AMPLIAÇÃO FINAL! Com a festa rock bacana que rola neste domingo (24 de junho) em Sampa, em torno do primeiro niver do programa de radio B-Pop – Aeeeeê!!! O novo postão zapper chega chegando, em pleno reinado do cuzão campeonato mundial de futeMERDA. Só que aqui a programação segue NORMAL e NADICA de Copa Do Mundo (pros paga paus otários que amam essa ogrice esportiva em nível hard, tem a rede Golpe de televisão para manter todos informados em tempo integral); nesse post falamos sim que um gigante lendário da indie scene nacional, o paulistano Pin Ups, está novamente no estúdio, gravando seu primeiro disco inédito em quase vinte anos; mais: depois de ter sido referência na imprensa nacional de cultura pop e de vender horrores nos seus primeiros anos de vida, a edição brasileira da revista Rolling Stone chega a um fim total vexatório e melancólico, derrotada pela crise econômica ultra cruel do triste bananão tropical, e por uma equipe de redação formada por alguns dos PIORES jornalistas musicais brasileiros dos últimos anos; e mais isso e aquilo em um post que está como sempre em gigante construção, começando agora e longe ainda de terminar. Vai lendo aê! (post ampliado e finalizado em 23/6/2018)

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A cultura pop e o rocknroll estão morrendo na era da web mas alguns autênticos HERÓIS e sobreviventes teimam em resistir, como o grupo indie guitar paulistano Pin Ups (lenda cult da cena under nacional dos anos 90, acima), que está em estúdio preparando seu primeiro disco de inéditas em quase duas décadas; mas nem todos conseguiram resistir à derrocada da imprensa dedicada à cultura pop, lá fora e aqui também: a edição brasileira da revista Rolling Stone (abaixo, com Frejat na capa mais recente) anunciou que encerra suas atividades em agosto próximo

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MAIS MICROFONIA

***Com esse postão já sendo encerrado na tarde do sabadão (23 de junho) em si, vamos deixar novas notas importantes aqui no Microfonia para a semana que vem. Mas lembrando que JULHO será o mês de Zapnroll e do livro “Escadaria para o Inferno”, já que haverá festas e eventos envolvendo ambos, a saber: no dia 26, quinta-feira, haverá novo lançamento com noite de autógrafos e bate papo com o autor (este que escreve estas linhas rockers bloggers) no SESC da avenida 9 de julho (na região central de São Paulo), a partir das 7 da noite, com entrada gratuita. Na noite seguinte, 27 de julho, o blog faz DJ set especialíssima no sempre bombado open bar do inferno no Clube Outs (na rua Augusta, 486, centrão de Sampa), em bebemoração aos quinze anos do bar rock mais clássico do baixo Augusta e também aos quinze anos de vida zapper. E no domingo, 29, será a vez de comandarmos as pick up’s no Grind, a domingueira rocknroll pilotada pelo super DJ André Pomba e a mais badalada do Brasil há vinte anos. Tá bom, né? Sendo que nos próximos posts iremos dando mais detalhes a respeito desses eventos todos, beleusma?

 

***De modos que em breve voltamos então com novo postão e muito mais Microfonia nele. Inté!

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Zapnroll lança novamente o livro “Escadaria para o inferno”no final de julho em uma unidade do SESC SP. No mesmo mês também haverá duas novas DJs set do blog, comemorando nossos quinze anos de existência, e que irão acontecer no Clube Outs e na festa rocker Grind

 

MICROFONIA

(radiografando a cultura pop e o rock alternativo)

 

***Yep, inverno chegando e frio total delicious tomando conta de Sampalândia, néan. Hoje, sextona em si, temperatura na casa dos 15 graus. E vai continuar assim por todo o finde. Maravilha!

 

***Copa do Mundo de futeMERDA, aqui no blog? Nem fodendo, rsrs. E logo menos, ao longo dos próximos dias (este post está em construção, claro), iremos publicar aqui um textone explicando didaticamente porque ODIAMOS futebol. Pode esperar.

 

***Sim, a seção Microfonia irá sendo “engordada” aos pouco ao longo da próxima semana. Por hora já vamos direto aí pra baixo e falar sobre a volta com disco inédito de um gigante e lenda da cena indie nacional clássica dos anos 90: o quarteto paulistano Pin Ups. Bora!

 

 

QUASE VINTE ANOS APÓS LANÇAR SEU ÚLTIMO DISCO, O JÁ CLÁSSICO INDIE PIN UPS ESTÁ DE VOLTA AO ESTÚDIO, PARA GRAVAR UM NOVO TRAMPO INÉDITO

Sim: um dos grupos mais lendários e festejados da indie scene clássica paulistana do final dos anos 80 e boa parte dos 90, o quarteto Pin Ups (atualmente integrado pelo guitarrista e fundador Zé Antonio, pelo também guitarrista, vocalista e produtor Adriano Cintra, pela baixista e vocalista Alê Briganti e pelo batera Flavinho Cavichioli) está desde o último carnaval trancado em um estúdio na capital paulista. E promete sair de lá com o seu primeiro álbum de músicas inéditas em quase duas décadas – o último registro oficial de material inédito foi o EP “Bruce Lee”, editado pela banda em 1999. Álbum que deverá ser lançado até o final deste ano, possivelmente pelo selo carioca Midsummer Madness, atual “lar” do conjunto e que relançou digitalmente toda a discografia dele há algum tempo já.

Formado em 1988 em Santo André (na região da Grande São Paulo) pelos amigos Zé Antonio, Marquinhos e Luis Gustavo, o então trio rocker básico começou a chamar a atenção de um pequeno séquito de adoradores do rock inglês de então, além de também alguns jornalistas da área musical (entre eles o autor deste espaço blogger, que na época trabalhava na revista IstoÉ e colaborava com a página de música do Caderno 2, do diário paulistano O Estado De S. Paulo). O grupo passou a se apresentar com frequência no Espaço Retrô (o muquifo indie rock mais inesquecível que já existiu na noite underground de Sampa, uma noite e uma cena que nem existem mais na era escrota atual), que ficava no bairro de Santa Cecília, e lá começou a angariar uma legião de fiéis seguidores. O motivo pelo qual a trinca despertava adoração na molecada que tomava contato com o som dela? Simples: os músicos eram fissurados nos ótimos sons que emanavam do Reino Unido, além de antenadíssimos com as últimas novidades que surgiam por lá. Em uma época em que não havia internet, YouTube, celulares, apps, redes sociais, sites, blogs e nada dessas porras tecnológicas algo imbecilizantes dos dias atuais, o Pin Ups mostrava um som sem paralelo no rock brazuca naquele momento, e bem à frente do que estava sendo produzido aqui. As letras das músicas eram escritas e cantadas em inglês. O som era de guitarras barulhentas mas com melodias algo doces e assobiáveis. E as referências (todas ótimas) do grupo eram o shoegazer inglês, o barulho, o noise e o feedback de guitarras de bandas como Jesus & Mary Chain, Lush, Spaceman 3, Loop, Telescopes, My Bloody Valentine etc. Era o que os três garotos amavam e o que todo mundo que ia ao Retrô também amava.

Não demorou para a banda conseguir um contrato para gravar seu primeiro álbum. “Time Will Burn” foi lançado em 1990 pelo selo Stiletto (fundado por um inglês que estava morando em Sampa) e daí para a frente a fama do grupo começou a aumentar bastante, o que infelizmente não se traduziu em boas vendagens e êxito comercial para o LP. A partir daí e pelos nove anos seguintes o conjunto seguiu uma trajetória relativamente errática, lançando mais cinco bons trabalhos inéditos mas nunca conseguindo ultrapassar as barreiras do underground paulistano, embora fosse respeitadíssimo e admirado pela rock press da época, pelo público que possuía e até por fãs e jornalistas no exterior. Com o passar dos anos os integrantes originais Luis e Marquinhos saíram, a baixista Alê entrou em cena assumindo os vocais, Flávio Cavichioli (baterista, que também passou pelos Forgotten Boys e mais um zilhão de outros grupos) e Eliane Testone (guitarrista) também entraram no line up e o conjunto seguiu, aos trancos e barrancos, até parar com suas atividades em 1999, ano em que lançaram o já mencionado “Bruce Lee”.

Daí em diante o Pin Ups se tornou absolutamente cult e espécie de “lenda gigante” de uma cena (a indie guitar paulistana dos anos 90) que nunca experimentou o sucesso comercial e o estouro de público e mídia, mas que influenciou centenas de bandas nos anos seguintes à sua existência. Uma cena tão reverenciada nos tempos atuais por quem ainda curte rock de guitarras, que já foram feitos dois documentários sobre ela: “Time Will Burn” (sim, com título inspirado no primeiro LP do Pin Ups, e dirigido por Marko Panayotis e já exibido em circuito comercial) e “Guitar Days” (este ainda em finalização, dirigido pelo brother Caio Augusto Braga e no qual o jornalista Finaski dá alguns depoimentos sobre esta cena). Moral da história: o Pin Ups saiu de cena e entrou para a história do indie rock nacional.

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O gigante indie guitar paulistano Pin Ups nos anos 90 (acima), em sua segunda formação (com Zé Antonio e Eliane Testone nas guitarras, Alê Briganti no baixo e vocais, e Flávio Forgotten na bateria); abaixo Zapnroll faz pose ao lado dos seus amigos da banda no camarim dela, após show na Virada Cultural/SP de 2016, e no SESC Pompéia em 2015 (trio parada dura na imagem, hihi: Finaski, Adriano Cintra e Flavinho Forgottinho, uia!)

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A banda, no entanto, nunca encerrou oficialmente suas atividades. E com a boa repercussão dos dois documentários onde ela é um dos destaques, resolveu fazer um “show definitivo de despedida” em 2015, no SESC Pompeia, na capital paulista. Resultado: a comedoria do local lotou (com oitocentos malucos lá dentro, entre velhos fãs quarentões/cinquentões, além de uma molecada que nem era nascida quando o conjunto começou a fazer barulho), quem foi alucinou com a gig e a banda ficou encantada com isso. Agora integrada por Zé Antonio, Alê e Flavinho e adicionada com o gênio Adriano Cintra (dileto amigo pessoal deste jornalista loker/rocker, como de resto todo o grupo também é), um dos músicos e produtores mais renomados e prestigiados da cena indie brasileira há mais de 20 anos (ele integrou o fodástico Thee Butcher’s Orchestra, além de ter sido o criador do Cansei de Ser Sexy, ou CSS, que foi um dos únicos nomes do rock nacional a ficar conhecido mundialmente e a fazer carreira sólida no exterior), o Pin Ups vislumbrou a possibilidade de ter uma sobrevida e seguir tocando por mais alguns anos. Se havia e continua havendo público interessado neles (um novo público, formado por uma nova geração inclusive), por que não?

E assim o quarteto continua na ativa e resolveu entrar em estúdio novamente, no carnaval passado, para registrar aquele que será seu primeiro álbum inédito em quase duas décadas. Segundo o batera e “sobrinho” (por adoção, hihi) Flavinho Forgottinho, que papeou na tarde de ontem com o blog zapper, “o disco vai vir com uma sonoridade bastante diferente do que era o Pin Ups dos anos 90, embora mantendo a essência do que fazia musicalmente naquela época”. E completou: “o disco terá a participação de um guitarrista icone da cena indie gringa, mas por enquanto não posso falar quem é”. Beleza. Sendo que Pedro Pelotas, tecladista da Cachorro Grande, também participa do álbum, que está sendo produzido pelos próprios músicos e por Adriano Cintra.

De modos que podemos esperar enfim, um novo trabalho do Pin Ups ainda para 2018. Flavinho diz que a intenção é lançar o disco não apenas digitalmente mas também no formato físico, inclusive em vinil. A torcida destas linhas online é para que tudo corra bem e para que venha um discão por aí. Afinal essa turma querida por este velho jornalista maloker já se tornou uma SOBREVIVENTE honrosa de uma época que foi sensacional para o rock underground brasileiro, e de um tempo bacaníssimo que nunca mais vai se repetir. Um tempo de bandas incríveis, de bares incríveis, de gente total criativa e loka e nada careta (a caretice e o total BUNDA MOLISMO imperam hoje na humanidade, inclusive no rock e na cultura pop em geral). E que por isso mesmo deixou saudades eternas. Uma saudade que, espera-se, seja amenizada um pouco no final deste ano quando surgir o novo rebento sônico dos Pin Ups.

 

 

PIN UPS – A BANDA

Quando surgiu: em 1988.

Onde: Santo André/SP.

Primeira formação: Zé Antonio (guitarras), Luis Gustavo (baixo e vocais), Marquinhos (bateria).

Primeiro LP: “Time Will Burn”, lançado em 1990 pelo selo Stiletto.

Último disco: o EP “Bruce Lee”, em 1999.

A volta aos palcos: em 2015, em um show no SESC Pompéia, em São Paulo.

A formação atual: Zé Antonio e Adriano Cintra (guitarras), Alê Briganti (baixo e vocais), Flavio Cavichioli (bateria).

Para este ano: a banda está em estúdio gravando um novo álbum, e que deverá ser lançado até o final de 2018.

Mais sobre a banda? Vai aqui: https://www.facebook.com/pinupsbr/.

 

 

PIN UPS AÍ EMBAIXO

Para você ouvir na íntegra toda a discografia do grupo, além de vídeos com momentos da espetacular gig que eles fizeram em 2015 no SESC em Sampa.

 

 

A REVISTA ROLLING STONE BRASIL ENFIM CHEGA AO FIM – E SEM DEIXAR SAUDADES

Reflexo da quebradeira econômica e do derretimento que se abate sobre o país (DESgovernado por uma quadrilha bandida, golpista e ilegítima) em todos os setores (inclusive na área editorial e na cultura pop, que está falindo também), a revista Rolling Stone Brasil também foi pra casa do caralho. A editora paulistana Spring, detentora da marca para a publicação da edição brasileira da mesma, anunciou no final do mês passado o encerramento da publicação impressa que ia mensalmente para as bancas, desde outubro de 2006. Após doze anos a RS Brasil deixa de circular em agosto próximo. Segundo informações da Spring, a edição impressa irá circular apenas quatro vezes por ano daqui para a frente. O site da revista (cada vez mais fraco e sem relevância em seu conteúdo, vale exarar) irá permanecer no ar na web, ao menos por enquanto. Sobre a equipe que trabalhava na redação da revista? A editora desconversa, mas provavelmente será demitida.

Nem é difícil elencar os motivos pelos quais a Rolling Stone brasileira foi pro saco. A edição nacional daquela que foi, por quase cinco décadas, a maior publicação sobre cultura pop do mundo (a edição americana, matriz de todas as outras espalhadas pelo planeta, e fundada em 1967 por Jan Wenner, chegou a vender quinzenalmente nos EUA mais de um milhão de exemplares), chegou chegando nas bancas brazucas em outubro de 2006: tiragem mensal de cem mil exemplares, formato físico grandão (igual a edição americana), uma equipe de jornalistas fodões (como o editor-chefe Ricardo Cruz, que já havia passado por grandes publicações, como a revista da rádio 89FM, e o editor-assistente Pablo Miyazawa, um dos nomes mais competentes e brilhantes do jornalismo cultural e musical brasileiro dos anos 2000) e tendo a super modelo Gisele Bündchen estampando a capa. Foi um sucesso editorial estrondoso e imediato e assim a publicação se manteve pelo menos pelos seus cinco primeiros anos de existência. Mas aí entraram em cena os fatores adversos que começaram a minar a solidez da revista em terras brasileiras. Primeiro deles: a derrocada da mídia impressa em escala global, com o avanço da internet em suas versões digitais de jornais, revistas e publicações diversas. Ao longo dos últimos anos zilhões de célebres títulos da imprensa mundial e brasileira foram anunciando o fim de suas edições impressas (devido a queda avassaladora na circulação paga) e ficando apenas com a versão online, sendo que já foram publicados estudos e pesquisas feitas por especialistas na área e que dão conta de que a mídia impressa está mesmo morrendo e poderá ser totalmente extinta em mais quarenta anos.

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A edição brasileira da revista americana Rolling Stone chegou chegando às bancas do país em outubro de 2006, e estampando a super top model Gisele Bündchen na capa de sua primeira edição (acima); em agosto de 2009 era lançada a edição com o escritor superstar Paulo Coelho na capa, e onde o jornalista Finaski fez uma matéria de duas páginas destacando a irresistível ascensão do grupo folk/rock cuiabano Vanguart rumo ao mainstream pop nacional (abaixo); agora, em fase total decadente, a editora que publica a revista anunciou o fim da edição impressa da mesma

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Segundo: a crise econômica SINISTRA que se abateu sobre o Brasil (cortesia da quadrilha BANDIDA que DESgoverna o bananão tropical nesse momento), e que mergulhou o país em uma recessão brutal nos últimos dois anos, afetando todos os setores produtivos, o editorial entre eles. Isso causou forte queda nas vendas de absolutamente todas as publicações impressas no Brasil, além de também causar debandada nos anunciantes dessas publicações. E a RS nacional não escapou ilesa: reduziu o tamanho do formato físico da revista (ela ficou igual a todas as demais) e também o número de páginas de cada edição. Situação que levou ao fator talvez definitivo para a sua derrocada: a perda da qualidade editorial e o aumento da irrelevância dos assuntos que eram abordados em cada nova edição.

Não demorou para a própria equipe de redação começar a sentir os efeitos deste cenário. O editor-chefe Ricardo Cruz recebeu uma ótima proposta para ir dirigir a edição nacional da revista masculina americana GQ, e decidiu deixar a Rolling Stone. Assumiu seu lugar dom Pablo Miyazawa, que já era o editor-assistente desde a primeira edição. No entanto, fato raríssimo numa área profissional (o jornalismo) tão eivada de disputas e de fogueiras da vaidade, onde sobram egos descontrolados e arrogantes e faltam talentos verdadeiros (ao menos nos tempos atuais), Pablo também PEDIU DEMISSÃO da RS alguns anos após assumir a direção da redação da revista. Quando ele tomou essa decisão inesperada e surpreendente para o mercado editorial, foi perguntado pelo “abelhudo” jornalista Finaski (seu amigo desde a fundação da RS nacional) qual o motivo de ter “abandonado o barco”. “Porque eu estava cansado”, nos disse na época. “Eu não tinha mais vida fora da redação e queria viver novamente além daquilo. E também queria fazer novas coisas, novos projetos e algo menos estressante emocional e mentalmente”.

Com a perda dos seus dois melhores editores e com a crise econômica se acentuando no Brasil, a revista começou a descer ladeira abaixo sem dó. Com a circulação despencando em queda livre e a redação entregue a profissionais total irrelevantes, egocêntricos e verdadeiramente medíocres no ofício jornalístico (como o editor da seção Guia, mr. Paulo Cavalcanti, muito conhecido no meio por ser um jornalista preguiçoso e que trabalha no “piloto automático”, além de amar fazer fofocas e intrigas entre seus colegas de profissão, e também de perseguir implacavelmente na covardia o autor deste blog, enviando mensagens com assinatura fake para o painel do leitor zapper, onde ele despeja psicoticamente insultos, mentiras, impropérios e ofensas pesadas contra o titular deste blog), o fim da edição impressa era previsível e passou a ser apenas uma questão de tempo. E chegou finalmente agora, após doze anos de circulação mensal ininterrupta.

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Zapnroll, que colaborou com a Rolling Stone Brasil nos quatro primeiros anos de circulação da revista, ao lado do super ex-editor da revista, dom Pablo Miyazawa, no final de um show do Stone Temple Pilots, na finada Via Funchal/SP

Zapnroll foi colaborador permanente da revista durante seus quase quatro primeiros anos de existência – coincidência ou não, a melhor fase editorial da publicação, quando ela batia sucessivos recordes de vendagem em banca e de faturamento publicitário. O jornalista Finas estreou já na primeira edição da revista assinando três resenhas de discos na seção Guia, entre eles o cd inédito da lenda Morrissey que estava saindo naquele ano. Daí em diante publicou uma série de matérias e críticas (de discos, shows e festivais) até meados de setembro de 2010, quando foi “saído” da revista pelo editor Ricardo “Quinho”. Os motivos da demissão de Finaski do quadro de colaboradores da RS Brasil estão muito bem contados num dos últimos capítulos de “Escadaria para o inferno”, livro lançado por este escriba no final do ano passado. E sim, ele assume que errou feio no episódio que motivou seu desligamento da equipe redacional da outrora revistona. Quinho não estava errado em sua decisão. Tanto que estas linhas bloggers têm carinho gigante por ele até hoje.

Mas a RS em si já havia mesmo passado da hora de fechar suas portas. Se estivesse ainda com uma equipe fodona de editores e colaboradores, talvez ainda conseguisse uma sobrevida editorial mesmo com a área jornalística sofrendo os efeitos devastadores da era da informação digital e também da crise econômica pavorosa e aparentemente infindável que se abateu sobre o Brasil. Mas do jeito que a publicação caminhava, total capenga e entregue a RATAZANAS ardilosas e profissionalmente inúteis e incompetentes (como a já mencionada mais acima triste figura do jornalismo musical brazuca), a Rolling Stone Brasil demorou até demais pra dizer adeus.

Rip. Não vai deixar saudade alguma.

 

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Pronto! Cá estamos no pedaço novamente. E como sempre em gigante construção desse post, claaaaaro! Onde não entra absolutamente NADA da porra da Copa do Mundo de futeMERDA mas sim papos realmente interessantes e importantes no rock alternativo e na cultura pop (ou no que resta dela, hihi). E como já é final da tarde da sextona em si, vamos dar uma pausa nos trampos sendo que ao longo da próxima semana esse postão será ampliado, atualizado e finalmente finalizado. Então vai colando aê a partir da próxima segunda-feira, que ainda irão entrar muitos assuntos bacanas por aqui.

Por enquanto o jornalista eternamente gonzo/loker/polêmico vai tomar uma breja agora à noite no novo endereço da Sensorial Discos. E amanhã à noite, sabadão em si, a dica rocker imperdível é uma só: colar no Centro Cultural Zapata (no centrão rocknroll bravo, perigoso e selvagem de Sampalândia), para curtir a noitada incrível que vai rolar por lá, com showzaços dos queridões e velhos amigos destas linhas online, Daniel Belleza & Os Corações Em Fúria, e o trio Rock Rocket (uma gig dupla que vai trazer ótimos recuerdos ao blog, já que ambas tocaram juntas há cerca de uma década e meia atrás, em uma festa da saudosa revista Dynamite e produzida pelo sujeito que digita este postão, uia!). Além disso a DJ set da noite será comandada pelo queridón Junior Core, um dos DJs que estão se destacando atualmente na cena under paulistana e com quem o blog pretende fazer uma mini entrevista logo menos, para entrar ainda nesse post. Interessou? Todas as infos sobre a baladona rocker estão aqui: https://www.facebook.com/events/209819506295554/.

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Festona rocknroll que rola amanhã em Sampa, no Centro Cultural Zapata, vai reunir os ótimos veteranos da indie scene Daniel Belleza & Os Corações Em Fúria e Rock Rocket (acima), além de DJ set de Junior Core (abaixo), um dos destaques na nova cena de DJs alternativos da capital paulista

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

***Festa bacanuda: é a que rola neste domingo (o postão do blog está sendo finalizado no sabadão, 23 de junho), 24, no centro de Sampa (próximo à praça Roosevelt, quando o programa “B-Pop”, apresentado na web radio Antena Zero pela gatíssima Silvia Fasioli, estará comemorando seu primeiro aniversário. Levado ao ar semanalmente (ao sábados, dez da noite), o B-Pop foca na produção musical do pós-punk inglês dos anos 80, com as faixas tocadas sempre sendo intermediadas por ótimas infos e comentários (muitas vezes abordando temas também sociais e políticos) feitos pela Silvia, que além de possuir ótima voz ainda domina com maestria os temas que aborda e essa vertente tão amada por todos nós do inesquecível rock britânico daquela época. Ela mesma irá discotecar amanhã ao lado de vários DJs convidados, a entrada pra balada é merreca (10 pilas apenas) e todas as infos da mesma estão aqui: https://www.facebook.com/events/189313415234628/?active_tab=about. Cola lá que Zapnroll também deverá aparecer, hehe.

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A produtora e apresentadora Silvia Fasioli, que comanda o programa B-Pop na web radio Antena Zero, ao lado de Zapnroll (acima): neste domingo rola festa em Sampa, comemorando o primeiro ano de existência do programa (abaixo)

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FIM DE PAPO

O postão fica por aqui. Ainda temos mais assuntos pra desenrolar (inclusive um tópico sobre o genial projeto Primavera nos Dentes, que resgatou a obra clássica e imortal dos Secos & Molhados pras novas gerações), mas eles ficam para nosso próximo post, onde o blog também irá divulgar quem ganhou um exemplar do livro “Escadaria para o inferno”, além de colocar mais uns livros em sorteio. Beleza? Então é isso.

Tchau pra quem fica e até a próxima, sempre com muito mais por aqui.

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 23/6/2018 às 14:15hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL! Com um RESUMÃO político da semana, o anúncio dos primeiros (e inúteis) shows de rock internacionais de 2017 e as indicações culturais e o roteiro de baladas do blog – Em mais uma semana pavorosa e surreal para o país VIRA LATA TOTAL (esse mesmo aqui, o Brasil miserável) e atolado na MERDA até o pescoço, e com todo mundo contando os dias pro horrendo 2016 acabar de uma vez por todas, mais uma vez é o grande e VELHÍSSIMO rock’n’roll dos imortais Rolling Stones (com o seu novo e fodástico disco) que salva a todos e traz alguma alívio pra galera; e a falência geral do bananão tropical continua se refletindo inclusive na cena musical independente brazuca: neste final de semana algo melancólico fecha as portas na capital paulista o lendário bar Matrix, que foi um dos principais lares de uma cena indie que infelizmente também está no buraco e morrendo aos poucos (uma cena que vive um “boom” somente na ilha da fantasia indie estúpida criada por um certo blog “vizinho”), como iremos mostrar e comentar em detalhes neste post zapper (postão COMPLETÃO e totalmente concluído em 16/12/2016)

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O mundo está no buraco e o Brasil mais ainda; assim apenas o velho e ÓTIMO rock’n’roll nos dá algum alivio, que vem dessa vez através do novo discão dos Rolling Stones (acima), tão bom quanto o cd que os Rios Voadores (abaixo) lançaram esse ano, lutando pra se manter em uma cena independente (a brasileira) quase falida mas que ainda produz, em termos de cultura pop, musas rockers como a gataça Marcelle Louzada (também abaixo)

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FECHANDO A TAMPA DO POSTÃO: A GRANDE VERGONHA E RAIVA QUE O BLOG SENTE DE SER… BRASILEIRO – E TAMBÉM SHOWS INÚTEIS EM 2017 A CAMINHO E O FIM DO PROGRAMA DO JÔ

  • Final de semana chegou e com ele, a finalização desse post zapper. Assim, vamos a um RESUMO desta semana nesse país total fodido (pela classe política imunda e calhorda ao máximo que aliás está onde está porque foi VOTADA e ELEITA por um BANDO de OTÁRIOS e BURROS ao máximo) e vira lata que é este miserável Brasil.

 

  • PEC do fim do mundo: aprovada em segundo turno pela QUADRILHA do senado federal. Beleusma. Absolutamente TODOS IRÃO SE FODER – inclusive DIREITOPATAS e COXAS/PATOS IDIOTAS que ainda estão apoiando o desgoverno do GOLPISTA DO INFERNO.

 

  • Depoimento/delação de Marcelo Odebrecht: o CAPPO e dono da maior empreiteira do país começou seu depoimento/delação ontem, falando por 10 HORAS (!!!) na primeira rodada de informações ao MPF e à Justiça Federal no Paraná. Vai falar ainda até esta sexta-feira. Se apenas ALGUMAS LINHAS da sua delação VAZAREM provavelmente o MUNDO ACABA em Brasília. E estamos TORCENDO TOTALMENTE POR ESSE FIM.

 

  • Quadrilhas do Congresso e do Senado federal total de COSTAS para o populacho que os elegeu: alguma dúvida quanto a isso? Basta ver como foi esta semana na capital do Brasil, aquela MERDA chamada Brasília.

 

  • Protestos e pancadaria generalizada pelo país afora: yep. Teve protesto e quebra-quebra contra a aprovação da PEC dos infernos em várias capitais. Em Porto Alegre manifestantes estraçalharam vidros em portas de agências bancárias. Aqui em Sampa, na avenida Paulista, foi LINDO ver o povaréu finalmente CRIANDO CORAGEM e INVADINDO o prédio daquela escrotice gigante chamada Fiesp, e tocando o terror lá dentro com rojões, bolinhas de gude, o que fosse possível enfim. Sempre fomos contra a violência em passeatas mas estamos quase começando a concordar e a APOIAR atos como os de hoje. O país não tem mais jeito. E só quando o povão começar a ESPANCAR os políticos (na porrada mesmo, e não metaforicamente) e empresários corruptos (muitos deles encastelados dentro da porra da Fiesp), talvez comece a haver alguma chance de o Brasil sair da LAMA e do buraco no qual está metido.

 

  • Reação/repressão aos manifestantes: claaaaaro que as forças policiais entraram em ação durante os protestos desta semana e meteram cassetete, spray de pimenta e balas de borracha em quem estava protestando. Nas fotos abaixo, registradas pelo querido e ótimo fotógrafo Jairo Lavia, uma pequena “amostra” da atuação da PM SUJA e TRUCULENTA do geraldinho alckmerda (o desgovernador de SP, o “santo” segundo a delação da Odebrecht, uia!) durante a manifestação na avenida Paulista. A vítima dos PMs: uma pobre estudante (uma JOVEM e MULHER, pelamor!), DOMINADA por vários guardas e enfiada À FORÇA numa viatura apenas porque estava… protestando contra a PEC do demônio e do desgoverno golpista.

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  • País RACISTA DO CARALHO: foi o que mostrou uma das matérias da edição de quarta-feira última do Jornal Da Cultura, e que você pode assistir no vídeo aí embaixo nos comentários, a partir dos 38 minutos e 40 segundos de exibição do telejornal. A reportagem nos deixou com NOJO e LOUCOS de RAIVA: mostra como a sociedade brasileira (boa parte dela composta por uma classe média ESTÚPIDA e BRANCA, que se acha IGUAL à minúscula elite triliardária que de fato MANDA nisso aqui), que é composta em sua maioria por afro-descendentes, continua tão RACISTA quanto sempre foi na verdade. O JC mostrou uma entrevista feita com algumas pessoas, que foram instadas a analisar algumas fotos de pessoas nas mesmas situações e com os mesmos visuais. Com uma diferença: primeiramente o grupo de pessoas mostradas era de BRANCOS. O segundo grupo era de NEGROS. Veja o resultado das respostas de quem analisou os dois grupos no vídeo da tele reportagem, aí embaixo.

  • Resumindo a ópera: Finaski deve estar mesmo ficando velho, ranzinza e rabugento ao máximo. Porque a RAIVA e VERGONHA disso aqui, desse país que está se transformando em um LIXO de nação, só aumentam. Sério, quando tínhamos 20/25/30 anos, isso não estava assim. E olha que tínhamos acabado de sair de duas décadas de ditadura e de governo militar e ainda estávamos enfrentando uma hiper inflação (HERANÇA dos milicos) que no final de 1986 estava em 60% ao mês. E mesmo assim a situação não estava como está hoje, social, política e economicamente falando.

 

 

  • Bien, além desse resumão político da semana aí em cima, a sextona (16 de dezembro) está, hã, “quentíssima”: até Silas Malafaia (uia!), o pastor mega REAÇA do inferno e “exemplo” de correção moral e ética (uuuuuiiiiiaaaaa!), também acaba de cair nas garras da Polícia Federal, por envolvimento em esquemas, hã, nada éticos e morais. Ulalá! Os fiéis sentam e choram, hihihi.

 

 

  • Aí a assessoria de imprensa (administrada por um chegado destas linhas rockers bloggers) dispara e-mail BOMBÁSTICO anunciando um dos GRANDES shows internacionais de rock no bananão tropical, em 2017. Qual banda??? O “sensacional” e “imperdível”… King Diamond! Ahahahahahaha. Foi maus, o blog não conseguiu conter o riso diante da piada.

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  • Pior é a anunciada também hoje turnê conjunta no Brasil reunindo ninguém menos que… James Taylor e Elton John. Rola entre março e abril, em Curitiba, Porto Alegre, Rio e Sampa. Os ASILOS de todo o país já estão em polvorosa com a notícia, rsrs.

 

 

  • E hoje é a despedida do gênio Jô Soares de seu programa de entrevistas. Foram vinte e oito anos no ar, entre SBT e Globo. O “Gordo” vai deixar saudades e fazer muita falta, com certeza. Mas é isso. Fim de uma era, sendo que o mundo está mesmo ficando sem gênios que valham a pena em todos os setores da existência humana.

 

 

  • E é isso: 2016 vai se  despedindo sem deixar saudade alguma. Semana que vem tem o último post deste ano do blog. Nos vemos nele então. Até lá!

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Um país total VIRA LATA (o Brasil) atolado na MERDA até o pescoço.

A primeira frase do editorial que abre este penúltimo post de Zap’n’roll nesse pavoroso 2016 que está finalmente e felizmente chegando ao fim (sendo que 2017 promete ser tão horrendo quanto, se não for pior), pode ser e parecer pesada em demasia. Mas ela reflete fielmente o que o autor deste blog pensa da realidade atual brasileira – e com certeza milhões de pessoas a essa altura dos acontecimentos está pensando da mesma forma. Inclusive a nação neo conservadora de direita e COXA brasileira, essa mesma que foi pra rua pedir o impeachment de Dilma e que segue apoiando (por enquanto em silêncio e com o rabo enfiado no meio das pernas) esse desgoverno GOLPISTA dos infernos, comandado pelo vampiro e mordomo de filme de terror que ocupa nesse momento a cadeira de presidente da República. E a razão para dizermos que este bananão tropical miserável está atolado até o pescoço na MERDA plena e fedorenta decorre de mais uma semana (esta que está chegando já ao fim; a primeira parte do postão está entrando no ar na tarde de sexta-feira, 9 de dezembro) onde o INACREDITÁVEL aconteceu na terra brasilis. Quando na última segunda-feira o eminente Ministro Marco Aurélio de Mello, um dos mais dignos e confiáveis do STF (a Corte mais alta do país), expediu liminar AFASTANDO o ultra canalha, pulha e bandido Renan Calheiros de suas funções como presidente do Senado, em decisão acertadíssima vale exarar (afinal Renan tem contra ele nada menos do que ONZE inquéritos sendo analisados no STF; em um deles já é RÉU na ação, traduzindo: em qualquer país minimamente sério do planeta um sujeito desse naipe estaria na CADEIA, e não presidindo o senado da nação; mas isso aqui é o Brasil, claaaaaro), ninguém poderia imaginar, nem em sonho, o que aconteceria na sequencia. E o que aconteceu todos já sabem: Renan PEITOU o STF, se recusou a receber o oficial de Justiça da Corte pra assinar a decisão que o afastava do cargo, e ainda por cima SE MANTEVE na condição de presidente do Senado Federal. Dois dias depois o plenário do STF se reuniu em caráter de urgência pra decidir sobre o caso. O resultado do julgamento da liminar de Marco Aurélio todos também já estão sabendo: por 6 votos a 3 os Ministros do Supremo decidiram MANTER o chefe de quadrilha das Alagoas no cargo que ocupa, afastando-o apenas da linha sucessória da presidência do país. Uma decisão que significou várias paradas, entre elas: se de onde deveria partir o exemplo CORRETO de RESPEITO à Lei, isso não aconteceu, então por que você aí, cidadão comum que está enfretando uma ação penal (por qual motivo seja) vai ACEITAR uma decisão judicial desfavorável a você? Pelo jeito é mais fácil tacar o foda-se e dizer: “não vou cumprir, e daí?”. De modos que além de toda a crise pela qual estamos passando nesse momento acabamos de ver enterrada aqui também um dos preceitos BÁSICOS da Lei: a de que decisão judicial não se discute, se CUMPRE. Pelo visto nem isso mais existe nesse triste Brasil a partir da atitude de enfrentamento do “coronel” Renan, que HUMILHOU o STF – e a Corte aceitou essa humilhação de cabeça abaixada. E assim seguimos aqui… Brasília segue DESTRUINDO o restante do país. Os IMUNDOS políticos brasileiros há muito já perderam totalmente qualquer resquício de vergonha. CAGAM em cima de toda a população e legislam apenas em causa própria, como se o restante do país não existisse. Onde tudo isso vai parar, afinal? Como será 2017? Nesse momento estas linhas bloggers sempre dedicadas à cultura pop (mas falando muito sobre a situação política nacional neste editorial e nos nossos posts mais recentes, não há como fugir do tema sob pena de passarmos a impressão de que somos totalmente alienados; não é assim que agem certos blogs “vizinhos” de cultura pop?) nem se arriscam a prever algo – mas achamos que o próximo ano será igual a este, se não for pior. Por isso o que podemos fazer aqui é isso mesmo: lamentar e ficar com a alma aos pedaços ao testemunharmos pessoalmente o DESMONTE do Brasil. Um desmonte que já chegou inclusive e implacavelmente à cena musical independente brazuca. Uma cena que está quase completamente FALIDA, com bares e espaços para shows fechando, bandas acabando ou não levando ninguém aos seus shows etc, etc. Uma situação trágica e que só não é mostrada pelo nosso blog “vizinho”, aquele mesmo que vive numa delirante ilha da fantasia indie, que ENGANA seus pobres leitores (falando de um ridículo boom da cena indie nacional atual) e que não tem a coragem suficiente pra ser sincero e honesto com quem o lê. Iremos, enfim, falar desse assunto melhor nesse post que está começando agora. E também iremos escrever ao menos sobre um assunto bastante agradável: o novo discaço da maior banda de rock de todos os tempos, os Rolling Stones. Pois é… quando tudo parece realmente perdido, só mesmo o ótimo e velho rock’n’roll para dar algum alívio ao nosso coração, à nossa alma e ao nosso sistema auditivo, néan. Bora então ler mais um post zapper. Venha conosco!

 

 

  • Ainda sobre política: a metranca .100 da delação da Odebrecht começa enfim a mirar a QUADRILHA tucanalha. Será que agora o PSDBosta se FODE e CAI?

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  • Enquanto isso o digníssimo juiz Sérgio Moro mostra como é JUSTO e IMPARCIAL em sua atuação profissional, através dessa fotoca aí embaixo, que já VIRALIZOU na web.

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  • E as PANELAS, que fim levaram? Esse mesmo, aí embaixo, uia!

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  • Indo pro bom e velho rock’n’roll: o Jesus & Mary Chain, lenda gigante do rock inglês dos 80’ lança novo disco de estúdio após quase vinte anos de ausência – o último cd, “Munky”, foi editado em 1998. Pois então: “Damage and Joy”, o novo esporro sônico dos irmãos Jim e William Reid chegará ao mundo em março vindouro. Ao vivo o JMC anda capenga há anos já. Mas em estúdio eles continuam mandando muito bem. A conferir então.

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  • Quem também anunciou volta é o barulhento e experimental At The Drive In, cujo último álbum saiu em 2000’. A malokerada está em estúdio trabalhando em novo disco e já soltou no YouTube uma amostra do mesmo, a esporrenta “Governed by Contagions”. Se o cd inteiro for nesse naipe, vai ser uma paulada!

 

  • E mais notícia rocker bacanuda: o genial velhão Neil Young acaba de também soltar na web seu novo trampo, “Peace Trail”, sobre o qual falaremos melhor mais pra frente mas que você já pode escutar integralmente aí embaixo.

 

  • A nota chata da semana: o falecimento do baixista e vocalista Greg Lake, ex-Emerson Lake & Palmer, gigante do jurássico prog rock dos 70’. Lake foi pro saco vitimado por um câncer. Rip.

 

 

  • E não, o blog zapper não vai embarcar na onda de listas GIGANTES com os melhores do ano, aliás já está com o saco bem cheio dessas listas. A nossa, que será publicada no post derradeiro de 2016 (provavelmente na semana do natal), será beeeeem reduzida. Com no máximo cinco discos gringos e uns dois brasileiros. E olhe lá!

 

 

  • IMAGEM TESÃO TOTAL DA SEMANA! – yeeeeesssss! Aí embaixo um APERITIVO para o nosso dileto leitorado macho (cado) da nossa próxima musa rocker. Ela mesma, Marcelle Louzada, 35 anos de puro tesão. Fora que a garota, que faz doutorado em Sociologia e namora com o queridão Jonnata Doll (vocalista dos Garotos Solventes), é total do rock’n’roll. Vão se preparando aê e aguardem o ensaio com ela, que vai ser fodástico!

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  • Nada fodástica é a atual cena indie nacional. Que aliás está FALIDA, ao contrário do que vive babando um certo blog “vizinho”. Mas como Zap’n’roll só fala VERDADES, você confere aí embaixo um retrato FIEL e PRECISO de como anda a indie scene rock brazuca atualmente. Bora lá!

 

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ESPECIAL A REAL CENA INDIE NACIONAL ATUAL: BARES E ESPAÇOS PARA SHOWS ALTERNATIVOS FECHANDO, BANDAS TOCANDO PRA NINGUÉM ETC. E ENQUANTO ISSO O BLOG “VIZINHO” POBRELOAD CONTINUA ILUDINDO SEU LEITORADO COM SUA ILHA DA FANTASIA EDITORIAL, CHAMADA DE “BOOM DO INDIE NACIONAL”, UIA!

Está sendo mais uma semana infernal a que está terminando entre hoje (sexta-feira) e amanhã (sabadão em si). Mais uma semana onde o país vira lata total (nosso pobre Brasil) se vê cada mais vez mais atolado na merda de uma crise política e econômica (ambas alimentadas por escândalos de corrupção infindáveis) que parece interminável e que pode DERRETER por completo o país a qualquer momento. Incluso nesse derretimento total a nossa querida e, nesse momento, triste e maltratada cena musical independente.

Yep, a indie secene rock brazuca também está sofrendo com a crise monstro que se abateu sobre o bananão tropical. E como está… sinceramente, Zap’n’roll queria sempre trazer em cada novo post somente boas notícias para seu dileto leitorado. E especificamente nesse post até há ÓTIMAS notícias (o novo discão dos Rolling Stones, o novo álbum do velhão e genial Neil Young, as voltas do Jesus & Mary Chain e At The Drive In etc). Só que, INFELIZMENTE, nenhuma dessas notícias se refere ao rock brasileiro (ele existe ainda?), seja ele mainstream (ainda existe?) ou independente (está às portas da morte também). Mais IRRITANTE ainda é se dar conta de que, diante do quadro tenebroso que estamos vendo atualmente, um blog de cultura pop outrora respeitado na web BR, o Popload, escrito pelo jornalista Lúcio Ribeiro (hoje mais empresário da noite do que propriamente jornalista e blogueiro), INSISTE em iludir seu ainda fiel séquito de leitores com uma série editorial intitulada “O boom da cena indie nacional”, uma autêntica ILHA DA FANTASIA INDIE que vende a (falsa) idéia de que a cena alternativa brasileira atual nunca esteve tão bem. Não está. Aliás está atravessando um dos seus PIORES momenos desde que o autor destas linhas bloggers rockers acompanha essa mesma cena, há mais de vinte anos já.

Exagero do blog zapper? Infelizmente não – até gostaríamos que fosse exgero e pessimismo exacerbado nosso. Mas ao longo desse infernal 2016 que insiste em não morrer (mas que felizmente irá desaparecer pra sempre em mais três semanas; pena que 2017 vem aí aparentando ser tão cruel ou PIOR do que este ano está sendo, em todos os sentidos possíveis) as PÉSSIMAS notícias para a indie scene foram se acumulando durante as semanas e os meses do ano. Só o blog “Pobreload” foi vendo o contrário. E por certo nosso “vizinho” não foi vendo (e muito menos comentando) o fechamento de bares e espaços para shows lendários e históricos da noite under paulistana, como o Astronete (que encerrou atividades em 2015 mas cuja repercussão do seu fechamento permanece até hoje) e o Hangar110. Mais? Todo mundo já está sabendo que amanhã, sabadão, dia 10 de dezembro, o Matrix também vai se despedir após mais de duas décadas de funcionamento (e já falamos bastante sobre o que foi o Matrix e sobre seu desaparecimento em nosso post anterior a esse, vai lá dar uma conferida no texto) na capital paulista. Não só: o também já clássico Inferno Club, no baixo Augusta, e que durante uma década abrigou shows nacionais e gringos sensacionais (o blog assistiu ali uma inesquecível gig do grupo americano Bellrays), além de ótimas festas onde abundavam xoxotões total lokas e repletas de tatuagens, anunciou o fim de suas atividades. O club ainda irá ter eventos até o final deste mês de dezembro. Com o apagar das luzes de 2016 o Inferno também irá extinguir seu fogo.

Veja bem: no parágrafo acima o blog se deteve APENAS na questão do fechamento de espaços para shows e bares dedicados ao rock alternativo na capital paulista (e nem vamos entrar em outros pontos relativos aos espaços que ainda estão funcionando, como o fato de muitos deles simplesmente não promoverem mais shows ao vivo porque isso não atrai mais público, ou pior ainda: outros aderiram ao esquema “open bar PORQUEIRA”, com entrada a preço fixo e bebida ruim avonts mais discotecagem que mistura funk, eletronices e UM POUCO de rock’n’roll, o que tem garantido uma até certo ponto rentável sobrevida a esses espaços). Quando o assunto se amplia para bandas e locais para apresentações ao vivo então, aí o buraco parece não ter fundo. De anos pra cá a cena indie nacional CRESCEU em tamanho e quantidade de bandas? Sim, certamente. Mas ao mesmo tempo também aumentou (e muito) a indigência qualitativa e artística dessas bandas, o que acaba tornando as mesmas quase que completamente (em sua grande maioria) IRRELEVANTES para o público. Hoje em dia, graças às facilidades tecnológicas da era da web, todo mundo consegue gravar um disco até mesmo no quintal de casa. E também graças a essa mesma tecnologia todo mundo posta o que gravou na internet (no YouTube, no Instamerda, nas redes sociais e plataformas diversas, como Deezer, Bandcamp, Soundcloud e os caralho) e se sente imediatamente um pop star, ulalá! Quando o “artista” então estoura em “curtidas” na sua página no faceboquete, aí fodeu! O ego vai pras alturas e o sujeito se sente o máximo. Isso tudo é lindão… no mundo surreal e IRREAL da nuvem virtual e ilusória das redes sociais e do blog Pobreload, claaaaaro. Porque quando a banda da esquina marca um show em qualquer espelunca ainda com espaço disponível para gigs e abre evento no Facebook, com 500 “fãs” confirmando “presença” na parada e na hora surgem de fato no local apenas uns 30 gatos suados e pingados (menos de 10% do total dos que haviam confirmados VIRTUALMENTE que estariam presentes na bagaça), a CHORADEIRA é gigante, gritante e geral. E não adianta a banda da esquina ter já 50 mil fãs em sua pagina na rede social MENTIROSA: ela, a banda, irá continuar AMARGANDO fazer sets ao vivo para vinte ou trinta malucos (metade deles, vale ressaltar, entrando na faixa, com o nome na lista vip por serem amigos ou parentes dos músicos).

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As bandas The Baggios (acima, de Sergipe) e Maglore (abaixo, da Bahia) que tocaram ontem à  noite no Centro Cultural São Paulo, dentro da programação do festival SIM São Paulo: dois bons grupos que sofrem os efeitos da crise em cima de uma cena alternativa quase falida (fotos: Jairo Lavia)

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Enfim, uma situação desalentadora em todos os sentidos. E que infelizmente atinge inclusive as bandas ÓTIMAS que ainda existem na cena independente brasileira – sim, essas bandas são muito poucas atualmente, mas existem e resistem. Exemplos dessa situação trágica abundam: semanas atrás o incrível Los Porongas (do Acre e que reside há quase uma década em São Paulo) tocou para menos de cinqüenta pessoas no badalado Z Carniceria, na zona oeste de Sampa. Semanas depois foi a vez de Rios Voadores (de Brasília) e Jonnata Doll & Os Garotos Solventes (de Fortaleza mas morando em Sampalândia), duas das MELHORES bandas da atual cena indie nacional e que lançaram dois dos MELHORES discos nacionais deste ano (até o momento), também tocarem para um público bem reduzido (ainda assim e felizmente, um pouco mais numeroso do que o que viu a apresentação dos Porongas) no mesmo Z Carniceria. Quer mais? Tem mais (ou menos, na verdade): a Luneta Mágica, de Manaus, é outro nome espetacular da cena alternativa brasileira. Já estão com dois ótimos discos lançados. E mesmo assim enfrenta dificuldades atualmente para marcar shows e tocar até mesmo na capital do Amazonas, cidade natal do conjunto.

De dez anos pra cá talvez o único grupo que se tornou realmente GRANDE na cena independente (tocando atualmente sempre pra platéias com no mínimo quinhentas pessoas) é o cuiabano (também residindo em Sampa há anos já) Vanguart, descoberto por este blog mesmo há mais de uma década na capital do Mato Grosso, quando para lá fomos para cobrir um festival alternativo em pleno carnaval. E nessa última década a situação só piorou para a indie scene nacional. Bandas surgem e desaparecem aos montes, todos os dias. As que sobrevivem, mesmo tendo um ótimo trabalho, só ganham algum dinheiro quando conseguem emplacar uma apresentação em algum SESC da vida (e que paga cachês em torno de R$ 6 mil temers mesmo a grupos iniciantes), mesmo que o show não tenha público algum. Ou então conseguem boa exposição na mídia (o que não significa retorno financeiro ou de público imediato) quando se encaixam em eventos como o SIM, que está acontecendo essa semana em São Paulo: trata-se da Semana Internacional de Música, que espalhou por vários locais da cidade uma extensa programação composta de shows ao vivo, palestras, mesas de debates, exibições de filmes e vídeos etc. Tudo isso tentando atrair um público que custa cada vez mais a dar as caras em gigs de bandas indies, mesmo que algumas poucas delas sejam ótimas (a grande maioria é ruim de doer). Foi o caso dos shows acompanhados pelo blog zapper ontem à noite no Centro Cultural São Paulo, quando subiram ao palco o The Baggios (de Sergipe) e o Maglore (da Bahia). Dois conjuntos decentíssimos em suas acepções sonoras e que, milagrosamente, conseguiram atrair um bom número de espectadores para o CCSP. Detalhe: a entrada para os shows foi GRATUITA.

Fora que eventos como o SIM São Paulo só conseguem se viabilizar quando a produtora responsável consegue captar alguns milhares (ou milhões, dependendo do caso) de reais junto a patrocinadores, públicos ou privados, algo que também está cada vez mais impossível de acontecer nesses tempos mega bicudos pelos quais estamos passando. No caso do SIM (que já está em seu quarto ano de realização) a organização conseguiu bons patrocínios da cerveja Skol, da Coca-Cola, do ProacSP (programa de incentivo à Cultura do governo paulista) e do BNDES. E quem não consegue entrar numa benesse desse tipo ou não tem a sorte de descolar uma MAMADA desse naipe, se vira como pode. Exemplo desse “se virar como der” e da resistência FONOGRÁFICA independente a essa crise gigantesca pode ser vista na atuação do selo paulistano Baratos Afins, coligado à já histórica loja do mesmo nome. Capitaneada há mais de trinta anos pelo produtor Luiz Calanca (dileto amigo pessoal destas linhas rockers virtuais), a Baratos conseguiu lançar em 2016 cinco novos CDs, sendo o mais recente deles da banda de hard rock Kamboja (sobre o qual o blog irá falar melhor até o primeiro post de 2017). Mas o próprio Calanca admite que os tempos estão muito mais difíceis do que até poucos anos atrás.

É essa a REAL situação da REAL cena indie nacional. Infelizmente. Mas é claro que alguns ainda preferem enxergar a dura e triste realidade de outra forma, como o blog PobreLoad (e sendo justos aqui: prezado Lúcio Ribeiro já foi um jornalista importantíssimo na imprensa de cultura pop nacional, além de bom amigo zapper durante muitos anos; agora além de estarmos com a relação de amizade um tanto “azedada” por divergências de opinião profissional e ideológica, estas linhas bloggers lamentam que Luscious tenha se tornado um jornalista PREGUIÇOSO e quase total chapa branca, que fala bem de tudo e para quem está tudo LINDO no rock e na cena indie nacional, ahahahaha). Enquanto isso essa cena só definha. Pois o que resta a nós é justamente isso: torcer no final deste tópico especial para que a cena rock alternativa brasileira se recupere e volte aos seus dias de glória, como foi no anos 80’ e 90’. E se essa recuperação vai de fato acontecer, só o tempo dirá.

 

OS IMORTAIS ROLLING STONES ESTÃO DE VOLTA, COM UM DISCAÇO DE… COVERS DE CLÁSSICOS DO BLUES

Com cinqüenta e quatro anos de INESTIMÁVEIS e ESPETACULARES serviços prestados ao rock’n’roll mundial, os “vovôs” ingleses dos Rolling Stones (a maior banda de todos tempos, que já está acima do bem e do mal e que é o grupo supremo no coração zapper) voltam a surpreender o mondo rocker quando ninguém mais esperava lá um grande lançamento de estúdio com a assinatura do conjunto. Pois “Blue & Lonesome”, lançado pela turma de Mick Jagger, Keith Richards, Ronnie Wood e Charlie Watts há cerca de duas semanas não apenas salva o ano rock de 2016 (e até quase seu final se mostrava como um dos PIORES dos últimos tempos, em termos de novos discos), como ainda traz os RS em seu melhor momento desde, talvez, “Tattoo You”, o hoje já clássico álbum editado por eles em 1981. E detalhe: a nova obra stoniana, como milhões de fãs já estão sabendo, não traz composições inéditas do conjunto mas sim… uma impecável reunião de doze covers de clássicos do blues.

E há outros detalhes que também chamam a atenção em relação ao novo trabalho musical dos Stones. A banda não lançava um cd inédito há mais de uma década –  “A Bigger Band”, o registro de estúdio anterior, saiu há onze anos, em 2005. Pois após esse gigantesco período de “férias”, deu a louca em Jagger e cia: do nada eles resolveram se enfurnar em um estúdio em Londres, em dezembro de 2015. E não precisaram do que mais de três dias (!!!) para sair de lá com esse “Blue & Lonesome” totalmente gravado. Sendo que a opção por resgatar clássicos da história do blues a essa altura da existência da banda, parece fazer todo o sentido do mundo. Afinal e mesmo sendo quem são (a maior banda de rock’n’roll de todos os tempos), os Stones não se viram imunes à passagem do tempo e ao desgaste criativo e artístico. Tanto é que suas últimas tentativas de continuar produzindo material próprio e inédito, soaram bastante sofríveis (o citado “A Bigger Bang”), quando não francamente consgtrangedoras (caso de “Bridges To Babylon”, lançado pelo grupo em 1997 e que merecidamente desapareceu da memória até dos fãs mais mais aguerridos).

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O novo discaço da maior banda de rock de todos os tempos: só covers de clássicos do blues

Assim a opção por regravar clássicos da história do blues soa perfeitamente compreensível: ao invés de arriscar gravar novas composições inéditas e que pudessem novamente atestar o desgaste criativo do conjunto, os Stones fizeram um mergulho e uma viagem sem nostalgia às suas raízes bluesísticas – yep, a matriz sonora do grupo sempre foi o blues e o R&B, algo totalmente perceptível nos primeiros discos lançados pela banda. O resultado desse mergulho é algo portentoso: em doze faixas os “vovôs” dão sua visão sonora a canções de bluesmen lendários como Howlin’ Wolf, Memphis Slim, Little Water e Willie Dixon, de quem regravaram o imbatível clássico “I Can’t Quit You Baby” (e que anteriormente já havia sido “coverizada” por outro monstro da história do rock, o Led Zeppelin, que fez uma versão pesadíssima da música no seu disco de estréia, em 1969). Não só: os dois primeiros singles extraídos do disco (e que já ganharam vídeos promocionais) mostram a potência implementada pelo conjunto às regravações, e aí é um prazer ouvir Mick Jagger alternando vocais bluesy com solos de harmônica em “Hate To See You Go”. Ou ainda ver o trabalho de guitarra do gênio imortal que é Keith Richards em “Ride ‘Em On Down”.

Não teve erro, não deu ruim. Com “Blue & Lonesome” a maior banda de rock de todos os tempos apenas ratificou o que todos nós já estamos carecas de saber: quando os Stones querem APAVORAR, eles apavoram. E sem a existência desses velhões imbatíveis, o rock teria deixado de escrever e legar para a história da música muitas de suas paginais mais incríveis. Ainda bem que eles existem e que ainda estão aí, em plena atividade. Pois que não nos deixem órfãos tão cedo.

 

 

O TRACK LIST DO NOVO DISCO DOS ROLLING STONES

1.”Just Your Fool”

2.”Commit a Crime”

3.”Blue and Lonesome”

4.”All of Your Love”

5.”I Gotta Go”

6.”Everybody Knows About My Good Thing”

7.”Ride ‘Em On Down”

8.”Hate to See You Go”

9.”Hoo Doo Blues”

10.”Little Rain”

11.”Just Like I Treat You”

12.”I Can’t Quit You Baby”

 

 

“BLUE & LONESOME” PARA AUDIÇÃO COMPLETA, AÍ EMBAIXO

 

E OS DOIS PRIMEIROS VÍDEOS TIRADOS DO ÁLBUM

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

Disco: o novo e fodástico dos Rolling Stones, óbvio.

 

Livro: “A segunda mais antiga profissão do mundo” (editora Três Estrelas) reúne textos publicados pelo genial, saudoso e inesquecível Paulo Francis no jornal Folha De S. Paulo, nos anos 90’. É um livro ESSENCIAL para se compreender boa parte da história política e cultural brasileira nas últimas três décadas, além de uma AULA de jornalismo onde Francis, impecável como sempre foi em seu trabalho, mostra para a geração atual porque ele foi talvez o maior nome da imprensa nacional  nos anos 70’, 80’ e 90’. A escrita de PF carregava tudo o que falta à mídia nos dias de hoje: honestidade, sinceridade, virulência, cultura, informação, elegância e erudição. Ele faz muita falta. Mas ao menos podemos relembrar sua pena magnífica através desse volume imperdível.

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Gig total rock’n’roll pra hoje: os Pin Ups, ícone máximo do indie guitar noise paulistano e nacional dos 90’, continuam a toda ao vivo. E fazem a última grande balada noturna alternativa do ano hoje, sextona em si (16 de dezembro, quando esse postão está enfim sendo finalizado), lá no Z Carniceria (que fica na avenida Faria Lima, 724, Pinheiros, zona oeste paulistana). A banda sobe ao palco por volta da meia-noite e é a pedida imperdível pra hoje à noite, sendo que mais infos sobre o show você encontra aqui: https://www.facebook.com/events/1116619501802465/.

 

Evento bacana para janeiro: é o festival “Volume Morto”, qie vai rolar dia 15 do mês que vem, logo  no comecinho de 2017, em Sampa. Organizado por Jonnata Araújo (vocalista dos esporrentos e ótimos Garotos Solventes), vai reunir shows de várias bandas alternativas, exposições, performances e até LEITURAS, a cargo de Zap’n’roll (que foi convidado a participar, aceitou e ainda vai estudar o que irá ler no palco, durante um dos intervalos entre as gigs dos grupos que irão tocar). Vai ser num domingão, e promete ser bacanão sendo que voltaremos a falar do assunto após as férias do blog, que começam semana que vem. Mas você já pode ir se agendando pra curtir a parada, e se informar sobre ela aqui: https://www.facebook.com/events/2063098163916451/.

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Baladas para este finde: final de ano já aí, natal e reveillon se aproximando e as baladas under já também tirando o time de campo. Assim, fora o showzão de hoje à noite dos Pin Ups, pouco há pra se fazer neste finde em Sampa, sendo que semana que vem todo mundo já estará pensando mais é em pular fora de Sampalândia pra algum lugar sussa e sem a correria infernal da capital. Bien, hoje também tem show da lenda Harry (junto com o Garage Fuzz) lá no Torto Bar, em Santos (avenida Siqueira Campos, 800).///Sabadão? Boa pedida é ir tomar uma breja no bar teatro Cemitério De Automóveis, do queridão Mario Bortolotto, lá na rua Frei Caneca, 384, Consolação, centro de Sampa.///E domingão, como sempre, é noite de projeto Grind na Loca (rua Frei Caneca, 916), a melhor domingieira rock’n’roll de Sampa e há dezoito anos (!!!) comandada pelo super dj André Pomba. Falouzes? Então capricha no modelon e se joga!

 

E FIM DE FEIRA

Yep. Postão chegou ao fim. E com ele esse 2016 dos infernos também está indo finalmente e felizmente pra casa do caralho. Semana que vem voltamos com o ÚLTIMO post do ano do blog zapper. Publicando nele nossa rápida e pequena lista com os melhores discos do ano. E TAMBÉM, de presente de natal, um ENSAIO FOTOGRÁFICO rock’n’roll que vai enlouquecer nosso dileto leitorado, ainda mais nesses tempos total reaça em que estamos vivendo. Pela primeira vez o blog irá mostrar um CASAL rocker bacaníssimo em sua INTIMIDADE. Ficou curioso? Beleusma: deixamos já aí embaixo, pra fechar este post, um APERITIVO do que virá na semana que vem. Apreciem sem moderação. E até a próxima!

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(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 16/12/2016 às 17hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL! (falando dos shows da VELHARIA rock’n’roll que estão a caminho do Brasil, além do roteiro de baladas e dicas culturais do blogão) – Às vésperas da eleição 2016 (que acontece nesse domingo, quando o Brasil elege seus novos prefeitos e vereadores) o país TOTAL VIRA LATA revela a face mais FASCISTA, OGRA, REACIONÁRIA, INTOLERANTE e BESTIAL de uma sociedade e de um eleitorado que está mais IGNORANTE do que nunca; por isso mesmo o blog zapper fala dos vinte anos (que se completam agora, em 11 de outubro) da morte do inesquecível gênio Renato Russo, que marcou para sempre o rock brasileiro com sua poesia e sua intensa contestação política; e mais: o line up do Lollapalooza BR 2017; a REAL CENA INDIE NACIONAL (e não aquela criada pela “ilha da fantasia indie” de um certo blog “vizinho”), mostrada em um sensacional documentário; o blogão também político entrevista André Pomba, nosso candidato a vereador em Sampa; e mais zilhões de indicações de discos (como o novo das meninas do Warpaint e também do grupo paulistano Fábrica de Animais), shows, livros e baladas no roteiro cultural do blog que é campeão quando o assunto é cultura pop e rock alternativo (postão TOTALMENTE CONCLUÍDO, com ampliação final em 7/10/2016)

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O grande, clássico e inesquecível rock’n’roll da saudosa Legião Urbana (acima) é relembrado em histórias exclusivas nesse post, em homenagem aos vinte anos da morte de Renato Russo; mas o blogão também fala do novo rock planetário que ainda importa, resenhando o novo disco das garotas do Warpaint (abaixo)

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ÚLTIMAS DAS ÚLTIMAS, FECHANDO O POSTÃO

  • Abriram as portas de algum ASILO do rock’n’roll e um bando de VELHÕES vai aportar em terras brazucas até o final do ano e também em 2017. O já gagá Aerosmith e que toca no país ainda este mês, foi anunciado como uma das “novas” atrações do Rock In Rio 2017 – ou seja: as turnês caça níqueis por aqui agora são ANUAIS e na cara larga, uia! Fala sério…

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Eles já estão gagás, e tocam aqui este mês e ano que vem, no Rock In Rio 2017; pelamor…

  • Vai ter também New Order dia 1 de dezembro na capital paulista. Show único no Brasil. Ok, o último disco de estúdio deles, “Music Complete”, é muito bom. Mas ao vivo a banda já está CAIDAÇA há anos. Então essas linhas rockers online batem uma APOSTA como a gig do ex-baixista Peter Hook vai ser mais legal do que o show do NO. Peter toca dia 6 de dezembro, também em Sampa.

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O New Order (à esquerda) e o ex-baixista Peter Hook (à direita): os dois se apresentam em São Paulo em dezembro

  • E amanhã, sabadão em si, tem o Popload Festival, com Wilco e Libertines a infelizmente preços MEGA EXTORSIVOS. O blog não vai no evento (pois JAMAIS iria pagar o que estão cobrando pelos tickets), mas já escalou a queridona Tatiana Pereira para resenhar as gigs pra este espaço rocker blogger. Mas só de curiosidade, e a pergunta vai pro nosso prezado dear Luscious R.: os 8 mil ingressos já se esgotaram? Ou estão SOBRANDO e terão que ser QUEIMADOS na última hora?

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Tem Libertines (foto) e Wilco amanhã em Sampa; pena que o ingresso pra ver os dois seja um autêntico ASSALTO A MÃO ARMADA

  • Que beleza, hein! Outra banda “sensação” da “ilha da fanasia indie” que é o nosso blog “vizinho” (o Pobrel…, ops, Popload, hihi), o inútil Bonde Do Rolê, acaba de ter um SEGREDO revelado: um de seus fundadores também é um dos fundadores do direitista e reacionário Movimento Brasil Livre (o detestável MBL). Oxe, será que Luscious R. também está se tornando um jornalista musical de DIREITA e reaça? Será???

 

  • Fim de transmissão. Semana que vem tem mais!

 

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A RUÍNA DO PT E A LIÇÃO QUE A ELEIÇÃO DO ÚLTIMO DOMINGO NOS DEIXA

O autor deste blog nunca foi petista de carteirinha, mas durante anos simpatizeou muito com o partido e com muitos de seus quadros. Votou em Lula, votou em Dilma (assume sem o menor constrangimento mas com algum arrependimento, principalmente na sua reeleição já que seu segundo mandato foi mesmo um desastre). Sempre amou o velhinho do coração de todos nós, o gigante (na moral e ética irrepreensíveis) Eduardo Suplicy (um dos políticos mais DIGNOS da imunda política brasileira; não por acaso ele acaba de se eleger como o vereador mais votado dessas eleições na capital paulista). Continua sendo fã do infelizmente derrotado Fernando Haddad e também DETESTA muita gente no petismo (Zé Dirceu, por exemplo).

Mas as eleições do último domingo deixam um recado INEQUÍVOCO ao PT: o partido está ARRUINADO, e por sua própria culpa (não à toa quadros históricos e ultra honrados do petismo, como Luiza Erundina, foram abandonando a legenda ao longo dos anos e quanto mais ela se distanciava dos princípios que nortearam sua fundação). Ele se tornou apenas mais um partido igual a todos os outros e a tudo que ele combatia na política – corrupção, bandidagem, pilantragem, roubo na cara larga. Sim, ainda há muita gente digna e honesta ali, mas não dá pra negar que o petismo se transformou num antro de ratazanas graúdas e que se locupletaram quando assumiram o poder e o controle da maquina pública.

Deu no que deu: Haddad derrotado em São Paulo. Os candidatos do partido FORA de quase todas as disputas de segundo turno nas capitais brasileiras (exceções: Rio Branco, no Acre, onde o candidato do partido já levou no primeiro turno, e em Recife, onde o PT está no segundo turno) e por aí vai. Tudo já seria bastante digno de tristeza mas a GRANDE TRAGÉDIA petista ainda produziu mais um efeito DESASTROSO na política: a ruína petista ainda deu combustível para que as forças políticas de direita, reacionárias e conservadoras ao máximo (bem ao gosto do grosso da sociedade brasileira atual) AVANÇASSEM COM TUDO nessas eleições – o Fantástico da Rede GOLPE de televisão  informou (em matéria feita por Roberto Kovalic, um ótimo repórter diga-se) que o PT é o grande derrotado dessas eleições. E os grandes vencedores são os lastimáveis PSDBosta e PMDBosta, dois partidos ainda mais BANDIDOS e quadrilheiros do que o petismo. Só que o PSDB, hoje partido quase de direita (e que também não tem mais nada a ver com os princípios que nortearam a sua fundação) e adotado pela elite suja e egoísta desse país, pode roubar à vontade pois ele conta com a benevolência de parte das instituições jurídicas brasileiras (setores do MPF e dos MPEs, da PGR, da PF e eventualmente até do STF e do STE, né Gilmar Mendes e Sergio Moro). E conta com TOTAL APOIO das grandes corporações de mídia – a FALHA de São Paulo só faltou estampar uma tarja em suas capas ao longo da campanha, dizendo ao leitor: “votem em João Escória, a Folha garante!”.

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E enquanto o PT naufraga sem dó, a esquerda mais à esquerda avança – olha lá o pequeno PSOL (hj muito mais ético do que o atual PT e com nomes bacaníssimos em sua legenda, como a própria Erundina e também Marcelo Freixo, Chico Alencar etc.) disputando o segundo turno no Rio De Janeiro e em Belém, aliás os eleitores dessas duas capitais estão de parabéns por colocar o partido no segundo turno, dando uma LIÇÃO DE INTELIGÊNCIA POLÍTICA ao total conservador e ignorante eleitor paulistano.

Infelizmente é isso. Não há mais saída para o PT. Ele precisa ser IMPLODIDO e REFUNDADO. E com urgência.

 

Adendo: Fernando Haddad cometeu erros e equívocos em sua gestão, sem dúvida – ele é humano e, como tal, falível. Mas seus acertos foram muito maiores do que os erros. Fez uma gestão quase VISIONÁRIA e que daqui a muitos anos, se houver justiça, será reconhecida e terá enfim seu valor admitido.

 

A GIG FODÍSSIMA DO GRUPO HARRY NO ÚLTIMO SÁBADO EM SAMPA

Yep, o combo electro rock do vocalista Johnny Hansen se apresentou no último sábado em Sampa, na Clash Club. Era a gig de lançamento de “Electric Fairy Tales”, a versão rocker do disco lançado pela banda em 1988, e que se tornou um dos marcos do indie rock nacional quando ele acontecia sem a ajuda de redes sociais, de apps, de internet e celulares (já que não havia nada disso). Uma cena fodíssima (e não essa droga atual, que só é incenssada na “ilha da fantasia indie” criada por dear Luscious Ribeiro em seu blog também fantasia, o Popload) e um banda (o Harry) que estava tão à frente do seu tempo que seu som permenece moderníssimo até os dias atuais.

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Hansen (acima), guitarrista e vocalista do grupo Harry (abaixo) comanda o esporro rock eletrônico da banda, no último sábado na capital paulista

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O set foi porrada (com guitarras em chamas, a cargo do “véio” Hansen) e empolgante, fazendo o público pular e dançar com gosto – e foi bem mais gente na Clash do que estas linhas bloggers imaginaram que iria.

 

Valeu, Harry! Que a banda permaneça assim por mais três décadas, hehe.

 

(as fotos, ótimas, que ilustram este texto são de Jairo Lavia)

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O país bestial e total vira lata e as eleições deste domingo.

São os temas que dominam as atenções de todos (nos noticiários dos veículos de mídia, impressos, eletrônicos, digitais, em revistas, jornais, TVs, rádios, sites, blogs etc, etc.) esta semana. Nem poderia ser diferente, com a eleição para novos prefeitos e vereadores batendo à nossa porta – ela acontece amanhã (a primeira parte do novo postão de Zap’n’roll está entrando no ar já na tarde do sabadão) em todo o Brasil. Fora que os acontecimentos das últimas semanas e o quadro político, econômico e social mega tenebroso reinante no país nesse momento praticamente obriga o blog a falar muito em política por aqui, mesmo sendo este um espaço virtual eminentemente dedicado a cultura pop e ao rock alternativo já há mais de treze anos ininterruptos. Pois de semanas pra cá o Brasil assiste algo estupefato a uma série de eventos bastante aterradores: os crimes de conotação política que já mataram mais de vinte candidatos por todo o país nos últimos meses (transformando a terra brasilis num autêntico faroeste caboclo), o avanço da violência social, o aprofundamento da crise econômica (e que nesta semana totalizou doze milhões de desempregados no país) e, muito por conta disso tudo, o AVANÇO das candidaturas políticas ultra conservadoras e de direita – não à toa, quem está melhor colocado nas pesquisas de intenção de voto nas duas maiores cidades do país (São Paulo e Rio De Janeiro) são nomes como bispo Crivella (evangélico e pertencente ao nanico e escroque PRB, no Rio) e João Doria e Celso Russomano (em Sampa). E não à toa TAMBÉM o Tribunal de Justiça de São Paulo anulou na última semana a sentença que condenava setenta e quatro PMs paulistas pela matança ocorrida no tristemente célebre massacre do Carandiru, ocorrido em 1992. É como se a (in) Justiça brasileira OFICIALIZASSE o “bandido bom é bandido MORTO” e concedesse licença OFICIAL para a polícia MATAR indiscriminadamente. Diante desse quadro tão tenebroso vale lembrar da pergunta/exclamação que o gênio Renato Russo já havia feito quase trinta anos atrás à frente da inesquecível Legião Urbana: “QUE PAÍS É ESSE???”. Russo se foi há exatos vinte anos (que serão completados no próximo dia 11 de outubro, quando este post ainda estará no ar) e por isso ele e sua obra musical é um dos destaques do postão que você começa a ler agora. Um postão sendo publicado na véspera de mais uma eleição e onde as perspectivas de mudanças na política e na sociedade brasileira parecem cada vez mais sombrias e/ou remotas. Está na hora, de verdade, de todos nós fazermos uma reflexão profunda sobre o que queremos de fato para nós (como cidadãos) e para o país. E se estas linhas rockers online puderem ajudar nessa reflexão, ótimo. Do jeito que a situação está é que não pode ficar. Então bora começar a leitura de mais um post zapper, sempre do lado do seu dileto leitorado.

 

 

  • O blog já declarou publicamente seu voto para as eleições de amanhã, domingo. Nosso candidato a vereador em Sampa é o DJ e agitador/produtor cultural André Pomba, com quem Zap’n’roll bateu um papo essa semana e cujo resumo desse papo você lê mais aí embaixo, nesse mesmo post. Para prefeito no primeiro turno: Luiza Erundina ou Fernando Haddad (iremos decidir amanhã, após verificarmos as últimas pesquisas de intenção de voto). E estas linhas bloggers fazem o apelo aos seus leitores: NÃO DESPERDICE SEU VOTO AMANHÃ!

 

 

  • E já indo pro rrrrrock nas notas iniciais (que a correria tá grande por aqui, em pleno sabadão), o destaque da semana que está chegando ao fim foi mesmo o anúncio do line up do festival Lollapalooza BR em sua edição vindoura de 2017 (rola nos dias 25 e 26 de março em São Paulo, no autódromo de Interlagos). O que já era esperado foi oficializado pela produção do evento: o insuportável Merdallica é o headliner do festival. Mas também vai ter The Strokes (eba!), Duran Duran (novamente: eba!) e The XX (wow!) entre outros (veja o quadro aí embaixo). Como sempre o esquadrão intermediário de atrações será duro de engolir/assistir mas ao que parece o Lolla BR 2017 está um tiquinho melhor do que as duas últimas edições. Já o preço dos ingressos não mudou nada: continua um ASSALTO à mão armada ao bolso dos fãs.

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O line up da edição 2017 do Lollapalooza BR (acima): os Strokes (abaixo) voltam ao Brasil e são uma das atrações do festival

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  • Quem também está promovendo assalto ao bolso do fã de rock é o Popload Festival. Não custa lembrar: para ver Wilco, Libertines etc semana que vem em Sampa (sábado, dia 8 de outubro) quem se interessar terá que desembolsar até quase 800 pilas por um ticket (da famigerada pista vip, antes tão combatida pelo prezado jornalista Lúcio Ribeiro, um dos produtores do festival). Não só: o evento perdeu o show da banda americana Battles (que desistiu de vir e na real não vai fazer falta alguma) e, pior, causou irritação nos fãs do Wilco devido a enooooorme confusão que foi a venda online ontem dos ingressos para o show extra a preços populares (vinte dinheiros) que o grupo americano faz no dia 9 (domingo) no auditório Ibirapuera. Vai mal o Popload festival desse jeito…

 

 

  • Aí vem aquela notícia redentora para a galera indie rocker e fã do graaaaande e saudoso Sonic Youth: a ex-baixista da banda, a deusa e musa loira Kim Gordon, vai fazer duas gigs neste mês em Sampa, nos dias 21 e 22 de outubro no SESC Pinheiros. Preço do ingresso: suaves sessenta pratas.

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Zap’n’roll ao lado da musa, deusa loira e baixista Kim Gordon, no backstage do festival Claro Que É Rock, em novembro de 2005 em Sampa, ao final da gig do Sonic Youth no evento; Kim se apresenta novamente na capital paulista no final desse mês

  • Pois então: se um show da Kim Gordon numa unidade do SESC pode custar apenas sessenta mangos pro bolso de quem quiser ir, vem a pergunta que não quer calar: por que tanto o Lollapalooza BR quanto o Popload Festival precisam cobrar quase MIL REAIS por um ÚNICO ingresso? Hein???

 

 

  • Bien, vamos nessa. Novo postão zapper entrando a toque de caixa no ar, com sua primeira parte. Calma que vai vir muito mais por aqui ao longo da semana vindoura, inclusive nas notas iniciais que irão sendo atualizadas e ampliadas caso algo relevante mereça ser comentado aqui. Mas por enquanto vamos direto aí embaixo, quando relembramos com histórias inéditas de bastidores os vinte anos sem Renato Russo, o gênio que criou e cantou à frente do gigante Legião Urbana.

 

 

11 DE OUTUBRO DE 1996 – HÁ VINTE ANOS O ROCK BR DOS 80’ PERDIA SEU GÊNIO MAIOR, RENATO RUSSO

(E ZAP’N’ROLL ESTAVA LÁ NO OLHO DO FURACÃO, ACOMPANHANDO TODA A TRAJETÓRIA DA INESQUECÍVEL LEGIÃO URBANA)

Renato Manfredini Jr., ou Renato Russo, fundador e vocalista do grupo brasiliense Legião Urbana, tinha trinta e seis anos de idade quando morreu (em decorrência de complicações causadas pela AIDS) há vinte anos, em 11 de outubro de 1996. A Legião então já existia há quase quinze anos e havia se tornado a maior banda do rock BR dos anos 80’, com discos clássicos em sua discografia, milhões de cópias vendidas de seus álbuns e uma legião gigantesca de fãs espalhados por todo o país. E Zap’n’roll acompanhou muito de perto toda a trajetória da banda de Russo, Renato Rocha (o baixista Billy, também já falecido), Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá.

O que o blog viu, ouviu e viveu ao som da Legião Urbana? Isso daria um LIVRO aqui, de umas 200 páginas mais ou menos. De 1982 a 1994 o autor destas linhas bloggers rockers assistiu a exatamente DEZ SHOWS do grupo. O primeiro, em alguma noite do segundo semestre de 1982, num buraco chamado Napalm e que ficava na rua Marquês de Itú, no centrão de São Paulo. Era um muquifo pós-punk pré-Madame Satã e numa noite a Legião tocou lá. Ainda com Renato Russo tocando baixo e cantando (Renato Rocha, o negão, entraria no conjunto um ano depois). Não havia mais do que 50 pessoas ali e Finaski era uma delas. Três anos depois, em 1985, lá estava o futuro jornalista na Devil Discos, na Galeria do Rock (centro de São Paulo), comprando o primeiro disco do grupo, “Legião Urbana”, aquele de capa branca e apenas com uma foto p&b da banda na frente e verso da capa. Zap’n’roll era BANCÁRIO (imaginem… duramos menos de um ano na profissão), tinha deixado de ser punk (foi durante 4 anos) e aquele disco de capa branca do quarteto de Brasília possuía algumas das melhores músicas que já tínhamos ouvido na vida no então nascente rock BR dos anos 80’.

Pouco mais de um ano depois (em meados de 1986) o jovem zapper acabara de estrear como jornalista profissional numa revisteca chamada Rock Stars, e começou a ganhar CONVITES e credenciamentos para ir a shows. Foi quando finalmente viu a Legião pela segunda vez em um palco: foi num sábado à noite, no SALÃO DE FESTAS do Palmeiras (não, não foi no estádio). Aí já havia umas mil pessoas ali pois além de as músicas da Legião estarem tocando nas rádios, também tocaram no mesmo show o Ira! (já com seu primeiro álbum lançado) e o Capital Inicial (que estava prestes a lançar seu primeiro LP pela Polygram, atual Universal Music). Foi um show tríplice empolgante (o jovem jornalista foi com o seu primo que estudava medicina e que hoje é um respeitável médico cinqüentão e evangélico) e mais uma vez teve a certeza de que a Legião era a GRANDE banda brasileira de então. Foi também a primeira vez que trocou algumas palavras com Renato, no camarim após o final do show.

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Agosto de 1990: a Legião Urbana está no auge, só toca em estádios lotados na turnê do disco “As Quatro Estações” e o jornalista zapper registrou o maior fenômeno do rock BR dos anos 80′ nas páginas da revista IstoÉ (acima e abaixo)

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Em dezembro daquele mesmo 1986 a Legião Urbana voltou a São Paulo para apenas um único show e só com ela mesma no palco. O disco “Dois” havia sido lançado meses antes, estourou nas rádios e em vendagem (mais de meio milhão de discos vendidos em poucos meses) e o grupo de Renato, Dado, Bonfá e Renato Rocha simplesmente LOTOU o ginásio do Ibirapuera, colocando 15 mil pessoas ensadencidas lá dentro.

A partir daí a Legião se tornou gigante e o sujeito aqui também foi crescendo e se tornando conhecido como jornalista musical. Em questão de dois anos passamos a colaborar com a revista Somtrês (então dirigida por Maurício Kubrusly, hoje repórter do quadro “Me leva Brasil”, do Fantástico), depois nos tornamos repórter da revista semanal IstoÉ, do Caderno 2 do jornal O Estado De S. Paulo e mais adiante da revista mensal de estilo e comportamento Interview (poderosíssima naquela época). Foi nesse período, entre 1988 e 1994, que o agora já bem conhecido repórter musical entrevistou a Legião Urbana para matérias gigantes que renderam uma “páginas vermelhas” da IstoÉ (o entrevistão que abre todas a edições da revista até hoje), um matéria de abertura da editoria de Cultura da mesma IstoÉ (na edição de 1 de agosto de 1990; era a turnê do disco “As Quatro Estações”, a maior feita pela banda até então e onde ela só estava tocando em estádios para 40 mil pessoas; acompanhamos umas quatro gigs dessa turnê para poder fazer a matéria, que ocupou três páginas da revista), uma matéria de três página na Interview (edição de janeiro de 1994) e, por fim, uma capa inteira do extinto caderno Folhateen, da Folha De S. Paulo. Nessa época o autor deste blog já era muito próximo da turma toda (inclusive do Rafael Borges, o poderoso manager do conjunto) e rolou um fato bizarro em relação a matéria da Folha: a banda estava estourada (“As quatro estações” havia vendido mais de um milhão de cópias e pelo menos cinco faixas do disco tocavam sem parar em tudo quanto era rádio, desde as fms mais roqueiras às mais bregas) e não tocava há 4 ANOS AO VIVO em São Paulo. Haveria dois shows na capital paulista em setembro, novamente no Palmeiras – e desta vez no ESTÁDIO, com público estimado em 45 mil pessoas em cada noite. A Folha, que se auto-proclamava “o maior jornal do Brasil”, TINHA que dar uma matéria com a banda, de preferência entrevistando-a. Mas o que rolou? Renato se negava terminantemente a falar com o jornal dos Frias desde que o disco “Que País É Este!”, lançado pelo quarteto em 1987, havia sido chamado de “esquálido” em uma resenha assinada pelo crítico Mario Cesar Carvalho no caderno Ilustrada.

Como foi “quebrada” a resistência de Russo em falar com a Folha e saiu enfim a matéria de capa INTEIRA no caderno Folhateen? Simples: um dia Finas resolveu ir na redação da Folha (vivíamos fazendo alguns frilas pra lá) e chegou pra Noely Russo (então editora do Folhateen e que não ia nem um pouco com a cara deste jornalista), dizendo: “se você quiser eu CONSIGO falar com eles e faço a matéria pro caderno”. Ela olhou com total ar de desdém e respondeu: “pode tentar. Se conseguir, a capa do caderno será sua”. Passamos duas semanas enchendo o saco do Rafa por telefone (não havia e-mails, internet, cels, apps, nenhuma dessas porras malditas de hoje em dia) pra conseguir a entrevista, argumentando que seria Finatti quem iria fazer, que iríamos pro Rio ao encontro da banda e bla bla blá. Até que um dia ele respondeu: “Venha pra cá na segunda-feira. Eles vão falar com você. E vão dar a entrevista pra Folha porque é VOCÊ quem vai fazer. Senão não ia rolar”. Moral da história: uma semana antes dos shows em São Paulo em 1990, o Folhateen da FolhaSP dava Legião Urbana na CAPA INTEIRA do caderno, em matéria assinada pelo sujeito aqui. Pra talvez um certo desgosto de miss Noely Russo (onde andará ela, afinal?), rsrs.

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Capa (acima) e reportagem gigante (abaixo) da revista Interview, edição de janeiro de 1994, com matéria com a Legião assinada por Finaski

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Os últimos shows que vimos da Legião foram no final de 1994, ambos no ginásio do Ibirapuera novamente. Era a turnê do álbum “O descobrimento do Brasil” e na primeira noite, quinta-feira, o ginásio não chegou a lotar. Na sexta, tinha gente pendurada no teto. E Zap’n’roll lá, já muito amigo de toda a banda, com nossa sempre credencial “all acess” pendurada no pescoço. Foi nesse último show que vimos deles que, já no bis, Renato Russo foi ao microfone e disse: “a gente vai tocar uma música agora que não tocamos ao vivo faz um tempo já. Mas como um AMIGO nosso pediu ontem pra gente tocar, então vamos tocar”. O “amigo” era este velho Finaski, que na noite anterior e depois do show, já papeando com Russo e a turma no lobby do hotel Maksoud Plaza (onde o conjunto estava hospedado), pediu ao se despedir: “toca ‘Ainda É Cedo’ amanhã. Faz tempo que vocês não a tocam ao vivo”. Russo: “vamos ver Humberto, vamos ver…” (yep, ele estranhamente me chamava pelo primeiro nome, Humberto).

O último show da banda na verdade foi em janeiro de 1995, em Santos. Finaski ligou pro Rafael no Rio e pediu dois convites (o repórter já trintão e doidão namorava com a Greta, uma crioulaça de 19 anos de tetas gigantescas, que estava entrando no curso de Letras na USP e que amava Smiths, Doors, poesia e Legião Urbana; e além de tudo era uma foda do inferno e que amava engolir porra). Ele disse ok, sem problema. O show foi num sábado à noite. O zapper estava morando num apê antigo e grandão no Cambuci, que dividia com o fotógrafo e até hoje querido amigo Luiz Carlos Leite. O final da história é que a Greta chegou no apê, estávamos ambos com uma preguiça gigante de ir parar em Santos, e acabamos preferindo ficar trepando e depois fomos dormir. Foi o ÚNICO show da Legião para o qual o blogger loker tinha CONVITES e deixou de ir. E curiosamente, foi o último da trajetória do grupo.

Nunca mais o blog viu Renato. Ele morreu em 11 de outubro de 1996, aos 36 anos de idade, em decorrência da Aids. E o blog soube da morte dele no meio da tarde daquele dia 11. Morávamos então numa kit na avenida 9 de julho que era a própria sucursal do inferno, e lá vivia me entupindo de cocaína e whisky. Ainda trabalhava na Interview mas a revista já estava pra fechar as portas. E o já muito junkie jornalista musical havia passado uma noite infernal na kit, aspirando quilos de pó com dois ou três amigos. Fritou a manhã toda do dia 11 de outubro. Quando enfim sentiu-se minimamente em condições de sair do apto foi até a rua 7 de abril, no escritório que a queridona amiga Sandra Otilia tinha lá. Finas foi ver se ela queria almoçar junto com o loki aqui. E quando chegou a primeira coisa que ela disse foi: “seu ‘amigo’ Renato Russo morreu essa madrugada, você ficou sabendo?”. Aquilo acabou de vez com o dia já total cinza de Zap’n’roll e que já havia começado da pior forma possível.

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Credencial de um show da Legião Urbana em 1988 (acima), fechado apenas para convidados e no qual o blog esteve presente; abaixo, Zap’n’roll se reencontra com o guitarrista da banda, Dado Villa-Lobos, durante lançamento da sua biografia em Sampa ano passado

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A Legião foi o MAIOR nome do rock BR dos 80’, fato. Renato Russo foi gênio, outro fato (e não adianta amigos como Claudio Medusa, Luiz Calanca e outros desafetos legionários que adoramos dizer que a banda era péssima e Renato uma bicha afetada sem estofo poético; suas letras até hoje são debatidas em aulas de Português em escolas de ensino fundamental, médio e até em cursos de Letras de faculdades). E mais: não vai mais haver bandas com a capacidade musical e textual que a geração 80’ teve, pode esquecer. A cena independente nacional está caindo pelas tabelas (só Lucio Ribeiro, na sua iludida Popload, é que acha que essa cena está “madura”, ahahahaha), bandas não vendem mais discos muito menos enchem casas onde não cabem nem 300 pessoas (deu dó ver um puta grupo como Los Porongas tocando, semanas atrás, para menos de 50 pessoas no bar Z Carniceria, no bairro paulistano de Pinheiros). Estamos mesmo no fim da história do rock e da cultura pop (e talvez da própria humanidade), vivendo tempos de hits relâmpagos, medonhos e esquecíveis como “Tá tranqüilo, tá favorável”, “Gordinho gostoso” e “Metralhadora”.

O que ficou e o que irá ficar ainda por gerações e gerações é a obra de gente como Renato Russo, Cazuza, Cássia Eller, Mutantes, Chico, Caetano, Gil, Dylan, Lennon, Ian Curtis, Morrissey, Kurt Cobain. O resto, de 2000’ pra cá, mais cedo ou mais tarde estará totalmente esquecido e soterrado pela poeira inclemente do tempo.

E este velho jornalista rock’n’roll se sente de certa forma nostálgico e melancólico por saber que tudo da grande na música já foi criado, já passou e se foi. Mas também se sente igualmente contente e com um sorriso no rosto ao olhar para trás e pensar: “sim, eu estava lá. E vivi tudo aquilo de perto. Sorte a minha”.

 

 

LEGIÃO URBANA – OS CINCO PRIMEIROS DISCOS, CLÁSSICOS E IMBATÍVEIS

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E O GRUPO AÍ EMBAIXO

Em também cinco vídeos e áudios de canções inesquecíveis, incluso o show completo que o conjunto fez em 7 de julho de 1990 no Jockey Club do Rio De Janeiro, para cinqüenta mil pessoas.

 

 

ZAP’N’ROLL ORGULHOSAMENTE APRESENTA:

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OU: A GRANDE CENA INDIE QUE EXISTIU NO BRASIL – E NÃO É ESSA ATUAL, CRIADA PELA ILHA DA FANTASIA DE UM CERTO BLOG DE CULTURA POP

Foi emocionante (e também um pouco nostálgico, o blog assume) assistir semana passada a última exibição (dentro do festival de documentários musicais “InEdit Brasil”) do documentário “Time Will Burn – o rock underground brasileiro do início dos anos 90’”. A sala do cine Olido (no centrão rocker de Sampa) não lotou, mas recebeu um bom público (havia uma garotada nova por lá mas a maioria da platéia era composta por tiozões como o autor destas linhas bloggers, rsrs) que aplaudiu o doc de pé ao final da exibição.

O blog escreveria um livro aqui para falar sobre o documentário e também sobre uma cena que acompanhamos totalmente de perto (como fã de rock e como jornalista musical), há 25 anos. Vimos zilhões de shows das bandas mostradas no filme (Pin Ups, Killing Chainsaw, Second Come, Mickey Junkies, DeFalla etc.), freqüentamos quase todos os lugares mostrados (o Retrô em São Paulo era o nosso segundo lar, rsrs; fora que também fomos no Aeroanta, Urbania, Der Temple, Cais etc, etc.) e, enfim, convivemos com a turma dessas bandas todas. Então rever essa cena e essa história toda na tela só ratificou para este jornalista (e para todos que estavam na sala de exibição) que o Brasil já teve, sim, uma cena rock independente SENSACIONAL, mas que infelizmente ficou para sempre aprisionada nos anos 90’. E era um cena grandinha, com ótimas e numerosas bandas e que chegou a atrair bom público pras suas gigs. Exemplo: em determinado momento do doc um dos integrantes do grupo carioca Second Come conta que o quarteto chegou a tocar para 800 pessoas (!!!) no Circo Voador.

E hoje? Hoje é esse DESASTRE que está aí. Uma cena inócua, lotada de bandas PÉSSIMAS e que não levam 30 gatos moribundos e pingados aos seus shows. Uma cena que só está BOMBADA e no seu MELHOR MOMENTO (hã???) na cabeça do prezado Lucio Ribeiro, que criou uma delirante ilha da fantasia indie no seu blog, Popload. Vamos ver até quando ele consegue sustentar essa ilha… aliás, vem cá querido Luscious, nos diga (e batemos uma APOSTA com você): essas bandas que o Sr. menciona no seu blog (Inky, FingerFingerrr, Dom Pescoço etc) conseguem, que seja, enfiar 100 PESSOAS em um show delas com ingresso PAGO pelo público, em algum lugar? Zap’n’roll DU VI DA!

A diferença entre a indie scene nacional dos 90’ e a de hoje é muito clara e óbvia: ali se fazia rock BARULHENTO, com guitarras estridentes e cantado em inglês. Rock é isso, não? Hoje em dia todo mundo canta em português (sofrível e com letras não raro vexatórias em sua verve simplória e adolescente) e insiste em tentar misturar rock de guitarras com a malemolência da MPB tradicional. Não dá, não rola. Se é pra tocar rock que se ponha a guitarra, a distorção e os amplis no talo. Se é pra ser MPB (nada contra, adoramos MPB que seja ÓTIMA, bem composta e classuda), que se tire as guitarras barulhentas e a distorção e o noise das músicas, simples.

Faltou algo em “Time Will Burn”? Sim, sempre falta, né? Sentimos não terem falado do brincando de deus (da Bahia), do Low Dream (de Brasília) e do Sonic Disruptor (de Guarulhos), uma trinca de guitar bands fantástica ali do início dos anos 90’, e que este Finaski mesmo na época apresentou aos leitores da revista Dynamite numa matéria de duas páginas – enquanto isso onde estava mesmo dear Luscious, o homem da Popload? Provavelmente começando sua carreira de jornalista e fazendo bem o que faz até hoje: falando de algum hype irrelevante da gringa e que depois de um tempo ninguém mais vai lembrar do que se tratava.

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O já lendário quarteto indie guitar paulistano Pin Ups (acima, em sua formação clássica dos anos 90′) é um dos destaques do documentário “Time Will Burn”, que mostra a REAL E GRANDE cena indie que existiu no Brasil (e não é essa que é  mostrada a todo instante nos posts do blog Popload); abaixo cena do documentário “Guitar Days”, que foca na mesma cena indie guitar br dos anos 90′ e que ainda vai ser lançado, com depoimento do autor deste blog

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Agora é esperar pelo também documentário “Guitar Days”, produzido e dirigido pelo querido Caio Augusto (quando ele será lançado, afinal?), que foca na mesma cena mas que aparentemente é bem mais abrangente – sendo que neste doc o velho jornalista loker/rocker aqui aparece dando depoimento, hehe. Enfim, são dois docs que mostram o que era e o que foi, de fato, a grande cena rock independente brasileira em todos os tempos. Ou vocês acham que daqui a 20 anos alguém vai se preocupar em fazer um documentário falando de O Terno, FingerFingerrr, Dom Pescoço ou algum desses aí da ilha da fantasia indie da Popload?

 

  • E mais: também na semana passada a cantora Céu fez gig gratuita na área externa do MIS (Museu da Imagem e do Som de São Paulo). Abrindo pra ela estava Aninha Martins, pretinha total delicious e uma das maiores revelações da novíssima cena indie de Recife. O show foi gratuito e lotou. Mas claaaaaro que o blog “vizinho” Popload nunca ouviu falar de Aninha Martins.

 

  • Já o lendário, célebre e mega respeitado selo indie paulistano Baratos Afins (dirigido há três décadas pelo queridão Luiz Calanca, um dos produtores musicais que mais entendem de rock independente nesse país) acaba de lançar o segundo CD do quinteto paulistano Fábrica de Animais, combo rock’n’roll porrada de ótimas guitarras rockers e algo bluesy e que tem como vocalista a atriz de teatro Fernanda D’Umbra. Como? A Popload também não conhece essa banda e nunca falou dela? Sem problema: o blogão zapper dá o serviço e resenha o novo disco do FA no final desse post.

 

  • E por fim, pra registrar: o logotipo especial desse post foi criado pelo artista gráfico agitador cultural, músico e vocalista Falcão Moreno, que canta na banda Coyotes California, quarteto bacaníssimo da zona leste paulistana e que já possui dois discos lançados. Com quase uma década de existência e tendo no seu som as melhores influências do rock funky de grupos como Red Hot Chili Peppers e Faith No More, o CC também NUNCA foi sequer mencionado no nosso blog “vizinho”, uia! Vai mal a ilha da fantasia indie por lá hein!

 

 

TÓPICO POLÍTICO – NA VÉSPERA DA ELEIÇÃO MUNICIPAL O BLOG ENTREVISTA O CANDIDATO A VEREADOR ANDRÉ POMBA

O jornalista, músico, produtor e agitador cultural, DJ e presidente de ONG (a Associação Cultural Dynamite) André Pomba, enfrenta novamente uma disputa político/eleitoral neste domingo. Ele que já foi candidato a vereador e deputado federal em pleitos anteriores, agora se lança novamente na corrida por uma vaga na camara de vereadores da capital paulista. Aos cinqüenta e dois anos de idade, Pomba é candidato pelo Partido Verde (foi filiado ao PSDB por duas décadas mas se desligou do partido tucano há cerca de quatro anos) e com uma plataforma bacana, que privilegia áreas como a cultura (em especial a música e o rock) e temas como a diversidade sexual – gay assumido, ele é um dos militantes LGBT mais aguerridos de São Paulo.

O autor deste blog conhece André Pomba há mais de vinte anos e o tem como um de seus melhores amigos. É uma relação de amizade e profissional que começou em janeiro de 1993 e que perdura até os dias de hoje, tempo em que Zap’n’roll atuou como repórter da extinta revista Dynamite, também do portal Dynamite online (WWW.dynamite.com.br) e, por fim, como editor do blog Zap’n’roll, que começou no portal para depois ganhar vida e endereços próprios na web. Portanto, nada mais natural que estas linhas rockers mas também políticas abram espaço neste post para que Pomba exponha suas idéias e seus objetivos caso consiga se eleger. O bate-papo com ele rolou esta semana e os principais trechos da entrevista você confere abaixo.

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Dupla dinâmica e inseparável há duas décadas: Zap’n’roll e o produtor cultural e candidato a vereador André Pomba

 

Zap’n’roll – você já concorreu a cargos políticos em eleições passadas (para vereador mesmo, em 1992, e mais recentemente para deputado federal) e não conseguiu se eleger. Quais são as perspectivas dessa vez, para a eleição deste domingo próximo?

 

André Pomba – Quando você não tem recursos, justamente vai ampliando a base. A promeira eleição fui lançado para preencher chapa e mesmo assim tive 1500 votos. Já para deputado tive quase 7000 e foi para preparar esta agora a vereador, aonde tenho chances reais, devido a alta renovação que deve ter a Câmara Municipal e a desilusão com os políticos profissionais.

 

Zap – há um consenso generalizado de que a política brasileira se tornou a mais imunda do mundo e que ela precisa mudar com urgência. O fato de ter sido proibida nessa eleição o financiamento de candidatos por empresas privadas já seria um avanço no sentindo dessa mudança urgente e necessária? O que mais, na sua opinião, é preciso mudar na política brasileira?

 

Pomba – Costumo dizer que a política brasileira é pior do que a retratada no seriado americano House of Cards. Realmente o fim do financiamento privado nivelou um pouco mais as chances, embora deve ter ampliado o caixa dois e o dinheiro sujo (corrupção, tráfico). Esperamos que o TSE e o STF puna realmente os criminosos da política, para que os honestos e sem recursos, mas com grande capacidade e história possam se eleger. Para melhorar ainda mais, essa punição e consequente cassação teríam que ser mais ágeis.

 

Zap – você possui um histórico de ativismo cultural (em especial na música e no rock) e em favor da diversidade sexual. É presidente de uma ONG dedicada a projetos culturais e inclusão social, além de ativo militante LGBT. Pretende, se eleito, dar ênfase a essas questões durante seu mandato?

 

Pomba – Costumo dizer que minha atuação será focada em 4 itens: Cultura, diversidade, sustentabilidade e a defesa da noite paulistana. Na área de diversidade, quero discutir a criação de casas de acolhida, para jovens e adolescentes que são expulsos ou vítimas de violência em suas casas e pretendo apresentar uma lei anti-discriminação municipal que puna toda forma de preconceito (racismo, machismo, homofobia, transfobia, de origem, contra pessoas com deficiência etc). Dentro da área cultural pretendo revalorizar as casas de cultura nos bairros, hoje abandonadas; quero cobrar a implantação de um programa de incentivo municipal de cultura; quero efetivar a obrigatoriedade do ensino de música nas escolas e reforçar o caráter de inclusão social através da cultura. Na área de sustentabilidade, pretendo focar na questão do lixo (reciclagem e compostagem), bem como defender com unhas e dentes as parcas áreas verdes da cidade hoje ameaçadas pela especulação imobiliária. Sou coordenador dos Movimentos Noite Paulistana e Em Defesa da Rua Augusta, e vou lutar pelo licenciamento online com renovação automática, apoiar a implantação do projeto São Paulo 24 horas e rever leis que prejudicam o funcionamento de estabelecimentos noturnos. E também buscar a valorização dos profissionais da área (DJs, barmen, hostess etc). Bom, tenho uma ampla gama de propostas e no meu site www.andrepombapv.com.br tem tudo o que defendo para a cidade de São Paulo e minha biografia.

 

Zap – E analisando num espectro mais amplo, o que é preciso ser melhorado em São Paulo através da gestão dos futuros novos vereadores?

 

Pomba – Justamente ter uma câmara mais independente e menos afeita a troca de apoio por cargos e verbas. Não votar em políticos que já estão lá há décadas!

 

Zap – um recado final para seus potenciais eleitores.

 

Pomba – Peço que domingo votem 43969. Porque eu tenho ficha limpa e um histórico de 30 anos de ativismo urbano em vários flancos. Um amigo meu disse que admira minha luta por juntar tribos e bandeiras antagônicas que pouco dialogam, mas que unidas teriam muito a ganhar, como demonstração de força. Rock, cultura, diversidade, sustentabilidade e a defesa da noite paulistana, para muito são temas menores, ante os graves problemas de uma cidade, mas ter essas bandeiras à frente não exclui você brigar por uma cidade com melhor transporte, saúde e educação. Pelo contrário, o empoderamento desses temas transversais ajuda e muito a termos uma cidade melhor e mais justa. E obrigado pelo espaço Finas, e parabéns pela Zap’n’Roll!

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

  • Disco, I: as meninas do americano Warpaint estão de volta após dois anos, e acabam de lançar “Heads Up”, seu quarto disco de estúdio. A banda continua mandando muito bem em sua proposta sonora (nuances de shoegazer e dream pop) e há momentos belíssimos no novo trabalho, sendo que o blog ainda vai voltar a falar melhor dele. Mas você conferir o discão na íntegra aí embaixo:

 

  • Disco, II: o quinteto paulistano Fábrica De Animais (que tem Fernanda D’Umbra nos vocais, Sergio Arara nas guitarras, Flavio Vajman na gaita, Caio Góes no baixo e Cristiano Miranda na bateria) chega ao segundo disco, homônimo, em lançamento do sempre antenado selo Baratos Afins. O procedimento musical do grupo não mudou em relação à sua estréia: ele deambula por planícies onde rock’n’roll de guitarras cruas e abrasivas se mixam a eflúvios bluesisticos – e aí entra em cena a sempre empolgante gaita de Flavinho Vajman. O cd abre porradão com “De quando lamentávamos o disco arranhado” e prosssegue em andamento acelerado com “Jogo de dardos”. Mas estas linhas online preferem os momentos mais calmos e bluesy do disco, como em “Tudo errado” e, principalmente, em “Erro”, onde Fernandinha (que também é atriz de teatro) dá show nos vocais com inflexões suaves e bem moduladas. É álbum pra se escutar em casa numa madrugada fria, de preferência acompanhado de um bom vinho e um baseado. E se as letras das músicas não são exatamente um primor em termos textuais, a banda compensa exibindo um dos já muito bons discos de rock nacional deste triste e já quase findo 2016, onde a indie scene nacional continua a definhar a olhos vistos. Mas é claaaaaro que o Fábrica De Animais, um dos poucos bons conjuntos da cena atual do rock BR, não vai ser mencionada JAMAIS no blog “ilha da fantasia indie” Popload, onde seu autor (mr. Lúcio Ribeiro) só fala de bandas “fodásticas” como FingerFingerrr (quem?), Dom Pescoço (quem??), Inky (quem???) e outras “sensações” da cena independente brazuca atual, uia! Pobres leitores do blog vizinho, hihihi. Pra saber mais sobre o FA, vai aqui: https://www.facebook.com/fabricadeanimais/. E se você interessou, para comprar o cd vai aqui: http://baratosafinsloja.com.br/fabrica-de-animais-fabrica-de-animais-de-quando-lamentavamos-o-disco-arranhado-cd-bra.html.

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  • Livro: “Transformer”, a biografia do saudoso e imortal gênio Lou Reed lançada há pouco no Brasil pela editora Aleph, é um ESCÂNDALO. Em quase quinhentas páginas o autor Victor Bockris esmiúça com profundidade a trajetória pessoal e artística do sujeito que deu ao mundo “apenas” o Velvet Underground, uma das bandas de rock mais influentes de todos os tempos. Lou foi o que todos os seus fãs sabem: controverso, polemico, genial, de temperamento explosivo e rude. De sua adolescência tomando eletrochoques em clinicas psiquiátricas (onde foi internado pelos pais, pois assim eles acreditavam que Reed deixaria suas tendências homossexuais e se tornaria um jovem “normal” e socialmente aceito pelos padrões reacionários e caretas do americano médio comum e estúpido) e passando por toda a sua looooonga trajetória como cantor e compositor (e suas descidas aos infernos das drogas e do submundo de Nova York), está tudo no volume, ainda por cima embalado em belíssima capa dura. Imperdível! Sendo que você pode saber mais sobre o livro aqui: http://www.editoraaleph.com.br/site/transformer-a-historia-completa-de-lou-reed.html.

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Zap’n’roll com o seu exemplar da bio fodona do inesquecível gênio Lou Reed

 

  • Site bacanão: quer saber tudo o que rola na cena cultural de São Carlos, no interior paulista? Basta acessar o RodaMob, editado pela gatíssima jornalista (e amigona zapper) Sarah Mascarenhas, que mostra um panorama gigante de tudo o que acontece por lá, com roteiros de eventos, resenhas, entrevistas com artistas locais e muito mais. Vai aqui e divirta-se: https://www.rodamob.com.br/.

 

  • Baladas: tão devagar, quaaaaase parando neste finde (o postão está sendo finalizado já na sextona em si, 7 de outubro). Então a melhor dica mesmo é pegar um cineminha (“Aquarius” e o doc sobre Janis Joplin, por exemplo, continuam em cartaz no cine Belas Artes) e depois fechar a noite tomando uma breja a preço justo no Outs Pub (na rua Augusta, colado no já clássico Outs em si) ou no Cemitério de Automóveis, do queridão Mario Bortolotto, lá na rua Frei Caneca, quase esquina da rua Paim. Beleusma? Vai que vai!

 

 

E FIM DE PAPO

Que o postão ficou bacanão, né. Semana que vem estamos por aqui novamente. Até lá com beijos no coração da galera.

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 7/10/2016, às 18hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL!!! Com a segunda parte da nossa cobertura máster dos últimos festivais de rock europeus e as dicas culturais e de baladas pro finde – Os tempos estão tristes e sombrios e setembro começa com postão novo zapper (até que enfim!), com multidões marchando pelas ruas contra o governo do GOLPISTA e NAZISTA Michel Temer, e com a notícia de que tem sim Garbage ao vivo no Brasil em dezembro; em tópico mega especial nosso blog dá um SPANKO monstro no vizinho “Popload”, que se tornou uma autêntica “ilha da fantasia indie” e para quem a cena rock independente nacional vive seu melhor momento até hoje (ahahahaha); mais: o blogão mostra como foram bacaníssimos alguns dos mais recentes e últimos festivais de rock que rolaram na Europa, com showzaços de PJ Harvey, Massive Attack e muito mais, sempre no espaço blogger mais legal da web BR (postão ampliado e finalizado em 9/9/2016)

 

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O país vira lata (esse mesmo em que vivemos) vai de mal a pior e isso se reflete na cena indie nacional: enquanto na Europa veteranas alternativas como a deusa inglesa PJ Harvey ainda se mantém fazendo shows empolgantes (acima, no recente Oya Festival, na Noruega) e lançando ótimos discos; aqui a tristeza impera, tristeza que será ao menos amenizada com as gigs do Garbage (abaixo) em dezembro e que também é suportável quando lembramos que pelo menos o grande Vanguart (também abaixo) deu certo em uma cena que segue ladeira abaixo sem dó

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Tempos tristes no Brasil.

Até o papa Francisco comentou, mostrando seu descontentamento com a situação política tenebrosa que se abate sobre esse país (o nosso) vira lata total e que ninguém respeita ou leva a sério lá fora. Também pudera: como respeitar uma nação que possui a classe política mais IMUNDA e ORDINÁRIA do Universo? Uma classe política em que um bando de senadores corruptos e implicados até o cu em inquéritos criminais sobre escândalos de corrupção e desvio de dinheiro público, ejetam do poder uma presidente eleita com mais de cinqüenta milhões de votos num processo totalmente político e sem base jurídica alguma? Dilma errou? Sim, muito. foi totalmente inábil na condução política e econômica do Brasil. É turrona, teimosa como uma porta e sem jogo de cintura algum. No entanto, não é BANDIDA. Não há NENHUM processo ou investigação em curso contra ela em qualquer instância jurídica do país. Logo os erros do seu governo deveriam ser julgados pelo povo nas URNAS, e não por um bando de senadores sem a mínima condição ética ou moral para tirar quem quer que seja da presidência da República. Mas infelizmente a parada no bananão miserável funciona assim e agora só resta resistir (dentro da Lei e da Ordem) a esse desgoverno golpista comandado pelo PMDBosta e pelo mordomo de filme de terror que é Michel Temer. Para isso as passeatas estão sendo diárias, se alastrando pelo país afora e se tornando GIGANTES (como a de ontem, domingo, em São Paulo, quando mais de cem mil pessoas se reuniram na avenida Paulista para gritar “fora Temer!”). Mesmo com a repressão policial MONSTRO em cima dos manifestantes, a ordem é continuar indo para as ruas. E o próprio autor de Zap’n’roll pretende ir no próximo protesto, já marcado para esta quinta-feira, após o feriado de 7 de setembro. De modos que a posição do blog é bem clara: somos CONTRA o governo NAZISTA e GOLPISTA de Michel Temer. E a favor de eleições diretas e em todos os níveis JÁ. Enquanto isso não ocorre estaremos ao lado de todos aqueles que gritam “Fora Temer!”. E sempre também ao lado da VERDADE dos fatos – por isso mesmo estamos rebatendo aqui, nesse post que começa agora, a “ilha da fantasia indie” publicada no “vizinho” Popload, há alguns dias. E para completar este post especial e bacanudo (que custou a chegar mas chegou chegando, hehe), ainda temos uma cobertura mega especial dos mais recentes festivais de rock que rolaram na Europa, em texto primoroso escrito pelo nosso já velho e dileto amigo Ricardo Fernandes. Ou seja: estas linhas zappers continuam fazendo muito bem o que sempre fizeram, que é defender a verdade dos fatos e seguir amando a cultura pop e o  rock alternativo.

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FECHANDO A TAMPA DO POSTÃO BACANÃO

  • Os boatos de bastidores mandam avisar: o Lollapalooza BR 2017 deve ter Radiohead (wow!), Duran Duran (wow!!) e Strokes (ulalá!). E sim, também o insuportável MERDALLICA como um dos seus headliners – já pensou, aquele mar de metaleiros machos feiosos,  suarentos e fedidos pulando como macacos ao som desses velhos boçais do heavy merdal? Jezuiz… rsrs. Tudo será confirmado nas próximas semanas e o blog zapper está de olho, fica sussa.

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O gigante indie Radiohead: a caminho do Lolla BR 2017?

 

 

 

  • Zap’n’roll bate uma APOSTA com seus leitores: a de que irão menos de 30 gatos pingados na maioria das gigs listadas na “avalanche indie” descrita na Pobrel, ops, Popload. Se alguém for, nos diga depois
  • E agora é fim mesmo porque o post já está enooooorme. Semana que vem voltamos com mais por aqui. Até lá!

 

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  • O postão demorou a ser renovado, mas cá estamos. E em plena semana do feriado da Independência do Brasil. E com o país em chamas, gritando “Fora Temer!”. Então, reiterando: Zap’n’roll É CONTRA GOVERNO NAZISTA E GOLPISTA, ponto!

 

 

  • Janaína Paschoal, a LOUCA e HISTÉRICA, socorro!

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  • Vergonha MÁXIMA é a PM truculenta ao máximo, comandada pelo NAZISTA Geraldo Alckmerda, descer o cacete sem dó nos manifestantes que estão indo para as ruas de Sampa contra Temer. Alô MPE, vai ficar CALADO?

 

 

  • E enquanto Dilma se defendia na sessão do Senado que iria votar seu impichamento, um dos nossos “nobres” representantes do povo sacudia alegre um saquinho de padê, sentado em sua mesa. Viralizou na web, claaaaaro! “Olha o saquinho, olha o saquinho! Aeeeeê MULEKE!”.

 

  • A MELHOR notícia do mondo rocker todo mundo já está sabendo: o grande Garbage e nossa musa Shirley Manson (que continua um XOXOTAÇO aos 5.0 de vida) estão de volta ao Brasil em dezembro. Em Sampa o quarteto toca dia 10 de dezembro (sabadão!) no Tropical Butantã. No dia seguinte é a vez do Rio, com gig no Circo Voador. Os preços dos ingressos estão bem decentes e você pode comprar o seu aqui: http://www.clubedoingresso.com/index.php?route=product/product&product_id=1263.

 

  • E com postão novão entrando no ar em plena segunda-feira (pra começar bem a semana), iremos ampliando e atualizando essas notinhas inicias ao longo da semana, até a conclusão total dos trabalhos neste post. Mas agora vamos já direto pro tópico principal, aí embaixo: o blogão zapper desmascarando a “ilha da fantasia indie” criada pelo blog Popload. Bora!

 

 

TÓPICO ESPECIAL: AO CONTRÁRIO DO QUE ANDOU AFIRMANDO O ILUDIDO E SEMPRE FESTEIRO (NO QUE O TERMO TEM DE PIOR) BLOG POPLOAD (QUE JÁ TEVE DIAS MELHORES), A CENA INDIE ROCK BR ESTÁ MAIS MORTA E IRRELEVANTE DO QUE NUNCA – E ISSO PELO JEITO NÃO VAI MUDAR…

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Zap’n’roll e Lúcio Ribeiro, a dupla responsável por dois dos principais blogs de cultura pop da web BR: ambos já foram bons amigos, hoje a amizade entre ambos estão meio azedada

 

Há alguns dias, mais exatamente em 26 de agosto passado, o blog “vizinho” de cultura pop Popload, escrito há quase década e meia pelo mui conhecido jornalista Lúcio Ribeiro, soltou um postão (ou seria peidão?) bombástico, onde afirmava categoricamente (e dando zilhões de exemplos e argumentos para corroborar sua tese) que a cena independente do rock brasileiro vive, em 2016 (o ano em que o país está pegando fogo politicamente, onde uma presidente que cometeu erros crassos na administração da nação mas que era e é honesta, acaba de ser ejetada de seu cargo por um bando de políticos dos mais pilantras; um ano em que a economia brasileira amarga seu sexto trismestre em retração, um ano em que há mais ou menos doze milhões de desempregados pelo país afora) seu MELHOR MOMENTO e onde ela está MADURA como nunca esteve antes. Seria um post apenas hilário, risível, para iludir incautos e oportunista/tendencioso, para agradar meia dúzia de artistas totalmente irrelevantes, que são citados naquele mesmo post. Mas se torna algo digno de ser REBATIDO com vigor, ainda mais por se tratar de ter sido escrito por quem foi – logo nosso dear Luscious, que já teve um passado respeitável como jornalista de cultura pop, que já não é nenhum adolescente (está com mais de cinqüenta anos de idade) embora insista em se comportar como tal, e que sabe, ele mesmo, que a cena independente rock brazuca segue quase morta e mais irrelevante do que nunca neste quase trágico em todos os sentidos ano de 2016. O blog Popload já teve dias melhores, em termos de informação jornalística e musical. E seu titular, nosso por muitos anos grande chapa (vamos reconhecer: sempre nos demos bem com ele, até meses atrás quando atitudes pessoais suas para com o autor destas linhas zappers começaram a azedar essa relação de amizade) LR, também já teve dias melhores como jornalista de alta credibilidade.

Antes de entrar na argumentação esdrúxula publicada na Popload para balizar a tese de que o indie rock nacional vive seu melhor momento (quando, na real, ele está no fundo do poço), vamos traçar um rápido paralelo entre as trajetórias do poploader LR e do autor de Zap’n’roll. O primeiro começou sua carreira profissional nos anos 90’, escrevendo já em grandes veículos como o diário paulistano Folha De S. Paulo. A partir daí Luscious colaborou com os principais veículos de mídia do país e há mais de década é o responsável pelo blog Popload, que já foi (não é mais) referência em termos de informação na área do rock alternativo e da cultura pop. E antes de se tornar o blog quase pífio que é atualmente, a Popload teve um passado memorável como coluna impressa na FolhaSP e depois online, no próprio site da Folha, período em que Luscious (em seu texto sobre a maturidade da indie scene nacional) se gaba de ter visto Cansey de Ser Sexy não sei onde e o falecido trio Los Pirata tocando em um muquifo na rua Augusta (o também extinto bar Orbital provavelmente, e onde o autor deste blog fez algumas festas da também extinta revista Dynamite, sendo que em uma delas um dos DJs convidados foi inclusive… Lúcio Ribeiro!).

Pois então:a trajetória de Zap’n’roll no jornalismo musical brasileiro já é conhecida de cor e salteado por todo nosso dileto leitorado. O autor deste blog publicou seu primeiro texto profissional e PAGO em uma revista em junho de 1986 (há portanto mais de trinta anos). E cerca de uma década depois (quando já havia trabalhado e/ou colaborado com igualmente alguns dos principais órgãos da imprensa brasileira como jornais como o Estado De S. Paulo, ou revistas IstoÉ, Bizz e Interview), já na metade dos anos 90’ o jornalista zapper passou a dedicar seu olhar com atenção a então nascente e forte cena rocker alternativa brasileira, algo que fazemos até hoje, vinte anos depois e mesmo com essa cena atravessando (ao contrário do que firma nosso blog vizinho) seu talvez PIOR momento. Nessas duas décadas cobrindo essa cena, o repórter Finaski (através de matérias aqui mesmo neste blog ou na extinta edição impressa da revista Dynamite) viajou o Brasil cobrindo festivais indies. Promoveu festas em bares no baixo Augusta com bandas que mais tarde iriam se tornar mundialmente conhecidas (caso do também citado por LR Cansei de Ser Sexy, que chegou a tocar em uma festa da revista Dynamite e organizada pelo autor destas linhas online no clube Outs, de GRAÇA, ou melhor: com cachê em troca de anúncio na revista) e que também iriam desaparecer alguns anos depois (quem se lembra hoje em dia do CSS?). Não só: em uma edição do ano de 1995 da revista Dynamite este repórter produziu duas páginas de texto analisando o trabalho dos grupos brincando de deus (o nome da banda baiana era grafado em minúsculas), Low Dream (de Brasília) e Sonic Disruptor (de Guarulhos, em São Paulo), três das MELHORES GUITAR BANDS que já existiram no Btasil, que cantavam apenas em inglês e que ainda assim sempre lotavam os pequenos bares onde se apresentavam – isso em uma época onde não havia internet, celulares, apps, redes sociais e nada disso para divulgar os eventos, que enchiam através da divulgação via flyers impressos ou simplesmente através do boca-a-boca dos fãs. Hoje, com whats app e páginas BOMBANDO de likes na porra do faceboquete, bandas suam para enfiar trinta ou quarenta fãs em qualquer local onde vão se apresentar.

Não só, II: a partir do ano 2000’ o blog zapper se tornou um dos principais da blogosfera da web BR de cultura pop. Com isso aumentaram os convites para cobrir festivais pelo Brasil afora. Ao mesmo tempo Finaski ainda começou a colaborar com a edição brasileira da revista Rolling Stone (que começou a circular aqui em 2006) e nela falou de bandas fodonas da indie scene nacional, como Pública (do Rio Grande Do Sul), Ludovic (de Sampa, e infelizmente já extinto) e Gram (outra bandaça paulistana e que infelizmente também acabou). Além disso e por conta do seu envolvimento com a cena alternativa (sempre acompanhando-a de perto e atentamente como jornalista musical), Zap’n’roll acabou sendo incumbido pela revista Dynamite e seu então editor-chefe (André Pomba), de produzir um festival que ocupou por três noites seguidas as dependências da chopperia do SESC Pompéia, na capital paulista. O Dynamite Independente Festival foi realizado em dois anos consecutivos (em 2003 e 2004), ambos com a produção e curadoria do autor deste blog. Na primeira edição tocaram numa noite memorável Supla e Pitty (então prestes a estourar como a nova rock star brasileira). E na segunda edição do evento, em 2004, a trinca Ludov, Gram e Leela simplesmente lotou a chopperia (com quase oitocentos ingressos vendidos!) na noite de estréia do festival, o que comprova que naquela época SIM a cena under brazuca estava vivendo um ótimo momento, com grupos formando público e levando um número considervel de fãs aos seus shows.

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O vocalista Helinho Flanders, da banda Vanguart, ao lado de Zap’n’roll em 2015: o sexteto cuiabano é talvez a ÚNICA banda indie que deu realmente certo no circuito independente brasileiro de 2005 até hoje

Enquanto isso, onde estava o homem da Popload? Escrevendo sua coluna/blog na Folha online e já naquela época fazendo seu desavisado leitor engolir à força hypes gringos duvidosos (uma mania que ele mantém até hoje) ou mesmo nacionais, como o lamentável trio paulistano Los Pirata, um dos maiores ENGODOS da cena rock indie brazuca e que teve o fim merecido: o total esquecimento. Já o jornalista zapper ao mesmo tempo em que colaborava com a gigante Rolling Stone brasileira, também não descuidava do seu blog e através dele viajava o Brasil, cobrindo festivais. E foi num desses que ele DESCOBRIU JORNALISTICAMENTE o quinteto folk cuiabano Vanguart, no carnaval de 2005 na sempre horrivelmente e infernalmente quente Cuiabá (capital do Mato Grosso), durante um festival que estava rolando por lá e para o qual Zap’n’roll havia sido convidado a acompanhar de perto. O blog voltou pra Sampa encantado com o grupo do vocalista Helinho Flanders e hoje todos sabem o que é o Vanguart: a ÚNICA banda de TODA a indie scene nacional que realmente DEU CERTO e que vive confortavelmente de sua música (financeiramente falando), sempre tocando para espaços lotados com até cinco mil pessoas. Os Vangs inclusive deram tão certo que o vocalista Helinho (até hoje amado amigo dessas linhas rockers bloggers) atualmente em dia pode se dar ao luxo de bancar em parte do próprio bolso uma mini tour européia (como acabou de fazer), para apresentar aos gringos as belíssimas canções de seu primeiro disco solo.

E o restante da atual cena indie nacional? Quem ainda lê a Popload e leu o post o qual estamos rebatendo aqui, vai achar que o rock independente nacional está nesse momento no melhor dos mundos. Não está, nem em sonho. Ou está, apenas para o blog escrito por mr. LR, que faz questão de criar uma “ilha da fantasia” que não existe na realidade de um país bastante arrasado por três anos de recessão econômica e onde a cultura pop (e, junto com ela, a produção musical independente) amarga estar nesse momento em um abismo aparentemente sem fim, onde faltam espaços para shows, falta público e, principalmente, faltam BANDAS DECENTES e que valham a pena ser ouvidas. Exemplo clássico: há uma década grupos como Forgotten Boys e Thee Butcher’s Orchestra conseguiam quase lotar um bar como o clube Outs (na rua Augusta, em São Paulo, e onde cabem quase setecentas pessoas) em plena quinta-feira à noite – o próprio blog fez festas ali com essas duas bandas, com casa cheia. Com o passar dos anos o cenário foi mudando: bons grupos foram desaparecendo da cena, muitos acabaram e bares como o célebre Astronete também acabaram fechando. A Outs, um autêntico “sobrevivente” na Augusta (o clube já completou treze anos de existência), após quase falir (pois ninguém ia mais lá pra ver bandas medíocres tocando ao vivo) teve que se reinventar: há três anos realiza uma festa open bar infernal nas noites de sexta e sábado e onde só rolam DJs set, sem grupos musicais tocando ao vivo. Resultado: bar ENTUPIDO de gente nas duas noites. Do outro lado da rua, em frente à Outs, o também já tradicional Inferno Club faz o que pode para se manter funcionando. Isso significa fazer noitadas e madrugadas rock’n’roll animadas quase sempre por bandas COVERS e não autorais.

Mas na “ilha da fantasia” da Popload, tudo está indo às mil maravilhas. Há uma renca de bandas geniais espalhadas pelo Brasil, que gravam discos a todo momento e fazem shows sem parar. Vem cá: você aí do outro lado da tela do PC por acaso alguma vez OUVIU alguma música do tal FingerFingerrr? Já foi a ALGUM show deles? E o Inky, tem cd deles? Aliás quantas cópias o grupo vendeu até hoje de seus discos? E quantas pessoas eles conseguem levar a uma gig sua? Aldo The Band? Quantos shows conseguiu fazer nos últimos meses? E pra quantas pessoas em cada um deles? Carne Doce? Yep, é um dos (poucos, diga-se) nomes consistentes da atual cena indie nacional. De Goiânia, possui uma vocalista bonita e de voz agradabilíssima e que combina bem nuances de MPB com rock. Mas fora da capital de Goiás o grupo é ainda praticamente desconhecido e quando vem tocar na capital paulista mal consegue encher a “fantástica” (palavras da Popload) Casa Do Mancha, no bairro da Vila Madalena, e onde não cabem mais do que cinqüenta pessoas. Mas na visão algo (ou total) BIZARRA do nosso blog “vizinho”, tudo está indo às mil maravilhas em uma cena que está ultra “madura” e altamente “profissionalizada”, vejam só: as bandas contam agora com apoio e patrocínio de empresas como a Natura (cosméticos), Skol (cervejaria) ou Red Bull (bebidas energéticas). A Popload só se esqueceu de dizer aos seus incautos leitores que empresas sempre bancaram e continuam bancando projetos musicais (inclusive alternativos) pois essas receitas estão previstas em seus orçamentos, são dedutíveis no imposto de renda (os famosos editais públicos…) e no final das contas acabam representando uma NINHARIA para o departamento financeiro dessas marcas, fora que sempre pega bem investir em “produtos culturais”.

Bizarro também é o jornalista LR insistir na tese de que bandas indies nacionais vão dominar o mundo, hihihi. Sejamos realistas: as únicas bandas brasileiras que realmente chegaram a mobilizar multidões de fãs fora do Brasil foram o metaleiro Sepultura e o electro rock do CSS. O primeiro, após passar duas décadas e meia lotando festivais pela Europa e sendo headliner em vários deles, está em franca decadência. Já o CSS (combo de garotas malucas que foram criadas sob a batuta do genial músico, multiinstrumentista e produtor Adriano Cintra, outro dileto amigo destas linhas virtuais há séculos), acabou há tempos. E nem sua vocalista, a maleta e prepotente Lovefoxxx, deixou saudades desaparecendo sem dó do mondo pop. Bizarramente dear Luscious quer fazer seus leitores acreditar que bandas como Black Drawing Chalks (metal stoner também de Goiânia) e Boogarins (também da capital de Goiás e outro dos poucos grupos que merecem algum destaque no cenário atual, pela excelência se suas melodias e composições eivadas de eflúvios da psicodelia rocker sessentista) estão BOMBANDO no exterior. O BDC tentou decolar lá fora e não conseguiu. Os Boogarins já fizeram turnês por circuitos pequenos na Europa e Estados Unidos e foram bem recebidos pelo público (longe de ser numeroso em cada show) e pela imprensa especializada. E bizarramente a Popload chama de “instituição goiana” um sujeito que, na verdade, é um dos picaretas mais escroques que se tem notícia na indie scene nacional nos últimos anos. Enquanto isso o venerável (esse sim!) e mega respeitado (além de heróico) selo goiano Monstro Discos e que há mais de duas décadas realiza na capital de Goiás o Goiânia Noise Festival (até hoje um dos principais festivais independentes do Brasil), além de ter lançado dezenas de grupos bacanas para o rock alternativo nacional, NUNCA é citado na Popload. Qual seria o motivo? E antes que estas linhas zappers se esqueçam: dizer que o meia-boca festival goiano Bananada é o Lollapalooza brasileiro e que o Se Rasgum (em Belém) e o DoSol (em Natal, no Rio Grande Do Norte) seriam as versões brazucas do gigante americano Coachella é de um exagero (e falta de bom senso também, ou simplesmente engodo editorial?) risível e acachapante, além de um total menosprezo pela inteligência do leitor poploader. Se houve algum dia um festival de fato de grandes proporções em Natal (e houve, durante alguns anos), esse festival foi o Mada, produzido pelo agitador cultural Jomardo Jomas e sendo que o blog esteve presente nele em pelo menos duas edições.

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O jornalista zapper com Adriano Cintra (acima), o sujeito que criou o já extinto CSS; abaixo com a turma do já lendário Pin Ups na Virada Cultural 2016, em São Paulo: bandas de um tempo que a cena indie nacional não era a miserável tristeza que é atualmente

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É muito fácil perceber que a cena rock independente nacional já teve dias melhores que os atuais. E já teve bandas muuuuuito melhores também. Há duas décadas e meia o já lendário grupo indie noise guitar paulistano Pin Ups (que teve seu quarto CD de estúdio, “Jodie Foster”, resenhado pelo jornalista Finaski na revista Bizz em 1995; enquanto isso, Lúcio Ribeiro… onde estava mesmo?) lotava o inesquecível Espaço Retrô (o muquifo rocker underground mais célebre que existiu até hoje na capital paulista) por TRÊS NOITES SEGUIDAS. Ok, tudo bem, o Retrô era pequenino e tal mas uma banda alternativa, que não tocava em rádio e em uma época (1990/1992) onde não havia internet e redes sociais para “bombar” eventos do tipo (era tudo na base do flyer impresso e do boca-a-boca), um grupo lotar um bar três noites seguidas era uma proeza e tanto. Aliás esse detalhe nos leva a outro HORROR dos tempos atuais e da atual cena indie quase morta: a praga e o vício das redes sociais, dos apps nos celulares e de toda essa droga virtual que simplesmente ESCRAVIZOU a raça humana. Hoje em dia qualquer bandinha bomba no faceboquete: sua fan Page chega rapidão às vinte mil “curtidas”. E quando ela abre então uma página pra divulgar seu próximo show ao vivo? Wow! Em questão de alguns dias surgem mais de quinhentos fãs confirmando presença na gig. E quando chega o dia e a hora do show REAL, de VERDADE, aí vem a choradeira e o choque de realidade: comparecem ao local do evento menos de 10% dos fãs que haviam GARANTIDO VIRTUALMENTE sua presença na balada rock’n’roll, que triste… um exemplo do que acabamos de citar foi a gig que o quarteto Los Porongas (originário do Acre mas radicado há quase uma década em São Paulo) fez semana passada (na sexta-feira) no tão badalado (por LR e sua Pobrelo…, ops, Popload) Z Carniceria, no bairro paulistano de Pinheiros (que possui uma concentração enorme de bares e casas noturnas e onde as noitadas são sempre muito agitadas nos findes). Já um grupo veterano, os Porongas além de diletos amigos deste blog também são um dos MELHORES nomes do rock BR dos anos 2000’, pela beleza melódica e poder instrumental do conjunto, além das letras de alta densidade poética escritas pelo vocalista Diogo Soares. Pois bem: deu DÓ ver uma banda tão bacana dando o sangue no palco de um bar onde não havia nem CINQUENTA PESSOAS na platéia (isso, vamos repetir, numa SEXTA-FEIRA à noite). Pois é, a indie scene nacional, como diz o blog “ilha da fantasia” chamado Popload, está mesmo bombadíssimo atualmente, uia!

Voltando ao parágrafo anterior: além dos Pin Ups, dos anos 90’ até pelo menos 2005 a cena rock independente brasileira teve sim uma cena estável, de ótimas bandas e muitos festivais (como o JuntaTribo, em Campinas e, já nos anos 2000’, o já decano e célebre Goiânia Noise na capital de Goiás, o Porão Do Rock em Brasília, e o já citado Mada em Natal) que chegaram a atrair um grande público. Foi a época do estouro dos Raimundos e, um pouco mais adiante, da aceitação e aclamação midiática de grupos como Thee Butcher’s Orchestra, Forgotten Boys, Borderlinerz, Rock Rocket, Gram, Ludov, Leela, Pelvs, Pública, Cachorro Grande, Cartolas, Bidê Ou Balde, Daniel Belleza & Os Corações Em Fúria e mais alguns nomes que além de serem ótimos musicalmente ainda conseguiam atrair um público razoável para seus shows. Isso, vale repetir, em uma época onde não existia internet ou redes sociais (anos 90’) ou então quando ambas ainda engatinhavam (a partir dos anos 2000’). Fora que o Brasil vivia outra conjuntura na economia e na política, o que se refletia na cultura e na área musical, incluso a cena rock alternativa: não havia a cruel recessão econômica de agora, não havia desemprego e o país estava crescendo em termos de PIB. Isso se refletia em todos os setores da economia, inclusive na área de entretenimento com bares com espaço para shows abrindo a todo instante ou sempre recebendo bom público naqueles que já estavam funcionando. Bem ou mal as bandas conseguiam gravar e lançar seus discos e formar um bom séquito de fãs, que também compareciam às gigs. Prova disso é que, como já foi dito mais acima neste tópico, a segunda edição do Dynamite Independente Festival, realizada em 2004 na chopperia do SESC Pompéia em São Paulo (evento cujo produtor-chefe executivo foi o autor destas linhas bloggers que não vivem no mundo da fantasia mas, que sim, acompanham a realidade dos fatos, uma realidade infelizmente muito dura e cruel nos tempos atuais) LOTOU o local na sua primeira noite (uma quinta-feira), colocando quase oitocentas pessoas para curtir os shows de Ludov, Gram e Leela – isso, sempre reiterando, sem apoio de apps em celulares, sem divulgação em redes sociais (que estavam engatinhando nessa época) e sem divulgação em mídia eletrônica expressiva (leia-se rádio ou TV). Tudo apenas no boca-a-boca, através de flyers impressos e de divulgação em sites especializados (que já começavam a existir na época, como o portal Dynamite online).

De uma década pra cá tudo mudou rapidamente e infelizmente para pior. Em 2016 o Brasil vive sua maior crise econômica em décadas, a recessão já dura três anos e o país contabiliza a assombrosa marca de doze milhões de desempregados – é como se uma capital do tamanho da cidade de São Paulo estivesse inteira sem trabalhar. Num ambiente assim não há cena musical, mainstream ou principalmente independente, que resista. Em bate-papo com o blog na última quinta-feira (enquanto a dupla degustava uma breja holandesa no Outs Pub, no baixo Augusta) José Ramos, um dos sócios do clube Outs concordou com o pensamento que este espaço virtual lhe expôs, ao comentar com ele sobre a iminente publicação deste tópico rebatendo a “ilha da fantasia indie” criada pelo jornalista LR. “Ele não sabe o que está falando”, disse Zé Carlos. “Bares que mantinham espaço para shows fecharam em sua maioria. A Outs mesmo, se não mudasse seu perfil e não tivesse investido no open bar apenas com DJs set e sem bandas ao vivo, também já teria fechado as portas”. Existem ações ISOLADAS que tentam manter a cena indie acesa? Sim, claro. Bandas também continuam existindo, aos borbotões espalhadas pelo país. Mas a qualidade musical delas decaiu a olhos (ou ouvidos) vistos de anos pra cá, o que contribui para que haja ainda mais sofrimento e debandada de público dentro desta cena. E sim, ainda há ótimos grupos atuando no rock alternativo nacional e que vão se virando como podem dentro de um cenário altamente desalentador. Curiosamente a Popload dificilmente dedica algumas linhas que seja a bandas que realmente valem a pena. Caso do trio instrumental stoner heavy prog Augustine Azul (da Paraíba, recém-descoberto por Zap’n’roll e que foi contratado por um selo americano), ou mesmo do paulistano (também stoner) Necro. Ou ainda de maravilhas do Norte brasileiro como os acreanos Euphônicos e Descordantes, que nunca foram sequer citados nos textos do poploader Luscious R. Ou mesmo o manauara Alaíde Negão ou, ainda, o sensacional grupo paulista Metá Metá, que faz uma experimentação sonora loki combinando música brasileira, algo de jazz e delírios sônicos. Um combo musical tão fodástico que vive, ele sim, excursionando pela Europa e sendo aplaudido pelo público de lá.

Então a verdade VERDADEIRA, infelizmente, é essa. E não aquela que o nosso blog “vizinho” quer fazer seu hoje reduzido leitorado acreditar. Na boa, Lúcio Ribeiro é um jornalista ainda de respeito e um dos grandes nomes da imprensa musical (e rock) brasileira nas últimas duas décadas. Ele e o autor destas linhas bloggers poppers já foram bons amigos – uma amizade que está meio assim, “azeda” desde o ano passado, e por conta de atitudes não muito legais vindas de dear Luscious (atitudes que não cabe serem comentadas aqui). E antes que alguém pense que este tópico rebatendo o post da Popload se configura numa espécie de vingancinha pessoal, negativo: o jornalista zapper resolveu publicar este texto porque ele de fato ficou espantado com a (vamos repetir mais uma vez) “ilha da fantasia INDIE” criada por LR em seu blog. A quem interessa essa “ilha da fantasia”? Ao próprio LR que hoje, sabidamente, parece meio cansado do jornalismo musical (sim, como já dissemos mais acima, o blogueiro poploader já passou dos cinqüenta anos de idade) e está se dando melhor como produtor de shows e festivais (como o Popload Gig, que deve andar rendendo um bom troco para o bolso dele) e como sócio de casas de shows (como o Cine Jóia)? Talvez. Porque outros espaços para shows de rock alternativo ou não existem mais ou estão à míngua (os que ainda sobrevivem). E as bandas… FingerFingerrr, Inky, Aldo The Band… quem é esse povo, mesmo?

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Os Descordantes (acima) e os Euphônicos (abaixo): duas bandaças do Acre (e das melhores da atual péssima indie scene nacional) e que o blog Popload JAMAIS falou delas em seus posts

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A “ilha da fantasia indie” criada pelo blog Popload (e que motivou este tópico contrário na Zap’n’roll) pode ser vista e lida aqui: http://www.popload.com.br/cena/.

 

 

Para ouvir o mais recente álbum do grupo paulistano Metá Metá, vai aí embaixo.

 

 

E NO FINAL DO VERÃO EUROPEU, FESTIVAIS BACANUDOS AGITAM A NORUEGA, FINLÂNDIA E PORTUGAL

Yep, e Zap’n’roll acompanhou alguns deles e traz o que rolou aí embaixo, em texto primoroso do nosso correspondente especial Ricardo Fernandes.

 

Festivais Europeus 2016

Por Ricardo Fernandes, enviado especial de Zap’n’roll

Não sou do tipo que frequenta grandes festivais de música. Eu gosto muito de ver shows, mas próximo ao palco e sem a aglomeração de dezenas de milhares de pessoas em minha volta, então não espere me encontrar num Reading ou Coachella da vida. Aqui no Brasil costumo frequentar o Lollapalooza, mas puramente por falta de opção e no fundo meio contrariado.

Eu já havia ido para festivais pequenos na Europa, como o Festival Beauregard na Normandia, no noroeste da França e o Live fromJodrell Bank em Macclesfield, no noroeste da Inglaterra. Foram duas das melhores experiências em festivais de música que tive na vida. Nesse ano aproveitei a oportunidade de ver três festivais de verão europeu num espaço de pouco mais de dez dias, dois deles em países nórdicos e outro em Portugal. Eu sabia que seria puxado, mas estava fisicamente e mentalmente preparado para o desafio.

Øya Festival, Noruega – Introdução

Amigos brasileiros já haviam me recomendado o Øya (se pronuncia “êia”) em Oslo. Um festival relativamente pequeno, bem organizado, localizado no meio da cidade, com fácil acesso de transporte, com um ambiente tranquilo e um lineup respeitável. Até 2013 o festival era feito no Medieval Park, mas teve que se mudar devido a obras nas linhas de trem. Então, a partir de 2014 o Øya passou a ser realizado no Tøyen Park, um bonito parque próximo ao Museu Munch e ao Jardim Botânico de Oslo, mas ainda assim bem perto do centro da cidade.

Øya Festival, 10 de agosto, quarta-feira

Meu hotel ficava no centro de Oslo e foi moleza chegar no Tøyen Park: apenas duas estações de metrô. Se aqui no Brasil entrar num festival é um teste de paciência, com diversas inspeções e revistas, lá fora é sempre mais fácil. Mostrei meu ingresso e minha carteira de motorista em um dos vários quiosques na entrada e peguei minha pulseira. Após uma rápida revista na entrada eu já estava lá dentro.

A entrada do festival estava enlameada devido à chuva dos dias anteriores e no primeiro dia de festival presenciei a instabilidade do tempo em países escandinavos. Encarei sol, tempo nublado e chuva, tudo no mesmo dia.  O segundo dia de festival foi só de sol e o terceiro só de chuva. Quem disse que seria fácil?Ao menos a previsão do tempo foi certeira em todos os dias, prevendo com precisão de horas qual seria o tempo em cada um dos dias e consegui me preparar, vestindo o tipo de roupa adequada em cada dia.

Após uma rápida volta, deu para sacar os palcos do festival: três palcos em locais abertos do parque (Amfiet, Vindfruen e Hagen), todos em terrenos com inclinação para facilitar a visão do palco, outro palco grande montado em uma tenda (Sirkus), uma pequena tenda de música eletrônica (Hi-FiKlubben) e um palquinho que imitava uma biblioteca (Biblioteket), que comportava a mesma quantidade de pessoas que a Casa do Mancha. Tudo era muito perto, em cinco minutos era possível se deslocar entre os palcos mais distantes entre si.

A primeira banda que vi foi o Sweden por volta de 15:30 no palco Amfiet, o maior de todos. Apesar do nome, o grupo foi formado por dois noruegueses tão fanáticos pelo indie-pop das bandas suecas dos anos 90 que resolveram batizar sua banda com o nome do país vizinho. O público que estava todo espalhado pelo gramado curtiu o rock de guitarras ligeiras e refrãos grudentos, assim como eu também curti. Logo em seguida fui para o Sirkus, onde uma placa ao lado do palco me chamou a atenção: “No CrowdSurfing”. Ao longo do festival percebi que essa placa é totalmente desnecessária. Não consigo imaginar um norueguês sequer fazendo crowdsurfing. Arrisco afirmar que não existe povo mais sussa no mundo do que o norueguês. Aplaudem muito e pulam um pouco, mas não fazem questão de se aglomerar na frente do palco e não empurram ninguém. Na verdade, nem encostam em você. Darei outros exemplos mais para frente.

Às 15:54, um minuto antes do esperado, começou o show deChristine And The Queens, artista francesa que na verdade se chama Héloïse Letissier. Pequena e com visual andrógino, ela apresentou as músicas de seu único álbum “Chaleur Humaine”, uma mistura fina de pop e eletropop. Claramente deslumbrada pela grande quantidade de pessoas que estava vendo seu show logo cedo, Christine falava muito entre as músicas, mostrou que além de cantar bem também sabia dançar ao se juntar a dois dançarinos em certos momentos e ganhou a simpatia do público ao imitar Rihanna e Beyoncé.

De volta ao palco principal, era hora de ver The Last Shadow Puppets, supergrupo inglês liderado por Alex Turner e Miles Kane (ArcticMonkeys e The Rascals, respectivamente). Dei uma de norueguês e fiquei lá atrás, bem no alto, apenas assistindo comportadamente o show. Apesar de gostar bastante de “EverythingYou’ve Come to Expect”, o segundo álbum da banda, achei que não funcionou ao vivo. Mesmo com a adição de um quarteto de cordas, parecia que faltava alguma coisa. Talvez o sentimento negativo tenha sido aumentado por uma certa frieza do público. Talvez um show do The Last Shadow Puppets não funcione de dia. Talvez o grupo somente faça sentido em lugares menores, com uma acústica melhor. Não sei exatamente o que pode ter sido, mas achei o show apático e pretensioso demais.

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O trip hop inglês do Massive Attack (acima): um dos grandes momentos do Oya Festival, que atraiu um público tranquilão na capital da Noruega, Oslo (abaixo) (fotos: Ricardo Fernandes)

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Tinha tempo sobrando até o próximo show que gostaria de ver, então dei uma passada no quiosque que vendia o merchandising das bandas e do festival, onde comprei algumas camisetas.Também fui conferir oHi-FiKlubben, onde Matt Karmil estava tocando para meia dúzia de gatos pingados. Eu havia estranhado que Aurora, uma cantora norueguesa, seria a penúltima a se apresentar no palco principal, mas tudo fez sentido quando vi seu show. A gatíssima e simpaticíssima cantora de vinte anos e apenas um álbum nas costas conseguiu lotar o Amfiet. Fazendoum pop sofisticado e exótico cantado em inglês, ela já está pronta para o mercado internacional, conseguindo merecidamente críticas positivas de veículos como o New York Times e Entertainment Weekly.

O Sirkus era o único lugar que possuía um telão atrás do palco, então foi lá que o M83 teve que se apresentar. Como anoitece tarde nessa época do ano em Oslo, por volta de 22:00, foi providencial que o M83 tenha se apresentado numa tenda escura às 19:50. Eram projetadas imagens de estrelas e galáxias, que combinavam bem com o ambiente etéreo e melancólico do grupo liderado pelo francês Anthony Gonzalez. Amigos ingleses que curtem música eletrônica piraram com o show, mas não achei tudo isso. Foi um bom show, mas nada de outra galáxia, que teve seu ponto alto obviamente com “Midnight City”.

Hora de fazer um lanchinho. Aqui cabe uma observação pertinente: como as coisas são caras na Noruega! Não só a comida, mas tudo é caríssimo. Dizem que a Noruega é o segundo país mais caro do mundo (só perderia para o Japão) e eu acredito nisso. Uma cerveja custava 85 coroas norueguesas (cerca de R$ 34 pelo câmbio oficial) e um sanduíche de pernil custava 120 coroas norueguesas (cerca de R$ 47). A pipoca parecia ter a melhor relação custo/benefício: custava “apenas” o equivalente a R$ 15 e o saco era tão grande que nunca conseguia comer tudo.

Estava comendo tão tranquilamente que até esqueci da hora. Quando olhei o relógio já eram 21:30 e estava começando naquele momento o grande show do dia: MassiveAttack & Young Fathers. Por sorte, cheguei no palco principal em poucos minutos e foi tranquilo conseguir um bom local lá na frente, do lado esquerdo do palco. Definitivamente os noruegueses são tranquilos até demais e estavam todos esparsos vendo contemplativamente o show. Se fosse em qualquer outro lugar do mundo teria que me contentar em ficar no fundo ou usar a força bruta para chegar próximo ao palco. É incrível como os pioneiros do trip hop conseguem reproduzir ao vivo as complicadas texturas das gravações em estúdio. Está tudo lá: as batidas quebradas e hipnóticas, os sintetizadores que criam um clima de tensão, os graves acachapantes, as guitarras distorcidas e os samples bem colocados. Nesse ano o MassiveAttack lançou o ótimo EP “Ritual Spirit”, que possui participação do Young Fathers na faixa “Voodoo in MyBlood” e foi com o trio escocês que o grupo se apresentou no Øya. O público presente só teve a ganhar com isso, que saiu extasiado após quase uma hora e meia de show.

 

Øya Festival, 11 de agosto, quinta-feira

No segundo dia de festival adotei uma estratégia um pouco diferente com relação à minha alimentação. Já que tudo é tão caro em Oslo, não iria almoçar em um restaurante naquele dia e passaria o dia todo comendo somente na área de alimentação do Øya. Não saiu tão barato, mas foi menos caro do que no dia em que comi um salmão e tomei uma cerveja em um restaurante pela bagatela de 400 coroas norueguesas (quase R$ 160). Entre as várias barracas, tinha de tudo um pouco, menos culinária norueguesa, mas isso não foi problema: acabei comendo um ótimo falafel pela módica quantia de 100 coroas norueguesas (R$ 40).

A essa altura, já cansei de falar que tudo era caro, mas pelo menos o festival era extremamente bem organizado. Eu nunca vi tantos banheiros químicos e mictórios, mesmo em festivais com o dobro da capacidade e nunca havia filas para comprar cerveja. Para comprar comida, somente algumas filas nas barracas mais disputadas no final da noite (a minha querida barraca da pipoca era uma delas). A única grande pisada de bola foi com o Wi-Fi gratuito provido pela Cisco para o festival, que funcionou perfeitamente até a metade do primeiro dia, para depois desaparecer e nunca mais funcionar.

Uma curiosidade na Noruega é que o papel moeda já foi praticamente extinto, inclusive dentro do festival. Ninguém usa dinheiro em espécie e vários lugares simplesmente só aceitam pagamentos com cartão com chip. Se você aparece com dinheiro vivo eles olham para você com uma cara de decepção ou de horror. Foi difícil gastar as notas de coroas norueguesas que saquei num caixa eletrônico. Se soubesse que seria assim, não teria sacado nada, pois não faria a menor diferença.

O primeiro show que vi na quinta-feira, um dia dominado pelas mulheres no lineup, foi da Frøder, mais uma cantora norueguesa no estilo electropop. Foi um show regular, nada além disso. Logo em seguida, no palco Vindfruen, quem se apresentou foi a cantora americana Julia Holter. Seu último álbum “HaveYou in MyWilderness”é belíssimo e chegou a ser considerado (com um certo exagero) por algumas publicações (como a Mojo) como o melhor disco do ano passado. Ao vivo, uma formação nada usual: Julia nos vocais e teclados, um baixista tocando um contrabaixo acústico, uma violinista e um baterista. Seu show foi delicado e inebriante de uma forma que nem sentia o tempo passar. Quando Julia anunciou que seria sua última música, não podia acreditar. Eu gostaria de ter ficado horas vendo aquele show.

De volta ao palco principal, estava animado para um dos shows que mais gostaria de ver: The Kills. Para minha decepção, Alison Mosshart e Jamie Hince não subiram ao palco. Quem estava lá era uma moça gordinha que eu não fazia a menor ideia de quem se tratava. Gastei parte de meu plano de dados para descobrir na internet o que havia acontecido: Alison estava com pneumonia, forçando a banda a cancelar vários shows, inclusive esse do Øya Festival. Para tapar o buraco foi chamada SeinaboSey, uma cantora sueca. Fiquei tão decepcionado que mudei de palco, indo parao Hagen ver o Rat Boy, um molecão inglês que faz uma curiosa mistura de hip hop e indie rock.

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O veterano shoegazer britânico Lush (acima) também marcou presença no festival norueguês; abaixo o público faz fila pra comprar pipoca, um dos “hits” entre as comidas vendidas na área do evento

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Para agradar os fãs de música eletrônica, nesse dia foi escalado o Floating Points, pseudônimo usado pelo músico inglês Sam Shepherd, que ao vivo se apresenta com outros quatro músicos. Não cheguei a achar o show ruim, mas tentar equiparar ao vivo a complexidade de seu único álbum “Elaenia” não é tarefa fácil. No final das contas fiquei com a impressão de que ouvir em casa é melhor.

Não planejava ver o show do Mastodon, mas já que estava com tempo sobrando pensei: “vou lá ouvir uma barulheira”. Logo assim que cheguei ao palco Amfiet vi uma figura passando que parecia familiar. “Será que é o Lucio?”, pensei. Cheguei mais perto e era ele mesmo, o querido Lucio Ribeiro. Ele ficou tão espantado quanto eu ao encontrar um brasileiro conhecido num festival em Oslo e conversamos rapidamente sobre os shows que havíamos visto. Expliquei para ele os outros festivais que ainda veria na Europa, tiramos uma selfie e depois só o vi novamente mais uma vez durante todo o festival. Foi um encontro improvável, num local improvável.

Esse dia estava rendendo: antes da última atração da noite ainda deu tempo de ver o folk sofisticado da cantora sueca Amanda Bergman. Eis que surgiu o primeiro conflito de horários no festival: Jamie xx tocaria no Sirkus no mesmo horário em que PJ Harvey se apresentaria no Amfiet. Jamie Smith que me perdoe, mas ele ainda tem que comer muito arroz com feijão para chegar perto de Polly Jean Harvey. Com vinte e cinco anos de carreira, PJ Harvey é uma artista única, inconformada e nunca acomodada. A cada álbum novo PJ Harvey aprende a tocar um novo instrumento e dessa vez foi o saxofone, que ela empunhava ao entrar no palco com sua banda ao som da bateria marcial e solene de “Chain of Keys”. O show foi baseado basicamente no seu último álbum “The Hope Six Demolition Project”, que ficou ainda mais grandioso ao vivo. No final do show, petardos mais antigos de seu repertório como “50ft Queenie”, “Down bytheWater” e “To BringYouMy Love”, uma sequência que até me deixou desnorteado. Não foi apenas o melhor show do Øya Festival, foi o melhor show que vi nesse ano.

 

Øya Festival, 12 de agosto, sexta-feira

O terceiro dia de festival era o dia da chuva e estava preparado para isso. Fui com uma jaqueta impermeável (somente até certo ponto, para ser honesto) e quando saí do metrô ainda ganhei uma capa plástica vermelha do Klassekampen. Dias depois, curioso em saber o que aquilo significava, pesquisei no Google. Klassekampen significa “Luta de Classes” e se tratava de um tabloide que se auto intitula “o jornal diário da esquerda”. Que merda, logo eu que me defino como um liberal clássico caí nessa cilada. Lição aprendida: nunca use uma capa de chuva vermelha se você não sabe o que está escrito nela.

Foi embaixo de uma chuva fraca e insistente que vi o show do Hedvig Mollestad Trio, um power trio instrumental liderado pela maluquete norueguesa Hedvig Mollestad Thomassen, que faz uma interessante mistura de rock psicodélico e free jazz. A chuva aumentou ainda mais no show mais inusitado de todo o festival: Oslo Sinfonietta, uma orquestra com repertório de música contemporânea que tocou “Music for 18 Musicians”, uma peça minimalista composta pelo americano Steve Reich entre 1974 e 1976. Acredite, valeu cada pingo de chuva tomado.

Foi durante o show da Oslo Sinfonietta que matei uma dúvida que eu tinha durante todo o festival: por que as crianças recolhiam todos os copos de cerveja que eram jogados no chão? Para todo lado que olhava, eram crianças e mais crianças carregando pilhas de copos plásticos. Uma senhora me explicou: a organização do festival pagava uma coroa norueguesa (cerca de R$ 0,40) por cada copo, que posteriormente seriam reciclados. A consciência ecológica norueguesa é enorme, mas no fundo se trata de puro sentimento de culpa: a Noruega é um dos maiores exploradores de petróleo do mundo, que agride o meio ambiente desde a extração até o consumo. Deve ser por esse mesmo sentimento de culpa que se veem tantos carros elétricos nas ruas.

Para minha sorte, o próximo show seria na tenda coberta: Lush. Cheguei menos de dez minutos antes do show e (adivinhe só) consegui ficar lá na frente sem maiores problemas. Eu me posicionei na segunda fileira de pessoas, logo atrás da grade. Na minha frente, três crianças, o menorzinho deles sendo pouco maior do que a grade. O show foi brilhante, uma verdadeira viagem no tempo para a época em que o shoegaze dominava a cena alternativa inglesa, mesmo que o termo fosse renegado por algumas bandas. No fundo, foi um pouco triste ficar sem ver os integrantes do Lush por vinte anos e encontrá-los velhos e um pouco acabados, especialmente a guitarrista Emma Anderson (uma MILF de braços pelancudos) e o baixista Phil King (totalmente grisalho, mais parecendo um executivo de multinacional). Mas faz parte da vida envelhecer, não? Eu também mudei. Perdi meus cabelos e estou bem diferente do que era há duas décadas.

A chuva deu uma trégua e fui para o palco principal conferir o show do Eagles Of Death Metal. Até hoje não consegui entender se o grupo é uma paródia no estilo Spinal Tap ou se trata de algo sério. Provavelmente é uma mistura dos dois. O público lá na frente parecia se divertir com os clichês rock’n’roll tocados pela banda, mas achei tudo uma brincadeira sem graça e voltei para o Sirkus depois de umas quatro músicas. Uma plateia formada basicamente por adolescentes estava presente em peso para o show do Chvrches, da pequenina Lauren Mayberry. O synthpop competente executado pelo grupo escocês se sustenta bem ao vivo, ainda mais com a plateia nas mãos. Em alguns momentos a molecada cantava tão alto que até sobrepunha o volume vindo das caixas de som.

O último show que vi no Øya foi justamente aquele me motivou a ir para esse festival e para o Flow Festival na Finlândia dias depois. Eu já havia visto vinte e cinco shows do New Order em diferentes países e assim que acabou o show do Chvrches fui tranquilamente para a grade, me preparando para mais um. Desde os shows do New Order que vi na Rússia em 2013 passei a adotar uma estratégia para mostrar ao grupo que um brasileiro estava na plateia: levar uma bandeira do Brasil (que óbvio). Algumas vezes fui notado, outras não. Dessa vez consegui prender a bandeira na grade, pois havia achado duas abraçadeiras jogadas no chão perto do palco Hagen. Assim, fiquei quase uma hora na grade esperando o show começar.

Depois da saída do baixista Peter Hook e com o lançamento do álbum “Music Complete” no ano passado o veterano New Order voltou revigorado. Os costumeiros erros ao vivo ficaram no passado. O New Order é uma banda muito mais profissional hoje em dia. Apresentaram novos arranjos para algumas velhas músicas, novas projeções e novas músicas no repertório. Foi justamente depois de tocar “Plastic”, uma das músicas novas, que o vocalista Bernard Sumner notou minha bandeira e perguntou: “Você é do Brasil?”. Respondi com um sinal positivo e ele na sequência emendou: “Então você está perdendo os Jogos Olímpicos!”. Haha! Como se eu estivesse preocupado com isso. Apenas encolhi os ombros e abri os braços fazendo aquele gesto “shruggie”, tão característico da internet (¯\_(ツ)_/¯). Pena que o New Order teve pouco mais de uma hora para tocar e seu set ficou restrito a onze músicas, mas ainda assim valeu a pena.

Todos os shows do festival não poderiam passar das 23:00 e foi assim todos os dias. Eu acho ótimo que acabe cedo e se tenha tempo para aproveitar a manhã do dia seguinte. Show não é balada. Era possível sair tranquilamente do Tøyen Park e utilizar o transporte público para voltar para casa, seja de metrô (como eu fazia), bonde ou ônibus. Muitos voltavam de bicicleta e alguns poucos pegavam um táxi. O metrô voltava incrivelmente vazio para o centro da cidade e tenho que confessar que nesses momentos sentia muita inveja da qualidade de vida de quem mora em Oslo.

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OS FESTIVAIS QUE AGITARAM O FINAL DO VERÃO EUROPEU – PARTE FINAL

 

Por Ricardo Fernandes, enviado especial de Zap’n’roll

 

Flow Festival, Finlândia- Introdução

O Flow Festival em Helsinque é uma espécie de irmão do Øya Festival. Acontece mais ou menos na mesma época, com alguma sobreposição de datas, e compartilhando cerca de 80% dos artistas internacionais. Para que tudo não fique muito parecido, alguns headliners só tocam em um dos festivais. Nesse ano, somente o Øya teve PJ Harvey, enquanto que apenas o Flow teve Morrissey. Já tinha visto o Flow aparecer numa lista de festivais nos lugares mais inusitados no mundo (ele é feito em uma antiga usina de energia), então minhas expectativas para esse festival eram altas.
FlowFestival, 14 de agosto, domingo

Perdi o sábado me deslocando de Oslo para Helsinque. Se fosse mais sangue nos olhos poderia ter escolhido um voo mais cedo de forma a chegar a tempo também para o penúltimo dia do Flow, mas foi bom ter descansado um dia. O local do festival é relativamente próximo ao centro da cidade e eu estava hospedado a pouco mais de 1 km de distância. Meu hotel emprestava bicicletas para os hóspedes, mas por algum motivo preferi ir a pé. Foi uma decisão acertada. Apesar de ter chegado cedo, o estacionamento de bicicletas estava completamente abarrotado. Acho que nunca tinha visto tantas bicicletas juntas. As pessoas começavam a improvisar e prender suas bikes em todos os lugares possíveis, até mesmo no alto de árvores. Helsinque não chega a ser uma Amsterdã no uso de bicicletas, mas está quase lá. Quase toda a cidade é plana e possui muitas ciclovias, então a bicicleta possui uma função importante como meio de transporte pelos habitantes locais.

A usina de energia e gás desativada em Suvilahti, região nordeste da cidade, realmente impressiona. Fazer um festival em um antigo complexo industrial foi uma bola dentro da organização do festival, mas achei que estava muvucado demais. Apesar de ocupar aproximadamente o mesmo espaço que o Øya, tive a impressão que havia o dobro de pessoas no Flow. Ambos os festivais estavam com ingressos esgotados, o que me faz concluir que o Flow colocou à venda mais ingressos do que deveria. O festival possuía seis palcos, sendo um palco principal enorme, uma grande tenda que parecia um circo e quatro tendas menores. Não havia muitas opções de comida e também achei que poderiam ter instalado mais bares e banheiros.

Consegui ver o finalzinho do show de Ruger Hauer feat. Regina, a união de esforços de uma dupla de rappers e uma cantora pop da Finlândia no LapinKultaRed Arena, o palco em formato de circo. Não tenho muito o que comentar propriamente sobre o show, mas naquele momento percebi que os finlandeses são bem mais agitados que os frios noruegueses. Logo em seguida, conferi o show deJ.Karjalainen se apresentando no palco principal. Muitas pessoas cantavam todas as suas músicas, mostrando a popularidade desse veterano cantor finlandês. Enquanto isso, na Black Tent, quem estava se apresentando era a gata inglesa Dua Lipa, que faz um moderno amálgama de música pop, hip hop e soul. Seu álbum de estreia que será lançado no ano que vem promete. Fiquem de olho nessa menina!

De volta à Red Arena, quem iria se apresentar era o Daughter, que eu gostaria muito de ter visto em Oslo, mas havia conflitado com o Lush. Consegui um bom local do lado direito do palco, onde pude acompanhar de perto o delicado dream pop com texturas envolventes da banda londrina. Ainda bem que eles se apresentaram em uma tenda fechada. O show não iria funcionar em um palco aberto em plena luz do dia.

Assim que acabou a apresentação fui para a central de controle conversar com Andy Liddle, o iluminador que acompanha o New Order há mais de três décadas e que estava se preparando para o próximo show. Foi ali que encontrei um amigo inglês, que faz parte dos Vikings, o grupo de fãs hardcore do New Order que acompanha a banda por todos os lugares do mundo. Alguns deles possuem mais de uma centena de shows do New Order nas costas e os Vikings até ganharam um número de catálogo da Factory Records (FAC 383), homologado em um documento assinado pelo próprio Tony Wilson. Eu mesmo, prestes a ver meu vigésimo sétimo show do New Order em onze países diferentes, já fui chamado de “Viking verdadeiro” e “filial brasileira dos Vikings”.

Eram cerca de dez Vikings que estavam posicionados para o show em um local estratégico: ao lado do bar. Por falar nisso, vale ressaltar que a Finlândia não é um lugar barato, mas uma cerveja custava “apenas” 7 euros, cerca de 30% menos do que na Noruega. Se vi o show em Oslo bem de perto, ficar ao lado do bar me deixou bem longe, mas estava valendo, já que pelo menos me diverti bastante ao lado dos ingleses arruaceiros. Também fui apresentado a Yuri, um fã finlandês do New Order que chegou a morar dez anos em Manchester devido à sua paixão pelo Manchester United e pelas bandas mancunianas como The Smiths e Stone Roses. Atualmente ele trabalha em uma empresa de segurança e por estar muito envolvido com o MMA conhecia bem o Brasil, tendo ido diversas vezes a São Paulo e Rio de Janeiro.

Por sorte o New Order teve mais tempo para tocar no Flow Festival, de forma que conseguiram encaixar no setlist os clássicos “Regret” e “Your Silent Face”, além de uma arrepiante versão de “Decades” do JoyDivision no bis. Depois do show fomos bater um papo com Andy Robinson, empresário da banda, que confirmou que uma turnê sul-americana do New Order nesse ano estava em processo adiantado de negociações mas foi cancelada pois a banda (leia-se Bernard Sumner) não gostaria de viajar muito no momento. Andy estava visivelmente desapontado, assim como eu e os Vikings, que estavam se preparando para invadir a América do Sul mais uma vez. Quem sabe no ano que vem…

A ala feminina dos Vikings foi para o palco principal ver o show da Sia, mas preferi vazar do festival com os rapazes, onde fomos levados por Yuri até um pub nas proximidades chamado Mäki Kupla. “Esse lugar é uma merda, mas pelo menos a cerveja é barata”, me confidenciou Yuri. Acompanhar os Vikings na bebedeira não é tarefa fácil e na sequência ainda fomos para um pub de visual rock’n’roll mais ajeitadinho, onde ficamos até sermos praticamente expulsos do lugar por estar muito tarde. Que noite! Após me despedir dos Vikings fiquei pensando quando será minha próxima oportunidade de encontrar novamente esse bando de malucos.

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O veteraníssimo inglês New Order (acima), um dos destaques dos festivais vistos por Zap’n’roll; abaixo o bucólico local do festival português Paredes De Coura (fotos: Ricardo Fernandes)

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Festival Paredes de Coura, Portugal- Introdução

Olhando no calendário de festivais de verão europeu não foi difícil escolher outro festival para a sequência do Flow Festival. Na semana seguinte começaria o Paredes de Coura na vila de mesmo nome em Portugal. Já tinha ouvido falar bem desse festival e um amigo português confirmou: “Fui lá uma vez, ver Nine InchNails. O local é perfeito, um anfiteatro natural. Em termos de beleza de cenário é imbatível”. Após conferir a escalação do festival rapidamente a escolha estava definida.

Festival Paredes de Coura, 17 de agosto, quarta-feira

O mesmo amigo de Portugal meu deu a dica para que me hospedasse em Vigo na Espanha e alugasse um carro, pois essa era a cidade com aeroporto mais próxima do festival. Foi isso mesmo que fiz e assim que desembarquei no aeroporto de Vigo aluguei um simpático Smart vermelho. Não foi fácil sair de Helsinque e chegar em Vigo. Tive que tomar três aviões, de três companhias áreas diferentes (Finnair, Air France e Air Europa). Perdi um dia inteiro em voos e aeroportos, mas pelos menos cheguei inteiro e minha mala foi corretamente despachada até o destino final (meu maior medo quando viajo de avião não é uma possível queda, é ter a bagagem extraviada).

Apesar de ter que atravessar uma fronteira entre países a viagem entre Vigo e Paredes de Coura é tranquila e rápida, menos de uma hora. Todas as estradas possuíam um asfalto que mais parecia um tapete e eram bem sinalizadas. Paredes de Coura é uma bela vila de pouco mais de 9000 habitantes no norte de Portugal. Ao contrário do Brasil, onde chamamos qualquer lugar de cidade, Portugal faz uma clara distinção entre aldeia (pequena povoação), vila (localidade mais desenvolvida e de média concentração populacional) e cidade (alta densidade populacional e alta variedade de serviços prestados aos cidadãos, como hospitais e transportes de massa). Portanto, não chame Paredes de Coura de cidade, a menos que queira ser corrigido por um português.

Chegando na vila, não encontrei nenhum estacionamento, então deixei o carro em uma vaga pública um pouco afastada do centro. Poderia ir a pé até o festival, localizado a pouco mais de 1 km, mas fiz a correta escolha de pegar a van do festival. Dividindo espaço na van comigo, muitas pessoas com sacolas e mais sacolas de supermercado. Estavam todos transportando mantimentos para o camping, o local onde fica a maioria dos frequentadores do festival. Boa parte da graça do Paredes de Coura é ficar no camping com os amigos bebendo, ouvindo música, tocando violão ou se banhando no Rio Coura. Dei uma volta pelo camping e percebi que certamente eu era um dos poucos que estava se hospedando em um confortável hotel para o festival. O camping parecia divertido, mas eu já passei da idade de passar perrengue.

Meu amigo tinha razão: o palco principal é um incrível anfiteatro natural, com uma inclinação tão grande que é possível ver perfeitamente o palco de qualquer lugar. Diria que é o segundo lugar mais fantástico onde já vi um show na vida, perdendo somente para o Teatro Grego em Los Angeles, outro local privilegiado pela natureza. Quem teve a missão de abrir o festival foi We Trust ft. Coura All Stars, a união de uma banda do Porto com uma orquestra composta por crianças da região. “Foi um privilégio vir para aqui todos os dias às 9h da manhã, desde abril, ensaiar com eles”, disse André Tentugal, o líder do We Trust. Não havia como duvidar de sua afirmação. Estava tudo perfeitamente ensaiado e o show correu tranquilo, do começo até o fim. Como no primeiro dia de festival o palco secundário ainda estava sem shows, tive que esperar um pouco a apresentação do Best Youth, dupla do Porto que faz uma música sintética e soturna. Na sequência, subiu ao palco o Minor Victories, espécie de supergrupo alternativo formado por membros do Slowdive, Editors e Mogwai. Eles são a prova de que grandes músicos nem sempre fazem grandes bandas. O grupo tem pouco tempo de estrada e talvez evolua no futuro, mas no momento não mostrou a que veio e não conseguiu empolgar o público português.

A atração principal da noite foi o Unknown Mortal Orchestra, os penúltimos a tocar. Em outros festivais, seria pouco provável que o Unknown Mortal Orchestrafosse um headliner, mas aqui no Paredes de Coura eles cumpriram seu papel e conseguiram levantar a galera portuguesa. O rock psicodélico do grupo era cantado pela plateia em vários momentos, o que de certa forma foi surpreendente para mim. Quem fechou a noite foi o Orelha Negra, banda instrumental portuguesa que faz uma mistureba de funk, soul, jazz e trip hop, que conseguiu manter o povo dançando.

A solução do festival para diminuir o lixo gerado é interessante. Você só pode tomar cerveja, vinho ou refrigerante usando um copo do festival, que é obtido mediante uma caução de 2 euros. Se você quiser levar o copo de recordação, pagou 2 euros por ele. Se devolver o copo no bar, recebe de volta seus 2 euros. Portugal é um dos países mais baratos da Europa e cada cerveja de meio litro custava 4 euros (cerca de R$ 15). Tomei quatro cervejas durante o festival e para meu azar fui parado pela polícia portuguesa na volta, que fez um teste do bafômetro comigo. Eu não podia acreditar. Após um primeiro teste dentro do carro, o policial pediu para que estacionasse meu carro e me encaminhou até um etilômetro mais sofisticado, que ocupava toda a traseira de um carro policial. Soprei e apareceu o resultado: 0,48 g/l. Na mesma hora pensei: “Estou fodido, o limite deve ser 0,2 ou algo assim”. Tudo passava pela minha cabeça naquele momento. Vou ser levado a uma delegacia? Vou pagar uma multa? Meu carro alugado será apreendido? Nunca mais poderei dirigir em Portugal? Vou ser preso? Vou ser deportado? Para minha sorte, o limite era 0,50 g/l e fui liberado pelos policiais. Que sorte. Bebi quatro cervejas ao longo de seis horas e ainda assim não estava oficialmente alcoolizado. Talvez minha capacidade de metabolizar o álcool seja maior do que imaginava, mas era melhor não arriscar no dia seguinte.

 

Festival Paredes de Coura, 18 de agosto, quinta-feira

No segundo dia de festival decidi chegar um pouco mais cedo para dar uma voltinha na vila de Paredes de Coura, tomar um café e comer um bolo ou torta. Quando fui até o local onde havia estacionado meu carro em Vigo ele não estava lá! Carro nenhum estava. Havia dezenas de carros naquela rua na noite anterior, mas agora não havia nenhum. Voltei desesperado para o hotel, onde me explicaram o que havia acontecido: estacionei o carro numa área de carga e descarga, onde é permitido estacionar durante a noite, mas não durante o dia. Meu carro havia sido guinchado. E agora? Eu precisava daquele carro para ver o festival em Portugal em poucas horas. Peguei um táxi até o depósito municipal de carros em Vigo, paguei uma multa e em quinze minutos já estava dirigindo o Smart vermelho novamente. Fiquei 144 euros mais pobre, mas pelo menos tinha um carro para me deslocar até o festival.

Foi tudo tão rápido que ainda assim consegui comer um bolo e tomar um café na vila, como eu havia planejado. Por falar em comida, a princípio achei que os quiosques no festival eram poucos, mas a maior parte do tempo eles estavam sem clientes. Certamente quem estava acampado já havia comido no camping e não precisava gastar com comida na área do festival posteriormente. Comigo a situação era diferente. Todos os dias eu me esbaldei com os pregos (sanduíches de carne suína), bifanas (carne bovina) e tripas de Aveiro (uma massa crua doce).

A primeira atração do dia foi Ryley Walker, cantor e violonista que por coincidência estava lançando seu novo álbum “Golden Sings That Have Been Sung” no dia seguinte ao seu show no Paredes de Coura. É uma pena que estava muito cedo e com pouca gente próxima ao palco principal quando Ryley Walker tocou. A plateia parecia dispersa e não prestou muita atenção no delicado folk com pitadas de rock psicodélico e blues do americano de Illinois. Vale ressaltar que os portugueses são um dos povos mais animados que eu já vi em shows, mas parecem ignorar qualquer um que faça um som acústico. A próxima banda a se apresentar foi o Whitney, com seu indie-rock esquisitão e de formação inusitada, com um trompetista e vocais executados pelo baterista Julien Ehrlich. Um drone sobrevoava o público a ponto de chamar a atenção de todos, inclusive da banda. “Eu não gosto de drones”, disse Julien Ehrlich. Eu também não, Julien.

Dei uma passada no palco secundário pela primeira vez, mas não dei sorte. Quem estava se apresentando era a banda de Braga Bed Legs, com um vocalista horrível e cheia de clichês rock’n’roll mais do que batidos. Já havia anoitecido quando o Sleaford Mods subiu ao palco principal. Minimalismo eletrônico ao extremo. Apenas dois caras no palco: Andrew Robert Lindsay Fearn apertando botões num notebook e o vocalista Jason Williamson destilando sua verborragia politizada. A dupla inglesa gerou reações contraditórias no público. Enquanto alguns saíram inconformados na primeira música, outros ecoavam cantos que pareciam vir de um estádio de futebol. “Sleaford Mods! Sleaford Mods! Sleaford Mods!”, berravam eles. “Nós não costumamos ter uma reação positiva dessas em festivais”, disse Jason, enquanto Andrew concordava mexendo a cabeça.

Thee Oh Sees é uma banda sem estrelismos. Foram os próprios músicos do grupo que fizeram a passagem de som no palco e começaram o show com uma antecedência de quatro minutos. Fiz a besteira de ficar lá frente do palco. Eu poucos segundos a banda de garage rock de San Francisco incendiou a molecada portuguesa, que começou a abrir rodas, pular descontroladamente e fazer crowdsurfing. A grama na frente do palco havia virado terra e a terra se levantava na forma de poeira. Alguns começaram a cobrir o rosto com suas camisetas para se proteger. Caos total. Arreguei e fui para trás, mas ainda assim a plateia estava insana. Estava tentando tirar fotos quando um crowdsurfing mal executado fez com que um rapaz caísse em cima de minha cabeça. Poderia ter quebrado meu pescoço. Fiquei feliz de sair inteiro desse show e mais ainda por ver uma banda imbatível ao vivo.

Eis que chegava a hora da grande atração, não apenas do dia, mas de todo o Festival Paredes de Coura. Num primeiro momento me senti tapeado pela volta do LCD Soundsystem, afinal fizeram um estardalhaço com seu show de despedida no Madison Square Garden, que virou um álbum ao vivo e DVD, para voltar apenas cinco anos depois. No entanto, foi com grande satisfação que pude ver James Murphy e sua turma em ação novamente. Foi uma superprodução, com novos arranjos para velhos clássicos, que deram um frescor novo para músicas como “Daft Punk Is Playingat My House”, “Losing My Edge”e “Tribulations”. O final do show foi épico, com uma emocionante versão para “New York, I Love You But You’re Bringing Me Down”. Ainda voltaram para mais duas músicas no bis, “Dance Yrself Clean” e “All My Friends”, que mostram que o LCD Soundsystem continua afiado. Resta saber como será o novo material que dizem estar compondo e se virão para o Brasil no ano que vem. Aguardo ansiosamente uma nova chance de vê-los ao vivo.

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O americano LCD SoundSystem (acima) e o Chvrches (abaixo), um dos atuais “grupos top” de um certo blog vizinho; mas como bem observou nosso correspondente, a banda é fraquinha e não tem condições de ser headliner de um grande festival

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Na volta para Vigo, havia novamente uma blitz policial no mesmo local, mas como havia bebido apenas Coca-Cola e água os policiais não me pararam. Melhor assim.

 

Festival Paredes de Coura, 19 de agosto, sexta-feira

Antes de começar a falar sobre os shows do penúltimo dia, gostaria de divagar um pouco sobre Portugal, que é um dos meus países preferidos no mundo. Ao contrário do que a crença popular diz no Brasil, as portuguesas não têm bigode e costumam ser muito bonitas, magras e elegantes. A comida é a melhor da Europa, o clima é agradável e os preços não são abusivos quando comparados a outros países europeus ou mesmo ao Brasil. Idealmente, um dia quando estiver velhinho vou morar seis meses no Brasil e seis meses em Portugal.

Assim como Ryley Walker no dia anterior, Kevin Morby foi recebido de maneira um pouco fria pelos portugueses. O folk rock do texano foi executado com competência, mas não a ponto de gerar muita reação na plateia. Aplaudiam ao final de cada música e mais nada. Melhor sorte teve a banda norte-americana Crocodiles, que levantou os portugueses com seu noise pop melódico. Eu já estava cansado e decidi adotar uma postura diferente para os outros shows do dia. Ficaria sentado no fundo e me levantaria apenas quando as bandas começassem seus shows. Foi assim com o King Gizzard & the Lizard Wizard, banda australiana que me pareceu melhor em estúdio do que ao vivo. A mistura de rock psicodélico e garage rock malucão dos discos virou um hard rock chato para caramba ao vivo. Nem parecia a mesma banda.

Quem tocou depois no palco principal foi The Vaccines, que aparecia em destaque no material de divulgação do festival, como se fossem uma das principais atrações. Ao vivo provaram que poderiam ter sido o headliner do dia. Mesmo ficando no fundo, não tive sossego. A plateia portuguesa abria rodas e fazia crowdsurfing sem parar. Agitaram de forma insana praticamente em todas as músicas. Curiosamente, “Melody Calling”, possivelmente minha música preferida do Vaccines, gerou uma resposta quase nula na molecada. Cage The Elephant foi outro headliner improvável, mostrando que o Paredes de Coura não deve ter tanta grana assim para contratar grandes nomes de peso. Aposto que se fosse no Brasil, qualquer organização de festival seria detonada nas redes sociais por essa escolha. Para os portugueses, no entanto, não houve problema nenhum. O vocalista Matt Shultz parecia uma criança hiperativa, correndo e pulando de um lado para o outro, tornando a tarefa de fotografá-lo algo quase impossível. Da mesma forma, a plateia parecia uma turba de milhares de adolescentes hiperativos que queriam se divertir até o último minuto de suas vidas.

Passei mais um dia sem beber nada e dessa vez nem havia blitz policial na estrada. Se eu soubesse disso antes…

 

Festival Paredes de Coura, 20 de agosto, sábado

O último dia de festival foi aquele com a escalação mais fraca na minha opinião e também o mais vazio. Conversando com algumas pessoas fiquei sabendo que muita gente já havia saído do camping e voltado para suas casas. O Paredes de Coura se aproximava de seu fim, mas não fiquei abatido pelo cansaço que se acumulava. Aproveitei para fazer uma coisa típica dos europeus, mas que eu mesmo nunca tinha feito: tomar uma taça de vinho num festival. O trauma da blitz de certa forma já estava superado.

Quem começou os trabalhos do último dia foi The Last Internationale, banda nova-iorquina de discurso politizado e rock simples e direto, sem muitas firulas. Serviram como um bom aquecimento para Capitão Fausto, banda de Lisboa com três álbuns editados. Apostaria sem medo que esse foi o show com maior número de crowdsurfings. Se no Øya Festival o crowdsurfing era proibido, no Paredes de Coura era institucionalizado. Os seguranças à beira do palco seguravam cuidadosamente cada um dos meninos e meninas (sim, meninas também) que eram atirados para dentro do cercadinho dos fotógrafos. O rock psicodélico do grupo agradou de forma inesperada, pois nunca tinha visto nesse festival uma banda local gerar uma reação tão entusiasmada por parte do público.

Deu tempo de conferir o show do Motorama no palco secundário, grupo russo de pós-punk que fazia uma apresentação climática e um pouco sombria. Jorge Coelho, promotor português responsável pela vinda do grupo, estava eufórico em uma postagem no Facebook: “Que grande concerto deram os Motorama no Palco Vodafone e que se revelou muito pequeno para os russos.Tudo farei para que a banda regresse a Portugal já em 2017”. Voltando ao palco principal, era hora de The Tallest Man On Earth. Uma bela ironia, considerando-se que o líder Kristian Matsson é bem baixinho, ainda mais para um sueco. Seu indie folk não me agradou muito ao vivo, mas tenho que reconhecer que o rapaz tem carisma e os portugueses parecem ter amado o show. Portugal. The Man subiu ao palco já com o jogo ganho. Como uma banda com um nome desses poderia dar errado num show em Portugal? Também não achei grandes coisas o show, mas novamente os portugas adoraram. Várias pessoas nos ombros dos outros, mais crowdsurfing e mais poeira levantada. Talvez o problema fosse comigo, que já estava bem cansado a essa altura do festival.

Coube ao Chvrches fechar o palco principal. O show deles é bom, mas pareciam muito mais cansados do que no show em Oslo. Em lugar nenhum do mundo o Chvrches seria headliner num festival. A banda possui dois bons álbuns, mas não possuem repertório, nem peso para ser a atração principal. Ainda assim, o trio possuía alguns fãs na plateia, que vibravam a cada música executada. Terminava assim minha maratona de festivais. Três festivais em três países diferentes, em oito dias de shows, num intervalo de onze dias.

 

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Ricardo Augusto Fernandes (acima, ao lado de Zap’n’roll durante a última edição da festa “Call The Cops”, no clube Alberta/SP) e o autor deste blog se conhecem pessoalmente há quase uma década e meia, período em que desenvolveram uma grande amizade. Mas ao contrário de Finaski Ricardo é jornalista eventual, escreve ótimos textos por puro diletantismo, tem um conhecimento enciclopédico de rock’n’roll e rock alternativo e ganha a vida há décadas trabalhando na área de informática, especializado que é no assunto – sendo que ele também publicou reportagens em muitas das edições impressas da saudosa Dynamite. E sim, é fanático pelo New Order, rsrs. Esta cobertura dos festivais que rolaram na Europa foi encomendada a ele por este espaço virtual, que não tem dúvida em afirmar que se trata de um dos melhores relatos já publicados na web BR de cultura pop nos últimos tempos – né Popload?

Valeu, Ricardo!

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

  • Disco: em momento de total falta de lançamentos relevantes no mondo rocker (aqui e lá fora), a melhor indicação destas linhas zappers é de um LP que foi lançado há vinte e cinco anos. Ele mesmo, o clássico absoluto “Nevermind”, que o inesquecível e até hoje gigante Nirvana deu ao mundo no final de 1991. Sendo que neste sábado, dia 10 de setembro (leia-se amanhã, já que o postão está sendo concluído finalmente hoje, sextona em si, 9 de setembro) o single que abria o disco, a hoje clássica “Smell Like Teen Spirit”, era lançado oficialmente. Não há mais bandas como o Nirvana nos dias atuais. Nem caras como Kurt Cobain no rock. E nunca mais irá haver. Então o melhor é re-ouvir esse DISCAÇO, sempre e sempre, que você escutar na integra aí embaixo:

 

  • Nova edição do festival In-Edit Brasil: yeah! A oitava edição do festival que reúne a nata dos documentários musicais começou anteontem em Sampa e prossegue até o próximo dia 18 de setembro, quando serão exibidos nada menos do que cinqenta e sete documentários em diversas salas exibidoras da capital paulista, além de shows ao vivo. Há de tudo para todos os gostos e um dos destaques da Mostra é “Time Will Burn”, documentário fodástico que mostra a inesquecível cena indie guitar paulistana dos anos 90’, quando bandas como Pin Ups, Second Come e Mickey Junkies faziam muuuuuito mais barulho do que a atual cena criada pela “ilha da fantasia indie” do blog “vizinho” Popload. O doc será mostrado no Cine Olido, na galeria do mesmo nome, no centrão de São Paulo, neste domingo (às seis da tarde) e também no próximo dia 21 (quarta-feira), às sete e meia da noite. E você pode saber tudo sobre o In-Edit indo aqui: http://www.in-edit-brasil.com/.

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O quarteto indie noise guitar paulistano Pin Ups: um dos GIGANTES da história do indie rock BR, presente no documentário “Time Will Burn”

  • Show: e dentro da programação do festival o bacanudo combo rocker paulistano (e que nunca foi citado na Pobrel, ops, Popload) Fábrica de Animais toca ao vivo hoje, sextona, na mesma Galeria Olido, a partir das sete da noite. Se programa que dá tempo tranqüilo de assistir a gig.

 

  • Baladenhas: finde fraquinho, fraquinho na seara dos agitos alternartivos. Então sem grandes baladas pra curtir, dá pra se jogar na festa open bar que o site Zona Punk promove hoje à noite no Outs (lá na rua Augusta, 486, centrão rock’n’roll de Sampalândia).///Mas se você quer sair da metrópole, agüenta ir um pouco mais longe e curtir um rock no meio da mata Atlântica, a dica é ir pra Paranapiacaba no Simplão Rock Bar, onde rola a partir de hoje a quinta edição do festival Independência e Rock. Vai ter discotecagens, cine Simplão e shows com bandas legais (como Jonata Doll & Os Garotos Solventes), essas tocando amanhã, sabadão em si. Interessou? Vai aqui, onde tem todas as infos sobre o evento: https://www.facebook.com/events/1348522815175711/. E fora que o Simplão, comandado pela queridaça Cris Mamuska, é um dos locais mais bonitos e bucólicos que estas linhas bloggers rockers já conheceram.///E é isso. Então se programa aê e se joga, porra!

 

 

FIM DE PAPO

Postão monstrão e ótimo (modéstia às favas, uia!) finalmente chega ao fim – tudo acaba uma hora, néan. Então ficamos por aqui mas prometendo voltar com muito mais na semana que vem. Até lá!

 

(ampliado e finalizado por Finatti em 9/9/2016, às 17hs.)

AGORA VAI!!! (com postão finalmente novão mas aproveitando infos e textos do anterior) – O mundo anda total cinza, a política brasileira continua mais IMUNDA do que nunca, a sociedade brazuca está cada vez mais intolerante e bestial e o blog zapper vai levando como pode, detendo sempre seu olhar sobre a cultura pop e falando neste post sobre o beeeeem desconhecido (por aqui) grupo indie rock/folk canadense Half Moon Run e também (finalmente) dando suas impressões do novo cd do Radiohead; tem também papos sobre os novos discos dos Strokes e do Garbage e um resumo do que foi a Virada Cultural em Sampa (em imagens bacanas); o ASSALTO ao bolso que vai ser o preço dos ingressos pra ver o grande Wilco em outubro e, em compensação, o festival da Cultura Inglesa trazendo gigs do Kaiser Chiefs e da Nação Zumbi NA FAIXA; o novo pub/estúdio de tatuagem fodão do baixo Augusta, a boa radio rock mantida por uma operadora de TV a cabo e mais isso e aquilo no blogão que (assumimos) demora um pouco a ser atualizado, mas quando chega com postão novo… bota pra foder, ulalá! (postão finalizado em 7/6/2016)

Half Moon Run O quarteto canadense de indie folk/rock Half Moon Run (acima) é mais uma das boas descobertas do blog zapper, nesses tempos em que está difícil descobrir novas e boas bandas no mondo rocker; já na Virada Cultural de São Paulo deste ano o já clássico indie guitar dos Pin Ups  (abaixo) mostrou que está em plena forma, mesmo com mais de vinte anos de existência: fizeram showzão (abaixo) e depois rolou comemoração no camarim, pelos nivers de Flávio Forgotten e Adriano Cintra, com direito a participação de Zap’n’roll (também abaixo)

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FINATTIPINUPS2016

 

O mundo anda tão complicado…

Essa constatação já havia sido feita pelo saudoso e genial Renato Russo, em uma canção da inesquecível Legião lá por 1991 (portanto, há vinte e cinco anos). O que o falecido letrista e vocalista da maior banda da história do rock brasileiro diria então, se vivesse nos dias atuais? Nesses tempos abolutamente tenebrosos com o país mergulhado em abismo econômico jamais visto, sendo administrado nesse momento por um governo moralmente total ilegítimo e politicamente tão desonesto e corrupto quanto supostamente era aquele que foi banido do poder. O que Russo diria ao se deparar com tamanha BESTIALIDADE e conservadorismo das pessoas? Com a grande ignorância, falta de cultura e total despreparo intelectual da maioria do brasileiro médio, o que o torna cada vez mais reacionário e moralista hipócrita? O próprio Renato disse, durante entrevista ao autor deste blog (para a finada revista Interview, em matéria que foi publicada nela em janeiro de 1994), que “a ignorância é VIZINHA da maldade”. Sábia observação a dele e que se projeta de maneira assombrosa e gigantesca nos tempos atuais, quando uma atriz como a bela Bruna Linzmeyer é massacrada em redes sociais apenas porque afirmou, durante uma entrevista, que namora uma… mulher (leia sobre aqui: http://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2016/05/10002143-valeu-a-pena-bruna-linzmeyer-se-expor-tanto.shtml). Ou quando o Brasil é VERGONHOSAMENTE noticiado no mundo todo por conta do BÁRBARO estupro sofrido por uma adolescente de apenas dezesseis anos, no Rio De Janeiro (a outrora “cidade maravilhosa” e que hoje está reduzida a escombros em termos de violência urbana). E isso em pleno 2016, já há mais de quinze anos no século XXI e quando o ser humano deveria estar plenamente despossuído de qualquer moralismo e preconceito de ordem racial, política, social, sexual, comportamental etc. Mas a verdade é que nos últimos vinte ou trinta anos a humanidade ANDOU PRA TRÁS nessas questões (na evolução tecnológica, sem dúvida alguma, ela continuou avançando como nunca) e regrediu tremendamente nelas. Desta forma todo esse quadro torna a alma e o coração de Zap’n’roll cada vez mais cinzas (fora que andamos passando, nos últimos dias, por turbulências de ordem pessoal, emocional e amorosa). E a cada renovação do post daquele que é um dos blogs de cultura pop e rock alternativo mais acessados do Brasil (o nosso, o que muito nos orgulha), sentimos enooooorme dificuldade em continuar achando algo que nos motive com força a continuar em meio a esse caos que se transformou o Brasil e o planeta como um todo. E se continuamos é porque sabemos que leitores ainda nos querem. E nos querem vendo falando de descobertas bacanas, como o grupo indie rock/folk canadense Half Moon Run (que nem é tão novo assim e chega a ser meio surpreendente que NENHUM blog brazuca de rock alternativo tenha escrito UMA LINHA sobre eles até hoje), sobre o qual detemos um olhar mais atento nesse post que você começa a ler agora, que está entrando no ar excepcionalmente na tarde de uma segunda-feira amena em Sampa – sendo que iremos prolongando os trampos por aqui e ampliando e “engordando” o material ao longo semana, okays? Então vamos em frente porque o mundo anda mesmo muuuuuito complicado e cultura e ótima música e rock’n’roll sempre ajudam a aliviar um pouco a sensação de que quase nada mais vale a pena nesse planeta fodido como ele está atualmente.

 

  • Pois então: rolaram tretas técnicas por aqui, o blogger ainda loker acabou se enrolando todo e achamos melhor abrir um novo e CAPRICHADO postão pra começar esta semana, ao invés de concluir o anterior. Então cá estamos, aproveitando sim algo do anterior (como o editorial de abertura, que continua com seu texto totalmente válido e atual) e acrescentando muuuuuito mais. Vai lendo que tem assunto pra curtir a semana toda.

 

 

  • Mas vale o pedido: alô Porta80 (o servidor do blog): VAMOS POR ESSA PORRA PRA FUNCIONAR DIREITO, pode ser?

 

 

  • Que horror e que vergonha pro Brasil inteiro o episódio BESTIAL que aconteceu no Rio de Janeiro, onde uma adolescente de dezesseis anos de idade foi brutalmente CURRADA por mais de trinta ANIMAIS (sim, pessoas que cometem uma barbárie desse nível não podem ser classificadas como seres humanos). Sabe aquela célebre história de que o brasileiro é o povo mais CORDIAL do mundo? Já Elvis, amigão. A sociabilidade brazuca já foi pra puta que pariu há séculos. E somente TROUXAS ainda crêem nela. Isso aqui virou terra de ninguém, o blogger zapper tem VERGONHA de ser brasileiro e o Brasil tornou-se mesmo a nação da sociedade bestial e do salve-se quem puder e NENHUM deus (ele, há muito, deixou de ser brasileiro) por todos.

 

 

  • Começamos a parte política de nossas notas iniciais falando da GIGANTE VERGONHA do caso da merenda escolar no Estado de São Paulo (boa parte dos alunos não a recebem, estão sem ter o que comer e ainda há o escândalo da corrupção em torno dela, patrocinado pelo PSDBosta, claro). Então esqueçamos um pouco a GRANDE MERDA em Brasília (com o governo ilegítimo de Michel “mordomo de filme de terror” Temer) e nos detenhamos em São Paulo, Estado há mais de 20 anos DOMINADO pelo PSDB e (des) governado por esse BANDIDO, FILHO DA PUTA, SUJO, ESCROTO, COVARDE e CANALHA chamado Geraldo AlckMERDA. Não bastasse tudo o que este crápula tem feito em sua administração DANTESCA (ou, como disse o jornalista e amigo Jairo Lavia em sua página no Facebook: “Veja bem, o governo Alckmin é acusado de dar calote no Metrô, surrupiar merenda, bater em estudante, matar inocentes, desocupações arbitrárias e junto com o PSDB de promover um esquema de corrupção nos trens metropolitanos e outras roubalheiras. Mas o MPSP está mesmo é preocupado com a rasteira que o Haddad deu num tal historiador de botequim. Como disse o Marcelo Rubens Paiva, “nossas instituições são uma merda!”), há agora a CEREJA do bolo. Não que a questão da PORCA (ou imunda?) merenda (e até a falta dela, já que a corrupção envolvendo a dita cuja, com gente do tucanato envolvida até o pescoço na parada que está ROUBANDO COMIDA DA BOCA DE CRIANÇAS) seja novidade a essa altura do campeonato. Mas nos IMPRESSIONOU de verdade (e da pior forma possível) esse vídeo postado no YouTube pela Trip TV. A emissora da revista convidou um crítico gastronômico para PROVAR e AVALIAR, durante uma semana, a MERENDA que o (des) governo paulista serve aos estudantes da rede pública. É, numa palavra, ESTARRECEDOR. Sendo que o vídeo (André Forastieri, o homem do portal R7, informa que mr. Alcksujo está mandando sua tropa de choque ligar para as grandes redações de mídia, para tentar CENSURAR a veiculação do vídeo mas ele, FELIZMENTE, já mega viralizou) pode ser visto aí embaixo (obs: parabéns por estar na equipe de produção do vídeo, Camila Eiroa. Você ainda vai longe como jornalista!). Assim, o que podemos desejar é que todos os IMBECIS que votaram nesse MONSTRO da sordidez política e têm filhos estudando na rede pública paulista, tenham CONGESTÕES infinitas (eles, os pais, não seus pobres filhos).

 

  • Bien, pelo menos a semana passada terminou com a notícia de que será aberta na Assembleia Legislativa de São Paulo a CPI da merenda escolar. Vamos ver no que ela vai dar…

IMAGEMALCKMINLADRAODEMERENDA

 

  • E mr. Sérgio Machado (ex-presidente da Transpetro, subsidiária da Petrobras), com sua delação premiada aceita pelo STF, é o novo “homem-bomba” da república das bananas. Pelo jeito (e segundo o próprio delator afirma) não vai sobrar NINGUÉM em Brasília, uia!

 

 

  • E pra uma semana (a passada) que teve feriadão (no Brasil), até que ela foi beeeeem agitada no mondo pop/rock, néan. E um desses agitos ficou por conta do já veterano quinteto indie nova-iorquino The Strokes, que liberou na web o ep “Future Presente Past”, com três músicas inéditas (e um remix para uma delas). Com lançamento oficial marcado para o próximo dia 3 de junho, o ep é o primeiro sinal de vida (em termos de material inédito de estúdio) da turma do vocalista Julian Casablancas desde 2013, quando a banda editou o cd “Comedown Machine”. De qualquer forma ele já está disponível para audição em todos os lugares possíveis (como o Spotify, sendo que você pode conferir o dito cujo aí embaixo). E o que estas linhas rockers acharam de “Future Present Past”? Bien, o grupo já está com uma década e meia nas costas e cinco álbuns lançados. Sendo que o primeiro deles, “Is This It?” (2001) continua sendo a obra-prima dos Strokes, um disco irretocável do inicio ao fim e onde o conjunto reeditou as melhores melodias herdadas do proto-punk novaiorquino dos anos 70’ e também as melhores ambiências inspiradas em gigantes como Velvet Underground e Television. Depois é o que se sabe: Julian e cia. nunca mais conseguiram gravar algo no mesmo nível e a qualidade musical foi caindo disco a disco. Assim o novo ep possui duas faixas razoáveis: “Drag Queen” (que soa algo melancólica e traz de volta as melodias inspiradas em Television) e “Threat of Joy” (que soa como um mix improvável de proto-punk com eflúvios de… bossa nova!). Já “Oblivius” é inclassificável e ruim de doer. Resumindo a ópera: para um conjunto que ficou três anos sem gravar e agora solta um ep com duas músicas razoáveis e uma total descartável, é de se esperar com apreensão o material que virá no trabalho completo. Mas nunca se sabe. Vai que os já “velhos” Strokes ainda nos surpreenda com um discão…

 

  • E assim como os Strokes quem também lança disco novo agora em junho (mais especificamente no dia 10) é o ainda fodão e adorado quarteto americano Garbage. Yep, aquele mesmo da tesudíssima e loka vocalista loira Shirley Manson (a única não americana da banda; ela nasceu na Escócia e está inacreditavelmente GOSTOSÍSSIMA aos quase cinqüenta anos de idade, que irá completar em agosto próximo) e do super produtor Butch Vig (o sujeito que comandou a produção de um certo “Nevermind”, de um certo Nirvana). Só que ao contrário do grupo de Julian Casablancas, o Garbage ameaça soltar um discaço. Pelo menos é essa a impressão que fica quando escutamos “Empty”, primeiro single de trabalho de “Strange Little Birds”, que sucede o também muito bom “Not Your Kind of People”, editado há quatro anos. Pois então: em entrevistas para promover o álbum miss Manson já adiantou que a sonoridade dele remete ao começo do conjunto, algo entre o grunge de Seattle e o sombrio pós-punk inglês oitentista. Um disco algo “sinistro”, como são os tempos atuais, segundo a mulher que ainda povoa os sonhos eróticos zappers e também do nosso amado super DJ André Pomba, uia! Enfim, “Empty” possui guitarras ferozes, melodia poderosa e que “pega” o ouvinte na primeira audição e sinaliza que o Garbage continua mais em forma do que nunca. A conferir o restante do material dentro de mais alguns dias. Sendo que o vídeo para o primeiro single você pode ver aí embaixo.

 

  • O país é total sem memória e outros blogs de cultura pop brazuca também são. Mas Zap’n’roll não poderia deixar de registrar que nesta semana um gênio GIGANTE e IMORTAL do rock’n’roll ficou mais velho. Sim, mr. Bob Dylan completou setenta e cinco anos de idade na semana passada. Pouca gente comentou sobre mas estas linhas rockers bloggers deixam aqui seu registro e nossos parabéns ao sujeito que deu ao mundo milhares de obras-primas, entre elas “Like A Rolling Stone” e “Mr. Tambourine Man”.

 

 

  • A gigante Sony Music arrancou a gorducha (hoje, nem tanto) Adele das mãos da gravadora inglesa XL Recordings. Valor da putaria, quer dizer, transação: módicos US$ 131 milhões. Aí cabe a pergunta: quantas vidas inteiras a cantora precisaria viver pra torrar toda essa grana?

 

 

  • Já o Radiohead segue fazendo a turnê de divulgação do novo álbum (que, sim!, será resenhado nesse mesmo post, lá embaixo nas indicações culturais do blog) e causando comoção entre os fãs, ao “desenterrar” canções que estavam “banidas” do repertório ao vivo do conjunto. Somente na semana passada Thom Yorke e cia brindaram os franceses com versões de “Creep” e “2+2=5”, que não eram tocadas nos palcos há pelo menos seis anos.

 

 

  • O WILCO FINALMENTE VOLTA AO BRASIL, MAS O PREÇO DOS INGRESSOS… SOCORRO! – Ok, ok, todo mundo ficou mega feliz e satisfeito com o anúncio na última segunda-feira (em que o BANDIDO Romero Jucá foi PILHADO em escuta telefônica, articulando pra frear a Lava Jato) de que o grande Wilco finalmente volta ao Brasil, após 10 anos de ausência. A bandaça alt country liderada pelo gênio Jeff Tweedy e uma das mais amadas por estas linhas bloggers rock dos anos 2000’, toca dia 8 de outubro num tal de Urban Stage, em Santana (zona norte da capital paulista), em comemoração aos dez anos do festival e do blog Popload. Tudo ótimo, tudo lindo não fosse um “pequeno” detalhe: é isso mesmo o valor dos ingressos? 300 temers a pista simples, 500 PAUS a FAMIGERADA pista Premium e 700 DINHEIROS um camarote? É isso mesmo Lucio Ribeiro (um dos sócios do Popload fest e editor do blog homônimo)? Não era VOCÊ quem sempre combatia em seus posts a INFÂMIA que é ter pista premium em shows? E agora, mudou de idéia? Quem o convenceu de que é melhor ganhar mais grana sangrando o bolso dos pobres (e muitas vezes otários) fãs que desejam muito ver sua banda preferida o mais perto possível em uma gig dela? Sua sócia, miss Paola Wescher? Huuummm… E não venham com o bla bla blá de que esses são os valores CHEIOS dos tickets, que dá pra comprar meia entrada etc, etc, etc. O zapper, por exemplo, não tenho carteira de estudante e nem é a favor de falsificar uma. E como miss Paola não morre de amores ppelo autor deste espaço rocker online (muito pelo contrário) desde que namorou com aquela escrotice em forma de ser humano chamado José Merda Flávio Jr, obviamente irá barrar (como já o fez anteriormente) qualquer pedido nosso para se credenciar para o evento. E como mr. Luscious, por quem temos respeito e já tivemos muita amizade e simpatia (e não sabemos se ele tinha por nós) não irá brigar com sua sócia por nossa causa, iremos PENSAR se vamos ou não. Se for, será com ingresso COMPRADO, com recursos do nosso bolso. Mas realmente achamos desagradável um show do Wilco ter ingressos a até 700 mangos – o que dá quase 200 dólares (pela cotação cambial de hoje) e sendo que nos Estados Unidos um show do mesmo Wilco não tem entrada custando mais de 30 dólares nem a pau, Juvenal. Isso, ao nosso ver, tira do festival seu aspecto mais, hã, alternativo. E coloca a marca Popload no mesmo patamar de GANÂNCIA (quanto mais faturar for possível em cima dos fãs, melhor) da terrível T4F, por exemplo. Não custa e não OFENDE perguntar: o Popload Festival é BANCADO pela cerveja Heinecken. Isso não é SUFICIENTE para baratear um pouco os preços cobrados nas entradas do mesmo? Só pra saber. E antes que nos esqueçamos: você vai no show do Wilco e paga o ticket mais caro, de 700 pilas. Pode botar aí também mais vários caraminguás pra pagar estacionamento, beber brejas dentro do local do show e comer algo por lá também ou depois que sair de lá. Ou seja: um rolê desses sai brincando uns mil reais, isso se você for SOZINHO. É muita grana, ainda mais com o país estando total fodido economicamente como está nesse momento. E como se não bastasse esse autêntico assalto ao bolso pra se assistir ao grande Wilco, a banda americana acaba sendo, de fato, talvez a única atração que valha realmente a pena nesse Popload Fest. Battles? Grupelho de “math-rock” nova-iorquino que ninguém conhece aqui e nem nos EUA tem muita relevância na indie scene de lá. Mas mais bizarro (ou pior) ainda é a “nova revelação” da MPB (jezuiz… mais uma…), a cantora Ava Rocha. “Vendida” pela produção do evento como “cantora” (já lançou dois discos) e “cineasta” (!), Ava é mais uma daquelas figuras que, na falta de maior estofo e qualidade como compositora e CANTORA, empurra seu peixe na goela dos incautos como se ele fosse um mix de música “experimental” com nuances “avant gard”. Traduzindo: canções chatas pra gente metida a intelectual. Se você acha que o blog está sendo cruel demais com a garota, confira aí embaixo o vídeo que ela gravou para seu mais recente single (extraído do seu segundo álbum de estúdio, lançado ano passado), “Auto das bacantes”, que conta inclusive com a performance de uma modelo inteiramente nua, onde se sobressai sua XOXOTA PELUDONA, que aliás é o que mais chama a atenção no clip (Zap’n’roll sempre a d o r o u bocetas peludas, ahahahaha) porque a música, no final das contas, é ruim pra caralho.

 

  • Então, se pra assistir Wilco em outubro está um autêntico assalto ao pobre bolso dos fãs, de repente é muuuuuito mais vantajoso marcar presença em mais uma edição do já tradicional festival da Cultura Inglesa, não é? O evento deste ano rola no próximo dia 12 de junho, domingo, lá no Memorial da América Latina (zona oeste da capital paulista, e onde aconteceram todas as últimas edições do festival) e vai ter como shows principais os ingleses do Kaiser Chiefs (que sempre mandam bem ao vivo) e o já clássico Nação Zumbi. Sendo que o MELHOR da parada é que o Cultura Inglesa é DE GRAÇA. Você só precisa retirar os tickets no local indicado no site do festival, e ir curti-lo na boa, sem furar seu bolso por conta disso. Beleusma? O blog vai estar lá dia 12, claaaaaro. E espera ver seu dileto leitorado por lá também, sendo que as infos sobre ele estão aqui: http://www.culturainglesasp.com.br/wps/portal/Internet_New/cif/musica/show-de-encerramento.

IMAGEMKAISERCHIEFSLIVESP2015

Os ingleses do Kaiser Chiefs voltam a Sampa daqui a duas semanas, pra tocar no encerramento do festival Cultura Inglesa; e o que é melhor: DE GRAÇA!

  • Ainda falando em festivais, vai rolar um mezzo goth, mezzo metal em setembro em Sampa, o Maximus Fest, lá no autódromo de Interlagos em 7 de setembro. Vão ter gigs do já velho (mas ainda em forma, o blog supõe) Marilyn Manson e também dos alemães do Rammstein, além de outras bandas gringas e nacionais.

 

 

  • Postão começando agitadão, néan? Pois é, como o anterior não pôde ser concluído por problemas técnicos (como já dissemos mais acima), resolvemos caprichar nas notas iniciais desse. Mas vamos ao que interessa: dá um confere aê embaixo sobre uma descoberta, hã, “fofa” destas linhas lokers/rockers sempre atentas aos movimentos do indie rock planetário. O destaque desta vez é o quarteto canadense Half Moon Run, já há seis anos na ativa, dois discos lançados e uma sonoridade guitar folk/rock que vai encantar fãs de Crosby, Stills & Nash, Neil Young e Mumford & Sons.

 

 

DIRETO DO CANADÁ, O INDIE FOLK  ROCK BACANA DO HALF MOON RUN

Você aí do outro lado da tela do note (ou do tablet ou mesmo do smartphone) e que acompanha estas linhas bloggers sempre atrás de alguma novidade bacana no rock planetário atual, por acaso já ouviu falar do quarteto canadense indie folk Half Moon Run? Nunca? Sem problema: nem o blog conhecia o grupo até duas semanas atrás. E como uma de nossas funções é essa mesma (descobrir algum nome novo e que valha a pena no rock’n’roll atual, algo que está cada vez mais difícil), acabamos topando com o som dos garotos uma tarde dessas, enquanto ouvíamos a bacanuda rádio “new rock” operada por um canal de TV a cabo (mais sobre ela logo aí embaixo). Foi quando rolou a faixa “Full Circle”, que abre o primeiro álbum do grupo. O blog parou o que estava fazendo, aguçou seus ouvidos e se encantou com as nuances folk e a delicada melodia da música. E foi correr atrás de mais infos sobre o conjunto, claro.

O Half Moon Run existe há seis anos. Formado em Montreal (no gélido Canadá) em 2010, é integrado pelo vocalista e guitarrista Devon Portielje, pelo também guitarrista e tecladista Conner Molander, pelo baterista Dylan Phillips e pelo multiinstrumentista Isaac Symonds. E desde que surgiu a banda já lançou dois álbuns: “Dark Eyes”, em 2012, e “Sun Leads Me On”, editado em outubro do ano passado, sendo que é neste segundo trabalho que nosso espaço rocker online se deteu com mais atenção para escrever sobre a banda.

CAPAHALFMOONRUN2015

o segundo álbum de estúdio do quarteto canadense Half Moon Run, lançado ano passado

O som do HMR se insere basicamente na tradição do folk americano (de nomes como Neil Young e Crosby, Stills & Nash) mas com uma ambiência mais pop e atual, próxima ao do sumido Fleet Foxes (por onde andam?) ou até mesmo de Father John Misty (mas sem a chatice deste). Seria como se Bob Dylan se encontrasse com o Mumford & Sons e desse encontro saísse uma jam session recheada de canções divididas entre o bucolismo pastoral do folk e o pulsar de guitarras mais rockers. É mais ou menos isso que permeia os dois CDs lançados pelo HMR até o momento, notadamente no mais recente, “Sun Leads Me On”, um disco bordado com esmero e que exibe canções belíssimas como “Warmest Regards” (toda pontuada por violões e flautas suaves), “I Can’t Figure Out What’s Going On” (que começa calma para depois ganhar aceleração e guitarras mais agressivas que sustentam uma belíssima condução vocal), “Hands In The Garden” (encantadora em sua melodia algo melancólica), “Narrow Margins” (com seus violões dolentes), “Devil May Care” (idem, mais violões acalentando a alma de quem os ouve) ou a própria faixa-título. E mesmo quando a sonoridade do cd se mostra mais rock como em “Consider Yourself” (uma faixa que destoa bastante do restante do álbum, pela sua levada mais pop e com introdução até de alguma ambiência eletrônica, vejam só), ainda assim o Half Moon Run continua prendendo a atenção do ouvinte por mostrar versatilidade e liberdade criativa em sua proposta musical.

É um grupo beeeeem legal no final das contas. E que ainda pode render futuros bons discos. Já bem conhecido nas redes sociais (sua página no Facebook já tem mais de cento e cinqüenta mil likes), o Half Moon Run mostra que ainda há gente nova tentando fazer ótimo rock’n’roll em um tempo em que ele, o rock, vive à beira do abismo. E quem sabe o quarteto canadense não aparece qualquer hora dessas aqui pelos lados do bananão, para alguns shows? Fikadika para produtores como o nosso querido chapa Bruno Montalvão, da Brain Productions.

 

 

 

O TRACK LIST DO SEGUNDO DISCO DO HALF MOON RUN

1.”Warmest Regards”

2.”I Can’t Figure Out What’s Going On”

3.”Consider Yourself”

4.”Hands in the Garden”

5.”Turn Your Love”

6.”Narrow Margins”

7.”Sun Leads Me On”

8.”It Works Itself Out”

9.”Everybody Wants”

10.”Throes”

11.”Devil May Care”

12.”The Debt”

13.”Trust”

 

 

E A BANDA AÍ EMBAIXO

No vídeo de “Full Circle”, a faixa de abertura do disco de estréia dela, “Dark Eyes”.

 

OS DOIS ÁLBUNS DO HMR PARA AUDIÇÃO NA ÍNTEGRA AÍ EMBAIXO

Através do YouTube (“Dark Eyes”) e do Spotify (“Sun Leads Me On”)

 

  • O blog zapper descobriu o Half Moon Run por acaso numa dessas madrugadas, quando ouvia os sons que eram tocados pela rádio “new rock” da operadora de TV a cabo NET (que o autor deste blog resolveu assinar há dois meses, depois de passar anos tendo problemas e encheção de saco com sua antiga operadora). Como todos sabem operadoras de telefonia e tv a cabo geralmente são um horror, ao menos no Brasil. Mas quando oferecem um serviço bacana e que merece elogios, é justo que façamos esse elogio. Pois as rádios disponibilizadas pela NET (MPB e rock, entre outras) têm mostrado uma programação com boa qualidade, principalmente a plataforma “new rock” que, sim, toca bandas surgidas nos últimos vinte anos e algumas bobagens mas, no geral, também mostra zilhões de nomes novíssimos e desconhecidos. Ou seja: vale a pena conferir e Zap’n’roll anda muito satisfeita com o que tem ouvido na rádio da TV NET.

 

 

VIRADA CULTURAL EM SAMPA 2016 – ALGUMAS IMAGENS PRA RESUMIR COMO FOI A BALADA

Foi a Virada mais tranqüila da capital paulista nos últimos anos. Com menos palcos na região central da cidade, mais policiamento ostensivo e alguns shows sensacionais a edição deste ano agradou quem foi conferir as gigs. O blog, por exemplo, passou boa parte da madrugada do último sábado pra domingo acompanhando a movimentação no palco rock (instalado na avenida Rio Branco, do lado da cracolândia paulistana). Lá se encontrou com amigos e chegados de alguns dos grupos que se apresentaram, e ainda conferiu ótimas performances dos Pin Ups, do conjunto reunido para fazer um tributo ao saudoso gênio Júpiter Maçã e também do veteraníssimo (mas sempre em forma) Violeta de Outono.

Abaixo algumas pics do que foi essa madrugada muuuuuito rock’n’roll em pleno coração de Sampalândia.

IMAGEMVIOLETALIVESP2016II

O já clássico space rock do Violeta de Outono (acima) foi um dos destaques do palco rock, na Virada Cultural deste ano; antes da banda entrar em cena, Zap’n’roll papeia com seu velho amigo Fábio Golfetti (abaixo), vocalista, guitarrista e líder da banda

FINATTIFABIDONI

FINATTIBETOBRUNO2016

A “beberança” foi brava no palco rock da Virada Cultural: o jornalista gonzo/zapper encontra com seu brother Beto Bruno (vocalista do Cachorro Grande, acima), após ter “secado” uma garrafa de Black Label no camarim dos Pin Ups (era niver do batera Flávio Forgottinho e do fofo guitarrista Adriano Cintra, ambos velhos “chegados” do blog); não satisfeito, o jornalista beberrão ainda foi “examinar” a qualidade do vinho que Beto estava tomando, hihi (abaixo)

FINATTIVINHO

IMAGEMBLACKLABELPINUPS

IMAGEMTEMERJAMAIS

E durante toda a Virada, o público disse NÃO ao governo ILEGÍTIMO que ocupou a presidência do país

 

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FIM DE PAPO

Complicações de última hora, ajustes na plataforma do WordPres e o post fica por aqui.

Mas ainda esta semana (até o final dela) entra novo postão (e com a resenha do novo Radiohead, promessa, rsrs). Falando da volta do Garbage e muuuuuito mais, podem esperar.

Até lá então, com beijos nas gatas e abraços nos garotos. Rock’n’roll sempre!

 

(finalizado por Finatti em 7/6/2016 às 11:30hs.)

 

O mundo anda total cinza, a política brasileira mais IMUNDA do que nunca e o blog zapper vai levando como pode, detendo sempre seu olhar sobre a cultura pop e falando neste post sobre o beeeeem desconhecido (por aqui) grupo indie rock/folk canadense Half Moon Run e também (finalmente) dando suas impressões do novo cd do Radiohead; tem Virada Cultural em Sampa neste finde e festa goth bacanuda semana que vem na capital paulista, na véspera de mais um feriadão; o novo pub/estúdio de tatuagem fodão do baixo Augusta, a boa radio rock mantida por uma operadora de TV a cabo e mais isso e aquilo em um post mais, hã, modesto (post em GIGANTE construção)

 

IMAGEMHALFMOONRUN

Você nunca tinha ouvido falar do quarteto rock/folk canadense Half Moon Run (acima)? Nem o blog até bem pouco tempo atrás, e trazemos essa “descoberta” para nosso dileto leitorado esta semana; afinal a banda mostra que ainda há inteligência e bom gosto no rock alternativo mundial atual e que ela é tão legal quanto continua sendo a lenda indie guitar brazuca Pin Ups (abaixo), que se apresenta neste sábado à noite (leia-se: amanhã) na edição 2016 da Virada Cultural na capital paulista

IMAGEMPINUPS2016

O mundo anda tão complicado…

Essa constatação já havia sido feita pelo saudoso e genial Renato Russo, em uma canção da inesquecível Legião lá por 1991 (portanto, há vinte e cinco anos). O que o falecido letrista e vocalista da maior banda da história do rock brasileiro diria então, se vivesse nos dias atuais? Nesses tempos abolutamente tenebrosos com o país mergulhado em abismo econômico jamais visto, sendo administrado nesse momento por um governo moralmente total ilegítimo e politicamente tão desonesto e corrupto quanto supostamente era aquele que foi banido do poder. O que Russo diria ao se deparar com tamanha BESTIALIDADE e conservadorismo das pessoas? Com a grande ignorância, falta de cultura e total despreparo intelectual da maioria do brasileiro médio, o que o torna cada vez mais reacionário e moralista hipócrita? O próprio Renato disse, durante entrevista ao autor deste blog (para a finada revista Interview, em matéria que foi publicada nela em janeiro de 1994), que “a ignorância é VIZINHA da maldade”. Sábia observação a dele e que se projeta de maneira assombrosa e gigantesca nos tempos atuais, quando uma atriz como a bela Bruna Linzmeyer é massacrada em redes sociais apenas porque afirmou, durante uma entrevista, que namora uma… mulher (leia sobre aqui: http://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2016/05/10002143-valeu-a-pena-bruna-linzmeyer-se-expor-tanto.shtml). E isso em pleno 2016, já há mais de quinze anos no século XXI e quando o ser humano deveria estar plenamente despossuído de qualquer moralismo e preconceito de ordem racial, política, social, sexual, comportamental etc. Mas a verdade é que nos últimos vinte ou trinta anos a humanidade ANDOU PRA TRÁS nessas questões (na evolução tecnológica, sem dúvida alguma, ela continuou avançando como nunca) e regrediu tremendamente nelas. Desta forma todo esse quadro torna a alma e o coração de Zap’n’roll cada vez mais cinzas (fora que andamos passando, nos últimos dias, por turbulências de ordem pessoal, emocional e amorosa). E a cada renovação do post daquele que é um dos blogs de cultura pop e rock alternativo mais acessados do Brasil (o nosso, o que muito nos orgulha), sentimos enooooorme dificuldade em continuar achando algo que nos motive com força a continuar em meio a esse caos que se transformou o Brasil e o planeta como um todo. E se continuamos é porque sabemos que leitores ainda nos querem. E nos querem vendo falando de descobertas bacanas, como o grupo indie rock/folk canadense Half Moon Run (que nem é tão novo assim e chega a ser meio surpreendente que NENHUM blog brazuca de rock alternativo tenha escrito UMA LINHA sobre eles até hoje), sobre o qual detemos um olhar mais atento nesse post que você começa a ler agora, que está entrando no ar já na tarde de uma sexta-feira amena em Sampa – sendo que iremos prolongando os trampos por aqui e ampliando e “engordando” o material ao longo do final de semana (de Virada Cultural na capital paulista) e da próxima semana, okays? Então vamos em frente porque o mundo anda mesmo muuuuuito complicado e cultura e ótima música e rock’n’roll sempre ajudam a aliviar um pouco a sensação de que quase nada mais vale a pena nesse planeta fodido como ele está atualmente.

 

 

  • E começamos nossas notas iniciais falando da GIGANTE VERGONHA do caso da merenda escolar no Estado de São Paulo (boa parte dos alunos não a recebem, estão sem ter o que comer e ainda há o escândalo da corrupção em torno dela, patrocinado pelo PSDBosta, claro). Então esqueçamos um pouco a GRANDE MERDA em Brasília (com o governo ilegítimo de Michel “mordomo de filme de terror” Temer) e nos detenhamos em São Paulo, Estado há mais de 20 anos DOMINADO pelo PSDB e (des) governado por esse BANDIDO, FILHO DA PUTA, SUJO, ESCROTO, COVARDE e CANALHA chamado Geraldo AlckMERDA. Não bastasse tudo o que este crápula tem feito em sua administração DANTESCA (ou, como disse o jornalista e amigo Jairo Lavia em sua página no Facebook: “Veja bem, o governo Alckmin é acusado de dar calote no Metrô, surrupiar merenda, bater em estudante, matar inocentes, desocupações arbitrárias e junto com o PSDB de promover um esquema de corrupção nos trens metropolitanos e outras roubalheiras. Mas o MPSP está mesmo é preocupado com a rasteira que o Haddad deu num tal historiador de botequim. Como disse o Marcelo Rubens Paiva, “nossas instituições são uma merda!”), há agora a CEREJA do bolo. Não que a questão da PORCA (ou imunda?) merenda (e até a falta dela, já que a corrupção envolvendo a dita cuja, com gente do tucanato envolvida até o pescoço na parada que está ROUBANDO COMIDA DA BOCA DE CRIANÇAS) seja novidade a essa altura do campeonato. Mas nos IMPRESSIONOU de verdade (e da pior forma possível) esse vídeo postado no YouTube pela Trip TV. A emissora da revista convidou um crítico gastronômico para PROVAR e AVALIAR, durante uma semana, a MERENDA que o (des) governo paulista serve aos estudantes da rede pública. É, numa palavra, ESTARRECEDOR. Sendo que o vídeo (André Forastieri, o homem do portal R7, informa que mr. Alcksujo está mandando sua tropa de choque ligar para as grandes redações de mídia, para tentar CENSURAR a veiculação do vídeo mas ele, FELIZMENTE, já mega viralizou) pode ser visto aí embaixo (obs: parabéns por estar na equipe de produção do vídeo, Camila Eiroa. Você ainda vai longe como jornalista!). Assim, o que podemos desejar é que todos os IMBECIS que votaram nesse MONSTRO da sordidez política e têm filhos estudando na rede pública paulista, tenham CONGESTÕES infinitas (eles, os pais, não seus pobres filhos).

IMAGEMALCKMINLADRAODEMERENDA

  • O mondo pop/rock segue total calmo nos últimos dias. E esta semana quase não tivemos nenhuma notícia digna de nota aqui. Yep, vai rolar um festival mezzo goth, mezzo metal em setembro em Sampa, o Maximus Fest, lá no autódromo de Interlagos em 7 de setembro. Vão rolar gigs do já velho (mas ainda em forma, o blog supõe) Marilyn Manson e também dos alemães do Rammstein, além de outras bandas gringas e nacionais. Fora isso mais nada a destacar. Por enquanto…

IMAGEMMARYLINMANSON

O metal/goth do inferno Marilyn Manson: show dia 7 de setembro em São Paulo

 

  • Então iremos ampliando nossas notinhas aqui assim que paradas mais legais surgirem, okays? Por hora dá um confere aê embaixo sobre uma descoberta, hã, “fofa” destas linhas lokers/rockers sempre atentas aos movimentos do indie rock planetário. O destaque de hoje é o quarteto canadense Half Moon Run, já há seis anos na ativa, dois discos lançados e uma sonoridade guitar folk/rock que vai encantar fãs de Crosby, Stills & Nash, Neil Young e Mumford & Sons.

 

 

DIRETO DO CANADÁ, O INDIE FOLK ROCK BACANA DO HALF MOON RUN

Sobre o qual estas linhas rockers bloggers fala bastante logo menos. Espera aí que já voltamos com uma radiografia bacana sobre eles, beleusma? Sendo que enquanto o texto sobre eles não aparece aqui, você pode ouvir aí embaixo o segundo álbum da banda, “Sun Leads Me On”, lançado em 2015. Boa audição!

 

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Premido por compromissos pessoais e profissionais (estamos correndo já por conta da Virada Cultural, que rola em Sampa neste final de semana), o blog zapper dá uma parada rápida nos trampos aqui mas promete voltar já neste sábado (ou amanhã), com o texto sobre o grupo canadense Half Moon Run e muuuuuito mais por aqui, certo? Então vai colando na área novamente que logo menos iremos voltar com ampliação bacanuda. Até já!

 

(enviado por Finatti às 17hs.)

 

AMPLIAÇÃO FINAL: Agora vai, finalmente: em postão especial e fazendo o ENTERRO DEFINITIVO dos anos 90’, o blogão fala do vindouro e derradeiro show dos PIN UPS, uma das indie cult bands mais lendárias da cena independente brasileira em todos os tempos, e de quebra relembra histórias absolutamente e total ALUCICRAZY do jornalista loker/rocker nos idos de 1990/95, ao lado de alguns integrantes da banda (e como plus, mais recuerdos indie noventistas a caminho, com o documentário “Guitar Days”, um livrão sobre a cena etc); a MAIOR BANDA DE ROCK DE TODOS OS TEMPOS (os Rolling Stones, claaaaaro!) anuncia OFICIALMENTE em seu site (e pondo fim aos boatos de blogs que vivem de especular datas de shows gringos no Brasil) as gigs brasileiras, que rolam no comecinho de 2016; perdeu a gig de Iggy Pop em Sampa? Sem problema: mergulhe de cabeça na biografia GIGANTE do Iguana que acaba de ganhar edição nacional; a quem interessa e quais os interesses ESCUSOS por trás do mega hype em torno dos Boogarins?; a volta do sempre bacanudo quinteto rocker gaúcho Cartolas; o dileto leitorado macho (cado, uia!) pede bis e nós atendemos: a musa secreta SAFADÍSSIMA S.R. em nova leva de imagens delirantes, mostrando seu fortíssimo lado… intelectual, ulalá! (postão finalmente concluído, falando da bio da Kim Gordon, mostrando imagens TÓRRIDAS da nossa musa rocker secreta e comentando mais um dia em que o mundo chorou diante da barbárie terrorista) (ampliação final em 14/11/2015)

A indie guitar cult band paulistana Pin Ups (acima, em sua formação atual), lenda da cena underground brasileira nos anos 90’, faz seu show de despedida semana que vem no SESC Pompéia (na capital paulista) e causa tumulto no meio rocker alternativo por conta da gig; o mesmo tumulto que o grupo causava há mais de vinte anos (na foto abaixo) e também o mesmo tumulto que uma musa rocker secreta e SAFADA sem igual, como a deliciosa S.R. (também abaixo) também causa entre o leitorado do blog, que pediu mais imagens dela, sendo que as mesmas estão mais aí embaixo aqui nesse mesmo post

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E FECHANDO O POSTÃO, DUAS IMAGENS E A NOTÍCIA (INFELIZMENTE TRÁGICA, E NÃO MUSICAL) QUE MARCA ESTE FINDE

Yep. Havia muito mais a ser complementado neste postão, que entrou no ar na semana passada. Mas ontem (o post está sendo finalmente concluído no sábado, 14 de novembro) foi uma sexta-feira por um lado alegre pro blogger zapper, e trágica por outro para a humanidade.

 

Foi a sexta-feira em que o jornalista rocker recebeu da editora Rocco o seu exemplar de “A garota da banda”, a biografia escrita pela deusa loira Kim Gordon, sobre ela mesma e sobre a banda que ajudou a fundar e onde tocou baixo por três décadas, o gigante alternativo Sonic Youth. Uma bio tão bacana que irá compor, ao lado da também fodástica biografia da lenda Iggy Pop (que também acaba de sair no Brasil, pela editora Aleph), a dupla de livros que o blog irá devorar neste final de ano. Assim, vamos reunir as duas biografias em uma resenha/tópico bacana no próximo post do blog, okays?

O blogger rocker com seu exemplar da bio da deusa loira Kim Gordon: já ganhamos nosso presente de aniversário e de natal, hehe

 

E por outro lado foi a sexta-feira que novamente enlutou o mundo e tingiu de sangue as ruas de Paris. Mais um atentado terrorista sangrento, com centenas de mortos. E enquanto assistimos pasmos o grau de bestialidade que atingiu o ser humano no novo milênio, lembramos a premissa essencial da bandeira e da Constituição francesa: Liberdade, Igualdade & Fraternidade. E ficamos na torcida pra que nenhum ato terrorista derrote JAMAIS essa premissa.

 

É isso. Postão fica por aqui finalmente, com essa imagem bacaníssima aí embaixo: uma turma de ultra respeito e que marcou época na indie guitar rock scene paulistana dos anos 90’. Todos conhecidos do blog, alguns muito amigos nossos, outros não tão amigos mas pelos quais temos sempre simpatia e total respeito pela obra musical. E todos reunidos nessa foto trazem zilhões de lembranças à cabeça do autor destas linhas eternamente rockers. Por isso vamos hoje à noite lá no SESC Pompéia, em São Paulo, pra rever Zé Antonio, Alê Briganti, Flavinho Cavichioli, Adriano Cintra e Rodrigo Carneiro. Todos juntos no palco, na gig de despedida dos Pin Ups e para lembrar que a grande Arte e o grande rock’n’roll continuam sendo infinitamente maiores do que a bestialidade que consome o ser humano do século XXI.

A nata do indie guitar rock paulistano dos 90’ reunida numa só foto: os Pin Ups mais Rodrigo Carneiro, Adriano Cintra e Gozo. E todos estarão hoje à noite no palco do SESC Pompéia, em São Paulo, para a gig de despedida da banda

 

Até o próximo post!

 

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Enterrando de vez os anos 90’?

Talvez. Afinal a derrocada artística e qualitativa da música pop e do rock’n’roll na era da web e após a virada do milênio, obrigou boa parte dos fãs de música a viver ad eternum prestando vassalagem aos artistas e bandas dos anos 80’ e 90’. E entre essas bandas está o grupo paulistano Pin Ups, que fez razoável “barulho” na cena rock underground brasileira entre 1988 e 1999, quando encerrou suas atividades. Fundado na cidade de Santo André (Grande São Paulo) pelo guitarrista Zé Antonio Algodoal, o Pin Ups fazia rock de guitarras barulhentas e com vocais em inglês (primeiro, com Luiz Gustavo, e depois com Alexandra Briganti). A inspiração era em parte o pós-punk de Jesus & Mary Chain (e todas aquelas divinas melodias engendradas com guitarras em noise e em distorção infernal), em parte o shoegazer britânico de nomes como My Bloody Valentine, Telescopes, Lush e Ride, todas bandas muito “antigas” aos olhos da atual geração de pirralhos que vive conectada na internet, em redes sociais, blogs (como esse aqui), apps de celulares, smartphones etc. Naquela época não havia nada disso e a banda, na raça, foi formando seu público e chamando a atenção da mídia rock que então existia (revistas como Bizz, uma iniciante MTV Brasil e espaços modestos nos cadernos culturais dos grandes jornais diários de Sampa e Rio De Janeiro). Foi quando um produtor maluco inglês que havia fixado residência no Brasil e aqui criado um selo (o Stilleto) para lançar as bandas de ponta que estavam acontecendo na Inglaterra, ouviu uma demo do grupo, caiu de amores pelo que ouviu e resolveu bancar a prensagem (ainda em vinil, já que o cd também era novidade no país) do primeiro disco do quarteto (então também integrado pelo baterista Marquinhos, pela baixista Alê e por Luiz nos vocais). Era 1990 e a partir daí o conjunto,  embora nunca tenha vendido muito e nunca tenha saído do underground onde nasceu, construiu uma sólida reputação entre jornalistas, formadores de opinião (yep, eles sempre existiram, não?), entre outros músicos e outras bandas e também entre um fiel séquito de fãs. O Pin Ups acabou se tornando uma “cult band” (como não existem mais hoje em dia no Brasil), abriu turnês de grupos de guitar rock sublimes dos anos 90’ em suas visitas por aqui (como o americano Superchunk) e saiu de cena enfim em 1999, embora nunca tenha oficializado o fim das suas atividades. Assim sendo e como saudosistas que somos de uma época (os anos 80’ e 90’) onde se produzia rock infinitamente superior ao que escutamos hoje não apenas na péssima (em sua quase totalidade) cena independente brazuca, mas no mundo todo, os Pin Ups resolveram talvez tentar ENTERRAR de vez sua trajetória pondo um ponto final nela com a gig que farão no próximo dia 14 de novembro, sábado, na chopperia do SESC Pompéia, em São Paulo. É essa gig portanto o tópico principal deste postão de Zap’n’roll que está começando agora. Um post que custou a chegar, bem sabemos, mas que enfim surge com uma pauta caprichada como sempre. Uma pauta que traz uma bacaníssima entrevista com Zé Antonio (dos Pin Ups), que resgata lembranças de uma época realmente fodona do indie rock nacional e que mantém por fim o olhar sempre atento destas linhas rockers bloggers ao que ainda existe de muito bom entre os grupos da cena brasileira atual (como os gaúchos Cartolas, que acabam de lançar seu novo disco, ou ainda o paulistanos Coyotes California e Necro e a grata revelação do Estado do Espírito Santo que é o Manic Mood). É por isso que este blog está há quase treze anos no ar. E quando ele não mais existir (afinal, tudo chega ao fim um dia) saberemos com tranqüilidade que cumprimos muito bem nossa missão durante mais de uma década: manter nosso fiel leitorado (seja ele muito jovem ou já coroa) sempre muito bem informado sobre o que de mais relevante acontece no rock alternativo daqui e de fora, e na cultura pop em geral. Então vamos lá, a mais um postão do blogão que não abandona jamais quem o lê.

 

 

* Entonces, o novo postão custou realmente a sair. E já chegamos a conclusão por aqui de que não adianta atualizar um blog a todo instante quando não há motivos e assuntos RELEVANTES para isso. É uma bobagem a postura desses blogs de rock alternativo e cultura pop que querem a todo custo se manter diariamente na “vanguarda” da informação através de vários micro posts com assuntos desimportantes (ou especulando sem parar sobre confirmações de turnês de bandas gringas pelo Brasil, geralmente dando “barrigadas” em série nessas infos e depois tendo que desmentir ou corrigir as informações erradas) que quase ninguém lê, que ninguém comenta e que quase não ganham likes em redes sociais. Então o blogão zapper prefere ir devagar e sempre e postar aqui, ainda que com maior espaço de tempo, um autêntico “colunão” virtual onde, de fato, assuntos que são RELEVANTES serão bem documentados e analisados.

 

 

* E nem vamos falar de política nessas notas iniciais porque tudo continua o nojo de sempre pelo país, não é? Seguimos apenas aguardando pra ver quando o “servo bandido de Deus” (nem é preciso dizer o nome do pilantra) vai ser finalmente EXPURGADO da cadeira de presidente da Câmara dos Deputados em Brasília.

 

 

* E a notícia MASTER RELEVANTE da semana rocker, todos já sabem, foi disparada finalmente ontem (sendo qiue estas notas iniciais estão sendo escritas na madrugada de quinta pra sexta-feira). Depois de semanas de diz-que-diz e muuuuuita especulação infundada (pelos blogs de sempre, especializados nesse tipo de conduta jornalística algo adolescente), o site OFICIAL dos Rolling Stones (a nossa, a sua MAIOR BANDA DE ROCK DE TODOS OS TEMPOS) e a produtora T4F finalmente divulgaram as DATAS OFICIAIS da turnê dos nossos amados e famigerados vovôs ainda subversivos do rock’n’roll. Ficou assim:

 

20 de fevereiro – Rio De Janeiro (estádio do Maracanã)

24 e 27 – São Paulo (estadio do Morumbi)

2 de março – Porto Alegre (estádio Beira Rio)

 

 

* Sendo que você pode conferir tudo aqui: http://www.rollingstones.com/tickets/. Os ingressos para os shows no Brasil começam a ser vendidos na próxima segunda-feira, 9 de novembro. E é muito óbvio que todos eles irão se esgotar em questão de horas. E também é muito óbvio que esta deverá ser a derradeira turnê dos Stones por aqui, que não vinham ao país há quase uma década – não custa lembrar: Mick Jagger e cia estiveram aqui pela última vez em fevereiro de 2006, quando tocaram na praia de Copacabana para mais de um milhão de pessoas. Então é agora ou nunca: ou você vai nessa turnê (sendo que o jornalista zapper/loker eternamente apaixonado pelos Stones pelo menos já conseguiu assistir ao grupo ao vivo por duas vezes, em 1995 e 1998) ou bye bye. Jagger está com setenta e dois anos nas costas, o restante da banda mais ou menos por aí também. Alguém ACHA que haverá outra excursão mundial dos velhinhos depois dessa?

 

 

* A outra notícia beeeeem relevante para o que ainda resta de muito bom no rock independente nacional vem do Rio Grande Do Sul. O já veterano quinteto Cartolas (que existe desde 2003 e é um dos grupos do coração deste blog no rock nacional dos anos 2000’), comandado pelo guitarrista e produtor Christiano Todt e pelo figuraça vocalista Luciano Preza, acaba de lançar seu novo disco de estúdio. O álbum, homônimo ao nome da banda, foi postado oficialmente ontem no site do grupo. E traz onze faixas onde os Cartolinhas mantém a fé no rock’n’roll básico e altamente melódico e radiofônico que sempre caracterizou sua musicalidade desde o primeiro cd, “Original de Fábrica” (lançado em 2007). É o quarto disco do grupo e estas linhas online ainda vão ouvir o dito cujo com atenção absoluta para, se possível ainda nesse postão (que será concluindo até o meio da próxima semana), falar detalhadamente sobre ele. Mas aí embaixo já dá pra você ter um aperitivo do novo trabalho dos Cartolas, através dos vídeos para os dois primeiros singles extraídos do álbum, que contém as lindíssimas “Xodó” e “Sem sal”. E você pode escutar o disco na íntegra aqui: http://www.cartolas.com.br/iv/.

 Capa do novo disco do gaúcho Cartolas, que foi lançado ontem na web

* E também muito relevante é o documentário “Guitar Days”, que está sendo produzido por Caio Augusto e que pretende contar toda a história da indie guitar scene nacional, desde os anos 90’ até os dias atuais. Para isso Caio já colheu depoimentos de mais de sessenta pessoas (o autor destas linhas online incluso), entre músicos, bandas, produtores e jornalistas. A previsão de lançamento do doc é março de 2016 e você pode saber mais sobre ele aqui: https://www.facebook.com/guitardaysdoc/timeline.

Reunião de rockers na última semana na loja Baratos Afins, na Galeria Do Rock (centrão de Sampa): Zap’n’roll e a turma que está produzindo o documentário “Guitar Days” (cartaz abaixo), junto com o lendário produtor Luiz Calanca; o autor deste blog é um dos entrevistados que estarão presentes no filme, com lançamento previsto para março de 2016

 

* Bien, começando os trabalhos. A primeira parte desse postão gigantão está entrando no ar na sexta-feira, 6 de novembro. Então ao longo dos próximos dias iremos ampliando aos poucos esssa notinhas iniciais, okays? Por enquanto vamos direto aí embaixo, saber como vai ser o show de despedida dos Pin Ups, um dos mais lendários grupos do indie guitar brasileiro dos anos 90’.

 

 

O ADEUS DOS PIN UPS, NUM SHOW DESDE JÁ HISTÓRICO E PARA RECORDARMOS COMO ERA O GRANDE INDIE GUITAR ROCK BR DOS ANOS 90’

Em algum momento na segunda metade da década de 1980 (há quase trinta anos portanto, e quando a maioria da garotada que acompanha este blog hoje em dia provavelmente sequer tinha nascido) três moleques fãs de indie rock britânico barulhento se juntaram em Santo André (cidade da região metropolitana da capital paulista) e formaram uma banda. Em uma época onde não havia internet, telefones celulares, sites, blogs ou redes sociais, os amigos Zé Antonio (guitarras), Luiz Gustavo (vocais) e Marquinhos (bateria) fundaram o Pin Ups, movidos por uma paixão comum pelas melodias a um só tempo doces e barulhentas de grupos como Jesus & Mary Chain, My Bloody Valentine, Telescopes, Ride ou Lush. O trio ainda não sabia disso mas estava sendo um dos fundadores da gênese de um certo indie guitar rock brasileiro, que agregava grupos que cantavam em inglês e prestavam vassalagem total ao rock’n’roll da Velha Ilha. Sem um pingo de interesse em música brasileira ou qualquer influência dela, o trio de Santo André logo começou a fazer barulho em bares de Sampa, formou um pequeno séquito de fãs e começou a chamar a atenção dos poucos jornalistas (entre estes, o titular destas linhas zappers sempre malucas e gonzolinas) que acompanhavam de perto a cena musical underground naquela época.

 

Daí pra frente a fama em torno do grupo começou a aumentar e logo ele ganhou status de “cult band” da indie scene nacional. O oba-oba em torno do trio (que logo receberia a adição da baixista e vocalista Alexandra Briganti) aumentou de tal forma que um pequeno selo alternativo inglês, o Stilleto (e que havia aberto recentemente escritório em São Paulo), resolveu bancar o lançamento do primeiro disco de vinil dos Pin Ups. “Time Will Burn”, que havia sido gravado entre 1988/89, foi lançado em 1990 e recebeu elogios rasgados de toda a imprensa qne então se dedicava a cobrir rock na mídia brasileira.

 

Mas se a fama do conjunto aumentava, ele seguia vendendo pouco e preso à cena indie paulistana, de onde jamais acabou saindo no final das contas, mesmo tocando em gigs importantes como quando abriu as apresentações brasileiras do grupo americano Superchunk (então um dos nomes mais importantes da cena alternativa noventista dos EUA). E foi assim por toda a década de noventa: mudando sua formação (Luiz acabou saindo após a gravação do terceiro álbum e Alê assumiu de vez os vocais; a também guitarrista Eliane Testone entrou no line up e o batera Marquinhos também se foi, entrando em seu lugar o ultra loker Flavio Cavichioli, que anos mais tarde se tornaria um dos grandes bateristas do rock independente brazuca, tocando com os Forgotten Boys, além de se tornar um dos melhores “companheiros” de loucuras junkies e de enfiações de pé na lama ao lado do autor deste blog, ulalá!) e lançando uma trinca de CDs excelentes (“Jodie Foster”, “Lee Marvin” e “Bruce Lee”) o grupo foi levando sua trajetória como pôde, até decidir encerrar (de forma não oficial) suas atividades por volta de 1999. Zé e Alê foram trabalhar na então nascente MTV Brasil (onde ficaram por quase vinte anos), Eliane tocou em zilhões de bandas alternativas de São Paulo (e sendo que ela mora já há alguns anos em Londres) e Flavinho foi tocar com os “Garotos Esquecidos” onde permaneceu por quase uma década.

 

Corta para o final de 2015. Em um momento em que muito se fala dessa cena independente brasileira dos anos 90’ (com realização de documentários sobre ela e lançamentos de livros a respeito) e das bandas dessa cena que cantavam em inglês, uma nova geração começou a descobrir os discos lançados pelo Pin Ups – que estão todos disponíveis para audição em canais na web, como o YouTube. Foi assim que então, para dar um ponto final nessa história que ainda não havia oficialmente chegado ao fim, Zé Antonio se reuniu novamente com Alê Briganti e Flavinho Forgotten para fazer aquele que o trio está chamando de “finalmente o show de despedida dos Pin Ups”. A gig acontece no próximo dia 14 de novembro na chopperia do SESC Pompéia, em São Paulo, e já causou tumulto em sites e blogs especializados em rock alternativo, e também nas redes sociais como o Facebook, onde a página do evento já conta com mais de seicentas pessoas confirmadas no show (cabem cerca de oitocentas na chopperia do SESC). E será uma apresentação que, além do trio remanescente, ainda terá alguns convidados especiais no palco como Adriano Cintra (outro dileto amigo zapper, e o gênio que fundou o Butchers’ Orchestra e também o finado Cansei De Ser Sexy), Rodrigo Carneiro (jornalista e vocalista de outra lenda indie dos 90’, o Mickey Junkies) e Rodrigo Gozo (ex-guitarrista do Killing Chaisaw, outro nome importante da indie guitar scene dos 90’).

 

Por que vai rolar esse gig de despedida, o que esperar do show e o que anda motivando o interesse da garotada atual por uma cena de duas décadas e meia atrás que na realidade jamais ultrapassou as barreiras quase sempre cruéis, estreitas e limitadoras do underground rock nacional? É o que você fica sabendo lendo as opiniões bastante sensatas e esclarecedoras de Zé Antonio, cinqüenta e um anos de idade, ainda guitarrista apaixonado por rock, um dos fundadore dos Pin Ups e que conversou com Zap’n’roll na semana passada. Os principais trechos da entrevista, realizada pelo inbox do FB, seguem abaixo:

A banda em sua definitiva, clássica e final formação (durante os anos 90’), com os guitarristas Zé e Eliane, a baixista e vocalista Alê e o baterista Flavinho Cavichioli

 

 

Zap’n’roll – Os Pin Ups foram uma das bandas mais “cult” e lendárias da indie scene nacional do final dos anos 80’ (quando lançou seu primeiro disco) e até seu final, em 1999. Mas é óbvio que toda uma geração novíssima atual talvez nunca tenha ouvido falar da banda. Se fosse pra você resumir pra essa molecada o que foi a história do Pin Ups, como você a contaria?

 

Zé Antonio Algodoal – Acho que foi uma banda formada por moleques que queriam tocar, nada mais que isso. Por mais que o Luiz [Gustavo, primeiro vocalista da banda] replicasse alguns discursos de bandas inglesas, dizendo que éramos bons a verdade é que tudo era uma grande diversão, jamais imaginamos que pudéssemos nos tornar cult ou o que quer que seja. Nossa preocupação era apenas soar contemporâneo e tentar fazer isso da melhor maneira possível. A época era outra, sem internet, com instrumentos e pedais caros, poucos lugares pra tocar e viagens intermináveis de ônibus pelo Brasil, mas a gente amava tanto aquilo tudo que topava qualquer coisa… De resto, lançamos um primeiro disco por uma gravadora, Stilleto, e depois disso sempre batalhamos feito loucos pra conseguir que outros selos nos lançassem. Acho que tivemos sorte de encontrar muita gente boa nesses selos, nas casas noturnas e na imprensa que acabaram nos apoiando.

 

Zap – Ok. E você também sempre acompanhou muito de perto toda a cena independente daquela época e até hoje, pois além de músico trabalhou anos em diversos setores da MTV Brasil, atuando inclusive como diretor de jornalismo e de vários programas da emissora. Assim, sob sua ótica de músico e jornalista que acompanhou tudo isso muito de perto, qual a comparação que você faz entre a geração alternativa daquela época e a de hoje? Ainda existe rock alternativo que valha a pena no Brasil atual?

 

Zé Antonio – Claro! Tem muita banda boa por aí. Acho que a diferença é que hoje quem quer ter uma banda pode ter um bom instrumento, divulgar melhor o seu trabalho, e contar com um profissionalismo que era impossível em nossa época. Ainda hoje faço vários trabalhos com bandas novas, acabei de gravar uma temporada de um programa chamado Mixados, dessa vez como apresentador, e comentei sobre isso com vários músicos das novas gerações. Fico feliz que eles tenham tantas ferramentas e façam bom uso de tudo isso. Em relação à cena alternativa ela existe, e é bem forte. A diferença é que nos 90’ eram poucos os lugares que concentravam essas bandas. Hoje a gente pode ver uma banda como o Far From Alaska fazendo um dos primeiros shows no Lollapalooza e isso é bom, faz com que todos se esforcem para dar o seu melhor. Na época do Pin Ups era tudo menor, com menos perspectivas, menos compromissos… talvez fosse um pouco mais romântico em algum sentido, mas acho que hoje é tudo melhor.

 

Zap – talvez o blog seja um tiozão saudoso e romântico e que achava a indie scene daquela época muito melhor que a atual, mas tudo bem, rsrs. Então falemos um pouco da trajetória do grupo, das suas formações, discos e shows. Este jornalista mesmo assistiu a algumas gigs inesquecíveis do conjunto, no lendário Espaço Retrô. Você particularmente se lembra do seu momento/show inesquecível dos Pin Ups? E qual seu álbum preferido do grupo? E das formações que tiveram, qual considera a melhor?

 

Zé Antonio – Aí eu não sei te responder hahaha. Dos shows no Retrô eu tenho um carinho especial pelos shows de lançamento do “Time Will Burn”, quando a Alê entrou pra banda. Foram quatro shows intensos e divertidos. Não sei como agüentamos, rsrsrs. Em relação às formações, eu adorava ter o Luiz na banda com seu humor ferino e suas performances de palco, mas amo a formação com a Alê no vocal, o Flavio na bateria e a Eliane na guitarra. Acho que aquela talvez tenha sido a época em que mais nos divertimos, e tivemos tranquilidade pra pensar na banda. A Alê se tornou uma grande amiga. E essa foi a formação que durou mais tempo e com a qual conquistamos muitas coisas. Em relação ao álbum… acho que talvez eu goste do “Lee Marvin”. Mas a verdade é que o melhor álbum do Pin Ups era o que seria gravado antes da banda parar… talvez a gente resgate uma dessas músicas para a trilha do documentário “Guitar Days”.

 

Zap – dê mais detalhes sobre esse documentário e sobre esse disco NÃO lançado do grupo. Ele seria o sucessor de “Bruce Lee”, o disco derradeiro que saiu em 1999? Chegou a ser totalmente composto?

 

Zé Antonio – Em relação ao disco existiam uns esboços de músicas, alguma nem chegaram a ser ensaiadas. Mas era um bom momento da banda, teríamos feito nosso melhor trabalho sem dúvida. E os documentários são dois. De alguma maneira as pessoas começaram a prestar atenção naquela geração e quiseram documentar aquela história. O primeiro é um doc dirigido pelo Marko Panayotis que se chama “Time will burn”, mesmo nome do nosso primeiro disco. O outro se chama “Guitar Days” [nota do blog: documentário que está em fase final de produção e que deverá ser lançado até março de 2016; ele conta com depoimentos de mais de sessentas músicos, jornalistas e outros agitadores culturais que acompanharam a cena alternativa dos 90’ até hoje, e o autor deste blog está entre os que gravaram depoimentos para o filme], do Caio Augusto, que fala sobre as bandas que cantavam em inglês, e quase todas nos citam.

 

Zap – e por que o disco não foi lançado, afinal?

 

Zé Antonio – pra completar o Yury Hermuche, do Firefriend, está finalizando um livro, que sai agora em novembro onde ele dedica mais de 80 páginas à nossa história. O Livro se chama “Rcknrll outsiders viciados em música e procurando confusão”. O Caio está pedindo às bandas que aparecem no doc para ceder uma música inédita, então vamos recuperar uma dessas. E porque o disco derradeiro não saiu? É que naquela época o Pin Ups deu uma parada. A cena tinah mudado muito, o hardcore estava tomando conta e a cena alternativa dava uma encolhida. Era difícil ter lugar pra tocar, selos pra lançar discos, divulgação estava mais complicada e então resolvemos que era hora de repensar muitas coisas. Com isso o álbum, assim como vários outros projetos, acabaram deixados de lado.

 

Zap – em nossas conversas off por fone, antes da entrevista em si, relembramos bons e também maus momentos da trajetória dos Pin Ups. Como o célebre show no Curitiba Pop Festival em 2004, que trouxe os Pixies pela primeira vez ao Brasil e quando vocês subiram ao palco para fazer um set antes do lendário quarteto indie guitar americano. Foi seguramente o PIOR show que o blog assistiu de vocês. Por que aquela gig foi tão desastrosa afinal, quando poderia ter sido o ponto culminante da trajetória do conjunto?

 

Zé Antonio – os ensaios foram ótimos, tinha tudo para ser um show bom, mas antes de nós rolou uma reunião de músicos gaúchos que tocou meia hora a mais do que deviam, com isso fomos informados na beira do palco que teríamos que cortar metade do nosso set. Lembro também que uma pessoa da produção brigou com o Luiz momentos antes do show por alguma besteira, acho que um copo de bebida ou algo do tipo, e no final entramos sem sequer uma set list definida. Enfim, uma série de fatores que fez com que nós entrássemos no palco sem a concentração necessária… Um show a ser esquecido. Melhor lembrar do que foi bom.

 

Zap – sim, melhor, rsrs. E sendo assim, cabe a pergunta: qual foi a motivação afinal para reunir o grupo novamente e fazer essa apresentação no Sesc? Haverá outras além dela?

 

Zé Antonio – então, com toda essa movimentação sobre a cena dos 90, o interesse nas bandas da época ficou mais evidente, muitas bandas voltaram, outras começaram a fazer shows novamente, etc., mas pra variar mesmo sem querer fomos na contramão. Pensamos que seria bacana fazer um show como agradecimento por todo o reconhecimento, pela lembrança e também para as pessoas mais novas que conheceram a banda nos últimos anos, quando tocamos muito pouco. Ficamos animados com a idéia, conversamos com o Sesc onde fomos muito bem recebidos, e depois de algum tempo nos ofereceram a data de 14 de novembro. Este será o nosso show de despedida. Sinceramente não temos intenção de subir ao palco novamente, mas… já diz o ditado, never say never rsrs.

 

Zap – ahahaha, certo. E o que você espera desse show? Que público você imagina nele: apenas “tiozões” indies na faixa dos quarenta anos (ou mais até) saudosistas dos anos 90’, ou também uma garotada mais nova?

 

Zé Antonio – nas últimas vezes em que tocamos fomos surpreendidos por um público jovem, que tinha baixado nossos álbuns em sites da internet mas nunca tinham visto a banda ao vivo. Ao contrário do que esperávamos, tinha pouca gente da época do Retrô, por exemplo. Dessa vez acho que a platéia vai ser mais misturada. Essa coisa de último show deixa tudo um pouco mais sentimental, e eu adoraria encontrar os novos e velhos amigos.

 

Zap – Ótimo. E encerrando: após o fim da MTV Brasil você tem se dedicado a várias atividades, inclusive organizou o livro “Discoteca Básica”, lançado pela Ideal Edições e onde foram reunidos nomes de diversas áreas da cultura pop que listaram seus discos prediletos de todos os tempos. A repercussão do livro foi boa? Haverá uma segundo volume dele?

 

Zé Antonio – foi sim, adorei fazer o livro e na semana passada a editora Ideal deu o ok oficial para  o volume 2, que sai em 2016.

 

* Tudo sobre o show de despedida dos Pin Ups aqui: https://www.facebook.com/events/1042653659091287/.

 

 

PIN UPS AÍ EMBAIXO, EM CINCO (DOS SEIS LANÇADOS PELA BANDA) DISCOS QUE CONTAM A HISTÓRIA DO INDIE ROCK BR DOS 90’

Para audição na íntegra, em stream, no YouTube.

 

 

 

OS PIN UPS E OS ANOS 90’ – RELATOS BREVES E SELVAGENS DE SEXO, DROGAS, ROCK’N’ROLL, LOUCURAS E BRIGAS (SEMPRE COM A PARTICIPAÇÃO DIRETA DO JORNALISTA ZAPPER/LOKER/GONZO, CLAAAARO!)

Os Pin Ups existiram de 1988 a 1999 e embora jamais tenham deixado o território limitado do underground rock nacional, se tornaram uma cult band de público fiel e um dos grupos que mais agitavam a cena noturna de bares paulistanos da época que abriam espaço para shows ao vivo com bandas de rock autorais. E não havia nenhum “anjo” ali: todos (especialmente o batera Flavio Cavichioli) adoravam enfiar o pé na lama em álcool, drugs etc. E ESTE jornalista eternamente loker/gonzo, que também nunca foi um modelo de, hã, bom comportamento (muito pelo contrário, rsrs), acompanhou a turma praticamente desde o início – não apenas em sua trajetória musical mas também se envolvendo em histórias e situações muitas vezes absurdas, acachapantes e hilárias ao lado do conjunto ou nos lugares onde ambos (jornalista e banda) freqüentavam.

 

Aí embaixo o blog recorda rapidamente algumas dessas histórias, uia!

 

* Espaço Retrô, o antro lendário da putaria sem fim: era pra ser mais um bar qualquer na noite paulistana. Mas aberto em 1988 em um sobradinho em uma rua no bairro de Santa Cecília (centrão barra pesada de Sampa), o Espaço Retrô se tornou o mais lendário bar rock alternativo da capital paulista, ao lado do também saudoso Madame Satã. E o Retrô se tornou uma espécie de “lar” dos Pin Ups, onde o grupo não cansava de se apresentar ao vivo, sempre levando uma galera gigante e animadíssima para conferir as gigs. Foi lá que o jornalista loker (e autor deste blog) conheceu o grupo. E era no Retrô onde tudo acontecia: discotecagem rocker com as últimas novidades da gringa (isso numa época onde não havia internet), bocetas tesudas e lokas em profusão e muita cheiração de cocaine e putaria nos banheiros IMUNDOS da casa, sendo que o autor dessas linhas bloggers deitou sua napa em padê naqueles banheiros até o nariz cair. Fora a “rola” zapper, que foi “gasta” com gosto naqueles mesmos banheiros, hihihi.

 

* A linda loirinha italiana, amigona zapper, e que NUNCA deu para o batera Marquinhos: ela se chamava (se chama) Ana Marmo. E era (é, até hoje) grande amiga do jornalista gonzo que escreve este blog. Ambos se comheceram quando cursavam Jornalismo na Fiam (yep, Zap’n’roll cursou Comunicação Social no final dos anos 80’, após ter se graduado em História na extinta Universidade São Marcos, em Sampa). E ambos freqüentavam o Retrô, claaaaaro. Aninha era uma loiraça lindaça, descendente de italianos, meiga como uma flor e inocente (de pensamento e comportamento) como uma criança de oito anos de idade. Mesmo assim gostava de ir ao Retrô e se dava bem com seus amigos malucos (como o sujeito aqui). E numa bela madrugada no bar, quando rolou mais uma gig dos Pin Ups (sempre…), ela CAIU DE AMORES pelo batera Marquinhos. O safardana, óbvio, também caiu matando em cima da loiruda e ambos engataram um “affair” que durou algum tempo. Mas logo depois o casal se separou e um dia o blog quis saber de Aninha o que tinha rolado e por que eles não estavam mais juntos. “Ah Finatti, ele só queria me comer”, respondeu ela, uia! E completou: “E eu ainda sou muito nova pra essas coisas, rsrs”. Hoje Marco (que também foi um dos fundadores do esporrento e genial trio Thee Butchers’ Orchestra) mora nos Estados Unidos. E Ana continua linda e loira até hoje: mora em Londres, foi casada com um escocês durante muitos anos e têm duas filhas tão belas quanto sua mamis, eternamente uma queridíssima amiga do jornalista rock’n’roll.

Fachada do bar rock mais lendário da cena alternativa paulista nos anos 80’ e 90’: o Espaço Retrô (acima) em sua primeira versão, que durou de 1988 a 1992, funcionava num sobradinho no bairro de Sta Cecília (região central da capital paulista), atrás do Largo e igreja do mesmo nome; foi lá que os Pin Ups fizeram seus primeiros, inesquecíveis e badalados shows

 

* “Me CHUPA Finatti, eu deixo! Você é VIADO!”: foi em alguma madrugada de 1992, mais ou menos (o HD do “véio” aqui às vezes falha, já lesado que está por décadas de consumo de álcool e aditivos ilícitos). O local: bar Der Temple, no baixo Augusta (próximo de onde é hoje o pub Astronete), cujo dono, o rockabillie Gigio, é atualmente (e há quase vinte anos já) propietário do Matrix Bar (na Vila Madalena, bairro boêmio de Sampalândia). O Der Temple também marcou época na cena rocker under da capital paulista – foi lá que Kurt Cobain e Courtney Love se “internaram” a madrugada toda, após o show do Nirvana em São Paulo, em janeiro de 1993. E o blogger loker também vivia “internado” lá (afinal morávamos na rua de trás, a Frei Caneca, nessa época). E não deveria ter ido lá NAQUELA NOITE. Mas foi, por insistência da amiga Renata F., uma perua rocker tesudíssima, locaça como ela só (namorava com um italiano mafioso e vivia turbinada de ÓTIMA cocaína, que era fornecida a ela pelo namorido, claro) e que AMAVA trepar com músicos de rock ou qualquer sujeito que trampasse na área musical ou jornalística. Pois enfim: lá se foi a dupla pro Der Temple, em uma noite que haveria show dos… Pin Ups (ahá!), em comemoração ao “noivado” oficial da baixista Alê com o VJ da MTV e vocalista do grupo Ratos De Porão, João Gordo (que já estava se tornando então uma celebridade na cena undergroud). Aí que residia o problema (e o perigo): nessa época, por motivos nunca muito bem esclarecidos, Gordo e o jornalista zapper eram inimigos quase MORTAIS, sendo que o então rotundo VJ nutria um ódio igualmente quase mortal pelo autor deste blog (uma briga que durou até meados de 1995, quando ambos fizeram as pazes finalmente e se tornaram novamente bons amigos, que são até hoje). Mas Renata encheu o saco pra caralho pra ir na festa (era véspera de algum feriado) e a dupla se mandou pro Der Temple. Lá a madrugada rolou mais ou menos tranqüila (com o jornalista prevenido EVITANDO passar perto do João Gordo a noite toda) até o momento em que um destrambelhado e atrapalhado (como sempre foi) Finaski resolveu ir embora. Eram mais de cinco da matina, ele já estava bastante ébrio e foi se despedindo de alguns conhecidos e andando meio que de COSTAS, sem olhar quem estava atrás, no caminho. Foi então que ESBARROU em uma MASSA HUMANA e só escutou a seguinte frase: “Ô seu FILHO DA PUTA, você veio na MINHA FESTA pra me EMPURRAR? Vou te MATAR!”. Era João Gordo, claro. Que deu um SAFANÃO no autor destas memórias hilárias, levando-o ao chão. Zap’n’roll não se deu por assustado e, de saco cheio e bêbado, pegou a primeira GARRAFA vazia que estava ao seu alcance e partiu pra cima do rotundo músico, dizendo: “Chega! Quem vai te MATAR SOU EU, seu MERDA!”. Confusão armada, a turma do deixa disso entrou no meio e o jornalista foi direto no quarto distrito policial (que ficava do outro lado da rua) pedir ajuda. Voltou de lá com um investigador da polícia civil, que escutou pacientemente o relato dos dois envolvidos na contenda. Ao final, decretou: “a briga termina aqui, se alguém quiser dar queixa de algo, que se dirija AGORA comigo ao DP. E se alguém ENCONSTAR A MÃO NO OUTRO na MINHA FRENTE, vai em CANA AGORA!”. O dia já clareava e João Gordo resolveu ir embora na cia da sua noiva, Alê Briganti. Que enquanto abria a porta do carro dela (estacionado na frente do Der Temple), falava alto e rindo para um atônito Finas: “Vai Finatti, VEM ME CHUPAR! Eu deixo! Vem! Você é VIADO!!!”. Mais de duas décadas depois, Alê e o blogger rocker/loker são amigos e riem muito quando se recordam dessa história, ahahahaha.

 Dupla do barulho (e ponha barulho niso!), na night rocker loker sem fim de Sampa: o jornalista zapper e seu brother, o batera Flavio “Forgotten” Cavichioli, durante balada no baixo Augusta, em 2013; foi numa casa noturna onde tocou o grupo Corazones Muertos (com o qual Forgottinho estava tocando bateria na época) e, quando essa imagem foi registrada tanto jornalista quanto músico já estavam total alucicrazies de álcool e… rsrs

 

* O show DESASTROSO em Curitiba: foi em 2004, na primeira edição do finado Curitiba Pop Festival. Que tinha como atração máxima o quarteto americano Pixies, em sua primeira visita ao Brasil. E para dar um clima total indie rock ao evento a produção do mesmo teve a “brilhante” idéia de bancar uma reunião dos Pin Ups no palco, já que a banda estava parada há alguns anos mas continuava sendo alvo de adoração por um séquito grandinho de fãs. E o que era para ser um dos grandes momentos ao vivo do grupo acabou se tornando o MAIOR DESASTRE da trajetória deles, em termos de shows, pelos motivos já elencados pelo guitarrista Zé Antonio na entrevista aí em cima, no post. Mas Zap’n’roll não esquece de dois momentos daquela noite: o primeiro, com o jornalista “secando” uma garrafa de Jack Daniel’s com o vocalista Luiz Gustavo no camarim do grupo (e Luiz reclamando: “porra Finatti, quero levar um pouco de Jack pra beber no palco, caralho!”), de onde saiu com um copo descartável CHEIO de Bourbon pouco antes de o grupo subir no palco (e a essa altura, os neurônios zappers já estavam entrando em parafuso). E o segundo, assistindo ao próprio e lamentável show da banda: em dado momento Luiz, absolutamente loki de Jack, tirou o microfone da boca e ficou cantando com a… garrafa de Jack, jezuiz, rsrs. (pós-gig: o blog saiu da pedreira Paulo Leminski e foi direto pro centrão da capital do Paraná em busca de cocaine e crack, que ele ainda fumava naquela época. Passou a madrugada cheirando e pipando pelas ruas do centrão da cidade, ao lado de quem pudesse lhe fornecer alguma dorga)

 

* Flavinho Forgottinho ROUBANDO padê da napa do jornalista em Cuiabá, ulalá: segundo semestre de 2006, em Cuiabá (a sempre infernal e calorenta capital do Mato Grosso). O blog estava lá cobrindo um festival de bandas independentes, o Calango. Era a última noite do evento, os Forgotten Boys estavam fechando o festival e, ATRÁS do kit de bateria no palco onde Flavio Cavichioli (ex-batera dos Pin Ups e a essa altura já velho amigo zapper) espancava seu instrumento, o loker aqui estava sentando numa cadeira, ESTICANDO caprichosamente a ÚLTIMA carreira de cocaine que lhe restava naquele momento (já era alta madrugada, o pó de Cuiabá é dos melhores do Brasil e naquela horário seria praticamente impossível convencer alguém ali a ir de carro numa “biqueira”, pra buscar mais “produto”). Foi quando uma PANE técnica no palco (na parte elétrica) fez com que tudo ficasse mudo, obrigando os “Garotos Esquecidos” a encerrar seu set antes do previsto. Não deu outra: Forgottinho levantou puto do banquinho da bateria, se virou e quando viu aquela RELUZENTE carreira de cocaine esticada BEM NA SUA FRENTE, meteu sua NAPA sem DÓ (e até sem um “canudinho”) na mesma, pra DESESPERO e total EMPUTECIMENTO do autor dessas lembranças malucas e hilárias. “Filho da puta!”, exclamou o jornalista doidão e inconformado. “Era minha ÚLTIMA carreira, caralho! Só não te ESPANCO agora porque sou seu amigo”. Mui amigo aliás (ele), rsrs. E assim o escriba gonzo voltou para o hotel… sem sua última aspirada de farinha, rsrs.

 

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FECHANDO COM TESÃO O POSTÃO, MAIS IMAGENS DA TOTAL DELICIOUS E SAFADA MUSA SECRETA S.R.

Ela está de volta – e talvez pela última vez. Paulistana, trinta e três anos de idade. Ama Charles Bukowski e Gabriel Garcia Márquez. Ama Tim Burton, Lana Del Rey, Oasis e Tiê. E AMA ser bem FODIDA. Tem a boceta quente como o inferno e divina como o paraíso.

 

E seduziu e arrebatou o coração e a alma deste velho jornalista rocker/loker e sempre inadequado existencialmente. “Meu velho roludo!”, ela diz. E o affair segue tórrido entre os dois, já há quase três meses.

 

Então para o delírio do nosso sempre leitorado macho (cado), mais S.R. pra vocês. Apreciem sem moderação nas punhetas.

A devassidão, a luxúria plena e o pecado sórdido habitam meu corpo

 

Ela se entorpece com filosofia…

 

…e também de vinho

 

Meu corpo em delírio, à espera do velho roludo

 

E após mais uma tórrida sessão de delírios carnais, o velho e safado jornalista beija a VULVA de sua doce putinha (em imagem que foi censurada e REMOVIDA pelo Facebook, a rede social nazista)

 

 

E FIM DE PAPO

Haveria muito mais ainda a ser publicado nesse mesmo post. Mas os eventos de ontem, sexta-feira (13 de novembro) alteraram nossa pauta editorial. Assim a bio sensacional da Kim Gordon que recebemos da editora Rocco (conforme já comentado lá no início da postagem) entra, ao lado da também bio de Iggy Pop, como um dos assuntos pricipais do próximo post zapper.

 

E nesse momento em que o mundo sofre, como um todo, com mais um ato bárbaro da insanidade, demência e bestialidade humana sem limites, o blog diz: somos TODOS contra o Terror. E sempre seremos a favor da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade entre todos os povos e seres humanos do bem.

 

Até a semana que vem!

 

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 14/11¹2015 às 8hs.)

A volta (para um show de despedida definitiva) dos lendários Pin Ups; e o velho Iggy Pop em biografia MONSTRO que acaba de sair em edição nacional (mini post emergencial, enquanto o novo e fodão postão não chega, uia!)

Uma das mais lendárias indie guitar bands brasileiras dos anos 90’, o paulistano Pin Ups (acima, em montagem com imagens das diversas formações do grupo) vai se apresentar pela última vez ao vivo no próximo dia 14 de novembro na capital paulista, em uma unidade do Sesc, e por isso mesmo será destaque no próximo postão zapper; assim como também iremos falar muito desse velho louco e genial do rock’n’roll, mr. Iggy Pop (abaixo), que acaba de ter uma sensacional biografia sua lançada no Brasil

 

Postão demorando a sair?

 

Calma que ele chega! Logo depois do feriadão de Finados. E vai vir fervendo falando dessa banda Cult e lenda da indie guitar scene brasileira dos anos 90’, e que faz uma gig DEFINITIVA pra enterrar de vez aquela época, no próximo dia 14 de novembro no Sesc Pompeia, em São Paulo.

 

Yep, o blogão vai falar bastante dos inesquecíveis Pin Ups no próximo post – que chega por aqui até a próxima quinta-feira. E também vai dar uma geral no que era o indie rock brazuca daquela época, além de recordar histórias total alucicrazy (claaaaaro!) de sexo, drogas e rock’n’roll que o blogger loker viveu na época, em muquifos como o Espaço Retrô e durante gigs dos Pin Ups, claro!

 

Além disso também vai ter por aqui papos sobre a bio do Iggy Pop que acaba de sair no Brasil, mais resenhas sobre bandas bacanas como Coyotes California, Necro etc.

 

Então guentaê que logo voltamos com tudo por aqui. Até lá vai curtindo o seu feriado na boa. Sempre com muito rock’n’roll, claro!

 

Então nos vemos semana que vem por aqui. Inté!

 

Obs: falando em Coyotes California, tem show bacanudo deles HOJE em Sampa, no centrão rocker da cidade (na rua Marquês de Itú, 284, metrô República), onde a banda lança seu novo disco, “A minha parte eu quero em groove”. Cola lá que vai ser bacana!

O vocalista Falcão Moreno “voa” em show da banda Coyotes California, no último finde em Sampa; hoje o grup se apresenta novamente à noite no centro da capital paulista

 

(enviado por Finatti às 15hs.)