AMPLIAÇÃO FINAL! Contando como foi o show do Gang Of Four no Sesc Pompeia, em Sampa! – Nos quinze anos do blog zapper continuamos publicando posts comemorativos como este, em que destacamos as três décadas do lançamento (celebrados esta semana) de um dos discos mais importantes e clássicos do rock mundial nos anos 80: o álbum “Green”, do gigante, saudoso e inesquecível REM; quem também chega aos trinta anos de existência e lançando um bacanudo novo álbum é o Smashing Pumpkins; mais: os vinte anos do Grind, a domingueira rock mais lendária e bombada do Brasil (e que recebe nesse domingo dj set do blog zapper, “bebemorando” mais um niver do jornalista ainda loker e eternamente rocker!) e o fechamento (infelizmente) do bar e teatro Cemitério de Automóveis e também (novamente) do clássico Matrix Rock Bar; análises sombrias do que aguarda todo o país a partir de 1 de janeiro de 2019, com a chegada ao poder de um presidente e de um governo fascista, autoritário, conservador e de extrema direita; e enquanto o reacionário, troglodita e boçal moralismo ultra conservador e hipócrita (que já saiu do armário) não avança sobre nós com tudo e com sangue nos olhos e faca entre os dentes, presenteamos nosso sempre dileto leitorado macho (cado) com uma musa rocker absolutamente e divinamente abusada, tesuda, transgressiva e subversiva ao máximo: a gataça, filósofa, escritora e nada pudica, recatada e de lar nenhum, Sue Nhamandu Vieira. Aproveitem e deleitem-se com as imagens total nudes deste mulherão enquanto isso ainda é possível! (postão MEGA finalmente concluído em 1/12/2018)

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2018 celebra os trinta anos de existência de um dos maiores nomes do rock mundial (ou do que resta dele): o americano Smashing Pumpkins (acima, reunido no estúdio este ano com sua formação quase original) retorna com um bom disco inédito, após quatro anos longe dos estúdios; já o inesquecível e também americano REM (abaixo, com sua formação original, em imagem de 1988) tem seu clássico álbum “Green” relembrado neste post por ocasião do seu trigésimo aniversário, em textos do próprio blog e do convidado especial Léo Rocha

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E MAAAAAIS MICROFONIA SUPER EXTRA! – SALVEM A DATA! FINASKI NESTA QUINTA-FEIRA MEIA NOITE NO “NASI NOITE ADENTRO” (CANAL BRASIL), FALANDO DE SEU LIVRO EM “O ESTRANHO MUNDO DE HUMBERTO FINATTI”

 

Yes. Custou mas finalmente vai ao ar. Gravado em janeiro deste ano numa agradabilíssima noite de segunda-feira no antigo endereço da sempre bacanuda Sensorial Discos SP, a entrevista que concedemos para o amigo de décadas, vocalista do Ira! e queridão Nasi será finalmente exibida no “Nasi noite adentro” desta quinta-feira, 6 de dezembro, à meia noite, no Canal Brasil (canal 150 na tv Net). O bate-papo, claro, girou em torno do nosso então recém lançado livro, “Escadaria para o inferno”.

Nem o blog mesmo sabe como ficou o resultado final, rsrs. Afinal não vimos o programa editado. Mas o papo foi ótimo e tanto Finaski quanto ele ficaram “trêbados” de tanto vinho (ótimo, diga-se) que tomamos, ahahahaha.

 

Contamos com a audiência dos nossos leitores. E depois digam o que acharam, claro!

 

(sendo que as fotos deste tópico, inéditas, foram tiradas diretamente das gravações do programa)

 

O quê: entrevista de Finaski para o programa Nasi noite adentro.

 

Título do programa: “O ESTRANHO MUNDO de Humberto Finatti” (ahahahaha, a risada é por nossa conta)

 

Quando: nesta quinta-feira, 6 de dezembro, meia noite.

 

Onde: no Canal Brasil (150 na tv Net)

 

Apresentação: Nasi. Direção: André Barcinski. Co-direção: Rogério Lacanna (a quem agradecemos pelas imagens deste post)

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O jornalista zapper rocker e seu amigo Nasi, vocalista do grupo Ira!: bate-papo entre ambos hoje à noite no programa “Nasi noite adentro”, no Canal Brasil

 

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MAIS MICROFONIA: GANG OF FOUR NO SESC POMPEIA – SP, 23/11/2018

 

Então foi isso: o blog esperou mais de uma década para conseguir ver a “Camarilha dos quatro” ao vivo (em 2006, no festival Campari rock, que rolou em Atibaia, próximo à capital paulista, mesmo estando credenciado o jornalista sempre atrasildo chegou atrasado o suficiente para perder todo o set dos ingleses lendários do pós-punk dos anos 80’). E finalmente lá foi Zapnroll na última sexta-feira (23 de dezembro) para a choperia do Sesc Pompeia, conferir a última gig deles em Sampa – a primeira havia sido na quinta-feira e, assim como ontem, esgotou os ingressos e lotou o local.

E no final das contas, a performance do grupo foi apenas… razoável. A parada já não começou muito bem na noite de sexta: Andy Gill (guitarrista, fundador e único membro original da banda ainda nela) subiu ao palco com ALGUM problema na sua guitarra. O músico demonstrou visível irritação quando simplesmente jogou com quase fúria seu instrumento no chão, e ficou encarando o público de braços abertos. A plateia achou que se tratava de algum “chilique” de rockstar para iniciar com ímpeto a apresentação e aplaudiu (alguns gritaram) em aprovação. Mas não era nada disso e quem observou atentamente (como o sujeito aqui) sacou que havia algo errado, sendo que um dos roadies se apressava em aprontar outra guitarra para o loiro e que FUNCIONASSE a contento.

Até que o show começou finalmente. Foi beeeeem mais ou menos até a metade pelo menos. Na verdade quem deveria ser a estrela e ter brilhado no palco seria Andy Gill, autor da maioria do repertório do GOF, inclusos aí os clássicos punk dançantes do conjunto. Mas quem DE FATO roubou a cena quase o tempo todo foi o negão Thomas McNeice, um baixista do inferno que literalmente destruiu com suas linhas pesadas e matadoras, todas tiradas na base da palhetada. Gill foi “apenas” (vamos dizer assim) o ótimo guitarrista que sempre foi, mas sem arroubos de genialidade. O baterista Tobias Humble foi apenas correto. E o vocalista John Sterry (que o velho chapa e ex-vj da MTV Thunderbird, presente ao show, achou que ele se parece com Peter Murphy, quando o ex-vocalista dos Bauhaus era uma bicha loka novinha e bonitinha) bem que tentou se esforçar: instigava o público, rebolava, pulava, dançava etc. Mas é irremediavelmente FRACO, ainda mais se lembrarmos que esses caras tiveram um Jon King nos vocais.

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Os ingleses do Gang Of Four no palco da choperia do Sesc Pompeia, na capital paulista, na última sexta-feira (23 de dezembro): a gig foi apenas razoável, e quem brilhou mesmo e roubou o show foi o baixista

 

Set list? Tocaram de tudo um pouco e fizeram um bom apanhado da trajetória deles. Claro, o povo que lotou a choperia (muitos velhões e velhonas na faixa dos 40/50 anos, como este jornalista ainda rocker mas já “tiozão” sem pudor e problema algum; mas também havia uma pirralhada mais jovem, incluso aí muitas xoxotinhas tesudas com cabelos descoloridos, tattoos e tetas QUASE à mostra, afinal estava bem quente na choperia, e todos com t-shirts de bandas ícones do pré e pós punk, como Television e Joy Division, sendo que o zapper vestia a sua do Clash, uma das eternas cinco bandas da nossa vida) só enlouqueceu mesmo quando o GOF disparou seus dois grandes hits (dentro do que se pode considerar “hit” no caso deles e no rock alternativo), “Damaged Goods” e “I Love A Man In A Uniform” (sendo que essa Andy Gill bem poderia tê-la dedicado ao futuro presidente nazi fascista brasileiro e a quase todos os 55 milhões de OTÁRIOS, BOÇAIS e IMBECIS e completos selvagens que votaram nele). Mas aí já era um pouco tarde para virar o jogo totalmente, ainda que o bis tenha sido empolgante a ponto de conseguir fazer todo mundo dançar.

Para quem esperou tanto tempo e esperava mais em termos de performance, o Gang Of Four ficou devendo. Como não deverão mais voltar aqui (nesse país fodido, falido e agora mergulhado em trevas medievais culturais profundas a partir de 2019), vamos ter que ficar com esse registro mesmo em nossa memória de jornalista musical.

 

***O set list da gig do GOF, no Sesc:

 

Anthrax

Where The Nightingale Sings

Not Great Men

Isle of Dogs

Toreador

Paralysed

I Parade Myself

What We All Want

Natural’s Not In It

Lucky

Damaged Goods

Do As I Say

I Love a Man in a Uniform

Why Theory?

At Home He’s a Tourist

To Hell With Poverty

 

Bis:

Return the Gift

Ether

I Found That Essence Rare

 

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MICROFONIA (reverberando a cultura pop em todas as suas múltiplas facetas)

 

***Okays, o novo post demorou mesmo desta vez para sair. Mas cá estamos, com zilhões de assuntos pendentes e para serem colocados em dia. Fora que este é o penúltimo postão do blog em 2018 e talvez em sua história, fechando um ciclo que já dura quinze anos – muito bem sucedidos, diga-se. A partir de 2019 este espaço deverá continuar presente na blogosfera brasileira de cultura pop mas apenas para divulgar EVENTOS ESPECIAIS com a marca Zapnroll, como festas e noites com o nome do blog e que serão prioritariamente realizadas em unidades do Sesc da capital paulista, reeditando o sucesso que foi a comemoração do nosso décimo quinto aniversário mês passado, na unidade Belenzinho, na zona leste de Sampa. Mas sobre isso daremos mais e melhores detalhes em nosso último post deste ano, beleusma?

 

***E falando em festas, essa bacanuda e celebrando o niver do nosso querido brother carioca Kleber Tuma, rola mês que vem (dia 22, pertinho do natal) no Rio De Janeiro. Noitona pós-punk anos 80 pra nenhum gótico do Rio MEDO De Janeiro reclamar, hihi. Com especiais do Echo & The Bunnymen e Joy Division, além de Finaski como dj convidado, wow! Se você mora no balneário ou se estiver de bobeira por lá no dia, já sabe pra onde ir pra dançar até cair! Tudo sobre a baladadona aqui: https://www.facebook.com/events/293078024871304/.

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***“BOHEMIAN RHAPSODY”, O FILME, É SENSACIONAL E FEZ FINASKI CHORAR! – a cinebiografia do Freddie Mercury, que se eternizou na história do rock e da música mundial como o vocalista do inesquecível Queen, é um filmaço! Com alguns defeitos, isso é inegável. Um dramalhão quase mexicano, só que muito bem produzido e roteirizado? Sem dúvida. Passa muito superficialmente por diversos momentos da trajetória do grupo? Também, e nem tinha como ser diferente, afinal estão condensados em duas horas de filmagem uma história de mais de 20 anos. Comete equívocos cronológicos grosseiros? Sim, e talvez esta tenha sido a principal “escorregada no tomate” do longa, que mostra o show do Queen em janeiro de 1985, na primeira edição do Rock In Rio, absolutamente fora do tempo correto. Naquela época Freddie já ostentava seu visual que o acompanhou até sua morte em 1991, com cabelo curtíssimo e bigodão. No filme, na gig no Rio, ele ainda aparece de cabelos compridos e sem bigode. Fora que DEPOIS da apresentação no festival carioca a banda é mostrada criando o clássico “We Will Rock You” – que na verdade abre o álbum “News Of The World”, lançado 8 anos antes (!), em 1977. Mas nada disso tira o prazer gigantesco de assistir o filme. Os atores que vivem os quatro integrantes do conjunto não poderiam ter sido melhor escolhidos. E a cada avanço e ascensão na jornada do quarteto, a plateia fica extasiada de verdade. Como quando é mostrado como eles criaram o HINO que dá título ao longa, uma das obras-primas de toda a história do rock mundial e que a gravadora não queria lançar como single de trabalho de forma alguma por causa da longa duração da canção (uns 6 minutos). O Queen bateu o pé para que “Bhoemian…” fosse o primeiro single do clássico e sensacional LP “A Night At The Opera” (lançado em 1975) e deu no que deu: a faixa estourou nas rádios inglesas e foi parar no topo das paradas. O final então é mega emocionante e de arrepiar, quando a banda se reúne para tocar no Live Aid, concerto monstro organizado em 1985 e que reuniu os maiores nomes do rock mundial de então, para um show beneficente que visava arrecadar fundos para as vítimas da fome na África. O evento entrou para a história da música, e no palco do estádio de Wembley o Queen mostrou mais uma vez porque era a RAINHA máxima do rock. O filme acaba ali e não foca nos anos finais da vida de Freddie, que seria derrotado pela Aids seis anos depois, quando tinha 45 de idade. Mas mostra (ainda que de forma sutil e discreta) como ele se descobriu gay ao longo da sua vida, após namorar seis anos com Mary Austin e terminar sua vida ao lado do companheiro Jim Hutton. Tanto Mary como Jim herdaram a maior parte da fortuna deixada por Mercury. E vendo o filme, um OUTRO FILME passou diante dos nossos olhos. O blog se lembrou de como amava o Queen na nossa pós-adolescência, dos LPs que tínhamos deles (tivemos durante anos meia dúzia de discos do grupo, em suas edições originais com capas duplas, e não parávamos de escutá-los) e dos DOIS SHOWS que vimos da banda, em março de 1981 no estádio do Morumbi em Sampa, e depois em 1985 no primeiro Rock In Rio. Zapnroll foi sozinho em ambos, graças ao “apoio” financeiro da saudosa mama Janet, que superprotegia o jovem Finas e pagou os ingressos nas duas vezes sob protestos irados, pois ela morria de medo de que seu filho fosse sozinho naquela idade (18 anos no primeiro show; 22 no segundo) num “tumulto” musical e rocker onde estariam milhares de pessoas. Mas que loko: ela mesma AMAVA o Queen e por isso deixou o jovem Finaski ir às duas gigs. No final das contas, “Bohemian Rhapsody” nos mostra o que todos nós já sabemos há bastante tempo: nunca mais haverá na história da música bandas como o Queen ou vocalistas fodásticos como Freddie Mercury. O rock morreu, já está no museu e a música pop de hoje (assim como a própria cultura pop em si) se tornou completamente anêmica, irrelevante, ignorante. Burra como são estes tempos da internet. Estúpida como são os próprios ouvintes de música de hoje em dia. De modos que, se temos alguma felicidade por estar com quase 5.6 nas costas, é por saber que conseguimos viver, ouvir e ver tudo aquilo de perto, ao vivo. As últimas fases de uma história emocionante, empolgante e fantástica, chamada rocknroll. Uma história que não mais irá se repetir. Nunca mais. E sim, o zapper CHOROU nos minutos finais do filme, viu mozão André Pomba (rsrs). E ao final do filme a sala inteira do Belas Artes (que não lotou mas estava bem cheia) APLAUDIU e deu URROS de satisfação. E não teve (felizmente) bolsominion retardado, boçal e imbecil para vaiar o personagem de Freddie Mercury quando ele começou a beijar homens na boca e descobriu que, sim, o ser humano tem que ser FELIZ NO AMOR COM QUEM ELE BEM ENTENDER e com quem o faz se sentir amado, acolhido, carinhado e respeitado, e não com quem a sociedade careta e moralista hipócrita quer determinar. Valeu Queen e Freddie Mercury, por ter tornado grande parte da nossa vida menos ordinária e menos cinza também.

 

 

*** HORA DE JOGAR A TOALHA, ACEITAR A DERROTA TRÁGICA PARA A DEMOCRACIA E A PARTIR DE AGORA FAZER OPOSIÇÃO SÉRIA, HONESTA, CORAJOSA E GIGANTE FRENTE AO NAZI FASCISMO AUTORITÁRIO QUE VEM AÍ – Sim, não há o que fazer. Lutamos todos como GAROTOS e GAROTAS, mas a onda nazi fascista ultra conservadora de extrema direita que VARREU a sociedade selvagem e o eleitorado bestial brasileiro foi mais forte do que nós. E nesse momento sentimos mais VERGONHA DO QUE NUNCA de ser brasileiro. Mas não iremos desistir de nossa luta por democracia e liberdade. E achamos que NINGUÉM que está do nosso lado irá desistir. Sim, a partir de agora seremos todos outsiders novamente. OPOSIÇÃO seríssima e forte contra o senso comum BOÇAL que elegeu um presidente autoritário, truculento, irracional e amante da tortura e da ditadura militar. Exatamente como há quase 40 anos quando foi fundado, o PT volta a ser oposição contra o conservadorismo medieval político e social. E assim sendo terá chance de reavaliar sua postura e fazer a auto-crítica necessária aos seus erros. Mas sobretudo estaremos na oposição e na luta incansável por um Brasil menos horrível do que se prenuncia pelos próximos 4 anos. Jamais iremos nos arrepender do voto que demos para Fernando Haddad. Valeu, professor! Você também LUTOU COMO UM GAROTO. E seguiremos todos ao seu lado! E todos os que votaram nesse TRASTE Jairzinho bolsa de cocô vão se arrepender AMARGAMENTE e muito em breve. Vamos todos pagar muito caro por esse desastre (muitos até com a vida, talvez), mas esse MONSTRO será TOTALMENTE DESCONSTRUÍDO em tempo recorde. E aí vamos ver quem irá ter CORAGEM de assumir que ajudou a AFUNDAR de vez o Brasil.

 

***E só pra não esquecer, sendo que nunca foi tão necessário ter uma gig dessas nesse momento no Brasil: logo menos à noite, na choperia do Sesc Pompeia, rola o segundo show dos ingleses do Gang Of Four, um dos grupos mais politizados e esquerdistas da história do pós punk inglês dos anos 80. Os ingressos estão esgotados (ontem também se esgotaram) mas o blog estará presente e depois conta aqui nesse mesmo post como foi a apresentação, pode ficar sussa.

 

***Bien, mais notas e novidades poderão pintar aqui na Microfonia a qualquer momento e ao longo da próxima semana, já que o postão está entrando no ar na sexta-feira e seguirá como sempre em enorme construção. Mas vamos em frente aí embaixo, falando da volta dos Smashing Pumpkins e também dos trinta anos do mega clássico álbum “Green”, lançado pelo gigante inesquecível que foi o REM. Bora!

 

 

AOS TRINTA ANOS DE EXISTÊNCIA O SMASHING PUMPKINS RETORNA COM SUA FORMAÇÃO QUASE ORIGINAL – E, QUEM DIRIA, COM UM BOM DISCO DE INÉDITAS

Yeah, a lendária e clássica banda fundada há também exatos 30 anos pelo guitarrista, vocalista, compositor e gênio Billy Corgan, lançou semana passada seu novo disco de estúdio, após quatro anos sem gravar. Título enooooorme: “Shiny and Oh So Bright, Vol. 1 / LP: No Past. No Future. No Sun.”. É o décimo primeiro trabalho inédito do grupo e o primeiro a reunir em décadas a formação quase original da banda, já que ao lado de Corgan estão novamente o guitarrista (e nas gravações deste álbum também tocando baixo) japa James Iha, e o batera monstro Jimmy Chamberlin, sendo que só não se juntou a eles novamente a loira e loka e tesuda baixista D’Arcy.

O SM e Billy Corgan deram obras musicais GIGANTESCAS e IMORTAIS ao rocknroll, especificamente em seus três primeiros discos de estúdio (“Gish”, “Siamese Dream” e o duplo “Mellon Collie and the Infinite Sadness”, lançado em 1995 e que apenas naquela época vendeu absurdas 14 milhões de cópias) e isso é incontestável. É vero que daí pra frente a banda nunca mais acertou a mão e se tornou apenas grupo de apoio para o ditador Corgan. Depois que lançou o magistral álbum duplo “Mellon Collie…”, o SM nunca mais foi o mesmo. Fora que o conjunto se desfigurou por completo, com zilhões de músicos entrando e saindo do seu line up e onde apenas o careca Billy permanecia.

A banda também tocou no Brasil algumas vezes, sendo que o blog esteve nas duas primeiras: em janeiro de 1996 na derradeira edição do festival Hollywood Rock, quando eles vieram justamente na turnê do “Mellon Collie…” e fizeram um show ARRASADOR no estádio do Pacaembú (numa noite que ainda seria magistralmente fechada pelo The Cure, ótimos tempos que nunca mais irão voltar), e dois anos depois na tour do fraquinho “Adore”, sendo que a gig nem de longe foi igual a de dois anos antes.

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O novo e bom álbum do Smashing Pumpkins (capa acima), banda que completa 30 anos de existência em 2018 e cuja formação inicial e clássica incluía a baixista D’Arcy (abaixo)

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Mas enfim, trata-se de um bom retorno para um conjunto que soube como ninguém engendrar um mix sonoro onde cabiam eflúvios de heavy rock, psicodelia, dream pop e até shoegazer inglês. O disco tem enxutos 31 minutos de duração, uma ótima e bem vinda raridade em tempos em que se gravam discos com mais de uma hora de música insuportável e que não diz NADA ao ouvinte. E essa meia hora onde estão condensadas oito faixas periga ser o MELHOR DISCO da banda desde “Mellon Collie…”, lançado há seculares 23 anos. Ótimas melodias, músicas enxutas e bem resolvidas, sem enchimento de linguiça. Parece que a reunião dos três (Corgan, Iha e Chamberlin) reascendeu a mágica que havia na sonoridade do grupo nos anos 90’. Estas linhas bloggers rockers gostaram especialmente de “Silvery Sometimes (Ghosts)” (que lembra demais “1979”, pela melodia dela) e da lindíssima “With Simpathy”. Deu até pra se sentir de volta a 1995, dançando na pista do Espaço Retrô da rua Fortunato, no centro de Sampa.

Em tempos em que o rocknroll está definitivamente morto e atropelado pela completa irrelevância da música pop atual, e quando não se esperava nada mais de um conjunto como o Smashing Pumpkins, o fato de ele conseguir lançar um cd como este “Shiny…” é mais do que bem vindo. Vai agradar bastante aos velhos fãs e poderá ser uma ótima surpresa para uma pirralhada que não sabe mais o que é rock ou uma banda de rock, mas que tem curiosidade em descobrir como era e é esse gênero musical “do tempo das cavernas”.

 

 

A TRACK LIST DO NOVO ÁLBUM DO SMASHING PUMPKINS

1.”Knights of Malta”

2.”Silvery Sometimes (Ghosts)”

3.”Travels”

4.”Solara”

5.”Alienation”

6.”Marchin’ On”

7.”With Sympathy”

8.”Seek and You Shall Destroy”

 

 

E O DISCO PARA VOCÊ OUVIR, AÍ EMBAIXO

 

 

GRIND ANO 20 E FINAS 5.6 – ALGUMAS HISTÓRIAS BEM LOKAS NA MELHOR DOMINGUEIRA ROCK DO BRASIL

Yep, o rocknroll pode ter morrido no mundo (o que é muito triste) mas no Grind, a domingueira rock mais famosa e bombada do Brasil, ele segue firme e forte. Já se tornou um clássico da noite paulistana e isso num dia da semana dado como morto – o domingo. E nesse próximo domingo, 25 de novembro, ele completa 20 anos de existência, um recorde! Sendo que lá também estaremos discotecando para bebemorar nosso próprio aniversário, já que chegamos aos 5.6 de vida (não é mole, não!) na segunda-feira, 26.

Zapnroll se lembra bem (ou mais ou menos bem, rsrs) de quando tudo começou, em maio de 1998. A internet ainda engatinhava no Brasil, não existiam redes sociais e, tal como hoje, o rock era o gênero da música pop dado como morto. Pois o venerável André Pomba (nosso melhor amigo há 25 anos, ou seja, nos conhecemos 5 anos antes da festa dominical começar), sempre visionário, procurou a direção do clubinho gls A Loca (que estava começando a bombar na noite paulistana), propôs fazer uma noite rock para um público mix (gays, lésbicas e simpatizantes), o povo da Loca topou a parada e aí tudo começou. Nos primeiros anos era mesmo uma matiné dominical, que começava às 8 da noite e encerrava pontualmente meia-noite de segunda-feira. Não haviam flyers virtuais mas sim uma filipeta impressa em formato retangular, que divulgava a programação e a lista de djs e especiais do mês todo.

Com o passar dos anos o público foi aumentando e o horário teve que ser progressivamente esticado. A balada passou a funcionar até duas da manhã de segunda-feira. E no seu auge, quando cerca de mil pessoas passaram a frequentar a domingueira, o horário passou a ser estendido até (acreditem!) 6 da matina. Era uma piração bizarra: enquanto o povo “normal” amanhecia na avenida Paulista saindo de metrôs lotados para ir estudar ou trabalhar (todos devidamente engravatados ou trajando uniformes empresariais), uma galera loka, de óculos escuros e devidamente chapados de álcool e outros “aditivos”, saía do “inferninho” da rua “Gay” Caneca (no centro de Sampa) para chegar em casa e desabar na cama.

Estas linhas zappers fizeram muitas djs set no Grind ao longo dessas duas décadas (o sujeito aqui é jornalista e sempre foi, mas gosta de “brincar” de dj). E as histórias absolutamente MALUCAS que vivemos na festona sempre animada do mozão Pomba, dariam um livro. Não resistimos e contamos duas abaixo, tentando resumir ao máximo a ópera rock.

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A domingueira rock mais famosa do Brasil chega aos vinte anos de existência nesse domingo (25 de novembro) com festão, que irá contar com dj set especial do blog (acima); abaixo, o jornalista loker rocker manda bala na cabine de som do Grind

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***2004 e o strip do jornalista loker-rocker – era julho daquele ano e o Grind fazia sua festa especial celebrando o famigerado Dia Mundial do rock. Pomba montou um line de djs especial onde, entre outros, tocariam o saudoso Kid Vinil e Finas, claro. Pois quando chegou a hora da nossa dj set lá foi o jornalista loker (já turbinado por boas doses de vodka com energético e gin tônica) fazer o “serviço”, rsrs. Até que resolveu tocar “I Can’t Get Enough”, super hit dançante (naquela época) do grupo britpop Suede, que sempre amadoramos (a banda e a música em si). E sempre que tocava essa música em alguma discotecagem Finaski despirocava e se transformava numa bicha mais loca que o vocalista Brett Anderson. Pois o dj loki e ainda relativamente jovem e PAUZUDO (rsrs) começou a se ESFREGAR na parede e também a… TIRAR A ROUPA em plena cabine de discotecagem! Terminou a faixa apenas de CUECA (sunga, ainda por cima), o que levou sua então love girl (a tesudíssima Tânia, com quem ele havia começado a ter um caso um mês antes e sendo que ela em outra noitada no Grind, bem loka de álcool, chupou o pinto zapper em plena pista de dança, num cantinho ao lado da cabine de som) a exclamar para um amigo em comum que nos acompanhava: “Mas o que é isso que ele fez!!!”. “Ficou pelado, oras!”, respondeu nosso amigo, uia!

 

***Dando entrevista BICUDAÇO de farinha, e a LOCA do “acabou, acabou!” – maio de 2009 e o Grind faz sua mega festa de 11 anos de existência. Casa lotada, Finas bem loko de álcool e cocaine, rsrs. E num momento que estava na cabine enquanto Pomba manda bala no som, chega uma equipe do programa de tv do Chato Mesquita, ops, Otávio Mesquita, para fazer uma matéria sobre a festa. Uma repórter tesudinha entrevista Pombinha na cabine mesmo. Logo em seguida ele RECOMENDA que a repórter também entreviste o mancebo aqui, por ele ser jornalista conhecido e bla bla blá. Ela vem falar com o gonzo chapado, põe o microfone na cara dele, acende a luz da câmera de filmagem e manda bala. O zapper total alucicrazy, com os olhos estalados e as órbitas saltando pra fora deles, dispara a falar a 200 kms por segundo. Ao final da curta entrevista, dom Pomba com sua sempre impoluta sabedoria, vaticina: “se eles aproveitarem 20 segundos do que você falou será muito, hihi”. Mas o grand finale dessa madrugada (sendo que o blog já tinha indo embora quando rolou a parada, mas depois ficamos sabendo pelo relato de dom Pombinha) foi mesmo quando, às 5 e meia da matina (!!!), uma LOCA literalmente INVADIU a cabine do dj e tentou jogar as CDJs (os tocadores de cds) no chão, enquanto gritava total alucinada: “ACABOU! ACABOU!!!”. Pomba só teve tempo de literalmente AGARRAR as CDJs pra evitar que elas fossem pro chão, enquanto um segurança arrancava a maluca da cabine. Depois, ficou-se sabendo, a moçoila tinha levado uma botinada do (ex) namorido durante a balada, o que a motivou a fazer a loucura de invadir a cabine. Só não se sabe até hoje se os gritos dela de “acabou!” se referiam ao fim do namoro ou se ela queria mesmo ACABAR com a balada, ahahaha.

 

Então é isso. Domingo agora promete ser lindo: 20 anos de Grind (no Espaço Desmanche, onde a festa está muito bem instalada há quase dois anos, e que deverá lotar), uma festa que já formou gerações na capital paulista, e 5.6 de Finaski, com dj set dele avassaladora a partir das duas da matina. E deverá ser mesmo nossa ÚLTIMA dj set pois já estamos véios demais pra essas loucuras, hihi.

Espero todo mundo por lá, sendo que todas as infos da balada imperdível você pode conferir aqui: https://www.facebook.com/events/254150721931307/.

Feliz aniversário, Grind! Que venham outros 20 anos pela frente!

 

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“GREEN”, UM DOS DISCOS GIGANTESCOS DA HISTÓRIA DO ROCK MUNDIAL E LANÇADO EM 1988 PELO INESQUECÍVEL REM (UMA DAS CINCO BANDAS DA VIDA DE ZAPNROLL), CHEGA AOS 30 ANOS DE EXISTÊNCIA – MOSTRANDO QUE REALMENTE NÃO EXISTEM MAIS BANDAS E NEM DISCOS COM TAMANHA QUALIDADE ARTÍSTICA E MUSICAL

Sexto álbum de estúdio da trajetória da banda norte americana REM (que durou exatamente trinta e um anos, lançando durante este período um total de quinze discos inéditos, além de Eps e coletâneas), “Green” é um dos trabalhos gigantes do grupo e superlativo em vários aspectos. Lançado oficialmente em 7 de novembro de 1988, marca a estreia do então quarteto criado em Athens (no Estado da Georgia) e integrado pelo vocalista e letrista Michael Stipe, pelo guitarrista Peter Buck, pelo baixista e tecladista Mike Mills e pelo baterista Bill Berry, na gigante major do disco Warner Bros, após editar seus primeiros LPs pelo pequeno selo IRS.

Quando foi cooptado para a Warner Music (o braço musical do monstruoso conglomerado de mídia e comunicação sediado nos Estados Unidos), o REM (o nome do grupo foi escolhido de maneira aleatória por seus integrantes, mas tem a ver com um termo da psiquiatria que determina a fase do sono humano em que a pessoa mergulha em sonhos e quando os olhos desta pessoa passam a piscar freneticamente, daí o termo “Rapid Eye Movement” ou “movimento rápido do olhar”) já existia há oito anos (foi fundado em 1980) e havia lançado cinco álbuns pelo selo IRS (na verdade, uma subdivisão de outra major gigante, a Columbia Records, fundada por Miles Coppeland, empresário do meio musical e irmão de Stewart Coppeland, baterista do lendário trio inglês The Police). Todos venderam muito bem, ganharam grande respeito da crítica e amealharam alguns milhões de fãs nos EUA (especialmente no circuito do rock mais alternativo), seduzidos pelas ótimas melodias que combinavam aceleração punk com eflúvios de folk e country music, e também pelas letras poéticas (escritas e cantadas por Stipe) e pela postura altamente engajada do grupo, tanto na questão política quanto social. Além disso um dos maiores trunfos do quarteto era mesmo o guitarrista extraordinário Peter Buck, que possuía um conhecimento ENCICLOPÉDICO de rocknroll por ter trabalhado durante anos na sua juventude em uma loja de discos.

Assim, quando “Green” chegou às lojas de discos, ele veio cercado das maiores expectativas possíveis. E não decepcionou nem os fãs muito menos a imprensa rock. Alternando canções rocks vigorosas (como “Pop Song 89”, “Get Up”, “Stand”, “Orange Crush” e “Turn You Inside-Out”) com momentos de puro lirismo e melancolia melódica (e aí dois ótimos exemplos são as belíssimas “World Leader Pretend” e “The Wrong Child”), “Green” foi efusivamente saudado como um grande disco pelos principais veículos de mídia do mundo à época. Vendeu muito bem também e abriu caminho para que, três anos depois, a banda se tornasse um fenômeno planetário de vendas e de público, quando editou o álbum “Out Of Time”, que produziu um dos maiores hits que se tem notícia em toda a história do rock mundial, a igualmente lindíssima “Losing My Religion”. Mas “Green” permanece como um marco ESSENCIAL na trajetória do conjunto até hoje, três décadas após seu lançamento. Reverenciado por astros como o saudoso vocalista do Nirvana, Kurt Cobain (que incluiu o LP na sua lista de cinquenta melhores discos de todos os tempos), ou por jornais lendários como o inglês The Times (onde o disco permanece também na lista dos cem melhores de todos os tempos), “Green” não envelheceu. Pelo contrário: continua com uma musicalidade atualíssima e com temas idem, mesmo em tempos onde a cultura pop não vale praticamente mais nada e quando o rocknroll virou infelizmente peça de museu.

CAPAREM1988II

Um dos nomes mais importantes de toda a história do rock mundial, o quarteto americano REM lançou há exatos 30 anos um de seus melhores álbuns, “Green” (acima); abaixo, o vocalista Michel Stipe canta e canta quase 200 mil pessoas (o blog zapper entre elas!) na terceira edição do Rock In Rio, em janeiro de 2001

IMAGEMREMRIR2001

 

Após “Green”, o grupo ainda ficaria ainda na ativa por mais de duas décadas, onde continuou lançando ótimos trabalhos e alguns mais medianos no final de sua carreira, que se encerrou de maneira pacífica (e sem brigas entre seus integrantes) em 2011, quando terminou o contrato do grupo com a Warner. Antes, por duas vezes, a banda se apresentou no Brasil, em janeiro de 2001 (na terceira edição do festival Rock In Rio, em uma gig inesquecível e que provocou comoção generalizada no público de quase duzentas mil pessoas que estava na “cidade do rock”, o autor deste blog incluso), e depois em novembro de 2008, quando tocou em São Paulo, Rio De Janeiro e Porto Alegre. Foram dignos, gigantes em sua musicalidade, amados pelos fãs e ultra respeitados pela imprensa mundial até o fim. Foram, com justiça, um dos maiores nomes de toda a história do rock. E deixam saudades até hoje.

Abaixo, em texto especialmente escrito para o blog pelo carioca Leo Rocha (querido amigo, fã e especialista em REM), nosso dileto leitorado terá uma extensa e ótima análise da trajetória do quarteto, além de também uma preciosa análise de “Green”. Boa leitura!

 

 

 

REM – A TRAJETÓRIA DA BANDA E A VISÃO DE UM FÃ E ESPECIALISTA NELA, SOBRE O ÁLBUM “GREEN”

 

(por Leo Rocha, especial para Zapnroll)

 

“Michael Stipe gritou pela última vez:

– And I feel…

Cem mil vozes urraram em respostas:

– Fine!

Bernardino pensou:

– Pu-ta que pa-riu!

Duas e quarenta e quatro da madrugada de 14 de janeiro de 2001.”

 

Pois é, amigos… Esse é o começo do livro de Arthur Dapieve (jornalista carioca) (e nota do editor do blog, com todo respeito à admiração do querido Léo pelo referido jornalista carioca: Dapieve, superestimado como jornalista, sempre cometeu equívocos e imprecisões em seus textos: haviam quase 200 mil pessoas no show do REM em 13 de janeiro de 2001, na terceira edição do Rock In Rio, e não apenas 100 mil. E Finaski era UMA dessas quase 200 mil pessoas) chamado “De Cada Amor Tu Herdarás Só o Cinismo” (Ed. Objetiva). Uma analogia com a canção “O Mundo é um Moinho” de Cartola. Uma senhora lição de vida!!!! Compareci ao lançamento e de lá descolei uma assinatura circulando o nome do vocalista (informei ao jornalista que era um admirador da banda) junto ao meu. Tenho guardado o exemplar intacto na minha estante. O livro narra uma história romântica e ímpar de um homem de quarenta e poucos anos seduzido por uma jovem ingênua e arisca. E, justamente, tudo inicia-se ao fim do show do REM no Rio de Janeiro (Rock in Rio 2001). Sincrônico, não?

A primeira vez que me deparei com essas linhas fiquei auspicioso e hirto. Pensei: “Que porra é essa?” Não esperava que o começo da minha leitura iria de encontro ao show mui especial da banda do meu coração, tampouco numa noite que foi ÚNICA pra mim. Em diversos aspectos. Antes que você ache que me refiro ao show em si… interrompo para dizer: meu casamento havia terminado naquele ano e na semana do show. Você consegue imaginar o meu espanto agora? Ou melhor: no instante em que li o livro de Dapieve? Pois é, meu caro. A vida é cheia de surpresas e ironias. Enfim… E devo dizer que durante muitas páginas do livro fiquei mais espantado, pois os detalhes dentro da história lembram muito o que eu fiz naquele show e como foi a volta do mesmo pra casa. Assustador!!! Muita sincronia!!! De qualquer modo, a banda nunca havia pisado em solo nativo para tocar. Jamais. E minha ex-mulher sabia bem o que aquele dia representava pra mim. De novo: a vida é irônica e sacana. Lembro-me de muito do show e do dia inteiro. Foi surreal esse momento de celebração com os amigos (em comum) e ao mesmo tempo a nossa frustração interna com a separação. Foi punk! Mas, antes de prolongar-me nessa retórica deixe-me voltar anos atrás para resumir como a banda surgiu na minha vida…

Eu já havia escutado “The One I Love”, “Stand” e “It’s the End” na extinta Rádio Fluminense. Final da década de 80. Faz-se necessário recordar que não havia internet nem celular. Então as coisas, os sons, as novidades “gringas” chegavam ao Brasil tempos depois. Era sempre assim. Se por acaso uma banda lançasse algo fora o país só receberia anos depois. Salvo se você fosse ingressar como jornalista musical. O que a gente podia fazer era ter amigos ou parentes que viajassem e comprassem um vinil ou K-7. No máximo. Não tinha muito como escapar. Tinham poucas revistas que informavam, mas era árdua a missão. Quem gostasse de som alternativo e afins tinha que ler revistas especializadas, corresponder-se (cartas) com os fã-clubes pelos correios (duas semanas ou mais chegavam as respostas) e sair pela noite nas festas “estranhas com gente esquisita”. E eu fui um adolescente assim. Juro! Por mais uma ironia do destino viajei para Nova York a lazer para casa da minha prima mais velha em 1991. Hmmmm… acho que o leitor já sentiu aonde vou chegar né? Sim…  saía “Out Of Time” com tudo no país (EUA). O disco estava muito estourado (“hype” pros mais jovens). Tocava em toda esquina de NY. Concomitante o Nirvana também havia lançado “Nevermind” e eu peguei tudo lá, direto da fonte. Mas, essa é outra história. Comprei o “Out Of Time” e com isso comprei todos os outros CDs (só tinha no exterior a mídia) da banda. Do EP “Chronic Town” ao “Green”. Levei tudo. Eram sessenta cds (sim, sessenta). O dono da loja ficou rindo à toa. Gastei na época uns seiscentos dólares. Cada cd custava dez dólares. Sacou? O dólar na época estava 1,5 para moeda brasileira. Nada de muito assustador. Mais: tive que comprar o aparelho!!!! Sim… Não havia cd nem aparelho pra rolar no Brasil. Só rico tinha. Eu não era rico. Voltei de lá lotado de sons e louco para desvendar a banda de Athens. Aí… bom… vamos deixar de lado o que aconteceu, pois é como se eu narrasse um encontro meu com uma mulher. Foi lindo! Tinham oito trabalhos distintos do REM para escutar. Devorar mesmo. Havia a coletânea “Epponymous” lançada lá nos EUA em 1988. Desse momento em diante passei a “alugar” cds em lojas recém-abertas no Rio de Janeiro. Permitia você alugar um cd por um dia ou mais para escutar ou gravar (olha a pirataria aí…Tsc…Tsc…). Quem tem mais de quarenta anos irá lembrar. Dali eu escutei muito REM antes de comprar. Mas, eu não tinha o aparelho. O jeito era escutar nas casas dos amigos. Mas, tudo bem. Quando eu volto pro Brasil estava com tudo. Munido de som, aparelho, roupas, revistas etc. Diversos amigos meus enfurnaram-se na minha casa para ouvir, beber, apreciar a qualidade do CD… Vínhamos do som do Vinil. Eu adorava, mas o cd estava chegando, entende? Bom, desde então consumi a literatura de música pop, rock e indie feito um esfomeado. Absorvi tudo, tudo. Mas sempre com o REM em particular… cada vez mais. Quando frequentei as festinhas de rock eram as camisas quem ditavam regras. Quem curtia Smiths, Joy Division, The Cure e tal. Porém eu comprei uma lá do REM e foi justamente com ela que conheci diversas pessoas na noite e ficamos amigos. Alguns famosos, rsrsrrs. Nesse passo fui encontrando-me nesse pessoal (da noite) que curtia outros sons. Eu, cada vez mais, aprofundava-me nos rapazes da Georgia. Em resumo: a banda fez-me conhecer muitas pessoas distintas, era apreciada em conjunto, embalou namoricos meus e acalantou-me em outros pés na bunda que tomei também. Esteve sempre comigo na adolescência, juventude e plena maturidade. Veio o milênio novo e com ele a esperança de um show no Brasil (esse mesmo!!!) em 2001. Foi um alvoroço na minha turma. Gente de São Paulo, Minas, de vários lugares comentando e combinando. Foi quando o meu casamento (eu já era pai também) acabou. Eles chegaram no ano certinho. Pior: no mesmo mês. Eu me separei em janeiro. Foi inimaginável assisti-los, degustá-los e ao mesmo tempo ficar firme. Algo próximo da catarse! Mais uma ironia? Fato. A tecnologia foi chegando, celulares, internet, redes sociais… O que unia a rapaziada nos anos 80 e 90 a rede receberia anos depois. Salvo se você fosse ingressar como jornalista musical. O que a gente podia fazer era ter amigos ou parentes que viajassem e comprassem um vinil ou K-7. No máximo. Não tinha muito como escapar. Tinham poucas revistas que informavam, mas era árdua a missão. Quem gostasse de som alternativo e afins tinha que ler revistas especializadas, corresponder-se (cartas) com os fã-clubes pelos correios (duas semanas ou mais chegavam as respostas) e sair pela noite nas festas “estranhas com gente esquisita”. E eu fui um adolescente assim. Juro! Por mais uma ironia do destino viajei para Nova York a lazer para casa da minha prima mais velha em 1991. Hmmmm… Acho que o leitor já sentiu aonde vou chegar né? Sim… Saía “Out Of Time” com tudo no país (EUA). O disco estava muito estourado (“hype” pros mais jovens). Tocava em toda esquina de NY. Concomitante, o Nirvana também havia lançado “Nevermind” e eu peguei tudo lá, direto da fonte. Mas, essa é outra história. Comprei o “Out Of Time” e com isso comprei todos os outros CDs (só tinha no exterior a mídia) da banda. Do EP “Chronic Town” ao “Green”. Levei tudo. Eram sessenta cds (sim, sessenta). O dono da loja ficou rindo à toa. Gastei na época uns seiscentos dólares. Cada cd custava dez dólares. Sacou? O dólar na época estava 1,5 para moeda brasileira. Nada de muito assustador. Mais: tive que comprar o aparelho! Sim, não havia cd nem aparelho pra rolar no Brasil. Só rico tinha. Eu não era rico. Voltei de lá lotado de sons e louco para desvendar a banda de Athens. Aí… Bom, vamos deixar de lado o que aconteceu, pois é como se eu narrasse um encontro meu com uma mulher. Foi lindo! Tinham oito trabalhos distintos do REM para escutar. Devorar mesmo. Havia a coletânea “Epponymous” lançada lá nos EUA em 1988. Desse momento em diante passei a “alugar” cds em lojas recém-abertas no Rio de Janeiro. Permitia vc alugar um cd por um dia ou mais para escutar ou gravar (olha a pirataria aí…Tsc…Tsc…). Quem tem mais de quarenta anos irá lembrar. Dali eu escutei muito REM antes de comprar. Mas, eu não tinha o aparelho. O jeito era escutar nas casas dos amigos. Mas, tudo bem. Quando eu volto pro Brasil estava com tudo. Munido de som, aparelho, roupas, revistas etc. Diversos amigos meus enfurnaram-se na minha casa para ouvir, beber, apreciar a qualidade do CD. Vínhamos do som do Vinil. Eu adorava, mas o cd estava chegando… Entende? Bom, desde então consumi a literatura de música pop, rock e indie feito um esfomeado. Absorvi tudo, tudo. Mas sempre com o REM em particular. Cada vez mais. Quando frequentei as festinhas de rock eram as camisas quem ditavam regras. Quem curtia Smiths, Joy Division, The Cure e tal. Porém eu comprei uma lá do REM e foi justamente com ela que eu conheci diversas pessoas na noite, e ficamos amigos. Alguns famosos, rsrsrrs… Nesse passo fui encontrando-me nesse pessoal (da noite) que curtia outros sons. Eu, cada vez mais, aprofundava-me nos rapazes da Georgia. Em resumo: a banda fez-me conhecer muitas pessoas distintas, era apreciada em conjunto, embalou namoricos meus e acalantou-me em outros pés na bunda que tomei também, rsrsrs. Esteve sempre comigo na adolescência, juventude e plena maturidade. Veio o milênio novo e com ele a esperança de um show no Brasil (esse mesmo!) em 2001. Foi um alvoroço na minha turma. Gente de São Paulo, Minas, de vários lugares comentando e combinando. Foi quando o meu casamento (eu já era pai também) acabou. Eles chegaram no ano certinho. Pior: no mesmo mês. Eu me separei em janeiro. Foi inimaginável assisti-los, degustá-los e ao mesmo tempo ficar firme. Algo próximo da catarse! Mais uma ironia? Fato. A tecnologia foi chegando, celulares, internet, redes sociais… O que unia a rapaziada nos anos 80 e 90 a rede social podia fazer “online”. E, assim foi. Comunidades e fãs de diversos lugares do mundo eu fiz amizade. Estreitando mais ainda os laços internacionais com algo em comum: REM. Por fora eu traí muito a banda, rsrsrs. Nunca fui fiel nesse sentido. Eu adoro som. Flertei com tudo: jazz, rock, indie, pós-punk, punk, blues, jungle pop, power pop, techno, rap, etc. Nunca prendi-me a um som ou a uma coisa somente. Isso eu sempre tratei bem. Porém, nunca deixava de ser um fã da banda. Um pesquisador de várias bandas que tinha um afeto especial por eles. Era bem simples. A banda entrou na minha vida como entra um amigo ou parente e fica. Participa, convive e estabelece-se. Entende? É assim que funciona comigo. Tenho as minhas predileções, contudo mantenho-me ouvindo e curtindo tudo mais. Mas, é fato que as pessoas lembram de mim, também, por ser um fã de REM. Afinal de contas, o que faço aqui no blog do Finas? Falando do quê? Ora bolas, rsrsrs.

Para arrematar esse papo todo menciono a segunda vez deles aqui. Antes, em 2005, conheci uma moça que faz meu coração balançar mais uma vez. Nada estava dando certo nesse período. Conhecê-la foi uma virada pra mim. Namoramos durante quase três anos e nos programamos para morar juntos e tal. Seria o “segundo” casamento. Ugh! Como dizia a famosa canção: “pro inferno ele foi pela segunda vez”… Rsrsrs. Mais uma relação pro vinagre. O ano? Era 2008. Adivinhe quem viria naquele ano pro Brasil? Pois é… De novo, os caras para alentar esse jovem recém separado. Ou seja: a banda esteve e está em todos os momentos cruciais meus. Não havia como ignorar tanta ironia e capricho da vida. Foram quatro shows (dois em SP e um no RJ e em Porto Alegre). Daí vieram mais amigos, celebrações, etc. E um disco de encerramento (“Collapse Into Now” em 2011) por parte da banda. Um momento forte, mas essencial. Opinião minha.

O show do REM na terceira edição do festival Rock In Rio, na noite de 13 de janeiro de 2001: quase 200 mil pessoas cantaram junto com a banda; e CHORARAM quanto ela tocou “Losing My Religion”

 

 

PARTE REM EM CARREIRA

O contexto histórico e musical em que se encontra a banda REM é complexo, mas muito interessante. Como toda banda de mais de trinta anos (exatos trinta e um anos redondos) o REM passou por fases internas, mudança de gravadora, contratos novos, modismo no mercado fonográfico e tudo mais. Porém, comecemos ali no ano de mil e novecentos e setenta e nove. Os jovens Michael Stipe e Peter Buck se conhecem em Athens (berço da banda, na Georgia) numa loja de discos em que o guitarrista trabalhava. Michael descobrira que eles tinham gostos similares com a música. Sobretudo punk rock e pós-punk. Mike Mills e Bill Berry (baixista e baterista) estudavam na mesma universidade e tocavam juntos em bandinhas locais. Conheceram-se nessa cena pequena de Athens e resolveram montar a banda. O nome REM foi escolhido de forma aleatória num simples dicionário. Uma amiga de Stipe estava de aniversário marcado e a banda resolve tocar em celebração numa igreja abandonada (data de 5 de abril de 1980 – esse é o ponto zero da banda) que eles costumavam ensaiar. Dali gravaram o single “Radio Free Europe” pela Hib-Tone para ver o que rolaria. Fez um barulho além da expectativa chamando atenção da IRS Records (gravadora genitora deles que seria a responsável por tudo que eles fizeram nessa fase independente). Lançam o EP “Chronic Town” com cinco canções aceleradas e pungentes. Começam a arrebatar fãs pela cidade. Essa fase é de ouro. A banda começa a reputação de “cult” e de largos elogios pelas “colleges radios” (cenário independente dos EUA). Gravam em 83 o clássico “Murmur” (obra prima dessa fase considerada pela crítica) e batem “WAR” do U2 e, pasmem, “Thriller” de Michael Jackson! Simplesmente tornam-se imensos para a cena local e começam a fazer shows pelo país… A fama começa a crescer de forma incontrolável e à medida que eles faziam shows e gravavam mais discos a demanda do mercado e a crítica especializada começou a apelidá-los de “maior banda de rock dos EUA” ou “Number one with Attitude” (título estampado na Rolling Stone anos mais tarde). Seguem “Reckoning” (84), “Fables Of Reconstruction” (85), “Lifes Reach Pageant” (86) em sequência. As letras mudam, o tom político e contestador sobressaltam e há uma esperança nova nesses caras. O que pouca gente sabe é que no meio de 1985, na gravação de “Fables”, em Londres, a banda quase termina. Brigas no estúdio, discussões acerca do som e instabilidade emocional no estúdio quase puseram tudo a perder. Michael admitiu numa entrevista que foi difícil, mas necessário para a banda decidir o que queria e como seguiria. Dizem que o clima de Londres também deixou o clima soturno na época. De qualquer forma o tempo foi o maior aliado deles. Transformaram-nos no maior expoente americano em 87. Ano do último disco pela IRS: “Document”. Um discaaaaço. Dos singles, “The One I Love” e Its The End…”, sucesso imediato nas rádios também comerciais. Nesse mesmo ano a IRS percebendo que ia perder seu principal artista do catálogo relança o EP “Chronic Town” juntamente com uma coletânea chamada “Dead Letter Office” em CD – trabalho que constam os takes jogados fora e os lados B (sim, isso existia, rsrs) das canções lançadas além de algumas covers. Acho esse trabalho grandioso, inclusive. Estava óbvio que a banda precisava de uma grande gravadora. Muitas tentaram, mas eles fecharam com a Warner. Dizem que o contrato girou em torno de dez milhões por cinco discos. A banda já tinha excursionado desde 1983 pra fora dos EUA. Fez Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Espanha, Holanda, etc. Flertavam com a Ásia e Oceania. Em 1988 gravaram “Green” (na impressão da capa há um erro com a letra “R” e o numeral “4) e entraram em todas as paradas europeias e americanas com “Stand”, “Pop Song 89” (uma sátira com “Hello I love You” dos Doors) e “World Leader Pretend”. O álbum torna-se um sucesso comercial e uma turnê fez-se necessária. Excursionaram por desgastantes meses. Stipe adotou um corte moicano terrível em seu cabelo (Sim, ele ainda tinha bastante cabelo!) e abraçou causas ambientais e políticas pelo mundo. Esse registro vale muito a pena. “Tourfilm”, o registro em questão, existe em VHS e DVD. Pra quem é fã é quase uma obrigação ter. Resolvem descansar após essa turnê (iniciada em 88 e finalizada quase em 90), a primeira pela nova gravadora. Nessa época, a América Latina já escutava esses dois discos (“Document” e “Green”). Sem a banda e o mercado saber, há um terreno sendo preparado ao Brasil, inclusive. Quando voltam ao estúdio gravam o seu álbum de maior sucesso mundial – “Out Of Time” – um sucesso à moda Beatles. Estouro, fãs, MTV, fama e inúmeros prêmios. Chefiado por “Losing My Religion”, “Radio Song” e “Shinne Happy People”. No Brasil o clipe de “Losing My Religion” tocou mais do que qualquer outra canção. E, assim começa a nova fase da banda. Fãs dessa geração noventista e MTV se apaixonam pelos caras e a banda alcança o patamar de GIGANTE. É importante salientar duas coisas aqui: 1) o sucesso veio de forma natural sem se vender nem abrir concessões. 2) o som do REM nunca mudou em busca disso ou daquilo. Desde o “Green” a sonoridade deles já havia desacelerado. Culminando em “Out Of Time” e no álbum seguinte: “Automatic For The People” de 1992. Um tapa na cara da crítica que esperava outra coisa do REM… Era a fase “grunge” no mundo. Eles vieram com um disco quase acústico e recheado de metais e cordas com participação da Orquestra Sinfônica da Georgia. A Warner quase teve um treco. Mas as boas vendas e a resposta dos fãs acalmaram tudo. Desse álbum “Drive”, “Man on The Moon” e “Everybody Hurts” desbancam várias canções nas paradas. “Man on The Moon” é lançada também para promover o filme sobre o comediante Andy Kaufman (uma celebridade televisiva americana que morreu precocemente com apenas 35 anos de idade, sendo que a música é dedicada a ele), que chegava aos cinemas. A banda tinha uma queda pelo controverso humorista. “Everybody Hurts” emociona mulheres e homens. Muitos machões choraram com a letra e chegou-se a se falar pela América que aquela era a música “masculina” (não faço ideia do que isso queria dizer, juro!) mais triste do planeta. Por mais louco que possa ser a banda resolve não excursionar para divulgação do disco. Também não o fizeram em “Out Of Time” (apenas deixaram as TVs e lojas venderem e recolheram todos os louros disso). Uma decisão que só pode ser tomada por uma banda que tenha maturidade, culhão e banca pra botar. E eles tinham isso. O tão citado título de “number one with Attitude” não era em vão. Essa atitude era sempre de conversar e deixar claro que o trabalho e postura não iriam mudar. Sem apelos ou vulgaridade com seu som em nome de um mercado. Posso assegurar (quebrando a janela, gente) que isso foi feito em toda carreira. Talvez, exceção feita em “Monster” (1994) onde eles toparam distorcer e afiar as guitarras numa época que as bandas de rock mais novas faziam. Mesmo assim fizeram à moda deles, rsrsrs. Gostaria de abrir um enorme aposto aqui: os produtores da banda sempre foram importantes e considerados “amigos” do coração. Começou com Mich Easter (frontman do Let’s Active) na fase independente, chegou em Scott Litt (grande Scott!) na fase Warner e, tida por muitos como a melhor de um produtor, passando pela produção de LUXO de John Paul Jones (baixista do Led Zeppelin) em “Automatic…” e Pat McCarthy. Verdadeiros mágicos, parceiros e responsáveis pela sonoridade que eles sempre buscaram nos álbuns. Tenham certeza disso. Produção musical é a parte essencial para dar vida ao que o artista criou. Fundamental.

Bom, voltando ao álbum seguinte: “Monster” vendeu bem e aproximou a banda de outros públicos. Dentro desse disco tem “Let Me In” (canção dedicada a Kurt Cobain) em homenagem ao líder do Nirvana, que havia se matado em abril de 1994. O trabalho também rende homenagem ao ator River Phoenix, morto naquele ano também, vítima de uma overdose. Nessa época começa a “Road Movie” outra turnê clássica e importante da banda. Ali eles puderam incluir nos shows as canções mais pesadas deles feitas nesse disco. O resultado foi incrível. Mesclaram de maneira acertada o set list da turnê. Esse registro existe em DVD, outra peça importante pra fãs. Em 1996 eles lançam “New Adventures In Hi-fi”, o último do contrato com a Warner. As vendas não são boas e há a primeira “pressão” em cima da banda. Apesar da sonoridade desse disco ser bem “on the road” há uma gama de teclados e pianos ganhando luz no som deles e isso irritou uma turma radical (críticos e fãs) fazendo com que o álbum fosse duramente criticado. O mais engraçado disso é que eu considero esse um belo registro. Acho-o superior ao “Monster”, inclusive. Mas, a crítica não enxergou assim. Fica aqui a minha imane discordância. É um disco de viagem mesmo. Experimente ouvi-lo na estrada. Putz… e ali tem canções ótimas como “Undertow”, “Binky The Doormat”, “E-Bow Letter” (com participação de Patti Smith nos vocais), “Be Mine” e “New Test Lepper”. Enfim… foi subestimado pelo mercado. Nesse disco acontece aquilo que nenhum fã deseja: sai um membro fundador. Bill Berry, exausto e de saco cheio decide deixar a banda e dedicar-se a sua fazenda (sendo que na turnê do álbum anterior, “Monster”, o baterista teve um pequeno AVC ao final de um show, o que fez com que ele desmaiasse em pleno palco, episódio que também contribuiu para sua saída do grupo). A banda sente o golpe. Muito. Eu senti também. Nunca pensei que isso poderia acontecer. Juro. Achava que os quatro iriam juntos até o final. Mas o fato é que Bill Berry pede as contas e se manda. Segue amigo e irmão deles, mas longe de qualquer estrelato. Importante comentar: a banda NUNCA substituiu o músico. Sempre trabalhou com bateristas contratados. Nunca receberam alcunha de “membro REM”. Outra coisa fundamental nos caras. Sempre assinaram os quatro. Eu disse “os quatro”, autorias de todas as canções. Assim era dividido igualmente sempre. Outra faceta de credibilidade e caráter da banda. Raro hoje, né? Nesse climão eles assinam um novo contrato com Warner por mais cinco discos sob a bagatela de R$ 80 milhões!!!! Uow! Um sucesso de renovação. Repito: somente porque era o REM. A banda sempre se posicionou e bancou seu som. Em 1998 eles lançam “Up”. Uma retomada boa nas vendas e com algum sucesso nos EUA e na Europa. Excursionam incansavelmente por países mais distantes e fora de rota das grandes bandas. Outro fator deles. Nesse disco canções como “Daysleeper”, “At My Most Beautyful” (Mike Mills compõe um lindo arranjo nos teclados) e “Lotus” alcançam o público. Nessa altura do campeonato o REM já tinha renovado seus fãs… São pessoas que gostam da fase da Warner primeira e essa segunda. São distantes um pouco da fase independente. Isso é comum em bandas com mais de vinte, trinta anos. E é cool. É importante, sobretudo. Em 2001 eles lançam “Reveal”, um disco redondo, ensolarado e bonito. Acertam a mão e a crítica e as vendas ficam condizentes. Os rapazes voltam ao trilho. E aí vai acontecer algo inédito pra gente aqui do Brasil: a banda vem no mês de janeiro de 2001 ao Rock in Rio. Simplesmente fazem um dos melhores shows do Festival e ganham o dobro de fãs no país. Os músicos nunca mais esqueceram aquela noite. Foram quase 200 mil pessoas uníssonas cantando e entoando gritos. Michael ficou bêbado com caipirinha e foi pro público. Uma leve confissão aqui (quebrando a parede pela segunda vez): eu estava nas primeiras filas e cocei a careca de Stipe. Visivelmente emocionado. Foi uma catarse! Quem foi nunca esquece. Ali eu resgatei um “furo”: The Lifting” e “She Just Wants to be” foram executadas ao vivo pela primeira vez no MUNDO. Sim, isso que você leu: o Rio de Janeiro (e o Brasil) foi o primeiro lugar na Terra que eles tocaram essa duas canções, já que o disco só saiu cinco meses depois. O que deixou os fãs mais excitados com o que viria no álbum. Estabelecido de volta ao bom caminho a banda lança mais um disco: “Around The Sun” de 2004. Um trabalho honesto repleto de teclados, pops duvidosos e ousadia em outras sonoridades. O resultado é bom para as vendas, mas a crítica torce o nariz. Eu também acho esse trabalho um dos menores. Tem coisas ali como “The Outsiders”, “Aftermath”, “Leaving New York” e “Electron Blue” que são hinos. Lindos! Mas, tem outras derrapadas ali bem feias. Não vou citar para não depor contra. Mas eles erraram feio na minha opinião. Os novos fãs curtem e nem ligam. No fim de tudo é isso que importa, não? Em 2007 eles entram pro Hall Of Rock And Roll Fame, importante e definitiva homenagem a uma banda de rock. Comparecem e entregam tal honraria Patti Smith e Eddie Vedder no palco. Bill Berry (ex baterista) é convidado e comparece. Depois de muito tempo toca com seus antigos amigos. Um ano de celebração. No ano seguinte eles lançam “Accelerate”, o décimo quarto da carreira. Um retorno bom às guitarras e distorções além do bom e velho rock antigo que eles faziam no começo. Dali canções como “Living Well is the Best Revenge”, “Accelerate” (faixa título), “Man-Sized Wreath” e “Mr. Richards” se destacam. Um bom trabalho dos rapazes. Disco enxuto e direto. Exatamente como eles (bem) faziam no começo. Em 2010 entram em estúdio para gravar o último disco: “Collapse Into Now”. Lançam em 2011 e vendem de maneira satisfatória. A partir daquele momento a banda encerrava quaisquer obrigações contratuais com a Warner. Obviamente existem inúmeras coletâneas, registros oficiais ao vivo, compilações, boxes especiais, etc… Minha intenção foi fazer um apanhado básico e específico dos discos de estúdios. Na internet tem material de sobra para você saber, conhecer, escutar e se aprofundar sobre o REM. Está tudo aí. Basta começar. Pra fechar: nesse ano do último disco, em 2011, a banda em seu site oficial escreve uma nota e encerra as atividades. Deixou um buraco no peito dos fãs, mas eu entendi. Foram trinta e um anos de trabalho, arte, viagens, hotéis, discos, shows, aeroportos e tudo mais. Um carreira bonita e ímpar. Ficou demais… E, como eles mesmo disseram e profetizaram: Its the end (and i feel fine)! Não é mesmo? REM, senhoras e senhores! Clap! Clap! Clap!

 

PARTE GREEN CONTEXTO

Contextualizar o álbum Green dentro do som da banda e do rock é complexo e torto ao mesmo tempo. Prefiro ambientar em termos da banda. O mundo nessa época vivia uma enxurrada de possibilidades musicais: havia de tudo um pouco. Inclusive a dance music (gênero que se solidificaria anos mais tarde). Mas a banda havia feito cinco álbuns de estúdio (além de um EP e duas coletâneas) pela IRS e estava insatisfeita com a distribuição externa dos trabalhos feitos. Nessa época surgiram convites de diversos selos, mas a Warner levou Stipe e cia. com a promessa de imensa distribuição e “liberdade criativa” para a banda. Martelo batido. Era hora de gravar o que seria o “Green”. Apesar do nome a capa (feita pelo artista Jon McCFerrty ) saiu na cor laranja. Alguns dizem que se apertar os olhos algumas vezes a visão embaça e aparece o “verde”, rsrsrs. Eu já fiz isso e deu certo, rsrsrs. Mas decerto que existem algumas edições lançadas com um tom mais amarelado também. A capa recebeu um tratamento especial e foi um grande trunfo para as vendas. Mas retornando ao processo criativo deles, os integrantes disseram que na época resolveram criar sem nenhuma necessidade de soar como o “velho REM”. Queriam um álbum mais experimental. E foi o que fizeram mesmo. Tanto que trocaram os instrumentos e batizaram os lados A e B (A seria o lado ar e B seria o lado metal). A ideia era eletrificar bem o primeiro lado e deixar acústico o segundo. Entraram acordeão, bandolim, violoncelo e percussão para ajudar a fazer o som experimental quisto pelo produtor Scott Litt e pela banda. As letras das canções tornaram-se mais satíricas e cínicas. Michael Stipe gravou os arranjos de sua voz depois dos outros. O resultado ficou na medida para a gravadora. No ano de 1988 havia uma disputa eleitoral entre republicanos (Bush) e democratas acirrada. E os membros do REM entraram de sola em Bush. Isso ajudou mais ainda o lançamento do álbum. O público gostou e comprou o discurso deles. Tanto que canções como “World Leader Pretend”, “Orange Crush” e “Haitshirt” caíram no gosto americano. Pungentes, cínicas e diretas. A banda tinha uma qualidade e jeito em passar sua mensagem de maneira criativa e harmoniosa. O líder do “The Divine Comedy”, Neil Hannon, afirmou numa entrevista que esse álbum era um dos seus prediletos. E que o protesto e a ideia deles era algo que só eles sabiam fazer de forma tão competente e distinta. Soava diferente. Kurt Cobain listou “Green” como um dos seus 50 melhores discos. Algo controverso, inclusive. “The Wrong Child”, “I Remember California” e “You Are Everything” acertaram os fãs mais antigos. Muitos consideram essas verdadeiras profecias do que seria o “Out Of Time” três anos depois. De algum modo elas soam mesmo como um embrião. “Pop Song 89” (uma sátira com os Doors), “Stand” e “Get Up” deram o tom mais pop e irônico do disco. Foram usados dois estúdios para gravação: Ardent Studios (Memphis) e Bearsville Studio (Nova York). Processo que tornou-se natural depois, pois certas canções necessitavam de mixagens diferentes e outras foram finalizadas conforme o potencial de cada estúdio. Duas ficaram sem nome no fim. “Untitled” foi uma delas e assim ficou no disco. “Turn You Inside-Out” e “Orange Crush” precisaram de mixagens distintas também. Scott Litt trabalhou incansavelmente nos estúdios dando acabamento bacana. A produção de “Green” foi a primeira dele com a banda. Uma parceria de ouro na história do REM. Quem é fã sabe disso. Feito e lançado o álbum a banda partiu para uma das turnês mais importantes e históricas, a famosa “Tourfilm” (1988). Foram onze meses de estrada e show. O registro encontra-se em VHS e DVD (tenho ambos). Vale a pena. A performance do REM é única. O moicano de Stipe é um diferencial também. E a banda estava em forma. Recomendo muito esse registro. O disco foi remasterizado em 2013 para o 25º aniversário e adicionado o ao vivo “Live in Greensboro” de 1989. Esse ano o disco completou 30 anos. Um salve enorme para esse que foi o primeiro disco da banda pela Warner (sexto na carreira) e que soou mais experimental do que o público poderia supor. Gostaria de acrescentar uma coisa: como fã, nesse disco, há duas canções que fazem parte do meu rol de favoritas: “World Leader Pretend” e a lindíssima “I Remember California”. Dois petardos dignos de banda GIGANTE! Salve Green, salve REM!

 

(Leo Rocha, dileto amigo carioca há mais de uma década do autor deste blog, tem 41 anos de idade e se formou em publicidade. Blogueiro, apresentador de programa em web rádio e autor de três livros de ficção, mora no Rio De Janeiro, onde nasceu. O REM é a banda da sua vida)

 

 

A POSTAGEM TRISTE DESTA EDIÇÃO, ANUNCIANDO O FECHAMENTO DO CEMITÉRIO DE AUTOMÓVEIS (O BAR DO QUERIDÃO DRAMATURGO E ESCRITOR MARIO BORTOLOTTO, EM SP) E TAMBÉM (E NOVAMENTE) DO MATRIX ROCK BAR

É isso. Em tempos absolutamente sombrios e tenebrosos, com a cultura pop entregando os pontos, o rock indo pro museu e o Brasil BOÇAL aguardando a posse do futuro PIOR presidente que o país já teve, as notícias cruéis continuam se sucedendo: o Cemitério de Automóveis, misto de bar e teatro administrado pelo dramaturgo, poeta, ator e cantor Mário Bortolotto, encerra atividades no próximo dia 5 de dezembro. Funcionava há alguns anos na rua Frei Caneca, centro de Sampa, e era (e ainda é, ao menos até a semana que vem) um dos espaços culturais alternativos mais incríveis da capital paulista.

O blog vai muito ao “Foda-se” (a denominação mega carinhosa e genial que a sereia linda e loka do nosso coração, a gatona e também escritora Flavia Dias, dá pro bar). Estivemos lá na sexta-feira passada inclusive. Estava bem cheio, o que não vinha ocorrendo nos últimos tempos porque o país está quebrado e as pessoas estão sem grana pra curtir uma noitada num espaço legal bebendo boas brejas e ótimos drinks. Mas enfim, Marião mantinha o espaço há alguns anos já. E sempre está lá nas madrugadas, na sua cadeira cativa na indefectível mesa ao lado do balcão onde a clientela é atendida pela Silvia e (eventualmente) pelo Linguinha. O Cemitério acabou aglutinando uma turma hoje em dia rara na noite paulistana: homens e mulheres mais adultos (na faixa dos 30-50 anos de idade) e apaixonados por ótima música (volta e meia rolam sets acústicos por lá), ótima literatura (uma micro livraria funciona dentro do bar) e também ótimo teatro: há igualmente lá dentro um espaço para encenação de peças e onde geralmente Marião encenava, atuava e dirigia os próprios textos, que eram interpretados por atores de sua trupe teatral (estas linhas bloggers nunca se esquecem da montagem sensacional que assistimos lá, anos atrás, de “Mulheres”, baseado no livro homônimo do gênio Charles Bukowski, um dos nossos ídolos literários ad eternum. E do Mario idem).

E o povo que frequenta (va) lá é bem loki também. Mulheres insinuantes, libidinosas, ébrias, poéticas, cultas, inteligentes, nada recatadas, nada do lar. Todas gostosas, ousadas mas jamais vulgares e totalmente mega interessantes (na questão intelectual), daquelas que são pura transgressão, subversão e resistência cultural e que você, ao se deparar com elas tomando uma dose de gin ou uma taça de vinho, imagina que a mesma fará estragos irreversíveis em seu corpo sedento e carente durante um embate carnal feroz em alguma cama bêbada de hotel idem. Os caras que frequentam (ou frequentavam) ali também eram o que podemos chamar de “escória” e “marginais” perante a sociedade ultra careta e moralista sacal hipócrita destes tempos terríveis atuais: músicos, escritores, autores teatrais etc.

O autor deste espaço online conhecia Marião de nome há anos e já admirava seu trabalho de escritor, diretor teatral, poeta e ator de cinema mesmo antes de se tornar seu amigo pessoal, algo que acabou acontecendo há uns… 4 anos ou um pouco mais. Com o tempo descobrimos que por trás daquela rabugice e “ranzinzisse” toda existe um sujeito gente finíssima, de coração muito generoso e que sobreviveu sem ser auto piedoso de um assalto onde quase morreu após levar 3 tiros. Na medida do possível ajuda os amigos: pedimos a ele que escrevesse o texto para a contra-capa do nosso livro, “Escadaria para o inferno” (que foi lançado há exatamente um ano), e ele topou no ato. Somos gratos a ele por isso até hoje.

E nosso coração dói bastante nesse momento, ao escrever esse post falando do fim do “Foda-se”. As doses generosas e bem-vindas de Bell’s que o blog toma neste momento começam a aquecer a alma e coração, ampliam as sensações neuro transmissoras cerebrais e nos reconfortam ante o fato de saber que estamos perdendo mais um espaço cultural que vai fazer muita falta. Como já dito mais acima, estivemos lá na sextona passada. O bar estava cheio, o clima estava ótimo e acabamos até batendo um papo com a lindona, tesudíssima e ótima atriz (em filmes e no teatro, não a curtimos muito em seus trabalhos na tv “Grobo”) Maria Ribeiro (sim, Marião tem muita moral com o povo da tv, do cinema e do teatro pois convive com eles e é um autor mega respeitado). O zapper disse a ela que é fã de dois filmaços nos quais atuou: “Tolerância” (dirigido pelo “replicante” Carlos Gerbase, lá em 2000) e “Como nossos pais”, rodado ano passado pela Laís Bodansky.

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Trio rocker e literário de respeito MÁXIMO se encontra no bar e teatro Cemitério de Automóveis, no final de 2017: Zapnroll “cercado” pelo jornalista e escritor Fernando Naporano e pelo dramaturgo Mário Bortolotto (acima); uma semana atrás o autor deste blog encontrou por lá a sensacional atriz, feminista e gata bi incrível e dos sonhos de qualquer homem que se preza, a XOXOTAÇA Maria Ribeiro, aqui (e abaixo) em imagens nudes total delicious, extraídas do ensaio que ela fez para o amigo fotógrafo Jorge Bispo, onde a divina musa esquerdopata e nada pudica e do lar, mostra toda a exuberância de sua BOCETA PELUDAÇA, como toda xota decente e do inferno deveria ser, inclusive (sorry, idiotinhas de direita: vocês são “limpinhas” demais, “cheirosas” demais, DEPILADAS demais e SEM CÉREBRO algum; jamais chegarão aos pés das garotas de esquerda, especialmente na questão intelectual e cultural e na hora da FODA). Infelizmente o bar do Marião fecha na próxima semana, no dia 5 de dezembro. Vai deixar saudades!

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Todo mundo “comunista”, “de esquerda” e “do mal” no final das contas, né. Pois o bloog se ORGULHA de fazer parte dessa turma. E fará até o fim e até o derradeiro respirar. Afinal não há mais ilusões aqui, elas se perderam todas definitivamente quando cerca de 55 milhões de eleitores (a maioria deles BOÇAIS, trogloditas, selvagens, racistas, homofóbicos, misóginos, machistas, medievais de pensamento, machistas ogros, moralistas hipócritas e conservadores de extrema direita do inferno) elegeram para presidente do Brasil um nazi fascista que, além de total intolerante e ignorante, ainda é um evangélico FUNDAMENTALISTA. E esse pessoal ODEIA cultura e quem trabalha com arte e cultura. Para eles, incapazes de compreender e aceitar o que lhes foge do raciocínio binário e ultra limitado, cultura é “coisa de vagabundo e petralha”, ou se resume a ler a Bíblia, orar, PRAGUEJAR quem pensa diferente e assistir a novelas toscas ou séries religiosas da tv Record (a emissora do escroque Edir Macedo, que juntamente com outro pilantra evanjegue mor, Silas Malafaia, ajudou a eleger presidente o monstro da extrema direita). Nunca é demais lembrar: quando tomou o poder na Alemanha NAZISTA, Hitler quis ANIQUILAR toda a produção cultural passada do país. Mandou COLOCAR FOGO em milhões de exemplares de livros. E todos sabem como a história do nazismo e a da própria Alemanha acabou, ao final da segunda guerra mundial.

De modos que não se iludam: BolsoNAZI e seus seguidores BESTIAIS farão tudo o que for possível para EXTERMINAR a Cultura nesse miserável e triste Brasil. O desmonte já começou, mesmo antes da posse do nazi. Mário Bortolotto e seu sensacional Cemitério de Automóveis saem de cena um pouco antes. Quem sabe até para não sentir na pele o que está por vir em janeiro próximo.

Rip, querido Foda-se. Este jornalista loker se divertiu muito ali (ficamos bem lokos lá muitas vezes, a ponto de tirar Marião do sério e de dar trabalho pra ele, ahahahaha). Vamos sentir saudades. E antes que as portas e cortinas se fechem de uma vez por todas, ainda iremos baixar lá pra tomar a saideira. E MERDA para todos nós!

 

***E a outra baixa no circuito cultural e rock alternativo de Sampa é o fechamento (agora, definitivamente ao que parece) do lendário Matrix Rock Bar. Durante mais de duas décadas e sob o comando do brother Giggio, o Matrix animou as noitadas da Vila Madalena (zona oeste de Sampa), na rua Aspicuelta, sendo que este blog mesmo fez algumas festas e djs set muito bacanas por lá. Há cerca de três anos o espaço fechou, devido à alta um tanto quanto abusiva do valor do aluguel do imóvel onde estava localizado. Giggio porém batalhou novo espaço (com preço mais em conta na locação) e reabriu o Matrix na rua Inácio Pereira Da Rocha (também na Vila Madalena), onde funcionava até agora. Há algumas semanas, veio a notícia novamente tristonha e surpreendente: o Matrix fecha definitivamente suas portas no próximo dia 7 de dezembro. Ainda dá tempo de ir curtir por lá neste sabadão (1 de dezembro, quando este post está sendo enfim finalizado), e é o que o blog pretende fazer, para tomar uma breja e curtir os ótimos sets dos queridos amigos e djs Shiva On e Fabiano Bulgarelli. Depois, só na sexta da semana que vem e pela última vez. Rip Matrix! Foi muito bom enquanto durou e tornou nossas vidas rockers muito mais alegres, animadas e menos ordinárias do que elas são nos tempos atuais. Tempos que, pelo visto, só irão piorar e onde o rocknroll está mesmo deixando de fazer parte da vida noturna e cultural de uma cidade como São Paulo, infelizmente.

 

 

MUSA ROCKER DESTA EDIÇÃO – A ABSOLUTAMENTE TESUDA E AVASSALADORA SUE NHAMANDU!

Nome:  Sue Nhamandu

 

Nasceu em: 11/03/1984 em Campinas de parto natural nas mãos do meu tio avô obstetra Deodato.

 

Mora onde e com quem: com meu filho de 10 anos, o cabeça da gang, Pablo Miguel Nhamandu.

 

O que estudou ou estuda: sou formada em filosofia desde os 24 anos, mas leciono filosofia desde os 19, psicanalista e esquizonalaista em formação, sou mestranda em filosofia de gênero e pornografia pela Universidade Federal do ABC, e  pesquisadora convidada 2019 pela Universidade Toulouse 2 Jean Jaures, e vencedora do segundo prêmio select de artista educadora, ou seja, estudo o próprio estudar. Estudei teatro na Universidade Antropófaga com José Celso Martinez Correa, e teatro com Gerald Thomas.

 

O que faz profissionalmente: Sou a Pornoklasta, terapeuta orgástica, filósofa e desartista multimeios.

 

Três artistas musicais ou bandas: tenho um trabalho musical experimental que divulgo submidialógicamente através de avatares-persona como no projeto Domitila Mataha(cker)ari Pompadour Monroe, uma projeto de música tática e cyber feminismo que envolve música e artes visuais num contexto de hackeamento de identidade, mas entrei no meu teste no Oficina em 2011 cantando Casisa Listada, imitando Isaurinha Garcia e já vivi de cantar em pequenos bares periféricos, com alguns brothers no violão.

 

Três discos: Ando só numa multidão de amores (Maysa), Drama ato três luz da noite, (Maria Bethania) e Deus é mulher (Elza Soares). Elza e Wilson das neves: is so hard to tell whos going to love yoi best, Karen Dalton, Chets Billie.

 

Três filmes: Bin jip kim ki duk, Mutantes despentes, mi sexualidad es una creacion artística, Lucia egana (sombra) rojas.

 

Três livros: Crise da filosofia messiânica (Oswald De Andrade), Manifesto contrassexual (P B Preciado), O teatro e seu Duplo (Antonin Artaud), O que é filosofia  (Giles Deleuze), Água viva (Clarice Lispector) e (ufa!) Meta linguagem e outras metas (Haroldo De Campos).

 

Um diretor de cinema: Annie Sprinkle.

 

Um diretor de teatro: Artaud.

 

Um autor literário: Haroldo de Campos.

 

Um show inesquecível: Mutantes no Parque Do Ipiranga.

 

O que pensa sobre

 

Sexo: é uma criação artística.

 

Drogas: Isdeus.

 

Rocknroll:  Toca Raul!

 

Política: esquerda radical (ótimo!).

 

Relacionamentos: os éticos com cuidado de si e do outro.

 

Eleições presidenciais deste ano: Levamos uma solapada de mídia tática, a direita comeu as teorias todas e usou com capital neo liberal nossas ideias melhor que nós. Todos sabemos que o humanismo acabou. Não sou ingênua de acreditar que o problema é cultura e civilização. É hora de lutar, de reler o anti-édipo, de entender os desejos construídos, de combater o fascismo, de andar em bandos. Essas eleições foram o momento  histórico mais importante que vivi, nasci em 84, não esperava viver isso, só posso dizer que sobreviver e viver bem tem sido minha vingança contra um sistema que me queria natimorta, afinal sou mulhler cafuza não binária poliafetiva, pansexual, ativista feminista pró-sexo demi-sexual, latino-americana.

 

E como o blog conheceu Sue: como nosso dileto leitorado pode ver pelas respostas aí em cima, essa deusa GIGANTE é uma mulher AVASSALADORA em todos os sentidos (tão avassaladora que chega a dar medo, ahahahaha). Enfim ela nos foi apresentada por uma amiga querida em comum (a escritora e poetisa Rita Medusa), nos encantamos pelo perfil e pelo pensamento da garota, a convidamos para fazer ensaio para estas linhas eternamente e totalmente subversivas e abusadas ao máximo, e cá está o resultado. Apreciem sem NENHUMA moderação!

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Avassaladora, apenas isso

 

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O peito que te seduz é o mesmo que pode matá-lo em pequena, rápida e gloriosa morte…

 

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O espelho é o reflexo preciso e que jamais MENTE!

 

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A água escorre pelos poros. E Rimbaud, se vivo estivesse, sentaria toda essa beleza em seus joelhos, para admirá-la ad eternum

 

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Corpo relaxado mas também perenemente em chamas

 

 

FIM DE UM POST REALMENTE GIGANTESCO!

Com quase 80 mil caracteres de texto (uma autêntica bíblia!) este é o provavelmente o MAIOR post já publicado por Zapnroll em seus quinze anos de existência, o que demonstra que o fôlego destas linhas online continua inalterado.

Mas tudo precisa ter um fim, não é. De modos que paramos por aqui, e sendo que havia tanto material ainda a ser publicado que deixamos parte dele para a nossa derradeira edição deste triste 2018 que está chegando ao fim e prenunciando um 2019 absolutamente SINISTRO no Brasil. De qualquer forma no próximo post traremos sim as histórias dos shows que o blog viu na inesquecível Via Funchal. E também iremos falar do superb músico e guitarrista Dhema Netho, que residiu por 16 anos em Londres e agora está de volta ao Brasil, onde pretende retomar sua carreira. E claaaaaro, já temos a musa rocker pra fechar com chave de ouro este sombrio 2018: a delicious total Juliana Gelinskas (cujo aperitivo do ensaio futuro você vê aí embaixo).

Beleusma? Então até a próxima!

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(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 01/12/2018 às 22:20hs.)

ATUALIZAÇÃO FINAL!!! O postão custa a chegar mas cá estamos, enfim e botando pra foder; e com o mondo pop/rock finalmente se agitando novamente o blogão fala de uma das voltas mais esperadas do ano: a dos Libertines, com o seu novo e primeiro disco inédito em mais de uma década; o também primeiro disco solo de Helinho Flanders, vocalista do Vanguart; as tragédias urbanas e sociais cotidianas que se abatem sobre as grandes metrópoles de um país (o nosso) que está no buraco; o final de ano felizmente hot em termos de shows gringos em Sampa; e uma musa rocker paulistana (e secreta) delicious total: branquela, peituda e que AMA o velho safado Buk, ulalá! (postão total concluído em 24/9/2015)

O grande rock’n’roll dos anos 2000’ ainda resiste: na Inglaterra a dupla de frente Carl Barat e Pete Doherty (acima, durante show no gigante festival de Glastonbury deste ano) comanda a super e badalada volta dos Libertines, que estão lançando seu novo álbum de estúdio hoje (e o primeiro inédito em uma década); já o vocalista do Vanguart, Hélio Flanders (abaixo), um dos grandes talentos do novo folk/rock nacional na última década, também lança hoje seu primeiro trabalho solo, e tudo isso sendo acompanhado por um blogão (esse aqui mesmo) que continua sempre antenadíssimo com tudo o que rola de melhor no rock alternativo e na cultura pop, além de seguir descobrindo musas rockers total delicious, como a desta semana (também abaixo)

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EXTRAS BACANUDOS PRA FCHAR  O POSTÃO: LANA DEL REY, KEITH RICHARDS E O ROCK IN RIO 2015, O FESTIVAL PARA ENGANAR OTÁRIOS DA GERAÇÃO PAU DE SELFIE

* Yep, o inverno mal está acabando e uma furiosa onde de calor já desaba sobre essa terra nada abençoada por nenhum deus. Desde meados dessa semana (o postão está sendo concluído hoje, sábado, 19 de setembro) Sampa sofre com temperaturas em torno dos 34 graus, algo digno de Macapá, capital do Amapá. Quem agüenta isso, afinal?

 

* E pra agüentar só mesmo ouvindo o novo discaço da sua, da nossa deusa e XOXOTAÇA CADELUDA SUPREMA, a lindaça putona e diva Lana Del Rey, uma das únicas vozes femininas que valem a pena no mondo pop do novo milênio. “Honeymoon”, seu quarto trabalho inédito de estúdio foi lançado oficialmente ontem, sexta-feira (18) e traz Laninha na ótima forma de sempre, com vocais impecáveis (na inflexão de uma esplendorosa e decadente cantora de jazz & blues), instrumental idem e melodias belíssimas adornando canções igualmente lindas como a própria faixa-título ou ainda “High by the Beach”, o primeiro (e ótimo) single retirado do álbum, já com vídeo bacanão rodando à toda no YouTube. E de bônus o cd ainda fecha com uma ultra inusitada cover: Lana desconstrói e recria em formato de doce balada “Don’t let me be misunderstood”, clássico da era “disco” dos anos 70’, gravado originalmente pelo Santa Esmeralda (quem se lembra deles?). O blog ainda vai falar muuuuuito do novo discão do bocetaço Lana Del Rey, podem esperar!

 

 

* Foi uma sextona e tanto a de ontem, no final das contas. E onde o mondo pop/rock também viu o lançamento de “Crosseyede Heart”, o terceiro disco solo de Keith Richards (o guitarrista de uns certos Rolling Stones, conhece? Rsrs) e seu primeiro trabalho individual em mais de vinte anos. Véio Keith é gênio e a humanidade sabe disso. Mas ouvindo essa madrugada sua nova aventura solitária, o blog achou o disco… mediano. Sem nenhum arroubo de genialidade e com os habituais rocks básicos, algumas baladas e até um reggae com direito a metais (em “Love Overdue”), não vai acrescentar muito à obra gigante que Rchards já legou (junto aos Stones) para a história da música. O primeiro single (“Trouble”) chega a empolgar mas não supera nenhuma das obras-primas que o guitarrista criou para a banda onde canta mr. Mick Jagger. Enfim, é um solo de Keith Richards. E um disco mediano de KR ainda dá uma surra de lavada em termos de qualidade em 90% do que é feito no rock’n’roll planetário atual.

 

 

* E sim, também teve ontem o lançamento do novo disco solo de David Gilmour, ex-guitarrista do velhusco e cafonão Pink Floyd, sendo que Gilmour toca no Brasil em dezembro. Esse, no entanto, o blog nem fez questão de escutar.

 

 

* Mas assistimos sim, nessa madrugada, a abertura do Rock In Rio 2915, com o show do Queen (quer dizer, do que restou dele) com Adam Lambert nos vocais. Sinceramente, não dá. Lambert é bonitinho, é esforçado, tem bom vocal, é bicha (o que conta muito nesse caso), é tatuado, capricha no visual rocker etc. Mas NÃO é Freddie Mercury. E ele sabe disso, e deve sentir o peso e as comparações de estar no lugar onde não deveria estar. Sendo que a culpa nem é dele por essa empulhação: Brian May (que, sim, continua sendo um guitarrista digno de total respeito) e Roger Taylor já deveriam ter parado com essa picaretagem há séculos e respeitar a memória do saudoso Freddie, que deve “viver” cuspindo ódio em sua tumba. E isso foi só o começo. Ainda vai ter o detestável MERDALLICA na noite de hoje (pela bilionésima vez fazendo o mesmo show por aqui) etc. Pra quem esteve no primeiro Rock In Rio há 30 anos e viu o Queen com a saudosa bichona Freddie nos vocais, assistir o RIR da geração otária e pau de selfie das redes sociais, ainda que pelo notebook e no conforto do lar, é um sacrifício e tanto. Podem ter certeza disso.

 

 

* E por enquanto é isso. Laaaaá embaixo, no finalzão do postão, ainda estão entrando as indicações culturais do blog e o roteiro de baladas pra este finde e pra toda a semana que começa na próxima segunda-feira. Vai lá então e dá uma conferida.

 

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A morte NUNCA manda recado.

Essa frase, adaptada parcialmente do título em português de um dos maiores clássicos do diretor de cinema americano Sam Peckinpah (“A morte não manda recado”, que ele filmou e lançou em 1970), ficou atormentando o cérebro de Zap’n’roll quase que todo o último feriadão prolongado. E esse tormento, além de postergar a publicação do novo post do blog (que era pra ter ido ao ar na sexta-feira passada), teve sua razão de existir e aconteceu exatamente no início do último feriado prolongado (o da Independência). Eram 5 e meia da tarde de sexta-feira da semana passada, quando o autor destas linhas rockers online retornava à sua casa (nas proximidades da Praça Da Árvore, na Vila Mariana, região nobre da zona sul paulistana), após ter ido (por volta das 4 da tarde) na padoca do bairro, tomar o habitual café da tarde, além de também comer um pedaço de pizza. Ao descer a rua de volta pra casa tumulto gigante no quarteirão onde o blog reside. Diversos carros da polícia militar, uma base móvel da PM já estacionada, motos da Rocam (unidade de motos da PM) chegando, muitos guardas na calçada e vizinhos da rua também. Clima de tensão e choque no ar. O autor deste espaço online achou que havia sido um acidente de carro ou algo parecido, mas foi bem pior. Logo vimos que o problema era num sobrado em frente a kit onde moramos, do outro lado da rua. É um sobrado bonito, bem cuidado, igual a vários outros que existem na rua – sim, moramos na Vila Mariana, bairro classe média alta da zona sul de São Paulo, teoricamente ainda um dos mais elegantes, CALMOS e melhores bairros pra se morar na cidade. Será mesmo??? No sobrado funciona uma firma de contabilidade. Pois bem, a tragédia se deu LÁ DENTRO. Três marginais estavam tentando assaltar um outro sobrado, na rua de trás. A polícia chegou e cercou a casa. Prendeu dois dos assaltantes. O terceiro tentou empreender uma fuga, pulando no QUINTAL do sobrado onde funciona a firma de contabilidade. Invadiu a casa, PEGOU COMO REFÉM um dos motoboys que estava lá dentro (e que presta serviço pro escritório) e tentou sair pela frente, usando o motoboy/refém como ESCUDO. Um policial também entrou pela frente e, segundo o que todo mundo comentou, não disse nada. Simplesmente DISPAROU UM TIRO. Acertou o motoboy no peito. Ele morreu. O assaltante foi preso e o policial que efetuou o disparo, até onde se sabe, foi retirado da cena da tragédia e levado pelos colegas. Chegaram ambulâncias do Samu e do serviço de emergência dos bombeiros mas não havia mais o que fazer. Os paramédicos constataram a morte do motoboy no mesmo instante. Todos os vizinhos ficaram em choque e consternados. E este jornalista não se conteve quando soube dos detalhes e começou a insultar os policiais na rua chamando-os de ineptos e despreparados. Assumimos que erramos ao tomar essa atitude. Mas é que não estávamos acreditando no que havia acontecido. Quando você ouve sobre tragédias parecidas como essa diariamente em todos os lugares (em redes sociais, em noticiários online e na TV), se você é um ser humano como um MÌNIMO de sensibilidade, já fica algo horrorizado e tenso. Quando a parada acontece NA RUA DA SUA CASA, ao lado de onde você mora e se dá conta de que poderia acontecer com qualquer um ali (conosco, inclusive), vem o pensamento: em que mundo estamos, afinal? O que vale uma VIDA HUMANA nos dias de hoje? Um soldado (ou sargento, ou tenente, não sei qual a patente dele) veio conversar de cabeça e voz baixa com o blog: “entendo sua indignação. Mas o Sr. Precisa entender que precisamos do APOIO da população num momento desses. Reconheço que foi uma tragédia mas por exemplo, eu poderia ter entrado lá e ter sido morto pelo assaltante. E eu tenho mulher e filhos”. Concordamos com ele e nos desculpamos pela nossa agressividade e exaltação. Mas todos na rua também pensaram o mesmo: o motoboy (que tinha 34 anos de idade) TAMBÉM tinha mulher e filhos. Quem vai sustentá-los, agora? O (des) governo de SP vai dar algum tipo de auxílio a essa viúva? Afinal uma VÍTIMA INOCENTE foi MORTA com um tiro no peito, disparado por um policial despreparado e que não sabe o que faz diante de uma situação dessas. Sim, a polícia ganha mal (nem tão mal assim atualmente) e trabalha sob stress permanente. Numa situação como essa, o policial tem que agir rápido e tomar alguma decisão EM SEGUNDOS. Mas ele tem que tomar a DECISÃO CERTA e NÃO ERRAR sob hipótese alguma. Um erro num momento desses pode ser fatal, como foi naquela tarde cruel de sexta-feira: custou a vida de um ser humano inocente. A polícia militar do GRANDE MERDA chamado geraldinho Alckmin é PÉSSIMA. Violenta e total despreparada. O (des) governador de SP é um BOSTA sem tamanho. Bandido, ordinário, calhorda. Deveria ser DESTITUÍDO do cargo (e motivos para isso, para ele ser expurgado do Palácio dos Bandeirantes, não faltam), junto com o seu Secretário de (in) Segurança Pública. Bando de ASSASSINOS FARDADOS, a soldo de um BANDIDO encastelado no comando do Tucanistão paulista. Então enquanto essa bestialidade prosseguir e nada mudar, continuaremos vivendo assim: no país onde a morte JAMAIS manda recado. E onde ela pode estar bem na sua rua, ao seu lado, a qualquer hora do dia. E produzindo tragédias como essa, que atormentaram de verdade o lado emocional do zapper, a ponto de ele ter que adiar a publicação do novo postão do blog. Mas como a vida precisa seguir em frente (sempre…), cá estamos. E ao menos a demora na chegada do nosso novo material sobre rock alternativo e cultura pop, terá valido a pena: aí embaixo falamos da volta fodástica dos ingleses do Libertines, além de comentar sobre o primeiro disco solo do amado Helinho Flanders, vocalista do gigante Vanguart. A vida segue, enfim. E prosseguimos nela, torcendo para que um dia tragédias como a que relatamos nesse editorial nunca mais aconteçam.

 

 

* Enfim, cá estamos com postão novo, que tá saindo no capricho já no final da tarde dessa sextona de fim de inverno em Sampa. Oays, o blog assume que anda demorando para subir novos posts mas, na real, com o mondo pop/rock andando em marcha lenta nas últimas semanas, achamos que é melhor demorar um pouco mais pra atualizar as paradas por aqui e reaparecer com material gigante e relevante, para que todo o nosso sempre amável (uia!) leitorado tenha texto pra degustar dias e dias.

 

 

* Assim a parte principal do postão está entrando JÁ no ar, sendo que muitas notinhas inciais ainda irão entrar aqui no começo ao longo deste final de semana, okays?

 

 

* Como, por exemplo, o set list matador que mr. Iggy Pop está apresentando em sua atual turnê, e que foi divulgada pelo nosso queridón Lúcio Ribeiro no seu já veterano e sempre antenadíssimo blog Popload. Iggy, que toca mês que vem em Sampa no Popload Festival (e que vai trazer também os eternamente fofos Belle & Sebastian), está ARRASANDO ao vivo com esse repertório aê:

 

* Então ficou assim: o livro escrito pelo autor deste blog e que está pronto há algum tempo já, finalmente encontrou um “lar” definitivo e que, ao que parece, agora pode ser divulgado aqui (para desespero, ódio, inveja e rancor doentios dos fakes de plantão no painel do leitor zapper, hihihi). “Escadaria para o inferno” (o título definitivo e que foi sugerido pelo dono da editora que irá publicar o volume) sai no primeiro trimestre de 2016, pela editora Realejo, de Santos. Dirigida pelo livreiro José Luis Tahan (gente finíssima e que já se tornou um ótimo amigo do autor destas linhas rockers virtuais) a Realejo é modesta porém cuidadosa ao extremo no apuro gráfico e visual de seus lançamentos. Já publicou livros do dramaturgo Mário Bortolotto (que inclusive vai assinar o texto da contra-capa do tomo produzido pelo blog) e lançou há pouco uma biografia do lendário jogador Pepe, da era dourada do Santos F.C. E não só: “Escadaria para o inferno” já tem prefácios preciosos prontos, escritos pelos gigantes Luis Antonio Giron (um dos maiores jornalistas culturais do Brasil nos últimos trinta anos, além de mestre eterno de Finaski) e Luiz César Pimentel (editor-executivo do portal de notícias R7). E ainda, de aperitivo, terá sua “orelha” escrita por dear Luscious Ribeiro, o homem da Popload. Precisa mais? Claro que não! Então nos vemos no começo de 2016 nas páginas malucas e avassaladoras de “Escadaria para o inferno”. Chuuuuupaaaaa inimigos, fakes e cuzões em geral, uia!

Zap’n’roll ao lado do editor José Luiz Tahan, proprietário da Realejo Livros, durante a noite de autógrafos da biografia do ex-jogador Pepe, do Santos, semanas atrás na Livraria Cultura em Sampa: a editora lança “Escadaria para o inferno”, do jornalista zapper, no início de 2016

 

 

* E como já estamos caminhando para o final do ano, vamos agilizar mais algumas noitadas rock’n’roll do blog lá na Sensorial Discos. A próxima acontece no dia 10 de outubro, sábado, e vai contar com pocket shows do duo synthpop de Campinas, Seti (que tem a bela Roberta Artiolli nos vocais e que acabou de lançar um belo e bucólico/onírico EP com ótimas letras em português, recebendo inclusive elogios de Gordon Raphael, o produtor que descobriu uns certos Strokes), e também do incrível quarteto glam paulistiano Star61, que já marcou presença em outras festonas do blogão com o seu glitter rock sempre explosivo. Então marque na sua agenda: 10 de outubro tem Noitão Zap’n’roll na Sensorial Discos, quando a festa rocker NUNCA irá terminar, ulalá!

O duo synthpop de Campinas Seti, uma das atrações da próxima festa do blog na Sensorial Discos

 

* Mais modesto, mas não menos rock’n’roll e fodástico vai ser o sbow duplo que rola amanhã (sábado, 12 de setembro) em Arujá (na Grande São Paulo) reunindo os esporrentos Rock Rocket e Coyotes California. O RR aproveita pra lançar seu novo single (e que vai fazer parte do futuro novo álbum da banda), intitulado “Uma luz no fim do túnel” e cujo áudio você confere aí embaixo. E a esbórnia sônica imperdível rola no Gereba’s Rock Bar, que fica na av. dos Expedicionários, 1179. O loker zapper está até pensando em ir lá conferir. Vamos verrrrr…

 

* E semana que vem começa a edição comemorativa de 30 anos do Rock In Rio. Fala o quê sobre isso, afinal? Quando lembramos que vimos pessoalmente em janeiro de 1985 (quando o então ainda futuro jornalista musical tinha seus 22 anos de idade, e ficou enlameado na Cidade do Rock 3 dias e noites seguidos, pra ver de perto as bandas que queria e numa época em que não haviam telões no palco, não havia internet, cels, redes sociais, nada dessas porras tecnológicas de hoje e que massacram o ser humano no final das contas), no Queen que vimos (sim, o blog sempre gostou muito do Queen) e nesse arremedo porcão da “Rainha” que desembarcou ontem no Rio (Adam Lambert, quem??? A inesquecível bichaça Freddie Mercury deve estar espumando de ódio na tumba), chegamos a conclusão de que o pequeno grande Helinho Flanders merece muito mais algumas palavras finátticas aqui (mesmo esse sujeito sendo um Finatti qualquer e sem importância alguma no final das contas, rsrs) do que esse festival escroto e mega capitalista da era do pau de selfie pra gente descerebrada e fútil ao extremo, que curte tudo num evento desses menos prestar atenção na MÚSICA.

 

 

* Enfim, vamos atualizando as notas inicias do blog aos poucos por aqui. Enquanto mais delas não chegam vamos direto aí embaixo, ver como está o comeback dos Libertines.

 

 

UMA DÉCADA DEPOIS CARL BARAT E PETE DOHERTY SE ACERTAM E OS LIBERTINES SOLTAM ENFIM UM NOVO DISCO

Onde você, dileto e (provavelmente) ainda jovem leitor zapper, esteve na última década? Bien, se você estava no planeta Terra, é fã de indie rock inglês de grande estirpe e, mais ainda, é fã e acompanha com fervor a trajetória do quarteto inglês The Libertines (yep, há fãs do conjunto no Brasil sim, ainda que não muitos), sabe que ele HIBERNOU durante todo esse tempo. Uma hibernação que agora, enfim, acabou: o quarteto liderado pelos guitarristas, vocalistas e inseparáveis amigos (desde a adolescência) Carl Barat e Pete Doherty) reuniu sua formação original (completada pelo baixista John Hassall e pelo baterista Gary Powell) no final de 2014. E agora, depois de percorrer os principais festivais europeus deste ano (como o gigante inglês Glastonbury ou o escocês T. In The Park), lança oficialmente HOJE na Inglaterra “Anthems For Doomed Youth”. É o terceiro álbum de estúdio da banda e o primeiro desde “The Libertines”, editado no já longínquo ano de 2004 (quando o grupo inclusive se apresentou no Brasil, no extinto Free Jazz Festival, em São Paulo). E está sendo considerado como um dos “comebacks” do ano no rock inglês.

 

Toda a euforia causada na rock press da Velha Ilha e entre os fãs em torno do ressurgimento do quarteto tem sua razão de existir. Surgido em Londres em 1997 quando os amigos adolescentes Carl e Pete decidiram unir sua paixão por punk (à la Clash) e garage rock (como The Who) e montar uma banda, os Libertines causaram furor logo na sua estréia em 2002, com o discaço “Up The Bracket”. Produzido por ninguém menos do que Mick Jones (ex-guitarrista, vocalista e um dos fundadores da lenda punk The Clash, não por acaso uma das cinco bandas da vida do autor deste blog), o disco resgatava os riffs acelerados do punk circa 1977 mas combinados com as melodias mais radiofônicas do garage rock do The Who. Não deu outra: lastreado por faixas sensacionais e poderosas como “Time For Heroes” ou “Begging”, o álbum foi recebido de joelhos pela imprensa musical britânica. Rapidamente o conjunto arrebanhou milhares de fãs e da noite pro dia os Libertines se tornaram a bola da vez no sempre volátil mercado rocker inglês.

 

Claaaaaro que a partir daí muuuuuita água rolou embaixo da ponte. Ao mesmo tempo em que a banda alcançava o topo das paradas dos mais vendidos e começava a fazer gigs para milhares de pessoas, Pete Doherty começava a se destacar não exatamente pelo seu brilhantismo como compositor mas, sim, pelo seu apetite VORAZ por drogas. Adicto assumido, o vocalista e guitarrista começou a ser constantemente flagrado (e, muitas vezes, também preso) portando aditivos como cocaína, heroína ou crack. Isso começou a afetar, óbvio, a carreira profissional do grupo (afinal começaram a se tornar rotineiras as internações e prisões de Pete por conta de seu comportamento junkie), com cancelamentos de shows e apresentações em programas de TV e rádio, além de entrevistas para a imprensa. A situação foi se tornando insustentável até que chegou ao seu limite. E quando chegou Carl resolveu expulsar seu amigo de coração dos Libertines. Não havia o que fazer e Pete partiu para fazer outros projetos musicais pessoais (entre eles, o grupo Babyshambles, que nunca chegou a decolar de fato). Enquanto isso sua ex-banda seguiu em frente: lançou um segundo trabalho, homônimo, em 2004. Muito inferior ao cd de estréia, foi a bordo dele que o conjunto veio ao Brasil naquele ano, para se apresentar ne etapa paulistana do extinto Free Jazz Festival. Sem Pete Doherty, os Libertines fizeram um set pálido (e que foi acompanhado por estas linhas online, que estavam na platéia, junto com o então casal amigo Adriana Ribeiro e Rodrigo Araújo), muito aquém do que se esperava deles. E daí pra frente, mesmo sem nunca ter declarado oficialmente o encerramento das suas atividades, o grupo entrou em hibernação.

A volta dos Libertines: primeiro disco inédito em mais de uma década saiu hoje na Inglaterra

 

Mas nesses anos todos os amigos (irmãos de coração, na verdade) inseparáveis Pete Doherty e Carl Barat nunca deixaram de se falar. As rusgas foram sendo aparadas e deixadas de lado, ambos voltaram a se encontrar pra tocar e finalmente em 2014 anunciaram que os Libertines iriam voltar pra valer, o que causou comoção no mondo rocker da Inglaterra. Vieram os novos ensaios com a formação original, a retomada do shows ao vivo e uma batelada de participações em gigs gigantes (como a que reuniu cerca de cinqüenta mil pessoas em julho passado, no Hyde Park em Londres). Faltava o grupo entrar em estúdio para registrar suas primeiras composições inéditas em mais de uma década. Composições que finalmente estão sendo lançadas oficialmente hoje – embora o cd tenha vazado na web anteontem.

 

O que dizer deste “Anthems For Doomed Youth”? Que ele se equilibra mal entre sua porção mais rocker e poderosa e entre faixas algo emasculadas, sem brilho, como se o grupo estivesse com preguiça de compô-las e tocá-las. Não é um disco ruim, de forma alguma. Mas não chega aos pés de “Up The Bracket” (não adianta, a comparação com a estréia da banda será sempre inevitável), embora se mostre superior ao cd editado em 2004. O problema é que o álbum começa muito bem e em pegada furiosa com “Barbarians” e “Gunga Din” (o primeiro e ótimo single extraído dele e que já tem vídeo em alta rotação no YouTube há semanas). Mas depois cai inexplicável e vertiginosamente em seu miolo (notadamente na melodia recheada de pianos e nada rock’n’roll de “You’re My Waterloo” ou ainda em “Iceman”, uma balada quase enfadonha) para voltar a elevar a temperatura nos bons rocks de “Heart of the Matter” e “Fury of Chonburi” – esta poderia entrar facilmente no trabalho de estréia deles, em 2002. Mas é uma pena que após mais uma injeção de adrenalina e quando o ouvinte novamente se empolga com a audição do disco, ele termine de maneira tão tristonha e sonolenta em “Dead For Love”.

 

Mas eles estão de volta, enfim. E mesmo com um cd apenas mediano os Libertines ainda podem causar assombro e alvoroço no rock’n’roll. Afinal são tempos sombrios ao extremo o que estamos vivendo: novas bandas boas não existem mais (ótimas, nem pensar). Com a mediocridade imperando sem dó no rock planetário e em um mundo onde escutar música se tornou uma atividade banal e corriqueira do cotidiano das pessoas fúteis e sem neurônios (saudades de quando elas escutavam rock’n’roll tratando-o como Grande Arte e as bandas lançavam discos que provocavam pequenas revoluções comportamentais e culturais nos ouvintes), até que a volta dos Libertines é bem-vinda. Quem sabe eles inclusive não retornam ao Brasil – e com Pete Doherty, dessa vez. Quem sabe…

 

 

O TRACK LIST DO NOVO DISCO DOS LIBERTINES

1.”Barbarians”

2.”Gunga Din”

3.”Fame and Fortune”

4.”Anthem for Doomed Youth”

5.”You’re My Waterloo”

6.”Belly of the Beast”

7.”Iceman”

8.”Heart of the Matter”

9.”Fury of Chonburi”

10.”The Milkman’s Horse”

11.”Glasgow Coma Scale Blues”

12.”Dead for Love”

 

 

E A BANDA AÍ EMBAIXO

No vídeo do primeiro single de trabalho do novo cd, “Gunga Din”.

 

 

RÁPIDAS HISTÓRIAS DE DROGAS E LOUCURAS COM O NOSSO (ANTI) HERÓI E ETERNO JUNKIE BOY PETE DOHERTY

Ele se chama Peter Doherty e nasceu em 12 de março de 1979 – fez trinta e seis anos em 2015. E tornou-se mundialmente conhecido na música como um dos fundadores, guitarristas e vocalistas do quarteto inglês The Libertines. E também se tornou nosso (anti) herói e junkie boy predileto do rock’n’roll dos anos 2000’, devido ao seu absurdo e looooogo histórico de loucuras com dorgas. Abaixo, algumas dessas histórias:

 

* Em meados de 2003 Pete foi preso portando “apenas” cocaína, crack e heroína. Um “estoque” completo, hihihi.

 

* Ao longo de sua trajetória como músico e celebridade do mondo pop, o moçoilo colecionou zilhões de detenções por porte de substâncias ilícitas. E também atrapalhou (e muito) a vida profissional da sua banda: não foram poucos os shows cancelados em cima da hora pelos Libertines porque Pete estava, hã, “impossibilitado” de se apresentar. Também tiveram o mesmo destino entrevistas para jornais e revistas e aparições do grupo em programas de rádio e TV: tudo cancelado porque nosso enfant terrible estava fora de combate.

 

* Doherty é/foi amigo ou TRAÇOU algumas das melhores e mais conhecidas XOXOTAS da Inglaterra, entre elas a falecida cantora Amy Winehouse e a super top model Kate Moss. Com a primeira ele enfiou o pé na lama sem dó nem freio em diversas ocasiões. Já com Kate teve um rápido e tórrido affair. Foi quando um episódio do casal foi parar na capa de todos os tablóides sensacionalistas ingleses: durante um ensaio da banda Babyshambles em um estúdio em Londres a modelo, que estava acompanhando seu então namorido, não mais que de repente sacou de sua bolsa uma PETECONA de cocaína e esticou em uma mesa várias fileiras de pó pra ela e os músicos aspirarem. Alguém fotografou a esbórnia, as imagens foram parar em todos os jornais no dia seguinte e miss Kate quase viu sua carreira (opa!) de modelo ser arruinada por conta do babado.

Pete, o loker, ao lado do bocetaço Kate Moss (acima), quando ambos namoravam; rolou esbórnia de padê do casal num estúdio em Londres e fotos da junkicie foram parar em todos os tablóides sensacionalistas ingleses na época (abaixo), num episódio que quase liquidou a trajetória profissional da tesudíssima super top model

 

* Pior fez Pete com o amigão de adolescência e companheiro de banda Carl Barat. Durante uma viagem de Carl ao Japão e quando Doherty já não estava mais nos Libertines, este simplesmente INVADIU o apartamento do amigo e roubou de lá tudo o que pôde – incluso aí livros, CDs e uma GUITARRA. Vendeu tudo e, claaaaaro, torrou a grana em duergas. Barat, óbvio, ficou emputecido quando soube da parada e não pensou duas vezes para dar queixa à polícia contra seu ex-colega de banda por ROUBO. Pete foi em cana e passou alguns dias atrás das grades mas Carl Barat ficou com remorso, perdoou o loki e acabou retirando a acusação contra ele.

 

* Pete chegou ao fundo do poço na fase em que ele reunia alguns músicos em torno de si, acertava um show relâmpago em qualquer biboca da capital inglesa, cobrava 500 libras de “cachê” do dono do estabelecimento e, assim que o set acabava, ele corria até o “dealer” mais próximo pra torrar a grana recebida em… drogas, claro!

 

* E se você pensa que o rapaz está mais calmo e tranqüilo com a volta dos Libertines e o lançamento do novo álbum (sempre lembrando: o primeiro inédito em mais de dez anos) do grupo, pode esquecer: a manchete de HOJE do site da New Musical Express informa que a banda teve que CANCELAR uma gig ONTEM em Londres. Motivo: “indisposição médica séria” de mr. Doherty, ulalá!

 

*Aguardemos as cenas dos próximos capítulos, uia!

 

 

HÉLIO FLANDERS, VOCALISTA DO VANGUART, VOA SOLO EM DISCO TÃO LINDO E TRISTE QUE CHEGA A DOER NA ALMA DE QUEM O ESCUTA

Se há alguns séculos o poeta francês Arthur Rimbaud passou uma temporada no inferno, e de lá voltou com um compêndio sublime dos melhores versos da história da poesia mundial, em 2015 o cantor, compositor e músico Hélio Flanders também empreendeu sua jornada pessoal e dolorosa, deambulando por vastas planíceis de solidão e melancolia. Desse périplo ele engendrou e lapidou o material que se transformou nas canções de “Uma temporada fora de mim”, o primeiro disco solo do vocalista da banda Vanguart, e que está sendo lançado oficialmente hoje pelo selo carioca Deck.

 

Antes que alguém considere exagerada a comparação entre o lindo e desajustado poeta francês (aquele que um dia “sentou a beleza nos joelhos e a admirou”) e o músico mato-grossense (nascido em Cuiabá e radicado há quase uma década na capital paulista) que há mais de dez anos canta à frente do hoje consagrado sexteto Vanguart, vale a exegese: Helinho possui sólida formação cultural/intelectual. Amante da poesia simbolista, dos beats americanos e do folkismo de Bob Dylan, Joni Mitchell e Jeff Buckley, ele transportou todo esse referencial de grande arte para as composições que criou junto aos compaheiros do Vanguart, hoje um dos principais nomes do que ainda resta de relevante na cena pop/rock brasileira dos anos 2000’.

 

Mas a primeira incursão solo de Helinho (dileto amigo destas linhas rockers bloggers já há uma década, desde que o autor deste espaço online descobriu o cantor e sua banda em um minúsculo festival alternativo na calorenta capital do Mato Grosso, no carnaval de 2005) se distancia bastante do que ele desenvolve musicalmente com os Vangs. Se a musicalidade do grupo se estabeleceu e ganhou o respeito da crítica e o coração dos milhares de fãs com um eficiente mix de folk rock e MPB contemporânea, em seu vôo solitário Flanders abandonou guitarras, violões e gaitas e partiu em direção a uma espécie de “não tango”: ele foi buscar no célebre gênero argentino a ambiência que envolve praticamente todas as nove faixas do álbum. “É um disco de tango mas as canções não são tango”, conforme ele mesmo declarou em entrevista publicada no Caderno 2, do jornal O Estado De S. Paulo, em sua edição de ontem (quinta-feira). Para conseguir estruturar essa ambiência o cantor contou com a participação de dois músicos argentinos nas gravações, Ignacio Varchausky e Martin Sued, que tocam bandaneon e baixo. E além deles também participaram das gravações os músicos Leo Mattos (bateria), Arthur De Faria (piano) e Bruno Serroni (violoncelo), fora a participação especialíssima da diva Cida Moreira (lenda da chamada “vanguarda musical paulistana” dos anos 80’).

O músico e vocalista do Vanguart, Hélio Flanders, ao lado de Zap’n’roll (acima, no camarim após show da banda realizado no final de agosto último, em São Paulo); o lançamento de seu primeiro disco solo já repercute na grande mídia, como a matéria de capa publicada no Caderno 2 do jornal O Estado De S. Paulo, na última quinta-feira (abaixo)

 

E trata-se de um disco lindíssimo em sua estrutura melódica, repleta de melancolia, contemplação e reflexão sobre a solidão existencial. Como um observador preciso e atento sobre os caminhos e descaminhos que permeiam a alma e o coração, Hélio extrai dor e beleza de suas letras e músicas que acabam por fornecer imagens pictóricas, quase poéticas (na tradição de Dylan e Rimbaud?) para quem as escuta. Não há como não se emocionar ao ouvir “De onde você vem?” (a primeira faixa de trabalho do cd, que ganhou ótimo vídeo, dirigido pelo baiano Ricardo Spencer), onde Flanders borda com esmero seu vocal para entoar versos simples porém contundentes como “Você não sabe nem a cor do chão/Quer saber do seu coração/…/Eu vim de uma dor/Que arrasou o céu/…/Eu fui teu amigo/E morrerei contigo”. Também é impossível não clamar por uma taça de vinho e um abraço apaixonado enquanto a voz poderosa de Cida Moreira entoa os versos de “Dentro do tempo que eu sou”. E ainda há a intensa “Romeo”, parceria de Helinho com Thiago Pethit. Se no último disco de Pethit ela soa mais rock e “dark”, aqui recebeu tratamento dramático com sopros, pianos e percussão discreta. Nem por isso perdeu seu impacto, ao contrário: continua fodíssima e devastadora, emocionalmente falando.

 

“Uma temporada fora de mim”, que chega às lojas (em cd) e à internet (em formato digital) hoje, tem show de lançamento no próximo dia 24 de setembro na unidade do Sesc Vila Mariana, em São Paulo. Até lá Hélio Flanders provavelmente vai amealhar muitos elogios para a sua ótima estréia solo. Ele, que continua a priorizar o trabalho junto ao Vanguart (como fala logo mais abaixo, em rápido bate-papo com o blog), tem consciência de que é um dos grandes talentos da música jovem brasileira dos anos 2000’. E aos trinta anos de idade sabe que seu caminho ainda será longo na música – seja com os seus companheiros dos Vangs ou em uma futura nova aventura solo.

 

 

QUATRO PERGUNTAS PARA HÉLIO FLANDERS

Zap’n’roll – O grupo Vanguart, onde você atua como vocalista, está com mais de uma década de existência e a carreira consolidada. E você é o segundo integrante da banda a se lançar em aventura solo [o baixista Reginaldo Lincoln lançou seu primeiro trabalho individual há algum tempo]. Você acha que chegou o momento certo de mostrar sua música de maneira mais pessoal, fora do contexto do conjunto?

 

Hélio Flanders – Apenas senti a necessidade de me expressar de outra forma, algo que acho natural pra qualquer artista que trabalha há muito tempo num grupo – isso acontece no teatro, nas artes plásticas. Nós seis da banda atingimos uma afinidade tão grande que uma linguagem se criou, somos muito confortáveis com ela, felizes, mas também tenho interesse de explorar outras coisas.

 

Zap – O que aproxima e o que diferencia “Uma temporada fora de mim” do seu trabalho no Vanguart?

 

Hélio – O solo é literalmente um trabalho muito solitário. Fiquei meses sozinho tocando piano, tentando entender o que era aquilo que vinha, aí depois convoquei o Leo Mattos (bateria) e o Bruno Serroni (violoncelo) pra começar a levantar o som. Me lembro do primeiro ensaio, onde eu tentava sem sucesso explicar os moods do disco com imagens que descobri que só faziam sentido pra mim. Depois os dois, gênios que são, foram captando a essência e a coisa virou o álbum, complementado pelo Martin Sued e pelo Ignacio Varchausky. No Vanguart dos últimos tempos temos um processo de composição incrível onde na maioria do tempo estamos criando juntos, fazendo a coisa nascer do zero, então voltar a bater cabeça sozinho em casa foi como voltar aos meus 15 anos, quando o Vanguart nascia. De certa forma o solo é voltar ao começo.

 

Zap – Com o grupo estando em um ótimo momento (prestes a lançar um DVD ao vivo) e você se lançando em carreira solo, a questão é inevitável: como conciliar as duas atividades? Qual delas irá ser prioridade para o compositor e cantor Hélio num futuro próximo?

 

Hélio – O Vanguart é a minha prioridade na vida, em tudo, pelo que construimos, pelo que fizemos e especialmente pelo que ainda vamos fazer. Ter uma banda com seus melhores amigos é um presente, são grandes artistas que me fizeram ser o que sou hoje também. Penso no próximo álbum da banda e tenho borboletas na barriga.

 

Zap – Uma das características principais de suas letras é o grande destaque que você dá ao sentimento do amor nelas. Por outro lado também se percebe uma grande dose de melancolia nos versos e na ambiência musical tanto nas canções do Vanguart quanto em sua estréia solo. Esses dois sentimentos (amor e melancolia) são o motor principal que move o artista Hélio Flanders? E sem esse motor não seria possível compor grandes músicas?

 

Hélio – Acho que o que me move são os sentimentos, as percepções, as imagens que se criam na minha cabeça com tudo que eu vejo, ouço, sinto. Às vezes o amor, a morte, o mar, a esperança, o ato de cantar e escrever – tudo me parece a mesma coisa, como um trem que vem e atropela. Tenho tido menos clareza na hora da criação, como se fosse escrever fosse um grito. Pensar através do sentimento me interessa mais.

 

* Mais sobre a estréia solo de Hélio Flanders, vai aqui: https://www.facebook.com/hflanders?fref=ts.

 

 

O PRIMEIRO VÍDEO DO TRABALHO SOLO DO VOCALISTA DO VANGUART

Aí embaixo, para a canção “De onde você vem?”

 

 

 

MUSA SECRETA DA SEMANA – UMA BRANQUELAÇA PAULISTANA ROCKER, DEVASSA E QUE AMA VELHOS SAFADOS COMO O ESCRITOR CHARLES BUKOWSKI

Nome: S. R.

Idade: 32

De: São Paulo.

Mora: também em São Paulo

O que faz: comerciária

Três discos: “Nevermind” (Nirvana), “Ultraviolence” (Lana Del Rey) e “A Night At The Opera” (Queen)

Três artistas: Lana Del Rey, Canto dos Malditos da Terra do Nunca e Titãs.

Três livros: “Mulheres” (Charles Bukowski), “Memórias de minhas putas tristes” (Gabriel Garcia Marquez) e “Eu, Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída”.

Três filmes: “Um sonho de liberdade”, “Edward Mãos de tesoura” e “Sangue Negro”.

Um diretor; Tim Burton.

Um show que gostaria de assistir: U2

Como o blog conheceu a garota e o que temos a dizer sobre ela: S.R. é baixinha, magrela, branquíssima e com peitos deliciosamente grandes. Fã de grande rock’n’roll (ela também adora Oasis) e ótima MPB (a clássica, dos anos 70’), começou a papear com o jornalista loker e safado por causa da paixão em comum que ambos possuem pelo genial e lendário escritor Charles Bukowski. Os papos tiveram início em grupos de discussão dedicados ao escritor no faceboquete. Quando a moçoila quis conhecer PESSOALMENTE o autor dessas linhas bloggers eternamente malucas, fodeu – literalmente, rsrs. O jornalista ainda taradón (mesmo com quase 5.3 de idade nas costas) enlouqueceu ao ver aquele pedaço de péssimo caminho na sua frente. Ela também se “quedou” (opa!) pelo gonzo/zapper e há três semanas o casal vive um tórrido romance cujos DETALHES dos encontros são impublicáveis aqui, hihihi. E não deu outra: S. é tão gata e gostosa que foi convidada a mostrar sua exuberância corporal neste post. Ela topou, desde que mantivéssemos sua identidade em segredo. E assim foi combinado. Então pros macho (cados) carentes de plantão aí vai: uma musa total delicious pra galera babar, enquanto o sujeito aqui está tendo literalmente todo o seu “estoque” de esperma CONSUMIDO pela sempre ávida garotinha…

Eu quero ele por perto, e quero liberdade!

Escondendo segredos…

 

Mas é que eu não posso dizer quem sou, apenas ELE (o blog?) sabe…

 

Acabando de acordar (e também de…)

 

Eu gosto de pirulitos!

 

Instinto selvagem, sempre!

 

De costas na cadeira, esperando por alguém…

 

Corpo nu e branco, à espera de ser devorado

 

O velho jornalista loker e a gata rocker: casal já em tórrido romance

 

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Discos, I: os novos da deusa e diva Lana Del Rey, dos Libertines e o primeiro trabalho solo do queridão Helinho Flanders, claro.

 

* Discos, II: em uma época em que a música pop e o rock perderam quase que totalmente a relevância artística e onde a cena de bandas independentes nacionais se mostra abarrotada de grupos inúteis e sem nenhum estofo cultural e musical, é de se espantar a coragem do selo Baratos Afins em lançar o primeiro disco do trio INSTRUMENTAL Os Brutus, batizado “Ubersurf”. A coragem e ousadia começam justamente no fato de a banda (formada por Juliano nas guitarras, Felipe no baixo e Roberto na bateria) não ter letras e vocais para expressar o que deseja transmitir ao ouvinte. Se a vida já anda dura pra bandecas que CANTAM suas músicas (e atualmente na grande maioria, músicas com letras de uma estupidez irritante e assustadora), imagine pra um trio que não teve (e não tem) medo de ser apenas… instrumental. Pois os brutinhos mandam bem seu recado atacando surf music sessentista, com guitarras aceleradas e envolventes, em dez temas rápidos e muito bons pra se acabar num show ao vivo. A produção ficou a cargo de Rafael Crespo (ex-guitarrista do Planet Hemp) e é de ousadias como essa que o que ainda resta de audível no rock indie nacional e paulistano, sobrevive. Para saber mais sobre os Brutus, vai em WWW.baratosafins.com.br.

O trio Os Brutus e seu primeiro cd: surf music boa pra dançar ao vivo

 

* Discos, III: por quase três décadas os paulistanos dos Excomungados formaram um dos principais nomes do punk rock nacional.. A banda chegou ao seu final há duas semanas (nada dura para sempre) e como despedida, lançou “Nirvana”, o canto do cisne de um grupo que nunca saiu dos porões rockers da capital paulista mas deixou sua marca impressa na história do punk clássico de Sampa. Então o que se escuta no derradeiro cd da banda é o que ela sempre fez com competência: punk rock, com letras de veemente contundência social e política. É o que se ouve nas dezenove faixas de um disco que, de quebra, ainda tem participações especiais de músicos como Mirão (batera do 365) e Ronaldo (guitarrista e co-fundador dos Inocentes).. O disquinho pode ser achado nas lojas das Galeria Do Rock (centrão da capital paulista) e no Garimpo Cultural (rua Barão de Itapetininga, 37, loja 35, fone 11/3257-8787).

Os velhos punks paulistanos dos Excomungados

 

* Documentário sobre Amy Winehouse: ela foi diva, é inesquecível e talvez uma das únicas vozes femininas que realmente importaram na cultura pop do século XXI. Por tudo isso se torna imperdível assistir o documentário “Amy”, sobre a cantora inglesa que morreu em 2011 e que legou ao mundo o espetacular álbum “Back To Black”. O doc será exibido comercialmente (com ingressos pagos) nos próximos dias 26 a 29 de setembro, em algumas salas da rede de cinemas Cinemark, em São Paulo. Mas terá uma sessão GRATUITA HOJE (quinta-feira, 24 de setembro, quando o postão está sendo finalmente concluído), a partir das nove da noite no Mis/SP (que fica na avenida Europa, 160, Jardins, zona sul de São Paulo) e sendo que os ingressos começam a ser distribuídos duas hora antes do início do filme. Corre lá!

A diva inesquecível e insuperável da música pop dos anos 2000′: o Mis/SP exibe hoje, em pré-estréia, o documentário sobre a vida e a trajetória artística de Amy Winehouse (acima e abaixo, gravando num estúdio em Nova York, com o produtor Mark Ronson)

 

 

* Festival literário em Santos: um ótimo motivo pra se deslocar até a baixada santista (e que no final das contas é logo ali) é o Tarrafa Literária, um dos maiores festivais literários do Estado de São Paulo e que chega à sua sétima edição, sempre produzido pela Editora Realejo. A programação da edição 2015 mantém a qualidade impecável de sempre e nessa sexta-feira a partir das sete da noite haverá mesa de debates com o escritor Nelson Motta e com o jornalista Júlio Maria (do jornaol O Estado De S. Paulo), no teatro Guarany em Santos. Mais sobre o evento, vai aqui: http://tarrafaliteraria.com.br/, e aqui também: https://www.facebook.com/festivaltarrafaliteraria/timeline.

 

* Frida Kahlo em Sampa: yeeeeesssss! Uma das maiores lendas do surrealismo mexicano finalmente chega à capital paulista com uma mega exposição. “Frida Kahlo – conexões entre mulheres surrealistas mexicanas” abre neste domingo a partir das onze da manhã no Instituto Tomie Ohtake, e lá fica até janeiro do ano que vem, sempre de terça-feira a domingo até oito da noite. Sendo que nas terças a entrada é gratuita e nos demais dias o ingresso custa módicos dez dinheiros. Mais infos sobre a exposição, vai aqui: https://catracalivre.com.br/sp/saiba-antes/barato/exclusivo-frida-kahlo-chega-ao-tomie-ohtake-em-setembro/. Ou aqui: https://www.facebook.com/events/1620540098222405/.

 

* Baladas, enfim: com o postão chegando ao seu final no último finde de setembro, vamos ao que tem de bão no circuito alternativo paulistano, que está RECHEADO de ótimas atrações neste final de semana. Começando hoje, quinta, quando tem show solo de Hélio Flanders (vocalista do Vanguart) no SESC Vila Mariana (na rua Pelotas, 170, metrô Ana Rosa), a partir das nove da noite.///Já na sextona em si é noite de curtir uma breja artesanal na Sensorial Discos (na rua Augusta, 2389, Jardins, zona sul de São Paulo) e depois cair lá pro baixo Augusta pra dançar na Tex, no open bar do Outs e no Astronete.///Aí no sabadão em si é noite de ir conferir de GRÁTIS os shows do Cidadão Instigado e de Lee Ranaldo (ex-guitarrista da lenda Sonic Youth), no Largo Da Batata em Pinheiros (metrô Faria Lima, zona oeste de Sampa), a partir das sete da noite. Por fim, dá ainda pra emendar lá na Serralheria (rua Guaicurus, 857, Lapa, zona oeste da capital paulista), onde pela madrugada vão rolar shows do Jardim Das Horas e do queridão Daniel Groove. Tá bom, né? Então se programe e ótima balada!

 

 

DESOVANDO UNS LIVROS AÊ

Yep, o blog colocou em sorteio dois livros da Ideal Edições há algumas semanas, entre eles a bio de Steven Adler (ex-batera do Guns N’Roses). E hoje finalmente anunciamos quem ganhou o mimo. Os livros vão para:

 

* Matilde Ribeiro, de São Paulo/SP.

 

Logo menos a gente volta com alguma promo bacanuda por aqui, aguardem!

 

 

E FIM DE FESTA

O postão ficou gigantão, demorou pra ser publicado e concluído mas ficou no capricho, pra ninguém reclamar. Então semana que vem voltamos com outro total inédito por aqui, okays? Até lá deixamos beijos carinhosos na galere que sempre nos prestigia. E beijos mais que carinhosos nela, a nossa musa desse post e por quem o coração zapper bate muito mais forte nesse momento. Até a próxima!

 

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 24/9/2015 às 16hs.)

Final de ano hot: selvageria junky em festival de rock no extremo Norte brazuca. Histórias bizarras que estarão numa biografia idem. O racha na Abrafin e a chapa esquentando pros lados do Fora do Eixo. E discos, livros e baladas bacanas, sempre! (versão final em 20/12/2011)

Lana Del Rey (acima) e Black Keys (abaixo): as duas “bolas da vez” de sites e blogs de cultura pop “mudernos”. A pergunta que não quer calar: até quando o hype vai durar?

 

Volta à (a) normalidade.
Já estava mais do que na hora, no? Afinal nas duas últimas semanas (yep, quase quinze dias) o autor destas esporrentas linhas online
viveu um autêntico calvário internético, graças a extrema
incompetência e falta de respeito com as quais a Telefonica trata seus
clientes. O caso foi comentado aqui mesmo nestas linhas rockers
bloggers na semana passada, quando o sujeito que digita
este texto já estava a ponto de cometer haraquiri por conta do “sumiço” do sinal do seu Speedy – que, segundo a merda da operadora de telefonia mais porca que existe no Brasil, havia sido retirado “involuntariamente” (ou seja, sem que houvesse sido feito um pedido nesse sentido) do telefone do autor deste blog. Detalhe: Zap’n’roll é cliente (infelizmente) da Telefonica há “apenas” sete anos e NUNCA pediu para que seu Speedy fosse retirado ou cancelado. Enfim a autêntica “guerra” que foi travada entre o blogger desesperado e a porra da Telefonica, com detalhes das 200.465 ligações (e os conseqüentes números de protocolos gerados) feitas à operadora para que ela solucionasse o problema, talvez renda um post especial, a ser publicado
aqui ainda antes que 2011 vá pro saco. Por hora vamos colocar a casa em ordem e fazer funcionar novamente o blogão campeão quando o
assunto é rock alternativo e cultura pop. Afinal, nas duas últimas semanas o mondo pop/rock não parou (embora ele fique em rotação beeeem mais lenta nesta época de festas) e nem o sujeito aqui,
que foi parar novamente em Roraima (onde foi cobrir o
bacana festival Tomarrock). Entonces vamos ao que sucede por hoje, já que a viagem ao extremo Norte não foi exatamente “normal”, rsrs. Fora que a casa tá caindo pros lados da Abrafin/ Circuito Fora do Eixo, um monte de blogs está babando pelo novo disco do Black Keys (yep, eles são legais e talz mas este espaço online está detectando um certo exagero nessa parada toda) e o blog zapper sinceramente não agüenta mais ouvir falar da (ou ler sobre) Lana Del Rey. Bora ler essa bodega? Vai nessa, então!

 

* E o penúltimo grande post no endereço próprio do blog começa registrando (ops!) que o mondo rock é mesmo o reino da bizarrice plena e absoluta. Pois não é que geólogos da Nova Zelândia disseram que a gig que os Foo Fighters realizaram no país na última terça-feira, causaram abalos sísmicos por lá? Oxe… será que fenômeno semelhante vai rolar em Sampa quando a banda tocar aqui em abril próximo, no Lollapalooza BR?

 

* Enquanto isso a sempre loucaça e putaça Courtney   (ainda gloriosa e xoxotuda em seus 47 anos de idade), está ameaçada de ser despejada da casa onde mora, em Nova York. Motivo: dívidas de aluguel no valor de 54 mil doletas.

 

* Confessa aê, vai: você, dileto leitor destas linhas bloggers lokers, também não agüenta mais ouvir falar na Lana Del Rey. Ela é uma loira tesuda? Sim, é. Canta bem? Também. Mas numa época em que hypes vêm e vão com a velocidade de um peido fugaz, é de se imaginar quanto tempo irá durar a “bolha” musical chamada Lana Del Rey. Estas linhas online apostam que não dura muito, não.

 

* Enfim, pra não dizerem que o blog está sendo chato: aí embaixo o vídeo de “Video Games”, baladinha tristonha que alçou miss Lana ao estrelato rocker.

* E o Black Keys? Outro que está sendo faladíssimo agora por blogs “antenados” e “mudernos”, como aquele lá da nossa amada “ídala” na Folha online. O curioso dessa história é que o duo americano existe há uma década, já lançou sete discos de estúdio (alguns deles muuuuito bons) e de repente, a humanidade resolveu eleger o BK como a “melhor banda de rock do mundo, hoje”. Exagero master, óbvio. “El Camino”, o novo álbum da dupla e que saiu há pouco nos EUA, é de fato bacanudo e tal e já figura em várias das tradicionais listas de final de ano dos melhores de 2011. Mas Zap’n’roll consegue colocar na frente dele pelo menos uma meia dúzia de discos. E como soltaremos a nossa lista dos melhores deste ano apenas na semana que vem, você pode até lá ficar imaginando quais álbuns o blog zapper considera melhor do que “El Camino”.

 A capa do elogiadíssimo “El Camino”, novo álbum do Black Keys

* Das listas de melhores que já andam pipocando em tudo quanto é canto (do site da NME ao blog Jukebox, do nosso chapa Dum DeLucca), estas linhas online ficam felizes em ver que nelas estão as deusas Polly Jean Harvey e Anna Calvi, com seus monumentais álbuns editados no início deste ano – e que acabou sendo um ano de grandes discos no rock, no final das contas.

* UMA BIOGRAFIA EXPLOSIVA PARA 2012 – o autor dessa esbórnia em forma de blog esteve no último finde em Boa Vista, capital do distante Estado de Roraima. Foi lá cobrir a quarta edição do festival Tomarrock e cuja resenha, hã, “técnica” e “musical”, já foi publicada no endereço do blog no portal Dynamite. Esta mesma resenha está reproduzida também aqui, mais aí embaixo só que acrescida das já célebres “notas de bastidores”, onde o blog sempre relata acontecimentos “extra musicais” que rolam nesses eventos. E no caso do sujeito aqui, quando se fala em algo “extra musical”, invariavelmente irá surgir alguma parada cabulosa about sex and drugs. Zap’n’roll, é sabido, hoje está tentando se tornar um homem “sério” e “comportado”. Namora há quase cinco meses com a linda e rocker estudante de Letras Helena Lucas, e pretende (se nada der errado) se casar com a garota. Isso tem um custo, já fartamente notado pelo nosso dileto leitorado: o blog está textualmente mais “comportado” e algo “careta” de tempos pra cá, o que tem gerado reclamações da turma que quer sempre ver o circo pegar fogo por aqui. Enfim, há oito anos sendo publicado virtualmente, Zap’n’roll ficou notória exatamente por praticar uma blogagem sobre cultura pop, rock e comportamento nada ortodoxa. Muito pelo contrário: fazendo um texto notoriamente porra louca, com farta inspiração no jornalismo gonzo e em mestres como Lester Bangs, Hunter Thompson e Ezequiel Neves (um maluco ao cubo que, há quase trinta anos, escrevia uma genial coluna na extinta revista Somtrês, intitulada “Zeca’n’roll”. Nela, o inesquecível Zeca contava peripécias como, por exemplo, ter cheirado uma carreira de cocaine na bunda da Elizabeth Taylor, durante uma festa em Nova York. Isso foi escrito, vale repetir, em 1982!!! Você consegue imaginar algum jornalista escrevendo algo semelhante hoje em dia, em alguma mega revista impressa mensal de cultura pop? Ou seja: é muito evidente que o mundo está ultra mais conservador do que há três déadas), o autor destas linhas online nunca se furtou em relatar aqui passagens malucas e bizarras de sua existência pessoal e profissional. Isso, óbvio, fez e continua fazendo a delícia/delírio de quem tem um comportamento liberal, moderno e despossuído de qualquer tipo de preconceito. E provoca a ira, ódio e rancor dos moralistas babacas e reaças de plantão, que vivem com o pensamento ainda no século XIX. Porém, como já foi dito mais acima, desde que começou a namorar com miss Helena, o autor deste blog se defronta com conflitos internos que volta e meia o consomem. É possível continuar relatando loucuras aqui, quando se sabe que a (assim se espera) futura sogra do sujeito aqui, embora seja uma senhora de grande cultura e igualmente liberal em uma série de questões (afinal, tanto ela quanto sua filha são negras e sabem o que é lidar com algum tipo de preconceito, no caso delas o de cor; e não venham dizer que brasileiro não é racista, que é sim e muito, e isso é mais uma hedionda característica da grande maioria jeca e conservadora de um país que se pretende de primeiro mundo, mas ainda vive no quinto sob muitos aspectos), pode se sentir incomodada ao ler o blog zapper e certos relatos que aqui são publicados? O blogger gonzo inclusive discutiu muito essa questão com sua gilfriend no último finde, enquanto estava lá na distante Boa Vista. E a alertou que este post que você está lendo agora seria algo “selvagem” novamente, como há algum tempo não é. E pediu a ela, sabedor que a moça também está muito longe de ser uma garota “careta” e conservadora (afinal, ela mesma um dia mencionou em seu bacanudo blog 23 Gotas, que não se importava de freqüentar um bar como o genial Ecléticos, no baixo Augusta, espécie de antro de toda a “escória” que a sociedade dita “normal” abomina: putas, travecos, junkies, Finattis e Helenas; por certo seria o muquifo que Lou Reed bateria ponto em seus anos loucos, se vivesse naquela época em Sampalândia), que tenha respeito, compreensão e insight pelo trabalho que seu boyfriend desenvolve aqui, no endereço próprio do blog – que foi justamente criado para que o blogger loker pudesse continuar dando vazão ao seu lado jornalístico mais sórdido, demente e selvagem, algo que já não era mais possível na Zap’n’roll do portal Dynamite, gerido pela Ong Associação Cultural Dynamite. No final das contas, tudo isso que está escrito aqui é pra dizer que este já jornalista rocker tiozão poderá mesmo um dia “encaretar” no comportamento (afinal, a idade chega para todos, não?). Mas ele jamais irá deixar a caretice, o bunda-molismo e a ferrugem dominar seu pensamento, sua alma e seu coração. Tanto que para 2012 o blogueiro quase ex-doidón vai botar mesmo pra frente o projeto de sua biografia. Yep, sem falsa modéstia a vida de Zap’n’roll renderia muuuuitos livros com aventuras que Deus duvida e o diabo desconhece. Afinal, quantos jornalistas musicais você conhece, no Brasil, que já praticaram “devastações nasais” com gente como Nasi (ex-vocalista do finado grupo Ira!), João Gordo e ex-integrantes de várias bandas conhecidas na história do rock BR? Quantos jornalistas malucos, tal qual aconteceu com o saudoso Joey Ramone, passaram uma madrugada pipando crack com um taxista (no táxi do figura) pelas ruas de São Paulo (essa parada, ocorrida lá pelos idos de 1997, foi realmente cabulosa), e cansaram de aspirar “riscos” de cocaine em cima de tetas, bundas e xoxotas igualmente loucas? Quantos jornalistas viajaram o país todo cobrindo festivais e, nesse processo, chaparam o côco em quartos de hotéis, jogaram latas de cerveja na cara de inimigos mortais e aprontaram tudo o que podiam não por querer aprontar, mas porque o comportamento insano, inquieto, rebelde e maluco o compeliam a isso? Sim, são zilhões de histórias absurdas e insanas. E que o sujeito aqui quer botar em um livro, sendo que ele já tem em mente quais os dois jornalistas que ele gostaria de ver executando a tarefa. Um deles é o querido gaúcho Cristiano Bastos, colaborador da Rolling Stone Brasil e um dos melhores textos do atual jornalismo cultural brazuca. O outro é um querido e mega conhecido jornalista aqui de Sampa mesmo, chefe de redação de um mega portal de notícias. E é isso: o zapper loker em breve poderá se “aposentar”, rsrs. Mas a sua biografia virá, com certeza.

Esse tetão putaço aí em cima adorava foder bicuda de cocaine, rsrs. Já o xotaço peludo abaixo levou muita pica do zapper loki, hihi. Dois affairs que, claaaaaro, deverão fazer parte da biografia do jornalista gonzo

* Hum… o Coldplay, que continua sendo fucking great no palco mas que um dia já foi muuuuuito melhor em disco (até hoje estas linhas virtuais, que sempre assumiram sem pudor e vergonha ser fã dos primeiros trabalhos do quarteto britânico, ainda não engoliram satisfatoriamente a porra do “Mylo Xyloto”, que o grupo lançou este ano), gravou seu novo clip colocando nele uma renca de mulheres, com idade entre 18 e 35 anos. Detalhe: todas com os peitos de fora, uia! Cada moçoila recebeu 100 libras pela participação e, na real, a idéia de Chris Martin e Cia não é nada original. Basta lembrar que o pôster encartado no álbum “Jazz”, lançado pelo glorioso e saudoso Queen (a bichaça “Fredda” Mercury faz falta no rock, e como…) em 1978, trazia uma foto gigante onde dezenas de garotas apareciam andando de bicicleta, e completamente peladas. Enfim, a “pagação de tetas” deverá garantir mega rotação do vídeo no YouTube.

Chris Martin, o bom moço, resolveu botar um monte de garotas pagando peitinho no novo clip do Coldplay. Mas o Queen já fez melhor há mais de três décadas, no disco “Jazz”, cujo encarte é esse aí embaixo

 

* Algumas biates de tetas gigantes adorariam faturar 100 libretas pra mostrar o peitão que vaza gotas de leite em clip do Coldplay. De quebra, ainda “pagariam” um boquete na faixa pro bebê Chris Martin, uia!

O vocalista do Coldplay adoraria receber um boquete igual a esse aí em cima, uia!

* E todo mundo já deve estar sabendo, mas não custa comentar aqui: os sempre grandes Forgotten Boys foram eleitos o grupo do ano pela APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte. Nada mais justo: “Taste It”, o descaralhante disco lançado pela banda há um mês (e já muito bem resenhado no blogão zapper) periga ser o melhor álbum da banda e entra fácil na lista dos melhores discos do rock BR de 2011. O FB merece!

* Continuando os trabalhos por aqui, já na noite do sabadón. E falando aí embaixo da dona Abrafin e da sua “irmã”, o Circuito Fora do Eixo.

 

A ABRAFIN DESMORONA E A CHAPA ESQUENTA PRO CIRCUITO FORA DO EIXO

A grande bomba da semana (e deste finalzinho de 2011) na indie scene nacional foi a notícia do desmantelamento parcial da Abrafin – Associação Brasileira de Festivais Independentes –, quando cerca de treze dos principais festivais brasileiros filiados à entidade resolveram debandar dela. O fato já foi amplamente noticiado em sites e blogs especializados em rock e cultura pop (como a Jukebox do portal Dynamite, escrita pelo chapa Dum DeLucca; ou ainda o Senhor F., editado pelo grande Fernando Rosa) e Zap’n’roll não vai ficar esmiuçando aqui as razões alegadas pelos festivais que abandonaram a Abrafim, para tomar tal atitude – mais abaixo você lê o comunicado oficial distribuído pela turma, com suas explicações para o abandono do barco (a essa altura, já fazendo água) abrafinesco.

O que este blog vai falar aqui, sim, e com conhecimento de causa, é o que ele acha da atuação atual da Abrafin e da Ong Circuito Fora do Eixo, após anos freqüentando festivais organizados pelas duas entidades e onde este jornalista esteve sim (assume, sem problemas) bancado pela produção dos festivais em questão, com passagens aéreas e diárias de hotéis pagas por estes eventos. Isso não impede que um jornalista isento (como é o caso do autor deste blog) emita sua opinião sobre a conduta da Abrafin e do Circuito Fora do Eixo.

Quando o blog foi pela primeira vez a Cuiabá, no carnaval de 2005 para cobrir o então nascente e pequeno festival Grito Rock (onde estas linhas online descobriram, por exemplo, bandas como Vanguart e Macaco Bong, que eram absolutamente desconhecidas fora dos limites do Estado de Mato Grosso), ainda não existiam nem Abrafin e nem Fora do Eixo. O que existia era uma pequena cooperativa artística e musical, chamada Cubo Produtora, que organizava eventos musicais independentes em Hell City (como Cuiabá é carinhosamente conhecida, devido ao calor senegalesco que faz por lá o ano inteiro) e que era gerida pelo hoje nacionalmente conhecido “gestor” Pablo Capilé – na época, também outro ilustre desconhecido além das fronteiras mato-grossenses. Foi o próprio Capilé que, após adicionar o jornalista zapper no MSN, o convidou e o convenceu a ir a Cuiabá (após cerca de duas semanas de insistência), para cobrir o Grito Rock. O blog foi (de busão, vale frisar) e gostou do que viu/ouviu por lá. Gostou das bandas (algumas), da organização ainda modesta mas eficiente do evento, da atuação de Capilé como produtor e de muitas de suas idéias e propostas para a cena musical independente não só de Cuiabá mas de todo o Brasil – yep, o moço já tinha ambição grande (quase desmedida) desde aquela época e enxergava longe. Estabeleceu-se um “vínculo de amizade” entre Zap’n’roll e o pessoal da Cubo e o blog voltou satisfeito pra Sampa. E também foi mais cinco outras vezes a Cuiabá nos anos seguintes, pra cobrir os festivais Grito Rock e Calango.

Porém, muita coisa mudou de 2005 pra cá. A produtora Cubo (que tinha uma sede modesta no centro de Cuiabá) deixou de existir e fundou-se o hoje nacionalmente conhecido Circuito Fora do Eixo. Com a proposta inicial – como bem frisava seu nome – de ser uma “alternativa” à produção musical mainstream e “viciada” por esquemas e conchavos sorrateiros e que imperavam no “eixo” cultural do Sudeste por décadas. Logo em seguida deu-se a gênese da Abrafin, também embasada nos mesmos propósitos e objetivos do FDE. O que aconteceu de lá pra cá, nos últimos seis anos, é quase de domínio público (ou não). Num primeiro momento a Abrafin se tornou forte e conseguiu bastante visibilidade na mídia (impressa, eletrônica ou online) por coordenar mais de quarenta festivais espalhados pelo país – alguns deles bem grandes, veteranos e respeitados, como o Abril Pro Rock (em Recife) ou o Mada (em Natal). Ao mesmo tempo o Circuito Fora do Eixo também crescia a olhos vistos, coordenando outras dezenas de festivais pelo Brasil e impondo a eles seu modelo de gerenciamento cultural. Um modelo que consistia, além de todas as diretrizes operacionais e culturais, em também conseguir apoio financeiro de empresas estatais através de editais para a realização de seus eventos. Com um detalhe que começou a incomodar e a chamar a atenção de muitas bandas e artistas que se dispunham a participar dos festivais geridos pelas duas entidades: o não pagamento de cachês e, em muitos casos, sequer de passagens para que as bandas pudessem se deslocar até a cidade onde o festival iria acontecer. A alegação tanto da Abrafin quanto do Circuito Fora do Eixo para exercer esta política era de que o custo dos eventos era sempre elevado e que a planilha de despesas jamais era coberta, mesmo com patrocínio estatal obtido através de editais. Porém, mesmo sem receber cachês, os artistas que se dispunham a participar desses festivais teriam como supostos benefícios a exposição de seu trabalho junto a um grande público, além de facilitar o contato junto a produtores, jornalistas etc.

Hoje este modelo de atuação da Abrafin e do FDE está sendo francamente questionado. Tanto que treze dos principais festivais independentes do Brasil acabam de sair da Abrafin. E o Circuito Fora do Eixo, hoje sediado em São Paulo (que ironia, não?) e abrigado em uma residência gigante localizada no bairro do Cambuci (cujo aluguel não deve ser dos mais baratos e ainda suscita a enorme curiosidade: de onde sai a verba para o pagamento deste  aluguel?) vem recebendo pesada artilharia via mídia, por não abrir publicamente suas contas e explicar o que faz com as verbas conseguidas via editais públicos.

Zap’n’roll mesmo, quando começou a questionar alguns pontos do modelo de atuação da entidade, se tornou inimigo mortal da mesma e foi ferozmente atacado por Pablo Capilé por cerca de dois anos – nessa época, como bem frisou Diogo Soares, vocalista da sensacional banda Los Porongas (que é um grupo boicotado pelo FDE), dom Pablito já era o “homem mais poderoso da cena independente brasileira”. “Finas, você brigou com o cara mais influente da cena indie nacional”, disse então o querido Dioguito ao autor destas linhas online. As boas relações com a Ong e com Capilé só reapareceram há cerca de um ano – e devem sumir novamente após a publicação deste texto, visto que após conviver anos com a turma o blog sacou que para eles não há meio termo, e ali não se admite questionamento mínimo da atuação e do modelo deles. Ou você está do lado do Circuito Fora do Eixo, ou é inimigo dele.

Pois parte da Abrafin (hoje, uma entidade bastante enfraquecida e empalidecida em termos de repercussão das suas atividades) preferiu questionar a história toda e sair dela. Muito justo: as intenções iniciais tanto dela quanto do Circuito Fora do Eixo eram as melhores possíveis. Com o correr dos anos, com o dinheiro do poder público jorrando nas duas entidades e uma delas (o FDE) se agigantando a olhos vistos, tudo foi se desvirtuando para muito pior. Hoje, a impressão clara que se tem da Ong é que ela está totalmente contaminada pelos mesmos vícios “mafiosos” que dominaram o mainstream musical brasileiro durante anos. Vícios que todos que não faziam parte daquela “máfia” odiavam e com razão. Mas aí vem outro ponto-chave nessa questão toda: as chamadas majors da indústria da música faziam putaria e formavam “panelinhas” de artistas com sua própria grana. Já Abrafin e Fora do Eixo estão sendo dura e justamente atacadas por estarem exercendo uma conduta algo “mafiosa” mas com… dinheiro público (leia-se impostos que todos nós pagamos).

É claro que continua existindo gente honesta e bem intencionada trabalhando nas duas entidades, e que acredita no modelo inicial proposto por ambas (debate cultural democrático amplo, geral e irrestrito, espaço para a criação e produção musical sem a interferência de “panelas” ou do poder privado, circulação de bandas etc.). E também continuam existindo coletivos honestos fazendo festivais igualmente honestos, como o Palafita em Macapá (que realiza o QuebraMar), ou o Canoa Cultural em Boa Vista (que realizou na semana passada  o bacana Tomarrock, e cuja resenha você lê mais aí embaixo, neste mesmo post). Mas a grande dúvida, que se agiganta cada vez mais, é: com as cúpulas da Abrafin e do Circuito Fora do Eixo agindo como agem hoje, de forma não muito clara e dando mostras bastante evidentes de que ambas as entidades se tornaram um antro de mafiosos tal qual era o mainstream musical brasileiro até bem pouco tempo, o que vai ser então da nova cena musical independente brasileira daqui

O COMUNICADO DOS FESTIVAIS QUE DEIXARAM A ABRAFIN, EXPLICANDO SUA DECISÃO

Existe um debate acerca da Associação Brasileira de Festivais Independentes (ABRAFIN) ocorrendo dentro e fora da entidade. Deste debate público depreendem-se importantes pontos, dentre os quais a evidência de que a ABRAFIN não é mais uma unanimidade. Boa parte da aura de independência se esvaiu e, não raras vezes, percebemos que a entidade é vista com desconfiança. Qualificar e aprofundar este debate de forma íntegra, democrática e sem ranços é uma necessidade que se impõe à ABRAFIN e à própria rede de festivais independentes espalhados pelo país.

Goiânia Noise Festival, Abril Pro Rock, Casarão, Psycho Carnival, DemoSul, 53 HC, PMW, RecBeat, MADA, El Mapa de Todos, 1º Campeonato Mineiro de Surf, Gig Rock e Tendencies são festivais afiliados à ABRAFIN (alguns deles membros-fundadores) que não se sentem à vontade com o atual estado de coisas. Discutindo os rumos tomados pela entidade nos últimos anos, estes festivais, apesar de sua diversidade, apresentam dois aspectos em comum: não pertencerem ao coletivo Fora do Eixo (ainda que praticamente todos eles possuam parcerias pontuais com este mesmo coletivo) e não se sentirem representados pela ABRAFIN. Com base nesta constatação, o conjunto de festivais em questão elaborou este documento apresentando suas perspectivas e anseios em relação à entidade.

A ABRAFIN deve ser capaz de abarcar a complexidade, as diferenças e particularidades de seus festivais membros. O atual panorama da produção musical independente brasileira evidencia os diversos caminhos e abordagens adotados no conjunto de festivais que se congrega na ABRAFIN. Adotar um modelo único de funcionamento é um erro crasso, completamente oposto às premissas da fundação da entidade. Em um país de tantas diferenças e de proporções continentais como o Brasil é inadmissível acreditar na existência de um só paradigma que valha de Norte a Sul. Cada festival possui não apenas a autonomia, mas principalmente a expertise necessária para lidar com sua realidade local, bem como com sua proposta estética.

A ABRAFIN não é e jamais deverá ser Fora do Eixo. Com erros e acertos, o Fora do Eixo é uma das diversas possibilidades no trabalho com a música independente brasileira. Não é a única. Infelizmente, nos últimos anos, houve uma indevida sobreposição entre as duas entidades. O fato desta reunião da ABRAFIN estar acontecendo dentro de um Congresso Fora do Eixo é prova irrefutável desta sobreposição. A opinião pública, obviamente, tem sido incapaz de diferenciar ABRAFIN e Fora do Eixo. Cabe à ABRAFIN se desfazer deste erro e voltar a lidar com a multiplicidade de enfoques que existe em seu arcabouço.

O estatuto da ABRAFIN deve ser mantido e respeitado. Sua construção foi fruto de anos de trabalho laborioso, norteado pelo espírito de independência da nova música brasileira, bem como por sua diversidade e complexidade. Nele estão edificados conceitos ainda pertinentes e válidos, como aquele que define o que vem a ser um festival independente aos olhos da entidade. Abrir mão deste patrimônio é esvaziar de forma oportunista o próprio espírito da ABRAFIN.

A condição de três anos consecutivos para que um festival se filie à ABRAFIN deve ser mantida. Esta premissa tinha vistas a afastar a entidade de festivais aventureiros que surgem aos montes a cada instante. Para que a ABRAFIN seja uma entidade sólida, em sua composição deve haver apenas festivais que apresentem este compromisso com a continuidade. De outra forma não será possível construir um circuito efetivamente forte de festivais por todo o território brasileiro.

Festivais independentes e artistas não são entes antagônicos. A fundação da ABRAFIN trazia em sua concepção a moderna ideia de que tanto os festivais e seus produtores quanto as bandas e artistas que nele se apresentavam necessariamente faziam parte de um mesmo grupo, uma mesma proposta e um mesmo ideário. Nos últimos tempos o que se tem percebido é uma distensão entre estes dois pólos. Cada vez mais a ABRAFIN e artistas têm se encarado de forma animosa, como se fossem opostos.

A concepção original da ABRAFIN preconizava músicos e produtores como pares, como partes de uma mesma engrenagem capaz de fazer a música independente avançar rumo a um profissionalismo cada vez mais acentuado, bem como a uma total liberdade criativa.

A ABRAFIN é uma entidade que congrega e aglutina festivais independentes ao longo do país. A razão de ser de cada um de seus festivais afiliados é converter-se em plataforma para a nova expressão musical brasileira. Cada festival deve trazer em si o compromisso com o novo, com a diversidade e com a riqueza musical do nosso país e do mundo, a partir do olhar estético que é próprio de cada afiliado. Estabelecer um grupo único e excludente de artistas que são sempre os mesmos a circular artificialmente por todos os festivais é atentar contra a própria razão de ser da ABRAFIN. Mais que isso, é transformar o circuito de festivais congregados pela entidade num pastiche do mainstream da velha indústria fonográfica.

Dividir a ABRAFIN em regionais é algo a ser evitado neste momento de ataques, dúvidas e fragilidades. Os festivais, cada qual em sua região, já agem localmente. Inflar a entidade com outros tantos festivais de trajetória ainda incipiente ou mesmo duvidosa é abrir brechas para uma ainda maior fragilização da entidade. Ao contrário, a ABRAFIN deve se fortalecer a partir das premissas expressas em seu estatuto, assegurando solidez para saltos maiores num futuro, quiçá, próximo.

Ser ponta de lança na efetiva construção de um mercado independente sustentável é um dos pilares da ABRAFIN. Tal construção passa, necessariamente, pelo apoio do poder público progressista. Por esta via, o uso de verbas públicas deve ser estratégico e voltado para a construção, a médio e longo prazos, deste mesmo mercado. Desafortunadamente, o que se tem visto é uma ABRAFIN que cada vez mais enxerga os recursos públicos como um fim e não como um meio. É papel da ABRAFIN buscar recursos não apenas junto ao poder público, mas também à iniciativa privada, sempre tendo a independência como paradigma de primeira ordem.

A ABRAFIN é uma entidade suprapartidária e superior a qualquer grupo que esteja sob sua alçada. A atuação política da ABRAFIN se dá pelo próprio caráter transformador e progressista da arte e da cultura. A ABRAFIN deve estar a serviço, única e exclusivamente, de seus afiliados e da cadeia produtiva que os cerca.

Tal e qual foi explicitado no início deste documento, o conjunto de festivais que ora o redige não se sente mais representado pela ABRAFIN. Por esta via Goiânia Noise Festival, Abril Pro Rock, Casarão, Psycho Carnival, DemoSul, 53 HC, PMW, RecBeat, MADA, El Mapa de Todos, 1º Campeonato Mineiro de Surf, Gig Rock e Tendencies vêm respeitosamente solicitar sua desfiliação da Associação Brasileira dos Festivais Independentes. Todavia, o mesmo grupo entendeu por bem contribuir para o debate acerca da entidade compreendendo o importante papel que ela pode vir a cumprir na seara da produção cultural brasileira.

Não se trata aqui de uma debandada movida por disputas políticas internas. Fosse assim, a desfiliação seria uma estratégia absurdamente equivocada. É notório que o grupo que assina este documento possui força e representatividade para quaisquer disputas dentro da entidade, mas tais disputas estão completamente fora do escopo de seus interesses.

A sobreposição existente entre ABRAFIN e Fora do Eixo tem criado uma série de desafortunados e prejudiciais mal-entendidos a este conjunto de membros e, por ora, a alternativa entendida como mais apropriada a todos aqui é o afastamento.
Sucesso a todos!

 

O ROCK ROLOU EM BOA VISTA, NO FESTIVAL TOMARROCK

A quarta edição do festival Tomarrock agitou Boa Vista, capital do longínquo e queeeeente Estado de Roraima (no extremo Norte brasileiro, pra você que fugiu da aula de geografia nos ensinos fundamental e médio, Mané!), no último finde. E o portal Dynamite e o blog zapper estiveram por lá, acompanhando tudo de muuuuuito perto, graças ao apoio da turma brava do coletivo Canoa Cultural, que organizou o evento. Na verdade o Tomarrock – como todo evento cultural que se preza, atualmente – foi bem mais que apenas um festival dedicado a mostrar os novos talentos (alguns, nem tão talentosos assim) da cena musical independente roraimense e amazonense. Antes do festival em sim, houve uma intensa programação durante toda a semana passada, com palestras, debates etc. E dentro desta programação extra musical, uma das mais bacanas foi o debate ocorrido no teatro do Sesc Boa Vista, na quinta-feira passada, onde jornalistas gestores culturais locais colocaram na mesa suas impressões e opiniões sobre Comunicação e Cultura na era digital. O autor deste blog participou do debate, que também contou com a lenda e figuraça Sandro Corrêa, jornalista rocker de Manaus já com anos de atuação na área musical e cultural, e que é conhecido como o “Tony Wilson” da Amazônia.

E no final de semana o rock rolou no ginásio do Sesc local, claro. Em uma cidade já quente por natureza o ano todo a temperatura subiu ainda mais dentro do ginásio, com o público sempre se mostrando total receptivo ao que rolava no palco, em um line up dominado nas duas noites por bandas locais e de Manaus (com exceção dos headliners Dr. Sin, de São Paulo, que encerraria a primeira noite, mas tocou antes por questões de agenda apertada; e For Fun, do Rio De Janeiro, que fechou o festival já na madrugada de domingo).

Destas, na sexta, o repórter infelizmente perdeu as apresentações das duas primeiras (já que Zap’n’roll foi “esquecido” no hotel pela van que transportava jornalistas, rsrs. Um problema menor, plenamente desculpável e que pode ocorrer mesmo em um festival onde há zilhões de tarefas sendo executadas pela equipe de produção ao mesmo tempo. Enfim, o blog acabou indo de táxi para o ginásio e conseguiu acompanhar na boa o restante das gigs da noite), Nicontines e Johnnny Manero. A primeira, liderada pelo jornalista manauense Sandro Nine, faz do indie/grunge guitar dos 90’ sua razão de existir. E a Johnny, já um dos grandes nomes do rock de Boa Vista, prefere trafegar (com competência e elegância) pelo classic rock setentista.

Ainda na primeira noite, a Garden mostrou bom apelo pop oitentista (relembrando algo de rock melancólico à lá pós-punk inglês e Legião Urbana), Iekuana mostrou seu já consagrado talento local para fazer um interessantíssimo sincretismo entre levadas rockers e ritmos locais, e o Nekrost fechou tudo com doses concentradas de porrada metal. Antes das duas o veterano Dr. Sin (que seria o headliner mas como tinha horário de vôo marcado para voltar a Sampa, onde faria show no dia seguinte, o que provocou o “adiantamento” da apresentação do trio) mostrou que continua mandando um eficiente hard/classic rock ao vivo e em disco, mesmo já tendo duas décadas de existência. Não é à toa que os irmãos Buzic formam uma das melhores seções rítmicas de todo o rock brasileiro.

A Jamrock, mostrando no palco o reggae tipo exportação de Roraima

A Orquestra Camarones, de Natal: guitarras em fúria

Arthur De Jesus: hip hop e rap marcando presença no Tomarrock

O sábado foi muuuuuito interessante, do ponto de vista estilístico. Houve desde o rap/hip hop de Arthur De Jesus (com rimas ainda simples mas bem encadeadas na base instrumental) até o escroto e já decadente emocore do carioca ForFun – leia-se For Shit. Entre um e outro, houve espaço para a boa presença instrumental e de palco da turma do AltF4, para a porrada sonora dos moleques do Ostin, e para o bom rock do Hopes. Mas sem dúvida alguma os dois mega destaques do sabadão – e que foram talvez os responsáveis pelos dois melhores shows de todo o Tomarrock – foram a Camarones Orquestra Guitarrística e a Jamrock.

A Camarones é o que o nome diz: uma orquestra de guitarras (mas meio que liderada pela baixista Ana Morena), sem vocais, fundada em Natal (capital do Rio Grande do Norte) e que já se tornou banda Cult no circuito indie nacional, graças à avassaladora potência de suas canções com melodias aceleradas e incendiárias. Já a roraimense Jamrock, apesar do nome, é um combo de… reggae. Yep, o ritmo jamaicano que (quase) todo brasileiro ama. Pois a Jamrock está em ponto de bala: fez uma apresentação com direito a naipe de sopros, e com uma pista quase cheia do ginásio cantando as músicas do grupo em coro. Longe de trazer alguma novidade ao gênero, o que a Jamrock faz é reggae pop de alta qualidade (com ótimas levadas melódicas, arranjos caprichados e uma vocalista que é um tesão pós- adolescente) e com total apelo radiofônico e comercial. Com todo o respeito à Boa Vista, é uma banda boa demais para permanecer na cidade. Precisa descer correndo pro Sudeste e botar a mina de ouro pra funcionar.

Foi isso. O Tomarrock, em sua quarta edição, mostrou que a nova música independente brasileira possui qualidade e garra. E não possui fronteiras: ela está tanto aqui, em São Paulo (às vezes, nem está aqui) quanto em Roraima. Sorte de nós, fãs eternos do rock e do pop de qualidade.

* O jornalista Humberto Finatti viajou a Boa Vista (Roraima) a convite da produção do festival Tomarrock.

 

E NO CALOR ROCKER DE BOA VISTA…

* A viagem de busão aéreo até Roraima é muito cansativa. Conexão em Brasília, escala em Manaus e um total de quase oito horas de viagem – isso mesmo, mais duas horas e chega-se em Miami, daí dá pra se ter uma idéia do tamanho desse país.

 

* Pra piorar: calor. E pra piorar um pouco mais, saída de Congonhas às sete da matina. O zapper sempre atrasão e dorminhoco preferiu nem dormir de madrugada (óbvio), com medo de perder o vôo. E mesmo assim chegou em cima da hora no aerorporto. Quando embarcou, finalmente, o sol já estava forte. E se você acha que Sampalândia está um calor dos demônios nestes dias finais de 2011, é porque não conhece Boa Vista. Lá é assim: 35 graus todos os dias, o ano todo. Quando você sai do conforto do ar-condicionado do quarto do hotel em que está hospedado, dá de cara com um bafo quente ainda no corredor do lugar. Parece que estamos entrando numa sauna. Na rua então, com o sol rachando as cabeças, é pior ainda. Mas enfim, tudo pelo rock’n’roll.

 

* A viagem desta vez ao menos foi minimamente mais agradável porque a produção do Tomarrock embarcou o sujeito num vôo da Tam. Todo mundo que viaja de avião no Brasil sabe que tanto Tam quanto Gol são de uma porqueira e uma cafajestice a toda prova no atendimento e conforto dos passageiros. Mas, voilá: pelo menos a Tam ainda tem o bom senso de servir brejas a bordo. Com o calorão mandando ver em Brasília, Zap’n’roll não teve dúvidas: começou a tomar latinhas e latinhas no avião assim que ele decolou da capital federal. E o melhor da parada: havia Heinekens a bordo. Quando chegou em Manaus, o jornalista ébrio já estava beeeeem “mamadão”. Só faltou, pra completar… rsrs. Foi aí que o zapper mais uma vez foi tomado por lembranças. Recuerdos das zilhões de vezes em que ele cansou de cometer “maldades nasais” (tal qual uma versão jornalística de Pete Doherty) em pleno vôo, no banheiro do avião, hihi. Em uma dessas ocasiões, o resultado da “maldade” foi total bizarro. O blog estava a caminho de um festival no Acre, se não nos falha a memória. Assim que o avião saiu de Brasília o gonzo loker, já sedento por um “teco” de padê, literalmente voou pro banheiro. Lá esticou caprichosamente uma autêntica “taturana”, em cima do aço escovado que margeia a pia. E mandou ver. Voltou pro seu assento e em dois minutos a bicudisse mega tomou conta do cérebro do jornalista. Foi insano: o vôo era noturno e estava chovendo. E enquanto todo o restante dos passageiros estava tranqüilo e nem aí em seus assentos, o autor destas linhas online, já completamente neurado, viu a luz prateada da asa do avião piscando intermitentemente (o que é normal), e pensou: “essa merda vai cair!!!”. Bien, o avião não caiu, rsrs. Tanto que o blog está aqui, relembrando a parada, hehe.

 

* Ao chegar em Boa Vista, bêbado e morto de sono (quem consegue dormir em um vôo doméstico no Brasil?), Zap’n’roll dispensou o almoço oferecido pela produção do festival e foi direto pro hotel, pra dormir ao menos um pouco, já que à noite o blog iria participar de um debate no Sesc local, sobre mídias digitais nos anos 2000. E à noite, após o debate, preferiu novamente voltar pro hotel e dormir. Foi brindado pelo querido Manoel (produtor-chefe do Tomarrock) com pizza e duas garrafinhas de Stella (tão boa quanto a Heineken, no?), entregues no hotel. Tratamento vip é isso aí, rsrs.

 

* Sextona, primeira noite do festival. Shows bacanas e tal e breja liberada (já que a marca que estava sendo vendida no ginásio do Sesc era uma das patrocinadoras do evento) para músicos e jornalistas. Zap’n’roll deitou e rolou. Ao final dos shows, já bastante envolto em brumas intensas de álcool, não se conteve e pediu ao querido casal Isah Rock (uma das jornalistas mais lindas, rockers e legais de Boa Vista, além de amiga master do blogger maloker) e Zé Victor (o simpático boyfriend da garota), que deixassem o autor deste blog em algum lugar onde ele pudesse caçar “aditivos” extras. O pedido do blogueiro já total sem noção, foi atendido. Ele voltou para o hotel no outro dia, duas da tarde, rsrs.

 

* Existe um lugar literalmente infernal em Boa Vista. E ele se chama Beiral. Só isso. Nem Amy Winehouse ou Pete Doherty agüentariam passar algumas horas ali…

 

* Quase total destruído e morto mas ainda vivo, o zapper conseguiu tomar um mega banho, se recompor e ir pra segunda e derradeira noite do Tomarrock. Que foi tão bacana quanto a primeira. Ainda mais que Zap’n’roll finalmente se encontrou com ela!!! Aquela delícia tatuada e mega peituda, com óculos na cara e total jeito de perva, chamada Camila Costta. Também jornalista em Boa Vista (a cidade é pródiga em ter jornalistas gostosas, tesudas, lindas, loucas e safadas, hihi) e também dileta amiga destas linhas virtuais, Camila é a tentação do demônio em pessoa. E o zapper sempre, hã, ultra fã de jornalistas lindas, cultas, inteligentes e malucas, teve que se comportar pois afinal agora ele é um respeitável “senhor” comprometido em Sampa, uia!

 

* Papos bacanas como Camila sobre tudo (cultura, jornalismo, existência humana, loucuras zappers etc, etc, etc). Até que o autor deste espaço online pediu licença à garota pois queria ir no camarim das bandas, pra tomar um refri bem gelado (ah, sim: na última noite do festival o rapaz que digita este blog foi um modelo de comportamento: ficou apenas no refrifgerante e sandubinhas, pois o estrago alcoólico e químico da noite anterior havia sido cruel) e “beliscar” algo pra comer. A credencial que Zap’n’roll tinha permitia o acesso aos camarins, sem problema, tanto que o blog cansou de circular por lá na primeira noite do evento. Mas eis que, naquele momento, a atração principal da última noite havia acabado de chegar aos camarins. Era o grupelho emo carioca já total decadente For Fun – leia-se For Shit, mas que sim, ainda é uma atração bacana para se levar até um festival em uma região distante do país. Enfim, nada contra o For Shit mas os seguranças vieram peitar o jornalista loker: “agora não pode entrar, porque a banda pediu pra restringir o acesso e bla bla blá”. Zap’n’roll ameaçou perder a paciência, mas preferiu levar um lero com uma das coordenadoras da produção, a fofa e simpática Priscila. E explicou pra ela: “não fique brava comigo, mas estou cagando pro For Bosta. Só vou entrar pra tomar um refri e comer algo e depois já volto lá pra cima”. Ela, algo sem graça, consentiu. Ora, afinal o que uma banda estúpida e mala como essa pensa que é, quando vai tocar em uma cidade bacana porém modesta como Boa Vista? Pensa que é o Guns N’Roses chegando ao Rock In Rio? Daqui destas linhas online, nosso singelo recado ao For Fun: vão tomar no cu!

 

* Bizarrice da última noite do Tomarrock: enquanto o For Shit desfiava suas maletices emo no palco, os jornalistas (e agora irmãos de fé) Sandro Nine e Finas discorriam, em pleno calor do extremo Norte brazuca, sobre… a deusa inglesa PJ Harvey, musa de ambos. Uia!

 

* Daqui o blog manda mais uma vez seu agradecimento a todos os amigos e à turma bacana que ele conheceu em Boa Vista e que nos tratou com super carinho e atenção. Valeu Manoel Villas-Boas, Priscilla, Camila Costta, Cyneida, banda Nicotines, pessoal do Altf4, Isah Rock, Zé Victor, Raísa etc, etc. Um abração mega pra todos vocês e votos de Feliz Natal e super entrada em 2012!  

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

* Disco I: a estréia em disco cheio do quarteto paulistano The Orange Disaster é um dos grandes destaques deste finalzinho de 2011. O álbum “We Will Conform!”, saiu na verdade há algumas semanas, através do selo SubFolk (tocado pelo grande Ilsom Barros, o gênio que comanda outra bandaça indie paulistana, a Zefirina Bomba), mas somente agora o blog conseguiu espaço e tempo para dedicar algumas merecidas linhas ao discão. O OD é esporrento, barulhento e inclassificável em sua sonoridade quase brutal – é como se o grunde de Seattle colidisse de frente com os esporros punk/experimentais/minimalitas de algum At The Drive In. A formação do grupo também é uma bizarrice sem tamanho: o vocalista Júlio Magalhães é gorducho, careca e usa óculos. E no entanto quando sobe ao palco ele se transforma em um monstro performático, como se fosse um serial killer pronto para exterminar o público à sua frente. Ao lado dele estão o guitarrista Rafael Laguna (que também toca no Capim Maluco), o baixista Vini F. (ex-Ecos Falsos) e o batera David Rodrigues (também ex-Ecos Falsos), um trio que constrói a base instrumental perfeita para Júlio exorcizar suas pirações rockers and fucking noise. Interessou e ainda não tem o disco? O Orange toca nesta quarta-feira, 21 de dezembro, lá na Livraria da Esquina (rua do Bosque, 1253, Barra Funda, zona oeste de Sampa), a partir das onze da noite, na última grande festa rock’n’roll do ano. E pra “aquecer” pra gig você pode ouvir o som do quarteto aqui: WWW.myspace.com/theorangedisaster .

 

O quarteto Orange Disaster: som porrada e que você conferir ao vivo nesta quarta-feira, na Livraria da Esquina/SP

* Disco II: Messias Elétrico vem lá das Alagoas e faz psicodelia e hard rock setentista de responsa. O vocalista e tecladista Leonardo (ex-Mopho) se juntou a Alessandro (baixo), Pedro (bateria) e Pedro Ivo (guitarras) para compor um  transportam o ouvinte a um elo perdido entre o classic rock e a psicodelia inglesa sixtie. Tudo isso em músicas pra servir de trilha pra chapação de côco: “Siga cantando”, “The Last Groove” (dividida em quatro partes e um pouco longa demais, mas ainda assim bacana) ou “Desejo loucura e barulho”, escolha a sua e boa viagem! Lançamento bacanudo do lendário selo Baratos Afins, do igualmente lendário produtor (e amigão destas linhas online) Luiz Calanca, e que você encontrar no site da loja: WWW.baratosafins.com.br .

 

* Livro: concebido pelo jornalista Luiz Cesar Pimentel (chefe de redação do portal R7, e um dos mais respeitados profissionais na área de cultura pop da imprensa brasileira), “Você tem que ouvir isso!” reúne listas de músicas que músicos, produtores e jornalistas gravariam numa boa e velha fitinha K7 para educar “musicalmente” seus rebentos – o próprio Luiz é pai das fofas Nina e Lola, além de ser dileto amigo destas linhas rockers online há milênios. Dentro dessa proposta editorial, surgiram indicações musicais das mais legais e estranhas – por exemplo, o metaleiro Max Kolesne, da banda de metal extremo Krisium, capricha na seleção de porradas sonoras para as “crianças” já aprenderem a bater cabeça desde a mais tenra idade. Por outro lado há listas interessantíssimas feitas por gente como Nando Reis, Dinho Ouro Preto, Samuel Rosa, Edgard Scandurra e jornalistas como o querido super monge japa zen Pablo Miyazawa (editor-chefe da revista Rolling Stone) e Sérgio Martins. Enfim, um presente beeeeem legal pra você dar ou ganhar neste natal. O lançamento é da editora Seoman e a única ressalva do blog quanto ao livro é que Luiz não deveria perder tempo pedindo listas pra gente absolutamente escroque (como o produtor Carlos Eduardo Miranda) ou sem importância alguma no jornalismo (como Flávia Durante).

 

* Baladas: semana natalina bombando e todo mundo querendo aproveitar já no meio da semana porque no sabadão em si, sabe como é… véspera de natal, aquele clima família e ninguém vai poder/querer sair pra esbórnia. Então anotaê: além do showzão do Orange Disaster nessa quarta-feira na Livraria da Esquina, na quinta vai ter “Rock de Quinta” na Funhouse (que fica na rua Bela Cintra, 467, Consolação, centrão de Sampa) e a festa Let’s Get Rocked no Beat Club (lá na rua Augusta, 625, centro de Sampa). Bão, né? Então bora correr pra zorra até o finde porque no sábado, já sabe: é noite de esperar Papai Noel, uia!

E FIM DE PAPO FINALMENTE

Que o post ficou enorme e o sujeito aqui vai hoje dar um rolê pela “naite” rocker paulsitana, que ninguém é de ferro, hehe. Na próxima sexta-feira, aqui e na Zap’n’roll do portal Dynamite, os últimos posts de 2011, com a nossa lista de melhores do ano. Depois, só em 2012, né?

Até lá então!  

 

(finalizado por Finatti em 20/12/2011, às 20:45hs.)