Vermelho). Após assistir a mais um showzaço do quinteto carioca em Sampa, no último finde, e de bater um papo rápido com seu dileto amigo pessoal (já há um bom par de anos) Frejat no camarim, o blogger ainda loker mas cada vez mais reflexivo e consciente de que talvez o beijo sereno da morte esteja cada vez mais perto de si, chegou a uma conclusão de que talvez valha para todos nós: sim, precisamos viver intensamente, avidamente e, ao mesmo tempo, deixar nossa marca registrada neste mundo. Pois por mais que religiões diversas propaguem suas crenças infinitas em uma existência post-mortem igualmente infinita, ainda não fomos capazes de decifrar apenas este gigantesco e insondável mistério, que aliás é o que angustia e amedronta de fato Zap’n’roll (que não tem e nunca teve medo da morte em si): se há ou haverá algo pela frente, depois que nossos olhos se fecharem em definitivo e dermos nosso último suspiro. É isso. Bem-vindos a mais um postão zapper!

 

* E a semana (passada) terminou/começou (a nova) quente, néan. Temos novo Papa. E temos também uma renca de discaços novos dando sopa na web, como há tempos não rolava. Todos de bandaças que todos nós amamos. O novo do Suede (“Bloodsports”) já circula na rede há algum tempo. “Delta Machine”, da lenda eletrônica Depeche Mode, caiu na internet há alguns dias. E por fim, ontem, pipocou feliz na web o esperadíssimo “Comedown Machine”, dos Strokes, e que chega com pinta de resgatar (ao menos em parte) os primeiros e gloriosos tempos do conjunto liderado pelo vocalista playboy fashion Julian Casablancas. O novo álbum do quinteto nova iorquino está resenhado neste post, logo mais aí embaixo, no nosso tópico principal desta semana. Já os CDs do Suede e Depeche também irão sendo devidamente “dichavados” (opa!) por aqui, neste e nos próximos posts.

 

* Ainda sobre o já veterano trio eletrônico inglês Depeche Mode: “Delta Machine”, o novo trabalho do grupo, chega às lojas de discos lá fora nesta sexta-feira, em seu velhusco formato cd – sendo que na internet ele está voando leve e solto. O álbum, que também vai ganhar edição nacional em breve, já está sendo considerado como o melhor disco lançado em anos pela banda. Esta, por sua vez, anunciou em entrevista coletiva concedida ontem que o trio virá sim para a América do Sul, no início de 2014 – não custa lembrar: era pra eles terem tocado aqui em setembro de 2009, sendo que as datas já estavam agendadas e ingressos tinham começado a ser vendidos. Na última hora as gigs brasileiras foram canceladas por (segundo a versão oficial dada na época) “problemas na agenda” do conjunto. Problemas estes que, espera-se, não impeçam novamente de o DM vir tocar por aqui.

 

* O grupo tocou uma única vez no Brasil, em 1994, na turnê mundial do ótimo álbum “Songs Of Faith & Devotion”, que havia sido lançado no ano anterior. A gig em Sampa aconteceu no extinto Olympia e o blog, claro, estava lá. Foi um show mediano na verdade: o baterista Alan Wilder havia acabado de deixar o grupo e eles não renderam tudo o que podiam no palco. Mas a história mais BIZARRA dessa passagem do DM por terras brazucas rolou, óbvio, em um imbróglio envolvendo como de hábito o ilustre autor destas linhas rockers malokers, hihi. No mesmo dia da apresentação em Sampalândia a assessoria do evento agendou algumas entrevistas individuais com os integrantes do conjunto. Uma dessas entrevistas seria para a então poderosa edição impressa da revista Dynamite (que circulava nacionalmente, tinha excelente tiragem para uma publicação alternativa etc, etc, etc.) e o repórter que iria cuidar da matéria era o sujeito aqui. Iria mas não foi porque, segundo se recorda nossa mui querida Pat Get (na época, a responsável por uma das colunas mais lidas da Dynamite, a “Pat Get World”), rolou a seguinte treta naquela tarde: “O que o leitor da Dynamite não vai ler na cobertura do show é que o nosso repórter Humberto Finatti me liga todo esbaforido e pede socorro: ‘Pat! Tenho que entrevistar o cara do Depeche Mode mas estou atrasado, ainda nem tomei banho e passei shampoo no meu cabelón, aaaiii! Me salva!’. Moral da história: lá fui eu [Pat] me enfiar num bumba às vinte pras quatro da tarde, sendo que a entrevista estava marcada para as quatro. Resultado: dançamos, óbvio, sendo que o Sr. Finatti ainda chegou depois no lobby do hotel e deu show de negão com a assessora de imprensa, pois esta havia lhe informado que atrasos não seriam tolerados”. Bons tempos enfim, hehehe.

 

* Hot também foi a notícia divulgada ontem, terça-feira, de que a gig do Cure em Sampa, marcada para o próximo dia 6 de abril, mudou de endereço. O show sai do estádio do Morumbi e cai lá no estacionamento do sambódromo do Anhembi (na zona norte paulistana), que era um dos locais inicialmente previstos para a realização do evento. É muito óbvio o que rolou: a produtora XYZ Live (responsável pela volta de Bob Smith e cia ao país) queria mesmo era fazer dois concertos do Cure em Sampa, no famigerado Espaço das Américas. Como a banda só dispunha de duas datas brasileiras dentro de sua turnê latino americana, o local previsto seria o Anhembi. Que no entanto – e agora se sabe – estava com sua área reservada para eventos ligados à Fórmula Indy, na data marcada para o show, 6 de abril. A XYZ então, em desespero de causa, jogou a apresentação para o Morumba, mesmo sabendo que o Cure, a essa altura do campeonato, JAMAIS iria lotar um estádio daquele tamanho (e ainda mais com os “precinhos” mui camaradas sendo cobrados pelos tickets…). Aí o que rolou? A prefeitura liberou o sambódromo (por algum problema de readequação das datas da Fórmula Indy) e a XYZ espertamente não esperou nem um segundo pra transferir a gig pra lá. Bien, quem já assistiu a concertos ali (como este blog, que perdeu a conta dos shows gringos que viu por lá) sabe que o local é um horror, um autêntico cemitério de concreto que é transformado em “arena rock” para abrigar shows. Sim, sim, é mais fácil chegar lá (com estações de metrô a menos de um quilômetro de distância) do que no Morumbi e nesse aspecto a mudança de local vai facilitar a vida de todo mundo que quer ver o Cure. Mas a grande pergunta nesse momento é: e quem adquiriu tickets para cadeiras no estádio do Morumbi? No estacionamento do Anhembi haverá com certeza apenas DUAS configurações (pista normal e a maldita pista Premium) e fim de papo. Ou você acha que a XYZ, trambiqueira e gananciosa como só ela sabe ser, vai montar arquibancadas com cadeiras lá no sambódromo? Vamos aguardar e ver como vai ficar essa parada aê.

 Bob Smith em ação: o show do Cure agora vai rolar no sambódromo do Anhembi, em Sampa,. na mesma data inicial: 6 de abril

 

* Pop/rock stars fora da lei! Yeah! Apenas esta semana (ou melhor, no último finde) dois nomes beeeeem conhecidos do mondo pop/rock foram presos pelas autoridades policiais norte-americanas. Na madrugada de sábado Beth Ditto, a gordona doidona vocalista do Gossip, encheu a cara de álcool e lá pras tantas começou a brigar dentro de um bar em que ela estava, em Portland. A polícia foi chamada e miss Ditto foi em cana, de onde saiu após pagar fiança. Já o velhão Peter Murphy, ainda o vocalista do old goth Bauhaus, também foi preso no sábado, após bater seu carro – sendo que ele estava chapado de álcool e metanfetamina quando foi detido pelos guardas da cidade de Glendale, na Califórnia. Também pagou uma fiança polpuda e vai responder processo em liberdade em função do ocorrido. Ah, la dolce vitta desse povo loker rocker, uia.

Os rockstars fora da lei: a gordoidona Beth Ditto (acima), vocalista do Gossip, e Peter Murphy (abaixo), ainda cantando no velho goth Bauhaus, foram parar no xilindró nos EUA esta semana, por aprontarem demais por lá, uia!

 

 

* ZAP’N’ROLL DEZ ANOS! – A FESTA E AS DJ SET – entonces, a vida anda dura, tumores querem dar uma rasteira no autor destas heróicas, bravas e já decanas linhas bloggers poppers, mas a gente segue em frente. E em abril próximo o blog de cultura pop e rock alternativo mais legal da web brasileira, chega a uma década de publicação ininterrupta. Não é mole durar tanto, resistir durante tantos anos em um mundo absolutamente volátil e fugaz como é o da internet e da própria blogosfera. Nesses dez anos estas linhas zappers viram zilhões de blogs focados no mesmo assunto surgirem e desaparecerem da noite para o dia. Foram poucos os que mantiveram um fiel e dileto leitorado como o nosso (e talvez, também, como a Popload do querido Lúcio Ribeiro). Assim uma data tão significativa não poderia passar sem uma bela comemoração, certo? Então esta comemoração já começa na semana que vem, no dia 29 de março (primeiro dia, inclusive, do gigante festival Lollapalooza, que vai rolar em São Paulo), sexta-feira, quando Zap’n’roll promete fazer DJ set arrasadora no novo e bombadíssimo club Blitz Haus (capitaneado pelo nosso sempre fofo e querido “sobrinho” Click). Na semana seguinte, dia 6 (não por acaso, também a data da apresentação do Cure em Sampa), sabadão em si, o blog deverá assumir as pick-up’s do clube Outs, na despirocada noite “Onde os sóbrios não têm vez” (sendo que esta DJ set ainda está para ser confirmada). E finalmente no dia 20 de abril, sábado, haverá a grande festa de dez anos destas linhas online, com showzaços da Luneta Mágica, Algarve, Coyotes California e Doutor Jupter no Dyanamite Pub, além das DJ sets do sujeito aqui e do super André Pomba. Melhor que isso impossível, não? Afinal são dez anos descobrindo novas bandas, apoiando a cena independente nacional e cobrindo como ninguém assuntos de cultura pop. Então chegue junto, vá se informando por aqui e participe de umas esbórnias rockers que irão rolar. Pois a festa é nossa e sua também!

 

* Novo nome que promete na indie scene nacional: Moxine. O trio é liderado pela cantora e compositora Mônica Agena, e ela canta e compõe bem (o blog está ouvindo neste momento algumas de suas músicas no site dela, que pode ser acessado em http://www.moxine.com.br/,), sendo que eles lançaram há pouco o álbum “Hot December” e farão show do mesmo nesta quinta-feira no Sesc de Santos, a partir das nove da noite. O blog vai até lá conferir o som da moçoila, ao lado do seu sempre dileto pupilo Tiago Bolzan, e promete falar mais do Moxine por aqui mesmo, nos próximos posts. Mas adianta que ela tem algo da deusa inglesa PJ Harvey no timbre de sua voz e também nas ambiências melódicas das canções. Por enquanto, você pode conferir este vídeo deles aí embaixo, para a música “Baby, baby”.

O trio Moxine (acima) e o vídeo para a canção “Baby baby” (abaixo): nova promessa da cena indie nacional

 

 

* Agora sim! A Justiça de São Paulo determinou, através de sentença, que o Credicard Hall, uma das maiores (e piores, pela péssima acústica, localização e atendimento ao público) casas de shows paulistanas, está OBRIGADO a receber clientes em suas instalações mesmo que eles levem consigo alimentos e bebidas. Era uma vergonha o que acontecia por lá: além de pagar caro (e muito) pelos ingressos para assistir seus artistas preferidos, o cliente era impedido de entrar no local se levasse consigo algum tipo de alimento ou bebida – e o motivo dessa proibição é óbvio: também arrancar o máximo de grana possível do público, cobrando preços absolutamente extorsivos pelos produtos comercializados lá dentro. A empresa Time For Fun, proprietária do Credicard Hall, já avisou que vai recorrer. Vamos ficar na torcida para que a decisão Judicial seja mantida pois a exploração aqui, em terras brazucas, é cruel em cima do pessoal que vai a shows.

 

* Bien, mas a grande notícia da semana mesmo é o novo álbum dos nossos ainda heróis indies dos Strokes. Yep, o novo disco já caiu na web. E eles mostraram que ainda podem dar a volta por cima. Vai lendo aí embaixo.

 

 

O MONDO ROCKER RESPIRA ALIVIADO! OS STROKES AINDA SABEM FAZER BOAS MÚSICAS
Depois do fiasco materializado pela banda em seu último álbum de estúdio (o pavoroso “Angles”, lançado em 2011), os zilhões de fãs mundo afora do quinteto americano Strokes ficaram mesmo em pânico. Se o conjunto levou cinco anos para gravar e lançar o pior disco de sua carreira o que viria então agora, com os nova iorquinos anunciando novo trabalho já para o começo de 2013? A redenção, felizmente: “Comedown Machine”, o quinto disco dos Strokes e com lançamento oficial e mundial (Brasil incluso) previsto para a semana que vem, ainda está longe de se igualar ao primeiro e já clássico álbum do grupo, o fodástico “Is This It?” (de 2001). Mas o cd – que vazou ontem por todos os poros da web – mostra claramente que a banda se redimiu de seu pesadelo musical de dois anos atrás. Aqui, neste novo trabalho de estúdio, talvez estejam as melhores músicas compostas pelo quinteto desde o seu segundo disco, “Room On Fire”, editado em 2003.

É o velho Strokes querendo soar em 2013 como era há onze anos. Para conseguir isso, havia apenas um caminho a seguir: extirpar qualquer referência ao que rola atualmente no rock planetário, evitar diluições melódicas ou soluções musicais “mudernosas” e se concentrar naquilo que eles sabem fazer de melhor: prestar vassalagem ao proto punk novaiorquino dos anos 70’ e à blank generation de então, evocando melodias, harmonias, vocais e arranjos que remetem à Television, Lou Reed, The Modern Lovers etc. Foi exatamente isso que o grupo fez. E o resultado sonoro saiu satisfatório.

Ok, há quem (muita gente, na verdade) vá gritar contra o primeiro single de trabalho que o grupo divulgou, a faixa “One Way Trigger”, um pastiche (involuntário?) que o grupo teria cometido em cima do tecno brega, um dos ritmos musicais atualmente dominantes no Norte brasileiro – notadamente em capitais como Belém do Pará. Mas se ouvida agora, com o devido distanciamento crítico e sem o impacto inicial das primeiras e novidadeiras audições, qualquer ouvido mediano irá perceber que “One Way…” possui boa trama de guitarras, melodia swingada, bons vocais em falsete e uma indisfarçável reverência a canções do pop inglês oitentista, como “Take On Me”, do Ahá.

O novo álbum dos Strokes: ainda longe da estréia (em termos de qualidade) mas com músicas boas o suficiente pra manter a banda na ativa por mais alguns anos

 

Mas se é pra tomar mesmo como base o restante do cd, o dileto leitor/ouvinte zapper irá constatar que é um enorme prazer re-ouvir os Strokes quase como a banda era em… 2001. Assim é que a poderosíssima “All The Time” (talvez o grande momento do álbum e que ganhou belíssimo vídeo com recortes de imagens do cotidiano do grupo e também de apresentações dele pelo mundo, inclusive no festival brasileiro Planeta Terra, no ano retrasado) dispara conduzida por guitarras agressivas e melodia sinuosa, que poderia muito bem fazer par com “Modern Age” ou “Barely Legal”. E não só: “Welcome To Japan” exibe uma levada funky musculosa mas sem ser chata. A faixa-título do disco talvez seja o punk rock que o conjunto não conseguia gravar desde mil novecentos e bolinha e “50 50”, com sua percussão eletrônica, ruídos de guitarra e melodia reflexiva e sombria também pode ser inscrita entre as melhores músicas já compostas pelos Strokes. Fora que “Happy Ending” e “Call It Fate Call It Karma” fecham condignamente um trabalho de menos de quarenta minutos de duração e que se apóia essencialmente em guitarras aceleradas e bem tocadas (por conta de Albert Hammond Jr. e Nick Valensi), melodias quase redondas e ótimas pra dançar e um vocal total em forma, cortesia de mr. Julian Casablancas.

Yep, nunca mais vai ser como no primeiro e inesquecível álbum de estúdio. Mas este “Comedown Machine” recoloca os Strokes (uma banda que já soava cansada de si mesma e que parecia estar na linha de tiro do rock mundial) como um dos ainda grandes grupos em atividade no planeta. Em um tempo em que o rock’n’roll está irremediavelmente acometido por covardia, ignorância e burrice musical plena (e percebemos isso em 90% dos novos conjuntos e dos discos lançados atualmente), um quinteto já veterano como os Strokes lançar um disco bacana já é um feito e tanto. Ainda bem!

 

Este é o último álbum do contrato dos Strokes com sua gravadora, a RCA. Daqui para a frente não se sabe o que será do grupo. Talvez ele vá se tornar um nome gigante da indie scene mundial, por que não? E segundo os próprios integrantes, por enquanto não há planos de uma turnê para divulgar o disco.

 

 

O SET LIST DE “COMEDOWN MACHINE”
1.”Tap Out”
2.”All the Time”
3.”One Way Trigger”
4.”Welcome to Japan”
5.”80’s Comedown Machine”
6.”50/50″
7.”Slow Animals”
8.”Partners in Crime”
9.”Chances”
10.”Happy Ending”
11.”Call It Fate, Call It Karma”

 

 

STROKES AÍ EMBAIXO
No video do single “All The Time”, um dos melhores momentos do novo disco do quinteto americano.

 

 

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STROKES NO BRASIL EM 2005: ÁLCOOL, DORGAS (MUITAS) E CRACK (INCLUSIVE)
Eram anos, dias, tempos insanos ainda na vida do blogger então ultra loker. O blog/coluna Zap’n’roll já existia, o jornalista gonzo que a escrevia (como escreve, até hoje) vivia na esbórnia e na putaria sem fim, editando textos pro portal Dynamite, cobrindo shows e chapando a cabeça com quantidades oceânicas de álcool e drugs, muitas drugs. Inclusive o maldito crack, que ele havia experimentando anos antes e agora lutava para se livrar (o que iria felizmente conseguir algum tempo depois).

 

Veio então o Tim Festival de 2005. E após duras negociações e muita boataria, anunciou-se que finalmente os Strokes tocariam no Brasil, para ser os headliners do festival – em Sampa, ele rolou no dia 23 de outubro, um domingo, no estacionamento do sambódromo do Anhembi (zona norte da cidade). Os ingressos se esgotaram rapidinho e o show foi incandescente – o vocalista Julian Casablancas magrinho (nada a ver com o shape bujão redondo que ele ostenta atualmente), a banda com apenas os dois primeiros discos lançados mas tocando canções inéditas que estariam no terceiro álbum de estúdio (o “First Impressions Of Earth”, que sairia no ano seguinte), o público ensandecido… foi inesquecível. O autor destas linhas sempre memorialistas e malucas, com uma credencial pendurada no pescoço, ainda conseguiu “contrabandear” a linda, tesuda, totosa, tetutda e velha e queridaça amiga Lily Salles (ou Punkynha, pros amigos) pra área vip, bem na cara do palco. Ela, fã doente de Julian, por pouco não subiu no palco pra falar no ouvindo do vocalista: “Hey baby, fuck me your bastard!”.

 

A gig foi sensacional. Acabou mais de três da manhã – em uma noite em que o Kings Of Leon, tocando pela primeira vez no Brasil, fez um set horrendo e pavoroso, dado o estado calamitoso de chapação de cocaine em que os moleques do grupo se encontravam. O mesmo estado, aliás, em que o autor deste blog ficaria também, dali a pouco, mas por outro motivo: ele se encontrou com a linda Pricila (o sobrenome será omitido, por questões óbvias), a magérrima musicista clássica (ela tocava/toca violino, em uma orquestra), fã de rock, very loki e por quem o blogger nutria uma paixão, hã, platônica. Junto dela estava um amigo do Paraná, que tinha vindo a Sampa pra conferir o Tim Fest. Trio reunido, o que fazer? Foram de táxi pras “biqueiras” da Água Espraiada (já beeeeem na zona sul paulistana), atrás de pó. E incrivelmente o “produto” estava em falta por lá, pelo menos em três “bocas” visitadas pela trinca. Só havia maconha e… crack, a droga infernal.

 

Não deu outra: já eram dez da manhã de uma segunda-feira cinzenta e junky quando o trio deu suas últimas tragadas em cachimbos improvisados, na house do jornalista maluco ao cubo. Haviam sido muitas as “pedras” consumidas. Era preciso tomar algo alcoólico urgente, pra “cortar” a nóia das pipadas. E lá se foi o trio, em busca de um buteco aberto, que vendesse breja e destilados, àquela hora da manhã.

 

Uma vida insana e rock’n’roll, de fato. Pricila continua linda, encaretou e está namorando sério. Do seu amigo paranaense o blog não teve mais notícias. E o zapper que relembra esta história está aqui, ainda vivo (e hoje aposentado em álcool e dorgas, por força do destino e da saúde ameaçada por um Carcinoma), para contá-la. É isso: vida breve, vida louca e intensa, sempre!

 

 

O SET LIST DO QUE OS STROKES TOCARAM EM SAMPA, EM 2005
The End Has No End
12:51
New York City Cops
Juicebox
Someday
Soma
Automatic Stop
Hawaii
Barely Legal
Trying Your Luck
Last Nite
What Ever Happened?
Razorblade
Alone, Together
Heart in a Cage
Is This It
I Can’t Win
Take It or Leave It

 

Bis:
Hard to Explain
The Modern Age
Reptilia

 

 

E O SHOW DELES NO TIM FEST 2005 AÍ EMBAIXO
Em vídeo completo, mas da apresentação no Rio De Janeiro, em 21 de outubro daquele ano, na Praça da Apoteose.

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA
* Disco I: “Comedown Machine”, o novo dos Strokes. Deu novo fôlego a um grupo que parecia condenado à sair de cena.

 

* Disco II: O Suede ainda reina no britpop. Não se contentou em fazer um show bacanudo na última edição do festival Planeta Terra, em Sampa, em 2012. Mesmo ficando mais de uma década sem gravar, agora reaparece com este “Bloodsports” que ganhou, com justiça, altas cotações na rock press gringa (quatro estrelas, entre cinco possíveis, na Mojo e no AllMusic): o cd se equilibra muito bem entre baladas melancólicas e rocks de inspiração glam, com guitarras poderosas e melodias dançantes. E o vocal de Brett Anderson continua total em forma. O resultado aparece em faixas fodonas como “It Starts And Ends With You” (o primeiro single de trabalho do álbum) ou ainda a espetacular “Hit Me” (talvez a música preferida do blog entre as canções do novo trabalho). Se todas as bandas ficassem uma década sem gravar e voltassem com um discaço, como o Suede voltou, o rock atual estaria bem menos insuportável, com certeza.

O quinteto Suede (acima, ao vivo na última edição do festival Planeta Terra, em Sampa, no final de 2012) ficou mais de uma década sem gravar disco inédito, mas voltou muito bem em “Bloodsports” (abaixo)

 

* Baladíssimas: post sendo encerrado já na sextona e todo mundo doido pra curtir o finde, néan? Então bora ver o que sucede: hoje, sexta-feira em si, tem a noite rock lá na Blitz Haus (rua Augusta, 657, Consolação, centrão de Sampa), que está bombadíssima e onde o blog faz DJ set na próxima semana, também na sexta (santa, uia!). Também hoje, mas no sempre rock’n’roll ao cubo Astronete (no 335 da Augusta), tem DJ set mega especial de Mickey Leigh, ninguém menos do que irmão da lenda Joey Ramone, que um dia cantou nuns certos Ramones. Pois é…///Ainda quer mais? Bora fazer esbórnia no sabadão também, e aí a pedida é ir no Poison Rock (que fica lá na rua Mourato Coelho, 651, Vila Madalena, zona oeste de Sampa), quando o super DJ Demoh irá comemorar mais um niver tocando muito anos 80’, britpop e clássic rock. Então prepara o modelón e se joga, porra!

 

 

LOLLAPALOOZA BR NA FAIXA! ÚLTIMA CHAMADA!!!
Claaaaaro! O Lolla BR 2013 já rola na semana que vem e ninguém quer ficar de fora da parada, no? Então VOA literalmente no hfinatti@gmail.com, que vai ser sua última chance de ganhar:

 

* UM INGRESSO para cada noite do festival. Os vencedores da promo serão avisados por e-mail até a tarde da próxima quinta-feira, dia 28 de março, sendo que na mensagem estarão todas as infos sobre como retirar os tickets. Vai lá e boa sorte!

 

 

THIS IS THE END
Sim, é o fim esta semana. O post demorou a ser concluído mas ficou bacanudo. Hoje, sexta, o blog fica sussa em casa cuidando da linda Maru Mardou Fox (que torceu o pezinho direito ontem, na eterna correria do metrô de Sampa). E amanhã, sabadón em si, espera estar bem (pois nesse exato instante, às seis da manhã de sexta-feira e quando o post finalmente está concluído, a garganta zapper está… sangrando) ir cantar parabéns pro DJ Demoh, nosso brother de ano. É isso. Semana que vem, entre quinta e sexta-feira, estaremos por aqui novamente. Até lá!

 

(este post vai pra mama Janet Finatti, que se viva estivesse, hoje estaria completando oitenta e um anos de vida. Saudades, dear. Pelo jeito, logo menos vamos nos reencontrar por aí…)

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 22/3/2013, às 6hs.)