O blog de rock alternativo e cultura pop mais legal e LONGEVO da web BR está voltando, calma! E virá já comemorando seus quinze anos de existência, com nova linha editorial e outras novidades, pode esperar!

IMAGEMRADIOHEADLIVESP18II Zapnroll começa a comemorar sua década e meia de existência a partir do mês que vem; para tanto o blog de rock alternativo e cultura pop mais legal da web BR vai mudar sua linha e seu foco editorial, se voltando mais para o PASSADO do que para o presente ou mesmo para o ultra SOMBRIO FUTURO da cultura pop; e sendo que GIGANTES como Radiohead (acima, que tocou no último finde em Sampa, em performance bacana mas inferior a de quase dez anos atrás) e o inesquecível David Bowie SEMPRE terão espaço por aqui! IMAGEMBOWIEHEROESII

Entonces: estão com saudades do espaço blogger/rocker mais legal da web BR já há década e meia? Nós também estamos, hehe. Por isso estivemos fora do ar por algum tempo. Para ajustar a nova linha editorial (que virá em breve com algumas novidades), a nova imagem, o novo visual da capa do blog etc. De modos que tudo isso deverá entrar no ar até o final agora deste mês de abril, sendo que o que podemos adiantar é que Zapnroll irá voltar mais seus olhos e seu foco para o PASSADO (!!!).

Yep, isso mesmo: iremos deter nossa linha editorial (ou boa parte dela) na gigantesca relevância que o grande rocknroll já teve na história da música mundial. E o motivo para isso é muito claro, simples e está aí à vista (ou aos ouvidos) de todos: o rock e a cultura pop mundial foram mesmo para o fundo da LATA DO LIXO da história na era escrota da web. E pelo jeito não irão mais sair de lá. De que adianta então tentar descobrir, caçar e empurrar goela abaixo do nosso sempre amado leitorado “novidades” estúpidas, imbecis mesmo, sem estofo e importância musical e artística alguma e que em questão de semanas (ou até mesmo dias) ninguém mais irá lembrar? Essa tarefa (de ficar gastando tempo e espaço com este tipo de novidade completamente INÚTIL) iremos deixar para “vizinhos” e “colegas” que sabem fazer isso bem melhor do que este espaço virtual. Gente tipo “Tenho mais discos que amigos” ou mesmo aquele célebre “brogui” que já foi referencia em termos de rock alternativo e que hoje vive às moscas com suas micro postagens diárias eivadas de bobagens.

Assim, ficamos assim (rsrs): gigantes como David Bowie, Radiohead (que fez um show bacana no último finde em Sampa, mas não tão bacana quanto há quase uma década aqui mesmo, na capital paulista) e Stanley Kubrick (cuja obra prima “2001 – Uma odisseia no espaço”, está completando meio século de existência, sendo que é um filme que continua atualíssimo e até à frente do nosso tempo, ainda mais em um tempo onde o cinema também se tornou um rebotalho boçal de ideias) irão sempre ter total e merecido espaço por aqui. Novidades, se é que elas ainda existem? Também se farão presentes no blog zapper, mas apenas se merecerem MUITO estar aqui.

É isso. Até o final deste mês voltamos aos trampos, com postão e tudo, okays? Mais um pouco só de paciência então e logo a gente volta a bater papo por aqui. Inté!

Adendo: e claaaaaro, haverão algumas festas alusivas aos quinze anos do blog, a partir do mês que vem em Sampa, com DJs set no Grind (do super DJ André Pomba), no Bar do Netão (no baixo Augusta) etc. E em AGOSTO (ahá!) sim, haverá a grande festa de aniversário deste espaço online, com bandaça ao vivo em um dos melhores espaços para shows alternativos da capital paulista. Aguardem!

(enviado por Finatti às 16:15hs.)

AMPLIAÇÃO EXTRA E FINAL! Falando da MORTE do amado KID VINL, dos vinte anos de “Ok Computer” (a obra-prima do Radiohead), da hecatombe nuclear política que está sacudindo o bananão tropical e dando a programação da Virada Cultural fracote, que rola este finde em Sampa – Com o rock planetário dos anos 2000’ praticamente morto e enterrado, duas bandaças inglesas já veteranas soltam seus novos discos e reafirmam pela enésima vez o que todos já estão carecas de saber: apenas grupos com duas décadas ou mais de estrada, como Kasabian e Slowdive (este, lançando seu primeiro disco inédito em vinte e dois anos) é que estão salvando o rock’n’roll atual da extinção definitiva, sendo que neste post zapper você confere análises detalhadas (ao invés de ler a mixórdia que é geralmente publicada num certo “pobreloa…” blog vizinho) sobre os dois álbuns em questão, além de já saber como foi a gig do Slowdive ONTEM em Sampa; mais: é de BABAR nossa nova, sensacional e total delicious musa rocker, a gatíssima Flávia Dias, ulalá! Não acredita? Vai aí embaixo no post e veja com seus próprios olhos, oras (postão COMPLETÃO e AMPLIADÃO, finalizado em 20/5/2017)

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Com o rock’n’roll dos anos 2000’ definitivamente quase morto e total irrelevante, resta apelar para os veteranos como o Slowdive (acima, se apresentando ontem à noite na capital paulista) e o Kasabian (abaixo), que acabam de lançar dois ótimos álbuns

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ADEUS AO AMADO KID VINIL, NOSSO INESQUECÍVEL HERÓI DO BRASIL

Foi uma semana bastante maluca. Começou com os boiadeiros delatando todo mundo e explodindo a política nacional, não deixando nada em pé. Prosseguiu com Chris Cornell se matando aos 52 anos de idade – ironia das ironias: no dia (18 de maio) em que se completaram 37 anos da morte de outro gênio gigante da história do rock mundial, o igualmente suicidado Ian Curtis. E por fim, veio a sexta-feira. Que parecia que iria ser um dia tranqüilo, onde finalizamos o post da Zap’n’roll e o coloquei no ar, onde fomos cuidar de assuntos pessoais no centro da cidade e depois fomos tomar uma breja amiga com os mui queridos por nós Luiz Calanca e Gisélia. E sendo que depois fomos jantar num churras rodízio onde o blog faz um bom repasto todas as sextas-feiras.

Mas mais uma vez não foi uma sexta-feira normal. Quando Finaski estava saindo de casa, pouco depois das 5 da tarde, uma amiga o chamou inbox dizendo “ele se foi!”. Não entendemos muito bem e como estávamos já atrasados, desligamos o notebook e fomos para o metrô. Foi apenas quando já estávamos  caminho do centro que começamos a pensar que, há um mês e meio, nosso irmão Johnny Hansen havia partido deste mundo. E por conta desse pensamento, entramos em pânico: “será que ele TAMBÉM SE FOI?”.

Sim, ele se foi. Ao chegar na loja Baratos Afins, foi a primeira coisa que perguntamos ao Luizinho. Ele confirmou. Os olhos se encheram de água. Sim, sabemos que desse mundo ninguém sairá vivo. E pensamos muito na nossa própria morte todos os dias. Um pensamento que nos acompanha desde que éramos jovem e que agora, aos 5.4 de vida e depois de ter passado por um câncer, nos fustiga mais do que nunca – apenas IDIOTAS e pessoas de cabeça OCA (daquelas que postam imbecilidades astrológicas nos FB da vida) é que não refletem sobre a questão da finitude da existência humana.  E não, não temos medo algum da morte. Temos apenas medo de não ter tempo hábil para realizar alguns poucos projetos que ainda sonhamos em realizar. De resto temos medo é de não sair logo desse mundo horrendo, miserável, sinistro e tenebroso em que todos nós vivemos. Temos medo de ir vendo quase todos os amigos com os quais convivemos e amamos por longos anos irem embora enquanto permanecemos aqui, ficando cada vez mais velhos, caquéticos, solitários, melancólicos e angustiados.

WS52 SÃO PAULO 13/05/2015 -  ENTREVISTA / KID VINIL / CADERNO 2 - Entrevista com Kid Vinil. FOTO:WERTHER SANTANA/ESTADÃO
O amado Kid Vinil, amigo pessoal de Zap’n’roll por 30 anos: mais uma perda gigante para a cena rock brasileira

É isso. Zap’n’roll achou que seu AMIGO PESSOAL de mais de 30 anos de convivência, Antonio Carlos Senefonte, nosso mui amado por todos Kid Vinil (um artista genial e um ser humano sem igual, encantador, generoso, humilde e pra lá de atencioso e sempre super bem humorado com todos, mesmo com aqueles que ele não conhecia, daí tantas manifestações nas redes sociais de pesar pelo falecimento dele), iria se recuperar do delicado estado de saúde em que se encontrava já há um mês, desde que sofreu um AVC após um show no interior de Minas Gerais. Isso não aconteceu. E assim como Hansen nos deixou numa sexta-feira triste e desalentadora, Kid tb se foi ontem.

Rip queridão. Nunca iremos me esquecer das ótimas risadas que demos ao seu lado, dos papos que tivemos ao vivo em programas que vc apresentava nas rádios Brasil 2000 e 97fm, das discotecagens que você fez em festas noturnas promovidas pelo blog, e nem de tudo que aprendemos com você em termos de rock’n’roll (aaaaaah… aquelas fitinhas cassete que você nos gravou nos anos 90’, com os primeiros singles de umas tais bandas chamadas Oasis, Suede e Ride… quanta saudade!). Nunca, nunca iremos esquecer.

Você estará para sempre no nosso coração, esteja onde estiver agora. Quem sabe um dia a gente se encontra novamente por aí, em alguma outra estação.

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MICROFONIA

(reverberando a cultura pop, discos, shows, filmes, livros, baladas etc)

 

***Como todos já estão sabendo, lá se foi o gigante Chris Cornell, que resolveu dar um fim na própria existência aos cinqüenta e dois anos de idade. O eterno e lendário vocalista do Soundgarden ainda estava em plena forma e era jovem ainda. Mas o blog até entende sua atitude: ele deve ter realmente ficado com o saco cheio desse mundo escroto e perenemente cinza no qual vive a igualmente escrota raça humana – um mundo onde apenas IDIOTAS encontram motivos para rir e sorrir. Rip, Chris!

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Chris Cornell: muito jovem ainda para o rock’n’roll e também para ter partido

 

***Cornell se foi. Scott Weiland também. Antes dos dois já tinham ido Layne Staley (do Alice In Chains) e Kurt Cobain. Quem restou da inesquecível geração grunge de Seattle? Eddie Veder, Mark Lanegan e a turma do Mudhoney. Por enquanto…

 

***A edição deste ano da Virada Cultural acontece neste finde (o postão zapper está sendo concluído no começo de uma chuvosa tarde de sextona, 19 de maio, em Sampa) e é provavelmente a mais fraca de todos os tempos. Atrações demais, qualidade de menos e nada impactante como nos anos anteriores. De qualquer forma dá pra “pescar” algo no meio das novecentas apresentações programadas, sendo que o blog pretende conferir as gigs do duo The Baggios e do baiano Maglore (no sábado à noite, no palco rock da rua 7 de abril), além da sempre gata Tiê (no Centro Cultural São Paulo, já na madrugada do domingo), da selvática Karina Buhr (também no CCSP, mas no domingão à tarde) e o sensacional trio rock instrumental gaúcho Pata De Elefante (novamente no palco 7 de abril, no final da tarde de domingo). Pra quem se interessar a programação completa da Virada está aqui: http://viradacultural.prefeitura.sp.gov.br/, e aqui também: https://www.facebook.com/viradaculturaloficial/?hc_location=ufi.

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Duas gatas que valem a pena ver suas gigs na Virada Cultural deste final de semana em Sampa: Tiê (acima) e Karina Buhr (abaixo)

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***Já na semana que vem, mais especificamente na quinta-feira (25 de maio) rola a festa TinyBox – No Hits, no clube Alberta (que fica no centrão de Sampa). Promovido pelo chapa e agitador cultural e dj Ricardo Lopes, o evento pretende centrar a dj set toda apenas em lados “b” e faixas esquecidas do rock alternativo dos anos 80’ até os 2000’. A proposta é bem bacana e interessante e estas linhas bloggers pretendem estar lá, sendo que todas as infos pra quem quiser conferir a balada estão aqui: https://www.facebook.com/events/635931713268902/?active_tab=about.

 

***E fechando a tampa, claaaaaro, não poderíamos deixar de falar algo sobre a HECATOMBE NUCLEAR política detonada pela delação (abastecida com áudios, fotos e filmagens) dos manos boiadeiros donos da JBS. É o FIM finalmente (e vivemos para ver este dia chegar) do desgracento vampiro bandido golpista que ocupa a cadeira de presidente desse triste bananão tropical, além do seu PARSA quadrilheiro, o COCALERO Aébrio Fezes. Se dessa vez os dois não rodarem, Zap’n’roll sinceramente DESISTE dessa porra de país. A conferir…

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OS GRANDES KASABIAN E SLOWDIVE LANÇAM SEUS NOVOS DISCOS E CONFIRMAM MAIS UMA VEZ: O ROCK’N’ROLL AINDA ESTÁ VIVO GRAÇAS A VETERANOS COMO ESSAS DUAS BANDAÇAS INGLESAS

Yep, são duas das melhores formações que o rock inglês pode oferecer ao mundo nos últimos vinte e cinco anos. E ambos os grupos lançaram na semana passada (no mesmo dia, inclusive) seus novos álbuns de estúdio. São discos distintos entre si pois o som de um grupo nada tem a ver com o outro. No entanto tanto o indie dançante e que combina guitarras com eletrônica do Kasabian quanto o shoegazer clássico do Slowdive acabam de colocar nas lojas dois discos que já podem entrar facilmente na lista dos melhores lançamentos de 2017 – e sendo que nenhum dos dois CDs deverá ganhar edição física brasileira, o que não quer dizer praticamente nada nestes tempos onde tudo pode ser escutado de graça na web. O quarteto liderado pelo vocalista Tom Meighan e pelo guitarrista Sergio Pizzorno mantém uma impressionante consistência musical e artística em “For Crying Out Loud”. Já o veterano Slowdive reaparece com um impecável e homônimo trabalho inédito, após passar mais de vinte anos longe dos estúdios.

Surgido em Reading, na Inglaterra, em 1989, o Slowdive (atualmente integrado pelos vocalistas e guitarristas Neil Halstead e Rachel Goswell, pelo também guitarrista Christian Savill, pelo baixista Nick Chaplin e pelo baterista Simon Scott) logo se destacou na então nascente cena indie shoegazer inglesa, composta por aquelas bandas cujos integrantes tocavam de cabeça baixa no palco (quase que olhando apenas para os próprios pés) e cujas melodias das canções combinavam guitarras noise com ambiências tristonhas emoldurando letras oníricas. O primeiro álbum no entanto demorou um pouco a sair e foi lançado apenas em 1991, recebendo boa aceitação por parte da imprensa e do público. Com os dois discos seguintes (editados em 1993 e 1995) o Slowdive consolidou sua posição no cenário alternativo britânico e se tornou uma espécie de cult band até interromper sem grandes explicações suas atividades no mesmo ano em que lançou seu terceiro trabalho de estúdio. O conjunto ficou então quase duas décadas inativo e voltou a fazer apresentações ao vivo em 2014. E agora, vinte e dois anos depois do lançamento do último disco inédito, a banda finalmente mostra ao mondo rock que seu shoegazer noventista não ficou datado. Pelo contrário, está mais bonito e atual do que nunca e se mostrando imensamente necessário no atual esmaecido rock’n’roll planetário.

“Slowdive”, o álbum, mantém todos os procedimentos musicais que seduziram fãs e crítica no início dos anos 90’. São apenas oito canções e nelas estão as melodias contemplativas, melancólicas e bucólicas, os vocais lassos e vaporosos e as guitarras estridentes e tratadas com pedaleira. Essa ambiência resulta em momentos sublimes como o single “Star Roving”, seguramente uma das músicas mais bonitas já compostas pelo grupo e também candidata a um dos singles deste ano. Mas há mais no cd: “Sugar For The Pill” é de uma candura, docilidade, e bucolismo tristonho que encantam alma e coração do ouvinte, com seu baixo poderoso e sua condução melódica suave. Uma faixa com elementos sonoros preciosos e que praticamente inexistem no rock atual, que parece ter desaprendido como compor grandes músicas. E o Slowdive, ao contrário, manteve sua qualidade e seu conhecimento composicional inalterado, sendo que “No Longer Making Time” e “Falling Ashes” (que encerra o disco com seus oito minutos de impressionante clima melancólico, bordada com as notas oníricas e reflexivas de um piano que parece ser a reprodução sonora de uma alma tingida de inefável matiz cinza) demonstram isso de forma inebriante e inquestionável.

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Os novos discos do Slowdive (acima) e Kasabian (abaixo): dois veteranos que ainda trazem relevância e dignidade ao rock

 

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E o também já veterano Kasabian? Retorna com fôlego ultra renovado nesse mega dançante (mas também eivado de guitarras envenenadas) “For Crying Out Loud”, que levou três anos para ser lançado e sucede o igualmente muito bom “48:13”, editado em 2014. Já com duas décadas de existência o quarteto formado em 1997 na cidade inglesa de Leicester por Tom Meighan (vocais), Sergio Pizzorno (guitarras e vocais, além de principal compositor do grupo), Chris Edwards (baixo) e Ian Matthews (bateria) lançou até o momento seis álbuns de estúdio que nunca foram menos do que bons. A estréia em disco em 2004 com o homônimo “Kasabian” já colocou o conjunto em evidência entre crítica e público muito por conta das ótimas composições engendradas por Pizzorno, que habilidosamente mixava guitarras algo psicodélicas com melodias dançantes e bordadas com ambiências eletrônicas. Foi assim que a banda fez estourar seu primeiro hit, “Club Foot”, recriando no Reino Unido o mesmo clima de uma década antes, quando os Stone Roses também lançaram mão da mesma fórmula musical para chegar ao topo do rock inglês. Inclusive não deixou de haver quem enxergasse no Kasabian um êmulo do grupo do vocalista Ian Brown.

Mas o quarteto mostrou nos quatro discos seguintes que possuía uma personalidade musical muito forte e própria, notadamente no cd “Velociraptor!”, lançado em 2011. E agora consegue exibir novamente coleção de canções empolgantes e que já tornam este “For Crying…” um dos candidatos a figurar na lista dos melhores álbuns de rock deste ano. Sendo que não há nenhum grande segredo aqui: o Kasabian apenas procurou reeditar o que já vem fazendo muito bem há vinte anos. Assim o cd abre já em clima de total party com “III Ray (The King)” e prossegue dessa forma no primeiro single de trabalho, “You’re In Love With A Psycho”. “Good Fight”, “Wasted” e “Comeback Kid” mantém em temperatura elevada o clima de combustão reinante no trabalho, que exibe o grupo flertando também com nuances de reggae (em “Sixteen Blocks”) e resgatando o clima “madchester” dos tempos de “Fools Gold” (dos Stone Roses) nos mais de oito de minutos de “Are You Looking For Action”, que combina à perfeição guitarras, mezzo psicodelia e ritmo dançante. Melhor impossível.

Trata-se enfim, de um trabalho que desvela a grande capacidade do Kasabian em manter-se relevante em um tempo onde bandas não duram absolutamente nada e onde a sonoridade dos discos se torna obsoleta e enferrujada em questão de semanas. Pois este espertíssimo e ótimo “For Crying Out Loud”, em que pese sua capa bastante cafona (mostrando o velhote que é o road chefe do conjunto se debulhando em lágrimas), está bem longe da ferrugem. E mostra que o Kasabian felizmente continua sendo um dos grandes nomes do rock inglês dos anos 2000’.

 

 

O TRACK LIST DO NOVO ÁLBUM DO SLOWDIVE

1.”Slomo”

2.”Star Roving”

3.”Don’t Know Why”

4.”Sugar for the Pill”

5.”Everyone Knows”

6.”No Longer Making Time”

7.”Go Get It”

8.”Falling Ashes”

 

 

E O TRACK LIST DO NOVO KASABIAN

1.”Ill Ray (The King)”

2.”You’re in Love with a Psycho”

3.”Twentyfourseven”

4.”Good Fight”

5.”Wasted”

6.”Comeback Kid”

7.”The Party Never Ends”

8.”Are You Looking for Action?”

9.”All Through the Night”

10.”Sixteen Blocks”

11.”Bless This Acid House”

12.”Put Your Life on It”

 

 

OS NOVOS DISCOS DAS DUAS BANDAS AÍ EMBAIXO, NA ÍNTEGRA

 

 

E OS VÍDEOS DOS NOVOS SINGLES DE AMBAS

 

 

SLOWDIVE AO VIVO EM SP ONTEM, DOMINGO

Yep. A cult band shoegazer inglesa se apresentou na noite de ontem em Sampa. O blog acompanhou a gig e relata em detalhes como foi ela, através do texto do nosso colaborador Pedro Damian. Leia abaixo.

 

Precisamos falar de Slowdive

 

(Por Pedro Damian, especial para Zap’n’roll)

Serei honesto: quando decidi abrir o blog Shoegazer Alive em 2008 e comecei a compartilhar músicas do estilo shoegaze, um dos meus objetivos era tornar o gênero conhecido a ponto de criar um zumzum que chegasse aos ouvidos dos ícones (My Bloody Valentine, Slowdive, Ride, Swervedriver) e de alguma forma os motivasse a voltar à ativa – visto que todos seus membros estavam em outros projetos. A febre dos blogs na época instrumentalizou outros ativistas musicais a fazer o mesmo e 9 anos depois estou aqui, em pleno dia das mães, em frente ao palco do Cine Jóia, em São Paulo, onde o Slowdive se apresenta pela primeira vez no Brasil, fechando a terceira edição do Balaclava Fest. Posso dizer que a meta está mais que alcançada.

O Slowdive foi formado em Reading, Inglaterra, no final dos anos 80, por Neil Halstead (vocal e guitarra), Rachel Goswell (vocais, guitarra, teclado e pandeiro), Nick Chaplin (baixo), Christian Savill (guitarra) e Simon Scott (bateria). Sua discografia é composta por 4 trabalhos: Just For A Day (1991), Souvlaki (1993) e Pygmalion (1995) e o recente Slowdive, lançado no último dia 5. A banda encerrou o mesmo festival que trouxe em 2016 o Swervedriver, outro ícone shoegazer, mas de menor dimensão que o Slowdive. Muitos fãs que conheceram os ingleses via blog estavam no Cine Jóia, assim como os veteranos como eu que tiveram seu primeiro contato por meio de programas de rádio antenados (do mestre Kid Vinil, por exemplo, à época na Brasil 2000) e depois foram comprar os CDs importados em lojas especializadas (em São Paulo na Galeria do Rock e na Galeria Presidente). Analisando a imensa fila que se formou à porta do local

momentos antes da abertura das portas, previ que começado o festival dificilmente encontaria aqueles bocós que vemos normalmente em grandes festivais, de costas para o palco, fazendo selfies com caretas estúpidas e se preocupando mais em encher a cara do que com o que se passa no palco. Errei em parte. Sempre vai ter um ou outro boçal pra encher o saco de quem gosta de música. Porém, neste festival foram em número reduzido. Ainda bem.

A programação do terceiro Balaclava Fest foi variada e interessante. Abrindo os trabalhos o duo americano de guitarpop Widowspeak apresentou músicas de seus três discos (Widowspeak, de 2011, Almanac, de 2012, All Yours, de 2015) e do EP The Swamps, de 2013. Formada pela dupla Molly Hamilton (voz e guitarra) e Robert Earl Thomas (guitarra), que ao vivo costuma se apresentar com o baixista Willy Muse e o baterista James Jano (os quais não vieram para este show no Brasil, deixando só a dupla no palco), agrada pela baladas agridoces, quase folksters, que ganham suavidade com a bela voz de Molly. O ponto alto da apresentação ocorreu quase no final, na penúltima música, com uma versão arrebatadora de Wicked Game, tema do seriado Twin Peaks e que ficou famosa na voz de Chris Isaak.

Na sequência o indie americano do Clearance trouxe repertório baseado no último disco Rapid Rewards, de 2015, e algumas músicas novas. Ao vivo, Mike Bellis

(vocal e guitarra), Kevin Fairbairn (Guitarra), Greg Obis (baixo) e Arthur Velez (bateria) mostraram o mesmo que no disco citado. Se você ouve a música e não sabe quem está tocando, vai dizer que é Pavement. As mesmas inflexões vocais do Stephen Malkmus, as mesmas guitarras quebradas, mesma seção rítmica, estrutura das músicas… Já as músicas novas fogem um pouco desse quase plágio, colocando um pé no indie rock mais tradicional. Quem ama esse tipo de som como eu, adorou. Quem não conhecia bem ou não gostou deu as costas e foi tomar uma cerveja.

Missão terrível coube ao E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, banda paulistana de post-rock, formada por Lucas Theodoro, Luden Viana, Luccas Villela e Rafael Jonke, que viria a seguir: atrair a atenção do público que, naquela altura estava voltada para o show principal. O trabalho instrumental é refinado. Percebe-se que as músicas – poucas e longas – são bem trabalhadas e a banda deu o seu melhor para levantar o público, que a esta altura já lotava o Cine Joia. E conseguiu entusiasmar boa parte da galera, principalmente nas músicas mais pesadas, que flertam com o post-metal. Taí uma banda de futuro, ao menos no estreito nicho que atua, o rock instrumental. Terminado o show, encontro com duas grandes figuras desse segmento, Lucas Lippaus e Elson Barbosa [nota do editor do blog: mais conhecido como Elson BarBOSTA, rsrs], membros do Herod e capitães do selo Sinewave, especializado nesse tipo de som. Embora contente com a apresentação do E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, Elson vaticinava o que esperava do show do Slowdive: “Vai ser lindo!”. A presença de vários músicos de post-rock no show do Slowdive não é à toa. Mesmo na

Inglaterra a banda é considerada como uma precursora do gênero, com suas canções em que o instrumental predomina sobre as letras e as estruturas musicais rebuscadas. Muitos consideram o terceiro álbum, Pygmalion, o primeiro disco de post-rock.

Um dos destaques do Balaclava Fest foi a pontualidade. Todos os shows começaram, se não na hora, poucos minutos depois do agendado. E o Slowdive, à maneira e à educação de seu país de origem, entrou com uma pontualidade britânica, às 21:20, como estava previsto pela organização do festival. Antes de passar ao setlist, algumas considerações gerais sobre o Slowdive e seus membros. A entrada triunfal de Rachel e o carinho com que foi recebida pelo público não deixa dúvidas: ela é a líder, a cara e o coração do Slowdive. Afastada dos palcos por 6 anos, devido a um problema no ouvido – que quase abreviou sua carreira – retornou timidamente à música como convidada especial de shows acustícos feitos pelo amigo Neil Halstead, em 2013 (isso é fácil de achar no youtube). Nem parece a Rachel de hoje: carinha de nerd, óculos… aparência quase de uma estudante ou dona de casa. No palco do Cine Joia, Rachel foi um vulcão: tocou

teclado (instrumento introduzido neste retorno da banda), pandeiro, guitarra, e, claro, nos brindou com sua belíssima voz! Por sinal, nas músicas novas, há uma gritante diferença nos vocais: Rachel “roubou” partes que no disco eram cantadas apenas por Neil. Interessante que seu entusiasmo contrasta com a frieza de grande parte das músicas do Slowdive, que, definitivamente, não foram feitas para o agito.

Já Neil Halstead, que costuma ser contido e bastante tímido nas apresentações, demonstrou uma simpatia e desinibição inesperados. Se Rachel é o coração da banda, Neil é o poeta. O construtor das letras que são feitas para se harmonizar musicalmente com as melodias. Seu talento nesse sentido é mais perceptível no Mojave 3, banda paralela que mantém com Rachel, aonde a tristeza das letras dão sentido às canções. Na guitarra ele é o número 2, que participa em alguns solos e no “wall of sound” das músicas características do Slowdive.

Já o engenheiro por trás do “wall of sound” da banda é Christian Savill, a guitarra número 1 e de onde saem os timbres que sustentam as melodias e caracterizam o som do Slowdive. Todos os sons mais agudos e os principais reverbs saem de lá. Seu trabalho é quase matemático… a elaboração de camadas e camadas de timbres, e noise de todos os tipos.

A “cozinha” do Slowdive, formada por Nick Chaplin (baixo) e Simon Scott (batera), devido à característica da banda, sempre ficou em segundo plano. Mas nas

novas músicas isso mudou. Não que o noise tenha sido deixado de lado em “Slowdive” em favor de músicas mais “pop”. Mas a participação do baixo e bateria ficou mais evidente. Até houve o caso de um pocket show realizado nos Estados Unidos em que o baixo do Nick foi mixado à frente das guitarras em Star Roving, em uma versão acelerada da música. Foi uma experiência única e que ficou bem interessante. No Brasil, entretanto, a versão tocada foi a do disco.

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O Slowdive ao vivo ontem em Sampa: emocionando a velha guarda shoegazer (foto divulgação)

O show no Brasil foi aberto com Slomo, a mesma música que abre o disco novo (que para mim deveria ser o título de Star Roving, que tem mais a ver – entendendo-se Slomo como uma junção dos nomes das bandas Slowdive e Mojave 3). A música mantém o mesmo ritmo lento das canções do Slowdive, com poucos momentos de noise, vocais esparsos de Neil e Rachel. A guitarra de Christian Savill conduz toda a canção, com seus timbres agudos e melódicos. Na sequência,  as duas primeiras músicas do Slowdive, incluídas no EP homônimo de 1990: “Slowdive” e “Avalyn”. Ambas trazem o wall of sound que caracterizou o shoegaze em seus primórdios: a primeira mais pop, com estruturas bem definidas, e a segunda mais viajante, com ampla passagem instrumental. “Catch the Breeze” encerra esse bloco das antigas, trazendo outro shoegazer clássico, inserido no álbum Just For A Day, de 1991. Foi a primeira música em que o público começou a se manifestar. Até então todos (exceto aqueles de sempre que vão aos shows para conversar e infernizar a vida dos outros, como pode ser comprovado em vídeos do show que upei no Youtube) estavam curtindo o show em silêncio.

“Crazy For You”, a música que se segue e que tem apena uma frase (Crazy for lovin’ you, repetida 9 vezes), mostra a incrível versatilidade de Neil em brincar com a sonoridade das palavras e estruturas musicais. Uma das músicas mais rápidas do set, com pouco mais de 4 minutos. Faz parte do terceiro álbum, Pygmalion, o mais experimental da banda. A seguir, um novo clássico, “Star Roving”, certamente a música do Slowdive com ritmo mais acelerado. Lembra muito Mojave 3, projeto paralelo de Rachel e Neil. O público respondeu com entusiasmo. Pela receptividade das músicas novas, o Slowdive fez uma grande jogada para se reinventar e manter-se relevante no atual cenário musical.

A sétima música continuou a missão de manter os espectadores agitados. “Souvlaki Space Station”, do segundo álbum, “Souvlaki”, mostra o lado space rock do Slowdive, gênero em que eles também mostram maestria, com um vasto repertório de efeitos. A seguir, outra música nova, “No Longer Making Time” que, junto com “Sugar For A Pill” dá a cara do novo Slowdive: ainda com ritmo lento, quase arrastado, com passagens quase minimalistas mescladas com um arranjo vocal perfeito entre Neil e Rachel.

Dagger, de Souvlaki, quebrou totalmente o ritmo da apresentação e surpreendeu a todos, inclusive a mim. Neil pegou sua guitarra e cantou a emotiva balada sem auxílio de outros instrumentos, inclusive pedais. Momento “acústico” do Slowdive. No final, até Neil bateu palmas para a platéia (alguns cantaram junto a letra).

As 4 músicas subsequentes foram o ponto alto do show. Alison, a bela música que abre Souvlaki, e que parece ter sido composta na fase anterior da banda, do shoegaze clássico do primeiro álbum (Just For A Day), ouriçou o povão (ao que parece Souvlaki era o favorito da galera). Muita gente cantando junto. Sugar For the Pill, uma das melhores do novo álbum, também conquistou uma receptividade surpreendente. Para mim é a melhor música do ano até agora. Mais uma vez, Rachel divide os vocais com Neil (enquanto no álbum, só aparece a voz do cantor). A seguir viria o que eu consideraria o ponto alto do espetáculo (até a música seguinte): When the Sun Hits, provavelmente a música mais conhecida do Slowdive. A perfeição de sua execução, o brilhante “wall of sound” entre

estrofes e refrão, faziam com que acreditasse que estava certo em minha previsão.

Não estava. Mesmo já tendo ouvido à exaustão tanto “When the Sun Hits” como “Golden Hair”, a cover de Syd Barret com que fecharam o show no set normal, não achava que a homenagem que fizeram ao ex-Pink Floyd soasse tão emocionante ao vivo. Que me desculpem Kevin Shields e Mark Gardner (os quais criaram impressionantes “wall of sounds” nas apresentações das músicas You Made Me Realize e Drive Blind, do My Bloody Valentine e Ride, respectivamente). Mas os seis minutos instrumentais de Golden Hair somam ao caótico noise ensurdecedor das músicas citadas das outras bandas shoegaze uma emoção que só grandes artistas conseguem criar.

Uma pausa para tomar água e o Slowdive volta para as duas músicas finais. “She Calls”, do terceiro EP da banda, Morningrise, de 1991, apesar de ser da fase inicial da banda mostra caminhos instrumentais que seriam retomados em Pygmalion. Muito noise, vocais esparsos, porém mais “desesperados” que o normal por parte da Rachel. Para encerrar, “40 Days”, do Souvlaki, encerra uma apresentação magnífica com chave de ouro. Uma das canções mais pop e mais emocionais escritas por esse gênio chamado Neil Halstead.

Uma noite gloriosa para os fãs de música, que poderia ter sido um pouco mais satisfatória por conta de algumas características típicas de shows em São Paulo e que parecem não mudar nunca. Primeiro, o preço das bebidas: uma latinha de Bud por 13 dilmas e Stella por 15 é um absurdo. Segundo: estacionamentos ao redor que fecham às 11 da noite (exata hora do encerramento dos shows). Como tive que sair para pegar o carro, não foi possível tentar conseguir uma foto com a banda nos camarins. Paciência.

O que o Slowdive mostrou compensa qualquer frustração. Oferece um estado de êxtase que compensa os aborrecimentos do dia a dia, cada vez mais frequentes.

 

***Pedro Damian, 51 anos de idade, é jornalista, fã de shoegazer britânico dos anos 90’ e editor do blog Shoegaze Alive (https://shoegazeralive9.blogspot.com.br/).

 

***O blog quer deixar registrado aqui que lamenta o profundo menosprezo e falta de atenção (além de também falta de respeito e educação) com que a produtora do show do Slowdive, Balaclava, tratou estas linhas zappers. Entramos em contato com os sócios da produtora (os músicos Fernando Dotta e Raphael Farah) em busca de infos sobre credenciamento para o evento. E nenhum dos dois sequer se dignificou a responder algo. Faz parte e pelo menos temos nesse post uma excelente cobertura da gig, através do ótimo texto do amigão Pedro Damina. Por certo a Balaclava só se importa em ganhar dinheiro com seus festivais e não faz questão que eles sejam cobertos jornalisticamente por um blog como Zap’n’roll, que tem cerca de 70 mil acessos mensais.

 

 

SLOWDIVE AO VIVO ONTEM EM SAMPA

Em dois momentos da gig, registrados no YouTube por Pedro Damian.

 

HÁ VINTE ANOS O RADIOHEAD LANÇAVA A OBRA-PRIMA “OK COMPUTER”, UM DOS ÚLTIMOS GRANDES DISCOS DA HISTÓRIA RECENTE DO ROCK

É realmente incrível como, à medida em que vamos envelhecendo, os anos parecem avançar de maneira muito mais rápida. Meteórica, até. É o caso dos últimos 20 anos da vida do autor destas linhas bloggers rockers: 1997 parece que foi ontem. E no entanto muita coisa mudou no mundo e na nossa existência nessas duas décadas.

Onde você estava em 21 de maio de 1997? Bien, este já velho jornalista rocker (e ainda loker) havia acabado de se mudar para uma república de estudantes no bairro da Liberdade, centrão selvagem e loki de Sampa (uma das piores fases da nossa vida quase sempre loka: sobrevivendo de frilas jornalísticos esporádicos, morando numa república, fumando crack etc. Mas mesmo assim, as BOCETAS não faltavam rsrs). E na Inglaterra o quinteto Radiohead estava lançando o disco que o tornou definitivamente mega banda: “Ok Computer”, talvez um dos últimos grandes álbuns da história recente do rock’n’roll mundial.

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O quinteto inglês Radiohead (acima) e sua obra-prima, “Ok Computer” (abaixo): um dos últimos álbuns seminais da história recente do rock mundial

CAPARADIOHEADOKCOMPUTER

 

O grupo liderado pelo eternamente estranhíssimo vocalista e letrista Thom Yorke vinha de dois trabalhos muito bem sucedidos (“Pablo Honey” e “The Bends”) mas que ainda meio que aprisionavam o conjunto na estreita redoma do indie guitar rock. Foi quando Yorke e o restante da turma literalmente piraram, soltaram suas amarras musicais e deu no que deu: “Ok Computer” era (e continua sendo) uma obra-prima sem igual. Ampliou os horizontes musicais do grupo quase ao infinito, e fez a transição perfeita entre o indie guitar inicial da banda e a sonoridade experimental e o art rock que a partir de então seria a marca registrada deles – e que, sejamos honestos, rendeu discos bem sacais na trajetória do Radiohead, como os posteriores “Kid A” e “Amnesiac”, progs demais pro gosto zapper.

Mas “Ok Computer” permanece, 20 anos após seu lançamento, como marco definitivo da trajetória do “Cabeça de rádio”. O disco que tem “Paranoid Android”, “Airbag”, “No Surprises” e, principalmente, a imbatível “Karma Police”. Yep, depois dele o quinteto ainda lançou trabalhos dignos de nota (“Hail To The Thief”, “In Rainbows”, o recente “A Moon Shaped Pool”), um único realmente ruim (“The King Of Limbs”) e segue na ativa – inclusive está em turnê mundial de promoção do último disco e talvez apareçam novamente aqui em 2018. Fica a nossa torcida em relação a isso. E para celebrar as duas décadas de “Ok Computer”, nada melhor do que escutar novamente essa obra-prima, que está aí embaixo na integra.

 

 

OS DIAS ERAM ASSIM EM 1997, QUANDO “OK COMPUTER” FOI LANÇADO

***não havia internet, cels, apps e redes sociais no mundo em 1997. E por isso mesmo, definitivamente, o ser humano era mais feliz, menos solitário, menos egoísta, menos careta e mais liberal.

 

***mas Thom Yorke previa justamente um mundo sombrio, dominado por computadores e bastante desajustado nas relações humanas, nas letras das canções de “Ok Computer”.

 

***o disco era complicado e difícil, não restava dúvida quanto a isso. A gravadora do grupo (a Parlophone) ficou decepcionada com o material entregue pela banda e previu que o álbum seria um fracasso de vendas. Pois “Ok Computer” emplacou nada menos do que quatro singles nas paradas e rádios do mundo inteiro. E é até hoje o disco mais vendido da história do Radiohead. Ou seja: os ouvintes de música mundo afora também eram mais inteligentes e cultos naqueles tempos. E se tornaram muito mais BURROS de 20 anos pra cá.

 

***como o blog conheceu “Ok Computer?”. Bien, Finaski já conhecia o Radiohead, óbvio. Mas não era nenhum fã de carteirinha do conjunto. Foi quando começou a ter um “affair” com uma magrela de bunda e peitos miúdos que morava no bairro do Belém, começo da zona leste de Sampa, e que AMAVA ser fodida no cu pequeno pela grossa rola fináttica, rsrs. Ela nem era muito bonita. Mas tinha uma cultura elevadíssima para a sua pouquíssima idade (20 anos). E literalmente AMAVA o Radiohead. Foi de tanto freqüentar sua casa e ouvir zilhões de vezes “Ok Computer” na sua cia que o sujeito aqui acabou se rendendo à genialidade do disco.

 

***em Sampa a maior lenda do circuito alternativo noturno da cidade estava chegando enfim ao fim: o Espaço Retrô (só quem freqüentou e viveu momentos inesquecíveis e incríveis ali sabe o que aquilo significou em nossas vidas e em nossos anos jovens) fechou suas portas em 1998. Ano em que o Radiohead acabou também se transformando em febre por aqui.

 

***uma febre tão grande que levou este Finaski a sugerir ao nosso eterno e amado Pomba (então “editador-chefe” da edição impressa da revista Dynamite, uma das principais publicações de rock do Brasil naquela época) que déssemos uma CAPA para a banda na revista. Essa capa veio na última edição de 1998, em texto/perfil do grupo assinado por Zap’n’roll e complementado por uma entrevista exclusiva que o nosso então correspondente em Londres, Celso Barbieri, conseguiu com o vocalista Thom Yorke.

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A extinta revista alternativa Dynamite e sua edição de dezembro de 1998: a capada publicação registrou a explosão mundial (Brasil incluso) de popularidade do Radiohead

***yep, não existem mais bandas como o Radiohead nos anos 2000’. Nem discos como “Ok Computer”. E muito menos revistas como a saudosa Dynamite – na boa: a imprensa musical e rock brasileira literalmente ACABOU. Ou você ainda duvida disso?

 

 

MUSA ROCKER TOTAL DELICIOUS – A LINDAÇA E GOSTOSASSA FLÁVIA DIAS

Nome: Flavia Dias.

Idade: 38 e alguns quebrados.

De onde é: São Paulo.

Mora onde e com quem: Moro na masmorra de um castelo com um dragão caralhudo.

O que faz: Escrevo e leio almas. E nos intervalos, se pedir com jeitinho, eu faço tudo.

O que estudou: O único diploma que tenho não serve pra porra nenhuma. E me recuso dizer que tenho ensino médio completo porque pra mim, nada que é médio pode ser completo. E vou dizer-lhes mais: em meio livro do Dostoiévski aprendi muito mais do que em todas as escolas que estudei. A minha ignorância vem do bolso mesmo, porque acho que nem berço eu tive. Enfim, eu leio.

Três discos: Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets. (E de preferência com muitos Baurets),

Uah Bap-Lu-Bap-Lah-Béinn-Bum!  (Toca Raul!! ) e Beggars Banquet (The Rolling Stones (porque aquela noite foi incrível)

Três bandas ou artistas: Rita Lee, Janis Joplin, Rolling Stones.

 

Três filmes: Psicose, Taxi Driver, Um estranho no ninho.

Três diretores: Quentin Tarantino, Charlie Chaplin, Steven Spielberg.

Três livros: Notas do Subsolo (Dostoiévski), Pergunte ao pó (John Fante), Misto Quente (Bukowski).

Um show inesquecível: Inesquecível mesmo foi o primeiro. Titãs. Eu tinha uns doze anos, e até hoje me arrepio quando lembro da multidão mandando as oncinhas pintadas, as zebrinhas listradas, e os coelhinhos peludos se fuderem. Foi mágico. Acho que nem foi o show mais foda que eu fui, mas foi o único que eu estava sóbria, deve ser por isso que eu lembro.

Como o blog conheceu Flavinha: ela é super amiga de uma outra amigaça (e também musa rocker) zapper, a escritora e roteirista Juliana Frank. Foi assim que, algum tempo atrás, o velho jornalista ainda loker conheceu a morenaça pessoalmente, quando todos estavam “derrubando” algumas brejas no bar Cemitério de Automóveis, do dramaturgo Mário Bortolotto. Conheceram e não se desgrudaram mais: o blog estava no último finde no apê de Flávia, tomando um ótimo cabernet sauvignon chileno e admirando sua incrível coleção de livros (ela é fã dos russos e dos beats americanos, entre outros). Mas enfim, chega de papo, rsrs. Podem preparar as bronhas, ulalá! Aí embaixo o ensaio fodástico de miss Flávia, em imagens registradas pelo seu Love boy, o fotógrafo Daniel Inácio.

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Ela ama (assim como o blog também ama) os Stones

 

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Ela ama Allen Ginsberg

 

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Ela ama vinho e letras

 

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Ela ama se desnudar e refletir

 

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Ela AMA nos provocar e nos enlouquecer

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E FIM DE PAPO

Postão já está gigantão, néan? Então ficamos definitivamente por aqui porque a sextona já chegou e tem Virada Cultural em Sampa nesse finde. De modos que deixamos para o próximo post (sem falta!) uma análise mais bacana sobre o novo álbum do Vanguart (“Beijo Estranho”) e também sobre a estréia em cd da banda surf instrumental paulistana Pultones, sendo que o disco deles está em sorteio lá no hfinatti@gmail.com.

Beleusma? Então é isso. Logo menos voltamos aqui com postão inédito do blog que há catorze anos se mantém como um dos campeões de audiência da blogosfera brazuca de cultura pop. Até mais!

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 19/5/2017 às 15hs.)

TCHAU 2016! Um ano que foi do INFERNO em todos os sentidos possíveis, que já vai mega tarde e que não vai deixar saudade alguma; e para encerrar esses doze meses pavorosos com alguma alegria e dignidade o blog traz a sua modesta lista de melhores do ano (no rock e em mais alguns setores da cultura pop), além de brindar os leitores como um “presente” de ano novo: um super ensaio total NUDE e safado com um casal rock’n’roll total, uhú!

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2016 será lembrando (ou esquecido?) como o ano do horror no mundo e do inferno na cultura pop; ainda assim os últimos doze meses viram o rock alternativo ser salvo por nomes como a deusa inglesa PJ Harvey (acima) ou a revelação do indie rock brazuca, Jonnata Doll & Os Garotos Solventes (abaixo)

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Fim de jogo melancólico para um 2016 idem.

Sim, talvez Zap’n’roll esteja nos últimos tempos mais azedo e amargo e cinza na alma (seja lá o que for ela) e no coração, do que habitualmente já é. Na real (e como já bem observou mana Jaqueline, que conhece melhor do que ninguém o titular deste blog) o autor destas linhas rockers virtuais sempre foi um INADEQUADO e DESAJUSTADO emocional e existencial. E isso não vai mudar aos 5.4 de vida. Assim a melancolia perene só aumenta nesse período de festas (ilusórias e algo falsas também) de fim de ano. Festas que nunca nos fizeram grande sentido no final das contas. E o pouco que havia de sentido para nós nelas se foi em definitivo quando mama Janet se foi, há 12 anos. Talvez todo esse nosso universo perenemente cinza já esteja meio que cansando alguns (ou muitos) aqui, e por conseqüência afastando “amigos” (reais ou virtuais) e leitores, visto que a regra do MUNDO VIRTUAL é bem clara: o mundo pode estar um CAOS TOTAL (atentados terroristas com caminhões, embaixador abatido a tiros diante de câmeras de tv, Brasil vira lata na maior crise e buraco da sua história, estupidez, ignorância e neo conservadorismo se generalizando pela sociedade global, a daqui inclusa etc.) mas em redes sociais como o FACETRUQUE (ótima definição dada pra ele pelo querido capixaba Alex Sobrinho), por exemplo,  todos são MEGA FELIZES, suas vidas são PERFEITAS, o mundo está ÓTIMO e não temos nada do que reclamar – até mesmo porque precisamos fazer INVEJA a quem lê nossas postagens, não é? Então o blogger zapper deve mesmo ser um ALIEN em total desajuste, pois não se sente compelido a agir dessa forma, de maneira alguma. Prefere ser o que é, ainda que isso custe o AFASTAMENTO dos, hã, “amigos”. No entanto o blog prefere mesmo olhar o mundo com a crueza e a realidade dura que os olhos exigem ao observar o que se passa em nossa própria existência e ao redor dela. Claro, não está fácil para ninguém, diria o outro. Então por que insistir em brumas ilusórias e surreais de felicidade quando na verdade a grande maioria da humanidade vive mergulhada em matizes totalmente infelizes? Finaski escreve como sempre na madrugada (é quando o silêncio total e a solidão do ato da escrita permitem que o raciocínio tenha a reflexão e a fluidez máxima, algo que jamais se consegue durante a confusão barulhenta do dia). E escrevendo especificamente este último editorial do blog em 2016, pensamos no pouco que ainda almejamos no que resta de nossa jornada nesse mundo (e se é que existe outro além dele), que não deve durar muito mais. Pensamos basicamente em ter um livro publicado e passar alguns (poucos que sejam) anos tranqüilos morando na montanha mágica. Conseguindo isso, já nos daremos totalmente por satisfeitos. Enquanto isso não acontece e não se resolve, continuamos mergulhados nas reflexões cinzas e amargas de sempre pois apenas elas nos dão a real dimensão do quão infrutífera e cruel é a existência humana no final das contas. Afinal o ano que está terminando não traz absolutamente NENHUM MOTIVO para comemorações ou felicidade. Principalmente na esfera política, social e também na cultura pop. Aliás temos consciência de que andamos escrevendo cada vez menos sobre música (e rock) aqui. E cada vez mais sobre política, sobre angústias existenciais etc. Não é preciso refletir muito para se saber o motivo dessa postura editorial: o rock’n’roll está morto, simples. E quando dizemos isso nos referimos à renovação do gênero em si. Uma renovação quase inexistente de 16 anos pra cá. Houve ainda um espasmo de novidade e criatividade com alguns novos nomes realmente muito bons como The Strokes (no primeiro disco), Interpol (idem), Franz Ferdinand (ibidem), Arctic Monkeys, Arcade Fire, The Raveonettes e mais alguns poucos. E depois? O que vimos e ouvimos então? O silêncio paulatino das guitarras e o avanço de gêneros hoje bem mais populares no pop, como música eletrônica, rap, hip hop e as xotonas cantantes ao estilo Beyoncé, Rihanna etc. O fenômeno do desmonte do rock’n’roll se tornou algo tão sério que uma gigante lendária da indústria de instrumentos, lançou uma campanha publicitária em 2016 SUPLICANDO aos jovens para que eles NÃO DEIXASSEM DE COMPRAR GUITARRAS. E não é só na gringa que o rock está praticamente morto. No Brasil (esse tristíssimo e miserável bananão tropical, fodido e falido, total vira lata e de população/sociedade burra, ignorante e bestial em grau máximo) é a mesma situação: o rock sumiu da mídia, das rádios, da TV, de boa parte da web. A cultura pop de massa (ela também em total e franca decadência cultural e qualitativa), música inclusa no pacote, acompanha o gosto médio do que o populacho quer consumir. E nesse momento o populacho gosta e consome em doses elevadas no bananão podre a música que é a cara desses tempos estúpidos, reacionários, amorfos, anestesiados onde não há mais discussão e debate de idéias, nem transgressão ou subversão artística. É a música dos conformistas e BURROS, que aceitam passivamente e sem bater mais panela alguma ver o país afundar e ser tragado por uma crise brutal, enquanto um desgoverno golpista de merda caga e anda para todos. Qual a trilha desse bananão e dessa sociedade imbecil? Não é preciso ser nenhum gênio pra descobrir: ela está aí na boca do povo, com os hits porcos de sempre no axé burrão, no sertanojo universotário, no pagode machista e dor-de-corno de quinta categoria, no funk ostentação podrão de hits como “Tá tranqüilo, ta favorável”, “Metralhadora” e outras idiotices do mesmo calibre. E quem ainda dá alguma sobrevida ao rock são VELHOS como, por exemplo, Noel Gallagher (o gênio que carregava o Oasis nas costas e que irá fazer cinqüenta anos de idade em 2017) ou Nando Reis (o sujeito que comandou por duas décadas o baixo nos Titãs e que continua sendo um dos maiores e melhores compositores e hit makers do pop brasileiro, e que está já com cinqüenta e três nas costas). Ambos tiveram programas dedicados a eles esta semana no canal Bis (Gallagher se apresentando no Jools Holland; Nando, no “Pop na estrada”) e mostraram que ainda dão dignidade, criatividade e força ao que resta de rock’n’roll no mundo e na cultura pop. De resto um gênero que perdeu mesmo sua capacidade de renovação e isso até no indie rock brazuca, que nunca esteve tão imbecilizado, criativamente falando (sendo que há exceções nesse quadro pavoroso, claro, e algumas delas esse ano foram bandas como Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, Rios Voadores, Trem Fantasma, The Baggios, Carne Doce e Vinyl Laranja). Ou você acredita mesmo na balela bombardeada pelo blog Pobreload e seu autor, nosso “prezado” Lucio Ribeiro (aquele eterno adolescente com síndrome de Peter Pan, mesmo estando com mais de cinquentinha de idade já, uia!), que delira com sua ilha da fantasia indie onde o indie rock nacional nunca esteve tão bem? Fala sério… Então, quando escrevemos que o rock’n’roll morreu ou está à beira da morte, é nesse sentido: de que ele não se renovou, perdeu o rumo estético e está aí, totalmente irrelevante e à deriva no final desse 2016. Bandas ainda existem aos milhares aqui e pelo mundo todo. Mas elas duram cada vez menos, são cada vez menos dignas de nota e o que gravam e postam na internet é ouvido uma ou duas vezes por quem se dispõe a ouvir o material e depois esse mesmo ouvinte já descarta o que ouviu, interessado em que está em escutar outra banda inútil e esquecível em tempo recorde. Pois fato é que nenhuma banda atual consegue mais ter prazo de validade enorme, como os grupos clássicos tiveram. Porém o rock’n’roll será eterno, sim, e justamente pelo que ele já legou de fantástico e clássico para a música mundial: todas as obras gigantes de nomes idem (Stones, Who, Led Zep, Ramones, Clash, Doors, Velvet, Smiths, Joy Division, Echo & The Bunnymen, REM, Nirvana, Oasis etc, etc, etc.) estão aí, eternizadas e registradas de forma sublime para quem quiser sempre ouvir. Então, velho que também está ficando (ranzinza? Rabugento? Talvez…) este zapper prefere ficar com os VELHOS (mas jamais obsoletos) iguais a nós, quando o assunto é rock. Enfim é isso: assim como o mundo todo e a humanidade talvez estejam mesmo no fim da sua história, o rock’n’roll pelo jeito chegou ao fim da sua. E este velho jornalista loker, que será um amante apaixonado e devotado pelo rock ad eternum, irá sim sempre amar quem fez esta história musical que foi a trilha sonora principal da nossa existência. Uma trilha que irá permanecer em nós até nosso derradeiro respirar, que esperamos não demore muitos anos mais. E pelo menos, enquanto esse último respiro não chega, esse horrendo 2016 dá finalmente seu adeus – e já vai tarde, sem deixar saudade alguma. Vamos então ao post derradeiro desse ano, com nossas modestas escolhas sobre o que achamos de melhor no que ainda resta de ótimo no rock’n’roll e na música em geral. E dando de brinde ao nosso dileto leitorado um último ensaio imagético e erótico no capricho, com um CASAL total rocker. Ao menos isso: imagens mega sensuais para fechar e colorir um pouco um ano desastroso para um mundo idem.

 

 

E no último post deste ano e que está entrando no ar nessa tarde de calor senegalesco de sextona pré virada de ano, sem notinhas iniciais. Mas apenas deixamos mais uma vez nosso rip e nossa saudade para cinco GIGANTES da história da música pop e do cinema e que nos deixaram em 2016.

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FIM DE JOGO PARA 2016, UM ANO PAVOROSO NO ROCK E NA CULTURA POP EM GERAL – MAS AINDA ASSIM O BLOG ZAPPER APRESENTA SUA MODESTÍSSIMA LISTA DOS MELHORES DOS ÚLTIMOS DOZE MESES

Yep, como já cansamos de escrever e repetir aqui nos últimos tempos, o rock’n’roll planetário e a cultura pop em geral também estão sofrendo horrores com estes tempos onde a falta de criatividade e de qualidade artística reinam no mondo pop – no rock em particular. Dessa forma estas linhas online, que sempre foram algo avessas a listas de “melhores do ano”, ficaram pasmas ao verificar como publicações gringas publicaram, ao longo das últimas semanas, zilhões de listas com os “melhores álbuns de 2016”. Listas que foram sendo regurgitadas por aqui através de blogs “vizinhos” que vivem de empurrar hypes duvidosos e inúteis aos seus já parcos leitores. E não eram listas pequenas, não: a maioria conseguiu listar 50 MELHORES DISCOS (!!!) neste ano. E até o famigeradao “Tenho mais discos que amigos” (e mais discos do que leitores também, provavelmente) conseguiu a façanha de listar igualmente 50 grandes discos nacionais para este ano que finalmente está dizendo adeus.

Na boa? Haja enrolação, embromação e boa vontade para montar essas listas. Zap’n’roll, sempre mais honesta e sabedora da falência qualitativa que se instalou no rock daqui e de fora, vai direto ao ponto. E elenca (que palavra chic, uia!) aí embaixo aqueles POUCOS que, na nossa opinião, salvaram 2016 do naufrágio completo na música e na cultura pop em geral. Veja os nossos eleitos e fique avonts para discordar, claaaaaro!

 

 

CINCO DISCOS GRINGOS GLORIOSOS NESTE TRÁGICO 2016

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  1. David Bowie/”BlackStar”
  2. J. Harvey/”The Hope Six Demolition Project”
  3. Teenage Fanclub/”Here”
  4. Leonard Cohen/”You Want It Darker”
  5. Radiohead/”A Moon Shaped Pool”.

 

 

CINCO DISCOS NACIONAIS QUE SALVARAM O ROCK E A MPB ESTE ANO

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1.Céu/”Tropix”

2. Jonnata Doll & Os Garotos Solventes/”Crocodilo”

3.Sabotage/”Sabotage”

4. Metá Metá/”MM3”

5. Rios Voadores/”Rios Voadores”.

 

 

UM FILME MARCANTE DE 2016

“Aquarius”, de Kléber Mendonça. Alguma dúvida?

 

 

UM LIVRO

“A segunda mais antiga profissão do mundo”, coletânea de textos da lenda do jornalismo brazuca que foi Paulo Francis.

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O SHOW DO ANO

Os Stones, claaaaaro!

 

 

E O MICO DO ANO

A série “O boom do indie nacional”, criada pela “ilha da fantasia indie” que é o blog Pobreloa…, quer dizer, Popload.

 

 

E PARA FECHAR BEM UM ANO PÉSSIMO, NOSSO PRESENTE DE NATAL PROS LEITORES ZAPPERS: UM CASAL TOTAL ROCKER E MEGA SAFADO/DEVASSO, WOW!

Yep, 2016 foi um ano pra lá de pavoroso em todos os sentidos, néan. E como se não bastasse todo esse pavor (crise econômica monstro, país no buraco total, violência urbana e social fora de controle, cultura pop aos pedaços e rock’n’roll planetário praticamente extinto), há ainda aquele ingrediente extra, a “cereja no bolo”: a nova mega onda conservadora planetária, que atinge todos os países, Brasil incluso no pacote.

De modos que nosso célebre tópico “musa rocker” andou sumido do blog, não é mesmo? Sim, ele hibernou por um tempo bom, até porque os tempos atuais são total refratários a qualquer tipo de “ousadia” – editorial e em blogs, inclusive.

Mas enfim, como este é finalmente o ÚLTIMO post zapper deste cabuloso (e ponha cabuloso nisso) 2016, resolvemos tirar o tópico de seu período, hã, sabático. E como uma espécie de brinde ao nosso sempre fiel e diletíssimo leitorado, trazemos para fechar bem este ano cruel não uma musa mas um CASAL ROCKER em ensaio total nude ousado, abusado e safado. Acompanhe abaixo os textos sobre quem são eles e como estas linhas online conheceu a dupla. Além de se locupletar com as imagens, claaaaaro!

 

ELA

Quem: Marcelle Louzada.

De onde: sou do mundo sou Minas Gerais. Moro no centro da São Paulo desvairada, vale do Anhangabau.

Idade: 35 anos.

O que faz: artista do corpo, pesquisadora das artes. Doutoranda em educação pela Unicamp.

Três artistas: Patti Smith, Rita Lee e Karina Bhur.

Três discos: “Horses” (Patti Smith), “Hoje é o primeiro dia do resto de sua vida” (Rita Lee) e “Selvática” (Karina Bhur).

Três filmes: “Je vos salue  Marie”, “Zabriskie Point” e “Sonhos”.

Livros: “Flicks” (Ziraldo), “Macunaíma” (Mario de Andrade) e “A revolução dos bichos” (George  Orwell).

Três diretores de cinema: Zé do Caixão, Jean Luc Goddard e Federico Fellini.

Três escritores: Ziraldo, Mario de Andrade e Italo Calvino.

Show inesquecível: Jonnata doll e os Garotos Solventes no vale do Anhangabaú em São Paulo, 2016.

 

ELE

Quem: Jonnata Araújo.

De onde: Fortaleza (Ceará).

Mora em: São Paulo, capital.

Idade: 35.

O que faz: vocalista, letrista e compositor na banda Jonnata Doll & Os Garotos Solventes,

Três artistas : Ramones, Dago Red (Fortaleza/CE) e Iggy Pop.

Três discos: “It’s Time For” (Jonathan richiman), “Lust for life” (Iggy Pop) e “Uhuu” (Cidadão Instigado).

Três livros: “Misto quente” (Charles Bukowski), “Junky” (William Burroughs) e “Crônica da províncias em chamas” (Airton Uchoa Neto).

Três filmes: “A noite dos mortos-vivos”, “O império contra-ataca” e “A montanha sagrada”.

Três diretores de cinema: George Romero, David Cronemberg e Lucio Fulci.

Três autores literários: Isaac Assimov, Wiliam Burroughs e Jack Kerouack.

Show inesquecível: da banda cearence Dago Red,  em 1997 no padang padang, atigo espaço de show de rock na pria de iracema em Fortaleza. Foi a primiera vez que vi uma banda de punk rock tocando algo, falou diretamente comigo, todos da banda chapados e com uma energia incrível e ao contrário da maioria de bandas punks da época, todas com letras engajadas, as letras do dago red falavam de coisas que eu sentia: tristeza, sexo, drogas, amor, ateísmo e musicalmente eu entendi o que era uma guitar band e um pedal fuzz ali. Depois disso fui na casa do Robério, o vocalista, e saí com um monte de discos emprestados: Velvet, Iggy Pop, Husker Du, Mercenárias, Smack, Inocentes, Pixies e aí minha vida mudou depois disso e achei meu som.

 

Sobre o casal e como o blog os conheceu: Marcelle e Jonnata têm a mesma idade, total afinidade cultural e intelectual e moram juntos em um aconchegante apê de um dormitório no centrão rocker de Sampa. Cercados por discos de vinil e livros, o casal leva uma vida bastante agitada: ela está fazendo doutorando na área de Humanas; ele sempre fazendo shows e cantando à frente dos Garotos Solventes, banda da qual é vocalista. Além disso Jonnata participou de várias gigs da turnê que comemorou os trinta anos do lançamento do primeiro álbum da Legião Urbana, tocando e cantando ao lado de Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá ao longo de todo 2016.

E estas linhas sempre total rockers conheceu Jonnata, Marcelle e a banda há apenas alguns meses, após assistir uma apresentação do grupo durante uma peça de teatro marginal, em Sampa. Foi paixão à primeira vista pelo conjunto e agora o blog já tem os Solventes e o casal rock’n’roll no nosso coração.

Mas chega de bla bla blá, rsrsrs. Aí embaixo nosso dileto leitorado confere um ensaio fodíssimo e tesudo da dupla, especialmente para Zap’n’roll. É o nosso presente para fechar BEM este ano horroroso que foi 2016. Então deleitem-se e apreciem sem NENHUMA moderação, uia!

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FIM DE PAPO E TCHAU PORRA DE 2016

Foi um ano pra lá de terrivel, e todos já estão carecas de saber disso. E o próprio blog zapper em si também passou seus perrengues – tanto que nosso último post de 2016 está entrando no ar somente hoje, 30 de dezembro, no apagar das luzes desse ano funesto. Entonces agora é um período de férias curtas (que ninguém é de ferro), pra que possamos voltar no pique pra enfrentar um ano novo que promete ser tão terrivel quanto o velho que está acabando. E haverá como sempre mudanças por aqui no novo ano. Sendo que talvez o blog até mude de nome e de perfil editorial, mas tudo isso ainda está sendo estudado.

Por hora é isso. Voltamos por aqui lá pelo dia 20 de janeiro, se nenhum atropelo acontecer antes pelo caminho. De modos que desejamos de coração a todos um ótimo novo ano. A situação não tá mole pra ninguém e 2017 vai vir fervendo também. Então que todos entrem com o pé direito e com fé no Grande lá em cima para suportar mais uma longa jornada.

Até 2017, turma!

 

(enviado por Finatti às 16hs.)

AMPLIAÇÃO FINAL!!! Com a segunda parte da nossa cobertura máster dos últimos festivais de rock europeus e as dicas culturais e de baladas pro finde – Os tempos estão tristes e sombrios e setembro começa com postão novo zapper (até que enfim!), com multidões marchando pelas ruas contra o governo do GOLPISTA e NAZISTA Michel Temer, e com a notícia de que tem sim Garbage ao vivo no Brasil em dezembro; em tópico mega especial nosso blog dá um SPANKO monstro no vizinho “Popload”, que se tornou uma autêntica “ilha da fantasia indie” e para quem a cena rock independente nacional vive seu melhor momento até hoje (ahahahaha); mais: o blogão mostra como foram bacaníssimos alguns dos mais recentes e últimos festivais de rock que rolaram na Europa, com showzaços de PJ Harvey, Massive Attack e muito mais, sempre no espaço blogger mais legal da web BR (postão ampliado e finalizado em 9/9/2016)

 

BANNERSARAHSANCA

BANNERVOICE

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O país vira lata (esse mesmo em que vivemos) vai de mal a pior e isso se reflete na cena indie nacional: enquanto na Europa veteranas alternativas como a deusa inglesa PJ Harvey ainda se mantém fazendo shows empolgantes (acima, no recente Oya Festival, na Noruega) e lançando ótimos discos; aqui a tristeza impera, tristeza que será ao menos amenizada com as gigs do Garbage (abaixo) em dezembro e que também é suportável quando lembramos que pelo menos o grande Vanguart (também abaixo) deu certo em uma cena que segue ladeira abaixo sem dó

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Tempos tristes no Brasil.

Até o papa Francisco comentou, mostrando seu descontentamento com a situação política tenebrosa que se abate sobre esse país (o nosso) vira lata total e que ninguém respeita ou leva a sério lá fora. Também pudera: como respeitar uma nação que possui a classe política mais IMUNDA e ORDINÁRIA do Universo? Uma classe política em que um bando de senadores corruptos e implicados até o cu em inquéritos criminais sobre escândalos de corrupção e desvio de dinheiro público, ejetam do poder uma presidente eleita com mais de cinqüenta milhões de votos num processo totalmente político e sem base jurídica alguma? Dilma errou? Sim, muito. foi totalmente inábil na condução política e econômica do Brasil. É turrona, teimosa como uma porta e sem jogo de cintura algum. No entanto, não é BANDIDA. Não há NENHUM processo ou investigação em curso contra ela em qualquer instância jurídica do país. Logo os erros do seu governo deveriam ser julgados pelo povo nas URNAS, e não por um bando de senadores sem a mínima condição ética ou moral para tirar quem quer que seja da presidência da República. Mas infelizmente a parada no bananão miserável funciona assim e agora só resta resistir (dentro da Lei e da Ordem) a esse desgoverno golpista comandado pelo PMDBosta e pelo mordomo de filme de terror que é Michel Temer. Para isso as passeatas estão sendo diárias, se alastrando pelo país afora e se tornando GIGANTES (como a de ontem, domingo, em São Paulo, quando mais de cem mil pessoas se reuniram na avenida Paulista para gritar “fora Temer!”). Mesmo com a repressão policial MONSTRO em cima dos manifestantes, a ordem é continuar indo para as ruas. E o próprio autor de Zap’n’roll pretende ir no próximo protesto, já marcado para esta quinta-feira, após o feriado de 7 de setembro. De modos que a posição do blog é bem clara: somos CONTRA o governo NAZISTA e GOLPISTA de Michel Temer. E a favor de eleições diretas e em todos os níveis JÁ. Enquanto isso não ocorre estaremos ao lado de todos aqueles que gritam “Fora Temer!”. E sempre também ao lado da VERDADE dos fatos – por isso mesmo estamos rebatendo aqui, nesse post que começa agora, a “ilha da fantasia indie” publicada no “vizinho” Popload, há alguns dias. E para completar este post especial e bacanudo (que custou a chegar mas chegou chegando, hehe), ainda temos uma cobertura mega especial dos mais recentes festivais de rock que rolaram na Europa, em texto primoroso escrito pelo nosso já velho e dileto amigo Ricardo Fernandes. Ou seja: estas linhas zappers continuam fazendo muito bem o que sempre fizeram, que é defender a verdade dos fatos e seguir amando a cultura pop e o  rock alternativo.

CAPAFORATEMERIII

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FECHANDO A TAMPA DO POSTÃO BACANÃO

  • Os boatos de bastidores mandam avisar: o Lollapalooza BR 2017 deve ter Radiohead (wow!), Duran Duran (wow!!) e Strokes (ulalá!). E sim, também o insuportável MERDALLICA como um dos seus headliners – já pensou, aquele mar de metaleiros machos feiosos,  suarentos e fedidos pulando como macacos ao som desses velhos boçais do heavy merdal? Jezuiz… rsrs. Tudo será confirmado nas próximas semanas e o blog zapper está de olho, fica sussa.

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O gigante indie Radiohead: a caminho do Lolla BR 2017?

 

 

 

  • Zap’n’roll bate uma APOSTA com seus leitores: a de que irão menos de 30 gatos pingados na maioria das gigs listadas na “avalanche indie” descrita na Pobrel, ops, Popload. Se alguém for, nos diga depois
  • E agora é fim mesmo porque o post já está enooooorme. Semana que vem voltamos com mais por aqui. Até lá!

 

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  • O postão demorou a ser renovado, mas cá estamos. E em plena semana do feriado da Independência do Brasil. E com o país em chamas, gritando “Fora Temer!”. Então, reiterando: Zap’n’roll É CONTRA GOVERNO NAZISTA E GOLPISTA, ponto!

 

 

  • Janaína Paschoal, a LOUCA e HISTÉRICA, socorro!

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  • Vergonha MÁXIMA é a PM truculenta ao máximo, comandada pelo NAZISTA Geraldo Alckmerda, descer o cacete sem dó nos manifestantes que estão indo para as ruas de Sampa contra Temer. Alô MPE, vai ficar CALADO?

 

 

  • E enquanto Dilma se defendia na sessão do Senado que iria votar seu impichamento, um dos nossos “nobres” representantes do povo sacudia alegre um saquinho de padê, sentado em sua mesa. Viralizou na web, claaaaaro! “Olha o saquinho, olha o saquinho! Aeeeeê MULEKE!”.

 

  • A MELHOR notícia do mondo rocker todo mundo já está sabendo: o grande Garbage e nossa musa Shirley Manson (que continua um XOXOTAÇO aos 5.0 de vida) estão de volta ao Brasil em dezembro. Em Sampa o quarteto toca dia 10 de dezembro (sabadão!) no Tropical Butantã. No dia seguinte é a vez do Rio, com gig no Circo Voador. Os preços dos ingressos estão bem decentes e você pode comprar o seu aqui: http://www.clubedoingresso.com/index.php?route=product/product&product_id=1263.

 

  • E com postão novão entrando no ar em plena segunda-feira (pra começar bem a semana), iremos ampliando e atualizando essas notinhas inicias ao longo da semana, até a conclusão total dos trabalhos neste post. Mas agora vamos já direto pro tópico principal, aí embaixo: o blogão zapper desmascarando a “ilha da fantasia indie” criada pelo blog Popload. Bora!

 

 

TÓPICO ESPECIAL: AO CONTRÁRIO DO QUE ANDOU AFIRMANDO O ILUDIDO E SEMPRE FESTEIRO (NO QUE O TERMO TEM DE PIOR) BLOG POPLOAD (QUE JÁ TEVE DIAS MELHORES), A CENA INDIE ROCK BR ESTÁ MAIS MORTA E IRRELEVANTE DO QUE NUNCA – E ISSO PELO JEITO NÃO VAI MUDAR…

FINATTILUCIOR2013

Zap’n’roll e Lúcio Ribeiro, a dupla responsável por dois dos principais blogs de cultura pop da web BR: ambos já foram bons amigos, hoje a amizade entre ambos estão meio azedada

 

Há alguns dias, mais exatamente em 26 de agosto passado, o blog “vizinho” de cultura pop Popload, escrito há quase década e meia pelo mui conhecido jornalista Lúcio Ribeiro, soltou um postão (ou seria peidão?) bombástico, onde afirmava categoricamente (e dando zilhões de exemplos e argumentos para corroborar sua tese) que a cena independente do rock brasileiro vive, em 2016 (o ano em que o país está pegando fogo politicamente, onde uma presidente que cometeu erros crassos na administração da nação mas que era e é honesta, acaba de ser ejetada de seu cargo por um bando de políticos dos mais pilantras; um ano em que a economia brasileira amarga seu sexto trismestre em retração, um ano em que há mais ou menos doze milhões de desempregados pelo país afora) seu MELHOR MOMENTO e onde ela está MADURA como nunca esteve antes. Seria um post apenas hilário, risível, para iludir incautos e oportunista/tendencioso, para agradar meia dúzia de artistas totalmente irrelevantes, que são citados naquele mesmo post. Mas se torna algo digno de ser REBATIDO com vigor, ainda mais por se tratar de ter sido escrito por quem foi – logo nosso dear Luscious, que já teve um passado respeitável como jornalista de cultura pop, que já não é nenhum adolescente (está com mais de cinqüenta anos de idade) embora insista em se comportar como tal, e que sabe, ele mesmo, que a cena independente rock brazuca segue quase morta e mais irrelevante do que nunca neste quase trágico em todos os sentidos ano de 2016. O blog Popload já teve dias melhores, em termos de informação jornalística e musical. E seu titular, nosso por muitos anos grande chapa (vamos reconhecer: sempre nos demos bem com ele, até meses atrás quando atitudes pessoais suas para com o autor destas linhas zappers começaram a azedar essa relação de amizade) LR, também já teve dias melhores como jornalista de alta credibilidade.

Antes de entrar na argumentação esdrúxula publicada na Popload para balizar a tese de que o indie rock nacional vive seu melhor momento (quando, na real, ele está no fundo do poço), vamos traçar um rápido paralelo entre as trajetórias do poploader LR e do autor de Zap’n’roll. O primeiro começou sua carreira profissional nos anos 90’, escrevendo já em grandes veículos como o diário paulistano Folha De S. Paulo. A partir daí Luscious colaborou com os principais veículos de mídia do país e há mais de década é o responsável pelo blog Popload, que já foi (não é mais) referência em termos de informação na área do rock alternativo e da cultura pop. E antes de se tornar o blog quase pífio que é atualmente, a Popload teve um passado memorável como coluna impressa na FolhaSP e depois online, no próprio site da Folha, período em que Luscious (em seu texto sobre a maturidade da indie scene nacional) se gaba de ter visto Cansey de Ser Sexy não sei onde e o falecido trio Los Pirata tocando em um muquifo na rua Augusta (o também extinto bar Orbital provavelmente, e onde o autor deste blog fez algumas festas da também extinta revista Dynamite, sendo que em uma delas um dos DJs convidados foi inclusive… Lúcio Ribeiro!).

Pois então:a trajetória de Zap’n’roll no jornalismo musical brasileiro já é conhecida de cor e salteado por todo nosso dileto leitorado. O autor deste blog publicou seu primeiro texto profissional e PAGO em uma revista em junho de 1986 (há portanto mais de trinta anos). E cerca de uma década depois (quando já havia trabalhado e/ou colaborado com igualmente alguns dos principais órgãos da imprensa brasileira como jornais como o Estado De S. Paulo, ou revistas IstoÉ, Bizz e Interview), já na metade dos anos 90’ o jornalista zapper passou a dedicar seu olhar com atenção a então nascente e forte cena rocker alternativa brasileira, algo que fazemos até hoje, vinte anos depois e mesmo com essa cena atravessando (ao contrário do que firma nosso blog vizinho) seu talvez PIOR momento. Nessas duas décadas cobrindo essa cena, o repórter Finaski (através de matérias aqui mesmo neste blog ou na extinta edição impressa da revista Dynamite) viajou o Brasil cobrindo festivais indies. Promoveu festas em bares no baixo Augusta com bandas que mais tarde iriam se tornar mundialmente conhecidas (caso do também citado por LR Cansei de Ser Sexy, que chegou a tocar em uma festa da revista Dynamite e organizada pelo autor destas linhas online no clube Outs, de GRAÇA, ou melhor: com cachê em troca de anúncio na revista) e que também iriam desaparecer alguns anos depois (quem se lembra hoje em dia do CSS?). Não só: em uma edição do ano de 1995 da revista Dynamite este repórter produziu duas páginas de texto analisando o trabalho dos grupos brincando de deus (o nome da banda baiana era grafado em minúsculas), Low Dream (de Brasília) e Sonic Disruptor (de Guarulhos, em São Paulo), três das MELHORES GUITAR BANDS que já existiram no Btasil, que cantavam apenas em inglês e que ainda assim sempre lotavam os pequenos bares onde se apresentavam – isso em uma época onde não havia internet, celulares, apps, redes sociais e nada disso para divulgar os eventos, que enchiam através da divulgação via flyers impressos ou simplesmente através do boca-a-boca dos fãs. Hoje, com whats app e páginas BOMBANDO de likes na porra do faceboquete, bandas suam para enfiar trinta ou quarenta fãs em qualquer local onde vão se apresentar.

Não só, II: a partir do ano 2000’ o blog zapper se tornou um dos principais da blogosfera da web BR de cultura pop. Com isso aumentaram os convites para cobrir festivais pelo Brasil afora. Ao mesmo tempo Finaski ainda começou a colaborar com a edição brasileira da revista Rolling Stone (que começou a circular aqui em 2006) e nela falou de bandas fodonas da indie scene nacional, como Pública (do Rio Grande Do Sul), Ludovic (de Sampa, e infelizmente já extinto) e Gram (outra bandaça paulistana e que infelizmente também acabou). Além disso e por conta do seu envolvimento com a cena alternativa (sempre acompanhando-a de perto e atentamente como jornalista musical), Zap’n’roll acabou sendo incumbido pela revista Dynamite e seu então editor-chefe (André Pomba), de produzir um festival que ocupou por três noites seguidas as dependências da chopperia do SESC Pompéia, na capital paulista. O Dynamite Independente Festival foi realizado em dois anos consecutivos (em 2003 e 2004), ambos com a produção e curadoria do autor deste blog. Na primeira edição tocaram numa noite memorável Supla e Pitty (então prestes a estourar como a nova rock star brasileira). E na segunda edição do evento, em 2004, a trinca Ludov, Gram e Leela simplesmente lotou a chopperia (com quase oitocentos ingressos vendidos!) na noite de estréia do festival, o que comprova que naquela época SIM a cena under brazuca estava vivendo um ótimo momento, com grupos formando público e levando um número considervel de fãs aos seus shows.

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O vocalista Helinho Flanders, da banda Vanguart, ao lado de Zap’n’roll em 2015: o sexteto cuiabano é talvez a ÚNICA banda indie que deu realmente certo no circuito independente brasileiro de 2005 até hoje

Enquanto isso, onde estava o homem da Popload? Escrevendo sua coluna/blog na Folha online e já naquela época fazendo seu desavisado leitor engolir à força hypes gringos duvidosos (uma mania que ele mantém até hoje) ou mesmo nacionais, como o lamentável trio paulistano Los Pirata, um dos maiores ENGODOS da cena rock indie brazuca e que teve o fim merecido: o total esquecimento. Já o jornalista zapper ao mesmo tempo em que colaborava com a gigante Rolling Stone brasileira, também não descuidava do seu blog e através dele viajava o Brasil, cobrindo festivais. E foi num desses que ele DESCOBRIU JORNALISTICAMENTE o quinteto folk cuiabano Vanguart, no carnaval de 2005 na sempre horrivelmente e infernalmente quente Cuiabá (capital do Mato Grosso), durante um festival que estava rolando por lá e para o qual Zap’n’roll havia sido convidado a acompanhar de perto. O blog voltou pra Sampa encantado com o grupo do vocalista Helinho Flanders e hoje todos sabem o que é o Vanguart: a ÚNICA banda de TODA a indie scene nacional que realmente DEU CERTO e que vive confortavelmente de sua música (financeiramente falando), sempre tocando para espaços lotados com até cinco mil pessoas. Os Vangs inclusive deram tão certo que o vocalista Helinho (até hoje amado amigo dessas linhas rockers bloggers) atualmente em dia pode se dar ao luxo de bancar em parte do próprio bolso uma mini tour européia (como acabou de fazer), para apresentar aos gringos as belíssimas canções de seu primeiro disco solo.

E o restante da atual cena indie nacional? Quem ainda lê a Popload e leu o post o qual estamos rebatendo aqui, vai achar que o rock independente nacional está nesse momento no melhor dos mundos. Não está, nem em sonho. Ou está, apenas para o blog escrito por mr. LR, que faz questão de criar uma “ilha da fantasia” que não existe na realidade de um país bastante arrasado por três anos de recessão econômica e onde a cultura pop (e, junto com ela, a produção musical independente) amarga estar nesse momento em um abismo aparentemente sem fim, onde faltam espaços para shows, falta público e, principalmente, faltam BANDAS DECENTES e que valham a pena ser ouvidas. Exemplo clássico: há uma década grupos como Forgotten Boys e Thee Butcher’s Orchestra conseguiam quase lotar um bar como o clube Outs (na rua Augusta, em São Paulo, e onde cabem quase setecentas pessoas) em plena quinta-feira à noite – o próprio blog fez festas ali com essas duas bandas, com casa cheia. Com o passar dos anos o cenário foi mudando: bons grupos foram desaparecendo da cena, muitos acabaram e bares como o célebre Astronete também acabaram fechando. A Outs, um autêntico “sobrevivente” na Augusta (o clube já completou treze anos de existência), após quase falir (pois ninguém ia mais lá pra ver bandas medíocres tocando ao vivo) teve que se reinventar: há três anos realiza uma festa open bar infernal nas noites de sexta e sábado e onde só rolam DJs set, sem grupos musicais tocando ao vivo. Resultado: bar ENTUPIDO de gente nas duas noites. Do outro lado da rua, em frente à Outs, o também já tradicional Inferno Club faz o que pode para se manter funcionando. Isso significa fazer noitadas e madrugadas rock’n’roll animadas quase sempre por bandas COVERS e não autorais.

Mas na “ilha da fantasia” da Popload, tudo está indo às mil maravilhas. Há uma renca de bandas geniais espalhadas pelo Brasil, que gravam discos a todo momento e fazem shows sem parar. Vem cá: você aí do outro lado da tela do PC por acaso alguma vez OUVIU alguma música do tal FingerFingerrr? Já foi a ALGUM show deles? E o Inky, tem cd deles? Aliás quantas cópias o grupo vendeu até hoje de seus discos? E quantas pessoas eles conseguem levar a uma gig sua? Aldo The Band? Quantos shows conseguiu fazer nos últimos meses? E pra quantas pessoas em cada um deles? Carne Doce? Yep, é um dos (poucos, diga-se) nomes consistentes da atual cena indie nacional. De Goiânia, possui uma vocalista bonita e de voz agradabilíssima e que combina bem nuances de MPB com rock. Mas fora da capital de Goiás o grupo é ainda praticamente desconhecido e quando vem tocar na capital paulista mal consegue encher a “fantástica” (palavras da Popload) Casa Do Mancha, no bairro da Vila Madalena, e onde não cabem mais do que cinqüenta pessoas. Mas na visão algo (ou total) BIZARRA do nosso blog “vizinho”, tudo está indo às mil maravilhas em uma cena que está ultra “madura” e altamente “profissionalizada”, vejam só: as bandas contam agora com apoio e patrocínio de empresas como a Natura (cosméticos), Skol (cervejaria) ou Red Bull (bebidas energéticas). A Popload só se esqueceu de dizer aos seus incautos leitores que empresas sempre bancaram e continuam bancando projetos musicais (inclusive alternativos) pois essas receitas estão previstas em seus orçamentos, são dedutíveis no imposto de renda (os famosos editais públicos…) e no final das contas acabam representando uma NINHARIA para o departamento financeiro dessas marcas, fora que sempre pega bem investir em “produtos culturais”.

Bizarro também é o jornalista LR insistir na tese de que bandas indies nacionais vão dominar o mundo, hihihi. Sejamos realistas: as únicas bandas brasileiras que realmente chegaram a mobilizar multidões de fãs fora do Brasil foram o metaleiro Sepultura e o electro rock do CSS. O primeiro, após passar duas décadas e meia lotando festivais pela Europa e sendo headliner em vários deles, está em franca decadência. Já o CSS (combo de garotas malucas que foram criadas sob a batuta do genial músico, multiinstrumentista e produtor Adriano Cintra, outro dileto amigo destas linhas virtuais há séculos), acabou há tempos. E nem sua vocalista, a maleta e prepotente Lovefoxxx, deixou saudades desaparecendo sem dó do mondo pop. Bizarramente dear Luscious quer fazer seus leitores acreditar que bandas como Black Drawing Chalks (metal stoner também de Goiânia) e Boogarins (também da capital de Goiás e outro dos poucos grupos que merecem algum destaque no cenário atual, pela excelência se suas melodias e composições eivadas de eflúvios da psicodelia rocker sessentista) estão BOMBANDO no exterior. O BDC tentou decolar lá fora e não conseguiu. Os Boogarins já fizeram turnês por circuitos pequenos na Europa e Estados Unidos e foram bem recebidos pelo público (longe de ser numeroso em cada show) e pela imprensa especializada. E bizarramente a Popload chama de “instituição goiana” um sujeito que, na verdade, é um dos picaretas mais escroques que se tem notícia na indie scene nacional nos últimos anos. Enquanto isso o venerável (esse sim!) e mega respeitado (além de heróico) selo goiano Monstro Discos e que há mais de duas décadas realiza na capital de Goiás o Goiânia Noise Festival (até hoje um dos principais festivais independentes do Brasil), além de ter lançado dezenas de grupos bacanas para o rock alternativo nacional, NUNCA é citado na Popload. Qual seria o motivo? E antes que estas linhas zappers se esqueçam: dizer que o meia-boca festival goiano Bananada é o Lollapalooza brasileiro e que o Se Rasgum (em Belém) e o DoSol (em Natal, no Rio Grande Do Norte) seriam as versões brazucas do gigante americano Coachella é de um exagero (e falta de bom senso também, ou simplesmente engodo editorial?) risível e acachapante, além de um total menosprezo pela inteligência do leitor poploader. Se houve algum dia um festival de fato de grandes proporções em Natal (e houve, durante alguns anos), esse festival foi o Mada, produzido pelo agitador cultural Jomardo Jomas e sendo que o blog esteve presente nele em pelo menos duas edições.

FINATTIADRIANOCSS

O jornalista zapper com Adriano Cintra (acima), o sujeito que criou o já extinto CSS; abaixo com a turma do já lendário Pin Ups na Virada Cultural 2016, em São Paulo: bandas de um tempo que a cena indie nacional não era a miserável tristeza que é atualmente

FINATTIPINUPS2016

 

É muito fácil perceber que a cena rock independente nacional já teve dias melhores que os atuais. E já teve bandas muuuuuito melhores também. Há duas décadas e meia o já lendário grupo indie noise guitar paulistano Pin Ups (que teve seu quarto CD de estúdio, “Jodie Foster”, resenhado pelo jornalista Finaski na revista Bizz em 1995; enquanto isso, Lúcio Ribeiro… onde estava mesmo?) lotava o inesquecível Espaço Retrô (o muquifo rocker underground mais célebre que existiu até hoje na capital paulista) por TRÊS NOITES SEGUIDAS. Ok, tudo bem, o Retrô era pequenino e tal mas uma banda alternativa, que não tocava em rádio e em uma época (1990/1992) onde não havia internet e redes sociais para “bombar” eventos do tipo (era tudo na base do flyer impresso e do boca-a-boca), um grupo lotar um bar três noites seguidas era uma proeza e tanto. Aliás esse detalhe nos leva a outro HORROR dos tempos atuais e da atual cena indie quase morta: a praga e o vício das redes sociais, dos apps nos celulares e de toda essa droga virtual que simplesmente ESCRAVIZOU a raça humana. Hoje em dia qualquer bandinha bomba no faceboquete: sua fan Page chega rapidão às vinte mil “curtidas”. E quando ela abre então uma página pra divulgar seu próximo show ao vivo? Wow! Em questão de alguns dias surgem mais de quinhentos fãs confirmando presença na gig. E quando chega o dia e a hora do show REAL, de VERDADE, aí vem a choradeira e o choque de realidade: comparecem ao local do evento menos de 10% dos fãs que haviam GARANTIDO VIRTUALMENTE sua presença na balada rock’n’roll, que triste… um exemplo do que acabamos de citar foi a gig que o quarteto Los Porongas (originário do Acre mas radicado há quase uma década em São Paulo) fez semana passada (na sexta-feira) no tão badalado (por LR e sua Pobrelo…, ops, Popload) Z Carniceria, no bairro paulistano de Pinheiros (que possui uma concentração enorme de bares e casas noturnas e onde as noitadas são sempre muito agitadas nos findes). Já um grupo veterano, os Porongas além de diletos amigos deste blog também são um dos MELHORES nomes do rock BR dos anos 2000’, pela beleza melódica e poder instrumental do conjunto, além das letras de alta densidade poética escritas pelo vocalista Diogo Soares. Pois bem: deu DÓ ver uma banda tão bacana dando o sangue no palco de um bar onde não havia nem CINQUENTA PESSOAS na platéia (isso, vamos repetir, numa SEXTA-FEIRA à noite). Pois é, a indie scene nacional, como diz o blog “ilha da fantasia” chamado Popload, está mesmo bombadíssimo atualmente, uia!

Voltando ao parágrafo anterior: além dos Pin Ups, dos anos 90’ até pelo menos 2005 a cena rock independente brasileira teve sim uma cena estável, de ótimas bandas e muitos festivais (como o JuntaTribo, em Campinas e, já nos anos 2000’, o já decano e célebre Goiânia Noise na capital de Goiás, o Porão Do Rock em Brasília, e o já citado Mada em Natal) que chegaram a atrair um grande público. Foi a época do estouro dos Raimundos e, um pouco mais adiante, da aceitação e aclamação midiática de grupos como Thee Butcher’s Orchestra, Forgotten Boys, Borderlinerz, Rock Rocket, Gram, Ludov, Leela, Pelvs, Pública, Cachorro Grande, Cartolas, Bidê Ou Balde, Daniel Belleza & Os Corações Em Fúria e mais alguns nomes que além de serem ótimos musicalmente ainda conseguiam atrair um público razoável para seus shows. Isso, vale repetir, em uma época onde não existia internet ou redes sociais (anos 90’) ou então quando ambas ainda engatinhavam (a partir dos anos 2000’). Fora que o Brasil vivia outra conjuntura na economia e na política, o que se refletia na cultura e na área musical, incluso a cena rock alternativa: não havia a cruel recessão econômica de agora, não havia desemprego e o país estava crescendo em termos de PIB. Isso se refletia em todos os setores da economia, inclusive na área de entretenimento com bares com espaço para shows abrindo a todo instante ou sempre recebendo bom público naqueles que já estavam funcionando. Bem ou mal as bandas conseguiam gravar e lançar seus discos e formar um bom séquito de fãs, que também compareciam às gigs. Prova disso é que, como já foi dito mais acima neste tópico, a segunda edição do Dynamite Independente Festival, realizada em 2004 na chopperia do SESC Pompéia em São Paulo (evento cujo produtor-chefe executivo foi o autor destas linhas bloggers que não vivem no mundo da fantasia mas, que sim, acompanham a realidade dos fatos, uma realidade infelizmente muito dura e cruel nos tempos atuais) LOTOU o local na sua primeira noite (uma quinta-feira), colocando quase oitocentas pessoas para curtir os shows de Ludov, Gram e Leela – isso, sempre reiterando, sem apoio de apps em celulares, sem divulgação em redes sociais (que estavam engatinhando nessa época) e sem divulgação em mídia eletrônica expressiva (leia-se rádio ou TV). Tudo apenas no boca-a-boca, através de flyers impressos e de divulgação em sites especializados (que já começavam a existir na época, como o portal Dynamite online).

De uma década pra cá tudo mudou rapidamente e infelizmente para pior. Em 2016 o Brasil vive sua maior crise econômica em décadas, a recessão já dura três anos e o país contabiliza a assombrosa marca de doze milhões de desempregados – é como se uma capital do tamanho da cidade de São Paulo estivesse inteira sem trabalhar. Num ambiente assim não há cena musical, mainstream ou principalmente independente, que resista. Em bate-papo com o blog na última quinta-feira (enquanto a dupla degustava uma breja holandesa no Outs Pub, no baixo Augusta) José Ramos, um dos sócios do clube Outs concordou com o pensamento que este espaço virtual lhe expôs, ao comentar com ele sobre a iminente publicação deste tópico rebatendo a “ilha da fantasia indie” criada pelo jornalista LR. “Ele não sabe o que está falando”, disse Zé Carlos. “Bares que mantinham espaço para shows fecharam em sua maioria. A Outs mesmo, se não mudasse seu perfil e não tivesse investido no open bar apenas com DJs set e sem bandas ao vivo, também já teria fechado as portas”. Existem ações ISOLADAS que tentam manter a cena indie acesa? Sim, claro. Bandas também continuam existindo, aos borbotões espalhadas pelo país. Mas a qualidade musical delas decaiu a olhos (ou ouvidos) vistos de anos pra cá, o que contribui para que haja ainda mais sofrimento e debandada de público dentro desta cena. E sim, ainda há ótimos grupos atuando no rock alternativo nacional e que vão se virando como podem dentro de um cenário altamente desalentador. Curiosamente a Popload dificilmente dedica algumas linhas que seja a bandas que realmente valem a pena. Caso do trio instrumental stoner heavy prog Augustine Azul (da Paraíba, recém-descoberto por Zap’n’roll e que foi contratado por um selo americano), ou mesmo do paulistano (também stoner) Necro. Ou ainda de maravilhas do Norte brasileiro como os acreanos Euphônicos e Descordantes, que nunca foram sequer citados nos textos do poploader Luscious R. Ou mesmo o manauara Alaíde Negão ou, ainda, o sensacional grupo paulista Metá Metá, que faz uma experimentação sonora loki combinando música brasileira, algo de jazz e delírios sônicos. Um combo musical tão fodástico que vive, ele sim, excursionando pela Europa e sendo aplaudido pelo público de lá.

Então a verdade VERDADEIRA, infelizmente, é essa. E não aquela que o nosso blog “vizinho” quer fazer seu hoje reduzido leitorado acreditar. Na boa, Lúcio Ribeiro é um jornalista ainda de respeito e um dos grandes nomes da imprensa musical (e rock) brasileira nas últimas duas décadas. Ele e o autor destas linhas bloggers poppers já foram bons amigos – uma amizade que está meio assim, “azeda” desde o ano passado, e por conta de atitudes não muito legais vindas de dear Luscious (atitudes que não cabe serem comentadas aqui). E antes que alguém pense que este tópico rebatendo o post da Popload se configura numa espécie de vingancinha pessoal, negativo: o jornalista zapper resolveu publicar este texto porque ele de fato ficou espantado com a (vamos repetir mais uma vez) “ilha da fantasia INDIE” criada por LR em seu blog. A quem interessa essa “ilha da fantasia”? Ao próprio LR que hoje, sabidamente, parece meio cansado do jornalismo musical (sim, como já dissemos mais acima, o blogueiro poploader já passou dos cinqüenta anos de idade) e está se dando melhor como produtor de shows e festivais (como o Popload Gig, que deve andar rendendo um bom troco para o bolso dele) e como sócio de casas de shows (como o Cine Jóia)? Talvez. Porque outros espaços para shows de rock alternativo ou não existem mais ou estão à míngua (os que ainda sobrevivem). E as bandas… FingerFingerrr, Inky, Aldo The Band… quem é esse povo, mesmo?

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Os Descordantes (acima) e os Euphônicos (abaixo): duas bandaças do Acre (e das melhores da atual péssima indie scene nacional) e que o blog Popload JAMAIS falou delas em seus posts

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A “ilha da fantasia indie” criada pelo blog Popload (e que motivou este tópico contrário na Zap’n’roll) pode ser vista e lida aqui: http://www.popload.com.br/cena/.

 

 

Para ouvir o mais recente álbum do grupo paulistano Metá Metá, vai aí embaixo.

 

 

E NO FINAL DO VERÃO EUROPEU, FESTIVAIS BACANUDOS AGITAM A NORUEGA, FINLÂNDIA E PORTUGAL

Yep, e Zap’n’roll acompanhou alguns deles e traz o que rolou aí embaixo, em texto primoroso do nosso correspondente especial Ricardo Fernandes.

 

Festivais Europeus 2016

Por Ricardo Fernandes, enviado especial de Zap’n’roll

Não sou do tipo que frequenta grandes festivais de música. Eu gosto muito de ver shows, mas próximo ao palco e sem a aglomeração de dezenas de milhares de pessoas em minha volta, então não espere me encontrar num Reading ou Coachella da vida. Aqui no Brasil costumo frequentar o Lollapalooza, mas puramente por falta de opção e no fundo meio contrariado.

Eu já havia ido para festivais pequenos na Europa, como o Festival Beauregard na Normandia, no noroeste da França e o Live fromJodrell Bank em Macclesfield, no noroeste da Inglaterra. Foram duas das melhores experiências em festivais de música que tive na vida. Nesse ano aproveitei a oportunidade de ver três festivais de verão europeu num espaço de pouco mais de dez dias, dois deles em países nórdicos e outro em Portugal. Eu sabia que seria puxado, mas estava fisicamente e mentalmente preparado para o desafio.

Øya Festival, Noruega – Introdução

Amigos brasileiros já haviam me recomendado o Øya (se pronuncia “êia”) em Oslo. Um festival relativamente pequeno, bem organizado, localizado no meio da cidade, com fácil acesso de transporte, com um ambiente tranquilo e um lineup respeitável. Até 2013 o festival era feito no Medieval Park, mas teve que se mudar devido a obras nas linhas de trem. Então, a partir de 2014 o Øya passou a ser realizado no Tøyen Park, um bonito parque próximo ao Museu Munch e ao Jardim Botânico de Oslo, mas ainda assim bem perto do centro da cidade.

Øya Festival, 10 de agosto, quarta-feira

Meu hotel ficava no centro de Oslo e foi moleza chegar no Tøyen Park: apenas duas estações de metrô. Se aqui no Brasil entrar num festival é um teste de paciência, com diversas inspeções e revistas, lá fora é sempre mais fácil. Mostrei meu ingresso e minha carteira de motorista em um dos vários quiosques na entrada e peguei minha pulseira. Após uma rápida revista na entrada eu já estava lá dentro.

A entrada do festival estava enlameada devido à chuva dos dias anteriores e no primeiro dia de festival presenciei a instabilidade do tempo em países escandinavos. Encarei sol, tempo nublado e chuva, tudo no mesmo dia.  O segundo dia de festival foi só de sol e o terceiro só de chuva. Quem disse que seria fácil?Ao menos a previsão do tempo foi certeira em todos os dias, prevendo com precisão de horas qual seria o tempo em cada um dos dias e consegui me preparar, vestindo o tipo de roupa adequada em cada dia.

Após uma rápida volta, deu para sacar os palcos do festival: três palcos em locais abertos do parque (Amfiet, Vindfruen e Hagen), todos em terrenos com inclinação para facilitar a visão do palco, outro palco grande montado em uma tenda (Sirkus), uma pequena tenda de música eletrônica (Hi-FiKlubben) e um palquinho que imitava uma biblioteca (Biblioteket), que comportava a mesma quantidade de pessoas que a Casa do Mancha. Tudo era muito perto, em cinco minutos era possível se deslocar entre os palcos mais distantes entre si.

A primeira banda que vi foi o Sweden por volta de 15:30 no palco Amfiet, o maior de todos. Apesar do nome, o grupo foi formado por dois noruegueses tão fanáticos pelo indie-pop das bandas suecas dos anos 90 que resolveram batizar sua banda com o nome do país vizinho. O público que estava todo espalhado pelo gramado curtiu o rock de guitarras ligeiras e refrãos grudentos, assim como eu também curti. Logo em seguida fui para o Sirkus, onde uma placa ao lado do palco me chamou a atenção: “No CrowdSurfing”. Ao longo do festival percebi que essa placa é totalmente desnecessária. Não consigo imaginar um norueguês sequer fazendo crowdsurfing. Arrisco afirmar que não existe povo mais sussa no mundo do que o norueguês. Aplaudem muito e pulam um pouco, mas não fazem questão de se aglomerar na frente do palco e não empurram ninguém. Na verdade, nem encostam em você. Darei outros exemplos mais para frente.

Às 15:54, um minuto antes do esperado, começou o show deChristine And The Queens, artista francesa que na verdade se chama Héloïse Letissier. Pequena e com visual andrógino, ela apresentou as músicas de seu único álbum “Chaleur Humaine”, uma mistura fina de pop e eletropop. Claramente deslumbrada pela grande quantidade de pessoas que estava vendo seu show logo cedo, Christine falava muito entre as músicas, mostrou que além de cantar bem também sabia dançar ao se juntar a dois dançarinos em certos momentos e ganhou a simpatia do público ao imitar Rihanna e Beyoncé.

De volta ao palco principal, era hora de ver The Last Shadow Puppets, supergrupo inglês liderado por Alex Turner e Miles Kane (ArcticMonkeys e The Rascals, respectivamente). Dei uma de norueguês e fiquei lá atrás, bem no alto, apenas assistindo comportadamente o show. Apesar de gostar bastante de “EverythingYou’ve Come to Expect”, o segundo álbum da banda, achei que não funcionou ao vivo. Mesmo com a adição de um quarteto de cordas, parecia que faltava alguma coisa. Talvez o sentimento negativo tenha sido aumentado por uma certa frieza do público. Talvez um show do The Last Shadow Puppets não funcione de dia. Talvez o grupo somente faça sentido em lugares menores, com uma acústica melhor. Não sei exatamente o que pode ter sido, mas achei o show apático e pretensioso demais.

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O trip hop inglês do Massive Attack (acima): um dos grandes momentos do Oya Festival, que atraiu um público tranquilão na capital da Noruega, Oslo (abaixo) (fotos: Ricardo Fernandes)

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Tinha tempo sobrando até o próximo show que gostaria de ver, então dei uma passada no quiosque que vendia o merchandising das bandas e do festival, onde comprei algumas camisetas.Também fui conferir oHi-FiKlubben, onde Matt Karmil estava tocando para meia dúzia de gatos pingados. Eu havia estranhado que Aurora, uma cantora norueguesa, seria a penúltima a se apresentar no palco principal, mas tudo fez sentido quando vi seu show. A gatíssima e simpaticíssima cantora de vinte anos e apenas um álbum nas costas conseguiu lotar o Amfiet. Fazendoum pop sofisticado e exótico cantado em inglês, ela já está pronta para o mercado internacional, conseguindo merecidamente críticas positivas de veículos como o New York Times e Entertainment Weekly.

O Sirkus era o único lugar que possuía um telão atrás do palco, então foi lá que o M83 teve que se apresentar. Como anoitece tarde nessa época do ano em Oslo, por volta de 22:00, foi providencial que o M83 tenha se apresentado numa tenda escura às 19:50. Eram projetadas imagens de estrelas e galáxias, que combinavam bem com o ambiente etéreo e melancólico do grupo liderado pelo francês Anthony Gonzalez. Amigos ingleses que curtem música eletrônica piraram com o show, mas não achei tudo isso. Foi um bom show, mas nada de outra galáxia, que teve seu ponto alto obviamente com “Midnight City”.

Hora de fazer um lanchinho. Aqui cabe uma observação pertinente: como as coisas são caras na Noruega! Não só a comida, mas tudo é caríssimo. Dizem que a Noruega é o segundo país mais caro do mundo (só perderia para o Japão) e eu acredito nisso. Uma cerveja custava 85 coroas norueguesas (cerca de R$ 34 pelo câmbio oficial) e um sanduíche de pernil custava 120 coroas norueguesas (cerca de R$ 47). A pipoca parecia ter a melhor relação custo/benefício: custava “apenas” o equivalente a R$ 15 e o saco era tão grande que nunca conseguia comer tudo.

Estava comendo tão tranquilamente que até esqueci da hora. Quando olhei o relógio já eram 21:30 e estava começando naquele momento o grande show do dia: MassiveAttack & Young Fathers. Por sorte, cheguei no palco principal em poucos minutos e foi tranquilo conseguir um bom local lá na frente, do lado esquerdo do palco. Definitivamente os noruegueses são tranquilos até demais e estavam todos esparsos vendo contemplativamente o show. Se fosse em qualquer outro lugar do mundo teria que me contentar em ficar no fundo ou usar a força bruta para chegar próximo ao palco. É incrível como os pioneiros do trip hop conseguem reproduzir ao vivo as complicadas texturas das gravações em estúdio. Está tudo lá: as batidas quebradas e hipnóticas, os sintetizadores que criam um clima de tensão, os graves acachapantes, as guitarras distorcidas e os samples bem colocados. Nesse ano o MassiveAttack lançou o ótimo EP “Ritual Spirit”, que possui participação do Young Fathers na faixa “Voodoo in MyBlood” e foi com o trio escocês que o grupo se apresentou no Øya. O público presente só teve a ganhar com isso, que saiu extasiado após quase uma hora e meia de show.

 

Øya Festival, 11 de agosto, quinta-feira

No segundo dia de festival adotei uma estratégia um pouco diferente com relação à minha alimentação. Já que tudo é tão caro em Oslo, não iria almoçar em um restaurante naquele dia e passaria o dia todo comendo somente na área de alimentação do Øya. Não saiu tão barato, mas foi menos caro do que no dia em que comi um salmão e tomei uma cerveja em um restaurante pela bagatela de 400 coroas norueguesas (quase R$ 160). Entre as várias barracas, tinha de tudo um pouco, menos culinária norueguesa, mas isso não foi problema: acabei comendo um ótimo falafel pela módica quantia de 100 coroas norueguesas (R$ 40).

A essa altura, já cansei de falar que tudo era caro, mas pelo menos o festival era extremamente bem organizado. Eu nunca vi tantos banheiros químicos e mictórios, mesmo em festivais com o dobro da capacidade e nunca havia filas para comprar cerveja. Para comprar comida, somente algumas filas nas barracas mais disputadas no final da noite (a minha querida barraca da pipoca era uma delas). A única grande pisada de bola foi com o Wi-Fi gratuito provido pela Cisco para o festival, que funcionou perfeitamente até a metade do primeiro dia, para depois desaparecer e nunca mais funcionar.

Uma curiosidade na Noruega é que o papel moeda já foi praticamente extinto, inclusive dentro do festival. Ninguém usa dinheiro em espécie e vários lugares simplesmente só aceitam pagamentos com cartão com chip. Se você aparece com dinheiro vivo eles olham para você com uma cara de decepção ou de horror. Foi difícil gastar as notas de coroas norueguesas que saquei num caixa eletrônico. Se soubesse que seria assim, não teria sacado nada, pois não faria a menor diferença.

O primeiro show que vi na quinta-feira, um dia dominado pelas mulheres no lineup, foi da Frøder, mais uma cantora norueguesa no estilo electropop. Foi um show regular, nada além disso. Logo em seguida, no palco Vindfruen, quem se apresentou foi a cantora americana Julia Holter. Seu último álbum “HaveYou in MyWilderness”é belíssimo e chegou a ser considerado (com um certo exagero) por algumas publicações (como a Mojo) como o melhor disco do ano passado. Ao vivo, uma formação nada usual: Julia nos vocais e teclados, um baixista tocando um contrabaixo acústico, uma violinista e um baterista. Seu show foi delicado e inebriante de uma forma que nem sentia o tempo passar. Quando Julia anunciou que seria sua última música, não podia acreditar. Eu gostaria de ter ficado horas vendo aquele show.

De volta ao palco principal, estava animado para um dos shows que mais gostaria de ver: The Kills. Para minha decepção, Alison Mosshart e Jamie Hince não subiram ao palco. Quem estava lá era uma moça gordinha que eu não fazia a menor ideia de quem se tratava. Gastei parte de meu plano de dados para descobrir na internet o que havia acontecido: Alison estava com pneumonia, forçando a banda a cancelar vários shows, inclusive esse do Øya Festival. Para tapar o buraco foi chamada SeinaboSey, uma cantora sueca. Fiquei tão decepcionado que mudei de palco, indo parao Hagen ver o Rat Boy, um molecão inglês que faz uma curiosa mistura de hip hop e indie rock.

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O veterano shoegazer britânico Lush (acima) também marcou presença no festival norueguês; abaixo o público faz fila pra comprar pipoca, um dos “hits” entre as comidas vendidas na área do evento

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Para agradar os fãs de música eletrônica, nesse dia foi escalado o Floating Points, pseudônimo usado pelo músico inglês Sam Shepherd, que ao vivo se apresenta com outros quatro músicos. Não cheguei a achar o show ruim, mas tentar equiparar ao vivo a complexidade de seu único álbum “Elaenia” não é tarefa fácil. No final das contas fiquei com a impressão de que ouvir em casa é melhor.

Não planejava ver o show do Mastodon, mas já que estava com tempo sobrando pensei: “vou lá ouvir uma barulheira”. Logo assim que cheguei ao palco Amfiet vi uma figura passando que parecia familiar. “Será que é o Lucio?”, pensei. Cheguei mais perto e era ele mesmo, o querido Lucio Ribeiro. Ele ficou tão espantado quanto eu ao encontrar um brasileiro conhecido num festival em Oslo e conversamos rapidamente sobre os shows que havíamos visto. Expliquei para ele os outros festivais que ainda veria na Europa, tiramos uma selfie e depois só o vi novamente mais uma vez durante todo o festival. Foi um encontro improvável, num local improvável.

Esse dia estava rendendo: antes da última atração da noite ainda deu tempo de ver o folk sofisticado da cantora sueca Amanda Bergman. Eis que surgiu o primeiro conflito de horários no festival: Jamie xx tocaria no Sirkus no mesmo horário em que PJ Harvey se apresentaria no Amfiet. Jamie Smith que me perdoe, mas ele ainda tem que comer muito arroz com feijão para chegar perto de Polly Jean Harvey. Com vinte e cinco anos de carreira, PJ Harvey é uma artista única, inconformada e nunca acomodada. A cada álbum novo PJ Harvey aprende a tocar um novo instrumento e dessa vez foi o saxofone, que ela empunhava ao entrar no palco com sua banda ao som da bateria marcial e solene de “Chain of Keys”. O show foi baseado basicamente no seu último álbum “The Hope Six Demolition Project”, que ficou ainda mais grandioso ao vivo. No final do show, petardos mais antigos de seu repertório como “50ft Queenie”, “Down bytheWater” e “To BringYouMy Love”, uma sequência que até me deixou desnorteado. Não foi apenas o melhor show do Øya Festival, foi o melhor show que vi nesse ano.

 

Øya Festival, 12 de agosto, sexta-feira

O terceiro dia de festival era o dia da chuva e estava preparado para isso. Fui com uma jaqueta impermeável (somente até certo ponto, para ser honesto) e quando saí do metrô ainda ganhei uma capa plástica vermelha do Klassekampen. Dias depois, curioso em saber o que aquilo significava, pesquisei no Google. Klassekampen significa “Luta de Classes” e se tratava de um tabloide que se auto intitula “o jornal diário da esquerda”. Que merda, logo eu que me defino como um liberal clássico caí nessa cilada. Lição aprendida: nunca use uma capa de chuva vermelha se você não sabe o que está escrito nela.

Foi embaixo de uma chuva fraca e insistente que vi o show do Hedvig Mollestad Trio, um power trio instrumental liderado pela maluquete norueguesa Hedvig Mollestad Thomassen, que faz uma interessante mistura de rock psicodélico e free jazz. A chuva aumentou ainda mais no show mais inusitado de todo o festival: Oslo Sinfonietta, uma orquestra com repertório de música contemporânea que tocou “Music for 18 Musicians”, uma peça minimalista composta pelo americano Steve Reich entre 1974 e 1976. Acredite, valeu cada pingo de chuva tomado.

Foi durante o show da Oslo Sinfonietta que matei uma dúvida que eu tinha durante todo o festival: por que as crianças recolhiam todos os copos de cerveja que eram jogados no chão? Para todo lado que olhava, eram crianças e mais crianças carregando pilhas de copos plásticos. Uma senhora me explicou: a organização do festival pagava uma coroa norueguesa (cerca de R$ 0,40) por cada copo, que posteriormente seriam reciclados. A consciência ecológica norueguesa é enorme, mas no fundo se trata de puro sentimento de culpa: a Noruega é um dos maiores exploradores de petróleo do mundo, que agride o meio ambiente desde a extração até o consumo. Deve ser por esse mesmo sentimento de culpa que se veem tantos carros elétricos nas ruas.

Para minha sorte, o próximo show seria na tenda coberta: Lush. Cheguei menos de dez minutos antes do show e (adivinhe só) consegui ficar lá na frente sem maiores problemas. Eu me posicionei na segunda fileira de pessoas, logo atrás da grade. Na minha frente, três crianças, o menorzinho deles sendo pouco maior do que a grade. O show foi brilhante, uma verdadeira viagem no tempo para a época em que o shoegaze dominava a cena alternativa inglesa, mesmo que o termo fosse renegado por algumas bandas. No fundo, foi um pouco triste ficar sem ver os integrantes do Lush por vinte anos e encontrá-los velhos e um pouco acabados, especialmente a guitarrista Emma Anderson (uma MILF de braços pelancudos) e o baixista Phil King (totalmente grisalho, mais parecendo um executivo de multinacional). Mas faz parte da vida envelhecer, não? Eu também mudei. Perdi meus cabelos e estou bem diferente do que era há duas décadas.

A chuva deu uma trégua e fui para o palco principal conferir o show do Eagles Of Death Metal. Até hoje não consegui entender se o grupo é uma paródia no estilo Spinal Tap ou se trata de algo sério. Provavelmente é uma mistura dos dois. O público lá na frente parecia se divertir com os clichês rock’n’roll tocados pela banda, mas achei tudo uma brincadeira sem graça e voltei para o Sirkus depois de umas quatro músicas. Uma plateia formada basicamente por adolescentes estava presente em peso para o show do Chvrches, da pequenina Lauren Mayberry. O synthpop competente executado pelo grupo escocês se sustenta bem ao vivo, ainda mais com a plateia nas mãos. Em alguns momentos a molecada cantava tão alto que até sobrepunha o volume vindo das caixas de som.

O último show que vi no Øya foi justamente aquele me motivou a ir para esse festival e para o Flow Festival na Finlândia dias depois. Eu já havia visto vinte e cinco shows do New Order em diferentes países e assim que acabou o show do Chvrches fui tranquilamente para a grade, me preparando para mais um. Desde os shows do New Order que vi na Rússia em 2013 passei a adotar uma estratégia para mostrar ao grupo que um brasileiro estava na plateia: levar uma bandeira do Brasil (que óbvio). Algumas vezes fui notado, outras não. Dessa vez consegui prender a bandeira na grade, pois havia achado duas abraçadeiras jogadas no chão perto do palco Hagen. Assim, fiquei quase uma hora na grade esperando o show começar.

Depois da saída do baixista Peter Hook e com o lançamento do álbum “Music Complete” no ano passado o veterano New Order voltou revigorado. Os costumeiros erros ao vivo ficaram no passado. O New Order é uma banda muito mais profissional hoje em dia. Apresentaram novos arranjos para algumas velhas músicas, novas projeções e novas músicas no repertório. Foi justamente depois de tocar “Plastic”, uma das músicas novas, que o vocalista Bernard Sumner notou minha bandeira e perguntou: “Você é do Brasil?”. Respondi com um sinal positivo e ele na sequência emendou: “Então você está perdendo os Jogos Olímpicos!”. Haha! Como se eu estivesse preocupado com isso. Apenas encolhi os ombros e abri os braços fazendo aquele gesto “shruggie”, tão característico da internet (¯\_(ツ)_/¯). Pena que o New Order teve pouco mais de uma hora para tocar e seu set ficou restrito a onze músicas, mas ainda assim valeu a pena.

Todos os shows do festival não poderiam passar das 23:00 e foi assim todos os dias. Eu acho ótimo que acabe cedo e se tenha tempo para aproveitar a manhã do dia seguinte. Show não é balada. Era possível sair tranquilamente do Tøyen Park e utilizar o transporte público para voltar para casa, seja de metrô (como eu fazia), bonde ou ônibus. Muitos voltavam de bicicleta e alguns poucos pegavam um táxi. O metrô voltava incrivelmente vazio para o centro da cidade e tenho que confessar que nesses momentos sentia muita inveja da qualidade de vida de quem mora em Oslo.

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OS FESTIVAIS QUE AGITARAM O FINAL DO VERÃO EUROPEU – PARTE FINAL

 

Por Ricardo Fernandes, enviado especial de Zap’n’roll

 

Flow Festival, Finlândia- Introdução

O Flow Festival em Helsinque é uma espécie de irmão do Øya Festival. Acontece mais ou menos na mesma época, com alguma sobreposição de datas, e compartilhando cerca de 80% dos artistas internacionais. Para que tudo não fique muito parecido, alguns headliners só tocam em um dos festivais. Nesse ano, somente o Øya teve PJ Harvey, enquanto que apenas o Flow teve Morrissey. Já tinha visto o Flow aparecer numa lista de festivais nos lugares mais inusitados no mundo (ele é feito em uma antiga usina de energia), então minhas expectativas para esse festival eram altas.
FlowFestival, 14 de agosto, domingo

Perdi o sábado me deslocando de Oslo para Helsinque. Se fosse mais sangue nos olhos poderia ter escolhido um voo mais cedo de forma a chegar a tempo também para o penúltimo dia do Flow, mas foi bom ter descansado um dia. O local do festival é relativamente próximo ao centro da cidade e eu estava hospedado a pouco mais de 1 km de distância. Meu hotel emprestava bicicletas para os hóspedes, mas por algum motivo preferi ir a pé. Foi uma decisão acertada. Apesar de ter chegado cedo, o estacionamento de bicicletas estava completamente abarrotado. Acho que nunca tinha visto tantas bicicletas juntas. As pessoas começavam a improvisar e prender suas bikes em todos os lugares possíveis, até mesmo no alto de árvores. Helsinque não chega a ser uma Amsterdã no uso de bicicletas, mas está quase lá. Quase toda a cidade é plana e possui muitas ciclovias, então a bicicleta possui uma função importante como meio de transporte pelos habitantes locais.

A usina de energia e gás desativada em Suvilahti, região nordeste da cidade, realmente impressiona. Fazer um festival em um antigo complexo industrial foi uma bola dentro da organização do festival, mas achei que estava muvucado demais. Apesar de ocupar aproximadamente o mesmo espaço que o Øya, tive a impressão que havia o dobro de pessoas no Flow. Ambos os festivais estavam com ingressos esgotados, o que me faz concluir que o Flow colocou à venda mais ingressos do que deveria. O festival possuía seis palcos, sendo um palco principal enorme, uma grande tenda que parecia um circo e quatro tendas menores. Não havia muitas opções de comida e também achei que poderiam ter instalado mais bares e banheiros.

Consegui ver o finalzinho do show de Ruger Hauer feat. Regina, a união de esforços de uma dupla de rappers e uma cantora pop da Finlândia no LapinKultaRed Arena, o palco em formato de circo. Não tenho muito o que comentar propriamente sobre o show, mas naquele momento percebi que os finlandeses são bem mais agitados que os frios noruegueses. Logo em seguida, conferi o show deJ.Karjalainen se apresentando no palco principal. Muitas pessoas cantavam todas as suas músicas, mostrando a popularidade desse veterano cantor finlandês. Enquanto isso, na Black Tent, quem estava se apresentando era a gata inglesa Dua Lipa, que faz um moderno amálgama de música pop, hip hop e soul. Seu álbum de estreia que será lançado no ano que vem promete. Fiquem de olho nessa menina!

De volta à Red Arena, quem iria se apresentar era o Daughter, que eu gostaria muito de ter visto em Oslo, mas havia conflitado com o Lush. Consegui um bom local do lado direito do palco, onde pude acompanhar de perto o delicado dream pop com texturas envolventes da banda londrina. Ainda bem que eles se apresentaram em uma tenda fechada. O show não iria funcionar em um palco aberto em plena luz do dia.

Assim que acabou a apresentação fui para a central de controle conversar com Andy Liddle, o iluminador que acompanha o New Order há mais de três décadas e que estava se preparando para o próximo show. Foi ali que encontrei um amigo inglês, que faz parte dos Vikings, o grupo de fãs hardcore do New Order que acompanha a banda por todos os lugares do mundo. Alguns deles possuem mais de uma centena de shows do New Order nas costas e os Vikings até ganharam um número de catálogo da Factory Records (FAC 383), homologado em um documento assinado pelo próprio Tony Wilson. Eu mesmo, prestes a ver meu vigésimo sétimo show do New Order em onze países diferentes, já fui chamado de “Viking verdadeiro” e “filial brasileira dos Vikings”.

Eram cerca de dez Vikings que estavam posicionados para o show em um local estratégico: ao lado do bar. Por falar nisso, vale ressaltar que a Finlândia não é um lugar barato, mas uma cerveja custava “apenas” 7 euros, cerca de 30% menos do que na Noruega. Se vi o show em Oslo bem de perto, ficar ao lado do bar me deixou bem longe, mas estava valendo, já que pelo menos me diverti bastante ao lado dos ingleses arruaceiros. Também fui apresentado a Yuri, um fã finlandês do New Order que chegou a morar dez anos em Manchester devido à sua paixão pelo Manchester United e pelas bandas mancunianas como The Smiths e Stone Roses. Atualmente ele trabalha em uma empresa de segurança e por estar muito envolvido com o MMA conhecia bem o Brasil, tendo ido diversas vezes a São Paulo e Rio de Janeiro.

Por sorte o New Order teve mais tempo para tocar no Flow Festival, de forma que conseguiram encaixar no setlist os clássicos “Regret” e “Your Silent Face”, além de uma arrepiante versão de “Decades” do JoyDivision no bis. Depois do show fomos bater um papo com Andy Robinson, empresário da banda, que confirmou que uma turnê sul-americana do New Order nesse ano estava em processo adiantado de negociações mas foi cancelada pois a banda (leia-se Bernard Sumner) não gostaria de viajar muito no momento. Andy estava visivelmente desapontado, assim como eu e os Vikings, que estavam se preparando para invadir a América do Sul mais uma vez. Quem sabe no ano que vem…

A ala feminina dos Vikings foi para o palco principal ver o show da Sia, mas preferi vazar do festival com os rapazes, onde fomos levados por Yuri até um pub nas proximidades chamado Mäki Kupla. “Esse lugar é uma merda, mas pelo menos a cerveja é barata”, me confidenciou Yuri. Acompanhar os Vikings na bebedeira não é tarefa fácil e na sequência ainda fomos para um pub de visual rock’n’roll mais ajeitadinho, onde ficamos até sermos praticamente expulsos do lugar por estar muito tarde. Que noite! Após me despedir dos Vikings fiquei pensando quando será minha próxima oportunidade de encontrar novamente esse bando de malucos.

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O veteraníssimo inglês New Order (acima), um dos destaques dos festivais vistos por Zap’n’roll; abaixo o bucólico local do festival português Paredes De Coura (fotos: Ricardo Fernandes)

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Festival Paredes de Coura, Portugal- Introdução

Olhando no calendário de festivais de verão europeu não foi difícil escolher outro festival para a sequência do Flow Festival. Na semana seguinte começaria o Paredes de Coura na vila de mesmo nome em Portugal. Já tinha ouvido falar bem desse festival e um amigo português confirmou: “Fui lá uma vez, ver Nine InchNails. O local é perfeito, um anfiteatro natural. Em termos de beleza de cenário é imbatível”. Após conferir a escalação do festival rapidamente a escolha estava definida.

Festival Paredes de Coura, 17 de agosto, quarta-feira

O mesmo amigo de Portugal meu deu a dica para que me hospedasse em Vigo na Espanha e alugasse um carro, pois essa era a cidade com aeroporto mais próxima do festival. Foi isso mesmo que fiz e assim que desembarquei no aeroporto de Vigo aluguei um simpático Smart vermelho. Não foi fácil sair de Helsinque e chegar em Vigo. Tive que tomar três aviões, de três companhias áreas diferentes (Finnair, Air France e Air Europa). Perdi um dia inteiro em voos e aeroportos, mas pelos menos cheguei inteiro e minha mala foi corretamente despachada até o destino final (meu maior medo quando viajo de avião não é uma possível queda, é ter a bagagem extraviada).

Apesar de ter que atravessar uma fronteira entre países a viagem entre Vigo e Paredes de Coura é tranquila e rápida, menos de uma hora. Todas as estradas possuíam um asfalto que mais parecia um tapete e eram bem sinalizadas. Paredes de Coura é uma bela vila de pouco mais de 9000 habitantes no norte de Portugal. Ao contrário do Brasil, onde chamamos qualquer lugar de cidade, Portugal faz uma clara distinção entre aldeia (pequena povoação), vila (localidade mais desenvolvida e de média concentração populacional) e cidade (alta densidade populacional e alta variedade de serviços prestados aos cidadãos, como hospitais e transportes de massa). Portanto, não chame Paredes de Coura de cidade, a menos que queira ser corrigido por um português.

Chegando na vila, não encontrei nenhum estacionamento, então deixei o carro em uma vaga pública um pouco afastada do centro. Poderia ir a pé até o festival, localizado a pouco mais de 1 km, mas fiz a correta escolha de pegar a van do festival. Dividindo espaço na van comigo, muitas pessoas com sacolas e mais sacolas de supermercado. Estavam todos transportando mantimentos para o camping, o local onde fica a maioria dos frequentadores do festival. Boa parte da graça do Paredes de Coura é ficar no camping com os amigos bebendo, ouvindo música, tocando violão ou se banhando no Rio Coura. Dei uma volta pelo camping e percebi que certamente eu era um dos poucos que estava se hospedando em um confortável hotel para o festival. O camping parecia divertido, mas eu já passei da idade de passar perrengue.

Meu amigo tinha razão: o palco principal é um incrível anfiteatro natural, com uma inclinação tão grande que é possível ver perfeitamente o palco de qualquer lugar. Diria que é o segundo lugar mais fantástico onde já vi um show na vida, perdendo somente para o Teatro Grego em Los Angeles, outro local privilegiado pela natureza. Quem teve a missão de abrir o festival foi We Trust ft. Coura All Stars, a união de uma banda do Porto com uma orquestra composta por crianças da região. “Foi um privilégio vir para aqui todos os dias às 9h da manhã, desde abril, ensaiar com eles”, disse André Tentugal, o líder do We Trust. Não havia como duvidar de sua afirmação. Estava tudo perfeitamente ensaiado e o show correu tranquilo, do começo até o fim. Como no primeiro dia de festival o palco secundário ainda estava sem shows, tive que esperar um pouco a apresentação do Best Youth, dupla do Porto que faz uma música sintética e soturna. Na sequência, subiu ao palco o Minor Victories, espécie de supergrupo alternativo formado por membros do Slowdive, Editors e Mogwai. Eles são a prova de que grandes músicos nem sempre fazem grandes bandas. O grupo tem pouco tempo de estrada e talvez evolua no futuro, mas no momento não mostrou a que veio e não conseguiu empolgar o público português.

A atração principal da noite foi o Unknown Mortal Orchestra, os penúltimos a tocar. Em outros festivais, seria pouco provável que o Unknown Mortal Orchestrafosse um headliner, mas aqui no Paredes de Coura eles cumpriram seu papel e conseguiram levantar a galera portuguesa. O rock psicodélico do grupo era cantado pela plateia em vários momentos, o que de certa forma foi surpreendente para mim. Quem fechou a noite foi o Orelha Negra, banda instrumental portuguesa que faz uma mistureba de funk, soul, jazz e trip hop, que conseguiu manter o povo dançando.

A solução do festival para diminuir o lixo gerado é interessante. Você só pode tomar cerveja, vinho ou refrigerante usando um copo do festival, que é obtido mediante uma caução de 2 euros. Se você quiser levar o copo de recordação, pagou 2 euros por ele. Se devolver o copo no bar, recebe de volta seus 2 euros. Portugal é um dos países mais baratos da Europa e cada cerveja de meio litro custava 4 euros (cerca de R$ 15). Tomei quatro cervejas durante o festival e para meu azar fui parado pela polícia portuguesa na volta, que fez um teste do bafômetro comigo. Eu não podia acreditar. Após um primeiro teste dentro do carro, o policial pediu para que estacionasse meu carro e me encaminhou até um etilômetro mais sofisticado, que ocupava toda a traseira de um carro policial. Soprei e apareceu o resultado: 0,48 g/l. Na mesma hora pensei: “Estou fodido, o limite deve ser 0,2 ou algo assim”. Tudo passava pela minha cabeça naquele momento. Vou ser levado a uma delegacia? Vou pagar uma multa? Meu carro alugado será apreendido? Nunca mais poderei dirigir em Portugal? Vou ser preso? Vou ser deportado? Para minha sorte, o limite era 0,50 g/l e fui liberado pelos policiais. Que sorte. Bebi quatro cervejas ao longo de seis horas e ainda assim não estava oficialmente alcoolizado. Talvez minha capacidade de metabolizar o álcool seja maior do que imaginava, mas era melhor não arriscar no dia seguinte.

 

Festival Paredes de Coura, 18 de agosto, quinta-feira

No segundo dia de festival decidi chegar um pouco mais cedo para dar uma voltinha na vila de Paredes de Coura, tomar um café e comer um bolo ou torta. Quando fui até o local onde havia estacionado meu carro em Vigo ele não estava lá! Carro nenhum estava. Havia dezenas de carros naquela rua na noite anterior, mas agora não havia nenhum. Voltei desesperado para o hotel, onde me explicaram o que havia acontecido: estacionei o carro numa área de carga e descarga, onde é permitido estacionar durante a noite, mas não durante o dia. Meu carro havia sido guinchado. E agora? Eu precisava daquele carro para ver o festival em Portugal em poucas horas. Peguei um táxi até o depósito municipal de carros em Vigo, paguei uma multa e em quinze minutos já estava dirigindo o Smart vermelho novamente. Fiquei 144 euros mais pobre, mas pelo menos tinha um carro para me deslocar até o festival.

Foi tudo tão rápido que ainda assim consegui comer um bolo e tomar um café na vila, como eu havia planejado. Por falar em comida, a princípio achei que os quiosques no festival eram poucos, mas a maior parte do tempo eles estavam sem clientes. Certamente quem estava acampado já havia comido no camping e não precisava gastar com comida na área do festival posteriormente. Comigo a situação era diferente. Todos os dias eu me esbaldei com os pregos (sanduíches de carne suína), bifanas (carne bovina) e tripas de Aveiro (uma massa crua doce).

A primeira atração do dia foi Ryley Walker, cantor e violonista que por coincidência estava lançando seu novo álbum “Golden Sings That Have Been Sung” no dia seguinte ao seu show no Paredes de Coura. É uma pena que estava muito cedo e com pouca gente próxima ao palco principal quando Ryley Walker tocou. A plateia parecia dispersa e não prestou muita atenção no delicado folk com pitadas de rock psicodélico e blues do americano de Illinois. Vale ressaltar que os portugueses são um dos povos mais animados que eu já vi em shows, mas parecem ignorar qualquer um que faça um som acústico. A próxima banda a se apresentar foi o Whitney, com seu indie-rock esquisitão e de formação inusitada, com um trompetista e vocais executados pelo baterista Julien Ehrlich. Um drone sobrevoava o público a ponto de chamar a atenção de todos, inclusive da banda. “Eu não gosto de drones”, disse Julien Ehrlich. Eu também não, Julien.

Dei uma passada no palco secundário pela primeira vez, mas não dei sorte. Quem estava se apresentando era a banda de Braga Bed Legs, com um vocalista horrível e cheia de clichês rock’n’roll mais do que batidos. Já havia anoitecido quando o Sleaford Mods subiu ao palco principal. Minimalismo eletrônico ao extremo. Apenas dois caras no palco: Andrew Robert Lindsay Fearn apertando botões num notebook e o vocalista Jason Williamson destilando sua verborragia politizada. A dupla inglesa gerou reações contraditórias no público. Enquanto alguns saíram inconformados na primeira música, outros ecoavam cantos que pareciam vir de um estádio de futebol. “Sleaford Mods! Sleaford Mods! Sleaford Mods!”, berravam eles. “Nós não costumamos ter uma reação positiva dessas em festivais”, disse Jason, enquanto Andrew concordava mexendo a cabeça.

Thee Oh Sees é uma banda sem estrelismos. Foram os próprios músicos do grupo que fizeram a passagem de som no palco e começaram o show com uma antecedência de quatro minutos. Fiz a besteira de ficar lá frente do palco. Eu poucos segundos a banda de garage rock de San Francisco incendiou a molecada portuguesa, que começou a abrir rodas, pular descontroladamente e fazer crowdsurfing. A grama na frente do palco havia virado terra e a terra se levantava na forma de poeira. Alguns começaram a cobrir o rosto com suas camisetas para se proteger. Caos total. Arreguei e fui para trás, mas ainda assim a plateia estava insana. Estava tentando tirar fotos quando um crowdsurfing mal executado fez com que um rapaz caísse em cima de minha cabeça. Poderia ter quebrado meu pescoço. Fiquei feliz de sair inteiro desse show e mais ainda por ver uma banda imbatível ao vivo.

Eis que chegava a hora da grande atração, não apenas do dia, mas de todo o Festival Paredes de Coura. Num primeiro momento me senti tapeado pela volta do LCD Soundsystem, afinal fizeram um estardalhaço com seu show de despedida no Madison Square Garden, que virou um álbum ao vivo e DVD, para voltar apenas cinco anos depois. No entanto, foi com grande satisfação que pude ver James Murphy e sua turma em ação novamente. Foi uma superprodução, com novos arranjos para velhos clássicos, que deram um frescor novo para músicas como “Daft Punk Is Playingat My House”, “Losing My Edge”e “Tribulations”. O final do show foi épico, com uma emocionante versão para “New York, I Love You But You’re Bringing Me Down”. Ainda voltaram para mais duas músicas no bis, “Dance Yrself Clean” e “All My Friends”, que mostram que o LCD Soundsystem continua afiado. Resta saber como será o novo material que dizem estar compondo e se virão para o Brasil no ano que vem. Aguardo ansiosamente uma nova chance de vê-los ao vivo.

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O americano LCD SoundSystem (acima) e o Chvrches (abaixo), um dos atuais “grupos top” de um certo blog vizinho; mas como bem observou nosso correspondente, a banda é fraquinha e não tem condições de ser headliner de um grande festival

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Na volta para Vigo, havia novamente uma blitz policial no mesmo local, mas como havia bebido apenas Coca-Cola e água os policiais não me pararam. Melhor assim.

 

Festival Paredes de Coura, 19 de agosto, sexta-feira

Antes de começar a falar sobre os shows do penúltimo dia, gostaria de divagar um pouco sobre Portugal, que é um dos meus países preferidos no mundo. Ao contrário do que a crença popular diz no Brasil, as portuguesas não têm bigode e costumam ser muito bonitas, magras e elegantes. A comida é a melhor da Europa, o clima é agradável e os preços não são abusivos quando comparados a outros países europeus ou mesmo ao Brasil. Idealmente, um dia quando estiver velhinho vou morar seis meses no Brasil e seis meses em Portugal.

Assim como Ryley Walker no dia anterior, Kevin Morby foi recebido de maneira um pouco fria pelos portugueses. O folk rock do texano foi executado com competência, mas não a ponto de gerar muita reação na plateia. Aplaudiam ao final de cada música e mais nada. Melhor sorte teve a banda norte-americana Crocodiles, que levantou os portugueses com seu noise pop melódico. Eu já estava cansado e decidi adotar uma postura diferente para os outros shows do dia. Ficaria sentado no fundo e me levantaria apenas quando as bandas começassem seus shows. Foi assim com o King Gizzard & the Lizard Wizard, banda australiana que me pareceu melhor em estúdio do que ao vivo. A mistura de rock psicodélico e garage rock malucão dos discos virou um hard rock chato para caramba ao vivo. Nem parecia a mesma banda.

Quem tocou depois no palco principal foi The Vaccines, que aparecia em destaque no material de divulgação do festival, como se fossem uma das principais atrações. Ao vivo provaram que poderiam ter sido o headliner do dia. Mesmo ficando no fundo, não tive sossego. A plateia portuguesa abria rodas e fazia crowdsurfing sem parar. Agitaram de forma insana praticamente em todas as músicas. Curiosamente, “Melody Calling”, possivelmente minha música preferida do Vaccines, gerou uma resposta quase nula na molecada. Cage The Elephant foi outro headliner improvável, mostrando que o Paredes de Coura não deve ter tanta grana assim para contratar grandes nomes de peso. Aposto que se fosse no Brasil, qualquer organização de festival seria detonada nas redes sociais por essa escolha. Para os portugueses, no entanto, não houve problema nenhum. O vocalista Matt Shultz parecia uma criança hiperativa, correndo e pulando de um lado para o outro, tornando a tarefa de fotografá-lo algo quase impossível. Da mesma forma, a plateia parecia uma turba de milhares de adolescentes hiperativos que queriam se divertir até o último minuto de suas vidas.

Passei mais um dia sem beber nada e dessa vez nem havia blitz policial na estrada. Se eu soubesse disso antes…

 

Festival Paredes de Coura, 20 de agosto, sábado

O último dia de festival foi aquele com a escalação mais fraca na minha opinião e também o mais vazio. Conversando com algumas pessoas fiquei sabendo que muita gente já havia saído do camping e voltado para suas casas. O Paredes de Coura se aproximava de seu fim, mas não fiquei abatido pelo cansaço que se acumulava. Aproveitei para fazer uma coisa típica dos europeus, mas que eu mesmo nunca tinha feito: tomar uma taça de vinho num festival. O trauma da blitz de certa forma já estava superado.

Quem começou os trabalhos do último dia foi The Last Internationale, banda nova-iorquina de discurso politizado e rock simples e direto, sem muitas firulas. Serviram como um bom aquecimento para Capitão Fausto, banda de Lisboa com três álbuns editados. Apostaria sem medo que esse foi o show com maior número de crowdsurfings. Se no Øya Festival o crowdsurfing era proibido, no Paredes de Coura era institucionalizado. Os seguranças à beira do palco seguravam cuidadosamente cada um dos meninos e meninas (sim, meninas também) que eram atirados para dentro do cercadinho dos fotógrafos. O rock psicodélico do grupo agradou de forma inesperada, pois nunca tinha visto nesse festival uma banda local gerar uma reação tão entusiasmada por parte do público.

Deu tempo de conferir o show do Motorama no palco secundário, grupo russo de pós-punk que fazia uma apresentação climática e um pouco sombria. Jorge Coelho, promotor português responsável pela vinda do grupo, estava eufórico em uma postagem no Facebook: “Que grande concerto deram os Motorama no Palco Vodafone e que se revelou muito pequeno para os russos.Tudo farei para que a banda regresse a Portugal já em 2017”. Voltando ao palco principal, era hora de The Tallest Man On Earth. Uma bela ironia, considerando-se que o líder Kristian Matsson é bem baixinho, ainda mais para um sueco. Seu indie folk não me agradou muito ao vivo, mas tenho que reconhecer que o rapaz tem carisma e os portugueses parecem ter amado o show. Portugal. The Man subiu ao palco já com o jogo ganho. Como uma banda com um nome desses poderia dar errado num show em Portugal? Também não achei grandes coisas o show, mas novamente os portugas adoraram. Várias pessoas nos ombros dos outros, mais crowdsurfing e mais poeira levantada. Talvez o problema fosse comigo, que já estava bem cansado a essa altura do festival.

Coube ao Chvrches fechar o palco principal. O show deles é bom, mas pareciam muito mais cansados do que no show em Oslo. Em lugar nenhum do mundo o Chvrches seria headliner num festival. A banda possui dois bons álbuns, mas não possuem repertório, nem peso para ser a atração principal. Ainda assim, o trio possuía alguns fãs na plateia, que vibravam a cada música executada. Terminava assim minha maratona de festivais. Três festivais em três países diferentes, em oito dias de shows, num intervalo de onze dias.

 

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Ricardo Augusto Fernandes (acima, ao lado de Zap’n’roll durante a última edição da festa “Call The Cops”, no clube Alberta/SP) e o autor deste blog se conhecem pessoalmente há quase uma década e meia, período em que desenvolveram uma grande amizade. Mas ao contrário de Finaski Ricardo é jornalista eventual, escreve ótimos textos por puro diletantismo, tem um conhecimento enciclopédico de rock’n’roll e rock alternativo e ganha a vida há décadas trabalhando na área de informática, especializado que é no assunto – sendo que ele também publicou reportagens em muitas das edições impressas da saudosa Dynamite. E sim, é fanático pelo New Order, rsrs. Esta cobertura dos festivais que rolaram na Europa foi encomendada a ele por este espaço virtual, que não tem dúvida em afirmar que se trata de um dos melhores relatos já publicados na web BR de cultura pop nos últimos tempos – né Popload?

Valeu, Ricardo!

 

 

O BLOGÃO ZAPPER INDICA

  • Disco: em momento de total falta de lançamentos relevantes no mondo rocker (aqui e lá fora), a melhor indicação destas linhas zappers é de um LP que foi lançado há vinte e cinco anos. Ele mesmo, o clássico absoluto “Nevermind”, que o inesquecível e até hoje gigante Nirvana deu ao mundo no final de 1991. Sendo que neste sábado, dia 10 de setembro (leia-se amanhã, já que o postão está sendo concluído finalmente hoje, sextona em si, 9 de setembro) o single que abria o disco, a hoje clássica “Smell Like Teen Spirit”, era lançado oficialmente. Não há mais bandas como o Nirvana nos dias atuais. Nem caras como Kurt Cobain no rock. E nunca mais irá haver. Então o melhor é re-ouvir esse DISCAÇO, sempre e sempre, que você escutar na integra aí embaixo:

 

  • Nova edição do festival In-Edit Brasil: yeah! A oitava edição do festival que reúne a nata dos documentários musicais começou anteontem em Sampa e prossegue até o próximo dia 18 de setembro, quando serão exibidos nada menos do que cinqenta e sete documentários em diversas salas exibidoras da capital paulista, além de shows ao vivo. Há de tudo para todos os gostos e um dos destaques da Mostra é “Time Will Burn”, documentário fodástico que mostra a inesquecível cena indie guitar paulistana dos anos 90’, quando bandas como Pin Ups, Second Come e Mickey Junkies faziam muuuuuito mais barulho do que a atual cena criada pela “ilha da fantasia indie” do blog “vizinho” Popload. O doc será mostrado no Cine Olido, na galeria do mesmo nome, no centrão de São Paulo, neste domingo (às seis da tarde) e também no próximo dia 21 (quarta-feira), às sete e meia da noite. E você pode saber tudo sobre o In-Edit indo aqui: http://www.in-edit-brasil.com/.

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O quarteto indie noise guitar paulistano Pin Ups: um dos GIGANTES da história do indie rock BR, presente no documentário “Time Will Burn”

  • Show: e dentro da programação do festival o bacanudo combo rocker paulistano (e que nunca foi citado na Pobrel, ops, Popload) Fábrica de Animais toca ao vivo hoje, sextona, na mesma Galeria Olido, a partir das sete da noite. Se programa que dá tempo tranqüilo de assistir a gig.

 

  • Baladenhas: finde fraquinho, fraquinho na seara dos agitos alternartivos. Então sem grandes baladas pra curtir, dá pra se jogar na festa open bar que o site Zona Punk promove hoje à noite no Outs (lá na rua Augusta, 486, centrão rock’n’roll de Sampalândia).///Mas se você quer sair da metrópole, agüenta ir um pouco mais longe e curtir um rock no meio da mata Atlântica, a dica é ir pra Paranapiacaba no Simplão Rock Bar, onde rola a partir de hoje a quinta edição do festival Independência e Rock. Vai ter discotecagens, cine Simplão e shows com bandas legais (como Jonata Doll & Os Garotos Solventes), essas tocando amanhã, sabadão em si. Interessou? Vai aqui, onde tem todas as infos sobre o evento: https://www.facebook.com/events/1348522815175711/. E fora que o Simplão, comandado pela queridaça Cris Mamuska, é um dos locais mais bonitos e bucólicos que estas linhas bloggers rockers já conheceram.///E é isso. Então se programa aê e se joga, porra!

 

 

FIM DE PAPO

Postão monstrão e ótimo (modéstia às favas, uia!) finalmente chega ao fim – tudo acaba uma hora, néan. Então ficamos por aqui mas prometendo voltar com muito mais na semana que vem. Até lá!

 

(ampliado e finalizado por Finatti em 9/9/2016, às 17hs.)

O mundo anda total cinza, a política brasileira mais IMUNDA do que nunca e o blog zapper vai levando como pode, detendo sempre seu olhar sobre a cultura pop e falando neste post sobre o beeeeem desconhecido (por aqui) grupo indie rock/folk canadense Half Moon Run e também (finalmente) dando suas impressões do novo cd do Radiohead; tem Virada Cultural em Sampa neste finde e festa goth bacanuda semana que vem na capital paulista, na véspera de mais um feriadão; o novo pub/estúdio de tatuagem fodão do baixo Augusta, a boa radio rock mantida por uma operadora de TV a cabo e mais isso e aquilo em um post mais, hã, modesto (post em GIGANTE construção)

 

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Você nunca tinha ouvido falar do quarteto rock/folk canadense Half Moon Run (acima)? Nem o blog até bem pouco tempo atrás, e trazemos essa “descoberta” para nosso dileto leitorado esta semana; afinal a banda mostra que ainda há inteligência e bom gosto no rock alternativo mundial atual e que ela é tão legal quanto continua sendo a lenda indie guitar brazuca Pin Ups (abaixo), que se apresenta neste sábado à noite (leia-se: amanhã) na edição 2016 da Virada Cultural na capital paulista

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O mundo anda tão complicado…

Essa constatação já havia sido feita pelo saudoso e genial Renato Russo, em uma canção da inesquecível Legião lá por 1991 (portanto, há vinte e cinco anos). O que o falecido letrista e vocalista da maior banda da história do rock brasileiro diria então, se vivesse nos dias atuais? Nesses tempos abolutamente tenebrosos com o país mergulhado em abismo econômico jamais visto, sendo administrado nesse momento por um governo moralmente total ilegítimo e politicamente tão desonesto e corrupto quanto supostamente era aquele que foi banido do poder. O que Russo diria ao se deparar com tamanha BESTIALIDADE e conservadorismo das pessoas? Com a grande ignorância, falta de cultura e total despreparo intelectual da maioria do brasileiro médio, o que o torna cada vez mais reacionário e moralista hipócrita? O próprio Renato disse, durante entrevista ao autor deste blog (para a finada revista Interview, em matéria que foi publicada nela em janeiro de 1994), que “a ignorância é VIZINHA da maldade”. Sábia observação a dele e que se projeta de maneira assombrosa e gigantesca nos tempos atuais, quando uma atriz como a bela Bruna Linzmeyer é massacrada em redes sociais apenas porque afirmou, durante uma entrevista, que namora uma… mulher (leia sobre aqui: http://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2016/05/10002143-valeu-a-pena-bruna-linzmeyer-se-expor-tanto.shtml). E isso em pleno 2016, já há mais de quinze anos no século XXI e quando o ser humano deveria estar plenamente despossuído de qualquer moralismo e preconceito de ordem racial, política, social, sexual, comportamental etc. Mas a verdade é que nos últimos vinte ou trinta anos a humanidade ANDOU PRA TRÁS nessas questões (na evolução tecnológica, sem dúvida alguma, ela continuou avançando como nunca) e regrediu tremendamente nelas. Desta forma todo esse quadro torna a alma e o coração de Zap’n’roll cada vez mais cinzas (fora que andamos passando, nos últimos dias, por turbulências de ordem pessoal, emocional e amorosa). E a cada renovação do post daquele que é um dos blogs de cultura pop e rock alternativo mais acessados do Brasil (o nosso, o que muito nos orgulha), sentimos enooooorme dificuldade em continuar achando algo que nos motive com força a continuar em meio a esse caos que se transformou o Brasil e o planeta como um todo. E se continuamos é porque sabemos que leitores ainda nos querem. E nos querem vendo falando de descobertas bacanas, como o grupo indie rock/folk canadense Half Moon Run (que nem é tão novo assim e chega a ser meio surpreendente que NENHUM blog brazuca de rock alternativo tenha escrito UMA LINHA sobre eles até hoje), sobre o qual detemos um olhar mais atento nesse post que você começa a ler agora, que está entrando no ar já na tarde de uma sexta-feira amena em Sampa – sendo que iremos prolongando os trampos por aqui e ampliando e “engordando” o material ao longo do final de semana (de Virada Cultural na capital paulista) e da próxima semana, okays? Então vamos em frente porque o mundo anda mesmo muuuuuito complicado e cultura e ótima música e rock’n’roll sempre ajudam a aliviar um pouco a sensação de que quase nada mais vale a pena nesse planeta fodido como ele está atualmente.

 

 

  • E começamos nossas notas iniciais falando da GIGANTE VERGONHA do caso da merenda escolar no Estado de São Paulo (boa parte dos alunos não a recebem, estão sem ter o que comer e ainda há o escândalo da corrupção em torno dela, patrocinado pelo PSDBosta, claro). Então esqueçamos um pouco a GRANDE MERDA em Brasília (com o governo ilegítimo de Michel “mordomo de filme de terror” Temer) e nos detenhamos em São Paulo, Estado há mais de 20 anos DOMINADO pelo PSDB e (des) governado por esse BANDIDO, FILHO DA PUTA, SUJO, ESCROTO, COVARDE e CANALHA chamado Geraldo AlckMERDA. Não bastasse tudo o que este crápula tem feito em sua administração DANTESCA (ou, como disse o jornalista e amigo Jairo Lavia em sua página no Facebook: “Veja bem, o governo Alckmin é acusado de dar calote no Metrô, surrupiar merenda, bater em estudante, matar inocentes, desocupações arbitrárias e junto com o PSDB de promover um esquema de corrupção nos trens metropolitanos e outras roubalheiras. Mas o MPSP está mesmo é preocupado com a rasteira que o Haddad deu num tal historiador de botequim. Como disse o Marcelo Rubens Paiva, “nossas instituições são uma merda!”), há agora a CEREJA do bolo. Não que a questão da PORCA (ou imunda?) merenda (e até a falta dela, já que a corrupção envolvendo a dita cuja, com gente do tucanato envolvida até o pescoço na parada que está ROUBANDO COMIDA DA BOCA DE CRIANÇAS) seja novidade a essa altura do campeonato. Mas nos IMPRESSIONOU de verdade (e da pior forma possível) esse vídeo postado no YouTube pela Trip TV. A emissora da revista convidou um crítico gastronômico para PROVAR e AVALIAR, durante uma semana, a MERENDA que o (des) governo paulista serve aos estudantes da rede pública. É, numa palavra, ESTARRECEDOR. Sendo que o vídeo (André Forastieri, o homem do portal R7, informa que mr. Alcksujo está mandando sua tropa de choque ligar para as grandes redações de mídia, para tentar CENSURAR a veiculação do vídeo mas ele, FELIZMENTE, já mega viralizou) pode ser visto aí embaixo (obs: parabéns por estar na equipe de produção do vídeo, Camila Eiroa. Você ainda vai longe como jornalista!). Assim, o que podemos desejar é que todos os IMBECIS que votaram nesse MONSTRO da sordidez política e têm filhos estudando na rede pública paulista, tenham CONGESTÕES infinitas (eles, os pais, não seus pobres filhos).

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  • O mondo pop/rock segue total calmo nos últimos dias. E esta semana quase não tivemos nenhuma notícia digna de nota aqui. Yep, vai rolar um festival mezzo goth, mezzo metal em setembro em Sampa, o Maximus Fest, lá no autódromo de Interlagos em 7 de setembro. Vão rolar gigs do já velho (mas ainda em forma, o blog supõe) Marilyn Manson e também dos alemães do Rammstein, além de outras bandas gringas e nacionais. Fora isso mais nada a destacar. Por enquanto…

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O metal/goth do inferno Marilyn Manson: show dia 7 de setembro em São Paulo

 

  • Então iremos ampliando nossas notinhas aqui assim que paradas mais legais surgirem, okays? Por hora dá um confere aê embaixo sobre uma descoberta, hã, “fofa” destas linhas lokers/rockers sempre atentas aos movimentos do indie rock planetário. O destaque de hoje é o quarteto canadense Half Moon Run, já há seis anos na ativa, dois discos lançados e uma sonoridade guitar folk/rock que vai encantar fãs de Crosby, Stills & Nash, Neil Young e Mumford & Sons.

 

 

DIRETO DO CANADÁ, O INDIE FOLK ROCK BACANA DO HALF MOON RUN

Sobre o qual estas linhas rockers bloggers fala bastante logo menos. Espera aí que já voltamos com uma radiografia bacana sobre eles, beleusma? Sendo que enquanto o texto sobre eles não aparece aqui, você pode ouvir aí embaixo o segundo álbum da banda, “Sun Leads Me On”, lançado em 2015. Boa audição!

 

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Premido por compromissos pessoais e profissionais (estamos correndo já por conta da Virada Cultural, que rola em Sampa neste final de semana), o blog zapper dá uma parada rápida nos trampos aqui mas promete voltar já neste sábado (ou amanhã), com o texto sobre o grupo canadense Half Moon Run e muuuuuito mais por aqui, certo? Então vai colando na área novamente que logo menos iremos voltar com ampliação bacanuda. Até já!

 

(enviado por Finatti às 17hs.)

 

AMPLIAÇÃO FINAL (com o enfim afastamento de Eduardo Cunha do comando da Câmara dos deputados, o novo disco do Radiohead que ACABA DE SER LANÇADO e mini resenhas dos novos discos do Primal Scream e da cantora Céu) – O tempo voa, 2016 já avança para a metade do ano e o mondo rock finalmente volta a se agigantar com os novos e ótimos discos da deusa inglesa PJ Harvey e do The Last Shadow Puppets; o que o rapper Mano Brown e o ator José De Abreu possuem em comum; os vinte e cinco anos da morte de um GÊNIO da produção rocker da geração madchester; a volta DELAS!!! Yeah! Três XOXOTAÇAS (semi-secretas) no retorno das musas do blog; e sorteio de VIPS para uma das melhores baladas alternativas noturnas da capital paulista e que acontece neste finde em São Paulo (postão ATUALIZADO E FINALIZADO em 8/5/2016)

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Em um tempo onde até mesmo o indie rock planetário se tornou qualitativamente quase que totalmente irrelevante, a deusa e musa inglesa PJ Harvey (acima) mantém um trabalho impecável que já dura mais de vinte anos e que agora ganha mais um discão em sua trajetória, que saiu há pouco na Inglaterra; e da safra mais ou menos nova do rock alternativo também britânico surge enfim o segundo trabalho do grupo The Last Shadow Puppets (abaixo), que o blogão comenta neste post onde também temos a volta de nossas sempre abusadas, ousadas, safadas e ultra tesudas musas rockers, como a paulistana Neide R. (também abaixo)

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E MAAAAAIS UMA ATUALIZAÇÃO NO DOMINGÃO DAS MÃES, COM ENFIM O NOVO DISCO DO RADIOHEAD

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Saiu finalmente, néan. Presentão pros rockers em pleno dia das mães. Depois de cinco anos de espera e jogadas de marketing que a banda sabe fazer como poucas no mondo rock, o Radiohead ressurge com “A Moon Shaped Pool”. E que já aparenta ser o melhor disco do quinteto inglês desde… “In Rainbows” (de 2007)? Parece que sim.

O  blogão ainda vai fazer algumas audições bem rigorosas do trabalho, antes de escrever um texto preciso e bacana sobre ele. Thom Yorke e sua turma merecem essa deferência, não? E enquanto esse texto não é publicado aqui, você já pode escutar o cd na íntegra aí embaixo. Boa audição!

 

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EXTRAS FECHANDO O POSTÃO

  • Postão lindão sendo concluído já na sextona DESTA semana (6 de maio). Ficou bacana e ainda tem umas notinhas aí embaixo pra fechar de vez a tampa do blogão.

 

  • A volta mais esperada do indie rock nos últimos anos, néan? O gigante Radiohead lança nos próximos dias seu novo álbum de estúdio, cinco anos após o fraquinho “The King Of Limbs”. A expectativa é enooooorme em torno do novo trabalho, mesmo porque o primeiro single do álbum, “Burn The Witch”, já roda à toda no YouTube (e a humanidade já deve ter visto) e mostra o quinteto em boa forma, com melodia bacana, orquestrações e Thom Yorke cantando bem como nunca. A aguardar então, sendo que o single você confere aí embaixo.

 

  • E em outubro na Califórnia, o festival dos sonhos de todos nós. Dá até vontade de ir pra lá, sendo que depois dessa reunião desde já inesquecível o mundo poderia acabar de vez.

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  • Enfim, o PILANTRA e BANDIDO máster Cunha foi ARRANCADO da cadeira de presidente do Congresso, e pelo STF (porque se fossêmos depender dos próprios deputados…). Pelo jeito ainda resta um mínimo de Justiça e de credibilidade nas instituições desse país total falido em todos os sentidos. TCHAU, querido!

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  • É isso. Postão fodão pra ninguém reclamar. Semana que vem tem mais. Até lá!

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O país surreal e a musa rocker inglesa.

Pode-se dizer que um não tem absolutamente nada a ver com o outro, mas são ambos (país e musa) que dominam os pensamentos de Zap’n’roll no final da tarde desta deliciosa última sexta-feira de abril, quando o outono finalmente chegou a Sampalândia e derrubou as temperaturas (nesse momento, na casa dos dezesseis graus, com céu totalmente nublado). O Brasil, óbvio, se tornou mais piada pronta do que nunca perante a imprensa internacional, por todo o quadro político que está em curso por aqui. O lado bizarro e surreal desse quadro é um processo de impeachment absurdo, contra uma presidente que, sim, cometeu muitos, grosseiros e GRAVES erros em sua administração, mas que definitivamente NÃO é BANDIDA. E o absurdo desse processo se dá justamente no fato de ele ser conduzido pelos REAIS e MAIORES BANDIDOS da história recente da política nacional, gente do naipe de Michel “mordomo de filme de terror” Temer e Eduardo “mão pesada (e nada de leve)” Cunha. Qual a legitimidade ÉTICA e/ou MORAL de um processo conduzido por esse tipo de gente? Nenhuma, claro. Fora que o lado DRAMÁTICO (e não bizarro) da situação atual é aquele que todos nós já sabemos e estamos sentido na carne: recessão, desemprego, aumento da inflação etc. Diante disso tudo conforta ao blog e, imaginamos, também ao nosso dileto leitorado, saber que uma cantora, compositora, letrista e multiinstrumentista como a inglesa PJ Harvey (uma das artistas do rock alternartivo planetário mais adoradas por estas linhas bloggers poppers há mais de vinte anos) continua ótima e brilhante em sua arte de compor e gravar grandes discos, como o seu mais novo trabalho de estúdio e que foi lançado oficialmente na Inglaterra há duas semanas. Em mundo onde a cultura pop e o rock’n’roll parecem ter sucumbido inexoravelmente à indigência criativa total, é um alento monstruoso escutar um discaço como o novo rebento dessa inglesinha miúda e sempre cáustica em sua percepção arguta e aguda sobre a existência humana, e sobre uma sociedade cada vez mais esgarçada por todo tipo de desajuste. Por isso Polly Jean é o destaque desse postão que você começa a ler agora. Enquanto o país da piada pronta e que  nunca foi sério continua pegando fogo, o melhor a fazer numa deliciosamente fria sexta-feira outonal é escutar o cd de PJ, tomando um bom vinho. E deixar o mundo podre explodir lá fora, contanto que seus escombros voem para bem longe de nós.

 

  • A repercussão ao novo projeto visual do blog não poderia ter sido melhor: quase cento e quarenta compartilhamentos e setenta e nove comentários, o que mantém essas linhas zappers como um dos blogs de cultura pop mais acessados do Brasil. Chupa, fakezada cagona e mortinha de inveja, hihihi.

 

  • E o outono finalmente chegou em Sampa, que beleza! Olha só a temperatura ontem à noite perto da house do jornalista rocker/loker/maloker:

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  • Temperatura mais do que ideal para se jogar na melhor balada noturna rocker/goth alternativa da capital paulista e que acontece nesse sábado (leia-se amanhã) em Sampa. Essa mesma, do flyer aí embaixo. Quer ir nela mas está sem dindin? No “poblema”, ahahaha. Vai lá no final do postão que tem um par de Vips esperando por você, pra te colocar na FAIXA na parada.

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  • E até o digníssimo e ultra respeitado apresentador Jô Soares se posicionou a respeito do que está acontecendo atualmente no Brasil, saindo em defesa do ator José de Abreu e do cantor Chico Buarque esta semana, em seu programa nas madrugadas da TV Globo. Não assistiu? Confere aí embaixo então.

 

  • O QUE MANO BROWN E JOSÉ DE ABREU TÊM EM COMUM – um é dos mais conhecidos, polêmicos e dos melhores compositores e letristas do rap brasileiro desde que ele (rap) existe por aqui. À frente do grupo paulistano Racionais MC’s, gravou pelo menos duas obras-primas em sua já longa trajetória musical: “Raio X Brasil” (de 1993 e que tem “Homem na estrada” e “Fim de semana no parque”) e “Sobrevivendo no inferno” (lançado em 1997 e que se tornou, mesmo sendo comercializado de forma independente, o álbum de rap mais vendido da história da música brasileira, com cerca de um milhão de cópias adquiridas pelos fãs). E antes que algum COXA imbecil venha GRASNAR algo, dois detalhes a saber: a) o grupo, tirando cachês recebidos pela prefeitura de São Paulo para participar de algumas edições da Virada Cultural, dificilmente foi ou vai em busca de verba PÚBLICA para bancar algum projeto seu; e b) o vocalista do grupo está sim hoje em dia com uma situação profissional e financeira confortável, sendo que segundo se sabe ele mora em um ótimo condomínio fechado na zona sul paulistana. Mas é um conforto/status que ele adquiriu graças à EXCELÊNCIA da sua ARTE e do seu trabalho como músico, ponto. E quem disse que preto e rapper não pode morar bem e ter grana? O outro é um dos mais conhecidos atores da televisão, teatro e cinema brasileiros. Foi um dos principais destaques da última novela do horário nobre da TV Globo. E nem por isso deixou de mudar suas convicções/posturas político/ideológicas. Sempre esteve à ESQUERDA e deu show de bola durante entrevista ao atualmente nefasto Domingão do Faustão, no último domingo na Globo. Cada declaração sua dada no programa merece ser APLAUDIDA DE PÉ. O que o cantor de rap e o ator Global têm em comum? Simples: apesar de serem artistas mega conhecidos e de possuírem uma situação financeira que muito COXINHA imbecil não tem, são FIÉIS às suas posturas políticas. Estão enxergando com clareza a grande BANDIDAGEM em curso nesse país (na questão do processo de impeachment da presidente) e estão soltando o verbo contra essa bandidagem, ainda que isso lhes custe rusgas, ataques pessoais escrotos (disparados por OGROS da direta e da egoísta, moralista hipócrita e estúpida classe média brasileira) e menos popularidade. Parabéns José De Abreu e Mano Brown. Zap’n’roll segue sendo total fã de ambos. Aliás é um claro sinal dessa época bestial que vivemos atualmente: enquanto ex-roqueiros “subversivos” de outrora se transformaram em REACIONÁRIOS de MERDA (né, Lobão e Roger Moreira), um RAPPER de respeito mostra o que é coerência política e ideológica. E antes que o blog se esqueça: quem insultou Zé de Abreu no restaurante onde o ator jantava com sua esposa, foi identificado como sendo um ADVOGADO. Belo EXEMPLO de cidadania e (in) civilidade por parte de um representante de uma classe profissional que deveria se pautar totalmente pela inteligência/ótima argumentação/educação e elegância máxima.

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O rapper mai famoso do Brasil (acima) e o ator da TV Globo (abaixo): coerência e defesa da democracia e da legalidade político/institucional, ainda que isso custe impopularidade e insultos públicos a ambos

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  • E o bom e velho Power pop escocês do grupo Travis (já há duas décadas e meia fazendo a alegria do povo que curte guitarras e melodias, hã, fofinhas) está de volta. A banda do vocalista Fran Healy lançou HOJE “Everything At Once”, seu novo disco de estúdio e que sucede o muito bom “Where You Stand”, editado há três anos. O blog vai escutar o dito cujo pelos próximos dias pra comentá-lo melhor aqui. Mas enquanto isso você já pode ouvir o dito cujo na íntegra aí embaixo.

 

  • E as nossas tradicionais notas iniciais estão em construção nesse post, hehe. Ao longo do finde e também do início da próxima semana elas irão sendo “engordadas” caso algum assunto relevante for surgindo. Enquanto isso não acontece, vamos falar aí embaixo da espetacular volta da nossa musa rocker inglesa PJ Harvey.

 

 

PJ HARVEY SE MANTÉM COMO MUSA E DEUSA SUPREMA DO ROCK INGLÊS QUE IMPORTA EM SEU NOVO DISCO

A cantora, guitarrista, multiinstrumentista e compositora inglesa Polly Jean Harvey vai completar quarenta e sete anos de idade em outubro próximo. E está na estrada do grande rock’n’roll alternativo desde o início dos anos 90’ quando ela, ainda muito jovem, ganhou a aclamação da crítica e amealhou milhares de fãs na Inglaterra com os seus três primeiros (e ótimos) discos de estúdio, que a transformaram num dos nomes mais “quentes” da então efervescente indie rock scene britânica. Foi nessa época inclusive que Zap’n’roll também se tornou super fã da garota magrelíssima e baixinha. E essa admiração pela sua obra musical permanece inalterada até hoje, mais de duas décadas depois. Aliás aumentou um pouco mais depois que o blog fez diversas audições de “The Hope Six Demolition Project”, o novo álbum de estúdio da cantora e que foi lançado há menos de duas semanas no Reino Unido. É o nono trabalho inédito de PJ Harvey, não tem previsão de lançamento físico em edição nacional e estas linhas online, claro, não iriam deixar de comentar sobre ele aqui.

PJ Harvey sempre foi uma artista no mínimo… estranha. De personalidade algo enigmática e desajustada, fisicamente sempre muito magra, ela logo chamou a atenção da imprensa musical britânica em sua estréia discográfica com “Dry”, em 1992. Era um disco cru, rude, ríspido em sua musicalidade (com nuances de punkismo nas melodias e nos ataques da guitarra) e que tratava de temas sombrios e incômodos nas letras (desequilíbrios emocionais, anseios femininos, descompassos nas relações entre homens e mulheres). A jornalistada musical adorou, os novos fãs idem e Polly Jean se tornou musa aos vinte e dois anos de idade da então cena musical alternativa inglesa. Um status que aumentou ainda mais com “Ride Of Me” (lançado em 1993) e que chegou ao ápice em “To Bring You My Love”, editado em 1995 e que era muito mais sofisticado musicalmente do que os dois primeiros CDs. Deambulando por paisagens sonoras menos rudes e com um pé em blues mezzo psicodélico, a cantora prosseguiu falando dos mesmos temas nas canções mas com um apelo menos agressivo e mais sedutor. Foi assim que o single “Down By The Water” estourou nas rádios inglesas e levou o disco a vender mais de um milhão de cópias. Foi nesse período também que PJ se “enroscou” em um affair com outra celebridade indie da Velha Ilha, o cantor australiano Nick Cave. Um romance que terminou tempos depois e deixou como saldo uma depressão mediana em Harvey, além de lhe causar distúrbios alimentares.

A partir daí a cantora diminuiu sua produção musical e gravou no período de uma década apenas três discos, que podem ser considerados medianos em sua qualidade musical – e no caso DELA, entenda-se por mediano: muuuuuito superior a pelo menos 90% do LIXO rock’n’roll que é produzido nos dias atuais. Porém, ao vivo, ela e sua banda se mantinham IMPECÁVEIS – quem viu a apresentação de PJ no Tim Festival em São Paulo, no segundo semestre de 2004 (o blog estava naquela gig, em uma noite em que também subiu ao palco o igualmente grande Primal Scream), não esquece até hoje, sendo que há um trecho deste show logo mais aí embaixo, para que nosso dileto leitorado possa conferir.

Foi em 2007 que PJ Harvey, sempre procurando jamais se repetir musicalmente, deu uma guinada surpreendente em sua trajetória ao lançar “White Chalk”. Deixando as guitarras de lado a compositora gravou um disco inteiro apenas tocando piano, alguns violões e cantando. Bordou uma coleção de músicas introspectivas, reflexivas e bastante melancólicas. O resultado ficou belíssimo, transformou o disco numa pequena obra-prima e abriu caminho para outra mudança quase radical em termos de ambiência musical: “Let England Shake”, lançado quatro anos depois (em 2011) trazia Harvey novamente tocando guitarra e muitos outros instrumentos – até uma auto-harpa que ela não sabia tocar e aprendeu a dominar com relativa maestria. De fortíssimo conteúdo social e político, “Let England…” tratava da desustruturação e desagregação social da humanidade através de canções que falavam em tom ficcional (mas com um fundo total de verdade) das duas grandes guerras mundiais. Se tornou uma das grandes obras do rock inglês dos anos 2000’ e ganhou com justiça o Mercury Prize (um dos prêmios artísticos máximos da Inglaterra).

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O novo e excelente álbum (acima) de PJ Harvey (abaixo) mantém a cantora como uma das melhores artistas ainda em atividade no rock inglês e planetário

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E aí chegamos a este igualmente estupendo “The Hope Six Demolition Project”, que saiu oficialmente na Inglaterra no último dia 15 de abril. O trabalho pode ser considerado meio que como uma extensão de “Let England…”, que saiu já há cinco anos, período em que a cantora não parou de fazer shows e quando ela também viajou por diferentes países para coletar material de viés social e político para compor o novo álbum. Que com efeito se mostra ainda mais político em suas onze faixas, onde PJ trafega desde rocks de guitarras com melodia de acento indie/bluesy (notadamente nos dois primeiros singles de trabalho, “The Community Of Hope” e “The Wheel”) até faixas estranhíssimas, como o blues “torto” e agônico de “The Ministry Of Social Affairs”, que termina com um solo de sax angustiado, descompassado e como se fosse sair do controle do músico que o está executando a qualquer momento. Pelo caminho entre estas três músicas ainda sobram canções intensas e abrasivas (como “The Ministry Of Defence”) ou mais “contidas” (mas não menos poderosas), e aí dois ótimos exemplos são “A Line In The Sand” e “Chain Of Keys” (esta também pontuada por muitos sons de sax, que são bastante preponderantes em vários momentos do cd).

Como se não bastasse a excelência musical do álbum, que tem produção de Flood (que trabalhou em alguns dos melhores discos do U2 e do Depeche Mode) e do já velho parceiro John Parish, há ainda a verve textual cada vez mais corrosiva e abrasiva da cantora, verbalizando o olhar desalentador que ela tem sobre a sociedade e o mundo de hoje, com suas guerras insanas, suas imensas desigualdade econômico/sociais, seus brutais atos terroristas e seu pós-modernismo capenga e falido, que transformou a utopia de um mundo tecnologicamente ultra avançado e também tranquilo, justo e igualitário para todos em DISTOPIA planetária e permeada pelo horror descrito por Joseph Conrad em “O coração das trevas”. “Agora esta é apenas a cidade de drogas/Apenas zumbis/Mas isso é apenas a vida/Eles vão colocar um Walmart aqui”, canta ela em “The Community Of Hope”. Ou ainda, em “The Wheel”: “Um quadro dos desaparecidos/Amarrado ao prédio do governo/8.000 fotografias amareladas pelo sol/Empalideceram com as rosas”.

“The Hope Six Demolition Project” produz, no final das contas, enorme satisfação em quem o escuta por mostrar que ainda há vida muito pensante, inteligente e muita reflexão política e social no rock’n’roll, em um tempo (o atual) onde ele se tornou quase que absolutamente fútil, banal, superficial, comercial e desprezível. Polly Jean Harvey é a prova cabal de que ainda podemos ter o rock como trilha de nossas reflexões sobre a existência humana e todos os seus percalsos. Ela cometeu mais um grande disco, que será celebrado por muitos anos ainda. E que mantém essa mulher franzina ainda como musa e deusa GIGANTE do rock inglês que realmente importa.

 

 

O TRACK LIST DO NOVO DISCO DE PJ HARVEY

1.The Community of Hope”

2.”The Ministry of Defence”

3.”A Line in the Sand”

4.”Chain of Keys”

5.”River Anacostia”

6.”Near the Memorials to Vietnam and Lincoln”

7.”The Orange Monkey”

8.”Medicinals”

9.”The Ministry of Social Affairs”

10.”The Wheel”

11.”Dollar, Dollar”

 

E A DEUSA DO ROCK INGLÊS AÍ EMBAIXO

Nos vídeos dos dois primeiros singles de trabalho do novo álbum, além de um trecho do shows inesquecível que ela fez em São Paulo em 2004, no Tim Festival – volta pra cá Polly Jean!

 

 

E O NOVO DISCO DE PJ HARVEY NA ÍNTEGRA ABAIXO

 

25 ANOS SEM MARTIN HANNETT, O GÊNIO LOUCO DA PRODUÇÃO MUSICAL ROCKER EM MANCHESTER

Ao rever madrugada dessas no YouTube “A festa nunca termina”, o sensacional misto de documentário e ficção que conta a história da cena musical de Manchester (na Inglaterra) no final dos anos 70’/início dos 80’ (uma cena inesquecível, já clássica e histórica e que deu ao mundo MONUMENTOS da música pop e do rock como Joy Division e New Order), surgiu no jornalistas rocker/blogger a inspiração para escrever este tópico. E numa semana (a passada) em que a música perdeu Prince (e num ano em que também já perdemos David Bowie), um PERSONAGEM chamou novamente a atenção no filme: o produtor Martin Hannett, que foi o responsável pelas gravações dos dois álbuns de estúdio do Joy Division (“Unknow Pleasures”, de 1979, e “Closer”, de 1980) e pelo disco de estréia do New Order (“Movement”, lançado em novembro de 1981).

A certa altura do filme o dono do ultra lendário selo Factory Records (lar tanto do JD quanto do NO), o igualmente lendário (e já morto) Tony Wilson, diz: “esse é um filme sobre MÚSICA e seus GÊNIOS. Eu sou um personagem MENOR aqui. Os maiores são Ian Curtis (vocalista do Joy, que se matou em maio de 1980) e MARTIN HANNETT”.

Ele tinha/tem absoluta razão ao dizer isso. Sendo que em um mundo tão efêmero como o da era da web, onde tudo é esquecido fácil e rápido demais, não custa lembrar um pouco de Hannett, mesmo porque 95% da pirralhada BURRA de hoje ou não se lembra mais dele ou sequer sabe quem ele foi. Detalhe: na semana passada se completaram exatos 25 anos da sua morte – ele foi fulminado por um ataque cardíaco em 18 de abril de 1991. Era jovem ainda, tinha apenas 42 anos de idade.

Martin Hannett era mais que genial. Era um MONSTRO como produtor. E um completo ALUCINADO, que devorava drogas (maconha, xaropes variados, cocaína, heroína, além de beber horrores) como quem devora um prato de comida na hora do almoço. E isso não interferia em NADA em sua genialidade artística e em suas percepções/concepções de produtor musical, muito pelo contrário. Foi de Hannett toda a inspiração/concepção da ambiência sonora que permeia todo a obra-prima que é “Closer”, o disco derradeiro do Joy Division, lançado apenas dois meses antes que Ian Curtis resolvesse mandar o mundo tomar no cu e pusesse uma corda em seu pescoço, aos 23 anos de idade. Aquela sonoridade gélida, sombria e distante que permeia o disco todo saiu da cabeça de MH, que a conseguiu simplesmente construindo uma abóbada de GESSO no TETO do estúdio onde a banda estava gravando. O resultado sonoro obtido se tornou um marco único na história do rock’n’roll e até hoje nenhum disco conseguiu ter uma sonoridade parecida ou próxima daquela que escutamos em “Closer”. Ou talvez o mais próximo dessa sonoridade esteja no álbum de estréia do New Order (que surgiu das sombras do Joy), “Movement”, de 1981. Também produzido por Martin, é sim um trabalho com canções dançantes mas absurdamente SOMBRIO em sua ambiência sônica – basta ouvir as duas primeiras faixas dele, “Dreams Never End” e “Truth”, pra sacar isso. É como se o Joy ainda existisse mas com Bernard Sumner cantando no lugar de Ian Curtis.

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Martin Hannett (acima), o gênio louco da inesquecível geração rocker de Manchester, nos anos 80’: ele produziu a obra-prima do Joy Division e também o primeiro álbum do New Order

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Claro que apenas dois anos depois o NO mudaria cada vez mais sua estética musical em direção a um mix impecável de rock com dance music. Isso, todo mundo sabe, resultou no ponto culminante da carreira da banda, o single “Blue Monday” (1983), sendo que ESSA todo mundo conhece até hoje (até os aborrescentes que babam com Rihana e Kate Perry). O single de 12 polegadas mais vendido de toda a história da música, “Blue Monday” tornou o New Order milionário e fez a banda vender uma quantidade de discos jamais sonhada nos tempos do Joy Division. Mas isso é outra história e voltemos a Martin Hannett.

Como já foi dito aí em cima, ele era um completo ALUCINADO. Não raro dava TIROS de revólver dentro do estúdio. E cansou de quebrar o pau com Tony Wilson (outro visionário, que também morreu ainda novo, aos 57 anos de idade, de ataque cardíaco, em 2007) que, mesmo assim, admirava a genialidade de Hannett de forma incondicional. Mas Martin era um louco irrecuperável. Jamais parou de beber e de se entupir de drogas. E morreu em 1991 também de ataque do coração, com 42 anos. Pesava então cerca de 150 quilos (!!!).

Como já dissemos, esse post foi escrito por causa do filme “A festa nunca termina” e porque fomos pesquisar um pouco mais sobre MH na web. Foi aí que verificamos que no último dia 18 de abril se passaram 25 anos da sua morte. E pela importância que esse sujeito teve na história do rock inglês e mundial dos anos 80’, achamos que ele merecia ser melhor lembrado para a turma de agora, tão inculta e ignorante quando o assunto é rock e cultura pop. Daí um ótimo motivo pra publicar este texto, não?

 

  • O blog assistiu a TRÊS shows do New Order: em 1988 no ginásio do Ibirapuera lotado (15 mil pessoas lá dentro) e que veio abaixo quando eles tocaram “Blue Monday”, depois em 2006 (salvo engano) na extinta Via Funchal (showzaço, ainda) e, por fim, alguns anos depois no Ultra Music Festival. Aí o blog já achou o grupo CAIDAÇO no palco e desencanou. Não vimos a gig no Lollapalooza BR e nem fizemos questão.

 

 

“A FESTA NUNCA TERMINA” AÍ EMBAIXO

Para quem nunca assistiu ao filme que radiografa com bastante humor (negro, muitas vezes, rsrs) a cena musical inesquecível de Manchester no final dos anos 70’ e durante toda a década de 80’. Uma cena que se tornou lendária e que ficou conhecida como “Madchester”.

 

 

ARQUIVO IMAGÉTICO/JORNALÍSTICO GIGANTE – TRINTA ANOS DE JORNALISMO MUSICAL E TREZE ANOS DE UM BLOG DE CULTURA POP

Já estamos praticamente em maio de 2016, que começa neste domigo. E especificamente o maio deste ano tem um significado muito especial para este já velho jornalista ainda mezzo loker e eternamente rocker. Foi neste mesmo mês, há 30 anos (em 1986), que ele começou sua trajetória no jornalismo musical brasileiro e paulistano. E daria para escrever um LIVRO aqui nesse tópico, sobre essas três décadas de atuação na imprensa. Como isso não é possível, vinte histórias desses trinta anos de jornalismo musical estão compiladas no livro “Escadaria para o inferno – memórias de um jornalista junkie”, que pretendemos lançar finalmente este ano.

Foi em maio também, mas em 2003, que começamos a escrever a versão online da coluna “Zap’n’roll” sobre rock alternativo e cultura pop, que foi publicada de 1993 a 1995 na extinta edição impressa da revista Dynamite. A coluna, que era postada no portal Dynamite online, se transformou em blog, migrou para seu endereço próprio na web e hoje, treze anos depois (uma eternidade em um mundo tão efêmero quanto o dos blogs e de toda a internet no final das contas), é um dos espaços virtuais de maior acesso e leitura na web BR dedicada ao rock alternativo e a cultura pop.

Então, a partir deste postão, vamos falar bastante sobre essas duas datas aqui na Zap’n’roll. Por enquanto iniciamos as comemorações e rememorações das duas datas com esse arquivo imagético algo extenso, onde resgatamos cerca de nove matérias, entrevistas e críticas de discos assinadas pelo autor deste espaço online nos diversos veículos (alguns dos principais jornais e revistas da história da imprensa do Brasil, alguns já extintos) para os quais trabalhamos e/ou colaboramos. São momentos bacaníssimos e que nos trazem ótimas lembranças.

E nesses trinta anos de jornalismo o blog precisa deixar registrado seu agradecimento de coração e eterno a pelo menos quatro nomes. Foram e continuam sendo nossos MESTRES nessa área profissional tão fascinante (e árdua, penosa e não raro espinhosa e louca), além de AMIGOS ultra queridos. Se não fosse por eles e as oportunidades qu nos deram e as portas que nos abriram, talvez não tivéssemos uma história tão legal para recordar aqui. nosso carinho e GRATIDÃO para sempre para Leopoldo Rey (que me abriu a porta na nanica editora Imprima, que publicava a igualmente nanica revista Rock Stars), Maurício Kubrusly (que recebeu o zapper em sua inesquecível e lendária revista Somtrês, sendo que há anos ele atua brilhantemente como repórter da TV Globo), Luis Antonio Giron (nosso “pai” no Caderno 2, do jornal O Estado De S. Paulo e um dos mais brilhantes jornalistas culturais deste país) e o “irmão de coração eterno” Pomba, que nos recebeu na independente e alternativa revista Dynamite em um momento (1993) bastante dramático da nossa jornada como jornalista.

Nas fotos aí embaixo, as seguintes capas de revistas e as matérias assinadas pelo jornalista nelas e também em jornais:

 

– primeira edição da revista Zorra (do início de 1987), e que era dedicada apenas ao então soberano rock nacional dos 80’, sendo que nessa edição específica (a revista acabou durando apenas três números) assinamos diversas matérias (Ira!, Camisa De Vênus, Fellini) e resenhas discos (entre eles, das Mercenárias e do Ratos De Porão) e shows (Capital Inicial).

 

– revista Somtrês de agosto de 1987, com resenha comentando o lançamento de “Closer”, o clássico segundo álbum do Joy Division.

 

– revista IstoÉ de agosto de 1990: assinamos uma matéria de TRÊS PÁGINAS sobre o então estouro nacional da saudosa Legião Urbana.

 

– revista Interview, de janeiro de 1994: fizemos um entrevistão com Renato Russo e a Legião Urbana.

 

– revista Dynamite, de outubro de 1996: matéria de capa falando do estouro do Oasis na Inglaterra.

 

– revista Dynamite, início de 1998: outra matéria de capa, dessa vez radiografando a explosão do Radiohead na Inglaterra e também no Brasil.

 

– revista Showbizz, dezembro de 1988: resenha de um disco solo do Mark Lanegan, ex-vocalista do grupo Screaming Trees, da era de ouro do grunge.

 

– revista Rolling Stone Brasil, agosto de 2008: matéria bacaníssima de duas páginas sobre o Vanguart, que estava em super ascensão e que se tornou o único grupo independente brasileiro a ficar muito popular.

 

– jornais: matérias de página inteira no caderno de variedades do extinto Jornal Da Tarde (em agosto de 1988, falando das vindas ao Brasil de Iggy Pop e dos grupos The Mission e Jethro Tull) e na capa do caderno de variedades do também extinto Gazeta Mercantil (em novembro de 2008) traçando um perfil do inesquecível REM, que tocou no final daquele ano em São Paulo.

 

E por último: uma montagem com as capas de diversas revistas onde há matérias do blogger rocker sobre o CARTAZ da festa de quatro anos do blog Zap’n’roll, que rolou no clube Outs/SP com shows do Vanguart e Faichecleres (que não existe mais). Foi uma madrugada insana e inesquecível, com mais de quinhentas pessoas no clube rock mais legal e infernal do baixo Augusta em Sampa.

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É isso, queridos (as). Ao contrário de gente (pouca hoje em dia, felizmente) que nos detesta e quer fazer acreditar (principalmente fakes que vivem latindo no painel do leitor do blog, né Marco Rezende, malbostinha tahan, Marcinho Passos filho da cutinha/putinha, oleúde oleoso etc.), este FINASKI tem sim (modéstia às favas) uma bela história no jornalismo cultural brazuca. E muito nos orgulhamos dela.

 

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OITO ANOS APÓS O PRIMEIRO DISCO, A BOA VOLTA DO THE LAST SHADOW PUPPETS

Alex Turner, guitarrista, vocalista e principal compositor do quarteto inglês Arctic Monkeys (um dos poucos nomes que realmente ainda importam no indie rock planetário deste triste milênio), está de férias de sua banda principal – o último álbum do AM, aliás justamente batizado de “AM”, saiu em 2013. Assim, com mais tempo disponível ele fez algo que talvez já devesse ter feito há alguns anos: se juntou novamente ao velho amigo e também músico Miles Kane e finalmente lançou o segundo trabalho de estúdio do grupo paralelo da dupla, The Last Shadow Puppets. “Everything You’ve Come To Expect” saiu na Inglaterra mês passado, e não tem previsão (óbvio) de ganhar edição brasileira. Mas você o encontra fácil em qualquer plataforma digital (como o Spotify, por exemplo). E cá entre nós é um álbum beeeeem legal, quase tanto (ou mais ainda, dependendo do ponto de vista de cada ouvinte) são os três últimos discos dos macaquinhos.

E a dupla demorou consideravelmente para voltar ao estúdio. A estréia deles se deu em abril de 2008, com “The Age Of The Understatement”. Nessa época o AM já caminhava para se tornar mega banda no indie rock inglês e Turner resolveu criar junto com Miles Kane um projeto musical “paralelo” que se diferenciasse do que ambos faziam até então. Nasceu o TLSP, com uma sonoridade mais pop e radiofônica e mais centrada em rocks garageiros com eflúvios dos anos 50’ e 60’. O álbum de estréia agradou a imprensa e também aos fãs do Arctic Monkeys, mas não se tornou nenhum estouro mercadológico.

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O novo disco do TLSP: tão legal quanto os do Arctic Monkeys

 

Agora, oito anos depois e com novo trabalho disponível a dupla quer, além do reconhecimento artístico (e isso o disco poderá lhes dar com tranqüilidade), tentar também se dar bem no quesito financeiro. Para isso a gravadora Domino está investindo bastante no trabalho de divulgação e colocando o duo pra fazer barulho em shows ao vivo pelos Estados Unidos e Japão. Mas o principal mesmo é o material desse novo cd, que combina baladas com emanações algo bluesy/psicodélicas com rocks mais acelerados (como o primeiro single de trabalho, “Bad Habits”) e outros de puro apelo garageiro. Assim vão surgindo ótimas canções ao longo do disco, como “Aviation”, “Miracle Aligner” ou a belíssima “Used To Be My Girl”. Músicas com melodias pop em sua essência e que não vão revolucionar absolutamente nada na cultura pop. Mas que mostram que o falido rock planetário atual ainda guarda algumas boas surpresas e alguns nomes capazes de gravar um bom disco. E o The Last Shadow Puppets felizmente ainda se mantém como uma dessas boas surpresas.

 

 

O TRACK LIST DO NOVO ÁLBUM DO TLSP

1.”Aviation”

2.”Miracle Aligner”

3.”Dracula Teeth”

4.”Everything You’ve Come to Expect”

5.”The Element of Surprise”

6.”Bad Habits”

7.”Sweet Dreams, TN”

9.”She Does the Woods”

10.”Pattern”

11.”The Dream Synopsis”

 

E A BANDA EM SEU NOVO VÍDEO E O NOVO DISCO INTEIRO, PARA VOCÊ ESCUTAR

Mostrando “Bad Habits”, o primeiro single de trabalho do novo álbum.

 

ELAS ESTÃO DE VOLTA!!!  AS SAFADAS, TESUDAS E ABUSADAS MUSAS ROCKERS (EM VERSÃO SEMI-SECRETA, ULALÁ!)

Yeeeeesssss!!! Bem que a gente tenta ficar um tempo sem ELAS por aqui. Mas nosso dileto leitorado macho (cado) acaba sentindo a ausência dessas deliciosas cadelinhas ordinárias e safadas como apenas elas sabem ser, ficam pedindo a volta delas, não resistimos e acabamos atendendo.

Então aqui estão elas novamente: nossas tesudíssimas musas rockers em sua primeira aparição em 2016 (já quase meio do ano, uia!). E pra marcar BEM o retorno do tópico selecionamos três delícias que já estiveram aqui, em poses absolutamente DEVASSAS. Por isso mesmo as musas desse post serão “semi-secretas”, com suas identidades completas mantidas em SIGILO, ok? Então deleitem-se, apreciem sem moderação e caprichem na sessão masturbatória, ulala!

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Neide R. (acima e abaixo) Idade: 33 anos. De: São Paulo. Gosta de Charles Bukowski, Gabriel Garcia Marquez, Cazuza, Tiê e Lana Del Rey. E AMA trepar. E há oito meses enlouquece o autor deste blog, a quem ela chama de “velho roludo dos infernos e/ou bruxo velho de pau gostoso”, ahahahaha.

 

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Lili O. (abaixo) Idade: 28 anos. De: São Paulo. Gosta de gothic rock, visuais extravagantes, couro,  vinil e baladas sado/masoquistas. E é um XOXOTAÇO.

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Andressa (abaixo). Idade: 23 anos. De: interior de São Paulo. Gosta de fazer academia, de hard rock (AC/DC) e de se exibir. E confessou certa vez ao blog: “sou casada e adoro meu marido. Mas também AMO FODER com outros machos!”.

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O BLOGÃO ZAPPER INDICA

  • Disco, I: os novos da deusa PJ Harvey e da dupla The Last Shadow Puppets.
  • Disco, II: já um gigante da história do indie rock britânico o Primal Scream, eternamente liderado pelo vocalista e compositor Bobby Gillespie até hoje persegue um resultado igual ao conseguido na obra-prima “Screamadelica”, lançado em 1991 (lá se vão vinte e cinco anos…) e até hoje o ponto culminante da banda. Este “Chaosmosis” mostra o grupo em boa forma mas ainda assim longe de reeditar o impacto conseguindo com o discaço de 1991. O PS continua perseguindo a contemporaneidade do pop e para isso não economiza no mix de guitarras com melodias mais dançantes e apoiadas em nuances eletrônicas. E sempre atento aos movimentos atuais do mondo pop, não deixou de convidar a cantora americana Sky Ferreira para participar do primeiro single do cd, a dançante “Where The Light Gets In”. É um bom trabalho mas mostra que, aos cinqüenta e três anos de idade, mr. Gillespie começa a dar sinais de esgotamento criativo.
  • Disco, III: da safra das cantoras surgidas na cena paulistana dos anos 2000’, Céu é uma das mais legais. Não apenas pela sua ótima inflexão e pela capacidade de trafegar em diferentes registros e influencias (MPB, pop, música eletrônica), mas principalmente por sempre mostrar grande fôlego criativo e tarimba artística para compor ótimas melodias, letras e arranjos. Tudo isso pode ser conferido em “Tropix”, seu quarto álbum de estúdio (em uma carreria que já se iniciou há mais de uma década, em 2005) e que chegou às lojas há algumas semanas. A bela cerrcou-se no novo trabalho de gente bacana como a cantora Tulipa Ruiz e o vocalista Jorge Du Peixe (da Nação Zumbi) para engendrar uma coleção de canções que seduzem quem as escuta pelo seu refinamento composicional, e pela estrutura que permite que ela vá do reggae ao eletrônico (como na sombria e bela faixa que abre o disco, “Pefume do invisível”) sem constrangimento e com ótima eficiência e elegância. O cd anterior, “Caravana Sereia Bloom” já era um discão. E o novo mantém o fôlego de Céu inalterado, mostrando que ela, aos trinta e seis anos de idade, ainda tem muito de bom a mostrar para os fãs de ótima música brasileira. E também torna completamente dispensável precisarmos continuar agüentando os sacais trinados da já caidaça e mala Marisa Monte. Sendo que “Tropix” pode ser ouvido na íntegra aí embaixo.

 

  • Filme: há dois ótimos e imediatos motivos para se assistir “A frente fria que a chuva traz” (que o blog, assume, ainda não viu). O primeiro é que ele marca a volta de Neville D’Almeida (um dos cineastas mais subversivos e transgressores da história do cinema brasileiro) à direção, após uma ausência de quase dezessete anos. O segundo é que o roteiro do longa (que mostra um grupo de jovens endinheirados realizando “festinhas” movidas a putaria, álcool e cocaine em uma laje de uma comunidade pobre carioca, numa metáfora sobre a desintegração/desagregação da sociedade atual) é baseado em texto escrito pelo graaaaande (e amigo pessoal destas linhas bloggers poppers) dramaturgo Mário Bortolotto. Então fikadika, sendo que assim que formos conferir o filme voltaremos a falar sobre ele.

 

  • Festa bacanuda: produzida pelo chapa Ricardo Fernandes (amigão zapper há pelo menos década e meia), rola neste sábado (o postão está finalmente sendo concluído na sexta-feira, 6 de maio) mais uma edição da legalíssima festona pop “Call The Cops”, cuja idéia é misturar muitas tendências da música pop na DJ set, mas sempre privilegiando o indie rock. Vai acontecer lá no Alberta 3 (que fica na avenida São Luis, 272, metrô República, centrão rocker de Sampa), um dos clubinhos rock’n’roll mais decentes do centro da capital paulista. Interessou em saber mais sobre o evento? Vai aqui: https://www.facebook.com/events/266962876973017/. Que ir nele na FAIXA? Manda JÁ seu pedido pra hfinatti@gmail.com, que tem um par de Vips pro babado esperando por você. Arrisque e boa sorte!
  • Baladas pro finde: yep, com o postão chegando ao fim enfim, é hora de ver o que temos de bacana no circuito alternativo de Sampalândia pra este final de semana. E a parada começa muito bem nessa sexta-feira, 6 de maio (leia-se: hoje), com show de lançamento do novo disco do redivivo DeFalla no Sesc Pompeia (que fica na rua Clélia, 93, Pompeia, zona oeste paulistana), a partir das nove  e meia da noite. E também hoje, sextona em si mas no Inferno Club (no 501 da rua Augusta), rola mais uma edição da “Party Bitch” (ou festa puta, uia!), sempre com muuuuuito rock garageiro na discotecagem.///Já no sabadão tem mais um showzaço do shoegazer Wry na Casa do Mancha (que fica na rua Felipe de Alcaçova, na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo), às nove da noite. E de lá dá pra esticar pro sempre infernal open bar do clube Outs (lá no 486 da rua Augusta). Tá bão, néan. Então se monta e se joga, porra!

 

E O FIM, ENFIM

Postão mais grandão e bacanão que esse impossível, hein! Mas como tudo sempre tem um final, precisamos parar por aqui que já é hora. Porém sem crise: semana que vem o blog mais legal da web BR de rock alternativo e cultura pop estará aqui novamente, sempre pra te deixar mais feliz em um mundo que está cada vez mais cinza e complicado. Até lá então, com beijos no coração de todos os nossos leitores.

 

(ampliado, atualizado e finalizado por Finatti em 8/5/2016, às 15:50hs.)